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	<title>Julia Petit – Petiscos » Antonio Fabiano</title>
	
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		<title>“Vontade de morar aqui”…</title>
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		<pubDate>Wed, 22 May 2013 16:30:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8230; disse André, moleque esperto antes de sair correndo desbravando aquele jardim que mais parece uma selva. Aqui é a casa de vidro da Lina Bo Bardi. Casa que sempre existiu para mim mas que eu nunca tinha conseguido visitá-la. Mas ela abriu e fica aberta até o fim do mês de maio e eu tenho...<br /><a class="more-link" href="http://juliapetit.com.br/colunas/antonio-fabiano/vontade-de-morar-aqui">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/05/lina1.jpg"><img class="size-large wp-image-19475291 aligncenter" title="lina1" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/05/lina1-580x580.jpg" alt="" width="580" height="580" /></a></p>
<p>&#8230; disse André, moleque esperto antes de sair correndo desbravando aquele jardim que mais parece uma selva. Aqui é a <a href="http://www.institutobardi.com.br/" target="_blank">casa de vidro da Lina Bo Bardi</a>. Casa que sempre existiu para mim mas que eu nunca tinha conseguido visitá-la. Mas ela abriu e fica aberta até o fim do mês de maio e eu tenho vontade de ir àquela casa todos os dias que posso. Porque lá tem caquinho no chão, tem pilotis altos e esguios colocando a caixa de vidro lá em cima no céu, onde a gente não consegue alcançar nem quando estamos nela. Ela é como as nuvens, que de longe parecem tão densas e quando estamos no meio dela, numa neblina quando descemos para praia, vemos que ela é ar, é inalcançável, é quase um não ser. Lembro que a primeira vez que entrei numa nuvem vi que algo estava errado. Que aquela fumacinha não era o algodão que eu queria sentir quando a via tão mais de baixo mas mesmo assim continuei querendo tê-la, querendo vê-la, querendo sê-la. A caixa de vidro é isso para mim. Eu a olhei lá de baixo, ao vivo pela primeira vez, e meus olhos me mostraram que ela era minha nuvem, que eu entraria nela e que continuaria a achando incrível, a achando perfeita, a achando sublime. E isso não mudou na segunda vez que fui e não mudará em nenhuma das milhares de outras vezes que eu entrarei nela, nas visitas de verdade ou nas da minha cabeça. Todas elas serão sempre a nuvem densa que tem formas lindas e que me fazem acreditar que posso brincar, que posso deitar, que posso correr sem parar até conquistar o céu azul inteiro para mim.<br />
E na casa a gente vê quadro pendurado no vidro, vê a floresta, vê a cidade, vê quadradinhos de vidro azuis claro no chão. Vê que a luz muda de lugar, vê cacarecos que tanto amo, vê <a href="http://masp.art.br/masp2010/" target="_blank">maquetes do Masp</a> feitas por crianças e expostas de um jeito lindo e sensível que só dona Lina conseguia fazer. E na casa da mulher moderna a gente vê espaço para hortinha, vê mirante, vê caminhos que insinuam uma relação íntima e próxima com aquele matagal intenso e colorido. E no meio dele tem também sua casinha de madeira e telha de bairro, que não está no topo de uma árvore mas está no meio de tudo, pulsando vontade de desenhar outros céus cheios de nuvens como aquele. É casa de interior, casa de metrópole, todas as casas juntas numa só. É para todo mundo e parece que é feita só para você.<br />
E lá tudo é vidro, material que separa mas não divide. A gente ainda sente o calor do outro lado, a gente vê através dele, não só com o olho mas com o corpo todo porque é com o corpo todo que a gente vive. É com a pele que a gente se sente em casa, que a gente se re-encontra, que a gente se (re)conhece. É o vidro livre que faz a gente ouvir a chuva, sentir o cheiro da terra, ver passarinho lá fora e a cidade crescendo no fundo com trânsito buzinando também no nosso estômago, nos nossos músculos, nas nossas vísceras e no nosso coração. Aquela casa que parece que é nossa mas tem como dona a dona Lina fez minha respiração parar por instantes e sinto às vezes que ela não voltou ao normal desde então.<br />
E se na ida fomos sentados um do lado do outro no carro, na volta, influenciados por ela, viemos todos empoleirados, pé no colo, cabeça na janela, contando as piadas mais absurdas e com uma certeza cabal: aquela casa é mágica. Como as nuvens.</p>
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<p>Fotos: <a href="http://coletivoarquitetura.com/" target="_blank">Tatiana Marques</a>.</p>
<p><strong><a href="http://www.institutobardi.com.br/noticia.asp?d=34" target="_blank">O exterior está no interior </a></strong><br />
Até 30/05<br />
Rua General Almério de Moura, 200  - São Paulo, SP.</p>
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		<title>Não me representa</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 17:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou professor porque acredito que a gente pode mudar o mundo. E acredito que para que isso aconteça é preciso que alguém faça algo por ele, para ele, com ele, nele. Mas minha idade, que insiste em pesar vez ou outra nas minhas costas além de não produzir mais colágeno em minha pele, me mostra que essa utopia é linda mas difícil de acontecer. Sou um romântico que pensa em mudar o mundo e um cético senhor que sabe que ele não vai ser mudado. Sou o espaço que acredita na mudança e o tempo cruel que sabe que, segundo após segundo, ele continuará ai, imexível. Mas eles, os moleques que tanto curto e dou aula, não sabem disso. Eles não sabem que o tempo tritura o espaço, não sabem que a velhice muitas vezes mata o amor romântico. Ainda bem. E não sabem porque são novos, porque tem um sangue que borbulha de forma vulcânica embaixo de suas peles firmes, porque tem saúde e colágeno em profusão e porque os anos não cicatrizaram o sonho de mudar a coisa toda. Ou mostraram mas bem na hora eles estavam mais preocupados com a <a href="http://juliapetit.com.br/musica/sonzinho-320/" target="_blank">nova música que o Black Keys</a> estava lançando e nem ligaram para isso. Ou não ouviram por rebeldia adolescente, daquela que os velhos bobamente intitulam de “sem causa”. E porque não sabem e não ouvem, eles mudarão tudo. E eu sou professor por isso: porque vivo nessa dicotomia mas com uma certeza, a de saber que eles mudarão tudo. Tu. Do.<br />
Muita gente não acredita na juventude e eu sinceramente não acredito que as pessoas possam pensar em coisa mais absurda. No primeiro dia de aula na faculdade, eu passo um pequeno documentário incrível chamado &#8220;Um Norte para o Sul&#8221;. Em um depoimento perdido no meio daqueles minutos de vídeo mostrado para uma classe lotada de moleques cheios de espinhas, empoleirados e ávidos por coisa nova, o norueguês Kaer Dag de 17 anos sentencia aquele tipo de frase que faz a gente ter vontade de tatuar para nunca mais esquecer. &#8220;Não acredito nos mais velhos. As mudanças verdadeiras só poderão vir da juventude&#8221;. E com isso transito entre o que é e o que pode ser.</p>
<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/05/feliciano.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-19471843" title="feliciano" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/05/feliciano-580x779.jpg" alt="" width="580" height="779" /></a></p>
<p>Poucos meses de aula depois de rever anualmente esse vídeo, recebi em minha sala alunos que queriam fazer uma manifestação contra o Feliciano. Mais uma manifestação, como tantas outras que vimos e <a href="http://juliapetit.com.br/home/nao-me-representa/" target="_blank">vemos na internet</a>. <span id="more-19471841"></span>Teria camiseta preta, teria o desconforto de ser representado por ele, teria nariz de palhaço, teria a bateria da faculdade. Tudo como mais uma manifestação, como tantas outras que vimos e vemos na internet. Com a diferença de que essa a gente poderia ir ao vivo, usar preto ao vivo, bater no bumbo ao vivo, gritar ao vivo, falar mal do professor que falou um absurdo na classe ao vivo, se posicionar ao vivo. Uma geração quase virtual, que muitas vezes está em sala apenas de corpo presente estava saindo da internet para mim, estava saindo do facebook, do twitter, do instagram, do celular, do whatsapp. Uma meia dúzia de moleques que estavam esfregando na minha cara com rugas iniciais que o mundo poderia mudar sim e eu ria por dentro, feliz, pensando que amava tanto que eles não tinham a menor ideia do poder que tinham nas mãos.<br />
E foi assim. No dia da manifestação, tivemos banca dos trabalhos dos alunos do último ano. Eu estava de preto como eles, me posicionando e apoiando a ação deles, que era, naquele momento, minha também. E enquanto eles gritavam lá fora eu gritava lá dentro da classe para conseguir ser ouvido. Eles lá lutando e eu ali, lutando também. Lutamos juntos, no mesmo momento, por um mundo melhor. Lutamos separados, de formas diferentes, por um mundo melhor. E eu queria muito que o mundo que eles estavam lutando acontecesse. Que é o mesmo mundo que eu estava lutando. Mesmo mundo que lutamos separados para, juntos, transformarmos em algo melhor.<br />
E não me importava se tinham dez, 25, 150 ou 2.000 alunos, nunca me importei com isso. Não era a massa que importava, era a ação. Não era a repercussão nos jornais que me comovia, mas o motivo.<br />
Passado o dia, vi a consequência. Vi que a geração on line não é uníssona como eu imaginava. Nem passiva. Ainda bem. Vi também que uma parte consegue ser mais careta que nós velhos e vez ou outra li frases (on line, obviamente) como “pelo visto ser branco, rico, heterossexual e homem um dia será pecado” e vi que assustadoramente a geração que joga vídeo game pode também ser absolutamente relutante com a mudança. É uma geração bombardeada por novidades e também em busca de costumes engessados. Gesso que a juventude, ao meu ver, sempre brigou contra, sempre gritou contra, sempre se impôs contra. É uma geração que tem autonomia virtual e alguns gestos ultrapassados. É uma geração que se posiciona contra o modo obsoleto de ensino mas que busca valores antigos para ser representados. Não todos, mas alguns que, incomodados com quem se mexe fora do teclado, fere em palavras soltas em meio virtual e anônimo.<br />
E vi que mesmo velho, insisto em acreditar e ter esperança. Nem que elas sejam falsas, nem que elas sejam bobas, nem que elas sejam imaturas. Nem que elas sejam poucas. Porque foram meia dúzia de moleques que saíram dos seus iPhones 1, 2, 3, 4 ou 5, vestiram preto e tocaram com a certeza cabal de que estavam desenhando um mundo melhor, que me mostraram o porquê de eu estar em sala de aula. Sobrevivendo nesse mundo cruel e mantendo a paixão de que estamos sim, juntos, mudando o mundo. Obrigado por isso, moleques. De verdade.<br />
E acreditem, porque nessa de acreditar vocês um dia mudam essa bagaça toda. E eu estarei lotado de orgulho em um canto de uma classe velha vendo vocês gritarem sempre fora. Fora Feliciano.</p>
<p>Pê-ésse-1: obrigado por organizarem uma das coisas que mais me deu orgulho de estar na faculdade e um obrigado especial ao Ale que disponibilizou as fotos.<br />
Pê-ésse-2: obrigado Paulinho pela consultoria dos porquês. Nunca sei as regras.</p>
<p>Fotos: Douglas Squarizi Moraes</p>
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		<title>Vagabundos S.A.</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Apr 2013 17:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/04/vagabundos.jpg"><img class="size-large wp-image-19467721 aligncenter" title="vagabundos" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/04/vagabundos-580x362.jpg" alt="" width="580" height="362" /></a></p>
<p>Outro dia meu amigo Ale e eu ficamos durante um tempão discutindo seriamente o nosso sempre assunto preferido (na verdade o meu assunto preferido é batata frita mas quando me encontro com ele o assunto muda mostrando minha flexibilidade e vocabulário amplos, generosos e de indiscutível importância e relevância) &#8211; somos vagabundos em potencial. A gente trabalha porque sei-lá-quem inventou que é assim que tem que ser na vida adulta. E se pudéssemos escolher acordaríamos tarde (eu na verdade, porque ele tem um pequeno desvio de caráter e acordaria cedo para correr, pobre coitado), tomaríamos café e ficaríamos por longos minutos pensando se vai chover. Ou fazer sol. Que na verdade tanto faz porque não teríamos tanta coisa para fazer depois de tal constatação. E o dia aconteceria nessa pegada intensa onde os minutos são consumidos com o prazer de cada segundo a ser vivido. Onde a gente não sairia correndo para almoçar nem ficaria desesperado que está atrasado e seu telefone não pára de tocar. A vida seria mais simples, mais lenta, mais legal. Porque a gente acordaria, falaria oi para o sol (acho que viraria uma coisa meio hippie Woodstock, vid4 nada lok4 nem ligando que a bota ta cheia de lama) e deixaria as coisas acontecerem com calma, sem pressa e com algum prazer.<br />
E eu não sentiria saudades de trabalhar não e acredito que faria, no máximo, uma ação por dia. Fui ao cinema? O dia está completo. Pensei na próxima viagem? Posso já dormir porque pensar nisso tudo já me cansou um bocado. E acreditem: não viajaria descontroladamente porque viajar também cansa, pelamor! E só de pensar que não dormirei na minha cama, não usarei meu vaso sanitário e nem meu chuveiro me estressa sobremaneira (sou apegado sim) e quem joga no time dos vagabundos não gosta nem um pouco de se estressar. Que além de tudo dá rugas e rugas estressam qualquer ser humano (tá vendo como esse ciclo vicioso é absolutamente cruel?). Cada vez mais eu acho que o prazer está intimamente relacionado ao prazer em si e não a outra coisa. Prazer em acordar, prazer em fazer em comer, prazer em viver de verdade.<br />
E pensando aqui me vem a pergunta cabal: quem disse que a gente só é completo quando produzimos alguma coisa? E mais do que isso: quem disse que só produzimos alguma coisa quando e somente trabalhamos? Eu produzo muita coisa deitado na grama de casa num sábado a tarde. Minha cabeça ta lá a mil e isso não tem relação nenhuma com trabalho propriamente dito. Me sinto do mundo por estar nele, não por acordar antes das seis da manhã para bater ponto na fábrica, que polui, que destrói e que botou na cabeça do mundo todo que a gente só vive de verdade se trabalha mais do que doze horas por dia. E pior: que faz a gente acreditar que só valeu a pena se realmente trabalhamos essa quantidade interminável de horas por dia.<br />
E já decidi, filosofia número um do nosso clube, que não quero olhar prum morro de pedras e pensar numa marreta e muito suor. Isso é trabalho. Quero praia, quero produzir na rede, quero brisa na cara. Quero olhar para o meu dia e ver que viajei sem sair tanto do lugar e esse lugar é cada vez mais longe de uma mesa gelada e um computador cujas teclas já estão meio engorduradas e gastas de tanto que são usadas. Quero olhar e falar que o cinema não foi válvula de escape mas ação de um dia bom. Quero mais cafés da tarde longos com risadas e abraços e menos contratos e papéis assinados com frios apertos de mãos. Quero ser vagabundo para olhar para trás e ver que fiz mais do que só uma coisa na vida, que cada pequena ação, no fim, foram degustadas com o prazer único delas e não com a necessidade de esvaziar a cabeça e botar um pouco de sentido na vida. Quero menos dinheiro e quero mais batata frita porque vagabundo que é vagabundo ama carboidrato frito e sabe que uma rodada deles com amigos vale muito mais do que anos de escritório. Vocês também não acham isso?<br />
E quem quiser entrar no time, pode chegar!</p>
<p>Ilustração: Antonio Fabiano</p>
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		<pubDate>Thu, 04 Apr 2013 17:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/04/coracao1.jpg"><img class="size-large wp-image-19460639 aligncenter" title="coracao" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/04/coracao1-580x694.jpg" alt="" width="580" height="694" /></a></p>
<p>A veia pulsa, mexe, força, move. Ele é músculo e como músculo precisa se exercitar para ficar cada dia mais forte. Para cada dia ter suas veias mais saltadas, para ser mais definido, ter o sangue pulsando mais quente. Ele faz o líquido borbulhar de tanto calor. Faz ele ficar grosso, faz ele ter brilho, faz ele queimar o corpo todo.<br />
Ele mexe com nossas viceras e com todas as nossas entranhas. Ele faz nossa carcaça se mexer e nossa alma suportar as coisas. Ele faz parte do todo mas, no fundo, a gente parece querer que só ele viva. E que seja intenso, que seja tenso, que seja apenas. Que seja. E que bombeie sangue quente por suas veias cada vez mais saltadas, que se mexa com tanta força que dê para ver que ele existe, olhando de fora. Que a pele que fica na frente dele fique fininha de tanto que recebe suas mexidas. Porque ele está lá, guardado, escondido mas mexendo. Ele está lá vivendo e fazendo a gente sofrer. Porque quem vive sofre e quem sofre tem ele mais forte.<br />
Ele te proporciona momentos de calmaria mas são os arranca-rabos que a gente mais gosta e mais lembra dele. São os momentos de tormenta e de angústia. São os momentos de guerra que fazem dele o personagem sagaz da nossa existência sem graça ter um bocadinho de cor. É quando a gente ganha cartelas de tons, ganha um punhado de brilho e ganha quentura. A propósito: adoro essa palavra. Quentura. E ele é isso, com seu mexer eterno como o mar, ele aquenta a gente para logo mais nos fazer perder a paz. E depois nos trazer paz. Como sua eterna batida. Que imita o relógio e as ondas das águas salgadas que, em contato com a areia fina e branquinha mostra que a paz está justamente no encontro de coisas um tanto quanto diferentes.<br />
E que ele exista. E que a gente o faça cada vez mais existir. Que ele ele borbulhe o sangue. Que ele se mexa. Como músculo que tem veia e pulsa. Sempre ele. Sem. Pre.</p>
<p>Ilustração: Antonio Fabiano</p>
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		<title>Querido diário</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2013 17:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/03/arabe.jpg"><img class="size-large wp-image-19457178 aligncenter" title="arabe" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/03/arabe-580x382.jpg" alt="" width="580" height="382" /></a></p>
<p>Sexta fui jantar. Só jantar. Macarrão e coca cola numa sexta a noite de uma semana tensa. E intensa. A coca levei. O macarrão ela fez. Disse que estava muito salgado mas eu não achei. Sempre acho que quem tempera muito a comida é porque tempera a vida toda muito também. Com sal, pimenta e aqueles trecos todos que a gente ama. E com alho, picado naquela rodinha incrível e genial (que ganhamos, ambos, da irmã dela). Vocês conhecem essa maravilha? É tão maravilhoso que quando ganhei fiquei abraçado com ela. E comemos. E falamos como a semana foi pesada. Tensa e intensa. Semana que a gente queria ter feito um monte de coisas mas não fez. Por gripe nossa, gripe dos outros, gripe da vida. Mas vai passar. Com remédio, água e paciência os tempos vão ser feitos. Depois saímos na rua. Rápido, não duraria nem dez minutos. Mas ouvimos uma música alta e um povo dançando no segundo andar de um prédio que a gente passa todo dia na frente e sequer percebe que ele existe. Nos olhamos e já sabíamos o que faríamos. Porque a gente quando ouve uma música alta na rua não consegue não ir atrás. E fomos. Entramos no prédio. Subimos as escadas. Fizemos perguntas interessadas. Descobrimos que era uma escola de dança árabe e que estava tendo uma apresentação.<span id="more-19457177"></span></p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/Ik1pPPu7Q7o" frameborder="0" width="580" height="326"></iframe></p>
<p>Entramos no salão. E entramos na roda de gente sentada no chão sentando na frente de quem já estava lá. Batemos palmas. Rimos. E rimos. E toda vez que faziam aquele barulho com a boca a gente tentava descobrir quem eram as donas daquela potência sonora. Acho que só na quinta vez percebemos da onde vinha. Ou sexta, não lembro. Eu ia contar nesse texto mas ela pediu para eu guardar segredo e o segredo está só entre nós, que sentamos naquela roda. Mas posso garantir que era potente. E ríamos toda vez que ele surgia fazendo todo mundo bater palmas mais animadas do que as que rolavam. Depois entrou um cara que batia um bambu no chão. E eu achava toda vez que ele ia me acertar. Sai ileso e mais tenso depois daquela dança. Mas superei. Vieram outras bailarinas. Uma. Duas. Três. Depois uma roda onde todo mundo levantou. Nós também. Começamos a dançar errado e o cara que queria me bater com um bambu veio nos ensinar e aprendemos. Mas fiquei com dor na perna esquerda porque o movimento só fica nela. Virei perneta para todo o sempre nessa sexta intensa. Mas superarei mais esse trauma. Com terapia ou umas aulas de dança. Tanto faz. Tinha um cara que fazia danças audaciosas no meio da roda e a gente sentenciou que na próxima saída com vodca a gente fará igual. Igual não, acho que a gente fará coisas mais legais ainda. E saímos do salão. Com as dancinhas todas na cabeça voltamos para casa dela e tomamos coca. Terminamos como começamos. Rindo. E com coca cola. Tensos e intensos porque é assim que a gente é. Com muito sal e com a alma lavada com o suor das palmas e gritos árabes. Depois vim para a minha casa, recebi um ‘dorme’ e dormi bem. Sem <a href="http://juliapetit.com.br/colunas/antonio-fabiano/cafune/" target="_blank">cafuné</a> mas bem. Sabendo que semanas tensas e intensas são sempre as minhas preferidas. E as dela também. Coisa de quem gosta de comida temperada e música alta na rua.</p>
<p>Foto: Getty Images</p>
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		<title>Sem roteiro</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Mar 2013 17:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/03/sem-roteiro.jpg"><img class="wp-image-19452198 aligncenter" title="sem-roteiro" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/03/sem-roteiro.jpg" alt="" width="580" /></a></p>
<p>Vocês já perceberam que a maioria do que a gente pensa, a gente não faz?<br />
A gente marca uma viagem, planeja, faz um bilhão de pesquisas, rabisca tudo em tabelas lindas e coloridinhas no excel e quando chega lá vira na primeira esquina a procura da primeira música que toca e toda aquela papelada cai por terra. A gente imagina, desenha, idealiza uma coisa mas na hora conhece alguém que vira seu melhor amigo do momento e ele te leva para um lugar que sequer está nos mapas imaginários da nossa cabeça. E a viagem que a gente tanto pensou fica sendo a viagem que sonhamos porque a real, que dobra esquinas desconhecidas, conhece pessoas que nunca imaginamos e tem outros cheiros e outros sabores é outra. Não sei se melhor. Não sei se pior. Mas outra.<br />
A gente muda de emprego e pensa em mil projetos, idealizamos como será daqui a um ano quando a gente terá feito a empresa crescer absurdamente e estará estampando a capa da Forbes como um cara gênio que descobriu a pólvora ou aquela coisa que a gente nem sabia que existia mas que agora não sabe mais viver sem. Mas chegando lá a gente faz amizade com quem menos imagina, odeia sempre uma quantidade grande de gente que senta próximo da nossa mesa e vê que nem quer estampar revista nenhuma e que o prazer de estar lá é outro.<br />
A gente quer dançar, escolhe a roupa, troca a roupa, toma banho, pensa no perfume, escova os dentes, passa fio dental com capricho, avalia o hálito, arruma o cabelo, desarruma o cabelo, arruma o cabelo, odeia o cabelo, fala foda-se para o cabelo e sai. No caminho a gente pensa na música que quer que toque, pensa que será uma noite incrível e que ela tem tudo para sair como a gente imagina e tudo o que a gente imaginou é na verdade o que a gente quer. Mas não toca aquela música, ou toca e bem naquela hora a gente está na fila do banheiro. E a gente começa a conversar com a pessoa de trás da fila reclamando que está tocando a sua música e você só pensa em uma coisa: xixi. E anuncia que nunca mais tomará cerveja. E começam a rir e a noite a partir dali só toca músicas incríveis que você nunca ouviu e mesmo com seu cabelo errado ela começa a ficar um tiquinho certa.<br />
A gente conhece uma pessoa e pensa como vai ser o dia seguinte. Você só a conheceu dançando no cantinho e já imagina como será a mensagenzinha de texto que receberá no dia seguinte. E depois imagina como seria acordar todo dia do lado, pensa no nome dos filhos e pensa que, quando bem velhinho, passeará de mãos dadas na beira da praia. Pensa se ela prefere Beatles ou Rolling Stones mas que essa escolha não tem tanta importância porque você mesmo gosta dos dois igual. E no dia seguinte você não recebe mensagem nenhuma e aquela noite incrível acaba por ali. Sem os filhos Francisco e Maria, sem saber a cor preferida ou se ela gosta de passar o pão italiano no prato para pegar o restinho de molho vermelho depois que o macarrão acaba. Ou recebe. Não só a mensagem, mas um convite para ir ao cinema, para tomar um café, para deitar na grama do parque e dar uma cochilada procurando o sol quente num domingo frio. Às vezes terão filhos que não se chamarão Francisco e Maria. E serão gêmeos mas diferentes. Ou iguais. A gente não saberá. Nunca saberá. Ainda bem.<br />
E mesmo saindo tudo diferente de como a gente pensa a gente continua pensando. A gente continua criando esse mundo paralelo de um trabalho incrível, de viagens deliciosas e perfeitamente planejadas, de encontros que durarão para sempre. A gente continua vivendo esse mundo louco e insano na nossa cabeça porque sabe que na rua a coisa é outra. Ás vezes melhor, às vezes pior. Mas outra. Ainda bem.</p>
<p>Foto: <a href="http://etc-alltherest.blogspot.com.br/" target="_blank">Etc</a>.</p>
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		<pubDate>Thu, 28 Feb 2013 17:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/02/mendigo.jpg"><img class="wp-image-19448826 aligncenter" title="mendigo" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/02/mendigo.jpg" alt="" width="580" /></a></p>
<p>Quando eu for convidado para ser editor de uma revista bem absurda, mas bem absurdona-incrível mesmo, farei o mendiguismo entrar na moda. Na urgência do agora porque é disso que a moda trata. Instaurarei o uso do moletom cinza dois números maiores do que o nosso com pequenos furos e a parte do cavalo já com o tecido pueril como a coisa mais legal e acertada a se usar. Obrigarei a criação de parcerias de marcas de tênis com marcas de pantufas para elas fazerem peças quentinhas, com caras de bichos cafonas e engraçadinhos, que possam ser utilizadas nas ruas sem rasgar a sola e também produzirei editoriais inteiros só de meias coloridas com pequenos furos no dedão (quer coisa mais legal do que ficar horas tirando e colocando o dedão no furo de meias felpudas?). Em dias muito frios obrigarei a humanidade a usar mijões com pezinho embaixo das mesmas calças de moletom furadas. Como tenho um senso estético muito apurado, farei composições de cores audaciosas e inusitadas com as duas peças e camadas de roupas estarão na moda de um jeito arrebatador.<br />
Confesso que a parte de cima me encanta pouco e por esse motivo darei menor destaque. Entretanto camisetas de bandas, de brinde e de vereadores terão seções inteiras com o título “tem que ter” e conjuntinhos de calça e blusa que a gente compra no supermercado (farei textos sofisticados e colocarei fotos incríveis pró conjuntos em edições sequenciais para deixar clara a importância desta tendência) ganharão destaque mas o melhor, sem dúvida, serão as cobertas flaneladas que a gente se enrola. Isso nas edições de inverno que são as mais importantes do ano. As de verão, valorizarei o torso nu e o pouco-roupismo mesmo porque é isso que a gente gosta e é isso que a gente quer.<span id="more-19448821"></span><br />
Acessórios ganharão destaque. E a peça símbolo da revista será, obviamente, o gorro de lã podendo ser substituído por tecidos customizados enrolados na cabeça. E vocês podem imaginar como essa minha atitude de editor consciente do nosso clima favorecerá a nação inteira? Faça chuva ou faça sol, estando com o cabelo mei-que-cagado e sujo ou completamente oleoso no verão, é enrolar um pano na cabeça e sair lindo pela rua andando de um modo desencanado porém muito cool e autêntico.<br />
Tão autêntico que assumirei a palavra &#8220;mindingo&#8221;, que é muito mais legal e sonora e imprime libertação, descompromisso e autonomia. Outros nomes poderão ser incorporados mostrando o dinamismo dessa atitude: pijamismo, relaxismo, vandalismo, demonismo e desencanadismo já estão entre eles.<br />
Como não sou bobo, a arte da revista mudará por completo. Não entendo essa coisa meio com cara de recorte de agenda escolar, sem relações de proporções sofisticadas que a diaba, só para citar um exemplo aleatório, prega. Será também descompromissada porém terá referencias interessantes e flertará com a estética de gente errada e incrível que cortava a orelha como Van Gogh e que manda o governo pra pqp como Ai Weiwei (<a href="http://coletivoarquitetura.com/exposicao/ai-wei-wei-nos-fez-entrar-no-museu-descalcos/" target="_blank">estou obcecado por ele atualmente</a>).<br />
E jamais falarei que essa é uma crítica social. Jamais me julgarei como politicamente correto, como autêntico e consciente do mundo enquanto máquina insana do consumir. É uma outra postura, que sequer flerta com a liberdade mas com o querer.<br />
Porque quero isso e, muitas vezes, só isso: ser livre e confortável, ora quentinho, enrolado e enfiado em roupas velhas e com bolinhas ora desnudo com pano nenhum em mim. Sem posição, sem gritar por nada eu acho que a gente só quer moletom com furo embaixo das pernas de vem em quando.<br />
Até a próxima estação.</p>
<p>Foto: <a href="http://julia-chesky.com/" target="_blank">Julia Chesky</a>.</p>
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		<title>Cafuné</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Feb 2013 17:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Fabiano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu adoro a palavra. Adoro falá-la devagar, curtindo cada uma das três sílabas que antes de serem juntadas, pareciam que nada daria. Mas deu. Cafuné. Palavra boa e que enche a boca de quem fala e faz tremer o corpo todo de quem recebe. Ca. Fu. Né. E é gostoso falar devagar, com a respiração...<br /><a class="more-link" href="http://juliapetit.com.br/colunas/antonio-fabiano/cafune">Continue lendo &#187;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/02/cafune.jpg"><img class="size-large wp-image-19444983 aligncenter" title="cafune" src="http://juliapetit.com.br/wp-content/uploads/2013/02/cafune-580x580.jpg" alt="" width="580" height="580" /></a></p>
<p>Eu adoro a palavra. Adoro falá-la devagar, curtindo cada uma das três sílabas que antes de serem juntadas, pareciam que nada daria. Mas deu. Cafuné. Palavra boa e que enche a boca de quem fala e faz tremer o corpo todo de quem recebe. Ca. Fu. Né. E é gostoso falar devagar, com a respiração pausada entre todas elas, curtindo cada milímetro, cada momento da palavra que era para dar errado mas não deu.<br />
Porque existe muito jeito de mostrar afeto, amor, ternura, tesão. Mas ela, só ela, mostra todos eles. Basta mudar a maneira, a pessoa, a situação. E pode ser feito em qualquer lugar, rápido ou demorado que sempre vai ser bom. A gente faz em cachorro, em gato, em peixinho beta dentro do aquário. A gente faz na tela do computador com o skype ligado quando estamos longe de uma pessoa que gostamos muito. A gente faz antes de beijar na pistinha quando toca aquela música delícia que tanto amamos ouvir. Às vezes vem disfarçada de movimentos rápidos que fingem que vão arrumar o cabelo mas, ledo engano, aquele gesto rapidinho era puro afago, só demostração de que está tudo bem e que é bom estar lá, frente a frente, sem palavra nenhuma só com carinho, só com atenção.<br />
E a sensação que tenho é que o melhor sono é aquele que a gente deita na perna e começa a receber aquele afago bom, aquele coçar do couro cabeludo bem de leve, que a gente vai sentindo as unhas massageando tudo e ouve bem baixinho que seu cabelo é fininho como de criança ou que está mais do que na hora de cortar aquela cabeleira gigante. E a gente dorme completamente livre, sabendo que não vai ter pesadelo porque tem gente do lado para espantar qualquer monstro insuportável que ousar perturbar nosso sono.<br />
Tenho para mim que a pessoa que faz cafuné é a mesma que acorda no meio da noite e fica olhando você dormir e ri baixinho a cada tremilique que você dá durante o sono. É a que pega dez minutos da madrugada para fazer um carinho no seu cabelo que não será sentido nem notado e, no dia seguinte, sequer será comentado mas isso pouco importa. Pouco importa porque quem recebe também sabe doar seu momento mais inofensivo, mais frágil e mais delicado para o outro. E no dia seguinte os dois acordam e não imaginam o que cada um fez, nem o que sentiu porque cumplicidade que é cumplicidade carece de pouca explicação.<br />
E escutem meninas: moleques curtem cafunés. Mas muito e do tipo muito. Vocês já perceberam que o homem menos carente é muito mais carente do que a mulher mais carente, né? Pois é isso. A gente curte achar que vai morrer com qualquer gripe, a gente quer tomar bronca porque usa roupa de maloqueiro e a gente quer carinho na cabeça do mesmo jeito que vocês fazem em labradores de comercial de ração quando o encontram na calçada a caminho da padaria.<br />
E sem explicar direito porque a gente ama cafuné, talvez porque a palavra é uma delícia de falar devagarzinho, talvez porque é bom fazer e é muito bom receber, que lanço o apelo mais maravilhoso do mundo mundial: façam sempre e se deixem receber sempre. Mais e desesperadamente mais.</p>
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