<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999</atom:id><lastBuildDate>Tue, 24 Mar 2026 11:17:29 +0000</lastBuildDate><category>receitas</category><category>estórias de cozinha</category><category>doces</category><category>legumes</category><category>frutas</category><category>italiano</category><category>pão</category><category>americano</category><category>light uma ova</category><category>bolos</category><category>saladas</category><category>fontes de sabedoria</category><category>massas</category><category>queijos</category><category>francês</category><category>sorvete</category><category>cereais</category><category>tortas</category><category>padaria de domingo</category><category>básicos</category><category>sopas</category><category>biscoitos</category><category>brasileiro</category><category>técnicas</category><category>peixes</category><category>natal</category><category>quinquilharias</category><category>viagens</category><category>onde comi</category><category>Gnocchi</category><category>Uma Sexta-Feira Frugal</category><category>asiático</category><category>joga fora nao</category><category>conservas</category><category>antipasti</category><category>alemão</category><category>indiano</category><category>carnes</category><category>inglês</category><category>mexicano</category><category>sanduíches</category><category>frutos do mar</category><category>grego</category><category>páscoa</category><category>vítimas culinárias</category><category>oriente médio</category><category>papinhas</category><category>produtos</category><category>La nonna</category><category>bebidas</category><category>escandinavo</category><category>espanhol</category><category>português</category><category>café da manhã</category><category>caribenho</category><category>quarentena</category><category>suíço</category><title>La Cucinetta</title><description>Experiências culinárias, histórias de minha cozinha, receitas, técnicas e dicas, na esperança de inspirar um pouco os meus amigos a largar o miojo e a pizza congelada...</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>946</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-2937640038705053552</guid><pubDate>Thu, 29 Feb 2024 13:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2024-02-29T10:32:07.047-03:00</atom:updated><title>O blog não morreu - dois livros e uma sessão de autógrafos</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLCwUxmEhoTzXhZorDdPtcyOJmGxE3RNWT3NmIdgy-y1Q6QbQC_4aij3evGAMoHCNu3wG1uwsM08-IS1Pbp7sncKTkz1d4h9hyphenhyphenFn-1DP32tjZ3eDMJAuOR_LuNklSX4zTb3aJ2j_cPC60ABTMAfNE9oqm_Y5Rtf_TogXFsyr9SnemRCwnmVbbRJ2kGugIa/s2510/IMG_20221203_160338779.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2510&quot; data-original-width=&quot;2510&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLCwUxmEhoTzXhZorDdPtcyOJmGxE3RNWT3NmIdgy-y1Q6QbQC_4aij3evGAMoHCNu3wG1uwsM08-IS1Pbp7sncKTkz1d4h9hyphenhyphenFn-1DP32tjZ3eDMJAuOR_LuNklSX4zTb3aJ2j_cPC60ABTMAfNE9oqm_Y5Rtf_TogXFsyr9SnemRCwnmVbbRJ2kGugIa/w640-h640/IMG_20221203_160338779.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhoW7GtCQEdgDxvRKvd25rxPMKKdrQttaHBXaumMDKE6sfmKki9RXTAIE1Nwt4iLp_bDQyZumm7HSRtbHXCdONne-qpdcoWN7eh_zi3Y8Z0168NslPJfiQuE45vcCv_MuQKRGrZx1FRdDxTIiB4LBH1rYRAkesWh_YNCIbScoQO0og3I9UEnhXRR0Rv_GP1/s3296/AnaElisaGranziera_retratocomlivro.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3295&quot; data-original-width=&quot;3296&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhoW7GtCQEdgDxvRKvd25rxPMKKdrQttaHBXaumMDKE6sfmKki9RXTAIE1Nwt4iLp_bDQyZumm7HSRtbHXCdONne-qpdcoWN7eh_zi3Y8Z0168NslPJfiQuE45vcCv_MuQKRGrZx1FRdDxTIiB4LBH1rYRAkesWh_YNCIbScoQO0og3I9UEnhXRR0Rv_GP1/w640-h640/AnaElisaGranziera_retratocomlivro.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por muitos meses quis começar esse texto com o título &quot;Porque o blog morreu&quot;. Mas não tinha certeza se ele estava de fato morto ou apenas num sabático.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todas as minhas mudanças de casa transformaram meu modo de cozinhar. Seja porque a cozinha muda minha movimentação, seja porque os mercados têm ingredientes diferentes. Há também as distâncias até os mercados, a configuração do bairro, andar versus dirigir, a rotina das crianças e o tanto de trabalho que me consome.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Numa tarde dedicada a preparar bombas de chocolate, a bomba que me atingiu foi a constatação de que eu preferia estar escrevendo a cozinhar. Olhei para as quatro horas do meu dia usadas para produzir aquele doce, e entendi: a fase passou. A pessoa alucinada por cozinha que fui um dia, que ia dormir planejando novas receitas, não estava mais ali. Quem usava aquela cozinha era alguém tranquila em preparar jantares sem grandes alardes, e o mesmo bolo de fubá para o lanche. O fogo da exploração de novas técnicas e ingredientes finalmente havia virado uma brasinha confortável de quem só quer comer um bom spaghetti.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O mundo culinário na internet também estava saturado. Não havia&amp;nbsp; nada a respeito de comida que eu pudesse escrever que já não tivesse sido publicado. E não apenas publicado, mas melhor fotografado, mais bem testado, e com todas as promessas cansativas de &quot;o melhor&quot;, &quot;o perfeito&quot;, &quot;o definitivo&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E eu cansei. E eu só queria comer meu jantar em paz e mandar na lancheira das crianças uma barrinha de cereal que eu comprei no Costco, porque eu não tenho mais energia para fazer tudo o tempo todo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acontece que nessa mesma época, o Instagram, onde divulgo meu trabalho de ilustração, escrita e arte, começou a dar problemas. Dei-me conta de quão instável era a ferramenta, e o problema que seria caso o Zuquebérgue resolvesse desligar ou mudar o aplicativo, ou simplesmente bloquear minha conta. Eu perderia o acesso àquelas pessoas que acompanhavam meu trabalho. Cada vez mais hackeado, o Instagram me fazia sentir presa a uma rede social que a qualquer momento poderia sumir, como o finado Orkut. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mantinha o blog como meu principal canal de escrita, mas achava estranho escrever aqui sem falar de comida. O meio influencia o modo como nos comunicamos, e os textos que escrevo no Instagram não têm a mesma forma e conteúdo que os que escrevia aqui. Mas aquilo que eu gostaria de escrever aqui por alguma razão não fluía. O formato de longas entradas de diário que me acostumei a produzir no blog não funcionava mais para mim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O blog foi ficando mais vazio depois que o Google desativou o Feed. Sem receber mais atualizações, quem quisesse me ler teria de lembrar que o blog existe, e acessar o endereço por livre e expontânea vontade. Ao mesmo tempo, eu me irritava com os cinquenta cometários por dia que eu precisava moderar: todos spam em outras língua, no meio de um ou outro leitor novo, que caiu de gaiato no blog, me perguntando de forma seca e grosseira sobre susbstituição de ingredientes numa receita que fiz uma vez só há dezesseis anos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em nome da minha paz de espírito, fechei os comentários do blog. No entanto, isso também fechou o canal de comunicação com meus leitores, que eu gostava tanto. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A solução, na época, foi criar um Apoia-se, que depois virou uma comunidade no Hotmart, e hoje é uma newsletter no Substack. Tentei plataformas diferentes, pagas, gratuitas, o que fosse. Queria escrever em uma plataforma que permitisse um contato mais direto e mais com quem gosta de ler as bizarrices que meu cérebro produz. Mas que também fosse estável, que não estivesse à mercê das flutuações de humor de um milionário sociopata. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A newsletter do Substack hoje funciona como um blog, onde posso escrever sobre qualquer coisa (e até sobre comida, se eu quiser), mas cuja vantagem é ir direto ao leitor. É uma ferramenta que tem menos chances de simplesmente desaparecer (e se desaparecer, eu tenho como avisar todo mundo), e onde eu sinto que tenho mais possibilidades como escritora.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas agora que a newsletter está bem estabalecida, ainda que sujeita ao meu tempo e cansaço (que isso de prometer texto toda semana durou pouco), chegou a hora de voltar a esse espaço para dar notícias. E eu estive tão atrapalhada com a vida em geral, que não me dei conta de quanto tempo se passou desde meu último post aqui e tudo o que deixei de informar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;b&gt;No mais, continue acompanhando meu trabalho no Instagram:&lt;a href=&quot;https://www.instagram.com/anaelisagg/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt; https://www.instagram.com/anaelisagg/&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;b&gt;E vá conhecer e assinar minha newsletter, Boletos &amp;amp; Borboletas: &lt;a href=&quot;https://anaelisagranziera.substack.com/&quot;&gt;https://anaelisagranziera.substack.com/ &lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h2 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;b&gt;LANCEI UM LIVRO NOVO&lt;/b&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFF-BOEFb4ggm_23eYGvt1sbLB26ZlzODVImNrH6oB7jz8HT9hAhoyfufPXOytEAzmLspZ6brBN7yvDB1nglug-mxo0ADLk4COVaHrjd-BqzfGj7Dg57zkE719wq45vmfDDvbJn-9rirtf4W0m7VOt8F_9dEGTD7LpCJfsDzxshlIOKQjq21kHXUIzM78D/s720/ManualdasDecepcoes_mocape.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;720&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFF-BOEFb4ggm_23eYGvt1sbLB26ZlzODVImNrH6oB7jz8HT9hAhoyfufPXOytEAzmLspZ6brBN7yvDB1nglug-mxo0ADLk4COVaHrjd-BqzfGj7Dg57zkE719wq45vmfDDvbJn-9rirtf4W0m7VOt8F_9dEGTD7LpCJfsDzxshlIOKQjq21kHXUIzM78D/w640-h640/ManualdasDecepcoes_mocape.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em novembro de 2022 saiu meu segundo livro,&lt;b&gt; Manual das Decepções de Uma Vida Comum - contos e outras coisas&lt;/b&gt;. Uma experimentação com o conceito da decepção, da desilusão: pequenas histórias, poemas e ilustrações a respeito do momento em que a ilusão é quebrada, e nos defrontamos com a realidade. Tudo permeado com o tipo de humor ao qual vocês se acostumaram por aqui.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O livro foi publicado pela Mocho Edições. e está à venda no site da editora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mochoedicoes.com.br/pagina-de-produto/manual-das-decep%C3%A7%C3%B5es-de-uma-vida-comum&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;COMPRE MANUAL DAS DECEPÇOES AQUI&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No momento do lançamento, eu estava atrapalhada com o processo da cidadania canadense, que deixa a gente seis meses sem passaporte. E por conta disso, não consegui ir ao Brasil para o lançamento presencial.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Mas isso mudou: amanhã embarco para São Paulo. E no meio das minhas férias, realizo um sonhon de infância: minha tarde de autógrafos em uma livraria.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #800180;&quot;&gt;LANÇAMENTO E SESSÃO DE AUTÓGRAFOS &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #800180;&quot;&gt;DIA 9 DE MARÇO, DAS 15h ÀS 18h&lt;br /&gt;Na Livraria Martins Fontes - Consolação&lt;br /&gt;R. Dr. Vila Nova, 309, Vila Buarque - São Paulo - SP&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;ESPERO TODO MUNDO QUE PUDER IR! SE VOCÊ JÁ TEM MEUS LIVROS, VAI DAR UM OI E PEGAR O AUTOÖGRAFO! VOU ADORAR CONHECER VOCÊS!&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzEgtGaOsastwA7T3RV-TDLPjPxT_Y5JDdB2ml_Y2DfOOqqBW25GJFYAUTjC09sFPdHh9etZR3QzUXx_iFZHtIfQvPkCsNQfUPcFwzAqG29ns1QF6Hc6VXEC-HBekINeg0pETHHoqyv2OzXTLNCrSd7Hey750JlsEYwkMMrxwPXrjsOh3TogPqeXm8GJ5E/s2000/PostLancamentoLivraria_ManualdasDecepcoes.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2000&quot; data-original-width=&quot;2000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzEgtGaOsastwA7T3RV-TDLPjPxT_Y5JDdB2ml_Y2DfOOqqBW25GJFYAUTjC09sFPdHh9etZR3QzUXx_iFZHtIfQvPkCsNQfUPcFwzAqG29ns1QF6Hc6VXEC-HBekINeg0pETHHoqyv2OzXTLNCrSd7Hey750JlsEYwkMMrxwPXrjsOh3TogPqeXm8GJ5E/w640-h640/PostLancamentoLivraria_ManualdasDecepcoes.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h2 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;PERAÍ - LANCEI OUTRO LIVRO&lt;/h2&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Não satisfeita, em 2023 lancei meu terceiro livro, Pandora Não Dormia - poemas de noites insones. Um mergulho na mente neurótica de quem não dorme, nos fantasmas do luto e na redenção de um dia que nasce. Pandora Não Dormia é meu projeto mais precioso, pois teve escrita, edição, projeto gráfico, diagranação, ilustração e capa assinados por mim. Trabalho completo, realização de sonho em forma de objeto. Apesar de ter sido escolhida por duas editoras, quis publicar Pandora de forma completamente independente, para ter controle de todos os processos e tentar resolver algumas das dificuldades da autora expatriada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiefiSJ9HxdISVVgpTHVuh2GHVNcxoHZJrvpjeY3efLLfliF8J5ZrbokcQqiIqGofwkeYNDqAf1hf5U62V9RJcHFUssWXoWYQHKdSulqavPV47Wgcy9mtrwpFeGGHYGKl1WRAdVUvfz8TZ0s29zf1ZfFYELHJzDQypcPyInz6vQE9e7_e7WFKMLw4jUgulI/s3000/News23c.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiefiSJ9HxdISVVgpTHVuh2GHVNcxoHZJrvpjeY3efLLfliF8J5ZrbokcQqiIqGofwkeYNDqAf1hf5U62V9RJcHFUssWXoWYQHKdSulqavPV47Wgcy9mtrwpFeGGHYGKl1WRAdVUvfz8TZ0s29zf1ZfFYELHJzDQypcPyInz6vQE9e7_e7WFKMLw4jUgulI/w640-h640/News23c.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje chega à casa dos meus pais uma caixa inteira de Pandora Não Dormia, que vou autografar e enviar de São Paulo para o Brasil. &lt;b&gt;Se você quiser o seu, me manda um email (anaelisagg(arroba)gmail.com).&lt;/b&gt; Vou autografar os livros na segunda semana de março e enviar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pandora não vai ter lançamento presencial, e nem acho que posso vendê-lo no evento do Manual das Decepções. Mas além de comprá-lo direto comigo, autografado, você também pode pedir na Amazon:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.amazon.com.br/Pandora-N%C3%A3o-Dormia-Poemas-Insones/dp/6500818415/ref=mp_s_a_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;amp;crid=34IAIEYEHYMJL&amp;amp;keywords=9786500818413&amp;amp;qid=1697491594&amp;amp;sprefix=9786500818413+%2Caps%2C1245&amp;amp;sr=8-1&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;COMPRE PANDORA NÃO DORMIA AQUI&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E é isso, pessoal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O blog continua por aqui, ainda meio sem saber se é ou deixou de ser. Assine minha newsletter para receber crônicas, cartuns e novidades. Há muio mais coisas minhas publicadas por aí. Como o livro infantil que ilustrei, as crônicas e contos publicadas em portais e revistas literárias, e as coletâneas das quais agor faço parte. O Instragram continua mostrando o dia-a-dia dessa doida que vos escreve, e as pinturas e ilustrações que produzo. SE você tiver uma encomenda, manda uma mensagem. EStou aceitando encomendas de capas de livros e diagramação também!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Beijos a todos e espero ver vocês no meu lançamento na livraria! Quem não quer ver minha cara de pangaré cansado morrendo de emoção de realizar um sonho?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Inté. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2024/02/o-blog-nao-morreu-dois-livros-e-uma.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiLCwUxmEhoTzXhZorDdPtcyOJmGxE3RNWT3NmIdgy-y1Q6QbQC_4aij3evGAMoHCNu3wG1uwsM08-IS1Pbp7sncKTkz1d4h9hyphenhyphenFn-1DP32tjZ3eDMJAuOR_LuNklSX4zTb3aJ2j_cPC60ABTMAfNE9oqm_Y5Rtf_TogXFsyr9SnemRCwnmVbbRJ2kGugIa/s72-w640-h640-c/IMG_20221203_160338779.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-3147183552517403371</guid><pubDate>Wed, 01 Jun 2022 16:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-06-01T13:51:46.994-03:00</atom:updated><title>Uma salada basta</title><description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgetf498xDg3mZERbJx2Clf8yDv_shVQXjwWHaj7V5OMMy84S_RlydXqE8PsWgRn4wzNurCajMorP_1VrIgnMZyqsegfayXG4uiUyaH01VLKb0Y5dmWlUF2fVsfzR8GhM7tywt09_lBNwOIO-ahLXWKT4Hjs6vjH55XkDXt6PlFqvRBoXWznoKs7H-Z7g/s3000/IMG_20220601_120034673.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgetf498xDg3mZERbJx2Clf8yDv_shVQXjwWHaj7V5OMMy84S_RlydXqE8PsWgRn4wzNurCajMorP_1VrIgnMZyqsegfayXG4uiUyaH01VLKb0Y5dmWlUF2fVsfzR8GhM7tywt09_lBNwOIO-ahLXWKT4Hjs6vjH55XkDXt6PlFqvRBoXWznoKs7H-Z7g/w640-h640/IMG_20220601_120034673.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era para ter refeições no jardim, mas hoje choveu. E calhou que hoje, essa semana, como é todo o período antes de se sair de férias, há muito trabalho. E come-se na frente do computador.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E poderia comer na frente do computador como fazem os canadenses, deglutindo apressadamente um qualquer coisa comprado pronto. Mas há prazeres dos quais não abro mão para não adoecer de alma, e um deles é preparar meu almoço.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saladas. Que há com as saladas que me encantam há tantos anos? Que desde tempos imemoriais (ou bem memoráveis, bem marcados aqui no blog), me faço saladas para almoçar solitária, enquanto assisto a algum video besta de cozinha ou olho os passarinhos entre nuvens pela janela. Às vezes levo mais tempo para prepará-las do que para efetivamente comê-las, mas assim me sinto acarinhada, cuidada, abraçada por esses meus mesmos braços que apanham panelas para dourar croutons e tigelas para fazer um molho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo com as crianças, as saladas insistiram em se fazerem presentes. Digo aos dois, tão crescidos, como sinto falta dos nossos almoços tranquilos depois da escola no Brasil. (A memória é essa coisa linda, que esquece as birras no estacionamento da escola, as lutas para convencer a criança a provar a rúcula, ou o dilema de tirar ou não tirar a criança dormindo da cadeirinha do carro pra vir almoçar, já que o almoço tá pronto e aquela soneca zoa a rotina, mas a criança acordada da soneca vai ficar fula e não vai comer nada de qualquer forma.) Mas sou sincera: sinto saudades. De quando eles primeiro aprenderam a comer salada, ainda petititicos, apanhando com as mãozinhas cunhas de alface americana, e mergulhando num molhinho de iogurte. De quando eles já tinham idade para comerem sozinhos, e os ensinei a espetar a dobrar a folha de alface no prato e usar a faca para espetar o pacotinho verde na ponta do garfo, coisa muito educada. De terminar o almoço salada+omelete de bistrô com umas fatias de queijo bom e uma fruta. Na época em que o Thomas ainda comia fruta. (Vitórias, no quesito criança, são sempre passageiras.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A escola canadense, que os mantém fora de casa quase todo o dia, me lançou de volta às saladas solitárias da juventude. E continuo deliciada com essa refeição leve que não me arrebata de sono no meio do dia. Essa oportunidade de criar misturas e misturar cores e texturas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alface americana rasgadinha, abacate, rabanete. Tem verdura mais bonita que rabanete?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um molhinho improvisado que vale ser guardado para repetição: iogurte, azeite, vinagre de maçã. Assim no olho e no paladar, que você decide quão líquido ou quão ácido quer seu molhinho. Cebolinha, salsinha, coentro e hortelã, partes iguais, e bastante, seja generoso, muito bem picadinhos. Sal, pimenta-do-reino. Um alho pequeno, bem amassado. Mistura bem. Fica mais forte e gostoso se feito com antecedência. Croutons fresquinhos, pãozinho rasgado dourado no azeite e alho. (Pode amassar esse alho dourado e meter no molho também.) E só.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que assim já tá mais que bom.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora me dá licença pra catar um cafezinho, que o almoço acabou e eu tenho trabalho a fazer.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2022/06/uma-salada-basta.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgetf498xDg3mZERbJx2Clf8yDv_shVQXjwWHaj7V5OMMy84S_RlydXqE8PsWgRn4wzNurCajMorP_1VrIgnMZyqsegfayXG4uiUyaH01VLKb0Y5dmWlUF2fVsfzR8GhM7tywt09_lBNwOIO-ahLXWKT4Hjs6vjH55XkDXt6PlFqvRBoXWznoKs7H-Z7g/s72-w640-h640-c/IMG_20220601_120034673.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-1816506260999689623</guid><pubDate>Thu, 26 May 2022 23:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-05-26T20:28:06.559-03:00</atom:updated><title>Visita fácil e quiabo acebolado com pimentão</title><description>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhkwx1LupAiQnSrSQquGUfEnTvhf96pzsrQhGh9plsCL1kA_ITyKLMYEVDVRJiBwq5d4ICojfVVLR2s4boPkqRyvIwC6zyPMSmjsGu5f6rhgAICL1muJeSzRWyHO2ABjkCUch4Q4CgIJvOnL2r-lCvHEjyBGqzwBcJm4fq9MIWCbQC7i2hqvndyJRYmcg/s4000/IMG_20220511_142537967.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhkwx1LupAiQnSrSQquGUfEnTvhf96pzsrQhGh9plsCL1kA_ITyKLMYEVDVRJiBwq5d4ICojfVVLR2s4boPkqRyvIwC6zyPMSmjsGu5f6rhgAICL1muJeSzRWyHO2ABjkCUch4Q4CgIJvOnL2r-lCvHEjyBGqzwBcJm4fq9MIWCbQC7i2hqvndyJRYmcg/w480-h640/IMG_20220511_142537967.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes, eu tenho um plano. Meu plano, em primeiro lugar, com meus pais visitando por duas semanas, era me dar a oportunidade de conhecer a cidade onde moro há um ano, e que por tanto tempo esteve fechada para mim, por quarentenas e invernos intermináveis. Levei-os a todos os restaurantes que queria conhecer, a todos os lugares bonitos que eu nunca vira, tão turisticamente quanto possível.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHi4qugV-Qr3lD511SuPXo5_R0lkFJU1ZEjPL0CRFu39S0wImJBPpNnjn-QFjkBwx4qj6BqCj6TreqccegZlJPOzs7RjEIERCWyNSBFH_qZUAWVcObByrP_wPmuBw_9SZ-VEt_EuqFgu1M8H8U-oJH0p698N8NCMaA8CkHROz9nzIsI_3ax_LOJ3fKng/s4000/IMG_20220514_140245929.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHi4qugV-Qr3lD511SuPXo5_R0lkFJU1ZEjPL0CRFu39S0wImJBPpNnjn-QFjkBwx4qj6BqCj6TreqccegZlJPOzs7RjEIERCWyNSBFH_qZUAWVcObByrP_wPmuBw_9SZ-VEt_EuqFgu1M8H8U-oJH0p698N8NCMaA8CkHROz9nzIsI_3ax_LOJ3fKng/w480-h640/IMG_20220514_140245929.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Meu plano, era, também, não ter trabalho. Porque anfitrião cansado fica chato. E cozinhar para muita gente todo dia nem sempre é assim aquela alegria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;As
 crianças levaram sanduíches de almoço, e Allex resolveu muitos jantares
 infantis com pizza e pipoca, quando os adultos ainda estavam 
empanturrados das porções canadenses do almoço.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Mas quando a fome
 e a vontade bateram, fui à cozinha preparar um jantar para seis sem 
complicações. Complicações, no caso, sendo muitas panelas, muitos 
preparos simultâneos ou excesso de mis-en-place. Mas pode ser simples e também saboroso, que se meus pais pegaram tantas horas de voo para
 visitar, não era minha intenção que jantassem gororoba de terça-feira e
 resto de geladeira. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Num dia, lancei mão de um pacote de 
ravioli de ricotta que é BEM gostoso, apesar de pronto, e, enquanto 
cozinhava, derreti uma quantia generosa de manteiga na frigideira 
grande, com um alho fatiado e folhas de sálvia (mas pode ser alecrim), até que dourasse. Juntei
 uns punhados de folhas de espinafre, uma pitada de sal, e deixei que 
murchassem na manteiga aromática. Foi mais outros punhados de 
tomates-cereja cortados ao meio, uma misturada, e antes que o tomate 
desmanchasse, os ravioli cozidos, remexendo muito bem até que os 
travesseirinhos de ricota se encobrissem de molho. Muita 
pimenta-do-reino e muito parmesão. Um prato que eu repito sempre, desde 
que minha amiga Marina e eu o criamos quando estávamos na praia, na 
minha visita ao Brasil em fevereiro.E eu sempre esqueço de fotografar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Noutro dia, porque havia comprado confit de pato no Costco (às vezes vou ao Costco do Quebec porque lá se compra dessas coisas #phynas a preços módicos), 
liguei o forno bem alto, lá pelos 225oC, e lhe botei dentro uma 
assadeira com batatinhas com sal e azeite, cortadas ao meio, para 
cozinharem mais rápido. Enquanto elas assavam, cozinhei as coxas de 
pato como dizia embalagem (é coxa de pato temperada, imersa na própria gordura, que você só termina de cozinhar e doura no grill), descasquei os aspargos e lavei os &lt;i&gt;fiddleheads&lt;/i&gt;, que são 
brotos de samambaia que só dão na primavera. Cozinhei os aspargos 
rapidamente em água fervente, e em seguida os brotos, que foram passados
 na água fria para parar o cozimento, e temperados com sal, azeite, suco
 de limão e alcaparras. Abri o forno, e espalhei os fiddleheads sobre as
 batatas, com fatias de limão, para que as temperassem e terminassem de 
dourar, assim, tudo junto. No finalzinho, entraram os aspargos, só para 
aquecer, quando então liguei o grill para dourar a pele do pato. Acho 
que os brotos de samambaia podem ser tranquilamente substituídos por 
vagens finas. Servi assim, direto na assadeira, que aqui em casa panela vai pra mesa com visita ou sem visita, que eu é que não tenho vocação pra ficar lavando louça desnecessária.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCF0C46OhI0HuN1fGh1CzyD1IBOZdw9RMTk4BJtSwWhWJmpDlEAgr6ATxaaSP6mtQZcWgcv6DUQpRuWb4JXgT3ewE4e0mlCGlh3tA4rw0jgToi0RkPNvC2T7CaEYzVsLWatqHH-yktnRE2hn8_guz3zQSUQ59sRg2s7fvROmSe0po39A_1jjdWnX0qRA/s3000/IMG_20220518_192437323.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCF0C46OhI0HuN1fGh1CzyD1IBOZdw9RMTk4BJtSwWhWJmpDlEAgr6ATxaaSP6mtQZcWgcv6DUQpRuWb4JXgT3ewE4e0mlCGlh3tA4rw0jgToi0RkPNvC2T7CaEYzVsLWatqHH-yktnRE2hn8_guz3zQSUQ59sRg2s7fvROmSe0po39A_1jjdWnX0qRA/w640-h640/IMG_20220518_192437323.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;Em seguida, porque meu pai gosta de peixe, comprei um filé de salmão 
Sockeye, típico aqui do Canadá, que veio congelado. &quot;Vai dar tempo de 
descongelar até o jantar?&quot; Ô, se vai. Coloquei o salmão no pacote 
fechado em cima da secadora de roupas quentinha, enquanto ela secava 
nossas toalhas. #lifehacks. Haha. E voilà, salmão descongelado a tempo do jantar. Lá vão 
de novo as batatinhas no azeite em forno alto, que batatinha é um negócio maravilhoso pra encorpar jantar.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;Enquanto isso, seco o 
salmão com papel toalha, e espalho nele todo azeite, sal, 
pimenta-do-reino. salsinha e cebolinhas picadas, raspas e suco de limão.
 E largo, em temperatura ambiente, até as batatas estarem quase prontas.
 Enquanto isso, cozinho as vagens. Tiro a assadeira quente de batatas, e
 abro espaço no meio para o peixe, que faz som sibilante de fritura 
assim que é transferido e a pele toca o metal quente. Espalho as vagens à
 volta, tempero tudo com limão e azeite, e volto ao forno, por uns 
15minutos, até o peixe ficar opaco. Salsinha sobre os legumes nunca é 
demais. Acompanhou uma salada de alface e tomates bem temperadinha, e um
 aïoli (maionese com alho) que bati no olho enquanto o peixe cozinhava. Lembrei na hora daquele salmão com vagens e aïoli do Jamie Oliver, que postei aqui nos primórdios do blog, falando sobre como apresentar a comida toda empilhada no prato fazia ela parecer chique. O tempo passa, o tempo voa, e Ana Elisa não empilha comida no prato, mas espalha na assadeira, que é BEM mais prático. E quem não acha isso lindo, sai pra lá. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioRdrQct4fWnuitttvvevggFMC_oXwnRDkBbZQRU0KDv5qd9TduqjsJ_A8CfWTQQPnDbKT_D9tFSXVqw0HJuI3t_N8ULdIMOFQvLaMuG6z3h8wr-rveciaNXdrNWvoJIOpcSF1VEYeOleZ7rdXnMsZzYb6M9_MT41fXXK33DSHnXTtuX37aEtdRfmcLQ/s2916/IMG_20220519_191905762.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2916&quot; data-original-width=&quot;2916&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioRdrQct4fWnuitttvvevggFMC_oXwnRDkBbZQRU0KDv5qd9TduqjsJ_A8CfWTQQPnDbKT_D9tFSXVqw0HJuI3t_N8ULdIMOFQvLaMuG6z3h8wr-rveciaNXdrNWvoJIOpcSF1VEYeOleZ7rdXnMsZzYb6M9_MT41fXXK33DSHnXTtuX37aEtdRfmcLQ/w640-h640/IMG_20220519_191905762.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;Quando não teve jantar propriamente dito, teve mesa de acepipes, que eu 
fui muito bem ensinada que uma tábua de frios, um pão e um vinho é 
jantar sim senhora, e ninguém fica cansado. E eu aproveitei para comprar uns queijos gostosos e uma manteiga de leite de cabra, que eu sei que eles não comem no Brasil, principalmente com os preços exorbitantes de hoje em dia.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBm31d_vS_gl-Rpd8wpUvHPzT-UY9lw6Y_pSAfGdyYVEJwdixEUR4Q0KEVLNklbokW8Tg6sXk6t1PL4zpCLkW0oZT2XyO0C_Ydn1cWtMEw7Ylg-F0Vjt2RcBTb2P0_WeuxIBYT0cjHbcmI_uaCmW2zID1C1Pcb6AunE9XpYwAkP5xprw-8KewWn6bRTQ/s4000/IMG_20220509_143336108_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBm31d_vS_gl-Rpd8wpUvHPzT-UY9lw6Y_pSAfGdyYVEJwdixEUR4Q0KEVLNklbokW8Tg6sXk6t1PL4zpCLkW0oZT2XyO0C_Ydn1cWtMEw7Ylg-F0Vjt2RcBTb2P0_WeuxIBYT0cjHbcmI_uaCmW2zID1C1Pcb6AunE9XpYwAkP5xprw-8KewWn6bRTQ/w480-h640/IMG_20220509_143336108_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;Ainda outras, vezes, Allex pilotou a churrasqueira, num dia bonito, 
churrasco propriamente dito, em que eu esqueci de comprar tomate para o vinagrete, então improvisei uma salsa verde que fica delicinha com a picanha e o queijo coalho.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;No outro dia, que acabou virando um susto, 
ele fez hambúrgueres recheados de queijo e pimenta jalapeño, que ficaram tão bons que eu o incumbi agora de catar uma receita de hambúrguer de porco com queijo manchego da Suzanne Goin e preparar pra mim semana que vem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEij8ZN49-DStlwsVESWc95Yy-tyOU3IqXNFI2996lcV4BDGrhnMdD5CuFd_kVgV20JyNatBbgzMian-aCBIkJlrp9rlV4gTTMEUbWGKsxIty5r8graRkTC5gE9f21EE1q1KbxPWMEjnGKcgett8BOXfSOC0dbgPXzQgk47y-hVOgFD4z1GSM6SU57UBmQ/s4000/IMG_20220521_113448698.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEij8ZN49-DStlwsVESWc95Yy-tyOU3IqXNFI2996lcV4BDGrhnMdD5CuFd_kVgV20JyNatBbgzMian-aCBIkJlrp9rlV4gTTMEUbWGKsxIty5r8graRkTC5gE9f21EE1q1KbxPWMEjnGKcgett8BOXfSOC0dbgPXzQgk47y-hVOgFD4z1GSM6SU57UBmQ/w480-h640/IMG_20220521_113448698.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqURGr2UuE69S7mW7vlgulIWBH53_K1Qu6G5vbI_ST6LcZPYBo2rw7PzaNzmbe6329kXXFSvib78z_3S__cNjqbqeHKtLCv_8JSajWreGqHLCxuZGMDsd0lhYtnFvpm6U0u_ddf18xHE5XP2V9EEhAq-H58Yn9NNCXCIRfuRh9vw3WaP7nRHJ0uQTlGQ/s4000/IMG_20220521_124319812.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqURGr2UuE69S7mW7vlgulIWBH53_K1Qu6G5vbI_ST6LcZPYBo2rw7PzaNzmbe6329kXXFSvib78z_3S__cNjqbqeHKtLCv_8JSajWreGqHLCxuZGMDsd0lhYtnFvpm6U0u_ddf18xHE5XP2V9EEhAq-H58Yn9NNCXCIRfuRh9vw3WaP7nRHJ0uQTlGQ/w480-h640/IMG_20220521_124319812.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;O susto veio 
porque tinha chuva prevista, e a gente lá no quintal rindo que todo 
mundo tinha comido hambíurguer e a tal chuva não tinha acontecido. E ela
 caiu de uma vez só, e com ela caíram metade das árvores e postes de 
eletricidade da cidade, e enquanto escrevo isso ainda tem 45 mil pessoas
 em Ottawa sem energia elétrica, desde a semana passada. :(&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O susto aqui foi só o bosque atrás de casa, que foi parcialmente destruído, mudando a luz que entra na casa e a vista do quintal.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas voltando à comida.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conforme o jantar aparecia pronto na mesa, minha mãe ria: &quot;como isso saiu tão rápido? Eu nem vi você cozinhando&quot;. Aaaaaaanos de prática de picar legumes com faca grande, mãe! Haha. ( A resposta engraçadinha seria &quot;É que vocês tavam bebendo vinho e não viram!&quot; Haha) Mas também... Eu tinha um plano. A comida toda pronta na cabeça, exatamente como quando eu desenho e tenho o processo todo ensaiado na mente. E é engraçado ver como os processos se parecessem. Quando comecei a pintar, eu olhava uma imagem, e não fazia a menor ideia de como chegar naquele resultado, ainda que eu tivesse todos os instrumentos à disposição. Precisava de um passo-a-passo, um primeiro isso, depois aquilo, se você misturar esse com aquele, produz esse resultado, mas aquele com esse outro não funciona junto. Com o tempo e a prática, o cérebro começou a juntar lé com cré, e a mão passou a obedecer sem resistência, sem questionar. Sem &quot;será que?&quot;. E eu já não penso mais no nome das cores quando pinto. Olho a imagem, e o processo inteiro está lá, como quem olha um ser humano e enxerga camadas de tecidos e músculos e veias e ossos, e apenas entende.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ultimamente a cozinha tem sentido assim. Um ter em mente um resultado e de alguma forma saber chegar nele. Apanhar temperos sem questionar e seguir processos numa ordem quase coreografada.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E flui. E dança. E é muito gostoso.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Também tem disso de a gente entender que não precisa ter vinte ingredientes, nem precisa ser tudo complicado. Se tem um pedaço da refeição que me exige muita atenção, que o acompanhamento seja uma salada, ou qualquer coisa que eu esqueci no forno. Tem essa dança dos tempos. De não se arranjar muita sarna pra coçar. Ah, Nigella, hoje eu super te entendo.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E ontem, já sem meus pais, fui ao mercado com outro plano. Eu queria quiabo. Mas quiabo colorido. Um prato suculento, para acompanhar o arroz branco com louro e o feijão que eu já tinha pronto. Quiabo com o quê? Pensei. Com pimentão.Amarelo, pra ficar bonito com o verde do quiabo. E que mais? Cebola, óbvio que fatiada. Vai bem cominho. Coentro, com certeza. Ah, se tivesse uma pimenta dedo de moça, mas não tem disso aqui no Canadá ou eu que nunca achei. Tudo bem, completa o molho de pimenta bem brasileiro e aromático que meu pai fez aqui para o Allex. Limão pra levantar o prato.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;E ficou tão bom, mas tão bom, que no dia seguinte mandei no almoço das crianças arroz e feijão com outra coisa, e fiquei com o quiabo que sobrou só pra mim. Torrada, queijo de cabra, e o quiabo com pimentão acebolado assim mesmo frio no pãozinho quente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Afe, que comida boa!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu plano era comer bem, me divertir e não ter trabalho, e as duas semanas passaram deliciosamente leves. Agora é manter essa dança boa e continuar cozinhando com prazer. E sem complicação, que a vida já tem disso de sobra.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cadê a próxima visita pra eu levar pra passear?&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqDUA17UL3ZwsVYRimvqQDtCjkeuznOfXLrylI1LCOQCWJs85q1Oqiq7cjvPd2haEh9Frgm9zkDmINHDlphB2u-9ucYkD8DyyCdDngDQBk8bA4Cvs2ojdntrAcp4MyBgU1_qPKhSUArgBlPF3Q3pim5d670x1EplIEJTpggcQZhzLYeExBid8IecleQQ/s3000/original_221ce5ad-490e-4d37-b117-d64decc6d3eb_IMG_20220526_162038480.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqDUA17UL3ZwsVYRimvqQDtCjkeuznOfXLrylI1LCOQCWJs85q1Oqiq7cjvPd2haEh9Frgm9zkDmINHDlphB2u-9ucYkD8DyyCdDngDQBk8bA4Cvs2ojdntrAcp4MyBgU1_qPKhSUArgBlPF3Q3pim5d670x1EplIEJTpggcQZhzLYeExBid8IecleQQ/w640-h640/original_221ce5ad-490e-4d37-b117-d64decc6d3eb_IMG_20220526_162038480.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;QUIABO ACEBOLADO COM PIMENTÃO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Rende 4 porções.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;500g quiabo pequeno, do tamanho de um dedo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;azeite de oliva &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 cebola&amp;nbsp; média, fatiada em meias-luas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 dente de alho grande, fatiado&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 pimentão amarelo grande, sem a parte branca, cortado em cubos de 2cm&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 /4 colh (chá) sementes de cominho&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 folha de louro&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;meio maço de coentro, picado&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;suco de meio limão tahiti&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Esquente uma frigideira grande em fogo médio. Enquanto isso, fatie os quiabos na diagonal, com mais ou menos 1cm de espessura.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coloque um fio generoso de azeite na frigideira e espalhe os quiabos fatiados na frigideira, de preferência numa camada única. NÃO SALGUE. Você não quer que ele solte água ou baba, mas quer que ele seque e doure. Mexa uma vez ou duas, para garantir que todos os lados ficaram dourados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Tempere com uma pitada de sal, a folha de louro, o cominho, mais um fio de azeite, e junte a cebola. Misture bem. Coloque mais uma pitadinha de sal, e junte o alho e o pimentão em cubos. Misture bem, e mantenha em fogo médio, mexendo de vez em quando, até que o pimentão esteja macio e a cebola tenha caramelizado um pouco. Se a panela parecer seca, junte mais um fio de azeite.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Continue cozinhando, abaixe o fogo se necessário, até que os legumes estejam bem macios e dourados. Junte o suco de limão, raspando o fundo da panela (que vai ter pegado um pouco, por conta do quiabo), com uma colher de pau. Desligue o fogo, acerte o sal e a pimenta-do-reino e junte um punhado generoso de coentro picado. Sirva imediatamente ou guarde para comer com pãozinho no dia seguinte, que os sabores se intensificam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coisas a se testar, mas que devem ficar maravilhosas: pimenta-dedo-de-moça picada refogada junto com a cebola, ou usar óleo de gergelim e refogar gengibre junto. Nham. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2022/05/visita-facil-e-quiabo-acebolado-com.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhkwx1LupAiQnSrSQquGUfEnTvhf96pzsrQhGh9plsCL1kA_ITyKLMYEVDVRJiBwq5d4ICojfVVLR2s4boPkqRyvIwC6zyPMSmjsGu5f6rhgAICL1muJeSzRWyHO2ABjkCUch4Q4CgIJvOnL2r-lCvHEjyBGqzwBcJm4fq9MIWCbQC7i2hqvndyJRYmcg/s72-w480-h640-c/IMG_20220511_142537967.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-1449655255911524509</guid><pubDate>Thu, 07 Apr 2022 18:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-04-07T16:51:16.638-03:00</atom:updated><title>Primavera, primavera, primavera. Falei que é primavera? É primavera.</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMK8KedvUtyvl7zbLL-oN5kv0o9wFDw8PmfUS0yQaRQWgFTdo212UDyI2wXYQx8tYgsSJcKJYNicRxKLEsVXZY8ikguVKtH0utzeMIn3fv8xu5QPrrX597rkmRpFAq3tHx0esQgbTnFEtT7fW14on38OxctfAaLSRrhd32_F-W5-S64hHXnSBB-Lr2DA/s3749/IMG_20220407_143946208.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3749&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMK8KedvUtyvl7zbLL-oN5kv0o9wFDw8PmfUS0yQaRQWgFTdo212UDyI2wXYQx8tYgsSJcKJYNicRxKLEsVXZY8ikguVKtH0utzeMIn3fv8xu5QPrrX597rkmRpFAq3tHx0esQgbTnFEtT7fW14on38OxctfAaLSRrhd32_F-W5-S64hHXnSBB-Lr2DA/w512-h640/IMG_20220407_143946208.jpg&quot; width=&quot;512&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;April showers, May flowers. Chove, primavera, chove.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era a &quot;última&quot; semana de inverno (oficial).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;Meto aspas e parênteses assim na frase como marca da minha revolta anual contra as primaveras quentes e abundantes de flores dos marços e abris (abrils?) de outros pedaços do hemisfério norte. A gente aqui bem sabe que lá em Toronto a última neve é sempre na segunda semana de abril, e que não dá para se empolgar muito com os quinze graus surpresa no meio de março - peguei o trouxa que achou que o inverno tinha acabado. Mas a vizinha aqui em Ottawa já avisou pra só plantar o jardim no fim de maio, que ainda tem geada vindo por aí. Enquanto isso há ainda montinhos de gelo sujo aqui e ali, neve na sombra e gelo nas trilhas, e a lama e os galhos no canteiro morto fazem meu quintal parecer jardim de casa abandonada.Só falta a janela quebrada à pedra.&lt;p&gt;Ainda assim, permito-me alegria com qualquer raio de sol que esquente, qualquer temperatura de camiseta, qualquer convite que a varanda faz para um café. Um café que se mantenha quente até o fim. Quem já levou xícara de chá para fora, no pico de -30 graus do inverno, aprende rápido lições de física. O universo tende à entropia e o quentinho do seu chá vai sumir em 3, 2, 1. Puff. Chá gelado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Obrigada, temperaturas positivas da pseudo-primavera canadense, por permitir a manutenção da quentura do café por uns minutinhos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Primavera lembra que a gente também é bicho, ao contrário do que eu sempre digo, que bicho também é gente. Assim que você vê aquela cadeira seca e sente aquele ar que não dói o rosto, sente nas entranhas uma agitação, um fuzuê um&lt;i&gt; je ne sais quois&lt;/i&gt; nas entranhas, e tudo o que você quer é ser conduzido para um espaço que não tenha teto, não tenha parede mas dê pra botar uma rede. E ali no &lt;i&gt;great outdoors&lt;/i&gt;, você se dá conta de que, no mesmo dia em que toda a sua civilizada humanidade se dignou a botar a cara para fora da sua casinha climatizada, os gansos e as gaivotas voltaram, os racoons estão procurando restos dos seus churrascos alucinados de inverno, e os Chipmunks já começaram a fazer buracos no gramado do seu vizinho que acabou de descongelar (o gramado, não o vizinho). Red-winged black birds já estão bicando cabeças de pedestres, robins estão tentando fazer um ninho na luminária da sua porta, e, óbvio, sua filha encontrou a primeira aranha embaixo da cama.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjASj4pPTY_8xBe2_tz4zKxuTJvb20LdgqCP3ZjeKItIbtoV8S4spl_PbPcdia1pPym-_dSDk9t9TrMFICgM8clJr87fb6Utf6P3DZh1ZYtf4ctA14CGaU2WfLwTUbuspZXbXZE6alIXsppJlEm1yDAVXqH3zjY-SxfksK15UkNQWhWtHzQYR-5RFBGw/s787/Screenshot_20220407-124802.png&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;787&quot; data-original-width=&quot;760&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjASj4pPTY_8xBe2_tz4zKxuTJvb20LdgqCP3ZjeKItIbtoV8S4spl_PbPcdia1pPym-_dSDk9t9TrMFICgM8clJr87fb6Utf6P3DZh1ZYtf4ctA14CGaU2WfLwTUbuspZXbXZE6alIXsppJlEm1yDAVXqH3zjY-SxfksK15UkNQWhWtHzQYR-5RFBGw/w618-h640/Screenshot_20220407-124802.png&quot; width=&quot;618&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Coelhinho, se eu fosse como tu, continuava aparecendo todo dia, porque eu acho você muito fofo.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você não é especial, e aquela vontade louca de começar um projeto criativo novo é só seu corpo primata e selvagem reagindo à mudança de estação. Isso e as alergias. Ah. As alergias.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A primavera este ano tem um gosto mais doce. O fim do inverno e do March Break também anunciaram a reabertura completa de Ontario. Bares, restaurantes, museus, galerias, cafés, estádios, piscinas, bibliotecas, todos os espaços se enchem mais uma vez de vida. Respiro aliviada o ar fresco da certeza de que esse ano meus shows, meus eventos, minhas viagens, minhas corridas, nada disso será cancelado. Inspiro a saudade da vida normal com a antecipação de quem guardou o último pedaço de bolo para depois e o esqueceu no fundo da geladeira. Lembra esse bolo? Lembra como era bom? Abre o pote. Pega um garfo. Dá pra comer bolo de novo. Vê só que delicia.&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjb5tqfwzJ9zuhax-cnWKSEYcw9RI6Ne1jIlaTsVmLMtEjkS3faLiNoaVtG5OqL3QgEj89iVYHPyTpEV3ZOBMxtH_xbt2p4qowp6pZielp3_KhrPHAEfb-CVoUTzLu95OmTnMlua_mUayUhbwzLy6bVejUxyA8ixnFCVCd7jA5nZ7YvduBLdPBz9TQ8Fw/s4000/IMG_20220312_141407975.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjb5tqfwzJ9zuhax-cnWKSEYcw9RI6Ne1jIlaTsVmLMtEjkS3faLiNoaVtG5OqL3QgEj89iVYHPyTpEV3ZOBMxtH_xbt2p4qowp6pZielp3_KhrPHAEfb-CVoUTzLu95OmTnMlua_mUayUhbwzLy6bVejUxyA8ixnFCVCd7jA5nZ7YvduBLdPBz9TQ8Fw/w480-h640/IMG_20220312_141407975.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Primeira saída do ano, depois de 826 quarentenas.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Plena desse furor primaveril, e da esperança de ver flores e borboletas novamente (seis meses de inverno fazem qualquer um começar a acreditar que verão é um conceito inventado e uma alucinação coletiva), comecei a escrever nova histórias, projetos de novos livros, me enfiei em projetos de ilustrar histórias dos outros, inscrevi-me em cursos, montei finalmente minha agenda de treino para a maratona de Ottawa, inscrevi-me em concursos, editais, antologias, pintei, desenhei, fiz planos. Planos! Lembra fazer planos? Ai que bolo bom, né? &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E no meio dessa vontade veio vontade de fazer sorvete. Há quanto tempo não fazia sorvete! Se é para celebrar saudade, pego a saudade do maracujá. Essa fruta que não se via em Toronto e aqui, veja só, tem no mercado do lado de casa. Do pequenino, europeu, com preço de coisa europeia, mas de mesmo aroma de infância que os amarelões lá do Brasil.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Esse é o melhor sorvete que eu já comi&quot;, disse Allex.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Dos que eu já fiz?&quot;, perguntei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Não, da minha vida.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Faz isso SEMPRE&quot;, pediu Thomas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Sempre não, mamãe. Só de vez em quando&quot;, disse Laura. &quot;Porque é tão bom que eu não quero que vire comum e perca a graça.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Menina esperta.&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg12YLV0_k--8NCnHZ--EWi_SeDJ7-lqH5mU-0xuMXtKWNCOTfIi5rJyI5xg8TniLBFdVwv2QAxLDZIK_XHlpUN2sDJf2O1Wez726AhhLqaPwY5xtpUccenrBVj8TBcQfuHVIjgFmiQDa95-LDmk0dkm0T31Nj9pCyl_cGHxOXmia1LydrQ6HCiwkN80w/s724/IMG_20220405_121755_305.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;724&quot; data-original-width=&quot;724&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg12YLV0_k--8NCnHZ--EWi_SeDJ7-lqH5mU-0xuMXtKWNCOTfIi5rJyI5xg8TniLBFdVwv2QAxLDZIK_XHlpUN2sDJf2O1Wez726AhhLqaPwY5xtpUccenrBVj8TBcQfuHVIjgFmiQDa95-LDmk0dkm0T31Nj9pCyl_cGHxOXmia1LydrQ6HCiwkN80w/w640-h640/IMG_20220405_121755_305.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Sol.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que essa é a graça da primavera. O sol sair de vez em quando, no meio de uns dias gelados. O musgo surgir de repente, brilhando verde, ao pés das árvores, depois de seis meses de neve. O dia bonito que puxa pra fora e amanhã joga pra dentro, de chuva, vento e geada. Alegrias pontilhadas num rabicó de inverno.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há muitos pássaros cantando lá fora, interrompendo o longo silêncio invernal. Os robins e os chickadees mergulham dos galhos aos restos de neve no chão, buscando as sementes de girassol que lhes joguei em novembro, antes da primeira nevasca. Eles bicam bolas de neve cravejadas de pontos pretos, sob a garoa, agitados de felicidade pela promessa de dias melhores. Como eu e o sorvete de maracujá.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;....&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjGHWJ8n6jkIqYdnE5jhpjx0ni20mPg4rdIiim7L5ToIM18bLlsokD8fCB7SiszQvLfGGan_k-3KX0LAv8HZlAn9nSgSc_O5tP0uxfsEFCe7fWHcqS-tKzYZn297qYDdTyuWPzNdZyTr64dVYDmG0Zavz6pINuifFgqo4AhuM1D00-k2hY_fFDvFiy6gg=s3000&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjGHWJ8n6jkIqYdnE5jhpjx0ni20mPg4rdIiim7L5ToIM18bLlsokD8fCB7SiszQvLfGGan_k-3KX0LAv8HZlAn9nSgSc_O5tP0uxfsEFCe7fWHcqS-tKzYZn297qYDdTyuWPzNdZyTr64dVYDmG0Zavz6pINuifFgqo4AhuM1D00-k2hY_fFDvFiy6gg=w640-h640&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;SORVETE DE MARACUJÁ&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;(da última edição do livro The Perfect Scoop, de David Lebovitz)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;Rendimento: faz só 750ml&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 xic (125ml) polpa de maracujá fresca ou congelada, sem sementes (eu usei polpa congelada), mais uma colher bem cheia de sementes de maracujá para colocar no final&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 xic (250ml) creme de leite fresco&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;6colh (sopa) (90ml) leite integral&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;7 colh (sopa) (85g) açúcar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Uma pitada de sal&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3 gemas de ovo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;raspas de uma laranja pequena (opcional, e eu não usei)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&amp;nbsp;Misture numa tigela grande a polpa de maracujá e 1/2 xic do creme de leite. Posicione uma peneira sobre a tigela.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa panela pequena, misture o leite, o açúcar, o sal e o restante do creme de leite e coloque em fogo médio-baixo para aquecer até quase a fervura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa outra tigela, bata as gemas com um fouet ligeiramente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Devagar, vá juntando a mistura de leite quente às gemas, batendo sempre com o fouet. Quando estiver tudo misturado, volte o líquido à panela e leve ao fogo baixo.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Cozinhe, misturando com uma espátula, raspando bem o fundo, num movimento em 8, até que a mistura engrosse um pouco, cobrindo as costas da espátula e ficando com consistência de iogurte líquido. NÃO DEIXE FERVER, ou a mistura vai talhar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Passe o creme pela peneira sobre a mistura de maracujá, junte as raspas de laranja se estiver usando, e misture com a espátula até que pare de sair vapor. (SE sua tigela for de metal, você pode colocá-la sobre outra tigela com gelo para acelerar o processo.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Leve a mistura à geladeira por algumas horas (da minha experiência, a textura do sorvete melhora se você deixar a mistura na geladeira durante a noite), e coloque na sorveteira, seguindo as instruções do fabricante. Quando o sorvete estiver quase pronto, junte as sementes reservadas, para que a máquina termine de incorporá-las.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEiEvk0PBtKxm0PxuaK6pYXmGPOOaon67KWtYI34mJR7GPLjar2rDOJSAPwGnNcmHa7KieWFRTrtKDnj9s7XRLMehf-NRAdtRyv79XB6Le-6qCScExW4jxLGaymnAcE2wIUQJcJTh9ptQuFWffECgH1M-rIL8crzTiUPas_ncDkX91p0F4dDRUAy_O2xdA=s3000&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEiEvk0PBtKxm0PxuaK6pYXmGPOOaon67KWtYI34mJR7GPLjar2rDOJSAPwGnNcmHa7KieWFRTrtKDnj9s7XRLMehf-NRAdtRyv79XB6Le-6qCScExW4jxLGaymnAcE2wIUQJcJTh9ptQuFWffECgH1M-rIL8crzTiUPas_ncDkX91p0F4dDRUAy_O2xdA=w640-h640&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já que estamos no tema dos pontilhados, vamos também de biscoito de aveia com passas. Não encontrei aqui no blog essa receita, que é minha favorita por ser tão fácil, e que adaptei de uma outra, de chocolate chip cookies. (Para voltar aos chocolate chip cookies, basta trocar a aveia por nozes ou pecãs picadas, as passas por chocolate chips, e omitir a canela e noz moscada. Esta receita é tão simples que Laura fez sozinha. &quot;Agora EU sou a baker da casa. Eu que faço todos os doces&quot;, ela anunciou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEiMq1HuQxyqn6Thr8H3ApiDX24UloJB5Qi1fnD-V7Fkpnynewemy1A4wYY4uIvr3iJIdW7Z5JQM7K8emK9ZaTjv04bRRVZDkTaz3sjjttKRfpE14RekBqA7wmAbIvv0_g90zKrABEqEW--eEQzq1_ABFFFgElKWSwXcei9b8SNJEOmEMRAUpHfnljZKUw=s3000&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEiMq1HuQxyqn6Thr8H3ApiDX24UloJB5Qi1fnD-V7Fkpnynewemy1A4wYY4uIvr3iJIdW7Z5JQM7K8emK9ZaTjv04bRRVZDkTaz3sjjttKRfpE14RekBqA7wmAbIvv0_g90zKrABEqEW--eEQzq1_ABFFFgElKWSwXcei9b8SNJEOmEMRAUpHfnljZKUw=w640-h640&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;BISCOITOS DE AVEIA COM PASSAS&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Adaptado não sei mais de onde. Faz 18 biscoitos imensos ou até uns 48 pequenininhos, a gosto do freguês.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 xic. (230g) manteiga sem sal, derretida&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3/4 xic. açucar mascavo apertado na xicara&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3/4 xic açúcar &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) sal&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 colh (chá) extrato de baunilha&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 ovos grandes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 1/4 xic farinha de trigo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 colh (chá) bicarbonato de sódio&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/4 colh (chá) fermento químico em pó&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) canela em pó&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/4 colh (chá) noz moscada ralada na hora&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 xic uvas passas escuras, sem sementes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 xic de aveia laminada ou em flocos&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Pré-aqueça o forno a 180oC, com as grades posicionadas nos terços inferior e superior do forno. Forre duas assadeiras grandes com papel-manteiga.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa tigela grande, coloque a manteiga derretida, os dois açúcares, sal e baunilha, e misture com um fouet até que o açúcar tenha se dissolvido na manteiga e a mistura esteja homogênea.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte os ovos, um a um, e misture bem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Troque para uma espátula e incorpore a farinha, bicarbonato, fermento, canela e noz moscada, até quase ficar homogêneo. Não tem problema e ainda houver traços de farinha não misturada nesse ponto.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte as passas e a aveia e misture até que a massa esteja uniforme e as passas estejam bem distribuídas.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Use uma colher para tirar porções iguais de massa e distribuir nas assadeiras. Deixe espaço entre os montinhos de massa para que ela espalhe. (Calcule o dobro do tamanho do montinho) Como a aveia absorve muito líquido, no entanto, a massa fica mais firme do que a versão original da receita, com choocolate e pecãs, e não espalha tanto (no caso da receita original, a massa era levada à geladeira por uma meia hora antes de ser porcionada). Eu gosto de usar os dedos molhados com água para achatar os montinhos um pouco, para que os biscoitos assem num formato mais uniforme e não fiquem tão gordinhos no meio, mas fica a gosto do freguês.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Leve as assadeiras ao forno e asse por no mínimo 15 minutos, trocando as assadeiras de posição no meio do cozimento. O tempo de cozimento vai depender do tamanho do biscoito. Já fiz estes em porções de 1 colh. (sopa), que ficam mais crocantes por inteiro, os da foto são de montinhos de 2 1/2 colh (sopa) (que é o volume daquela colher de sorvete com mecanismo que solta a bolinha) e já fiz os biscoitões americanos da receita original, em que cada bolinha de massa tem 1/4 xícara (4 colh. sopa), e esses são os que ficam mais chewy no meio, por conta do tamanho. O meio termo é o que mais gosto. Para os biscoitos da foto, o tempo foi cerca de 18 minutos, até que as beiradas tivessem dourado bem. A parte debaixo do biscoito precisa estar de um dourado castanho bem caramelado. Se estiver da mesma cor da parte de cima, ainda não está pronto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Retire as assadeiras do forno e deixe que esfriem sobre grades por alguns minutos, antes de transferir os biscoitos diretamente à grade para esfriarem. Ao esfriarem, eles ficarão crocantes. A massa pronta e formada em bolinhas pode ser congelada por meses e vai direto ao forno, precisando apenas de uns minutos a mais para cozinhar. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2022/04/primavera-primavera-primavera-falei-que.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjMK8KedvUtyvl7zbLL-oN5kv0o9wFDw8PmfUS0yQaRQWgFTdo212UDyI2wXYQx8tYgsSJcKJYNicRxKLEsVXZY8ikguVKtH0utzeMIn3fv8xu5QPrrX597rkmRpFAq3tHx0esQgbTnFEtT7fW14on38OxctfAaLSRrhd32_F-W5-S64hHXnSBB-Lr2DA/s72-w512-h640-c/IMG_20220407_143946208.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-8236276559051085640</guid><pubDate>Thu, 10 Mar 2022 20:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-03-10T17:28:18.229-03:00</atom:updated><title>Enquanto isso</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEiPaR9zc_i-j13rK0__NkH3jYjA-tlCEOwPFtnZgLXqH52bqwu3mFaKJTzYrqB20A3cIzh4JM1DPbOStxDNm-X-AlOZNLettKsXN5OmH8WHzRkkKKuVVubkS-guN-xZHOrSmxQtrCAPIyM9bKJMpJ3wuslM45Mdt2n6WMuG5HE4jv5GJU4_dAuZL9t-JA=s4000&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEiPaR9zc_i-j13rK0__NkH3jYjA-tlCEOwPFtnZgLXqH52bqwu3mFaKJTzYrqB20A3cIzh4JM1DPbOStxDNm-X-AlOZNLettKsXN5OmH8WHzRkkKKuVVubkS-guN-xZHOrSmxQtrCAPIyM9bKJMpJ3wuslM45Mdt2n6WMuG5HE4jv5GJU4_dAuZL9t-JA=w300-h400&quot; width=&quot;300&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Enquanto isso, as crianças pegaram covid. Assim, nos quarenta e cinco do segundo tempo, quando ninguém mais acreditava que pegaria qualquer coisa. Primeiro Thomas. E no fim da quarentena de cinco dias dele, praticamente sem sintomas, foi a vez da Laura. E eu que já estou acostumada com isso de quarentena, que nunca se viu tanta quarentena no mundo quanto aqui no Canadá, larguei (quase) tudo o que estava fazendo e meio que (quase) tirei férias. Assim, jogando a toalha mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Thomas brincou de tocar uma sineta lá do seu quarto toda vez que queria algo, e eu fiquei brincando de stairmaster2000, subindo e descendo três lances de escada a cada vez que a sineta tocava. Laura achou graça de fazer a mesma coisa na vez dela, e depois de duas semanas, acho que virei o cão de Pavlov, e subo e desço escada sem motivo nenhum se ouvir um sino tocar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Primeira semana, todo mundo confinado, e eu sabia que seria impossível trabalhar direito com a Laura, que não gosta de brincar sozinha, pendurada no meu pé pedindo pra ver o que eu estava fazendo o tempo todo. Enquanto eu terminava uma pintura encomendada, já com prazo atrasado, ela sentava no chão ao meu lado e desenhava também, não sem me interromper vinte e sete vezes para perguntar por que é que eu nunca tinha usado aquele tablete de tinta rosa, ou porque é que eu ainda não tinha botado o verde das árvores.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai ver um desenho, criança.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Paz.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tinha também&lt;a href=&quot;https://apoia.se/anaelisagranziera&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt; newsletter para entregar,&lt;/a&gt; e ainda bem que a semana anterior tinha sido produtiva, e eu havia escrito &lt;a href=&quot;https://apoia.se/anaelisagranziera&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;crônicas novas todos os dias e rabiscado um bocado de cartuns&lt;/a&gt; no meu caderno. Ainda bem que eu tinha resolvido burocracias e marcado reuniões e ido ao correio, e foi como se o universo tivesse me pegado pela mão e me feito resolver tudo o que precisava ser resolvido antes de poder declarar férias covídicas em casa. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda bem também que eu tinha ido à biblioteca catar os livros reservados antes de descobrir a criança encovidada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre uma sineta e outra, sentei minha cansada busanfa na poltrona e li desavergonhadamente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Curioso que a criançada aprendeu a respeitar meu tempo de leitura cedo na vida. Mas nunca tendo visto mamãe trabalhando fora de horário escolar, têm certa dificuldade de me ver curvada sobre minha mesa e concluir que não estou disponível.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aprendizagens.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora ensino que quando mamãe tá lendo também é trabalho. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Calhou que nessa do universo pegar pela mão, num surto de siricotico, um dia antes de o pimpolho desenvolver sintomas leves e testar positivo, eu enchi o carrinho do mercado como se me preparasse para uma hecatombe nuclear. Dessas intuições inexplicáveis, já que desde que me mudei para essa casa, tenho ido diariamente ao mercado para comprar os ingredientes do jantar, no melhor estilo &quot;moro em Paris e minha geladeira é um frigobar&quot;. Só que eu moro em Ottawa e minha geladeira é imensa e está sempre vazia.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minto. Sempre tem queijo. E um vinho. Acho que isso prova que meu cérebro anda confuso e realmente acha que mudou pra Paris.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só quem conhece o subúrbio de Ottawa vai saber quão ridícula foi essa última frase. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto isso, me enchi de vontade de cozinhar. Vontade de fazer pão, que fazia tempo não surgia. Vontade gerada pela necessidade, já que tinha farinha mas não tinha pão, essa uma coisa que eu não tinha comprado no mercado antes de ser trancafiada em casa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fui direto no &lt;a href=&quot;http://www.lacucinetta.com.br/2010/09/pao-de-forma-com-quinua.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;pão de forma de sempre, sem dificuldades&lt;/a&gt;. E fazer pão, mesmo que por necessidade, não pareceu obrigação. Lembrei o que me encantava no processo. Peguei-me mesmo com saudade do gosto do meu pão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E enquanto o irmão estava trancado no quarto, Laura resolveu que queria fazer brownies. E escolheu a receita, e separou os ingredientes - mamãe, qual desses potes é Nutmeg? - e ligou o forno, e derreteu manteiga, e misturou tudo, e botou na forma - mamãe, segura a panela pra eu raspar, que é muito pesada - e tirou do forno, e desenformou, e cortou em quadradinhos, e depois ficou regulando que ela era quem decidia quando quem ia comer o quê, que ela que tinha feito sozinha. E aí tomou bronca que eu sempre faço bolo e não fico regulando. E aí todo mundo ganhou brownie.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E eu embasbacada com o tamanho dessa menina que lê receita e usa o forno.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Daí me deu um negócio com pão de aveia, e eu não conseguia achar aqui no blog uma receita de um livro da falecida revista Gourmet, um livro grande de capa verde que vendi antes de mudar para o Canadá, e cuja receita de pão de aveia eu jurava de pé junto que havia postado aqui. &lt;a href=&quot;https://www.epicurious.com/recipes/food/views/oatmeal-wheat-bread-232825&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A receita está no Epicurious.&lt;/a&gt; Delícia de pão de aveia. Mas a cabeça de pudim usou duas formas muito grandes e o pão, tadinho, ficou baixinho, baixinho. Mas muito bom.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E aí abriu a porteira, e já que a gente estava na cozinha, que tal fazer um biscoito? Um biscoito, assim, com muitas NUTS, bem NUTUDO, já que ninguém está indo pra escola mesmo, e eu não preciso me preocupar com essa pataquada de comida nut-free.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu tinha exatamente a quantidade de avelãs para esse biscoito, e há alguma coisa incrivelmente satisfatória em ter exatamente a quantidade de ingredientes que você precisa para uma receita que acabou de escolher. Não tem? Sou só eu? Deve ser minha librianice, ou meu Virgem na casa XYZ que eu nunca lembro, então.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha parte preguiçosa ficou profundamente comovida pelo fato de o biscoito ser todo feito no processador, ser do tipo que se fatia e bota na assadeira, e não precisar sequer descascar as avelãs. Coisa linda da tia.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando veio a vez da Laura, Thomas foi para a escola, que o governo disse que podia. Mixed feelings. Por um lado ele ficou fulo de não poder faltar mais uma semana, e por outro, aliviado de não ter mais trabalho de escola acumulado. Laura no quarto toca sino mas eu consigo trabalhar. Tranquilamente, aliás, que a criança teve tosse só por dois dias, e se não fosse covid, dava um chá de camomila, mandava largar mão de ser sem vergonha e mandava pra escola.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vira e mexe ela toca o sino e quando eu subo lá achando que é importante, ela diz Mamãe, eu fiz um joke! E eu ouço a piada com toda a paciência. Ela tem disso de querer inventar piada, mas ainda não pegou bem o jeito dos trocadilhos. Tá melhorando, Laura, eu digo. Allex acha que ela vai ser comediante de Stand Up. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E trabalhando estamos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escrevendo como se a vida dependesse disso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conversando com editoras.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mandando portfólio de ilustração a torto e a direito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Procurando galerias e cafés em Ottawa e Montreal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ou seja, o corre.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas no meio desse corre que antes me consumia, agora a cozinha me chama, velha amiga. Vontade de fazer um bolo, né minha filha?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas corre também rola, o corre de verdade. Teste negativo, máscara na cara, corro isolada na floresta, sem encontrar alma que não seja esquilo e passarinho. Corre, que em maio tem maratona. Foram dois meses sem quase correr, por conta das temperaturas muito baixas, baixas mesmo, vinte e trinta negativos, que nem agasalho e balaclava davam conta. Agora é correr (literalmente) atrás do prejuízo e torcer pra ter treinado direito quando for dia da prova.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjrpRE3z-7YAfNdkRox6-kWnMyPEyqIDMRtg_2cXGkSWm0RuaGhJQyP_PMko1Vxc5vuRLBTo3h5q5FYne-1W_7KQblypGbaFCWPtmcjAQzleVGXCxC84PY0OvYmWkvQCOFWcIm4waUjNOvwE1WBL5egGSF60XNVeDi7zEdLl2htMrwp3MmGiIV7vN_D2g=s4000&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEjrpRE3z-7YAfNdkRox6-kWnMyPEyqIDMRtg_2cXGkSWm0RuaGhJQyP_PMko1Vxc5vuRLBTo3h5q5FYne-1W_7KQblypGbaFCWPtmcjAQzleVGXCxC84PY0OvYmWkvQCOFWcIm4waUjNOvwE1WBL5egGSF60XNVeDi7zEdLl2htMrwp3MmGiIV7vN_D2g=w300-h400&quot; width=&quot;300&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;E enquanto isso fui ao Brasil em fevereiro, bate-e-volta, e resolvi perrengue, e vendi meus livros, e nadei na praia, e comi pastel. E voltei com saudade de andar na rua de chinelo e regata, o que me faz ficar rancorosa desse março ainda fazendo -8. Aqui em Ottawa ainda tem neve que caiu em dezembro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E se você não me viu no Brasil tá tudo bem, que as coisas estão caminhando e vai ter livro novo logo mais. E livro novo logo mais quer dizer viagem ao Brasil logo logo. Viagem sem covid, imagina que alegria!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E falando em logo logo, dizem que logo logo o governo aqui vai liberar todo mundo de usar máscara, e meus filhos não veem a hora de ir à escola sem elástico puxando atrás da orelha e os óculos embaçando o tempo todo. E eu não vejo a hora de sorrir pra moça do caixa quando ela me diz bom-dia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E aqui confinadinha em casa, olhando pela janela, vejo a luz pelas copas das árvores feito luz no fim do túnel. Uma alegria besta de que parece que finalmente vai, vai embora, pandemia, e todos os planos que a gente fez para esse ano vão de fato vingar. Show, passeio, viagem, encontro, corrida. Lembra? Ai, que alegria. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse covid nos quarenta e cinco do segundo tempo tem um jeito estranho de fim de show bom de stand-up comedy. Show bom de stand-up comedy é bom quando o comediante consegue amarrar na última piada a primeira que ele contou. Full circle. A primeira quarentena aqui foi no March Break, as férias de março, em 2020, quando a gente achava que ia durar uma semana e durou 104. A última quarentena, encovidada, termina no dia em que começa o March Break de 2022, se deus quiser, pra nunca mais voltar. Full circle.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse March Break eu vou tirar férias.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;.....&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEg2MmhDuYf92a4mU6ApdEM2k_bhoGsxMINs2CdyBU7gqXYWyRYrmp5xMSsKQIgI-w3t9-ifDJGapxrO4yEKeiC0WjZYAKNeBbQIrUqjg2ze7mjwvnmoRvqNKAF3mp6wHb57iMJ7zMXV3i45X4v08tdkMW-6_qr_sc5yyl4nW65uxYSxZnt-p48c0Pqpuw=s3000&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEg2MmhDuYf92a4mU6ApdEM2k_bhoGsxMINs2CdyBU7gqXYWyRYrmp5xMSsKQIgI-w3t9-ifDJGapxrO4yEKeiC0WjZYAKNeBbQIrUqjg2ze7mjwvnmoRvqNKAF3mp6wHb57iMJ7zMXV3i45X4v08tdkMW-6_qr_sc5yyl4nW65uxYSxZnt-p48c0Pqpuw=w640-h640&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;b&gt;BISCOITO FÁCIL DE AVELÃ&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;(Do livro Chewy Gooey Crispy Crunchy, da Alice Medrich)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;Faz entre 36 e 46 biscoitos, dependendo da espessura&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;2/3 xic avelãs inteiras e cruas, com casca&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1 1/4xic farinha de trigo&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1/2 xic + 1 1/2 colh (sopa) açúcar&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1/4 colh (chá) sal&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;6 colh (sopa) manteiga sem sal, gelada&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) essência de baunilha&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;2 colh (sopa) água gelada&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;Coloque no processador as amêndoas, farinha, açúcar e sal, e pulse até que as avelâs estejam bem picadas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Junte a manteiga em pedaços, e pulse até que a mistura pareça uma farofa.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Junte a água e a baunilha e pulse mais algumas vezes, até que a farofa umedeça, como quando você mistura farelo de biscoito com manteiga derretida para fazer base de cheesecake. Pare aí. Você não quer que vire uma massa. Precisa ser farelos úmidos, mas que quando amassados com a mão, formem uma massinha. (Você pode picar as avelãs bem miudinho com a faca e fazer toda a mistura esfregando a manteiga na ponta dos dedos, como massa de torta, se não tiver processador.)&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Forre uma forma de pão de 13x23cm com papel alumínio, no fundo e nas laterais. Despeje os farelos ali e pressione bem com as mãos para formar uma camada fina, lisa e compacta no fundo da forma. Alternativamente, forme uma massa retangular sobre papel-alumínio numa assadeira, tentando deixar bem compacto em com paredes retas e cantos retos. Embrulhe o papel alumínio em volta da massa e leve à geladeira por duas horas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Preaqueça o forno a 180oC e coloque as grades nos terços inferior e superior.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Desembrulhe a massa e corte fatias de no máximo 0,5cm, levando as tirinhas com a lâmina da faca até duas assadeiras untadas ou forradas com papel-manteiga. Deixe um espaço de 2cm entre os bicoitos.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Leve ao forno por 12 a 18 minutos, trocando a posição das assadeiras no meio do cozimento, ou até que fiquem dourados e com as bordas dourado-escuras. Deixe esfriar sobre uma grade para que fiquem crocantes.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2022/03/enquanto-isso.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEiPaR9zc_i-j13rK0__NkH3jYjA-tlCEOwPFtnZgLXqH52bqwu3mFaKJTzYrqB20A3cIzh4JM1DPbOStxDNm-X-AlOZNLettKsXN5OmH8WHzRkkKKuVVubkS-guN-xZHOrSmxQtrCAPIyM9bKJMpJ3wuslM45Mdt2n6WMuG5HE4jv5GJU4_dAuZL9t-JA=s72-w300-h400-c" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-6499503191799776990</guid><pubDate>Fri, 14 Jan 2022 18:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-01-14T15:02:28.109-03:00</atom:updated><title>Tipo assim... fases. </title><description>&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEh7EMtJPwlr634B6x9fPWmN5_2wIm3sUGtPVUYP9_LLJpWBO_Eff8mFhsbhuHfZ_zu7VttDjTh3YS0Fv3gqFzfPdQ39iVFGbbTYA6Rly0Lrpni60XOm0I_k0sokQS6EYDMXfM7i3dPQnKEp4QT1mR7vdxdgfAJXYP2FQ4lb7kYKlQ-oBjnWn7PFM0uW9Q=s4000&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEh7EMtJPwlr634B6x9fPWmN5_2wIm3sUGtPVUYP9_LLJpWBO_Eff8mFhsbhuHfZ_zu7VttDjTh3YS0Fv3gqFzfPdQ39iVFGbbTYA6Rly0Lrpni60XOm0I_k0sokQS6EYDMXfM7i3dPQnKEp4QT1mR7vdxdgfAJXYP2FQ4lb7kYKlQ-oBjnWn7PFM0uW9Q=w300-h400&quot; width=&quot;300&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Prazeres: churrasco na neve a 20 graus negativos.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todos os dias, me sento em frente ao computador, e abro essa página do Blogger, para produzir um post. E nada. Nada vem, nada sai, e é como um bloqueio criativo, mas sente mais como um bloqueio de estrada. Não é o carro que está quebrado. É o caminho, que encontrei com um cavalete de manutenção bem no meio, impedindo passagem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Boto a culpa, na cozinha. Uma culpa leviana, que não é apropriada. Que nem criança que apronta e bota a culpa no irmão mais novo que nem aprontar sabe ainda. Mas como esse blog é de cozinha, faz sentido que a cozinha seja a culpada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É verdade que a cozinha mudou. Fisicamente, pois a casa é outra, e espiritualmente, se posso dizer assim, por falta de outra palavra. (E sempre que me faltam palavras, Allex ri de mim. Escritora. Palavras não deveriam faltar.)&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma amiga minha sempre diz que a cozinha, a cozinha física, muda o jeito como a gente se relaciona com a comida. O ambiente é sempre mais forte, diz o Ayurveda. Que seja, então. Se eu colocar a culpa na minha cozinha nova, vou dizer que, apesar de ampla, ela não tem espaço de trabalho. Aquela bancada grande, na altura certa, em que dava pra dispor frutas e batedeira, e abrir macarrão e cortar legumes, tudo junto ao mesmo tempo, ficou em Toronto. Minha cozinha de Ottawa é do tipo que precisa que eu tire a torradeira da mesa pra abrir massa de torta. É do tipo que eu preciso tirar um ingrediente por vez da geladeira, pra picar e botar na panela, que não tem espaço para dispor tudo à minha volta num organizado mis-en-place, ou, pelo menos, num bonito caos orgânico. Minha cozinha dá preguiça de processo complicado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que eu acho muito engraçado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porque quando mudei para cá, achei mesmo que encarnaria a cozinheira que fui no Brasil, lá na época da Aldeia da Serra, quando tive casa e quintal. Achei que ia ter torta, pão, biscoito e geleia, sorvete e queijo, desse jeito vida de fazenda que eu tentava emular enquanto meus filhos pequenos comiam insetos no quintal. Achei que casa no mato chamaria essa pessoa. Mas essa pessoa sumiu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Larguei o fogão pro Allex pilotar, e parei de me importar em comprar pão do mercado. Foi, assim, um cansaço. Um cansaço daquela rigidez do bom versus porcaria. Um cansaço da chata do orgânico. Um cansaço da Martha Stewart ferida que se armava armadilhas de achar que precisava fazer, que tinha que, que devia. Cansaço do Tenho Que. Tenho Que coisa nenhuma. Não Tenho Que nada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Daí que não foi só a cozinha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi essa mudança não só de endereço. Esse começar de novo, de novo. Casa nova, cidade nova, trabalho novo, que meu trabalho, agora, de escritora-que-paga-conta, não só ilustradora que gosta de escrever, é todo um outro rolê. Tem essa nova fase de criança grande. Criança que cozinha, que volta da escola sozinha, que sai pra brincar e volta duas horas depois, sem precisar de mãe acompanhando no parquinho. Criança que vai sozinha comprar sorvete e pegar livro na biblioteca. Isso de criança que tem cada um seu quarto. Isso de homem em home-office trabalhando num quarto separado. Isso de acender uma vela pra Virgina Woolf e fechar uma porta para trabalhar. Silêncio e foco num quarto só meu.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E me joguei no trabalho até não ter mais horas em que não estivesse desenhando, escrevendo, ou lendo sobre desenhar e escrever, ou desenhando e escrevendo na internet para promover aquilo que eu desenho e escrevo e vender meus escritos e desenhos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pêndulo. De um extremo ao outro. Pra lá e para cá. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E teve o dia em que achei que eu tinha largado a cozinha e que não podia. Tinha Que. E num surto de FOMO de confeitaria, ciente de que meus filhos não lembravam o que era uma éclair, passei quatro horas em pé na cozinha, fazendo pâte à choux (duas vezes, que a primeira deu errado), creme de confeiteiro e ganache, e montando tudo aquilo do jeito que dava, sem as ferramentas que eu tinha lá nos áureos tempos da Aldeia. E ainda que a éclair tenha ficado deliciosa, e a família inteira tenha pedido pra fazer de novo, eu não consegui tirar da boca aquele gosto ruim da constatação de que eu preferia ter passado aquelas quatro horas escrevendo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era o fim? Não era o fim. Era o começo. Ou a volta. Ou a roda girando outra vez. Ou uma elipse, fazendo a volta, cruzando o ponto onde eu um dia fui trabalho e não cozinha, e seguindo em frente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Parece que vivo meus dias de dez anos atrás, eu disse. A rotinha de corrida e trabalho, e almoço leve e fazer jantar, e não inventar doce que não precisa, não passear cachorro nem levar criança na escolinha, é essa vida pré-filhos, pré-cão, pré-blog, pré-rede social.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nas férias escolares de inverno, essas duas semanas que engolem Natal e Reveillon, quando desliguei também o Instagram, fui atirada de volta a 1996. Ou qualquer outra data em que eu já passava minhas tardes escrevendo histórias e lendo livros, sem emails para responder e nem um celular me assediando. O tempo passou devagar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E devagar o tempo tem passado, imersa em criação depois de criar crianças. Há quem diga que é natural que os filhos larguem a mãe e o pai assuma nessa idade. Pensamento que me veio só depois que aconteceu. E vejo as crianças penduradas no pai, e ele tomando conta, batendo papo, cuidando, brincando, ensinando. A balança da vida doméstica pesando mais pro lado dele, encontrando um novo equilíbrio. E devagar olho no espelho e a mãe em mim se acalma, senta num canto, abre um livro, e deixa outra Ana tomar conta. Essa Ana faz jantares gostosos que ela quer comer, e não surta com nutrição. Essa Ana compra pão e sorvete. Mas faz focaccia quando dá vontade, e biscoito, porque quis. Não porque Tem Que. Não Tem Que nada. Se Tem Que fazer jantar e não tá a fim, essa Ana larga a cozinha pro marido e vai tomar um banho. Essa Ana não Tem Que. Essa Ana Quer. Querer é bom. E se não quer, tá tudo bem. Saber largar quando não quer também é bom. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nisso, veja só, quem fez Spekulatius esse ano foi o Allex. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E essa Ana pensava que Tinha Que escrever no blog. Mas aquilo que Tem Que não sai mais. E essa Ana esperou QUERER escrever no blog. Ainda que tenha saído um texto em que ela fala de si mesma em terceira pessoa. Sorry. Eu ainda tenho esse bloqueio de olhar pro blog e achar que TENHO QUE escrever sobre comida. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma coisa que eu sei que eu não quero mais, que o TEM QUE quase matou o blog tantas outras vezes, é ficar copiando e colando e traduzindo receita. Faz muito tempo, vamos combinar, que a internet saturou de receitas. Até porque, agora que tenho tão poucos livros, minha comida vem sempre das mesmas quatro fontes: Tessa Kyros, Marcella Hazan, Ginethe Mathiot, Suzanne Goin e Alice Medrich. Recomendações que faço de olhos fechados, e cujas receitas já coloquei tanto aqui, que acho mesmo que devo direitos autorais a todas elas. Fiz &lt;a href=&quot;https://www.laweekly.com/chef-family-recipes-jessica-goins-favorite-meyer-lemon-tart-recipe/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;a torta de limão meyer com chocolate da Suzanne Goi&lt;/a&gt;n, &lt;a href=&quot;https://www.panningtheglobe.com/ginette-mathiots-boeuf-bourguignon-recipe/&quot;&gt;o Boeuf Bourguignon da Ginethe Mathiot&lt;/a&gt;, o &lt;a href=&quot;https://www.ciaodonata.com/home/2017/1/15/marcella-monday-fricasseed-chicken-with-bay-leaves&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;fricassê de frango com louro da Marcella Hazan&lt;/a&gt;, a focaccia da Tessa Kyros, e os chocolate hazelnut meringues da Alice Medrich. Mas no fim, me dou conta, depois de tantos anos cozinhando, os processos são sempre os mesmos, e me dá preguiça de falar de comida como se fosse sempre uma grande novidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez comida, ESSA relação com a comida, tenha saturado também na minha cabeça. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E eu tenho preferido manter meus jantares meus. Fiquei incomodada quando meus filhos começaram a me perguntar, antes de cada refeição, se eu não ia tirar foto antes de comer. Não, não vou. Vou só curtir mesmo. Vou comer. E às vezes até está lindo mesmo, e eu tiro uma foto. Porque eu quero. Não porque Tem Que. O que eu quero mesmo é comer comida boa que me deu prazer de preparar. PRAZER. Sem pensar demais no assunto. Sem muito planejamento. Sem ficar matutando história pra acompanhar receita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É bom saber respeitar as próprias fases.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se tem uma coisa que a gente tem aprendido nesses anos de pandemia e quarentenas e escola online e o caramba é a ter prazer na vida e se divertir como possível.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A vida já tem muito Tem Que. Tem Que pagar conta. Tem Que fazer imposto de renda. É bom largar os Tem Que que não tem quê. Fazer a pergunta: Mas eu Quero? Já passei dos quarenta anos, e se eu seguir a média da expectativa de vida, quer dizer que estou na metade do meu caminho. Já passei metade da vida achando que Tinha Que um monte de coisa. Quero mais é prazer e tranquilidade nessa outra metade. Vida Tranquila. Tá escrito na minha geladeira. E logo embaixo de Vida Tranquila, tá lá, em letrinhas coloridas: Me Deixa. Mas Ana, cê vai fazer isso? Me Deixa. Mas Ana. cê não vai fazer aquilo? Me Deixa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me Deixa ir, me deixa mudar, me deixa curtir essa nova fase, e me jogar na escrita, e nessa pessoa que surge depois de uma década de maternidade casas Bahia - dedicação total a você. Haha. Afinal foi esse trabalho intenso que produziu duas crianças que agora ficam tranquilas e acham graça da mamãe trancada no quarto escrevendo e o papai fazendo biscoito. Ciclos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tenho encontrado um equilíbrio bom. Logo logo, quem sabe, a vontade de descrever processos culinários volte. Ou não. Talvez vocês se acostumem comigo falando de qualquer outra coisa. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse domingo é aniversário da Laura, e ela pediu pra eu fazer coxinha. &quot;Fazer não faço não, Laura, que dá um trabalho danado. Mas vou achar alguém em Ottawa que faça e eu compro. Tá bom?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tá ótimo. ;)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;(Aviso aos navegantes: os comentários no blog foram fechados, não porque não me importo, mas porque eu tinha a cada post 3 comentários de verdade e 87 spams, e eu meio que cansei de ficar usando meu tempo pra deletar essas porcarias. Se você quiser fazer um comentário, POR FAVOR, comente: me mande um email. Eu também continuo no Instagram, porque ainda não inventaram outro jeito de ilustrador e escritor divulgar trabalho e não se tornar invisível. haha. Beijocas.)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2022/01/tipo-assim-fases.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEh7EMtJPwlr634B6x9fPWmN5_2wIm3sUGtPVUYP9_LLJpWBO_Eff8mFhsbhuHfZ_zu7VttDjTh3YS0Fv3gqFzfPdQ39iVFGbbTYA6Rly0Lrpni60XOm0I_k0sokQS6EYDMXfM7i3dPQnKEp4QT1mR7vdxdgfAJXYP2FQ4lb7kYKlQ-oBjnWn7PFM0uW9Q=s72-w300-h400-c" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-2800037800931360059</guid><pubDate>Thu, 21 Oct 2021 18:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-10-21T15:26:43.449-03:00</atom:updated><title>Powe Point e um chili vegano</title><description>&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGYXUApQYo97k2zqafVPYqxRI_QweJ-sJxpN8iAGYbkmT97SJRQ070OJpeexzdFonLucVwB3J78lYOOg5mm3NpQOvA-E66WLl-DoiEmU3pUdOnXlZ2-TArwnLoHCx1eHBQ9ht7JaIVqqVa/s2048/IMG_20211018_132232886.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1960&quot; data-original-width=&quot;2048&quot; height=&quot;612&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGYXUApQYo97k2zqafVPYqxRI_QweJ-sJxpN8iAGYbkmT97SJRQ070OJpeexzdFonLucVwB3J78lYOOg5mm3NpQOvA-E66WLl-DoiEmU3pUdOnXlZ2-TArwnLoHCx1eHBQ9ht7JaIVqqVa/w640-h612/IMG_20211018_132232886.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Você sabe que o Instagram tem dias contados quando ele vira uma imensa apresentação de PowerPoint com correntes e frases motivacionais.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se você entendeu essa referência, então você tem, pelo menos, a minha idade. Quem, nascido antes de 1989, não se lembra dos e-mails com PPT cheio de foto de gatinho e cachoeira e um monte de baboseira de auto-ajuda, e promessa de que, se você repassar aquela apresentação pra sete amigos, vai ganhar na loteria?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem é jovem sofreu desse mal no Whatsapp. Mas quem recebeu PPT do tio da prima no e-mail da AOL é raiz.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu, que sou velha, fico vendo essa imensa roda da fortuna das mensagens motivacionais seguindo seu ciclo em todas as plataformas, da época do Pen Pal (eu escrevia CARTAS, tá?) até o TikTok. Só que eu não tenho TikTok, porque até eu tenho limites, e eu sou o tipo de velha que fica irritada com a juventude atual e sai gritando através da dentadura pra molecada sair do meu gramado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É brincadeira. Eu não uso dentadura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi na semana anterior ao meu aniversário, quando eu sofri os efeitos da combinação bombástica de um Inferno Astral, uma Lua Minguante, um Mercúrio Retrógrado e uma TPM, tudo junto e misturado. Foi osso. E enquanto eu roía esse osso, eu notei que tinha pegado bode do Instagram, do mesmo jeito que peguei do Facebook, anos atrás. Eu me divirto criando as narrativas nos Stories, e uso o &lt;i&gt;timing &lt;/i&gt;da mudança de tela como se fosse a pausa num &lt;i&gt;stand-up comedy&lt;/i&gt;. Tem um lado engraçado meu que aparece lá porque a plataforma cria a circunstância para isso. A mídia é a mensagem, já dizia titio Marshall McLuhan. O formato dos posts foi ótimo para finalmente começar a publicar minhas poesias e perder a vergonha de vez de trazer à luz toda sorte de arte. Como eu escrevi por lá um dia: a partir de hoje eu me dou o direito de escrever poesia tosca e fazer arte ruim. Vivam com isso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Eu gosto das minhas poesias e da minha arte, e não acho nada nada ruim, mas só me libertei de confiar na opinião dos outros para validar o modo como me sinto a respeito da arte que produzo. ;)&amp;nbsp; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A auto-estima agradece.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi mais ou menos o mesmo processo de quando criei o blog Desenhoquê. Quem lembra, levanta a mão. Tem três gato pingado de mão levantada. Ótimo. Se vocês também riram da piada do PowerPoint, parabéns. Bando de velho que nem eu.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi o mesmo processo do blog, de colocar para fora arte que eu ainda não sabia exatamente como formatar e expor de uma forma tradicional. Foi bom para testar a temperatura da água antes de mergulhar dando uma bomba no lado fundo da piscina.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estava divertido, eu confesso. Tia Ana tava gostando de uma rede social. Eu via fotinhos e Stories de amiguinhos e coleguinhas. Conheci mulheres legais que me inspiraram por lá. Fiz live de lançamento do meu livro. Conversei com gente que me lê aqui faz tempo, mas com quem era difícil bater papo pelos comentários. Conheci amigas aqui no Canadá.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;NO ENTANTO&lt;/b&gt; com letras maiúsculas e em negrito, o mocinho do Facebook não dá ponto sem nó e começou a brincar de &lt;i&gt;Puppet Master&lt;/i&gt; com os usuários do Instagram. Vamos falar pro pessoal que os posts deles só são vistos se eles fizerem Stories. Vamos falar pro pessoal que os Stories deles só são vistos de eles postarem todo dia. Vamos falar pro pessoal que a gente só recomenda os &lt;i&gt;posts &lt;/i&gt;que têm &lt;i&gt;like&lt;/i&gt;. Agora só os que têm comentário. Agora só os que foram salvos. Agora só os que foram compartilhados. Agora a gente só impulsiona os &lt;i&gt;posts &lt;/i&gt;cujos &lt;i&gt;Stories &lt;/i&gt;têm interação com o público. Agora a gente só impulsiona perfil de gente que faz &lt;i&gt;Reels&lt;/i&gt;, porque a gente tem que competir com Tik Tok.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;They say JUMP you say HOW HIGH?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A plataforma é feita não só para engolir a vida de quem consome conteúdo e entretenimento ali, mas, principalmente, para manter o &quot;criador de conteúdo&quot; escravo dos caprichos do senhor Mestre Algoritmo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porque quem precisa expor seu trabalho para ser comprado acaba tendo que se enfiar numa rede social cedo ou tarde, a não ser que tenha tido a sorte de se estabelecer no mercado antes do advento do Orkut. Ninguém mais vai no cliente mostrar portfólio na pastinha. Nenhuma editora cria um grande plano de comunicação e marketing para um autor desconhecido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você começa no Instagram pensando: vou publicar minha pintura de gatinho aqui, e as pessoas vão ver que eu faço pinturas de gatinhos e vão comprar pinturas de gatinhos. Cinco anos depois, você está fazendo dancinha e bebendo refrigerante por um tubo de papel higiênico para garantir que o Instagram recomende aquela sua pintura de gatinho pra alguém. Mas como você passa metade do seu dia produzindo conteúdo para garantir que o algoritmo aumente o alcance da sua audiência, você não pinta um gatinho novo há três meses. E apesar de ter conseguido trinta e dois mil seguidores (cento e vinte e sete dos quais eram &lt;i&gt;haters &lt;/i&gt;e você teve que bloquear mais de uma vez), só 1% das visitas à sua loja de pinturas de gatinhos impulsionadas pelo Instagram resultam em vendas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se você se identificou com isso, sinto muito, mas quer dizer que você está&lt;b&gt; trabalhando de graça&lt;/b&gt; para o Instagram e distribuindo sua arte pelo mundo feito confete, sem ganhar nada em troca, e que essa história de &quot;se eu postar meus gatinhos aqui, eles vão saber que eu faço e vão comprar&quot; é uma falácia gigantesca. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;Anassaura aqui lembra da vida pré-internet e pré-celular. Vivi metade da minha vida sem e-mail, e dois terços dela sem um smart-phone. Quando, recentemente, fui fazer back-up das minhas fotos na minha conta do Google que, veja só, ENCHEU, foi uma revelação ver meus álbuns de fotos subitamente passando de duas fotos por mês com câmera digital para dezenas de fotos por mês quando ganhei meu primeiro smart-phone, e para centenas de fotos quando resolvi entrar no Instagram.&amp;nbsp;&lt;p&gt;Prova cabal de como a tecnologia mudou meu jeito de me relacionar com o mundo. E eu não gostei disso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquela semana antes do meu aniversário, eu estava cansada do Instagram. Como entretenimento, o conteúdo mais me estressava do que entretinha. Todo mundo ali está tão deprimido quanto eu. Todo mundo ali está p*to da vida com as mesmas coisas (ou mais) que eu. E quem não está passa o dia postando frase motivacional e está tão ausente da realidade que me faz perguntar que drogas a pessoa está tomando, e onde eu compro um pouco pra mim. Tinha um perfil de que eu gostava, por conta do humor cru, que esses dias postou uma frase fofa e a legenda: a pessoa para quem você repassar esse post, vai saber que você acha ela forte, bonita, legal, fofa, tralalá...&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;CORRENTE.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Taqueospariu. Os &lt;i&gt;millenials &lt;/i&gt;ficam brigando com a geração Y pra saber quem é mais &lt;i&gt;cringe&lt;/i&gt;, e não perceberam que foram dominados pelos &lt;i&gt;Baby Boomers&lt;/i&gt;!&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Unfollow&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Instagram está chato pra chuchu. Esse é o termo técnico. A vida de 
todo mundo é sempre igual. Quem tem uma vida muito maravilhosa me faz 
sentir mal a respeito da minha vida e quem tem uma vida muito horrível 
me faz sentir mal a respeito da minha vida. Mas hein?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Isso não quer dizer que eu ache as pessoas lá chatas. Muito pelo contrário. É a plataforma que torna tudo chato.)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pra terminar, naquela fatídica semana, o Instagram foi atacado e ninguém conseguiu fazer nada nele por um dia inteiro. Certeza que foi a conjunção cósmica do Mercúrio Retrógrado e minha TPM. Certeza.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim. Me caiu uma ficha. E pronto, se eu precisava de mais provas para confirmar minha idade avançada, taí. Caiu a ficha. Eu usava orelhão. Quem não lembra a delícia que era o cheiro de metal suado que vinha do bocal quente do telefone quando você tirava ele do gancho logo depois de outra pessoa usar? Ai, que saudade. Só que não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas me caiu a ficha. A famosa epifania. Se calha dessa joça de rede social cair de vez, eu perco quase 100% do contato com meu púbico. As pessoas interessadas nas minhas crônicas descabidas, minha poesia sem pé nem cabeça, minhas aquarelas de bolovo e minhas tirinhas sem noção perdem COMPLETAMENTE o acesso ao meu trabalho, a não ser que tenham um dia se interessado em clicar no link do meu perfil e salvar o endereço desde blog de cabelos brancos, mas cheio da dignidade.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo o blog, que apesar de ter endereço próprio, ainda é completamente armazenado pelo Google, é instável. PORQUE NÃO ESTÁ NA MINHA MÃO, mas na mão de empresas e algoritmos. Já tive gente me escrevendo dizendo que imprimiu o blog todo, pro caso de eu um dia apagar. Eu não faria isso. Mas quem disse que o Google não faria?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ai, eu sei. Teoria da conspiração é muito coisa de velho. Você não tem ideia: eu costumava escrever em cadernos e máquinas de escrever até os dezoito anos, porque eu achava que &quot;computadores perdem coisas&quot;. Já ouviu teu avô dizendo isso? Pois é. Eu nasci com oitenta anos.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Teorias da conspiração à parte, eu senti que meu trabalho estava muito vulnerável, muito dependente de plataformas instáveis e que têm mais poder de bloquear meu acesso e apagar minha conta do que eu tenho de apelar a qualquer uma dessas ações. &lt;i&gt;(O Instagram bloqueou a primeira conta que eu abri, porque eu postei três fotos em seguida e ele achou que eu era um Bot, e eu nunca mais tive a conta de volta.)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;E meu trabalho tem que ser meu. E eu tenho que trabalhar para mim e para meus leitores e clientes, e não para o Instagram. Bode.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Desde o ano passado, enquanto eu escrevia meu livro, eu flertava com as plataformas de &lt;i&gt;crowdfunding&lt;/i&gt;, tentando imaginar uma forma de ter mais controle sobre o meu trabalho. Mercúrio retrógrado e o apagão do Instagram me deram um empurrãozinho, e eu criei uma &lt;a href=&quot;https://apoia.se/anaelisagranziera&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Newsletter, &lt;b&gt;Boletos &amp;amp; Borboletas&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, para quem quiser receber semanalmente uma crônica e uma tirinha inéditas e exclusivas, e ao mesmo tempo colaborar financeiramente para que eu possa dedicar mais tempo terminando de escrever meu novo livro e editando o livro das tirinhas do Diário Ilustrado, ao invés de ter fazer dancinha e beber refrigerante pelo tubo do papel higiênico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgChSZTNAqPuYaAjoJh52ctR7nGRYrf2FRNJt4Y7W0UmthpYQJwhaAuQwse_qV6QkfE9qiQDIRS-GeEBzkaw6hEavjlpybNK3NwqHAzZrd3kRg9IoELKWuCDR5F3kb3iR45VJgd5CtsKv50/s1403/AnaElisaGranziera_apoiase_NEWSLETTER_banner_MURAL.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;720&quot; data-original-width=&quot;1403&quot; height=&quot;328&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgChSZTNAqPuYaAjoJh52ctR7nGRYrf2FRNJt4Y7W0UmthpYQJwhaAuQwse_qV6QkfE9qiQDIRS-GeEBzkaw6hEavjlpybNK3NwqHAzZrd3kRg9IoELKWuCDR5F3kb3iR45VJgd5CtsKv50/w640-h328/AnaElisaGranziera_apoiase_NEWSLETTER_banner_MURAL.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Já saíram duas edições, nas últimas segundas-feiras, e quem assinar a Newsletter ainda em outubro, têm acesso ao conteúdo delas no Mural da&lt;a href=&quot;https://apoia.se/anaelisagranziera&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt; minha página do Apoia-se&lt;/a&gt;. A colaboração é mensal, como a assinatura de uma revista. No Mural, há textos e fotos sobre processo criativo, influências, leituras, e até receitinha e sorteio de caricatura já rolou.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Sempre me incomodou isso de parecer que eu tenho um grupo de leitores aqui e e outro no Instagram. Porque tem gente que me conheceu por lá e só lê o que eu posto lá, e tem gente que me conheceu aqui e não tem Instagram nem quer ter. E eu acho uma chatice isso de quem não faz parte da intersecção dos dois grupos não ter acesso a todo o meu material. Então pronto. Essa é uma forma de ter um contato mais direto com quem de fato se interessa pelo meu trabalho, e não quer só bisbilhotar minha vida (que no Instagram tá cheio disso também). É um jeito de me sentir mais segura de que, mesmo que a plataforma do Apoia-se desapareça, meu trabalho ainda está comigo e com meus leitores. E eu tenho alguma segurança financeira para me dedicar mais aos textos, inclusive do blog, e menos para ficar agradando algoritmo em rede social.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;O Instagram continua, mas com menos intensidade do que antes. Porque&lt;b&gt; Instagram me deixa ansiosa, ansiedade me dá insônia, e, sem piada nenhuma agora, insônia me dá depressão&lt;/b&gt;, e eu já vivi esse ciclo vicioso vezes suficientes para saber que é hora de quebrar o padrão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;O Blog, queridinho do meu coração, continua no mesmo ritmo. Se você gosta dos textos daqui e gostaria de ler mais, toda semana, &lt;b&gt;pode assinar minha newsletter&lt;/b&gt; lindinha. Se gosta, mas um texto por mês tá mais que bom, obrigada, pode também apoiar com bem pouquinho, só para manter a coisa funcionando. Com um trocado por mês você tem acesso a todo o material que eu posto no Mural (menos a newsletter) e participa dos sorteios. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Essas primeiras duas semanas de newsletter trouxeram um ar de calma à minha rotina, muito mais parecida com a Vida Tranquila que eu sempre busquei. Engraçado isso de tomar café-da-manhã sem postar foto do seu cappuccino. Coisa de gente velha.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;Prometo não mandar nenhum PPT com foto de gatinho na newsletter.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;VAI LÁ NO MEU APOIA-SE&lt;/b&gt;: &lt;a href=&quot;https://apoia.se/anaelisagranziera&quot;&gt;https://apoia.se/anaelisagranziera&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;....&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;ENQUANTO ISSO...&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;...Allex anda empolgado com sua panela elétrica de slow cooking, veja só, e adaptou a receita de chili con carne que eu mencionei no outro post, para ser vegetariana... e ficou maravilhoso! O chili fica ótimo com pãezinhos de milho, com tortilla chips e guacamole, sensacional com sou cream (se você não for vegano), com arroz e abacate, e num Buraco Quente, que é como a gente de São Paulo conhece aquele sanduíche que você faz tirando o miolo de um pão francês e preenchendo o buraco de carne moída com molho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Substituir carne por tofu não é golpe de gênio. Mas RALAR o tofu foi. Ele forma os gruminhos que emulam a carne moída e, tendo comido a versão com carne e sem, vou dizer que se você não disser para ninguém, é difícil perceber a troca.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Quando reclamei do Facebook, falei de vida devagar e pão sourdough. Reclamando do Instagram, deixo um Chili Vegano pra ser cozido bem devagar, em fogo baixo, para apurar o sabor. No dia seguinte, fica melhor ainda.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Eu postei o link da receita original aqui já, mas agora vou colocar a adaptação traduzida.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;CHILI VEGANO DO ALLEX&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;(adaptado &lt;a href=&quot;https://smittenkitchen.com/2010/09/beef-chili-sour-cream-and-cheddar-biscuits/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;daqui&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Rendimento: seis porções grandes ou mais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Ingredientes:&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2 cebolas grandes, picadas (cerca de 3 xic) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1/4 xic azeite ou óleo vegetal &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1 colh (sopa) alho picado &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2 cenouras, raladas grosso &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1,3kg de tofu firme, metade em cubinhos pequenos, metade ralado na parte grossa do ralador (ele vai ralar formando grumos de diferentes tamanhos, e é o que você quer. Alternativamente, você pode esfarelar o tofu com as pontas dos dedos. Não precisa ficar uniforme.) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1/4 xic chili powder* &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1 colh (sopa) cominho em pó &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2 colh (sopa) páprica &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1 colh (sopa) orégano seco &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;pimenta calabresa seca, em flocos, a gosto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2 xic purê de tomate, passata, ou seu molho de tomate simples favorito &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1 1/4 xic água &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;3 colh (sopa) vinagre de sidra ou o vinagre que você tiver &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1 3/4 xic. feijão VERMELHO em lata ou cozido (se não tiver o feijão vermelho, pode ser o preto)&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2 pimentões verdes, sem miolo e sementes, picado (Allex colocou mais um pimentão vermelho também)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;sal e pimenta-do-reino&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;* chili powder, ao contrário do que parece, NÃO É só pimenta em pó. É pimenta caiena, alho em pó,cominho, páprica, orégano, e pode ter outros ingredientes também. Se você não tiver, pode aumentar a quantidade dos outros temperos. Experimente o seu chili powder antes de colocar a quantidade toda. O chili powder daqui realmente NÃO É muito apimentado. Daí a quantidade grande. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;p style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Preparo:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Numa panela grande e de fundo grosso, aqueça o óleo em fogo médio-baixo, e junte as cebolas e uma pitada de sal, misturando, por 5 a 10 minutos, até que estejam macias.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Junte o alho, a cenoura ralada, e cozinhe por um minuto mais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Aumente o fogo para médio e junte o tofu em cubos e o ralado grosso, mexendo, até que algumas partes do tofu comecem a dourar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Junte o chili powder, cominho, páprica, orégano, pimenta, e cozinhe por mais um minuto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Junte o tomate, água e vinagre, e leve à fervura bem branda, cozinhando, com tampa, por 35-40 minutos. (Se sua panela não for muito pesada, vale a pena dar uma misturada de dez em dez minutos, para garantir que o fundo não está pegando.)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Junte os feijões cozidos, pimentões, sal (cerca de 2 colh. chá, mas experimente antes de colocar tudo) e pimenta-do-reino, e cozinhe por mais 15 minutos, ou até que os pimentões estejam macios e o chili esteja cremoso e reduzido o bastante para que você possa comê-lo com tortilla chips sem que ele escorra para fora da tortilla.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Sirva no mesmo dia, no dia seguinte, ou congele para depois, porque ele se conserva muito bem em potes fechados na geladeira ou no freezer. (A receita não pede, mas eu acho que folhas de coentro por cima no final ficaria maravilhoso.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/10/powe-point-e-um-chili-vegano.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGYXUApQYo97k2zqafVPYqxRI_QweJ-sJxpN8iAGYbkmT97SJRQ070OJpeexzdFonLucVwB3J78lYOOg5mm3NpQOvA-E66WLl-DoiEmU3pUdOnXlZ2-TArwnLoHCx1eHBQ9ht7JaIVqqVa/s72-w640-h612-c/IMG_20211018_132232886.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-2006852386729115285</guid><pubDate>Fri, 01 Oct 2021 14:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-10-01T11:25:59.131-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">francês</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">legumes</category><title>A goteira, o chalé a expectativa (e um pot-au-feu vegetariano)</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqNGWYdVcQ1RDM8RpqYIYclJQ0DHFsRP2WOaA14lNK8kt7RZiUMvzYOQlkNLrTv4eT0dKrdbsYTlmykY5_rS3S40RBJ_f-F4tafzbBN-7d-soYakrqVnhyODj0YncPmMx1zstODLLpA1HW/s2048/IMG_20210925_070716273.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqNGWYdVcQ1RDM8RpqYIYclJQ0DHFsRP2WOaA14lNK8kt7RZiUMvzYOQlkNLrTv4eT0dKrdbsYTlmykY5_rS3S40RBJ_f-F4tafzbBN-7d-soYakrqVnhyODj0YncPmMx1zstODLLpA1HW/w480-h640/IMG_20210925_070716273.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Tinha
uma goteira no meio do meu telhado. No meio do meu telhado tinha uma goteira.
Nunca mais vou esquecer de quanto vi aquele lustre cheio d’água, dois meses
depois de assinar 25 anos de dívida pra comprar minha casa própria. Com goteira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMUjABGkxvj35aq2JzbNqsXDQL2LalHoZoiv52EkNp6xI7dH23dYKvN25VSTFDiAjxFnE86DAlsN4apKjeHk7pKTmMVd4A_EH0csVQhMX9bXVwrKxaCq-DVhyzWeLQT5w62cEJ3IitCBIA/s2048/IMG_20210923_204203856.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMUjABGkxvj35aq2JzbNqsXDQL2LalHoZoiv52EkNp6xI7dH23dYKvN25VSTFDiAjxFnE86DAlsN4apKjeHk7pKTmMVd4A_EH0csVQhMX9bXVwrKxaCq-DVhyzWeLQT5w62cEJ3IitCBIA/w300-h400/IMG_20210923_204203856.jpg&quot; width=&quot;300&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Isso é uma foto da luminária da minha cozinha cheia de água. Uhúuuu!&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Foi
depois de uma semana complicada, de chuva intensa e aquela luz cinza que tira a
graça da vida, que descobrimos a infiltração. Um dia que já estava meio ruim, e
que deu um jeito de ficar pior. Um dia antes de sairmos para uma viagem que
ninguém queria fazer. Um chalé reservado dois anos antes, antes da pandemia e
antes de cancelarem a corrida para o qual o chalé havia sido reservado. Uma
reserva de improviso, “é o que tem, então vai isso mesmo”, olhando de nariz
torcido para aquela foto do chalezim minúsculo, feiozinho e escuro, que parecia
um pequenino coletivo de mofo e &lt;i&gt;bed bugs&lt;/i&gt;. Uma viagem que, no afã da mudança
de casa e cidade, esquecemos de cancelar. Ninguém queria ir, ninguém tinha saco
ou vontade, mas ninguém queria perder as muitas doletas pagas por aquela cama
pouco convidativa; ainda mais porque a previsão no parque era de chuva. Que é
que se faz num parque com chuva? Fica-se trancado no chalezim porqueira, jogando
jogo de tabuleiro de cara amarrada. Ieeeeei! Super afim. Mas não dá pra rasgar
dinheiro. Não com &lt;i&gt;mortgage&lt;/i&gt; pra pagar e telhado pra consertar. Mas como a
semana ia de vento em popa, o aplicativo de tempo previa chuva para Ottawa também,
e nem que a gente quisesse poderia ir viajar: tem que ficar em casa olhando o
pinga-pinga pra trocar o balde e rezar pra deuses antigos pro teto da cozinha
não encher d’água e despencar. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;

&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Amanhã
a gente vê o que faz”, disse Allex, tentando fingir que havia alternativa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A
noite foi longa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A
manhã, no entanto, era azul. Surpreendentemente azul, secando rápido a grama encharcada
e as poças nas ruas. O tempo virou durante a madrugada e, de repente, não havia
mais a menor chance de chuva no fim de semana. Deuses antigos são milagreiros. O
empreiteiro me telefonou e disse que viria na segunda-feira. A viagem estava de
pé, e não perderíamos o depósito, afinal. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas
o coração continuava pesado. O desgosto enevoava a vista, e os sinais se embaçavam.
Fizemos as malas sem sorrisos, quando as crianças voltaram da escola, e enfiei
qualquer coisa na térmica, sem expectativa de ter fome por dois dias, ou mesmos
em acreditar que ficaríamos fora tanto tempo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Tô
estranho”, ele disse. “Não sei dizer o quê. Você tá também com uma sensação
esquisita dessa viagem? Tipo que não é pra ir? Sei lá. Qual é seu feeling?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Respirei
fundo. Havia sim uma estranheza, mas eu já não sabia dizer se eu encontrara
conforto na miséria ou se pressentia perigo. Fechei os olhos. Quando me
perguntei se deveríamos ir, a imagem na parte detrás de minhas pálpebras era um
céu estrelado. Uma fogueira à beira do lago. Risadas. Abraços.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Vamos.
Se começar a parecer furada, a gente volta.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A
dez minutos de casa, cada um de nós lembrou que havia esquecido alguma coisa. “É
sinal pra gente ficar em casa”, ele disse. “Não é não”, insisti. “A gente vai voltar
e pegar tudo, e ficar feliz que a gente lembrou ainda perto de casa. Olha que
sorte!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Conforme
nos afastávamos de Ottawa, as nuvens dissipavam e abriam espaço para um céu
azul cremoso, esquentando os primeiros dias de outono, fazendo cintilarem as árvores
ao longo da estrada que ousaram trocar de cor tão cedo, queimando vermelho,
laranja e amarelo em meio à vegetação verde de saudade de verão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHyFdQl08EY8_bPB7J0hF-3hT8ynKwtiW2Nnbr33jVhyphenhyphenojDgRAAnjVHxwlioBsCbwq_uzsVCapWKQu7O9GVQ4P3wwooPQlM0T1vjMK7fyFZu3L55j2D66K_fT3rr5BSh2SxR0ya070sOIC/s2048/IMG_20210924_181830698_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHyFdQl08EY8_bPB7J0hF-3hT8ynKwtiW2Nnbr33jVhyphenhyphenojDgRAAnjVHxwlioBsCbwq_uzsVCapWKQu7O9GVQ4P3wwooPQlM0T1vjMK7fyFZu3L55j2D66K_fT3rr5BSh2SxR0ya070sOIC/w480-h640/IMG_20210924_181830698_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Paramos
em Renfrew, uma dessas cicadezinhas minúsculas do interior de Ontario, em que o
centro comercial inteiro é só uma rua de três quarteirões, feito filme do velho
oeste. A pizza que pedimos num botequim local demoraria 40 minutos para ficar
pronta, e por isso nossos olhares se atraíram pela propaganda no café em
frente, que dizia “Local Beers Only”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRM7rFBgwCbTVcIAcXCPTPnwwIbBG6oCm280fhj09RrJhvi4eugtBRqdyZhjjhFgi-NVX5qYDRBFMce8DxSLU-_fBExh2sPTEUMFeJZCUS6n8MwJoatiCztRnZH5Eid8pIcg7V1YL8onr5/s2048/IMG_20210924_182534389_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRM7rFBgwCbTVcIAcXCPTPnwwIbBG6oCm280fhj09RrJhvi4eugtBRqdyZhjjhFgi-NVX5qYDRBFMce8DxSLU-_fBExh2sPTEUMFeJZCUS6n8MwJoatiCztRnZH5Eid8pIcg7V1YL8onr5/w480-h640/IMG_20210924_182534389_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;O café, Ottawa Valley, era charmosinho
daquele jeito hipster instagramável, e vendia diversos produtos de artesãos
locais. Pedi uma Strawberry Chocolate Stout, Allex, uma BeaverTail Lager, e as
crianças ganharam, cada uma, um cupcake. Enquanto elas conversavam com a
barista do lado de dentro, Allex e eu curtíamos a luz rosa e amarela do por-do-sol,
que desacelera o tempo e suspira sorrisos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Começou
bem”, eu disse. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Pensei
a mesma coisa.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2fUYRqHbhAB4D2A4cTmo4kPG920DW2JA8jWAGdNo9ErHvGHe0XKXNQLHrS32lqHR1myVfIhoBF5pr6umt16yEl_b6JN6U9t3B1HXuOhbyA77PB6MA9E2JMwf6VXa_iF7KIUBzFwZUc9-b/s2048/IMG_20210924_203503518.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2fUYRqHbhAB4D2A4cTmo4kPG920DW2JA8jWAGdNo9ErHvGHe0XKXNQLHrS32lqHR1myVfIhoBF5pr6umt16yEl_b6JN6U9t3B1HXuOhbyA77PB6MA9E2JMwf6VXa_iF7KIUBzFwZUc9-b/w480-h640/IMG_20210924_203503518.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Chegamos
ao chalé já com noite escura e uma pizza ainda quente no porta-malas. A
proprietária abriu uma casinha pequena imersa na noite, surpreendentemente
limpa e aconchegante. Por essa eu não esperava. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;O chalé mequetrefe da foto era bom na vida
real. Normalmente é oposto que ocorre. Meu corpo se encheu de esperança. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Descarregamos
logo as malas, e descemos o terreno até o deck onde podíamos acender o fogo,
usando lanternas de cabeça para enxergar na noite. “Ainda bem que a gente
voltou pra pegar o acendedor e a lenha, porque essa aqui tá molhada de chuva”,
Allex dsse. “Tá vendo? Sorte”, lembrei. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;O
fogo acendeu rápido e iluminou nossos rostos. As crianças usaram seus canivetes
para fazer pontas em galhos, onde espetariam marshmallows, dourados na brasa sob
a fogueira. Abri uma cerveja trazida de casa, e sentei-me ao lado deles, ouvindo
a ondulação do lago escuro contra as pedras, e os grilos tímidos que cantavam
ao ritmo do crepitar do fogo. Ousei olhar para cima, relaxando os ombros, e sorri
largo, gostoso, ao ver aquele céu tão estrelado, que era como se uma criança
tivesse derrubado purpurina no chão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXAcjPedIp4Cb54370rkab5NwwQ8IZ_64KIN-ho-_SkcDb6EEwBT6z3fwEd5YPNPLqh6xzGSUQGItRSXsDzszUXvK8WLkVBkge4-SpXDwf_0ubdEOopiXWanob1f0UXJYeBCwuSun66jlW/s2048/IMG_20210924_212958702.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXAcjPedIp4Cb54370rkab5NwwQ8IZ_64KIN-ho-_SkcDb6EEwBT6z3fwEd5YPNPLqh6xzGSUQGItRSXsDzszUXvK8WLkVBkge4-SpXDwf_0ubdEOopiXWanob1f0UXJYeBCwuSun66jlW/w480-h640/IMG_20210924_212958702.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“A
Ursa maior está lá. Aquele é o rabo dela”, apontei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Mas
mamãe, urso não tem rabo comprido!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Ah,
filho, não fui eu que dei nome pra isso.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Cadê
a lua?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Escondida
atrás das nuvens ali no horizonte.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Queria
que a lua saísse.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Eu
também.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E
os risos das crianças sopraram as nuvens devagar, e, meu peito foi ficando leve.
E assistimos, de coração quente, o voo lento da lua detrás do escuro, até surgir
inteira, redonda e brilhante. Ela refletiu nas águas do lago, que se tornou visível,
e desenhou de prateado morros e árvores, iluminando alegria em nossos rostos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;O
que eu havia visualizado estava ali. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Fomos
acordados pelas crianças, ávidas para ir lá fora. Seus rostos, grudados à
janela que embaçava com sua respiração, eram rosa e amarelo e lilás, como a bruma
que cobria o lago no nascer do sol. Quando saí da casa, perdi o fôlego. Era
como uma pintura de Turner, aquele sol disforme manchando as nuvens do céu e os
vapores que se erguiam do imenso lago, em espectros de cor como o coração de um
cristal.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Não
havia o menor sinal de chuva. &lt;/span&gt;

&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Saímos
de carro em busca de café, e foi aos risos nervosos que estacionamos numa loja
de conveniência no meio do nada com lugar nenhum. Atrás de pilhas de revistas
velhas, produtos de limpeza, chips e chicletes, havia um balcão que se dividia
em duas diferentes redes de fast-food, com uma só pessoa atendendo os dois
caixas. Ambas as redes cópias de segunda classe de redes de fastfood já de
segunda classe. Entre locais que faziam seus pedidos matinais, levamos para
casa copos descartáveis com café americano com gosto de cinzeiro, e sanduíches
para o almoço que pareciam ter sido encontrados no bolso de trás da calça de
alguém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas
o céu era azul e a refeição-depressão gerou assunto por todo o tempo que
levamos para chegar ao parque e alugar uma canoa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqzKsr2aA3c6xTmswAS7fHo_MdL1qle1zgXfwqrlOC3Nau9MCA_ueAmyazsTVZ5yCKOSEg0eRJHRzshUcwwwoZUf83B8g5877rbDmn0ejShHoQNfHDboXLtSIaNM14x3fXaQphg-2RI_Nh/s2048/IMG_20210925_145653773.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqzKsr2aA3c6xTmswAS7fHo_MdL1qle1zgXfwqrlOC3Nau9MCA_ueAmyazsTVZ5yCKOSEg0eRJHRzshUcwwwoZUf83B8g5877rbDmn0ejShHoQNfHDboXLtSIaNM14x3fXaQphg-2RI_Nh/w480-h640/IMG_20210925_145653773.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A
canoa era necessária para atravessarmos o lago Mazinaw em direção a uma ilha imensa,
com formações rochosas altas e dramáticas, onde se vê pinturas rupestres. A
canoa custava 40 dólares pelo dia todo. Fiquei me perguntando como organizavam
a chegada e partida das canoas alugadas ali na ilha. “Custa 40 dólares pra pegar
a canoa daqui até a ilha. Mas da ilha até o parque, a canoa custa 400”,
brinquei. “É por isso que, lá na ilha, hoje, você encontra uma comunidade de
turistas abandonados, que nunca voltaram à terra firme, porque não tinham
dinheiro para a canoa de volta.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Enquanto
esperávamos nossa vez, Laura e Thomas apanharam galhos e folhas e pedras, e
construíram fortes em volta de formigueiros, para protegê-las de ataques de
predadores. Laura, no entanto, tocou qualquer coisa com xixi de gambá, e passou
o resto do dia com as mãos fedendo a fossa séptica, não importava quanto álcool
gel esfregássemos em seus dedos. Ai, Laura. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Todos
esqueceram do fedor assim que entraram no barco. Allex à frente, crianças
sentadas no meio, no fundo do barco, e eu na parte de trás. Era a segunda vez
que remávamos juntos, e eu tinha certeza de que sabia o que fazer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Só
que não. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Sair
da baía de águas calmas foi fácil. Mas assim que entramos no lago, o vento forte
começou a mudar a direção do barco, que chacoalhava por cima das ondas com
jeito de corredeira. Eu que só tinha remado em descida de rio tranquilo, passei&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;uma hora e meia ouvindo os comandos
desesperados de Allex, tentando me fazer remar pro lado certo. Eu ria. Muito. Mesmo
quando uma das ondas bateu com força, entrou no barco, e molhou as calças das
crianças e o fundo da minha mochila. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Remamos
de forma ridícula pelo estreito raso e tormentoso até uma parte do lago um
pouco mais calma, onde pudemos nos aproximar das rochas e ver as pinturas. “Mamãe!
Alguém perdeu uma canoa!”, Laura apontou para uma canoazinha amarrada a uma pedra.
“Não, filha, olha lá. Amarraram o barco, deixaram a mochila ali um pouco mais
pra cima na pedra, e olha lá, bem pra cima, segue aquela corda: olha a moça doida
escalando o paredão! Legal, né?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Voltamos
contra a corrente, rindo sem parar de nossa (minha inaptidão), até chegar ao píer
da ilha: um deck estreito de metal, desses que balançam junto com a água, com
tantas canoas amarradas, que parecia um cacho de bananas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Não
tem ninguém do parque pra ajudar a gente a sair do barco??”, perguntei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Não,
ué.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Allex!
Como é que faz? Como é que a gente ESTACIONA essa geringonça?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“A
gente vai descobrir, ué.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Meu
cérebro estava em branco. Taí uma situação pela qual eu nunca tinha passado
antes. A água bravia, o barco balançando e querendo ser levado embora, minha
mochila com celular e máquina fotográfica (sem contar os sanduíches mequetrefes),
nenhum espaço no píer, alto, na altura da minha testa, também balançando, e nenhum
ser humano mais experiente pra dizer o que fazer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Pára
de panicar, Ana. Rema até encostar aqui na lateral”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Mas
tá escrito que é proibido docar aqui.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“É
proibido docar. Mas vocês vão sair do barco por aqui.” Eu imaginei a gente
saindo do barco e a correnteza levando o barco embora com o Allex dentro, e eu
e as crianças integrando a comunidade de turistas sem dinheiro nem barco que
vivem no topo da ilha. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Vai,
tô segurando o deck. Laura, sai”. Laura se dependurou no deck, ficou em pé no
barco, e saiu. “Thomas, sai.” Thomas saiu. Eu vi meus filhos ali, e imaginei o
barco indo embora e meus filhos sendo criados pela comunidade abandonada de
turistas, ouvindo histórias de pais malvados que largam criancinhas na ilha e
sobre a origem do rabo da Ursa Maior. “Vai, Ana, sai.” Taqueospariu, essa porra
vai virar. Dei minha mochila pra Laura, e lá vou eu ficar de pé no barco e
sair. Balança, mas não cai. Balança, mas não cai. “Boa. Agora segura a cordinha
aqui e puxa o barco até aquela ponta ali, pra eu descer e amarrar.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Santo
Allex e sua habilidade de gerenciar equipes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Puxo
a corda, seguro o barco, ele sai, com muito mais elegância do que eu. Enquanto
ele tenta uns três nós diferentes para amarrar nossa única garantia de saída da
ilha com aquela cordinha de nylon desfiando, eu peço desculpas por estar no
caminho de três canadenses de trinta e poucos anos, todos igualmente barbados e
vestidos de camisas de flanela vermelha. Rio por dentro, e imagino que estou
sendo recebida pelos nativos da ilha. Eles se entreolham, olham para a miríade
de nós que Allex está fazendo, e discutem entre eles como colocar o barco deles
na água. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Pelamordadeusa,
barco, não vai embora!”, eu digo, e saímos do caminho, subindo a trilha até o
próximo mirante, para comermos nossos sanduíches-depressão. Só ali vejo a
extensão da aguaceira do barco. As crianças estão tremendo de frio, depois de
uma hora e meia sentados num barco de metal, de calças molhadas. Meus filhos
são muito jóia. Não conheço muita gente que manteria o bom humor nessa
situação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzIDL28rMQ8llb84uQcHjy4lY1w8xhH0yzcZaDlYMDtxT6ptScbhggD1blXpAcpFoyAeurrTftrekGE4BwisGh-ClNT0SGCx473zEIg6YTqEaPxQWUiOBwl8hFxOJNa9ECX1vbJAgDWXwR/s2048/IMG_20210925_133910534_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzIDL28rMQ8llb84uQcHjy4lY1w8xhH0yzcZaDlYMDtxT6ptScbhggD1blXpAcpFoyAeurrTftrekGE4BwisGh-ClNT0SGCx473zEIg6YTqEaPxQWUiOBwl8hFxOJNa9ECX1vbJAgDWXwR/w480-h640/IMG_20210925_133910534_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Subimos
a trilha que um dia Allex quer fazer correndo (em teoria, ano que vem, se não
for cancelada outra vez), até chegar em um mirante de onde víamos todo o parque,
e toda a extensão de água que havíamos remado. Quando as crianças deram o
primeiro sinal de cansaço – meu alarme apita quando Laura faz duas reclamações
completamente sem cabimento uma em seguida da outra – sugeri que voltássemos.
Afinal, ainda tínhamos que remar de volta. “E se o barco tiver soltado, mamãe?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Ai,
filha, a gente vai morar aqui na ilha.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Mas
a gente não tem comida!”, Thomas disse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Eu
ainda tenho uma barrinha de cereal. A gente pode dividir. Haha.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Ai,
mamãe.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Não
vou mentir que existia sim a possibilidade do barco ter saído pra dar uma volta
sem a gente. Mas ele estava ali, bonitinho... só que em um lugar diferente. Estava
na cara que aquele trio de hipsters canadenses achou que a gente 1. Estava &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;no meio do caminho do barco deles e 2. Tinha
feito merda, e resolveu reamarrar nosso barco de um jeito mais apropriado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Allex
desamarrou o barco, e eu puxei a pontinha dele para perto do deck, no movimento
contrário ao que havíamos feito para subir na ilha. Apanhei os coletes salva-vidas,
vestimos, e eu fui a primeira a subir no barco, balança mas não cai, balança
mas não cai, por favor, que eu não quero perder meu celular nessa aguaceira
não. Vieram as crianças, uma a uma, e então Allex. E remamos para longe do píer,
e por um minuto pelo menos, pareceu que a gente sabia o que estava fazendo. Vai,
Ana, vê se rema pro lado certo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Clarquenão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Cáspita
Ana! Não é tão difícil!”, Allex ria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“É
a segunda vez na minha vida que eu tô fazendo isso, e acho que eu tô indo muito
bem, obrigada!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Um
dois três turistas, quatro no pequeno barco. Iam navegando pelo lago chacoalhando,
quando o vento forte se aproximou. A Ana remou errado quando veio a onda, e o
barco quase, quase virou. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Só
que não.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjS0pM71496fSAwN1X2a5QWrFNm9TzEc5A0wGI8q2kyQvENGG6WCNffJluukO8hy06dAtfpOZFgCGB7PmwV4uUXNAAna3rt1wPPKSWXWsC1lH7UYYseTO6oOPXRTiJ3EZKt9KAORpn5QQjU/s2048/IMG_20210925_102204901.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjS0pM71496fSAwN1X2a5QWrFNm9TzEc5A0wGI8q2kyQvENGG6WCNffJluukO8hy06dAtfpOZFgCGB7PmwV4uUXNAAna3rt1wPPKSWXWsC1lH7UYYseTO6oOPXRTiJ3EZKt9KAORpn5QQjU/w480-h640/IMG_20210925_102204901.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Sãos
e salvos em terra firme, a gente mal acreditava quão divertido estava sendo aquele
dia. Voltamos ao chalé com o dia ainda lindo e sol, apesar da temperatura de
inverno brasileiro, e Laura e eu resolvemos nadar. Ela logo desanimou com a
água gelada, e trocou minha companhia de sereia congelada pela do pai num
caiaque. Que tinha isso que descobrimos, que o aluguel do chalé dava direito a
usar canoas, caiaques e outros apetrechos deixados ali à disposição. Os dois
foram longe, quase alcançando novamente a ilha que víamos do chalé, e voltaram
para trocar Laura por Thomas, os dois felizes de poderem remar dessa vez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;O
dia terminou como o anterior, com fogueira e marshmallows, e o chuvisco leve
serviu para mandar as crianças para cama, mas não os adultos. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhvm2P39GtJcvsyMqu6HEzWyzOs_UK2jljYOYGLicinGI4Yi3Wh2pbXAmQtVwlk-WP8DCV0aI36W7Kc8Rf_JiBXc6EJ6a7udH_jEtp28nYHRvhGpxAHOJ8mCTKiBCfmdIAFd0-y3pKhzihj/s2048/IMG_20210925_085654844_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhvm2P39GtJcvsyMqu6HEzWyzOs_UK2jljYOYGLicinGI4Yi3Wh2pbXAmQtVwlk-WP8DCV0aI36W7Kc8Rf_JiBXc6EJ6a7udH_jEtp28nYHRvhGpxAHOJ8mCTKiBCfmdIAFd0-y3pKhzihj/w480-h640/IMG_20210925_085654844_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Como cortar lenha sem cortar seu pé. Isso a escola não ensina.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A
intenção era ir embora depois do café, mas o dia nasceu claro e convidativo outra
vez, e fomos enrolando o mais possível. As crianças cortaram lenha com o
machado, habilidade aprendida no fim da tarde anterior, e então quiseram
navegar pelo lago de pedalinho. Eu bem achei que era hora de andar de caiaque
pela primeira vez, e deslizei, remando, até me sentir perdida na água preta e
funda lá no meio. De novo, quando as crianças cansaram de pedalar e começaram a
se cutucar em seu barquinho, lancei mão de altos truques pedagógicos: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Quem
chegar primeiro no píer ganha a última barrinha de cereal!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E
as crianças foram campeãs da regata de alta velocidade, contra pai e mãe que se
esforçaram para pegar a corrente e errada e não os alcançar a tempo. Ainda deu
tempo de nadar de novo, e de Allex e Thomas tentarem stand-up paddle. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Voltamos
tranquilamente, parando em uma cervejaria para almoçar e uma outra cidadezinha
minúscula para tomar sorvete antes de chegarmos exaustos e moídos em casa,
encontrando um balde vazio onde nenhuma goteira pingara. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A
chuva veio assim que fechamos a porta, como se tivéssemos na sexta-feira
atravessado, ida e volta, uma fenda espaço-temporal para um universo paralelo.
Um universo que nos deu descanso e alegria inesperados, e mais “&lt;i&gt;good old
canadian fun&lt;/i&gt;” do que jamais imaginamos. Um dia e meio que pareceu uma
semana, tanta coisa a gente fez, tanta risada que deu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E
a gente quase não foi. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Talvez
a lição a ser aprendida seja sobre expectativas, ou a ausência delas. Talvez seja
de não se deixar afundar tanto na sua miséria a ponto de não enxergar mais uma
saída. Talvez seja sobre confiar na intuição, ou sobre nunca duvidar que o
tempo pode virar de repente. Talvez seja sobre nunca esquecer o acendedor e a lenha
seca, vai saber. Ou talvez seja que está todo mundo no mesmo barco, e que
enquanto você souber rir da sua bunda molhada e falta de direção, sempre vai ter
três hipsters canadenses pra refazer seu nó e não deixar seu barco sair vagando
por aí. Vai saber.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-align: center; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;.... &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;Gente linda do meu coração. Só parando para avisar que muito em breve vou lançar uma campanha no Apoie-se, onde você vai poder colaborar não só para que esse espaço do blog continue existindo, como também vai poder receber no seu email outras crônicas inéditas e ilustrações, além de outras novidades. Fique de olho. Enquanto isso, lembre-se de que meu livro Brutta Figura continua à venda nas principais livrarias. Os links para comprá-lo estão lá em cima no blog. Minha loja Etsy está novamente com caricaturas e quadrinhos de maternidade para encomenda.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Agora falando em expectativas. Eu tinha tão pouca expectativa com esse ensopado de legumes, que nem foto eu tirei. Mas ficou tão maravilhoso, é tão simples, e (em tempos de crise no Brasil) tão barato de fazer, que vou deixar aqui a receita mesmo sem ter fotografado nada. Fica a foto do livro, que eu peguei na biblioteca, só pra você ter uma ideia. O meu ficou bem parecido. Só troquei os aspargos por ervilhas congeladas, já que aqui no Canadá é outono e os aspargos agora estão fora de época. Gente, que ensopado delícia. Apesar do nome da receita original dizer que é um ensopado para clima quente, eu digo que é pra qualquer clima.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Não se assuste com a quantidade de ingredientes e passos. É realmente simples. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgzhUE9vqxQkwbDRgCWKTz9cOOIILsFFvNPp0KSQHNvGJT-xX5RB5GIIQpPctLVUlGnczJBgDxxRYEsgLIOnwnXbNavNykjDumSLYZYpc4gwVtdvun95UBdZAzchgISHoXu9zhTnJFPdQ2/s2048/IMG_20211001_102200851.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1791&quot; data-original-width=&quot;2048&quot; height=&quot;560&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgzhUE9vqxQkwbDRgCWKTz9cOOIILsFFvNPp0KSQHNvGJT-xX5RB5GIIQpPctLVUlGnczJBgDxxRYEsgLIOnwnXbNavNykjDumSLYZYpc4gwVtdvun95UBdZAzchgISHoXu9zhTnJFPdQ2/w640-h560/IMG_20211001_102200851.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Pena que eu não tirei foto do prato que eu fiz. Fora os aspargos, ficou bem com essa carinha mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;POT-AU-FEU DE VEGETAIS para um dia de calor&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(Do livro Around My French Table, de Dorie Greenspan)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Ingredientes:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;2 colh (sopa) azeite&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;2 dentes de alho, fatiados fino&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;1 cebola, em meias luas finas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;1 folha de louro (isso é acréscimo meu, porque usei água ao invés de caldo) &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;1 alho-poró, sem as partes escuras, cortado em quartos no sentido do comprimento, lavado e cortado em pedaços de 2-3cm&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Sal e pimenta-do-reino (preta ou branca)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;6 batatas pequenas, do tamanho de ovos, em fatias de 1cm&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;4 cenouras finas, descascadas e cortadas em diagonais de 1cm&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;3 xic de caldo de legumes, frango ou água (usei água)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;1 tira grande de casca de limão, sem a parte branca (use uma faca afiada ou um descascador de legumes)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;8 aspargos, sem a parte lenhosa (ou 1 xic de ervilha congelada, que foi o que eu usei, ou vagens inteiras, ou abobrinhas em pedaços, o que você tiver)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;4 cogumelos shiitake frescos, grandes, sem o cabo e fatiados&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;200g espinafre, sem os cabos, e lavado (uns 100g de folhas)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;4 ovos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;(para o coulis) &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;2 xic de manjericão, salsinha ou coentro, ou uma mistura dos três, picados grosseiramente&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;1/2 xic azeite&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Preparo:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Faça o coulis: você pode colocar as ervas e&amp;nbsp; o azeite no liquidificador, processador, ou mixer, e bater até obter um molho com cara de pesto ralo. OU pode fazer num pilão. Eu bati no liquidificador. Tempere com uma pitada de sal. Transfira para um potinho, tampe e deixe na geladeira até a hora de servir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Numa panela larga e não muito alta, ou uma frigideira de 30cm de paredes não muito baixas, tipo um wok, aqueça a primeira quantidade do azeite em fogo médio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Junte o alho, e cozinhe por 1 minuto, até perfumar, sem dourar. Junte a cebola e o alho-poró e o louro, mexendo e temperando com sal e pimenta. Cozinhe por uns 5 minutos, até ficarem bem macios e a cebola começar a pegar cor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Junte as batatas e as cenouras, misture, tempere com sal e pimenta, e junte a água ou caldo e a tira de casca de limão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Aumente o fogo pra levar à fervura, e então abaixe novamente, para manter uma fervura branda por uns 10 minutos, ou até que os legumes estejam macios mas ainda al dente, sem se desmancharem. (Quando o prato estiver pronto, você quer que os vegetais tenham textura, e não que vire uma sopa.)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Você pode parar o cozimento agora e retomar algumas horas depois, se precisar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Enquanto os vegetais estão cozinhando, coloque uma panela de água para ferver. Você pode preparar seus ovos poché ou cozidos, com a gema mais para mole. Fica a seu critério. Lá &lt;a href=&quot;http://instagram.com/anaelisagg&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;no meu Instagram&lt;/a&gt; tem um destaque com video do ovo poché. Eu também tenho &lt;a href=&quot;http://www.lacucinetta.com.br/2008/06/ovo-poch-101-para-nunca-mais-errar.html&quot;&gt;um post aqui no blog &lt;/a&gt;ensinando. A única coisa que faço de diferente hoje em dia é fazer um furinho na bunda do ovo com a ponta da faca ou agulha, e mergulhar ele inteiro, com casca, por uns 20 segundos na água que está borbulhando (fervura branda, não louca). Tiro, e aí sim quebro o ovo em cima da água, para que ele cozinhe por 3 minutos mais. Essa &quot;pré-cozida&quot; ajuda a clara a não espalhar na água, e você não precisa fazer o redemoinho, o que é ótimo quando você precisa fazer 4 ovos poché de uma vez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Reserve os ovos cozidos ou poché. (Você pode colocar os ovos poché em água fria e deixá-los lá até a hora de servir. Na hora de servir, mergulhe-os em água quente por alguns segundos, só pra reaquecer. Eu meio que fui doida e fiz os ovos na hora de servir o prato, tudo ao mesmo tempo. Funciona.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Na panela com os legumes, junte os aspargos, ervilhas ou qualquer outro legume, e cozinhe por mais 4 minutos. Junte o espinafre, revirando com a colher até ele murche. Acerte o tempero.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Sirva os legumes em pratos fundos, com caldo. Colque um ovo no centro de cada prato, sobre os legumes, e distribua colheradas do coulis de ervas. Um pãozinho pra raspar o caldo no final vai muito bem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-left: 0cm; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/10/a-goteira-o-chale-expectativa-e-um-pot.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqNGWYdVcQ1RDM8RpqYIYclJQ0DHFsRP2WOaA14lNK8kt7RZiUMvzYOQlkNLrTv4eT0dKrdbsYTlmykY5_rS3S40RBJ_f-F4tafzbBN-7d-soYakrqVnhyODj0YncPmMx1zstODLLpA1HW/s72-w480-h640-c/IMG_20210925_070716273.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-3501308087988695613</guid><pubDate>Tue, 21 Sep 2021 22:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-09-21T19:26:52.766-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">legumes</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sopas</category><title>Uma cozinha que não é só minha, uma costela que não tem receita, e uma sopa de lentilha que não tem foto</title><description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEie846FV6pBj9I91MmMK0R7D_Ktn9xMPmDdfd50rMazkS5O_b39welIMtcOMY8L_uujSO-Jnps9adZDzXhzuMUXlnhV55wFGebKd8ZduwmBlVzzLdE8X02K9gjsQf1IVNNRCHBkSyAciXPQ/s4000/IMG_20210915_200802564.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEie846FV6pBj9I91MmMK0R7D_Ktn9xMPmDdfd50rMazkS5O_b39welIMtcOMY8L_uujSO-Jnps9adZDzXhzuMUXlnhV55wFGebKd8ZduwmBlVzzLdE8X02K9gjsQf1IVNNRCHBkSyAciXPQ/w480-h640/IMG_20210915_200802564.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou sentada em minha cadeira Muskoka de imitação (que eu queria muito que fosse de madeira, mas é de plástico), bebericando uma cerveja, e sentindo a última brisa morna do ano tentando virar as páginas do meu livro. &quot;O cheiro do carvão em brasa parece incenso&quot;, diz minha vizinha, sempre simpática, ao descer as escadas de sua varanda para catar o gato velho e gordo de volta. Os galhos dos pinheiros se movem devagar. Allex desce os degraus de madeira, rangendo cada uma das tábuas que balançam para lá e para cá com seu movimento, e traz nas mãos um caixote plástico com pratos, facas, tábua de madeira, um pacote de linguiças frescas embaladas em papel de açougueiro, e um outro pacote, maior e mais delicado, contendo seu mais novo projeto de fim de semana.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele espalha tudo sobre a mesa com um sorriso concentrado, e vai cuidar do carvão aceso, que precisa ser reordenado na churrasqueira. Tento ler mais umas linhas, enquanto ele abre o pacote especial, revelando uma fileira de costelas de porco cruas, besuntadas em mostarda de Dijon e especiarias.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá se divertindo?&quot;, pergunto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele responde afirmativamente, e começa a me explicar seus planos para aquela peça. Ele apanha pedaços de madeira de molho em água e cobre o carvão quente, produzindo uma fumaça perfumada. Vou defumar a carne por uma hora, ele diz, e depois besuntar em Guinness e Maple Syrup e embrulhar em papel alumínio.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Parece bom. Era o que pedia a receita?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Uma delas.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eita. Você misturou mais de uma receita?&#39;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Confia em mim.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu resisto à tentação de opinar. Encho a boca de cerveja para engolir as palavras, e abro de novo meu livro, procurando um parágrafo perdido. Entre uma vírgula e outra, ergo a vista para observá-lo, em silêncio.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é novo, esse interesse pela cozinha. O que é novo é minha não-interferência. Ele me pergunta de temos sementes de coentro, e que cara elas têm. Todos os potinhos da despensa têm sementes bege sem identificação. Fora isso, não me atrevo. Já aprendi que se eu dou sossego, ele cozinha mais. E se ele cozinha mais, eu tenho mais sossego. O ciclo Tostines da paz matrimonial.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj63Af_e8E7bmVDyxsYNq-purazVhsy-gF4bnogHsI_7XplK6GW2NhgS7kBLr-z2qnztUJ0KufbJXQ2vyY8JZnPad4g-Hywe7TOVHL8TeWGlH96z9OT701ougKiOv3gNrnHx0iShFZnT_qG/s4000/IMG_20210906_184357971.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj63Af_e8E7bmVDyxsYNq-purazVhsy-gF4bnogHsI_7XplK6GW2NhgS7kBLr-z2qnztUJ0KufbJXQ2vyY8JZnPad4g-Hywe7TOVHL8TeWGlH96z9OT701ougKiOv3gNrnHx0iShFZnT_qG/w480-h640/IMG_20210906_184357971.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes da costela, foi o Chili con Carne. Minha única contribuição foi sugerir &lt;a href=&quot;https://smittenkitchen.com/2010/09/beef-chili-sour-cream-and-cheddar-biscuits/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;uma receita da Deb Perlman&lt;/a&gt;, sempre confiável. Ele passou o dia sendo babá da panela, e eu passei o dia tranquila, fazendo já nem me lembro o quê de tão importante. Para não dizer que não fiz nada, me propus a preparar os cheddar biscuits, dos quais ele não fazia questão no começo, mas que acabaram sendo um maravilhoso acompanhamento para um Chili delicioso.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes ainda, veio o ragù bolognese, da Marcella Hazan, que ele já preparava em quantidades cavalares lá em Toronto, e tínhamos sempre molho congelado para comer com macarrão ou polenta durante o mês. Foi na época do ragù que o moço aprendeu a fazer Lasanha, a massa verde e tudo, e pegou gosto pelo processo de fazer massa fresca. Tanto, que no último ano, fez mais massa que eu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre um festim carnívoro e outro, houve muitos hambúrgueres vegetarianos e pratos prontos e entregas, que resolveram meus dias atrapalhados e cansados sem que eu precisasse pedir. Tê-lo em casa em caráter permanente (pois a empresa manteve o home office), provocou uma mudança de ritmo e expectativas, e, de repente, a casa e o trabalho e as crianças têm um equilíbrio inusitado, mas muito desejado. A roupa aparece lavada, o chão aparece varrido. As crianças não chamam só a mamãe.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pela primeira vez em muito tempo, eu tenho tempo de verdade para trabalhar. E descansar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQmNNFtSpa8VsyTbHX38pH29GQTIvaYwOz8JvZGQrbBsSSWkMdNjN1-lZUpqbSE9BreSrhn_6QfsIDbXIGwaskiui_sfolaD-POe66HTkkmifIigJKkKTlh86XrtkwvIZ2hRZeNe1pkIDW/s4000/IMG_20210919_134502017.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQmNNFtSpa8VsyTbHX38pH29GQTIvaYwOz8JvZGQrbBsSSWkMdNjN1-lZUpqbSE9BreSrhn_6QfsIDbXIGwaskiui_sfolaD-POe66HTkkmifIigJKkKTlh86XrtkwvIZ2hRZeNe1pkIDW/w480-h640/IMG_20210919_134502017.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele corta uma pontinha da costela a pedido meu, e acha que é hora da fase dois. Pincela o molho sobre a carne dourada, e fecha o pacotinho de alumínio para ficar úmida e macia. &quot;Corta essas linguiças fininho pra gente, e eu vou pegar outra cerveja. Qual você quer?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Me surpreenda&quot;, é a resposta padrão, quando estou bem humorada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele sobe a passos felizes para dentro de casa, e eu relaxo contra o espaldar da cadeira. Perna cruzada feito o número 4, os cotovelos apoiados aos braços da cadeira, as mãos segurando o livro aberto, como se eu fosse um homem velho e barrigudo lendo o jornal de domingo na poltrona. Rio alto de uma tirada de Bourdain, no capítulo em que ele está num cruzeiro de luxo. A descrição dos seus bifes e risotos me dão vontade de cozinhar. Mas a vontade passa quando preenchem meu copo vazio com uma cerveja tipo belga do Quebec, e recebo um beijo estalado na boca. Sua cerveja, amor. Obrigada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma hora, muita conversa, e uns dois capítulos lidos depois, a costela se desmancha à volta dos ossos. Lambo meus dedos como uma criança. Minhas crianças fazem o mesmo. Não há sobras. Faço minha parte, quando o vento esfria e o fim da tarde nos expulsa do quintal, e recolho pratos e copos e condimentos até a cozinha. Ninguém janta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Me passa a receita que você usou pra costela pra eu postar no blog?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vixe, eu inventei tudo. São umas cinco receitas, maior bagunça. Faria tudo diferente.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Que coisa.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nas últimas conversas, eu ouço, interessada, seus próximos planos culinários. De repente um curry de legumes, para variar. Divirto-me com sua empolgação. Quisera eu ter sido menos chata e lhe ter dado espaço na cozinha anos atrás. Ele tem jeito para a coisa. Menos controle, menos crítica, e como teria sido ter jantar pronto no fim do dia? Agora eu sei. É bom. É muito bom.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte, enquanto ele leva as crianças ao treino de Jiu-jitsu, preparo no silêncio da casa que interrompo com minha música favorita, uma sopa de lentilhas vegetariana da Alice Waters. Tão boa, que Laura, que não gosta de lentilhas, e Allex, que não gosta de sopa, repetem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se eu estava em busca dos mistérios dessa cozinha nova, encontrei. Reencontrei o prazer da cozinha, compartilhada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;....&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se eu soubesse que essa sopa faria tanto sucesso, teria fotografado. Fazer o quê? Antes de ir para a receita, lembro você de que meu livro, Brutta Figura, continua à venda nas principais livrarias do Brasil, e para envio internacional, no site da editora, Chiado Books. Você encontra todos os links na lateral do blog. Minha loja Etsy continua funcionando, e lá, além de poder comprar originais e versões para download das minhas artes, você também pode encomendar caricaturas em preto-e-branco, e aquarelas para quarto de bebê. Além disso, se você quiser simplesmente colaborar como quiser para que esse blog continue funcionando, pode contribuir no meu PayPal (me pergunte como). Muita coisa legal vem por aí. Meu novo livro, cheio de histórias e, quem sabe, ilustrações também, está terminando de ser escrito, e já estou montando o tão pedido livro do Diário Ilustrado. Isso será possível com tempo, tranquilidade, e, claro, dinheiro de trabalhos realizados, livros vendidos e colaborações. Agora, sopa. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;DELICIOSA SOPA DE LENTILHAS COM ESPECIARIAS&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;(do livro My Pantry, da Alice Waters)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;Rendimento: 4 pessoas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 1/2 xic. lentilhas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 colh (sopa) azeite&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 cebola pequena, picada&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 cenoura pequena, picada&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 talo de salsão pequeno, picado&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sal e pimenta do reino&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 ou 3 dentes de alho, fatiados fino&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) sementes de cominho&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;3/4 colh (chá) sementes de coentro&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/4 colh (chá) pimenta caiena&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 litros de caldo de legumes, frango, carne ou água (usei água)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 maço de espinafre, apenas as folhas, grosseiramente rasgadas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;Limão, para espremer&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 xic coentro picado grosseiramente&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;Iogurte, para servir&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Aqueça uma frigideira e coloque as sementes de cominho e coentro, mexendo até que tostem ligeiramente e fiquem perfumadas, sem queimarem. Passe para um pilão e moa. Reserve.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Numa panela grande, aqueça o azeite e junte a cebola, cenoura e salsão. Tempere com sal e pimenta e cozinhe em fogo médio, mexendo, por cinco a dez minutos, até que estejam macios.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Junte as especiarias e o alho e misture, até sentir o perfume do alho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Junte as lentilhas, o caldo ou água, e mais uma pitada de sal. Leve à fervura, abaixe o fogo e cozinhe por 25-40 minutos, retirando a espuma da superfície com uma escumadeira. Quando as lentilhas estiverem macias e desmanchando, está pronto.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Junte o espinafre, mexa, e cozinhe apenas até que as folhas murchem na sopa. Desligue o fogo, ajuste o tempero, e apenas antes de servir, esprema um pouco de limão a gosto, polvilhe com o coentro, e sirva com uma colher de iogurte no centro do prato.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/09/uma-cozinha-que-nao-e-so-minha-uma.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEie846FV6pBj9I91MmMK0R7D_Ktn9xMPmDdfd50rMazkS5O_b39welIMtcOMY8L_uujSO-Jnps9adZDzXhzuMUXlnhV55wFGebKd8ZduwmBlVzzLdE8X02K9gjsQf1IVNNRCHBkSyAciXPQ/s72-w480-h640-c/IMG_20210915_200802564.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-4767000430015985795</guid><pubDate>Mon, 23 Aug 2021 18:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-08-23T15:03:28.917-03:00</atom:updated><title>Você está pronta?</title><description>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6d6-jysn6kR5Vwcq85BQpVajOVER4ijK1c9h16tBxAV3cZDyjwiBDtACfZ1-0PAtg85U4zQjWlPD2jGNC-_ZHk_5co8taj5WES-QTNqUtFciVRP8bjVLxjMKuz5R8g8m3SYnH_YqZRrDn/s2880/IMG_20210821_164656008.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2880&quot; data-original-width=&quot;2160&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6d6-jysn6kR5Vwcq85BQpVajOVER4ijK1c9h16tBxAV3cZDyjwiBDtACfZ1-0PAtg85U4zQjWlPD2jGNC-_ZHk_5co8taj5WES-QTNqUtFciVRP8bjVLxjMKuz5R8g8m3SYnH_YqZRrDn/w480-h640/IMG_20210821_164656008.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Na maratona de Toronto, em 2019, a piada era &quot;Você está correndo tudo isso por uma banana!&quot;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&quot;Você está pronta?&quot;, perguntou Allex, com a câmera na mão, apontada para mim. A lente escura refletia um sorriso nervoso escondido pela máscara, e a lenta movimentação dos corredores pelo gramado, em direção às bandeiras que marcavam a largada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Claro que não&quot;, respondi, sincera. &quot;Mas quem é que está pronto pra qualquer coisa, de verdade?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um beijo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Boa sorte.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A corrida aconteceu no Dundas Valley Conservation Area, um parque nos arredores de Hamilton, Ontario, no cinturão verde da Grande Toronto. Allex havia dirigido cinco horas e meia no dia anterior até o hotel ali perto, desde Ottawa, para que eu pudesse participar dessa corrida, que deveria ter acontecido em 2020, o ano cancelado. O ano em que quebrei um pé, torci um tornozelo, tive fascite plantar e fiquei seis meses sem correr. Mas ali estava eu, correndo. Devagar, &quot;taking my time, pacing myself&quot;, olhando o formato dos troncos das árvores se entrelaçando sobre aquela trilha larga, aquela estradinha de terra e cascalho, ouvindo o pio dos passarinhos e o guinchar repetitivo dos esquilos, assustados com aqueles sessenta potenciais predadores fazendo barulho com seus tênis coloridos, suas garrafas d&#39;água e o bater empolgado de palmas.&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiod7uIUF8nj-dYQLp155RINR_CImTrXYuYzxL_vJLE06FpU0rYGgLjE1IEnvMiOjQ6zDCQdxnB5LOVhkhGtncb8rWA4h5u2GHNjdHaw3VwgASmdAKfcq0_R2APIHNsJaWrxuDawWYIoFbb/s4000/IMG_20210821_103333092.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiod7uIUF8nj-dYQLp155RINR_CImTrXYuYzxL_vJLE06FpU0rYGgLjE1IEnvMiOjQ6zDCQdxnB5LOVhkhGtncb8rWA4h5u2GHNjdHaw3VwgASmdAKfcq0_R2APIHNsJaWrxuDawWYIoFbb/w480-h640/IMG_20210821_103333092.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Já Foram 5km. Agora é só fazer isso dez vezes. Hahaha&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O arco dos pés doía, mas não me deixei preocupar. Vai passar. É a tensão da viagem de carro e da noite mal dormida. Meu corpo se ajustava à corrida, como sempre se ajusta nos primeiros quilômetros. O quadril busca encaixe, os joelhos e pés sincronizam o girar dos ossos, estico o pescoço para olhar o horizonte de queixo erguido, e a coluna encontra seu prumo, como aqueles cursos de etiqueta feminina de 1950: chupa a barriga, contrai o bumbum; equilibra esse livro no topo da cabeça e vai, graciosa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Graciosidade não é meu forte, mas perto do quilômetro dez, meu corpo entende que pretendo fazê-lo se mover daquela forma por muito tempo, e sinto os músculos dos ombros relaxando. É como uma onda num mar morno, descendo do pescoço à ponta dos pés. A tensão se dissolve e de repente não preciso mais pensar os movimentos. Eles acontecem, naturalmente, e minha mente dispersa para o verde molhado à minha volta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Faz 35oC. A estrada parece um rio, meus braços e pernas nadando da umidade do ar que encharca minha pele. A atmosfera densa é como areia movediça, pesando para baixo e me impedindo de prosseguir. A água que carrego comigo desaparece em minha boca e minha nuca. A equipe que organizou a prova está preocupada. A onda de calor veio inesperada. Médicos de coletes amarelo-fluorescente acompanham a trilha em bicicletas, procurando por quem possa estar passando mal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles avisam que, pela primeira vez, quem quiser desistir da prova na metade vai ganhar medalha mesmo assim.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhfD6qU8CAiMM0urliCJ0fmlBuHSidsr4h0F1FgG-FzyjMWF3EhouZcYA5Jswnb-j3p5KjvRjHWWyB7SLdw1jlJrCaaSEUU9yqNziZRa5WHJqtdgd1Gt5FfRHhz2e_E4vkLVo4LYuIxmCCQ/s4000/IMG_20210820_151932602_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhfD6qU8CAiMM0urliCJ0fmlBuHSidsr4h0F1FgG-FzyjMWF3EhouZcYA5Jswnb-j3p5KjvRjHWWyB7SLdw1jlJrCaaSEUU9yqNziZRa5WHJqtdgd1Gt5FfRHhz2e_E4vkLVo4LYuIxmCCQ/w480-h640/IMG_20210820_151932602_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Totem com corvo em Marmora, cidade onde paramos para almoçar.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;Enxugo o suor no buff enrolado ao braço e sorrio. Vai dar tudo certo. Deu tudo certo até agora. A viagem até ali foi divertida. Contrariei os ímpetos de planejamento do marido e improvisei uma parada numa cidade desconhecida para almoçar. Boa pizza e sorvete no parque. Splash Pad para refrescar. Segue viagem. Deu tempo de pegar o kit de corrida antes de ir para o hotel. Hotel lindo, tudo novinho. Crianças felizes por poderem passear de novo, depois de quase dois anos. Pula na cama. Mas não tem piscina. Não tem, por causa do Covid. Precisa reservar horário, e é só uma família por vez, mas já está lotado. Pra hoje, só amanhã. Não são só as crianças que se decepcionam. Depois de tantas horas sentada no carro, eu queria flutuar em águas mornas para relaxar a musculatura antes de dormir. Enquanto buscamos&amp;nbsp; as mochilas no carro, penso: &quot;Alguém vai cancelar, porque eu quero nadar hoje&quot;. De volta ao hotel, a recepcionista acena: &quot;Houve um cancelamento! Posso botar o nome de vocês para a piscina às nove?&quot;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0Kzq1evyv6uBe56vQRe9ZZN5lTQrpsHqmyWOXGNTum_sGqoenpb2cw0Sb1KSwubwSnYvKIJDrF4eOLU19EsQRwQw-Z-A0LX7bjMg9gLgHAKTNfaJItg-3mPZrSI6kC6p7MR_ozjl7uJtb/s4000/IMG_20210821_084947521.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0Kzq1evyv6uBe56vQRe9ZZN5lTQrpsHqmyWOXGNTum_sGqoenpb2cw0Sb1KSwubwSnYvKIJDrF4eOLU19EsQRwQw-Z-A0LX7bjMg9gLgHAKTNfaJItg-3mPZrSI6kC6p7MR_ozjl7uJtb/w480-h640/IMG_20210821_084947521.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Café da manhã dos campeões. Mingau de aveia e café.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Unagui, já disse Ross Geller.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Piscina. Uma cerveja no pátio do hotel antes de dormir. Deu tudo certo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olho o visor embaçado do relógio: 11km e tudo vai bem. Tudo deu certo e vai continuar dando certo. O calor não vai ser um problema. Vai na manha. Bebe água. Come a primeira bananinha. Bananinha, aquele doce de banana escuro recoberto de açúcar, com gosto de infância brasileira, e que minha mãe sempre traz ao Canadá aos montes, porque é um bocadinho maravilhoso para comer durante as corridas longas, quando a energia baixa. Uma bananinha a cada 10km, como fiz na Maratona de Toronto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pronto, olha que maravilha. Nem parece que você está subindo uma ladeira. Está indo tudo bem. Seu tempo está ótimo. Você vai terminar a prova. Mas não, não pensa em terminar a prova. Falta muito ainda, se você ficar pensando em quanto falta, vai entrar em pânico. Não, só precisa chegar até a próxima estação de água. Um pedacinho por vez. Assobio enquanto corro, como sempre faço, para manter a velocidade constante e a respiração regular. E porque é divertido. Segundo meu filho, é preciso se divertir na vida enquanto você está vivo, ou quando você morrer, sua vida terá sido muito chata. Sábio Thomas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;She&#39;s a maniac, maniac, oh no no. And she&#39;s dancing like she&#39;s never danced before!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Canto alto. Não há ninguém à minha volta. Aos 15km, os corredores dispersaram pela trilha. Às vezes ultrapasso um. Às vezes uns dois vêm na direção contrária, já no retorno da primeira volta. &quot;Good work!&quot;, eles dizem. Com o tempo, esses encontros ficarão mais motivacionais, entre respirações entrecortadas: &quot;You&#39;re doing great! Keep on going!&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Foxtail Hundred é a prova de trail running mais reta do Canadá. Reta no percurso e na altimetria: apenas 189 metros de elevação total, numa estrada de terra bastante larga, muitas vezes aberta ao sol. O que quer dizer que ela não tem montanhas nem ladeiras íngremes. Excelente para iniciantes. Não fosse pelo calor. A largada aconteceu no meio do percurso, e a prova consistia em idas e voltas. Uma ida e volta até uma estação de água a 5km de distância, e outra ida e volta até a outra estação a 7,5km, totalizando uma volta de 25km. Cada corredor faria quantas voltas fossem necessárias para completar a distância em que se havia inscrito. Havia pessoas cruzando meu caminho que completariam 100km. Outras, 100 milhas (160km) e algumas 50 milhas (80 km). Eu me sentia café com leite. Eu e mais trina e quatro outros corredores faríamos o percurso duas vezes, totalizando &quot;apenas&quot; 50km.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você só precisa chegar na estação de água, pensei. São só 7,5km. Você faz 7,5km. Olhe a floresta na ravina. Ouça o Cardinal e o Chickadee. Você está aqui. Fique aqui. Fique agora. Não deixe a mente dispersar para problemas que não estão aqui. Não pense em depois. Não pense no que foi. Sinta os cascalhos sob os pés. O cheiro da terra quente e do carvão fumegando num quintal distante. As cigarras estão cantando. Há um pica-pau preto-e-branco, com um desenho intrincado nas penas das costas, no alto de um carvalho jovem enrolado em videiras carregadas de uvas selvagens azedas demais para se comer.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Good job!&quot;, sorri uma mulher numa bicicleta, passando por mim. &quot;É uma corrida?&quot;, pergunta uma senhora pequena, curiosa com a bandeirola cor-de-laranja pendurada num galho de árvore ao lado da estrada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A estação de água parece um oásis. Esvazio o resto da minha garrafa sobre minha nuca quente, e preencho metade dela com uma bebida isotônica sabor artificial de laranja. Consigo sentir os sais minerais preenchendo lugares vazios em meu corpo. A equipe oferece gelo, para abaixar a temperatura do corpo. Enrolo uns pedaços no buff, que vai ao redor do pescoço. O gelo apoiado à nuca me provoca arrepios. Apanho mais umas outras pedras e, rindo deslizo para dentro do top. Ar condicionado pessoal. Tchoc, tchoc, tchoc, faz o gelo dentro do top. Não faz mais sentido ficar de camiseta. Arranco a regata que me pesa e amarro à pochete que carrega a garrafa, o celular e as bananinhas. Há muitos anos que não estou na minha melhor forma estética. Meu excesso sobra por cima do elástico da legging preta. Quem se importa? Meu corpo é forte e está correndo sob o sol, e por isso é lindo como ele é. Meu corpo funciona. Eu me lembro de quando ele não funcionou. Um corpo que funciona é maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agradeço à equipe e começo a voltar para o meio do caminho, empolgada com a perspectiva de começar o segundo loop.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aos 21km, corro solta, e meu corpo parece ter se conformado com a distância. Não há mais dúvida: minhas pernas sabem que vamos correr longe. Faço 25km em menos de três horas, o que é empolgante.Talvez eu consiga fazer 50km em menos de 6. Vamos ver. Talvez se eu acelerar um pouco. Isso, vou correr mais rápido. Olha só, estou indo super rápido. Pára. Pára tudo. Você está louca? Faz 36oC sob o sol do meio dia, e a última refeição que você fez foi um pratinho de mingau às nove da manhã. Vai com calma. Você nunca fez isso. O importante é terminar. E terminar bem, sem se machucar. Que é que tempo importa? O que você está tentando provar? E para quem? Isso é seu ego falando, tentando ferrar com você. Vai na manha. Está quente pra burro. Bebe água. Esfria o corpo. Vai. Na. Manha. Devagar e sempre.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na estação da largada, do meio do caminho, há uma bica. Abro a torneira e enfio a cabeça inteira embaixo da água gelada, que resfria minha pele em ebulição e me acorda como café de manhã. É como se tivesse começado a correr agora.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai na manha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Começo a segunda volta assobiando outra música: &quot;Slow ride...Take it easy...&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O céu começa a encobrir, e a sombra cinzenta das nuvens escurece a trilha mas não traz descanso. A chuva é uma promessa sem lastro, que não se cumpre, apenas oprime meu corpo, tornando o ar mais denso, como um cobertor molhado. Enxugo o suor que escorre por minha testa e é recolhido por minhas sobrancelhas, apenas para despencar numa gota gorda pela curva de meu nariz e em direção a meus olhos. O sal arde minha vista feito água do mar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Começo a me lembrar das trilhas onde vinha correndo, em Ottawa. A Trans-Canadian Trail, uma trilha larga que corta o país de ponta a ponta, era exatamente como aquele caminho da prova. Terra seca, poeirenta, grudando nas panturrilhas e entrando pelo nariz. Cascalho que rola sob os pés. E uma retidão falsa, que engana, que causa um cansaço que vem não sei de onde, até você se dar conta de que há uma ligeira inclinação, pequena mas constante, por quilômetros e quilômetros, que vai acumulando no esforço das panturrilhas que te empurram num invisível morro acima. Dou-me conta de que quase todo aquele percurso de 5km até a estação de água é uma ladeira como a Trans-Canadian.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais água, mais isotônico, mais gelo. A volta é ladeira abaixo, e solto o corpo. As nuvens liberam meia dúzia de gotas finas que evaporam tão logo tocam meus ombros, quentes como asfalto no sol. Resta um calor grudento e pesado, cheirando a pântano, como o bafo de um cachorro grande antes de lamber seu rosto. Olho o relógio. 32km. Quem corre maratonas chama essa marca de &quot;O Paredão&quot;. The Wall. Se você vai quebrar durante uma maratona, há grandes chances que seja no quilômetro 32. Passo por esses números alegre. Meu corpo está bem. Eu estou bem. Está tudo bem. Eu não vou quebrar. Não vou. Mas quem disse? Há quanto tempo você não corre mais que 32km? Você correu exatamente 32 lá em Ottawa&amp;nbsp; na semana passada e ficou exausta. Você já está exausta. E ainda tem que correr mais 18km! DEZOITO! Sabe quanto é isso? Onde você estava com a cabeça quando se inscreveu nessa prova? Você fez&amp;nbsp; UMA maratona há dois anos atrás! Ficou seis meses sem correr. Você tem fascite plantar! Isso com certeza vai arrebentar seu pé pra sempre! Tá sentido essa dor na lateral dos joelhos? Isso é DESPREPARO. Você não fez os agachamentos que deveria ter feito. Você vai quebrar. Fez duas corridas de 30km nos últimos seis meses e acha que vai fazer 50km? Você é idiota?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;CALA A BOCA! CALA A MERDA DA SUA BOCA!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Está tudo bem. Pernas, vocês conseguem. Ali na frente está a estação de água de novo, e a gente vai completar 35km. E vai ficar tudo bem. Eu ainda tenho fôlego. Eu consigo cantar enquanto corro. Vocês estão cansadinhas, pernas, mas se vocês me ajudarem nessa, eu vou tratar vocês muito bem depois. Vai ter massagem, vai ter creminho, vai ter banho de banheira e muito descanso. Vocês conseguem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjv6mgtEFV3l-m5JaiTA90ZjevHaEZ_M4nLELsXncDcOwR334WHJ2urXgN09sPfobwnAk3r6Si77qq1B69VeBX0k2jWrE3scHyoBd-ZrqH0P2VSLRu4MlyWHNh8c_LhhzhYuVWButbplE-W/s4000/IMG_20210821_142017762_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjv6mgtEFV3l-m5JaiTA90ZjevHaEZ_M4nLELsXncDcOwR334WHJ2urXgN09sPfobwnAk3r6Si77qq1B69VeBX0k2jWrE3scHyoBd-ZrqH0P2VSLRu4MlyWHNh8c_LhhzhYuVWButbplE-W/w480-h640/IMG_20210821_142017762_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas as pernas doíam. Eu lembrava daquilo, de como o corpo muda depois dos trinta e poucos quilômetros. Lembrei de como me senti aos 37km na Maratona de Toronto. Aquela sensação de musculatura enrijecendo, movimentos travando, feito engrenagens sem óleo. Pensei em Murakami. Em como ele descreve suas ultra-maratonas.Em como ele se convence de que seu corpo é uma máquina que não sente, para assim seguir em frente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas eu não sou uma máquina. Meu corpo é de carne, e é natural, é selvagem. Meu corpo foi feito para isso. Minhas pernas foram feitas para correr na floresta. É minha mente, meu racional, meu ego de apartamento e televisão que quer me convencer do contrário. Inspira fundo. Traz atenção para a fontanela, aquele pontinho no topo da sua cabeça. Fica lá. Você não é seu corpo. Você é essa floresta inteira. Você não é o seu corpo. Deixa ele seguir. Sente esse formigamento no topo da cabeça. Esse calor gelado, essa luz. Só vai.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Slow ride.. Take it easy...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando atravesso o meio do caminho novamente, ouvindo as palmas de quem assiste, olho com desejo para a estrada do outro lado. A última volta. &quot;You&#39;re almost there!&quot;, gritam.&quot;You&#39;re doing great!&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas de repente há uma ladeira ali. Como eu não havia percebido que esse caminho tinha um inclinação, na primeira vez em que passei por lá? Assim como o braço de 5km, aquele era uma ladeira constante que se estendia por 7,5km até a estação de água. Os 7,5km mais longos de minha vida. Diminuí o passo e segui correndo, ou me movimentando da forma mais semelhante a uma corrida possível, estrada acima. Muitos participantes andavam. Alguns estrategicamente, outros com olhares desistentes. O calor nos arrastava, como se tentássemos escalar um paredão de lama. Os pés quase não saíam do chão. Minhas panturrilhas ardiam.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você vai quebrar. Eu falei que você ia quebrar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não vou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai sim. Não vai nem completar uma maratona. Você vai ver.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você não sabe de nada. Eu vou terminar a prova.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olha que vergonha, subir uma ladeira a 9min/km.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas eu vou terminar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você não vai fazer em menos de 6 horas.Que vergonha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foda-se. Eu vou terminar. Não me importa o tempo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Suas panturrilhas vão rasgar ao meio. Você vai ter uma lesão e nunca mais vai correr.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fontanela. Fica na fontanela. Eu só preciso chegar na estação de água. Se eu chegar na estação de água, eu sou obrigada a voltar. É assim que eu sempre corri longe. Eu vou e sou obrigada a voltar. Se eu corri 5km pra longe de casa, eu tenho que voltar, e aí eu corri 10km. Se eu correr 15km, na verdade corri 30km. Quando você chegar na estação de água, já fez os 50km. Terminou. Nem que você tenha que andar os últimos 7km. Você fez. Você conseguiu. Fontanela. Fontanela.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai dar tudo certo. Olha em volta. Fica aqui. Fica agora. Olha os gafanhotos abrindo asas de borboletas à sua volta. Ouve as folhas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os 42km chegaram no meio da ladeira. E a partir daí o território era desconhecido. Nunca havia corrido mais do que 42km. Meu corpo, de repente, não sabia o que fazer com aquilo, como se comportar, como continuar. Mas eu ria. Eu ainda tinha fôlego e energia. Eu havia corrido 42km. Uma maratona inteira. Cada passo extra que eu dava, repetia: &quot;você é uma ultramaratonista; você é uma ultramaratonista&quot;.A míseros 1,5km de distância a estação de água me esperava. Eu podia continuar correndo aqueles 1,5km ladeira acima, sem saber o que aconteceriam nos últimos 7,5, para provar um ponto a meu ego ferido que não me permitia andar, ou poderia apanhar minha última bananinha e comer com calma, caminhando um pouco, para me preparar para o final.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que era mais importante?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O quê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apanhei minha bananinha e comecei a andar aquele último quilômetro até a estação de água. &quot;You&#39;re almost there!&quot;, gritavam os que desciam na direção contrária. Meus passos se alargavam e galgavam mais distância, enquanto eu mastigava e terminava de beber o que ainda havia de água em minha garrafa. Eu ultrapassava outros corredores que se arrastavam, pálidos, na lateral da estrada. &quot;Good job!&quot;, eu dizia. &quot;We are almost done!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegar à estação encheu meu corpo de energia, como seu pudesse absorver alegria pelos pés.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Are you ok?&quot;, perguntou um rapaz da equipe. Pergunta padrão para todos os corredores que chegavam.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu estou excelente, na verdade. Da cintura pra cima, estou fantástica. O problema é que minhas pernas não concordam!&quot;, eu ri. &quot;Mas essa é a última vez que eu vejo vocês!&quot;, brinquei.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;É seu último loop? Ieeei! Parabéns!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Descer agora vai parecer que você está em alta velocidade!&quot;, disse uma corredora que fazia 160km, e já estava em seu terceiro ou quarto loop.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você quer água ou isotônico? Quer gelo?&quot;, ofereceu uma mulher da equipe.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Quero tudo. Mas o que eu queria mesmo era uma cerveja!&quot; Ela riu. &quot;Próxima vez, vocês tem que fazer um &quot;bonus track&quot;, em que o corredor termina a prova, mas se correr até aqui de novo, ganha cerveja!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Boa ideia! Hahah! Quanto você está fazendo?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;50km. É minha primeira vez.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Uuuuuuh. Dia difícil pra tentar 50 pela primeira vez.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Pois é.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agradeci à equipe e comecei a descida. Alguns passos. Você já terminou. É só descer. Você conseguiu. Sorria. Sorrir relaxa. Deixa a alegria vir. Você conseguiu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minhas pernas soltaram, devagar. Eu estava correndo de novo. Eu estava correndo bem. Surpreendentemente bem. No mesmo ritmo em que eu começara aquela corrida, mais de seis horas antes. Faltam 7km. Você consegue. Aqui. Agora. Sente essa brisa soprando de repente. Ergue os braços. Que delícia. Ouça o Cardinal. Assobie de volta. Faltam 6. Um corvo sobrevoa minha cabeça e para num galho nu à minha frente. Faltam 5,5. Se joga. Você conseguiu. Você conseguiu. Divirta-se. Faltam 4. Puta que pariu, você correu 50km. Faltam 3. Você disse que ia fazer, você foi lá e fez. Faltam 2. Você é uma ultramaratonista. Sabia disso? 50km! Sabe quanto é isso! É muita coisa! Falta 1km.UM QUILÔMETRO. Corre. Corre solto. Você consegue ver a linha de chegada. Aquele de camiseta amarela é seu filho! Vai, corre!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Corre comigo até a chegada, Thomas!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Palmas. Torcida. Estou voando. &quot;É a mamãe!&quot;, grita Laura. Meu rosto se abre num sorriso grande que faz minha cabeça formigar. Passo pela linha de chegada com três passos largos que me fazem quase cair sobre o organizador que me esperava com a medalha de participação. &quot;Congratulations! You&#39;ve done it!&quot; Eu esqueço de parar o tempo no meu relógio, porque o tempo, de verdade, não importa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;50km.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois de um ano acreditando que meu corpo havia começado algum estranho processo de decomposição e esfarelamento que jamais me permitiria correr novamente. Um ano em que minha mente me convenceu de que eu não conseguiria. 50km. 50km para me dar conta de que minha mente tem esse poder de me quebrar e me reconstruir, e que eu só preciso colocar a atenção no lugar certo. Não é o corpo que desiste. É a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fica aqui. Fica agora. Você consegue.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;E aí? Foi difícil?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olho para Allex e rio. Laura tenta me abraçar mas desiste quando me vê grudenta.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Foi. Mas foi muito bom.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você correu 50km.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Pois é. Na verdade, 51,5km. Tinha a margem de erro.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você correu tudo?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Andei 1km, no fim da ladeira do 42 pro 43. Então dos 51km, eu corri 50 e andei 1. Haha&quot; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Boa. Vem. Eu te trouxe comida. Vou te levar numa cervejaria pra gente comemorar antes de ir pra casa.&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Oba!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGNBbjmRva-hLzLmO0Tttk47PxY6My0MzHxBVIk_4RA3KNpWpSpFLn2jYIWmlDpQas-ICycuKar9J0Q6t63XZ5RjrJ6hCpYgGRK0jzR2UVODF7N9YmUTyh8KMAn-hVdPiIk2IGLtVzhVb5/s4000/IMG_20210821_172913969_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGNBbjmRva-hLzLmO0Tttk47PxY6My0MzHxBVIk_4RA3KNpWpSpFLn2jYIWmlDpQas-ICycuKar9J0Q6t63XZ5RjrJ6hCpYgGRK0jzR2UVODF7N9YmUTyh8KMAn-hVdPiIk2IGLtVzhVb5/w480-h640/IMG_20210821_172913969_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/08/voce-esta-pronta.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg6d6-jysn6kR5Vwcq85BQpVajOVER4ijK1c9h16tBxAV3cZDyjwiBDtACfZ1-0PAtg85U4zQjWlPD2jGNC-_ZHk_5co8taj5WES-QTNqUtFciVRP8bjVLxjMKuz5R8g8m3SYnH_YqZRrDn/s72-w480-h640-c/IMG_20210821_164656008.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-728271592468450782</guid><pubDate>Wed, 11 Aug 2021 19:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-08-11T16:31:47.375-03:00</atom:updated><title>O lado de fora</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTPkiyhOUZTUqdYw_UqDoPe03ZqK9W6711Yl03ZAZgrfLgzh1dIJD1fZYTcJmIUYsy3d2LJl-M2WlNItNp-VT90iWkcc1j9pxh_mQpc4s_bWZcVjekAaoR_i8nsnnpOJ5H2XQSJm8226ch/s4000/IMG_20210811_105121046.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTPkiyhOUZTUqdYw_UqDoPe03ZqK9W6711Yl03ZAZgrfLgzh1dIJD1fZYTcJmIUYsy3d2LJl-M2WlNItNp-VT90iWkcc1j9pxh_mQpc4s_bWZcVjekAaoR_i8nsnnpOJ5H2XQSJm8226ch/w480-h640/IMG_20210811_105121046.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&quot;Vai pra rua e volta na hora do almoço!&quot;, minha mãe ouvia quando criança, nos idos de 1900 e Guaraná com rolha. Rio alto quando ouço a frase deixando minha boca, num berro já semi-ouvido alcançando orelhas já idas na distância.&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vai brincar lá fora, que o dia tá bonito e logo logo é inverno&quot;, Allex emenda. Terrorismo climático aplicado ao &lt;i&gt;parenting&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No primeiro dia em que as crianças sumiram, ficamos inquietos. Nossa casa fica num &quot;&lt;i&gt;Crescent&lt;/i&gt;&quot;, que é como chamam essas ruas que levam nada a lugar nenhum, onde não passa ônibus, só tráfego local. Rua tranquila, com jeito de vila do Chaves. As casas aqui não têm muros. Muitos dos quintais, inclusive o nosso, são abertos, com cercas que nos separam dos vizinhos, mas não do trecho de bosque que corre atrás das casas. &quot;Lá fora&quot; é um conceito amplo, pois não tem limites. Lá fora é a rua, é o quintal, é o bosque, é o parquinho da rua de trás, é o quintal do vizinho, o jardim da frente do amigo, a trilha que leva ao mercado. E enquanto eu bebericava minha caipirinha de domingo no lado de fora que eu considero o quintal, e Allex colocava o queijo Haloumi (que bem substitui o Coalho) na churrasqueira, nos perguntávamos quando as crianças pretendiam voltar pra casa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vão voltar quando tiverem fome&quot;, sugeri.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Espero que sim&quot;, respondeu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Acho que é assim que se sente mãe de adolescente.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vai se acostumando.&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMX4jaXEQF2YAzvQFv2PsQwZv-buV_nOICteOay7GCcJDjJw1SstlvTNLH1vV4bfS43_V1dLq69fqXHRQ5LZsfFCW_S-21ORxpTcUBdqQXs8Flbbu2NpSM7_1As2DuTZmpkPz9e7Terwna/s4000/IMG_20210802_110816972_HDR.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMX4jaXEQF2YAzvQFv2PsQwZv-buV_nOICteOay7GCcJDjJw1SstlvTNLH1vV4bfS43_V1dLq69fqXHRQ5LZsfFCW_S-21ORxpTcUBdqQXs8Flbbu2NpSM7_1As2DuTZmpkPz9e7Terwna/w480-h640/IMG_20210802_110816972_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;A alegria de uma rede.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;Demorou um dia inteiro de mudança para tirar as crianças do apartamento, mas uma semana inteira para tirar o apartamento de dentro das crianças. Na primeira semana, aproveitaram os seus quartos, cada um com o seu, pela primeira vez na vida. Desapareceram em seus mundos de Lego, gibis, cadernos e lápis de cor. Os adultos, com trabalho pra fazer, móveis pra montar, casa pra limpar, agradeceram esse momento introvertido dos pimpolhos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conforme a casa foi tomando forma, porém, ficou claro que nossos filhos já não se lembravam de como era morar em uma casa-casa. A lembrança do quintal da casa do Brasil e a rua do condomínio era muito longínqua. Os últimos quatro anos de apartamento-gaiola cortaram as pontas de suas asas, e agora era preciso ensiná-los a voar novamente.&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZ3G5KmNskAdsA0VK6kT2CWlGkO7Jxb0TkwJdcmzJA1ZiZ8poVoPBzlGU25buxxKxAEnj6JVu9j5FW3f5RwL5MngGcNQtaTo2b3_FPqsHAFrrxOoc1zFGt457UWvLQN-kTq-bzjkuGCwAa/s4000/IMG_20210808_113917800_HDR.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZ3G5KmNskAdsA0VK6kT2CWlGkO7Jxb0TkwJdcmzJA1ZiZ8poVoPBzlGU25buxxKxAEnj6JVu9j5FW3f5RwL5MngGcNQtaTo2b3_FPqsHAFrrxOoc1zFGt457UWvLQN-kTq-bzjkuGCwAa/w480-h640/IMG_20210808_113917800_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Rio Ottawa.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;Vocês sabem que vocês podem ir no quintal quando quiserem, né?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vocês sabem que podem brincar no bosque, né?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vocês sabem que podem brincar na rua, né?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vocês sabem que podem pegar a bicicleta e explorar o bairro, né?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É só avisar que está saindo, dizer aonde vai e a que horas volta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai sair pra andar. Nem precisa ser de bicicleta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dá uma volta no quarteirão. Aí dá uma volta ao contrário. Aí vai até a próxima rua. Lê o nome na placa. Olha pra trás pra saber voltar, que nem na trilha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você sabe o seu endereço de cor? Pra perguntar o caminho, se precisar?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só não pode entrar na casa de ninguém, tá? Nem no carro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai, pode ir. Olha quanta criança da idade de vocês andando sozinha tem por aqui!&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sai. Vai lá falar com as crianças. Pode brincar. Tudo bem que é depois do jantar. Criançada aqui sai pra brincar mais tarde mesmo. Vai lá fazer amigos.Volta às nove.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em dois dias, os dois já tinham aprendido o que era ser livre. Porque liberdade tem disso de não matar sede com gole pequeno. Depois do café, pulam pro quintal da vizinha para fazer carinho nos gatos. Depois do almoço, correm para a casa da esquina para chamar os novos amigos. Desaparecem por duas, três horas, e voltam para pegar a arminha de água, fazer xixi ou devolver a bicicleta na garagem. E, de repente, há um estranho silêncio e uma ausência boa de infância acontecendo, em algum lugar, sem a constante supervisão parental que foi tão estressante durante o último ano e meio de escola online.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O momento agora é de parar e escutar e entender o novo ritmo que a casa pede, pois cada casa dança de um jeito. Essa casa baila gostoso. Respeita as pausas. Minha cozinha tem sentido isso, ou eu tenho sentido minha cozinha assim. Essa casa, no verão, pede comida no jardim. Pede churrasco e acepipes, comida leve e sem horário. Come-se quando se tem fome. Aquela rigidez de outrora dispersou no vento. As crianças curtem a noite clara dos dias longos de verão, e me alimento dos risos que entram pela janela, enquanto invento um jantar com alguma coisa que comprei meia hora antes no mercado, no improviso do meu apetite imediato. A brincadeira acaba quando a luz muda através do galhos das árvores. Janta-se à mesa da sala de jantar. Muito adulto, sala de jantar. Banho e cama. Às vezes às nove. Às vezes às onze, que eles estão brincando tranquilos no quarto, ou vendo desenho na sala, e eu só quero continuar o papo lá fora, ouvindo o som estalado dos troncos das árvores balançando no vento, e estapeando os vorazes mosquitos canadenses que insistem em se alimentar de minhas pernas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;Só os mosquitos continuam &quot;&lt;i&gt;snacking&lt;/i&gt;&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Posso ter um snack?&quot;, foi a frase que mais ouvi durante o ano e meio de quarentena. Criança entediada matando tédio com a boca. Conheço bem. Fui a rainha de lanchar tédio durante minha primeira década de vida. Lá fora, ninguém lembra de fazer lanche. E quando o estômago está nas costas, que coincidência, é justo a hora de sentar pra comer. Refeição-refeição. Cafe, almoço, jantar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez seja a cozinha diferente que ainda não se abriu pra mim, talvez seja o mercado novo que pouco conheço. Mas minha geladeira anda vazia de qualquer coisa que não seja de café da manhã. No meio do dia me dá umas vontades, e sigo o cheiro delas até o mercado. Compro o que quero comer, volto, preparo, como. No dia seguinte, tudo de novo. Feito descobrir trilha no parque, vou andando devagar pelas comidas que essa casa pede. Entre um churrasco e outro, um macarrão. Arrisco um peixe, mas já deu pra ver que o forte desse mercado não é peixe não. Bora lá achar peixeiro longe. Ando a esmo pelo mercado, sem imaginar prato nenhum. Falta inspiração. Tipo fotógrafo que ainda não achou o ângulo, que ainda não entendeu a luz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNdYvVihENiFsjC7VUcIEXFE6tp01EbwksFrUE2inEUOVcrZ0iubS-WHlFLGh3knvupYjx5vgDvIItfVfod2evLEp7w8FPTa6MbTK_gLnDs1rFSq4WO7BBAMnoYaOgtP_bXpQ8fu_hj6az/s4000/IMG_20210803_175644068.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNdYvVihENiFsjC7VUcIEXFE6tp01EbwksFrUE2inEUOVcrZ0iubS-WHlFLGh3knvupYjx5vgDvIItfVfod2evLEp7w8FPTa6MbTK_gLnDs1rFSq4WO7BBAMnoYaOgtP_bXpQ8fu_hj6az/w480-h640/IMG_20210803_175644068.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Tentando decifrar fomes e ingredientes na luz da minha cozinha.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesta manhã, vou ao mercado pegar ovos, e dou de cara com favas. Favas! Que não encontro desde que me mudei para o Canadá, e que já confundi com pacotinhos de edamame um sem número de vezes. Favas! Lembro que tenho Pecorino na geladeira.Fava fresca com pecorino! Olho os tomates coloridos e apanho uma Burrata. Abobrinhas para rechear. Alcachofras! Uma miríade de pratos que eu gostava de preparar me vêm à mente de repente, uma enxurrada de memórias do meu primeiro apartamento e da casa no Brasil. É inspiração que faltava? Achei.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa casa tem disso, de parecer um amálgama de todos os lugares em que morei. Parece que moro aqui há décadas. O crocitar dos corvos ao fim do dia desperta criaturas adormecidas. Lembranças de quem fui brotam da terra onde danço descalça. Surpreendo-me fazendo coisas como se nunca tivesse deixado de fazê-las, como quem por acaso encontra conhecidos em viagens ao exterior. Nossa, você por aqui! Quanto tempo!&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Encontro o lado de fora, meu velho conhecido, amigo distante que admirei naquela viagem à Itália que virou livro (já comprou o seu?), e ele me olha e olho para ele, e nos abraçamos forte, a memória muscular daquela liberdade, daquele ar, daquele céu, fazendo cócegas em minha alma. Minha alma se alimenta de árvores ao vento e passarinhos, de um chá silencioso refletindo nuvens. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4KNt4YniB8eNkXjR7CvU8T0jo5XC3t1ysvA8AHq5qRrVM6Cjd3NC4URFC65lRVXsguku556mn8iiqlUKpxqS9SOeOST7VwewyhA6hlxR_E84Z5WzIBlY9JbadOiPIRk3Vwtc8KP_KI2oY/s3000/IMG_20210810_111755949_HDR.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4KNt4YniB8eNkXjR7CvU8T0jo5XC3t1ysvA8AHq5qRrVM6Cjd3NC4URFC65lRVXsguku556mn8iiqlUKpxqS9SOeOST7VwewyhA6hlxR_E84Z5WzIBlY9JbadOiPIRk3Vwtc8KP_KI2oY/w640-h640/IMG_20210810_111755949_HDR.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Iogurte com fruta e chá depois da corrida, e uma enxurrada de lembranças de quem eu sou.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Retorno. Resgate. Pode uma sensação ser concreta? A roda dando a volta completa. Que nem filme de fantasia, quando a engrenagem estala e uma porta secreta é aberta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No meio da tarde, as crianças aparecem, assim, vindas pelo lado de trás, do bosque para o quintal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tem almoço? Tô com fome.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Falei que eles viriam quando tivessem fome! Tem sim. Tem milho, queijo coalho, linguiça.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;A gente pode ir lá fora de novo depois de comer?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Claro que pode. Volta às nove.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;....&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0CaXNbLOUQzASLY2xmrr7UUQXuiha1tZrQZGkGOhbSnVHu1c-YHMAo54iwdt4lZJkofquTRjqdplrUxQ869hUDSLLtC6pkKDOZ21CXrz4qa3Nlibyc4XEssUDagrwjBx-XIwiFKwhxi6w/s3596/IMG_20210810_130535631.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3596&quot; data-original-width=&quot;2697&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0CaXNbLOUQzASLY2xmrr7UUQXuiha1tZrQZGkGOhbSnVHu1c-YHMAo54iwdt4lZJkofquTRjqdplrUxQ869hUDSLLtC6pkKDOZ21CXrz4qa3Nlibyc4XEssUDagrwjBx-XIwiFKwhxi6w/w480-h640/IMG_20210810_130535631.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num momento inspirado, apanhei o livro da Suzanne Goin para preparar essa salada de tomates, que, de verdade, é mais sugestão que receita. Às vezes, tomate com sal basta. Às vezes, vale a pena ser meio metida à besta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;SALADA DE TOMATES METIDA À BESTA&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(quase nada adaptada do livro Sunday Suppers at Lucques, de Suzanne Goin)&lt;br /&gt;Rendimento: 6 pessoas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;150g pão amanhecido, rasgado em pedacinhos&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2xic. azeite&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (sopa) orégano seco (eu não tinha e usei tomilho fresco)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 dente de alho&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 1/2 colh (sopa) de vinagre de vinho tinto (usei de maçã, tanto faz)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (sopa) vinagre balsâmico&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1,5kg tomates de cores e formas diferentes, ou simplesmente os tomates mais bonitos e maduros que você encontrar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) sal&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;um punhado de folhas de manjericão (pode ser de cores diferentes, ou todas iguais)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;500g burrata ou mozzarella de búfala&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 xic. echalotas fatiadas fino (ou cebola roxa)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/4 xic. salsinha picada (confesso que esqueci de colocar e não fez falta)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;pimenta-do-reino a gosto&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coloque duas colh. (sopa) do azeite numa frigideira que comporte todos os pedacinhos de pão e leve a fogo médio, misturando às vezes, até que todos os pedacinhos estejam agradavelmente dourados. Tire do fogo e reserve os croutons.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Num pilão ou mini processador, bata o orégano (ou tomilho), alho, 1/4 colh (chá) sal até virar uma pasta. Junte os vinagres, e misture até que a pasta se dissolva neles. Misture 6 colh. (sopa) de azeite, experimente e acerte o tempero.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Corte os tomates em fatias ou cunhas ou ao meio, dependendo de seu tamanho e formato, retirando qualquer parte verde e dura próxima ao centro. Tempere os tomates com uma pitada de sal. Disponha os tomates na travessa onde você vai servir a salada, intercalando formas e tamanhos, colocando alguns pedaços da burrata ou mozzarella entre os tomates, e temperando com metade vinagrete.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Polvilhe a salada com as echalotas fatiadas, os croutons, as ervas (manjericão e salsinha) uma pitada de sal e pimenta e o restante do vinagrete. Sirva.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/08/o-lado-de-fora.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTPkiyhOUZTUqdYw_UqDoPe03ZqK9W6711Yl03ZAZgrfLgzh1dIJD1fZYTcJmIUYsy3d2LJl-M2WlNItNp-VT90iWkcc1j9pxh_mQpc4s_bWZcVjekAaoR_i8nsnnpOJ5H2XQSJm8226ch/s72-w480-h640-c/IMG_20210811_105121046.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-6776320999444745699</guid><pubDate>Tue, 27 Jul 2021 20:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-07-27T17:30:37.162-03:00</atom:updated><title>Abraça o perrengue e vai: a jornada épica de uma mudança</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg728JBuslJMjBvqgl4RbMCz4n4WtTvlAfiypg03eUF1_LhlJtKNayhi3omWkvDGDqKzVvGU9BJJX_8n59LGu7wjCfeKsbNRhNKVPtPNZ-8wXpA9dydyxnP1RkokZ4Jya_bjulSxEQ4sd1m/s4000/IMG_20210722_065956885.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg728JBuslJMjBvqgl4RbMCz4n4WtTvlAfiypg03eUF1_LhlJtKNayhi3omWkvDGDqKzVvGU9BJJX_8n59LGu7wjCfeKsbNRhNKVPtPNZ-8wXpA9dydyxnP1RkokZ4Jya_bjulSxEQ4sd1m/w480-h640/IMG_20210722_065956885.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ready.&lt;br /&gt;Set.&lt;br /&gt;Go.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acordamos às seis da manhã. Bem, honestamente, acordar não é o termo correto. Acordar infere um anterior estado adormecido, que, no caso, nunca aconteceu. Num misto de ansiedade e excesso de adrenalina pela noite passada desmontando móveis e encaixotando coisas, o sono nunca veio.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fomos buscar café da manhã no Tim Horton&#39;s, a Starbucks canadense, enquanto as crianças terminavam de acordar. Elas sim acordaram, uma vez que de fato dormiram. Um copo de café e um english muffin com presunto e queijo para cada um parecia suficiente. O plano era sair de Toronto ao meio-dia e meia, e almoçar na estrada. O apartamento tinha cheiro de empolgação e aquele excesso de confiança que deveria ativar um sensor interno de que tudo está prestes a dar errado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais uma vez, deixamos as crianças e seus english muffins, e levei Allex de carro até a garagem da U-Haul, para que fizesse o check-out do caminhão que havíamos reservado para as 7:30. &quot;Volte para casa e me espere nos fundos do prédio, para me ajudar&amp;nbsp; dar ré ali&quot;, disse ele, e foi o que fiz. Pedi às crianças que tirassem os lençóis de seus colchões para que eu os colocasse na mala com os meus, e descemos todos para esperar o papai e seu caminhão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim que fui ao fundo dos prédios, dei-me conta de que a equipe de manutenção havia deixado todas as caçambas de lixo na entrada do prédio, e que o caminhão não poderia passar. Também não tínhamos tido nenhum contato com o responsável por nos ensinar como travar um dos elevadores para que apenas nós pudéssemos usá-lo. Enquanto as crianças corriam pela área comum do prédio, se dependurando em corrimãos e fazendo buquês de flores arrancadas do jardim do condomínio, eu telefonava para o Serviço ao Residente, tentando fazer com que alguém removesse as caçambas e viesse falar comigo sobre os elevadores, intercalando as musiquinhas de espera com minha delicada gritaria com os pimpolhos hiperativos: &quot;Pára de arrancar as flor do jardim, cáspita, e vê se não se pendura aí que isso não aguenta o teu peso e eu não tenho tempo de te levar no hospital se você quebrar teus dentes no chão!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Respira. Minha paciência é inexistente quando estou com sono.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto isso, na U-Haul, Allex inspecionava o caminhão, para descobrir que o cadeado que trancaria nossa vida inteira estava quebrado. Depois de esperar na fila por vinte minutos para reclamar do cadeado, a senhora fofa que o atendeu foi tão delicada com ele quanto eu era com as crianças: &quot;O problema não é meu. Se você quer um cadeado que funcione, pode comprar esse por dez dólares.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dez dólares a menos, Allex chegou dando ré no caminhão nos fundos do prédio. Fazia trinta e dois segundos que um faxineiro me havia ajudado a empurrar as caçambas e ensinado a operar a trava do elevador.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda assim, tínhamos sorrisos no rosto e tudo parecia perfeitamente alinhado com os planos. Estava tudo pronto para começarmos e eram exatamente nove horas, como previsto. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi-SHBW9rRuYVDKNWbZ5rwUwwE_xv0D5_KZsJhD_q7EUrVWIqOhPHg9UZsBPsLS2crI8482xm5XlbkO2XNQaERGnxOb1DdQlCfJAxI39P1udmtGWv7b8pk2TKzrE5vW4wqWTdJktPLoEMA0/s2048/IMG_20210722_090426286.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi-SHBW9rRuYVDKNWbZ5rwUwwE_xv0D5_KZsJhD_q7EUrVWIqOhPHg9UZsBPsLS2crI8482xm5XlbkO2XNQaERGnxOb1DdQlCfJAxI39P1udmtGWv7b8pk2TKzrE5vW4wqWTdJktPLoEMA0/w480-h640/IMG_20210722_090426286.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;It&#39;s show time.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As crianças ficaram de olho no caminhão, enquanto nós dois subíamos até o apartamento para descer as primeiras caixas pesadas de livros com a ajuda de carrinhos de mão igualmente alugados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse é aquele momento em que você deve estar se perguntando: mas cadê a equipe de mudança?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A equipe de mudança custa caro num país em que os serviços são bem remunerados. América do Norte: terra do Do It Yourself. Sabe todas aquelas séries e filmes passadas em Nova Iorque, em que o personagem principal chama os melhores amigos para descer a poltrona e as caixas de livro pro caminhãozinho? Pronto. Você entendeu. Sim. Nós estávamos fazendo a mudança inteira sozinhos. Nós dois. De encaixotar livros, embalar louça, desmontar mesa e sofá, a transportar tudo para o caminhão e então dirigir o caminhão até a casa nova, descarregar tudo, remontar e reguardar. O plano era descer tudo para o caminhão das nove ao meio-dia, dar aquela última limpadinha no apartamento, largar as chaves no escritório da manutenção e, à uma da tarde, partir para Ottawa. Allex dirigiria o caminhão,&amp;nbsp; e eu, o carro, com as crianças, e os itens mais frágeis.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse era o plano.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conforme carregávamos o caminhão, no entanto, algo ficou dolorosamente claro: a caçamba era muito pequena. &quot;Temos poucas coisas&quot;, eu havia dito. &quot;Vai ser fácil&quot;, ele concordara. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não foi.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Sobe você e vai trazendo tudo, e eu fico aqui montando o quebra-cabeça&quot;, eu disse, depois de cinco minutos de discussão sobre termos ou não desmontado os bancos, ter ou não comprado mais caixas, levar ou não minhas plantas e P*TA QUE PARIU, PÁRA DE ARRANCAR PLANTA E DESCE DO CARRINHO DE MÃO QUE SE VOCÊ PERDER OS DENTES VOU TE DEIXAR BANGUELA PRO RESTO DA VIDA, CÁSPITA!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mudança é super divertido, eu sempre disse. Né? &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As crianças desta vez foram gentilmente obrigadas a carregar tralha do apartamento para o caminhão junto com o pai. Não porque eles poderiam ajudar muito, mas como estratégia para pararem de aprontar. Enquanto eles ficavam no sobe e desce de elevador, eu desmontava todo o caminhão e remontava tudo de novo, como apenas uma criança que jogou Tetris na cadeira do dentista durante oito diferentes obturações conseguiria. Ana Elisa: oito cáries na boca, mas campeã de Tetris. Há!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com precisão cirúrgica e velocidade que me fez sentir como aqueles japoneses em competição de resolver cubo mágico, fui combinado as variáveis peso, fragilidade, tamanho, resistência e flexibilidade, para criar paredões herméticos de caixas, objetos e partes de mobília do chão ao teto do caminhão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Não vai caber tudo. Ainda tem as bicicletas e aquele monte de coisa solta que sobrou lá em cima&quot;, resmungou Allex, exasperado. Coisas soltas. Mudança tem disso de ser afrodisíaca par tralha que não cabe em lugar nenhum, e, nos quarenta e cinco do segundo tempo, elas se reproduzem feito coelhos.&amp;nbsp; &quot;Cabe sim&quot;, eu disse, tentando encontrar no meu eu sonolento alguma esperança de não ter de me desfazer das minhas plantas.&quot;Não cabe&quot;, ele disse. &quot;Vou buscar o carro pra deixar aqui e ver o que cabe nele e P*RRA, TUA MÃE JÁ NÃO DISSE QUE O CARRINHO DE MÃO NÃO É SKATE, CARAMBA?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto ele buscava o carro na garagem, eu tentava explicar para as crianças porque é que já eram duas da tarde e a gente ainda não tinha almoçado, e porque apesar de estar todo mundo com fome, a gente não tinha tempo de parar pra comer, porque iam cancelar nosso elevador e tinha um caminhão de construção querendo a nossa vaga e a gente ia ser expulso dali sem ter terminado de carregar tudo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Allex estacionou o carro atrás do caminhão, e começou a tentar encaixar a maior quantidade de tralha lá dentro entre a TV e a cafeteira, enquanto as crianças e eu trazíamos a tralha solta do apartamento usando o elevador comum, pois nosso tempo de elevador acabara, mesmo com a boa vontade do pessoal da manutenção, e agora tínhamos os moços da reforma no nosso pescoço.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num dado momento, o colchão king size escorregou e empurrou pra fora do caminhão minha poltrona amarela, que caiu de ponta cabeça no chão, a dois centímetros do monitor do computador.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Gente, que divertido que é fazer mudança! Né? &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Termina de espremer tudo aí dentro eu vou limpar o apartamento!&quot;, berrei, correndo para o lobby. Varre varre varre, esfrega esfrega esfrega. Olha o lago pela última vez. Tchau lago. Tchau, apartamento. A foto mal enquadrada e fora de foco dá uma ideia da pressa que eu tinha de fechar tudo e ir embora. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghUuES-GWYf5rcN-O4GIVu0lUWxiAajXvgZyM8jK-UsYmGhEUQYeJb4oTyrgTHNI12YBLkzs_xYekqNFx4z2AsbOH7IB4HTEy3V4GdjQAQTDxzsqvU46IMSLNtwiyucR3w0cB4MncgESOY/s4000/IMG_20210722_155724720.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghUuES-GWYf5rcN-O4GIVu0lUWxiAajXvgZyM8jK-UsYmGhEUQYeJb4oTyrgTHNI12YBLkzs_xYekqNFx4z2AsbOH7IB4HTEy3V4GdjQAQTDxzsqvU46IMSLNtwiyucR3w0cB4MncgESOY/w480-h640/IMG_20210722_155724720.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Coube tudo?&quot;, perguntei, apanhando a chave do Allex para juntar ao restante e devolver no escritório. &quot;Sim. Espero que não quebre nada.&quot;&lt;br /&gt;&quot;E a TV? Tá no carro?&quot;&lt;br /&gt;&quot;Tá. Eu abaixei um lado do banco e coube em pé.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Vamos?&quot;&lt;br /&gt;&quot;Vamos.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fui até o carro, apanhei duas plantinhas que iam pro lixo e enfiei nas laterais das portas do carro. Plantinha muquiada. Beijoca, te amo, se cuida na estrada, vou te seguindo, a gente pára no On Route de Port Hope pra comer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O bom humor e a paciência foram restaurados com o fechar do cadeado de dez dólares na porta do caminhão e o ligar dos motores. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8Ir78R_OwaKFwsp2nhwd6FO4iaOmM9B1GiO2xgzyF1XC-MMtL6J4KY0Aga-8r-WMoNfZAuuu7YjuiCZK0h-NMHdQU88hhvwSwz6xG4SEr2T4MU_P5ivXPr1LqNV0PUsXA-ouFuGeVhCCu/s1600/IMG-20210724-WA0002.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1200&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;480&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8Ir78R_OwaKFwsp2nhwd6FO4iaOmM9B1GiO2xgzyF1XC-MMtL6J4KY0Aga-8r-WMoNfZAuuu7YjuiCZK0h-NMHdQU88hhvwSwz6xG4SEr2T4MU_P5ivXPr1LqNV0PUsXA-ouFuGeVhCCu/w640-h480/IMG-20210724-WA0002.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Mãe, tô com fome&quot;.&lt;br /&gt;&quot;Eu sei, filho. Eu também.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pessoa lembrou de deixar um lanche pronto pra emergência? CLARQUENÃO. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando deixamos os fundos do prédio em direção à estrada, eram QUATRO E MEIA DA TARDE.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Port Hope fica a 89km de Toronto. Às quatro e meia da tarde numa quinta-feira, adivinhe só, havia um trânsito digno da Marginal Pinheiros com chuva. Não fosse o carro e o caminhão serem automáticos, seriam uma hora e meia de engata primeira, engata segunda, primeira, segunda, primeira, segunda.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já contei que a Laura enjoa? Laura enjoa. Desde bebê. Ela enjoa e vomita muito bem vomitado toda vez que seu transporte chacoalha ou fica nesse anda e pára, anda e pára. Ela já vomitou até no bonde de Toronto uma vez. É super divertido. Né? Uhú! É claro que eu dei remédio de enjoo pra ela antes de a gente sair. É claro que não funcionou porque ela estava de estômago vazio. Ieeei.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Mamãe, eu tô enjoada&quot;.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olho pelo espelho retrovisor e a criança está cinza. Olho em volta. Numa estrada de seis pistas, estou presa no trânsito bem no meio, sem a menor chance de chegar num acostamento. Abro as janelas, ligo o ventilador no máximo, começo a usar o acelerador e o freio com a delicadeza de uma bailarina.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá melhor, Laura?&quot;&lt;br /&gt;&quot;Um pouco. Mas eu ainda tô enjoada.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Você vai vomitar?&quot;&lt;br /&gt;&quot;Talvez.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Ok. Deixa eu pensar. Não tem nenhuma sacolinha plástica aqui. Laura! Laura! O cesto de roupa suja tá do seu lado, não tá?&quot;&lt;br /&gt;&quot;Tá.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Enfia a mão nele e vê se você acha alguma camiseta grande da mamãe ou uma toalha.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Achei uma toalha.&quot;&lt;br /&gt;&quot;ÓOoooooooteeeemo! Espalha ela no colo, aberta, e se for vomitar, vomita na toalha, please.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Tá bom.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Laura é muito boa de vomitar com mira. Desde pequena ela sabe quando vai vomitar e sempre dá tempo de ela correr no banheiro e vomitar no vaso, sem sujar nada. Muito prático.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas no fim não precisou. O trânsito aliviou, o enjoo passou e ela acabou pegando no sono. Não sem antes eu pedir pra que ela por favor deitasse a cabeça no ombro do irmão, porque do outro lado estava a tela da TV embalada em plástico-bolha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegamos ao posto de conveniência de Port Hope às seis e meia, doze horas depois de nossa última refeição. Ninguém reclamou dos hambúrgueres de fast food e da batata frita. Nem eu, veja só. Quando comentei do meu cansaço para Allex, ele sugeriu açúcar no lugar do café. Antes de voltar para o carro, compramos chocolates para as crianças, e eu me dei o drink de café mais doce que encontrei no Starbucks antes de voltarmos à estrada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Quanto tempo falta, mamãe?&quot;, Thomas perguntou, querendo acertar o timmer no seu relógio novo.&lt;br /&gt;&quot;Três horas e meia, filho.&quot; Laura ficou consternada. Por conta do trânsito até ali, uma viagem que costumava levar quatro horas e meia, demoraria cinco e meia no total. &quot;Mas agora não tem trânsito, Laura&quot;, expliquei. &quot;Só que agora troca o assento: Thomas vem pro meio, Laura vai pra janela, que eu não quero que ela enjoe mais.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A viagem seguiu tranquila. O super Caramel Vanilla Cookie Crunch Açúcar Com Mais Açúcar Coffee Frappuccino com Chantilly da Porcaria Toda do Starbucks funcionou, e pelo menos eu não sentia mais o cansaço da noite insone e das SEIS HORAS carregando peso. É lógico que eu esqueci de baixar no celular uma playlist de música para ouvir na estrada. Mas o Universo foi meu amigo e me ajudou a encontrar uma estação de rádio de Napanee que parecia uma seleção de karaoke feita sob medida para meu gosto musical eclético. As crianças já se acostumaram com a mãe cantando e dançando nas viagens de carro, e só sentiram falta da coreografia dramática dos braços enquanto eu me jogava em Roxette, Kelly Clarkson, Erasure, Backstreet Boys e Taylor Swift. Afinal, eu estava dirigindo. Só rolava chacoalhar os ombrinhos, como toda pessoa crescida nos anos 80 sabe fazer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Gente, olha pela janela. Esses bosquezinhos no meio das fazendas são ótimos para ver Deer (veado)!&quot;&lt;br /&gt;Laura suspirou.&lt;br /&gt;&quot;Ih, mamãe, eu tava aqui pensando que a gente justamente não viu NENHUM bicho na estrada até agora. E isso é muito estranho, porque a gente SEMPRE vê bicho na estrada. Aí eu pensei que é porque você tá dirigindo. Você não pode olhar em volta pra achar bicho, então a gente não vê nenhum. Depois disso só o papai vai dirigir, porque você tem que achar os bichos no caminho!&quot;&lt;br /&gt;&quot;Hahah. Mamãe bruxa dos bichos.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia hora depois, numa estradinha menor e mais tranquila, apontei um campo de trigo ao lado da estrada, onde meia dúzia de veados com filhotes pastavam tranquilos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá vendo só, mamãe? Você tem olho de ver bicho.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Pois é.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A noite veio devagar, e as crianças foram silenciando no escuro. Ao nosso lado, uma lua cheia alaranjada do tamanho de um prato de bolo se escondia sob fiapos de nuvens cor de chumbo, feito uma lenta dança dos sete véus. Eu continuava seguindo o caminhão, agora de coração leve. A lua foi dormir e deixou em seu lugar uma chuva fina que sussurrava nos vidros.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Faltando uma hora para chegarmos, olho pelo retrovisor e me dou conta de que os dois adormeceram. Suspiro feliz por um segundo, até me dar conta de que Thomas está com o cabeção apoiado à tela da TV. Chamo seu nome. Chamo mais uma vez. Mais alto. Jogo o braço pra trás e cutuco sua perna. Leves tapinhas. Thomas. Thomas. THOOOOOOMAAAAAAAS. Lembro quando ele era pititico na cadeirinha do carro, e sua cabeça adormecida pendia para frente, sobre o cinto de segurança, e eu, aflita no meio da Marginal ou da Castelo Branco, esticava o braço para trás sem tirar o olho da direção, e ajeitava sua cabeça numa posição melhor, quase deslocando o ombro sobre o assento. THOOOOOOOMAAAAAAAS! Ele acorda. &quot;Joga a cabeça no ombro da Laura, filho!&quot; Ele obedece, sem dizer nada, e volta a dormir. TV sã e salva.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegamos à casa às onze da noite. A casa em que dormimos um mês antes, nos sacos de dormir que ainda estão ali nos quartos. Tiro tudo do carro, menos a TV e a cafeteira. As crianças vão à cozinha e se fazem um sanduíche com o pão e o salame comprados na estrada, e comem sobre os pratinhos de acampamento que havíamos deixado ali. Enquanto isso, Allex procurava uma vaga na vizinhança para estacionar o caminhão, já que nossa rua é rota de caminhão de bombeiro e não pode ter nada estacionado no meio-fio. O plano de descarregar o caminhão no mesmo dia foi pra cucuia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vão escovar os dentes e cama, agora&quot;, diz Allex, quando volta da rua. Eu rio de nervoso. &quot;O que foi?&quot;&lt;br /&gt;&quot;As escovas estão num tupperware... no caminhão.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Eita, p*rra.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Pimpolhada, enxagua bem a boca e vai pra cama.&quot;&lt;br /&gt;&quot;E os nossos colchões?&#39;, Thomas pergunta.&lt;br /&gt;&quot;Estão no caminhão, ué.&quot;&lt;br /&gt;&quot;E a gente não vai pegar?&quot;&lt;br /&gt;&quot;São onze e meia da noite, Thomas. A gente vai pegar amanhã, com todo o resto.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Beijo, abraço, abraço de novo, Thomas vai dizer boa noite pra Laura, pois estão separados pela primeira vez, e em dez minutos estão completamente adormecidos. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E foi assim que, depois de uma noite insone, seis horas carregando peso, cinco horas e meia dirigindo, e uma cerveja dividida no chão de nossa nova sala vazia, fomos todos dormir em sacos de dormir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjv6XrNJ4PB0xfyLy5cVpSx9-j5evxxs1uNFMdO7Pw_jF1x3kwGrqOfkQqg4N-r_uadOz-Cv8dmfyvLoHQFfrRHevo5K9idL5jUy1OpUqCvAYIp46fDtEl3RlcC4B-UNOAs_5G7JAn7M4VC/s4000/IMG_20210723_000948423.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjv6XrNJ4PB0xfyLy5cVpSx9-j5evxxs1uNFMdO7Pw_jF1x3kwGrqOfkQqg4N-r_uadOz-Cv8dmfyvLoHQFfrRHevo5K9idL5jUy1OpUqCvAYIp46fDtEl3RlcC4B-UNOAs_5G7JAn7M4VC/w480-h640/IMG_20210723_000948423.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pessoa dormiu? CLARQUENÃO.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às seis e meia da manhã seguinte &quot;acordamos&quot; e fomos andar até a Starbucks a 500 metros dali para comprar café. Um cappuccino gigantesco e um croissant com queijo, levado de volta para comer em casa. Meu corpo inteiro se move como um brinquedo antigo cujos parafusos enferrujaram. Minha mente continua evitando pensar no trabalho que vai dar descarregar o caminhão. Mas quando levo meu café para a varanda da sala, abro um sorriso largo e solto um grito. &quot;UM COELHO! Tem um COELHO no quintal!&quot; Nhóin. Este brinquedo velho usa pilhas recarregáveis à base de fofura.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às oito, o caminhão está estacionado em frente à casa. Allex alinha a agenda do dia comigo: &quot;Seguinte. Eu tenho a tarde de folga, mas agora de manhã tenho dois calls da empresa. A gente vai descarregar tudo o mais rápido possível, que à tarde vêm os caras da máquina de lavar e depois o cara da internet. Quando eu estiver em reunião, você espera eu voltar pra ajudar, que a gente não tem pressa.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente não tinha pressa. Aí vem o vizinho novo, com quem a gente quer começar com o pé direito, e pede pra tirar o caminhão ao meio-dia, porque ele precisa sair da garagem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ok, então enquanto eu estiver na reunião, você faz o que conseguir.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desta vez, as crianças quiseram e puderam ajudar no processo todo. O que puderam carregar ou ajudar a carregar, carregaram. Esse vai na sala, esse vai na cozinha, esse vai pra garagem, esse você coloca no basement, esse vai pro meu quarto, esse pro seu, esse pro da Laura. Mas o que era pesado era pesado e ponto, e só adulto carregava. E como tinha caixa pesada! Já falei quanto livro eu tenho? Pois é. E os kettlebells? Ai, que divertido carregar kettlebelll, gente! Né? Não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Allex, super empolgado, prepara os carrinhos de mão para descer tudo do caminhão e levar pra dentro. Eu rio. &quot;Carrinho sobe escada, Allex?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Merda.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Haha. Vai tudo no braço. Um por um.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegou a hora do colchão de casal. Segura. Segura. Usa o carrinho pra descer o bicho do caminhão. E agora? Agora f*deu. A desgraça passou pela porta feito bala Toff entalando na garganta. Pensa um colchão PESADO. Agora vem a parte divertida. Já falei que minha casa não é térrea? Pois é. Já falei que ela é meio que feita em zigzag? Pois é. Quer dizer que ela não tem dois andares inteiros, mas que cada plano ocupa um meio-andar. Sete degraus pra sala, sete degraus pra cozinha, sete degraus pro meu quarto, sete degraus pro quarto das crianças. Praticamente uma espiral de degraus desenhada por alguém que não tinha transferidor pra fazer curva e desenhou um caracol quadrado. Agora pensa dois adultos cansados tentando subir um COLCHÃO DE MOLA KING SIZE três lances de escada acima. Ieeeeei! Divertido, né? Super. A gente ria muito, porque lembrava da cena do Friends, em que tentavam fazer curva com um sofá numa escada igualzinha. Ó. Foi ÓOOTEMO. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois disso, Allex foi para a reunião dele, porque é importante continuar pagando os boletos, e eu liberei as crianças para brincarem de Lego no quarto, enquanto eu terminava de descarregar as últimas caixas. Laura ainda quis me ajudar (ajuda bem-vinda) a&amp;nbsp; levar partes do sofá escada acima, e fez um ótimo trabalho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A última caixa de livros eu carreguei até a porta. Precisava subir um degrau para entrar. Coloquei um pé na soleira e fiz força, com a caixa nos braços. Nada. Vai, perna, sobe! Ahn-ahn. Tô mandando, perna, me obedece, cáspita! Nananinanão. Coloquei a caixa em cima do degrau e subi sem caixa nos braços, e foi desse jeito que eu fui &quot;rolando&quot; a caixa escada acima, usando a desgraça como se fosse um andador. A última vez em que meu corpo DESISTIU desse jeito foi quando terminei a travessia de Petrópolis-Teresópolis, acampando, e precisei que alguém me puxasse pra sair do carro pra ir à padaria tomar café, porque minhas pernas não tinham mais energia para erguer meu corpo em pé. Isso foi antes das crianças nascerem. Nem os 42km corridos na Maratona de Toronto em 2019 me cansaram desse jeito. Quando terminei a maratona, lembro de ter ido tomar banho, abrir uma cerveja e ainda ficar em pé fazendo o almoço pra galera toda. E ainda desci o cachorro. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGoWhYZrbn6CdgE2bFw7ey92AHBJ6tNvFammiYQpWxWdCzk8pdCTqGdmbWGVif7IPaXArQtJinl-_v37lCt93VJ3kOHK4WLX4bZt1CWPc_6cc4-HyqZBnXmlzOYbD086Qzs5PFtVkZkqIC/s4000/IMG_20210723_111838550.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiGoWhYZrbn6CdgE2bFw7ey92AHBJ6tNvFammiYQpWxWdCzk8pdCTqGdmbWGVif7IPaXArQtJinl-_v37lCt93VJ3kOHK4WLX4bZt1CWPc_6cc4-HyqZBnXmlzOYbD086Qzs5PFtVkZkqIC/w480-h640/IMG_20210723_111838550.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eram exatamente meio-dia quando eu fechei a rampa do caminhão pra que Allex o levasse para a vaga lá longe. O vizinho agradeceu. Ufa. Allex terminou de trabalhar, e veio montar a mesa da cozinha, e saímos para comprar esfihas na bakery ao lado. Almoçamos pela primeira vez no quintal, ouvindo o som dos pássaros e esquilos que habitam o minibosque que corre ao longo da parte de trás das casas. Mas o trabalho não havia terminado. Ele cuidou do cara da máquina de lavar e do cara da internet ao mesmo tempo, enquanto eu desempacotava toda a tralha da cozinha. Porque se tem um negócio que tem que estar funcionando em primeiro lugar é a cozinha. Alegria é descobrir que minha habilidade de empacotadora em mudança continua na garantia: nenhuma taça de vinho se feriu durante a mudança.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMULedJJFUPsndw_OUrC4j82b2R5_2Ftm60Iu0UQAXImmD976upY9NECURw5DI5HtK2SqWBewHk1tC0cKX53mKyvkStQk0gIdNOFmfmuQvhDYC3Wp21NNQqo09jsdXWD1IqFmCMOQa0GM5/s4000/IMG_20210723_124352809.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMULedJJFUPsndw_OUrC4j82b2R5_2Ftm60Iu0UQAXImmD976upY9NECURw5DI5HtK2SqWBewHk1tC0cKX53mKyvkStQk0gIdNOFmfmuQvhDYC3Wp21NNQqo09jsdXWD1IqFmCMOQa0GM5/w480-h640/IMG_20210723_124352809.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No fim do dia, Allex instalou a cafeteira, enquanto eu descansava em minha poltrona, que não sofrera nenhum dano visível na queda do caminhão. As crianças escovaram os dentes COM MUITO CAPRICHO e foram dormir em suas camas, com lençóis fresquinhos da máquina de lavar nova. Fiquei chocada em descobrir que Thomas é um menino organizado, pois suas roupas já estavam em cabides e seu quarto estava todo em ordem, enquanto Laura parecia ter chacoalhado seu quarto com tudo dentro, feito um globo de neve. Lembrei de quando saí da casa de meus pais e minha mãe ficou igualmente chocada em descobrir que era minha irmã a bagunceira, e não eu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Levei minha cerveja para a varanda, tentando ignorar a exaustão. Fechei os olhos para ouvir o canto dos últimos corvos atravessando os céus para se recolher ao bando, e quando os abri novamente, havia vaga-lumes por entre as árvores. Lembrei de quando havia vaga-lumes em São Paulo. Eu, pequenina, recolhendo os insetos brilhantes em caixas de fósforos, no parquinho do prédio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dormir no colchão que você mesma carregou escada acima tem gosto de justiça.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na manhã seguinte, bebericando meu cappuccino, eu brincava de ligue-os-pontos nas manchas roxas de meus braços e pernas. Eu parecia (e ainda pareço, enquanto escrevo isso) um dálmata. Minhas panturrilhas ardiam, de tanto sobe e desce degrau, e os músculos de meus antebraços estavam duros feito pedra.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Me perguntaram por que é que a gente não pediu ajuda&quot;, comentei, rindo. &quot;E eu disse que foi um misto de inocência com excesso de confiança.&quot; &lt;br /&gt;&quot;Ué&quot;, respondeu Allex.&quot;A gente fez, não fez? A gente fez sozinho. Chegou tudo inteiro. Foi difícil, mas deu tudo certo. Como é excesso de confiança se a gente foi lá e fez? Eu digo que a gente sabia exatamente do que era capaz.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Você tem razão. Parabéns pra gente, então.&quot;&lt;br /&gt;&quot;Parabéns pra gente.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Epílogo: Allex pegou suas coisas, e foi dirigir quatro horas e meia de volta a Toronto para devolver o caminhão, e então pegar quatro horas e meia de trem para voltar a Ottawa, já que entregar o caminhão em outra cidade custava o dobro. &quot;Pára de desmontar caixa&quot;, ele disse. &quot;Descansa. Vai passear. A gente faz o resto junto depois, que vai mais rápido.&quot; Sim, senhor. Teve passeio de bicicleta pela vizinhança nova, teve visita ao mercado pra comprar flores e comidinhas, almoço no quintal, e cochilo. Merecido cochilo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fomos buscar Allex na estação de trem no fm do dia, e, quando atravessamos a porta, eu estava em casa.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLWG6kPb2tDdzMAhEVt-asUkqAxxrRJWrNPielmbuM8jUiBwO-TN99TjKrVAabnhxabnaSrAHIbzqYr60aHX6mdL-yocHUChyphenhyphenZsSfX6Ff37XC-AcCbHc6diKbQ0gnaXd-Yc6EaRun9tq_q/s3379/IMG_20210724_121345296_HDR%257E2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3379&quot; data-original-width=&quot;2523&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLWG6kPb2tDdzMAhEVt-asUkqAxxrRJWrNPielmbuM8jUiBwO-TN99TjKrVAabnhxabnaSrAHIbzqYr60aHX6mdL-yocHUChyphenhyphenZsSfX6Ff37XC-AcCbHc6diKbQ0gnaXd-Yc6EaRun9tq_q/w478-h640/IMG_20210724_121345296_HDR%257E2.jpg&quot; width=&quot;478&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/07/abraca-o-perrengue-e-vai-jornada-epica.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg728JBuslJMjBvqgl4RbMCz4n4WtTvlAfiypg03eUF1_LhlJtKNayhi3omWkvDGDqKzVvGU9BJJX_8n59LGu7wjCfeKsbNRhNKVPtPNZ-8wXpA9dydyxnP1RkokZ4Jya_bjulSxEQ4sd1m/s72-w480-h640-c/IMG_20210722_065956885.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-8039389801141371094</guid><pubDate>Mon, 05 Jul 2021 14:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-07-05T11:35:02.940-03:00</atom:updated><title>Um lago por um rio.</title><description>&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiisTVA3gk-Oc0jK76a_jtXmRIbshMc1NBxcTfKR2USMvGZRQiJgLrZoMiKdJXKPiJoEhHhfR83XXMMbaJwr0IiOheAJx4Jnp8uyLaz59mAgNne5GJpAbTWF6xhUxYS7D0f_pGD42ngMNia/s1796/original_8d9b738b-5ca8-4bd8-96a6-7ca303a6f16f_IMG_20210614_113216080.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1796&quot; data-original-width=&quot;1347&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiisTVA3gk-Oc0jK76a_jtXmRIbshMc1NBxcTfKR2USMvGZRQiJgLrZoMiKdJXKPiJoEhHhfR83XXMMbaJwr0IiOheAJx4Jnp8uyLaz59mAgNne5GJpAbTWF6xhUxYS7D0f_pGD42ngMNia/w480-h640/original_8d9b738b-5ca8-4bd8-96a6-7ca303a6f16f_IMG_20210614_113216080.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Mensagens de Toronto&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Caixas. Há caixas por todos os lados, há caixas em tudo o que eu vejo. Meu apartamento está uma bagunça. Como todo apartamento fica durante uma mudança. A vida em caixas, objetos que não sei se ainda quero, miudezas-lixo que surgem espontaneamente, em todos os cantos e todas as superfícies. Como é possível, encaixotar toda uma estante e, no dia seguinte, dezenas de minicoisas aparecerem novamente por lá? Sísifo &lt;i&gt;feelings&lt;/i&gt;. Já que entramos no âmbito da mitologia, dá-me uma vontade de fazer a Fênix e tacar fogo em tudo e me mudar com a roupa do corpo. Recomeços bem recomeçados.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas não posso, na verdade. Não é uma mudança como foi a última, do Brasil para o Canadá, em que tudo o que tínhamos foi vendido e doado e carregamos em apenas sete malas com quinze anos de história juntos. Também não é a mudança da casa dos pais para nosso primeiro apartamento, aquele da cozinhazinha que gerou esse blog. Naquela mudança, carregamos em mochilas e sacolas nossas poucas coisas que cabiam num quarto, e dois ou três móveis emprestados, levados à pé, pela rua, com pausas pra descansar as costas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na nossa segunda mudança, do apartamentinho para um apartamento maior, onde Thomas nasceu e onde achei que viveríamos para sempre (ironicamente foi o lugar onde menos vivemos, apenas um ano e meio), contratamos uma carretinha para levar fogão, geladeira, mesa e sofá. E botamos no porta-malas nossos livros, louças e computadores.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esta mudança lembra mais nossa terceira, quando saímos daquele apartamento para a casa da Aldeia da Serra, fora de São Paulo. Foi minha primeira vez morando fora da cidade onde eu nasci. Foi a primeira vez em que chorei em uma mudança. A gente precisa chorar quando uma parte da gente morre. Aquela mudança teve caminhão profissional. Teve a gente indo uma semana antes, pra dormir no colchão no chão e limpar tudo e arrumar a parte elétrica que, por algum motivo, sempre foi problema em nossas casas no Brasil. Era outra cidade, mas era perto o bastante para ir e vir de um lugar ao outro, para fazer a mudança em etapas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitcBYDWUG83PbG4UAqJ6e52Ga0MHvIr5-znoEP2u34SiM8arwiNmNdiFDUwhgsocG06hFCqxMXHBE2oI0D1QC3lvR_Akpj-jPD29jcpGnEi32TxoX-UYvdL1DW0ZqI2VPEae4_YNGFAizL/s4000/IMG_20210620_082730553_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitcBYDWUG83PbG4UAqJ6e52Ga0MHvIr5-znoEP2u34SiM8arwiNmNdiFDUwhgsocG06hFCqxMXHBE2oI0D1QC3lvR_Akpj-jPD29jcpGnEi32TxoX-UYvdL1DW0ZqI2VPEae4_YNGFAizL/w480-h640/IMG_20210620_082730553_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Spoiler da nova vista da janela em Ottawa.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; Estamos mudando de cidade. De Toronto para Ottawa. Ottawa fica a quatro horas e meia de distância de Toronto. Já não é Aldeia da Serra pra São Paulo, ainda que a meia hora imaginária entre as duas pudesse, na realidade do trânsito da Castello Branco em dia de chuva, virar duas horas e meia. Fomos até a casa de Ottawa antes, para pegar as chaves. Dormimos no chão, em nossos sacos de dormir, e verificamos a parte elétrica, que, ainda bem, está ok.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A ideia da mudança não era nova. Desde que Allex começou a trabalhar numa empresa que se dividia entre as duas cidades, a gente tocava no assunto, às vezes. Mas parecia bobagem. Gostamos de Toronto, as crianças estão bem adaptadas na escola, nosso apartamento alugado tem uma localização maravilhosa, e tudo ia bem... até a quarentena. Essa quarentena que aqui em Ontário durou duas décadas e mais uns dias. Essa quarentena que nos fez conviver vinte e quatro horas, por um ano e meio, num espaço pequeno que não foi feito para isso. O apartamento pequeno funcionava lidamente numa situação em que todo mundo estava do lado de fora o tempo todo. Mas as crianças cresceram, e ficou claro que o espaço não comporta a energia e o tamanho de 10 e 8 anos como comportava 6 e 4. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu sufoquei. Meu espaço sumiu. O silêncio e harmonia externa de que preciso para manter o silêncio e a harmonia interna desapareceram. Claustrofobia. Ansiedade. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi numa terça de manhã, bebericando cappuccinos no quarto, enquanto as crianças se enfiavam na escola online, que o assunto surgiu de novo, de repente, mas não tão de repente assim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu falava de espaço. Quando passamos uma semana em Paris, num apartamento de 21m2, esse conceito fez sentido como nunca havia feito em São Paulo: morar num lugar pequenino era possível, pois a cidade era seu quintal. Toronto tem disso de ser quintal, de chamar pra viver o lado de fora e só voltar pra casa pra dormir. Mas a quarentena matou Toronto. A quarentena fechou meu quintal e me enjaulou no meu apartamento pequeno. Toronto virou São Paulo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele falava de futuro. Porque tem disso com a gente. Eu sou incapaz de me preocupar com futuro. Não sei nem o que vou jantar amanhã, como é que pode eu querer pensar em aposentadoria? Quero viver até os 120 anos, mas sei bem que a natureza faz o que quer e que eu posso morrer amanhã. Hedonista, irresponsável, sonhadora, lua em peixes, pode dar o nome que quiser. Eu estou em paz com isso e com o fato de que Allex e eu nos equilibramos bem nesse sentido, quando respeitamos nossa natureza verdadeira e nossas diferenças.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem, ele falava de futuro. De aposentadoria. De segurança financeira. De aluguel. De jogar dinheiro no lixo. De trocar aluguel por &lt;i&gt;Mortgage &lt;/i&gt;(o nome do empréstimo pra comprar casa). Ele fazia contas. Ele falava de mercado imobiliário. A gente nunca conseguiu comprar nada nosso no Brasil, porque onde a bolha vai, a gente vai atrás. Estamos sempre um ano atrasados e nosso poder aquisitivo nunca pôde adquirir nada no lugar onde morávamos. E a gente tentou várias vezes. Toronto não é exceção. A cidade virou rapidamente uma das mais caras do mundo, e todos os dias os jornais mostram histórias absurdas de bangalôs minúsculos e caindo aos pedaços que foram vendidos pela bagatela de 1 milhão de dólares.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A gente podia tentar Ottawa, ele disse. Meu trabalho já está lá, mas a bolha de Toronto ainda não.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pode ser, eu disse. Se isso for deixar você mais tranquilo e der mais espaço para as crianças, acho que eu topo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Universo tem dessas lindezas, e foi nesse instante em que o telefone tocou. Era o gerente do banco falando que nosso limite de empréstimo tinha aumentado.Oi, senhor gerente, muito obrigado por sua ligação; que coincidência, veja só, a gente tava falando justo disso. O senhor pode, por obséquio, fazer uma simulação de &quot;&lt;i&gt;mortgage&lt;/i&gt;&quot; pra gente saber se a gente consegue comprar uma casinha em Ottawa?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E foi assim que a gente começou a procurar nossa casinha em Ottawa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu penso nessa história todas as vezes que minha ansiedade me impede de dormir, e que minha insônia abre a Caixa de Pandora dos pensamentos negativos. Porque essa história parece muito com aquela que nos trouxe para o Canadá.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-Xm4DXCpUgwxUt62pkAnW-O7uiLa2vkZ0cvEnzFsmDxS1KMgT8lNCIBEYOzVJPkHV6jzHkPH0GvNh2-6ZyirOwGML9F3yQvy-TJAcoTogEgRCeZ4capMXJdi0A_iPPZ4V8pud1zNydY6n/s4000/IMG_20210627_110441407.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-Xm4DXCpUgwxUt62pkAnW-O7uiLa2vkZ0cvEnzFsmDxS1KMgT8lNCIBEYOzVJPkHV6jzHkPH0GvNh2-6ZyirOwGML9F3yQvy-TJAcoTogEgRCeZ4capMXJdi0A_iPPZ4V8pud1zNydY6n/w480-h640/IMG_20210627_110441407.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Toronto, vista da balsa a caminho de Toronto Islands. Muito amor.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; Lá nos idos de 2015, a gente já vinha falando de sair do Brasil. De buscar não apenas a aventura do expatriamento que habitava meus sonhos, mas também oportunidades novas para nossa família. Quando ofereceram uma vaga no Panamá, Allex aceitou sem titubear. Panamá. Nunca imaginei. Mas vambora que a gente não sai olhando dente de cavalo que cai no seu colo quando você pediu. Foram meses de sonhar acordado, de pesquisar sobre o país, de imaginar nossa vida lá. Quando estávamos em Paris, eu deixei de comprar um casaco felpudo que eu amei de paixão porque &quot;faz calor no Panamá, e eu nunca vou usar isso lá&quot;. Era tanta certeza. Faltava só assinar o contrato e a mudança estava selada. Todo o resto já havia sido negociado. No dia em que voltamos de Paris, o telefone tocou duas vezes. Na primeira vez, pra dizer que o escritório do Panamá havia sido reestruturado e a vaga não existia mais. Eu chorei. A gente tem que chorar quando uma parte da gente morre. Na segunda vez em que o telefone tocou, meia hora depois, era um amigo nosso, que comentou, assim, &lt;i&gt;en passant&lt;/i&gt;, que havia um consultor de imigração canadense na cidade, ainda aceitando entrevistas. Eu peguei a última vaga do último dia disponível do consultor. E viemos para o Canadá.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Durante os dois anos que duraram o processo de imigração, era essa história que acalmava os pensamentos negativos liberados pela Caixa de Pandora da minha insônia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E cá estamos nós, novamente. No meio da mudança.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Noutro dia, resolvi ler os textos escritos durante cada uma das minhas mudanças de casa, como um &quot;respirar no saquinho&quot; literário. Relembrar é importante. Porque mudança é que nem filho: a gente só faz de novo porque esqueceu como foi a vez anterior. Toda mudança é bagunça, toda mudança faz a casa parecer um campo de paintball, toda mudança faz surgir dos recônditos do inferno toda sorte de minitralha que você nem sabia que habitava suas gavetas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Toda mudança desequilibra, desarmoniza, destrói e desfaz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A bagunça externa anda me bagunçando internamente, é claro. Como toda boa libriana, preciso de harmonia pra viver. Nada menos harmônico do que uma sala cheia de caixa e tralha onde não se consegue nem passar vassoura. Mas seguimos. Respira no saquinho, literária e literalmente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEge1OY-D8YujBiw8PHGCmLQjjogEqAApyVVzSR321MEPxfB6yc6d9MYQgC3THtgO-chkKWH_7Yrsw7e9Z-lsYcOHSKvaqibdFjgQvIwpzqTJx38BFkm0lEAdzaHDtN9jbQbBFPhjxlzz3T5/s4000/IMG_20210616_195752354_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEge1OY-D8YujBiw8PHGCmLQjjogEqAApyVVzSR321MEPxfB6yc6d9MYQgC3THtgO-chkKWH_7Yrsw7e9Z-lsYcOHSKvaqibdFjgQvIwpzqTJx38BFkm0lEAdzaHDtN9jbQbBFPhjxlzz3T5/w480-h640/IMG_20210616_195752354_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Primeira cerveja com amiga em pátio aberto do ano.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; Enquanto a mudança não vem, faço um pacto comigo mesmo de curtir meu quintal-cidade como não pude durante a quarentena. A vida volta, graças à ciência e ao bom senso que trouxe vacinação em massa. Dia bonito é para ser usado, e eu vou abusar de todos os meus dias bonitos em Toronto enquanto eles existirem.&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9K_Pl7vEMsWMNYgG1YsQJvG8XruNw9UjOrR-XjIQl7mYBlgB5K-lZhIjzrd_F8MzOne4hby58qpCiiNIexqbyzykXOWbeK3PkJzCQ7q0YdDNLJzF6_YUU51Udg80x3A1TyKC0pipX-6IM/s2048/IMG-20210622-WA0003.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2048&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9K_Pl7vEMsWMNYgG1YsQJvG8XruNw9UjOrR-XjIQl7mYBlgB5K-lZhIjzrd_F8MzOne4hby58qpCiiNIexqbyzykXOWbeK3PkJzCQ7q0YdDNLJzF6_YUU51Udg80x3A1TyKC0pipX-6IM/w480-h640/IMG-20210622-WA0003.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Autografando livro num café de Toronto.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt;Parque, piquenique, bicicleta, praia, chopp com os amigos que eu não vejo há mais de um ano apesar de serem meus vizinhos, cafés com leitores queridos que compraram meu livro aqui no Canadá e me encontram pra que eu possa escrever dedicatória. Sonho ainda com a viagem ao Brasil para minha tarde de autógrafos. Ainda não chorei, porque essa parte minha eu não matei. Ela vive, moribunda, mas ainda esperançosa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Faço listas de passeios em Toronto, lugares para ver. Allex encaixa a lista num calendário. Eu uso o calendário como sugestão. Hoje eu estou afim de quê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cato a bicicleta para comprar &lt;i&gt;croissants &lt;/i&gt;na minha &lt;i&gt;bakery &lt;/i&gt;favorita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Compro passagens da balsa para a ilha durante o café-da-manhã e monto um piquenique improvisado com o que sobrou na geladeira. Pulamos ondas na praia do lago.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwTJJE_a38u8Fe3-yzCpXT0IqEw4TSLasOejT-HOd_GI4BM8cP4vecG3f4lUYz2hjDqdNfU3vwVu8Emow1pncwhWY3WEtMHcU4ENu9LxM-yj91OnIfgy68mhL-lY_cgdTqU10I_5JgAOmm/s4000/IMG_20210624_102837868_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwTJJE_a38u8Fe3-yzCpXT0IqEw4TSLasOejT-HOd_GI4BM8cP4vecG3f4lUYz2hjDqdNfU3vwVu8Emow1pncwhWY3WEtMHcU4ENu9LxM-yj91OnIfgy68mhL-lY_cgdTqU10I_5JgAOmm/s320/IMG_20210624_102837868_HDR.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNNvXl6tQmvrUtFPMBrSW7hbyg3F1ZXMGv9xWCTDsS088iNK8iTayzZgfpY4MAqYe0CNNgWUyGOa1hFu9kVE5-qQFi7n3fyeARZ_tQLth23Wc09zET7f0oQfCZHom3mZkYzoylzvGiF-fC/s4000/IMG_20210624_131954339.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNNvXl6tQmvrUtFPMBrSW7hbyg3F1ZXMGv9xWCTDsS088iNK8iTayzZgfpY4MAqYe0CNNgWUyGOa1hFu9kVE5-qQFi7n3fyeARZ_tQLth23Wc09zET7f0oQfCZHom3mZkYzoylzvGiF-fC/s320/IMG_20210624_131954339.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero fazer o &lt;i&gt;tubbing &lt;/i&gt;que não fiz em 2019, quando eu tive que cuidar do cachorro enquanto Allex, as crianças e minha irmã desciam o rio de boia (&lt;i&gt;tube&lt;/i&gt;), em Elora Gorge. Allex tira o dia de folga numa quinta e vamos. Cobro do Universo o &lt;i&gt;tubbing &lt;/i&gt;que ele me devia.&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipqFCSSgGBxVQ4wjUWNP_IavTGEBvSKUYB4nsc5RG6oYG9YQN6HuAVKiYu_HsRYNVi_YhecaqYqpFLRk5pobhYJm6gLmoyuMebESXPQ3iQTwWL1Dpg_3jbARdNh7V9CEKJ3ucpHoScgtTd/s4000/IMG_20210626_133801715_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipqFCSSgGBxVQ4wjUWNP_IavTGEBvSKUYB4nsc5RG6oYG9YQN6HuAVKiYu_HsRYNVi_YhecaqYqpFLRk5pobhYJm6gLmoyuMebESXPQ3iQTwWL1Dpg_3jbARdNh7V9CEKJ3ucpHoScgtTd/w480-h640/IMG_20210626_133801715_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Cerveja no meio da meia-maratona. Steamwistle é uma cervejaria no centro.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; Faço minha meia-matatona da Steamwistle. Essa minha tradição inventada de correr 10,5km até a cervejaria no centro da cidade, tomar um chopp (usar o banheiro) e voltar correndo mais 10,5km pra casa. Essa meia-maratona tem um gostinho especial. Primeira vez que corro 21km desde que meu corpo resolveu se desmantelar durante a quarentena: pé-quebrado, pé-torcido, fascite plantar e nervo pinçado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acalmo o FOMO das listas usando dias de chuva para colocar mais coisas em caixas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E seguimos dizendo tchau a Toronto e às pessoas que nos acolheram aqui. Dizendo tchau à vista do lago que parece mar, ao High Park que me ensinou a correr de novo, às trilhas onde Gnocchi andava livre, sem coleira, olhando para trás para ter certeza de que eu o seguia direitinho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj9zHznp9owPvzMsjseQ5wHJNH-VsarVIv3-4HuIghRklbxwLrl9trsac8yOP48nwZFysjtP2EnEDwrnXn_BPXcKBAFGNPeegUnRRj8QRnAxAM5nNbH3DWCyn7xO_HzTJMfAZVYC7767Bxl/s4000/IMG_20210619_134028855.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj9zHznp9owPvzMsjseQ5wHJNH-VsarVIv3-4HuIghRklbxwLrl9trsac8yOP48nwZFysjtP2EnEDwrnXn_BPXcKBAFGNPeegUnRRj8QRnAxAM5nNbH3DWCyn7xO_HzTJMfAZVYC7767Bxl/w480-h640/IMG_20210619_134028855.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O lago. Mergulho nele mais um vez, e mais uma, cada vez podendo ser a última. Deixando minha pele dissolver em sua imensidão gelada e inerte. Deixo minha ansiedade virar imaginação, nadando para o grande rio na cidade nova. Um lago por um rio. Água parada por movimento. Fecho os olhos e me pergunto onde o rio vai me levar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/07/um-lago-por-um-rio.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiisTVA3gk-Oc0jK76a_jtXmRIbshMc1NBxcTfKR2USMvGZRQiJgLrZoMiKdJXKPiJoEhHhfR83XXMMbaJwr0IiOheAJx4Jnp8uyLaz59mAgNne5GJpAbTWF6xhUxYS7D0f_pGD42ngMNia/s72-w480-h640-c/original_8d9b738b-5ca8-4bd8-96a6-7ca303a6f16f_IMG_20210614_113216080.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-2831476339005078143</guid><pubDate>Fri, 11 Jun 2021 15:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-06-11T12:27:08.142-03:00</atom:updated><title>Tá tudo bem. Tem Baked Chocolate Pudding.</title><description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjY1k4F8u6ADqibjZD8OCqNv8DuUie-CWASFIUV9qKnqXk2kNLtQu7uBCumBhOdna8QiI46wVMjzsVbnx-tH0RXbjRjuH0IuYxustA1STPoQ9YSqhYNV2qafo0SEQQ8_h364eDQ6A4micU5/s4000/IMG_20210527_095432537.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjY1k4F8u6ADqibjZD8OCqNv8DuUie-CWASFIUV9qKnqXk2kNLtQu7uBCumBhOdna8QiI46wVMjzsVbnx-tH0RXbjRjuH0IuYxustA1STPoQ9YSqhYNV2qafo0SEQQ8_h364eDQ6A4micU5/w480-h640/IMG_20210527_095432537.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nós vamos nos mudar. Pronto. É bom tirar isso logo da frente, que é pra ninguém ficar ansioso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa quarentena sem fim teria deixado todo mundo aqui em casa doido de verdade não fossem os parques e a primavera que chegou cedo, deliciosamente quente como eu nunca vi em Toronto. Imagina só, 28oC no fim de maio! Tão quente, que os &lt;i&gt;splash pads &lt;/i&gt;(aqueles chafarizes nos playgrounds) abriram mais cedo. E as crianças, confinadas o dia todo à rotina de um gerente de marketing de quarenta anos, carinhas na tela e bunda na cadeira, puderam gastar toda a energia em ebulição no parque ao fim do dia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desligou computador, monta um lanche e parque neles. Santo parque. Os dias andam cada vez mais longos, e são sete da noite e o céu é claro e quente e não nos deixa voltar pra casa. Quem tem coragem de tirar criança feliz do parque? Eu tinha. Eles eram menores e eu sabia bem o que me aguardava no dia seguinte caso eu largasse a hora de dormir ao bel-prazer dos dois. Criança dormindo às dez da noite e acordando às seis da manhã. Se tem um negócio que a Laura herdou de mim é o mau humor de sono. Ninguém merece. Principalmente eu. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas eles cresceram. E ainda que Laura ainda não saiba reconhecer os próprios sinais de cansaço em seu temperamento, eles têm lidado melhor com horários menos rígidos. Aliás, tudo menos rígido. Rotina foi algo muito importante na primeira infância dos dois para deixá-los seguros e independentes. Criança que tem certeza de que o almoço está lá ao meio-dia e que segue sempre um ritual escova-dente-lê-história-tira-pulguinha-e-dorme, fica tranquila. Sabe o que esperar. Não existe ansiedade na hora de dormir se você sabe exatamente o que vai acontecer e quando. Todo dia é tudo sempre igual. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só que rotina também aprisiona. TODO DIA É TUDO SEMPRE IGUAL. Principalmente gente com alma de passarinho, que quer ficar batendo asa por aí e improvisando vôo. O dia em que entendi o quanto os horários da escola engessaram minha alma, arrependi-me amargamente de ter matriculado a pimpolhada tão cedo. Vivesse a vida outra vez, teria rodado a cidade com a criançada até ser obrigada por lei a colocar os dois numa sala de aula.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas tem coisa que a gente precisa viver para aprender.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é à toa que eu sou uma mãe melhor do lado de fora. Não é por meu amor incondicional por mato, mas porque posso saracotear com os dois por aí sem rumo, sem hora, ou relaxar e deixá-los explorar o que o houver sem interferência ou interrupção.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu me divirto mais com meus filhos quando permito que eles experimentem o mundo e o tempo do mesmo modo como me faz feliz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora que eles cresceram, maternidade parece às vezes um andar de bicicleta sem as mãos. Continuo conduzindo, mas posso relaxar e confiar que aquela roda que eu não controlo vai seguir em linha reta. E ninguém vai quebrar os dentes no chão. Nem sempre, pelo menos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCsBHGswmxMWtCvcboElFWggXmM-Onfzs6ki8vLT8Hn05nDCpNyIfQMbrgskHAJWi6wFrkJJqIGQ12v8FykvVjNW-GCM3OSFQFXwV2LYJn7XQsMX1POUWDt6X4YHcq4QM9XQrNhE8_fRTk/s4000/IMG_20210602_131049240_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCsBHGswmxMWtCvcboElFWggXmM-Onfzs6ki8vLT8Hn05nDCpNyIfQMbrgskHAJWi6wFrkJJqIGQ12v8FykvVjNW-GCM3OSFQFXwV2LYJn7XQsMX1POUWDt6X4YHcq4QM9XQrNhE8_fRTk/w480-h640/IMG_20210602_131049240_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então largo o guidão e não me preocupo com o jantar. As crianças montam um sanduíche com o que mais gostam e levam numa sacola, com toalha e uma arminha d&#39;água, uma boneca e um dinossauro, um pote com melancia e outro com tomatinhos, e vamos ao parque sem hora para voltar. Sento e leio um livro. Converso com outros pais. Allex às vezes termina o trabalho mais cedo e se junta a nós, trazendo um imenso saco de pipoca temperado com sal, orégano e páprica que ele mói no meu pilão de madeira. Experimente. Fica muito bom. Às vezes ele traz uma cerveja pra gente dividir, escondidinha num desses copos térmicos de café.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tiro os sapatos pra por os pés na grama. Inspiro o cheiro da terra sob o sol e do pólen suspenso no ar. Deixo a brisa morna levar as horas devagar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;São sete e meia e eles correm descalços na grama, cabelos molhados e risos largos, lagartas pequenas nas mãos, que lhes fazem cócegas nos dedos. &quot;&lt;i&gt;I&#39;m going home&lt;/i&gt;!&quot;, dizem os amigos, acenando à distância, e esse é o sinal para recolher tudo e partir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes paro no mercadinho a caminho de casa para catar uma baguette e um prosciutto, para comer com manteiga em casa, antes do banho. Outras, não precisa de nada a não ser tirar a areia do corpo num banho gostoso, escovar os dentes e ir dormir. Deixo que eles se demorem. Que venham sentar comigo para contar sobre seu dia. Que se espreguicem do lado do pai, no sofá, enquanto ele joga video-game com os amigos do Brasil. Sem pressa. Sem a pressa que eu tive um dia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes sugiro que vão dormir cedo, quando vejo em seus rostos que é preciso. Outras, eles se arrastam à cama para lá das nove da noite, cobertos pela penumbra de uma persiana que, mesmo fechada, não resiste à luz azul clara e amarelada do entardecer do verão canadense, que se demora até as dez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nessa rotina sem rotina, tenho cozinhado pouco. Faço almoço. As sobras, requentadas, repaginadas, são jantar dos adultos que não se entupiram de framboesas no parquinho. Faz calor demais para se ter apetite.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De vez em quando, assim, porque até a vontade anda também voluntariosa e vai e volta como quer, me dá as ganas de preparar um doce.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHk-COnVGtcMFbxQ8X6uGP8oEY0XvT4YJRlDE8WVJIiO3t49EWD-Ay8UC7IzbHFu1b8Lz7CrAF8xSgMVdLV3uUxzpJ7OaAn6Rvg08wgTkYGdMlWC7SyxhzKsB9jK3OSGFjFPO2xlBWWEj1/s2858/IMG_20210528_184443828.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2769&quot; data-original-width=&quot;2858&quot; height=&quot;620&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHk-COnVGtcMFbxQ8X6uGP8oEY0XvT4YJRlDE8WVJIiO3t49EWD-Ay8UC7IzbHFu1b8Lz7CrAF8xSgMVdLV3uUxzpJ7OaAn6Rvg08wgTkYGdMlWC7SyxhzKsB9jK3OSGFjFPO2xlBWWEj1/w640-h620/IMG_20210528_184443828.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;Laura tinha pedido para fazer uma receita de uma revistinha da Martha Stewart, um &lt;i&gt;baked chocolate pudding&lt;/i&gt;, numa semana que calhou de chover e esfriar um pouco. Fizemos juntas, mas não deu certo. O tempo de cozimento estava errado e o &lt;i&gt;pudding &lt;/i&gt;virou &lt;i&gt;cake&lt;/i&gt;. &quot;Tá tudo bem, mamãe, tá gostoso mesmo assim!&quot; O lema da Laura. Tá tudo bem. Laura me lembra sempre de não me importar tanto. No dia seguinte, apanhei um livro mais confiável e fiz outra receita do mesmo doce, e desta vez o resultado foi maravilhoso. Crocante por fora, cremoso por dentro, paraíso do chocolate. (Receita no fim do post)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquele dia, Laura me deixou um recado escrito a canetinha:&lt;i&gt; Thank you for doing almost everything I ask you to do. &lt;/i&gt;O bilhete mais lindo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A verdade é que mamãe anda mais relaxada, mais em contato com o que a faz feliz, e assim mamãe fica mais legal. Porque quando a mamãe se sente presa em circunstâncias fora do seu controle, ela tende a tentar controlar tudo à sua volta, e torna a vida de todo mundo um pequeno inferno.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tá tudo bem, eu digo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saí cedo para correr e chamei as crianças para virem comigo. Laura quis vir de bicicleta, mas Thomas preferiu ficar em casa lendo Asterix. &quot;Não dá tempo, Ana, eles têm escola&quot;, Allex disse.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ela chega dez minutos atrasada. Tá tudo bem.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Laura pedalou ao meu lado enquanto eu corria pela trilha ao longo da lagoa, e paramos para subir em árvores e ver patinhos-bebê nadando em meio aos juncos. &quot;A gente tá atrasada, mamãe?&quot;, ela perguntava. &quot;Fica tranquila, Laura. Curte sua manhã.&quot; E paramos novamente para ver os gansos e seus filhotes, desengonçados no gramado, de pés grandes e asinhas pequenas, feito meninos adolescentes. Ela apanhou duas penas grandes que estavam no chão e pediu que eu as carregasse até em casa, para colocá-las em seu altar da natureza, onde coleciona pedras, conchas, ovos de pássaro e pedaços de colmeias.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjXRWbyYqOfkHaNZHPGw-ydtkmaIz_V5hXy8GKm02valEBgz9KehvYhfBx6ySGONd3pDzRmUS9881_y5l8iFsLyD6gHN8TyGjWNbOiLqFkZxWc8XrmGfDiuG1dj7uBiM_GVigF_fHSwerkz/s4000/IMG_20210607_083105839.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjXRWbyYqOfkHaNZHPGw-ydtkmaIz_V5hXy8GKm02valEBgz9KehvYhfBx6ySGONd3pDzRmUS9881_y5l8iFsLyD6gHN8TyGjWNbOiLqFkZxWc8XrmGfDiuG1dj7uBiM_GVigF_fHSwerkz/w480-h640/IMG_20210607_083105839.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chegamos em casa, quinze minutos depois de a escola online começar, deu tempo de lavar as mãos e preparar um pão com manteiga. E quando ela ligou o computador, descobriu que a professora estava atrasada e ainda não tinha feito chamada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Viu? Tá tudo bem.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O dia segue feito um rio quando ouço a voz no meu peito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa mesma voz no peito que nos fez, numa manhã aleatória, resolver mudar. Mudar de casa. Mudar de cidade. Um comichão que sussurrava &quot;vai agora&quot;. Algumas decisões acontecem feito a cena do chapéu do Indiana Jones. Corre que a porta tá fechando. Tipo criança escolhendo quem brinca de pega-pega no pátio da escola: quem quiser mudar põe o dedo aqui, que já vai fechar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fechou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vou seguindo esse rio no meu peito para aproveitar esse lago, esse parque, essa cidade e essas pessoas por algumas últimas semanas antes partir. Tento olhar, entender e dissolver o medo do novo que aparece em forma de tensão no pescoço, apertando aquele danado daquele nervo pinçado de novo. Relaxa, mulher. Até quiropraxista disse: não era nem para ter sintoma, esse nervo. É tudo tensão. Tudo cabeça. Só que cabeça adora isso de rotina previsível e horário fixo e controle das variáveis. Cabeça adora lembrar que não dá tempo de andar de bicicleta no parque ou que eu não deveria jantar sanduíche de novo. Sossega, cabeça. Deixa o coração mandar um pouco, que é nele que a alegria repousa, feito um lago. Acho que não é a toa que o coração parece uma xícara de chá quente quando a gente sente amor. Deixa o rio fluir para alimentar o lago. Cheio e quentinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mergulha. Tá tudo bem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;....&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhypNtDIGHoYYEEFUds77e_Xy6cPf8SMAHjuERt9Orl47Y8eH6s875DbaSu_mLd9jldpoEor_CgeEwXWGHgOb_Ym3FEuccGQ89VmskGA4_hgljVLSrcelhQvTDAbK-LCn-NjosyiWCd_Wtj/s2613/IMG_20210523_144723_851.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2613&quot; data-original-width=&quot;2613&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhypNtDIGHoYYEEFUds77e_Xy6cPf8SMAHjuERt9Orl47Y8eH6s875DbaSu_mLd9jldpoEor_CgeEwXWGHgOb_Ym3FEuccGQ89VmskGA4_hgljVLSrcelhQvTDAbK-LCn-NjosyiWCd_Wtj/w640-h640/IMG_20210523_144723_851.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BÔNUS DE RIO FLUINDO, VERSÃO SUPERMERCADO:&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Noutro dia, me deu vontade de comer camarão. Assim, de repente, como se tivessem implantado a ideia na minha cabeça. Aqui na minha vizinhança só tem camarão congelado, desses que vem com sal e conservante. Ou tem, de vez em quando, no mercadinho orgânico, mas costuma ser caro e não tem sempre. Mas estava lá, aquela voz gritando no meu ouvido feito criança pequena fazendo birra na padaria. Só que ao invés de pedir Danette, a criança no meu peito gritava Camarão!&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saí. Fazer o quê? Eu não tinha intenção de ir ao mercado, porque ainda tinha alguma comida em casa, então foi pura frescura voluntariosa. Coração gulosos e gourmet tinha razão, no entanto, que assim que pus o pé no mercado, desatei a rir: o camarão fresco estava em promoção. Metade do preço. O Universo é essa coisa linda, às vezes, se você estiver tranquilo em ser feliz com camarão em promoção. Paguei pelo camarão e fui no outro mercado pegar o macarrão da marca que eu gosto, porque a lombriga pedia macarrão com camarão. Olha que delícia falar isso em voz alta: macarrão com camarão. Enche a boca que nem palavrão dito com vontade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No outro mercado, entrei na fila pra pagar por meu pacotinho de &lt;i&gt;penne rigate&lt;/i&gt;, e a moça do caixa pergunta: &quot;Você gostaria de um saco de batatas?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Como é que é?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Um saco de batatas. Você gostaria de um?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Desculpa. Não entendi. Um saco de batatas?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;É. É de graça. &lt;i&gt;Customer appretiation&lt;/i&gt;.&quot;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Bom. Sim, eu quero. Obrigada.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim eu saí do mercado com meu pacotinho de penne e um saco de 3kg de batatas de graça.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era batata pra burro, e é claro que o mercado estava dando batata porque elas estavam mais pra lá do que pra cá. O Universo pode ser legal, mas dono de supermercado de rede não dá ponto sem nó. Daí que eu saí cozinhando batata loucamente pra não deixar estragar, e eu terminei com um panela industrial de purê de batatas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Povo aqui alucina com purê. Mas nem meus filhos, essas dragas, conseguem dar conta de tanto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu tenho uma paixão muito específica na cozinha, que é a arte do reaproveitamento. Quase sempre as melhores receitas são aquelas que reaproveitam sobras. E eu adoro qualquer receita além de gostosa ainda evite desperdício e me faça sentir competente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse é um jeito excelente de aproveitar uma quantidade gigante de purê de batatas. E é delicioso. Chama-se &lt;b&gt;&lt;i&gt;Oeufs Parmentier&lt;/i&gt;.&lt;/b&gt; Serve seis pessoas, mas minhas dragas comeram metade sozinhos. Você unta uma forma com bastante manteiga, e coloca lá dentro todo aquele seu delicioso purê de ontem (quantidade feita com mais ou menos meio quilo de batata, e misturado a manteiga e leite). Você abre seis buracos com uma colher e quebra ovos dentro deles. Cobre com uns 3/4xic de creme de leite fresco (se for crème fraîche, melhor ainda), tempera com sal e pimenta e joga no forno a 210oC até dourar e as claras estarem cozidas (uns vinte minutos, dependendo do forno). Sirva colheradas fartas, que desmontam no prato, para acompanhar uma salada bem verde, com folhas amargas. Dá pra ficar melhor?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;:)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEim1QZVQR4R60nJURECR_uTgAWK3jsZnG7Xk25qqQ8tGDi4JEQ6NpaXvwtpEsjCETQ3SkPXAmQHNrAeeWrQA-ehlVJ_61xi27RUob1MaRvYznSb9oY8ciaU4hZKeSXVZL-tpXH5QUK0ZJfs/s3000/IMG_20210602_191647773.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2998&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEim1QZVQR4R60nJURECR_uTgAWK3jsZnG7Xk25qqQ8tGDi4JEQ6NpaXvwtpEsjCETQ3SkPXAmQHNrAeeWrQA-ehlVJ_61xi27RUob1MaRvYznSb9oY8ciaU4hZKeSXVZL-tpXH5QUK0ZJfs/w640-h640/IMG_20210602_191647773.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;BAKED CHOCOLATE PUDDING&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;(Do livro Sinfully Easy Delicious Desserts, da Alice Medrich)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;Rendimento: 6 porções&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;170g chocolate meio amargo ou amargo(em torno de 70% mas não mais do que isso), picado&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;115g manteiga sem sal, em pedaços&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3 ovos grandes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2/3 xic. açúcar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;pitada de sal&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;sorvete, para servir&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Posicione a grade do forno no terço inferior e preaqueça a 190oC.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coloque o chocolate e a manteiga numa tigela em banho-maria e mexa frequentemente até que o chocolate derreta e se misture à manteiga. Retire do calor assim que estiver derretido.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Na tigela da batedeira, bata os ovos, açúcar e o sal em velocidade alta até que fique fofo e amarelo bem claro, e com a consistência de chantilly (pode levar de 5 a 10 minutos).&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Misture um terço dos ovos ao chocolate, e então despeje a mistura de chocolate de volta à tigela com o restante dos ovos batidos. Misture com uma espátula, delicadamente, para não perder muito o volume do ar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Divida a massa entre seis ramequins ou formas com capacidade para 1 xícara. Não é preciso untar. Nesse ponto você pode cobrir as forminhas e levar à geladeira para assar mais tarde. Apenas retire da geladeira meia hora antes de ir para o forno.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coloque as forminhas numa assadeira e leve ao forno por15 a 20 minutos (um pouco mais se os puddings foram refrigerados), até que eles tenham inflado, estejam com a superfície seca e craquelada, mas ainda bem moles por dentro (você pode testar com um palito).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Sirva imediatamente, com uma bola de sorvete. Eles vão afundar assim que saírem do forno.Se for servir para crianças, coloque os ramequins dentro de potes ou pratinhos resistentes ao calor que possam conter os ramequins quentes sem que eles escorreguem pra lá e pra cá quando a criança meter a colher lá dentro. Assim, a criança pode segurar o pote de fora e comer confortavelmente, sem o risco de queimar as mãos no ramequin quente de forno. :) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/06/ta-tudo-bem-tem-baked-chocolate-pudding.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjY1k4F8u6ADqibjZD8OCqNv8DuUie-CWASFIUV9qKnqXk2kNLtQu7uBCumBhOdna8QiI46wVMjzsVbnx-tH0RXbjRjuH0IuYxustA1STPoQ9YSqhYNV2qafo0SEQQ8_h364eDQ6A4micU5/s72-w480-h640-c/IMG_20210527_095432537.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-2156476812244592015</guid><pubDate>Tue, 04 May 2021 19:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-05-04T16:08:55.385-03:00</atom:updated><title>Magnólias e Macarons</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNnnsjgjUGD61A4TVd_fjqMojkH1NkSR3fw_avLiEgSTufkIt3P7VH5lNdv17UXC6Zippn2m12vo3LBepInbr0IDLWkzrfCNMCnBSKakxPaRbJuXQMH5zSRTpHdrfHFFk4XEZxx0Ob8NZX/s3612/IMG_20210430_111538448_HDR.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3612&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNnnsjgjUGD61A4TVd_fjqMojkH1NkSR3fw_avLiEgSTufkIt3P7VH5lNdv17UXC6Zippn2m12vo3LBepInbr0IDLWkzrfCNMCnBSKakxPaRbJuXQMH5zSRTpHdrfHFFk4XEZxx0Ob8NZX/w534-h640/IMG_20210430_111538448_HDR.jpg&quot; width=&quot;534&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;São as flores das cerejeiras que dão a dica, melhor que qualquer 
marmota, de que o inverno finalmente acabou. Em toda primavera, desde o meu
 primeiro ano no Canadá, ando em direção a essa fileira de árvores rosa pálido, esperando alguma espécie de arrebatamento: o sorriso 
espontâneo, o calor no peito, aquela leveza alegre que causa 
formigamento na pele, quando me deparo com algo verdadeiramente bonito. 
Escolho uma manhã cinza, fria e chuvisquenta, na esperança de evitar as 
comuns aglomerações dos dias ensolarados.&lt;/p&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Talvez eu tenha
 sido excessivamente mimada por uma vida brasileira carregada de ipês 
brancos, amarelos, roxos e cor-de-rosa, cujas copas coloridas espalhadas
 por São Paulo contrastavam contra as nuvens monótonas. Os ipês, na minha memória, são fluorescentes como as 
pulseirinhas dos festivais de música eletrônica da minha 
juventude.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;As cerejeiras, ao contrário dos ipês, empalidecem nos dias 
chochos. Como fotos de prédios novos em folhetos imobiliários, precisam 
de um otimista azul sem nuvens para brilharem. O céu chuvoso da 
primavera de Toronto abafa sua formosura, como um emaranhado de fios 
elétricos e postes sujos na frente do empreendimento de luxo.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhU7McqmqIW_pgtVnBcKXaBuJ52luvyIbx6AgqqV9xsh0eGPtZt-4LamNQP8-a2Er33W76-Jw_dY9vBfxkTG37krfSKvkt2qRFsDLD55GAbxfs9g0UXAG06sLs1OUoDV5hyl2_vAZFUNOOe/s4000/IMG_20210429_094424037_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhU7McqmqIW_pgtVnBcKXaBuJ52luvyIbx6AgqqV9xsh0eGPtZt-4LamNQP8-a2Er33W76-Jw_dY9vBfxkTG37krfSKvkt2qRFsDLD55GAbxfs9g0UXAG06sLs1OUoDV5hyl2_vAZFUNOOe/w480-h640/IMG_20210429_094424037_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Cerejeiras num dia cinza.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Minha reação às cerejeiras é sempre morna. É bonito. Mas não emociona. Caminho, passo por elas, até encontrar magnólias.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Gosto de magnólias.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;São
 como a versão agigantada e extrapolada das cerejeiras. As duas têm a 
mesma paleta de cores e florescem, sem folhas, na mesma época. Mas só as
 cerejeiras causam filas de Instagramers posando sob suas copas delicadas. E as magnólias observam passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;As cerejeiras, eu entendo, têm uma beleza 
clássica que atrai. É conservadora, delicada, moça de família. Se as cerejeiras fossem uma pessoa, 
ela seria o tipo de pessoa que sempre pede sorvete de baunilha. Seria a 
pessoa que senta de pernas cruzadas, com as mãozinhas nos joelhos, 
exibindo no pulso um reloginho de ponteiros e uma correntinha de ouro, 
presente da mãe do namorado que ela nunca viu sem roupa. Se as cerejeiras fossem uma pessoa, elas 
seriam a pessoa que passa hidratante com cheiro de flor de cerejeiras e 
que escova o cabelo o mesmo número de vezes antes de ir dormir.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;O que está tudo bem. Desejo toda felicidade do mundo às cerejeiras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Mas eu gosto de 
magnólias. Das flores imensas que você não espera ver na ponta de um 
galho de árvore. Dessa exuberância quase tropical, de alguém que usa 
brinco grande e vestido de chita.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Se as magnólias 
fossem uma pessoa, elas seriam o tipo de pessoa que pede sorvete de 
missô, pra saber que gosto tem. Seriam o tipo de pessoa que senta na 
grama e tira o sapato. Seriam uma pessoa que vira e mexe quebra um copo,
 porque usa sempre os braços para falar. Seriam a pessoa que grita o seu
 nome do outro lado da rua só pra te dizer oi. Quando chega a primavera,
 as magnólias saem de shortinho quando está dez graus. As cerejeiras 
usam o cardigã combinando com os sapatos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizWuSguOfKlAZOmid44-y3OEA12pIf3y_dLUy-M41GrViCId1cR-FbF8jWHjtfZGDQexLDDIrJqYNERa61nt3eITVCC66-GRLnxgj7c-D3lQtqFNNjAKMPrRXNeSh7bK2vHYT8snyJ-FFN/s4000/IMG_20210429_100540611_HDR.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEizWuSguOfKlAZOmid44-y3OEA12pIf3y_dLUy-M41GrViCId1cR-FbF8jWHjtfZGDQexLDDIrJqYNERa61nt3eITVCC66-GRLnxgj7c-D3lQtqFNNjAKMPrRXNeSh7bK2vHYT8snyJ-FFN/w480-h640/IMG_20210429_100540611_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Magnólias num dia cinza.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Olho 
para as magnólias sob o chuvisco fino de uma manhã sem luz, e sorrio. O 
peito aquece. A pele formiga. Deixo-me arrebatar pelo riso alto das 
flores grandes. Piso em poças d&#39;água enquanto ouço passarinhos. Volto para casa com energia para fazer macarons.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Macarons são o doce favorito da pessoa-cerejeira. Mas a pessoa-magnólia acha que gostar de macarons não define uma pessoa, e se joga no projeto simplesmente porque é divertido preparar um doce tão cheio de fricote numa quinta-feira à tarde.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Tentei fazer macarons uma vez, ainda no Brasil. Na época, havia todo um frenesi internet afora a respeito dos macarons franceses. Acho que foi quando saiu o filme da Sofia Coppola sobre a Maria Antonieta, e os americanos descobriram os macarons. Todos os blogs estrangeiros tinham receitas coloridas de sabores inusitados e dicas infalíveis em processos complicadíssimos para alcançar idílica perfeição macarroneana dos mestres confeiteiros. Sendo ainda uma louca obcecada por todo o tipo de comida que eu nunca provara na vida, eu precisava, PRECISAVA preparar macarons.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Inventei de usar açúcar comum e moer minhas próprias amêndoas, porque, afinal, COM CERTEZA todos os chefes confeiteiros do mundo estão errados nos seus minuciosos métodos. Às vezes a pessoa-magnólia tem que aprender com a pessoa-cerejeira. O resultado foi uma braçada de suspiros de amêndoa. Óbvio. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Alguns anos depois, passei vinte e oito minutos na fila da confeitaria de Pierre Hermé, em Paris, para comprar uma caixinha delicada com quatro pequenos macarons. Não me lembro quanto paguei naquela caixinha. Mas o horror do marido ao calcular o preço em reais, com uma cotação de 4 para 1, ficou marcada para sempre na memória.Esses biscoitos devem valer muito a pena, ele disse, apanhando o de caramelho salgado para provar. Não valem, foi a conclusão. Os tão sonhados e perdulários macarons foram ligeiramente decepcionantes: eram tão leves, tão leves, que desapareciam na boca tão logo tocassem a língua. E o sabor... era ok. O biscoito mais hypado do momento sofrera na entrega por excesso de expectativas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Não sou fã de macarons, comecei a dizer.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Pule outros tantos anos para uma manhã solitária no Yorkdale Mall, em Toronto, durante as duas breves semanas em que cafés e restaurantes permaneceram completamente abertos no ano passado.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Shopping centers me causam dor de cabeça instantânea, e eu eu só ponho um pé dentro de um quando e em extrema necessidade. Jamais, em qualquer circunstância, entraria em um shopping com o simples intuito de passear. Eu havia pego trinta e cinco minutos de metrô até Yorkdale com a intenção de me achar um casaco de outono: algo que ficasse entre os casaquinhos brasileiros que não servem para nada aqui e minha parka de neve para vinte graus negativos. E até então, a melhor parte do passeio fora o trajeto de metrô, que me possibilitava olhar pessoas e ler um pouco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Mas ali estava eu, depois de meses de escola online e quarentena, sentindo-me de férias ao passear sozinha num shopping center. Talvez tenha sido saudades de Paris, saudades de viajar, ou as simples saudades de sentar num café e ver a vida passar. Mas naquele dia eu entrei na Ladurée, aquela loja em tons pastéis que parece ter sido projetada por um unicórnio, sentei numa mesinha de metal com tampo de mármore, e pedi um café e três macarons.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Foi como um abraço.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;O café veio servido numa xicarazinha de avó, de haste dourada e pires decorado. Os macarrons foram servidos num pratinho que fazia conjunto com a xícara, precisamente posicionados no centro de uma toalhinha de papel rendada. A simpática e sorridente moça que me atendeu também trouxe um açucareiro de metal dourado e desenhos intrincados, que parecia ter sido comprado num mercado de pulgas. E aquilo era tão charmoso que quase me entristeci por não adoçar meu café.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Não sei dizer no quê aqueles macarons coloridos diferiam dos que comi em Paris. Talvez nada. Talvez fossem apenas uma indulgência necessária num momento emocionalmente difícil. Talvez se a viagem a Paris tivesse sido estressante, os macarons de Pierre Hermé fossem tão deliciosos quanto aqueles da Ladurée do shopping. Talvez eu simplesmente não tivesse expectativas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Saboreei cada um deles, bocadinhas intercaladas com bicadas no meu cafezinho de avó, enquanto lia mais um trecho do livro que começara na viagem de metrô.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Numa manhã ensolarada do outono do ano passado, saí para andar de bicicleta com Laura. Thomas preferiu passar tempo com o pai. Pedalamos muitos quilômetros pela orla do lago, vendo as gaivotas pairando no vento e o vento formando ondas na água. Quando chegamos ao centro da cidade, estávamos com frio, e sugeri que apanhássemos um chocolate quente num café que estava aberto ali ao lado. Entramos de máscaras, enquanto os outros clientes esperavam do lado de fora. Café. Chocolate quente. E eu vejo aqueles sanduichinhos coloridos nuam redoma de vidro ao lado da caixa registradora.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Laura, vou te dar uma coisa pra comer que você nunca comeu&quot;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Levamos nossos copos quentes e nossos macarons genéricos para fora, sob o vento forte que começavaa trazer nuvens. Encontramos um banco em frente ao lago, e, Laura seu macaron, falei sobre Paris, sobre confeitarias francesas, sobre viajar, sobre prazer na vida.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Eu adoro o Dia das Meninas&quot;, disse Laura. Dia das Meninas é como ela chama qualquer saída de casa em que estejamos apenas nós duas, mesmo que seja uma ida ao oculista ou ao supermercado. Sabendo do efeito que isso tem nela, tento sempre incluir nesse tempo nosso uma parada num café novo, uma compra de um doce especial numa bakery diferente, qualquer coisa que ela possa contar animada quando chegar em casa, que &quot;só eu e a mamãe fizemos&quot;. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Eu não esperava que Laura fosse gostar de macarons, uma vez que ela detesta amêndoas. Mas ela ficou encantada. O sabor, a textura, o recheio, o formato delicado e as cores: tudo ela achou lindo, interessante, fantástico, delicioso. &quot;Quando os cafés estiverem abertos para a gente sentar dentro deles de novo, vou te levar na Ladurée.A gente vai tomar café e chocolate quente em xícaras de louça, e vamos comer macarons de vários sabores. Os de lá são mais gostosos.&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Estava prometido.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Mas os meses foram passando, e Laura perguntava quando teríamos nosso Dia de Meninas no café dos macarons, só para ouvir sempre a mesma resposta: &quot;Um dia, Laura. Um dia.&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Naquele dia de flores cor-de-rosa, fui ao mercado comprar farinha de amêndoas e açúcar de confeiteiro. Eu não cometeria aquele erro duas vezes. Asssiti a um video maravilhoso que ensina todos os truques de um jeito muito mais simples e do que os blogs de tantos anos atrás. E lá fui eu.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Laura, hoje eu vou fazer macarons.&quot; Seus olhos acenderam estrelinhas. &quot;E a gente vai fazer eles cor-de-rosa!&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Foi como se eu dissesse que adotaríamos um unicórnio.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;O processo dos macarons, ainda que tenso, foi muito mais simples e fácil do que eu esperava. Bate clara em neve, mistura açúcar e farinha e corante, bota no saco de confeitar...&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Eu não tenho saco de confeitar&quot;, murmurei. Eu tinha. Com uma coleção de bicos diferentes. Mas vendi tudo para vir para o Canadá.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;E agora, mamãe??&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Sabe, Laura, eu já fui essa pessoa preciosista que não faria macarons sem bico de confeitar. Mas a mamãe aprendeu a relaxar a bisteca.&quot; Apanhei um ziplock, enchi um dos cantos com a massa dos macarons, torci a parte de cima e fiz um picote pequenino com a tesoura, para a massa sair. Pessoa-magnólia.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Olha que danadinha, mamãe!&quot;, Laura riu.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Né. Sou mesmo. Eles com certeza não vão ficar todos do mesmo tamanho, nem com aquela cara perfeita das &lt;i&gt;bakeries&lt;/i&gt;...&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Mas vão ficar gostosos, e é isso o que importa!&quot;, me interrompeu ela.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Esse é o mantra da Laura: vai ficar gostoso, e é isso o que importa. Ela repete essa frase para mim, sempre que eu digo que talvez a receita não dê certo. E quando não dá certo mesmo, ela dá de ombros e sorri: &quot;Tá tudo bem, mamãe, o que importa é que você fez com carinho e a gente vai comer mesmo assim&quot;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;No forno, os macarons começaram a me preocupar. Cresceram um pouco menos do que eu esperava, e terminado o tempo indicado na receita, eles não mostravam os sinais esperados. Quando tentei mover um para ver se estava dourando por baixo, percebi que ainda estavam crus. Mantive a temperatura muito baixa, e continuei assando os danados até o limite do aceitável, quando começaram a dourar em cima e pareciam quererem se destacar do papel-manteiga. Nesse ponto, eu já havia me conformado com o fato de ter produzidos suspiros de amêndoa novamente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Tá tudo bem, mamãe. O que importa é que você fez com carinho.&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Ressabiada, ainda assim, montei os macarrons recheados de geleia, tentando resolver aquele quebra-cabeça de qual macarron tem o formato de qual, para que ficassem iguais quando sanduichados.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;As crianças foram para a cama, e eu apanhei um macaron para experimentar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Decepção.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Droga, deu errado&quot;, disse a Allex. &quot;Estão &lt;i&gt;chewy &lt;/i&gt;e duros na base.&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Fui dormir àquela noite chateada por não conseguir prover à Laura o &quot;Dia de Meninas&quot; com os macarons que eu havia prometido tantos meses antes. Na manhã seguinte, servi os doces às crianças sem muita empolgação, avisando que haviam dado errado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&quot;Mamãe! Tá uma delícia!&quot;, eles disseram. Sorri, feliz com aquelas crianças amáveis que só queriam me agradar. &quot;Não! Mamãe! É verdade! Ficou muito bom!&quot;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;Provei um, desconfiada. Para minha surpresa, aquela noite na geladeria, recomendada pela receita, não era nenhuma frescura: as bases duras e puxa-puxa haviam amolecido, e agora os macarons tinham exatamente a textura de que eu me lembrava. Eram macios e quebradiços e derretiam na boca. Apanhei mais um. E mais um. Fiz um café. E comi mais um, bocadinhas intercaladas com bicadas no meu café.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;Na manhã seguinte, o sol nos chamou para fora, e apanhamos as bicicletas para pedalar ao longo do lago. Atravessamos o parque e a rua onde ficam as cerejeiras, cujo rosa esmaecido sorria contra o céu azul sem nuvens. Continuamos por mais dez quilômetros até um parque distante, onde tirei da mochila um pote plástico com uma fileira de macarons.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Gosto mais das magnólias!&quot;, disse Allex, apontando para uma árvore madura num quintal da frente, explodindo em grandes flores tão rosa quanto os docinhos franceses.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu também.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;.....&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Vamos aos macarons.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Antes de você se aventurar com a receita, assista a esse video aqui:&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=lP3_KTuIlrU&amp;amp;t=1927s&quot;&gt;https://www.youtube.com/watch?v=lP3_KTuIlrU&amp;amp;t=1927s&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Mesmo que você não entenda inglês. O simples fato de você ver a pessoa fazendo já ajuda. Porque o preparo em si é muito simples. Se você acerta o ponto da massa e a temperatura do forno, dá tudo certo. Não, não saia inventando de trocar o açúcar e coisas do gênero. Faça exatamente como está na receita. E se der errado, vai continuar gostoso. Suspiro de amêndoa. Esmigalha tudo e come com morangos e chantilly. ;) Sem estresse. É pra ser divertido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Meu forno aqui em Toronto é elétrico, o que facilita na manutenção da temperatura. Se o seu for de gás, use um termômetro de forno para ter certeza de que ele está regulado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Para meus macarons, usei um corante vermelho natural a base de framboesas, e aproveitei e recheei com geleia de framboesa também. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Lembre-se de fazer a receita um dia antes, porque ela precisa passar a noite na geladeira.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Não se assuste com o tamanho do texto. É mais explicação do que esperar do que de fato coisas pra fazer. ;) Agora se joga e faz macaron numa quinta à tarde.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;MACARONS&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(do livro Chewy Gooey Crunchy Crispy, da Alice Medrich.)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Rendimento: cerca de 30-36 macarons montados e recheados&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 xic. (225g) açúcar de confeiteiro&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 1/3xic. (125g) farinha fina de amêndoas descascadas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;3-4 claras de ovo grandes, em temperatura ambiente&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/4 colh.(chá) extrato de amêndoas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;3 -6 gotas de corante alimentício (opcional) - eu usei um natural&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;3/4 xic. do recheio de sua escolha (geleia, ganache, nutella, buttercream, manteiga de amendoim, lemon curd...) &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Combine o açúcar e a farinha de amêndoas numa tigela e misture cuidadosamente com um fouet. Passe por uma peneira uma ou duas vezes, até que a mistura esteja aerada. Isso facilita na hora de misturar às claras.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Num copo ou jarra medidor, derrame as claras até que elas preencham o espaço exatamente entre 1/3 e 1/2 xícara. Ou meça 105g. Guarde o restante das claras para outro preparo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Transfira as claras medidas para a tigela da batedeira. Bata em velocidade média, até que formem picos moles quando o batedor é levantado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Junte o extrato de amêndoas e corante, se estiver usando, e continue a bater em velocidade alta até obter picos firmes quando o batedor é levantado. Se você virar a tigela, as claras têm que se manter no lugar, sem escorrer pra lado nenhum, e até permanecerem na tigela quando viradas de ponta cabeça. Visualmente, elas devem ainda estar acetinadas, brilhantes e lisas. Se estiverem granulosas ou opacas, passaram do ponto e estão secas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Coloque toda a mistura de amêndoas e açúcar sobre as claras. Usando uma espátula reta (não as com forma de colher), misture, trazendo as claras do fundo para o topo da farinha de amêndoas, num movimento circular. Você não precisa ser tão cuidadosa quanto seria com as claras em neve de um bolo. Pode misturar com um pouco mais de energia, mas não tanto que a massa desinfle totalmente. A massa vai, no entanto, ficar com metade do volume que as claras tinham originalmente, e está tudo bem. Pare assim que nãou houver mais traço de farinha de amêndoas e tudo pareça incorporado. A massa será espessa e úmida, com uma consistência que eu imagino que tenha lava quando ela está começando a esfriar.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Você vai precisar de duas assadeiras grandes. Forre as assadeiras com papel-manteiga. Agora você pode usar uma colher de chá para colocar montinhos iguais na assadeira, deixando cerca de 3cm entre eles. Ou pode transferir a massa para um saco de confeitar com um bico pequeno (ou uma das pontas de um saco ziplock, como eu fiz, fazendo um corte bem pequeno na ponta) e usar o saco para formar montinhos. Nesse caso, aproxime o bico da assadeira, aperte, e deixe que a massa saia e espalhe até formar um círculo de uns 3cm.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Agora pegue as suas assadeiras cheias de montinhos e, segurando nas laterais, levante e bata a assadeira uma ou duas vezes na bancada (veja o video). Isso vai tirar algumas bolhas grandes de ar que podem estar dentro dos macarons, e vai terminar de espalhá-los. Agora, sem cobrir, deixe as assadeiras em temperatura ambiente por pelo menos 30 minutos, mas não mais do que 1 hora, dependendo da umidade do ar. O descanso vai ressecar a superfície e formar uma casquinha fina. Os macarons estão prontos para ir ao forno quando estiverem opacos e você conseguir tocá-los suavemente sem melecar o dedo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Enquanto isso, aqueça o forno a 205oC. Posicione as grades do forno nos terços superior e inferior.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Coloque os macarons descansados no forno e IMEDIATAMENTE abaixe o fogo para 150oC. (Isso vai ser o mínimo na maioria dos fornos. O meu forno do Brasil era desregulado, e, usando um termômetro, descobri que o mínimo dele era 180oC. Para conseguir 150oC pra assar suspiros, eu abaixava para o mínimo e deixava a porta entreaberta com uma colher de pau,como minha avó.) Asse nessa temperatura baixa por 12 a 15 minutos, trocando as assadeiras de posição no meio do cozimento. Durante esse tempo de forno, eles vão crescer um pouco para cima, não muito, e criar aquele pézinho típico dos macarons.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Para saber se estão prontos, eles precisam parecer secos em cima. Toque suavemente um deles, no meio, para sentir se estão muito moles ou se parecem estar bem estruturados (pense suspiro). Você também pode segurar as laterais de um deles e tentar balançá-lo para os lados bem de leve. Se ele parecer se agarrar à assadeira, está pronto. Se ainda estiver dançando e parecer solto da base, volte ao forno por mais uns minutos. Os meus demoraram uns 18 minutos para ficarem prontos. Vai depender mutio do seu forno e do quanto você ficar abrindo e fechando a porta dele.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Retire as assadeiras e coloque-as sobre grades para esfriarem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Quando estiverem COMPLETAMENTE frios, retire-os do papel-manteiga, erguendo o papel, segurando o macaron e puxando O PAPEL delicadamente, como quem descasca uma banana. Se você segurar os macarons e puxá-los pra cima, as bundinhas vão se destacar e ficar grudadas no papel.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Faça os pares dos biscoitos. Segure aquela que vai ser a base, e coloque de 1/2 a 1 colh. (chá) de recheio. Pressione o biscoito de cima com cuidado, para que o recheio espalhe até as beiradas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;Guarde os macarons em potes fechados e leve à geladeira por NO MÍNIMO 8 horas. Nesse tempo, eles vão perder a textura de suspiro e ganhar a famosa textura dos macarons. Tire da geladeira alguns minutos antes de servir, para que voltem à temperatura ambiente. &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/05/magnolias-e-macarons.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNnnsjgjUGD61A4TVd_fjqMojkH1NkSR3fw_avLiEgSTufkIt3P7VH5lNdv17UXC6Zippn2m12vo3LBepInbr0IDLWkzrfCNMCnBSKakxPaRbJuXQMH5zSRTpHdrfHFFk4XEZxx0Ob8NZX/s72-w534-h640-c/IMG_20210430_111538448_HDR.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-6765740637369226915</guid><pubDate>Tue, 27 Apr 2021 17:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-04-27T14:03:58.176-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">americano</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">café da manhã</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">estórias de cozinha</category><title>Os adultos que eles vão ser um dia. E popovers que, como crianças, eu fiz sem saber no que iam dar.</title><description>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhiLpQbIsYupe58ZOgGqka9lYIgI0p4bkAimbTEFvhmRiwNI8a-9NtNLg614wO7k7HXxuTPZg3WWkYb11To4WlSsAqnLvjaZxKViG66U8OltBfhb00a1C21HryzcpJF7e9XTQSn6fNzFeUk/s4000/IMG_20210421_094834207_HDR.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhiLpQbIsYupe58ZOgGqka9lYIgI0p4bkAimbTEFvhmRiwNI8a-9NtNLg614wO7k7HXxuTPZg3WWkYb11To4WlSsAqnLvjaZxKViG66U8OltBfhb00a1C21HryzcpJF7e9XTQSn6fNzFeUk/w480-h640/IMG_20210421_094834207_HDR.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Até a primavera entendeu o feelling dessa quarentena. &lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;Thomas, meu filho, tem dez anos, agora. Dez anos são duas mãos cheias, espalmadas, que, quando estiradas para os lados na ponta dos braços, formam um abraço comprido que me enlaça a cintura inteira. Como isso é possível? Lembro quando minhas mãos eram tão grandes que seguravam todo o seu corpo feito um saquinho de leite.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda existem sacos de leite no Brasil? Aqui no Canadá compramos leite em sacos: um saco grande que comporta 3 sacos menores, totalizando 4 litros. Há um apetrecho de geladeira de 1 dólar e 99, que se usa para manter os sacos empilhados, e uma jarra de plástico de 1 dólar e 99, com uma vaquinha estampada em dourado, para acomodar o saco aberto, cortado com tesoura na pontinha, como era na minha infância. Gosto do leite em sacos. O que não gosto é de saber que são 4 litros de leite divididos em 3 sacos. Cada saco contém, portanto, 1,3333333333...ao infinito de leite. O que me faz pensar como diabos se mede infinitas partes de leite num saco. Ou que na verdade cada saco contém exatos 1,3 litros de leite e e eu fui roubada dos meus preciosos mililitros infinitos. Quem consegue dormir sabendo disso?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim. Meu filho tem dez anos e é ele normalmente quem troca o saco de leite da jarra de plástico. Ele faz um corte pequeno demais na ponta com a tesoura da cozinha, e frequentemente o leite sai do saco num jato arqueado que erra a xícara. Mas eu fico feliz que meu filho de dez anos lembre de trocar o leite da jarra. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dez anos é uma idade importante. Com dez anos, meu filho pode sair da escola sozinho. Com dez anos, ele pode andar pelas ruas da cidade, sem que ninguém olhe para trás procurando os pais da criança. Com dez anos, o governo diz que eu não sou uma mãe horrível se ele ficar sem supervisão em casa por algumas horas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes eu olho para esse menino de dez anos largado na minha poltrona amarela. Seu rosto sério enfiado num livro de dinossauros. O livro, por sua vez, apoiado às pernas de girafa dobradas à sua frente, como um muro que separa sua consciência do mundo acontecendo à sua volta. E eu me dou conta de que seu maxilar está mais largo, que seu corpo comprido ocupa todo o espaço da cadeira, que a massa de músculos entre seus ombros e sua cintura formam um perfeito trapézio, já distante das proporções infantis às quais me acostumei por uma década. Ele ergue os olhos das páginas para me olhar sob sobrancelhas pensativas, e eu vejo o homem que ele vai ser um dia.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O encanto se quebra quando sua expressão relaxa, e ele me conta seus planos de ser um cientista, morando dentro de um vulcão, onde pretende criar um Indominus Rex de verdade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu filho de dez anos. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então, numa manhã comum, enquanto cada um preparava o próprio café-da-manhã (Allex e seu smoothie, Laura e seu ovo frito com legumes, Thomas e seu mingau de aveia e eu ainda no meu cappuccino, esperando a fome aparecer), Thomas disse que queria ir ao mercado sozinho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Qual mercado?&quot;, perguntei. Há um mercadinho vinte e quatro horas a 350 metros de casa, aonde Thomas já foi sozinho algumas vezes para comprar baguetes para o café.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;No NoFrills&quot;, ele disse.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;NoFrills é uma rede de supermercados equivalente ao Extra, cuja loja mais próxima fica a exatamente um quilômetro de casa, subindo a avenida movimentada ao longo do parque. Esse ponto é um mercado razoavelmente pequeno, mas onde tenho evitado levar as crianças desde o início da quarentena. É onde faço metade das minhas compras semanais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Pra quê você quer ir lá?&quot;, perguntei, sentindo apitar no ouvido a vontade de dizer não.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Quero comprar um &lt;i&gt;treat &lt;/i&gt;pra vocês&quot;, ele respondeu. Minha expressão deve ter sido de confusão, pois ele imediatamente começou a explicar: &quot;Você e o papai andam muito &lt;i&gt;sad&lt;/i&gt;. Vocês não &lt;i&gt;have fun anymore&lt;/i&gt;.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;A gente quer fazer uma festa pra vocês!&quot;, Laura interrompeu, casualmente, como se o fato de estar de cabeça para baixo, sustentando o corpo sobre as mãos espalmadas e com os pés ao alto, levemente apoiados à parede, não tivesse nenhuma influência no tom da conversa. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;É. A gente quer fazer uma festa, para vocês pararem de trabalhar e &lt;i&gt;have fun again&lt;/i&gt;.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi como um soco no estômago. Um soco carinhoso e bem intencionado, mas ainda assim um gancho de direita logo abaixo das costelas. Eles tinham razão. Nós estávamos &quot;&lt;i&gt;sad&lt;/i&gt;&quot;. Tristes. Nós estávamos trabalhando muito e n&lt;i&gt;ot having fun anymore&lt;/i&gt;. Sabíamos disso. Eu havia já mencionado a Allex minha dificuldade em me abandonar a qualquer espécie de diversão genuína, sem sentir o peso do mundo lá fora e das preocupações espremendo meu peito como um torno. As duas semanas anteriores haviam sido particularmente complicadas: pincei um nervo no pescoço e comecei a sentir dores elétricas e dormentes em todo o meu lado direito. O fato de que as dores pioravam sempre que eu me deitasse me impedia de dormir ou mesmo ficar naquele tal repouso que recomendam para nervo pinçado. Passei madrugadas chorando de dor e exaustão, sem conseguir dormir mais de duas horas por noite. Depois da quinta madrugada, fui a um pronto-socorro, onde me deram uma dose cavalar de remédios e marcaram uma ressonância magnética para o dia seguinte. A ressonância confirmou o que já sabíamos: que meus nervos estavam pinçados entre algumas vértebras do pescoço, e que isso havia sido causado pela pressão dos músculos tensos e travados em volta. Ibuprofeno, Tylenol e quiropraxista para os músculos. E CBD para a ansiedade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As dores começavam a ir embora quando as crianças propuseram a festa. Eu já conseguia dormir, ainda que não noites inteiras. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dor é uma coisa engraçada. Ela muda tudo. Sem dor, eu ia dormir desejando que a pandemia acabasse, que a quarentena tivesse fim, pré-requisito essencial para a reestruturação da minha felicidade. Com dor, eu rezava a deuses antigos para conseguir dormir. Dormir, esse desejo tão simples. Se eu puder dormir, serei feliz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E, dormindo, vi restaurada aquela alegria besta de quem ri à toa da piada do tio do pavê.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não sentir dor é lindo. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá bom, filho&quot;, eu disse. &quot;Quando você vai ao NoFrills?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Depois da escola. Mas eu também quero passar na biblioteca.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A biblioteca fica, em termos de esquinas, na diagonal oposta ao mercado. Apenas uma pessoa por vez tem permissão de entrar, se besuntar de álcool, mostrar a carteirinha para o bibliotecário e pedir o livro encomendado. Para facilitar as coisas, a biblioteca também tem &quot;&lt;i&gt;Grab And Go Bags&quot;&lt;/i&gt; (sacolas pegue-e-vá): sacolas de papel pardo, cheias de livros que você leva para casa às cegas, apenas com base nas dicas que o bibliotecário escreveu nas sacolas: &quot;Livros de 8-10 anos, aventura e dinossauros&quot;, &quot;Romances ingleses do século XIX&quot;, &quot;Livros infantis, 4-6anos, sobre amizade e diversidade&quot;. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá bom. Então entre biblioteca e mercado, você deve ficar não mais que uma hora fora de casa. Se você demorar mais que uma hora, eu vou atrás de você&quot;, avisei, dando-me conta de que essa seria a maior quantidade de tempo que ele já passara sozinho na rua. Eram quinze minutos para ir e voltar do 24 horas. Eram oito minutos entre o parque e o nosso apartamento, quando ele precisava voltar correndo para usar o banheiro e o pai, trabalhando, me avisava por Whatsapp quando ele entrara e quando saíra para me encontrar no parque outra vez.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma hora inteira.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá&quot;, disse ele, assentindo firmemente com a cabeça, como um soldado recebendo uma missão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois da escola, ele apanhou a mochila da escola, uma sacola de mercado, a chave de casa, seu porta-moedas de unicórnio e seu cartão da biblioteca.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Leva meu celular, só em caso de você precisar&quot;, eu disse, colocando meu telefone dentro de sua mochila. &quot;E é SÓ mercado e biblioteca. Não é pra entrar em mais nenhum lugar. ESSE É O COMBINADO.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ok.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fiquei observando o girar dos trincos da porta, quando ele usou as chaves para trancá-los pelo lado de fora. Trinco dourado. Trinco prateado. Cujas chaves, curiosamente, têm as cores trocadas. Laura deu duas estrelas, uma parada de mão e um salto dançante sobre o sofá, quando foi em direção à janela que dá vista para a avenida. Diz ela que avistou o irmão correndo na calçada, mochila azul e casaco azul avenida acima, até desaparecer por trás dos prédios que encobriam o caminho. Imediatamente, Laura cruzou os braços e as pernas e começou a reclamar. O irmão podia fazer tantas coisas. Ela não. Não via a hora de ter dez anos também.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Expliquei, tentando não tornar óbvio meu revirar de olhos, que não era a idade que dava a Thomas liberdade, mas a responsabilidade que ele havia demonstrado em outros momentos. O modo como atravessava as ruas, como respeitava os combinados, como cumpria com suas tarefas sem que eu precisasse lembrá-lo delas. &quot;Quando você me mostrar que tem responsabilidade, você vai ter mais liberdade&quot;, eu disse. &quot;Começa com você, filha. Não é a idade, ainda que alguma maturidade venha sim com a idade. Faz parte do desenvolvimento. Mas veja só: quantos amiguinhos seus de oito anos têm permissão pra usar o fogão sozinhos?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ahn... nenhum. Mas eu tenho!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Sim, você tem. Porque você mostrou responsabilidade e maturidade lidando com facas e fogo e coisas fervendo, e eu sei que eu posso confiar em você na cozinha. Você não brinca com as facas e não faz nada perigoso perto do fogão. Você presta atenção e é cuidadosa. Você cumpre as regras e os combinados na cozinha. Então você pode cozinhar sozinha. Quando mostrar essa mesma responsabilidade em outras áreas, vai poder ir ao mercado sozinha também.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Argh&quot;, resmungou, largando os braços e jogando a cabeça para trás, numa expressão aborrecida muito típica de desenhos animados. Pensei em como o fato de meus filhos emularem personagens de cartuns para comunicar suas emoções facilita meu trabalho na hora de desenhá-los. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apesar de ter entendido a conversa, ela ainda fazia questão de demonstrar fisicamente seu aborrecimento. Eu poderia ter deixado quieto. Mas sabia que tudo o que ela queria era ter também algo de interessante para contar ao irmão depois. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Laura, você quer fazer o jantar hoje? Enquanto a gente espera seu irmão voltar?&quot;, tentei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A resposta foi o sim explosivo que eu esperava.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá. Vou te ensinar a fazer risotto, então.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Aaaaaargh. Mas eu não queria fazer risotto. Pode ser sopa?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Sopa?? Tá bom.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não queria jantar sopa. Mas achei que jantar com paz familiar seria mais apetitoso do que um risotto emburrado. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto Thomas se aventurava no mercado, Laura descascou e picou fininho uma cebola, duas cenouras, um talo de salsão, um punhado de salsinha, quatro batatas e umas tiras de bacon. &quot;Pô, ela pica legume mais rápido que eu&quot;, disse Allex, enquanto apanhava seu chá para voltar a mais uma reunião. &quot;Ela pratica bastante&quot;, eu disse. Laura pica legumes melhor que a maior parte dos adultos que eu conheço. &quot;Laura é uma máquina de picar&quot;. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tendo a mãe ao lado, dando dicas dos próximos passos, Laura dourou o bacon, carregou os legumes picados com a lâmina da faca até a panela, refogou tudo, mexendo com uma colher na mão direita, enquanto casualmente apoiava a mão esquerda à cintura. Ela acrescentou o caldo, a casca de parmesão para dar sabor, e ficou de olho no ponto da batata como sinal de que era pra juntar o arroz. Acertou o fogo, experimentou o tempero. Decidiu quando estava tudo bom o bastante para servir, e, na hora do jantar, serviu, cheia de orgulho, duas conchas grandes de sopa para cada um, sem derrubar uma gota na mesa.&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh58NE2IMt7KKQJIdtt66-vTz8oUQeb4kRNzJ3_QFWKFF4HiXGguQcX9VG9I6m8uSAxQN31xE_FFaxYo9Evx9mM0fSGaE4GndSJdUe49WewSFZm5gS21NC36XOQHFprccnEDhHWbMGR26QW/s3166/IMG_20210421_185640137.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3166&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh58NE2IMt7KKQJIdtt66-vTz8oUQeb4kRNzJ3_QFWKFF4HiXGguQcX9VG9I6m8uSAxQN31xE_FFaxYo9Evx9mM0fSGaE4GndSJdUe49WewSFZm5gS21NC36XOQHFprccnEDhHWbMGR26QW/w606-h640/IMG_20210421_185640137.jpg&quot; width=&quot;606&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;A sopa da Laura.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quando o irmão abriu a porta de casa, ela correu não para saber dele, mas para contar como ela tinha preparado o jantar sozinha. O som daquelas chaves virando outra vez os trinco de cores diferentes foi um alívio imenso. Ele estava de volta em casa dez minutos antes da uma hora combinada. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Thomas tirou os sapatos, lavou as mãos, guardou a máscara, e veio nos mostrar o resultado de sua empreitada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu comprei isso para a festa&quot;, disse, colocando sobre a bancada da cozinha um tubo de batatas Pringle&#39;s sabor Barbecue. &quot;É do Halo!&quot;, explicou, empolgado, apontando para o desenho do soldado de video-game na embalagem. &quot;E eu comprei isso para mim, e isso para a Laura.&quot; Ele segurava, em cada uma de suas grandes mãos de dez anos, um saco com um quilo de balas de uma marca genérica de supermercado. &quot;E eu fui na biblioteca e peguei esses aqui!&quot; Ao lado de sua mochila, estavam duas sacolas Grab And Go de papel pardo: &quot;Histórias em quadrinhos, 10-12 anos, Batman e SpiderMan&quot; e &quot;Ficção, 8-10 anos, com mensagens positivas&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Thomas foi sozinho ao mercado e voltou com doces e histórias em quadrinhos&quot;, disse a Allex, quando ele saiu do quarto-escritório. &quot;Já é praticamente um homem de quarenta anos&quot;, brinquei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ha. Ha. Ha. Engraçadinha&quot;, ele retrucou. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgmhnSI83PyxRIgpuyN30zSZJRbh5LYcR6jdIUHVPktg7zlNRzRayuFlWx95GjpWDUN1Yk_SYn6mZrRn389zB_xu-0a9B-w87cDumDdtE1-V1dsxRhtU54YN8dnr5hgmGZ05ElPeh8Ck0A/s1857/IMG_20210421_163531183.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1571&quot; data-original-width=&quot;1857&quot; height=&quot;542&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgmhnSI83PyxRIgpuyN30zSZJRbh5LYcR6jdIUHVPktg7zlNRzRayuFlWx95GjpWDUN1Yk_SYn6mZrRn389zB_xu-0a9B-w87cDumDdtE1-V1dsxRhtU54YN8dnr5hgmGZ05ElPeh8Ck0A/w640-h542/IMG_20210421_163531183.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;As compras do Thomas.&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;p&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;E como você se sentiu indo sozinho no mercado, Thomas?&quot;, perguntei, fingindo tranquilidade. Tentava conter meu impulso de reclamar da quantidade colossal de jujubas e balas de goma que ele havia comprado. Como na vez em que nos comunicamos mal e ele, aos 8 anos, voltou para casa da escola sozinho de bicicleta. Ele estava tão feliz com a aventura, sem a menor ideia do que havia feito de errado, que respirei fundo e me forcei a primeiro perguntar sobre a experiência, para depois pedir que não saísse pedalando sozinho por aí sem me avisar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Maternidade zen. Pelo menos de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu em senti confiante&quot;, ele disse, com um sorriso que ocupava toda a largura daquele maxilar de gente grande. &quot;Eu fiquei muito feliz porque você confiou em mim. Eu tô muito &lt;i&gt;proud of myself&lt;/i&gt;.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo o que uma mãe quer ouvir. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquela noite, jantamos a maravilhosa sopa da Laura, tivemos jujubas de sobremesa, e as crianças leram gibis do Homem Aranha até a hora de dormir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao longo da semana, eles continuaram falando da festa, criando convites, planejando músicas e decorações, e dividindo tarefas entre eles. No domingo, Allex e eu observamos, positivamente impressionados, enquanto as crianças arrumavam o quarto, passavam pano nos móveis, e aspirador no chão. Eles penduraram bandeirinhas e cartazes. Colocaram na bancada do quarto uma pilha de pratos, guardanapos de papel e os copos vermelhos descartáveis que guardamos para festas. Arrumaram os chips e os doces em potinhos ao lado de jarras de água e suco de maracujá.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando o relógio deu cinco horas, a música começou: Alestorm. Alestorm é uma banda de metal-farofa que só faz músicas de pirata. Thomas fechou a porta do quarto atrás de nós, ofereceu chips e anotou nossos nomes nos copos descartáveis com uma caneta Sharpie preta de ponta grossa, &quot;pra gente saber de quem é o copo&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Aqui é o &lt;i&gt;Chill-Out Spot&lt;/i&gt;&quot;, explicou Laura, apontando para o cobertor vermelho esticado sobre sua cama bem feita como nunca, e a pilha de almofadas peludas formando um canto aconchegante para relaxar, caso a festa ficasse muito louca.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Bom, nossos filhos já estão prontos pra faculdade&quot;,comentei com Allex por trás do meu copo de suco. &quot;Eles já sabem fazer festa em dormitório&quot;, eu ri.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dançar com eles aliviou a tensão em meu pescoço. Ri deles e com eles, e a festa terminou com um filme em família, pizza pedida pelo pai, e uma torta de limão que Laura havia ajudado a preparar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você gostou da festa, mamãe?&quot;, perguntou Laura, me abraçando o pescoço com cuidado, já deitada na cama.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Foi a melhor festa que vocês já fizeram!&quot;, respondi, honestamente. &quot;Eu fiquei muito impressionada com o empenho de vocês.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Que bom.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Obrigada pela festa, e obrigada pelo &lt;i&gt;feedback&lt;/i&gt;. Eu gostei muito que vocês vieram falar com a gente, tá?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Só lembra que não tem nada a ver com vocês. A gente só tá cansado dessa quarentena. Só isso.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vai passar, mamãe. Não é pra sempre. Você e o papai só precisam trabalhar menos e se divertir um pouco&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você tem razão&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Na próxima vez, eu que vou buscar a pizza&quot;, Thomas disse, com os ombros já enfiados embaixo das cobertas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ok. Tô muito orgulhosa de vocês dois&quot;, eu disse, cobrindo os dois de beijos estalados. Thomas esticou os dois braços compridos para fora da cama, pedindo um abraço. E aquele abraço longo de dez anos me cercou inteira. Quando fechei a porta do quarto já escuro, vi os dois deitados, cada um em sua parte do beliche, ansiosos para serem deixados em paz para conversarem até caírem no sono. E vi os adultos que eles vão ser um dia.&amp;nbsp; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-large;&quot;&gt;.....&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhEicfMe-PCyESQNV0uJBUhlKZrF1Y8r-iXGM0JxbeChqjK6lMF0VF0stlDsKchRm6tD8Nfsin4tf0t7XFOwZPwwVY8Ct-EU-8eDjPTogVQEVUJDuNf2d4wQrsa1fabT8t6Rwe2qJEbf6a/s3286/IMG_20210423_082256674.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3286&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhEicfMe-PCyESQNV0uJBUhlKZrF1Y8r-iXGM0JxbeChqjK6lMF0VF0stlDsKchRm6tD8Nfsin4tf0t7XFOwZPwwVY8Ct-EU-8eDjPTogVQEVUJDuNf2d4wQrsa1fabT8t6Rwe2qJEbf6a/w584-h640/IMG_20210423_082256674.jpg&quot; width=&quot;584&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquela semana, depois da bronca das crianças, eu resolvi me divertir um pouco. As dores melhoraram, e eu quis preparar algo diferente para o café da manhã. Algo que eu nunca havia feito antes. Apanhei o livro que eu emprestara da biblioteca e decidi preparar Popovers. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Popovers?&quot;,perguntou Laura. &quot;O que é isso??&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu não sei&quot;, respondi, honestamente. &quot;A gente vai descobrir quando ficar pronto&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como crianças, que você decide fazer sem saber no que vai dar, os popovers também apresentaram imprevistos:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Droga. A massa precisa descansar meia hora antes de ir pro forno&quot;, resmunguei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;O que isso quer dizer?&quot;, Laura perguntou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Quer dizer que o café-da-manhã vai demorar mais um pouco.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Aaaaargh.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Sim. Argh.&quot; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando ficaram prontos, descobri que eles são a versão individual e salgada daquelas German Pancakes ou Dutch-Baby pancakes. Acho que era esse o nome. A versão familiar é uma massa rala de panqueca, que você despeja na frigideira já bem quente e com gordura, e enfia no forno. A massa cresce como um souflé, e desinfla assim que sai do forno, e você polvilha com açúcar antes de servir. Os popovers, por sua vez, são uma massa rala de paqueca, que você despeja nas forminhas de muffin já bem quentes e com gordura. Os popovers crescem como soufflés, e desinflam assim que são tirados do forno. E você os come com manteiga e geleia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;CORNMEAL POPOVERS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(do livro One Good Dish, de David Tanis)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Rendimento: 12 unidades, ou 4 pessoas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 colh. (sopa) manteiga sem sal, em temperatura ambiente, para untar as formas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3 ovos grandes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 xíc.leite&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/3xic. buttermilk (ou leite com uma colherinha de vinagre)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/3 xic. água&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3/4 xic. farinha de trigo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/4 xic. farinha de fubá&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 colh (chá) sal&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 colh (sopa) manteiga, derretida&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Pré-aqueça o forno a 190oC. Unte generosamente com a manteiga as 12 cavidades de uma forma de muffins.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa tigela, bata com um fouet os ovos, leite, buttermilk e água, até que fique homogêneo.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte a farinha fubá e sal para fazer uma massa rala.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte a manteiga derretida e misture com o fouet até que fique homogêneo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Deixe descansar por pelo menos 30 minutos. Quando faltarem 5 minutos para colocar assar os popovers, coloque a forma de muffins preparada no forno, para que esquente bem.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Retire a forma quente e, rapidamente, coloque 1/4 xic. de massa em cada cavidade. A massa vai ser bem líquida ainda. Leve imediatamente ao forno e asse por 25-30minutos, até que estejam bem dourados e inflados.Sirva imediatamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/04/os-adultos-que-eles-vao-ser-um-dia-e.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhiLpQbIsYupe58ZOgGqka9lYIgI0p4bkAimbTEFvhmRiwNI8a-9NtNLg614wO7k7HXxuTPZg3WWkYb11To4WlSsAqnLvjaZxKViG66U8OltBfhb00a1C21HryzcpJF7e9XTQSn6fNzFeUk/s72-w480-h640-c/IMG_20210421_094834207_HDR.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-4495863084245466029</guid><pubDate>Thu, 08 Apr 2021 14:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-04-08T11:55:50.208-03:00</atom:updated><title>A fila da montanha russa. Scones, biscoitos, biscotti.</title><description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjktZVMiuKcUe0xIO9nN6Va2fLHdByfQXMLg2Uem1jXACnBX2agj4vyBQrjQNOtcKzxlH9iUM0Nq3CZLVVIIFs2dCHRlP0Z0esoAgXcE2LZkG8CMr5MlxOmxX4VsRqfobJbIJg7mN6N3s-f/s4000/IMG_20210402_103650400.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjktZVMiuKcUe0xIO9nN6Va2fLHdByfQXMLg2Uem1jXACnBX2agj4vyBQrjQNOtcKzxlH9iUM0Nq3CZLVVIIFs2dCHRlP0Z0esoAgXcE2LZkG8CMr5MlxOmxX4VsRqfobJbIJg7mN6N3s-f/w480-h640/IMG_20210402_103650400.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele tem me chamado de Solange Frasão. Às vezes de Pugliesi. Então tenta buscar na memória algum outro nome de musa fitness, sem sucesso, e repete a primeira, enquanto eu guardo os kettlebells no lugar, e enxugo o suor que escorre pela testa e pinga da ponta de meu nariz. Eu rio, e faço alguma piada autodepreciativa (um velho hábito com o qual preciso parar) comparando meu físico com o delas, ao que Allex sorri de volta e diz &quot;&lt;i&gt;You are MILFing right&lt;/i&gt;.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não sei se estou &lt;i&gt;MILFing, or whatever&lt;/i&gt;, sei apenas que me sinto forte. E sentir-se forte é bom numa época em que o mundo inteiro nos faz sentir impotente.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsLHCvVHYDencZl0RXtX8sIlHO3xktfpSQrAz13NF0gE0CLb7yDvWG_-jBys6BV_vkPUlHx1ySzenxc6WHrXPae-3MSAZy7M5H0_UfOjazTQZY08fmahBUwCuE_Q1tnlb_iQScu5XbfY1i/s687/Screenshot_20210408-104248.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;679&quot; data-original-width=&quot;687&quot; height=&quot;632&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsLHCvVHYDencZl0RXtX8sIlHO3xktfpSQrAz13NF0gE0CLb7yDvWG_-jBys6BV_vkPUlHx1ySzenxc6WHrXPae-3MSAZy7M5H0_UfOjazTQZY08fmahBUwCuE_Q1tnlb_iQScu5XbfY1i/w640-h632/Screenshot_20210408-104248.png&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde o começo do ano, quando finalmente consegui colocar meu pé no chão sem sentir ondas agudas de dor geradas no meu calcanhar e subindo por minha coluna, voltei a correr regularmente. Mas desta vez, repleta de uma cautela quase traumática, resolvi ter paciência e respeitar o fato de que meu corpo não tem mais vinte anos; mesmo que os funcionários da loja de bebidas continuem me pedindo a carta de motorista quando compro meu vinho de sexta-feira. (É essa pele de nenê que herdei da minha vó.) Eu posso ter esse rostinho &quot;xófem&quot;, mas a fascite plantar será um lembrete eterno do fato de que meu corpo tem sim 41 anos e requer mais responsabilidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi assim que voltei a treinar kettlebell direito e me alongar decentemente, ao invés de fazer aquela meia dúzia de exercícios com peso leve e sentar na escrivaninha para trabalhar imediatamente após correr 15km. Coisas das quais você se safa quando tem vinte anos. Lembrando mais uma vez, porque às vezes eu esqueço: EU NÃO TENHO 20 ANOS.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas se com vinte anos eu não via vantagem em ficar forte, e fugia da musculação achando tudo uma grande bobagem, hoje me vejo quase mais ansiosa pelos treinos de força do que pela corrida em si. Ouso dizer que é a vontade de levantar pesos que tem me levantado da cama.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Honestamente, apesar das piadas infames e dos textos bem humorados que tenho publicado no Instagran, poucas coisas têm me tirado da cama nos últimos meses além do senso de responsabilidade com relação a meus filhos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Houve muitos dias em que eu só queria chorar e dormir. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas assim como tenho consciência de que em alguns dias por mês minha irritabilidade, fragilidade emocional, cansaço ou depressão têm fontes puramente hormonais, tenho feito um esforço para me lembrar de que essa sensação de ter um rinoceronte sentado no meu peito quando abro meus olhos de manhã é puramente circunstancial. Essa não sou eu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Repita: ESSA NÃO SOU EU.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deixo o choro vir e coloco em palavras, às vezes escritas, às vezes ditas a um ouvido amoroso, toda a angústia que me aflige. Lembro e repito aquelas descrições tão precisas de Bukowski e Sylvia Plath: é como se enxergasse e ouvisse tudo através de uma névoa; é como se estivesse sob uma redoma de vidro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É como se meu corpo tivesse perdido a sensibilidade. A pele formiga, os olhos embaçam, algo obstrui os ouvidos, não há sabor na língua. Não gosto mais da minha música favorita.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nada me toca. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas eu não sou mais a menina adolescente que chorava na frente do espelho para admirar o brilho trágico das próprias lágrimas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Repita: ESSA NÃO SOU EU.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sentei-me um dia em minha poltrona, num ato mecânico de uma inteligência artificial que descobre não estar viva, e, de olhos fechados, listei mentalmente todas as coisas que me davam prazer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ler naquela poltrona, com uma xícara de chá.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escrever um texto engraçado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Gansos em formação, atravessando o céu da cidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esquilos comendo castanhas com suas mãozinhas minúsculas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cheiro de manjericão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Correr longe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A vibração dos músculos depois de um treino de força.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando a comida está tão boa que a gente sorri e diz HMMMMMM.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abraços.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Beijos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhar o lago.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Terminar uma pintura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A risada dos meus filhos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Descobrir um vinho bom.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mingau de aveia quente com maple syrup.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passeios de bicicleta com as crianças.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A sensação de competência quando consigo usar toda a comida da casa até a geladeira e a despensa ficarem vazias, como a resolução de um quebra-cabeça muito difícil.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Piqueniques.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mato.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dançar na sala.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conversar com uma amiga. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O modo como o cheiro de cada livro meu me lembra de onde estava quando o li pela primeira vez. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Churrasco na varanda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conversar com Allex até esquecer que estávamos vendo um filme. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A textura do spaghetti.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Luz de abajur no começo da noite, quando as crianças adormecem e a casa é silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O som de &quot;KA-TCHING!&quot;que o aplicativo do Etsy faz toda vez que vendo uma pintura, e a reação das crianças ao ouvir a notificação: &quot;Mamãe vendeu um desenho! Mamãe vendeu um desenho!&quot; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ver a lua cheia da janela do quarto escuro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Receber mensagens de quem está lendo meu livro e gostando. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Descobrir que consigo fazer algo que eu achava que não conseguia. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Flores.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O barulho da caldeira da máquina de café ligando de manhã.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfiar os pés embaixo da coberta e sentir os lençóis limpos ainda gelados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cheiro de xampu no cabelo lavado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lembrar de um momento bom que eu tinha esquecido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Croissant com geleia.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Piadas internas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O silêncio antes de uma ideia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Devagar, comecei a buscar minha sensibilidade perdida. Tentar entender porque é que essa lista inteira não funcionava mais, e fazê-la voltar a funcionar. Afastar a névoa dos olhos. Levantar a redoma. Se a vida anda mecânica no fundo do poço, vou mecanicamente encontrar uma saída dele. Só preciso lembrar de que essa não sou eu.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Repita: ESSA NÃO SOU EU.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De todas as minhas fontes de prazer, atividade física intensa tem sido o remédio mais potente. Ver meu corpo correndo mais rápido, ficando mais forte, executando movimentos novos, é prova irrefutável de que o tempo ainda existe, e de que melhoras são possíveis.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aproveito a dose cavalar de endorfina pulsando em minhas veias para buscar cores em atividades antes cinzentas. Escrevo um texto engraçado. Inspiro fundo o cheiro do xampu enquanto seco os cabelos. Ganho um beijo na nuca. Rio alto de uma piada besta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abraço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As coisas vão bem até não estarem bem de novo.Até a preocupação virar tensão e a tensão travar meu pescoço. Até a preocupação virar insônia e eu não conseguir recuperar meus músculos dos exercícios do dia anterior. E eu precisar parar tudo de novo. E de novo. Lembrando que todo o resto está também parado. E esperar passar. Lembrando que tudo o que faço é esperar passar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes choro, porque só queria conseguir dormir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abraço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Gansos voando em frente à minha janela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A luz da primavera faz o lago ter outro tom de azul.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As coisas não estão bem até estarem bem de novo. Como o abre e fecha do comércio em Toronto. Como o abre e fecha das escolas. Enquanto escrevo isso, voltamos à escola online. Enquanto reviso o texto, sai uma nova ordem (DE NOVO) de ficar em casa por mais um mês.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Seria uma montanha-russa emocional. Mas não é. Montanhas-russas são divertidas. Eu não estou em uma montanha-russa. Estou há quatro horas na fila, embaixo do sol escaldante, com a excursão da terceira série gritando atrás de mim. E quando finalmente chegar minha vez, o brinquedo estará quebrado, fechado para manutenção. Sem reembolsos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Corro. Levanto pesos. Sorrio contente porque consegui fazer flexões de braço. Eu nunca tinha conseguido fazer flexões de braço. Sento em minha poltrona para ler com uma xícara de chá. Beijo. Abraço. Sorrio outra vez quando ouço a caldeira da cafeteira esquentando ao meio-dia. Um espresso depois do almoço. Um cochilo de conchinha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha pele volta a sentir, e o que enxergo tem definição. Mas é preciso estar atenta. Não me deixar levar pelos desastres miniatura da vida dos dias iguais. Essa água fria que lava a alegria e pesa nos pés. Encontrar de novo um jeito de ter prazer e relaxar para conseguir dormir. E, dormindo, ter força para fazer força.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero ter forças para fazer força.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escolho receitas que eu nunca fiz para que hoje seja diferente de ontem. Para acordar meu paladar adormecido.Chamo as crianças para fazerem comigo um biscoito que elas nunca comeram.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vai Solange!&quot;, ele diz. Eu rio.É bom rir. Meu corpo vai lembrando aos poucos como é bom rir. Rio de um par de gansos tentando fazer ninho na varanda do prédio da frente. Rio dos absurdos que as crianças dizem. Faço um desenho. Rio de uma coleção de Memes estúpidos que só têm graça porque não têm graça. &quot;Não acredito que você está rindo disso&quot;, ele diz, encantado com minha capacidade de chorar de rir com uma piada tão segunda-série. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ando no mato. O mato me traz uma saudades do Gnocchi que me abre um buraco por dentro que quase não consigo conter. Choro um pouco. Choro muito. As crianças me abraçam. &quot;É o Gnocchi, né, mamãe?&quot; Também, eu respondo, sincera.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltamos para casa e as crianças pedem música.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Everything&#39;s not awesome&lt;br /&gt;Things can&#39;t be awesome all of the time&lt;br /&gt;It&#39;s an unrealistic expectation&lt;br /&gt;But that doesn&#39;t mean we shouldn&#39;t try&lt;br /&gt;To make everything awesome&lt;br /&gt;In a less idealistic kind of way&lt;br /&gt;We should maybe aim for not bad&lt;br /&gt;&#39;Cause not bad right now would be real great.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;A sabedoria de Lego Movie 2. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E vamos indo. Nada incrível. Apenas não-ruim. Não-ruim está bom. No meio dessa fila sem fim para um passeio de montanha-russa que nunca chega. Convencendo as crianças de que não vai demorar muito mais. Vamos jogar um jogo enquanto isso. Fazer um piquenique. Alguém trouxe um baralho?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;RESPIRA. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-large;&quot;&gt;&lt;b&gt;....&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ano passado, a quarentena me fez buscar comidas fáceis e confortáveis, pratos que não precisavam de receita. Muito da minha atenção era voltada à novidade da escola online e de todas as dificuldades causadas pelo Lockdown no Canadá e pelo isolamento social, que aqui aconteceu de verdade. Um ano depois, essa estratégia não mais me serve. Não há novidade mais em estar em casa, em crianças estudarem no computador, em restaurantes e lojas e museus fechados, em não podermos ver os amigos, em termos medo de ficarmos doentes. Quem tem ditado a novidade é a comida. (Antes era o vinho,mas isso não faz bem.) Não todos os dias, pois não tenho energia mais para testar receitas novas todas as noites, como era no passado. Mas algumas vezes por semana. Um bolo diferente, um biscoito que ninguém conhece, um jeito novo de comer rabanetes, uma carne que eu nunca fiz. Qualquer coisa que me faça lembrar da passagem do tempo, e que traga prazer aos dias.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estas são três receitas que fizeram estrondoso sucesso aqui em casa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheCBRe1i8uHkW3_1HHv3tgWi4bzk6tTiuFSTYqZE8Nv4eI2RdchGv_9JFr24JI5ZjUSHKoUDyHfEnjtoZxJZ0E3fCdAzZhqHhMxZfF1bUsEcYd7N_5-hPxmhtHMIReKygEC346KcCZ7Pw-/s3000/IMG_20210222_065432946.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2994&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;638&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheCBRe1i8uHkW3_1HHv3tgWi4bzk6tTiuFSTYqZE8Nv4eI2RdchGv_9JFr24JI5ZjUSHKoUDyHfEnjtoZxJZ0E3fCdAzZhqHhMxZfF1bUsEcYd7N_5-hPxmhtHMIReKygEC346KcCZ7Pw-/w640-h638/IMG_20210222_065432946.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A primeira, scones de azeite,erva-doce e uva-passa, deliciosos para o café da manhã. Tão fáceis porque congelá-los faz parte do processo, o que quer dizer que você pode assar quantos quiser de manhã cedo e ter um café da manhã diferente em vinte minutos, enquanto você checa as notícias de manhã, bota uma música, manda um Bom-Dia pra família pelo Whatsapp.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHd6AbUab-Fbk8ypNjLiKShET4hGD45CC5yTqsA_vQLDiLk0B6IK2yVeQC8YhZ-si-ZEn0H3sG9m_nJQMYAzFFP754CVb8KdrC3cSZKUN1iaXS6iXArvXLGsUZKGIAz5PWcO1Z0Wz_-KaR/s3102/IMG_20210222_074348410.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3102&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHd6AbUab-Fbk8ypNjLiKShET4hGD45CC5yTqsA_vQLDiLk0B6IK2yVeQC8YhZ-si-ZEn0H3sG9m_nJQMYAzFFP754CVb8KdrC3cSZKUN1iaXS6iXArvXLGsUZKGIAz5PWcO1Z0Wz_-KaR/w620-h640/IMG_20210222_074348410.jpg&quot; width=&quot;620&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os biscoitos amanteigados de trigo sarraceno e nibs de cacau foram devorados pelas crianças, e me trouxeram a lembrança gostosa de quando Thomas nasceu: preparei esses biscoitos há dez anos atrás, e levei um pote deles comigo na maternidade (a louca).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi18_P3jD8561EKRmsCrWR2ylYjxDs2sK8SwlE5YYFHo45292WqXgM3P_hn1uPQFvskxEUBvOU_OGtn9QMOM3cliJfC0Eyr8DFwlmrYsBQ36ZZ_ksSwWuw716vWsLI8N3jArmuTlQRXopDN/s1075/Screenshot_20210408-104051.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1075&quot; data-original-width=&quot;1065&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi18_P3jD8561EKRmsCrWR2ylYjxDs2sK8SwlE5YYFHo45292WqXgM3P_hn1uPQFvskxEUBvOU_OGtn9QMOM3cliJfC0Eyr8DFwlmrYsBQ36ZZ_ksSwWuw716vWsLI8N3jArmuTlQRXopDN/w634-h640/Screenshot_20210408-104051.png&quot; width=&quot;634&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, isso quer dizer que Thomas fez dez anos. DEZ ANOS. Partiu-me o coração o fato de ser seu segundo aniversário sob quarentena. Ele preparou comigo seu bolo de baunilha da Alice Medrich (tem aqui no blog), recheado de doce-de-leite e coberto de chantilly e morangos. Combinação que ele pediu. Também pediu hambúrgueres de almoço e a pizza de gorgonzola da mamãe de jantar. &quot;Quero ver Jurassic World EM FAMÍLIA, todo mundo junto&quot;, ele disse. Claro, pimpolho. Eu queria escrever um post inteiro sobre seus dez anos. Mas não consegui. Não com o tom que eu queria. Eu desejava mais para ele do que esses dias trancados.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPiFMkWBHoyK4ZPsO5HNoix5KQgATUc7Ca5LPqIwRyBov-Ks8jEXI6RPCdUwm1vFBzBe2E9jRJN09ltlsSC7DZme_fJdE25hJLEd1QclVrlwPu6BWKCYf4L7i8K9oHC0r9MbF36ZejQdcc/s2310/IMG_20210403_142623442.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2275&quot; data-original-width=&quot;2310&quot; height=&quot;630&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPiFMkWBHoyK4ZPsO5HNoix5KQgATUc7Ca5LPqIwRyBov-Ks8jEXI6RPCdUwm1vFBzBe2E9jRJN09ltlsSC7DZme_fJdE25hJLEd1QclVrlwPu6BWKCYf4L7i8K9oHC0r9MbF36ZejQdcc/w640-h630/IMG_20210403_142623442.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os últimos, biscotti de fubá, foram feitos no improviso, numa noite em que eu não tinha o que mandar de lanche no dia seguinte e não tinha lá muitos ingredientes pra fazer qualquer coisa. Eu não tinha manteiga, quase não tinha farinha de trigo, e me restavam dois ovos na geladeira. Achei uma receita de biscotti de azeite e fubá da Alice Medrich, que adaptei para não usar castanhas (proibidas na escola), acrescentando sementes de erva-doce. Os biscotti tinham gosto de bolo de fubá, acabaram em dois dias, e a receita vai ser repetida muitas vezes. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&amp;nbsp;SCONES DE ERVA-DOCE, PASSAS E AZEITE&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;(Do livro Baking Handbook, de Martha Stewart)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Ingredientes:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;3 colh. (sopa) sementes de erva-doce, e mais um pouco para polvilhar por cima&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;4 xíc. farinha de trigo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2 colh (sopa) fermento químico em pó&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 colh. (sopa) açúcar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 colh (chá) bicarbonato de sódio&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/2 colh (chá) sal&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;115g manteiga sem sal, gelada, cortada em cubos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 1/2 xic. passas amarelas, de preferência o tipo sem semente, picadas grosseiramente&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/2 xic. + 1 colh (sopa)&amp;nbsp; azeite de oliva extravirgem&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 1/2 xic. creme de leite fresco&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 ovo, batido&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Preparo:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Forre uma assadeira com papel-manteiga.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coloque as sementes de erva-doce em um pilão e transforme-as numa farofa grosseira.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa tigela grande, junte farinha, fermento, açúcar, bicarbonato e sal. Junte a manteiga e esfregue com os dedos, até obter uma mistura que pareça uma farofa bem grossa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte as passas e as sementes moídas, 1/2 xic. azeite, e o creme. Misture com uma espátula, apenas até que forme uma massa. Se a massa parecer muito seca, junte mais creme, uma colher por vez.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Despeje a massa numa superfície ligeiramente enfarinhada. Com mãos enfarinhadas, junte a massa aos tapinhas, até que ela forme um disco de 3,8 a 4cm.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Com um cortador de biscoito de 7cm de diâmetro, corte quantos scones conseguir da massa. É importante que o corte seja feito como um carimbo, num movimento rápido para baixo e retirando para cima, sem girar o cortador. Girar o cortador pode interferir no modo como o scone vai crescer no forno. Junte os restos de massa e corte novamente até que não reste mais massa. Alternativamente (e é como vou fazer na próxima vez pra facilitar a vida), forme um retângulo de 4cm de altura e,com uma faca afiada, corte quadrados de 7cm de lado. BEM mais simples, né?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coloque os scones na assadeira e leve ao freezer até que endureçam. Nesse ponto, você pode transferi-los para um saco plástico fechado e deixar a assadeira com o papel-manteiga pronta para assar os scones na manhã seguinte. Caso queira assá-los no mesmo dia, bastam duas horas de freezer.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Preaqueça o forno a 180oC. Bata o ovo com a colher restante de azeite.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Posicione os scones com uns 5cm entre eles na assadeira com papel-manteiga. Pincele-os com a mistura de ovo e polvilhe com erva-doce.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Asse por 20-25 minutos (se estiverem congelados há mais tempo pode levar uns 5minutos mais),até que estejam dourados e com pedacinhos caramelizados. TRansfira para uma grade para que esfriem. Eles são mais gostosos comidos no mesmo dia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;BISCOITOS AMANTEIGADOS DE SARRACENO E NIBS DE CACAU&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(Do livro Chewy, Gooey, Crispy Crunchy, da Alice Medrich)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Rendimento: 48 - 60 biscoitos, mais ou menos, dependendo do tamanho&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;Ingredientes:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;14 colh. (sopa)(310g) manteiga sem sal, em temperatura ambiente&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;3/4 xic açúcar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;1/4colh (chá) sal&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;1 1/2 colh. (chá) extrato de baunilha&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;1 gema grande&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;1 1/4 xic (160g) farinha de trigo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;3/4 xic (85g) farinha de trigo sarraceno&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;1/3 xic. nibs de cacau&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;Preparo:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Com uma colher de pau ou uma batedeira, bata a manteiga e o açúcar, sal e baunilha, até que fique homogêneo e cremoso, mas não fofo (cerca de 1 minuto na batedeira).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Junte o ovo e bata até incorporar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Junte as farinhas e os nibs de cacau e misture apenas até que não haja traços de farinha na massa. Sove a massa com as mãos por um minuto, para ter certeza de que todos os ingredientes estão bem incorporados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Na bancada, polvilhada com um pouquinho de farinha, forme um rolo de 30cm de comprimento por 5cm de altura. (Eu fiz um rolo mais comprido, com uns 3cm de altura, porque queria biscoitos menores, que coubessem melhor nos potes de lanche).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Embrulhe em papel-manteiga e leve à geladeira por 2 horas ou, de preferência, durante a noite. A massa pode ser congelada assim por até 3 meses.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Preaqueça o forno a 180oC, e posicione as grades no terço inferior e superior.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Desembrulhe o rolo de massa e use uma faca afiada para cortá-lo em rodelas de um pouco mais de meio centímetro de espessura. Coloque-os nas assadeiras (sem untar nem forrar), deixando uns 4-5cm de espaço entre os biscoitos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Asse por cerca de 14 minutos, trocando as assadeiras de grade no meio do cozimento, até que estejam ligeiramente dourados nas bordas. É mais difícil de notar isso com a farinha escura, mas eles tem que estar com um aspecto opaco.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;Retire do forno e deixe que esfriem na assadeira por 1 minuto antes de retirá-los para esfriarem completamente sobre uma grade. Eles se mantém bem por 1 mês em pote fechado hermeticamente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgPx2DbVsgYvSnyf3CeQ67-KrELW0dXIfttJxFM4s0wsGHGm8Px4AA7k1JaLfZZXjCea501zX-uCyEEOApWPHOIjNT4gjqPFMdi4N0lxdXEbsbKz38T2IVmQqQkDEgBpqvrfCJpugaFfx9F/s734/Screenshot_20210408-104014.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;734&quot; data-original-width=&quot;723&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgPx2DbVsgYvSnyf3CeQ67-KrELW0dXIfttJxFM4s0wsGHGm8Px4AA7k1JaLfZZXjCea501zX-uCyEEOApWPHOIjNT4gjqPFMdi4N0lxdXEbsbKz38T2IVmQqQkDEgBpqvrfCJpugaFfx9F/w628-h640/Screenshot_20210408-104014.png&quot; width=&quot;628&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;BISCOTTI DE AZEITE E FUBÁ&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(Adaptado do livro Chewy, Gooey, Crispy Crunchy, da Alice Medrich)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Rendiemnto: 24-30 biscotti&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Ingredientes:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1 xic + 2 colh (sopa) (140g) farinha de trigo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2/3 xic (104g) fubá&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1/4 colh (chá) fermento químico em pó&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1/2 xic. azeite extravirgem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2/3 xic. açúcar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1/4 colh (chá) sal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;2 ovos grandes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Casca ralada de 1 laranja&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;1 colh. (sopa) sementes de erva-doce&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Preparo:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Forre uma assadeira com papel-manteiga (ou unte com manteiga). Preaqueça o forno a 180oC.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Numa tigela, combine a farinha,fubá e fermento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Num pilão, quebre as sementes de erva-doce, até que algumas tenham virado pó e outras estejam em pedaços menores. Não tem problema se alguma ficar inteira. Junte as sementes à farinha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Na tigela da badeteira, bata o azeite, açúcar, sal, ovos e casca de laranja, em velocidade alta, por 3-4 minutos, até que a mistura esteja clara e tenha engrossado um pouco.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Junte a mistura de farinha e bata apenas até que esteja incorporada. A massa vai ser grossa e grudenta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Com uma espátula, passe a massa para a assadeira preparada, formando um retângulo chato de cerca de 40x12cm. (Molhe as mãos e empurre a massa até chegar nesse formato.)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Asse por 20-25 minutos, até que a massa esteja dourada em cima e acastanhada nas beiradas. (Gire a massa na metade do cozimento, para que asse por igual).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Retire do forno e deixe na assadeira, numa grade, descansando por 15 minutos. Enquanto isso, abaixe o fogo para 160oC. (Caso seu forno não fique mais baixo que 180oC, como era o meu no Brasil, você pode deixar a porta entreaberta com uma colher de pau segurando, ou assar por menos tempo).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Transfira a massa assada para uma tábua de corte, e, com uma faca de serrilhada, corte fatias de pouco mais de 1cm de espessura. Disponha os biscotti na assadeira SEM o papel-manteiga. Volte ao forno e asse por 15-20 minutos (menos se o forno ainda estiver a 180oC), até que estejam ligeiramente dourados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Retire do forno e imediatamente coloque os biscoitos para esfriar sobre uma grade. Duram pelo menos 2 semanas se guardados em potes herméticos.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/04/a-fila-da-montanha-russa-scones.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjktZVMiuKcUe0xIO9nN6Va2fLHdByfQXMLg2Uem1jXACnBX2agj4vyBQrjQNOtcKzxlH9iUM0Nq3CZLVVIIFs2dCHRlP0Z0esoAgXcE2LZkG8CMr5MlxOmxX4VsRqfobJbIJg7mN6N3s-f/s72-w480-h640-c/IMG_20210402_103650400.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-1325974028320148659</guid><pubDate>Tue, 02 Mar 2021 01:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-03-01T22:01:33.201-03:00</atom:updated><title>Pequenas coisas. Um bolo de chocolate.</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6luSNKTWHULxu5w2T2niOg6adWahAIV6atrnNGOj4lTvLQZ0EPa4f1ypYBnWY8TyX5BM9s4ZIwkAYtG97RAvBVyKxp_Y6k5iQHpR67dfJglpFSnWarp76wmJDL7RZ3rzadOTElxclKI8X/s2802/IMG_20210226_072949270.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2743&quot; data-original-width=&quot;2802&quot; height=&quot;626&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6luSNKTWHULxu5w2T2niOg6adWahAIV6atrnNGOj4lTvLQZ0EPa4f1ypYBnWY8TyX5BM9s4ZIwkAYtG97RAvBVyKxp_Y6k5iQHpR67dfJglpFSnWarp76wmJDL7RZ3rzadOTElxclKI8X/w640-h626/IMG_20210226_072949270.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Mamãe, a professora pediu pra levar um &lt;i&gt;snack &lt;/i&gt;sem pote amanhã&quot;, disse Laura, pulando de camisola pelo apartamento. Suas pernas e suas bochechas ainda tinham aquele brilho úmido e avermelhado do banho quente, os cabelos à la Mia Farrow pingando água, os óculos de aro violeta desembaçando aos poucos, com o contato do ar frio da sala.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eram sete da noite. Estava escuro e frio-refrigerador lá fora. Do lado de dentro, os abajures produziam uma luz amarelo-quente como as chamas de uma lareira. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Por quê?&#39;&quot;, perguntei, levando à mesa a panela de arroz, e interrompendo a conversa para pedir a Thomas um &lt;i&gt;Untersetzer&lt;/i&gt;, ou &quot;únta-zétze&quot;, como acabo pronunciando, porque essa palavra me vêm à mente mais rápido que qualquer outra quando preciso de um &quot;descanso de panela&quot; ou um &quot;&lt;i&gt;coaster&lt;/i&gt;&quot;. Thomas levantou devagar do sofá, olhar tenso por trás dos óculos azuis retangulares, deixou seu livro cuidadosamente aberto de páginas para baixo sobre a almofada, e cumpriu a tarefa em silêncio. Únta-zétse na mesa, criança de volta ao sofá com a cara enfiada no livro. Laura e eu observamos aquele movimento, como quem espera uma família de patos atravessar a avenida.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De volta à conversa, Laura explicou: &quot;A &lt;i&gt;Mrs&lt;/i&gt;. Markandonis vai levar a gente no parque amanhã, e a gente não vai levar lancheira. Ela pediu pra levar um &lt;i&gt;snack &lt;/i&gt;que é &lt;i&gt;wrapped&lt;/i&gt;, como um &lt;i&gt;cereal bar&lt;/i&gt;.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eita.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Bom, não tem nenhum &lt;i&gt;snack &lt;/i&gt;assim em casa&quot;, respondi, sem conseguir me imaginar me encasacando de novo para ir ao mercado por uma barra de cereal. &quot;Mas eu posso fazer um bolo, e você leva ele em papel-alumínio. Pode ser?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá bom. Bolo do quê?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Menor ideia. Vou ver o que tem na geladeira. Agora venham jantar.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;O que tem?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ah. Arroz, soufflé de brócolis e aquela cenoura cozida que vocês gostam.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Por que é que ela tá marrom?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Porque eu usei aquelas cenouras coloridas, achando que ia ficar lindo, mas elas desbotaram e ficaram marrons.&quot; Laura fez uma careta. &quot;Tá feio, mas o gosto é igual.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;O importante é estar gostoso, né, mamãe?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Exato. Agora chama teu pai, que acho que ele saiu da reunião.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As crianças levaram os pratos à pia, após a refeição. &quot;Quem vai limpar a mesa hoje?&quot;, perguntei, ajeitando tudo nos espaços vazios da lava-louças, sentindo uma satisfação infantil ao conseguir resolver aquele quebra-cabeças de pratos, panelas e tigelas da forma mais eficiente possível. Competência. Tapinha nas costas. Um sorriso meu só para mim. Enquanto isso, Thomas já havia apanhado pano e spray e já terminava de esfregar a mesa e dobrar os guardanapos de pano. Laura deixara o ambiente sorrateiramente. &quot;Laura, vai escovar os dentes!&quot;, exclamei, sem olhar para o quarto. &quot;O Thomas vai primeiro!&quot;, sua voz soou do além-porta. &quot;O Thomas limpou a mesa! Você vai primeiro!&quot;, rebati. E sua resposta veio arrastada após um som ininteligível de frustração pré-pré-pré-adolescente. &quot;Aaaaaaaaargh! Por quêeeeeeee? Isso é tão &lt;i&gt;boring&lt;/i&gt;...!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Suspirei.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Laura, larga a mão de ser chata. Você sabe que tanto faz, dá na mesma, os dois vão ter que escovar os dentes igualzinho, e não importa quem vai primeiro.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Se não importa, então o Thomas vai primeiro!&quot;. Sua voz soou firme e ponderada, com a cadência típica da satisfação de quem ganha uma batalha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Argh. Respira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Laura, é sua RESPONSABILIDADE cuidar do seu corpo. Eu estou pedindo sua COLABORAÇÃO, para que todos possam usar o nosso único banheiro e a gente possa ter um fim de noite legal em família. Precisamos de ORGANIZAÇÃO para dar tempo de ler uma história antes de dormir. Eu continuo esperando que você tenha INICIATIVA para cumprir suas tarefas de forma INDEPENDENTE. Quando você precisa desse tipo de &lt;i&gt;reminder (lembrança)&lt;/i&gt;, quer dizer que ainda precisamos trabalhar seu &lt;i&gt;SELF-REGULATION&lt;/i&gt;.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Silêncio. Usar os termos de avaliação da escola tem surtido efeito no último mês, ainda que me faça soar como uma palestrante de RH. Sinto-me ridícula, mas eles têm conseguido identificar mais facilmente o progresso de seu comportamento e como os professores avaliam sua conduta. Dar nomes aos bois. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Espero, olhando por cima do ombro em direção à porta aberta do quarto, como quem observa um animal selvagem que ainda não decidiu se você é comida ou apenas uma curiosidade no meio do caminho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Aaaaaaargh. Tá bom&quot;, ela respondeu, saindo do quarto, não sem revirar os olhos assim que percebeu que eu a estava olhando. Ela tem oito anos. Imagino como será quando tiver dezesseis. Suspirei aliviada, e fui buscar na geladeira uma inspiração. Havia meio pote de &lt;i&gt;sour cream &lt;/i&gt;que eu havia comprado não me lembro para o quê, e para o qual eu não tinha nenhum plano. Um bolo com &lt;i&gt;sour&lt;/i&gt; &lt;i&gt;cream&lt;/i&gt;. Eu tinha várias receitas de bolos que levavam &lt;i&gt;sour cream&lt;/i&gt;. Certeza. Mas onde? &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era o repeteco infinito daquela situação que vi repetida a vida toda: você vai ao mercado e finalmente encontra aquele ingrediente exótico que você precisava para preparar uma dezena de receitas, mas quando volta pra casa com o ingrediente exótico comprado, não consegue encontrar uma única receita que o use.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Pronto, mamãe!&quot;, ela se aproxima, abrindo a boca para que eu verifique se o trabalho foi bem feito. &quot;Tá ótimo, parabéns!&quot;, sorrio, dando-lhe um tapinha afetuoso na bochecha. &quot;Vai brincar. Thomas, sua vez.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Aaaaaaahn...&quot;, ele geme por trás do livro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Não começa você também. Vai escovar os dentes e aí você pode terminar de ler. Vai.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele se levanta e caminha a passos propositalmente lentos e pesados, como se eu pudesse enxergar o peso imaginário da tarefa sendo carregado por seus ombros magros. &lt;i&gt;Oh, the drama&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vai logo, que senão não dá tempo de ler história, que eu ainda tenho que fazer bolo.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Bolo do quê?&quot;, ele pára em frente à porta do banheiro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu te conto quando você tiver escovado os dentes&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Aaaaaaaaaahn...&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Volto aos livros que espalhei no sofá. Não consigo encontrar nenhuma receita que queira preparar. Todas as que levavam &lt;i&gt;sour cream &lt;/i&gt;levavam também manteiga, que eu não tinha, ou amêndoas, que eu não podia mandar para a escola. Penso em preparar meu bom e velho bolo de iogurte e substituir o iogurte pelo &lt;i&gt;sour cream&lt;/i&gt;, mas me dá preguiça. Sinto no meio das costas e atrás das orelhas aquele comichão de vontade de algo diferente. Será? Toda vez que saio inventando coisa diferente no fim da noite, dá errado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você quer um chá?&quot;, perguntou Allex, enchendo a chaleira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Sim, por favor&quot;, respondi, largando os livros e apanhando o celular. SOUR-CREAM-CAKE-NO-BUTTER, eu digito com o dedão na caixa de busca do Google.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Levantei os olhos para encontrar Thomas à minha frente, corpo inclinado na minha direção, boca aberta num sorriso forçado que me faz lembrar um cavalo rindo. &quot;Muito bom, amor&quot;, eu disse. &quot;Agora, por favor, deem um jeito no quarto para a gente ler uma história.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você vai passar o Bob?&quot;, perguntou. Bob. O nome carinhoso que dei ao aspirador de pó. Ele quer saber se pode deixar o Lego no chão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Não, só empurra o Lego prum canto do tapete pra ninguém tropeçar durante a noite.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá bom.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá aqui seu chá&quot;, Allex se inclinou para me beijar e deixar a xícara fumegante ao meu lado. &quot;Eu preciso terminar uma apresentação para amanhã cedo, mas é coisa rápida&quot;, explicou, voltando ao computador no quarto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ok&quot;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ok. Encontrei uma receita. Um bolo de chocolate com laranja que usa creme de leite no lugar de manteiga. Já havia feito um destes uma vez, receita de um livro que eu não tenho mais. Perguntei-me se ainda tinha aquela receita em algum lugar, se a havia publicado no blog, mas tive preguiça de procurar. Daria certo substituir o creme de leite por aquele &lt;i&gt;sour cream &lt;/i&gt;tão espesso? E a laranja? Eu não tinha suco de laranja. Hmmm...&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Lauraaaa!&quot;, berrei na direção do quarto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Quêeeee?&quot;, ela berrou de volta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vou fazer um bolo de chocolate que eu não sei se vai dar certo. Se ficar horrível, a gente compra alguma coisa no caminho da escola amanhã, tá?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá tudo bem, mamãe!&quot;, ela disse, doce, sua cabeça aparecendo de repente do corredor, por trás da poltrona. &quot;Se não der certo, a gente come mesmo assim.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá bom, então, sua linda. Vamos ler história e dormir&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Thomas apagou as luzes e ligou o abajur. Sentei-me na parte de baixo do beliche, a cama da Laura, e li dois capítulos de um dos livros que trouxe para eles da biblioteca. Uma história de mistério em uma noite passada no museu. O barulho não eram fantasmas: eram passarinhos, que as meninas da história conseguem libertar por uma janela do banheiro. Boa noite, boa noite. Beijinhos. Pulguinhas. Mais um abraço. Mais um. Pega água? Pego. Tá aqui. Boa noite. Boa noite, agora. Laura, pra debaixo da coberta. Thomas, pára de cantar. Laura, pára de chutar o colchão do teu irmão. Eu disse boa noite. BOA NOITE.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porta fechada. Ainda ouço os dois conversando, aos sussurros. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na cozinha, junto os ingredientes. Não há laranja, mas eu tenho esse hábito de congelar a casca das laranjas quando as descasco. Elas ficam muito duras e ralam no ralador muito mais fácil, feito parmesão. E sempre que preciso de raspas de laranjas, posso apanhar uns pedaços de casca congelada para usar. Mas e o suco? Ah, dane-se. Faço um xarope de açúcar. Espera! Acho que ainda tem Cointreau. Uma dose. Ótimo. Metade xarope de açúcar, metade licor de laranja.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A receita é muito simples. Dessas de uma tigela só. Era pra bater o creme de leite até ele começar a firmar, mas meu sour cream era tão firme que fiz o contrário: bati o creme azedo com um fouet até que ele ficasse cremoso. Coloquei a mistura na forma. A receita pedia para untar com manteiga e polvilhar com farinha de rosca. Eu não tinha farinha de rosca e minha forma é daquele metal engraçado que conduz super bem o calor mas que enferruja. Então forrei com papel-manteiga e não untei coisa nenhuma.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bolo no forno. Silêncio. Eu não conseguia ouvir mais a conversa das crianças no quarto nem o som dos dedos de Allex tamborilando o teclado do computador. Havia o som da minha respiração e o sibilar sutil e constante dos canos do aquecedor. Allex apareceu de repente, espreguiçando-se num sorriso de trabalho entregue. &quot;Que cheiro bom&quot;, ele disse.&quot;Bolo de chocolate&quot;, respondi. &quot;Mas não sei se vai dar certo&quot;. Ele me olhou sem entender. &quot;Ah, receita nova, mudei um monte de coisa, eu tô cansada e distraída, e você sabe... 2021. Não espero nada.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assistíamos juntos a um episódio de Lupin, enquanto o bolo crescia. Saiu do forno lindo, uniforme, brilhante, para minha surpresa. Espetei-o todo, e pincelei com a calda de açúcar e licor, enquanto Allex preparava mais um chá. &quot;Quer ver mais um episódio? Acho que é o último.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na última cena, já dominada pelo sono, levantei para cortar um naco do bolo e guardar o restante sob a redoma de vidro. O miolo era macio e úmido. Gosto forte de chocolate amargo e um aroma delicioso e delicado de laranja. &quot;Gente, que bolo bom&quot;, falei de boca cheia. Allex levantou para roubar um pedaço. &quot;Deu certo, então!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deu muito certo. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escovamos os dentes falando de presepadas. Eu contando presepadas das crianças, ele contando sobre presepadas de adultos. &quot;Você vai ler um pouco?&quot;, ele perguntou. &quot;Não, esse livro é bom, mas eu tenho tido pesadelos quando leio ele antes de dormir&quot;, explico, colocando Educated, de Tara Westover, no criado-mudo. Chamo Allex para vir ver as crianças dormindo. Nenhuma delas está coberta. Laura chutou os lençóis para os pés e dorme em pose de bailarina. Thomas se moveu tanto que os lençóis se enrolaram em seu corpo desconjuntado, parecendo uma marionete enroscada nos próprios fios. Mas dormem tranquilos. Deixamos os dois e vamos dormir. Deixo o escuro do quarto pesar sobre mim. Minhas costas se desmancham sobre o colchão. Amanhã será um dia como foi ontem. Esta noite foi igual às outras. Mas meu bolo de chocolate deu certo. Pequenas coisas. Pequenas, minúsculas coisas. Boa noite. Um beijo. Outro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais um.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;....&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;BOLO DE CHOCOLATE COM CREME DE LEITE (ou SOUR CREAM)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;(do livro Chocolate is Forever, de Maida Heatter, no site &lt;a href=&quot;https://www.epicurious.com/recipes/food/views/orange-chocolate-loaf-cake-from-florida&quot;&gt;Epicurious&lt;/a&gt;)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul class=&quot;ingredients&quot; style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 1/4 xic, farinha de trigo&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 Colh. (chá) fermento químico em pó&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/4 colh. (chá) sal &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 xic. cacau em pó (sem açúcar)&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 xic. açúcar &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 xic, creme de leite fresco ou sour cream &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh. (chá) extrato de baunilha&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 ovos grandes &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Casca ralada de uma laranja&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;(calda) &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;ul class=&quot;ingredients&quot; style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/3 xic. suco de laranja (ou água, se não tiver suco)&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;ingredient&quot; itemprop=&quot;ingredients&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3 colh.(sopa) açúcar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Posicione a grade do forno no terço inferior e aqueça o forno a 180oC. Unte e enfarinhe uma forma de bolo inglês de 20cm, ou forre-a totalmente com papel-manteiga.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa tigela, peneire a farinha, cacau, fermento, açúcar e sal.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Em outra tigela, bata o creme de leite, a baunilha e a casca de laranja até que o creme de leite tome corpo e firme quando você levantar o fouet. Cuidado se fizer isso com a batedeira, para não bater o creme demais, ou ele pode talhar. O sour cream que usei tinha a consistência de cream cheese, e por isso apenas bati com o fouet até ele ficar cremoso e aerado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte os ovos, um a um, batendo apenas até que o ovo esteja incorporado. (De novo, se estiver usando o creme de leite, não bata demais para a mistura não talhar). Os ovos vão fazer a mistura ficar mais líquida.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Use uma espátula para incorporar os ingredientes secos, apenas até que não se veja mais farinha. Transfira a mistura para a forma, espalhando de modo uniforme, e leve ao forno por 1 hora, ou até que um palito saia limpo quando inserido no centro e o bolo esteja elástico quando pressionado com o dedo. Enquanto isso, misture o suco (ou água, ou uma mistura de água e licor de laranja) e o açúcar e deixe descansar até dissolver.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Quando o bolo sair do forno, ainda na forma, fure-o todo com um palito e, com um pincel de cozinha, espalhe toda a calda sobre o bolo. Deixe que ele esfrie completamente antes de desenformar. O bolo se conserva bem por alguns dias em pote fechado e fica melhor de um dia para o outro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/03/pequenas-coisas-um-bolo-de-chocolate.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6luSNKTWHULxu5w2T2niOg6adWahAIV6atrnNGOj4lTvLQZ0EPa4f1ypYBnWY8TyX5BM9s4ZIwkAYtG97RAvBVyKxp_Y6k5iQHpR67dfJglpFSnWarp76wmJDL7RZ3rzadOTElxclKI8X/s72-w640-h626-c/IMG_20210226_072949270.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-4981214826702673251</guid><pubDate>Thu, 18 Feb 2021 02:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-02-17T23:14:45.404-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">bolos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">peixes</category><title>Volta às aulas na câmara de descompressão - um bolo e um peixe</title><description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrVZlHaToB0lUx-AmUn97LQmrsFA5zi05vMiqdPksjX-vl6E0Xbws8neUhdjlAVI5UvZq-5Kc7XVBD860CF8hEZiWjm3G8MkDxQQ1l768EBJGLsskg1MmLwTkVVxtsyeM2agJzlGjcs_Iv/s3000/IMG_20210215_141507978.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2921&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;624&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrVZlHaToB0lUx-AmUn97LQmrsFA5zi05vMiqdPksjX-vl6E0Xbws8neUhdjlAVI5UvZq-5Kc7XVBD860CF8hEZiWjm3G8MkDxQQ1l768EBJGLsskg1MmLwTkVVxtsyeM2agJzlGjcs_Iv/w640-h624/IMG_20210215_141507978.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As crianças voltaram à escola.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A casa está com aquele silêncio familiar que relaxa meus músculos e acalma meus nervos. Eu amo a companhia de meus filhos, mas eles estão grandes e independentes demais para passarem tanto tempo confinados comigo. Eles precisam de um tempo sem minha presença, muito mais do que eu, na verdade. Talvez fosse diferente se eles fossem mais novos. Não sei. Entramos nesse apartamento quando Laura tinha 4 anos e Thomas 6. Laura fez 8 em janeiro e Thomas faz 10 em abril. Duas crianças de 8 e 10 anos correndo num apartamento de 70m2 é bem diferente de duas crianças de 4 e 6 fazendo a mesma bagunça nesse mesmo espaço. Esse espaço que temos não comporta seus corpos em expansão de energia. A casa é, cada vez mais, o local de sossego, de descanso. É preciso ter um &#39;lá fora&quot;. É preciso ter um &quot;outro lugar&quot;. Coisas precisam acontecer em outro ambiente, para que a casa possa atingir seu máximo potencial de acolhimento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E as crianças, como eu disse, voltaram à escola.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A manhã foi estranha, desconjuntada, como um corpo reaprendendo a andar, consciente de cada músculo, cada tendão, cada nervo, em espasmos de movimento desajeitado. Putz, eu tinha que fazer almoço. Putz, não preciso mais colocar os tablets para carregar. Putz, eu costurei a calça de neve do Thomas? Putz, cadê aquele livro da biblioteca da escola que a Laura tinha que devolver? Putz, eu não posso sair para correr, porque tenho que andar até a escola com os dois. Putz, tem máscara extra? Putz, pega uma luva extra pra se a sua encharcar. Putz, não esquece os &quot;indoor shoes&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Putz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Faz -20oC lá fora, e há 30cm de neve nas calçadas. Pequena aventura. Há quem reclame, mas eu tenho amor por essas nevascas noturnas que nos acordam como se alguém tivesse derrubado um saco de açúcar sobre a cidade. Afundar o pé na neve até o joelho me dá uma satisfação infantil muito semelhante a me enfiar em uma piscina de bolinhas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dias andavam tão iguais. Me deixa fingir que a neve é uma piscina de bolinhas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnAV4DSvXSVjU1tVTJcF2mCktUmVn2fXkBKo4XxPF8kxJ8vP2CaLnh9ytIbypGFgMyH7DfYpTLKy-sr0GJJ9rcdSIx9KnF8bbrlFsYbbKAFtB-i9xU6Dg4xYsC5yCgLJQvk2u-lUgYAg_v/s3000/IMG_20210216_083727572_HDR.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2893&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;616&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnAV4DSvXSVjU1tVTJcF2mCktUmVn2fXkBKo4XxPF8kxJ8vP2CaLnh9ytIbypGFgMyH7DfYpTLKy-sr0GJJ9rcdSIx9KnF8bbrlFsYbbKAFtB-i9xU6Dg4xYsC5yCgLJQvk2u-lUgYAg_v/w640-h616/IMG_20210216_083727572_HDR.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tentei sair para correr, mas a neve fofa no asfalto me fazia escorregar, e a noite mal dormida pesou nas pernas mas do que eu gostaria. Voltei para casa cedo, com frio, pensando que deveria ter ouvido meu coração que dizia que hoje não era dia de corrida. Contentei-me em fazer um pouco de yoga e alongamento, e saí para o mercado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você vai de carro?&quot;, perguntou Allex.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Vou.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você já dirigiu na neve?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Nunca.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Cuidado.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Podexá.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dirigir na neve requer atenção. As rodas derrapam tanto quanto meus tênis de corrida. Mesmo em velocidade baixa. Há os solavancos dos montes de neve compactados nas laterais da rua. As ruas que estão limpas ficam mais estreitas, porque parte delas é ocupada pela muralha de neve ao longo da calçada, empurrada pelos caminhões que desobstruem a rua e jogam sal. É como aquela estradinha que sai da praia&amp;nbsp; no meio do mato: com areia, pedregulhos e lama, tudo junto ao mesmo tempo, só que na cidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu estava tão focada, e ao mesmo tempo me divertindo tanto com aquela novidade, que me senti jogando video-game.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dias andavam tão iguais. Me deixa fingir que dirigir até o mercado é como jogar video-game.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-Z6bCmbKKgErvPcYtxYHp1kaqohjtujcmyvLEcLNhKzolaFqn11sXCOju-p4dqt0AlF2uSaAY6UOtsTMk9FfdMwh96BIshJVVIajwUVd9r3d3Ha5xX151AJhaGmPjHVAaO7m9Nf-7Xqs-/s3505/IMG_20210216_104217737.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3505&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-Z6bCmbKKgErvPcYtxYHp1kaqohjtujcmyvLEcLNhKzolaFqn11sXCOju-p4dqt0AlF2uSaAY6UOtsTMk9FfdMwh96BIshJVVIajwUVd9r3d3Ha5xX151AJhaGmPjHVAaO7m9Nf-7Xqs-/w548-h640/IMG_20210216_104217737.jpg&quot; width=&quot;548&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mercado desorientado. Por algum motivo eu não tinha clareza para criar uma lista mental de refeições e ingredientes para a semana. O apetite das crianças anda irregular, assim como o de Allex, e eu não conseguia resolver o quebra-cabeça dos jantares para quatro, almoços em casa para dois com preferências diferentes (eu almoço leve, e Allex é do &quot;&lt;i&gt;comfort&lt;/i&gt;-&lt;i&gt;food&lt;/i&gt;&quot;)&amp;nbsp; e almoços de escola para as crianças. Mais &quot;&lt;i&gt;snacks&lt;/i&gt;&quot;.Sem &quot;&lt;i&gt;nuts&lt;/i&gt;&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu havia preparado dois bolos de banana, coco e nozes da Martha Stewart algumas semanas antes, e ainda tinha um deles congelado. Enquanto tirava o bolo do freezer para mandar de &lt;i&gt;snack &lt;/i&gt;na primeira semana da escola, Thomas lembrou: &quot;Mas mamãe! Tem &lt;i&gt;nuts&lt;/i&gt;!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Putz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então no dia anterior ao primeiro dia de escola, preparei, no improviso do que eu tinha, um bolo simples com frutas, para que as crianças tivessem lanche.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E agora eu saía do mercado carregando sacolas demais. O reflexo de minha confusão mental, comprar mais comida do que precisamos na semana.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Arruma tudo na geladeira. Almoça.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu não tenho reunião pela próxima meia hora. Quer tirar um cochilo?&quot;, pergunta Allex.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Por favor&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O silêncio gostoso da casa pedia cochilo. Minha cabeça sem dormir também. Deito sob as cobertas, as costas relaxando e estalando sob a luz de inverno entrando pela janela aberta, e ouço o estalo da maçaneta.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Pra que você fechou a porta? As crianças não estão aqui!&quot;, disse, rindo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Pois é, eu me perguntei isso também&quot;, ele riu. &quot;Foi automático.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meia hora de cochilo restaurador. Sonhei. Quão cansada está uma pessoa que entra em REM e sonha em trinta minutos de cochilo?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Café. Tem isso de a gente ter colocado um &lt;i&gt;timer &lt;/i&gt;na tomada da cafeteira, nos horários em que a gente gosta de tomar café, já que ela demora uns vinte minutos para esquentar a caldeira. Ela liga às seis da manhã e desliga às nove. Liga de novo ao meio-dia e meia, e desliga às duas. &quot;A cafeteria está aberta!&quot;, Allex diz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Trabalho. O texto demora a se formar em minha mente, como se eu tentasse escrevê-lo em outra língua. Leio palavras formadas por ideogramas desconhecidos.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Ana! Eu fiz uma coisa importante que a gente tinha esquecido de fazer!&quot;, Allex grita do quarto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;O quê?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&#39;Coloquei um &lt;i&gt;timer &lt;/i&gt;pra lembrar de buscar as crianças.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Putz.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda bem. Porque eu tenho disso. Quando engato no trabalho acho que duas horas passadas foram quinze minutos. Perco-me. Perco a noção. Perdi a conta de quantas vezes cheguei atrasada na escola pra buscar as crianças. Mas eles ficam tranquilos. São filhotes lindos, que sabem que a mamãe é meio cabeça-de-vento, mas transborda amor por eles.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não cheguei atrasada. Bom. Mais ou menos. O elevador do meu prédio imenso, que só comporta duas pessoas por vez durante a pandemia, demorou horrores para aparecer. Mas o caminho até a escola havia sido limpo e alcancei as escadas do pátio mais rápido que de manhã, sem passar pela aventura da piscina de bolinhas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles me esperavam, juntos, ao lado da professora, todos mascarados. Acenei. Levantei o trenó de plástico preto, essa grande banheira com cordinha, chata de carregar com dedos gelados, para que eles vissem como eu sou uma mãe legal. Atrasada. Mas legal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É proibido brincar no pátio da escola depois da aula. O que não faz sentido, porque tem menos criança brincando no pátio depois da aula do que durante a aula. Mas tudo bem. Levei os dois ao parque em frente à escola, destino diário em tardes de inverno pós-escola pré-pandemia. Eu havia explicado aos dois, de manhã, como precisávamos voltar direto para a casa, sem brincar depois da aula, por conta da quarentena. Mas meu coração apertou. Há 30cm de neve fofa e divertida no parque, que a qualquer momento pode derreter e não voltar mais. Isso de estações marcadas faz a gente ver o tempo diferente. Não é um ano que passa. Não foi um ano de quarentena. Esse é o único inverno dos meus filhos com 8 e 10 anos. No próximo, vai saber, talvez Thomas não veja mais graça em brincar na neve. Talvez ele tenha crescido. Não vai ter outro inverno, outro dia de 30cm de neve no fevereiro que ele tem 10 anos e ainda gosta de brincar com o trenó.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso levei os dois ao parque.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Brinquem com as crianças da sua sala, por favor&quot;, recomendei. &quot;E fiquem de máscara.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Havia menos gente ali do que eu esperava. O dia estava cinzento e sem graça, e os -20oC se tornaram -10oC, o que é mais confortável, mas ainda espanta muitos pais. Era possível brincar sem aglomerar. Era possível me manter distante de todos os outros adultos. Thomas correu para construir um iglu com uns amigos que carregavam pás de neve. Laura achou uns meninos da sua sala com quem ficou brincando de construir tijolos de gelo que eles quebravam com galhos. Eu fiquei ali, mãos nos bolsos, trenó aos meus pés, suspirando de alívio em ver duas carinhas contentes de quem teve um dia mais normal, de quem passou tempo com os amigos, de quem teve aula olhando para a professora sem um fundo de tela com uma praia do Caribe.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu tô no Big Hill!&quot;, avisei às crianças, puxando a cordinha do trenó atrás de mim e andando pela neve fofa em direção à grande ladeira que separa a parte alta e a parte baixa do parque. Ali, onde tem uma placa altamente ignorável em que se lê &quot;proibido descer de trenó&quot;. Lá em cima, desviei de três crianças e dois adultos, posicionei o trenó num trajeto que imaginei ter menos buracos, e sentei minha bunda de quarenta anos no plástico já coberto de flocos de gelo. Inspirei. Expirei. Empurrei o chão. É como montanha-russa. O ar frio veio por entre meus pés, atingindo meu rosto. A parte da frente do trenó abria caminho pela neve, levantando, como água, cristais brancos e leves em ondas nas laterais do meu corpo. Gosto do jeito como o estômago se move dentro de mim na queda, abrindo um espaço vazio no meu tórax que se preenche de alegria. Deixei que o trenó desacelerasse sozinho, derrapando de um lado e do outro, até cansar no meio do descampado. Espere que o carro pare completamente antes de desafivelar os cintos de segurança. Ao sair, por favor verifiquem se não deixaram nenhum pertence para trás. Levanto. Minhas calças estão polvilhadas de branco até as coxas, por baixo do casaco comprido. Tiro a neve das roupas com batidas leves, no ritmo do coração.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Subo de novo. Desço de novo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De novo. De novo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De novo. Última.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dias estavam tão iguais. Me deixa brincar de trenó.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIEwWjPPMmztdUPjDg8wIWTbRknN6_2mHweTS7WAitUNxyMF5bSzLcZ7L731EhVjggHTcNRjPdbQkcao9fyXLphfsi_yugpK_u4HfjTXD9vI6kK6Hu4hXXMuuC6x8EWvlqbfg-NjriDUL6/s2980/IMG_20210216_203621_275.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2980&quot; data-original-width=&quot;2980&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIEwWjPPMmztdUPjDg8wIWTbRknN6_2mHweTS7WAitUNxyMF5bSzLcZ7L731EhVjggHTcNRjPdbQkcao9fyXLphfsi_yugpK_u4HfjTXD9vI6kK6Hu4hXXMuuC6x8EWvlqbfg-NjriDUL6/w640-h640/IMG_20210216_203621_275.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As crianças me acompanham na rua a passos cansados, arrastados. Tiram botas molhadas, penduram casacos, colocam as luvas encharcadas para secar em cima do aquecedor. Desmontam lancheiras sem eu precisar pedir. Tomam banho e leem os livros da escola. Sento para ajudar Laura com a pronúncia. &lt;i&gt;Communities&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Expectations&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Empathy&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Empathy is when you notice other people&#39;s feelings and try to understand them&lt;/i&gt;. São cinco horas e Allex ainda trabalha. Coloco uma música. Há dois momentos do dia em que gosto de colocar uma música. No café da manhã, para agitar. No fim do dia, para acalmar. O App de música criou uma lista especial para mim: as músicas que eu mais ouvi em 2020. &lt;i&gt;Play&lt;/i&gt;. Metade dela era Frozen 2, metade Moana. Tinha um Nick Cave e um Icona Pop perdidos no meio. Curioso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Preparo o jantar. &lt;i&gt;Into the unknooooooooown... Into the unknoooooown...&lt;/i&gt; Um risoto com tomates e ervilhas, em que uso um caldo de camarões que fiz umas semanas antes, com as cascas dos camarões que cozinhei. Eu não quis comprar mais camarões para o risotto,pois eles viriam de novo com cascas, e eu quereria fazer caldo de novo, e viraria o ciclo infinito do risotto do caldo de camarão. Mas àquela manhã, pela primeira vez na vida, as vieiras estavam em promoção no mercado. Vieiras fresquinhas. Porque aqui tem disso: quando a comida está perto do vencimento, principalmente carnes e laticínios, os mercados colocam uma etiqueta avisando que o produto tem que ser consumido hoje ou amanhã, e que por isso está com 30, 50 ou até 70% de desconto. Acho isso muito honesto. Comprei duas bandejinhas de vieiras pelo preço de uma. &lt;i&gt;50% off. Enjoy tonight!&lt;/i&gt; Podexá.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dourei as vieiras na manteiga e servi sobre o risotto. Laura adorou. Thomas achou curioso. Mas gostou mais quando eu mostrei, no Wikipedia, como era uma vieira viva, dentro de sua concha. Onde ficava sua boca, seu intestino, o modo como ela nada abrindo e fechando a concha, expulsando ar de si mesma feito um fole. Você sabia que as vieiras tem diversos olhos? Eles ficam ao longo das beiradas das conchas, entre os filamentos que elas usam para apanhar comida. Quando a luz bate neles, eles brilham feito bolinhas azuis,. Parece uma nave espacial.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As crianças cogitaram se a vieira seria capaz de ver vários filmes ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escova dentes. Desenha um pouco. Senta do lado do pai no sofá. Conversa sobre o dia. O que teve de bom? O que pode melhorar?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Boa noite. Boa noite. Beijinhos. Mais um abraço. Me dá água? Allex coloca as coisas na lava-louças. Santa lava-louças, que eu sempre achei que fosse bobagem. Me lembra de só morar em casa com lava-louças. Sento na poltrona amarela com um chá. Já é noite faz tempo. Gosto de luz amarela de abajur. A sala tem quatro abajures. Eu nunca acendo a luz do teto. Como foi seu dia? Você viu a notícia? Olha esse meme. Achei que você fosse gostar. Amo você. Eu também.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dias andavam tão iguais. As crianças voltaram à escola. Amanhã vou escrever um post no blog. Faz tempo que não consigo me concentrar nisso. Vou falar do peixe no forno que eu fiz e ficou uma delícia. Só precisa de menos alho. Vou falar do bolo de fruta que preparei para o primeiro dia das crianças.Vou falar de como foi um dia bom, muito bom, o primeiro dia de aula, ainda que tenha sido de alguma forma enevoado e confuso, como uma câmara de descompressão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vai ficar tudo bem.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;....&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjP1e0EYVSTnqdcuai6CrF9riJH5pGF1qz-WxeBISh7qk08VNP34P3eF5wb4o6k1CJtgTERBkAgGeOgBncsbq-LyEOwePkw1oCXQMyA2Q20fuH9N7oZPWIM02rZDijjqfXk9hu6gN3owfhb/s3448/IMG_20210215_114232537.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3448&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjP1e0EYVSTnqdcuai6CrF9riJH5pGF1qz-WxeBISh7qk08VNP34P3eF5wb4o6k1CJtgTERBkAgGeOgBncsbq-LyEOwePkw1oCXQMyA2Q20fuH9N7oZPWIM02rZDijjqfXk9hu6gN3owfhb/w278-h320/IMG_20210215_114232537.jpg&quot; width=&quot;278&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJDQUpsF1XBXJV1lhz3Hvtyz5I8p8XXFcoqHxSmWkKYzArQ0cfBwHoqGubL9cRHApU1A0XicC9dUON-z8dTYvzxu8GejzgdUwt_1cmcxFcHFy-J8xpMqNAMTXlReX7egFaYKrYLUUDSA35/s3582/IMG_20210215_123945375.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3582&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhJDQUpsF1XBXJV1lhz3Hvtyz5I8p8XXFcoqHxSmWkKYzArQ0cfBwHoqGubL9cRHApU1A0XicC9dUON-z8dTYvzxu8GejzgdUwt_1cmcxFcHFy-J8xpMqNAMTXlReX7egFaYKrYLUUDSA35/s320/IMG_20210215_123945375.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjP1e0EYVSTnqdcuai6CrF9riJH5pGF1qz-WxeBISh7qk08VNP34P3eF5wb4o6k1CJtgTERBkAgGeOgBncsbq-LyEOwePkw1oCXQMyA2Q20fuH9N7oZPWIM02rZDijjqfXk9hu6gN3owfhb/s3448/IMG_20210215_114232537.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O Bolo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um bolo simples, muito simples. Adaptável. Pouco doce. Desses bons para o café da manhã ou bons pra mandar de lanche, quando você não pretende que seus filhos comam tanto açúcar no recreio que pirem e despenquem durante a aula de geometria. Bolo bom de fazer na mão. Mas pode fazer na batedeira. Era pra usar buttermilk, usei iogurte. Buttermilk deixa a massa mais molinha. Meu iogurte é mais consistente, gordinho, e deixou a massa com cara daqueles bolos italianos de massa compacta. Eu gosto. Mas você pode substituir uma parte do iogurte por leite, se quiser. Ou usar buttermilk. Também era para ser só de mirtilos. Mas eu tinha 3/4 xic. de um mix de frutas congeladas: mirtilo, cereja e amora preta. Achei que era pouco e piquei uma maça com casca junto. Ficou ótimo. Moral da história: use a fruta que quiser. Mas as que soltam caldinho ficam mais gostosas. Também era para ser numa forma de 12x8 polegadas. Me deu até coceira de preguiça de calcular isso. Usei uma forma quadrada de 9x9 polegadas (22-23cm). Dá pra usar forma redonda. Dá pra usar uma forma retangular, desde que não muito maior que isso. Ela pedia para untar e enfarinhar. Fui teimosa, porque achei que seria chatinho desenformar depois, e forrei tudo com papel-manteiga. Acabou que demorou bem mais pra assar. Não forre com papel-manteiga. No máximo, use um papel-manteiga untado em baixo, pra desenformar fácil. Ou use uma forma de fundo removível. Enfim. Falei que era um bolo de improviso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;BOLO DE IOGURTE E FRUTAS&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;(adaptado do livro Apples for Jam, da Tessa Kiros)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 1/2 xic, farinha de trigo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (sopa) fermento químico em pó&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1/2 xic. de açúcar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Noz moscada ralada na hora&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 ovos grandes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 xic. iogurte natural&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;4 colh. (sopa) manteiga, derretida&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) casca ralada de um limão&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 xic. frutas vermelhas ou outra de sua escolha, picada&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 1/2 colh. (sopa) açúcar para polvilhar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Pré-aqueça o forno a 205oC. Unte e enfarinhe uma forma quadrada de 22cm (ou qualquer outra de mesmo volume). Se quiser, forre o fundo com papel manteiga untado, para ajudar a desenformar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa tigela, misture a farinha, fermento e uma ralada generosa de noz moscada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Em outra tigela, bata com um fouet os ovos e o açúcar até que fique claro e fofo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte aos ovos o iogurte, a manteiga e a casca de limão, e misture bem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte a farinha em três adições, misturando com uma espátula, apenas até que não se veja mais farinha.Não misture demais, ou o bolo ficara maçudo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Espalhe colheradas da massa na forma (a massa é mais firme, como de muffin), e, com a ajuda de uma espátula, tente tornar uniforme. Espalhe as frutas por cima e polvilhe com o açúcar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Leve ao forno por 25 minutos, ou até que um palito saia limpo quando espetado no centro. O bolo não necessariamente vai ficar muito dourado. A foto do livro mostrava o bolo super dourado, e eu acabei deixando bem mais tempo no forno, sem necessidade. Coisas de mente atrapalhada com o primeiro dia de aula. Deixe no forno apenas até o palito sair limpo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Deixe que esfrie completamente antes de cortar em quadrados. O bolo se mantém bem por alguns dias em pote fechado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgw0KS2PSbb8TLxkTtCUc9rwC9r9wIYmsg0MPpDFXbueJeSn_3bkd8tSA9Rm0PU3t3R8LbEPulNy-6-xNW2sOoLhopVuWWcQ_9TUpaOyDQOxizr-A7v4H4-daTbKaR-tUJ0RIy9I9zfwwgM/s3115/IMG_20210209_180203233.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3115&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgw0KS2PSbb8TLxkTtCUc9rwC9r9wIYmsg0MPpDFXbueJeSn_3bkd8tSA9Rm0PU3t3R8LbEPulNy-6-xNW2sOoLhopVuWWcQ_9TUpaOyDQOxizr-A7v4H4-daTbKaR-tUJ0RIy9I9zfwwgM/w616-h640/IMG_20210209_180203233.jpg&quot; width=&quot;616&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O Peixe.&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um jeito muito fácil de fazer peixe. Assado, com ervas. Usei haddock fresco, que é peixe fácil de se encontrar aqui. Mas acho que pescada amarela, linguado, ou qualquer outro peixe branco mais alto e mais firme ficaria bom. Você pode usar as ervas que quiser, na verdade, na combinação que mais gostar. Eu só não picaria o alho, que ficou muito forte. Faria lâminas, fáceis de remover de cima do peixe na hora de comer. Ou deixaria ele em metades, apenas para aromatizar. Servi com brócolis cozidos e batatas-doces assadas nesse dia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgy8MRZRpudxzhuJCea57MIrsV1RT7xgBk3F5hHgelFUL0leds5AzLs8Nc1fdt_RL_Rxz0qO2-3h9suylLcbiTG1XesdsRtaNtbknCgputBI24WOjAF6frfpwthdxt4SrmdZSLsvGLZ-IGX/s3134/IMG_20210209_180434250.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2968&quot; data-original-width=&quot;3134&quot; height=&quot;606&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgy8MRZRpudxzhuJCea57MIrsV1RT7xgBk3F5hHgelFUL0leds5AzLs8Nc1fdt_RL_Rxz0qO2-3h9suylLcbiTG1XesdsRtaNtbknCgputBI24WOjAF6frfpwthdxt4SrmdZSLsvGLZ-IGX/w640-h606/IMG_20210209_180434250.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;PEIXE BRANCO ASSADO COM ERVAS&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;(do livro Twelve, de Tessa Kiros)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes: &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;6 filés de peixe branco, sem pele, de cerca de 150-200g cada&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Cerca de 30g de farinha de trigo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;3 colh. (sopa) azeite&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;125ml (1/2 xic) vinho branco&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;60ml água&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;2 dentes de alho, fatiados ou cortados na metade&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;1 colh. (sopa) de cada uma destas erva, picadas; alecrim, sálvia, salsinha, tomilho e hortelã&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;30g manteiga&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Pré-aqueça o forno a 220oC.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Corte os filés na metade, para facilitar. Tempere com sal e pimenta-do-reino. Passe os filés na farinha de trigo, chacoalhando pra tirar o excesso.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Coloque o azeite numa travessa de forno ou panela que comporte todos os filés numa camada só, e coloque ali os filés de peixe enfarinhados. Regue com o vinho e a água. Espalhe o alho e as ervas por cima. Divida&amp;nbsp; manteiga em pedacinhos pequenos e coloque sobre os filés.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Leve ao forno já aquecido e asse por cerca de 20 minutos. O peixe deve estar opaco, branco e macio, com um pouco de molho borbulhando em volta. Sirva quente. &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/02/volta-as-aulas-na-camara-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrVZlHaToB0lUx-AmUn97LQmrsFA5zi05vMiqdPksjX-vl6E0Xbws8neUhdjlAVI5UvZq-5Kc7XVBD860CF8hEZiWjm3G8MkDxQQ1l768EBJGLsskg1MmLwTkVVxtsyeM2agJzlGjcs_Iv/s72-w640-h624-c/IMG_20210215_141507978.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-8526467291606090218</guid><pubDate>Tue, 19 Jan 2021 18:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-01-19T15:17:07.842-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">biscoitos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">italiano</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">receitas</category><title>A escola subiu no telhado. Mais biscotti e amaretti.</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9QwXV4IB62of-2KmoxVM9x010YJ95cwlsh68oEVk7422AQwTNIbIrevhZpMk6kVPNEHBUQQcK1FHTM_FmXB-7PBUkPo7FXZypduiht3pxKrw4JJQtXlWvsfKMIossNseqjEdv6zQaM1Su/s2701/IMG_20210107_093734989.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2659&quot; data-original-width=&quot;2701&quot; height=&quot;630&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9QwXV4IB62of-2KmoxVM9x010YJ95cwlsh68oEVk7422AQwTNIbIrevhZpMk6kVPNEHBUQQcK1FHTM_FmXB-7PBUkPo7FXZypduiht3pxKrw4JJQtXlWvsfKMIossNseqjEdv6zQaM1Su/w640-h630/IMG_20210107_093734989.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O ano 2021 começou com aquela cara de que 2020 esqueceu de acabar. É aquele filme chato da Sessão da Tarde que repete sempre e você não entende como é que alguém continua escolhendo essa porcaria pra passar de novo e de novo. Aí eu me pego pensando como meus filhos, geração Netflix, jamais entenderão essa referência. Mas a vida segue. Chatice por chatice, os dias passam.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando a escola online voltou, confesso, sem vergonha nenhuma, que surtei na batatinha. Com marido na masmorra-office, esse trabalho de escritório acorrentado a reuniões sem fim na escrivaninha do nosso quarto a portas fechadas, sobrou para mim e meu &quot;horário flexível&quot; gerenciar a educação da pimpolhada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na primeira quarentena (e quanto escrevo &quot;primeira&quot;, tenho um pensamento lúgubre da ordem de grandeza das quarentenas pelas quais ainda vamos passar), acabei pegando o jeito de manejar as atividades da escola com alguma leveza. As crianças não eram obrigadas a entrar em reuniões e podiam fazer suas lições (que eram poucas), nos horários que lhes conviessem. Foi a rigidez da escola, desta vez, que me pegou no pulo. Porque se tem uma coisa que eu aprendi que me tira do sério rapidinho é rotina rígida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, que alegria descobrir isso agora. Vontade de apanhar uma máquina do tempo e avisar à mulher que eu fui dos trinta aos quarenta anos que tudo aquilo que eu complicava era fácil de resolver.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Descobri que as crianças teriam de participar da escola online nos mesmos moldes do que anda acontecendo desde março na escola brasileira. Ou seja, teriam de passar o dia em frente à tela do computador, das 8:45 às 3:25, com pequenas pausas para o lanche. À parte o absurdo de manter uma criança por tanto tempo em frente a uma tela, como se fosse um plano malvado para acostumá-la rápido ao cubículo que a aguarda em sua futura vida profissional, meu surto foi provocado pelo fato de não termos computadores o bastante na casa para que as crianças se mantivessem online simultaneamente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A primeira semana foi, portanto, um imenso exercício de gerenciamento. Meu laptop foi dominado por meus filhos. Eu entrava no Google Classroom de ambos de manhã cedo, e decidia que aulas eram mais importantes para cada um, quais poderiam ser perdidas sem prejuízo, e passava meu dia brincando de dança das cadeiras com os dois, enquanto tentava me comunicar com as professoras para explicar suas ausências intermitentes, resolvia problemas de TI, ensinava Laura a usar o computador de forma independente, impedia que Thomas começasse a desenhar no meio da explicação da lição, fazia almoço e jantar, lavava roupa, e tentava planejar o lançamento do meu livro, escrevia textos para o blog pelo celular, e pensava no aniversário da Laura que estava chegando. Quando finalmente o horário da escola terminava, eu precisava sentar com cada um deles para ajudá-los a terminar as atividades da escola que tinham prazo de entrega.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Delícia. Mas era só por uma semana, disse o governo. Eu aguento uma semana.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só que não foi. Um dia antes da escola reabrir, veio a notícia de que a quarentena se estenderia por mais quinze dias. Naquele mesmo dia, meu pé voltara a doer depois de um treino de corrida. E a perspectiva de minha fascite plantar retornar, unida à constatação da permanência da escola online, fez com que eu sentasse à noite na minha poltrona amarela e chorasse com tanta força, que não achei que conseguiria parar. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Allex então resolveu trabalhar na sala, usando o minúsculo e defasado laptop da empresa, e montou nossa câmera fotográfica num tripé ao lado do desktop para servir de webcam, de modo que Thomas pudesse participar o dia todo de sua aula no meu quarto, enquanto Laura usava meu laptop na minha escrivaninha. Nesses dias, eu tive de apanhar meu celular e tentar trabalhar sentada na cama do beliche das crianças, pois o quarto delas era o único aposento (fora o banheiro) que não soava como uma central telefônica de um escritório dos anos 50.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para apaziguar os nervos e a ansiedade por ter trabalho para fazer e nenhum laptop para usar, enfiei-me na cozinha como não fazia desde que saí do Brasil. Pão, bolo, torta, biscoito.Pão, bolo, torta, biscoito. Biscoito, biscoito, biscoito. Biscotti integral e amaretti que adoçaram os lanches das crianças e o espresso dos adultos. O &quot;stress cooking&quot; aos poucos virou uma cozinha relaxada, e, pelo menos por um tempo, o método funcionou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg64XQd5raUOEMM0XcO0441-oedNOH5eYWKf1ZoyI0xUnSluZ-440vmbgXHZqC5-WT2W1fbjfoAmvteUhmRw1ehzNe6MaHMXvpV8LZYZo1a0NjvR7nKoy1BY4Hi7LlxLOez8iXz1Jm0fJAm/s639/Screenshot_20210118-110313.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;625&quot; data-original-width=&quot;639&quot; height=&quot;626&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg64XQd5raUOEMM0XcO0441-oedNOH5eYWKf1ZoyI0xUnSluZ-440vmbgXHZqC5-WT2W1fbjfoAmvteUhmRw1ehzNe6MaHMXvpV8LZYZo1a0NjvR7nKoy1BY4Hi7LlxLOez8iXz1Jm0fJAm/w640-h626/Screenshot_20210118-110313.png&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo bem, tudo bem, eu dizia. São só mais duas semanas, eu&amp;nbsp; aguento. As férias que queria ter tido no fm de ano e que não tive por conta do lançamento do livro, poderia ter agora. Passaria meus dias lendo na minha poltrona e cozinhando, ficando à disposição da pimpolhada, e tudo correria bem. Em quinze dias eu voltaria a trabalhar, sem problemas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Comecei a notar uma conexão entre meu nível de estresse e a dor no pé. Nos dias em que aceitei as coisas como eram, e tentei relaxar, curiosamente, corri 5km por dia sem uma única dor no calcanhar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo ia bem. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Até descobrir que as crianças haviam passado um dia inteiro vendo desenhos nos computadores, ao invés de participarem das aulas que estavam deslocando e dificultando tanto meu trabalho quanto o de Allex.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltamos tudo para o lugar. Allex voltou à masmorra, e as crianças retornaram à sala. Combinei com os professores que Thomas estaria presente de manhã, e Laura à tarde, e um brincaria enquanto o outro estudava, e depois eu sentaria para ajudá-los com as lições. Percebemos que os dois andavam com dificuldades em algumas matérias, e que sua dificuldade tinha mais a ver com resiliência e paciência do que entendimento. Era uma mera questão de repetir um pouco alguns exercícios até criar confiança. Quando fomos sentar para ajudá-los, nos demos conta de que eles não tinham nenhum material de referência onde pudessem revisar as teorias. Toda&amp;nbsp; matéria é dada oralmente pela professora e todos os exercícios são fotocópias de apostilas anexadas à pasta individual de cada aluno.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu, que sou a louca dos livros de referência e fico comprando para os dois livros sobre botânica, evolução e espaço, fiquei chocada ao me dar conta de que as criança não tinham como estudar de forma independente o que aprendiam na escola.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em tempo:eu me importo muito pouco se eles tiram 5 ou 10 na escola. O que me importa é que eles, confrontados com uma questão, saibam pesquisar e resolver seus problemas de forma independente. Saber aprender e saber estudar, ou seja, &quot;juntar lé com cré&quot;, é a habilidade que eu quero que eles levem para a vida. E não um monte de informação decorada para passar de ano.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além disso, os dois morrem de preguiça de escrever (casa de ferreiro), e passar quinze minutos catando milho num teclado para produzir uma única frase não estava ajudando em nada. O que eles precisavam praticar precisava sem feito com lápis e papel. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim, compramos livros de Kumon com o conteúdo canadense de segunda e quarta série para que eles praticassem escrita e resolução de problemas. Mas Ana! Já tem tanta coisa na escola! Tem nada. Em três semanas, eles não fizeram uma única redação. A aula tem se resumido a assistir videos de you-tube e resolver problemas em aplicativos. Mas a maior parte do tempo é usada para esperar todas as trinta crianças resolverem problemas técnicos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meus filhos reclamam o tempo todo que tudo o que se faz em aula é conversar, e eles mesmos já perceberam que seus dias estão passando e seu tempo não está sendo bem aproveitado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Livros comprados. Enquanto um participava da escola online, o outro fazia alguma lição de redação, multiplicação ou problemas com palavras (compreensão de texto). Menos tempo em tela, mais tempo de fato usando o cérebro e criando coordenação motora fina. Eu continuava sem conseguir trabalhar direito, mas ao menos os dias começaram a ficar mais calmos em torno da escola e as crianças mostraram progresso rápido com suas dificuldades iniciais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Veio o lançamento do livro, que não foi meu sonhado evento numa livraria, mas foi um papo gostoso numa live de Instagram. Tempos estranhos. Agora preciso sentar e assinar aqueles autógrafos e dedicatórias e enviar tudo antes que o governo suspenda o correio para o Brasil outra vez. Se é que já não suspendeu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk9cpadADnyVf8XvTZc805SfWmxny4bHC46iLKq3ENbgomSlg7Li2nXl3RpdAEXVwIRIkrbbnW4AgR-LkqWQnq06tPbQCIZtxMqcvNsAPMMy4SRDOMYZnMNlv2Vrcn1K5An37KwgPckBbO/s2200/IMG_20210114_104924_476.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2200&quot; data-original-width=&quot;2200&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk9cpadADnyVf8XvTZc805SfWmxny4bHC46iLKq3ENbgomSlg7Li2nXl3RpdAEXVwIRIkrbbnW4AgR-LkqWQnq06tPbQCIZtxMqcvNsAPMMy4SRDOMYZnMNlv2Vrcn1K5An37KwgPckBbO/w640-h640/IMG_20210114_104924_476.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passado o lançamento, senti um alívio de missão cumprida, e continuei usando a cozinha e a leitura como meios de manter a cabeça em ordem e ter paciência com todos os pequenos perrengues da escola online. Laura havia pedido, para seu aniversário, um bolo de chocolate com menta, que ela mesma decoraria, e beijinhos de coco, que ela prefere a brigadeiros, apesar de detestar coco em qualquer outra forma. &quot;De café da manhã eu quero waffles, de almoço, hambúrguer, e de jantar, banquete&quot;, disse ela, e usei meus dias para organizar a bagunça toda. &quot;Banquete&quot;&#39; é como ela chama, desde pequerrucha, uma mesa cheia de acepipes diferentes.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvM_HETHSD13CCPIhc-iIHrRtx749ZFcTMQ9VNqKkTiKbU5j8kPzOAIZyzpWIYxDq7p9DpY1iZLm3RAcuZlYJ0enRT5-7DfM4GRMPTC5zy51IyyUX4lOET_VEj0tCSaV6oXpkANEYCISY9/s950/IMG_20210116_074441_978.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;950&quot; data-original-width=&quot;950&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvM_HETHSD13CCPIhc-iIHrRtx749ZFcTMQ9VNqKkTiKbU5j8kPzOAIZyzpWIYxDq7p9DpY1iZLm3RAcuZlYJ0enRT5-7DfM4GRMPTC5zy51IyyUX4lOET_VEj0tCSaV6oXpkANEYCISY9/w640-h640/IMG_20210116_074441_978.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela preparou sozinha seu bolo de chocolate, aquele já super batido da Alice Medrich, e me ajudou a fazer a cobertura: o vanilla buttercream do mesmo livro da Alice, mas cuja baunilha eu troquei por extrato natural de menta. Ficou exultante quando encontrei corante natural à base de plantas e eu ri dos seus pulos de alegria ao ver a cobertura se tornando verde. Vi minha menina gigante de 8 anos escrevendo o próprio nome no bolo com um sorriso daquele tão largo, que faz chorar. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi um aniversário em casa, isolado do resto do mundo, com balões e coroa de rainha, com competições de tiro com o arco e flecha que ela ganhou de presente, e um filme em família que ela escolheu. Ela foi dormir feliz e exausta, dizendo como seu aniversário havia sido perfeito. E me dei conta da sorte que tenho, de poder ver meus filhos felizes no meio do desastre mundial que estão sendo esses tempos. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então o governo, que é fã daquela piada velha do gato que subiu no telhado, resolveu estender o fechamento das escolas em mais um tanto. E a gente, que não é bobo nem nada, entendeu rápido que 2021 pode ser reprise de 2020 e resolveu criar soluções mais permanentes. Apesar de termos evitado isso até hoje com furor, compramos dois tablets para que eles possam participar das aulas de forma independente mas simultânea, e organizar seu tempo para fazer os trabalhos da escola e os livros de exercícios. E essa é a primeira vez no ano em que estou sentada na sala, em horário comercial, escrevendo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dias passam. Durante aquele surto na primeira semana de escola, ouvi minha boca dizer, em tom de autocomiseração: &quot;Eu quero minha vida de volta!&quot;. Ao que Allex me olhou, sério mas sem julgamento, e disse: &quot;Essa É sua vida.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Scataplaft! &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dias passam. Depois daquele choro, decidi que não me deixaria irritar, como quem decide não comer glúten. Decidi que aceitaria as coisas como são. E que dentro das circunstâncias, tentaria relaxar e me divertir. Decidi que não lutaria mais contra esse momento inevitável de dar uma tela na mão de cada criança.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles acertam o timmer do fogão para tocar feito sino da escola, e eu saio para correr depois do café. Quando volto, cansada mas sem dor, estão cada um de um lado da mesa de jantar, com seus tablets e fones, ouvindo os professores e fazendo suas lições. Tomo um banho sem pressa, dou um beijo no marido na masmorra-office, e, com uma xícara de chá, abro meu laptop e me junto ao silêncio do trabalho dos meus filhos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Quando vocês terminarem, vamos ao parque brincar um pouco&quot;, eu digo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dias passam.Tranquilos. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;BISCOTTI INTEGRAL DE AMÊNDOAS&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;(do livro&amp;nbsp; Chooey Gooey Crispy Crunchy, da Alice Medrich)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;Rendimento: 25 a 30 biscotti &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Ingredientes:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2 xic. (250g) farinha de trigo integral&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 colh (chá) fermento químico em pó&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2/3xic açúcar mascavo apertado na xícara&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/4 xic. óleo vegetal (usei azeite de oliva) ou 4 colh. (sopa) manteiga, derretida&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2 ovos grandes&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/4 colh (chá) sal&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 colh (chá) extrato de baunilha&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 xic. amêndoas com pele, picadas grosseiramente&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Preparo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Preaqueça o forno a 160oC. Posicione a grade no meio do forno. Reserve uma assadeira grande,forrada de papel-manteiga ou untada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Misture a farinha e o bicarbonato numa tigela e reserve.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Na tigela da batedeira, bata o açúcar, óleo (ou manteiga), ovos, sal e baunilha, por 2 ou 3 minutos, até que esteja espesso e claro.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte a farinha e as amêndoas, e misture com uma espátula até que a farinha fique toda umedecida. A massa deve ser consistente e grudenta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Com a ajuda de uma espátula, passe a massa para a assadeira preparada e espalhe, formando um retângulo grosseiro de mais ou menos 12x45cm.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Asse por 30-35 minutos, até que a massa tenha inflado e esteja firme, mas elástica ao ser tocada com a ponta do dedo. Gire a assadeira no meio do cozimento.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Deixe a asssadeira com a massa esfriar por quinze minutos sobre uma grade. Deixe o forno ligado, mas abaixe para 150oC.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Transfira a massa para uma tábua de corte e, com uma faca serrilhada, corte a massa na largura em fatias de 1cm.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Transfira as fatias para a assadeira, agora sem papel-manteiga, deixando ao menos 1cm entre elas. Use duas assadeiras, se necessário, movendo as grades do forno para a parte superior e inferior. Nesse caso, troque as assadeiras de lugar no meio do cozimento. Asse por 20-25 minutos, ou até que as beiradas do biscoito fiquem douradas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Deixe a assadeira com os biscoitos esfriando sobre uma grade. Deixe que esfriem completamente antes de guardar os biscoitos, mas guarde-os assim que esfriarem, num pote hermético,para que não percam a crocância.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;Observação: &lt;/b&gt;se seu forno não for elétrico, ou ele não mantiver temperaturas abaixo de 180oC (o meu do Brasil não assava nada abaixo dessa temperatura), fique atento ao tempo e cozimento, que será menor nas duas fases. Na segunda fase, você pode segurar a porta do forno entreaberta com uma colher de madeira, para que a temperatura fique mais baixa. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;... &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;AMARETTI&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;(do livro&amp;nbsp; Chooey Gooey Crispy Crunchy, da Alice Medrich)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;Rendimento: cerca de 90 amaretti (mas eles duram para sempre num pote fechado)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Ingredientes:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 3/4 xic. amêndoas sem pele&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2 xic.açúcar (usei o cristal orgânico) + 1/2 xíc. para usar num segundo momento&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/2 xic. claras de ovo (de cerca de 4 ovos), em temperatura ambiente&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/4 colh (chá) cremor tártaro (cremor tártaro é um ácido em pó, que, nesse caso, é usado para estabilizar as claras. Você pode substituir por 1 colh(chá) de suco de limão ou vinagre. Eu usei limão).&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2 colh. (chá) de extrato NATURAL de amêndoas (se você usar essência artificial, use metade)&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Preparo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Preaqueça o forno a 150oC. (Se seu forno não mantém temperatura abaixo de 180oC, deixe a porta entreaberta com a ajuda de uma colher de pau, que era como minha avó fazia suspiro.) Posicione as grades nas partes superior e inferior do forno. Forre duas assadeiras grandes com papel-manteiga.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte as amêndoas e a primeira quantidade de açúcar num processador. Pulse várias vezes, até que estejam finamente moídas, como uma farinha, mas com cuidado para não transformar numa pasta. (Se você mesmo tiver branqueado as amêndoas para tirar a pele, tenha certeza de que elas estão BEM secas antes de usar. Caso você não tenha um processador, use 225g de farinha de amêndoas comprada pronta. Mas talvez o sabor não seja tão intenso.)&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Numa tigela separada, bata, com um fouet ou batedeira, as claras de ovo e o cremor tártaro (ou limão) até que picos suaves se formem quando o batedor for levantado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Junte o extrato de amêndoas, e continue a bater, acrescentando aos poucos aquela 1/2 xic de açúcar separado, até que as claras fiquem bem fofas, firmes e comecem a perder o brilho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Derrame a mistura de amêndoas sobre as claras, e incorpore rápida mas delicadamente com uma espátula, puxando de baixo para cima e girando a tigela.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Passe a mistura para um saco de confeitar com bico de 1cm, ou faça como eu fiz: coloque um ziplock dentro de uma jarra, com uma das pontas inferiores para baixo. Abra as beiradas do ziplock por cima das beiradas da jarra, como quem coloca um saco plástico no lixo da cozinha. Usa uma espátula para transferir toda a massa para o ziplock, acomodando a massa até a ponta no fundo da jarra. Então desdobre as beiradas, dê uns chacoalhões para que a massa desça toda para o fundo, e torça a parte de cima do saco, até que a massa esteja bem apertadinha em direção à ponta do saco. Agora pegue uma tesoura e corte a pontinha do saco. Um corte pequeninnho.Faça montinhos de massa de cerca de 2cm de altura, deixando os montinhos uns 2,5cm de distância um do outro. Caso você não queira usar o método do ziplock, use uma colher para transferir montinhos de 15ml (1 colh. sopa) mantendo a distância de 2,5cm entre eles. Enquanto as primeiras duas assadeiras estiverem assando, vá fazendo mais montinhos em outras folhas de papel-manteiga. Na hora de assá-los, apenas puxe o papel para que escorrreguem para cima da assadeira vazia. Se os montinhos tiverem biquinhos, molhe a ponta do dedo e alise-os, para que fiquem mais arredondados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Asse os amaretti por 30 a 35 minutos, até que os biscoitos estejam ligeiramente dourados, como um suspiro que ficou tempo demais no forno. Para que assem por igual, troque a posição das assadeiras no meio do cozimento. Deixe as assadeiras com os biscoitos sobre grades para que esfriem antes de guardá-los. Repita o processo com o restante dos biscoitos. Se guardados em potes herméticos, os amaretti duram várias semanas. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/01/a-escola-subiu-no-telhado-mais-biscotti.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9QwXV4IB62of-2KmoxVM9x010YJ95cwlsh68oEVk7422AQwTNIbIrevhZpMk6kVPNEHBUQQcK1FHTM_FmXB-7PBUkPo7FXZypduiht3pxKrw4JJQtXlWvsfKMIossNseqjEdv6zQaM1Su/s72-w640-h630-c/IMG_20210107_093734989.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-7272291127090695755</guid><pubDate>Tue, 05 Jan 2021 20:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-01-05T17:04:02.515-03:00</atom:updated><title>Biscoitos do dia seguinte</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnNp6ungZbNGTSea6QZQCIZOj8dfLWGYlyzncKTW55l7YLs9Ch7xYGM8dkAurEyRacJmc16GKKmvxLfMl8Xc8ZIrkj9mwOgnA6QCv7JHMejie189UTlPk02xcUcHxZMj1y8IONOUhQG3wI/s2970/IMG_20210101_133634978.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2970&quot; data-original-width=&quot;2761&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnNp6ungZbNGTSea6QZQCIZOj8dfLWGYlyzncKTW55l7YLs9Ch7xYGM8dkAurEyRacJmc16GKKmvxLfMl8Xc8ZIrkj9mwOgnA6QCv7JHMejie189UTlPk02xcUcHxZMj1y8IONOUhQG3wI/w594-h640/IMG_20210101_133634978.jpg&quot; width=&quot;594&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que estava nevando, porque a noite lá fora, através da janela de persianas abertas, ao invés de negra e densa, era cor de laranja esmaecida, esfumaçada na massa de nuvens encobrindo o céu. Um jogo duplo de espelhos: o tapete uniforme de neve branca sobre a cidade refletindo no céu as lâmpadas halógenas das ruas e dos parques, tornando a madrugada estranhamente iluminada.&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fiquei deitada por um tempo, olhando os flocos de gelo dançando no vento, até aquele momento em que a gente não sabe mais se está dormindo ou não, o instante inefável em que se abre mão do controle e a consciência é abandonada ao sonho, leve e frágil como aqueles flocos de neve.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na manhã seguinte, Toronto tinha uma cobertura de açúcar de confeiteiro e merengue, escondendo as cores de outras estações, numa monocromia súbita, que me fazia pensar em filmes de diretores suecos. Aquela massa de nuvens que havia sido laranja-salmonada como vestido de casamento de sogra, agora era de um cinza sem contornos e definições, que me fazia pensar nos enfeites de Natal delicados, fechados durante todo o ano numa caixinha, cobertos com uma manta protetora de algodão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abre tampa do céu, por favor, que eu quero ver luz.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Posso &#39;ter&#39; um biscoito, mamãe?&quot;, perguntou Thomas, já com a redoma de vidro na mão de dedos cada vez mais longos, expondo os biscoitos finos e redondos, grandes como pires, assados dois dias antes.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Sim, claro&quot;, respondi, apanhando meu café e preparando um pão torrado com manteiga e geleia.&quot;Que bom que pelo menos você gostou deles&quot;, continuei, sem querer disfarçar o amargor que não vinha do café.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você não gostou?&quot;, perguntou Allex. Minha resposta foi uma careta e um som que soou como o abrir rápido de uma porta enguiçada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Havia assado aqueles biscoitos num afã culinário repentino. Saí para comprar chocolate para os biscoitos de avelãs e chocolate daquela revistinha da Martha Stewart, só para chegar em casa, abrir a revista, e descobrir que os biscoitos não levavam chocolate, mas café. Insisti mesmo assim e os preparei sem dificuldades. Chequei a receita uma segunda vez ao ver os montinhos de massa se espalhando feito lava na assadeira. Os biscoitos eram finos mas imensos, maiores que a palma de minha mão. Quando provei deles e me deparei com aquele gosto forte de café amargo, que encobria totalmente o sabor das avelãs, meu coração afundou. Duas xícaras de avelãs desperdiçadas num biscoito desagradável.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Guardei-os sob a boleira de vidro, consciente de que meus lábios tinham aquele mesmo formato da redoma, tensos em um desgosto frívolo, e comecei a pensar se eu poderia utilizar parte deles dentro de um sorvete de baunilha. Talvez a doçura do sorvete amenizasse o amargo do café.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas eu estava sem vontade de fazer sorvete.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu estava sem vontades.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquele dia cinza e nevado, Thomas comeu uma meia dúzia de biscoitos ao longo do dia, e eu me perguntava se ele realmente gostara deles ou se seu corpo se conformava em comer qualquer coisa, desde que tivesse açúcar. &quot;Não coma demais, Thomas, que a última coisa de que preciso é uma versão sua cheia de cafeína&quot;, censurei, revirando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Café tomado, calcei os tênis de corrida e luvas finas, e saí para aquele mundo branco e cinza lá fora, na tentativa de correr fora minhas tensões. Mas o ar do inverno era seco e duro feito um cenho franzido por rancores. Não havia nenhum animal no parque, os esquilos e pássaros que anuviam meu mau humor, e o silêncio à minha volta novamente me fez pensar em algodão, mas nos ouvidos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltei para casa carregando a mesma ansiedade que levara para passear.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passei meu dia como um fantasma em minha própria casa, deslocada e desencaixada, desconfortável e desconcentrada, vagando, num estado de suspensão de alma, no purgatório das minhas incertezas. Um daqueles dias em que a TV não tem imagens, os livros não têm letras, as conversas não tem nexo, e o tempo parece estagnado e quieto, exatamente como aquele inverno lá fora.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia em que o som da sua própria respiração é muito alto e seus pensamentos se arrastam como as correntes dos fantasmas dos castelos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Quero um doce&quot;, sussurrei para mim mesma,a e fechando portas de armários e geladeiras, provocando no mesmo ambiente os movimentos erráticos que aconteciam dentro de mim. Mas minha casa tem essa particularidade: raramente se encontra um doce se eu mesma não o tiver feito. Às vezes há um chocolate perdido, mas a verdade é que eu não sou muito de chocolate. E a verdade da verdade mesmo, é que quando a gente busca um doce pra acalmar o peito, nenhum doce nunca é aquele que a gente procura. Nada tangível consegue preencher buracos intangíveis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhei a enorme pilha de biscoitos sob a redoma de vidro, e suspirei. Era o meu corpo aceitando qualquer coisa em forma de açúcar, agora. Ergui o vidro pesado com três dedos e apanhei um biscoito redondo e grande, borbulhado de avelãs. Coloquei-o sobre um prato de sobremesa, munida de desejos da civilização e ordem ausentes dentro de mim, e levei para a mesa da sala, para acompanhar a xicarazinha de espresso que eu havia preparado. Ri internamente, e aquele riso formou um sorriso relaxado no meu rosto, e&amp;nbsp; a ansiedade se dissolveu um pouco. Apanhei a revistinha da receita novamente, olhando a fotografia que mostrava biscoitos pequenos ao lado de uma xicara de vidro repleta de café. Claro, era um café americano. Que erro de principiante fora o meu de achar que aquela xícara da foto era do tamanho de um espresso. Claro que os biscoitos eram gigantes! Aquilo na foto ao lado dos biscoitos não era uma xicarazinha, era uma enorme caneca. Proporções e referências.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dei uma bicada no café quente e mordi o biscoito, esperando aquele amargo desproporcional de novo. Mas ele não veio. O sabor era forte de avelãs e algo muito agradável de caramelo. Ele era crocante à mordida e derretia deliciosamente&amp;nbsp; na boca.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Curioso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apanhei um copo d&#39;água, para tirar da língua o gosto do espresso forte, que talvez estivesse encobrindo o amargor que eu sentira uns dias antes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hmm.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De alguma forma, o sabores haviam se entrosado melhor de um dia para o outro, e um biscoito que eu havia considerado desagradável agora estava delicioso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Comi mais um.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhei para aquela enorme pilha de biscoitos sobre a boleira e suspirei, desta vez aliviada. Os biscoitos eram bons. Eu não precisava pensar no que fazer com eles nem me punir mentalmente por pensar em jogá-los fora. Talvez até mesmo os preparasse novamente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era um problema minúsculo, mas um problema minúsculo resolvido. Um pensamento a menos para arrastar pelo chão do castelo, uma ansiedade a menos para levar para passear no parque.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deixei que aquele biscoito dourado me trouxesse paz e felicidade. Só um pouquinho. Através da janela, avistei um grupo de gaivotas voando alto em direção ao lago. Vida e movimento na monotonia depressiva do céu.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;...&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhando direito para o biscoito, acho que ele deveria ter espalhado menos e ficado não tão fino. A massa estava mais úmida, de fato, do que massas de cookie costumam ser. Culpa de medidas em volume, sempre tão pouco precisas. Na dúvida, 2 xic de farinha devem ser 250g. Se achar que a massa estiver excessivamente grudenta e molenga, junte mais uma colher ou duas de farinha até que a massa esteja mais fácil de tirar da colher. Ou asse como está, para ter biscoitos finos e crocantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;BISCOITO de AVELÃ e CAFÉ&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(Da Martha Stewart)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Faz 36 biscoitos grandes&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;2xic farinha de trigo&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) bicarbonato de sódio&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1 colh (chá) sal&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;230g manteiga sem sal, em temperatura ambiente&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1 xic açúcar&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;1/2 xic açúcar mascavo&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;2 ovos grandes&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;3 colh (sopa) café em pó instantâneo (usei Nescafé)&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;2 xic de avelãs, sem casca, torradas e picadas grosseiramente&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;Preaqueça o forno a 190oC. Forre uma assadeira com papel manteiga.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Numa tigela, misture a farinha, sal e bicarbonato.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Na batedeira, bata a manteiga e os açúcares até que fique claro e fofo.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Junte os ovos, um a um, misturando bem. Junte o café e misture.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Com a batedeira em velocidade baixa, junte a farinha e misture apenas até que tudo esteja incorporado. Misture as avelãs picadas com a ajuda de uma espátula.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Coloque porções de 1 colh (sopa) na assadeira, com espaço para que espalhem, pelo menos 5cm, e asse por 12 minutos. Deixe que esfriem na assadeira por 2 minutos antes de transferir para uma grade.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2021/01/biscoitos-do-dia-seguinte.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnNp6ungZbNGTSea6QZQCIZOj8dfLWGYlyzncKTW55l7YLs9Ch7xYGM8dkAurEyRacJmc16GKKmvxLfMl8Xc8ZIrkj9mwOgnA6QCv7JHMejie189UTlPk02xcUcHxZMj1y8IONOUhQG3wI/s72-w594-h640-c/IMG_20210101_133634978.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-2681426768641786516</guid><pubDate>Thu, 31 Dec 2020 19:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-12-31T16:54:13.696-03:00</atom:updated><title>O último dia de 2020</title><description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvwAf7BhBn1q4VSSAwObwKC36hfAQL7RvA2vEJpq7A-AeJjuYX53JmhvV3JO_amrm3uGPehMFnyA4YEikp-7EsvCAl3YBNaHkf8kHhh-ucQyd2Ccveaqi80zNxV1Z35SFEcgli7yBDprcQ/s2980/IMG_20201226_124718_715.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2980&quot; data-original-width=&quot;2980&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvwAf7BhBn1q4VSSAwObwKC36hfAQL7RvA2vEJpq7A-AeJjuYX53JmhvV3JO_amrm3uGPehMFnyA4YEikp-7EsvCAl3YBNaHkf8kHhh-ucQyd2Ccveaqi80zNxV1Z35SFEcgli7yBDprcQ/w640-h640/IMG_20201226_124718_715.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Último dia de 2020.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acordo às seis da manhã ao som de passos e sussurros e portas abrindo e fechando com menos cuidado do que eu gostaria. O quarto continua escuro, guardado ainda do sol que só vai dar as caras às oito horas. Tento desligar os ouvidos e voltar à dormir, mas orelha de mãe têm essa ligação automática com barulho de filho, e me deixo levar pelos ruídos familiares que eles produzem ao prepararem seu café. Geladeira. Armário. Pratos sobre a mesa de madeira. Faca batendo devagar contra a tábua de corte. Vidro raspando e batendo: a redoma de bolo, cheia dos biscoitos de avelã e café que assei na noite anterior. O silêncio me diz que estão comendo. O som dos pratos na pia me diz que os eduquei bem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rolo para o lado, e jogo um braço estabanado por cima dos ombros do marido. Bom dia, amore. Bom dia. Dormiu? Não. E as costas? Continuam doendo. Um mal jeito nas costas, depois de brincar de levantar Thomas de cabeça para baixo. &quot;La vecchiaia&quot;, brinco. Mas suspeito que o mal jeito tenha menos a ver com nossa velhice e mais a ver com o fato de que Thomas cresceu. Muito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Demoro mais alguns minutos para levantar. É aquela preguiça, aquele jeito do corpo tentar evitar o dia por vir, aquela vontade de cobrir a cabeça com as cobertas e fingir que sou crisálida. Ou um astronauta de filme, enfiado na sua câmara criogênica, para passar pela parte difícil do filme e voltar no futuro, quando tudo estiver resolvido. Posso? Me congela e eu volto quando tudo estiver bem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando era criança, sonhei que o despertador tocava, cedinho, numa manhã de inverno ainda imersa em noite. Preguiçosa, cobria-me novamente, voltando a dormir. Minha mãe me chamava no sonho, e quando me levantei, era noite ainda. Noite densa, sem estrelas. &quot;Ai, Ana! Olha só o que você fez!&quot;, dizia minha mãe do sonho. &quot;Você não levantou da cama quando estava amanhecendo, e agora o sol voltou! Vai ser noite para sempre! PRA SEMPRE!&quot; O sonho era vívido, e eu era pequena o bastante para não saber se aquilo era ou não cientificamente possível: o sol voltar atrás e fazer noite só porque uma criança voltou a dormir depois do despertador tocar. Mas, só pra garantir, eu comecei a levantar mais cedo depois disso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nada de crisálida e criogenia, que eu não quero que seja noite pra sempre. Levanta. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha cabeça é uma bagunça, e quando coloquei os pés no chão, decepcionei-me com a constatação de que comprara, no dia anterior, um pacote imenso de sementes de funcho no lugar das de erva-doce que eu queria. Droga.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A poltrona amarela que comprei na Ikea é meu lugar de honra. &quot;O trono da Rainha do Universo e Imperatriz de Tudo o Que Importa&quot;, brincam as crianças. Mas o gesto é quase ritualístico, o caminhar para fora do quarto e me sentar na poltrona, perna direita cruzada sobre a esquerda, mãos sobre os braços amarelos do móvel. Observo em silêncio o movimento dos cortesãos enquanto aguardo minha xícara de cappuccino quente. Enquanto bebo meu café, as crianças constroem castelos de peças de Jenga e dominó, e formam exércitos feitos de dezenas de dados coloridos do Tenzi. Vê-los criando estratégias de guerra ali aos meus pés só faz aumentar a presença da Rainha de Copas no caleidoscópio que é minha personalidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4NPiSQwboqo1WMRA21XpEXQVRlgqT0rquQfG6G-ETDjNmjvjmiUj4QwWS9Yn9OtkvkBpXn1pRxE9W3k9FwSNckWoD8c48dX0AENFgJaBF5xJwn-cwCc1r5R2W6ZKgt3fQWl6FgFFtT3RH/s4000/IMG_20201225_064914812.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4NPiSQwboqo1WMRA21XpEXQVRlgqT0rquQfG6G-ETDjNmjvjmiUj4QwWS9Yn9OtkvkBpXn1pRxE9W3k9FwSNckWoD8c48dX0AENFgJaBF5xJwn-cwCc1r5R2W6ZKgt3fQWl6FgFFtT3RH/w300-h400/IMG_20201225_064914812.jpg&quot; width=&quot;300&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Último dia do ano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quais são os planos? O plano é não ter plano. Como foi o Natal. Nada me faz mais rabugenta do que a pressão de me divertir com dia e hora marcada. A ausência total e completa de qualquer obrigação social ou psicológica de me divertir no Natal foi o que me fez relaxar e me divertir de fato. Assim, só nós quatro e uma lasanha.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqy2izMNhcMkwD6BG9XdareNYaI_XAwFB6lY_PHEX0fDuhq21qSWL4N4OEqdXnTBXo7cn4M3i1-O5-nvngWSSRhRoXkTR8vPRZG4VEWw1-41qlx7fwux-HcZit97o3FV5S9YFKJ6wOnQcS/s4000/IMG_20201224_193444723.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3000&quot; data-original-width=&quot;4000&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqy2izMNhcMkwD6BG9XdareNYaI_XAwFB6lY_PHEX0fDuhq21qSWL4N4OEqdXnTBXo7cn4M3i1-O5-nvngWSSRhRoXkTR8vPRZG4VEWw1-41qlx7fwux-HcZit97o3FV5S9YFKJ6wOnQcS/s320/IMG_20201224_193444723.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Reveillon aqui não existe. Não como no Brasil. Nos outros anos, quando a prefeitura tentou organizar algum evento de contagem regressiva naquela praça no centro, que parece a Times Square versão miniatura e deprê, o evento foi cancelado umas horas antes, porque fazia 17oC NEGATIVOS lá fora. Nada de pular ondinha no lago. Mesmo o Polar Bear Swim, o &quot;pular ondinha&quot; canadense, que consiste em dar um TCHIBUM! no lago gelado no primeiro dia do ano, não aconteceu... porque o lago estava congelado. Esse ano, as temperaturas estão amenas, e seria legal saracotear até o centro com a criançada. Mas né? Pandemia. Não tem evento nenhum. Sem praia e avenida Paulista pra se aglomerar, canadense costuma fazer festa de Reveillon amontoadinho dentro de Pubs quentinhos, com direito a tiarinha e óculos com o número do ano novo. Mas né? Pandemia de novo. Então o plano sem plano é passar Reveillon em casa, olhando os fogos. Ops. Pandemia? Não, Canadá mesmo. Nada de fogos no Reveillon. Nenhum. Nenhumzinho. Com ou sem pandemia, Reveillon é o feriado mais chato dos quase inexistentes feriados canadenses.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então é isso. Eu tinha comprado um peito de pato, num ímpeto de consumismo gastronômico, e acho que, depois do texto do pato do ártico, parece de uma cafonice poética comer pato do último dia de 2020. O plano sem plano é comer o pato. E uma panna cotta em que eu inventei de colocar a quantidade errada de gelatina, e que ficou tão borrachuda que dá pra apagar meus desenhos com ela. Não dá pra acertar tudo. Mas, como diz Allex, se for doce, ele come.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O plano sem plano é tirar da parede de bruxa o envelope que eu grudei ali no dia 31 de dezembro de 2019. Lembra 2019? Saudades, né? Ler aquela carta que escrevi para mim mesma, agradecendo por tudo o que aconteceu em 2020, tentando prever os melhores momentos do ano e dar a dica para o Universo. Eu me lembro de quando escrevi aquela carta, e de quase tudo o que coloquei nela. Teve muita coisa que aconteceu, e outras que teriam acontecido não tivesse sido... a Pandemia. Pois é, pela Pandemia eu não agradeci na carta, porque eu acho que nem a Mãe Diná previu essa joça.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhngoKxP9ewfUgqXRPupseHjErQUP9sA5W1MpKWNPsxbrQH_31bqKcIIfvRavcR-XAi3RdekxXT18kBJV683eENeOUCrHbh4K07yf7EC5PM7XiybLW9JWK51PFui2McQd3408JswBHkKLa0/s1080/IMG_20201229_155405_847.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhngoKxP9ewfUgqXRPupseHjErQUP9sA5W1MpKWNPsxbrQH_31bqKcIIfvRavcR-XAi3RdekxXT18kBJV683eENeOUCrHbh4K07yf7EC5PM7XiybLW9JWK51PFui2McQd3408JswBHkKLa0/w400-h400/IMG_20201229_155405_847.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pensar naquela carta, dobrada dentro de um envelope de envio aéreo da Canada Post, de certa forma me acalma. Acalma como acalma raiva de bicho ou birra de criança. Tenho menos raiva de 2020. Foi um ano difícil. Difícil. Vou deixar assim, resumido numa palavra simples mas também razoavelmente leve, porque cansei de carregar comigo o peso desse ano. Foi um ano difícil como uma Maratona. Cansativo, doloroso, longo; tão longo, que parece que nunca vai acabar. Mas quando acaba, quando você acha que nunca mas vai andar na vida, percebe que as pernas continuam funcionando, e que, ainda que seu corpo tenha gasto toda a energia que tinha para percorrer aquele trajeto, você ainda consegue ir em frente. Passou. Acabou a maratona. E paradoxalmente, ainda que enfraquecido pelo esforço, você se sente forte com um deus antigo. Você correu uma maratona. O que mais você consegue fazer?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você passou por 2020. Parabéns. Assim como numa maratona, todo mundo que saiu de 2019 e chegou a 2021 inteiro, merecia uma medalha de participação.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olho pra 2020 com alguma gentileza, como se fosse um espelho. 2020 tornou evidente todas as rugas e cicatrizes, todas as rusgas e falhas, antes encobertas por roupas bonitas de um sistema de mentirinha. Se 2020 fosse um conto infantil, seria a Roupa Nova do Imperador. De repente, isolados e forçados à introspecção, a maioria de nós se viu nu em nossos relacionamentos. Quem soube olhar com coragem no espelho saiu mais forte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acordei, na madrugada do Natal, com o som seco e agudo de vidro trincando. Sentada,
 no escuro, olhando a porta aberta do quarto, como quem espera uma 
aparição, demorei um tempo para me dar conta de que o barulho não viera 
do armário de copos ou do vizinho, mas de dentro de mim. Era claro 
agora, para mim, aquele efeito tão inesperado, pois quando eu fechava os
 olhos, enxergava no meu peito aquela redoma de vidro, trincada e 
aberta, libertando prisioneiros inefáveis, mas pesados, que eu não queria mais carregar no peito. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse ano que acaba se quebra em cacos no chão, cada pedaço refletindo uma parte nossa deixada para trás, uma perda, uma saudade, uma frustração,uma expectativa, um relacionamento, um castelo nas nuvens, que há muito precisava ser desfeito. Remonto os cacos numa forma nova, e aponto para a luz, na esperança de fazer arco-íris. Parece que esse ano veio para nos fazer ver melhor.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dá licença, que eu vou lá fazer meu pato, abrir um espumante, e brindar a esse ano estranho que trouxe tantas tristezas, mas também verdades e transformações. Eu agradeço sempre a tudo o que me faz mais forte. E 2020 não é exceção.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Feliz ano novo, e que 2021 seja um ano gentil.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora deixa eu ir lá fazer meu pato e arrumar alguma coisa pras crianças fazerem, porque eles inventaram que querem ficar acordados até meia noite e eu estou tentando explicar que Reveillon em Toronto tem cara de quinta-feira. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2020/12/o-ultimo-dia-de-2020.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvwAf7BhBn1q4VSSAwObwKC36hfAQL7RvA2vEJpq7A-AeJjuYX53JmhvV3JO_amrm3uGPehMFnyA4YEikp-7EsvCAl3YBNaHkf8kHhh-ucQyd2Ccveaqi80zNxV1Z35SFEcgli7yBDprcQ/s72-w640-h640-c/IMG_20201226_124718_715.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-3101063139296098380</guid><pubDate>Mon, 21 Dec 2020 17:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-12-21T14:13:32.162-03:00</atom:updated><title>Meu livro, autografado, agora! Quer? Leia o texto com atenção e carinho, que o número é limitado. </title><description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivw7ZSRBlvhJmeP0vY8Rcj1M0BcLMr47yirVCWl04ROWQEvaR8ucN-X15nwvQlAqHdqkteBxLwiZA36V84o7zIWL8s-fnvpSA-p8NE0ck3Z6aG_PQucbAvdvWNHjn8XHQH3J5J0qKxWwRA/s2000/ImagensLivro2.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;2000&quot; data-original-width=&quot;2000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivw7ZSRBlvhJmeP0vY8Rcj1M0BcLMr47yirVCWl04ROWQEvaR8ucN-X15nwvQlAqHdqkteBxLwiZA36V84o7zIWL8s-fnvpSA-p8NE0ck3Z6aG_PQucbAvdvWNHjn8XHQH3J5J0qKxWwRA/w640-h640/ImagensLivro2.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na sexta-feira à tarde, logo antes de buscar as crianças na escola, coloquei à venda meus livros autografados em minha loja Etsy.Não, não saia daí. Senta e escuta. Cinco minutos depois, tão logo o elevador chegou ao térreo, apaguei tudo. Não era certo. Não parecia justo. E como boa libriana, harmonia e justiça são grandes ideais dos quais não abro mão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu quebrei a cabeça por um bocado de tempo, pedi ajuda aos universitários (vulgo seguidores do Instagram), conversei com amigos e colegas escritores, para encontrar uma solução para o dilema: como autografar e enviar livros que estão do outro lado do mundo. Os livros no Brasil, eu no Canadá, e uma pandemia sentada no meio, fazendo birra de que não vai a lugar nenhum tão cedo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A solução foi autografar cartões e enviá-los à minha mãe, que então colocaria cada cartão num livro, cada livro num envelope, escreveria os endereços, e enviaria os pacotes de meio quilo (MEIO QUILO DE LIVRO) a cada um dos leitores queridos. Parecia perfeito, a não ser pelo fato de que o peso das minhas palavras impressas tornava o frete dos livros um bocado caro. Eu me perguntava porque alguém pagaria 95 reais num livro, se ele é vendido a 50 na livraria, só porque tem minha assinatura. Não parecia justo. Além disso, a venda dos livros com autógrafo ficaria restrita a residentes no Brasil, pois ninguém fora do Brasil pagaria mais de 100 reais de frete por um livro que pode ser enviado a 19 reais pelo site da editora. Outra injustiça. Também não parecia justo fazer minha mãe ter toda essa trabalheira e ainda ficar levando pilhas de livros de meio quilo até uma agência de correio cheia de gente, depois de ter passado tantos meses isolada em casa, cumprindo as recomendações de segurança contra o vírus.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então comecei a receber mensagens de pessoas queridas, que compraram o livro impresso nos primeiros minutos em que ele apareceu na pré-venda das livrarias: &quot;Ana, já que o autógrafo é um cartão separado do livro, a gente que comprou o impresso na pré-venda também pode ganhar?&quot; Claro, pensei. Nada mais justo. Se eu tivesse um evento de lançamento em uma livraria, a maior parte dessas pessoas levaria o livro debaixo do braço para pegar seu autógrafo. Seu apoio comprando o livro tem o mesmo valor (literal e figurativamente) que daquelas pessoas que esperaram para comprar diretamente comigo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas isso é outra logística. É enviar um envelope separado, apenas com o cartão. Nesse caso, eu teria de cobrar o frete e o envelope, o que tornaria a coisa toda do autógrafo algo quase mercenário. Comercialização de autógrafo. Eca. Que.Nojo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não, né?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No fim, foi uma conversa com uma amiga e com meu marido que colocou minha cabeça no lugar. Pandemia requer medidas pandêmicas. Não posso querer fazer coisas de um jeito normal se tudo em volta está fora da norma.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;O que é importante para você?&quot;, perguntou Allex.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Eu quero ser lida. Quero estar no mundo. Quero espalhar meu livro. Quero que as pessoas tenham uma relação positiva com meu texto. E quero que elas saibam como estou feliz com o apoio delas.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Você sempre fala que a solução mais simples é a mais correta. Qual é a solução mais simples?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Suspirei.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A solução mais simples é não vou vender minhas cópias. Elas ficam lá, quietinhas, aguardando um evento futuro que um dia vai acontecer. Um dia eu vou assinar aquelas cópias. Quem estava esperando pelo livro autografado está liberado para comprar o impresso nas livrarias. Mas eu ainda quero fazer algo legal. Eu quero agradecer. Por isso estou mandando fazer 100 cartões para autografar, com dedicatória. E eu vou enviá-los daqui de Toronto, envio simples, sem custo nenhum para meus leitores. &lt;br /&gt;Por que 100? Primeiro, é a soma arredondada das cópias que eu tinha para vender mais o número de pessoas que me escreveu dizendo que já comprou o impresso; segundo, porque é o que está dentro do meu orçamento, contando a impressão dos cartões e o envio internacional.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso vale para os livros impressos apenas, por uma questão muito óbvia: só se autografa livro impresso. Vale também para o mundo todo, MENOS quem mora aqui em Toronto. Quem mora em Toronto e adjacências pode comprar o livro no site da &lt;a href=&quot;https://www.chiadobooks.com/livraria/brutta-figura&quot;&gt;CHIADO BOOKS&lt;/a&gt; e me encontrar pessoalmente para eu assinar (quando acabar o lockdown).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;Como vai funcionar? Do jeito que achei mais justo. Mande um e-mail para anaelisagg@gmail.com com o assunto &quot;AUTÓGRAFO&quot; e com:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;- comprovante de compra do livro IMPRESSO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;- nome completo para a dedicatória&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;- nome e endereço completo para envio via correio.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;AS PRIMEIRAS 100 PESSOAS que me enviarem os emails COM OS TRÊS ITENS ACIMA CORRETOS, receberão os cartões dedicados e autografados pelo correio, para serem inseridos ou colados no livro. ATENÇÃO: vou contar os 100 pela ordem de chegada dos emails. Se faltarem informações ou elas estiverem incorretas, eu vou desconsiderar o email, simplesmente porque se eu começar uma conversa pedindo correções, os emails vão sair de ordem. Ok?&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem não entrar na lista dos 100, mas tiver enviado o material até o dia do lançamento do livro, em 8 de janeiro, vai receber por email a versão digitlizada do cartão ilustrado, como sincero agradecimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A lista das livrarias que vendem o livro impresso estão aqui ao lado. Os livros já estão disponíveis no site da editora, www.chiadobooks.com.br, para o envio internacional.&amp;nbsp;&lt;b&gt; IMPORTANTE: o livro impresso NÃO ESTÁ DISPONÍVEL NA AMAZON BRASIL. Trata-se de um erro de cadastro, e as compras do impresso feitas lá serão canceladas. Por favor, compre o livro impresso no site das livrarias. Na Amazon Brasil, apenas e-book. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estou colocando esse texto ao mesmo tempo no blog e no Instagram, para ser justa com todos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Obrigada, de todo o coração,por todo o carinho e apoio não apenas durante o processo de criação e publicação do livro, mas por todos esses anos. Amor e luz para vocês.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2020/12/meu-livro-autografado-agora-quer-leia-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEivw7ZSRBlvhJmeP0vY8Rcj1M0BcLMr47yirVCWl04ROWQEvaR8ucN-X15nwvQlAqHdqkteBxLwiZA36V84o7zIWL8s-fnvpSA-p8NE0ck3Z6aG_PQucbAvdvWNHjn8XHQH3J5J0qKxWwRA/s72-w640-h640-c/ImagensLivro2.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-1005278597922359921</guid><pubDate>Tue, 15 Dec 2020 16:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-12-15T13:38:35.978-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">francês</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">peixes</category><title>O pato e a truta</title><description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXS_ROktqgWfoJGjPIsLHUO1GXRy6D3VHIArKyo3jww-g0P4I02cfQgvTcex5_Mlro-QmTC3ZnqjNmyQa6dkOgKh1OW09Vt6tjrDtXKQuI3TnMeC0FTbydC1scdAc7AhIPLV8iulEyn5HD/s3008/IMG_20201212_130730490.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;3008&quot; data-original-width=&quot;2956&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXS_ROktqgWfoJGjPIsLHUO1GXRy6D3VHIArKyo3jww-g0P4I02cfQgvTcex5_Mlro-QmTC3ZnqjNmyQa6dkOgKh1OW09Vt6tjrDtXKQuI3TnMeC0FTbydC1scdAc7AhIPLV8iulEyn5HD/w630-h640/IMG_20201212_130730490.jpg&quot; width=&quot;630&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Às vezes me pego fantasiando com um cappuccino numa xícara que meus lábios não reconheçam, numa mesa frequentemente lustrada por repetidas passadas de pano com desinfetante, e sons de louças empilhadas, vapores de máquinas de espresso e vozes diferentes das de meus filhos. Suspiro pelo balcão estreito de um bar pequeno a setecentos metros de casa, que me traz lembranças queridas de um outro em Amsterdam, e cuja fachada visito toda semana, com o olhar de saudades imaginárias, através de uma porta de vidro temporariamente fechada. Imagino o cheiro da cerveja absorvida pelos veios da madeira, e a conversa com o canadense barbudo e amigável que eu escalaria para me servir uma caneca caso minha vida fosse um filme. Surpreendo-me sentindo falta de comprar meias numa loja, tocando o tecido sintético com as pontas dos dedos que cheiram a cebola picada e café. Sinto falta do cheiro dos meus dedos, que hoje fedem a diferentes qualidades de álcool.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dezembro chega com uma estranheza familiar. Um desconforto que já faz parte, como um joanete encaixado num sapato velho. Tempo normaliza as mais incríveis aberrações, desde que repetidas com constância. Não é mais preciso lembrar as crianças de colocar máscaras ou lavar as mãos. Já não me surpreendo com filas à porta do mercado. Quando me disseram que é preciso reservar horário no rinque de patinação do parque, para evitar aglomerações, deixei escapar uma interjeição entediada de quem ouve obviedades.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Noutro dia avistei no lago alguns patos do ártico. Patos do ártico, esse pássaro pequeno e bonito, manchado de preto e branco em linhas exatas, como se pintado por um artista gráfico obsessivo e minimalista. Gosto de acreditar que ele seja o resultado do caso de amor entre um pato de fazenda e um pinguim. Mas a lembrança de que não há pinguins no ártico frustra minhas fantasias. E então me dou conta de que o pato do ártico ali carrega com ele outras frustrações. Ele não acabou de partir? Não foi ontem, nas primeiras semanas de março, quando avistei os últimos patos do ártico flutuando no lago gelado, antes de sua partida para o verão no norte? Como pode ter passado o tempo? Como podem os patos do ártico terem retornado e nada ter mudado desde aqueles dias?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Suspiro. Digo oi aos patos do ártico. Aceito sua presença aqui, e a espiral cíclica e paradoxal de previsibilidade sem controle que ela significa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abraço mentalmente os patos, o caos, o descontrole, o tempo. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O tempo traz também clareza. Acontecimentos erráticos entram em formação e, como o voo dos pombos que habitam os telhados das lojas do lado de casa, repentinamente fazem sentido. Como o rosto observado no espelho por tempo o bastante para perder conexão entre as partes, as partes, olhadas atentamente por tempo bastante, revelam uma conexão que beira a obviedade do rinque de patinação na pandemia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De todos os padrões e ciclos visualizados nos últimos meses (anos?) o mais óbvio deles, e que por mais tempo passou desapercebido, foi a relação entre meu foco criativo e minha energia. E quando mencionei isso a Allex, ele riu, tamanha obviedade. Só eu não vi? Só eu não vi que quando minha energia criativa está ligada à pintura e à escrita, não resta nada para a cozinha? Que quando minha mente se engaja na exploração de novos caminhos pela pintura, na criação de textos e ilustrações, um arroz com ovo me basta? Que quando estou preocupada com processos e burocracias da minha arte, não quero fazer nada mais complexo que um bolo de liquidificador?&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E o contrário se aplica: quando mergulho com vontade nas práticas mais complexas da cozinha e da confeitaria, e me meto a ler e ver e ouvir e respirar comida, não sobra uma fagulha que atice o fogo criativo dos pincéis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E enquanto me deixo consumir pelo calor do forno, as criações do fogão satisfazem o apetite da alma, e os outros projetos permanecem largados, incompletos e abandonados, esperando o completar da digestão e o retorno da fome criativa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dezembro, com suas costumeiras correrias pré-natalinas, trouxe a estranheza mais estranha de todas: a pausa. Fim do ano nunca é pausa. É festa, é gente, é planos. Mas este ano, estranhamente, a festa não tem gosto de comemoração, não há gente vindo visitar de longe, e mesmo quem está perto é proibido de vir, e planos? Bem, planos não se fazem em 2020. Um fim de ano sem pressão de ser fim de ano. Um fim de ano blasé, discreto, um fim de ano bebendo no canto do salão, observando de fora, sem fazer alarde, sem ser notado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando o furor do trabalho de escrever, publicar, pintar, vender, desenhar, divulgar, e entregar tudo no prazo, começa a rescindir, aquela vontade de folhear livros de cozinha surge tão de repente quanto o pato do ártico. E na estranha pausa de fim de ano que a pandemia me provê, dou-me conta de estar planejando receitas novas, explorações gastronômicas e aventuras de confeitaria novamente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Surpreendo-me com a vontade de preparar aquela truta com cogumelos do 
livro francês, e me dou conta de que minha vontade de desenhar 
desaparece no mesmo passo. Aconteceu de novo. E acontece sempre, esse 
cansaço, esse saco cheio, que torna meu interesse instável e pesa nos 
ossos,depois de uma fase inteira de atenção num só assunto, focado, obcecado, tenso, como um cabresto criativo.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ciclo fica claro, e mais claro fica o fato de que eu talvez mergulhe muito profundamente em cada uma de suas fases, como se minha criatividade fosse um lago profundo ao invés de um mar. O mergulho intenso em águas paradas me deixa sem ar: nado cada vez mais fundo, e volto à tona apenas quando exausta, surpresa por minha enfadada apatia pela atividade recém-explorada, esperando pelo próximo mergulho em águas diferentes, sem saber que nunca saí do lugar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como o pato do ártico, também me deixei enganar por um tempo por esse vasto lago que parece mar mas não é.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se eu não nadar tão fundo e me deixar flutuar e relaxar de vez em quando, conseguirei manter a cabeça fora da água para enxergar as ondas vindo, deixar-me levar de jacaré por uma, atravessar outra por baixo num prender de respiração, e pular meu caminho de volta até o fundo, daquele jeito de criança que tenta furar a onda com o corpo reto e acaba tomando caldo, levantando com areia no cabelo e o maiô enfiado na bunda. Mas rindo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Criar rindo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um pouco de escrita, um pouco de pintura, um pouco de cozinha, sem cansar de nenhuma delas. Como foi um dia, quando comecei a escrever aqui, antes de endurecer e acreditar no mito da produtividade. Nem só um, nem só outro. Equilíbrio. Tensão e relaxamento. Nem cá, nem lá, feito ave migratória. Um pouco de trabalho, um pouco de diversão. Criatividade na vida é feito sal no prato: mais gostosa quando bem distribuída.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não quero mais esse um fogo criativo explosivo que se exaure, mas brasas duradouras por toda a parte.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O pato do ártico trouxe à tona uma frustração, mas toda frustração, se observada com cuidado, traz com ela um aprendizado. O pato branco e preto de designer voltou ao lago que parece mar, como se os meses entre março e dezembro nunca tivessem acontecido. Mas fecho os olhos e suspiro um suspiro de esperança, de saudade de um futuro, pensando que um um dia também essas partes de 2020 vão se ligar numa imagem clara, que o que parece hoje confuso vai fazer sentido. Quando estiver outra vez escrevendo no café do bairro, ou bebendo uma cerveja com uma amiga no pequeno bar do balcão de madeira, esses meses estranhos terão sido uma fase num ciclo cuja imprevisibilidade caótica será óbvia e aceitável. O pato do ártico deixa o lago e retorna ao mar, repito a receita da truta com cogumelos numa terça-feira do ano que vem, e lembro desse baile de máscaras como quem vê uma fotografia de carnaval mas só consegue descrever a ressaca do dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;b&gt;TRUTA ARCO-ÍRIS (ou salmão) COM MOLHO DE CREME E COGUMELOS.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;(do livro I Know How to Cook, de Ginette Mathiot)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Rendimento: 6 porções &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Obs: Truta Arco-Íris (Rainbow trout, ou Steelhead Trout) é uma truta, parente do salmão, de rios gelados da América do Norte. Seu sabor e textura lembra um bocado salmão atlântico, ainda que seja mais suave. Caso não encontre truta, pode usar a mesma quantidade de salmão atlântico.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Obs2: na primeira vez em que preparei esse prato, usei filés de peixe menores e servi com um gratin simples de batatas. Desta vez, usei arroz. O peixe tem bastante molho, que é delicioso, então sirva com algum acompanhamento que absorva um pouco do molho.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Obs 3: A pele do peixe ajuda ele a não grudar, mas não se incomode em deixá-la crocante, uma vez que o molho fará com que a pele amoleça novamente. Corte a cebola ou echalota realmente pequenininho, porque ela vai apenas cozinhar um pouco no molho, e não dourar, e você não quer pedaços grandes de cebola crua. Na primeira vez, piquei os cogumelos em pedaços pequenos, desta vez, fatiei. Fica bom dos dois jeitos, e eu gosto de colocar mais cogumelos do que a receita pede. Fica a seu critério. Já fiz com crème fraîche e com&amp;nbsp; creme de leite fresco, e as duas versões ficam deliciosas.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Ingredientes:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;800g de filés de truta com pele (ou salmão),cortados em pedaços de 100-120g.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/4 xic. farinha de trigo&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;sal e pimenta-do-reino&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2 colh. (sopa) generosas de manteiga&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1/4 xic. vinho branco&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;1 echalota pequena ou 1/4 de cebola branca picada BEM fininho&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;100g de cogumelos picados (Paris, Cremini, o que quiser)&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;2/3 xic. crème fraîche ou creme de leite fresco&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Salsinha picada para finalizar (que eu sempre esqueço de colocar e é opcional)&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;&lt;i&gt;Preparo:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Passe os filés de peixe na farinha de trigo, para cobri-los bem, chacoalhe o excesso e tempere com sal e pimenta. (Importante: faça isso apenas na hora de cozinhar, ou o sal fará o peixe soltar umidade, o que, em contato com a farinha, vai produzir uma cola, e ao invés do peixe selar na frigideira, ele vai grudar.)&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Derreta a manteiga em uma frigideira grande, coloque lá o peixe, com a pele para baixo, e cozinhe em fogo baixo, virando uma vez, até que esteja ligeiramente dourado.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Derrame o vinho e imediatamente polvilhe a frigideira com a echalota (ou cebola) e os cogumelos picados, espalhando de forma uniforme. Junte o creme e continue cozinhando em fogo baixo por 10 minutos, sem tampa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style=&quot;color: #444444;&quot;&gt;Transfira o peixe para uma travessa, leve o molho à fervura, acerte o tempero e derrame-o às colheradas sobre o peixe. Polvilhe com s&lt;/span&gt;alsinha, e sirva imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2020/12/o-pato-e-truta.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXS_ROktqgWfoJGjPIsLHUO1GXRy6D3VHIArKyo3jww-g0P4I02cfQgvTcex5_Mlro-QmTC3ZnqjNmyQa6dkOgKh1OW09Vt6tjrDtXKQuI3TnMeC0FTbydC1scdAc7AhIPLV8iulEyn5HD/s72-w630-h640-c/IMG_20201212_130730490.jpg" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-764584486472288999.post-7507721299023960590</guid><pubDate>Tue, 08 Dec 2020 19:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2021-02-18T16:56:55.557-03:00</atom:updated><title>Meu livro saiu! Meu livro saiu! Meu livro saiu! Já falei que meu livro saiu?</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi08Dxg_aX0HCzOfB2vALbu59KM3zNSUGrOsbE7QP4FL8279oDUz37ipL4zEanJSURPEBn-IjC3kHbNLug7PACk9HWem7eSX0Hdu5p6aqJ2Iz96dGnLarELDSWEkiyP7qD4L_k0N9uj8juZ/s1080/IMG_20201204_095328_481.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1080&quot; data-original-width=&quot;1080&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi08Dxg_aX0HCzOfB2vALbu59KM3zNSUGrOsbE7QP4FL8279oDUz37ipL4zEanJSURPEBn-IjC3kHbNLug7PACk9HWem7eSX0Hdu5p6aqJ2Iz96dGnLarELDSWEkiyP7qD4L_k0N9uj8juZ/w640-h640/IMG_20201204_095328_481.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O livro foi lançado.&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Solto essas palavras assim, feito uma bomba. Mas não uma bomba ruim. Uma bomba de chocolate. Doce, explodindo risada à primeira mordida. Uma bomba. Num dia está ali, quietinho, sendo preparado, aguardando, aguardando. Então, de repente, ao apertar de um botão, ele está ali, solto no mundo, no ar, explodindo todas as minhas palavras para quem quiser lê-las.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ok, eu voltei para a metáfora da bomba que explode.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É difícil conter em mim apenas uma das sensações: o prazer do doce e o medo da explosão. Pois é isso, não é? Esse coração que bate forte? O ápice desse meu envolvimento com a história, essa história, minha história, minha relação com quem me leu durante todos esses anos... ela chega aqui: na publicação de um livro cujo lançamento me deixou tão feliz e tão exausta, que dormi por um dia inteiro depois dela.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ok, essa metáfora está virando uma outra coisa completamente diferente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltemos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas de fato, dormi um dia inteiro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estava já acostumada a esperar. Acostumada ao processo, o ir e vir de versões escritas, revisadas, editadas, ir e vir de textos extras e imagens de capa, acompanhados de mil e-mails burocráticos. Quem passou uma vida se especializando em procrastinação toma um susto danado quando um projeto calha de ser, enfim, finalizado. E eu procrastinei esse livro por oito anos. Vira um filho, um projeto, quando a gente nina ele por tanto tempo. E, como um filho, dá medo de soltar no mundo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí um dia você decide que é o momento de soltar a mão. Você dá um dinheiro na mão do seu filho e ele vai sozinho até a padaria.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Você aprova a versão final do seu livro e manda para a gráfica.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O filho volta uns minutos que pareceram horas depois, com uns centavos de troco e uma baguete.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chega um e-mail da editora dizendo que seu livro está em pré-venda nas livrarias.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquela noite, acordei várias vezes de um pesadelo genérico, suada e com taquicardia, com a certeza retumbante de que tinha enviado o arquivo errado à editora e que eles publicavam uma versão antiga, não revisada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjw3d21w5c45qG541sBYwYl2tOKvX6uvR0jfOXWMwuiwVdI7hRkFRl7UVsHRv4f_LcydS4T6-BcqMZtVcvMuesYP1iC3VSP5sm_eaBcJRDIbJmVOH-L1i5Yl2fbawsWkffXfFc5PMkYphYH/s4000/IMG_20201206_110028470.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjw3d21w5c45qG541sBYwYl2tOKvX6uvR0jfOXWMwuiwVdI7hRkFRl7UVsHRv4f_LcydS4T6-BcqMZtVcvMuesYP1iC3VSP5sm_eaBcJRDIbJmVOH-L1i5Yl2fbawsWkffXfFc5PMkYphYH/w480-h640/IMG_20201206_110028470.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;À tarde, ouço a conversa online do marido com um funcionário novo. &quot;O que faz sua esposa?&#39;, pergunta o funcionário, me vendo trabalhar ao fundo da chamada por câmera. &quot;&lt;i&gt;She&#39;s an illustrator and a published writer&lt;/i&gt;&quot;, Allex responde. Passo o dia todo animada e simultaneamente aflita. Como quem ganhou na loteria mas não sabe o que fazer com o dinheiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na manhã seguinte, uma leitora me envia uma mensagem pelo Instagram com um &quot;Parabéns!&quot; e uma foto de tela. Demoro para entender o que estou olhando. Quando entendo, suspeito que seja mentira. É pegadinha, penso, lembrando daquela vez na escola em que recebi um bilhete de Correio Elegante do menino de quem eu gostava; só para descobrir, meses depois, que o bilhete fora fabricado pelo valentão da escola, com o mero intuito de me ver animada com uma mentira e rir de mim.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;O que foi?&quot;, Allex pergunta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Meu livro está em nono lugar dos lançamentos mais vendidos na categoria Biografia e Histórias Reais, na Amazon Brasil.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Uau! Parabéns!&quot;, ele diz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;É de verdade?&quot;, pergunto, ainda confusa, meu cérebro enevoado por décadas de Síndrome do Impostor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Deixa eu ver&quot;, ele diz, apanhando o celular da minha mão. &quot;É sim! Parabéns, Pastel!&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;BUUUUUUM!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Começo a receber mensagens com recibos eletrônicos. &quot;Comprei seu livro!&quot;, dizem. &quot;Allex, outra pessoa que não é minha mãe comprou meu livro!!&quot;, berro da cozinha. &quot;Parabéns!&quot;, ele responde do quarto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Seu livro já tá vendendo, mamãe?&quot;, perguntam as crianças.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Tá sim.&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&quot;Então eu quero comprar um&quot;, diz Laura, saindo para pegar sua bolsinha de dinheiro. &quot;Quanto custa?&quot;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mente é tão agitada durante o fim de semana, que aceito o convite de Allex para correr, no sábado e no domingo. As crianças vão junto. Se normalmente conversamos durante a corrida, desta vez fico quieta, sem conseguir organizar os pensamentos. Voltamos para casa, abro um vinho, e não consigo parar de olhar os sites das livrarias para ver se meu livro está mesmo lá. Está. Meu livro, minha capa, meu nome.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Caspita&lt;/i&gt;.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não consigo fazer nada do que havia me proposto a fazer nesses dois dias. Faço cálculos de como mandar trazer setenta livros do Brasil ao Canadá para poder autografá-los em janeiro, uma vez que meus planos de viajar ao Brasil no começo do ano que vem foram arruinados pela pandemia. Tadinha dela, continuou tentando fazer planos em 2020. Não aprendeu nada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMX7Hqd2bMyhv4ZwL6IacdGYtH5Aabkz88ObaI8vUreF8WNcH5im9tv0GLrqlqUfF4XzLvIl-yKORIOt1iOAxat6J4tVVtTFcyHWCj0VrTIqokGl8cTfOphFLVgwo3VWCnDAUvmMlCi5mL/s4000/IMG_20201205_102951072.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;4000&quot; data-original-width=&quot;3000&quot; height=&quot;640&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMX7Hqd2bMyhv4ZwL6IacdGYtH5Aabkz88ObaI8vUreF8WNcH5im9tv0GLrqlqUfF4XzLvIl-yKORIOt1iOAxat6J4tVVtTFcyHWCj0VrTIqokGl8cTfOphFLVgwo3VWCnDAUvmMlCi5mL/w480-h640/IMG_20201205_102951072.jpg&quot; width=&quot;480&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nasce a segunda-feira e meu cérebro dá uma pane geral. Levo as crianças para a escola, e, quando chego em casa, volto direto para cama, onde durmo profundamente até a hora de buscá-las outra vez.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje, descansada, deixo o sol das temperaturas negativas entrar pela janela, e refletir nas tintas coloridas que uso para terminar uma encomenda. Há caricaturas para entregar e textos para escrever.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu livro está publicado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A história que precede esse blog, escrita por quem amadureceu um bocado desde aquele primeiro post. A viagem que me fez voltar a escrever, que me fez começar uma família, que me fez começar a questionar, devagar, quem eu era de verdade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando comecei a escrever essa história, queria recheá-la de receitas. Mas logo me dei conta de que elas não cabiam ali. Pois a viagem que eu fazia, ainda que fosse um descobrimento de comidas deliciosas, abria caminho por mares mais profundos e matas mais fechadas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É a história das memórias que escapam à desconstrução de alguém. Lembranças que eu precisei escrever para me compreender. Vergonhas das quais aprendi a rir. Muitas, muitas vergonhas.O nome do livro não é à toa: &quot;Brutta Figura&quot;. &quot;&lt;i&gt;Fare una brutta figura&lt;/i&gt;&quot; quer dizer &quot;fazer feio&quot; ou &quot;passar vergonha&quot; em italiano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É irônico pensar no quanto lutei contra minha Síndrome do Impostor em todo o processo desse livro. E no fim ele está aqui: escrito, terminado, publicado, pago com meu próprio trabalho de artista, com uma capa pintada por mim.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora que a bomba caiu, olho em volta para ver o estrago. Não é vergonha que vejo, mas orgulho. Quando a poeira abaixa, vejo uma sombra à distância. Meu Senhorzinho de Terno. Minha Sindrome do Impostor. Ele olha para trás, carrancudo, e acena, na esperança de ser convidado de volta. Eu rio. Mando ele à m*rda e volto para casa, que eu tenho um livro novo para escrever.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;b&gt;...&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;Meu livro, Brutta Figura, está em pré-venda até dia 8 de janeiro, quando será lançado. Essa é uma fase importante. As livrarias usam a pré-venda como termômetro para decidir quantos livros impressos encomendar à editora.&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;A pré-venda da versão e-book pode ser encontrada nos seguintes sites:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #0b5394;&quot;&gt;Amazon Brasil:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;a href=&quot;https://www.amazon.com.br/Brutta-Figura-Ana-Elisa-Granziera-ebook/dp/B08PG1FKZY/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&amp;amp;qid=&amp;amp;sr=&quot;&gt;https://www.amazon.com.br/Brutta-Figura-Ana-Elisa-Granziera-ebook/dp/B08PG1FKZY/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&amp;amp;qid=&amp;amp;sr=&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #073763;&quot;&gt;&lt;b&gt;Martins Fontes Paulista:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;a href=&quot;https://www.martinsfontespaulista.com.br/brutta%20figura#1&quot;&gt;https://www.martinsfontespaulista.com.br/brutta%20figura#1&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #0b5394;&quot;&gt;Livraria da Travessa:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;a href=&quot;https://www.travessa.com.br/brutta-f-9-igura-1-ed-2021/artigo/27a61158-7a3b-48ad-bcab-c5936e4a1468&quot;&gt;https://www.travessa.com.br/brutta-f-9-igura-1-ed-2021/artigo/27a61158-7a3b-48ad-bcab-c5936e4a1468&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #073763;&quot;&gt;&lt;b&gt;Fnac Portugal:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;a href=&quot;https://www.fnac.pt/livre-numerique/a8270352/Brutta-Figura#FORMAT=ePub%23omnsearchpos=1&quot;&gt;https://www.fnac.pt/livre-numerique/a8270352/Brutta-Figura#FORMAT=ePub%23omnsearchpos=1&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #0b5394;&quot;&gt;&lt;b&gt;Kobo Books&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;: &lt;a href=&quot;https://www.kobo.com/br/pt/ebook/brutta-figura&quot;&gt;https://www.kobo.com/br/pt/ebook/brutta-figura&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #073763;&quot;&gt;&lt;b&gt;Google Books:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;a href=&quot;https://play.google.com/store/books/details/Ana_Elisa_Granziera_Brutta_Figura?id=GlMMEAAAQBAJ&quot;&gt;https://play.google.com/store/books/details/Ana_Elisa_Granziera_Brutta_Figura?id=GlMMEAAAQBAJ&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #0b5394;&quot;&gt;Bertrand Livreiros&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;color: #0b5394;&quot;&gt;:&lt;/span&gt; &lt;a href=&quot;https://www.bertrand.pt/pesquisa/brutta+figura&quot;&gt;https://www.bertrand.pt/pesquisa/brutta+figura&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;A pré-venda da versão impressa pode ser encontrada nos seguintes sites, por enquanto apenas no Brasil (Em Portugal, o livro pode ser encomendado pela Bertrand Livreiros e pela Fnac Portugal):&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: #073763;&quot;&gt;Martins Fontes Paulista:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;a href=&quot;https://www.martinsfontespaulista.com.br/brutta%20figura#1&quot;&gt;https://www.martinsfontespaulista.com.br/brutta%20figura#1&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=&quot;color: #0b5394;&quot;&gt;&lt;b&gt;Livraria da Travessa:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;a href=&quot;https://www.travessa.com.br/brutta-f-9-igura-1-ed-2021/artigo/27a61158-7a3b-48ad-bcab-c5936e4a1468&quot;&gt;https://www.travessa.com.br/brutta-f-9-igura-1-ed-2021/artigo/27a61158-7a3b-48ad-bcab-c5936e4a1468&lt;/a&gt;&lt;p&gt;A partir de 8 de janeiro, o livro impresso poderá ser adquirido em todos esses endereços, e mais no site da editora, que ENVIA PARA O MUNDO TODO, caso você não esteja nem no Brasil nem em Portugal:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://www.chiadobooks.com/&quot;&gt;https://www.chiadobooks.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto isso, você também pode entrar em contato com as livrarias e ENCOMENDAR o livro impresso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu terei acesso aos impressos em janeiro, e precisarei transportá-los do Brasil para o Canadá. Assim que tiver os livros em mãos, farei a venda dos autografados. ;)&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem estiver me acompanhando no Instagram, fique de olho, pois tenho algumas lives e stories programados para falar mais a respeito do livro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;b&gt;No mais, preciso agradecer a cada um de vocês que me leram durante todos esses anos e principalmente àqueles que me mandavam mensagens me incentivando a escrever esse livro. Não fosse pelo apoio de vocês, eu talvez nunca tivesse dado esse passo. Escrevi esse livro pensando em vocês. Espero que gostem. ^_^&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;La Cucinetta :: abandone você também o miojo e a pizza congelada.
http://www.lacucinetta.com.br&lt;/div&gt;</description><link>http://www.lacucinetta.com.br/2020/12/meu-livro-saiu-meu-livro-saiu-meu-livro.html</link><author>noreply@blogger.com (Ana Elisa Granziera)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi08Dxg_aX0HCzOfB2vALbu59KM3zNSUGrOsbE7QP4FL8279oDUz37ipL4zEanJSURPEBn-IjC3kHbNLug7PACk9HWem7eSX0Hdu5p6aqJ2Iz96dGnLarELDSWEkiyP7qD4L_k0N9uj8juZ/s72-w640-h640-c/IMG_20201204_095328_481.jpg" height="72" width="72"/></item></channel></rss>