<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124</id><updated>2024-12-18T19:20:09.397-08:00</updated><category term="TSP I"/><title type='text'>Laboratório de Investigação das Psicopatologias Contemporâneas</title><subtitle type='html'>Blog de divulgação ampla do trabalho desenvolvido no LAPSICON.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-4338245322433478962</id><published>2017-10-19T10:23:00.000-07:00</published><updated>2017-10-19T10:23:46.544-07:00</updated><title type='text'>Procedimentos no Corpo</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiBRCkY3nonBVVjOV2TQYGoXzBEohieSdP5Iv1kBT_UHdO8U8sprHyezOsEVIOAFlUXfr2WAMCsBP8ExTkKyiMkjuZceLl-fW7VX8ZYu_GdI_x_eH0sLqt-JExUDPSVpQ0VJCTuGwEYrcfl/s1600/12a3d56b-8d77-4bc7-b773-be6a0c59b721+%25281%2529.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;647&quot; data-original-width=&quot;1024&quot; height=&quot;403&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiBRCkY3nonBVVjOV2TQYGoXzBEohieSdP5Iv1kBT_UHdO8U8sprHyezOsEVIOAFlUXfr2WAMCsBP8ExTkKyiMkjuZceLl-fW7VX8ZYu_GdI_x_eH0sLqt-JExUDPSVpQ0VJCTuGwEYrcfl/s640/12a3d56b-8d77-4bc7-b773-be6a0c59b721+%25281%2529.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Por Thalles Cavalcanti&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Graduando em Psicologia – 8° Período pela Universidade Federal Fluminense - UFF. ICHS. Volta Redonda. Integrante e Pesquisador no Laboratório de Investigação das Psicopatologias Contemporâneas - LAPSICON.)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;O ano é 2017. A
contemporaneidade torna muito claro o uso – neurótico – de um corpo que é
instrumento de nossas próprias divisões. O corpo do sujeito que precisa gerir
sua existência enquanto pai, filho, aluno, profissional, cônjuge e uma série de
outras posições que surgem ao longo da vida. Um corpo aparece como um
instrumento do Eu e de todas as suas divisões subjetivas, de todo o seu
recalcamento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Diante disso notamos uma
sociedade que está mais do que acostumada a uma série de procedimentos no
corpo: Tatuagens, &lt;i&gt;piercings&lt;/i&gt;, orelhas
furadas e cheias de brincos. Os mais diversos penteados e cores de cabelo!
Bronzeamentos, artificiais ou não. Procedimentos para limpeza de pele,
cirurgias estéticas e tantas outras coisas que usamos em prol do que queremos
(ou achamos querer) ser e de um corpo que acreditamos precisar refletir isso. O
corpo se torna parte de algo que deve ser dito! Parte de um ideal que norteie
nossa própria existência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E
num mar infinito desses procedimentos sobre nosso próprio corpo, nem sempre é
simples a tarefa de entender o que está a serviço do Ideal e o que esta a
serviço do mais nefasto que a pulsão de morte trás consigo. É através da
palavra, da fala que o sujeito tem a possibilidade de entender a serviço do que
esses procedimentos operam! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Entre toxicomanias,
anorexia e o &lt;i&gt;cutting&lt;/i&gt;, formas de
sofrimento psíquico hoje muito recorrentes, – que vão nos dizer que Freud
permanece escandalosamente atual em sua teoria – fica muito claro o
funcionamento tóxico do psiquismo pode assumir, com traços de adição, marcados
pelo excesso e pela repetição com a intensificação de procedimentos no corpo,
em &lt;b&gt;detrimento das formações do
inconsciente!&lt;/b&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Tomemos alguns minutos
para falar do ultimo: O corte na pele. Um sujeito, com auxilio de um objeto
cortante, fere – e marca – a própria pele.&amp;nbsp;
Braços, coxas, pulsos! Qual é o estatuto da dor? O que ela diz a
respeito desse próprio sujeito e de suas formações inconscientes?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;A
prática do &lt;i&gt;cutting&lt;/i&gt; não está isenta de angústia! Mas se todos nós
precisamos lidar angustia em dado momento da nossa vida, o que leva um sujeito
a eleger o corte, a encontrar na destruição do próprio corpo a resposta?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;A hipótese que se desenha
é que o traço de excesso e repetição, que estão na base do corte na pele,
evidencia a irrupção da desestabilização pulsional sob a forma de uma satisfação
autoerótica. O corte está a serviço do gozo! Não há desejo, não há formação
inconsciente! O sujeito se coloca diante de você em silêncio, enquanto se afoga
em seu próprio mundo de palavras, acontecimentos e angustias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Numa coleta de
depoimentos a cerca dos cortes na rede social &lt;i&gt;Tumblr&lt;/i&gt;, que com facilidade permite o anonimato de seus usuários,
fica clara a devastação do próprio sujeito. Que se posiciona diante do outro
majoritariamente como a parte dispensável, que merece ser punida. Ainda que ele
mesmo esteja à mercê do excesso do outro; que quando não vem a partir da fala e
da cobrança, surge no desinteresse, no silêncio e na total falta de
preocupação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;O sujeito se coloca como
um filho ruim, um aluno ruim e um namorado que merece ser abandonado. Em seus
discursos as ações dos outros perdem a importância. O sujeito que se corta
habita a posição de menos valia. Acredita merecer estar em segundo plano,
acreditam merecer o descuido dos próprios pais, os abusos de quem quer que os
cerque. &amp;nbsp;E então se devastam, se cortam e
não, eles não se estabilizam! Não podemos dizer que o corte substitui a fala,
não podemos colocar a destruição no mesmo patamar que a formação inconsciente!
ENTÃO, POR FAVOR, NÃO O FAÇAMOS!! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Fica claro ainda o quanto
o &lt;i&gt;cutting&lt;/i&gt; não é o suficiente para estabilizar a desordem na constituição
do próprio sujeito, decorrente do recuo do significante unário, do Nome do Pai
– tão essencial a todo advento da vida humana. Consequentemente, o &lt;i&gt;cutting&lt;/i&gt; não é o suficiente para regular
o caráter aditivo da angústia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;E, no entanto, se é que algo
pode ser feito de imediato... Que valorizemos a fala, que sejamos capazes de
permitir que os sujeitos falem! Sobre suas mazelas, sobre suas angustias, sobre
tudo aquilo que a própria contemporaneidade nos obriga calar. Que falem sobre
quem são, sobre seus cortes, sobre os nomes que marcam seus corpos. Por que é
na fala que conseguimos separar o que é nosso e o que é do outro. Entre a
destruição do próprio sujeito e a crítica ao outro, que o outro então seja
criticado! Que não calemos nossos filhos, amigos e parceiros! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12.0pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Eu não tenho como
concordar com a formulação do senso comum de que esses sujeitos estão
desesperados por atenção. Mas se você acredita nisso, e talvez você acredite,
pense nisso por um segundo: diante de um mundo de falas, atitudes e
procedimentos que não o destrói, porque um sujeito se destruiria por “atenção”?
Sejamos mais sensíveis e aprendamos a ouvir quando alguém este pedindo ajuda, ainda
que em silêncio! Que possamos quebrar esse silêncio, que possamos deixar o
outro FALAR.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/4338245322433478962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/4338245322433478962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4338245322433478962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4338245322433478962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2017/10/procedimentos-no-corpo.html' title='Procedimentos no Corpo'/><author><name>ciro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01363195867169986394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiBRCkY3nonBVVjOV2TQYGoXzBEohieSdP5Iv1kBT_UHdO8U8sprHyezOsEVIOAFlUXfr2WAMCsBP8ExTkKyiMkjuZceLl-fW7VX8ZYu_GdI_x_eH0sLqt-JExUDPSVpQ0VJCTuGwEYrcfl/s72-c/12a3d56b-8d77-4bc7-b773-be6a0c59b721+%25281%2529.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-6269952936294651422</id><published>2017-08-27T06:59:00.000-07:00</published><updated>2017-08-27T06:59:03.068-07:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="TSP I"/><title type='text'>Cientificidade e a Psicanálise</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
Videos do professor da USP, Christian Dunker, abordando a discussão sobre as relações entre a noção de ciência e a psicanálise:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;480&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/x_6NMVGGBQE&quot; width=&quot;854&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;480&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/CoP4rUheVyU&quot; width=&quot;854&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;480&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/DX_3LzEpjHM&quot; width=&quot;854&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;

&lt;iframe allowfullscreen=&quot;&quot; frameborder=&quot;0&quot; height=&quot;480&quot; src=&quot;https://www.youtube.com/embed/8D09T7i6RZ4&quot; width=&quot;854&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/6269952936294651422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/6269952936294651422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/6269952936294651422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/6269952936294651422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2017/08/cientificidade-e-psicanalise.html' title='Cientificidade e a Psicanálise'/><author><name>ciro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01363195867169986394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://img.youtube.com/vi/x_6NMVGGBQE/default.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-2701432270785013785</id><published>2017-05-23T12:10:00.003-07:00</published><updated>2017-05-23T12:11:06.507-07:00</updated><title type='text'>Contemporaneidade irônica e Toxicomania </title><content type='html'>Contemporaneidade irônica e Toxicomania
Cláudia Henschel de Lima. (Membro da EBP-AMP. Professora Adjunta III. UFF. ICHS.PUVR. Coordenadora do LAPSICON). 

A Modernidade lírica de Baudelaire
No trabalho apresentado no II seminário do GT da ANPEPP de Psicopatologia e Psicanálise, intitulado Toxidade contemporânea na conjunção Marx com Lacan, localizei a poesia lírica de Baudelaire como expressão da ontologia do presente. Michel Foucault (2000) localizara na posição do intelectual a necessidade de se deixar afetar pelo problema colocado pela modernidade para, a partir daí, elaborar uma resposta. Para além, então, de uma determinação da modernidade a partir de um calendário de fatos históricos fixos e lineares, a ontologia do presente valoriza a aparição tipicamente moderna de um ethos, de um posicionamento que o pensador pode assumir frente ao tempo. O personagem do flâneur encarna esse ethos, essa posição subjetiva que testemunha a transformação estrutural do tempo que avança na direção do mercado de consumo e da quantificação do trabalho e do espaço que se modifica radicalmente com a arquitetura das largas avenidas parisienses, que toma o lugar dos becos e das ruas estritas onde era possível dispor as barricadas: é uma Paris estranha à Baudelaire. Sua poesia lírica testemunha o estranhamento diante do favorecimento do capital financeiro e da reestrutração do espaço pela arquitetura do Barão Haussmann - profilática em relação aos becos, aos pardieiros, às barricadas. O poema À uma Passante retrata a solidão que se aprofundará, a partir de então marcando a experiência subjetiva na modernidade: 
A rua em derredor era um ruído incomum
Longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo e balançando o festão e o debrum (...)
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala e o frenesi que mata. (...)
(...) Só te verei, um dia na eternidade?
Bem longe, tarde, além jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais, 
Tu que eu teria amado – e o sabia demais!

Considero a poesia lírica de Baudelaire escandalosamente atual por antecipar, no século XIX, o que, hoje, ocupa derradeiramente o zênite de nossa civilização: o objeto a mais gozar. A roupa negra da passante é, para o flâneur, o símbolo do luto perpétuo que invade o sujeito nessa modernidade de época. 
A partir, então, dessas considerações iniciais, proponho neste trabalho pensar a toxicomania como uma característica do funcionamento do capitalismo atual. Daí, no trabalho anterior eu ter trocado o termo por toxidade. Essa proposta está ancorada em duas referências de Lacan, muito próximas entre si:
1. A passagem de O Seminário 17 – O avesso da psicanálise (1969-1970/1992 p.159) , onde Lacan define com precisão o estatuto do significante na contemporaneidade: Temos que prestar muita atenção ao seguinte, é que, num nível mais elevado – o de um objeto a (...) a palavra pode fazer o papel da carniça.
2. A resposta, dada por Lacan, à questão 3 de Radiofonia  (1970), de que a expansão do capitalismo no século XIX, é correlata ao declínio do Nome-do-Pai e à ascensão do objeto a ao zênite de nossa civilização. 
Lacan é, então, sensível à opressão sentida na modernidade. E ilumina a forma como Busca-Pé, personagem central do livro Cidade de Deus, de Paulo Lins, relata o que são os tempos modernos, ou nossa contemporaneidade: 
(...) ir ver o padre Júlio a fim de, uma vez confessados os seus pecados, cometê-los novamente, tal como uma alma errante em cada canto da rua deste mundo excessivamente moderno. Para ele só a erva era a luz da vida: dava  sede,fome e sono

Contemporaneidade irônica Exército de resíduo. 
Quando a noite lança suas sombras sobre o coração financeiro do Rio de Janeiro conhecido como triângulo das bermudas surge, no horizonte, um exército de seres humanos solitariamente apegados aos efeitos do estalo dessa cocaína mais vagabunda: crack. Nomeada de triângulo das bermudas na época do regime militar, essa região alterna, hoje, duas populações distintas: de dia, a multidão dos executivos, que ali circulam orientados pela flutuação na cotação das ações da Petrobrás ou pelo impacto da instabilidade política do país, no mercado; à noite, o exército de adolescentes consumidos pelo crack. Entre ambos, um elemento em comum: eles são o Um-sozinho, perambulando por uma cidade onde impera o anonimato. Entre ambos uma distância profunda: o exército de consumidos pelo crack integra o movimento de uma cidade que produz resíduos de todos os tipos: dos acumulados em lixeiras até aqueles que se confundem com a paisagem da existência. A cidade do século XXI não suporta a ética baudelaireana do flaneur, que fazia do tumulto da cidade, um refúgio do proscrito e o mais novo entorpecente do abandonado . A cidade do século XXI compõe o que Jacques-Alain Miller denominou de modernidade irônica O Rio de Janeiro do século XXI não é um refúgio ou entorpecente. Ele é a cidade irônica fazendo do exército dos consumidos pelo crack, o resíduo de um estilo pseudocosmopolita de vida em que o apelo à ordem urbana funciona para consolidar a cidade como objeto de consumo: cartão postal. 
É nesse contexto que o trabalho se ancora na hipótese da psicanálise de orientação lacaniana, de que o entendimento da infância e adolescência em situação de rua, e que recorrem ao crack, só é possível se levarmos em conta o modo de funcionamento do significante na civilização. 
A desumanização do Campo. 
Subvertendo a fórmula cartesiana de que o bom senso é a coisa melhor compartilhada, Freud declarara, no marco da I Guerra, sua preocupação com o avanço da miséria subjetiva à escala da tuberculose, antecipando que seu agravamento era resultado direto da conjunção sombria entre planejamento biopolítico e pulsão de morte . A eclosão da II Guerra testemunhará pelo campo de concentração, que o mesmo cálculo político da recuperação de uma Alemanha assolada pelas condições desastrosas de rendição, impostas pelo Tratado de Versalhes, era inseparável da desumanização brutal de tudo aquilo que pudesse contrariar o delírio de uma raça ariana: destituição do nome e despojamento do laço de parentesco, destituição de bens e fixação no território do Campo em que a morte é a única coisa compartilhada. 
Essa lógica do Campo sustenta o funcionamento do significante em nossa civilização: ele funciona como carniça . Essa referência à carniça indica o horizonte a partir do qual é possível, também interrogar  a tese de Lacan: a ruptura com o falo no recurso à droga é inseparável da irrupção de um gozo descarnado, próprio da devoração que o Outro impõe.E o resultado não poderia deixar de ser outro: fixação do ser humano na condição de objeto a ser consumido ou mancha a ser eliminada. 
A Cidade: palco da palavra que insulta. 
Lacan  afirma que no desatino do gozo, só há o Outro para situá-lo. Lendo essa frase sem perder a referência de que o significante pode funcionar como carniça, sustento que a situação de rua não pode ser explicada pelo argumento moral da periculosidade do indivíduo. Sua genealogia precisa ser situada na emergência da carniça ou do significante do insulto. Muito recentemente, o planejamento biopolítico do Rio de Janeiro para o carnaval e os mega eventos esportivos de 2014 e 2016 resultou no processo de requalificação de áreas urbanas, classificadas como áreas degradadas. Para isto, instalou-se um procedimento de desapropriação em comunidades, operações de pacificação e recolhimento compulsório de crianças, adolescentes e adultos em situação de rua. O marco teórico do ensino de Lacan esclarece como o planejamento biopolítico do Rio de Janeiro: 
1. Tem a responsabilidade da palavra que insulta: a moradia se reduz à uma área degradada à ser removida, assim como cracolândia é o nome que fixa territorialmente crianças e adolescentes na condição de dejeto da cidade à ser recolhido aos abrigos conveniados com a Prefeitura. 
2. Tem efeitos terríveis sobre o funcionamento subjetivo nessa condição: perpetuando a conjunção entre planejamento biopolítico e pulsão de morte, seja pela via da nomeação ofensiva presente em cracolândia seja pela via do destino pelo abrigo, o recolhimento compulsório se consolida como um dos mais poderosos instrumentos de gestão das multidões pela rejeição da diferença, criminalizando a situação de rua. 
É o que Marie Hélène Brousse  considera como a reabsorção da diferença no desvio em relação à norma: o um-sozinho, não é o exército de reserva; ele é o indivíduo perigoso, dejeto à ser segregado do laço social a fim de que a ordem pública se mantenha. 
A condição de situação de rua não escapa à ascensão do objeto a ao zênite da civilização: no cartão postal que se consome ralé, cracudo, zumbi, são alguns dos significantes carniça que não recobrem os cor¬pos com a autoridade da subversão do sujeito, mas os colocam na mira da inundação cocaínica do crack e da fixação no nomes-do-pior.
 
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/2701432270785013785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/2701432270785013785' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/2701432270785013785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/2701432270785013785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2017/05/contemporaneidade-ironica-e.html' title='Contemporaneidade irônica e Toxicomania '/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-301604841218701372</id><published>2009-12-14T11:23:00.001-08:00</published><updated>2017-08-22T19:20:18.069-07:00</updated><title type='text'>Psicanálise e Modernidade. Cláudia Henschel de Lima</title><content type='html'>Quarenta e cinco anos nos separam do marco da teorização do objeto a no ensino de Lacan: o seminário sobre a angústia - ponto de partida para a separação entre o real e o significante, para a pluralização dos objetos a e sua localização na anatomia de um corpo irredutível ao formalismo. Entre este seminário, com suas referências naturalizantes, e o seminário O Avesso da Psicanálise recoberto pelas luvas de Marx, um avanço importante ocorre em seu ensino: trata-se do movimento de transportar o objeto a - até então pluralizado nos diversos pedaços do corpo - para a atualidade histórica através dos quatro discursos. Entre os anos de 1964 e 1969, localizamos no seminário sobre Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise - onde o objeto a é a presença de um vazio que pode ser ocupado por qualquer objeto, sem hierarquia de valor - e em De um Outro a outro, onde avança sobre a homologia entre mais-valia marxista e mais gozar, as bases desta alavancagem conceitual, que será apresentada em O Avesso da Psicanálise. De fato, o seminário 17 representa o momento em que o objeto a pluralizado na anatomia do corpo é transportado para o campo do discurso, ganhando o estatuto de função lógica e convertendo-se em único. Em uma das lições de Um Esforço de Poesia, Miller nos oferece uma imagem singular e difícil dessa alavancagem teórica ao relatar a objeção feita por Althusser à teorização do grande Outro, no sentido de que esta perpetuaria a metafísica: a teorização do grande Outro seria, ainda, uma teorização sobre Deus. Diante desta declaração, Lacan avançaria, progressivamente, na direção de uma teoria sobre o saber fazer com o gozo – inicialmente localizada na perspectiva aberta pelos quatro discursos, sobre o destino assumido pelo gozo em cada giro discursivo que fundamenta a atualidade histórica.&lt;br /&gt;
O seminário 17 manifesta esse trabalho conceitual de um Lacan que conjuga a teoria marxista da mais-valia com o aforisma nietszcheano da morte de Deus – só para localizar o giro discursivo que lança o objeto a para o zênite de nossa civilização. Ele explora a risada irônica do capitalista que, em sua defesa dos novos tempos, da nova experiência biológica e social que se instaura entre o corpo e a máquina, entre o gozo e o significante (não mais entre o corpo e a terra), encarna o momento em que ocorre o giro discursivo no discurso do mestre, onde o objeto a contábil ocupará a posição de agente. E a verdade – antes garantida por Deus, ou pelo Outro -, cede seu lugar para o retorno severo do gozo. Sobre as conseqüências dessa ascensão do objeto a é possível afirmar, então, que nos encontramo em uma época em que o avanço do saber científico colonizou a ilha deserta do inconsciente e da sexualidade, convertendo-os nas categorias quantitativas de redes neurais, inconsciente cognitivo e impulso. Todavia, ao contrapormos a direção da pesquisa com roedores, com o conjunto dos autores que discutiram os novos sintomas na Conversação de Arcachon  e na Convenção de Antibes , testemunhamos não um apelo panfletário em nome da psicanálise, mas o tratamento rigoroso dos problemas que a época impõe à clínica, isolando o quadro sintomático atual: os desligamentos da pulsão em relação ao Outro, a pregnância do eixo imaginário, a presença maciça do pai da realidade, a falência do sentimento da vida, a experiência de fuga do corpo. Problemas que são referentes ao limite conceitual da lógica do significante e que impõem a mudança de eixo da pesquisa em psicanálise no sentido de sustentar não só a importância da teoria lacaniana do gozo, como também de indicar a fratura no eixo simbólico típica de nossa época. É neste sentido que a produção de pesquisas com roedores aliada à vertente mais higienista da redução de danos corre o risco de ser, ela mesma, um sintoma de época na medida em que apresenta todas as implicações imanentes à civilização do objeto a: a relevância da causalidade quantitativa biopsicossocial, a foraclusão do sujeito em nome da correlação entre processos psíquicos e atividade neural, o elogio do avanço tecnológico do imageamento cerebral que permite verificar tal correlação, e enfim, o esclarecimento da condução clínica por meio da metodologia experimental. Da mesma forma que se atribui à psicanálise uma quota de responsabilidade pelo descentramento do homem em relação a si mesmo e pelo desvelamento do mais-gozar - devido a sua própria difusão -, é possível atribuir à mesma um papel fundamental no levantamento das conseqüências da ascensão do objeto a em nossa civilização. Assim, não se encontra nessa modalidade de pesquisa uma denominação mais formal, mais reduzida de adjetivos do que a denominação lacaniana para o sujeito na civilização do objeto a: a debilidade mental que nos assola hoje é a ponta deste iceberg maior que é o limite do pensamento frente ao gozo (Lacan, 1969; Miller, 1997; Miller, 2001-2002).  É essa debilidade mental que encontramos nas adicções, nessa fixação desmedida do gozo em uma substância, correlata à fratura do simbólico, ou ao que Lacan (1975) denominou como sendo a ruptura do matrimônio com o pequeno pipi. &lt;br /&gt;
Em nome da presença desse eixo formulado por Lacan para o tratamento das adicções, é possível localizar, para cada caso, o estatuto do recurso à droga e elaborar uma hipótese diagnóstica que, no lugar da bússola cientificista da modificação sináptica dos centros de recompensa localizados no cérebro, possibilite a direção do tratamento. Conceder relevância à experiência do gozo não é uma questão de procedimento, de tomada de decisão entre ser um especialista na correlação entre sinapse e transtorno, por exemplo, ou ser especialista em psicanálise. Trata-se de uma questão clínica, que depende fundamentalmente da ação do psicanalista na cidade: é, de fato, o analista que - desperto do entorpecimento classificatório de redução do recurso a droga a uma alteração sináptica produzida pelo consumo excessivo do objeto – torna possível a colocação de uma pergunta relativa ao lugar da droga no encontro de cada falante com o real. Trata-se, ainda, de uma questão ética de resistência à assepsia do mundo, de resistência à sua conversão em universo do entretenimento, em labirinto para ratos, com suas rodas gigantes e alavancas com pedaços de queijo. &lt;br /&gt;
3. A poesia lírica na civilização atual&lt;br /&gt;
A cidade de Baudelaire, certamente, não se perpetua mais na nossa cidade. Todavia, vale lembrar de sua Paris do século XIX, no momento em que Miller (2006) ressalta a face segregativa, concentracionista, do entretenimento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Não importa o partido a que se pertença (...) é impossível não ficar emocionado com o espetáculo dessa multidão doentia, que traga a poeira das fábricas, inspira partículas de algodão, que se deixa penetrar pelo alvaiade, pelo mercúrio e todos os venenos usados na fabricação de obras-primas... Essa multidão se consome pelas maravilhas, as quais não obstante, a Terra lhe deve. Sente borbulhar em suas veias um sangue púrpura e lança um olhar demorado e carregado de tristeza à luz do Sol e às sombras dos grandes parques. “&lt;br /&gt;
Ao final de sua descrição, Baudelaire escreve: modernidade</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/301604841218701372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/301604841218701372' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/301604841218701372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/301604841218701372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/12/psicanalise-e-modernidade-claudia.html' title='Psicanálise e Modernidade. Cláudia Henschel de Lima'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-4690570226566447998</id><published>2009-12-14T10:59:00.001-08:00</published><updated>2009-12-14T11:02:26.573-08:00</updated><title type='text'>Ethos moderno em Baudelaire. Cláudia Henschel de Lima</title><content type='html'>&lt;b&gt;(&lt;b&gt;Trecho do artigo sobre psicanálise e literatura na modernidade ainda no prelo).&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos traços mais marcantes do século XX foi a elaboração de uma concepção crítica a respeito da contemporaneidade. Cito como exemplo, o pensamento de Martin Heidegger, Hanna Arendt, Michel Foucault e, na psicanálise, de Jacques-Alain Miller.  &lt;br /&gt;
São pensadores que, no campo filosófico e analítico, abordam a contemporaneidade problematizando sobre a atualidade e o posicionamento assumido pelo intelectual diante das transformações dos saberes e das relações de poder.&lt;br /&gt;
No caso específico de Michel Foucault, é importante ressaltar o que ele próprio denominara de ontologia do presente, extensamente analisado em “O que são as Luzes?”.&lt;br /&gt;
Nesse artigo, Foucault elabora uma definição precisa da ontologia do presente. Trata-se de conduzir uma “genealogia, não tanto da modernidade, mas da modernidade como questão”, ou seja, é tornar a modernidade um enigma para o pensamento filosófico. Dessa forma, a ontologia do presente se delineia no momento preciso em que se valoriza o posicionamento subjetivo do intelectual frente a época, contrapondo-se a periodizações lineares do tipo modernidade-pós-modernidade. &lt;br /&gt;
Com o objetivo de consolidar a ontologia do presente, Foucault recorrerá à resposta de Kant à questão “O que são as Luzes?”, proposto por... e à poesia de Charles Baudelaire. &lt;br /&gt;
O posicionamento de Kant, nesta resposta interessa à Foucault na medida em que, ao sustentar a tarefa do filósofo pela máxima sapere aude – tenha a coragem, a audácia de saber - evidencia a relevância do posicionamento ético assumido pelo filósofo na modernidade, para além de uma interrogação referente a cientificidade da ciência típica da analítica da verdade. Mas, para além, também, de uma determinação da modernidade a partir de um calendário de fatos históricos fixos e lineares. Trata-se, aqui, de valorizar a aparição tipicamente moderna de um ethos, de um posicionamento que um filósofo pode individualmente assumir frente ao tempo. No entanto, no processo de consolidação do posicionamento do filósofo, Foucault vai além de Kant. Ele cita a poesia de Baudelaire nessa vertente da ética e do tempo, como expressão de uma das consciências mais críticas da modernidade do século XIX. De fato, a poesia de Baudelaire se refere diretamente à modernidade a partir da experiência subjetiva de uma descontinuidade no tempo - ruptura da tradição, sentimento de novidade, vertigem do tempo que passa – e do modo como o poeta emprega as alegorias da morte, da destruição e degeneração para retratar o objeto central de sua poesia lírica: a cidade de Paris no século XIX. &lt;br /&gt;
O posicionamento de Baudelaire não significa uma aceitação incondicional das características de uma época. Significa, antes, assumir uma determinada atitude em relação a esse movimento, mostrando o ponto de impossível existente nela. Tomemos a situação do pintor e do poeta moderno, exposta por Baudelaire no Salão de 1859. O poeta encontra pela rua, os traços que compõem um modo de ser da época e, a partir desse encontro, conduzem uma crítica precisa à esses traços. Tal crítica aparece, por exemplo, na predominância do preto e do cinza no vestuário masculino a partir da Monarquia de Junho. Sobre esse ponto, Benjamin (1985) destaca a seguinte passagem do texto de Baudelaire:&lt;br /&gt;
“Entre todos, será chamado de O Pintor aquele que conseguir decantar o lado épico da vida presente e nos ensinar, com linhas e cores, a entender como somos grandes e poéticos em nossos sapatos de verniz e em nossas gravatas. Esperemos que os autênticos pioneiros nos dêem, no próximo ano, o especial prazer de podermos festejar o surgimento de algo realmente Novo”.   &lt;br /&gt;
Essa dimensão da ontologia do presente parece se realizar, em Baudelaire, no momento em que ele faz da cidade a matéria para compor sua poesia e, principalmente, para erguer através do pintor e do poeta, uma nova atitude para as artes.  De fasto, no trecho acima citado, testemunha-se um Baudelaire que espera por um futuro em que o pintor, o verdadeiro pintor saberá arrancar à vida atual a sua componente épica e ambiciona que possam os verdadeiros pesquisadores nos oferecer no próximo ano a alegria singular de celebrar o surgimento do novo! &lt;br /&gt;
Nesse movimento de composição da poesia lírica a partir das transformações abruptas da cidade, o personagem do flâneur se destaca. Ele se posiciona com estranhamento diante do favorecimento do capital financeiro e da reestruturação do espaço arquitetônico com a construção dos boulevards. Assim, a especulação da Bolsa e as longas avenidas passam a ocupar, no século XIX, o lugar dos jogos de azar, típicos da sociedade feudal, jogados nas ruas estreitas de uma Paris antiga. O personagem do flâneur retrata precisamente essa transformação no tempo – pela ascensão do mercado de consumo e da quantificação do trabalho - e no espaço, pela arquitetura das avenidas largas: é uma Paris estranha ao parisiense.&lt;br /&gt;
Outro momento é o poema “O Cisne”, onde Baudelaire retrata o exílio no interior desta cidade, reconstruída a partir de projeto de reurbanização do Barão Haussmann que, por sua vez, se preocupava com a proliferação das barricadas. Seu projeto arquitetônico incluiu a expansão da largura das avenidas, bem como a abertura de novas avenidas para diminuir o trajeto entre as casernas e os bairros operários. Assim, obedecendo ao eufemismo do embelezamento estratégico, o projeto de Haussmann impôs a desaparição de bairros inteiros; antigos pardieiros cederam lugar à praças amplas, jardins e alamedas, segundo um processo abrupto de modernização que culminaria em uma reformulação radical e completa da cidade. O poema “O Cisne” retrata com precisão este momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
I&lt;br /&gt;
Andrômaca, eu penso em você! Esse pequeno rio, &lt;br /&gt;
Pobre e triste espelho onde outrora resplendia &lt;br /&gt;
A imensa majestade de suas dores de viúva, &lt;br /&gt;
Esse Simeonte mentiroso que aumenta com teu pranto,&lt;br /&gt;
Fecundou subitamente minha memória fértil, &lt;br /&gt;
Quando eu atravessava o novo Carrossel. &lt;br /&gt;
A velha Paris não existe mais (a forma de uma cidade &lt;br /&gt;
Muda mais rápido, ah! que o coração de um mortal);&lt;br /&gt;
Só em espírito vejo todo esse campo de barracos, &lt;br /&gt;
Essas pilhas de capitéis esboçados e de cornijas, &lt;br /&gt;
Os gramados, os grandes blocos esverdeados pela água das poças, &lt;br /&gt;
E, brilhando no ladrilho, a confusão de quinquilharias.&lt;br /&gt;
Lá era exposta outrora uma feira de animais; &lt;br /&gt;
Lá eu vi, numa manhã, quando sob o céu &lt;br /&gt;
Frio e claro o Trabalho acorda, onde a sujeira &lt;br /&gt;
Impele um furacão sombrio no ar silencioso,&lt;br /&gt;
Um cisne que escapara de sua jaula, &lt;br /&gt;
E, esfregando seus pés espalmados sobre o pavimento seco, &lt;br /&gt;
Sob o sol áspero arrastava sua plumagem branca. &lt;br /&gt;
Junto a regato sem água, o animal abrindo o bico&lt;br /&gt;
Banhava nervosamente suas asas na poeira, &lt;br /&gt;
E dizia, com o coração cheio de seu belo lago natal: &lt;br /&gt;
&quot;Água, quando cairás? quando soarás, raio?&quot; &lt;br /&gt;
Eu vejo esse infeliz, mito estranho e fatal,&lt;br /&gt;
Em direção ao céu às vezes, como o homem de Ovídio, &lt;br /&gt;
Em direção ao céu irônico e cruelmente belo, &lt;br /&gt;
Sobre seu pescoço convulsivo esticando seu rosto ávido, &lt;br /&gt;
Como se lançasse uma censura a Deus! &lt;br /&gt;
(BAUDELAIRE, 1976a, p. 85-86). &lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/4690570226566447998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/4690570226566447998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4690570226566447998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4690570226566447998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/12/ethos-moderno-em-baudelaire.html' title='Ethos moderno em Baudelaire. Cláudia Henschel de Lima'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-8440411938768657023</id><published>2009-10-25T15:22:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T15:23:02.743-07:00</updated><title type='text'>Os sintomas neuróticos em O homem dos ratos</title><content type='html'>Laplanche define a neurose obsessiva como “Classe de neuroses definidas por Freud e que constituem um dos principais quadros da clínica psicanalítica. Na forma mais típica, o conflito psíquico exprime-se por sintomas chamados compulsivos*(idéias obsedantes, compulsão a realizar atos indesejáveis, luta contra estes pensamentos e estas tendências, ritos conjuratórios, etc) e por um modo de pensar caracterizado particularmente por ruminação mental,dúvida, escrúpulos, e que leva a inibições do pensamento e da ação”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir desta definição, podemos realizar um levantamento de alguns sintomas, típicos, presentes no caso “O Homem dos ratos”. O jovem paciente busca tratamento com a principal queixa de possuir idéias obsessivas que o faziam sentir medo de que algo acontecesse a seu pai ou a dama por quem tinha admiração. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas dessas idéias pareciam conexões falsas como quando era criança, sentia um forte desejo de ver moças despidas. Contudo, com esse desejo, veio o sentimento de que algo teria de acontecer se ele pensasse tais coisas, como por exemplo, que o pai dele poderia morrer. Na mesma época, pensou também que seus pais conheciam seus pensamentos e explicou pra si mesmo que isso se devia ao fato de que talvez os tivesse expressado em voz alta, sem ouvir a si próprio. Logo, se ele pensasse em ver moças despidas, seus pais o ouviriam. Em ambos os exemplos, podemos identificar a presença de um instinto erótico e uma revolta contra ele. Neste momento, um desejo que ainda não era compulsivo e, lutando contra ele, um medo já compulsivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Freud observa que o fato de existir uma conexão falsa explica a impotência dos processos psicológicos de combater tais idéias atormentadoras. É quando há uma falha no recalcamento e o próprio aparelho psíquico, dentro da particularidade do indivíduo, traz uma culpa, ou um sentimento repulsivo pelas tais idéias atormentadoras. Freud afirma que há um “pensar obsessivo” e que as estruturas obsessivas podem corresponder a toda sorte de ato psíquico. Elas podem ser classificadas como desejos, tentações, impulsos, reflexões, dúvidas, ordens ou proibições. Os pacientes, geralmente, esforçam-se por amenizar tais distinções e encarar aquilo que resta desses atos psíquicos após terem sido destituídos de seu contexto afetivo simplesmente como “idéias obsessivas”. Durante a luta defensiva secundária que o paciente empreende contra tais idéias revelam-se estruturas psíquicas que parecem não se tratar apenas de considerações levantadas em oposição aos pensamentos obsessivos, elas assumem determinadas premissas da obsessão que combatem e se utilizam das armas da razão se estabelecendo,  então, sobre a base do pensamento patológico. A estas estruturas Freud deu o nome de ”delírios”. Um exemplo dessas estruturas se faz presente  quando o paciente relata que, certa vez, após estudar até tarde da noite para um exame, ele costumava ir abrir a porta da frente para o fantasma do seu pai, e então olhar para os seus órgãos genitais no espelho. Ele tentava voltar a razão imaginando o que seu pai diria diante disso tudo se ainda estivesse vivo. Porém, o argumento não surtia efeito enquanto desenvolvido dessa forma racional. O espectro só desaparecia quando ele transformava a mesma idéia em uma ameaça delírica de que se voltasse a cometer esse absurdo, alguma coisa maligna aconteceria a seu pai no outro mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concluindo, um trecho de Freud sobre o homem dos ratos: “Em toda sua vida fora ele, inequivocamente, vítima de um conflito entre amor e ódio, tanto em relação a sua dama como em relação a seu pai. (...) As suas relações com seu pai eram dominadas por idêntica divisão de sentimentos, (...) e seu pai também deve ter dado motivo para hostilidade em sua infância.” (FREUD, 1909, p.238).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Natália F. Rodrigues</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/8440411938768657023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/8440411938768657023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/8440411938768657023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/8440411938768657023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/10/os-sintomas-neuroticos-em-o-homem-dos.html' title='Os sintomas neuróticos em O homem dos ratos'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-4324436445222868821</id><published>2009-09-03T18:15:00.001-07:00</published><updated>2009-09-03T18:15:13.854-07:00</updated><title type='text'>Jornal do Brasil - Sociedade Aberta - AdolescÃÂªncia: o cabo de guerra com as drogas</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/08/28/e280825920.asp&quot;&gt;Jornal do Brasil - Sociedade Aberta - AdolescÃÂªncia: o cabo de guerra com as drogas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shared via &lt;a href=&quot;http://addthis.com&quot;&gt;AddThis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/4324436445222868821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/4324436445222868821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4324436445222868821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4324436445222868821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/jornal-do-brasil-sociedade-aberta.html' title='Jornal do Brasil - Sociedade Aberta - AdolescÃÂªncia: o cabo de guerra com as drogas'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-5498431169341004036</id><published>2009-09-03T17:50:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T17:50:11.194-07:00</updated><title type='text'>O Anfiteatro de Anatomia de Leiden e a consolidação de uma ciência da vida e de uma anatomia política do corpo</title><content type='html'>O anfiteatro de anatomia de Leiden, representado pela gravura de W. Swanenburg (1610), é o cenário no qual ocorrerá uma das mais fundamentais rupturas epistemológicas localizadas a partir da passagem do século XVI para o século XVII: a ascensão de um conhecimento científico sobre a vida destituído das formas da semelhança que dominaram o Renascimento e a abertura de uma crise na estruturação do saber ocidental, que culminará no recuo de uma metafísica da vida centrada em Deus. Sua arquitetura é a do teatro no qual se espalham e se misturam a vida e a morte. No centro, encontramos um visitante que, com gesto teatral ergue um lençol e desvela, para o espectador, a tábua de dissecação onde o anatomista exercerá, a partir de então, seu ofício. Sobre a mesa, jaz um corpo sem vida, aberto e trabalhado – indicando o ponto de partida de uma modificação nas formas da visibilidade, que se consolidará definitivamente a partir do século XIX e possibilitará esclarecer a ligação entre o homem e a finitude: percebida a partir da morte, a vida se torna legível, aberta à dissecção soberana da linguagem e do olhar (Foucault, 1998). &lt;br /&gt;
Na platéia, a presença viva de homens e mulheres misturam-se à esqueletos de animais e de gente, espalhados pelos degraus e em círculos concêntricos em torno do cadáver. Dos esqueletos pendem, ainda, bandeiras onde se inscrevem sentenças bíblicas sobre a precariedade da vida, escritas em latim - hommo bulla, vita brevis, nascentes morimur - prenunciando a ligação entre a universalidade da linguagem e a precariedade do indivíduo. &lt;br /&gt;
Um detalhe chama a atenção do espectador: no centro da gravura encontra-se a árvore da ciência cercada por dois esqueletos – possivelmente representando Adão e Eva e, através deles, o anúncio de uma finitude que se abrirá para a experiência humana, a partir do século XIX (Cavaillés, 1991). É neste sentido que o grande anfiteatro é o marco de uma crise ontológica profunda na história do pensamento que culminará no recuo da metafísica e na elaboração científica sobre a infinitude do universo, e das leis da mecânica e da dinâmica para explicação da natureza. De fato, com tais formulações a noção de um centro, um ponto fixo exterior ao pensamento, a partir do qual se ordenaria o mundo é posta em questão. E com esta, também é posta em questão a própria possibilidade de um ponto fixo ancorar todo o conhecimento verdadeiro e a moral. &lt;br /&gt;
No campo epistêmico, as figuras da semelhança, típicas do Renascimento – analogia, simpatia, antipatia, similaridade – recuam e dão lugar ao mecanicismo da ciência moderna. É nesse contexto mecanicista, que a mesa de dissecação, ao centro do Anfiteatro de Leiden, assume o papel central de representar o momento em que a vida ganha o estatuto de objeto de investigação científica, submetido às exigências do símbolo matemático, na mesma medida em que a natureza se submete ao matematismo da física moderna. A fórmula cartesiana do cogito – “penso, logo sou” – que fundamenta o racionalismo científico e escreve a definição do sujeito da ciência, a partir do século XVII, é o outro lado da moeda mecanicista: esvaziamento da natureza com relação às figuras da semelhança, conversão do próprio corpo em objeto exterior ao pensamento, tal como os corpos celestes, lado a lado a ascensão da razão matemática como fundamento dessa nova modalidade de conhecimento, que é a ciência moderna, e que se atualizará como física-matemática (ciência dos corpos celestes), química (ciência da natureza) e fisiologia (ciência da vida). É neste sentido que para os estudantes de Leiden, e para Descartes que freqüentava o Anfiteatro, a doença, a monstruosidade e a própria morte deixam de ser signos da maldição e se convertem em elementos da finitude, formas de funcionamento do corpo. &lt;br /&gt;
Se entre os séculos XVII e XVIII, a finitude era a negação do infinito, a partir do século XIX, a finitude passa a ter a potência do positivo sem referência a uma metafísica do infinito na forma de uma instância exterior e reguladora do pensamento. Em sua fase arqueológica, Foucault (1977) se refere diretamente ao ponto em que recua a metafísica e analisa que a cultura só pôde pensar o homem a partir do momento em que ela pôde pensar a finitude a partir de si própria: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“(...) quando os conteúdos empíricos foram desligados da representação e envolveram em si mesmos o princípio de sua existência, então a metafísica do infinito tornou-se inútil; (....)o pensamento moderno se contestará nos seus próprios arranjos metafísicos e mostrará que as reflexões sobre a vida, o trabalho e a linguagem, na medida em que valem como analíticas da finitude, manifestam o fim da metafísica” &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, a constituição das ciências humanas, ao longo do século XIX, representa o momento de consolidação do ser do homem pela finitude e, consequentemente, como objeto de saber (Foucault, 1977). No quadro da analítica da finitude, o paradigma biológico (e não a metafísica), estará muito próximo desta disposição antropológica, desta “miséria positiva” (Foucault, 1977) que fundamenta o conjunto das ciências humanas: existência humana no interior do organismo, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“(...) na concha de sua cabeça, na armadura de seus membros e em meio a toda a nervura de sua fisiologia (...)ao nível dos diferentes saberes, a finitude é sempre designada a partir do homem concreto e das formas empíricas que se podem atribuir à sua existência, ao nível arqueológico, que descobre o a priori histórico e geral de cada um dois saberes, o homem moderno (...) só é possível à título de figura da finitude.”</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/5498431169341004036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/5498431169341004036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5498431169341004036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5498431169341004036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/o-anfiteatro-de-anatomia-de-leiden-e.html' title='O Anfiteatro de Anatomia de Leiden e a consolidação de uma ciência da vida e de uma anatomia política do corpo'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-7762695441320431807</id><published>2009-09-03T17:10:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T17:10:46.108-07:00</updated><title type='text'>Extração do objeto a e constituição da realidade.</title><content type='html'>&lt;b&gt;Extração do objeto a e constituição da realidade psíquica: pontuações clínicas sobre a psicose.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Quando fazemos diagnóstico em psicanálise, o que afinal fazemos? Como tratar o sintoma na psicanálise?” &lt;br /&gt;
Essa pergunta fora colocada por Jacques-Alain Miller em Comentario del Seminário Inexistente (1992), no qual definira com precisão o recuo, no ensino de Lacan, do Nome-do-Pai como metáfora e a ascensão da teoria do objeto a. Além disso, definira também as coordenadas da clínica analítica a partir deste vetor conceitual. Trata-se de determinar o modo como um sujeito defende-se (ou não) do real por meio do simbólico, de determinar as possíveis invenções que possibilitem a um sujeito evitar os maus encontros com o real. &lt;br /&gt;
Essa orientação clínica no sentido de isolar o sujeito como resposta do real, não ignora a originalidade da tese que Freud (1924) elaborara em “A Perda da Realidade na Neurose e na Psicose”  a respeito da constituição do campo da realidade na neurose e na psicose. Trata-se de uma tese referente ao diagnóstico diferencial entre neurose e psicose e que opera uma ruptura epistemológica com a psiquiatria clássica cujo eixo para a distinção era o déficit de realidade na psicose (e não sua constituição). Nesse artigo, Freud define os dois tempos de constituição da realidade para a neurose: no primeiro tempo, o sujeito tende a evitar o real; no segundo tempo, ele decide pelo recalcamento. Freud aplica esses dois tempos à psicose localizando, nesta, uma falha na operação de evitar o real.  À essa falha do primeiro tempo, Lacan acrescentará um segundo tempo específico para a psicose: a foraclusão e o retorno no real. A partir do seminário 10, o objeto a será a notação que escreve o tratamento da pulsão pela palavra, do real pelo simbólico, do gozo pelo significante para cada ser falante. Na neurose, o recalcamento é correlato a sua extração e, conseqüentemente, constitui a realidade pelo desinvestimento da pulsão; na psicose, a foraclusão é correlata à falha de sua extração e a invasão do campo da realidade pela pulsão sob a forma do objeto invasor, imperativo, vingativo. &lt;br /&gt;
Então, qual é a relação entre o mecanismo de extração do objeto a (seio, fezes, falo, voz e olhar) e a constituição da realidade? E em que sentido tal mecanismo pode ser elucidativo para o diagnóstico e a direção de tratamento na psicose?&lt;br /&gt;
“O campo da realidade se sustenta unicamente pela extração do objeto a”. (Lacan, APUD Miller, J. A.). Portanto, o campo da realidade se constitui através dessa distância que a extração proporciona; senão tudo fica aglutinado, o sujeito não mortificado emerge desta distância. A distância do objeto como real é que proporciona o enquadramento da realidade. &lt;br /&gt;
Para Freud a psicose se apresenta na perda da realidade, já em Lacan esta questão é mais um problema de constituição da realidade. Jacques Alain Miller25 nos elucida que, para este último, é a extração do objeto a que garante uma moldura para o sujeito, algo que o delimita e o torna criador e criatura, e não somente criatura, objeto-dejeto encontrado em diversos relatos clínicos acerca de pacientes psicóticos. É essa extração que gera o campo da realidade, melhor dizendo, que “sustenta” esse campo (como dito anteriormente); é a não presença do objeto a que permite ao sujeito neurótico colocá-lo no Outro. &lt;br /&gt;
O sujeito, pela extração mesma deste objeto, fica sempre faltando, ele falta-a-ser, sempre desejoso desta relação intrincada e extenuante, que é a tentativa de ser completo com o Outro. Mas, apesar de cansativa e as vezes até frustrante, ela mesma faz parte de um sujeito divido enquanto tal e sempre demandante de tal operação; que não chega a ser mortificadora como a experiência psicótica. &lt;br /&gt;
Do raciocínio acima podemos nos lembrar da melancolia e sua falta de desejo; o suicídio melancólico como sendo essa identificação com o buraco que está no Outro, e logo se dá essa passagem ao ato que não deixa sujeito, não deixa nada, realmente, para ser interpretado. Cessa-se a cadeia significante. &lt;br /&gt;
Não há i(a) sustentado pela função fálica da castração, ou seja, há uma perda do objeto, objeto com o qual há uma identificação (o psicótico é o objeto, é a merda, p. ex.) e no caso da melancolia essa mortal identificação com essa falta que habita o Outro; portanto não resta nada a não ser, se manifestar como esse Nada em si mesmo, se tornando ausência. &lt;br /&gt;
Devemos nos lembrar da lição de Lacan26, no Seminário 1, sobre a Verwerfung, a “rejeição”, e sua conseqüência para o sujeito. É aqui nesta rejeição do plano genital que este surge como alucinação. Em outras palavras, a não-extração do objeto a emerge com este excesso de vozes e olhares, como podemos observar no Homem dos Lobos.  &lt;br /&gt;
“De repente, a janela abriu-se sozinha e fiquei aterrorizado ao ver que alguns lobos brancos estavam sentados na grande nogueira em frente da janela. Havia seis ou sete deles. Os lobos eram muito brancos e pareciam-se mais com raposas ou cães pastores, pois tinham caudas grandes, como raposas, e orelhas empinadas, como cães quando prestam atenção a algo. Com grande terror, evidentemente de ser comido pelos lobos, gritei e acordei”27. [Freud, S. 1918]. &lt;br /&gt;
É na alucinação psicótica que vamos nos deparar com a emergência, no real, desse plano genital. “É a falta do NP neste lugar que, pelo furo que abre no significado, dá inicio à cascata de remanejamento do significante de onde provem o desastre crescente do imaginário”28. [Lacan, J. APUD Bogochvol, A. 2008]&lt;br /&gt;
____________________&lt;br /&gt;
26 LACAN, J. Introdução e reposta a uma exposição de Jean Hyppolite sobre a Verneinung de Freud. In: Os Escritos Técnicos de Freud. Seminário 1. São Paulo: Jorge Zahar Editor. 1995. &lt;br /&gt;
27 FREUD, S. História de uma Neurose Infantil (O Homem dos Lobos). In: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Volume XVII. 1ed. Rio de Janeiro: Imago. 1969.  &lt;br /&gt;
28 BOGOCHVOL, A. A melancolia e os objetos a. Opção Lacaniana n°51. Abril 2008. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há Bejahung, realização do plano genital, e isto emerge através da alucinação; não há simbolização. &lt;br /&gt;
“(...) o que não é reconhecido faz irrupção na consciência sob a forma de visto”. (Lacan, 1954). &lt;br /&gt;
Aqui recorremos ao caso do Homem dos Lobos, mais uma vez, e ao fato de que ele diante do real aterrorizante de ter seu dedinho preso ao corpo só pela pele, e ainda assim nem se quer se reportar à sua Nanya, nos faz inferir que não existe mais este Outro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carlos Emmanuel.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/7762695441320431807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/7762695441320431807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/7762695441320431807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/7762695441320431807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/extracao-do-objeto-e-constituicao-da.html' title='Extração do objeto a e constituição da realidade.'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-3298276483699500303</id><published>2009-09-03T17:08:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T17:08:20.016-07:00</updated><title type='text'>Transcrições de textos freudianos que se reportam ao uso de substâncias psicoativas.</title><content type='html'>Três transcrições importantes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1)Carta 55 a Fliess&lt;br /&gt;
“O que determina o surgimento de uma psicose (...) é o fato de o abuso sexual ocorrer antes do fim do primeiro estádio intelectual (...). Foi assim que cheguei a essa outra visão. Um de meus pacientes histéricos... levou sua irmã mais velha a uma psicose histérica, que terminou num estado de completa confusão. Agora averigüei qual foi o sedutor dele, um homem de grande capacidade intelectual que, no entanto, tinha tido ataques da mais grave dipsomania a partir dos seus cinqüenta anos. Esses ataques começavam regularmente ou com diarréia ou com catarro e rouquidão (o sistema sexual oral!) – isto é, com a reprodução de suas experiências passivas. (...) A dipsomania surgiu através da intensificação – ou melhor, através da substituição de um determinado impulso pelo impulso sexual correlato. (Provavelmente o mesmo se aplica à mania de jogatina do velho F.)”. (Freud, S. 11 de janeiro de 1897). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2)Carta 79 a Fliess&lt;br /&gt;
“Comecei a compreender que a masturbação é o grande hábito, o ‘vício primário’, e que é somente como sucedâneo e substituto dela que outros vícios – álcool, morfina, tabaco, etc. – adquirem existência”. (Freud, S. 22 de dezembro de 1897).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3)A Sexualidade na Etiologia das Neuroses&lt;br /&gt;
“Quebrar no paciente o hábito da masturbação é apenas uma das novas tarefas terapêuticas impostas ao medico que leva em conta a etiologia sexual dessa neurose; e parece que precisamente essa tarefa, como a cura de qualquer outro vício, pode ser efetuada em uma instituição sob supervisão médica. (...) a necessidade sexual, uma vez que tenha sido despertada e satisfeita por um longo período, não pode mais ser silenciada; pode apenas ser deslocada por outro caminho. Aliás, o mesmo se aplica a todos os tratamentos para quebrar um vício. Seu sucesso será apenas aparente, na medida em que o médico se contentar em privar seus pacientes da substância narcótica, sem se importar com a fonte da qual brotava sua necessidade imperativa. O ‘habito’ é um mero arranjo de palavras, sem nenhum valor explicativo. Nem todos que têm oportunidade de tomar morfina, cocaína, hidrato de cloral, e assim por diante, por algum tempo, adquirem dessa forma ‘um vício’. Uma pesquisa mais minuciosa mostra usualmente que esses narcóticos pretendem servir – direta ou indiretamente – como substitutivo para uma falta de satisfação sexual (...)”. (Freud, S. 1898). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carlos Emmanuel.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/3298276483699500303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/3298276483699500303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/3298276483699500303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/3298276483699500303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/transcricoes-de-textos-freudianos-que.html' title='Transcrições de textos freudianos que se reportam ao uso de substâncias psicoativas.'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-5344676417431147337</id><published>2009-09-03T17:00:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T17:00:32.517-07:00</updated><title type='text'>1918: direção de tratamento em psicanalise, algumas transcrições.</title><content type='html'>&lt;meta content=&quot;text/html; charset=utf-8&quot; http-equiv=&quot;Content-Type&quot;&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content=&quot;Word.Document&quot; name=&quot;ProgId&quot;&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content=&quot;Microsoft Word 12&quot; name=&quot;Generator&quot;&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content=&quot;Microsoft Word 12&quot; name=&quot;Originator&quot;&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href=&quot;file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCarlos%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml&quot; rel=&quot;File-List&quot;&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href=&quot;file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCarlos%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx&quot; rel=&quot;themeData&quot;&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href=&quot;file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCarlos%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml&quot; rel=&quot;colorSchemeMapping&quot;&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;
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--&gt;
&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Freud traça um raciocínio acerca da direção de tratamento psicanalítico no tocante a manutenção de uma privação no paciente de forma o tratamento seja bem sucedido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;“Lembrar-se-ão os senhores de que foi uma frustração que tornou o paciente doente, e que seus sintomas servem-lhe de satisfações substitutivas. (...) Cruel como possa parecer, devemos cuidar para que o sofrimento do paciente, (...) não acabe prematuramente. Se devido ao fato de que os sintomas foram afastados e perderam o seu valor, seu sofrimento se atenua, devemos restabelecê-lo alhures, sob a forma de alguma privação apreciável; de outro modo, corremos o perigo de jamais conseguir senão melhoras insignificantes e transitórias”. (Freud, S. 1918).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Tecendo uma critica a Escola Suíça, Freud (1918), vai colocar que tentar fazer do paciente uma cópia do médico é um erro grosseiro e que a Psicanálise não coaduna com tal postura. O paciente não deve ser uma copia dos ideais do médico, mas sim ser livre neste aspecto para possuir seus próprios ideais e filosofias de vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;“(...) um tipo bastante diferente de atividade torna-se necessário pela apreciação gradativamente crescente de que as várias formas de doenças tratadas por nós não podem ser manipuladas mediante a mesma técnica”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Daí segue o exemplo dos novos tipos de sintomas: os atos obsessivos e a agorafobia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Existem dois tipos de agorafobia citados por Freud: o caso brando e o caso grave. “Os pacientes que pertencem ao primeiro tipo sofrem de ansiedade quando vão sozinhos à rua, mas não desistiram ainda de sair desacompanhados por causa disso; os outros protegem-se da ansiedade deixando completamente de sair sozinhos. Com estes últimos, só se obtém êxito quando se consegue induzi-los, por influencia da analise, a comportarem-se como os pacientes fóbicos do primeiro tipo (...). Começa-se, portanto, por moderar a fobia; e apenas quando isso foi conseguido por exigência do médico é que permitem resolver a fobia”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Com relação aos atos obsessivos graves “uma atitude de espera passiva parece ainda menos indicada. Na verdade, de um modo geral esses casos tendem a um processo ‘assintótico’ de recuperação, a um protraimento interminável do tratamento. (...) Julgo existirem poucas dúvidas de que a técnica correta, aqui, só pode consistir em esperar até que o tratamento em si se torne uma compulsão, e então, com essa contracompulsão, suprimir forçosamente a compulsão da doença”.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Fica a questão da direção de tratamento em psicanálise, que neste texto de 1918, &lt;b&gt;&lt;i&gt;As Linhas de Progresso...&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, se torna tão contundente. Esta forma de tratamento não se coaduna a certas espctativas do Estado Alemão, da época, em ter seus &quot;neuróticos de guerra&quot; prontos para outra, falando de forma bem simples. Não se pode devolver para o Estado de maneira tão simples e direta alguém que foi destruido por um experiencia tão catrastrófica quanto a Grande Guerra. &lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;Freud neste texto não se preocupa só com os ditos &quot;novos sintomas&quot; de época como as fobias e as neuroses obsessivas, ele para além de salientar o problema de saúde pública que elas convocam, Freud, ressalta sua preocupação para com &quot;os pobres&quot; e uma certa miséria neurótica. Há de se tomar em conta a necessidade de instituições de carater gratuito para atender esta camada da população que também adoece e de forma crescente. Isto ele aponta em 1918! E ainda, mesmo que sejam necessarias mudanças nas tecnicas aplicadas esta pratica será psicanalise desde que seus &quot;elementos&quot; sejam &quot;aqueles tomados à psicanalise estrita e não tendenciosa&quot;. &lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Carlos Emmanuel &lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/5344676417431147337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/5344676417431147337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5344676417431147337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5344676417431147337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/1918-direcao-de-tratamento-em.html' title='1918: direção de tratamento em psicanalise, algumas transcrições.'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-6520826407737413903</id><published>2009-09-03T16:57:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T16:57:27.317-07:00</updated><title type='text'>OS INCLASSIFICÁVEIS DA CLÍNICA PSICANALÍTICA: CASOS QUE FOGEM À CLÍNICA DIFERENCIAL NEUROSE x PSICOSE.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;INÍCIO:&lt;/strong&gt; 19 DE OUTUBRO DE 2009.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;HORÁRIO&lt;/strong&gt;: 18:00HS&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;LOCAL:&lt;/strong&gt; AVENIDA PADRE ELIAS GORAYEB, 15, SALA 207. TIJUCA. PÓXIMO AO METRÔ DA PRAÇA SAENS PENA.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;INSCRIÇÃO&lt;/strong&gt;: COM FLÁVIA PELO TELEFONE 3439-3365. (11:00HS ÀS 20:00HS).&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;VALOR: &lt;/strong&gt;R$100,00 POR MÊS.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;COORDENAÇÃO: &lt;/strong&gt;PROFESSORA CLÁUDIA HENSCHEL DE LIMA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;PÚBLICO-ALVO: &lt;/strong&gt;ESTUDANTES E PROFISSIONAIS EM PSICOLOGIA, FONOAUDIOLOGIA, ENFERMAGEM APLICADA À SAÚDE MENTAL, PSIQUIATRIA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;TÓPICOS CONTEMPLADOS NO CURSO:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
1. A CLÍNICA DIFERENCIAL EM PSICANÁLISE: RECALCAMENTO E FORACLUSÃO (NP - NP0).&lt;br /&gt;
2. A SINTOMATOLOGIA NEURÓTICA NA CLÍNICA DIFERENCIAL.&lt;br /&gt;
3. A CLÍNICA DA PSICOSE A PARTIR DA FORACLUSÃO DO NOME-DO-PAI.&lt;br /&gt;
4. SINTOMAS CONTEMPORÂNEOS E DESREGULAÇÃO DA LIBIDO: TOXICOMANIAS, DEPRESSÃO, ANOREXIA, BULIMIA. &lt;br /&gt;
5. PSICOSES ORDINÁRIAS E CLÍNICA CONTEMPORÂNEA.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/6520826407737413903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/6520826407737413903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/6520826407737413903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/6520826407737413903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/os-inclassificaveis-da-clinica.html' title='OS INCLASSIFICÁVEIS DA CLÍNICA PSICANALÍTICA: CASOS QUE FOGEM À CLÍNICA DIFERENCIAL NEUROSE x PSICOSE.'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-5837993276844336918</id><published>2009-09-03T16:49:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T16:49:33.361-07:00</updated><title type='text'>APRESENTAÇÃO DE CASO CLÍNICO NA SAÚDE MENTAL: PSICOSE E FORACLUSÃO DO NOME-DO-PAI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;INÍCIO&lt;/strong&gt;: 26 DE OUTUBRO DE 2009.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;HORÁRIO:&lt;/strong&gt; 18:00HS.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;FREQUÊNCIA:&lt;/strong&gt; QUINZENAL&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;VALOR:&lt;/strong&gt; R$100,00 POR MÊS.&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;COORDENAÇÃO&lt;/strong&gt;: PROF. CLÁUDIA HENSCHEL DE LIMA&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;INSCRIÇÃO:&lt;/strong&gt; SECRETÁRIA FLÁVIA PELO TELEFONE 3439-3365.&lt;br /&gt;
(TURMAS COM 4 PESSOAS)&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;LOCAL&lt;/strong&gt;: AVENIDA PADRE ELIAS GORAYEB 15, SALA 207. TIJUCA (PRÓXIMO À ESTAÇÃO DO METRÔ SAENS PENA)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OBJETIVO:&lt;br /&gt;
SUPERVISÃO VOLTADA PARA OS IMPASSES DA CLÍNICA CONTEMPORÂNEA, VERIFICADOS NA SAÚDE MENTAL:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TÓPICOS QUE SERÃO COTEMPLADOS NA SUPERVISÃO: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. CONSTRUÇÃO DE CASO CLÍNICO &lt;br /&gt;
2. PSICOSE E FORACLUSÃO: A PRIMEIRA CLÍNICA DE LACAN.&lt;br /&gt;
3. FENÔMENOS ELEMENTARES.&lt;br /&gt;
4. DIREÇÃO DE TRATAMENTO.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/5837993276844336918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/5837993276844336918' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5837993276844336918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5837993276844336918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/apresentacao-de-caso-clinico-na-saude.html' title='APRESENTAÇÃO DE CASO CLÍNICO NA SAÚDE MENTAL: PSICOSE E FORACLUSÃO DO NOME-DO-PAI'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-3925210157541589994</id><published>2009-09-03T16:33:00.001-07:00</published><updated>2009-09-03T16:33:14.177-07:00</updated><title type='text'>ABERTURA DE NOVA TURMA DE SUPERVISÃO</title><content type='html'></content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/3925210157541589994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/3925210157541589994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/3925210157541589994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/3925210157541589994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/09/abertura-de-nova-turma-de-supervisao.html' title='ABERTURA DE NOVA TURMA DE SUPERVISÃO'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-4422994852183160582</id><published>2009-08-26T17:44:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T17:45:44.592-07:00</updated><title type='text'>ADOLESCÊNCIA E USO DE DROGAS</title><content type='html'>Quando falamos em uso de drogas, normalmente associamos ao uso das drogas ilícitas, por exemplo, a maconha e a cocaína. Essa associação se deve ao próprio índice de consumo elevado dessas substâncias. Em 2007, a maconha ocupava o primeiro lugar e a cocaína o quarto lugar, no índice de consumo de substâncias pelos brasileiros.&lt;br /&gt;No entanto, ocupando o segundo e terceiro lugares, encontramos substâncias que podem estar guardadas em um armário ou gaveta de qualquer brasileiro: a acetona e remédios para dormir.&lt;br /&gt;Será que isso quer dizer que o simples fatos de termos tais substâncias em casa, é um motivo suficiente para que um filho as consuma e se torne dependente?Aqui, entra nossa consideração sobre a adolescência.&lt;br /&gt;Não raras vezes, usamos um nome para nos referirmos à essa etapa da vida pela qual todos nós passamos: aborrescência. Com essa palavra, damos nome à esse momento da vida, que mais parece uma crise, onde o adolescente questiona as regras sociais, se comporta com rebeldia frente aos valores transmitidos pelos pais e reivindica pela independência da vida adulta. Muitos pais diante da reivindicação e da rebeldia dos filhos adolescentes, ou cedem completamente ou estabelecem um verdadeiro cabo de guerra com seus filhos. O resultado final para ambas as posições na relação ente pais e filhos é normalmente o desconhecimento do que se passa na esfera íntima da vida de seus filhos. A palavra “aborrescente” acaba por expressar esse desconhecimento, porque se por um lado a adolescência traz a reivindicação e a rebeldia, por outro não raras vezes, nos deparamos com adolescentes que experimentam um dos sentimentos mais preocupantes para nós que trabalhamos com a clínica: a tristeza.&lt;br /&gt;O que acontece no momento em que um sujeito ingressa na adolescência?&lt;br /&gt;A OPS/OMS define a adolescência como um processo no qual se acelera o desenvolvimento cognitivo e a estruturação da personalidade, abrangendo as idades de 10 a 19 anos e divididas em pré-adolescência (10 a 14 anos) e adolescência (15 a 19 anos). Esse longo processo se localiza entre o tempo infantil e a vida adulta e se caracteriza pela transformação puberal, pela maturação dos caracteres sexuais secundários (pelos, crescimento dos seios em meninas, modificação da voz em meninos, etc). Essa maturação modifica a imagem do corpo. E essa modificação não é fácil de ser assimilada. O que chamamos de crise da adolescência se refere, na verdade, à esse momento de reestrutração da personalidade, da vida subjetiva e que vai desde a imagem do corpo até o fato de assumir uma identidade sexual e de fazer uma escolha amorosa de objeto. É o momento em que o que acontecia, até então, somente na fantasia infantil e que se expressava pelas brincadeiras ou cenários de jogos infantis, deve passar a fazer parte da dinâmica adulta de dar pedir, ter e não ter. Vemos que é um momento muito difícil para o ser humano porque o conjunto da fantasia da infância se transforma em identidade sexual e possibilidade de escolha de um parceiro no jogo do amor. Ser rebelde com os pais, questionar regras sociais ou reivindicar independência podem estar associados à tentativas saudáveis do adolescente de inventar um modo de assumir o que há de mais íntimo e delicado na experiência subjetiva de cada ser humano: sua identidade sexual e a defesa de sua escolha amorosa. Rebeldia e reivindicação é o nome que damos ao trabalho adolescente de inventar um modo de fazer valer sua imagem corporal, e sua posição frente ao semelhante, nas relações sociais. Quando fazemos um cabo de guerra com os filhos nesse terreno, acabamos por não ouvir e acolher essas invenções. Mas existem jovens que não têm os instrumentos subjetivos para essa invenção. Então, prolongam a infância ou se bloqueiam diante da primeira aparição de uma atração amorosa. Acabam por se tornar silenciosos, arredios e pouco dispostos ao relacionamento social. Na vida íntima, vivem um sentimento de tristeza, inferioridade ou se sentem diferentes de todos os que os rodeiam. Quando fazemos um cabo de guerra com os filhos nesse terreno cobrando, por exemplo, uma identidade heterossexual, acabamos por nos cegar para a gravidade deste afeto de tristeza que contribui para tornar esse adolescente cada vez mais solitário e sem perspectiva na relação social. A palavra “aborrescente” deve desaparecer de nosso vocabulário com o adolescente. Ela em não oferece instrumentos subjetivos para aquele que não os têm – ao contrário reforça mais e mais seu silêncio, sua tristeza, seu sentimento de inferioridade.  Devemos dedicar uma preocupação especial com esses casos: pode ser a ocasião para recorrer à droga como tentativa de anestesiar esse sentimento de tristeza, de tornar o adolescente mais desinibido socialmente e de permitir sua inserção em um grupo social.  A droga é um objeto produzido por nossa civilização e que pode estar disponível para qualquer ser humano, na medida em que não se restringe às drogas ilícitas. O recurso às drogas, nesse momento delicado da adolescência, deve ser considerado como o recurso à uma prótese para o adolescente que não possui instrumentos subjetivos para inventar um lugar na relação com o próximo. Aqui, não basta tornar difícil o acesso à medicamentos lícitos que guardamos em um armário ou gaveta. É preciso abrir mão das palavras ofensivas ou expressões de indiferença (“aborrescente”, “isso passa”), suspender por alguns minutos por dia a correria rotineira e disponibilizar-se à uma conversa ou à um abraço, compartilhando com ele esse momento tão delicado da vida de todo ser humano. &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;Cláudia Henschel de Lima</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/4422994852183160582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/4422994852183160582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4422994852183160582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4422994852183160582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/08/adolescencia-e-uso-de-drogas.html' title='ADOLESCÊNCIA E USO DE DROGAS'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-4618844003720282440</id><published>2009-08-26T17:37:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T17:44:28.472-07:00</updated><title type='text'>Consumo de Substâncias Psicoativas no Brasil.</title><content type='html'>&lt;p&gt;A prevalência do consumo de substâncias psicoativas lícitas, foi recentemente evidenciada tanto por meio dos dados sobre o consumo nacional de substâncias psicoativas dos anos de 2005-2007 - obtidos através da parceria entre a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) e o CEBRID – como pelos dois últimos relatórios, publicados pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC), em 9 de setembro de 2008 e em junho de 2009..&lt;br /&gt;A reprodução da tabela do CEBRID sobre o consumo de substâncias psicoativas no Brasil (Tabela 1), permite constatar que as drogas lícitas – como é o caso dos benzodiazepínicos e orexígenos – são as mais consumidas no Brasil, ultrapassando o consumo de cocaína, por exemplo, que é o principal alvo da luta antidrogas dos países latino-americanos. A evolução do consumo nas drogas lícitas é confirmada, ainda, pelos dados relativos a produção e consumo de anfetaminas e metanfetaminas, presentes no relatório do UNODC de 2008 e 2009.&lt;br /&gt;Evidencia-se que a prescrição de anfetaminas, na América Latina, supera a média mundial. Nos períodos de 2000 a 2002 e 2004 a 2006, o consumo de estimulantes na América Latina, fabricados legalmente, passou de 7 doses diárias por 1.000 habitantes, para 11 doses diárias (um aumento de 5% no consumo). No caso específico do Brasil, o país é o terceiro maior usuário do mundo, com mais que o dobro de usuários entre 2001 e 2005, saltando de 1.5% para 3.2% nas áreas urbanas. O relatório de 2008, por exemplo, registrou um índice de consumo, para o Brasil, de 10 doses diárias. Já no relatório de 2009, é acentuada a facilidade das prescrições médicas irregulares de anfetaminas.&lt;br /&gt;O conjunto desses dados revela, então, não só o aumento do consumo de cocaína. Mas principalmente a expansão surpreendente do consumo de drogas lícitas (ansiolíticos, orexígenos e estimulantes) para além da linha de consumo terapeuticamente controlada. Um outro fato relevante sobre o consumo de substâncias psicoativas lícitas é o índice de consumo elevado de fluoxetina (LY110141), cujo nome comercial é LY110141.&lt;br /&gt;Sua comercialização começou em 1987 nos Estados Unidos. No Brasil, a substância foi comercializada a partir de 1989. Em 1999, sua comercialização equivalia a 25% do faturamento de 10 bilhões de dólares do laboratório Eli Lilly. Em 2001, mais de 20 milhões de medicamentos antidepressivos eram comercializados no Brasil: 200 mil eram de Prozac.  O uso do Prozac responde a tese do desequilíbrio químico e atua sobre os níveis de serotonina que, junto com a dopamina e a noradrenalina são isoladas como as reguladoras das emoções. Sendo assim, o Prozac é classificado como ISRS (inibidor seletivo de reabsorção de serotonina). Entre 1995 e 1999, o laboratório Ely Lilly estende a possibilidade de uso da fluoxetina à criança, desenvolvendo o Prozac líquido com sabor de hortelã. O uso de drogas semelhantes ao Prozac por crianças entre 7 e 12 anos, nos Estados Unidos, aumentou  151% e entre menores de 6 anos 580%. Em 2004, as crianças de 5 anos ou menos, foi o segmento de maior consumo de antidepressivo nos Estados Unidos para o tratamento do mutismo seletivo, caracterizado pelo medo de falar em situações sociais&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn1&quot; name=&quot;_ftnref1&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref1&quot; name=&quot;_ftn1&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt; Dados obtidos em Felicidade na Dose Certa?, in Carta Capital. 23 de maio de 2007. Ano XIII. N.445. pp.8-14.&lt;br /&gt; Um outro fato relevante sobre o consumo de substâncias psicoativas lícitas é o índice de consumo elevado de fluoxetina (LY110141), cujo nome comercial é LY110141.&lt;br /&gt;Sua comercialização começou em 1987 nos Estados Unidos. No Brasil, a substância foi comercializada a partir de 1989. Em 1999, sua comercialização equivalia a 25% do faturamento de 10 bilhões de dólares do laboratório Eli Lilly. Em 2001, mais de 20 milhões de medicamentos antidepressivos eram comercializados no Brasil: 200 mil eram de Prozac.  O uso do Prozac responde a tese do desequilíbrio químico e atua sobre os níveis de serotonina que, junto com a dopamina e a noradrenalina são isoladas como as reguladoras das emoções. Sendo assim, o Prozac é classificado como ISRS (inibidor seletivo de reabsorção de serotonina). Entre 1995 e 1999, o laboratório Ely Lilly estende a possibilidade de uso da fluoxetina à criança, desenvolvendo o Prozac líquido com sabor de hortelã. O uso de drogas semelhantes ao Prozac por crianças entre 7 e 12 anos, nos Estados Unidos, aumentou  151% e entre menores de 6 anos 580%. Em 2004, as crianças de 5 anos ou menos, foi o segmento de maior consumo de antidepressivo nos Estados Unidos para o tratamento do mutismo seletivo, caracterizado pelo medo de falar em situações sociais&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn1&quot; name=&quot;_ftnref1&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref1&quot; name=&quot;_ftn1&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt; Dados obtidos em Felicidade na Dose Certa?, in Carta Capital. 23 de maio de 2007. Ano XIII. N.445. pp.8-14.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cláudia Henschel de Lima&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/4618844003720282440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/4618844003720282440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4618844003720282440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4618844003720282440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/08/consumo-de-substancias-psicoativas-no.html' title='Consumo de Substâncias Psicoativas no Brasil.'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-359894644189578733</id><published>2009-05-24T19:12:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T19:16:55.304-07:00</updated><title type='text'>A IDENTIFICAÇÃO DO PAI E A FORMAÇÃO DO SINTOMA NEURÓTICO NO CASO DO HOMEM DOS RATOS.</title><content type='html'>A IDENTIFICAÇÃO DO PAI E A FORMAÇÃO DO SINTOMA NEURÓTICO NO CASO DO HOMEM DOS RATOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se tenho esse desejo de ver uma mulher despida, meu pai deverá faltamente morrer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Para olhos menos atentos apenas manias excêntricas, mas para Freud um caso clássico de neurose obsessiva se apresenta, quando em analise este homem notoriamente conhecido como homem dos ratos é ouvido, e em seu discurso sua condição se revela.   Durante anos de sua vida se fez presente tal quadro, buscarei identificar a figura do pai em sua patologia, como também a formação de seus sintomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A figura de seu pai esteve tão presente pra ele que não foi sem surpresa que Freud veio descobrir só depois de um certo tempo de analise com seu paciente que o pai de fato já era morto, e em sua narrativa dos fatos para ele não havia distinção do pai vivo do morto em seus efeitos, pai este que para o paciente era o agente castrador de seus desejos, e nessa ambivalência de amor e ódio, o efeito do olhar do pai sobre ele esteve presente o tempo todo, quando em uma história conhecida no seio de sua família, que contava sobre quando seu pai supostamente se sujeita a um casamento arranjado com uma mulher rica que viria a ser a sua mãe e ao mesmo tempo manteve um caso amoroso com uma mulher pobre. O efeito deste olhar do pai leva o homem dos ratos a uma condição onde ele se sente impelido a repetir tal postura, pois diante de sua amada e idealizada dama ele tem seus mais profundos desejos, e é sob a invasão do olhar do pai que se sentirá castrado da possibilidade de realizá-los, para então poder imitá-lo como um ideal corrompido. Aí estará instituído o conflito obsessivo, o pai que precisa morrer o tempo todo para ele, e esse ciclo se repete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Seu quadro como neurose obsessiva tem origem tipicamente na infância, onde em tenra idade já sofria de obsessões ligadas ao medo de acontecer algo a duas pessoas importantes pra ele: seu pai e sua dama. Por acreditar que ele seria o responsável por danos causados a eles, como um castigo diante de seus desejos consumados acreditava então ser um criminoso desprezível, gerando uma culpa que o abatia enormemente. E assim um instinto erótico o envolvia, mas ao mesmo tempo em que o envolvia gerava culpa seguida de revolta pelo mesmo instinto erótico que o envolve e sua impossibilidade de consumação sem que haja sanções. O conteúdo dessa culpa é de origem inconsciente, portanto, é relativamente imutável, o qual deve ser buscado, uma autocensura originaria de princípios morais internos, esses pensamentos involuntários constituíam sua doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Freud faz uma analogia classificando-o como uma espécie de Balaão às avessas. Para entendermos essa comparação curiosa temos que nos arremeter ao velho testamento da Bíblia, mais precisamente no livro de Números1 que compreende um dos livros do Pentateuco (TORÁ). O livro narra os dias de Moisés  liderando  o povo de Israel  em sua peregrinação rumo a terra prometida2, quando se deparam com a região dos Moabitas. O rei dos Moabitas, Balaque, temendo uma possível invasão por parte dos israelitas, contrata o profeta Balaão para que amaldiçoasse a Israel com uma derrota diante da guerra eminente. Para os Moabitas o profeta Balaão tinha o poder de amaldiçoar ou abençoar através de suas palavras, tal era a firmeza de suas palavras diante de Deus (pai), o que faria toda a diferença no campo de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Já o homem dos ratos, todas as vezes em que orava a Deus, em especial pedindo que abençoasse seu pai e a dama amada, era invadido no meio de sua prece abençoadora por um NÃO “involuntário”, e isso lhe criava pavor, pois tinha medo de sua benção se transformar em maldição. Em sua lógica confusa preferia muitas vezes fazer uma oração amaldiçoadora (seu pai e a dama) para que, em sendo invadido pelo NÃO novamente, sua maldição se converteria em uma suposta benção. No entanto, sabemos que imperava o conflito do amor e ódio quanto ao pai e a dama, o pai era amado enquanto pai, mas odiado como o grande castrador dos seus desejos mais intensos quanto a sua admirada dama, e também um ódio por ela por despertar nele seus desejos, que para ele seriam o estopim do castigo divino sobre ela e seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A clareza encontrada no profeta Balaão, seja para se posicionar em relação ao sim ou para o não, é impossível de ser encontrada no neurótico obsessivo, pois o conflito é constante em seus pensamentos, posto que a dúvida neurótica clássica se instala entre o amor e ódio com a mesma intensidade veemente em relação ao mesmo objeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Adilson Valentim</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/359894644189578733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/359894644189578733' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/359894644189578733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/359894644189578733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/05/identificacao-do-pai-e-formacao-do.html' title='A IDENTIFICAÇÃO DO PAI E A FORMAÇÃO DO SINTOMA NEURÓTICO NO CASO DO HOMEM DOS RATOS.'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-3656327344677550775</id><published>2009-04-29T06:23:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T07:50:52.952-07:00</updated><title type='text'>tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar</title><content type='html'>NEUROSE E PSICOSE&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DESCRIÇÃO DA CENA:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um seio enorme avança ameaçadoramente por um campo aberto, na direção de nosso herói (Woody allen) que o aguarda, ao chegar perto, o seio começa então a investir contra ele, tentando esmagá-lo, e ao mesmo tempo esguichando seu leite mortal, nosso herói então começa a driblá-lo, em um zigue –zague constante pra não ser atingido, então chega a hora de usar a sua arma secreta, a cruz que ele trazia em seu bolso, sacando-a, ele a mira na direção do grande seio, só que não tem o efeito desejado, ele insiste, mas o seio avança, então... ele o atrai pra uma armadilha, onde escondido atrás de uma cortina há um grande sutiã, e esse finalmente consegue deter o seio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cena descrita é do filme Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar, (Everything You Always Wanted to Know About Sex (But Were Afraid to Ask), de Woody Allen, que será usada como pano de fundo para comentarmos dois dos textos de Freud, Neurose E Psicose (1924) e A Perda Da Realidade Na Neurose E Na Psicose (1924), procurando mostrar um comparativo entre essas duas condições do aparelho psíquico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NEUROSE&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARACTERISTICAS BÁSICAS:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Resultado do conflito entre o EU e o ID.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O EU recorre ao RECALQUE e este providencia um sintoma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O RECALQUE não é a neurose configurada, mas sim um processo que busca compensar a parte danificada do ID.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O RECALQUE é seguido do seu posterior fracasso, que constitui a neurose.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No conflito entre o EU e o ID, a neurose, temos forças atuando de formas distintas, onde o ID tenta avançar com toda a sua moção pulsional em direção ao EU, este por sua vez a recusa, negando-se a conduzi-la como resolução motora em direção ao objeto desejado, e esta recusa do Eu quanto a pulsão vem em forma de um mecanismo de defesa, o RECALQUE, porém, a neurose não está estabelecida em virtude deste dispositivo em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto pode ser ilustrado a partir da cena, anteriormente descrita, em que o seio gigante representa o objeto do desejo que se encontra no mundo externo e, no que depende do ID, ele será colocado frente a frente com a personagem de Woody Allen. Mas a fome do ID não será saciada, pois a personagem está pronta pra se defender e acabar com aquela “ameaça”. A resistência acontece, ele corre, o evita, e tira do seu bolso uma cruz mirando-a para o seio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta cruz carrega todo o significado civilizatório religioso de que Deus morre na pessoa do filho (a figura da morte na cruz), trazendo para esta mesma cruz todo um suposto poder contra todas as pulsões que fazem uma ponte direta do mundo externo com o ID, temos então o RECALQUE em cena, atuando dentro da estrutura psíquica como recurso de defesa contra a pulsão, mas está destinado ao fracasso, e é neste contexto de fracasso do RECALQUE providencia um sintoma que passara ser o intruso contra o EU que segue na luta agora contra o sintoma e este conflito resultara finamente em um quadro de neurose estabelecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PSICOSE&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARACTERISTICAS BASICAS:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Resultado da perturbação nas relações que o Eu mantém com o mundo externo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O mundo externo é DEMOLIDO devido aos duros impedimentos que a realidade impõe a satisfação do desejo- algo intolerável pra o psicótico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Um novo mundo interno é erguido segundo os desejos do ID.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma onipotência presente no quadro da psicose, onde o sujeito não toma conhecimento do mundo externo, e se por acaso toma, este não o afeta, e no uso desta onipotência, um novo mundo é erguido segundo os desejos do ID, todo o mundo externo é demolido em virtude das privações que este proporciona quanto a satisfação dos desejos, ou seja, destruindo o mundo externo se destrói os impedimentos, pois para o psicótico, tais impedimentos são intoleráveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se fosse possível fazer a cena acima citada na perspectiva da psicose, seria completamente diferente, certamente o seio o engoliria, o absorveria por completo, por não haver nada que os separasse, pois a cruz e sua tentativa não estariam presentes com o seu simbolismo ( foraclusão do nome do pai), e o personagem de Woody Allen e o seio seriam um só, fora da realidade do mundo externo já demolido, realidade que não é só perdida, mas também substituída.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ADILSON VALENTIM&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIBLIOGRAFIA:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FREUD, S. Neurose e psicose. (1924)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FREUD, S. Aperda da realidade na Neurose e Psicose (1924)</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/3656327344677550775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/3656327344677550775' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/3656327344677550775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/3656327344677550775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/04/tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre.html' title='tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-2230856397216600052</id><published>2009-04-15T19:17:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T19:23:34.658-07:00</updated><title type='text'>O Diagnóstico no Caso Único e a Teoria do Objeto a</title><content type='html'>&lt;strong&gt;1. Introdução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma vez roubada, usurpada, Libido não sucumbiu na prisão erguida pelo Pai (...). Libido não morreu, mas se fez nuvem, água, manancial, torrente. Eu a vertia – dizia o Pai – no tonel das Danaides; ali estava resguardada. Mas sabemos o que ele não sabia: essa não era uma caixa que pudesse retê-la. Pai, não vês que fujo, que escapo, que precipito o incêndio? Não, o Pai não via que Libido se ia e que, no deserto, mil oásis floresciam. O pai acreditou estar enterrado junto com Libido. E o sujeito acreditou – acreditou que o Pai a tinha, com um abraço, na morte. Durante esse tempo, Libido se metabolizava alegremente sem que ninguém a reconhecesse. E o sujeito era feliz sem o saber”.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mito elaborado por Miller (2005) exprime com precisão o limite teórico-clínico da teoria do Pai em Lacan: a categoria de gozo impôs tal limite. Neste sentido, o avanço conceitual da teoria do pai a partir, principalmente do final dos anos 60, parece confirmar o caráter problemático das três grandes questões que inauguraram a modernidade a partir do final do século XVIII: o que é possível fazer? O que me é permitido esperar? O que é o homem?.&lt;br /&gt;Em 1964, logo após ter reservado à inexistência um seminário sobre os Nomes-do-Pai, logo após sua excomunhão da IPA, Lacan escreve a fórmula do ateísmo: Deus é inconsciente. Extraída do comentário a respeito do sonho “pai não vês que estou queimando?”, essa fórmula evidencia a versão construída por Freud para o pai na neurose bem como sua extensão para a própria estrutura do inconsciente: um pai mudo, adormecido, que nada sabe, diante do fogo real que invade o corpo inanimado de um filho. &lt;br /&gt;Esse mito traz, ainda, um detalhe a mais: um pai entorpecido pela crença de estar enterrado junto com libido, entorpecido pela visão dos mil oásis que floresciam no deserto. Enquanto isso... libido se metaboliza alegremente, sem que ninguém a reconheça. É possível, então, recolocar o apelo do filho em outros termos: Pai não vês que fujo e precipito o incêndio?&lt;br /&gt;A colocação desses problemas referentes ao declínio da organização dos ideais em torno do pai, referentes à morte de Deus, impuseram uma reordenação geral do pensamento filosófico. De fato, o anúncio da morte de Deus exprime uma crítica ao fundamento – mais precisamente ao Ser como fundamento da ação e da criação humana. O aprofundamento dessa crítica terá como resultado o recuo da metafísica e a ascensão de uma investigação sobre o homem. E podemos localizar – com o fez Foucault, ao comentar a importância de Nietzsche e Marx para a crítica da metafísica no século XIX – a psicanálise no contexto deste movimento crítico de recusa do fundamento, do modelo. Éric Laurent em sua conferência de 16-18 de outubro de 1998, dada na Seção São Paulo  mostra a presença desse abalo do modelo, do fundamento, na própria evolução da teoria freudiana: o modelo edipiano que define para o pai um lugar central na constituição do inconsciente na época da primeira tópica e da própria análise do Caso Schreber cede lugar – a partir da análise do Homem dos Lobos - às versões do pai.&lt;br /&gt;De fato, se outrora, combater o significante-mestre da autoridade externa do professor, do padre ou do pai pelo anúncio de sua morte, era inseparável do entusiasmo pela liberdade de produzir por meio do pensamento, a arte e a ciência, em nossos dias a morte do pai evidencia o limite do pensamento frente ao gozo: a debilidade mental se apresenta como a outra face do racionalismo moderno (Lacan, 1969; Miller, 1997; Miller, 2001-2002). &lt;br /&gt;A escandalosa atualidade do trabalho conceitual de Miller reside na relevância concedida a experiência real da pulsão (a &gt; I) : os sintomas contemporâneos rejeitam o diagnóstico da clínica estrutural clássica, orientada pela polarização presença - ausência do Nome-do-Pai. O que conduz a pensar que a morte do Pai, que desde a descoberta freudiana do inconsciente fora o eixo em torno do qual se deduzira a estrutura do sujeito a partir da renúncia às pulsões, torna-se, em nossos dias, um problema. Um real sem lei, resistente a palavra impõe a sua marca. De fato a hegemonia dos atos sobre a palavra – freqüente nas toxicomanias, na anorexia, na bulimia e na hiperatividade da criança – bem como a presença de desligamentos, da pregnância do imaginário, da relação de estranheza com o eu e o corpo, do declínio do sentimento de vida, da presença hegemônica do pai da realidade, evidenciam que o modelo estrutural, orientado pela polarização presença/ausência do Nome-do-Pai, tornou-se para o eixo teoria-clínica, um obstáculo epistemológico. &lt;br /&gt;O presente artigo tem como objetivo investigar a relevância que o conceito de gozo vai assumindo no ensino de Lacan, a partir da elaboração da teoria do objeto a. &lt;br /&gt;A importância de se investigar essa natureza do objeto – própria de uma elaboração cujo marco é o seminário sobre a angústia – reside no que Jacques-Alain Miller (2006) definiu como sendo a decorrência de se pensar em um objeto primeiro em relação a presença do Outro paterno ou materno, de um objeto em sua característica de pedaço de corpo – a saber, uma clínica que leva em conta o corpo do analisante e o encontro com o sexo. A justificatica referente a hipótese de psicose presente em um caso clínico servirá de evidência para ressaltar a importância da teoria do objeto a, como também a relevância da relativização da lógica do significante para a especificidade da arte do diagnóstico no campo freudiano  sem reduzir essa arte a disciplina da aplicação genérica das classes.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. A peste assola o pensamento: O diagnóstico diferencial a partir da causalidade sexual.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psiquiatria clássica ergueu uma disciplina do diagnóstico sobre o modelo de investigação e tratamento da doença orgânica, tal como fora prescrito pela medicina geral. Em primeiro lugar, tratava-se de observar e descrever exaustivamente as características fenomenológicas das doenças; em segundo lugar, de organizar essa fenomenologia vasta em classes de sintomas; em terceiro lugar, de localizar por meio da técnica do exame, um correlato anátomo-fsiológico para tais sintomas (uma lesão orgânica) e em quarto lugar de determinar um agente patológico externo como causa da lesão .&lt;br /&gt;Essa sistematização do diagnóstico permitiu a construção de uma enciclopédia natural das doenças mentais: uma descrição exaustiva do ser por meio de suas características empíricas e a organização dessas características em classes universais. A presença da neurose histérica impôs, no século XIX, um limite à esse modelo - não somente em função da ausência de um correlato anátomo-fisiológico para seus sintomas, mas principalmente, em função do que Freud definiu como sendo seu elemento causal: a causa pulsional, a experiência do gozo. Dessa forma, testemunhamos a fundação de um método para o tratamento da neurose  fundamentado na hipótese da causalidade sexual e situado no interior de uma época marcada pela máxima filosófica da morte do pai. É no marco, portanto, da conjunção entre a causa sexual e a morte do pai, que Freud ergue uma disciplina do diagnóstico diferencial que permite estabelecer para a neurose, a classificação de histeria, obsessão e fobia; e, para a psicose, a distinção entre, de um lado, a paranóia e a parafrenia e, de outro, a mania e a melancolia.    &lt;br /&gt;No interior desta investigação diagnóstica, centrada na causa sexual, encontramos no espaço de tempo entre o final do século XIX e o ano de 1909, a construção de uma série de casos clínicos fundamentais: a neurose histérica de Dora, a neurose obsessiva do Homem dos Ratos e a neurose fóbica de Hans. É uma época que Éric Laurent (1999)  caracterizou como sendo a de uma clínica psicanalítica ainda decalcada sobre o modelo da psiquiatria krapeliniana. Sendo assim, ainda que rompa com a hipótese da causalidade orgânica, Freud mantém-se fiel a classificação diagnóstica, precisamente porque ancora a hipótese da causalidade sexual no modelo do Ideal e no princípio da adaptação do sintoma à estrutura característico desse modelo. O caso do Homem dos Lobos representa, na obra de Freud, o momento de ruptura com a herança kraepeliniana, já que a condução deste caso possibilitou questionar o modelo do Ideal como princípio a partir do qual se estabelece a hipótese diagnóstica. De fato, a pluralização do pai no caso de Sergei Pankeiev - um pai que goza exigindo o sacrifício (Deus), um pai na condição de objeto de amor (identificação à Cristo e seu sacrifício) e um pai castrado (sintoma da expiração) – recoloca no centro do debate sobre diagnóstico e orientação do tratamento a causa libidinal, o modo de gozo independente do Ideal.  &lt;br /&gt;Ao comentar a construção do caso Dora, em seu artigo “O Relato de Caso, Crise e Solução” , Laurent (2003) acentua a estrutura subjacente a construção deste caso. De um lado, a rica fenomenologia da descrição em primeira pessoa dos sonhos, das divisões e sofrimentos de Dora, fruto do traço marcante herdado do romantismo alemão; de outro, a organização desta fenomenologia a partir dos operadores conceituais da primeira tópica freudiana: a libido e seu investimento psíquico por meio do mecanismo de recalcamento. A importância desta posição assumida por Freud é demonstrar a originalidade da clínica analítica e de sua transmissão em relação a psiquiatria kraepelianiana do final do século XIX: a monografia clínica é submetida às exigências do caso único. De fato, de um lado, encontramos um Freud kraepeliniano, dedicado a elaboração da hipótese da causalidade psíquica da histeria, ancorado no diagnóstico diferencial histeria-epilepsia / neurose histérica-loucura; de outro, estamos diante de um Freud que desde Dora até o Homem dos Lobos, desde a neurose histérica até o inclassificável, desde a teoria do inconsciente até a teoria da pulsão de morte, apresenta o eixo diagnóstico-orientação de tratamento a partir do caso único, a partir de um nome de gozo (Miller, 1992): Dora e a mulher dos homens, Hans e o menino dos cavalos, o Homem dos Ratos, Schreber e o homem dos deuses, O homem dos lobos .&lt;br /&gt;No caso específico do Homem dos Lobos, essa temática da construção do caso clínico e da transmissão da psicanálise pelo caso único ganha especial relevância devido ao fato de ser um momento muito próximo à evidência clínica de que a repetição coloca o problema teórico referente a natureza do princípio de prazer e seu status de regulador da quantidade de pulsão no psiquismo. O ano de 1920 - dois anos após a publicação de “História de uma Neurose Infantil” – é o marco de uma reformulação geral da teoria psicanalítica cujo resultado será a construção da teoria da pulsão de morte.  &lt;br /&gt;Nesse momento, a temática da construção do caso clínico e da transmissão da psicanálise pelo caso único ganha especial relevância a partir da análise do lugar ocupado pela fobia e pelos sintomas obsessivos na economia psíquica de Sergei Pankiev. No que se refere a fobia, trata-se de uma paralisia aterrorizante, desestabilizadora, diante da imagem onírica dos lobos – o que a destitui de uma função reguladora do gozo e, consequentemente, desangustiante, tal como os cavalos tiveram para Hans (Miller, 2005) . Além disso, os lobos estão revestidos de características específicas e muito precisas, isoladas pelo próprio paciente: estavam sentados na árvore, eram muito brancos, estavam em perfeita quietude e imobilidade, olhavam para ele atentamente . A presença dessas características concede aos lobos um estatuto particular, em contraposição ao estatuto universal que os cavalos assumiram para Hans (este sentia medo de todos os cavalos). A posição aterrorizada de Sergei frente aos lobos, frente a esse representante do pai é correlata ao fracasso do expediente da elaboração secundária, da significantização (“Eles não se mexem, apenas olham, e têm as mais graciosas caudas!” ), utilizada com a finalidade de tornar inofensiva a cena. Tal posição é, então, isolada por Freud (1918[1914]) nos seguintes termos: estava aterrorizado pela possibilidade de ser comido, engolido, pelos lobos. O que indica o próprio estatuto que o Outro possui em sua economia psíquica: um Outro gozador, ao qual ele encontra-se submetido . No que diz respeito aos sintomas obsessivos (antes de se deitar era obrigado a rezar por muito tempo e a fazer,interminavelmente, o sinal da cruz, ou pela tarde a passar por todas as imagens sacras da casa e beijá-las uma por uma), dúvidas e blasfêmias direcionadas respectivamente a pessoa de Cristo (se ele tinha traseiro e defecava) e a Deus (“Deus-suíno”, “cagar em Deus”, “Deus-merda”), estas parecem também estar à serviço dessa posição de submissão ao Outro a ponto de Freud afirma ser o mesmo impulso para Deus, encontrado no caso Schreber .  Esse estatuto dos sintomas colocará Freud diante do problema referente ao diagnóstico diferencial que organizava a construção do caso clínico: o pai é destituído de sua função estabilizadora, típica da neurose. A pulsão resiste a essa estabilização e o índice dessa resistência pode ser isolado no olhar devorador, encarnado pelos lobos no sonho de Sergei. Podemos localizar nesse momento a crise do modelo de construção de caso clínico organizado em torno dos operadores conceituais: libido-recalcamento-inconsciente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Do formalismo à lógica encarnada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1. O Formalismo&lt;br /&gt;O ensino de Lacan é um esforço no sentido de responder as questões abertas por Freud a partir das dificuldades do tratamento de Sergei Pankiev e da elaboração da teoria da pulsão de morte: quando fazemos diagnóstico em psicanálise, o que afinal fazemos?  Como tratar o sintoma na psicanálise?  &lt;br /&gt;A colocação desses problemas orienta a localização feita por Laurent dos dois momentos do ensino de Lacan: a elaboração lógica do inconsciente a partir do modelo lingüístico-estrutural e a conseqüente redução do conteúdo representacional a estrutura mínima do significante (S1-S2) e a localização do quantum de pulsão resistente à submissão ao simbólico por meio da teoria do objeto a.&lt;br /&gt;O trabalho desenvolvido por Lacan de conceder ao inconsciente freudiano uma formalização por meio da lógica do significante e do grafo do desejo, com a finalidade de retomar seu caráter literal, que se perdera a partir do momento em que os desdobramentos pós-freudianos submeteram a teoria do inconsciente exclusivamente à referência do recalcado, a teoria da libido às exigências maturacionais ( é o caso, por exemplo, da teoria das fases de organização da libido) e, consequentemente conceberam uma clínica da adaptação do recalcado (falso eu) às exigências da realidade e da libido às exigências do amor Ideal. É essa posição de Lacan que justifica em parte sua excomunhão da IPA. Todavia, essa excomunhão é correlata a presença do próprio formalismo como obstáculo epistemológico, precisamente porque a excomunhão dando-se entre 63 e 64, entre o seminário Os Nomes-do-Pai e Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise, é correlata ao momento em que se evidencia a irredutibilidade da pulsão à lógica do significante. Neste sentido, o período do ensino de Lacan, do seminário Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise  ao seminário Mais Ainda, é dedicado a uma elaboração teórica que responda ao problema referente ao conceito de pulsão: a teoria do objeto a.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse núcleo da metáfora paterna, ergue-se uma verdadeira disciplina do diagnóstico diferencial pautada na polaridade presença-ausência da metáfora paterna e, consequentemente, na descontinuidade entre neurose e psicose (Cottet, 1999) . Na relação com o Outro a resposta do sujeito neurótico é o recalcamento pelo NP, e a da psicose, a foraclusão, entendida como déficit da interdição operada pelo NP. De fato, no escrito elaborado simultaneamente ao seminário V e intitulado De Uma Questão Preliminar a Todo Tratamento Possível da Psicose , Lacan elabora a foraclusão do Nome-do-Pai como condição causal da psicose, localizando essa condição causal na fenomenologia das mais variadas formas de exceção – seja o servidor de uma obra de salvação, o virtuoso, ou o representante máximo da fé . &lt;br /&gt;REVER No que se refere a dedução do inconsciente a partir do significante, encontramos no escrito “A Questão Preliminar a todo Tratamento Possível da Psicose”  o paradigma da clínica estruturalista: o NP funciona como um designador rígido, tendo o estatuto de um S1 que nomeia o sujeito, que designa seu ser. E se há um ser para o sujeito, nessa época, trata-se do sujeito morto, mortificado pelo significante. A partir daí deriva-se uma disciplina do diagnóstico diferencial localizada na polaridade recalcamento-foraclusão (presença-ausência) do NP e, consequentemente, uma construção do caso balizada pela localização dos sintomas nessas classes: para a neurose, o retorno do sentido sexual recalcado; para a psicose, os sintomas oriundos da ruptura provocada pela ausência do NP. Nesse contexto, a construção do caso clínico reveste-se da característica demonstrativa das propriedades formais do significante e da mortificação do sujeito. É o caso, por exemplo, da relevância dada por Lacan ao desencadeamento da psicose de Schreber frente a ausência de recursos para responder ao chamado do Outro (“quem é esse tal de Dr. Schreber?”, convocação à presidência do senado). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2. A Lógica encarnada&lt;br /&gt;A expressão “lógica encarnada” é uma referência direta a apresentação do tema do próximo congresso da AMP, feita por Jacques-Alain Miller, (2006). Ela se aplica ao limite da hegemonia da lógica do significante a partir da emergência do objeto a e, consequentemente, da passagem de um quadro conceitual organizado em torno da lógica do significante para um outro quadro no qual o conceito de gozo ganhará, progressivamente, uma posição hegemônica. Esse abalo da lógica do significante é localizado a partir do seminário 10, no qual Lacan investiga o status da angústia e sua relação com a castração. De fato, o princípio explicativo da angústia de castração é localizado por Lacan, a partir deste seminário, no apagamento da função fálica no ato sexual evidenciando, assim, a presença de um elemento causal que não se esgota na ameaça oriunda do Outro, que não depende de uma referência edipiana na forma de um Outro paterno ou materno, mas que se refere diretamente ao fato biológico do órgão masculino e de seu funcionamento na cópula – fato que, posteriormente, em seu ensino será elaborado por meio da sexuação (Miller, 2005). A localização do princípio da angústia de castração no apagamento do órgão é o marco desta inversão conceitual que possibilitará a extensão da clínica psicanalítica para além da lógica do significante e da economia do desejo. Os operadores clínicos da metáfora paterna e do desejo enigmático da mãe recuam no ponto em que a angústia evidencia a presença de um elemento causal primeiro, não especularizável e não-agalmático, anterior e irredutível a máquina edipiana de domesticação da pulsão. Esse elemento será isolado no seminário 10, por meio da notação objeto a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere a versão do pai por meio da metáfora paterna, esta constituiu-se como uma resposta a psicanálise anglo-saxã que combatia a eternização do Pai promovida pelo complexo de édipo e que concebia, assim, a constituição subjetiva a partir da mãe. Nesse sentido, o retorno à Freud devolveu ao pai freudiano sua operatividade clínica demonstrando não só a importância que a mãe dá à palavra do pai, mas principalmente, a relevância do desejo do Pai na constituição do sujeito.&lt;br /&gt;Essa releitura do pai localizar-se-á na primeira etapa do ensino de Lacan, organizada em torno da hegemonia do simbólico. O seminário V, sobre as formações do inconsciente, representa o primeiro momento de retificação das versões da morte do pai em Freud – o parricídio do Complexo de Édipo e o pai da horda de Totem e Tabu – definindo a morte do pai por sua elevação ao estatuto de metáfora, ou seja, ao estatuto de pai simbólico. Dessa forma, o que Lacan denominara de Mais além do Édipo, no contexto desta primeira etapa de seu ensino, consistiria no tratamento do pai pela metáfora, fundamentado no vetor conceitual que vai do mito à estrutura. O seminário V apresenta, assim, a teoria da metáfora paterna, bem como sua localização no interior de uma ordenação da estrutura do Édipo em três tempos: o pai simbólico (o pai como significante, como metáfora), o pai imaginário (mediado pela mãe e concebido pelo sujeito como aquele que o priva de sua mãe) e o pai real (o pai que diz sim). Através desses três tempos, testemunhamos um Lacan que concebe uma teoria do Pai, que está além do Édipo no sentido em que a metáfora paterna funciona como uma dobradiça para o sujeito: é o agente separador, a instância de proibição, aquele que diz não. É também um Lacan ao avesso da premissa moderna de que a morte do pai é condição de possibilidade para a liberdade de agir e pensar: o pai morto, o pai como metáfora é, simultaneamente, aquele que demarca que nem tudo é possível e aquele que diz sim, que deseja, que oferece um horizonte, uma bússola possível, a partir do não. Miller (2002) identifica, nessa teoria, a definição de um tipo de relação entre o sujeito e a linguagem, entre o sujeito e o desejo do Outro, fundamentada na lógica do todo cuja versão pode, assim, ser escrita: é preciso que um não seja para que o todo possa advir; ou ainda, a morte do pai é condição de possibilidade do sujeito e seus atributos. &lt;br /&gt;Entre os anos de 1968 e 1970, Lacan orienta seu trabalho conceitual sobre o pai no sentido de apreender o desejo do analista, o desejo de Freud pela psicanálise, para além da sombra religiosa da morte do pai. De fato, em Radiofonia (1970) , Lacan denuncia o núcleo de religiosidade na elaboração teórica de Freud, ao eternizar o pai através de sua morte e, consequentemente, submeter a economia pulsional à seu regime. Radiofonia matemiza, assim, a posição de Lacan em relação a psicanálise: a psicanálise menos o desejo de Freud de eternizar o pai pelo Édipo; mais a tentativa de elaborar uma resposta ao fato da pulsão ter, em nossa época, assumido a posição de comando. É elucidativo o fato de Lacan retomar Moisés evidenciando que o Pai é uma formação de compromisso, uma montagem frente ao indomesticável da pulsão.&lt;br /&gt;A retomada da discussão clínica do caso Schreber em Apresentação das Memórias de um Doente dos Nervos (1966)  - na qual ressalta que a submissão de Schreber em relação a Deus é a submissão ao gozo de Deus (e que o próprio ser de Schreber respalda isso) – marca a progressiva relevância teórica do conceito de gozo, e o abalo da hegemonia do simbólico no interior do qual o gozo é definido como mortificado pela linguagem.  O Mais-além do Édipo ganha, aqui, um novo sentido: o sentido preciso de um mais-além da metáfora paterna, de uma passagem do Nome-do-Pai ao múltiplo. É esse novo sentido torna possível entender a estruturação típica dos sintomas, das rupturas de laço social, da pregnância do gozo autista e do empuxo a debilidade mental, que habitam nossos dias (a&gt;I).</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/2230856397216600052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/2230856397216600052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/2230856397216600052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/2230856397216600052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/04/o-diagnostico-no-caso-unico-e-teoria-do.html' title='O Diagnóstico no Caso Único e a Teoria do Objeto a'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-2657080145066116222</id><published>2009-03-12T07:04:00.000-07:00</published><updated>2009-03-13T14:04:47.044-07:00</updated><title type='text'>O QUE É PRECISO PARA VIVER UM GRANDE AMOR?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&quot;O que é preciso para viver um grande amor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudia Henschel de Lima (Psicanalista e professora universitária. Coordena o Núcleo de Pesquisa em Toxicomania e Alcoolismo do Instituto de Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro e o Laboratório de Investigação em Psicopatologia Contemporânea).&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Equipe de alunos que auxiliou na busca de dados: Adilson Pimentel Valentim, Carlos Emmanuel Rocha, Natália Rodrigues – alunos do 7 período do curso de Psicologia do Uni-IBMR)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No dia primeiro de março, o programa Fantástico exibiu uma matéria sobre desempenho sexual do brasileiro e a descoberta da pílula do amor. A matéria tinha como base duas pesquisas: a primeira, conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, que concluiu que 47% dos brasileiros fazem sexo sem vontade; e a segunda, comandada por Larry Young na Universidade de Emory (no estado americano da Geórgia), que observou o comportamento de roedores e concluiu que as fêmeas que recebem doses de ocitocina apresentam um comportamento apaixonado. Essa pesquisa norte-americana, fundamentada no modelo neurofisiológico, evidencia que a capacidade de estabelecer laços amorosos está correlacionada à localização dos neurônios receptores dos hormônios ocitocina e vasopressina. O que significa que a maior concentração desses receptores na área cerebral de recompensa – responsável pelo prazer e pelo vício – facilita o apaixonamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;É muito possível desenvolver drogas para acelerar o envolvimento com outras pessoas ou mesmo facilitar a procura por um amor&quot; - assegura Larry Young. Após 27 de casamento um americano não se deixa apanhar pela dúvida: &quot;É claro que eu tomaria uma pílula para aumentar a dose de amor que tenho por alguém&quot;.&lt;br /&gt;&quot;Um medicamento como esse poderia muito bem ser usado em terapia de casais&quot; - prevê o cientista. &quot;Ingerindo um pouco de ocitocina, você poderia focar mais no parceiro e se relacionar melhor com ele. Então, há sérias indicações de que a ocitocina nos deixa mais próximos e pode ter importância na criação de um novo relacionamento&quot; - complementa.&lt;br /&gt;A pergunta que introduz a pesquisa norte-americana também se aplica à pesquisa sobre desempenho sexual do brasileiro. Afinal, em ambas as pesquisas, sobre sexo e amor, prevalece o argumento da ausência de vontade e a hipótese bioquímica de sua recuperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, vale recolocar a questão: o que é preciso para viver um grande amor?; o que é preciso para reacender a chama de um amor que há muito se perdeu no passado da juventude, na rotina das contas a pagar, no clichê dos conflitos conjugais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a abordagem biológica e comportamental, vale a esperança de que a técnica científica produza um remédio para todas as interrogações da alma, a fim de curar não só as dores cotidianas, que são imanentes a existência de cada um (envelhecer, adoecer, conviver com os outros), como também prever seu futuro aparecimento. Então, diante da pergunta difícil sobre reacender a chama de um amor que a própria existência apagou, nada mais esperançoso e conveniente do que a resposta científica e prudente de nossa época: “Eis a pílula do amor: para a mulher, a ocitocina; para o homem, a vasopressina!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a exclamação de um ufa! interrompe bruscamente a descrição entusiasmada da promessa biológica e nos coloca diante da outra face da moeda científica: a utopia técnica prevê a cura do mal-estar que é característico à condição humana de ser finito, de ter limite, de ratear, de não saber tudo a respeito de si e do próximo, de ocorrerem diferenças entre o homem e a mulher, que se apresenta em sua máxima intensidade na relação com os pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fica evidente no conteúdo da justificativa dada por cada homem e mulher após responder ao levantamento sobre comportamento sexual: ter medo de parecer pouco viril diante da parceira, não decepcionar quem se ama. São exemplos do que se passa em cada ser humano diante do encontro sexual. E isso é diferente para o homem e para a mulher, de modo que a própria reciprocidade do amor e do desejo é função desta diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fundador da psicanálise Sigmund Freud chamou de Liebesbedingung, essa condição típica e única do amor: é o traço particular que causa a chama que se acende entre um homem e uma mulher. Só que essa condição é singular e pode ser absolutamente banal, como por exemplo, a textura alva da pele de uma mulher (conforme o relato de uma paciente de Freud) ou a imagem de quem um dia se foi no passado (imagem narcísica). Mas o interessante é, justamente, o fato de uma bobagem, uma coisa sem sentido, acender a chama do amor. E é interessante porque o terreno da besteira parece ainda resistir à medida e ao controle da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A previsão científica de cura do limite apagou a radicalidade da experiência subjetiva e com isso se fortaleceu uma experiência subjetiva da irresponsabilidade. No amor, a irresponsabilidade aparece no personagem do eu sozinho, comum no serial lover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O psicanalista francês Jacques-Alain Miller, em recente entrevista ao Psychologies Magazine (outubro 2008, n° 278) caracteriza o serial lover como um sujeito que acredita que é completo sozinho e, no amor, dispensa reconhecer e conviver com limites, deixando, portanto, de reconhecer que precisa do parceiro. O serial lover anula o “jogo” delicioso do amor, convertendo-o na manipulação de sua (seu) parceira (o) - como se estivesse num teatro de marionetes. Jamais amará alguém, exatamente porque acredita que tudo é uma questão de química, carne, ou de um script pré-estabelecido, dispensando os riscos, as delícias de se viver uma experiência onde o limite e a finitude são as regras que tornam incontrolável o jogo do amor. O serial lover contemporâneo invalida a tese balzaquiana do amor (“toda paixão que não se acredita eterna é repugnante”). Neste sentido, ele é filho da técnica, um amante consumidor da pílula do amor, que deseja controlar tudo, inclusive o tempo que passa e deixa suas marcas no belo que se degrada e na virilidade que declina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do resultado da pesquisa brasileira - e, em particular do lamento televisivo dos casais que aceitaram falar de seus sentimentos em um programa de televisão, confessando que suas juras de amor são balelas ou mentiras - cabe pensar queo amor não é produto de uma regulação biológica, não é um teatro de marionetes, nem uma condenação ao pior. É um caminho tortuoso atravessado pelo mal entendido, onde a saída pode ser apenas se dar o direito de aprender, dia após dia, o vocabulário que constitui a vida particular de seu parceiro, tateando e buscando as chaves - desde sempre revogáveis - da parceria amorosa.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/2657080145066116222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/2657080145066116222' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/2657080145066116222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/2657080145066116222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/03/o-que-e-preciso-para-viver-um-grnade.html' title='O QUE É PRECISO PARA VIVER UM GRANDE AMOR?'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-353815499877854182</id><published>2009-01-13T09:24:00.000-08:00</published><updated>2009-09-02T07:53:48.258-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYSK0Sc9aG1eTrgw2dOTWnSaGieG6p5SXuWkfjHjtL9MAyQ4iTxkfg4n14WIdegOgagPGTRWpkV8p_nXKoY1BXe24SmiWtX-_-k8jKvW2nKWsV3CZGxKtxMP4hMdUVRKkMHnSi0H1j9Zk/s1600-h/Nave+dos+Loucos.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5290831202427295826&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYSK0Sc9aG1eTrgw2dOTWnSaGieG6p5SXuWkfjHjtL9MAyQ4iTxkfg4n14WIdegOgagPGTRWpkV8p_nXKoY1BXe24SmiWtX-_-k8jKvW2nKWsV3CZGxKtxMP4hMdUVRKkMHnSi0H1j9Zk/s320/Nave+dos+Loucos.jpg&quot; style=&quot;cursor: hand; display: block; height: 337px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 282px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;A Nave dos Loucos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro, A Nave dos Loucos, exposto em Paris, geralmente atribuído ao período intermédio do Bosch, condena mais veemente e claramente frades e freiras. Ilustra duas freiras ou bequinas que se divertem com um grupo de camponeses num barco construído de forma estranha: seu mastro é construído por uma arvore com folhas, um ramo partido serve de leme, estando sentado no cordame à direita um louco.&lt;br /&gt;
Devido a esta figura, muitos autores viram alguma relação entre este quadro à Nau dos Loucos, de Sebastian Brant, cuja popularidade contemporânea é mostrada pela publicação de seis edições e numerosas traduções do poema, quando o autor ainda era vivo, Bosch deve ter conhecimento para a sua pintura, pois a nau era uma das metáforas mais populares da idade Média. O navio da igreja, por exemplo, com uma tripulação constituída por prelados e sacerdotes que levava as almas cristãs ao porto seguro do Céu, era uma imagem muito conhecida. Na peregrinação da vida humana, de Guillaume de Deguilleville. O navio da religião é equipado com um mastro que simboliza a cruz, representando cada castelo uma diferente ordem monástica.&lt;br /&gt;
Poderia pensar-se que Bosch conheceu a descrição do navio de Deguillevile e que sua pintura devia ser entendida como uma sátira ao mesmo. A bandeira cor-de-rosa flutuante possui a meia-lua turca em vez da cruz e na folhagem, no alto do mastro, esconde-se uma coruja. Três representantes da vida monástica negligenciam as suas obrigações religiosas para darem azo, às suas devassidões mundanas. O frade e uma das freiras cantam em voz alta, a outra freira acompanha a canção com um alaúde: parecem os pares amorosos representados em quadro medievais mais evidentes, tocam e cantam em conjunto.&lt;br /&gt;
A alusão ao pecado da Luxúria é apoiada por outros símbolos que remetem para os tradicionais jardins de amor. O prato com cerejas e o jarro metálico de vinho, pendurado de fora da borda, são requisitos que também aparecem na representação de Bosch do pecado da Luxúria no tempo de mesa de Prado. Sem duvida, existe também uma representação da Gula não só na imagem do camponês que corta um ganso assado atado ao mastro. Este pecado foi também cometido pelo homem que está nitidamente indisposto e pelo homem com a enorme colher. Ao lado do barco aparecem dois nadadores nus, um dos quais levantado a sua malga de vinho vazia, implora o seu enchimento. A arvore que substitui o mastro correspondente, na opinião de alguns peritos, talvez à arvore de maio das festas da primavera nas aldeias, onde o povo e os clérigos se juntavam para se divertirem e se dedicarem a devassidões.&lt;br /&gt;
Finalmente, a figura do louco sentado no cordame, a beber com sofreguidão, remete implicitamente para a imoralidade que tinha lugar na nave. Durante séculos, os bobos da corte gozaram de liberdade de poder censurar, sorrindo ironicamente, os costumes da sociedade, e é nesta qualidade que aparecem como críticos dos costumes das litografias e pinturas de meados do século XV. Envergam, normalmente, barretes de bobo. Adornados com orelhas de burro, trazendo na mão uma vara encimada por uma pequena replica das suas próprias feições grotescas. Os loucos encontram-se frequentemente entre bebedores e pares amorosos. Saltitando como uma representação da Luxúria no quadro dos pecados mortais do Prado, onde revela a estupidez de toda essa concupiscência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ADILSON VALENTIM&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: BOSING, Walter. A Obra de Pintura: Bosch. &lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/353815499877854182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/353815499877854182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/353815499877854182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/353815499877854182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2009/01/nave-dos-loucos-o-quadro-nave-dos.html' title=''/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYSK0Sc9aG1eTrgw2dOTWnSaGieG6p5SXuWkfjHjtL9MAyQ4iTxkfg4n14WIdegOgagPGTRWpkV8p_nXKoY1BXe24SmiWtX-_-k8jKvW2nKWsV3CZGxKtxMP4hMdUVRKkMHnSi0H1j9Zk/s72-c/Nave+dos+Loucos.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-7340233177580691312</id><published>2008-12-01T17:22:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T17:33:36.510-08:00</updated><title type='text'>FREUD, A CIÊNCIA E A TOXICOMANIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;FREUD, A CIÊNCIA E A TOXICOMANIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claudia Henschel de Lima&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1.     FREUD E A CIÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O desenvolvimento da problemática da toxicomania, no interior da psicanálise é indissociável da colocação do problema acerca do status da psicanálise (como teoria e clínica) em nossos dias, em que a ciência está submetida ao regime capitalista.&lt;br /&gt;Dois elementos definem a direção dada a investigação da toxicomania. São eles:&lt;br /&gt;·  A evolução dos conceitos em Freud está articulada a concepção do que vem a ser uma ciência.&lt;br /&gt;· Isso será evidenciado pela descrição do modelo fisiológico empregado por Freud para explicar os efeitos da cocaína sobre o corpo. O fato da ciência funcionar como o ideal que orientará o entendimento sobre a cocaína,  impõe o distanciamento entre os argumentos de Freud e os da psiquiatria clássica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;2.     A ORIGEM DA CATEGORIA DE TOXICOMANIA&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·  &lt;strong&gt;Loucura Clássica.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A consideração a respeito da loucura na época clássica está intimamente articulada ao cogito cartesiano. A loucura está fora do cogito, reservada a mudez, destituída de linguagem própria. Apesar de vários textos do século XVII abordarem a loucura, ela é citada à título de exemplo -  ou de  uma espécie médica ou, na condição negativa de erro, como prova ao contrário do que seja a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·  Da loucura como impossibilidade de pensar à categoria de monomania&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto de Michel Foucault História da Loucura na Época Clássica, No século XIX, isola para nós os seguintes enunciados a respeito do status que a loucura assume ao longo do século XIX. Nesse livro, Foucault mostra como há uma transformação no status da loucura entre o século XVII e o século XIX. Ela deixa de ser a impossibilidade de pensar, ou seja, deixa de ser o produto de uma  alteração da inteligência, para ser o produto de uma alteração que ocorre no âmbito da vontade. Essa transformação explica o surgimento da categoria de monomania para explicar o universo da loucura e das ações mórbidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.     O louco desvenda a verdade elementar do homem: seus desejos primitivos, as determinações do corpo. Até onde uma paixão, a vida em sociedade, pode levar o homem. Tudo aquilo que o afasta de uma natureza primitiva que não conhece a loucura. Está sempre ligada a civilização e ao mal-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.     A loucura mostra a interrupção da liberdade humana, o mergulho no determinismo do corpo. Nela, triunfa o orgânico, a única verdade do homem que pode ser objetivada e observada cientificamente. Mas a loucura se distingue das outras doenças orgânicas porque evidencia o mundo dos instintos, da perversidade, do sofrimento, da violência que normalmente está adormecido. A loucura evidencia uma profundidade que dá todo seu sentido à liberdade humana: essa profundidade é a maldade em estado puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.     A inocência do louco é garantida pela intensidade e força desse conteúdo psicológico, que é a maldade. Acorrentado pela força de suas paixões, arrebatado pela vivacidade dos desejos e imagens, o louco é o irresponsável. Sua irresponsabilidade é, então, objeto de observação médica, na medida em que resulta de um determinismo objetivo. A loucura de um ato é medida pelo número de razões que o determinaram. E, no entanto, nenhuma razão chega a esgotá-la. A verdade da loucura está num automatismo sem cadeias. E quanto mais um ato for esvaziado de razão, maior a possibilidade de ser determinado pela loucura. A verdade da loucura sendo, no homem, a verdade daquilo que é sem razão daquilo que só se produz, segundo Pinel, por uma determinação irrefletida, sem interesse e sem motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.     A verdade humana que descobre  a loucura está em contradição com a verdade moral e social do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até Freud, o modelo para o entendimento dos sintomas psicopatológicos: paralisia geral.&lt;br /&gt;A grande estrutura que comanda toda a percepção da loucura está representada exatamente na análise dos sintomas psiquiátricos da sífilis nervosa.&lt;br /&gt;A sífilis assimila a falta (perversidade, prevaricação, a determinação do ato pelo instinto), a condenação e o seu reconhecimento manifestados e ocultados numa objetividade orgânica.&lt;br /&gt;O tema extremamente importante para o século XIX é que a falta logo encontra seu castigo e sua dimensão objetiva do lado objetivo do organismo. A loucura fecha o homem na objetividade. Para o século XIX, a loucura terá um equivalente externo - a essência da loucura será objetivar o homem considerá-lo no nível das coisas. O fato da loucura ser objetiva em sua totalidade, significa que ela não está em relação com uma atividade delirante central e oculta. Essa definição das loucuras sem delírio impõe uma ruptura conceitual com a concepção do século XVIII.&lt;br /&gt;Na perspectiva nosológica de Pinel e Esquirol as loucuras são consideradas a partir de doi enunciados fundamentais:&lt;br /&gt;·        O cérebro é a sede da mente.&lt;br /&gt;·        As loucuras se enquadram na concepção de distúrbio funcional, não sendo mais definidas como uma desordem da inteligência.&lt;br /&gt;Considerada, então, no quadro das desordens funcionais, as loucuras eram assim organizadas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A. Manias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;                                                                                             &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;B. Monomanias&lt;/strong&gt;: monomanias intelectuais, monomanias afetivas ou pensantes, monomanias instintivas (sem delírio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C. Demências&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinel pôde observar na Salpetrière que vários alienados não exibiam nenhuma lesão do entendimento, mas eram dominados por uma espécie de instinto de furor, como se as atividades afetivas fossem as únicas lesadas.&lt;br /&gt;Prevalece, assim, no século XIX,  a noção de desordem do comportamento, ou seja, os atos praticados independentemente da vontade, em contraposição a concepção da loucura  como desordem intelectual (concepção característica do século XVII).&lt;br /&gt;Tomemos o caso específico das monomanias instintivas. Ela provoca uma controvérsia de competência na psiquiatria nascente, entre a instância jurídica e a instância médica: de um lado, encontramos a descrição da categoria médico-legal da monomania homicida e, de outro, o grupo das diversas ações mórbidas (incêndio, roubo, assassinato, embriaguez).&lt;br /&gt;Esquirol, por exemplo, define um status para as loucuras que não apresentam alteração da inteligência, nas quais o que se pode observar é uma desordem da ação. Segundo Dubuisson, os indivíduos que são vítimas dessa espécie de loucura &quot; julgam, raciocinam e se comportam bem, mas são arrebatados pelo menor assunto, muitas vezes sem causa ocasional e somente por uma inclinação irresistível e por uma espécie de perversão das afecções morais, na direção de irritações maníacas,  atos inspirados de violência, explosões de furor. É a essa noção que em 1835, os ingleses darão o nome de moral insanity. Vejamos o que comporta essa denominação. de uma lado, trata-se de uma loucura que não tem nenhum de seus signos localizados na esfera da razão (é uma loucura oculta que torna quase invisível a ausência de todo o desatino, loucura transparente e incolor que existe e circula na alma do louco - não parece alienados aos observadores mais superficiais e por isso são mais nocivos e perigosos); de outro lado, essa loucura tão secreta só existe porque explode na objetividade ( violência, desencadeamento dos gestos, às vezes, ato assassino). Ela consiste, então na queda na direção da objetividade mais visível; o encadeamento mecânico dos gestos irresponsáveis.&lt;br /&gt;Uma outra noção que surge no século XIX, é a noção de monomania. Ela é integralmente construída em torno do escândalo que representa um indivíduo que se mostra louco em um ponto e mas permanece razoável em todos os demais pontos. O crime dos monomaníacos multiplicam esse escândalo, bem como o problema da responsabilidade que eles possuem diante dos atos. Um homem normal, sob todos os aspectos, comete repentinamente um crime brutal. Para seu ato criminoso, não é possível encontrar razão ou causa. Para explicá-lo não há lucro, interesse ou paixão. Uma vez cometido, o criminoso transforma-se no que era antes.&lt;br /&gt;No começo do século XIX, os processos criminais eram atravessados por perguntas do tipo:&lt;br /&gt;É possível afirmar que se trata de um louco? Será que a completa ausência de determinações visíveis, o vazio total de razões, permitem concluir pela não-razão daquele que cometeu o ato?&lt;br /&gt;A irresponsabilidade se identifica com a impossibilidade de fazer uso de sua vontade. Portanto, identifica-se com um determinismo.&lt;br /&gt;No entanto, em se tratando de um ato que não foi determinado por nada, não pode ser considerado irresponsável. É normal que um ato seja realizado sem razão, fora de tudo aquilo que poderia motivá-lo, torná-lo útil para um interesse, indispensável para uma paixão? Um ato que não se enraíze em uma determinação é insensato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jurisprudência anterior conhecia apenas as crises e os intervalos, ou seja,  as sucessões cronológicas das fases da responsabilidade no interior de cada doença. No século XIX, o problema se complica: pode existir uma doença crônica que só se manifesta num único gesto, ou pode-se admitir que, repentinamente, um indivíduo se transforme em outro,, perca essa liberdade pela qual se define e se aliene de si mesmo?&lt;br /&gt;Esquirol tentou definir aquilo que seria essa doença invisível, que inocentaria o crime monstruoso; reuniu seus sintomas: o sujeito age sem cúmplices e sem motivo; seu crime nem sempre diz respeito a pessoas conhecidas; e, uma vez realizado, &quot; tudo se acabou para ele, o objetivo foi alcançado. Após o assassinato, ele fica calmo, não pensa em ocultar-se - essa seria a monomania homicida.&lt;br /&gt;Essa controvérsia leva os sucessores de Esquirol a definir, com maior precisão, a distinção entre loucura e transtornos mentais sintomáticos, nos quais se encontram tanto os impulsos quanto a intoxicação por álcool, ópio e beladona&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn1&quot; name=&quot;_ftnref1&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·  &lt;strong&gt;Monomania e Toxicomania&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem da toxicomania é, portanto, bem evidenciada a partir das considerações acima a respeito da monomania e do deslocamento da problemática da loucura como ausência e impossibilidade de pensar (a loucura como problema da inteligência) para a loucura como determinada por uma ato impulsivo. A origem, portanto, da toxicomania situa-se na discussão sobre a mania aplicada a problemática dos distúrbios dos atos impulsivos.&lt;br /&gt;As noções psiquiátricas de delírio, alucinação e obsessão contém as bases da controvérsia atual em torno da toxicomania.&lt;br /&gt;Emmanuel Régis, foi um dos primeiros a empregar o termo &quot; toxicomania&quot;. Para ele, as tendências impulsivas devem se aplicar à &quot;solicitação motriz involuntária em direção a um ato e não ao próprio ato, cuja execução pode falhar&quot;. Em outras palavras, a excitação maníaca que se manifesta na forma de um ímpeto irresistível dirigido aos venenos artificiais, precede o ato toxicomaníaco. É neste sentido, que a psiquiatria distingue a categoria clínica da toxicomania, caracterizada como uma necessidade imperiosa de se intoxicar, da série metonímica: morfinomania, eteromania, cocainomania, haxixomania, cloromania e opiomania.&lt;br /&gt;                                                                     &lt;br /&gt;                                                                                        *&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref1&quot; name=&quot;_ftn1&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt; Em seu livro Arquivos da Loucura. Juliano Moreira e a Descontinuidade Histórica da Psicquiatria (2003), Vera Portocarrero apresenta uma breve descrição a respeito da idéia de se criar um reformatório para alcóolatras no Rio de Janeiro na época da fundação da colônia. Apesar de, efetivamente, não ter acontecido a criação desse reformatório,  houve a idéia - o que mostra a possibilidade de viabilizar, na prática a separação entre os &quot; verdadeiros doentes&quot; (a quem os hospícios estariam destinados) e os &quot; anormais&quot; (que, no final do século XIX, eram considerados como passíveis de se submeterem à ordem social por meio de profilaxia específica.&lt;br /&gt;Um projeto de reformatório para alcoólatra surge a partir da concepção de que todo degenerado  pode ser recuperado e deve, portanto, ser assistido de acordo com suas particularidade e não de forma indiferenciada, misturando-se com os verdadeiros doentes mentais nos manicômios</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/7340233177580691312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/7340233177580691312' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/7340233177580691312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/7340233177580691312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2008/12/freud-cincia-e-toxicomania.html' title='FREUD, A CIÊNCIA E A TOXICOMANIA'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-5066784235398476509</id><published>2008-12-01T17:11:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T17:15:18.236-08:00</updated><title type='text'>Deprimido ou triste?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Deprimido ou triste? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cláudia Henschel de Lima.  Adilson Pimentel Valentim (aluno do 6º período do curso de psicologia do UNI-IBMR; auxiliar de pesquisa do Laboratório de Investigação das Psicopatologias Contemporâneas). Natália Ferreira Rodrigues (aluna do 6º período do curso de psicologia do UNI-IBMR; auxiliar de pesquisa do Laboratório de Investigação das Psicopatologias Contemporâneas).&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A época em que vivemos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vivemos em uma época de elevado consumo de antidepressivos e estimulantes. Os dados divulgados pela Secretaria Nacional Antidrogas do governo do Brasil, em 2007, evidenciam que o consumo de estimulantes, anfetaminas e benzodiazepínicos é maior do que o próprio consumo de cocaína. Esses dados mostram um fato que a atenção concentrada no consumo de drogas ilícitas encobre: a necessidade, por parte da população brasileira de consumir substâncias que tratam as alterações do humor – seja para produzir sentimentos de ânimo, alegria ou felicidade (o uso de estimulantes e anfetaminas), seja para acalmar a alma atormentada pela falta de sono ou paz (benzodiazepínicos). Essas substâncias podem representar uma tentativa do ser humano de solucionar rapidamente, e de localizar como uma doença do cérebro, um estado de tristeza e desânimo que habita o ser humano diante da perda de alguém muito querido, da dificuldade de realizar um sonho ou de exercer uma profissão que idealizou para si mesmo. A psicanálise aborda esses casos considerando o individuo, definindo dois tipos de tristeza: o luto e a melancolia. E criou uma forma de tratamento em que, pela palavra, o analista localiza na história de vida do paciente (seus pais, seu trabalho, sua dedicação ao estudo, sua forma de amar e desejar), os momentos em que a tristeza pouco a pouco se instalou em sua vida. O objetivo deste tratamento é proporcionar legitimidade aos sentimentos do paciente, construir um modo de enfrentar as perdas e as situações difíceis da vida de forma menos sofrida e menos sacrificante.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estar de Luto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Freud, o criador da psicanálise, define que o luto é, em geral, a reação à perda de uma pessoa querida, à decepção profunda em relação a ideais (como a honestidade, a integridade moral, por exemplo) ou em relação a uma pessoa. Dessa forma, não é preciso encarar o luto como uma doença que precisa ser tratada com antidepressivo. Trata-se de uma situação que se resolve ao longo do tempo – ainda que sobre um pouco de saudade de quem se foi para sempre, ou mágoa em relação à pessoa que causou a decepção.&lt;br /&gt; O luto se caracteriza pela presença de um estado de ânimo doloroso e pela perda do interesse pelo mundo exterior – com a exceção de tudo o que identifique ou lembre a pessoa que perdemos. Por isso, outra característica do sentimento de luto é a dificuldade de escolher um novo objeto de amor que possa substituir o que perdemos, e um desinteresse por qualquer tipo de atividade que não esteja relacionado com a lembrança do que perdemos ou da decepção sofrida. Normalmente todos nós aceitamos a explicação de que essa inibição e essa limitação do Eu sejam a expressão de uma entrega exclusiva ao luto, e de que, portanto, o ser humano não estaria disponível para outros interesses. No luto, o objeto amado não existe mais, de modo que o respeito por essa realidade exige a retirada de toda a libido das relações anteriormente mantidas com o objeto amado que perdemos. Nessas ocasiões, o ser humano se opõe a tentar esquecer e superar a perda e a decepção. Isso é compreensível, pois não é fácil abandonar, de boa vontade, uma posição libidinal antes ocupada. Ao contrário, essa superação só ocorre aos poucos e com grande dispêndio de tempo e energia. Por esse motivo, não devemos cair na armadilha de que é fácil esquecer alguém que amamos ou que estamos demorando muito tempo para superar uma perda – e que, por isso, estaríamos doentes.&lt;br /&gt;É preciso respeitar em cada um de nós o tempo necessário para elaborar nossos sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sentir-se Melancólico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; A melancolia tem semelhança com o luto: caracteriza-se psiquicamente por um estado de ânimo profundamente doloroso, por uma suspensão do interesse pelo mundo externo, pela perda da capacidade de amar, pela inibição geral das capacidades de realizar tarefas. Mas a depreciação do sentimento-de-si e a perda da libido são as principais diferenças com relação ao luto. Essa depreciação manifesta-se por censuras e insultos a si mesmo, evoluindo de forma crescente até chegar a idéia de punição. A perda na melancolia pode ser de natureza mais ideal, onde o objeto não morreu realmente, mas perdeu-se como objeto de amor (por exemplo, no caso de uma noiva abandonada). É identificada a perda, mas não se sabe com clareza o que foi perdido. Esse desconhecimento ocorre até mesmo quando a perda desencadeadora da melancolia é conhecida, pois, se a pessoa sabe quem ele perdeu, não sabe dizer com exatidão o que se perdeu em sua alma.&lt;br /&gt;Nessa depreciação do sentimento-de-si, há um empobrecimento do Eu. Se no luto, o mundo tornou-se pobre e vazio, na melancolia, foi o próprio Eu que empobreceu: a pessoa descreve a si mesma como não tendo valor, como sendo incapaz e moralmente reprovável. Ela faz autocensuras e insulta a si mesma e espera ser rejeitada e punida; sofre de insônia e se recusa a comer (por ex. anorexia). O processo psicológico da melancolia é muito peculiar: ocorre a perda da libido, que motiva o ser humano a apegar-se à vida - o melancólico experimenta essa perda de libido como anestesia sexual. Na melancolia, surge uma condição ausente do luto normal. Se o luto só é desencadeado pela perda real do objeto, na melancolia, se tece em torno do objeto uma rede de vários conflitos isolados, nos quais o amor e o ódio se enfrentam: o ódio serve para separar a libido do objeto, o amor, para defender essa posição da libido contra o ataque.&lt;br /&gt; A dificuldade no tratamento da melancolia é fazer o paciente localizar em sua história de vida, os momentos em que ocorreu a perda de libido: os momentos em que diante de uma pessoa que o decepcionou ou frente a uma perda ou uma dificuldade financeira, apareceram sentimentos de ruína, autopunição, culpa, insultos a si mesmo, perda do apetite e um desânimo profundo. Por isso, o tratamento psicanalítico é longo e deve ser levado com dedicação e calma pelo paciente. O uso de medicação se faz em casos graves e com acompanhamento psiquiátrico, paralelo a psicanálise.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/5066784235398476509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/5066784235398476509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5066784235398476509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5066784235398476509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2008/12/deprimido-ou-triste.html' title='Deprimido ou triste?'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-5049906071251478894</id><published>2008-12-01T16:48:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T16:52:35.231-08:00</updated><title type='text'>QUE LUGAR PARA A PSICANÁLISE? – PSICANÁLISE  E TOXICOMANIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;QUE LUGAR PARA A PSICANÁLISE? – PSICANÁLISE  E TOXICOMANIA&lt;/strong&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn1&quot; name=&quot;_ftnref1&quot;&gt;&lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cláudia Henschel  de Lima – Professora Adjunta do Curso de Psicologia do UNI-IBMR. Membro da EBP-AMP. Coordenadora do LAPSICON&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Introdução&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O ponto de partida deste trabalho é o problema que Jacques-Alain Miller formula no seminário L´Autre Qui N´existe pas et ses Comités d´Éthique (1996): Qual é o status da teoria e do tratamento analíticos na era da globalização? O objetivo deste trabalho é apresentar um esboço da particularização desse problema na investigação teórico-clínica da toxicomania. A hipótese é que a toxicomania seria uma versão da proliferação do gozo, que invade o laço social contemporâneo e fortalece a supressão do sujeito. Sendo assim, a toxicomania seria uma versão em que se verifica a baixa efetividade da metáfora paterna e a pluralização do significante-mestre. Essa particularização é, ainda, uma forma de se colocar o problema a respeito da possibilidade da psicanálise em nossos dias.  A fim de apresentar os primeiros avanços dessa hipótese, dividiremos o trabalho em duas partes:&lt;br /&gt;·        O horizonte da psicanálise na era da globalização.&lt;br /&gt;·        Psicanálise e toxicomania.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O horizonte da psicanálise na época da globalização: O inconsciente é a política&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O axioma lacaniano o inconsciente é a política coloca o problema referente ao futuro da psicanálise: “no que está por vir, ainda haverá lugar para a psicanálise?”&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn2&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn2&quot; name=&quot;_ftnref2&quot;&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No ensino de Lacan, o inconsciente obedece ao laço social, o inconsciente é a política. Com base nesse axioma, Jacques-Alain Miller (2002) elabora uma periodização do ensino de Lacan, no qual o avanço conceitual desse ensino é inseparável da estrutura discursiva que domina uma época. Essa periodização começa com o Lacan dos anos 60: o Lacan do Livro 7. A Ética da Psicanálise&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn3&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn3&quot; name=&quot;_ftnref3&quot;&gt;[3]&lt;/a&gt;. Esse seminário apresenta, então, um status bastante singular: ao mesmo tempo em que é contemporâneo da época das lutas de liberação, da valorização da transgressão&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn4&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn4&quot; name=&quot;_ftnref4&quot;&gt;[4]&lt;/a&gt;, apresenta uma leitura explícita do texto freudiano O Mal-Estar na Civilização a partir da hipótese de que o capitalismo seria ordenado pela ética puritana e por uma prática disciplinar. A hipótese com a qual Jacques-Alain Miller (2002) trabalha é que, no seminário da ética, a transgressão seria pensada em referência à lei. Assim, nesse seminário, marcadamente clássico, Lacan situaria Freud no interior do regime da referência disciplinar. Isso se destaca na piada sobre Freud e a rainha Vitória: a rainha Vitória seria a causa histórica da psicanálise. Trata-se de uma piada que nos informa que, para o Lacan do seminário da ética, a psicanálise seria produto de uma época marcada pela interdição, pela repressão - características próprias da sociedade disciplinar.&lt;br /&gt;O dispositivo teórico de Freud estaria, assim, organizado em torno da interdição, da amputação, do sacrifício, da disciplina do gozo. Miller localiza na outra extremidade do ensino de Lacan o seminário O Avesso da Psicanálise (1969). Nesse seminário é evidente a afirmação de que a definição do capitalismo pela ética puritana está ultrapassada. Já em 1969, vigora a equação capitalismo-ética da permissividade. É ainda essa permissividade que, segundo Miller (1990), define nossa atualidade e seus impasses. De fato, vivemos a exacerbação da democracia, do imperativo liberal de deixar a cada um a possibilidade de produzir, de fazer o que bem quiser, já que, no final, tudo se ajusta segundo o funcionamento do mercado.&lt;br /&gt;No esquadro dessa equação, o trabalho de Lacan concentrou-se no recuo da concepção a respeito do Nome-do-Pai como regulador do gozo, na disjunção entre saber e verdade (o mestre não é o Pai) e na retomada do conceito freudiano de pulsão. O conceito de pulsão escreve o empuxo em direção a uma satisfação que se aparelha da linguagem&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn5&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn5&quot; name=&quot;_ftnref5&quot;&gt;[5]&lt;/a&gt;. A pulsão é sempre ativa; donde sua característica de pressão constante. A pulsão sempre se satisfaz; donde a característica de indiferença quanto ao seu objeto (Freud, 1915).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;·        Estilo de vida contemporâneo: Ciência e capitalismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde o século XVII, desde a revolução galileana, cujo acontecimento fundamental foi tornar possível a matematização do real, a ciência é o determinante da civilização. O peso da importância desse acontecimento reside na fundação de um novo sistema do mundo, na reconstrução da nossa civilização a partir de novos fundamentos - em vez das trevas da revelação, o racionalismo; em vez das marcas de Deus, o deserto do real; em vez da relação direta entre o homem e a natureza, o símbolo matemático; em vez da necessidade natural, o desejo e o gozo. A divisão de Descartes entre resolver problemas de geometria e entregar-se à navegação comercial é paradigmática do laço que, a partir da revolução científica, se estabelece entre ciência e capitalismo. O que é, então, a nossa época senão o aprofundamento desse laço?&lt;br /&gt; Contemporaneamente, a globalização demonstra a consistência do laço que existe entre ciência e capitalismo. De fato, a globalização é inseparável de uma revolução tecnológica que ocorreu no eixo da linguagem: o apogeu das máquinas lógicas e o declínio do homem. A cibernética foi, a partir dos anos 1940, a expressão máxima do recuo do projeto humanista - que conferia ao homem a dignidade de senhor de seus próprios pensamentos - e o apogeu da autonomia do simbólico, da hegemonia das leis da linguagem, sobre o pensamento (Dupuy, 1996)&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn6&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn6&quot; name=&quot;_ftnref6&quot;&gt;[6]&lt;/a&gt;. Essa autonomia refletir-se-á na possibilidade de a informação difundir-se pelo espaço e no tempo através dos computadores anulando, assim, os obstáculos referentes à distância e ao tempo gasto para a chegada da informação. A exacerbação do automatismo da linguagem pela combinatória lingüística, a materialização dessa combinatória na máquina computacional, a expansão do real como rede de informação e a anulação da distância e do tempo que a expansão dessa rede produz são alguns dos elementos que delimitam a revolução tecnológica da cibernética. Essa revolução tecnológica rebate-se sobre o domínio das relações econômicas e políticas, possibilitando a aceleração dos fluxos de mercadorias e de capitais em escala mundial, aumentando a integração entre países, pela supressão das distâncias e gerando uma economia cada vez mais interdependente. Donde a passagem da produção para o consumo, da formação da cidade para a concentração em shopping centers, do cidadão para o consumidor, e a equação contemporânea entre rentabilidade e mercado, da qual o sujeito está suprimido. O que especifica então nossa época é uma economia de mercado cujo funcionamento é automático e auto-regulado (Di Ciaccia, 2003). Dessa forma, a globalização é inseparável da utopia universalizante do mercado, do consumo e do shopping center&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn7&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn7&quot; name=&quot;_ftnref7&quot;&gt;[7]&lt;/a&gt;. Entre 1972 e 1977, nas Conferências Italianas, Lacan escreve a fórmula do discurso capitalista, torcendo a fração esquerda da fórmula do discurso do mestre. Com essa torção, S é alojado no lugar de S1 e passa a ter livre acesso ao objeto.  Essa torção escreve que, em nossa época, não se trata da promoção da histeria e de sua divisão subjetiva. Trata-se da promoção do sujeito destituído de referências e de sua alienação como objeto de consumo.“Consumo, logo sou”, ou “Todos, consumidores!”. Em resposta à hegemonia da globalização e à ausência de referências que lhe é correlata, e como nostalgia da época do Ideal, constata-se o surgimento dos pequenos grupos, de guetos ou nichos que oferecem um certo grau de codificação: chamado desesperado ao reino decaído do Nome-do-Pai (Miller, 2002)&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn8&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn8&quot; name=&quot;_ftnref8&quot;&gt;[8]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que orienta nossa prática hoje? – Psicanálise e toxicomania&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A origem do termo toxicomania remonta à perspectiva nosológica das monomanias segundo Esquirol. A origem do termo situa-se, portanto, no interior do debate médico-jurídico a respeito dos distúrbios dos atos impulsivos&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn9&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn9&quot; name=&quot;_ftnref9&quot;&gt;[9]&lt;/a&gt; que norteava a clínica psiquiátrica do século XIX. Em oposição a essa concepção situaríamos a clínica freudiana, da época de Freud, na qual a toxicomania responderia a um desbalanceamento entre as exigências da civilização, que se manifestavam pelo interdito e pelo ideal, e o programa do princípio de prazer.&lt;br /&gt;Nossos dias são profundamente diferentes da época de Freud. Encontramo-nos na época do aprofundamento, da sofisticação, do vivo pelo avanço da bioquímica. Suas conseqüências não poderiam deixar de ser a subordinação do saber médico à biologia, a redução do corpo ao circuito químico e neural, e o apagamento de sua vocação clínica pela eficácia material da prescrição da substância. É a eficácia da substância sobre esse circuito que orienta o consumo e que justifica sua produção pela indústria farmacêutica&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn10&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftn10&quot; name=&quot;_ftnref10&quot;&gt;[10]&lt;/a&gt;. E onde essa eficácia é mais manifesta senão na produção química da felicidade no corpo, que torna supérflua a intervenção do sujeito, mesmo na chamada abstinência? Felicidade química é um dos emblemas para a versão contemporânea do gozo que consome, que devora o sujeito, que o aliena à substância. A época lacaniana é a época do dependente químico. Nesse sentido, a utilização da substância tóxica verifica a mudança de eixo do ensino de Lacan a partir da expansão do capitalismo: a pulverização dos S1, a proliferação do gozo e o recuo inevitável do Nome-do-Pai de sua função disciplinadora do gozo. Na época lacaniana, a toxicomania responde ao imperativo de gozo, próprio da utopia uniformizante do capitalismo de nossa época: “Todos os sujeitos, objetos de consumo!”. Nesse contexto, o futuro da psicanálise não depende da sua capacidade de formar nichos, abrigos contra a ciência ou seus produtos ou de se dissolver por completo em psicoterapias. Depende, precisamente, da sua capacidade de desobjetivar o sujeito, e de fazer o embate com o real, que a promessa da felicidade do gozo químico insiste em colonizar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;BROUSSE, M.H. O Inconsciente é a Política. São Paulo, EBP - São Paulo, 2003.&lt;br /&gt;DI CIACCIA, A . La Etica en La Era de La Globalización; in Revista Lacaniana de Psicoanalisis. Ano 1, n.1, agosto de 2003. Buenos Aires, EOL.&lt;br /&gt;DUPUY, J.P. Nas Origens das Ciências Cognitivas. São Paulo, Unesp, 1996.&lt;br /&gt;EDWARDS, G.  Os Alcoólicos Anônimos como um Espelho Diante da Natureza; in GRIFFITH, E. e DALE, C. Psicoterapia e Tratamento das Adições. Porto Alegre. Ed. Artes Médicas, 1997.&lt;br /&gt;FREUD, S. As Pulsões e suas Vicissitudes (1915), in Obras Completas. Rio de Janeiro, Ed. Imago, 1983. Vol. XIV.&lt;br /&gt;HENSCHEL DE LIMA, C. e ALVES, J.R., A . O Mal-Estar na Cidade: Segregação e Toxicomania; in O Brilho da Infelicidade (org. Lenita Bentes e Ronaldo Fabião). Rio de Janeiro, Ed. Contra-Capa, 1998.&lt;br /&gt;MILLER, J.A . L´Autre Qui N´Existe Pas e ses Comités d’ Éthique. Seminário Inédito. 1996.&lt;br /&gt;MILLER, J.A . Le Desenchantement de la Psychanalyse. Seminário Inédito. 2002.&lt;br /&gt;SAAD, A .C. Tratamento para Dependência de Drogas: Uma Revisão da História e dos Modelos; in Álcool e Drogas – Usos, Dependência e Tratamentos (org. Marcelo Santos Cruz, Sallette Maria Barros Ferreira). Rio de Janeiro, Edições IPUB/CUCA, 2001.&lt;br /&gt;SINATRA, E. La Toxicomanía Generalizada y Empuje al Olvido; in SILLITTI, D., SINATRA, E. e TARRAB, M. Más Allá De Las Drogas. Estudios Psicoanalíticos. Bolívia, Ed. Plural.  &lt;br /&gt;SILLITTI, D.  La Drogadicción desde el Psicoanálisis; in SILLITTI, D., SINATRA, E. e TARRAB, M. Más Allá De Las Drogas. Estudios Psicoanalíticos. Bolívia, Ed. Plural.  &lt;br /&gt;VIGANÓ, C. O Fármaco e a Droga, in Clique. Palavras e Pílulas, A Psicanálise na Era dos Medicamentos. Belo Horizonte, Revista dos Institutos Brasileiros de Psicanálise do Campo Freudiano, n.1, 2002.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref1&quot; name=&quot;_ftn1&quot;&gt;[1]&lt;/a&gt; Este trabalho foi apresentado nas XIV Jornadas Clínicas da EBP-RJ, O Trabalho da Sessão: “ que se diga...”, em 7 e 8 de novembro de 2003. Na época, o  desenvolvimento do trabalho contou com a participação de: Fany Chung Chan e Elaine Polly.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn2&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref2&quot; name=&quot;_ftn2&quot;&gt;[2]&lt;/a&gt; Brousse, M.H. O Inconsciente é a Política. São Paulo: EBP, 2003, p. 56.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn3&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref3&quot; name=&quot;_ftn3&quot;&gt;[3]&lt;/a&gt; Isso significa que estão excluídas dessa periodização desde a tese de Lacan até mais ou menos 1953.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn4&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref4&quot; name=&quot;_ftn4&quot;&gt;[4]&lt;/a&gt; A colocação da obra de Sade no cerne de sua leitura do conceito de pulsão, as referências a Bataille e a Maurice Blanchot manifestam a atualização da leitura de Freud a partir da transgressão.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn5&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref5&quot; name=&quot;_ftn5&quot;&gt;[5]&lt;/a&gt; Há uma maneira clássica de se estabelecer a diferença entre o homem e o animal. Poder-se-ia conceber essa diferença como lingüística, e afirmar que o ser humano, diferentemente do animal, é capaz de oferecer uma resposta simbólica (Cassirer, 1994). A psicanálise e, mais precisamente, o retorno de Freud via Lacan, submete essa diferença clássica às conseqüências da elaboração freudiana do conceito de pulsão.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn6&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref6&quot; name=&quot;_ftn6&quot;&gt;[6]&lt;/a&gt; A logificação, extremamente valorizada pela cibernética, conhece  três momentos de expansão, desde sua emergência nos anos 1940. O primeiro assimila a mente a uma máquina lógica. O segundo estende essa assimilação ao cérebro: o cérebro também é uma máquina lógica e, sendo assim, mente e cérebro são a mesma coisa. O terceiro marca a entrada do computador em cena.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn7&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref7&quot; name=&quot;_ftn7&quot;&gt;[7]&lt;/a&gt; No mundo globalizado, significantes como united colors of the world, world music, melting pot manifestam a presença dessa utopia (Henschel de Lima &amp;amp; Alves, 1998).&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn8&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref8&quot; name=&quot;_ftn8&quot;&gt;[8]&lt;/a&gt; O programa dos Doze Passos é um exemplo do núcleo em torno do qual se organizam os grupos de mútua-ajuda, da dependência química e do alcoolismo. Ele revela sua organização como nicho no seio do consumo generalizado. Os três primeiros passos servem de amostra: 1. Admissão da impotência frente ao álcool e/ou substância; 2. Crença em um Poder Superior; 3. Submissão da vontade ao Poder Superior (Edwards, 1997).&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn9&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref9&quot; name=&quot;_ftn9&quot;&gt;[9]&lt;/a&gt; Havia um debate extenso acerca da responsabilidade moral do indivíduo que comete um ato impulsivo em forma de  crime, de tentativa de suicídio. A ingestão de substâncias estaria subordinada ao mesmo debate.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-footnote-id: ftn10&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ftnref10&quot; name=&quot;_ftn10&quot;&gt;[10]&lt;/a&gt; Esse contínuo entre mercado e biologia se explica pelo acontecimento da revolução terapêutica que começou no final dos anos 1950 com a clorpromazina e se expande com a imipramina e as benzodiazepinas (Laurent, 2002; Viganó, 2002).</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/5049906071251478894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/5049906071251478894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5049906071251478894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/5049906071251478894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2008/12/que-lugar-para-psicanlise-psicanlise-e.html' title='QUE LUGAR PARA A PSICANÁLISE? – PSICANÁLISE  E TOXICOMANIA'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5429503039172518124.post-4909860424144344743</id><published>2008-11-27T04:29:00.001-08:00</published><updated>2008-11-27T04:31:57.985-08:00</updated><title type='text'>Da felicidade New Age ao objeto a na psicanálise</title><content type='html'>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt; &lt;em&gt;Da Felicidade New Age ao objeto a na Psicanalise. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;Claudia Henschel de Lima (EBP-AMP)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A fundação da psicologia, no final do século XIX, obedeceu ao projeto epistemológico de constituição de uma ciência da razão. Duas metodologias bem distintas habitaram esse mesmo solo: a metodologia experimental – que cumpre o objetivo de validar empiricamente as leis gerais de funcionamento do psiquismo – e a metodologia clínica que estende a psicologia para o domínio da investigação e tratamento individual da psicopatologia.&lt;br /&gt;Em 1998, ao assumir a presidência da American Psychological Association (APA), Martin Seligman opera uma mudança de paradigma na investigação psicológica, ao defender que a psicologia deve deslocar-se da clínica individual e psicopatológica para a elaboração de leis gerais e quantitativas da regulação da resposta emocional normal, positiva – a felicidade, o contentamento, o otimismo, a gratidão e a qualidade de vida. Essa nova gestão da APA impõe, entre o final do século XX e o início do século XXI, o desenvolvimento de um novo domínio de investigação científica - a psicologia positiva - cujo objetivo é, através da psicometria, medir e avaliar as potencialidades e virtudes humanas. No quadro desta psicologia, não se trata de fazer com que os indivíduos saiam de um escore de bem-estar subjetivo de -5 para -2 ou 0, mas de transformar esse escore de +2 para +5. O argumento para a defesa desta nova razão psicométrica na psicologia é, claramente, higienista. Em primeiro lugar, trata-se de expandir a utilidade da psicologia para o maior número possível de indivíduos pela diminuição do custo econômico, superando uma metodologia clínica centrada no diagnóstico e no tratamento das psicopatologias, que exige treinamento prolongado para o profissional, dispendioso para o paciente e, consequentemente, restrito à um número pequeno de indivíduos. Em segundo lugar, a partir dessa medida econômica expansionista, trata-se de assegurar o viés profilático do trabalho psicológico, que deve dedicar-se ao desenvolvimento de medidas preventivas e uniformes, junto às virtudes comuns a todos os indivíduos, a fim de evitar a eclosão de transtornos afetivos e de personalidade e de doenças auto-imunes. Essa mudança paradigmática do negativo para o positivo, do tratamento clínico da psicopatologia para o reforço da virtude, evidencia a face “alto astral” da nova ciência da mente: medir para ser feliz; ser feliz para ser bem-sucedido. Mas, essa face “alto astral” se sustenta como ciência precisamente porque a felicidade não é mais um tema metafísico. Por meio da imagética cerebral, é possível localizar empiricamente a morada deste sentimento humano: o lado esquerdo do córtex pré-frontal. E é nesse ponto, que a psicologia positiva revela sua outra face – a face new age importada do cognitivismo (La Sagna, 2006)&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn1&quot; name=&quot;_ednref1&quot;&gt;[i]&lt;/a&gt;. Essa face new age comparece no fundamento quantitativo e empírico desta psicologia autorizada pela APA, que converte a realidade qualitativa da felicidade (Miller, 2008)&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn2&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn2&quot; name=&quot;_ednref2&quot;&gt;[ii]&lt;/a&gt; em medida psicométrica do bem-estar subjetivo e que a esgota na rede de comunicação neural do córtex pré-frontal esquerdo. Nesse esgotamento, nessa baixa de tonalidade progressiva da felicidade no contemporâneo, dois elementos se destacam: uma terapêutica moral de aquisição de bens que reforcem o bem-estar – ter um hobby, ter dois amigos, ter um cachorro ou outro animal de estimação, ter uma família – e uma psicofarmacologia de regulação dos níveis de serotonina nas redes neurais.&lt;br /&gt;O estatuto new age desta psicologia reforça a relevância da psicanálise na subjetividade de uma época dominada pela expansão “tapa buraco” &lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn3&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn3&quot; name=&quot;_ednref3&quot;&gt;[iii]&lt;/a&gt; e, consequentemente, segregacionista do discurso científico. Na Introdução à Edição Alemã de Um Primeiro Volume dos Escritos, Lacan (1973) discute como o saber contemporâneo – seja em sua forma jurídica, seja em sua vertente científica - se dedica a segregar seu a-fundamento. E, neste sentido, a ascensão da psicologia positiva não ocuparia um lugar diferente: ao localizar a felicidade no córtex pré-frontal esquerdo, a psicologia cognitiva segrega o que a psicanálise escrevera como o axioma da humanidade: o pensamento de que é pela impossibilidade de uma relação que se faz a intrusão de um resto de real na existência humana.&lt;br /&gt;                                                                        *&lt;br /&gt;Quarenta e cinco anos nos separam do marco da teorização do objeto a no ensino de Lacan: o seminário sobre a angústia representa, neste ensino, o ponto de partida para a separação entre o real e o significante. Entre este seminário, com suas referências naturalizantes, e o seminário O Avesso da Psicanálise recoberto pelas luvas de Marx, um avanço importante ocorre em seu ensino: trata-se do movimento de transportar o objeto a para a atualidade histórica através dos quatro discursos. Entre os anos de 1964 e 1969, localizamos no seminário sobre Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise - onde o objeto a é a presença de um vazio que pode ser ocupado por qualquer objeto, sem hierarquia de valor - e em De um Outro a outro, onde avança sobre a homologia entre mais-valia marxista e mais gozar, as bases desta alavancagem conceitual, que será apresentada em O Avesso da Psicanálise. De fato, o seminário 17 representa o momento no ensino de Lacan em que o objeto a pluralizado na anatomia do corpo é transportado para o campo do discurso, introduzindo aí, um pedaço de real, na forma do objeto a. Em uma das lições de Um Esforço de Poesia, Miller (2003)&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn4&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn4&quot; name=&quot;_ednref4&quot;&gt;[iv]&lt;/a&gt; nos oferece uma imagem singular e difícil dessa alavancagem teórica ao relatar as circunstâncias que conduziram ao abalo na hegemonia da lógica do significante. Uma dessas circunstâncias é a objeção feita por Althusser à hegemonia do Outro. Ainda que fosse no sentido de introduzir uma assimetria radical na intersubjetividade, Althusser denuncia que a psicanálise perpetuaria a metafísica, na medida em que não livra a psicanálise da prisão da verdade e nem de uma teorização sobre um Deus de puro significante. “Horror!” – eis a interjeição empregada por Lacan (Miller, 2007) diante desta conjuntura de seu próprio ensino, analisada por ele a partir do seminário De um Outro ao outro (1968-1969)&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn5&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn5&quot; name=&quot;_ednref5&quot;&gt;[v]&lt;/a&gt; e que apontaria para a armadilha da metafísica. A partir daí, Lacan avançaria na direção de seu último ensino: a formulação do axioma sobre a inexistência do Outro e a elaboração de uma teoria sobre o fútil e o útil, cujo axioma é “saber fazer com o gozo”. O quadro da elaboração desses axiomas, centrais no ensino de Lacan, será inicialmente a perspectiva aberta pelos quatro discursos, sobre o destino assumido pelo gozo em cada giro discursivo que fundamenta a atualidade histórica.&lt;br /&gt;Nesta perspectiva, o seminário O Avesso da Psicanálise (1969-1970)&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn6&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn6&quot; name=&quot;_ednref6&quot;&gt;[vi]&lt;/a&gt; exprime o trabalho conceitual de um Lacan que conjugará os dois grandes eixos do pensamento moderno anti-metafísico: a teoria marxista da mais-valia e o aforisma nietszcheano da morte de Deus. E isso para sustentar a inexistência do Outro como marca de nossa época, e para localizar o giro discursivo que lança o objeto a para o zênite de nossa civilização. Lacan explora a risada irônica do capitalista, descrita por Marx em O Capital, para acentuar a presença, na aurora da modernidade, da experiência subjetiva do fútil, daquilo que cai muito rapidamente em desuso denunciando, assim, que a chuva de objetos que deriva do discurso utilitarista da ciência é, marcadamente, fútil. E trata-se de uma denúncia, na medida em que evidencia que o objeto produzido pela ciência para ser consumido não a protege  de ser assolada pela futilidade.&lt;br /&gt;Ao contrapormos o cientificismo que atravessa a direção da pesquisa atual em psicologia positiva com o conjunto dos autores que discutiram os novos sintomas na Conversação de Arcachon&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn7&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn7&quot; name=&quot;_ednref7&quot;&gt;[vii]&lt;/a&gt; e na Convenção de Antibes&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn8&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn8&quot; name=&quot;_ednref8&quot;&gt;[viii]&lt;/a&gt;, não testemunhamos um apelo panfletário e desesperado em defesa da utilidade da psicanálise, ou o desenvolvimento de uma profilaxia baseada no reforço da virtude humana e cuja conseqüência seria a rejeição da clínica. Mas o tratamento rigoroso dos problemas que a época impõe à clínica, isolando o quadro sintomático atual: os desligamentos da pulsão em relação ao Outro, a pregnância do eixo imaginário, a presença maciça do pai da realidade, a falência do sentimento da vida, a experiência de fuga do corpo. Problemas que são referentes ao limite conceitual da lógica do significante e que impuseram a mudança de eixo da pesquisa em psicanálise no sentido de indicar a fratura no simbólico, típica de nossa época, e de sustentar a importância da teoria lacaniana do gozo. É neste sentido que a defesa de uma terapêutica da felicidade corre o risco de ser, ela mesma, um sintoma de época na medida em que apresenta todas as implicações imanentes à civilização do objeto a: a relevância da causalidade quantitativa biopsicossocial, a foraclusão do sujeito em nome da correlação entre processos psíquicos e atividade neural, o elogio do avanço tecnológico do imageamento cerebral que permite verificar tal correlação, e enfim, o recuo da condução clínica em nome da ascensão da psicometria. Da mesma forma que se atribui à psicanálise uma quota de responsabilidade pelo descentramento do homem em relação a si mesmo e pelo desvelamento do mais-gozar - devido a sua própria difusão -, é possível atribuir à mesma um papel fundamental no levantamento das conseqüências da ascensão do objeto a em nossa civilização. Assim, não se encontra na direção atual da pesquisa psicológica uma denominação mais formal, mais reduzida de adjetivos do que a denominação lacaniana para o sujeito na civilização do objeto a: debilidade mental.&lt;br /&gt;                                                                        *&lt;br /&gt;Nesse quadro new age, de um tempo marcado pelo triunfo da racionalidade técnica, tudo o que não se apresenta como terapêutico, ou reforçador homeostático, é tomado como ilegível. É nesse contexto, que uma psicologia positiva tem seu lugar. Ela é terapêutica, com sua ginástica e higiene de vida; ela pratica o bem e cultiva a virtude em seus spas terapêuticos e, aliada à psicofarmacologia, auxilia – segundo as palavras de Miller (2005) – “o infeliz a se recolocar sobre as patas (...) o remenda de modo que ele deixe rapidamente o seu consultório para retornar à produção”&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn9&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn9&quot; name=&quot;_ednref9&quot;&gt;[ix]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Que lugar conceder à poesia lírica de Baudelaire nesse mundo new age?&lt;br /&gt;Baudelaire é o fotógrafo, o pintor, de uma modernidade em ascensão no século XIX. Todavia sua poesia tem a natureza de um acontecimento: ultrapassa o limite do tempo. Seus personagens – o flâneur, o dândi e o trapeiro – são as diversas versões deste pintor que retrata o espírito do tempo, a vida mundana de uma modernidade que ainda é a nossa. Esse pintor nos ensina que o sobretudo negro é a vestimenta decadente mas, paradoxalmente, necessária de nossa época:&lt;br /&gt;“Por falar em roupa, o invólucro do herói moderno – (...) será que a roupa não deveria ter a sua beleza e o seu charme próprios (...)? Será que não é desta roupa que a nossa época precisa? Pois nossa época que sofre e, ainda por cima, tem de suportar sobre os seuys magros ombros o negro, símbolo de uma tristeza eterna. O terno e a sobrecasaca negros não têm a sua beleza política apenas como expressão da igualdade universal - eles também têm uma beleza poética, enquanto expressão da estrutura espiritual pública representada numa imensa procissão de gatos-pingados políticos, gatos-pingados eróticos, gatos-pingados burgueses”&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn10&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn10&quot; name=&quot;_ednref10&quot;&gt;[x]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A poesia lírica de Baudelaire não “tapa os buracos”, não recusa as clareiras imanentes a  ascensão da modernidade.Ela tem afinidade com o real ao revelar no próprio traje negro que veste a multidão, a presença da substância do gozo. Ao final de sua descrição sobre o auge do preto na moda, ele acrescenta uma referência indireta ao ato do suicídio que invadiu a massa trabalhadora no final do século XIX: “Todos temos sempre algum enterro pela frente”&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn11&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn11&quot; name=&quot;_ednref11&quot;&gt;[xi]&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;O Salão de 1845 foi escrito quase cem anos antes de O Mal-Estar na Civilização (1929[1930]). Em 1931, quando a ameaça de Hitler avançava na Europa, Freud não faz da psicanálise uma ciência “tapa buraco”. Ao final desse texto, ele  inclui uma afirmação que evidencia a impossibilidade de pensar o Outro sem o gozo: “Agora só nos resta esperar que (...) o eterno Eros desdobre suas forças para se afirmar na luta com seu não menos imortal adversário. Mas quem pode prever com que sucesso e com que resultado?”&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn12&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_edn12&quot; name=&quot;_ednref12&quot;&gt;[xii]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn1&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref1&quot; name=&quot;_edn1&quot;&gt;[i]&lt;/a&gt; La Sagna, P. Controvérsias sobre lo Mental, in Colofon. Boletín de la Federación Internacional de Biblioteca del Campo Freudiano. Buenos Aires. n 26: Una Araña em el texto.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn2&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref2&quot; name=&quot;_edn2&quot;&gt;[ii]&lt;/a&gt; Miller, J.A. Cursode Orientação Lacaniana 2007-2008 – Sétima Lição&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn3&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref3&quot; name=&quot;_edn3&quot;&gt;[iii]&lt;/a&gt; Trata-se de uma referência direta ao comentário de Lacan sobre a redução da linguagem ao conceito e ao seu uso pela ciência: “Essa futilidade, eu a aplico, sim, inclusive à ciência, que manifestamente só progride pela via do tapar buracos.” Lacan, J. Introdução à Edição Alemã de um primeiro volume dos Escritos, in Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Ed. 2003.p.551&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn4&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref4&quot; name=&quot;_edn4&quot;&gt;[iv]&lt;/a&gt; Miller, J.A. Lição XV. Aula de2 de abril de 2003, in Curso de Orientação Lacaniana. Um Esforço de Poesia. MIMEO.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn5&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref5&quot; name=&quot;_edn5&quot;&gt;[v]&lt;/a&gt; Lacan, J. Livro 16. De um Outro ao outro (1968-1969). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Ed. 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn6&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref6&quot; name=&quot;_edn6&quot;&gt;[vi]&lt;/a&gt; Lacan, J. Livro 17. O Avesso da Psicanálise (1969-1970). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Ed., 1992.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn7&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref7&quot; name=&quot;_edn7&quot;&gt;[vii]&lt;/a&gt; Miller, J.A y Otros. Los Inclassificables de la Clínica Psicoanalítica. Buenos Aires: Paidós, 2002.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn8&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref8&quot; name=&quot;_edn8&quot;&gt;[viii]&lt;/a&gt; Miller, J.A y Otros. La Psicosis Ordinária. Buenos Aires: Paidós, 2004.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn9&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref9&quot; name=&quot;_edn9&quot;&gt;[ix]&lt;/a&gt; Miller, J.A. O Sobrinho de Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2005. p.113.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn10&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref10&quot; name=&quot;_edn10&quot;&gt;[x]&lt;/a&gt; Baudelaire, C. O Salão de 1845, in Benjamin, W. A Paris do Segundo Império em Baudelaire. São Paulo: Ed. Ática, 1985, p.101.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn11&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref11&quot; name=&quot;_edn11&quot;&gt;[xi]&lt;/a&gt; Baudelaire, C. O Salão de 1845, in Benjamin, W. A Paris do Segundo Império em Baudelaire. São Paulo: Ed. Ática, 1985, p.101.&lt;br /&gt;&lt;a title=&quot;&quot; style=&quot;mso-endnote-id: edn12&quot; href=&quot;http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5429503039172518124#_ednref12&quot; name=&quot;_edn12&quot;&gt;[xii]&lt;/a&gt; Freud, S. O Mal-Estar na Civilização (1930[1929]), in Obras Completas. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1979, pp.170-171.&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lapsicon.blogspot.com/feeds/4909860424144344743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5429503039172518124/4909860424144344743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4909860424144344743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5429503039172518124/posts/default/4909860424144344743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lapsicon.blogspot.com/2008/11/da-felicidade-new-age-ao-objeto-na.html' title='Da felicidade New Age ao objeto a na psicanálise'/><author><name>Dra. Claudia Henschel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06616897220589925537</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>