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	<title>Ladybug Brasil</title>
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	<description>todo dia, uma nova história</description>
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		<title>Câncer com Ascendente em Virgem</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/cancer-com-ascendente-em-virgem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Mar 2025 05:02:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[cancer de mama]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinema brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um filme emocionante, engraçado e recheado de esperança. Este é um bom resumo para "Câncer com ascendente em Virgem", a produção que estreará no dia 27 de março em todo o Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8823" style="width: 344px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/cancer-com-ascendente-em-virgem/cancer-ascendente-em-virgem/" rel="attachment wp-att-8823"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8823" class="wp-image-8823 size-large" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/cancer-ascendente-em-virgem-334x500.jpg" alt="" width="334" height="500" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/cancer-ascendente-em-virgem-334x500.jpg 334w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/cancer-ascendente-em-virgem-200x300.jpg 200w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/cancer-ascendente-em-virgem-768x1151.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/cancer-ascendente-em-virgem.jpg 770w" sizes="(max-width: 334px) 100vw, 334px" /></a><p id="caption-attachment-8823" class="wp-caption-text">Um filme feito por mulheres para falar da doença que mais acomete as brasileiras, o câncer de mama, com uma mensagem de amor e esperança.</p></div>
<p>Clara é uma professora de matemática e influencer educacional de sucesso, divorciada, que adora dançar e tem uma vida meticulosamente organizada. Por volta dos seus 40 anos, ela comanda sua rotina quase milimetricamente – inclusive a da filha adolescente. Mas a vida raramente segue nossos planos, e Clara é sorteada na roleta do câncer de mama. O filme nos mostra, de forma divertida e emocionante, a trajetória de cura dessa heroína.</p>
<p>Suzana Pires interpreta Clara com maestria, trazendo à tona uma personagem bem-humorada, sarcástica e às vezes debochada, que gosta de manter tudo sob controle, mas precisa aprender a lidar com a vulnerabilidade ao descobrir a doença. Em sua jornada para tratar o câncer, entre o medo de morrer e a esperança da cura, ela transforma a si mesma e a todos ao seu redor, sem perder o humor e a fé.</p>
<p><iframe title="CÂNCER COM ASCENDENTE EM VIRGEM - TEASER" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/tlmmw12iZyY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<h3>Um filme recheado de amor e esperança</h3>
<p>Além de Suzana, o elenco conta com atuações imperdíveis de Marieta Severo como Leda, a mãe figuraça de Clara, e Nathália Costa como Alice, a filha adolescente. A jornada intensa e transformadora da protagonista é atravessada por tudo o que torna a vida extraordinária: coragem, humor e os laços familiares que nos sustentam nos momentos difíceis.</p>
<p>&#8220;Câncer com Ascendente em Virgem&#8221; é baseado no livro &#8220;<a href="https://amzn.to/3DUXo3n">Estou com Câncer, e Daí?</a>&#8220;, de Clélia Bessa (Editora Cobogó, 2024). Desnorteada com o diagnóstico, Clélia decidiu enfrentar a novidade criando um blog onde relatava sua experiência com sinceridade, leveza e bom humor. À medida que progredia em direção à cura, seus relatos sobre o tratamento e seus impactos na rotina, nas relações familiares e nas amizades alcançaram uma legião de mulheres, que se identificaram e se fortaleceram com sua forma de lidar com a doença.</p>
<div id="attachment_8824" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/cancer-com-ascendente-em-virgem/cancer-com-ascendente-em-virgem-scaled/" rel="attachment wp-att-8824"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8824" class="wp-image-8824 size-large" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/Cancer-com-Ascendente-em-Virgem-scaled-1-500x334.webp" alt="" width="500" height="334" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/Cancer-com-Ascendente-em-Virgem-scaled-1-500x334.webp 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/Cancer-com-Ascendente-em-Virgem-scaled-1-300x200.webp 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/Cancer-com-Ascendente-em-Virgem-scaled-1-768x513.webp 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/Cancer-com-Ascendente-em-Virgem-scaled-1-1536x1025.webp 1536w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2025/03/Cancer-com-Ascendente-em-Virgem-scaled-1-2048x1367.webp 2048w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-8824" class="wp-caption-text">A equipe do filme reunida para começar as filmagens</p></div>
<p>A obra é resultado do trabalho de um grupo de mulheres talentosas. Dirigido por Rosana Svartman, produzido pela própria Clélia, com roteiro assinado por mulheres e muita diversidade no elenco, a estreia vai acontecer no próximo dia 27 de março.</p>
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		<title>Twitter morreu e segue vivo: vida e morte na internet</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/twitter-vida-e-morte-na-internet/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 13:13:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[web/blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[ferramentas]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descobri o Twitter num auditório, cercada de nerds por todos os lados. Instalei no celular, comecei a usar, me apaixonei. Escrevi aqui, tentei ensinar a usar. Usei para espalhar acontecimentos, [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8804" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/twitter-vida-e-morte-na-internet/twittericon_alexander-shatov-k1xf2d7jwus-unsplash/" rel="attachment wp-att-8804"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8804" class="size-large wp-image-8804" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2024/05/twittericon_alexander-shatov-k1xf2D7jWUs-unsplash-500x375.jpg" alt="icone do twitter: passarinho azul sobre fundo escuro" width="500" height="375" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2024/05/twittericon_alexander-shatov-k1xf2D7jWUs-unsplash-500x375.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2024/05/twittericon_alexander-shatov-k1xf2D7jWUs-unsplash-300x225.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2024/05/twittericon_alexander-shatov-k1xf2D7jWUs-unsplash-768x576.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2024/05/twittericon_alexander-shatov-k1xf2D7jWUs-unsplash-1536x1152.jpg 1536w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2024/05/twittericon_alexander-shatov-k1xf2D7jWUs-unsplash-2048x1536.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-8804" class="wp-caption-text">ilustração de Alexander Shatov, Unsplash</p></div>
<p>Descobri o Twitter num auditório, cercada de nerds por todos os lados. Instalei no celular, comecei a usar, me apaixonei. <a href="https://ladybugbrazil.com/imasters-intercon/">Escrevi aqui</a>, tentei ensinar a usar. Usei para espalhar acontecimentos, reunir pessoas. O Twitter foi a espinha dorsal da comunicação na realização de BlogCamp, LuluzinhaCamp, outras mil reuniões.</p>
<p>Sonhei que a ferramenta seria realmente a pracinha onde a gente sabe das notícias, das fofocas, encontra namorados, casa, tem filhos. E isso também aconteceu. Conheci muita gente, fiz amigos, viajei pelo país – e para fora.</p>
<p>Usei para <a href="https://ladybugbrazil.com/mulheres-negras-uma-blogagem-coletiva-por-um-mundo-melhor/">militar</a>, “<a href="https://ladybugbrazil.com/blogagem-coletiva-pela-democracia-revolta-do-vinagre/">lutar</a>” por coisas que acredito. A ferramenta foi evoluindo, surgiram mil possibilidades graças à API aberta, a gente grudava Twitter facinho no blog, agregava hashtags, balançava a rede com gosto.</p>
<p>Esses movimentos históricos da internet são fluidos e mutáveis. Se você conversa com uma testemunha ganha um relato. A pessoa vizinha, que estava lá também, te dirá uma coisa totalmente diferente. E só é possível conhecer o todo conversando com cada um que estava lá.</p>
<p>Tem como entrevistar milhões de pessoas que usam uma ferramenta? Não, né? Então aqui vai o meu testemunho, recheado de boas e más lembranças. A esperança é que essa memória ajude as almas que eventualmente caem aqui a entender o que foi que aconteceu.</p>
<h2>No início, era a baleia</h2>
<p>No início era a baleia. Twitter, Tweet, a baleia que conseguiu voar&#8230; A gente ainda usava os grupos de e-mail – no Yahoo!, que também  já morreu, e no Google – para trocar experiências. Era naquele submundo em que se chegava pelo boca a boca, por afinidades, a blogueirada se reunia, conversava sobre SEO, ferramentas, plataformas.</p>
<p>No Twitter, a coisa era precária. Se houvesse muito uso, lá vinha a tela com a baleia. Aí nos grupos ou no Gtalk (ainda não existia WhatsApp ou Telegram) era só: twitter baleiou? Ainda não existia <a href="https://downforeveryoneorjustme.com/">Down for Everyone</a>. Baleiar virou sinônimo de servidor caiu. E caía mesmo. Mesmo assim, o povo começou a descobrir a pracinha. As conversas rolavam soltas, pessoas se conheciam, a gente conversava, se relacionava, trollava, acompanhava shows. Daí surgiram as hashtags. Através delas, era possível encontrar tudo (ou quase) sobre um evento. A busca era eficiente e permitia pesquisas, acompanhamento de tendências e movimentos.</p>
<p>Naquele começo, poucas empresas agiam por lá. Mas há lembranças fortes. A primeira que me ocorre foi um <a href="https://ladybugbrazil.com/rodaviva-com-twitter/">experimento da TV Cultura</a>, na época do Paulo Markun, que integrou os meios. Juntou TV com YouTube, Twitter e Flickr&#8230; A cada programa, a produção trazia três twitteiros relacionados ao entrevistado pra comentar o programa enquanto ele acontecia&#8230; A hashtag #rodaviva talvez tenha sido a primeira da TV aberta brasileira.</p>
<p>Além do papo furado e do dia-a-dia – inesquecível pra mim o querido <a href="https://sarmento.org">Jânio Sarmento</a> dizendo <strong>tocofome</strong> – havia as notícias, a militância, o bate-boca. Era no Twitter que a gente agitava eventos, combinava <a href="https://marcogomes.com/blog/2009/a-historia-do-nerdsonbeer-o-nob/">Nerds on Beer</a>, encontros. Os jornalistas começaram a chegar e transmitir notícias, fazer apurações, encontrar personagens para matérias. Enquanto isso, pessoas estudavam a rede, faziam grafos, explicavam como as influências se espalhavam.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="vimeo-player" src="https://player.vimeo.com/video/822977?h=9b2ff7539d" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Sempre houve trolls, pessoas do mal, violência, roubo de perfis&#8230; Gente que caía de paraquedas e analfabetos funcionais que davam muito trabalho. Tudo em 140 caracteres, vejam. Era divertido, informativo, funcionava.</p>
<p>E não decolava o negócio. A influência do Twitter era gigante, uma fonte preciosa de informação, um jeito de levantar bolas e assuntos, de divulgar conteúdo, vender coisas. Para o usuário, o Twitter era precioso, mas como negócio não andava “como deveria”. Não tinha os bilhões de usuários, não conseguia gerar lucros astronômicos para os acionistas, como o Google-Alphabet, Amazon, Facebook e seus filhotes. Mudaram CEOs, fizeram piruetas mils e&#8230; tudo continuou como antes no quartel de Abrantes.</p>
<h2>2023, o ano do caos</h2>
<p>Foi no Twitter que surgiram as expressões Fica a Dica, Não sabe brincar não desce pro play, lacração, cancelamento&#8230; Durante a pandemia, antes da Space Karen, era um espaço fundamental de luta, informação científica, encontros. Também foi o lugar onde a gente salvou a democracia brasileira, apesar do 8 de janeiro e todas as outras violências cometidas pelos extremistas.</p>
<p>Aí Space Karen entrou em cena. Foram meses de tensão até que ela entrou com sua pia (SINK IN, expressão anglo-saxã para entrar, tomar conta, mergulhar). Vieram as demissões. A mudança de nome – É TWITTER, POHA! Gritamos nós que estamos lá desde 2007. Então começaram as mudanças: fechou APIs, criou a assinatura, tirou o Twitdeck dos não pagantes, zoou para todo o sempre as marcas de verificados.</p>
<p>Quando começou a transformação, a tristeza me invadiu. Como se fosse a morte de um amigo querido. Com as novas mudanças, quem não paga não é visto, não há a menor chance de viralizar e alcançar mais gente. Fico sabendo que a rede hoje é muito usada pela extrema direita pra espalhar seus absurdos. Sempre foi, na real, e eu graças a deusa nunca vi – ou vi raramente. Ainda é uma rede relevante? Aparentemente, sim.<br />
<iframe loading="lazy" class="giphy-embed" src="https://giphy.com/embed/pCLhZDZaGLOmAPDdKm" width="270" height="480" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><a href="https://giphy.com/gifs/charligurl-threads-app-ode-to-twitter-hello-pCLhZDZaGLOmAPDdKm">via GIPHY</a></p>
<h2>As migrações &#8211; saindo do Twitter indo para&#8230;</h2>
<p>Na internet, alternativas nunca faltam. Sempre há diversos serviços lutando para conquistar usuários e atenções. A primeira alternativa ao Twitter tinha apoio de Jack Dorsey, um dos fundadores do passarinho, o BlueSky. De logotipo tosco na fase beta &#8211; era um céu azul com nuvens &#8211; a uma talvez possibilidade hoje na versão borboletinha.</p>
<p>As redes federadas – redes sociais abertas, que se comunicam entre si &#8211; eu já tinha visto, mas são mais complicadas de usar. O BlueSky pretendia facilitar isso aí. Há um grande número de refugiados, eu inclusa, por lá, principalmente por conta de ser uma iniciativa de um dos  fundadores do Twitter. Como disse o amigo Roney Belhassof, já colocaram três caminhões de dinheiro e ainda não federaram.</p>
<p>Eu saí caçando rede pra todos os lados. Levei dias pra entender como o Mastodon funcionava, conseguir um servidor, descobrir o jeito de usar a interface. Consegui uma vaguinha no servidor da Ursal e hoje sou uma mulher que só aparece no Twitter quando chove bolo, acontece um grande desastre ou grandes eventos, porque &#8220;as pessoas ainda continuam por lá&#8221;.</p>
<p>Tenho visto muitos amigos de internet usando muito o Threads, outra rede a ser federada, criada pelo Facebook, e o próprio Instagram. Apesar de também estar nelas, uso quase nada. No Threads acho que nunca escrevi. No BlueSky (que tende a virar BS &#8211; entendedores entenderão) pouquíssimas coisas.</p>
<p>Hoje a plataforma do Twitter, já renomeada e enlameada pelo bilionário não existe no meu horizonte informacional. A conta está lá, mas não falo quase nada, converso pontualmente com pessoas amadas. E a vida segue na Ursal, meu servidor no Mastodon, que eu chamo de elefantinho (@lufreitas@ursal.zone é o endereço para colocar na busca). Lá a gente conversa tranquilamente, faz coisas bonitas e fica gestando uma revolução&#8230;</p>
<p>É isso, minha gente. O Twitter virou uma piscina radioativa e a internet anda dominada pelas big techs. O sonho de um mundo interconectado, produzindo coisas belas e lindas para salvar o planeta continua pulsando, em muitos cantos, grupos pequeninos, e vai sendo nutrido por muitas pessoas do bem que seguem plantando futuro no mundo digital.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Luto e luta: a morte de Paulo Gustavo</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/luto-e-luta-a-morte-de-paulo-gustavo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 May 2021 18:56:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Gustavo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma respostinha para o post do Jânio Sarmento sobre a morte do ator e roteirista Paulo Gustavo, mais uma vítima da covid no Brasil. </p>
<p>O post <a href="https://ladybugbrazil.com/luto-e-luta-a-morte-de-paulo-gustavo/">Luto e luta: a morte de Paulo Gustavo</a> apareceu primeiro no <a href="https://ladybugbrazil.com">Ladybug Brasil</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quatro de maio de 2021, 21:12, morre o ator Paulo Gustavo. May the 4th be with you? A esfera digital se dividiu entre a morte chocante do ator e a final do #BBB21. Renata Lo Prete aparecia a cada intervalo com outra entrada ao vivo da frente do hospital em Copacabana. Imagino que seja o assemelhado do Sírio Libanês, em São Paulo &#8211; ou do Albert Einstein.</p>
<p>Paulo Gustavo, ator e roteirista, 42 anos. Mais um brasileiro importante morre, vítima da covid-19, apesar dos esforços das equipes médicas.</p>
<p>Já são mais de 412 mil pessoas mortas e enterradas. E o amado Jânio publicou um texto em que a luta vem junto com uma toalha no chão. Como não quis discutir em 240 caracteres, vim pra cá. Então este é um post resposta a este: <a href="https://janio.sarmento.org/morre-o-ator-paulo-gustavo/">Morre o ator Paulo Gustavo</a>.</p>
<p>Jânio escreve:</p>
<blockquote><p>Viver no Brasil é isso: é ficar o tempo todo ansioso com a quantidade absurda de mortes desnecessárias; é estar o tempo todo com medo de ler uma notícia de que alguém próximo teve a vida ceifada por uma doença plenamente evitável; é indignar-se com o projeto de destruição em curso, mergulhado na impotência de quem nada pode contra o desejo e a escolha consciente de 57 milhões de fascistas, assassinos, burros e hipócritas.</p>
<p>A luta está perdida, eles já venceram. Mas não vou parar de lutar, porque o lado certo da história não necessariamente é o dos vencedores, e eu morreria de vergonha de olhar no espelho caso estivesse do lado de lá.</p></blockquote>
<p>A luta está perdida para todos os que já morreram. Para nós, vivos, ela está aqui, em cada respiração, em cada pulso do coração, em cada ato e momento. Não dá pra resumir o Brasil ao boçal que habita o Alvorada &#8211; e à sua família bestial. Eu me sinto uma alienada real oficial quando percebo que não recebi nenhuma das mentiras que circularam em 2018. Que só tenho acesso às mentiras pelas agências todas de checagem e veículos de imprensa.</p>
<h2>Como honrar a vida de Paulo Gustavo</h2>
<p><a href="https://ladybugbrazil.com/luto-e-luta-a-morte-de-paulo-gustavo/paulo-gustavo2/" rel="attachment wp-att-8768"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8768" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/05/Paulo-gustavo2-500x500.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/05/Paulo-gustavo2-500x500.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/05/Paulo-gustavo2-300x300.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/05/Paulo-gustavo2.jpg 720w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p>Mais importante que lembrar a trajetória, a vida, as marcas que uma pessoa deixa &#8211; Paulo Gustavo e mais todos os que já passaram por este planeta &#8211; é honrar a vida. Como honrar a vida? Vivendo da melhor forma, de acordo com os nossos valores e crenças. O Jânio pode se achar perdedor, mas ele é um vencedor. Como eu, venceu uma doença. Como eu, vive da melhor forma, sem agredir quem seja. Temos, os dois &#8211; e milhões de outros &#8211; raiva, ódio e desespero derivados da idiotice reinante.</p>
<p>Mas idiotice não se acaba com a nossa raiva, ódio ou desespero. Para combater a idiotice que levou à morte de Paulo Gustavo e outros milhares, é preciso inteligência. O próprio Paulo Gustavo deu uma ótima resposta em um trecho do <a href="https://globoplay.globo.com/220-volts-especial-de-fim-de-ano/t/h8KgCH2Hng/">220 Volts</a>, o especial de fim de ano. Tem um trecho pra lá de especial, que ontem foi tuitado e retuitado à exaustão, que diz tudo. Publico aqui o meu trecho favorito.</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="pt">Diga o quanto você ama a quem você ama. Mas não fica só na declaração, gente. Ame na prática, na ação. Amar é ação, amar é arte. Muito amor, gente. Até logo.”</p>
<p>— Paulo Gustavo ??? <a href="https://t.co/cHgbfZB1Up">pic.twitter.com/cHgbfZB1Up</a></p>
<p>— Lucas ? (@LcMatheus_01) <a href="https://twitter.com/LcMatheus_01/status/1389762511822598150?ref_src=twsrc%5Etfw">May 5, 2021</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<p>Taí a sua resposta, Janjão, saída da boca do nosso assunto: a vacina é amor e afeto. Não adianta nada a gente odiar os 57 milhões de enganados. É preciso encontrar formas de amar &#8211; seja ajudando a CUFA ou o MST a <a href="https://www.panelacheiasalva.com.br/">colocar comida na mesa dos brasileiros mais pobres</a>; seja colaborando com o ISA ou o IMAZON pra deixar indígenas vivos e florestas de pé; seja simplesmente mantendo a ciência no foco, sem se perder nas cortinas de fumaça.</p>
<p>Temos tarefas enormes à frente:</p>
<ul>
<li>Desfazer todo o mal produzido pela familícia;</li>
<li>Assumir nossa parte nessa confusão (somos todos parte);</li>
<li>Descobrir como produzir um projeto coletivo de futuro que não signifique apenas consumir, mas viver;</li>
<li>Incluir todos os diferentes na nossa roda &#8211; e, sim, estou falando dos negros, das mulheres e todas as &#8220;minorias&#8221; que são maioria.</li>
</ul>
<p>Tremo em pensar nas pesquisas de opinião que leio. Tremo porque tenho medo do ar, do vírus, de morrer. Trememos juntos, milhões. Correntes se formam e mãos se juntam. Através do Zoom, do Meet, do Teams (arght), do Skype &#8211; e até do zap e do telegram &#8211; vamos nos encontrando, agrupando, recriando o que já fazemos desde sempre: conexões.</p>
<p>O caminho está aí e só nos resta seguir. Para honrar os que se foram é preciso ir amando, quem der, como der. No caminho haverá sorriso, lágrima, tremor, medo, ódio, raiva. E amor. Todas as muitas emoções e sentimentos estarão conosco. Ninguém ganhou. Ninguém perdeu. Porque o jogo ainda não acabou.</p>
<p>Spoiler: é infinito.</p>
<p>O post <a href="https://ladybugbrazil.com/luto-e-luta-a-morte-de-paulo-gustavo/">Luto e luta: a morte de Paulo Gustavo</a> apareceu primeiro no <a href="https://ladybugbrazil.com">Ladybug Brasil</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Reflexões de uma jornalista não praticante</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/reflexoes-de-uma-jornalista-nao-praticante/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2021 19:28:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O jornalismo entrou na roda e a dona joaninha compartilha suas experiências e visões sobre o que está acontecendo no reino das notícias e do noticiário. O ponto de vista, acho, é muito pessoal </p>
<p>O post <a href="https://ladybugbrazil.com/reflexoes-de-uma-jornalista-nao-praticante/">Reflexões de uma jornalista não praticante</a> apareceu primeiro no <a href="https://ladybugbrazil.com">Ladybug Brasil</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu fiz jornalismo por acaso. Em meio a 27 provas pra fazer medicina – eu queria estudar genética, ninguém me explicou que poderia ir pela biologia – eu fiz uma, a última, pra Comunicação &#8211; Jornalismo. Como tem que ser: bombei em Medicina e passei em jornalismo. Cansada de cursinho, sem rumo, fui eu pra São Bernardo do Campo, terra do petê, fazer faculdade particular.</p>
<p>Me sentia incompetente. Não passei na USP, a faculdade era particular. O curso de jornalismo tinha os melhores professores. A rotina me exigia sacrifício extremo: acordar 5h00 da manhã para pegar o fretado que me levava, junto com os alunos de uma vizinha faculdade de engenharia ao campus.</p>
<p>Conosco estudavam futuros dentistas, psicólogos. Tinha uma galera que vinha de Santos pra estudar, entre eles o bonitón Dalton Vigh, depois ator da Globo. Na volta, ficávamos à beira da Anchieta esperando o ônibus. Todo dia: Praça Panamericana, marginal pinheiros, três tombos, Anchieta. Inverte e volta. 25 km entre casa e faculdade.</p>
<h2>A faculdade de jornalismo</h2>
<div id="attachment_8757" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/reflexoes-de-uma-jornalista-nao-praticante/kat-coffe-vpyudgighzq-unsplash/" rel="attachment wp-att-8757"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8757" class="size-large wp-image-8757" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/kat-coffe-VpYUdgIghZQ-unsplash-500x333.jpg" alt="Banca de jornal" width="500" height="333" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/kat-coffe-VpYUdgIghZQ-unsplash-500x333.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/kat-coffe-VpYUdgIghZQ-unsplash-300x200.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/kat-coffe-VpYUdgIghZQ-unsplash-768x512.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/kat-coffe-VpYUdgIghZQ-unsplash-1536x1024.jpg 1536w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/kat-coffe-VpYUdgIghZQ-unsplash-2048x1365.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-8757" class="wp-caption-text">Foto: Kat Coffe, Unsplash</p></div>
<p>Foi naquelas salas, depois do privilégio da escola cinco estrelas em que estudei 2/3 da vida até ali que descobri as rádios livres – também conhecidas como rádios piratas -, Guattari, Deleuze. Foi lá que li tudo do Sartre, fiz vídeos teoricamente “arte”, frequentei o Madame Satã, amei Titãs e The Smith e finalmente fui descobrindo outros horizontes.</p>
<p>O horizonte da Rose Mercatelli, que já tinha 40 anos, dentista, três filhas e estava junto com a gente, perseguindo seu sonho antigo. A mulher que jovem tinha sido presa em Ibiúna, sofrido os desmandos da ditadura e contava tudo pra gente em primeira mão, tanto dentro da sala como fora.</p>
<p>O horizonte da Andréa Pita, a minha primeira colega negra (ai que vergonha). A pessoa não só estava com a gente como fazia Direito na São Francisco. O horizonte do ouvir histórias, do ir a Heliópolis fazer rodas de conversas com as mulheres da favela. O horizonte de ter o primeiro trabalho – e fazer revisão, vender anúncio, entender como funciona uma revista sem nem saber o que é jornalismo direito. Eu vi o plano cruzado ser anunciado pelo bandidão Sarney lá no saguão da faculdade, junto com os colegas. Ouvindo o Reinaldo Azevedo fazer suas considerações ao vivo. Sim, tio Rei estudou ali também.</p>
<p>E assim fui andando na vida, sonâmbula e levada pela corrente. Jornalista? Sim. <del>Mas uma mulher jovem muito imatura, privilegiada, mimada, arrogante, sem a menor noção do mundo. Eu não gosto da jovem que fui.</del> <del>Não sei se gosto da mulher que fui a maior parte da minha vida.</del> E tá tudo bem. Apesar do despreparo, consegui enfrentar a vida.</p>
<p>No caminho, eu comecei a frilar mundo afora. Primeiro sobre moda &#8211; mulher “bonita” sabe de moda, né? #sqn. Depois, pequenos textos saídos num jornal de uma livraria. Então mais um degrauzinho. Uma colaboração aqui, outra ali. E a vida foi andando.</p>
<p>Até que, no fim do segundo ano de faculdade consegui um “estágio” na Fundação Padre Anchieta. Eu já tinha sido faz tudo numa pequena revista; já tinha colaborado com alguns outros lugares. Estudava de manhã, mas fazia atendimento ao ouvinte das 18h às 24h. Sim, das seis da tarde à meia noite. Com um diretor nojento, que gritava com todo mundo e odiado. Tinha salário fixo, benefícios, algumas mordomias – como transporte pra voltar pra casa de noite.</p>
<p>A faculdade? A minha matrícula era pra manhã. Eu passei a não conseguir mais. Passei um ano sem aparecer – e os professores me aprovaram&#8230; No ano seguinte, passe pra noite, matriculei no que faltava e me formei. Ah, a delícia dos anos 80, pré-constituição atual, antes de todas as regulações e controles.</p>
<p>Pouco depois que me formei (1987), o Brasil ganhou uma nova Constituição, feita sob medida para a liberdade, a cidadania, um futuro melhor. A gente ainda cortaria uns bons maus pedaços até o impeachment do Collor, a ascensão do FHC e um pouco mais de razão – e finalmente, nos livrarmos da inflação, o maior legado da ditadura. Então&#8230;</p>
<h2>Corta para 14 de janeiro de 2021.</h2>
<div id="attachment_8756" style="width: 291px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://ladybugbrazil.com/reflexoes-de-uma-jornalista-nao-praticante/nathana-reboucas-qub5rkbdcq0-unsplash/" rel="attachment wp-att-8756"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8756" class="size-large wp-image-8756" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/nathana-reboucas-qUb5Rkbdcq0-unsplash-281x500.jpg" alt="Placa eletrônica: Coronavírus, Previna-se instalada numa bifurcação com duas ruas vazias" width="281" height="500" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/nathana-reboucas-qUb5Rkbdcq0-unsplash-281x500.jpg 281w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/nathana-reboucas-qUb5Rkbdcq0-unsplash-169x300.jpg 169w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/nathana-reboucas-qUb5Rkbdcq0-unsplash-768x1365.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/nathana-reboucas-qUb5Rkbdcq0-unsplash-864x1536.jpg 864w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/nathana-reboucas-qUb5Rkbdcq0-unsplash-1152x2048.jpg 1152w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2021/01/nathana-reboucas-qUb5Rkbdcq0-unsplash-scaled.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px" /></a><p id="caption-attachment-8756" class="wp-caption-text">Foto: Nathana Rebouças</p></div>
<p>Caos em Manaus de novo. Gente morrendo nos hospitais e prontos-socorros por falta de oxigênio. Há pouco mais de dois anos, o Brasil é comandado por criminosos. O principal deles deveria ter saído algemado da Câmara dos Deputados por idolatrar torturador, que, diga-se, não foi preso nem condenado por seus crimes. Eu e muitos outros gritando no Twitter. Muito.</p>
<p>Desde março de 2020, o mundo lida com o enigma do vírus e a pandemia. Com mais recursos do que em 1918, o Sars-Cov2 foi reconhecido em tempo recorde – sequenciamento feito por brasileiras, inclusive -; estudado ao máximo e produziram-se mais de 20 tipos de vacinas, com as mais diversas tecnologias, das mais tradicionais às mais inovadoras, em tempo recorde.</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde estabeleceu, rapidamente, o que fazer para enfrentar a ameaça: evitar o contágio (uso de máscaras, distanciamento social e lavar muito bem as mãos) e testar os suspeitos. Enquanto isso, no mundo, há um outro vírus circulando: o negacionismo. Gente que nega ciência, educação, vacina. Toda razão será escorraçada com a Bíblia – ou outro livro sagrado qualquer – e as “narrativas”, que são mentiras bem urdidas para atordoar todo mundo.</p>
<p>No Brasil, a circulação de baboseiras, mentiras e tentativas sucessivas de golpe e destruição de tudo o que foi construído pós-ditadura segue firme e forte, espalhando junto com o vírus. Orwell nunca foi tão presente. Passamos de um país com conhecimento e competência para oferecer vacinas, proteção aos nossos ativos ambientais e promoção de políticas públicas eficientes a um pária internacional em dois anos.</p>
<p>Criando mentiras, a rede de intrigas seguiu firme e forte durante 2020, dividindo pessoas, criando ódio. O alvo principal: a mídia. O jornalismo fica sob ataque dos que precisam que ele morra para concretizar seus projetos e cidadãos “bem intencionados” que caem na esparrela da crítica construtiva.</p>
<h2>Informação que salva: jornalismo</h2>
<p>Qualquer um que saiba fazer uma apuração e escrever ou contar em vídeo não tem como cobrirtudo o que acontece. No meio do caos, brotam pautas. Dos desvios de dinheiro reservado ao enfrentamento da pandemia à realidade das favelas, sobra assunto, faltam mãos, bocas e braços para expor tudo o que existe para ser revelado.</p>
<p>Na pandemia deixou claro o racismo. Na pandemia ficou claro o quanto o real é o único caminho para superar a dificuldade. No Brasil dividido entre razão e ilusão, os jornalistas foram às ruas – e morreram – para garantir o acesso a esse real tão precioso. E foram aprendendo como agir e reagir às tais narrativas.</p>
<p>Nesta profissão há uma regra: nada se inventa. Um jornalista, do mais novinho ao mais premiado, sempre publica o que pode provar, o que foi comprovado por fontes, contado por pessoas que viveram ou mostrado pelos números oficiais. Ele até cria fontes de dados, reunindo informações em repositórios, como o Fogo Cruzado.</p>
<p>O Brasil ficou sem ministro da saúde por quase quatro meses em 2020. De fato, seguimos sem ministro da saúde, porque o cargo é exercido obviamente pelo presidente. O general advoga, como o seu chefe, um “tratamento precoce” que não existe. Milhões de testes venceram num depósito em Guarulhos. Os conselhos de medicina não dão um pio sobre pessoas não qualificadas receitando remédios. Pacientes de lúpus ficaram sem remédio por conta da corrida às farmácias em busca de uma cura que não existe.</p>
<p>Não existe por quê? Porque se existisse de fato, as pessoas não morreriam aos milhares neste dia 15 de janeiro, data em que se alcançou a triste marca de 2 milhões de mortos em todo o planeta.</p>
<p>Enquanto isso, nas redações, profissionais trabalham dobrado com salários cortados. Enfrentam como podem o seu racismo, machismo, preconceitos de toda sorte mais a violência dos seguidores do ditadorzinho &#8220;a culpa é dos outros&#8221;. Os jornalistas são, desde sempre, os profissionais que mostram o que está acontecendo. Ou, como dizem na sede do império: o primeiro rascunho da história.</p>
<h2>Jornalismo: serviços prestados</h2>
<p>Foi através de jornalistas que conhecemos os desvios e desmandos do Collor. Foi através de jornalistas que conhecemos os desvios e desmandos de Maluf e Celso Pitta. Foram os jornais e revistas que levantaram as bolas do Mensalão e do Petrolão. Foram jornais, TVs e revistas que mostraram todos os desvios que aconteceram no Rio de Janeiro, no Maranhão, nos cafundós do Brasil.</p>
<p>Da melhor forma, com as melhores práticas, os jornalistas estão na luta para conseguir levar a melhor informação às pessoas. Falharam miseravelmente em 2013? Sim. A imprensa falha? Falha. Muito. Não só em 2013. É erro todo dia, toda hora, a cada minuto. Mas vamos só olhar o agora: imaginem só o estado emocional de um ser humano vendo outros morrendo, sem atendimento e, pra completar, com medo de ser atacado. Isso influencia o desempenho de qualquer um e de todos.</p>
<p>Desconsiderar o lado humano é parte do horror atual. A gente quer perfeição, robotização, que a história encaixe perfeitamente nos nossos valores. Errar não é tão ruim &#8211; permite melhorar, aperfeiçoar, fazer melhor. Todo mundo aprendeu a lavar as mãos com a imprensa, que fez muitas matérias sobre isso. Na semana passada, o Fábio Turci deu uma aula de antirracismo no SP1, que viralizou nas redes.</p>
<p>https://youtu.be/WFs6Hu8M92Y?t=2871</p>
<p>Seja na TV, nos jornais, nas revistas, nos sites, há milhares de jornalistas brasileiros trabalhando, 24&#215;7, para levar a melhor informação a todos, em todas as áreas. Política, economia, saúde, ciência, tecnologia, negócios. Todo mundo está trabalhando muito.</p>
<p>Junto com cientistas – destaque para o <a href="https://iqc.org.br/">Instituto Questão de Ciência</a>, com Natália Pasternak à frente, e <a href="https://abori.com.br/">Agência Bori</a>, da querida Sabine Righetti – os jornalistas têm trabalhado duro para levar a informação de qualidade aos brasileiros.</p>
<p>Enquanto isso, alguns brasileiros desdenham da imprensa (aka “grande mídia” ou Globo Lixo). Deixam de assistir telejornais, de ler jornais que informam corretamente e incentivam meios “alternativos” que circulam sem dó informações falsas e mentirosas.</p>
<p>Nas conversas em redes sociais se vê o resultado: uma parte acha que o assassino em chefe está certo, que a culpa é da imprensa, do STF, do Congresso. A outra briga entre si, apontando o dedo para a imprensa, o Congresso, o STF, os governadores, os prefeitos, os institutos de pesquisa, a Anvisa, etc., etc., etc.</p>
<p>Os brasileiros esquecem, no meio do caos, não só que perdemos mais de 207 mil concidadãos para a COVID-19. Além da subnotificação, que é óbvia quando checamos as informações disponíveis, há ainda os casos gritantes de morticínio pela polícia militar, sumiço de crianças, assassinatos de crianças.</p>
<p>Pode-se criticar a imprensa por não conseguir nomear corretamente os acontecimentos? SIM. Mulheres assassinadas por homens; crianças assassinadas pela polícia; juízes e tribunais promovendo desmandos impunemente. Há uma longa lista de fatos não nomeados acuradamente.</p>
<p>Lembrem: jornalistas são pessoas. Seres humanos como todos nós, sujeitos às próprias emoções. Se os cidadãos estão com medo – e devem ter mesmo, pois temos um governo federal que não cria políticas públicas, que trabalha para acobertar crimes de seus integrantes e não quer saber de trabalho em meio a uma pandemia -, porque os jornalistas não teriam?</p>
<p>O medo é, das emoções, a mais profunda, tão forte quanto o amor. Ontem, depois de muito ver sobre o caos em Manaus, eu chorava. Chorava porque não tem mais esperança. Chorava porque tenho uma consciência de que é só o começo do caos. Não há como impedir que as variantes e mutações aconteçam, não só por lá, mas também no resto do Brasil.</p>
<p>A racional desta afirmação é a evolução: quanto mais o vírus fica à solta, mais ele evolui. Sim, ele melhora a sua eficácia. Graças à paralisia federal, não temos vacinas para todo o país &#8211; a única cura e prevenção possível. E, no caso em questão, é óbvio: ou cuida de todo mundo ou não resolve a questão. Todo mundo, ou a grande maioria, deveria estar no mesmo barco, remando na mesma direção.</p>
<p>E a realidade não é essa, infelizmente. E caberá aos jornalistas e cidadãos que estão com os pés bem fincados no real evitar o grande desastre. Nomear corretamente; buscar parar a circulação da mentira, da ilusão; conseguir mobilizar instituições e autoridades para a defesa de vidas. E só com a verdade isso será possível.</p>
<h2>E então, veio 17 de janeiro</h2>
<p>A reunião da Anvisa para a aprovação emergencial das vacinas do Instituto Butantan e da Fiocruz foi transmitida ao vivo para todo o Brasil. Acabou a graça de dizer que tem como prevenir COVID. As vacinas foram aprovadas de forma emergencial. As escaramuças políticas começaram – e renderam risadas, sorrisos, memes.</p>
<p>Finalmente um raio de esperança. Se a história não acabou, o post fica por aqui. Lembrem: pessoas são construções complexas. Não são só conhecimento, história, privilégios (ou a sua falta). São emoções, sentimentos, estados de espírito e crenças. Tudo importa. Tudo. Principalmente em jornalismo em que a matéria-prima é gente para encontrar e organizar os fatos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fotos:</p>
<p>Previna-se, <a href="https://unsplash.com/@nathanareboucas?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Nathana Rebouças</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/covid?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>
<p>Banca de Jornal: <a href="https://unsplash.com/@katcoffe?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Kat Coffe</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/journalism?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Brasil, 11 de maio 2020</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/brasil-11-de-maio-2020/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2020 23:53:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[covid]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ficou 3 dias na sala de medicamento esperando o leito de UTI. Morreu hoje, dia 11 de maio. No que você estava pensando em 2018 quando votou? Checou as posições [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div id="attachment_8748" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/brasil-11-de-maio-2020/rafaela-biazi-0mfj0jjt0dy-unsplash/" rel="attachment wp-att-8748"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8748" class="size-large wp-image-8748" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2020/05/rafaela-biazi-0mfj0jJt0dY-unsplash-500x331.jpg" alt="" width="500" height="331" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2020/05/rafaela-biazi-0mfj0jJt0dY-unsplash-500x331.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2020/05/rafaela-biazi-0mfj0jJt0dY-unsplash-300x199.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2020/05/rafaela-biazi-0mfj0jJt0dY-unsplash-768x509.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2020/05/rafaela-biazi-0mfj0jJt0dY-unsplash-1536x1017.jpg 1536w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2020/05/rafaela-biazi-0mfj0jJt0dY-unsplash-2048x1357.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-8748" class="wp-caption-text">foto: Rafaela Biazi, Unsplash</p></div>
<blockquote>
<p class="wp-block-paragraph">Ficou 3 dias na sala de medicamento esperando o leito de UTI. Morreu hoje, dia 11 de maio.</p>
</blockquote>
<p><br />No que você estava pensando em 2018 quando votou? Checou as posições do seu candidato (todos, de deputado estadual a presidente) sobre o SUS?<br />Deixa contar uma coisa: o SUS cuida da saúde de 150 milhões de pessoas. Com 20% dos recursos em saúde gastos no Brasil. <br />É isso. 20% dos recursos pra 80% da população. Os outros 20% conseguem pagar o convênio/seguro e semelhantes e tem 80% dos recursos. <br />Como a gente sempre diz: se organizar direitinho… <br />Na próxima eleição lembre: o que importa? SUS, escola pública, transporte, saneamento básico, moradia decente pra todo mundo. Se a gente tratar de oferecer dignidade e serviços bons pra TODO MUNDO, o Brasil muda. <br />Não vai ter Messias. Vai ter é muito choro (já são quase 12 mil mortos, teremos muitos mais até o final desta semana) e muito, muito, muito trabalho. Realidades. E uma realidade que vai derretendo, enquanto a pandemia come a economia. <br />Sempre que for votar – ou decidir não ir votar – lembre: o seu voto é que decide. O que o candidato pensa sobre o SUS, sobre o transporte público, sobre a escola pública? Qual é o projeto de país? Ninguém vai acertar 100%. Importa é que a gente lembre: se o Brasil não for de todos, não é de ninguém.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Andréa Werner: uma mãe a caminho de Brasília?</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2018 13:06:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ladybugbrazil.com/?p=8720</guid>

					<description><![CDATA[<p>Andréa Werner, jornalista, escritora e ativista pela inclusão é candidata a deputada federal por São Paulo. Conheça melhor essa mãe ativista, em uma longa entrevista. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://voudeandrea.com.br/">Andréa Werner</a>, 43 anos, jornalista, mãe do Theo, um menino lindo e autista, <a href="https://lagartavirapupa.com.br/">blogueira</a>, escritora, ativista. Andréa, no começo deste ano, topou um novo desafio – talvez muito maior do que educar e cuidar do Theo, com a colaboração do Leandro, seu companheiro e da família: sair candidata a deputada federal para representar as mães e pessoas com deficientes lá em Brasília. Pelo PSOL, sim senhoras.</p>
<p>Uma agente política de primeira, Andréa passou os últimos meses andando pelo Estado de SP, conversando com mães de pessoas com deficiência, fazendo os seus tradicionais <a href="https://www.facebook.com/events/2210743029182330/">Pupaniques</a>, tratando de lidas políticas.</p>
<p>Do próprio bolso porque segundo ela mesma: se a mãe de autista tem a luz cortada e quer se matar, como eu pediria doações? Eu espero que ela consiga se eleger, porque sei que sonhar é preciso, sonhar grande é bom e que o Brasil precisa de milhões de sonhadoras e lutadoras como a Andrea.</p>
<p>Mas vou parar de falar – porque, sim, mesmo escrevendo me emocionei. A simples possibilidade de uma pessoa como eu e você – mulher, mãe, lutadora – chegar ao Congresso e nos representar me enche de esperança no futuro.</p>
<p>Veremos o que sai das urnas no dia 7. Espero que seja um Brasil mais justo, mais igual &#8211; e com mais mulheres na política.</p>
<p><a href="https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/attachment/201808052049760931935358067/" rel="attachment wp-att-8724"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8724" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808052049760931935358067-500x500.jpg" alt="Andrea Werner" width="500" height="500" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808052049760931935358067-500x500.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808052049760931935358067-300x300.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808052049760931935358067-768x768.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808052049760931935358067.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p><strong>Como vai a senhora, candidata? </strong></p>
<p>Cansada. Eu falei que eu chego no dia 7 de outubro ou morta ou eleita.</p>
<p><strong>Porque não pedir dinheiro? Eu sei que você tem uma questão e você foi muito clara desde a pré-candidatura que não ia pedir dinheiro. Por quê? </strong></p>
<p>Porque eu não tenho coragem. Na verdade, o que me levou a entrar no ativismo, por assim dizer, foi conhecer a condição de grande parte das mães de crianças com deficiências que, pra conseguir o BPC, que é um auxílio de um salário mínimo que o governo dá, não pode trabalhar, porque o limite de renda do BPC é tão baixo que se a família tiver renda for superior a um salário mínimo, pra 4 pessoas, ela não receberá.</p>
<p>Então ela pega o BPC e não pode trabalhar fora. Tem um caso que descobri em Caraguatatuba, na última roda de conversa que eu fiz: a mulher fez uma faxina por fora pra complementar a renda, descobriram, ela foi condenada agora a devolver quatro anos de BPC, porque descobriram que ela estava fazendo faxina uma vez por semana  – para complementar a renda. [<em>O salário mínimo de 2018 é R$ 954, válido para todo o Brasil, até ano que vem</em>].</p>
<p><strong>Eu não acredito Andréa!</strong></p>
<p>Acredite. Eu subi a serra chorando, eu fiz uma live que está na página chorando, porque é isso. Tem uma lá que tem gêmeos autistas adolescentes, foi abandonada pelo marido, porque essa é a realidade da maioria. A pessoa tem DOIS filhos autistas, mas só tem direito a um BPC, porque a legislação é otimista, ela acha que a pessoa só vai ter um filho com deficiência, ninguém vai ter dois, entendeu?</p>
<p>E aí a penúltima roda, que foi no CEU de Perus, que é uma região bem carente aqui na Capital, foi uma mulher com gêmeos autistas também, abandonada pelo marido, ganhou o BPC então ela não pode trabalhar. Ela falou: quem me deixa fazer uma faxina me paga 20 reais. Me exploram, porque sabem que eu não posso. Dia desses, eu peguei os gêmeos fui pra Anhanguera e queria me matar.</p>
<p><strong>São gêmeos autistas? </strong></p>
<p>Sim, dois casos de gêmeos autistas em uma semana. E lá em Caraguatatuba nessa última roda eu fiquei sabendo que uma tentou efetivamente se matar, depois que cortaram a luz dela.</p>
<p>Quando você apresentou as propostas, você falou disso, da saúde mental das cuidadoras. [<em>Para conhecer todas as propostas da <a href="https://voudeandrea.com.br">Andréa, entre no seu site</a> ou acompanhe-a nas suas redes sociais: Lagarta Vira Pupa, no Facebook, Instagram e YouTube</em>]</p>
<p><strong>Eu fiquei muito satisfeita com a sua candidatura, a da Lígia (Moreiras) em SC, da Hailey, pra deputada estadual. Temos muitas ativistas que estão candidatas, o que aconteceu? </strong></p>
<p>Então, foi um movimento tão bonito, fica parecendo que foi coordenado, né? Uma bancada de mães ativistas, muitas candidatas mães.</p>
<p><strong>Eu tive a sensação que foi o tempo de maturação. Se pensar que o Desabafo de Mãe começou lá atrás em 2006, é o tempo que leva pra maturar uma determinada postura social. Eu olho vocês e vejo todas nós aí, somos nós, aquelas que estavam fazendo blog pra atacar problemas. </strong></p>
<p>Aí frente a isso, a que tentou se matar porque cortaram a luz, não tem dinheiro nem pra dar comida pros filhos, como que eu vou pedir dinheiro na campanha? Onde eu vou enfiar a minha cara para pedir dinheiro pra campanha? Eu não consigo. Não tenho coragem. Eu entendo, é um propósito maior, você vai poder ajudar se chegar lá, mas não dá pra pedir dinheiro.</p>
<h2>Política, feminismo e poder</h2>
<p><div id="attachment_8722" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/attachment/201808053174372861440956695/" rel="attachment wp-att-8722"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8722" class="size-large wp-image-8722" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808053174372861440956695-500x346.jpg" alt="Andrea Werner" width="500" height="346" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808053174372861440956695-500x346.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808053174372861440956695-300x208.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808053174372861440956695-768x532.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/201808053174372861440956695.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-8722" class="wp-caption-text">Feminista, sim. E lutando como uma mãe.</p></div></p>
<p><strong>Supondo que você chegue viva e eleita no dia 7 de outubro. O que você faz? </strong></p>
<p>Primeiro eu vou tirar uma semana pra descansar, em qualquer cenário.</p>
<p><strong>Não, você foi eleita. E agora? </strong></p>
<p>Eu vou chorar muito. Eu vou chorar de nervoso, eu vou chorar de feliz,  eu vou chorar de “E agora?”. Eu vou chorar. Muito.</p>
<p><strong>E depois? </strong></p>
<p>Depois eu vou começar a bolar como vai ser o esquema aqui em casa também, porque né?</p>
<p><strong>Você não vai levar a casa inteira pra lá? </strong></p>
<p>Não vou. Porque o Theo estuda numa escola aqui que é referência no assunto e eu não conheço nenhum outro lugar no Brasil que tenha uma escola igual a esta, então eu tenho muito medo de levar ele pra Brasília, aí tira ele do que está acostumado aqui, da escola, pra ele rotina é importante.</p>
<p><strong>Você vai ter outra rotina, num lugar novo, que não sabe qual é. É isso? </strong></p>
<p>Meu marido trabalha aqui também, então eu vou fazer um esquema igual Mara Gabrilli fazia, eu trabalho aqui e trabalho de lá. Lá normalmente as sessões são de terça a quinta, então de resto eu vou trabalhar muito por aqui. Vou ter escritório aqui, vou ter time aqui, até porque aqui é a minha base, no Estado [de SP].</p>
<p><strong>Assessor</strong>: inclusive eu vou me meter. A gente mapeou um negócio que é muito bizarro. Que é: no interior não tem ninguém. Você vai fazer campanha no interior e ninguém se sente amparado, não tem ninguém.</p>
<p><strong>Andréa</strong>: não tem pessoa no Litoral Norte. Estive lá, assim, o pessoal perdidão.</p>
<p><strong>Ninguém tá trabalhando pauta, também</strong>.</p>
<p>Então, a gente tem a Previdência quebrada e o Brasil tem vários problemas. Eu não acredito que falte dinheiro, eu acho que o dinheiro está muito mal distribuído e gerenciado. Porque ainda tem essa noção, que pra mim já deu, já venceu, que você tem que facilitar muito a vida do empresário, dar um milhão de isenções pro empresário porque ele dá emprego. Amigo, a gente tá nessa há muito tempo já e já deu pra ver que isso não está funcionando.</p>
<p>Então a gente fica na mão de empresário, como a Coca-Cola com essa palhaçada de vou tirar a minha fábrica de Manaus. Vai amigo, perde o maior mercado consumidor da América Latina. Tchau, já foi? E quando você quiser voltar pra cá eu vou sobretaxar teu produto em 50% ainda por cima.</p>
<p>Mas quem tem coragem de peitar?</p>
<p>Tem jogo de poder, tem apoio político, tem quem quer subir. A gente sabe que até 2014 todo mundo era bancado por grandes empresas, então tem a bancada do agronegócio, a bancada do plano de saúde, a bancada da bíblia, a bancada da bala, a bancada de não sei o quê. Tá faltando uma bancada com um propósito mais bacana, tipo a bancada da inclusão, sabe? Aí seria muito bacana, uma bancada da inclusão. Inclusão de todos os grupos oprimidos.</p>
<p><strong>Os homens, eles não se importam? </strong></p>
<p>Esquece. Eles não sabem o que se passa. E a gente tem outro problema no Brasil que é: por mais que eu esteja num partido de esquerda, que é o PSOL, que é bacana, que acho que nenhum partido teve tantas candidaturas de pessoas gays, trans, mulheres e etc., ainda é um partido majoritariamente masculino, como a maioria, dominado por homens. Então a mulherada ainda está tentando tomar os espaços de poder. Se você olhar no total, a gente só tem 10% de deputadas em Brasília, olha o tanto que a gente não precisa crescer em representatividade.</p>
<p><strong>A gente tem 13% de senadoras. </strong></p>
<p>Então. E até 2016 não tinha banheiro feminino no Senado, parece. Não é uma coisa pra se pensar? A gente discutindo rampa, acessibilidade. Cara, não tinha banheiro de mulher. (risos)</p>
<p><strong>A gente ri de nervoso. </strong></p>
<p>Quer ver um exemplo de como homem não sabe nada? Eu já dei esse exemplo algumas vezes. Teve audiência pública aqui na ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de SP), no dia internacional do autismo, dia 2 de abril, e eu fui convidada a sentar lá, aquela coisa, não era candidata oficialmente ainda, por causa do blog, fui convidada. E senta lá um deputado ao meu lado. E aí as mães, todas as mães de autistas que estavam na audiência pública começaram a falar porque a gente não sabe quem vai olhar por nossos filhos quando a gente morrer, porque nosso maior medo é morrer antes deles, porque eles não têm autonomia, eles não vão ser independentes. Aí o deputado virou pra mim e falou assim “ eu não imaginava que vocês se preocupavam com isso?”. Porque eu tenho 3 filhos e nenhum deles tem deficiência, então&#8230; Eu imaginei: Talvez se os filhos tivessem deficiência, também não.</p>
<p>É homem, é pai, a maioria dos pais se manda.</p>
<p>Pai se manda quando engravida, pai se manda quando tem deficiência, pai se manda quando tem câncer.</p>
<p>Porque eu vi isso anteontem na Globonews, que 80% dos maridos se mandam qdo a mulher tem câncer de mama e faz mastectomia. É mole? Depois a gente que é o sexo frágil. Eu fico puta com essa história.</p>
<h2>Política, deficiências, diferenças e humanidade</h2>
<p><div id="attachment_8725" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/12545904_10153393741781446_742656262_o/" rel="attachment wp-att-8725"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8725" class="size-large wp-image-8725" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-500x333.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-300x200.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-768x512.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o.jpg 1446w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-8725" class="wp-caption-text">Andréa e Theo</p></div></p>
<p><strong>Eu não vou discutir porque tem um homem forte na mesa. </strong></p>
<p>Mas eu tava falando ontem sobre esse assunto. A gente montou  uma bancada de mães ativistas: eu, Lígia, Alessandra, que é de Goiânia, a Ane, todas do PSOL, candidatas, a gente fez uma bancada de mães ativistas pra se divulgar e tudo.</p>
<p><strong>O Lute como uma mãe?</strong></p>
<p>Isso só eu estou usando. Mas todas são meio outsiders, tirando a Alessandra, que já era do PSOL, nenhuma de nós é política. Então é assim: fica quem já está no poder, já tem cargo, tem a maior parte da verba do partido, tudo, tem alguns segundos no horário eleitoral e quem está querendo entrar fica com uma terceira ou quarta vaga se ela existir. E é assim que funciona o jogo.</p>
<p><strong>E precisa eleger 9 deputados porque vem cláusula de barreira aí. </strong></p>
<p>Sim.</p>
<p><strong>Eu sou uma pessoa que passou uns quatro dias estudando eleição proporcional. Eu quero muito que você se eleja. É um desejo. A Lígia eu não posso fazer nada, mas por você eu posso. </strong></p>
<p>Eu tenho o problema oposto, eu tenho seguidores em SC, eu tenho em SP, também, mas é muito diluído</p>
<p><strong>É proporcional, tem que ter muito voto, me dá um desespero. </strong></p>
<p>E as pessoas não conhecem política. Então fica assim: meu voto é seu, da minha família também. E eu: onde você mora? No Ceará! Não adianta&#8230; Então eu penso que vai ter candidato em outros lugares que são 5024 ganhando voto. A pessoa achando que sou eu.</p>
<p>Me mandaram um de outro estado, que também é 5024, um cara, ele é gay, é tipo: 5024, bem gay. Achei incrível. (risos)</p>
<p><strong>Eu ando muito incomodada com algumas coisas no processo eleitoral de 2018. Primeiro o desconhecimento sobre o processo de eleição dos candidatos proporcionais (deputados estaduais e federais). Segundo, jornalistas que não investigam o programa de candidatos. Terceiro, sair falando que é feminista, ignorando que existem vários feminismos, que cada uma de nós, feministas, é diferente e luta de um jeito – na mesma direção, mas não necessariamente correntes politizadas. </strong></p>
<p>Então. Eu mesma não sabia muito sobre o voto proporcional. Me explicaram de um jeito lá atrás e depois foi de outro. Você ver um exemplo básico sobre a história dos “feminismos”?  Quando eu fui preencher a ficha do Campanha de Mulher, perguntava lá: qual tipo de bandeira pelas mulheres você tem? Aí tinha lá: descriminalização do aborto, feminismo negro, cota&#8230; Nada sobre deficiência e mãe. Aí eu escrevi lá embaixo: eu quero ajuda para mulheres com deficiência e mães de filhos com deficiência. Não tinha isso lá. Eu tive que preencher.</p>
<p>Aí elas foram me entrevistar e elas me disseram: então me explica isso aí, a gente já entendeu que a sua pauta da pessoa com deficiência, mas como que isso se conecta com a mulher? Aí eu fui contar como isso se conecta com a mulher: que a maioria é abandonada pelo marido depois do diagnóstico do filho. Aí ela fica levando tapinha nas costas sendo chamada de mãe especial, porque a sociedade vira as costas, o Estado vira as costas, não garante nenhum direito, não garante nada. Você tem que ser a mãe especial mesmo pra aguentar isso tudo.</p>
<p>E a gente tem o machismo estrutural que favorece essa coisa do pai se mandar e a mulher dar conta, porque a mulher é a cuidadora, é a heroína, ela naturalmente tem essa coisa do cuidado. Então é muito confortável para a sociedade a coisa ficar do jeito que está e para o Estado também.</p>
<p>Uma mãe de Caraguatatuba me contou que foi na escola pra conseguir o moderador escolar pro filho dela na escola, a mulher falou que não tinha e ainda falou assim: porque você não foi fazer exame genético antes de engravidar, pra saber se poderia dar problema?</p>
<p><strong>Ah, sim. E tem no SUS exame genético doutora? </strong></p>
<blockquote><p>E nem se tivesse, porque autismo não é assim, né? Você que teve filho com deficiência, é seu, problema seu. A gente não tem nada a ver com isso. A mulher da prefeitura falando isso pra mãe.</p></blockquote>
<p><strong>Cadê o MP? </strong></p>
<p>Você não sabe o que o MP daqui apronta. Eles em vez de fazer o Estado cumprir a lei, eles estão tentando extinguir uma ação civil pública que os autistas ganharam no Estado de SP que obriga o Estado a dar educação especializada e saúde. O MP em vez de cobrar que o estado não está cumprindo, está tentando extinguir a ação civil pública.</p>
<p><strong>Assessor</strong>: A gente fez questão de desenhar propostas. A Andrea trabalhou muito pra isso. Você olha os candidatos, é tudo combate, é sou feminista, fim. Luta, derrotar, bater, não tem em nenhum momento uma proposta. São 60 milhões de reais em verba nos quatro anos, uma equipe de 40 pessoas e verba na canetada. A verba pra trocar uniforme da guarda civil foi um vereador que deu. Foi outro vereador que deu armas pra guarda civil. Canetada, ele tem esse dinheiro. Um deputado tem dinheiro em mãos, quer dizer&#8230;</p>
<p><strong>Andrea</strong>: nossa, eu já tenho várias coisas na cabeça. Pegar um CAPS de Paraisópolis e fazer dele modelo, botar aquele atendimento que depois, se der certo, a gente replica. Agora tem a coisa do médico da família. As mães estão me falando que ele tem que pedir o encaminhamento pro neuro. Só nessa, demora pelo menos 6 meses pra conseguir o neuro. Aí o neuro pede um montão de exames e só pode voltar depois dos exames. Pra conseguir marcar os exames é mais uns seis meses. Aí depois pra conseguir voltar no neuro vai mais seis meses.</p>
<h2>Saúde, educação e um outro Brasil</h2>
<p><a href="https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/meuamigofaziiii_117_de_311_1/" rel="attachment wp-att-8726"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8726" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/Meuamigofaziiii_117_de_311_1-500x334.jpg" alt="Andréa no lançamento de seu livro, meu amigo faz iiiiiii" width="500" height="334" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/Meuamigofaziiii_117_de_311_1-500x334.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/Meuamigofaziiii_117_de_311_1-300x200.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/Meuamigofaziiii_117_de_311_1-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p><strong>E o SUS travando&#8230; quem vai cuidar dessa gente toda? </strong></p>
<p>Algumas pessoas da esquerda. Essa live que eu fiz foi pras pessoas saírem da bolha, até as minhas amigas que têm curso superior, trabalharam em multinacional. Elas acham que a solução pro Brasil é ser liberal, privatizar, fazer a preço popular. Aí eu fico lembrando da mãe que fala que a faxina de 20 reais que ela ganha é o pão dos filhos dela naquele dia e aí as pessoas acham que 20 reais é um plano de saúde popular.</p>
<blockquote><p>As pessoas não saem da bolha, elas não veem que 80% das pessoas usam só o SUS e é difícil.</p></blockquote>
<p><strong>Então, a minha questão: os colegas jornalistas, as pessoas de classe média – eles não usam o SUS. Você usa o posto de saúde que te atende? Sabe onde fica? </strong></p>
<p>Lá na Vieira. Levei o Theo pra vacinar.</p>
<p><strong>Você sabe qual a estrutura do seu posto? Que especialidade tem lá atendendo? </strong></p>
<p>(silêncio)</p>
<p><strong>Então, o que acontece: a classe média usa o posto pra vacinar seus filhos e acha que porque usa pra vacinar, conhece o posto de saúde. Ela não conhece, ela não usa, ela nunca tentou marcar um pediatra. </strong></p>
<p>Com certeza. Pra isso é o plano de saúde que eles pagam.</p>
<p><strong>As pessoas dizem: ah, eu conheço o SUS. Não, vocês não conhecem. Vocês não conhecem o SUS que me entrega uma caixa de remédio que custa R$ 350 todo mês (por cinco anos). Você não conhece o SUS que me dá a cada período certinho a mamografia, o ultrassom, o exame de sangue, as consultas pra acompanhar a remissão do câncer de mama. Todos os exames. E se não faço, o médico puxa a minha orelha. E ele não sabe quem eu sou. Elas não sabem que aquela Carteira Nacional de Saúde, na prática, não serve pra nada. Que eu tenho CNS, um número estadual outro municipal&#8230;</strong></p>
<p><strong>Andréa</strong>: Então, lá na Suécia, eles têm um número também. E com aquele número eles sabem qual foi a última vez que você limpou a bunda. Tudo o que você vai fazer, você dá o número. Da compra na internet ao posto de saúde. Você vai no médico, de qualquer posto, ele puxa a sua ficha inteira através daquele número.</p>
<p><strong>Assessor</strong>: e as pessoas têm que andar com o laudo&#8230;</p>
<p><strong>E ontem, a Andrea estava falando na live que tem que andar com a lei embaixo do braço</strong>&#8230;</p>
<p><strong>Assessor</strong>: e tem mais, você tem que saber onde este recurso tem que ser investido. Você não tem um censo que aponte quantas pessoas têm deficiência.</p>
<p><strong>Andréa</strong>: Como você cria políticas públicas sem saber quantas pessoas são portadoras de deficiência? Autismo, surdos, cegos, síndromes raras, cadeirantes, tem criança de 8 anos que começa a regredir, perder habilidade e ninguém sabe o que é.</p>
<p><strong>Assessor</strong>: criar políticas de saúde pública olhando pra um dado estatístico. Por que uma cidade, Louveira, tem tanta criança com problema x, y, z. Vamos pensar a saúde pública? Porque desse jeito a saúde pública vira tratar a causa e não tratar efeito.</p>
<p><strong>Eu fico impressionada, porque aparentemente o Ministério da Saúde tem uma boa competência. A gente tem o programa de enfrentamento a AIDS/HIV que funciona, a gente tem programas bem sucedidos em saúde em várias áreas. </strong></p>
<p><strong>Andréa</strong>: Então, a realidade da saúde, é a seguinte: quando o adolescente chega aos 15 anos, ele é dispensado do atendimento no CAPS, sem a mãe ter o que fazer com ele, porque eles não podem atender todo mundo e eles têm que priorizar os mais novinhos, é isso. Então com 15 anos de idade eles estão dispensando já.</p>
<p><strong>Quando vocês sentaram pra fazer as propostas vocês passaram várias madrugadas pensando, como foi isso? </strong></p>
<p>Ah, foram muitas madrugadas, e aí aparecia uma mãe, me falava tal coisa e eu vinha colocar. Numa roda de conversa lá em Taubaté, um pai me falou de um sistema lá no estado de Minnessotta nos EUA, em que famílias ganham pra ser cuidadoras de pessoas com deficiência. Por conta dessa coisa de quando a gente morre, quem vai ficar? Tá cheio de pessoa com deficiência morando embaixo da ponte. Eu quero muito ver como isso funciona para apagar um recente incêndio que temos aí, de pessoas com deficiência jogadas na rua depois que a mãe morre.</p>
<p><strong>Ainda por cima tem mais essa? Pessoas com deficiência na rua? </strong></p>
<p>Ih, menina! Eu vi uma pesquisa, faz uns 3 meses, da BBC, que mais de 20% das pessoas de rua no Reino Unido é autista ou tem traços de autismo.</p>
<p><div id="attachment_8725" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/12545904_10153393741781446_742656262_o/" rel="attachment wp-att-8725"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8725" class="size-large wp-image-8725" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-500x333.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-300x200.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o-768x512.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/12545904_10153393741781446_742656262_o.jpg 1446w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><p id="caption-attachment-8725" class="wp-caption-text">Andréa e Theo</p></div></p>
<p><strong>Você foi construindo esse programa conversando com as mães e com a sua experiência? </strong></p>
<p>Mais com base na minha experiência e no que eu conhecia. E o que eu conhecia me diz que já temos muitas leis, a gente precisa é cobrar que essas leis sejam cumpridas. Porque político que quer ficar bonitão na foto,  quer fazer lei. Fez a lei, botou nome na lei. Agora, quantos estão fiscalizando as leis, que tem por aí?</p>
<p>Porque se você pegar a LBI, que é a Lei Brasileira de Inclusão, ela é super completa, é maravilhosa, tem pouquíssima coisa que não está incluída lá, então a gente não vai precisar de muita coisa adicional. Agora, o Estado não cumpre a lei e fica por isso mesmo. A pessoa vai no MP e o MP faz corpo mole, e aí? Quem tem poder de ir cobrar o MP? Ou alguma associação grande, já estabelecida há mais de um ano, ou um político. Agora, qual político você vê enchendo o saco do MP?</p>
<p><strong>Nenhum</strong></p>
<p>Cobrando de verdade o cumprimento da lei? A gente tem uma lei aqui no Estado de SP que fala que classe que tem uma criança com deficiência não pode ter mais que 20 alunos. É pra rir, né? O Estado de SP só fecha escola. Em média 6 por dia.</p>
<p>Eu tenho conversado muito com professores. Tem professora que tem 46 alunos na sala. Como que você vai fazer essa lei ser cumprida com um Estado que só fecha escola? Como você diminui o número de alunos na sala se só fecha escola?</p>
<p><strong>Você tem uma noção de quantas pessoas com deficiência a gente tem em idade escolar? A gente tem esse número de algum lugar? </strong></p>
<p>Da cabeça eu não sei.</p>
<p><strong>Mas ele existe? </strong></p>
<p>Sim, dá pra gente tirar do Censo, mas a verdade é que a inclusão escolar que a gente tem que ter só está no discurso. Elas estão matriculadas na escola, mas elas não estão incluídas. Porque inclusão pressupõe adaptação. De material, de metodologia, de professor capacitado, classe reduzida, sala de recurso no contra-turno.</p>
<p><strong>Essa coisa do moderador: o moderador é um facilitador da vida da pessoa com deficiência, é isso? </strong></p>
<p>Sim. É tipo um professor, pode ser até um estagiário, não importa, desde que seja treinado. O que acontece é que não tem esse moderador, que é garantido por lei, a desculpa que todo mundo está dando agora é que “a prefeitura não contratou”. Tipo assim, morreu o assunto. E quando tem são pessoas que caíram lá de para quedas. Pega um estagiário de qualquer coisa e coloca lá. Autista. Ele fica desesperado, não sabe o que fazer, no máximo ajuda a criança a comer, levar no banheiro. Mas não é esse o objetivo. O objetivo é você intermediar o aprendizado, é você ajudar para que aquela criança aprenda de fato.</p>
<p>Ele é quase um professor auxiliar. E não acontece. Porque isso tudo precisa de investimento. Ai a gente volta naquele papo do não tem dinheiro.</p>
<p>Quando eu falo &#8220;nossos filhos são cidadãos&#8221; é exatamente porque parece que não são. Você vai e matricula a criança na escola, e tem a vaga. Quando você fala que a criança é autista é “ah, eu me enganei”. Você queria de manhã, né? Não tem vaga. Não, eu queria à tarde. Também não tem.</p>
<p><strong>O autista é uma pessoa com deficiência que dá mais trabalho? </strong></p>
<p>Sim. Porque algumas vezes tem deficiência intelectual junto. O autista tem muitas alterações sensoriais que afetam a forma como ele interage o mundo por completo e afetam inclusive o aprendizado. Então, o meu filho, por exemplo, o distúrbio sensorial dele é pra menos. O que quer dizer que tudo o que ele recebe de informação através dos sentidos  &#8211; visão, paladar, olfato, tato -, tudo chega menos forte do que deveria ao cérebro. Então o cérebro do meu filho funciona como o cérebro de um viciado em abstinência, ele está sempre buscando estímulo, desesperadamente. Geralmente ele chega da escola tranquilo, porque recebeu mto estímulo na escola, então o cérebro dá uma sossegada.</p>
<p>Agora, fim de semana, por exemplo, que ele fica mais à toa, ele senta aqui, começa a jogar os negócios e fica iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii o tempo inteiro. Às vezes eu tenho que pegar ele e fazer massagem de pressão, porque aí aquilo manda um estimulo forte pro cérebro e ele dá uma sossegada. Se as professoras soubessem disso elas iriam poder trabalhar melhor com as crianças.</p>
<p><strong>Mas cada autista é um autista. </strong></p>
<p>Sim, mas essa hiperatividade deles vem de questões sensoriais. Se elas soubessem trabalhar essas questões sensoriais iria melhorar muito o aprendizado deles.</p>
<p><strong>É a historia da Temple Grandin? Da máquina do abraço? </strong></p>
<p>Sim exatamente. Agora, como uma professora que nunca ouviu falar de autismo vai saber disso? Ela vai ver aquele menino que não para de correr na sala e vai ficar desesperada, porque nada vai fazer o menino sentar. Nada vai fazer o menino prestar atenção.</p>
<p><strong>E ela não tem uma máquina de abraço na sala! E a máquina de abraço pelo que eu entendi não funciona pra todo mundo. </strong></p>
<p>Não, pro Theo não funcionaria, ele não curte muito. Agora, o autista aprende melhor de outras formas, ele é muito visual, então ele aprende mais por figuras do que a pessoa falando o texto. Então você tem que ter adaptação de material, adaptação de jeito de ensinar, até de método de alfabetização. O autista não vai aprender por osmose, ele não vai sentar lá e aprender como a criança que não é autista.</p>
<h2>Política e planejamento</h2>
<p><a href="https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/41951939_242501453083077_5841091242499789968_n1/" rel="attachment wp-att-8731"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8731" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/41951939_242501453083077_5841091242499789968_n1-500x500.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/41951939_242501453083077_5841091242499789968_n1-500x500.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/41951939_242501453083077_5841091242499789968_n1-300x300.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/41951939_242501453083077_5841091242499789968_n1-768x768.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/41951939_242501453083077_5841091242499789968_n1.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p><strong>Assessor</strong>: mas aí entra uma questão que é: não é só pra criança autista. A criança que tem algum déficit de atenção, a criança que não teve estímulo correto quando  era bebê, infante, ela não vai ser alfabetizada do mesmo jeito. Você treinando essa professora, esse professor, melhora pra todo mundo. Aí todo mundo fala: é só pra criança com deficiência? Não! Treinar e aparelhar melhor um professor e dar condição de trabalho pra ele&#8230;</p>
<p><strong>Eu fico pensando pra mim que qualificar professor sempre é um ganho pra todas as crianças. E o que a gente precisa mais no Brasil? De mais educação!</strong></p>
<p>Mas a educação no Brasil está na UTI. É o que eu falo: é muito complicado a gente ficar discutindo educação inclusiva, porque a educação inclusiva é a pontinha do iceberg. A nossa educação precisa melhorar.</p>
<p><strong>No mundo 10% da população tem deficiência, confere? </strong></p>
<p>Sim, essa é a média mundial.</p>
<p><strong>Eu sempre pensei: como 10% das pessoas são diferentes – porque deficiência é só isso, você é diferente do outro – e elas não têm atendimento? Eu convivi com surdos e acho lindo – embora saiba de todas as dores da surdez para os pais. Eu imagino que com o autismo seja mais doído, é? </strong></p>
<p>Sim, porque tem toda a dificuldade de comunicação, de interação. O surdo você dá a forma pra ele, ele provavelmente vai deslanchar naquilo. O autista ele tem dificuldade de entender a comunicação, a necessidade da comunicação, então você tem que trabalhar tudo isso primeiro para que ele queira se comunicar.</p>
<p><strong>Eu ouvi uma crítica a sua posição, dizendo que você acha que tem que ter escolas especiais para autistas. Como você responde a isso? </strong></p>
<p>Eu respondo que eu acho que a gente ainda precisa de escolas especiais. Porque tem autistas muito severos que nem com todas as adaptações que você fizer na escola inclusiva, aquilo vai dar certo. As pessoas são diferentes, eu não acho que dá pra enfiar todo mundo na mesma caixinha.</p>
<p>Por exemplo, eu morei no exterior. Eu morei na Inglaterra e eu morei na Suécia. Nos dois lugares ainda existe escola especial e o Theo estudou lá em classe especial dentro de escola regular. Ele tinha contato com as crianças do regular, mas ele tinha um suporte específico na sala do especial. E lá o que eles falam é: a classe especial, a escola especial, elas servem para preparar o aluno para que ele possa ser incluído na escola regular, entendeu? Nosso objetivo é correr com ele naquilo que ele tem mais dificuldade pra que ele possa frequentar mais tranquilamente a escola regular. Ela não é um fim, é um meio.</p>
<p><strong>Quais são as referências que você acha que a gente tem que usar no Brasil? Pra sair desse lugar, porque eu tenho a sensação que a gente aqui anda um pouco e volta pra trás, vai mais e volta mais pra trás. </strong></p>
<p>Sabe qual é o problema do Brasil? São os extremos. Ou você é direita, ou você é esquerda. Ou você é inclusão total ou você é segregação total. Então no momento em que eu falo que a gente ainda precisa de escola especial, eu sou classificada como uma pessoa capacitista. Tem umas horas que eu acho que isso é desonestidade intelectual, até, sabe? Eu acho que a gente precisa lutar pela inclusão decente, bem feita. Mesmo assim, a gente ainda vai precisar de escolas especiais por um tempo. O problema das escolas especiais é que a gente não tem um controle de qualidade.</p>
<p><strong>Como a gente faz pra trazer as pessoas pra uma roda em que realmente as pessoas participem da vida do país? </strong></p>
<p>Eu acho que a gente vive uma sociedade desigual e que as pessoas curtem viver numa sociedade desigual. Um exemplo disso é: todo mundo vai pro exterior, anda de transporte público lá, acha lindo o metrô, o ônibus, vai no museu. Chega aqui, não quer entrar dentro de um ônibus, não quer pensar em conhecer os museus da própria cidade. Porque tem uma coisa de que isso lá é uma coisa, isso aqui é outra coisa. Aqui, andar de transporte público é coisa de pobre.</p>
<p><strong>Sim, e a gente não quer ser pobre. </strong></p>
<p>Não, a gente não quer ser pobre. Por exemplo, eu e marido, a gente estava na Suécia, em um restaurante bacana, entraram 3 pedreiros e sentaram na mesa do lado. A gente viu que eles eram pedreiros porque eles usam uma roupa fosforescente, bem chamativa. A gente se entreolhou e começou a rir porque a gente tem pelo menos meia dúzia de amigos brasileiros nossos que, se estivessem sentados aqui, e sentassem três pedreiros do lado eles iriam levantar e ir pra outro restaurante.</p>
<p>Isso é muito típico de brasileiro. O brasileiro de classe média e classe média alta, ele curte essa coisa do lugar que só ele vai, do shopping Cidade Jardim que não tem como entrar se você for de ônibus, você só entra de carro. Ele curte essa coisa dos lugares exclusivos, ele não quer sentar no restaurante olhar pro lado e ter um pedreiro, às vezes ele não quer nem que tenha uma pessoa negra do lado.</p>
<p>Isso é uma coisa que eu vi muito morando lá fora. Aconteceu uma coisa ridícula quando a gente estava na Suécia. Quando a gente estava lá, foi a primeira eleição em que o partido de ultra-direita, nazista, ganhou mais voto. Tinha brasileiro votando no partido nazista, anti-imigração. “Porque é um absurdo esses refugiados vindo da Síria e lotando o sistema de saúde aqui”. E se você fala você também é imigrante, a resposta é “Mas eu sou legalizado”. Se o partido nazista assumir o poder, eles podem muito bem cortar os vistos de vocês. Sueco é louro de olho azul, qualquer coisa diferente disso pode ser mandado embora. Então é essa coisa: eu quero ser diferente, mas eu não sou o Sírio que vem da zona de guerra, tá entendendo?</p>
<p><strong>De qualquer forma, você acha que a esquerda está preparada para mudar essa realidade? </strong></p>
<p>Não.</p>
<p><strong>Porque a nossa geração vai ter que produzir isso de alguma forma, não? </strong></p>
<p>Sim, mas é difícil. O que é viável? É viável a gente ficar falando de comunismo, de socialismo? O que é viável?</p>
<p><strong>Assessor</strong>: a gente tem levado candidatos, a gente vai pras cidades, a gente leva candidatos. Então a gente levou a Mariana Conti pra conhecer o Pupanique em Campinas e saber o que a gente faz. É isso: porque eu sou candidata? Eu sou agente política, respeita. Eu não sou de levantar bandeira e gritar.</p>
<p><strong>Andrea</strong>: eu faço um trabalho que é: esquece Lula, Venezuela, tudo. Olha pra mim, pra mim. Nós somos grupo minoritário, grupo oprimido. A pessoa que tem deficiência tudo pra ela é mais difícil. Até exercer os direitos mais básicos, por isso que a gente fala que é uma minoria. Historicamente, minorias estão na esquerda, este é um dos motivos porque eu fui pro PSOL. Eu estou ensinando o básico do básico pras pessoas.</p>
<p><strong>Assessor</strong>: e mais, a posição política se fortalece sendo propositiva. Então a gente pega um vereador, um deputado e leva pro Pupanique. E lá tem 500,mil mães, com os filhos, pais, brincando, conversando tal. Da última vez, o cara ficou com o olho cheio d’água e falou: é isso que tá faltando. A esquerda tem que estar aqui. A minha resposta foi: é muito mais gostoso pregar pra convertido. É muito mais gostoso sentar numa roda de conversa na USP e falar de diálogos da esquerda e falar só com convertido.</p>
<p><strong>E tem jeito de superar as desigualdades, as diferenças, dos brasileiros poderem se olhar um pros outros? </strong></p>
<p>É educação, e isso é trabalho em longo prazo. O problema é que a gente é um país desigual há muito tempo e as pessoas se acostumaram com isso e a grande verdade é que tem muita gente que não quer ver a diminuição da desigualdade.</p>
<p>O próprio Amoedo não falou que nós somos desiguais e isso é bacana, porque não é bacana ser todo mundo igual. Oi? É justo? Porque eu chego em casa, vejo meu filho com o iPad dele, com as terapias particulares dele, com a escola particular dele, e eu me sinto culpada. Porque eu acabei de sair de uma roda de conversa em que a mulher tentou se matar porque cortaram a luz dela e ela tem filho autista.</p>
<p>E o problema é que as pessoas não se sentem assim. É o que falei na minha live, ou elas se dessensibilizaram pra isso ou elas nunca se importaram com isso!</p>
<p><strong>Então, eu não sei. Porque como usuária do SUS e do IBCC eu vejo muita gente em tratamento. Eu sei que a vida toda eu tive um atendimento em saúde “melhor”. Enquanto lá no Norte e no Nordeste o povo tá morrendo porque não tem mamografia, por exemplo. </strong></p>
<p><strong>Assessor</strong>: não precisa nem ir pra norte/nordeste, você vai pro interior do estado (SP). O Estado é muito desigual. A gente foca muito recurso em SP/capital, porque tem milhões, Campinas, Ribeirão, Sorocaba. Araçatuba não é uma maravilha, Botucatu não é aquelas coisas. Você tem os centros de referência, mas na hora que você vai pros extremos do Estado, o governo só chega na hora que interessa, na hora de fazer a estrada &#8230;</p>
<p>O que me assusta muito é que a gente acha que em SP a coisa é muito diferente do resto do país.</p>
<p><strong>E não é?</strong></p>
<p>Assessor: é aqui, no miolo, no centro expandido, na Capital. A gente foi pra Caraguá&#8230; onde todo mundo passa férias. Não tem infra, nenhuma.</p>
<p><strong>É possível ter empatia e solidariedade com a senhora que não fez reconstrução do peito, e me choca. Eu consigo entender, mesmo sendo estranho. E eu acho que a gente perdeu isso no Brasil. Nós não temos empatia com o negro, tem mulher que não consegue ter empatia com mulher, mãe que não tem empatia com mãe. </strong></p>
<p><strong>Como a gente volta a ser uma roda, a gente vai todo mundo pro Uruguai? </strong></p>
<p>Eu eles me mandam pra Venezuela constantemente [<em>me espanta como Cuba saiu do imaginário reaça, aliás. Descobriram que tem mais saúde e educação que aqui, pessoas?</em>].</p>
<p>O Ricardo Kotscho esteve aqui me entrevistando e ele me contou que o Lula pegou todos os ministros e colocou dentro de um avião e disse “agora vocês vão conhecer o Brasil de verdade”, levou eles pro Nordeste, pra umas casas pobres, periferia de&#8230; diz que os ministros não sabiam nem onde encostar, onde não encostar.</p>
<p>Tem uma analogia com as pessoas com deficiência e desde que eu comecei a trabalhar com isso lá atrás com o blog é muito parecido. É assim: é a pessoa virando o nariz quando vê uma pessoa com Síndrome de Down, é a pessoa fazendo uma careta quando vê uma criança babando numa cadeira de rodas.</p>
<p>Mas essas pessoas, antes, ficavam dentro de casa ou institucionalizadas. Hoje elas vão pra rua. E eu insisto muito com as mães. Por isso que eu fiz o Pupanique, que é o piquenique inclusivo. Levem, deixem os seus filhos causar, fazer barulho, porque eles são cidadãos, eles têm direito ao espaço público também.</p>
<p>E as pessoas não vão se acostumar com o diferente se o diferente não estiver lá. Então a coisa da desigualdade, pra mim é muito parecido. A gente tem que ter um governo que promova a redução da desigualdade, que promova acesso a algumas coisas pra pessoas que são de camadas mais pobres, pra que os outros comecem a lidar com isso.</p>
<p>O pobre na fila do avião vai causar um super estranhamento no início, mas depois é o aceita que dói menos. É exatamente a mesma coisa. Mas a gente precisa que isso venha de cima de uma certa forma, diminuir desigualdade. E eu tô falando isso de economia, de educação, pra que todo mundo tenha acesso a algumas coisas que as pessoas acham que são exclusivas delas, e essas pessoas vão ter que aprender a lidar com o fato de que as coisas mudaram. Eu tenho essa expectativa, agora, que governo vai fazer isso?</p>
<p><a href="https://ladybugbrazil.com/andrea-werner-uma-mae-a-caminho-de-brasilia/39992131_233896497285185_8113918267355211387_n/" rel="attachment wp-att-8733"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8733" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/39992131_233896497285185_8113918267355211387_n-500x500.jpg" alt="Andréa Werner, deputada federal 5024" width="500" height="500" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/39992131_233896497285185_8113918267355211387_n-500x500.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/39992131_233896497285185_8113918267355211387_n-300x300.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/10/39992131_233896497285185_8113918267355211387_n.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p>Foto do destaque: Ana Carina Manta; fotos sem crédito: divulgação (ou roubadas do Instagram da Andréa&#8230;)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Ludmilla Rossi</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/entrevista-ludmilla-rossi/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 May 2018 13:19:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[web/blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmilla Rossi é profissional de marketing e uma empreendedora serial de Santos, SP. Fundadora da Mkt Virtual, é pessoa da internet, com a internet, pela internet. Conheça essa mulher maravilhosa. </p>
<p>O post <a href="https://ladybugbrazil.com/entrevista-ludmilla-rossi/">Entrevista: Ludmilla Rossi</a> apareceu primeiro no <a href="https://ladybugbrazil.com">Ladybug Brasil</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://ladybugbrazil.com/entrevista-ludmilla-rossi/ludmilla-rossi/" rel="attachment wp-att-8717"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8717" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/ludmilla-rossi-500x333.jpg" alt="" width="500" height="333" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/ludmilla-rossi-500x333.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/ludmilla-rossi-300x200.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/ludmilla-rossi-768x512.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/ludmilla-rossi.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a></p>
<p>A <a href="https://www.mktvirtual.com.br/">Mkt Virtual</a> pintou no meu radar por conta de um baralho muito nerd. Há muito tempo atrás, quanto isso aqui ainda era mato (e muito mais divertido), um baralho me levou à Ludmilla Rossi. Uma mulher linda, sempre ruiva, de Santos (SP), que sabe como poucas criar novos negócios.</p>
<p>A Lud é pessoa de fazer. E sempre é muito. Na última newsletter que recebi tinha: <a href="https://www.mktvirtual.com.br/cases/app/alphabeatcancer/">Alpha Beat Cancer</a>, um game para ajudar as crianças a entender como se trata e cura o câncer; a palestra da moça querida no Festival Path no último fim de semana e várias dicas ótimas de leituras, vídeos, fontes.</p>
<p>O melhor – que inclusive compartilhei em grupos e salvei nos repositórios de links – é um artigo no JuicySantos  &#8211;<a href="https://www.juicysantos.com.br/oportunidades/carreira-e-crescimento/entrevista-de-emprego-6-perguntas-para-voce-fazer/"> 6 perguntas para fazer na entrevista de emprego</a> – que mostra como inovação pode ser algo praticado em todos os momentos da vida, com um pouco de inteligência e muita presença.</p>
<p>Esta é Ludmilla Rossi. Uma mulher que luta e vence muitas batalhas. Saiba um pouco mais</p>
<h2>Ludmilla Rossi &#8211; a empresária do bem</h2>
<p><strong>Profissão e idade</strong></p>
<p>CMO e empreendedora serial, 36 anos</p>
<p><strong>Quais são seus projetos mais queridos?</strong></p>
<p>Pergunta difícil, é quase como responder qual dos &#8220;filhos&#8221; é o mais bonito, HAHAHA.</p>
<p>Mas sou apaixonada pelo <a href="https://www.juicysantos.com.br/">Juicy Santos</a>, que foi um site que criei junto com a Flávia Saad, para mostrar o lado bom da cidade em que moro. E se desdobrou em um negócio social (o Juicybazar).</p>
<p>Pela <a href="https://www.mokoto.com.br/">Mokotó Filmes e Histórias</a>, que é uma content house audiovisual onde aprendo diariamene e pela <a href="http://mukutu.com.br/">Mukutu</a>, que me deu bastante alegria esse ano e 2 prêmios internacionais com o Alpha Beat Cancer.</p>
<p>E claro, pela Mkt Virtual que no fundo é quem criou um jardim imenso para todos esses projetos acontecerem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O que você faz na internet?</strong></p>
<p>Escrevo e leio bastante.</p>
<p>E viagens imaginárias o tempo todo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Qual é o seu maior sonho?</strong></p>
<p>Viver com saúde e com total liberdade.</p>
<p>E conhecer 50 países antes dos 50 anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Qual a sua maior decepção?</strong></p>
<p>Ter falhado e decepcionado algumas pessoas.</p>
<p>Não conseguir atender as expectativas que depositam em mim é algo que me decepciona.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Quais as suas redes preferidas e por que?</strong></p>
<p>You Tube e Medium é onde mais me sinto acolhida e faço o que mais gosto: aprender</p>
<p>Instagram e Pinterest adoro também, mas mais na inspiração paralela.</p>
<p>E por incrível que pareça, venho me apaixonando pelo LinkedIn.</p>
<p>P.S.: a Lud, como eu, lutou e venceu contra um câncer. Dá orgulho e comoção ver a pessoa colocar um projeto como o Alpha Beat Cancer &#8211; que recebeu dois prêmios importantes ano passado &#8211; no ar.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Mariana Viktor</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/entrevista-mariana-viktor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 May 2018 13:21:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ladybugbrazil.com/?p=8701</guid>

					<description><![CDATA[<p>Mariana Viktor é coach e jornalista. Uma legítima habitante da internet, ela manda boas vibrações e ótimas práticas para todo canto através do seu trabalho. Vem conhecer</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://ladybugbrazil.com/?attachment_id=8713" rel="attachment wp-att-8713"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8713" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/mariviktor.png" alt="" width="224" height="352" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/mariviktor.png 224w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/mariviktor-191x300.png 191w" sizes="auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px" /></a></p>
<p>Mariana Viktor. A mulher que nunca vi e sempre amei. Para ser mais justa, a gente já se encontrou &#8220;pessoalmente&#8221; pelo Skype. A Mari chegou ao LuluzinhaCamp já há algum tempo. Coach e jornalista, é pessoa ponderada, calma, que trabalha muito e dá ótimos conselhos e dicas que ajudam todas nós a viver melhor.</p>
<p>Mari mantém, já há um tempo, o <a href="http://www.coachderelacionamento.com.br/">Coach de Relacionamento</a>, projeto que toca com o Marco. Além dos certificados de coach, a pessoa também é estudada nos Florais de Bach e manda muito bem (me salvou com uma receita pra encarar a menopausa, preciso declarar).</p>
<p>E agora ela tem mais um projeto lindo que sei que vocês vão curtir. Então leiam.</p>
<h2>Mariana Viktor</h2>
<p><strong>Profissão e idade</strong></p>
<p>Coach de relacionamento, psicoterapeuta, pós-graduanda em Psicologia Transpessoal</p>
<p><strong>Quais são seus projetos mais queridos?</strong></p>
<p>Sinto uma paixão imensa pelo que faço, mas em paralelo havia uma angústia constante de fundo por ver a situação de vida da maioria dos brasileiros, que são justamente aqueles que mais precisam e que não podem pagar por um processo de crescimento pessoal e profissional.</p>
<p>E agora esse sonho se tornou realidade: mais de 50 coaches, eu nessa, se uniram pra criar o <a href="http://coachingvoluntario.com.br/">Projeto Voar de Coaching Voluntário</a>, um portal exclusivo para pessoas de baixa renda acompanharem gratuitamente as vídeo-aulas em várias áreas: financeira, vocacional, de relacionamentos, de empoderamento, e de emagrecimento saudável. Estamos muito felizes!</p>
<p><strong>O que você faz na internet?</strong></p>
<p>Trabalho online, assisto filmes e documentários, leio, pesquiso. E sempre que dá acompanho algum curso bacana &#8211; sou viciada em estudar.</p>
<p><strong>Qual é o seu maior sonho?</strong> (podem ser vários)</p>
<p>Gostaria de conhecer outras culturas, morar um pouco em cada lugar do mundo. Mas com tantos filhos peludos (cães e gatos), a real é que não consigo passar nem uma única noite fora de casa <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f600.png" alt="😀" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p><strong>Qual a sua maior decepção?</strong></p>
<p>Como boa ariana com ascendente em sagitário, já tive incontáveis decepções, daria pra fazer listinha em muros e muros de lamentação rs. Mas, hoje, em vez de sair me decepcionando por impulso (e me enchendo de adrenalina e cortisol), procuro olhar o todo envolvido numa situação. Pondero, vejo o que dá e o que quero fazer diante do fato, e ajo (ou fico quieta), de boa. Meu olhar está mais compassivo e compreensivo.</p>
<p>Mas uma indignação difícil de levar tão de boa é o que meia-dúzia anda fazendo com o país, descaradamente.</p>
<p><strong>Quais as suas redes preferidas e por que?</strong></p>
<p>Não tenho preferências, na real me inquieta ver pessoas que não largam os celulares nem mesmo quando estão dormindo, tomando banho, com os amigos ou fazendo refeições. Comem com uma das mãos, digitam com a outra. É um transe coletivo assustador. Sou muito old nisso <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f600.png" alt="😀" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Adriana Martins</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/entrevista-adriana-martins/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 May 2018 12:58:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adriana Martins também atende por Drica. Dona da Drica Viagens ela ajuda centenas de pessoas a fazer a melhor viagem de suas vidas. Saiba mais sobre essa mulher. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://ladybugbrazil.com/?attachment_id=8704" rel="attachment wp-att-8704"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8704" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/Drica-Martins_NY-375x500.jpg" alt="Adriana Martins" width="375" height="500" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/Drica-Martins_NY-375x500.jpg 375w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/Drica-Martins_NY-225x300.jpg 225w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/Drica-Martins_NY-768x1024.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px" /></a></p>
<p>O nome é Adriana Martins, mas ela atende (rápido) por Drica Viagens. Grude aqui que você vai conhecer a melhor agente de turismo da internet brasileira. A Drica sabe qual é o melhor cartão para você carregar de dólares; como resolver tudo para você ter a melhor viagem, seja a negócios ou a passeio.</p>
<p>Adriana foi mais um presentão que ganhei da internet. <a href="https://www.luluzinhacamp.com/como-dona-alba-descobriu-e-venceu-o-cancer-de-mama/#.WvoR1SDQ-Uk">Filha de dona Alba</a>, que também é sobrevivente de um câncer de mama, a Drica é solidária, flamenguista, adora falar de futebol e de cerveja. Quis o destino que a carioca e a paulistana se amassem. Mesmo que eu não goste muito de futebol, temos outras paixões em comum.</p>
<p>Não sei direito como ou quando o amor e o respeito pela Drica nasceram. Sei, sim, que eles existem &#8211; e sempre que preciso de sua ajuda, seja profissional ou pessoal, ela me empresta sua presença forte.</p>
<p>Conheça mais uma mulher lutadora e empreendedora.</p>
<h2>Adriana Martins</h2>
<p><strong>Profissão e idade:</strong> empresária no ramo de agência de viagem, 44 anos</p>
<p><strong>Quais são seus projetos mais queridos?</strong></p>
<p>Minha filha é o meu mais importante projeto, desejada e planejada, cuidada com todo amor do mundo para se tornar uma pessoa consciente e justa. Minha empresa, a <a href="http://dricaviagens.rio/">Drica Viagens</a>, que é quase como uma filha, onde desde 2010 eu ajudo pessoas a realizarem sonhos de viagem para os mais diversos lugares do mundo.</p>
<p><strong>O que você faz na internet?</strong></p>
<p>Eu trabalho, muito&#8230; meu trabalho depende da internet, então passo muitas horas por dia conectada. Mas também jogo, leio, passo o tempo conversando com gente querida e vejo muitos filmes.</p>
<p><strong>Qual é o seu maior sonho?</strong> (podem ser vários)</p>
<p>Meu maior sonho é crescer profissionalmente. É fazer as pessoas entenderem que um agente de viagens é mais que a pessoa que vende passagem. Mostrar que um agente de viagem pode ser um fator economizador, e não o contrário, como a maioria das pessoas pensa.</p>
<p>Mas também sonho em passar um tempo fora do país, pois como trabalho de forma remota, não há a necessidade do atendimento presencial. Quero mostrar a minha filha as belezas de cidades que eu amo, mas mergulhadas na vida cotidiana, e não como turistas.</p>
<p><strong>Qual a sua maior decepção?</strong></p>
<p>Minha maior decepção é quando um cliente em potencial me pede para montar uma cotação com muitas cidades e deslocamentos, um trabalho de muitas horas de dedicação e no final ele diz que levou o que eu fiz para a concorrência e comprou lá pra economizar umas migalhas&#8230;</p>
<p><strong>Quais as suas redes preferidas e por que?</strong></p>
<p>Twitter é disparado minha rede social favorita! É onde eu falo sozinha sem me preocupar e as vezes ate rola uma interação legal.</p>
<p>Whatsapp eu curto bastante, pois consigo conversar com amigos que eu não tenho oportunidade de ver sempre.</p>
<p>E agora estou usando mais o Instagram, muito mais para a empresa, para divulgar o meu trabalho, mas estou gostando.</p>
<h2>Os links da Drica</h2>
<p><a href="http://dricaviagens.rio/" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?hl=en&amp;q=http://dricaviagens.rio&amp;source=gmail&amp;ust=1526418052351000&amp;usg=AFQjCNFBeFxrRLVPCoFmIfR1G4YoOr_meg">http://dricaviagens.rio</a></p>
<p>@dricaviagens (twitter e Instagram)</p>
<p><a href="http://facebook.com/dricaviagens" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?hl=en&amp;q=http://facebook.com/dricaviagens&amp;source=gmail&amp;ust=1526418052351000&amp;usg=AFQjCNHeS6bQGMEMm9UC-hGY1-U13Ukqyw">http://facebook.com/dricaviagens</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Alice Salvo Sosnowski</title>
		<link>https://ladybugbrazil.com/entrevista-alice-salvo-sosnowski/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucia Freitas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 May 2018 13:13:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alice Salvo Sosnowski é jornalista, empreendedora, mãe. Uma mulher que faz muito, o tempo inteiro, para transformar seus mundos - o digital e o Brasil. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://ladybugbrazil.com/?attachment_id=8698" rel="attachment wp-att-8698"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-8698" src="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/alice_salvo_sosnowski_div-500x498.jpg" alt="Alice Salvo Sosnowski" width="500" height="498" srcset="https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/alice_salvo_sosnowski_div-500x498.jpg 500w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/alice_salvo_sosnowski_div-300x300.jpg 300w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/alice_salvo_sosnowski_div-768x764.jpg 768w, https://ladybugbrazil.com/wp-content/uploads/2018/05/alice_salvo_sosnowski_div.jpg 868w" sizes="auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a>O sorriso de Alice é uma marca na memória afetiva de quem a conhece. Alice Salvo Sosnowski eu conheci, claro, no LuluzinhaCamp. E vi essa moça casar, ter filha, emprender, mudar a vida.</p>
<p>Semana passada recebi uma linda notícia: a Alice vai lançar seu livro Empreendedorismo para Leigos, na próxima terça, dia 15 de maio (serviço lá embaixo). Pode esperar um ótimo livro, cheio de boas dicas e informação bem apurada.</p>
<p>Enquanto a terça não chega, conheça melhor essa mulher que faz do Brasil e da internet lugares um pouco melhores.</p>
<h2>Alice Salvo Sosnowski</h2>
<p><strong>Profissão e idade:</strong> Alice Salvo Sosnowski, jornalista, empreendedora, mãe, 41 anos</p>
<p><strong>Quais são seus projetos mais queridos?</strong></p>
<p>O melhor deles é minha filha, Luana, de 10 anos. O mais desafiador e o que gera mais felicidade! Outro é O Pulo do Gato, um blog que comecei em 2009 para escrever sobre empreendedorismo e inovação e que virou uma metodologia de educação empreendedora e uma filosofia de vida e negócios que aplico tanto na minha empresa como nas mentorias que dou. E agora, o mais recente, é o projeto de dar aulas na PUC, que tem me ocupado bastante tempo, mas tem sido muito recompensador. Ensinar é uma arte que precisa ser levada com dedicação. Mas o feedback dos alunos é imediato e isso me deixa muito entusiasmada.</p>
<p><strong>O que você faz na internet?</strong></p>
<p>trabalho muito! rsrs mas também pesquiso, leio, navego, compro, converso, aprendo. só não jogo, porque não curto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Qual é o seu maior sonho?</strong> (podem ser vários)</p>
<p>São tantos. Quero ter uma vida mais tranquila, poder escrever mais, ter mais espaço para refletir, filosofar sem sofrer a pressão do tempo e das obrigações do dia a dia. Ainda estou numa fase de muita ralação, tanto profissional como pessoal e isso exige esforço. Mas acredito que para construir algo, é preciso amassar o barro, empilhar tijolos. Então, tenho que arregaçar a manga mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Qual a sua maior decepção?</strong></p>
<p>Ichh. Atualmente, é o Brasil. Sou uma pessoa bem otimista e acho que a mudança é a gente que faz. Não precisa esperar chefe, o pai ou a mãe ou mesmo o governo. Mas as notcias desse país nos deprimem, não é?! A ganância desmedida e a falta de compaixão pelo próximo chega a doer. Até hoje não me conformei com a execução da Marielle Franco. Uma pessoa que estava fazendo tanto e foi interrompida brutalmente. Quantas baixas teremos que sofrer para mudar algo nesse país?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Quais as suas redes preferidas e por que?</strong></p>
<p>Na internet são as redes mais comuns: Facebook, Instagram, Whatsapp. Minha filha quis me apresentar outras, mas parei por aí. kkkk Gosto das redes presenciais, do encontro de amigos, de primos, de irmãs, de desconhecidos. Participo ativamente da <a href="http://redemulherempreendedora.com.br/">Rede Mulher Empreendedora</a> e me alimento com a história de tantas mulheres incríveis. Tenho procurado também participar cada vez mais de grupos de espiritualidade e autoconhecimento. Entrei recentemente num grupo do Sagrado Feminino. Fazemos encontros presenciais e trocamos mensagens pelo whatsapp. É uma delícia!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alice Salvo Sosnowski</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.opulodogato.org/">http://www.opulodogato.org/</a></p>
<p><a href="http://cinetica.ag/">http://cinetica.ag/</a></p>
<p><a href="https://www.linkedin.com/in/alicesosnowski/">https://www.linkedin.com/in/alicesosnowski/</a></p>
<p>Foto: arquivo pessoal</p>
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