<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533</id><updated>2022-08-18T10:10:27.313-07:00</updated><title type='text'>Le Cul du Tabou</title><subtitle type='html'>&quot;Tudo começou há algum tempo atrás na Ilha do Sol...&quot; &#xa;&#xa;Era uma vez dois grandes amigos que resolveram, em pleno sol de Ipanema, criar um livro de contos. Ocorre que a cerveja era tanta que o nome do livro se esvaiu...Mas, graças à Nossa Senhora dos Bons Feriados, os amigos resolveram retomar a empreitada... Ainda desmemoriados, decidiram criar esse blog, com o objetivo de discorrer sobre temas polêmicos, histórias engraçadas e outras curiosidades...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>263</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-7149941869009469608</id><published>2018-06-25T20:12:00.001-07:00</published><updated>2018-06-25T20:13:23.824-07:00</updated><title type='text'>O EREMITA E SUAS EPIFANIAS</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://1.bp.blogspot.com/-478V-41P9R4/WzGu9AQECeI/AAAAAAAACU8/bTuVh-fZoakdcJOkb8i0D5LamFqnRqeFwCEwYBhgL/s1600/Unknown.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;298&quot; data-original-width=&quot;169&quot; src=&quot;https://1.bp.blogspot.com/-478V-41P9R4/WzGu9AQECeI/AAAAAAAACU8/bTuVh-fZoakdcJOkb8i0D5LamFqnRqeFwCEwYBhgL/s1600/Unknown.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;O Caboclo Sete Flechas foi a primeira entidade da Umbanda com quem me consultei. Há quase vinte anos, naquela casa estranha da Dona Jamile, a primeira mãe-de-santo que conheci. Com suas roupas brancas meio esfarrapadas, feitas com rendas sintéticas, usando aquele turbante estranho, “meio” árabe, ela dava passagem ao Caboclo Sete Flechas, com sua linguagem torta, seu palavreado que não era indígena, não era africano, nem português. Era, talvez, um tipo de “umbandês” que muitas vezes necessita de intérpretes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;“Quando ele vem, lá do Oriente, ele vem com ordens de Oxalá, sua missão é muito nobre, espalhar a caridade e a seus filhos ajudar. Eu saravo Papai Xangô, Kaô, eu saravo Papai Oxalá, eu saravo Seu Sete Flechas ele é o nosso rei e o chefe desse kazuá”.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Assim ele chegou naquela noite de sexta-feira. A filha de Dona Jamile fez a preleção do evangelho (que era a bíblia, na verdade) e, de repente, Sete Flechas estalava os dedos, para que ela parasse de ler. Lá estava a lição da noite, a sabedoria revelada através da bíblia, por um caboclo da Umbanda que usava turbante.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;E lá aprendi, pela primeira vez, a saudar uma entidade, batendo os punhos com os dele. Sete Flechas me disse que eu havia sido um eremita em várias vidas e que, nessas várias, eu largava a missão de curador e saía andando pelo mundo, procurando algo a mais, algo diferente. Até hoje não sei como isso acontece, mas aconteceu aquele dia: o caboclo leu a minha alma. E-r-e-m-i-ta. Era assim que eu me sentia. Secretamente, era assim que eu me denominava. Era desse modo que eu me via. Sem parada. Sem casa. Sem rumo. E ele disse que, por ter largado tantas vezes a missão de curador que eu passava por tantas dificuldades naquele momento, para terminar meus estudos. Mesmo que fosse metáfora ou fantasia, essa explicação serviu como um bálsamo para aquele peso que eu sentia. Ele me ofereceu uma explicação para a minha infelicidade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Sete Flechas terminava sempre a consulta perguntando: “Que quere yo, fio meu?”, que queria dizer “O que mais você quer de mim, meu filho?” e eu sempre respondia que não queria mais nada, e só queria agradecer. E ele partiu, dizendo que ia me ajudar. De fato, me ajudou muito. Hoje estou aqui, mais de vinte anos depois, vivo, formado, mestre, doutor, professor, muitas páginas de currículo, muitos diplomas. Mais que isso: sinto-me cada dia mais feliz e mais realizado. Mas isso não significa que não me sinta insatisfeito. Parece que essa insatisfação não acaba nunca. Não pensem que a minha insatisfação é de ganância, cobiça, esse afã tão comum entre colegas de profissão, essa avidez por acumular riquezas. Nada disso. É minha alma que permanece inquieta mesmo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Não é à toa que, ao concluir o mestrado, queria colocar na tese uma citação do Nietsche que não fosse pessimista. E eu encontrei:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.Onde leva? Não perguntes, segue-o!”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Também ao concluir o texto do meu doutorado, uma música da aula de religião do meu tempo de ginásio, chamada “Caminheiro” não saía da minha cabeça:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;“Perdido, confuso, vazio, sozinho na estrada, tentando encontrar um caminho que seja o meu, não importa se é duro, terei que buscar. Caminheiro, você sabe, não existe caminho. Passo a passo, pouco a pouco e o caminho se faz.”&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Sou eremita mesmo. Há uma solidão no meu caminhar, há uma necessidade de continuar sempre andando, que jamais se esgota. A citação do filósofo, a música da aula de religião, as palavras do caboclo. Tudo se traduz numa necessidade de caminhar em busca de algo que eu não sei – ou não sabia - exatamente o que é. Até mesmo outras frases e canções que falem desse caminhar incessante me prendem, me capturam. Sou pego pelo arquétipo do eremita, do andarilho solitário.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;I still haven’t found what I’m looking for. Eu ainda não encontrei o que estou procurando. Cantam Cher ou Bono para mim.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Hoje, durante uma conversa com um amigo, essas memórias vieram à tona. Conversando sobre o Candomblé, sobre essa minha caminhada pela espiritualidade, ele “acordou” a minha memória. Ele chamou a minha atenção para o fato de que as minhas necessidades de busca, de curiosidade, de ímpetos, são lampejos, folguedos e explosões da minha memória ancestral. Depois de nossa conversa, fiz uma reflexão sobre essa longa caminhada nessa vida terrena. Brinquei, meio que falando sério, que devo ter saído da África muitas encarnações atrás, talvez arrancado, talvez fugido. Andei por tantos caminhos, embranqueci, diluí meu sangue negro por diversas vidas e trilhas. E de repente, eu me deparo com as religiões afro-brasileiras. Eu me lembro como se fosse hoje o primeiro dia que ouvi o som do atabaque no terreiro de Dona Jamile. Sem nenhum medo e com uma sensação de familiaridade inexplicável. Naquele momento eu pude entender tudo, ou quase tudo. Lembro de dizer para mim mesmo: “é aqui que eu quero ficar”. Esse “aqui” que não era aquele lugar, mas aquele lugar dentro de mim onde o som dos atabaques ecoava a minha própria alma.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Agora, emocionado enquanto transformo esses pensamentos em frases, sou capaz de enxergar, de me sentir acordado, como Paulo dizendo aos Coríntios: “estou acordado e todos dormem”. Estou acordado, estou vivo, estou são. É no Candomblé que me reconecto a minha ancestralidade, é pisando no chão de um terreiro, descalço, ao som dos atabaques, que ativo essa memória e me sinto vivo, eterno, imortal. Eterno e imortal como alma. Eterno e imortal como as memórias de todas as vidas vividas, minhas e de meus ancestrais. É “virado” em meu Orixá, que refaço os caminhos dessa ancestralidade, que reavivo cada sensação já vivida, guardada nesse pequeno cofre de memórias eternas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Eu ainda não sei se eu me encontrei. Eu nem sei se esse encontro é definitivo ou se devo continuar andando pelo mundo, encontrando coisas e pessoas que reativam essa memória, que acordam minha pele, meu corpo, minhas células para a eternidade de uma vida sem vim, uma vida em espírito.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;Hoje, numa madrugada de segunda para terça, na transição dos domínios de Exu e de Ogun, orixás que regulam os nossos caminhos, das encruzilhadas às estradas, escrevo, desabafo, me tranquilizo ao poder compreender que tudo o que sinto e vivo é apenas caminho, caminhar, estrada, trilha. Todo esse barulho da minha alma, da minha cabeça e do meu coração é apenas o barulho dos meus passos. Não sei para onde vou, não sei exatamente como caminharei. Tenho apenas a certeza de que devo continuar, porque Xangô e Oxum me levam, porque eles sabem o que eu ainda não sei, porque não foi revelado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/7149941869009469608/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=7149941869009469608' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/7149941869009469608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/7149941869009469608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2018/06/o-eremita-e-suas-epifanias.html' title='O EREMITA E SUAS EPIFANIAS'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://1.bp.blogspot.com/-478V-41P9R4/WzGu9AQECeI/AAAAAAAACU8/bTuVh-fZoakdcJOkb8i0D5LamFqnRqeFwCEwYBhgL/s72-c/Unknown.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-7168246553250223480</id><published>2018-06-15T04:12:00.000-07:00</published><updated>2018-06-15T04:12:02.557-07:00</updated><title type='text'>ESPELHOS, PARA QUE TÊ-LOS?</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-KyqEfB1NhmE/WyOe-EXS_NI/AAAAAAAACUk/7mMbWtbaI-M8nkcE_iJdmFUtgcaUdL2FgCLcBGAs/s1600/Unknown.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;225&quot; data-original-width=&quot;225&quot; src=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-KyqEfB1NhmE/WyOe-EXS_NI/AAAAAAAACUk/7mMbWtbaI-M8nkcE_iJdmFUtgcaUdL2FgCLcBGAs/s1600/Unknown.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Nesses últimos dias, eu tenho pensado muito em espelhos. Cenas do passado, histórias sobre espelhos, mitos, preceitos religiosos. Até zapeando pelas fotos arquivadas em meu telefone celular, fico reparando no tanto de fotos que tenho fazendo poses, eróticas ou não, ao espelho.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Esse deleite pelo espelho, diga-se, pela minha imagem nele refletida, tem sua razão de ser. Houve um tempo, num passado bem remoto, que eu fugia dele. Eu fugia de olhar-me ao espelho porque não gostava do que via. Primeiro por não gostar de mim, por me achar feio, por sentir-me uma cópia do meu genitor-rejeitador. Sentia raiva das pessoas que me chamavam pelo diminutivo de seu nome e sentia raiva de mim mesmo por ser uma cópia rejeitada dele. Também não me era possível gostar daquela imagem que colegas de escola e familiares caçoavam por ser gordo, por não saber andar descalço no barro ou no asfalto, por ter tetas grandes, por não ter coragem de tirar a camiseta na praia, do futebol forçado, suando de calor e dizendo que estava tudo bem. Talvez por último, por sentir medo de olhar para o espelho e enxergar-me gay.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Da adolescência e dos espelhos, guardo arriscadas e anedóticas incursões pela sexualidade.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Lá pelos onze anos de idade, grandão que eu era, já estava apto a ficar sozinho em casa. Adorava quando minha mãe saía e podia bater sossegado as minhas punhetas, testando sensações diversas, fosse colocando pasta de dente no pinto ou sugando o pau punheteiro recém descoberto com o sugador de leite abandonado no armário do banheiro. Adorava observar como o pênis se deformava naquela bomba de vidro e nela acabava gozando, lambuzando toda aquela bomba. É engraçado como a “viadagem” mora dentro da gente, mesmo antes de sabermos que ela nos habita: anos depois, visitando sex shops nos arredores gays de Nova Iorque, me deparo com aquelas bombas de sucção peniana.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Outras vezes me deliciava colocando roupas da minha mãe, como um maiô verde bandeira ou uma saída de banho amarela. Passava blush e batom, me divertia escondendo as bolas e pau por entre as pernas, subia no bidê e ficava dançando, diante do espelho, como uma Chacrete. Um dia, no auge da minha performance, a campainha toca. Quase despenco do bidê, saio correndo a esconder aquelas roupas e a arrancar as maquiagens. Abro a porta para minha tia e meus primos e, defensivamente, pela paranoia de ser flagrado ainda maquiado, digo que brincava de índio. Nunca soube se perceberam ou se acreditaram.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Véspera de Santo Antonio na mesma época. Preparávamos quitutes para a festa junina na cozinha do sobrado. Era uma época que eu era super afeito aos livros de simpatias, e resolvi seguir uma delas. Perto da meia-noite, subo correndo ao quarto da minha irmã, que tinha um espelho grande na porta do armário. Quarto escuro, vela na mão e de frente para o espelho: assim era a simpatia para saber com quem iria me casar. De repente, tudo escurece a minha volta e surge o contorno de uma pessoa no espelho. Saio correndo e chego à cozinha pálido, assustado. Anos depois, meu primeiro namorado suspeita, quando lhe conto essa história, que o que me assustou foi ver uma silhueta masculina naquele espelho. E até que faz sentido.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Quando nos iniciamos no Candomblé, somos proibidos de olhar ao espelho por um longo período. Alguns anos se passaram e sou um pouco mais capaz de refletir sobre alguns interditos existentes na religião e penso que essa questão do espelho parece muito mais um pensamento colonizado, “emprestado” da magia e da feitiçaria medieval europeia do que realmente um preceito trazido da África. Até porque não existiam espelhos na África. Enquanto escrevia, fiquei pensando sobre isso e cheguei a conversar com um “mais velho” do Candomblé, que concordou com minha opinião. Não existiam espelhos, mas o Abebê que as senhoras yabás empunham em suas maravilhosas danças, era feito de metal polido, que refletia imagens.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;De todo modo, o interdito do espelho permanece ainda em muitas casas de Candomblé. Algumas pessoas me disseram que isso se deve ao fato de que os espelhos são portais místicos que podem atrair energias ruins para aquele iniciado que está muito sensível. Mas eu penso que faz mais sentido pensar que, nesse período de resguardo estamos passando, por um luto de nós mesmos, da pessoa que éramos antes de nascermos para o orixá. Olhar para o espelho pode assustar, tanto por esse antigo ser que está indo embora quanto pelo novo que ainda desconhecemos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Eu me lembro que, durante o período em que estava recolhido para a iniciação, da sensação de estranheza que eu tinha em não ver nunca o meu rosto. Ficava imaginando como estariam minhas feições, minha cabeça raspada, eu com a cara lisa após tanto tempo usando barba. Certa noite me assustei ao deparar com um reflexo deformado de mim mesmo numa face metálica lisa do adereço de um orixá. E lembro quando me olhei ao espelho pela primeira vez após esse período. Eu tinha a mesma cara de antes, mas me enxergava modificado. Modificado de um jeito tal que sentia que era a primeira vez que me sentia inteiro. Eu uno, com meu orixá, com minha devoção, liso, cara limpa, sem pelos no corpo, roupas simples, dormindo numa esteira, num chão frio. Em meu pequeno diário de “bordo”, deixei essa pergunta que pairava em minha mente: “Quem serei eu após essa feitura?”&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;A imagem do espelho me fez pensar também na música “Índios”, do Legião Urbana: “nos deram espelhos, vivemos num mundo doente”. E fiquei pensando que, se não existiam espelhos na África e se os espelhos foram dados às orixás como símbolos da vaidade feminina, mesmo que possuam a conotação símbólica de olharmos para nós mesmos, será que precisamos mesmo deles? Sim, precisamos. Seja ele feito de lâminas de plástico dos supermercados populares, do metal polido das yabás, do reflexo produzido nas águas de mares e rios ou do cristal europeu mais caro e elegante, o espelho vai conter sempre essa dualidade, a possibilidade de enxergar-se e a possibilidade admirar-se, exageradamente ou não.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Narciso acha feio o que não é espelho, disse Caetano. Narciso, extasiado com a própria beleza, mergulha nas profundezas do rio em busca de sua própria imagem e se afoga. A narcísica selfie, o espelho contemporâneo, aprisiona a quase todos. Fazer uma selfie, produzir-se em roupas e locais para mostrar-se a si e para si mesmo, mas também aos outros o quanto se é lindo e admirável, um espelho que aprisiona almas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-bottom: 6px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Devo confessar que eu me perdi nesse labirinto de imagens que comecei a trilhar. Escrevendo, pensando, refletindo sobre o espelho, me distanciei de uma ideia inicial da qual nem me lembro mais, mas que foi o ponto de partida para traçar essas linhas. Talvez seja para poder lembrar sempre que os espelhos não são fidedignos e podem ser traiçoeiros. Espelhos de lojas, espelhos de cabeleireiros, são feitos deformados para tornarem ou fazerem com que as pessoas se sintam mais bonitas. Espelhos são usados em ambientes públicos e privados para criar a ilusão de ambientes maiores. Espelhos em motéis podem esconder câmeras de segurança e pode ter alguém lá, assistindo a sua performance erótica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;caret-color: rgb(29, 33, 41); color: #1d2129; display: inline; font-family: system-ui, -apple-system, BlinkMacSystemFont, &amp;quot;.SFNSText-Regular&amp;quot;, sans-serif; font-size: 14px; margin-top: 6px;&quot;&gt;Verdade ou vaidade? Nunca saberemos.&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/7168246553250223480/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=7168246553250223480' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/7168246553250223480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/7168246553250223480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2018/06/espelhos-para-que-te-los.html' title='ESPELHOS, PARA QUE TÊ-LOS?'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://4.bp.blogspot.com/-KyqEfB1NhmE/WyOe-EXS_NI/AAAAAAAACUk/7mMbWtbaI-M8nkcE_iJdmFUtgcaUdL2FgCLcBGAs/s72-c/Unknown.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-5896403328008038598</id><published>2018-06-15T04:07:00.000-07:00</published><updated>2018-06-15T04:07:13.106-07:00</updated><title type='text'>O SAGRADO EM MIM</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://3.bp.blogspot.com/-Nsu1M5IzZ1M/WyOd1oOYnhI/AAAAAAAACUU/jqSQpEMGHu88cywjWirX3MKSXzm3itxaQCLcBGAs/s1600/xango%25CC%2582.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1600&quot; data-original-width=&quot;1544&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://3.bp.blogspot.com/-Nsu1M5IzZ1M/WyOd1oOYnhI/AAAAAAAACUU/jqSQpEMGHu88cywjWirX3MKSXzm3itxaQCLcBGAs/s320/xango%25CC%2582.jpg&quot; width=&quot;308&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Eu sempre senti necessidade de buscar e vivenciar as coisas espirituais. Na infância, após a passagem de minha avó Izolina, eu me lembro de ficar tempos enormes fitando aquela enorme estrela no céu, imaginando que poderes infinitos vinham de lá e que eu era abastecido de suas energias. Era lá, naquela estrela distante, que morava um tipo de Deus que via tudo, sabia de tudo e atendia nossos pedidos. Em meu coração de menino saudoso daquela avó recém partida, sentia que eu a encontrava lá.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Meu avô Armando, enquanto morou comigo, possuía o hábito de ler o evangelho e rezar todas as noites, com a foto de minha avó ao lado de seus livros. Eu rezava com ele e me sentia extremamente seguro e protegido ao lado dele. Era como se ele próprio, com sua barba branca e seu jeito paciente, fosse meu anjo, meu deus.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Mesmo minha mãe, com seu equivocado catolicismo recheado de hipocrisias e incoerências, tentou, devo reconhecer, me aproximar de Deus. Comprava os livrinhos católicos com as orações para a noite, me levava na missa aos domingos e quase conseguiu me conduzir para a tal da crisma, mas eu fugi a tempo de cometer tal desperdício. Da fé católica eu preservo o amor ao Frei Orestes que me batizou e uma enorme&amp;nbsp;&amp;nbsp;admiração pelos monges beneditinos. Ainda frequento igrejas e as vejo como um templo sagrado, bastante propício a rezar quando necessário. Na minha conexão com o Candomblé, aprendi a conhecer e a admirar os segredos das tradições africanas escondidos nas igrejas, sobretudo na Bahia.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Minha tia Lilian, que também é minha madrinha, soube realmente exercer a função que é delegada a madrinhas e padrinhos: ela cuidou de mim, em vários aspectos, mas principalmente da minha espiritualidade. Ela, em silêncio e discretamente, nutriu em mim o gosto pelas coisas espirituais e por muitos anos me ensinou e me deu acesso a diversos ensinamentos, me presenteando com livros e fitas cassete de assuntos esotéricos. A cada tarô que minha mãe obrigava a me desfazer, tia Lilian comprava um novo para mim.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Num dado momento do meu processo de iniciação, pude acessar uma memória ancestral e me reconectar ao meu bisavô Luís e verificar que meu elo de ligação com o Candomblé e com as raízes africanas vinha pelas suas mãos espirituais. Era curioso como minha mãe se referia a ele como “macumbeiro” e “uma pessoa má”, alegando que ele teria feito magia para que meus avós não se casassem.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Quando meu avô Armando faleceu, me afastei de sua esposa, seus filhos e netos. Anos mais tarde, pude refletir o quanto ela gostava de mim, o quanto me acolheu como um verdadeiro neto e o quanto essas pessoas fizeram parte da minha vida de uma forma boa, afetiva. Resolvi encontra-los e fui recebido tão afetuosamente que me arrependi por ter me distanciado um dia. Mas a surpresa maior foi perceber que muitos deles possuíam ligações com os cultos afro-brasileiros e isso me trouxe uma sensação de pertença muito maior do que eu possuía com outras pessoas da minha família.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Ser gay e “macumbeiro” sempre pareceram coisas estranhas, caminhos desviantes de uma rota familiar. Por um momento pareciam “escolhas” para me diferenciar dessa origem familiar com a qual eu não me identificava. Mas a coisa é bem mais profunda. Porque do mesmo modo que ser gay não é uma escolha - porque a escolha não consiste em “ser”, mas assumir-se ou não, viver desejos e experiências em consonância com a sua natureza ou não -&amp;nbsp;&amp;nbsp;vejo da mesma forma a presença do Candomblé em minha vida: eu não escolhi e nem fui escolhido, porque esse ser escolhido também deixa esse rastro colonizado de ser “eleito”, à moda tão atual dos cristãos. Tratam-se de encontros. Encontros com a nossa verdadeira natureza e destino.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Após a minha iniciação no Candomblé, meus pensamentos se voltaram muito para o conhecimento da minha ancestralidade e essa sensação de “outsider” se dissipou. Cada pegada “afro” que encontro pelo caminho vai constituindo um mapa da minha espiritualidade, da minha conexão com o meu passado primordial e vai edificando células de completude da minha alma. Eu queria muito poder encontrar, no passo dessas pegadas, o ancestral negro que foi deixando essa herança espiritual através de gerações, chegando até mim e que posteriormente será continuada nos que estão chegando depois de mim. Minha mãe de santo, em nosso primeiro encontro para o jogo de búzios, disse: “Tem um negão aí dentro”, e eu sabia que era verdade. Sim, é verdade que existe esse negão, meu pai, meu rei Xangô que me habita e se expande a tal ponto que me transformo nele. Eu viro no “santo”. Eu viro no orixá. Não só no transe, mas na vida, eu viro esse orixá que mora dentro de mim. Ele contém, abarca, mantém a força, a potência dessa ancestralidade. Ele é um DNA vivo. E eu não sou apenas seu instrumento. Eu sou a continuidade, o continuum, a perpetuação dessa corrente de ancestralidade, desse fio interminável de seres e energias.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;font-family: Calibri, sans-serif; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: #353535; font-family: AppleSystemUIFont;&quot;&gt;Essa grandiosa pertença, como já disse em algum texto anterior, não me torna melhor que ninguém, mais evoluído, mais sábio para o outro. Ela me faz ter força para seguir o meu caminho e faz com que eu me sinta melhor, comigo mesmo, mais inteiro, mais completo. Eu acumulo conhecimentos, como os seixos rolados que catava em rios e ruas de terra na infância, como as conchas do mar que encontrei na areia. Talvez eu desenvolva e acumule sabedoria através desses conhecimentos e experiências. Talvez cada dia que passe eu ame mais a vida e me sinta mais fortalecido para driblar os obstáculos. Talvez todo esse caminhar possa servir para ajudar algumas pessoas, ensinando passos e descaminhos por onde eu já tenha andado. Digo “talvez” porque é talvez mesmo. Porque tenho poucas certezas nessa vida. Cada vez menos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/5896403328008038598/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=5896403328008038598' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5896403328008038598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5896403328008038598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2018/06/o-sagrado-em-mim.html' title='O SAGRADO EM MIM'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://3.bp.blogspot.com/-Nsu1M5IzZ1M/WyOd1oOYnhI/AAAAAAAACUU/jqSQpEMGHu88cywjWirX3MKSXzm3itxaQCLcBGAs/s72-c/xango%25CC%2582.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-6383401155525935805</id><published>2018-04-21T07:56:00.002-07:00</published><updated>2018-04-21T07:58:52.401-07:00</updated><title type='text'>XANGÔ, O REI QUE VIVE DENTRO DE MIM.</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://3.bp.blogspot.com/-8QJqfuJ4pDM/WttQ_kMUnBI/AAAAAAAACUE/F1orgpXgrdsZbEaPubKVDCOxuayIuAdugCLcBGAs/s1600/orac%25CC%25A7a%25CC%2583o-a-xango%25CC%2582.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;background-color: transparent; margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;233&quot; data-original-width=&quot;520&quot; height=&quot;142&quot; src=&quot;https://3.bp.blogspot.com/-8QJqfuJ4pDM/WttQ_kMUnBI/AAAAAAAACUE/F1orgpXgrdsZbEaPubKVDCOxuayIuAdugCLcBGAs/s320/orac%25CC%25A7a%25CC%2583o-a-xango%25CC%2582.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Quando eu conheci o Candomblé, há mais de 20 anos, eu não entendia nada do seu funcionamento. Anos depois, quando o rio da minha vida foi rumando ao encontro com esse grande mar, eu passei a conhecer, um pouquinho a cada dia, seus ritos, suas tradições, seus ensinamentos. Cada dia que passa, eu vejo que se abrem várias novas caixas de segredos e saberes. Acho que não termina nunca. O Candomblé é um sacerdócio e, mesmo que o seu adepto nunca se torne ou nunca receba um título sacerdotal, ele inscreve um percurso sacerdotal, segue toda a vida aprendendo e, em algum momento se torna, também, um transmissor de conhecimento. É um culto à troca, ao intercâmbio, onde o maior valor, a maior moeda, é o aprendizado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;No momento em que eu decidi levar adiante a minha iniciação, uma escolha que já havia feito antes mesmo do meu nascimento, lá no Orun, eu me entreguei de cabeça e entreguei a minha cabeça ao meu Orixá e à minha mãe de santo e não pairava nenhuma dúvida quanto a estar no caminho corretíssimo. Quando nasci para Xangô e ele nasceu em mim, confirmei essa certeza, certeza que se mantém até hoje. Foram meses de restrições e cuidados, gastos, tempo, abdicações. Mas se me perguntarem, direi que faria de novo e de novo e de novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;E o que eu procurava com a iniciação? A primeira coisa que buscava era esse encontro com a parte que faltava, esse brilho de Xangô dentro do meu peito, essa onda de calor e energia percorrendo cada milímetro do meu corpo e me reconectando a um DNA ancestral, à minha ancestralidade. Sentir-me mais vivo ao acordar a minha ancestralidade em meu corpo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;No aspecto psicológico, encontrar-me com Xangô dentro de mim também trouxe um bálsamo para a minha sensação de orfandade, de órfão de genitor vivo, de ausência de pai, de quase uma vida inteira de rejeição e violência. Ter Xangô como pai faz com que eu não precise ter um pai carnal. Ter Xangô como pai também traz uma brasa, um calor de amor igualzinho ao amor que emanava do meu avô Armando, meu único pai carnal na Terra. Um homem que me amou desde quando eu morava na barriga de sua filha até o dia em que retornou à massa primordial. Um homem de verdade, como meu Pai Xangô.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Ser do Candomblé, ser “do santo”, não se resume apenas a uma religião ou culto. Ser de Candomblé imprime um modo de viver e de enxergar a vida, uma forma específica de ver o mundo. Isso não me torna melhor do que ninguém. Sou melhor &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;para mim mesmo. Através da iniciação eu pude revisitar meus medos, meus desejos, renovar minha fé, rever minhas escolhas e melhorá-las. Acho que escolho melhor quase tudo em minha vida porque sinto ter ampliado meu campo de visão, junto com a minha sensibilidade, como se esse meu Pai colocasse grande holofotes a minha frente, tornando mais claro o meu caminhar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Não enriqueci materialmente, mas o caminho da prosperidade material se abriu para mim, porque minhas escolhas estão mais alinhadas com meus desejos, com meus sentimentos. Xangô não permite que nada me falte, mas sempre com trabalho e luta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Encontrei-me emocionalmente, hoje, muito mais consonante com o que eu desejava para minha vida. Já amei anteriormente, mas sinto hoje que meu amor, meu companheiro é exatamente o que eu pedi a “Deus”, exatamente o que almejava viver numa relação. É claro que isso se deve, numa parte, ao meu amadurecimento emocional, mas eu não deixo de pensar que Xangô abriu as portas para que me se sentisse livre para fazer minhas novas escolhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Eu poderia passar horas, dias, falando das benesses de Xangô e dos demais Orixás em minha vida, porque é realmente uma lista interminável. Mas também há desafios. Pelos olhos do Rei eu enxerguei as injustiças, as traições, as mentiras, as máscaras. Muitas decepções com pessoas queridas e amadas. Xangô não me causou o sofrimento; ele apenas abriu meus olhos mais cedo, porque essas decepções viriam, em algum tempo. Com algumas dessas pessoas eu pude reescrever a forma de me relacionar e reconstruir relações mais verdadeiras. Outras, infelizmente, morreram em vida para mim com a queda de suas máscaras. O mais importante nisso tudo é que Xangô estava comigo, ajudando-me a suportar esses dissabores, e pude ser mais forte para suportar as dores de certos rompimentos. Assim como a justiça, o machado de meu pai tem duas faces e minhas imperfeições e deslizes também foram desvelados, para que eu tivesse, como tive, a chance de aprender e me redimir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Sigo a vida de cabeça erguida, celebrando minhas vitórias, refletindo sobre perdas e descaminhos. Entre erros e acertos, tenho vivido, olhando a vida através das lentes mágicas do Candomblé, desejando sempre clareza e discernimento. Eu que já releguei minha fé no passado, mantenho hoje uma fé inabalável nos Orixás. Nada que aconteça tirará de mim a confiança neles, aconteça o que acontecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Enquanto escrevia, começava a reclamar sobre o “material humano” dentro do Candomblé e quase escorreguei reclamando da perversidade das pessoas dentro da religião e no mundo. Apaguei tudo, porque refleti e concluí que não podemos generalizar a humanidade pela virulência de algumas pessoas. A maldade está no coração e na mente suja delas e, como um feitiço, corre-se o risco de materializar e alastrar essa maldade quando a generalizo para a humanidade, tornando-a ainda mais doente. E não precisamos disso, nem eu ou o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Precisamos de boas palavras, bons pensamentos. Precisamos tentar buscar a paz. Já faz algum tempo que tenho deixado de seguir pessoas em redes sociais cujos pensamentos, comentários e venenos não contribuem em nada para o meu bem viver. Deixar de seguir é a ferramenta diplomática para deixarmos de lado as ideias tóxicas de pessoas que não podemos excluir de nossas vidas num dado momento. Infelizmente, somos contaminados com a ideia da fofoca, sob as vestes da lealdade. Eu nasci e cresci num meio familiar de muita fofoca e aprendi a gostar dela. Mas Xangô tem me ensinado que a fofoca atrai energia ruim para nossas vidas e age como o tal feitiço que falei anteriormente. Quando espalhamos a fofoca, espelhamos desgraça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Todos os dias eu me esforço para deixar de lado esse material contaminado da fofoca. Nem sempre sou vitorioso, sou muitas vezes derrotado por mim mesmo, mas sigo tentando. Ao fazermos isso, no Candomblé ou fora dele, acabamos nos deparando com um vazio, uma sensação de não pertencimento, porque a energia da fofoca que atrela as pessoas são nós disfarçados de laços, que vão pouco a pouco sufocando as boas vibrações.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Quem me conhece, sabe como eu penso. Quem conhece verdadeiramente meu coração, é capaz de compreender minhas atitudes. Quem sabe da minha história, quem conhece o “mar de fogo” que atravessei para chegar até aqui, livre e são, senhor das minhas escolhas, pode ser capaz, se desejar, de compreender os meus passos. Aos 44 anos de vida, caio cada vez menos na fábula da expectativa. Apenas sigo em frente, com o amparo dos Orixás e com clareza na mente. Xangô ratificou em mim o desejo de ser livre e independente. E é a ele, ao seu fogo permanente que aquece a minha jornada, que dedico esse texto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: white; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0in;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;color: black; font-family: &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif; font-size: 11.5pt;&quot;&gt;Te amo, Pai Xangô. &lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves/&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt; 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style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://1.bp.blogspot.com/-jnKe5UFohm0/WjfumnzAXQI/AAAAAAAACTw/r5MICEnaAoAhywMt-WIiRuZRJ4ccbmDBwCLcBGAs/s1600/download.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;152&quot; data-original-width=&quot;331&quot; height=&quot;146&quot; src=&quot;https://1.bp.blogspot.com/-jnKe5UFohm0/WjfumnzAXQI/AAAAAAAACTw/r5MICEnaAoAhywMt-WIiRuZRJ4ccbmDBwCLcBGAs/s320/download.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-InuXIkHaUPU/WjfuqTkNjjI/AAAAAAAACT0/zBE8PUnWhhYDWh4ljC1TkiVtRbPoq0_ZgCLcBGAs/s1600/rrrr.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;160&quot; data-original-width=&quot;302&quot; src=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-InuXIkHaUPU/WjfuqTkNjjI/AAAAAAAACT0/zBE8PUnWhhYDWh4ljC1TkiVtRbPoq0_ZgCLcBGAs/s1600/rrrr.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nesse último domingo assisti o filme “Extraordinário” (Wonder ,2017) no cinema. Confesso que nem tinha ouvido falar dele, de tão ocupado que andava. Só soube de sua existência ontem mesmo, quando meu marido pediu que eu pesquisasse sobre o que tratava o filme. Vi o trailler e encarei-o como daqueles “bonitinhos” e resolvemos assistir. O filme é lindo. Mais do que lindo; ele é capaz de fazer brotar emoções e lágrimas. Eu chorei muito durante o filme, mas vi outras pessoas chorando também, então não estava tão fora da curva de “emocionabilidade”. O mais interessante é que, embora o menino Auggie seja o principal personagem da trama, o filme não é só sobre ele. É um filme sobre pessoas. Pessoas todas envolvidas na trama com seus diferentes pontos de vista e com suas dores. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É claro que, enquanto assistia e chorava, eu conseguia refletir sobre cada um dos pontos que me faziam despertar tanta emoção. Embora eu não tenha nenhuma deformação física, eu me identifiquei com Auggie sofrendo bullying por ser “diferente”, leia-se gordo, na minha infância. Claro, hoje eu continuo gordo, isso não me afeta mais, mas me afetou muito e por muito tempo. Sei &amp;nbsp;que eu teria sofrido menos agressões e torturas se não fosse um gordo tão frágil e inseguro, cheio de medos&amp;nbsp; e desamparos . Lembro do pavor de passar no corredor polonês no recreio ou na entrada da escola; lembro do menino que tirava sarro do meu cabelão armado, o que me fez odiar tanto aquele cabelo; lembro desse mesmo menino chutando as minhas costas sem nenhum motivo, ou arremessando a mochila de longe, para acertar minha cabeça. Lembro bem que eu sentia medo e jamais conseguia responder ou reclamar. Tantas outras histórias que poderia contar aqui sobre como a escola era um lugar de terror para mim. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ah, professores também fazem bullying. Lembro especificamente de três delas: Líria, do Colégio SAA, da primeira série, que deu um berro, com os olhos esbugalhados de ódio porque meu brinquedo havia quebrado e um colega cortou o dedo nele. Ela gritava e destilava um descontrole emocional que me causou vários pesadelos.&amp;nbsp; A segunda, que não lembro o nome, foi na quarta série do Colégio Quarup: fazia questão de, na frente de todos, fazer perguntas que expunham meus medos e fragilidades e sempre terminava com comentários jocosos que faziam a classe toda rir de mim. A terceira, no Colégio SAA novamente, era Regina, uma professora de Ciências. Uma torturadora, que decidia quando um aluno poderia ou não ir ao banheiro e me recordo que caguei nas calças uma vez porque ela resolveu não deixar que eu fosse no banheiro naquele momento.&amp;nbsp; Dessa eu me vinguei.&amp;nbsp; Numa atividade cultural da escola, fiz um cartaz com um cabelo de vassoura desfiada imitando o cabelo espigado dela, a cara dela com uma máscara de papel higiênico, aquele nariz enorme com uma verruga na ponta e aquela cara amarela de anemia. Não precisou nenhuma informação: escrevi abaixo daquela cara vil a frase “Você me conhece?”, igual ao programa do Bozo. A professora da atividade e toda a classe caíram na gargalhada e ela, a Regina do Mal, me olhava com ódio depois disso, mas nada pode fazer. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Via, a irmã de Auggie, tocou minha alma por outros motivos. A sua solidão naquela família, a falta da avó que havia falecido e era sua melhor amiga e o desejo de aniversário,&amp;nbsp; apagando as velas de 4 anos, pedindo um irmão. Inevitável eu lembrar que, por volta dessa idade, talvez um pouco mais velho, eu pedia a Deus que me desse uma irmãzinha. E que quando ela veio, era como se tivesse chegado um anjo para alegrar a minha vida e me proteger e ser uma razão para pensar que a vida não era tão horrível. Que era possível sobreviver sem a presença da minha avó Izolina, que havia me deixado, &amp;nbsp;vítima de um câncer. Que era possível suportar a sensação de abandono do meu avô Armando, que havia saído de casa para morar com sua outra família, limitando-se a visitas mensais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Com essa esperança, era mais fácil suportar aquela violência toda na escola, porque eu voltava para casa, para ver a minha irmã, que me trazia tanta luz. Antes mesmo do filme eu já andava reflexivo, porque ainda não estou recuperado das feridas recentes que esse assunto me trouxe. Nesse aspecto, eu ainda estou dolorido, ferido, sem condições de caminhar. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Via, &amp;nbsp;que num momento do filme se diz “filha única” sem ser, explicita a dor da sua alma por sentir-se só. Já faz um tempo que me chamo “órfão de pais vivos”, porque, por um lado, tive um pai ausente na maioria dos momentos da minha vida e, quando estava presente, era sempre de forma violenta, agressiva, desagradável. Aprendi a desejar a ausência dele. Aprendi a agradecer quando ele não estava em casa, quando ele não viajava conosco, quando ele passava as madrugadas fora. Nojo, repulsa e medo. Nada mais. Por outro lado, fui me &amp;nbsp;orfanizando da minha mãe ao longo do tempo. Demorei um tempo para perceber e aceitar que sua presença era invasiva e tóxica, atrasada e preconceituosa. Hoje, desejo sua presença cada vez menos, sem sentir falta ou culpa por estar longe. Fique ela, com sua igreja, seu Deus vingador , seus fiéis irmãos hipócritas amaldiçoando, em nome de Jesus, pessoas que não caibam em suas caixas comportamentais. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mais recentemente, eu me orfanizei de meus irmãos. Eu tenho que confessar que foi uma escolha. Doída. Sofrida. Mas uma escolha como consequência de abandonos e decepções. Às vezes eu me pego sentindo saudades. Outras vezes me apanho sentindo dores. Dores dos machucados de relações poluídas, dores de decepções vividas, dores de expectativas frustradas. Esse filme trouxe isso &amp;nbsp;mais à tona, mas há algumas semanas já estava sentindo essas coisas. Sobretudo porque, já experimentava, antes mesmo de me recolher para minhas obrigações no Candomblé, as invasões desses sentimentos. Porque esse período de isolamento é propício, é um convite a essas reflexões sobre nossa vida.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Durante esse recolhimento, Oxum e Iemanjá estiveram mais presentes, &amp;nbsp;me colocando frente aos &amp;nbsp;meus &amp;nbsp;espelhos d´alma e então foi impossível não espelhar tristezas e mágoas guardadas. Eu pude refletir sobre meus excessos nessas relações: meu excesso de expectativas, meu excesso de generosidade, querendo dar o que ninguém nem pediu, minha frustração por eles não serem o que desejava para eles. Um irmão mais velho, que recebeu precocemente atribuições de pai e cuidador, querendo o tempo todo dizer o que achava melhor que eles fizessem, sem enxergar que os caminhos deles também foram escolhas deles. Por outro lado, pude refletir sobre o quando esperava deles que eles fossem por mim como eu era por eles; que eles estivessem nas minhas datas especiais como eu estava nas deles e que, na verdade, eles nunca quiseram estar. Embora eu tenha impressões sobre os motivos pelos quais eles nunca estiveram, não seria justo eu julgar os seus não-quereres. É suficiente perceber que eles não estiveram e que eu me magooei com isso. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eu não sei dizer se esse distanciamento será para sempre. Eu saberei&amp;nbsp; voltar atrás se perceber que sou capaz de conviver com menos dores, ainda que com cicatrizes. Por hora, não sou capaz de olhar para essas situações e fingir que não estou machucado. Seria um não eu, fingindo sentir&amp;nbsp; ou fingindo não sentir. Eu não preciso mais disso em minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Recentemente, uma irmã por parte de pai, agora adolescente, me procurou nas redes sociais e quis falar comigo, porque queria me conhecer. Uma menina linda e inteligente, com traços familiares. Eu sabia – ou desejava – que isso aconteceria um dia. E aconteceu. Mesmo sabendo quem era, esperei que ela me chamasse, se apresentasse &amp;nbsp;e dissesse o que queria: me conhecer, se aproximar, simplesmente por sermos irmãos. Eu ouvi e educadamente respondi a ela, que, embora ela não tivesse culpa disso, eu respeitava o desejo dela, mas não tinha nenhuma vontade de aprofundar alguma relação com ela, porque ela representaria uma espécie de ponte para um triste passado que eu não desejava reviver, ou convivência, contato e notícias desse pai que passou a vinda inteira me rejeitando, violentando e massacrando. Não desejo guerras, mas também não estou em idade de fingir cordialidades&amp;nbsp; com demônios. Eu poderia tê-la bloqueado de pronto, mas eu fiz questão de dizer isso a ela, para deixar claro que ele, seu nome que retirei do meu, suas riquezas, não me pertencem, de nada me servem. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Mas o filme não trouxe só agruras. Eu também chorei de felicidade. Chorei ao pensar nas pessoas que tive em minha vida, amigos e familiares, que deram e me dão amor e carinho e que amam do jeito que eu sou, pelo que eu sou, como eu sou. Pensei nas minhas queridas tias Lilian e Wilma, que tanto me ajudaram, me ampararam e me amaram, sem cobranças, sem chantagens, sem repressões. Passou um filme de todos os meus amigos queridos de toda uma vida, que fizeram o mesmo: simplesmente me amaram. E pensei, também com emoção, nesse meu companheiro, meu marido, que tem estado sempre ao meu lado, me apoiando, me amando, dando broncas, chamando a atenção para minhas falhas. Um presente que pedi a Deus. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Extraordinário. O nome do filme em português. Combina, porque ele diz, no começo do filme, que, embora tente parecer um garoto comum (“ordinary”) , ele sabe que é diferente. Em algum momento ele diz, porque vai se fazendo, um garoto “extra- ordinário”, não apenas no sentido especial que vai lhe sendo atribuído, mas de poder se tornar, de fato, extremamente comum, uma criança no meio de tantas outras. Em inglês, chamaram Wonder. Wonder é muito mais que extraordinário. Wonder significa maravilha, ou como diz o dicionário: “um sentimento de supresa misturado com admiração, causado por algo bonito, inesperado, não-familiar ou inexplicável”.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Viver é extraordinário. A vida é Wonder.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://3.bp.blogspot.com/-buMGdES8dnE/WjfujUkFlwI/AAAAAAAACTs/TxjouumC0PYvJAoUopEjnMuyl9twxQYhQCLcBGAs/s1600/images.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;232&quot; data-original-width=&quot;217&quot; src=&quot;https://3.bp.blogspot.com/-buMGdES8dnE/WjfujUkFlwI/AAAAAAAACTs/TxjouumC0PYvJAoUopEjnMuyl9twxQYhQCLcBGAs/s1600/images.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/5005070212722599867/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=5005070212722599867' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5005070212722599867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5005070212722599867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2017/12/nesse-ultimo-domingo-assisti-o-filme.html' title='EXTRAORDINÁRIO'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://1.bp.blogspot.com/-jnKe5UFohm0/WjfumnzAXQI/AAAAAAAACTw/r5MICEnaAoAhywMt-WIiRuZRJ4ccbmDBwCLcBGAs/s72-c/download.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-6010798391455528172</id><published>2017-05-21T17:26:00.001-07:00</published><updated>2017-05-21T17:28:30.836-07:00</updated><title type='text'>13 RAZÕES.</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-ZDbCgl9cp6A/WSIvxLbNyXI/AAAAAAAACSs/GrL_Hv69GW0AI36pviMIqKsBq_rsYJnfgCLcB/s1600/MV5BZGE4Nzg3MTItNDhkYy00ZjkyLTk3MjctODg3YjZiZTgxMzZlXkEyXkFqcGdeQXVyMTkxNjUyNQ%2540%2540._V1_UX477_CR0%252C0%252C477%252C268_AL_.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;179&quot; src=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-ZDbCgl9cp6A/WSIvxLbNyXI/AAAAAAAACSs/GrL_Hv69GW0AI36pviMIqKsBq_rsYJnfgCLcB/s320/MV5BZGE4Nzg3MTItNDhkYy00ZjkyLTk3MjctODg3YjZiZTgxMzZlXkEyXkFqcGdeQXVyMTkxNjUyNQ%2540%2540._V1_UX477_CR0%252C0%252C477%252C268_AL_.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Eu ando sempre meio atrasado em relação aos modismos e ao consumo em geral. Isso inclui meu atraso em assistir filmes e séries novos. Isso inclui a nova série 13 Reasons Why, disponível no Netflix. Demorei para ouvir falar e estava pouco interessado em assistir até que, numa reunião de amigos, os comentários divergentes aguçaram o meu interesse.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&quot;Ah, é sobre bullying&quot; - disse alguém.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Eu assisti, mas não vi nada demais, nada tão importante assim para ela se matar. Eu passei por tudo isso na minha época e não me matei&quot; - disse um outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Ela era muito desequilibrada, na verdade&quot; - retrucou mais outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Esse mundo anda muito chato. Não se pode falar mais nada.&quot; - falou mais um.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;No grupo, duas pessoas combinavam um evento para discutir a série com os alunos de uma escola, e diziam que seria “legal” usar o material para discutir sobre bullying e suicídio, principalmente com o advento da tal “baleia azul”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Ouvi algumas pessoas preocupadas com o poder da série de induzir o suicídio e em pessoas propensas a isto. Rapidamente me lembrei que li e assisti, na infância, “O meu pé de laranja-lima”, vi o assassinato da Odete Roitman, o suicídio da garota dos frangos em “Garota interrompida”, a execução por enforcamento em “Dançando no Escuro”, a morte de Virginia Wolf em “Mrs. Dalloway” e tantos outros. Há uma lista enorme de filmes, séries e novelas revelando o tema. Pensei sobre a época em que não existia televisão ou nas pessoas que vivem na roça, afastadas das influências da mídia e que, ainda assim, suicídios já ocorriam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;E então eu decidi assistir. E fiquei realmente impressionado. E logo nos primeiros capítulos, decidi que gostaria de escrever as minhas impressões sobre a série, não apenas desse lugar “privilegiado” como psiquiatra e psicoterapeuta, mas como alguém que sofreu muito bullying (na época em que não se falava sobre isso), muita violência na escola e em casa e, por conta de tanta fragilidade, quase teve o mesmo trágico fim de Hannah.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Em 13 episódios, Hannah revela as 13 razões que a levaram a cometer o suicídio. E veja, ela não faz apenas culpar os outros, como o início da série dá a impressão. Ela também reflete sobre seus erros, seus medos, seus fracassos, sua solidão num mundo mental perturbador e suas tentativas frustradas em conseguir se livrar da dor.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;A partir de cada revelação, a série também vai nos apresentando situações tão comuns e tão graves no ambiente escolar e que, sem dúvida, podem levar uma pessoa que SEJA ou ESTEJA mais frágil a desejar acabar com a própria vida, mas também que podem se FRAGILIZAR e desencadear o mesmo processo. Assédio moral e sexual, abusos físicos, humilhações, estupro, exposição indevida de intimidades, preconceito, racismo e silêncio. Sim, o silêncio dos colegas, observando, de longe, a violência sofrida por uns e outros; o silêncio das escolas, dos educadores, que deveriam investigar e proteger tais abusos; o distanciamento dos pais a despeito da vida e do sofrimento dos seus filhos. A série é um fiel retrato de situações que são vividas diariamente, por diversas pessoas, não importa o tipo de escola ou a classe social.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Hannah “presenteia&quot; seus colegas com a consciência sobre suas atitudes e suas consequências, deixando com eles a culpa, a impotência, a reflexão sobre seus atos. Nos primeiros episódios, cheguei a sentir raiva dela, julgando-a “sacana” por jogar para cima deles a culpa pela seu suicídio, como uma forma de vingança. Na verdade, é bem mais fácil enxergar a coisa desse modo. Dizer que ela era louca, desequilibrada e sacana, por querer se vingar e torturar as pessoas, mesmo depois de morta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Mas, se olharmos mais fundo, veremos que há uma importante mensagem nas fitas gravadas por Hannah. Quando ela descreve cada uma das atitudes das pessoas envolvidas, ela nos mostra, como disse o jovem Clay, o que estamos fazendo com as pessoas e como deveríamos tentar agir de uma forma melhor.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Além de Hannah, há, em minha opinião, dois importantes personagens que guardam em si uma chave simbólica na trama: Clay e Tony. Clay, que em inglês significa “barro”, é quem dá o amálgama a toda a trama. É ele, durante todos os episódios, quem ouve as fitas deixadas por Hannah e vai nos mostrando, vivenciando um turbilhão de sentimentos e provocando reações, ações, que tentam, de alguma forma, reparar os erros cometidos por aquelas pessoas. Tony, encarregado de distribuir as fitas e guardar os segredos de Hannah, com seu carro vermelho, seu visual rebelde e afeito às coisas do passado, é o mensageiro, o “trickster”, o “Hermes” que tem a função de trazer a verdade e está sempre presente para facilitar o trânsito entre os vivos e a morta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Minha angústia crescia conforme avançava a série. Crescia porque ficava apreensivo em saber o motivo pelo qual Clay, o menino bonzinho, estava entre as 13 razões e também porque, embora já soubéssemos o “final”, esse passo a passo que vai culminar com essa desistência, esse vazio que Hannah descreve, me fez refletir sobre o que já senti no passado e sobre quantas pessoas passam por isso todos os dias. Muitas conseguem obter apoio e sair desse buraco, mas muitas - e nem sabemos quantas - não saíram e não sairão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;É por isso que a palavra chave é empatia. Empatia é uma palavra muito falada e pouco sentida. Colocar-se no lugar do outro. Será que conseguimos? E se conseguíssemos? Será que queremos? Empatia não brota em árvores. É claro que há pessoas que têm uma capacidade mais espontânea de empatia. Mas só algumas. Na grande maioria dos casos, empatia exige esforço, trabalho, deslocamento da nossa posição para a do outro, e não raras vezes falhamos. Em muitos casos, por mais que tentemos, não conseguiremos estar ali e precisamos reconhecer isso, o que já é bastante válido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Mesmo que eu já tenha passado pelo mesmo sofrimento, eu não sou Hannah. A dor, o sofrimento, o vazio de cada um é de cada um apenas. E temos a obrigação de saber que não estamos aptos a julgar os sentimentos do outro. Então, se não somos capazes de compreender, o máximo de atitude empática que poderemos ter é despir-se da beca de juiz e aceitar aquele sofrimento como possível. Sendo legítimo, vindo da alma, já pode ajudar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Também não devemos julgar o tipo de ajuda à qual a pessoa recorre. Profissionais da saúde tendem a acreditar que os remédios e a terapia são os únicos recursos disponíveis. São importantes recursos, obviamente, mas não os únicos. Muitas pessoas que passaram por essa situação conseguiram apoio, recuperação e cura através de muitos outros meios e muitas pessoas que procuraram remédios e terapia sucumbiram.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal; min-height: 22px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Parece que não julgar é o que há de mais importante. E eu não falo de um lugar todo especial, de nenhum altar de superioridade, me colocando como uma pessoa que não julga nunca, que aceita e empatiza sempre. Eu falo do lugar onde me encontro agora: um cara que já passou por coisas difíceis e que quase sucumbiu e encontrou apoio em alguns amigos, espíritos, terapias, remédios e que hoje é capaz de amar a vida e desejar continuar vivendo. E mesmo assim, fui convidado por Hannah - e aceitei o convite - a julgar ainda menos e empatizar ainda mais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://3.bp.blogspot.com/--dog4AJszw8/WSIwK6u-xII/AAAAAAAACSw/Q3d3_b-8ws466aTGlK02JUT9es4Gsf8NACLcB/s1600/13-Reasons-Why.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;151&quot; src=&quot;https://3.bp.blogspot.com/--dog4AJszw8/WSIwK6u-xII/AAAAAAAACSw/Q3d3_b-8ws466aTGlK02JUT9es4Gsf8NACLcB/s320/13-Reasons-Why.png&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 18px; line-height: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/6010798391455528172/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=6010798391455528172' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/6010798391455528172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/6010798391455528172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2017/05/13-razoes.html' title='13 RAZÕES.'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://4.bp.blogspot.com/-ZDbCgl9cp6A/WSIvxLbNyXI/AAAAAAAACSs/GrL_Hv69GW0AI36pviMIqKsBq_rsYJnfgCLcB/s72-c/MV5BZGE4Nzg3MTItNDhkYy00ZjkyLTk3MjctODg3YjZiZTgxMzZlXkEyXkFqcGdeQXVyMTkxNjUyNQ%2540%2540._V1_UX477_CR0%252C0%252C477%252C268_AL_.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-5132511644654720184</id><published>2017-05-05T17:28:00.001-07:00</published><updated>2017-05-05T17:28:33.665-07:00</updated><title type='text'>OS MAUS FANTASMAS À CASA TORNAM</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://2.bp.blogspot.com/-O2YjNq0BSgY/WQ0YoXrgj8I/AAAAAAAACSc/4Fsn70-XfbkPyf65F82td2ZHiaNbZd0MACLcB/s1600/IMG_7711.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://2.bp.blogspot.com/-O2YjNq0BSgY/WQ0YoXrgj8I/AAAAAAAACSc/4Fsn70-XfbkPyf65F82td2ZHiaNbZd0MACLcB/s320/IMG_7711.JPG&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px;&quot;&gt;Andando pela rua hoje, vi um casal discutindo. Bem ali, no meio da rua, para todo mundo ver. Na verdade eles não estavam discutindo. Ele, o homem, berrava com ela, xingava, ofendia, humilhava, e ela, a mulher, se encolhia, assustada e envergonhada. Eu fiquei um tempo parado, estático, observando aquela discussão e viajando no tempo, precisamente naquele tempo em essas coisas ocorriam na minha casa, com meus pais; comigo, meus irmãos, nossos vizinhos e os passantes de testemunha.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;Saí daquele lugar após alguns minutos, mas despertei os fantasmas que estavam guardados naquela caixinha empoeirada da memória. Lembrei das frases do meu pai, agressivas, ofensivas, pejorativas contra minha mãe. Lembrei do comportamento beligerante e provocativo dela, sempre dando continuidade às discussões, à exaustão, até culminar com agressões físicas. Ouvi novamente o barulho da porta deles sendo trancada, a chave antiga gemendo na fechadura, anunciando mais uma noite de intensas discussões, ofensas e agressões. Recordei quando inventava estar com dor de estômago, batia naquela porta pedindo para que algum deles se levantasse para me dar remédio, com o único intuito de parar aquela (nova) briga. Às vezes funcionava, às vezes eles continuavam. Revisitei os motivos primevos da minha insônia, que carrego até os dias de hoje: brigas, barulho, agressões, violência. Senti na pele e no corpo aquele medo que me consumia noite adentro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;Acabei desenvolvendo alguns recursos para lidar com essa merda toda. Os fones de ouvido escutando a Musical FM me ajudavam a fugir daquela realidade, tocando músicas antigas que me faziam adormecer. Enquanto não adormecia, viajava num tempo que não era meu, dos bailes chiques dos anos cinquenta e sessenta, dos tempos da brilhantina. Alucinava ter vivido naquela época, alucinava que faria uma festa “anos sessenta” e às vezes ficava horas fazendo a lista de convidados e de afazeres. Guardava sempre essa lista e, quando me desentendia com alguém ou alguém desaparecia da minha vida, riscava da festa. Também acrescentava novos amigos que iam aparecendo. Algumas vezes escrevia poesias. Duras, suadas, sofridas, fechadas. Eram a minha catarse para aquele mal todo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;Tem gente que passa por tudo isso e acaba reproduzindo esse padrão em sua própria vida. Eu me tornei medroso. Tenho medo da violência, evito brigas, fujo delas. A tal ponto que às vezes me sufoco em mim mesmo. Com o passar dos anos, aprendi a brigar por algumas coisas justas, mas na maioria das vezes tendo a recolher ou encolher. Mesmo com meus medos, não me considero mal sucedido: sou capaz de expressar minhas opiniões e delimitar meus espaços. Não tenho mais os pesadelos que me assombraram por anos com a figura diabólica dele.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;Mas hoje, particularmente hoje, essa imagem me feriu e acordou essas lembranças. Fantasmas e feridas de uma vida. Se não posso impedir que eles me visitem vez ou outra, pelo menos que sirvam para me mostrar o que não desejo. Para reforçar minha escolha de viver em paz.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: -apple-system-font; font-size: 12px; font-variant-east-asian: normal; font-variant-ligatures: normal; font-variant-position: normal; line-height: 16px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/5132511644654720184/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=5132511644654720184' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5132511644654720184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5132511644654720184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2017/05/os-maus-fantasmas-casa-tornam.html' title='OS MAUS FANTASMAS À CASA TORNAM'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://2.bp.blogspot.com/-O2YjNq0BSgY/WQ0YoXrgj8I/AAAAAAAACSc/4Fsn70-XfbkPyf65F82td2ZHiaNbZd0MACLcB/s72-c/IMG_7711.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-4259761047596124554</id><published>2017-02-16T09:55:00.000-08:00</published><updated>2017-02-16T10:00:16.196-08:00</updated><title type='text'>SATURNINAMENTE</title><content type='html'>Saturninamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz um tempo que não consigo escrever textos para o blog. Muitos amigos e leitores têm me pedido que eu volte a escrever. Cheguei a me debruçar sobre o computador, ensaiei uns &quot;rabiscos&quot; eletrônicos e não saiu nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei de uma entrevista da Adélia Prado, que anunciava um novo livro depois de uns longos anos sem escrever, oito, se não me falha a memória. Não me lembro as exatas palavras dela. Mas ela dizia que havia sofrido muita pressão de convíveres, de editoras e que poderia até ter escrito alguma &quot;qualquer coisa&quot; para satisfazer o afã dos outros, mas estaria descompromissada consigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de conseguir escrever mais, mas a minha inspiração me abandonou por algum tempo. Ou ela não me abandonou e estava apenas guardada. Ou essa brasa que mantém acesa a minha vida e que dá fogo para minha inspiração está sendo consumida para aquecer outras tarefas necessárias. Ou jogaram água gelada sobre a brasa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha sido issso. Água gelada sobre a brasa. Meu amigo diz que é o tal Saturno que ronda por um ano solar toda a minha existência! Tem noção do que é ter um planeta fazendo sombra sobre sua vida por um ano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando jogaram búzios pela primeira vez para mim, eu descobri que eu era filho de Xangô. Dona Jamile, a mãe de santo, sempre finalizava o jogo com uma mensagem do astral e, nesse primeiro encontro, deu-me a mensagem de Xangô para que eu carregasse pra sempre em meu coração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Tens medo da chuva e das tempestades, dos temporais? A chuva serve para lavar, limpar, levar embora o que não presta mais; a chuva rega as plantas, irriga e afofa o solo, para que venha uma nova colheita, para que a prosperidade chegue.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí eu me lembrei do primeiro dia em que participei de uma reza que ela fazia para Xangô às quartas-feiras. Voltando exausto da faculdade, sem dinheiro e com fome, peguei um ônibus errado para ir para a casa dela e desci num lugar desconhecido. Não me lembrava do nome da rua e não tinha como falar com alguém para pedir o endereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando na escuridão da noite, por ruas estranhas, chorava enquanto entoava a única frase que conseguia lembrar do cantiga de Xangô que havia escutado no dia da gira de Umbanda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Se um dia eu perder a fé no meu senhor, que role essa pedreira sobre mim&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E consegui chegar, atrasado, mas ainda em tempo de pedir ajuda para esse meu Pai Xangô que acabava de (re-)conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei pensando o que ela me diria sobre a sombra de Saturno em meu ano. Quase escrevi &quot;se ela estivesse viva&quot;, mas me lembrei que ela está viva, em algum lugar. E agradeço por ter tido a oportunidade de encontrar essa pessoa que me amparou num momento de extrema dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar nisso me confortou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, se de um lado a sombra de Saturno me tira energia, me acomoda e retira de mim aquela vitalidade toda, ele faz isso comigo para que eu me sente e espere. Espere e pense, reflita. E é o que mais tenho feito ultimamente: pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar nas pessoas que se afastaram; pensar na dor que senti por cada traição, decepção e desonra que passei nesse período; refletir sobre os excessos cometidos, sobretudo o excesso de confiança e de expectativa; refletir como fui infantil por acreditar e confiar cegamente em algumas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar que, em pouquíssimo tempo, minha vida mudou completamente. Fui iniciado no Candomblé no final de 2014, terminei um casamento de 12 anos no ano seguinte, me apaixonei e me casei pouco tempo depois e, com essas mudanças, mudaram-se todos os meus projetos de vida. Tudo ou quase tudo que era projeto de vida, de repente ficou diferente. Porque hoje, o que eu desejo para a minha vida, está muito mais em consonância com a minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem eu sou hoje está,ainda não totalmente, muito mais próximo do que eu desejo ser enquanto pessoa, enquanto homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sombra de Saturno me faz avistar, de dentro para fora desse lugar cavernoso, escondido e secreto, a imagem projetada de um porvir mais consonante com os desejos da minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu esteja me sentindo hoje cansado e mentalmente esgotado, essa convalescência me faz lembrar que esse vislumbre dos dias melhores sempre me manteve vivo e esperançoso, mesmo nos piores (e passados) dias da minha existência. E, muito mais importante do que ser apenas uma fagulha de esperançosa ilusão, eu consegui chegar aos lugares que eu desejei estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho ou amparado por mãos visíveis ou invisíveis, eu cheguei &quot;lá&quot;. Essa &quot;lá&quot; que é um &quot;aqui&quot;, onde me encontro hoje, mas também é um &quot;lá&quot; que é &quot;lá&quot; mesmo, um lugar especial no qual ainda não aportei, mas sei que chegarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu sigo viagem. Eliminando bagagens desnecessárias para me tornar mais leve. Deixando para trás pessoas, coisas, mágoas, tristezas. Como no filme &quot;Viagem para Darjeeling&quot;, só estamos mesmo prontos para seguir quando somos capazes de deixar para trás as coisas que não importam mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merci, Saturne.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/4259761047596124554/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=4259761047596124554' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/4259761047596124554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/4259761047596124554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2017/02/saturninamente.html' title='SATURNINAMENTE'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-4422368657471901636</id><published>2016-08-22T17:25:00.000-07:00</published><updated>2016-08-22T17:25:04.107-07:00</updated><title type='text'>AGOSTO, MÊS DE DESGOSTO? </title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://1.bp.blogspot.com/-ElTJ_TXLsEw/V7uXtNFB49I/AAAAAAAACRs/zhj_EttGZS4c760jnTwUNvetk9NBgXDkQCLcB/s1600/Unknown.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://1.bp.blogspot.com/-ElTJ_TXLsEw/V7uXtNFB49I/AAAAAAAACRs/zhj_EttGZS4c760jnTwUNvetk9NBgXDkQCLcB/s1600/Unknown.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Desde pequeno, ouvia falar sobre as intempéries do mês de agosto, com suas máximas “agosto mês de desgosto” e “mês de cachorro louco”. Como toda crendice, demorei para entender as origens dessas ressalvas, até que meu encontro com o Candomblé pôde, por força dos acontecimentos, dar conta de explicar, na pele, o significado desse mês tão “diferente”. Dos anos passados da minha vida, não saberei recordar se, de fato, tive ou não tive agostos turbulentos; mas há alguns anos venho notando verdade na agrura no famigerado agosto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Agosto é o mês em que se reverencia a divindades que chamamos de dono da terra, ou dono do chão, ou Obaluaê, também chamado de Omolu, Xapanã, Zapatá, entre os nagôs ou Nsumbo, Kavungo, na nação Angola, entre outros tantos nomes. Divindade guardiã da saúde e da doença, zeladora dos cemitérios, velho, alquebrado, doente, temido pelo extremo poder de dar e tirar do homem o seu bem mais precioso: a saúde.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;É no mês de agosto que o reverenciamos porque foi sincretizado com São Lázaro e São Roque, os santos católicos padroeiros dos doentes, dos leprosos e pestilentos. Isso porque, nos mitos que recontam suas origens, Obaluaê é o filho que nasce feio, cheio de pústulas e feridas da varíola, fazendo com que sua mãe Nanã o rejeite. Em alguns mitos, ele é encontrado e cuidado por Yemanjá, divindade das águas salgadas, como mãe adotiva, que cura suas feridas com o sal de suas águas e em outros por Yansan, divindade dos ventos, que o veste com as palhas para esconder seu corpo doente e oferece a ele a esteira para que se deite.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Em minha opinião, um dos mitos mais bonitos dessa divindade é quando Iansan sopra sobre suas palhas, gerando uma enorme ventania sobre seu corpo, transformando suas feridas em pipocas, que estouram pelo ar, e ele se transforma num belo príncipe. Assim, a pipoca, chamada de deburú, doburú ou gugurú, é o alimento sagrado que o representa. A transformação do milho duro em pipoca com o calor do fogo é um simbolo de mudança, de evolução.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Mesmo entre os adeptos do Candomblé, Obaluaê é muitas vezes um santo temido, mas pouco adorado - diria até rejeitado - por não portar o luxo de outras divindades, como Xangô e Oxum. É uma divindade simples, que se veste de palhas, tem a cara e o corpo escondidos. Já ouvi alguns “filhos” dessa divindade se dizerem decepcionados com essas características.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Dizemos então que agosto é o mês que Obaluaê reina na terra, soberano. Não é exatamente um mês de desgosto, mas um mês de “expurgar as pragas”, exteriorizar as feridas, limpar o que está sujo, dentro e fora de nós. É um mês em que se deve respeitar o silêncio, o recolhimento, porque tudo o que for dito é visto e ouvido, e será cobrado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Se eu falasse dessa divindade ao meu último analista, ele me pediria, sabiamente, o que peço a vocês: fiquem com a imagem. Reflita sobre a imagem desse velho que guarda o poder e segredos sob suas palhas. Receba essa imagem no seu coração, a principal morada da alma. Eu o aceito, com sua simplicidade, sua sabedoria infinita, seus olhos que tudo vêem, seus ouvidos que tudo ouvem, e cuja boca permanece em silêncio, como mostra a sua dança ritual, o Opanijé. Eu recebo seu alimento, o banquete que os orixás lhe fazem em reverência ao seu poder e que o senhor da terra oferece a nós, pequeninos mortais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;Atotô, meu velho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4&gt;https://www.youtube.com/watch?v=vBZwbkRQlFk&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 11px; line-height: normal; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 11px; line-height: normal; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 11px; line-height: normal; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 11px; line-height: normal; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 11px; line-height: normal; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); -webkit-text-stroke-width: initial; font-family: Helvetica; font-size: 11px; line-height: normal; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-kerning: none;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;-webkit-text-stroke-color: rgb(0, 0, 0); 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'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://1.bp.blogspot.com/-ElTJ_TXLsEw/V7uXtNFB49I/AAAAAAAACRs/zhj_EttGZS4c760jnTwUNvetk9NBgXDkQCLcB/s72-c/Unknown.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-8107498856621289751</id><published>2016-03-22T10:49:00.004-07:00</published><updated>2016-03-22T10:49:46.334-07:00</updated><title type='text'>DO OLHO OU DA REMELA? </title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://2.bp.blogspot.com/-Oon0lHpLlLc/VvGFrjJuMnI/AAAAAAAACQU/zofM1JsChWE-SDnVsCFR1rPH94l7_OCDA/s1600/imgres.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://2.bp.blogspot.com/-Oon0lHpLlLc/VvGFrjJuMnI/AAAAAAAACQU/zofM1JsChWE-SDnVsCFR1rPH94l7_OCDA/s1600/imgres.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Fora Petista”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Hashtag: “Nojo de vermes”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;(Espera que eu já explico.)&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ontem, voltando de viagem do final de semana, escutando música na estrada ao lado do meu namorado, feliz da vida, revirei os baús da memória, ajudado pela Apple Music e desatei a ouvir Fafá de Belém. Ouvi&amp;nbsp; a música da Tieta, aquela outra que ela canta com o Zezé, escutei lambada. Lembrei-me de um amigo paraense que é super- fã de sua conterrânea e pensei que ele está coberto de razão: ela é incrível. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Daí encontrei uma versão ao vivo no Youtube, na qual, ela, esplendorosa, veste cocar e ressalta as belezas de seu povo, que “aprende a dançar descalço” e “toma banho no igarapé”. Eu nunca tomei banho num igarapé, mas eu sei o quanto é delicioso dançar, loucamente, ainda mais descalço. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Não sem nenhuma maldade, porque, afinal de contas, sou de escorpião, resolvi postar a música “Vermelho” no Facebook e escrevi: &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Só pra lembrar que meu coração é vermelho! Uma ótima semana cheia de amor a tod@s!”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eis que uma desconhecida, dessas que invadem a Timelime alheia, desatou a destilar seu ódio, dizendo que seu coração será sempre verde e amarelo, que tem nojo de vermes, e fora PT e blablablá. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Tá certo que o post é público e que eu não bloqueio comentários de estranhos. Mas qual é o direito que uma pessoa tem de invadir o post alheio com ofensas e revoltas? Tudo bem, a minha malaguetice implícita provou que não se pode falar mais de vermelho no Brasil, que automaticamente se fica associado ao Partido dos Trabalhadores, à CUT, ao MST.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Como ficarão agora os corações? E o Chambinho? Como ensinaremos as crianças? Como poderemos exemplificar o calor do amor e da paixão se o vermelho será cor proibida nesses tempos difíceis? Tô bege. Hoje mesmo soube de mães que foram agredidas por vestirem de vermelhos seus bebês. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;E o fetiche, a luxúria? O que será dela sem o vermelho? Imagina a cena: a pessoa , trajando espartilho e cinta-liga de renda, salto agulha, batom e esmalte, tudo vermelho. Chega a outra pessoa e, ao invés de curtir aquele momento de êxtase, empurra a “companheira” e grita: “Fora Petralha! Ladrões! Bando de vermes!”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Cena drástica no pronto-socorro: você deixa cair um copo no chão e pisa no caco de vidro. Vai correndo para o São Luiz ou para o Samaritano, tem “convênio bom” e o médico, ao invés de suturar seu corte, grita: “Comunista de merda! Vai morrer no SUS! Tá sangrando vermelho! Vai pra Cuba!”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;Sim, há radicalismos por toda a parte. Somos conduzidos, incitados, manipulados à intolerância, como galos em rinha. Eu gosto do meu país, não tenho vergonha de ser brasileiro. Acho que o verde-e-amarelo da nossa bandeira é uma combinação e tanto, e me orgulho quando ela é reconhecida como um símbolo do meu país. Mas eu também gosto do vermelho, em seus vários matizes.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É claro que eu não posso e, na verdade, nem quero negar a minha tendência esquerdista. Mas jamais esquecerei meu desejo de liberdade e meu desejo de que as outras pessoas também sejam livres em atos e pensamentos, sem por isso perder o respeito pela opinião alheia. Sim, o vermelho, enquanto cor quente, ativa, intensa, me representa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Como diz o ditado, “uns gostam do olho, outros da remela”. Devemos saber respeitar isso. E devemos saber que, na verdade, não sabemos, quem é olho, quem é remela.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/8107498856621289751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=8107498856621289751' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8107498856621289751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8107498856621289751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2016/03/do-olho-ou-da-remela_22.html' title='DO OLHO OU DA REMELA? '/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://2.bp.blogspot.com/-Oon0lHpLlLc/VvGFrjJuMnI/AAAAAAAACQU/zofM1JsChWE-SDnVsCFR1rPH94l7_OCDA/s72-c/imgres.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-9137418828263266397</id><published>2016-02-23T11:48:00.000-08:00</published><updated>2016-02-23T11:48:50.144-08:00</updated><title type='text'>MAS EU CRESCI</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-con9zVr65RE/Vsy3YAcHopI/AAAAAAAACP8/DdQ021AU_b8/s1600/download.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://4.bp.blogspot.com/-con9zVr65RE/Vsy3YAcHopI/AAAAAAAACP8/DdQ021AU_b8/s1600/download.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://ioneglobalgrind.files.wordpress.com/2013/10/black2.gif?w=698&amp;amp;h=500&quot;&gt;http://ioneglobalgrind.files.wordpress.com/2013/10/black2.gif?w=698&amp;amp;h=500&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Hoje eu li um texto num site (&lt;a href=&quot;http://www.brasilpost.com.br/carol-patrocinio/resposta-fernanda-torres_b_9294562.html&quot;&gt;http://www.brasilpost.com.br/carol-patrocinio/resposta-fernanda-torres_b_9294562.html&lt;/a&gt;) &amp;nbsp;que comentava brilhantemente sobre o texto da Fernanda Torres numa coluna que me recuso a compartilhar, por fazer parte de um jornal que me recuso a ler e também porque o conteúdo é memoravelmente abjeto. Se quiser ler, procura que você acha. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Apesar de brilhante, o texto é em formato “cartinha”, coisa que está na moda hoje em dia. Eu quase escrevi uma cartinha também, mas eu acabei achando delicado demais para o meu modo de dizer as verdades, ou as minhas verdades, as minhas opiniões. Mas a cartinha da Carol me fez refletir sobre como somos facilmente adestrados a acreditar e a concordar com as “verdades” da Fernandinha, está atriz tão talentosa, tão inteligente e que, por ser tudo isso, só pode escrever verdades e cria uma barreira que nos impede de achá-la uma pessoa escrota, machista, preconceituosa e racista. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eu parei para refletir no quanto a minha criação numa família preconceituosa (e inclua na palavra todos os possíveis preconceitos, como racismo, misoginia, machismo, homofobia e gordofobia) foi aos poucos constituindo, em minha forma de pensar e agir no mundo, uma robotizada reprodução desses preconceitos e que foram, aos poucos com estudo, leitura e encontros com pessoas mentalmente mais esclarecidas, se diluindo.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ontem mesmo, antes de ler o texto da Fernandinha, eu me lembrei de quando era criança e ia com minha mãe à Igreja de Santa Terezinha, na Zona Norte de São Paulo, “caçar” empregadas domésticas. A igreja oferecia um serviço às dondocas locais, uma espécie de agenciamento de domésticas. No corredor lateral da igreja, escuro que só, diversas mulheres, em maioria negras, aguardavam sentadas serem escolhidas pelas patroas, que miravam aspectos físicos, cheiros e, por último, conversavam com a “escolhida”, tratando dos salários miseráveis e sem direitos trabalhistas. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Já em casa, a moça era levada ao quartinho, aquele quartinho úmido em comunicação com a garagem com bastante fumaça de monóxido de carbono, umidade das paredes, roupas para passar e brinquedos amontoados. Ao lado, um banheiro espremido, geralmente sem lâmpada, com um Ducha Corona preguiçosa – ela esquentava somente quando desejava, privada sem tampa, papel higiênico Primavera e sabonete Gessy. Lá em cima, em nosso banheiro, o chuveiro era Lorenzetti, o papel era qualquer outro que não fosse Primavera e o sabonete era Phebo. Se você não viveu nessa época, faça a experiência de limpar sua bunda com papel Primavera e talvez entenda onde estou querendo chegar. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ela comia a mesma comida que a nossa, exceto os melhores doces. Mas tinha sempre que comer depois de nós, não importasse o horário. Não havia uniforme, porque minha família não tinha esse nível de sofisticação. De certa forma havia um uniforme: um farrapo da própria pessoa que era usado para aquela finalidade. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;E assim iam e vinham diversas domésticas em nossa casa. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Também cresci ouvindo, entre meus familiares, piadas infames e pejorativas sobre negros, sobre gays, sobre mulheres. Confesso, como já confessei outras vezes publicamente, também contei muitas dessas piadas, que reproduzem e consolidam crenças. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Na faculdade de Medicina, apenas mais do mesmo. Preconceito, preconceito, preconceito. Filhinhos-de-papai acostumados com a vida boa e aprendendo com seus mestres a perpetuar a infâmia do desrespeito e da norma escravagista. Hoje vejo muitos deles por aí, ostentando “suas” babás arrastando carrinhos de bebês e passeando com seus cachorros pelas ruas dos Jardins. Adoro animais, mas uma das razões que me levam a não ter um cachorro é pela preguiça de passear com ele todos os dias e, mais do que isso, ser obrigado a pegar um troço enorme de cocô de Golden Retriever com um saquinho plástico de supermercado embrulhando a mão. Se você quer ter filho ou cachorro, por favor, carregue-os e limpe os cocôs deles. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Hoje, ao compartilhar o texto da Carol, tive minha Timelime do Facebook invadida por alguns (poucos, ufa!) comentários preconceituosos e alienados. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eu nasci e cresci num meio alienado e, por algum tempo, me tornei um, agi como um. Mas, eu algum momento, eu cresci. Cresci de arrebentar os formatos, de poder ter empatia com o outro, de poder olhar a mulher, o homossexual, o transexual, o portador de deficiência, o gordo, o magro demais, o negro ou o cara de qualquer outra “cor” ou etnia ou origem geográfica como uma pessoa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Simplesmente uma pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Sim, ainda tenho que fazer um esforço para não cair no funcionamento automático de chamar a mulher que me desagradou de “vadia”, o sujeito de “filho da puta” ou “corno” ao invés de apontar e desabafar pela falha na atitude, não pelo aspecto físico ou de julgamento moral daquela pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Via de regra, essa mudança não ocorre naturalmente. Claro, existem aquelas pessoas iluminadas que nascem ou crescem&amp;nbsp; livres desses condicionamentos, provavelmente porque cresceram cercadas de pessoas que souberam ensinar, com a naturalidade dos pardais, a sabedoria da aceitação do outro.Mas em geral não é assim. Para mudar, é preciso ter algum tipo de contato, alguma capacidade de empatia que pode ser uma semente de mudança. E depois, bastante esforço. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Infelizmente ainda ouço de pessoas com quem convivo diversos comentários e opiniões bastante preconceituosos. Gente que em geral, consegue sobreviver dentro do quadradinho do politicamente correto, mas que cospe fogo preconceituoso quando é submetido a algum tipo de estresse ou frustração proveniente daquela pessoa “inferior”, de acordo com seu modo infame de vida. Eu poderia citar vários exemplos de acontecimentos como esse, mas de nada adiantaria. Pra mim, é como assistir “Que horas ela volta?” e falar coisas lindas sobre a atuação da Regina Casé e sobre o empoderamento e xingar o “preto-filho-da-puta” que te fechou no trânsito. Eu prefiro assumir que eu já fiz isso e me esforço para não fazer mais, não apenas para fazer bonito na foto, mas porque, para além do costume de ofender, não é realmente o que penso.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;E por falar em contar histórias, eu fico, como disse Gonzaguinha, “com a pureza da resposta das crianças. Tenho duas colegas de trabalho, uma negra e outra branca, que são amigas. Suas filhas, crianças,&amp;nbsp; são amigas desde o nascimento. Numa festinha infantil, uma outra criança se aproximou e disse para a criança negra: &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Preto brinca com preto e branco brinca com branco”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;A amiguinha branca empurrou essa criança, catou a mão da negra e bradou: &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Ela é minha amiga!”&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Essa historinha diz tudo pra mim. Sobre como educar uma criança para ser preconceituosa e como, por outro lado, criar um indivíduo que mantenha em seu coração e na sua vida a pureza da infância, com cores, com diferenças, mas com equidade. Negar diferenças de cores, formas e desejos não é o modo correto em minha opinião. Certo mesmo é ensinar, desde cedo, que o mundo é uma palheta, uma aquarela de diferenças e que todas podem ser belas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Fernandinha, você perdeu.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/9137418828263266397/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=9137418828263266397' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/9137418828263266397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/9137418828263266397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2016/02/mas-eu-cresci.html' title='MAS EU CRESCI'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://4.bp.blogspot.com/-con9zVr65RE/Vsy3YAcHopI/AAAAAAAACP8/DdQ021AU_b8/s72-c/download.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-6890169400488130324</id><published>2016-02-04T12:16:00.001-08:00</published><updated>2016-02-16T02:31:05.154-08:00</updated><title type='text'>TE AMO, MÃE YEMANJÁ</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-gR_IbNKog0c/VrOw723-Z9I/AAAAAAAACPk/Ov2HoILGwcA/s1600/Iemanja%25CC%2581%2BAfricana.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://3.bp.blogspot.com/-gR_IbNKog0c/VrOw723-Z9I/AAAAAAAACPk/Ov2HoILGwcA/s320/Iemanja%25CC%2581%2BAfricana.jpg&quot; width=&quot;240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;* imagem de Yemanjá retirada do site&amp;nbsp;http://artedearuanda.blogspot.com.br/2012/05/iemanja.html&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Houve um tempo em que eu te repudiava. Achava que era por causa dos seus peitos grandes e caídos, porque arrastava pescadores inocentes para o fundo do mar com seu canto ou mesmo porque roubava os homens das suas filhas, deixando-as solteiras e mal sucedidas nas matérias do coração. Mentia. Eram apenas histórias que ouvia e fingia acreditar. Também não sabia compreender a sua grandeza. E pra mim, toda mulher, toda a cidade tinha quer ser filha da mãe das outras águas, as doces. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Foi quando minha amiga, filha sua, estampou igual bofetada uma verdade inconteste na minha cara lavada: eu não te amava porque tinha problemas com a maternidade, com a maternagem e todo esse monte de atributos e expectativas que depositamos na chamada arquetípica Grande Mãe. Faltou sim o carinho legítimo, faltou não ser usado, faltou ser protegido do monstro que me perseguia noites e dias, faltou ser defendido de ser roubado, faltou dar-me segurança. Não de você, mas da criatura que deveria ser a depositária dessa figura com seus atributos. Faltou tanta coisa. Faltas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Demorei anos e idas e vindas às terapias para poder compreender que ninguém pode dar o que não tem, e mais anos ainda para poder perdoar essa falta advinda da impossibilidade. Foram embora a mágoa e o ódio que faziam sombra à sua aparição. Ficaram, como disse uma vez um dos mestres das terapias, as cicatrizes dos sofrimentos passados. E Deus pode enfim me presentear com a serena visão da sua face, do seu olhar sobre mim, da sua mão afagando silenciosamente a minha cabeça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Deus, não o Deus supremo que tudo pode e tudo vê, mas o deus-em-mim, o todo-poderoso instinto da minha consciência que habita o fundo da minha alma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Foram necessárias muitas peregrinações a sua primeira morada em Terra Brasilis, a Bahia de Todos os Santos, para aprender a te amar, respeitar e te aceitar como Mãe Suprema. Jamais esquecerei&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;o dia em que, estonteado pela sua vibração de amor e dando ouvido aos seus sussurros de mãe, desci as escadarias de seu palacete no Rio Vermelho e fui dar de encontro ao mar, o fabuloso jardim da sua morada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Foi ali, Mãe, que a Senhora me presenteou com o presente dos presentes, a minha própria cabeça. A minha cabeça, tão sua, e me devolvia refeita, renovada ou, melhor dizendo, feita. Feita naquele momento em coral negro, para que eu lembrasse do Caboclo Pedra Preta. Feita negra para que eu lembrasse desse meu reencontro com essas origens africanas. Um coral preto, negro, embreuzado, ebanoide para lembrar o quanto essa cabeça pertence a esse grande pai negro, meu Pai Xangô.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Hoje eu caminho esses caminhos segundo seus desígnios e não me arrependo de nenhum passo dado, exceto por não ter começado antes essa minha jornada e ter me desviado ou parado tantas vezes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-size: 16.0pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt;&quot;&gt;Hoje minha cabeça e meu coração são seus. Da Senhora e de meus Orixás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt; 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style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-cHE7w9MHCds/U3ERh6hoPpI/AAAAAAAACKY/ZTcgeAqjs68/s1600/enfant_peur.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-cHE7w9MHCds/U3ERh6hoPpI/AAAAAAAACKY/ZTcgeAqjs68/s1600/enfant_peur.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;(* Esse texto foi escrito por um paciente meu, que não desejou se identificar, mas pediu que eu publicasse o texto em meu blog para que pudesse ajudar as pessoas com seu texto-desabafo. Tem 32 anos, paulsita, é &amp;nbsp;Professor e Empresário)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;São sete horas da manhã de um domingo de sol e estou super sonolento, então desperto entre os berros da vizinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;“Gabriela, saia daí!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;“Gabriela, já mandei parar!&quot;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Gabriela, não faça isso! Gabriela, não corra, não viva, não brinque, não fale, não se movimente, não me dê trabalho. Para o meu assombro, escuto mais um berro. “Gabriela, sua vagabunda, te falei que não era para fazer isso, você vai apanhar!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Gabriela é apenas uma menina indefesa, com menos de três anos de idade. Os vizinhos falam que ela tem Síndrome de Down, e já reclamaram para a síndica dos berros de sua mãe descompensada. Os gritos ardidos com a pequena vêm das janelas do apartamento do bloco ao lado do de um amigo onde estou hospedado num final de semana quase agradável. Os berros me remetem ao meu passado triste, quando era acordado por Mamãe, também aos gritos. &quot;Acorda, seu vagabundo! Vai procurar emprego”. Assim, sem “bom dia!”, com uma dose de raiva, de rancor. Fingia não perceber e nem ligar, mas com tanto berro e com tanta falta de carinho e compreensão, tanta falta de respeito me transformei num adulto inseguro. Sabia que o problema não era comigo de fato e que estava pagando pelos tormentos de uma Mãezinha neurótica. Filho sente, nossa e como sente. Sentia que, se pudesse, minha mãe me acordaria com pontapés.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Meu padrasto certa vez esmurrou a porta do banheiro. Ele queria usá-lo e como sempre tinha a prioridade. Com a sua superioridade e arrogância, achava-se superior e melhor que todos em casa. Eu estava apenas me arrumando, penteando meus cabelos. Sempre fui vaidoso. Acredito até hoje que é importante se apresentar bem nos lugares.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Ele gritou, “Saia daí sua bicha!” Eu moleque, no armário, pedindo todos os dias para Deus que aquele desejo não se manifestasse. O banheiro era meu armário também, com medo de apanhar ou ser expulso de casa, aos 14 anos de idade, sabia que não seria fácil. Gritou com raiva, para me humilhar. Fui colecionando uma série de apelidos e xingamentos até o dia que implodi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Implodir fez com que eu procurasse ajuda e entendesse como alguém que foi feito para te dar carinho e amor pode levá-lo a tanto medo, dor e mágoa. Tanta insegurança por não dizer assim: “Filho eu te aceito como você é, e o mais importante e que sejas feliz!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Tenho um amigo que sua mãe o levava no Carandiru, já bem pequeno, aos 5 anos de idade, para visitar o Pai, que era traficante de drogas e já tinha cometido 2 latrocínios. A mesma mãe, numa miséria danada dentro de casa, poucos pães, tirava o pouco que tinha dentro de casa, segundo Pedro, para dar para uma dessas igrejas neopentecostais, e pior que, para o meu espanto, a instituição aceitava o dizímo dessa pobre alma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;A Mãe de Pedro achava importante levar o pequeno inocente para ver o seu pai. Não sabia o mal que causava. Imagine você o que esse menino viu nas visitas ao presídio e o que ele me relatou ter aprendido lá dentro. Em plena formação de seu caráter, Pedro era exposto a sexo explicíto entre as frestas dos lençóis, usuários cheirando, fumando e bebendo, assaltantes, estupradores e,em meio a tudo isso, reuniões familiares afetuosas com aroma de cravo, rosas e mofo, muito mofo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Meu amigo hoje está com 22 anos e aos 17 foi adotado por uma família, atualmente usuário de cocaína, está separado da sua mãe de sangue como ele gosta de dizer, tem transtorno obsessivo compulsivo e tenta ser feliz num quarto e sala mofado em Diadema, na grande São Paulo. Desempregado, conta com a ajuda de amigos para comer. Considero ele um sobrevivente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;E meu banheiro é digno de uma Diva!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Eu apanhei muito nessa vida até entender que ser feliz dá trabalho e que a chave é ter controle emocional. Desculpar-se, nutrir-se de coisas que você gosta de fazer, se divertir, são coisas que vão te levar para um lugar muito longe da dor emocional. Uma vez que você foi ferido por um algoz e esse pode ter sido seu pai ou sua mãe, as feridas demoram a cicatrizar e temo em dizer que talvez elas nunca cicatrizem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Mas eu cresci e com o autoconhecimento, hoje me sinto seguro! Compreendi minha mãe e minha mágoa está sendo tratada. Fui muito agradedo por ser diferente. E hoje sei que a diferença não vem somente da sexualidade, basta você não ser como seus pais querem que você seja. Olho o movimento ao meu redor e vejo os pais refletindo em seus filhos todas as suas angústias e dificuldades. Projetando sonhos em seus filhos sem perguntarem se eles realmente desejam aquilo para suas vidas. Certa vez, um outro amigo, mais velho, pai de 3 filhos, me ensinou que única certeza da paternidade é que você vai errar mas que também é maravilhosa a experiência de ser pai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Claro que eu respeito a maternidade e a paternidade, o que eu não respeito e aliás tenho horror e nem um pingo de tolerância&amp;nbsp; são os adultos que se metem a criar filhos sem planejamento e amor! Não entendo Deus nessas horas. Não sei se quero entender. Dar o poder da paternidade e maternidade para criaturas tão irracionais fazerem tanta maldade aos seus filhos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Pais neuróticos projetam suas aflições e destemperos em seus filhos, causando em suas vidas e em suas formações distorções da realidade. Eu posso falar por experiência própria porque tive muita dificuldade de convivência com meninos e meninas considerados “normais”, ou seja, heterossexuais, ou que foram criados com mães mais centradas e pais mais zelosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Filho é um projeto de vida, um benção de Deus para ser cuidado e educado com amor e respeito mesmo sendo diferente de qualquer padrão imposto por uma sociedade institucionalizada, preconceituosa e normativa. Não para que você projete sonhos e descarregue angústias e aflições, ou utilize como investimento para futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Trebuchet MS&#39;; margin-bottom: 8px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Acredito que o caminho do sucesso para uma criança é educação e felicidade, e VIVA A&amp;nbsp; DIFERENÇA!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/6952262112211997649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=6952262112211997649' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/6952262112211997649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/6952262112211997649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2014/05/reflexao-sobre-semente-da-inseguranca.html' title='REFLEXÃO SOBRE A SEMENTE DA INSEGURANÇA PLANTADA POR PAIS NEURÓTICOS EM SEUS FILHOS.*'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-cHE7w9MHCds/U3ERh6hoPpI/AAAAAAAACKY/ZTcgeAqjs68/s72-c/enfant_peur.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-8971610577511411910</id><published>2014-04-24T19:00:00.000-07:00</published><updated>2014-04-24T19:05:11.063-07:00</updated><title type='text'>SOBRE ABISMOS, LABIRINTOS E LÁGRIMAS</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-wHIJ9Ev8I_8/U1nBFQ7itNI/AAAAAAAACJ4/ok9-3khBazU/s1600/Unknown-1.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-wHIJ9Ev8I_8/U1nBFQ7itNI/AAAAAAAACJ4/ok9-3khBazU/s1600/Unknown-1.jpeg&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: red; font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: red; font-size: large;&quot;&gt;Vez ou outra, a alma de alguma das mulheres da minha vida se apossa de mim. E pensa, fala, gesticula, escreve como ela, ou o que ela sente. Cada vez mais entendo, aceito e gosto de ser invadido por elas. É um jeito de amá-las e sê-las.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Eu não sei o que acontece, mas vez ou outra acontece. É como se o chão se abrisse em fendas sanguinolentas transpirando o calor da terra e o céu se partisse em chuvas levemente salgadas como as chuvas que escorrem dos olhos e hidratam a boca seca de desejo. Adoro quando ocorre assim. Meu coração angustiado, um aperto omisso de causas minhas conscientes faz descarrilar uma bateria toda de bumbos, caixas e bongôs, num tum-tum-rá-tá-tum-toque-toque que chega a parecer que a morte está me desfiando pedaços, como uma carne-de-sol-sem-sol. Sim. Quando morrer de fato quero que a morte que venha me buscar seja uma daquelas bem cangaceiras nordestinas. E nesse desespero, de repente o anjo me toca o coração com sua unha afiada, pontuda como uma chave de fenda e faz girar o botão emperrado que não deixa a emoção vazar. Estou entupida. Travei. Faz anos que estou assim, parada de emoções e desejos, secretamente morta, passando mal, contorcendo-me de um desespero que é tudo e nada e coisa nenhuma, tudo ao mesmo tempo. E enquanto o anjo me finca seu dedo cristálico, girando as ruelas de meu coração como as de um cofre enferrujado, eis que me vou pouco a pouco desentupindo e novamente me tornando humana. Somos pessoas-casas cheias de defeitos e reparos a fazer. Agora estou com vazamento. Mas é um vazamento bom. À medida que o anjo girou a rosca, torceram-se acidentalmente as conexões enferrujadas do cano que liga minha dor ao cérebro e acho que é por isso que sentia esses entupimentos e não sabia com as letras mudas da consciência o que se passava comigo. Uma espécie de cegueira interna. Destravei. Agora estou com vazamento. Desses que juntam tanta água de soro caseiro que as letras da tristeza vão boiando pelo caminho das sinapses. E a cabeça vai ficando cheia de água, tanta água que aperta os giros, que chega a fazer doer. Tem gente que chama de enxaqueca. Eu chamo de enchente mesmo. Lá vem de novo o anjo com seu dedo pontudo. Precisa deixar vazar a água pelos escoadouros do ladrão. E ele mete o dedo no meio do meu astigmatismo, procurando um lugar, bem ali, por onde deixar a aguaceira toda escorrer. Achou uma cuia onde repousam os olhos. E de forma que esse anjo é muito ecológico, os olhos aproveitam para se banharem pela água que vaza. E como nenhuma outra parte do corpo mais, os olhos são capazes de enxergar o que nenhum outro órgão vê. E como é bonito ver descer a água do cérebro, banhando os olhos, deixando passar letrinha por letrinha da tristeza a descer pelas corredeiras da vida. Espetáculo maior ainda está por vir. É quando vaza o tal soro caseiro através da cuia dos olhos e as lágrimas vão saltando, uma a uma, num ballet de suicídio coletivo. O suicídio da tristeza. É como se cada gota que se suicidasse carregasse consigo a tristeza em pedaços. Tristeza moída, agora úmida e fofa, que nem farofa de pobre. E cada gotinha de tristeza aguada desce pelo corredor da face. Tem umas que morrem morridas mesmo. Têm outras que aportam nos lábios secos, umedecem uma existência até então seca e faz a boca querer dizer que ama alguém. Toda vez que vazo pelas canaletas da alma sinto vontade de dizer que amo. Amo meus amores, meus amigos, meus familiares – mas somente os que amo de fato. Agora que o soro caseiro hidratou minha alma não sinto mais angústia. Sinto um desespero inconteste de estar viva,de amar, de ser amada, de amor de todas as formas. Não estou mais oprimida. Sobrou um coração oco boiando nessa aguaceira toda.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;; min-height: 15px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large; letter-spacing: 0px;&quot;&gt;E então aparece o homem dos sonhos. Com capa de super-herói, sem medo de me levar para voar. E ele chega disposto a me levar para voar e me tira do chão. Nem pergunta se eu quero, porque ele e eu sabemos que eu quero. Eu sempre quis. Mas sempre não fui. E me fui toda embora com ele, sobrevoando telhados e desviando dos prédios espelhados modernos. Sou livre presa a ele. E sou presa quando ele me liberta, de forma que sou presa fácil sempre. E é de repente que ele resolve me libertar. Não avisa, não deixa recado, desaparece. Não sei se volta para me prender de novo nas asas da liberdade. Não sei se tem amor, mas sou tomada por um gesto dele que é como se fosse um gesto de amor. Pode não ser nada disso ou tudo isso ou tudo isso e nada disso misturados. O fato é que, voando em meio aos vazamentos, deixei escorrer demais o soro e com ele as letrinhas da tristeza. Não estou mais entupida. Agora me encontro seca. Dessas securas desidratosas dos amores que vão embora. O pior é que ele contaminou as minhas águas. Deixou o perfume, o cheiro de mágica e o cheiro de cheiro bom se misturarem com as águas da minha existência. E tudo evaporou tão rápido. Mas ficou o cheiro dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/8971610577511411910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=8971610577511411910' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8971610577511411910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8971610577511411910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2014/04/sobre-abismos-labirintos-e-lagrimas.html' title='SOBRE ABISMOS, LABIRINTOS E LÁGRIMAS'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-wHIJ9Ev8I_8/U1nBFQ7itNI/AAAAAAAACJ4/ok9-3khBazU/s72-c/Unknown-1.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-1440123472225847043</id><published>2014-04-23T05:48:00.001-07:00</published><updated>2014-04-23T06:57:55.569-07:00</updated><title type='text'>CARENTES DE EMOÇÃO</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-lbyWz8jAUXI/U1e2lFOORqI/AAAAAAAACJo/UGgRLi04CVs/s1600/Unknown-1.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-lbyWz8jAUXI/U1e2lFOORqI/AAAAAAAACJo/UGgRLi04CVs/s1600/Unknown-1.jpeg&quot; height=&quot;106&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Vídeo incrível, impossível não chorar. Cena emocionante, você vai morrer de tanto chorar. Momento incrível quando a gorila de quarenta anos descobre que seu gato de estimação morreu atropelado. Incrível cena de africano bebendo água pela primeira vez. Irmãos se emocionam ao se reencontrarem depois de terem sido separados a vida inteira. Imperdível. Casal comemora 78 anos de casamento. Jibóia se emociona ao perceber que engoliu a própria filha. Esses são os temais mais recorrentes nas Timelines do Facebook atualmente.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Tá certo, muitos desses vídeos são mesmo emocionantes, até chorei ao assistir alguns deles. Mas tenho percebido que eles são cada vez mais frequentes e compartilhados, como se a humanidade precisasse produzir emoções em ambiente virtual.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Nas grandes cidades, somos cada vez mais trancafiados e forçados a adentrar o mundo cibernético. O medo da violência, a violência de fato, que nos impede de abrir os vidros para sentir o vento na cara, de sentar numa mesa da calçada, de caminhar pelo bairro durante a noite. A escalada dos preços que torna o divertimento cada vez mais caro a cada dia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Tudo que se inventa é rapidamente transformado em consumo. Nem tinha notado até ouvir da boca de um amigo como ir ao cinema e assistir os filmes da mostra X ou os filmes que concorrem ao Oscar, se tornaram uma corrida tão consumista quanto as famosas liquidações de Nova Iorque. Mais do que assistir, o cinem&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;a hoje é uma grande competição consumista dos quantos filmes você conseguiu ver no menor tempo possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Cinemas cheios, corrida por lugares até na internet, fazem muitas pessoas desistirem da telona e se confinarem ainda mais nos recursos que a internet e a TV a cabo podem oferecer sem sair de casa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Seja por esse ou por uma tonelada de outros motivos, somos cada vez mais capturados pela tela de computador e pelos seus recursos. E nas redes sociais, encontramos, batemos papo, falamos bobagens. Tem gente que faz sexo, namora, faz happy hour. Discussões políticas, correntes religiosas, trocas de ofensas, traições. Tudo ocorre dentro de uma rede social e, de repente, a vida virtual fica chata, tediosa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;Nesse mundo que hoje mescla virtual e real, há carência de afeto. Por mais que sejamos cooptados por diversas emoções na rede, faltam encontros verdadeiros, abraços, beijos, cheiros e olhares. Mesmo que possamos conversar por Skypes, Facetimes, MSNs e tantos outros comunicadores, não há magia de amor, não há magnetismo real neles.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;É pra isso que servem os vídeos aos quais me refiro. São para irrigar as emoções, antes que fiquem áridas, plásticas. Antes que o coração seja sequestrado pela artificialidade dessa internet devoradora de afetos, antes de deixemos de produzir lágrimas evolutivamente porque deixaram de ser necessárias.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/1440123472225847043/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=1440123472225847043' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/1440123472225847043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/1440123472225847043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2014/04/carentes-de-emocao.html' title='CARENTES DE EMOÇÃO'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-lbyWz8jAUXI/U1e2lFOORqI/AAAAAAAACJo/UGgRLi04CVs/s72-c/Unknown-1.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-339467640193215199</id><published>2014-03-29T04:18:00.001-07:00</published><updated>2014-03-29T10:23:25.826-07:00</updated><title type='text'>#DESARQUIVANDO </title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-S-Gx3qU9f5A/Uzar4Chx8pI/AAAAAAAACHY/cc8s1rDcZOo/s3200/cropped-desarquivandobr.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-S-Gx3qU9f5A/Uzar4Chx8pI/AAAAAAAACHY/cc8s1rDcZOo/s3200/cropped-desarquivandobr.jpg&quot; height=&quot;67&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica;&quot;&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Meu avô era um homem misterioso. Um homem sério, de poucas brincadeiras, mas que soube me dar carinho através de sua presença, de sua companhia e de seus ensinamentos. Ao longo dos anos, muita coisa de sua face misteriosa foi sendo revelada, ainda em vida: além da nossa família, ele ainda tinha mais duas paralelas. E um monte de amantes. Uma dessas famílias tive a oportunidade de conhecer e conviver, pessoas que respeito muito, apesar de conviver pouco hoje em dia. Mas sua “segunda&quot; esposa, que como a minha avó foi esposa a vida inteira e ficou ao seu lado até o dia de sua morte, foi uma pessoa com quem convivi, de quem gostei e achei até a chamar de “vó”, para ira de alguns familiares.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Por mais chocante que fosse essa revelação da secreta vida conjugal do meu avô, essa ainda não era sua parte mais misteriosa. Meu avô tinha uma profunda relação com a espiritualidade. Não falava disso com ninguém, não era panfletário sobre suas crenças e o máximo que tive de contato com sua fé era quando rezávamos todas as noites antes de dormir, enquanto ele morou comigo. Sobre a cabeceira da cama, alguns livros espíritas, um evangelho e a foto da minha avó Izolina. Sim, eu acredito que ele a amou, tanto quanto ele amou sua outra esposa, do mesmo jeito que ele amou tantas outras mulheres, algumas que até cheguei a conhecer.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Mas ele guardava um outro grande segredo: numa época de sua vida em que havia trabalhado como operário numa fábrica, ele se envolveu com política. Chegou a ser preso e ficou um tempo desaparecido da família, porque havia sido acusado de “roubo”, coisa que era quase impossível de acreditar. Na cadeia, foi torturado, passou fome, mas sobreviveu. Nunca falava sobre isso, apenas manifestava, vez ou outra, o ódio que tinha da polícia, pela violência à qual havia sido submetido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Felizmente, meu avô voltou para casa. Inteiro, sem grandes sequelas físicas ou psíquicas. Desempregado e com a “ficha suja”, chegou a trabalhar novamente como engraxate pelas ruas da cidade para sustentar suas famílias. E assim o fez. O que será que ele fez para conseguir sobreviver? Assumiu a culpa do tal “crime”? Entregou amigos de uma luta política? Ninguém jamais saberá. Com seu corpo, foram enterradas tais memórias. O fato é que ele pode voltar para casa, viu filhos, netos e bisnetos nascerem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Quando lembro dessa história, paro pra pensar em quantas foram as pessoas que desapareceram nos porões da ditadura militar no Brasil. Quantos foram os pais e mães brasileiros que, como meu avô, foram presos, torturados e, muito pior que isso, nunca voltaram para casa? Quantos tiveram que fugir com o intuito de garantir a vida, deixando para trás família, filhos, pertences? Quantos foram torturados e submetidos a procedimentos médicos, maus tratos, choques e outros tipos de tortura pela simples razão de desejarem lutar contra a opressão e possuírem pontos de vista diferentes?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Infelizmente, mais do que todas as pessoas que passaram por isso, existe um número incontável de pessoas que se mantém num limbo de ignorância e alienação sobre tais assuntos. Pessoas imersas num mundo de fantasias e mitos sobre os “comunistas”, os “vagabundos rebeldes” que “ameaçaram a paz e a ordem do país”. Apesar da incrível história do meu avô, muitos de minha família nem fazem idéia do que se passou com ele e vivem numa total alienação, alienação essa que vivi e compartilhei por anos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Pela memória do meu avô, pela memória de tanta gente que sofreu, que foi torturada, que morreu por um ideal, pelas músicas proibidas, pelos livros queimados ou recolhidos e, sobretudo, porque isso pode acontecer de novo, é preciso que essas histórias sejam contadas, reveladas, trazidas à tona. E é por esse motivo que apoio integralmente a abertura dos arquivos da ditadura civil-militar, a revisão da Lei da Anisitia e a punição dos torturadores, bem como a mudança de nomes de logradouros públicos que ainda ostentam e exaltam no coletivo a presença de ditadores e torturadores.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Não apenas pelo resgate histórico e pelo respeito às vítimas do passado, mas pela importância de conhecermos mais e mais a história que governantes esconderam de nós para a manutenção da alienação das massas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;h2&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-weight: normal; letter-spacing: 0px;&quot;&gt;Para saber mais: &lt;a href=&quot;http://desarquivandobr.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0px;&quot;&gt;http://desarquivandobr.wordpress.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;/h2&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; min-height: 13px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;letter-spacing: 0.0px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/339467640193215199/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=339467640193215199' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/339467640193215199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/339467640193215199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2014/03/desarquivando.html' title='#DESARQUIVANDO '/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-S-Gx3qU9f5A/Uzar4Chx8pI/AAAAAAAACHY/cc8s1rDcZOo/s72-c/cropped-desarquivandobr.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-4259179336673460361</id><published>2014-03-18T20:21:00.000-07:00</published><updated>2014-03-18T20:21:41.446-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIAS AFETIVAS</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-rzRvTdIVTDE/UykNOVplIFI/AAAAAAAACGw/mX51yRp1ZdE/s3200/ma.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-rzRvTdIVTDE/UykNOVplIFI/AAAAAAAACGw/mX51yRp1ZdE/s3200/ma.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Semana passada visitei pela segunda vez um restaurante brasileiro em Nova Iorque. Nunca fiquei tempo suficiente fora do Brasil para sentir falta da comida brasileira, e acho que, se morasse lá, não haveria algo que não soubesse cozinhar que fosse servido no tal restaurante. A vantagem de de sair de Manhattan e ir até o Queens é poder comer tudo de uma vez, sem sujar a louça de casa: picanha, feijoada, coxinha, pastel, pão de queijo e pudim de leite.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Mas a empreitada não se resumiu ao restaurante. Saímos de lá direto para o supermercado de produtos brasileiros, coisa muito, muito engraçada de se fazer na cidade. De repente, um Brasil de supermercado se abre à nossa frente: pão de queijo, sagu, acarajé, picanha, guaraná Antarctica, sabonete Phebo, paçoquinha, goiabada, queijo fresco, requeijão e Sonho de Valsa! Dentro do mercado, um monte de gente falando português, coisa que não é incomum nos dias de hoje. Em volta do balcão de lanches, brasileiros conversavam em alto tom de voz, apropriando-se do espaço com ares de boteco.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Ir a esse lugar não me causou quase nenhum impacto. Porque, como eu disse, não moro lá e já fui e voltei tantas vezes que não tenho tempo de sentir falta. Além disso, vejo que a maioria dos produtos que as pessoas procuram são encontrados em mercados americanos, até com uma qualidade muito superior. Qual a necessidade de comprar sabão em pó OMO, detergente Limpol e palha de aço Bombril? E feijão brasileiro? Já cozinhei arroz com feijão em Nova Iorque e posso garantir que ficou bem mais gostoso com o feijão de lá.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Logo depois aterrisei e pensei naquele brasileiro imigrante, vindo dos confins do Brasil, clandestino, sem saber falar uma palavra em inglês e que ficará anos prisioneiro da sua clandestinidade, impossibilitado de saber ler um letreiro &quot;estrangeiro&quot; na terra que ele escolheu ganhar a vida. Como um mineiro que conheci um tempo atrás, que mesmo após dez anos morando em Nova Iorque, não falava inglês e só frequentava restaurantes brasileiros, porque dizia não gostar da comida americana, mas a verdade é que mal sabia ler um cardápio.Para esse cara, encontrar óleo Mazola, molho de tomate Etti e desinfetante Pinho Sol salva a sua vida.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Mas não é só pra facilitar a vida prática do imigrante que essas coisas existem. Elas servem para ativar a nossa memória afetiva. Elas servem para trazer um pouquinho da lembrança do lugar, coisa ou pessoa que liga a nossa mente a uma determinada emoção. É claro que esse afeto nem sempre é positivo, e imagens, sabores e cheiros podem nos remeter a sensações desagradáveis presas em nossa memória.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Interessante é pensar que a memória afetiva pode ser apenas uma ilusão. Fazer bolo com o chocolate do Padre não necessariamente vai deixar um bolo mais gostoso. E nesse momento, a mente forja desculpas para manter o afeto daquela memória: não ficou bom porque o leite era de outra marca, porque o forno era diferente ou porque quem fazia mesmo o tal bolo era a Vó Fulana, e ninguém acerta como ela.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Nada de mal em preservar essa energia quando o afeto é bom ou quando essa ilusão nos auxilia à manutenção de um equilíbrio, mesmo que seja através da saudade. Mas o que acontece quando ele nos aprisiona, impedindo de crescer ou de seguir em frente? Nem sei dizer se há respostas ou outra &quot;cura&quot; para esse aprisionamento que não seja o próprio tempo, colocando novas experiências à mostra, como oportunidade de olhar a vida de outros pontos de vista.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Eu, particularmente, nem sei se quero me livrar dessas memórias e seus afetos. Tem alguns negativos sim, mas que consigo guardá-los &amp;nbsp;numa caixinha, deixando-os dar uma volta vez ou outra. Mas quero manter o cheiro do bolo de laranja da minha tia, o frescor do vento batendo em meu rosto na minha primeira volta de bicicleta sem rodinhas, a sensação de segurar as orelhas de meus avós na estrada, indo para a praia, símbolo máximo do meu elo de amor com eles e o perfume no pescoço do amor da minha vida, no primeiro dia que nos vimos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13px;&quot;&gt;Imagens, cheiros, sensações, sabores, sons. Sentidos que dão sentido à minha existência, &amp;nbsp;porque me constituíram, me compuseram.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/4259179336673460361/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=4259179336673460361' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/4259179336673460361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/4259179336673460361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2014/03/memorias-afetivas.html' title='MEMÓRIAS AFETIVAS'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-rzRvTdIVTDE/UykNOVplIFI/AAAAAAAACGw/mX51yRp1ZdE/s72-c/ma.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-8585800868237929171</id><published>2013-11-25T15:34:00.000-08:00</published><updated>2014-01-26T04:51:53.668-08:00</updated><title type='text'>CONSCIÊNCIA NEGRA, INCONSISTÊNCIA BRANCA. </title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-F1ljPJ-VcyI/UpPbXttUjII/AAAAAAAACF0/xlcMv25Jg-c/s1600/images.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-F1ljPJ-VcyI/UpPbXttUjII/AAAAAAAACF0/xlcMv25Jg-c/s1600/images.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;É...faz tempo que não escrevo nada aqui. A minha experiência como colunista do site PPQO (paupraqualquerobra.com.br) meio que &quot;roubou&quot; minha inspiração e acabei trocando o &quot;Cul&quot; pelo &quot;Pau&quot;. Mas para me sentir inteiro novamente, quero voltar a postar aqui os meus pensamentos, minhas idéias. Publiquei esse texto no Facebook no Dia da Consciência Negra. Para quem não viu, fica aqui, eternizado no blog.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;center&quot; class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: center; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13pt;&quot;&gt;Tenho ouvido muitos comentários de pessoas criticando o Dia da Consciência Negra. Todo mundo critica, mas ninguém abdica. Há quem tenha inclusive aproveitado o tão renegado feriado para emendar a semana em Nova Iorque, Miami ou Buenos Aires.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;O Carnaval brasileiro também é uma festa negra, um feriado negro. O ritmo e os instrumentos que sacodem nossos corpos no samba foram trazidos por negros, diretamente na África. A maioria das Escolas de Samba, dos blocos e afoxés espalhados pelo Brasil - e hoje até pelo mundo - reverenciam o Candomblé, uma religião de matriz africana, de matriz negra, uma religião de negros.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Mas isso está suficiente para a nossa sociedade. Negro é feito para sambar, fazer macumba e servir as nossas casas. E oferecer seu corpo secretamente desejado. Ninguém se importa com o fato de que a quantidade de negros nas universidades públicas, nos cargos de liderança públicos e privados é ínfima.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Outro dia fui a um hospital estilo &quot;Nouveau Riche&quot; e fiquei perplexo: à porta, um concierge negro, abrindo a porta para os carros, usando quepe e luvas brancas, sempre cordial e sorridente. Qual a necessidade de haver um concierge, nesses trajes, já que haviam manobristas? Deve ter gente que se sente bem chique sendo reverenciado por um vassalo forçadamente submisso.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Sinto vergonha das dondocas que desfilam por aí com suas babás de uniforme branco, cuidando dos filhos delas e passeando com seus cachorros nas horas vagas. De novo: você tem o direito de &quot;ter&quot; uma babá, mas será que esse ter lhe dá o direito de vestí-la com um uniforme, como uma dama de companhia colonial? Faltam as pulseiras e coleiras de ouro ostentando o poder dos senhorios.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Sou um homem branco. Cresci num bairro de classe média da cidade, onde eram poucos os negros. Minha família &amp;nbsp;&quot;orgulhosamente&quot; branca sempre teve muito pouca tolerância com a negritude, com a presença negra perto de nós. Meu pai era daqueles que faziam piadas e comentários incorretos sobre negros.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Eu não sei de onde veio o meu amor pela negritude. Talvez de outras vidas, talvez dessa vida mesmo, pelo amor da Narcisa, a empregada baiana desajeitada que me deu tanto &amp;nbsp;amor e carinho na infância. Assim também se passou com Elza, Madalena, Helena, as negras mulheres da minha vida que amaram a minha frágil e triste existência branquela rejeitada pelos mesmos brancos que me criaram, me chamando de gordo, lerdo, bastardo e “viado”.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;A Bahia e o Candomblé derreteram meu coração de vez, mas com certeza esse amor já existia. Ele encontrou porto, morada, no cerne de uma religião complexa, elaborada e em cujo alicerce está a compreensão das diferentes naturezas humanas, da diversidade.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Talvez seja mesmo a rejeição que tenha jogado a minha alma para o lado dos excluídos. Talvez ter passado tanta necessidade naqueles sofridos anos da faculdade, dormindo e batendo a cabeça nos vidros dos ônibus, tenha despertado a identificação com tanta gente, negra ou não, que sofre privação, exclusão e preconceito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Dizem que tem um negão dentro de mim. E eu acredito. Mas se os negros são os humanos mais antigos do mundo,&amp;nbsp;todo mundo, cada pessoa vivente, por menos que se aceite ou deseje, tem ao menos uma gota do sangue desses ancestrais correndo em suas veias. Aqueles que chamam os negros de macacos, vale lembrar, então, que todos nós temos, em ao menos uma molécula, algo desse mesmo macaco.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-autospace: none;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:DontAutofitConstrainedTables/&gt;   &lt;w:DontVertAlignInTxbx/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; LatentStyleCount=&quot;276&quot;&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt; &lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable  {mso-style-name:&quot;Table Normal&quot;;  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:&quot;&quot;;  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-ascii-font-family:Cambria;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Cambria;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;} &lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;   &lt;!--StartFragment--&gt;                                                 &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;font-family: Helvetica; font-size: 13.0pt; mso-bidi-font-family: Helvetica;&quot;&gt;Eu espero que esse dia, que essas palavras, sejam faróis a iluminar a nossa ignorância e um sincero pedido de perdão à raça negra e ao meus ancestrais negros por todo o preconceito que já tive e pelos restinhos que ainda possa ter.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/8585800868237929171/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=8585800868237929171' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8585800868237929171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8585800868237929171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/11/consciencia-negra-inconsistencia-branca.html' title='CONSCIÊNCIA NEGRA, INCONSISTÊNCIA BRANCA. '/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-F1ljPJ-VcyI/UpPbXttUjII/AAAAAAAACF0/xlcMv25Jg-c/s72-c/images.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-1532190952538899622</id><published>2013-09-19T17:21:00.002-07:00</published><updated>2013-09-19T17:34:41.945-07:00</updated><title type='text'>BEEFCAKE: PEDAÇOS DE CARNE SEM ALMA.</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:DocumentProperties&gt;  &lt;o:Template&gt;Normal.dotm&lt;/o:Template&gt;  &lt;o:Revision&gt;0&lt;/o:Revision&gt;  &lt;o:TotalTime&gt;0&lt;/o:TotalTime&gt;  &lt;o:Pages&gt;1&lt;/o:Pages&gt;  &lt;o:Words&gt;651&lt;/o:Words&gt;  &lt;o:Characters&gt;3713&lt;/o:Characters&gt;  &lt;o:Company&gt;UNIFESP&lt;/o:Company&gt;  &lt;o:Lines&gt;30&lt;/o:Lines&gt;  &lt;o:Paragraphs&gt;7&lt;/o:Paragraphs&gt;  &lt;o:CharactersWithSpaces&gt;4559&lt;/o:CharactersWithSpaces&gt;  &lt;o:Version&gt;12.0&lt;/o:Version&gt; &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:DontAutofitConstrainedTables/&gt;   &lt;w:DontVertAlignInTxbx/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; LatentStyleCount=&quot;276&quot;&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt; &lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable  {mso-style-name:&quot;Table Normal&quot;;  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:&quot;&quot;;  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-ascii-font-family:Cambria;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Cambria;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;} &lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;   &lt;!--StartFragment--&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-JglxZ-aXt_I/UjuU7xIr_BI/AAAAAAAACDI/iMf5guZO3OE/s1600/1237806_10201455908653338_481264090_n.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-JglxZ-aXt_I/UjuU7xIr_BI/AAAAAAAACDI/iMf5guZO3OE/s320/1237806_10201455908653338_481264090_n.jpg&quot; width=&quot;213&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;“Carne Fresca” é o nome em português dado ao filmezinho ridículo de 1998 que conta a história de Bob Mizer, um fotógrafo e cineasta americano que na década de 50&amp;nbsp; conduziu um estúdio foto-cinematográfico de arte homoerótica e também acusado de aliciamento e favorecimento de prostituição masculina.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Beefcake é, entre outras coisas, o nome que se dava aos corpos sarados que hoje em dia chamamos de “Barbies” e assim eram chamados os “modelos” de Mizer. Embora essa gíria tenha aparentemente ficado para trás, ela deixou diversos herdeiros. Chamamos pejorativamente de “açougues” os lugares onde se vai à caça sexual de elementos masculinos; falamos de “abatedouros” os locais onde as “caças” são “comidas” ou “feitas”; até mesmo os aplicativos cibernéticos de “caça” herdaram o potencial antropofágico de “beefcake”: temos o moedor de carnes gays, o “grindr” e o triturador de pererecas, o “blendr”. Isso não é privilégio dos gays: homens, mulheres, travestis, transexuais, ou comem ou são comidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“Ele é apenas um pedaço de carne”, disse um amigo, referindo-se a um “peguete” que lhe cobrou atenção e respeito para além da postura que sempre mantivera: a de um objeto sexual dado a encontros sexuais. É quase a mesma coisa que querer comer acém com sal de trufas ou tomar champagne com miojo. Acém e miojo podem ser ótimos para matar a fome, mas são apenas acém e miojo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas não é só no sexo que as pessoas se tratam como peças de picanha na vitrine do açougue. Ver, ser visto e enfim, ser admirado perante os demais, exibindo-se como carnes tenras penduradas em ganchos inoxidáveis é um fenômeno que existe desde antes dos mercados persas, mas que toma um vigor inenarrável na nossa atual sociedade de consumo. Hoje, mais do que nunca, portamo-nos como itens expostos em vitrines. Somos, enquanto sociedade, carnes putrefatas “enfriboizadas” de venenos conservantes e narcotizantes, espelhadores de pretensas belezas, tantas vezes faltosas, perdidas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E por falar em carne podre, o que são as poses cadavéricas das divas globais, artisticamente despejando seu pretenso luto sobre as questões políticas nacionais? Tudo bem, “ça va, ça va”, todo mundo pode protestar. Mas Suzana Vieira, a espancadora de amantes da novela das oito, a barraqueira ex-mulher do policial cheirador morto, fazendo cara de pum fedido no close para o luto pelo país? Junto dela, Carol Castro e Bárbara Paz, a força jovem das ativistas políticas globais, bastante acostumadas a depoimentos bastante politizados nos programas super políticos do GNT, como GNT-Fashion, Super Bonita e Alternativa Saúde, entre outros arautos da vida super politizada do país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas fortalecedor e regozijante é ver as matusamusas da democracia, presença marcante no cenário político do país, de luto pela corrupção, cheirando o pum da Suzana Vieira. Rosamaria Murtinho, que interpretou importantíssimos papéis políticos, como&amp;nbsp; Romana Ferreto com seu gigolô (gostosíssimo, por sinal) em “A próxima vitima” ou a Princesa Isabel em “Chica da Silva” ou Mirelle Darrieux em “Guerra dos Sexos” e Nathalia Timberg, chiquérrima, como a politicamente correta Celina Junqueira, tia da Heleninha bêbada em “Vale Tudo”, ou como Irmã Dulce em “Caso Verdade” ou Constância Eugênia em “O Dono do Mundo”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Pra quem precisar de legendas, esclareço que estou fazendo ironia com as atrizes. É bem provável que a Globo, com essa foto ridícula que deu origem à série, continue postando foto de outros ativistas políticos, como o Faustão, a Xuxa e a Simone. Por favor, fortaleçam minha participação politica: não poderei acreditar num país melhor enquanto não posarem de luto o Malvino Salvador, Henri Castelli e o elenco masculino JOVEM da Malhação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Também é importante esclarecer que, obviamente, é uma grande e GLOBAL forma de participação política. Daquelas antigas, tipo Voto do Cabresto ou mesmo das coisas do tempo da escravidão, quando os senhores de engenho adornavam com ouros e pedras as suas escravas, a desfilarem pelas ruas dos vilarejos coloniais em demonstração de riqueza e poderio. As beldades globais exibem suas coleiras, como o fez Luma de Oliveira no Carnaval de 2005. Um amigo chamou as beldades frequentadoras do Le Vin de “Coxinhas Rivoltradas” e achei perfeito. Nada mais coxinha que fazer cara de peido ao lado da Suzana Vieira, que tem bem a cara de quem usa bolsas da Carmen Stephens (Tem coisa mais ridícula e coxinha do que pagar 2 mil reais uma bolsa com esse nome? ). Haja Rivotril. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-i7IvbEnNlFE/UjuYE_wh8GI/AAAAAAAACDU/VaGvPKSaa0M/s1600/images.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-i7IvbEnNlFE/UjuYE_wh8GI/AAAAAAAACDU/VaGvPKSaa0M/s1600/images.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/1532190952538899622/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=1532190952538899622' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/1532190952538899622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/1532190952538899622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/09/beefcake-pedacos-de-carne-sem-alma.html' title='BEEFCAKE: PEDAÇOS DE CARNE SEM ALMA.'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-JglxZ-aXt_I/UjuU7xIr_BI/AAAAAAAACDI/iMf5guZO3OE/s72-c/1237806_10201455908653338_481264090_n.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-821548926666852949</id><published>2013-08-06T15:59:00.000-07:00</published><updated>2013-08-06T15:59:21.389-07:00</updated><title type='text'>TEMPO DE CANTAR E DE GRITAR</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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/&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Faz tempo que não escrevo aqui. Me sentia um pouco culpado por não dar conta de alimentar esse “filho” e também de deixar de prover a leitura sadia tão elogiada por tanta gente. Há quase 8 anos que o “Le Cul du Tabou” tem divertido e emocionado pessoas, impulsionado sobretudo pelo acesso de muitos amigos através do Facebook. Meus fiéis seguidores não ficaram exatamente famintos: eles puderam se fartar em outros canais, como o Pau Pra Qualquer Obra e A Cozinha do Doutor Fofinho. Mas eu senti essa culpa de pai-mãe por não nutrir meu blog.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Hoje resolvi escrever porque estou feliz. Infelizmente tive que trilhar um longo percurso nesses últimos meses que me torturaram de alguma forma e me causaram algum grau de infelicidade, de insatisfação. Não estou falando da conhecida tristeza que sentia nos dias passados, tampouco das preocupações e aflições que nos atingem no cotidiano; estou falando daquelas coisas chatas como disse Elis, “a ponta de um torturante band-aid no calcanhar...”; coisas que lutamos, perseguimos, desejamos e jamais se realizam.&amp;nbsp; Fiquei triste por um lado, porque abandonar, deixar partir esse “problema” significou de um certo modo abandonar um (certo) sonho, um (certo) projeto. Fiquei triste, porque tive que me conscientizar que certos sonhos e projetos são construídos tortos, ou que a estrada para atingí-los é tão perigosa que jamais chegaremos. Tive que dizer a mim mesmo o que digo a tantas pessoas naquela pequena sala “encantada” do meu consultório: perdoar é deixar partir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E hoje resolvi escrever porque deixei partir. Melhor: joguei fora mesmo. Amassei um papel que significou uma libertação. Um papel que significaria uma entrada, uma tentativa de entrada ao menos. Amassado, significou um assunto encerrado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A intuição muda me assombrava. Perturbou meu sono, me fez taciturno e não disse uma palavra. Mas hoje ela se vestiu de mulher e me disse o que estava pensando. Simples e rápido. Usou a boca de uma amiga para me dizer que eu estava perdendo tempo nesse negócio e iluminou meu corredor escuro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Eu sou grato à minha amiga que deu voz à minha intuição. E sou grato a ela por ter sido generosa e prática, principalmente por dizer, sem rodeios, de forma simples e fácil, o que sentia e pensava. Cada vez mais eu admiro pessoas que dizem que o pensam e sentem. Sem rodeios, sem “salamaleques”. Do mesmo modo, quero, não odiar, mas ficar bem longe de gente que não se mostra. Gente que, como os “Anomymous”, faz ou finge que faz um monte de coisas e não mostra a cara. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Cada vez menos eu penso que devam existir lugares e situações em que não se deve mostrar a cara ou deixar de dizer o que se pensa. Reservo o silêncio apenas a quem não vale a pena.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/821548926666852949/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=821548926666852949' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/821548926666852949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/821548926666852949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/08/tempo-de-cantar-e-gritar.html' title='TEMPO DE CANTAR E DE GRITAR'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-qrZSV0NxxLc/UgF_rYhBegI/AAAAAAAACAU/egDgEXofTEc/s72-c/1279221396.gif" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-6401141671989137234</id><published>2013-06-18T19:50:00.000-07:00</published><updated>2013-06-18T19:50:07.566-07:00</updated><title type='text'>HABEMOS CURARE PAR ANULLUS FROUXUS</title><content type='html'>       &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:DocumentProperties&gt;  &lt;o:Template&gt;Normal.dotm&lt;/o:Template&gt;  &lt;o:Revision&gt;0&lt;/o:Revision&gt;  &lt;o:TotalTime&gt;0&lt;/o:TotalTime&gt;  &lt;o:Pages&gt;1&lt;/o:Pages&gt;  &lt;o:Words&gt;390&lt;/o:Words&gt;  &lt;o:Characters&gt;2226&lt;/o:Characters&gt;  &lt;o:Company&gt;UNIFESP&lt;/o:Company&gt;  &lt;o:Lines&gt;18&lt;/o:Lines&gt;  &lt;o:Paragraphs&gt;4&lt;/o:Paragraphs&gt;  &lt;o:CharactersWithSpaces&gt;2733&lt;/o:CharactersWithSpaces&gt;  &lt;o:Version&gt;12.0&lt;/o:Version&gt; &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:DontAutofitConstrainedTables/&gt;   &lt;w:DontVertAlignInTxbx/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; LatentStyleCount=&quot;276&quot;&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt; &lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable  {mso-style-name:&quot;Table Normal&quot;;  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:&quot;&quot;;  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-ascii-font-family:Cambria;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Cambria;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;} &lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;   &lt;!--StartFragment--&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-mVw4XZPCdUQ/UcEcSg4EkdI/AAAAAAAAB9s/B6Vxpn__VDM/s1600/images.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-mVw4XZPCdUQ/UcEcSg4EkdI/AAAAAAAAB9s/B6Vxpn__VDM/s1600/images.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;É, parece que o gigante acordou, mas está meio “songomongo”, como quem acorda após anos de um coma que era aparentemente irreversível. Desatento, desajeitado, pernas tortas e bambas. E enquanto o gigante anda por aí, meio Frankenstein, amedrontando uns, desafiando outros, causando orgulho em outros tantos, muitos fazem chacota dele.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Enquanto o gigante se movimenta pelas ruas, pelo menos dois assuntos polêmicos “passaram” por debaixo de suas pernas: foi aprovado o Ato Médico, que enfraquece em muito a idéia de um debate multidisciplinar na saúde e a tal “cura gay”, proposta pelo tal inFelicianus. Tudo bem, já marcaram revolução na Praça Roosevelt para sexta de tarde contra a cura gay. Mas o fato é que ninguém conseguiu tirar esse cara da tal CDH e que isso vai fomentar diversas medidas e mudanças no modo de pessoas tratarem essa questão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;O Gigante acordou, e além de meio tonto, se deparou com um monte de afazeres que abandonou por séculos, praticamente uma vida inteira. Como aqueles drogados que se deparam com o farrapo de vida quando enfim conseguem ficar abstinentes: melhor voltar a dormir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Estou com medo. Não dos manifestantes, não da suposta violência das ruas que as emissoras de TV insistem em divulgar. Estou com medo que os “pais” cruéis desse Gigante se levantem e voltem a trancá-lo. Há anos tenho visto crescerem as hordas evangélicas, edificando seus templos, destruindo e atacando outras religiões, trancafiando pessoas em clínicas de recuperação. Hoje eles estão no poder e praticamente mandam no nosso país. A tomada evangélica é a próxima Inquisição, o próximo Holocausto. E fique claro que, ao falar de “evangélicos”, refiro-me a essas gangues de neopentecostais que procriam como baratas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Eu não quero morrer em campos de concentração gays, como fizeram nazistas e cubanos. Também não quero ser submetido a torturas físicas e psicológicas para ser forçado a desistir da vida e da minha existência singular, fingindo não ser mais gay e vivendo uma vida infeliz ao lado de uma esposinha que esse Jesus-gângster guardou para mim. Só há dois caminhos: fugir ou fingir. Talvez eu fuja, talvez eu finja. Talvez eu finja porque não queira ficar longe de pessoas que amo, meus amigos heterossexuais, minha irmã, meus sobrinhos. E se eu fingir, monto um consultório de preservação da vida disfarçado de uma clínica de recuperação de viados. Como o judeus em Portugal que tinham que pendurar as linguiças para mostrarem que comiam carne de porco e acabaram inventado a alheira; como os negros escravizados que cultuaram seus deuses escondidos em santos católicos; talvez eu fique e finja. Mas que fique claro: estarei fingindo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/6401141671989137234/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=6401141671989137234' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/6401141671989137234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/6401141671989137234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/06/habemos-curare-par-anullus-frouxus.html' title='HABEMOS CURARE PAR ANULLUS FROUXUS'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-mVw4XZPCdUQ/UcEcSg4EkdI/AAAAAAAAB9s/B6Vxpn__VDM/s72-c/images.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-8901299454080149357</id><published>2013-06-03T20:59:00.001-07:00</published><updated>2013-06-03T20:59:13.912-07:00</updated><title type='text'>PROSA POÉTICA</title><content type='html'>       &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:DocumentProperties&gt;  &lt;o:Template&gt;Normal.dotm&lt;/o:Template&gt;  &lt;o:Revision&gt;0&lt;/o:Revision&gt;  &lt;o:TotalTime&gt;0&lt;/o:TotalTime&gt;  &lt;o:Pages&gt;1&lt;/o:Pages&gt;  &lt;o:Words&gt;394&lt;/o:Words&gt;  &lt;o:Characters&gt;2249&lt;/o:Characters&gt;  &lt;o:Company&gt;UNIFESP&lt;/o:Company&gt;  &lt;o:Lines&gt;18&lt;/o:Lines&gt;  &lt;o:Paragraphs&gt;4&lt;/o:Paragraphs&gt;  &lt;o:CharactersWithSpaces&gt;2761&lt;/o:CharactersWithSpaces&gt;  &lt;o:Version&gt;12.0&lt;/o:Version&gt; &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:DontAutofitConstrainedTables/&gt;   &lt;w:DontVertAlignInTxbx/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; LatentStyleCount=&quot;276&quot;&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt; &lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable  {mso-style-name:&quot;Table Normal&quot;;  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:&quot;&quot;;  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-ascii-font-family:Cambria;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Cambria;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;   &lt;!--StartFragment--&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-rSbvm85MbCI/Ua1mBlg5nNI/AAAAAAAAB8s/pR9kD9ooH40/s1600/Unknown.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-rSbvm85MbCI/Ua1mBlg5nNI/AAAAAAAAB8s/pR9kD9ooH40/s1600/Unknown.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Achei que não escreveria mais poesia. Mais por incapacidade que por escolha. Achei que havia se esgotado o tempo, o ciclo, o ritmo. Talvez porque ligasse poesia à dor e aos redemoinhos das minhas palavras pensadas angustiadas e necessidades intermináveis de desabafos num mundo particular sozinhamente habitado. Mas do mesmo jeito que a vida é feita de sóis e de luas; do mesmo modo que tempestades e dias ensolarados, e nuvens ou arcos-íris ocupam o mesmo céu em tempos distintos ou não; eis que ressurge e urge e ruge esse tempo das dores da alma que só sangram poetizando e só poetizando se estancam. É quando vem o vazio inominado ou a angústia indizível que me possuem, que se aproveitam da minha mente, do meu corpo, das minhas mãos; é quando a caneta escorrega pela mesa como musa em lençóis de cetim vermelho ou minhas mãos bem escorregam até ela a deflorá-la. Tempo atemporal em que minha mão e caneta ou suas teclas, substitutas contemporâneas se tornam uma única coisa: torneira. Torneira de dores, pensamentos, ilusões, enchentes de coisas pensadas, sofridas e doídas. Tormenta de tormentos tornados palavras; tornado de decepções e digressões advindas da vasta e impecável memória que clama ser esquecida. Se eu esqueço das comidas, dos compromissos, das coisas, das contas, dos papéis, dos nomes e dos aparelhos, como sou incapaz de me libertar das dores passadas e da monstruosa angústia? Taí. Impossível. E é somente atravessando essa ponte de letras que construo alívio para essa inquietante e lancinante dor de alma. Foi assim que sobrevivi à fome, às guerras, às pestes-gentes. Foi assim que esvaziei armários da alma, jogando caixas de dores e desafetos palavras afora. Foi assim que suportei anos a fio a dor de estar preso numa vida-armário. Mas também foi assim que arrebentei as portas presidiárias e saí para vida. Foi escrevendo. Foi compondo. Poetizando a dor pude enxergá-la e exorcizá-la. Foi-se e volta-se. A vida, em seus repetitivos e enfadonhos ciclos nos surpreende com surpresas pouco surpreendentes que vez ou outra nos arrebatam. E então renasce o ímpeto poético como saem os super-heróis de seus esconderijos e disfarces. A poesia que jorra, a poesia que deságua, revela, desvela. Enxurrada de palavras impensadas, dispensadas, repisadas. Vivas. O choro letrado de uma alma oprimida pelas torrentes confusões da vida dos normais. Eu ainda não sou desse mundo. Quando serei? Isso ela não me deu. Nem sei se quero. Não, de fato não quero ser um zumbi normalóide e vazio de sentido. Prefiro essa alma inconstante, que sofre e que sorri; que sangra e estanca, por vezes não estanca; que vaza, que escorre. Dor, amor, desespero, angústia, alegria, gozo. Tudo. Vaza. Não seca.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/8901299454080149357/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=8901299454080149357' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8901299454080149357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8901299454080149357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/06/prosa-poetica.html' title='PROSA POÉTICA'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-rSbvm85MbCI/Ua1mBlg5nNI/AAAAAAAAB8s/pR9kD9ooH40/s72-c/Unknown.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-5797008324323625186</id><published>2013-05-20T23:25:00.001-07:00</published><updated>2013-05-20T23:25:11.553-07:00</updated><title type='text'>CUIDADO COM OS ZUMBIS CUBANOS!   </title><content type='html'>       &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:DocumentProperties&gt;  &lt;o:Template&gt;Normal.dotm&lt;/o:Template&gt;  &lt;o:Revision&gt;0&lt;/o:Revision&gt;  &lt;o:TotalTime&gt;0&lt;/o:TotalTime&gt;  &lt;o:Pages&gt;1&lt;/o:Pages&gt;  &lt;o:Words&gt;1270&lt;/o:Words&gt;  &lt;o:Characters&gt;7243&lt;/o:Characters&gt;  &lt;o:Company&gt;UNIFESP&lt;/o:Company&gt;  &lt;o:Lines&gt;60&lt;/o:Lines&gt;  &lt;o:Paragraphs&gt;14&lt;/o:Paragraphs&gt;  &lt;o:CharactersWithSpaces&gt;8894&lt;/o:CharactersWithSpaces&gt;  &lt;o:Version&gt;12.0&lt;/o:Version&gt; &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:DontAutofitConstrainedTables/&gt;   &lt;w:DontVertAlignInTxbx/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; LatentStyleCount=&quot;276&quot;&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt; &lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable  {mso-style-name:&quot;Table Normal&quot;;  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:&quot;&quot;;  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-ascii-font-family:Cambria;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Cambria;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;} &lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;   &lt;!--StartFragment--&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-Uyu3Nrgyk-Q/UZsSwEVxdpI/AAAAAAAAB7o/g0f3uLjj-aU/s1600/Unknown.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;156&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-Uyu3Nrgyk-Q/UZsSwEVxdpI/AAAAAAAAB7o/g0f3uLjj-aU/s320/Unknown.jpeg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;A internet tem revolucionado o modo de vida das pessoas. O Facebook então...nem se fala. Uma praça viva, pulsante, colérica. Através dele, pessoas se conhecem, se desconhecem, se reconhecem. Casam, namoram, paqueram, divorciam, trepam, viajam, comem. Bem vindo ao mundo dos Jetsons, com seus intercomunicadores. Alô, marcianos, o Matrix chegou. O interessante do Matrix é refletir no quanto&amp;nbsp;somos manipulados.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;“O povo é uma massa amorfa”. Quem disse isso? Robespierre? Revolução Francesa? Não me lembro. Mas jamais esqueci dela, saída da boca de um professor de História no colegial. E por “povo”, entenda-se quase todos nós, não apenas os “pobres e ignorantes”, na acepção mais cretina do termo. Diferentes massas amorfas se moldam conforme as conveniências. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Já tem algum tempo que a notícia sobre os tais médicos “cubanos” circula pela mídia, mas atingiu o seu auge na última semana. Daí vejo posts bombásticos sobre a ameaça, sobre a baixa qualidade dos medicos, as ferrenhas críticas a esses médicos que “não conseguiram passar em uma faculdade aqui”. O post mais hilário foi o vídeo sobre os estudantes brasileiros supostamente mandados pelo MST para estudarem lá e voltarem comunistas. Comentários apavorados sobre a “ameaça comunista”. Me poupem. Ameaça comunista é tão século passado! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Os seis mil médicos “cubanos” invadirão o nosso país, roubarão nossos empregos, trabalharão por baixos salários e acabarão com a profissão médica. Fiquei pensando em várias coisas, por exemplo, sobre como a profissão médica já está desvalorizada, como os médicos são desrespeitados e muitas vezes desrespeitosos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Na época de faculdade, vários amigos meus trabalhavam em um plantão de clínica e ortopedia como se fossem médicos. Todos os dias, num plantão num hospital na Zona Sul da cidade, milhares de atendimentos realizados por estudantes do primeiro ano de medicina, com o carimbo de um mesmo médico. Essa foi a época mais miserável da minha vida. Fui trabalhar no telemarketing de uma companhia aérea, ganhando uma miséria e trabalhando todas as noites porque não me sentia apto a fazer um plantão médico “como se”, no primeiro ano de estudo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Quando me formei, trabalhei em um pronto-socorro de periferia. Lá, onde deveriam trabalhar quatro médicos, ficavam apenas dois. É o famigerado “esquema” que muitos nobres colegas fazem para “melhorar o salário”: trabalham a metade do que deveriam pelo mesmo valor. Dividia plantão com uma médica de um outro estado. Ela atendia de hora em hora. Na “sua” hora, ia para a sala de atendimento, que tinha uma maca esticada, um “muro”contra aqueles pobres todos, assim ela dizia. &amp;nbsp;Atendia seis a oito crianças de umas vez, brigava com as mães, dizia impropérios e mandava todo mundo embora sem nenhuma conduta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Dos colegas que lerem esse post, quem não se lembra da irritante médica de nome bíblico que atendia num outro pronto-socorro de psiquiatria de periferia, psiquiatra sem ser psiquiatra? Toda a psiquiatria que sabia estava num livro bem básico que andava embaixo do seu braço. Ela tinha uma solução: deixava todo mundo em observação para o próximo plantonista se lascar. E ai embora, contente, com dinheiro do plantão e voltava para sua cidade de origem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Tanto se fala em cubanos, mas quantos são os médicos de outras nacionalidades que trabalham em pronto-socorros dessas mesmas periferias, onde ninguém, além de residentes recém-formados e os carinhosamente chamados “cucas”ou “cucarachos” ousa trabalhar? &amp;nbsp;Entre eles há de um tudo, como dizem os baianos: gente boa, gente ruim, gente péssima. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Fico também pensando naquele colega de faculdade que, diga-se de passagem, todos conhecem, que vendia fórmulas com anfetaminas sem receitas. Passado algum tempo, descobri que ele vendia mais que isso: vendia vagas em faculdades de medicina. Então eu fico me lembrando de todos os casos que conheço de pessoas que compraram suas vagas em diversas faculdades de medicina brasileiras. Pessoas que, como os brasileiros que foram estudar em Cuba, não conseguiram entrar em faculdades brasileiras, mas possuíam dinheiro para comprar suas vagas. Alguns deles até são bons médicos hoje em dia. A única diferença entre eles e os “cubanos” é que possuíam dinheiro para comprar suas vagas e arcar com os valores exorbitantes das faculdades particulares. Pra mim, esse é o grande despeito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Eu não consegui entrar numa faculdade pública. Fiz uma faculdade particular que infelizmente não consegui pagar. Para quem nunca me ouviu contar essa história, foi um desconhecido que nunca desejou se identificar que pagou toda a minha dívida da faculdade para que eu pudesse continuar estudando. Por pouco eu teria largado a faculdade e feito outra coisa, porque nem dinheiro para estudar em Cuba eu teria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Também me lembro daqueles médicos que não conseguiram passar numa prova de residência médica e saíram por aí, trabalhando, atendendo gente, sem o preparo adequado. Será que é tão diferente, será melhor ou pior que os “cubanos”?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Antes dos “cubanos”, os zumbis contemporâneos eram os craqueiros. Mas parece que agora, com a distribuição do “bolsa-exclusão”, tudo ficará resolvido. Todos os zumbis do crack ganharão seus sarcófagos benditos em clínicas de recuperação do modelo “roça e bíblia”. Os “cubanos” são os novos zumbis. Estamos ficando com medo deles. Eles vão chegar, roubar nossos pacientes, comer nossas criancinhas, matar as pessoas com venenos cubanos elaborados por Fidel Castro. Dizem que tem sangue do Fidel no veneno desses vampiros comunistas. Eles vão dar seringas envenenadas com o sangue do Fidel, vacinas que zumbizarão as nossas crianças. Elas se tornarão automaticamente comunistas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Estou ficando com medo. De um lado, os evangélicos, querendo trancafiar os gays. Agora a ameaça comunista. O que farão os reacionários quando descobrirem que tenho um machado (de Xangô) tatuado no pé? É óbvio que vão me julgar um espião comunista. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Agora eu pergunto para os colegas médicos, que fazem seus cursos de culinárias, suas harmonizações de vinhos, seus treinos de golfe (Deus, tem coisa mais cafona e nouveau riche do que querer aprender golfe?), que se deleitam com seus passeios pela Europa e pelo Caribe, suas compras em Miami, seus “Cirques” e suas Tucsons: quem deseja ir trabalhar na perifa? Quem quer estar aonde o povo está? Não digo que ninguém queira, afinal há alguns “comunas” entre nós que curtem atender povão na perifa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Tive uma excelente professora de pediatria na faculdade, que era “carinhosamente” chamada de “comuna” pelos alunos donos de carros importados. Há uns dois anos, pedi a ela o endereço do consultório dela para que ela atendesse o meu sobrinho. E ela disse, orgulhosa, que só atendia no SUS e que atenderia o meu sobrinho com o maior prazer no ambulatório da perifa. Bando de comunas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;É claro que as condições do trabalho médico deveriam melhorar; é claro que os bairros afastados deveriam ter condições mínimas de saúde. Mas não venham me dizer que vocês trocariam seus consultórios com suas poltronas caríssimas e seus condicionadores de ar por um plantão em Paralheiros. Me poupem. É a necessidade de consumir coisas caras e pagar as prestações dos apartamentos com varandas-gourmets que nos leva a Paralheiros, ao Jardim Ângela, a Paraísopolis, ao Campo Limpo; não o amor ao próximo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Há uma discussão ocorrendo no sentido de estabelecer uma certa obrigatoriedade aos médicos residentes de trabalharem um tempo mínimo nas perifas. Parece que o sujeito que tiver essa coragem ganhará ponto nas provas de residência. Pergunta quem quer? Ninguém quer ser obrigado a trabalhar na perifa. Os alunos farão greve; resistirão bravamente para não serem obrigados a isso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E os convênios então? O novo SUS da Nova Classe C. Qualquer “proleta” de qualquer perifa tem convênio médico hoje. Todo mundo quer ter o direito negado pelo sistema público de fazer check-ups. Chique no último é fazer check-up. Coisa de novela das oito. Coitados. Foram enganados: nada de check-up; exames que nunca são autorizados; consultas que demoram meses para serem marcadas, atendimentos cada vez mais rápidos e imprecisos. Dá prá imaginar um atendimento psiquiátrico em dez minutos? Nem precisa imaginar. Basta se dirigir a uma clínica de convênios mais perto de você. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E os manicômios, com pessoas sendo mal tratadas, presas como bichos? Quem resolverá essa palhaçada, essa desumanidade? Quem sairá de seus nobres consultórios que servem Nespresso (what else?) &amp;nbsp;para realocar birutas abandonados? Ainda bem que os cubanos estão chegando para exterminarem com esses malucos também. Porque vai que os malucos ficam soltos, andando pelas ruas dos Jardins?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com o vergonhoso estado da saúde brasileira é mera coincidência.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-6fpM9qjeR8c/UZsTAhxvWmI/AAAAAAAAB7w/ZO7457dPSQg/s1600/Unknown-1.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;150&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-6fpM9qjeR8c/UZsTAhxvWmI/AAAAAAAAB7w/ZO7457dPSQg/s320/Unknown-1.jpeg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/5797008324323625186/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=5797008324323625186' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5797008324323625186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/5797008324323625186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/05/cuidado-com-os-zumbis-cubanos.html' title='CUIDADO COM OS ZUMBIS CUBANOS!   '/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-Uyu3Nrgyk-Q/UZsSwEVxdpI/AAAAAAAAB7o/g0f3uLjj-aU/s72-c/Unknown.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-2240998860442615853</id><published>2013-04-29T15:38:00.003-07:00</published><updated>2013-04-29T15:39:17.702-07:00</updated><title type='text'>LEÃO OU DRAGÃO DE SETE CABEÇAS?</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:DocumentProperties&gt;  &lt;o:Template&gt;Normal.dotm&lt;/o:Template&gt;  &lt;o:Revision&gt;0&lt;/o:Revision&gt;  &lt;o:TotalTime&gt;0&lt;/o:TotalTime&gt;  &lt;o:Pages&gt;1&lt;/o:Pages&gt;  &lt;o:Words&gt;506&lt;/o:Words&gt;  &lt;o:Characters&gt;2887&lt;/o:Characters&gt;  &lt;o:Company&gt;UNIFESP&lt;/o:Company&gt;  &lt;o:Lines&gt;24&lt;/o:Lines&gt;  &lt;o:Paragraphs&gt;5&lt;/o:Paragraphs&gt;  &lt;o:CharactersWithSpaces&gt;3545&lt;/o:CharactersWithSpaces&gt;  &lt;o:Version&gt;12.0&lt;/o:Version&gt; &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:DontAutofitConstrainedTables/&gt;   &lt;w:DontVertAlignInTxbx/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; LatentStyleCount=&quot;276&quot;&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt; &lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable  {mso-style-name:&quot;Table Normal&quot;;  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:&quot;&quot;;  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-ascii-font-family:Cambria;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Cambria;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;} &lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;   &lt;!--StartFragment--&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-6Z76K42392o/UX72hp_IobI/AAAAAAAAB5Y/TEyrUgAYkLw/s1600/Unknown.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-6Z76K42392o/UX72hp_IobI/AAAAAAAAB5Y/TEyrUgAYkLw/s1600/Unknown.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, sou um procrastinador. Deixo tudo para última hora e frequentemente deixo passar a hora. Acho que é tudo por causa da ruminância do meu touro ascendente, do meu búfalo chinês e da minha Oxum africana: juntos, eles me tornam lânguido, molengoso, preguiçoso. E daí, na última hora, em cima do laço, vêm Xangô e Escorpião, de faca e ferrão, resolver toda a bagaça.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Isso acontece com quase tudo em minha vida. Antes eu me sentia culpado. À moda dos seguidores cognitivos do grande Beck (Aaron Beck, não o “beck”...) eu fiz listas, checklists, programações neurolinguísticas. De nada adiantou. Além de esquecer de levar as listas, elas viravam uma cobrança, do tipo que eu chamo de “faca no pescoço”. Tive uma analista que achava isso saudável, essa ansiedade, esse sofrimento para me tornar um sujeito organizado. Ela acreditava que isso funcionaria e eu me tornaria um ser humano melhor. E por melhor, subentenda-se, “ordenado”. Não sei dizer se teria dado certo. Só sei dizer que fugi para nunca mais voltar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Já faz algum tempo que desisti de ser um sujeito organizado. Simplesmente deixo acontecer. Se der certo deu. É claro que não sou anarquista. Respeito os horários. Chego no horário para atender meus pacientes, no horário das terapias e supervisões. Chego na hora certa no trabalho, respeito os horários marcados, sou chato com isso. Mas aonde eu posso ser caótico, Deus, eu sou! &amp;nbsp;Esqueço chaves, perco coisas pelo caminho. Só smartphones já foram três. Não os acho tão smart assim. Se o fossem, corriam atrás de mim ou chamavam meu nome. Perco papéis, esqueço de pagar contas,&amp;nbsp; esqueço livros, entro em vôos errados. Certa vez, estava brigando no avião brigando com uma pessoa que ocupava o meu assento. Chamei o comissário, cheio de razão. O assento estava certo. O vôo estava errado. E lá fui eu, correndo para alcançar o verdadeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Será que eu quero mudar isso? Na verdade não. Eu já tentei, eu juro. Mas eu percebo que me tornei muito mais feliz quando desisti de ser algo que não sou e não quero ser. Eu deixei partir quase toda forma de sofrimento concernente a organizações, rotinas e disciplinas. Falta muito pouco para eu me tornar um cidadão livre. Digo mais: tem uma coisa que me tornaria fatalmente 90% livre: a MERDA do imposto de renda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Todos os anos, desde a primeira fez que prestei minhas reverências ao maldito leão, eu faço questão – consciente ou não – de deixar para a última hora. E qual o motivo? Eu odeio pagar impostos. Eu quero ser hippie, anarquista, anônimo, “zé-ninguém” nessas horas. Eu não consigo superar esse trauma. Simplesmente porque odeio saber que todo esse dinheiro que sai do meu bolso, fruto do meu trabalho, do meu suor, trabalho esse que nenhuma instância governamental contribui para que eu conquistasse, vai parar, no final das contas, nas mãos de políticos ladrões. Pagamos cartões corporativos, concretos de pontes que atravessam caminhos redundantes, buracos que não são tapados, viagens luxuosas, cabeleireiros de amantes de deputados, champanhes de diplomatas, cachaças de presidentes. O pobre continua pobre, o buraco da rua continua lá, os esgotos continuarão a céus abertos e milhares de pessoas morrerão nas enchentes dos janeiros paulistanos anualmente. O Leão corrupto que morde meu bolso e me deixa todos os anos de mau humor, não é um leão; é um dragão de sete cabeças. Bicho nojento e asqueroso, como a grande maioria dos políticos, que se alimentam daquilo que as pessoas produzem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/2240998860442615853/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=2240998860442615853' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/2240998860442615853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/2240998860442615853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/04/leao-ou-dragao-de-sete-cabecas.html' title='LEÃO OU DRAGÃO DE SETE CABEÇAS?'/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-6Z76K42392o/UX72hp_IobI/AAAAAAAAB5Y/TEyrUgAYkLw/s72-c/Unknown.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23452533.post-8424756182468404023</id><published>2013-04-04T02:36:00.001-07:00</published><updated>2013-04-04T02:36:43.767-07:00</updated><title type='text'>“NÃO APRENDI DIZER ADEUS” </title><content type='html'>       &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:DocumentProperties&gt;  &lt;o:Template&gt;Normal.dotm&lt;/o:Template&gt;  &lt;o:Revision&gt;0&lt;/o:Revision&gt;  &lt;o:TotalTime&gt;0&lt;/o:TotalTime&gt;  &lt;o:Pages&gt;1&lt;/o:Pages&gt;  &lt;o:Words&gt;599&lt;/o:Words&gt;  &lt;o:Characters&gt;3419&lt;/o:Characters&gt;  &lt;o:Company&gt;UNIFESP&lt;/o:Company&gt;  &lt;o:Lines&gt;28&lt;/o:Lines&gt;  &lt;o:Paragraphs&gt;6&lt;/o:Paragraphs&gt;  &lt;o:CharactersWithSpaces&gt;4198&lt;/o:CharactersWithSpaces&gt;  &lt;o:Version&gt;12.0&lt;/o:Version&gt; &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves&gt;false&lt;/w:TrackMoves&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridHorizontalSpacing&gt;  &lt;w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;18 pt&lt;/w:DrawingGridVerticalSpacing&gt;  &lt;w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayHorizontalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;0&lt;/w:DisplayVerticalDrawingGridEvery&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:DontAutofitConstrainedTables/&gt;   &lt;w:DontVertAlignInTxbx/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; LatentStyleCount=&quot;276&quot;&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt; &lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable  {mso-style-name:&quot;Table Normal&quot;;  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:&quot;&quot;;  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-ascii-font-family:Cambria;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:&quot;Times New Roman&quot;;  mso-fareast-theme-font:minor-fareast;  mso-hansi-font-family:Cambria;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;} &lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;   &lt;!--StartFragment--&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-AIEew0vG8RY/UV1JoKzXLcI/AAAAAAAAB5I/Eji_h4wN0QU/s1600/Unknown.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-AIEew0vG8RY/UV1JoKzXLcI/AAAAAAAAB5I/Eji_h4wN0QU/s1600/Unknown.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Ave Maria, tire essa música brega da minha cabeça. Pra quem não sabe, “Não aprendi dizer adeus” é uma música brego-country cantada por Leandro&amp;amp;Leonardo e ela não está saindo da minha cabeça. Mas eu entendo o motivo. Tenho refletido em como é difícil dizer adeus, simplesmente porque não aprendemos. Pelo menos eu não aprendi.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Todos os dias vejo pessoas com o mesmo tipo de problema: como é difícil tomar a decisão de ir embora, de sair de algo, de um lugar, de uma situação ou de uma relação que não desejamos mais ter, estar ou viver. É difícil sair, é difícil ir embora, principalmente quando, ao menos aparentemente, não há motivos para isso, senão o legítimo desejo. Então fica bem mais fácil tomar essa atitude quando odiamos, quando sentimos raiva, quando brigamos e nos desentendemos; e muitas vezes criamos tais situações para que sejamos “expulsos” ou que funcionem como uma “mola propulsora” para tomar a decisão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E isso quase sempre não é bom. Porque se saímos desse jeito, criamos mágoas, feridas, inimizades, rompemos brutalmente pela simples dificuldade que temos de dizer adeus. Transferimos para o outro a responsabilidade, culpamos o outro pelo nosso infortúnio e pela razão da nossa saída. As pessoas fazem isso em empregos, cursos, relacionamentos. É aparentemente mais fácil “pular de barco” se pensamos que ele está afundando do que simplesmente encarar que nós não estamos curtindo a viagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Eu digo que não aprendi a dizer adeus porque, em diversas situações, saí “brigado” ou “decepcionado” com lugares, coisas, pessoas, empregos e templos. Mas acho que aprendi a lição. Essa semana tomei a decisão de deixar um lugar, um grupo de pessoas, um atividade. E resolvi sair da melhor e mais difícil forma: de cabeça erguida e assumindo que não existia nenhum problema com o lugar, com as pessoas. O problema estava em mim. Era a insatisfação do meu coração, os desejos da minha alma que estavam em outro lugar. Chorei, me emocionei, perdi o sono. Mas consegui. E algumas pessoas perguntaram: vai para outro lugar? Está nos trocando? Seria mais fácil se a resposta fosse afirmativa. Seria mais fácil ter um outro barco para pular, uma ilha para atracar, mas não. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Outro dia soube de uma amiga que tomou essa atitude em relação ao seu casamento. “Estava tudo bem aparentemente, a gente se dava muito bem, mas percebi que nos tornamos amigos.” Ela se sentia culpada por “destruir uma família”; muitas pessoas a julgaram pela atitude, pelo aparente mal que estaria fazendo a seu filho. Ela veio se aconselhar comigo e eu apoiei a decisão. Quanto ao filho, é lógico que ele sentiria alguma insegurança, mas expliquei a ela que a única coisa que a criança precisa é de carinho, amor e informação “verdadeira”. Muitas vezes poupamos as crianças achando que elas não entendem o que se passa; elas ficam aflitas, ansiosas, inseguras. É então que começam a apresentar problemas na escola, na vida, ficam doentes. Elas adoecem por medo, por insegurança. Quando vamos explicando a ela, passo a passo&amp;nbsp; o que está acontecendo, mostrando que estamos presentes, com carinho e amor, ela se sentirá segura e sofrerá muito menos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas Deus! Como é difícil assumir a responsabilidade da própria vida. Somos acostumados a culpar o outro, mesmo que seja uma obsessão espiritual. Outro dia conversei com uma amiga que acabara de levar um “pé” do namorado. Veio me procurar porque achava que tinham feito “macumba”&amp;nbsp; para ele ir embora e ficou decepcionada ao ouvir da minha boca que eu não achava que era isso, mas sim que ele havia terminado pelo simples desejo de terminar, porque não estava feliz naquela relação, porque o amor tem data de validade.&amp;nbsp; Acho que se ela tivesse uma adaga naquele momento, enfiava no meu olho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;O complicado é não haver fórmula. É ter que dizer dizendo. É ter que encarar o fantasma de frente. O resultado para a alma é fascinante. Claro, às vezes somos cobrados; às vezes o outro nos culpa pela infelicidade que estamos causando nele com a nossa decisão. Mas nós não somos responsáveis pelo outro. E eu realmente creio que é melhor deixar alguém infeliz do que ambos.&amp;nbsp; Pense nisso.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leculdutabou.blogspot.com/feeds/8424756182468404023/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23452533&amp;postID=8424756182468404023' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8424756182468404023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23452533/posts/default/8424756182468404023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leculdutabou.blogspot.com/2013/04/nao-aprendi-dizer-adeus.html' title='“NÃO APRENDI DIZER ADEUS” '/><author><name>Unknown</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-AIEew0vG8RY/UV1JoKzXLcI/AAAAAAAAB5I/Eji_h4wN0QU/s72-c/Unknown.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>