Lepanto http://www.lepanto.com.br A Frente Universitária & Estudantil Lepanto é um grupo de jovens Católicos que tem como objetivo defender a Doutrina Católica e a Civilização Cristã Fri, 24 Oct 2014 14:27:17 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.0.1 Chamado ao Heroísmo! http://www.lepanto.com.br/lepanto/acao/chamado-ao-heroismo/ http://www.lepanto.com.br/lepanto/acao/chamado-ao-heroismo/#comments Fri, 24 Oct 2014 14:24:15 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5392

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Ficar conectado a redes sociais, jogos e quinquilharias eletrônicos, sem falar de drogas e imoralidade, aparentemente são os grandes chamarizes para os adolescentes de nossos dias.

DSC_0500Entretanto, não é bem assim. Por exemplo, 37 jovens resolveram dar as costas a essas tentações e participaram de mais um acampamento da Frente Estudantil Lepanto, o oposto de tudo isso, com sua convocação para o heroísmo e a virtude.

Foi o que se passou entre os dias 18 e 21 de junho em Brasília. Houve 10 palestras, cinco para cada turma. Os mais novos conheceram os esplendores da Idade Média e uma síntese da obra Revolução e Contra-Revolução. Os efeitos nocivos do igualitarismo foi o tema para as reuniões da segunda turma, baseadas nos ensinamentos do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Pequenas peças teatrais ilustraram os temas.

DSC_0732Como entretenimento, além das competições e passeios, o que mais chamou a atenção dos jovens foram os jogos medievais, realizados à noite, sob a luz de inúmeras tochas e animados por trompetes, tambores e pífaros. Lança ao alvo, corrida de fogo e jogo da maça foram alguns dos desafios.

“Foi sem dúvida o melhor acampamento de que participei”— declarou um dos rapazes. De fato, percebia-se o entusiasmo que uma programação inteligentemente baseada na doutrina católica tradicional suscita nas almas de jovens, que nunca tinham imaginado que algo assim pudesse existir. No meio do acampamento, se alguém perguntasse se não prefeririam estar jogando GTA, ou “postando” algo no Facebook ou no Twitter, ou ainda assistindo alguma novela na televisão, certamente seria alvo de risada ou de um bom e merecido debique…

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Sai à luz impressionante complemento da Mensagem de Fátima http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/sai-a-luz-impressionante-complemento-da-mensagem-de-fatima/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/sai-a-luz-impressionante-complemento-da-mensagem-de-fatima/#comments Sat, 13 Sep 2014 14:19:57 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5368
Irmã Lucia, a vidente de Fátima, foi monja Dorotea até seu ingresso no Carmelo de Coimbra em 1948.

Irmã Lucia, a vidente de Fátima, foi monja Dorotea até seu ingresso no Carmelo de Coimbra em 1948.

Sob o título Novidades apocalípticas de Fátima, o jornalista italiano Antonio Socci informa sobre uma extraordinária aparição da Virgem Maria à Irmã Lúcia dos Santos, ocorrida em 1944, mas só conhecida recentemente. Trata-se de um complemento das cada vez mais atuais profecias de Fátima e, por uma providencial coincidência, sai à luz no preciso momento em que os acontecimentos mundiais previstos naquelas profecias parecem próximos de seu desenlace.

Como se conheceu a aparição

Pela importância do tema, procuramos a própria fonte dessa informação, um manuscrito dado a conhecer no ano passado, no qual a Irmã Lúcia narra a referida visão.

O documento foi incluído numa biografia da religiosa, escrita por suas irmãs de hábito com base nas suas cartas e no seu Diário espiritual, ainda inédito. Intitulada Um caminho sob o olhar de Maria, foi publicada no final de 2013 pelo Carmelo de Coimbra, onde a Irmã Lúcia viveu de 1948 até sua morte em 2005.(1)

Mas essa biografia de quase 500 páginas teve até agora uma difusão limitada, sem maior publicidade. Pelo contrário, o artigo de Antonio Socci, publicado no último dia 17 de agosto, permitiu que o relato da visão fosse conhecido pelo grande público e caísse rapidamente nas redes sociais.

 

Os antecedentes da visão

A aparição relatada pela Irmã Lúcia [FOTO] ocorreu em janeiro de 1944, quando ainda era religiosa noconvento das Irmãs Doroteias em Tuy (Galícia). Dois anos antes, em dezembro de 1941, ela já havia escrito as duas primeiras partes do segredo de Fátima (a visão do inferno e os avisos e predições da Virgem), mas deixou pendente, por ordem de Nossa Senhora, a terceira parte.

O bispo de Leiria — a diocese de Fátima — a instava reiteradamente a redigir também esse “terceiro segredo”, mas como Nossa Senhora lhe havia mandado guardar reserva, todas as vezes que ela tentava fazê-lo, não conseguia. Sua perplexidade interior era muito grande: estando o mundo em plena II Guerra Mundial, teria chegado realmente o momento de escrevê-lo, como lhe pedia o seu Prelado?

Sagrada-ImagemO relato da Irmã Lúcia, passo a passo

Nessas circunstâncias, por volta das 16 horas do dia 3 de janeiro de 1944 — relata a Irmã Lúcia —, enquanto rezava na capela do convento diante do tabernáculo, “pedi a Jesus que me fizesse conhecer qual era sua vontade”, e com o rosto entre as mãos, esperava alguma resposta: “Senti então, que uma mão amiga, carinhosa e maternal me toca no ombro, levanto o olhar e vejo a querida Mãe do Céu”.

Nossa Senhora lhe diz: “Não temas, Deus quis provar a tua obediência, Fé e humildade, está em paz eescreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado. E a instrui a colocar o que irá escrever em um envelope lacrado, anotando por fora deste “que só pode ser aberto em 1960”.

Em seguida — prossegue a Irmã Lúcia — “senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi, — A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, — Ela estremece: montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultados. O mar, os rios e as nuvens saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente sem número que não se pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. — O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora!’

“Depois senti no palpitar acelerado do coração e no meu espírito o eco de uma voz suave que dizia: — No tempo, uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade, o Céu!’

“Esta palavra Céu encheu a minha alma de paz e felicidade, de tal forma que quase sem me dar conta, fiquei repetindo por muito tempo: — O Céu! o Céu!”.

Alentada por essas maravilhosas palavras finais, a Irmã Lúcia teve forças para escrever o Terceiro Segredo, tal como Nossa Senhora lhe havia ordenado: “Apenas passou a maior força do sobrenatural, fui escrever e fi-lo sem dificuldade, no dia 3 de janeiro de 1944, de joelhos apoiada sobre a cama que me serviu de mesa. Ave Maria”. Assim conclui o relato da visão (Um caminho sob o olhar de Maria, p. 267).

Obviamente ela só escreveu o que lhe foi revelado em 13 de julho de 1917 — o Terceiro Segredo —, omitindo, conforme as instruções que acabara de receber da Mãe de Deus, qualquer referência a esta nova aparição.

Como interpretar essa visão?

 

Facsimile do diário espiritual da irmã Lúcia, onde ela narra a aparição de 1944.

Facsimile do diário espiritual da irmã Lúcia, onde ela narra a aparição de 1944.

Além de mostrar sua inefável bondade para com a Irmã Lúcia — a quem conforta com sua “mão amiga, carinhosa e maternal” e com expressões de apreço por sua obediência —, e de autorizá-la a escrever o Terceiro Segredo, Nossa Senhora a premia com esta visão e lhe faz “compreender seu significado”, embora advirta que não deve acrescentá-la ao escrito oficial: ela só pôde anotá-la em seu Diário pessoal.O extraordinário dessa visão particular é que ela vem acompanhada de palavras que a interpretam, complementando e realçando assim a grandeza e a seriedade da própria Mensagem de Fátima.

A imagem que a Irmã Lúcia via em Deus — “a ponta da lança como uma chama que se desprende” — é notavelmente parecida com a espada de fogo que o Anjo empunhava na visão do Terceiro Segredo.(3) E essa chama, tocando o eixo da Terra, convulsiona de tal maneira toda a natureza, que até “cidades, vilas e aldeias com seus moradores são sepultadas”. O que, por sua vez, coincide com a predição anunciada na segunda parte do Segredo de que “várias nações serão aniquiladas” se os homens não atendessem aos pedidos de Nossa Senhora.

A esse cenário pavoroso se soma a “guerra destruidora”, que a Irmã Lúcia entende ter duas causas: “o ódio” e “a ambição”. Os atrozes massacres de cristãos no Oriente Médio em mãos dos islamitas do ISIL e congêneres, que revelam um ódio satânico (quase diríamos ódio em estado puro), e a mortífera insurreição impulsionada pela Rússia na Ucrânia, em que a ambição territorial se torna cada vez mais notória, já não são primícias dessa calamidade?

É digno de nota que, paralelamente à visão, foi dado à Irmã Lúcia entender que essas catástrofes são causadas pelo pecado que cobre a Terra, e têm por objeto a “purificação do mundo”. Após a purificação vem um grande triunfo universal da Igreja, representado pela voz que proclama “uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja”.

Tudo isso confirma de modo notável as análises e previsões feitas ao longo das décadas por Plinio Corrêa de Oliveira sobre os rumos da situação internacional, advertindo que a mesma poderia desembocar no caos generalizado antes de uma grande vitória da Igreja.

Note-se, ademais, a consonância desse desfecho com o triunfo do Imaculado Coração de Maria, anteriormente previsto em Fátima, e com as predições similares de Nossa Senhora em aparições como a de La Salette (1846), Akita (1973) e outras.

No limiar do desenlace de Fátima?

Além do que esta visão tem de terrível e grandioso, cabe ressaltar seu encaixe perfeito como peça-chave na contextura da Mensagem de Fátima — essa apaixonante equação profética cada vez mais próxima de resolver-se —, enriquecendo-a com importantes pormenores até agora ignorados.

É também muito significativo o fato de que a visão é dada a conhecer somente agora, 70 anos depois de ocorrida, quando ameaçadores focos de violência irrompem por todas as partes, e até o próprio Papa Francisco surpreende o mundo declarando que já “entramos na terceira guerra mundial”.(4)

De fato, a descrição da Irmã Lúcia não poderia chegar em momento mais oportuno: o contexto tão convulsionado em que o mundo se encontra permite que todos a entendam sem dificuldade, e por isso parece-nos providencial que seja revelada agora.

Sua divulgação poderá ajudar a compreender o castigo que virá se os homens não renunciarem à impiedade e à corrupção, e estimulá-los a “endireitar as suas veredas” (Mc 1,3) por meio da emenda de vida a que a Santíssima Virgem os instou em Fátima.

Assim se farão credores de uma misericórdia especial de Deus, na hora de um castigo cada vez mais provável. E esse poderá ser o maior benefício da celeste mensagem, que a todos nós deve fazer refletir.

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Notas:

(*) Artigos relacionados: Fátima numa visão de conjunto (Catolicismo, Maio/1967), Lágrimas, milagroso aviso (Catolicismo, Julho/1997).

  1. Carmelo de Coimbra, Um caminho sob o olhar de Maria — Biografia da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, O. C. D. Marco de Canaveses: Edições Carmelo, 2013, 495 páginas.
  2. Antonio Socci, Novità apocalittiche da Fatima, “Libero”, Milão, 17-8-2014; disponível em http://www.antoniosocci.com/2014/08/novita-apocalittiche-da-fatima-lultimo-mistero-il-silenzio-delle-suore-ma-chi-tace/
  3. “… vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo” (Congregação para a Doutrina da Fé, A Mensagem de Fátima, 26 de junho de 2000,http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_sp.html).
  4. Il Papa: ‘La Terza guerra mondiale è già iniziata’, “La Repubblica”, Roma, 18-8-2014; www.repubblica.it/esteri/2014/08/18/news/papa_francesco_terza_guerra_mondiale_kurdistan-94038973/

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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Massacre de católicos em terras de maioria islâmica http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/massacre-de-catolicos-em-terras-de-maioria-islamica/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/massacre-de-catolicos-em-terras-de-maioria-islamica/#comments Sat, 16 Aug 2014 14:38:27 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5358
Catolicos fungindo de Mossul

Católicos fugindo de Mossul.

Nesses últimos dias, horrorizados temos acompanhado a dramática situação de nossos irmãos católicos perseguidos, sendo trucidados em diversas nações muçulmanas, principalmente no Iraque. Em Mossul (norte do Iraque) muitos cristãos recebem um ultimato do ISIS (sigla em inglês de Estado Islâmico do Iraque e do Levante): “Convertam-se ao Islã ou deixem suas casas sem levar seus bens, ou morte”. Em raros casos, permitem que algumas famílias fiquem na cidade desde que lhes paguem o “imposto dos infiéis” (a jizya) de aproximadamente 500 dólares mensais. Há muitos relatos de mulheres que foram violadas pelos militantes do ISIS.  


No dia 6 último, Qaraqosh (cidade localizada a 50 Km de Mossul, na qual viviam 40 mil cristãos) foi ocupada durante a noite pelos milicianos do ISIS. Quase toda população tinha fugido quando se soube da aproximação dos islamitas. Há falta de informação sobre a situação atual de milhares desses cristãos, mas, segundo a AINA (agência internacional de notícias da Assíria) eles fugiram para cidades do Curdisdão.

Causa-nos perplexidade observar como certas autoridades (eclesiásticas e civis) permanecem num “silêncio ensurdecedor” diante desse martírio de católicos. Causa-nos também perplexidade observar tais autoridades, costumeiramente tão loquazes, apenas emitirem uma notinha de repúdio, quando necessário seria um brado de indignação, o levantamento de uma verdadeira Cruzada em defesa de nossos irmãos que estão sendo escorraçados de suas Igrejas, de suas casas e de suas cidades por agentes da religião islâmica. 

A fim de despertar a autêntica indignação contra tais atrocidades, transcrevo alguns trechos de um artigo, publicado no “O Estado de S. Paulo” de 24 de julho último, de autoria de Gilles Lapouge, correspondente muito bem informado no tema. 

MÁRTIRES CRISTÃOS NO IRAQUE

Gilles Lapouge


Edifício da Igreja Católica incendiado em Mossul

Edifício da Igreja Católica incendiado em Mossul

Há alguns dias, os cristãos da segunda maior cidade do Iraque, Mossul, tomada recentemente pelos jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), ganharam o direito de escolher seu destino. Os novos donos de Mossul oferecem quatro opções: deixar o Iraque no prazo de 24 horas, converter-se ao islamismopagar um imposto especial para os não muçulmanos, tornando-se cidadãos de segunda categoria ou, finalmente, morrer pela espada.

Enquanto Saddam vivia, a comunidade [igrejas católicas do Oriente, rito caldeu, siríaco, armênio, grego ou latino] tinha mais de um milhão de fiéis.

Era uma espécie de milagre. Fundada no século IV, essa corrente católica teve um papel preponderante naquele tempo. Foi ela que converteu ao cristianismo uma parte dos mongóis. Além disso, transmitiu aos árabes e posteriormente à Europa medieval toda a cultura da Grécia antiga.

Desde que os americanos mataram Saddam, os católicos foram escorraçados do Iraque ou perseguidos. Hoje, com a chegada dos jihadistas do Isil (mais obtusos e perversos do que os de Osama bin Laden e da rede Al-Qaeda), começa o tempo da agonia. Milhares de cristãos iraquianos teriam sido mortos e 600 mil já fugiram do país.

Um pedaço da história, construído ao longo de 16 séculos, ameaça ser aniquilado, pelo menos se os fanáticos do Isil consolidarem sua vitória e conseguirem criar um califado que ignora as fronteiras políticas habituais e sonha implantar a sharia em grande parte da Síria e do Iraque, de Alepo a Bagdá. As perseguições tem ocorrido desde que, há um mês, foi proclamado o califado islâmico.

Letra N (em árabe ن de Nazareno) que muçulmanos estão pintando nas casas dos cristãos que devem ser expulsos ou executados

Letra N (em árabe ن de Nazareno) que muçulmanos estão pintando nas casas dos cristãos que devem ser expulsos ou executados

Não conhecemos todos os detalhes e todas as indignidades. Contudo, sabe-se que centenas de iraquianos cristãos teriam sido mortos e mais de 600 mil tomaram o caminho do exílio. Em Mossul, as casas dos cristãos foram marcadas com a letra N (que significa Nassarah ou Nazareno, um pouco como as casas dos judeus eram emporcalhadas por Hitler).

Onde se refugiam esses cristãos expulsos de suas casas? Muitos se dirigem para Qaraqosh, 30 quilômetros a leste de Mossul, por ser uma cidade de maioria cristã. Além disso, a localidade é predominantemente curda. Os curdos opõem-se aos fanáticos do califado. Seus guerreiros, os peshmergas, são muito fortes. Eles lutam contra as tropas jihadistas e protegem os cristãos. Surpreende um pouco que esse fato não tenha provocado indignação nas capitais ocidentais. É claro que todas essas calamidades são tão numerosas e asquerosas que cada horror atua como um filtro para impedir que se percebam outros horrores: Síria, Faixa de Gaza, a Líbia à beira do abismo, Sudão, República Centro-Africana, Ucrânia, etc. O mundo hoje não passa de uma extensa decepção, um longo soluço. Mas, no caso dos cristãos de Mossul, estamos diante de uma das mais violentas crueldades.

Católicos do Iraque refugiados na Igreja de São José, em Erbil (norte do Iraque) depois de fugirem de suas aldeias invadidas por guerrilheiros muçulmanos

Católicos do Iraque refugiados na Igreja de São José, em Erbil (norte do Iraque) depois de fugirem de suas aldeias invadidas por guerrilheiros muçulmanos

PS: De outro boletim que recebi hoje da “ACI/EWTN Noticias”, de 8-8-14, informa que a situação se agrava drasticamente dia-a-dia. O Patriarca católico caldeu, Dom Louis Raphael Sako, exortou a comunidade internacional a tomar consciência do êxodo, da“via sacra que milhares de cristãos iraquianos estão sofrendo para escapar da violência dos extremistas muçulmanos do Estado Islâmico (ISIS)”, que nesta quinta-feira tomaram Qaraqosh. Ele descreveu essa tragédia “Cerca de 100 mil cristãos, horrorizados e em pânico, fugiram das suas aldeias e casas sem nada mais do que a roupa que tinham vestida […]. É um êxodo, uma verdadeira Via Sacra, cristãos, incluindo doentes, idosos, crianças e grávidas, estão a caminhar a pé no calor ardente do verão iraquiano para se refugiarem nas cidades curdas de Erbil, Duhok e Soulaymiyia”.

Em outra notícia da mesma agência e do mesmo dia, a “ACI/EWTN Noticias”, transcreve uma declaração de Mark Arabo, líder da comunidade caldeia, à CNN denunciando que os jihadistas do Estado Islâmico (ISIS), estão decapitando crianças cristãs em Mosul, pendurando os seus pais e estuprando as mulheres, as quais são sequestradas e vendidas como escravas. “No parque (de Mossul) o Estado Islâmico decapita sistematicamente as crianças, colocando as suas cabeças em cima de paus e cada vez mais crianças estão sendo decapitadas. As suas mães são estupradas e assassinadas e estão pendurando os seus pais”. 

 

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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A Glória extraordinária da Assunção de Nossa Senhora http://www.lepanto.com.br/catolicismo/doutrina-catolica/gloria-extraordinaria-da-assuncao-de-nossa-senhora/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/doutrina-catolica/gloria-extraordinaria-da-assuncao-de-nossa-senhora/#comments Fri, 15 Aug 2014 16:38:36 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5342

“Santo do Dia”, 10 de agosto de 1968

A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de“Catolicismo”, em abril de 1959.

Assuncao_Fra_Angelico_2

Assunção da Virgem – Fra Angélico – Relicário – c. 1430 Isabella Stewart Gardner Museum – Boston

A Ascensão tem várias razões e a mais protuberante dessas razões é de caráter apologético. Era preciso que os homens pudessem dar testemunho deste fato histórico duplo: não só de que Nosso Senhor ressuscitou, mas de que tendo ressuscitado Ele subiu aos céus, a sua vida terrena não continuou. Ele subiu ao Céu, e subindo ao Céu Ele abriu caminho para todas as incontáveis almas que estavam no Limbo e que estavam esperando a Ascensão dEle para irem se assentar à direita do Padre Eterno.Um fato que chama a atenção é que Nosso Senhor, na História Sagrada, tenha querido Ele mesmo subir aos céus aos olhos dos homens e depois também tenha querido que a Assunção de Nossa Senhora para o Céu se desse aos olhos dos homens. Por que esta Ascensão e depois esta Assunção deveriam dar-se aos olhos dos homens?

Quer dizer, antes de Nosso Senhor Jesus Cristo entrar no Céu ninguém podia entrar, só os Anjos estavam lá. Ele, na Sua Humanidade santíssima, foi a primeira criatura – ao mesmo tempo em que Ele era Homem-Deus – a subir aos céus como nosso Redentor; e Ele abriu o caminho dos céus para os homens. Mas havia uma outra razão que era a seguinte: era preciso que Ele, que tinha sofrido todas as humilhações, tivesse todas as glorificações. E glória maior e mais evidente não pode haver para alguém do que o subir aos céus, porque é o ser elevado por cima de todas as alturas. Estar acima de todas as coisas da terra e unir-se com Deus Nosso Senhor, transcender de todo esse mundo de onde nós estamos e ir para o céu empíreo onde Deus está, para unir-se a Ele eternamente.

Nosso Senhor quis que Nossa Senhora tivesse a mesma forma de glória, e que assim como Ela tinha participado de maneira única do mistério da cruz, participasse também da glorificação dEle. E a glorificação dEla se dava por esta forma, sendo levada aos céus. Mas era uma assunção e não uma ascensão. A ascensão era a subida de Nosso Senhor ao Céu por Sua própria força, pelo Seu próprio poder. A assunção não é uma ascensão. Nossa Senhora não subiu ao Céu por um poder inerente à sua natureza: Ela subiu ao Céu pelo ministério dos Anjos, Ela foi carregada, foi levada ao Céu pelos Anjos.

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Fra Angélico – Cenas da Vida de Cristo 1451-52 – Museu de São Marcos, Florença

E esta foi a grande glorificação dEla nesta terra, prelúdio da glorificação dEla no Céu; porque no momento em que Ela subiu ao Céu, foi coroada como Filha dileta do Padre Eterno, como Mãe admirável do Verbo Encarnado e como Esposa fidelíssima do Divino Espírito Santo. Ela teve uma glorificação na terra e depois uma glorificação no Céu.

E nós devemos conceber a Assunção como tendo sido um fenômeno gloriosíssimo. Infelizmente, os pintores da Renascença, e os que de lá para cá nos apresentaram a Assunção, não souberam descrever de um modo adequado a glória que deve ter cercado este espetáculo. Nós devemos imaginar o seguinte: é próprio às coisas da terra que quando se quer glorificar alguém, todo mundo – vamos dizer numa casa, por exemplo – se põe nos seus melhores trajes, na casa se exibem os melhores objetos, se ornamenta a casa com flores, tudo o que há de mais nobre na casa é exibido para glorificar a pessoa a quem se quer homenagear.

Esta regra está dentro da ordem natural das coisas e é seguida também no Céu. E é claro que o maior brilho da natureza angélica, o fulgor mais estupendo da glória de Deus nos Anjos tem que ter aparecido exatamente no momento em que subiu ao Céu Nossa Senhora. E deveriam estar – se for permitido aos mortais considerarem os Anjos com seus próprios olhos – rutilantíssimos, com um esplendor absolutamente invulgar. E se não foi dado a todos os mortais contemplar os Anjos nesta ocasião, é certo pelo menos que a presença deles se fazia sentir de um modo imponderável; porque muitas vezes na história a presença dos Anjos se faz sentir de um modo imponderável, embora não seja propriamente uma visão, ou uma revelação deles.

E é natural também que nesta hora o sol tenha brilhado de um modo magnífico, que o céu tenha ficado com cores variadas refletindo de modo diverso, como numa verdadeira sinfonia, a glória de Deus. E é natural que as almas das pessoas felizes que estavam ali presentes tenham sentido essa glória em si de um modo extraordinário, de maneira tal que tenha havido ali uma verdadeira manifestação do esplendor de Deus em Nossa Senhora. Mas nenhum desses esplendores podia se comparar com o próprio esplendor de Nossa Senhora subindo ao Céu.

À medida que Ela ia subindo, com certeza, como numa verdadeira transfiguração, como num verdadeiro monte Tabor, a glória interior dEla ia transparecendo aos olhos dos homens. Falando dEla diz o Antigo Testamento: omnis glória filia regis ab intos – toda [a] glória da filha do rei lhe vem de dentro, daquilo que está dentro dEla. E com certeza essa glória interna que Ela tinha se manifestou do modo mais estupendo quando, já no alto de sua trajetória celeste, Ela olhou uma última vez para os homens, antes de definitivamente deixar esse vale de lágrimas e ingressar diante da glória de Deus.

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O dedo de São Tomé que tocou na chaga de Nosso Senhor (Basílica Santa Croce in Gerusalemme, Roma

Relicário contendo o Cinto de Nossa Senhora (Zingulum B. Mariae Virginis), que se venera na catedral de Aix-la-Chapelle, ou em seu nome germânico Aachen, na Alemanha

Relicário contendo o Cinto de Nossa Senhora (Zingulum B. Mariae Virginis), que se venera na catedral de Aix-la-Chapelle, ou em seu nome germânico Aachen, na Alemanha

Compreende-se que tenha que ter sido, depois da Ascensão de Nosso Senhor, o fato mais esplendorosamente glorioso da história da terra, comparável apenas ao dia do Juízo Final, em que Nosso Senhor Jesus Cristo virá em grande pompa e majestade, diz a Escritura, para julgar os vivos e os mortos e que com Ele, toda reluzente da glória dEle, de um modo indizível, aparecerá também Nossa Senhora aos nossos olhos. Nós devemos considerar aí a impressão que tiveram os apóstolos e os discípulos quando A viram subir ao Céu.

Devemos considerar o fato que todo mundo conta, que a tradição narra, a respeito de São Tomé. São Tomé, como os senhores sabem, duvidou e porque ele duvidou foi convidado por Nosso Senhor a meter a mão na chaga sagrada do flanco dEle, para certificar-se que era realmente Nosso Senhor. Ele recebeu Pentecostes, se tornou um apóstolo confirmado em graça, tornou-se um grande santo. Mas conta uma tradição venerável que, porque duvidou, na hora da morte de Nossa Senhora ele não estava presente, nem na hora da Assunção; e que chegou quando Nossa Senhora já estava subindo ao Céu, já estava a certa distância da terra; foi aí que ele foi trazido pelos Anjos para contemplar o resto da Assunção.

Aí os senhores vêem aquilo que nós poderíamos chamar a índole de Nossa Senhora, a cuja qualificação a palavra materna não basta, seria uma índole super materna, arqui-materna, incomparável. Quando Ela subia ao Céu e ele recebia esse castigo pungente – merecido por uma culpa tão reparada – de não ter podido estar presente à morte e Assunção de Nossa Senhora, ele chegou, olhou para Ela. Então, conta-se que Ela sorrindo, concedeu uma graça a ele que não concedeu a nenhum outro: Ela desatou o seu cinto e de lá de cima fez cair o cinto sobre ele, de maneira tal que ele recebeu com – já não direi o perdão, porque ele já estava perdoado – a remissão uma suprema graça, que era uma relíquia direta dEla, atirada para ele do mais alto dos céus.

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Nossa Senhora entregando o Sagrado Cíngulo a São Tomás

É assim Nossa Senhora quando tem algo a perdoar a algum filho muito dileto. Ela pune às vezes, porque às vezes Ela sequer pune, mas faz seguir essa punição de um sorriso tão bondoso, de um perdão tão completo e de uma graça tão grande que São Tomé, voltando para casa com os apóstolos, quase poderia mostrar esse presente dado a ele e dizer: o felix culpa, ó culpa feliz! Eu tive a desgraça de duvidar de meu Salvador, mas em compensação eu tive a felicidade de receber esta relíquia direta e celeste de minha Mãe Santíssima. O último sorriso dEla, o último favor dEla, a amenidade mais extrema, a bondade mais suave Ela deu exatamente a São Tomé e isto nos deve encorajar.

Não há nenhum de nós que em relação a Nossa Senhora não tenha falhas, não tenha algum perdão a pedir. Nós devemos pedir a Nossa Senhora, nesta preparação da festa da Assunção, que Ela proceda assim maternalmente conosco, que Ela olhe para nossas falhas, mas que Ela nos dê um perdão, e que esse perdão seja o seguinte: é possível que analisando as nossas próprias almas com aquela severidade implacável que é a condição de seriedade de todo exame de consciência, é possível que nós consideremos que estamos chegando um pouco atrasados na nossa preparação espiritual para os fatos profetizados por Nossa Senhora em Fátima.

Pois bem, nós devemos fazer a oração de São ToméSe chegarmos atrasados, que Ela nos dê essa graça, que Ela nos dê o favor especial, particularmente rico, particularmente suave, por onde de um momento para outro nós nos preparemos; de maneira tal que quando bater à porta de nossas almas a graça dos dias terríveis que se aproximamestejamos prontos, cheios de enlevo. Esta é a reflexão que me ocorre fazer por ocasião da festa da Assunção de Nossa Senhora.

 

Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira.INFO

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Importante passo rumo ao modelo venezuelano http://www.lepanto.com.br/sociologia-e-politica/importante-passo-rumo-ao-modelo-venezuelano/ http://www.lepanto.com.br/sociologia-e-politica/importante-passo-rumo-ao-modelo-venezuelano/#comments Fri, 15 Aug 2014 15:07:38 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5339

COMUNICADO

Importante passo rumo ao modelo venezuelano

O País atravessa momentos de turbulência político-social, inéditos e perplexitantes. Tensões, boa parte delas induzidas, marcam o dia a dia do noticiário. A atmosfera psicológica do Brasil está saturada e nem sequer o clima, habitualmente distendido que cerca uma Copa do Mundo, ainda mais realizada em território nacional, escapou a tais deletérias influências.

A população tem assistido, estupefata, à realização de greves em serviços essenciais, muitas delas declaradas abusivas pela própria Justiça, que impõem graves inconvenientes e perturbações aos brasileiros ordeiros, que labutam e produzem nos grandes centros urbanos; tais greves têm gerado insegurança, que se traduz em depredações de bens públicos e privados e até em saques.

Grupos de chamados “sem-teto”, altamente treinados e organizados, inclusive com a presença de estrangeiros, invadem terrenos e prédios urbanos, sendo recebidos, após seus atos criminosos, por autoridades – até mesmo pela Presidente da República – tornando assim o poder público e a sociedade refém de seus desígnios ideológicos.

Marchas do MST e de reais ou fictícios indígenas, manipulados por ONGs ou instituições como o Conselho Indigenista Missionário-CIMI ou similares, fazem encenações de enfrentamentos com policiais, registradas em fotografias que percorrem o mundo, transmitindo a falsa idéia de um Brasil que se contorce em estertores sociais e raciais.

Por outro lado, grupos extremistas anti-sistema, estilo “Black Bloc”, promovem atos de protesto – por causas poucos definidas – espalhando a violência urbana, planejada e calculada, de modo a lançar o caos e atacar símbolos do capitalismo, no exercício do que qualificam como “ilegalidade democrática”.

Por fim, diante do alastrar-se de fatores de incompreensão e de indignação, nas camadas profundas da população, em relação ao governo da Presidente Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores, vozes como a do ex-Presidente Lula tentam disseminar um clima de luta e de ódio de classes, tão avesso ao sentir do brasileiro comum.

*  *  *

É neste contexto tumultuado que surge um gravíssimo ataque às instituições e à ordem constitucional vigente, perpetrado através do Decreto presidencial nº 8.243, cuja efetivação poderia ser qualificada com uma tentativa de golpe de Estado incruento.

Editado pela Presidência da República no dia 23 de maio p.p., e publicado no Diário Oficial três dias depois, estabelece ele a “Política Nacional de Participação Social” e o “Sistema Nacional de Participação Social”.

Sob o disfarce de tratar da organização e funcionamento da administração pública – invocando para tal até dispositivos constitucionais – e alegando que o sistema representativo contém falhas, o governo do Partido dos Trabalhadores, via decreto, tenta implementar um novo regime de organização do Estado, o qual visa “consolidar a participação social como método de governo”.

Manejando habilmente sofismas e falácias sobre a “democracia direta”, valendo-se de definições e disposições vagas, o Decreto submete a Administração Pública, em seus diversos níveis, aos “mecanismos de participação social”.

Os “conflitos sociais”, como, por exemplo, invasões de terras, de imóveis urbanos, de demarcação de terras indígenas, – tantos deles gerados artificialmente – serão mediados por elementos do governo e setores da sociedade civil, controlados por “coletivos, movimentos sociais, suas redes e suas organizações”.

E a Secretaria-Geral da Presidência da República dirigirá uma burocrática e coletivista estrutura de conselhos, conferências, comissões, ouvidorias, mesas de diálogo, etc.

O Decreto 8.243 – que já chegou a ser comparado a um decreto bolivariano ou bolchevique – torna obsoletas as instituições do Estado de Direito, criando organismos informais (ou quase tanto) que condicionarão o Judiciário, o Legislativo ou o próprio Executivo.

Como é de conhecimento público, em grande medida tais “movimentos sociais”, “coletivos” ou grupos da dita sociedade civil são influenciados, orientados e financiados pelo Partido dos Trabalhadores, pela “esquerda católica”, bem como pelo próprio governo.

Fica assim instituído um sistema paralelo de poder, que consagra na prática uma ditadura do Executivo, na pessoa do Secretário-Geral da Presidência da República, atualmente o ex-seminarista Gilberto Carvalho, quem habitualmente faz a ponte entre o governo e a CNBB.

*  *  *

 A Presidente da República tenta desta forma impor ao País metas político-ideológicas do PT – alimentadas nos Fóruns Sociais Mundiais – e sempre repudiadas pela maioria dos brasileiros.

Desde há muito, certo tipo de esquerda – e sobremaneira a esquerda petista no poder, influenciada em maior ou menor grau pelo progressismo católico – tenta subverter o exercício do regime “democrático”. Fiel a suas velhas convicções socialo-comunistas, eriça-se contra as instituições do que qualifica de “democracia burguesa”, tentando vender a idéia de uma democracia direta e participativa, como mais autêntica e popular.

Já no primeiro mandato do Presidente Lula, enquanto o País estava embalado pela pseudo-moderação do projeto político de mudança do Brasil, expresso na Carta ao Povo brasileiro, o programa “Fome Zero” fazia uma primeira tentativa de instaurar no Brasil “conselhos populares” que, como alertaram certas vozes na época, mais não eram de que uma reedição dos conselhos da revolução cubanos ou dos coletivos chavistas.

Mais à frente veio a tentativa de controlar a imprensa pelo mesmo mecanismo de conselhos, manipulados por “movimentos sociais”.

O PNDH3, baseado numa vaga e abrangente política de Direitos Humanos, constituiu nova tentativa de impor ao País um controle da sociedade e das instituições do Estado, por conselhos.

Por ocasião das manifestações de junho de 2013, a Presidente Dilma Rousseff em discurso televisionado a todo o País, voltou a acenar com o tema da democracia direta e a “voz das ruas”. Veio, logo em seguida, a tentativa de impor ao País uma Constituinte específica para a reforma política.

*  *  *

De todos os quadrantes da sociedade se têm erguido vozes que apontam o grave perigo criado ao futuro político do Brasil pelo Decreto presidencial nº 8.243. No Congresso Nacional há movimentos pronunciados para inviabilizar ou derrubar o referido Decreto. Outros setores ensaiam movimentos para recorrer ao Supremo Tribunal Federal, reclamando da inconstitucionalidade de tal Decreto.

O governo veio a público defender a medida, sempre baseado em subterfúgios e, segundo informa a imprensa, não está disposto a recuar. Aproveitando-se do período em que as atenções de muitas pessoas estão voltadas para a Copa do Mundo, contando ainda com já tão próxima campanha eleitoral, Dilma Rousseff e seus assessores no Planalto e no PT, parecem decididos a apostar no golpe institucional.

*  *  *

Quando dos trabalhos da Constituinte de 1988, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicou a obra “Projeto de Constituição angustia o País”. Nele alertava para o fato de que elementos de nossa classe política, divorciados dos verdadeiros anseios do Brasil profundo, iriam arrastando inexoravelmente o Brasil para o esquerdismo radical.

E admoestava ainda que cada vez mais raros seriam os partícipes da farândola reformista da esquerda, “ganhos gradualmente pelo sentimento de inconformidade e apreensão nascido, a justo título, das camadas mais profundas da população”.

O Decreto nº 8243 é, por certo, um grave exemplo dessa obstinação ideológica. A inconformidade, ainda que silenciosa, é também uma realidade que cresce, apesar das máquinas de propaganda tentarem menosprezá-la ou distorcer-lhe o sentido.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira faz um apelo às forças vivas da Nação para que, num concerto geral dos espíritos clarividentes, alertem para o perigoso rumo ao qual nos encaminha o Decreto 8.243, obstruindo-lhe legalmente o caminho.

Caso não seja derrubado, o Decreto nº 8.243 terá operado uma transformação radical nas instituições do Estado de Direito, esvaziando o regime de democracia representativa, deixando o País refém de minorias radicais de esquerda e de ativistas, abrindo as portas para a tão almejada fórmula do atropelo e do arbítrio, típica dos regimes bolivarianos.

Adolpho Lindenberg

Presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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Boeing 777 da Malaysia Airlines: raio que mata, mas esclarece! http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/boeing-777-da-malaysia-airlines-raio-que-mata-mas-esclarece/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/boeing-777-da-malaysia-airlines-raio-que-mata-mas-esclarece/#comments Fri, 01 Aug 2014 15:17:27 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5325

O Boeing 777, da Malaysia Airlines, derrubado por um míssil terra-ar da Rússia. Certamente atingido por um AS-11, míssil russo conhecido com Buk, que pode alvejar aviões a 22 mil metros de altitude.

derrubada do Boeing 777 da Malaysia Airlines por um míssil russo, no dia 17 último, traz à memoria uma inevitável recordação de setembro de 1983: a trágica derrubada do jumbo sul-coreano da Korean Air Lines atingido por um caça soviético, matando 269 passageiros. Naquela ocasião a Sociedade Norte-Americana de Defesa da Tradição Família e Propriedade (TFP) lançou um manifesto com o título “Jumbo sul-coreano: raio que mata, mas esclarece!”. Sua tradução foi publicada na revista Catolicismo, Nº 393, Setembro/1983.

Destroços do boeing da Malaysia Airlines misturados com corpos de passageiros.

Destroços do boeing da Malaysia Airlines misturados com corpos de passageiros.

Nos presentes dias, tal manifesto, mutatis mutandis, aplica-se ao atual crime cometido contra o avião malaio numa região ucraniana, controlada de certo modo por milicianos separatistas pró-Russia, fortemente armados por esse país — ato covarde que matou 298 civis, entre os quais 60 crianças!

Atualmente a mídia tem publicado notícias que revelam o plano da Rússia de expandir sua influência, e mesmo seu domínio, sobre nações sul-americanas, inclusive o Brasil, onde isso já se faz notar. Memento 1: a recente visita de Vladimir Putin a nosso País… Memento 2: a pobre Crimeia que já sente o peso da dominação russa.

Que, ao menos, sirva-nos de lição a derrubada criminosa do Boeing 777 da Malásia e que o Ocidente não capitule frente às investidas da Rússia e saiba reagir enquanto é tempo. Para servir de alerta nesse sentido, transcrevo abaixo alguns trechos do aludido manifesto da TFP norte-americana, que distribuiu só em Nova York 120 mil cópias desse documento intitulado “Jumbo sul-coreano: raio que mata, mas esclarece”.

Foto do presidente russo Vladimir Putin, durante uma entrevista a jornalistas em Brasília, em 16 de julho.

Foto do presidente russo Vladimir Putin, durante uma entrevista a jornalistas em Brasília, em 16 de julho.

“O crime perpetrado [em 2 de setembro 1983] por um avião de caça soviético contra o jumbo sul-coreano produziu no povo norte-americano o efeito de um raio noturno: matou infelizmente a vários, mas — precisamente como fazem tais raios — iluminou com uma claridade terrível um panorama então coberto de densas trevas.

“Densas trevas, sim, que há anos vêm toldando progressivamente os horizontes de nossa política externa, com óbvios reflexos sobre nossa política interna. E com prejuízo inestimável para toda a Nação.

Três das crianças mortas no vôo MH17, de 17 de julho, da Malaysia Airlines

Três das crianças mortas no vôo MH17, de 17 de julho, da Malaysia Airlines

Coreia-do-Sul-Seul-227x300“Convém que a realidade assim posta em evidência com o fulgor irresistível, mas tão transitório, de um raio, não seja esquecida pela nossa opinião pública. Lembrem-se sempre da tragédia. […] O fato tragicamente noticiado pelos meios de comunicação social contém para nós uma lição esclarecedora, a indicar por muitos anos o rumo de nossas cogitações e de nossas atitudes políticas. […]

“O crime, como um raio mortífero, mas esclarecedor, nos faz ver o que há de falacioso no mito da ‘psicodulcificação’ dos soviéticos. Ficou claro que os homens que tenham preferido ficar vermelhos a morrer, cairão nas mãos dos verdugos opressores do Vietnã, dos artífices no Cambodge”.

 

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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A gloriosa Epopéia de Santa Joana d’Arc http://www.lepanto.com.br/catolicismo/gloriosa-epopeia-de-santa-joana-darc/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/gloriosa-epopeia-de-santa-joana-darc/#comments Mon, 30 Jun 2014 13:22:46 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5318

Quem foi la Pucelle? Como eram as vozes do Céu que ela ouvia? Como realizou o impossível? Consederemos depoimentos que narram sua proeza, seu martírio e a misteriosa efetivação de sua missão sobrenatural.

07_Santa Joana d'Arc, entrada em Orleans, Herois Medievais

Em 6 de janeiro de 2012 comemorou-se o sexto centenário do nascimento de Santa Joana d’Arc na hoje quase esquecida aldeia de Domrémy-la-Pucelle em 1412, na França.

Pastorinha chamada por Deus para realizar um feito sem igual no Novo Testamento, ela restaurou a França, país então sem esperança, arruinado pelo caos político-religioso e ocupado em larga medida pelos ingleses. Reinstalou no trono o rei legitimo e levou à vitória seus desanimados exércitos.

Considerada como profetisa do Novo Testamento, a santa gravou o nome de Jesus na bandeira com que conduzia as tropas ao combate. Dois séculos e meio depois, o Sagrado Coração viria pedir a Luis XIV, rei da França, mediante aparição à vidente Santa Margarida Maria Alacoque, que gravasse sua imagem nas bandeiras reais.

Aprisionada por ocasião de uma escaramuça, Santa Joana d’Arc foi julgada por um tribunal iníquo que a condenou a ser queimada como bruxa na cidade de Rouen, em 1431. Hoje, porém, a história da santa, canonizada em 1920, faz vibrar o mundo.

Muitos eclesiásticos e inúmeros de seus devotos estão certos de que sua missão não terminou. Pelo contrário, que a santa vai continuá-la em nossos dias, comandando do Céu a restauração da Igreja e da sociedade temporal. Ideia que explica a incrível retomada de interesse pela Donzela de Domrémy.

Quem foi Joana d’Arc e como eram as vozes do Céu que ouvia? Como fez o que parecia impossível?

Leiamos suas palavras, que expõem a proeza que realizou, seu martírio e sua missão póstuma, registrados no processo que a condenou. Analisemos também os depoimentos de muitos que a viram em pessoa. Com esses dados reconstituiremos não toda a sua história, mas alguns momentos-chave da odisseia da virgem-guerreira.

Santa Joana d’Arc enfrenta um tribunal ilegítimo

Numa escaramuça junto às muralhas de Compiègne, Santa Joana d’Arc foi aprisionada e vendida aos ingleses que haviam invadido a França. Estes queriam condená-la como bruxa para tentar vencer a fabulosa reação que ela inspirou. Porém, como simples militares, eles não tinham meios para realizar isso. Necessitavam recorrer a maus religiosos do país ocupado. Promoveram então a instalação de um tribunal composto por mais de 50 eclesiásticos e legistas dirigidos pelo bispo de Beauvais, D. Pierre Cauchon.

Este tribunal, que a condenou em 1431, era destituído de qualquer competência jurídica, civil-criminal ou canônica. As palavras da santa e de seus injustos interrogadores foram registradas com minúcia pelos escreventes do tribunal. Anos depois, num processo concluído em 1455 e validamente conduzido, as legítimas autoridades civis e eclesiásticas declararam nulo o processo contra a santa, cuja memória reabilitaram1. Por fim, um processo de beatificação realizado no século XX constatou a heroicidade de suas virtudes, e Bento XV a canonizou em 1920.

O Bispo Cauchon, chefe do tribunal

O advogado Nicolas de Bouppeville, contemporâneo de Santa Joana d’Arc, depôs da seguinte forma sobre o presidente do tribunal: “Eu jamais acreditei que o bispo de Beauvais estivesse engajado no processo pelo bem da Fé ou por zelo da Justiça. Ele obedecia simplesmente ao ódio que lhe inspira o devotamento de Joana ao rei da França; longe de capitular diante do medo aos ingleses, ele não fez senão executar sua própria vontade. Eu o vi relatar ao regente [o duque de Bedford] e a Warwick suas negociações para comprar Joana; ele não continha seu contentamento e falava com animação”.

O escrevente Guillaume Manchon registrou: “Numa sessão, Frei Isambard dirigiu-se a Joana, tentando orientá-la e informá-la sobre o alcance da submissão à Igreja. ‘Calai-vos, em nome do diabo’, interrompeu o bispo aos berros”.

Um dos agentes do bispo foi o cônego da catedral de Rouen, Nicolas Loyseleur, que fingia simpatizar com Carlos VII e com a Donzela, a quem dava continuamente péssimos conselhos. D. Cauchon autorizou a santa a confessar-se somente com ele. Foi um dos signatários da condenação e até propôs que a santa fosse torturada. Sobre ele, testemunhou o escrivão Guillaume Boisguillaume: “Eu acredito que o bispo de Beauvais estava bem a par da situação; sem ele Loyseleur não teria ousado agir como o fez. Muitos assessores do processo murmuravam isso”.

Jean d’Estivets, promotor no processo, também entrou disfarçado na prisão de Joana, declarou Boisguillaume. “Esse d’Estivet teve a função de promotor e, no caso, mostrou-se muito apaixonadamente favorável aos ingleses, que ele queria agradar. Ele dirigia injúrias ferozes contra Joana. Acredito que Deus o puniu na hora da morte, pois foi encontrado num brejo às portas de Rouen. Aliás, ouvi dizer, como fato de domínio público, que todos os que condenaram Joana pereceram miseravelmente. Foi o caso do clérigo Nicolas Midi (da Universidade Paris, que pronunciou o sermão na hora de Joana ser queimada), atingido pela lepra poucos dias depois, e do bispo Cauchon, que morreu subitamente enquanto fazia a barba”.

Em 24 de fevereiro, enquanto era interrogada, a Donzela pediu licença para falar e disse ao bispo:

– “Eu vos digo: prestai atenção no que vós tentais, porque vós sois meu juiz e assumis uma pesada carga tentando me inculpar”.

Cauchon: “Chega, eu exijo, jura!”.

Santa Joana: “Eu direi com todo gosto o que sei, mas não tudo agora. Eu venho da parte de Deus e não tenho nada a fazer neste tribunal. Eu vos rogo que me mandeis de volta a Deus, de quem eu venho”. E acrescentou:

– “O que eu sei bem, é que hoje, quando acordei, a voz me disse para responder com intrepidez. [E voltando-se para D. Cauchon :] Vós, ó bispo, dizeis que sois meu juiz; prestai atenção naquilo que estais a fazer, pois em verdade eu fui enviada da parte de Deus e vós vos colocais num grande perigo”.

Procura de pretextos

O tribunal devia declará-la ré de contatos com o demônio para desmoralizar sua imensa fama. D. Cauchon procurava um pretexto para declará-la herética, tendo-lhe exigido várias vezes: “Fala teu Pai Nosso”. A santa respondia sempre: “Ouvi-me em confissão, eu vo-lo direi com muito gosto”.

Incomodado pelo pedido, respondeu encolerizado o mau eclesiástico: “Joana, você está proibida de sair da prisão sem nossa aprovação, sob pena de ser assimilada a um culpado convicto de heresia”.

– “Eu não aceito essa proibição. Se eu fugir, ninguém terá direito de dizer que violei a palavra dada porque não a engajei a pessoa alguma”.

– “Em meu país [Domrémy, Lorena] me chamam de Joaninha. Na França, desde que cheguei me chamam de Joana. Minha mãe me ensinou o Pai Nosso, a Ave Maria e o Credo. Eu não aprendi minha fé de mais ninguém senão de minha mãe”.

As vozes sobrenaturais que ela ouvia todos os dias desde o início de sua missão foram um dos pretextos para tentar fazê-la cair em erro ou contradição.

– “Quando é que você começou a ouvir as vozes?”

– “Eu tinha 13 anos quando ouvi uma voz de Deus para ajudar-me a conduzir-me bem. Da primeira vez eu tive muito medo. Esta voz vinha ao meio-dia, durante o verão, no jardim de meu pai”.

– “Eu ouvi essa voz proveniente do lado direito, do lado da igreja, e raramente ela chegava até mim sem ser acompanhada de uma grande luminosidade. Tal luminosidade vinha do lado da voz. E desde que cheguei à França, ouço a voz com frequência. Se eu estivesse numa floresta, também ouviria essas vozes”.

– “Como era a voz?”.

– “Era uma voz bem nobre e acredito que era enviada da parte de Deus. Na terceira vez que eu a ouvi, percebi que era a voz de um anjo. Ele sempre me protegeu. Eu era uma pobre menina que não sabia cavalgar nem fazer a guerra”.

– “E você ouve frequentemente a voz?”.

– “Não há dia que não a ouça, e também sinto muito necessidade dela”.

A Árvore das Fadas em Domrémy

Não longe de Domrémy havia uma velha e frondosa árvore chamada Árvore das Fadas, onde as crianças se reuniam para brincar. A camponesa Hauviette, casada com um homem do povo de nome Gérard, assim descreveu essa árvore:

– “Havia desde tempos antigos na nossa região uma árvore apelidada Árvore das Damas. Os anciãos diziam que ela estava assombrada por damas chamadas fadas. Entretanto, jamais ouvi falar de alguém que tivesse visto as fadas. As crianças da aldeia, mocinhas e rapazes, iam até a Árvore das Damas levando pães e nozes, e também à fonte das Groselheiras, no domingo deLaetare Jerusalem, que nós denominamos domingo das Fontes. Lembro-me ter ido com Joaninha, que era minha colega, e outras meninas. Nós comíamos, corríamos e brincávamos”.

D. Cauchon voltava ao assunto com insistência obsessiva, e a malícia do tribunal aumentava.

Interrogador: “Então, a voz vos proíbe dizer tudo?”.

Santa Joana: “Eu tive revelações relativas ao rei que não vos contarei”.

Interrogador: “Mas essa voz a que você pede conselho tem rosto e olhos?”.

Santa Joana: “Vós não extorquireis de mim o que quereis. Há um ditado das crianças segundo o qual as pessoas acabam enforcadas por terem dito a verdade”.

As vozes ouvidas pela Donzela

Em 27 de fevereiro houve o quarto interrogatório público. O tribunal ocupou-se das aparições de Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, pelas quais a Donzela tinha grande devoção.

Interrogador: “Como é que você sabe que estas são duas santas? Você distingue bem uma da outra?”.

Santa Joana: “Eu distingo bem uma da outra pela saudação que elas fazem. Elas enunciam seu nome”. E acrescentou:

– “Eu também recebo conforto de São Miguel”.

Interrogador: “Qual foi a voz que você ouviu primeiro?”.

– “Foi a de São Miguel. Vi-o com meus olhos e ele não estava sozinho, mas muito bem acompanhado pelos anjos do Céu”.

Interrogador: “Você viu São Miguel e os anjos como corpos reais?”.

– “Eu os vi com os olhos de meu corpo tão bem quanto eu vos vejo. Quando eles partiram, chorei e desejei muito que eles me levassem consigo”.

Interrogador: “Eles estavam nus?”.

– “O Sr. julga que Deus não tem com que vesti-los?”.

Interrogador: “Que efeito produzia sua presença?”.

– “Vendo-os eu sentia uma grande alegria, e ao vê-los parecia que eu não estava em pecado mortal”.

Interrogador: “Você se julga isenta de pecado mortal?”.

– “Se eu estou em estado de pecado mortal é sem sabê-lo”.

Interrogador: “Mas quando você se confessa, você não acredita estar em pecado mortal?”.

– “Eu não sei se alguma vez estive em estado de pecado mortal. Acredito não ter praticado más obras. Deus queira que jamais eu tenha caído em semelhante estado! Deus não permita que eu faça uma ação que pese sobre a minha alma!”.

Interrogador: “Você sabe se você está em estado de graça?”.

– “Se eu não estou, que Deus me restaure; e se estou, que Deus me mantenha nele! Eu seria a pessoa mais infeliz do mundo se soubesse que não estou na graça de Deus. Mas se eu estivesse em estado de pecado, acredito que a voz não se dirigiria a mim. Eu desejaria que cada um a ouvisse tão bem quanto eu a ouço”.

No dia 1º de março, os interrogadores voltaram ao assunto.

Interrogador: “Desde a última terça-feira você conversou com Santa Catarina e Santa Margarida?”.

– “Ontem e hoje. Não há dia que não as ouça. Eu as vejo sempre da mesma forma e suas cabeças estão muito ricamente coroadas. A voz delas é boa e bela, eu escuto-as muito bem. É uma bela, doce e humilde voz, e exprime-se em francês”.

Interrogador: “Mas, então, Santa Margarida não fala em inglês?”.

– “Mas como ia ela falar inglês, se não é do partido dos ingleses?”. O interrogador mudou de assunto.

Interrogador: “Você tem anéis?”.

– (Dirigindo-se a D. Cauchon): “Vós, senhor bispo, tendes um que é meu; devolvei-mo”.

Interrogador: “Mas você não tem outro?”.

– “Os borguinhões têm outro que é meu. Mas vós, senhor bispo, mostrai meu anel, se vós o tendes”. O bispo silenciou.

As vozes e o rei da França

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D. Cauchon prometera aos ingleses que faria Joana cair em suas rédeas. Estes, por sua vez, precisavam comprovar que as vozes – que guiaram todo o percurso épico e empolgante da Santa – provinham do demônio. Essas vozes sobrenaturais levaram a Donzela de início até o pretendente legítimo ao trono da França, o qual se encontrava no castelo de Chinon. Quando ela entrou para falar com ele, um cavaleiro riu de sua virgindade. O confessor de Joana, Pe. Jean Pasquerel, viu o fato: “‘Ah! – disse-lhe Joana – em nome de Deus, renega isso, tu que estás tão próximo da morte!’. Menos de uma hora depois, esse homem caiu na água e se afogou”.

É bem conhecido o episódio ocorrido depois: a fim de testar a autenticidade da missão da Pucelle, o rei colocou um cortesão no lugar em que se encontrava e fingiu ser apenas um dos presentes. A santa não hesitou. Dirigiu-se diretamente a ele, dizendo: “Gentil Delfim, meu nome é Joana, a Donzela. O Rei dos Céus vos manda dizer por meu intermédio que sereis sagrado e coroado em Reims, e tornar-vos-eis o lugar-tenente do Rei dos Céus que é o Rei da França”.

O rei dirigiu-lhe muitas perguntas. No fim, Joana insistiu: “Eu vos digo da parte de meu Senhor que vós sois o verdadeiro herdeiro da França e filho de rei, e Ele me envia a vós para vos conduzir até Reims a fim de que recebais vossa coroação e sagração, se vós tendes vontade disso”.

A situação de Carlos VII era miserável até do ponto de vista moral. Ele duvidava inclusive mesmo ser filho de seu pai, devido à vida desregrada da mãe. E pedira a Deus luzes sobre a dúvida. Após o encontro, o rei confidenciou que Joana lhe falou sobre coisas secretas que ninguém sabia nem podia saber, com exceção de Deus. O monarca acreditou então na providencialidade da Donzela.

Seu estandarte inspirava coragem e pavor

“Em Blois ela mandou confeccionar um estandarte onde nosso Salvador, como Juiz supremo, estava sentado num trono sobre as nuvens do céu. Havia um anjo em cujas mãos havia uma flor de lis [símbolo da monarquia francesa] que o Salvador abençoava.

“Todos os dias, de manhã e de tarde, Joana reunia os sacerdotes em volta desse estandarte e os mandava cantar antífonas e hinos em honra da bem-aventurada Virgem Maria. Na ocasião, jamais permitia a presença de homens de armas se antes não tivessem se confessado; ela convocava todos eles a se confessarem e virem à reunião, pois os padres estavam dispostos de bom grado a receber todos os penitentes”.

Há diversas descrições da bandeira. A Santa a descreveu assim: “Eu empunhava uma bandeira com o campo semeado de flores de lis. Havia a figura do mundo com dois anjos a seus lados. Era de pano branco, do tipo chamado de boucassin. Nela estava escrito Jesus Maria e a bandeira tinha uma franja de seda”.

“Eu mesma levava essa bandeira quando atacava os inimigos, a fim de evitar matar alguém. Jamais matei um homem”, explicou ela ao tribunal.

As vozes no campo de batalha

O príncipe Jean de Valois (1409-1476), duque de Alençon, chefe dos exércitos reais, foi uma dos mais importantes testemunhas da condução de Santa Joana d’Arc na guerra. Ele a acompanhou lado a lado nos principais episódios de sua epopeia.

Quando a santa entrou na Guerra dos Cem Anos, o pretendente inglês e seu aliado, o Duque de Borgonha, dominavam grande parte da França. Carlos VII, o legítimo pretendente à coroa francesa, era apelidado de “reizinho de Bourges”, de tal maneira seu território estava reduzido. Seu exército estava dizimado, desmoralizado, mal vestido e mal alimentado. A batalha decisiva travava-se em volta de Orleans, sobre o rio Loire. A cidade era fiel a Carlos VII, mas os ingleses construíram bastiões e linhas que impediam levar alimentos e munições aos defensores. Orleans ia cair pela fome.

“Tendo visto depois as fortificações construídas pelos ingleses, posso dizer que os bastiões do inimigo foram tomados mais por milagre do que pela força das armas. Isso é verdadeiro, sobretudo quanto ao forte de Les Tourelles, na extremidade da ponte, e ao forte dos Agostinianos”, declarou o príncipe Jean. Jean de Orléans (1402–1468), conde de Dunois e Mortain, mais conhecido como ‘Dunois’ ou o ‘bastardo de Orleans’, comandante da cidade sitiada, declarou: “Eu acredito que Joana foi enviada por Deus. Seus feitos e gestos na guerra me parecem proceder não da indústria humana, mas de conselho divino”.

Era urgente levar mantimentos à cidade sitiada. O único caminho possível era pelo rio Loire, mas o vento não era favorável. O comando francês decidiu adiar a expedição. Conta Dunois ter dito a Joana: “Eu e outros mais sábios que eu convocamos um conselho, acreditando que isso [o adiamento] era o melhor e mais seguro”. “Em nome de Deus, replicou Joana, o conselho de Nosso Senhor é mais seguro e sábio que o vosso. Vós acreditáveis me enganar, e vós vos enganastes a vós mesmos; pois eu trago um auxílio melhor do que jamais cidade ou cavalheiro algum recebeu no mundo, posto que é o auxílio do Rei dos Céus. Ele vos chega por causa de meu amor por vós, mas procede do próprio Deus que, a pedido de São Luís e de São Carlos Magno, teve pena da cidade de Orleans e não quer que os inimigos se apoderem do corpo do duque e de sua cidade”.

“Imediatamente e como que no mesmo instante, o vento contrário – que tornava muito difícil aos navios de víveres subir o rio na direção de Orleans – virou e ficou favorável”.

Santa Joana fez uma gloriosa entrada em Orleans com o exército francês no dia 29 de abril de 1429.

Dunois ficou pasmo vendo depois a Donzela esmigalhar o cerco inglês com soldados desmoralizados: “Eu afirmo que até esse momento 200 ingleses punham em fuga 800 ou 1000 dos nossos. Mas nos bastaram 400 ou 500 homens de guerra para lutar contra todo o poder dos ingleses; e impusemos tanto respeito aos sitiantes, que eles não ousavam sair dos bastiões que lhes serviam de refúgio”.

Em 4 de maio de 1429, a santa impulsionou a conquista do bastião de Saint-Loup, vitória que reanimou os abatidos franceses.

Na festa da Ascensão, narra Dunois: “[A Donzela] dirigiu aos ingleses uma carta impositiva, […] dizendo-lhes que levantassem o cerco e voltassem para a Inglaterra, porque do contrário ela lançaria um grande assalto e os forçaria a irem embora: ‘Vós, homens da Inglaterra, que não tendes nenhum direito sobre o reino da França, o Rei dos Céus vos manda e ordena por meu intermédio, Joana, a Donzela, que deixeis vossas bastilhas e volteis a vosso país. Se não eu farei de vós uma coisa tão espantosa que ficará para perpétua memória. Eis o que vos escrevo pela terceira e última vez, eu não vos escreverei mais.

“JESUS MARIA, Joana a Donzela’.

“Após escrever, Joana pegou uma flecha, amarrou nela a carta com um fio e ordenou a um arqueiro lançá-la aos ingleses, gritando: ‘Lede, são notícias’”. Os ingleses a receberam, leram-na e vociferaram as piores injúrias contra a virgem.

Após a conquista do grande bastião dos agostinianos, restava assaltar o bastião de Les Tourelles, sede do comando inglês. Dunois declarou: “Contarei outro fato, no qual vejo igualmente o dedo de Deus. Em 27 de maio iniciamos bem cedo o ataque. Joana foi ferida por uma flecha, que atravessou sua carne entre o pescoço e as costas, saindo mais de 15 centímetros. Joana não se retirou da batalha nem aceitou tratamento da ferida. O assalto durou desde a manhã até as oito horas da noite. Nessas condições não havia nenhuma esperança de vencer naquele dia. Eu opinava pela retirada do exército e pelo retorno a Orleans. A Donzela pediu-me aguardar ainda um pouco. Ao mesmo tempo, ela montou a cavalo e se retirou até um vinhedo, permanecendo sozinha em oração durante meio quarto de hora. Depois voltou, pegou nas mãos seu estandarte e posicionou-se sobre as bordas do fosso, espicaçando o inimigo. Vendo-a os ingleses tremiam, tomados de pavor. Os soldados do rei recuperaram a coragem e correram para a escalada da muralha. O bastião foi tomado sem resistência; os ingleses que ali estavam fugiram, mas pereceram todos”.

“[Sir William] Glasdale e os principais capitães acreditaram poder se retirar na torre da ponte de Orleans. Porém, eles caíram no rio e se afogaram. Esse Glasdale era o homem que se referia à donzela do modo mais injurioso, vilão e ignominioso”. Os ingleses abandonaram o sítio.

Ordens do Céu em Jargeau e Patay

Os ingleses reagruparam-se sob as ordens do duque de Suffolk em Jargeau, a 15 quilômetros de Orleans, aguardando reforços. Seu número era muito grande, mas a santa convenceu os franceses a partirem para a ofensiva. “Joana nos disse: ‘Não temais, qualquer que seja a multidão deles: não hesiteis em atacar os ingleses, Deus conduz nosso exército”, narrou o duque de Alençon.

Na hora do ataque, a santa disse ao príncipe: “Adiante, gentil duque, ao ataque!”. “Eu achava que procedendo apressadamente na acometida nós nos precipitávamos, mas Joana me disse: ‘Não duvideis. A boa hora é quando Deus quer. É preciso lutar quando Deus quer. Lutai, e Deus lutará por vós’.

“Joana – prossegue o duque de Alençon – partiu ao assalto, e eu com ela. Joana subiu numa escada levando na mão o estandarte. Joana e o estandarte foram atingidos por uma pedra que caiu sobre seu elmo. O impacto a jogou por terra. Ela se levantou e disse aos homens de armas: ‘Amigos, amigos, subi! Subi! Nosso Senhor condenou os ingleses. Nesta hora eles são nossos, tende muita coragem!’ Jargeau foi tomada na hora”.

Conduzidos pela santa, os franceses conquistaram ainda outras cidades. Reforçado por Sir John Fastolf, o exército inglês, vindo de Paris, se concentrou na planície de Patay. Era o melhor exército da época, excelente em batalhas abertas, dominava a técnica dos arcos, a arma mais temida. Os capitães franceses La Hire e Xantrailles estavam certos de que não os superariam.

“Mas, testemunhou o duque de Alençon, Joana disse: ‘Em nome de Deus, é preciso combatê-los. Ainda que eles estejam em posição tão alta quanto as nuvens nós os derrotaremos, porque Deus nos envia para que os castiguemos.’ Ela afirmava sua certeza da vitória. ‘O gentil rei, dizia, hoje terá a maior vitória que há muito tempo ele não teve’. De fato, o inimigo foi feito em pedaços sem grande dificuldade. Talbot [comandante inglês], entre outros, foi feito prisioneiro. Houve grande mortandade entre os ingleses”.

Vontade de Deus: sagrar o rei em Reims

Santa Joane d'Arc, Paris, Herois medievais

Santa Joane d’Arc, Paris

 O rei Carlos VII encontrava-se em Loches quando lhe chegou a notícia da libertação de Orleans. Em sua companhia encontravam-se vários nobres e bispos. Joana bateu na porta. Dunois narra o fato:

“Quase imediatamente ela entrou e se pôs de joelhos e, enquanto abraçava as pernas do rei, disse: ‘Gentil Delfim, não percais mais tempo em tão intermináveis conselhos, mas vinde a Reims o mais cedo possível para receber a coroa digna de vós’”.

A Corte ficou perplexa e pediu explicações. Joana, segundo Dunois, disse então: “Concluída minha oração a Deus, ouço uma voz que me diz: ‘Filha de Deus, vai, vai, vai, eu te ajudarei, vai.’ E quando ouço esta voz, sinto uma grande alegria’. E, coisa impressionante, enquanto repetia a linguagem de suas vozes, ela estava num êxtase maravilhoso, fitando o céu.

“Gentil Delfim, ordenai aos vossos sitiar a cidade de Troyes, e não percais mais o tempo em longos conselhos. Pois, em nome de Deus, antes de três dias eu vos farei entrar nessa praça, ou de bom grado e por amor, ou pela força e pela coragem, e grande será o espanto da Borgonha, a falsa”.

Troyes era a grande cidade no percurso até Reims e pertencia ao duque da Borgonha. Vendo chegar o cortejo real, a cidade se aprestou a resistir. Os generais franceses temiam atacar suas muralhas. Dunois relata que “Joana ergueu sua tenda perto do fosso defensivo e executou diligências tão maravilhosas como não as teriam realizado dois ou três homens de guerra dos mais experientes e famosos. Ela trabalhou de tal modo durante a noite que na manhã seguinte o bispo e os burgueses de Troyes prestaram, cheios de pavor e tremor, vassalagem ao rei. Soube-se depois que, a partir do momento em que Joana disse ao rei para não se retirar diante da cidade, os habitantes perderam toda coragem e não pensaram em outra coisa senão em procurar asilo nas igrejas”.

“Quando alguém lhe dizia: ‘Mas jamais se viu alguém fazer coisas como vós o fazeis; em livro algum se leem coisas semelhantes’; ela respondia: ‘Meu Senhor tem um livro que jamais clérigo algum leu, nem mesmo os que no clero foram perfeitos’”.

O pretendente chegou a Reims, onde com o nome de Carlos VII foi sagrado rei. A notícia suscitou entusiasmo na França. Era como se Deus em pessoa tivesse decidido a guerra em favor de Carlos VII.

A virgem guerreira no dia-a-dia

O lavrador Colin, morador da cidade natal de Santa Joana, atestou: “Lembro-me de ter ouvido do nosso antigo pároco daqueles tempos, Pe. Guillaume Fronte, que Joana era boa católica e que jamais ele vira alguém melhor do que ela na paróquia”.

“Joana era pura – conta o duque de Alençon – e odiava muito essas mulheres que acompanham os exércitos. Certo dia, em Saint-Denis, voltando da sagração do rei, eu a vi de espada na mão perseguindo uma jovem prostituta, e até quebrou a espada nessa perseguição.

“Ela fazia questão de vigiar para que as mulheres dissolutas não fizessem parte de seu séquito, pois dizia que Deus permitiria que fôssemos derrotados por causa de seus pecados.

“Ela também se irritava enormemente quando ouvia os soldados blasfemar e os repreendia com veemência. Ela me repreendia especialmente quando eu blasfemava. Quando eu a via, eu parava de blasfemar”, acrescentou o duque.

“Ao anoitecer, Joana – narra Dunois – costumava retirar-se a uma igreja. Mandava tocar os sinos aproximadamente durante meia hora e reunia os religiosos mendicantes que acompanhavam o exército do rei. Então, dedicava-se à oração e fazia cantar pelos frades uma antífona em louvor da Bem-aventurada Virgem, Mãe de Deus”.

“Joana era muito devota de Deus e da bem-aventurada Virgem Maria. Ela se confessava quase todos os dias. […] Sua grande alegria consistia em comungar com os filhos dos mendigos. Quando se confessava, chorava”, confirmaram diversas testemunhas.

A sentença iníqua

Os incríveis sucessos de armas e a sagração do rei em Reims constituíam crimes para os ingleses. Mas esses fatos eram a negação dos erros doutrinários dos legistas reunidos em tribunal sob a égide do bispo Cauchon. Eles execravam toda ideia de que o poder vem de Deus para os príncipes e defendiam a tese de que ele vem por meio do povo. Santa Joana d’Arc devia ser queimada, concluíam.

Previamente lucubrada, a sentença foi pronunciada em 12 de abril de 1431. Entre outras coisas, dizia: “Essas aparições e revelações de que ela se ufana e afirma receber de Deus por meio dos anjos e das santas não aconteceram como ela disse, mas constituem decididamente ficções de invenção humana, procedentes do espírito maligno; […] mentiras fabricadas, inverosimilhanças levianamente admitidas por essa mulher; adivinhações supersticiosas; atos escandalosos e irreligiosos; dizeres temerários, presunçosos e cheios de jactância; blasfêmias contra Deus e os santos; impiedade em relação aos pais, idolatria ou pelo menos ficção errônea; proposições cismáticas contra a autoridade e o poder da Igreja, veementemente suspeitas de heresia e malsoantes […] ela merece ser considerada suspeita de errar na fé […] de blasfemar […]”, etc.

Os juízes um por um aprovaram o acórdão, aduzindo agravantes.

Frei Isambard de la Pierre, O.P., que acompanhou todo o processo, depôs por escrito: “Os juízes, tanto na condução do processo quanto na elaboração da sentença, procederam mais por malícia e desejo de vingança do que por zelo da justiça”.

No processo foi exigido da virgem guerreira um ato de submissão, ao que ela acedeu. O escrevente Guillaume Manchon perguntou ao bispo Cauchon se devia anotar esse ato. O presidente do tribunal disse que não. “Na hora, Joana disse ao bispo: ‘Ah! Vós escreveis bem o que se faz contra mim e vós não quereis escrever o que é por mim’. Acredito que a declaração de Joana não foi registrada e na assembleia se levantou um grande murmúrio”, contou Frei Isambard.

Em parecer favorável à condenação elaborado pela Universidade de Paris, reduto de legistas revolucionários, o tribunal acrescentou uma nova agravante em 23 de maio: “Por zelo pela salvação de vossa alma e de vosso corpo, eles [os juízes] transmitiram o exame da matéria à Universidade de Paris que é a luz das ciências e a extirpadora das heresias. Após receber as deliberações dessa agremiação, os juízes deliberaram que deveis ser novamente advertida sobre os vossos erros, escândalos e defeitos […] Não escolhais voluntariamente a via da perdição eterna como os inimigos de Deus que cada dia se esforçam em perturbar os homens, adotando a máscara de Cristo, dos anjos e dos santos, […] recusai pelo contrário semelhantes imaginações e aceitai a opinião dos doutores da Universidade de Paris e dos outros que conhecem a lei de Deus e as Santas Escrituras”.

Abjuração obtida mediante fraude

Santa Joana d'Arc,interrogada pelo cardeal de Winchester, Herois Medievais

Santa Joana d’Arc,interrogada pelo cardeal de Winchester

  No dia seguinte, Santa Joana d’Arc foi conduzida ao cemitério de Saint-Ouen, onde o pregador Guillaume Erard, doutor em teologia, a increpou furiosamente. Depois deblaterou contra Carlos VII: “Carlos, que se diz rei, como herético e cismático que é, ligou-se a uma malfeitora mulher, infame e cheia de toda desonra, e não somente ele, mas todo o clero que lhe obedece”.

Com o dedo em riste contra a santa guerreira, acrescentou: “É a ti, Joana, que eu falo, e eu te digo que teu rei é herético e cismático”. Ela respondeu: “Pela minha fé, meu senhor, com toda reverência, eu ouso vos dizer e jurar sob pena de minha vida que não há um cristão mais nobre entre todos os cristãos e que melhor ame a Fé e a Igreja, e em nada é o que vós dizeis”. O pregador voltou-se para Jean Massieu, oficial de justiça, e mandou: “Faça-a calar a boca”.

Por fim, o teólogo apresentou-lhe uma folha com uma fórmula de abjuração. Joana, que não sabia ler, pediu ao mesmo oficial de justiça, Jean Massieu, para que a lesse. Ele leu e depois garantiu que o texto dizia que a santa não portaria mais armas, nem roupas e cabelos como os homens e outros pontos menores. O texto tinha no máximo oito linhas. A santa assinou, a execução foi suspensa e ela foi trancada num cárcere.

Porém, os juízes incluíram no processo uma abjuração extensa, na qual Santa Joana se confessava culpada dos crimes hediondos a ela imputados. O mesmo oficial de Justiça depôs: “[O texto] não era o mesmo mencionado no processo; a fórmula que li e que Joana assinou era diferente da que foi incluída no processo”.

No mesmo dia, uma delegação de juízes foi visitá-la na prisão, insistindo em que não devia usar mais roupas de homem. O golpe já estava urdido.

Violências no cárcere

No domingo da Trindade, segundo depôs o oficial de Justiça Jean Massieu, quando a virgem acordou, “um dos guardas ingleses pegou seus vestidos femininos e jogou uma roupa de homem sobre seu leito, dizendo: ‘Levanta-te’. Joana se cobriu com o traje de homem e disse: ‘os Srs. sabem que isso me foi proibido. Eu não quero esta roupa’. Mas eles se recusaram a lhe devolver as outras roupas, e o debate durou até meio dia. Por fim, precisando atender às suas necessidades, ela ficou constrangida de sair fora usando o traje de homem. Quando voltou, eles não quiseram dar-lhe outro, apesar de suas súplicas e solicitações. Esta retomada das roupas de homem foi a causa de sua condenação como relapsa, uma condenação injusta pelo que eu vi e pelo que eu conhecia de Joana”.

Frei Isambard de la Pierre O.P. testemunhou que ele e outros ouviram da santa que “os ingleses a maltratavam e praticavam contra ela violências quando usava roupas femininas. Eu a vi acabrunhada, cheia de lágrimas, desfigurada e mudada, a ponto de ficar com pena dela”. Massieu acrescentou: “Ela me disse que o bispo de Beauvais lhe havia enviado uma carpa, que ela comeu e que ela temia ser essa a causa de seu mal-estar”.

O Pe. Martin Ladvenu O.P. ouviu dela “que após a sua abjuração ela foi torturada na prisão, molestada e surrada, e que um lorde inglês tentou violá-la. Ela dizia publicamente que essa era a causa pela qual retomou o traje de homem”. O mesmo frade estava na cela quando “entraram o bispo de Beauvais [D. Cauchon] e alguns cônegos de Rouen. Quando ela viu o bispo, disse-lhe: ‘Vós sois a causa de minha morte. Vós prometestes me pôr nas mãos da Igreja e vós me entregastes nas mãos de meus piores inimigos’.

“Na presença de todos, esses eclesiásticos a declararam herética, obstinada e relapsa. Ela disse: ‘Se vós, monsenhores da Igreja, me tivésseis conduzido e guardado em vossas prisões, não teria acontecido isto’”. Na época, existiam cárceres eclesiásticos onde os detentos eram tratados com respeito.

Após a visita, o bispo de Beauvais se dirigiu aos ingleses, que aguardavam do lado de fora: “’Farewell (adeus); jantem bem, está feito’. Eu mesmo vi e ouvi – continua o Pe. Ladvenu – quando o bispo se regozijava com os ingleses e dizia ao conde de Warwick e a outros diante de todo mundo: ‘Ela foi pega’”. Tudo acontecera como D. Cauchon desejara.

A Donzela na fogueira

A prisão de Joana D*$*Arc – Adolphe Alexandre Dillens (1847-1852)

 

Na segunda-feira, 28 de maio, a santa foi imediatamente conduzida ao tribunal, que formalizou sua condenação final. Dois dias depois, por volta das 9 da manhã, ela foi levada ao local da execução: a Praça do Velho Mercado.

Num estrado estavam os chefes do tribunal – D. Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, o juiz Fr. Jean Lemaître O.P., Enrique de Beaufort, cardeal da Inglaterra e os bispos de Thérouanne e de Noyon. O escrevente Guillaume Manchon registrou que “Joana foi conduzida ao suplício por uma grande escolta de soldados, por volta de 80, armados de espadas e varas. Na praça havia uma formação de 700 a 800 soldados. Eles rodeavam tão estreitamente a Joana que ninguém tinha coragem de lhe falar, com exceção de frei Ladvenu [o confessor] e [o escrevente] mestre Jean Massieu. Eu vi como a subiam à pira”.

Ato contínuo foi lido o acórdão final: “Essa mulher, obstinada em seus erros, jamais desistiu sinceramente de suas temeridades e crimes infames. E, indo ainda muito mais longe, mostrou-se evidentemente mais condenável pela malícia diabólica de sua obstinação, fingindo uma contrição falaciosa e uma penitência e emenda hipócritas com perjúrio do santo nome de Deus e blasfêmia de sua inefável majestade. Posto que ela se mostrou obstinada, incorrigível, herética e relapsa – indigna de todo o perdão e da comunhão que nós lhe tínhamos oferecido misericordiosamente na nossa primeira sentença, tudo isso considerado, por resolução e conselho dos numerosos consultores, nós chegamos a nossa sentença definitiva, nestes termos: […]

“Nós, juízes competentes neste caso, declaramos que tu, Joana, vulgarmente chamada de a Donzela, caíste em diversos erros e crimes de cisma, idolatria, invocação de demônios e muitos outros delitos. […] nós te declaramos reincidente nas sentenças de excomunhão em que tu primitivamente incorreste, relapsa e herética, e com este acórdão nós te denunciamos e te declaramos membro apodrecido que deve ser amputado e jogado fora do corpo da Igreja para que não infecciones outros membros. Com a Igreja, nós te repelimos, cortamos e abandonamos ao poder secular, rogando a este poder que modere sua sentença sobre ti na hora da morte e da mutilação dos membros…” etc.

A terrível e emocionante execução

Após ouvir pacientemente a condenação, a virgem elevou orações e lamentações tão piedosas que até juízes, bispos e muitos presentes custavam a conter as lágrimas. Ela encomendou sua alma a Deus, a Nossa Senhora e a todos os santos, pediu perdão pelos juízes e pelos ingleses, pelo rei da França e por todos os príncipes do reino.

Frei Jean Toutmouillé atestou que, voltando-se em direção de D. Cauchon, a santa lhe disse: “Bispo, eu morro por vossa causa”. Ao que, insensível, o prelado revidou: “Joana, tenha paciência, você morre porque não cumpriu o compromisso e você reincidiu em seu primeiro malefício”.

– “Eu apelo contra ti na presença de Deus”, foram as últimas palavras desse diálogo.

A pedido da santa, frei Isambard de la Pierre, O.P. segurava uma cruz, pois ela queria ver o símbolo de Jesus até o último instante de sua vida. “No meio das chamas, contou o frade, ela não parava de invocar em altas vozes o nome de Jesus, implorando a misericórdia e o auxílio dos santos do Paraíso. Ela afirmava que não era nem herética, nem cismática como dizia o acórdão. Com o fogo ardendo, ela inclinou a cabeça e, antes de render o espírito, pronunciou ainda com força o nome de Jesus. O público chorava”.

Journal de Paris escreveu na época que quando as roupas daquela santa e puríssima virgem se queimaram inteiramente, o carrasco diminuiu o fogo para que o povo a pudesse ver na sua nudez. E após já morta olharem-na à vontade, o carrasco voltou a atiçar o fogo até reduzir seu corpo a cinzas.

Um soldado inglês que a odiava mortalmente jurou jogar um facho de lenha na sua pira, quando ouviu a voz de Joana clamando por Jesus. Ficou então paralisado, como atingido por um raio, e seus colegas o levaram a uma taverna para acordá-lo. À tarde, arrependido ele acorreu aos padres dominicanos, dizendo-lhes que havia pecado gravemente, e acrescentando que, na hora da morte da Donzela, ele julgou ter visto uma pomba branca saindo dela e partindo em direção da França.

“No mesmo dia – acrescentou Frei Isambard – o carrasco veio até o convento para procurar a frei Martin Ladvenu e a mim. Ele estava tocado e muito emocionado, com espantoso arrependimento e angustiada contrição. Tomado pelo desespero, ele temia nunca obter o perdão e a indulgência de Deus pelo fato de ter feito isso a uma santa mulher. ‘Eu temo muito estar condenado – dizia para nós – porque eu queimei uma santa’.

“Esse mesmo carrasco dizia e afirmava que não obstante o óleo, o enxofre e o carvão que ele aplicou sobre as entranhas e o coração de Joana, não conseguiu que fossem consumidos e reduzidos a cinzas. Ele estava muito perplexo, como se fosse um evidente milagre”, depôs ainda frei Isambard.

O retorno de Santa Joana d’Arc

Segundo uma piedosa tradição, esse coração ainda palpitava entre as brasas quando foi jogado no rio Sena para fazê-lo desaparecer. Mas, do fundo das águas, ele continua ainda palpitando e preparando o encerramento da missão da santa profetisa de Domrémy.

Com efeito, Santa Joana d’Arc julgava que sua epopeia não fora senão o sinal de uma grande missão que ela realizaria. “O sinal que Deus me deu é levantar o sítio dessa cidade e fazer sagrar o rei em Reims” – atestou ter ouvido dela Frei Pierre Seguin O.P. Numa carta aos ingleses, conclamando-os a saírem da França, a heroína escreveu: “Se vós ouvirdes [a Donzela], ainda podereis vir em companhia dela, lá onde os franceses farão a mais bela ação jamais feita pela Cristandade”.

O enigma aumenta ao se considerar uma confidência da santa durante a épica campanha da Ile-de-France: “Quando eu estava sobre os fossos de Melun, me foi dito por minhas vozes que eu seria aprisionada antes da São João”. E após comungar na igreja de Saint-Jacques, ela disse a umas crianças: “Meus filhinhos, eu fui vendida e traída. Logo serei entregue à morte. Rogai a Deus por mim, pois eu não mais poderei servir ao rei e ao reino de França”.

Teria ficado truncada sua missão? Teriam errado as vozes? A pergunta soa ofensiva contra Deus, fonte última dessas vozes sobrenaturais.

Em seu livro La Mission Posthume de Sainte Jeanne d’Arc2, Mons. Henri Delassus apresentou uma douta e esclarecedora explicação. Ele demonstrou que D. Cauchon e os juízes seus cúmplices difundiam os erros e as más tendências revolucionárias enquistados na Universidade de Sorbonne, como aliás se pode ler na condenação acima citada. Esses erros igualitários e tendências desordenadas eram insuflados por uma verdadeira conspiração anticristã e se desenvolveram através da Revolução protestante, da Revolução Francesa e da Revolução comunista até desembocarem em nossos dias na tentativa de dissolução anárquica da família e da sociedade civil.

O cumprimento de sua missão em nossos dias

Santa Joana d’Arc surgiu como uma profetisa da restauração da Cristandade e, portanto, do movimento contrário ao representado por D. Cauchon e seus cúmplices. Essa oposição radical a tais erros explica o ódio satânico desse prelado e de seus correligionários, os quais eram por sua vez aliados de ingleses interesseiros embora não tão iniciados na conspiração.

Mons. Delassus explica que a retomada do interesse pela Donzela de Orleans nos últimos tempos e a crescente devoção a ela, hoje venerada no altar, são sinais de que se aproxima a hora do cumprimento final de sua missão.

No moderno santuário de Rouen, construído no local onde Santa Joana d’Arc foi imolada, há um livro de visitas com as mensagens e pedidos dos peregrinos. “Forgive us” (“Perdoai-nos!”) é a expressão em inglês mais frequente.

Desde o dia em que o iníquo e ilegal tribunal presidido pelo bispo Cauchon queimou a enviada de Deus, a ilibada Santa Joana d’Arc não mais cavalga pelas verdejantes planícies da França, mas nas profundezas do subconsciente de franceses e ingleses, para não dizer do mundo inteiro.

Um singular exemplo disso: 600 anos após o nascimento deLa Pucelle, Nicolas Sarkozy, pouco antes de perder a presidência, dirigiu-se a Domrémy em busca de votos dos admiradores da Donzela. Singular humilhação para um presidente da República Francesa, herdeira espiritual dos erros e tendências igualitárias do júri que condenou a santa!

O que sucede na cabeça dos franceses e dos homens hoje – indagou com pasmo “The New York Times” – para que uma santa medieval, virgem e profetisa, saída de um conto de fadas, impressione o mundo moderno, laicista e igualitário, do século XXI? Não adianta fugir da realidade – continua o quotidiano de Nova York: faça-se uma simples busca dos livros sobre ela na maior livraria virtual do mundo e encontrar-se-ão mais de seis mil títulos!

Na perspectiva de Mons. Delassus, a resposta a “The New York Times” não é difícil: cresce cada vez mais a percepção de que, herdeira dos erros condenados pela santa, a sociedade atual ruma para a morte; ou – hipótese previsível – caminha para uma restauração em favor da qual a Donzela está trabalhando eficazmente do Céu e cujos sintomas promissores já parecem ser visíveis.

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Promessas do Sagrado Coração de Jesus http://www.lepanto.com.br/catolicismo/promessas-sagrado-coracao-de-jesus/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/promessas-sagrado-coracao-de-jesus/#comments Mon, 30 Jun 2014 12:59:55 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5313

Devoção fundamental para os católicos realmente desejosos de se consagrar ao infinito amor de Deus e obter graças superabundantes. Máxime para os que se empenharem em propagar a devoção ao Divino Coração.

Catedral de León,  España

Sagrado Coração de Jesus na Catedral de León, España

 

     O mês de junho é dedicado pela Igreja ao Sagrado Coração de Jesus.Sua festa — no dia 15 — visa honrar, e também reparar o adorável Coração pelos pecados cometidos, principalmente contra a Sagrada Eucaristia. No dia 7 da semana anterior comemora-se a solene festividade de Corpus Christi (vide seção “Corpus Christi”). Por sua vez, no dia 16 a Igreja celebra o Imaculado Coração de Maria, que na Paixão de Nosso Senhor consolou e reparou o Sagrado Coração de Jesus perfurado pela lança de Longinos — ato simbólico da ingratidão da humanidade em relação Àquele que morreu para nossa salvação.

Nesse sentido, é muito significativa a jaculatória da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus: Coração de Jesus atravessado pela lança – Tende piedade de nós! Bem como a jaculatória da Ladainha do Imaculado Coração de Maria: Coração de Maria, acabrunhado de aflição durante a Paixão de Jesus Cristo – Rogai por nós!

Não poderíamos deixar assim de dedicar algumas páginas a tão admiráveis e preciosas celebrações da piedade católica, augurando que elas sirvam para incrementar nos corações dos leitores de Catolicismo uma particular devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que tanto amou os homens. Cientes de que o melhor meio para a obtenção da plenitude dessa devoção é através daquela tributada ao Imaculado Coração de Maria. Devoções tão inseparáveis que São João Eudes as invocava no singular: “o Sagrado Coração de Jesus e Maria”.

A grande promessa do Sagrado Coração

No dia 16 de junho de 1675, aparecendo a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) no Convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial (França), e apontando para o Seu próprio coração, Nosso Senhor lhe disse:

“Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por Mim no Sacramento do amor. Mas o que Me é ainda mais penoso é que corações que Me são consagrados agem assim.

“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-Lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe prestem culto e que procurem que este Lhe seja prestado”.2

Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria que concederia a graça da penitência final para todos aqueles que durante nove meses seguidos comungarem na primeira sexta-feira. Ou seja, não morrerão em pecado, recebendo a garantia da salvação eterna. Esta é conhecida como a “A Grande Promessa”,3 embora existam outras 11 admiráveis promessas.

As 12 Promessas aos devotos do Sagrado Coração

Vitral-Sagrado-Coracao

Reveladas a Santa Margarida Maria Alacoque, as 12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus são profundamente tocantes e sublimes. Convém que sejam meditadas pelo leitor, pois maior incentivo para o progresso na virtude e aumento do desejo de salvação parece impossível.

1ª) Às pessoas consagradas ao meu Coração darei as graças necessárias para o seu estado;

2ª) Darei paz às suas famílias;

3ª) Eu as consolarei nas suas aflições;

4ª) Serei o seu amparo e seguro refúgio ao longo da vida e particularmente na hora da morte;

5ª) Derramarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos diários;

6ª) Os pecadores encontrarão no meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia;

7ª) As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas;

8ª) As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição;

9ª) Abençoarei os lares onde a imagem do meu Sagrado Coração esteja exposta e seja honrada;

10ª) Darei aos sacerdotes a graça de mover os corações empedernidos;

11ª) As pessoas que propaguem esta devoção terão o seu nome inscrito no meu Coração e dali nunca será apagado;

12ª) E eu prometo [esta é conhecida como “a grande promessa”], no excesso de misericórdia do meu Coração, que o meu Amor Todo-Poderoso concederá a todos aqueles que comunguem nas nove primeiras sextas-feiras de cada mês de modo consecutivo, a graça da perseverança final, a salvação eterna.4

Consagração ao Sagrado Coração de Jesus

A primeira promessa sugere a consagração ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Para aqueles que desejarem se consagrar, eis a fórmula composta por Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eu, [mencionar o nome], dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para honrá-Lo, amá-Lo e glorificá-Lo.

É esta a minha vontade irrevogável: pertencer-Vos e fazer tudo por vosso amor, renunciando completamente ao que não for do vosso agrado.

Eu Vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto do meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus vosso Pai, afastai de mim os castigos de vossa justa cólera. Ó Coração de amor, ponho em Vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade.

Destruí em mim tudo o que vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais vos esquecer, nem me separar de Vós.

Suplico-vos também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em Vosso Coração, pois eu quero fazer consistir toda minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco na qualidade de vosso escravo. Assim seja!”

* * *

A oração acima é uma fórmula de consagração individual. Contudo, é muito aconselhável também a consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus, bem como das instituições, cidades e até de países. Pois Lhe prestam assim um culto não apenas em particular, mas publicamente. Desse modo se reconhece perante o mundo inteiro a Soberana Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um belo exemplo nesse sentido foi a“Consagração Cívica Nacional”, efetuada no Brasil nos idos de 1955. (vide quadro ao lado).

O “Detente” do Sagrado Coração de Jesus

“Detente” ou “Escudo” — popularmente conhecido como “bentinho” — é um distintivo (pequeno brasão como o da foto ao lado) com a imagem do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo circundado com a frase: Alto! O Coração de Jesus está comigo. Venha a nós o Vosso Reino! Trata-se de uma particular proteção contra todos os perigos. Proteção mais do que nunca necessária em nossos dias e que se estende a todos aqueles que portarem o “Detente”. Levando conosco esse distintivo, estamos como que constantemente reafirmando o que escreveu São Paulo Apóstolo em sua epístola aos Romanos: Se Deus está conosco, quem estará contra nós?

O hábito de portar o “Detente” nasceu e se espalhou a partir de uma carta de Santa Margarida Maria Alacoque (datada de 2 de março de 1686) à Madre Saumaise, sua Superiora: “Nosso Senhor deseja que a Senhora mande fazer uns escudos com a imagem de seu Sagrado Coração, a fim de que todos aqueles que queiram oferecer-Lhe uma homenagem, os coloquem em suas casas; e uns menores, para as pessoas levarem consigo”.5

Entre milhares de fatos prodigiosos, um caso recente (aliás, noticiado na edição anterior desta revista) demonstra a especial proteção oriunda do uso do “Detente”: Iván Castro Canovaca, soldado da Legião Espanhola em serviço no Afeganistão, foi mortalmente atingido por uma arma de fogo. Em razão dos ferimentos, os médicos julgaram que deveria ter morrido em pouco tempo. Mas sobreviveu. Iván levava consigo o “Detente”…

* * *

O Sagrado Coração parece ser a maior manifestação do desejo divino de renovar a sociedade e salvar todos os homens. É o que podemos concluir do exposto neste artigo. Confirmam-no também as incisivas palavras dirigidas pelo Bem-aventurado Papa Pio IX (1846-1878) ao fundador dos Missionários do Coração de Jesus, Padre Jules Chevalier: “A Igreja e a sociedade não têm outra esperança senão no Sagrado Coração de Jesus; é Ele que curará todos nossos males. Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração, ela será a salvação para o mundo”.6

catolicismo@terra.com.br

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Suicídio e sociedade http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/suicidio-e-sociedade/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/suicidio-e-sociedade/#comments Fri, 27 Jun 2014 22:19:57 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5309

  tristezaUm amigo contou-me que uma colega sua de trabalho, moça bonita, bem apessoada, por volta de 30 anos, casada, com um filhinho de poucos meses, foi acometida de uma doença que a deixou inchada, sobretudo o rosto, que ficou avermelhado e com protuberâncias.

Mas o pior da história é que essa situação a lançou numa depressão profunda, tão profunda que a levou a atirar-se de um andar alto do edifício onde morava, morrendo instantaneamente.

O choque para a família, para os colegas de trabalho, para todos que a conheciam enfim, foi tremendo.

Não conheci essa moça, mas o fato me impressionou e passei a refletir sobre ele. Quantos suicídios vão ocorrendo nos dias de hoje!

Mais de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano no mundo. Trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade.(1) Projeções da Organização Mundial de Saude, com base em tendências do final do século XX, indicam que em 2020 haverá cerca de 1,53 milhão de suicídios; sendo que 10 a 20 vezes mais pessoas tentarão suicidar-se em todo o mundo.(2)

No Brasil, estimativas sugerem que ocorram 24 suicídios por dia, mas o número deve ser 20% maior, pois muitos casos não são registrados. A quantidade de tentativas é de dez a 20 vezes mais alta que a de mortes. Entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4.(3)

Normalmente é na juventude que a pessoa tem mais desejo de viver, tem planos, tem empreendimentos a realizar, tem ilusões. Por que pôr fim à vida? Por que essa falta de coragem de enfrentar as adversidades? Já se ouvem casos de suicídio infantil.

Os estudiosos que se debruçam sobre o assunto, de modo geral atribuem essa calamidade a fatores sociais. A sociedade moderna seria de molde a tornar as pessoas muito egoístas, cada um por si, faltando compreensão e apoio a quem dele precisa. O indivíduo sente-se sujeito à lei da selva.

Essa explicação tem muito de verdadeira, mas ela precisa ir até o fundo do problema para ser inteiramente aceitável.

O Antigo Regime, como era designada a sociedade anterior à Revolução Francesa, tinha uma concepção profundamente familiar da sociedade. Os indivíduos existiam dentro das famílias, fossem elas nobres ou plebeias. É ali que eles se formavam para a vida quando crianças, recebiam os estímulos para um desenvolvimento reto da personalidade quando jovens, apoio quando adultos e proteção quando as cãs lhes cobriam as cabeças e as forças diminuíam. Na família eles eram compreendidos e amados durante toda a sua existência. Tudo sob o signo da Religião e da paz de alma, nas alegrias como nas adversidades.

Com a Revolução Francesa veio a era moderna, com seu individualismo e suas liberdades. Progressivamente foram sendo implantados o divórcio, os anticoncepcionais, o aborto, as leis permissivas de todo gênero. A família monogâmica e indissolúvel, fruto do sacramento e das bênçãos da Igreja, implodiu e cada um de seus elementos foi jogado para um lado. Crianças, para as creches; jovens, para os pseudo-prazeres da sexualidade, do rock, do funk; adultos, para a disputa acirrada pela subsistência; velhos, para os asilos.

______________________

Notas:

1.     http://www.rferl.org/content/article/1071203.html

2.     http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1489848/

3.     Julliane Silveira, in “Folha de S. Paulo”, 18-3-2010

Nesse entretempo, o clero, com honrosas exceções, também foi se modernizando. As igrejas, outrora templos da adoração a Deus, mas também de consolo, de perdão, de cura das feridas morais, em muitos casos se distinguem pouco de um circo, onde vale tudo.

Como estranhar que o número de suicídios cresça assustadoramente?

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Relações entre empregado e empregador na Idade Média? Ou uma espécie de relação pai-filho? http://www.lepanto.com.br/historia/relacoes-entre-empregado-e-empregador-na-idade-media-ou-uma-especie-de-relacao-pai-filho/ http://www.lepanto.com.br/historia/relacoes-entre-empregado-e-empregador-na-idade-media-ou-uma-especie-de-relacao-pai-filho/#comments Sat, 07 Jun 2014 23:32:33 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5292

Patroa e criados na colheita

Patroa e criados na colheita: relacionamento de alma

Na sociedade medieval os relacionamentos humanos não eram tanto baseados nos contratos de serviço, mas nos contratos pessoais em que um homem se dá inteiro e recebe uma proteção total.Hoje, os contratos entre patrão e empregado, ou entre patrão e patrão, empregado e empregado, são contratos trabalhistas, contratos de compra, venda, empréstimo, etc., e locação de serviços.Esse tipo de contratos está restringido aos interesses e vantagens particulares legítimos.

Porém, não se pode dizer que atendem a todos os desejos de relacionamento que existem no homem.

Trata-se de contratos legais onde o relacionamento de alma é secundário ou está ausente. Esta ausência deixa um vazio no espírito.

A sociedade medieval apanhou perfeitamente essa ausência na locação de serviços entre empregador e empregado.

Aliás, as palavras empregador e empregado são muito boas para o mundo do metal e do dinheiro.

Por exemplo, uma cozinheira que vai trabalhar a uma casa às tantas horas, faz o almoço todos os dias, sai, e volta para fazer o jantar. Depois ela recebe o pagamento no fim do mês. E com isto estão esgotadas as relações.

O que o patrão faz fora do jantar, o que a cozinheira faz fora da hora de trabalho? Cada um ignora quase tudo a respeito do outro.

A relação é: eu sou o que come e paga, ela é a que trabalha e vive do que eu dou para ela. Fora disto os contratos humanos estão inteiramente suspensos, não existem entre empregador e empregado.

Por isso o relacionamento é realmente entre empregador e empregado, porque a única relação que há é um emprego de caráter econômico. A expressão então é justa.

Mas, na Idade Média, a palavra patrão continha muito mais. Patrão vem da palavra latina pater, ou seja, pai, com todos os ponderáveis e imponderáveis que a palavra pai traz consigo.

E a palavra criado vem da ideia de criação, quer dizer a pessoa criada dentro da casa, como uma espécie de filho ou filha, com todos os ponderáveis e imponderáveis dos relacionamentos que há entre pai, mãe e filhos.

Então o contrato entre criado e patrão medieval tomava o homem todo também.

Os patroes cuidavam dos criados como se fossem outros filhos

Os patrões cuidavam dos criados como se fossem outros filhos, dignificando-os

Quando o criado entrava a trabalhar na casa do patrão era obrigado, antes de tudo, a morar na casa dele, a viver uma vida entrelaçada com a dele, contente com todos os fatos bons para o patrão, triste com todos os fatos ruins para essa forma de pai.

O casamento de um filho ou de uma filha, um filho que se formava um bom negócio que o patrão fazia, uma viagem, uma promoção, era para o criado um título de alegria, e ele participava do feliz sucesso.

Mas assim como o criado se dava completamente ao patrão, o patrão também se dava completamente ao criado.

E essa proteção atingia também aos filhos do criado, sua parentela, até mesmo quando, por alguma razão, ele deixava a casa.

Isto era algo muito semelhante, no nível doméstico ou do ofício, à vassalagem entre senhores feudais.

O vassalo pertencia ao seu senhor e a quem o senhor pertencia. Não como escravo, mas numa situação que era, de certo modo, uma prolongação da paternidade.

Por outro lado, na escala da nobreza, era a mesma coisa dos nobres inferiores em relação aos superiores e assim por diante, até chegar ao rei.

Conta-se que na noite de 10 de agosto de 1792, quando os revolucionários foram atacar o castelo das Tulherias, este castelo estava cheio de nobres acorridos dos fundos das províncias, alguns trazendo armamentos do tempo das guerras de Religião.

Por quê? Porque eles consideravam-se pertencer inteiramente ao rei, porque participavam da pessoa e da dignidade do monarca. E, portanto, se sentiam obrigados a derramar pelo rei seu próprio sangue.

Eles recebiam do rei todo o seu ser, tudo quanto eles eram. Mas de outro lado, eles davam tudo pelo rei. Era um contrato de homem a homem que toma por inteiro.

Episódios análogos se deram com os camponeses e domésticos defendendo as terras ou o castelo do patrão.

Relacionamento de alma

Relacionamento de alma, mais do que de dinheiro

Todos estes traços característicos do relacionamento pessoal na sociedade medieval existiam na Igreja Católica. E, às vezes, tinham sido criados pela própria Igreja.

Depois do Vaticano II estabeleceu-se por via de fato, entre o bispo e seus padres uma relação mais parecida com o frio – mas legítimo – contrato entre empregador e empregado.

Porque o padre trabalha para o bispo. E o bispo é um gerente dos padres. Mas, como a palavra gerente diminui, depaupera, avilta a dignidade do bispo!

Como deforma a realidade dizer que o padre é um empregado do bispo!

Em sentido diverso, qual era o relacionamento medieval do padre com o bispo?

O padre se dá à diocese. E dando-se à diocese, ele se entrega e passa a pertencer ao bispo. E por isso, um padre diz a verdade quando diz que é padre de tal bispo.

Por outro lado, o bispo também se dá à diocese e ao seu clero.

E por causa disto, o padre tinha uma dedicação pelo bispo que chega até ao derramamento de sangue. E vice-versa.

Muito mais frisante é isto nas Ordens religiosas, onde o religioso se dá à Ordem completamente na pessoa do abade ou superior, e onde o superior se dá à Ordem completamente.

Estas relações se parecem extraordinariamente com o princípio da sociedade temporal medieval. E muitas vezes, foram os religiosos – notadamente, os beneditinos – que passaram esse relacionamento de alma à sociedade.

Não havia um contrato de trabalho meramente material, argentário ou de interesses.

O contrato de trabalho é necessário, mas é apenas um dos elementos integrantes de toda uma situação humana de relações afetivas, de contatos morais, de gostos comuns, que se estabelecem na vida real sempre que dois ou mais se relacionam.

Dessa maneira, temos uma noção muito mais verdadeira, aconchegante, simpática e protetora do que era a civilização medieval.

Fonte : Blog A cidade medieval
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