Lepanto http://www.lepanto.com.br A Frente Universitária & Estudantil Lepanto é um grupo de jovens Católicos que tem como objetivo defender a Doutrina Católica e a Civilização Cristã Tue, 23 Dec 2014 15:59:49 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.1.1 Senhor, olhai-nos com compaixão! http://www.lepanto.com.br/historia/senhor-olhai-nos-com-compaixao/ http://www.lepanto.com.br/historia/senhor-olhai-nos-com-compaixao/#comments Tue, 23 Dec 2014 15:55:55 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5445

Natal-Presépio

De repente, os pastores que cuidavam de suas ovelhas nos arredores de Belém ouviram um canto magnífico: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade”. Diante do inesperado, eles se dirigem apressados rumo à manjedoura, onde encontraram o Menino reclinado e envolto em panos, sob os olhares enlevados e vigilantes de Maria e José.

Segundo a tradição, a neve caía mansamente. Enquanto todos dormiam no aconchego dos seus lares, um pobre casal se encontrava na gruta fria, pois não encontrara guarida nem mesmo em casa de parentes, pois José e Maria viviam em Nazaré e se encontravam ali em razão de uma obrigação cívica, um recenseamento.

Noite de luz e neve cobrindo a terra, circunstâncias ideais para se cantar a glória do Filho de Deus que acabava de nascer para habitar entre nós, para governar a Terra, conquistar as almas e lutar contra o demônio. Acontecimento tão espetacular que espargiu alegria no universo inteiro e causou pavor nas hostes seguidoras de Satanás.

Toda a natureza se regozijou em homenagem a Jesus que acabava de nascer: as fontes se tornaram mais cristalinas e jorravam com melodia encantadora de modo a elevar os espíritos; as flores desabrochavam mais bonitas e exalavam inexcedível perfume em honra ao recém-nascido; as estrelas brilharam com maior intensidade a fim de prestar justa vassalagem ao Menino-Deus.

A despeito de ser noite, por todas as partes do mundo a mesma cena se repetia. E em toda a Terra se cantou e ainda se canta: “Noite Feliz, noite feliz. Oh! Jesus, Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém. Eis na lapa Jesus nosso bem, dorme em paz oh! Jesus. Dorme em paz oh! Jesus!”.

Estamos comemorando 2014 anos deste magno acontecimento que dividiu a História em duas partes: antes de Cristo e depois de Cristo! Se de um lado, como afirmou Santo Agostinho, podemos exclamar “oh feliz culpa que nos mereceu tão grande Salvador!”, de outro devemos nos perguntar o que fizemos do Sangue precioso do Redentor? O que resta de Cristandade em nossos dias? Dói dizê-lo, mas o mal penetrou até nos lugares mais sagrados da Terra.

Creio ser bem o caso de repetir com Plinio Corrêa de Oliveira as palavras contritas, mas plenas de zelo pelo Senhor Deus dos Exércitos, que ele escreveu em ‘O Legionário’ por ocasião do Natal de 1946. Elas serão por certo o melhor presente que podemos oferecer ao Menino Jesus neste Natal:

“Vede-nos, Senhor, e considerai-nos com compaixão. Aqui estamos, e Vos queremos falar. Nós? Quem somos nós? Os que não dobram os dois joelhos, e nem sequer um joelho só, diante de Baal.

“Os que temos a vossa Lei escrita no bronze de nossa alma, e não permitimos que as doutrinas deste século gravem seus erros sobre este bronze sagrado que vossa Redenção tornou. Os que amamos como o mais precioso dos tesouros a pureza imaculada da ortodoxia, e que recusamos qualquer pacto com a heresia, suas obras e infiltrações.

“Os que temos misericórdia para com o pecador arrependido, e que para nós mesmos, tantas vezes indignos e infiéis, imploramos vossa misericórdia – mas que não poupamos a impiedade insolente e orgulhosa de si mesma, o vício que se estadeia com ufania, e escarnece a virtude.

“Os que temos pena de todos os homens, mas particularmente dos bem-aventurados que sofrem perseguição por amor à vossa Igreja, que são oprimidos em toda a Terra por sua fome e sede de virtude, que são abandonados, escarnecidos, traídos e vilipendiados porque se conservam fiéis à vossa Lei.

“Aqueles que sofrem sem que a literatura contemporânea se lembre de exaltar a beleza de seus sofrimentos: a mãe cristã que reza hoje sozinha diante de seu presepe, no lar abandonado pelos filhos que profanam em orgias o dia de vosso Natal; o esposo austero e forte que pela fidelidade a vosso Espírito se tornou incompreendido e antipático aos seus; a esposa fiel que suporta as agruras da solidão da alma e do coração, enquanto a leviandade dos costumes arrastou ao adultério aquele que devera ser para ela a coluna de seu lar, a metade de sua alma, “outro eu mesmo”; o filho ou a filha piedosa, que durante o Natal, enquanto os lares cristãos estão em festa, sente mais do que nunca o gelo com que o egoísmo, a sede dos prazeres, o mundanismo paralisou e matou em seu próprio lar a vida de família. O aluno abandonado e vilipendiado pelos seus colegas, porque permanece fiel a Vós.

“O mestre detestado por seus discípulos, porque não pactua com seus erros. O Pároco, o Bispo, que sente erguer-se em torno de si a muralha sombria da incompreensão ou da indiferença, porque se recusa a consentir na deterioração do depósito de doutrina que lhe foi confiado. O homem honesto que ficou reduzido à penúria porque não roubou.

“Estes são, Senhor, os que no momento presente, dispersos, isolados, ignorando-se uns aos outros, entretanto, agora, se acercam de Vós para oferecer o seu dom, e apresentar a sua prece. Dom tão esplendido na verdade, que se eles Vos pudessem dar o sol e todas as estrelas, o mar e todas as suas riquezas, a terra e todo o seu esplendor, não Vos dariam dom igual”.

Pe. David Francisquini é sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira-RJ.

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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O que falavam a mula e o boi há dois mil anos – Conto de Natal http://www.lepanto.com.br/historia/o-que-falavam-a-mula-e-o-boi-ha-dois-mil-anos-conto-de-natal-2/ http://www.lepanto.com.br/historia/o-que-falavam-a-mula-e-o-boi-ha-dois-mil-anos-conto-de-natal-2/#comments Tue, 23 Dec 2014 15:48:17 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5435
“Pobrezinho. Ele está numa situação bem pior do que a nossa. Façamos a única coisa que podemos para ajudá-lo”, disseram a mula e o boi.  Presépio da abadia de Lorsch. Aquisgrão, Alemanha.

“Pobrezinho. Ele está numa situação bem pior do que a nossa.
Façamos a única coisa que podemos para ajudá-lo”, disseram a mula e o boi.
Presépio da abadia de Lorsch. Aquisgrão, Alemanha.

Há cerca de dois mil anos, estavam num estábulo uma mula e um boi. Como sempre acontece quando bons amigos estão juntos, comentavam notícias boas e más.

Um tema habitual era o tempo, particularmente frio naquele inverno, com as abundantes nevadas — pouco frequentes, mas não anormais — perto de Jerusalém.

Outro tema habitual entre eles era a quantidade de pessoas que afluíam à pequena cidade de Belém.

Nunca tinham visto antes tanta gente junta. A explicação era porque de Roma um edito de César Augusto mandara realizar um censo, em que as pessoas deveriam apresentar-se em seus lugares de origem.

Assim, numerosos judeus haviam se dirigido a este esquecido povoado para ali se inscrever. E embora alguns viessem a pé, outros se transportavam em cavalos ou camelos.

É compreensível que os habitantes do lugar assistissem interessadíssimos a este ir e vir de pessoas.

Presépio bizantino em marfim. Museus Vaticanos.

Presépio bizantino em marfim. Museus Vaticanos.

O que é comum num povoado tranquilo, onde nunca ocorre nada. Além do mais, os recém-chegados eram em geral pessoas que viviam ou em Jerusalém ou em outros lugares mais interessantes do que a pequena Belém.

E, como era habitual, depois de conversarem com os parentes, as crianças e os jovens se dirigiam aos estábulos para admirar os cavalos, touros, camelos, enfim, todos os animais considerados mais atraentes.

Mas esse entrar e sair de crianças e jovens ocorria no estábulo ao lado, e não naquele onde se encontravam a mula e o boi.

Ninguém vinha vê-los, salvo excepcionalmente alguém para dar-lhes de comer e levá-los ao trabalho. E ambos suportavam tudo isso sem ressentimentos nem complexos. Simplesmente lhes parecia que o mundo era assim.

“Claro — dizia o boi —, o que é que as crianças querem ver? Elas gostam da força, que tantas pessoas elogiam. Mas a força aliada à brutalidade. Por isso preferem ver os touros, que com sua agressividade chamam a atenção daqueles que imaginam que tudo se resolve pela força.

“Entretanto, não as atrai o trabalho, contínuo, regular e monótono de arar os campos, que eu realizo. E como, além do mais, os bois são engordados para serem sacrificados, isso é ainda menos atraente. Ninguém quer saber de sacrifícios, de vida dura, de trabalho incessante”.

“É assim mesmo” — completava a mula. “Os cavalos, indômitos, que correm, que dão coices, que dominam pela velocidade e chamam a atenção por sua beleza, estão no centro das atenções.

“O mundo os admira. Mas o trabalho que eu realizo, como o de tirar água dos poços ou levar cargas, quem o admira? Quando me elogiam é porque tenho algumas qualidades que possuem os cavalos, como o vigor, a força ou o valor. Ou a sobriedade, a paciência, a resistência e o passo seguro dos burros.

“Mas a ideia que associam a mim é a de uma vida dura, mansa e dedicada aos demais. Exatamente aquilo do que as pessoas não querem nem ouvir falar”.

*     *     *

Pesebre 126Quando a noite terminava e eles já se dispunham a dormir, o boi e a mula viram entrar no estábulo um senhor e uma jovem em avançado estado de gravidez.

Com muita distinção ela se sentou num canto do estábulo, enquanto ele se dedicava a arrumar com máximo desvelo um pouco de palha para que ela descansasse melhor.

Os animais ficaram com pena vendo-os em lugar tão pobre, mas o augusto casal não se queixava nem murmurava.

Certamente ele havia pedido para pousar na casa de algum dos parentes que tinham no povoado, mas por serem pobres, apesar do parentesco e de sua alta dignidade, não lhes fora concedida hospedagem.

É verdade que as casas desses parentes possivelmente estivessem cheias, mas caso se tratasse de parentes ricos, sem dúvida lhes teriam fornecido hospedagem.

E não tendo aonde ir, tinham vindo a este estábulo, o menos visitado. E, por isso mesmo, o único que oferecia certa privacidade.

A mula e o boi fizeram apenas o que podiam, ou seja, afastarem-se para dar-lhes um pouco mais de espaço. E foram dormir.

À meia-noite, despertou-os um som inusual.

Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano.

Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano.

Era o choro de uma criança. A jovem Senhora havia dado à luz um filho. O recém-nascido chorava de frio.

“Pobrezinho” — exclamaram a mula e o boi. “Ele está numa situação bem pior do que a nossa. Afinal de contas, Deus nos deu uma pele grossa e pelos para nos proteger do frio, e estamos bem alimentados, mas este pobre menino nasce em um lugar inóspito para tanta debilidade. Façamos a única coisa que podemos para ajudá-lo”.

E, aproximando-se, passaram a respirar fortemente, para que a sua respiração e o calor de seus corpos dessem ao recém-chegado um pouquinho de aquecimento.

Aos poucos o Menino deixou de chorar, e sentindo o frio afastar-se, moveu as mãozinhas, colocando-as carinhosamente sobre a cabeça do boi e da mula, para lhes agradecer por sua boa vontade.

A mula e o boi se retiraram, para deixar o Menino dormir. E o Senhor que cuidava da jovem Senhora e do Menino deu aos animais um pouco de erva para que comessem, e de água para que bebessem.

* * *
Os dois animais imaginaram que poderiam ir dormir, mas em pouco tempo começou a chegar todo tipo de pessoas.

Primeiro eram uns pastores, que já de longe vinham cantando. Admirados eles rodearam o Menino, e O ficaram contemplando longamente.

Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano

Presépio na Praça de São Pedro, Vaticano

Depois vieram outros pastores, depois outros e mais outros. Apareceram também pessoas simples, mas de fé robusta, que foram saudar o Menino.

Mais tarde chegou uma rica e importante caravana de reis e súditos montados em camelos belamente ajaezados. Vinham oferecer ouro, incenso e mirra ao Menino.

E enquanto executavam a cerimônia de entrega dos presentes, admirados a mula e o boi contemplavam o espetáculo, escutando as músicas que cantavam em honra do recém-nascido.

Mas chegaram também a seus ouvidos as reclamações de outros animais. Acostumados a ser o centro das atenções, sentiam-se contrariados por terem sido preteridos.

E diziam que o boi e a mula eram um par de arrivistas que estavam ali por pura sorte, que se tivessem um pouco de conhecimento do mundo deveriam sair e deixar-lhes o lugar, pois obviamente eles estavam mais capacitados para ocupá-lo.

Em suma, pura inveja. A mula e o boi não se preocuparam com esses comentários, e continuaram a cumprir seu discreto e eficaz papel de, na ausência de visitas, acercarem-se do Menino para ajudar a aquecê-lo.

Presépio chinês

Presépio chinês

Por fim, certo dia, o Senhor, a Senhora e o encantador Menino preparavam-se para sair. Mas antes, voltando-se para a mula e o boi, disse-lhes a bela Senhora:

“Como vocês foram bons e generosos para com o meu filho, faço-lhes uma promessa. Até o fim do mundo, sempre que se representar uma cena de seu nascimento, vocês estarão presentes.

“Porque Ele veio para dar exemplo de luta contra o mal, mas também exemplo de bondade. Veio para ajudar os homens de boa vontade a vencerem os homens de má vontade, que não querem a glória de Deus”.

* * *

Esta promessa vem se cumprindo até os presentes dias, e assim continuará enquanto o mundo existir.

Muitas vezes, adornamos com ovelhas, pastores, camelos e reis os presépios que montamos.

Contudo, por mais pobres que eles sejam, sempre há uma mula e um boi.

Ali nasceu o Redentor, Aquele Divino Infante louvado pelos anjos na Noite Feliz com o cântico narrado por São Lucas:

“Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na Terra aos homens de boa vontade!”.

(Autor: Valdis Grinsteins, apud CATOLICISMO)
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O aniversariante e o palhaço gorducho http://www.lepanto.com.br/variedades/o-aniversariante-e-o-palhaco-gorducho/ http://www.lepanto.com.br/variedades/o-aniversariante-e-o-palhaco-gorducho/#comments Tue, 23 Dec 2014 15:09:08 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5429

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Meu amigo americano olhou-me um tanto desconcertado, parou um pouco para pensar, e esclareceu: Os sinos festivos do Jingle bells acompanham a música e lhe dão o ritmo, lembrando os guizos do animal que puxa o trenó; e a época do Natal é muito boa para se passear de trenó na neve. Resumida assim a explicação, ele me fez saber que estranhara a minha pergunta, pois sempre julgou isso muito natural.

É possível que algum leitor conheça apenas a versão brasileira do Jingle bells, impregnada de referências natalinas a sino de Belém, Deus menino, rezar na capela, noite bela, etc. Por isso, antes de alguém estranhar minha estranheza, responsável pela do meu amigo americano, informo que a letra original do Jingle bells não contém nenhuma referência ao Natal, gira apenas em torno de um alegre passeio de trenó pelos campos, que poderia realizar-se em qualquer período nevado do ano.

natal-papai-noel-253x300Bem distantes desses costumes, os brasileiros não compreenderiam a maioria das referências psico-atmosféricas presentes na música, daí um letrista vincular diretamente ao Natal a versão brasileira. Acho louvável a iniciativa, embora não me agrade o aspecto alegrote, bem pra lá do limite entre o leve e o leviano. A lentidão pensativa e respeitosa do Noite feliz, muito mais adequada para reverenciar a presença augustíssima de Deus entre os homens, não dispensa no entanto a alegria. Na música natalina alemã, a alegria atinge a alma em toda a sua profundidade, não é apenas epidérmica como a saltitante e sorridente musiqueta americana.

Associar o Natal à neve é um costume proveniente dos países cristãos onde a neve cobre a natureza nessa época do ano. No Brasil, ela quase só existe no dicionário e na poesia, muito lembrada onde entram anciãos com cabelos marcados pela neve do tempo, ou para realçar o branco como a neve de alguma coisa. Em relação ao Natal, quase nada significa para nós, embora presente em cartões de Natal mais adequados ao Polo Norte ou à Lapônia. Parecem de brinquedo as casinhas quase sucumbindo às grossas coberturas brancas, as renas e trenós movimentando-se suavemente, os sinos bimbalhando em torres de capelinhas iluminadas… e o onipresente Papai Noel (ho! ho! ho!) – o sorridente, prestativo e vermelhão Papai Noel.

(Será que ele acredita mesmo em Papai Noel?!)

Sem dúvida nenhuma, caro leitor. Aproximando-se o Natal, basta ligar a TV, entrar num shopping, abrir uma revista ou jornal, surfar na internet, e lá está ele com seu sorriso elástico de velhote velhaco, sempre pronto a brincar com uma criança, indagar qual presente ela quer receber dos pais, e assim avalizar diante do comprador o que o comerciante precisa vender. Como duvidar de velhinho tão real e agradável, tão amigo das crianças e do cartão de crédito dos pais?

Entendeu por que não posso deixar de acreditar em Papai Noel? Constato sua existência pelo que vejo, só isso. Mas quando a pergunta é se ele deveria existir, não vacilo numa resposta clara e definidamente negativa. Sou até propenso a supor você e eu em extremos opostos sobre este assunto. Como a maioria das pessoas, você pode achar o Papai Noel engraçado (todo palhaço tem de ser engraçado); tem uma roupa bonita, atraente (ridícula de ponta a ponta, das botas ao gorro de dormir); tem uma risada diferente (muito útil, se você quiser amestrar animais); resolve o problema dos pais na escolha dos presentes (espero que você saiba conversar com seus filhos).

Se você perguntar aos seus amigos de onde surgiu o costume natalino de dar presentes aos filhos, provavelmente muitos não o relacionarão com os presentes dos Reis Magos ao Menino Jesus. Na perspectiva da Boa Nova evangélica, os presentes aos filhos adquirem significado profundo, elevado, colocando-os na esfera do sobrenatural e divino. Dando ao filho um presente, homenageamos na pessoa dele o Menino Jesus, recém-nascido vinte séculos atrás, quando recebia presentes régios. Os presentes natalinos tomam assim o caráter de homenagem ao aniversariante.

Será que a pantomima do Papai Noel remete as crianças a esse nível de cogitações? Não quero imaginar da sua parte uma resposta afirmativa.

Desde o aparecimento do Papai Noel no fim do século XIX, ele não passa de um artifício propagandístico, comercial. Foi criado para vender Coca-cola, mas depois o instrumentalizaram para vender outras coisas. Funciona bem para essa finalidade. Mas ele faz só isso? Será só esta a sua função? Será só este o objetivo, ao popularizar esse personagem ridículo e interesseiro? Você já notou como o aniversariante ficou esquecido, marginalizado, depois que o Papai Noel ajudou a comercializar o Natal?

O Menino inocente de Belém atraiu inimigos desde o nascimento, forçando-o a um exílio no Egito para não ser degolado. Você acha que hoje ele não tem inimigos? Pelo contrário, os inimigos nunca foram tão numerosos, e agem empenhadamente na tarefa de fazê-lo desaparecer da vida das crianças, de todos. Como? Deslocando a atenção para um palhaço gorducho, como se o aniversariante não existisse.

Caro leitor, cante a nossa versão do Jingle bells, mas prefira o Noite feliz. Dê presente aos filhos no Natal, mas ensine-os a homenagear o aniversariante, a venerar quem fez muito mais por nós do que todos os gorduchos vermelhos. E assim você também terá um Natal feliz, tornando felizes os seus filhos e o aniversariante.

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Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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Distinção entre o homem renascentista e o homem medieval http://www.lepanto.com.br/historia/distincao-entre-o-homem-renascentista-e-o-homem-medieval/ http://www.lepanto.com.br/historia/distincao-entre-o-homem-renascentista-e-o-homem-medieval/#comments Tue, 16 Dec 2014 00:24:53 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5417

Mentalidade sem gravidade, gozadora e festiva, e mentalidade séria, que tem em vista o fim último do homem.

 Plinio Corrêa de Oliveira

vidro-gotico

Vitral da Saint Chapelle

Os personagens renascentistas apresentam-se habitualmente alegres, satisfeitos, despreocupados e olímpicos [à maneira dos deuses pagãos do Olimpo — o céu da mitologia grega.

         A representação das mais características desse tipo de homem é o rei Francisco I, da França (1494-1547): alto, bonito, bem constituído, símbolo humano do otimismo, continuamente bem disposto em relação à vida terrena.

         Ele se distingue profundamente do rei São Luís IX (1215–1270), também soberano francês: igualmente alto e belo, mas muito sério, casto, ameno no trato, sem nenhum desses otimismos superficiais, próprios dos renascentistas. Sua atitude manifestava que ele tinha sempre presente o fim último do homem — Deus e a bem-aventurança celeste.

Da atitude otimista do renascentista decorria um gosto permanente do prazer e a necessidade de estar continuamente se divertindo.

A vida de corte como o Renascimento a inaugurou consistia numa existência permanentemente festiva, em que o rei ocupa sempre o centro de uma grande festa, na qual a nobreza está sempre engalanada e o palácio real se torna um local habitual para os festins, nos quais vicejam as gargalhadas e o vício.

         Na Idade Média também existia corte. Mas entendia-se por corte simplesmente o conjunto de dignitários que serviam o soberano, auxiliando-o no desempenho de suas altas funções. Tudo se passava num ambiente sério e digno voltado para a função superior da realeza, e que descartava a noção de festa contínua.

São Luis Rei

São Luis Rei

Francisco I da França

Francisco I da França

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Não à cubanização do Brasil! http://www.lepanto.com.br/sem-categoria/nao-a-cubanizacao-do-brasil/ http://www.lepanto.com.br/sem-categoria/nao-a-cubanizacao-do-brasil/#comments Mon, 15 Dec 2014 23:58:58 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5411

Importação maciça de 6.000 médicos cubanosé novo Cavalo de Tróia

201306MedicosCubanos1

Como se já não bastasse a importação pelo Brasil dos péssimos “produtos 1,99” da China, com os seus irreparáveis danos à economia nacional ainda não suficientemente computados, chegou a vez de o governo petista, numa medida ressumando chavismo, anunciar sua intenção de “importar” 6.000 médicos cubanos.

O presidente Hugo Chávez no ato de boas-vindas aos novos médicos cubanos, parte dos milhares que chegaram à Venezuela para a Missão Bairro Adentro

O presidente Hugo Chávez no ato de boas-vindas aos novos médicos cubanos, parte dos milhares que chegaram à Venezuela para a Missão Bairro Adentro

 

Em se tratando de saúde e fazendo abstração da conotação comunista de muitos de tais médicos — cujos grandes contingentes que atuam hoje na Venezuela são vistos como membros do exército cubano ou agindo sob as ordens deste — constitui sumo desdém o fato de um governo que se pretende popular entregar a saúde do sofrido povo de regiões recônditas e das periferias das grandes cidades do Brasil a médicos totalmente despreparados.

Para dar dois exemplos recentes de “grandes líderes” tratados em Cuba, é só recordar que o Coma-andante Fidel Castro apelou para médicos espanhóis para continuar sua vida vegetativa, e consta que o mesmo sucedeu com Hugo Chávez, embora de modo tardio, pois de início ele parece ter acreditado na propaganda sobre a medicina da Revolução. Ou seja, a elite comunista não confia nos médicos formados pelo regime cubano e por isso se faz tratar por profissionais estrangeiros.

Ora, são precisamente esses médicos que se quer agora “importar”. De um lado, isso causaria aos incontáveis profissionais brasileiros, presentes e futuros, um dano análogo ao provocado pelos produtos chineses às nossas indústrias. De outro lado, e muito mais grave, entregaria a saúde de incontáveis brasileiros — a qual não é um “produto” qualquer — nas mãos de incompetentes “médicos 1,99” que, incapazes de curarem os corpos, são eficientíssimos em contaminar as mentes.

E, crescendo de ponto, por mais grave que seja o cuidado da saúde pessoal de inúmeros brasileiros entregue a tais médicos, todavia muito mais grave é a “saúde da Nação” em face do caráter ideológico da inusitada “importação”. Tanto mais quando sabemos que a Venezuela de hoje, por razões análogas, se tornou um virtual protetorado cubano, com milhares desses médicos espalhados por todo o seu território, monitorados in loco por cerca de meia dúzia de generais que ditam normas em pontos vitais daquela nação.

*       *       *

Encontramo-nos assim diante de uma ofensiva multiforme e continental do eixo bolivariano e de seus coadjuvantes, preocupados talvez em apressar o passo diante da perda de Hugo Chávez — e, sobretudo, da crescente rejeição de seus postulados revolucionários pelas respectivas populações. Eles querem nos “presentear” agora com um Cavalo de Tróia, não da Grécia com os seus inúmeros problemas atuais, mas de Cuba com os seus problemas eternos derivados do regime comunista ali vigente.

Nessas condições, todos os brasileiros — de modo particular a nossa classe médica, a exemplo do que algumas de suas entidades representativas vêm fazendo — necessitam reagir com energia, dentro da lei e da ordem. Fazendo-o, estarão colaborando para preservar a soberania do Brasil e a saúde física e mental de nossa população, tão infensa à subversão e desejosa de ser tratada com competência e carinho, coisas que os médicos cubanos, por falta de capacidade profissional e excesso de formação ideológica, são incapazes de proporcionar.

*       *       *

Mas este não é um problema isolado, o que o torna ainda muito mais preocupante. Com efeito, tal plano de “importação” coincide com a tentativa de revitalização das famigeradas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Empreitada de fins pouco claros que, após um semi-silêncio de cerca de três décadas, a CNBB chamou novamente a si, delegando-a, pelo visto, nada menos que ao Frei Beto, o grande amigo da Revolução cubana e instigador da subversão religiosa no Brasil e no Continente.

Tal revitalização foi tema prioritário da recente assembleia da CNBB em Aparecida, e Frei Beto anda no presente momento pelo Nordeste, como participante oficial de simpósios sobre o assunto, a exemplo dos organizados pelas Arquidioceses de Maceió e Natal. Ora, as CEBs, que atuaram como verdadeiros soviets, são um dos péssimos frutos da Teologia da Libertação. Desta falsa teologia da qual o próprio José Dirceu declarou certa vez ter ouvido diretamente de Fidel Castro em Havana a afirmação de que se ele a tivesse conhecido antes, teria evitado muitos erros para a Revolução comunista cubana.

 Não se pode, por outro lado, deixar de recordar que em 1983 o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu, juntamente com os irmãos Gustavo e Luís Solimeo, o importante livro: As CEBs, das quais muito se fala e pouco se conhece — A TFP as descreve como são, a partir de cuja larga divulgação por todo o Brasil as referidas CEBs encolheram.

Concluindo, nós nos encontramos diante de uma tentativa desesperada de um assalto final das esquerdas religiosas e políticas, com a finalidade de conquistar o Brasil e a América Latina para o comunismo. E tanto a “importação” dos médicos cubanos quanto a preocupante tentativa de revitalização das CEBs constituem elementos de suma importância nesse plano.

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Chamado ao Heroísmo! http://www.lepanto.com.br/lepanto/acao/chamado-ao-heroismo/ http://www.lepanto.com.br/lepanto/acao/chamado-ao-heroismo/#comments Fri, 24 Oct 2014 14:24:15 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5392

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Ficar conectado a redes sociais, jogos e quinquilharias eletrônicos, sem falar de drogas e imoralidade, aparentemente são os grandes chamarizes para os adolescentes de nossos dias.

DSC_0500Entretanto, não é bem assim. Por exemplo, 37 jovens resolveram dar as costas a essas tentações e participaram de mais um acampamento da Frente Estudantil Lepanto, o oposto de tudo isso, com sua convocação para o heroísmo e a virtude.

Foi o que se passou entre os dias 18 e 21 de junho em Brasília. Houve 10 palestras, cinco para cada turma. Os mais novos conheceram os esplendores da Idade Média e uma síntese da obra Revolução e Contra-Revolução. Os efeitos nocivos do igualitarismo foi o tema para as reuniões da segunda turma, baseadas nos ensinamentos do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Pequenas peças teatrais ilustraram os temas.

DSC_0732Como entretenimento, além das competições e passeios, o que mais chamou a atenção dos jovens foram os jogos medievais, realizados à noite, sob a luz de inúmeras tochas e animados por trompetes, tambores e pífaros. Lança ao alvo, corrida de fogo e jogo da maça foram alguns dos desafios.

“Foi sem dúvida o melhor acampamento de que participei”— declarou um dos rapazes. De fato, percebia-se o entusiasmo que uma programação inteligentemente baseada na doutrina católica tradicional suscita nas almas de jovens, que nunca tinham imaginado que algo assim pudesse existir. No meio do acampamento, se alguém perguntasse se não prefeririam estar jogando GTA, ou “postando” algo no Facebook ou no Twitter, ou ainda assistindo alguma novela na televisão, certamente seria alvo de risada ou de um bom e merecido debique…

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Sai à luz impressionante complemento da Mensagem de Fátima http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/sai-a-luz-impressionante-complemento-da-mensagem-de-fatima/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/sai-a-luz-impressionante-complemento-da-mensagem-de-fatima/#comments Sat, 13 Sep 2014 14:19:57 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5368
Irmã Lucia, a vidente de Fátima, foi monja Dorotea até seu ingresso no Carmelo de Coimbra em 1948.

Irmã Lucia, a vidente de Fátima, foi monja Dorotea até seu ingresso no Carmelo de Coimbra em 1948.

Sob o título Novidades apocalípticas de Fátima, o jornalista italiano Antonio Socci informa sobre uma extraordinária aparição da Virgem Maria à Irmã Lúcia dos Santos, ocorrida em 1944, mas só conhecida recentemente. Trata-se de um complemento das cada vez mais atuais profecias de Fátima e, por uma providencial coincidência, sai à luz no preciso momento em que os acontecimentos mundiais previstos naquelas profecias parecem próximos de seu desenlace.

Como se conheceu a aparição

Pela importância do tema, procuramos a própria fonte dessa informação, um manuscrito dado a conhecer no ano passado, no qual a Irmã Lúcia narra a referida visão.

O documento foi incluído numa biografia da religiosa, escrita por suas irmãs de hábito com base nas suas cartas e no seu Diário espiritual, ainda inédito. Intitulada Um caminho sob o olhar de Maria, foi publicada no final de 2013 pelo Carmelo de Coimbra, onde a Irmã Lúcia viveu de 1948 até sua morte em 2005.(1)

Mas essa biografia de quase 500 páginas teve até agora uma difusão limitada, sem maior publicidade. Pelo contrário, o artigo de Antonio Socci, publicado no último dia 17 de agosto, permitiu que o relato da visão fosse conhecido pelo grande público e caísse rapidamente nas redes sociais.

 

Os antecedentes da visão

A aparição relatada pela Irmã Lúcia [FOTO] ocorreu em janeiro de 1944, quando ainda era religiosa noconvento das Irmãs Doroteias em Tuy (Galícia). Dois anos antes, em dezembro de 1941, ela já havia escrito as duas primeiras partes do segredo de Fátima (a visão do inferno e os avisos e predições da Virgem), mas deixou pendente, por ordem de Nossa Senhora, a terceira parte.

O bispo de Leiria — a diocese de Fátima — a instava reiteradamente a redigir também esse “terceiro segredo”, mas como Nossa Senhora lhe havia mandado guardar reserva, todas as vezes que ela tentava fazê-lo, não conseguia. Sua perplexidade interior era muito grande: estando o mundo em plena II Guerra Mundial, teria chegado realmente o momento de escrevê-lo, como lhe pedia o seu Prelado?

Sagrada-ImagemO relato da Irmã Lúcia, passo a passo

Nessas circunstâncias, por volta das 16 horas do dia 3 de janeiro de 1944 — relata a Irmã Lúcia —, enquanto rezava na capela do convento diante do tabernáculo, “pedi a Jesus que me fizesse conhecer qual era sua vontade”, e com o rosto entre as mãos, esperava alguma resposta: “Senti então, que uma mão amiga, carinhosa e maternal me toca no ombro, levanto o olhar e vejo a querida Mãe do Céu”.

Nossa Senhora lhe diz: “Não temas, Deus quis provar a tua obediência, Fé e humildade, está em paz eescreve o que te mandam, não porém o que te é dado entender do seu significado. E a instrui a colocar o que irá escrever em um envelope lacrado, anotando por fora deste “que só pode ser aberto em 1960”.

Em seguida — prossegue a Irmã Lúcia — “senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi, — A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, — Ela estremece: montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultados. O mar, os rios e as nuvens saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente sem número que não se pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. — O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora!’

“Depois senti no palpitar acelerado do coração e no meu espírito o eco de uma voz suave que dizia: — No tempo, uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade, o Céu!’

“Esta palavra Céu encheu a minha alma de paz e felicidade, de tal forma que quase sem me dar conta, fiquei repetindo por muito tempo: — O Céu! o Céu!”.

Alentada por essas maravilhosas palavras finais, a Irmã Lúcia teve forças para escrever o Terceiro Segredo, tal como Nossa Senhora lhe havia ordenado: “Apenas passou a maior força do sobrenatural, fui escrever e fi-lo sem dificuldade, no dia 3 de janeiro de 1944, de joelhos apoiada sobre a cama que me serviu de mesa. Ave Maria”. Assim conclui o relato da visão (Um caminho sob o olhar de Maria, p. 267).

Obviamente ela só escreveu o que lhe foi revelado em 13 de julho de 1917 — o Terceiro Segredo —, omitindo, conforme as instruções que acabara de receber da Mãe de Deus, qualquer referência a esta nova aparição.

Como interpretar essa visão?

 

Facsimile do diário espiritual da irmã Lúcia, onde ela narra a aparição de 1944.

Facsimile do diário espiritual da irmã Lúcia, onde ela narra a aparição de 1944.

Além de mostrar sua inefável bondade para com a Irmã Lúcia — a quem conforta com sua “mão amiga, carinhosa e maternal” e com expressões de apreço por sua obediência —, e de autorizá-la a escrever o Terceiro Segredo, Nossa Senhora a premia com esta visão e lhe faz “compreender seu significado”, embora advirta que não deve acrescentá-la ao escrito oficial: ela só pôde anotá-la em seu Diário pessoal.O extraordinário dessa visão particular é que ela vem acompanhada de palavras que a interpretam, complementando e realçando assim a grandeza e a seriedade da própria Mensagem de Fátima.

A imagem que a Irmã Lúcia via em Deus — “a ponta da lança como uma chama que se desprende” — é notavelmente parecida com a espada de fogo que o Anjo empunhava na visão do Terceiro Segredo.(3) E essa chama, tocando o eixo da Terra, convulsiona de tal maneira toda a natureza, que até “cidades, vilas e aldeias com seus moradores são sepultadas”. O que, por sua vez, coincide com a predição anunciada na segunda parte do Segredo de que “várias nações serão aniquiladas” se os homens não atendessem aos pedidos de Nossa Senhora.

A esse cenário pavoroso se soma a “guerra destruidora”, que a Irmã Lúcia entende ter duas causas: “o ódio” e “a ambição”. Os atrozes massacres de cristãos no Oriente Médio em mãos dos islamitas do ISIL e congêneres, que revelam um ódio satânico (quase diríamos ódio em estado puro), e a mortífera insurreição impulsionada pela Rússia na Ucrânia, em que a ambição territorial se torna cada vez mais notória, já não são primícias dessa calamidade?

É digno de nota que, paralelamente à visão, foi dado à Irmã Lúcia entender que essas catástrofes são causadas pelo pecado que cobre a Terra, e têm por objeto a “purificação do mundo”. Após a purificação vem um grande triunfo universal da Igreja, representado pela voz que proclama “uma só Fé, um só Batismo, uma só Igreja”.

Tudo isso confirma de modo notável as análises e previsões feitas ao longo das décadas por Plinio Corrêa de Oliveira sobre os rumos da situação internacional, advertindo que a mesma poderia desembocar no caos generalizado antes de uma grande vitória da Igreja.

Note-se, ademais, a consonância desse desfecho com o triunfo do Imaculado Coração de Maria, anteriormente previsto em Fátima, e com as predições similares de Nossa Senhora em aparições como a de La Salette (1846), Akita (1973) e outras.

No limiar do desenlace de Fátima?

Além do que esta visão tem de terrível e grandioso, cabe ressaltar seu encaixe perfeito como peça-chave na contextura da Mensagem de Fátima — essa apaixonante equação profética cada vez mais próxima de resolver-se —, enriquecendo-a com importantes pormenores até agora ignorados.

É também muito significativo o fato de que a visão é dada a conhecer somente agora, 70 anos depois de ocorrida, quando ameaçadores focos de violência irrompem por todas as partes, e até o próprio Papa Francisco surpreende o mundo declarando que já “entramos na terceira guerra mundial”.(4)

De fato, a descrição da Irmã Lúcia não poderia chegar em momento mais oportuno: o contexto tão convulsionado em que o mundo se encontra permite que todos a entendam sem dificuldade, e por isso parece-nos providencial que seja revelada agora.

Sua divulgação poderá ajudar a compreender o castigo que virá se os homens não renunciarem à impiedade e à corrupção, e estimulá-los a “endireitar as suas veredas” (Mc 1,3) por meio da emenda de vida a que a Santíssima Virgem os instou em Fátima.

Assim se farão credores de uma misericórdia especial de Deus, na hora de um castigo cada vez mais provável. E esse poderá ser o maior benefício da celeste mensagem, que a todos nós deve fazer refletir.

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Notas:

(*) Artigos relacionados: Fátima numa visão de conjunto (Catolicismo, Maio/1967), Lágrimas, milagroso aviso (Catolicismo, Julho/1997).

  1. Carmelo de Coimbra, Um caminho sob o olhar de Maria — Biografia da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, O. C. D. Marco de Canaveses: Edições Carmelo, 2013, 495 páginas.
  2. Antonio Socci, Novità apocalittiche da Fatima, “Libero”, Milão, 17-8-2014; disponível em http://www.antoniosocci.com/2014/08/novita-apocalittiche-da-fatima-lultimo-mistero-il-silenzio-delle-suore-ma-chi-tace/
  3. “… vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo” (Congregação para a Doutrina da Fé, A Mensagem de Fátima, 26 de junho de 2000,http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_sp.html).
  4. Il Papa: ‘La Terza guerra mondiale è già iniziata’, “La Repubblica”, Roma, 18-8-2014; www.repubblica.it/esteri/2014/08/18/news/papa_francesco_terza_guerra_mondiale_kurdistan-94038973/

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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Massacre de católicos em terras de maioria islâmica http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/massacre-de-catolicos-em-terras-de-maioria-islamica/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/massacre-de-catolicos-em-terras-de-maioria-islamica/#comments Sat, 16 Aug 2014 14:38:27 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5358
Catolicos fungindo de Mossul

Católicos fugindo de Mossul.

Nesses últimos dias, horrorizados temos acompanhado a dramática situação de nossos irmãos católicos perseguidos, sendo trucidados em diversas nações muçulmanas, principalmente no Iraque. Em Mossul (norte do Iraque) muitos cristãos recebem um ultimato do ISIS (sigla em inglês de Estado Islâmico do Iraque e do Levante): “Convertam-se ao Islã ou deixem suas casas sem levar seus bens, ou morte”. Em raros casos, permitem que algumas famílias fiquem na cidade desde que lhes paguem o “imposto dos infiéis” (a jizya) de aproximadamente 500 dólares mensais. Há muitos relatos de mulheres que foram violadas pelos militantes do ISIS.  


No dia 6 último, Qaraqosh (cidade localizada a 50 Km de Mossul, na qual viviam 40 mil cristãos) foi ocupada durante a noite pelos milicianos do ISIS. Quase toda população tinha fugido quando se soube da aproximação dos islamitas. Há falta de informação sobre a situação atual de milhares desses cristãos, mas, segundo a AINA (agência internacional de notícias da Assíria) eles fugiram para cidades do Curdisdão.

Causa-nos perplexidade observar como certas autoridades (eclesiásticas e civis) permanecem num “silêncio ensurdecedor” diante desse martírio de católicos. Causa-nos também perplexidade observar tais autoridades, costumeiramente tão loquazes, apenas emitirem uma notinha de repúdio, quando necessário seria um brado de indignação, o levantamento de uma verdadeira Cruzada em defesa de nossos irmãos que estão sendo escorraçados de suas Igrejas, de suas casas e de suas cidades por agentes da religião islâmica. 

A fim de despertar a autêntica indignação contra tais atrocidades, transcrevo alguns trechos de um artigo, publicado no “O Estado de S. Paulo” de 24 de julho último, de autoria de Gilles Lapouge, correspondente muito bem informado no tema. 

MÁRTIRES CRISTÃOS NO IRAQUE

Gilles Lapouge


Edifício da Igreja Católica incendiado em Mossul

Edifício da Igreja Católica incendiado em Mossul

Há alguns dias, os cristãos da segunda maior cidade do Iraque, Mossul, tomada recentemente pelos jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), ganharam o direito de escolher seu destino. Os novos donos de Mossul oferecem quatro opções: deixar o Iraque no prazo de 24 horas, converter-se ao islamismopagar um imposto especial para os não muçulmanos, tornando-se cidadãos de segunda categoria ou, finalmente, morrer pela espada.

Enquanto Saddam vivia, a comunidade [igrejas católicas do Oriente, rito caldeu, siríaco, armênio, grego ou latino] tinha mais de um milhão de fiéis.

Era uma espécie de milagre. Fundada no século IV, essa corrente católica teve um papel preponderante naquele tempo. Foi ela que converteu ao cristianismo uma parte dos mongóis. Além disso, transmitiu aos árabes e posteriormente à Europa medieval toda a cultura da Grécia antiga.

Desde que os americanos mataram Saddam, os católicos foram escorraçados do Iraque ou perseguidos. Hoje, com a chegada dos jihadistas do Isil (mais obtusos e perversos do que os de Osama bin Laden e da rede Al-Qaeda), começa o tempo da agonia. Milhares de cristãos iraquianos teriam sido mortos e 600 mil já fugiram do país.

Um pedaço da história, construído ao longo de 16 séculos, ameaça ser aniquilado, pelo menos se os fanáticos do Isil consolidarem sua vitória e conseguirem criar um califado que ignora as fronteiras políticas habituais e sonha implantar a sharia em grande parte da Síria e do Iraque, de Alepo a Bagdá. As perseguições tem ocorrido desde que, há um mês, foi proclamado o califado islâmico.

Letra N (em árabe ن de Nazareno) que muçulmanos estão pintando nas casas dos cristãos que devem ser expulsos ou executados

Letra N (em árabe ن de Nazareno) que muçulmanos estão pintando nas casas dos cristãos que devem ser expulsos ou executados

Não conhecemos todos os detalhes e todas as indignidades. Contudo, sabe-se que centenas de iraquianos cristãos teriam sido mortos e mais de 600 mil tomaram o caminho do exílio. Em Mossul, as casas dos cristãos foram marcadas com a letra N (que significa Nassarah ou Nazareno, um pouco como as casas dos judeus eram emporcalhadas por Hitler).

Onde se refugiam esses cristãos expulsos de suas casas? Muitos se dirigem para Qaraqosh, 30 quilômetros a leste de Mossul, por ser uma cidade de maioria cristã. Além disso, a localidade é predominantemente curda. Os curdos opõem-se aos fanáticos do califado. Seus guerreiros, os peshmergas, são muito fortes. Eles lutam contra as tropas jihadistas e protegem os cristãos. Surpreende um pouco que esse fato não tenha provocado indignação nas capitais ocidentais. É claro que todas essas calamidades são tão numerosas e asquerosas que cada horror atua como um filtro para impedir que se percebam outros horrores: Síria, Faixa de Gaza, a Líbia à beira do abismo, Sudão, República Centro-Africana, Ucrânia, etc. O mundo hoje não passa de uma extensa decepção, um longo soluço. Mas, no caso dos cristãos de Mossul, estamos diante de uma das mais violentas crueldades.

Católicos do Iraque refugiados na Igreja de São José, em Erbil (norte do Iraque) depois de fugirem de suas aldeias invadidas por guerrilheiros muçulmanos

Católicos do Iraque refugiados na Igreja de São José, em Erbil (norte do Iraque) depois de fugirem de suas aldeias invadidas por guerrilheiros muçulmanos

PS: De outro boletim que recebi hoje da “ACI/EWTN Noticias”, de 8-8-14, informa que a situação se agrava drasticamente dia-a-dia. O Patriarca católico caldeu, Dom Louis Raphael Sako, exortou a comunidade internacional a tomar consciência do êxodo, da“via sacra que milhares de cristãos iraquianos estão sofrendo para escapar da violência dos extremistas muçulmanos do Estado Islâmico (ISIS)”, que nesta quinta-feira tomaram Qaraqosh. Ele descreveu essa tragédia “Cerca de 100 mil cristãos, horrorizados e em pânico, fugiram das suas aldeias e casas sem nada mais do que a roupa que tinham vestida […]. É um êxodo, uma verdadeira Via Sacra, cristãos, incluindo doentes, idosos, crianças e grávidas, estão a caminhar a pé no calor ardente do verão iraquiano para se refugiarem nas cidades curdas de Erbil, Duhok e Soulaymiyia”.

Em outra notícia da mesma agência e do mesmo dia, a “ACI/EWTN Noticias”, transcreve uma declaração de Mark Arabo, líder da comunidade caldeia, à CNN denunciando que os jihadistas do Estado Islâmico (ISIS), estão decapitando crianças cristãs em Mosul, pendurando os seus pais e estuprando as mulheres, as quais são sequestradas e vendidas como escravas. “No parque (de Mossul) o Estado Islâmico decapita sistematicamente as crianças, colocando as suas cabeças em cima de paus e cada vez mais crianças estão sendo decapitadas. As suas mães são estupradas e assassinadas e estão pendurando os seus pais”. 

 

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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A Glória extraordinária da Assunção de Nossa Senhora http://www.lepanto.com.br/catolicismo/doutrina-catolica/gloria-extraordinaria-da-assuncao-de-nossa-senhora/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/doutrina-catolica/gloria-extraordinaria-da-assuncao-de-nossa-senhora/#comments Fri, 15 Aug 2014 16:38:36 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5342

“Santo do Dia”, 10 de agosto de 1968

A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de“Catolicismo”, em abril de 1959.

Assuncao_Fra_Angelico_2

Assunção da Virgem – Fra Angélico – Relicário – c. 1430 Isabella Stewart Gardner Museum – Boston

A Ascensão tem várias razões e a mais protuberante dessas razões é de caráter apologético. Era preciso que os homens pudessem dar testemunho deste fato histórico duplo: não só de que Nosso Senhor ressuscitou, mas de que tendo ressuscitado Ele subiu aos céus, a sua vida terrena não continuou. Ele subiu ao Céu, e subindo ao Céu Ele abriu caminho para todas as incontáveis almas que estavam no Limbo e que estavam esperando a Ascensão dEle para irem se assentar à direita do Padre Eterno.Um fato que chama a atenção é que Nosso Senhor, na História Sagrada, tenha querido Ele mesmo subir aos céus aos olhos dos homens e depois também tenha querido que a Assunção de Nossa Senhora para o Céu se desse aos olhos dos homens. Por que esta Ascensão e depois esta Assunção deveriam dar-se aos olhos dos homens?

Quer dizer, antes de Nosso Senhor Jesus Cristo entrar no Céu ninguém podia entrar, só os Anjos estavam lá. Ele, na Sua Humanidade santíssima, foi a primeira criatura – ao mesmo tempo em que Ele era Homem-Deus – a subir aos céus como nosso Redentor; e Ele abriu o caminho dos céus para os homens. Mas havia uma outra razão que era a seguinte: era preciso que Ele, que tinha sofrido todas as humilhações, tivesse todas as glorificações. E glória maior e mais evidente não pode haver para alguém do que o subir aos céus, porque é o ser elevado por cima de todas as alturas. Estar acima de todas as coisas da terra e unir-se com Deus Nosso Senhor, transcender de todo esse mundo de onde nós estamos e ir para o céu empíreo onde Deus está, para unir-se a Ele eternamente.

Nosso Senhor quis que Nossa Senhora tivesse a mesma forma de glória, e que assim como Ela tinha participado de maneira única do mistério da cruz, participasse também da glorificação dEle. E a glorificação dEla se dava por esta forma, sendo levada aos céus. Mas era uma assunção e não uma ascensão. A ascensão era a subida de Nosso Senhor ao Céu por Sua própria força, pelo Seu próprio poder. A assunção não é uma ascensão. Nossa Senhora não subiu ao Céu por um poder inerente à sua natureza: Ela subiu ao Céu pelo ministério dos Anjos, Ela foi carregada, foi levada ao Céu pelos Anjos.

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Fra Angélico – Cenas da Vida de Cristo 1451-52 – Museu de São Marcos, Florença

E esta foi a grande glorificação dEla nesta terra, prelúdio da glorificação dEla no Céu; porque no momento em que Ela subiu ao Céu, foi coroada como Filha dileta do Padre Eterno, como Mãe admirável do Verbo Encarnado e como Esposa fidelíssima do Divino Espírito Santo. Ela teve uma glorificação na terra e depois uma glorificação no Céu.

E nós devemos conceber a Assunção como tendo sido um fenômeno gloriosíssimo. Infelizmente, os pintores da Renascença, e os que de lá para cá nos apresentaram a Assunção, não souberam descrever de um modo adequado a glória que deve ter cercado este espetáculo. Nós devemos imaginar o seguinte: é próprio às coisas da terra que quando se quer glorificar alguém, todo mundo – vamos dizer numa casa, por exemplo – se põe nos seus melhores trajes, na casa se exibem os melhores objetos, se ornamenta a casa com flores, tudo o que há de mais nobre na casa é exibido para glorificar a pessoa a quem se quer homenagear.

Esta regra está dentro da ordem natural das coisas e é seguida também no Céu. E é claro que o maior brilho da natureza angélica, o fulgor mais estupendo da glória de Deus nos Anjos tem que ter aparecido exatamente no momento em que subiu ao Céu Nossa Senhora. E deveriam estar – se for permitido aos mortais considerarem os Anjos com seus próprios olhos – rutilantíssimos, com um esplendor absolutamente invulgar. E se não foi dado a todos os mortais contemplar os Anjos nesta ocasião, é certo pelo menos que a presença deles se fazia sentir de um modo imponderável; porque muitas vezes na história a presença dos Anjos se faz sentir de um modo imponderável, embora não seja propriamente uma visão, ou uma revelação deles.

E é natural também que nesta hora o sol tenha brilhado de um modo magnífico, que o céu tenha ficado com cores variadas refletindo de modo diverso, como numa verdadeira sinfonia, a glória de Deus. E é natural que as almas das pessoas felizes que estavam ali presentes tenham sentido essa glória em si de um modo extraordinário, de maneira tal que tenha havido ali uma verdadeira manifestação do esplendor de Deus em Nossa Senhora. Mas nenhum desses esplendores podia se comparar com o próprio esplendor de Nossa Senhora subindo ao Céu.

À medida que Ela ia subindo, com certeza, como numa verdadeira transfiguração, como num verdadeiro monte Tabor, a glória interior dEla ia transparecendo aos olhos dos homens. Falando dEla diz o Antigo Testamento: omnis glória filia regis ab intos – toda [a] glória da filha do rei lhe vem de dentro, daquilo que está dentro dEla. E com certeza essa glória interna que Ela tinha se manifestou do modo mais estupendo quando, já no alto de sua trajetória celeste, Ela olhou uma última vez para os homens, antes de definitivamente deixar esse vale de lágrimas e ingressar diante da glória de Deus.

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O dedo de São Tomé que tocou na chaga de Nosso Senhor (Basílica Santa Croce in Gerusalemme, Roma

Relicário contendo o Cinto de Nossa Senhora (Zingulum B. Mariae Virginis), que se venera na catedral de Aix-la-Chapelle, ou em seu nome germânico Aachen, na Alemanha

Relicário contendo o Cinto de Nossa Senhora (Zingulum B. Mariae Virginis), que se venera na catedral de Aix-la-Chapelle, ou em seu nome germânico Aachen, na Alemanha

Compreende-se que tenha que ter sido, depois da Ascensão de Nosso Senhor, o fato mais esplendorosamente glorioso da história da terra, comparável apenas ao dia do Juízo Final, em que Nosso Senhor Jesus Cristo virá em grande pompa e majestade, diz a Escritura, para julgar os vivos e os mortos e que com Ele, toda reluzente da glória dEle, de um modo indizível, aparecerá também Nossa Senhora aos nossos olhos. Nós devemos considerar aí a impressão que tiveram os apóstolos e os discípulos quando A viram subir ao Céu.

Devemos considerar o fato que todo mundo conta, que a tradição narra, a respeito de São Tomé. São Tomé, como os senhores sabem, duvidou e porque ele duvidou foi convidado por Nosso Senhor a meter a mão na chaga sagrada do flanco dEle, para certificar-se que era realmente Nosso Senhor. Ele recebeu Pentecostes, se tornou um apóstolo confirmado em graça, tornou-se um grande santo. Mas conta uma tradição venerável que, porque duvidou, na hora da morte de Nossa Senhora ele não estava presente, nem na hora da Assunção; e que chegou quando Nossa Senhora já estava subindo ao Céu, já estava a certa distância da terra; foi aí que ele foi trazido pelos Anjos para contemplar o resto da Assunção.

Aí os senhores vêem aquilo que nós poderíamos chamar a índole de Nossa Senhora, a cuja qualificação a palavra materna não basta, seria uma índole super materna, arqui-materna, incomparável. Quando Ela subia ao Céu e ele recebia esse castigo pungente – merecido por uma culpa tão reparada – de não ter podido estar presente à morte e Assunção de Nossa Senhora, ele chegou, olhou para Ela. Então, conta-se que Ela sorrindo, concedeu uma graça a ele que não concedeu a nenhum outro: Ela desatou o seu cinto e de lá de cima fez cair o cinto sobre ele, de maneira tal que ele recebeu com – já não direi o perdão, porque ele já estava perdoado – a remissão uma suprema graça, que era uma relíquia direta dEla, atirada para ele do mais alto dos céus.

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Nossa Senhora entregando o Sagrado Cíngulo a São Tomás

É assim Nossa Senhora quando tem algo a perdoar a algum filho muito dileto. Ela pune às vezes, porque às vezes Ela sequer pune, mas faz seguir essa punição de um sorriso tão bondoso, de um perdão tão completo e de uma graça tão grande que São Tomé, voltando para casa com os apóstolos, quase poderia mostrar esse presente dado a ele e dizer: o felix culpa, ó culpa feliz! Eu tive a desgraça de duvidar de meu Salvador, mas em compensação eu tive a felicidade de receber esta relíquia direta e celeste de minha Mãe Santíssima. O último sorriso dEla, o último favor dEla, a amenidade mais extrema, a bondade mais suave Ela deu exatamente a São Tomé e isto nos deve encorajar.

Não há nenhum de nós que em relação a Nossa Senhora não tenha falhas, não tenha algum perdão a pedir. Nós devemos pedir a Nossa Senhora, nesta preparação da festa da Assunção, que Ela proceda assim maternalmente conosco, que Ela olhe para nossas falhas, mas que Ela nos dê um perdão, e que esse perdão seja o seguinte: é possível que analisando as nossas próprias almas com aquela severidade implacável que é a condição de seriedade de todo exame de consciência, é possível que nós consideremos que estamos chegando um pouco atrasados na nossa preparação espiritual para os fatos profetizados por Nossa Senhora em Fátima.

Pois bem, nós devemos fazer a oração de São ToméSe chegarmos atrasados, que Ela nos dê essa graça, que Ela nos dê o favor especial, particularmente rico, particularmente suave, por onde de um momento para outro nós nos preparemos; de maneira tal que quando bater à porta de nossas almas a graça dos dias terríveis que se aproximamestejamos prontos, cheios de enlevo. Esta é a reflexão que me ocorre fazer por ocasião da festa da Assunção de Nossa Senhora.

 

Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira.INFO

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Importante passo rumo ao modelo venezuelano http://www.lepanto.com.br/sociologia-e-politica/importante-passo-rumo-ao-modelo-venezuelano/ http://www.lepanto.com.br/sociologia-e-politica/importante-passo-rumo-ao-modelo-venezuelano/#comments Fri, 15 Aug 2014 15:07:38 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5339

COMUNICADO

Importante passo rumo ao modelo venezuelano

O País atravessa momentos de turbulência político-social, inéditos e perplexitantes. Tensões, boa parte delas induzidas, marcam o dia a dia do noticiário. A atmosfera psicológica do Brasil está saturada e nem sequer o clima, habitualmente distendido que cerca uma Copa do Mundo, ainda mais realizada em território nacional, escapou a tais deletérias influências.

A população tem assistido, estupefata, à realização de greves em serviços essenciais, muitas delas declaradas abusivas pela própria Justiça, que impõem graves inconvenientes e perturbações aos brasileiros ordeiros, que labutam e produzem nos grandes centros urbanos; tais greves têm gerado insegurança, que se traduz em depredações de bens públicos e privados e até em saques.

Grupos de chamados “sem-teto”, altamente treinados e organizados, inclusive com a presença de estrangeiros, invadem terrenos e prédios urbanos, sendo recebidos, após seus atos criminosos, por autoridades – até mesmo pela Presidente da República – tornando assim o poder público e a sociedade refém de seus desígnios ideológicos.

Marchas do MST e de reais ou fictícios indígenas, manipulados por ONGs ou instituições como o Conselho Indigenista Missionário-CIMI ou similares, fazem encenações de enfrentamentos com policiais, registradas em fotografias que percorrem o mundo, transmitindo a falsa idéia de um Brasil que se contorce em estertores sociais e raciais.

Por outro lado, grupos extremistas anti-sistema, estilo “Black Bloc”, promovem atos de protesto – por causas poucos definidas – espalhando a violência urbana, planejada e calculada, de modo a lançar o caos e atacar símbolos do capitalismo, no exercício do que qualificam como “ilegalidade democrática”.

Por fim, diante do alastrar-se de fatores de incompreensão e de indignação, nas camadas profundas da população, em relação ao governo da Presidente Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores, vozes como a do ex-Presidente Lula tentam disseminar um clima de luta e de ódio de classes, tão avesso ao sentir do brasileiro comum.

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É neste contexto tumultuado que surge um gravíssimo ataque às instituições e à ordem constitucional vigente, perpetrado através do Decreto presidencial nº 8.243, cuja efetivação poderia ser qualificada com uma tentativa de golpe de Estado incruento.

Editado pela Presidência da República no dia 23 de maio p.p., e publicado no Diário Oficial três dias depois, estabelece ele a “Política Nacional de Participação Social” e o “Sistema Nacional de Participação Social”.

Sob o disfarce de tratar da organização e funcionamento da administração pública – invocando para tal até dispositivos constitucionais – e alegando que o sistema representativo contém falhas, o governo do Partido dos Trabalhadores, via decreto, tenta implementar um novo regime de organização do Estado, o qual visa “consolidar a participação social como método de governo”.

Manejando habilmente sofismas e falácias sobre a “democracia direta”, valendo-se de definições e disposições vagas, o Decreto submete a Administração Pública, em seus diversos níveis, aos “mecanismos de participação social”.

Os “conflitos sociais”, como, por exemplo, invasões de terras, de imóveis urbanos, de demarcação de terras indígenas, – tantos deles gerados artificialmente – serão mediados por elementos do governo e setores da sociedade civil, controlados por “coletivos, movimentos sociais, suas redes e suas organizações”.

E a Secretaria-Geral da Presidência da República dirigirá uma burocrática e coletivista estrutura de conselhos, conferências, comissões, ouvidorias, mesas de diálogo, etc.

O Decreto 8.243 – que já chegou a ser comparado a um decreto bolivariano ou bolchevique – torna obsoletas as instituições do Estado de Direito, criando organismos informais (ou quase tanto) que condicionarão o Judiciário, o Legislativo ou o próprio Executivo.

Como é de conhecimento público, em grande medida tais “movimentos sociais”, “coletivos” ou grupos da dita sociedade civil são influenciados, orientados e financiados pelo Partido dos Trabalhadores, pela “esquerda católica”, bem como pelo próprio governo.

Fica assim instituído um sistema paralelo de poder, que consagra na prática uma ditadura do Executivo, na pessoa do Secretário-Geral da Presidência da República, atualmente o ex-seminarista Gilberto Carvalho, quem habitualmente faz a ponte entre o governo e a CNBB.

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 A Presidente da República tenta desta forma impor ao País metas político-ideológicas do PT – alimentadas nos Fóruns Sociais Mundiais – e sempre repudiadas pela maioria dos brasileiros.

Desde há muito, certo tipo de esquerda – e sobremaneira a esquerda petista no poder, influenciada em maior ou menor grau pelo progressismo católico – tenta subverter o exercício do regime “democrático”. Fiel a suas velhas convicções socialo-comunistas, eriça-se contra as instituições do que qualifica de “democracia burguesa”, tentando vender a idéia de uma democracia direta e participativa, como mais autêntica e popular.

Já no primeiro mandato do Presidente Lula, enquanto o País estava embalado pela pseudo-moderação do projeto político de mudança do Brasil, expresso na Carta ao Povo brasileiro, o programa “Fome Zero” fazia uma primeira tentativa de instaurar no Brasil “conselhos populares” que, como alertaram certas vozes na época, mais não eram de que uma reedição dos conselhos da revolução cubanos ou dos coletivos chavistas.

Mais à frente veio a tentativa de controlar a imprensa pelo mesmo mecanismo de conselhos, manipulados por “movimentos sociais”.

O PNDH3, baseado numa vaga e abrangente política de Direitos Humanos, constituiu nova tentativa de impor ao País um controle da sociedade e das instituições do Estado, por conselhos.

Por ocasião das manifestações de junho de 2013, a Presidente Dilma Rousseff em discurso televisionado a todo o País, voltou a acenar com o tema da democracia direta e a “voz das ruas”. Veio, logo em seguida, a tentativa de impor ao País uma Constituinte específica para a reforma política.

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De todos os quadrantes da sociedade se têm erguido vozes que apontam o grave perigo criado ao futuro político do Brasil pelo Decreto presidencial nº 8.243. No Congresso Nacional há movimentos pronunciados para inviabilizar ou derrubar o referido Decreto. Outros setores ensaiam movimentos para recorrer ao Supremo Tribunal Federal, reclamando da inconstitucionalidade de tal Decreto.

O governo veio a público defender a medida, sempre baseado em subterfúgios e, segundo informa a imprensa, não está disposto a recuar. Aproveitando-se do período em que as atenções de muitas pessoas estão voltadas para a Copa do Mundo, contando ainda com já tão próxima campanha eleitoral, Dilma Rousseff e seus assessores no Planalto e no PT, parecem decididos a apostar no golpe institucional.

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Quando dos trabalhos da Constituinte de 1988, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicou a obra “Projeto de Constituição angustia o País”. Nele alertava para o fato de que elementos de nossa classe política, divorciados dos verdadeiros anseios do Brasil profundo, iriam arrastando inexoravelmente o Brasil para o esquerdismo radical.

E admoestava ainda que cada vez mais raros seriam os partícipes da farândola reformista da esquerda, “ganhos gradualmente pelo sentimento de inconformidade e apreensão nascido, a justo título, das camadas mais profundas da população”.

O Decreto nº 8243 é, por certo, um grave exemplo dessa obstinação ideológica. A inconformidade, ainda que silenciosa, é também uma realidade que cresce, apesar das máquinas de propaganda tentarem menosprezá-la ou distorcer-lhe o sentido.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira faz um apelo às forças vivas da Nação para que, num concerto geral dos espíritos clarividentes, alertem para o perigoso rumo ao qual nos encaminha o Decreto 8.243, obstruindo-lhe legalmente o caminho.

Caso não seja derrubado, o Decreto nº 8.243 terá operado uma transformação radical nas instituições do Estado de Direito, esvaziando o regime de democracia representativa, deixando o País refém de minorias radicais de esquerda e de ativistas, abrindo as portas para a tão almejada fórmula do atropelo e do arbítrio, típica dos regimes bolivarianos.

Adolpho Lindenberg

Presidente do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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