Lepanto http://www.lepanto.com.br A Frente Universitária & Estudantil Lepanto é um grupo de jovens Católicos que tem como objetivo defender a Doutrina Católica e a Civilização Cristã Mon, 30 Jun 2014 13:22:47 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.9.1 A gloriosa Epopéia de Santa Joana d’Arc http://www.lepanto.com.br/catolicismo/gloriosa-epopeia-de-santa-joana-darc/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/gloriosa-epopeia-de-santa-joana-darc/#comments Mon, 30 Jun 2014 13:22:46 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5318

Quem foi la Pucelle? Como eram as vozes do Céu que ela ouvia? Como realizou o impossível? Consederemos depoimentos que narram sua proeza, seu martírio e a misteriosa efetivação de sua missão sobrenatural.

07_Santa Joana d'Arc, entrada em Orleans, Herois Medievais

Em 6 de janeiro de 2012 comemorou-se o sexto centenário do nascimento de Santa Joana d’Arc na hoje quase esquecida aldeia de Domrémy-la-Pucelle em 1412, na França.

Pastorinha chamada por Deus para realizar um feito sem igual no Novo Testamento, ela restaurou a França, país então sem esperança, arruinado pelo caos político-religioso e ocupado em larga medida pelos ingleses. Reinstalou no trono o rei legitimo e levou à vitória seus desanimados exércitos.

Considerada como profetisa do Novo Testamento, a santa gravou o nome de Jesus na bandeira com que conduzia as tropas ao combate. Dois séculos e meio depois, o Sagrado Coração viria pedir a Luis XIV, rei da França, mediante aparição à vidente Santa Margarida Maria Alacoque, que gravasse sua imagem nas bandeiras reais.

Aprisionada por ocasião de uma escaramuça, Santa Joana d’Arc foi julgada por um tribunal iníquo que a condenou a ser queimada como bruxa na cidade de Rouen, em 1431. Hoje, porém, a história da santa, canonizada em 1920, faz vibrar o mundo.

Muitos eclesiásticos e inúmeros de seus devotos estão certos de que sua missão não terminou. Pelo contrário, que a santa vai continuá-la em nossos dias, comandando do Céu a restauração da Igreja e da sociedade temporal. Ideia que explica a incrível retomada de interesse pela Donzela de Domrémy.

Quem foi Joana d’Arc e como eram as vozes do Céu que ouvia? Como fez o que parecia impossível?

Leiamos suas palavras, que expõem a proeza que realizou, seu martírio e sua missão póstuma, registrados no processo que a condenou. Analisemos também os depoimentos de muitos que a viram em pessoa. Com esses dados reconstituiremos não toda a sua história, mas alguns momentos-chave da odisseia da virgem-guerreira.

Santa Joana d’Arc enfrenta um tribunal ilegítimo

Numa escaramuça junto às muralhas de Compiègne, Santa Joana d’Arc foi aprisionada e vendida aos ingleses que haviam invadido a França. Estes queriam condená-la como bruxa para tentar vencer a fabulosa reação que ela inspirou. Porém, como simples militares, eles não tinham meios para realizar isso. Necessitavam recorrer a maus religiosos do país ocupado. Promoveram então a instalação de um tribunal composto por mais de 50 eclesiásticos e legistas dirigidos pelo bispo de Beauvais, D. Pierre Cauchon.

Este tribunal, que a condenou em 1431, era destituído de qualquer competência jurídica, civil-criminal ou canônica. As palavras da santa e de seus injustos interrogadores foram registradas com minúcia pelos escreventes do tribunal. Anos depois, num processo concluído em 1455 e validamente conduzido, as legítimas autoridades civis e eclesiásticas declararam nulo o processo contra a santa, cuja memória reabilitaram1. Por fim, um processo de beatificação realizado no século XX constatou a heroicidade de suas virtudes, e Bento XV a canonizou em 1920.

O Bispo Cauchon, chefe do tribunal

O advogado Nicolas de Bouppeville, contemporâneo de Santa Joana d’Arc, depôs da seguinte forma sobre o presidente do tribunal: “Eu jamais acreditei que o bispo de Beauvais estivesse engajado no processo pelo bem da Fé ou por zelo da Justiça. Ele obedecia simplesmente ao ódio que lhe inspira o devotamento de Joana ao rei da França; longe de capitular diante do medo aos ingleses, ele não fez senão executar sua própria vontade. Eu o vi relatar ao regente [o duque de Bedford] e a Warwick suas negociações para comprar Joana; ele não continha seu contentamento e falava com animação”.

O escrevente Guillaume Manchon registrou: “Numa sessão, Frei Isambard dirigiu-se a Joana, tentando orientá-la e informá-la sobre o alcance da submissão à Igreja. ‘Calai-vos, em nome do diabo’, interrompeu o bispo aos berros”.

Um dos agentes do bispo foi o cônego da catedral de Rouen, Nicolas Loyseleur, que fingia simpatizar com Carlos VII e com a Donzela, a quem dava continuamente péssimos conselhos. D. Cauchon autorizou a santa a confessar-se somente com ele. Foi um dos signatários da condenação e até propôs que a santa fosse torturada. Sobre ele, testemunhou o escrivão Guillaume Boisguillaume: “Eu acredito que o bispo de Beauvais estava bem a par da situação; sem ele Loyseleur não teria ousado agir como o fez. Muitos assessores do processo murmuravam isso”.

Jean d’Estivets, promotor no processo, também entrou disfarçado na prisão de Joana, declarou Boisguillaume. “Esse d’Estivet teve a função de promotor e, no caso, mostrou-se muito apaixonadamente favorável aos ingleses, que ele queria agradar. Ele dirigia injúrias ferozes contra Joana. Acredito que Deus o puniu na hora da morte, pois foi encontrado num brejo às portas de Rouen. Aliás, ouvi dizer, como fato de domínio público, que todos os que condenaram Joana pereceram miseravelmente. Foi o caso do clérigo Nicolas Midi (da Universidade Paris, que pronunciou o sermão na hora de Joana ser queimada), atingido pela lepra poucos dias depois, e do bispo Cauchon, que morreu subitamente enquanto fazia a barba”.

Em 24 de fevereiro, enquanto era interrogada, a Donzela pediu licença para falar e disse ao bispo:

– “Eu vos digo: prestai atenção no que vós tentais, porque vós sois meu juiz e assumis uma pesada carga tentando me inculpar”.

Cauchon: “Chega, eu exijo, jura!”.

Santa Joana: “Eu direi com todo gosto o que sei, mas não tudo agora. Eu venho da parte de Deus e não tenho nada a fazer neste tribunal. Eu vos rogo que me mandeis de volta a Deus, de quem eu venho”. E acrescentou:

– “O que eu sei bem, é que hoje, quando acordei, a voz me disse para responder com intrepidez. [E voltando-se para D. Cauchon :] Vós, ó bispo, dizeis que sois meu juiz; prestai atenção naquilo que estais a fazer, pois em verdade eu fui enviada da parte de Deus e vós vos colocais num grande perigo”.

Procura de pretextos

O tribunal devia declará-la ré de contatos com o demônio para desmoralizar sua imensa fama. D. Cauchon procurava um pretexto para declará-la herética, tendo-lhe exigido várias vezes: “Fala teu Pai Nosso”. A santa respondia sempre: “Ouvi-me em confissão, eu vo-lo direi com muito gosto”.

Incomodado pelo pedido, respondeu encolerizado o mau eclesiástico: “Joana, você está proibida de sair da prisão sem nossa aprovação, sob pena de ser assimilada a um culpado convicto de heresia”.

– “Eu não aceito essa proibição. Se eu fugir, ninguém terá direito de dizer que violei a palavra dada porque não a engajei a pessoa alguma”.

– “Em meu país [Domrémy, Lorena] me chamam de Joaninha. Na França, desde que cheguei me chamam de Joana. Minha mãe me ensinou o Pai Nosso, a Ave Maria e o Credo. Eu não aprendi minha fé de mais ninguém senão de minha mãe”.

As vozes sobrenaturais que ela ouvia todos os dias desde o início de sua missão foram um dos pretextos para tentar fazê-la cair em erro ou contradição.

– “Quando é que você começou a ouvir as vozes?”

– “Eu tinha 13 anos quando ouvi uma voz de Deus para ajudar-me a conduzir-me bem. Da primeira vez eu tive muito medo. Esta voz vinha ao meio-dia, durante o verão, no jardim de meu pai”.

– “Eu ouvi essa voz proveniente do lado direito, do lado da igreja, e raramente ela chegava até mim sem ser acompanhada de uma grande luminosidade. Tal luminosidade vinha do lado da voz. E desde que cheguei à França, ouço a voz com frequência. Se eu estivesse numa floresta, também ouviria essas vozes”.

– “Como era a voz?”.

– “Era uma voz bem nobre e acredito que era enviada da parte de Deus. Na terceira vez que eu a ouvi, percebi que era a voz de um anjo. Ele sempre me protegeu. Eu era uma pobre menina que não sabia cavalgar nem fazer a guerra”.

– “E você ouve frequentemente a voz?”.

– “Não há dia que não a ouça, e também sinto muito necessidade dela”.

A Árvore das Fadas em Domrémy

Não longe de Domrémy havia uma velha e frondosa árvore chamada Árvore das Fadas, onde as crianças se reuniam para brincar. A camponesa Hauviette, casada com um homem do povo de nome Gérard, assim descreveu essa árvore:

– “Havia desde tempos antigos na nossa região uma árvore apelidada Árvore das Damas. Os anciãos diziam que ela estava assombrada por damas chamadas fadas. Entretanto, jamais ouvi falar de alguém que tivesse visto as fadas. As crianças da aldeia, mocinhas e rapazes, iam até a Árvore das Damas levando pães e nozes, e também à fonte das Groselheiras, no domingo deLaetare Jerusalem, que nós denominamos domingo das Fontes. Lembro-me ter ido com Joaninha, que era minha colega, e outras meninas. Nós comíamos, corríamos e brincávamos”.

D. Cauchon voltava ao assunto com insistência obsessiva, e a malícia do tribunal aumentava.

Interrogador: “Então, a voz vos proíbe dizer tudo?”.

Santa Joana: “Eu tive revelações relativas ao rei que não vos contarei”.

Interrogador: “Mas essa voz a que você pede conselho tem rosto e olhos?”.

Santa Joana: “Vós não extorquireis de mim o que quereis. Há um ditado das crianças segundo o qual as pessoas acabam enforcadas por terem dito a verdade”.

As vozes ouvidas pela Donzela

Em 27 de fevereiro houve o quarto interrogatório público. O tribunal ocupou-se das aparições de Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, pelas quais a Donzela tinha grande devoção.

Interrogador: “Como é que você sabe que estas são duas santas? Você distingue bem uma da outra?”.

Santa Joana: “Eu distingo bem uma da outra pela saudação que elas fazem. Elas enunciam seu nome”. E acrescentou:

– “Eu também recebo conforto de São Miguel”.

Interrogador: “Qual foi a voz que você ouviu primeiro?”.

– “Foi a de São Miguel. Vi-o com meus olhos e ele não estava sozinho, mas muito bem acompanhado pelos anjos do Céu”.

Interrogador: “Você viu São Miguel e os anjos como corpos reais?”.

– “Eu os vi com os olhos de meu corpo tão bem quanto eu vos vejo. Quando eles partiram, chorei e desejei muito que eles me levassem consigo”.

Interrogador: “Eles estavam nus?”.

– “O Sr. julga que Deus não tem com que vesti-los?”.

Interrogador: “Que efeito produzia sua presença?”.

– “Vendo-os eu sentia uma grande alegria, e ao vê-los parecia que eu não estava em pecado mortal”.

Interrogador: “Você se julga isenta de pecado mortal?”.

– “Se eu estou em estado de pecado mortal é sem sabê-lo”.

Interrogador: “Mas quando você se confessa, você não acredita estar em pecado mortal?”.

– “Eu não sei se alguma vez estive em estado de pecado mortal. Acredito não ter praticado más obras. Deus queira que jamais eu tenha caído em semelhante estado! Deus não permita que eu faça uma ação que pese sobre a minha alma!”.

Interrogador: “Você sabe se você está em estado de graça?”.

– “Se eu não estou, que Deus me restaure; e se estou, que Deus me mantenha nele! Eu seria a pessoa mais infeliz do mundo se soubesse que não estou na graça de Deus. Mas se eu estivesse em estado de pecado, acredito que a voz não se dirigiria a mim. Eu desejaria que cada um a ouvisse tão bem quanto eu a ouço”.

No dia 1º de março, os interrogadores voltaram ao assunto.

Interrogador: “Desde a última terça-feira você conversou com Santa Catarina e Santa Margarida?”.

– “Ontem e hoje. Não há dia que não as ouça. Eu as vejo sempre da mesma forma e suas cabeças estão muito ricamente coroadas. A voz delas é boa e bela, eu escuto-as muito bem. É uma bela, doce e humilde voz, e exprime-se em francês”.

Interrogador: “Mas, então, Santa Margarida não fala em inglês?”.

– “Mas como ia ela falar inglês, se não é do partido dos ingleses?”. O interrogador mudou de assunto.

Interrogador: “Você tem anéis?”.

– (Dirigindo-se a D. Cauchon): “Vós, senhor bispo, tendes um que é meu; devolvei-mo”.

Interrogador: “Mas você não tem outro?”.

– “Os borguinhões têm outro que é meu. Mas vós, senhor bispo, mostrai meu anel, se vós o tendes”. O bispo silenciou.

As vozes e o rei da França

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D. Cauchon prometera aos ingleses que faria Joana cair em suas rédeas. Estes, por sua vez, precisavam comprovar que as vozes – que guiaram todo o percurso épico e empolgante da Santa – provinham do demônio. Essas vozes sobrenaturais levaram a Donzela de início até o pretendente legítimo ao trono da França, o qual se encontrava no castelo de Chinon. Quando ela entrou para falar com ele, um cavaleiro riu de sua virgindade. O confessor de Joana, Pe. Jean Pasquerel, viu o fato: “‘Ah! – disse-lhe Joana – em nome de Deus, renega isso, tu que estás tão próximo da morte!’. Menos de uma hora depois, esse homem caiu na água e se afogou”.

É bem conhecido o episódio ocorrido depois: a fim de testar a autenticidade da missão da Pucelle, o rei colocou um cortesão no lugar em que se encontrava e fingiu ser apenas um dos presentes. A santa não hesitou. Dirigiu-se diretamente a ele, dizendo: “Gentil Delfim, meu nome é Joana, a Donzela. O Rei dos Céus vos manda dizer por meu intermédio que sereis sagrado e coroado em Reims, e tornar-vos-eis o lugar-tenente do Rei dos Céus que é o Rei da França”.

O rei dirigiu-lhe muitas perguntas. No fim, Joana insistiu: “Eu vos digo da parte de meu Senhor que vós sois o verdadeiro herdeiro da França e filho de rei, e Ele me envia a vós para vos conduzir até Reims a fim de que recebais vossa coroação e sagração, se vós tendes vontade disso”.

A situação de Carlos VII era miserável até do ponto de vista moral. Ele duvidava inclusive mesmo ser filho de seu pai, devido à vida desregrada da mãe. E pedira a Deus luzes sobre a dúvida. Após o encontro, o rei confidenciou que Joana lhe falou sobre coisas secretas que ninguém sabia nem podia saber, com exceção de Deus. O monarca acreditou então na providencialidade da Donzela.

Seu estandarte inspirava coragem e pavor

“Em Blois ela mandou confeccionar um estandarte onde nosso Salvador, como Juiz supremo, estava sentado num trono sobre as nuvens do céu. Havia um anjo em cujas mãos havia uma flor de lis [símbolo da monarquia francesa] que o Salvador abençoava.

“Todos os dias, de manhã e de tarde, Joana reunia os sacerdotes em volta desse estandarte e os mandava cantar antífonas e hinos em honra da bem-aventurada Virgem Maria. Na ocasião, jamais permitia a presença de homens de armas se antes não tivessem se confessado; ela convocava todos eles a se confessarem e virem à reunião, pois os padres estavam dispostos de bom grado a receber todos os penitentes”.

Há diversas descrições da bandeira. A Santa a descreveu assim: “Eu empunhava uma bandeira com o campo semeado de flores de lis. Havia a figura do mundo com dois anjos a seus lados. Era de pano branco, do tipo chamado de boucassin. Nela estava escrito Jesus Maria e a bandeira tinha uma franja de seda”.

“Eu mesma levava essa bandeira quando atacava os inimigos, a fim de evitar matar alguém. Jamais matei um homem”, explicou ela ao tribunal.

As vozes no campo de batalha

O príncipe Jean de Valois (1409-1476), duque de Alençon, chefe dos exércitos reais, foi uma dos mais importantes testemunhas da condução de Santa Joana d’Arc na guerra. Ele a acompanhou lado a lado nos principais episódios de sua epopeia.

Quando a santa entrou na Guerra dos Cem Anos, o pretendente inglês e seu aliado, o Duque de Borgonha, dominavam grande parte da França. Carlos VII, o legítimo pretendente à coroa francesa, era apelidado de “reizinho de Bourges”, de tal maneira seu território estava reduzido. Seu exército estava dizimado, desmoralizado, mal vestido e mal alimentado. A batalha decisiva travava-se em volta de Orleans, sobre o rio Loire. A cidade era fiel a Carlos VII, mas os ingleses construíram bastiões e linhas que impediam levar alimentos e munições aos defensores. Orleans ia cair pela fome.

“Tendo visto depois as fortificações construídas pelos ingleses, posso dizer que os bastiões do inimigo foram tomados mais por milagre do que pela força das armas. Isso é verdadeiro, sobretudo quanto ao forte de Les Tourelles, na extremidade da ponte, e ao forte dos Agostinianos”, declarou o príncipe Jean. Jean de Orléans (1402–1468), conde de Dunois e Mortain, mais conhecido como ‘Dunois’ ou o ‘bastardo de Orleans’, comandante da cidade sitiada, declarou: “Eu acredito que Joana foi enviada por Deus. Seus feitos e gestos na guerra me parecem proceder não da indústria humana, mas de conselho divino”.

Era urgente levar mantimentos à cidade sitiada. O único caminho possível era pelo rio Loire, mas o vento não era favorável. O comando francês decidiu adiar a expedição. Conta Dunois ter dito a Joana: “Eu e outros mais sábios que eu convocamos um conselho, acreditando que isso [o adiamento] era o melhor e mais seguro”. “Em nome de Deus, replicou Joana, o conselho de Nosso Senhor é mais seguro e sábio que o vosso. Vós acreditáveis me enganar, e vós vos enganastes a vós mesmos; pois eu trago um auxílio melhor do que jamais cidade ou cavalheiro algum recebeu no mundo, posto que é o auxílio do Rei dos Céus. Ele vos chega por causa de meu amor por vós, mas procede do próprio Deus que, a pedido de São Luís e de São Carlos Magno, teve pena da cidade de Orleans e não quer que os inimigos se apoderem do corpo do duque e de sua cidade”.

“Imediatamente e como que no mesmo instante, o vento contrário – que tornava muito difícil aos navios de víveres subir o rio na direção de Orleans – virou e ficou favorável”.

Santa Joana fez uma gloriosa entrada em Orleans com o exército francês no dia 29 de abril de 1429.

Dunois ficou pasmo vendo depois a Donzela esmigalhar o cerco inglês com soldados desmoralizados: “Eu afirmo que até esse momento 200 ingleses punham em fuga 800 ou 1000 dos nossos. Mas nos bastaram 400 ou 500 homens de guerra para lutar contra todo o poder dos ingleses; e impusemos tanto respeito aos sitiantes, que eles não ousavam sair dos bastiões que lhes serviam de refúgio”.

Em 4 de maio de 1429, a santa impulsionou a conquista do bastião de Saint-Loup, vitória que reanimou os abatidos franceses.

Na festa da Ascensão, narra Dunois: “[A Donzela] dirigiu aos ingleses uma carta impositiva, [...] dizendo-lhes que levantassem o cerco e voltassem para a Inglaterra, porque do contrário ela lançaria um grande assalto e os forçaria a irem embora: ‘Vós, homens da Inglaterra, que não tendes nenhum direito sobre o reino da França, o Rei dos Céus vos manda e ordena por meu intermédio, Joana, a Donzela, que deixeis vossas bastilhas e volteis a vosso país. Se não eu farei de vós uma coisa tão espantosa que ficará para perpétua memória. Eis o que vos escrevo pela terceira e última vez, eu não vos escreverei mais.

“JESUS MARIA, Joana a Donzela’.

“Após escrever, Joana pegou uma flecha, amarrou nela a carta com um fio e ordenou a um arqueiro lançá-la aos ingleses, gritando: ‘Lede, são notícias’”. Os ingleses a receberam, leram-na e vociferaram as piores injúrias contra a virgem.

Após a conquista do grande bastião dos agostinianos, restava assaltar o bastião de Les Tourelles, sede do comando inglês. Dunois declarou: “Contarei outro fato, no qual vejo igualmente o dedo de Deus. Em 27 de maio iniciamos bem cedo o ataque. Joana foi ferida por uma flecha, que atravessou sua carne entre o pescoço e as costas, saindo mais de 15 centímetros. Joana não se retirou da batalha nem aceitou tratamento da ferida. O assalto durou desde a manhã até as oito horas da noite. Nessas condições não havia nenhuma esperança de vencer naquele dia. Eu opinava pela retirada do exército e pelo retorno a Orleans. A Donzela pediu-me aguardar ainda um pouco. Ao mesmo tempo, ela montou a cavalo e se retirou até um vinhedo, permanecendo sozinha em oração durante meio quarto de hora. Depois voltou, pegou nas mãos seu estandarte e posicionou-se sobre as bordas do fosso, espicaçando o inimigo. Vendo-a os ingleses tremiam, tomados de pavor. Os soldados do rei recuperaram a coragem e correram para a escalada da muralha. O bastião foi tomado sem resistência; os ingleses que ali estavam fugiram, mas pereceram todos”.

“[Sir William] Glasdale e os principais capitães acreditaram poder se retirar na torre da ponte de Orleans. Porém, eles caíram no rio e se afogaram. Esse Glasdale era o homem que se referia à donzela do modo mais injurioso, vilão e ignominioso”. Os ingleses abandonaram o sítio.

Ordens do Céu em Jargeau e Patay

Os ingleses reagruparam-se sob as ordens do duque de Suffolk em Jargeau, a 15 quilômetros de Orleans, aguardando reforços. Seu número era muito grande, mas a santa convenceu os franceses a partirem para a ofensiva. “Joana nos disse: ‘Não temais, qualquer que seja a multidão deles: não hesiteis em atacar os ingleses, Deus conduz nosso exército”, narrou o duque de Alençon.

Na hora do ataque, a santa disse ao príncipe: “Adiante, gentil duque, ao ataque!”. “Eu achava que procedendo apressadamente na acometida nós nos precipitávamos, mas Joana me disse: ‘Não duvideis. A boa hora é quando Deus quer. É preciso lutar quando Deus quer. Lutai, e Deus lutará por vós’.

“Joana – prossegue o duque de Alençon – partiu ao assalto, e eu com ela. Joana subiu numa escada levando na mão o estandarte. Joana e o estandarte foram atingidos por uma pedra que caiu sobre seu elmo. O impacto a jogou por terra. Ela se levantou e disse aos homens de armas: ‘Amigos, amigos, subi! Subi! Nosso Senhor condenou os ingleses. Nesta hora eles são nossos, tende muita coragem!’ Jargeau foi tomada na hora”.

Conduzidos pela santa, os franceses conquistaram ainda outras cidades. Reforçado por Sir John Fastolf, o exército inglês, vindo de Paris, se concentrou na planície de Patay. Era o melhor exército da época, excelente em batalhas abertas, dominava a técnica dos arcos, a arma mais temida. Os capitães franceses La Hire e Xantrailles estavam certos de que não os superariam.

“Mas, testemunhou o duque de Alençon, Joana disse: ‘Em nome de Deus, é preciso combatê-los. Ainda que eles estejam em posição tão alta quanto as nuvens nós os derrotaremos, porque Deus nos envia para que os castiguemos.’ Ela afirmava sua certeza da vitória. ‘O gentil rei, dizia, hoje terá a maior vitória que há muito tempo ele não teve’. De fato, o inimigo foi feito em pedaços sem grande dificuldade. Talbot [comandante inglês], entre outros, foi feito prisioneiro. Houve grande mortandade entre os ingleses”.

Vontade de Deus: sagrar o rei em Reims

Santa Joane d'Arc, Paris, Herois medievais

Santa Joane d’Arc, Paris

 O rei Carlos VII encontrava-se em Loches quando lhe chegou a notícia da libertação de Orleans. Em sua companhia encontravam-se vários nobres e bispos. Joana bateu na porta. Dunois narra o fato:

“Quase imediatamente ela entrou e se pôs de joelhos e, enquanto abraçava as pernas do rei, disse: ‘Gentil Delfim, não percais mais tempo em tão intermináveis conselhos, mas vinde a Reims o mais cedo possível para receber a coroa digna de vós’”.

A Corte ficou perplexa e pediu explicações. Joana, segundo Dunois, disse então: “Concluída minha oração a Deus, ouço uma voz que me diz: ‘Filha de Deus, vai, vai, vai, eu te ajudarei, vai.’ E quando ouço esta voz, sinto uma grande alegria’. E, coisa impressionante, enquanto repetia a linguagem de suas vozes, ela estava num êxtase maravilhoso, fitando o céu.

“Gentil Delfim, ordenai aos vossos sitiar a cidade de Troyes, e não percais mais o tempo em longos conselhos. Pois, em nome de Deus, antes de três dias eu vos farei entrar nessa praça, ou de bom grado e por amor, ou pela força e pela coragem, e grande será o espanto da Borgonha, a falsa”.

Troyes era a grande cidade no percurso até Reims e pertencia ao duque da Borgonha. Vendo chegar o cortejo real, a cidade se aprestou a resistir. Os generais franceses temiam atacar suas muralhas. Dunois relata que “Joana ergueu sua tenda perto do fosso defensivo e executou diligências tão maravilhosas como não as teriam realizado dois ou três homens de guerra dos mais experientes e famosos. Ela trabalhou de tal modo durante a noite que na manhã seguinte o bispo e os burgueses de Troyes prestaram, cheios de pavor e tremor, vassalagem ao rei. Soube-se depois que, a partir do momento em que Joana disse ao rei para não se retirar diante da cidade, os habitantes perderam toda coragem e não pensaram em outra coisa senão em procurar asilo nas igrejas”.

“Quando alguém lhe dizia: ‘Mas jamais se viu alguém fazer coisas como vós o fazeis; em livro algum se leem coisas semelhantes’; ela respondia: ‘Meu Senhor tem um livro que jamais clérigo algum leu, nem mesmo os que no clero foram perfeitos’”.

O pretendente chegou a Reims, onde com o nome de Carlos VII foi sagrado rei. A notícia suscitou entusiasmo na França. Era como se Deus em pessoa tivesse decidido a guerra em favor de Carlos VII.

A virgem guerreira no dia-a-dia

O lavrador Colin, morador da cidade natal de Santa Joana, atestou: “Lembro-me de ter ouvido do nosso antigo pároco daqueles tempos, Pe. Guillaume Fronte, que Joana era boa católica e que jamais ele vira alguém melhor do que ela na paróquia”.

“Joana era pura – conta o duque de Alençon – e odiava muito essas mulheres que acompanham os exércitos. Certo dia, em Saint-Denis, voltando da sagração do rei, eu a vi de espada na mão perseguindo uma jovem prostituta, e até quebrou a espada nessa perseguição.

“Ela fazia questão de vigiar para que as mulheres dissolutas não fizessem parte de seu séquito, pois dizia que Deus permitiria que fôssemos derrotados por causa de seus pecados.

“Ela também se irritava enormemente quando ouvia os soldados blasfemar e os repreendia com veemência. Ela me repreendia especialmente quando eu blasfemava. Quando eu a via, eu parava de blasfemar”, acrescentou o duque.

“Ao anoitecer, Joana – narra Dunois – costumava retirar-se a uma igreja. Mandava tocar os sinos aproximadamente durante meia hora e reunia os religiosos mendicantes que acompanhavam o exército do rei. Então, dedicava-se à oração e fazia cantar pelos frades uma antífona em louvor da Bem-aventurada Virgem, Mãe de Deus”.

“Joana era muito devota de Deus e da bem-aventurada Virgem Maria. Ela se confessava quase todos os dias. [...] Sua grande alegria consistia em comungar com os filhos dos mendigos. Quando se confessava, chorava”, confirmaram diversas testemunhas.

A sentença iníqua

Os incríveis sucessos de armas e a sagração do rei em Reims constituíam crimes para os ingleses. Mas esses fatos eram a negação dos erros doutrinários dos legistas reunidos em tribunal sob a égide do bispo Cauchon. Eles execravam toda ideia de que o poder vem de Deus para os príncipes e defendiam a tese de que ele vem por meio do povo. Santa Joana d’Arc devia ser queimada, concluíam.

Previamente lucubrada, a sentença foi pronunciada em 12 de abril de 1431. Entre outras coisas, dizia: “Essas aparições e revelações de que ela se ufana e afirma receber de Deus por meio dos anjos e das santas não aconteceram como ela disse, mas constituem decididamente ficções de invenção humana, procedentes do espírito maligno; [...] mentiras fabricadas, inverosimilhanças levianamente admitidas por essa mulher; adivinhações supersticiosas; atos escandalosos e irreligiosos; dizeres temerários, presunçosos e cheios de jactância; blasfêmias contra Deus e os santos; impiedade em relação aos pais, idolatria ou pelo menos ficção errônea; proposições cismáticas contra a autoridade e o poder da Igreja, veementemente suspeitas de heresia e malsoantes [...] ela merece ser considerada suspeita de errar na fé [...] de blasfemar [...]”, etc.

Os juízes um por um aprovaram o acórdão, aduzindo agravantes.

Frei Isambard de la Pierre, O.P., que acompanhou todo o processo, depôs por escrito: “Os juízes, tanto na condução do processo quanto na elaboração da sentença, procederam mais por malícia e desejo de vingança do que por zelo da justiça”.

No processo foi exigido da virgem guerreira um ato de submissão, ao que ela acedeu. O escrevente Guillaume Manchon perguntou ao bispo Cauchon se devia anotar esse ato. O presidente do tribunal disse que não. “Na hora, Joana disse ao bispo: ‘Ah! Vós escreveis bem o que se faz contra mim e vós não quereis escrever o que é por mim’. Acredito que a declaração de Joana não foi registrada e na assembleia se levantou um grande murmúrio”, contou Frei Isambard.

Em parecer favorável à condenação elaborado pela Universidade de Paris, reduto de legistas revolucionários, o tribunal acrescentou uma nova agravante em 23 de maio: “Por zelo pela salvação de vossa alma e de vosso corpo, eles [os juízes] transmitiram o exame da matéria à Universidade de Paris que é a luz das ciências e a extirpadora das heresias. Após receber as deliberações dessa agremiação, os juízes deliberaram que deveis ser novamente advertida sobre os vossos erros, escândalos e defeitos [...] Não escolhais voluntariamente a via da perdição eterna como os inimigos de Deus que cada dia se esforçam em perturbar os homens, adotando a máscara de Cristo, dos anjos e dos santos, [...] recusai pelo contrário semelhantes imaginações e aceitai a opinião dos doutores da Universidade de Paris e dos outros que conhecem a lei de Deus e as Santas Escrituras”.

Abjuração obtida mediante fraude

Santa Joana d'Arc,interrogada pelo cardeal de Winchester, Herois Medievais

Santa Joana d’Arc,interrogada pelo cardeal de Winchester

  No dia seguinte, Santa Joana d’Arc foi conduzida ao cemitério de Saint-Ouen, onde o pregador Guillaume Erard, doutor em teologia, a increpou furiosamente. Depois deblaterou contra Carlos VII: “Carlos, que se diz rei, como herético e cismático que é, ligou-se a uma malfeitora mulher, infame e cheia de toda desonra, e não somente ele, mas todo o clero que lhe obedece”.

Com o dedo em riste contra a santa guerreira, acrescentou: “É a ti, Joana, que eu falo, e eu te digo que teu rei é herético e cismático”. Ela respondeu: “Pela minha fé, meu senhor, com toda reverência, eu ouso vos dizer e jurar sob pena de minha vida que não há um cristão mais nobre entre todos os cristãos e que melhor ame a Fé e a Igreja, e em nada é o que vós dizeis”. O pregador voltou-se para Jean Massieu, oficial de justiça, e mandou: “Faça-a calar a boca”.

Por fim, o teólogo apresentou-lhe uma folha com uma fórmula de abjuração. Joana, que não sabia ler, pediu ao mesmo oficial de justiça, Jean Massieu, para que a lesse. Ele leu e depois garantiu que o texto dizia que a santa não portaria mais armas, nem roupas e cabelos como os homens e outros pontos menores. O texto tinha no máximo oito linhas. A santa assinou, a execução foi suspensa e ela foi trancada num cárcere.

Porém, os juízes incluíram no processo uma abjuração extensa, na qual Santa Joana se confessava culpada dos crimes hediondos a ela imputados. O mesmo oficial de Justiça depôs: “[O texto] não era o mesmo mencionado no processo; a fórmula que li e que Joana assinou era diferente da que foi incluída no processo”.

No mesmo dia, uma delegação de juízes foi visitá-la na prisão, insistindo em que não devia usar mais roupas de homem. O golpe já estava urdido.

Violências no cárcere

No domingo da Trindade, segundo depôs o oficial de Justiça Jean Massieu, quando a virgem acordou, “um dos guardas ingleses pegou seus vestidos femininos e jogou uma roupa de homem sobre seu leito, dizendo: ‘Levanta-te’. Joana se cobriu com o traje de homem e disse: ‘os Srs. sabem que isso me foi proibido. Eu não quero esta roupa’. Mas eles se recusaram a lhe devolver as outras roupas, e o debate durou até meio dia. Por fim, precisando atender às suas necessidades, ela ficou constrangida de sair fora usando o traje de homem. Quando voltou, eles não quiseram dar-lhe outro, apesar de suas súplicas e solicitações. Esta retomada das roupas de homem foi a causa de sua condenação como relapsa, uma condenação injusta pelo que eu vi e pelo que eu conhecia de Joana”.

Frei Isambard de la Pierre O.P. testemunhou que ele e outros ouviram da santa que “os ingleses a maltratavam e praticavam contra ela violências quando usava roupas femininas. Eu a vi acabrunhada, cheia de lágrimas, desfigurada e mudada, a ponto de ficar com pena dela”. Massieu acrescentou: “Ela me disse que o bispo de Beauvais lhe havia enviado uma carpa, que ela comeu e que ela temia ser essa a causa de seu mal-estar”.

O Pe. Martin Ladvenu O.P. ouviu dela “que após a sua abjuração ela foi torturada na prisão, molestada e surrada, e que um lorde inglês tentou violá-la. Ela dizia publicamente que essa era a causa pela qual retomou o traje de homem”. O mesmo frade estava na cela quando “entraram o bispo de Beauvais [D. Cauchon] e alguns cônegos de Rouen. Quando ela viu o bispo, disse-lhe: ‘Vós sois a causa de minha morte. Vós prometestes me pôr nas mãos da Igreja e vós me entregastes nas mãos de meus piores inimigos’.

“Na presença de todos, esses eclesiásticos a declararam herética, obstinada e relapsa. Ela disse: ‘Se vós, monsenhores da Igreja, me tivésseis conduzido e guardado em vossas prisões, não teria acontecido isto’”. Na época, existiam cárceres eclesiásticos onde os detentos eram tratados com respeito.

Após a visita, o bispo de Beauvais se dirigiu aos ingleses, que aguardavam do lado de fora: “’Farewell (adeus); jantem bem, está feito’. Eu mesmo vi e ouvi – continua o Pe. Ladvenu – quando o bispo se regozijava com os ingleses e dizia ao conde de Warwick e a outros diante de todo mundo: ‘Ela foi pega’”. Tudo acontecera como D. Cauchon desejara.

A Donzela na fogueira

A prisão de Joana D*$*Arc – Adolphe Alexandre Dillens (1847-1852)

 

Na segunda-feira, 28 de maio, a santa foi imediatamente conduzida ao tribunal, que formalizou sua condenação final. Dois dias depois, por volta das 9 da manhã, ela foi levada ao local da execução: a Praça do Velho Mercado.

Num estrado estavam os chefes do tribunal – D. Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, o juiz Fr. Jean Lemaître O.P., Enrique de Beaufort, cardeal da Inglaterra e os bispos de Thérouanne e de Noyon. O escrevente Guillaume Manchon registrou que “Joana foi conduzida ao suplício por uma grande escolta de soldados, por volta de 80, armados de espadas e varas. Na praça havia uma formação de 700 a 800 soldados. Eles rodeavam tão estreitamente a Joana que ninguém tinha coragem de lhe falar, com exceção de frei Ladvenu [o confessor] e [o escrevente] mestre Jean Massieu. Eu vi como a subiam à pira”.

Ato contínuo foi lido o acórdão final: “Essa mulher, obstinada em seus erros, jamais desistiu sinceramente de suas temeridades e crimes infames. E, indo ainda muito mais longe, mostrou-se evidentemente mais condenável pela malícia diabólica de sua obstinação, fingindo uma contrição falaciosa e uma penitência e emenda hipócritas com perjúrio do santo nome de Deus e blasfêmia de sua inefável majestade. Posto que ela se mostrou obstinada, incorrigível, herética e relapsa – indigna de todo o perdão e da comunhão que nós lhe tínhamos oferecido misericordiosamente na nossa primeira sentença, tudo isso considerado, por resolução e conselho dos numerosos consultores, nós chegamos a nossa sentença definitiva, nestes termos: [...]

“Nós, juízes competentes neste caso, declaramos que tu, Joana, vulgarmente chamada de a Donzela, caíste em diversos erros e crimes de cisma, idolatria, invocação de demônios e muitos outros delitos. [...] nós te declaramos reincidente nas sentenças de excomunhão em que tu primitivamente incorreste, relapsa e herética, e com este acórdão nós te denunciamos e te declaramos membro apodrecido que deve ser amputado e jogado fora do corpo da Igreja para que não infecciones outros membros. Com a Igreja, nós te repelimos, cortamos e abandonamos ao poder secular, rogando a este poder que modere sua sentença sobre ti na hora da morte e da mutilação dos membros…” etc.

A terrível e emocionante execução

Após ouvir pacientemente a condenação, a virgem elevou orações e lamentações tão piedosas que até juízes, bispos e muitos presentes custavam a conter as lágrimas. Ela encomendou sua alma a Deus, a Nossa Senhora e a todos os santos, pediu perdão pelos juízes e pelos ingleses, pelo rei da França e por todos os príncipes do reino.

Frei Jean Toutmouillé atestou que, voltando-se em direção de D. Cauchon, a santa lhe disse: “Bispo, eu morro por vossa causa”. Ao que, insensível, o prelado revidou: “Joana, tenha paciência, você morre porque não cumpriu o compromisso e você reincidiu em seu primeiro malefício”.

– “Eu apelo contra ti na presença de Deus”, foram as últimas palavras desse diálogo.

A pedido da santa, frei Isambard de la Pierre, O.P. segurava uma cruz, pois ela queria ver o símbolo de Jesus até o último instante de sua vida. “No meio das chamas, contou o frade, ela não parava de invocar em altas vozes o nome de Jesus, implorando a misericórdia e o auxílio dos santos do Paraíso. Ela afirmava que não era nem herética, nem cismática como dizia o acórdão. Com o fogo ardendo, ela inclinou a cabeça e, antes de render o espírito, pronunciou ainda com força o nome de Jesus. O público chorava”.

Journal de Paris escreveu na época que quando as roupas daquela santa e puríssima virgem se queimaram inteiramente, o carrasco diminuiu o fogo para que o povo a pudesse ver na sua nudez. E após já morta olharem-na à vontade, o carrasco voltou a atiçar o fogo até reduzir seu corpo a cinzas.

Um soldado inglês que a odiava mortalmente jurou jogar um facho de lenha na sua pira, quando ouviu a voz de Joana clamando por Jesus. Ficou então paralisado, como atingido por um raio, e seus colegas o levaram a uma taverna para acordá-lo. À tarde, arrependido ele acorreu aos padres dominicanos, dizendo-lhes que havia pecado gravemente, e acrescentando que, na hora da morte da Donzela, ele julgou ter visto uma pomba branca saindo dela e partindo em direção da França.

“No mesmo dia – acrescentou Frei Isambard – o carrasco veio até o convento para procurar a frei Martin Ladvenu e a mim. Ele estava tocado e muito emocionado, com espantoso arrependimento e angustiada contrição. Tomado pelo desespero, ele temia nunca obter o perdão e a indulgência de Deus pelo fato de ter feito isso a uma santa mulher. ‘Eu temo muito estar condenado – dizia para nós – porque eu queimei uma santa’.

“Esse mesmo carrasco dizia e afirmava que não obstante o óleo, o enxofre e o carvão que ele aplicou sobre as entranhas e o coração de Joana, não conseguiu que fossem consumidos e reduzidos a cinzas. Ele estava muito perplexo, como se fosse um evidente milagre”, depôs ainda frei Isambard.

O retorno de Santa Joana d’Arc

Segundo uma piedosa tradição, esse coração ainda palpitava entre as brasas quando foi jogado no rio Sena para fazê-lo desaparecer. Mas, do fundo das águas, ele continua ainda palpitando e preparando o encerramento da missão da santa profetisa de Domrémy.

Com efeito, Santa Joana d’Arc julgava que sua epopeia não fora senão o sinal de uma grande missão que ela realizaria. “O sinal que Deus me deu é levantar o sítio dessa cidade e fazer sagrar o rei em Reims” – atestou ter ouvido dela Frei Pierre Seguin O.P. Numa carta aos ingleses, conclamando-os a saírem da França, a heroína escreveu: “Se vós ouvirdes [a Donzela], ainda podereis vir em companhia dela, lá onde os franceses farão a mais bela ação jamais feita pela Cristandade”.

O enigma aumenta ao se considerar uma confidência da santa durante a épica campanha da Ile-de-France: “Quando eu estava sobre os fossos de Melun, me foi dito por minhas vozes que eu seria aprisionada antes da São João”. E após comungar na igreja de Saint-Jacques, ela disse a umas crianças: “Meus filhinhos, eu fui vendida e traída. Logo serei entregue à morte. Rogai a Deus por mim, pois eu não mais poderei servir ao rei e ao reino de França”.

Teria ficado truncada sua missão? Teriam errado as vozes? A pergunta soa ofensiva contra Deus, fonte última dessas vozes sobrenaturais.

Em seu livro La Mission Posthume de Sainte Jeanne d’Arc2, Mons. Henri Delassus apresentou uma douta e esclarecedora explicação. Ele demonstrou que D. Cauchon e os juízes seus cúmplices difundiam os erros e as más tendências revolucionárias enquistados na Universidade de Sorbonne, como aliás se pode ler na condenação acima citada. Esses erros igualitários e tendências desordenadas eram insuflados por uma verdadeira conspiração anticristã e se desenvolveram através da Revolução protestante, da Revolução Francesa e da Revolução comunista até desembocarem em nossos dias na tentativa de dissolução anárquica da família e da sociedade civil.

O cumprimento de sua missão em nossos dias

Santa Joana d’Arc surgiu como uma profetisa da restauração da Cristandade e, portanto, do movimento contrário ao representado por D. Cauchon e seus cúmplices. Essa oposição radical a tais erros explica o ódio satânico desse prelado e de seus correligionários, os quais eram por sua vez aliados de ingleses interesseiros embora não tão iniciados na conspiração.

Mons. Delassus explica que a retomada do interesse pela Donzela de Orleans nos últimos tempos e a crescente devoção a ela, hoje venerada no altar, são sinais de que se aproxima a hora do cumprimento final de sua missão.

No moderno santuário de Rouen, construído no local onde Santa Joana d’Arc foi imolada, há um livro de visitas com as mensagens e pedidos dos peregrinos. “Forgive us” (“Perdoai-nos!”) é a expressão em inglês mais frequente.

Desde o dia em que o iníquo e ilegal tribunal presidido pelo bispo Cauchon queimou a enviada de Deus, a ilibada Santa Joana d’Arc não mais cavalga pelas verdejantes planícies da França, mas nas profundezas do subconsciente de franceses e ingleses, para não dizer do mundo inteiro.

Um singular exemplo disso: 600 anos após o nascimento deLa Pucelle, Nicolas Sarkozy, pouco antes de perder a presidência, dirigiu-se a Domrémy em busca de votos dos admiradores da Donzela. Singular humilhação para um presidente da República Francesa, herdeira espiritual dos erros e tendências igualitárias do júri que condenou a santa!

O que sucede na cabeça dos franceses e dos homens hoje – indagou com pasmo “The New York Times” – para que uma santa medieval, virgem e profetisa, saída de um conto de fadas, impressione o mundo moderno, laicista e igualitário, do século XXI? Não adianta fugir da realidade – continua o quotidiano de Nova York: faça-se uma simples busca dos livros sobre ela na maior livraria virtual do mundo e encontrar-se-ão mais de seis mil títulos!

Na perspectiva de Mons. Delassus, a resposta a “The New York Times” não é difícil: cresce cada vez mais a percepção de que, herdeira dos erros condenados pela santa, a sociedade atual ruma para a morte; ou – hipótese previsível – caminha para uma restauração em favor da qual a Donzela está trabalhando eficazmente do Céu e cujos sintomas promissores já parecem ser visíveis.

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Promessas do Sagrado Coração de Jesus http://www.lepanto.com.br/catolicismo/promessas-sagrado-coracao-de-jesus/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/promessas-sagrado-coracao-de-jesus/#comments Mon, 30 Jun 2014 12:59:55 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5313

Devoção fundamental para os católicos realmente desejosos de se consagrar ao infinito amor de Deus e obter graças superabundantes. Máxime para os que se empenharem em propagar a devoção ao Divino Coração.

Catedral de León,  España

Sagrado Coração de Jesus na Catedral de León, España

 

     O mês de junho é dedicado pela Igreja ao Sagrado Coração de Jesus.Sua festa — no dia 15 — visa honrar, e também reparar o adorável Coração pelos pecados cometidos, principalmente contra a Sagrada Eucaristia. No dia 7 da semana anterior comemora-se a solene festividade de Corpus Christi (vide seção “Corpus Christi”). Por sua vez, no dia 16 a Igreja celebra o Imaculado Coração de Maria, que na Paixão de Nosso Senhor consolou e reparou o Sagrado Coração de Jesus perfurado pela lança de Longinos — ato simbólico da ingratidão da humanidade em relação Àquele que morreu para nossa salvação.

Nesse sentido, é muito significativa a jaculatória da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus: Coração de Jesus atravessado pela lança – Tende piedade de nós! Bem como a jaculatória da Ladainha do Imaculado Coração de Maria: Coração de Maria, acabrunhado de aflição durante a Paixão de Jesus Cristo – Rogai por nós!

Não poderíamos deixar assim de dedicar algumas páginas a tão admiráveis e preciosas celebrações da piedade católica, augurando que elas sirvam para incrementar nos corações dos leitores de Catolicismo uma particular devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que tanto amou os homens. Cientes de que o melhor meio para a obtenção da plenitude dessa devoção é através daquela tributada ao Imaculado Coração de Maria. Devoções tão inseparáveis que São João Eudes as invocava no singular: “o Sagrado Coração de Jesus e Maria”.

A grande promessa do Sagrado Coração

No dia 16 de junho de 1675, aparecendo a Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690) no Convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial (França), e apontando para o Seu próprio coração, Nosso Senhor lhe disse:

“Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por Mim no Sacramento do amor. Mas o que Me é ainda mais penoso é que corações que Me são consagrados agem assim.

“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-Lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe prestem culto e que procurem que este Lhe seja prestado”.2

Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria que concederia a graça da penitência final para todos aqueles que durante nove meses seguidos comungarem na primeira sexta-feira. Ou seja, não morrerão em pecado, recebendo a garantia da salvação eterna. Esta é conhecida como a “A Grande Promessa”,3 embora existam outras 11 admiráveis promessas.

As 12 Promessas aos devotos do Sagrado Coração

Vitral-Sagrado-Coracao

Reveladas a Santa Margarida Maria Alacoque, as 12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus são profundamente tocantes e sublimes. Convém que sejam meditadas pelo leitor, pois maior incentivo para o progresso na virtude e aumento do desejo de salvação parece impossível.

1ª) Às pessoas consagradas ao meu Coração darei as graças necessárias para o seu estado;

2ª) Darei paz às suas famílias;

3ª) Eu as consolarei nas suas aflições;

4ª) Serei o seu amparo e seguro refúgio ao longo da vida e particularmente na hora da morte;

5ª) Derramarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos diários;

6ª) Os pecadores encontrarão no meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia;

7ª) As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas;

8ª) As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição;

9ª) Abençoarei os lares onde a imagem do meu Sagrado Coração esteja exposta e seja honrada;

10ª) Darei aos sacerdotes a graça de mover os corações empedernidos;

11ª) As pessoas que propaguem esta devoção terão o seu nome inscrito no meu Coração e dali nunca será apagado;

12ª) E eu prometo [esta é conhecida como “a grande promessa”], no excesso de misericórdia do meu Coração, que o meu Amor Todo-Poderoso concederá a todos aqueles que comunguem nas nove primeiras sextas-feiras de cada mês de modo consecutivo, a graça da perseverança final, a salvação eterna.4

Consagração ao Sagrado Coração de Jesus

A primeira promessa sugere a consagração ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Para aqueles que desejarem se consagrar, eis a fórmula composta por Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eu, [mencionar o nome], dou e consagro ao Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e dores, não querendo servir-me de parte alguma de meu ser, senão para honrá-Lo, amá-Lo e glorificá-Lo.

É esta a minha vontade irrevogável: pertencer-Vos e fazer tudo por vosso amor, renunciando completamente ao que não for do vosso agrado.

Eu Vos tomo, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto do meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e inconstância, reparador de todos os meus defeitos e asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó Coração de bondade, minha justificação para com Deus vosso Pai, afastai de mim os castigos de vossa justa cólera. Ó Coração de amor, ponho em Vós toda a minha confiança, pois tudo receio de minha fraqueza e malícia, mas tudo espero da vossa bondade.

Destruí em mim tudo o que vos possa desagradar ou resistir. Que o vosso puro amor se grave tão profundamente no meu coração, que eu não possa jamais vos esquecer, nem me separar de Vós.

Suplico-vos também, por vossa suma bondade, que o meu nome seja escrito em Vosso Coração, pois eu quero fazer consistir toda minha felicidade e minha glória em viver e morrer convosco na qualidade de vosso escravo. Assim seja!”

* * *

A oração acima é uma fórmula de consagração individual. Contudo, é muito aconselhável também a consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus, bem como das instituições, cidades e até de países. Pois Lhe prestam assim um culto não apenas em particular, mas publicamente. Desse modo se reconhece perante o mundo inteiro a Soberana Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um belo exemplo nesse sentido foi a“Consagração Cívica Nacional”, efetuada no Brasil nos idos de 1955. (vide quadro ao lado).

O “Detente” do Sagrado Coração de Jesus

“Detente” ou “Escudo” — popularmente conhecido como “bentinho” — é um distintivo (pequeno brasão como o da foto ao lado) com a imagem do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo circundado com a frase: Alto! O Coração de Jesus está comigo. Venha a nós o Vosso Reino! Trata-se de uma particular proteção contra todos os perigos. Proteção mais do que nunca necessária em nossos dias e que se estende a todos aqueles que portarem o “Detente”. Levando conosco esse distintivo, estamos como que constantemente reafirmando o que escreveu São Paulo Apóstolo em sua epístola aos Romanos: Se Deus está conosco, quem estará contra nós?

O hábito de portar o “Detente” nasceu e se espalhou a partir de uma carta de Santa Margarida Maria Alacoque (datada de 2 de março de 1686) à Madre Saumaise, sua Superiora: “Nosso Senhor deseja que a Senhora mande fazer uns escudos com a imagem de seu Sagrado Coração, a fim de que todos aqueles que queiram oferecer-Lhe uma homenagem, os coloquem em suas casas; e uns menores, para as pessoas levarem consigo”.5

Entre milhares de fatos prodigiosos, um caso recente (aliás, noticiado na edição anterior desta revista) demonstra a especial proteção oriunda do uso do “Detente”: Iván Castro Canovaca, soldado da Legião Espanhola em serviço no Afeganistão, foi mortalmente atingido por uma arma de fogo. Em razão dos ferimentos, os médicos julgaram que deveria ter morrido em pouco tempo. Mas sobreviveu. Iván levava consigo o “Detente”…

* * *

O Sagrado Coração parece ser a maior manifestação do desejo divino de renovar a sociedade e salvar todos os homens. É o que podemos concluir do exposto neste artigo. Confirmam-no também as incisivas palavras dirigidas pelo Bem-aventurado Papa Pio IX (1846-1878) ao fundador dos Missionários do Coração de Jesus, Padre Jules Chevalier: “A Igreja e a sociedade não têm outra esperança senão no Sagrado Coração de Jesus; é Ele que curará todos nossos males. Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração, ela será a salvação para o mundo”.6

catolicismo@terra.com.br

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Suicídio e sociedade http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/suicidio-e-sociedade/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/suicidio-e-sociedade/#comments Fri, 27 Jun 2014 22:19:57 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5309

  tristezaUm amigo contou-me que uma colega sua de trabalho, moça bonita, bem apessoada, por volta de 30 anos, casada, com um filhinho de poucos meses, foi acometida de uma doença que a deixou inchada, sobretudo o rosto, que ficou avermelhado e com protuberâncias.

Mas o pior da história é que essa situação a lançou numa depressão profunda, tão profunda que a levou a atirar-se de um andar alto do edifício onde morava, morrendo instantaneamente.

O choque para a família, para os colegas de trabalho, para todos que a conheciam enfim, foi tremendo.

Não conheci essa moça, mas o fato me impressionou e passei a refletir sobre ele. Quantos suicídios vão ocorrendo nos dias de hoje!

Mais de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano no mundo. Trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade.(1) Projeções da Organização Mundial de Saude, com base em tendências do final do século XX, indicam que em 2020 haverá cerca de 1,53 milhão de suicídios; sendo que 10 a 20 vezes mais pessoas tentarão suicidar-se em todo o mundo.(2)

No Brasil, estimativas sugerem que ocorram 24 suicídios por dia, mas o número deve ser 20% maior, pois muitos casos não são registrados. A quantidade de tentativas é de dez a 20 vezes mais alta que a de mortes. Entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4.(3)

Normalmente é na juventude que a pessoa tem mais desejo de viver, tem planos, tem empreendimentos a realizar, tem ilusões. Por que pôr fim à vida? Por que essa falta de coragem de enfrentar as adversidades? Já se ouvem casos de suicídio infantil.

Os estudiosos que se debruçam sobre o assunto, de modo geral atribuem essa calamidade a fatores sociais. A sociedade moderna seria de molde a tornar as pessoas muito egoístas, cada um por si, faltando compreensão e apoio a quem dele precisa. O indivíduo sente-se sujeito à lei da selva.

Essa explicação tem muito de verdadeira, mas ela precisa ir até o fundo do problema para ser inteiramente aceitável.

O Antigo Regime, como era designada a sociedade anterior à Revolução Francesa, tinha uma concepção profundamente familiar da sociedade. Os indivíduos existiam dentro das famílias, fossem elas nobres ou plebeias. É ali que eles se formavam para a vida quando crianças, recebiam os estímulos para um desenvolvimento reto da personalidade quando jovens, apoio quando adultos e proteção quando as cãs lhes cobriam as cabeças e as forças diminuíam. Na família eles eram compreendidos e amados durante toda a sua existência. Tudo sob o signo da Religião e da paz de alma, nas alegrias como nas adversidades.

Com a Revolução Francesa veio a era moderna, com seu individualismo e suas liberdades. Progressivamente foram sendo implantados o divórcio, os anticoncepcionais, o aborto, as leis permissivas de todo gênero. A família monogâmica e indissolúvel, fruto do sacramento e das bênçãos da Igreja, implodiu e cada um de seus elementos foi jogado para um lado. Crianças, para as creches; jovens, para os pseudo-prazeres da sexualidade, do rock, do funk; adultos, para a disputa acirrada pela subsistência; velhos, para os asilos.

______________________

Notas:

1.     http://www.rferl.org/content/article/1071203.html

2.     http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1489848/

3.     Julliane Silveira, in “Folha de S. Paulo”, 18-3-2010

Nesse entretempo, o clero, com honrosas exceções, também foi se modernizando. As igrejas, outrora templos da adoração a Deus, mas também de consolo, de perdão, de cura das feridas morais, em muitos casos se distinguem pouco de um circo, onde vale tudo.

Como estranhar que o número de suicídios cresça assustadoramente?

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Relações entre empregado e empregador na Idade Média? Ou uma espécie de relação pai-filho? http://www.lepanto.com.br/historia/relacoes-entre-empregado-e-empregador-na-idade-media-ou-uma-especie-de-relacao-pai-filho/ http://www.lepanto.com.br/historia/relacoes-entre-empregado-e-empregador-na-idade-media-ou-uma-especie-de-relacao-pai-filho/#comments Sat, 07 Jun 2014 23:32:33 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5292

Patroa e criados na colheita

Patroa e criados na colheita: relacionamento de alma

Na sociedade medieval os relacionamentos humanos não eram tanto baseados nos contratos de serviço, mas nos contratos pessoais em que um homem se dá inteiro e recebe uma proteção total.Hoje, os contratos entre patrão e empregado, ou entre patrão e patrão, empregado e empregado, são contratos trabalhistas, contratos de compra, venda, empréstimo, etc., e locação de serviços.Esse tipo de contratos está restringido aos interesses e vantagens particulares legítimos.

Porém, não se pode dizer que atendem a todos os desejos de relacionamento que existem no homem.

Trata-se de contratos legais onde o relacionamento de alma é secundário ou está ausente. Esta ausência deixa um vazio no espírito.

A sociedade medieval apanhou perfeitamente essa ausência na locação de serviços entre empregador e empregado.

Aliás, as palavras empregador e empregado são muito boas para o mundo do metal e do dinheiro.

Por exemplo, uma cozinheira que vai trabalhar a uma casa às tantas horas, faz o almoço todos os dias, sai, e volta para fazer o jantar. Depois ela recebe o pagamento no fim do mês. E com isto estão esgotadas as relações.

O que o patrão faz fora do jantar, o que a cozinheira faz fora da hora de trabalho? Cada um ignora quase tudo a respeito do outro.

A relação é: eu sou o que come e paga, ela é a que trabalha e vive do que eu dou para ela. Fora disto os contratos humanos estão inteiramente suspensos, não existem entre empregador e empregado.

Por isso o relacionamento é realmente entre empregador e empregado, porque a única relação que há é um emprego de caráter econômico. A expressão então é justa.

Mas, na Idade Média, a palavra patrão continha muito mais. Patrão vem da palavra latina pater, ou seja, pai, com todos os ponderáveis e imponderáveis que a palavra pai traz consigo.

E a palavra criado vem da ideia de criação, quer dizer a pessoa criada dentro da casa, como uma espécie de filho ou filha, com todos os ponderáveis e imponderáveis dos relacionamentos que há entre pai, mãe e filhos.

Então o contrato entre criado e patrão medieval tomava o homem todo também.

Os patroes cuidavam dos criados como se fossem outros filhos

Os patrões cuidavam dos criados como se fossem outros filhos, dignificando-os

Quando o criado entrava a trabalhar na casa do patrão era obrigado, antes de tudo, a morar na casa dele, a viver uma vida entrelaçada com a dele, contente com todos os fatos bons para o patrão, triste com todos os fatos ruins para essa forma de pai.

O casamento de um filho ou de uma filha, um filho que se formava um bom negócio que o patrão fazia, uma viagem, uma promoção, era para o criado um título de alegria, e ele participava do feliz sucesso.

Mas assim como o criado se dava completamente ao patrão, o patrão também se dava completamente ao criado.

E essa proteção atingia também aos filhos do criado, sua parentela, até mesmo quando, por alguma razão, ele deixava a casa.

Isto era algo muito semelhante, no nível doméstico ou do ofício, à vassalagem entre senhores feudais.

O vassalo pertencia ao seu senhor e a quem o senhor pertencia. Não como escravo, mas numa situação que era, de certo modo, uma prolongação da paternidade.

Por outro lado, na escala da nobreza, era a mesma coisa dos nobres inferiores em relação aos superiores e assim por diante, até chegar ao rei.

Conta-se que na noite de 10 de agosto de 1792, quando os revolucionários foram atacar o castelo das Tulherias, este castelo estava cheio de nobres acorridos dos fundos das províncias, alguns trazendo armamentos do tempo das guerras de Religião.

Por quê? Porque eles consideravam-se pertencer inteiramente ao rei, porque participavam da pessoa e da dignidade do monarca. E, portanto, se sentiam obrigados a derramar pelo rei seu próprio sangue.

Eles recebiam do rei todo o seu ser, tudo quanto eles eram. Mas de outro lado, eles davam tudo pelo rei. Era um contrato de homem a homem que toma por inteiro.

Episódios análogos se deram com os camponeses e domésticos defendendo as terras ou o castelo do patrão.

Relacionamento de alma

Relacionamento de alma, mais do que de dinheiro

Todos estes traços característicos do relacionamento pessoal na sociedade medieval existiam na Igreja Católica. E, às vezes, tinham sido criados pela própria Igreja.

Depois do Vaticano II estabeleceu-se por via de fato, entre o bispo e seus padres uma relação mais parecida com o frio – mas legítimo – contrato entre empregador e empregado.

Porque o padre trabalha para o bispo. E o bispo é um gerente dos padres. Mas, como a palavra gerente diminui, depaupera, avilta a dignidade do bispo!

Como deforma a realidade dizer que o padre é um empregado do bispo!

Em sentido diverso, qual era o relacionamento medieval do padre com o bispo?

O padre se dá à diocese. E dando-se à diocese, ele se entrega e passa a pertencer ao bispo. E por isso, um padre diz a verdade quando diz que é padre de tal bispo.

Por outro lado, o bispo também se dá à diocese e ao seu clero.

E por causa disto, o padre tinha uma dedicação pelo bispo que chega até ao derramamento de sangue. E vice-versa.

Muito mais frisante é isto nas Ordens religiosas, onde o religioso se dá à Ordem completamente na pessoa do abade ou superior, e onde o superior se dá à Ordem completamente.

Estas relações se parecem extraordinariamente com o princípio da sociedade temporal medieval. E muitas vezes, foram os religiosos – notadamente, os beneditinos – que passaram esse relacionamento de alma à sociedade.

Não havia um contrato de trabalho meramente material, argentário ou de interesses.

O contrato de trabalho é necessário, mas é apenas um dos elementos integrantes de toda uma situação humana de relações afetivas, de contatos morais, de gostos comuns, que se estabelecem na vida real sempre que dois ou mais se relacionam.

Dessa maneira, temos uma noção muito mais verdadeira, aconchegante, simpática e protetora do que era a civilização medieval.

Fonte : Blog A cidade medieval
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Semana de estudos e formação católica para jovens http://www.lepanto.com.br/lepanto/semana-de-estudos-e-formacao-catolica-para-jovens/ http://www.lepanto.com.br/lepanto/semana-de-estudos-e-formacao-catolica-para-jovens/#comments Thu, 05 Jun 2014 02:34:41 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5232
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Pelo quinto ano consecutivo, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira promoveu, durante os dias de carnaval, uma Semana de Estudos para jovens de todo o Brasil. O evento ocorreu numa aprazível fazenda colonial em Campos dos Goytacazes (RJ).

O tema escolhido para as conferências deste ano foram os grandes acontecimentos da História da Igreja, como a história dos mártires, a conversão de Constantino, o império de Carlos Magno, as guerras que enfrentou o Bem-aventurado Pio IX em defesa dos Estados pontifícios e a perseguição contra os católicos autênticos, desencadeada por correntes teológico-progressistas modernas. Houve também apresentações teatrais e audiovisuais sobre os erros que assolam a juventude atual e a necessidade de um espírito de luta em defesa dos princípios da civilização cristã.

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Os participantes ficaram especialmente emocionados pela recitação da Via Sacra, percorrida com espírito bem diverso do tom carnavalesco reinante em certos ambientes modernos. A decoração e os jogos medievais também contribuíram para os jovens adquirirem o espírito de respeito e sã combatividade, explanados durante as conferências.

Estiveram presentes mais de 60 jovens dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás, além do Distrito Federal. Todos os menores participaram do evento com autorização dos responsáveis

Alguns depoimentos

042014Acampamento4Sérgio Miguel de Oliveira(Brasília – DF), 18 anos: Foi a primeira vez que estive num acampamento deste porte. Gostei muito, foi um programa realmente católico! As reuniões me chamaram muito a atenção, especialmente a que tratou dos mártires. Ela expôs bem como eles amavam Nosso Senhor e a Fé católica. 


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Antonio Mauricio Lanza de Sá e Mello(Lavras – MG), 14 anos: Todo o acampamento foi bastante interessante, mas o que gostei mais foi a Via Sacra, rezada com uma solenidade que nunca tinha visto antes. Muito diferente do carnaval que se tem aí fora!

 

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Fernando Bianchi(Campos – RJ), 15anos: Tive a oportunidade de conhecer novas pessoas. As reuniões trataram de temas que realmente mereciam ser conhecidos, e fatos que eu realmente não imaginava que tivessem existido.

 

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Vinicius Feitosa(Rio de Janeiro – RJ), 23 anos: Achei tudo ótimo. Especialmente a Via Sacra, muito bonita e bem preparada. As reuniões foram bem feitas, de profundo conteúdo doutrinário e com ótimos palestrantes.

 

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Gabriel Takegame(São Paulo – SP), 14 anos: Gostei muito da reunião sobre Constantino. Deus fez um grande milagre, uma cruz apareceu no céu para a conversão desse imperador e terminar assim o período de perseguição contra os cristãos.

 

 


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Edson Matheus de Souza(Curitiba – PR), 15 anos: Assim que chegamos houve uma recepção toda em estilo medieval, com bandeiras e tochas. Chamou-me a atenção o respeito que um tem para com o outro. É um lugar que santifica as pessoas. Espero poder voltar mais vezes.

 

 

Veja o Vídeo

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“A mais bela aventura do mundo é a nossa!” http://www.lepanto.com.br/lepanto/mais-bela-aventura-mundo-e-nossa/ http://www.lepanto.com.br/lepanto/mais-bela-aventura-mundo-e-nossa/#comments Tue, 03 Jun 2014 22:41:37 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5216
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Fotos: Paulo Américo


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al era o lema da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo edo Templo, conhecida como Ordem dos Templários, a mais famosa ordem de cavalaria da época das Cruzadas.

Também esse poderia ser o lema dos jovens que se reuniram de 30 de maio a 2 de junho de 2013 em mais um acampamento promovido pela Ação Jovem pela Terra de Santa Cruz, em Brasília.

Epopeia de SkanderbegA Vida de São Bento e Contrastes Revolução X Contra-Revolução foram temas de algumas das conferências. Também foi projetado um audiovisual sobre as Cruzadas e encenadas pequenas peças teatrais.

Como parte do sadio lazer, não podiam faltar diversos tipos de entretenimento, como os concorridos jogos medievais, além de passeios pelas cercanias.

Não foi a convocação de uma cruzada armada, mas sim de ideais, tendo como base a devoção à Santíssima Virgem, reforçada pelo terço diário e a recitação do Ofício de Nossa Senhora.

Iluminado com tochas e velas, um banquete medieval encerrou em grande estilo as atividades.

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A aprovação do aborto, a reação e o recuo do governo http://www.lepanto.com.br/destaque/polemica/aprovacao-aborto-reacao-e-o-recuo-governo/ http://www.lepanto.com.br/destaque/polemica/aprovacao-aborto-reacao-e-o-recuo-governo/#comments Mon, 02 Jun 2014 20:32:12 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5210

Agencia-BrasilRecentemente fomos surpreendidos por uma aprovação que ampliaria a prática do aborto no Brasil e com financiamento público. Foi a sanção à lei 12.845/2013, por meio da regulamentação da Portaria 415, assinada pela Presidente Dilma Rousseff no dia 21 de maio último e publicada no dia seguinte no “Diário Oficial da União”.

Essa nefanda regulamentação, no fundo, facilitaria a prática abortiva nos hospitais, uma vez que o governo incluía o aborto na Tabela de Procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), pagando R$443,40 pela“interrupção terapêutica da gestação” ou “antecipação do parto” — ou seja, sem eufemismos: a execução de um bebê no ventre materno. Ademais, tal regulamentação seria motivo para interpretações jurídicas que poderiam ampliar ainda mais os casos de abortamento no País, além daqueles que, de modo absurdo, a lei vigente permite (em casos de estupro, quando a vida da mãe esteja em risco e em casos de fetos anencéfalos). 

Tal notícia provocou indignadas reações no Brasil inteiro, despertadas por muitos movimentos contrários ao aborto, e o governo recuou. Segundo nota da “Agência Brasil”, no dia 29 de maio, o Ministério da Saúde anulou a portaria 415, publicada no dia 22 de maio. 

Mas aquele Ministério não admitiu que o recuo fora por causa da mencionada reação. Ele alegou que a revogação foi devido a uma “falha técnica”… 

Uma razão a mais para ficarmos bem atentos, pois, do contrário, poderemos ser novamente surpreendidos com alguma nova portaria “corrigindo” a “falha técnica” e, usando e abusando de eufemismos, aprovar o aborto em larga escala no País. 

Neste sentido de vigilância, recomendo aos Amigos assinarem uma “Carta Aberta”contra o aborto, pedindo aos candidatos, tanto do Executivo quanto do Legislativo, para se definirem claramente quanto à questão do aborto e, assim, possamos saber quem escolher nas próximas eleições.

Para assinar a sua “Carta Aberta”, click no seguinte link:

HTTP://WWW.MINHACARTAABERTA.COM.BR/CANDIDATOS2014/

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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Historiador Protestante se Converte Para a Igreja Católica http://www.lepanto.com.br/catolicismo/ciencia-e-fe/historiador-protestante-se-converte-para-igreja-catolica/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/ciencia-e-fe/historiador-protestante-se-converte-para-igreja-catolica/#comments Sat, 31 May 2014 14:26:11 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5191

Eu fui criado como um protestante evangélico, em Birmingham, no Alabama. Meus pais eram amorosos e dedicados, sinceros em sua fé, e profundamente envolvidos em nossa igreja. Eles incutiram em mim o respeito pela Bíblia como a Palavra de Deus, e um desejo e uma fé viva em Cristo. Missionários frequentavam nossa casa e traziam o seu entusiasmo pelo seu trabalho. As estantes em nossa casa estavam cheias de livros de teologia e apologética. Desde cedo, eu absorvi a noção de que a minha maior vocação era ensinar a fé cristã. Suponho que não seja nenhuma surpresa que eu tenha me tornado um historiador da Igreja, mas me tornar um católico era a última coisa que eu esperava.

historiadorA igreja da minha família era nominalmente Presbiteriana, mas as diferenças denominacionais significavam muito pouco para nós. Eu frequentemente ouvia que divergências sobre o batismo, a ceia, ou o governo da igreja do Senhor não eram importantes, desde que eu acreditasse no Evangelho. Assim, queríamos dizer que a pessoa deve “nascer de novo”, que a salvação é pela fé, e que a Bíblia é a única autoridade para a fé cristã. Nossa igreja apoiava os ministérios de muitas denominações protestantes diferentes, mas o grupo certamente estava em oposição à Igreja Católica.

O mito de uma “recuperação” protestante do Evangelho era forte em nossa igreja. Eu aprendi muito cedo a idolatrar os reformadores protestantes Martinho Lutero e João Calvino, porque supostamente haviam resgatado o Cristianismo das trevas do Catolicismo medieval. Os católicos eram os que confiavam nas “boas obras” para levá-los para o céu, que se renderam à tradição ao invés das Escrituras, e que adoravam Maria e os santos em vez de Deus. Sua obsessão com os sacramentos também criou um enorme obstáculo para a verdadeira fé e um relacionamento pessoal com Jesus. Não havia dúvida. Os católicos não eram verdadeiros cristãos.

Nossa igreja era caracterizada por uma espécie de intelectualismo confiante. Presbiterianos tendem a ser bastante ou teologicamente intelectuais, e professores de seminário, apologistas, cientistas e filósofos eram os oradores frequentes de nossas conferências. Foi essa atmosfera intelectual que atraiu o meu pai para a igreja, e suas estantes estavam lotadas com as obras do reformador João Calvino, e do puritano Jonathan Edwards, bem como autores mais recentes como B.B. Warfield, A.A. Hodge, C.S. Lewis e Francis Schaeffer. Como parte dessa cultura acadêmica, tomávamos como certo que a investigação honesta levaria alguém à nossa versão da fé cristã.

Todas estas influências deixaram impressões definitivas sobre mim como uma criança. Eu comecei a achar o Cristianismo um pouco parecido com a física newtoniana. A fé cristã consistia em certas leis eminentemente razoáveis e imutáveis, e a você estava garantida a vida eterna, desde que você tivesse construído a sua vida de acordo com esses princípios. Eu também pensava que esta era a mensagem claramente enunciada no livro oficial da teologia cristã: a Bíblia. Somente a confiança irracional na tradição humana ou a indiferença depravada poderia explicar o fracasso de alguém se agarrar a estas simples verdades.

Havia uma estranha ironia neste ambiente altamente religioso e teológico. Deixava-se claro que era a fé e não as obras que salvavam. Também se confessava a crença protestante clássica de que todas as pessoas estão “totalmente depravadas”, o que significa que até mesmo os seus melhores esforços morais são intrinsecamente odiosos para Deus e nada podem merecer. No momento em que cheguei a escola, eu coloquei essas peças e conclui que a prática religiosa e o esforço moral eram mais ou menos irrelevantes para a minha vida. Não que eu tenha perdido a minha fé. Pelo contrário, eu a absorvi completamente. Eu tinha aceitado a Cristo como meu Salvador e era um “renascido”. Eu acreditava que a Bíblia era a palavra de Deus. Eu também acreditava que nenhum dos meus trabalhos religiosos ou morais tinha qualquer valor. Então eu parei de praticá-los.

Historiador que se converteu ao Catolicismo

Historiador que se converteu ao Catolicismo

Felizmente, a minha indiferença durou apenas alguns anos, e eu tive uma verdadeira reconversão à fé na faculdade. Descobri que a minha necessidade de Deus era mais profunda do que um simples “seguro contra incêndio”. Eu também conheci uma linda garota com quem eu comecei a ir aos cultos protestantes. Jill tinha sido criada nominalmente católica, mas não conseguiu manter-se na prática de sua fé após a Confirmação. Juntos, nós nos encontrávamos crescendo mais profundamente na fé protestante, e depois de alguns meses, ambos nos tornamos desiludidos com a atmosfera mundana da nossa Universidade de Nova Orleans. Concluímos que o Centro-Oeste americano e a faculdade evangélica Wheaton College iria nos proporcionar um ambiente mais espiritual, e nos transferimos os dois no meio do nosso segundo ano (em Janeiro de 1991).

Wheaton College, é um farol para cristãos evangélicos sinceros vindos de várias origens. Protestantes de diversas denominações diferentes ficam representados, unidos em seu compromisso com Cristo e a Bíblia. Minha infância me ensinou que a teologia, a apologética e o evangelismo eram a maior vocação do cristão, e eu encontrei-os todos em oferta abundante na Wheaton College. Foi aí que pensei pela primeira vez em comprometer a minha vida ao estudo da teologia. Foi também na Wheaton College que Jill e eu nos tornamos noivos.

Depois da formatura, Jill e eu nos casamos, e finalmente, fizemos o nosso caminho para a Universidade Evangélica Trindade Divina, em Chicago. O meu objetivo era ter uma educação de seminário, e eventualmente, completar o meu grau de Ph.D. Eu queria me tornar um daqueles professores de teologia que admirava tanto na igreja durante a minha juventude.

Atirei-me no seminário abandonando tudo. Eu amei meus cursos de teologia, da Escritura e da história da Igreja, e eu prosperei sobre a fé, confiança e sentido de missão que permeavam a escola. Eu também abracei a sua atmosfera anticatólica. Eu estava lá em 1994, quando o documento “Evangélicos e Católicos Juntos” foi publicado pela primeira vez e a faculdade foi quase que uniformemente hostil a ele. Eles viam qualquer compromisso com os católicos como sendo uma traição à Reforma. Os católicos não eram simplesmente irmãos no Senhor. Eles eram apóstatas.

Eu aceitava as atitudes anticatólicas de meus professores de seminário; por isso, quando chegou a hora de seguir em frente nos meus estudos, decidi me focar em um estudo histórico da Reforma. Eu pensava que não poderia haver uma preparação melhor, para atacar a Igreja Católica e ganhar convertidos, do que conhecer profundamente as mentes dos grandes líderes de nossa fé – Martinho Lutero e João Calvino. Eu também queria entender toda a história do Cristianismo para que pudesse colocar a Reforma no contexto. Eu queria ser capaz de mostrar como a igreja medieval tinha abandonado a verdadeira fé e como os reformadores a tinham recuperado. Para este fim, comecei estudos de Ph.D. em teologia histórica na Universidade de Iowa. Eu nunca imaginava que a história da Reforma da Igreja iria me levar à Igreja Católica!

Antes que começasse meus estudos em Iowa, Jill e eu testemunhamos o nascimento do nosso primeiro filho, um menino. Seu irmãozinho nasceu menos de dois anos depois, e uma irmã chegou antes de sairmos de Iowa (e agora temos cinco filhos). Minha esposa estava muito ocupada cuidando das crianças, enquanto eu me comprometia quase que inteiramente aos meus estudos. Vejo hoje que eu passei muito tempo na biblioteca e não tempo suficiente com a minha esposa, meus filhos e minha filha. Eu acho que justifica essa negligência a confiança no meu senso de missão. Eu tinha uma vocação – para testemunhar a fé através do estudo teológico – e uma visão intelectual da fé cristã do meu dever cristão. Para os cristãos evangélicos, o que se acredita ser mais importante é o que a pessoa vive. Eu estava aprendendo a defender e promover essas crenças. O que poderia ser mais importante?

Eu comecei meus estudos de doutorado em Setembro de 1995. Fiz cursos no início, de história medieval e da Reforma da Igreja. Eu li os Padres da Igreja, os teólogos escolásticos, e os reformadores protestantes. Em cada etapa, tentei relacionar teólogos posteriores aos anteriores, e todos eles com as Escrituras. Eu tinha um objetivo de justificar a Reforma e isso significava, acima de tudo, investigar a doutrina da “justificação pela fé”. Para os protestantes, esta é a doutrina mais importante “recuperada” pela Reforma.

Os reformadores insistiam em que eles estavam seguindo a antiga igreja ao ensinar a “Sola Fide”, e como prova apontavam para os escritos do Padre da Igreja, Santo Agostinho de Hipona (354-430). Meus professores de seminário também apontavam para Agostinho como a fonte originária da teologia protestante. A razão para isso era o interesse de Agostinho nas doutrinas do pecado original, graça e justificação. Ele foi o primeiro dos Padres a tentar uma explicação sistemática desses temas paulinos. Ele também colocou um nítido contraste entre “obras” e “fé” (veja sua obra “Sobre o Espírito e a Letra”, 412 A.D.). Ironicamente, foi a minha investigação desta doutrina e de Santo Agostinho, o que começou a minha jornada para a Igreja Católica.

Minha primeira dificuldade surgiu quando comecei a entender o que realmente Santo Agostinho ensinou sobre a salvação. Em poucas palavras, Agostinho rejeitou a “Sola Fide”. É verdade que ele tinha um grande respeito pela fé e graça, mas via estas principalmente como a fonte de nossas boas obras. Agostinho ensinou que nós literalmente “merecemos” a vida eterna, quando nossas vidas são transformadas pela graça. Isto é completamente diferente do ponto de vista protestante.

As implicações de minha descoberta foram profundas. Eu não sabia o suficiente dos meus dias de faculdade e seminário para entender que Agostinho ensinava nada menos que a doutrina católica romana da justificação. Decidi passar então para os Padres mais antigos da Igreja em minha busca pela “fé pura” da antiguidade cristã. Infelizmente, os Padres mais antigos da Igreja eram ainda de menos ajuda do que Agostinho.

Agostinho vinha do Norte da África de fala de língua Latina. Outros vieram da Ásia Menor, Palestina, Síria, Roma, Gália, e do Egito. Eles representavam diferentes culturas, falavam línguas diferentes, e foram associados a diferentes apóstolos. Eu pensei que seria possível que alguns deles pudessem ter entendido mal o Evangelho, mas parecia improvável que todos iriam se confundir. A verdadeira fé tinha de estar representada em algum lugar do mundo antigo. O único problema era que eu não conseguia encontrá-la. Não importa para onde eu olhasse, em qualquer continente, em qualquer século, os Padres concordavam: a salvação vem por meio da transformação da vida moral e não somente pela fé. Eles também ensinaram que essa transformação começa e é alimentada nos sacramentos, e não através de alguma experiência de conversão individual.

Nesta fase da minha jornada eu estava ansioso para continuar a ser um protestante. Toda a minha vida, casamento, família e carreira, estavam ligados ao protestantismo. As minhas descobertas na história da Igreja eram uma enorme ameaça para a minha identidade, então eu me virei para os estudos bíblicos a procura de conforto e ajuda. Eu pensei que se eu pudesse ficar absolutamente confiante no recurso dos reformadores com as Escrituras, então eu basicamente poderia demitir 1500 anos de história cristã. Evitei a academia católica, ou livros que eu achava que tinham a intenção de minar a minha fé, e preferi me concentrar no que eu achava que eram as obras protestantes mais objetivas, históricas e também de erudição bíblica. Eu estava procurando por uma prova sólida de que os reformadores estavam certos em sua compreensão de Paulo. O que eu não sabia era que os melhores da academia protestante do Século XX já haviam rejeitado a leitura de Lutero da Bíblia.

Lutero baseou toda a sua rejeição da Igreja sobre as palavras de Paulo: “Uma pessoa é justificada pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3, 28). Lutero assumiu que este contraste entre “fé” e “obras” significava que não havia papel para a moralidade no processo da salvação (de acordo com a visão tradicional protestante, o comportamento moral é uma resposta para a salvação, mas não um fator contribuinte). Eu aprendi que os primeiros Padres da Igreja rejeitaram essa visão. Agora eu havia encontrado toda uma série de estudiosos protestantes também dispostos a testemunhar que isso não é o que Paulo quis dizer.

Os Padres da Igreja do Século II acreditavam que Paulo havia rejeitado a relevância somente da lei judaica para a salvação (“obras da lei” = lei mosaica). Eles viam a fé como a entrada para a vida da Igreja, os sacramentos, e o Espírito. A fé nos admite os meios da graça, mas não é em si um motivo suficiente para a salvação. O que eu vi nos mais recentes e altamente respeitados estudiosos protestantes é o mesmo ponto de vista. A partir do último terço do Século XX, estudiosos como E.P. Sanders, Krister Stendhal, James Dunn e N. T. Wright, têm argumentado que o protestantismo tradicional interpretou profundamente mal a Paulo. De acordo com Stendhal e outros, a justificação pela fé é principalmente sobre as relações entre judeus e gentios, e não sobre o papel da moralidade como condição de vida eterna. Juntos, o seu trabalho tem sido referido como “A Nova Perspectiva sobre Paulo”.

Minha descoberta desta “Nova Perspectiva” foi um divisor de águas na minha compreensão das Escrituras. Eu vi, para começar, que a “Nova Perspectiva”, era na verdade a “Velha Perspectiva” dos primeiros Padres da Igreja. Comecei a testá-la contra a minha própria leitura de Paulo e descobri que ela tinha sentido. Ela também resolveu a tensão de longa data que eu sempre senti entre Paulo e o resto da Bíblia. Mesmo Lutero tinha tido dificuldade em conciliar sua leitura de Paulo com o Sermão da Montanha, a Epístola de São Tiago, e o Antigo Testamento. Uma vez que eu tentei a “Nova Perspectiva” esta dificuldade desapareceu. Relutantemente, eu tive que aceitar que os reformadores estavam errados sobre a justificação.

Essas descobertas no meu trabalho acadêmico foram paralelas em certa medida a descobertas na minha vida pessoal. A teologia protestante distingue fortemente entre crença e comportamento, e eu comecei a ver como isso me afetou. Desde a infância, eu sempre tinha identificado teologia, apologética e evangelismo como a mais alta vocação na vida cristã, enquanto as virtudes deveriam ser meros frutos da crença correta. Infelizmente, descobri que os frutos não estavam apenas faltando em minha vida, mas que minha teologia tinha realmente contribuído para os meus vícios. Ela me fez censura, orgulhosa, e argumentativa. Eu também percebi que tinha feito a mesma coisa para os meus heróis.

Quanto mais eu aprendia sobre os reformadores protestantes, menos pessoalmente eu gostava deles. Eu reconheci que o meu próprio fundador, João Calvino, era um homem arrogante e auto-importante, que foi brutal para com os seus inimigos, nunca aceitou a responsabilidade pessoal, e condenava a qualquer um que não concordasse com ele. Ele chamou a si mesmo de profeta e atribuiu autoridade divina ao seu próprio ensino. Isto contrasta totalmente com bastante do que eu estava aprendendo sobre os teólogos católicos. Muitos deles eram santos, significando que eles tinham vivido vidas de abnegação e caridade heroica. Mesmo os maiores deles – homens como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino – também reconheciam que eles não tinham autoridade pessoal para definir o dogma da Igreja.

Exteriormente, permaneci firmemente anticatólico. Continuei a atacar a Igreja e a defender a Reforma, mas interiormente eu estava em uma agonia psicológica e espiritual. Descobri que minha teologia e todo o trabalho da minha vida foram fundamentados em uma mentira, e que a minha própria vida ética, moral e espiritual estava profundamente carente. Eu estava perdendo rapidamente a minha motivação para contestar o Catolicismo, e em vez disso eu queria simplesmente saber a verdade. Os reformadores protestantes tinham justificado a sua revolta por um apelo à “Sola Scriptura”. Meus estudos da doutrina da justificação tinham me mostrado que a Escritura não era o guia tão claro como os reformadores alegavam. E se todo o seu apelo a “Sola Scriptura” fosse equivocado? Por que, afinal, eu trataria a “Sola Scriptura” como a autoridade final?

Quando eu levantei essa questão para mim, percebi que eu não tinha uma boa resposta. A verdadeira razão pela qual apelava para a “Sola Scriptura” era que isso é o que havia me sido ensinado. Ao estudar o assunto, descobri que nenhum protestante já deu uma resposta satisfatória para esta pergunta. Os reformadores realmente não defenderam a doutrina da “Sola Scriptura”. Eles simplesmente a afirmaram. Pior ainda, eu aprendi que os teólogos protestantes modernos que tentaram defender a “Sola Scriptura” o fizeram com um apelo à tradição. Isso me parecia ilógico. Eventualmente, eu percebi que a “Sola Scriptura” não está nem mesmo nas Escrituras! A doutrina é auto-refutável. Vi também que os primeiros cristãos não sabiam mais de “Sola Scriptura”, do que haviam conhecido de “fé”. Sobre as questões de como somos salvos e como definimos a fé, os cristãos mais antigos encontravam o seu centro na Igreja. A Igreja era tanto a autoridade sobre a doutrina cristã, bem como o instrumento de salvação.

A Igreja era a questão para a qual eu continuava me voltando. Os evangélicos tendem a ver a Igreja como simplesmente uma associação de fiéis unidos mentalmente. Até mesmo os reformadores, Lutero e Calvino, tinham uma visão muito mais forte da Igreja do que isso, mas os antigos cristãos tinham a doutrina mais sublime de todas. Eu costumava ver sua ênfase na Igreja como antibíblica, ao contrário da “fé”, mas eu comecei a perceber que era minha tradição evangélica que era antibíblica!

A Escritura ensina que a Igreja é o Corpo de Cristo (Efésios 4, 12). Os evangélicos tendem a descartar isso como mera metáfora, mas os antigos cristãos pensavam nisso como, literalmente, embora misticamente, a verdade. São Gregório de Nissa disse: “Aquele que contempla a Igreja realmente contempla Cristo.” Enquanto eu pensava sobre isso, eu percebia que ele disse uma verdade profunda sobre o significado bíblico da salvação. São Paulo ensina que os batizados foram unidos a Cristo na sua morte, para que também eles fossem unidos a ele na ressurreição (Romanos 6, 3-6). Esta união, literalmente, torna o cristão um participante da natureza divina (2 Pedro 1, 4). Santo Atanásio poderia até dizer, “Ele se fez homem para que pudéssemos ser elevados a Deus” (De Incarnatione, 54,3). A antiga doutrina da Igreja agora fazia sentido para mim, porque eu via que a própria salvação nada mais é que a união com Cristo e um crescimento contínuo em sua natureza. A Igreja não é uma mera associação de pessoas com interesses semelhantes. É uma realidade sobrenatural porque compartilha da vida e ministério de Cristo.

Essa percepção também fazia sentido na doutrina sacramental da Igreja. Quando a Igreja batiza, absolve os pecados, ou acima de tudo, oferece o Santo Sacrifício da Missa, é realmente Cristo quem batiza, absolve e oferece o seu próprio Corpo e Sangue. Os sacramentos não diminuem a Cristo. Eles o tornam presente.

As Escrituras são bastante simples sobre os sacramentos. Se você tomá-los literalmente, você deve concluir que o batismo é o “banho de renascimento e renovação pelo Espírito Santo” (Tito 3, 5). O que Jesus quis dizer quando disse: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida” (João 6, 55). Ele não estava mentindo quando ele prometeu “a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados” (João 20, 23). Isto é exatamente como os antigos cristãos entendiam os sacramentos. Eu já não podia acusar os antigos cristãos de serem antibíblicos. Por que razão eu deveria rejeitá-los em tudo?

A antiga doutrina cristã da Igreja também fez sentido na questão da veneração dos santos e mártires. Eu aprendi que a doutrina católica sobre os santos é apenas um desenvolvimento desta doutrina bíblica do Corpo de Cristo. Os católicos não adoram os santos. Eles veneram a Cristo em seus membros. Ao invocar a sua intercessão, os católicos apenas confessam que Cristo está presente e operante na sua Igreja no céu. Os protestantes frequentemente objetam que a veneração dos santos católicos de alguma forma diminui o ministério de Cristo. Eu comecei a entender agora que o inverso é a verdade. São os protestantes que limitam o alcance da obra salvadora de Cristo, negando suas implicações para a doutrina da Igreja.

Meus estudos mostraram essa teologia concretizada na devoção da Igreja antiga. Conforme eu continuava a minha investigação de Santo Agostinho, eu aprendia que esse “herói protestante” abraçou completamente a veneração de santos. Peter Brown (nascido em 1935), um estudioso de Santo Agostinho, também me ensinou que os santos não estavam relacionados com o Cristianismo antigo. Ele argumentou que não se pode separar o Cristianismo antigo da devoção aos santos, e ele colocou Santo Agostinho diretamente nesta tradição. Brown mostrou que esta não era uma mera importação pagã no Cristianismo, mas sim estava ligado intimamente à noção cristã de salvação (Veja “O Culto dos Santos: A Sua Origem e Função no Cristianismo Latino”).

Quando entendi a posição católica sobre a salvação, a Igreja e os santos, os dogmas marianos também pareciam se encaixar. Se o coração da fé cristã é a união de Deus com a nossa natureza humana, a Mãe desta natureza humana tem um papel extremamente importante e único em toda a história. Por isso, os Padres da Igreja sempre celebraram Maria como a segunda Eva. O seu “sim” a Deus na anunciação desfez o “não” de Eva no jardim. Se era apropriado, venerar os santos e mártires da Igreja, quanto mais apropriado não seria dar honra e veneração a ela que tornou possível nossa redenção?

No momento em que eu terminei meu doutorado, eu tinha revisto completamente a minha compreensão da Igreja Católica. Vi que a sua doutrina sacramental, a sua visão da salvação, sua veneração a Maria e aos santos, e suas reivindicações de autoridade estavam todas fundamentadas nas Escrituras, nas tradições mais antigas, e no claro ensino de Cristo e dos apóstolos. Eu também percebi que o protestantismo era uma massa confusa de inconsistências e lógica torturada. Não só era falsa a doutrina protestante, mas criava contenção, e não poderia mesmo permanecer inalterada. Quanto mais eu estudava, mais eu percebia que a minha herança evangélica tinha me movido para longe não só do Cristianismo antigo, mas mesmo a partir do ensino de seus próprios fundadores protestantes.

Os evangélicos americanos modernos ensinam que a vida cristã começa quando você “convida Jesus a entrar em seu coração”. A conversão pessoal (o que eles chamam de “nascer de novo”) é vista como a essência e o começo da identidade cristã. Eu sabia a partir de minha leitura dos Padres que este não era o ensino da Igreja primitiva. Eu aprendi estudando os reformadores que não era nem mesmo o ensino dos primeiros protestantes. Calvino e Lutero tanto inequivocamente identificavam o batismo como o início da vida cristã. Eu procurei em vão em suas obras por qualquer exortação ao “novo nascimento”. Eu também aprendi que não descartavam a Eucaristia como sem importância, como eu o fazia. Enquanto eles rejeitavam a teologia católica sobre os sacramentos, ambos continuaram a insistir que Cristo está realmente presente na Eucaristia. Calvino mesmo ensinou em 1541 que uma compreensão adequada desta Eucaristia é “necessária para a salvação”. Ele não sabia nada do individualista, do Cristianismo do “novo nascimento” no qual eu havia crescido.

Terminei a minha licenciatura em Dezembro de 2002. Os últimos anos de meus estudos foram realmente muito obscuros. Mais e mais, parecia-me que os meus planos estavam ficando desequilibrados, e o meu futuro na escuridão. Minha confiança ficou muito abalada e eu realmente duvidava, que eu poderia acreditar em qualquer coisa. O Catolicismo começou a me parecer como a interpretação mais razoável da fé cristã, mas a perda da fé de minha infância foi demolidora. Orei por orientação. No final, eu creio que foi a graça que me salvou. Eu tinha uma esposa e quatro filhos, e Deus finalmente me mostrou que eu precisava de mais do que os livros em minha vida. Sinceramente, eu também precisava de mais do que “somente a fé”. Eu precisava de ajuda real para viver a minha vida e batalhar contra os meus pecados. Encontrei isso nos sacramentos da Igreja. Em vez da “Sola Scriptura”: eu precisava da orientação verdadeira de um professor com autoridade. Encontrei isso no Magistério da Igreja. Descobri realmente que toda a minha companhia eram os santos no céu – e não apenas os seus livros sobre a terra. Em suma, eu descobri que a Igreja Católica foi idealmente formada para atender as minhas necessidades espirituais reais. Além da verdade, descobri Jesus em sua Igreja, através de sua Mãe, e em toda a companhia dos seus santos. Entrei na Igreja Católica em 16 de Novembro de 2003. Minha esposa também tinha sua própria aversão contra as profundezas da Igreja e hoje minha família é uma família feliz e entusiasticamente católica. Agradeço aos meus pais por me apontarem Cristo e as Escrituras. Agradeço a Santo Agostinho por me apontar a Igreja!

Por David Anders, PhD | Fonte: Coming Home Network | Tradução: Tonynho Campos

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D. Afonso Henriques e o nascimento de Portugal http://www.lepanto.com.br/historia/d-afonso-henriques-e-o-nascimento-de-portugal/ http://www.lepanto.com.br/historia/d-afonso-henriques-e-o-nascimento-de-portugal/#comments Fri, 30 May 2014 16:34:45 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5202

“Eu sou o fundador e destruidor dos Reinos e Impérios; e quero em ti, e em teus descendentes, fundar para mim um Império, por cujo meio seja meu Nome publicado entre as nações mais estranhas”.

Quando nos debruçamos sobre a história de Portugal logo somos assaltados por um interessante paradoxo: como pôde um país tão pequeno em extensão territorial realizar uma epopeia — navegações, descobrimentos, conquistas, feitos missionários — de tão grande monta?

 

A história do nascimento dessa nação traz um pouco de luz para a solução do intrigante problema. Com efeito, Deus Nosso Senhor, tal como fez com o povo eleito do Antigo Testamento, escolheu Portugal para intervir na História, a seu modo preparando “um Império” por cujo meio seu nome seria “publicado entre as nações mais estranhas”.

Antecedentes

Os visigodos arianos, expulsos da França pela ação de Clóvis,(1) penetraram na Península Ibérica, ali encontrando os suevos, povo pagão instalado naquelas terras. O longo trabalho da Igreja, aliado à influência de povos já convertidos, vai entretanto dobrando aos poucos a dura cerviz dos “bárbaros”. Por volta de 560, conforme narra o historiador luso João Ameal, “o povo suevo se converte à verdadeira religião, graças a São Martinho de Dume. Em Braga se celebra (em 561) um concílio para festejar a conversão. Cria-se o rito bracarense — e a metrópole sueva torna-se, como então foi dito, a Roma das Espanhas”.(2) Ainda algumas disputas com os arianos e, no III Concílio de Toledo em 589, os monarcas e bispos hereges acabam por abjurar a heresia.

Entretanto, agiganta-se outro inimigo da Cristandade nascente. O império maometano assenhora-se do norte da África e fica à espreita da ocasião para invadir a Europa divida. Esta ocasião não tarda. “Apesar dos benefícios resultantes da unificação cristã e da obra moralizadora e organizadora dos Concílios, apesar de uma cultura já brilhante, a sociedade visigoda não se sustenta”,(3) corroída que está por poderosas toxinas (restos do partido ariano, chefes locais e grupos disseminadores de insatisfação). Em 710, brigas sucessórias entre os visigodos acabam por abrir as portas aos mouros, que acorrem em grande número. Sua marcha só é tolhida por Carlos Martel, já em território franco.

A presença moura logo se consolida. Forma-se no território ibérico um “xadrez movediço”, dadas as incessantes disputas entre os próprios muçulmanos, as conquistas e derrotas dos visigodos, e a resignação dos chamados mosárabes.(4)

Cerca de cinco séculos vão se passar num convívio, ora pacífico, ora sangrento, entre invasores e cristãos. Mas não sem que o desejo da reconquista impulsione os verdadeiros cavaleiros. Afonso VI de Leão, no século XI, desponta como líder da insurreição, disposto a responder à altura à insolência dos príncipes árabes.

A Igreja, entretanto, encontra-se em crise. Mas a ação da Providência não tarda. E os beneditinos de Cluny, com sua rede de mosteiros que vão se difundindo por toda a França, tornam-se o centro da reforma.

É a esse ramo beneditino que Afonso VI recorre, em um momento culminante na luta contra os mouros. E o abade Hugo, que naquela ocasião governava Cluny, não o decepciona. Intervindo junto a Filipe I da França, consegue reforços, pondo em marcha um valoroso grupo de cavaleiros franceses.

Vitorioso, D. Afonso VI retribui aos cavaleiros concedendo-lhes territórios e a mão de suas filhas. Uma delas – Da. Tereza – desposa D. Henrique de Borgonha, que recebe, além disso, o senhorio sobre uma região localizada entre os rios Minho e Tejo, no extremo oeste da Península. Em 1097, D. Henrique usa já o expressivo título de “Conde portucalense”.

Com esses casamentos D. Afonso VI consegue descentralizar o poderio militar de seu império, favorecendo a resistência a um inimigo que ataca inopinadamente em todas as frentes. Tal descentralização ocasionará, mais à frente, o desmembramento de seu império.

Morrendo D. Afonso VI, D. Henrique vê a oportunidade de emancipação de seu Condado. Vários fatores levam à formação do que João Ameal chama de “uma nacionalidade em potência”: “Todos os fatores cujo esquemático panorama acaba de ser enumerado — hipotéticas diferenciações geográficas, étnicas e linguísticas, singularidade de um destino marcadamente oceânico, intenso comércio marítimo com as populações nórdicas, superiores desígnios pontifícios para a arrumação da Península, ascendente benéfico de Cluny, justificáveis ambições pessoais de D. Henrique, antiga e persistente aspiração dos senhores de entre-Douro-e-Minho à conquista da autonomia — se conjugam para apresentar aqui, nos inícios do séc. XII, o que será justo chamar: uma nacionalidade em potência”.(5)

Dom Afonso Henriques

No entanto, D. Henrique — cujo nome “é o primeiro a gravar-se nos anais da conquista da independência portuguesa” — morre sem conseguir realizar suas aspirações.

Seu filho Afonso, sem embargo, vai se mostrando desde pequeno propenso a realizá-las. E os melhores vultos da nobreza — entre os quais o mítico Gonçalo Mendes, o Lidador — põem nele suas esperanças. Ainda muito jovem, sai vencedor na Batalha de São Mamede, o que lhe assegura a soberania sobre seus territórios frente às pretensões dos reinos vizinhos e de facçõesinternas.

As relações com o governo leonês deixam de ser vassalo-senhor. Mostrando seus propósitos de emancipação, D. Afonso vai ao mesmo tempo consolidando a estrutura de seus domínios. Favorece a estabilização do poder eclesiástico nas mãos do arcebispo de Braga e trabalha em prol de boas relações com a Santa Sé.

O “Fundador dos Impérios”

Os árabes agitam-se novamente, fazendo incursões e derrotando os portucalenses. D. Afonso assina um acordo de paz com o imperador de toda a Hispania (Afonso VII de Leão e Castela), assegurando a estabilidade em uma de suas frentes. Para barrar o mouro invasor, intui que é preciso causar terror em seu meio. Aproveitando-se de uma crise dinástica entre Almorávidas e Almôhadas, penetra em território dominado por eles para dar batalha.

O número dos inimigos, entretanto, começa a esmorecer a coragem dos portucalenses. Assim narra o próprio D. Afonso: “Eu estava com meu exército nas terras de Alentejo no Campo de Ourique para dar batalha a Ismael, e outros quatro reis mouros, que tinham consigo infinitos milhares de homens; e minha gente, temerosa de sua multidão, estava atribulada, e triste sobremaneira, em tanto que publicamente diziam alguns seria temeridade acometer tal jornada. E eu, enfadado do que ouvia, comecei a cuidar comigo o que faria”.(6)

No meio dessa preocupação, D. Afonso entra em sua tenda, toma a Sagrada Escritura, abre-a justamente na narrativa da vitória de Gedeão, e dirige em seguida uma prece a Deus: “Mui bem sabeis Vós, Senhor Jesus Cristo, que por amor vosso tomei sobre mim esta guerra contra os blasfemadores de vosso nome”. Cansado, adormece e, em sonho, vê um ancião que vem até ele, prometendo-lhe a vitória. Seu camareiro logo o desperta, apresentando o mesmo ancião que vira no sonho, o qual lhe dirige a mesma promessa de vitória, acrescentando que Nosso Senhor queria comunicar-lhe uma mensagem.

D. Afonso obedece às ordens daquele homem de Deus, dirigindo-se ao local determinado. “Vi de repente no próprio raio resplandecente o sinal da Cruz, mais resplandecente que o Sol, e

Jesus Cristo crucificado nela. Lancei-me por terra e, desfeito em lágrimas, comecei a rogar pela consolação de meus vassalos, e disse sem nenhum temor: ‘A que fim me apareceis, Senhor? Quereis por ventura acrescentar fé a quem tem tanta? Melhor é por certo que vos vejam os inimigos, e creiam em vós, que eu, que desde a fonte do Batismo vos conheci por Deus verdadeiro, Filho da Virgem, e do Padre Eterno, e assim vos conheço agora’. O Senhor, com um tom de voz suave, que meus ouvidos indignos ouviram, me disse: ‘Não te apareci deste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração neste conflito, e fundar os princípios de teu Reino sobre pedra firme. Confia, Affonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras, em que pelejares contra os inimigos da minha Cruz. Acharás tua gente alegre, e esforçada para a peleja, e te pedirá que entres na batalha com o título de Rei. Não ponhas dúvida; mas tudo quanto te pedirem lhe concede facilmente. Eu sou o fundador, e destruidor dos Reinos, e Impérios; e quero em ti, e teus descendentes, fundar para mim um Império, por cujo meio seja meu nome publicado entre as nações mais estranhas’. ‘Por que méritos, Senhor, me mostrais tão grande misericórdia? Ponde vossos benignos olhos nos Sucessores, que me prometeis, e guardai salva a gente portuguesa’. ‘Não se apartará deles, nem de ti, nunca, minha misericórdia, porque por sua via tenho aparelhadas grandes searas, e a eles escolhidos por meus segadores em terras mui remotas’. Dito isto, desapareceu”.

Confortado por essas palavras, D. Afonso volta para o acampamento. No brilho dos seus olhos, e no vigor de sua expressão, seus cavaleiros encontram ânimo para dar batalha aos infiéis.(7)800px-D._Afonso_Henriques_Batalha_de_Ourique

 

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Um símbolo da loucura do mundo moderno http://www.lepanto.com.br/destaque/um-simbolo-da-loucura-mundo-moderno/ http://www.lepanto.com.br/destaque/um-simbolo-da-loucura-mundo-moderno/#comments Thu, 29 May 2014 21:22:45 +0000 http://www.lepanto.com.br/?p=5197

Casa invertida

Se imaginássemos essa casa, que está com o telhado para baixo, na sua posição normal — portanto com o telhado para cima —, que aspecto ela apresentaria? — Uma impressão perfeitamente banal. Seria mais uma dessas casas pelas quais passamos sem notar nada de especial.

Posta de cabeça para baixo, entretanto, causa a impressão de um delírio, de uma loucura. Provoca a ideia de que todo bom senso está de cabeça para baixo, todo equilíbrio mental está invertido, e de um mundo transformado em manicômio.

Mas isso levanta um problema: quem são os loucos? Os que estão se tratando dentro do manicômio e que acham isso normal? Ou aqueles que estão fora do manicômio e que não estranham isso?

Mais precisamente a pergunta é esta: quem olha para este edifício e gosta, é louco? Pois um louco, se pudesse desenhar uma casa, poderia desenhá-la assim invertida.

Então, os homens que não são loucos, mas que julgam isso interessante e até mandam construir casas assim, o que eles são? São loucos? Tratando-se com eles, percebe-se que não são. Então, como é que chegam a gostar de algo que só um louco aprecia?

São pervertidos de alma. A perversão da alma costuma estar ligada à impureza. A impureza ocasiona uma grave perversão de espírito. Mas, não é só impureza, é a falta de bom senso, de lógica, de amor às coisas na ordem que lhes é própria.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 9 de agosto de 1986. Sem revisão do autor.

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