<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-14152608</atom:id><lastBuildDate>Wed, 11 Sep 2024 02:53:54 +0000</lastBuildDate><category>Opinião</category><category>Notícia</category><category>Biografia</category><category>Entrevistas</category><category>Figuras</category><title>Mambos da Dikanza</title><description>Música Angolana</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Abel Silva)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-6277527816523800550</guid><pubDate>Wed, 14 Mar 2012 13:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:50:50.502+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Figuras</category><title>Bruno M:  Do Crime Ao Sucesso</title><description>&lt;br /&gt;
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Ainda em 2004, por influência de amigos com quem partilhou vizinhança, tornou-se membro de um gang juvenil, conhecido por Alameda Squad.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Registado pelo nome de William Bruno Diogo do Amaral, filho de Pedro do Amaral e de Merciana Manuel Pascoal Diogo, casado, de nacionalidade angolana, nascido na província de Malanje aos 15 de Setembro de 1985, hoje ao falarmos de Bruno M, falamos nem mais nem menos do que um jovem que dedica-se à música desde os tempos mais remotos da sua adolescência. Desde 1999 aos meados de 2004, foi praticante de rap das ruas de Luanda aos mais variados home studios da cidade.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Ainda em 2004, por influência de amigos com quem partilhou vizinhança, tornou-se membro de um gang juvenil, conhecido por Alameda Squad, grupo muito polémico na época. Nos finais do mesmo ano, também conhecido por “Scocia” no seio do grupo, Bruno M e alguns membros do grupo são presos na C.C.L. (cadeia central de Luanda), fruto das praticas anti-sociais desencadeadas na época, vindo a passar lá alguns dias antes de liberdade. «Aquele foi como um mal necessário, pois foi praticamente ali onde tudo começou… Por influência de alguns jovens que lá faziam kuduro por diversão, comecei a escrever alguns versos de kuduro, nos quais retractava as minhas vivências na época...».&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Mais tarde, pós liberdade, decidiu corrigir e concluir alguns dos versos compostos na C.C.L., tendo então a sua primeira letra concluída intitulada “Não respeita, né?!”. «No princípio do segundo semestre de 2004 ainda procurei por alguém que cantasse o “Não respeita, né?!”, mas foi um esforço em vão, pois não encontrei alguém que cantasse como eu quis que a letra fosse interpretada. Na altura eu já fazia instrumentais de kuduro e captação de voz em estúdio caseiro, onde fazia a produção de vários kuduristas mesmo antes de eu começar a cantar, daí o nome de “Bruno Mágico” assim baptizado pelos mesmos kuduristas dos quais fazia a produção musical. Foi então quando experimentei interpretar a letra por cima de um instrumental de minha autoria e felizmente a música foi bem aceite, não obstante o facto de, nos primeiros dias receber ainda muitas criticas e ser alvo de troça de algumas pessoas que ainda não compreendiam a tendência inovadora que eu trazia ao estilo Kuduro, apesar de não ter cantado por fins de expansão». Não foi necessário muito tempo e já era notável um grande número de jovens que faziam kuduro inspirando-se no “Não respeita, né?!” de Bruno M.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Daí observava-se, então, um grande exemplo de vida, particularmente aos jovens luandenses, numa altura em que estavam na sua maioria envolvidos em práticas menos lícitas como associações de malfeitores (gangs) e outras espécies de má conduta social. Após aperceber-se que podia fazer algo melhor, Bruno M entregou-se à arte na sua forma musical arrastando consigo uma legião de jovens que no passado perdiam-se em práticas criminosas e encontraram no Kuduro consolo e meio de manifestação e expressão.&lt;/div&gt;
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Sem qualquer objectivo profissional, Bruno M lançou nos meados de 2005 a sua segunda musica intitulada “I am”, expressão inglesa que significa “Eu sou”. «Como não deixava de ser, era uma música onde eu retractava as minhas vivências, a minha zona, em fim… Na verdade eu achei no kuduro um canal aberto onde pude me exprimir de modo livre e demonstrar ao público em geral que não éramos exactamente o que as pessoas diziam, mas sabíamos e fazíamos coisas melhores, dai a minha preocupação em trazer sempre um conteúdo musical de abrangência social com vista a contribuir modestamente para o equilíbrio da classe juvenil…».&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;  &lt;br /&gt;Ainda nos finais de 2005 Bruno M começou a compor a sua terceira letra intitulada “1 para 2”, tendo concluído a mesma apenas no segundo mês do ano seguinte. Era uma letra mais matura onde já apareciam versos com desencorajamento ao crime, em fim… “1 para 2” foi simbolicamente o começo de uma nova era do kuduro, tudo porque daí em diante já apareciam músicas de kuduro com um certo conteúdo informativo e educativo acima de tudo. Foram surpreendentemente três sucessos consecutivos, o suficiente para convencer qualquer ouvinte, e como onde há fumo, quase sempre há fogo, Bruno M foi recebendo muitas propostas contratuais de editoras e empresários atraídos pelo sucesso alcançado, sem querer, por este jovem músico que já não tinha nada para além do prazer em musicalizar para consolar a sua alma quebrantada pelos problemas sociais que o afrontavam. Estavam então as portas abertas para que se tornasse sólido o projecto “Batida Únika”.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;Foi então a partir de 2006 que Bruno M iniciou a produção executiva do seu primeiro álbum que viria a intitular-se “Batida Únika”, por se tratar de uma nova vertente do estilo Kuduro e que, desde então, tornou-se na forma padrão de fazer o estilo até aos dias de hoje. O processo de produção das 15 faixas musicais que compunham o álbum, nomeadamente “Não Respeita, Ne?!”, “Olha Quem Vem Ai”, “Para-choque”, “Toques De Caixa”, “Tsunami”, “I Am”, “Dança Da Tropa”, “Endju Tupiluke”, “E Bom!”, “Tropa 100 Farda”, “Txubila”, “1 Para 2”, “Sentem”, “60 Segundos” e “Maratona”, foi concluído apenas em 2008, ano em que foram oficialmente expostas 14 mil copias à disposição do impetuoso público amante do estilo, no dia 3 de Fevereiro, na portaria do cine Atlântico em Luanda, e subsequentemente Bruno M e o seu elenco iniciaram uma tournée inter-provincial em Angola com vendas do seu álbum e os respectivos shows de apresentação.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;Dentre outros eventos internacionais em que participou Bruno M, um dos mais relevantes aconteceu ainda no ano 2008, aos 25 de Janeiro, no Brasil em que, juntamente com outras vozes da música angolana, nomeadamente Ary, Noite e Dia e Yola Semedo, representou Angola em um evento cultural alusivo a mais um aniversario do estado de S. Paulo, no Brasil e concomitantemente da província de Luanda, em Angola.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Trata-se de um evento que entreteve aproximadamente 80.000 espectadores estrangeiros que puderam presenciar o desigual ritmo do estilo Kuduro como uma vertente moderna da musica angolana. A grande importância do evento residiu no intercambio cultural que contribuiu para a expansão da musica angolana, em particular o Kuduro, sem esquecer a grande importância da data para os povos brasileiro e angolano.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Também foi em 2008 que Bruno M aparece no Top dos Mais Queridos, festival musical de maior relevância em Angola de frequência anual realizado pelo grupo Rádio Nacional de Angola onde são eleitos, através de votação pública, os dez melhores músicos de cada ano. A participação de Bruno M veio confirmar a qualidade da sua criação musical, evidenciando a sua modesta contribuição para a boa imagem do estilo Kuduro e a sua aceitação nos grandes grupos sociais&lt;/div&gt;
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.    &lt;br /&gt;Em Julho de 2009, Bruno M produz e lança o single “Dança Do Scomba” que tornou-se em um grande sucesso alem de fronteiras e garantiu a sua vitória na primeira edição do prémio Top Kuduro, realizado e produzido pela Rádio Escola, através do Grupo Cefojor aos 27 de Dezembro do mesmo ano.    &lt;br /&gt;Casou-se em Agosto de 2009 com Wine Carvalho do Amaral, com a qual tem um filho, William César do Amaral.    &lt;br /&gt;Aos 10 de Abril de 2010, Bruno M participou de forma relevante em outro grande evento internacional no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Portugal. Ate agora considera-se que foi o maior evento internacional da musica angolana, pois levou um leque de aproximadamente 50 dos melhores artistas nacionais da idade contemporânea. O evento foi realizado pela LS Producoes comemorando uma grande efeméride para o Estado Angolano que significava o oitavo aniversario desde o acordo de paz definitivo assinado em Luanda aos 04 de Abril de 2002. Dentre o extensivo leque de artistas que que representaram no grande palco do Pavilhão Atlântico, Bruno M foi o escolhido para encerrar o evento, possibilitando assim que ate as 04 horas da manha ainda se encontrassem ai, de pe e sentados, milhares de cidadãos do quadro dos PALOPs e não so que aguardavam expectantes pela actuação de Bruno M. Foi um dos eventos mais singulares de toda a minha carreira musical... Eu me encontrava trancado no meu camarim, totalmente desesperado pois não acreditava que ainda encontraria publico na plateia visto que ja eram 04 horas da madrugada, mas confesso que, quando subi ao palco pude ter uma idea do quanto as pessoas ja estavam ligadas a minha musica, tanto africanos como indivíduos de outros pontos do mundo que se faziam presentes naquela grande sala de espectáculos, pois encontrei uma grande plateia que ultrapassou as minhas expectativas.    &lt;br /&gt;De lá para cá, Bruno M é simplesmente uma das figuras mais emblemáticas do estilo Kuduro de todos os tempos, pelas suas características artísticas desiguais e por ser ele mesmo o compositor, interprete e produtor das suas próprias musicas, tudo isso de forma consideravelmente excelente e sem precedentes pelo seu outro lado de intervenção como agente social através da chamada de atenção, principalmente aos jovens angolanos de maneiras a contribuírem activamente no crescimento saudável do país por via da formação académica e profissional e consequente inserção no mercado de trabalho, pautando também pela boa conduta social dentro dos limites da moral e do civismo.&lt;img align=&quot;right&quot; alt=&quot;&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmD-L9mv3qwkg1-_61KVypiC3VNWM-Z6vWa0TaQZWH8k7TcLbUslS82QX7JraK3Wlszaltwkl-DCcokjdJtQTJxk0xcnTXtRlAHLXpq5SKp7pNA71U6bA57oSdCII7fQ9zzPmH/s320/40308_104361606288758_100001447574210_36730_3757133_n.jpg&quot; width=&quot;240&quot; /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;Actualmente Bruno M encontra-se a preparar o seu próximo álbum e uma das grandes metas que tem agora é a de criar um nexo entre o elemento “acústico” e o elemento “electrónico” da sua música, dos estúdios aos palcos diversos proporcionando momentos de actuação ao vivo e com banda, com o objectivo de transmitir a tão questionada alma artística existente por traz do carácter empírico do Kuduro.&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;    &lt;br /&gt;Dentre outras competências profissionais ou intelectuais, Bruno M é compositor e produtor musical, estudante da Faculdade de Direito da Universidade Independente, em Angola e recentemente formado em Jornalismo Profissional pelo CeFoJor (Centro de Formação de Jornalistas) na modalidade teórica e pratica. É membro da associação A.H.A.R.P.E. (Acção Humanitária de Assistência e Reinserção de Presos e Exilados), na categoria de benemérito, com um objecto social unicamente filantrópico.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;Dentre outros projectos vindouros, Bruno M e a sua produtora têm em vista a realização de um filme que ira inclinar-se na própria historia da trajectória do artista. Existe também o projecto de produção e apresentação de um programa de Kuduro no canal internacional de musica africana, Afro Music Channel, ainda para o ano 2010.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;Bruno M pretende lançar o seu segundo álbum o mais brevemente possível, traçando um afastamento parcial ao mercado musical activo, mormente o Kuduro, para dedicar mais do seu tempo e atenção a sua formação com a finalidade de iniciar o próximo ano direccionado a uma perspectiva diferente, propriamente ligada ao seu tão augurado estatuto social.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Fonte:Revista Platina&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/03/bruno-m-do-crime-ao-sucesso.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgmD-L9mv3qwkg1-_61KVypiC3VNWM-Z6vWa0TaQZWH8k7TcLbUslS82QX7JraK3Wlszaltwkl-DCcokjdJtQTJxk0xcnTXtRlAHLXpq5SKp7pNA71U6bA57oSdCII7fQ9zzPmH/s72-c/40308_104361606288758_100001447574210_36730_3757133_n.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-6726957142818522887</guid><pubDate>Sat, 18 Feb 2012 18:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:51:18.128+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Figuras</category><title>Biografia de André Mingas</title><description>&lt;h3&gt;

&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;129&quot; src=&quot;http://imgs.sapo.pt/gfx/534122.gif&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&#39;&#39;A alegria, o amor, carinho e a tranquilidade, são as chaves para um grande sentido de paz, fraternidade e para sempre alimentar as nossas almas&#39;&#39;.&amp;nbsp; André Mingas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Rodrigues Mingas Júnior, que também é conhecido por André Vieira Dias Mingas, pois a sua Mãe é Vieira Dias, é irmão de Ruy Vieira Dias Mingas, Saydi Vieira Dias Mingas, que também era escritor (Gasmin Rodrigues), sobrinho de Liceu Viera Dias e primo de Carlitos Viera Dias. Todos eles monstros sagrados da Cultura Musical e Política de Angola.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas também usa o nome de Gasmin Rodrigues em projectos de Arquitectura, pois Gasmin é Mingas ao contrário.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Este senhor da música e da cultura é filho de André Rodrigues Mingas e Antônia Vieira Dias Mingas, nasceu em Luanda, a 24 de Maio de 1950. Influenciado pelo seu irmão Ruy Mingas e pela genialidade de Liceu Viera Dias, graças ao seu talento indiscutível e sentido de modernidade, começou desde muito cedo a criar uma nova sonoridade musical em Angola, quando mais ninguém o fazia, o que é visível no seu primeiro álbum denominado &quot;Coisas da Vida&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Embora o CD tenha sido produzido há 30 anos, continua a ser actualmente uma das principais referências da moderna música angolana, misturando já naquela altura ritmos locais com sonoridades do jazz e do rock no semba criando a ideia do semba jazz, criticado na época.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O músico e compositor, segundo Filipe Mukenga, foi a sua principal influência levando-o a adoptar as dissonâncias que hoje são uma característica de Filipe Mukenga.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas tal como Filipe Mukenga e Waldemar Bastos fazem parte da geração de ouro de músicos de excelência que emergiu e teve sucesso nos anos 1970 e 1980. Precisam de ser ouvidos e tocados pelas novas gerações para enriquecimento da música angolana.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O pai do &quot;Mufete&quot; foi vice-ministro da Cultura e durante o seu mandato criou a sociedade de autores Angolanos denominada SADIA que existe até hoje. Segundo um quadro do Ministério da Cultura, não identificado, André Mingas foi o homem da massificação cultural, das ideias do Instituto Médio (em construção) e do Instituto Superior de Artes e Cultura e Museu de Arte Contemporânea.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas terminou os seus estudos na Universidade Agostinho Neto e posteriormente na Universidade Técnica de Lisboa. Foi Arquitecto, Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Secretário para os Assuntos Locais do Presidente de Angola, foi Vice-Ministro da Cultura, formador de quadros em Portugal onde foi Professor do 5º ano de Arquitectura da Universidade Lusófona de Lisboa. É referenciado pelos seus alunos e pelo Professor Troufa Real como um grande comunicador, versátil e cativante, as suas aulas estavam sempre cheias pela sua capacidade comunicação e cultura e ainda por cima com um tremendo coração.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Enquanto arquitecto é respeitado no seu país e é o percursor das ideias de requalificação de vários bairros da cidade de Luanda.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Vieira Dias Rodrigues Mingas Júnior foi um dos fundadores da União dos Artistas Angolanos tendo composto músicas e letras que expressam o amor, valorizam a mulher angolana e expressam a realidade da vida com grande sentido de paz e fraternidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Oiçam este senhor e a sua música!&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Bem haja André Mingas&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Fonte: &lt;a href=&quot;http://noticias.sapo.ao/&quot;&gt;http://noticias.sapo.ao&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/biografia-de-andre-mingas.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-6357838233453195728</guid><pubDate>Sat, 18 Feb 2012 18:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:51:18.114+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Figuras</category><title>André Mingas</title><description>&lt;h3&gt;
&lt;a href=&quot;http://angola-luanda-pitigrili.com/who%e2%80%99s-who/a/andre-rodrigues-mingas-junior/andre-mingas&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;http://angola-luanda-pitigrili.com/wp-content/uploads/2011/08/Andr%C3%A9-Mingas.jpg&quot; title=&quot;André Mingas&quot; width=&quot;188&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Data de nascimento : 24 de Maio de 1950 (f. em São Paulo, Brasil, a 11 de Outubro de 2011)   &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Naturalidade : Luanda&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Rodrigues Mingas Júnior que também é conhecido por Andre Vieira Dias Mingas, pois a sua Mãe é Vieira Dias, é irmão de Ruy Vieira Dias Mingas, Saydi Vieira Dias Mingas que também era escritor (Gasmin Rodrigues), sobrinho de Liceu Viera Dias e primo de Carlitos Viera Dias. Todos todos eles monstros sagrados da Cultura Musical e Política de Angola.   &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas também usa o nome de Gasmin Rodrigues em projectos de Arquitectura, pois Gasmin é Mingas ao contrário.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Este Sr da Musica e da Cultura, filho de André Rodrigues Mingas e Antônia Vieira Dias Mingas, nasceu em Luanda aos 24 de maio de 1950. Influenciado por seu irmão Ruy Mingas e pela genialidade de Liceu Viera Dias, graças ao seu talento indiscutível e sentido de modernidade, começou desde muito cedo a criar uma nova sonoridade musical em Angola quando mais ninguém o fazia o que é visível no seu primeiro álbum denominado Coisas da Vida, que embora produzido há trinta anos atras é nos tempos de hoje uma das principais referencias da moderna música angolana de hoje misturando já naquela altura ritmos locais com sonoridades do Jazz e do rock no Semba criando a ideia do Semba jazz na epoca criticado. Este Sr segundo Filipe Mukenga foi a sua principal influencia levando-o a adoptar as dissonâncias que hoje são uma característica do grande autor que é Filipe Mukenga.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas tal como Filipe Mukenga e Waldemar Bastos faz parte da geração de Ouro de musicos de excelência que emergiu e deu sucessos nos anos 70 e 80 com diferenciação e precisam de ser ouvidos e tocados pelas novas gerações para enriquecimento da música angolana.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas como Autor de um álbum solo saído pela EMI- Valentin de carvalho,participou igualmente na compilação Afropea3 produzido por David Byrne com o título N’zambi e com os arranjos marcados pelo salsa cubana e segundo se sabe esta a terminar um novo álbum cujo título ainda desconhecemos. Mas temos conhecimento de participações especiais de Kirk Whalum e Abraham Laboriel. Como admiradores aguardamos ansiosos para conhecer os novos contornos deste grande musico.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Andre Mingas foi Vice-Ministro da Cultura e durante o seu mandato criou a sociedade de autores Angolanos denominada SADIA que existe até hoje. Segundo um quadro do Ministério da Cultura não identificado Andre Mingas foi o homem da Massificacao Cultural, das ideias do Instituto Médio( em construção) e Superior de Artes e Cultura e Museu de Arte Contemporânea.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas terminou os seus estudos na Universidade Agostinho Neto e posteriormente na Universidade Técnica de Lisboa. É Arquitecto, Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Secretario para os Assuntos Locais do Presidente de Angola foi Vice-Ministro da Cultura, formador de quadros em Portugal onde foi Professor do quinto ano de Arquitectura da Universidade Lusófona de Lisboa e referenciado pelos seus alunos e pelo Professor Troufa Real como um grande comunicador, versátil e cativante, as suas aulas estavam sempre cheias pela sua capacidade comunicação e cultura e ainda por cima com um tremendo coracao é só mesmo do André Mingas que Deus me deu o privilegio de conhecer.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Enquanto arquitecto é respeitado no seu País e é o percursor das ideias de requalificação de vários bairros da cidade de Luanda.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Vieira Dias Rodrigues Mingas Júnior foi um dos fundadores da União dos Artistas Angolanos tendo dedicado músicas e letras que expressam o amor, valorizam a mulher angolana e expressam a realidade da vida com grande sentido de paz e fraternidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
8 de Agosto de 2011 – Club-k.net – André Rodrigues Mingas Júnior, o Secretário para Assuntos Locais do Presidente da República esta em vias de ser despachado para a cidade brasileira de São Paulo como Cônsul Geral de Angola, em substituição do diplomata Oliveira Francisco Encoge.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A indicação do mesmo foi uma iniciativa do PR, movido pelo sentido de atenuar as constantes viagens ao Brasil que André Mingas vinha efectuando em resposta a convalescência. A solução antes encontrada levava com que se deslocasse uma vez por semana à cidade de Johanesburgo pelas mesmas razões ao destino anteriormente citado. Em solidariedade com o mesmo, JES decidiu mantê-lo em São Paulo, nas vestes de diplomata.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O seu antecessor, Oliveira Encoge, que é na carreira diplomática ministro conselheiro, já se encontra em Angola desde a primeira semana de Junho. Enquanto se aguarda pela chegada do novo cônsul André Mingas Júnior, aquela missão diplomática é provisoriamente chefiada por Albertino Manuel de Jesus, o Vice-Cônsul para o Sector Consular. Este ano as autoridades enviaram também um segundo Vice-Cônsul, Belmiro dos Prazeres Guimarães, que se dedica às questões das comunidades.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;A faceta profissional &lt;/strong&gt;    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De recordar que o novo cônsul geral em São Paulo é arquitecto de formação, formado pela Universidade Agostinho Neto e Universidade Técnica de Lisboa. Tem Mestrado em arquitectura de habitação e já exerceu a docência universitária em Portugal. Foi a figura a quem o chefe do executivo deu, há 5 anos atrás, a missão de repensar e desenhar a modernização de Luanda, para fazer da capital do país uma cidade mais contemporânea.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como arquitecto ligado ao poder de decisão, ressalva-se por não ter “apadrinhado” a destruição do antigo mercado do Kinaxixe, cuja importância o mesmo reconhecia. Em 2002, escreveu um texto em que dizia: “o Kinaxixe, para além do valor patrimonial enquanto obra arquitectónica, é um dos últimos grandes exercícios de arquitectura tropical produzidos no país e que traduz, de forma indelével, o pensamento que deve estar subjacente à cultura construtiva em países tropicais”. Segundo explicou, o edifício não só é um caso reconhecido de qualidade arquitectónica, como deve ser tomado enquanto exemplo para a prática contemporânea. (recado não acatado)    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
———————————————    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
13 Outubro 2011 – O Apostolado – André Rodrigues Mingas Júnior, que também é conhecido por André Vieira Dias Mingas, pois a sua Mãe é Vieira Dias, é irmão de Ruy Vieira Dias Mingas, Saydi Vieira Dias Mingas, que também era escritor (Gasmin Rodrigues), sobrinho de Liceu Viera Dias e primo de Carlitos Viera Dias. Todos eles monstros sagrados da Cultura Musical e Política de Angola.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas também usa o nome de Gasmin Rodrigues em projectos de Arquitectura, pois Gasmin é Mingas ao contrário.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Este senhor da música e da cultura é filho de André Rodrigues Mingas e Antónia Vieira Dias Mingas, nasceu em Luanda, a 24 de Maio de 1950. Influenciado pelo seu irmão Ruy Mingas e pela genialidade de Liceu Viera Dias, graças ao seu talento indiscutível e sentido de modernidade, começou desde muito cedo a criar uma nova sonoridade musical em Angola, quando mais ninguém o fazia, o que é visível no seu primeiro álbum denominado “Coisas da Vida”.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Embora o CD tenha sido produzido há 30 anos, continua a ser actualmente uma das principais referências da moderna música angolana, misturando já naquela altura ritmos locais com sonoridades do jazz e do rock no semba criando a ideia do semba jazz, criticado na época.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O músico e compositor, segundo Filipe Mukenga, foi a sua principal influência levando-o a adoptar as dissonâncias que hoje são uma característica de Filipe Mukenga.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas tal como Filipe Mukenga e Waldemar Bastos fazem parte da geração de ouro de músicos de excelência que emergiu e teve sucesso nos anos 1970 e 1980. Precisam de ser ouvidos e tocados pelas novas gerações para enriquecimento da música angolana.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O pai do “Mufete” foi vice-ministro da Cultura e durante o seu mandato criou a sociedade de autores Angolanos denominada SADIA que existe até hoje. Segundo um quadro do Ministério da Cultura, não identificado, André Mingas foi o homem da massificação cultural, das ideias do Instituto Médio (em construção) e do Instituto Superior de Artes e Cultura e Museu de Arte Contemporânea.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas terminou os seus estudos na Universidade Agostinho Neto e posteriormente na Universidade Técnica de Lisboa. Foi Arquitecto, Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Secretário para os Assuntos Locais do Presidente de Angola, foi Vice-Ministro da Cultura, formador de quadros em Portugal onde foi Professor do 5º ano de Arquitectura da Universidade Lusófona de Lisboa. É referenciado pelos seus alunos e pelo Professor Troufa Real como um grande comunicador, versátil e cativante, as suas aulas estavam sempre cheias pela sua capacidade de comunicação e cultura e ainda por cima com um tremendo coração.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Enquanto arquitecto é respeitado no seu país e é o percursor das ideias de requalificação de vários bairros da cidade de Luanda.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Vieira Dias Rodrigues Mingas Júnior foi um dos fundadores da União dos Artistas Angolanos tendo composto músicas e letras que expressam o amor, valorizam a mulher angolana e expressam a realidade da vida com grande sentido de paz e fraternidade.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
—————————————–    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
13 de Outubro – O Secretário para Assuntos Locais do Presidente da República, André Rodrigues Mingas Júnior, 61 anos de idade, faleceu as 17 horas de terça-feira (dia 11), na Unidade do Hospital São José, da Beneficência Portuguesa na cidade de São Paulo, Brasil. Três dias antes do infausto, o malogrado sentiu-se mal e foi de seguida levado ao hospital.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O malogrado encontrava-se naquele país a receber tratamento, e estava em vias de ser confirmado Cônsul-Geral em São Paulo, em substituição de Francisco Encoge. Esteve em Luanda a três semanas atrás para rever procedimentos da nomeação e regressou ao Brasil na passada sexta-feira (07). Previa, dentro de dias submeter alguns documentos junto das autoridades brasileiras respeitante a sua indicação como diplomata.    &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A decisão de indicá-lo como futuro cônsul foi uma iniciativa do PR angolano, movida pelo sentido de atenuar as constantes viagens ao Brasil que André Mingas, vinha efectuado em resposta a convalescia. A solução antes encontrada levava com que se deslocasse uma vez por semana a cidade de Johanesburgo pelas mesmas razões ao destino anteriormente citado. Em solidariedade com o mesmo, JES decidiu então mante-lo em São Paulo, nas vestes de diplomata. Durante as ultimas semanas esteve em contacto com a comunidade angolana para se inteirar dos trabalhos que teria pela frente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Fonte: &lt;a href=&quot;http://angola-luanda-pitigrili.com/&quot;&gt;http://angola-luanda-pitigrili.com&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/andre-mingas.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-4750615574630852515</guid><pubDate>Sat, 18 Feb 2012 18:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:51:18.109+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Figuras</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>André Mingas - Um sorriso musical que deixa um país a “andrear”</title><description>&lt;h3&gt;

&amp;nbsp;&lt;/h3&gt;
&lt;img align=&quot;left&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_154/imagem%2015.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Há seres humanos que acabam por deixar de pertencer aos seus familiares e passam a pertencer a todo um povo, André Mingas foi um deles. Continuará a sê-lo enquanto viver na memória da sua música e a preencher espaços das nossas vidas com a harmonia da sua obra.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na hora da partida, aos 61 anos, André Mingas deixou suspensa uma nota musical que pôs os angolanos a cantar, um pouco como se cada um dissesse presente! Eu sinto esta música.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Sentimos no teu canto de violão sincopado, tantas vezes igual ao teu e cada vez mais igual a ti mesmo, a eterna majestade de um rei de coroa de sonhos e manto de charmes que tivemos o privilégio de ter emprestado de Deus durante 61 anos”, leu-se no elogio fúnebre. E este empréstimo levou André a, nas palavras do amigo Reginaldo Silva, saber “influenciar e alterar positivamente, como poucos, o curso normal dos acontecimentos”.&lt;/div&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

UM SORRISO QUE É UMA MARCA&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“E superaste na mestria de sorrir camuflando sabe-se lá que pesares… Sorrisos de fazer bem à alma alheia que deixam como rastro uma lembrança bonita: não nos lembramos de ti com outra aura que não tenha sido a da beleza e da gentileza”. Esta passagem, igualmente lida no elogio fúnebre, acaba por ilustrar aquilo que é a imagem que André soube passar de si para a família e para a sociedade. Soube passar e soube ser. Um homem que sabia sorrir. Provavelmente será esta a imagem que o manterá presente para sempre.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sabe-se que André Mingas recebeu o seu último disco “É Luanda” um dia antes da sua morte. Tê-lo-á recebido de sorriso aberto, o mesmo sorriso com que agradecia a Luanda, a sua cidade, cada tijolo utilizado na construção da sua vida, da sua carreira como arquitecto e da sua carreira como músico; cada amigo, cada admirador. E admiradores teve-os André muitos, o que o levou a saudá-los na dedicatória do seu novo disco. “Saudação especial a todos os jovens angolanos intérpretes das minhas canções: o meu muito obrigado por me estimularem tanto”. E é enorme a lista de nomes citados na dedicatória que vem no disco, uma lista que por si só fala da forma como André pertenceu às pessoas e como estas lhe pertenceram também. André trata-os pelos “nomes de casa” e por outras formas carinhosas como “primo maior”. Mas o carinho era recíproco, André Mingas era tratado por eles como “mano miúdo” e Índio. Para os sobrinhos, na boa tradição africana, André Mingas era apenas o pai.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao menos num aspecto a morte não traiu o músico por completo, deixou-o ver a sua obra última, trinta anos depois de “Coisas da Vida”, um disco que, para muitos, veio abrir uma nova era na música angolana, dando-lhe um forte empurrão para a sua internacionalização. Voltando a Reginaldo Silva, “com o “Coisas da Vida” aprendemos a detestar a mediocridade das letras que continuam a povoar a maior parte das músicas angolanas.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Uma família de Angola&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ou porque Ruy Mingas foi embaixador e antes secretário de Estado, ou porque Saidy Mingas foi cantado como herói nas músicas dos primeiros anos da Angola independente. Ou ainda porque o próprio André chegou a assessor da Presidência da República, depois de ter sido vice-ministro da Cultura, a família Mingas é daquelas que os angolanos conhecem. Quanto mais não fosse pelo seu papel na formação de milhares de jovens. Amélia Mingas, irmã de André, é antes de tudo conhecida como professora, como é hoje a sobrinha Ângela e como o foi o próprio André. Jorge, Francisco, Ruy, Amélia, Saidy, Júlia, José Norberto, Rosa, Ambrosina e Luís são os nomes dos irmãos do arquitecto que se entregou ao mundo pela música.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

MINHA MULHER, MEU REI&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ayhame Mingas, o filho de André, tratava o pai por”meu rei”. Neste particular André soube fugir da imagem habitual do africano artista e boémio. Ayame é filho único nascido do “amor absoluto cantado em prosa e poesia” por André Mingas, assumem os familiares, por Bety, a “minha mulher” como a namorava André por mais de trinta anos.  &lt;/div&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

A VIDA ATÉ AO FIM&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Profundo sentimento de gratidão para com os meus médicos e amigos Raul Cutaite, Buzaide e toda a equipa do Sírio-Libanês, pela entrega e toda a competência com que cuidaram de mim”. Esta passagem está entre os agradecimentos constantes na nota de dedicatórias que acompanha o último disco de André Mingas, ainda não lançado mas que a família já decidiu que colocará no mercado. “…pela entrega e toda a competência com que cuidaram de mim”. Como os grandes homens também André deixou aqui um enigma: “cuidaram”. Era André a despedir-se, ou um André que acreditava ter vencido o cancro?  &lt;/div&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

A VIDA COMEMORADA NUM MUFETE&lt;/h6&gt;
&lt;img align=&quot;left&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_154/imagem%2016.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Viemos para homenagear o teu percurso de vida. Sim, André! Mais do que a morte – mera circunstância biológica – é a vida que tu viveste que nos reúne aqui, hoje!”. As palavras são de Archer Mangueira e José Pedro de Morais (Liderança). São palavras que cabem na tal luz que é o sorriso de André Mingas. Uma luz que foi capaz de fazer dos familiares os seus primeiros fãs e de trazer os fãs para uma espécie relacionamento chegado, quase familiar, ou como conhecidos de longa data. E um homem assim tem nos olhos e no sangue aquilo que a arte, apenas a arte, esta forma de estar na vida e passar a vida a redesenha-la, dá a alguns escolhidos. André Mingas foi arquitecto, compositor e músico, sementes mais que suficientes para ter um percurso político sem a imagem do politiqueiro cru. Ele não sabia viver fora da arte que era a sua vida.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O mufete que André servia em sua casa, onde não iam apenas os muito próximos, sabe-se lá o que era ser próximo para um homem como André, servia-o com a “força do carácter, energia irradiante, a facilidade no relacionamento”. Como escreve Archer. Aliás, o mufete de André acabou por ser servido em música, numa “mufetada” em que convidou todos os angolanos e que estes ainda hoje cantam.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os homens que amam a arte não cabem no mundo das fronteiras, raças e ideologias. Nem sequer no tempo que as suas vidas percorrem. André repetia: “Eu sou um Homem do mundo moderno, estou definitivamente comprometido com o futuro e não adio”. E o mundo não adiou o seu reconhecimento, aceitou-o como um daqueles que vêem dar um toque de beleza à nossa existência. “A humildade era em ti uma grande virtude, e, a frontalidade e transparência um carácter exemplar de invejar, de um carisma invulgar, de uma simpatia exemplar. Sai do nosso seio um apreciador nato do belo, que descrevia na musicalidade da arte o bem do saber, e cantava o amor como ninguém. Combatia sem qualquer receio a mediocridade na construção e era defensor acérrimo da modernização das cidades e proclamava os valores da nossa cultura com mestria”. Era assim que o viam Archer Mangueira e José Pedro. E assim o registaram numa carta redigida em nome dos “amigos do coração” no dia do funeral.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Homenagem dos funcionários da Presidência da República&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sua Excelência&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
José Eduardo dos Santos, Presidente da República,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Excelências, prezada família do malogrado André Rodrigues Mingas Júnior, minhas senhoras e meus senhores,&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em nome dos Órgãos Auxiliares do Presidente da República, coube-me o doloroso dever de pronunciar este elogio fúnebre em homenagem àquele que em vida foi André Rodrigues Mingas Júnior, Secretário do Presidente da República para os Assuntos Locais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nesta hora de pesar, é com bastante emoção que recordamos o amigo e colega, sempre disponível para prestar a sua colaboração e enriquecer os nossos debates, contribuindo com a sua criatividade para o êxito das nossas responsabilidades.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estas palavras não são de mera circunstância. Elas correspondem ao que sentimos sobre a personalidade do falecido e à memória que todos temos dele. Era uma pessoa agradável de conviver, de trato simpático, culto e muito educado. Era igualmente de uma grande sensibilidade humana e intelectual e dotado de muito bom sentido de humor.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Prezava muito o conceito de família, e fazia questão de frisar constantemente a forte relação conjugal com a Bety, sua esposa, com o filho Aihame Mingas e com o seu netinho, o Noah. O André dizia-nos que tinha como referências a educação que herdara dos seus pais, tios, avós e demais familiares., Lembrava-se sempre dos ensinamentos, da cultura, das qualidades humanas e políticas do seu pai, André Rodrigues Mingas, dos seus tios João Brás Van-Dúnem, José Vieira Dias Van-Dúnem, José Vieira Dias (Tio Zé Mudo), Mateus Vieira Dias Van-Dúnem, Sinclética dos Santos Torres, Domingas Torres Vieira Dias (Tia Guinhas), Jofre Van-Dúnem e Liceu Vieira Dias.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Deste último afirmava ser fã, não só pelos seus reconhecidos dotes musicais, mas também pela sua personalidade e trajectória política, granjeando a simpatia e a admiração dos seus parentes mais novos. Inscreveu-se, com mérito próprio, numa linhagem de grandes músicos à qual pertence também o seu irmão Rui, e teve uma carreira musical fulgurante e brilhante, com canções que se tornaram verdadeiros clássicos dos nossos dias. Ele foi também um arquitecto do cancioneiro nacional, muito preocupado com a qualidade estética e com a formação da arte da música desde cedo nas crianças.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Naturalmente, o nosso colega também nos falava com tristeza e amargura do desaparecimento dos seus irmãos Saydi e Zé, numa data que considerava que devia ser esquecida. Apesar disso, não guardava rancores e notava-se o esforço que fazia para compreender as circunstâncias em que morte dos seus irmãos ocorreu.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas era um arquitecto muito comprometido com a ética e a deontologia profissional, mas também corajoso e arrojado nas soluções que encontrava a nível da urbanização para tornar o nosso país mais belo e mais humano. Na sua cabeça fervilhavam mil e uma ideias, que ele queria traduzir em projectos em prol do desenvolvimento do país e do bem-estar dos angolanos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Alguns desses projectos e ideias, se um dia forem concretizados, tornar-se-ão autênticos ‘ex-libris’ da nossa capital, tendo em conta a qualidade, a inovação estética e a criatividade dos mesmos. Deixa, no domínio da arquitectura e das soluções para os problemas habitacionais e de integração social, uma grande obra, se bem que ainda pouco conhecida, mas que certamente o há-de eternizar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não nos podemos esquecer da sua preocupação em clarificar os conceitos no domínio da arquitectura, corrigindo e teorizando. Foi um dos que mais se empenhou em precisar o que são as novas centralidades.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Homem discreto e bom, sempre com um sorriso nos lábios, sofreu com estoicismo sem nunca ter feito sentir aos seus colegas e colaboradores de trabalho a dimensão da sua doença. Era de um optimismo e de uma força impressionantes e tinha muita fé nos destinos do nosso país.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Era sua convicção que, pela natureza do seu povo, Angola sairia da situação de subdesenvolvimento e de desigualdade social mais depressa do que as outras nações africanas. A morte, infelizmente, privou-nos prematuramente da sua energia e saber, deixando um vazio difícil de ocupar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Perdemos um amigo, um irmão, um camarada.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Repousa em paz, André!&lt;/div&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

A LEI DA VIDA&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Não posso dizer que não aceito, pois é assim a lei da vida”. Quem o diz é Bochecha, um sobrinho. “Hoje, amanhã e depois de outros carregados amanhãs, não sei e nem saberei como fazer sem ti, não conheço e tenho receio dos caminhos no escuro da vida e sem qualquer esperança de luz que venha do teu sorriso radiante e contagiante”. Mas é a Lei da vida, disse-o bem o sobrinho de André. Afinal, tal como os familiares terão de viver novos dias sem a voz e a presença de André Mingas, também os angolanos ficarão para todo o sempre sem novidades por ele cantadas, sem mais um convite seu para um mufete. Ao menos “Coisas da Vida” e “É Luanda” são marcas a sinalizar a passagem por este mundo de um homem de “bem-querer” e de quem se não lembrará de uma dia de pesar, porque disfarçados num sorriso gentil.&lt;/div&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

COM A SANTA ANA&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A 17 de Outubro de 2011 foi a enterrar, no cemitério de Santana, em Luanda, André Mingas, conhecido músico e arquitecto, falecido em São Paulo, Brasil, vítima de um cancro. O funeral acabou por ser um momento de consternação e de reconhecimento pelo valor da Obra de André Mingas. Foram milhares os angolanos que se juntaram a família e o acompanharam à última morada, entre os quais o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, altos dignitários do Estado, mulheres e homens da cultura, antigos alunos e admiradores.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Dionísio Rocha&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que representa a morte de André Mingas?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A perca que nos deixa é irreparável. A perca de um indivíduo multifacetado, incentivador da juventude. Embaixador da música angolana no mundo inteiro&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Qual é a dimensão da sua morte para a cultura nacional?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A dimensão da ausência que sentimos é muito grande. André Mingas ultrapassou fronteiras. Trata-se de uma mais-valia relacionada com os países de língua oficial portuguesa e não só. A dimensão teria de ser avaliada em várias categorias: André Mingas, o músico, o politico, o arquitecto, o professor e o amigo com aquele sorriso marcante, brilhante, com cor de alegria.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esteve no cemitério?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para além de ser familiar de André Mingas, também me foi recomendada a tarefa de Mestre de Sala durante o funeral. Eu tive como função chamar as pessoas para o acompanhamento próximo da urna a sepultura.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como define o “Cantor André Mingas”&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas foi um lutador incansável na reabertura dos centros culturais.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

CALABETO&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que representa a morte de André Mingas?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Seu desaparecimento físico cria, naturalmente, um vazio para os seus familiares, na medida em que ele era pai, esposo e irmão. É a perca de um elemento da vida.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Qual é a dimensão da sua morte para a cultura nacional?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sua inteligência e integração na música nacional não será fácil de recomposição como sabemos. Não tive nenhum trabalho conjunto com o André Mingas, mas diversas vezes tive a oportunidade de dividir o palco com ele, actuando antes ou depois de mim, no nosso país e pelo mundo. Foi sempre um momento de bravura e alegria vê-lo como expressava os seus textos.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esteve no cemitério?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estive no velório. Por motivos de saúde não consegui ir ao cemitério.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como define o “Cantor André Mingas”  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu resumo dizendo que André Mingas foi um grande homem. O sorriso nos seus lábios não era de carácter superficial mas substancial, real da sua pessoa. Um cantor com uma alegria e uma voz incansável, com canções muito, muito lindas.  &lt;/div&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

GISELA SILVA&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que representa a morte de André Mingas?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como uma cantora muito jovem, em relação a André Mingas, não tive a oportunidade de acompanhar a sua carreira que foi de grande mérito. Nós, cantores, temos a oportunidade de mantê-lo vivo, cantando a suas obras que ficarão para sempre.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Qual é a dimensão da sua morte para a cultura nacional?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estamos todos de luto e neste contexto deveríamos criar um ângulo para podermos homenageá-lo com um grande show.&amp;nbsp;&amp;nbsp; E não esquecer de mostrar à nação, ao mundo e à sua família que a sua vida não foi em vão.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esteve no cemitério?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu não pude ir ao cemitério porque estava fora de Luanda. Eu dou aulas no Instituto de Formação de Professores do Huambo. Todas as segundas e terças encontro -me no Huambo a trabalhar.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como define o “Cantor André Mingas”  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas foi um elemento da paisagem cultural angolana com um grande contributo para muitas gerações.  &lt;/div&gt;
&lt;h6 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;

 FILIPE MUKENGA&lt;/h6&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que representa a morte de André Mingas?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu estou triste demais para poder comentar esta ocorrência e até já estou a tentar esquecer. O homem já esta sepultado. Tento esquecer mas não consigo. Estou muito triste.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No ventre da nossa mãe Angola abriu-se uma ravina músico-cultural  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Qual é a dimensão da sua morte para a cultura nacional?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como intercâmbio nas áreas das ideias musicais eu aprendi com o André a utilização dos acordes invertidos que vêm do Jazz. André era uma pessoa muito criativa.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esteve no cemitério?  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não tive a oportunidade de participar no funeral. O André Mingas.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como define o “Cantor André Mingas”  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas deixou um vazio no music-hall nacional. Era um artista engajado na exploração das novas sonoridades inspiradas no Jazz.  &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Angola perde assim um músico que via a nova música de Angola numa perspectiva internacional.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O homem que comandava a banda&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp; André Rodrigues Mingas Júnior, aliás, André Mingas, nasceu em Luanda, a 24 de Maio de 1950. Filho de André Rodrigues Mingas e de Antónia Vieira Dias Mingas, deu os primeiros passos no mundo da música graças à influência do irmão Ruy Mingas, ele&amp;nbsp; também músico, e pela genialidade de Liceu Viera Dias.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Porém, escreveu o Apostolado, publicação católica, com o seu talento indiscutível e sentido de modernidade começou desde muito cedo a criar uma nova sonoridade musical em Angola. Lançou o seu primeiro álbum “Coisas da Vida” há trinta anos. “Coisas da Vida” continua a ser actualmente uma das principais referências da moderna música angolana, misturando ritmos locais com sonoridades do jazz e do rock,&amp;nbsp;&amp;nbsp; criando a ideia de uma espécie de “semba-jazz”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas, tal como Filipe Mukenga e Waldemar Bastos, fazem parte da geração de ouro de músicos de excelência que emergiu e teve sucesso nos anos 1970 e 1980.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O autor de “Mufete” foi vice-ministro da Cultura e durante o seu mandato criou a Sociedade Angolana de Direitos de Autor denominada SADIA. Segundo um quadro do Ministério da Cultura, André Mingas foi o homem da massificação cultural, da ideia do Instituto Médio (em construção) e do Instituto Superior de Artes e Cultura e Museu de Arte Contemporânea.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
André Mingas terminou os seus estudos na Universidade Agostinho Neto e posteriormente na Universidade Técnica de Lisboa, onde fez um mestrado.&amp;nbsp; Foi Arquitecto, Mestre em Arquitectura e Urbanismo, Secretário para os Assuntos Locais do Presidente de Angola, Vice-Ministro da Cultura, formador de quadros em Portugal onde foi Professor do 5º ano de Arquitectura da Universidade Lusófona de Lisboa.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
José Kaliengue&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
26 de Outubro de 2011&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/andre-mingas-um-sorriso-musical-que.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-6422937726748898170</guid><pubDate>Sat, 18 Feb 2012 18:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:51:18.119+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Entrevistas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Figuras</category><title>Kelly Silva, um incorrigível romântico</title><description>&lt;h3&gt;
Cantor romântico, ex-bailarino dos lambada do kinaxixi&lt;/h3&gt;
&lt;img align=&quot;left&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_66/edicao_6602_09_21.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando o semba e o kizomba eram os estilos dominantes no panorama musical, Kelly Silva, 28 anos, apostou num estilo original. Inspirado por músicos brasileiros como Leonardo, o seu cantor favorito, Alexandre Pires, algumas duplas sertanejas e, essencialmente, pela MPB (Música Popular Brasileira), o romântico incorrigível, que é como ele próprio se define, deu início a uma carreira que apaixonou vários corações.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sucessos como “Laura”, “Interfone”, “Por Causa Dela”, “Diz Para Mim”, “Miradouro”, “História do Angolano”, “Litito” e “Por amor” marcam a sua carreira. Hoje um dos cantores mais queridos das mulheres angolanas procura conciliar os estudos (está no primeiro ano de Gestão de Empresas) e as gravações do seu próximo álbum.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nesta entrevista, o pioneiro dos cantores românticos, fala-nos sobre as desilusões amorosas que o inspiraram a escrever as suas mais célebres canções e dá-nos a conhecer os planos para o futuro.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;15 anos de carreira. Sente-se orgulhoso de tudo o que alcançou até aqui?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Muito, muito mesmo. O mais difícil foi ser aceite no mercado. Na altura, a música romântica era desvalorizada.&amp;nbsp; Sofri muito por isso. Fui logo conotado como gay. Quem cantava músicas românticas passava a ser visto dessa forma. Senti na pele todo o tipo de preconceitos. Com o tempo consegui impor o romantismo como estilo que hoje é respeitado pelos angolanos. Nada foi em vão, houve algo de muito positivo no meu trabalho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Sente-se um pioneiro?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img align=&quot;right&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_66/edicao_6602_09_22.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sim. Conheci gente maravilhosa, fiz novas amizades e abri as portas para todos os cantores que surgiram depois de mim, para que não tivessem que enfrentar o mesmo tipo de preconceitos e barreiras do que eu. No meio de tudo isso ainda consegui fazer o mais difícil que foi manter o meu nome e a qualidade do meu trabalho porque a fama pode ser conseguida da noite para o dia mas também pode fugir de nós em segundos. Nesse sentido, sinto-me orgulhoso porque sempre soube conviver com a fama e com os fãs.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Um percurso admirável que teve início como bailarino do Lambada do Kinaxixi...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Já naquela altura queria muito a música mas também tinha uma paixão muito grande pela dança. Um dia vi o grupo Lambada do Kinaxixi a passar debaixo do meu prédio à procura de um espaço para ensaiar e eu disse-lhes que tinha o lugar certo para eles. Era no terraço do prédio da Cuca, onde nasci. Integravam na altura o grupo, o Duxa da Cabral Moncada, o Menezes, Monjó que hoje é o treinador e presidente do grupo, o Toni Mena, a “loira burra” como nós chamávamos, que era a irmã da Mizé, a Celma, a Detinha, a falecida São. Já era aquele grupo forte dos Lambada do kinaxixi. Foi uma época bonita da minha vida.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Que recordações tem dessa altura bonita?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu tinha apenas treze anos. Mas gostava muito de uma menina que já tinha 18 anos. Chamava-se Nina. Recordo também que era a revelação do grupo porque ser o mais pequeno a dançar lambada. Ganhámos muitos concursos. Quatro meses depois já dançava ao lado dos mais velhos e fazia actuações em discotecas. Uma das casas até era de um tio meu, o Bingo. Como não era autorizada a entrada de crianças eu tinha de dançar e depois ir para o escritório do meu tio onde ficava fechado. O Wilson Verdades, que também é meu tio, sabia de tudo. Mas se o Gegé soubesse que eu dançava na discoteca dele, ia contar ao meu pai. Então eu tinha que dançar sempre que o Gegé não estivesse na discoteca. Quando ele estava, dançava disfarçado para ele não se aperceber. [Risos]&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Como foi a transição da dança, com os Lambada do Kinaxixi, para a música?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu passei a ganhar alguma atenção. Arrisco a dizer que estive entre os melhores da dança em Angola. Fiz comerciais de dança até que conheci o Rey Webba e o Arnaldo. Um dia eu vi o Arnaldo em cima de um jipe UMM a cantar músicas do Leandro e Leonardo e disse que também gostava de cantar. Quando começámos a cantar, um amigo disse que fazíamos uma dupla muito bonita. Assim nasceu “Kelly e Arnaldo”. Juntos gravamos “Jamais Terá Fim”, um grande sucesso&amp;nbsp; que o público baptizou como “Meu Amor”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Como foi o primeiro show?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A primeira casa em que cantámos foi o Balumuka e as pessoas gostaram muito. Conhecemos o Marcos Pereira, da LR Produções, que passou a ser o presidente do Lambada do Kinaxixi e me convidou para trabalhar com ele. Todos da minha banda abandonaram o barco. Fiquei apenas eu, a Zuraya Pote, a Jurema e a Detinha. Depois elas também desistiram. Sozinho, acabei por ser convidado pelos irmãos Almeida a subir ao palco numa das suas actuações. Na hora do show o Beto de Almeida disse “há um menino aqui que canta muito bem. Vamos chamá-lo para cantar…”. Todo o mundo na sala, eu incluído, ficou à espera de quem seria. Quando ele disse: “Aquele puto, o Kelly da Lambada”. E, de seguida, o Nelo Paim abandonou o piano e disse “Kelly toca”. Eu fiquei sem saber o que fazer! As pernas começaram a tremer. Eu era bailarino, nunca tinha estado num palco a sério como cantor. Mas foi uma coisa linda de que nunca me vou esquecer. O Boavida Neto foi ter comigo e deu-me os parabéns. Foi das coisas que me tocou. Então eu decidi nunca mais parar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Como surgiu o Kelly Silva?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois daquela actuação eu conheci o Rey Webba e cheguei a fazer parte de uma banda do Miami, os Miami Voice. Aí eu ganhei destaque novamente e a banda passou a ser chamada de “Kelly Silva e os Miami Voice”. O nome Kelly Silva foi-me atribuído pelo Kayaya Jr. nessa altura.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Quando veio o primeiro CD?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois de conhecer o Afonso Quintas, as minhas músicas começaram a tocar na rádio, comecei a fazer shows nas províncias, apresentei o karaoke no Karl Marx e, com o tempo, apareceu a oportunidade de gravar um CD. O Beto Max, foi o meu produtor. A música “Laura” e o tema “Sempre Assim”, estoiraram nessa altura e eu ganhei o prémio “Voz Revelação” no Top Rádio Luanda. Em 2004, fui gravar para o Brasil. Com a música “Por Causa Dela” obtive o quarto lugar do “Top dos Mais Queridos”. Com a Efective Eventos gravei o CD História de um Angolano que incluia o tema “Por Você”, que foi a música romântica do ano. Agora só me resta torcer para que o Me Entrego Outra Vez mantenha esse nível.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;E a dança. Ficou para trás?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não, volta e meia faço reciclagens com o grupo Lambada do Kinaxixi. Dou aulas em colégios e este ano quero mostrar um bocado mais de coreografias e do Kelly dançante. Aliás sendo que estamos em 2010, eu vou vestir a camisola 10 este ano. Vou ser 10 em tudo. Ser 10 num novo amor, ser 10 como pai, ser 10 para com os meus amigos e ser 10 na minha carreira. [risos]&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Nota-se que melhorou a sua condição física...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um amigo que também é cantor, o Action Nigga incentivou-me a ir ao ginásio. Disse-me que eu era muito magro e que devia apostar no ginásio. Segui o conselho dele e isso deu-me uma auto- -estima sem igual. O pessoal começou a comentar que eu estava a ficar muito bonito. Agora tornou-se um vício e não consigo ficar sem ir. Quando viajo e fico algum tempo sem ir ao ginásio, faço 400 a 500 flexões todos os dias e 100 a 200 abdominais É um vício. Faz-me bem. Olho para o espelho e sinto-me bem.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Quantas vezes por semana vai ao ginásio?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ia duas vezes por dia, mas agora diminui porque o meu personal trainer diz que não é bom e que o excesso de exercício pode causar fadiga muscular. Então vou uma vez por dia ao ginásio. Para mim é um terror não ir ao ginásio.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Separou-se recentemente. Quer contar-nos a sua grande desilusão amorosa?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img align=&quot;left&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_66/edicao_6602_09_23.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Penso que é algo que todos já vivemos um dia. Pensamos ter encontrado o amor certo para a nossa vida e, de repente, apercebemo-nos que era tudo uma fantasia, um castelo de areia. Quando um amor é mal consolidado desde o princípio acaba por desmoronar. Foram cinco anos de amor e um ano de decepção terrível.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Como foi que vocês se conheceram?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi na escola. Éramos colegas de turma e ela entrou para à sala. Foi amor à primeira vista. Na minha escola havia um concurso em que as alunas da escola queriam ver quem é que ia namorar comigo. Perguntaram-lhe se não queria participar e ela foi a única que não quis. Para má sorte das minhas colegas naquela altura, ela é que começou a namorar comigo. Toda a gente ficou revoltada a dizer que ela se tinha armado que não queria nada comigo e afinal… Mas não, foi algo espontâneo. Eu estava a estudar, ela entrou para sala, muito linda, e aquilo foi na hora! No dia seguinte ela escreveu no quadro que estava a precisar de amigos e estava aberta a amizades, deixou o número de telefone no quadro. Eu tinha um show em Benguela no dia seguinte. Tirei o número de telefone e à meia-noite, estava já no Sumbe, liguei para ela, conversámos um bocadinho. Em Benguela tornei a ligar. Depois começámos a namorar. Posso dizer que vivi momentos muito lindos ao lado dela.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O que levou esse castelo a desmoronar?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Isso acontece quando não existe verdade e, o mais importante, confiança. Perdemos aquele sentimento e a relação já não é a mesma. Então preferimos nos separar.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Neste momento está à procura de alguém?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estou praticamente separado. No dia dos namorados isso vai fazer um ano. Por esse motivo, o dia dos namorados para mim é um dia terrível. Hoje estou aberto a relacionamentos novos. Acredito que a qualquer momento há-de tocar. Eu hei-de apaixonar-me. Tanto eu como o Richard precisamos de uma mulher nas nossas vidas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Então está à procura de uma namorada?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estou. Está na hora, o corpo sente necessidade disso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Que qualidades procura numa rapariga?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A sinceridade é o mais importante. Tem que ser muito honesta. Tem que amar o meu filho e ser apaixonada por mim. Afinal somos dois solteiros em casa. Tem que compreender o meu lado enquanto músico. Alguém que gosta de mim e não apenas do Kelly Silva. A fama faz com que as pessoas confundam os seus sentimentos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Vive com o seu filho?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sim. Ele é o meu companheiro de guerra. Viajamos muito juntos. Muitas das vezes a minha manager, a Vanessa, acaba por tomar mais conta do Richard do que de mim.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Foi uma decisão difícil essa do Richard ficar consigo?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
São perguntas complicadas. Eu penso que os filhos nasceram para estar com o pai e com a mãe. Mas quando o filho tem mais amor por uma pessoa, sente-se melhor com um dos dois, até porque eu sou uma pessoa que sempre dei muita atenção ao meu filho. Acho que a minha mulher ainda está naquela fase de se divertir e viver. Eu sou mais caseiro, “mais família”. Tudo isso reflectiu nessa decisão.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Que planos faz para 2010?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Lançar mais um CD, trabalhar mais no lado promocional. Acabei de ser contratado, no Brasil, para modelo fotográfico. Foi isso que me levou a “malhar” tanto no ginásio. Quero arranjar uma menina, uma namorada. E seguir projectos que estejam ligados à música e à família.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O novo disco já está pronto ou em fase de gravação?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Está em fase de composições ainda. Já tenho músicas muito lindas. O disco também já tem nome, Me Entrego Outra Vez, porque sou da opinião que por mais decepções que eu tenha, por mais que eu caia, ou tropece, por alguma paixão, vou sempre me entregar a uma nova relação com mais carinho, com mais amor e tenho que gostar dessa nova pessoa dez vezes mais. Decepcionei-me sim mas me entrego outra vez e acredito que há-de aparecer essa tal pessoa especial.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;A paternidade mudou alguma coisa em si?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sou um homem bem mais maduro e humano. Ter um filho é indescritível. Fez-me crescer e ter mais responsabilidades porque eu vivo com o meu filho e, portanto, tive de aprender a trocar fraldas, dar banho, pentear, fazer sopinhas. Para um homem isso é muita coisa. Tudo isso tornou-me um Kelly diferente. Até posso dizer que passei a ser mais romântico.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;E o Richard é fã do Kelly?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O meu filho é o meu fã número 1. Na escolinha dele, na creche, sempre que tenho um show aviso. Ele, basta ver-me na TV, não sai dali por nada, canta todas as músicas. Sempre que componho, a primeira pessoa que canto é para ele. Se o Richard decorar o coro, eu sei que a música vai ser um sucesso e graças a Deus ele tem estado a decorar o coro de todas as músicas novas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O que deseja para 2010?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Vou pedir a Deus que continue a iluminar porque eu já vou em 15 anos de carreira.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Por: Hadjalmar El Vaim Fotos: Sassy&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/kelly-silva-um-incorrigivel-romantico.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-6715064079938344538</guid><pubDate>Sat, 18 Feb 2012 07:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:51:18.124+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Figuras</category><title>DUO OURO NEGRO: &amp;quot;RAUL E MILO&amp;quot;</title><description>&lt;h5&gt;
&amp;nbsp;&lt;/h5&gt;
&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSIlMHvBhD7haVS0L5GMjjXfKBtnMrFVZbhymrQRpYW70RmesvHXFf-2tMYerSCKtcw3iT6lB7w0ZXmLArmATUdnlJYYUvalrNR9N8clqUyWXgvN07Qo31eiyRQ02na8RMkqXM/s1600/Foto_01.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSIlMHvBhD7haVS0L5GMjjXfKBtnMrFVZbhymrQRpYW70RmesvHXFf-2tMYerSCKtcw3iT6lB7w0ZXmLArmATUdnlJYYUvalrNR9N8clqUyWXgvN07Qo31eiyRQ02na8RMkqXM/s320/Foto_01.jpg&quot; width=&quot;256&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;A 4 de Junho de 2006, desaparecia a segunda metade do &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Duo Ouro Negro&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;,um dos três nomes (os outros dois são Eusébio e Amália Rodrigues) que nos idos de sessenta lograram dar a conhecer Portugal aos quatro cantos do mundo. Apenas porque tinham qualidade, demasiada qualidade para ficarem restringidos a este pequeno rectângulo à beira-mar plantado, onde, já nesse tempo, a inveja e a mesquinhez reinantes eram incompatíveis com uma carreira nacional de grande sucesso. Por isso Raule Milo se fizeram à estrada, levando a sua música a ouvidos mais limpos e a mentes mais arejadas. Fizeram bem, até por usarem Portugal unicamente como trampolim. Afinal aquela música nada tinha a ver com o fado ou o folclore lusitano, e só por circunstâncias políticas da época se poderiam confundir. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgh3-tUbOjx54N6W_NuxYBwNMRj3szRveqSxJBSgBDoJYmRBMAl9TbtNPVxQEdbpX09S76-H4yH-tjRFa8PtIBVZO0RLwQxSJJyPmD7rm_AyvXfbrAOKmcePD1uM8fOayhxm5Uq/s1600/Foto_04.jpg&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;244&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgh3-tUbOjx54N6W_NuxYBwNMRj3szRveqSxJBSgBDoJYmRBMAl9TbtNPVxQEdbpX09S76-H4yH-tjRFa8PtIBVZO0RLwQxSJJyPmD7rm_AyvXfbrAOKmcePD1uM8fOayhxm5Uq/s320/Foto_04.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Em Fevereiro de 1974, entrevistado por Regina Louro para a revista «Flama», Milo apontava, com algum sarcasmo, algumas razões para há muito tempo não actuarem em Portugal: &lt;/strong&gt;&lt;b&gt;«Quais são os artistas portugueses que têm actuado aqui? A verdade é que não há um sítio, uma casa de music-hall para cantarmos. Os teatros têm os seus elencos, os cinemas o que querem é vender filmes, a televisão contrata como vedetas cançonetistas que lá fora ficam num plano inferior a nós. Ao artista português mais não resta do que esperar pelo Verão para ir a feiras, festas na província, ou a um ou outro casino nas estâncias balneares. Fora desse período está condenado a uma carreira internacional».&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg271S4gR3Li-dIVdVGKF6jDyqGqEyEq4-Yrc_gsxQxP0_QmEGPKowL8Gsa79WMWZmUez5wAmv7giW84AQFN7xoC2-R9mVbVSd_cPH3_9Ndw5bWO2ws54FCXkq3GYvdMpgRDt590g/s1600-h/Saudades+de+Angola.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg271S4gR3Li-dIVdVGKF6jDyqGqEyEq4-Yrc_gsxQxP0_QmEGPKowL8Gsa79WMWZmUez5wAmv7giW84AQFN7xoC2-R9mVbVSd_cPH3_9Ndw5bWO2ws54FCXkq3GYvdMpgRDt590g/s320/Saudades+de+Angola.jpg&quot; width=&quot;251&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;UMA MIRAGEM&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Houve um tempo, um tempo breve, em que pareceu que a música popular portuguesa podia ser assim: uma coisa intercontinental, afro-europeia e euro-africana, que pregava um estilo de vida dominado pela elegância e a alegria; atenta às mudanças do mundo e a cada uma das novas tendências internacionais; ecuménica, capaz de acolher no seu seio a memória do antigo reino dos Kwaniamas enquanto gerava luminosas versões de canções dos Beatles cantadas em português e acotovelava as grandes estrelas da época, como Eartha Kitt, Peter Ustinov, Maria Callas, Charles Aznavour ou Gina Lolobrigida. Houve um tempo em que o &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Duo Ouro Negro&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;, que nasceu no sul de Angola na segunda metade da década de 50, de lá saíu como uma estrela cadente, para fazer escala em Lisboa antes de partir em direcção a outras e mais vibrantes constelações. Houve um tempo em que pareceu que Angola ia ser assim.&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhWvMhG-EAoT93QF96kqAL1pd49cFCh7EKYE8GlEw3g71ez53IEqrasTCSwi8vczp0zh5q609jy1fetTTCa00pMoQWuRAONsIpGXIaU4x4A3OdPN3sR4Hh9rm6albGw6fsdt04/s1600/Foto_02.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;212&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhWvMhG-EAoT93QF96kqAL1pd49cFCh7EKYE8GlEw3g71ez53IEqrasTCSwi8vczp0zh5q609jy1fetTTCa00pMoQWuRAONsIpGXIaU4x4A3OdPN3sR4Hh9rm6albGw6fsdt04/s320/Foto_02.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;Sendo originalmente um trio, foi já como duo que Raul Indipwo e Milo MacMahon - então conhecidos ainda com os seus nomes lusitanos, Raul Aires Peres e Emílio Pereira – se tornaram conhecidos graças às suas espantosas harmonias vocais e a um domínio exímio da guitarra. A princípio projectavam apresentar um elenco do folclore angolano e das suas várias etnias e línguas. Mas a canção que foram estrear ao Cine-Teatro Restauração, em Luanda, e que se tornou o seu primeiro grande êxito, já havia excedido esses limites. No seu registo impressionista e misterioso, «Kurikutela», cujo nome significa &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;«comboio»&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; e celebra o veículo de ferro onde &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;«Toda a gente leva pressa/ de chegar à sua terra/ Estão os parentes à espera»&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; ainda hoje se dá a ouvir como um caso à parte.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgIXK3oveKOWvwNi8WzgbAMTiVt3HOcr77PJdj3HdYvf0_rD2RUKMI28gQgxxMi8DIhEo48IrsLwivnSBqtizjMeUP_hW5JKbBlx3MNKoe12xLGDydFeTTdiVnMy9Xx2oyGVhFf/s1600/Foto_03.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;265&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgIXK3oveKOWvwNi8WzgbAMTiVt3HOcr77PJdj3HdYvf0_rD2RUKMI28gQgxxMi8DIhEo48IrsLwivnSBqtizjMeUP_hW5JKbBlx3MNKoe12xLGDydFeTTdiVnMy9Xx2oyGVhFf/s320/Foto_03.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;Após o êxito conseguido na capital angolana chegam a Lisboa em 1959 pela mão do empresário cinematográfico Ribeiro Belga e, apesar da concorrência em voga no mundo da canção, conquistam em absoluto o público com actuações no Cinema Roma e no Casino Estoril, gravam três discos (inicialmente acompanhados pelo conjunto de Sivuca, depois pela orquestra de Joaquim Luís Gomes), passam pelos écrãs da RTP (onde nessa época se actuava sempre em directo) e regressam a Angola pouco antes do eclodir da guerra, em 1961. Até 1985, ano do falecimento de Milo (a 20 de Fevereiro), decorrerá então o período efervescente do &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Duo Ouro Negro&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;, marcado por diversas fases e pela polarização do reportório (como todos, submetido à vigilância da censura prévia) entre os registos pop mais inanes e lustrosos de romantismo radiofónico, e outras canções que, não sendo de intervenção política, serão no mínimo de intervenção ideológica. O próprio ano de 1961, em que publicam «Garota» &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;(«...se eu beijar sua boca/ Deixará de ser garota/ Passará a ser mulher»)&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; e «Mãe Preta» (uma canção espantosa que fala da escravatura glosando a melodia do «Barco Negro» cantado por Amália) é um bom exemplo deste estado de coisas algo esquizóide: celebrados como verdadeiros ídolos em Angola – e ali impedidos pelo censores de interpretarem em palco parte do seu reportório – a presença mediática que conquistaram na metrópole fez com que aqui fossem olhados como um novo trunfo do regime, a garantia de que, apesar da guerra, a existência de um Portugal pluricontinental, como «muitas raças, um só povo» era um dado indesmentível.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;O que não pode ser desmentido, porém, é que o verdadeiro trunfo do Duosempre foi a perspicácia e a actualidade da sua visão africanista, que também poderemos interpretar como uma fidelidade às origens. E isto apesar dos triunfos internacionais que lhes surgem pela frente logo na primeira metade dos anos 60, quando percorrem o norte da Europa e de lá regressam com versões em português dos Beatles («Agora Vou Ser Feliz», em 1964, com nova letra sobre a melodia de «I Wanna Hold Your Hand») e de Charles Aznavour («La Mamma») - antes ainda das actuações no Olympia parisiense (1965), das galas para os Príncipes do Mónaco (1966), do convite para o primeiro grande espectáculo televisivo da UNICEF e das primeiras actuações no Rio de Janeiro (1967). Estas últimas motivaram aliás nova explosão criativa, de início patente em temas como &quot;Quando Cheguei ao Brasil&quot;: «&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Minha terra era Cabinda/ No Maiombe eu nasci/ Meu cantar era marimba/ Antes de vir para aqui// Quando cheguei ao Brasil/ Sem a minha liberdade/ Quando cheguei ao Brasil/ Tudo em mim era saudade».&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; Era a celebração da diáspora africana, mas também o início do período afro-latino, que ao longo dos anos daria origem a temas como o espantoso «Moamba, Banana e Cola» (1969, com a orquestra de Jorge Leone), «Iemanjá» (1971), ou o encíclico «África Latina» (1979). &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Comparativamente, a longa digressão pelo Extremo Oriente – a que o Duose remete na primeira metade dos anos 70, após a sua exibição na Expo de Tóquio – não parece ter deixado grandes marcas no reportório que praticavam. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Mais do que a miragem do que o nosso passado comum poderia ter sido, é a história de uma miragem de futuro, também ela invulgar, e que pode sintetizar-se, afinal, em breves linhas: «&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Sou da África Latina/ Sou do século 21/ Nossa gente está por cima/ Todos juntos somos um».&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; É a grande vantagem das canções.&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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Fonte: &lt;a href=&quot;http://ratosreturn.blogspot.com/&quot;&gt;http://ratosreturn.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/duo-ouro-negro-e-milo.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSIlMHvBhD7haVS0L5GMjjXfKBtnMrFVZbhymrQRpYW70RmesvHXFf-2tMYerSCKtcw3iT6lB7w0ZXmLArmATUdnlJYYUvalrNR9N8clqUyWXgvN07Qo31eiyRQ02na8RMkqXM/s72-c/Foto_01.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-5999831977793600129</guid><pubDate>Wed, 15 Feb 2012 06:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:51:42.130+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Notícia</category><title>Banda Calypso acusada de plagiar música de Anselmo Ralph</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Luanda – A banda brasileira Calypso, que actualmente desfruta de sucesso no Brasil, plagiou a música “O quê é que adianta”, do músico angolano, Anselmo Ralph, supostamente sem consentimento deste.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O representante da produtora de Anselmo Ralph, Fernando Republicano, que falava à Angop depois de uma conferência de imprensa, referiu que o desconhecimento do plagiou, que já existe presumivelmente desde o mês de Setembro de 2011, só foi descoberto apenas no início deste ano.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Sem muitos detalhes, realçou que a LS Republicano vai simplesmente exigir do grupo brasileiro a divulgação pública de que a música é da autoria do angolano Anselmo Ralph, em respeito aos direitos de autor. &lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;“Neste momento estamos a resolver a questão amigavelmente. Esperamos que a Banda Calypso dê a César o que de César”, salientou.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Advertiu que se o caso que envolve a produtora e a banda, formada pela cantora Joelma Mendes e pelo guitarrista e produtor Chimbinha, não for resolvido de forma amigável o mesmo será levado às instâncias judicias.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;fonte: Angop&lt;/p&gt;  </description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/banda-calypso-acusada-de-plagiar-musica.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-4671454568229550869</guid><pubDate>Wed, 15 Feb 2012 06:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-03-14T14:51:55.652+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Notícia</category><title>Grupo Welwitschias Stars lança CD &amp;quot;Já não sou&amp;quot;</title><description>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img border=&quot;1&quot; alt=&quot;Grupo Welwitschias Stars &amp;#10;&amp;#10;&quot; src=&quot;http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/files/highlight/2012/1/7/0,0378cd3f-52f5-463b-92e6-af364104213d.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Grupo Welwitschias Stars&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Luanda – O grupo musical Welwitschias Stars colocou hoje (domingo) à venda com sessão de autógrafos o seu primeiro single intitulado “Já não sou”, na Praça da Independência, em Luanda.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em declarações à Angop, Mário Contreiras, director artístico da Mukanus Produções, informou ser um disco mais jovial, comportando os estilos zouk, tarrachinha e dance.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O director deu a conhecer que a obra teve várias fases na sua produção iniciada em Angola pela Mukanus e LS Produções.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;“ Isto é um processo longo que vem sido amadurecido a mais de um ano e meio, começando com o programa televisivo, passou para fase final do casting com quatro raparigas e uma saiu em Novembro por opção própria” acrescentou Mário Contreiras.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Segundo o mesmo, o single das Welwitschias Stars não contou com a participação de nenhum nome sonante da música nacional e internacional.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;“ Sendo elas já conhecidas pelo público, não poderiam e nem vão ter uma participação de cantores mesmo no Cd, porque este é o momento delas e o público está a espera de as ver com mais ninguém” realçou.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A obra está ser vendida a mil kwanzas e foram produzidas mais de 5 mil cópias, podendo os fãs adquiri-las nas várias casas de venda de discos.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Mário Contreiras manifestou a pretensão de levar a obra a outras províncias, de forma a que todos os fãs apreciem este primeiro produto. &lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O responsável disse ter havido um “feedback” grande por parte do público nas redes sociais e espera que os mesmos apreciadores compareçam e dêem o seu carinho ao grupo.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Welwitschias Stars é composto por três raparigas: Elisabeth Felipe, Ana Costa e Julma Neves.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;fonte: Angop&lt;/p&gt;  </description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/grupo-welwitschias-stars-lanca-cd-nao.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-4953942789232076373</guid><pubDate>Wed, 15 Feb 2012 06:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-15T07:29:45.869+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Notícia</category><title>Cantora infantil lança &amp;#39;Sónia 15 anos&amp;#39;</title><description>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Luanda – A cantora infantil Sónia António lançará, em Março do ano em curso, o seu mais recente álbum discográfico intitulado “Sónia 15 anos”, informou hoje, segunda-feira, em Luanda, a cantora.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Sónia António, que falava à Angop a propósito do referido lançamento, disse tratar-se de uma remasterização das músicas que marcaram o seu sucesso ao longo de 15 anos de carreira artística.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Segundo a cantora, trata-se de 14 músicas, todas elas seleccionadas pelo “Fã club da Sónia”, composto por crianças e adultos que acompanham a sua trajectória ao longo desses anos todos.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;“Eu até tinha um outro disco para ser lançado, mas os fãs pediram-me muito para que fizesse um relançamento das músicas mais aplaudidas. Trata-se apenas de um The Best”, disse.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Dentre os sucessos seleccionados para a presente obra destacam-se “Deus da vida”, “Professor”, “Uma Estrela”, “Natureza” e outros temas.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Sem precisar o número de cópias, a cantora avançou que o “Sónia 15 anos” foi produzido em Angola no estúdio Kriativa e editado em Portugal.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ao fazer uma descrição sobre o mercado da música infantil no país, Sónia Antónia considerou que o mesmo carece de um relançamento e que tem havido algumas pessoas com ideias valiosas, mas sem grandes apoios para prosseguirem.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Por outro lado, a cantora referiu ainda que o importante não se restringe apenas em cantar para levar os menores a dançarem, mas cantar para educar o garante da nação angolana, as crianças.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Sónia António começou a cantar num concurso da Televisão Pública de Angola (TPA), onde foi descoberta pelos amantes da música infantil.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A cantora, também é um dos rostos mais respeitados da televisão em Angola, como apresentadora do programa infantil Carrossel.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;fonte: Angop&lt;/p&gt;  </description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/cantora-infantil-lanca-15-anos.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-8854802205667254876</guid><pubDate>Fri, 03 Feb 2012 21:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-03T22:20:57.809+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Entrevistas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Figuras</category><title>Jomo Fortunato -  Pesquisador da música popular angolana</title><description>&lt;h3&gt;




&amp;nbsp;&lt;/h3&gt;
&lt;h5&gt;




Jornalista e professor universitário&lt;/h5&gt;
&lt;img align=&quot;left&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_147/imagem%201.jpg&quot; width=&quot;177&quot; /&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os seus textos são publicados a cada segunda-feira no caderno de Cultura do Jornal de Angola (JA). A jornada que começou em 1996 aborda a música popular angolana desde 1945 à actualidade. O primeiro artigo publicado foi sobre o músico Carlos Lamartine e seguiram-se vários outros, entre os quais sobre a cantora Belita Palma e David Zé, referências da música nacional.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Profissional ligado à cultura, Jomo Fortunato é descendente de uma família religiosa, onde os hábitos culturais são “plantados” desde a infância.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O coordenador geral da Feira Internacional da Música e da Leitura engaja o seu tempo na valorização do livro e da cultura angolana na sua generalidade. Promoveu de 22 a 28 deste mês a V edição da Feira Internacional da Música e da Leitura, no Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), em Luanda. Uma ferramenta para a promoção e circulação do livro e do disco.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A Feira que visa estimular o gosto e o conhecimento das principais referências no domínio da literatura e música, no reforço do intercâmbio cultural e comercial entre editores, livreiros, músicos, distribuidores e expositores estrangeiros foi preenchida com um ciclo de palestras e debates.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“O advento do Kuduro na história da música angolana”, “As tecnologias de informação e o rendimento escolar”, “Problemática da leitura e da interpretação literária”, “Estúdios de gravação e produção discográfica”, “A cidadania, ética e moral no islão” e o “Impacto das indústrias culturais na economia da cultura” foram alguns dos temas abordados. Conheça o pioneiro da antologia da música popular angolana e saiba mais sobre a feira.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para quando o lançamento da primeira antologia da música popular angolana?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Está prevista para o próximo ano. Estou a terminar uma pesquisa que começei em 1996. Pela quantidade de dados adquiridos, talvez sejam publicados mais de dois volumes. Sou pioneiro da antologia da música popular angolana. O primeiro texto publicado foi sobre o músico Carlos Lamartine, no Jornal de Angola. O livro incide basicamente sobre a música popular angolana de Luanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na primeira pessoa&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Natural da província de Luanda, durante a sua formação frequentou instituições de ensino no Huambo, Portugal e França. Mestre em Literatura Angolana, pela Universidade Agostinho Neto, Jomo Fortunato é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante Português – francês, pela Universidade de Aveiro. Frequentou vários seminários e acções&amp;nbsp; de formação entre os quais “A recepção da Tradição Clássica”, “Pedagogie du texte Littéraire”, “Journées Pedagogiques pour L´ensignements du Français Langue Étrangére” e “La Chanson Française”. Professor universitário das disciplinas de Língua Portuguesa e Cultura e Literatura Angolana, nos cursos de comunicação Social da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto. É jornalista, apresentador e criador do programa, Vozes do Semba, da Televisão Pública de Angola . Assina as segundas-feiras, no Jornal de Angola, textos de investigação sobre música, literatura e teorização de assuntos culturais. Comentarista cultural da Rádio Nacional de Angola (RNA),&amp;nbsp; Jomo Fortunato actualmente é também assessor da ministra da cultura.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_147/imagem%2016.jpg&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; width=&quot;198&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quais são as suas fontes?
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
São os próprios artistas. O mais difícil é escrever a biografia dos artistas já falecidos, como foi o caso da Belita Palma e do David Zé. Do resto, pego no meu gravador e vou aos bairros ter com os músicos. Não podemos analisar a história da música popular sem analisar o espaço. Os seus temas estão relacionados com a vivência nos musseques e muito deles têm influências do campo. Há uma fase de acústica e de electrificação da música popular. O meu estudo se incide sobre a biografia dos artistas e das bandas musicais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O que acha do facto de músicos da nova geração interpretarem musicas antigas?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Retornar ao passado da arte, politica e história é uma prática normal em qualquer sociedade. É sinónimo de desenvolvimento da arte. Uns fazem bem outros fazem mal. Infelizmente em Angola a maior parte faz mal. Não sabem as línguas nacionais e confundem as palavras.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É conhecido como critico de música , quem lhe atribuiu este título?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; height=&quot;115&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_147/imagem%2017.jpg&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi a imprensa. Devido aos artigos que escrevo no Jornal de Angola sobre a historia da música popular angolana. Há 15 anos que eu me empenho nesse trabalho. Fiquei conhecido por causa da escrita. Mas nos artigos que publico semanalmente no Jornal de Angola não assino como crítico da música nem da literatura&lt;br /&gt;
Que balanço faz da V edição da Feira Internacional da Música e da Leitura?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O balanço só pode ser positivo. Estamos na V edição e já criou marca, ou seja, os expositores, editores, músicos e livreiros já conhecem a feira. Nesta edição tivemos cerca de mil visitantes por dia. É claro que a intenção é sempre aumentar o número de visitantes, mas creio que cumprimos com o nosso objectivo, que é promover a leitura e a música, concentrar num só espaço o livro e o disco e fazer com que os interessados tenham oportunidade de negócio. A ArteViva faz o seu papel.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A editora ArteViva está presente na Feira desde a sua criação?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sim. O conceito é nosso. É uma feira privada de interesse público. Nós, ArteViva, somos os pioneiros na valorização dos alfarrabistas. Colocamos no mesmo espaço estes livreiro que vendem na rua, com a mesma dignidade em relação aos demais. Portanto, é um novo conceito entre nós porque juntamos ao livro e ao disco outras actividades, entre as quais: concertos, palestras, teatro, cinema e assinatura de autógrafo. A grande novidade para a próxima edição será um maior engajamento dos expositores, livreiros e produtores na definição da programação cultural da feira.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O ciclo de palestras e debates são já uma referência?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sim. Normalmente convidamos figuras proeminentes da sociedade, que são interessadas na arte e abordam questões ligadas ao livro. As palestras estão relacionadas com o livro e o disco, produção discográficas, direitos autorais. “As novas tecnologias e o rendimento escolar” e “Fruição da cultura na formação da personalidade humana”, foram alguns dos temas debatidos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O espaço do Ceforjor ainda é o ideal para a feira?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; height=&quot;187&quot; src=&quot;http://www.opais.net/resources/images/2009vida/edicao_147/imagem%2018.jpg&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O espaço já se está a tornar exíguo. Mas achamos que até agora o Ceforjor continua a nos dar garantias, quer de segurança, quer de localização. Este espaço situa-se entre várias escolas, o que para nós é vantajoso. O público alvo são os jovens, em particular os estudantes universitários. Temos tido uma boa adesão, mas creio que devemos fazer uma maior divulgação nas universidades. Este ano o programa foi distribuído nas principais universidades de Luanda, mas vamos tentar fazer este trabalho de forma muito mais atempada e encontrar outros mecanismos para articular a feira e a direcção das universidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos seus focos é melhorar o conhecimento dos jovens com tendências para a literatura...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu fui director do Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD) e durante este tempo dei o meu melhor para que a promoção da leitura e da divulgação do livro se efectivasse. Sempre que possível, mesmo fora do âmbito da editora, vamos fazendo actividades que visam a valorização do livro e da cultura angolana na sua generalidade. Temos que encontrar estratégias, a feira é uma delas. Portanto, é uma instância no ciclo de comunicação literária que recai sobre o leitor. Essa actividade não pode ser isolada. Temos que articular com outras instituições como é o caso dos ministérios da Cultura, Educação e da Industria. É uma acção de toda a sociedade.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A sua forte ligação com a cultura é uma opção?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É de família. Cresci num ambiente musical, pela via da religião. Tenho um irmão que é cantor e vai ser homenageado na próxima edição do Festival da LAC (...). Engraçado, tenho o curso médio de Construção Civil, feito no Huambo e durante a formação o meus professores da área das letras diziam que eu não estava a fazer nada no curso de Construção Civil e que devia optar por um outro curso. No superior fiz o curso de Línguas e Literatura moderna.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É um dos júris do concurso musical da TPA2, Angola Encanta. O método de avaliação do júri foi contestado por muita gente, que acha?&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Eu fui convidado a fazer parte da equipa de júris do concurso Angola Encanta e tem sido uma experiência muito interessante, embora eu já tenha feito parte do júri de vários outros concursos. As pessoas têm criticado, mas devem ter em conta que o comportamento dos meus colegas é feito na perspectiva da espectacularidade televisiva. Nós não temos intenção de denegrir ou humilhar qualquer um dos participantes. Agregamos a isso a perspectiva humorística, daí a audiência do programa. Fizemos o nosso trabalho. Foram doze seleccionados entre três mil candidatos.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Perfil&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nome Completo: Jomo Francisco Isabel de Carvalho Fortunato&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Naturalidade: Luanda&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Data de Nascimento: 28 de Março 1971&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estado Civil: Casado&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Filhos: Quatro&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Cartão Postal: Veneza&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um escritor: Dostoiévski&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um livro:&amp;nbsp; Tenho lido muito sobre gestão cultural&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
fonte: O País&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/jomo-fortunato-pesquisador-da-musica.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-5112142654588866023</guid><pubDate>Fri, 03 Feb 2012 21:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-03T22:09:28.924+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Sanguito o sopro telúrico do saxofone</title><description>&lt;h5&gt;
&lt;strong&gt;Jomo Fortunato |&lt;/strong&gt; - 14 de Dezembro, 2009&lt;/h5&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://imgs.sapo.pt/jornaldeangola/img/thumb2/20091214160806SANGUITO.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
A solo, Sanguito tenta dar continuidade aos sopristas dos anos setenta&lt;br /&gt;
Fotografia: Divulgação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estranho às origens acústicas e percutivas da Música Popular Angolana, o saxofone e a classe dos aerofones, tiveram, fundamentalmente, a Casa dos Rapazes de Luanda, a catequese missionária, a Casa Pia e a generalidade das instituições de caridade, como principais divulgadores e incentivadores de ensino.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A história dos aerofones regista os nomes de Toni de Almeida (trombone de vara), Fenando Nunes ( Nando Tambarino, trompete) e Nelo Duarte (saxofone alto) que, em 1964, formam “Os gansos”- uma pequena formação que interpretava música variada.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nelo Duarte, falecido num acidente de viação em 1975, é um dos saxofonistas angolanos mais representativos da geração dos anos sessenta, que marcou o seu timbre nos Gambuzinos- agrupamento que fundia ritmos de base angolana, com vertentes da música pop/rock.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No entanto, a par dos Gambuzinos, surgiu, em 1973, o África Show, do emblemático José Massano Júnior, com Fernando Nunes (Nando Tambarino), e o conjunto Águias Reais, com Quental e Manuel António (saxofone alto), duas formações que introduzem, pela primeira vez, instrumentos de sopro com alguma vitalidade melódica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Massy (dos Jovens do Prenda), Nanutu (saxofone alto e barítono) e Manuel Bernardo Sangue (Sanguito) são os actuais resistentes, cujo contributo reconhece-se pela resoluta e meritória adaptação dos múltiplos géneros e tendências do sopro à música angolana.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;strong&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;O percurso&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A solo, Sanguito tenta, numa linha de reconhecido talento e pesquisa, dar continuidade à obra dos sopristas dos anos sessenta. Nascido no dia 6 de Abril de 1960, na província do Bengo, mais propriamente em Quixico, Nambuangongo, Sanguito é orfão de guerra, tendo sido encontrado, pelas tropas coloniais portuguesas, nas matas de Muxaluando, depois de um ataque às bases do MPLA, em 1961, numa acção militar que culminou com a morte dos seus pais e familiares mais próximos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Internado no Abrigo dos Pequeninos, em Luanda, sob cuidado de madres católicas, Sanguito foi transferido, quatro anos depois, para a Casa dos Rapazes de Luanda, onde teve o primeiro contacto com a guitarra e a requinta, um instrumento de sopro da família dos clarinetes que possui uma sonoridade mais estridente e aguda, dois traços distintivos em relação ao clarinete.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em 1977, Sanguito frequenta um curso de instrutor, na Academia de Música de Luanda, onde aprende a tocar saxofone (alto, tenor, soprano e barítono), incluindo trompete e piano, com o professor Fernando Nunes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sanguito fez parte, em 1981, do agrupamento musical “Petro Clave”. Neste mesmo ano, muda-se para o agrupamento musical “Os merengues” e, em 1982, passa pelo agrupamento “Semba Tropical”. Com esta formação representou Angola em vários festivais de música na Europa e América, visitando alguns países africanos. Depois de uma passagem efémera pela banda Semba África, Sanguito emigra, em 1993, para Portugal com o objectivo de continuar os seus estudos no domínio da música clássica, jazz e harmonia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em Portugal alinha com os Karapinha, Kussondolola, Semba Master, General D e Bonga, chegando a colaborar com músicos angolanos e estrangeiros. Nesta altura, aproveitando a oportunidade de estar mais próximo de músicos profissionais, grava o seu primeiro álbum, “Lente Vida”, em 1997, com 10 temas instrumentais.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;strong&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;“Ngueza”, o segundo álbum&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No CD “Ngueza”, gravado em 2002, Sanguito acusa uma visível evolução a nível da pesquisa de ritmos de motivação carnavalesca, revisitando temas clássicos da música angolana, “Colonial” do Ngola Ritmos foi um exemplo, ritmos do Congo Democrático, da America Latina, revelando nítidas influências do caboverdiano Luís Morais e do norte-americano Grove Washington. “Ngueza” teve ainda a participação especial dos percussionistas Tolingas e Kituxe, da guitarra de Justino Delgado, do contrabaixo de Salomas, e das vozes de Beto de Almeida, Flay, Jeff Brown e Yannick.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;strong&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;“Kamba diami”, o novo álbum&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em Kamba diami”, um CD integralmente instrumental, Sanguito está mais próximo das sonoridades angolanas, preferindo, a dado momento, um olhar retrospectivo ao seu passado, revisitando, em GV, o tema “Minga”, do emblemático José Massano Júnior e “Rosa Maria”, de Urbano de Castro. Gravado num longo período de intermitências involuntárias (2004 a 2009), o novo trabalho discográfico de Sanguito, alterna entre os géneros semba e kipalanga, e ostenta os arranjos do DJ Mania, Calô Pascoal, Carlitos Tchiemba e Alton ventura, nos temas “Rosa Maria”, “Rosa para Rosa”, “Cocó” (um clássico do Franco, TP OK, jazz) e “Viragem zero”, respectivamente.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Neste seu mais recente álbum, Sanguito procurou demonstrar, com inequívoco sucesso, que é possível gravar, maioritariamente, com músicos angolanos. Ao longo do alinhamento dos onze temas do CD é possível discernir a qualidade de execução de Boto Trindade, Alex Samba, Ximbinha, Brando, Zeca Tirylene, John Fonseca e Jorge Cervantes (guitarras), Carlos Tchiemba, Mias Galheta e Benjamim (baixo), Dinho Silva, Nando e Lito Graça (bateria), Rufino Cipriano, Alton Ventura, e Calô Pascoal (teclas), Joãozinho Morgado, Dalú Roger, Chico Santos e Gato (pecussão), músicos de referência incontornável no actual panorama da música angolana.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
fonte: Jornal de Angola&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/sanguito-o-sopro-telurico-do-saxofone.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-7829235152511104797</guid><pubDate>Wed, 01 Feb 2012 20:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-02-01T21:56:34.065+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>A dimensão musical e de plasticidade da arte no feminino de Clara Monteiro</title><description>&lt;h5&gt;&lt;strong&gt;Jomo Fortunato |&lt;/strong&gt; - 12 de Abril, 2010&lt;/h5&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://imgs.sapo.pt/jornaldeangola/img/thumb2/20100412152105clara1.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Clara Monteiro é uma figura inscrita, com mérito próprio, na música popular angolana&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fotografia: Rogério Tuti&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;Numa linha de continuidade do glorioso passado da Música Popular Angolana, no feminino, Clara Monteiro, artista plástica, intérprete e compositora, viveu, com intensa e rara musicalidade, o período musical pós-independência.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;   &lt;br /&gt;Nasceu em Luanda, no Bairro da Maianga, com um talento, intuição e propensão natural para as artes, tendências potenciadas por um ambiente familiar, equilibrado e artístico, em que as canções de embalar da mãe desempenharam um papel fundamental na formação do imaginário e da personalidade musical da cantora.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;   &lt;br /&gt; Em 1980, Clara Monteiro conhece os cantores Carlos Burity, Santocas, Filipe Mukenga, Waldemar Bastos, Tonito e Juventino, o último percussionista do célebre agrupamento “Kiezos”, figuras da música que, de forma interessada e sensível, iam acompanhando os progressos da cantora, enquanto compositora.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;   &lt;br /&gt;Convidada pelo Ministério da Cultura, ainda em 1980, Clara Monteiro integra a orquestra Inter Palanca, do Matadi Mário Bwana Kitoko, célebre cantor do “período de retorno” da música angolana, numa temporada de concertos na Nigéria, espectáculos que constituíram a sua primeira apresentação, no estrangeiro, interpretando os&amp;#160; sucessos “Neto poeta”, uma incursão no universo da canção política,&amp;#160; e “Alô Benguela”.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;   &lt;br /&gt;“Os reflexos, em Angola, das mudanças ocasionadas pela ‘Revolução dos Cravos’, em Portugal, foram, em alguns casos, dramáticos, mas constituíram factos cuja conjuntura e importância histórica, só vim a compreender muito mais tarde, porque, tinha, naquela época, apenas 12 anos ”, conta Clara Monteiro. A orquestra 1º Maio, uma formação da UNTA (União Nacional dos Trabalhadores Angolanos), integrava músicos de competência reconhecida, a maior parte dos quais provenientes do Congo Democrático, logo depois da independência de Angola, em 1975.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;   &lt;br /&gt;Formada na sequência da desintegração da orquestra Inter Palanca, de Matadi Mário Bwana Kitoko, a orquetra 1º de Maio integrava, em 1982, na sua primeira formação, os músicos Tedy Nsingui (guitarra solo), Massano Júnior (tambores e voz), Mogue (baixo), Botto Trindade (guitarra ritmo) Sassa, Domé e Conceição (trompetes), André (trombone), Franco (flauta, sax alto, tenor e barítono), Dinho Silva (bateria), Robertinho, Dina Santos, Mauro do Nascimento, Cirineu Bastos e Roque Nhanga (vozes), entrando, na segunda fase, o guitarrista, ritmo, Betinho Feijó.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt; Convidada pela Direcção da UNTA, com o apoio do baixista Mogue, Clara Monteiro integra então a orquestra 1º de Maio, dispensando, de forma autorizada, os serviços que prestava na então Secretaria de Estado da Cultura de Angola. É neste período que a vida musical de Clara Monteriro, começa a trilhar contornos mais sólidos, construindo uma carreira com concertos mais frequentes no interior do país e no estrangeiro, dividindo o palco com artistas de renome internacional como o camaronês Manu Dibango, o caboverdiano Paulino Vieira e os cubanos Pablo Milanês e Sara Gonzales.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;   &lt;br /&gt;Com a orquetra 1º de Maio, Clara Monteiro gravou uma das canções mais bem estruturadas, a vários níveis, da sua carreira, “Zito monami”,&amp;#160; da qual respigamos alguns versos: Zito monami/ ivua iosso ngolo ku zuelessa/&amp;#160; Zito monami/ ivua iosso ngolo ku zuelessa/&amp;#160; Kiosso ngolo ku zuela/ eié ngolo kivua/ Kiosso ngolo ku zuela/ eié ngolo kivua// Ngolo ku zuelessa pala ò mbote ié/ Kalakala ni kilunji/mukonda eié&amp;#160; uá kulo kiá/ Mamã ngondo kalé/ kabassa kizua ku mabnji ié/ Ivuidilé ò kipenda dianhi, monami... (Em “Zito monami”, a personagem principal da canção, que, na realidade, é irmão da cantora, aparece transfigurada em filho, num ambiente textual onde a mãe lhe dá conselhos, pedindo-lhe para ouvir os seus recados porque, no futuro, com a morte dela, ficará sozinho no mundo. “Zito monami” é um tema com forte pendor pedagógico). Em “Zito monami”, Tedy Nsingui, guitarra solo proveniente do Inter Palanca, está num dos mais importantes momentos da sua carreira.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;Discografia&lt;/strong&gt;    &lt;br /&gt;Em 1986, Clara Monteiro&amp;#160; deixa a orquestra 1º de Maio, decide enveredar por uma carreira a solo e grava, em 1989, o primeiro álbum de originais, “Alô Benguela”, com as canções&amp;#160; Esmola, Kunene, Ser ingénua, Ovava, Volta, e&amp;#160; regrava o clássico&amp;#160; Zito monami. Do disco, o tema “Alô Benguela” revelou-se um estrondoso sucesso, constituindo um dos temas paradigmáticos da cantora. Seguiram-se o álbum&amp;#160; “Luta e amor” (1997),&amp;#160; e “Walalipo Angola” (2005), o último com 12 faixas interpretadas, de forma alternada, em português, kimbundu e umbundu.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;   &lt;br /&gt;Pintora, compositora, intérprete e historiadora, Clara Monteiro é uma figura inscrita, com mérito próprio,&amp;#160; na história da Música Popular Angolana, um caso de clara resistência pela arte, no feminino, e personalidade preocupada em transfigurar as questões de índole social e telúrica, temas fundamentais no processo de criação da sua obra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;fonte: Jornal de Angola&lt;/p&gt;  </description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/02/dimensao-musical-e-de-plasticidade-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-5243322545127108941</guid><pubDate>Sun, 22 Jan 2012 20:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-25T13:07:31.536+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Notícia</category><title>Cantor Yuri da Cunha ensaia actuação no Festival de Salvador</title><description>&lt;a href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-PU1Iai6PhHs/TxxsiaZi0cI/AAAAAAAAHN4/yFbggRxh1vQ/s458/yuri%252520da%252520cunha%2525206%25255B2%25255D.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; display: inline !important; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/-PU1Iai6PhHs/TxxsiaZi0cI/AAAAAAAAHN4/yFbggRxh1vQ/s320/yuri%252520da%252520cunha%2525206%25255B2%25255D.jpg&quot; width=&quot;213&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Yuri da Cunha&lt;/strong&gt; está de malas feitas para a 14ª edição do Festival de Verão de Salvador, capital do Estado da Baía, Brasil, onde tem agendado actuação no dia 26 do corrente. Além de partilhar o palco e trocar experiências com estrelas da música internacional, o cantor tem a oportunidade, uma vez mais, de mostrar os ritmos e outros aspectos da cultura da cultura angolana. &lt;strong&gt;Yuri da Cunha&lt;/strong&gt;, acompanhado pela sua banda, é o primeiro cantor angolano a actuar no fest­ival, cuja primeira edição foi em 1999.&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Entre os cantores convidados contam-se &lt;strong&gt;Luan Santana&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Ivete Sangalo&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Cláudia Leitte&lt;/strong&gt;,&lt;strong&gt;Gusttavo Lima&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Paula Fernandes&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Jammil&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Charlie Brown Jr&lt;/strong&gt;., &lt;strong&gt;Titãs, Pitty&lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;Psirico&lt;/strong&gt;, a dupla &lt;strong&gt;Jorge &amp;amp; Mateus&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;britânico James Blunt&lt;/strong&gt;. As bandas&amp;nbsp;&lt;strong&gt;Eva&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Harmonia do Samba&lt;/strong&gt;,&lt;strong&gt; Chiclete com Banana&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Zorra&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Sorriso Maroto&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;&lt;strong&gt;Capital Inicial&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Cidade Negra&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Aviões do Forró&lt;/strong&gt; vão fazer também as delícias do público.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: Jornal de Angola&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/cantor-yuri-da-cunha-ensaia-actuacao-no.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-PU1Iai6PhHs/TxxsiaZi0cI/AAAAAAAAHN4/yFbggRxh1vQ/s72-c/yuri%252520da%252520cunha%2525206%25255B2%25255D.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-8597562242324853784</guid><pubDate>Sun, 22 Jan 2012 20:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-25T13:08:20.084+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>A dikanza mágica de Adolfo Coelho</title><description>&lt;h5&gt;


&lt;strong&gt;Jomo Fortunato |&lt;/strong&gt; - 05 de Dezembro, 2011&lt;/h5&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEje0FRtpE_tpelodz1SuIxhJb2BCGGF_-0fvzYQScWJZi3LzY6npf3pquImTUaUFzlGBcupVnx0OmmdCGYwnq1h9cn0WhWZ8sIeWWY1c39SrzSbhtjlTMi-KizBWVuNFa2OKzG6Yw/s225/Adolfo%252520Coelho%25255B3%25255D.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEje0FRtpE_tpelodz1SuIxhJb2BCGGF_-0fvzYQScWJZi3LzY6npf3pquImTUaUFzlGBcupVnx0OmmdCGYwnq1h9cn0WhWZ8sIeWWY1c39SrzSbhtjlTMi-KizBWVuNFa2OKzG6Yw/s225/Adolfo%252520Coelho%25255B3%25255D.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Embora não tenha deixado uma abundante discografia, enquanto cantor e compositor, Adolfo Coelho notabilizou-se como um dos fundadores do conjunto os “Kiezos”, tendo-se evidenciado na execução da “dikanza”, e na interpretação de canções que marcaram momentos representativos da discografia da Música Popular Angolana.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Filho de José Rodrigues Coelho e de Teresa de Morais, Aristófanes da Rosa Coelho nasceu em Luanda no dia 14 de Outubro de 1945, e foi herdeiro e discípulo de Euclides Fontes Pereira, do Ngola Ritmos, na continuidade da execução da “dikanza”, instrumento de acompanhamento que marcou a sua personalidade artística até à data da sua morte.    &lt;br /&gt;
Adolfo Coelho fez parte da primeira formação dos Kiezos, convidado por Domingos António Miguel da Silva (Kituxe), em 1963, numa altura em que assistia, com frequência, aos ensaios do conjunto. Na sequência, Adolfo Coelho solicita a colaboração de Anselmo de Sousa Arcanjo, Marito, figura carismática que marcou, de forma definitiva, a história dos “Kiezos”, como guitarrista solo.    &lt;br /&gt;
Até então, Adolfo Coelho (dikanza e voz) e Fausto Lemos (tambor e voz) assumiam a condição de vocalistas principais, até à entrada de Vate Costa que, além das canções do grupo, interpretava músicas de Franco, o célebre guitarrista do Congo Democrático.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Canções e composição&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Muito pouco valorizadas, pelo menos na sua dimensão estética e histórica, as canções de Adolfo Coelho acabaram por constituir um traço distintivo da sua personalidade artística, enquanto compositor popular, e abordam, na sua generalidade, factos do quotidiano, e ocorrências directamente relacionadas com a sua vida pessoal, nunca contornando as referências reais, de forma transfigurada e metafórica. “Júlia”, uma das canções mais bem conseguidas de Adolfo Coelho, é a narração directa de um caso de amor, em que o compositor se entrega de corpo e alma a Júlia, uma jovem do Sumbe, mas cujos pais rejeitam, liminarmente, a concretização dessa relação, afastando-o da casa da jovem, sempre que o autor tenta aproximar-se dela: Júlia…/ kituxe kiami uakubangue emé / muxima uami olo ngui kata/ ndandu jé uá ngui kaie kubata/ lumbi… alukenu se mamã ufuá/ ndungui alukenu kexilenu ni lumbi/ Júlia…   &lt;br /&gt;
“Maiombola”, um outro exemplo de vivência directa dos problemas, traduz a pobreza e a fome dos angolanos, de forma satírica, em situação de colonização: (…) Matabicho, quikuerra/ almoço, ginguba/ ó jantar, massa mu kangue…    &lt;br /&gt;
O conceito clássico de composição que se socorre do texto escrito, perde a sua validade, sobretudo na maior parte dos compositores de origem popular, porque, nestes, o processo criativo decorre, muitas vezes, de manifestações espontâneas, ocasionais e aleatórias, muitas das quais surgidas no contexto da espontaneidade das tertúlias.    &lt;br /&gt;
Ainda que o seu nome esteja sempre associado à história dos “Kiezos”, foi com os Jovens do Prenda que, curiosamente, Adolfo Coelho gravou: “Kilombe lombe”, e o clássico “Júlia”, tendo registado, com o conjunto África Ritmos, as canções: “Mamã”, “Maiombola” e “Sokana ngamba”.    &lt;br /&gt;
José Faria (Gegé), guitarra ritmo da nova formação dos Kiezos, fez o seguinte depoimento sobre as canções de Adolfo Coelho: “ Entrei nos Kiezos em 1980, e ainda tive a oportunidade de conhecer o Adolfo Coelho. Considero-o um artista competente na execução da “dikanza”, e na criação das suas canções. Era frequente encontrá-lo próximo de grandes figuras da cultura luandense, e fazia recolhas, ouvindo canções antigas, interpretadas pelos mais velhos. Katapolo, John Kambambala, Adão Kenós, Mona Mama, Dr. Katrabuço, e Dr. Espanholito, foram figuras do musseque que estiveram próximas de Adolfo Coelho, ele aprendeu muito com estes mais velhos”.    &lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;     &lt;br /&gt;Nascimento dos &quot;Kiezos&quot;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
Tudo começou no Bairro Marçal, em Luanda, mais propriamente na zona do Kapolo Boxi, quando Domingos António Miguel da Silva, Kituxe, uma figura indissociavelmente ligada à fundação dos Kiezos, reuniu um grupo de quatro jovens entusiastas, com propensão natural para a música, e criou um grupo anónimo que animava as noites quentes do Bairro Marçal. Este grupo, que no início dos anos 60, extraía sons de instrumentos artesanais, cedo foi crescendo e começou a tomar forma.    &lt;br /&gt;
A designação Kiezos surgiu, em 1965, no ambiente de uma festa na B3, uma rua luandense do Bairro Nelito Soares, para a qual os músicos, que iriam formar, mais tarde, os Kiezos, não tinham sido convidados. O facto é que os intrusos animaram de tal forma a festa, que fizeram levantar a poeira do quintal, consequência da frenética animação dos dançarinos, situação que provocou a associação do efeito originado pelo pó à varrida de uma vassoura. “Iezo” é uma palavra em língua kimbundu que, traduzida para a língua portuguesa, é sinónimo de vassoura.    &lt;br /&gt;
O baptismo “Kiezos”, nome que perdura até aos nossos dias, é plural de “iezo”, ou seja, vassouras. De 1964 a 1965 situa-se a data provável da primeira formação do grupo, entendido como agrupamento musical, com alguma seriedade e solidez artística.    &lt;br /&gt;
Os “Kiezos” apresentaram-se, no seu primeiro grande espectáculo, em 1969, no Ngola Cine e, em 1970, gravam o primeiro disco na Voz de Angola, actual Rádio Nacional de Angola. Nessa altura, entram para o grupo o percussionista e vocal Juventino Anselmo de Sousa Arcanjo, Vate Costa e Fausto Lemos, o último notabilizou-se como um dos vocalistas principais do grupo, pela interpretação e composição da canção “Mbaku Kavalé”.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;A nova formação&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
A actual formação dos Kiezos integra os seguintes instrumentistas: Décimus (viola baixo), Zeca Tirilene (viola baixo), Hildebrando Cunha (viola&amp;nbsp; solo), Abana Mayor (tumbas), José Faria (viola ritmo), Neto (teclados), João ( bateria), Mister Quim e Manuelito (vozes e dikanza), Horácio Dá Mesquita (concertina e piano acústico).    &lt;br /&gt;
Adolfo Coelho integrou os “Kiezos, de forma activa até 1991 e nos últimos anos da sua vida era frequente encontrá-lo só e nostálgico, cantando para os deuses, entre os becos do bairro Marçal e Rangel, infeliz com a vida, mas feliz com a música e as estrelas da noite. Morreu em Fevereiro de 2002, vítima de doença.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Fonte: Jornal de Angola&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/dikanza-magica-de-adolfo-coelho.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEje0FRtpE_tpelodz1SuIxhJb2BCGGF_-0fvzYQScWJZi3LzY6npf3pquImTUaUFzlGBcupVnx0OmmdCGYwnq1h9cn0WhWZ8sIeWWY1c39SrzSbhtjlTMi-KizBWVuNFa2OKzG6Yw/s72-c/Adolfo%252520Coelho%25255B3%25255D.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-1901163481654265925</guid><pubDate>Wed, 18 Jan 2012 08:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-18T09:17:16.908+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>A Sonoridade de Aldo Milá</title><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Decorria o ano de 2000 e em Lisboa o jovem e compatriota angolano Esmeraldo de Jesus Diogo, dividido entre o sonho de antigo estudante de medicina, mas um adepto convicto da cultura de Angola e das suas tradições, abraçava uma nova carreira.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Entre avanços e recuos, entre esperanças e desesperanças, mas com Angola pelo caminho, Esmeraldo de Jesus Diogo (Aldo Milá) ia cimentando o sonho de abraçar a música, como opção de vida e de criação.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A 7 de Janeiro de 1993, Aldo Milá, aterra em Lisboa e na bagagem dos sonhos trazia vários projectos, entre os quais, a continuidade do percurso, que em Luanda e no seio da família e entre amigos tinha desenhado face à cultura do seu país.Nesta trajectória de vida e a música debaixo do braço, Aldo Milá edita o primeiro trabalho discográfico em finais de 1999. O título do primeiro CD não podia ser mais emblemático: &amp;quot; Mulemba &amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Mulemba é uma árvore de Angola a cujo nome o músico e &lt;a href=&quot;http://mx.globedia.com/t/cultura/compositor&quot;&gt;compositor&lt;/a&gt; angolano Aldo Milá quis associar o seu primeiro trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Acompanhado de vários músicos angolanos, como Zé Mueleputo, Galeano Neto, Samu Wango, Kali Vitamina, a brilhante voz de Tê Macedo, Inês Moreno, Quim M&#39; Jonjo, entre outros. A editora foi o &amp;quot; Cantinho da Música &amp;quot;, produtora discográfica que em Portugal, abria as portas ao angolano Aldo Milá.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em entrevista ao Angola Digital, Aldo Milá, referiu que o &amp;quot; trabalho e o título &amp;quot; Mulemba &amp;quot;, constituía &amp;quot; uma abordagem de natureza sociopolítica, que à sombra de uma Mulemba, constituem a melhor forma de pôr as pessoas a conversar. Tinha como sentido fundamental, ser um ponto de encontro de vários temas&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEju68sZ17ePQuHMeGQKJi4CwEzobd2GfT0VMH9SM3Ibt96QLg11lzwGQvPgnMGdLTqchVoJPr4KSqbL2WzBOavs5MaGNU80Uz0W_XE5aq_vakVlYvXzk5IcV6RwCv3tSs_kkFzq/s1600/%25C3%25B1l.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;image&quot; src=&quot;http://mx.globedia.com/imagenes/noticias/2012/1/8/aldo-mila-keta-angola-wma-128k_2_1039067.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Face as dificuldades para produzir o &amp;quot; Mulemba &amp;quot;, Aldo Milá, refere que &amp;quot; os apoios eram escassos ou nenhuns. Mas também houve a solidariedade dos músicos, que se prontificaram a dar o brilho a um sonho que eu há muito alimentava &amp;quot;. As incertezas de um projecto não afectaram a produção de um primeiro trabalho e Aldo Milá, partia para outros projectos e já no seguimento da gravação de um segundo CD, o &amp;quot; Keta! Keta&amp;quot;, estava em formação.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No &amp;quot;Mulemba&amp;quot;, Aldo Milá homenageia vários compatriotas, amigos, familiares e Angola e o primeiro trabalho, na opinião de Aldo Milá, o &amp;quot; Mulemba não era apenas um trabalho individual. Era a confluência de várias coisas. O sonho de um Angola diferente, una entre si e o desejo dos que comigo choraram, cantaram e trilharam vários momentos comigo &amp;quot;. Mas nesta viagem por Angola, Aldo Milá acrescenta que &amp;quot; Mulemba &amp;quot; traduziu também &amp;quot; o sonho de uma Angola livre e em paz.&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em relação à música de Angola, Aldo Milá, tem várias preocupações.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A primeira, a harmonização do homem angolano e consequentemente a preservação da cultura. Para o músico Aldo Milá, a &amp;quot;a música é consequência. Para isso é também necessário que se dialogue e se preserve o património cultural, como ponte de diálogo entre várias culturas e gerações&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em relação aos diferentes géneros musicais em Angola, como o Semba ou a Rebita, Aldo Milá abre o véu de uma preocupação, referindo que &amp;quot;uma coisa é o &lt;a href=&quot;http://mx.globedia.com/t/cultura/artista&quot;&gt;artista&lt;/a&gt;, outras coisa são as instituições que devem incentivar os artistas, os criadores e todos os intervenientes culturais, neste processo de preservação, ora estimulando com prémios, ora apoiando as suas iniciativas&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Porém, nesta volta à música de Angola, Aldo Milá tem outras preocupações. As que decorrem de uma cultura aberta e de permanente diálogo com a construção de um processo cultural sistemático e dinâmico. Mas neste encontro com Aldo Milá, tendo Lisboa como pano de fundo e a memória de Angola, Aldo Milá recordou os seus tempos de estudante de Medicina e o estudo da Electrotecnia, mas também as dificuldades que encontrou para prosseguir os seus estudos, que o obrigaram a trabalhar noutros sectores para a sua sobrevivência.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em relação à paixão pela música e questionado sobre isso, &amp;quot;a mesma nasceu no embrião. Aliás do próprio berço. Desde criança que estive envolvido com brinquedos musicais&amp;quot;, cujos familiares transmitiam essa herança, não conseguindo, na sua opinião, &amp;quot; explicar esse fenómeno &amp;quot;. Mas as paixões de Aldo Milá, no plano geracional, não se esgotam aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Aldo Milá divide as suas paixões de diferentes formas, definindo-as como geracionais e a cada uma dando um nome. A primeira, refere o &lt;a href=&quot;http://mx.globedia.com/t/cultura/autor&quot;&gt;autor&lt;/a&gt;, &amp;quot;é a do crescimento. As paixões foram sempre acrescidas, pois uma não elimina a outra. Aliás, é um comboio de muitas paixões&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;E quando questionado de novo sobre as paixões que podiam morar no comboio, Aldo Milá esclarece em tom sorridente e forte, que &amp;quot;as mesmas vão de Lisboa até Malange, de Luanda ao Mundo&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;E neste encontro com o Mundo, o músico e compositor angolano Aldo Milá, diz que a sua premissa com o Mundo, &amp;quot;começa com a revolução interior no indivíduo numa relação de grande humanismo e de grande universalidade&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Mas o autor de &amp;quot;Keta!Keta&amp;quot;, o título do trabalho que justificou e de forma oportuna e merecida esta entrevista para o Angola Digital, diz que face ao olhar sobre o Mundo, &amp;quot;os homens devem dialogar de forma aberta. Isso é que faz a cultura mundial da paz&amp;quot;. Mas voltando ao título do novo trabalho, intitulado &amp;quot;Keta!Keta&amp;quot;, Aldo Milá refere que a razão de ser deste título, &amp;quot;é também um chamamento. Que venha a música contribuir para o cultivo da nossa paz interior&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Aliás, no encarte do CD &amp;quot;Keta!Keta&amp;quot;, cuja capa é um sorriso, de um quadro da autoria de Bernard Jaquet (&lt;a href=&quot;http://mx.globedia.com/t/cultura/pintor&quot;&gt;pintor&lt;/a&gt; suíço seu amigo e já falecido), Aldo Milá apela à alegria, como forma de sorrir para as tristezas, mas também para as próprias alegrias, que o nosso quotidiano comporta em diferentes momentos das nossas vidas.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A justificar esta minha anterior afirmação, basta também olhar para o texto que abre a porta para a audição deste trabalho &lt;a href=&quot;http://mx.globedia.com/t/cultura/musical&quot;&gt;musical&lt;/a&gt; angolano e ler em &amp;quot;Gente Minha!&amp;quot; (título dado por Aldo Milá), que &amp;quot;ninguém consegue isolar-se dos imperativos rítmicos da época e do meio onde nasceu, nem dos vários ambientes que vai assimilando no seu processo de maturação de aculturação&amp;quot;. Neste trabalho, o músico refere na introdução que &amp;quot;Keta!Keta&amp;quot;, &amp;quot;apresenta um menu sonoro com estilos e temas de vários quadrantes. ? um grito livre. Um grito Afro-Luso-Latino-Americano &amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Assim descubra esta &amp;quot;Keta!Keta&amp;quot;, baile onde quer que se encontre em Angola ou no Mundo. Em 12 temas musicais, que vão desde &amp;quot;Mukuaxi&amp;quot;, &amp;quot;Kalumba&amp;quot;, &amp;quot;O Beco das 11 Curvas&amp;quot; ou &amp;quot;Cachaça d&#39;Angola&amp;quot;, passando pelo &amp;quot;Ritual de Muamba&amp;quot;, ou &amp;quot;Aiwa&amp;quot; (palavra japonesa que significa harmonia e amor), até &amp;quot;Canção para Minga&amp;quot; (título de poema da autoria de Azzevas), variando, caso queira, em &amp;quot;Perfumes&amp;quot;, &amp;quot;Katorzinha Atrevida&amp;quot;, &amp;quot;Colado em Ti&amp;quot; e &amp;quot;Viagens&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Uma grande viagem musical que termina aqui, nesta ponte com Angola e o Mundo. Um reencontro que aconteceu num triste entardecer de um Inverno lisboeta, mas com o sabor, a alegria, a força e o ritmo que marca a música de Angola. Um país que chama por si, nesta variante musical, ao lado de uma &amp;quot; Keta!Keta&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Fonte: Angola Digital com Aldo Milá&lt;/p&gt;  </description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/sonoridade-de-aldo-mila.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-2057966813590643067</guid><pubDate>Wed, 18 Jan 2012 07:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-18T08:42:40.524+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Biografia</category><title>Mário Rui Silva</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Mário Rui Silva&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Aos nove anos, Mário Rui Silva inicia-se ao violão ajudado pela sua irmã mais nova que beneficiava de aulas particulares dadas pelo pai, grande amante de música. Este tornou-se o &amp;quot;Manager&amp;quot; do grupo musical &amp;quot;OS JOVENS&amp;quot; muito em voga em Luanda nos anos 60. Este grupo era constituído por cinco jovens de 7 a 11 anos de idade e Mário Rui era o guitarra solo.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em 1968, Mário Rui sai do grupo &amp;quot;JOVENS&amp;quot; e, sozinho, continua a aperfeiçoar-se ao violão dedicando-se essencialmente ao estudo do violão acústica.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em 1970, Mário Rui parte para Lisboa para seguir os seus estudos. A Rua da Paz em Lisboa tornou-se uma grande Universidade para ele e outros jovens progressistas portugueses e oriundos do Ultramar, todos estudantes em Lisboa à procura do saber e da liberdade interditos nos tempos de ditadura salazarista.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhpmluY4f6DSnK1DJrPwJG7eu0Q1Ox6eSbp4BeMDKNr7RBwOUaAlo2TbVA8UVfX_YFYxLkKNUHskjE9TRBWvP22dWOosiYzz7cDeSSGilrKwyLFjQk0-kyCXUdM6h0Ur0Lxvakv/s1600/20110221103545marui_silva.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;image&quot; src=&quot;http://ve.globedia.com/imagenes/noticias/2012/1/8/mario-rui-silva-cantos-masemba-angola-128k_2_1039039.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O seu gosto e interesse pela música do seu país através da qual se identificava à sua cultura de origem e reencontrava as suas raízes, levaram-no a aprofundar as suas pesquisas.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em 1971, Mário Rui partiu para a Holanda onde participou na gravação do disco &amp;quot;ANGOLA 72?.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em 1973, regressou ao país e ficou ligado por uma forte amizade a Liceu Vieira Dias, homem de cultura e intelectual de oposição ao colonialismo português.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Liceu tornou-se o seu pai espiritual, o seu mestre e Mário Rui dedicou-lhe dez anos de pesquisa que culminaram num trabalho discográfico, o CD sobre a música angolana dos anos 40 &amp;quot;Chants d&#39;Angola pour demain&amp;quot; (Cantos de Angola para Amanhã). Este trabalho foi patrocinado pela Missão Francesa de Cooperação e de Acção Cultural em Angola e produzido pela Aliança Francesa de Luanda.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Actualmente, Mário Rui vive em Paris e em Luanda, sua cidade natal. Em Paris, dá concertos em solo ou participa em festivais internacionais sobre a música africana. Dá também aulas de violão iniciando os seus alunos à rítmica africana.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Em 1993 acabou por construir o seu própria violão -&amp;quot;NGITA-MBINDA&amp;quot;- a reproduzir com maior fidelidade e nitidez os ritmos africanos. A sua particularidade é a cabaça que lhe serve de caixa de ressonância.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Presentemente, Mário Rui prossegue as suas pesquisas sobre a música angolana e a transposição dos ritmos africanos para o violão. Elaborou um método prático de violão que compilou num livro, à espera de edição.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Os resultados das suas pesquisas sobre a música angolana estão compilados numa obra a ser editada intitulada &amp;quot;Estórias para a História da Música em Angola&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A defesa e a difusão da cultura e da língua kimbundu, língua da região de Luanda, é algo que também lhe é caro. Mário Rui acaba de terminar a sua &amp;quot;Gramática Comparativa de Português-Kimbundu&amp;quot; também à espera de edição.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://musicomarioruisilva.wordpress.com/&quot;&gt;Fonte&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;DISCOGRAPHIE &lt;/strong&gt;2007 CD « A Noite dos Novos Dias »2002 CD « Luanda 1940 Angola »1999 CD « Cantos de Masemba- Luanda 1920/1930 »1997 CD « Luanda 50/60 ANGOLA »1994 CD « Chants d&#39;Angola pour demain »1990 33 tours « Koizas dum outru tempu »1985 33 tours « Tunapenda Afrika »1984 33 tours « Sungaly »1978 33 tours « As pessoas, o meio e o tempo »&lt;/p&gt;  </description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/mario-rui-silva.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-6571702432762236747</guid><pubDate>Wed, 18 Jan 2012 07:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-18T08:40:01.406+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>General Kambuengo</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Eduardo Paím nasceu no Congo Brazzaville, há 47 anos, onde os pais se tinham exilado. Ganhou o gosto pela música ainda pequeno, principalmente, depois de receber, da mãe, uma viola de brinquedo.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Tinha, então, sete anos. Viveu o auge da carreira em Portugal, onde conseguiu o seu primeiro &quot;Disco de Ouro&quot;, por vendas superiores a 50 mil cópias, na obra &quot;Do Kayaya&quot;. Eduardo Paím já se chamou Kambuengo. &quot;? o primeiro nome com o qual me reconheço. Deu-mo a minha avó, mal me pegou no colo&quot;, diz o cantor, que desconhece o significado: &quot;sei apenas que é o nome de uma localidade no Huambo&quot;.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Eduardo Paím começou a cantar em 1979, com o grupo &quot;Os Puros&quot;, que constituiu com Bruno Lara e Levi Marcelino. Os três eram estudantes da Escola Njinga Mbandi: &quot;na altura, apresentámo-nos no programa Tempo Jovem, da TPA. As pessoas gostaram e incentivaram-nos a seguir. Começou um compromisso que não esperávamos&quot;, lembrou. O grupo tinha, igualmente, vozes femininas, de colegas da escola. A inclinação para a música começou ainda no exílio: &quot;era capaz de parar o que estivesse a fazer, para me dedicar à música&quot;. Aos sete anos, a mãe ofereceu-lhe uma viola de brinquedo. Reproduzia músicas de cariz revolucionário: &quot;o facto chamou a atenção, inclusive, do presidente Agostinho Neto, de quem a minha mãe foi secretária&quot;.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Kambuengo conheceu, finalmente, a sua terra: &quot;não nasci em Angola. Mas sou angolano e tive essa convicção desde cedo. A educação que recebi, a cultura que me foi transmitida, mesmo no exílio, foi sempre com base e em torno da angolanidade&quot;.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Em Angola encontrou figuras que lhe moldaram a consciência e lhe influenciaram o futuro: Prado Paím, seu primo mais velho, Teta Landu, Elias dya Kimuezo, Urbano de Castro, David Zé, Artur Nunes, Joy Artur, Taborda Guedes, Tino Dya Kimuezi.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Era o incentivo que precisava. Antes, em Brazzaville, vira já Liceu Vieira Dias. Depois de fazer o curso médio de electricidade, no Makarenko, entre 1982 e 1987, decidiu correr por sua conta e risco e dedicou-se inteiramente à música.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&quot;Os Puros&quot;, que, mais tarde, transitaram da Escola Njinga Mbandi para o Instituto Makarenko, deixaram de o ser. Receberam novos integrantes e passaram a ser &quot;Os SOS&quot;. &quot;As coisas mudaram. Fizemos referências musicais. Foi uma fase muito bonita&quot;. Em 1987, &quot;Os SOS&quot; estavam no auge da carreira. Disputavam a atenção da juventude com o &quot;Affra Sound Stars&quot;. Nasceu, então, &quot;Carnaval&quot;, tema escrito por Eduardo Paím: &quot;com esta música, ficámos a saber o que é ser figura pública&quot;. De Portugal, veio Carlos Alberto Flores, Cabé, pai de Paulo Flores. Ele queria Eduardo Paím para produtor do&amp;nbsp;disco do filho. &quot;Eu já tinha trabalhado sucessos do Jacinto Tchipa, Dyabik, entre outros. A partir de então, comecei a alimentar esperanças. Se alguém sai de Portugal, à procura dos meus serviços, posso perfeitamente ir lá. Assim fiz&quot;. O cantor segue para Portugal, em 1988.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Um ano mais tarde estava aberta a estrada do sucesso. Em 1990, atinge notoriedade no mercado português, com o disco &quot;Luanda, Minha Banda&quot;.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Mas o ponto mais alto da carreira conseguiu-o com a segunda obra, &quot;Do Kayaya&quot;. O cantor recebeu o seu primeiro &quot;disco de Ouro&quot;, por vendas superiores a 50 mil cópias. No terceiro disco, &quot;Kambuengo&quot;, com a música &quot;Rosa Baila&quot;, chegou ao quarto lugar do top: &quot;estava nas rádios e na televisão. Parei o trânsito em Portugal&quot;. Em mais de 30 anos de carreira, Eduardo Paím Fernando da Silva editou &quot;Luanda, Minha Banda&quot;, 1991, &quot;Novembro&quot; (1991), &quot;Do Kayaya&quot; (1992), &quot;Kambuengo&quot; (1993), &quot;Kanela&quot; (1994), &quot;Ainda a Tempo&quot; (1995), &quot;Mujimbos&quot; (1998) e &quot;Maruvo na Taça&quot; (2006).&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoD3CiRERBw1cpLtU8mBcGCdz_7EI9-y3j0oErYpJGfQokRiiRxDQPk_HiS-r1q-GKHfND6Kat4h_ZNsowmHefMSjerIPTBMHskH0R3x60FfSfoZ-DDkBIxNhGjEVuDo_OJ_uc/s1600/eduardo%252520paim.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;image&quot; src=&quot;http://ve.globedia.com/imagenes/noticias/2012/1/8/eduardo-paim-kambuengo-angola-128k_3_1039077.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;Carreira em risco&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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Uma acusação de envolvimento com drogas travou-lhe o percurso. Aconteceu em 1997. Eduardo Paím detesta falar no assunto: &quot;foi uma fase triste da minha vida. Eu tinha a maior atenção que um artista africano podia ter em Portugal. Inventaram uma calúnia, para me travar&quot;. Eduardo Paím foi forçado a parar. A calúnia deixou marcas. Antes fazia seis espectáculos por mês e depois a agenda ficou reduzida a um por ano. &quot;Não tive estrutura para fazer um marketing contra esta calúnia. Sou uma pessoa educada no bem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Nunca ganhei a vida com práticas ilícitas&quot;. Optou por regressar a Angola. &quot;Voltei porque tinha um projecto, o mesmo que me levara a Portugal. A intenção era criar um estúdio&quot;. Na música &quot;Mujimbos&quot;, o cantor responde às pessoas que estiveram por trás desta trama. O primeiro espectáculo de Eduardo Paím, a seguir às calúnias, foi na Feira Popular, em Luanda, em 1997. O apresentador anunciou o cantor que se seguia e pediu &quot;palmas para um general da música angolana&quot;. O público gritou em coro &quot;general&quot;e o cognome ficou. Assim se explica por que muitos lhe chamam também &quot;General Kambuengo&quot;. O projecto EP Estúdios, que o fez regressar a Angola, começou a funcionar em 1996. Desde então, apoiou muitos cantores da nova geração.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;strong&gt;Fadista Mariza dançou &quot;Rosa Baila&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Poucas pessoas sabem que a bailarina do &quot;clip&quot; da música &quot;Rosa Baila&quot;, do terceiro álbum de Eduardo Paím, é a cantora de fado portuguesa Mariza. Ambos tiveram uma ligação profissional, mas já não se falam, nem se vêem há mais de 12 anos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mariza, hoje cantora de renome internacional, esteve em Angola, há pouco mais de um ano. Cantou no Cine Atlântico. Mesmo nestas circunstâncias, não se falaram. Até a cortesia deixou de existir. &quot;Ela esteve cá, não me contactou, nem manifestou qualquer gesto de delicadeza&quot;, respondeu o cantor, que também não entende o silêncio da portuguesa em relação a ele ter influenciado a carreira dela, como cantora.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&quot;A Mariza não faz menção a isso, por razões que apenas ela pode justificar. Enquanto fadista, não tive qualquer influência na sua carreira. O mérito é todo dela. Já em relação a tê-la influenciado, enquanto cantora, é do domínio público. Mas não me compete levantar polémica em torno disso. Na educação que recebi, o que a Mariza conseguiu é mérito dela. Não sou eu quem, com um comentário, vai levantar problemas. Não preciso disso&quot;. Eduardo Paím nega que o sucesso de Mariza lhe cause despeito, porque não foi preparado para a inveja destrutiva. &quot;Ela canta muito bem o fado e está a fazer uma boa carreira&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Fonte: Jornal de Angola&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/general-kambuengo.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-6705926773804527784</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 08:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-17T09:11:00.156+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Entrevistas</category><title>Eduardo Paim &amp;quot;Sou o precursor da kizomba&amp;quot; (Grande Entrevista ao jornal O País, Vladimir Prata 17 de Maio de 2011)</title><description>&lt;h5&gt;

&amp;nbsp;&lt;/h5&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiC9sqHsoYtw0ivHPECXymWzSU3G2ev4Uqb4O8KVqwuxP_KFS0JiLIKOenC6c1u6t-RPRgfjcRUP2kFLMbazYYF59ppjzXY1u-9D2RzUsiVx6WNjUMW1cFu5AHloRn7bS9frB7h/s1600/Eduardo+Paim.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiC9sqHsoYtw0ivHPECXymWzSU3G2ev4Uqb4O8KVqwuxP_KFS0JiLIKOenC6c1u6t-RPRgfjcRUP2kFLMbazYYF59ppjzXY1u-9D2RzUsiVx6WNjUMW1cFu5AHloRn7bS9frB7h/s1600/Eduardo+Paim.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Eduardo Paim é a figura desta grande entrevista. Compositor, cantor e produtor musical, a sua obra, desenvolvida quase toda nos anos 80 e 90, continua a marcar várias gerações. Começou o seu sucesso no grupo SOS, atingindo o estrelato já em Portugal com uma carreira a solo. Diz-se o precursor da kizomba, um dos estilos musicais mais consumidos em Angola. Nesta entrevista o, também conhecido General Kambuengo fala do seu percurso, das “calúnias” de que foi alvo quando acusado de tráfico de droga e do “desrespeito” que o levou a não actuar no “show da saudade” realizado recentemente na Cidadela.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;       &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;     &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;Quando, onde e como é que foi “patenteado” a General Kambuengo?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Esta patente foi o público que me deu. Acho que é uma gratificação de carinho, um manifesto de estima que o público me concedeu, na medida em que ao longo dos anos fui fazendo música, vamos, em abono da verdade.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Claro que na apreciação do público, o carinho, o reconhecimento pela minha pessoa não faltou. Daí que, a determinada altura, alguém que se chama Miguel Neto disse “o Eduardo Paim, na música, é um general”. Isso foi num espectáculo da Feira Popular, em 1997. O Miguel Neto terá dito assim: e agora, os vossos aplausos para aquele que eu considero o general da música. E o público ficou a repetir “ge-ne-ral, ge-ne-ral”, enquanto eu entrava para o palco. E resolvi assumir a patente que me foi dada com esse carinho todo. E num outro espectáculo, 15 dias depois, também na Feira Popular, apresentei-me fardado, mostrando claramente que eu assumi a patente e que levaria as causas do exército musical da melhor maneira possível (risos…).&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;E a expressão Kambuengo, de onde vem?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Kambuengo é o primeiro nome que me foi dado pela minha avó. Quando eu nasci, ela disse “esse é o Kambuengo””. As pessoas que me conhecem desde que vim ao mundo conhecem o Kambuengo. Eduardo Paim é nome de registo, de baptismo, o nome que usava na escola; em casa sempre fui o Kambuengo. E como também sou uma pessoa cujo passado me envolve com a história deste país – os meus pais foram pessoas ligadas à luta clandestina, à revolução – naturalmente, por causa de tudo isso, acabei também adoptando o termo “Kambuengo” como minha alcunha. Sabe que nas guerras dos Maquis – meus pais foram maquisardes – todos tinham uma alcunha. Meu pai, por exemplo, era o Dituba Geral. O camarada Agostinho Neto era o Kilamba. Camarada Lúcio Lara é o Tchiweca. O falecido camarada Rocha era o Dilolwa. Então, eu sou o Kambuengo (risos…). E quando sou patenteado a general da música, assumi ainda mais a minha alcunha.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;Já que falou desta relação que os seus pais tiveram com a luta de libertação nacional, gostaria de perceber como é que Eduardo Paim veio a nascer em Brazzaville.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjM60BY4Fu7ELK60SzBJJyuU-sXfAhvqTUTGNT0ZuH8S2TyBAPvYTgxluPsmMSbnbyCwYVg02lyW_OI4MkO7Yy_T2BwSEcNL7b73LHWDJ3xS9crB11XtSVPbYGuF4dhWi8Cw8b8/s1600/Eduardo+Paim1.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;158&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjM60BY4Fu7ELK60SzBJJyuU-sXfAhvqTUTGNT0ZuH8S2TyBAPvYTgxluPsmMSbnbyCwYVg02lyW_OI4MkO7Yy_T2BwSEcNL7b73LHWDJ3xS9crB11XtSVPbYGuF4dhWi8Cw8b8/s200/Eduardo+Paim1.jpg&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Eu nasço justamente no percurso dos meus pais. Em 1963, os meus pais viram-se forçados a salvar a pele, uma vez que o sistema colonial terá descoberto a implicância deles com a revolução angolana, a ligação deles com o movimento que, não me lembro agora se era o MPLA. Tiveram, então de fugir. Os meus pais fazem parte do famoso grupo de pessoas que sai de Nambuangongo até Kinshasa a pé. Naturalmente, neste percurso, o meu pai e a minha mãe já se conheciam, acho até que já trocavam alguns namoriscos. Uma vez rechaçados de Kinshasa pelo regime de Mobutu, baseiam-se em Brazzaville, onde eu acabo por nascer. É neste percurso dos meus pais que eu acabo nascendo onde, se me fosse dada a possibilidade de trocar, teria trocado, porque não tinha nada que nascer lá, mas pronto, aceito com muita naturalidade a minha naturalidade.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Sou o quinto de sete irmãos. Todos nasceram em Angola, inclusivamente o Nelo, que é o sexto, portanto, depois de mim. Eu fui o único que teve de nascer fora, porque até o Nelo teve a sorte de vir nascer em Luanda (risos…). Mas tenho que desmistificar algo: eu sou o quinto filho da terceira e última relação do meu pai, mas sou o primeiro filho da minha mãe.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Quando é que veio pela primeira vez a Angola?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Vamos por partes: em 1964, dia 13 de Abril, no L´hospital General de Maia-Maia, eu nasci. Lá permaneci até aos nove anos – isso bate 1974. Neste ano, após o 25 de Abril, todos os angolanos refugiados já vislumbravam o regresso à pátria. É assim que venho a Angola. Mas nesta altura eu trazia já um sonho comigo: a partir dos sete anos, comecei a revelar-me e a revelar as pessoas próximas, neste caso, ao meu pai, minha mãe, familiares e amigos da família, que tinha uma certa queda para a música. Enquanto criança já fazia uns malabarismos até com os meus brinquedos que emitiam sonoridades. Aos sete/oito anos, a minha mãe me ofereceu uma viola de brinquedo. Mas com esta viola mesmo na versão brinquedo eu fiz algumas pequenas maravilhas. Aos nove anos venho para Angola. Aos dez anos retorno a Cabinda, por razões de matrícula escolar. Nesta altura, por causa das situações de instabilidade que ocorria em vários pontos do país, todos faziam recurso a Luanda, único sítio com maior estabilidade, e todas essas famílias vindas das províncias, das aldeias, dos kimbos, enfim, congestionaram o processo escolar.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Era uma demanda muito grande para a resposta disponível. E eu fui uma das vítimas disso. Não pude me matricular em Lu8anda porque eram filas enormes. E como tinha um irmão a residir em Cabinda e me dissera que lá havia vaga, então fui para lá estudar a 5ª classe.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Uma vez afastado dos meus pais – eu sempre fui uma pessoa muito ligada à minha mãe – criou uma lacuna que eu preenchi naturalmente com a música. Porque no lar dos estudantes onde eu fiquei, onde também estava o meu irmão, havia um elemento que já era o viola ritmo do então conjunto Bela Negra, que é o Arcanjo. Ele também era um dos alunos no lar. A tardinha ele ficava a ensaiar, a praticar, e eu era o público dele. Cada vez que o Arcanjo estivesse com a guitarra a praticar, eu estava a frente dele, sentado, a observar. Até ao dia que ele me disse “tu olhas tanto porquê? Gostas de música?” e me entrega a viola. E eu, assim ao calho, consegui esboçar dois acordes. De tanto olhar as posições que ele fazia com os dedos no braço da guitarra, consegui este feito. Ele espantou-se: “mas tu tocas?” “Estou-te a ver…”.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ele próprio entusiasmou-se e então foi me dando alguns toques. Também fui me entusiasmando. Ainda me lembro de uma música que dizia “Eh, avante povo, África em luta pela libertação”; foi por aí que eu comecei. Daí descobri que aquela tendência estava mesmo enraizada em mim. Comecei a praticar mais.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=14152608&quot; name=&quot;more&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;E partir de quando começa a levar a música como profissão? &lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Em 1976 volto de Cabinda para Luanda, com a 5ª classe feita, para retomar a minha vida ao pé dos meus pais.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Nesta altura, estou a estudar na escola Nzinga Mbande. Em 1977 já tinha um grupo que era um trio formado na escola que se chamava Os Puros.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
éramos mesmo puros, porque era uma música feita só com vontade de fazer, não esperávamos benefícios nenhum.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjepoSD9EQO7T2KJeH1BPmGqCuIcftEuphH2WPGJI5UHd8Hb7S7Cc6bI1df2H-3ZKkdc_sn2fYfzJtnIjvlu3k5Ug2ZpNxYmQ5PbiL5J5bnMd9HT1bOseyB7YnRE6TJ5pxp8N_9/s1600/pais+131_lr_91.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjepoSD9EQO7T2KJeH1BPmGqCuIcftEuphH2WPGJI5UHd8Hb7S7Cc6bI1df2H-3ZKkdc_sn2fYfzJtnIjvlu3k5Ug2ZpNxYmQ5PbiL5J5bnMd9HT1bOseyB7YnRE6TJ5pxp8N_9/s320/pais+131_lr_91.jpg&quot; width=&quot;218&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Até que em Setembro de 1979 morre o camarada Presidente Agostinho Neto. Então, eu resolvi pegar nalguns poemas do camarada Agostinho Neto e musiquei. E fomos prestar uma homenagem em nome dos alunos da escola Nzinga Mbande ao Guia da Nação. A nossa prestação foi bastante aplaudida pelas pessoas, uma vez que éramos todos miúdos de 13, 14, 15 anos de idade, e a empunharmos instrumentos como guitarras, flautas, harmónicas e a cantarmos poemas que têm a ver com a nossa história, naturalmente todos entusiasmaramse e incentivaram-nos a continuar.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Um ano depois transito para a formação profissional, e nessa altura, depois de uma breve passagem pelo Huambo, acabo no Instituto Politécnico Karl Marx “Makarenko”, hoje IMIL. Há um dado curioso: quem tinha posto o painel luminoso em cima com o nome do Instituto foi um grupo de sete pessoas da minha turma, e eu fiz parte deste grupo. Portanto, quem fez os furos lá em cima fui eu (risos…). O painel foi feito por nós que pertencíamos ao curso de Electricidade, portanto tínhamos a missão de fazer a parte da instalação eléctrica. Outro grupo do curso de Mecânica é que fez o molde.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A partir daí, o grupo Os Puros evolui para SOS, com outras tendências, uma diversidade maior nos objectivos. O grupo marca esta viragem, introduzindo instrumentos na agremiação – primeiro eram só violas, flautas, harmónicas, depois já havia bateria, guitarras solo, baixo, órgãos (nem eram sintetizadores). Então a coisa foi andando e nunca mais parou.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Fala-se também de influências familiares na sua formação como artista…&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Eu particularmente fui influenciado pelas seguintes pessoas: enquanto miúdo, com idade compreendida entre o zero e os seis anos, a minha mãe trabalha directamente com o camarada António Agostinho Neto, primeiro Presidente desta República, desempenhando as funções de secretária. Ora, esta aproximação da minha mãe ao camarada Agostinho Neto por inerência de trabalho, fez-me também uma pessoa próxima do camarada Neto.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Normalmente, em datas festivas, na altura, para o MPLA, havia sempre um acto comemorativo onde acontecia música, também. E nestes convívios, aos quais tive acesso, eu pude sempre estar ao pé de pessoas como Fernando Assis, a quem eu chamo Fernando, o Maestro, o camarada José Eduardo dos Santos, a doutora Ana Wilson, o camarada Loy, o camarada Eurico Gonçalves, morto no fraccionismo; eles é que tocavam e cantavam nestas actividades. Eu tinha entre sete, oito nove anos de idade. Fui logo contagiado aí.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
É do conhecimento de toda gente a ligação do camarada José Eduardo dos Santos com a música. Portanto, logo aí, eu pude ter este acesso. Posteriormente, após o 25 de Abril, meses antes de voltarmos a Angola – quer dizer, os meus pais voltaram, eu ia conhecer – tenho a felicidade de conhecer o nosso saudoso Liceu Vieira Dias. E, numa serenata, no bairro Potô-Potô, na rua Mongo, número 4, casa dos meus falecidos avôs padrinhos, em jeito de comemoração porque os angolanos já vão poder voltar à sua terra, o kota Liceu fez uma serenata, coisa que me marcou a vida toda. Eu pude ver as músicas que só ouvia no rádio cantada e tocada pelo próprio. Naquele dia, cheguei a conclusão que eu também seria músico, que eu queria também ser como aquele mais velho que eu estava a ver naquela serenata, numa sala em que estavam pessoas que, na altura, eu não entendia porquê, choravam ao ouvir o kota Liceu Vieira Dias a cantar “xiami, xiami, xiami”. E eu chorava também por indução, ao ver os meus pais, os meus padrinhos, até o próprio Liceu a chorar.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Como o momento foi extremamente marcante, aquele dedilhar, aquela voz aparentemente roca mais muito segura, aquela figura firme a cantar e que algumas vezes deixou cair algumas lágrimas, mas que não parou nunca de cantar, não vacilou nunca, lembro-me perfeitamente de, no final de cada música, toda gente a bater palmas, a vibrar, ele só limpava os olhos, mas sempre sereno. Então, uns meses depois, começou o processo de evacuação das pessoas que estavam em Brazzaville para Angola. Eu faço este trajecto com os meus e com muitos camaradas, na altura, de carro.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Saímos de Brazzaville para Dolizze de comboio, de Dolizze para Cabinda de carro, e de Cabinda para Luanda de avião. Ainda me lembro que a companhia que nos trouxe era a DETA. Foi umj processo bonito, um bocado marcante, já que é complicado estar numa situação de refugiados, a viver num acampamento várias famílias, entre militares, comida, tudo racionalizado, tudo a horas, toca o sino, todos ter que ir a fila buscar a comida, tudo agrupado, enfim, um processo que no fundo até dava num bom filme, mas prefiro apenas ressalvar a parte melhor, o que eu pude aprender e conservar ao longo da minha vida.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ter tido a oportunidade de conhecer o camarada Agostinho Neto, a kota Maria Eugénia Neto, os filhos deles, lidar com eles, com os camaradas, conhecer o próprio camarada José Eduardo dos Santos e ter a felicidade de fazer parte desta história de alguma forma, tudo isso depois transportei para a música.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;Quer dizer que o facto de ter um parente que se notabilizou como músico, que é o Prado Paim, em nada influenciou na sua carreira?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Ia já chegar aí. Confesso que nessa altura que venho a Angola ainda não conhecia o meu parente. E quando chego, há uma música que estava no auge, a fazer sucesso, que é “Bartolomeu”. Autor e intérprete da música: Prado Paim. Eu sou Eduardo Paim, logo, questionei aos meus pais: este é nosso familiar? É. E passado alguns dias tive a sorte de o conhecer. Então acho que a partir daí tinha todos os condimentos necessários para iniciar o meu trajecto. Já trazia algumas e vivas referências. O restante era aquilo que eu ouvia de Urbano de Castro, David Zé, Elias Dya Kimuezu e todos os artistas que naquele momento também emergiram, aliando ao facto de que tinha uma referência extremamente honrosa na família, primeiro Disco de Ouro ainda sob o jugo colonial – acho que na altura eram só duas referências: Teta Lando e Prado Paim – acho que tinha tudo para naturalmente reunir entusiasmo para continuar.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Qual foi a fase mais marcante da sua carreira? Eu sou uma pessoa extremamente movida por sentimentos. Sentimentalmente falando, o que às vezes, nos distancia do aspecto prático da vida, uma das coisas mais marcantes da minha carreira foi ter convencido os meus pais que não queriam que fosse músico. Outra coisa foi ter convencido o meio que me rodeava que poderiam contar com alguma coisa da minha parte como contributo para a música angolana. Nesta fase eu cooperava com a Rádio Nacional e com a TPA e respondia algumas demandas da grelha de emissão como, por exemplo, fazer jingles, pontos musicais; acabei, desta forma, fazendo uma das coisas que me orgulha muito sempre que são treze horas na Rádio Nacional, que é aquela pré-sintonia que, acredito, até hoje, muitos não sabem que é produção do Eduardo Paim, e inclusivamente é executado por mim. Ter feito nomes como Paulo Flores, Jacinto Tchipa, Diabick, Mamborró, ter sido fundador de um grupo como os SOS, ter ido para Portugal e conseguir virar as atenções para a nova dinâmica da música angolana, mesmo sendo alvo de muitas críticas e muitas delas injustas, gratuitas e levianas, olhar para atrás hoje e ver uma legião de seguidores, mesmo admitindo – e assim é que está certo – que as tendências possam variar, isso é mesmo assim: a gente aprende A e B, mas juntado A e B, multiplicando, dividindo, subtraindo, fazendo o que a gente quiser, criamos um C. tudo isso fazem momentos importantes da minha vida. Se formos a apresentar cronologicamente, então consegues ver. A medida que o tempo vai passando, ganhar algumas distinções, primeiro a nível interno, depois a confirmação lá fora, chegar aos tops de um país europeu – tudo bem que eu não ganhei, mas fiquei em quarto lugar – ter o prazer de um dia receber um Disco de Ouro,tudo isso são coisas marcantes. Mas o mais marcante no meio disso tudo é naturalmente o carinho deste povo do qual eu faço parte, a admiração que muitas pessoas nutrem por mim.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;‘DAQUI SÓ ME TIRAM SE FOR À FORÇA’&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Quando é que sente o sucesso na sua carreira?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Eu sinto o sucesso pela primeira vez quando fiz uma música chamada “Carnaval”, com os SOS. Sinto o sucesso pela segunda vez quando produzo as cinco primeiras músicas públicas da vida pública do nome Jacinto Tchipa. E daí para frente, são já repetições. Sinto o sucesso, de uma forma diferente, pela terceira vez, quando sou contemplado em Portugal com um dos mais coutados músicos africanos do momento. Tive a sorte de conhecer pessoas interessantíssimas, um deles, uma referência de que nunca abdicarei, porque foi um momento muito bonito das nossas vidas, quer a minha, quer a dele, e a de muitos que nos seguiram, quando conheci um miúdo chamado Paulo Flores que veio de Portugal de propósito para trabalhar comigo, eu que me sentia cacimbado, desmotivado em Angola, afinal os meus acordes, os meus arranjos, a minha versatilidade, estava a convencer conterrâneos meus além fronteiras. Poder ir a países em que a minha música chegou primeiro, poder conhecer quase todos os países da lusofonia e lá ser recebido com algumas honras, tudo isso são motivos para me sentir bem; foram momentos de sucesso.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;O que o levou a escrever e a compôr a música “Foi aqui”? Teve necessidade de justificar a sua identidade?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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Essa música foi escrita aqui mesmo nesta casa, num telhado; numa tarde em que me senti inspirado, peguei na guitarra e subi naquela chapa que vês aí. Era o único sítio onde ninguém me via, a mãe não ia me chamar para fazer os deveres. Aí eu estava totalmente isolado, com a guitarra. Saíram quatro acordes, uma melodia, e na sequência fui narrando o que eu estava a sentir. Estar aqui, naquela altura, quando isso não tinha muitas casas, era quase deserto, sentia-me um rei: isso é o nosso espaço; daqui ninguém me tira, e se o fizer vai ter de ser à força. Eu tenho o meu espaço, eu sou angolano, essa é a minha terra, tenho que cuidar bem dela, tenho que enaltecê-la. É assim que sai essa música. Queria mostrar aos que me pudessem ouvir que eu tenho um espaço, nós temos este espaço, é a nossa terra, é aqui que nascemos, caminhamos, caímos, levantamos e esse é o nosso lugar, onde nós temos que resolver tudo que seja necessário resolver. E valeu-me muito essa música lá fora. Quando eu cantava essa música que muitas pessoas chamam de “Aiué Ngola” as pessoas adoravam. Cantei esta música em Sevilha, na Expo 92, e os espanhóis entenderam a música perfeitamente, aplaudiram-na e pediram para bisar.&lt;/div&gt;
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Acho que qualquer pessoa que ama a sua pátria, ao perceber aquilo que se está a narrar, acaba por gostar da música.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;Aceita que lhe atribuam o título de precursor da kizomba?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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Não aceito. Eu sou. Eu sou. Não sou sozinho, porque no narrar desta história, acabam acontecendo algumas lacunas. Isso é um processo que começa mais ou menos em 1981, com grupos cujos nomes são Afro Sond Star e logo a seguir SOS. Esse movimento que nós acabamos de criar e que começa com os Afro Sond Star – eu mesmo inspirei-me neste grupo que já assumia como estilo de referência o kilapanda, mas na mistura apareciam coisas que a mim entusiasmaram, e junto um bocado as últimas referências que eu pude agarrar do semba, do nosso merengue e com aquele vínculo que acabamos por fazer com a América Latina, estas referências acabaram por me dar condições de, sem querer, desenvolver uma sonoridade que, convenhamos, caiu no goto das pessoas. E assim a música angolana volta a fazer parte do convívio dos angolanos. Não é mentira que nesta altura, numa festa familiar, desde que começasse até que terminasse, não tocava uma música angolana. As músicas de intervenção política acabam dissipando a música livre. Obviamente ficamos vulneráveis à música brasileira, cabo-verdiana, do Congo Democrático, do Congo, da região central de África, enfim. Isso criou uma lacuna muito grande, e tenho muito orgulho de, sem querer, ter feito algo que voltasse a despertar os angolanos à necessidade de voltar a consumir o que é seu. Nesta altura tive que considerar que eu tinha um grupo e que queria ouvir as músicas do meu grupo a tocar nas festas. A única forma que encontrei foi admitir algumas influências. Daí que a minha primeira música foi extremamente criticada, e até lhe chamaram zouk. Não é zouk. É kizomba.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;‘QUEM DEU O NOME DE KIZOMBA FOI O BIBI’&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;Qual foi a primeira música no estilo kizomba?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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Foi “Carnaval”. Músicas, com o “Kutonoca”, entre outras, não queriam aceitar, mas, epa… sou jovem, estou a ouvir… hoje quem vive sem a internet? Também não fomos nós que inventamos! Hoje quem vive sem esse meios? Então, vamos é optimiza-los, aproximar isso à nossa realidade. E damos sequência à nossa tradição ao que quiserem chamar.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;Quem deu o nome de kizomba a este estilo?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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Quem dá o nome de kizomba é o antigo percussionista dos SOS, o famoso Bibi que eu canto na música “Ilha maravilha” quando digo “dá-lhe Bibi, o rei da passada”. O Bibi é que intitulou aquele tipo de música que nós fazíamos como kizomba. Este era o objectivo: entreter as pessoas, dar motivos as pessoas para extravasarem.&lt;/div&gt;
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O crítico de artes Jomo Fortunato afirma que a kizomba é uma imitação mal feita do zouk…&lt;/div&gt;
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Porquêe é que ele acha que é uma imitação mal feita? Quem é que lhe disse que era imitação? Vamos partir do princípio que este direito ninguém o tem. Portanto, há que fazer as afirmações tendo em conta os resultados negativos que podem causar. Criticar é fácil, mas difícil é executar. E nós executamos; a prova está aí. Agora, as similaridades rítmicas são óbvias.&lt;/div&gt;
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Jomo Fortunato, enquanto compositor, enquanto criador, também lembra Djavan, se calhar mal feito. Ou não?&lt;/div&gt;
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Então acho que não lhe compete o direito de julgar os outros. Há que compreender primeiro. A kizomba não é nada imitação mal feita do zouk. É um sentimento traduzido por acordes, por uma temática e por harmonias que podem até estar próximo daquilo que chamam de zouk, mas ao mesmo tempo temos que ter em conta que há todo um percurso que faz história no meio disso tudo.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;Porque é que se deu o fim dos SOS?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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Quando tinha cerca de 24 anos, eu, com muitas aspirações, muitos sonhos e com perspectivas de nunca iria conseguir tornar realidade a maior parte deles, acabo tendo a possibilidade de conhecer Portugal. O que me levou a Portugal, em princípio, foi só o sonho de adquirir um sintetizador, consequentemente, por causa de um trabalho do Paulo Flores que eu ia para lá para finalizar. Chegar a Portugal para terminar aquele trabalho e ter cativado a atenção das pessoas que gostaram daquela dinâmica nova de se fazer música em Angola fez-me pensar que devia me fixar lá. Regresso a Luanda, mas confesso que com um pé lá. Aqui não se podia ir a loja comprar um encordoamento para uma guitarra; tudo tinha de vir de fora.&lt;/div&gt;
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A determinada altura tive de tomar a decisão que penalizou o meu grupo.&lt;/div&gt;
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Não houve problemas entre nós. A minha decisão pessoal condicionou o prosseguimento dos SOS.&lt;/div&gt;
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Quem, na altura, fazia parte do grupo SOS? Didi, percussionista e chefe do grupo; Eduardo Paim, teclista, vocalista, director musical e compositor; Diógenes (Dinho), viola baixo; Ferreira de Andrade, viola ritmo e solo, anteriormente. Simon Massini vem substituir Ferreira de Andrade que devido ao seu trabalho – ele é actualmente o director nacional dos Serviços Prisionais, já tinha vínculo com o Ministério, por isso teve que pôr a música de parte; Toy Batera, baterista. Esses foram os principais, sem esquecer o Cassé que inicialmente fez parte da agremiação mas depois saiu. Não vou falar mais do Bruno Lara porque estaria a falar dos Puros. o falecido Levi, companheiro de nascença, praticamente – o Levi foi um dos fundaodres de tudo isso, ao meu lado e ao lado do Bruno Lara.&lt;/div&gt;
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Na fase SOS também há que falar do Diabick. Era um grupo versátil, multifacetado, daí que as nossas participações em espectáculos eram muito abrangentes, porque conseguíamos completar o público. Fazíamos desde um estilo aos outros, tudo produção nacional. Diabick tinha uma queda para o romantismo e o reggae, e fazia muito bem isso. Eu desenvolvia muito bem a trova, kizomba, kazukuta, kabetula. O Bibi se situava num estilo mais ligeiro. Tudo produção nossa.&lt;/div&gt;
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Fazíamos muita coisa boa, mas tudo acaba ficando condicionado com a minha retirada. Era aqui neste edifício que os SOS ensaiavam. Eu e o Bibi fomos sempre o factor de ligação para todos. A partir do momento que vou para Lisboa deixou de haver aquela correlação de forças que juntava toda gente. Houve tentativa de sequência noutras paragens, mas o contexto era outro já. Há toda uma viragem até na política do país. Os objectivos passaram a ser outros. Naquele tempo nós tínhamos valor, e defendíamos estes valores. Hoje tudo ganhou preço, e andamos todos a tentar encarecer o máximo possível, ainda que de forma absurda, os nossos preços. Naquele tempo trabalhávamos, mas não sabíamos o que tantos mil dólares. O benefício era ver toda gente a rir, contente.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Se me derem um saco de arroz, batata, uma grades de gasosa para alegrar a família em casa já era o suficiente. Depois de todas essas viragens, as coisas tornaram-se difíceis. Basta ver que grupos como os Merengues desapareceram, grupos como o Fenomenal, Congo Flash e outros tantos desapareceram. Os próprios Kiezos e os Jovens dos Prenda passaram a enfrentar dificuldades sérias e várias vezes tiveram que pôr as mãos no chão, porque os pés já não eram suficientes. Isso tudo condiciona a sequenciados SOS. Estou falar de 1989.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Entretanto, em Portugal deu-se bem. Como é que foi possível?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Vou para Portugal na fase da segunda maior emigração de angolanos para aquele país. A primeira deu-se a em 1974, com aquela fuga desvairada, abandona tudo e salva a pele. Depois surge aquela fase em que as pessoas têm necessidade de realizar os seus sonhos e chegar a conclusão de que no país não era possível. Eu sou um deles.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Naquele altura, o que eu precisava já não estava aqui, estava lá fora. Não conseguia trazer o fora para aqui; eramais fácil eu ir lá. E como eu muitos também foram. Estes fizeram o nome do Eduardo Paim lá fora. Porque todos aqueles que se queriam rever com Angola tinham-no no Eduardo Paim que também emigrou. Onde o Eduardo Paim estivesse havia uma afluência de público muito grande. E os portugueses tiveram que se render a isso. Não esquecendo que muitos portugueses têm ligação com Angola. Ter acesso a Angola a partir da música de um Paim, de um Paulo Flores, ou até de um Tropical Band, referências novas, actualizadas, terá trazido até nós a notoriedade que felizmente temos até hoje. É assim que consigo firmar-me lá. Não foi só o facto de chegar aí com uma música diferente.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Como é que consegue dar a volta ao facto de não ter o apoio da sua banda em Lisboa?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
O angolano desenrasca-se. Sempre fui uma pessoa desenrascada, desde a nascença. Não nasci em berço de ouro.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Nasci num contexto específico, e sei um bocado dos dois lados por experiência própria, por vivência, não é de ouvir contar. Sei o que é fome, e também sei o que é fartura. Todas essas situações acabam por nos dar como recompensa o “savoire faire”, ou seja, o saber fazer. É com a dificuldade que aguçamos o nosso engenho. Temos necessidade de fugir a dificuldade, então temos que ser inteligentes, pensar, encontrar as fórmulas. Por outro lado, aprendi a tocar vários instrumentos, o que me terá valido muito em Portugal. Porque se não teria que ter um conjunto, um grupo, uma banda. Mas sabia tocar os instrumentos e executálos a media das minhas músicas. Daí que pude granjear um bocadinho de mais admiração, tudo isso jogou a meu favor.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Fui até visto como um génio, só porque dou um toque no teclado, no baixo, na guitarra, na bateria, nos batuques, na flauta, fazendo uma música que agradou a todos. Isso deu-me um bocadinho mais de visibilidade. A música foi bem aceite. Aí já pude formar uma banda com maior facilidade, porque eu já era o Eduardo Paim, e já podia escolher quem iria tocar na minha banda. Tive necessidade de defender o meu produto, aquilo que as pessoas ouviam nas rádios e viam em televisão. Nas aparições em público tinha de executar aquilo que as pessoas ouviam. Nada de Play-back. Nunca fui apologista. Para televisão sim, mas para o público não. Já tinha capacidade de resposta. Os meus discos vendiam bem; ganhei disco de ouro, prata, platina. A minha atitude já era outra. Já tinha palavra de peso naquele meio. Mas os primeiros passos foram dados com a experiência adquirida na CT 1, na Rádio Nacional de Angola, e nos programas de televisão da TPA.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Todas essas pequenas experiências me deram também um lugar ao sol em terras lusas, e daí pude chegar noutros países com muita facilidade.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Porque então que regressa a Angola?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Para evitar que muitos passassem pelo percurso difícil que eu tive de passar. Hoje é fácil gravar em Portugal.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Basta receber um patrocino de uma estrutura, ou até de um familiar abastado. Naquele tempo não era bem assim, e todos sabem; não havia estruturas a patrocinar artistas. Volto para Angola porque vi que tinha condições de montar um estúdio cá. Nunca respirei, nem por um segundo, a hipótese de viver definitivamente em Portugal.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Fui a busca de algo. E quando vi frente a frente daquilo que fui buscar, trouxe.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E assim nasce o E.P Estúdio. Tive sempre a noção que o país não vai se desenvolver levando ele lá para fora.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
É mais fácil trazer a tecnologia de fora aqui para dentro, e desenvolver o país.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Orgulho-me de ter sido o primeiro a despertar sensibilidades nesse sentido.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E como é que se deram aqueles rumores que davam conta que Eduardo Paim estivesse envolvido em drogas? Disseste bem, foram rumores. Eu já reagi muito mal com esta parte da minha vida. Sou uma pessoa cuja educação se baseia em princípios cristãos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Não tenho educação para práticas que a vida condena. Isto é um livro aberto, quem quiser pode ir pesquisar onde quiser. Não tenho ligações com bandidagem, com nada disso. Isso foi uma injustiça, acusar um inocente.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Prova disso é que eu vou para Europa ou qualquer parte do mundo e não sou acompanhado por nenhum guardacosta, sempre andei sozinho, com a minha família e nunca me aconteceu nada. Não tenho contas com a justiça portuguesa, nem com a justiça angolana, não tenho conta com a justiça de lado nenhum. Sou uma pessoa de bem; sempre fui. Esta foi a educação que me deram. E á determinada altura, lamentavelmente, esta calúnia terá afectado de certa forma a minha vida, mas dei a volta a isso.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Mas de onde e porquê surgiram estes rumores?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Quando se é alvo público estamos a mercê de qualquer coisa. Eu tive, felizmente, uma desenvoltura em Portugal invejável e rápida. Ao fim de oito meses em Portugal eu já estava com condições de vida minimamente aceitáveis. Soube rentabilizar as facilidades que a vida me deu. Mas isso, por outro lado, terá atiçado, entusiasmado sensibilidades menos dignas. O balanço que eu trazia não podia ser parado de outra forma, só com casca de banana. E orgulho-me de poder dizer isso. Todos viram. Naturalmente, há a necessidade de criar um freio: vamos diminuir a aceleração deste camarada; umas tantas cascas de banana para que eu tropeçasse. Tinha uma agenda de trabalho invejável. Eu dava-me ao luxo de dizer ao meu agente “este mês não aceita nada, não posso estar a correr assim, sem tempo para estar com os meus filhos, sem vida própria”. A determinada altura vi-me forçado a ir perguntar ao agente “como é, não há nada, não há solicitações?”. Isso porque uma notícia destas, à volta de um nome a bombear naquele momento, teve o seu eco. Foi um bocado mau.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas felizmente consegui, unicamente com a verdade. Nunca fui preso, não tenho contas com ninguém.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Mas sente que isso afectou negativamente a sua carreira?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Seria irresponsabilidade dizer que não.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Foi esse o motivo principal que o levou a afastar-se dos palcos?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Não foi o motivo principal, mas foi o início. A determinada altura cheguei a ver-me com a imagem coçada. A estratégia foi não forçar, não impor a minha imagem, porque na altura alguns se sentiram magoados, mas até que provassem que não era verdade, já algum estrago estava visível. Hoje acontece o inverso. Sempre soube que as pessoas sabem que isso não é verdade, a gente às vezes tem que fazer manobras para esquivar aquilo que sempre soube que não verdade. E temos que convir que as más notícias sempre andaram mais depressa que as boas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Foi a partir dessa altura que se volta para a produção…&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Exactamente. Era parte menos lesada, apesar de ser a parte mais exigente.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
É uma demanda grande, uma rotação acelerada. Isso foi-me absorvendo, a ponto de eu começar a esquecer-se de mim próprio, coisa que a partir de agora estou a contrariar. Lentamente vou impondo a minha presença.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Muitos nomes da música angolana passaram pelas mãos de Eduardo Paim…&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Quase todos. Hoje até uns já andam pelos próprios pés. São quase todos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Não adianta citar nomes para não haver um aproveitamento indevido. Mas eles sabem, o público também sabe.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;E qual é, neste momento, a situação do estúdio A.P?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Está em fase de reestruturação. A tecnologia não para de surpreender, e temos que estar à altura dela. Neste momento há um estudo que está a se terminado no sentido de fazer uma actualização do sistema. Precisa-se fazer alguns ajustes na parte acústica, o que não é barato.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Hoje nota-se que muitos produtores recorrem à programação das músicas, em detrimento da instrumentalização. Isso, na sua opinião, é uma vantagem ou não?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
As pessoas moldam-se à altura das suas possibilidades. É óbvio que o recurso aos meios informatizados acaba por limitar nalgum quadrante.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Produção musical é algo muito sério e oneroso. Por exemplo, gravar uma música com instrumentos convencionais em tempo real implica uma cabeça por instrumento. Isso implica ter orçamento. Esta é a razão que faz as pessoas recorrerem aos sintetizados. O que uns fazem com 18 pessoas, outros fazem com um computador, com a vantagem de muitas vezes a tecnologia avança de tal forma que os resultados quase se aproximam. Mas isso acaba por penalizar o resultado final. Um dia as pessoas não vão saber mais o que um violino; o teclado faz! Há muitas produtoras a promover aquilo que não tem qualidade, mas tem consumo.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Logo, se tem consumo, justifica o investimento. Hoje fazer comércio é isso: não interessa se tem qualidade, interessa é que venda. E se vendeu, faça mais. Mas em função disso começamos a perder determinadas referências. Já reparou que não há sambas sintetizados, ou rock sintetizado? Isso é algo que temos de cultivar em nós: incentivar o uso de instrumentos convencionais. E isso implica ter que haver mais escolas no país, mais pontos de escoamento. Repare que até bares com música ao vivo urge neste país! É tão bonito ir aqui, a Cabo Verde, onde entras numa taberna para comer uma cachupa e está lá um quarteto a tocar uma morna, a galvanizar as pessoas. Isso é que é a natureza. Se a gente perde esta referência, então vamos fazer música no computador que cria determinadas emoções, mas aquelas emoções exaltadas, mais aceleradas. &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;i&gt;Mundo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;‘Apenas sou baixinho de altura’&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;As kizombas de hoje são diferentes das que se faziam no princípio?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Obviamente. As nossas ainda eram feitas na mistura do real ao sintetizado.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Hoje é pura e simplesmente tudo sintetizado. Embora faça uma vénia aos jovens como o Yuri, o Puto Português que já começam a manifestar um cuidado no recurso ao convencional.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Este manifesto tem que ser multiplicado para que possamos ter uma música que nos dignifique e possa ser apresentada em qualquer parte do mundo.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;Será que este recurso ao sintetizado tem a ver com a busca de qualidade ou se deve a dificuldades de se constituir uma banda?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A partir de 1992, este problema tornou-se o mais grave, porque antigamente não tinhas hipótese de fazer Play-back. Nem sabíamos o que era isso! Ou você ensaia com os Merengues, ou com os Kiezos, ou com os Jovens do Prenda, mas tinhas que cantar ao vivo. A partir da mudança, começamos a adoptar outros hábitos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
O artista não precisa de trazer banda; traz só um CD, põe a tocar e ele faz a mímica. Mas o cuidado que já se vem mostrando no presente para que haja maior recurso à natureza das coisas, se evoluir, vai nos levar ao ponto que devemos chegar. A necessidade sempre há-de estar lá. Eu aceito esta necessidade num principiante, que não tem recursos. Mas quando se ganha um determinado lugar, quando se atinge um determinado patamar, então somos obrigados a ser exemplos. Nunca vou sair da minha casa para ir ver o Yuri da Cunha ou o Matias Damásio, ou o Conde, ou o Puto Português em play-back. Considero um insulto.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Aceitei isso no início deles; não tinham recurso. Agora têm a obrigação de dar exemplo aos vindouros. Daí que é raro verem-me em play-back. Se for para um programa de televisão, por razões de produção, posso fazer, mas já a refilar.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Porque é que o Eduardo Paim não actuou no “show da saudade” realizado recentemente na Cidadela?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A verdade é que em Angola é normal valorizar-se o que é de fora em detrimento daquilo que é de dentro.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
E isso, uma vez mais, aconteceu na Cidadela no dia 23 de Abril. Porque um músico que até se encontrava em Portugal, a trabalhar nos seus projectos, a finalizar o projecto chamado “Etu mu dietu” que é o meu próximo disco de músicas inéditas, a terminar um outro projecto que se chama “Eduardo Paim: 30 anos – The Best Of” e que interrompe esta actividade para vir brindar aqueles que o fazem aquilo que ele é num projecto chamado “show da saudade”, e posto no terreno não actua porque temos convidados que valem mais do que nós, santa paciência!&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Afinal de contas eu também sempre fui fã do grupo em causa, mas não posso permitir essa falta de respeito.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Porque eu apenas sou baixinho de altura. Mas como ser humano mereço ser respeitado, principalmente encabeçando um grupo de treze pessoas.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Porquê que os Kassav não podiam fechar o espectáculo conforme estava planificado? Porque são três ou quatro da manhã, está tarde, o Paim é que vai fechar, as seis da manhã, com toda gente cansada? Não fui eu que fiz o plano; não fui eu quem fez aquele guião. E depois assim quase que sem consideração, dizerem “ele que espere”. Desculpem-me lá! Permaneci no local até ao último acorde do grupo em causa, e depois retirei-me, para que ficasse claro que as seis menos tal eu não tinha mais condição de subir ao palco, porque estava triste, estava frustrado, revoltado. Nem eu, nem aquele público que resistiu a chuva, a falta de higiene do espaço em causa para no fim serem expostos a isso. E vêm os outros com as melhores condições, regalias. Eu é que pergunto: isso está certo? Acho que os angolanos não merecem isso. Prefiro interpretar isso como uma falha de experiência miúda. Uma coisa posso lhe dizer: isso se acontecesse em Cabo Verde, os Kassav não entrariam em palco. Já vi isso lá, com o mesmo grupo.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Mas houve um contrato…&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Sim, houve. E a organização cumpriu com tudo. A única falha foi eu não ter actuado, mas não por culpa minha, porque eu estava lá, e o público viu-me lá.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;E para quando o lançamento destes novos trabalhos que está a preparar?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Estou com algum receio de avançar datas, mas posso garantir que é nos próximos sessenta dias. Um deles sairá primeiro que o outro, mas ambos estão em fase final. Todo este processo atrasa apenas porque eu estava a preparar um espectáculo à altura das pessoas que gentilmente conservaram o Eduardo Paim mesmo estando ausente.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Dai eu ter decidido trazer um grupo de Portugal devidamente preparado.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Estava a altura de qualquer grupo que actuou, mesmo os Kassav. Não tenho medo de ninguém, nem deles, embora eu tenha me inspirado muito neles.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Mas atenção: todos nós crescemos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Tenho consideração e muito respeito por eles; medo não. Estamos em Angola, este é o meu povo, o povo que me conhece, que sabe porquê que me bate palmas e me considera. Não tenho que temer ninguém. E naquele dia, na Cidadela, eu teria sim senhor – digo isso alto e em bom som – teria feito um espectáculo à altura do meu povo. Estava tudo preparado. Ensaiei um mês inteiro, seis horas por dia. Não tive a sorte de mostrar o meu trabalho as pessoas. Mas vou lutar para que, ainda este ano, muito brevemente, eu faça acontecer um grande show Eduardo Paim. Ou então não terá valido a pena todos estes anos.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Sente-se reconhecido pelo seu trabalho?&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Para ser franco, tal como eu gostaria, é algo que vou deixar entre aspas, porque o ser humano nunca está satisfeito com o que tem. Mas tenho que dizer que desde que aderi as redes sociais tenho noção do quão mimado, quão considerado sou.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Estes meios conseguem nos dar uma panorâmica mais extensa. Sou daqueles artistas que nos últimos anos pouco ou nada aparece em público, mas apareci nas redes sociais e tenho uma noção mais nítida do carinho, da consideração que as músicas que fiz há mais de 20 anos criam até hoje.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
O Eduardo Paim só é vivo por causa disso, não por causa de uma música do ano passado, ou antepassado ou há cinco anos. O Paim só é vivo por aquilo que fez num raio de quinze anos para trás.&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/eduardo-paim-o-precursor-da-kizomba.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiC9sqHsoYtw0ivHPECXymWzSU3G2ev4Uqb4O8KVqwuxP_KFS0JiLIKOenC6c1u6t-RPRgfjcRUP2kFLMbazYYF59ppjzXY1u-9D2RzUsiVx6WNjUMW1cFu5AHloRn7bS9frB7h/s72-c/Eduardo+Paim.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-3171110751335501418</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 07:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-23T09:38:59.452+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Reconhecimento institucional da investigação e da criação artística</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-mxnsgtyhSy4/TxUiCWeQpTI/AAAAAAAAHNY/FhJ4qiFTIi8/s300/clip_image001%25255B3%25255D.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-mxnsgtyhSy4/TxUiCWeQpTI/AAAAAAAAHNY/FhJ4qiFTIi8/s300/clip_image001%25255B3%25255D.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;José Oliveira de Fontes Pereira, &quot;mestre&quot; da dikanza e fundador da escola de semba&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Fotografia: Jornal de Angola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
A criação do Prémio Nacional de Cultura e Artes pretende ser, julgamos, uma tentativa, séria e institucional, de inverter a tendência perdulária a que esteve votado o reconhecimento do mérito dos criadores e investigadores, nos domínios da literatura, artes plásticas, teatro, dança, investigação em ciências sociais e humanas, música, cinema e audiovisuais.   &lt;br /&gt;
Vítimas dos caprichos implacáveis dos caminhos ínvios da história, os artistas e investigadores angolanos, converteram-se, durante longos e penosos anos, em peças descartáveis, fazendo-nos ressaltar, à memória, um verso do cantor e compositor brasileiro, Chico Buarque de Holanda, intitulado “Festa acabada músicos a pé”.    &lt;br /&gt;
Pelo valor pecuniário do prémio, infere-se que o Estado angolano reconhece e pretende investir, de facto, na magnitude artística dos criadores e investigadores, exaltando-os a uma reflexão sistematizada do feito, rumo ao que ainda há por se fazer.    &lt;br /&gt;
É líquido, no entanto, maximizar a dimensão simbólica do Prémio Nacional de Cultura e Artes, que vem conferindo, aos premiados, um estatuto de prestígio e mérito que, antes da institucionalização do galardão, era franqueado pelo vazio dos exercícios verbais de uma crítica de feição impressionista e, obviamente, pela sazonalidade dos efémeros aplausos.    &lt;br /&gt;
Sabe-se que os prémios, a crítica e os sistemas de ensino, constituem instâncias de validação da componente institucional da generalidade da criação artística e da pesquisa científica. Neste atalho de análise, os prémios não só prestigiam os seus vencedores, como também as instituições que os outorgam, no caso, o Ministério da Cultura.    &lt;br /&gt;
É pela selectividade que as obras e seus autores se afirmam, porque entendemos que abjurar o mérito dos criadores e investigadores é, no mínimo, asfixiar o progresso e negar a natural reedição do bom exemplo.    &lt;br /&gt;
O Prémio Nacional de Cultura e Artes corre o risco de se transformar numa versão intelectualizada do “Top dos mais queridos”, se a história da criação musical, da literatura angolana e da investigação antropológica, de tipo endógeno, incluindo os autores e investigadores com obra feita desde o tempo da colonização portuguesa, não for revalorizada.    &lt;br /&gt;
Evitar a banalização do Prémio Nacional de Cultura e Artes, significa, no nosso modesto entendimento, estabelecer um equilíbrio, inteligente, entre a avaliação retrospectiva e prospectiva da produção artística e literária angolana.    &lt;br /&gt;
O Prémio Nacional de Cultura e Artes deve enaltecer os grupos e figuras emblemáticas do Carnaval e da rebita, valorizar os autores incontornáveis da história da música e da literatura angolana tais como: Agostinho Neto, António Jacinto, António Cardoso, Raul David, José Oliveira de Fontes Pereira, Eleutério Sanches, Waldemar Bastos, Bonga e os agrupamentos históricos da Música Popular Angolana como os Kiezos, Jovens do Prenda, Merengues, África Show, Águias Reais, incluindo a premiação simbólica da música de intervenção do agrupamento Nzaji, pela sua transcendência cultural e, fundamentalmente, política.    &lt;br /&gt;
Está claro que tal desiderato só vai ser possível com a reformulação do regulamento, a selecção de um júri especializado e responsável, porque entendemos que os criadores podem não possuir o domínio de determinados pressupostos teóricos e práticos, indispensáveis ao exercício, pleno, do julgamento crítico da arte.    &lt;br /&gt;
A categoria da literatura e da investigação em ciências sociais e humanas, por exemplo, exigem, do júri, uma leitura profunda, especializada, atempada e integral dos textos, com recurso às modernas teorias de análise e interpretação literária, sobretudo as que privilegiam os métodos inter-disciplinares, incluindo o domínio das teses textualistas, de inspiração pós-estruturalista, e dos contextos culturais dos quais emanam as obras a serem avaliadas.    &lt;br /&gt;
O Prémio Nacional de Cultura e Artes deve valorizar, de igual modo, a inteligência da contemporaneidade artística angolana, quando pontificar a pertinência, a qualidade, a inovação e a recepção, favorável, da crítica internacional especializada, sobretudo nas categorias das artes plásticas, teatro, dança, cinema e audiovisuais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Importância histórica&lt;/strong&gt;&lt;b&gt; &lt;strong&gt;do agrupamento Nzaji&lt;/strong&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
Não devemos nunca esquecer que a musicalidade do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, enquanto cantor e compositor, integrado no conjunto Nzaji – sempre esteve relacionada com os objectivos da luta de libertação nacional, concretizada na guerrilha, facto que culminou, de forma vitoriosa, com a conquista e celebração da independência nacional.    &lt;br /&gt;
De notar que a música, no período romântico da guerrilha, acabou por cumprir com a sua função mobilizadora, cuja magnitude e efeitos psicológicos, através do programa “Angola Combatente”, ajudaram a mobilizar muitos jovens a aderir e compreender os objectivos e a nobreza da luta de libertação nacional, um acto cultural por excelência, segundo as palavras do Chefe de Estado, na abertura do III Simpósio sobre Cultura Nacional, em 2006: “Pronunciei-me poucas vezes sobre este tema (referia-se, Sua Excia, à cultura). A minha principal atenção foi dedicada às inúmeras prioridades que, no plano político, militar, económico e social, todos tivemos de assumir para defender a pátria angolana das agressões externas e para manter a integridade do nosso território dentro das fronteiras estabelecidas. Ao fazê-lo estávamos, afinal, a fazer um acto de cultura pois, assim, protegíamos a matriz material, na qual todas as manifestações culturais e artísticas se podem concretizar e expandir”. Interessante a forma como o Presidente da República considera a defesa da pátria e a consequente “matriz material” , como sendo actos superiores de cultura.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Histórico da&amp;nbsp; primeira&amp;nbsp; edição&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A primeira edição do Prémio Nacional de Cultura e Artes conseguiu distinguir, entre os autores passíveis de premiação, figuras que, pelo seu contributo, dignificaram a dimensão patrimonial da cultura nacional.    &lt;br /&gt;
Encontrar merecedores do prémio, nem sempre é uma tarefa difícil se, do respeitável júri, exigirmos uma isenta acuidade e profundo conhecimento, no processo de análise, da história do nobre universo das artes e da cultura angolana. Contudo, a competente decisão do júri, não deixa de ser pedagógica no sentido em que desperta, às novas gerações, o conhecimento e importância de figuras da história da cultura angolana.    &lt;br /&gt;
A obra de Óscar Ribas, um dos justos premiados da primeira edição, atravessa o âmbito literário e atinge o domínio da investigação antropológica, só comparáveis pela profundidade e importância do objecto do estudo aos trabalhos desenvolvidos pelos antropólogos José Redinha e Mesquitela Lima.    &lt;br /&gt;
A obra de Viteix estabelece um diálogo entre a tradição e a modernidade, com fiéis seguidores. Ruy Duarte de Carvalho move as rédeas de uma criatividade interdisciplinar, de forma centrífuga e centrípeta, revelando-se um artista periscópico e preocupado.    &lt;br /&gt;
A personalidade musical de Zé Keno, outro dos premiados da primeira edição, ainda é um mistério. Sem o Zé Keno a Música Popular Angolana não teria o figurino estético que hoje ostenta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Vencedores deste&amp;nbsp; ano&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&amp;nbsp;   &lt;br /&gt;
A edição 2009, do Prémio Nacional de Cultura e Artes ditou, na generalidade, uma sentença equilibrada. Na literatura, o escritor João Melo, nas artes plásticas, o Núcleo de Pintores de Benguela, no teatro, o Colectivo de Artes Cénicas Miragens Teatro, na dança, o grupo de dança Akixi &amp;amp; Cianda, na investigação em ciências sociais e humanas, o investigador Carlos Serrano e, na música, o tardio reconhecimento do cantor e compositor Carlos Burity, o “messias” do semba, acabaram por finalizar um processo de avaliação e premiação possível, num universo em que a categoria do cinema e audio-visuais não mereceu, incompreensivelmente, e pela terceira vez, o reconhecimento do júri.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
por Jomo Fortunato&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/reconhecimento-institucional-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-mxnsgtyhSy4/TxUiCWeQpTI/AAAAAAAAHNY/FhJ4qiFTIi8/s72-c/clip_image001%25255B3%25255D.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-5928928019673954476</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 07:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-17T08:20:07.638+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Milita, o cântico da borboleta</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;img alt=&quot;Arquivo Milita.&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-63---pag61-a-67-1.jpg&quot; title=&quot;Arquivo Milita.&quot; width=&quot;226&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tinha apenas dois anos quando começou a caminhar, a falar e… a experimentar o alegre sabor do canto. Nascida em 28 de Abril de 1948, em Luanda, de uma gravidez imprevista, a pequena Camilinha (nome de registo, Camila Máxima Pinto de Meireles) cantava e dançava pela casa fora, influenciada pela prima Aninhas (Ana Astrid) e pelas irmãs Ondina e Nina. “Eram elas quem me ensinavam os passos e as canções, e que me incentivavam a mostrar as minhas habilidades aos parentes e amigos (em troca de rebuçados - na maior parte das vezes da Xika Kayoyo - os melhores de que tenho memória)”, relembra.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O talento para as cantorias era de tal forma incontornável, que apenas com três anos Camilinha chamou a atenção de Tito da Assunção, fundador do Grupo Folclórico de Angola. A pequena cantora rapidamente se tornou na mascote desta formação que incluía, entre outros grandes nomes da música nacional, Liceu Vieira Dias, Nino Ndongo (Ngola Ritmos) e Chico Viola (Cinco de Luanda).&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O período entre 1951 e 1955 foi auspicioso. Com 4 anitos, e para sua alegria, actuava já nos melhores teatros de Angola. Para além dos aplausos e da chuva de moedas, ganhava sempre um boneco e presentes, condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; para aceitar cantar e dançar &lt;em&gt;à la&lt;/em&gt;Carmen Miranda! Fervilhava já dentro dela o sangue de artista.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em 1955 interrompeu a carreira precoce (os pais assim a obrigaram) e iniciou a instrução primária na Escola 7, tendo como companheiro de sala o que viria a ser o Rei da Rádio de Angola: João Arsénio! Esses tempos ficaram-lhe na memória: “Entre 1952 e 1957 Luanda tinha uma vida intensa. Havia os maravilhosos Carnavais de rua, com as batalhas de fuba e os grandes passeios de carrinha e camioneta (toda a gente atrás, às vezes até com bancos e cadeiras!); os piqueniques à sombra de cajueiros de Belas, nas estradas de Katete e de Kakwaku, ou em todos os lados onde havia mato; as marchas populares, em que as minhas irmãs sempre participavam, as fogueiras de S. João e S. Pedro. E os concursos das cantadeiras? A minha irmã Nina, que tinha uma voz maravilhosa (tomara eu!), participou em dois, como representante da Maianga, o nosso bairro. Acabou por ser eleita a Rainha das Cantadeiras do Bairro da Maianga, com o lindo fado ‘Quando os outros te batem, beijo-te eu’, de Amália Rodrigues”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Enquanto a sua irmã se notabilizava nos fados, crescia em Milita a vontade de voltar a viver com intensidade o mundo da música. Embora os pais “nem quisessem ouvir falar nisso”, a insistência da pequena cantora foi tanta que lá acabaram por ceder e inscrevê-la nas aulas de Lili Apanaz, professora de piano na Liga Nacional Africana.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O ouvido e o gosto pelas grandes vozes ia-se apurando. Aos 10 anos Camilinha assumia-se como fã incondicional de Sarita Montiel. Entre as artistas portuguesas admirava Maria Fátima Bravo, Amália Rodrigues e Maria de Lurdes Resende. Já do Brasil, chegavam-lhe, encantadoras, as músicas de Albertino Fortuna, Miltinho, Dalva de Oliveira e Maysa. Mas era o timbre quente da também brasileira Ângela Maria que verdadeiramente admirava, ao ponto de adoptar a quase totalidade do seu repertório. “Nunca a imitei, mas houve uma altura em que me chamavam a Ângela Maria de Angola”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Finda a instrução primária, Camila entrou para o Liceu D. Guiomar de Lencastre, transitando depois para o Liceu Salvador Correia, onde concluiu o 7° ano. Mas em breve a sua vida sofreria uma revolução que veio, silenciosa, através dos microfones da Emissora Oficial de Angola. Corria o ano de 1961: “uma vez, uma grande amiga falou-me do concurso ‘À Procura de uma estrela”, promovido pelo cantor português Manuel Moreno no programa ‘Gente Nova’. Consistia basicamente numa escola de canto que lançava os seus alunos no mundo da música. Resolvi aderir à iniciativa. Entre 1961 e 1963 passei lá longas e felizes horas da minha adolescência, forjando as qualidades vocais e a têmpera artística A primeira música que cantei foi “Vocês sabem lá”, de Maria de Fátima Bravo. Depois vieram os tangos argentinos e os sons brasileiros de Carlos Gardel, Albertino, Dalva de Oliveira e da minha Ângela Maria. Seguiram-se as canções em francês de Charles Aznavour e Patrícia Carli. ‘Avé Maria do Morro’ e ‘&lt;em&gt;La Mamma’&lt;/em&gt; foram os meus maiores sucessos.” Nascia assim a cantora MILITA.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi no “Cazumbi” de Luis Montez (1963), no Cine Miramar, que Milita se apresentou pela primeira vez ao grande público, depois de tantos anos sem pisar os palcos. O sucesso vinha a caminho. Numa das visitas a Angola, o já então mundialmente consagrado Duo Ouro Negro convidou a jovem cantora e Cândida Coutinho a acompanhá-los num programa do “Chá das 6”. A experiência foi tão boa que logo ali lhes lançaram o convite para partirem com eles numa digressão por Carmona (Wíji). “Foi maravilhoso”, exclama Milita ainda hoje.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;Actuando em Luanda, 1969. Arquivo Milita.&quot; height=&quot;259&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/austral-63---pag61-a-67-5.jpg&quot; title=&quot;Actuando em Luanda, 1969. Arquivo Milita.&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Actuando em Luanda, 1969. Arquivo Milita.&lt;/div&gt;
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A sua carreira disparou rapidamente. Em 1964, no VII Festival da Canção de Luanda, foi considerada a cançonetista mais popular de Angola. Até 1966, a sua fama levou-a numa grande viagem pelos cantos mais recônditos do país, em companhia do conjunto “Os Gansos”, da Casa Pia, e de artistas como Manuel Alcobia, João Luis e Maria Judite. Um ano depois obteve o diploma de honra no IX Festival de Canção de Luanda. As actuações sucediam-se a um ritmo alucinante: “cantei&amp;nbsp; um pouco por todo o lado – nas rebitas do Senhor Abrantes, no Clube de S. Paulo, no Marítimo da Ilha, no Ngola Cine e no famoso Colonial o Clo Clo, em espectáculos realizados nos intervalos dos filmes. Tive a grande honra de ser acompanhada pelos grandes maestros Casal Ribeiro e Jaime Mendes e pelo conjunto Ngola Ritmos”.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;Cumprimentando Mário Coluna em 1970. Arquivo Milita.&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-63---pag61-a-67-6.jpg&quot; title=&quot;Cumprimentando Mário Coluna em 1970. Arquivo Milita.&quot; width=&quot;245&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Cumprimentando Mário Coluna em 1970. Arquivo Milita.&lt;/div&gt;
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Em 1969 saiu pela primeira vez de Angola. Destino: Moçambique. Foi a primeira de muitas viagens. Nos anos que se seguiram, Milita andaria de malas e bagagens por diferentes cantos do mundo, sempre com a música no coração. A sua carreira tomou outros caminhos. No Brasil, país que a acolheu durante alguns anos, actuou no Double Dose, no Teatro Mundial de São Paulo e teve aulas de canto com Regina Silvares, Márcia Tannuri e Vera Canto Melo. Em 1987 encarnou a personagem “Milita de Angola” no filme “Eternamente Pagú”. Nesta primeira produção cinematográfica da carioca Norma Benguell, a artista angolana contracenou com a actriz Carla Camurati e cantou o Hino da Liberdade (letra de Clara Werneck).&lt;/div&gt;
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Os anos passaram e novas metas surgiram. Em 1991 Milita pegou novamente nas malas e viajou para a Europa. Também aqui a agenda de espectáculos era apertada. Aula Magna, em Lisboa, e os parisienses Teatro Carré Blanc e Théatre de Draveil foram apenas algumas das salas em que se tornou, por algumas noites, a artista maior.&lt;/div&gt;
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Mas apesar de tantas voltas pelo globo, Angola ocupou sempre um espaço maior no seu coração. E o carinho é recíproco. Prova disso foi a homenagem que em 1984 a TPA lhe fez no programa “Milita veio e cantou”. Enquanto os holofotes principais a focavam, desfilavam também pelo palco, em jeito de tributo, as vozes de André Mingas, Cirineu Bastos, Dionísio Rocha, Ngoleiros do Ritmo e de Filipe Mukenga e a Banda Madizeza.&lt;/div&gt;
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Durante esses anos os regressos ao seu país foram uma constante: em Luanda lançou o disco “Eu sou Angolana” (1995) e participou em trabalhos de Eleutério Sanches, Mário Rui Silva, Bonga e Michelino Mavitico. Nos trinta anos da Dipanda participou também na Gala da Independência e&amp;nbsp; integrou a colectânea musical que reuniu os maiores nomes da música nacional. Ainda em 2005 participou em espectáculos de Cesária Évora e Alcione e foi uma das artistas convidadas do “Caldo de Poeira”, para a homenagem ao rei Elias dya Kimwezu.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;Arquivo Milita.&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-63---pag61-a-67-10.jpg&quot; title=&quot;Arquivo Milita.&quot; width=&quot;268&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Arquivo Milita.&lt;/div&gt;
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Milita vive actualmente em França, onde fundou a Associação dos Artistas Angolanos Residentes naquele país. Como companheiro tem um músico croata que “também dá uns toques de pintura”. Sempre que há uma oportunidade não hesita e sobe ao palco. Ficam as palavras emocionadas: “de cada vez que canto, vivo o instante com o mesmo deslumbramento com que a borboleta vive o seu único dia de vida, pousada numa pétala colorida!”&lt;/div&gt;
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Fotografias arquivo pessoal de Milita. &lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;in AUSTRAL nº 63, &lt;/strong&gt;artigo gentilmente cedido por&lt;strong&gt; TAAG - Linhas Aéreas de Angola&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
por &lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/autor/mario-rui-silva&quot;&gt;Mário Rui Silva&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;
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&lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/palcos&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/palcos&quot;&gt;Palcos&lt;/a&gt; | 27 Outubro 2010&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/milita-o-cantico-da-borboleta.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-9097224199401540531</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 07:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-17T08:12:47.391+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Sara Chaves - As chaves dos seus cantos</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;360&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-61---pag60-a-64-3.jpg&quot; width=&quot;290&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
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Sara Chaves nasceu a 5 de Maio de 1932 em Santo António do Zaire (actual Soyo) e foi baptizada em Luanda na igreja de Nossa Senhora do Cabo. Desde os cinco anos revela tendência para as cantorias. No recreio da escola de Anália Castelo Branco (professora competente mas muito severa) canta marchas, fados e outras canções que ouvia no Rádio Clube de Angola. Atraem-na sobretudo as histórias cantadas. “O Médico e a Duquesa”, “A Costureirinha da Sé” e a “Cruz de Guerra”, um fado proibido durante a guerra colonial, são algumas das suas músicas preferidas. “Os artistas portugueses exerceram muita influência sobre mim nos primeiros tempos das minhas andanças pelas cantigas”, revela.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Em 1942 inicia os seus estudos no Liceu Salvador Correia. Em dias de festa, canta récitas com Garda e o seu conjunto. Nas emissões infantis do Rádio Clube e em espectáculos do grupo “Cábulas e Formigas”, em que participa, Sara Chaves mostra uma predilecção pelos cancioneiros português, brasileiro e espanhol. Por esta altura dedica-se também ao teatro amador e à animação de festas particulares realizadas em quintais. Sempre com a sua voz a dar o mote.&lt;/div&gt;
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Cinco anos mais tarde, em 1947, ingressa no “De tanga”, um projecto de Artémio, Alegria Vidal, Artur Barbosa e Fernando Morais. “O grupo apresentava piadas locais que visavam competir com as companhias portuguesas de revista, que na época visitavam Angola com um repertório fora do contexto. Alguns textos sofreram cortes da censura inerente ao regime vigente. A música era escrita pelo pianista angolano Francisco Gonçalves, que misturava a linha melódica portuguesa com ritmos brasileiros, boleros e rumbas”.&lt;/div&gt;
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Em 1953 Sara Chaves estreia-se como locutora nas primeira emissões experimentais da que mais tarde se tornaria na Emissora Oficial de Angola. Um projecto liderado por Humberto de Mergulhão e Maria Natália Bispo, que nasce num pequeno quarto contíguo a uma sala de banho, no edifício da direcção dos CTT.&amp;nbsp; Esta experiência apresenta-lhe Alba Clington e o trio Assis.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;282&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/austral-61---pag60-a-64-6.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;    &lt;br /&gt;Em 1959 Sara Chaves actua na R.T.P. e participa no 1º Festival Internacional da Canção realizado no teatro Monumental em Lisboa. Em 1961, começa a cantar composições dos angolanos Eleutério Sanches, Tonito, José Cordeiro dos Santos e mornas de B. Leza. É o princípio de uma viragem na sua carreira. “A música de sabor angolano estava-me na mira. Lembrava-me os tempos em que, nos Carnavais, as danças de &lt;em&gt;museke&lt;/em&gt; desciam à cidade baixa e os grupos ‘As lavadeiras’, ‘Invejados’ e o velho ‘Sambo’ cantavam os seus ritmos de batuque em &lt;em&gt;rebita&lt;/em&gt;”, recorda.&lt;/div&gt;
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A partir de então a caminhada pelos sons da sua terra (que defenderia com todas as forças) nunca mais pára. Com o início da guerra colonial, junta-se a grupos que tocam ritmos africanos e cantam em &lt;em&gt;kimbundu&lt;/em&gt; “trechos até aí ignorados.” Kyezus, África Show e Massano são os companheiros de ensaios, nos quintais. Conhece também os Negoleiros, Luís Visconde, Minguito e Elias dya Kimwezu.&lt;/div&gt;
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Ao abrigo de uma lei que beneficiava os funcionários públicos das colónias, desloca-se a Portugal em gozo de licença graciosa. “Como trabalhadora da rádio tinha curiosidade em conhecer outras estações de rádio. Ao mesmo tempo, sentia-me portadora de uma mensagem e sentia que a música podia ser uma das expressões mais válidas da minha terra – já que a política era proibida”, relembra. Grava então um single com quatro faixas. “Impus que fossem canções de Angola: duas do Eleutério, uma do Tonito e outra tradicional.”, conta. Logo em seguida Sara Chaves é convidada para fazer uma nova gravação. “Cubata Distante”, de José Cordeiro, “Kalé ni Muxima”, de Bobella Mota, e o poema “Surukuku”, de Tomás Vieira da Cruz, musicado pelo maestro Joaquim Luís Gomes, passam para registo discográfico, vestindo uma sonoridade “demasiado sinfónica”, que não lhe terá agradado totalmente. De regresso a Luanda, Sara Chaves actua nos programas radiofónicos “Chá das Seis”, “Kazumbi”, “Noites africanas” e “N’gola Cine”.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;497&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-61---pag60-a-64-10.jpg&quot; width=&quot;290&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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O reconhecimento efectivo do seu talento chega em 1966, ano em que ganha o prémio de interpretação no Festival da Canção de Luanda, com a famosa “Maria Provocação”, de Ana Maria de Mascarenhas e Adelino Tavares da Silva. As recordações são ainda intensas: “Nessa noite de Setembro de 1966, no cinema Aviz, ouviu-se música tipicamente angolana. O sucesso foi estrondoso, assim como estrondosa foi a decepção quando anunciaram que ‘Maria Provocação’ não podia ser considerada concorrente ao festival, porque a organização não autorizava que os instrumentos típicos do Ngola Ritmos fossem integrados na orquestra. O júri classificou apenas a letra da ‘Maria Provocação’ em 1º lugar e deu-me o 1º prémio de interpretação. Esta música fez uma carreira de sucesso e ainda em 1998 se cantava em Luanda. O duo Ouro Negro gravou-a em Portugal e Martinho da Vila no Brasil.” Para além de “Maria Provocação”, a dupla Ana Maria de Mascarenhas e Adelino Tavares da Silva acrescentaram ao repertório de Sara Chaves canções como “Senhora da Muxima”, “Benguela Rua Nova”, “Ritmo de Coração”, “Sangazuza”.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/sHWA6kNadjo?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Em 1972, depois de uma digressão a Moçambique com o Ngola Ritmos (1968), e de ter feito parte de um coral constituído por africanos, retira-se das “cantigas” e assume a responsabilidade pelo sector musical da Emissora Oficial de Angola. Nos espectáculos “Serões para Trabalhadores” põe de novo a música angolana na luz da ribalta. “A música de Angola esteve sempre presente num espaço próprio enquanto realizei espectáculos”, afirma.&lt;/div&gt;
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Porém, enquanto se assume como um porta-estandarte dos sons angolanos, a sua vida sofre um verdadeiro terramoto. Em 1973, com cerca de 40 anos, é abordada por um desconhecido que lhe pede ajuda. Sem saber, está diante do seu irmão de sangue. Descobre então que é órfã, não oficial, de pai branco da ilha da Madeira e de mãe mestiça nascida em Angola, tendo sido adoptada aos dois anos e meio por um casal de portugueses que sempre pensou serem os seus verdadeiros pais. A partir daí as revelações multiplicam-se: afinal a sua verdadeira avó era a senhora Jerónima – “a velha Tutúri”, como lhe chamavam – que ia a casa dos Chaves fazer costuras e tratar da pequena Sara. Nesta busca incessante da sua identidade biológica perdida, percebe que herdara a vocação musical do pai, que cantava e tocava viola.&lt;/div&gt;
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Descobertas as raízes familiares, Sara Chaves é apanhada por um turbilhão que a arranca da terra angolana. Em Outubro de 1975 o clima de insegurança que se vive no “seu” Bairro Prenda e em todo o país atira-a para Portugal, com o marido e os dois filhos. Para trás fica uma vida feita de palco e canções: “antes de partir de Angola ofereci os meus ‘vestidos de cantar’ à grande Belita Palma e a outras amigas que ficaram. Deixei as partituras em prateleiras da minha casa no Prenda. Foi o terminar de um percurso que nunca quis atingir.”&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;Sara Chaves&quot; height=&quot;245&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-61---pag60-a-64-5.jpg&quot; title=&quot;Sara Chaves&quot; width=&quot;290&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Sara Chaves&lt;/div&gt;
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Regressa a Luanda mais de vinte anos depois, em 1998, a convite da LAC (Luanda Antena Comercial), para presidir ao júri do primeiro festival da canção realizado na capital angolana após a independência. “Rejubilei de contentamento. Tudo o que eu queria era o reconhecimento como artista angolana que fui e como angolana que continuo a ser de alma e coração”, confessa. “Nesta deslocação senti que há uma carga afectiva envolvente, uma relação muito íntima com Luanda, que me impulsiona e me faz sentir inteira. No palco do Miramar cantei e revivi a “Maria Provocação” com a mesma vivacidade de outros tempos – coisa que não poderia acontecer comigo em qualquer outra parte do mundo”. Neste regresso à sua cidade e aos sons que sempre a alimentaram, adivinha traços do passado: “Durante o festival constatei que as lutas são as mesmas de outrora: continua a existir falta de estímulos, de editoras, de espectáculos, enfim, de tudo o que é necessário à existência de um meio artístico.”&lt;/div&gt;
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Em jeito de confidência, ficam no ar os desejos ainda não realizados: “Gostaria de ter aprendido kimbundu e ter-me dedicado a sério à música da minha terra. Não somente pelo prazer que me teria dado mas porque a sinto intensamente instalada no sangue africano que me corre nas veias.”&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;in AUSTRAL nº 61, &lt;/strong&gt;artigo gentilmente cedido por &lt;strong&gt;TAAG - Linhas Aéreas de Angola&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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por &lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/autor/mario-rui-silva&quot;&gt;Mário Rui Silva&lt;/a&gt;    &lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/palcos&quot;&gt;Palcos&lt;/a&gt; | 18 Julho 2010 |&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/sara-chaves-as-chaves-dos-seus-cantos.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-4293982807990335060</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 06:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-17T08:01:34.269+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Filipe Mukenga: Um novo canto da terra</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Canta os sons da terra, mas foram os Beatles os responsáveis pelo despertar para os múltiplos jogos melódicos que a escala musical encerra. Com uma carreira reconhecida fora e dentro de portas, Filipe Mukenga faz parte da geração que protagonizou a explosão da música nacional, nos anos 60 e 70, constituindo hoje uma referência incontornável dos que cantam Angola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/737hxKA9mpk?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Pouco depois da época do cacimbo&lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/palcos/um-novo-canto-da-terra#footnote1_2gmgox2&quot;&gt;1&lt;/a&gt; de 1949, no dia 7 de Setembro, Isabel André dá à luz na velha maternidade de Luanda um rapazinho a quem pôs o nome de Francisco Filipe da Conceição Gumbe. As vivências na cidade da kyanda seriam breves, no entanto. Pouco tempo depois do nascimento de Filipe, a família transferia-se de imbamba(s) arrumadas para Masabi, no norte de Cabinda&lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/palcos/um-novo-canto-da-terra#footnote2_gb5mgq5&quot;&gt;2&lt;/a&gt;, onde o seu pai passou a desempenhar funções de enfermeiro. Foi nesta vila, de onde se vê o Congo-Brazaville, no outro lado do posto fronteiriço, que Filipe ouviu os primeiros sons. “Durante os cultos de domingo na Igreja Metodista de Bethel, onde ia com os meus pais, ficava encantado a ouvir o coro da Igreja. Aos poucos fui ganhando o gosto pela música”, recorda.&lt;/div&gt;
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Aos 13 anos assiste à separação dos pais. Não muito convencido sobre a capacidade da sua esposa em cuidar do filho, o pai leva-o então para Luanda, onde o entrega aos cuidados de Leopoldo Mangueira. É no seio da família deste antigo funcionário das alfândegas que vivia na Praia do Bispo, que o jovem cresce. Afastado dos ecos da floresta de Cabinda e dos coros metodistas, Filipe convive em Luanda com João Silvestre (seria mais tarde o guitarrista do grupo “A Nave”), que lhe ensina os primeiros acordes da guitarra. O contacto com outros músicos e amigos, com destaque para Manuel Zé, filho do falecido nacionalista Belarmino Van-Dúnem, apuram-lhe a técnica.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;Actuação em Luanda&quot; height=&quot;222&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/mukenga10.jpg&quot; title=&quot;Actuação em Luanda&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Actuação em Luanda&lt;/div&gt;
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Os anos 60 estavam à porta, e com eles um furacão musical que varreu todo o mundo: os Beatles. Os cinco meninos de Liverpool nunca imaginariam o impacto que teriam num jovem de uma longínqua cidade chamada Luanda: “eles foram, sem dúvida alguma, a mola que me catapultou para a arte da combinação dos sons, através da qual expressamos os mais diversos sentimentos”, testemunha o músico.&lt;/div&gt;
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Nesta década, Filipe entraria num autêntico corrupio artístico. Influenciado pela &lt;em&gt;pop music&lt;/em&gt; anglo-saxónica, integrou vários grupos de música moderna que existiam em Luanda – “Indómitos”, do qual foi vocalista, “The five Kings”, com Mello Xavier, “The black Stars” de Gégé Belo, “Rocks”, de Eduardo Nascimento, “Electrónicos”, com Vum-Vum, “Apollo XI” e “Brucutus”,&lt;/div&gt;
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E é logo a seguir, durante um ensaio com o Duo Misoso, entretanto formado em conjunto com José Agostinho Nvunje, que se dá o clique. De uma forma que até hoje não consegue explicar, surge-lhe na cabeça um nome – Mukenga. Nascia assim o artista Filipe Mukenga.&lt;/div&gt;
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Em parceria com o que se tornaria um amigo e um irmão, o músico enveredou então por um caminho de “resgate de canções pertencentes a um cancioneiro vasto e rico. Muitas delas foram estilizadas e apresentadas ao público com roupagem moderna onde sobressaiam as harmonias na base das dissonâncias dos acordes invertidos, sons pouco usuais na música africana”. Por esta altura surge também o interesse pela musicalidade das línguas nacionais umbundu e kwanyama.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;Duo Mimoso. José Agostinho e Filipe Mukenga na Boite Tamar em Luanda, 1973.&quot; height=&quot;207&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/mukenga3.jpg&quot; title=&quot;Duo Mimoso. José Agostinho e Filipe Mukenga na Boite Tamar em Luanda, 1973.&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;Duo Mimoso. José Agostinho e Filipe Mukenga na Boite Tamar em Luanda, 1973.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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O Duo Misoso foi um marco importantíssimo na carreira de Filipe Mukenga, uma vez que desde o início mostrou ser o veículo de uma sensibilidade para os problemas que então afligiam Angola. Com as dificuldades da época em dar uma tónica politica à arte, lá acabava por conseguir enviar mensagens como “Lavadeira lavando / na selha p’ra ganhar o pão/ velha negra chorando/ vai chorando, chorando em vão…”, a letra de uma composição do conjunto. Mensagens que, mais ou menos subtis, também contribuíram para a independência de Angola, em Novembro de 1975.&lt;/div&gt;
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Logo após o nascimento do seu país, Mukenga integra o Projecto Kisangela da JMPLA, chefiando a secção de música, onde reuniu os melhores cantores da época. Em 1977 integra o Conselho Nacional de Cultura, organismo que mais tarde daria origem ao Ministério da Cultura. Com a morte de José Agostinho (“um abalo muito grande”) inicia uma parceria com Filipe Zau, que perfaz este ano três décadas.&lt;/div&gt;
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As canções “Nvula” e “Humbi-Humbi” (letra popular) marcam o salto do nome Filipe Mukenga para além das fronteiras angolanas, muito por mão do cantor brasileiro Djavan, que se apaixona por essas duas músicas em 1980 quando viaja para Angola com outros artistas do seu país no âmbito do “Projecto Kalunga”. Em resposta a esta visita, em 1983, Mukenga integra o grupo “Canto Livre de Angola”, que leva a cultura nacional aos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.&lt;/div&gt;
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Apesar de todas as credenciais que já apresentara e de uma carreira longa, só em 1990 Filipe Mukenga grava (em Lisboa) o primeiro disco, “Novo Som”. Dois anos depois, fixa-se em Portugal, onde permanece 14 anos. Durante esse período não cessa a sua actividade artística. Em 1994 grava “Kia Kianda”, o seu segundo álbum e dois anos depois, também na cidade-luz, participa no projecto litero-musical “O Canto da Sereia”, do qual é co-autor com Filipe Zau.&lt;/div&gt;
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O Brasil torna-se também, de certa forma, o seu território artístico. Depois de participar na inauguração da Casa de Angola na Bahia (1999), regressa para dar corpo, em conjunto com Ney Mattogrosso, Zélia Duncan e Cássia Eller ao Projecto do Pão Music 2000. Uma nova viagem, nesse mesmo ano, torna-o na grande atracção do vigésimo Festival de Música e Artes do Oludum, também na Bahia. Em Salvador inicia a gravação de Mimbu Iami (canções minhas), que seria lançado em Lisboa e Luanda em 2003, e que contou com a participação especial de Djavan.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;378&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/filipemukenga.jpg&quot; width=&quot;290&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Depois da paz, já em 2004, Filipe Mukenga regressa a Angola onde tem a infelicidade de sofrer um acidente vascular cerebral, pouco tempo após a sua chegada. Depois de recuperar totalmente, é nomeado consultor do gabinete do vice-ministro da cultura, função que vem exercendo desde então. A par dessa actividade, a música, sempre a música. Participações especiais como a que aconteceu no disco do cantor-actor brasileiro Maurício Mattar, ou a composição, em conjunto com o inseparável Filipe Zau, da música mais votada pelo júri do Carnaval de Luanda 2007 (“Nossos Reis tinham valor”, do grupo carnavalesco Unidos de Caxinde que, na classificação geral ficou em segundo lugar), marcaram os últimos tempos.&lt;/div&gt;
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Entretanto, na forja está já o quarto disco, que se chamará “Nós Mesmos”. Um álbum que está a ser gravado também no Brasil, em São Paulo, e que é esperado com ansiedade. Ou não fosse ele um dos valores máximos da cultura angolana, com os seus sons que levam o nome do nosso país pelo mundo fora.&lt;/div&gt;
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Fotografias: Carlos Lousada/ arquivo pessoal Filipe Mukenga.&lt;/div&gt;
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&lt;strong&gt;in AUSTRAL nº 67, &lt;/strong&gt;artigo gentilmente cedido por&lt;strong&gt; TAAG - Linhas Aéreas de Angola.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/filipe-mukenga-um-novo-canto-da-terra_17.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-394746713658028274</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 06:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-17T07:53:48.934+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Filipe Zau: Ao som da grafonola</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;
&lt;img alt=&quot;Filipe Zau, Dj (Nos finais dos anos 80 no seu apartamento dos Combatentes)&quot; height=&quot;119&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/austral-64---pag60-a-65-7.jpg&quot; title=&quot;Filipe Zau, Dj (Nos finais dos anos 80 no seu apartamento dos Combatentes)&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
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Fotos: Carlos Lousada/ Arquivo de Filipe Zau&lt;/div&gt;
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As tampas das panelas rodavam feito discos num aparelho de som imaginário. Fechavam-se os olhos e os sons ecoavam por todo o lado. Depois vieram as sessões de mornas e coladeras na guitarra de um primo que “morou lá em casa”. As grafonolas e as rádios &lt;em&gt;pick-up&lt;/em&gt; também já lá moravam há muito. Mas isso foi no início, lá bem no início. Pela frente ainda haveria o Clube Marítimo Africano, as festas de finalistas, o agigantar de um novo valor e, por fim, o seu reconhecimento como grande nome da música angolana: Filipe Zau.&lt;/div&gt;
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Lisboa. Rua José Ricardo, número 11. Com seis meses, o pequeno Filipe Silvino de Pina Zau mudava-se para a casa onde moraria até aos 17 anos e onde lhe foi traçado desde logo um destino: ser músico. Natural da capital portuguesa, onde nasceu a 2 de Novembro de 1950, Filipe Zau trazia no sangue o ritmo das ondas das viagens do seu pai, angolano de Cabinda e marítimo de profissão, e a musicalidade da mãe, senhora natural de Ponta Verde, no Fogo, ilha onde Cabo Verde se ergue num gigantesco vulcão. Terra de mistério.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
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Única Única criança de uma casa onde vivia com os pais e com um casal, primo da família, Filipe Zau sempre viveu entre&amp;nbsp; a muita música que saía das aparelhagens que enchiam o apartamento. A primeiro foi uma grafonola à manivela, “daquelas antigas”. Seguiu-se um pequeno móvel &lt;em&gt;pick-up&lt;/em&gt;alemão, marca &lt;em&gt;Lowe Opta&lt;/em&gt;, que animava muitas vezes as farras do Clube Marítimo Africano. Foi nestas paródias de embarcadiços que, por volta dos sete anos, aprendeu a seleccionar e pôr música. Mas só quando uma nova rádio &lt;em&gt;pick-up&lt;/em&gt;, desta vez uma &lt;em&gt;Telefunken&lt;/em&gt;, entrou pela casa dentro, é que o pequeno Filipe descobriu a sua vocação. Os aparelhos ficavam ao seu inteiro dispor durante meses a fio, enquanto os homens da casa estavam em alto mar. O seu mundo girava, então, na mesma direcção dos cerca de 400 discos de 33, 45 e 78 rotações que enchiam a discoteca da família. Sempre que o pai e o primo voltavam, “traziam muitos discos novos, comprados nos vários portos do mundo por onde passavam”, recorda hoje.&lt;/div&gt;
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Filipe Zau, Dj (Nos finais dos anos 80 no seu apartamento dos Combatentes)&lt;/div&gt;
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Por esta altura, já as tampas das panelas com que imitava a rotação dos discos nas aparelhagens tinham passado à história. Restaram-lhe desse tempo as memórias de sons de todo o mundo: “merengues” de Luís Kalaff e Angel Vilória e “Sus alegres Dominicanos”; boleros de António Machin, Juan Serrano e de Sonora Matancera; rumbas de Célia Cruz; o chá-chá-chá de Tito Puente; tangos de Carlos Gardel; sambas de Carmen Miranda e Ângela Maria: e, mais tarde, as músicas românticas do italiano Marino Marini e do argentino Alberto Cortez.&lt;/div&gt;
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Tamanho mergulho na música não podia ficar-se pelos tachos. Aos 12 anos aprendeu os primeiros acorde de guitarra com um primo cabo-verdiano que dedilhava mornas e coladeras crioulas. Mas foi aos 15 anos, em plenos “&lt;em&gt;sixties&lt;/em&gt;”, que Filipe Zau começou oficialmente a sua actividade musical, durante uma festa de finalistas dos liceus de Lisboa. Era então baterista do “Logos Quintetus”, conjunto do qual mais tarde se tornaria vocalista. O fulgor da música da década que, dizem, mudou o mundo, não lhe passou ao lado. Habituado a ouvir de tudo um pouco, o então jovem estudante do Liceu Nacional Gil Vicente forjava a sua identidade musical ao som de muitas cadências: as guitarradas alucinógenas de Jimmy Hendrix, o &lt;em&gt;rock&lt;/em&gt; dos Rolling Stones, o &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt; dos Beattles, os &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;e a &lt;em&gt;soul music&lt;/em&gt;, as canções francesas de Françoise Hardi, Silvie Vartin e a música de Franco. É desta altura a sua primeira composição: “tinha três acordes e uma letra em francês. Que me lembre nunca a mostrei a ninguém”.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/austral-64---pag60-a-65-1.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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A partir daí não mais parou. Até 1970 fez parte de vários grupos musicais estudantis que actuavam em festas de finalistas e em centros recreativos, com um repertório recheado de &lt;em&gt;covers&lt;/em&gt; dos êxitos&lt;em&gt;pop&lt;/em&gt; da época. Dois anos depois tornou-se no percussionista do “Blackground”, um grupo ligado ao Duo Ouro Negro. Entre 1972 e 1974 colaborou também em discos de autores portugueses como Sérgio Godinho, Vitorino e Fausto, e de Bana e Luís Morais, músicos cabo-verdianos. Pelo meio ficava a participação na décima primeira edição do Festival da Canção Portuguesa. Com estes projectos musicais em curso, conseguiu ainda terminar o curso do Magistério Primário.&lt;/div&gt;
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Dirigido por Rão Kyao, “Baga-Baga” foi o conjunto em que Filipe Zau tocou nos dois anos que se seguiram, um período que ficou marcado pela gravação do primeiro &lt;em&gt;single&lt;/em&gt; com duas canções da sua autoria: “Fases de Revolta” e “Revolução Guerrilheira”. Anunciava-se a sua faceta de cançonetista político, que assumiria depois da independência de Angola. “Pioneiro Pedrito”, “O fantoche”, “Domingas Kanhari”, “Mulher do meu Povo” e “África Revolução” são algumas das canções que marcaram a sua carreira e aquele tempo.&lt;/div&gt;
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A partir de 1977, e já a viver em Luanda, a vida de Filipe Zau entrou num ritmo acelerado. Enquanto investia na sua formação profissional em Angola, na República Federal da Alemanha e no Brasil, gravou o segundo &lt;em&gt;single&lt;/em&gt;, “Congresso”, e venceu o 1º Concurso Nacional de Música. Representante de Angola no 11º Festival da Juventude e Estudantes em Cuba, compôs ainda quase todas as canções para a representação musico-teatral “África Liberdade” e várias músicas infantis para os programas Rádio Piô e Carrossel, da Rádio Nacional de Angola.&lt;/div&gt;
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Esta produção intensa foi interrompida em 1984, ano em que viajou para o Brasil para frequentar o curso superior de Pedagogia no Centro de Ensino Unificado de Brasília. No entanto, a música chamava-o com intensidade. Não resistiu ao apelo e ingressou na Escola de Música da capital brasileira. No último ano dos estudos, 1988, fundou o “Tukayana”. Formado por Filipe Zau e por estudantes e professores da escola de música, o grupo viajou por Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato do Grosso do Sul tocando única e exclusivamente música angolana.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/austral-64---pag60-a-65-3_-_copia_1.jpg&quot; width=&quot;307&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Os anos que se seguiram, alternou-os entre Angola e Portugal, onde tirou uma nova licenciatura na área do ensino. Fermentava, então, uma intensa produção artística. 1996 foi frenético. Nesse ano Filipe Zau lançou o primeiro disco, “Luanda, Lua e Mulher” e logo a seguir um CD duplo, “Canto da Sereia – o Encanto”, um trabalho feito em conjunto com Filipe Mukenga e que representou Angola na Expo 98, em Portugal. Ainda em 96 o músico surpreendeu tudo e todos ao lançar o livro de poesia “Encanto de um mar que eu canto”. Foi a primeira incursão no patamar exigente das letras. Entre 2002 e 2005 levaria ainda à estampa “Angola: Trilhos para o Desenvolvimento”, “Marítimos Africanos e um Clube com História” e o livro de poesia “Meu Canto à Razão e à Quimera das Circunstâncias”.&amp;nbsp; 2007 marcará o regresso de Filipe Zau à escrita, com o lançamento do livro de crónicas musicais, “Notas Fora”, pelas editoras Chá de Caxinde (Angola) e Prefácio (Portugal).&lt;/div&gt;
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Académico assumido (fez o mestrado em Relações Inter-Culturais e o doutoramento em Ciências da Educação, ambos pela Universidade Aberta, em Lisboa), Filipe Zau tem rodado vários países na Europa e América como palestrante em conferências sobre educação. Tamanha actividade intelectual nunca o impediu, porém, de ser músico de corpo e alma. Até porque os seus sons também lhe trazem reconhecimento dentro e fora de Angola. Como aconteceu em 2000, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, quando foi reconhecido como o “melhor compositor africano em língua portuguesa”.&lt;/div&gt;
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&lt;img alt=&quot;Com a sua esposa &quot; height=&quot;272&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-64---pag60-a-65-11.jpg&quot; title=&quot;Com a sua esposa &quot; width=&quot;290&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
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Com a sua esposa&lt;/div&gt;
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A residir já definitivamente em Luanda com a sua esposa “Lykas”, Filipe Zau continua a fazer da música uma das suas principais actividades. Actualmente é parceiro musical de Filipe Mukenga, Rui Mingas, Paulo Flores, Eduardo Paim, Mário R. Silva, da cabo-verdiana Celina Pereira, entre outros. Também novas figuras da música angolana –&amp;nbsp; Maya Cool e Paty Faria – cantam as suas composições. Essas canções cujas raízes estão lá atrás, quando Filipe Zau encontrava nas tampas de panelas os sons que só ele imaginava, e que agora o confirmam como um dos maiores músicos angolanos.&lt;/div&gt;
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in AUSTRAL nº 64, artigo gentilmente cedido pela TAAG - Linhas Aéreas de Angola&lt;/div&gt;
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por &lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/autor/mario-rui-silva&quot;&gt;Mário Rui Silva&lt;/a&gt;    &lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/palcos&quot;&gt;Palcos&lt;/a&gt; | 16 Fevereiro 2011 |&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/filipe-zau-ao-som-da-grafonola.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-828111247039668298</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 06:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-17T07:32:02.465+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Ana Maria de Mascarenhas sem máscara</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Entrevista em audio à Ana Mascarenhas, &lt;a href=&quot;http://muximangola.podomatic.com/player/web/2007-09-01T14_35_58-07_00&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Há muitos anos atrás desembarcou em Luanda um Mascarenhas de origem indiana que deu origem a outras famílias. Entre elas surgiu uma que teve imensas filhas, entre as quais vai-se destacar Ana Maria Mascarenhas, nascida em Luanda.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Aos 12 anos de idade frequentou a Escola Particular da professora Lilly Pardal de Anapaz, onde estudou teoria da música, solfejo e piano pelo método de Viana da Mata, de quem fora aluna aquela professora. Fez parte do grupo infantil «Os Cábulas e as Formigas» e mais tarde do grupo de teatro «De Tanga». Uns anos depois ingressou no grupo coral da Sé Catedral de Luanda, onde, com a suas irmãs, se manteve cerca de 12 anos acompanhando missas cantadas em latim e português. Nos finais dos anos 60 foi criada em Luanda a Academia de Música. Os alunos que a frequentaram tinham que ser inscritos também no Conservatório Nacional de Lisboa se quisessem os seus estudos oficializados.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;img title=&quot;Audição de piano no Rádio Clube de Angola [década de 40].&quot; alt=&quot;Audição de piano no Rádio Clube de Angola [década de 40].&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-60---pag46-a-51-5.jpg&quot; width=&quot;290&quot; height=&quot;336&quot; /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Audição de piano no Rádio Clube de Angola [década de 40].   &lt;br /&gt;Apesar dos muitos anos que estudou com a professora Lilly Anapaz, e porque queria continuar com os seus estudos musicais, matriculou-se na Academia de Música de Luanda recomeçando os estudos. Foi assim que, entre 1968 e 1971, obteve os diplomas do Curso Geral de Teoria e Solfejo e do Curso Geral de Canto do Conservatório Nacional de Lisboa.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Na audição final do curso de canto apresentou, como soprano, acompanhada pela seu colega finalista Raul Miranda (baixo) o dueto &lt;em&gt;La ci dareu la mano&lt;/em&gt; da ópera &lt;em&gt;D. João&lt;/em&gt;, de Mozart.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ainda como soprano foi vocalista da &lt;em&gt;Fantasia relê instrumentos&lt;/em&gt;, sob direcção do maestro Jayme Luendes e seu compositor, no Cine-Teatro Nacional, em Luanda.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;A partir dessa altura recebeu vários convites oficiais da Câmara Municipal de Luanda, que sempre aceitou. Convites do presidente Dr. António Videira. Em 1972 exerceu, por acumulação porque era funcionária privativa da Direcção dos Serviços de Fazenda, o cargo de professora de Educação Musical do Ciclo Preparatório da Escola General Victor, em Luanda, na estrada de Catete. Em 1973 participou, pelo curso de Professores da Academia de Música de Luanda, na sessão musical que foi dirigida pelo professor compositor Dr. Cândido Lima, sob o patrocínio da fundação Gulbenkian.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Todos os conhecimentos adquiridos como aluna da D. Lilly Anapaz, do professor de canto, Sr. Mário Duque e da Dra. Maria Emília de Leite Velho (ambos da Academia de Música de Luanda) criaram a compositora e letrista Ana Maria de Mascarenhas. Ainda que as suas composições já fossem conhecidas num ciclo restrito, foi com o Festival da Canção de Luanda que as suas obras se tornaram públicas. Nos anos 60 formou uma dupla com o jornalista português Adelino Tavares da Silva, que tinha chegado a Angola havia pouco tempo. Quatro ou cinco composições em conjunto e logo se inscrevem na SPA, Sociedade Portuguesa de Autores, ele como autor e Ana Maria como compositora. Pode dizer-se que foi a dupla que revolucionou o Festival da Canção, quando &lt;em&gt;Maria Provocação &lt;/em&gt;foi defendida por Sara Chaves e &lt;em&gt;Mulata é a Noite&lt;/em&gt; por Concha de Mascarenhas, ambas acompanhadas pelo Ngola Ritmos, conjunto de ritmos angolanos.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;img title=&quot;Aos microfones da rádio em Angola com o locutor José Guize.&quot; alt=&quot;Aos microfones da rádio em Angola com o locutor José Guize.&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/austral-60---pag46-a-51-6.jpg&quot; width=&quot;545&quot; height=&quot;442&quot; /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Aos microfones da rádio em Angola com o locutor José Guize.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ana Maria e Tavares da Silva tinham iniciado as canções com recados, canções com sabor local.&lt;em&gt;Senhora da Muxima&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Sangazuea&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Benguela – Rua 9&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Mulata Maldita&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Camião do Asfalto Molhado&lt;/em&gt;(impossível citar todas) foram concorrentes a festivais, obtendo sempre as primeiras classificações. A dupla desfez-se em 1968. A partir daí Ana Maria concorreu como compositora e letrista (autora).&lt;em&gt;Balada de todo o tempo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Um mundo novo&lt;/em&gt;, No &lt;em&gt;silêncio dos sabores&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Canção da vida&lt;/em&gt;, continuaram a merecer festivais e havia que parar…&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ana Maria foi convidada a integrar o júri do Festival da Canção de Luanda seguinte. Aceitou e deixou de concorrer, mas não deixou de compor: &lt;em&gt;Mukondaya kitari&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Luanda ao luar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Manhê, manhê&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Angola nova&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Canção nostálgica&lt;/em&gt;, entre muitas, continuaram a ser cantadas e gravadas.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No &lt;em&gt;Nosso tempo de inocência&lt;/em&gt;, Ruy Legot foi o primeiro artista a cantar uma das suas primeiras composições – &lt;em&gt;Acorrentada&lt;/em&gt;. Anos depois esta composição foi recreada pela dupla e gravada em single pela fadista portuguesa Celeste Rodrigues com o título &lt;em&gt;Gaivota perdida&lt;/em&gt;. Também Lurdes Resende, Artur Rodrigues, conjunto Água Viva (Espanha), Los Indios Paraguaios, Agostinho dos Santos e Martinho da Vila (brasileiros) cantaram e gravaram composições de Ana Maria. &lt;em&gt;Maria Provocação&lt;/em&gt;, que deu a Sara Chaves e ao Ngola Ritmos os primeiros prémios do Festival, foi internacionalizada pelo Duo Ouro Negro, primeira gravação em LP, segunda gravação, por Artur Rodrigues, em single, e terceira gravação, em LP, por Martinho da Vila.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;img title=&quot; Ana Maria, Mimi e Tazinha.&quot; alt=&quot; Ana Maria, Mimi e Tazinha.&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/half/austral-60---pag46-a-51-8.jpg&quot; width=&quot;290&quot; height=&quot;246&quot; /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ana Maria, Mimi e Tazinha.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;Mulata é a Noite&lt;/em&gt;, que igualmente deu à Concha de Mascarenhas honras de primeiro prémio, foi gravada logo a seguir ao Festival. Agostinho dos Santos (single) mas também Cirineu Bastos, Lilly Tchiumba, Milita, Fernanda Ferreirinha, Dionisio Rocha, Ruy Legot e Carlos Burity, cantaram e cantam Ana Maria de Mascarenhas.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;O seu percurso poético teve início&amp;#160; quando um primo seu, Luís Barbosa Victor, lhe chamou a atenção para o facto de ela falar rimando. Ofereceu-lhe livros de poesia de Marta Mesquita da Câmara e de Florbela Espanca. Era então adolescente. Apaixonou-se por sonetos. E o seu “segundo” pai – o padrinho da família, Lourenço Mendes da Conceição – sabendo dessa preferência ofereceu-lhe um tratado de sonetos de Luís de Camões para que estudasse a composição e métrica dos sonetos e suas rimas. Não parou mais. Cresceu escrevendo poesia e compondo melodias. Tem uma antologia manuscrita da maior parte das suas obras e um CD de tangos inéditos, ambos sem destino. Quando em 1975, mês de Abril, foi convidada a deixar o seu país, fixou residência em Lisboa.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;img title=&quot;Ana Maria ao piano na sua casa nos Coqueiros, em Luanda.&quot; alt=&quot;Ana Maria ao piano na sua casa nos Coqueiros, em Luanda.&quot; src=&quot;http://www.buala.org/sites/default/files/imagecache/full/austral-60---pag46-a-51-9.jpg&quot; width=&quot;565&quot; height=&quot;365&quot; /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Ana Maria ao piano na sua casa nos Coqueiros, em Luanda.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Para não interromper os seus estudos musicais, faz um curso intensivo no Centro de Altos Estudos Gregorianos tomando conhecimento do método WAR, aperfeiçoando-se em vocalizações, gestos, ditados musicais e escritos melódicos, improvisações e ritmos (1976). Por razões profissionais do marido fixou residência na cidade da Guarda, em 1978, onde leccionou como professora de Educação Musical do Ensino Básico na Escola Preparatória daquela cidade… forte, fria e farta. Em 1981 regressou a Lisboa, onde continua a escrever e a compor.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;Fotografias arquivo pessoal Ana Mascarenhas.&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;in AUSTRAL nº 60, &lt;/strong&gt;artigo gentilmente cedido por&lt;strong&gt; TAAG - Linhas Aéreas de Angola&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://muximangola.podomatic.com/playpod/play/2007-09-01T16_02_48-07_00%20&quot;&gt;Mário Garnacho sobre AMM&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;No dia 19 de Setembro decorreu no cine-Karl Marx, ex-Aviz, o Xº Festival da Canção de Luanda, onde a homenageada foi a compositora angolana Ana Maria de Mascarenhas, numa &lt;a href=&quot;http://muximangola.podomatic.com/playpod/play/2007-09-23T18_07_58-07_00&quot;&gt;bela rapsódia das suas composições interpretada por nomes do mundo musical angolano.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://muximangola.podomatic.com/playpod/play/2007-09-23T18_18_56-07_00&quot;&gt;Anúncio&lt;/a&gt; do Xº Festival da Canção de Luanda 2007&lt;/p&gt;  &lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;por &lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/autor/mario-rui-silva&quot;&gt;Mário Rui Silva&lt;/a&gt;    &lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/palcos&quot;&gt;Palcos&lt;/a&gt; | 8 Julho 2010 |&lt;/p&gt;  </description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/ana-maria-de-mascarenhas-sem-mascara.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-14152608.post-2662001868612685082</guid><pubDate>Tue, 17 Jan 2012 06:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-23T09:42:25.276+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Opinião</category><title>Carlos Lamartine: Uma música com identidade</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Em 1943 Benguela prospera. Com o famoso caminho-de-ferro a avançar em direcção ao interior africano, a cidade prepara-se para mudar de cara segundo um moderno plano de urbanização. Respira-se progresso. Numa das suas ruas um acontecimento importante está também prestes a acontecer: Dona Ludovina (uma cantadeira de mão cheia, diz-se), esposa de Sebastião José da Costa, um funcionário dos Correios e antigo jornalista, prepara-se para dar à luz uma criança a que dará o nome de Carlos Lamartine. Benguela prepara-se assim para receber, de braços abertos mais um grande filho, que se tornará num senhor grande da música nacional e autor de melodias imortais.&lt;/div&gt;
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Os primeiros dez anos de Carlos Lamartine passam-se por entre as casuarinas da praia Morena, as bananeiras do Cavaco e as acácias rubras que enfeitam a urbe. Os sons, esses, são os do Carnaval tradicional, festa bastante impulsionada em Benguela por dois familiares seus: o tio José Silvério Ferreira (Velhinho), também fundador do grupo “Doze Pares”, que animou o carnaval de Luanda na década de 20, e o irmão mais velho, o jornalista de renome e membro do grupo carnavalesco “Cidrália” conhecido por “Cu de Palha” ou “Kuxoeta” (alcunha dada nas brincadeiras de Carnaval).&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-C-O0cBsmCfg/TxUUbNbfv5I/AAAAAAAAHM4/L62OhiEHvYo/s285/image%25255B5%25255D.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-C-O0cBsmCfg/TxUUbNbfv5I/AAAAAAAAHM4/L62OhiEHvYo/s285/image%25255B5%25255D.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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Em 1953 Carlos Lamartine muda-se com a família para Luanda e instala-se no Bairro Indígena. Lá, convive assiduamente com o grupo Morimba Show e com Quim Jorge (músico que se destacaria anos mais tarde como compositor). No ano da sua chegada à capital da então província ultramarina, funda com este seu amigo e com Victor da Popa Russa, “belíssimo tocador de harmónica de boca”, o conjunto “Rapazes do Brasil”. O grupo tinha como base instrumental a dikanza, a ngoma e os chocalhos. Entre os nove elementos que o compunham destacava-se também Sebastião José da Costa Neto, filho de Teófilo José da Costa mais conhecido por “Mbabaxi” (segundo Roldão Ferreira, foi ele o compositor da conhecida música “Milhorró”).&lt;/div&gt;
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Se no início eram os sambinhas brasileiros a marcar a cadência do grupo, a influência do Ngola Ritmos logo colocou os “Rapazes do Brasil” no caminho da música de raiz angolana. Essa opção obrigou-os a recorrer as pessoas mais velhas que lhes explicavam não só o sentido dos sons, como o das próprias letras cantadas em línguas nacionais. Carlos Lamartine relembra: “Na altura líamos livros do Óscar Ribas mas para podermos interpretar aquelas canções em língua nacional consultávamos os mais velhos. Quando, por exemplo, cantava ‘Kinjangu’, era a minha velha quem me corrigia a pronúncia”.&lt;/div&gt;
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A mãe de Lamartine, aliás, marcou-o também musicalmente. Na memória do músico ficou a sua voz a cantar a rebita “Mwadi nga Viti/ kwadilonga ku kavalu/ kutula ku &lt;/div&gt;
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makoko/ wolotekul’o jimosa”.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-1PTx4uwvAUE/TxUUeXrxd6I/AAAAAAAAHNI/i6T0Ny1fr-o/s279/image%25255B2%25255D.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-1PTx4uwvAUE/TxUUeXrxd6I/AAAAAAAAHNI/i6T0Ny1fr-o/s279/image%25255B2%25255D.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
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Três anos depois da criação dos “Rapazes do Brasil”, em 1956, enquanto estudava no Liceu Salvador Correia, Lamartine torna-se no percussionista do conjunto de Sousa Júnior. Ao mesmo tempo, ajuda a formar no seu bairro um grupo voltado para a música tradicional – o&amp;nbsp; “Kisweya”. Entre os membros desta formação contavam-se outros “miúdos” da sua idade: Barceló de Carvalho (Bonga), tocador de ngayeta, Carlos David André, Tizinho, João, Nando Kajibota e algumas bailarinas. Enquanto, por um lado, recolhiam músicas de compositores anónimos populares na época, por outro começavam a criar o seu próprio repertório.&lt;/div&gt;
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Um ano depois, os mesmos jovens extinguiam o “Kisweya” e criavam “Mulogis do Ritmo”. Na verdade, a mudança não era mais do que uma forma de enganar os pais: “os velhos não queriam que nos dedicássemos à música, pelo que os grupos que formávamos não duravam muito. No entanto, assim que podíamos fundávamos outro conjunto, que era exactamente o mesmo que o anterior”. Depois de suspender durante um período a participação nos “Mulogis do Ritmo”, Lamartine regressa, trazendo consigo músicos do Kwanza Sul, entre eles o guitarrista Carlos Pimentel.&lt;/div&gt;
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No início dos anos 60, o músico benguelense cria com Antas, antigo jogador do Ferrovia, o “Makoko Ritmos”. Por esta altura, em 1964, “Luís Montês, realizador de espectáculos populares semanais, já deambulava de bairro em bairro aos sábados com o seu ‘Kutonoka’, conquistando audiências”, relembra Zeka Sairava, falecido radialista. Este programa, nota por sua vez Dionísio Rocha, “foi uma das oportunidades para tirar do anonimato Lamartine, Elias dya Kimwezu, Mulato, Tonito, entre outros”.&lt;/div&gt;
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Mesmo com o seu nome a ganhar alguma projecção, Carlos Lamartine afastou-se durante algum tempo das lides musicais. Regressaria alguns anos mais tarde, integrado no conjunto “Águias Reais”. “Em termos de produção artística dei um salto qualitativo em 1970, depois de ter saído da tropa colonial, porque optei por interpretar música angolana de raiz africana. Tornei-me compositor e intérprete e comecei a ganhar fama”, relembra.&lt;/div&gt;
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Começava então a fase de gravação de discos. Entre 1970 e 1974, o músico editou uma série de trabalhos na famosa CDA – Companhia de Discos de Angola, estúdios criados por Sebastião Coelho e João Canedo. Entre os vários álbuns destaca-se o LP “Angola – Ano Zero”, que continha dez canções inéditas que marcaram uma época, entre as quais o clássico “Pala kunwabesa o muxima”. O grupo “Merengues” colaborou nesta produção, dando-lhe um toque especial com a viola-solo de Zé Kenu, a viola-ritmo do Zeka “Tirelene”, o baixo do Carlitos, as tumbas do Joãozinho e o trompete de Nandu. “Por razões técnicas imprimiram-se poucos exemplares e os cem primeiros discos foram numerados e identificados com um carimbo especial”, incidente que os transformou numa autêntica relíquia discográfica, nota Sebastião Coelho no livro “Angola – História e Estórias da Informação”.&lt;/div&gt;
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Depois desta grande intensidade produtiva, Lamartine entra em silêncio. Volta muito mais tarde, em 1997, com o esplêndido disco “Memórias”, gravado em Portugal e produzido pela RMS. Com este trabalho o músico rendeu homenagem a todos os que contribuíram para a sua formação enquanto artista. Entretanto, a par da actividade musical, forma-se em História no Instituto Superior de Ciências de Educação.&lt;/div&gt;
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A sua voz volta a soar algum tempo depois no trabalho “Histórias da Casa Velha”, uma recolha de trabalhos antigos. Em 2000 volta a entrar no estúdio para gravar “Cidrália”. Lançada no ano seguinte, esta obra ficou especialmente marcada pela música “Caravana para&amp;nbsp; Delfina”.&lt;/div&gt;
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Segue-se, em 2005, o quarto disco, “Frutas do chão são coisas nossas”, um “tributo à vivência do povo angolano e uma valorização das tradições e da cultura de Angola”, como definiu na altura, e que inclui semba, rumba, lamento e cisose. Por fim, em 2007, edita “Caminhos Longos”, um álbum com 10 faixas que contou com as participações de Caló Pascoal, João Alexandre, Quintino, Habana Maior, Miqueias, Mias, Yéye, Neto e Estevão Bento.&lt;/div&gt;
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Hoje Lamartine, que já prometeu para breve o seu sexto disco, vive em Brasília, onde trabalha como adido cultural na Embaixada de Angola.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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Glossário&lt;/div&gt;
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Dikanza - reco-reco.&lt;/div&gt;
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Kanzumbi – espiritozinho.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Kinjangu&amp;nbsp; - cataneirão.&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
Kisweya – inimigo, tirano, fera.&lt;/div&gt;
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Kutonoka – brincar, folgar.&lt;/div&gt;
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Kuxoweta – definhado, seco.&lt;/div&gt;
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Makoko Ritmos - “Coqueiros do Ritmo”&lt;/div&gt;
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Mulogis do ritmo -&amp;nbsp; “Feiticeiros do Ritmo”. A grafia correcta seria “Miloji do Ritmo”.&lt;/div&gt;
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Mwadi nga Viti/ kwadilonga ku kavalu/ kutula ku makoko/ wolotekul’o jimosa – o grande senhor Viti/ montou no cavalo/ chegado aos coqueiros/ pôs-se a seduzir as moças.&lt;/div&gt;
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Ngayeta –, harmónica de boca&lt;/div&gt;
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Pala kunwabesa o muxima – para vos agradecer&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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in &lt;b&gt;AUSTRAL&lt;/b&gt; nº 68, artigo gentilmente cedido pela TAAG - Linhas Aéreas de Angola&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
por &lt;a href=&quot;http://www.buala.org/pt/autor/mario-rui-silva&quot;&gt;Mário Rui Silva&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://mambosdadikanza.blogspot.com/2012/01/carlos-lamartine-uma-musica-com.html</link><author>noreply@blogger.com (Abel Silva)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-C-O0cBsmCfg/TxUUbNbfv5I/AAAAAAAAHM4/L62OhiEHvYo/s72-c/image%25255B5%25255D.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>