<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371</id><updated>2026-08-04T01:14:30.153-07:00</updated><category term="gravidez"/><category term="mentira"/><category term="adolescência"/><category term="chiliques"/><category term="eco-consciência"/><category term="educação"/><category term="infância"/><category term="lição de casa"/><category term="mães sem-tribo"/><category term="piti"/><category term="q"/><category term="receitas"/><category term="u"/><category term="vacinação"/><category term="vegetarianismo"/><title type='text'>Manhê...abaixa o som!</title><subtitle type='html'>Manhê...abaixa o som!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>309</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-3317316845581883401</id><published>2013-08-10T19:00:00.001-07:00</published><updated>2013-08-10T19:09:41.115-07:00</updated><title type='text'>Os dois em uma</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh41K3fBmEO60NAt4V2JbytUTzu4YIO5t_fFxh2rwRJvWy6g0soApENaqVJyB7hlClW75QtIlePvIJaznN8u2NwNPHNJEaFGDWVeonXctM966sZABfEdtwKBpAs2XBGg98fk0_CIlC8T2s/s1600/stella.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh41K3fBmEO60NAt4V2JbytUTzu4YIO5t_fFxh2rwRJvWy6g0soApENaqVJyB7hlClW75QtIlePvIJaznN8u2NwNPHNJEaFGDWVeonXctM966sZABfEdtwKBpAs2XBGg98fk0_CIlC8T2s/s320/stella.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh5E2NEnVJRaqJgC3-6On6VIr_a-9V2yPnP8MBA3B4y5QA2fqfgpZyoYIThTwE7fIyVFpfjsXykazAx8GddWhE2fhhRSSDXjCH5WucWPaHqGV6kG7ZNGZQzcJozCOvdiN7a3u4Th1HHGSQ/s1600/eduardo_haak_2005.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh5E2NEnVJRaqJgC3-6On6VIr_a-9V2yPnP8MBA3B4y5QA2fqfgpZyoYIThTwE7fIyVFpfjsXykazAx8GddWhE2fhhRSSDXjCH5WucWPaHqGV6kG7ZNGZQzcJozCOvdiN7a3u4Th1HHGSQ/s320/eduardo_haak_2005.JPG&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Dia dos pais no manhê é muito auê. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E pra celebrar a amizade feminina tomei café com uma amiga querida de linda, e a mesma concedeu essa entrevista para a data fatídica fraterna de hoje – aqui é assim, no dia dos pais sai a entrevista com uma mãe, why not? – e de quebra acabamos ganhando um belo de um brinde: entrevista ex-tra com o ex marido dela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tim-Tim para os pais separados que ainda mantem uma amizade tão sincera. Vamos celebrar tal ato louvável incluindo um pai realmente legal na entrevista materna de dia dos pais!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora que já me justifiquei vamos às apresentações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/escritora.stellaflorence?ref=tn_tnmn&quot;&gt;Stella Florence&lt;/a&gt; é escritora – e um cordeiro em pele de lobo. Autora, entre outros livros, de “Hoje acordei gorda”, “O diabo que te carregue!”, “32” e “Os Indecentes”. Se você ainda não leu nada dela, tá perdendo um tempo sem precedentes!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eduardo Haak é paulistano, nascido em 1971. Foi cronista do portal de conteúdo feminino do UOL, iTodas, por três anos. Lançou seu primeiro livro, &lt;a href=&quot;http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3529016/tem-uma-coisa-sobre-mim-que-acho-justo-voce-saber &quot;&gt;Tem uma Coisa Sobre Mim que Acho Justo Você Saber&lt;/a&gt;, em 2011. Vale a dica: para ler outros contos do Eduardo corre pro &lt;a href=&quot;http://eduardohaak.blogspot.com.br/&quot;&gt;blog&lt;/a&gt; dele. Mas não sem antes terminar de curtir as entrevistas por aqui: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Com quantos anos você foi mãe? E como isso tudo aconteceu?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fui mãe aos 34 anos, a Olívia foi planejada e desejada – a dois.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você acha que se fosse mãe de um menino alguma coisa teria sido diferente? O quê? Quando? Como? Onde e por que?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não faço a mais remota ideia de como seria ser mãe de um menino! A mulher-mãe se vê muito na menina-filha, mil coisas se repetem, se espelham, é uma relação bastante conectada. Creio que se eu fosse mãe de um menino meu maior desafio seria criar um cara legal nessa selva machista em que a gente ainda vive.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quando te pedi se poderia entrevista-la lembro que você comentou rapidamente sobre quando a Olivia menstruou. Como foi essa experiência pras duas?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A Olívia não disse uma palavra: apenas foi até meu quarto e me mostrou a saia manchada nas mãos. Ela estava muito constrangida e até hoje não gosta de falar no assunto. Eu a abracei, mostrei como usava o absorvente, expliquei novamente o que ela já sabia. No dia seguinte eu menstruei 10 dias antes do que deveria: meu corpo sangrou com o dela, como num novo parto. Olívia tinha 10 anos na menarca e foi a primeira vez que senti que não poderia protegê-la de tudo, a começar pelas mudanças naturais da vida.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já teve ou tem vontade de ter mais filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Já, sim – mas passou. (risos)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Planta bananeiras? E depois de uma filha e muitos livros já plantou árvores?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Natureza não é exatamente meu elemento. Essa eu passo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vocês conversam bastante? Rola uma amizade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu brinco muito com a Olívia. Outro dia uma lição da escola pedia que ela descrevesse a mãe em duas palavras. E ela escreveu: brava e engraçada. Eu não chamaria de amizade o que existe entre nós: eu sou muito mais do que amiga dela. Acho preocupante mães que participam da vida das filhas como amigas, às vezes até como competidoras. Ser mãe é algo que não se confunde, e não deve se confundir, com nada mais.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vira e mexe me pego contando pro meu filho (que tem a mesma idade da sua) sobre os causos dos foras que eu tomo, dos caras com quem fico junto, por quem me apaixono... Uma fofocaiada da própria vida desenfreada! Entre vocês duas rola disso também?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu a poupo dos detalhes, mas, sim, ela sabe o que acontece na minha vida romântica: quando estou namorando, quem é, como conheci, etc. Mas demoro a apresentá-lo: um namorado só conhece minha filha depois de estarmos um bom tempo juntos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como sua filha reage quando você escreve sobre ela em algum livro ou blog? Como você pensa a questão da super exposição dos filhos?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu escrevi dois livros para ela, mas não são sobre ela. Não falo quase nunca sobre ela – e ela não gosta. Fiz essa entrevista escondida e ela certamente não aprovaria. Olívia é muito ciosa da sua privacidade. E está certíssima. (Quando ela descobrir esta molecagem minha, já será grande o bastante para não se importar – eu espero).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Que tipo de mãe você é?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Brava e engraçada! (risos)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que há de mais marcante na sua experiência da relação com a maternidade e como era com a sua mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Marcante é existir alguém que você considera mais importante que você, alguém por quem você morreria sem nenhum problema. Minha mãe morreu em 2010, nossa relação era (é: eu acredito na continuidade da vida) muito carinhosa e próxima. Para sintetizar, digo que se ela puder repetir a dose e ser minha mãe na próxima encarnação, eu vou adorar!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já se pegou sendo a sua mãe e não você mesma? Se sim em quais momentos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A gente assimila muito das nossas mães a ponto de não distinguir o que é delas e o que é nosso. Não sei especificar um ponto: sou mãe. Isso já nos torna da mesma espécie.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é a sua maternidade de hoje?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Em transformação: estou aprendendo a ser mãe todos os dias, esse troço não para nunca.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que faltou no nosso papo, mas que você esta afinzona de dividir?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Que se algum imbecil machucar o coração da Olívia, vai ter de se ver comigo! (risos)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual pergunta você nunca me responderia?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Em relação à maternidade? Nenhuma.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Ufa! Já fiquei tão feliz dela responder essas que começo a considerar um próximo abuso de intimidade!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Eduardo Haak, o que você quer ganhar de presente no Dia dos Pais?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nada. Eu não sou orixá de macumba pra receber oferendas, já disse isso em outras entrevistas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual a maior semelhança entre você e sua filha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ambos odiamos maionese e ambos somos imaginativos, ou seja, ambos sabemos que a realidade é uma coisa confusa e, quase sempre, decepcionante.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vocês se chamam por apelido?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Chamo minha filha de Jacaré Mamão. Tem até uma musiquinha, feita em cima da melodia de When I Fall in Love, do Nat King Cole: sou um jacaré, um jacaré mamão, e eu mordo quem canta, música do Lobão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Sendo a Olívia filha de pais escritores, vocês notam alguma vocação literária nela?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não, e tomara que isso jamais se manifeste.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por quê?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Porque escritores são maledicentes, ególatras e vivem sem dinheiro.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você aprendeu com a paternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Que fazer sexo sem camisinha dá certo mesmo, podem tentar.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Um momento inesquecível de vocês dois.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Entre muitos e muitos e muitos: numa festa junina do colégio, em que nos afastamos da multidão e ficamos jogando vôlei com uma bola gigante; num passeio pela rua, ela com uma daquelas echarpes de brincadeira enrolada do pescoço, aí a echarpe caiu numa água suja e decidimos pendurá-la numa árvore; ela me contando seus sonhos, um em especial, em que voávamos e ela notava que não havia amarrado direito um dos sapatos e então ficava com receio de que ele caísse; nós assistindo à novela &lt;i&gt;O Astro&lt;/i&gt;, numas férias em Itanhaém; ela se escondendo atrás de pilhas de papel higiênico, numa gôndola de supermercado, e eu conversando com ela, fazendo a voz do “Senhor Papel Higiênico”.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você já apresentou alguma namorada à Olívia?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Uma vez só, e foi um contato rápido, e cordial de parte a parte. Ou seja, não deu tempo de acontecer um episódio de rivalidade explícita entre elas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como você acha que sua filha te vê?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Como um bobalhão. Uma vez ela disse que o Paul McCartney tinha cara de bobalhão. Eu perguntei, quem tem mais cara de bobalhão, o papai ou o Paul McCartney? Ela não hesitou: o papai. Mas acho que sou um bobalhão de quem ela gosta bastante.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Olívia, se um dia você ler essas entrevistas com seus pais por favor, não me mate! Você é uma menina de sorte, sei que concordará comigo! Na próxima encarnação eu quero ser sua irmã, topa?&lt;/b&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/3317316845581883401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/3317316845581883401?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3317316845581883401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3317316845581883401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/08/os-dois-em-uma.html' title='Os dois em uma'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh41K3fBmEO60NAt4V2JbytUTzu4YIO5t_fFxh2rwRJvWy6g0soApENaqVJyB7hlClW75QtIlePvIJaznN8u2NwNPHNJEaFGDWVeonXctM966sZABfEdtwKBpAs2XBGg98fk0_CIlC8T2s/s72-c/stella.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-3255388127411286050</id><published>2013-08-02T11:46:00.001-07:00</published><updated>2013-08-02T11:59:55.262-07:00</updated><title type='text'>A gosto dos pais</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk52F96umWjwtGn-h-XVKPeaeQxDDk8hI-eCMn2wm1lLagkXhYGCcLUAgJdrbihDjbZcy6R66NkYcW5xg_r7zH_YVSbI56dlhatjGv3bYKIIwZ8dB5Ohb94EoS8_HexdThk5iUxEhknHc/s1600/773b0df8f24311e2a17a22000aaa0955_7.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk52F96umWjwtGn-h-XVKPeaeQxDDk8hI-eCMn2wm1lLagkXhYGCcLUAgJdrbihDjbZcy6R66NkYcW5xg_r7zH_YVSbI56dlhatjGv3bYKIIwZ8dB5Ohb94EoS8_HexdThk5iUxEhknHc/s320/773b0df8f24311e2a17a22000aaa0955_7.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo segundo domingo de agosto é marcado pela comemoração do Dia dos Pais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É sabido que meu ritmo de vida atual estava quase evitando a sobrevida do &quot;manhê&quot;, mas não resisti ao charme do homem brasileiro e aqui estamos começando o mês entrevistando um dos (senão o) pais mais lidos, comentados e visados do &lt;i&gt;mitiê&lt;/i&gt; blogueirístico: Renato Kaufmann.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele já visitou essas terras de alto e bom som e a quem acaso interessar possa, &lt;a href=&quot;http://manheabaixaosom.blogspot.com.br/2012/10/um-homem-pai.html&quot;&gt;confira aqui&lt;/a&gt; nosso blábláblá anterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em vista seu currículo paterno glorioso, eis uma breve apresentação para contextualizar a presença desse cara genial logo a cá: há 4 anos é pai coruja e dedicado da fofuríssima Lucia e autor dos livros &lt;a href=&quot;http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22137961&amp;sid=201834826141025827949683674&quot;&gt;&quot;Diário de um grávido&quot;&lt;/a&gt; e&lt;a href=&quot;http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22637657&amp;sid=201834826141025827949683674&quot;&gt; &quot;Como nascem os pais&quot;&lt;/a&gt; (fica a dica para o Dia dos Pais, sério gente, eu não sou mais livreira, mas continuo indicando essas duas pérolas &quot;iscrusive&quot; para quem não é pai). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegado na budega da escrita dá prá conferir qualéquié do rapaz também no blog &lt;a href=&quot;http://diariogravido.blogspot.com.br/&quot;&gt;Diário Grávido&lt;/a&gt; e na revista virtual &lt;a href=&quot;http://confeitariamag.com/author/renatokaufmann/&quot;&gt;Confeitaria&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por experiência própria dessa que aqui entrevista pais e mães - para conversar sobre essa loucura, ao mesmo tempo deliciosa e terrível, que é a de ter filhos - sempre achei que pai era tão somente um apêndice, que quando inflama a gente opera e retira o quase desnecessário órgão intestinal. Só que não: não precisamos da ajuda deles, mas sim de um constante compartilhamento de funções e afetos para com as crias,quer estejamos junto ao co-progenitores ou não. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lá vai um pouco de infâmia, não digam que não avisei, crianças: &lt;br /&gt;
(Os sem graça que me desculpem, mas bom humor e fundamental!)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você acha do dia dos pais?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho essas datas inventadas por publicitários todas um saco: dia dos pais, dia do cachorro, natal... Mas como gosto de ganhar presentes fico dividido.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual a diferença entre pai e mãe? Um anda bonito e o outro elegante?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Para alguém com dois filhos, fico surpreso que você ainda não saiba.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Complete a frase: Pai nosso que estais nos céus...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Pais de todo mundo, que estais zumbi,&lt;br /&gt;
santificado seja vosso whisky,&lt;br /&gt;
venha ao nosso olho a pimenta do reino - que é refresco -&lt;br /&gt;
e seja feita a nossa vontade,&lt;br /&gt;
assim na terra como parquinho&lt;br /&gt;
o ciúme futuro de nossas filhas nos dai hoje,&lt;br /&gt;
perdoai as ofensas desses malcriados,&lt;br /&gt;
que afinal aprenderam com a gente,&lt;br /&gt;
e por favor nos deixeis cair em tentação&lt;br /&gt;
mas livrai-nos da hora extra da babá.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O pai nosso de cada dia nos dai hoje?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Que foi, a visita do Papa te deixou impressionada é?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual melhor presente para o dia dos pais (não comercial) - depois dos seus livros of course?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Whisky. E aquelas porcarias emocionantes feitas à mão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quem você elege para o título &quot;pai dos pais&quot;?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O avô, claro.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Mãe é mãe, paca é paca e pai o que é?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Pai é quem cria.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual o momento mais feliz que você já viveu com a sua filha (sem contar o nascimento)?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Todos os abraços, todos os boa-noites e todos os eu-te-amo-pai.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E qual o mais bizarro?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O desfralde como um todo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Mulherada cai de pau em pai avulso?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Você quis dizer “mulherada avulsa cai em pau de pai”? Nos dois casos a resposta é não.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Pai pra quê?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Pra tudo, porra!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Pai tem que dar exemplo ou tem mais é que chutar o balde?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tem que dar exemplo já que só assim os filhos prestam atenção.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual a pior coisa que vc já aprontou com seu pai?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Chutar o saco dele em uma brincadeira de lutinha quando eu tinha uns sete anos. Ele nunca mais brincou disso, misteriosamente. Ou quase morrer em um acidente de moto. Preciso perguntar pra ele.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;É pai, é pedra é o fim do caminho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;“A autora visitou o dia do trocadilho e tudo que eu ganhei foi essa entrevista”&lt;/blockquote&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/3255388127411286050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/3255388127411286050?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3255388127411286050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3255388127411286050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/08/a-gosto-dos-pais.html' title='A gosto dos pais'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk52F96umWjwtGn-h-XVKPeaeQxDDk8hI-eCMn2wm1lLagkXhYGCcLUAgJdrbihDjbZcy6R66NkYcW5xg_r7zH_YVSbI56dlhatjGv3bYKIIwZ8dB5Ohb94EoS8_HexdThk5iUxEhknHc/s72-c/773b0df8f24311e2a17a22000aaa0955_7.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-5413578263375589020</id><published>2013-06-09T12:39:00.002-07:00</published><updated>2013-06-09T12:51:50.258-07:00</updated><title type='text'>Mãenhosa nossa de cada dia vos dá entrevista hoje...</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir-B7qEiQdOv_5YqW4iJcHVzO4NePQO-_2olNgzEzA49odVVTN_Gsi-PPp0Y3GnebT8So4qdrsxbBxQajeAgQ-qrJZhXgaow0Tr2n3uh_sQMt4rEkUtJfXwVPTa5CxZ26JRO3GjZtbbDM/s1600/1102131843_f.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir-B7qEiQdOv_5YqW4iJcHVzO4NePQO-_2olNgzEzA49odVVTN_Gsi-PPp0Y3GnebT8So4qdrsxbBxQajeAgQ-qrJZhXgaow0Tr2n3uh_sQMt4rEkUtJfXwVPTa5CxZ26JRO3GjZtbbDM/s320/1102131843_f.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem é ela?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isabella Gargiulo. Amiga do peito, fiel escudeira e irmã camarada: é meu amor escancarado. Não teria como fazer uma introdução para a entrevista da minha maior parceiríssima sem choro nem vela. Pois fiquem sabendo que este blog aqui é cria criada nossa! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Numa época não tão distante, de um tempo todo outro, as atualizações eram constantes. Até que a vida foi tomando outros rumos onde crianças cresceram e mães precisam trabalhar cada vez mais para garantir o sustento nosso de cada dia... Então já sabem: apesar das postagens estarem cada vez mais raras, o som não pode parar!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Te deixo em boa companhia que só, mas antes que só e tão somente vamos lá! &lt;b&gt;Manhê, aumenta o som:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há mais de 15 anos ela formou o Dominatrix - a banda mais influente do punk rock brasuca D.I.Y. - com sua irmã Elisa Gargiulo. As músicas, com alertas feministas berrados e sussurrados nos ouvidos e consciências de milhares de jovens desde os anos 90 foram compostas pela dupla que sacou desde cedo qual é que era!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se assim foi, é e será, então que assim seja:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Qual foi sua reação quando soube que estava grávida da primeira filha, a Ara? E o que passou pela sua cabeça naquele momento?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fiquei desesperada. Tinha 22 anos e havia feito um aborto a bem pouco tempo, o que foi uma experiência traumática depois da qual jurei a mim mesma que nunca mais faria mesmo que isso significasse que eu poderia ter filhos sem estar “preparada”. A interrupção da gravidez anterior se deu depois de pensar muito e decidir que não queria envelhecer assim tão rápido (no sentido de ter que abandonar uma vida deliciosamente desregrada de &lt;i&gt;laissez-faire&lt;/i&gt;). Depois de contemplar outro aborto, contei à minha mãe sobre a gravidez, e ela, com certo entusiasmo velado em ganhar um neto, me convenceu dizendo que &lt;i&gt;“as crianças de hoje são incríveis, inteligentíssimas! E você com medo de quê? Tá com medo de bebê? Eu tenho medo de bomba atômica, e você aí com medo de bebê”&lt;/i&gt;. Com relutância, resolvi enfrentar o novo desafio de ser mãe. Em retrospecto, me senti alienada e com medo de ter filhos pois eu não tinha amigas mães naquela época (todas as minhas amigas tinham 20 e poucos anos como eu). E depois aprendi, já mãe, que a gente nunca vai estar “preparada” pra ter filhos. Simplesmente porque isso não existe.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;E na segunda gravidez, a do Ian, o que mudou?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tudo. Ele também veio “mais ou menos” de surpresa e fiquei com medo, mas feliz – aquilo tudo de novo...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Tem alguma diferença em ser mãe de uma menina e de um menino, quer dizer, algo muda?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não conscientemente. Eu criei a Ara desde bebê sem pressão de gênero, o que foi trabalhoso (tantos presentes e roupas rosa que deixei de lado; tantas “princesas” que não entraram na minha casa). Hoje ela ama Guerra nas Estrelas, e quer ser arqueologista. O que mudou na verdade, anos depois, foi a minha percepção de que a identidade de gênero dos meus filhos será baseada no que eles observam em casa, com mais força do que os padrões do tipo presentinhos em azul e rosa e filmes da Disney. A ideia do que é ser uma mulher, para meus filhos, se formará a partir do que eles veem em mim. O mesmo vale para meu parceiro, porque não adianta eu ficar dizendo para o Ian que ele pode deixar o cabelo crescer se ele quiser, ou que ele pode usar saia se o pai dele esta sempre de calça e com o cabelo curto. Então muitas vezes meu filho diz que quer ter cabelo igual ao do papai, e assim por diante... Relaxei mais quando atinei que certas coisas vêm mais do exemplo da família do que de qualquer outro lugar.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Como é a sua rotina com as crianças e a estrutura de vida que você e o Dan criaram?&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ele é cineasta e trabalha como freelance em casa com sua própria ilha de edição e uns equipamentos malucos. Eu trabalho em filantropia, sou gerente de doações numa fundação e trampo período integral fora de casa. Dividimos as despesas, mas quem faz o corre com as crianças de preparar as lancheiras, botar o Ian para dormir e buscar a Ara na é ele. E depois de tudo ainda prepara o jantar. O Dan é um super pai! Eu pego as rédeas de manhã cedo (acordando a galera e ajudando a se trocar, escovar os dentes, etc) e no fim do dia (banho, leitura e cama – com uma sessão de cócegas aqui e ali, porque ninguém é de ferro!).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Quais questões o feminismo acrescentou na sua experiência com a maternidade? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O movimento feminista me ajudou a entender certas tendências culturais da maternidade com mais clareza e apreciar algumas dinâmicas familiares. Toda minha culpa por ficar longe das crianças o dia inteiro enquanto tenho que trabalhar é aliviada pela certeza de que meus filhos estão tendo um exemplo vivo da quebra de regras patriarcais ao serem cuidados pelo pai – sabemos bem que até alguns anos atrás a sociedade machista ditava às mulheres que família nuclear era basicamente o contrário disso. Talvez a lição mais importante na minha jornada como mãe não tem a ver comigo como mulher e sim com meu parceiro como homem, como pai. O meu feminismo não é aquele que eleva a &lt;i&gt;“Super Mom”&lt;/i&gt; – estudar, trabalhar, fazer comida, tudo com bebê no sling! O meu lema mudou de &lt;i&gt;“Como mãe e mulher, eu posso tudo!” &lt;/i&gt;a &lt;i&gt;“Eu sei que eu posso tudo como mãe e mulher – mas e meu parceiro como homem? E como pai?”. &lt;/i&gt;Faz muito sentido incluir questionamentos sobre o papel dos homens na vida das mulheres e das crianças. Que exemplo de feminista dará a um filho um pai que não participa? O que isso acaba mostrando, diariamente, a uma filha mulher? Para mim, a responsabilidade de mudar o paradigma machista não deve ser jogada sempre nos ombros das mulheres. Se exemplificamos, no lar, como mulheres, o que nós entendemos como feminismo, e deixamos os homens fazendo os mesmos papéis que nos aprisionaram, que mudança estamos engendrando de verdade? O lar feminista não é só o da mãe que trabalha/tem uma vida fora de casa e vive sua identidade como mulher plena, mas também o de um pai que não tem medo de trocar fralda, levar na escola, dar banho, brincar por horas sem cansar... E assim, todos os dias. Veja que estou falando só em famílias nucleares homem e mulher. Não sei se o mesmo se aplica a famílias gays; tenho muito interesse em conhecer melhor essa dinâmica.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;A gente criou esse blog juntas, lá pelo ano de 2009, mas há mais ou menos um ano você largou mão. Eu quase desisti, mas achei melhor ao invés de ficar escrevendo meus textos (monólogos) entrevistar as pessoas (diálogos com muitos). Em que pé estamos?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A culpa é toda da vida loka! Na época que deixei de participar do &quot;Manhê&quot; estava estudando em período integral e trabalhando em dois empregos meio período, para depois ainda chegar em casa e encontrar os filhos sedentos por atenção. Não tinha tempo mesmo!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Há uma cultura da maternidade aí nos EUA que seja diferente daqui do Brasil?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Depende do meio em que você está inserido. Aqui tem várias “subculturas” de maternidade: a subcultura cesarista e “formulista” (que não quer amamentar), a subcultura do Attachment Parenting e educação domiciliar, a subcultura da babá e da desconexão, e várias subculturas étnicas que, cada uma, dita uma maternidade diferente. Eu comecei inserida na cultura do Attachment Parenting. Para muitas famílias, essa cultura funciona bem, mas meu parceiro começou a sentir que ela dava pouca ênfase ao papel do homem como pai. Ele, que cresceu sem pai, sentiu que nos grupos tinha sempre muita mãe e pouco pai, e as conversas enveredavam mais para amamentação prolongada, logísticas da gravidez e parto, entre outros assuntos exclusivos. Resolvemos que seria melhor fazer as coisas dum jeito mais nosso e mais inclusivo. Assim, criamos uma espécie de subcultura familiar só nossa. O Attachment Parenting é lindo – mas não é prá gente como a gente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Você mudou muito depois de ter seus filhos?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim muito, e pra melhor, em minha opinião. Os filhos me trouxeram mais direção e foco; um propósito na vida. Mas não mudei totalmente, principalmente na questão da sexualidade (que reflete o eu-mulher, não o eu-mãe).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Como eles são com você e na vida de um modo geral?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;É interessante como certos ciclos familiares se repetem. Minha e irmã e meu irmão nunca se deram muito bem, e eis que minha filha e meu filho não se dão tão pouco, principalmente porque minha filha tem uma territorialidade emocional muito grande comigo. Através de um trabalho com a questão da comunicação, estou conseguindo fazê-la se expressar de forma menos confrontacional com o irmão. Os dois, no entanto, são extremamente amorosos comigo, e muito conectados ao pai emocionalmente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Você toca em alguma banda por aí, tem projetos com música? Como ficou esse seu lado?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu estava conversando recentemente com a minha irmã Elisa a respeito disso; é uma coisa interessante. Muito do impulso criativo que eu direcionava à minha produção musical e artística agora eu coloco em produção escrita. Escrevo muito e leio muito, mas acho que essa mudança tem a ver com meu viés acadêmico. Quando eu fazia faculdade de artes plásticas, era automático eu me expressar usando arte e música. Só que depois que eu me formei em comunicação social, de certo modo redirecionei meu canal de expressão e agora escrevo muito. De todo modo, nada mudou; mudou só o canal. Tentei tocar com uns caras aqui (que eram da banda Akarso) mas não rolou. Acho que toco melhor com mulher. Agora que tenho mais tempo, estou querendo montar uma banda de minas com umas amigas que também são mães e estão esperando eu comprar uma bateria. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Música é importante para criança?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Muito. De maneira que até a anatomia do cérebro da criança se desenvolve mais complexamente quando a criança é exposta à música (e principalmente, ensinada a tocar um instrumento desde pequena) – ontem li que a teoria da relatividade veio ao Einstein enquanto ele tocava seu violino. Minha filha leva muito jeito pra bateria; ela ganhou uma pequenininha há uns 2 anos mas já a destruiu de tanto tocar; ela vai fazer Girls Rock Camp em agosto para aprender a tocar mais. Eu ainda escuto muito indie rock e punk, mas em casa procuro expô-los a tudo: escutamos muito funk da Africa (&lt;i&gt;Fela e Femi Kuti, Hugh Masekela&lt;/i&gt;, etc.), música clássica, música brasileira (&lt;i&gt;Tom Zé, Mutantes, Chico Buarque, Martinho da Vila &lt;/i&gt;antigão, &lt;i&gt;Marisa Monte&lt;/i&gt;, etc, etc e etc...). Só o flamenco do &lt;i&gt;Paco de Lucía &lt;/i&gt;que pedi ao Dan pelamorde não tocar mais no último volume nas horas em que estou cozinhando porque me dá uma loucura lá com as facas, que não sei explicar.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Qual o top 10 prá escutar com a molecada?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O top 10 pra eles seria o primeiro disco do &lt;i&gt;White Stripes &lt;/i&gt;do começo ao fim, várias vezes (Ave! Nem eu aguento mais!); &lt;i&gt;The Who “A Quick One”&lt;/i&gt; – várias vezes do começo ao fim (idem). Acho que esses são os dois discos que meus filhos levariam à uma ilha deserta. Outra música que eles amam é &lt;i&gt;“Little Babies” &lt;/i&gt;do &lt;i&gt;Sleater Kinney &lt;/i&gt;(por motivos óbvios, será?). Minha filha gosta muito de bandas dos anos 80 (&lt;i&gt;A-ha, Erasure, Devo&lt;/i&gt;), e música de mina também; adora &lt;i&gt;Bikini Kill&lt;/i&gt;. Eu queria fazer uma versão do cds do BK pra ela sem os palavrões, porque, sim, eu sou “este tipo de mãe”.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;E a questão de educar os filhos dentro das nossas dietas alimentares (vegetariana ou vegan)? Tem gente que diz que devemos dar o direito de escolha e outras pessoas acham que devemos dar o exemplo. Como fica isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Minhas crias têm sim o direito de escolher. Apesar de sermos vegetarianos, sempre que vou ao supermercado com eles, ofereço o “nugget” de peixe ou frango; ofereço a almôndega de carne – mas minha filha nunca quer, e o irmão vai na dela. Eu sempre digo que ela pode comer carne se quiser, mas a resposta é sempre não, provavelmente porque ela vê que os pais e a avó não comem carne, assim como muitos amiguinhos da escola que são vegetarianos ou vegans. Procuro dar muitos alimentos ricos em proteína e ferro, e recentemente minha filha fez um exame de sangue e seus níveis de ferro e B12 estavam totalmente normais (fiquei feliz!), uma boa resposta ao pessoal que diz que alimentação vegetariana “não supre as necessidades nutricionais” das crianças.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Aliás, você costuma dar ouvidos para o que as pessoas dizem?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Depende da pessoa. Se é pessoa da família, minha tendência é não dar ouvidos. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Um dia desses, uma amiga minha e leitora do blog confessou que, num tempo não muito distante aqui - ela tinha medo de nós duas. Hahahahahaha... Sempre leu o &quot;manhê&quot;, mas achava que tínhamos uma postura bem punk e tudo mais. E eu lembro vagamente de uma leitora que adorava tentar dar porradas virtuais em nós duas! O que vc acha dessas duas posições: as pessoas que tinham medo de você e as que queriam te deixar com medo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu já ouvi tanto isso, de gente que “tinha medo” de mim e da minha irmã antes de nos conhecer. Acho que é normal ter uma certa reserva em relação a pessoas que não conhecemos, mas também é preciso incluir nessa equação o modo como eu e você sentíamos a necessidade de ficar rebatendo certas críticas, e a impressão ruim que esse nosso lado combativo deixava em pessoas que tinham pouco a ver com as discussões em questão. Eu super entendo. Mas é uma coisa chata. Hoje em dia, eu prefiro engajar 100 observadoras do que combater 1 crítica.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Quais pais e mães você admira e quem gostaria de ver aqui no &quot;manhê&quot;?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Admiro muito minhas amigas lésbicas que têm filhos; que passam muita dificuldade, e o quanto as famílias heterossexuais acham que não precisamos defender o direito delas, afinal elas já “conquistaram muito” virando mães (já vi muito hetero reduzindo seu apoio à um tapinha nas costas, “uau, que legal vocês duas!”, sem fazer mais nada por elas) – Queria ver uma mãe ou um pai GLBT no Manhê, se é que isso já não aconteceu.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Nota:&lt;/b&gt; Infelizmente não, estou à procura há tempos (é sempre bom avisar) então se alguém quiser se candidatar ou sugerir outro alguém, por favor me escreva! O e-mail tá no perfil!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O que você gostaria que eu te perguntasse, mesmo que não fosse me responder?&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;“E a vida sexual, como ficou depois da maternidade?” &lt;/i&gt;Aaaah garota! Essa só respondo se você me pagar uma cerveja!&lt;/blockquote&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/5413578263375589020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/5413578263375589020?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/5413578263375589020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/5413578263375589020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/06/maenhosa-nossa-de-cada-dia-vos-da.html' title='Mãenhosa nossa de cada dia vos dá entrevista hoje...'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir-B7qEiQdOv_5YqW4iJcHVzO4NePQO-_2olNgzEzA49odVVTN_Gsi-PPp0Y3GnebT8So4qdrsxbBxQajeAgQ-qrJZhXgaow0Tr2n3uh_sQMt4rEkUtJfXwVPTa5CxZ26JRO3GjZtbbDM/s72-c/1102131843_f.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-3752055436822179016</id><published>2013-05-03T13:41:00.000-07:00</published><updated>2013-05-03T14:04:30.884-07:00</updated><title type='text'>Em ótima companhia</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvNCGrgx9EoIlhUiietQoKXV1rulpYxOhTUsEWj9fFcWIBZbhr6ZSvZZ0JQNEHk2VgunX2sqKJQuPV-Vq9bG-h3iY9ANm8WOyOWB3SHZkwjl5ORT3j0MF0_R4xLSzcbCBhF3W_0iXuaPY/s1600/dudaemarcelo.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvNCGrgx9EoIlhUiietQoKXV1rulpYxOhTUsEWj9fFcWIBZbhr6ZSvZZ0JQNEHk2VgunX2sqKJQuPV-Vq9bG-h3iY9ANm8WOyOWB3SHZkwjl5ORT3j0MF0_R4xLSzcbCBhF3W_0iXuaPY/s320/dudaemarcelo.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já disse que não gosto de ir ao teatro? Já, sim sinhô! &lt;a href=&quot;http://manheabaixaosom.blogspot.com.br/#!/2012/09/nao-te-aturo-teatro-puro.html&quot;&gt;(olha aqui)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas sabe que tem montagem infantil que ganhou de jeito até mesmo esse que é um dos corações mais gélidos desse Brasil (para a tal arte citada, tão somente)? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, a saber: uma &lt;a href=&quot;http://infinitacompanhia.blogspot.com.br/&quot;&gt;companhia&lt;/a&gt; entrou na minha vida para ficar infinita, enquanto dure e deixe viver! Porque fui gostando tanto do trabalho deles que não tinha como deixar de conversar com a dupla e ir descobrir as afinidades enquanto íamos criando um vínculo maior de amizade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim começa esta história:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Como apareceu o teatro na vida de vocês? E principalmente o teatro para crianças?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Duda:&lt;/b&gt; Quando eu tinha 11 anos resolvi que queria fazer aula de dança, mas uma amiga sugeriu que experimentasse o teatro. Comecei fazendo &lt;i&gt;commedia dellárte&lt;/i&gt; numa companhia de Jundiaí enquanto ainda estudava, e lá por volta dos 13 anos fui me envolvendo com figurino - cheguei até a ganhar dinheiro fazendo isso. Em 2008 conheci o pessoal da Ópera na Mala e eles me mostraram que teatro para crianças além de tudo é uma diversão para o ator e uma responsabilidade muito boa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Marcelo:&lt;/b&gt; Há três anos conheci o trabalho do &lt;a href=&quot;http://www.sobrevento.com.br/&quot;&gt;Grupo Sobreventos&lt;/a&gt;, onde estou atualmente e depois veio o lance da animação, que acho apaixonante. Essa coisa do boneco com criança torna tudo mais verdadeiro na relação, porque propõe uma convenção e um jogo que torna tudo mais real. Quando crescemos paramos de ver o quanto isso é divertido. A simples técnica de usar um boneco ou coisa animada (pode ser até falar com a mão) já faz com que a criança entre no seu universo. Comecei a estudar animação de maneira mais generalizada, mas o teatro de sombras em si é sempre mais poético e dinâmico em tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Duda:&lt;/b&gt; Eu gosto muito da parte de construir os bonecos junto com as crianças e essa produção conjunta acaba sendo uma maneira de exteriorizarem o mundo mental o que nos diz muito de como eles constroem uma imagem. Tá aí um laboratório rico para fazer esse percurso de entendimento da liberdade mental de construção artística quando precisamos passar pelo processo de redescoberta.&lt;br /&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Vocês sentem nostalgia enquanto estão trabalhando? Rolam umas lembranças de infância?&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Duda:&lt;/b&gt; Temos certa identificação já que nos divertimos muito fazendo teatro para as crianças. Primeiro tem que ser bom para nós para que também seja bom para os outros, e resgatamos algo interno para oferecer nosso melhor com uma pitada de sinceridade durante a construção das cenas. Acaba sendo uma terapia porque as memórias nutrem a construção das cenas. Todo ator trabalha com essa questão das próprias memórias para estar em cena, tanto para criar um personagem como para renovar o que tem feito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Marcelo:&lt;/b&gt; Rola sim e isso ajuda muito, porque algumas vezes aparecem trabalhos por encomenda ou então alguns em que as pessoas falam somente de si mesmas com seus problemas existenciais, então fazer de maneira direta parece mais íntegro também para quem esta te vendo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Como foi a infância de vocês?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Duda:&lt;/b&gt; Morei num bairro típico de interior com terra para tudo quanto é lado e muito mato em volta. Minha família é bem grande e sempre moramos juntos no mesmo terreno. Tive acesso a muitos materiais para mexer (oficina mecânica com ferro, martelo e prego e todo tipo de ferramenta) eu era muito curiosa, passava o dia martelando, brincava de contar histórias e na escola os professores me escalavam para fazer mural de colagem e os desenhos dos eventos. Aos nove anos eu já fazia monitoria para os menores, ficava a tarde inteira na escola ensinando até os bebês. Fui estimulada a ter essa postura de liderança desde cedo o que me deu autonomia para seguir minhas habilidades com artes plásticas e dramáticas profissionalmente. Meus pais foram muito corajosos e íntegros por me ajudarem a estudar. Artista não tem horário para trabalhar, tem dia que eu quero pintar e estou com uma ideia, ela não sai da minha cabeça enquanto eu não executá-la! Nosso trabalho tem seguido esse ritmo alucinante porque criamos tudo: cenário, figurino, música, sonorização...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Marcelo:&lt;/b&gt; Só fui descobrir depois que meu avô também fazia teatro de mamulengo (fantoches típicos do nordeste) depois que ele morreu e infelizmente não cheguei a conhecê-lo.  Sou de Franco da Rocha e concilio meu trabalho artístico com o administrativo no Hospital Universitário da minha cidade. Convivi com uma variedade de pessoas, e isso me deixou mais aberto ao mundo para fazer uma troca constante, já que estamos todos interligados de alguma maneira. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Vocês gostam de trabalhar para as crianças?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Duda:&lt;/b&gt; Eles são o melhor público que existe na face da terra, sempre salvam o espetáculo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Marcelo: &lt;/b&gt;Eu adoro meus “sobrinhos cobaias” costumo ler livros inteiros e testar qual funcionou melhor com eles.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O que vocês gostariam de dizer para os pais?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Duda:&lt;/b&gt; Para levarem algumas questões mais na brincadeira e brincarem de tudo. Se for ao teatro brinque, se seu filho estiver brincando com a colher, brinque também com ele – entre na brincadeira porque a criança dá vida para todas as coisas. Se preocupem menos com o que os outros vão falar e acreditem nas brincadeiras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Marcelo:&lt;/b&gt; A diferença que o contato com a leitura e com o conhecimento faz prova que aprendemos sobre tudo na vida. E aí entra também a questão da abstração, então quando praticamos a leitura oral para as crianças sabemos que isso faz muita diferença porque ensina, entre tantas outras coisas, como lidar com os mais variados sentimentos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/3752055436822179016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/3752055436822179016?isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3752055436822179016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3752055436822179016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/05/em-otima-companhia.html' title='Em ótima companhia'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvNCGrgx9EoIlhUiietQoKXV1rulpYxOhTUsEWj9fFcWIBZbhr6ZSvZZ0JQNEHk2VgunX2sqKJQuPV-Vq9bG-h3iY9ANm8WOyOWB3SHZkwjl5ORT3j0MF0_R4xLSzcbCBhF3W_0iXuaPY/s72-c/dudaemarcelo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-4763882514093766642</id><published>2013-02-23T18:05:00.002-08:00</published><updated>2013-02-25T07:43:48.175-08:00</updated><title type='text'>Autoral até dizer tchau</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZOxMGBryE_YLDw6O6tvn-5G12NQpvhjU2OAeIGFBP7S1jq2F4mSKdXMOeW4HGV7FhiQ9Jpg7vCUzatD6uYKdzuKSqOsaL2vPiMxhdqY0EHf4d_4vCV4MGJp-LnbNdzG_nqh7CbgIU7cI/s1600/2013.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZOxMGBryE_YLDw6O6tvn-5G12NQpvhjU2OAeIGFBP7S1jq2F4mSKdXMOeW4HGV7FhiQ9Jpg7vCUzatD6uYKdzuKSqOsaL2vPiMxhdqY0EHf4d_4vCV4MGJp-LnbNdzG_nqh7CbgIU7cI/s320/2013.JPG&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais um pai colando na área do &lt;b&gt;“manhê”&lt;/b&gt;. Que é isso minha gente? Invasão espacial? Nada! Tô até considerando mudar o nome do blog para incluir essa classe tão pouco escutada. Porque convenhamos: quando o assunto é filho, eles ficam relegados ao cantinho da sala... Ou melhor, ficavam! Não sei que atalho no espaço-tempos eles pegaram, mas reparei que agora só tenho trombado com uns pais interessantes pacas, que pensam mais patavinas de coisas não algumas do que eu imaginava em minha vã filosofia.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda não estamos em agosto &lt;strike&gt;mês do cachorro louco&lt;/strike&gt; quando se comemora o dia deles, mas vou celebrar a existência - ainda que pouca, mas singelamente crescente - de toda uma maçaroca de pais que “param para pensar”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sergio Franco é escritor (escreveu: &lt;a href=&quot;http://www.matrixeditora.com.br/product_info.php?info=p1391_500-Melhores-Coisas-de-ser-Pai.html&quot;&gt;&quot;As 500 Melhores Coisas de ser Pai&quot;&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.matrixeditora.com.br/product_info.php?info=p1522_O-LIVRO-DA-M-E.html&quot;&gt;&quot;O Livro da Mãe&lt;/a&gt;&quot;), músico, publicitário e pai de duas: Júlia, 21 e Luíza, 18 anos. E por dizer que &lt;i&gt;“a beleza da vida é ir descobrindo coisas novas a cada passo porque nada é estático e imutável” &lt;/i&gt;garantiu uma vaga no hall da fama desse distinto blog que busca - despretensiosamente, mas mui curiosamente - vasculhar as experiências pessoais de todos que assumiram o papel de ser “gente com filho”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Detesto ouvir qualquer tipo de xingamento. Por mais ingênuo que seja. O xingamento significa um ponto final forçado em uma conversa que, na maioria das vezes não acabou. É um fechar de ouvidos”&lt;/i&gt; – e segue ganhando meu coração...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Há um cliché que eu prezo e não abro mão: o respeito de ser ouvido em momentos importantes e considerado em questões vitais. Isso estabelece a possibilidade de diálogo.” &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou parar com os “trechinhos” para não entregar o presente antes da festa. Mas vê se não é uma incrível possibilidade de diálogo estabelecida:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual é a top &lt;i&gt;number one &lt;/i&gt;no quesito &lt;a href=&quot;http://www.matrixeditora.com.br/product_info.php?info=p1391_500-Melhores-Coisas-de-ser-Pai.html&quot;&gt;“As 500 melhores coisas de ser pai”&lt;/a&gt;?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;É óbvio: ter filhos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como veio a ideia do livro?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Costumo dizer que todo redator publicitário é um escritor frustrado por ter que escrever seus anúncios sob encomenda. O que cá pra nós, dificulta uma expressão mais emotiva de qualquer ideia. Sempre sonhei em escrever e apareceram algumas propostas do meu amigo (e atual editor) Paulo Tadeu para desenvolver certos projetos, mas nenhum que realmente me atraísse. Até chegar a desse livro – o que imediatamente me empolgou. Tratando de um assunto que eu dominava e no qual poderia imprimir meu estilo bem-humorado sem perder a emoção de vista. Tudo bem, até admito lá seu certo “quê” de encomenda, mas que, por sua vez poderia tranquilamente ser autoral. A princípio o livro seria uma lista corrida de 500 tópicos aleatórios para fazer parte de uma coleção intitulada “500 Melhores Coisas”. Depois a ideia foi  ligar um tópico ao outro contando uma história dividida em capítulos que reproduzia todo o ciclo da vida de um pai. Partindo inclusive, do momento em que ele ainda nem sonha em ser pai.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E &lt;a href=&quot;http://www.matrixeditora.com.br/product_info.php?info=p1522_O-LIVRO-DA-M-E.html&quot;&gt;“O Livro da Mãe”&lt;/a&gt;?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Esse me pareceu uma sequência natural e, ao mesmo tempo uma homenagem às mulheres.  A observação e a pesquisa foram baseadas em minhas referências pessoais, como no livro do pai, mas um pouco mais jornalísticas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como era seu relacionamento com seus pais? E depois, quando você se tornou pai o que mudou? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Passei batido pela “adolescência rebelde”, muito provavelmente em função da cabeça boa que eles tinham. Não que fossem inovadores ou esquisitões, mas sem perceber, o estilo de educação ao qual julgavam instintivamente ser o certo não era nem um pouco repressor (como era o padrão da época). O que nunca eliminou o respeito por eles. Ambos resolveram voltar a estudar durante minha infância e o fato de vê-los passando por dilemas semelhantes aos meus, nos aproximou. Quando me tornei pai aconteceu um fenômeno com eles: viraram avós. E um avô encara um neto de um jeito muito diferente do que ele encarou seus filhos. Pelos avós, tudo é permitido, o que atrapalha um pouco nosso trabalho. Mas essa é a beleza da vida. Ir descobrindo coisas novas a cada passo que você dá. É notar que nada é estático e imutável.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que é sempre o mais difícil escutar vindo das crias?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em geral o problema não é “escutar” e sim “ser escutado”. Porque ouvir, você ouve sempre. Algumas barbaridades até. E mantém-se impassível diante de seu papel de educador. Mas “ser ouvido” é muito mais difícil. Para você ser ouvido há que se conquistar a confiança e ser cúmplice mantendo a compostura e acumulando muita paciência. No meu caso, detesto ouvir qualquer tipo de xingamento. Por mais ingênuo que seja. O xingamento significa um ponto final forçado em uma conversa que, na maioria das vezes não acabou. É um “fechar os ouvidos” por convicção. Sem razão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E quais foram - tanto a pior quanto a melhor - crítica que suas filhas já lhe fizeram?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A melhor crítica não veio das minhas filhas necessariamente, mas sim de um dos amigos delas que, certa vez, numa conversa entre eles comentou “Júlia, seu pai não serve como parâmetro... ele é teen”. Essa conversa depois me foi reproduzida por ela com uma ponta de orgulho. Ou seja, uma crítica que não era crítica... Agora, a pior crítica que elas fazem ao meu respeito é que eu sou superprotetor. O que também não é explícito, mas é patente quando eu peço para não chegarem tarde em casa, não beberem, não fumarem etc. Eu acho que é “pior” porque essa superproteção não é real. São apenas preocupações vindas de quem conhece o mundo melhor que elas. Mas, como diz o ditado: a melhor maneira de acertar é errando.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual a diferença entre ser pai e ser mãe? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Todas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que exatamente “sua mãe faz melhor do que ninguém”?&lt;/i&gt;  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu falo um pouco sobre isso no último capítulo do “Livro da Mãe”. A maior delas é amar seu filho incondicionalmente, sem querer saber se ele é bom, ruim, feio ou bonito. É a certeza universal que, mesmo você sendo a pessoa mais desprezível do mundo, sempre haverá uma mãe que vai te amar (ou que te amou) acima de qualquer coisa.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais clichês sobre mater-paternidade você joga fora e com quais mantém a classe?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu desprezo profundamente o cliché de que “pais são infalíveis detentores da verdade” porque isso distancia gerações e acaba por incluir um pedestal que nem existe. Você fica tolhido de um dos direitos inalienáveis do ser humano que é o direito de errar e deixa de crescer com o aprendizado que cada tombo acaba gerando. Porque pais também crescem. Mas há um cliché que eu prezo e não abro mão: o respeito. Não simplesmente por ser mais velho e ter que ser respeitado por isso. O respeito é ser ouvido em momentos importantes e considerado em questões vitais. Isso estabelece a possibilidade de diálogo. E o diálogo é a base de todos os relacionamentos humanos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quem elege para grande mãe e grande pai exemplares?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Penso que grandes pais (e mães) são aqueles que servem não só de exemplo, mas também de inspiração aos filhos. Como músico, imagino que Dorival Caymmi, Tom Jobim, Caetano Veloso, John Lennon, Elis Regina e tantos outros gênios que geraram filhos e netos músicos (sem avaliar o talento individual de cada um), tenham sido bons pais, a ponto de servirem de espelho absoluto a suas crias. Mas isso é uma admiração parcial e absolutamente pessoal.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Rola uma lista das 5 melhores músicas para dançar com seus filhos (até que eles te peçam prá abaixar o som também)? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sou um consumidor compulsivo de música sem preconceito. Tenho centenas de CDs e LPs, toco qualquer coisa ao piano, mas logicamente tenho minhas preferências. Sinto-me muito gratificado quando apresento alguma música às minhas filhas e vejo nos seus rostos o encantamento estampado. Seguindo esse parâmetro, gosto de ouvir (e não necessariamente dançar) algumas canções com minhas filhas. Acredito que “Beatles” foi a primeira grande influência musical que exerci sobre elas. Vi um brilho nos olhos da Luíza ouvindo “Pink Floyd” e as duas se divertiram muito assistindo um show ao vivo do “Roger Daltrey” em Londres cantando “Tommy”, faixa por faixa. Rolling Stones, Amy Winehouse, Mutantes, Secos e Molhados, Chico Buarque, Caetano Veloso, Legião Urbana, Titãs, Paralamas... É difícil fazer uma lista. Mas fazendo uma intersecção do meu gosto pessoal com os da Júlia e da Luíza dá pra fazer uma boa lista.  Vamos lá:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Simpathy for the Devil”, &lt;/i&gt;dos Stones; &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“All my Loving”, &lt;/i&gt;dos Beatles; &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Marvin”, &lt;/i&gt;com os Titãs; &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Pai e Filhos”, &lt;/i&gt;do Legião Urbana. &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Rehab”&lt;/i&gt; da Amy Winehouse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez nenhum delas seja propriamente para dançar, mas com certeza são perfeitas para ouvir alto a ponto de incomodar os vizinhos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já sofreu algum preconceito por parte das próprias filhas?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Preconceito, não. Mas várias vezes sou mal interpretado injustamente, o que é até engraçado. Como sou um irônico incontrolável e politicamente incorreto, algumas brincadeiras às vezes causam um juízo de valor errado nas minhas meninas, sugerindo para elas uma “visão preconceituosa” da minha parte com relação a alguns assuntos polêmicos. Isso é quase um “preconceito” contra meu humor meio sem limites. Hoje, elas já me conhecem melhor e aceitam um pouco mais essa minha “falha de caráter”...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijh1Kj7UgcPzl6XMJFdDC7kMB_VCeenAqBhpLjm55E6YmBclz8jnSSAK79apBIkhXnpWK_6yTqlvsZJcCPMRlIPPLXXxXiTFfFgZQYguGt5ylE8vo41CruZpulLH45yRWW-wH7t-eGeNo/s1600/1966.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijh1Kj7UgcPzl6XMJFdDC7kMB_VCeenAqBhpLjm55E6YmBclz8jnSSAK79apBIkhXnpWK_6yTqlvsZJcCPMRlIPPLXXxXiTFfFgZQYguGt5ylE8vo41CruZpulLH45yRWW-wH7t-eGeNo/s320/1966.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/4763882514093766642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/4763882514093766642?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/4763882514093766642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/4763882514093766642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/02/autoral-ate-dizer-tchau.html' title='Autoral até dizer tchau'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZOxMGBryE_YLDw6O6tvn-5G12NQpvhjU2OAeIGFBP7S1jq2F4mSKdXMOeW4HGV7FhiQ9Jpg7vCUzatD6uYKdzuKSqOsaL2vPiMxhdqY0EHf4d_4vCV4MGJp-LnbNdzG_nqh7CbgIU7cI/s72-c/2013.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-6982706155341641659</id><published>2013-02-18T07:58:00.001-08:00</published><updated>2013-02-18T08:04:17.749-08:00</updated><title type='text'>Paradise Lost</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKu87lWbCfZYnGKVKvQyajO6sJFTa4x6Jzxw7I8TUHCJeIQO24hlc2uyPQrDWOJe8kRzQrhvlrxKbvm8BTX3ZfzjtGSx_Bpk1BaVJoFnwVXh9iQk-tgykTvWIGW_ZxqJHsDIxCABAXx3Q/s1600/marina+bar%C3%A3o.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; &gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKu87lWbCfZYnGKVKvQyajO6sJFTa4x6Jzxw7I8TUHCJeIQO24hlc2uyPQrDWOJe8kRzQrhvlrxKbvm8BTX3ZfzjtGSx_Bpk1BaVJoFnwVXh9iQk-tgykTvWIGW_ZxqJHsDIxCABAXx3Q/s320/marina+bar%C3%A3o.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“As mães são sempre alvo do julgamento alheio, o que atrapalha muito quando não sabemos como nos defender”&lt;/i&gt; diz ela com seus olhos bem abertos e a boca afiada por acreditar que nossa maior dificuldade esteja justamente em ter &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; defender as próprias opiniões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A risada mais sem fim da turma do fundão na época do cursinho é, ainda hoje, uma das amigas mais legais que conservei nesses últimos exatos 15 anos. E agora ela vem com bônus track: dois filhos lindos e uma paixão pela maternidade que nem eu nem + Mãe Diná + Mama Bruschetta juntas jamais chegaremos perto de sentir. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia desses, lá em casa mesmo, fui me aventurar na feitura de um simples macarrão prás nossas crias famintas e ela riu muito do meu total despreparo - que nem sabia onde ficavam as panelas direito (afê)! Depois, o Tom – seu filho de 4 anos, com sua sinceridade charmosíssima comentou que minha maçaroca estava horrível. Vou lá apertar as bochechas desse menino de jeito, viu?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente vai virando tia véia – na nossa concepção deturpada do mundo, porque prá algumas outras mães somos umas “&lt;i&gt;hippies transloucadas&lt;/i&gt;”, prôs filhos umas “&lt;i&gt;histéricas super preocupadas com tudo e nada&lt;/i&gt;” e ainda temos a pachorra de criar uns blogs trabalhentos, que olha... Vô te contá!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Marina Barão, à saber:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual foi sua primeira reação quando engravidou? Como o pai dos seus filhos reagiu e como a família se estruturou a partir daí?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A primeira coisa que pensei foi &lt;i&gt;“Putz, fudeu!”&lt;/i&gt;. O Zé (que hoje atende por maridón) estava no último ano da faculdade e eu trabalhava com exposição de arte e montagem fina das obras - gostando muito do que fazia, mas que, ao mesmo tempo me exigia muita disponibilidade e tempo. Para completar, lá estava eu começando minha pós. Não tinha tempo para ser mãe, nem grana, nem mesmo casa. Nessa época morávamos juntos há um ano, mas na casa dos nossos pais, o que era outra pegada. Sem pestanejar, concluí que a maternidade era inviável e falei pra ele que queria fazer um aborto. Ele me apoiou. Disse que a escolha era minha e que me apoiaria com unhas e dentes fosse qual fosse minha decisão. Peguei o contato de uma clínica (com uma amiga) e marquei a consulta. Mas não aguentei, fui ficando mal, passei uma semana chorando escondido, como se estar grávida fosse a pior coisa do mundo. No dia marcado fui tomar um banho antes de ir para a “consulta fatal” e...não saí mais do banho. Passei horas debaixo do chuveiro chorando, ao final saí renovada e convicta de que seria mãe. Percebi que queria muito ter aquele filho. Esse banho foi como um ritual de passagem. Foi lá que me tornei mãe. O Zé chegou em casa logo na sequência e me encontrou na cama assistindo um filme. Disse que estava feliz por eu não ter ido fazer o aborto. E se tornou pai.  A partir daí, tudo mudou. Nos tornamos uma família, ainda mais unidos. O Zé me surpreendeu muito com a garra com que mergulhou no mercado de trabalho, convicto de que sustentaria aquela família. Me apoiou muito no parto natural, na amamentação, em todas as minhas escolhas. E bancou tudo pra que eu pudesse parar para maternar. Quando o Tom tinha 1 ano e 8 meses conseguimos mudar para a nossa casa. Só nossa. Eu já estava barriguda de novo. Aliás, descobrimos a segunda gravidez justamente no dia em que viemos visitar nosso apartamento com a chave na mão. Transbordei de felicidade. E o Zé de preocupação. Não estávamos prontos estruturalmente para esse próximo passo, e foi incrível que tenha acontecido de surpresa, porque por dentro, eu já queria muito. Foi o presente de aniversário (um tanto inesperado) que eu dei para o Zé. Pois é...engravidamos no aniversário dele. E hoje nós dois achamos que tudo isso foi a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que te faz perder a cabeça e é o mais difícil da sua maternidade? O que você tem que abrir mão de fazer e te dói muito... Fala que eu te escuto!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Faz parte da maternidade sempre ter que abrir mão de muitas coisas. Mas não há nada que me doa. Sou mãe em período integral porque eu escolhi isso, acho que tem hora prá tudo e temos que aproveitar ao máximo o que estamos vivendo agora. Pra mim é mais doído abrir mão dos filhos, deixar que se tornem independentes, que ganhem o mundo. Mas também é bonito ver passar o tempo e ver o despertar de cada nova fase. Agora, o que me faz perder a cabeça é o excesso de conselhos, críticas e julgamentos ao qual me sinto exposta só por acreditar em uma “via alternativa” de se maternar. Sei que isso não é exclusividade minha. As mães são sempre alvos do julgamento alheio, o que atrapalha muito quando não sabemos nos defender.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Sempre inteirada nos mais variados grupos de discussão entre mães na internet, você entrou de cabeça nas questões desde o início da gravidez. Com qual conteúdo sobre o tema você se identifica mais?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A Internet foi bem importante pra mim desde quando falei para a minha médica de confiança que desejava ter um parto normal e ouvi que isso seria muito difícil, por uma série de fatores que julguei controversos. Afinal têm muitos obstáculos que podem aparecer somente na hora do parto e aí é que ela saberia as reais possibilidades de ser normal ou não. Fiquei com a pulga atrás da orelha e um tanto assombrada com o “mundo da maternidade” que estava começando a conhecer: moda gestante e bebê, mimos, rendas, lembrancinhas e apetrechos, praticidades da “opção” pela cesária e mamadeiras. Como me deparei com um mundo às avessas corri pra internet em busca de outras possibilidades de maternidade que não aquelas, pasteurizadas. Foi quando encontrei o GAMA (Grupo de apoio à maternidade ativa) e entrei para um grupo de discussão sobre maternidade ativa. Fui me informando, através da troca com outras mães. Passei a frequentar o GAMA, conheci várias pessoas, fiz Yoga, me preparei para um parto normal e humanizado (eu, que antes nem sabia que os partos poderiam ser tão desumanos). Por fim, tomei coragem e abandonei minha obstetra (ou “obstreta”, como diria uma amiga), que apesar dos exames impecáveis insistia em marcar uma data “confortável” para o parto. Isso me chamou a atenção para a importância da troca de experiências entre mães no mesmo barco, uma troca desinteressada e sincera. Hoje participo ativamente de um grupo sobre maternidade do facebook, mas faço parte de outras diversas listas e grupos. Tenho um carinho especial por vários e também por várias pessoas que conheci através desses meios. Tenho também um carinho especial com o &lt;a href=&quot;http://rinocerontequeri.wordpress.com/2013/02/09/toda-mae-merece-ir-ao-cinematerna/&quot;&gt;Cinematerna&lt;/a&gt;, projeto de cinema para mães acompanhadas de seus bebês que frequentei por quase três anos. Acredito que a dificuldade esteja justamente em ter e defender suas próprias opiniões. O que considero maternidade ativa e consciente é traçar seu próprio caminho, sem rótulos, sem regras pré-estabelecidas, sem tabus...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por que aquele lance do &lt;a href=&quot;http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mamaco-reune-50-maes-na-paulista,718683,0.htm&quot;&gt;“mamaço”&lt;/a&gt; - que acabou reunindo mais de 50 mães na Paulista - envolveu certa polêmica ao colocar em pauta a questão da amamentação em público?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A discussão vem de longa data, mas este episódio em si serviu para ampliar o debate, que vai além dos direitos maternos e se depara com questões como o machismo - tão arraigado em nossa sociedade. A mulher que amamenta em público expõe os seios para outra função que não o prazer masculino, o que gera incômodo. Ainda hoje somos vistas como objeto de deleite masculino e tudo que não é voltado para esse propósito, causa constrangimento, essa é a verdade. E esse constrangimento atrapalha demais a questão da amamentação, que é tanto um direito materno quanto uma necessidade do bebê. E amamentar em público faz parte, deveria ser visto com naturalidade, assim como querer o colo da mãe. O erotismo exagerado em nossa sociedade contribui para que muitas mulheres não vejam a amamentação com bons olhos e até optem por esquemas restritivos de amamentação, e isso quando amamentam. E o lance da livre demanda é justamente o de aumentar o vínculo e prevenir baixo peso, entre várias outras questões. Foi esta discussão que tentamos trazer à tona na ocasião: a real necessidade em se dar apoio a todas as mães para que defendam seus direitos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Na maternidade você ataca ou defende?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não vejo a maternidade como uma guerra. Pelo menos não deveria ser. É muito mais bacana trocar informações sem julgamentos, mesmo porque já dizia o ditado &lt;i&gt;“ser mãe é pagar a língua”. &lt;/i&gt;Fato. O que eu faço hoje é me manter firme nas minhas convicções, mas sempre disposta a repensar as questões que forem necessárias. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Conta um pouquinho do seu &lt;a href=&quot;http://rinocerontequeri.wordpress.com/&quot;&gt;blog&lt;/a&gt; prá gente?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tudo começou por uma necessidade que eu mesma tinha de separar o trigo do joio com relação às programações culturais infantis. Como mãe de primeira viagem, mas exigente com a qualidade, eu penei para descobrir se uma peça de teatro era realmente boa ou se era só propaganda. Nessas, caí em várias furadas. É diferente de teatro adulto, no qual eu já estava familiarizada com os diretores e grupos. Depois de irmos a uma peça de teatro constrangedora e comprarmos um DVD hipnotizante (ambos muito bem cotados por aí), achei que faltava um blog que abordasse as produções culturais para esse público de forma crítica e, ao mesmo tempo trazendo à tona experiências e opiniões pessoais. E tem também os livros, um universo pouco explorado nos blogs de cultura infantil. É isto que eu estou tentando fazer no &quot;Rinoceronte Que Ri&quot;: associar conteúdo, programação cultural, entrevistas, crítica de livros, peças e filmes, mas com uma pegada mais descontraída e despretensiosa.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quem gostaria de entrevistar ou conversar, mas acha que seria impossível de se fazer?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho que a Mia Farrow, pelo símbolo de maternidade que ela representa e que mistura ficção e realidade. Na ficção, tem o desfecho bombástico de “O bebê de Rosemary” e na realidade a vocação dela para a maternidade, o exemplo que representou com todas as dificuldades que protagonizou. Daria um post de uns 2km.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E o que faltou eu te perguntar?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Faltou você querer saber o porquê de eu achar que a maternidade pode ser sim libertadora e onde se encaixa o feminismo na opção da maternidade ativa. Mas aí já seria assunto para um livro...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &lt;a href=&quot;http://rinocerontequeri.wordpress.com/&quot;&gt;Rinoceronte que Ri&lt;/a&gt; é blog cumparsa total do &quot;manhê&quot; aqui. Com divisão comum de bens e serviços, nos pautamos juntas, mandamos entrevista por e-mail, telefone, fax e sinal de fumaça; depois vem a epopéia do: revisa, completa, corta e edita - sempre no melhor estilo costura e cola &lt;b&gt;D.I.Y&lt;/b&gt;. que o nosso jeito de ser nos permite. </content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/6982706155341641659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/6982706155341641659?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/6982706155341641659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/6982706155341641659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/02/paradise-lost.html' title='Paradise Lost'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKu87lWbCfZYnGKVKvQyajO6sJFTa4x6Jzxw7I8TUHCJeIQO24hlc2uyPQrDWOJe8kRzQrhvlrxKbvm8BTX3ZfzjtGSx_Bpk1BaVJoFnwVXh9iQk-tgykTvWIGW_ZxqJHsDIxCABAXx3Q/s72-c/marina+bar%C3%A3o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-3570813158106328425</id><published>2013-02-11T18:22:00.000-08:00</published><updated>2013-02-12T14:16:26.865-08:00</updated><title type='text'>Que sorte a nossa!</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjh2aXT8HuH1a-a_VDmSGWf-P7c8i_rvKXZPe3W_jZ87MPMQUSyeUZv2tDVRoOpvm9hdDj7S46WURO56LstTwNJ-wPmLu_RHL30qPFfm_u12OnGl7sHW2FKjN0HvGW00-l1cSWTa-FOKOo/s1600/carol.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjh2aXT8HuH1a-a_VDmSGWf-P7c8i_rvKXZPe3W_jZ87MPMQUSyeUZv2tDVRoOpvm9hdDj7S46WURO56LstTwNJ-wPmLu_RHL30qPFfm_u12OnGl7sHW2FKjN0HvGW00-l1cSWTa-FOKOo/s400/carol.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Não quer fechar os olhos e ensinar os filhos a crescerem desconectados da realidade. Escolheu suas batalhas e agora mete bronca. “Não consigo fingir que me interessa a decoração do quarto de nenê quando quero mesmo é falar sobre como é que a gente vai eliminar as fraldas descartáveis, preservar a água e o solo, acabar com as guerras, reformar o governo... A lista vai que vai, né?” &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos 90 ela era minha ídala (e ainda é) - admirada pelo povo de uma geração que experimentou tanto na música quanto nos formatos tendo como pano de fundo uma cena hardcore underground – foi a voz ativa do prestigiado &lt;a href=&quot;http://issuu.com/zinetecavirtual/docs/agua&quot;&gt;Água&lt;/a&gt;, baixista da gritada banda feminina &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=IUkCGboAVu8&quot;&gt;TPM (Trabalhar Para Morrer)&lt;/a&gt; e, como não poderia faltar, vocal do &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=p9lsuRre3lU&quot;&gt;No Class&lt;/a&gt; banda de Campinas, que era uma coisa de tão boa! E hoje tem uma façanha - incrivelmente editada durante um cochilo ou outro dos gêmeos – que vale à pena por tanto e nunca pouco: &lt;a href=&quot;http://www.vivavivamovie.com/&quot;&gt;Viva Viva!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina Pfister se acha meio piegas. Esta morando nos EUA há 12 anos e comentou por e-mail que enquanto revisava um velho blog - onde costumava colocar fotos para a família - achou um “poemito” que fez para os seus meninos. Saca só:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;agora&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
já me doiam as coisas que não deveriam ser&lt;br /&gt;
injustiça fome violência negligência&lt;br /&gt;
agora me dói vezes cem&lt;br /&gt;
pelos meus&lt;br /&gt;
pelos outros&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
virar adultinho tem disso não?&lt;br /&gt;
sentir-se afogando no paradoxo&lt;br /&gt;
de se estar vivo&lt;br /&gt;
criar vida&lt;br /&gt;
e temer pela sanidade&lt;br /&gt;
da humanidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
antes me dava fogo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
agora me dá medo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;...Então pergunto:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por que ser ou não ser mãe? (eis a questão)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu não tinha uma visão explicita de maternidade antes da vontade se manifestar. Foi tudo consequência de um relacionamento que me inspirou e, a partir daí veio a vontade clara de ter filhos com esse meu companheiro. (Minhas amigas gays dizem que héteros se apropriaram do “partner” que vem do léxico delas, mas não me acostumo com a denominação “marido”). Admiro as mulheres que decidem não terem filhos. É uma tendência necessária no mundo, não só pela urgente questão da explosão demográfica, mas para subverter a narrativa problemática e patriarcal da família nuclear, e de gênero. A única saída para evitarmos uma calamidade total se faz pela necessidade de dar à todas as mulheres uma verdadeira opção: em que filhos não sejam obrigatórios ou impostos pela sociedade, além do acesso universal a contraceptivos, e isso tudo sem nem falar da questão da desigualdade econômica. Porque no fim das contas tudo se resume à isso, né? Dinheiro e poder! Em grande escala espero presenciar o fim das regras contra contraceptivos, este suicido em massa imposto pelas mais antigas instituições da nossa espécie. E de um modo cultural, espero presenciar a evolução da maternidade como uma escolha para além do nosso “destino” pré-estabelecido de se tornar a mãe e/ou a mulher de alguém. Um desamarrar do nosso valor pessoal no quesito maternidade e casório, onde mulheres fundamentalmente passem a se definir além dessas escolhas! Não que eu tenha sido particularmente corajosa nesse aspecto, mas sei que exerço valores que contribuem para que seja essa a trajetória. O nosso jeito, e de muitos de nossa geração, já desafia o teatro todo. Mas há muito chão para percorrer, né?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Ô se tem, o buraco é fundo, mas não é o fim do mundo. Onde você “se encaixa” nesse percurso de resistência?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;É um pouco pesado ser uma família nuclear, o símbolo máximo do capitalismo heterossexual cristão. Aqui nos Estados Unidos essa é uma potência emblemática de uma direita equivocada, que nos lauda como os agentes máximos da ordem, enquanto sua conduta parece não fazer parte da mesma equação por estarem envolvidos em tanta corrupção, na agressão aos recursos naturais que seus filhos e netos precisarão, em guerra... As famílias de hoje – especialmente por aqui - sofrem e se isolam longe dos familiares, trabalhando demais, sem férias decentes, com planos de saúde que não cobrem nada de preventivo, uma licença maternidade simbólica e a pressão imensa de um país que preza produção acima da qualidade de vida de seus cidadãos. Onde o bem estar da nação é medido pelo desempenho do consumidor e não pelo bem estar da tal família perfeita. Alternativas se fazem necessárias. Temos que ter coragem de articular e exercitar alternativas. Admitir que o modelo de capitalismo global falhou a todos, inclusive ao meio ambiente. Historicamente civilizações complexas acabam um dia, mas desta vez a gente leva todo mundo junto. Essa longa batalha entre nossa espécie e o planeta nos ensina a grande lição final de que o egoísmo não basta. É difícil sentir que seus atos fazem diferença alguma, mas não fazer nada é pior ainda, é um envenenar da alma. Quando não trabalho diretamente com o que me aflige tento votar diariamente ao não comprar ou gastar dinheiro com marcas e instituições que põe o lucro acima da ética humana e ambiental. Dá para se engajar pesquisando, escrevendo carta. Enchendo o saco dos seus representantes. E acima de tudo tento ser uma pessoa que tem os olhos abertos, que conecta com a senhora do meu quarteirão que não parece ter família que a visite, ou pego o lixo do chão e reciclo. Todo ato é um ato politico, um ato de amor pela vida. Ou não.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como você foi acabar criando raízes aí fora do Brasil?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Vim fazer mestrado para fugir um pouco de SP e morei em tudo quanto é canto. Acabei casando. Estávamos em New Orleans durante o furacão, depois moramos no meio do mato na Califórnia e no frio de Chicago. Recentemente tentamos criar raiz em Portland, Oregon por ser uma cidade em que as experiências de subversão dos moldes ocorrem com inspiradora veemência.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Há muita diferença cultural com relação à maternidade aí nos EUA?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tenho a impressão de que hoje somos todos bem mais conectados às mesmas informações e tendências, mas de uma maneira bem pessoal sinto que tenho umas coisas latino americanas mesmo, como a ênfase aos bons modos, coisas simples tipo dizer prôs filhos: &lt;i&gt;“não fica em pé no sofá de sapato, poxa!”&lt;/i&gt;. Também dou mais banho neles, cozinho a maioria das refeições... Apesar dos índices de cesariana também serem altos aqui, tem muito mais parteira e muito mais opção por parto natural. Então, mesmo que a minha parteira não fosse tecnicamente permitida à fazer o parto dos gêmeos no hospital, nós deixamos claro que ela faria o parto, e o médico só ficou de lado caso fosse preciso ter uma intervenção, e mesmo assim, mesmo com parteira e pais que se educaram, tive que aceitar a indução do parto com pitocina, que fizeram minhas contrações serem horrendas. Eu não sabia dos possíveis outros efeitos colaterais, e principalmente do efeito adverso sobre a libertação de oxitocina natural. Tenho uma mágoa profunda do sistema médico neste caso, não senti que tive escolha. Industrializou-se o parto e quem sofre somos nós, e os bebês. Mas pelo menos não tive que fazer cirurgia abdominal para nascerem, já no Brasil está fora de controle a cesariana, não?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Totalmente fora de controle, mas a discussão está rolando e estou otimista quanto a isso. E o que parece ser super relevante, mas que muito provavelmente não é levado em conta por aqui, na sua opinião?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho culturalmente relevante o que fazem nos EUA em relação às comunidades ou iniciativas de apoio que as próprias mães criam. Por exemplo: eu praticamente não comprei nada novo para os meninos pela enorme gama de opções para se encontrar tudo de segunda mão. É um ciclo genial de reutilização em uma cultura de excesso. No Brasil me parece que a coisa do usado é meio &lt;i&gt;“gauche”&lt;/i&gt; de se dar, não? Participo de um grupo que aluga um espaço para as crianças brincarem e as mães saírem do isolamento, temos música e outros eventos. O mais interessante é que trazemos roupas, brinquedos, livros, e coisas de bebê usadas, separamos por idade e é tudo de graça. A gente vai repondo com o que não usamos mais e acabamos por providenciar muita coisa dentro desta pequena comunidade. A babá daqui não é uma presença constante, como é no Brasil. Vejo os pais muito mais presentes de um modo geral, aliás sinto que muitos homens americanos são mais emancipados emocionalmente e responsabilizam-se pelos cuidados com os filhos e com a casa de uma maneira constante mesmo. Há mais acordos que respeitam uma variedade de opções, não é óbvio por aqui de que será o pai quem irá ganhar o pão. E sinto também que a mulher parece sofrer um pouco menos com a ditadura estética da qual as &lt;i&gt;“fêmeas brasileiras”&lt;/i&gt; são sistematicamente sujeitadas. As mulheres daqui por estarem um pouco menos estressadas com essa loucura toda parecem ter mais fluidez nas diferentes etapas da vida, talvez até com relacionamentos mais sinceros.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como as pessoas conversam sobre maternidade com você e de que maneira isso a afeta? O que de melhor uma mãe e todos os adultos podem fazer pelas crianças?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não bato muito papo sobre maternidade não, não tenho lá muita paciência com os assuntos típicos. Mas as perguntas que sempre me fazem são: &lt;i&gt;“tem gêmeos na sua família?”&lt;/i&gt; (tem), &lt;i&gt;“você voltou a trabalhar?”&lt;/i&gt; (não), &lt;i&gt;“está cansada?”&lt;/i&gt; (sim). Não fico discutindo/lendo filosofias de maternidade e procuro outras mães para perguntas especificas, o resto é tudo instintivo por aqui - fico tentando achar uma harmonia entre as necessidades das crianças e as minhas. Mas há uma coisa em que acredito muito, de que como pais, nós temos a responsabilidade de fazer algo neste mundo para que ele não pereça. Não tem mais desculpa não, especialmente quando seu exemplo é a lição máxima para novos seres: tem que dar uma boa olhada na sua vida, nos seus hábitos, e fazer as coisas pequenas (reciclar, preservar, participar, se cuidar) e as coisas grandes também, indo à luta mesmo. Não consigo fingir que me interessa a decoração do quarto de nenê quando quero mesmo é falar sobre como é que a gente vai eliminar as fraldas descartáveis, preservas a água e o solo, acabar com as guerras, reformar o governo... A lista vai que vai, né? Tem que escolher umas batalhas suas e meter a bronca mesmo. Ou fechar os olhos e ensinar a sua cria a crescer desconectada da realidade... Eu sonho com cidades sustentáveis, empregos que honram o caráter e vitalidade humana, e comunidades em que as crianças aprendem junto aos idosos, junto à terra… Se não tivermos coragem de imaginar um futuro outro, e discutir estas possibilidades, e agir como se acreditássemos que ainda há esperança, se não vivermos assim, como viver?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual a trilha sonora ideal para curtir com as suas crianças?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Beatles e reggae eles adoram. Ramones e Descendents acham divertido. Piazzolla, Stevie Wonder, Al Green, Funkadelic, Jackson 5, Prince, Rolling Stones, Bob Dylan, Saltimbancos, e todo rock e folk que eles ouvem com a gente - vendo a mãe e o pai se exaltarem e se inspirarem – é a base do que rola por aqui. De música de criança mesmo eu adoro a Elizabeth Mitchell.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Sua gravidez foi planejada? Como rolou e como é seu cotidiano com as crianças dentro da sua rotina de vida adulta?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Em certo momento de nossas vidas decidimos engravidar, mas foi uma surpresa ter dois de uma vez. Contar dessa fase em si seria prá uma outra entrevista, todo o resto foi e continua sendo uma descoberta. Que tipo de pais nós somos, e o nosso relacionamento como mudou. Sempre tive um medo quase irracional do massacre ao amor e aos ideais que a sobrevivência necessita. Pagar contas, fazer planos, alimentar filhos. Mas agora, no meio do furacão, descubro uma nova fonte incendiária de inspiração e amor, os meus filhos, ser mãe, e como renovo o compromisso com meu parceiro a cada discussão, a cada dúvida. Achei que gostaria de voltar a trabalhar e acabei querendo ficar com eles. Acho um puta privilégio poder estar todo dia com eles, mesmo que isso me canse além do que imaginei ser possível, mesmo quando dou tanto de mim que nem sei mais quem sou. Aprendi também a ter mais disciplina, consegui editar um longa enquanto cochilavam, fui trabalhando no filme um pouquinho todo santo dia. O foco ficou mais agudo também, não tenho muito tempo então tem que ser algo muito relevante para merecer minhas migalhas de tempo livre.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tem como conciliar a maternidade e o feminismo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tem a coisa da maternidade ser às vezes conflitante para as feministas, pois muito dos papéis que evitávamos antes de ter filhos acabam se materializando quando os bebês chegam e tomam um tempo maluco enquanto você esta numa fase super produtiva de sua vida, desafiando o plano todo, aliás, muda o plano todo! Mas confesso que é também a manifestação mais pura que já senti do desenrolar da vida: ser mãe e saber que os protegeria com minha vida, e querer todo dia providenciar momentos lindos e mágicos para eles. As crianças renovam diariamente minha habilidade de ver o que é maravilhoso: a poça, a lama, a aranha, o esquilo pegando as nozes que deixamos para ele... Sinto que o feminismo é uma base excelente para uma maternidade vigorosa, participativa, que providencia uma baita fundação para a mulher e sua cria - terão um exemplo saudável de mulher ativa, pensante, engajada, que também os ama infinitamente. Mas é um baita exercício não? Ô heroísmo ser mãe!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foi a sua infância?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Viajando de um lado para o outro no mundo. Meus pais eram bem mais jovens do que eu sou hoje quando tiveram à mim e ao meu irmão, acho que eu já não teria toda essa energia para tanta mudança! Eles providenciaram muita oportunidade, muita magia, estabilidade e amor. Que sorte a minha!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfmar-DsXDFH-brpR3Bw8gc1-iXbm-RvJCW_UGLz9KWagaZwgdCpGtipuDzm2mWx6Xr4jBlnlvxrihEjEEipV9Jri8WG8YNVBMTYRx97l37_b-rDwhVnY8RAnkiRjOst-fgDTf_xSQQg4/s1600/carol2.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfmar-DsXDFH-brpR3Bw8gc1-iXbm-RvJCW_UGLz9KWagaZwgdCpGtipuDzm2mWx6Xr4jBlnlvxrihEjEEipV9Jri8WG8YNVBMTYRx97l37_b-rDwhVnY8RAnkiRjOst-fgDTf_xSQQg4/s400/carol2.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/3570813158106328425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/3570813158106328425?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3570813158106328425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3570813158106328425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/02/que-sorte-nossa.html' title='Que sorte a nossa!'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjh2aXT8HuH1a-a_VDmSGWf-P7c8i_rvKXZPe3W_jZ87MPMQUSyeUZv2tDVRoOpvm9hdDj7S46WURO56LstTwNJ-wPmLu_RHL30qPFfm_u12OnGl7sHW2FKjN0HvGW00-l1cSWTa-FOKOo/s72-c/carol.png" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-8223066240235525549</id><published>2013-02-04T09:21:00.001-08:00</published><updated>2013-02-04T09:21:16.034-08:00</updated><title type='text'>Dona perguntadeira</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrPT72EuVB7N7eg1CgNHLYBsggbRKsn9yrsG-B-31lckM6I5_nH-NFqdDajXtZpmuasF9f1eDpudwfNNkmKLsj5XmimzSWMCCcEodjp7t6wid-q5MNAJw1HKX1hfz2mZCD9EJLPPPBoio/s1600/ary2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;359&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrPT72EuVB7N7eg1CgNHLYBsggbRKsn9yrsG-B-31lckM6I5_nH-NFqdDajXtZpmuasF9f1eDpudwfNNkmKLsj5XmimzSWMCCcEodjp7t6wid-q5MNAJw1HKX1hfz2mZCD9EJLPPPBoio/s400/ary2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Editora do maior caderno infantil de jornal do Estado de São Paulo, o Estadinho do Estadão, Aryane Cararo adora passar o bastão da vez e dar voz para que as crianças tenham seu espaço respeitado num veículo tão sobriamente adulto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fã de desenhos animados e livros infantis (com os quais presenteia até amigos adultos) confessa que visita a seção de brinquedos das lojas sem culpa, gostaria de poder jantar pipoca todos os dias e, nas horas vagas, sua nova mania é costurar monstrinhos de feltro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 33 anos ela é formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com pós-graduação em Jornalismo Literário e, atualmente faz mestrado no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) – onde também foi aluna ouvinte do curso de Arte e Literatura Infantil com a Katia Canton.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Muitos jornalistas acreditam que o leitor do caderno infantil hoje não será o leitor do amanhã. De fato, é difícil prever o futuro. Mas acredito que o contato com a leitura, seja ela de jornal ou de outros veículos, pode gerar adultos leitores, sim, desde que a experiência tenha sido prazerosa quando ele era pequeno. É o que tentamos fazer por aqui!”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acho que esta entrevista resultou numa baita leitura de aprendizado prazeroso para quem também se preocupa com as crianças daqui, dali, de cá ou de lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não só se preocupa, se ocupa:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como você foi parar no Estadinho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu trabalhei no Grupo Estado de 2001 a 2006 e acabei fazendo grandes amigos e contatos, só saí porque queria escrever para revistas e, nesse período, cheguei até a cobrir férias na &lt;i&gt;Crescer&lt;/i&gt;. Na época, achei que essa não era bem a minha praia porque não levava jeito com crianças, não sabia diverti-las nem pegar no colo e me arrepiava pensar em ter filhos. A verdade é que eu era bem mais sisuda e achava que terminaria a carreira trabalhando em uma das editorias ditas “sérias” do jornalismo (risos). Mas a vida dá voltas, ainda bem! Voltei ao Estadão para fazer alguns freelas e acabei contratada para coordenar os produtos e projetos especiais dos suplementos. Até que apareceu a gripe suína (em 2009) e as crianças iriam ficar duas semanas a mais em casa. A questão era: o que fazer para distraí-las? O Estadão decidiu aumentar o número de páginas do Estadinho e montar uma edição especial para que elas pudessem brincar com o papel, ou ao menos usá-lo como meio para isso. Fui chamada para ajudar a pensar e a executar essa edição. Assim, comecei a fechar o caderno, enquanto ele deixava de integrar o núcleo do Caderno de TV do jornal, e acabei desenvolvendo, junto com a repórter na época, o projeto para o novo Estadinho (que mudou, além do editorial, também o formato, para o tamanho gibi). Esse novo projeto demandava um editor próprio e assim fui chamada para implantá-lo (em março de 2010) e, em seguida, para assumi-lo oficialmente. Hoje tenho certeza de que esta é a minha praia e mudei bastante meu jeito de pensar com relação às crianças. Com meus sobrinhos e os filhos dos amigos, sou a tia doidinha, aquela que brinca no chão e faz bagunça. Adoro crianças e quero ter filhos logo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E como é sua experiência pessoal nesse trabalho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Os assuntos são leves, os diálogos com as crianças são superdivertidos e o astral é ótimo. Tentamos fazer com que esse seja um caderno gostoso de ler, mas que ao mesmo tempo dialogue com a criança trazendo informações, cultura e curiosidades ao despertar o gosto pela leitura. Há uma responsabilidade grande também, tanto com o conteúdo que deve ser apropriado, como com a apresentação (divertida, atraente) e com a escrita, pois essa deve ser livre de quaisquer erros. Afinal, criança tende a achar que o que está publicado é o correto. Há um cuidado enorme em cada edição!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais as preocupações profissionais de uma editora?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sou responsável por tudo o que sai no Estadinho, então, tenho de cuidar de todas as áreas: da pauta ao produto final. Neste processo, preocupo-me sempre em levar informação de qualidade, se possível de modo divertido, e que possa contribuir para formar cidadãos mais conscientes e imaginativos. Perguntas como: &lt;i&gt;“Isso é adequado?”, “É importante?”, “O que vai acrescentar à criança?”, “De que forma podemos levar mais informação e conhecimento?” &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;“Como fazer com que a criança absorva os conteúdos?”, &lt;/i&gt;estão sempre nas nossas cabeças quando planejamos cada edição. Também tento sempre misturar uma boa dose de diversão e brincadeira. Evitamos, de toda maneira, estimular o consumo nas crianças. Por isso, os únicos “produtos” que os leitores vão encontrar no Estadinho são aqueles que chamamos de “culturais”, ou seja, literatura, música, filmes e, eventualmente, games.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Porque é importante que as crianças conheçam jornais, tenham acesso a eles e manipule-os?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Qualquer tipo de leitura é válida e o jornal traz informações e uma forma de escrita que não se encontra em livros, material didático ou outros lugares. Este contato é fundamental. Além disso, mesmo que esse não seja o nosso papel ou nossa pretensão, acabamos atuando como aliados na educação dessas crianças, seja oferecendo informações de um jeito divertido e, assim, ampliando seu repertório de conhecimento, seja contribuindo com noções de cidadania. Muitos jornalistas acreditam que o leitor do caderno infantil hoje não será o leitor do amanhã. De fato, é difícil prever o futuro. Mas acredito que o contato com a leitura, seja ela de jornal ou de outros veículos, pode gerar adultos leitores, sim, desde que a experiência tenha sido prazerosa quando ele era pequeno. É o que tentamos fazer por aqui!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como você via a questão da leitura infantil quando era mais nova e como vê hoje? O que mudou?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sempre achei a leitura infantil fundamental para o processo de construção de um indivíduo. Quando era pequena, fui rata da biblioteca da escola e da biblioteca pública principal de minha cidade (Curitiba). Sempre li de tudo: placas, outdoors, avisos, bula de remédio... Com os livros, aprendi a sonhar, a soltar a imaginação e a enxergar um mundo melhor, mais colorido. É assim para as crianças ainda hoje. O que mudou é a oferta. Quando criança, havia muito menos livros infantis e os autores publicados eram quase sempre os mesmos. Hoje, não. É praticamente impossível acompanhar este mercado que cresce a cada ano. Há uma oferta gigantesca, de autores variados. Basta entrar numa livraria para ficar sem saber o que escolher. E os livros estão muito bem produzidos: com bons projetos gráficos, design bacana, investimento em bons ilustradores e em material de qualidade para a impressão. Segundo o Levantamento Anual do Segmento de Livrarias, da Associação Nacional das Livrarias, a literatura infanto-juvenil foi a segunda mais representativa no faturamento de 2011 e a primeira em 2010. Ela foi também a que mais cresceu em vendas em 2011 e 2010. Só no Estadinho, por exemplo, recebo uma média de 10 a 50 livros por semana, dependendo da época do ano. Avalio um a um, mas infelizmente não consigo ler todos. Chega a ser frustrante, pois tem muita coisa boa esperando na pilha para ser lida. Lembrei agora de outro ponto que mudou: a (má) influência do politicamente correto na literatura infantil. Os livros ficaram mais chatos, de modo geral! Obras como &lt;i&gt;As Travessuras de Juca e Chico&lt;/i&gt; (de 1865), republicados recentemente pelas editoras Pulo do Gato e Iluminuras, são uma afronta corajosa a esta moral politicamente correta.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual foi seu primeiro livro (não necessariamente que você leu, mas pode ser um que você lembre de ter ganhado) e quais outros te marcaram também na infância?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O primeiro livro do qual me lembro é &lt;i&gt;O Menino Maluquinho&lt;/i&gt;, do Ziraldo. Eu não sabia ler, estava no jardim de infância, mas uma vez por semana frequentávamos a biblioteca da escola para ouvir as professoras lerem e ele foi o primeiro. Assim que aprendi a ler, tratei de conferir com meus próprios olhos. Amei essa história maluca. Desta época, gostei muito também do livro &lt;i&gt;As Centopeias e seus Sapatinhos&lt;/i&gt;, de Milton Camargo, historinha de duas centopeias, mãe e filha, que vão às compras de sapatos. Ficou na lembrança a imagem da pobre joaninha subindo e descendo escadas para dar conta de tantos pés! Adorava também os livros quadradinhos que a Ana Maria Machado fez com o Claudius, pela editora Melhoramentos, especialmente um chamado &lt;i&gt;No Barraco do Carrapato&lt;/i&gt;. Da Ana Maria, gostei muito também de&lt;i&gt; Bisa Bia Bisa Bel&lt;/i&gt;. Outro livro que me marcou muito foi &lt;i&gt;A Curiosidade Premiada&lt;/i&gt;, da Fernanda Lopes de Almeida e do Alcy Linares. A Glorinha, personagem deste livro, era uma garota muito curiosa e “perguntadeira” (adoro essa palavra), como eu já era e agora estou aqui sendo uma adulta “perguntadeira” também. De literatura mais juvenil, lembro-me de ter gostado de: &lt;i&gt;O Diário de Anne Frank, O Escaravelho do Diabo,&lt;/i&gt; da série Vaga-lume, &lt;i&gt;Pollyanna &lt;/i&gt;(Eleanor H. Porter), &lt;i&gt;A Droga da Obediência e A Marca de uma Lágrima&lt;/i&gt;, do Pedro Bandeira, e, sim, os livros da Agatha Christie (rs), como&lt;i&gt; O Caso dos Dez Negrinhos e Assassinato no Expresso do Oriente&lt;/i&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Se tivesse filhos em idade de alfabetização como incentivaria a leitura neles? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho que começaria a contar historinhas quando eles ainda estivessem na barriga. É importante despertar a imaginação desde pequenos e familiarizá-los com esse universo criativo da leitura/literatura. Tem de ser prazeroso e apresentado a eles antes de ingressarem na escola, pois podem associar como uma obrigação. Dar livros para os bebês também é importante. Eles precisam sentir o livro, folhear, é assim que vão se tornar amigos dele. Tenho dois sobrinhos, um deles com dois anos de idade. Desde pequenino, dei a ele muitos livros. O resultado é que ele enxerga o livro como quase um brinquedo. Muitas vezes, nem presta atenção nas histórias, não tem paciência. Mas gosta de ver as páginas sendo folheadas, as figuras passando e algo sendo contado. Assim que acaba a “leitura” de um, ele logo vai buscar outro na sua caixa. E adora ganhar livros! Para tudo o que está fazendo para ver o novo companheiro. Já na idade de alfabetização, acho que tudo é válido: ler histórias antes de dormir, brincar de inventar aventuras com ele, estimular a criança a criar suas próprias histórias ou a completar trechos delas, brincar de inventar finais diferentes, fazer teatrinhos sobre livros lidos e, principalmente, cultivar o hábito de frequentar livrarias ou bibliotecas, como um programa de família, para que ele tenha acesso à leitura. Também acho importante assinar um jornal ou uma revista especializada – criança adora ver o que as outras estão fazendo, como estão desenhando, até para se comparar. Além disso, estimularia o uso da internet, com sites pré-selecionados por mim e com o devido acompanhamento, claro.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como pais e professores podem estimular a curiosidade infantil pela leitura e feitura do jornal?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho que os professores podem trabalhar assuntos dos jornais infantis em sala de aula, em primeiro lugar, como forma de analisar o mundo e até para descobrir os fundamentos e o funcionamento de um jornal. Depois, podem criar seus próprios jornaizinhos, para que as crianças possam colocar ali o que querem, falar sobre coisas da escola, fazer denúncias e até inventar notícias absurdas, por que não? As crianças adoram fazer jornaizinhos. Elas adoram ter vez e voz. Isso pode ser estimulado pelos pais em casa. A criança pode se juntar a outras e fazer o jornal do prédio, do condomínio, da rua. Esse jornal pode ser uma brincadeira sem papel também. Com a câmera dos celulares, por exemplo, ela pode criar seu telejornal e filmar pequenas matérias. Ou pode fazer programinhas de rádio. Quando pequena, adorava fazer isso. Eu, meu irmão e meus primos gravávamos uma fita cassete no próprio aparelho de som com notícias absurdas e músicas que inventávamos. Era divertidíssimo fazer e, depois, ouvir e ouvir e ouvir. Era atividade que levava o dia inteiro (ou mais de um) e depois rendia muitas risadas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você acha que falta algo nas publicações de revistas em relação ao setor infantil? Tenho a impressão de que existe muita variedade de títulos, mas sempre parece faltar mais alguma coisa. Você já viu algo diferente nesse assunto fora do Brasil que tenha te chamado a atenção, por exemplo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tenho o mesmo sentimento, especialmente com relação à questão visual e à forma de trabalhar os assuntos... Gosto muito das revistas francesas, especialmente as da editora &lt;i&gt;Bayard&lt;/i&gt;. Eles conseguem dividir as faixas etárias de uma maneira mais adequada e trazem algo que não trabalhamos bem aqui nos jornais: muita história em quadrinhos. Às vezes, são tirinhas curtas, outras, são histórias de páginas e páginas. É mais fácil para a criança que está aprendendo a ler. Há também outras histórias, longas, com vários capítulos, que não vêm em formato de quadrinhos. Lá, o pessoal não tem medo de dar texto para a criança ler. E parece dar certo, pois todas as revistas seguem a mesma fórmula e continuam vendendo bem. É assim na &lt;i&gt;J&#39;Aime Lire&lt;/i&gt;, para crianças de 7 a 10 anos, mas também na &lt;i&gt;Pomme D&#39; Api&lt;/i&gt;, para “leitores” de 3 a 7 anos. Acho bacana também como todas as revistas misturam as fontes (tipologias) sem que isso crie confusão. Pelo contrário, fica mais atraente a leitura. Gosto, sobretudo, da &lt;i&gt;Astrap&lt;/i&gt;i, para 7 a 11 anos, que é um pouco mais interativa com as crianças e tem reportagens abordadas de maneira muito interessante graficamente. Também acho linda uma revista inglesa chamada &lt;i&gt;Anorak&lt;/i&gt;. Tem um visual incrível e uma forma de trabalhar um tema muito interessante&lt;/blockquote&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tenho um ídolo (de verdade) que é um verdadeiro sonho meu entrevista-lo no blog um dia. O Ronnie Von (que inclusive outros entrevistados e alguns amigos meus já enviaram perguntinhas prá quando essa maravilha se concretizar). E você? Qual pergunta faria à ele?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Uma só é covardia, né? São algumas, pode escolher a que você preferir: “&lt;i&gt;No que o fato de ser famoso prejudicou seus filhos? E no que ajudou?&lt;/i&gt;”, “&lt;i&gt;Certa vez, você disse que se tivesse ouvido mais seus filhos, erraria menos. Em que você acha que errou?&lt;/i&gt;”, “&lt;i&gt;Quando criança, você era CDF e já se vestia e falava bem, com elegância. Na juventude, fez música eletrônica e não engajada e foi duramente criticado. Criou dois filhos sozinho, teve de assumir seu lado “mãe-mulher” e foi criticado também. Já foi acusado de brega. Como você sobreviveu a tanto bullying?”, &lt;/i&gt;&lt;i&gt;“Como foi para você ter que comprar roupas para sua filha? Quais foram os desafios?”, “Como é a relação com seus netos? Você os “estraga”?”, “Como você vê os programas infantis na televisão hoje?” e “As crianças de hoje são mais mal-educadas?”&lt;/i&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tem algum pai ou mãe que você gostaria de entrevistar?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Hmm... Arnaldo Antunes seria um deles. Além de ser pai de quatro filhos, escreve para crianças. Gostaria de saber como Marisa Monte é como mãe e de que forma educa seus filhos. Acho que a Maria Paula também seria interessante, por toda a filosofia zen que segue. O Marcelo Tas, que tem filhos de várias idades. A Fernanda Torres... Puxa, essa lista está ficando grande...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Também tenho uma listinha por aqui...que tá mais prá listona mesmo! Então fica o convite e as portas abertas prá Aryane e quem mais quiser, mamãezada e barbapapas de plantão! Eu entrevisto, vós entrevistais e eu edito - como queiras!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/8223066240235525549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/8223066240235525549?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8223066240235525549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8223066240235525549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/02/dona-perguntadeira.html' title='Dona perguntadeira'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrPT72EuVB7N7eg1CgNHLYBsggbRKsn9yrsG-B-31lckM6I5_nH-NFqdDajXtZpmuasF9f1eDpudwfNNkmKLsj5XmimzSWMCCcEodjp7t6wid-q5MNAJw1HKX1hfz2mZCD9EJLPPPBoio/s72-c/ary2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-9136965091906700535</id><published>2013-01-30T09:32:00.000-08:00</published><updated>2013-01-30T09:32:38.072-08:00</updated><title type='text'>Honorável Confessável</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1H76UBYa7vi49vqazsXWUYSJdB0UdWuQ9Co7YJZbABA3CSfGa5grm4bBvtTjwqa12hqNHmlivo1J86LlzJXykR7qv3xxRLrRLrEYipCwkC65MFo4my1wiGGGgLjUiUL3ignLn6bhll6Q/s1600/arilson2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;361&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1H76UBYa7vi49vqazsXWUYSJdB0UdWuQ9Co7YJZbABA3CSfGa5grm4bBvtTjwqa12hqNHmlivo1J86LlzJXykR7qv3xxRLrRLrEYipCwkC65MFo4my1wiGGGgLjUiUL3ignLn6bhll6Q/s400/arilson2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Eis aqui um doutor, que não médico, mas sim sociólogo. Cientista ambiental, para ser mais precisa. Arilson Favareto, 43 anos, é pai presente na vida de dois pré-adolescentes e questionou a validade dessa entrevista - porque não se sentia parte da observação de campo típica desse ambiente “manhêzístico”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E quem disse que um pesquisador de sociologia econômica - em temas relativos a instituições e políticas para o desenvolvimento territorial sustentável - não tem nada a acrescentar na reflexão educacional e afetiva dos pais que aqui estão?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parecia tese de doutorado, mas era tão somente uma entrevista, com muitas páginas de e-mails trocados citando Weber e Durkheim – esse último por sua “solidariedade orgânica”, algo como um velho slogan de cigarro: cada um na sua, mas com alguma coisa em comum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então prepara a leitura dinâmica e vence a preguiça de Macunaíma que o estudo é bom! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bacharéis de plantão:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como chamam seus filhos e quantos anos eles têm?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O mais velho é o Luca que vai fazer 14 anos em março e tem a Bel que acabou de completar 12 anos em novembro (em off: “Ela se chama Isabel, mas na entrevista coloca só Bel porque ela não gosta que eu fale o nome inteiro, diz que só faço isso quando estou bravo).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foi acontecer isso de se tornar pai? Você era casado e planejou mais esse passo na sua vida?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fui casado por quase treze anos com a Graziela. Éramos relativamente jovens quando nos casamos e o Luca foi nascer quando já estávamos juntos há uns três anos. Nenhum dos filhos foi exatamente planejado, mas ambos foram muito desejados. Tínhamos aquelas descuidos “mais ou menos” conscientes até que rolou a primeira gravidez, depois enquanto estávamos escolhendo o método contraceptivo já rolou a segunda gravidez. E eis que de repente estávamos com trinta e um anos e dois filhos, núcleo familiar completo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E a paternidade mudou algo na sua vida?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Mudou muita coisa, principalmente o fato de que eu sempre tive um planejamento de vida com base num horizonte de tempo mais a curto prazo e fazia lá meus investimentos necessários para as coisas estarem como eu queria nesses curtos períodos; mas depois de dois filhos e considerando que não sou um cara rico, alguém que não pode fazer grandes peripécias, então tudo tem que ser muito bem pensado.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E como foram, na prática, esses passos bem pensados?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Pensei primeiro em mudar de casa e também em ter uma fonte de renda mais estável. Antes das crias eu só fazia consultorias e logo que eles nasceram tanto eu e quanto a mãe deles ainda estávamos fazendo doutorado. Essa foi a primeira mudança na vida: a de se obrigar a fazer as coisas. E teve uma segunda mudança que foi a de parar de correr certos riscos, desde coisas simples como não dirigir tão rápido quando estava viajando até abandonar a ideia de fazer algumas coisas mais radicais.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais coisas mais radicais?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Bom, há coisas confessáveis e outras não confessáveis. Entre as confessáveis, uma coisa que eu tinha vontade e vinha planejando, por exemplo, era voar de  asa delta. Depois que eles nasceram fiquei com medo. Não fazendo um raciocínio formal, mas tem a ver com a ideia de que se desse alguma merda iria sobrar para eles. E assim, do dia prá noite, passei a ter medo de algumas coisas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E emocionalmente? Mudou algo?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Olha, eu nunca tinha pensado nisso, mas a primeira reação é dizer que... não! (risos) Minhas emoções não ficaram mais apuradas até porque, no meu caso, sempre balanceei essas coisas: sou bem racional, cartesiano, mas isso nunca me impediu de ser bem emotivo também. Eu sempre fui chorão, choro até em cinema, em formatura.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Onde você nasceu?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Numa cidadezinha do interior, que fica na divisa com Minas Gerais, chamada Espírito Santo do Pinhal. Uma tradicional cidade produtora de café, no pé da Serra da Mantiqueira, praticamente a última cidade de São Paulo, indo em direção a Poços de Caldas. Tem um pouco daquela coisa de interior de São Paulo e interior de Minas. Morei até os dezoito anos ali, depois fui fazer faculdade em Campinas, trabalhar e depois vim pra São Paulo, já faz uns vinte anos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tem muita diferença entre a infância de uma criança na capital e no interior?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ah sim, é completamente diferente. A vivência no espaço público muda muito, por exemplo aquela liberdade de ficar mais solto, na rua. Até que nesse aspecto meus filhos tiveram sorte, na casa que eles moram com a mãe, até pouco tempo ainda tinha uma turminha daquelas de ficar conversando na calçada, jogando bola despreocupadamente e frequentando as casas dos amigos sem ter que ficar avisando aonde vai. Mesmo assim a relação com o espaço é diferente. Quando eu tinha a idade deles a gente brincava de esconde-esconde e valia o bairro inteiro e a gente se escondia no quintal da casa das pessoas. Imagina fazer isso aqui em São Paulo? As pessoas chamam a polícia, dão um tiro... Lá  era a rua inteira brincando de polícia e ladrão, pulava de um quintal a outro. Por outro lado, não dá pra idealizar o interior. Com o passar do tempo, à medida que se cresce, a gente sente falta de opções, e até de um pouco de impessoalidade. E isso não rola numa cidade pequena. Lá todo mundo te conhece, todo mundo acaba sabendo da sua vida. E pra acessar certas coisas é preciso, ainda hoje, sair para uma cidade maior. Eles já sacaram isso. Antes quando iam passar férias no interior queriam ficar morando lá. Agora já acham uma semana de bom tamanho. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual sua lembrança mais marcante de infância?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Além desses limites mais alargados e com uma fronteira meio borrada entre o que era privado e público, lembro por exemplo quando, aos domingos, vivenciava com meu pai um certo ritual: quando eu acordava ele e minha mãe já estavam fazendo a massa do nhoque que tinha todo domingoe depois do almoço íamos para um campinho de futebol, ele com o radinho debaixo do braço e escutando o jogo, com as narrações  do Fiori Gigliotti, acho que na Rádio Bandeirantes, e jogando bola comigo. É uma lembrança intrigante porque tive mais convivência com minha mãe mesmo. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Seus pais continuam casados?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eles ficaram casados até quase os 70 anos, aí resolveram se separar.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E como foi isso? Rolou uma crise de filho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Na verdade eu nem me dei ao direito dessa crise porque teria sido muita hipocrisia da minha parte, já que mais ou menos no mesmo tempo eu também estava me separando. Mas foi o seguinte, um pouco antes da minha própria separação teve um dia em que eles me chamaram prá ir até lá e conversar. E aí minha mãe apresentou aquele rosário de queixas e contou que queria se separar do meu pai. Depois de ouvir as queixas dela fui tomar uma cerveja com meu pai e entrei no assunto. Ele ficou envergonhadíssimo por se tratar de uma quase inversão de papéis. Mas tentei fazer ele ficar à vontade e foi um trabalhão convencê-lo de que havia queixas concretas sobre certas coisas e, então, ou ele  mudava na maneira de agir sobre estas coisas ou dificilmente haveria um acordo. Durante um almoço no dia seguinte conversamos todos e eles se convenceram de que iriam continuar juntos, tentar mais uma vez. Acontece que  alguns meses depois fui eu que me separei e imagina só: levei a maior bronca deles. Acho até que essa situação toda deles me influenciou um pouco de alguma maneira. Não fiz esse raciocínio formalmente, mas  , no fundo,  acho que senti  esse risco de uma longa vida de insatisfações e, com isso, o medo da sensação de desperdício de tempo, entende? Mas voltando à separação deles, passados alguns meses minha mãe me chamou novamente para conversar. E dessa vez ela foi mais esperta porque já foi comunicando (verbo que ela fez questão de frisar) que estavam se separando. Não deu mais jogo, e assim sem nova tentativa de reconciliação eles já estão separados há uns quase três anos aproximadamente. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você define seus filhos como alienígenas, crianças com pernas compridas ou pré-adolescentes?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho difícil definir se são pré-adolescentes ou adolescentes propriamente. Na minha cabeça adotei uma ideia mais ou menos assim: quando estiverem mais independentes e com uma vida mais autônoma – por exemplo saindo sozinhos e sem depender tanto de mim no cotidiano, serão adolescentes. Mas enquanto  ainda não rola dessa maneira, mas também não são mais crianças, defino como pré-adolescentes.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E a chatice dessa fase não serve como grau de medição?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Até agora ainda não senti isso. Eles são tão legais e rola tanto diálogo... Não tem aquela chatice que dizem ser típica. Aquele exercício de contrariar. O que acontece é que nessa idade eles precisam e querem construir uma esfera individual mais consistente. Nessa idade eles passam a ficar deliberadamente menos transparentes, e isso é bom, é importante pra eles. Aos pais resta tentar estar atentos, mas sem intervir demais. É uma fronteira tênue, sobre a qual não há muita receita. Eu fico com medo de ser invasivo. Mas acho que é só uma questão de estar atento e dar as brechas pro diálogo. A gente tem que conversar com os filhos desde pequenininhos e saber sacar algumas pistas também. Lembrei de uma história que uma amiga, psicóloga que trabalhava em escola, contou: um pai de aluno da tal escola a procurou porque estava com um problema e precisava de ajuda. Seu filho estava usando drogas. Quando ela o questionou sobre como sabia disso, ele afirmou categoricamente “porque as minhas estão sumindo”. Parece piada, né?  Mas é caso real. Quer dizer, está tudo ali e um olhar atento pode acompanhar o que acontece e se posicionar sem a fantasia ou a tentação de querer continuar controlando tudo. Talvez com esse tipo de abertura não se configure a famosa chatice da adolescência. Ou talvez seja só questão de tempo e eu estou me iludindo... Daqui uns anos te falo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Se seus filhos manifestarem vontade de seguir carreira acadêmica, assim como você e a mãe deles, qual vai ser o tom dessa conversa?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Olha, a minha opinião é que a gente não deve tentar influenciar. Nesse caso a gente tem mesmo é que impedir que isso aconteça! Brincadeira à parte, o que me cabe fazer num caso desses é ajuda-los botando na mesa os prós e os contras de cada opção. E a partir da opção feita por eles, seja qual for, apoiar e tentar ajudar que ela seja bem sucedida. Eu não gostaria que seguissem a minha carreira porque pode acontecer um daqueles casos em que se vira “refém da herança”, como diz um sociólogo de quem gosto, Pierre Bourdieu, a situação em que a herança herda o herdeiro, quando o sujeito é colocado naturalmente num certo fio de continuidade do que foram os pais. Tem pai que adora essa ideia. Eu acho que isso pode se tornar um peso que talvez seja melhor evitar. Além disso, minha opção profissional não dá grana. Sei que é careta da minha parte, mas gostaria que tivessem uma vida mais confortável e menos preocupada com questões financeiras.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Nesses termos, filho utilitário é uma ideia?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Esses dias até brinquei com uma amiga contando que o Luca disse que pensa em ser médico e eu achei isso ótimo porque ele vai poder contratar um monte de enfermeira bonitona prá cuidar de mim na velhice. Mas que nada, isso não vale! Sempre me preparo para o pior cenário, quero construir um grau de autonomia de maneira que eu não venha a me tornar um peso pros meus filhos. Não gosto de depender dos outros... Mas essa é uma ideia comum entre as pessoas, de família grande que se ajuda melhor... Não creio que hoje em dia isso ainda aconteça muito. Atualmente é apenas uma caricatura aquela imagem das famílias do interior do Nordeste tendo filho para aumentar a força de trabalho. Mesmo lá a taxa de fecundidade vem caindo e se aproximando do padrão dos estados do Sul, que também já foi mais alta e vem caindo. Até porque nessas regiões mais pobres não há necessariamente mais trabalho, então quanto mais filhos, mais pessoas para alimentar. Alias, isso é geral. Não dá pra botar força de trabalho no mundo se não tem trabalho pra absorver a demanda. As pessoas tinham muitos filhos principalmente por não conhecerem ou não ter acesso aos métodos contraceptivos. Além disso hoje as mulheres têm maior independência, podendo contrariar os maridos e dizer não ao sexo ou ao sexo sem proteção.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já pensou em chamar a Super Nanny prá te ajudar?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu só assisti uma vez a esse programa e não consegui levar muito a sério. Vi quase como um programa humorístico. Nunca me deparei com essa situação de criança fora do controle. Exceto quando bebê, porque não tem comunicação, tem que adivinhar a queixa. Mas depois com o desenvolvimento da linguagem não me lembro de situações extremas do tipo Super Nanny. E agora que eles estão grandes  tem o equivalente da Super Nanny pra adulto que é o psicanalista, né? Vai chegar um determinado momento na vida dos filhos que a ajuda pode ou tem que vir de fora e não de mim. Aí talvez tenham que eventualmente recorrer ao psicanalista. E esse será conhecido como o dia da Super Nanny com divã.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Há diferença entre a infância, de um modo geral, aqui no Brasil e fora do país?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim, tem diferença. Bom , isso isso é mais um palpite do que uma afirmação, porque tenho pouco conhecimento sobre isso. Mas acho que faz sentido imaginar que se reflete na relação com e entre as crianças a maneira como os adultos se comportam nas suas relações. Um exemplo é a relação  entre pais e filhos na França, onde morei por um ano na época do doutorado, e a maneira como levamos isso aqui no Brasil. Sem cair naquela caricatura tropical, é inegável que somos um pouco mais emotivos, mais flexíveis e até um pouco mais permissivos, enquanto que lá há outro estilo de vida por uma questão cultural e secular. Lá as crianças passam mais tempo sendo educadas por outras pessoas que não os pais, e por instituições fora da casa e da família. As crianças vão antes pra escola, passam mais horas por dia na escola, e essa experiência escolar segue, desde muito cedo, uma forte burocratização de regras e horários a serem cumpridos. Então aqui há uma demora maior para introjetar regras impessoais de convívio social. Lá os adultos ficam mais individualistas, com uma vida social em que há menos partilha de situações cotidianas, enquanto no Brasil é mais valorizada a comunhão. Por exemplo, nas festas de crianças aqui vai todo mundo, passa-se horas. Lá não, festa de criança é festa de criança desde pequenos, deixa-se a criança na porta, com hora pra começar e hora pra acabar. Aqui eu conheço os pais de todos os amiguinhos. Lá, no máximo se encontra na porta da escola ou da festinha. É o que o Durkheim chamou de “solidariedade orgânica”: cada um fazendo o seu enquanto as coisas se completam nos espaços da vida social, mas sem borrar as fronteiras.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que falta para você ser um pai melhor?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Me acho um tanto  impaciente e queria ser mais flexível. Mas eles estão numa idade em que já sacaram que isso me chateia.  Outro dia me disseram “a gente já percebeu que você se arrepende depois que fica nervoso e pede desculpas”. Achei isso tão legal, principalmente porque, mesmo percebendo isso eles não botam prá quebrar já que depois vou pedir desculpas por ter me excedido na bronca. Isso é parte da experiência educativa deles, em perceber que nós adultos também temos nossos limites e erramos. E eles respeitam isso. Nessa idade deles, já desde um pouco antes na verdade, os pais deixam de ser parte de um universo fantástico, infalível. É a idade em que neles se passa aquilo que o Weber chamou de “desencantamento do mundo”. Eles sacam que as coisas não acontecem por magia ou só pelo simples querer. É causalidade pura e simples. “O lado bom do desencantamento é se libertar da fantasia de que o mundo é governado por alguma outra coisa que não as pessoas do mundo”, diz Weber. Por outro lado, ele diz que esse é justamente o paradoxo - “ao perceber isso as pessoas ganham liberdade  mas numa gaiola de ferro, onde passam a ter que lidar com o peso do sucesso ou do fracasso de uma vida onde nada é circunstancial”. Isso torna a vida mais dura e pesada prá todo mundo, mas é a condição para nos apoderarmos e autogerirmos nossas próprias vidas. É a condição pra, de novo usando os termos do Weber, “fazer da vida uma vida crescentemente conduzida”.  Isso aqui em casa é muito forte. Meus filhos foram criados em um ambiente muito racional. Um dia, ainda bem pequenininha a Bel me perguntou como o mundo foi criado. E eu, preocupado em não furar a bolha do encantamento tão cedo disse: “tem várias explicações, uma é que no começo havia só uma espécie de estrela, que explodiu e cada pedacinho virou uma coisa como o sol, outro virou uma estrela, a Terra, a partir daí as coisas foram mudando, crescendo, para ficar tudo como é hoje. Outra explicação é a de que tem um Deus que fez tudo”. Nisso ela deixa escapar um ar descrente da própria boca “Pppffff...tááááá, vou ficar com a outra então”!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/9136965091906700535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/9136965091906700535?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/9136965091906700535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/9136965091906700535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/01/honoravel-confessavel.html' title='Honorável Confessável'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj1H76UBYa7vi49vqazsXWUYSJdB0UdWuQ9Co7YJZbABA3CSfGa5grm4bBvtTjwqa12hqNHmlivo1J86LlzJXykR7qv3xxRLrRLrEYipCwkC65MFo4my1wiGGGgLjUiUL3ignLn6bhll6Q/s72-c/arilson2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-1350695790272684326</id><published>2013-01-21T12:29:00.002-08:00</published><updated>2013-01-21T12:29:06.896-08:00</updated><title type='text'>Over mãe</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSAKMaJDhqle3wO-mDxpH1aAwhaPck8bXJv6cVnwIcICoM8hoD83OTpRm1rsAN4-1qlAP4c3rmBBq-lng8HsIgRwEEGeQUTOQOkb-aoB9Sf1JX5WDON1U-YDxN3UULBxQBrGBsBdWvw-0/s1600/giu+pequena.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;383&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSAKMaJDhqle3wO-mDxpH1aAwhaPck8bXJv6cVnwIcICoM8hoD83OTpRm1rsAN4-1qlAP4c3rmBBq-lng8HsIgRwEEGeQUTOQOkb-aoB9Sf1JX5WDON1U-YDxN3UULBxQBrGBsBdWvw-0/s400/giu+pequena.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
E lá estávamos nós duas, na faculdade de jornalismo escutando de um professor a amedrontadora ameaça sobre o mercado de trabalho que nos esperava: “&lt;i&gt;em dez anos, menos da metade dos formandos continuarão na profissão, segundo estudos&lt;/i&gt;”. Seja lá de quais estudos se tratava essa fala apocalíptica, o que vejo nos então dez anos depois – dias de hoje - é completamente contrário: e eis uma, agora over mãe, para mesclar com veias, pulso e coração, sua maternidade com os mais diversos âmbitos - inclusive o profissional - onde ela se firmou por competência de nascença: jornalismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Giuliana Bergamo, do delicioso blog &lt;a href=&quot;http://www.giubergamo.com/&quot;&gt;Chá de Bergamota&lt;/a&gt;,foi até esses dias colunista fixa da &lt;a href=&quot;http://www.nmagazine.com.br/2012/07/novas-colunistas-da-n-magazine/&quot;&gt;n.magazine&lt;/a&gt; e contou, em primeira mão, que agora o blog é parceiro do UOL e deve estrear lá em alguns dias (eba!). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“&lt;i&gt;A maternidade me apresentou um novo modo de estar no mundo e senti a necessidade de colocar isso para fora do meu jeito: aliando experiência com informação de qualidade&lt;/i&gt;” nos conta a mãe da Valentina, de 2 anos, a pequena dona de um sorriso absurdo de tão conquistador. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto certa inflexibilidade me faz dar no pé se uma conversa começar a pender prô lado das chupetas (entre outras “especificidades”), ela acha que a graça está no interlocutor que pode fazer de uma simples conversa sobre chupetas um belo dum saco, ou um sarro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“&lt;i&gt;Tenho um pouco de preguiça dos desabafos online. Desde o início, este foi um tipo de post que eu bani do blog. Sei que daria mais audiência, mas preferi não fazer&lt;/i&gt;”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Qualidade antes de quantidade! Ela tá mais que certa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você tá gostando de ser mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Muito porque essa é, sem dúvida, a experiência mais marcante da minha vida.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual sua lembrança mais forte de infância?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;De quando meu pai entrou correndo na casa da minha avó contando que eu tinha ganhado um irmãozinho e também do dia em que fui buscar minha primeira cadelinha no sítio do criador - ela estava cheia de pulgas e, logo em seus primeiros dias com a gente, caiu em um lago. Imagina só? Fiquei apavorada! E da ansiedade que eu tinha em ser alfabetizada e das tardes e tardes que passava na casa da minha avó brincando de costurar.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Acho você tão divertida... Sua filha também é assim? E crítica?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Minha filha é muito mais divertida do que eu (risos). A idade me deixou muito politicamente correta e ranzinza. Uma pena! Mas a Valentina é um sarro. Bom, toda mãe deve achar isso dos filhos, mas eu tenho testemunhas. O padrasto do meu marido, por exemplo, diz que ela é tão dramática que precisa ser cantora de ópera quando crescer. Como toda criança de dois anos deveria ser, ela sorri a maior parte do tempo, adora bater um papo – inclusive com desconhecidos – e, quando não está falando, dança e canta. Eu acho tudo isso muito divertido. E, sim, ela é bem crítica e cheia de opinião.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por que a gente escreve sobre a maternidade? É para refletir melhor a respeito ou para dividir as reflexões com outras mães?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho que pelos dois motivos. Eu escrevo porque esta é a melhor maneira que eu tenho para me expressar. A maternidade me apresentou um novo modo de estar no mundo e senti a necessidade de colocar isso para fora do meu jeito: aliando experiência com informação de qualidade. Isso foi o que aconteceu comigo, mas, de forma geral, acredito que as mulheres de hoje estão muito isoladas. Quase sempre, quando parimos, nossas mães e melhores amigas estão trabalhando. Resta-nos apenas uma casa vazia e um pequeno desconhecido indefeso nos braços. Aí, muitas correm para a internet onde dividem experiências com outras pessoas – nem sempre íntimas – que estão passando pela mesma situação. Há algum tempo isso não era assim. Minhas avós tinham ajuda das vizinhas e parentes quando ganhavam um bebê. Minha mãe contou com a mãe dela, que trabalhava em casa e morava bem pertinho. Minha sogra, contou com a sogra. E nós? Eu conto muito com as avós da minha filha, mas elas têm os afazeres delas. É diferente...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que cabe no coração de mãe? E na cabeça?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;No coração? O mundo. Tem um livro lindo chamado &lt;a href=&quot;http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/CORACAO-DE-MAE/25000933&quot;&gt;Coração de Mãe&lt;/a&gt;. Toda vez que leio, eu choro. É muito bacana porque tropecei nele em uma livraria dias depois de batizar uma das seções do Chá de Bergamota com este título e tem tudo a ver! Coração de mãe é uma coisa muito maluca onde cabe qualquer tipo de sentimento, de vontade e de piração. Pelo menos o meu é... E, na cabeça, bom... Para mim, os dois são a mesma coisa. Então, cabe de tudo mesmo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais os assuntos que você mais gosta de conversar sobre maternidade? (eu, por exemplo, não gosto de falar de chupeta, mamadeira e fraldas; em compensação adoro discutir sobre os mitos da maternidade e conhecer as histórias de outras mães)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Putz! Eu curto falar sobre tudo, mas prefiro temas relacionados a comportamento e saúde - que sempre foram minhas áreas de interesse (trabalhei com isso). Mas acho que a graça da conversa está no interlocutor. Uma conversa sobre chupetas pode ser um saco ou um sarro.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que é pesado em ser mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sinceramente? Quase tudo. A começar pela dedicação física. Já na gravidez, o corpo muda a cada semana e muitas de nós sentimos mal estar – isso tudo é muito pesado. Depois, o bebê nasce e o corpo continua mudando, então vem uma série de desconfortos, como a falta de sono. Ah, o sono... Além disso, depois do parto, parece que alguém aperta um botão que nos mantém em constante estado de alerta. A gente não consegue desligar nunca! E, bom, tem a parte de educar que é, francamente, um saco. Não dá para bobear um minuto se você quiser criar bem uma criança. Isso sem falar que os filhos nos colocam diante do espelho: nos mostram nosso melhor e nosso pior. Ou seja, é uma viagem bem tensa. Agora... dizendo assim, parece que é tudo ruim. E não é. Porque eles nos iluminam, nos arrancam sorrisos, nos obrigam a brincar, a nos divertir, a nos conhecer.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você vai dizer para sua filha se ela quiser ser jornalista?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tem certeza? Depois não vale vir pedir empréstimo para seus pais, hein!?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você procura se iterar nos assuntos de maternidade, educação, saúde? Como funciona isso?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu tenho o hábito de ler jornais e revistas sobre o tema. Também acabo lotando minha biblioteca com livros sobre o assunto e converso muito com outros pais, com familiares e, sobretudo, com os profissionais da área com quem tenho contato.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Rola uma rede de proteção materna para tirar umas dúvidas e fazer uns desabafos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sem dúvida. Mas vou ser sincera: eu tenho um pouco de preguiça dos desabafos online. Desde o início, este foi um tipo de post que eu bani do blog. Sei que daria mais audiência, mas preferi não fazer. E vou explicar o motivo: um desabafo precisa ser muito bem contextualizado para não virar um festival de baboseira. Ligar para uma amiga e contar que surtei, que gritei com minha filha, que me arrependi, que chorei, que dei uma de louca na rua é muito diferente de contar tudo isso em um texto e colocar na rede. A minha amiga certamente me conhece, sabe como eu trato minha filha, como eu sou e tudo mais. A fulana que me lê de tempos em tempos – ou está lendo algo meu pela primeira vez – tem só uma vaga ideia de quem eu sou. Ela pode entender o que eu disse do jeito que quiser e pode usar essas informações como um exemplo a seguir ou coisa do tipo. Enfim. Eu acho que desabafo é coisa íntima, entende? A beleza da internet está exatamente em tornar a informação mais acessível e de permitir que qualquer um divulgue algo, mas eis também seu maior problema. Isso porque publica-se todo tipo de bobagem sem filtro algum e os internautas nem sempre fazem uma distinção entre o que é sério e o que não é. Isso me preocupa. Portanto, não desabafo online. Se estou com um problema materno, converso com meu marido, com minhas amigas, minha mãe, minha sogra ou com a minha analista (o que, em geral, é o que mais faço).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Nossa, eu me lembro de quando você comprou um presente para o primeiro aniversário do meu filho, era um palhacinho para brincar de esconder e achar que foi o preferido dele por muitos anos – e quando foi escolher você ficou sentada na loja brincando, quer dizer, testando qual era o brinquedo mais legal...Você ainda faz dessas? E brinca bastante com a sua filha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu também lembro deste dia. Engraçado, não? Eu sempre gostei de brinquedos e, depois da Valentina, passei a gostar mais ainda. Acho que eles são um passaporte para um mundo mágico que existe em todos nós, em especial nas crianças. Tenho tanta curiosidade pelo assunto que ele tem virado objeto de pesquisa. Já resultou numa série de reportagens que eu fiz e editei para a revista VEJA SÃO PAULO de 14 de dezembro. E, sim, eu gosto de brincar. Não é toda hora, mas curto muito. Eu brinco de pega-pega e esconde-esconde dentro do apartamento, assusto o lobo de quem minha filha tanto tem medo (digo assim: “&lt;i&gt;o lobo tem medo da mamãe filha, pode ficar tranquila&lt;/i&gt;”), faço a cabaninha na sala virar nosso refúgio contra jacarés e por aí vai... Mas tem dias em que tudo o que eu queria é que ela brincasse sozinha enquanto eu cochilo, leio, trabalho ou coloco o assunto em dia com alguém.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quando você fala sobre esse brincar com sua filha sente um orgulhinho de ensinar &lt;b&gt;TAMBÉM&lt;/b&gt; isso à ela?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu fico orgulhosa, por exemplo, por tê-la ensinado a brincar com bonecas. Aos 9/10 meses, ela já ninava suas bonecas menores e &quot;nenê&quot; foi uma das primeiras palavras que falou, mais ou menos nessa mesma época. Foi comigo, sentada no chão, também que ela conseguiu encaixar e empilhar blocos, um feito fascinante para um bebê. Mas o mérito não é só meu. Além da capacidade inata (crianças precisam, sim, de algum estímulo, mas, basta um empurrãozinho, para entrarem de cabeça na brincadeira), outras pessoas contribuíram e contribuem muito. Meu marido, por exemplo, adora ler com ela desde pequenininha. E ela acabou adquirindo, fácil, fácil, o hábito da leitura. &quot;Leia, mamãe, leia&quot;, ela diz. Eles também montam peças com Lego juntos... Minha mãe é outra que adora brincar. E tem a escola, né?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você pensa no quão pouco cada fase do crescimento dela vai durar e se apega a isso?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Penso, mas não me apego, não. Lembro de que, quando a Valentina era pequenininha e ainda mamava no peito, eu olhava para ela e pensava &quot;puxa, um dia ela vai deixar de se alimentar assim e, aí, não terá mais volta&quot;. Era um pensamento triste, eu estava com saudade antes da hora. Mas, aí, ela foi desmamando aos poucos e, em vez de tristonha, fiquei feliz com a independência da minha filha. Tenho saudade, é claro, mas não dói. É só uma boa lembrança. Acho que vai ser assim com as outras fases também. Pelo menos espero. Ah! E eu também sou uma otimista por natureza. Em vez de chorar o passado, costumo ver o lado bom do presente. Por exemplo, quando ela parou de mamar, em vez de pensar que não a teria mais naquelas condições, passei a pensar no quão libertador para uma mãe é saber que seu filho se alimenta apesar da sua ausência. Entende? Acho que, quando ela for adolescente e ficar muito mais longe do que perto de mim, vou tentar voltar a fazer coisas que fazia antes de ela nascer: dormir até mais tarde, sair para jantar sem muita programação, ler...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual sua mãe preferida (sem ser a sua mãe biológica, se possível)?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Vixe! Posso ser católica agora? Nossa Senhora. Não tenho religião, nem acredito em santos e deuses, mas sou fascinada pelas imagens de Nossa Senhora, da Madonna (a mãe de Jesus, não a cantora, claro). Tem coisa mais linda e profunda do que a Pietá? Quer maior expressão de amor materno do que uma Madonna acalentando seu filho nos braços? Eu choro só de pensar. Acho lindo!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você gostaria que algum dia sua filha lhe perguntasse?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ai, acho que tudo o que eu quero que ela saiba eu já vou dizendo. Não deixo muito espaço para perguntas... Sou uma mãe meio over. &lt;/blockquote&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/1350695790272684326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/1350695790272684326?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/1350695790272684326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/1350695790272684326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/01/over-mae.html' title='Over mãe'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSAKMaJDhqle3wO-mDxpH1aAwhaPck8bXJv6cVnwIcICoM8hoD83OTpRm1rsAN4-1qlAP4c3rmBBq-lng8HsIgRwEEGeQUTOQOkb-aoB9Sf1JX5WDON1U-YDxN3UULBxQBrGBsBdWvw-0/s72-c/giu+pequena.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-8238154901477814569</id><published>2013-01-16T09:13:00.003-08:00</published><updated>2013-01-16T18:00:44.827-08:00</updated><title type='text'>Pequena cidadã</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6g_iSQ-yOn9xmk6bXAFepvx9AquiL7-l3-Ko-NLTmEF8a-j-9i5dViwj2KOJDsurqpiuevmeNWYiFcCTsD90qinjoh5ArjTfVnO3OrF-YH9Cl8jx9PBDrgBPv4jxzc1zOCKPRRmWCL-A/s1600/taciana+barros.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;267&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6g_iSQ-yOn9xmk6bXAFepvx9AquiL7-l3-Ko-NLTmEF8a-j-9i5dViwj2KOJDsurqpiuevmeNWYiFcCTsD90qinjoh5ArjTfVnO3OrF-YH9Cl8jx9PBDrgBPv4jxzc1zOCKPRRmWCL-A/s400/taciana+barros.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Ela é uma diretora de arte bem dinâmica, do tipo que transita vários projetos ao mesmo tempo e nas mais diversas plataformas como: livros, sites, cenografia, criação visual de eventos – entre outros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é daquelas profissionais que conseguem enxergar seus projetos por inteiro. Disse até que a maternidade ajuda muito nessa questão “ao repensar a forma de viver imaginando um mundo melhor, a criação como um todo acaba sendo influenciada”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faz ideia já quem seja ela? Assim tá difícil mesmo, então vou entregar de bandeja:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Taciana Barros, a idealizadora do projeto “Pequeno Cidadão” de música para crianças com Edgar Scandurra, Antonio Pinto, Arnaldo Antunes e mais uma criançadinha boa de ouvir e ver. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa entrevista concedida para o “manhê” em parceria com o blog  da Marina Barão &lt;a href=&quot;http://rinocerontequeri.wordpress.com/&quot;&gt;“O Rinoceronte que ri”&lt;/a&gt; (não deixa de conferir a entrevista lá na íntegra e uma agenda cultural atualizada e interessantérrima) a Taciana falou sobre trabalho, filhos, universo cultural e receptividade do público. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Olha só que legaú:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você teve dois filhos em diferentes momentos da vida (o Daniel Barros Scandurra, de 21 anos e a Luzia Barros de 8 anos) e, consequentemente da sua carreira. Também eram momentos distintos para a música no Brasil. Houve muita diferença entre essas experiências por essa questão de tempo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim. Quando eu era mais nova a relação era diferente, meu filho ia junto aonde quer que eu fosse. Tinha aquela coisa de dormir no canto do palco ou dentro do estúdio de ensaio. Mas com o tempo a gente parece querer mais tranquilidade e vai ficando mais exigente com o conforto das crianças. São momentos diferentes também, mas tem uma pegada que não muda muito. Não sou lá uma mãe exatamente diferente da que fui aos 20 e poucos. Os valores não mudam, a vontade de brincar e de curtir continua a mesma.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é seu cotidiano com os filhos? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Normalmente passamos o almoço juntos e passamos mais tempo assim à noite e nos finais de semana. Durante o dia nos falamos bastante também por celular ou SMS, mas só pra resolver coisas pequenas. Com meu filho mais velho, como ele já é adulto temos também momentos legais visitar exposições, jantar, trocar muita ideia, ensaiar...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é a sua relação entre trabalho e maternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho mesmo uma loucura conciliar trabalho com filhos. Quando se trabalha com criação, as ideias aparecem nas horas mais inusitadas. Parece que, enquanto alguns conceitos não se formam, eles ficam rodeando minha cabeça noite e dia até algumas peças se encaixarem e a estética nova finalmente aparecer. Sou mãe desde os 23 anos, por isso a maternidade é muito presente em todo o meu processo de amadurecimento pessoal e artístico. As coisas boas dão trabalho mesmo! Tem horas que sinto saudades dos filhos e outras de trabalhar sossegada, mas essa confusão é inevitável. Por experiência própria, quando criança, às vezes ficava triste com minha mãe indo trabalhar, mas também achava um terror a mãe de uma amiga que só ficava em casa e era muito sem assunto. No fundo eu tinha orgulho da minha mãe ser diferente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já tinha passado pela sua cabeça armar algum projeto infantil? Como surgiu essa a ideia dessa parceria?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sempre gostei muito de criança e isso de brincar e entrar no mundo deles. Faz muito bem porque parece que descansa a cabeça. Depois de gravar meus discos e do solo que fiz com o Suba ficou um vazio e uma vontade de fazer algo diferente. Daí surgiu essa ideia e fiquei uns meses deixando ela num cantinho do meu cérebro. Até que um dia convidei o Edgard, que topou na hora. Depois encontrei o Arnaldo Antunes num trabalho e ele também topou de cara. Então pensei no Antônio Pinto que já foi se animando e, em apenas um ano demos início ao projeto.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Rola uma parceria de longa data tanto com o Arnaldo Antunes, desde a época da Gang 90, quanto com o Edgard Scandurra, mas o que mudou no momento atual e na relação com o Edgar, que é pai do seu filho mais velho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nós ficamos ainda mais amigos, e nossos filhos unidos. A relação que se formou pelo encontro e convivência no projeto nos proporciona muita diversão por meio da música. Não tenho nem como descrever porque são momentos de amor mesmo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Parece haver uma continuidade da irreverência do Gang 90 e as absurdettes no Pequeno Cidadão. Como isso se integra dentro da sua trajetória musical?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Quando sugeri o slogan “Música Psicodélica pra Criança” era para deixar mais claro o caminho que estávamos traçando porque trouxemos nossas influências e afinidades para esse projeto, e o rock veio junto. O meu estilo acaba se imprimindo em qualquer banda que eu toque, assim como o dos outros músicos, e isso que é o legal de uma banda, poder trabalhar com outras personalidades e dessa mistura sair algo novo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O Pequeno Cidadão não é só música pra criança e sim para a família toda, um conceito musical que acaba com a fronteira entre música infantil e música para adulto. Por que tão poucos músicos se dispõe à ultrapassar essa marca?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não sei quanto aos outros, mas para nós o fundamental é fazer um som que a gente curta tocar. Poder cantar a música do “Pirou na Batatinha” e ouvir no meio um solo do Edgard é um luxo e uma alegria para meus ouvidos, e imagino que isso aconteça com os pais que estão na plateia. Trabalhar com o Antônio em estúdio também é uma experiência densa e forte. O cara é super detalhista e muito afins de fazer sempre o melhor som.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais os sons que você recomenda para os pais ouvirem junto com seus filhos, nessa pegada de música para família toda?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Os “Saltimbancos” eu acho fundamental. Tem também “Palavra Cantada” e “Adriana Partimpim”, entre tantos outros fazendo coisas lindas! Impossível citar tudo, esse universo é imenso. Eu adoro o CD do André Mehmari (MPBABY vol.10) tocando Beatles pra criança, por exemplo. E pode rolar na vitrola um Michael Jackson, Miles Davis, Jimi Hendrix, Secos &amp; Molhados, Itamar Assumpção, Janis Joplin, João Gilberto e assim vai...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você costuma escutar?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ouço muito no carro o que estou trabalhando no momento e aproveito pra estudar as músicas. E as minhas maiores influências são: Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Miles, Thelonius Monk, King Crimson, Gang of Four, Sly and the Family Stone e tem muito mais nesse baú, não tem como citar tudo, de forma alguma.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Se tiver que escolher vai qual: vitrola ou MP3?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Vitrola pra ouvir, sempre! Não curto nem cd, e mp3 só pra quebrar galho, estudar alguma coisa rapidamente, passar uma música pra alguém da banda, essas coisas mais mundanas.&lt;/blockquote&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/8238154901477814569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/8238154901477814569?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8238154901477814569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8238154901477814569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/01/pequena-cidada.html' title='Pequena cidadã'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6g_iSQ-yOn9xmk6bXAFepvx9AquiL7-l3-Ko-NLTmEF8a-j-9i5dViwj2KOJDsurqpiuevmeNWYiFcCTsD90qinjoh5ArjTfVnO3OrF-YH9Cl8jx9PBDrgBPv4jxzc1zOCKPRRmWCL-A/s72-c/taciana+barros.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-842368576765098482</id><published>2013-01-14T07:12:00.001-08:00</published><updated>2013-01-14T07:13:57.130-08:00</updated><title type='text'>Anarquezêra</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEvD0X7Yl46Y8KIJ-z94CWr0jqNLhTNRQb-QPQoMYZZlGwzBP0WYMM9ImamHH3VjY6iVDtOtgoagoWtgKAA26mvoX8E_vc9SORmEXertuLSps20cD2_kCa8pWFcEzm4BXOuhAjZ8KAS0o/s1600/mahu.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;138&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEvD0X7Yl46Y8KIJ-z94CWr0jqNLhTNRQb-QPQoMYZZlGwzBP0WYMM9ImamHH3VjY6iVDtOtgoagoWtgKAA26mvoX8E_vc9SORmEXertuLSps20cD2_kCa8pWFcEzm4BXOuhAjZ8KAS0o/s400/mahu.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Eu tinha um amigo que dizia que o mundo anarquista seria algo como o filme “Mad Max” (we don´t need another hero). Sempre pensei muito nisso, até chegar à conclusão de que eu discordava porque me cansei de pensar pela cabeça dos outros e assim acreditar que meu sonho não passava de uma utopia, ou que tomamos certas decisões e mantemos posturas egoístas porque pensamos do jeito que sentimos ser o melhor para tod@s...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Mahu é uma das minhas poucas amigas que também levanta a bandeira vermelha e preta para resistir e, há dois anos também é mãe. Não gosta do título e o nega com coragem e veemência, mas cuida e ama com a responsabilidade de quem sabe que ajudou a coloca-la no mundo. A Dandara, sua filha é a bebê mais bonita que eu já vi (quase tive um treco quando essa criança nasceu e fui no hospital babar um oceano prá elas). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho certeza que concordamos em muitas coisas e discordamos em outras, mas o respeito sempre manteve forte o nosso laço de admiração e amizade. Ela traz uma maneira nova de pensar a vida pela visão que tem da maternidade. A gente não precisa concordar em tudo. Aliás, só prá constar, eu não entrevisto somente pessoas com quem eu concorde plenamente, até porque isso não existe (senão me auto entrevisto e ninguém aguenta de tanta chatonice) e também por acreditar que conhecer outros pontos de vista ampliam nossas visões e consciências sobre a vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E então, o que seria da maternidade sem isso? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chega de puxar a sardinha prá lá ou prá cá, vamos deixar ela no meio e a conversa rolar solta que é prá isso que estamos por aqui...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resiste?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você tem feito ultimamente?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Depois que me livrei do trabalho escravo e assalariado - com patrão e padrão - passei a trabalhar com o Johnny no &lt;a href=&quot;http://apletreiros.wordpress.com/&quot;&gt;AP-Letreiros&lt;/a&gt; - uma oficina de comunicação visual autônoma e anarquista. Daí consegui ter tempo e disposição para Dandara e as minhas atividades de subversão, além de parar para repensar e organizar minha causa mais profunda e desejada: a anarcafeminismo! Estamos com um grupo de estudos anarcafeminista - Saberes Clandestinos, com a Coletiva Marana, com a Comuna Aurora Negra, uma banda que não vai pra frente, varias atividades durante o ano todo, organizando um biblioteca e a Dandara no meio disso tudo, mas olha que deve ter mais coisa e eu não tô lembrando agora!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Conta um pouco do seu trampo com os letreiros e seu lance com o movimento anarco punk(M.A.P.), como é sua atuação e o que te move a isso?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O letreiro foi a minha libertação pela pratica da autogestão, não ainda da forma que desejo, mas aqui estamos colocando em pratica o que nos é fundamental - mesmo em meio a todo este caos neoliberal. Esse lance já existia há mais de 15 anos com o Johnny, depois que fiquei gravida ele me chamou pra trabalhar, então esperei a pequena nascer e depois de, se não me engano, uns seis meses já cheguei prá ficar. O que melhorou a condição para cuidarmos da Dandara junt@s. E no M.A.P entrei primeiro para o grupo de mulheres, que era um coletivo do movimento: o Grito de Revolta das Mulheres Libertárias e agora estou há mais de 5 anos. Vejo a anarcapunk como a vertente anarquista que mais me inspira, ela consegue englobar diversidade, cultura, musica e anarquia – no melhor estilo &lt;b&gt;“se não houver dança esta não é minha revolução”&lt;/b&gt;! Por isso anarquismo e punk tem tudo a ver!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você e o Johnny queriam muito ter filhos? Como foi que rolou a Dandara? Eu lembro que a gente engravidou na mesma época mais ou menos...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não, eu e o Johnny não queríamos ter filhos, não juntos (risos). Eu nunca quis ter filh@s! A Dandara, à principio foi uma bomba prá mim. Corri atrás do aborto, clandestino claro, já que não temos dinheiro para uma saída elegante e burguesa para uma gravidez não desejada. Pensei que muitas pessoas poderiam me ajudar, mas não rolou e acabou ficando tarde demais. Sim, foi quase na mesma época, ela acabou de fazer aniversário dia 29 de dezembro.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Foi parto normal ou cesariana? Como você pensou a questão do parto dela?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Infelizmente foi cesariana porque meu parto foi de risco, pelo menos foi o que a médica disse! Tomei anestesia geral e não vi nada, nem a Dandara (ela mesma eu só fui ver depois de algumas horas). Desejei muito um parto natural, com a menor interferência possível, mas a Dandara nasceu na hora e no dia que a médica queria porque ela ia sair de férias. Final de ano sabe? Praia e festa! Uma beleza... Aí jogou no psicológico e acabei cedendo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como rolou a amamentação, foi livre demanda ou você segurou a onda?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ela já não mama mais no peito infelizmente, parou faz uns dois meses. Foi muita gente no ouvido dela falando que era ruim, que não podia mamar no peito - maior pressão até que ela largou. Eu gostaria de ter amamentado mais.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como a anarquia influencia na sua vida materna e em família?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tentamos colocar em prática tudo o que propomos. Nunca usamos este termo “família”, pelo menos não entre nós. Falamos sempre de coletiva, coletivo, comunidade, comuna. Rompemos com isso pra romper com diversas outras coisas embutidas no termo, como o patriarcado, o machismo, a moral, a religiosidade, a heteronormatividade e tantas outras formas de nos encaixar socialmente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como os pais podem ser mais presentes na vida dos filhos e como nós mulheres podemos influenciar nessa presença?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Há uma necessidade de divisão de tarefas em relação @s filh@s, no meu caso a presença do Johnny com a Dandara é maravilhosa – eles se adoram, e posso sempre contar com ele. Por exemplo, temos rolês diferentes e eu tenho meus momentos e ele também, então tem horas que é ele quem cuida e troca fralda. Claro que sabemos que há um peso bem maior pra mulher, mas procuramos fazer isso também de forma coletiva! Acho que o homem não é essencial para @s filhos, mas a ação coletiva sim. O que rola é que tem muito cara babaca que não se liga da responsabilidade que deveriam ter com a vida das crianças que ajudam a colocar no mundo. E assim colocam pra funcionar o privilégio do patriarcado: onde a mulher, querendo ou não ser mãe é culpada por tudo e o homem, livre. E é aí que muitas mulheres caem numa armadilha machista de não ir atrás dos direitos conquistados - não somos nós as responsáveis pela vida! Quer dizer, não &lt;b&gt;apenas&lt;/b&gt; nós.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual melhor som prá escutar com a filhota?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A Dandara escuta de tudo, mas não posso negar a influencia: é o máximo ver a pequena pogando!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é o cotidiano de vocês?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nossa, é a maior correria porque somos autônom@s, então se não trampar não tem grana. Abrimos a loja de segunda à sábado e enquanto trabalhamos no letreiro já fazemos daqui um ponto do movimento onde organizamos ações, panfletos, atos e tudo sempre com a Dandara junto.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Ela vai prá creche? Como você pensa essas questões de educação, carteira de vacinação do governo, alimentação?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ela vai começar a ir pra creche este ano. Matriculei no Estado porque não temos grana pra pagar uma particular. Passamos pra ela o que nós acreditamos, mesmo ela ainda sendo tão novinha fazemos o máximo que conseguimos tentando passar nossos conceitos de liberdade e respeito. O difícil é que ela receberá a educação que o Estado quiser cheia de preconceitos, ideias de religião, alimentação, machismo e racismo. Tudo que esta aí na TV, na escola... O importante é fornecermos uma base forte, pra que consiga separar as coisa e escolher o melhor prá ela, quando for a hora certa. Seguimos o esquema da carteira de vacinação e, sem dúvida, essa foi uma questão muito pensada antes de decidir (mais ou menos) seguir. Somos vegetarian@s e a Dandara também, eis uma das coisas que me preocupa bastante na escola, não gostaria que ela comesse carne, a não ser que seja por vontade própria. A educo para que também zele pela libertação animal.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Sua mãe te dá uma ajuda ou rola um esquema mais comunitário, como isso se dá?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Minha mãe sempre me ajudou, mas ficou muito decepcionada com a minha gravidez (achou que eu seria uma mulher independente...de filhos), sempre que precisamos ela dá a maior força.  Agora, a Dandara passa a maior parte do tempo com a gente mesmo, mas como a casa sempre recebe muitas pessoas tod@s acabam tendo um cuidado com ela.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tem alguma mãe que você admire?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Embora minhas escolhas, propostas, e vivencias sejam bem diferentes das da minha mãe, eu a admiro como mulher. Infelizmente essa força também vem do papel de mãe que ela carrega nas costas e vem de toda a responsabilidade como cuidar de uma casa sem divisão de tarefas: lavar a roupa, passar, fazer comida, cuidar da saúde de todos, da educação... É muita coisa pra uma pessoa só! Sei que ela seria muito mais feliz se fosse livre disso tudo, mas a amo como mulher que inclusive negou às próprias filhas que seguissem seu destino educando para que não caíssemos nessa armadilha e não sofrêssemos como ela.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que mudou na sua vida depois de ser mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu prefiro que a Dandara me chame de Marina ou Mahu, mãe foi um papel que não aceitei muito bem. Além de ter me tornado responsável por mais um mundo que é o dela, acho que fiquei mais chata e perdi um pouco da minha individualidade. Isso de ter mais uma mulher na minha vida me ajudou muito no processo de militância feminista. Ah, fiquei gorda também (risos).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Pretende criar a sua filha num esquema feminista?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim, vou cria-la da forma mais libertária possível: com certeza feminista, uma feminista radical!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual a frase que Dandara falou e que você mais gostou até hoje?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Um dia, enquanto voltávamos da manifestação do dia de Consciência Negra, ela disse: Racistas, fascistas não passarão!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você gosta de dizer para outras mães?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Que não aceitem esse papel, se não o desejarem! E mesmo se desejarem, não o vejam como uma obrigação à ser cumprida para as outras mulheres. Até porque ninguém se resume à um parto ou é responsável pela vida ou até mesmo pela morte. O aborto além de ser um direto é também uma liberdade: lembre que o corpo é seu!&lt;/blockquote&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/842368576765098482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/842368576765098482?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/842368576765098482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/842368576765098482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/01/anarquezera.html' title='Anarquezêra'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEvD0X7Yl46Y8KIJ-z94CWr0jqNLhTNRQb-QPQoMYZZlGwzBP0WYMM9ImamHH3VjY6iVDtOtgoagoWtgKAA26mvoX8E_vc9SORmEXertuLSps20cD2_kCa8pWFcEzm4BXOuhAjZ8KAS0o/s72-c/mahu.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-8020575014913997159</id><published>2013-01-10T08:52:00.001-08:00</published><updated>2013-01-10T08:52:48.699-08:00</updated><title type='text'>Quem disse que ela não?</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnp6SUe8XGjMWMqGk59A4iBap_JkcPckhPhezlCnYFGNcrHnkRRhBEyXZQpYDywwUM1ryTG1XVM6JfdugB3jsW6JfG030snGClV8y8ailDBHaWtS5n7wU0LlstEi2Z8SiV6Yiyglb9upE/s1600/soninha.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;267&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnp6SUe8XGjMWMqGk59A4iBap_JkcPckhPhezlCnYFGNcrHnkRRhBEyXZQpYDywwUM1ryTG1XVM6JfdugB3jsW6JfG030snGClV8y8ailDBHaWtS5n7wU0LlstEi2Z8SiV6Yiyglb9upE/s400/soninha.JPG&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Me lembro dela entrando no auditório correndo, quase sem ar e cheia de bolsas penduradas nos ombros. Pediu desculpas pelo atraso, mas na verdade ainda estava adiantada para a palestra que iria dar sobre os livros que escreveu ou se envolveu de alguma maneira na edição - e aproveitou os poucos minutinhos que ainda tinha e os muitos créditos por topar o meu convite - prá descer até o café e “almoçar” alguma coisa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu fiquei tomando conta das bolsas dela por menos de 5 minutos, mas ela passou a tarde inteirinha falando sobre as publicações e respondendo à todo tipo de pergunta – que é claro desembocaram na biboca da parafuseta da política e da vida alheia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://gabinetesoninha.blogspot.com.br/&quot;&gt;Soninha Francine&lt;/a&gt; (45 anos) tá aqui porque é mãe da Rachel (28), da Sarah (26) – filhas do seu primeiro casamento – e da Julia (15), do terceiro; e porque é a prova viva de que quando as pessoas não procuram saber o que a gente pensa de fato e só nos julgam de longe com o dedo em riste ou ainda, discordam do que pensamos mas não conseguem contra argumentar diretamente - falam de tudo um tanto distorcendo realidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de duas candidaturas à Prefeitura de São Paulo, um cargo de vereadora (2005-2008, eleita pelo PT do qual saiu em 2007), subprefeita (de 2009 até abril de 2010) e superintendente da Sutaco (de 2011 a junho de 2012) ela desabafa “no momento, sou &quot;do lar&quot; e estou formulando projetos para captar recursos, ainda não estou desesperada nem procurando um emprego propriamente, mas trabalho(s)”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apresentou muitos programas diferentes na MTV, entre eles “Território Nacional”, só com música brasileira e o “Barraco MTV”, com debates semanais ao vivo e sobre tudo quanto é assunto. Depois apresentou o “RG”, na TV Cultura; o “Bate-Bola” e o “Social Clube”, na ESPN-Brasil, onde também participou como entrevistadora e comentarista no “Linha de Passe”, “Sportscenter”, “Bola da Vez” e na cobertura de vários Panamericanos, Copas e Olimpíadas. Também fez parte, por pouco mais de um ano, do “Saia Justa” na GNT. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossa! Quase nada, né? E as pessoas ainda insistem em não tentar ao menos saber...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais uma chance, hein? Vamos lá! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Três filhas mulheres? Chegou a ter vontade de um filho homem, talvez só para saber como seria?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não enquanto estava grávida (risos). Sempre quis ter filha, e o mais curioso é que os pais delas também. Nos três casos. Depois, quando conhecia algum menino muito querido - filhos de amigas ou conhecidos na rua – daí ficava com vontade de criar um também. Anos atrás decidi que meu filho seria adotado - o problema é que com minha &quot;rotina&quot; de trabalho eu seria muito ausente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você tem uma preocupação feminista com a educação das suas filhas? Acredita na educação diferenciadora de gêneros?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A educação delas, nesse ponto, foi como a minha. Minha mãe se dizia feminista e questionava exatamente as determinações: menino pode isso, menina não pode. Menina deve fazer aquilo, menino não precisa. Ela tinha discussões exaltadas (e inúteis, portanto dispensáveis) com a minha avó ao assegurar que não incentivaria a iniciação sexual do meu irmão &quot;na zona&quot; (e teve de me explicar o que significava isso), enquanto eu deveria casar virgem. E ela dizia: &quot;Eles vão ter relações com namorado e namorada&quot;, como se fosse um escândalo (risos). Tarefas domésticas e emprego, nada disso podia ser diferenciado por sexo ou gênero. Procuro seguir a linha de uma educação com base na justiça, reflexão e no questionamento das &quot;regras&quot;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quem você adotaria como um filho (a), para cuidar se precisasse?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Já quis adotar tanta gente... O filho de uma conhecida da Brasilândia, que criava os seus seis com muita dificuldade. Uma amiga da minha filha, menina de dez anos que também morava na favela e tinha sérios problemas com a mãe e o padrasto. Talvez, se eu fosse solteira na época, tivesse feito essa loucura (seria uma loucura, porque eu tinha quatro empregos na época). Quem cuidava da casa e da Julia era o pai dela, seria uma violência &quot;entregar&quot; uma criança para ele criar também, sem que ele mesmo se visse em condições para isso. Depois quis adotar uma criança de um orfanato - menino, preto, crescido. Daqueles que tem mais dificuldade para encontrar um lar brasileiro. Às vezes tenho vontade de cuidar de um idoso como filho... Mas o máximo que consegui fazer até hoje (além de adotar algumas famílias inteiras, como aquela dos seis filhos) foi adotar 10 bichos. Três já se foram, dois moram no interior e quatro gatos e um cachorro vivem comigo atualmente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Alguma gravidez foi planejada?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não, mas na segunda, principalmente, e na terceira nós não estávamos nos esforçando muito para evitar. No primeiro casamento, nós queríamos que a Rachel tivesse um irmão. No terceiro, sabíamos que um filho nosso seria legal, mas não a ponto de planejar. Evitamos descuidadamente. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Ter filho pode ser visto como um ato mais do que pessoal, mas também político? Como o exemplo de mães que sofrem com o machismo diário do “companheiro” e é obrigada a resistir? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acaba sendo! O modo como educamos os filhos é uma forma decisiva de participação na sociedade. O que ensinamos e que valores promovemos o que demonstramos e exigimos. Quando eu bati o pé para fazer faculdade, foi porque queria estudar cinema e também porque não aceitava que ter crianças para cuidar fosse sinônimo de renunciar a todo o resto. É um ato de resistência, de questionamento, uma escolha consciente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por que a gente sente uma certa “culpa quase que constante” com a atenção voltada aos filhos? Parece que nunca demos o suficiente e ficamos muito maus quando nossos filhos sofrem. Isso é cultural? Como uma pressão sobre a mulher, ou você acha que é pessoal mesmo? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;No fim das contas, tudo é pessoal. Claro que nossa cultura &quot;empurra&quot; para as mães quase toda (ou toda) a responsabilidade pelos filhos e é fácil se condenar por achar que faltou alguma coisa. Mas pressões há, de todos os tipos, e a gente precisa, em algum momento, se dar conta delas e, além disso, perceber que elas não nos obrigam a nada. Mulheres, aliás, tem um histórico rico de resistir a pressões e expectativas sociais/culturais - do modo de se vestir às regras para namorar, trabalhar, cortar o cabelo. Enquanto conquistamos o direito ao biquíni e às calças compridas, os tontos dos homens ainda estão presos ao terno e gravata (risos). Pode ser que, em alguns momentos, tenhamos realmente errado ou falhado – por sermos moles demais, duras demais, indiferentes demais, intrometidas demais... Mas isso tem de ser objeto de reflexão, não um martírio.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que a maternidade te trouxe de mais precioso? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O famoso altruísmo: a entrega não condicionada e sem negociação. Aprendi na marra, sabe? Minha filha mais velha tinha cólica o dia inteiro, dormia no máximo meia hora antes de já voltar a chorar. Trocamos o leite e o remédio, usamos todas as massagens e mandingas que se pode imaginar, mas nada disso adiantava. Quando ficava muito exausta e zumbi tinha vezes que me virava para dormir, até que ela emitia o primeiro &quot;ahn&quot;, e eu ficava tentando mandar meus sinais mentais para que ela dormisse mais um pouquinho, só mais um pouquinho, mas era sempre uma bobagem. Depois eu vi o quanto pular da cama resoluta e imediatamente, mesmo morrendo de sono, era o certo a fazer - e o melhor. E tem aquelas coisas que nossas mães garantem que vão acontecer, mas não queremos acreditar: como a capacidade de tirar ranho como se fosse nosso (risos), trocar fralda suja cheirando bem mal. E foi bom aprender - o que prá mim só foi rolar entre a primeira e a segunda filha - a não perder de vista a impermanência. Os filhos vão crescer e um dia a gente vai poder dormir oito horas de novo. É algo como lembrar de não se desesperar agora porque sua vida adulta não acabou.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você acha que os homens são menos pais porque as mulheres não sabem cobrar isso deles, ao estilo “quem veio antes o ovo ou a galinha”? E como reverter essa situação?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ter de cobrar é mau sinal, mas válido pra qualquer coisa e não só para os cuidados com os filhos. Se o maledeto nunca repõe o papel higiênico, sequer avisa que acabou, se ele passa na farmácia para comprar alguma coisa para ele mesmo e nunca lhe ocorre perguntar se você também precisa, então é sinal que não se deu conta de que a casa também é dele; ele não é hóspede. E que a casa também é sua - existe um espaço compartilhado com regras diferentes das que ele seguiria se morasse sozinho. Alguns vem assim de fábrica - desde pequenos são mais bagunceiros, desatentos, distraídos. Outros foram educados em ambiente que favoreceram a folga e a desatenção. E isso vale pras mulheres também! Agora...como mudar isso? Cada um vai ter de descobrir o seu jeito: pedir, conversar, negociar, deixá-lo sem papel higiênico (tática do &quot;viu o que acontece?&quot;), ligar sempre pra perguntar se ele também precisa de alguma coisa da farmácia (tática do &quot;custa?&quot;), quebrar o pau. Claro que, com os filhos, não dá pra deixar o moleque sem comer pra ver se o pai se liga da responsabilidade, mas se o progenitor &quot;ajuda&quot; em vez de &quot;dividir&quot; ou nem isso, não dá pra esperar que as coisas mudem com telepatia. Seja qual for a linha de ação... Aja! &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tenho a impressão de que as pessoas não entenderam muito bem quando você falou sobre o seu aborto. A descriminalização do aborto é um caminho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fiz um aborto e nunca mais faria, por mais que a gravidez fosse indesejada naquele momento. Mas sou a favor da legalização e a explicação nem é tão complicada: acho terrível a ideia de interromper a gravidez, interferir no desenvolvimento de um novo ser humano, mas por mil razões diferentes, acontece. Acontecerá sempre. A criminalização do aborto causa MAIS perda de vidas, pelo fato de só haver interrupções clandestinas sem a alternativa segura, a menos que se tenha muita grana e aí está resolvido. É uma dinâmica que em vez de proteger a vida, mata. Mata mulheres e meninas pobres, com muita dor e sofrimento. É fácil dizer &quot;quem mandou engravidar&quot;? Ok, todos tem o direito a opinião - achar que sexo é só para procriação, condenar a irresponsabilidade (da mulher, quase sempre) e dizer que &quot;ninguém mais pode alegar falta de informação&quot;, entre outras tantas é uma coisa - Só que ninguém tem o direito de proibir que haja condições seguras para a interrupção. Exceto, quem sabe, para suas próprias filhas, namoradas. A hipocrisia é terrível!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Seus partos foram normais ou cesarianas (sabemos das opções humanizadas e muitas outras que também são importantes de serem discutidas aqui, mas não foi o caso agora)? Se preocupa com essa questão? E de amamentação?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Parto normal é algo que eu faço sempre questão. Intervenção cirúrgica, só se eu ou o nenê corrêssemos risco de morrer ou desenvolver graves sequelas. Amamentação também acho essencial.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como suas filhas reagiram quando rolou aquele outdoor e a capa da Revista Época super antiético com a sua declaração sobre o uso da maconha?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Elas ficaram tristes por mim porque sabiam quem e como eu era e o papel (ínfimo) que maconha tinha na minha vida. Entendiam perfeitamente o que quis dizer na entrevista e não tinham nenhuma ideia apavorante nem intenção de experimentar. Elas acabaram vendo o horror que foi o Afanázio Jazadji gritando &quot;MACONHEIRA!&quot; na Bandeirantes, com dedo na minha cara e tiveram de lidar com perguntas incômodas (a Julia era muito pequena, os colegas nem sabiam o que estavam dizendo quando entoavam &quot;sua mãe fuma maconha!&quot; e os amigos da Rachel ironizavam &quot;Sua mãe, hein?&quot;. Mas elas sempre foram solidárias, compreensivas e indignadas - com a capa da revista e com o outdoor).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é a sua relação entre vocês?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Elas são muito diferentes entre si e, ao mesmo tempo, eu acho que cada uma delas tem alguma coisa parecida comigo. Quer ver só? Rachel é atenta, muito sensível ao sofrimento alheio, chora fácil, se exalta quando indignada: é militante, mas é uma mulher muito mais ajuizada do que eu. A Sarah é muito divertida e leve, dificilmente sai do sério e acho impressionante como é espirituosa. Nisso ela é DIFERENTE de mim, porque eu adoraria ser assim o tempo todo. E ainda ela tem um lado mais artístico: fez teatro e balé. É super criativa, muito mais ligada em internet do que a Rachel, por exemplo. A Julia, coitada, herdou o meu gênio: é invocada, curiosa e inteligente, mas enquanto eu era atlética e agitada e adorava ficar na rua, ela é capaz de ficar dias seguidos em casa, saindo só para a escola. Mas as três juntas, se dúvida alguma, formam a melhor combinação do mundo!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E aquela história que rolou ano passado, durante as últimas eleições, de que você havia concedido cargo político para sua filha e mais outras pessoas da sua família?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Algumas pessoas criticam sinceramente porque nunca souberam o que acontece realmente ou porque acham que em um governo jamais deveriam trabalhar pessoas com relação de parentesco (o que acho uma distorção de um princípio razoável; mas em um governo com centenas de milhares de funcionários não faz sentido). Outras são sacanas mesmo, não me toleram por ter saído do PT e ido para um partido de oposição ou por ter apoiado o Serra em 2010 - então querem nem saber da verdade. Minha filha é bióloga e trabalha há anos na Secretaria de Meio Ambiente. O cargo é de livre provimento, isto é, ele não é concursado. Ela é super rigorosa, do tipo caxias, além de eficiente e competente. Mas se quiserem mandar embora, mandarão. Se ela estivesse no governo só para me &quot;ajudar&quot;, se fosse uma idiota completa ou não fizesse nada (tem muita gente assim, com ou sem grau de parentesco e concursado inclusive), davam um jeito de despachá-la de um lado para o outro e pronto. Mas ela é boa no que faz. A Sarah trabalhou um tempo na Secretaria da Cultura - ela era contratada por uma prestadora de serviço e cuidava, também com muita competência, das redes sociais. Saiu de lá já tem um tempo. Minha mãe é mestra ou doutora em Letras ou Linguística (eu sei lá, sei que ela é uma &quot;sumidade&quot; no ensino de idiomas) e trabalha no departamento de Línguas Estrangeiras da Secretaria de Educação. Nenhuma delas tinha salário de marajá, nenhuma delas foi escolhida por mim, nenhuma delas está pendurada em um &quot;cabide de emprego&quot;, mas as pessoas preferem dizer que eu arrumei uma &quot;boquinha&quot; para a família - e de tão desinteressadas na verdade embananam tudo: dizem por aí que elas trabalham na prefeitura e podem ser demitidas pelo Haddad. Fico triste por elas, que são condenadas apenas por serem minhas filhas (ou mãe) enquanto se esfolam no serviço público.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais políticas públicas você acredita que podem ajudar as questões da maternidade?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Com a falta de vagas nas creches poderíamos ter cuidadores para um determinado número de crianças nos bairros sendo remunerados e bem selecionados, além de capacitados e supervisionados pelo poder público.  As entidades de professores condenam isso, mas eu acho absurdo desconsiderar a possibilidade perfeitamente saudável de uma criança ficar, com um número pequeno de outras, aos cuidados de um adulto bem preparado. Muitas já ficam ora com a vizinha, a irmã mais velha ou a avó, e isso com ou sem condições materiais, psicológicas e emocionais de cuidar de uma criança. E tem gente que condena, mas tem empregada e babá pra cuidar dos próprios filhos. Tem dó, humpf! E tem mais, claro, uma das coisas mais importantes é garantir que no dia-a-dia as mães tenham mais TEMPO (para si mesmas, inclusive) e menos razões para estresse. Isso significa &quot;mexer&quot; na cidade como um todo para permitir que as pessoas morem mais perto do trabalho/trabalhem mais perto de casa (o que significa investir em moradia mais popular ou &quot;classe média&quot; na região central e em atividade econômica nas periferias); oferecer transporte coletivo mais confortável; oferecer horários mais flexíveis nas creches e EMEIS; oferecer possibilidades de lazer em família (conheci e tenho passeado com meninas que NUNCA tinha saído do Jardim Pantanal; estiveram na Paulista e no Ibirapuera pela primeira vez na vida, aos 13 e 14 anos, enquanto suas mães ainda nem conhecem). E a gente pode incentivar que as famílias vizinhas trabalhem de forma mais cooperativa, &quot;consorciada&quot; - para alimentação, transporte e cuidado com as crianças. É ridículo como fazemos coisas sobrepostas que podiam ser divididas, como cada um fazer dentro de sua casa uma panela de arroz, por exemplo, mas isso é história para outra entrevista...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Suas filhas seguem sua religião? Quais valores budistas você luta prá conseguir passar a elas? (eu, por exemplo, tenho um entrave sério com a coisa da aceitação do sofrimento porque sou mais revoltada – se meus filhos estão sofrendo fico triste ou brava junto com eles – o que infelizmente não ajuda muito!)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ahahaha, aceitar o sofrimento significa perceber que ele é inevitável por um lado, ou seja: VAI rolar. Dor, doença, saudade, decepção, cansaço, ansiedade, expectativas frustradas, planos fracassados, sonhos não realizados, separações definitivas, fins indesejados e continuações insuportáveis. É ilusão achar que é possível viver sem passar por isso; que se a gente se esforçar bastante, &quot;vai dar tudo certo&quot;. Por outro lado, a gente pode a partir da transformação da própria mente - que é, no fim das contas, a causa do sofrimento - passar por dor, perda, saudade e reduzir muito o sofrimento. Até a hora da morte, durante a morte e...  depois (risos). A Rachel simpatiza bastante com o budismo, tira dúvidas sobre os ensinamentos, já foi a retiros e cerimônias comigo, mas não é praticante de meditar todo dia. A Sarah é evangélica super praticante e a Julia também tem uma base budista, mas não um envolvimento mais intenso e formal com a prática. Os valores básicos eu luto sim para passar a elas, porque faz parte da minha ética, minha &quot;constituição&quot;: respeito ao outro. Compaixão. Solidariedade. Generosidade. Noção da responsabilidade que existe em TUDO que você faz ou deixa de fazer. Atenção ao impacto das suas escolhas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Licença maternidade de seis meses e aumento da licença para os pais?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim! &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E na questão do futebol prá vc, dá prá dizer que rola um programa de família? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Aqui em casa rola, minhas três filhas são palmeirenses e o marido da Rachel também (ufa). A gente vê os jogos juntos e vai prô estádio se divertir ou sofrer.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tem alguma mãe que você considere exemplar, um modelo em quem pense quando esta sem paciência ou algo do tipo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Como agora não consegui pensar em nenhuma, talvez não tenha. Ah, enquanto eu era casada com o Marcelo, pai da Julia, me inspirava bastante na mãe dele. Adoro minha ex-sogra. Mas hoje, com elas crescidas, eu me inspiro mesmo é no modo de ser das minhas filhas. Na doçura, leveza e bom humor. Às vezes peço até ajuda para as mais velhas quando preciso dar um chacoalhão na Julia, porque elas vão ter a disposição certa enquanto eu (talvez) chegue bufando.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tem alguma pergunta que faltou aqui? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Com esse tamanho de respostas, eu acho que não. Acabei falando mais do que você perguntou, prá variar!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Que nada...eu faria muitas outras entrevistas ainda com ela porque assunto é o que não falta. Eu não voto (só prá constar), sou anarquista, portanto apartidária – mas confesso que muitas das propostas dela me chamam atenção e fazem repensar alguns conceitos sobre tantas coisas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E acho que é isso que fica de melhor no final: &lt;b&gt;a reflexão&lt;/b&gt;!&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/8020575014913997159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/8020575014913997159?isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8020575014913997159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8020575014913997159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/01/quem-disse-que-ela-nao.html' title='Quem disse que ela não?'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnp6SUe8XGjMWMqGk59A4iBap_JkcPckhPhezlCnYFGNcrHnkRRhBEyXZQpYDywwUM1ryTG1XVM6JfdugB3jsW6JfG030snGClV8y8ailDBHaWtS5n7wU0LlstEi2Z8SiV6Yiyglb9upE/s72-c/soninha.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-8879326579996334497</id><published>2013-01-07T08:23:00.000-08:00</published><updated>2013-01-07T08:26:30.939-08:00</updated><title type='text'>Vitória gloriosa</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYXuViJG2xVPEiMw4eLsXeMnC1BuFy1PIxElnmUdNb-WlrshzkWHpGehVXr2PB09O8bdWAbT1LEJIJPb7K1Nma9_TKO_cS35lcKW288vTXrPdXZLztWw9IVLY5YXHFZfH4K64Lp5lIS-s/s1600/Lu2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;222&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYXuViJG2xVPEiMw4eLsXeMnC1BuFy1PIxElnmUdNb-WlrshzkWHpGehVXr2PB09O8bdWAbT1LEJIJPb7K1Nma9_TKO_cS35lcKW288vTXrPdXZLztWw9IVLY5YXHFZfH4K64Lp5lIS-s/s400/Lu2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Preparei o computador na sala, ela então chegou devagarinho já falando bem rápido: “Tô pronta prá gente conversar”. Os olhos firmes fixados em mim com doçura, enquanto contava de suas dores e alegrias num só ritmo, a cadência de quem viveu o sofrimento na pele e tá no campo de batalha só para ser feliz. Como se fosse pouca coisa essa tal felicidade marcada quando sua conquista arrebata os corações de quem passa ao declamar experiências tão dolorosas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, como um dos presentes mais bonitos que já recebi, essa entrevista vem marcar a ferro e fogo deixando de exemplo o que agora eu sei mais do que nunca: vou sempre lembrar a história dela, Luzia Francisca da Silva, 50 anos. &lt;i&gt;(na foto ela esta de blusa rosa e com um dos filhos no colo - ao lado das irmãs) &lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
Trabalha na minha casa há mais de 15 anos, lavou mais as minhas roupas e tirou mais pó das estantes do meu quarto que eu mesma em toda minha vida. Mulher brasileira: por quem sou só admiração! E quantas Luzias estão por aí acordando de madrugada e pegando três metrôs e não sei mais quantos trens para chegar ao trabalho – sabendo que repetirá a jornada no fim do dia? Só tenho a agradecer, ela é puro aprendizado diário de vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando nos encontramos, sempre dou um jeito de pegar um café rapidinho – como quem não quer nada - e trocar uma meia dúzia de palavras para reabastecer meu dia. Sabe por que? Porque de cada 10 palavras do que ela me conta mais de 15 espaços serão preenchidos pela risada mais gostosa que eu conheço. E depois de ler essa entrevista você pode até duvidar dessa afirmação que estou fazendo agora. Mas eu juro de pés juntos que é a verdade: a risada feliz dela é, de longe também, a mais sincera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredite:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foi sua infância?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fui uma pessoa praticamente criada pelos outros, minha mãe era mãe solteira que teve seus 10 filhos (sendo que seis deles acabaram falecendo) mesmo sem condições de cuidar. Então criou do jeito dela, mas sem amor, a gente vivia tudo jogado por aí. E assim fomos crescendo...morando numa casinha de barro, lá na Chapada Diamantina, construída pelo meu avô – que nunca aceitou o fato da minha mãe ter seus filhos. Ela saia para trabalhar e passava uns 15 ou 20 dias fora, eu e minhas três irmãs ficávamos sozinhas, desde a época que eu tinha por volta de seis anos (a irmã mais velha tinha oito, outra cinco e a mais nova tinha três anos). Era assim mesmo, todas dormiam sozinhas, mas ela nos ensinou a cozinhar. Quando não tinha o que comer, saia para roça e catava folha de mandioca prá cozinhar no pilão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Passou fome?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Cheguei a desmaiar de fome bebendo água. Uma vez até cai de cima de uma porteira e fiquei desacordada umas 3 horas de tanta fome, passávamos muitos dias sem ter o quê &lt;br /&gt;
comer. Mas nesse dia da porteira, minha mãe chegou com comida e eu melhorei. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E não tinha mais ninguém para cuidar de vocês quatro?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tinha uma senhora que morava lá perto e ia ver a gente de vez em quando, mas depois desse episódio de muita fome passamos a ficar com uma tia. Daí comecei a trabalhar aos sete anos na roça. Essa minha mesma tia deu uma enxada, um pedaço de terra e um copo de feijão prá eu começar.  Eu precisava trabalhar para ter o que vestir e comer. Logo na primeira plantação cheguei a colher 3 quilos de feijão, lembro até hoje. E assim eu e minhas irmãs seguimos trabalhando em livramento.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foi isso de trabalhar desde tão cedo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Foi bom porque tenho certeza de que aprendi a dar valor a tudo na vida. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você namorava?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Aos 11 anos comecei a namorar, mas as pessoas sempre me diziam que eu não ia valer nada quando crescesse.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foi para fazer valer?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Continuei lutando com a minha tia - que sempre me apoiou. Desde pequena eu sempre soube que Deus ia me resgatar, então quando eu estava em sofrimento e com fome eu pensava em Deus.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;De onde veio sua fé e religiosidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu gostava de ir à Igreja que era pertinho de casa, às vezes os vizinhos chamavam prá ir junto, mas isso sempre existiu dentro de mim, nem sei direito de onde nem quando começou.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E o seu pai?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Os dez filhos da minha mãe foram, cada um, filho de um pai diferente. Ela era alcóolatra, bebia uns dois litros de pinga por dia. Passava o dia todo bêbada. A casa que eu moro hoje foi do meu pai. Eu comecei a namorar aos onze anos e, quando fiquei noiva - aos treze (detalhe que esse é seu marido até hoje) - fui atrás dele prá pedir ajuda. Ele era casado com uma mulher que gostava muito de mim e via a minha luta, então ela me dizia para não ir atrás dele porque ele não estava nem aí prá mim e não queria me assumir. Nessa época tive apoio dos meus sogros e tios ajudando bastante.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual é seu sentimento hoje em dia, com relação aos seus pais?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tenho muito orgulho deles, por mais que não tivessem condições de cuidar da gente sempre ensinaram a não sermos malcriadas, a nunca roubar e não ser mal educada – isso tudo esta plantado aqui dentro. Tenho amor pela minha mãe, não raiva. Cuidei dela até o dia de sua morte, há 8 anos atrás. Pelo meu pai tenho o mesmo sentimento porque acho que ele não sabia o ser humano que era a sua filha, senão penso que ele teria me ajudado. Mas sabe que depois que eu casei e tive meus filhos ele me levou prô cartório e me reconheceu? Colocou o nome dele no meu documento e sempre me escrevia ou telefonava.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Depois que você casou a situação ficou mais fácil?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sempre tive muita responsabilidade com o que eu fazia e falava. Continuei trabalhando com cada vez mais força plantando cana, feijão, arroz... Mesmo com as minhas irmãs saindo da roça eu continuei. Casei aos 19 anos, fiquei todo tempo do noivado (seis anos) esperando ele - em São Paulo - também juntar dinheiro.  Uma das minhas irmãs ficou grávida aos 11 anos, construímos uma casa prá ela e prá minha mãe.  Sabe que quando eu ainda morava na Bahia a casa da minha tia era muito preta e velha. Daí eu reboquei ela todinha. Amassava, cavava o barro com as mãos e os pés e jogava a bacia na parede. Em três meses reboquei tudo com minhas próprias mãos e a ajuda de uma colher. Pintei com barro e pincel de mato. E lá que foi feito o meu casamento.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que representa a maternidade na sua vida?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Filho sai de dentro da gente e isso é tudo prá mim. Me sinto honrada em ser a mãe do Beto  (28),  do Gilson (25) e da Letícia (18). Acho que, em alguns momentos eu não tive sabedoria, mas soube criar meus filhos com muito amor e carinho. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você também foi mãe das suas sobrinhas. Como foi isso?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Minha irmã tem problemas mentais, então criei as duas meninas e um garoto que, até hoje, a gente não sabe direito quem é o pai. Eu cuidava como se fossem meus filhos. Nasceram na roça e hoje elas estão com 23 e 22 anos e o menino com 15. Eles estudam, mas sempre deram trabalho. Uma das meninas já tem três filhos e a mais nova tem uma menina de 3 anos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual mensagem você gostaria de deixar para as outras mães?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Todos nos temos condições de ter nossos filhos, basta ter vergonha na cara e trabalhar com responsabilidade. Tudo que você correr atrás, consegue.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foram seus partos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Meu primeiro filho eu perdi com quatro meses de gestação. Depois de 45 dias de repouso engravidei do Beto, que nasceu de parto normal. Voltei a engravidar, mas perdi de novo - eram gêmeos. Então o médico disse que eu tinha só uns 7 cm de espessura de útero e não podia mais engravidar. Tive que colocar o DIU. Engordei prá caramba tinha gordura até no coração.  Fui ao médico e estava grávida. Com apenas 4 meses de gestação, passei por uma operação de retirada do útero para costurarem, enquanto tomava  umas 18 injeções por dia. Tive muita hemorragia durante toda a gravidez, fiz até promessa prô meu filho nascer bem – coloquei roupa branca nele e depois levei lá prá Nossa Senhora de Aparecida. Depois o médico disse que eu ainda não podia operar para não ter amis filhos porque eu era muito nova, e pediu prá eu tomar pílula por 7 anos. Eu tomava às vezes sim e às vezes não e quando dei fé já estava grávida da Leticia. Tive ela de cesariana porque fiquei com diabetes depois dessa gravidez. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você tem ciúmes dos seus filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tenho, mas disfarço.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E o que ficou de mais importante?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A certeza de que não tem vitória sem luta.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
A Lú tá viajando agora, foi lá prá Bahia. Quando voltar vamos tomar mais uns litros de café prá conversar porque tem um monte de coisa que não saiu nessa entrevista, mas que eu estou muito afins de dividir com quem quiser ler, essa é uma entrevista que terá cenas do próximo capítulo. Aguardem e confiem!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/8879326579996334497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/8879326579996334497?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8879326579996334497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/8879326579996334497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2013/01/vitoria-gloriosa.html' title='Vitória gloriosa'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYXuViJG2xVPEiMw4eLsXeMnC1BuFy1PIxElnmUdNb-WlrshzkWHpGehVXr2PB09O8bdWAbT1LEJIJPb7K1Nma9_TKO_cS35lcKW288vTXrPdXZLztWw9IVLY5YXHFZfH4K64Lp5lIS-s/s72-c/Lu2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-2577894216205646598</id><published>2012-12-25T15:12:00.004-08:00</published><updated>2012-12-25T15:34:10.167-08:00</updated><title type='text'>Turma da Pesada</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-p2pV-3P9IUMUrkf_hR4kKqehyjeMCg0sfDuKAvU6zuuo2Ky7N5YN5Fp8O8Wt-AbJdZr-FlsFnqiNZoWcyUr6ymP34dW-eF4GJXtZ1lihf3-InZur3iMd9dluuoN2GanZnjNQC_hLERs/s1600/talita9.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-p2pV-3P9IUMUrkf_hR4kKqehyjeMCg0sfDuKAvU6zuuo2Ky7N5YN5Fp8O8Wt-AbJdZr-FlsFnqiNZoWcyUr6ymP34dW-eF4GJXtZ1lihf3-InZur3iMd9dluuoN2GanZnjNQC_hLERs/s400/talita9.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Acho que um dia desses, falando despretenciosamente sobre a vida, ela ainda vai cantar prá filha: “Menina, isso é rock n´roll. Menina, o mundo me contou que a gente se encontrou pra revolucionar” – &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=pptVuaFiHXE&quot;&gt;música da sua banda de rock &lt;b&gt;“Motores”&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mãe da Izabella “que já tem 7 anos”, Talita Alves é mais que uma cantora de talento, é uma mãe encantadoramente apaixonada pela cria e que não tem medo de abrir o peito e gritar de felicidade quando fala da sua experiência materna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O super paizão, de quem ela fala com brilho nos olhos e sinceridade pura no coração (um ótimo exemplo já que hoje os dois estão separados) é nada mais, nada menos que: Beto Lee. Sim, o filho mais conhecido da mãe mais consagrada do rock brasileiro: Rita Lee - nem precisava dizer!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas aposto que, em algum canto ainda adormecido de sua mente, em algum momento não muito distante desse daqui, ela ainda vai concordar com a vovó zelosa e fofa de sua filhota, que certa vez reinventou de maneira genial o clichê: &lt;i&gt;“Ser mãe é se divertir no inferno”&lt;/i&gt;!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tá na chuva, então abraça o capeta!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Maternidade combina com rock?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Com toda certeza combina! O Rock é um estilo de vida e minha filha vive nesse estilo, mas a família inteira ajuda.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E criança?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Criança inspira e ela é o meu rock! Eu adoro ter a Iza ao meu lado, ela é uma boa companheira pra todas as horas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como aconteceu sua gravidez, foi planejada, no susto? Como vc lidou com ela?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Foi no susto! Um dia passei mal, desconfiei e pronto: lá estava minha menina. Na hora a vida passou à milhão pela cabeça, mas depois percebi que eu era muito abençoada!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais foram os momentos mais difíceis da sua maternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho que o mais difícil é ver seu bebê crescer porque passa tanta coisa na cabeça...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais são suas maiores preocupações nesse sentido?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Deixar plantadinho nela a semente do amor e da bondade ensinando e educando de modo coerente e procurando evitar as distorções dos valores que realmente importam.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é a vovó Rita Lee? Vocês chegam a conversar sobre maternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A Rita cuida de modo zeloso. Brinca, dorme e come junto, sem nunca deixar de mimar MUITO - como toda boa avó aliás! As pessoas criam uma espécie de “entidade” sobre ela e acham que deva ser diferente de qualquer outro ser humano, mas isso não é verdade! Não falamos muito sobre maternidade, cada um sabe a mãe que é.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E o Beto Lee é presente na vida dela? Como é a relação entre eles?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não só na vida dela como na minha. Eu acho que ele é o melhor pai do mundo! Amamos o Beto de todas as maneiras porque ele sabe ser o nosso amigo, companheiro e parceiro pra vida toda. A Iza tem verdadeira paixão pelo pai, parece até uma macaquinha de tanto que fica agarrada no cara.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é seu cotidiano com a filhota?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;No geral é cheio de supresas, porque com criança é assim: cada dia ela chega com mais uma descoberta - tornando a vida mais leve e engraçada. De práxi fazemos o usual: escola, passeio, cinema, sorvete e por aí vai.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você costumar dar bola e levar em consideração o que as outras pessoas te falam sobre como educar sua filha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não muito, costumo deixar ser mais natural mesmo! Acredito que no dia a dia você vai aprendendo com a própria criança, é pura psicologia.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que costumam escutar juntas? Chega a tocar um rock da pesada?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Minha filha é fã incondicional do Michal Jackson, quando não estamos ouvindo o rei do pop então vai de Carrossel mesmo! &lt;i&gt;(nota do manhê: muitas risadas depois sinto um leve tapa na cabeça – prá baixar uma certa lógica nessa que sempre acha que filho de roqueiro deva enveredar pelo mesmo caminho. Lição do dia: nem sempre ache, só aceite!)&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vocês fazem daqueles programas típicos com criança de ir ao teatrinho, parque e essas coisas ou você leva a sua filha à tira colo no buteco e na noite?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Vou raramente ao boteco porque não bebo mais. Hoje vivo para o esporte (baba: ela faz pole dance)! Até levo a pequena em algumas baladas, mas gosto mesmo de ir a praia, andar de bike, viver o dia com ela. Deixa a noite para os adultos, né? Ela já vai curtir muito isso daqui uns anos...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais bandas e artistas você considera como essenciais para se apresentar aos filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Beatles, Stones, Joan Jett, Bowie, Who, Nirvana&lt;/i&gt; e todas que tenham alma na música e que tragam em si o verdadeiro significado de o que é ser uma banda de fato.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que é o mais legal de ser mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Receber e dar amor por ser único, incrível e incondicional.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você se preocupa com essas coisas de parto natural, amamentação, chupeta?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim e muito! A Iza chupa o dedo e tô vendo a fortuna que vou gastar com dentistas. &lt;i&gt;(ela tá tirando um sarro da minha pergunta, hehe)&lt;/i&gt;. Tive parto natural depois de 13 horas em trabalho de parto, posso dizer, ainda assim, que essa foi a melhor sensação que tive na vida! Depois amamentei até os cinco meses, e quando meu leite secou, chorei!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcaxYg7WNf2SC5fNuleBgAKmZIY5SKKwb7wLm6ZFq0nz2QdmKsU4XtZH9ahFQIm6jQdZMYSe9L0ZgAtMOCbGSWzhTJWf_9o5B3vPRc9clZdFu1x3bNEyZCwElViw1kgN-Zzk-hnVcFQDM/s1600/talita10.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcaxYg7WNf2SC5fNuleBgAKmZIY5SKKwb7wLm6ZFq0nz2QdmKsU4XtZH9ahFQIm6jQdZMYSe9L0ZgAtMOCbGSWzhTJWf_9o5B3vPRc9clZdFu1x3bNEyZCwElViw1kgN-Zzk-hnVcFQDM/s400/talita10.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/2577894216205646598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/2577894216205646598?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/2577894216205646598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/2577894216205646598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/12/menina-isso-e-rock-nroll.html' title='Turma da Pesada'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-p2pV-3P9IUMUrkf_hR4kKqehyjeMCg0sfDuKAvU6zuuo2Ky7N5YN5Fp8O8Wt-AbJdZr-FlsFnqiNZoWcyUr6ymP34dW-eF4GJXtZ1lihf3-InZur3iMd9dluuoN2GanZnjNQC_hLERs/s72-c/talita9.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-3949559855514166240</id><published>2012-12-23T06:27:00.003-08:00</published><updated>2012-12-23T06:27:27.746-08:00</updated><title type='text'>Pater vontade</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJj4y10cJlao9sZdJSlceh7QFyQGQGINBF3GDEZajMkVMXmltAmw1sgEeVJWEUFU8BcIVPedCziRkWiq2VG9cwmAAYCB9JoHsRWdouiGkpVi-2RVrcPfgCcs3Xflqh2r4aIhj0Zc0EAXM/s1600/h3.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;298&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJj4y10cJlao9sZdJSlceh7QFyQGQGINBF3GDEZajMkVMXmltAmw1sgEeVJWEUFU8BcIVPedCziRkWiq2VG9cwmAAYCB9JoHsRWdouiGkpVi-2RVrcPfgCcs3Xflqh2r4aIhj0Zc0EAXM/s400/h3.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Um tem a guarda da filha, o outro deve guardar só umas cuecas na gaveta – na verdade, essa última parte eu já não sei! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dois amigos e uma paixão em comum: filhos. O Daniel tem vontade de ter uma penca, ou pelo menos uma cria prá contar história e o H é pai da Maria há quatro anos e meio, com quem convive integralmente. Viva a era da conexão internética G4, porque foi assim que tocamos o assunto - para alguns um tanto delicado - mas prá esses dois roqueiros bem resolvidos, com muita fluidez e sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com essa dupla aqui é melhor nem abaixar o som, porque eles vem prá provar que a mentalidade de alguns caras tem feito a diferença ao fazer o diferente – mesmo que sem a pretensão de...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;“H” – Carlos Henrique Pellegrini&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Há quanto tempo você esta separado?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A Maricota nasceu em 24 de maio de 2008. Comecei a namorar a &lt;a href=&quot;http://manheabaixaosom.blogspot.com.br/#!/2012/07/as-minhas-escolhas.html&quot;&gt;Karina&lt;/a&gt; (que já passou por aqui) em 2004 e nos separamos em 2011. Moramos juntos desde o começo, mas quando ela engravidou alugamos um sobrado e nessa fase a vida era de casado: de pai e mãe.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Rolou bastante diálogo com a separação? Como chegarem ao acordo sobre a guarda dela que vocês vivem hoje?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Existe o diálogo até hoje. Mas na época de decidir em qual casa a Maria iria morar, rolou meio que um bom senso e foi bem tranqüilo porque aqui em casa tem o espaço dela e uma rotina certa. Além disso, minha mãe é professora então a Maria acabou recebendo bolsa, o que ajuda muito.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é isso de ter a guarda da Maria?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;É muito bom ter ela por perto, isso sempre me deixa feliz. Muitas das responsabilidades eu divido com os meus pais, que ajudam bastante e aproveitam até prá dar uma mimada, um pouco demais, mas faz parte.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Algum comportamento específico dela te surpreende?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Em algumas situações me surpreende o quanto ela é amorosa e bagunceira, mas tem comportamentos típicos de cada idade, fase da vida...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você que sempre tem alguma banda e toca muito à noite faz como para equilibrar esse ritmo com a vida diurna de uma criança?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acredita que, no momento, essa é a primeira vez desde 1996 que estou sem nenhuma banda? É bom, viver de música muitas vezes não é fácil, sempre tive que fazer uns freelas. A &quot;noite&quot; faz um pouquinho de mal à saúde e depois que a Maria nasceu comecei a me focar mais em outros trampos. Ando com uns projetos em mente, então quem sabe no futuro...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais os clássicos musicais – do seu interesse - você já apresentou prá ela e como foi isso?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O que ela mais gosta são os Beatles, tem vários sons deles no carro pra gente ir cantando junto. E Saltimbancos ela também gosta muito. Ela canta até Kings of Leon. Não tenho pressa, vou apresentando com o tempo. Outro dia estava ouvindo um disco do Tool no carro e ela falou que era &quot;música assustadora&quot;. Concordo!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais músicas são um clássico para ela?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sempre a escuto cantando umas cantigas tradicionais de criança. Cada hora é uma. E decora todas as trilhas dos programas que assiste na TV.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Se vc pudesse fazer uma pergunta prô Ronnie Von qual seria?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Hehe. Acho que nosso assunto seria mais música, sinceramente. &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=1q84MEwImt0&quot;&gt;(E não é que ele me indicou uma ótima do cara?)&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Pensa em ter mais filhos no futuro?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Tem vezes que bate uma vontade...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Sempre te vi como um amigo bastante preocupado com as pessoas à sua volta e quando soube que seria pai, fiquei feliz porque sempre acreditei no pai legal que você seria. O que você acreditava ser característica essencial para um pai antes de ser um e o que acha agora?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu achava que nunca teria filhos na minha vida, não houve planejamento. E essa questão do que é essencial para um pai - são as mesmas da vida em sí: amor, respeito, companheirismo, empenho, dedicação, etc – mas só começaram a ser muito mais importante no momento que descobri que ia ter uma filha.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você é um cara que tem um estilo próprio muito autêntico e a Karina também. Como é a Maria? Ela procura imitar o de alguém? E já faz comentários sobre os seus looks?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não fico falando pra ela vestir camiseta do Pantera, mas acho que se eu comprasse uma dos Beatles aí sim: ela iria amar. Normalmente é ela mesma quem escolhe seu próprio visual, o que pode ser perigoso já que tem vezes que ela se veste de princesa ou fica pelada, simplesmente. Do meu estilo ela só comenta quando eu deixo a barba crescer e depois corto, aí repara e fica comentando.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tenho algumas lembranças de você vivendo à base de Coca Cola. Chegou a mudar algum habito alimentar para dar o exemplo a sua filha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não como a salada pra servir de exemplo, como por gostar mesmo. Só que não funciona porque ela está na fase que só come cenoura de salada. Acho que as minhas refeições ficaram mais caseiras. Passei a cozinhar mais, e evitar junkie food.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTXzxkDYtFXXZaxj0WnJdiC9t4PmYQp7wKTlcan0qfo4Iy5mYwqo0eHyYP7ywwuuAdG9oPnqKeOweeqwKyJ-COHCt4lrOjBMLqNsfm9tYCOjX3O8zpkiH2PpoT078HMtiyWH59xzeXTs4/s1600/daniel2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;297&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTXzxkDYtFXXZaxj0WnJdiC9t4PmYQp7wKTlcan0qfo4Iy5mYwqo0eHyYP7ywwuuAdG9oPnqKeOweeqwKyJ-COHCt4lrOjBMLqNsfm9tYCOjX3O8zpkiH2PpoT078HMtiyWH59xzeXTs4/s400/daniel2.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Daniel Motta Abate&lt;/b&gt; - “&lt;b&gt;Uma boa parte dos meus amigos começou a casar e ter filhos, ou ao menos uma das duas coisas&lt;/b&gt;”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Algo mudou?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sabe que até hoje falo isso meu portfólio? Escrevi quando um amigo bem próximo disse que seria pai, e era meio um sarro com ele e meio uma homenagem. Já se passaram uns 10 anos e acho que essa se mantém uma frase boa, porque com a minha idade é tão normal ter quanto não ter filhos. Não tenho. E esse ponto da minha vida é quando tenho algum conhecimento e maturidade acumulados, mas ainda toda a energia e saúde. O conhecimento só vai crescer e amadurecer a personalidade, à medida que a energia e a saúde tendem a diminuir – claro que é caso a caso, e não uma queda livre.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tem vontade de ser pai algum dia?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A não ser que algo me impeça, estou certo de que serei pai. Na verdade, essa vontade já me acompanha faz tempo, só não aconteceu de eu achar que era a hora ao mesmo tempo de quem estava comigo em cada momento da minha vida. Não por falta de amor ou vontade, nem por questão de estabilidade financeira ou profissional, mas por timing. Agora, com tudo que li sobre psicanálise e comportamento diria que, cada vez que alguém não usa camisinha, está subconscientemente tentando fazer com que o acaso tome essa decisão. Quero dizer que se você escolhe, é algo a pensar, avaliar e decidir, mas se simplesmente acontecer sem querer, você joga a culpa no acaso, segue em frente e pensa “agora já foi e vai dar tudo certo”. E dá mesmo, no geral. Pra responder sua pergunta, sob essa perspectiva eu já tentei bastante ser pai.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que passa pela sua cabeça toda vez que fica sabendo que algum amigo ou amiga vai ter filho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu fico feliz, mas não acho que entenda propriamente a dimensão disso. Por mais que muitos amigos sejam pais e mães, não existe uma criança de quem eu seja realmente próximo. Essa realidade ainda não me tocou a ponto de entender como afeta a vida das pessoas.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Lembro de há um bom tempo atrás, quando sua cachorra havia acabdo de dar cria e você não saia de casa prá cuidar deles. Eu ficava irritada com essa história. Você ainda tem – o que eu acho bastante comum - essa relação de &quot;pai&quot; com seus bichos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sou completamente pai das minhas cachorras. Pego no colo uma por uma, faço carinho igual, se tiro foto de uma, tiro das outras duas também. Além disso, encontro nelas uma razão para ser responsável acima de tudo, pois preciso levar para passear, dar comida, trocar a água, levar pra tomar banho e limpar a sujeira. Ou seja, não posso sair de casa e voltar dias depois porque elas são 100% dependentes de mim. Seria injusto mantê-las vivendo na imundície, ou não levá-las para passear todos os dias, essas coisas de que elas precisam, mas não podem fazer sozinhas. Gosto quando o dia termina e tenho a sensação de que elas tiveram um dia feliz. Uma delas inclusive, a Isabella, quando filhote tinha fixação pelo meu peito, bastava eu tirar a camisa e ela vinha pra cima obstinada tentando mamar. Então até meio mãe eu já fui...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Gosta de criança?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Adoro, mas não sei muito como lidar. Deve ser pela falta de convivência. Vejo pessoas que naturalmente levam jeito com as crianças, mas comigo não é assim. Tenho medo de pegar bebê no colo. Talvez eu não saiba as músicas que a maior parte dos pais canta, mas vou pegar uma guitarra e cantar do mesmo jeito. Morro de curiosidade em saber como serão meu filhos, como vamos interagir, sobre o que vamos falar e assim por diante.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quem seria a mãe perfeita dos seus filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Boa pergunta! Acho que uns dez anos atrás responderia de cara uma bonitona famosa e pronto. Ainda posso pensar em vários nomes, mas não vou dizer nenhum deles porque não posso responder QUEM seria a mãe perfeita, pois só tenho ideia de COMO ela deveria see. É muito genérico tentar definir um perfil de pessoa pra isso. Acho que é importante que nossos valores não sejam conflitantes, porque as crianças não precisam de pais contraditórios para confundi-las, o mundo já é assim. Para criar os filhos precisa haver consenso, pelo bem deles. Se a Kate Beckinsale estiver de acordo e quiser se candidatar, podemos conversar...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/3949559855514166240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/3949559855514166240?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3949559855514166240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/3949559855514166240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/12/pater-vontade.html' title='Pater vontade'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjJj4y10cJlao9sZdJSlceh7QFyQGQGINBF3GDEZajMkVMXmltAmw1sgEeVJWEUFU8BcIVPedCziRkWiq2VG9cwmAAYCB9JoHsRWdouiGkpVi-2RVrcPfgCcs3Xflqh2r4aIhj0Zc0EAXM/s72-c/h3.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-2931673868029057950</id><published>2012-12-19T12:52:00.000-08:00</published><updated>2012-12-19T13:03:02.636-08:00</updated><title type='text'>Sempre Mãe</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh3zJvq3xtT9d51rIlSEl5AwTMUW1nXsCXg2XBExMXwURklmnErvhY3bsfH-34rlqliOVq1OibYd4nrZdYMCkkGvvxQkz6qlrNx1lrLhcFcTJ332RtlVg4z-fGIKeE9jDQeGNNYg8Rl9Jo/s1600/lucelia+santos.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;266&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh3zJvq3xtT9d51rIlSEl5AwTMUW1nXsCXg2XBExMXwURklmnErvhY3bsfH-34rlqliOVq1OibYd4nrZdYMCkkGvvxQkz6qlrNx1lrLhcFcTJ332RtlVg4z-fGIKeE9jDQeGNNYg8Rl9Jo/s400/lucelia+santos.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Lembranças do filho ainda pendurado numa chupeta azul bem de frente ao seu primeiro bolo de aniversário “e daí vieram muitos outros e outras festinhas incríveis. Teve um ano que até a “Intrépida Trupe” se apresentou no jardim para todas aquelas crianças felizes e cheias de entusiasmo. Pipoca, cachorro quente, bolinho, tudo igual à festa de ontem, o que mudou é que agora bebemos vinho bom e não mais refrigerantes!” compartilha a atriz, diretora e produtora, (não só na TV como também no cinema e teatro) Lucélia Santos em seu &lt;a href=&quot;http://bloglog.globo.com/luceliasantos/&quot;&gt;blog&lt;/a&gt;, após a mais recente festa do - não menos talentoso - filho Pedro Neschling. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Adorei ver o Pedro feliz, um homem lindo e tão jovem! Cheio de vida pela frente!”, completa a mãe coruja. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela sim rompeu estigmas: posou nua para a Revista Playboy em 1980 – numa atitude tida como ousada pela mudança em sua imagem, até então, de “namoradinha do Brasil”. E daí? Voltou a ser capa da revista no final do ano seguinte para promover o filme &lt;i&gt;Luz del Fuego&lt;/i&gt;. Protagonizou &lt;i&gt;Bonitinha, mas ordinária &lt;/i&gt;à convite do próprio Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua fama internacional foi conquistada com a novela &lt;i&gt;Escrava Isaura&lt;/i&gt;, mas se você ainda acha pouco é porque não sabe da missa a metade: ela já foi efusivamente recepcionada pelo primeiro-ministro Deng Xiao Ping na China, e, um de seus fãs mais ardorosos é Fidel Castro. Mulher de atitude: depois da Independência de Timor-Leste, realizou um documentário (Timor Lorosae - O Massacre Que o Mundo não Viu) censurado no 8º Festival Internacional de Cinema de Jacarta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E não é que um belo dia, a minha vizinha e amiga indica – nada mais, nada menos – que a Lucélia Santos para eu entrevistar aqui no “Manhê”?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pasmem, mas depois deixem passar e aproveitem o papo porque ela é de uma tranquilidade só! Me ganhou quando disse que toda forma de arte traz questões essenciais à maternidade, seja pela experiência que for: teatro, música, artes plásticas, cinema, as sete maravilhas do mundo, etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mentira! Ela já havia ganho minha admiração bem antes disso, quando eu ainda era criança...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como era a relação com seus pais?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Boa, se bem que sai de casa aos 17 anos para morar sozinha no Rio...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Com quantos anos você teve seu filho?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Aos 25 anos, no auge da minha carreira de TV e cinema.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é a sua experiência de mãe?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Meu filho ocupa o primeiro plano da minha vida desde seu nascimento, confesso. Me considero uma mãe atenciosa e dedicada, mas sempre trabalhei demais e senti culpa por não fazer parte de uma categoria &quot;normal&quot; de mãe, que janta em casa todos os dias à mesma hora. Eu e o Pedro nos divertimos com isso!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Seu trabalho gerou alguma relação de conflito ou de certa conexão direta com a maternidade em si?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Conflito não, de jeito nenhum. Minha carreira nasceu antes de mim e trabalho desde os 14 anos. Minha aflição sempre foi com o fator tempo: aquele tempo prás coisas, com tudo sempre muito corrido&lt;/blockquote&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como encara o fato dele ter seguido seus passos profissionais?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Adoro e o respeito muito! Sinto-me orgulhosíssima, principalmente porque reconheço nele um super talento.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você é uma pessoa bem informada e engajada politicamente. Acredita que mulheres com o seu perfil podem ampliar reflexões e discussões relacionadas à maternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acredito que todas as mulheres - sem exceção - podem contribuir com suas experiências pessoais ao compartilhá-las. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você acredita em amizade entre mãe e filho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acredito sim, mas há algo acima disso que é o tal do amor incondicional - de mãe para filho. Todavia a recíproca não é verdadeira, temos que lidar com isso.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já foi julgada em algum momento da sua maternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim, principalmente por amigos próximos, mais experientes que eu. Mas tive muita ajuda na amamentação, pelas &quot;Amigas do Peito&quot;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual era a sua dinâmica na infância do Pedro?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu estava sempre ausente porque vivia gravando, viajando, fazendo teatro, cinema, TV e promoções internacionais. O Pedro me acompanhou sempre que foi possível. Ele chamava o Fidel Castro de “Tio Fidel” para os coleguinhas de escola quando tinha apenas quatro anos. Acho que isso preencheu seu imaginário de uma forma diferente da dos outros meninos, bastante peculiar. Sabia que ele nunca foi a Disney? (risadas mil) Adoro dizer isso!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já sentiu ciúmes do filho?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ciúmes não. Sinto saudades dele, muita aliás...e de quando ele vivia comigo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual mãe admira e o que perguntaria à ela?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A Lama Kadro, que é mãe de toda sua comunidade Budista lá no Sul. Super mãe querida! Ela não teve filhos, perguntaria o porquê.&lt;/blockquote&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/2931673868029057950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/2931673868029057950?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/2931673868029057950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/2931673868029057950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/12/lembrancas-do-filho-ainda-pendurado.html' title='Sempre Mãe'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh3zJvq3xtT9d51rIlSEl5AwTMUW1nXsCXg2XBExMXwURklmnErvhY3bsfH-34rlqliOVq1OibYd4nrZdYMCkkGvvxQkz6qlrNx1lrLhcFcTJ332RtlVg4z-fGIKeE9jDQeGNNYg8Rl9Jo/s72-c/lucelia+santos.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-7297988878566516372</id><published>2012-12-11T08:21:00.000-08:00</published><updated>2012-12-11T08:21:03.641-08:00</updated><title type='text'>Par de dois</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLaXK6ysXTEr16UHJ_UaHk85iTgF0yu_H9mtHyR2aamRmexdL4d21QnFFToQUu4wCOKTz1MXfsz1hJiihVz9LXF5-0c6UwH592jM489-NPkxzVcYW-bxSQbRT9K10Dw72wAi32W7ZtmeA/s1600/maria+dolores.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;249&quot; width=&quot;262&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLaXK6ysXTEr16UHJ_UaHk85iTgF0yu_H9mtHyR2aamRmexdL4d21QnFFToQUu4wCOKTz1MXfsz1hJiihVz9LXF5-0c6UwH592jM489-NPkxzVcYW-bxSQbRT9K10Dw72wAi32W7ZtmeA/s400/maria+dolores.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
“Quero um fogão a lenha, um pé de jabuticaba e um escorregador que sai da janela do segundo andar e cai direto na piscina. Quero uma banheira de louça, porque não me dou bem com as de hidromassagem, e quero um cano para descer do segundo para o primeiro andar, igual ao corpo de bombeiros. Quero uma casa que se pareça com um sobrado por fora, e que seja moderna e arejada por dentro. Quero janelas grandes, portas enormes e paredes grossas, para eu me sentir protegida. Quero a mesa sempre posta, um limoeiro e um pé de marolo.” – A Casa dos sonhos em “Mãe de Dois” (Ed. Civilização Brasileira) da jornalista Maria Dolores. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ela precisava escrever! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem nunca? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então quando soube que estava gravida &lt;i&gt;one more time&lt;/i&gt; fez um blog - hospedado no site da Abril - durante os 9 meses em que tentou colocar a vida no lugar e organizar um megafestival de música, com mais de 500 artistas, em uma cidade com pouca infraestrutura e ainda precisando captar recursos financeiros para o evento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim foi gerado o livro: “&lt;a href=&quot;https://www.iba.com.br/livro-digital-ebook/M%C3%A3e-de-dois-63b756eaebc0e7a32f81582c36013e3c?utm_source=se_bb&amp;utm_medium=materia&amp;utm_campaign=materia_se_bb_maededois&quot;&gt;Mãe de Dois&lt;/a&gt;” e o bebê: Antônio. A conversa não é fiada e o papo com o “manhê” resultou nessa entrevista simples, tranquila, elegante e sincera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acompanhem, comparsas!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Minha identificação com a sua experiência relatada no livro foi forte. A começar pelo título já que, na época, eu estava grávida pela segunda vez, e depois veio o fato de você também ter tido seus filhos em momentos tão distintos da vida – diferença de 13 anos entre o Daniel de 15 anos e o Antonio, 2. O intervalo de nascimento entre um e o outro parece longo, mas você acha que com o tempo e a maturidade nossas perspectivas de vida mudam?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Já estou pensando em fazer uma festa para comemorar os 35 no ano que vem. Faz tempo que não faço festa! A maturidade muda na vida como um todo, mas não sinto isso em relação à responsabilidade com os cuidados dirigidos aos filhos, ou ao sentimento de mãe. Atualmente, parece que tem sobrando menos tempo para os filhos - menos do que quando eu tinha 18 anos. Consigo aproveitar mais momentos com o Antônio, com consciência, dentro de uma visão materna do que estou curtindo. Mas, por outro lado, com o Daniel eu curtia também e era mais leve, porque eu não tinha tantas outras preocupações no meu dia a dia...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Entre suas leitoras há muitas mulheres que não são mães. A maternidade é um assunto que transborda o tema em si ou as mulheres se interessam por questões muito variadas do universo feminino?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Apesar do foco do meu livro ser a maternidade, ele aborda o universo da mulher de hoje, que precisa lidar com mil coisas diferentes. Essa abordagem que, na verdade, era a minha realidade e continua sendo, é que acredito que possa ter atraído um público mais amplo, além das mamães!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como você lida com essa, às vezes contraditória, relação entre trabalhar e ser mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Então, é realmente complicado. Tenho a vantagem de trabalhar muito em casa e fazer meu próprio horário. Mas isso tem hora que é ruim, porque eu tenho sempre a sensação (e a certeza) de estar trabalhando mais do que se eu estivesse cumprindo horário fora, em uma empresa. Fico com culpa, peso na consciência, sentimento de impotência, me sentindo uma péssima mãe, a pior do mundo. Minha meta de vida hoje é bem clara, embora bastante difícil: trabalhar cada vez menos (até conseguir trabalhar só meio período). Está longe de acontecer, mas, quem sabe... &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E a preparação do seu filho mais velho para a chegada do caçula, quais foram as principais preocupações com relação à isso e como ele lidou com a novidade? Dá prá dizer que ele amadureceu por conta dessa experiência?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Na verdade, a diferença de idade entre os dois é grande, então não me preocupei em achar que o Daniel teria muito ciúme ou que pudesse ser um problema para ele – o que, de fato, não foi. O engraçado é que a preparação foi comigo mesma. Eu ficava olhando para o Daniel dormindo, à noite, e me dava uma dor no coração, porque eu achava que não seria capaz de amar outro ser como eu amava aquele. Mas, foi só o Antônio nascer para eu entender que esse negócio de amor de mãe só se multiplica.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que de melhor e de pior a maternidade te levou e trouxe na vida?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;De melhor acho que é o amor incondicional que a gente sente, essa é uma experiência única, além da possibilidade de acompanhar o crescimento dos filhos. É uma alegria sem fim poder participar disso tudo! O pior foi o cansaço. Eu que já dormia mal, com filho passei a dormir ainda pior, porque parece que tudo preocupa. Só que isso é muito pouco perto de todo o resto. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;É mais fácil lidar com um bebê ou com um adolescente? Dá para comparar?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ah, como o Daniel é um menino muito bom, que não dá problema, atualmente para mim é mais fácil lidar com um adolescente porque exige menos, dá menos trabalho. O Antônio está naquela fase que não para, então é mais complexo de lidar. Sem falar que está na fase da manha e de testar os limites.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Rola algum tipo de arrependimento por alguma atitude equivocada que você possa ter cometido com seus filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim, o tempo todo. Agora mesmo ao responder a entrevista! O Antônio já está dormindo e o Daniel me chamou para assistirmos um jogo juntos e sinto culpa por ainda estar no computador. Não me lembro de nenhuma grande atitude que tenha sido marcante e acho que essa culpa é no dia a dia, o tempo todo eu me arrependo por atitudes que não foram certas ou adequadas ou ideais - principalmente quando perco a paciência.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Bateu uma preguiça de mais uma gravidez quando ficou sabendo que vinha outro filhote por aí? Ou já estava até com saudades?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fiquei com preguiça das noites mal dormidas que viriam com o nascimento do bebê, mas da gravidez em si não. Foi uma gravidez tranquila, então foi bem parecido - como andar de bicicleta: a gente não esquece!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Foi muito treta trabalhar tanto na segunda gravidez? O que mais atrapalhava: mal estares físicos ou a falta de compreensão dos outros?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Foi difícil porque trabalhei muito. Tive uma enxaqueca nos primeiros meses, mas que passou e então continuei trabalhando sem maiores incômodos, até porque tive muita compreensão de todos com o meu estado gravídico. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O blog não existe mais? Você pretende escrever mais livros? (ela já é autora também de Travessia – biografia de Milton Nascimento)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu adorava o blog até chegar num ponto, com o Antônio ainda bebezinho, que não conseguia mais escrever. Porque não dava para manter um blog atualizado somente uma vez ao mês, mas quero muito retomar a escrita. Até já comecei outro livro, e está bem avançado. Agora preciso conseguir organizar o tempo para terminá-lo. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foi lidar com o sucesso do blog? Porque ele começou de maneira tão despretensiosa e de repente teve uma audiência enorme e bastante interessada em tudo que você contava?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fiquei surpresa! Nunca imaginei ter tantos leitores e que pudesse ser tão legal. Uma experiência de troca mesmo! Foi uma das mais gratificantes da minha vida pessoal e profissional até hoje.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foram seus partos? Rolou um interesse pelas questões de parto natural e amamentação?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu quis muito ter parto normal nas duas vezes, embora tenha ficado com medo. Mas não consegui. A primeira cesariana foi uma tragédia e tudo de ruim que poderia acontecer aconteceu. Fiquei mais de um mês no hospital. A segunda foi bem tranquila. Amamentei bastante, o Daniel por 9 meses e o Antônio por 1 ano e meio (mais do que precisava, talvez, demorei para conseguir cortar o laço).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como produtora musical que gosta e manja do riscado, qual a trilha sonora da sua maternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nossa! Não sei dizer. Ouvi de tudo, principalmente as músicas que o Felipe, meu marido, escuta, porque não tenho hábito de colocar nada para escutar. Posso dizer que Allman Brothers foi uma banda que compôs boa parte da trilha da minha gravidez.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Então vou ficar por aqui... Cantando Allman Brothers! ( Na mais livre adaptação materna de autoria de minha espotância veia poética: “When you can&#39;t find the light,That got you through the cloudy days,When the stars ain&#39;t shinin&#39; bright,You feel like you&#39;ve lost you&#39;re way,When those candle lights of home,Burn so very far away,Well you got to let your soul shine,Just like &lt;b&gt;mommy&lt;/b&gt; used to say”).&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/7297988878566516372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/7297988878566516372?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/7297988878566516372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/7297988878566516372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/12/par-de-dois.html' title='Par de dois'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLaXK6ysXTEr16UHJ_UaHk85iTgF0yu_H9mtHyR2aamRmexdL4d21QnFFToQUu4wCOKTz1MXfsz1hJiihVz9LXF5-0c6UwH592jM489-NPkxzVcYW-bxSQbRT9K10Dw72wAi32W7ZtmeA/s72-c/maria+dolores.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-461307649473818315</id><published>2012-12-07T04:50:00.000-08:00</published><updated>2012-12-07T04:50:07.910-08:00</updated><title type='text'>Manifesto breve de um movimento sutil</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvLsQHbsKUrE06ix-Sf6ebxIqiPWR1d-eXNhxw12FfOrbcj_cse-2nNAHnkpQaBLxMClX3dBkn1ZtOq4glpcOv8JYciESQe9ZP4cCGeyeBHUO82yZpOFWWp2620G3d6_qtdHEVBD4Gin4/s1600/marcia_tiburi+03.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;213&quot; width=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvLsQHbsKUrE06ix-Sf6ebxIqiPWR1d-eXNhxw12FfOrbcj_cse-2nNAHnkpQaBLxMClX3dBkn1ZtOq4glpcOv8JYciESQe9ZP4cCGeyeBHUO82yZpOFWWp2620G3d6_qtdHEVBD4Gin4/s400/marcia_tiburi+03.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
O &lt;a href=&quot;http://filosofiacinza.com/2012/05/13/movimento-pela-libertacao-das-maes-manifesto-breve-de-um-movimento-sutil/&quot;&gt;MLM&lt;/a&gt; precisa continuar!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi com essa recente e necessária afirmação acima, que a filósofa, professora, escritora, mãe, feminista e livre pensadora (não necessariamente nessa ordem e muito menos categoricamente), Marcia Tiburi, criou o Movimento pela Libertação das Mães - Manifesto Breve de um Movimento Sutil - ao qual, o &quot;manhê&quot; destrincha numa entrevista de cair de queixo (e eu nem sei se essa expressão existe)! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma reflexão nada sutil partindo do ponto de vista da maternidade, onde nada é breve, efêmero ou superficial, mas insistimos socialmente em tratar a questão sempre em tons do nada bom e velho &lt;i&gt;mais do mesmo&lt;/i&gt;!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu quero parar prá pensar mais! Você também vem nessa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então reflete que nem espelho:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você dá as mãos à Elisabeth Badinter quando ela diz que a Maternidade é um mito?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Antes de mais nada, deixe-me comentar como é divertido o seu jeito de perguntar. Agora vamos à resposta à pergunta, em si mesmo, libertadora. A maternidade é um mito? Sim, podemos dizer que em alguns aspectos, a maternidade é um mito. Mas o é, sobretudo, por ser uma peculiar condição política. Uma condição em que a figura denominada mãe ocupa um lugar especial em um contexto social. Só que este lugar guarda uma contradição, mais ainda, guarda um paradoxo. Aquele que implica que a maternidade é a política da dominação das mulheres por meio de seu culto. De uma lado, temos o posicionamento da mãe como a “rainha” do lar. De outro ela é uma espécie de escrava. As de antigamente, quando não eram ricas, deviam cuidar da casa e dos filhos, as de hoje tem tripla ou quádrupla jornada de trabalho. Sem falar no fato de que a mãe é sempre a culpada de tudo do que ocorre ao filho. Se um filho tiver sucesso na vida, dificilmente lembrarão da mãe. Se um filho cair no crime ou tiver qualquer outro tipo de problema, a culpa será da mãe. O que temos que nos perguntar é o que esta figura denominada mãe ganha aceitando a mística da “rainha” do lar? Penso que as mães são eleitas (e elas caem nisso tão facilmente) para um lugar que é de bode expiatório, sagradas e profanadas ao mesmo tempo. Tudo o que é sagrado pode ser sacrificado. É isso o que acontece com as mães. Elas caem facilmente nesta armadilha deste lugar especial, quando na verdade, são as eleitas para um grande sacrifício. Vivem num limbo, num estranho estado de exceção, adoradas desde que façam tudo certinho, execradas desde que cometam qualquer tipo de “erro” em relação ao que se esperava delas, que não correspondam ao padrão, à regra, à verdadeira ordem que é a maternidade. A maternidade pode ser muito bacana, mas é muito mais fácil que seja para as mulheres uma tirania que não deixa para elas outras escolhas e possibilidades. Não desejo a maternidade para ninguém que não conheça suas armadilhas. E quase ninguém conhece essas armadilhas. Quem quiser ser mãe precisa começar combatendo o mito da maternidade. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que poderemos pensar pelo esclarecimento e desconstrução da maternidade? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Mostrar que se a maternidade não é ditadura, ela tem que ser coletiva. Se olharmos para a maternidade como algo que está além da neurose, como algo prático, ela é necessariamente um trabalho de várias pessoas. E isso porque ela é uma condição de responsabilidade para com um outro. Ninguém cria um filho sozinho. Antigamente haviam amas de leite. Hoje quem pode pagar tem uma babá, um berçário, creche ou escolinha onde deixar o filho. Cuidar o tempo todo de uma criança pode ser um inferno para uma pessoa que não tenha muito desejo de fazer isso. Aliás, as pessoas chamam de “mãe desnaturada” aquela mulher que pariu um filho e não conseguiu desejar a maternidade. Como se a maternidade (na espécie humana) fosse simplesmente algo natural e não um dado da cultura. Verdade é que podemos falar de maternidade como uma condição subjetiva. Mãe seria aquela pessoa que teria a capacidade de cuidar de um outro. Acontece que o fato de ser mulher e de ter parido um bebê não é a condição para a maternidade se a penarmos nestes termos. Nem todo mundo consegue isso, nem todo mundo gosta disso. Este fato deve ser respeitado. As mulheres bem que poderiam se libertar desse peso. Parir um bebê é uma coisa, ser mãe de uma pessoa é outra. A meu ver, ninguém deveria sentir-se obrigada a ser mãe nem depois que a pessoa nascesse. Inclusive, digo isso pensando que você pode ser alguém legal com a pessoa que nasceu de você, sem precisar encaixar-se no estereótipo da boa mãe. Além disso, esse pensamento melhoraria a questão da adoção entre nós. Do mesmo modo, aquelas pessoas que perguntam “quando você terá um filho?” deveriam calar. Esta pergunta é performática, ela surge como uma cobrança e cria uma dívida. “Toma que o filho é teu” é algo que as mulheres deveriam dizer a qualquer um que as colocasse nessa situação em uma sociedade que mistifica a maternidade, pressiona as mulheres para que sejam mães e ao mesmo tempo proíbe o aborto.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por que o peso pela criação e educação dos filhos recai tão diretamente sobre a mulher?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Como eu disse, porque as mulheres são eleitas para este papel da procriação que é um papel questionável do ponto de vista dos valores políticos. Você acha que as mulheres teriam tantos filhos se pudessem não ter? Muitas não teriam nenhum. É verdade que outras teriam por motivos muito próprios. Mas creio que estas seriam as que não tem que trabalhar, porque tem maridos muito ricos (elas ainda existem?) e que não tem problemas físicos com a gravidez e a amamentação e tudo o que vem depois. É certo que a sustentação da maternidade historicamente precisou de muito bombardeio ideológico da sociedade patriarcal, da qual as próprias mulheres fizeram parte. E, infelizmente, ainda fazem.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como discutir, socialmente, o direito ao não desejo de maternar?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Isso também tem que ser desmistificado. Uma mulher quando pare pode descobrir que gosta do filho ou não gosta. As mulheres, na maior parte não se colocam esta questão porque elas mesmas introjetaram os discurso que as oprime. Uma mulher até pode vir a gostar do filho depois do parto, mas não quer dizer que tenha gostado de pari-lo ou que tenha se encantado com sua condição de bebê. Não podemos mais naturalizar isso. Naturalizar é mistificar. Pois a  condição da mulher que pariu sofre muitas mediações. Ela descobre que a coisa de cuidar lhe interessa ou não, que ela tem condições ou não. Na verdade, o termo exato não é bem esse. Não se trata exatamente de descobrir isso ou aquilo, porque isso não vem à consciência. Muitas mulheres ficam se culpando porque não levam jeito para a maternidade. Ninguém leva, me desculpem, a não ser que comecemos a teorizar sobre mães heroínas, super mulheres e super mães. Isso não nos ajuda a desmistificar a questão. As mulheres que parem crianças precisam de ajuda, porque não é algo nada fácil em nossas vidas complexas. Quando há ajuda tudo é mais fácil. Além disso, gostaria de dizer que não há nada de anormal em ficar deprimida após o parto. Dizemos que isso é anormal por conta do padrão da maternidade defendido em nossa cultura. A maternidade não é tudo na vida, não é a realização do ser humano denominado “mulher”. Pode ser momentaneamente, pode ser durante um tempo, mas um filho não é em si mesmo o sentido da vida de uma mulher. Ele é uma grande responsabilidade, uma terrível e assustadora responsabilidade que precisa ser partilhada. Do contrário, não há porque tê-lo. A responsabilidade é tão grande que o patriarcado inventou o mito da maternidade para jogar isso tudo sobre a figura denominada mãe. E ela, como vítima culpada, ou seja, como otária, deveria aceitar. Agora, é claro que a sociedade, cínica em relação a este assunto, afirmará sempre que quem tem filho que trate de criá-lo. As coisas são assim, mas isso não quer dizer que sejam justas. Se houvesse justiça neste campo, as mulheres poderiam escolher com mais tranquilidade o aborto, não ter filhos, viver sem filhos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Haveria alguma maneira de colocar o assunto em pauta e efetivamente pararmos de apontar o dedo prás mães que não querem ou não podem cumprir essa &quot;função&quot;?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Acho que a desmistificação do aborto é uma saída. Além da crescente manifestação de mulheres que não desejam ter filhos, mesmo quando casadas. Como já acontece em vários países e aqui no Brasil também. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quantos anos tem a sua filha e qual é sua relação com ela? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A minha filha tem 15 anos. Eu a tive aos 27 anos, num momento em que me deu uma vontade imensa de ter uma filha. Naquela época eu era muito, mas muito ingênua. Muito devotada a todas as causas auto-sacrificiais. Meu feminismo ainda não tinha acontecido. Vejo minha filha como uma pessoa linda, maravilhosa. Ela é, sem dúvida, pessoa que mais amo na vida. Sorte que a tive naquela época, pois hoje, depois de perceber muitas implicações da procriação, seria difícil fazer esta escolha. O que mais me atinge hoje em dia é o tamanho da responsabilidade. É a intensidade da responsabilidade. Naquela época eu tive ajuda de muita gente. Minhas irmãs, minha mãe, as pessoas que pude pagar. Como separei do pai dela muito cedo, ele quase não ajudou, como até hoje, praticamente não tem participação em suas questões de ordem subjetiva e prática. Para mim isso não é um problema. Ao contrário. Eu me sinto mãe de muita gente, no sentido de que tenho o gosto de proteger e ajudar várias pessoas. E acho que, neste sentido, a maternidade é boa, desde que ela não seja jogada e imposta às mulheres. E é neste sentido que ela pode também ser praticada pelos homens. Podemos ter filhos adotivos, diversos, vários. A maternidade, neste caso, é uma subjetividade de acolhida que não precisa ter relação com um corpo capaz de parir.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você acredita que haja diferença em educar meninos e meninas? Em qual aspecto o gênero influencia na criação dos filhos? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;As pessoas fazem esta diferença. Educar está intimamente atrelado ao gênero, só que o gênero é histórico e, por isso mesmo, limitado. Basta você entrar numa loja de brinquedos e ver a divisão dos sexos. Deste modo, a educação que os pais dão aos filhos também é limitada. Eu, por exemplo, não educo minha filha para ser mulher. Nem para ser homem. Não gosto aliás, da ideologia do sexo binário e heterossexual. Educo a minha filha na convivência, com a mesma sinceridade que tenho com qualquer outra pessoa. Eu falo com ela como falaria com qualquer um e falo com qualquer um como se fosse meu filho, com a mesma sinceridade. Pelo menos é o que eu tento. Espero que minha filha seja sempre ela mesma como já é e sempre foi desde pequena. Ao mesmo tempo, lembro da minha educação. Nem minha mãe, meu pai e meus avós e parentes e professores, me educaram para assumir papéis ou agradar alguém. Não lembro de ter sido conduzida a isso ou aquilo. Eu nunca fui ensinada diretamente a ser mulher, mãe ou coisa parecida. Percebi o quanto minha mãe sofreu sendo mãe e esposa. Ela literalmente estragou a sua vida. E ela mesma acha isso. Podia ser diferente. Mas naquela época, naquela cidade, com aquela cultura... ela, como muitas mulheres neste Brasil, estava numa situação sem saída.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como criar filhas feministas, conscientes e ruidosas?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Falando tudo. Sendo sincera. E, sobretudo, sendo livre para pensar, dizer e fazer. Penso que o que damos uns aos outros diariamente é a nossa coerência ou incoerência. Os filhos percebem e sofrem ou alegram-se com a liberdade de ser e pensar que podem também ter.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual sua maior dificuldade como mãe?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nenhuma. Eu sou uma mãe no sentido bom, não sou culpada, sou solidária e responsável com a minha filha, os filhos dos outros, os que não tem pais, os que não tem filhos. Enfim, não vejo nada demais em ser mãe, nem para pior, nem para melhor. E acho que este modo que colocar a questão é bom pra todo mundo. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tenho a impressão de que a maioria das mães quer falar de maternidade no âmbito funcional, sobre partos, amamentação, chupetas, o como fazer e o o quê fazer. Estamos na superfície das questões sobre um relacionamento (mães e filhos) que requer uma reflexão mais política (não num sentido partidário) e sociológica? Por que ficamos tão neuróticas procurando respostas sobre COMO AGIR ao invés de pensar na maternidade em si?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;É que para a maior parte das mulheres o filho é um brinquedo e elas estão brincando de casinha. Um dia recebi uma visita em minha casa. A moça disse que queria engravidar porque estava querendo decorar um quarto de bebê e se preocupava com quem cuidaria dela quando fosse velha. Eu, sem querer ser grosseria perguntei a ela se ela tinha certeza de que seu filho cuidaria dela quando ela envelhecesse... hoje eu diria: quem garante que vamos envelhecer? Recomendo a todos que tratam os filhos como brinquedos ou coisas leiam o livro de Julio Cabrera: “Por que te amo não nascerás”. Um livro sobre a manipulação da procriação e a falta de ética com aqueles que vão nascer.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Sou mãe solteira e levanto a bandeira pela causa. Não consigo acreditar que minha filha TENHA QUE TER um modelo masculino em sua criação, necessariamente. Principalmente um modelo com o qual discordo pessoalmente em questões, inclusive, morais. O que eu gostaria de saber é qual a sua consideração sobre esse assunto de modelo masculino e feminino e também sobre a educação de crianças por casais homossexuais.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu acho que isso não é uma questão. Eu lembro de que antigamente as pessoas se referiam assim às mulheres, mas hoje? Depois de toda a libertação que vivemos? Quem ainda vai se referir a uma mulher como “mãe solteira”? Não falamos em “pais solteiros”. Nem em “mães divorciadas”. Acho que estas designações são frutos de preconceitos que recaem sobre mulheres. Mas se é sua bandeira tomara que seja como afirmação e não como falta de um pai que tornaria esta mãe não solteira. Como já falei a binariedade sexual bem como o paradigma da heterossexualidade estão cada vez mais ultrapassados. Não vejo como educar afirmando isso tudo. A única saída é a desconstrução desse paradigma.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual seu maior medo em relação à mulher e à maternidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Medo? Agora me pergunto, será que tenho um? Talvez, que as mulheres banquem o machismo que as oprime como o fazem em muitos casos. Medo em relação à maternidade? Que ela continue sendo uma armadilha.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais mães você destacaria como modelos de sua admiração?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não tenho admiração, tenho mesmo é pena. Pena da minha mãe e das minhas avós que não puderam ser outra coisa na vida. A admiração só reforça a mística materna e o mito da maternidade.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que perguntaria para sua mãe? E para sua filha?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Para minha mãe: por que vc não nos abandonou?&lt;br /&gt;
Para minha filha eu não perguntaria nada. Mas eu já pedi desculpas por tê-la colocado neste mundo. Ela, gentil, me respondeu” relaxa, mãe, eu to gostando”.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como o homem pode (e até deve) participar da criação dos filhos?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu realmente acho que essa questão não tem outro sentido senão este: um homem pode ser uma mãe!!!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por que temos tanto medo de errar?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Qualquer pessoa sensata e que não sofra de onipotência tem medo de errar. É um medo que não é de todo ruim...&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa entrevista não teve qualquer edição à pedidos da entrevistada - o que fez todo sentido dentro de qualquer coerência possível e imaginável! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sinceridade conta! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E durma com um barulho desses você também!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/461307649473818315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/461307649473818315?isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/461307649473818315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/461307649473818315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/12/manifesto-breve-de-um-movimento-sutil.html' title='Manifesto breve de um movimento sutil'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvLsQHbsKUrE06ix-Sf6ebxIqiPWR1d-eXNhxw12FfOrbcj_cse-2nNAHnkpQaBLxMClX3dBkn1ZtOq4glpcOv8JYciESQe9ZP4cCGeyeBHUO82yZpOFWWp2620G3d6_qtdHEVBD4Gin4/s72-c/marcia_tiburi+03.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-7590322662915288731</id><published>2012-11-30T08:25:00.000-08:00</published><updated>2012-11-30T08:25:08.397-08:00</updated><title type='text'>Sem mais manuais</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhw8bQPZH-ymblpAjEpXwCH76jBRYsvvqr2apVTu9JpG0W1TqclOpirifYkkTjdm3YHFs2JBP80LYVwqJntW-5piWXi_6vYSQqx7zWFInfNh5WwXCRth1bt4dBmPB9es9-_-ng2_KRyPe0/s1600/iara+1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;381&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhw8bQPZH-ymblpAjEpXwCH76jBRYsvvqr2apVTu9JpG0W1TqclOpirifYkkTjdm3YHFs2JBP80LYVwqJntW-5piWXi_6vYSQqx7zWFInfNh5WwXCRth1bt4dBmPB9es9-_-ng2_KRyPe0/s400/iara+1.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Meu filho mais velho tem mais de uma década de vida (e esta ficando mais alto que a mãe). Desde sua mais tenra infância, essa que vos escreve, já garimpava os mais variados sebos e livrarias atrás de conteúdos com novas visões sobre maternidade e educação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia caiu da bancada (comigo isso sempre aconteceu assim, os melhores livros simplesmente caiam na minha frente – e não o meu filho) o item de título, no mínimo, curioso: “&lt;a href=&quot;http://www.matrixeditora.com.br/&quot;&gt;NÃO USE LIVROS SOBRE COMO EDUCAR SEUS FILHOS&lt;/a&gt;”. A partir daí nunca mais comprei (é nada, eu comprei sim porque outros livros seguiram caindo na minha cabeça, o que me deixou bem sem opção)! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só para sacar um pouquinho melhor do que vamos conversar agora, cada capítulo do livro em questão começa com uma frase genial e é cheio de ótimas referências, mas destaco a de Medeiros de Albuquerque “As primeiras artes que os homens precisaram aprender não as acharam em livros”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Confesso também que o livro ficou na cabeceira um tempinho e depois de alguns anos abri para ler com calma. O subtítulo “Um guia para resgatar o bom senso” não costumava atrair minha atenção. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“O termo bom senso permite tantas interpretações que já foi esvaziado de seu sentido. Poderia ser algo como a prática madura de um adulto em seu papel de educador resultado da experiência e da reflexão - construído de modo pessoal” explica a autora, Iara Pasta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito da obra parece ter sido mesmo o de fazer com que as pessoas prestem mais atenção nos filhos e em si mesmas, abrindo mão do ato - muitas vezes mecânico - de comprar livros sobre educação e colocar em prática teorias de autores que nem sempre levam em conta o dia a dia das famílias, sua formação e personalidades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora Iara Pasta é educadora por profissão, mas que como qualquer mãe, confessa ter cometidos lá seus perdoáveis errinhos na educação dos filhos sim, mas deixando os saldos positivos nos acertos - ainda maiores!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No canto da sereia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Podemos estender o título do seu livro para blogs também?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sem dúvida, desde que o título seja entendido não como um descarte de tudo o que é publicado - em papel ou na internet - sobre educação, e sim que os conteúdos não podem ser vistos como manuais que contêm todas as respostas para a criação dos filhos. A formação de um ser humano, na mais ampla acepção da palavra - uma vez que cada indivíduo tem suas idiossincrasias, além de um conjunto de valores e costumes específicos de cada família - não faria sentido sendo desvendada em qualquer texto, por melhor que se proponha, contendo respostas para tudo o que a educação engloba.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E como surgiu o livro então?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Foi meio por acaso. No começo dos anos 2000 fui convidada para escrever uma coluna sobre educação na revista Ana Maria. Produzi alguns poucos textos, mas no final não era bem o que a editora queria. De qualquer forma, esse trabalho serviu para um livro que a Editora Matrix estava buscando, algo contra a enxurrada de manuais de educação que inundava o mercado editorial. Era um tal de “Como educar meninos”, “Como educar meninas”, “Como educar gêmeos” e assim por diante, que até parecia que a coisa funcionava como uma receita de bolo, bastava misturar os ingredientes na proporção correta que tudo daria certo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que seria o bom senso em se tratando de educação infantil?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Um dos aspectos que considero fundamental é o de enxergar a criança como um ser humano, antes de qualquer coisa. O fato do bebê ou da criança não possuir o discernimento e a capacidade de julgamento de um adulto não o torna menos digno de respeito pela pessoa que é. A função do adulto, portanto, é a de contribuir para o desenvolvimento da autonomia nas crianças.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quantos anos têm seus filhos? E como é a sua experiência como mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O mais velho está com 25 anos e o caçula, com 23. Já fui chamada de desnaturada pela minha mãe, que achava que eu deveria protegê-los mais em certas situações, mas pelo que vejo deles hoje e por toda relação que temos, creio que a formação para que pudessem se tornar indivíduos capazes de lutar pelo que consideram realmente importante foi acertada.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;A questão profissão X família é exclusiva da mulher ou os homens estão mais envolvidos nessa contradição também? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;No geral creio que ainda é exclusividade da mulher. Homens que se envolvem efetivamente nas questões familiares ainda são poucos, a maioria continua “ajudando”, ou seja, prestando um auxílio àquela que é verdadeira responsável pela condução da educação e dos cuidados com os filhos. Basta ver o caso de uma criança que fica doente como é implícito que a mulher deva faltar no seu trabalho para cuidar do filho nessas condições. Esse acaba sendo considerado um motivo forte o suficiente para que ela falte, mas não justificaria, por exemplo, a ausência de um homem.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que é a firmeza na educação dos filhos? Como lidar com a questão da autoridade no limite do respeito?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Em primeiro lugar, para que haja firmeza na educação é preciso que os pais tenham firmeza sobre o que consideram importante em termos de valores e comportamentos. A partir daí, a própria convicção dos pais dá respaldo à autoridade necessária para que a criança perceba o que é permitido, o que é desejado e o que não é permitido em termos de comportamento. O mais difícil principalmente em se tratando de crianças pequenas, é resistir à tentação de ceder para se livrar da insistência dos filhos quando querem algo. Mas sem esse tipo de firmeza, todos os esforços caem por terra, porque a criança aprende a “jogar” no sentido de sempre ter seus desejos atendidos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual aspecto da criação dos filhos, você considera essencial?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A valorização das capacidades e das características das crianças e a reafirmação de que, como pais, estaremos sempre presentes quando for necessário. Quando meus filhos eram pequenos, era comum que, no caso de um comportamento inadequado, eu deixasse claro que estava muito brava ou chateada com o ocorrido, mas que isso não fazia com que eu deixasse de amá-los. A ideia era: “não vou deixar de gostar de você, mas no momento não quero conversa, o que você fez me irritou demais.” Acho muito complicado o discurso de alguns pais – mães, principalmente – que a qualquer momento alegam que não vão mais gostar dos filhos. Por mais que nós saibamos que isso não passa de uma frase, para as crianças é uma verdade.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;A questão do tempo parece cada vez mais complicada. Eu mesma sinto que trabalho cada vez mais (tempo) por menos (dinheiro), mesmo assim não posso deixar de fazê-lo devido às necessidades financeiras como mãe provedora. Como lidar com isso, onde não só a qualidade do tempo junto com os filhos é importante, mas também a quantidade?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nesse caso, a questão é bem mais complicada, trata-se da inserção numa sociedade que estimula o consumo a níveis absurdos. Se analisarmos com frieza, a maior parte de nossos gastos e dívidas se referem à aquisição de produtos ou serviços absolutamente supérfluos. A questão dos gadgets, por exemplo: muita gente não precisa de equipamentos de última geração para seu trabalho e, em seu tempo livre, nem tem tempo de explorá-los, mas a todo o tempo as pessoas estão correndo atrás de algo tecnologicamente mais avançado. Compramos roupas que usamos uma, duas vezes apenas; trocamos um carro que não nos dá problemas e assim por diante. Portanto, minha resposta a essa questão está muito mais ligada a uma conscientização dos pais sobre o que é realmente necessário para uma vida confortável e segura e menos à concordância com a afirmação de que as reais necessidades financeiras é que nos fazem trabalhar sem termos tempo para nossos filhos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como os pais podem ampliar o diálogo com os filhos? Uma vez li um trecho de um livro da Soninha Francine com o Jairo Bouer onde diziam que os pais presentes na vida de seus filhos os conhecem bem e não tem surpresas como: “você esta grávida?”, ou ainda “nunca passou pela minha cabeça meu filho usar drogas”. Como ampliar e melhorar a convivência com os filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Concordo com os autores, essa presença dos pais na vida dos filhos é essencial, mas tem que ser uma presença verdadeira, aquela que começa desde cedo. Brincar, contar histórias, consolar numa noite de pesadelo ou quando a criança ralou o joelho, contar fatos da sua vida quando tinha a idade de seu filho são atitudes que criam uma cumplicidade. O problema é que conforme as crianças crescem, esse contato vai se tornando mais esparso. Principalmente na adolescência, quando começam os questionamentos, fica mais cômodo reclamar da “aborrecência” e se afastar. E é justamente nesse momento que a presença dos pais e de limites claros torna-se essencial. Inclusive porque uma das discussões básicas nesse momento da vida de um filho é a negociação dos limites, muitas vezes com a ampliação de alguns deles, fazendo com que o adolescente perceba que passa a ser cada vez mais responsável por suas atitudes e as consequências que elas geram.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual a relação mais ideal que deveria existir entre os pais e as escolas?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Em primeiro lugar, é necessário que a família tenha certeza de que a escolha da escola seja estruturada com base em valores comuns. Não adianta uma família liberal colocar seus filhos num colégio conservador e rigoroso, mesmo sob a alegação de que “assim ele toma jeito”. O choque de valores e na exigência de determinados comportamentos só vai gerar irritação entre a família, a criança e a escola. Outro aspecto a ser levado em conta é que os pais não devem procurar a escola apenas quando ocorre um problema, e sim ter uma relação mais frequente. Isso não significa ir à escola toda semana, mas conversar com o filho sobre o que ele faz quando esta lá, como é a professora, quais são os amiguinhos. Se a escola tiver um portal, é outra forma de acompanhar o que é feito e como ela funciona. Afinal, família e escola devem formar uma parceria na tarefa de educar.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como educadora o que mais chama atenção - para bem e para mal - na geração atual?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Atualmente estou lecionando Sociologia para o Ensino Médio, e uma coisa que tem me dado muita alegria é perceber que os jovens estão voltando a se interessar e querer se envolver com a política nacional. Eles cobram, querem saber como funciona e quais ações podem ser realizadas para tentar mudar o que está aí. Há alguns anos atrás, a reação parecia ser de total descaso e desprezo, o que, numa democracia representativa, faz com que a opinião pública simplesmente não exista. E essa falta facilita os atos de corrupção, nepotismo etc. O que vejo como “mal” é a ideia de que é possível construir algo, seja um relacionamento ou uma carreira profissional, fazendo apenas o que se gosta de fazer. Qualquer esforço é visto automaticamente como sacrifício. Por exemplo, o desejo de um relacionamento afetivo estável é visível, mas ele é absolutamente idealizado, como se entre um casal não houvesse discussões, divergências e momentos de cansaço de um em relação ao outro. O modelo é o que aparece em filmes e novelas - que não corresponde absolutamente à realidade - e o que sobra é um desencanto e a ideia de que “não existe amor verdadeiro”, como se esse tipo de laço surgisse e se mantivesse de maneira espontânea sem necessidade do investimento de tempo, sentimento e paciência. No caso da carreira profissional, é a mesma coisa: “vou sair do colégio, entrar na faculdade, arrumar um emprego bacana e ter uma vida tão ou mais confortável do que a que meus pais me dão.” Só que tudo isso sem ter que abrir mão de atividades mais agradáveis para estudar, sem ter que aguentar chefes ou colegas desagradáveis, sem ter que passar por situações complicadas. Com isso, o comprometimento com a atividade profissional – que já começa na vida acadêmica – vai ficando cada vez mais distante.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;OBS: cabe meu desabafo “manhêzístico”!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui no blog você não vai encontrar entrevistas com “especialistas” das maiores universidades e hospitais do país porque simplesmente não faz sentido que o melhor de como educar nossos filhos possa vir por meio dessas pessoas. Sentadas em suas salas, atrás de computadores, analisando outras pessoas e estudos internacionais (até porque a pesquisa no Brasil me parece muito pouco divulgada), medicando, concluindo e por fim nos “instruindo” através de revistas pragmáticas que fogem por completo da ideia de uma maternidade real, a qual mães autênticas têm buscado tão claramente. Aqui no Planeta Terra, diretamente de um mundo legitimado por mães que conversam em blogs, fóruns de discussão, grupos de e-mails e principalmente: pessoalmente - ninguém parece acreditar cegamente em livros, teorias, conceitos e &quot;matérias instrutivas&quot;. Essa é uma revelação de quem VIVE a maternidade, ao invés de tão somente escrever sobre ela. Fica a dica de quem não aguenta mais ler conteúdo superficial criado por pessoas com uma estranha e confusa visão da vida!&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/7590322662915288731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/7590322662915288731?isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/7590322662915288731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/7590322662915288731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/11/sem-mais-manuais.html' title='Sem mais manuais'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhw8bQPZH-ymblpAjEpXwCH76jBRYsvvqr2apVTu9JpG0W1TqclOpirifYkkTjdm3YHFs2JBP80LYVwqJntW-5piWXi_6vYSQqx7zWFInfNh5WwXCRth1bt4dBmPB9es9-_-ng2_KRyPe0/s72-c/iara+1.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-7213919510362200860</id><published>2012-11-27T13:52:00.000-08:00</published><updated>2012-11-27T13:59:32.025-08:00</updated><title type='text'>Lá vem eles!</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-DrEIhscmbg_n4qvvZv7FLhOaZScRp5b2eHOi4gNwYUzwtqxqgQk6NrlK8SOZKLfc0vtkagm3rBladLdggWFdgdjua05TIZH9g7bIC5gfCJeYT2l7WExzzbYxADlciasjDKj0kI55-k0/s1600/grasi.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;175&quot; width=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-DrEIhscmbg_n4qvvZv7FLhOaZScRp5b2eHOi4gNwYUzwtqxqgQk6NrlK8SOZKLfc0vtkagm3rBladLdggWFdgdjua05TIZH9g7bIC5gfCJeYT2l7WExzzbYxADlciasjDKj0kI55-k0/s400/grasi.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Há aproximadamente 30 semanas, em processo de gestação, Margarida &amp; Iolanda – gêmeas univitelinas - se preparam para chegar com força total e receber o maior amor do mundo! E esse festerê todo vai ser exclusivo de um dos poucos casais - incrivelmente apaixonados e prontos para a nova função de pais – que tenho conhecimento nessa vida, a Grasi e o Rodrigo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma multiplicidade de afetos que vai deixando ainda mais claro, a cada dia, que o mundo dessa família é uma progressão geométrica e intensa da vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa frase aí em cima é toda uma liberdade poética, de minha livre adaptação sobre o conteúdo de uma cartinha linda que a Grasi fez para as filhotas num zine bem bacana do casal (legítima produção Drumond &amp; Bueno para o chá de bebê). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Nosso dia a dia é totalmente complementar, assim como nós dois. Estamos sempre juntos e isso é muito gostoso! Na gestação o companheirismo só se reforçou, tanto para as questões mais subjetivas quanto para as práticas. Um momento que traduziu muito disso que estou falando, foi o das sessões de fotos que fizemos juntos. Ele, que nunca gostou de tirar foto embarcou completamente nessa. É meio por aí mesmo, um navegando no mar do outro para juntos criarmos o nosso oceano” – foi ela quem disse.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E ainda disse mais, quer se emocionar também? Prepara a caixinha de lenço e vem!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Sua gravidez foi planejada?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Mais do que planejada, a gravidez foi intensamente desejada. Um desejo tão forte que eu jamais imaginei sentir. Nunca pensei em seguir, ou não, a ordem do status quo das cosias como crescer e multiplicar. Até que chegou um dia, uma época, uma fase, ou sei lá o quê exatamente, que para mim a nossa multiplicação - minha e do Rodrigo - fez todo o sentido. Sabe quando você não se imagina diferente? Eu não me imaginava necessariamente grávida nem mãe, apenas imaginava que delícia seria multiplicar o nosso amor pelo mundo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;E como foi que você ficou sabendo que estava grávida?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&quot;Abrimos as portas para o universo&quot; há quase um ano, mas meu ciclo sempre foi irregular. Alguns ginecologistas depois, percebi que isso poderia dificultar a concepção de forma natural. Tanto que cheguei a procurar um especialista no assunto e fiz vários exames para ver qualé que era. No meio disso tudo, surgiu um projeto incrível: a ocupação do Minhocão através de uma Festa Junina. Puxei essa ideia e, através das redes sociais, muita gente incrível embarcou nessa aventura. Por fim, fomos mais de duas mil pessoas povoando o Minhocão. Com esse filho nascido, voltei ao médico para um parecer sobre os resultados dos exames feitos entre maio e junho. Era dia 05 de julho, e eu não havia dormido direito - na noite anterior, o Timão (é nóiz) venceu a Libertadores - a consulta era às 8h30 e eu quase desisti. Estava com muito sono e o Rodrigo não poderia me acompanhar. Só que alguma força maior me tirou da cama e me jogou num táxi. Quando cheguei soube que as notícias dos exames não seriam das melhores e o médico decidiu fazer uma ultrassonografia para ver se eu iria ou não ovular em breve. Lá estava eu, olhando pra aquela TV cheia de manchas. Passaram-se uns minutos - que não faço ideia de quantos – e a auxiliar começou a rir baixinho pegando na minha mão. Devo ter feito uma cara de &quot;oi&quot;? O médico olha pra ela, e também dá uma risadinha para, em seguida, me perguntar se eu acreditava em milagres. &quot;Você está grávida! /pausa/ E são gêmeos!&quot; Daí pra frente imagina a euforia, alegria e fé no universo que surgiu em nossas vidas!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;E as expectativas, como estão?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu sou mega-plus ansiosa. Desde que soubemos da gravidez mergulhei neste universo de cabeça, mas tentando não perder a naturalidade da coisa. A Thais, doula que me acompanha, disse uma vez que o bebê não precisa de nada para nascer, ele vai nascer e pronto! Então tento equilibrar essa enxurrada de informações e sensações, junto com a naturalidade da multiplicação da vida.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Tem recebido muitos conselhos das outras mães? Como costuma encarar isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Olha, tem conselho de tudo quanto é lado: de mãe, sogra, blog, grupo de e-mails. Os conselhos não me incomodam tanto, na verdade alguns eu até busco. Mas a reação que algumas pessoas têm quando você diz que são gêmeas...Afê! Tem gente sem noção que começa o discurso &quot;bad trip&quot;, tanto para o período da gravidez quanto para os primeiros meses de vida. É bem engraçado e comum as pessoas perguntarem: &quot;Tá tudo bem&quot;? E eu respondo: &quot;Sim, tá tudo ótimo comigo e com as meninas!”, aí do outro lado vem: &quot;Mas tá tudo bem mesmo?”. Na verdade isso me fortaleceu a beça. Não gosto dessa ideia de que gravidez gemelar tem risco. Segui e sigo com o pensamento totalmente para o bem e isso tem se mostrado muito eficiente.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;E as dúvidas que aparecem, com quem você tira? Mãe, médicos, livros?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Minhas dúvidas no geral são para coisas práticas do tipo: o que é um cueiro? Fora isso, tenho recebido muita informação da lista Materna_SP, da doula com quem pratico Yoga e que me acompanhará no parto, de uma amiga fofíssima que conheci e com quem tenho sessão de massagem (e praticamente terapia materna) e também com o obstetra que me acompanha, o Dr. Alberto. Mas, a bem da verdade, não tenho muitas dúvidas não. Acho que estou inundada de informação, aliás preciso dar um tempo nisso também!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Sua visão do mundo esta diferente? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não acho que minha visão de mundo tenha mudado necessariamente, mas talvez o ângulo. Para qualquer lado que eu olhe só vejo carrinhos de bebês e slings.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Tem alguma mãe que você admire e pense em se espelhar?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Minha avó, Margarida. Mãezona de 14 filhos, 89 anos e alto astral sempre. Ela acobertava as filhas para que pudessem pular carnaval no baile da cidade em paz. Meu avô nem desconfiava. Tem exemplo melhor?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;E o Rodrigo como esta? Cheio de expectativas? Mais companheiro? Já deu prá sentir alguma diferença nele?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Quem conhece o Rodrigo já imagina logo um companheiro bem ativo e pai de carinho impar. E é exatamente isso! Claro que tem também a parte prática da coisa toda: comprar itens básicos, preparar a casa e tudo o mais - que dá um trabalho e uma canseira danada! Mas acredita que nada disso tira dele um tempo todo especial para curtir tanto a gestação quanto à mim? O primeiro presente que ele me deu, quando descobrimos a gravidez, foi um power espremedor de laranja. E desde então, religiosamente, nossa vida tem sido regada a sucos naturais no café da manhã feitos pelo companheirão, que sempre acorda mais cedo que eu, e bate um super papo com as meninas na barriga.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Você tem preferência por parto natural? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nessa busca pela maternidade eu já havia entendido que parto é o ato de parir, e prá mim, parir a gente só faz pela vagina! Esse é o meu desejo sim, ter um lindo parto natural gemelar, com as filhotas vindo mamar na mamãe. É claro que, especialmente no caso de gêmeos, tem alguns fatores que podem influenciar para caminhos diferentes, mas estou super confiante no médico e na equipe que me acompanha para que, juntos, façamos desse momento algo muito especial para mim, para o Rodrigo e para as meninas. Agora, de verdade, já me imagino sentindo as contrações. Essa sensação animal me fascina!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Qual a situação mais difícil da gravidez até agora? E qual a mais legal?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A situação mais difícil até agora tem sido abotoar os sapatos e levantar da cama nas madrugadas para fazer um xixi básico. Agora, vou te contar: toda vez que elas formam uns morrinhos na minha barriga é demais!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Você tem pensado em questões relativas à vida profissional e outras mudanças que virão logo mais? Eu vi que já rolou uma mudança de casa, como foi?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Mudar de casa foi uma questão bem prática, porque queríamos uma com três quartos, garagem e preferencialmente próxima dos nossos locais de trabalho. Foi tudo rápido: eu sugeri, o Rodrigo topou e juntos procuramos os apês. E assim, no susto e em menos de um mês alugamos o nosso do Centrão e nos mudamos para o Paraíso. Logo no início da gestação, eu estava pensando mais sobre a vida com as meninas já aqui no mundão, como conciliar os meus dois locais de trabalho, a vida social, viagens e etc. Mas depois, sei lá, parece que as coisas vão se incorporando. Preferi não antecipar nenhum tipo de decisão. Deixa a Magá&amp;Ioiô tomarem conta de nossas vidas e aí, juntos, eu tenho certeza que a gente vai se ajeitando!&lt;/blockquote&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/7213919510362200860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/7213919510362200860?isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/7213919510362200860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/7213919510362200860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/11/la-vem-eles.html' title='Lá vem eles!'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-DrEIhscmbg_n4qvvZv7FLhOaZScRp5b2eHOi4gNwYUzwtqxqgQk6NrlK8SOZKLfc0vtkagm3rBladLdggWFdgdjua05TIZH9g7bIC5gfCJeYT2l7WExzzbYxADlciasjDKj0kI55-k0/s72-c/grasi.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-5192274928156549121</id><published>2012-11-23T11:45:00.000-08:00</published><updated>2012-11-23T11:45:16.712-08:00</updated><title type='text'>A mãe do meu melhor amigo-irmão</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigXLs0n2VRf_WVC49AuH-ZGwW0BPzujLnsH6UJbOnQPpIBDu_YxCO9NlGnDCXDUFL26KuyO5IJShwuifgr8VD4F4ZyOIVVWTVZ_bSP_memUWU2esjmorBg98NJ_qDoiUPv7i7AgPRFm3k/s1600/silvia1.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;393&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigXLs0n2VRf_WVC49AuH-ZGwW0BPzujLnsH6UJbOnQPpIBDu_YxCO9NlGnDCXDUFL26KuyO5IJShwuifgr8VD4F4ZyOIVVWTVZ_bSP_memUWU2esjmorBg98NJ_qDoiUPv7i7AgPRFm3k/s400/silvia1.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Coinscidências existem? Costumo achar que não! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sorte?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer a mulher com uma visão de maternidade, na qual me identifiquei na terceira frase da primeira vez que conversamos, foi pura e simplesmente um fato da vida! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas marcante sim, e muito! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou então, quem em sã consciência, acha que eu teria passado o domingo todo sentada ao lado dela prá papear - em uma das nossas maravilhosas tardes de almoço – assim à toa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabe aquelas pessoas que preparam a comida com bastante calma? No melhor estilo &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Slow_Food&quot;&gt;Slow Food&lt;/a&gt;! E tudo sendo preparado ali no balcão, bem na minha frente!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Silvia Palhares Concha foi mãe aos 22 anos do meu melhor amigo desde os tempos dos nossos 15 anos. E não me refiro à novela do SBT com a Thalia nem aos bailes de debutantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela me ensinou a ter o pé no chão!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então vamos lá: pé na tábua!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Sua gravidez foi planejada?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sei determinar a hora e o dia em que meu filho foi concebido: 07 de fevereiro de 1981, às 14h30. Só não sei se por coinscidência ou não, mas ele nasceu dia 07 de novembro, do mesmo ano, às 14h36!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E como você se tornou mãe solteira?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Bem esse verbo que você mesma usou: me &quot;tornei&quot; mãe solteira. Separei quando ele tinha apenas 1 ano e 10 meses e acho que o pai também se separou do filho. No meio do caminho descobri que ele era casado e tinha outra família, o que me permitiu anular o casamento (a bem da verdade só me casei porque precisava da certidão para ter direito à plano de saúde e essas coisas burocráticas, sempre fui contra o casamento no papel). Então me &quot;tornei&quot; mãe solteira e única provedora.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é sua experiência com a maternidade hoje e como você encarou quando era mais nova?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Encarei como um ensinamento e sei que mães como nós, dirão o mesmo: não sabemos de nada, nossos filhos é quem nos ensinam. Depois deles, aprendemos que não podemos mais pensar primeiro em nós, aprendemos a dar exemplos para que a coisa flua, e que não vale aquele clichê: &quot;Faça o que eu mando e não o que faço&quot;, porque mais dia, ou menos dia, nossos filhos seguirão nossos passos. Hoje a maternidade me recompensa por todos os dias em que tive que ser chata, proibitiva, &quot;empata foda&quot; porque meu filho é um homem, no mais amplo sentido da palavra &quot;gente&quot;, é meu amigo e acho que isso é uma consequência desses 31 anos de companheirismo e lealdade.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Os pais podem ser amigos de seus filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Os pais podem e devem ser amigos dos seus filhos, mas sem esquecer que somos pais e que temos a obrigação de encaminhar e mostrar como é, sem hipocrisia, com muita verdade e também deixando claro que respeito não esta no tratamento (chamar de sr ou sra), e sim uma mão dupla.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual o momento mais difícil na sua história como mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O momento mais difícil foi quando eu lembrei que além de mãe eu era mulher, com apenas 24 anos. Eu tenho direito à felicidade, mas não podia deixar meu filho e ir curtir minha vida. Mais uma lição: bom, vamos andar três passos para trás para depois ir seis à frente. Esperei ele crescer até poder se defender e contar se alguma coisa o incomodava, como alguma babá abusada, por exemplo, mas sempre deixando tudo muito claro ao mostrar a vida como ela é. “Mamãe vai sair prá namorar e ela precisa disso para não se tornar amarga e contaminar a sua vida”. Tudo às claras e assim, dei o exemplo para que a verdade sempre estivesse entre nós, por toda nossa vida, até em momentos tensos como na adolescência.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E qual o mais bonito?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Quando ele nasceu e colocaram ao meu lado todo sujo, berrando, inchado e esquisito, chorei junto de emoção incomensurável. Sepois quando falou, quando foi pra escolinha, pedaço de gente com cabelo cortado a la guarani, porque eu achei que conseguia cortar sua franja e deixei o guri parecendo um indiozinho. Quando corria e me abraçava na saida da escola ou quando gritava “Mãe, eu te amo!” da janela do ônibus de excursão, já no alto de seus 13 anos, deixando as outras mães indignadas e invejosas porque os filhos delas tinham vergonha de mostrar os sentimentos. Quando se formou no ensino fundamental e eu chorei como se ali estivesse o maior catedrático, ou quando depois de muito sacrifício e engolimentos anfíbios ele colou grau de jornalista. Mas ainda assim acho que o melhor e mais bonito momento foi quando eu o senti mexer e ele me deu a certeza de que eu teria uma razão para viver, maior que qualquer outra.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como é sua relação com seus netos postiços?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Netos postiços, além de Tiê e Michelindo (hãm, hãm, meus filhos, galeri!) têm também a Thalita e a Gabi.  Nesse papel posso tudo! Porque os avós, postiços ou não, devem ser permissivos, divertidos e dispostos para contar suas experiências e mostrar o lado bom de tudo!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que vc diria hoje prás mães que estão passando por tudo isso que você também passou?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Para minhas &quot;colegas&quot; faço o pedido para que não se desesperem. A vida é sábia e nós somos muito capazes. Os bons exemplos são tudo e o amor incondicional é o melhor mestre, mas fiquem atentas, não sejam apenas permissivas. Mostrar para os filhos que podem confiar em vocês e que podem encontrar amparo em qualquer situação, não a aprovação pura e simplesmente, mas um porto seguro, bronca se fizer algo errado. Nunca mentir e dizer que vai trabalhar quando você quer sair prá dançar ou ficar jogando conversa fora em algum bar.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual mãe vc admira?&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Admiro as mães que acordam às 4 da manhã, fazem a comida da marmita e pegam mil conduções para deixar os filhos na creche. Trabalham até 10 horas por dia. Com bom humor e sem tempo prá TPM (eu tambem não tive tempo prá isso) e que conseguem sobreviver com uma miseria de salario.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual pergunta você faria para a Mãe Diná?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&quot;Cadê seus filhos?&quot; Porque nunca vi...essas mães que ganham &quot;o título no nome&quot; mesmo sem ser mãe, não entendo! Quem são os filhos da Mama Bruschetta?&lt;br /&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais valores considera essenciais na educação dos filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Verdade, responsabilidade, gratidão, lealdade, pensar no outro e não ter verginha de amar e de tentar. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já se pegou pensando na maternidade de outras mulheres? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Penso em algumas mães (você é uma delas). Nesses casos procuro não criticar. Apenas penso em como eu faria, e se me questionarem até comento algo, mas respeito o individualismo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Existe mãe de santo? Ou só mãe santa do pau oco?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Existe tanto mãe santa quanto mãe de santo. Me encaixo na categoria “mãe santa do pau oco”  porque sou bem da espivitada.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual foi seu maior erro como mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Fui sempre muito passiva em relação ao não cumprimento das responsabilidades do pai do meu filho, não entrei na justiça prá pedir uma pensão, por exemplo. Achava que eu não tinha qualquer direito lutar para que ele fosse mais provedor se essa não era a sua vontade. Mordi a isca!  Sofri muito e meu filho foi privado de muita coisa por conta da minha atitude tão ingênua. Por isso acho que não podemos deixar quiéto e temos sim que lutar pelos direitos dos nossos filhos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
(PS: A Silvia foi quem mais me deu força e abriu meus olhos para alguns dos meus “comodismos ingênuos” em relação ao pai da minha filha - aquele que achou por bem que sumir do mapa fosse algo que se faz.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Aprendi na nossa convivência algumas questões essenciais na maternidade enquanto que você aprendeu praticamente tudo sozinha com a vida. Como foi esse percurso? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Foi duro, mas não sofrido. Até porque o troco foi bom demais...sublime eu diria. Vejo minha historia como algo pelo qual eu tinha que passar na vida ao invés de amaldiçoar a escuridão. Procurei uma vela. Ser mãe &lt;a href=&quot;http://mariopalhares.wordpress.com/&quot;&gt;desse seu melhor-amigo-irmão&lt;/a&gt; é o maior presente que a vida me deu. Essa foi sem dúvida a maior honra da minha vida.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Para minha filha ela é a &quot;vovó doida da perereca&quot;...não digo mais nada!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/5192274928156549121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/5192274928156549121?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/5192274928156549121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/5192274928156549121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/11/a-mae-do-meu-melhor-amigo-irmao.html' title='A mãe do meu melhor amigo-irmão'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigXLs0n2VRf_WVC49AuH-ZGwW0BPzujLnsH6UJbOnQPpIBDu_YxCO9NlGnDCXDUFL26KuyO5IJShwuifgr8VD4F4ZyOIVVWTVZ_bSP_memUWU2esjmorBg98NJ_qDoiUPv7i7AgPRFm3k/s72-c/silvia1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-9103219703695900850</id><published>2012-11-14T18:34:00.000-08:00</published><updated>2012-11-22T14:05:34.952-08:00</updated><title type='text'>Midia e infância em atividade</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_7bW8XJfK6tTm1l1wfSP8d663xVcD6FRcukwv0uX63fYSkSChoIT6cT_kNPiJtG1y53TNFKw0bIFmtzloRfDhiUy6Bx1gtfsoPx5WiOTp4y27XOk9d9B-17w1Wd5QKCbIt6bKCHsefzs/s1600/bethcrianca2+%25281%2529.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;274&quot; width=&quot;212&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_7bW8XJfK6tTm1l1wfSP8d663xVcD6FRcukwv0uX63fYSkSChoIT6cT_kNPiJtG1y53TNFKw0bIFmtzloRfDhiUy6Bx1gtfsoPx5WiOTp4y27XOk9d9B-17w1Wd5QKCbIt6bKCHsefzs/s400/bethcrianca2+%25281%2529.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Como fica a questão do acesso à televisão e internet para os pequenos aí na sua casa? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pode, não pode ou pode com ressalvas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem sim, seria a qualidade dos conteúdos e criatividade de formatos na questão midiática válida?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Beth Carmona é diretora da &lt;a href=&quot;http://www.comkids.com.br/&quot;&gt;ComKids&lt;/a&gt;, um espaço que reúne e produz informações, atividades e conteúdos sobre o universo de mídia e cultura para o público infantil (com uma abordagem especializada, baseada em pressupostos de responsabilidade social, cultura, qualidade e inovação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Outra vez estamos batendo na tecla da qualidade, ou seja, o cuidado pela produção de conteúdos saudáveis, consistentes, informativos e divertidos” reflete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando foi diretora da programação da TV Cultura recebeu o devido reconhecimento profissional por programas premiados mundialmente, como Castelo Rá-Tim-Bum, Mundo da Lua, Confissões de Adolescente e Cocoricó - também foi diretora de programação e produção dos canais do grupo Discovery Channel para América Latina (1999 a 2003).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Ao difundir novos produtos culturais e contribuir para o acesso democrático das ações de fomento às produções para o público infanto-juvenil e, paralelamente, gerar oportunidades para novas abordagens sobre a infância que fala português e espanhol, o ComKids atua como ponto de encontro para que produtores, canais, empresas e interessados em geral possam se formar, obter consultoria e co-produzir suas iniciativas – o que de um modo geral é fundamental”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro das principais frentes de ação do ComKids estão: o &lt;a href=&quot;http://www.prixjeunesseiberoamericano.com.br/br/tag/prix-jeunesse-internacional-2012/&quot;&gt;Festival Prix Jeunesse Iberoamericano&lt;/a&gt;, o ComKids Green, a Jornada de Negócios ComKids/Fórum Brasil, os Workshops ComKids e as Mostras ComKids. (Mais detalhes no final da entrevista)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fins não justificam os meios? “Temos que ter consciência e equilíbrio para produzir e consumir a mídia numa época onde os meios fazem parte de nossa vida!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que tal desligar a tevê e matutar algumas questões com a gente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;É possível ensinar as crianças a consumir mídia com consciência?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim, é possível e ainda diria que necessário ensinar, acompanhar e apoiar na percepção e leitura da mídia. A educação e a conversa são fundamentais nesta sociedade de alto consumo de meios.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como você avalia essa produção atualmente? E a questão multimídia dos conteúdos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A produção para esse público, hoje em dia encontra uma variedade de ofertas como nunca se viu antes, principalmente se pensamos nas crianças e jovens que têm acesso aos canais pagos. Na televisão aberta, há variedade também, mas a produção dos programas segue muito restrita a alguns países (aos Estados Unidos e Canadá, por exemplo) que produzem animação em larga escala e cujas séries são compradas pelas emissoras nacionais. A realidade nacional ou ibero-americana ainda é pouco representada na nossa telinha.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E quanto aos conteúdos na internet?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Quanto à esses, é possível verificar uma mudança significativa de panorama. Temos redes sociais para crianças, como o &lt;a href=&quot;http://www.migux.com/&quot;&gt;Migux&lt;/a&gt;, criado no Brasil e que é referência, além de um ponto de encontro seguro para crianças dentro da internet. Há também um crescimento considerável no número de portais que oferecem jogos e outros conteúdos interativos de qualidade que podem servir como ótimas diversões no dia-a-dia das crianças. Nesse sentido, poderíamos mencionar o &lt;a href=&quot;http://pibmirim.socioambiental.org/&quot;&gt;Portal do Povos Indígenas no Brasil Mirim&lt;/a&gt;, que traz conteúdo a respeito da diversidade cultural indígena brasileira (terceiro lugar na categoria digital e interativa do Prix Jeunesse Iberoamericano 2011); ou, em âmbito internacional, o site da &lt;a href=&quot;http://pbskids.org/&quot;&gt;PBS Kids&lt;/a&gt;, que traz jogos e divertimentos para crianças em idades variadas, ou ainda o mexicano &lt;a href=&quot;http://www.fansdelplaneta.gob.mx/&quot;&gt;Fans del Planeta&lt;/a&gt;, que é fruto de um trabalho intenso de pesquisa em iniciativas interativas e educacionais com crianças e meio ambiente feito pela produtora NÃO Kids e pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como pais, educadores e interessados podem ter acesso às produções de qualidade e se envolver diretamente, de maneira a acompanhar as crianças nessa descoberta tão maravilhosa?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Devem se manter informados acompanhando seus filhos no consumo da mídia, buscando orientação com outros pais e conversando com os professores e educadores. No portal ComKids temos cada vez mais informação sobre o assunto.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quem patrocina a programação audiovisual infanto-juvenil? A publicidade para esse mesmo público? Qual sua posição com a questão em si da publicidade infantil e sua relação de indústria cultural com a programação audiovisual?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Essa é uma questão séria que está sendo discutida não só no Brasil, mas também em nível mundial. É delicado porque a indústria do audiovisual infantil precisa de uma força financeira para existir. A publicidade, quando realizada sem controles, princípios e equilíbrios pode gerar muitos protestos e ser nociva ao desenvolvimento. É preciso que haja responsabilidade dos atores envolvidos no processo: ECA-Estatuto da Criança e Adolescente, Leis de Defesa do consumidor, CONAR, código de auto-regulamentação Publicitaria estão escritos e devem ser utilizados como orientadores a todos que produzem e distribuem conteúdos infantis e aos que realizam e criam as mensagens publicitárias. A propaganda, quando dirigida a crianças, necessita o dobro do cuidado e as abusivas são inaceitáveis, por exemplo, merchandising dentro de conteúdos. Por isso temos que ter consciência e equilíbrio para produzir e consumir a mídia numa época onde os meios fazem parte de nossa vida. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Lembro de ter companhado, em 2003, ao TVQ do MIDIATIVA. Como uma iniciativa do ComKids, o Prix Jeunesse Iberoamericano tem a parceria do SESC-SP e do Goethe-Institut para sua realização desde 2009. Como foi esse trajeto e o que rolou no caminho até aqui?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Constituído por uma mostra competitiva e uma mostra internacional de qualidade, o festival tem um formato único e seu objetivo é estimular o debate sobre linguagens inovadoras destacando as tendências de produção em conteúdos infantis com excelência produzidas no mundo. A competição está organizada por categorias em ficção e não-ficção, abrangendo formatos de séries, live-action, animação, games e plataformas digitais. Essa mostra, devidamente catalogada e organizada, traçará, portanto um retrato e os rumos da produção audiovisual infanto-juvenil abrangendo toda sua diversidade cultural e latina. Acontece a cada 2 anos, sempre nos anos impares. O próximo será em Junho de 2013. Nosso maior apoiador tem sido a Singular, Arquitetura de Mídia, onde está a sala do Midiativa, nossa Oscip, que abriga nossos eventos e o selo Comkids, que tem múltiplas atividades. O Midiativa foi criado em 2000 e continua ativo, se expressando em diferentes atividades, como as Maletas e Oficinas para produtores e crianças. Para realizar o Festival temos contado sempre com o Sesc SP e o Goethe Institut, que sempre se interessaram e apoiam os temas da qualidade da mídia. Ainda nos eventos, contamos com o Fórum Brasil e o SENAC, Escola do Audiovisual. Além deles, a Fundação Prix Jeunesse Internacional dá a identidade ao evento.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Na minha infância parece que a oferta da programação não era tão grandiosa e variada, mas hoje em dia o leque é bem maior. Em compensação temos a mania de dizer que na nossa época era melhor! Como você avalia essa mudança tanto quantitativa quanto qualitativa da produção para um público tão específico?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Cada época é uma. Mas especialmente agora, com tanta oferta acho que as crianças guiadas e apoiadas por cuidadores e educadores têm muitas janelas de conhecimento para explorar. Há quantidade e muita coisa boa, mas sempre teremos que escolher e filtrar. As crianças de hoje têm tudo para serem mais espertas, sabidas e conhecerem mais. Mas sempre, teremos que guiá-las nesse caminho.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acompanhe o ComKids também pelo &lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/pages/ComKids&quot;&gt;Facebook&lt;/a&gt; ou pelo &lt;a href=&quot;http://www.midiativa.tv/blog/&quot;&gt;Blog do Midiativa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Vem aí:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dia 22 de novembro, o ComKids e o SESC Vila Mariana ficarão cobertos de verde. Com o objetivo de debater os temas relacionados ao meio ambiente será criado um espaço para a apresentação de cases, projetos e work in progress de iniciativas multiplataformas, em uma combinação criativa de comunicação, cultura e arte para crianças. É o ComKids Green: um encontro que visa debater o tema da ecologia com quem se interessa e trabalha em prol da infância. Ser criança significa estar em um momento de fruição das experiências da vida de uma forma mais espontânea. A educação deve passar pela forma de entretenimento, contanto que se baseie no respeito pelo planeta e pela ecologia. A temática “verde” vem sendo amplamente discutida em 2012, com a realização da Rio + 20 entre outras ações paralelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Profissionais e especialistas da área da infância apresentarão seus trabalhos e pesquisas para inspirar à reflexão, à criação e às abordagens inovadoras em busca da potencialização ao interesse das crianças pelo meio-ambiente. Contaremos com a presença de algumas das personalidades da mídia Infanto-juvenil da atualidade: Célia Catunda (Peixonauta), Paula Taborda (canal Gloob), Rosane Svartman (Tainá 3), Glauber Piva (ANCINE) na área de audiovisual; de literatura, Daniel Munduruku, Heloísa Prieto, César Obeid e Ilan Brenman; e, por fim, da área de produção de mostras e iniciativas infantis terá Luísa Lins (Mostra Internacional de Cinema Infantil de Florianópolis), Chico Guariba (Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental), Aida Queiroz (AnimaMundi) e Denise Baena, da Gerência Socioeducativa do SESC SP. Para tratar de projetos que atuam no ambiente das crianças: Tatiane Klein do PIB-Mirim (Instituto Sócioambiental), Gabriela Romeu (Projeto Infâncias),Marisa Villi (Instituto Paulo Montenegro) e Simone Molitor (Goethe-Institut) que falará sobre a série latino-americana de TV “Senha Verde”. As inscrições estão abertas e são gratuitas, mas as vagas são limitadas. &lt;a href=&quot;www.comkids.com.br&quot;&gt;Clique aqui para mais informações!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jornada de Negócios e Workshops da ComKids.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jornada de Negócios ComKids/Fórum Brasil, estimula o debate de responsabilidade social e desenvolvimento cultural entre executivos de canais e produtores criando oportunidades de diálogo para viabilização de produções, co-produções, compra e venda de conteúdos e formatos, o que, inclusive, proporciona uma via de desenvolvimento da economia criativa do setor. Os workshops são espaços de formação e intercâmbio para o profissional dedicado à produção de conteúdos e plataformas, tais como produtores, diretores, roteiristas e estudantes de audiovisual, e ministrados por profissionais internacionais experientes e especializados. Além de reconhecer e valorizar o profissional criativo, a ComKids apoia sua inserção no mercado de conteúdos com objetivos de formação e especialização profissional para o setor infantil. &lt;a href=&quot;http://www.comkids.com.br/umenu_full.php?b=8&quot;&gt;Clique aqui para mais informações!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/9103219703695900850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/9103219703695900850?isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/9103219703695900850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/9103219703695900850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/11/midia-e-infancia-em-atividade.html' title='Midia e infância em atividade'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_7bW8XJfK6tTm1l1wfSP8d663xVcD6FRcukwv0uX63fYSkSChoIT6cT_kNPiJtG1y53TNFKw0bIFmtzloRfDhiUy6Bx1gtfsoPx5WiOTp4y27XOk9d9B-17w1Wd5QKCbIt6bKCHsefzs/s72-c/bethcrianca2+%25281%2529.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-952950401854064821</id><published>2012-11-12T07:48:00.000-08:00</published><updated>2012-11-12T07:50:56.129-08:00</updated><title type='text'>Tamo junto</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgS9cqD7w6XWIByD7vWFMMDFYdhwC632yMb5-H5uKMUgsOWpToECUYejUUIZ5sXZPh5Pc-k6qy6qejfd-tyVnKs_YB6vc7tTcjImHeySp9MUmZHYgzSDIPpELBdjpSxw0KDBQFnsBJbiX8/s1600/maribz.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;300&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgS9cqD7w6XWIByD7vWFMMDFYdhwC632yMb5-H5uKMUgsOWpToECUYejUUIZ5sXZPh5Pc-k6qy6qejfd-tyVnKs_YB6vc7tTcjImHeySp9MUmZHYgzSDIPpELBdjpSxw0KDBQFnsBJbiX8/s400/maribz.JPG&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Uma pessoa simpática consegue identificar os sentimentos e as emoções, sejam positivos ou negativos, das outras pessoas. Já a empatica vai além - mais do que reconhecer o estado emocional - é alguém que compreende as idéias, sentimentos, motivações e intenções dos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E então fez todo sentido o que havia acabado de escutar da própria mãe: “empatia é uma habilidade social fundamental para quem quer gerar mudanças”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a Marisa vai “de mulher prá mulher” a &lt;b&gt;Mariana Zanotto&lt;/b&gt; vai além - “de mãe prá mãe”. Porque concorda com a militância na blogosfera, mas não com o patrulhamento ideológico de imposição. Disse não entender a necessidade em se diferenciar marcando negativamente o outro: &quot;&lt;i&gt;ELA, a mãe que fez cesarea eletiva&lt;/i&gt;&quot;, “&lt;i&gt;ELA, a mãe que terceiriza&lt;/i&gt;&quot;, &quot;&lt;i&gt;ELA, a xiita que cria o filho numa bolha&lt;/i&gt;&quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;E cadê o EU? O grande trunfo dos blogs são justamente as &quot;primeiras pessoas&quot;. As experiências pessoais ensinam muito mais do que especular sobre o outro. Isso sim é troca, isso é comunicação e quem se identifica embarca junto!&quot; desabafa a mãe dos pequerruchos: Alice de 5 anos e do Lucas de 2 e de, ainda por cima, dois blogs muito dos mais conhecidos: escreve o “&lt;a href=&quot;http://pequenoguiapratico.blogspot.com.br/&quot;&gt;Pequeno Guia Prático para Mães sem Prática&lt;/a&gt;” e é uma das autoras do “&lt;a href=&quot;http://minhamaequedisse.com/&quot;&gt;Minha Mãe que Disse&lt;/a&gt;”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“De uma maneira ou de outra, todos pensam sobre aquilo que lêem, certo? Não seria essa a intenção de quem quer levar uma discussão para a blogosfera, afinal?”, ela me questiona entre uma pergunta e outra que eu a havia feito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só sei que nada sei, Mari. Mas como você disse para o Ronnie Von: tamu junto! (quer ver só que figura essa Mariana? Acompanha a entrevista que você vai entender!)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vem com a gente!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Por que ser mãe blogueira?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu escrevia em um blog que estava meio abandonado. Quando soube da gravidez bateu aquela loucura monotemática, típica das mães, e achei por bem despejar no tal blog – ao invés de usar os ouvidos alheios como penico. A intenção principal sempre foi a de registrar uma fase nova e doidona da vida. Uns meses depois o “&lt;a href=&quot;http://pequenoguiapratico.blogspot.com.br/&quot;&gt;Pequeno Guia&lt;/a&gt;” nasceu. Naquela época nem sonhava que podia existir uma “blogosfera materna”, nunca tinha lido outro blog sobre isso e muito menos pensei que teria leitores - além dos amigos de sempre. Hoje é bem diferente, sou blogueira por causa de toda a reflexão/elaboração/mudanças de atitude que isso me trouxe. Virou terapia. E depois profissão, com o &lt;a href=&quot;http://minhamaequedisse.com/&quot;&gt;MMqD&lt;/a&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vc passou pelo lance bizarro de sair julgando as outras mães a todo e qualquer instante ou mesmo em alguns poucos momentos que fossem? Como lida com o nype xiita que rola por aí numa nuvem poluída da maternidade a la Mad Max onde algumas mães saem atirando sem dó umas nas outras só prá fazer valer suas opiniões &quot;quase que sempre&quot;?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Deus do céu, eu já julguei horrores! Escrevia sem me importar com quem estava lendo. Tive mil certezas bestas e achava bonito ser aquela que reclama e aponta o dedo nas fuças alheias. Até que aconteceu algo curioso: eu virei aquela pessoa prá quem apontava. Por exemplo, a mãe que tem babá e corre no parque enquanto a babá brinca com as crianças no balanço. E entendi o óbvio: não conhecia aquela mãe estava vendo apenas um recorte da sua vida, só isso. Cronometrava aqueles 30 minutos em que ela corria enquanto a babá cuida das crianças. Não sabia onde ela havia estado uma hora antes nem onde estaria uma hora depois. Que arrogância é essa de concluir que ela é uma bosta de mãe por causa de 30 minutos? Desde então, me vigio o tempo todo para lembrar que pessoas são pessoas, e não um conjunto de rótulos que a gente cola nelas para que caibam na nossa visão de mundo. Agora, quanto à pancadaria que corre solta por aí posso dizer que gosto dos fins, mas não dos meios! O ativismo é extremamente transformador, me identifico com um monte de causas e as discussões saem do umbiguinho da blogosfera e ganham o mundo. Ver mães ligando para deputados, participando de marchas de rua ou sendo ouvidas em audiências públicas de Brasília me deixa bastante feliz. O que incomoda é a postura de “foda-se a mãe”. É muita acusação para pouco acolhimento. É bom lembrar que a blogosfera materna (que é feita não só de posts, mas também de comentários em blogs e redes sociais) sofre do mesmo mal que assola a internet de um modo geral: as pessoas esquecem que tem gente de carne e osso ali do outro lado! Um pouco de tato não faria mal a ninguém. A maternidade é um terreno delicado então usar palavras duras, provocações ou ironias é pesado demais. No fundo, é afirmar que a outra está fazendo mal para o filho por causa de suas escolhas. Será que não tem algum outro jeito de se fazer entender? Um jeito que agrida menos e funcione melhor? Você chegou a ver aquele vídeo de um parto normal hospitalar que correi pelo facebook uns meses atrás? A gente acaba pensando: legal, no país campeão de cesáreas vamos ver um parto normal - ainda que hospitalar - sendo divulgado e valorizado. Já é um começo, certo? Errado! O vídeo está sendo compartilhado por defensoras do parto humanizado para apontar o quão aberrante, horrível e desprezível é um parto desses cheio de intervenções. &quot;&lt;i&gt;Que dó do bebê&lt;/i&gt;”, dizem os comentários do vídeo. “&lt;i&gt;Olha o sofrimento da criança&lt;/i&gt;&quot;.  &quot;&lt;i&gt;Que violência!&quot;. &lt;/i&gt;Etc, etc e etc. Peralá! Como uma pessoa tem coragem de ir até o canal daquela família prá falar esse tipo de coisa sobre um momento tão delicado? Isso não é violência? Você pode achar aquele parto um horror, claro! Pode comentar com as amigas, fazer um post sobre parto humanizado, propor uma discussão, questionar os médicos, conselhos de obstetrícia, as maternidades. Mas não pode ir na página dessa mãe falar esse tipo de coisa! Isso também é violência. É ignorar que tem uma pessoa de verdade ali do outro lado, cujo filho já nasceu e infelizmente não vai poder nascer de novo. Essa atitude que estou criticando pode até ter conscientizado outras mães e evitado novos partos “anormais”, mas machucou sabe-se lá quantas pessoas pelo caminho. Aposto que mãe defensora do parto natural também defende a não violência para educar um filho (é coerente). Então por que usar violência para “educar” outra mãe? É porque “não se pode passar a mão na cabeça dessa mãe”, mas dar porrada, pode?  Acredito na educação do exemplo. Me conta o que você faz, ué! Como o teu parto foi bonito, porque o teu obstetra humanizado faz assim em vez de fazer assado, como você superou as dificuldades da amamentação e como organizou a sua casa para não precisar de babá. Como você lida com o saco cheio, suas inseguranças e seus erros. No lugar de atacar a escolha do outro, defenda a sua. Ofender uma mãe que faz diferente não ajuda a sua causa, ao contrário, só te transforma em &quot;xiita raivosa&quot; e faz com que outras mães tenham um pé atrás quando forem conversar com você - se é que vão.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Prá quem recorre quando não sabe, de fato, o que fazer em relação aos filhos? (Lê a Barsa será?)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Para a minha própria mãe, claro! Demorei 27 anos pra entender o quão sabichona ela é. Agora, se o gap geracional for instransponível, corro para as amigas blogueiras - mas em off, né? Fora dos blogs, que é sempre melhor!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Livro sobre maternidade, conselhos em geral, manicure do bairro...é bom procurar algo do tipo em algum momento de algum instante?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;É ótimo ter uma rede de apoio sim. Aprendi na blogosfera inclusive que, quando o bicho pega e a crise vem toda braba, meu apoio não está nos livros e nem nos blogs, e sim nas mães de verdade, ali, cara a cara (ou email a email). Blog é um canal super confiável por ser justamente tão pessoal, mas todo mundo tem um filtrozinho, um limite, um ponto que não ultrapassa. Ao vivo a gente dá um passinho a mais, né? Volta e meia encontro com mães blogueiras e no meio do papo alguém diz: &quot;...mas isso eu não escrevo no blog”, hahahaha!  &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vc é bem sincera nos seus textos e tenho lido poucos desabafos e confissões tão pessoais...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Pois é, eu às vezes tento forçar a barra prá evitar o tal “ponto que não se ultrapassa”. Uma linha tênue. Isso aconteceu por uma razão simples: passei por fases em que teria adorado ouvir certas coisas . Eu sofri da angústia da mãe inadequada. A mãe que, de repente, descobre não estar gostando tanto quanto deveria da função, saca? O que eu mais queria naquele momento era alguém dizendo “Mari, ser mãe muitas vezes é um poooorre e faz a gente se perguntar por que caralhos embarcou nessa vida. Acontece sim, e não é pouco. Isso não te torna um monstro, fica tranquila”. Sabe quem foi a primeira pessoa que me disse isso, e com a maior naturalidade do mundo? Pasmem: a MINHA mãe! E foi a coisa mais libertadora do mundo. Aí fiz um post-confissional – esperando altas pedradas – e recebi, pelo menos, uns 30 agradecimentos para cada pedrada lançada. Opa, vai ver não sou tão inadequada assim, né? De 30 pra 1 (inventei a estatística agora, ops!) o saldo é bem positivo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como você lida com seus &quot;erros&quot; na maternidade e a culpa?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu aprendo! Questiono, me esforço para fazer diferente, estabeleço prioridades, vou afinando as minhas escolhas aqui e ali.  E procuro conviver com as minhas fragilidades sem grandes culpas durante esse processo. Alivio a minha barra sim, isso é uma escolha pessoal. Sei que essa escolha pode ser interpretada como picaretagem, como “mas assim tudo é permitido!”, por alguém que faça questão de ignorar todas as frases que vieram antes. Paciência, né? Não tenho controle sobre a interpretação alheia nem sobre o que cada um faz com as suas culpas. Tem mãe se aliviando da culpa para justificar cagadas em série? Sei lá, pode ser que sim, mas eu é que não vou pagar o pato e endurecer comigo mesma só para evitar ser confundida com ela. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E com aquele cocozinho de não querer ser mãe das veiz (mesmo sabendo que os filhotes não tem nada a ver com a nossa falta de paciência, racionalidade e equilíbrio nesses momentos)? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Pois é, às vezes bate uma nhaca, né? O que me aliviou muito nesse sentido foi perceber que as coisas vêm em fases. Tive fases em que ameiiii ser mãe, e tive fases em que achei tudo um saco. Dá pra aplicar nos filhos aquela teoria da paixão que usamos para os relacionamentos amorosos.  Bebês são apaixonantes. É paixão mesmo, aquela coisa de querer ficar olhando, agarrando, cafungando aquela pessoinha. Mas paixão passa! Sobra um amor gigantesco, mas não é mais paixão, aquela coisa enlouquecedora. Então, já que é pra ser sincera, vamos lá: hoje eu sou loucamente apaixonada pelo meu caçula de 2 anos, mas a paixão pela de 5 já passou. Isso não é demérito dela, claro – tive a mesma paixão enlouquecida por ela. Mas uma criança de 5 anos tem outros encantos, fascinantes mas menos arrebatadores. Um bebê deixa a gente de quatro, cara! Babando pocinhas de paixão, é ridículo! Depois a coisa se acalma. Vai-se a paixão, fica um amor bonito. A sorte de um amor tranquilo, como diria Cazuza. Ninguém pode viver nesse estado de paixão infinitamente, é muita adrenalina pra pouco coração! Passada a paixão, a vida vai entrando nos eixos. A maternidade deixa de ser aquele vendaval que te tragou e vira a sua vida - simples assim. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Tenho um amigo que sempre diz não entender as mães de bebês porque ficam beijando, cafungando e amassando a cria sem fim...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Hahaha, né? Coisa de mulher apaixonada! Bom, e aí eu acho que a blogosfera é feita principalmente por mães apaixonadas pelos seus bebês ou criancinhas pequenas. Uma mãe apaixonada talvez não entenda uma mãe que já “normalizou” o fato de ter filhos, e para quem a maternidade deixou de ser O EVENTO da vida, sabe? Levo isso em conta quando leio textos de gente que respira maternidade e me faz sentir meio mal por já ter passado dessa fase. Dá vontade de falar: ei, vamos ter essa conversa de novo daqui a uns anos? &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E a nháca?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Lido com isso de não querer ser mãe às vezes sabendo que amo ser mãe outras vezes. A gastura passa. Depois volta. Passa. Volta. Passa… e no fim das contas nossos filhos são adoráveis, engraçados e altamente amáveis, mesmo enchendo um bocado o nosso saco. E tudo bem, ué! Não faço mais drama com esse sentimento porque entendi que ele é normal, não me desqualifica como mãe e nem condena os pequenos à infelicidade. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O que você tem a dizer para os pais, avós e filhos por aí?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu diria para aliviarem a barra das mães, porra! E para os pais que se envolvam e avós, não se envolvam (hahaha, mentira! Se envolvam sim, mas sem imposição). Filhos: comam verdes e lavem as mãos quando mamãe mandar!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual pergunta faria prá Hebe Camargo se ela ainda estivesse viva? E qual gostaria de fazer prô Ronnie Von (sua mãe de calças)?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;“Sua mãe de calças”, HAHAHAHAHA! Hebe, Deus a tenha, mas fala a verdade: você é filha do Monteiro Lobato, ou isso é intriga da oposição? Ronnie Von desculpa, mas não tenho nenhuma pergunta pra te fazer. Ó, te respeito muito, sei que você fez um disco muito doidão e prafrentex quando era jovem e também que teve uma doenca sinistrona. Você é um lindo! Uma amiga que já te entrevistou me disse que você é caramelo de tão educado, doce e querido. Aquele abraço, Ronnie, tamo junto!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quais suas maiores preocupações na maternidade (com a educação e criação dos filhos, com a mãe que vc é em si, etc e tals)?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;As preocupações também vêm em fases. No momento, a preocupação maior é aprender a lidar com a novidade - e o desafio - de uma criança que está saindo da primeira infância. Tô apanhando um pouco com a Alice, mas juntas estamos reaprendendo a ser mãe e filha nesse novo contexto. No longo prazo, minha grande preocupação é criar gente legal, em todos os sentidos – respeitadora, tolerante, divertida, livre e atuante no mundo. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;A maternidade sempre vai ser tema de interesse prá grande parte da humanidade, participante ou não da reprodução humana. Sendo assim, por conta das tantas e sempre pessoas interessadas no assunto em questã, quando uma mãe acaba recebendo destaque na mídia (aquela coisa de ibope, público) terá que lidar com as propostas marketeiras da vida. O que vc acha da publicidade nesse sentido?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A maioria das agências ainda tá engatinhando no trato com mães blogueiras, e muitas mães (me incluo) também estão engatinhando nessa relação. O resultado são as propostas surreais que inundam as nossas caixas de entrada diariamente. Publicidade vira “parceria”. Doar um produtinho para sorteio vira pagamento.  “Oferecer pauta” vira quase um favor que a marca te faz. Sobre dinheiro pouquíssima gente quer falar…A blogosfera materna é um grande desafio para as agências por causa de uma característica muito particular: tem uma carga ideológica muito grande, especialmente no sentido anticonsumista, anti-“empresas que faturam em cima de fragilidades/inseguranças das mães”, anti-“médicos patrocinados pela indústria farmacêutica”, anti-“produtos feitos de forma não-ecológica”. Em suma: não é um lugar onde se anuncia tudo e qualquer coisas inpunemente.  Há que se ter coerência entre discurso e ação. Para quem fala de educação, valores, consumo consciente, não-materialismo, desmedicalização dos processos naturais (parto, amamentação), etc, um grande anunciante pode ser uma cilada. Anunciar a marca das papinhas não pega bem. Anunciar a marca das bonecas que ditam um padrão de beleza inatingível é um tiro no pé. Anunciar o personagem do desenho animado que passa no canal lotado de propagandas abusivas é incoerência. Já anunciar uma mãe empreendedora que produz bonecas de tecido orgânico é bacana - agora adivinha se essa mãe tem dinheiro para anunciar? Sinuca, né? Então eu acho que é bem difícil ganhar a vida só com blog. É preciso ter critério, e ter critério pode significar recusar mais propostas do que aceitar (pelo menos essa é a experiência que temos no MMqD). Logo, imagino que seja bem difícil para uma mãe blogueira se manter só com o blog, que pode até complementar a renda, mas acho que não sustenta ninguém – diferente dos blogs de moda e beleza, que são muito mais voltados ao consumo do que os de maternidade e podem ser uma mina de ouro para as autoras. Em tempo: eu sou a favor de venda de publicidade em blogs sim. Para muitos, o blog é trabalho. Dá trabalho! Dá inclusive despesas (com servidor, por exemplo). Você tá dedicando seu tempo por aquilo, fornecendo conteúdo de qualidade DE GRAÇA, e não pode ganhar nada por isso? Claro que pode, pô! Deve! É só ter cuidado ao decider o que topa anunciar - e o critério não é dinheiro, e sim o produto a ser anunciado. Credibilidade é o maior valor de um blog e perdê-la é um baita prejuízo. Se você não bota em xeque a sua credibilidade – ou seja: o produto te interessa, é legal, você usaria –, por que não?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Já pensou em transformar seus blogs em livros? E vc lê &quot;puericultura literária&quot;?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Eu pensava, lá atrás, em transformar o blog em livro...Até que veio a blogosfera esfregar na minha cara como tem gente que escreve bem nesse mundo! Quando contei o tanto de mães que “precisam escrever um livro”, botei o rabinho entre as pernas e fui chorar no cantinho! Mas até fomos, eu e a &lt;a href=&quot;http://piscardeolhos.net&quot;&gt;Robertona&lt;/a&gt;, orçar uma “produção independente em dupla”, mas era caro demais. Desencanamos! E agora tô com preguiça de escrever e já não tenho mais muito o quê dizer. Minha impressão é que tudo já foi dito – e repetido – ad eternum... uns filhos crescem, outros nascem, os blogs passam, mas as questões são basicamente as mesmas. The circle of life! Também já fui de ler mais sobre o assunto, mas estou me desinteressando aos poucos. Meio que “superei” a maternidade, saca? Virei o disco. Estava conversando sobre isso com a &lt;a href=&quot;http://www.maededuas.com.br&quot;&gt;Pri Perlatti &lt;/a&gt; e ela definiu perfeitamente: depois de um tempo a maternidade vira algo reativo. A situação se apresenta e você encara - se informa sobre aquilo, toma uma decisão. Mas isso é uma resposta e não mais uma busca, entende? Então agora eu leio sobre temas específicos, para lidar com a realidade que estamos vivendo no momento em si. Maternidade não é mais o grande assunto da minha vida!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Da minha vida também não,caros leitores! Mas eu adoro ficar por aqui dando voz para opiniões, informações e respostas de outras pessoas - super muito interessantes! Se quiserem sugerir entrevistados é só mandar por comentário ou no meu email do perfil. Então, agora tamo junto!&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/952950401854064821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/952950401854064821?isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/952950401854064821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/952950401854064821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/11/tamo-junto_12.html' title='Tamo junto'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgS9cqD7w6XWIByD7vWFMMDFYdhwC632yMb5-H5uKMUgsOWpToECUYejUUIZ5sXZPh5Pc-k6qy6qejfd-tyVnKs_YB6vc7tTcjImHeySp9MUmZHYgzSDIPpELBdjpSxw0KDBQFnsBJbiX8/s72-c/maribz.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5029912864075827371.post-539648484386459065</id><published>2012-11-06T11:11:00.003-08:00</published><updated>2012-11-06T11:22:07.035-08:00</updated><title type='text'>Bota fé</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcxO17ghT1mM3FlJ-UfjtkE8LrRqjwyx4DFUw84-wL1Q6kfYBWrw6tUf7zEZU7eYwy3drFlxgh99j0bLVEEGA9oGlxD3f5qpqsIvLuvn7QYnPZJDF9l8Rgpoj_vUnaRWjuHjS_jsR4Fkg/s1600/monjajovem.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left:1em; margin-right:1em&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; width=&quot;356&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcxO17ghT1mM3FlJ-UfjtkE8LrRqjwyx4DFUw84-wL1Q6kfYBWrw6tUf7zEZU7eYwy3drFlxgh99j0bLVEEGA9oGlxD3f5qpqsIvLuvn7QYnPZJDF9l8Rgpoj_vUnaRWjuHjS_jsR4Fkg/s400/monjajovem.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&quot;As religiões patriarcais reconhecem a mulher como um ser religioso através da maternidade, assim sacralizada. Idealmente a maternidade nutre e cria - conectando mães e filhos. O Hinduísmo santificava mulheres devido ao poder na possibilidade de procriar varões. No Budismo, a mãe está fora da ordem e não é sagrada. Mães eram sofredoras e estavam sempre oferecendo em dor suas vidas - como se fosse natural para as mulheres o sofrimento. No Budismo Mahayana, as imagens vão além do maternal. Podendo representar a perfeição da sabedoria, a benção, a compaixão, a instrutora e a amiga que revela o mundo da verdade aos filhos. O ideal feminino não é o da sagrada mãe. A maternidade é um obstáculo para o maior envolvimento religioso: as mães ficam muito ocupadas com os filhos e não podem renunciar à família em nome da religião.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Começamos por aí mesmo: refletindo a maternidade em meio à sacralização ou profanação da mulher em tradições religiosas. Quem mais desenvolveria tão tranquilamente todas essas questões senão uma autoridade no assunto? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Monja Coen: vive e sofre e ama - ao mesmo tempo e na mesma face da moeda. Missionária da tradição Soto Zen Shu, com sede no Japão. Mãe da Fábia e avó da Rafaela. Ordenou 27 monges e monjas e transmitiu os preceitos budistas (não fazer o mal, somente o bem a todos os seres) à mais de duzentas pessoas comprometidas em viver seguindo o Caminho Iluminado de Buda. Mesmo atarefada com tanta &quot;filharada&quot;, seus esforços em transmitir preceitos elevados e tão bem refletidos têm gerado resultados práticos e precisos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bota fé?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você acredita, em alguma instância, que a maternidade tenha esse papel de sacralização da mulher?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim. A vida é sagrada. A mulher ainda é o útero sagrado da criação, onde seres humanos são gerados. Fonte de vida. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como funciona o papel da mãe como aquela que se sacrifica pelos filhos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Mãe não deve se sacrificar pelos filhos. Deve ser feliz em cuidar e nutrir, educar e orientar. Junto com o pai, com amigos, amigas, professoras e professores, parentes. Filhos e filhas são de toda a sociedade e não apenas das mães. A palavra sacrifício é interessante - o sagrado ofício de ser mãe, não implica em sofrimento, dor, renúncia. O sagrado ofício da sua escolha, que trás preocupações e alegrias também. Há mães que não puderam procriar, mas que adotam filhos e filhas. Qualquer mãe que use a manipulação de dizer a um filho ou filha que &quot;veja como eu me sacrifiquei por você&quot; ainda não adentrou o verdadeiro coração do amor incondicional.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Socialmente parece haver um inconsciente coletivo ditando à mulher esse papel da &quot;sagrada mãe&quot;. Dá para considerar como um fator limitador da mulher (quando se torna mãe) esse tipo de distinção?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Se tudo é sagrado, nada é sagrado. A mãe sagrada acaba sendo uma imagem do coletivo. Nem todas as mães conseguem cuidar de seus filhos como a imagem coletiva se propõe. E, muitas podem se sentir culpadas nos momentos em que se impacientam com suas crianças. Importante lembrar de que é preciso compartilhar: a guarda, a educação, o cuidado da prole. Não pode ser apenas da mulher. Mãe também é filha, irmã, neta, prima, esposa, amiga. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Você sempre foi budista?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Nasci numa família Católica Apostólica Romana. Aos 13 anos comecei a questionar os dogmas de fé. Acabei me afastando das práticas católicas, mas nunca do questionamento interior: o que ou quem é Deus? O que é a vida e a morte? Qual o sentido da existência? E justamente esse questionamento me levou à meditação, ao Zazen e ao Budismo. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;De que maneira sua crença religiosa a ajudou a ser uma mãe melhor?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Deixei de exigir de mim e de minha filha o que não podemos ser. Capacidade de me acolher e de acolher a ela. De compreender a vida, esta tapeçaria incrível que estamos tecendo com nossas próprias experiências. Aprendi a apreciar cada instante em que estamos juntas e não me lamentar, resmungar, reclamar. A deixar passar mágoas e culpas, rancores e tristezas. Viver o agora com plenitude. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como foi, no seu coração de mãe, quando você foi viajar para estudar e obter sua ordenação de monja? Quanto tempo ficou separada da sua filha e quantos anos ela tinha nessa época? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Foi difícil, doloroso e triste me separar da minha filha. Sentia e ainda sinto uma saudade infindável. Saudades dos anos todos que não compartilhamos. Ela tinha sete anos de idade e era a menina mais linda do mundo. Eu trabalhava demais. Era jornalista, repórter do Jornal da Tarde. Praticamente só nos encontrávamos na hora do almoço, quando comíamos juntas e depois eu a levava à escola. Minha mãe ou meu pai iam buscar. Nós nos amávamos muito. Pensei em ir primeiro e depois a ter comigo lá na Inglaterra. Mas não foi possível. Havia uma procura interna intensa. Minha mãe e meu pai prometeram cuidar bem da menina para que eu pudesse ir à minha jornada, à procura de mim mesma.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E quando se reencontraram? Foi necessário reconstruir a relação mãe e filha ou ela sempre existiu entre as duas muito naturalmente, independentemente da distância e do tempo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Ainda estamos reconstruindo nossa relação. Aliás, todas as relações devem ser sempre reconstruídas. Há tanto que não sei sobre ela. Há tantas coisas que ela sabe e eu desconheço. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quando conheci a Fabia, demorei para saber que ela era sua filha. Até porque esse não era necessariamente um assunto recorrente entre nós. Mas lembro da maneira carinhosa e admirada com que ela falava da mãe na primeira vez em que mencionou você (numa conversa sobre filhos). E depois de alguns anos fui reencontrá-las juntas, como duas amigas de braços dados que conversavam com tanta cumplicidade...fiquei emocionada ao ver. Como é hoje a relação?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Há amor recíproco e profundo. E nos compreendemos em nossas escolhas e caminhos. Ela compreendeu minha vocação e minha vida religiosa e eu compreendo suas escolhas pessoais. Brincamos juntas, sorrimos, refletimos sobre a vida, política, meio ambiente, futebol, espiritualidade, budismo, psicologia. Ela é psicóloga. Nós nos entendemos bem.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E ser avó? É muito diferente de ser mãe?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não quis ser a avó que tira a filha da mãe. Isso foi algo que a Fábia me pediu sempre. Então, minha participação como avó ficou limitada. Além do mais minha ocupação monástica exige muitas horas. Minha neta sabe que nem sempre estarei presente em seus aniversários e natais, assim como minha filha, mas também sabe que estou aqui para ela, para elas, naquilo que for essencialmente necessário e verdadeiro. Ambas receberam os Preceitos Budistas e se comprometeram através de mim a seguir o Caminho de Buda: não fazer o mal, fazer o bem, fazer o bem a todos os seres. Nós nos confidenciamos mutuamente e confiamos umas nas outras nas tomadas de decisões. Minha neta é linda e inteligente, saudável. Que benção!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quando somos mães de mulheres nos tornamos geradoras de filhas que serão mães e assim por diante, então esse ciclo poderá ter continuidade enquanto nascerem mulheres de outras mulheres. Como você vê essa relação da mulher como mãe de outra mulher?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Dizem alguns biólogos que temos uma ancestral comum - toda a humanidade - filha de uma mãe comum. Isso eu não sei dizer. Nós mulheres somos mais exigentes e duras com as outras mulheres do que com os homens. Mulheres brigam pela liderança da casa, da prole, do controle. Precisamos aprender a ser parceiras e cumplices na vida. Isso acontece com a maturidade. É bem interessante.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;No livro “Coisas de mãe para filha” você começa já dizendo que esta morrendo. Chama a atenção que você não fez o caminho inverso de dizer que estava vivendo a cada segundo. O que queria dizer com essa mensagem para sua filha?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Não há nada fixo, nada permanente.&lt;br /&gt;
Não vou estar aqui para sempre.&lt;br /&gt;
Cada minuto de vida nunca é mais, é sempre menos.&lt;br /&gt;
Vamos apreciar o agora.&lt;br /&gt;
Vamos ser felizes agora.&lt;br /&gt;
Vamos fazer o melhor de nós mesmas neste momento, em cada instante.&lt;br /&gt;
Não há um depois...&lt;br /&gt;
Viver-morrer é uma unidade.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Depois li &lt;a href=&quot;http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textos-da-monja-coen/70-minha-mae-morreu&quot;&gt;o texto sobre a morte de sua mãe (no blog)&lt;/a&gt; fiquei admirada com a ênfase na sua gratidão infinita pela vida, pela educação e pelos cuidados. Quais são suas lembranças com relação à sua mãe e à educação que ela te deu? O que aprendeu de mais importante com ela?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A poesia. Minha mãe era poetiza e declamadora. Ela me ensinou a refletir, ela me politizou com as poesias sociais. Mais do que tudo ela me amou e me respeitou como ser humano inteligente. Minha mãe era maravilhosamente suave e forte. Um ser humano integro. Mulher que tinha carro, guiava, trabalhava fora de casa e em casa nos guiava com sabedoria e carinho. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Qual sua opinião sobre criar os filhos dentro da religião seguida pelos pais?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Filhos e filhas devem escolher sua religião. Claro que se a mãe e o pai são devotos irão levar os filhos e filhas juntos para seu local de prática. Isso é natural. Agora, as crianças se tornarão adultas e terão de fazer suas escolhas. É preciso confiar que educaram suficientemente bem e assim confiar nas decisões por eles tomadas. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como podemos criar oportunidades para a criança vivenciar a espiritualidade? Você acha isso é importante?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;A espiritualidade não está separada de nossa vida diária. Acredito que meditação deva ser ensinada desde os mais tenros anos de vida. Não no sentido desta ou daquela religião, mas no sentido de conhecer a si mesma, conhecer a mente humana, conhecer nossos sentimentos e emoções e poder escolher, discernir de forma adequada. Mais do que educar através de uma religião é educar valores éticos.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Podemos chamar a atenção dos filhos de outras pessoas? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Podemos levar essa pessoa, esse ser humano à uma reflexão verdadeira sobre o acontecido e não apenas ralhar, dar bronca... &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vivemos tentando amenizar o sofrimento, mas você acredita que o sofrimento nos ajuda no crescimento espiritual? Como os pais podem lidar com essa questão?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;O sofrimento existe. Há uma causa. Há um estado além do sofrimento chamado de Nirvana. Há um Caminho. Isso são ensinamentos de Buda. Estamos próximos quando filhos e filhas sofrem. Sentimos sua dor através da compaixão, da empatia e procuramos meios expedientes para amenizar a dor e o sofrimento. Imagine que toda a humanidade são seus filhos e filhas. Como minimizar dor e sofrimento? Como transformar uma cultura de violência em uma cultura de paz e não violência ativa? &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Criar filhos seria um ato em prol da paz, uma vez que procuramos criar seres responsáveis e ativos que percebam como o todo interage e como tudo esta interconectado?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;Sim, tudo está interconectado. Educando valores estamos educando para a paz. Crianças e adultos, alunas e professoras - todos e todas estamos aprendendo juntos a cultura de paz. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
E é assim também, sempre em paz, que ela se despede nos emails e dessa entrevista:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gassho (Mãos em prece)&lt;br /&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/feeds/539648484386459065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/5029912864075827371/539648484386459065?isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/539648484386459065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5029912864075827371/posts/default/539648484386459065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manheabaixaosom.blogspot.com/2012/11/deu-se-luz.html' title='Bota fé'/><author><name>Anelise Csapo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18065131728963990717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiylmjN42cIkfD8x2bpOOw6vcAKtYFOCJz1FLTRpyvE0dAlqCk93QeVKprhdd02cyJkkIelxvwoVtIDHuFnXgW7QGjmRkbUfuuBM1OWEdKSwjaO1qru2afAjRw3D3fFoFw/s220/anelise.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcxO17ghT1mM3FlJ-UfjtkE8LrRqjwyx4DFUw84-wL1Q6kfYBWrw6tUf7zEZU7eYwy3drFlxgh99j0bLVEEGA9oGlxD3f5qpqsIvLuvn7QYnPZJDF9l8Rgpoj_vUnaRWjuHjS_jsR4Fkg/s72-c/monjajovem.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>