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	<title>Marconi Leal</title>
	
	<link>http://marconileal.opsblog.org</link>
	<description>Um blog d'O Pensador Selvagem | Faça uma boa ação. Ensine um crítico literário a ler.</description>
	<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 17:24:01 +0000</pubDate>
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		<title>DA INSENSIBILIDADE E OCIOSIDADE DO LEITOR</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/09/08/da-insensibilidade-e-ociosidade-do-leitor/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 17:02:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[NOTAS E AVISOS]]></category>

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		<description><![CDATA[Sim, ouço. Estou ouvindo. São bárbaros gritando, atirando pedras, blasfemando contra o Filho do homem, coçando o saco em público, passando a mão na bunda dos guardas e impedindo a vizinhança de dormir.
Criaturas sem a mínima sensibilidade, estou certo de que vocês jamais praticaram aquela que é a atividade moral mais profunda a que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Sim, ouço. Estou ouvindo. São bárbaros gritando, atirando pedras, blasfemando contra o Filho do homem, coçando o saco em público, passando a mão na bunda dos guardas e impedindo a vizinhança de dormir.</p>
<p style="text-align: justify">Criaturas sem a mínima sensibilidade, estou certo de que vocês jamais praticaram aquela que é a atividade moral mais profunda a que o homem deve se entregar pelo menos uma vez na vida, segundo muçulmanos de todos os matizes e cristãos de todas as porcentagens de dízimo: a mudança.</p>
<p style="text-align: justify">Não falo de mudança de comportamento, que essa é das mais fáceis, e está aí Lula que não me deixa mentir. Tampouco me refiro à mudança espiritual, pois, quando descobriu há algum tempo que decidira viver de escrever, meu espírito não só me abandonou como entrou na Justiça pedindo pensão alimentícia (que me recuso a pagar, pois nunca fui de alimentar o espírito, daí estar preso em minha ignorância há anos por decreto judicial).</p>
<p style="text-align: justify">Não. Falo da mudança propriamente dita, de casa e de cidade. É tarefa para uma vida inteira, simpatizantes. E um dos motivos que me levam a crer na vida eterna é precisamente estar convencido de que, ao morrer, chegando ao inferno, não será outra minha condenação, senão a de arrumar e dessarrumar caixotes de mudança, como uma Danaide moderna e um tanto ou quanto mais gorda.</p>
<p style="text-align: justify">Portanto, respeitem um homem e seu destino e parem de aporrinhar. Virá um texto esta semana, virá que eu vi, em português escorreito e cheio de concordâncias como Peri. Aguardem em silêncio. E, por Cristo, com Cristo, em Cristo: parem de fazer xixi nos muros.</p>
<p style="text-align: justify">Ah, aproveitem que não estão fazendo nada mesmo e passem <strong><a href="http://colunas.g1.com.br/geneton" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/colunas.g1.com.br');" target="_blank">aqui</a></strong>, ó, só para lembrar o que era Jornalismo, esta atividade desaparecida do país há décadas.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>MORTE À BRASILEIRA</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/08/31/morte-a-brasileira/</link>
		<comments>http://marconileal.opsblog.org/2009/08/31/morte-a-brasileira/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 05:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[COTIDIANO]]></category>

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		<description><![CDATA[— Ê, ô, acorda aê, parceiro. Tá na hora. Psiu. Vamo. Não tenho a vida eterna pra perder, não. Tenho muito trabalho pela frente. Só hoje ainda preciso recolher mais trinta militantes petistas dos que vêm morrendo de vergonha desde as últimas semanas.
— Nham&#8230; Não, mamãe, não foi verdade&#8230; Eu e o primo Ananeias, aquela história no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">— Ê, ô, acorda aê, parceiro. Tá na hora. Psiu. Vamo. Não tenho a vida eterna pra perder, não. Tenho muito trabalho pela frente. Só hoje ainda preciso recolher mais trinta militantes petistas dos que vêm morrendo de vergonha desde as últimas semanas.</p>
<p style="text-align: justify">— Nham&#8230; Não, mamãe, não foi verdade&#8230; Eu e o primo Ananeias, aquela história no banheiro&#8230; Eu nunca&#8230; Ahn? Como&#8230; Pe-peraí, mas quem é você? O que tá fazendo no meu quarto?</p>
<p style="text-align: justify">— Putz, quem sou eu! A Morte, claro. Quem é que você tava esperando, o Arrigo Barnabé?</p>
<p style="text-align: justify">— A Morte? De sunga e chinelo de dedo? Sem camisa? Com esse barrigão ridículo?</p>
<p style="text-align: justify">— Pô, cara, não complica. Aquela capa com capuz preto é o mó legal e tudo, mas você não sabe o rolo que é pra comprar aquilo. O Céu é muito burocrático, tem licitação, é uma papelada sem fim, e a minha eu vendi no último Halloween pra ganhar um por fora. Além do mais, vou recolher um sujeito que vai se afogar daqui a dez minutos aqui em Copacabana e vou aproveitar pra pegar um bronze, qual o problema? Se você é tão ligado em símbolo assim, ó minha foice aqui.</p>
<p style="text-align: justify">— Mas isso é um martelo!</p>
<p style="text-align: justify">— Foice, martelo, tudo é coisa que já perdeu importância. Onde você esteve nos últimos vinte anos? Bom, podemos ir agora? Aliás, que horas são? Minha ampulheta parou.</p>
<p style="text-align: justify">— Calma, calma lá. Devagar. Primeira coisa: eu morri de quê? Foi o Sport, não foi? Ou foram aquelas piadinhas dos apresentadores do Jornal Hoje?</p>
<p style="text-align: justify">— Ai, já vi que isso vai demorar. Ele é dos dialéticos. Meu Deus, por que não estudei pra ser uma alegoria mais tranquila, como a Paz, a Virtude, o Amor, o Eduardo Suplicy&#8230; Xeu ver. Tá aqui no relatório, ah lá: você morreu depois da operação de mudança de sexo. Pronto. Satisfeito? A propósito, você não teria um protetor solar aí, teria? O sol tá de lascar. Quando vinha pra cá o Cristo tava de boné, pra você ter uma ideia.</p>
<p style="text-align: justify">— Mudança de sexo! Mas eu nunca fiz operação pra mudança de sexo! Deve tá havendo algum engano, companheiro. Olhe o meu pinto aqui&#8230; aqu&#8230; Calma, é que tá meio frio. Ha! Olhe aí! Veja, pode ver, veja, veja.</p>
<p style="text-align: justify">— Sinto muito, Amanda. Ordens são ordens, de modo que vou ter que recolhê-la e&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">— Amanda? Amanda? Eu vou te matar, Morte!</p>
<p style="text-align: justify">— É, isso como tese lacaniana ou título de filme nacional dos anos 70 não ficaria ruim: <em>O homem que matou a Morte</em>. Mas antes de você se levantar da cama pra tentar me esganar, só quero lhe lembrar uma coisa: eu tenho uma foice.</p>
<p style="text-align: justify">— Martelo!</p>
<p style="text-align: justify">— Ê obsessão. Penhorei minha foice no mês passado, cara, a Justiça me emprestou o martelo por um tempo. Ou tu tá pensando que vida de Morte no Brasil é fácil? São quatro ônibus e dois metrôs por dia. E as passagens tão pela minha hora, se você quer saber. Sem falar que eu cubro a área do morro do Alemão, imagine. Que saudade que eu tenho da época em que trabalhava na faixa de Gaza! Uf! Bom, chega. Bora. Tu morreu, meu irmão, acabou. É triste, eu sei, a finitude da matéria ante a amplitude do cosmos, a impermanência humana ante a perpetuidade da axé music, enfim, toda essa coisa. Mas a essa altura o sujeito já engoliu todo o mar de Copacabana e avança em bravos goles sobre o de Ipanema. Preciso ir, senão vou levar um esporro daqueles. Capaz de me rebaixarem pra anjo da guarda. E eu sou alérgico a pena.</p>
<p style="text-align: justify">— Tá vendo isso aqui?! Minha identidade. Tá lendo o meu nome? É Amanda que tá escrito aí? Hein? Você tá na casa errada, meu velho. O cara que você procura não sou eu. E tomara que seja meu vizinho de cima.</p>
<p style="text-align: justify">— Não pode. Tá bem aqui: Rua Bolívar, número&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">— Aqui é a Princesa Isabel!</p>
<p style="text-align: justify">— Putz, dancei. Lá vou eu pegar mais um metrô! Será que você não podia quebrar o meu galho e morrer no lug&#8230; Tá, tá, foi só uma ideia. Ai, ai. Que vida. Quer saber? Vou deixar isso pra segunda, é o melhor que eu faço. É. Bom, vou indo. Desculpe aí qualquer coisa, doutor. Deve ter sido engano do pessoal do RH. Ah, e&#8230; só mais uma coisa. Será que rola aquele protetor?</p>
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		<title>MARCONI FINALMENTE C0M BULA</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/08/24/marconi-agora-c0m-bula/</link>
		<comments>http://marconileal.opsblog.org/2009/08/24/marconi-agora-c0m-bula/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 08:23:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[NOTAS E AVISOS]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis aí o que vocês, criaturas sem a mínima confiança na autossuperação e inteiramente desprovidas de tino para antecipar o gênio, não contavam. Pois ouçam: ho, ho, ho! Quê? Não, não estou imitando o Papai Noel. Escutem direito: ho, ho, ho, ho! Ahn? Nã-ão/ não estou tendo um acesso de tosse. Reparem: ho, ho, ho! [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Eis aí o que vocês, criaturas sem a mínima confiança na autossuperação e inteiramente desprovidas de tino para antecipar o gênio, não contavam. Pois ouçam: <em>ho, ho, ho! </em>Quê? Não, não estou imitando o Papai Noel. Escutem direito: <em>ho, ho, ho, ho!</em> Ahn? <em>Nã-ão</em>/ não estou tendo um acesso de tosse. Reparem: <em>ho, ho, ho! Ho, ho!</em> <em>Ho!</em> E aí? Uhm? Cantando <em>rap</em> nada! Continuo gostando de música!</p>
<p style="text-align: justify">Eh, como é frustrante usar efeitos dramáticos com gente que não possui cultura. Fiquem sabendo que esse é meu riso mau de vingança. É, vingança de vocês, leitores infiéis, que nunca esperavam que eu um dia conhecesse a Glória. Pois arranquem a dentadas o dedinho do pé esquerdo de pura inveja, pérfidos, eu a  acabo de conhecer, através de uma entrevista concedida à revista <em>Bula</em>.</p>
<p style="text-align: justify">E fiquem sabendo que a Glória é uma moça muito direita e agradável. É bem verdade que aqueles louros na cabeça dela são um tanto esquisitos e que meu grego arcaico não dá para mantermos uma conversa muito longa sem que eu corra o risco de Homero voltar do Hades especificamente para atirar uma trípode na minha cabeça, mas enfim, é só o começo. Confiram por vocês mesmos: <a href="http://www.revistabula.com/materia/questionario-proust-marconi-leal/1374" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/www.revistabula.com');" target="_blank">http://www.revistabula.com/materia/questionario-proust-marconi-leal/1374</a>.</p>
<p style="text-align: justify">E aguardem. Ainda chego à capa da <em>Time</em>. <em>Ho, ho, ho, ho, ho, ho!</em> Como? Latido? Latido é a p&#8230;!</p>
<p style="text-align: justify">
<p style="text-align: justify"><em><strong>P.S.:</strong> Meu superego já me avisou que estou em falta com vocês, para que a histeria? Vem texto novo por aí,  em que contarei as alegrias da nova vida no Rio. Suportem o </em>delirium tremens<em> mais um pouco, sim? Bom, mas agora não posso escrever mais, há uns gentis cavalheiros querendo me assaltar e eu já os estou atrasando. Sem falar que o dia hoje vai ser corrido: tenho um arrastão e duas </em>blitz<em> falsas a atender. Por ora, fiquem com a entrevista. Tchau para vocês e também para meu relógio e minha carteira.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>CONFESSIONÁRIO</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/08/17/confessionario/</link>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 11:42:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[COTIDIANO]]></category>

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		<description><![CDATA[— Padre, eu gosto de&#8230; ummhnn&#8230;
— Ahn?
— Gosto de&#8230; hmnnn&#8230;
— De quê, meu filho?
— Eu gosto de cheirar a virilha, padre.
— Como é que é?
— A virilha? Uma parte do corpo que&#8230;
— Não, o que você disse?
— Gosto de cheirar a virilha. Passo o dedo assim, fico passando por um tempo e depois cheiro. Mas só a direita. Isso dá inferno, padre?
— Inferno, não sei, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">— Padre, eu gosto de&#8230; ummhnn&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">— Ahn?</p>
<p style="text-align: justify">— Gosto de&#8230; hmnnn&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">— De quê, meu filho?</p>
<p style="text-align: justify">— Eu gosto de cheirar a virilha, padre.</p>
<p style="text-align: justify">— Como é que é?</p>
<p style="text-align: justify">— A virilha? Uma parte do corpo que&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">— Não, o que você disse?</p>
<p style="text-align: justify">— Gosto de cheirar a virilha. Passo o dedo assim, fico passando por um tempo e depois cheiro. Mas só a direita. Isso dá inferno, padre?</p>
<p style="text-align: justify">— Inferno, não sei, mas manicômio é provável. Por que exatamente você cheira o&#8230; a virilha direita, meu filho?</p>
<p style="text-align: justify">— Porque o cheiro é melhor que o da esquerda.</p>
<p style="text-align: justify">— Sim, mas o que leva você a cheirar a virilha, seja ela direita, esquerda, social-democrata ou o raio que o parta?</p>
<p style="text-align: justify">— Não sei, padre. Simplesmente cheiro. É um vício como qualquer outro: roer unha, fumar cigarro, comer sebo do sovaco&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">— Não me diga que você come sebo dos sovacos.</p>
<p style="text-align: justify">— Dos sovacos, não. Do sovaco. O direito.</p>
<p style="text-align: justify">— Você está me dizendo que, além de cheirar a virilha, costuma também comer o sebo do seu sovaco?</p>
<p style="text-align: justify">— Não disse que comia sebo do meu sovaco. Jamais faria isso. Como o sebo do sovaco dos outros, que é mais gostoso.</p>
<p style="text-align: justify">— Come o se&#8230;? <em>Miserere mei, Deus!</em></p>
<p style="text-align: justify">— Como. O senhor não?</p>
<p style="text-align: justify">— <em>Pater dimitte illis non enim sciunt quid faciunt! </em>Mais algum&#8230; vício de que deva saber?</p>
<p style="text-align: justify">— Fora a virilha, mais nada. Quer dizer, bom, tinha a questão do sexo com a minha avó, mas ela agora já morreu. Durante um orgasmo, por sinal&#8230; Mas a culpa não foi minha, ela tava com meu irmão na hora.</p>
<p style="text-align: justify">— Você e seu irmão costumavam fazer sexo com a própria avó?</p>
<p style="text-align: justify">— Eu, meu irmão e Zigofredo.</p>
<p style="text-align: justify">— Quem é Zigofredo?</p>
<p style="text-align: justify">— Um porquinho que ela criava. O senhor precisava ver que mimo. Gordo, robusto&#8230; Fazia ionc, ionc quando a gente enfiava&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">— Para! Para! <em>(Levantando-se e levando o outro para fora da sala pelo braço.)</em> Olhe, meu filho, eu vou reunir o concílio, falar com o bispo, quem sabe ligar para o papa. Você me volte aqui em duas semanas e eu lhe digo sua punição ou faço seu exorcismo, conforme seja o caso. Agora vá, vá!</p>
<p style="text-align: justify">— Tudo bem. Mas antes&#8230; <em>(Olhando para o sovaco do padre.)</em> O senhor não permitiria uma lambidinha?</p>
<p style="text-align: justify">— <em>(Batendo a porta, trêmulo.)</em> Cheire a virilha, meu filho. Passar bem.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #339966"><em>Pelo tempo que levei para voltar, vocês já perceberam que me adequei completamente à vida no Rio. Segundo um amigo, o carioca não é lento, ele apenas começa a fazer as coisas quarenta minutos depois de todo mundo. Pode ser. Eu mantenho a tese de que o Rio é a verdadeira Bahia, a qual desenvolverei em breve por aqui. &#8220;Em breve&#8221;, segundo a noção de tempo carioca, claro.</em></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>TWITTER</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/07/24/twitter/</link>
		<comments>http://marconileal.opsblog.org/2009/07/24/twitter/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 22:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[NOTAS E AVISOS]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marconileal.opsblog.org/?p=3022</guid>
		<description><![CDATA[Enquanto não volto, acompanhem meus elogios ao Rio de Janeiro aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto não volto, acompanhem meus elogios ao Rio de Janeiro <a href="http://twitter.com/marconil" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/twitter.com');"><span style="color: #339966"><strong>aqui</strong></span></a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>RIO, MAS NÃO MUITO</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/07/15/rio-mas-nao-muito/</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 18:12:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[NOTAS E AVISOS]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marconileal.opsblog.org/?p=3019</guid>
		<description><![CDATA[Sabem todos que desgraça é que nem sogra: aparece quando a gente menos espera.
Eis que eu, que estou passando por pulsoterapia e correndo o risco de enfrentar a hemodiálise, fui acometido por outra desgraça decomunal: tive de me mudar para longe da civilização e me estabelecer no Rio de Janeiro. Para quem não conhece, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Sabem todos que desgraça é que nem sogra: aparece quando a gente menos espera.</p>
<p style="text-align: justify">Eis que eu, que estou passando por pulsoterapia e correndo o risco de enfrentar a hemodiálise, fui acometido por outra desgraça decomunal: tive de me mudar para longe da civilização e me estabelecer no Rio de Janeiro. Para quem não conhece, o Rio é uma espécie de África, só que aqui todo mundo é crente.</p>
<p style="text-align: justify">Isso porque, seguindo o projeto de sua vida <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;font-size">—</span> que é me sustentar <span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;font-size">—</span>, minha mulher acaba de ser empossada em emprego público federal, ou seja, agora seremos dois sem trabalhar aqui em casa, mas pelo menos ela vai ganhar dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify">Enfim, como já dizia Quixote, o mundo é um moinho. Em razão dessa mudança e enquanto passo pelo processo de aculturação, não escreverei no blog. <span style="color: #000000">Volto em agosto.</span> Se, até lá, não tiver sido sequestrado ou praticado o salto do Corcovado sem paraquedas, esporte a que pretendo me dedicar em breve. Até a volta.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>PASTEL DE SANTA CLARA</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/07/09/pastel-de-santa-clara/</link>
		<comments>http://marconileal.opsblog.org/2009/07/09/pastel-de-santa-clara/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 13:14:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[COTIDIANO]]></category>

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		<description><![CDATA[BÊBADO 1: (Do nada, suspirando após uma prolongada pausa na conversa.) Não sei vocês, mas pra mim a vida após a morte só valeria a pena se houvesse pastel de Santa Clara.
BÊBADO 2: Isso é eufemismo pra sexo? Porque se for, eu prefiro o pastel da Julianne Moore.
BÊBADO 1: Não, não é eufemismo pra sexo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">BÊBADO 1: <em>(Do nada, suspirando após uma prolongada pausa na conversa.)</em> Não sei vocês, mas pra mim a vida após a morte só valeria a pena se houvesse pastel de Santa Clara.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 2: Isso é eufemismo pra sexo? Porque se for, eu prefiro o pastel da Julianne Moore.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 1: Não, não é eufemismo pra sexo. Aliás, Botticelli, Freud e os gregos que me desculpem, mas nunca entendi esses símbolos eróticos. O sujeito que confunde o órgão sexual feminino com um marisco, por exemplo, das duas uma: ou tá saindo com um desses novos tipos de sexo que andam inventando por aí ou com uma alemã de pouco asseio.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 3: Olha, não quero te decepcionar não, mas tudo indica que o protestantismo venceu. De modo que no Céu, atualmente, eles só devem servir um copo d&#8217;água. E morna.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 2: É, lá, por esses dias, o pastel de Santa Clara é conhecido como pastel de Clara, a Herege. Inclusive não vejo graça nesse doce, mas concordo com você em relação aos signos: quando leio esses poetas árabes se referindo à vagina como figo, acredito piamente no evolucionismo, porque obviamente os órgãos sexuais antes tinham outra forma. E dou graças a Deus que estejamos reproduzindo hoje com algo que, pelo menos, não tem dentes.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 1: Pode rasgar seu <em>Confissões</em> e, você, doe aquele seu exemplar de Plotino. Quem não entende o pastel de Santa Clara não entende metafísica. O pastel de Santa Clara é a síntese da vida, rapazes. O próprio Jesus Cristo, dizem, só atingiu a Verdade depois de comer um.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 2: Engraçado. Desconfiava que Jesus tivesse ido à Índia, mas definitivamente não sabia que tinha ido a Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 3: Mas foi. Tá lá. Capítulo 3, versículo 4, Evangelho de Manuel Joaquim.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 1: Podem rir. Isso, vão rindo. Mas quando chegar a vez de vocês na fila dos condenados lembrem de mim. Eu vou tá na fila do lado, comendo um pastel de Santa Clara com meu amigo, o Nazareno. Provavelmente com uma camisa do Bangu. O próprio Zeus recomendou o pastel de Santa Clara, se vocês não sabem, gente sem cultura clássica. Tá lá em Homero, ignorantes.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 3: Hesíodo, na verdade. Eu me lembro. É naquela passagem em que ele se transforma em quibe para copular com um pastel de Santa Clara escondido de Hera.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 2: Como castigo, Hera condenou todos os quibes de boteco a serem feitos com óleo de duas semanas.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 3: O que acabou ocasionando a queda dos prepúcios dos árabes.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 1: <em>(Revoltado.)</em> Isso mesmo, riam mais. Riam bem, se acabem de rir. Mas fiquem sabendo que o próprio Proust só trocou o pastel de Santa Clara pela madeleine por uma questão de patriotada. Ele mesmo preferia o pastel, todo mundo sabe.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 2: Voltamos a falar de eufemismos pra sexo? Porque todo mundo sabe que Proust gostava mesmo era de um bom croquete.</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 3: Roliço&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">BÊBADO 1: Deixa pra lá. Bárbaros, canibais, pagãos. Garçom, mais uma rodada! <em>(Muito sentido.)</em> O pastel de Santa Clara ainda vai salvar a religiosidade, ateus!</p>
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		<title>AMOR NOS TEMPOS DO VIAGRA</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/07/07/amor-nos-tempos-do-viagra/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 12:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[COTIDIANO]]></category>

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		<description><![CDATA[— Tu acredita em amor?
— Namor? O Prícipe Submarino? Sim. Em quem não acredito é nos Super Gêmeos. Pra mim, trata-se dos super-heróis mais idiotas que alguém poderia criar. &#8220;Forma de um balde de gelo! Forma de água pra entrar no balde de gelo!&#8221; Ah, vão tomar no&#8230;
— Não, cara, amor. Tô falando de amor. Camões, Shakespeare, essas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>— Tu acredita em amor?</p>
<p>— Namor? O Prícipe Submarino? Sim. Em quem não acredito é nos Super Gêmeos. Pra mim, trata-se dos super-heróis mais idiotas que alguém poderia criar. &#8220;Forma de um balde de gelo! Forma de água pra entrar no balde de gelo!&#8221; Ah, vão tomar no&#8230;</p>
<p>— Não, cara, amor. Tô falando de amor. Camões, Shakespeare, essas coisas.</p>
<p>— Bom, acreditar, acredito. Mas, na minha idade, já tenho experiência suficiente pra saber que o amor por si só não vale nada. Tem que vir acompanhado de coisas igualmente importantes.</p>
<p>— Carinho, afeto, compreensão, companheirismo&#8230;</p>
<p>— Viagra&#8230;</p>
<p>— Ih, tu tá nessa?</p>
<p>— Não é que eu esteja. Tecnicamente, não tô. Mas é como já dizia Wittgenstein: todo mundo precisa de uma ajudinha pra subir ladeira.</p>
<p>— Wittgenstein nunca disse isso.</p>
<p>— Como é que tu sabe? Tu lê alemão? Tu não lê alemão. Wittgenstein escreveu coisas que o próprio Wittgenstein não entendeu. Embora a academia já tenha entendido tudo.</p>
<p>— Não desvia o assunto. Tu anda tomando Viagra?</p>
<p>— Não é que <em>ande</em> tomando Viagra. Digamos que uso socialmente, em momentos de maior aperto.</p>
<p>— Exemplo.</p>
<p>— Loirinha peituda.</p>
<p>— Que é que tem?</p>
<p>— Tu já brochou com uma loirinha peituda, com coxas perfeitas, tudo no lugar?</p>
<p>— Nunca, pelo simples motivo de que a única loirinha peituda com quem saí acabei descobrindo se chamar Oswaldão. Nosso encontro durou o prazo de uma apalpadela e me gerou tal aversão ao silicone que até hoje não consigo ouvir o nome de Pitanguy sem entortar o pescoço e piscar o olho duas vezes, dizendo &#8220;Babalu, babalu.&#8221;</p>
<p>— Pois eu lhe digo que já brochei e o trauma é tão grande que, no dia seguinte, você quer se enforcar com uma <em>scarf</em>.</p>
<p>— O que é uma <em>scarf</em>?</p>
<p>— Não sei, por isso mesmo não me matei. Mas o sentimento é péssimo. De maneira que agora o Viagra fica ali na carteira, até mesmo por uma questão de civismo.</p>
<p>— Essa, nem com todo o Wittgenstein. Questão de civismo?</p>
<p>— Pensa rápido, Jurandir. Para me lembrar que eu sou brasileiro e não desisto nunca. Agora, desembucha. Quem é que tás comendo?</p>
<p>— Quanta sutileza! Te falei que é amor, rapaz.</p>
<p>— Sem eufemismo, Jurandir.</p>
<p>— Isso mesmo, sem eufemismo, sem bestialismo, sem nenhuma dessas safadezas. Amor, ponto final. Tô apaixonado, cara.</p>
<p>— E por quem, Jurandir? Eu conheço? Já comi?</p>
<p>— Tu é um bárbaro, rapaz, um selvagem. Agora escuta e presta atenção, aprende um pouco de poesia: fique sabendo que, depois de trinta anos de casado, tô apaixonado de novo por minha própria mulher.</p>
<p>— <em>(Passa meia hora rindo.)</em> Jurandir&#8230;</p>
<p>— Que é que foi?</p>
<p>— Jurandir&#8230; <em>(Ri mais um pouco.)</em></p>
<p>— Que é?</p>
<p>— Jurandir&#8230; Tu é corno de tu mesmo, Jurandir! <em>(Ri ainda mais.)</em></p>
<p>— Ah, vá&#8230;</p>
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		</item>
		<item>
		<title>JESUS OU MICHAEL JACKSON</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/07/02/jesus-ou-michael-jackson/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 10:50:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[COTIDIANO]]></category>

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		<description><![CDATA[— E aí cara, quem é que tu acha que volta primeiro?
— Quanto a isso, não tenho a menor dúvida. É aquele croquete de bacalhau que a gente acabou de comer, tu não viu? Nadar em óleo é pouco. Acho que tinha um que tava até usando escafandro. Nesse exato momento, eu tô com uma azia que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">— E aí cara, quem é que tu acha que volta primeiro?</p>
<p style="text-align: justify">— Quanto a isso, não tenho a menor dúvida. É aquele croquete de bacalhau que a gente acabou de comer, tu não viu? Nadar em óleo é pouco. Acho que tinha um que tava até usando escafandro. Nesse exato momento, eu tô com uma azia que começa no tornozelo!</p>
<p style="text-align: justify">— Não, cara, sério. Quem você acha que volta primeiro: Jesus ou Michael Jackson?</p>
<p style="text-align: justify">— Ah, não, mermão. Não acredito no que ouvem minhas oiças. Olha aí, alexandrinos perfeitos. Eu sou assim, quando tô indignado, só falo em alexandrinos.</p>
<p style="text-align: justify">— Por que não vais tomar na b&#8230;? Viu aí? Octossílabos perfeitos. Eu, quando tô diante de um débil mental, só falo em octossílabos.</p>
<p style="text-align: justify">— Não ofende, hein? Você é que veio com essa debiloquencia de Jesus e Michael Jackson. Bela palavra!</p>
<p style="text-align: justify">— Jesus ou Michael Jackson?</p>
<p style="text-align: justify">— Debiloquencia. Devia constar do Aurélio. Agora, meu nego, no que diz respeito a sua pergunta, informo que sou católico e não vou permitir esse tipo de brincadeirinha com Jesus, Nosso Senhor. Se ainda fosse com o Espírito Santo, vá lá. Nunca confiei no Espírito Santo. Acho que ele é até meio indecente, uma espécie de pum celeste, tu não acha?</p>
<p style="text-align: justify">— De fato, expressão muito bonita pra um católico. Não duvido que eles se tratem assim no céu, em momentos de intimidade. &#8220;Jesus está?&#8221; &#8220;Sim, mas nesse instante estão os três ocupados numa reunião de emergência da Santíssima Trindade, senhor: Pum Celeste, Barba Divino e o próprio Anda N&#8217;água. No momento, só temos a Virgem que Tapeou José, serve?&#8221; E além do mais, excelente católico você me saiu. A última vez que entrou na igreja foi no batizado de minha filha, que tem 20 anos!</p>
<p style="text-align: justify">— Tenho culpa se ela não se crismou? Agora, o que não faço é misturar coisa santa com pagã. Jesus é uma criatura onipresente, onisciente e&#8230; onifrequente.</p>
<p style="text-align: justify">— Onipotente. Tudo bem, credito isso a favor dele. Mas não sabe fazer o <em>moon walk</em>.</p>
<p style="text-align: justify">— Pro seu governo, fique sabendo que ele faz o <em>moon walk</em> até sobre poças e lagos!</p>
<p style="text-align: justify">— Mas não muda de cor.</p>
<p style="text-align: justify">— Como não? Muda de cor perfeitamente. Acontece que antes as coisas eram mais atrasadas. Mas quando você reproduz um palestino como se fosse branco e louro de olhos azuis, como fazem nas imagens sacras, me diga se isso não é uma técnica precursora da de Michael Jackson? E outra: Jesus tinha nariz. E Michael Jackson o que tinha era um origami dependurado no centro do rosto.</p>
<p style="text-align: justify">— Mas ele é tão amado quanto Jesus. E também levou chicotadas e foi abandonado pelo pai.</p>
<p style="text-align: justify">— Sem falar que também era adepto do &#8220;Vinde a mim as criancinhas&#8221;. E foi além do Cristo nesse aspecto, porque estabeleceu uma relação comunista com elas. Comia todas.</p>
<p style="text-align: justify">— Ele volta primeiro, tenho certeza.</p>
<p style="text-align: justify">— Uhm-hum. E quando voltar vai julgar a humanidade baseado em quê: &#8220;Vós que dançastes o break e gravastes videoclipes em favelas do Rio, passai à minha direita. Vós que pisastes no pé de vossa companheira até numa simples valsa, para a danação eterna?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify">— Não sei, só sei que ele volta antes.</p>
<p style="text-align: justify">— Não volta.</p>
<p style="text-align: justify">— Volta.</p>
<p style="text-align: justify">— Não volta. E aposto cem reais.</p>
<p style="text-align: justify">— Combinado&#8230; É certo que volta.</p>
<p style="text-align: justify">— Não vol&#8230; Uh, urgh. Uh, uuurgh! Urgh!</p>
<p style="text-align: justify">— Que nojo, cara! Que nojo!</p>
<p style="text-align: justify">— Olha aí, não disse que o croquete vinha antes. Garçom, desce mais uma! E um pano de chão, faz favor! Vem, passa os cem. Eu estudei teologia, rapá&#8230;</p>
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		<item>
		<title>CLÁSSICO METAFÍSICO: CÉU X INFERNO (Quinta Parte)</title>
		<link>http://marconileal.opsblog.org/2009/06/30/classico-metafisico-ceu-x-inferno-quinta-parte/</link>
		<comments>http://marconileal.opsblog.org/2009/06/30/classico-metafisico-ceu-x-inferno-quinta-parte/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 08:55:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marconi Leal</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[FUTEBOL]]></category>

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		<description><![CDATA[DANTE: Recomeça a partida. Um a zero para o Inferno. Friedrich, o que você acha que o Céu deve fazer para virar o jogo?
NIETZSCHE: Olha, Dante. Em primeiro lugar, rearrumar a defesa e organizar o meio-campo. A verdade é que Elias está sumido em campo. E Jó está sofrendo na defesa.
DANTE: Vejam só, o Inferno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">DANTE: Recomeça a partida. Um a zero para o Inferno. Friedrich, o que você acha que o Céu deve fazer para virar o jogo?</p>
<p style="text-align: justify">NIETZSCHE: Olha, Dante. Em primeiro lugar, rearrumar a defesa e organizar o meio-campo. A verdade é que Elias está sumido em campo. E Jó está sofrendo na defesa.</p>
<p style="text-align: justify">DANTE: Vejam só, o Inferno já retoma a bola e parte para o ataque. Mas não, falta! Pedro derruba Belzebu e recebe cartão amarelo. Pedro discute com a juíza e nega que tenha cometido a infração. Minerva insiste. Pedro nega três vezes. Jesus entra na discussão e diz que quem nunca cometeu uma falta atire a primeira perna. Ih, esquenta a briga. João Batista lança uma sandália na cabeça de Átila, que rola no chão perto do goleiro ACM.</p>
<p style="text-align: justify">BELEROFONTE: Veja que onde Átila rola, não cresce grama, Dante.</p>
<p style="text-align: justify">DANTE: Bem observado, Belé. E João Batista insiste, hein. Vai pra cima de Átila, joga a túnica de camelo no chão e parte para a briga&#8230;</p>
<p style="text-align: justify">NIETZSCHE: Cá pra nós, Dante, João Batista é bom jogador e tudo, mas é um <em>bad boy</em>. Enquanto não dominar esse temperamento dele, sua carreira nunca vai deixar de ser uma eterna terra prometida.</p>
<p style="text-align: justify">DANTE: Agora, pra completar, Stálin dá um tapa na auréola de Gabriel e o chama de &#8220;ópio do povo&#8221;. &#8220;Seu ópio do povo&#8221;, ele diz. A confusão se generaliza.</p>
<p style="text-align: justify">BELEROFONTE: Dante, os Templários, que estão no banco de reservas do Céu tentam invadir o campo. Mas são contidos pela ira divina. Deus, em sua infinita bondade, abre um buraco no chão onde eles caem e são soterrados. E agora o massagista do Céu entra na cancha pra cuidar de Gabriel, distribuindo garrafinhas de mel e pedaços de ázimos pra todos os jogadores.</p>
<p style="text-align: justify">DANTE: E no banco de reservas do Inferno, Orfeu?</p>
<p style="text-align: justify">ORFEU: &#8220;Como uma deusa, você me mantééém. E as coisas que você me diz, me levam alééém&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify">DANTE: Orfeu!</p>
<p style="text-align: justify">ORFEU: Dante, por incrível que pareça, Satã está calmo. O Diabo está sentado, desenhando algo em sua prancheta&#8230; Um sete, Dante. Satanás está pintando o sete.</p>
<p style="text-align: justify">NIETZSCHE: Ai, ai, ai, o clima continua quente. Belzebu pegou um pedaço de pão que Jesus lhe oferecia, amassou e jogou no chão.</p>
<p style="text-align: justify">BELEROFONTE: Pão esse que Jó comeu, Nietzsche. Eita, Dante, e agora a briga contagiou as torcidas. Uou! Confusão na arquibancada. Os profetas, liderados por Isaías, atacam os pecadores do Inferno a pedradas.</p>
<p style="text-align: justify">DANTE: Não dá. Enquanto permitirem a entrada dos profetas uniformizados em campo jamais vai acabar a violência no futebol.</p>
<p style="text-align: justify">NIETZSCHE: Também, Dante, convenhamos. O policiamento é precário. Cadê os anjos de espadas flamejantes quando a gente precisa deles?</p>
<p style="text-align: justify">DANTE: É verdade. Olha, eu quero dizer a nossos ouvintes que a briga é feia e promete não acabar tão cedo. Pra vocês terem uma ideia, agora mesmo o marquês de Sade passou a mão na bunda de Moisés, que praguejou sete vezes. Alguma chance de a confusão acabar e o Céu conseguir reverter o marcador daqui até o final do primeiro tempo da eternidade, Friedrich?</p>
<p style="text-align: justify">NIETZSCHE: É inútil, Dante. Todos nós já vimos essa história. A briga não acaba nunca, mas dá mal na cabeça sempre. Eterno retorno. Orfeu, que é grego, sabe disso melhor do que eu. Não é Orfeu?</p>
<p style="text-align: justify"><em>(Em vez da voz de ORFEU, entra trecho de </em>O Guarani<em>.)</em></p>
<p style="text-align: justify">DANTE: Ih, Friedrich, deu interferência. Orfeu pegou a Hora do Brasil!</p>
<p style="text-align: justify"><em>(Continua </em>O Guarani<em> e, em seguida, entra voz de locutor: &#8220;Em Brasília, 19 horas&#8230;&#8221;)</em> <span style="color: #339966">(FIM)</span></p>
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