<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0">

<channel>
	<title>Mescla Sonora</title>
	
	<link>http://www.mesclasonora.com</link>
	<description />
	<lastBuildDate>Sun, 15 Nov 2009 22:35:05 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/MesclaSonora" type="application/rss+xml" /><feedburner:emailServiceId>MesclaSonora</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><feedburner:browserFriendly></feedburner:browserFriendly><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item>
		<title>| Perdidos em Combate | Arab On Radar</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/perdidos-em-combate-arab-on-radar/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/perdidos-em-combate-arab-on-radar/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 00:15:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1484</guid>
		<description><![CDATA[Porcos, paranóicos e ruidosos como o caraças. Há que ser assim directo ao assunto no que toca aos Arab On Radar, essa infame banda-instituição que um dia foi perseguida ao pontapé após uma abertura mal recebida pelo público num concerto de Marilyn Manson. Na verdade a banda despotela dois &#8211; e apenas dois &#8211; sentimentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.furious.com/perfect/graphics/arabonradar.jpg" alt="" width="340" height="255" />Porcos, paranóicos e ruidosos como o caraças. Há que ser assim directo ao assunto no que toca aos Arab On Radar, essa infame banda-instituição que um dia foi perseguida ao pontapé após uma abertura mal recebida pelo público num concerto de Marilyn Manson. Na verdade a banda despotela dois &#8211; e apenas dois &#8211; sentimentos distintos: amor ou ódio. Conterrâneos de outras guerrilhas sónicas como Lightning Bolt ou Black Dice, os Arab On Radar não receberam a mesma atenção destes, permanecendo um pouco mais à margem mas mantendo um culto aceso nos EUA. Os discos eram de duração curta mas cada tema musicalmente intenso e liricamente escandaloso. Mais que adorados, procuravam ser odiados, semeando o caos em cada concerto. Entre a crueza da <em>no wave </em>e seguindo pistas deixadas pelo noise rock japonês, pairavam letras doentias e perversas que revelavam um humor negro e muitas vezes a roçar uma abordagem insultuosa, algo que certamente lhes garantiu muitas macumbas por parte de grupos feministas e gente mais sensível.</p>
<p><span id="more-1484"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Entre 1997 e 2003, através da Skin Graft e Load Records (duas casas peritas em esquisitice musical), foram lançados <em>splits cds</em> com The Locust e Kid Commando e os dos discos mais representativos da sua discografia: <em>Soak The Saddle</em> e<em> Yahweh Or The Highway. </em>É verdade que a médio prazo, o &#8220;som Arab On Radar&#8221; entrou numa certa fórmula de bateria mecânica/guitarras estridentes/voz de maníaco mas apesar da fórmula, a intensidade continuava lá, pronta a penetrar e bombardear a sanidade mental de quem os escutava. Em 2002 a banda anuncia o fim das suas actividades e surgem então os The Chinese Stars, uma versão mais dançável e menos ruídosa (embora com a típica guitarra estridente sempre lá presente). No ano passado foi lançado o DVD Sunshine <em>For Shady People</em> que demonstra o lado mais visceral das suas actuações assim como algumas imagens <em>off the record</em> apresentadas em primeira mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Com eles compreendíamos o prazer de irritar terceiros e de provocar quem se metesse à nossa frente. Violentos? Nem por isso, apenas porcos, paranóicos e ruidosos como o caraças. Não há memória de rock mais esquizofrénico nos últimos anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Nuno Afonso</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.myspace.com/arabonradar">Myspace</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=XuYjXx_I_RE&amp;feature=related">Video &#8220;God Is Dad&#8221;</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=YeeIQX8ElB0">Video &#8220;My Mind Is A Muffer&#8221; (ao vivo)</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.skingraftrecords.com/mp3/LP_MP3/chinesestars_sick.MP3">&#8220;Sick Machine&#8221; MP3 Download</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/perdidos-em-combate-arab-on-radar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
<enclosure url="http://www.skingraftrecords.com/mp3/LP_MP3/chinesestars_sick.MP3" length="2734600" type="audio/mpeg" />
		</item>
		<item>
		<title>| Ao Vivo | Black Lips @ Caixa Económica Operária</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-black-lips-caixa-economica-operaria/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-black-lips-caixa-economica-operaria/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 17:29:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1471</guid>
		<description><![CDATA[Tijuana, 2007. Os Black Lips acabam de assinar pela Vice e apresentam-se ao vivo numa das cidades mais mal afamadas do mundo onde reinam ilegalidades e excessos. Nesse concerto, há mariachis, público a tropeçar na banda, gente encavalitada no chão e ainda há espaço para uma miúda celebrando o êxtase do momento  masturbando-se ali mesmo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Tijuana, 2007. Os Black Lips acabam de assinar pela Vice e apresentam-se ao vivo numa das cidades mais mal afamadas do mundo onde reinam ilegalidades e excessos. Nesse concerto, há mariachis, público a tropeçar na banda, gente encavalitada no chão e ainda há espaço para uma miúda celebrando o êxtase do momento  masturbando-se ali mesmo. Tudo isto demonstra &#8211; da forma mais genuína possível &#8211; a urgência e o inconformismo (que sentem e fazem sentir) de um grupo de quatro miúdos de Atlanta pronto a fornicar o dito rock n ´roll com a pujança e entusiasmo natural da idade.</p>
<p><span id="more-1471"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Lisboa, 2009. Seria no mínimo ingénuo pensar que o Armadegão de Tijuana se voltasse a repetir por cá. Mas os Black Lips não enganam ninguém e deram provavelmente o seu melhor concerto em terras nacionais. A seu favor tinham um dos melhores espaços lisboetas para música ao vivo e um público sedento de os ver. De sala composta, a banda entra em palco com uma efusão absolutamente contagiante fazendo desde logo prever uma noite memorável. Em destaque estiveram os dois últimos discos especialmente o mais recente  <em>200 Million Thousand</em>. Um guitarrista de chapéu à Harry Potter e um baterista possuído sabe-se lá por quê, relembram-nos que estamos perante um daqueles casos de pura bandalheira a que poucos serão imunes. Entre os temas mais festivos como <em>Drugs </em>ou <em>O Katrina! </em>- que inevitavelmente movimentaram tropas para o círculo de moshpit &#8211; também mostraram o seu lado mais limpo e contemplativo através de <em>Starting Over</em>. Pelo meio ficaram as desculpas da banda ao namorado de uma miúda com quem os Black Lips não resistiram aos encantos (rufias mas respeitadores, atenção) arrancando de seguida para <em>Let It Grow</em>, um dos temas-chave do último disco. Quase perto do final deu-se o momento da noite ao som do hino <em>Bad Kids</em> que serviu de mote para uma das invasões de palco mais divertidas dos últimos tempos. Banda e fans, amontados uns ao lado dos outros, marcando o ponto alto da actuação número quatro dos Black Lips por Portugal. Ninguém se preocupou com as cervejas derramadas ou com os pingos de suor alheios que faziam sentir, afinal de contas ninguém apareceu ontem na Caixa Económica Operária para outra coisa. Não houve espaço para sisudos, <em>no concert for old men</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes os The Sticks ofereceram-nos uma lição de como desfragmentar o rock em cerca de trinta minutos. Trocando os instrumentos entre si, canção a canção, a banda nunca deixou de lado aquele pulsar do garage punk que por vezes lembram os projectos desse quase Deus chamado John Dwyner (nomeadamente através dos The Hospitals ou Coachwhips). Será errado chamar a isto noise, será limitado dizer que se trata de rock n´roll e ainda mais insensato pensar que houve aqui uma abordagem pensada. No universo dos The Sticks musicalmente muito pode acontecer e mais que tocar bem, há que tocar com atitude, com feeling. A vontade de pegar num instrumento é mais forte que tudo e no fundo é isso que interessa e nem os próprios o escondem. Uma estreia positiva e um aquecimento adequado ao que se seguiria.</p>
<p style="text-align: justify;">Final de noite e mais uma proposta ganha da produtora Filho Único que tem vindo a agitar &#8211; e muito &#8211; o panorama de concertos na cidade e não só. Haja rock, haja invasões de palco e haja cerveja no ar. Até à próxima.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Nuno Afonso</strong></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-black-lips-caixa-economica-operaria/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>| Tracks | Isis: 20 Minutes / 40 Years</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/tracks-isis-20-minutes-40-years/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/tracks-isis-20-minutes-40-years/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 15:49:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1465</guid>
		<description><![CDATA[Os norte-americanos Isis praticamente dispensam qualquer tipo de apresentação. Nome incontornável no sludge metal, desde 2000 que têm visto crescer um culto cada vez maior em redor da sua música. Wavering Radiant é o novo disco da banda que marca o seu regresso após um silêncio de três anos. Com a produção de Joe Barresi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.renmero.com/blog/wp-content/uploads/2007/07/300px-isis-band1.jpg" alt="" width="175" height="129" />Os norte-americanos Isis praticamente dispensam qualquer tipo de apresentação. Nome incontornável no sludge metal, desde 2000 que têm visto crescer um culto cada vez maior em redor da sua música.<em> Wavering Radiant</em> é o novo disco da banda que marca o seu regresso após um silêncio de três anos. Com a produção de Joe Barresi (The Jesus Lizard, Queens Of The Stone Age ou Melvins) e a participação de Adam John dos Tool em dois tema, este será talvez dos discos mais complexos mas também acessíveis da banda até à data.</p>
<p><span id="more-1465"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em> 20 Minutes/40 Years </em>é a primeira apresentação do disco e demonstra aquilo que seria de esperar nos Isis, ou seja, um tema em que intensidade e beleza andam lado a lado. Uma vez mais &#8211; e evitando caminhos fáceis &#8211; a banda segue uma estrutura musical em nada linear criando, em pouco mais de sete minutos, um exemplo certeiro do seu lado mais progressivo (cerebral, até). Poder-se-ia aplicar aqui a palavra <em>épico </em>se esta não estivesse já tão desprovida de originalidade ou sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Novo disco, nova conquista. Os Isis estão de volta.</p>
<p><span style="color: #663300; font-family: trebuchet ms;"><a href="http://mp3.insound.com/download.php?mp3id=3667">MP3 Download</a></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/tracks-isis-20-minutes-40-years/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>| Fresh Cuts | Silk Flowers</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/fresh-cuts-silk-flowers/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/fresh-cuts-silk-flowers/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 17:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1459</guid>
		<description><![CDATA[A História volta a repetir-se uma vez mais. Os quadrantes do pós-punk e as suas direcções vanguardistas encontram-se trinta anos depois na mesma cidade que viu nascer iluminárias como Suicide, Lydia Lunch ou Sonic Youth. As compilações New York Noise encarregaram-se de trazer à luz do dia alguns desses exemplos mais obscuros e entretanto perdidos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://c2.ac-images.myspacecdn.com/images02/4/l_b3ba7379d53144ce8a907ef41e5d6d99.jpg" alt="" width="320" height="191" />A História volta a repetir-se uma vez mais. Os quadrantes do pós-punk e as suas direcções vanguardistas encontram-se trinta anos depois na mesma cidade que viu nascer iluminárias como Suicide, Lydia Lunch ou Sonic Youth. As compilações <em>New York Noise</em> encarregaram-se de trazer à luz do dia alguns desses exemplos mais obscuros e entretanto perdidos no tempo. Numa altura de (re)descoberta desses tempos, sabemos que a frescura e real urgência desses sons já não é a mesma mas continua a ser uma esfera apetecível. Os Silk Flowers são um desses casos em que o seu papel de recriadores é notório mas nem por isso menos inspirado.</p>
<p><span id="more-1459"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O disco homónimo saído há meses não deixa de transparecer muitos dos ensinamentos dos Public Image Ltd. ou Cabaret Voltaire e caso ainda haja dúvidas de que este é um disco lançado possivelmente na década errada, sempre se pode sentir uma semelhança avassaladora vocal com Ian Curtis ou mesmo Peter Murphy. Seja retro, se assim quisermos. Todavia os Silk Flowers têm algo de irresistível e próprio: as melodias bizarras e quase paranormais que escutamos ao longo do disco. Esse  imaginário sci-fi bem nutrido de substâncias mágicas libertadoras acaba por nos parecer simultaneamente perturbante e atraente. Em todo o caso, o negrume da banda nunca é posto de lado mesmo quando se vislumbram cores esborratadas em néon e convidativas a uma dança shoegaze. Existe um gosto em explorar ambientes, marcar aquele ritmo electro e adorná-lo com linhas de sintetizadores ora mais psicadélicos, ora mais soturnos. E sim, pairam aqui muitas referências óbvias de outros tempos, não nos deixemos enganar quanto a isso mas não deixam de ser óptimas referências nem os Silk Flowers deixam de criar boa música.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma companhia recomendável para as próximas semanas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Nuno Afonso</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.myspace.com/silkflowersnyc ">Myspace</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/fresh-cuts-silk-flowers/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>| Ao Vivo | Megafone 5: Homenagem a João Aguardela @ CCB</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-megafone-5-homenagem-a-joao-aguardela-ccb/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-megafone-5-homenagem-a-joao-aguardela-ccb/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 16:57:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1456</guid>
		<description><![CDATA[Na semana em que se homenageou a memória de João Aguardela, com o lançamento póstumo do quinto volume do seu projecto Megafone, vimos desaparecer António Sérgio. Não sei o que lhe chamar, se curiosidade negra ou coincidência mórbida&#8230; Preferia não ter que chamar nada. Afinal, foram dois dos nomes que mais contribuíram para o nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na semana em que se homenageou a memória de João Aguardela, com o lançamento póstumo do quinto volume do seu projecto Megafone, vimos desaparecer António Sérgio. Não sei o que lhe chamar, se curiosidade negra ou coincidência mórbida&#8230; Preferia não ter que chamar nada. Afinal, foram dois dos nomes que mais contribuíram para o nosso bem-estar musical nas últimas décadas. O primeiro através do reforço da música tradicional portuguesa e o segundo através da divulgação. Não queria estar a falar muito do António Sérgio neste texto, dedicado ao projecto Megafone e à festa do passado dia 4, mas mas não podia deixar passar a oportunidade de lhe dedicar também umas linhas. Que serão sempre curtas demais, qualquer que seja o caso.</p>
<p><span id="more-1456"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente, ficam as memórias. E, neste caso, a obra transcende o homem. Foi isso que se pretendeu homenagear no CCB, com o lançamento do Megafone 5: a liberdade e a irreverência (Carlos Guerreiro dixit) da música portuguesa, da qual João Aguardela foi um ímpar divulgador, entusiasta, inovador e performer.</p>
<p>Megafone 5 foi um espectáculo na real assumpção da palavra, que não se limitou às anunciadas actuações dos Gaiteiros de Lisboa, os OqueStrada, os Dead Combo e A Naifa (tudo bandas de créditos firmados que fazem essa ponte entre esta coisa da música tradicional portuguesa e a contemporaniedade), extravasando para fora do conceito “concerto” e do próprio auditório nobre do CCB, graças à intervenção do Artelier, colectivo que apresentou uma instalação entre o teatro de rua, o ready-made sonoro e a performance colectiva, entre procissões cyberpunk a la marchas populares e fatos à Blasted Mechanism minimalistas e com pisca-piscas do chinês.</p>
<p>Musicalmente falando, o espectáculo iniciou-se com os Gaiteiros de Lisboa, o colectivo do alinhamento que mais se aproximava da palavra tradicional. Resgatando a tradição telúrica da música portuguesa, os Gaiteiros fazem uma espécie de fusão com as coordenadas da música popular portuguesa, assente essencialmente na percussão e nos coros vocais, recorrendo muitas vezes à tradição oral das lenga-lengas e afins. Do concerto, do virtuosismo de todos aqueles instrumentos (especialmente os pouco convencionais, sou fã incondicional da sanfona) e da qualidade das canções, só mesmo a reparar como negativo o facto de o som ter estado sempre demasiado baixo para o que gostaríamos.</p>
<p>A festa seguiu-se com os OqueStrada, colectivo de longa data que mistura música com teatro de rua e que não estão, claramente, habituados a palcos como o do CCB. Por isso, a vocalista Miranda libertou-se das limitações convencionais do palco e aventurou-se pela boca de cena, pelas primeiras filas do público e pelo colo dos espectadores do fundo da sala, tentando assim afastar o nervosismo claro. Basicamente, tudo vale numa actuação dos OqueStrada, que melhor explicam o que é aquilo da transversalidade que tanto se fala quando se fala do legado de João Aguardela. Numa fusão delirante entre a música do Portugal profundo das tascas – Tony Miranda, guardião derradeiro do fado da Madragoa, não faltou à chamada, infelizmente com falhas técnicas – com o tango argentino, o flamenco espanhol ou a chanson francesa, houve ainda lugar aos casio tones dos anos 80, <em>Eye of the tiger</em> ao cavaquinho ou <em>Dancing with Myself</em> em versão punklore. Se os Gogol Bordello vissem os OqueStrada iam-se encher de vergonha. Oh Madonna, anda cá ouvir isto.</p>
<p>Os Dead Combo continuam a mostrar que a música instrumental também pode ter sucesso em Portugal. Tó Trips e Pedro Gonçalves orquestram um diálogo a dois, entre guitarra eléctrica e contrabaixo (que também pode ser outra guitarra ou, simplesmente, uma melódica), com o último a marcar o ritmo e o segundo a aventurar-se, desde os terrenos mais sónicos do experimentalismo dos seus tempos avant-garde nos Santa Maria Gasolina no teu Ventre até ao dedilhado mais intimista da sua guitarra 66, projecto a solo para noites calmas. <em>Canção do Avô</em> continua a ser um grande tema, com ou sem apito dos amoladores, e músicas como <em>Quando a Alma Não é Pequena</em> fazem com que os Dead Combo continuem a receber epítetos (justamente, diga-se) como o dos &#8220;Morricones&#8221; de Alfama.</p>
<p>Para terminar a noite, o regresso de A Naifa aos concertos. E depois de um tema introdutório em que o lugar do baixo de Aguardela se manteve vazio, apenas iluminado de cima por um melancólica candeeiro, Sandra Baptista (acordeonista dos Sitiados e companheira de Aguardela) tomou o palco e a posição de baixista, emulando por momentos a figura desaparecida. E se a actuação de A Naifa já era simbólica, então ficou duplamente simbólica. A partir dali, toda a música soou perfeita, mesmo que não o fosse. Como músicos convidados, Samuel Palitos e Rodrigo Dias (antigos colegas de estrada e palco de Agurdela) vieram dar uma mãozinha num tema cada, e no final a revelação da vocalista Mitó, que explicou que, no último disco da banda, as letras das canções não foram escritas por uma fã que se preferiu manter anónima, como se dizia, mas sim, como descobriram recentemente, pelo próprio Aguardela, que assumiu o nome da sua avó materna como heterónimo. Por isso, a actuação acabou com <em>Filha de Duas Mães</em>, dedicado &#8220;à avó e à mãe Aguardela, as duas mulheres da sua vida.&#8221;</p>
<p>A entremear os espectáculos, enquanto havia mudanças no palco, houve ainda tempo para se recordar fragmentos dos volumes anteriores do projecto Megafone (com destaque para Aboio &#8211; <em>Quando eu era pastor e andava atrás das ovelhas e eu só com a boca, sózinho, só com a boca, fazia assim</em>), trechos de concertos dos contagiantes Sitiados (do Rock Rendez-Vous à festa do Avante) e entrevistas passadas a Aguardela. No final, com todos os intervenientes da noite em cena a receberem a merecida ovação, Sandra Baptista levou os pais de Aguardela ao palco para (mais) um momento comovente de uma noite recheada de emoções fortes.</p>
<p><em><strong>Pedro Soares</strong></em></p>
<p><a href="http://www.aguardela.com">Site Oficial João Aguardela</a></p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		H1 { margin-top: 0cm; margin-bottom: 0cm } 		H1.western { font-family: "Times New Roman", serif; font-size: 12pt } 		H1.cjk { font-family: "Lucida Sans Unicode"; font-size: 12pt } 		H1.ctl { font-family: "Tahoma"; font-size: 12pt } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-megafone-5-homenagem-a-joao-aguardela-ccb/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>| Discos | David Sylvian: Manafon</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/discos-david-sylvian-manafon/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/discos-david-sylvian-manafon/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 16:25:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1449</guid>
		<description><![CDATA[Com tanta música que por aí anda, entre coisas boas e outras menos boas, existem poucas figuras na música que podemos sempre confiar em cada novo disco pois certamente não irão desiludir. Tom Waits é uma delas, David Sylvian será outra. Ambos têm uma carreira que fala por si embora estejam musicalmente distantes. Cada disco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.recordstore.co.uk/images/covers09/07.2009/david_sylvian_manafon.jpg" alt="" width="171" height="152" />Com tanta música que por aí anda, entre coisas boas e outras menos boas, existem poucas figuras na música que podemos sempre confiar em cada novo disco pois certamente não irão desiludir. Tom Waits é uma delas, David Sylvian será outra. Ambos têm uma carreira que fala por si embora estejam musicalmente distantes. Cada disco novo de Sylvian é recebido com a devida curiosidade e pompa e circunstância devida. Com o novo <em>Manafon</em> demonstra (uma vez mais) porque assim é. Um regresso de um herói amado é sempre um bom regresso principalmente quando porque sabemos de antemão que dali só poderá sair coisa boa.</p>
<p><span id="more-1449"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mais atmosférico e transgressor que  <em>Dead Bees On A Cake, </em>este novo capítulo espelha um artista que sabe envelhecer e tornar ainda mais mágica a sua arte. Como um bom vinho que absorve as fragâncias de um casco e os aromas do tempo, <em>Manafon</em> sabe escutar o próprio silêncio e vive também disso mesmo. Respira cada segundo e desvenda cada acorde e cada palavra com aquela classe típica que este senhor nos enfeitiça. Desde a abertura intimista e confessional de <em>Small Metal Gods</em> que pressenti que estava perante um daqueles monumentos na música que são um verdadeiro <em>grower</em>. Hoje soa-nos bem, amanhã soar-nos-à ainda melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo do disco as arestas de cada tema são limadas por um experimentalismo sempre presente mas tão bem incorporado que chega a ser discreto. Pequenos arranjos de cordas ou de sopros sombrios e frios contrastam da melhor forma possível com a voz quente de Sylvian. É como se estivéssemos numa floresta e pudéssemos escutar todos os sons e barulhinhos da mesma. O cenário acaba por ser esse, uma enorme, profunda e desconhecida floresta em Outono que passo a passo a descobrimos. Um cruzamento entre música de câmara, folk e electrónica abstracta que reflecte também a participação no disco de grandes nomes como Fennesz, Evan Parker ou Otomo Yoshihide.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho para mim que <em>Manafon</em> é daqueles discos que há-que dar algum tempo e atenção. Não é de todo imediato e por isso necessita de uma certa dedicação. Mas escusado será dizer que a recompensa será enorme.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Rita Andrade</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=5J2IkSNO2Bo&amp;feature=related">&#8220;A Fire In Manafon&#8221; Promo Video</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/discos-david-sylvian-manafon/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>| Video | Thao with The Get Down Stay Down: Cool Yourself</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/video-thao-with-the-get-down-stay-down-cool-yourself/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/video-thao-with-the-get-down-stay-down-cool-yourself/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 17:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1445</guid>
		<description><![CDATA[Thao Nguyen é uma underground pop diva que não se cansa de criar canções viciantes e açucaradas. Ainda pouco conhecida deste lado de cá do Atlântico, a artista tem mantido uma série de projectos e colaborações diversas. Há tempos destacámos a sua participação com os Portland Cello Project, agora a sua mais recente aventura é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.theagencygroup.com/artistphotos/Thao.jpg" alt="" width="319" height="187" />Thao Nguyen é uma underground pop diva que não se cansa de criar canções viciantes e açucaradas. Ainda pouco conhecida deste lado de cá do Atlântico, a artista tem mantido uma série de projectos e colaborações diversas. Há tempos destacámos a sua participação com os Portland Cello Project, agora a sua mais recente aventura é com os The Get Down Stay Down<span><em>. Know Better Learn Faster </em>é o título do novo disco, disponível agora através Kill Rock Stars e que inclui o tema </span><span><em>Cool Yourself. </em>Uma  canção orelhuda e bem-disposta justamente acompanhada de um divertido video de animação realizado por</span> Scott Bateman.</p>
<p><span id="more-1445"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Neste video a banda é retratada como um trio de super heróis que terão de enfrentar algumas calamidades que atormentam a população da cidade. Calamidades essas como o ataque de um gato gigante ou até mesmo de uma lula amish gigante (!). Imaginação e sentido de humor são os ingredientes deste mundo imaginário como super-heróis de Thao with The Get Down Stay Down.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/wtRpFMZN_AI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/wtRpFMZN_AI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Thao with The Get Down Stay Down</strong>: Cool Yourself</p>
<p>Realizado por Scott Bateman</p>
<p>2009, Kill Rock Stars</p>
<p><a href="http://krs5rc.com/krs/bands/thao/video/thaocoolyourselffinal.mov">Download MOV</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/video-thao-with-the-get-down-stay-down-cool-yourself/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
<enclosure url="http://krs5rc.com/krs/bands/thao/video/thaocoolyourselffinal.mov" length="14233960" type="video/quicktime" />
		</item>
		<item>
		<title>O adeus a António Sérgio</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/o-adeus-de-antonio-sergio/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/o-adeus-de-antonio-sergio/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 17:31:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1432</guid>
		<description><![CDATA[Estamos de luto. Um dos maiores radialistas portugueses e divulgador de nova música deixou-nos na passada madrugada de Sábado. António Sérgio, mais que um nome ou uma voz, era um símbolo de uma forma de estar na rádio. Quatro décadas dedicadas à comunicação e à música, ele foi para muitos o John Peel português. Muitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://dn.sapo.pt/storage/ng1211607.jpg?type=big&amp;pos=0" alt="" width="323" height="153" />Estamos de luto. Um dos maiores radialistas portugueses e divulgador de nova música deixou-nos na passada madrugada de Sábado. António Sérgio, mais que um nome ou uma voz, era um símbolo de uma forma de estar na rádio. Quatro décadas dedicadas à comunicação e à música, ele foi para muitos o<em> John Peel português</em>. Muitos foram os seus pousios. Esteve ligado à mítica XFM e a vários programas de sua autoria que ficarão para sempre como a <em>Som da Frente</em> ou <em>Hora do Lobo</em>. Nestes últimos tempos a Radar fora o sua &#8220;nova toca&#8221;, como o próprio afirmara na estreia do programa <em>Viriato 25</em>.</p>
<p><span id="more-1432"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Falarei daqui para a frente em discurso directo e penso que em nome dos restantes colaboradores deste site e de muitos dos que talvez nos estejam a ler. Falarei em discurso directo pois sinto que perdi um herói da esfera musical que não era músico mas que me deu a conhecer muita música. Numa altura em que o fenómeno da internet não tinha a expressão e acessibilidade de hoje, a rádio era forma de escutar novos sons e novos nomes. Mas também nomes antigos que até então me eram desconhecidos. Neste sentido, A <em>Hora do Lobo</em> foi uma escola. Muitas eram as noites que me mantinha acordado até altas horas para escutar bandas que hoje fazem parte das minhas referências musicais e com as quais tenho crescido. Durante anos mantive-me acordado até às três da manhã, em dias de semana e com aulas no dia seguinte, para escutar em primeira mão as muitas novidades que o António apresentava.  E numa altura em que as cassettes audio ainda faziam parte do nosso dia-a-dia, muitas são também as que ainda guardo com as emissões da<em> Hora do Lobo</em>. Algumas ainda provam o meu primeiro encontro com bandas na altura desconhecidas para mim, bandas como uns tais de Yo La Tengo, Mogwai ou Godspeed You Black Emperor!, para citar algumas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais que comunicador, António Sérgio era um divulgador nato e inconformado. Sempre atento ao que se passava no universo musical mais alternativo, ele era um a voz <em>de uma outra rádio</em>. Fidelizava ouvintes, amantes de música de espírito aberto para outros sons, outros sons que raramente tinham espaço na rádio. A experiência de <em>ouvir rádio</em> ganhava com ele uma outra dimensão. Porque a rádio não estava simplesmente ligada para preencher o silêncio enquanto se fazia qualquer coisa; a rádio estava ligada porque a sede de ouvir e conhecer nova música era forte, muito forte. E não havia sono que esbatesse este desejo quase vampírico de escutar sempre com atenção as suas emissões. Ele sabia seduzir e acompanhar os seus ouvintes, envolvê-los no seu mundo criando uma laço forte e coeso. Lembro-me que em tempos havia um spot publicitário que anunciava &#8220;uma rádio amarela num país cinzento&#8221;. António seria certamente &#8220;um homem amarelo numa rádio cinzenta&#8221;. Tínhamos a sensação que nada lhe dava mais prazer que divulgar.  Um humilde e criativo divulgador que mesmo na noite em que foi distinguido como figura da rádio nacional numa gala televisiva, horas depois, abre o seu programa ao som de <em>(I Can´t Get No) Satisfaction</em>, cantada por Cat Power e dedicando-a simplesmente a todos os seus ouvintes. Um momento simbólico  que ficou tatuado na memória. A escolha do tema pode não ter sido inocente e reflectiu na perfeição o seu gosto genuíno de partilha musical, nunca realmente satisfeito, sempre procurando, divulgando e fascinando muitos de nós, do outro lado do estúdio. Apetece perguntar, essa magia da rádio, onde  anda ela nestes dias?</p>
<p style="text-align: justify;">A voz da noite deixa-nos mas nós não o deixamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Um sincero obrigado, Mestre.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" src="http://dn.sapo.pt/storage/ng1211913.jpg?type=big&amp;pos=0" alt="" width="420" height="200" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_S%C3%A9rgio_(radialista)">Biografia</a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/5meianoite/index.php?k=ANTONIO-SERGIO-no-5-Para-a-Meia-Noite-2009-08-04.rtp&amp;post=2562">Entrevista na 2</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/o-adeus-de-antonio-sergio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>| Tracks | MV &amp; EE: Summer Magic</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/tracks-mv-ee-summer-magic/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/tracks-mv-ee-summer-magic/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 17:11:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1423</guid>
		<description><![CDATA[É difícil seguir de perto o rasto de Matt Valentine e Erika Elder, esses seres mágicos da folk dos dias de hoje. Tendo já lançado dezenas de discos (e sob várias designações) Barn Nova é o mais recente disco do duo. Oito novas  canções  adornadas com um psicadelismo dos anos 70 e um inevitável cheiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ubwaLtV0zU8/RvFsDU_VK2I/AAAAAAAAACk/_ai-o0hC1bQ/s320/mv&amp;ee-pic03.jpg" alt="" width="207" height="147" />É difícil seguir de perto o rasto de Matt Valentine e Erika Elder, esses seres mágicos da folk dos dias de hoje. Tendo já lançado dezenas de discos (e sob várias designações)<em> Barn Nova </em>é o mais recente disco do duo. Oito novas  canções  adornadas com um psicadelismo dos anos 70 e um inevitável cheiro a campo.  Como já vai sendo sendo habitual, o disco conta com várias colaborações de gente amiga de onde se destaca J Mascis (Dinossaur Jr.) no tema <em>Summer Magic.</em></p>
<p><span id="more-1423"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A linha de guitarra só poderia ser de Mascis, está lá tudo. Aquela guitarra lenta, quase preguiçosa mas sempre luminosa. Matt e Erika criam toda a toada mais <em>trippy </em>soando por vezes a uns Low perdidos nas montanhas e sob o efeito de substâncias psicotrópicas. Será tão óbvia aqui a influência dos Greatful Dead? Sim, é um facto e este disco em especial reflecte isso. Todavia há muito mais por aqui. Deduzimos pois que o magma ainda fervilha nessas montanhas altas e longínquas habituadas pelos dois músicos. Belo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://mp3.insound.com/download.php?mp3id=3618">MP3 Download</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/tracks-mv-ee-summer-magic/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ZDB de parabéns</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/zdb-de-parabens/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/zdb-de-parabens/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 19:48:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1411</guid>
		<description><![CDATA[Faz hoje precisamente 15 anos que foi fundada a galeria Zé dos Bois na altura ainda localizada na Rua da Vinha, não muito longe da sua actual residência. Criada com o objectivo de mostrar artistas emergentes, o espaço tornou-se uma plataforma de experiências artísticas multidisciplinares. Nos últimos anos tem ganho um crescente reconhecimento na área [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://seminariosdearte.files.wordpress.com/2007/05/zedosbois2.jpg" alt="" width="165" height="123" />Faz hoje precisamente 15 anos que foi fundada a galeria Zé dos Bois na altura ainda localizada na Rua da Vinha, não muito longe da sua actual residência. Criada com o objectivo de mostrar artistas emergentes, o espaço tornou-se uma plataforma de experiências artísticas multidisciplinares. Nos últimos anos tem ganho um crescente reconhecimento na área musical através da sua agenda sempre atenta às novidades e aventuras da música moderna. Actualmente conta com a programação de Sérgio Hydalgo (outrora responsável do programa radiofónico <em>Má Fama</em>) e até ao final do ano o espaço lisboeta irá receber uma mão cheia de concertos imperdíveis. Após a inesquecível festa de aniversário no jardim do Museu de História Natural ou o mais recente concerto de Soft Circle no terraço do edifício da galeria, aproximam-se dois meses efervescentes de propostas para vários gostos.</p>
<p><span id="more-1411"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Já amanhã dá-se a estreia dos norte-americanos <strong>Cave</strong>. Senhores de um psicadelismo<em> krautrockiano </em>é ao vivo que  melhor revelam a máquina de composições energéticas de que são capazes . O seu últimos disco <em>Psychic Summer </em>é aliás um aperitivo das propriedades inebriantes dos Cave. A primeira parte estará a cargo dos <strong>HÄSQVARNA</strong>, um novo e promissor duo nacional explorador de sonoridades cósmicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_C5q-Njo-994/SVC_vVVwd8I/AAAAAAAAD24/FRfOi3EFPx4/s320/Mike+Patton+&amp;+ZU+band+Velika+sala+SKC+Beograd++15+jun+2008+photo+by+Aleksandar+Zec++-+016.jpg" alt="" width="247" height="165" />Na próxima semana duas noites distintas:  força bruta vs. hipnotismo sonoro. Quinta-feira os italianos <strong>Zu</strong> e o projecto <strong>R-</strong> tomarão de assalto a sala da ZDB para a Sessão Morte Aos Feios. Música musculada e suada, que tritura muito bem triturado coisas como free-jazz, doom-metal ou spazzcore. Mike Patton adora-os e nós também. Antes, Ricardo Martins apresenta uma abordagem pouco convencional à bateria. Já o conhecemos pela sua criatividade como músico noutras bandas como Lobster ou Adorno, sob a designação de R- será uma outra face, mais angular e menos directa mas nem por isso menos fascinante. Quatro dias depois, no Sábado, é a vez do hipnotismo sonoro a cargo de <strong>Mark Mcguire</strong>, <strong>Steve Hauschildt</strong> (ambos dos Emeralds) e da holandesa <strong>Stellar Om Souce</strong>. A magia do drone será a tónica desta noite representada aqui por três actuais e importantes nomes nesta área musical.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A noite mais bela do ano </em>tem lugar no dia 12 de Novembro através da Prazeres Session. <strong>Grouper</strong>, <strong>Norberto Lobo</strong>, <strong>Inca Ore</strong> e <strong>Tiny Vipers</strong>. Todos eles exímios criadores de universos de beleza rara e uma atitude genuína de exploração de novos territórios. Conhecer cada trabalho de cada um destes nomes é sinónimo desse sentimento que dá título à sessão musical.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte e integrado na programação musical do <em>Um : Festival Internacional de Intermedia Experimental, </em>a ZDB recebe um gang enorme seja em número, seja referências sonoras. <strong>Bass Clef</strong>, <strong>Gabriel Ferrandini</strong>, <strong>Infinite</strong> <strong>Livez</strong>,<strong> DJ Sniff</strong>, <strong>Team Brick</strong>, <strong>Katapulco</strong> e <strong>Alfredo Caradijo</strong>. Músicos nacionais, ingleses, alemães, norte-americanos, polacos e holandeses reunidos numa só noite e divididos em dois palcos diferentes, um à frente do outro e sem qualquer ensaio prévio. O público, esse, ficará no meio de todo este cenário de colagem pop e electrónicas maradas em jeito de <em>street rave. </em>Serão realmente necessárias mais palavras para descrever o quão potente será a noite? Adiante.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://camarilhadosquatro.files.wordpress.com/2008/06/vetiver.jpg" alt="" width="156" height="156" />Ainda em Novembro, regresso dos <strong>Vetiver</strong> para uma sessão de folk descomprometida e caóticamente organizada como já tão bem nos habituaram. Malta inspirada e que inspira um indíviduo a sair de casa a uma segunda-feira à noite para aquecer o espírito. Será dia 30 e terá a primeira parte assegurada pelos norte-americanos <strong>Fruit Bats</strong>. Pelo meio, dia 20, haverá ainda <strong>Matteah Baim</strong>, colaboradora de gente como Antony &amp; the Johnsons ou Devendra Banhart. Em jeito de estreia absoluta estarão também na mesma noite os portugueses <strong>Domingo No Quarto</strong>, que reúne Mariana Ricardo (Pinhead Society e Munchen) a Manuel Dordio. Em suma: música doce e vitaminada para os dias frios que se começarão a fazer sentir.</p>
<p style="text-align: justify;">Já em Dezembro, e com cheirinho a Natal no ar, o regresso a Lisboa da maravilhosa <strong>Scout Niblett</strong> e o renascer dos infernos de<strong> Wavves</strong>. Falar de Niblett é falar de uma voz doce e magoada assombrada por estórias trágicas, amorosas ou simplesmente fantásticas. Sensibilidade à flor da pele, a mesma que caracteriza Bonnie &#8220;Prince&#8221; Billy ou Cat Power (aliás, figuras com quem Niblett já colaborou). Será dia 16.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://www.thefader.com/ys_assets/0007/9532/wavves_caramanica_main.jpg" alt="" width="225" height="149" />A encerrar estas festividades de aniversário estará Wavves. Após o concerto anulado em Maio passado devido a um episódio <em>à la rock n´roll</em> que ditou uma pausa na sua agenda, Nathan Williams (aka Wavves) está de volta e recomenda-se. Puto maravilha do punk de quarto, fascinado pelo surf, skate e praias californianas. É de esperar ruído, feedback e canções-hino a lembrar Pixies ou Sonic Youth. Bónus da noite: um dos melhores e mais inventivos baterista da actualidade, <strong>Zack Hill</strong>, a acompanhar Nathan. Uma noite em que todos voltaremos a ser adolescentes e com vontade de saltar e curtir como se não houvesse amanhã&#8230;afinal é rock, sem pretensões nem complexos, não sejamos demasiados sérios e chatos, <em>right</em>?</p>
<p style="text-align: justify;">Novembro e Dezembro serão assim na ZDB. Muita escolha, como há muito não se via. Lisboa vai estar a pulsar e todos os caminhos irão dar ao espaço do bairro alto.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Para informação mais detalhada consultar:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.panda-man.info/simp.publis~p.zdbmuzique/xindex.php">Site ZDBMUSIQUE</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/zdb-de-parabens/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>| Ao Vivo | Rendez Vous Festival @ Club Setubalense</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-rendez-vous-festival-club-setubalense/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-rendez-vous-festival-club-setubalense/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 17:35:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1400</guid>
		<description><![CDATA[No fim de semana passado as sonoridades do jazz e música experimental estiveram em destaque no Rendez Vous Festival de Setúbal. Naquela que é a sua segunda edição, este ano a organização World Community Of People apostou na forte na divulgação da música mais livre. Quatro dias de concertos e cinema que contou com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No fim de semana passado as sonoridades do jazz e música experimental estiveram em destaque no Rendez Vous Festival de Setúbal. Naquela que é a sua segunda edição, este ano a organização World Community Of People apostou na forte na divulgação da música mais livre. Quatro dias de concertos e cinema que contou com a presença de nomes nacionais e internacionais. O Club Setubalense foi o local escolhido para acolher o evento.</p>
<p><span id="more-1400"></span></p>
<p style="text-align: justify;">[Quinta 22.10.09]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jason Kahn &amp; Manuel Mota</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://i6.photobucket.com/albums/y228/guroo/_MG_5413.jpg" alt="Manuel Mota" width="231" height="340" /></p>
<p>Um dia Derek Bailey elogiou o trabalho de Manuel Mota, elegendo-o como um dos guitarristas mais interessantes do nosso tempo. O seu percurso não engana: tendo tocado nos Osso Exótico e colaborado com Sei Miguel ou Ernesto Rodrigues, o músico tem ganho uma reputação cada vez mais notória quer a nível nacional quer internacional. A sua abordagem não é de todo linear ou concreta e o silêncio é aqui parte integrante do próprio conceito de música. Entre as coordenadas de Bailey e a teorização de Cage, Mota desenvolve uma técnica muita física com o instrumento em que se torna vital a amplificação dos pequenos detalhes. Cada som obedece a uma própria respiração, quase unificadora, entre guitarra-músico. Mais que objecto, a guitarra é extensão de Mota. Neste sentido, é inegável a sua técnica <em>fingerstyle</em> e o apreço da sua execução mas na verdade este é um terreno perigoso, bem perigoso, e que em pouco tempo se pode transformar num indesejável teste à atenção de quem o escuta.<br />
Denotamos aquele certo pulsar meditativo e característico do seu trabalho assim como uma natural exploração de ambientes que todavia tendem a entrar num jogo gélido de harmonias, sem chama ou alma. Faltará por ventura mais cor, mais corpo e ritmo. A prestação de Jason Kahn (que acompanhou Mota) acabou por se revelar bastante inteligente, certeira e crucial, incorporando sabiamente a percussão e o sintetizador nas atmosferas criadas pelo guitarrista.</p>
<p>Pouco sangue e pouca carne na sua actuação, demasiados ossos. Se Mota noutras ocasiões conseguiu surpreender, no Rendez Vous deixou uma pálida imagem. Talvez num outro formato o cenário fosse outro.</p>
<p style="text-align: justify;">[Sexta 23.10.09]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mikado Lab</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://i6.photobucket.com/albums/y228/guroo/_MG_5490.jpg" alt="Mikado Lab" width="330" height="222" /></p>
<p>São seguramente uma das formações mais inovadoras do jazz nacional, se bem que aqui o termo jazz possa ferir susceptibilidades aos gostos mais puristas. Os Mikado Lab são uma pequena grande maravilha em forma de trio (bateria, baixo eléctrico e teclados) que levam o jazz a passear pela via láctea da pop. Os teclados lembram-nos os Stereolab mas a inquietude da bateria e a irreverrência do baixo situam-nos num campo mais livre e, por vezes, mais esquizofrénico. Em todo o caso há a destacar duas características-base: a qualidade dos músicos e a sua recusa de lugares-comuns. Quando uma se junta à outra, temos casamentos felizes como Mikado Lab. Tendo o bom senso de não cair na tentação de uma abordagem ora muito tradicional, ora muito extremista, a banda cria espaço próprio para ambas sem perder uma atitude <em>cool</em>. É de jazz que falamos, afinal.</p>
<p>Em destaque estiveram os dois discos do trio, com especialmente destaque para o último <em>Coração Pneumático</em>. Ao vivo, as composições ganham uma natural força e dimensão e aqui e ali vão existindo alguns apontamentos de improvisação sem perder aquele suco doce que de resto a banda cultiva na sua música. Esse confronto entre a doçura da melodia e o arrojo com que se atiram à mesma, acaba também por ser uma tónica maior no seu trabalho. A habilidade e criatividade da banda espelha a mesma habilidade e criatividade requerida no jogo tradicional japonês e que dá nome ao grupo.</p>
<p>Terminada a actuação fica a sensação de que a banda explora actualmente um território muito próprio, muito seu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Coclea</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://i6.photobucket.com/albums/y228/guroo/_MG_5606.jpg" alt="Coclea" width="179" height="266" /></p>
<p>Guilherme Gonçalves é um dos nomes de uma nova geração de músicos que têm vindo a abrilhantar o panorama de música livre nacional. Parte integrante de Gala Drop, aqui apresentou-se a solo como Coclea. Partindo de um cenário psicadélico e até progressivo (entre o krautrock alemão e a espiritualidade oriental), a colagem sonora de Coclea conhece várias e diferentes texturas. Se por momentos atravessa cenários sónicos e espectrais, noutros explora uma diversidade de harmonias que inevitavelmente desaguam num mar de cores inebriantes e num jogo de sons próximos de uma natureza orgânica. Não sabemos exactamente ao que soam mas permanecem-nos familiares e estimulantes. Através de um único tema, Coclea criou uma esfera onde se sentiu tudo isto e apenas pecou por ter sido demasiado curta (tristemente curta, diga-se). Seguramente as pistas lançadas seriam suficientes para um descolar (ainda) mais estratosférico. Minutos à parte, ficou a imagem de uma fugaz mas positiva passagem pelo Rendez Vous.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">[Sábado 24.10.09]</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Benoît Delbecq</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Delbecq é um pianista curioso. Ele leva-nos a questionar e a percepcionar várias coisas. Várias coisas ao mesmo tempo, diga-se. Uma dessas questões é precisamente a própria definição do seu instrumento: pertencerá este &#8211; mais correctamente &#8211; à secção de cordas ou de percussão? Não querendo aprofundar esta questão para o caso, o músico francês apresentou no passado Sábado uma intensa actuação em que o piano ganhou uma quase-mutação em tempo real. Isto porque cada tema interpretado o instrumento ganhava constantes transformações no som das cordas através do uso de pedaços de madeira ou borracha. O resultado foi uma sonoridade bizarra mas fascinante, a lembrar (e muito) alguns instrumentos ancestrais de percussão africana. Na sua obra a recurso à música electrónica é ocasionalmente utilizado mas em Setúbal esse lado ficou de parte, optando por uma abordagem mais acústica e literalmente mais física.<br />
As bases rítmicas minimalistas e as harmonias desconcertantes lembrariam, a espaços, um outro francês: Erik Satie. Quase inconscientemente ou nem tanto, também reconhecemos um lado semi-lúdico, meio infantil em algumas das peças de Delbecq.<br />
Em abono da verdade, a  sua natureza reside nessa indefinição de estilo. Se por um lado se assume como um executante rebelde e inconvencional, por outro lado demonstra sem pudor toda a sua técnica mais academista sempre complexa e inconstante, aproximando-o a um género mais clássico.</p>
<p>Durante cerca de uma hora, o músico ofereceu-nos uma formidável lição de improviso e inquietude musical. Cruzando culturas, épocas e conceitos. Muito para lá do jazz, talvez mais próximo da música concreta, com um pé lá e outro cá, defini-lo é inútil. Mais urgente sim, será escutá-lo, compreendê-lo. Delbecq é de facto um pianista curioso.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Sei Miguel Metal Music Four: The Jewel System</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://i6.photobucket.com/albums/y228/guroo/_MG_5650.jpg" alt="Pedro Gomes + Sérgio Burago (Sei Miguel Metal Music Four)" width="337" height="226" /></p>
<p>Houvesse mais justiça no mundo e Sei Miguel seria mais reconhecido pela sua obra de quase trinta anos. Quase trinta anos de inconformidade estética, de renovação do jazz nacional e acima de tudo, de mestre e pensador da música portuguesa. Esteve ao lado de João Peste (Pop Dell´Arte), colaborou com inúmeros músicos de renome como Rafael Toral ou Manuel Mota e foi figura assídua no Ritz Club nos anos 80. Resumo: trata-se de uma figura absolutamente incontornável e única. Mas basta de factos biográficos (até porque para isso existe a Internet) e concentremo-nos no programa The Jewel System, apresentado no Rendez Vous. Um conjunto de várias peças de onde foi interpretada apenas uma, curiosamente a &#8220;mais careta&#8221;, segundo o próprio Sei Miguel.</p>
<p><img src="http://i6.photobucket.com/albums/y228/guroo/_MG_5681.jpg" alt="Fala Mariam + Sei Miguel (Sei Miguel Metal Music Four)" width="290" height="194" /></p>
<p>Habitualmente em formato trio (Sei Miguel, Fala Mariam e César Burago) aqui, sob a designação Sei Miguel Metal Music Four, Pedro Gomes (guitarrista dos CAVEIRA) apresentou-se como o quarto elemento da banda. Um tema-mosaico de cerca de quarenta minutos alusivos a uma vastidão de imagens sonoras. Uma peça esparsa e sinuosa &#8211; talvez daí o uso do termo &#8220;careta&#8221; -  que viveu muito da percussão de Burago e das guitarras de Gomes. Duas prestações que se complementaram num espaço aparentemente aleatório mas revelador de uma preocupação estética bastante cuidada. Criando atmosferas densas e mais negras, Gomes traçou coordenadas reunidas numa tríade de ruído, força e espiritualidade. Burago, por sua vez, demonstrou toda a sua sensibilidade a partir de uma complexo jogo rítmico envolvendo uma série de objectos e tempos. Limando arestas e conferindo uma intensidade luminosa à peça, o trombone de Fala Mariam e o trompete de Sei Miguel surgiram menos do que seria de esperar mas sempre como assumidos meios orientadores da peça (com especial incidência no trompete). O pulsar mais jazzístico sentiu-se ao longo de toda a actuação do quarteto apesar do carácter mais conceptual do mesmo. É verdade que a preocupação pelos pormenores tem sido uma maior tendência nos trabalhos mais recentes de Sei Miguel, por vezes quase trabalhos de laboratório mas é interessante reparar que ele nunca, em tempo algum, deixa de ser aquilo que simplesmente tem sido desde sempre: um jazzman.</p>
<p style="text-align: justify;">Dotado de uma linguagem cada vez mais própria e de um espírito cada vez mais inventivo, ainda há muito por escrever sobre este músico.</p>
<p style="text-align: justify;">[Domingo 25.10.09]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>These Mountains</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://i6.photobucket.com/albums/y228/guroo/_MG_5841.jpg" alt="These Mountains" width="184" height="270" /></p>
<p>Os These Mountains foram um diálogo intimista entre Jonny Fryer e Nicolas Burrows, o primeiro na guitarra eléctrica e o segundo na percursão. Influenciado, inicialmente, pelos ritmos latinos e, depois, pelos sons arábicos, Jonny Fryer foi tecendo uma enorme e prolongada  mantra na sua guitarra elétrica, ensaiando uma viagem espiritual por ritmos flutuantes e embalatórios, numa espécie de transe minimalista, enquanto Nicolas Burrows pareceu um pouco imitado/envergonhado pela forma em que pareceu deixar de fora muito do potencial da sua bateria. Para o final, Jonny Fryer ainda teve um momento inspirado, transformando a sua guitarra numa guitarra-slide ao recorrer a uma baqueta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Glaciers</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="float: left; margin-right: 8px;" src="http://i6.photobucket.com/albums/y228/guroo/_MG_5845.jpg" alt="" width="166" height="246" />Nicolas Burrows, enquanto Glaciers, parece um one-man band: guitarra nas mãos, um pé no pedal de bombo e outro sobre uma pandeireta. No entanto, não é rock&#8217;n'roll que se ouve, mas antes uma pop lo-fi, com voz delicodoce, que tanto se aproxima da neo-folk cristalizada na colectânea <em>The Golden Apples of the Sun</em>, como da pop nórdica de El Perro Del Mar. Tímido, mas com grande segurança na guitarra e nos falsetes, Glaciers serviu, simultaneamente, de despedida do Rendezvous e de saudação aos primeiros dias de frio que aí vêem.</p>
<p style="text-align: justify;">Paralelamente aos concertos, o festival apresentou quatro sessões de cinema distribuídas em três filmes dedicados a música. O lendário<em> Blow Up</em> de Michael Antonioni, foi a primeira película a rodar no Rendez Vous, seguindo-se  <em>On The Edge</em> do incontornável mestre vanguardista Derek Bailey e finalmente, <em>Wild Combination </em>um fabuloso retrato de outro grande vulto chamado Arthur Russel.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Textos: <em><strong>Nuno Afonso</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Colaboração especial na fotografia por <em><strong>Rui Monteiro</strong></em></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/rui_monteiro/" target="_blank">http://www.flickr.com/photos/rui_monteiro/</a><br />
<a href="http://olhares.aeiou.pt/swan" target="_blank">http://olhares.aeiou.pt/swan</a></p>
<p><a href="http://www.rendezvousinfo.org/">Site Rendez Vous Festival </a></p>
<p style="text-align: right;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/ao-vivo-rendez-vous-festival-club-setubalense/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mescla Sonora Sampler</title>
		<link>http://www.mesclasonora.com/mescla-sonora-sampler/</link>
		<comments>http://www.mesclasonora.com/mescla-sonora-sampler/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 19:59:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nuno Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mesclasonora.com/?p=1390</guid>
		<description><![CDATA[Após a estreia o ano passado é com enorme prazer que apresentamos a segunda edição da Mescla Sonora Sampler. Uma selecção de oito novos nomes da música nacional em edição virtual e exclusiva para download gratuito. Alguns nomes mais badalados, outros nem tanto, o importante é fazer chegar estes novos valores a uma público mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft style=" style="float: left; margin-right: 8px;" title=" mce_style=" src="http://www.mesclasonora.com/wp-content/artwork-300x276.jpg" alt="artwork" width="154" height="136" />Após a estreia o ano passado é com enorme prazer que apresentamos a segunda edição da Mescla Sonora Sampler. Uma selecção de oito novos nomes da música nacional em edição virtual e exclusiva para download gratuito. Alguns nomes mais badalados, outros nem tanto, o importante é fazer chegar estes novos valores a uma público mais vasto e diversificado. Agradecemos desde já a todos os que estiveram envolvidos na concepção gráfica e produção sonora do disco e naturalmente a todos os artistas que aceitaram o nosso convite. Ouçam e partilhem&#8230;</p>
<p><span id="more-1390"></span></p>
<p><strong>Artistas participantes</strong>: Rita Braga, Youthless, Les Triple, ALTO!, Soulphaze, mudo as maria, Rudolfo, Mão Sem Dedos</p>
<p><strong><a href=" http://www.mesclasonora.com/wp-content/mesclasonorasampler2.rar">Download directo</a></strong></p>
<p><strong>Link:</strong> http://www.mesclasonora.com/wp-content/mesclasonorasampler2.rar</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mesclasonora.com/mescla-sonora-sampler/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
