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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10portuguesefull.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;DEYHRXgzfSp7ImA9WhRaE0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287</id><updated>2012-02-16T07:55:34.685-02:00</updated><category term="Música" /><category term="Geral." /><category term="Filósofo Heráclito" /><category term="Kairos" /><category term="Alma (1)" /><category term="Mitologia" /><category term="Detalhes do Blog" /><category term="Alma (2)" /><title>Mitologia e Grécia  -  Jung e Arte</title><subtitle type="html">Este blog é um desdobramento do livro MITOLOGIA E VIVÊNCIAS HUMANAS. Aqui podemos debater esse interessante assunto. Mesmo quem ainda não leu o livro pode participar. A junção da mitologia com a Psicologia Junguiana nos permite buscar diversas metas, como:

 Autoconhecimento - Qualidade de vida como atitude e busca interior e exterior - Compreensão dos conteúdos simbólicos e da arte em geral - Desenvolvimento da cultura pessoal e coletiva como forma de realização do ser humano.</subtitle><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://kairos800.blogspot.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/MitologiaeGrecia-JungeArte" /><feedburner:info uri="mitologiaegrecia-jungearte" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><feedburner:emailServiceId>MitologiaeGrecia-JungeArte</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><feedburner:feedFlare href="http://add.my.yahoo.com/rss?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FMitologiaeGrecia-JungeArte" src="http://us.i1.yimg.com/us.yimg.com/i/us/my/addtomyyahoo4.gif">Subscribe with My Yahoo!</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.newsgator.com/ngs/subscriber/subext.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FMitologiaeGrecia-JungeArte" src="http://www.newsgator.com/images/ngsub1.gif">Subscribe with NewsGator</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://feeds.my.aol.com/add.jsp?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FMitologiaeGrecia-JungeArte" src="http://o.aolcdn.com/favorites.my.aol.com/webmaster/ffclient/webroot/locale/en-US/images/myAOLButtonSmall.gif">Subscribe with My AOL</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.bloglines.com/sub/http://feeds.feedburner.com/MitologiaeGrecia-JungeArte" src="http://www.bloglines.com/images/sub_modern11.gif">Subscribe with Bloglines</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.netvibes.com/subscribe.php?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FMitologiaeGrecia-JungeArte" src="http://www.netvibes.com/img/add2netvibes.gif">Subscribe with Netvibes</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://fusion.google.com/add?feedurl=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FMitologiaeGrecia-JungeArte" src="http://buttons.googlesyndication.com/fusion/add.gif">Subscribe with Google</feedburner:feedFlare><feedburner:feedFlare href="http://www.pageflakes.com/subscribe.aspx?url=http%3A%2F%2Ffeeds.feedburner.com%2FMitologiaeGrecia-JungeArte" src="http://www.pageflakes.com/ImageFile.ashx?instanceId=Static_4&amp;fileName=ATP_blu_91x17.gif">Subscribe with Pageflakes</feedburner:feedFlare><entry gd:etag="W/&quot;DUEBQXg_fyp7ImA9WxVUGEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-773596959347476749</id><published>2009-03-23T11:07:00.003-03:00</published><updated>2009-03-23T11:14:10.647-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-23T11:14:10.647-03:00</app:edited><title>Dar um tempo no Blog</title><content type="html">&lt;a href="http://detonteria.files.wordpress.com/2007/04/encruzilhada.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 383px; CURSOR: hand; HEIGHT: 500px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://detonteria.files.wordpress.com/2007/04/encruzilhada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://detonteria.files.wordpress.com/2007/04/encruzilhada.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resolvemos fazer uma parada estratégica e temporária nos nossos artigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles foram feitos com muita dedicação e entusiasmo. Entretanto não sabemos como estão sendo percebidos pelos leitores, pois apenas alguns nos deram retorno sobre suas impressões. Na realidade não sabemos se a medida estava certa, se poderíamos aprofundar mais alguns conceitos e idéias ou se seria melhor elaborar artigos mais leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre ainda que precisamos dedicar nosso tempo atual a um antigo projeto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Grande Sertão: Uma Travessia Arquetípica”.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo, pretendemos fazer uma leitura da obra maravilhosa de Guimarães Rosa com a referência da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Acreditamos que o resultado poderá ser gratificante. O projeto é a amplificação de uma monografia já apresentada num curso de pós-graduação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como aperitivo, eis algumas citações do grande Rosa nessa sua obra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Buriti quer todo azul, e não se aparta de sua água - carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende” (p. 289). Instigante relação entre a árvore símbolo do cerrado e do sertão brasileiros na sua necessidade de “espelho”, o que também ocorre com o bom professor que se vê no aluno. Ele não pode ser uma ameaça e sim a possibilidade de crescimento de ambas as partes! E a dinâmica da aprendizagem sempre atinge o EDUCADOR. Na realidade, nem todo professor é um educador, mas seria esse o grande ideal!!! E Rosa deve ter se referido a essa diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão. (p. 21). Está aí apresentada uma deixa para o processo de construção de uma individualidade que leva toda uma vida: o Processo de Individuação – conceito basilar de Jung na sua psicologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qual é o caminho certo da gente? Nem para frente, nem para trás: só para cima. Ou parar curto quieto. Feito os bichos fazem. Os bichos estão só é muito esperando? Mas quem é que sabe como? Viver ..... o senhor já sabe: viver é etcétera.” (p. 87).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O ruim com o ruim, terminam por as espinheiras se quebrar – Deus espera essa gastança. Moço: Deus é paciência ... Até as pedras do fundo, uma dá na outra, vão-se arredondinhando lisas, que o riachinho rola ... tudo quanto há, neste mundo, é porque se merece e carece. Deus não arrocha o regulamento. Deixa: bobo com bobo – um dia, algum estala e aprende: esperta. Só que, às vezes, por mais auxiliar, Deus espalha, no meio, um pingado de pimenta (p. 16).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para finalizar, uma pequena amostra da gente do seu sertão e dos seus Gerais: “Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo o mundo ... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa ... para pensar longe, sou cão mestre – o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém!” (p. 14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após essa pequena mostra da capacidade impressionante de comunicação de Rosa, tentando unir o sertão interior e o exterior, fazemos nossa despedida. Que não seja por muito tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você quiser se comunicar, dar sugestões, comentar......... o que for, entre em contato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="mailto:Kairos800@yahoo.com.br"&gt;Kairos800@yahoo.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bosco e Ingrid&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-773596959347476749?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/ZJipdqILHeg" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/773596959347476749/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=773596959347476749" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/773596959347476749?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/773596959347476749?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/ZJipdqILHeg/tempo-no-blog.html" title="Dar um tempo no Blog" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/03/tempo-no-blog.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUIGRHo9eCp7ImA9WxVUFUQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-6175922489570591912</id><published>2009-03-20T21:51:00.004-03:00</published><updated>2009-03-20T22:05:25.460-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-20T22:05:25.460-03:00</app:edited><title>Aedos e Rapsodos (4) - Cora Coralina</title><content type="html">&lt;a href="http://pirineusdesousa.files.wordpress.com/2007/11/casa-de-cora-coralina.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 606px; CURSOR: hand; HEIGHT: 407px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://pirineusdesousa.files.wordpress.com/2007/11/casa-de-cora-coralina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nascida em 20 de agosto de 1889 na cidade de Goiânia, foi uma das mais populares poetisas e contistas brasileiras. Coralina era uma mulher simples, doceira de profissão, que viveu na pequena cidadezinha chamada Goiás, sendo a responsável por uma obra poética rica em motivos cotidianos do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de sua cidade natal. Na introdução do seu livro “Vintém de Cobre”, é mostrado o papel preponderante que os poetas têm para com seus semelhantes. Eles são os aedos e rapsodos de nosso tempo, que só futuramente poderão ser melhor compreendidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“A cidade de Goiás, antiga Vila-Bôa de Goyas .......................................Encravada as margens do Rio Vermelho, num vale cercado por colinas, impossibilitada fisicamente de expandir-se, a cidade acabou por assumir um ar romântico imposto por contingências históricas e por força de sua situação geográfica.................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este costume de os mais velhos contarem casos para as crianças, ao entardecer, é um fato psicológico que deve ser realçado como elemento provocador, por excelência, da imaginação criadora dos vilaboenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “contar casos” se constitui numa tradição familiar de nossos ancestrais que Cora Coralina faz reviver em sua obra com toda a pujança de seu poder criador. Em seus poemas, encontramos o estilo oral desses “casos”, sem invencionices literárias gravadas com pretensões sofisticadas, mas com a aparente simplicidade que caracteriza a sua obra poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É em Vintém de Cobra, Meias Confissões de Aninha, que a poesia de Cora Coralina se realiza como o elo de permanência da tradição que vem dos tempos passados em busca da afirmação de uma brasilidade futura conforme palavras da própria autora: “ Geração ponte, eu fui, posso contar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cora Coralina nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, num velho casarão do século XIX. Escreveu seus primeiros poemas aos quatorze anos de idade, tendo sido publicados somente em jornais da sua cidade. Sua escolaridade resumia-se nas primeiras quatro séries do então curso primário (ensino fundamental).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Aí viveu com a família por quarenta e cinco anos. Segundo a poetisa, ao completar cinqüenta anos de idade, passou por intensa transformação interior, definida por ela posteriormente como "a perda do medo". Nesta época passou a usar o pseudônimo com o qual se tornou conhecida. Em 1956, ficando viúva, retornou para Goiás. Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nasceu e com ambiente em que foi criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sei ...se a vida é curta ou longa demais para nós, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas sei que nada do que vivemos &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela usou como fonte de inspiração os elementos folclóricos que faziam parte de seu cotidiano. Através de seus versos se fez conhecer em todo Brasil, servindo de exemplo e inspiração para tantos que conviveram com esta grande artista. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Cora Carolina morreu, na cidade de Goiânia, em 10 de abril de 1985. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aninha e suas pedras &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não te deixes destruir... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ajuntando novas pedras &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e construindo novos poemas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Recria tua vida, sempre, sempre. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Faz de tua vida mesquinha &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;um poema. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E viverás no coração dos jovens &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e na memória das gerações que hão de vir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta fonte é para uso de todos os sedentos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Toma a tua parte. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vem a estas páginas &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e não entraves seu uso aos que têm sede.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Carta de Carlos Drummond de Andrade para Cora Coralina:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Rio de Janeiro, 7 de outubro, 1983.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha querida amiga Cora Coralina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu “Vintém de Cobre” é, para mim, moeda de ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não se pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia (...).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não lhe escrevi antes, agradecendo a dádiva, porque andei malacafento e me submeti a uma cirurgia. Mas agora, já recuperado, estou em condições de dizer, com alegria justa: Obrigado, minha amiga! Obrigado, também pelas lindas, tocantes palavras que escreveu para mim e que guardarei na memória do coração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O beijo e o carinho do seu &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Drummond&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-6175922489570591912?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/CDTtDHmmfmc" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/6175922489570591912/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=6175922489570591912" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6175922489570591912?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6175922489570591912?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/CDTtDHmmfmc/aedos-e-rapsodos-4-cora-coralina.html" title="Aedos e Rapsodos (4) - Cora Coralina" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/03/aedos-e-rapsodos-4-cora-coralina.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D08CQHc7fip7ImA9WxVUFUQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-1623836483195816794</id><published>2009-03-20T21:26:00.003-03:00</published><updated>2009-03-20T21:37:41.906-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-20T21:37:41.906-03:00</app:edited><title>Aedos e Rapsodos (3) - Cecília Meireles</title><content type="html">&lt;a href="http://www.joaquimevonio.com/espaco/h_mourato/Meireless.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 321px; CURSOR: hand; HEIGHT: 448px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.joaquimevonio.com/espaco/h_mourato/Meireless.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. Devido ao falecimento prematuro de seus pais foi criada por sua avó, D. Jacinta Garcia Benevides. Cecília Meireles escreveria mais tarde sobre este triste acontecimento tão marcante para sua infância e vida:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em 1917, Cecília Meireles formou-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, tornando-se professora do curso primário. Dois anos depois, em 1919, publicou seu primeiro livro de poesias, "Espectro". Seguiram-se "Nunca mais... e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei em 1925. Caracterizou-se como escritora habilidosa, possuindo grande fluência vocabular e riqueza de imagens reflexivas e filosóficas. Abordou temas como a transitoriedade da vida, o efêmero, o amor, o infinito e a natureza. De forte influência simbólica, fez uso de temas como os elementos (água, ar, terra e fogo), além de vento, mar, tempo e espaço para composição de suas poesias. Cecília teve uma brilhante carreira como poetisa, professora, pedagoga e jornalista. Foi casada duas vezes e teve três filhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Retrato&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não tinha este rosto de hoje, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;assim calmo, assim triste, assim magro,&lt;br /&gt;nem estes olhos tão vazios, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;nem o lábio amargo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não tinha estas mãos sem força, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;tão paradas e frias e mortas;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu não tinha este coração&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que nem se mostra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não dei por esta mudança,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tão simples, tão certa, tão fácil:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Em que espelho ficou perdidaa minha face?”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em 1934 fundou a biblioteca Infantil do Rio de Janeiro e começou a ensinar Literatura Brasileira em Lisboa e Coimbra (Portugal). Em 1936, passou a lecionar Literatura Brasileira na recém fundada Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além da vitoriosa carreira como professora, continuou publicando inúmeros livros de poesia e prosa sobre temas pedagógicos, folclóricos e infantis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Atitude&lt;br /&gt;Minha esperança perdeu seu nome...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fechei meu sonho, para chamá-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A tristeza transfigurou-me&lt;/div&gt;&lt;div&gt;como o luar que entra numa sala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O último passo do destino&lt;/div&gt;&lt;div&gt;parará sem forma funesta, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e a noite oscilará como um dourado sino&lt;/div&gt;&lt;div&gt;derramando flores de festa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E um campo de estrelas irá brotando&lt;/div&gt;&lt;div&gt;atrás das lembranças ardentes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília Meireles morreu no Rio de Janeiro em 9 de novembro de 1964. No ano seguinte, o Governo do então Estado da Guanabara a homenageou dando o nome de Sala Cecília Meireles a um grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sua poesia foi assim julgada pelo respeitadíssimo crítico Paulo Rónai:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo... A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sonhei um sonho&lt;br /&gt;E lembrei-me do sonho&lt;br /&gt;E esqueci-me do sonho&lt;br /&gt;E sonhei que procurava&lt;br /&gt;Em sonho aquele sonho&lt;br /&gt;E pergunto se a vida&lt;br /&gt;Não é um sonho que&lt;br /&gt;Procura um sonho.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-1623836483195816794?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/qsK8UdHVvSY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/1623836483195816794/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=1623836483195816794" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1623836483195816794?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1623836483195816794?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/qsK8UdHVvSY/aedos-e-rapsodos-3-cecilia-meireles.html" title="Aedos e Rapsodos (3) - Cecília Meireles" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/03/aedos-e-rapsodos-3-cecilia-meireles.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEcDRn8_fSp7ImA9WxVVGUo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-6234912314350698659</id><published>2009-03-13T16:17:00.002-03:00</published><updated>2009-03-13T16:21:17.145-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-13T16:21:17.145-03:00</app:edited><title>Flertando com Jung</title><content type="html">&lt;a href="http://www.jungneworleans.org/images/JungMandalaLarge.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 640px; CURSOR: hand; HEIGHT: 648px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.jungneworleans.org/images/JungMandalaLarge.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os cursos de férias da Estácio de Sá, aqui no Rio, são sempre surpreendentes e muitas vezes agradáveis. Pessoas que abrem mão de uma praia ou algum passeio para refletir sobre A LINGUAGEM SECRETA DOS SONHOS ou INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA JUNGUIANA, disciplinas que tenho o prazer de ministrar, têm realmente alguma motivação interior muito especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em janeiro de 2009, compareceu uma aluna sempre atenta e curiosa, estudante de Psicanálise e interessada em conhecer um pouco mais da Psicologia Junguiana (Analítica). Sua capacidade de apreensão e interesse logo sobressairam, além do importante aspecto de grande clareza das idéias e por apreciar o conhecimento aberto. Sim, a capacidade de questionamento e as interrogações eram por ela valorizadas, apreciando a percepção do conhecimento humano como um somatório de várias experiências pessoais, sem se fixar em dogmas ou nos limites do aprendizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendeu-me, após o curso, ver um artigo feito por ela, mostrando também sensibilidade e vontade de participar suas experiências no campo do conhecimento humano com outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos logo a esse artigo que a autora teve a gentileza de liberar para publicação aqui neste blog:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FLERTANDO COM JUNG&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Vanessa Souza, jornalista e estudante de Psicanálise Clínica.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;Freud e Lacan que me perdoem. Confesso minha infidelidade. Nas últimas semanas eu andei flertando com Jung. Ainda não estou tomada de paixão, mas sinto, como Bogart em Casablanca, que esse é o começo de uma grande amizade.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas semanas participei de uns cursinhos de férias de uma universidade carioca, 16 horas cada um. Quase um cursinho pré-vestibular sobre cada tema. O básico-do-básico-do-básico. Mesmo com toda a pressa, deu para “desconfiar” de muita coisa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Introdução à Psicologia Junguiana foi um deles. Nem sei por quais motivos nunca havia estudado Jung. Depois da primeira aula, até descobri que tinha um pequeno volume, do tipo resumo-do-resumo, sobre as teorias dele. Logo no prefácio, o autor já avisa que Jung era o Lado B da psicanálise: confuso, bígamo e ex-discípulo de Freud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Carl Gustav Jung nasceu em 1875, na Suíça – só para situar o leitor. Estudou medicina, tornou-se psiquiatra e em 1906 trocou a primeira carta com Freud – precursora de uma vasta correspondência. O primeiro encontro pessoal dos dois durou 13 horas. Eita cafezinho longo! A amizade não durou muito. Jung divergiu das idéias de Freud e, em 1913, Sigmund rompeu com o pupilo. Jung ficou anos deprimido por conta dessa cisão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que mais me chamou atenção na obra de Jung foram os arquétipos. Perdoem-me se eu for muito didática, mas meu conhecimento sobre o tema não me permite maiores termos-técnicos-que-mostram-que-o-autor-sabe-tudo. Arquétipo é tudo aquilo que é basilar para o ser humano, que é universal. Quando nascemos teremos todas as experiências básicas/arquetípicas que estão previstas, no mundo mental, biológico e os instintos. Os arquétipos são tijolinhos vazios, onde cada um coloca sua massa de experiências, sua tinta. O arquétipo é bipolar, tem seu lado bom e ruim. Como o arquétipo da mãe nutritiva e o da mãe devoradora – aquela que alimenta e aquela que sufoca. Quem não tem uma delas? Ou as duas, alternadamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outro conceito de Jung que eu adorei é a sombra. Para Jung, a sombra é tudo aquilo que o indivíduo não queria ser. Ou seja, o que ele deseja jogar para baixo do tapete – “O complexo de sombra pode se compor tanto de conteúdos que nunca estiveram na consciência como daqueles que foram reprimidos por estarem em desacordo com a identidade construída pelo ego”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os tipos psicológicos, que eu já tinha ouvido tantos psicólogos falarem, só ficaram claros agora. São quatro as funções da consciência: sentimento (que confere diferentes valores às experiências), pensamento (que apreende os significados), sensação (a apreensão por meio dos sentidos) e a intuição (que capta as possibilidades futuras e o “clima” do ambiente). O pensamento e o sentimento são racionais, sensação e intuição, irracionais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, resultam em oito os tipos psicológicos, pois cada uma das quatro funções da consciência podem ser extrovertidas ou introvertidas – as atitudes do eu. Resumidamente, no extrovertido a energia psíquica é voltada para o mundo dos objetos e acontecimentos exteriores, aos quais ela se liga e dos quais depende; já o introvertido é voltado para os objetos internos ou subjetivos, que determinam o comportamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para concluir, o que ocorre é que uma das funções se desenvolve e serve como a principal forma de adaptação do indivíduo. Duas outras funcionam como funções auxiliares e a quarta fica pouco desenvolvida, tornando-se próxima do inconsciente. Agora eu entendo como alguém pode ser puro sentimento e ser capenga no pensamento. Ou qualquer variação sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-6234912314350698659?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/fxgA2tUmW1Y" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/6234912314350698659/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=6234912314350698659" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6234912314350698659?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6234912314350698659?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/fxgA2tUmW1Y/flertando-com-jung.html" title="Flertando com Jung" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/03/flertando-com-jung.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEAHQnk_eyp7ImA9WxVVFkQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-5770954463549087146</id><published>2009-03-10T10:40:00.002-03:00</published><updated>2009-03-10T10:45:33.743-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-10T10:45:33.743-03:00</app:edited><title>A Caverna (4). Lenda Carajá do Brasil.</title><content type="html">&lt;a href="http://www.inf.ufsc.br/~adriana/fase_01/tgs/trab_01/caverna1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 359px; CURSOR: hand; HEIGHT: 147px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.inf.ufsc.br/~adriana/fase_01/tgs/trab_01/caverna1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.inf.ufsc.br/~adriana/fase_01/tgs/trab_01/caverna1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;OBS: É melhor que os artigos sobre o tema Caverna (1, 2, 3 e 4) sejam lidos nesta ordem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É importante realçar alguns detalhes da lenda de origem dos Carajás. Inicialmente, a referência à caverna, remetendo-nos ao sentido feminino de útero gerador e também transformador, é visto desde os mitos milenares, inclusive de Platão. Trata-se da ressonância do que é universal e humano reverberando em toda parte e culturas diferenciadas, de forma a mostrar o que cada ser individual tem em comum com toda a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo das águas é considerado local de origem da vida, sendo o rio um manancial que busca a grande fonte e o seu destino: o misterioso mar. Os antigos Inan (Carajás) estavam em associação com esse mundo idílico de sonho e fantasia onde não havia sofrimento nem fome. As necessidades eram supridas naturalmente por uma proteção superior, não havia o menor trabalho. Bastava sentir fome que a comida estava logo disponível, sem necessidade de qualquer outra preocupação. No início tudo era assim: bondade e maravilha, em um estado de enorme dependência e cuidados que surgiam como bênçãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barro lembra a matéria prima da vida, a argamassa a ser trabalhada, apresentando-se na forma maternal côncava de uma panela sempre disponível com a nutrição desejada. A divindade primordial cuidava de todos, mas assim o desenvolvimento individual não ocorria, o que se manifestava também no aspecto físico com a aglomeração de gorduras de forma generalizada entre os Inan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após algum tempo nesse estado de paralisia, era natural que surgisse certa inquietação. Há sempre um componente que percebe intuitivamente as possibilidades de mudanças. Afinal, “fora das águas” daquele mundo inconsciente parecia haver oportunidades para o novo e também acontecimentos mais subjetivos que estimulassem as escolhas individuais. Seria a possibilidade de obtenção de consciência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ninguém jamais retornara desse lugar! Parece ser assim um caminho sem volta, ou seja, certo desenvolvimento que não admite retrocesso. E curiosidade humana é assim: desperta devagar e toma conta. Só é possível contê-la na sua origem. E esse não foi o caso de Kboi ao ser contaminado pela criatividade e vontade de ser senhor do seu destino. A aventura o chamava e nada melhor do que prosseguir com um amigo cujas características completassem a si mesmo, pois se um era introvertido, o outro, U-ô-Ubedô conseguia espontânea extroversão e coragem exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta complementaridade psicológica foi vista também no mito grego de Prometeu, que formava certa unidade com seu irmão Epimeteu. O primeiro pensava antes e agia depois, ao passo que Epimeteu partia logo para a ação (Pro + meteu = o que pensa antes, Epi = depois). Kboi pensou muito antes de agir, mas, ao chegar aonde o rio era mais fundo e a água mais escura, foi a ação do seu amigo, melhor preparado para as aventuras no mundo exterior, que se mostrou viável. Ele estava mais apto e equipado para ultrapassar a fenda que separava os dois mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir movimentar-se nas águas é uma situação nova e muito diferente que a estagnação sob as águas. Só assim foi possível chegar à terra firme, caminhar ereto e sentir a capacidade renovadora e refrescante do vento atingindo o corpo e a alma. A exploração desse novo cenário foi algo deslumbrante, mas os animais não surgiram nesse primeiro momento. Apenas a vegetação e a falta da panela de barro! A sensação de fome e dor, como enfrenta qualquer bebê, mostra o início do entendimento de que a situação realmente se modificara por completo e não apenas a paisagem externa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo traz necessidade de adaptação e qualquer dificuldade nos leva a certa regressão da libido (energia psíquica) e para estados anteriores vividos. É o recuar para melhor saltar como possibilidade para viabilizar o futuro. A alternativa foi voltar até onde permanecia seu amigo, onde os dois vivenciaram a insegurança e a incerteza da nova situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kboi tinha capacidade concreta e habilidades de movimentação no mundo interior e materno como origem da vida. Assim ele retorna ao seu núcleo central nas camadas mais profundas da sua psique para buscar inspiração e “pedir conselhos” da sua divindade Kanansiuê. Entretanto o herói percebe que o mundo físico e externo segue as suas próprias leis sem a ação direta do seu deus. Em termos psicológicos, o mundo da consciência tem a ação do eu (ego) que é o seu centro diretor para agir e fazer suas escolhas: aí os poderes “divinos” (do Si-mesmo ou Self) ficam limitados. Assim Kboi percebeu que o Grande Pai não poderia para proteger seus filhos no mundo fora do paraíso, ou seja, da consciência. Nesse mundo real e concreto cada um deveria assumir as responsabilidades por suas escolhas que fossem frutos do próprio conhecimento a ser adquirido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo-se no caminho sem volta para a sua tomada de consciência, o jovem carajá mostrou obstinação e concentrou suas energias. Ele se fortaleceu com outros componentes da sua própria tribo, que o ajudou a encontrar seu amigo para então fundarem, no “barranco mais alto”, a primeira aldeia em terra firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade trouxe trabalho, riscos e necessidade de ampliação do conhecimento sobre a própria vida. Tornou-se necessário investigar o que era bom e o que era mau. Mas o deus Kanansiuê, como uma luz interior que se mantinha presente, não os abandonou, como pai verdadeiro nunca abandona seus filhos, trazendo-lhes a ajuda através do urubu-rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O auxílio simbólico de uma ave, mesmo que um abutre tão necessário ao equilíbrio da natureza, mostra a interferência de um ser ligado ao elemento ar. Mesmo com suas limitações, ele pareceu ser adequado para trazer capacidades de discriminação e diferenciação para a obtenção do conhecimento e garantia da possibilidade de vida. Função tipicamente do logos relacionado ao desenvolvimento do componente masculino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os aspectos femininos ficam mais bem demarcados na última variante da lenda apresentada. A escuridão, que predominava, estava relacionada com esse elemento, como também a própria terra a ofertar os alimentos na forma de frutos e raízes. Não havia ainda um raio de luz para clarear a consciência e trazer as possibilidades de aumentar a sabedoria no convívio com as novas situações. Como o jovem ainda não tinha o necessário discernimento, critério ou juízo de valor, alimentou-se com mandioca brava, o que comprometeu seriamente sua saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O limitado aspecto masculino e rudimentar do conhecimento representado pelo urubu mostrava-se no modo de a ave se movimentar em passo desengonçado e saltitante. Entretanto, o menino já desenvolvera certas capacidades, o que ficou estabelecido na sua busca da composição com seu elemento feminino. Este surge na forma da menina com a qual se casou e a também na figura da mãe dessa jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo era se livrar da escuridão que impregnava o mundo sem graça e sem vida, precisando de “enfeites” para ser ornamentado e também permitir a expansão da existência. As luzes das estrelas, da lua e do sol mostram a evolução das possibilidades de maior observação, análise, discernimento e conhecimento que podem ser proporcionadas pela consciência, cuja simbologia aponta exatamente para o sentido de luz. Onde se faz a luz é possível a formação da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim o ser humano, na medida das suas condições internas e externas, pode nascer e morrer, cumprindo a meta primordial da vida: a ampliação da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;ARAÚJO, Alceu Maynard. Brasil, histórias, costumes e lendas. São Paulo: Editora Três, sem data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-5770954463549087146?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/-B3QPSILIMI" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/5770954463549087146/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=5770954463549087146" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/5770954463549087146?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/5770954463549087146?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/-B3QPSILIMI/caverna-4-lenda-caraja-do-brasil.html" title="A Caverna (4). Lenda Carajá do Brasil." /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/03/caverna-4-lenda-caraja-do-brasil.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0EBRnw_eSp7ImA9WxVVEUU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-3435867657729538284</id><published>2009-03-04T15:57:00.004-02:00</published><updated>2009-03-04T16:00:57.241-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-04T16:00:57.241-02:00</app:edited><title>A Caverna (3). Lenda Carajá do Brasil, outra versão.</title><content type="html">&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/Sa7Bb8cDdlI/AAAAAAAAADs/dC0ThENCh1Q/s1600-h/%C3%8Dndio+Caraj%C3%A1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309393696540816978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/Sa7Bb8cDdlI/AAAAAAAAADs/dC0ThENCh1Q/s400/%C3%8Dndio+Caraj%C3%A1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/Sa7BRxIB3rI/AAAAAAAAADk/9mgWuHG9H30/s1600-h/%C3%8Dndio+Caraj%C3%A1.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Obs&lt;/strong&gt;: É melhor que os artigos A Caverna 1, 2, 3 e 4 sejam lidos na sequência. &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há outras versões da lenda sobre a origem dos antigos índios carajás. Essas estórias diferentes apenas fortalecem o conteúdo simbólico de todo o conjunto. Vale a pena apreciar e verificar como podem se complementar ou mesmo amplificar o conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses povos indígenas vieram do Furo das Pedras, originando-se de um local debaixo d’água. Nesse mundo subterrâneo, a luz penetrava enquanto na superfície era noite. Eram então muito felizes e morriam de velhice só mesmo depois de terem cansado de viver. Certo dia um grupo resolveu sair de lá e passaram a habitar a terra. Entretanto um deles, por ser muito robusto, não conseguiu passar pelo furo da pedra, ficando ali entalado. Os que subiram trouxeram-lhe frutos, comidas e galhos secos de árvores. Ele se surpreendeu e alertou: “Vejam esses galhos secos das árvores, lá as coisas morrem! Não quero mais prosseguir. Voltem para nosso lugar onde viveremos para sempre.” Mas ninguém o ouviu e ele voltou para o fundo do buraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os carajás que passaram pelo buraco tiveram que se acostumar com os períodos de escuridão e se alimentavam com raízes e frutos do mato que precisavam ir catar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certa ocasião, um menino chegou, viu uma menina, achou-a bonita e com ela se casou... Depois ele mandou que ela fosse buscar frutos (ao mato), mas estava tudo escuro. A mãe da menina se aproximou, desejando ajudar, mas como estava escuro para colher frutos, machucou a mão nos espinhos. Nada podiam fazer por conta da penumbra, de modo que teriam de esperar que aparecesse pelo menos um raio de sol para clarear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí a mãe resolveu mandar o menino buscar raízes. Com a escuridão, ele pegou a primeira raiz de mandioca que conseguiu achar e comeu. Mas era mandioca brava, o que o levou a passar mal, ficando deitado de costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo chegou um urubu, vindo com o seu passo desengonçado, dizendo para os outros: - “Ele não está morto, ainda se move.” O menino continuava deitado de costas, com os olhos piscando. Chegaram mais urubus voando ou saltitando pelo chão para beliscar e bicar o garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, um caracará muito cuidadoso ficou voando em redor, observando. Chegou mais perto do menino e gritou para os urubus: - “Cuidado, ele está vivo!” Os urubus em coro responderam: - “Ele está morto!” E a discussão virou a maior confusão: - “Ele está morto! Ele está vivo!” Para acabar com aquela bagunça, o carcará foi buscar o urubu-rei, que atestou estar vivo o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caracará resolveu buscar o avô do urubu-rei, de bico vermelho e o cabelo ralo, que chegou e disse: - “Ele está morto!” E rapidamente pousou sobre a barriga do menino. Então ouviu-se um estalo... O menino pegou o urubu-rei com as mãos. Ele se debateu, esperneou, quis fugir, mas estava seguro. Então o menino disse ao urubu-rei: - “Quero enfeites!” E o urubu-rei respondeu: - “Vou trazer!” E trouxe as estrelas do céu. O menino não gostou porque continuava escuro: - “Quero outro enfeite!” O urubu trouxe a lua. E o menino respondeu: - “Também não serve, ainda está escuro!” Então o urubu-rei trouxe o sol. E o menino ficou contente porque tudo ficou claro. Era o dia.&lt;br /&gt;A mãe se aproximou do urubu-rei, que passou a ensinar-lhe a utilidade de todas as coisas. Então o menino soltou o urubu-rei. Nisso a mãe lembrou-se de perguntar qual era o segredo da eterna juventude. O urubu respondeu, mas infelizmente ele estava tão alto que muitos ouviram a resposta: as árvores, os peixes, os animais. Infelizmente, pela altura em que ele voava, a mãe e o menino não conseguiram ouvir o que o urubu disse naquele momento.&lt;br /&gt;É por isso que envelhecemos e morremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se encerra a lenda. Certamente muitas crianças atuais gostariam de ouvir estórias assim: por que não contar para elas? E os adultos são levados à profunda reflexão sobre o sentido de todas essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são aventuras e acontecimentos fantásticos transmitidos pela tradição carajá. Podemos perceber a estrutura básica dos mitos consagrados desde a antiguidade, tratando-se, como eles, de narrativas cosmogônicas (origem da ordem e do mundo) ou de ampliação da consciência. Esses são os aspectos basilares dos mitos, mostrando a formação do cosmos, que equivale na Psicologia Junguiana à formação da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noção geral de caos remete à noção de confusão geral dos elementos antes da formação do mundo, onde imperava certa desordem. É dessa indiferenciação inicial que lentamente se estabelece certa ordem, arranjo e estruturação. As coisas e seres parecem ter melhor definidos os seus lugares, podendo estabelecer sua existência individual. Os seres humanos passam a ter noção da sua consciência individual e coletiva, ainda que nos primeiros e primitivos estágios tudo ainda fosse percebido com certo grau de confusão e indiferenciação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para os dias atuais, antes de o bebê desenvolver os primeiros sinais da sua percepção ou da sua consciência, há de se observar que o mundo já estava ali com todos os atores e cenários próximos: mãe, pai, avós, tios, casa, aparelho de tv, videogame e tudo o mais. A formação da consciência é um ato criador do mundo no sentido de visão e experienciação com esse mundo. Passará toda a existência e certamente o novo ser não conseguirá tomar conhecimento de todos os detalhes e potencialidades do mundo em que vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passos da sua evolução são muito lentos, meses se transcorrem até o bebê estabelecer a sua incipiente noção de identidade. No início, é tudo muito misturado e indiferenciado, pois ele próprio, a mãe e o mundo se confundem, estando amalgamados e anelados. É como se o mundo fosse sendo criado progressivamente. Assim, cada início ou ampliação da consciência corresponde a um ato de criação do mundo que assim vai sendo descoberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formação da consciência individual caminha na mesma proporção da consciência coletiva de uma sociedade, povo ou nação. Afinal o que o grupo conhece do mundo é o que pode ser passado para os bebês das novas gerações. Cada ser humano que nasce traz suas capacidades humanas, tanto corporais como psíquicas. Cabe desenvolvê-las no seu meio e nas relações pessoais e culturais, pois sem essa troca qualquer processo de desenvolvimento permanecerá estagnado em algum ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;ARAÚJO, Alceu Maynard. Brasil, histórias, costumes e lendas. São Paulo: Editora Três, sem data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-3435867657729538284?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/GzQh7fyHxFU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/3435867657729538284/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=3435867657729538284" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/3435867657729538284?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/3435867657729538284?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/GzQh7fyHxFU/caverna-3-lenda-caraja-do-brasil-outra.html" title="A Caverna (3). Lenda Carajá do Brasil, outra versão." /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/Sa7Bb8cDdlI/AAAAAAAAADs/dC0ThENCh1Q/s72-c/%C3%8Dndio+Caraj%C3%A1.JPG" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/03/caverna-3-lenda-caraja-do-brasil-outra.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkENSHo8eyp7ImA9WxVWGEs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-4266049787982404844</id><published>2009-02-28T22:45:00.002-02:00</published><updated>2009-02-28T22:51:39.473-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-28T22:51:39.473-02:00</app:edited><title>A Caverna (2). Lenda Carajá do Brasil.</title><content type="html">&lt;a href="http://www.portalcentroeste.com.br/novoportal2008/outros/turismo/mapaT_rio_araguaia%20copy.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 391px; CURSOR: hand; HEIGHT: 343px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.portalcentroeste.com.br/novoportal2008/outros/turismo/mapaT_rio_araguaia%20copy.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;OBS:      É melhor que os artigos sobre "A Caverna" sejam lidos na sequência 1, 2, 3 e 4.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A continuação do artigo anterior diz respeito à universalidade do tema “caverna”, mostrando que além do mito de Platão temos em povos nativos no Brasil similaridades e potencialidades no interior e no exterior da caverna mitológica. É a forte ligação humana do inconsciente coletivo. Vamos então fazer essas conexões com um exemplo muito prático e brasileiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam histórias muito antigas e estranhas dos povos indígenas Carajás, que habitaram há muito, muito tempo mesmo, a região da ilha do Bananal (a maior ilha fluvial do mundo). O rio Araguaia se duplica para contornar essa magnífica ilha situada entre os estados de Goiás e Mato Grosso do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os índios Carajás moravam no fundo desse rio, que em língua tupi significa rio das araras. Só Kanansiuê, o seu deus, seria capaz de explicar como eles passaram a morar no fundo desse rio misterioso. Nessa aldeia todos viviam com muita paz, nada faltava ou incomodava. Mesmo a alimentação não dava qualquer trabalho, pois quando a fome começava a chegar havia uma panela de barro para cada um, sempre cheia de comida. A panela se enchia novamente sempre que alguém a esvaziava. Não dava o menor trabalho, era uma dádiva da ação e bondade infinitas de Kanansiuê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse abençoado e protegido tipo de vida, eram todos muito gordos, principalmente as mulheres. Não havia sofrimento, doenças ou dor de qualquer espécie. Assim, no fundo do rio, ninguém morria: era somente nascer, crescer, engordar, e reproduzir-se à vontade. O invisível pai Kanansiuê estava sempre presente cuidando de todos os Inan, como eles se chamavam entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida na aldeia começou a ficar sem graça e monótona, apesar de ninguém ter motivo para ficar insatisfeito. Os mais jovens ficavam a maior parte do tempo sentados em volta de um índio mais velho, que contava as estórias da tribo; em todas elas, Kanansiuê era exaltado pelos seus feitos benevolentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de nada faltar para viver tranquilamente, um dia o índio chamado Kboi começou a mostrar sinais de inquietação. Ele tinha ouvido falar que fora das águas, além das margens do grande rio das araras, havia outras formas de vida, um mundo completamente diferente daquele que todos conheciam. Assim ele soube a respeito de animais estranhos e de uma vegetação abundante com a qual os Inan não estavam acostumados ali embaixo do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A curiosidade de Kboi foi aumentando de mansinho, despertando o desejo de conhecer esse mundo novo e imaginário. As descrições fabulosas a respeito dessa estranha realidade eram encantadoras, mas ninguém retornara desse lugar. Mesmo assim ele foi ficando cada vez mais inquieto e curioso, chegando a chamar a atenção dos mais velhos que tentaram persuadi-lo contra qualquer aventura. As coisas são como são, disse-lhe uma vez um índio mais velho. Para que sair ou ir embora? Ele não tinha tudo o que precisava no fundo do rio? Kanansiuê não era amigo de todos? Para que se preocupar com o tempo se ele não tinha qualquer utilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo Kboi sabia responder a essas perguntas, mas sentia crescer a sua curiosidade com uma força irresistível. Ele procurou o amigo chamado U-ô-Ubedô, dividindo suas inquietações, certo mal estar, além de ousados planos para praticarem uma aventura. O amigo relutou um pouco, mas terminou concordando em acompanhá-lo. “E se nós dois morrermos?” Perguntou-lhe, tendo como resposta: “Eu não sei... Você não está cansado desta vida de nunca morrer... de nunca acontecer nada?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois amigos decidiram procurar a saída que dava acesso à superfície do rio. Tinham ouvido falar de um buraco para chegar à tona, o ruê Bêérokan, que conseguiram encontrar depois de prolongada busca e cansativa caminhada. Perceberam que o orifício estava localizado justamente no local onde o rio era mais fundo e a água mais escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que, ao amanhecer, chegaram nesta pequena passagem e Kboi foi o primeiro a subir, tentando atingir o novo mundo. Ele pôs a cabeça para fora, olhou em redor, viu as margens, as grandes árvores de copas frondosas, mas algumas estavam caídas. Procurou em vão sinais de vida, não aparecendo qualquer dos fantásticos animais de que lhe falaram. O que estaria acontecendo? Seriam verdadeiros os relatos que ouvira? Ou seria Kanansiuê que afastou os animais para desanimar os amigos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kboi ficou intrigado com aquela situação. Tentou sair de uma vez para a superfície, mas era muito gordo e a sua barriga não permitiu, mesmo forçando o corpo na passagem. Ficou entalado: meio do lado de fora e metade para dentro, tendo que ser ajudado por U-ô-Ubedô para retornar. Seu amigo, um pouquinho menos gordo, experimentou a passagem, ajeitou-se e conseguiu. De pronto, viu-se nadando sobre as águas, o que era para ele uma sensação absolutamente nova e inusitada. Entusiasmado com o sucesso, dirigiu-se para uma das margens, pisou em terra firme e viu-se caminhando sobre os próprios pés com o ar batendo no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem índio Inan (como os Carajás se chamavam) ficou deslumbrado com o que via. Como Kboi, não encontrou qualquer vestígio de animais diferentes. Depois de andar por algum tempo, sentiu fome e percebeu a panela de comida bem ao seu lado. Alimentou-se fartamente, como de hábito, e prosseguiu explorando aquele mundo novo e enigmático. Tudo atraia sua atenção, cada árvore, arbusto e toda a vegetação. Mais tarde, ele sentiu fome novamente, mas para sua surpresa a panela de barro não estava lá. A princípio não deu maior importância ao fato, mas a fome foi aumentando. Ele achou muito estranha aquela nova sensação com o estômago vazio, pois era algo que para ele poderia ser dor. Resolveu voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kboi o aguardava ansioso para ouvir os detalhes da sua exploração. O amigo então contou tudo o que viu, mas estava fortemente impressionado com a ausência da panela de comida. Pediu ao amigo que lhe trouxesse algo para comer, pois aquela sensação estava se tornando insuportável; ele não sabia que era assim tão ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;U-ô-Ubedô tentou voltar pelo buraco, mas para sua surpresa não conseguiu o seu intento. Isso era estranho e preocupante, pois a abertura permanecia a mesma. Não dava para entender por que a passagem só poderia ser feita de dentro para fora, sem conseguir retornar para dentro. Os dois ficaram atordoados e começaram a acreditar nas estórias dos mais velhos: não haveria volta para quem fosse à superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber o que fazer, Kaboi, que ficara do lado de dentro, decidiu voltar à aldeia no fundo do rio para pedir conselhos aos anciãos. Rogou-lhes que intercedessem junto a Kanansiuê. Eles o fizeram a contragosto. O deus, já irritado, concordou em deixá-los partir, alertando que fora das águas os seus próprios poderes eram muito limitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kboi era mesmo um obstinado, estava decidido a correr todos os riscos. E começou a fazer um rigoroso regime de emagrecimento enquanto tentava influenciar outros índios a arriscarem a vida do lado de fora das águas. Conseguiu convencer um grupo que o seguiu ao encontro do amigo que já estava impaciente do lado de fora. Atingiram a superfície e nadaram até a margem do rio, caminhando até encontrar um barranco mais alto. Escolheram essa posição para formar a primeira aldeia em terra firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto a vida era muito difícil, logo eles tiveram que aprender a pescar e a caçar, precisavam saber quais as plantas serviam para a sua alimentação e quais eram venenosas. Não tinham noção de como construir uma cabana, ficando, durante muito tempo, sofrendo expostos às intempéries. Eles não conseguiam adivinhar o que era bom e o que era mau. No fundo do rio, era tudo igual, ninguém precisava saber dessas coisas. Logo alguns índios começaram a adoecer e a morrer. Quando o desespero chegou a um ponto crítico, Kanansiuê apareceu-lhes na forma de um índio alto e forte, dizendo: “ – Permiti que vocês saíssem por causa do desejo de vocês e nem mesmo um deus deverá matar nos homens os seus anseios de liberdade. Mas isso me doeu muito, pois lá, no fundo das águas, eu lhes dava tudo e vocês recusaram as minhas dádivas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo magoado, Kanansiuê decidiu ajudá-los, saindo em busca do urubu-rei, conseguindo atraí-lo e aprisioná-lo, obrigando-o a passar um dia na terra, entre os Inan, ensinando-lhes tudo o que precisassem para conseguir sobreviver fora das águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;PERET, João Américo. Mitos e Lendas Karajá. Rio de Janeiro: Peret, 1979.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-4266049787982404844?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/9UXlhC1NBIg" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/4266049787982404844/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=4266049787982404844" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/4266049787982404844?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/4266049787982404844?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/9UXlhC1NBIg/caverna-2-lenda-caraja-do-brasil.html" title="A Caverna (2). Lenda Carajá do Brasil." /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/02/caverna-2-lenda-caraja-do-brasil.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;Dk4BSXs7cSp7ImA9WxVWFUw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-8095345517902694579</id><published>2009-02-24T20:26:00.003-02:00</published><updated>2009-02-24T20:35:58.509-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-24T20:35:58.509-02:00</app:edited><title>A Caverna (1). Platão.</title><content type="html">&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SaR181qZVpI/AAAAAAAAADc/Tuy4jqGA0y4/s1600-h/Mito+da+caverna.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306495949006788242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SaR181qZVpI/AAAAAAAAADc/Tuy4jqGA0y4/s400/Mito+da+caverna.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SaR1vNplKkI/AAAAAAAAADU/b8sV96bbCuU/s1600-h/Mito+da+caverna.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Obs&lt;/strong&gt;: 1) O último artigo (Nise da Silveira) sofreu pequenas correções e já está no blog.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          2) Agora teremos uma sequência de 4 artigos sobre o tema da caverna. O próximo não deverá ser enviado por email, ficando disponível no blog. Bom proveito!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vamos ao primeiro deles: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse tema é realmente marcante para muitos povos e culturas. Em nosso país, percebemos nas diversas regiões como as pessoas ficam tocadas e sensibilizadas ao apreciar a magia que reina no interior de uma caverna, despertando a liberação plena da imaginação e da fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior de Minas, a religiosidade faz as estreitas ligações com o assunto, despertando as questões mais íntimas. Muito além do turismo, as pessoas locais ligam-se com muita energia às reminiscências trazidas pela Gruta de Maquiné (Cordisburgo-MG) e na Casa de Pedra em São João del Rei (MG) , por exemplo. As ligações e associações são profundas, começando pelo nascimento de Jesus numa gruta, assim como também foi em local parecido que seu corpo permaneceu, após o calvário, até a Ressurreição. Pelo seu formato, lembram também as capelinhas, os oratórios e santuários – símbolos próprios para certa reflexão e contato interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As comemorações natalinas são marcantes no interior do país. Em Minas, os filhos são estimulados pelos pais a participar da montagem dos presépios onde a gruta aparece de forma predominante, enfeitada acima com malacacheta ou mica (grupo de minerais que se separam facilmente em folhas muito finas), musgos, pedras e outros produtos encontrados na natureza. Após a montagem final, todos ficam admirados e agradecidos por verem aqueles componentes básicos formarem um conjunto tão harmonioso e sagrado, estimulando a espiritualidade e a fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitas culturas a caverna aparece como local apropriado para o nascimento e o renascimento, considerado como receptáculo de energia telúrica (associada à Terra). Por estar normalmente incrustada em elevação ou área montanhosa, esse conjunto desperta a associação com o local propício aos deuses em muitos povos. Muitas nações indígenas consideram as montanhas como local sagrado que nem mesmo deve ser freqüentado. Como exemplo no Brasil, os ianomâmis estimulavam a ida de garimpeiros nas altitudes do Pico da Neblina, pois eles mesmos não freqüentavam essa área montanhosa. Na Grécia antiga, a organização divina feita por Zeus tinha como base o monte Olimpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caverna também está relacionada ao sentido de chegada e de partida, entrada e saída da vida, lembrando a importância do útero materno e do acolhimento necessário para as transformações. A Grande Mãe participa com seu princípio gerador e nutridor, propiciando também os incentivos para o crescimento; desse princípio sai a vida que também a ele retorna após cumprir a sua jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apelo torna-se cada vez mais potente à medida que avançamos nos esclarecimentos, de forma a mostrar a sua importância universal. Como um retorno à origem, a caverna também é um local de regeneração. Entrar nesse ambiente pode significar uma volta ao início, podendo então “subir ao céu”, ultrapassar o cosmo da própria consciência. A caverna se apresenta como um local de passagem tanto da terra para o céu como o caminho inverso (no sonho bíblico de Jacó anjos subiam e desciam pela escada que ligava ao céu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior da caverna existem os perigos do desconhecido, pois é uma região sombria e subterrânea de limites invisíveis, lembrando um temível abismo de onde podem surgir os monstros. Aqui encontramos os dois aspectos – positivo e negativo – de todo grande símbolo, e o paralelo inevitável do mundo do inconsciente, de onde viemos (eu – ego) e para onde retornaremos. Essa volta já é sinalizada em cada noite quando, ao dormir, fazemos esta passagem transitória pelo mundo do inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há lendas a respeito de cavernas entre muitos povos indígenas. Em regiões do Oriente este tema é também reincidente. Na Grécia ele ganha um realce especial, já nos lembrando Chevalier (*) que: “Toda a tradição grega une estreitamente o simbolismo metafísico e o simbolismo moral: a construção de um eu harmonioso faz-se à imagem de um cosmo harmonioso. A organização do eu interior e sua relação com o mundo exterior é concomitante.” Os gregos desenvolviam uma impressionante noção de conjunto e de totalidade, uma visão do organismo pessoal, social e espiritual. Tudo muito aproximado e participante da plena vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo Platão (A República, livro VII) que, há quase 2.500 anos, nos brinda com o seu famoso Mito da Caverna. A narrativa mostra que homens estão, desde a sua infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço de modo a não poderem movimentar nem mesmo a cabeça, permanecendo de costas para a entrada da caverna. Estão assim imobilizados e com o campo visual limitado, somente percebendo as sombras nas paredes internas projetadas pela luz de uma fogueira que arde atrás deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caverna é assim a imagem do mundo, mostrando a situação extremamente limitada do homem na Terra. “A luz indireta que ilumina suas paredes provém de um sol invisível; mas indica o caminho que a alma deve seguir a fim de encontrar o bem e a verdade: a subida para o alto e a contemplação daquilo que existe no alto representam o caminho da alma para elevar-se em direção ao lugar inteligível. Em Platão, o simbolismo da caverna implica portanto uma significação não apenas cósmica, mas também ética e moral. A caverna e seus espetáculos de sombras ou de fantoches representam esse mundo de aparências agitadas, do qual a alma deve sair para contemplar o verdadeiro mundo das realidades – o mundo das idéias”.&lt;br /&gt;Os prisioneiros percebiam como sua única realidade as sombras projetadas nas paredes: deles próprios, dos outros homens acorrentados e também daqueles que, nas suas costas, mantinham a fogueira acesa. Com estes eles não tinham contato visual direto, e nem podiam imaginar que o Sol lá fora inundava a Terra com sua estonteante luminosidade. Um dos prisioneiros decide abandonar essa condição e fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. Aos poucos vai se movendo e avança na direção de um muro e o escala; com dificuldade enfrenta os obstáculos que encontra e sai da caverna. Em liberdade, descobre não apenas que as sombras eram feitas por homens como ele, mas também que provinham de todo o mundo de natureza até então desconhecida. Encanta-se com coisas nunca vistas e com o esplendor do Sol. A adaptação nesse outro mundo precisa ser gradual, pois a luminosidade e as possibilidades de ampliação do conhecimento são impressionantes. Nesse contexto, surge a indagação crucial: e se este homem retornasse para contar aos seus companheiros tudo o que descobrira, como seria interpretado? Um mentiroso ou alguém dominado pela fantasia?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente Platão se referia indiretamente aos seus contemporâneos com suas crenças e superstições. Ele fugia das amarras comuns que prendem o homem e partia para uma compreensão mais ampla do mundo. Segundo a metáfora, “o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das idéias (diánoia e nóesis). Para o filósofo, a realidade está no mundo das idéias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo ilusório das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são imutáveis, não são funcionais e, por isso, não são objetos de conhecimento”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo o empirista mais dedicado sabe que não pode perceber, apreender ou compreender a totalidade dos fatos e do mundo concreto. Para conhecer melhor a realidade certamente é preciso percebermos melhor os objetos e o cenário do mundo exterior. Mas, nessa compreensão, terão enorme influência o modo como funcionamos no nosso interior, ou seja, como estamos captando esses sinais e imagens, pois estarão influenciando nessa apercepção nossos pensamentos, fantasias, inclinações, imagens, intuições e inspirações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ter a noção das limitação pessoais certamente é um início da longa caminhada no “processo de individuação” e crescimento pessoal. O forte simbolismo da caverna mostra as possibilidades de uma constante gestação de seres com maior ampliação da sua própria consciência. Parece ser essa a meta da vida, como podemos perceber nas diferentes culturas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;* CHEVALIER, Jean e Gheerbrant A. Dicionário de Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-8095345517902694579?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/Puilymg7SA8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/8095345517902694579/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=8095345517902694579" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/8095345517902694579?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/8095345517902694579?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/Puilymg7SA8/caverna-1-platao.html" title="A Caverna (1). Platão." /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SaR181qZVpI/AAAAAAAAADc/Tuy4jqGA0y4/s72-c/Mito+da+caverna.JPG" height="72" width="72" /><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/02/caverna-1-platao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEYFRno6eCp7ImA9WxVWFE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-7061864461129237009</id><published>2009-02-19T15:26:00.006-02:00</published><updated>2009-02-23T18:48:37.410-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-23T18:48:37.410-02:00</app:edited><title>Nise da Silveira - Lidar com o diferente</title><content type="html">&lt;a href="http://dylpires.zip.net/images/fdiniz.JPG"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 615px; CURSOR: hand; HEIGHT: 820px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://dylpires.zip.net/images/fdiniz.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;OBS: O último artigo (Tempo 2) não foi enviado por email e está disponível aqui no blog. É importante ler na ordem correta e comparar as imagens do relógio simbolizando o tempo. Como cada um de nós está percebendo o relógio de nossas vidas? Podemos dizer que vários amigos que "correm contra o tempo" nos motivaram, mesmo sem saber, a escrever esses artigos. As notícias são sempre atualizadas no blog.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao artigo de hoje:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Felizmente, eu nunca convivi com gente muito ajuizada." (Nise)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A menina Nise nasceu em Maceió, Alagoas, em 15 de fevereiro de 1906, formando-se médica na Faculdade de Medicina da Bahia em 1926. Nise foi a única mulher entre os 156 homens de sua turma, destacando-se como uma das primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina. Casou-se com o médico sanitarista Mário Magalhães da Silveira, colega de turma na faculdade, com quem conviveu até 1986, quando ele faleceu. Tendo se especializado em Psiquiatria, apontou as relações entre pobreza, desigualdade social, escassez da promoção de saúde e falta da prevenção da doença como as principais causas das patologias psiquiátricas no Brasil. Aprovada num concurso público, em 1933, começou a trabalhar no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha. Durante a Intentona Comunista foi presa e afastada do Serviço Público de 1936 a 1944.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ser anistiada, criou, em 1946, a Seção de Terapêutica Ocupacional no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, posteriormente conhecido como Centro Psiquiátrico Pedro II. Neste momento, começou sua luta contra os agressivos métodos terapêuticos aplicados aos internos psiquiátricos, recusando-se a aplicar eletrochoques, insulinaterapia e lobotomia. A diretoria da instituição a transferiu para o setor de terapia ocupacional como meio de punição. Até aquela data, as terapias ocupacionais aplicadas eram faxina e limpeza dos aposentos hospitalares. Nise da Silveira se recusou a tratar internos desta forma e implantou ateliês de pintura e modelagem para que os pacientes pudessem expressar sua realidade simbólica pela arte e criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nise assim definia o que esperava com as novas atividades dos internos: “O atelier de pintura me fez compreender que a principal função das atividades na terapêutica ocupacional seria criar oportunidades para que as imagens do inconsciente e seus concomitantes motores encontrassem formas de expressão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1949, participou com o trabalho de nove internos na exposição do MAM de São Paulo, intitulada ‘Nove artistas do Engenho de Dentro’. No ano seguinte contribuiu com inúmeras obras dos internos no I Congresso de Psiquiatria em Paris. Segundo Nise as criações artísticas eram expressões espontâneas dos pacientes: “Eu os via pintar. Via suas faces crispadas, via o ímpeto que movia suas mãos. A impressão que eu tinha era estarem eles vivenciando estados do ser inumeráveis e cada vez mais perigosos.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="No_Centro_Psiqui.C3.A1trico_do_Engenho_d"&gt;&lt;/a&gt;Leitora e admiradora dos livros de Carl Jung e da Psicologia Analítica, Nise dedicou-se a lutar pela implantação de novos tratamentos para os doentes psiquiátricos que buscassem um maior e mais eficiente diálogo através da arte. Mais do que apenas buscar a terapia ocupacional, ela ansiava pela ‘emoção de lidar’, expressão usada por um de seus pacientes. Assim, em 1952, a partir do seu trabalho, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, um centro de estudo e de pesquisa reunindo obras produzidas nos ateliês de pintura e modelagem da instituição Psiquiátrica Pedro II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da década de 50, Nise criou a Casa das Palmeiras, instituição que visava a ser uma ponte entre o Hospital psiquiátrico e a sociedade civil. Era a semente do que hoje conhecemos como Hospital Dia (implantado após grande movimento internacional da anti-psiquiatria já no final do século XX). Na Casa das Palmeiras, durante as tardes, os pacientes participavam de terapia ocupacional constituída de várias atividades. Os doentes que possuíam acompanhamento externo continuavam a medicação e os que não tinham eram medicados por psiquiatras voluntários que lá trabalhavam. A Casa das Palmeiras foi um dos símbolos do movimento da psiquiatria social no Brasil e em nada fica devendo ao movimento anti-psiquiatria do pós-guerra na Europa e Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1954, constatando a repetição de círculos nas pinturas de esquizofrênicos, ela escreveu ao eminente psiquiatra de Zurique, Carl Gustav Jung, relatando o fato. Sua carta foi prontamente respondida e recebeu o convite para apresentar os trabalhos dos doentes no II Congresso Internacional de Psiquiatria, em Zurique (1957). A exposição A Arte e a Esquizofrenia contou com a presença, aprovação e aplauso de Jung, estudioso psiquiatra que dedicou sua vida defendendo a linguagem simbólica do inconsciente coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da manifestação criativa e espontânea de seus pacientes, Nise da Silveira pôde continuar buscando uma maneira de comunicar-se com os esquizofrênicos. Segundo ela: “A palavra sânscrita mandala significa círculo, no sentido ordinário dessa palavra. Na esfera das práticas religiosas e em psicologia refere-se a imagens circulares que são desenhadas, pintadas, modeladas e dançadas. Como fenômeno psicológico aparece espontaneamente em sonhos, em certas situações de conflito e em casos de esquizofrenia. Freqüentemente contém uma quaternidade, ou múltiplo de quatro sob a forma de cruz, estrela, quadrado ou octógono etc. Sua ocorrência espontânea na produção de indivíduos contemporâneos permite à pesquisa psicológica fazer investigações sobre sua significação funcional. Em regra, a mandala ocorre em situações de dissociação ou desorientação psíquica. Esquizo, no grego quer dizer separado, partido, mas volta e meia apareciam círculos nos desenhos. Então, como sou atrevida, escrevi para Jung, perguntando se eram mandalas os círculos que os doentes pintavam. Levei um grande susto de felicidade quando recebi uma carta da secretária de Jung dizendo que o professor agradecia muito as mandalas. A partir daí comecei a trabalhar com os conceitos de Jung”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir dos contatos em Zurique com Carl Jung e Marie Louise Von-Franz, Nise introduziu e divulgou a psicologia junguiana no Brasil através de seus conceitos e inovadoras maneiras de tratamento do doente psiquiátrico. Ela iniciou o Grupo de Estudos C. G. Jung com o objetivo de estudar, propagar e utilizar os conceitos da Psicologia Analítica. O grupo promoveu seminários, publicação da revista ‘Quatérnio’ e pesquisas na área que deram origem a exposições, documentários, simpósios, publicações, conferências e cursos sobre terapêutica ocupacional, com destaque para a importância das imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nise foi ainda pioneira na pesquisa das relações afetivas entre pacientes e animais, aos quais chamava de co-terapeutas. Percebeu que seus pacientes, ao cuidarem de um animal abandonado, criavam laços afetivos estáveis que auxiliavam na reabilitação. Ela escreveu sobre esse processo em seu livro "Gatos A Emoção de Lidar", publicado em 1998. Em todos os seus campos de atuação (Casa das Palmeira, Museu do Inconsciete, Grupos de Estudos) a presença dos co-terapeutas era certa. Os cães e gatos ajudavam na terapia e no ambiente de trabalho de maneira a fornecer o equilíbrio de forças e tendências inconscientes. A relação entre pessoas e animais é essencialmente não verbal, e era por esta via que ela procurava captar as dificuldades de seus pacientes e mobilizar a partir daí as primeiras manifestações de cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nise da Silveira continuou buscando a metalinguagem (além da linguagem) utilizada pelos esquizofrênicos em suas pinturas, opondo-se aos psicanalistas que afirmavam não haver transferência na esquizofrenia. Isso porque, segundo eles, o embotamento e distanciamento afetivo do doente não permitiam tal ligação. Nise não concordava com essa argumentação e insistia que o esquizofrênico busca uma maneira de criar uma ponte afetiva com o mundo através de suas pinturas e na relação com os animais. Para ela, a Psiquiatria deveria se familiarizar com a metalinguagem do esquizofrênico a fim de entender o significado dos seus símbolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria de Nise da Silveira sobre a terapia ocupacional era centrada na idéia de que se tratava de uma psicoterapia não verbal, podendo ser expressa com uma linguagem mais arcaica, universal e coletiva. A base teórica de sua argumentação era a Psicologia Analítica de Carl Jung. Nesse sentido, dizia Nise: “É, sobretudo, na psicologia junguiana que se pode encontrar base sólida para a compreensão da terapêutica ocupacional como psicoterapia de nível não verbal. A psique é na sua origem, diz Jung, uma função do sistema nervoso difundida em todo o corpo e cujo centro, filogeneticamente, não se achava na cabeça, porém no ventre, nas suas massas ganglionares. O plexo solar, no conceito de Jung, seria a primeira localização psíquica [...] se o plexo solar e o plexo cardíaco são centros psíquicos rudimentares, poder-se-á admitir que no curso da primeira infância traços mnêmicos de forte carga afetiva aí se acumulem. Será difícil, através do instrumento verbal, mobilizar esses afetos tão profundamente depositados e traze-los à consciência. O mais simples e o mais eficaz será o declive que a espécie humana sulcou durante milênios para exprimi-los: a dança, as representações mímicas, a pintura, a escultura, a música. O contato, a comunicação com o psicótico terá um mínimo de probabilidade de efetivar-se se pretendermos iniciá-las no nível verbal das nossas habituais relações entre pessoas. Isso só ocorrerá quando o processo de cura já se achar bastante adiantado. O médico que deseje comunicar-se e compreender o seu doente terá de partir do nível não verbal. É aí que se insere a ocupação terapêutica.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nise da Silveira faleceu em 30 de outubro de 1999, na cidade do Rio de Janeiro, depois de praticamente um século dedicado a seus pacientes e seguidores. Para a médica, pensadora e realizadora, “sob o impacto de afetos intensos, o inconsciente se reativa em proporções extraordinárias ameaçando submergir o ego consciente. Mas tão grande regressão ameaçando a preservação da vida provoca impulsos compensatórios que partem do próprio inconsciente, impulsos que impelem a titubeante consciência para a luz. O inconsciente é o ventre escuro que aconchega, mas também todo ventre tende a parir. A consciência nasce do inconsciente." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em reconhecimento por seu importante trabalho, Nise da Silveira recebeu condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento: saúde, educação, arte e literatura. Foi membro fundador da Sociedade Internacional de Psicopatologia da Expressão, com sede em Paris. Seu trabalho e principalmente o exemplo de seus princípios inspiraram a criação de Museus, Centros Culturais e Instituições Psiquiátricas no Brasil e no exterior. O brilhante poeta Carlos Drummond de Andrade destaca: "Sem pretensão de formar criadores no sentido que lhes atribui a disciplina estética. Sem querer aumentar o catálogo de nossos pintores, escultores, gravadores. Nise interroga o inconsciente e consegue que dele aflorem as representações artísticas espontâneas, prova de que nem tudo em seus autores é caos ou aniquilamento. Perduram condições geradoras de uma atividade bela, a serem devidamente estudadas visando ao benefício do homem futuro, tornando-o mais transparente em suas grutas interiores.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Site recomendado: &lt;a href="http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/"&gt;http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-7061864461129237009?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/JK_56M1Nuzs" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/7061864461129237009/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=7061864461129237009" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/7061864461129237009?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/7061864461129237009?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/JK_56M1Nuzs/nise-da-silveira-lidar-com-o-diferente.html" title="Nise da Silveira - Lidar com o diferente" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/02/nise-da-silveira-lidar-com-o-diferente.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0YGSH8zfip7ImA9WxVXFk4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-6546186485599793006</id><published>2009-02-14T17:15:00.002-02:00</published><updated>2009-02-14T17:18:49.186-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-14T17:18:49.186-02:00</app:edited><title>O Fator Tempo (2)</title><content type="html">&lt;a href="http://lavraalma.zip.net/images/O_tempo.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 349px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://lavraalma.zip.net/images/O_tempo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de um passeio pela importância do tempo englobando vários segmentos da vida das pessoas, atingindo o reinado de importância em trabalho, família, lazer, artes e amizade – nada mais prazeroso e refrescante do que verificar o assunto também com o auxílio da mitologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema babilônio Enuma Elisch é um importante documentário sobre a origem do mundo, tal como entendia a antiga população dessa cidade situada na Mesopotâmia, atual Iraque, podendo expressar as idéias dos antigos sumeros. A cidade foi fundada por volta de 2350 a.C. (a guerra de Tróia, marco mítico importante no mundo grego, somente ocorreu em 1200 a.C aproximadamente.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a narrativa, nas origens da vida existia um caos aquoso de duas entidades – uma masculina e outra feminina. Era o velho Apsu como um oceano primordial e Tiamat, a personificação do mar. Ela simbolizava o caos primário, ou o profundo e deu à luz os primeiros deuses cósmicos: Espaço, Tempo, Céu e Terra. Estes deuses começam a mover-se por conta própria, passam a cantar e a fazer barulho. Essa movimentação e ruído perturbam o adormecido Apsu o que leva Tiamat a resolver matar os deuses que perturbavam seu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que os deuses resolveram se defender. Marduck, o magnífico filho de Ea (deus da Sabedoria), é escolhido como líder para enfrentar as forças hostis. Tiamat deu à luz um exército inteiro de monstros chefiados por Kingu, que ela escolhe como seu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marduck solta os quatro ventos contra Tiamat, cercando-a por todos os lados. Assim ela é capturada com uma rede. Marduck usa uma espada e a desmembra, resultando desse corpo despedaçado as partes da Terra, isto é, as montanhas, os rios, etc. Mas Tiamat é imortal por ser uma deusa e os monstros do caos escapam da punição. Apenas Kingu é morto e, com seu sangue, Marduck cria a raça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse ponto, o homem tem que sofrer a tensão entre caos e cosmos e a culpa resultante de seu conflito para que os deuses possam ficar em paz. E ainda se fez necessário que o homem presenteasse os deuses com oferendas de incenso e comida para sustentá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se encerra o conto que nos mostra a percepção da importância, desde aquela época, da formação da consciência para o homem. Como criatura deficiente, sua sobrevivência na natureza se deveu a essa capacidade, pois o mesmo não possuía armas naturais de proteção, como ocorre com os animais. Percebe-se, assim, que essa formação surge com o símbolo do herói Marduck e que os deuses cósmicos são imprescindíveis na formação e na tomada de consciência do homem, mais precisamente nos componentes Espaço, Tempo, Céu e Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes dois últimos simbolizam internamente a capacidade ou componente feminino e masculino (Yin, Yang), eros e logos, relação e discriminação, ligação e separação, sol e lua, dia e noite, análise e holismo, pensamento e sentimento. Em termos de manifestação exterior, remete ao instinto de sobrevivência da espécie, a atividade sexual com a separação macho-fêmea. Esta questão mostra a problemática do convívio íntimo entre as pessoas, fonte de muitos problemas e histeria na época do puritanismo vitoriano, mas hoje com os valores melhor definidos, mesmo que apenas mais satisfatoriamente resolvidos. Mas certamente há mais liberdade e honestidade de propósitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão interior, a conjunção entre o consciente culturalmente masculino e o inconsciente feminino é sem dúvida de enorme importância, participando da definição sobre a qualidade de vida mental e espiritual de cada pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes fatores e o Espaço serão alvos de maior aprofundamento em outras oportunidades, pois a questão do Tempo torna-se aqui mais adequada e oportuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A inteligência humana não faz outra coisa senão repartir a realidade em pedaços cada vez menores (análise) e escolher entre eles (possibilidade de decisão)”. (*2, p. 21). Ao fazer uma opção, a pessoa descarta outras oportunidades. Se isso for realizado incondicionalmente, abre-se o caminho para a polaridade, ou seja, a percepção de apenas alguns componentes em prejuízo da totalidade da vida. O que se escolheu fica em primeiro plano, mas a outra opção permanece no pano de fundo. Ao dividirmos assim a unidade surge a noção de tempo, essa criação da consciência, significando contemplar uma coisa e depois a outra. Essa sucessão de detalhes escolhidos estabelece o fluxo do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses fatores de escolha tornam-se de uma importância fundamental, pois se concentrarmos em algumas opções sistemática e compulsivamente, perderemos outras. Administrar o tempo passa a ter de caráter quase divino, tal a sua importância para a consciência. A responsabilidade precisa ser assumida dentro dos padrões da consciência individual, sob pena de perda do controle do fluxo da vida e das opções. Quando uma pessoa diz solenemente que não tem tempo, está mostrando sua incapacidade e submetendo-se a alguns pontos que, mesmo sendo importantes, estão tiranizando a atenção em prejuízo da totalidade do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação crítica pode ser vivenciada em fases distintas na vida das pessoas. Entretanto, como um padrão de repetição, certamente trará conseqüências desagradáveis a longo prazo, muitas vezes conduzindo a processos de sofrimento e somatizações. Quem afirma não ter tempo disponível parece clamar por uma ajuda ou apoio, esquecendo-se de que uma análise do seu potencial interior para integrar a totalidade é o caminho mais natural e profícuo. As recompensas externas são importantes, mas não suficientes para que o quadro volte ao mínimo de harmonia mais realista e duradoura. Enquanto não for reconhecida de fato a situação limite a que se chegou, nada poderá ser modificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo materialista e consumista do mundo atual colabora com esse cenário que pode levar para a depressão, a neurose e a perda do sentido de vida. A natureza não deixa passar impunes as agressões e contenções dos componentes instintivos e irracionais que participam da vida. A racionalização de que é necessário suprir a vida sempre com conquistas e trabalho exterior funciona como verdadeira agressão ao mundo inconsciente e corporal. Há sempre um preço a pagar quando deixamos de considerar as necessidades da vida, que precisa fluir mais plenamente. Não ter tempo é o mesmo que não ter vida e uma rendição a apenas alguns dos seus aspectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Enuma Elisch mostra a importância universal dos “deuses” formadores da consciência que precisam ser respeitados. A sua criação, tanto para os povos antigos como para os bebês modernos, apresenta conflitos, movimento e barulho que tumultuam o estado inicial de imobilismo e dependência. Isso desperta o “mundo dos monstros” do inconsciente e os instintos devoradores. Mas surge o herói Marduck com o vento que simboliza o espírito renovador e vivificante, conseguindo jogar a sua rede e dominar a indiferenciação perigosa do mundo do inconsciente maternal. Ele faz a divisão com o uso da espada, símbolo masculino da diferenciação, da separação e da discriminação para melhor analisar e conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os deuses têm interesses em que o homem amplie sua consciência, já que isso parece ser-lhes benéfico. O homem luta contra o caos no lugar dos deuses, esta é a sua verdadeira adoração. Assim o homem se torna ciente de que é diferente dos deuses e que não pode a eles se igualar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consciência traz a capacidade de refletir (do latim reflectere) e isso significa flexionar para trás, isto é, tornar-se ciente da própria condição. A criação precisa tornar-se consciente de si própria. Isso seria honrar o criador e a demanda de adorar os deuses, administrando os conflitos e estabelecendo as prioridades para a ação. E isso só é possível através do contato com o próprio interior onde estão os deuses e a centelha divina (Si-mesmo, Self).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tempo (um dos deuses cósmicos) precisa ser honrado, respeitado e reverenciado, o que se mostra essencial para a maior saúde psíquica que também se manifesta através da qualidade de vida. A administração do Tempo deve merecer nossa elevada prioridade se quisermos alcançar uma vivência mais plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;(1) JACOBY, Mario. Conferências em Zurique. 1971.&lt;br /&gt;(2) DETHLEFSEN T e DAHLKE R. A Doença como Caminho. São Paulo: Cultrix, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-6546186485599793006?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/jLQ5JF8G8oc" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/6546186485599793006/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=6546186485599793006" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6546186485599793006?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6546186485599793006?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/jLQ5JF8G8oc/o-fator-tempo-2.html" title="O Fator Tempo (2)" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/02/o-fator-tempo-2.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkAFRH0yfyp7ImA9WxVXEk0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-7673565024202220151</id><published>2009-02-09T10:02:00.004-02:00</published><updated>2009-02-09T17:45:15.397-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-09T17:45:15.397-02:00</app:edited><title>O fator tempo (1)</title><content type="html">&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hrNaWIRn3_U/SNu-7CcFIrI/AAAAAAAAAFs/VTrk2mSziw4/s400/tempo.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hrNaWIRn3_U/SNu-7CcFIrI/AAAAAAAAAFs/VTrk2mSziw4/s400/tempo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;O tempo cronológico, também chamado de linear, é um dos aspectos mais importantes do estilo de vida atual. Tantos são os afazeres, as tarefas, os projetos que a vida se esvai inexorável e insistentemente. A gíria “Estou correndo atrás....”, é a imagem que nos remete à dolorosa realidade de pessoas que não conseguem articular e desenvolver aquilo que julgam precisar. Para aumentar ainda mais o grau de ansiedade, dizem que a ciência comprovou que o tempo está realmente acelerado, fazendo com que as pessoas se sintam ainda mais devedoras de novas tarefas e futuras atividades. Assim, aumenta o desgaste e a sensação de incapacidade para realizar o que é necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de tempo está se tornando um mito moderno que serve de pretexto para nos desvencilharmos de compromissos relacionados com as relações humanas e atividades comuns da vida cotidiana. Tudo isso passa a influenciar a qualidade de vida, a saúde, aumentando a sensação de desgaste e solidão. Nesse ritmo, fica patente que as relações pessoais passam a ficar em segundo plano, assim como há evidência de que temos dificuldades em priorizar nossos próprios interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, surgem alguns movimentos questionadores desse ritmo de vida apressado, de forma a valorizar o estilo mais lento e autêntico. Como exemplo, após a dominação do conceito de comida muito rápida para se ganhar tempo, surge a tendência ainda localizada e incipiente de retorno ao tipo de alimentação natural e que incorpore um ritmo mais lento. São pequenos indícios de que nem tudo está perdido; há salvação nessa correria desenfreada! Entretanto, verdadeiros desafios para ordenar as atividades não constituem invenção da modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Grécia antiga, a “tecné” tinha os componentes de arte e criação, sem privilegiar quantidade ou linha de produção. Valorizava-se a liberação de mais tempo para lazer, festividades, poesia, teatro, festas pagãs e religiosas. O desenvolvimento da medicina ocorreu em Epidauro, centro de tratamento que incluía os fatores do corpo e da mente. Era importante a prática de atividades que trouxessem satisfação e prazer, assim como era valorizada a disponibilidade para o ócio. Sem esse tempo livre não poderia haver saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grego levava esse assunto tão a sério que só algo muito importante o convencia a negar o ócio, ou seja, precisava de argumentos sólidos e consistentes para sair e fazer um “negócio”. Atualmente esta equação parece estar totalmente invertida, com elevado valor em se fazer sempre bons negócios. E o tempo disponível para a saúde física, mental e espiritual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo do trabalho é absolutamente necessário, mas não podemos ter nossa identidade formada com o predomínio absoluto dos aspectos profissionais (persona!). Assim, a primeira pergunta que se faz a outra pessoa que se conhece diz respeito à sua profissão. Esta curiosidade é natural e complementar, mas não podemos descrever, compreender ou limitar o ser humano apenas por sua atividade de trabalho. A própria etimologia da palavra “trabalho” vem do latim “tripalium”, que significa instrumento de tortura, do mesmo modo que labor significa sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho não é um problema em si, mas sim o que estamos fazendo com ele. O mesmo dignifica o ser humano, mas precisa constituir-se também em fonte de prazer e de liberdade. Em muitos casos ele é transformado em atividade enfadonha, cansativa, causadora de mortes, doenças e insatisfações. E as pessoas não são apenas “recursos humanos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra “ócio” apresenta outros desdobramentos que não apenas o pejorativo tão habitualmente utilizado. A sua etimologia mostra que ela vem do grego “skolé”, originando no latim o termo “schola”, que significa “escola” em português. Como “trabalho” está associado com negar o ócio, diz-se que Filosofia, Ciência e Arte são filhas do ócio, ou seja, da “Escola”. São assim atividades que podem privilegiar o ser humano integral e não apenas o seu componente produtivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão grega das atividades e do próprio mundo era integradora, contemplando todos os aspectos conhecidos. E não vamos ao encontro dessa visão para desmerecer o trabalhar e sim mostrar que ele pode ser integrado com outros interesses e atividades para o ser humano, de maneira a trazer benefícios para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola atual nos remete à idéia mais abrangente de educação, atividade que deveria ser mais valorizada como referência da sociedade em preparar os cidadãos para a vida. Há a preocupação em ampliar o conhecimento histórico-cultural-científico, mas grande omissão em valorizar os aspectos humanos e ensinamentos como o estabelecimento de metas e prioridades individuais e coletivas, como também na administração de tempo e energia. Nesse prisma, a discussão em torno do ensino religioso poderia abranger aspectos mais amplos e espirituais de realização do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quaisquer obras e realizações das pessoas, entretanto, pressupõem um planejamento de atividades que leve em conta a administração do fator tempo. Esse é um ponto crítico atual, pois o progresso, o conhecimento e as novas tecnologias parecem despertar sempre mais e maiores necessidades nas pessoas. E assim aperta-se esse círculo de exigências auto-impostas, aumentando as preocupações por mais atividades e menos tempo disponível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poetas e os artistas sempre apreciaram a exploração do tema. Um exemplo de Gilberto Gil, realçando este fator no trono da elevada importância nas vivências:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEMPO REI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me iludo, tudo permanecerá do jeito&lt;br /&gt;Que tem sido, transcorrendo, transformando&lt;br /&gt;Tempo e espaço navegando todos os sentidos&lt;br /&gt;Pães de Açúcar, Corcovados&lt;br /&gt;Fustigados pela chuva e pelo eterno vento&lt;br /&gt;Água mole, pedra dura&lt;br /&gt;Tanto bate que não restará nem pensamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei, transformai as velhas formas do viver&lt;br /&gt;Ensinai, ó Pai, o que eu ainda não sei, mãe senhora do Perpétuo socorrei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamento, mesmo fundamento singular&lt;br /&gt;Do ser humano, de um momento para o outro&lt;br /&gt;Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mães zelosas, pais corujas&lt;br /&gt;Vejam como as águas de repente ficam sujas&lt;br /&gt;Não se iludam, não me iludo&lt;br /&gt;Tudo agora mesmo pode estar por um segundo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O alerta da transitoriedade nos toca a sensibilidade pelo lado artístico. A concentração plena no trabalho e nas personas nos afasta dos amigos, da família e da vida mais plena. E tudo pode estar por um segundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano Veloso alça o tempo além de um reino, como um dos deuses mais lindos. Conseguirá o ser humano fazer acordo com ele?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ORAÇÃO DO TEMPO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És um senhor tão bonito&lt;br /&gt;Quanto a cara do meu filho&lt;br /&gt;Vou te fazer um pedido&lt;br /&gt;Compositor de destinos&lt;br /&gt;Tambor de todos os ritmos&lt;br /&gt;Entro num acordo contigo&lt;br /&gt;Por seres tão inventivo&lt;br /&gt;E pareceres contínuo&lt;br /&gt;Tempo, tempo, tempo, tempo&lt;br /&gt;És um dos deuses mais lindos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sejas ainda mais vivo&lt;br /&gt;No som do meu estribilho&lt;br /&gt;Tempo, tempo, tempo, tempo&lt;br /&gt;Ouve bem o que eu te digo&lt;br /&gt;Peço-te o prazer legítimo&lt;br /&gt;E o movimento preciso&lt;br /&gt;Quando o tempo for propício&lt;br /&gt;De modo que o meu espírito&lt;br /&gt;Ganhe um brilho definitivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo, tempo, tempo, tempo&lt;br /&gt;E eu espalhe benefícios&lt;br /&gt;O que usaremos pra isso&lt;br /&gt;Fica guardado em sigilo&lt;br /&gt;Apenas contigo e comigo&lt;br /&gt;E quando eu tiver saído&lt;br /&gt;Para fora do teu círculo&lt;br /&gt;Não serei nem terás sido&lt;br /&gt;Ainda assim acredito&lt;br /&gt;Ser possível reunirmo-nos&lt;br /&gt;Num outro nível de vínculo&lt;br /&gt;Portanto peço-te aquilo&lt;br /&gt;E te ofereço elogios&lt;br /&gt;Nas rimas do meu estilo&lt;br /&gt;Tempo, tempo, tempo, tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Obs.&lt;/strong&gt; O próximo artigo será continuação deste e poderá não ser remetido para a lista de emails, mas estará disponível no em &lt;a href="http://kairos800.blogspot.com/"&gt;http://kairos800.blogspot.com/&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Participe conosco. Comente, dê sugestões.......... é importante para nós saber como os artigos estão sendo recebidos por você! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Obs.&lt;/strong&gt; Recebemos de uma pessoa "anônima" a sugestão de fazer um artigo sobre um certo poeta português de nome provável José Vicente Carvalho. Houve um problema técnico ao manusear o texto no blog e a sugestão foi perdida. Solicitamos que a pessoa interessada confirme esse nome ou o corrija, por  favor, para que possamos verificar a possibilidade de um texto  sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-7673565024202220151?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/aYeM_4TfNeo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/7673565024202220151/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=7673565024202220151" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/7673565024202220151?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/7673565024202220151?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/aYeM_4TfNeo/o-fator-tempo-1.html" title="O fator tempo (1)" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_hrNaWIRn3_U/SNu-7CcFIrI/AAAAAAAAAFs/VTrk2mSziw4/s72-c/tempo.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/02/o-fator-tempo-1.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkAGQHk5fyp7ImA9WxVQF0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-3877191193173192068</id><published>2009-02-04T21:03:00.001-02:00</published><updated>2009-02-04T21:05:21.727-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-04T21:05:21.727-02:00</app:edited><title>Aedos e rapsodos - 2  Manuel Bandeira</title><content type="html">&lt;a href="http://www.demetrioesculturas.com/2007/images/stories/bandeiraweb.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 425px; CURSOR: hand; HEIGHT: 567px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.demetrioesculturas.com/2007/images/stories/bandeiraweb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aedos e rapsodos - 2 Manuel Bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando a série de artigos em homenagem aos poetas brasileiros, falaremos de Manuel Bandeira, que contemplou os amantes da poesia com o belíssimo livro “Estrela da Vida Inteira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Bandeira foi um dos mais admirados escritores nacionais, inspirando muitos novos poetas e compositores. Bandeira possuia um estilo simples, direto e suave, talvez o mais lírico dentre os poetas brasileiros. Abordava temáticas cotidianas e universais, lidando com formas e inspirações do dia-a-dia. Como profundo conhecedor de literatura, utilizou temas simples usando formas inspiradas nas tradições clássicas e medievais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo&lt;br /&gt;Quero apenas contar-te a minha ternura&lt;br /&gt;Ah! Se em troca de tanta felicidade que me dás&lt;br /&gt;Eu te pudesse repor&lt;br /&gt;- Se eu soubesse repor –&lt;br /&gt;No coração despedaçado&lt;br /&gt;As mais puras alegrias de tua infância.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886. Aos dezoito anos o autor soube que estava tuberculoso, tendo por este motivo abandonado suas atividades e buscado novas localidades com clima mais apropriado para cuidar de sua saúde. Passou temporadas em diversas cidades: Teresópolis, Maranguape, Uruquê, Quixeramobim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;".... - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. - Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? - Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1917, publicou seu primeiro livro: A cinza das horas, numa edição de 200 exemplares custeada pelo autor. Bandeira sofria de certa melancolia e angústia pelos riscos de vida em pela falta de tratamento específico que significava a tuberculose naquela época. A todo momento e lugar a morte rondava sua obra poética. Sua poesia conjugava seu drama pessoal e o conflito de estilos poéticos daquela momento histórico (1922 – Movimento Modernista). Isto se faz conhecer em poemas suaves, quando inesperadamente, comentários mordazes interrompem a fluência dos versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sou bem nascido. Menino,&lt;br /&gt;Fui, como os demais, feliz.&lt;br /&gt;Depois, veio o mau destino&lt;br /&gt;E fez de mim o que quis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio o mau gênio da vida,&lt;br /&gt;Rompeu em meu coração,&lt;br /&gt;Levou tudo de vencida&lt;br /&gt;Rugiu como um furacão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Turbou, partiu, abateu,&lt;br /&gt;Queimou sem razão nem dó –&lt;br /&gt;Ah! Que dor!&lt;br /&gt;Magoado e só,&lt;br /&gt;- Só! – Meu coração ardeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ardeu em gritos dementes&lt;br /&gt;Na sua paixão sombria....&lt;br /&gt;E dessas horas ardentes&lt;br /&gt;Ficou esta cinza fria.&lt;br /&gt;- Esta pouca cinza fria....”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1940 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, quando passou a lecionar literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia. Era o amigo dos amigos e sofria cada vez que Mario Quintana perdia sua indicação para Academia de Letras. Em poesia esperava por Guimarães Rosa para o chá das cinco. Como Rosa achasse que iria morrer quando ali tomasse posse, adiou ao máximo o momento de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não permita Deus que eu morra&lt;br /&gt;Sem que ainda vote em você,&lt;br /&gt;Sem que, Rosa amigo, toda&lt;br /&gt;Quinta-feira que Deus dê&lt;br /&gt;Tome chá lá na Academia&lt;br /&gt;Ao lado de vosmecê,&lt;br /&gt;Rosa dos seus e dos outros&lt;br /&gt;Rosa da gente e do mundo,&lt;br /&gt;Rosa de intensa poesia&lt;br /&gt;De fino olor sem segundo;&lt;br /&gt;Rosa do rio e da rua&lt;br /&gt;Rosa do sertão profundo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeticamente, em seu livro Grande Sertão: Veredas, Rosa respondeu num diálogo imaginário:&lt;br /&gt;“ Amor vem de amor. Amizade dele, ele me dava e amizade dada é amor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que respondeu Manuel Bandeira em tom de pedido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondo a Guimarães Rosa&lt;br /&gt;Em pé de romance assim:&lt;br /&gt;Vou pedir ao Maçarico&lt;br /&gt;Vou pedir ao Miguilim&lt;br /&gt;Que a mano Rosa eles digam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Rosa não seja ruim&lt;br /&gt;Faça a vontade do bardo&lt;br /&gt;Ainda que bardo chinfrim”&lt;br /&gt;E eu secundo mano Rosa&lt;br /&gt;Rosa, rosai, rosae, rosoe,&lt;br /&gt;Vou aos meus dias pôr fim&lt;br /&gt;Antes, porém, me prometa,&lt;br /&gt;Pelo senhor do Bonfim&lt;br /&gt;Que a minha futura vaga&lt;br /&gt;Você se apresenta, sim?&lt;br /&gt;Muito saldar a Riobaldo,&lt;br /&gt;Igualmente a Diadorim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bandeira, que sofreu a vida inteira pela possível iminência de morte devido a tuberculose, viveu para ver seu amigo Rosa falecer logo após tomar posse na Academia Brasileira de Letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus poemas se mantêm entre a dor suprema e a alegria extremada compensatória. Seus objetos de desejo eram inalcansáveis e o prazer não se encontrava na satisfação do desejo, mas na excitação do abandono e da perda. Bandeira adotou formas modernistas, abandonando a métrica tradicional e promovendo o verso livre, de forma a acompanhar a tendência do Movimento Modernista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemorou 80 anos em 1966, quando lançou os livros Estrela da Vida Inteira (poesias completas e traduções de poesia) e Andorinha Andorinha (seleção de textos em prosa, organizada por Carlos Drummond de Andrade). No dia 13 de outubro de 1968 morreu o corpo do poeta Manuel Bandeira, mas a sua poesia ficou e perdurará para marcar a trajetória de um dos grandes expoentes brasileiro na literatura do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tu que me deste o teu carinho&lt;br /&gt;E que me deste o teu cuidado,&lt;br /&gt;Acolhe ao peito, como um ninho&lt;br /&gt;Acolhe o pássaro cansado,&lt;br /&gt;O meu desejo incontentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há longos anos ele almeja&lt;br /&gt;Em aflita escuridão&lt;br /&gt;Sê compassiva e benfazeja&lt;br /&gt;Dá-lhe o melhor que ele deseja&lt;br /&gt;-Teu grave e meigo coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sê compassiva se algum dia&lt;br /&gt;Te vier do pobre agravo e mágoa&lt;br /&gt;Atenue a sua dor sombria&lt;br /&gt;Perdoa o mau que desvaria&lt;br /&gt;E traz os olhos rasos de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te retires ofendida&lt;br /&gt;Pensa que nesse grito vem&lt;br /&gt;O mal de toda a minha vida&lt;br /&gt;Ternura, inquieta e malferida&lt;br /&gt;Que, antes, não dei nunca a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi melhor nunca a ter dado:&lt;br /&gt;Em te pungindo algum espinho&lt;br /&gt;Cinge-a ao teu seio angustiado&lt;br /&gt;E sentirás meu coração&lt;br /&gt;E sentirás o meu cuidado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-3877191193173192068?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/-yvYATnCH6Y" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/3877191193173192068/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=3877191193173192068" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/3877191193173192068?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/3877191193173192068?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/-yvYATnCH6Y/aedos-e-rapsodos-2-manuel-bandeira.html" title="Aedos e rapsodos - 2  Manuel Bandeira" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/02/aedos-e-rapsodos-2-manuel-bandeira.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkQERn06eyp7ImA9WxVQFEQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-8145881284527880786</id><published>2009-02-01T12:23:00.001-02:00</published><updated>2009-02-01T12:25:07.313-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-01T12:25:07.313-02:00</app:edited><title>Mário Quintana</title><content type="html">O último artigo, sobre Mário Quintana, foi publicado com algumas incorreções. Pedimos desculpas por isso e informamos que o texto foi modificado e corrigido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-8145881284527880786?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/YoA37c0JWfY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/8145881284527880786/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=8145881284527880786" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/8145881284527880786?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/8145881284527880786?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/YoA37c0JWfY/mario-quintana.html" title="Mário Quintana" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/02/mario-quintana.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkYMQHc-eyp7ImA9WxVQFEQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-6226514715428414402</id><published>2009-01-28T09:49:00.004-02:00</published><updated>2009-02-01T12:23:01.953-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-02-01T12:23:01.953-02:00</app:edited><title>Aedos e Rapsodos   -   Mário Quintana</title><content type="html">&lt;a href="http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/455145.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 375px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/455145.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O começo, o início de alguma criação é sempre bem instigante e nebuloso. O conhecimento humano, desde sempre inspira estudiosos que propõem o princípio com o estado caótico evoluindo para algo mais estruturado – o cosmo. Muito do conhecimento da civilização ocidental se deve ao trabalho incessante dos poetas e declamadores (aedos e rapsodos) que tornaram possível a permanência dos saberes primordiais. Eles participavam ativamente da sociedade grega, usando as praças públicas para contar em versos as façanhas e estórias dos ancestrais. Foi conhecendo estas poesias que Homero e Hesíodo compuseram as epopéias que nos fazem conhecedores das sagas e lendas dos primeiros homens que habitaram a Grécia, berço da civilização ocidental. Homero e Hesíodo foram os primeiros a usar a linguagem escrita no mundo ocidental. A partir desse ponto, em incontáveis épocas e regiões do mundo, inúmeros poetas criaram e descreveram originalmente situações ou momentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos primórdios da escrita, ainda na fase mito-poética, o poeta era chamado de “fingidor”, pois ele utilizava as falas de suas personagens para se referir a possíveis diálogos com reis, aristocratas e deuses. Assim como um sonhador, conseguia se antecipar ao seu tempo, percebendo e intuindo os acontecimentos antes de terem ocorrido. Sua aguçada percepção era usada na poesia para falar ao coração dos homens sobre temas que ainda não eram perfeitamente conhecidos e que apontavam para possibilidades futuras do inconsciente da população. Os poetas, brincando com as palavras e colocando intensa emoção, desafiavam a passagem do tempo cronológico, dando voz aos sentimentos e sensações de toda uma cultura ou sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em todas as épocas e lugares os poetas estiveram presentes, marcando cada momento histórico. Muitos estudiosos consideram os poetas seres divinizados, pois como um deus eles concebem algo através das palavras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São muitos os poetas brasileiros que tornam nossa leitura interessante e profundamente rica. Para começarmos a falar de poesia brasileira, Mario Quintana, o gaúcho impertinente, sarcástico e bem humorado inicia uma série de artigos em homenagem a estes grande escritores que nos fazem sonhar e admirar o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nada mais adequado que o próprio Quintana se descrever e assim começarmos a nos acostumar com seu humor ferino e bem dosado. “O ironista se julga superior às suas personagens; o humorista, nunca. O primeiro diverte-se à custa alheia e o último à sua própria custa.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;MARIO QUINTANA POR MARIO QUINTANA – “nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.” (texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há! Mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci do rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As poesias de Quintana possuem a feliz característica da espontaneidade, pois o poeta fala e escreve seus sentimentos sem meias palavras ou medidas. Talvez por isso mesmo, foi tão respeitado e admirado como um grande homem e um magnífico poeta. Suas poesias são consideradas verdadeiras conspirações entre o autor e o leitor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Eu amo o mundo!&lt;br /&gt;Eu detesto o mundo!&lt;br /&gt;Eu creio em Deus!&lt;br /&gt;Deus é um absurdo!&lt;br /&gt;Eu vou me matar!&lt;br /&gt;Eu quero viver! - Você é louco? - Não, sou poeta.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“A poesia é o mistério evidente.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Todas as artes são manifestações diversas da poesia – inclusive, às vezes, a própria poesia.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sua vida foi dedicada a colocar em versos os fatos cotidianos e aqueles só imaginados e intuídos. Seus poemas são dotados de beleza nas palavras e, principalmente de emoção e sentimento. As palavras dosadas e usadas para essencialmente decodificar a mensagem que a poesia se propõe. Sua linguagem é direta, sem muitos floreios ou meias-palavras, o que facilita o entendimento. Quintana parte do princípio que as palavras simples bem usadas são mais eficientes que a erudição sem conteúdo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras!” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em uma carta resposta, Mario Quintana fala sobre poesia, em como fazê-la e como apreciá-la. É com sinceridade característica que expõe o que é fazer e como escolher a leitura a um novo discípulo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar. O poema, não; descreve uma parábola traçada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje........................... Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que, no entanto me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mario Quintana foi um autor de personalidade, admirado e respeitado por seus pares. Dedicou-se à literatura como só um poeta sabe fazê-lo. Entre seus admiradores estavam grandes intelectuais da época: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se te contradisseste e acusam-te....sorri&lt;br /&gt;Pois nada houve, em realidade&lt;br /&gt;Teu pensamento é que chegou, por si,&lt;br /&gt;Ao outro pólo da verdade......”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Enquanto houver poetas, haverá esperança no mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Bandeira esperava e torcia por sua entrada para Academia Brasileira de Letras, fato que não ocorreu. Perdida a terceira indicação para a Academia, compôs com seu aguçado e conhecido humor e sarcasmo o: ‘Poeminho do Contra’ (Prosa e Verso, 1978).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos esses que aí estão&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atravancando meu caminho,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eles passarão...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu passarinho!” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos, faleceu o corpo do poeta e escritor Mario Quintana. Um poeta jamais morre, ele vive enquanto seus versos existirem, ou nas palavras do poeta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando um grande poeta morre, sente-se esta súbita parada no coração do mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Repara como o poeta humaniza as coisas: dá hesitação às folhas, anseio ao vento. Talvez seja assim que Deus dá alma aos homens.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem faz um poema abre uma janela.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez o poeta brincou com a existência, escrevendo sobre a morte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira".E, brincando com a morte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos". &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-6226514715428414402?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/3g8creNOcPU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/6226514715428414402/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=6226514715428414402" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6226514715428414402?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/6226514715428414402?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/3g8creNOcPU/aedos-e-rapsodos-mario-quintana.html" title="Aedos e Rapsodos   -   Mário Quintana" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/01/aedos-e-rapsodos-mario-quintana.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0MNQ3w8eyp7ImA9WxVRFEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-7219006525227687025</id><published>2009-01-20T17:46:00.003-02:00</published><updated>2009-01-20T17:58:12.273-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-01-20T17:58:12.273-02:00</app:edited><title>Os gregos estão de volta</title><content type="html">&lt;a href="http://www.promarket.com.br/mediac/400_0/media/Valores2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 393px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.promarket.com.br/mediac/400_0/media/Valores2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;OS GREGOS ESTÃO DE VOLTA &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este primeiro artigo do ano apresentará alguns pontos das nossas atividades e mostrará, na sequência, um resumo de artigo publicado no jornal O GLOBO (17 janeiro 2009, Caderno ELA) com o título OS GREGOS ESTÃO DE VOLTA. Neste início de um novo ano, percebemos certo retorno dos valores gregos atuando na sociedade e na cultura, ganhando destaque na mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é portanto o ponto de reinício dos nossos artigos e vamos diretamente a alguns pontos gerais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) GRUPOS DE ESTUDOS. Há articulações diversas no sentido de fechar grupo de estudos nos módulos de INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA JUNGUIANA e também MITOLOGIA GREGA. Os encontros semanais são dinâmicos, colaboram para aspectos culturais e de autoconhecimento, como também para a discussão em grupo de aspectos das vivências humanas à luz dos conhecimentos da psicologia e da mitologia. São grupos de 6 a 8 pessoas que se reúnem em dois turnos de 1h e 15min, com um pequeno intervalo. Os períodos disponíveis são as noites de terças, manhãs e tardes de quartas. Quem tiver interesse pode solicitar mais detalhes por email, como indicado no blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) EVENTOS sobre nosso livro. Tivemos dois eventos sobre o nosso livro: na livraria Argumento do Rio Design Barra e na FNAC do Barrashopping. Agradecemos aos amigos a presença e também o estímulo. É muito importante perceber que pessoas usufruem e colaboram com os assuntos e temas desenvolvidos. Deixamos alguns volumes disponíveis em São João del-Rei(MG) com Lurdinha (Largo do Rosário, 74).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) CURSO DE FÉRIAS. Está em pleno andamento esta atividade na Universidade Estácio de Sá. As turmas de A LINGUAGEM SECRETA DOS SONHOS e INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA JUNGUIANA estão em pleno andamento num ritmo tranqüilo e ao mesmo tempo vibrante, com a participação estimulante de bom número de pessoas. Em julho a atividade deverá ocorrer novamente nos Campus Akxe e Tom Jobim (Barra da Tijuca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) ARTIGOS NO BLOG. É importante que as pessoas se cadastrem para recebê-los. Entretanto o envio para os endereços pessoais ocorrerá em números alternados. Assim, as pessoas poderão acessar o blog para a leitura daqueles não enviados. E poderão perceber notícias e novidades, como também fazer comentários e sugestões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) OS GREGOS ESTÃO DE VOLTA (O Globo, 17 jan 09). Resumo do artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a crise bate, a tendência é buscar a solução nos ensinamentos da Grécia. Assim, retomam-se antigos valores gregos na moda, na culinária, na forma de pensar o mundo e em outras vertentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o homem pode alcançar a felicidade? Qual o sentido da vida? Estas e tantas outras perguntas feitas pelos (filósofos) gregos estão na ordem do dia. Há um crescente número de cursos diversos sobre o tema Grécia, ocorrendo inclusive listas de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo Fernando Muniz explica que o retorno aos gregos é cíclico e surge em momentos de crise, como o atual. Mas por que será que, desde o Renascimento, há esse retorno cíclico aos gregos? Frisando que só retornamos porque viemos de lá, o mencionado filósofo diz que nossas origens têm raízes nos gregos. E acha que a tentativa de retornar a eles ocorre quando estamos buscando um ponto de partida. Uma busca que é praticamente uma viagem.&lt;br /&gt;- É curioso, porque o retorno é um tema grego. A Odisséia é a história do retorno e também do reconhecimento, explica. Quando volta para Ítaca, Odisseu se perde e é exatamente ao se perder que ele acaba se reconhecendo e voltando para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esse autor, quando retornamos aos gregos, de certa forma queremos voltar para casa. Não em busca daquilo que nos é familiar, mas de um lugar onde exista outra possibilidade de vida.&lt;br /&gt;- Então não é uma volta ao passado, mas uma projeção para o futuro. Nós queremos ir até onde eles estão e, nesse sentido, eles estão muito além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando que o momento atual é de muito vazio, algo inabitável, ele diz que voltar aos gregos é também apreender a experiência de um passado riquíssimo que possibilita entender o mundo, os outros e nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um viés psicanalítico, o autor alerta para que não nos atiremos numa busca narcisista.&lt;br /&gt;- Não podemos querer encontrar nos gregos aquilo que já somos. Nesse sentido a Odisséia é modelar. Para Odisseu (Ulisses) se reconhecer, foi preciso que, de certa maneira, ele se perdesse. Para encontrar outra possibilidade, é preciso se perder. E os gregos nos oferecem essa oportunidade porque são diferentes de nós. Eles pensavam, viam e sentiam completamente diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Muniz, fomos reconduzidos a um individualismo egoísta, em que os próprios desejos e satisfações são moedas de troca. E, ao mesmo tempo em que isso é uma evidência inegável, há uma percepção, principalmente na juventude, do quanto isso é insuportável em termos de vida. Surge uma tentativa de encontrar modos de construção de uma forma digna de viver. – De que maneira eu posso tornar minha existência digna, um valor não comercializável, ou seja, a vida não no sentido fisiológico, mas no sentido ético? Esse senso de dignidade da vida se perdeu. A dignidade como comportamento ético, mais ou menos inspirada na citação de Sócrates: Uma vida que não se examina não merece ser vivida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vazio que sentimos hoje nos coloca em sintonia com os gregos. Porque ao pensar neles invocamos o aspecto trágico da existência, a compreensão da vida a partir dela mesma.. E como estamos diante de um futuro muito tenebroso, nossos jovens que olham esse horizonte e acabam tendo pouca razão para ter qualquer tipo de sonho, otimismo ou utopia. Dessa forma, experimentam um desamparo diante da vida que se aproxima da cultura trágica. Esse espetáculo da fragilidade humana, que é a tragédia, segundo esse filósofo, hoje encontra público numa juventude desiludida diante do mundo. Para ele, os alunos hoje sentem uma identificação com esse universo, achando que com os gregos eles se sentem acompanhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o escritor e psicanalista Carlos Eduardo Leal, os gregos estão de volta simplesmente porque foram eles que levantaram as melhores perguntas sobre o ser humano e pensaram como respondê-las. - Questionamentos sobre a tranquilidade, felicidade e ética são fundamentais e até hoje estão sem respostas. Portanto, voltar à sabedoria grega é buscar respostas para nossa angústia recorrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Leal, o terceiro milênio não trouxe as respostas que muitos esperavam. Seja do ponto de vista religioso, psicanalítico, ético/moral. Faltam caminhos que guiem o homem, e ele tem consciência de que a psicanálise não dá respostas, porém sua experiência expõe questões fundamentais sobre os limites do homem. É preciso dar um basta ao conceito abrangente de globalização que propõe um mundo sem bordas, sem limites. Alguém já viu uma piscina sem bordas, um rio sem margens? Pois o que o mundo tenta é fazer um ser humano sem limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leal acha que isso beira a perversão. Ele cita as tragédias naturais (Santa Catarina) ou entre os homens (guerra, narcotráfico, escândalos financeiros), destacando que elas também estimulam o retorno aos gregos, que tinham na tragédia o drama humano por excelência: o herói e um destino inequívoco a cumprir. E complementa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O mundo anda perdido, deambulando, tal como Édipo em Colona, já cego pelos crimes cometidos: parricídio e incesto. Diante desse avanço irrefreável, às cegas, muitos buscam respostas atuais para antigas questões. E buscar sabedoria é buscar um sentido para a vida. O que é clássico. Então eu pergunto: a angústia diante da falta de respostas para a vida nos reenviará sempre aos gregos, aos consultórios dos psicanalistas ou às igrejas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Nossa conclusão sobre o artigo acima:&lt;br /&gt;O enfoque psicanalítico ressalta a importância do assunto e certamente auxilia numa melhor compreensão da realidade que vivemos atualmente. Jung, no desenvolvimento da Psicologia Analítica, dedicou muita atenção no estudo e nas relações dos conteúdos da mitologia grega em nossas vivências, como também da filosofia. Ele tornou-se um profundo conhecedor desses temas e questionamentos que auxiliam tanto o ser humano individualmente no seu processo de individuação como também na atividade clínica. Mitos e sonhos constituem farto material para ser trabalhado e elaborado na relação analítica, colaborando na transformação individual e coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse potencial criativo, que retorna sempre para nossas vivências, os gregos, os mitos, os questionamentos e os deuses são representantes dos arquétipos do inconsciente coletivo. Estas questões estão bem desenvolvidas no nosso livro MITOLOGIA E VIVÊNCIAS HUMANAS, mostrando que os mitos são sempre atuais, participando das imagens e emoções que acompanham nossas vidas. O conhecimento dos mitos permite um questionamento tanto pessoal quanto coletivo, polos indissociáveis da experiência humana. Nesse sentido, não só a leitura desse livro como também a participação nos Grupos de Estudos podem auxiliar no conhecimento maior de si próprio, dos valores gregos e da própria humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-7219006525227687025?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/Arf_HYRqkzI" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/7219006525227687025/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=7219006525227687025" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/7219006525227687025?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/7219006525227687025?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/Arf_HYRqkzI/os-gregos-esto-de-volta.html" title="Os gregos estão de volta" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2009/01/os-gregos-esto-de-volta.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DU8FQno_eyp7ImA9WxRaEU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-1908350846419209917</id><published>2008-12-12T16:43:00.002-02:00</published><updated>2008-12-12T16:50:13.443-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-12-12T16:50:13.443-02:00</app:edited><title>Feliz Natal! Ótimo 2009!</title><content type="html">&lt;a href="http://diarios.izcallibur.com/siguelboim/archives/paloma%20en%20rojo%20paz.bmp"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 514px; CURSOR: hand; HEIGHT: 424px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://diarios.izcallibur.com/siguelboim/archives/paloma%20en%20rojo%20paz.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;I -&lt;/span&gt; Desejamos a todos os amigos e assinantes do blog muita saúde, paz e harmonia para comemorar esta marcante data e época. É um rito de início de um novo ciclo e esperamos que o Menino Deus encontre eco junto da eterna criança que vive em todos nós. Que ela esteja desperta, atenta e liberada para usar de suas capacidades na esfera criativa e pronta a viver plenamente os necessários momentos lúdicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa liberação encontra o momento adequado próximo ao solstício de verão, quando os dias mais longos são propícios para mais intensa vida ao sol e ar livre. É o momento também adequado para profunda reflexão sobre as etapas e as passagens com que nos defrontamos no nosso caminho. Muita energia, equilíbrio e harmonia para todos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;II - Nosso Livro: MITOLOGIA E VIVÊNCAS HUMANAS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já está disponível para as livrarias. A aquisição pode ser feita com remessa pelo correio pelo “Francisco” da Livraria Palmieri (endereço de email na barra esquerda do blog). É um livro para leitura e também para consulta, pois apresenta a Mitologia Grega de forma ordenada e comentada em termos de vivências humanas de todas as épocas. A contextualização do surgimento dos mitos, origens, povos e sincretismos são muito importantes, como também a narrativa final do livro que focaliza a importante transição sinalizada pelo mito de Édipo. A visão da Psicologia Analítica sobre narcisismo também é um ponto marcante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;III – Artigos no Blog&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Faremos um recesso nesse período de comemorações, retornando até meados de janeiro de 2009 com novos artigos e contando com participação, sugestões e críticas dos amigos e assinantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns artigos são mais densos que outros. Abordamos temas que podem ser complexos, mas são desenvolvidos de forma a facilitar ao máximo possível a compreensão pelo leitor não especialista do assunto. A finalidade é trazer certa reflexão e por vezes muitos conteúdos vão se relacionando e convergindo mais à frente com a apresentação de outros artigos.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;IV – Cadastro no Blog&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;É muito importante para sabermos da participação real das pessoas. Estimula a continuidade dos trabalhos e mostra que a energia circula no grupo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;V – Curso de Férias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Ótima oportunidade fornecida pela Universidade Estácio de Sá em janeiro/fevereiro 2009. São apenas 4 aulas com assuntos muito interessantes. Ver a participação de Bosco, na barra esquerda do blog, ministrando disciplinas sobre Psicologia Analítica e também Sonhos.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;VI – Grupos de Estudos 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Também indicados na barra esquerda do Blog. Oportunidade para aprender, discutir, refletir sobre a Mitologia e a Psicologia Analítica e suas interações na vida cotidiana. São manhãs, tardes ou noites plenas de satisfação, possibilidades de ampliar o auto-conhecimento, tudo isso com pequenos grupos e orientação adequada. São atividades muito prazerosas para quem participa. Faça contato conosco: inscreva-se!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-1908350846419209917?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/N0TtoOnyjyw" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/1908350846419209917/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=1908350846419209917" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1908350846419209917?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1908350846419209917?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/N0TtoOnyjyw/feliz-natal-timo-2009.html" title="Feliz Natal! Ótimo 2009!" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/12/feliz-natal-timo-2009.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEUHQXk4eip7ImA9WxRbGEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-8274773135891944516</id><published>2008-12-09T15:13:00.009-02:00</published><updated>2008-12-09T16:10:30.732-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-12-09T16:10:30.732-02:00</app:edited><title>O galo meteorologista do Carmélio</title><content type="html">&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/ST6p3aRw6hI/AAAAAAAAADE/BUjO8g27AXA/s1600-h/galo+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277842582736529938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 303px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/ST6p3aRw6hI/AAAAAAAAADE/BUjO8g27AXA/s320/galo+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os mistérios das Minas foram decantados pelo sensível ficcionista Guimarães Rosa. Quanto mais ele cresceu para o mundo mais se aprofundou na sua própria terra, conhecendo sua gente e seus campos ilimitados e Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...Mas eu queria que a madrugada viesse. Dia quente, noite fria... eu dormia logo. Sonhava. Só sonho, mal ou bem, livrado. Eu tinha uma lua recolhida. Quando o dia quebrava as barras, eu escutava outros pássaros... Atrás e adiante de mim, por toda a parte, parecia que era um bem-te-vi só... - Gente! Não se acha até que ele é sempre um, em mesmo?... E permaneci duvidando que seria – que era um bem-te-vi, exato, perseguindo minha vida em vez, me acusando de más-horas que eu ainda não tinha procedido. Até hoje é assim...” (*1, p. 30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas de Minas, onde existe um jeito especial de perceber e se relacionar com o mundo. O detalhe pode ganhar importância vital e os grandes fatos vistos com certa despretensão. Depende do momento, da inspiração, do vento, da natureza em volta. Tudo é percebido na doce mistura de sensação e intuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o mineiro autêntico se aproxima do objeto para percebê-lo com os cinco sentidos. Em cada situação ele parece ver, tocar, ouvir, cheirar e degustar o objeto da sua (des)atenção. Depois ele se afasta calmamente e começa a apreciar à distância. Tudo isso pode ser muito rápido. Ou não, depende da ocasião. E assim ele faz uma avaliação mais geral, deixa fluir sua intuição e tenta perceber de onde veio tudo aquilo e qual é o seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avaliação de mineiro é assim – é por inteiro, no total. E nem por isso ele vai gostar de dizer sua opinião. Essa é só dele, a princípio. E assim ele vai vivendo junto com a natureza, integrando-se com os seus detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você já viu um mineiro jogando truco? Aí ocorre o refinamento das artes teatrais, mostrando as inversões mais absurdas. Daquela carinha de aparente necessidade de auxílio surge a jogada final surpreendente e vitoriosa. Assim o jogo vira festa, vale subir na cadeira e até na mesa, numa euforia gritante e desequilibrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Carmélio era mestre nessas pelejas. Se deixassem que ele embaralhasse as cartas, podendo vê-las enquanto as manuseava, saberia a ordem completa à medida que o jogo fosse transcorrendo. Como? Não sei. Era assim. Ele era pessoa simples, sem muitos estudos, dava aulas de sensibilidade e sintonia com o mundo. Estava à frente do seu tempo, adorava desafios, novidades e trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando eu ia até sua fazenda para usufruir do bom papo e calor humano, tudo isso com a desculpa de uma rápida pescaria nas lagoas provisórias das águas do Rio das Mortes. Essa era a fazenda Santa Lúcia, orgulho da família. Mas de certa vez ficamos restritos ao interior da casa-sede até não mais poder, pois a chuva não dava trégua. Depois de algumas rodadas de truco, divertindo-se a valer, mesmo sem deixar isso muito claro, ele se entusiasmou: “- Pessoal, vamos fechar o jogo e preparar a rede. A chuva já está passando... a pescaria será muito boa!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmativa categórica surpreendeu todo o grupo de amigos. Questionado, Carmélio perguntou se não ouvimos o canto do galo. Cada um vasculhou sua memória de curto e médio prazo e até nos cantos mais profundos. Alguns lembraram de ter ouvido a manifestação do rei do terreiro. E aí, o anfitrião, pescador e truqueiro, afirmou: “Se o galo canta desse jeito é porque a chuva está indo embora!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos após estávamos de saída, eufóricos para mais uma pescaria bem sucedida e plena de alegrias com o pesado troféu de lambaris, traíras, acarás e outros pequenos nadadores. E como bônus a mineirice da paisagem com coqueiros, rio, córrego, montanhas e os trilhos da “Maria-fumaça”, que cruzavam a região beira-rio da fazenda, onde se encontram os dois rios das Mortes: grande e pequeno. Um cenário encantador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos se passaram após essas marcantes vivências. O que fica registrado com mais energia na nossa memória é aquilo que toca nas profundezas do nosso ser e no nosso coração. Essas são as marcas que nos acompanham pelo resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prosseguir por vezes traz surpresas e ligações com o passado (e o futuro!). Vieram assim os estudos da Psicologia Analítica que mostram as ligações de tudo que é humano e universal. Muitos aspectos ligam todos os homens como se a humanidade fosse realmente uma só família. É encantador verificar os laços humanos na mitologia, artes, culturas, religiões, sonhos, folclore – tudo isso nos conduz ao mesmo rio na busca do mar comum a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jung encontrou forte componente histórico na Alquimia para ilustrar suas concepções sobre a Psicologia Analítica. É um estudo complexo e que mostra a sabedoria que esteve sempre disponível na história da humanidade, mostrando que a Psicologia Analítica tem seus paralelos e bases com o desenvolvimento do conhecimento do homem. Assim Jung valorizou imensamente o trabalho de Paracelso (1493-1541, médico, alquimista, físico e astrólogo) e cita algumas concepções (*2, p. 129-131):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia das centelhas (scintillae) como sementes de luz que provinham do caos e da mente humana, estando assim presentes tanto no exterior como no interior de cada pessoa. Essa centelha de luz esclarece e ilumina o ser humano nos momentos difíceis e obscuros, ou seja, ele tem esse potencial criativo. E todas as coisas da natureza trazem, em níveis diferentes, essa centelha para a realização da vida. A sua percepção englobava a certeza de que tudo na natureza, incluindo os animais, tinham um certo “brilho” que dignificava sua própria existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito aos homens, esta visão pode ser comparada com a versão filosófica dos arché (a priori) das imagens eternas de Platão. Desse mundo das idéias vem a capacidade de verificação das “cópias” no mundo sensível e dos objetos. Esta noção mostra que os arquétipos possuem em si certo brilho ou semelhança com a consciência, realçando os conceitos de lúmen (relativo à luz) e númen (como se fosse algo mais brilhante que a luz, ou seja, percebido como divino). Estas centelhas surgem como inspirações e têm a propriedade de poder ampliar a consciência, trazendo assim novas possibilidades de vivências, enriquecendo a existência do ser humano. Cita Paracelso: “E do mesmo modo como no homem não pode existir nada sem o númen divino, assim também nada pode existir no homem sem o lúmen natural. São estas duas únicas partes: o númen e o lúmen que tornam o homem perfeito.” O assunto é complexo e ao mesmo tempo encantador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os significados e menções ao longo da história desses termos por vários estudiosos, Jung foi verificando o embasamento para suas concepções práticas dos arquétipos e do Si-mesmo. Ele percebia nas pessoas a dinâmica entre o mundo interior e a vida prática das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prossegue Paracelso: “a estrela deseja levar o homem para a grande sabedoria... para que ele apareça maravilhoso na luz da natureza, e os mistérios da maravilhosa obra de Deus sejam descobertos e revelados em sua grandeza.” Ele compara cada homem com um astro e é como se o homem extraísse sua luz de uma estrela maior, sendo necessário que cada um venha a nascer para essa estrela. Menção parecida é feita por Mateus 5, 14: “Vós sois a luz do mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante observar que o homem é elevado assim a uma condição de um astro que recebe e proporciona luz, pois ele é “dotado com a luz perfeita da natureza”, sendo este o tesouro que encerra dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta concepção alquímica, a luz da natureza está sempre presente e tudo engloba. “Os animais também possuem a luz natural que é um ‘espírito inato.’” Como ilustração desse estado de participação...... “como os galos que anunciam com seu canto as futuras condições meteorológicas....”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto da leitura, sou inclinado a fechar o livro e os olhos. Há algo de humano compartilhado e sem as delimitações de tempo, espaço e cultura. Carmélio e seu galo meteorologista interagiam porque os canais estavam interligados e disponíveis naquela pessoa sintonizada com as coisas do mundo. Sua percepção através de outras funções que não o pensamento e o sentimento permitiam esse contato maior e mais amplo com a natureza assim disponível e iluminada por essa luz interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente aquele amigo não teve contato algum com tratados alquímicos ou filosóficos, mas trazia dentro de si, cultivada e muito acesa, a luz e o númen inerentes ao ser humano. E que muitas vezes são desprezados, mas que podem ser despertados e liberados por um galo meteorologista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem da natureza pode ser compreendida pelas pessoas sensíveis. Como disse Guimarães Rosa: “Aprendi algumas línguas estrangeiras apenas para enriquecer a minha própria.” O poeta cresceu em direção ao macrocosmo e retornou para a vivência também do seu microcosmo e do próprio interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;(1). GUIMARÃES ROSA, J. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.&lt;br /&gt;(2) JUNG, C. G. A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2000. O.C. vol VIII/2. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-8274773135891944516?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/PyBzATNJwAM" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/8274773135891944516/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=8274773135891944516" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/8274773135891944516?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/8274773135891944516?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/PyBzATNJwAM/o-galo-meteorologista-do-carmlio.html" title="O galo meteorologista do Carmélio" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/ST6p3aRw6hI/AAAAAAAAADE/BUjO8g27AXA/s72-c/galo+2.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/12/o-galo-meteorologista-do-carmlio.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEANRH04fip7ImA9WxRbGEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-1769737260492449570</id><published>2008-12-08T20:39:00.005-02:00</published><updated>2008-12-09T15:13:15.336-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-12-09T15:13:15.336-02:00</app:edited><title>A origem do Vento</title><content type="html">&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/ST5jw3_2QKI/AAAAAAAAACE/nRzhwV46Nqg/s1600-h/Vento+Solar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277765504641417378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 286px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/ST5jw3_2QKI/AAAAAAAAACE/nRzhwV46Nqg/s320/Vento+Solar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/ST5eoiMfJxI/AAAAAAAAAB8/E95SOdKd6IY/s1600-h/Vento+Solar.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O conhecimento do mundo à nossa volta pressupõe certa vontade, atitude e método. Como cada indivíduo apresenta diferentes graus dessas disposições, pode-se concluir que cada um percebe os fatos ao seu modo. Entretanto, alguns requisitos são importantes para que possamos formular idéias com base na experiência, mesmo que ela seja subjetiva. Essa atitude de priorizar os acontecimentos na sua prática e observação, tratando com um pouco mais de cautela a teoria, o dogmatismo e o metodismo tem nome: empirismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que você já tenha ouvido dizer que empírico é algo baseado na “tentativa e erro”, sem metodologia científica, prefira a versão apontada acima. Muitas pessoas fazem suas observações naturalmente, tentando apreender os fenômenos que ocorrem à sua volta, de forma a ultrapassar a tentação de limitá-los nas suas causas, fazendo a clássica e muitas vezes única pergunta: “Por quê?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apreensão do que ocorre à nossa volta não poderia se limitar a esta única pergunta. Muitas vezes é importante ampliarmos o leque de questões, começando com “para quê?” e também “como isso ocorre?” E podemos ir catalogando, memorizando, observando tanto nos detalhes como nos aspectos gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jung agia dessa forma quando começou a trabalhar com doentes mentais no hospital psiquiátrico de Zurique (Burghölsly) no raiar do século XX, após concluir o curso de medicina. Naquela época não se dava ouvidos para os delírios desses pacientes, pois o meio médico julgava-os portadores de uma “demência precoce”. A equipe coordenada por Bleuler criou nova palavra para citar e definir a patologia: esquizofrenia (cisão + cérebro), passando a perceber o problema não como uma deterioração ou envelhecimento precoce do cérebro e sim uma separação ou algo que não funcionava de forma organizada e coordenada. O doente perdia o contato com a realidade, vivendo num mundo imaginário que para si próprio criava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, Jung começou a se interessar por mitologia, pois dava atenção ao discurso dos seus pacientes mesmo que não apresentassem certa lógica. O médico começou a perceber a importância dos conteúdos dos delírios que traziam motivos que se repetiam. Alguns temas também foram observados em sonhos apresentados em diferentes culturas, religiões, artes, contos de fada, folclore e outras manifestações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jung agia como bom observador dos fenômenos à sua volta. Atento, circulando pelos corredores em 1906, foi abordado por um paciente que estava internado fazia muitos anos. Esta situação perdurava desde sua juventude e o mesmo não era especialmente bem dotado, apresentando delírios megalomaníacos e normalmente de natureza religiosa. O paciente tinha sido um pequeno comerciário e não desenvolveu sua escolaridade além do ensino médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, ele estava junto a uma janela e convidou Jung para que participasse da sua visão. Muito compenetrado, sugeriu que o médico piscasse em direção ao Sol, balançando a cabeça. Como um sábio místico ensinando ao seu discípulo, esclareceu que assim seria visto algo muito importante. Com sensibilidade, Jung perguntou-lhe o que estava vendo, recebendo como resposta: “O senhor está vendo o pênis do Sol – quando movo a cabeça de um lado para o outro ele também se move e esta é a origem do vento”. Jung nada compreendeu dessa estranha idéia, mas, como empirista, tratou de anotá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos mais tarde, estudando mitologia, Jung descobriu um livro de Albrecht Dieterich lançado em 1903 (o paciente fora hospitalizado algum tempo antes) que esclarecia a fantasia. O autor era conhecido filólogo que pesquisara um papiro grego, mostrando texto com a prescrição religiosa para se fazer invocações a Mitra. Essa entidade era uma divindade solar persa de uma religião de mistérios surgida na época helenística (provavelmente no séc II a.C. que se difundiu nos séculos seguintes no império romano). As instruções do texto eram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Procura nos raios a respiração, inspira três vezes tão fortemente quanto puderes e sentir-te-ás erguido e caminhando para o alto, de forma que acreditarás estar no meio de região aérea... O caminho dos deuses visíveis aparecerá através do Sol, o Deus, meu pai; do mesmo modo, tornar-se-á visível também o assim chamado tubo, a origem do vento propiciatório. Pois verás pendente do disco solar algo semelhante a um tubo. E rumo às regiões do oeste, um contínuo vento leste; se o outro vento prevalecer em direção ao leste, verás, de modo semelhante, a face movendo-se nas direções do vento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse acontecimento não pode ser creditado a qualquer coincidência, mesmo se considerarmos que os motivos de Sol, Deus, vento e espírito são representações coletivas mostradas em várias religiões, incluindo os mistérios de Ísis no antigo Egito. Por serem humanos e gerais, esses temas também foram mostrados em pinturas medievais. Como mencionou Jung (*1, par 109), é fora de cogitação que o paciente tenha tido algum contato com o papiro ou a obra do filólogo. Afinal, “o paciente foi declarado doente mental aos vinte anos de idade. Nunca viajara. Em sua cidade natal, Zurique, não há qualquer galeria de arte pública que expusesse um tal quadro.” Ou qualquer quadro pintado na idade média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Jung esse fato não prova a existência de um arquétipo ou do inconsciente coletivo, mas foi uma experiência marcante no desenvolvimento desses conceitos. Ele sistematizou o trabalho com os símbolos, percebendo que muitos deles podem ser reconhecidos como fenômenos típicos. Eles podiam ser isolados com clareza através de exames de uma série de sonhos e do seu próprio desenvolvimento dentro da série. O método comparativo de observação e trabalho foi adotado baseado nas observações práticas. A riqueza do material colhido era cientificamente instigante, prestando-se a um estudo comparativo e de acompanhamento das variações e modificações dos motivos mitológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que Freud mencionou os “resíduos arcaicos”, apenas Jung desenvolveu estudos nessa direção, chegando aos importantes conceitos mencionados. Eles exigem tempo e disposição para tentarmos assimilar toda a sua magnitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma boa técnica ir se aproximando e acostumando com esses termos calmamente, pois a tentativa de uma definição teórica, científica, linear e simplificada se mostrará insuficiente. A compreensão do que é humano ultrapassa o campo das teorias e pode muito bem ser observado na vida prática – tanto individual como coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde o paciente de Burghölsly tirou a imagem do falo solar? É como se a sua psique mostrasse fragmentos de conteúdos soltos participantes dos seus delírios, mas que certamente estavam na no seu interior por se tratar de uma mente humana. Mas como alertou Jung (*2, par.224), “Esta observação não ficou isolada: naturalmente não se trata de idéias hereditárias, e sim de uma predisposição inata para a criação de fantasias paralelas, de estruturas idênticas, universais, da psique, que mais tarde chamei de inconsciente coletivo. Dei a estas estruturas o nome de arquétipos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os arquétipos seriam os elementos básicos do inconsciente coletivo, estrutura que recebemos ao nascer da mesma forma que o corpo biológico – espelhando toda a experiência anterior da humanidade tanto em termos de corpo como de psique. Por que apenas o corpo contaria a sua história desde os primórdios como se fosse um museu ambulante de órgãos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menção de corpo e psique lembra imediatamente a forte ligação entre arquétipo e instinto. Cada um se prontificando para as ações humanas, tanto corporais como psicológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;(1). JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000. O.c. vol. IX/1.&lt;br /&gt;(2). JUNG, Carl Gustav. Símbolos da Transformação. Petrópolis: Vozes, 1999. O.c. vol. V.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-1769737260492449570?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/SDPhquGG0wo" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/1769737260492449570/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=1769737260492449570" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1769737260492449570?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1769737260492449570?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/SDPhquGG0wo/origem-do-vento.html" title="A origem do Vento" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/ST5jw3_2QKI/AAAAAAAAACE/nRzhwV46Nqg/s72-c/Vento+Solar.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/12/origem-do-vento.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEYAQHg5fyp7ImA9WxRbFE4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-699274827044566785</id><published>2008-12-04T21:06:00.002-02:00</published><updated>2008-12-04T21:09:01.627-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-12-04T21:09:01.627-02:00</app:edited><title>Ponto de Mutação</title><content type="html">&lt;a href="http://www.anima-mundi-seminare.org/img/logo_index.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 496px; CURSOR: hand; HEIGHT: 563px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.anima-mundi-seminare.org/img/logo_index.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesse livro (*1), o autor Fritjof Capra mostra a maneira como a Física moderna quebrou paradigmas em vários campos do conhecimento: Medicina, Psicologia, Biologia, Economia. O livro é leitura obrigatória para todos aqueles que desejam um conhecimento atualizado sobre a nova maneira de fazer ciência. No capítulo 11: “Jornadas para além do espaço e do tempo”, Capra faz um apanhado da Psicologia moderna desde Freud até o advento da Psicologia Transpessoal nos Estados Unidos em meados de 1960. É interessante verificar alguns comentários sobre a parte do capítulo em que o autor disserta sobre a Psicologia Analítica e os conceitos junguianos desde que foram enunciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma de suas principais obras, Aion (*2), Carl G. Jung refere-se aos conceitos psicológicos e os físicos da seguinte forma:&lt;br /&gt;"Mais cedo ou mais tarde, a física e a psicologia do inconsciente se aproximarão cada vez mais, já que ambas, inde&amp;shy;pendentemente uma da outra e a partir de direções opostas, avan&amp;shy;çam para território transcendente, (....) A psique não pode ser totalmente diferente da matéria, pois como seria possível de outro modo movimentar a matéria? E a matéria não pode ser alheia à psique, pois de que outro modo poderia a matéria produzir a psique? Psique e matéria existem no mesmo mundo, e cada uma compartilha da outra, pois do contrário qualquer ação recíproca seria impossível. Portanto, se a pesquisa pudesse avançar o suficiente, chegaríamos a um acordo final entre os conceitos físicos e psicológicos. Nossas tentativas atuais podem ser arrojadas, mas acredito que estejam no rumo certo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico e pesquisador Jung emitiu diversos conceitos que nem sempre foram bem compreendidos por seus contemporâneos, passando posteriormente a serem valorizados e estudados com o avanço e as descobertas da física moderna. Grande parte de suas conceituações vão do começo até meados do século XX. Durante algum tempo, pela incompreensão de seus conceitos, foi chamado de esotérico, místico e religioso. Somente no final do século XX e começo do século XXI, o meio científico começou a vê-lo como gênio e outras denominações pertinentes àquelas pessoas que conseguem montar uma obra coerente e bem estruturada, porém adiante de seu tempo. Sua obra não está acabada, pois deixou em aberto várias questões para serem pesquisadas e complementadas, mas oferece amplo material para estudo e prática. Atualmente podemos destacar algumas de suas conceituações que já podem ser explicadas pela física e outras disciplinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa abordagem holística de saúde, Jung propôs a doença como um fenômeno mental que acarretava uma enfermidade física ou psicológica. Em seus estudos, ele foi além do paradigma mecanicista do começo do século XX. Ele foi o precursor em fazer a equivalência da psicologia com a física moderna e a teoria geral dos sistemas, quando estes nem haviam sido enunciados. Desde a mitologia grega, na cidade de Epidauro, Asclépio filho do deus Apolo, praticava e ensinava a arte médica vendo o homem como uma entidade integrada pelo corpo físico, mental e sociocultural. Jung privilegiou a visão sistêmica, compreendendo a psique em sua forma total nas relações. Ele percebia a psique como um sistema dinâmico auto-regulador, funcionando por alterações visando ao equilíbrio entre opostos. As idéias de Jung sobre a psique humana e a doença mental foram inovadoras e bastante modernas para o seu tempo. Para ele, “a mente é como um sis&amp;shy;tema auto-regulador ou, como diríamos hoje, auto-organizador, e a neurose, um processo pelo qual esse sistema tenta superar várias obstruções que o impedem de funcionar como um todo integrado” (*1, p. 354).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concebeu ainda a energia psíquica como a força motriz para promover a dinâmica da vida. Descreveu esta energia com a linguagem da física clássica, mas a dinâmica era o que hoje os físicos descrevem como sistêmica. Pela Física moderna, o universo passa a ser visto como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes estão inter-relacionadas. Assim, homem e natureza fazem parte da anima mundi, apresentando inter-relação em cada ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de Jung de inconsciente coletivo foi e ainda é o elemento que distingue sua psicologia de todos os outros teóricos. Para o autor o inconsciente coletivo mantém um vínculo entre o homem e a humanidade, ou ainda, entre o indivíduo e o cosmo. Esta conceituação está em pleno acordo com uma concep&amp;shy;ção sistêmica da mente, além de apresentar bastante semelhança com os fenômenos subatômicos descritos pelos físicos. Para Jung o inconsciente coletivo é constituído de arquétipos, que são padrões formados pelas experiências remotas da humanidade, estando as mesmas presentes pelos sonhos, mitos e contos de fadas. Para ele os arquétipos são “formas sem conteúdo, representando meramente a possibilidade de um tipo de percepção e ação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido ao profundo interesse por numerosas áreas de conhecimento, Jung estudou variados temas entre eles a religiosidade como ponto de transcendência do homem. Sua vasta experiência e pesquisa no campo religioso e espiritual o convenceu acerca da realidade da dimensão espiritual na psique humana. Ele verificou através da história das civilizações que religião e mitologia são fontes inesgotáveis de informações sobre a constituição dos arquétipos. “A orientação espiritual de Jung deu-lhe uma ampla perspectiva da ciência e do conhecimento racional. Ele chegou à conclusão de que a abordagem racional é meramente uma das numerosas abor&amp;shy;dagens possíveis, sendo que todas elas resultam em diferentes, mas igualmente válidas descrições da realidade. Em sua teoria dos tipos psicológicos, Jung identificou quatro funções características da psique - sensação, pensamento, sentimento e intuição -, que se mani&amp;shy;festam em diferentes graus em cada indivíduo”. (*1, p. 354).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo “sincronicidade” foi usado por Jung para definir a ocorrência de padrões psicológicos com ligação não-causal. O termo "sincronicidade" foi usado para as conexões não-causais entre as imagens simbólicas do mundo psíquico simultâneas com os eventos ocorridos na realidade externa. Trinta anos depois desta proposta de Jung, a física corroborou estas afirmações. “A noção de ordem ou, mais precisamente, de um estado de conexão ordenada surgiu recentemente como um conceito central na física das partículas, e os físicos, hoje, estão fazendo uma distinção entre conexões causais (ou "locais") e não&amp;shy;-causais (ou "não-locais"). Ao mesmo tempo, modelos de matéria e modelos mentais são cada vez mais reconhecidos como reflexos recíprocos, o que sugere que o estudo da ordem, tanto no estado de conexão causal quanto no não-causal, pode muito bem ser um caminho eficaz para explorar as relações entre as esferas interna e externa”. (*1, p. 354).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trabalho analítico, ele recomendava ao terapeuta estar atento a si mesmo, verificando suas reações inconscientes diante do paciente. Os sonhos do paciente e do terapeuta devem ter a mesma atenção. Nada mais contemporâneo que a participação do observador no fenômeno observado. Só que esta constatação só foi verificada muito tempo depois que Jung propôs suas idéias. A teoria quântica mudou bastante a concepção clássica da ciência ao revelar o papel crucial da consciência do observador no processo de observação e ao invalidar, assim, a idéia de uma descri&amp;shy;ção objetiva da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escrever sua autobiografia, Jung propôs: "Em minha opinião, ao lidarmos com indivíduos, somente a com&amp;shy;preensão individual servirá. Necessitamos de uma linguagem dife&amp;shy;rente para cada paciente. Numa análise, posso ser ouvido falando o dialeto adleriano, numa outra, o freudiano". Com efeito, o mes&amp;shy;mo paciente passa freqüentemente por diferentes fases no transcurso da terapia, cada uma caracterizada por diferentes sintomas e um diferente senso de identidade. Os terapeutas sabem que diferentes pacientes exibirão diferentes sintomas que, com freqüência, requerem distintas ter&amp;shy;minologias e, por conseguinte, diferentes enfoques terapêuticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de que o organismo humano possui uma tendência inerente para curar-se e para evoluir é uma questão que, desde o centauro Quíron, na Grécia antiga, era visto. Entre os conceitos junguianos, esta máxima é mantida. O paciente é guiado pelo terapeuta para o encontro com seu próprio curador interno. Para Jung, a terapia era um encontro entre seres humanos, onde além do diálogo consciente, havia um intenso diálogo inconsciente. Para que tal fato ocorresse era preciso um abaixamento de atitudes conscientes e defesas visando acessar o “curador ferido” que existe em cada ser. “Talvez o primeiro a perceber a psicotera&amp;shy;pia desse modo tenha sido Jung, que enfatizou vigorosamente a influência mútua entre terapeuta e cliente e comparou esse rela&amp;shy;cionamento com uma simbiose a química”. (* 1, p. 375/376).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jung, mesmo sem poder explicar alguns de seus conceitos de maneira “científica”, teve a coragem de mantê-los, desafiando o espírito positivista que só acreditava naquilo que podia ser comprovado. Com a evolução filosófica e as descobertas científicas a partir dos anos cinqüenta no século XX, muitas teorias e conceituações puderam ser comprovadas por analogias com outras descobertas. Só agora, com o reconhecimento da compatibilidade e da coerência entre a psicologia jun&amp;shy;guiana e a ciência moderna é que as idéias de Jung poderão ser melhor desvendadas acerca do inconsciente humano e sua dinâ&amp;shy;mica, bem como da natureza da doença mental e o processo psicoterapêutico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;(1) CAPRA, Fritjof. O Ponto de Mutação. São Paulo: Cultrix, 1982.&lt;br /&gt;(2) JUNG, C.G.. AION – Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo. Petrópolis: Vozes, 1988.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-699274827044566785?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/MmTpfqOFH0s" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/699274827044566785/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=699274827044566785" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/699274827044566785?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/699274827044566785?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/MmTpfqOFH0s/ponto-de-mutao.html" title="Ponto de Mutação" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/12/ponto-de-mutao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkIDR3g9fip7ImA9WxRbE08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-1975443036440282491</id><published>2008-12-01T17:09:00.003-02:00</published><updated>2008-12-03T16:22:56.666-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-12-03T16:22:56.666-02:00</app:edited><title>Dois filmes e Eros (2)</title><content type="html">&lt;a href="http://jomasipe2.no.sapo.pt/web_deus_e_amor.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 645px; CURSOR: hand; HEIGHT: 844px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://jomasipe2.no.sapo.pt/web_deus_e_amor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continuação)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A questão do amor abrange aspectos amplos e diferenciados. O amor romântico se manifesta universalmente na paixão e complementação entre duas pessoas. Já nascemos com o signo da separação (cordão umbilical, mãe, pai, e fundamentalmente o surgimento do eu (ego) a partir da separação do Si-mesmo ou Self) . Assim, nossa sina torna-se a busca e a tentativa de complementação do que nos falta. Somos fugidores ou caçadores de nós mesmos, dependendo das nossas prioridades e circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro amoroso do parceiro ideal é movido pela paixão desenfreada que surge através do amor. Mas da mesma forma que ele chega inesperadamente pode desaparecer, confirmando apenas o estado de paixão e não de puro amor. Mas não tratamos apenas da manifestação desse tipo de amor, pois as pessoas sentem amor pelos pais, pelos filhos, pela profissão, pelas artes, pelo país, e o amor maior por Deus e pela vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse amor maior e autêntico é aquele que permite as transformações e o próprio processo de individuação. Ele é veiculado pela alma que, partindo do contato interno numinoso (mais que luminoso, mágico e até mesmo divino) traz o amor pela própria vida e a busca do seu sentido. Esse encontro ocorre no somatório das pequenas e grandes realizações, incluindo as pequenas coisas do dia-a-dia e atingindo as grandes conquistas pessoais de todas as categorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é a ligação plena com a vida, é um estado de elevação espiritual. E aqui não tratamos de algo apenas em teoria, pois se não temos uma comprovação científica dos efeitos do amor, percebemos seus resultados práticos na qualidade de vida que proporciona. O mesmo ocorre com relação ao Si-mesmo (Self), como menciona Von Franz (*1, p. 212): “No decorrer dos tempos, os homens, por intuição, estiveram sempre conscientes desse centro (organizador da psique). Os gregos o chamavam de daimon, o interior do homem; no Egito ele estava expresso no conceito de alma-Ba; e os romanos adoravam-no como o ‘gênio’ inato em cada indivíduo. Em sociedades mais primitivas imaginavam-no muitas vezes como um espírito protetor, encarnado em um animal ou um fetiche.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos em contato com o Si-mesmo pela nossa alma e ela é aprimorada através do sentimento do amor. Dessa forma, só podemos amar verdadeiramente uma outra pessoa se tivermos amor com a nossa própria alma e sensibilidade interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Von Franz ainda menciona o contato do eu com o Si-mesmo (centro da nossa psique, ou seja, consciente e inconsciente, o que conhecemos e o que não percebemos ainda): “Ouvindo-o, tornamo-nos seres humanos mais completos. O processo acontece como se o eu (ego) não tivesse sido produzido pela natureza para seguir ilimitadamente os seus próprios impulsos arbitrários, e sim para ajudar a realizar, verdadeiramente, a totalidade da psique. É o eu que ilumina o sistema inteiro, permitindo que ganhe consciência e, portanto, que se torne realizado. Se, por exemplo, possuo algum dom artístico de que meu eu não está consciente, este talento não se desenvolve e é como se fosse inexistente. Só posso trazê-lo à realidade se meu eu o notar. A totalidade inata, mas escondida, da psique, não é a mesma coisa que uma totalidade plenamente realizada e vivida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é a ligação de cada um com a sua própria vida e com as outras pessoas e coisas, culminando com o próprio mundo em que vive. Outros tipos de ligação também ocorrem e os antigos gregos já estavam atentos, como nos mostra claramente o mito de Eros e Psiquê (MITOLOGIA E VIVÊNCIAS HUMANAS). A narrativa nos leva a refletir e a questionar sobre as aventuras do filho de deuses com uma filha de mortais. É importante esclarecer que Psiquê era vista como alma pelos gregos, ou seja, já havia a percepção de uma vida interior. Os desafios e a união desse casal primordial apontam para as potencialidades do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse assunto também foi tratado por Platão (O banquete): “Assim, pois, eu afirmo que o Amor é dos deuses o mais antigo, o mais honrado e o mais poderoso para a aquisição da virtude e da felicidade entre os homens, tanto em sua vida como após sua morte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão também esclarece Amor é um requisito para a existência de Afrodite. Existem duas figuras dessa divindade:Urânia ou Celeste e Pandemia ou popular. Assim podemos compreender que há dois tipos de amor: um é mais relacionado com enfoque nos sentidos e na sensualidade. Poderíamos então ligar o amor divino e celeste ao verdadeiro e grande amor pelo sentido maior da vida. Os amores humanos autênticos são decorrentes desse último e não apenas simples interesses de posse ligados ao eu (ego). Esse é o Amor que se inicia com maiúscula para Platão, conforme menciona o editor (*2, p. XXIII): “A construção do conhecimento constitui, assim, no platonismo, uma conjugação de intelecto e emoção, de razão e vontade: a episteme (estudo das ciências e apreciar seu valor para o espírito humano) é fruto de inteligência e Amor.” O amor romântico pode realmente ser a manifestação autêntica desse amor maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão é um filósofo por vezes mal compreendido, sendo muito mencionado apenas por parte de suas idéias. Reduzir sua noção de amor para algo apenas teórico e abstrato é interpretá-lo parcialmente. Ele apresenta o início de uma consciência reflexiva e a possibilidade de diálogo com a própria alma. Suas obras mostram a ascensão do mundo sensível para o mundo das idéias onde estaria a verdadeira realidade. Mas alerta que a ascensão é feita gradativamente e que o amor dos corpos engendra a imortalidade e a virtude, ou seja, a beleza pela sabedoria começa nas formas concretas e depois dessa percepção trata-se de continuar na ascensão para o mundo das idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se logos é o conhecimento discursivo e argumentativo, sua noção de “logos erótico” mostra o amor platônico à sabedoria que é atingida com a busca e a ascensão. O motor de tudo isso é o “logos erótico” que começa pelos “belos corpos”, não dispensa essa etapa empírica e concreta, mas continua ascendendo, pois Eros é o desejo de saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estará mais apto para viver um grande amor a pessoa que estiver construindo o encontro interior entre logos e Eros. Quem estiver assim mais inteiro e na construção da sua totalidade estará em condições de não exigir do outro aquilo que ainda não possui. As paixões passageiras constituem uma busca da complementação momentânea do que falta. Entretanto, mesmo com a alternância de diversificadas fases, um amor autêntico pode muito bem ser vivido, funcionando como energia no processo de desenvolvimento individual dos envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não apenas Platão é mais complexo do que parece, mas o mesmo ocorre com muitos outros pensadores e com o sentimento de amor. Este se apresenta de muitas formas, mas é um dos eixos que também move o mundo. A questão do poder muitas vezes prevalece, mas as duas questões são inerentes ao ser humano. Muitas vezes é difícil perceber qual deles está predominando em determinada situação, mas os desdobramentos deixam claro as motivações e o valor que as pessoas usaram para suas ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prosseguir mostra a ascensão ou estagnação de cada etapa. Enquanto isso as pessoas misturam amores e poderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.&lt;br /&gt;(1) JUNG, C. G. et al., O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.&lt;br /&gt;(2) Coleção Os Pensadores. Platão. Abril Cultural, 1979.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-1975443036440282491?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/S8UPqWaC14s" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/1975443036440282491/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=1975443036440282491" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1975443036440282491?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/1975443036440282491?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/S8UPqWaC14s/dois-filmes-e-eros-2.html" title="Dois filmes e Eros (2)" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/12/dois-filmes-e-eros-2.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0cGSX09eip7ImA9WxRUGEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-73663084857789722</id><published>2008-11-28T12:02:00.001-02:00</published><updated>2008-11-28T12:03:48.362-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-11-28T12:03:48.362-02:00</app:edited><title>Dois filmes e Eros (1)</title><content type="html">&lt;a href="http://www.grimm.med.br/O%20AMOR1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 640px; CURSOR: hand; HEIGHT: 480px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.grimm.med.br/O%20AMOR1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rei Menelau, de Esparta, faz a narrativa dos fatos marcantes no filme HELENA DE TRÓIA. Se ele foi um personagem menor, sai engrandecido no final por sua atitude junto a Helena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme realça os pontos de vista a partir do amor e do poder. Afinal, qual foi o motivo dessa guerra (mítica), que foi considerada a maior da história? Essa dúvida é alimentada no decorrer da narrativa e os dois motivos citados são de enorme importância para as tomadas de posição nas batalhas e na vida como um todo. As pessoas, tanto naquela época como hoje, enfrentam os mesmos problemas compartilhados e humanos em geral, ou seja, arquetípicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor e poder não constituem pólos de um mesmo eixo, pois um não é o contrário do outro. Poderíamos situar o ódio como oposição ao amor, assim como a subserviência ao destino em relação ao impulso do poder. Entretanto amor e poder são excludentes, onde um está presente normalmente o outro se afasta. Quem ama não controla e muito menos domina. As pessoas mostram isso nas suas ações diárias, pois aquele que está preocupado apenas com sua ascensão social ou profissional termina por colocar as outras questões humanas em planos secundários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra de Tróia simboliza a primeira metade da vida com os desafios das conquistas (poder) e da descoberta do amor. Qual prevalecerá? Qual deles será o mais relevante para nossas vidas individuais? Os dois aspectos são importantes, mas normalmente há a predominância de um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menelau conta que seu irmão Agamnênon (Micenas), o mais forte dos gregos, estava com a vida impregnada pela busca do poder. O rei de Esparta citado por Homero menciona:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A guerra é travada entre nações. Mas são os seres humanos que pagam por ela. A única coisa que nos resta é o amor, a única e verdadeira dádiva dos deuses. É através do amor que esperamos e rezamos para que os deuses nos dêem a paz.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menelau surpreende Helena, já preparada para morrer, ao poupar sua vida. Mas como exterminá-la brutalmente se ele vivia em função do seu amor? Como resposta à pergunta sobre o que iria fazer após a guerra, Helena responde: “Vou seguir”. Depois de tantas tragédias e desgraças na sua vida, ela simplesmente se dispunha a..... seguir em frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, o que é o amor e como ele se manifesta? Quando falamos desse assunto estamos nos referindo a EROS de modo que o tema precisa então ser melhor elaborado, o que veremos em próximos artigos. Enquanto isso ficamos atentos à atuação desse DAIMON (sentido socrático da palavra como guia, inspirador...) chamado pelos romanos de Cupido. Segundo Platão, Diotima ensinou a Sócrates que Eros era um daimon...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro filme interessante sobre o tema é DON JUAN DE MARCO, de 1995, produzido por Francis Ford Coppola, com Marlon Brando, Johnny Depp, Faye Dunaway. “É a história de um homem que pensava ser o maior amante do mundo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um rapaz usando uma máscara negra ameaça se jogar do alto de um prédio. O jovem afirma ser Don Juan, o lendário conquistador de mulheres. Por ter perdido seu primeiro e verdadeiro amor, caiu em profunda depressão. O psiquiatra interpretado por Marlon Brando é chamado para salvá-lo. No início da história, este profissional parece cansado, pronto para se aposentar. Mas, à medida em que ‘Don Juan’ começa a descrever sua vida, ele vai se sentindo revigorado. Ambos se envolvem em um curioso relacionamento que beneficiará até a mulher do psiquiatra, sempre relegada a segundo plano pelo marido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em determinado momento do relacionamento, o paciente faz as seguintes perguntas ao psiquiatra (saudações à Dulcinéa pela sensibilidade e conhecimento):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é sagrado?&lt;br /&gt;De que é feito o espírito?&lt;br /&gt;Por que vale a pena viver?&lt;br /&gt;Por que vale a pena morrer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As questões instigantes provocam ligeira reflexão. O sagrado é tudo aquilo que está de acordo com a vida, é o que busca o sentido e o significado como um brinde à existência humana; é o fato de estar seguindo esta corrente e este fluxo. É também a conseqüência de tudo isso. O sagrado é o encantamento, é o simples, mas é também o que está além da compreensão humana. Ocorre quando ficamos mudos (kairós?) em certos momentos como no pôr-do-sol, quando nasce uma criança, quando apreciamos uma flor, uma imagem, uma fantasia. São momentos de emoção, expansão e pertencimento. Todos precisamos ter espaço para a manifestação desses aspectos fundamentais, mas atualmente parece haver dificuldades para isso, pois o sagrado foi eliminado dos componentes sociais, das instituições, das organizações e até mesmo de muitas famílias. Mas o apego ao consumismo e ao tempo linear e cronológico deve ser sempre uma opção responsável de cada pessoa. Maior ampliação da consciência é o antídoto para o tratamento massificado promovido pela mídia e instituições. Cidadania seria a expressão da consciência no nível social, campo que não beneficia o consumismo desenfreado e nem a paixão política ou ideológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito, nos muitos sentidos da palavra, aponta para o princípio animador ou vital dos organismos físicos. No grego corresponde a ‘pneuma’ (o sopro vital), pois o princípio do ar e da respiração acompanha o indivíduo desde o nascimento até o último suspiro. Assim, o espírito não é a ALMA (conceito que ainda veremos de acordo com a Psicologia Junguiana). Nós sentimos o espírito, não sabemos tanto dele da mesma forma que normalmente não tomamos conhecimento da nossa respiração, mas ela continua no seu ritmo indispensável. Não podemos saber de tudo o que ocorre, assim catalogamos o que não é percebido como participante dos processos inconscientes. E se não sabemos de tudo, é boa escolha não alimentar a prepotência e termos mais humildade intelectual. O espírito se manifesta em nós através de inspirações rápidas e fugidias que voam para as nuvens como pássaros muito rápidos que não foram recebidos na nossa consciência egóica. É também como o vento que surge e não sabemos de onde vem nem para onde vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena viver se conseguirmos experimentar o sagrado de que somos, o que somos e como somos. Seres únicos, singulares, específicos – e participantes de um cenário maior e social de eternos aprendizes. E ter consciência de tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena morrer porque faz parte do sagrado da vida. Se vale a pena viver, a morte é o desdobramento natural. Tem medo da morte quem normalmente receia a plenitude de sua vida. Não há conflito entre vida e morte. A vida completa contempla nascimento e morte. Quem chegar ao seu momento culminante com a impressão de que tirou o máximo de si mesmo encontrará a plenificação e a realização. Para Jung esse é o “coroamento da vida. E a morte é a última linha de todas as coisas: mas eu não abro mão de nenhuma delas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando às questões suscitadas no filme, passemos à resposta única do nosso Don Juan de Marco para as quatro perguntas: SÓ POR AMOR! (Ou com ele está relacionada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra amor é dessas que nos dão a impressão de que sabemos tudo ou então não sabemos nada, dependendo de cada momento que marca o nosso tempo mágico (kairós). Vimos sua importância ressaltada nos dois filmes. Mas o que é o amor? Para melhor reflexão, vamos associá-lo com EROS, como já faziam os antigos gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.grimm.med.br/O%20AMOR1.jpg&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-73663084857789722?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/k-22GuzDk70" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/73663084857789722/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=73663084857789722" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/73663084857789722?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/73663084857789722?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/k-22GuzDk70/dois-filmes-e-eros-1.html" title="Dois filmes e Eros (1)" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/11/dois-filmes-e-eros-1.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0MDQn07fSp7ImA9WxRUFUg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-3836753874290848817</id><published>2008-11-24T17:31:00.002-02:00</published><updated>2008-11-24T17:37:53.305-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-11-24T17:37:53.305-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Detalhes do Blog" /><title>Detalhes do Blog</title><content type="html">&lt;a href="http://www.esoterikha.com/grandes-misterios/poder-piramides/images/piramide-mistica.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 426px; CURSOR: hand; HEIGHT: 456px" alt="" src="http://www.esoterikha.com/grandes-misterios/poder-piramides/images/piramide-mistica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos muito contentes em compartilhar assuntos tão interessantes e instigantes. Nossa intenção é trazer certa reflexão para a vida, pois a rotina de objetivos apenas “egóicos” e materialistas, apesar de necessária, traz desgaste e cansaço. Gostaríamos de comentar alguns aspectos para melhorar nosso contato com os “assinantes” do blog:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;1) Temos um grupo variado de pessoas, incluindo enfermeiros, médicos, homeopatas, advogados, professores, psicólogos, jovens, idosos, astrólogos, arteterapeutas, psicopedagogos, executivos, administradores, funcionários diversos, estudantes, donas de casa, aposentados, etc. Achamos que essa diversidade é maravilhosa, entretanto é bastante delicado elaborar artigos que atinjam um público tão eclético. Mas esse é nosso interessante desafio, pois um dos objetivos deste trabalho é tornar acessível alguns aspectos da mitologia e da Psicologia Junguiana. É um fio de navalha, já que não devemos usar palavras e conceitos muito complexos ou elaborados. Contudo, é uma forma de colocar pessoas em contato com idéias importantes que podem contribuir para o processo de autoconhecimento. Mas para sabermos o ponto certo, precisamos contar com o “feedback” ou opinião das pessoas e isso pode ser feito pelos comentários no próprio blog ou por email.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Temos, além do aspecto do nível de profundidade dos artigos, a sua extensão ou tamanho. Se encurtar muito compromete o conteúdo; alongar demais pode torná-los cansativos. E as pessoas não têm muito tempo disponível. Mas esse é outro assunto que abordaremos em artigo futuro: a administração do tempo! A comodidade exagerada e nunca termos tempo são fatores que fazem a vida perder seus aspectos de qualidade. Afinal, como estão sendo percebidos os artigos em termos de conteúdo e de tamanho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Gostaríamos também de ter sugestões de assuntos ou temas a serem abordados, apesar de certo planejamento. Mas qual é o grau de satisfação dos leitores com as publicações?&lt;br /&gt;Procuramos ficar atentos a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Inscrição no blog. Os artigos são focados nesse público que acompanha realmente o desenvolvimento dos assuntos. Muitas pessoas visitam e gostam do blog, mas a inscrição consolida o grupo e motiva a continuação do trabalho, mostrando que as pessoas estão usufruindo do conteúdo. Por isso é importante que nos ajudem a divulgar junto a pessoas conhecidas e familiares que possam participar. Divulgue nosso blog! A melhor propaganda é aquela individual (boca a boca, lista pessoal de emails).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Apesar da comodidade de receber os artigos na caixa de email, é importante visitar o blog pelo menos uma vez por semana. Pode haver novidades diversas, programações, etc. Nesta semana colocamos uma enquete/pesquisa que está no final da barra esquerda. Participe, dê o seu voto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) A aquisição de livros com o “livreiro” Francisco também é uma forma de participação, usufruindo de comodidade, qualidade no atendimento e bom preço. Os dados estão na barra esquerda no blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) O livro MITOLOGIA E VIVÊNCIAS HUMANAS foi enviado para a gráfica, no dia 24/nov/2008, após um final de semana pleno de trabalho de acabamento. Informaremos quando estiver disponível nas livrarias e com o Francisco. Certamente a participação no blog ficará mais estimulada com a leitura desse livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Vários “assinantes” do blog estão repassando ou imprimindo alguns artigos. Não há problema algum. Lembramos apenas que, em certas situações, é importante citar a fonte, dando os créditos devidos. No que diz respeito à divulgação, é muito mais interessante tornar mais conhecido o blog e nosso livro que o artigo especificamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) É também importante sabermos o número ideal de artigos a serem postados semanalmente. Em princípio pensamos no mínimo em um e no máximo em três. Provavelmente faremos uma enquete sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos muito contentes com a receptividade de muitas pessoas. Sabemos que dúvidas e enfoques diferentes poderão ocorrer e a diversidade é saudável. Participem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Obs&lt;/span&gt;. Os Grupos de Estudo têm sido uma ótima experiência compartilhada. O grupo das tardes de quintas-feiras aproveitou recentemente verdadeiras sessões de cinema para apreciar e discutir HELENA D E TRÓIA e TRÓIA. Fomos agraciados com a gentileza e o carinho da anfitriã e amiga Ana, que além da simpatia nos brindou com um manjar digno de ser servido no Olimpo: um bolo de nozes de despertar todos os prazeres do paladar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, juntamos a magia do momento para despertar reflexões oriundas dos mitos e dos filmes com a apreciação desse resultado de uma verdadeira obra alquímica que busca as transformações e a elevação dos prazeres naturais e instintivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela ainda nos oferece a receita maravilhosa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bolo de Nozes (Galvão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;200g. de manteiga&lt;br /&gt;2 xic. de açúcar&lt;br /&gt;2 xic. F. de trigo&lt;br /&gt;3 ovos&lt;br /&gt;1 colher de sopa de fermento royal&lt;br /&gt;½ xic. Chá castanhas ou nozes moídas&lt;br /&gt;1 vidro leite de coco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modo de Fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bata em creme a manteiga, com o açúcar e junte as gemas uma de cada vez. Peinere juntos a farinha e o fermento. Adicione ao creme alternando com as nozes e o leite de coco. Por fim, junte as claras em neve e leve ao forno moderado (190*C) por 40/45minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobertura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leite moça e, aproximadamente 1 colher de sopa de chocolate. Quando estiver pronto jogue conhaque e nozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito obrigado, Ana! Um brinde a todos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-3836753874290848817?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/lytEjXJ9y4I" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/3836753874290848817/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=3836753874290848817" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/3836753874290848817?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/3836753874290848817?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/lytEjXJ9y4I/detalhes-do-blog.html" title="Detalhes do Blog" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/11/detalhes-do-blog.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUQFQHY9cSp7ImA9WxRUFEg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-9112516561413943391</id><published>2008-11-19T17:03:00.003-02:00</published><updated>2008-11-23T14:21:51.869-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-11-23T14:21:51.869-02:00</app:edited><title>Belchior e Cazuza</title><content type="html">&lt;a href="http://img143.imageshack.us/img143/7773/vieiradasilvaburnag3.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 450px; CURSOR: hand; HEIGHT: 674px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://img143.imageshack.us/img143/7773/vieiradasilvaburnag3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belchior e Cazuza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica e autocrítica. Pessoal e de uma geração. Para alguns o sonho acabou e isso significa cristalizar as idéias, a ideologia e o modo de perceber o mundo. Para outros o processo de questionamento e ré-construção continua. Belchior já nos incitava com palavras consagradas na linda voz de Elis Regina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COMO NOSSOS PAIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos                                          &lt;br /&gt;Quero lhe contar como eu vivi e tudo que aconteceu comigo                         &lt;br /&gt;Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa                                                             &lt;br /&gt;Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa                                         &lt;br /&gt;Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina                                                   &lt;br /&gt;Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens                                    &lt;br /&gt;Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua                                          &lt;br /&gt;É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me pergunta pela minha paixão    &lt;br /&gt;Digo que estou encantada com uma nova invenção       &lt;br /&gt;Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão        &lt;br /&gt;Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação        &lt;br /&gt;Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração&lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida     &lt;br /&gt;Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais     &lt;br /&gt;Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos     &lt;br /&gt;Ainda somos os mesmos e vivemos...&lt;br /&gt;Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não     &lt;br /&gt;Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém     &lt;br /&gt;Você pode até dizer que 'eu tô por fora, ou então que eu tô inventando'     &lt;br /&gt;Mas é você que ama o passado e que não vê     &lt;br /&gt;É você que ama o passado e que não vê     &lt;br /&gt;Que o novo sempre vem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude     &lt;br /&gt;Tá em casa guardado por Deus contando vil metal     &lt;br /&gt;Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo que fizemos     &lt;br /&gt;Nós ainda somos os mesmos e vivemos...&lt;br /&gt;Ainda somos os mesmos e vivemos...&lt;br /&gt;Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Cazuza complementa junto com Arnaldo Brandão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TEMPO NÃO PÁRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disparo contra o sol&lt;br /&gt;Sou forte, sou por acaso&lt;br /&gt;Minha metralhadora cheia de mágoas&lt;br /&gt;Eu sou o cara&lt;br /&gt;Cansado de correr&lt;br /&gt;Na direção contrária&lt;br /&gt;Sem pódio de chegada ou beijo de namorada&lt;br /&gt;Eu sou mais um cara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se você achar&lt;br /&gt;Que eu tô derrotado&lt;br /&gt;Saiba que ainda estão rolando os dados&lt;br /&gt;Porque o tempo, o tempo não pára&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias sim, dias não&lt;br /&gt;Eu vou sobrevivendo sem um arranhão&lt;br /&gt;Da caridade de quem me detesta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua piscina tá cheia de ratos&lt;br /&gt;Tuas idéias não correspondem aos fatos&lt;br /&gt;O tempo não pára&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo o futuro repetir o passado&lt;br /&gt;Eu vejo um museu de grandes novidades&lt;br /&gt;O tempo não pára&lt;br /&gt;Não pára, não, não pára&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho data pra comemorar&lt;br /&gt;Às vezes os meus dias são de par em par&lt;br /&gt;Procurando agulha no palheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas noites de frio é melhor nem nascer&lt;br /&gt;Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer&lt;br /&gt;E assim nos tornamos brasileiros&lt;br /&gt;Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro&lt;br /&gt;Transformam o país inteiro num puteiro&lt;br /&gt;Pois assim se ganha mais dinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua piscina tá cheia de ratos&lt;br /&gt;Tuas idéias não correspondem aos fatos&lt;br /&gt;O tempo não pára&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo o futuro repetir o passado&lt;br /&gt;Eu vejo um museu de grandes novidades&lt;br /&gt;O tempo não pára&lt;br /&gt;Não pára, não, não pára&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o poeta permite o fluxo de idéias, imagens e símbolos, agitando o consciente pessoal ou coletivo que muitas vezes tem a pretensão de reprimir essa dinâmica, nós pobres mortais, atingidos e admirados, somos convidados a nos calar e a refletir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-9112516561413943391?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/QH_KgrJNjb8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/9112516561413943391/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=9112516561413943391" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/9112516561413943391?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/9112516561413943391?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/QH_KgrJNjb8/belchior-e-cazuza.html" title="Belchior e Cazuza" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/11/belchior-e-cazuza.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C04DRH4-cSp7ImA9WxRUEk0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-4535488905104751459</id><published>2008-11-18T21:29:00.003-02:00</published><updated>2008-11-20T15:26:15.059-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-11-20T15:26:15.059-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Alma (2)" /><title>Alma (2)</title><content type="html">&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/_banco/multiplas/1216478506_aaa_alma_e_o_lobo_x.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 419px; CURSOR: hand; HEIGHT: 420px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.overmundo.com.br/_banco/multiplas/1216478506_aaa_alma_e_o_lobo_x.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(continuação)&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para o psiquiatra e estudioso da mente humana Carl Gustav Jung, o termo alma é bastante específico. Ele buscou um entendimento sobre o assunto em bases históricas e nas suas observações diretas em fenômenos que incluíam dissociações de personalidade em esquizofrênicos. Mas Jung também percebeu que mesmo em indivíduos normais ou adaptados há vestígios de certa divisão de personalidade. Basta observar alguém em circunstâncias diferentes para percebemos mudanças de atitude quando esta pessoa passa de um ambiente para outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, determinados locais exigem comportamentos diferenciados, pois há expectativas sociais que precisam ser atingidas. Entretanto, se houver identificação plena com um papel (persona – nome oriundo do teatro grego), poderá ocorrer uma duplicação ou dissociação da personalidade. Cada pessoa tem vários papéis (personas) e precisa desempenhá-los com um mínimo de eficiência. Afinal, somos pais, mães, profissionais, cidadãos, vizinhos, alunos, professores, ou seja, temos uma infinidade de papéis. Em contraposição ao ambiente profissional e social, no meio da comodidade familiar, muitos indivíduos apresentam atitude divergente, como ilustra o provérbio: anjo na rua e demônio em casa. Poderíamos acrescentar: e vice-versa. A persona não é, então, idêntica à personalidade, podendo ser definida como a relação com o mundo externo. Ela não é simplesmente uma escolha pessoal, representando uma necessidade coletiva que cada  indivíduo precisa corresponder  em maior ou menor grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e o mundo interno, repleto de conteúdos que afloram do interior da psique? Dessa instância surgem, mesmo sem compreendermos, objetos psíquicos que se apresentam na consciência como inspirações, intuições, imagens ou fantasias. Como tratar com fatores que transcendem a consciência?  Essa atitude em relação ao rico e perigoso mundo interno Jung denominou de alma. Ela faz parte da nossa vida, em maior ou menor grau de desenvolvimento e é algo que se mostra funcional para a totalidade da nossa psique, proporcionando maior interação entre  consciente e inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com qual desses dois mundos (externo e interno) iremos nos relacionar com maior energia? Ou conseguiremos manter o equilíbrio entre esses aspectos nas diferentes fases da vida que privilegiam adaptações diferenciadas? Representa inegável perigo como a natureza costuma reagir aos exageros de qualquer desses dois pólos exclusivamente. Há pessoas que concentram todos os seus esforços de vida nas realizações externas de poder, consumo ou conquistas pessoais. Ou seja, algo não se desenvolveu com relação aos seus potenciais interiores. Este desequilíbrio costuma cobrar seu preço na saúde física e/ou psíquica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desenrolar da vida a pessoa pode sentir necessidade de se libertar de qualquer estado de imaturidade demasiadamente rígido e categórico, como também da concentração de energia apenas em alguns objetivos egóicos (poder, realização material, por exemplo). Pode surgir certa inclinação para a libertação da sua alma no sentido de modificar essa forma de vida restritiva, buscando um estado superior de amadurecimento e evolução espiritual. Por isso, na segunda metade da vida a alma tem uma participação mais atuante, proporcionando a integração de conteúdos e valores até então em segundo plano de existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente encontramos os símbolos dessa necessidade de transcendência e evolução do ser humano. Escavações de civilizações antigas mostram a atuação dos símbolos e dos xamãs, notadamente nas figuras de pássaros, serpentes, dragões e outros que também aparecem nos sonhos atuais de muitas pessoas. Podem ser sinais de um processo de individuação em andamento. Uma jornada solitária também pode dizer respeito a esse sentido, mostrando que muitas pessoas estão buscando mudar seu padrão de vida marcado pela contenção, o que ocorre nas marcantes peregrinações que provocam mudanças na forma de encarar o mundo (principalmente o interior!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A libertação da alma diz respeito às possibilidades de ampliação das vivências, já que a inclinação a certa necessidade de transcendência é marca histórica do ser humano. Esse marco pode significar o renascimento, pois a pessoa quer se conhecer melhor, seja através da sua vida prática ou com o apoio de uma psicoterapia. De qualquer maneira, é um ponto de iniciação que mostra o desenvolvimento e a busca de novas etapas de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No estudo da mitologia, quando surgem as deusas e deuses, podemos nos lembrar imediatamente da alma, aquela entidade que está buscando uma relação entre o consciente e inconsciente. Este diálogo é possível de ser ampliado com o desenvolvimento da sensibilidade, exigindo o investimento de certa energia psíquica que só se torna disponível se não houver concentração de forma unilateral nos aspectos da persona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mitologia grega apresenta as divindades como expressões de sentimentos e atitudes humanas. Como ainda estava se estruturando o desenvolvimento da consciência, as ações eram melhor visualizadas quando projetadas no mundo exterior. Por exemplo: Ares (o deus da guerra) representa os impulsos violentos e rudes que estão presentes tanto em atitudes masculinas quanto femininas. As explosões de raiva ou descontrole são atos praticados por ambos os sexos na sociedade. Afrodite é uma divindade ligada ao acasalamento, à novas floradas. Sua presença é facilmente identificada em qualquer ser humano que esteja apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa cultura, marcada pelos gêneros sexuais, deixa as pessoas inicialmente confusas e inclinadas a identificar os deuses com os homens e as deusas com as mulheres. Essa atitude precisa ser modificada para melhor compreensão dos mitos. A Psicologia Junguiana vem em nosso auxílio, alertando que os gregos elaboravam com os mitos as questões humanas universais e sem a predominância do homem ou da mulher. A totalidade de cada ser inclui a capacidade de percepção e desenvolvimento de qualidades mitologicamente masculinas (discriminação, análise, separação, espírito, céu, logos) e femininas (percepção do conjunto, aglutinação, relação, união, terra, corpo, eros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A junção do elemento masculino (consciente) com o feminino (inconsciente) só é possível com a atuação da alma. Ela é tanto o portal de acesso ao mundo interior como também guia de grande valor nesse mundo percebido como “infernal” e perigoso. Nossos sonhos mostram a atuação da alma na tentativa cumprir a sua meta de ligação e mensageira dos potenciais humanos de crescimento espiritual.  Os sonhos tiveram enorme valor na antiguidade, recuperando seu status de importância para a saúde psíquica com o advento da psicologia profunda que leva em conta os fatores do inconsciente coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As artes também mostram o potencial dessa ligação, o que é decantado desde tempos imemoriais. Os contos de fada, que tanto encantam as crianças, trazem os motivos mitológicos, ilustrando o funcionamento e a dinâmica da psique. Com isso, há um encorajamento aos pequeninos para as etapas de vida que enfrentarão, apesar dos enormes riscos, dificuldades e poderes monstruosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como exemplo histórico e clássico, Dante Aleghieri – considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, no início do século XIV, na magistral obra sobre um sonho em que enfrenta peregrinação pelo inferno, purgatório e paraíso (não havia ainda a concepção do purgatório na religião católica). Nesse livro, A Divina Comédia, o autor também narra sua perambulação nesse mundo intermediário são purificados os: soberbos, invejosos, coléricos, preguiçosos, avarentos, gulosos e luxuriosos. Poderíamos imaginar que são aqueles que concentraram suas energias em nódulos destruidores do sentido de vida e não ouviram a própria alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez representando a própria alma do autor, Beatriz proporciona as possibilidades de guia no desafio dessa arriscada, irônica e didática peregrinação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-4535488905104751459?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/Bl0EYDUu7rk" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/4535488905104751459/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=4535488905104751459" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/4535488905104751459?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/4535488905104751459?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/Bl0EYDUu7rk/alma-2.html" title="Alma (2)" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/11/alma-2.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DU4MRX87eSp7ImA9WxRVGUk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-1003191131990039287.post-4639821107774433109</id><published>2008-11-17T16:32:00.003-02:00</published><updated>2008-11-17T16:53:04.101-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2008-11-17T16:53:04.101-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Alma (1)" /><title>Alma (1)</title><content type="html">&lt;a href="http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/asas%20na%20alma.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 375px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/asas%20na%20alma.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Tudo vale a pena se a alma não é pequena”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;em&gt;Tabacaria&lt;br /&gt;(Autor: Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.........&lt;br /&gt;Fiz de mim o que não soube,&lt;br /&gt;E o que podia fazer de mim, não o fiz.&lt;br /&gt;O dominó que vesti era errado.&lt;br /&gt;Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me,&lt;br /&gt;Quando quis tirar a máscara&lt;br /&gt;Estava pegada à cara.&lt;br /&gt;Quando a tirei e me vi ao espelho,&lt;br /&gt;Já tinha envelhecido........&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Uma das características do ser humano é possuir as experiências de vontade e reflexão como maneira de conhecer e entender acontecimentos externos e internos. As pessoas assumem atitudes diversas para um melhor ajuste aos ambientes sociais (externos). De um modo geral, possuímos máscaras (personas) com a qual nos apresentamos na vida pública, outras para a vida intima e familiar e outras ainda para se adequarem a determinadas situações.  A relação com o mundo exterior torna-se fortalecida e facilitada quando a personalidade se ajusta às expectativas ambientais e das pessoas participantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da vida e principalmente no círculo familiar, existem papéis que podem ser experimentados: criança travessa, bode expiatório, ovelha negra, dom Juan, mulher fatal. Muitas dessas máscaras continuam pregadas à face, mesmo quando não mais necessárias, como mencionou o brilhante poeta na parte do poema destacada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A máscara serve ao indivíduo como um mecanismo de adaptação ao meio, possuindo capacidade para mudar ao longo da vida. Na realidade, usamos vários modelos para os diversos papéis e situações, algo que é necessário na adaptação familiar e social. Ela viabiliza uma personalidade pública, funcionando como uma proteção entre a pessoa e o mundo. Uma das metas almejadas dos processos psíquicos é a flexibilização destas máscaras, visando a modificar antigos padrões e sua utilização enquanto é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma o contato interno, com aquilo que temos de mais íntimo e desconhecido, é feito através de uma entidade (ou personalidade) a alma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mar  Portuguez&lt;br /&gt;(Autor: Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó mar salgado, quanto do teu sal&lt;br /&gt;São lágrimas de Portugal!&lt;br /&gt;Por te cruzarmos, quantas mães choraram,&lt;br /&gt;Quantos filhos em vão rezaram!&lt;br /&gt;Quantas noivas ficaram por casar&lt;br /&gt;Para que fosses nosso, ó mar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu a pena? Tudo vale a pena&lt;br /&gt;Se a alma não é pequena.&lt;br /&gt;Quem quere passar além do Bojador&lt;br /&gt;Tem que passar além da dor.&lt;br /&gt;Deus ao mar o perigo e o abismo deu,&lt;br /&gt;Mas nele é que espelhou o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Para o indivíduo, em sua relação interna com o inconsciente, os perigos são imensos, assim como o mar ao qual Deus ofereceu os atributos dos perigos e abismos. Para atuar junto à magnitude de forças presentes no inconsciente, a alma permeia e permite o contato da consciência humana com a energia luminosa que possui no seu interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos assim abstrair que a alma é complementar à máscara (persona) e que apresenta a função de ligar o indivíduo às camadas mais profundas da psique. A alma funciona como um portal entre a consciência individual e as áreas mais profundas do ser (inconsciente coletivo). Assim, quando dizemos que a pessoa “tem” alma, significa que ela mostra a sua sensibilidade desenvolvida, iniciando no seu próprio contato com o mundo interior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira como a pessoa trata seu mundo interior retrata sua alma. E isso se manifesta também nas suas relações com os objetos externos. A percepção com mais equilíbrio entre os fatores externos e internos é questão fundamental para a saúde psicológica, pois se um dos aspectos prevalecer o eu perde a sua flexibilidade. Alma e persona mantêm uma relação de simetria e complementação, podendo ser uma o espelho da outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento da consciência coloca o indivíduo e sua alma num processo dialético. É o contato entre a parte racional e a irracionalidade do inconsciente coletivo que marca, muitas vezes de maneira acentuada, a segunda metade da vida. Este diálogo é parte do Processo de Individuação, que promove a busca da realização do nosso tesouro interno. O que exige determinação e muita transpiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Para Ser Grande”&lt;br /&gt;(Autor: Ricardo Reis ou Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para ser grande, sê inteiro:nada&lt;br /&gt;Teu exagera ou exclui.&lt;br /&gt;Sê todo em cada coisa. Põe quanto és&lt;br /&gt;No mínimo que fazes.&lt;br /&gt;Assim em cada lago a lua toda&lt;br /&gt;Brilha, porque alta vive.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O simbolismo histórico da Lua aponta para a sua conjunção com o Sol, mostrando o potencial a ser realizado nesse encontro do mundo inconsciente quando pode entrar em contato com as luzes da consciência. É o processo alquímico das transformações da natureza e do próprio homem. Com as asas da alma...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1003191131990039287-4639821107774433109?l=kairos800.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~4/si2wMQxcaus" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://kairos800.blogspot.com/feeds/4639821107774433109/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1003191131990039287&amp;postID=4639821107774433109" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/4639821107774433109?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/1003191131990039287/posts/default/4639821107774433109?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/MitologiaeGrecia-JungeArte/~3/si2wMQxcaus/alma-1.html" title="Alma (1)" /><author><name>Ingrid e Bosco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10156331662744673170</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="32" height="18" src="http://4.bp.blogspot.com/_lVTLPuT_sq8/SPjM6HGlGeI/AAAAAAAAAAc/Az88Sx6wsFc/S220/DSC00488.JPG" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://kairos800.blogspot.com/2008/11/alma-1.html</feedburner:origLink></entry></feed>

