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	<title>Modos de Fazer Mundos</title>
	
	<link>http://cesarkiraly.opsblog.org</link>
	<description>editado por Cesar Kiraly</description>
	<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 12:54:39 +0000</pubDate>
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		<title>sobre a dor, o esquecimento e o ignorar</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/07/09/sobre-a-dor/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 12:52:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Judaismo]]></category>

		<category><![CDATA[israel]]></category>

		<category><![CDATA[mundo árabe]]></category>

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		<description><![CDATA[Pouco se fala sobre o esquecimento da Shoá em países do chamado mundo árabe. Não faço idéia se o romance aqui descrito é bom, mas creio que seja um necessário objeto de investigação [o porquê de uma visão plenamente deturpada dos assassínios em massa]. O outro seria o esquecimento da causa humanitária em Israel.
Romance de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pouco se fala sobre o esquecimento da Shoá em países do chamado mundo árabe. Não faço idéia se o romance aqui descrito é bom, mas creio que seja um necessário objeto de investigação [o porquê de uma visão plenamente deturpada dos assassínios em massa]. O outro seria o esquecimento da causa humanitária em Israel.</p>
<blockquote><p>Romance de escritor argelino retrata nazismo no mundo árabe</p>
<p>Na maioria dos países árabes, não houve um debate crítico aberto sobre o nazismo e o Holocausto. Em seu livro &#8220;O vilarejo do alemão&#8221;, o autor argelino Boualem Sansal alia o fato ao estabelecimento do islamismo radical.</p>
<p>Ocasionalmente, alemães em viagem pelo Cairo ou por Damasco são cumprimentados pelo fato de terem tido Adolf Hitler, enquanto é negado o assassinato de milhões de judeus e não judeus. Na maioria dos casos, atrás dessas declarações não se encontra má intenção, mas insegurança e desconhecimento.</p>
<p>Até o momento, somente poucos intelectuais árabes ousaram tratar abertamente desse tema que se tornou um tabu. Entre esses intelectuais, está o romancista argelino Boualem Sansal, que traz uma mensagem bem clara em seu último romance Le Village de l&#8217;Allemand (O vilarejo do alemão, 2008).</p>
<p>Para Sansal, a falta de discussão, nos países árabes, sobre o Holocausto e sobre o totalitarismo do século 20 ajudou àqueles que querem instaurar um regime totalitário: os islamitas radicais. Até agora, seu livro não pode ser vendido na Argélia. Boualem Sansal está em tour pela Alemanha para apresentar a tradução do seu romance para o alemão Das Dorf des Deutschen.</p>
<p>Imagem distorcida</p>
<p>O escritor argelino vive em Boumerdès, próximo à capital, Argel. Como em todo o país, há guindastes por todos os lados. Em entrevista à Deutsche Welle, Sansal explicou que devido aos preços do petróleo e do gás natural, a economia da Argélia se recuperou, nos últimos anos. Para muitos argelinos, no entanto, o bem-estar proveniente do petróleo ainda não chegou, criticou o escritor.</p>
<p>Segundo Sansal, o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, teria conseguido mostrar para o exterior a imagem de um país em plena expansão econômica. &#8220;Mas, internamente, a situação é bem diferente. Bouteflika está a caminho de instalar uma ampla ditadura, como é o caso da Tunísia. Não existe mais liberdade política. Ao mesmo tempo, o nível de desemprego ainda é muito alto e somente uma pequena classe lucra com o desenvolvimento econômico, enquanto drogas, prostituição e criminalidade em geral estão em expansão&#8221;, explicou.</p>
<p>Boualem Sansal é um escritor tardio. Somente aos 50 anos de idade, em 1999, ele publicou seu primeiro romance. Seguiram-se então quatro outros romances, oito novelas e alguns livros de não ficção. Devido às duras críticas à classe política argelina, seus livros são em parte proibidos, como também seu último romance.</p>
<p>Passado paterno</p>
<p>O personagem principal do romance é um nazista alemão chamado Hans Schiller, que teve participação nos assassinatos em massa de Auschwitz e que, através de caminhos tortuosos, acabou entrando no Exército de Libertação Nacional da Argélia após 1945. Como criminoso de guerra internacionalmente procurado, Schiller se estabeleceu e constituiu família na Argélia. Seus dois filhos, que nada sabiam sobre o passado do pai, foram enviados cedo para a França.</p>
<p>Somente quando o velho nazista e sua esposa argelina morrem em um atentado terrorista na Argélia, nos anos de 1990, a verdade vem lentamente à tona. Um dos filhos volta à Argélia para procurar pistas. No jazigo dos pais, todavia, ele encontra mais perguntas do que respostas.</p>
<p>No romance, o filho se pergunta: &#8220;As autoridades sabiam do passado de papai? (&#8230;) Eu poderia jurar que os pequenos manda-chuvas de hoje nada sabem, ele foram instruídos sob o culto da mentira e sob a disciplina do esquecimento&#8230;&#8221;</p>
<p>Nazistas na Legião Francesa</p>
<p>O romance trata de mitos primordiais e de tabus enraizados na sociedade argelina. A imagem ideal de um Exército de Libertação Nacional (ELN) esquerdista, antifascista e íntegro não deve, na medida do possível, ser manchada.</p>
<p>Está claro que também nas fileiras do ELN houve mortes e torturas. Em casos isolados, foram recrutados antigos nazistas para missões especiais ou como instrutores, caso não houvesse outros à disposição. Um debate aberto sobre o lado obscuro do passado não foi, até agora, desejado, criticou Boualem Sansal.</p>
<p>Desta história faz também o fato de, na Argélia, nazistas terem lutado na Legião Estrangeira ao lado da França, contra os argelinos. Para Boualem Sansal, não se trata de denegrir de forma geral o movimento de libertação argelino como simpatizante do nazismo.</p>
<p>O escritor exige, no entanto, que seus conterrâneos e os árabes comecem, finalmente, a se ocupar do Holocausto, que eles se perguntem por que diversos criminosos nazistas do alto escalão encontraram refúgio em países árabes, em vez de receberem a merecida condenação.</p>
<p>Boualem Sansal é da opinião que, somente quando essas questões forem discutidas abertamente, se poderá enfrentar de forma eficaz a ameaça proveniente de novas formas de totalitarismo.</p>
<p>Autora: Martina Sabra</p>
<p>Revisão: Roselaine Wandscheer</p></blockquote>
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		<title>delírio e alucinação: ações do capitalismo</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/07/05/delirio-e-alucinacao-acoes-do-capitalismo/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 19:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>

		<category><![CDATA[bunker de luxo]]></category>

		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[o capitalismo é uma força e tanto. mas é uma força sem uma ação determinada. é uma potência de ação de produtividade infinita, material ou ideativa. assim, o capitalismo nos faz alucinar direitos e outros desejos na experiência pública. mas o capitalismo também nos faz delirar outro mundo que se suspende a esse e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>o capitalismo é uma força e tanto. mas é uma força sem uma ação determinada. é uma potência de ação de produtividade infinita, material ou ideativa. assim, o capitalismo nos faz alucinar direitos e outros desejos na experiência pública. mas o capitalismo também nos faz delirar outro mundo que se suspende a esse e o obriga a se comportar com um mundo só. o capitalismo faz da experiência o delírio do consumo. e a obriga a não pensar em mais nada. por que pensei isso? porque nada mais delirante do que um bunker de luxo para ser feliz, <a href="http://www.dw-world.de/popups/popup_single_mediaplayer/0,,4442722_type_video_struct_9137_contentId_2544261,00.html">não é?!?</a></p>
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		<title>diálogo poético-junino</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/07/04/dialogo-poetico-junino/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 17:51:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<category><![CDATA[poesia em diálogo]]></category>

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		<description><![CDATA[ai que espero que o junho acabe em julho.
despero ai que essa fogueira em tulho.
dessa festa, ai, restam-me os entulhos.
ou pulo a fogueira.
ou fogueira me pula.
ou queimo os pés.
ou se me queima a mufa.
ou se me queima a língua. ou se me queima a língua.
ou se me queima a língua. lá em julho agostiniano setembrino. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ai que espero que o junho acabe em julho.<br />
despero ai que essa fogueira em tulho.<br />
dessa festa, ai, restam-me os entulhos.<br />
ou pulo a fogueira.<br />
ou fogueira me pula.<br />
ou queimo os pés.<br />
ou se me queima a mufa.<br />
ou se me queima a língua. ou se me queima a língua.<br />
ou se me queima a língua. lá em julho agostiniano setembrino. me sopram o quentão. e acabo quentinho.</p>
<p>cesar kiraly</p>
<blockquote><p>ai cesar o que é de cesar.<br />
a língua queima quem fuma.<br />
a mufa queima quem teima.<br />
ou fogo afoga quem pula.<br />
ou quentão sopra la niña.<br />
e ao cabo, quem tinha?</p>
<p>[non sense esses versos<br />
estarão agosto<br />
de julho, cesar]</p>
<p><a href="http://www.novoaemfolha.com/">Christiana Nóvoa</a></p></blockquote>
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		<title>o atemorizante humor da crença</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/07/03/o-atemorizante-humor-da-crenca/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 09:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[crítica de arte]]></category>

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		<description><![CDATA[Há tempos, nem tanto tempo assim, publiquei uma crítica sobre um trabalho de Nachtergaele que julguei genial. Um excesso de genialidade que poderia demorar uma vida para aparecer, mas eis, pois, a ironia, que essa genialidade surgiu densa e necessária à juventude de um diretor. Todavia, como sempre, o riso me passou despercebido, mas é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há tempos, nem tanto tempo assim, publiquei uma crítica sobre um trabalho de Nachtergaele que julguei genial. Um excesso de genialidade que poderia demorar uma vida para aparecer, mas eis, pois, a ironia, que essa genialidade surgiu densa e necessária à juventude de um diretor. Todavia, como sempre, o riso me passou despercebido, mas é necessário atentar para o humor, composto de matizes singulares. O que Nachtergaele comentou nessa última edição do caderno #Mais fez-me pensar que mais uma vez esqueci o atemorizante humor da crença.</p>
<blockquote><p>Tudo Bem</p>
<p>MATHEUS NACHTERGAELE<br />
ESPECIAL PARA A FOLHA</p>
<p>Tudo Bem&#8221; [Versátil Home Vídeo, R$ 39,90], de Arnaldo Jabor, é um dos meus filmes brasileiros prediletos. O retrato ácido e louco de uma família de classe média que reforma seu apartamento nos dá, de forma lúdica e visceral, a exata dimensão da relação entre as classes no país. O filme flerta com o absurdo, com Nelson Rodrigues, e o painel dos personagens é deslumbrante. Atores como Paulo Gracindo, Fernanda Montenegro, Zezé Motta, Fernando Torres, Stênio Garcia, José Dumont, Luiz Fernando Guimarães e Regina Casé revezam-se em situações hilariantemente desconcertantes.<br />
Um espetáculo de talento e conteúdo a cada cena dessa obra genial, que nos provoca o melhor dos risos: o de espanto e terror.</p></blockquote>
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		<title>a beleza do POP morto</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/29/a-beleza-do-pop-morto/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 00:35:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>

		<category><![CDATA[morte]]></category>

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		<description><![CDATA[eu tenho horror completo a cultura pop, mas em alguns momentos sou capaz de ouvi-la. sobre o que se fala acerca do não-humano, acho sempre bastante cativante. é verdade que ele exerceu sobre a imagem de si mesmo uma violência quase sem tamanho. e isso é muito bom. mas a única coisa que me restou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>eu tenho horror completo a cultura pop, mas em alguns momentos sou capaz de ouvi-la. sobre o que se fala acerca do não-humano, acho sempre bastante cativante. é verdade que ele exerceu sobre a imagem de si mesmo uma violência quase sem tamanho. e isso é muito bom. mas a única coisa que me restou de dúvida, e acho que isso se deve ao fato de não compreendermos as imagens da maneira como deveríamos, é o porquê de sabermos da morte do Jackson, de sentirmos a morte do Jackson, mas não entendermos a morte do Jackson. parece que ainda não entendemos que imagens podem morrer. e essa morreu.</p>
<p>*comentário levemente alterado.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>o menino k.</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/25/o-menino-k/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 19:50:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<category><![CDATA[o menino k.]]></category>

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		<description><![CDATA[
o menino k.
prólogo
ao contrário de meu querido amigo Oscar não considero que minha vida tenha sido um hospício, claro que sempre me assusto muito para discordar de Oscar, os seus gritos, ao pensar em contrariá-lo, assolam o meu ouvido, por dentro, como a única força da natureza verdadeiramente verdadeira. apesar da minha vida não ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cesarkiraly.opsblog.org/files/2009/04/matzerath_b.gif"><img class="size-medium wp-image-637 alignleft" src="http://cesarkiraly.opsblog.org/files/2009/04/matzerath_b-159x300.gif" alt="" width="159" height="300" /></a></p>
<p>o menino k.</p>
<p>prólogo</p>
<p>ao contrário de meu querido amigo Oscar não considero que minha vida tenha sido um hospício, claro que sempre me assusto muito para discordar de Oscar, os seus gritos, ao pensar em contrariá-lo, assolam o meu ouvido, por dentro, como a única força da natureza verdadeiramente verdadeira. apesar da minha vida não ter sido um hospício, passei boa parte da minha vida em hospícios. essa é a história que contarei. a minha história de visitação em hospícios. mas não quero que confundam essa história com um romance, trata-se de uma história apenas no sentido largamente impróprio pela qual podemos chamar um conjunto de acontecimentos irregulares, atravessados pela memória, e pelos desejos, de história. na verdade, conto um pequeno pedaço da minha vida. não é um romance, porque depois do que fez meu amigo Oscar – que contou a sua história meio que como romance – sinto muito enjôo ao falar de romances. dos livros que contam coisas pela necessidade de contar. depois de meu amigo Oscar – o tocador de tambor de olhos azuis, creio que turquesa – não há mais que se falar em romances. conto a minha história, ou pelo menos um pequeno pedaço das coisas que penso que se deva contar, a qual não é bem história, do modo pelo qual os homens que escrevem poemas marcam pedaços de papel, não pela necessidade de contar alguma coisa, mas para se livrarem de um pedaço do corpo. conto a minha história em hospícios para me livrar de um pedaço do meu corpo. para andar apenas com um pedaço de memória sem corpo.<br />
aqueles que chamarem esse livro de romance serão amaldiçoados pelo espírito de meu amigo Oscar o tocador de tambor e precisarão percorrer a vida com os seus agudos gritos quebradores de vidros e quebradores de vidraças-alma. como meu bom, e pequeno, amigo Oscar – aquele que se recusou a crescer, para tocar tambores – não tenho qualquer sentimento que me ajude a combater a crueldade. ou sou cruel ou tenho compaixão. e compaixão é apenas aquele sentimento que nutrimos por aqueles a quem permitimos morrer sem que desejemos.<br />
posso ser chamado de K. ou de aquele que tem um corposcrito.</p>
<p>do nascimento</p>
<p>sinto desprezo pelos natimortos.<br />
como se a morte fosse empecilho<br />
de alguma coisa. sinto desprezo<br />
pelos nativivos. como se a vida<br />
fosse algo de que se orgulhar.</p>
<p>do nascimento dos meus olhos</p>
<p>os olhos tinham duas cores.<br />
duas cores por lado.<br />
ou quatro cores.<br />
duas cores por lado.<br />
os olhos eram como olhos de mosca.<br />
ou oito cores.<br />
duas cores por lado.<br />
os olhos eram como tigres.<br />
duas cores por rajada.<br />
os olhos eram como gotas.<br />
dois pingos por globo.</p>
<p>(3)</p>
<p>sempre me perguntei: onde esse maldito<br />
lunático escreveria se suportasse o<br />
quarenta e três (?) por certo, escreveria<br />
sobre o corpo, talvez com algum pedaço<br />
afiado de pedra. não deixa de ser<br />
tolo escrever sobre o corpo. porque todos escrevemos<br />
no corpo. é o primeiro alfabeto.<br />
mas nas mãos de um lunático.<br />
lúcido. é impossível dizer o estrago que<br />
teria causado. impossível de dizer.<br />
impossível de dizer.</p>
<p>(4)</p>
<p>ele é um homem rasgador<br />
de febres. todos os lunáticos<br />
diziam. e apenas os insanos entendem<br />
de lucidez. ele ficara ao relento<br />
até a garganta supurar e os pulmões<br />
encherem de líqüido. apenas com quarenta<br />
e uns graus de febre se colocava<br />
a falar: e era lúcido: como era lúcido:<br />
lúcido como demônio: lúcido como o<br />
deserto. apenas com quarenta e dois<br />
se colocava a escrever no escuro. em pedaços<br />
de jornal. numa escuridão profunda.<br />
com um pedaço de carvão. como era lúcido.<br />
demais do que se pode suportar de lucidez: lúcido<br />
como o demônio. lúcido como Deus.<br />
todos os lunáticos diziam que se<br />
chegasse a quarenta e três alguma verdade<br />
intocável da vida seria tocada.<br />
ao chegar a quarenta e três: morreu.<br />
para o bem de todos nós.</p>
<p>(5)</p>
<p>eu mesmo tenho o corposcrito. como de fato<br />
todos têm. mas eu sei. não seria capaz de ostentar<br />
a lucidez na carne. apenas ostentaria a<br />
lucidez nas orelhas. mas tenho medo de furá-las.<br />
temo furá-las. pavor: furá-las.</p>
<p>(6)</p>
<p>rasgadores de febres<br />
são mutiladores de si mesmos.<br />
arrancam braços, olhos e dedos.<br />
arrancam narizes, membros e nacos de carne.<br />
perfuram tímpanos. perfuram tímpanos. perfuram tímpanos.<br />
para a gargalhada de um pífano. de um flautista.<br />
de um pífaro flautinista.<br />
pelo prazer de escrever poesias em corredeiras.<br />
a tinta bem próximo do papel. sem tocar.<br />
e coices d’água. pedras. homens caídos.<br />
a tinta bem próxima do papel sem tocar.<br />
e curvas. e curvas. e curvas.<br />
a tinta bem próxima do papel sem tocar.<br />
de repente. e poema. e poema. e poema.</p>
<p>do sai e do fica</p>
<p>amontoado vocálico<br />
a – e – i – o – u<br />
amontoado consonantal<br />
b – c – d – f – g – h – j – k. – l<br />
não, k. não fica.<br />
k. fica.<br />
não, k. tem que sair.<br />
se k. sair. eu saio.<br />
s – a – í – d – a<br />
- apenas um:<br />
ai. um frio fenomenológico.<br />
tudo bem: k. fica.<br />
e k. ficou.</p>
<p>de quando se conhece o pai</p>
<p>ai tempo. ai tempo. ai tempo.<br />
ai tempo. ai tempo.<br />
ai tempo.<br />
ai tempo.                   ai tempo.<br />
ai tempo.<br />
ai tempo. ai tempo.<br />
ai tempo. mil vezes ai tempo.<br />
por que me devora por dentro?<br />
ai tempo.<br />
ai tempo.<br />
ai tempo.<br />
por que me devora por dentro e devora<br />
por fora? e me devora por dentro e devora<br />
por fora. tudo. tudo. tudo o que tenho.<br />
ai tempo.<br />
por que devora por dentro e regurgita<br />
tudo o que tenho?<br />
não tenho nada e tudo que tenho é tempo.<br />
só tenho tempo e tudo o que tenho é nada.<br />
ai tempo. deixe que ele fique.<br />
deixe que ele fique.<br />
porque ele é tudo o que tenho e não tenho nada.</p>
<p>nele sempre amei tanto.<br />
por todos os motivos de<br />
estar perdido. ser perdido. no<br />
perdido do encontro.<br />
a ele amei tanto.<br />
pelo ódio sem fim.<br />
deixe que ele fique.<br />
porque ele é tudo o que tenho e não tenho nada.</p>
<p>do falar e do calar</p>
<p>e eu racionalista pergunto:<br />
onde calo?<br />
na boca.</p>
<p>do eu e do tu</p>
<p>desfaço-te pedra por pedra<br />
sobre o tampo de vidro.<br />
desfaço-me pedra por pedra<br />
sobre o tampo de vidro.<br />
e de tanto cair quebramos o vidro.<br />
e de tanto cair quebramos o vidro quebrado.<br />
e de tanto cair quebramos o vidro quebrado do vidro.<br />
e de tanto cair restamos pedra sobre pedra.<br />
e vidro quebrado de vidro. e uma<br />
coisa só. felizes.</p>
<p>dos acidentes</p>
<p>isso que parece sangue no meu dedo: é sangue.<br />
isso que parece corte na minha carne: é corte.<br />
isso que parece morte na minha alma: é morte.</p>
<p>das cordas</p>
<p>extensa corda no vazio e falta<br />
vazio para o vazio. e falta corda<br />
para o vazio. e falta corda para<br />
todos nós. e se falta corda<br />
para os nós, sobrou apenas o nó<br />
da minha mão, feito em vazio, os<br />
nós dos meus dedos. e se falta dedos<br />
para os nós. e falta corda para<br />
o vazio. dou nós nas cordas da<br />
minha voz. e na voz. e na voz.<br />
e na voz. resta sempre uma<br />
gagueira. na voz se guarda<br />
sempre uma gagueira. um<br />
silêncio na voz.</p>
<p>des(aparece) e (des)aparece</p>
<p>do conhecimento</p>
<p>conheci uma casa de homens loucos.<br />
conheci uma casa de homens.<br />
conheci uma casa.<br />
conheci.<br />
e conhecendo.<br />
conheci. homens. nus.<br />
conheci. homens. nus. que. viam. antenas. invisíveis.<br />
conheci. homens. nus. que. não. viam.<br />
conheci. homens. de roupa. que. arrancavam. olhos.<br />
conheci. homens. de roupa. que. arremessavam. olhos.<br />
conheci. homens. nus. que. tapavam. olhos.<br />
e tudo conheci ainda menino sem ponto ou vírgula muito<br />
cedo ou cedo demais para conhecer e contei tudo e<br />
todo o resto ficou muito tarde para se conhecer e restou<br />
apenas o tempo para aprender a dizer.<br />
e conheci uma casa.<br />
de homens loucos. tamborete. de homens<br />
loucos. tamborete. e. com eles. ficava bem.<br />
tamborete. e conheci uma casa<br />
de homens loucos que ficavam nus.<br />
tamborete. nus. tamborete. alguns<br />
arrancavam olhos. outros arrancavam<br />
lua. tamborete. alguns lançavam<br />
olhos. tamborete. outros. rua. tamborete.<br />
mas não se me arrancaram os<br />
olhos. os. meus. perdi.<br />
depois. sozinho.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>José Bechara em Portugal</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/23/bechara-em-portugal/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/23/bechara-em-portugal/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 20:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

		<category><![CDATA[vídeo José Bechara]]></category>

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		<description><![CDATA[José Bechara
Para acompanhar o vídeo do link acima da exposição de José Bechara em Portugal recomendo a leitura de meus dois escritos sobre o trabalho do artista:
Analítica do Preto e do Branco e suas cores
Da casa aos estilhaços de açúcar-imagem
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a id="aptureLink_mJReXCaWy6" href="http://videos.sapo.pt/vBnfvTedbeAh6m7cVNeH">José Bechara</a></p>
<p>Para acompanhar o vídeo do link acima da exposição de José Bechara em Portugal recomendo a leitura de meus dois escritos sobre o trabalho do artista:</p>
<p><a href="http://www.amalgama.blog.br/03/2009/jose-bechara-analitica-do-preto-e-do-branco-e-suas-cores/" target="_blank">Analítica do Preto e do Branco e suas cores</a></p>
<p><a href="http://opensadorselvagem.org/filosofia/outros-criterios/jose-bechara-da-casa-aos-estilhacos-de-acucar-imagem" target="_blank">Da casa aos estilhaços de açúcar-imagem</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Milhazes, Neto, Machado</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/23/milhazes-neto-machado/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/23/milhazes-neto-machado/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 15:52:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Arte]]></category>

		<category><![CDATA[artes visuais]]></category>

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		<description><![CDATA[Faço pequena menção a essas três edições do programa da TV BRASIL chamado Catálogo não por alguma razão especial, mas porque são edições que verei em algum momento. O que significa que não trago essas três edições, porque as entendo de alguma forma relacionadas. Não sei se existe relação ou se não. E também não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faço pequena menção a essas três edições do programa da TV BRASIL chamado Catálogo não por alguma razão especial, mas porque são edições que verei em algum momento. O que significa que não trago essas três edições, porque as entendo de alguma forma relacionadas. Não sei se existe relação ou se não. E também não pensei nessa relação. A única edição sobre a qual pensei um pouco mais, mas que também ainda não me pronuncio é a dedicada ao trabalho de Beatriz Milhazes, porque penso que o modo pelo qual ela usa a cor é exemplificativo de certa dinâmica social da cor. Assim, ficam essas três edições organizadas, para que a minha curiosidade seja a de mais alguém, e que o tempo nos beneficie para vê-las.</p>
<p><a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM990861-7822-BEATRIZ+MILHAZES,00.html" target="_blank">Beatriz Milhazes</a></p>
<p><a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM990792-7822-ERNESTO+NETO,00.html" target="_blank">Ernesto Neto</a></p>
<p><a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM990799-7822-IVENS+MACHADO,00.html">Ivens Machado</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A festa da menina morta de Nachtergaele: cor, tempo e crença</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/19/a-festa-da-menina-morta-de-nachtergaele-cor-tempo-e-crenca/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 14:36:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[crítica de arte]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode-se dizer que A festa da menina morta (2009, dir. Matheus Nachtergaele) possui uma infinidade de méritos dramatúrgicos, mas não me ocupo deles. Esta obra possui, sobretudo, méritos pictóricos. A experiência, em todas as suas nuances, é mostrada. Antes de tudo: “O mundo é real-ilusão”. Esta sentença pode ser esoterizada muito facilmente, mas a direção-roteiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode-se dizer que <a id="aptureLink_NZ6HF4apCq" href="http://www.youtube.com/watch?v=C3HDH41-bsc">A festa da menina morta</a> (2009, dir. Matheus Nachtergaele) possui uma infinidade de méritos dramatúrgicos, mas não me ocupo deles. Esta obra possui, sobretudo, méritos pictóricos. A experiência, em todas as suas nuances, é mostrada. Antes de tudo: “O mundo é real-ilusão”. Esta sentença pode ser esoterizada muito facilmente, mas a direção-roteiro de Nachtergaele se desvia dessa possibilidade menor. Real-ilusão é mundo – a relação deve ser repetida infinitamente, como uma torneira que pinga. Água ardente pode acrescentar intensidade ao mundo que goteja entre realidade e ilusão.</p>
<p>E se a princípio distinguimos uma coisa da outra – o real da ilusão, a pinga da sobriedade e o gotejamento do silêncio –, se repetirmos a seqüência teremos um mundo indiscernível no que concerne à realidade e à ilusão. Não sei como esse problema foi resolvido no roteiro, mas uma das formas seria acrescentando uma ponte entre real e ilusão. Ficaria assim: real_ilusão, em que “_” significa mundo.</p>
<p>para ler o artigo, <a href="http://www.amalgama.blog.br/06/2009/cor-tempo-e-crenca/">clique aqui.</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>minusc’ulisses</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/17/bloomsday/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/17/bloomsday/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 17:09:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar de toda a falta de necessidade é de Joyce que lembro quando penso no escrever. Ao tomar conhecimento dessa data chamada de Bloomsday fiquei encantado a ponto de escrever um poema. Porque intimamente há muito de Ulisses em mim. Esse poema saiu daqui para ir a um livro que ainda não publiquei, um pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de toda a falta de necessidade é de Joyce que lembro quando penso no escrever. Ao tomar conhecimento dessa data chamada de Bloomsday fiquei encantado a ponto de escrever um poema. Porque intimamente há muito de Ulisses em mim. Esse poema saiu daqui para ir a um livro que ainda não publiquei, um pouco porque ficou numeroso em páginas. Daí, estou decidido a publicá-lo novamente para fazer a hommage deste escritor que me atormenta. Não publiquei ontem não por esquecimento, mas porque não confio em nenhum dia que se repita uma vez por ano. Ainda mais, mais não confio em um dia que sofre dupla martelada todo ano. Aniversário, é o mesmo dia todo ano, além de ser aniversário. Dupla martelada. Então, por revolta contra a dupla martelada faço minha hommage hoje.</p>
<p>minusc’ulisses</p>
<p>algumas folhas têm nervuras<br />
outras não.<br />
algumas pessoas têm nervuras<br />
outras não.<br />
alguns sonhos têm nervuras<br />
outros não.<br />
alguns poemas têm nervuras<br />
outros não.<br />
algumas paixões têm nervuras<br />
outras não.<br />
algumas sandices têm nervuras.<br />
sempre.</p>
<p>alguns instantes têm certezas<br />
outros não.<br />
algumas idéias têm certezas<br />
outras não.<br />
alguns cigarros têm certezas<br />
outros não.<br />
algumas canetas têm certezas<br />
outras não.<br />
algumas páginas têm certezas<br />
outras não.<br />
alguns versos têm certezas<br />
outros não.<br />
alguns solfejos têm certezas.<br />
sempre.</p>
<p>algumas mulheres têm pequena<br />
outras não.<br />
algumas mulheres têm azul<br />
outras não.<br />
algumas mulheres nos fazem esperar<br />
outras não.<br />
algumas mulheres são de sonho<br />
outras não.<br />
algumas mulheres são de dia<br />
outras não.<br />
algumas mulheres têm lindas mãos<br />
outras não.<br />
algumas mulheres são você<br />
outras não.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Yo-Yo Ma e meu vazio</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/16/yo-yo-ma-e-meu-vazio/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/16/yo-yo-ma-e-meu-vazio/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 10:20:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<category><![CDATA[vazio]]></category>

		<category><![CDATA[Yo-Yo Ma]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://cesarkiraly.opsblog.org/?p=744</guid>
		<description><![CDATA[herdo geneticamente o vazio.
o vazio me tem em gênese.
não sabia do vazio que tenho.
mas lembrei do vazio que sou.
não tenho um vazio espontâneo. tenho um vazio em arco.
um Yo-Yo me lembra deste vazio plano.
ai Yo-Yo que me joga no vazio da memória.
ai Yo-Yo. ai Yo-Yo.
herdo uma surpresa adulterina.
ai Yo-Yo. herdo um revólver ensandecido.
herdo um gatilho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>herdo geneticamente o vazio.<br />
o vazio me tem em gênese.<br />
não sabia do vazio que tenho.<br />
mas lembrei do vazio que sou.<br />
não tenho um vazio espontâneo. tenho um vazio em arco.<br />
um Yo-Yo me lembra deste vazio plano.<br />
ai Yo-Yo que me joga no vazio da memória.<br />
ai Yo-Yo. ai Yo-Yo.</p>
<p>herdo uma surpresa adulterina.<br />
ai Yo-Yo. herdo um revólver ensandecido.<br />
herdo um gatilho meio solto. ai Yo-Yo.<br />
uma prisão um pouco fria. ai Yo-Yo.<br />
maldito Yo-Yo. na memória me esvazia.<br />
me fez vazio em arco.<br />
me fez vazio em grito.</p>
<p>este vazio. vale. não vale a<br />
pena. este. vazio. não toca o<br />
arco a pena. este vazio. vale.<br />
não vale a pena. este vazio não<br />
toca o fio! não toca o arco.<br />
vale. não. vale. a. pena.<br />
o meu vazio me vale.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>poema de amor à marca</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/13/poema-de-amor-a-marca/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/13/poema-de-amor-a-marca/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2009 07:57:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<category><![CDATA[marca]]></category>

		<category><![CDATA[sinal]]></category>

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		<description><![CDATA[pode-se pensar que existe algo que não seja escritura. mas isso seria dizer que existe algo que não é imagem. então tento dizer para os sem imagens que tudo o que existe é traço sobre traço e sobre traço. sobreposição de traços. estes traços são traços imagens. estas imagens são escritura. então tento dizer para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>pode-se pensar que existe algo que não seja escritura. mas isso seria dizer que existe algo que não é imagem. então tento dizer para os sem imagens que tudo o que existe é traço sobre traço e sobre traço. sobreposição de traços. estes traços são traços imagens. estas imagens são escritura. então tento dizer para os sem traço que tudo o que existe é marca. tudo o que existe é sinal. e este sinal que é marca. este sinal que é traço. nada mais é do que escritura. nada mais é do que uma imagem. nada mais do que um ponto. então, tento dizer para os sem ponto. que basta uma impressão de experiência para se ter escritura, imagem, traço, marca, sinal e mundo. basta uma impressão para se ter mundo.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Da Guerra e da Morte</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/10/da-guerra-e-da-morte/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/10/da-guerra-e-da-morte/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 23:44:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>

		<category><![CDATA[guerra e morte]]></category>

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		<description><![CDATA[A civilização produz ilusões. Essas podem ser mantidas a despeito de eventos traumáticos como as guerras, mas podem, igualmente, sofrer desmantelamento. Existe ilusão com ou sem guerra: a natureza da ilusão é diferente em função da crença a que os eventos históricos nos forçam. Da mesma forma, existe ilusão com ou sem civilização. Contudo, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A civilização produz ilusões. Essas podem ser mantidas a despeito de eventos traumáticos como as guerras, mas podem, igualmente, sofrer desmantelamento. Existe ilusão com ou sem guerra: a natureza da ilusão é diferente em função da crença a que os eventos históricos nos forçam. Da mesma forma, existe ilusão com ou sem civilização. Contudo, a civilização produz alguns modos de ilusão que se mantidas desmantelam as bases da civilização. A civilização conta com a ilusão da passividade, mas se não é capaz de interrogar as causas profundas da violência, não é capaz de manter a paz. Eventos históricos são produtores de crenças, muito embora também possam ser produzidos por crenças. As ilusões também podem ser produzidas pela história e podem fomentar modificações. <a href="http://opensadorselvagem.org/ciencia-e-humanidades/outros-criterios/da-guerra-e-da-morte">Para ler, clique aqui.</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>verso à nóvoa</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/10/verso-a-novoa/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/10/verso-a-novoa/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 22:01:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[os outros me infernam.
inverno por inverno.
outon&#8217;almas (des)apareço. des(apareço).
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>os outros me infernam.<br />
inverno por inverno.<br />
outon&#8217;almas (des)apareço. des(apareço).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/06/10/verso-a-novoa/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>de repente</title>
		<link>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/05/27/de-repente/</link>
		<comments>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/05/27/de-repente/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 May 2009 22:14:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cesarkiraly</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<category><![CDATA[morte]]></category>

		<category><![CDATA[ponte]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://cesarkiraly.opsblog.org/?p=734</guid>
		<description><![CDATA[não tenho nada. estou de repente.
certo que da cor não há mais que corte.
parece que só o de repente importa.
então, que importe.
porque de resto. de repente. apenas me importa o repente.
ou não me importa nada. ou me perca a letra.
de_repente_fica_a_ponte_e_morte.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>não tenho nada. estou de repente.<br />
certo que da cor não há mais que corte.<br />
parece que só o de repente importa.<br />
então, que importe.<br />
porque de resto. de repente. apenas me importa o repente.<br />
ou não me importa nada. ou me perca a letra.<br />
de_repente_fica_a_ponte_e_morte.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://cesarkiraly.opsblog.org/2009/05/27/de-repente/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
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