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		<title>[Bots] MorpHex</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Sep 2017 14:44:53 +0000</pubDate>
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		<title>DATA &#8211; Don&#8217;t Sing feat. Benny Sings</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2015 21:30:33 +0000</pubDate>
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		<title>Valor sobre Marina :: Uma campanha que custou a sair da defensiva</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Oct 2014 12:17:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[05h00 Uma campanha que custou a sair da defensiva Por Daniela Chiaretti e Cristiane Agostine Na manhã nublada de quarta-feira, Marina Silva ligou desesperada para o celular de Brasília. &#8220;Carlinhos, me diga que não é verdade&#8221;, perguntou, como quem não quer ouvir a resposta. &#8220;Infelizmente é verdade&#8221;, respondeu Carlos Siqueira, secretário-geral do Partido Socialista Brasileiro, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>05h00<br />
Uma campanha que custou a sair da defensiva<br />
Por Daniela Chiaretti e Cristiane Agostine</p>
<p>Na manhã nublada de quarta-feira, Marina Silva ligou desesperada para o celular de Brasília. &#8220;Carlinhos, me diga que não é verdade&#8221;, perguntou, como quem não quer ouvir a resposta. &#8220;Infelizmente é verdade&#8221;, respondeu Carlos Siqueira, secretário-geral do Partido Socialista Brasileiro, o PSB, à candidata à vice-presidente. Ele falava de um carro a caminho de Santos; ela, de um flat, em Moema. Às 12h30 de 13 de agosto o Brasil soube que Eduardo Henrique Accioly Campos, 49 anos, candidato à Presidência pelo PSB e ex-governador de Pernambuco, havia morrido em um acidente de avião, junto com mais seis pessoas. A campanha presidencial de 2014 sofria uma reviravolta. Marina Silva chorou, foi para o quarto e se preparou.</p>
<p>A ex-senadora havia se despedido de Campos na noite anterior, no apartamento carioca de Nilson de Oliveira, seu coordenador de comunicação e amigo desde a campanha de 2010, aquela dos 20 milhões de votos pelo Partido Verde. Campos estava feliz com seu desempenho na entrevista ao Jornal Nacional. Tinha 9% na pesquisa Ibope divulgada há poucos dias e acreditava que era só se tornar mais conhecido para melhorar a performance. &#8220;Volte comigo, Marina, vamos poder conversar&#8221;, insistia o pernambucano. Eles haviam chegado juntos ao Rio, no jato que cairia horas depois no mesmo bairro da casa da sogra de Marina, Neide de Lima, em Santos (SP). Ela desconversava, era melhor que tivessem duas agendas. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e seu candidato a vice, Márcio França, do PSB, estariam lá &#8211; dupla que ela não apoiava. Marina queria evitar constrangimentos. Marcaram um encontro às 16h para gravar para o horário eleitoral, que começaria seis dias depois. Faltou combinar com o destino.</p>
<p>O tempo na Baixada Santista estava ruim. O deputado Márcio França, que aguardava na Base Aérea de Santos, viu o jato se aproximar e, de repente, arremeter. Não voltava. Siqueira, que estava em São Paulo com Roberto Freire, presidente do PPS, ligava para o celular de Campos e de seus assessores e nada. Telefonava para França, que dizia que o avião não chegava. A Polícia Federal ligou para o PSB em Brasília, para saber o prefixo do avião. &#8220;Foi uma angústia tremenda. Quando a televisão disse que um jato havia caído eu não tive mais dúvida. E então Roberto Freire recebeu uma ligação, e veio a confirmação&#8221;, lembra Siqueira. É amigo da família Campos há anos.</p>
<p>Marina Silva decolara do Rio em avião de carreira. Tinha reunião em São Paulo com seu &#8220;núcleo duro&#8221; &#8211; Nilson de Oliveira, Bazileu Margarido, Carlos Vicente, Pedro Ivo, Walter Feldman, Neca Setubal. A filha Moara também estava lá, com o namorado, Paulo. Oliveira chegou ao flat preocupado. O avião de Campos estava atrasado 45 minutos e não havia sinal dele. A comoção foi forte na sala depois do telefonema a Siqueira. Aquele grupo nunca mais seria o mesmo.</p>
<p>O país se comoveu com a tragédia, a vida do político sorridente interrompida no auge, o sofrimento da viúva Renata e os cinco filhos, as lágrimas dos parentes dos outros seis mortos. Seguiram-se dias de doloroso resgate de corpos até o enterro de Campos, em cenas tristes de um Recife enlutado. Marina se recolheu e pediu aos colaboradores que não discutissem o futuro até os funerais. Mas era impossível controlar as especulações. O frenesi político queria superar as perdas e seguir com a vida.</p>
<p>Correntes distintas disputavam o poder no PSB. A mais forte queria Marina candidata da Coligação Unidos pelo Brasil. O movimento contrário a ela &#8211; protagonizado pelo grupo paulista -, preferia que o partido não lançasse ninguém. O deputado federal Beto Albuquerque, do PSB gaúcho, pediu que ela o recebesse. Queria expor as tensões dentro do partido e manifestar solidariedade &#8211; dias depois seria indicado como vice na chapa, escolha que não teve participação de Marina. O grupo ligado a Roberto Amaral, atual presidente do PSB, cogitou lançar a deputada Luiza Erundina (SP); depois pensaram nela para vice, mas desistiram. O PSB de Pernambuco ventilou colocar a viúva de Campos como vice ou garantir espaço com um político local. A definição do nome aconteceu no domingo, depois do enterro de Campos, em uma conversa entre Amaral, Siqueira, Albuquerque e o deputado federal mineiro Julio Delgado. O anúncio formal foi feito dois dias depois. A chapa deu certo: Albuquerque assumiu a negociação política com candidatos e partidos que Marina não queria, mas que Campos havia costurado.</p>
<p>Já estava claro que a ex-seringueira Marina, 56 anos, tinha apoio popular e da família de Campos para tornar-se candidata. A consagração aconteceria em Brasília, oito dias depois da tragédia. Pouco antes da reunião da Executiva do partido, um encontro entre lideranças do PSB e do grupo de Marina na Fundação João Mangabeira procurou alinhar os discursos. No meio da conversa, Marina disse que faria algumas trocas no comando da coordenação. Queria puxar as finanças para si e nomeou Bazileu Margarido como coordenador. Abriu para que o PSB indicasse quem quisesse e teceu elogios a Siqueira. Mas algo deu errado: Carlos Siqueira recebeu mal aquilo tudo, disse que era uma deselegância o que se fazia com ele e anunciou a retirada do apoio a Marina. Saiu em disparada, sem aceitar desculpas, surpreendendo todos. Erundina foi escolhida para a coordenação, no lugar de Siqueira, e Walter Feldman, o adjunto. Oliveira continuaria na comunicação e Pedro Ivo, na mobilização.</p>
<p>Pautada por adversários, Marina não conseguiu divulgar as marcas de sua candidatura</p>
<p>Uma fornada de pesquisas começou a sair: Marina empatava com Dilma Rousseff no primeiro turno, com 34% (Datafolha), no fim de agosto, e 33% (Ibope), no começo de setembro. Aécio Neves (PSDB) parecia carta fora do baralho. O PT ficou desnorteado com a arrancada da rival. João Paulo Capobianco, braço direito de Marina no Ministério do Meio Ambiente, seduzia o agronegócio conseguindo apoio explícito dos produtores de álcool, ressentidos com o desamparo do governo Dilma. O mercado financeiro vibrava com a proposta de um Banco Central independente. A Bolsa subiu. Com agenda lotada, Marina perdia peso, mas brilhava.</p>
<p>Na sexta-feira, 29 de agosto, o bufê Rosa Rosarum, em São Paulo, lotou para o lançamento do programa de governo &#8211; a base de sua aliança com Campos. Eram 242 páginas de um livro de capa verde que Marina viu pronto apenas naquele momento.</p>
<p>A euforia durou pouco. Dois erros colocariam nuvens negras na campanha. Um deles teve preço político altíssimo.</p>
<p>Campos e Marina dividiram a leitura do calhamaço e depois trocaram as metades. Cada um tinha um método: ele lia tudo, questionava, comentava e morreu antes de ler o último dos seis capítulos, onde estão propostas para a comunidade LGBT. Marina distribuiu o material a seus assessores para que lessem a compilação consensuada das milhares de propostas e dessem seu parecer. Depois lia as observações e alterava o que não concordava. Uma equipe foi contratada para fazer a sistematização das propostas. Na coordenação de tudo, Neca Setubal e Maurício Rands. Marina não leu a versão impressa.</p>
<p>O primeiro erro apareceu logo que o evento terminou. Embora o capítulo sobre energia não citasse nunca o nuclear, respeitando a oposição de Marina e Campos à fonte, o termo escapou e apareceu no capítulo sobre inovação. A imprensa recebeu a errata às 21h20.</p>
<p>O recuo mais grave veio no dia seguinte e versou sobre as propostas para a comunidade LGBT. Com um texto mais liberal até do que o PT pregava, o programa de Marina defendia o projeto que criminaliza a homofobia, em tramitação no Congresso; defendia o fim dos obstáculos à adoção de crianças por casais homoafetivos e estimulava o desenvolvimento de material didático sobre orientação sexual.</p>
<p>Recém-saído do bufê, Nilson de Oliveira recebeu um alerta de sua equipe que monitora as redes sociais. Algo estava estranho. Ele, Rands e Feldman se deram conta de que o texto não correspondia ao que Marina defendia &#8211; alguém mandou o arquivo errado para a gráfica. Marina ficou irritada e passou a responsabilidade aos assessores: &#8220;Decidam vocês o que fazer&#8221;. A ideia de não corrigir e evitar a repercussão negativa se tornou impraticável &#8211; Marina não sustentaria publicamente o que estava escrito. Decidiram pela errata e por pagar o preço do incrível erro.</p>
<p>Enquanto isso, no twitter, internautas perguntaram ao pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, o que havia achado do texto. Às 22h56 ele partiu para o ataques. &#8220;O programa de governo do partido de Marina é pior que o PT e o PSDB, no que tange aos direitos dos gays. Apoia descaradamente o casamento gay e pede, inclusive, a aprovação do extinto PLC 122, que, entre outras coisas, põe pastor na cadeia.&#8221; Disse aguardar Marina.</p>
<p>A errata chegou às 10h50 do sábado, mas o recuo foi associado à pressão do pastor. A campanha negou qualquer tipo de influência de Malafaia, mas o dano já havia sido feito. &#8220;O custo político foi muito alto. Abriu uma brecha para quem não tinha sequer programa desqualificasse nosso trabalho&#8221;, analisa um assessor. Marina não conseguiu se livrar da pecha de fundamentalista e conservadora.</p>
<p>O bombardeio seguiu, conforme PT e PSDB reviam suas estratégias e se refaziam do susto das pesquisas. Dilma usou o horário eleitoral para acusar a adversária de querer acabar com o pré-sal. Em palanque, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gritava que, se necessário fosse, se jogaria no mar para arrancar a riqueza do petróleo. O programa de Marina, ao defender uma economia de baixo carbono, nunca disse que não exploraria o pré-sal, mas não resumiria o futuro ao combustível fóssil.</p>
<p>Marina estava no auge das pesquisas e a estratégia de campanha do PT foi de desconstrução da candidata. O ataque mais polêmico veio da campanha de Dilma. Uma propaganda mostrava banqueiros felizes e depois retirava pratos de comida da mesa de uma família, com o locutor dizendo que isso aconteceria com a autonomia do Banco Central. Outro golpe foi sugerir que os adversários de Dilma acabariam com o Bolsa Família. Ex-petista, Marina chorou ao ouvir os ataques de Lula, o velho amigo. &#8220;Também amo Marina&#8221;, respondeu o petista, dias depois. &#8220;Mas eleição não é questão de amor.&#8221;</p>
<p>A campanha começou a se ressentir do fogo cerrado. Marina ficou na defensiva, pautada pelas críticas dos rivais. Em resposta, disse que diante dos ataques ofereceria a outra face. Não foi suficiente. A candidata do PSB despencou nas pesquisas enquanto Dilma e Aécio subiram e 34 dias depois do lançamento do programa, a petista cresceu de 34% para 40% (Datafolha). O tucano subiu de 15% para 21%. Marina caiu de 34% para 24%.</p>
<p>Com um sexto do tempo de televisão de Dilma e sem conseguir revidar os ataques, Marina também patinou ao enfrentar os problemas nos palanques estaduais. Ao assumir a candidatura, teve que enfrentar divergências em metade das alianças: em 14 Estados houve acordo, mas em 13 há conflitos. Com Campos, havia combinado fazer duas agendas conjuntas e cinco separadas a cada semana, para dar visibilidade à candidatura e driblar os conflitos estaduais.</p>
<p>A &#8220;nova maneira de fazer política&#8221; obrigou acrobacias no calendário de comícios. Escalado para subir nos palanques em que Marina se recusa, Albuquerque foi a Campinas (SP), em evento organizado pelo PSB local com a campanha do tucano Alckmin, a cerca de duas semanas das eleições. Marina foi à cidade, a mais populosa do interior paulista, dois dias depois, no mesmo local do ato com tucanos.</p>
<p>No palanque e no horário eleitoral, Marina dedicou-se a falar sobre o que não vai fazer. Não vai acabar com o Bolsa Família. Não vai reduzir direitos trabalhistas. Não vai parar de explorar o pré-sal.</p>
<p>Em comício no interior da Bahia, Marina usou sua vida como exemplo para desmentir o boato sobre o fim do Bolsa Família. Quem passou fome &#8220;na própria carne&#8221;, disse, jamais acabará com o programa. No palanque, deixou para trás termos impenetráveis como os &#8220;núcleos vivos da sociedade&#8221;, frequentes em 2010. E reclamou do discurso do medo contra ela: &#8220;Se o povo brasileiro fosse medroso, não pegava no cabo da enxada para ir trabalhar na roça, não teria enfrentado a ditadura&#8221;.</p>
<p>Candidata teve que enfrentar divergências nos Estados; fez acordo em 14 deles mas há conflitos em outros 13</p>
<p>A artilharia reforçou a ofensiva. A campanha petista a comparou aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello, que não terminaram seus mandatos. O PT vinculou a coordenadora do programa de governo, Neca Setubal, herdeira do Itaú, aos interesses dos banqueiros. Explorou a contradição de Marina ter dito que votou a favor da CPMF, quando votou contra em plenário. A candidata reclamava dos ataques, negava acusações e respondia como podia. Mas não conseguia conter a destruição.</p>
<p>A campanha seguiu movimento pendular, de vai e vem, ataque e esclarecimentos. Se prometeu &#8220;atualizar&#8221; a legislação trabalhista a um grupo de empresários, &#8211; sem detalhar o que pretendia &#8211; teve que articular às pressas um comício em São Bernardo do Campo para negar acusações de que flexibilizaria leis trabalhistas. Marina se disse vítima de &#8220;fofocas&#8221;. &#8220;Podem caluniar, dizer o que quiser, mas o meu testemunho de vida está marcado na carne&#8221;, reagiu em Manaus.</p>
<p>O comício mais comovente foi no Recife, na última semana de campanha. Marina levou ao palanque a viúva e quatro dos filhos de Campos. Em discurso emocionado, João, o mais velho, lamentou a perda do pai, mas agradeceu a Deus por aproximá-lo de Marina: &#8220;Meu pai se transformou no que esperava, nos seus ideais e nos seus sonhos.&#8221; De microfone na mão, Marina dizia que não ia entrar na guerra de marqueteiros dos rivais.</p>
<p>A estratégia de comunicação de trincheira é apontada pelos assessores próximos de Marina como um dos principais problemas da candidatura no primeiro turno. Se é para manter o que já existe, analisaram, como convencer o eleitor a mudar? No balanço do comando da campanha, Marina passou tempo demais sendo pautada pelos adversários, sem apresentar seu projeto. Nas conversas com o responsável pelo marketing da campanha, o argentino Diego Brandy, Marina recusava-se a partir para o ataque contra Dilma e Aécio. A falta de um tom forte contra Malafaia também irritou os conselheiros.</p>
<p>Outro problema foi ter herdado uma campanha já pronta, a menos de dois meses da eleição, sem conseguir imprimir marca própria. As principais propostas apresentadas por Marina foram escolas públicas com turno integral e passe livre para seus estudantes. Eram ideias defendidas por Campos. O desenvolvimento sustentável e as bandeiras socioambientais, tão próprias de Marina, sumiram.</p>
<p>Marina também se viu diante de turbulências do PSB, mas procurou se manter distante das brigas de poder internas do partido que a acolheu há um ano. &#8220;Hospedeiro não se mete na casa do hóspede&#8221;, diz um interlocutor.</p>
<p>A desvantagem no tempo de TV &#8211; dois minutos contra os quase doze de Dilma &#8211; desaparece no segundo turno, quando todos têm 10 minutos. Se a candidatura passar à segunda fase, mais tempo de TV pode ser um problema. Diego Brandy não tem experiência em campanhas presidenciais no Brasil &#8211; atuou na de Campos ao governo de Pernambuco e de Geraldo Julio (PSB) à Prefeitura do Recife, mas nunca como estrategista. Marina recusa um marqueteiro que defina seu discurso. O cineasta Fernando Meirelles, que a ajudou em 2010, será um consultor informal e tem ajudado no reforço das equipes de produção e criação.</p>
<p>O jornalista Antonio Alves, o Toinho, velho amigo e conselheiro da candidata do PSB, cuida do roteiro, edição e articulação da estratégia da campanha com a equipe de Brandy. Toinho trabalhou no passado em campanhas do PT no Acre e é conhecido pelas boas ideias e capacidade de improviso &#8211; certa vez, em campanha pobre, criou um teleprompter de cartolina enrolada em um cabo de vassoura. Comparada com o poder de fogo de Dilma, a campanha de Marina -para ficar em uma imagem ao gosto da ex-senadora &#8211; é mesmo uma batalha de Davi e Golias.</p>
<p>Marina fechou a campanha com o risco de não avançar ao segundo turno. A equipe sentiu a tensão e o desânimo. Na sexta-feira, durante a preparação da candidata ao debate da TV Record, Neca Setubal passou mal e foi para o hospital. Sintomas do stress dessa fase da campanha. &#8220;As mentiras do PT colaram&#8221;, lamentava um assessor. Na reta final (diferente da disputa de 2010, quando subia nas pesquisas), seu desempenho estava em declínio e muito próximo ao de Aécio Neves. Caciques do PSDB atribuíam parte da &#8220;culpa&#8221; de sua queda também aos ataques de Aécio. &#8220;Em eventual aliança de ambos no segundo turno, o compromisso terá que ser com a adesão ao programa e não com a promessa de cargos&#8221;, adianta um assessor de Marina. A única coisa certa, se a candidatura sobreviver às urnas no domingo, é que Marina Silva terá que falar do que não falou &#8211; de sua visão de um Brasil sustentável. E esclarecer o enigma que persiste até agora &#8211; com que dinheiro, afinal, foi pago o jato que matou Eduardo Campos.</p>
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		<title>Luiz Felipe de Alencastro no Valor: A fronteira de outubro</title>
		<link>https://muitopelocontrario.wordpress.com/2014/09/28/luiz-felipe-de-alencastro-no-valor-a-fronteira-de-outubro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Sep 2014 18:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
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					<description><![CDATA[Valor Econômico 26/09/2014 às 05h00 A fronteira de outubro Por Diego Viana Folhapress Alencastro: dinamismo da política transparece no fato de se ter duas mulheres disputando a Presidência, uma delas negra Liderada por candidatas que fizeram carreira política longe das máquinas partidárias dos Estados, a corrida eleitoral pode marcar uma inflexão importante no presidencialismo, avalia [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Valor Econômico</p>
<p>26/09/2014 às 05h00<br />
A fronteira de outubro</p>
<p>Por Diego Viana</p>
<p>Folhapress</p>
<p>Alencastro: dinamismo da política transparece no fato de se ter duas mulheres disputando a Presidência, uma delas negra</p>
<p>Liderada por candidatas que fizeram carreira política longe das máquinas partidárias dos Estados, a corrida eleitoral pode marcar uma inflexão importante no presidencialismo, avalia o cientista político e historiador Luiz Felipe de Alencastro. Se Aécio Neves não reverter a queda em intenções de votos, o segundo turno não terá candidato tucano pela primeira vez desde 1989, e o único candidato formado na política dos Estados (após a morte de Eduardo Campos, que também tinha essa origem) estará fora da disputa. Alencastro observa que Marina Silva se formou politicamente na luta ambientalista e no período em que foi ministra do governo Lula. Em sua opinião, aquela possibilidade tenderia a reforçar o federalismo no país, reduzindo o peso dos Estados mais importantes na formação de futuros eventuais presidentes, e abriria caminho para uma renovação política.</p>
<p>Em entrevista ao Valor, Alencastro criticou a ausência da política externa como tema de debate entre os candidatos à Presidência. Após o empenho do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para expandir a presença do Brasil na geopolítica global, sua sucessora recuou, disse e deu-se um &#8220;apagão&#8221;. Também falou sobre a ascensão de Marina Silva nas pesquisas, o significado de episódios de racismo e as manifestações de rua do ano passado.</p>
<p>Alencastro retornou ao país neste mês, após uma carreira como professor de história do Brasil na Universidade Sorbonne (Paris IV). O Centro de Estudos do Brasil e do Atlântico Sul, que dirigia, associado à sua cátedra, está sendo transferido para o Brasil. Terá sede na Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, onde Alencastro é professor titular. A seguir, os principais trechos da entrevista.</p>
<p>Valor: Temos a perspectiva, pela primeira vez desde 1989, de um segundo turno sem o PSDB. O que isso significa?</p>
<p>Luiz Felipe de Alencastro: O presidencialismo no Brasil mudou. O presidencialismo paradigmático é aquele em que os presidentes costumam sair de uma base estadual. É assim nos EUA e foi assim no Brasil antes da ditadura. Juscelino foi prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas Gerais. Jânio Quadros, prefeito e governador de São Paulo. Aécio Neves é de Minas, base regional. Se ele ficar fora do segundo turno, teremos Marina Silva e a presidente Dilma Rousseff, que não vêm desse paradigma. Os Estados desapareceriam como centro da política, algo que vem desde a formação do Brasil como Estado nacional. A contrapartida será abrir o quadro para uma renovação muito forte da política brasileira, como já se vê pelo fenômeno extraordinário de termos duas mulheres disputando a Presidência, uma delas negra. Isso dá prova do dinamismo da política brasileira.</p>
<p>Valor: Além da subida de Marina, um efeito da morte de Eduardo Campos foi a redução drástica do índice de indecisos.</p>
<p>Alencastro: Dilma vai para o segundo turno sem reserva de votos. Se, no quadro anterior, a eleição fosse para o segundo turno, uma parte dos votos de Campos ia para Dilma. Agora, os votos do Aécio vão todos para Marina. Não ter essa reserva é um problema grave para Dilma. Quanto a Aécio, os estragos em sua campanha, com o descolamento de cabos eleitorais no interior e a rarefação das fontes de financiamento, me parecem irreversíveis, apesar da recente melhora em intenções de voto.</p>
<p>Valor: Depois do impulso inicial, a subida de Marina parece ter estagnado, reabrindo o leque de possibilidades.</p>
<p>Alencastro: É importante ter um segundo turno. O Brasil é um país complicado e merece essa discussão. No primeiro turno, como se diz, candidatos são eliminados. O presidente é escolhido no segundo. Marina promete reduzir o Estado, mas também se empenharia na política social, o que é contraditório. Mas me preocupa o fato de ela não ter sido capaz de montar um partido político. Ela vem de um fiasco inicial que o destino mudou de maneira espetacular, o que certamente reforçou nela a ideia da mão do destino, mas sua própria base política, e agora a organização do programa de governo, está mostrando que há contradições.</p>
<p>Valor: Marina tem sido criticada por voltar atrás em várias posições. Isso afeta o eleitorado?</p>
<p>Alencastro: Marina tem repetido a ideia de governar com os homens de bem. &#8220;Homens de bem&#8221; é um conceito ingênuo, mas também perigoso. De repente, durante o governo, ela descobre que seus assessores não são homens tão de bem como pensava, porque ninguém sabe bem o que é isso. O que Marina vai fazer? Essa expressão passa também a ideia de um país sem conflito, sem grupos sociais com visões profundamente divergentes. É despolitizante. Ela vai ser presidente de um país dividido, com interesses conflitantes. Isso é normal num país complexo. Um país onde os interesses não se exprimam no jogo institucional ou é ditadura ou é um país passivo diante do Estado.</p>
<p>Valor: Não haveria uma despolitização anterior? Dilma, por exemplo, foi eleita como gerente, e não por causa de habilidades políticas.</p>
<p>Alencastro: Por que Lula decidiu sozinho, impôs, não teve convenção, nem nada. É claro, já tem uma despolitização. O PT foi decapitado também. Hoje, o puxador de voto do PT em São Paulo é o Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians. Não tem liderança política. O mensalão decapitou o partido. Não surgiu outra liderança com experiência política. A única liderança que apareceu foi o [Fernando] Haddad, e ainda dando cotovelada para abrir espaço dentro do PT.</p>
<p>Valor: Ainda assim, a conquista da Prefeitura de São Paulo é considerada uma grande vitória para o PT.</p>
<p>Alencastro: A eleição de Haddad em 2012 desequilibrou a política nacional, porque está ligada a uma mudança. Imediatamente, colocou Eduardo Campos na corrida sucessória, rompendo com o PT. Campos viu que vinha uma nova geração e ele não seria o candidato natural à sucessão de Lula. Se Haddad fizer dois bons mandatos de prefeito, ganha notoriedade nacional. Por isso o cerco em cima dele, as ações nos tribunais contra o IPTU progressivo.</p>
<p>&#8220;O puxador de voto do PT em São Paulo é o ex-presidente do Corinthians. Não tem liderança política. O mensalão decapitou o partido&#8221;</p>
<p>Valor: O eleitorado conservador parece ter visto em Marina Silva uma tábua de salvação quando o PSDB entrou em crise.</p>
<p>Alencastro: É um desastre para o Brasil a derrocada do PSDB, um partido de governo, que tem a experiência do Estado. É por isso que nunca houve aliança entre PT e PSDB. A polarização, que parece arcaica, expressa o fato de que os dois partidos têm uma concepção diferente do Estado, e por isso não se aliam. O PMDB e outros partidos se alinham com todo mundo porque não têm concepção nenhuma.</p>
<p>Valor: Por que o eleitor conservador precisa de tábua de salvação? Não tem um quadro próprio capaz de gerir o país?</p>
<p>Alencastro: Isso é exemplarmente demonstrado na declaração do Agripino Maia (DEM-RN), coordenador da campanha de Aécio, quando diz que o principal objetivo é levar o tucano ao segundo turno e, se não puder, tudo contra o mal maior, que é o PT. Essa frase é rústica, uma forma primária de fazer política. Qual é seu programa de governo? É tudo contra o PT. O Clube Militar expressou um sentimento semelhante recentemente.</p>
<p>Valor: Marina pode ser classificada como anti-PT?</p>
<p>Alencastro: Marina diz que não faz política tradicional, mas foi muito hábil. Logo que saiu candidata, ela disse: &#8220;Não vou me candidatar a um segundo mandato&#8221;. Essa foi a regra que Aécio tinha exigido de Campos. Os dois se declararam contra a reeleição e foram criticados, mas para eles era fundamental. Era a chance de um herdar os votos do outro no segundo turno e depois passar a chance ao fim do mandato.</p>
<p>Valor: Não seria um acordo fácil de romper?</p>
<p>Alencastro: Sim, mas o interessante é que Marina fez o mesmo acordo sem dar declarações tonitruantes contra a reeleição. Fez a politicagem mais eficaz, e com toda a razão. Mas não se recusa ao jogo político de jeito nenhum.</p>
<p>Valor: Pelo que o senhor está dizendo, ela anunciou que seu mandato vai ser um tampão.</p>
<p>Alencastro: O que é uma grande ilusão, porque, fora do governo, o PT vai ser um grande partido de oposição. Vai desabar aqui e lá, mas vai se reestruturar. Marina é uma liderança carismática vinda de um partido tão pequeno que não conseguiu se viabilizar. Ela se instalou num partido maior, que não é seu. Esses ingredientes estavam presentes nas crises de 1961 e 1992. Por isso, não me parece absurdo lembrar Jânio Quadros e Fernando Collor.</p>
<p>Valor: O governo Dilma mexeu em vários pontos da economia, como a redução dos juros, as concessões na infraestrutura e a desoneração da indústria, sem que houvesse progressos reais. O arsenal se esgotou?</p>
<p>Alencastro: A política de juros falhou e isso foi fundamental para o resto afundar. Mas algumas coisas estão andando, como o pré-sal. Fala-se muito da Petrobras, mas a produção aumenta regularmente. A ferrovia Norte-Sul vai destravar o interior, que terá acesso ao mar. Vamos, finalmente, ter ferrovias. Os aeroportos deram certo. O governo errou muito com a taxa de retorno das rodovias. Travou tudo. Quando soltou, nos aeroportos, foi adiante. Outro erro é que Dilma continua na política anticíclica, que era boa quando os preços das exportações estavam altos. Não podia continuar, muita gente avisou, e agora o ministro Guido Mantega, que perdeu a credibilidade há tempos, transmite mensagens de otimismo inapropriadas. O papel do ministro não é fazer &#8220;wishful thinking&#8221;.</p>
<p>Valor: A política externa tinha ganhado em importância com Lula, que se esforçou para elevar a posição internacional do Brasil. O governo Dilma parece ter voltado atrás nessa estratégia.</p>
<p>Alencastro: Dilma provocou um apagão na política externa. Colocou como ministro das Relações Exteriores alguém com quem ela não se entendia, o [Antonio] Patriota. Quando foi aos EUA, em abril de 2012, chegou lá e o Congresso estava em recesso. Fechado. Nem a imprensa brasileira, que era contra Dilma, se deu conta de que ela foi lá durante um recesso: como o Itamaraty organizou a visita assim? É como chegar a Brasília no mês de janeiro. Por outro lado, ela reagiu muito bem ao não ir na visita de Estado americana. Dilma reagiu nesse embalo, mas não tem uma política articulada. Coisas como a criação do banco dos Brics, por exemplo, já eram questões antigas. Dilma nunca deu uma entrevista coletiva para correspondentes estrangeiros sobre política externa, separando os grandes assuntos, como fazem em outros países.</p>
<p>Valor: Correspondentes estrangeiros têm manifestado estranheza com a ausência da política externa nos debates presidenciais. O senhor tem a mesma impressão?</p>
<p>Alencastro: A grande lacuna do debate é a política externa. O primeiro parceiro comercial do Brasil é a China e ninguém aqui sabe nada sobre a China. Há poucos especialistas em China no Brasil. Demorou 40 anos para aparecer o ensino da África aqui, quando já estava na cara que os portugueses iam dar com os burros n&#8217;água no começo dos anos 1960 e que esses países lusófonos estariam em contato com o Brasil de novo. Espero que não demore tanto para estudarmos a China.</p>
<p>Folhapress<br />
&#8220;Marina tem repetido a ideia de governar com os homens de bem. &#8216;Homens de bem&#8217; é um conceito ingênuo, mas também perigoso&#8221;<br />
Valor: Como lhe parece a política externa nos cálculos políticos dos candidatos?</p>
<p>Alencastro: Não conta nada. Mas o presidente da República é chefe da sexta maior economia do mundo, está no G20 e toma decisões inclusive sobre casos como o da Argentina, país que está acuado por um juiz de segunda instância nos EUA. Aécio, por exemplo, não tem a menor noção do tema, nunca abriu a boca a respeito, não fez uma viagem ao exterior. Fernando Henrique Cardoso tinha uma rede internacional por causa da universidade e Lula, por causa do movimento sindical. Naturalmente, há jornais e aparelhos políticos europeus querendo se aliar a conservadores brasileiros e dariam espaço para alguém que chegasse lá. Não há uma foto de Aécio com conservadores europeus.</p>
<p>Valor: E quanto a Marina?</p>
<p>Alencastro: É a mesma ausência de articulação. A bandeira do meio ambiente, em que o Brasil tem posição de destaque, com a defesa da Amazônia, é um tema de interesse mundial e ela é uma militante de base. Foi convidada na Olimpíada de Londres para desfilar, foi a única brasileira. Há gente no mundo todo interessada no que ela tem para dizer, mas ela não coloca em debate a política externa.</p>
<p>Valor: O eleitor não se interessa por política externa, os candidatos tampouco, o governo menos ainda&#8230;</p>
<p>Alencastro: O país sofre com isso. É uma questão de desinteresse e incompreensão. Dilma tinha um posto-chave no governo Lula, não podia ter deixado o tema tomar esse rumo. Quando [o embaixador] Roberto Azevedo foi eleito presidente da Organização Mundial do Comércio, vários países votaram nele porque era o Brasil de Lula, e houve gente que reclamou porque ela não ligou para agradecer. O Brasil arrancou a presidência da FAO, da OMC, Olimpíada, Copa do Mundo, por quê? Porque estava presente e ativo.</p>
<p>Valor: Uma crítica diz respeito à recusa em fechar tratados bilaterais de comércio.</p>
<p>Alencastro: Isso é para ser comido em fatias. Os tratados, hoje, se organizam em bloco. O Brasil é muito pequeno, viraria aperitivo de grandes. A Europa e os EUA estão organizando o Tratado do Atlântico Norte. A China está organizando a Ásia e engole parte da América Latina. O Brasil podia jogar no Atlântico Sul, na África, destravar o Mercosul. A alternativa de acordo bilateral é boa para o México, uma economia reflexa da economia americana.</p>
<p>Valor: O senhor fez uma célebre defesa das cotas raciais nas universidades, no STF, em 2010. Como avalia o que ocorreu de lá para cá?</p>
<p>Alencastro: Na época, argumentava-se que as cotas criariam conflitos. E não há conflito. Há mais conflito com o trote do que com alunos negros. Os estudantes receberam essa novidade pacificamente. Tem sido um sucesso. A coisa mais visível para quem não morava no Brasil, progressivamente, é a presença da população negra em postos de classe média.</p>
<p>Valor: Como interpreta o xingamento racista ao goleiro Aranha, do Santos, e a expulsão de estudantes mineiros que protagonizaram um trote racista?</p>
<p>Alencastro: Isso é típico. Indica que a sociedade aceitou que o conflito racial existe. Como no romance &#8220;Gabriela, Cravo e Canela&#8221;, de Jorge Amado. O marido mata a mulher por adultério e não é inocentado: vai preso. Isso é uma ruptura na cultura jurídica machista. Fazer um insulto racista e ser posto diante das consequências penais do ato é novidade. E choca. Cria-se a ruptura na história do direito civil. Como o motorista que pegou 92 anos de cadeia por dirigir bêbado e matar três pessoas. A estupefação da família da moça que fez o insulto racista reflete isso.</p>
<p>Valor: Vivendo em Paris na época, como o senhor acompanhou o que ocorria no Brasil em junho de 2013?</p>
<p>Alencastro: Estamos entrando no pós-colonialismo. A polícia colonial é essa que se conhece, porque quando é para bater em pobre e negro, é pancada pura. A polícia está tendo que aprender, como a África do Sul depois do apartheid. Recentemente, dois policiais militares que se recusaram a atacar uma manifestação, porque poria vidas em risco, foram absolvidos pela Justiça Militar. Tinham sido presos por desobedecer aos comandantes e foram inocentados. Isso é um debate típico do pós-colonialismo., e me lembra [Nelson] Mandela com a polícia do apartheid, dizendo: &#8220;Não atirem mais&#8221;! Em maio de 1968, isso foi uma virada na França. As manifestações lá são violentas e as pessoas diziam: &#8220;A polícia não atira nos filhos da burguesia&#8221;. Sete anos antes, em 1961, a polícia matara centenas de argelinos durante uma manifestação em Paris, muitos deles afogados no Sena. Era uma polícia colonialista.</p>
<p>Valor: O senhor está dizendo que há um movimento consistente de superação da violência policial no Brasil?</p>
<p>Alencastro: Acho que sim. É um momento histórico, de ruptura. Ter uma polícia que não sai mais atirando é um contraste que deve ser cada vez mais marcado. Diante do Masp [Museu de Arte de São Paulo, na avenida Paulista, lugar usual de manifestações] não morre ninguém, mas dez quilômetros adiante morrem três ou quatro.</p>
<p>Valor: A mudança histórica não viria quando dez quilômetros adiante também não morressem?</p>
<p>Alencastro: Claro, mas criar o contraste nítido é importante. Pense, por exemplo, na emenda constitucional que estendeu os direitos trabalhistas dos trabalhadores domésticos. O substantivo já diz tudo. As domésticas têm sido há séculos sinônimo de exploração de trabalho adolescente, feminino, de negação de direitos sociais. A mudança na lei marca uma etapa de civilização pós-colonial, como a educação dos PMs para controlarem manifestações sem brutalidade.</p>
<p>© Copyright Valor Econômico S.A. All rights reserved</p>
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		<title>Ideia de renúncia, para apoiar Marina, ronda Aécio Neves
Por Raymundo Costa &#124; Valor
Ruy Baron/Valor</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2014 01:46:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eleições 2014 17h20 Ideia de renúncia, para apoiar Marina, ronda Aécio Neves Por Raymundo Costa &#124; Valor Ruy Baron/Valor SÃO PAULO&#160; &#8211;&#160; A ideia da renúncia seguida do apoio a Marina Silva ronda o candidato Aécio Neves, segundo reportagem exclusiva publicada no Valor Pro, serviço de notícias em tempo real do Valor. Seria a maneira [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eleições 2014<br />
17h20</p>
<p>Ideia de renúncia, para apoiar Marina, ronda Aécio Neves<br />
Por Raymundo Costa | Valor<br />
Ruy Baron/Valor</p>
<p>SÃO PAULO&nbsp; &#8211;&nbsp; A ideia da renúncia seguida do apoio a Marina Silva ronda o candidato Aécio Neves, segundo reportagem exclusiva publicada no Valor Pro, serviço de notícias em tempo real do Valor. Seria a maneira de despachar o PT já no primeiro turno das eleições, sem correr o risco de uma eventual virada no segundo turno, algo que até hoje não ocorreu nas eleições, desde 1989, quando foi restabelecida a eleição direta para presidente da República.</p>
<p>Aécio tem prazos. Assim como o PT, o candidato do PSDB apostou na polarização e se deu mal. Contra a maioria das apostas no PSDB, Aécio ainda acredita numa resposta positiva do eleitorado, em meados de setembro, quando aposta que sua propaganda eleitoral começará a apresentar resultados. De qualquer forma, o programa de Aécio, cada vez mais, fala para Minas Gerais.</p>
<p>Mal na disputa presidencial, Aécio também enfrenta problemas em Minas, onde seu candidato ao governo do Estado, Pimenta da Veiga, está comendo poeira no rastro de Fernando Pimentel, o único petista a liderar a corrida para o governo do Estado, nos quatro maiores colégios eleitorais. O próprio Aécio não tem o desempenho esperado em Minas. Em algum momento da campanha, o candidato terá de se concentrar na campanha mineira, de modo a assegurar sua base de apoio mineira para as próximas eleições.</p>
<p>Também não é certo, a esta altura, que se Aécio desistir e apoiar Marina a fatura será liquidada no primeiro turno. Hoje a presidente está consolidada no segundo turno, graças sobretudo ao forte apelo que seu nome mantém nas regiões Norte e Nordeste. O problema de Dilma é que ela não amplia nem para o primeiro nem para o segundo turno, conforme demonstram as últimas pesquisas.</p>
<p>É improvável que Aécio aceite algum tipo de acordo com Marina já no primeiro turno, mas o simples f ato de a proposta circular nas áreas afins ao candidato, eleitores fiéis que agora pensam no voto útil em Marina, dá uma ideia do tamanho do apoio que se delineia em torno da candidata do PSB. Na hora em que o PT perder a eleição, a disponibilidade dos o utros partidos para se aproximar será grande.</p>
<p>No segundo turno, a tendência do PSDB é apoiar Marina Silva e ajudá-la a governar, se ela for eleita, como apontam as pesquisas. Ao contrário do que aconteceu em 1992, quando era oposição e se recusou a compor com o governo Itamar Franco, o PT tem muitos interesses em jogo e deve&nbsp; pensar com mais receptividade a ideia de dar apoio congressual a Marina. O problema é que Marina se tornou a primeira opção ao PT.&nbsp; O mercado financeiro é parceiro de Marina porque não quer o PT no governo.</p>
<p>Nos cálculos dos políticos mais experientes, Marina não precisará compor com o PT. Ela pode fazer maioria tranquila com partidos médios e apoios nos maiores, mas, sobretudo, vai jogar luz sobre o Congresso. Marina terá uma agenda dura, para trazer as pessoas da rua, os manifestantes de junho. É evidente que haverá gente no Congresso tentando esconder com mão de gato, mas será muito mais difícil com uma relação transparente.</p>
<p>Dilma, no momento, tem maioria instável no Congresso. Pode-se afirmar que Marina deve ter uma minoria estável. Ela também vai contar com o apoio da mais tradicional sigla brasileira, o PG, o Partido do Governo, aquele que está com qualquer que seja o presidente no Palácio do Planalto. Mas a candidata do PSB também quer&nbsp; inverter a lógica adotada pela presidente para a nomeação dos ministros.</p>
<p>Assim, não será o PSDB, por exemplo, que vai dizer “eu quero fulano”. Marina vai escolher, até porque poderá dizer que não tem interesse na reeleição. É uma negociação que não está sobre a mesa. E quando fala que não quer disputar um segundo mandato, Marina Silva desarma os partidos e seus eventuais candidatos em relação a ela. Pode montar um ministério de melhor qualidade. Eduardo Campos, o candidato cuja morte virou de ponta cabeça a&nbsp; sucessão presidencial, era mais gestor e menos equipe. Marina, que o sucedeu, é menos gestora mas tem mais equipe</p>
<p>O PSDB deve declarar apoio a Marina Silva no segundo turno da eleição, se as pesquisas atuais forem confirmadas em 5 de outubro. A dúvida no entorno da candidata do PSB é sobre o apoio do PT. Afinal, Lula é candidato declarado em 2018. O fato de Marina não querer disputar um novo mandato ajuda um entendimento, se houver convencimento de que ela não cederá a pressões para permanecer, caso faça um bom governo.</p>
<p>A situação do PT hoje é muito diferente daquela vivida quando o partido teve de decidir se apoiava ou não Itamar Franco, após o impeachment de Fernando Collor. Não se trata simplesmente de uma questão de manter cargos, isso também existe, mas de projetos e políticas em andamento que são muito caras ao partido. Diz um integrante da coordenação da campanha de Dilma: “Na época do governo Itamar nós éramos oposição. Agora, com um monte de gente no governo, nós vamos ficar”.</p>
<p>Leia mais informações na coluna de Raymundo Costa na edição desta terça-feira do Valor.</p>
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		<title>bukowski :: então queres ser um escritor?</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Dec 2013 17:47:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
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					<description><![CDATA[então queres ser um escritor? (Tradução: Manuel A. Domingos) se não sai de ti a explodir apesar de tudo, não o faças. a menos que saia sem perguntar do teu coração, da tua cabeça, da tua boca das tuas entranhas, não o faças. se tens que estar horas sentado a olhar para um ecrã de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.revistabula.com/835-os-10-melhores-poemas-de-charles-bukowski/">então queres ser um escritor?</a></p>
<p>(Tradução: Manuel A. Domingos)</p>
<p>se não sai de ti a explodir<br />
apesar de tudo,<br />
não o faças.<br />
a menos que saia sem perguntar do teu<br />
coração, da tua cabeça, da tua boca<br />
das tuas entranhas,<br />
não o faças.<br />
se tens que estar horas sentado<br />
a olhar para um ecrã de computador<br />
ou curvado sobre a tua<br />
máquina de escrever<br />
procurando as palavras,<br />
não o faças.<br />
se o fazes por dinheiro ou<br />
fama,<br />
não o faças.<br />
se o fazes para teres<br />
mulheres na tua cama,<br />
não o faças.<br />
se tens que te sentar e<br />
reescrever uma e outra vez,<br />
não o faças.<br />
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,<br />
não o faças.<br />
se tentas escrever como outros escreveram,<br />
não o faças.</p>
<p>se tens que esperar para que saia de ti<br />
a gritar,<br />
então espera pacientemente.<br />
se nunca sair de ti a gritar,<br />
faz outra coisa.</p>
<p>se tens que o ler primeiro à tua mulher<br />
ou namorada ou namorado<br />
ou pais ou a quem quer que seja,<br />
não estás preparado.</p>
<p>não sejas como muitos escritores,<br />
não sejas como milhares de<br />
pessoas que se consideram escritores,<br />
não sejas chato nem aborrecido e<br />
pedante, não te consumas com auto-<br />
— devoção.<br />
as bibliotecas de todo o mundo têm<br />
bocejado até<br />
adormecer<br />
com os da tua espécie.<br />
não sejas mais um.<br />
não o faças.<br />
a menos que saia da<br />
tua alma como um míssil,<br />
a menos que o estar parado<br />
te leve à loucura ou<br />
ao suicídio ou homicídio,<br />
não o faças.<br />
a menos que o sol dentro de ti<br />
te queime as tripas,<br />
não o faças.</p>
<p>quando chegar mesmo a altura,<br />
e se foste escolhido,<br />
vai acontecer<br />
por si só e continuará a acontecer<br />
até que tu morras ou morra em ti.</p>
<p>não há outra alternativa.</p>
<p>e nunca houve.</p>
<p>Via <a href="http://www.revistabula.com">Revista Bula</a></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>&#8220;Hidrelétricas no Brasil e a vitória do obscurantismo&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Nov 2013 21:21:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; Por algum motivo &#8211; e a culpa é do emissor, nunca do receptor, ou seja, minha &#8211; talvez tenha passado a impressão que &#8220;desembarquei&#8221; da candidatura Dilma/PT, pela Marina-Eduardo/PSB-Rede. Ou seja, que marinei. Muito pelo contrário. Longe disso, só não acho que a presença desses temas nas eleições vá fazer mal. E se pudermos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>
<div style="text-align:justify;">&#8211;</div>
<div style="text-align:center;"><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg"><img data-attachment-id="9546" data-permalink="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/11/27/hidreletricas-no-brasil-e-a-vitoria-do-obscurantismo/hidreletricas-amazonia/" data-orig-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg" data-orig-size="940,438" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="hidreletricas = amazonia" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=300" data-large-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=650" class="aligncenter size-full wp-image-9546" alt="hidreletricas = amazonia" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=1000"   srcset="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=640&amp;h=298 640w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=150&amp;h=70 150w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=300&amp;h=140 300w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=768&amp;h=358 768w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg?w=650&amp;h=303 650w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/hidreletricas-amazonia.jpg 940w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></a><em></em></div>
<div style="text-align:justify;">Por algum motivo &#8211; e a culpa é do emissor, nunca do receptor, ou seja, minha &#8211; talvez tenha passado a impressão que &#8220;desembarquei&#8221; da candidatura Dilma/PT, pela Marina-Eduardo/PSB-Rede.</div>
<div style="text-align:justify;">
Ou seja, que marinei. Muito pelo contrário.</div>
<div style="text-align:justify;">
Longe disso, só não acho que a presença desses temas nas eleições vá fazer mal. E se pudermos escolher os adversários, estes dois são infinitamente melhores (para o Brasil) do que os que são mais propensos a serem derrotados, de novo (PSDB).</div>
<div style="text-align:justify;">
É exatamente o contrário, o fato de não discutirmos seriamente esses temas &#8211; sustentabilidade e inovação &#8211; é que abre espaço para o obscurantismo, para a ignorância e para a hipocrisia. E, óbvio, para a manipulação e distorção do quarto poder. A arena política é construída com muito embate e discussão. São os<br />
tijolos e a argamassa. E, a meu ver, está faltando muito disso.</div>
<div style="text-align:justify;">
Se, aqueles que realmente se preocupam com o futuro desse país, se calam, a vitória será, sem dúvida daqueles &#8220;povos de Pandora&#8221; que &#8220;se alimentam da luz&#8221;, e no longo prazo, daqueles que trabalham em prol da consolidação da &#8220;teoria da dependência&#8221; como caminho, não para o desenvolvimento econômico e tecnológico de forma sustentável, e sim para a total entrega do que nos resta de recursos naturais e humanos.</div>
<div style="text-align:justify;">
Assim é um erro as pessoas bombardearem qualquer &#8220;alternativa&#8221; com FUD. Nunca usamos essa estratégia no passado, por que agora? Essa &#8220;alternativa&#8221; tem que ser desconstruída com argumentos, para na hora de governar termos a legitimidade de milhões de votos. É assim que funciona.</div>
<div style="text-align:justify;">
E a meu ver, o melhor momento pra tirar esses &#8220;interesses das sombras&#8221; e desmontar essa &#8220;visão infantilizada do mundo&#8221; é agora, em 2014, porque depois será tarde de mais.</div>
<blockquote>
<div style="text-align:justify;"><em>11/11/2013 às 05h00 <a title="Comentários">18</a></em></div>
<div style="text-align:justify;"><em><a href="http://www.valor.com.br/opiniao/3334086/hidreletricas-no-brasil-e-vitoria-do-obscurantismo#ixzz2lsiNxrfR">Hidrelétricas no Brasil e a vitória do obscurantismo</a></em></div>
<div style="text-align:justify;">
<div><em>Por <strong>Ivan Dutra Faria</strong></em></div>
</div>
<div id="node-body" style="text-align:justify;">
<p><em>O anedotário da caserna nos conta que, ao assumir o comando de um quartel, um coronel indagou de seu oficial imediato acerca de um posto de sentinela permanente em frente a um banco de praça. Percorreu-se, sem sucesso, toda a cadeia hierárquica atrás da resposta, até que o soldado mais antigo do quartel acabou com mistério: há muitos anos, o banco fora pintado e, por isso, providenciou-se uma sentinela para evitar que alguém, inadvertidamente, sentasse sobre a tinta fresca. Desde então, o posto nunca mais ficou sem vigilância.</em></p>
<p><em>É inevitável a lembrança da sentinela do banco quando se assiste a alguém do governo federal, compungida e conformadamente, informar à plateia que &#8220;a sociedade decidiu que não se pode mais construir hidrelétricas com grandes reservatórios&#8221;. A sociedade quem, cara-pálida? Quando, onde e por quem essa decisão foi tomada?</em></p>
<p><em>Fala sério, autoridade! Isso nunca foi discutido adequadamente no Brasil e, menos ainda, definido por meio de mecanismos da democracia representativa. Nem quem vota nem quem foi votado escolheu coisa alguma. Essa decisão é de responsabilidade exclusiva de gente amedrontada por meia dúzia de bumbeiros tonitruantes. Gente que, passivamente, ouve os parlapatões midiáticos dizerem que a energia eólica substitui, com vantagens, a hidreletricidade. Gente que afirma que <strong>Belo Monte vai afetar o Parque Nacional</strong> do Xingu, aquela maravilha situada rio acima &#8211; <strong>a &#8220;apenas&#8221; 1.300 km, aproximadamente</strong>.</em></p>
<p style="text-align:center;"><em><strong><cite dir="ltr">Tivessem prestado atenção às aulas, saberiam que a energia mais poluente é aquela que não se tem</cite></strong></em></p>
</div>
</blockquote>
</div>
<p><span id="more-9545"></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>A Comissão Internacional de Grandes Barragens, uma entidade de reconhecida qualificação técnica que realiza levantamentos sistemáticos em diversos países, periodicamente publica uma lista dos países com mais de duzentas grandes barragens em operação. Trata-se aqui de estruturas com altura igual ou superior a 15 metros e, também, as que possuem altura variável entre 10 e 15 metros, desde que tenham capacidade de armazenar mais de 3 milhões m<sup>3</sup> de água em seus respectivos reservatórios.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Como esperado, a China, os Estados Unidos e a Índia ocupam as primeiras posições na lista. O Japão e a Coreia do Sul, surpreendentemente, ocupam a quarta e a quinta posições, respectivamente, superando, sucessivamente, o Canadá, a África do Sul e o Brasil.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quando nos lembramos das condições climáticas adversas do enorme território canadense, ficamos nos perguntando sobre certo país privilegiado, em cujos corpos d&#8217;água se encontram 12% da água doce superficial do planeta &#8211; muito mal distribuídos, diga-se de passagem. Chega-se à conclusão de que a razão entre a quantidade de barragens e a extensão do nosso território é bem modesta, nomeadamente quando comparada com os dois países asiáticos que, obviamente, não se destacam no panorama internacional pela extensão territorial e, tampouco, pela geração hidrelétrica.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Há atualmente cerca de 50 mil grandes barragens em operação mundo afora. O Brasil mal ultrapassa o milhar, enquanto a Coreia do Sul, um país menor do que o Estado de São Paulo, tem um terço a mais, e o Japão, o triplo. Isso nos leva a pensar que essas sociedades priorizaram a regularização das vazões de seus rios, como forma de controlar os seus múltiplos usos, tais como o controle de inundações, a mitigação dos efeitos das secas, a irrigação de lavouras, o suprimento de água potável, a navegação e o controle de doenças de origem hídrica.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>É interessante notar que, no Brasil, quanto mais sectários são os opositores aos empreendimentos hidrelétricos, mais eles se utilizam da palavra &#8220;barragem&#8221;, em vez de &#8220;usina&#8221; ou de &#8220;hidrelétrica&#8221;, sugerindo que os barramentos ao curso natural dos rios não podem ser feitos, em nenhuma hipótese. Eles falam em impactos &#8220;irreversíveis&#8221;. Não usariam esse termo se tivessem prestado atenção às aulas de química nos cursos de ensino médio &#8211; especialmente às que tratam de equilíbrios e seus deslocamentos. Lembrariam que há uma quantidade fixa de água no planeta e que os reservatórios são uma forma milenar de gestão desse recurso. Distinguiriam os argumentos coerentes daqueles contaminados por avaliações subjetivas, desprovidas de consistência técnica ou científica.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Aqui, os conflitos vêm sendo criados, predominantemente, por crenças e convicções preestabelecidas, colidentes com os fundamentos das abordagens científicas dos impactos ambientais. Em vez de ciência, o licenciamento ambiental é uma notável coleção de opiniões. Neste país paradoxal, ao tempo em que se dá espaço na mídia a palpiteiros que combatem as hidrelétricas e seus reservatórios, não se toma conhecimento das diversas manifestações da Agência Nacional de Águas (ANA), onde <strong>gente que estuda seriamente o assunto defende o armazenamento de água como essencial para o desenvolvimento sustentável</strong>.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não se trata de construir barragens apenas para que o setor elétrico utilize a energia hidráulica dos nossos rios. <strong>Trata-se de contar com &#8220;registros no encanamento&#8221;, controlando a disponibilidade hídrica, guardando e usando com moderação e responsabilidade, de acordo com o atávico conhecimento dos usos múltiplos de reservatórios</strong>. É fazer o maior número possível de barragens permitido pelo conhecimento científico atual. Isso não é para &#8220;achistas&#8221; que, deturpando o Princípio da Precaução, pretendem estancar a marcha do conhecimento humano. Houvessem prestado atenção às aulas de matemática e de biologia, saberiam por que <strong>&#8220;risco zero&#8221; pode significar &#8220;custo infinito&#8221;</strong> e por que a energia mais poluente é a que não se tem.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Na versão 2012 do Programme for International Student Assessment (PISA), uma medida da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para avaliar a qualidade da educação no mundo em 65 países, o Brasil aparece em 53ª posição, entre os 15 com pior desempenho. A China lidera o ranking, seguida de Coreia do Sul, Finlândia, Hong Kong e Cingapura.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Entre os países que pertencem à OCDE, há seis que apresentam um elevado nível de proficiência em ciências ambientais na escala do Pisa. Isso quer dizer que os alunos conseguem aplicar o conhecimento científico na busca do entendimento das questões ambientais. Entre esses países, estão o Japão, a Coreia do Sul e o Canadá &#8211; nações que apresentam proporções particularmente altas nessa avaliação e que &#8211; ora vejam &#8211; utilizam intensivamente o armazenamento de água em barragens.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O Brasil possui seis engenheiros para cada grupo de 100 mil pessoas. O Japão possui cinco vezes mais. Em 2012, o Brasil formou menos de 40 mil engenheiros, e a Coreia do Sul, com menos de um quarto da nossa população, formou o triplo. Tudo isso deve ser coincidência.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><strong>Ivan Dutra Faria é especialista em avaliação de impactos ambientais de barragens, doutor em política, planejamento e gestão ambiental, é consultor legislativo do Senado Federal (Área de Minas e Energia).</strong></em></p>
<div style="text-align:justify;"><em><a href="http://www.valor.com.br/opiniao/3334086/hidreletricas-no-brasil-e-vitoria-do-obscurantismo#ixzz2lsiNxrfR">http://www.valor.com.br/opiniao/3334086/hidreletricas-no-brasil-e-vitoria-do-obscurantismo#ixzz2lsiNxrfR</a></em></div>
</blockquote>
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		<title>Se o Mundo Tivesse Só Cem Pessoas</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Nov 2013 09:19:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8211; via Visual.ly]]></description>
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<p><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/iftheworldwere100people.jpeg"><img data-attachment-id="9525" data-permalink="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/11/08/se-o-mundo-tivesse-so-cem-pessoas/iftheworldwere100people/" data-orig-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/iftheworldwere100people.jpeg" data-orig-size="618,2427" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="IfTheWorldWere100People" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/iftheworldwere100people.jpeg?w=76" data-large-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/iftheworldwere100people.jpeg?w=261" class="aligncenter size-full wp-image-9525" alt="IfTheWorldWere100People" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/iftheworldwere100people.jpeg?w=1000"   srcset="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/iftheworldwere100people.jpeg 618w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/iftheworldwere100people.jpeg?w=38&amp;h=150 38w" sizes="(max-width: 618px) 100vw, 618px" /></a></p>
<p style="text-align:right;">via <a href="http://blog.visual.ly/20-great-infographics-of-2012/" target="_blank">Visual.ly</a></p>
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		<title>US$17 Trilhões</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Nov 2013 14:45:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
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					<description><![CDATA[E alguns, ainda se perguntam por que a China compra tanto ouro. Ou por que a cotação desse tal de Bitcoin bateu recorde, de novo. Mas aqui &#8211; tanto à direita, como à esquerda &#8211; ninguém questiona as razões de ainda acumularmos reservas (exclusivamente) em US$ dólar, como se nada estivesse prestes a acontecer ¹. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/jKpVlDSIz9o?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p>E alguns, ainda se perguntam por que a <a href="http://portphillippublishing.com.au/images/MPR20131021a.jpg">China compra tanto ouro</a>. Ou por que a cotação desse tal de <a href="http://www.coindesk.com/bitcoin-price-all-time-high/">Bitcoin bateu recorde</a>, de novo.</p>
<p>Mas aqui &#8211; tanto à direita, como à esquerda &#8211; ninguém questiona as razões de ainda acumularmos reservas (exclusivamente) em US$ dólar, como se nada estivesse prestes a acontecer ¹.</p>
<p>¹ &#8211; Digo, &#8220;prestes a acontecer&#8221; é na régua da Geopolítica. Que não é dividida em dias ou meses, e sim, anos, décadas, séculos.</p>
<p style="text-align:right;">via <a href="http://demonocracy.info">Demonocracy</a></p>
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		<title>E se utopia for?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Oct 2013 21:34:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; &#8220;E isso ai? Soava como?&#8221; Nos meus 15 min de leitura ruim/dia, vi, de relance, o que dizem os jornais, blogs e nas rede sociais (mentira, não acesso redes sociais, só tento imaginar o odor). Percebi que já começaram a bombardear a &#8220;utopia&#8221;, desconstruir a &#8220;ilusão&#8221;, todo o pacote que a Marina tenta vender. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211;</p>
<p style="text-align:center;"><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/KWmj7Ls4edY?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;E isso ai? Soava como?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Nos meus 15 min de leitura ruim/dia, vi, de relance, o que dizem os jornais, blogs e nas rede sociais (mentira, não acesso redes sociais, só tento imaginar o odor). Percebi que já começaram a bombardear a &#8220;utopia&#8221;, desconstruir a &#8220;ilusão&#8221;, todo o pacote que a Marina tenta vender. O que não percebem, com sua tradicional arrogância, é que ela quer mesmo é se transformar na única capaz de carregar a pobre e órfã esperança no colo. Desmemoriados que são, ignoram que a ascensão de Lula traçou o mesmo caminho. Vendeu esperança, e só na reta final pôs os pés no chão duro e frio da realidade política-financeira-empresarial. No fim &#8220;a esperança venceu o medo&#8221;, para o bem do Brasil.</p>
<p style="text-align:justify;">No Lula/2002, ele lançou a &#8220;<a href="http://www.iisg.nl/collections/carta_ao_povo_brasileiro.pdf">Carta ao Povo Brasileiro</a>&#8221; no dia 22/06/2002. Calculem ai quantos dias para aquele 1º turno? Assim a inconsistência do discurso e das ideias da Marina, principalmente na questão de sustentabilidade, não me parece ser um problema PARA ELA. Esse nível de &#8220;abstração intrínseca&#8221; no seu discurso é algo natural, e que facilitará sua vida &#8211; <span style="color:#ff0000;">se fizer tudo certo</span> &#8211; lá na frente na hora de moldar o programa de governo. É necessária, então.</p>
<p style="text-align:justify;">MAS, a ausência de uma resposta consistente e nova por seus adversários, esse sim é um problema para nós (por enquanto, sim, nós). Para ela, é só dar um passo para trás na hora certa. Alguém dúvida que a elite empresarial pularia nessa canoa? E o MST? O agricultor familiar e orgânico? O povo da economia solidária? Os jovens empreendedores e suas &#8220;startups&#8221;? Os &#8220;povos de Pandora, &#8211; ups &#8211; da Amazônia&#8221;? Vai &#8220;vendo&#8221; a lista.</p>
<p style="text-align:justify;">Por outro lado: Os ruralistas, sei que não. Os grandes devedores do BNDES, sei que não. As grandes empreiteiras, acho que no momento não (só depois). Lembrem do ditado sobre boas companhias. Então&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">É preciso respostas novas, no sentido de inovadoras, que alterem a realidade de forma significativa. A realidade é dinâmica e não estática. Mudam-se os problemas, mudam-se as respostas. Pelo menos tentem nos convencer que isso é possível. Pelo menos um espasmo de reação para as demandas ATUAIS da sociedade.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu vi muita gente na rua, desculpe se não consigo ignorar.</p>
<p style="text-align:justify;">O PT com a questão da &#8220;Miséria&#8221;, às vezes começa a parecer com o PSDB com a &#8220;Estabilização da Moeda&#8221;.  E se não sabem (não por ignorância, mas por terem terceirizado a informação à mídia corrupta) a miséria teve dois choques: um curto na implantação do Plano Real, e um longo e persistente com o Bolsa-Família. Se precisar, eu desenho.</p>
<p style="text-align:justify;">São questões importantes, mas que se esgotaram na medida que a solução foi boa e, &#8211; óbvio &#8211; solucionou o problema. Mas todo mundo agora quer mais. É natural, a gente sempre quer mais. Por isso chegamos até aqui. Então, acho &#8211; apenas acho &#8211; que os eleitores já moveram a cadeira.</p>
<p style="text-align:justify;">Por exemplo, acredito que temos que continuar nossos planos de construir hidrelétricas nas Amazônia, de se investir (mais) em Defesa, em Energia Nuclear, de grandes obras como a Transposição do São Francisco, etc. Todas causam grande impacto ambiental e eu acho necessárias para se vencer o atraso secular em infraestrutura que a década perdida (80&#8217;s) e o arrocho tucano (90&#8217;s) nos condenou.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É por um bom motivo&#8221;, digo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas esse meu discurso está velho e surrado, e acho que não será tão bem recebido pelas novas gerações. E se, nesses casos, isso não chega a preocupar, é só usar a mesma lógica para os outros casos. Todos os outros grandes temas que envolvem uma eleição. Pra mim tudo mudou, como se uma placa tectônica tivesse se movido de lugar. Perceberam agora o tamanho do problema?</p>
<p style="text-align:justify;">Como já escrevi antes, &#8220;<a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2010/07/22/lula-nao-ensinou-o-pt-a-pescar/">Lula não ensinou o PT a pescar&#8221;</a>, e esses, que agora, tentam implodir a estratégia da Marina de vender a esperança, podem ser pegos no contrapé, ou morrerem, como todo peixe bom de briga, pela boca. Fica a dica, um bom conselho que lhes dou de graça, usem a boca (ou o teclado) para propor novas ideias e soluções. Pois, aqui embaixo os problemas se acumulam nas ruas e as respostas que propõem não fazem (mais) nenhum sentido. Mas pode ser meus olhos e ouvidos cansados da guerra.</p>
<p style="text-align:justify;">É utopia? Primeiro, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Utopia">utopia</a> significa um lugar perfeito que habita a imaginação dos homens, e não existe, então não tem que se prender ao real, e tampouco se encaixar em abstrações humanas, como a matemática, muito menos à probabilidade. Segundo, até aonde vi, essa nossa &#8220;tal realidade&#8221; não estava tão bem das pernas.</p>
<p style="text-align:justify;">É só descer do Olimpo para conseguir enxergar. Mas descerão?</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, falando em mitologia, o que que estava no fundo da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Caixa_de_Pandora">caixa</a> que armazenava todos os males do mundo, que Zeus &#8211; oh, ironia! &#8211; deu para Pandora, a curiosa esposa do irmão de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prometeu">Prometeu</a>?</p>
<p style="text-align:justify;">A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Elpis">esperança</a>. Na política, é sempre assim, quem está [com o][no] poder, é obrigado a ficar preso ao pragmatismo pela força da realidade. Até que alguém aparece e recolhe os cacos estilhaçados dos sonhos de ontem, os cola com o espírito de Elpís e constrói uma nova utopia. Vende esse remendo aos eleitores, que compram e os colocam no poder.</p>
<p style="text-align:justify;">Para que eles possam quebrar tudo de novo. ∞. Soa ruim? Melhor que não tê-la. Sem ela, afinal, não há vida.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A Receita de Presidente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Oct 2013 09:56:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; A semana passa (pretendo escrever, 3x por semana, e só) e o Governo/Dilma/PT não dão folga pra tentarmos consolidar os avanços e apontar os erros. É um dia após o outro, misturando arrogância e prepotência. Amigo(a)s, vou desenhar, eleição quem decide é o povo. E ela só acaba quando termina, quando o último voto [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">&#8211;</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg"><img data-attachment-id="9440" data-permalink="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/10/15/a-receita-de-presidente/bolo1/" data-orig-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg" data-orig-size="1169,1312" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="bolo1" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg?w=267" data-large-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg?w=650" class="aligncenter size-medium wp-image-9440" alt="bolo1" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg?w=267&#038;h=300" width="267" height="300" srcset="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg?w=267 267w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg?w=534 534w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/bolo1.jpg?w=134 134w" sizes="(max-width: 267px) 100vw, 267px" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">A semana passa (pretendo escrever, 3x por semana, e só) e o Governo/Dilma/PT não dão folga pra tentarmos consolidar os avanços e apontar os erros. É um dia após o outro, misturando arrogância e prepotência. Amigo(a)s, vou desenhar, eleição quem decide é o povo. E ela só acaba quando termina, quando o último voto é apurado. Mas se não aprenderam até hoje, não aprenderão mais.</p>
<p style="text-align:justify;">Ou é o João Santana, num <a href="http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/10/bjoao-santanab-o-homem-que-elegeu-seis-presidentes.html">inexplicável surto de estrelismo</a>, ou é a Dilma, num <a href="http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2013/10/15/marina-silva-tornou-se-a-isca-que-dilma-morde/">tradicional momento de irritação com a beligerância dos repórteres</a>. Isso é parte do jogo. Subiram no salto, e agora vão descer, humildade e respeito serão ser o mote daqui pra frente. Então, há males que vem para o bem.</p>
<p style="text-align:justify;">Autoaceitação é começo de toda mudança, então para se aceitar, é preciso olhar para dentro, para seus maiores erros, para seus maiores defeitos. Depois disso, se a busca tiver sido sincera, fica tudo muito mais fácil. Vale para vida pessoal, vale pra tudo. O que falta a muitas pessoas é a coragem de olhar, não para o espelho &#8211; que inverte e distorce &#8211; mas para o maldito umbigo. E é isso que o Governo Dilma tem que fazer. Pra começar a conversa.</p>
<p style="text-align:justify;">Outra coisa que irrita é a virulência com que tratam seus adversários. Parecem ignorar que esse país só vai melhorar após uma disputa de visões diferentes, que nos leve a um caminho do meio, sem radicalismo, sem revoluções, sem o totalitarismo das ditaduras. E apesar dos problemas da democracia contemporânea, é o povo, no final, quem decide. São tantas agendas contraditórias (eg.: Desenvolvimentismo vs Sustentabilidade) que precisam ser decididas que não cabe aqui.</p>
<p style="text-align:justify;">Muitos talvez achem que eu estou exagerando ao comparar a Marina com o Lula, não estou. O problema é que a maioria compara o Lula atual com a Marina do passado. Esquecem das besteira que o Lula e FHC diziam e a condena eternamente pelo que disse no passado. O óbvio ululante: ela deve ser avaliada por sua posição atual, e será o resultado das decisões que tomar. Vejam o Serra o que virou.</p>
<p style="text-align:justify;">O que eu sei, é que: (A) os dois tem uma história de vida bela que emociona; (B) os dois aprendem com os seus erros muito mais rápido do que os seus críticos e apoiadores conseguem perceber e (C) os dois sempre enfrentaram preconceitos gigantescos durante sua história na política.</p>
<p style="text-align:justify;">Somem A+B+C = um(a) Presidente(a) da República. Então, aprendam com o passado, parem de bater, senão ela não vai parar de crescer.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A Oitava Passageira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Oct 2013 09:27:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
		<category><![CDATA[2014]]></category>
		<category><![CDATA[dilma]]></category>
		<category><![CDATA[eduardo campos]]></category>
		<category><![CDATA[marina]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; Frequentemente a chamo de Lula de saias. Não é por acaso, não é por reverência &#8211; ahaha, logo eu -, é pela habilidade. E o incrível, é que, exatamente como quando ela saiu do Governo, deixando o PT e a Dilma como vilões, a reação foi a mesma: menosprezo e arrogância. E o resultado: [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">&#8211;</p>
<p class="kicker blue" style="text-align:center;"><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/alien.jpg"><img loading="lazy" width="550" height="256" class="size-full wp-image" id="i-9422" alt="Imagem" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/alien.jpg?w=550" srcset="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/alien.jpg?w=550 550w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/alien.jpg?w=150 150w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/alien.jpg?w=300 300w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/alien.jpg 560w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" /></a></p>
<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">Frequentemente a chamo de Lula de saias. Não é por acaso, não é por reverência &#8211; ahaha, logo eu -, é pela habilidade. E o incrível, é que, exatamente como quando ela saiu do Governo, deixando o PT e a Dilma como vilões, a reação foi a mesma: menosprezo e arrogância. E o resultado: 20 milhões de votos.</p>
<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">Como noticiado pela agora, atônita, #velhamídia o desenrolar da leitura dos seus movimentos dá pra ver o quão hábil ela foi na hora crítica, perdeu na luta sangrenta, mas continuou jogando para tentar se apropriar da &#8220;nova política&#8221;. Eu não acredito nisso, mas pouco importa, o que está em jogo na verdade é o monopólio da esperança. Quem o perdeu, chora até hoje. E ela &#8211; a esperança &#8211; ficou ai, abandonada, órfã, esperando alguém para adotá-la, mesmo que saiba que no futuro, irão maltratá-la e abandoná-la de novo. Um ciclo, como tudo na vida.</p>
<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">O engraçado de tudo isso é a bipolaridade e hipocrisia, tanto na mídia velha, quanto nos chamados blogs progressistas sobre o que significa, sobre quem perde e quem ganha. Bom eu gosto de fazer o negativo: quem mais está irritado com essa &#8220;jogada&#8221;? É só olhar os críticos pra ver que parece que ela fez a coisa certa. Então, é só ler a mídia/blogs e deduzir.</p>
<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">Não estou dizendo que ela seja vítima, ou que vá salvar o Brasil. Só estou dizendo que mal não f az. Tentar não doí. Sei que a mídia começará a endeusá-la em: &#8220;3, 2, 1&#8230;&#8221;. Eles vão apoiar qualquer um que tenha o mínimo de possibilidade de interromper o projeto de poder do PT. Qualquer um. Hitler ou Stálin se estivessem vivos &#8211; ou, em último caso se pudessem ser ressuscitados. Só que, há tantos &#8211; bilhões, digo &#8211; em jogo, que editores recomendam aos seus jornalistas-quase-escravos muita calma nessa hora. E é o que &#8211; salvo raras exceções &#8211; estão fazendo.</p>
<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">Mas ela, Marina, parece ter passado de sonho a pesadelo em poucos dias, não só para todos os seus principais adversários, mas principalmente para aqueles que a receberam sorridentes de braços abertos. Esses agora sentem o gostinho de terem sido picados por um escorpião que estava nas costas, do estrangulamento da planta oportunista sobre a outra quando decide romper com a harmonia do mutualismo, enfim, de se ter na barriga fecundada por um oitavo passageiro que após crescer no hospedeiro, inevitavelmente, tomará conta do corpo para completar sua missão. Quando o processo terminar, o que restar do corpo ficará pelo caminho, enquanto o oitavo passageiro, instintivamente, partirá para caçar suas presas.</p>
<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">E eu que achei que 2014 ia ser sem graça, e eu que achei que o Eduardo Campos estava sendo hábil. Lula de saias, como sempre disse.</p>
<blockquote>
<p class="kicker blue" style="text-align:justify;">&#8220;Janio de Freitas</p>
<p class="title" style="text-align:justify;"> <strong><span style="color:#000000;">O não dito pelo dito</span></strong></p>
<p class="title" style="text-align:justify;"><span id="more-9347"></span></p>
<p style="text-align:justify;">A frase &#8216;nós dois somos possibilidades&#8217;, emitida por Marina, atinge Eduardo Campos pelas costas A frase &#8220;nós dois somos possibilidades e sabemos disso&#8221;, emitida por Marina Silva, é a precipitação talvez involuntária, mas certamente sincera e sem dúvida verdadeira, de um desmentido que atinge Eduardo Campos e sua candidatura  pelas costas.</p>
<p style="text-align:justify;">É clara e objetiva a admissão de candidatura própria na frase de Marina Silva, recolhida por Ranier Bragon e Matheus Leitão (Folha de ontem). Frase que não ficou contida por mais do que umas 24 horas após a revelação, pelo intermediário da entrada de Marina Silva no PSB, de que Eduardo Campos recebeu com resistência a proposta de adesão, preocupado em salvaguardar sua candidatura. Argumentou que não poderia retirá-la, e perguntou: &#8220;Vou ser constrangido?&#8221; [a retirá-la].</p>
<p style="text-align:justify;">Resposta contada aos mesmos repórteres pelo próprio interlocutor de Eduardo Campos, deputado Walter Feldman: &#8220;Eu disse: A Marina pretende te apoiar, você não será constrangido a retirar sua candidatura, queremos uma aliança programática. Estamos no seu projeto&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Em texto dos dois entrevistadores: &#8220;Segundo relato do deputado, ele disse ao governador que Marina não tinha essa intenção [JF: de ser a candidata à Presidência] e que pretendia (mesmo com 26% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha) apoiar o pessebista, com apenas 8%&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda na relato de Feldman, Eduardo Campos relutou ante a sugestão de um encontro com Marina Silva, temeroso de desgaste se a conversa fracassasse. Por fim concordou, foi encontrá-la em Brasília, e nenhuma candidatura esteve sob condição.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas está. Desde já. Ou, quem sabe, desde antes. Eis o trecho todo nas palavras de Marina Silva:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Para nós, não interessa agora ficar discutindo as posições. Nós dois somos possibilidades e sabemos disso. Que possibilidade seremos, o processo irá dizer e estamos abertos a esse processo&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem nítido: &#8220;Não interessa [discutir] AGORA&#8221;, o mesmo que dizer da expectativa já existente de discutir a questão adiante. Quando? Não será Eduardo Campos a ter a palavra a respeito. Nem será o PSB que a decidir. &#8220;O processo irá dizer.&#8221; E, mais do que falar por si, Marina se permite falar pelo próprio Campos: &#8220;ESTAMOS abertos a esse processo&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">O oposto do assegurado a Eduardo Campos, como relatado por seu interlocutor, intermediário de Marina Silva e testemunha do encontro, Walter Feldman, que deixou o PSDB para acompanhar sua líder no projeto via PSB.</p>
<p style="text-align:justify;">A situação de Eduardo Campos não deixa de ter graça. Ele começa a mostrar-se a verdadeira Dilma Rousseff imaginada nas tantas loas à jogada &#8220;brilhante e inovadora&#8221; de Marina Silva ao incorporar-se à candidatura do PSB, contra a da presidente à reeleição. Ao menos desde ontem pela manhã, quando publicada a entrevista de sua nova associada, Eduardo Campos só pode ser um exemplo de apreensão. Mas sorridente, muito sorridente. Obrigado a sorrir, a repetir-se feliz com o acordo e, claro, absolutamente confiante no apoio de Marina. E, quanto mais se mostre assim, mais será o contrário.</p>
<p style="text-align:justify;">Até por uma possível dor nas costas.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Marina diz que ela e Campos são &#8216;possibilidades&#8217; para 2014</strong></p>
<p>Ex-senadora afirma que &#8216;não interessa&#8217; discutir posição na chapa do PSB agora</p>
<p>Para fundadora da Rede Sustentabilidade, filiação no último dia do prazo legal foi ato de &#8216;legítima defesa&#8217;<br />
RANIER BRAGON MATHEUS LEITÃO DE BRASÍLIA</p>
<p>Três dias depois de anunciar a adesão ao projeto eleitoral de Eduardo Campos (PSB), a ex-senadora Marina Silva reafirmou à Folha que a candidatura &#8220;posta&#8221; ao Palácio do Planalto é a do governador de Pernambuco, mas disse que ambos são &#8220;possibilidades&#8221; e sabem disso.</p>
<p>&#8220;Para nós não interessa agora ficar discutindo as posições. Nós dois somos possibilidades e sabemos disso. Que possibilidade seremos o processo irá dizer e estamos abertos a esse processo.&#8221;</p>
<p>Marina concedeu entrevista de mais de uma hora no apartamento em que disse ter tido a ideia de formar a aliança com o pernambucano, na madrugada de sexta-feira.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Folha &#8211; Como a sra. define sua decisão de aliar-se a Campos?<br />
Marina Silva &#8211; Duas questões estavam colocadas: me recolher no conforto da minha militância, e a maioria começava naquele momento a achar que o melhor era não termos a candidatura, nos dedicarmos ao registro da Rede, ou à possibilidade de uma anticandidatura. Isso para mim seria confortável.<br />
A outra coisa era procurar outro partido, e o PPS era o que mais se aproximava dessa possibilidade, porque não seria um partido com fragilidade em termos de representação social, ninguém poderia dizer olha, é uma pura e simples sigla de aluguel&#8217;. Então isso [aliança com o PSB] é coerente com tudo isso.</p>
<p>Essa opção não dificulta a quebra da polarização, já que há menos candidatos de oposição?<br />
Quem vai definir a eleição de 2014 não é o tempo de TV, não é estrutura de campanha. É a postura. Esse Brasil que se colocou em junho [manifestações de rua], ele está querendo uma postura.</p>
<p>Para os militantes que estão decepcionados com essa saída, o sonho acabou?<br />
Para eles e para os que estão acreditando na potência, no gesto, só a história dirá. Mas não é incoerente com a lógica da Rede.</p>
<p>A sra. não teme perder votos?<br />
Aqueles que divergirem têm o direito de não votar, têm o direito de não concordar, isso é democracia. Eu não sou Deus, e nem [com] Deus todo mundo concorda.<br />
Muita gente me pergunta: Senadora, isso foi uma vingança?&#8217; Eu digo: foi um ato em legítima defesa da esperança, da esperança de ver que é possível uma aliança programática, de ir para uma disputa com uma agenda em que a sociedade se comprometa com ela, dando um termo de referência não só para o atual governo, mas para aqueles que virão.</p>
<p>Como vai lidar com as diferenças com o PSB?<br />
A ferramenta de manejar a diferença é o programa. A Rede não está se fundindo com o PSB, não sou uma militante do PSB. É uma filiação democrática transitória. Sou a porta-voz da Rede, militante da Rede. Meu partido é a Rede.</p>
<p>A sra. descarta a sua candidatura à Presidência?<br />
Tanto eu como o Eduardo discutimos que não íamos colocar isso a priori, senão vamos contaminar o nosso debate. Não estamos discutindo, para além do que está posto, que é candidatura dele, quem vai ficar aqui e ali.<br />
Estou partindo do princípio que a candidatura dele está posta. Se a aliança prospera com ele, e a candidatura dele posta, a Rede terá ali o caminho da sua viabilização.<br />
Para nós não interessa agora ficar discutindo as posições. Nós dois somos possibilidades e sabemos disso. Que possibilidade seremos o processo irá dizer, e estamos abertos a esse processo. Mas se você me pergunta qual é a minha prioridade, é a de que prospere o programa, a aliança, e que a gente possa, a partir do que foi sinalizado, ter a candidatura que já estava posta.</p>
<p>É possível a sra. ser candidata pelo PSB?<br />
Se a gente ficar discutindo candidatura, a gente vai fazer exatamente o contrário daquilo que eu queria: discutir o programa. É um outro momento político. A candidatura que já está posta, está posta. Nós estamos discutindo um programa.</p>
<p>Na Rede esse assunto é dominante. Se a sra. olhar na sua página do Facebook&#8230;<br />
Mas, se olhar na página do Eduardo, verá que o assunto que domina é o desejo de que ele seja candidato. É a vontade das pessoas. Eu e o Eduardo [Campos] estamos em um gesto maduro de tentar dar uma contribuição para a política no Brasil.</p>
<p>A sra. aceitaria ser vice do Eduardo Campos?<br />
A minha possibilidade é de trabalhar para que o programa e a candidatura que o Eduardo Campos hoje representa assuma compromissos com a sustentabilidade política, social, ambiental, cultural, esse é o meu compromisso, essa é a minha cobrança.<br />
Em nenhum momento falei de lugar na chapa, a única coisa que fiz foi dizer: reconheço a sua candidatura, e gostaria de saber se há disposição para aprofundarmos uma coligação programática, aonde faço uma filiação ao PSB para registrar formalmente essa aliança programática&#8217;.</p>
<p>A sra. se sente confortável com o apoio do Ronaldo Caiado [deputado identificado com os ruralistas] a Campos?<br />
O Caiado e eu somos tão coerentes que, se a aliança prosperar comigo, ele mesmo vai pedir para sair, se é que não está pedindo.</p></blockquote>
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		<title>As Peças se Movem</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Oct 2013 09:46:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8211; Quando deixei Brasília, na sexta, tinha certeza que alguma coisa iria acontecer. Não sabia dizer o que, mas as aguas que levam à 2014 estavam muito calmas. Assim com tem algo acontecendo entre SP-MG mas não consigo entender/aceitar. Preconceito? Talvez precise &#8220;esvaziar a mente&#8221;. Mas fico feliz em saber que todos no meio político [&#8230;]]]></description>
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<p style="text-align:justify;">Quando deixei Brasília, na sexta, tinha certeza que alguma coisa iria acontecer. Não sabia dizer o que, mas as aguas que levam à 2014 estavam muito calmas. Assim com tem algo acontecendo entre SP-MG mas não consigo entender/aceitar. Preconceito? Talvez precise &#8220;esvaziar a mente&#8221;. Mas fico feliz em saber que todos no meio político foi pego de surpresa com a decisão da Marina.</p>
<p style="text-align:justify;">Acho que pesou muito para ela a decisão &#8211; a meu ver equivocada &#8211; no segundo turno de 2010. Vejamos: com um legado de 20 milhões de votos, um partido (PV) quase na mão e a possibilidade de conseguir no mínimo dois ou três Ministérios importantes no futuro governo Dilma &#8211; imaginem, por exemplo, MCT-FINEP e MMA-Ibama (mas&#8230;mas, não seria fisiologismo? Ah&#8230; tá! Se vocês ainda estão nessa, boa sorte.). Ela seria protagonista, não coadjuvante. Afinal a Presidenta é &#8220;low-profile&#8221; &#8220;by design&#8221;, por bem ou por mal. Mas a Dilma, passaria todo o primeiro mandato sob a sombra do &#8220;só venceu por que a Marina te apoiou&#8221;. E se o caldo entornasse, era sair pra disputar 2014, como &#8211; ups! &#8211; Eduardo Campos e o PSB.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora ela tem na mão uma vice na chapa de outro candidato, não conseguiu o PV (uma boa marca, com potencial, diga-se de passagem), não conseguiu tirar a sua Rede papel (não é um partido, mas, sem partidos há estabilidade democrática?), e só a (vaga) promessa do fim da reeleição já pra 2018 (kkk). Olha, eu não entendo muito disso não, é só hobby, mas eu ficaria com a primeira opção.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela apanhou do jogo político &#8220;hardcore&#8221; de Brasília. E pra se chegar à Presidência, é OBRIGATÓRIO passar por isso. Assim como campanhas eleitorais TEM que ser sangrentas. O que não mata, fortalece. A estabilidade só chega depois do tremor. Enfim, não existe atalho na Democracia (na Ditadura, só a ilusão de um). Eduardo está jogando bem, e o Serra, esse ai, nessa parte sabe tudo.</p>
<p style="text-align:justify;">Se não aguenta, bebe leite. Se não sabe brincar, não vem parquinho. Se não dá conta, pra quê que nasce? Esse é o jogo. Não fomos nós que o criamos, vai reclamar com Maquiavel.</p>
<p style="text-align:justify;">Nada disso está nos jornais, não sei porquê. Mas esqueçam a mídia, às vezes penso que é parte do jogo, mas acho que é incompetência mesmo. Desaprenderam a fazer jornalismo. Uma pena. É óbvio, é evidente, que quem mais perde com essa decisão é o PSDB (com o Aécio). E o Serra pra ser candidato de novo, precisa, primeiro tirá-lo do caminho. E é o que está fazendo. Tijolo, por tijolo.</p>
<p style="text-align:justify;">Já o Eduardo Campos está fazendo o que é possível (e depois de sábado, ficou claro, o impossível). Voltemos ao começo: O Lula prometeu a ele, a chance &#8211; ressalte-se, a chance &#8211; de ser o candidato da &#8220;aliança hegemônica&#8221; em 2018. Ele até que deve confiar no Lula, ele não confia é no PT. Faz bem, pois partidos políticos são criados para isso. É só olhar para seu arquirrival pra ver o que ocorre quando se deixa de buscar o poder, e se perde na disputa interna. Mas a disputa interna no PT, dizem, é o pior dos mundos, quem pôs ordem na casa foi o @Barbudo83porcento.</p>
<p style="text-align:justify;">É só olhar pra São Paulo e ver que o Haddad &#8211; quando o Governo Federal <span style="color:#000000;">não ferra com tudo</span>, como por exemplo, agendando data de aumento de preços &#8211; está fazendo tudo certo. Invertendo a lógica do desenvolvimento da cidade, criando corredores de ônibus, fazendo todas as maldades possíveis no primeiro ano, etc. Não cabe aqui essa analise, mas se tudo caminhar como programado, será ele o candidato em 2018. Já o Padilha &#8211; de quem gosto muito &#8211; tem primeiro que vencer. Não vou me alongar, só exemplificar: em 2002 o Genoino perdeu o Governo de SP para o Alckmin por uma pequena margem, e, virou Presidente do PT. O presidente que teve que assinar aqueles contratos e o resto é história. E ela, meus caros, não é uma guria muito sentimental.</p>
<p style="text-align:justify;">Oras, o Eduardo viu esse cenário e entendeu que é agora ou nunca. E cruzou o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rubicon">Rubicão</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">Político com coragem SEMPRE não sobrevive por muito tempo, MAS em algum momento é preciso tê-la (por exemplo: para democratizar a mídia, enfrentar as teles, para investir em segurança nacional e inteligência, e inúmeros outros temas). Querem condená-lo por ter a coragem, que muitos, após chegar ao poder deixaram de ter?</p>
<p style="text-align:justify;">Traição? Política é a arte de trair (desde s-e-m-p-r-e: <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Et_tu,_Brute%3F">Et tu Brute?</a>). Então, sair como candidatos é a única maneira que eles &#8211; ambos da base do governo Lula/PT &#8211; tem para fazer jus ao legado que foi deixado. Programas? Nenhum partido político no Brasil tem um programa estruturado. Não é o &#8220;nosso jeito&#8221; de fazer as coisas. Vivam com isso e parem de sofrer. Mas eles tem ideias: sustentabilidade, inovação, gestão, etc. Eu acho que são bases boas para se começar a &#8220;brincar&#8221;, para se entrar no jogo.</p>
<p style="text-align:justify;">Por favor, parem de acreditar na política personalista, no salvador da pátria, na madre teresa de Calcutá, na falácia do voto transformador a cada dois anos. A política somos nós. Ela é fruto da nossa ação &#8211; ou, inação. A sociedade brasileira é reflexo do que somos e fazemos individualmente. Então se existe uma ideia que você gosta &#8211; pqp &#8211; participe, construa e defenda!</p>
<p style="text-align:justify;">E, peloamordedeus, bando de velhos cansados, deixem eles jogarem. Mal não faz. E no final, é o Brasil quem agradece.</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<title>Rumo a 2014</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Oct 2013 10:25:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8211; A sorte está lançada. Hoje começa a disputa eleitoral de verdade, afinal, saberemos o que se passa nas cabeças dos juízes, nas fraldas das crianças, e principalmente, nas sombras das esquinas de Brasília. Política da boa, &#8220;hardcore&#8221;, como tem que ser. Aquela aonde a &#8220;filha chora e a mãe não vê&#8221;. Ou pelo menos, [&#8230;]]]></description>
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<p style="text-align:justify;"><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png"><img loading="lazy" data-attachment-id="9324" data-permalink="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/10/04/rumo-a-2014/eleicoes-2014/" data-orig-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png" data-orig-size="580,365" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="eleições 2014" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png?w=300" data-large-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png?w=580" class="aligncenter size-full wp-image-9324" alt="eleições 2014" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png?w=1000"   srcset="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png 580w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png?w=150&amp;h=94 150w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/10/eleic3a7c3b5es-2014.png?w=300&amp;h=189 300w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /></a>A sorte está lançada. Hoje começa a disputa eleitoral de verdade, afinal, saberemos o que se passa nas cabeças dos juízes, nas fraldas das crianças, e principalmente, nas sombras das esquinas de Brasília. Política da boa, &#8220;hardcore&#8221;, como tem que ser. Aquela aonde a &#8220;filha chora e a mãe não vê&#8221;. Ou pelo menos, finge que não vê.</p>
<p style="text-align:justify;">Marina, por quem, ao contrário de muitos à esquerda e à direita, tenho um certo apreço &#8211; por sua história, por sua força e bravura escondida naquela aparência frágil &#8211; vai saber se o &#8220;Poder&#8221; permitirá que tenha o seu partido. Cometeu erros trágicos, como por exemplo, permitir que a colocassem nessa situação. Um líder é o senhor do seu tempo, e nunca deixaria que cartorários e juízes tivessem o seu futuro em suas mãos. Ela conviveu com o (escorregadio) Lula, teria a obrigação de ter aprendido alguma coisa. Hesitou &#8211; um erro fatal na política &#8211; e os prazos se encurtaram. A culpa não é de ninguém a não ser dela.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não será o que a mídia irá vender. Normal. Engraçado como tentarão jogar no colo do PT/Dilma a responsabilidade, como se o PSDB estagnado não ganhasse com isso. Grande parte da direita e do empresariado, vão querer os votos da Marina, na chapa de outra marionete (que não o PT). Se ela não conseguir o seu &#8220;não-partido&#8221; a pressão será grande para ser protagonista ou coadjuvante em outra chapa. Eu não acredito que ela vergará, tampouco que irá para outro partido. Mas posso estar errado, a pressão como disse será imensa. Uma tristeza, mas ela é que se colocou nessa situação.</p>
<p style="text-align:justify;">Tecnicamente, qualquer decisão será válida, mas a tendência óbvia é de não aprovação. A lei é bem clara a esse respeito. Mas afinal, vivemos num pais aonde o Judiciário se sente livre pra legislar mais que o próprio Congresso. O Brasil é um dos únicos países que possui uma Justiça Eleitoral, que na democracia, deveria ser só uma comissão para organizar as eleições, se tornou um monstro que decide quem são os jogadores, os reservas e os árbitros. Se deixarmos, um dia vai decidir até quem serão os torcedores. Isso quando não são pegos no flagra fazendo negócios escusos com empresas privadas (e a Serasa-Experian é quase uma NSA privada).</p>
<p style="text-align:justify;">Aproveitando que falei em Lula, gostaria de entender o que se passa na cabeça de alguns. Afinal, nunca antes na história banqueiros e empresários lucraram como no governo dele (e pra mim, a aceitação do capitalismo como ele é, foi sua maior virtude, e, 83% de aprovação no final estão ai pra comprovar.). Agora a Marina não pode receber o patrocínio do Itaú e da Natural (entre outras empresas, ongs e multinacionais). Isso é incoerência e hipocrisia.</p>
<p style="text-align:justify;">Que fique claro, a minha visão atual é que essa relação privado x público é a maior doença da democracia. Mas na ausência de uma alternativa &#8211; e aceito que a minha/nossa omissão na parte ativa da política, responsabilidade nisso &#8211; não devemos julgar os políticos por seus apoiadores privados. Afinal, se for pra julgar (sem dois pesos e duas medidas), hoje, não sobraria um único partido. Aliás, esse parece ser o sonho de alguns, e o pesadelo antigo de outros, como eu.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltando, se a situação da Marina (20 milhões de votos, não se esqueçam) é incerta. O cenário é cada vez mais propício para a reeleição da Dilma. Mas com o &#8220;espírito do tempo&#8221; tão aberto para o novo, nada indica que 2014 será tão previsível assim. As redes sociais e a comunicação em tempo real se tornaram um enigma para políticos e estrategistas, mais que uma mera ferramenta (como sempre acreditei).</p>
<p style="text-align:justify;">Para piorar a situação da Dilma, se novas manifestações ocorrerem ela não poderá usar nenhum tipo de repressão, afinal, 50 anos da ditadura, e a última coisa que queremos é o Exército e a Força Nacional nas ruas durante a Copa. Ela também não tem nenhum tipo de serviço de inteligência ao seu dispor. Estará navegando às cegas. Na economia, ao contrário de muitos, acho que a história da &#8220;É a economia, estúpido!&#8221; virou um bordão antiquado. A economia estará bem, obrigado, com o desemprego baixo, a inflação controlada e um crescimento num nível razoável. Mas não será tão relevante quanto nas eleições anteriores. Quem quiser acreditar, que acredite. É uma premissa, mas perdeu a importância, assim com a estabilidade monetária e a diminuição da pobreza.</p>
<p style="text-align:justify;">Como disse, numa breve recaída às redes sociais &#8211; como um nóia tentando parar de fumar crack &#8211; a agenda mudou, adequem-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Já o Eduardo Campos fez o que tinha que fazer &#8211; novamente discordo com muitos comentaristas na blogosfera e colunistas da Velha Mídia &#8211; pois tentou criar uma base para alçar voos mais altos, pôs o carro na rua. Apareceu na mídia, seu nome girou, mas até agora não conseguiu gerar tração. Mas não é o fim do mundo. Eu acho que a estratégia foi interessante (mas o tempo é quem dirá). Enxergou as fraquezas do PSDB (perdido como sempre na disputa MG x SP) e cacifou seu nome do com PIB e com a direita liberal. E com parte da mídia (só que a mídia não ama ninguém, só o dinheiro).</p>
<p style="text-align:justify;">Afinal meus caros, que opção restou a ele? Lula trouxe o PT para o centro, e com isso deslocou todo mundo pra direita. Não havia muita opção. Foi pescar aonde tinha peixe. Ele pecou nos detalhes: apoiou irrestritamente a mídia e o judiciário com todos os erros, e principalmente, não soube se conectar com as demandas que surgiram no pós-manifestações. Nada que uma boa estratégia não corrija. Erros de navegação, não de trajetória. E concordo com o Ciro, ele não mostrou o que planeja, o seu projeto. Mas pra sermos sinceros, nenhum dos adversários mostrou, ou mostrará. Parece ser uma característica da nossa política.</p>
<p style="text-align:justify;">Sobrou o Aécio-Serra, mas não há muito o que falar. Eu simplesmente não entendi aquela nota do Aécio. Recuo tático para não perder São Paulo? Mas numa hora dessas? Talvez esteja acontecendo algo mais nas sombras que eu não consigo enxergar. Uma chapa sangue puro com o apoio explicito ao fim da reeleição? Confiar e depender do Serra não é um bom sinal. Diga-se de passagem, eu, e o resto dos eleitores brasileiros concordamos com a reeleição, só os políticos fora do poder que não. Obviamente, o FHC não precisava tê-la comprado a um preço tão alto. Mas cada um colhe o que plantou, e o legado do FHC está lá. No final o Aécio (e suas irmãs em MG) se tornaram a mais insossa das opções, e o Serra está vendo isso. Se o Áecio continuar estagnado&#8230;.quem poderá nos salvar? Enfim, pobre PSDB.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim 2014 tem tudo para ser uma das eleições mais sem graça de todos os tempos. O PT sofrendo com a fadiga de material que é natural após 12 anos de poder. O PSDB perdido após descobrir que banqueiros, financistas e a velha mídia não elegem tão facilmente mais ninguém nesse pais. E por fora, duas figuras até interessantes, mas imaturas, cometendo erros primários no único momento em que não podiam errar. E sorte, nada mais é o encontro da oportunidade com a competência.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas ainda falta muito tempo, é hora de observar e refletir, para não ficarmos choramingando nas redes sociais, pedindo a cabeça de políticos que nós mesmo colocamos no poder.</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<title>The Black Keys &#8211; Little Black Submarines</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2013 16:24:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[blues]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; &#8220;This is wrecking my mind. Oh, can it be, the voices calling me? They get lost and out of time.&#8221;]]></description>
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<p style="text-align:center;"><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/6k8es2BNloE?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;This is wrecking my mind.<br />
Oh, can it be,<br />
the voices calling me?<br />
They get lost and out of time.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Discurso Histórico de Pepe Mujica na ONU</title>
		<link>https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/09/27/discurso-historico-de-pepe-mujica-na-onu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Sep 2013 22:45:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; &#8220;O resumo de uma época, por Pepe Mujica.&#8221; TL;DR? O azar é de quem? via &#8220;Diário do Centro do Mundo&#8220; Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211;</p>
<p style="text-align:center;"><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/OLef1zl7k4Q?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p style="text-align:center;"><em>&#8220;O resumo de uma época, por Pepe Mujica.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:left;"><a href="http://www.urbandictionary.com/define.php?term=tl%2C%20dr">TL;DR</a>? O azar é de quem?<em><br />
</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>via &#8220;<a href="http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-homenzinho-medio-das-nossas-grandes-cidades-perambula-entre-os-bancos-e-o-tedio-o-discurso-de-mujica-na-assembleia-da-onu/" target="_blank">Diário do Centro do Mundo</a>&#8220;</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século 20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e, quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de intercâmbios funestos, e ficamos estancados, sentindo falta do passado.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor. Minha história pessoal, a de um rapaz — por que, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da <a class="zem_slink" title="Latin America" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Latin_America" target="_blank" rel="wikipedia">América Latina</a> pátria de todos que está se formando.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Carrego o dever de lutar por pátria para todos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferências e discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos de acordo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo funcional à acumulação.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Debochada marcha de historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim, um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus. Haverá outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que o interesse privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde visão, é o todo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são o vértice do poder mundial. Mais claro, cremos que o mundo requer a gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda. Mas não é a ciência que governa o mundo. Se precisa, por exemplo, uma larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos, castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação. Mobilizar as grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fórums e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e transforma em decisões…</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro. Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte. Essa ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não entendemos? Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos parecem impossíveis, mas requeririam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é pela enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo. Por último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos “reclamáveis”, que vão plantear um comércio interno livre, mas que, no fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta. A sua vez, crescerão ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e, naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a alegria do sistema financeiro.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que, talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima da terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial duplica. Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar. Não podemos manejar a globalização porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural ou se estamos chegano a nossos limites biológicos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A cobiça, tão negatica e tão motor da história, essa que impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo nebuloso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e para continuar nos transformando.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e para vislumbrar o rombo. Mas é impossível para nós coletivizar decisões globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a cobiça superior da espécie. Aclaremos: o que é “tudo”, essa palavra simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente, particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as repúblicas que nasceram para afirmas que os homens são iguais, que ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a igualdade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Não foram as repúblicas criadas para vegetar, mas ao contrário, para serem um grito na história, para fazer funcionais as vidas dos próprios povos e, por tanto, as repúblicas que devem às maiorias e devem lutar pela promoção das maiorias.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Seja o que for, por reminiscências feudais que estão em nossa cultura, por classismo dominador, talvez pela cultura consumista que rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um viver diário que exclui, que se distância do homem da rua.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os gobernos republicanos deveriam se parecer cada vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém. O jogo desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é impossível renunciar à guerra cuando a política fracassa. Assim, se estrangula a economia, esbanjamos recursos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste mundo plantear que há recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores vergonhas que pairam sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Amigos, creio que é muito difícil inventar uma força pior que nacionalismo chovinista das grandes potências. A força é que liberta os fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização, formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos disso por toda a parte.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta. Mostro um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz em todos os países da América Latina. E ali estamos, onde nos pedem que estejamos. Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem, enquanto viver em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Até que o homem não saia dessa pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a larga marcha e o desafio que temos daqui adiante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal deveria ter um governo para a humanidade que superasse o individualismo e primasse por recriar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência, e não apenas aos interesses imediatos que nos governam e nos afogam.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Há poucos dias, fizeram na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma lâmpada elétrica que está acesa há cem anos. Cem anos que está acesa, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem, comprem e comprem.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e para toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos requer a história. Toda a base material mudou e cambaleou, e os homens, com nossa cultura, permanecem como se não houvesse acontecido nada e, em vez de governarem a civilização, deixam que ela nos governe. Há mais de 20 anos que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal. Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a passo, é capaz de transformar o deserto em verde.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos na causa profundas, na civilização do esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso “nós”.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Obrigado.</em></p>
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		<title>Todos Temas do 007</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Sep 2013 10:30:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; Apesar dos temas do Garbage, da Adele e da Sheryl Crow serem ótimos. Não tem jeito parceiro, o da Tina Turner pro GoldenEye é imbatível. É sério, estou começando a achar que estou ficando bom nesse negócio de achar música pra ficar ouvindo no Youtube. 1. Dr. No (1962-Sean Connery) John Barry &#38; Orchestra &#8211; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211;</p>
<p style="text-align:center;"><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/zhkmOFDzhCs?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;start=3010&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p>Apesar dos temas do Garbage, da Adele e da Sheryl Crow serem ótimos. Não tem jeito parceiro, o da <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#t=3010">Tina Turner pro GoldenEye</a> é imbatível.</p>
<p>É sério, estou começando a achar que estou ficando bom nesse negócio de achar música pra ficar ouvindo no Youtube.</p>
<p><span id="more-9303"></span></p>
<blockquote><p><em>1. Dr. No (1962-Sean Connery)</em><br />
<em>John Barry &amp; Orchestra &#8211; James Bond Theme <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:00:00</a></em></p>
<p><em>2. From Russia With Love (1963-Sean Connery)</em><br />
<em>Matt Monro &#8211; From Russia with Love <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:01:47</a></em></p>
<p><em>3. Goldfinger (1964-Sean Connery)</em><br />
<em>Shirley Bassey &#8211; Goldfinger <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:04:23</a></em></p>
<p><em>4. Thunderball (1965-Sean Connery)</em><br />
<em>Tom Jones &#8211; Thunderball <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:07:13</a></em></p>
<p><em>5. You Only Live Twice (1967-Sean Connery)</em><br />
<em>Nancy Sinatra &#8211; You Only Live Twice <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:10:16</a></em></p>
<p><em>6. On Her Majesty&#8217;s Secret Service (1969-George Lazenby)</em><br />
<em>The John Barry Orchestra &#8211; On Her Majesty&#8217;s Secret Service <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:13:03</a></em></p>
<p><em>7. Diamonds Are Forever (1971-Sean Connery)</em><br />
<em>Shirley Bassey &#8211; Diamonds Are Forever <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:15:37</a></em></p>
<p><em>8. Live and Let Die (1973-Roger Moore)</em><br />
<em>Paul McCartney &amp; Wings &#8211; Live and Let Die <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:18:20</a></em></p>
<p><em>9. The Man with the Golden Gun (1974-Roger Moore)</em><br />
<em>Lulu &#8211; The Man with the Golden Gun <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:21:35</a></em></p>
<p><em>10. The Spy Who Loved Me (1977-Roger Moore)</em><br />
<em>Carly Simon &#8211; Nobody Does It Better <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:24:12</a></em></p>
<p><em>11. Moonraker (1979-Roger Moore)</em><br />
<em>Shirley Bassey &#8211; Moonraker <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:27:40</a></em></p>
<p><em>12. For Your Eyes Only (1981-Roger Moore)</em><br />
<em>Sheena Easton &#8211; For Your Eyes Only <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:30:50</a></em></p>
<p><em>13. Octopussy (1983-Roger Moore)</em><br />
<em>Rita Coolidge &#8211; All Time High <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:33:55</a></em></p>
<p><em>14. A View to a Kill (1985-Roger Moore)</em><br />
<em>Duran Duran &#8211; A View to a Kill <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:36:58</a></em></p>
<p><em>15. The Living Daylights (1987-Timothy Dalton)</em><br />
<em>A-Ha &#8211; The Living Daylights <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:40:34</a></em></p>
<p><em>16. Licence to Kill (1989-Timothy Dalton)</em><br />
<em>Gladys Knight &#8211; Licence to Kill <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:44:50</a></em></p>
<p><em>17. GoldenEye (1995-Pierce Brosnan)</em><br />
<em>Tina Turner &#8211; GoldenEye <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:50:05</a></em></p>
<p><em>18. Tomorrow Never Dies (1997-Pierce Brosnan)</em><br />
<em>Sheryl Crow &#8211; Tomorrow Never Dies <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:53:35</a></em></p>
<p><em>19. The World is Not Enough (1999-Pierce Brosnan)</em><br />
<em>Garbage &#8211; The World Is Not Enough <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">00:58:27</a></em></p>
<p><em>20. Die Another Day (2002-Pierce Brosnan)</em><br />
<em>Madonna &#8211; Die Another Day <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">01:02:27</a></em></p>
<p><em>21. Casino Royale (2006-Daniel Craig)</em><br />
<em>Chris Cornell &#8211; You Know My Name <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">01:06:00</a></em></p>
<p><em>22. Quantum of Solace (2008-Daniel Craig)</em><br />
<em>Alicia Keys &amp; Jack White &#8211; Another Way to Die <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">01:10:04</a></em></p>
<p><em>23. Skyfall (2012-Daniel Craig)</em><br />
<em>Adele &#8211; Skyfall <a href="https://www.youtube.com/watch?v=zhkmOFDzhCs#">01:14:24</a></em></p>
<p><em>24. &#8220;Bond 24&#8221; (2014 &#8211; Daniel Craig)</em><br />
<em>????? &#8211; ????????????</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
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		<title>The Doors &#8211; Riders on the Storm</title>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2013 15:38:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[honk tonk]]></category>
		<category><![CDATA[the door]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; &#8220;There&#8217;s a Killer on the Road&#8221; Na verdade, mais que o The Doors e o Jim Morrisson, essa música me lembra duas coisa: o NFS2, mas principalmente, o Honk-Tonk, um rock bar que tinha em Goiânia, em que a gente ia tomar cerveja e curtir um som. E de repente uma garrafa voava no [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211;</p>
<p style="text-align:center;"><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/k9o78-f2mIM?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;There&#8217;s a Killer on the Road&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Na verdade, mais que o The Doors e o Jim Morrisson, essa música me lembra duas coisa: o NFS2, mas principalmente, o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Honky-tonk" target="_blank">Honk-Tonk</a>, um rock bar que tinha em Goiânia, em que a gente ia tomar cerveja e curtir um som. E de repente uma garrafa voava no meio da roda, mas a gente desviava, e, continuava a conversar como se nada tivesse acontecido. Como <del>tem</del> tinha que ser.</p>
<p style="text-align:justify;">Bons tempos. #NostalgiaRulez</p>
<p style="text-align:justify;">Edit: Pesquisei na internet o nome da boate pra onde a gente ia depois de lá. Quem deu a resposta? Não foi o Facebook, não foi o Twitter. Sim, foi o imortal, o Highlander: Orkut. <strong>Avalon</strong> é o nome da boate.</p>
<p style="text-align:center;">
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Spy vs Spy &#8211; Clarity of Mind</title>
		<link>https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/09/20/spy-vs-spy-clarity-of-mind/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2013 14:30:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
		<category><![CDATA[clareza]]></category>
		<category><![CDATA[clarity]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[mente]]></category>
		<category><![CDATA[mind]]></category>
		<category><![CDATA[spy vs spy]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; Been years gone by I&#8217;ve just abused my mind My body&#8217;s paid the price Come to a fork I can go up and down Or use my mouth too much Oh lord, protect my words Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind Take the things [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">&#8211;<br />
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/mPheN2jPCBs?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p style="text-align:center;">Been years gone by<br />
I&#8217;ve just abused my mind<br />
My body&#8217;s paid the price<br />
Come to a fork<br />
I can go up and down<br />
Or use my mouth too much<br />
Oh lord, protect my words</p>
<p style="text-align:center;">Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind</p>
<p style="text-align:center;">Take the things away<br />
I like the look of that<br />
And makes my mouth water<br />
Lift in the air<br />
All the things i&#8217;ve said<br />
You know they don&#8217;t all add<br />
Now who&#8217;s a moddle head</p>
<p style="text-align:center;">Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Clarity of mind</p>
<p style="text-align:center;">Been years gone by<br />
I&#8217;ve just abused my mind<br />
My body&#8217;s paid the price<br />
Come to a fork<br />
I can go up and down<br />
Or use my mouth too much<br />
Oh lord, protect my words</p>
<p style="text-align:center;">Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Reality&#8217;s a matter of a clarity of mind<br />
Clarity of mind</p>
]]></content:encoded>
					
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	</item>
		<item>
		<title>Memórias Esparsas de um Anarquista Cansado</title>
		<link>https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/09/17/memorias-esparsas-de-um-anarquista-cansado/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[@muitopcontrario]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2013 10:07:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[politica]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[black bloc]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[indignação]]></category>
		<category><![CDATA[libertarios]]></category>
		<category><![CDATA[revoltas]]></category>
		<category><![CDATA[revolução]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8211; &#8220;Quem fica entre os anarcomunistas e os neo-libertários? A massa.&#8221; Na mídia, só a tragédia pasteurizada, decantada, manipulada. Como sempre. Afinal quando os editores e patrões não tiverem mais o controle do que publicam os jornalistas, teremos o velho e bom  Jornalismo de volta. E isso, não interessa a ninguém, não é mesmo? Nada [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211;</p>
<p style="text-align:center;"><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png"><img loading="lazy" data-attachment-id="9254" data-permalink="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/09/17/memorias-esparsas-de-um-anarquista-cansado/theclash/" data-orig-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png" data-orig-size="602,375" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="TheClash" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png?w=300" data-large-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png?w=602" class="aligncenter size-full wp-image-9254" alt="TheClash" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png?w=1000"   srcset="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png 602w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png?w=150&amp;h=93 150w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/theclash.png?w=300&amp;h=187 300w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></a></p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Quem fica entre os anarcomunistas e os neo-libertários? A massa.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Na mídia, só a tragédia pasteurizada, decantada, manipulada. Como sempre. Afinal quando os editores e patrões não tiverem mais o controle do que publicam os jornalistas, teremos o velho e bom  Jornalismo de volta. E isso, não interessa a ninguém, não é mesmo? Nada de novo. Sonho diariamente com o novo, mas ele não surge. Mas talvez o novo esteja dentro de mim, dentro de ti, em nós.</p>
<p style="text-align:justify;">Sem o novo, persiste o velho. Esses espasmos, esses zumbis, com um microfone na mão e um sorriso de plástico. É o que tem pra hoje. Alguns acreditam que &#8220;essa coisa, essa gosma&#8221; tem futuro ou salvação. Outros, como eu, não. Mas os outros, talvez por preguiça, talvez por acomodação, não se dispõem a pensar numa alternativa.</p>
<p style="text-align:justify;">As ruas cheiram a cinza e poeira, restos das chamas do incêndio de ontem. Em alguns cantos, um pouco de fumaça para nos lembrar do breve momento em que, segundo o cartaz da jovem adolescente, &#8220;acordamos&#8221;. Lembranças do encontro da indignação com o ócio, quando jovens destilaram sua fúria sobre alguma coisa ou sobre alguém, que nunca saberemos o que ou quem.</p>
<p style="text-align:justify;">Dizem que em tempos turbulentos, toda forma de violência é válida. Ouso discordar, mas com cuidado, afinal pode sobrar pra mim também. Melhor concordar. Como funciona hoje em dia mesmo?</p>
<p style="text-align:center;"><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/like-tweet-plus1.jpg"><img loading="lazy" data-attachment-id="9258" data-permalink="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/09/17/memorias-esparsas-de-um-anarquista-cansado/like-tweet-plus1/" data-orig-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/like-tweet-plus1.jpg" data-orig-size="130,185" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Danny Sullivan&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1301452102&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="like-tweet-plus1" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/like-tweet-plus1.jpg?w=130" data-large-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/like-tweet-plus1.jpg?w=130" class="aligncenter size-full wp-image-9258" alt="like-tweet-plus1" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/like-tweet-plus1.jpg?w=1000"   /></a>&#8220;Curtir, +1, Retwettar &#8211; Símbolos de uma geração! Pra que molotov?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Ahhhh, sim. Sinto-me até mais leve. Cumpri meu dever com a sociedade brasileira. Pra que ler Rawls antes de discutir Cotas? Pra que entender como funciona o apodrecido MPF antes de pedir o fim da PEC37? Pra que ler o básico de Ciência Política no Bonavides antes de gritar &#8220;Fora, &lt;insira_aqui_um_político&gt;!&gt;. Pra quê? Cem palavras, é o limite da capacidade de leitura e concentração dos jovens. Nem toda Ritalina que a Novartis conseguir produzir, vai salvá-los na &#8220;Era da Distração&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">É o poder que corrompe, não o dinheiro. Políticos são corruptos, nós não. Ponto. Ninguém joga lixo na rua, leva o cachorro pra fazer cocô na praia ou praça, dá cafezinho pro guarda, compra recibos pro IR, coloca as empresas nos nomes dos pais, falsifica os gastos de viagens a serviço, estaciona em lugar proibido ou em fila dupla, dirige embriagado, etc.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas&#8230;mas, o dinheiro é público! Público vs privado, esse é o dilema, essa é a confusão que infecta os brasileiros desde que transformaram Pindorama em Vera Cruz. Uma maldição que nos persegue, como uma marca escarlate, que transforma nosso jovens em vira-latas que endeusam o estrangeiro e esculacham a maravilhas que só existem aqui. Exacerbam tudo de ruim, ignorando que ocorrem em TODOS cantos do mundo, e isso nunca é motivo para tamanha baixa autoestima.</p>
<p style="text-align:justify;">Condicionados, desde criança, escutando seus pais &#8211; depois da cervejinha de domingo &#8211; espumarem: &#8220;- O Brasil é uma Merda!&#8221;.  Há quinhentos anos somos &#8220;o país dos ladrões, das putas e dos corruptos&#8221;. Essa é a maior mentira que já contaram aos brasileiros. E que, contamos para nossos filhos e netos.</p>
<p style="text-align:justify;">E não interessa a ninguém saber quem afinal, quem são os <strong>CORRUPTORES</strong>. Muda o partido, mas quem paga a propina, continua os mesmos. O dinheiro, do (Mensalão do PT) ou (Trensalão do PSDB) veio de algum lugar, é fato. De onde? Imagina na Copa, imaginaram nas Privatizações?</p>
<p style="text-align:justify;">A pergunta que me assola: <strong>Quem FINANCIA a CORRUPÇÃO?  </strong>É só pensar um pouco&#8230;e: bingo! Quem mais lucra: <a href="http://www.ocafezinho.com/2013/06/27/bomba-o-mensalao-da-globo/" target="_blank">sonegadores</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Satiagraha" target="_blank">banqueiros</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlinhos_Cachoeira" target="_blank">bicheiros </a>e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Castelo_de_Areia" target="_blank">empreiteiros</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">Vou mais fundo: a democracia tem alguma chance de salvação ante ao onipresente e onipotente, poder econômico? O dinheiro é, hoje, o tão procurado Deus? Ambas criações humanas, sem dúvida. Talvez as mais brilhantes da história da humanidade. Mas ao criá-las, talvez tenhamos plantamos a semente da nossa própria destruição. Os EUA que o digam. e vem a cabeça a imagem de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ozymandias_%28Shelley%29">Ozymandias</a> enterrado na areia, mas isso é tema pra um outro texto.</p>
<p style="text-align:center;"><div class="jetpack-video-wrapper"><iframe class="youtube-player" width="1000" height="563" src="https://www.youtube.com/embed/m1nePkQAM4w?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div></p>
<p style="text-align:center;"><em>&#8220;Quem é que escolhe? Aqueles que tem $$$.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:justify;">E ai, eu, como um ateu à beira da morte, repentinamente, passa a acreditar no divino; como um socialista, ao comprar uma televisão gigante de tela plana, passa a amar o capitalismo; como um democrata, depois de um sequestro relâmpago, passa a torcer pela volta da ditadura, de repente, perco a fé e passa a crescer em mim a lembrança de quando era jovem.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando odiava tudo e a todos, e sonhava com a ilusão de liberdade que a anarquia vende. E como era bom! A ignorância que libertava. Que resolvia todos os meus problemas. que covardemente, evitava enfrentar. Como o niilismo que todos namoram após ler Nietzsche.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, com o pouco de sanidade que me resta, não questiono os jovens. Eles são inimputáveis nesses assuntos. Estão crescendo, estão aprendendo a cada dia, errando e, raras vezes, acertando. Falhar é um direito universal da juventude, e que todos os velhos do mundo tentam reprimir.</p>
<p style="text-align:justify;">Questiono nós, os velhos cansados. Adultos que, se indignados, deveríamos FAZER algo. A dita sociedade somos nós. Ela é fruto dos nosso anseios e dos nossos atos. Se é uma merda, é porque somos uns bostas.</p>
<p style="text-align:justify;">No final das contas um jovem gritando: &#8220;Fora!&#8221;, é aceitável. Um velho, é patético. Um jovem com um molotov na mão é a expressão da indignação furiosa. Um velho, é um golpista. <strong>Um jovem repassando mentiras numa rede social é inocência e preguiça, já um adulto é irresponsabilidade</strong>. Um jovem mascarado quebrando bancos e concessionárias, é a velha e boa ilusão da anárquica.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg"><img loading="lazy" data-attachment-id="9259" data-permalink="https://muitopelocontrario.wordpress.com/2013/09/17/memorias-esparsas-de-um-anarquista-cansado/caetano-black-bloc/" data-orig-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg" data-orig-size="620,465" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="caetano-black-bloc" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg?w=300" data-large-file="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg?w=620" class="aligncenter  wp-image-9259" alt="caetano-black-bloc" src="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg?w=372&#038;h=279" width="372" height="279" srcset="https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg?w=372&amp;h=279 372w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg?w=150&amp;h=113 150w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg?w=300&amp;h=225 300w, https://muitopelocontrario.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/09/caetano-black-bloc.jpg 620w" sizes="(max-width: 372px) 100vw, 372px" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Um velho, bom, isso aí é a mera <del>crise de meia-idade</del> senilidade com uma pitada de oportunismo.</p>
<p style="text-align:justify;">edição: toda vez que pego leve, erro, e fico me sentindo mal. foda-se.</p>
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