<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424</id><updated>2026-10-18T12:33:39.552-03:00</updated><category term="Literatura - Prosa"/><category term="Crítica Literária"/><category term="Literatura contemporânea"/><category term="Literatura brasileira"/><category term="Prêmios Literários"/><category term="Literatura - Poesia"/><category term="Clássicos da Literatura"/><category term="Mercado editorial"/><category term="Contos"/><category term="História"/><category term="Internet"/><category term="Ensaios"/><category term="Pintura e Ilustrações"/><category term="Literatura 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class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8LgP2G0713zhxK4YawAbhfcGSTpdGoDpcpKxTctMD3ENgvMnpu1A-gc-7tCrt9OkzTWFuIyKABV0J-VFaCaMex8oQWIKgEnNLvjTudMrAwcCUES9yfXSCFNZhvbMZOa6-8uRLxGlYmmJuOQ60BpnbFs61y3tLxkWpyof2n2cZ_Z3dhZoufMoM/s800/Vanessa%20Malag%C3%B3%20-%20Todos%20os%20gestos%20do%20fogo_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;553&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;442&quot; 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fazendo-o descobrir que ainda é capaz de se emocionar e de sentir empatia. Com personagens que alternam o protagonismo a cada capítulo, a autora constrói uma narrativa multifacetada, explorando diferentes pontos de vista. No centro da trama está a relação entre Pedro e Tonia. Ele é professor de literatura russa, aproxima-se da meia-idade e tem um filho pequeno, fruto de um casamento anterior. Ela, dançarina de flamenco, também separada e mãe de uma filha que cursa a faculdade, é leitora de Virginia Woolf e Guimarães Rosa e passou por uma transformação difícil em busca de seu lugar no mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Em paralelo à história de Pedro e Tonia, acompanhamos a trajetória de Guto, um jovem engenheiro de vinte e sete anos que trabalha em uma multinacional e tem diante de si a perspectiva de uma vida estável e feliz. Contudo, ele luta contra uma &lt;i&gt;&quot;dor asséptica, sem cor, invisível e silenciosa&quot;&lt;/i&gt; que o desgasta até um ponto extremo, levando-o a tentar tirar a própria vida. No lento processo de recuperação, a reaproximação com os pais, dos quais havia se afastado, e a descoberta do afeto do irmão mais novo, Beto, serão fundamentais. O que parece aproximar os personagens é a busca de sentido para suas vidas, um movimento contínuo de mudança que encontra no fogo um símbolo tanto da força do desejo quanto da possibilidade de transformação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;O amor pra ele costumava seguir o tempo das palavras. Primeiro a semente, em seguida um despontar, estrutura ascendente em brotação. O crescer lento, depois de enraizado. Os afetos cultivados no passar das estações. / Lembrava-se da primeira vez em que se encontraram. Do seu jeito com as palavras, tinha deduzido que ela fosse poeta. Não era. Mas a poesia podia lhe sair pelas mãos, Pedro descobriria depois, no dia em que tinha ido vê-la dançar. Nas palavras iniciais, nos olhares, a terra úmida das primeiras chuvas pronta a ser semeada. Então, de uma brisa, de um calor abrupto, sem nem ter bem onde se firmar, já era tudo seiva e perfume, pulsar descompassado de um tempo ainda não conhecido por ele. /&amp;nbsp; O encontro inicial se deu coisa de cinco ou seis meses antes. O que primeiro ele viu foi o livro. Antes das mãos, dos olhos e daquele tanto de pernas, que era até de se duvidar que tivesse mesmo olhado para o livro e não para elas. Aquela edição linda que ela trazia, transfigurada com post-its luminosos que avistou à distância, zombando dele e seu exemplar tão recatado, imaculado de riscos e marcações. Tonia, recém-chegada ao grupo, reconhecia o espaço. Você gostou do livro?, perguntou enquanto pegava água e ele esperava sua vez. Só então, vendo-a de pé, tinha se dado conta de como era alta. Ah, tinha se dado conta então das pernas.&quot;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt; (p. 13) - Trecho da primeira parte: &lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Chama&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/i&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A autora demonstra fluência narrativa ao integrar descrições, digressões e diálogos em um fluxo contínuo, sem recorrer à pontuação convencional dos diálogos por travessões. Esse procedimento me lembra a escrita de José Saramago e contribui para aproximar a voz narrativa dos pensamentos e das percepções dos personagens. Outra característica da obra é a metalinguagem, que faz da própria literatura um elemento da trama: Pedro e Tonia se conhecem em um clube de leitura, e as referências literárias ultrapassam a condição de simples citações para estabelecer analogias com a personalidade dos personagens e suas diferentes maneiras de compreender o mundo, como ocorre na comparação entre Anton Tchekhov e Virginia Woolf.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;A dor do Guto, por fim, parecia ter cor e ela era vermelha. O piso frio do banheiro manchado. Aquilo que parecia faltar no Guto, mas que ele ainda tinha e se dissolvia sobre o azulejo branco. / Beto tinha entrado esbaforido no apartamento. Não sabia o que ia encontrar. Podia ter imaginado tantas coisas do Guto, mas não isso. O líquido viscoso escorrendo pela borda da porta para o corredor. / Beto ficava branco só de ver a agulha picar a veia quando ia fazer exame de sangue. Uma vez, ainda menino, cortou o dedo em vez do queijo. Tinha pegado a faca que vira Guto usando, tão habilidoso. O grito fez a mãe chegar em um segundo, depois o irmão. Acho que você vai perder o dedo, o Guto falou no tom mais sério que podia, olhando o corte, enquanto ele desviava o olhar. A mãe tinha metido o dedo dele debaixo da torneira. É só um cortinho, Beto. Vai acreditar no que o Guto diz? Vou fazer um curativo e logo sara. O irmão só rindo.&quot;&lt;/i&gt; (p. 77) - Trecho da segunda parte: &lt;i&gt;Sangue&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Em &lt;i&gt;Todos os gestos do fogo&lt;/i&gt;, Vanessa Malagó constrói uma narrativa em que o amor não se limita à idealização dos afetos, mas se revela também nas fragilidades, nas ausências, nos conflitos e na difícil tarefa de reconhecer os próprios sentimentos. As trajetórias de Pedro, Tonia e Guto, embora distintas, convergem na necessidade de reconstruir vínculos e encontrar novas formas de habitar o mundo. O fogo, elemento que permeia toda a obra, surge como símbolo do desejo, da transformação e da possibilidade de renascimento. Malagó oferece ao leitor um romance que convida a refletir especialmente sobre o preconceito, mas também sobre o amor, a dor e os recomeços. É uma obra que reforça o nome da autora no cenário da nova literatura brasileira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Sinto tua falta. De início só aquelas três palavras. Tanta coisa pra dizer, mas o resto fica em pensamento. Tanta coisa naquela intenção, no esforço que não é o de digitar as palavras e leva não mais que cinco segundos. Cinco segundos que são semanas em ruminação. Meses em que qualquer tentativa de fuga é um enredar-se mais. Talvez ele agora se sinta preparado. Talvez não esteja nem um pouco preparado (quem é que está?). Um salto o qual se arrisca, sem a valentia de dizer as palavras todas. Sinto tua falta. O seu apuro pela síntese, a ordenação do caótico, em vez de dizer as coisas aparentemente banais que atravessam os dias, a música que colocou para ouvir porque faz lembrar dela, a edição nova de Mrs. Dalloway sobre a mesinha da sala, que tinha começado a ler na véspera. Aparatos corriqueiros para fazer viva uma presença. Sinto tua falta, os encontros do clube já não são mais os mesmos sem você. Sinto tua falta, quero muito te ver. O final da frase ele não diz. O final engasgado, até os dedos seram mais velozes que a voz. Me desculpa. Por ter deixado você ir, por não ter ido atrás de você. Por não ter feito isso antes. Sinto tua falta, não consigo ficar sem pensar em você.&quot;&lt;/i&gt; (p. 127) - Trecho da quinta parte: &lt;i&gt;Procura da poesia&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgPRcKf-_rlqcDKkNq5K2rY8VqLGgrs4SEshOzdujpuiO1qER6EGWrHKidKu0S8x1g_5h6QZcOGp226H2ll3XXAQMa_AtWfe3NUiCBGrvXx-zQYayPvL3GZjcHWmbsYywnpIcFdzEj5Tp-Nx8VO96i5GmZgB49NU-vK4gbtbyaL66H7Wj3uvzOQ/s1359/Vanessa%20Malag%C3%B3%20-%20Todos%20os%20gestos%20do%20fogo.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1359&quot; data-original-width=&quot;943&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgPRcKf-_rlqcDKkNq5K2rY8VqLGgrs4SEshOzdujpuiO1qER6EGWrHKidKu0S8x1g_5h6QZcOGp226H2ll3XXAQMa_AtWfe3NUiCBGrvXx-zQYayPvL3GZjcHWmbsYywnpIcFdzEj5Tp-Nx8VO96i5GmZgB49NU-vK4gbtbyaL66H7Wj3uvzOQ/w222-h320/Vanessa%20Malag%C3%B3%20-%20Todos%20os%20gestos%20do%20fogo.jpg&quot; title=&quot;Vanessa Malagó - Todos os gestos do fogo&quot; width=&quot;222&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Vanessa Malagó nasceu em São Paulo, em 1976. Formada em Publicidade pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e pós-graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, atua há mais de 25 anos na área de Marketing e Comunicação. Professora e praticante de Yoga, seu primeiro livro, &lt;i&gt;Vivenciando o Yoga Sutra: a prática do Yoga além do tapetinho&lt;/i&gt; (2019), explora as bases filosóficas desta prática. Em 2023 publicou com a Editora Patuá seu primeiro romance, &lt;i&gt;Torrente&lt;/i&gt; (&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2023/08/vanessa-malago-torrente.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;ler resenha do Mundo de K&lt;/a&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0ctQH589&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Todos os gestos do fogo&lt;/i&gt; de Vanessa Malagó&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; 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style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEguzKt_Xo0VE4R0vJ2sLQY8arDzva4ZhA-XNhHf-l1mOAyvogy_oDPpeNkpTojMBHgg0n0DVGvOfAhjl8VLoTB40QwiTChENgJltsuTHxZInz0IJw4j0aE9FLqnrvwFFCT4dEwlAlhCU0g1rOuH9orrflZaW0IUPQS57AHC_QcJ-UUKd7QupZfq/s1157/Daniel%20Temp%20-%20Kuala%20Lumpur_AA.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;732&quot; data-original-width=&quot;1157&quot; height=&quot;404&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEguzKt_Xo0VE4R0vJ2sLQY8arDzva4ZhA-XNhHf-l1mOAyvogy_oDPpeNkpTojMBHgg0n0DVGvOfAhjl8VLoTB40QwiTChENgJltsuTHxZInz0IJw4j0aE9FLqnrvwFFCT4dEwlAlhCU0g1rOuH9orrflZaW0IUPQS57AHC_QcJ-UUKd7QupZfq/w640-h404/Daniel%20Temp%20-%20Kuala%20Lumpur_AA.png&quot; title=&quot;Daniel Temp - Kuala Lumpur&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Daniel Temp - Kuala Lumpur - Editora 7Letras - 268 Páginas - 2ª Edição - Lançamento: 2024.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O romance de estreia de Daniel Temp, &lt;i&gt;Kuala Lumpur&lt;/i&gt;, desenvolve-se a partir das reflexões existencialistas de Benjamim Abel, um jovem recém-graduado em Direito que recebe sua primeira incumbência profissional em um caso de pouca expressão no escritório: atuar como assistente da acusação na investigação do desaparecimento de Venâncio Garcez, estudante de 19 anos da cidade de Santa Maria (RS). Ao combinar essa trama investigativa com questionamentos de ordem filosófica, o autor mobiliza sua sólida formação acadêmica em Filosofia, construída na Universidade Federal de Santa Maria, para compor uma narrativa reflexiva que, sem abrir mão do entretenimento, mantém o leitor envolvido pelo suspense e pelo mistério.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Benjamim atravessa uma fase que ele próprio descreve como uma espécie de &quot;confusão melancólica&quot;. Após dois anos atuando como estagiário em um escritório de advocacia e depois de fracassar na seleção para a carreira diplomática, na qual investira grande parte de seu tempo e de suas expectativas, ele passa a questionar suas escolhas profissionais e o próprio futuro. Seu primeiro caso é tratado pelos demais membros do escritório como uma investigação simples: pertences pessoais do jovem desaparecido foram encontrados em poder de Ariosto de Souza Daitinha, apontado como principal suspeito por possuir antecedentes policiais e manter antigas desavenças com a família de Venâncio em razão de disputas de terras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;É certo que a iminência de assumir um novo posto, bem como a experiência iniciática que sempre subjaz ao começo de um renovado ciclo, possuíam ambas seu quinhão de responsabilidade, digamos, no estado de ansiosa solicitude em que se encontrava nosso personagem. Ainda assim, nunca é demais enfatizar que sua &#39;confusão melancólica&#39; não era outra coisa senão isso: um estado duradouro de dispersão e torpor em que todas as coisas pareciam embaralhadas, um estado de espírito permanente e muito pessoal que se reafirmava sempre de novo nas mais variegadas situações, sejam elas tomadas como problemas em particular, sejam consideradas juntas numa só confusão como um todo. Assim, os males do dia, o nervosismo diante do primeiro emprego, a lembrança abrupta da namoradinha ou o recente insucesso na prova para ingressar na carreira diplomática, em suma, qualquer mínima contrariedade ou revés que Benjamim experimentasse prontamente evocava essa triste e quase instintiva confusão que sentia diante das coisas.&quot;&lt;/i&gt; (p. 32)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;No entanto, à medida que as investigações avançam, Benjamim encontra indícios que apontam para caminhos distintos daqueles inicialmente considerados pelas autoridades, especialmente no que diz respeito à relação de Venâncio com Nathaniel Moritzen, um religioso ligado a uma enigmática congregação. Paralelamente, o agravamento da doença fatal de seu melhor amigo aprofunda sua já intensa crise existencial, levando-o a confrontar questões relacionadas à perda, à finitude e ao sentido da própria vida. Em meio a esse cenário de incertezas, surge uma jovem que desperta seu interesse afetivo e oferece um raro contraponto às suas angústias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;E então notou que estava diante de uma pequena coincidência: lembrava que outrora, numa ocasião particular, já se deparara com aquele nome enigmático. Contente perante o alinhamento inesperado das coisas, deixou-se levar pela imaginação, e então por um instante acreditou que, após passar na prova e tornar-se diplomata, a sua primeira missão se daria na embaixada brasileira em Kuala Lumpur. Entregue ao sonho, sentia como se seu próprio futuro fizesse uma abrupta curva em direção ao Oriente. Era como se, de repente, o porvir e todos os seus amanhãs se deslocassem rumo ao quadrante oriental e estacassem apontando a região que verte os astros: doravante mirariam sem cessar aquelas terras distantes e misteriosas. Benjamim vislumbrava em sonho a promessa de um mundo novo, porém sem esperanças, a exemplo de uma bússola que tivesse o leste por norte, pareciam realmente orientar-se na direção de um mundo até então impensado e desconhecido, um mundo cuja novidade e estranheza, no entanto, sussuravam-lhe ao pé do ouvido uma lembrança quase imemorial, o resgate de um vínculo que bem poderia ser contado dentre aquelas recordações primeiras, que jazem apagadas e quietas, quase completamente esquecidas.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 58-9)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O destaque da obra está na articulação entre o tom filosófico e a estrutura de investigação policial. Sem descuidar da dimensão emocional da narrativa, Daniel Temp explora a solidão de Benjamim, suas incertezas em relação ao futuro e as transformações provocadas pelos encontros e perdas ao longo da vida. Esse equilíbrio permite que o leitor acompanhe o desenrolar do mistério ao mesmo tempo que é conduzido a refletir sobre questões existenciais relacionadas às expectativas, às frustrações e ao sentido da própria experiência humana. O resultado é um romance que equilibra suspense investigativo e a reflexão filosófica, sem comprometer o ritmo da narrativa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Na pasta, havia ainda outras folhas esparsas, todas documentos do inquérito já instaurado, que acrescentavam alguns pormenores à história. Ao que constava, pouco depois do pai de Venâncio ter registrado o boletim de ocorrência, a polícia localizara o fusca do rapaz estacionado nos arredores de um bar; dentro do veículo, que não se encontrava trancado, foram encontrados alguns pertences, dentre eles uma carteira com dinheiro e um revólver de cano curto, carregado, que conforme o pai confirmara mais tarde, era uma das armas da família. A polícia descobrira ainda que, por volta das 20 horas, Venâncio havia estado no bar: comprara um maço de marlboro vermelho e logo após deixara o local. Por intermédio do depoimento do dono do bar, soube-se que pouco depois, por volta das 20h45, estivera no local Ariosto de Souza Daitinha, o homem com quem a família de Venâncio não se dava. De acordo com o dono do bar, Ariosto parecia um pouco alterado, e não descarta que pudesse ter tomado alguma coisa; para os outros frequentadores do bar, ele teria se vangloriado de um cordão com um crucifixo que trazia enrolado no punho, aparentemente uma peça banhada em ouro e com alguns detalhes em prata. Em nenhum momento explicara onde a conseguira. Ficara no estabelecimento até umas 21 horas e 20 minutos; nesse meio tempo, tomara dois martelinhos de cachaça e uma lata de cerveja, pagos em dinheiro.&quot;&lt;/i&gt; (pp.79-80)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSjcXDpvDG9Q9Ww6tWNZyLZ5MfkE7_pmAbCIski9mVBUUQG3HW-QqKqeKY0Cv3V5htUlw7RPrkLihQ5QlZ1_5Hob3UGxN8JCC-BQyn6Fap0IA4juXWylIKuu3m2DZhxgSz2o-RtIbAnzIRdMtJJyB0P72uxcloQROA60i3t8hVntuThdxu0NaV/s726/Daniel%20Temp%20-%20Kuala%20Lumpur.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;726&quot; data-original-width=&quot;481&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgSjcXDpvDG9Q9Ww6tWNZyLZ5MfkE7_pmAbCIski9mVBUUQG3HW-QqKqeKY0Cv3V5htUlw7RPrkLihQ5QlZ1_5Hob3UGxN8JCC-BQyn6Fap0IA4juXWylIKuu3m2DZhxgSz2o-RtIbAnzIRdMtJJyB0P72uxcloQROA60i3t8hVntuThdxu0NaV/w212-h320/Daniel%20Temp%20-%20Kuala%20Lumpur.png&quot; title=&quot;Daniel Temp - Kuala Lumpur&quot; width=&quot;212&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;:  Daniel Temp nasceu no interior do Rio Grande do Sul em 1993. Estreou como romancista em 2024 com Kuala Lumpur. Graduou-se em Licenciatura em Filosofia (2015), obteve seu Mestrado (2017) e concluiu o Doutorado em Filosofia (2021), todos os títulos pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Como autor acadêmico, seus escritos constam em periódicos universitários e anais de pesquisa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0eisBm5A&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Kuala Lumpur&lt;/i&gt; de Daniel Temp&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/2109125950436385769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/2109125950436385769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2109125950436385769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2109125950436385769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/10/daniel-temp-kuala-lumpur.html' title='Daniel Temp - Kuala Lumpur'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEguzKt_Xo0VE4R0vJ2sLQY8arDzva4ZhA-XNhHf-l1mOAyvogy_oDPpeNkpTojMBHgg0n0DVGvOfAhjl8VLoTB40QwiTChENgJltsuTHxZInz0IJw4j0aE9FLqnrvwFFCT4dEwlAlhCU0g1rOuH9orrflZaW0IUPQS57AHC_QcJ-UUKd7QupZfq/s72-w640-h404-c/Daniel%20Temp%20-%20Kuala%20Lumpur_AA.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-3039997844163869667</id><published>2026-09-22T14:34:59.499-03:00</published><updated>2026-09-22T14:51:53.067-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Bruno Garret - O retesar da sobrancelha e outros feedbacks</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiTevdqq_Woq9hDtI2Zia0qkuDsNaqrXN4ptcpV_f_ZqAx-4hIKtmVgNHDQUBWD_Oj2TdbvlNZU9lBMZc4QdwrxidNqza4qbcrBBjUEnMFMjjME3BNpGitgIbHkxRC6doyx5X1ScAhXqA3YQrNXUkHMf_YUP6iA3DxlofCjcjYPdTN9fMQAXYp/s799/Bruno%20Garret%20-%20O%20retesar%20da%20sobrancelha_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;597&quot; data-original-width=&quot;799&quot; height=&quot;478&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiTevdqq_Woq9hDtI2Zia0qkuDsNaqrXN4ptcpV_f_ZqAx-4hIKtmVgNHDQUBWD_Oj2TdbvlNZU9lBMZc4QdwrxidNqza4qbcrBBjUEnMFMjjME3BNpGitgIbHkxRC6doyx5X1ScAhXqA3YQrNXUkHMf_YUP6iA3DxlofCjcjYPdTN9fMQAXYp/w640-h478/Bruno%20Garret%20-%20O%20retesar%20da%20sobrancelha_A.png&quot; title=&quot;Bruno Garret - O retesar da sobrancelha e outros feedbacks&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Bruno Garret - O retesar da sobrancelha e outros feedbacks - Editora Patuá - 180 Páginas - Capa, projeto gráfico e diagramação: Fernando Campos - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O mais recente lançamento do pernambucano Bruno Garret, &quot;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O retesar da sobrancelha e outros feedbacks&quot;&lt;/i&gt;,&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;é uma coletânea de 13 contos que convida o leitor a refletir sobre as fragilidades humanas em um mundo no qual as relações são cada vez mais mediadas pelas redes sociais e pela inteligência artificial. O gesto sutil e quase involuntário de retesar a sobrancelha, geralmente associado à dúvida ou à desaprovação, funciona como uma metáfora da ironia bem-humorada que permeia a maioria das narrativas, recurso por meio do qual o autor expõe situações cotidianas, por vezes extrapoladas para um contexto fantástico, marcadas pela busca incessante por validação e reconhecimento, no ambiente presencial e, especialmente, digital.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Contudo, por trás do aparente humor, revela-se um sarcasmo ferino que leva o leitor a sorrir com certo amargor ao reconhecer aspectos da própria realidade, seja em suas dimensões mais trágicas, seja naquilo que talvez mais incomode o nosso ego: seu caráter ridículo. Um bom exemplo é o conto &lt;i&gt;&quot;Inadimplente&quot;&lt;/i&gt;, um dos pontos altos da coletânea. Nele, um obeso senhor de calça de linho amarrotada aguarda na secretaria de uma escola para quitar uma mensalidade enquanto alimenta fantasias eróticas com a jovem atendente de seios fartos. A moça, leitora voraz e admiradora de Nabokov, parece corresponder ao flerte. A cena é observada por ninguém menos que Deus e o Diabo, que se divertem apostando no desfecho daquele improvável encontro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;&lt;i&gt;Dr. Alexandre, com naturalidade e sem pudor, alternava a visão entre o grande relógio metálico de fundo branco e ponteiros escuros, fixado na parede bem acima da jovem, e os seios firmes e generosos insinuados pelo leve decote. O último botão da blusa parecia perto de romper a casa. Sem perceber, ele começou a alisar o bigode grisalho e farto com rapidez ruidosa. Os óculos foram descendo até a ponta do nariz graúdo e ali permaneceram equilibrados, em suspensão. A vista pula as lentes de armação retrógrada para repousar apenas nos seios. Nada mais atrapalhava a malícia do momento. [...] Ohando-o agora com mais ousadia do que antes, a secretária até que gostou da expressão rude e grotesca impregnada naquele rosto largo, suado e rechonchudo. Ela pensou que talvez aquela brincadeira pudesse ir além e, curiosa, sempre curiosa, medindo-o dos pés à cabeça, quase demonstando que gostava do que via, repetiu a pergunta que há pouco havia feito, com voz aveludada e ainda mais libertina, que por pouco não fez o coração debilitado do Dr. Alexandre parar. — Dr. Alexandre, como vai? Pode vir, é sua vez. O senhor aceitaria um cafezinho para começar?&lt;/i&gt;&quot; (pp. 76/87) - Trecho do conto &quot;&lt;i&gt;Inadimplente&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;No conto &lt;i&gt;&quot;Entrevista&quot;&lt;/i&gt;, a revolução tecnológica alcança seu ponto máximo em um futuro incerto, quando a inteligência artificial finalmente livra o mundo da presença de todos os homens, restando apenas as máquinas e as mulheres, que passam a competir pela sobrevivência em uma inusitada entrevista de seleção. A premissa absurda serve como veículo para uma crítica mordaz à cultura do feedback, padronização de comportamentos e à submissão aos critérios de validação impostos por sistemas cada vez mais automatizados. Levando ao extremo a lógica dos algoritmos e dos processos seletivos contemporâneos, o autor constrói uma distopia na qual a individualidade e a capacidade de sentir emoções transformam-se em defeitos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;— Bom dia, pessoal. Sejam bem-vindos. É sempre gratificante conhecer pessoas fantásticas e tão diferentes. A propósito, currículos impecáveis. Pelas imagens das câmeras dos nossos arquivos, os comportamentos analisados foram, em geral, ilibados. Estamos falando aqui de vidas realmente insossas. Parabéns pela aderência. A futilidade é a nossa maior riqueza. O sistema, sabemos, almeja acomodação e capacidade de ajuste. Todas vocês são guerreiras, criaturas raras que souberam administrar, com sabedoria, o apogeu dos artificiais. Os homens morreram. Todos. Graças ao Deus Máquina. Somos o que restou (todas arfam em aparente alívio). O nosso objetivo hoje é conversarmos tranquilos, de forma leve e espontânea. É apenas um bate-papo para a gente se conhecer melhor. Prontas? Terceira candidata à direita, discorra sobre seus desejos mais íntimos&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—&lt;/i&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;a mulher, mecanicamente, obedece.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—&lt;/i&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;Ao fim, ninguém aplaude. As palmas não existem mais. A candidata número seis, que transpareceu uma ligeira emoção, foi limada do processo. A selecionadora fez um gesto e a retiraram. [...]&quot; (p. 103) -&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt; Trecho do conto &quot;&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Entrevista&quot;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/i&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Já no emocionante &lt;i&gt;&quot;Bolinha&quot;&lt;/i&gt;, um homem presencia o desmonte gradativo do próprio corpo, restando apenas a consciência preservada, como um grande castigo, fazendo-o relembrar os arrependimentos, principalmente o abandono da mulher e da filha sem explicações. Em outra abordagem mais bem-humorada sobre a questão da memória, no conto &lt;i&gt;&quot;Fusca&quot;&lt;/i&gt;, um fusquinha verde-musgo relembra passagens de sua vida, assim como de alguns antepassados da época do regime militar, até o acidente em que foi vitimado, a queda de uma caixa d&#39;água em um supermercado, final inglório para um automóvel que foi guiado por 358 motoristas diferentes. A obra de Bruno Garret, seja no contexto crítico ou de entretenimento, é recomendada para entendermos as contradições do nosso tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Agora, apenas reflito e sonho. Sem ajuda, somente me locomovo via pensamento. Mudar de cômodo, só com ajuda. Todos acham que parti. Que não sinto nada. Verbalizam isso na minha frente. E dói.&amp;nbsp; &amp;nbsp;Não me consideram presente, vivo. Mas ainda posso me mexer, com grandes limitações, é verdade. A comunicação é outro problema. Algo impede minha fala, dificulta a mastigação e deglutição. A consciência preservada&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;intacta, na verdade&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;me aprisiona. Aparentemente, nem todos sabem disso e sou ignorado. [...] O que sei? Em resumo, estou aqui, na varanda, apertando a bolinha azul. [...] Ando medroso. Tanta coisa há para se temer. Meus babadores caindo no chão, a bolinha azul que aperto&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;morro de medo que role do meu colo. [...] Gosto tanto dela aqui no meu colo, parece um bichinho que não me deixam ter... Eita! , que droga, poxa vida, deixei minha bolinha cair. Lá vai ela pra debaixo do banco da varanda... Júlia aparece, abaixa-se e apanha a bolinha. Me devolve. Pisco meus olhos várias vezes, dentro do possível. Perdão, filha. Deveria ter feito mais.&quot;&lt;/i&gt; (pp.154/157) - Trecho do conto &quot;&lt;i&gt;Bolinha&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqMVFBfg2zQHUPQxPOaRVRVxLXvGY5gFiBeu2zeMCtVH3vKZax9vu5JWvlFeUTrjSkKdIYe3RzeC2217csLGGi_ZKAtAPZCr1bHePrHc_EayDPb1ByLoaRfpUZxbwoAvxOotYXNJrJ38jVVx4ICdcg2UNCtPFO04UrgX1fePwD0ucXAvEofnPX/s736/Bruno%20Garret%20-%20O%20retesar%20da%20sobrancelha.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;736&quot; data-original-width=&quot;492&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqMVFBfg2zQHUPQxPOaRVRVxLXvGY5gFiBeu2zeMCtVH3vKZax9vu5JWvlFeUTrjSkKdIYe3RzeC2217csLGGi_ZKAtAPZCr1bHePrHc_EayDPb1ByLoaRfpUZxbwoAvxOotYXNJrJ38jVVx4ICdcg2UNCtPFO04UrgX1fePwD0ucXAvEofnPX/w214-h320/Bruno%20Garret%20-%20O%20retesar%20da%20sobrancelha.png&quot; title=&quot;Bruno Garret - O retesar da sobrancelha e outros feedbacks&quot; width=&quot;214&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Bruno Garret nasceu no Recife (PE), em 1981. Leitor voraz, sempre escreveu para si. Formado em Direito, participou de oficinas literárias e publicou contos e crônicas em blog. Com o tempo, refinou seu processo criativo, unindo o real e o imaginário com sensibilidade e sutileza. Em dezembro de 2023, lançou de forma independente sua obra de estreia: a coletânea de contos &lt;i&gt;A fresta&lt;/i&gt;, fruto de uma reflexão sobre a condição humana, marcada por diálogos internos e externos que exploram sonhos, frustrações e miudezas do cotidiano. Nesta nova obra, &lt;i&gt;O retesar da sobrancelha e outros feedbacks&lt;/i&gt;, segue investigando artisticamente, com metáforas, alegorias e passagens insólitas, nossa frágil e íntima necessidade de aprovação e validação.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://www.editorapatua.com.br/o-retesar-da-sobrancelha-e-outros-feedbacks-contos-de-bruno-garret/p&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.editorapatua.com.br/o-retesar-da-sobrancelha-e-outros-feedbacks-contos-de-bruno-garret/p&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;O retesar da sobrancelha e outros feedbacks&lt;/i&gt; de Bruno Garret&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/3039997844163869667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/3039997844163869667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/3039997844163869667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/3039997844163869667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/09/bruno-garret-o-retesar-da-sobrancelha-e.html' title='Bruno Garret - O retesar da sobrancelha e outros feedbacks'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiTevdqq_Woq9hDtI2Zia0qkuDsNaqrXN4ptcpV_f_ZqAx-4hIKtmVgNHDQUBWD_Oj2TdbvlNZU9lBMZc4QdwrxidNqza4qbcrBBjUEnMFMjjME3BNpGitgIbHkxRC6doyx5X1ScAhXqA3YQrNXUkHMf_YUP6iA3DxlofCjcjYPdTN9fMQAXYp/s72-w640-h478-c/Bruno%20Garret%20-%20O%20retesar%20da%20sobrancelha_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-3540575333055773141</id><published>2026-09-18T12:38:27.967-03:00</published><updated>2026-09-18T12:55:21.898-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura tailndesa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Veeraporn Nitiprapha - A minhoca cega no labirinto</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhy2u_tRrloObZKy9tzE87Fp4VGtfsC6JPbxHN_loO-TMM6XYvkW34DDU5IiBArwMWwSQH_UMcMS991nmOJP_TQu1fKTpmjv8T_W7GkY4yLkBbenAVkNmsbNleK4iHV9LeV9MVccfTlV6t-NFa0LYrAXuWjVnCmdmXQnzPlWhI4Busa-r9T1Q1n/s1512/Veeraporn%20Nitiprapha%20-%20A%20minhoca%20cega%20no%20labirinto_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura tailandesa contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1078&quot; data-original-width=&quot;1512&quot; height=&quot;456&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhy2u_tRrloObZKy9tzE87Fp4VGtfsC6JPbxHN_loO-TMM6XYvkW34DDU5IiBArwMWwSQH_UMcMS991nmOJP_TQu1fKTpmjv8T_W7GkY4yLkBbenAVkNmsbNleK4iHV9LeV9MVccfTlV6t-NFa0LYrAXuWjVnCmdmXQnzPlWhI4Busa-r9T1Q1n/w640-h456/Veeraporn%20Nitiprapha%20-%20A%20minhoca%20cega%20no%20labirinto_A.png&quot; title=&quot;Veeraporn Nitiprapha - A minhoca cega no labirinto&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Veeraporn Nitiprapha - A minhoca cega no labirinto - Editora Record - 280 Páginas - Tradução direta do tailandês de Nut Traiphoomi - Capa adaptada do design original de Zizi Design Studio - Lançamento no Brasil: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;A minhoca cega no labirinto&lt;/i&gt; é o premiado romance de estreia de Veeraporn Nitiprapha, autora que era até então inédita no Brasil. O volume marca também a primeira tradução direta para o português de um texto original em tailandês. A prosa lírica oferece uma rara experiência sensorial com descrições de cores, sons, aromas e sabores, criando uma atmosfera quase hipnótica para contar a história do triângulo amoroso entre Pran, um órfão agregado, e as irmãs Chalika e Chareeya, criadas em uma família disfuncional. Contudo, o argumento romântico é simples se comparado à estrutura do livro, em uma narrativa não linear no tempo e no espaço, com capítulos independentes e personagens secundários que se conectam aos poucos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;É possível definir o romance também como uma saga familiar na linha do realismo mágico de Gabriel García Márquez. Essa estética fica evidente logo no capítulo de abertura, que descreve o nascimento de Chareeya ocorrendo no exato instante em que a mãe descobre a infidelidade do pai com uma dançarina tradicional. O episódio marca o início de uma tragédia familiar que, mais tarde, deixará a protagonista sozinha no mundo ao lado da irmã, três anos mais velha, Chalika. As irmãs são criadas aos cuidados da ama Nuan, que se relacionou com três homens ao mesmo tempo durante toda a vida, consentido por eles, e do excêntrico tio Thanit, que chegou à casa às margens do rio, após a morte do pai e um dia antes de a mãe das meninas morrer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;A mãe queimou todas as cartas antes do amanhecer, andando em círculos o redor da fogueira em chamas, cuspindo para dentro dela. Não chamou um único monge — nem um sequer — para recitar preces por sua alma. Mandou os criados cavarem uma cova, a mais funda que conseguissem, e enterrou o pai debaixo da árvore de &lt;/i&gt;pikul. &#39;Fique aqui para sempre! Nunca mais vai renascer em lugar nenhum!&#39; &lt;i&gt;/ Todos os dias, do amanhecer ao anoitecer, durante um ano inteiro, desde aquele dia até o dia em que morreu, a mãe se sentava ali, sobre a cova do único homem que amou em toda a sua vida, na velha cadeira de vime, carcomida pelo desejo voraz que ele sempre teve por outras mulheres. Usava um lenço florido em tons de roxo, tingido de tristeza, amarrado na cabeça, onde os cabelos haviam sido arrancados e nunca mais voltaram a crescer. Ficava ali, naquele casulo de angústia, sob o aroma tênue, ao mesmo tempo doce e amargo, das flores de &lt;/i&gt;pikul&lt;i&gt;, açoitada pelo vento incessante vindo do rio, guardando com desespero o fantasma do marido, tentando impedir que ele fugisse, para aquela mulher, ou para qualquer outra ou mesmo para a paz eterna.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 23-4)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O jovem órfão Pran se junta à família após salvar Chareeya de um afogamento no rio. Entre idas e vindas, acompanhamos a vida dos três órfãos nos anos 1990 e o amor que Pran sempre sentiu por Chareeya, mas nunca conseguiu confessar. Os dois se reencontram após muitos anos no Bleeding Heart, um bar de rock em Bangcoc, onde Pran costumava tocar baixo com sua banda, ao som de &quot;Pictures of You&quot;, do The Cure. Por sinal, a playlist do romance é fantástica, com uma abrangência que vai da música clássica ao rock — evocando uma época em que ainda existiam álbuns de vinil, CDs e livros físicos —, assim como as descrições culinárias exóticas, que vão além da tradicional cozinha tailandesa para destacar sabores internacionais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Ele não era como Chalika, que se declarava leitora voraz de romances desde os 10 anos, nem como Chareeya, que sabia&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;—&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;a cada novo dia&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;—&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;o que queria ser. Mesmo que num dia decidisse ser exploradora de cidades antigas no vale do rio Nakhon Chai Si e, no seguinte, uma monja de um culto aos gatos que ela mesma tinha inventado - já tendo esquecido o quanto dias antes estava&amp;nbsp; convencida de que queria ser sapateadora, como tinha visto num filme estrangeiro. Pran, por sua vez, nunca soube o que queria ser. / Quando se deu conta, ele já usava o cabelo comprido, uma camiseta velha, uma calça jeans rasgada&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;—&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;e tocava baixo numa banda indie de quatro integrantes. Um pequeno grupo de fãs fiéis se revezava para vê-los tocar, noite após noite, num bar de rock chamado The Bleeding Heart. No fim, aquele sonho doce, quase instantâneo, da juventude deixou para ele pouco mais do que um cansaço profundo&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;—&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;às vezes quase insuportável. Era o cansaço de recitar os mesmos hinos do rock seguidas vezes. De ver, em silêncio, os corações se afundando na fumaça cinzenta e solitária dos cigarros&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;—&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;arrastados, mergulhando devagar até o fundo espesso e pegajoso do desejo. Confusos. Lentos. Calados. Como dois peixes betta nadando em círculos dentro de um frasco de cola, tentando se tocar sem nunca conseguir.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 55-6)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Em contraste com o renovado realismo mágico apoiado pelo lirismo sensorial e o contexto romântico e melancólico dos protagonistas, a autora revela, por meio de outros personagens, uma Bangcoc que foi cenário de sucessivos golpes de Estado, turbulências políticas e traumas coletivos que ecoam através das gerações. Ao associar a delicadeza da prosa com a crônica de uma nação instável, a obra se consolida como uma excelente escolha da editora para a estreia de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; text-align: center;&quot;&gt;Veeraporn Nitiprapha&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;em nosso país. Uma leitura recomendada que nos mostra a força da literatura contemporânea em outras culturas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Esquecer pode ser um trabalho árduo, mas no final todo mundo consegue. Não importa quão grandiosas, doces, amargas ou dolorosamente cortantes sejam as memórias. Ele já tinha ouvido sobre uma mulher que deixava um leitão mamar em seu peito para que ele esquecesse a mãe e não morresse de saudade. Já havia lido sobre pessoas que sofriam com rancor enraizado no coração, mas que no final morriam em paz, tomadas pela demência. Já havia ouvido histórias engraçadas sobre mulheres que gritavam durante o parto, enjoadas da dor, jurando que nunca mais se permitiriam engravidar - mas depois esqueciam tanto as palavras quanto o medo, tendo mais cinco ou seis filhos em seguida. / O esquecimento é um mecanismo impressionante. A humanidade já teria se extinguido há muito tempo se não tivesse essa sabedoria. Esquecer como somos patéticos e deploráveis, tendo de nascer neste mundo cruel completamente nus e desamparados, sem garras, presas ou força física. Nós já teríamos nos extinguido por inteiro se não tivéssemos&amp;nbsp; sabedoria de esquecer como é difícil e doloroso estar vivo. Esquecer quem somos, o que já sentimos de alegria e tristeza, como vivemos. Esquecer que já tivemos coisas para lembrar.&quot;&lt;/i&gt; (p. 262)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0-rlpaWBVixrzMVKnMFMIIC1MrCfX0SwEursj5t4ijZTsusVnnUecLIavKKW7qadTOILUiNZ6h4iB7bdtLkg8QBAM9PdW5r9t0hZx8N0pyfZ-W5f9Dc74Bf0oHERq9wNjQ76hcTLEUEdOjmFeUtOKAVG18hnijIe9O6TO1Ve1MokmOYu-uZF-/s1200/Veeraporn%20Nitiprapha%20-%20A%20minhoca%20cega%20no%20labirinto.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura tailandesa contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1200&quot; data-original-width=&quot;827&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0-rlpaWBVixrzMVKnMFMIIC1MrCfX0SwEursj5t4ijZTsusVnnUecLIavKKW7qadTOILUiNZ6h4iB7bdtLkg8QBAM9PdW5r9t0hZx8N0pyfZ-W5f9Dc74Bf0oHERq9wNjQ76hcTLEUEdOjmFeUtOKAVG18hnijIe9O6TO1Ve1MokmOYu-uZF-/w221-h320/Veeraporn%20Nitiprapha%20-%20A%20minhoca%20cega%20no%20labirinto.png&quot; title=&quot;Veeraporn Nitiprapha - A minhoca cega no labirinto&quot; width=&quot;221&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Sobre a autora: Veeraporn Nitiprapha nasceu em 1962, em Bangcoc, Tailândia. Escritora, editora e crítica cultural, tornou-se um dos principais nomes da literatura tailandesa contemporânea. Seu romance de estreia, &lt;i&gt;A minhoca cega no labirinto&lt;/i&gt;, publicado originalmente em 2015, recebeu o prestigiado prêmio SEA Write. Em 2018, ela ganhou o prêmio pela segunda vez, tornando-se a primeira mulher a obter tal distinção. Com estilo poético e imaginação exuberante, sua obra transita entre realismo, lirismo e crítica social, explorando temas como memória, amor e política. A autora tem sido apontada como símbolo da renovação da ficção tailandesa, vem ganhando o público internacional e ressaltando seu lugar entre as vozes literárias mais originais do Sudeste Asiático.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B04AAHZ6u&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;A minhoca cega no labirinto&lt;/i&gt; de&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B04AAHZ6u&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Veeraporn Nitiprapha&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/3540575333055773141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/3540575333055773141' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/3540575333055773141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/3540575333055773141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/09/veeraporn-nitiprapha-minhoca-cega-no.html' title='Veeraporn Nitiprapha - A minhoca cega no labirinto'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhy2u_tRrloObZKy9tzE87Fp4VGtfsC6JPbxHN_loO-TMM6XYvkW34DDU5IiBArwMWwSQH_UMcMS991nmOJP_TQu1fKTpmjv8T_W7GkY4yLkBbenAVkNmsbNleK4iHV9LeV9MVccfTlV6t-NFa0LYrAXuWjVnCmdmXQnzPlWhI4Busa-r9T1Q1n/s72-w640-h456-c/Veeraporn%20Nitiprapha%20-%20A%20minhoca%20cega%20no%20labirinto_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-8846193517426226015</id><published>2026-09-13T15:48:11.092-03:00</published><updated>2026-09-13T15:48:11.194-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura japonesa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Mieko Kawakami - As irmãs de amarelo</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggnLVcs9yezpiO8p09MN9hMkBpSpuyYEms4k4RGREPkxpRee0GDbock57fzYWgH68z7CWcMUUx3A3g5Msot3dPGQ9tK5aNkbujLiNWxbeV0XXYlx4gk5UOJ-OH4pZj__Sgv89U_7x7Vzv73cwmi6viH7cPX1aRQ42w2fcJrU7PxsGUh4blsgoS/s947/Mieko%20Kawakami%20-%20As%20irm%C3%A3s%20de%20amarelo_C.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura japonesa contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;671&quot; data-original-width=&quot;947&quot; height=&quot;454&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggnLVcs9yezpiO8p09MN9hMkBpSpuyYEms4k4RGREPkxpRee0GDbock57fzYWgH68z7CWcMUUx3A3g5Msot3dPGQ9tK5aNkbujLiNWxbeV0XXYlx4gk5UOJ-OH4pZj__Sgv89U_7x7Vzv73cwmi6viH7cPX1aRQ42w2fcJrU7PxsGUh4blsgoS/w640-h454/Mieko%20Kawakami%20-%20As%20irm%C3%A3s%20de%20amarelo_C.png&quot; title=&quot;Mieko Kawakami - As irmãs de amarelo&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Mieko Kawakami - As irmãs de amarelo - Editora Intrínseca - 496 Páginas - Imagem de capa: Tetsuya Noda - Design de capa: Tiana Dunlop - Tradução de Rita Kohl - Lançamento no Brasil: 2026.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Este romance de Mieko Kawakami, lançado originalmente no Japão em 2023, na sequência do elogiado&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2026/03/mieko-kawakami-peitos-e-ovos.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;Peitos e ovos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, retorna ao tema do universo feminino inserido em uma sociedade tradicionalmente patriarcal. Em &lt;i&gt;As irmãs de amarelo&lt;/i&gt;, acompanhamos a narrativa em primeira pessoa de Hana Ito, uma protagonista pouco confiável que, vinte e cinco anos depois, relembra passagens de sua vida durante a adolescência, no final da década de 1990, em Tóquio, ao lado de um grupo de amigas igualmente desajustadas e sem dinheiro. A obra tem como pano de fundo a pobreza e a luta pela sobrevivência à margem da sociedade japonesa, especialmente para mulheres que vivem em condições raramente associadas à imagem que costumamos ter do país.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Aos 15 anos, Hana vive com a mãe, que trabalha como hostess em um bar e está ausente durante a maior parte do tempo. As duas moram em um cortiço na periferia de Tóquio. A chegada da misteriosa Kimiko, amiga de sua mãe e já com quarenta anos, faz com que Hana tenha alguma perspectiva de acolhimento quando, juntas, passam a administrar o Lemon, um pequeno snack bar, agregando mais duas jovens ao negócio, Lan e Momoko. A convivência entre essas mulheres acaba assumindo contornos de uma família improvisada, mas a relação entre&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Hana e Kimiko é controversa desde o início e justifica a percepção de que Hana é uma narradora que pode estar distorcendo a memória dos fatos de acordo com sua própria versão dos acontecimentos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Conheci Kimiko no verão dos meus 15 anos. Certa manhã, no começo das férias do meu último ano do ensino fundamental, acordei e vi, em vez de minha mãe, uma mulher desconhecida que dormia ao meu lado. Ela dormia profundamente, de costas para mim, de modo que não dava para ver seu rosto, e, embora usasse um pijama de minha mãe, percebi de imediato que era outra pessoa. Recuei um pouco, apoiada no cotovelo, mas logo concluí que não devia ser nada de mais e voltei a me deitar. Já havia acontecido antes de minha mãe, que trabalhava num snack bar ali perto, trazer alguma amiga ou outra hostess do bar para dormir em casa. Quando acordei novamente, não vi a mulher, mas o pijama que ela usava estava perfeitamente arrumado em cima do futom, dobrado em três. Aquela cena inédita me hipnotizou por um tempo. As peças já gastas do pijama, usadas por minha mãe durante anos, estavam tão bem dobradas que pareciam um produto novo numa loja.&quot;&lt;/i&gt; (p. 23)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Ao longo da narrativa, depois do incêndio não explicado que destroi o Lemon, as mulheres ficam sem o sustento financeiro e Hana se envolve em um esquema de cartões de débito clonados para sustentar o grupo. As atividades fraudulentas aumentam com a orientação de amigos suspeitos de Kimiko, tornando Hana uma espécie de chefe e responsável pela administração do dinheiro, o que gera disputa entre as amigas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;De fato, o caráter pouco confiável da narradora fica cada vez mais flagrante quando percebemos o clima de insatisfação e certa tirania de Hana na condução das atividades e controle dos ganhos. Também fica a dúvida se Kimiko é uma salvadora ou estaria todo o tempo apenas manipulando Hana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Quem sugeriu o nome Lemon fui eu. Não tinha pensado na questão da grafia, mas quando a imagem de um limão-siciliano me ocorreu de repente, achei que era uma ideia fenomenal. A fruta combinava com o amarelo do nome de Kimiko. Uma empresa de um conhecido dela fez a placa do bar por uma pechincha. Kimiko deixou que eu escolhesse a minha preferida entre as opções de design que nos mostraram. [...] A inauguração do snack-bar Lemon seria no começo da semana seguinte, e nós corríamos com os últimos preparativos. Até poucos meses antes, porém, outro bar funcionava no mesmo lugar, de modo que todo o básico — a decoração, as luzes, o karaokê, os copos — permaneceria igual. Trocamos apenas o nome e a placa, e o restante ficaria como estava. [...] O bar ficava num prédio comercial a alguns minutos de caminhada da estação de Sangenjaya, um pouco mais para dentro do bairro. No térreo havia um pequeno restaurante chamado Boa Sorte, onde trabalhava apenas a velha proprietária; no segundo piso, um estúdio de tatuagem que eu nunca vi aberto; e no terceiro o Lemon.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 60-62)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O ganho e a perda do dinheiro, ilegal ou não, estão sempre no centro das preocupações das personagens, demonstrando o lado sombrio de um país como o Japão, com alto poder econômico, mas incapaz de distribuir riqueza e oportunidades de forma equilibrada, especialmente para mulheres, trabalhadores sem qualificação e minorias étnicas. Ao explorar essas questões por meio de uma narradora cuja memória está sujeita a distorções e ressentimentos, Kawakami constrói um romance que discute não apenas amizade, pobreza e sobrevivência, mas também os limites da verdade e da lealdade por meio de personagens complexas e moralmente ambíguas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;É disso que eu tô falando quando digo que tô fodida, que as coisas tão zoadas. É porque, logo mais, esses lances que eu gosto, tipo os cartões que você usa, que são confiáveis, de qualidade, garantidos... isso aí vai acabar. Toda moda vem e vai. Hoje em dia, a onda são os computadores. Quem souber fazer os esquemas com eles é que vai bombar. Agora quem vai dar a letra são uns caras sem rosto, sem nome. Pensa nos agiotas da Yakuza, por exemplo. Eles tocam o terror, cobram cinquenta por cento de juros em dez dias, mas pelo menos emprestam mesmo o dinheiro. Tá aparecendo por aí uma pá de gente que vem te arrancar dinheiro sem nem ter emprestado nada pra ninguém. Bem mais prático, mais direto, nem precisa falsificar cartão nenhum — Viv abriu um sorriso contrriado. — Então a gente tem que aproveitar enquanto dá e tirar o máximo de grana possível. Já, já a maré muda.&quot; &lt;/i&gt;(p. 318)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinNdIL_NkIkqlOMSDy1kZy36V3e3PnCt9DG1wC5uyCSz1uG7Iw35ahRk8OzNKhdQlJavZAPaJz7cz9keb97TPGBlaU9TprTyLaYC12jDPO4UQA9nADbW7DCDrZbZqAoHAfrDuU6yEw1cG4L4c0Jt0Wgud6gQAebqZV3ZNDkf2ukXysJw-zO9__/s1000/Mieko%20Kawakami%20-%20As%20irm%C3%A3s%20de%20amarelo.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura japonesa contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1000&quot; data-original-width=&quot;647&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinNdIL_NkIkqlOMSDy1kZy36V3e3PnCt9DG1wC5uyCSz1uG7Iw35ahRk8OzNKhdQlJavZAPaJz7cz9keb97TPGBlaU9TprTyLaYC12jDPO4UQA9nADbW7DCDrZbZqAoHAfrDuU6yEw1cG4L4c0Jt0Wgud6gQAebqZV3ZNDkf2ukXysJw-zO9__/w207-h320/Mieko%20Kawakami%20-%20As%20irm%C3%A3s%20de%20amarelo.jpg&quot; title=&quot;Mieko Kawakami - As irmãs de amarelo&quot; width=&quot;207&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Mieko Kawakami é a aclamada autora de &lt;i&gt;Peitos e ovos&lt;/i&gt;, eleito um dos livros notáveis do ano pelo New York Times e um dos dez melhores livros de 2020 pela revista Time. Seus outros romances incluem &lt;i&gt;Hevn [Paraíso]&lt;/i&gt;, finalista do International Booker de 2022, e &lt;i&gt;Subete Mayonaka no Koibito Tachi [Todos os amantes da noite]&lt;/i&gt;, finalista do National Book Critics Circle de 2023 na categoria ficção. Em 2024, &lt;i&gt;As irmãs de amarelo&lt;/i&gt; ganhou o Prêmio Yomiuri de Literatura. Seus livros, traduzidos para quarenta idiomas, são conhecidos por reflexões sobre o corpo feminino e por questões filosóficas sobre gênero, classe e ética na sociedade moderna. Nascida em Osaka, Kawakami vive em Tóquio, no Japão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0ay7EWt8&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0ay7EWt8&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;As irmãs de amarelo&lt;/i&gt; de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Mieko Kawakami&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/8846193517426226015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/8846193517426226015' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/8846193517426226015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/8846193517426226015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/09/mieko-kawakami-as-irmas-de-amarelo.html' title='Mieko Kawakami - As irmãs de amarelo'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEggnLVcs9yezpiO8p09MN9hMkBpSpuyYEms4k4RGREPkxpRee0GDbock57fzYWgH68z7CWcMUUx3A3g5Msot3dPGQ9tK5aNkbujLiNWxbeV0XXYlx4gk5UOJ-OH4pZj__Sgv89U_7x7Vzv73cwmi6viH7cPX1aRQ42w2fcJrU7PxsGUh4blsgoS/s72-w640-h454-c/Mieko%20Kawakami%20-%20As%20irm%C3%A3s%20de%20amarelo_C.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-176892764351575581</id><published>2026-09-01T13:14:48.286-03:00</published><updated>2026-09-01T13:17:06.073-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crônicas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Clara Averbuck - Sim, nós estamos com raiva</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSHX0MJORDxvgtn6xfIczxay0htDvlt_XpAbrJZgwQwlhnL6Fb0QnaF7ohytZwrs5a903o4varNPaNujnuRF93jiZcD3OSQd2tHbHh7gFP8Q5-OIfVabT5AHFhCboaKMESiqZ7QGWKi-JuHbCmXhg0cf1uqbn1Q7M3Qw5vQdZai5mg0VpOaP8D/s800/Clara%20Averbuck%20-%20Sim,%20n%C3%B3s%20estamos%20com%20raiva_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;604&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;484&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSHX0MJORDxvgtn6xfIczxay0htDvlt_XpAbrJZgwQwlhnL6Fb0QnaF7ohytZwrs5a903o4varNPaNujnuRF93jiZcD3OSQd2tHbHh7gFP8Q5-OIfVabT5AHFhCboaKMESiqZ7QGWKi-JuHbCmXhg0cf1uqbn1Q7M3Qw5vQdZai5mg0VpOaP8D/w640-h484/Clara%20Averbuck%20-%20Sim,%20n%C3%B3s%20estamos%20com%20raiva_A.png&quot; title=&quot;Clara Averbuck - Sim, nós estamos com raiva&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Clara Averbuck - Sim, nós estamos com raiva - Editora Patuá - 216 Páginas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Arte de Capa e Ilustrações: Eva Uviedo - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O mais recente lançamento de Clara Averbuck, após um afastamento de dez anos do mercado editorial, reúne uma coletânea de crônicas centradas em experiências pessoais relacionadas ao feminismo e associadas às questões de gênero, raça e desigualdade social. Não se trata de uma obra de caráter teórico ou ensaístico, na linha de autoras como Gloria Jean Watkins (bell hooks) ou Grada Kilomba. Mantendo o estilo que a consagrou desde os textos publicados em blogs no final dos anos 1990 e, posteriormente, no romance &lt;i&gt;Máquina de Pinball&lt;/i&gt;, em 2002, a autora recorre a uma linguagem coloquial, direta e explícita, sem a preocupação de adequar seu discurso às expectativas da crítica literária, o que confere força e espontaneidade aos textos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Dividido em quatro partes, intituladas &#39;Faísca&#39;, &#39;Brasa&#39;, &#39;Chama&#39; e &#39;Incêndio&#39;, o livro organiza crônicas que se tornam progressivamente mais raivosas, partindo da adolescência da autora em Porto Alegre, antes de se mudar para São Paulo, enfrentando os primeiros desafios para conquistar o seu lugar no mundo, dominado por uma sociedade patriarcal que insiste em classificar os seus livros como &quot;literatura feminina&quot;, quando tudo o que ela deseja é ser reconhecida como escritora. Ao longo do amadurecimento, a indignação se transforma em raiva, que Clara usa como combustível para incendiar os preconceitos: &lt;i&gt;&quot;a raiva tem que ser uma força motriz e um agente de mudança, não um fogo sem controle, senão acabamos por nos autoimolar.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Já fui uma mulher que dizia querer ser um homem sem perceber que o que eu queria era a liberdade deles. Eu afastava as outras mulheres e execreva o que me era apresentado como feminino, posto que não me contemplava, não tinha nada a ver comigo. Mal sabia eu que não tinha a ver com o indivíduo, e sim com a construção da mulher, essa ideia errada de que devemos seguir um padrão preestabelecido com o que esperam de nós, e não com o que realmente somos ou almejamos ser. / Minha mãe dizia: &#39;Não seja como as outras&#39;. Eu entendia isso de uma forma pessoal, mas sei que o que ela queria dizer era: &#39;Não precisa seguir esse modelo, você pode ser o que quiser&#39;. / Fui mesmo. Virei. O que eu quis.&quot;&lt;/i&gt; (p. 25)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O conceito de feminismo é frequentemente ridicularizado, razão pela qual as crônicas de Clara Averbuck se tornam uma leitura importante para homens e mulheres. Como afirma a autora: &quot;&lt;i&gt;o&amp;nbsp;feminismo é uma luta contra um sistema opressor. Não é o &#39;contrário&#39; de machismo, que é um sistema de opressão; é uma reação a esse sistema.&quot;&lt;/i&gt; Eu mesmo tenho de confessar que me surpreendi com alguns textos ao me identificar em pequenas ciladas do cotidiano, relacionadas à objetificação do corpo feminino. Um exemplo é o hábito aparentemente inocente de elogiar uma mulher que perdeu peso e parece &lt;i&gt;&quot;estar mais bonita&quot;&lt;/i&gt; segundo padrões estéticos difundidos pela indústria da dieta, uma cultura que a autora identifica como mais um dos diversos mecanismos de controle sobre as mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualidade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo, Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais. [...] Feminismo não tem nada a ver com deixar de usar batom, salto ou dar de quatro. Feminismo não tem nada a ver com ser inimiga dos homens. Feminismo não tem nada a ver com esconder o corpo; muito pelo contrário, exigimos o direito de andar com a roupa que bem entendermos, sem assédio ou constrangimentos. Feminismo não tem nada a ver com morrer solteira de bigode (mas se quiser, pode). Feminismo não tem nada a ver com não ter filhos, e simcom a escolha de como e quando esses filhos virão, e se virão. Feminismo não tem nada a vr com não ser feminina. E nem com ser.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 49-50)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O livro é também uma forma de alívio e acolhimento para mulheres que convivem diariamente com abusos, violência, preconceito e discriminações. Ao compartilhar suas experiências e reflexões, Clara Averbuck transforma vivências individuais em uma narrativa coletiva, na qual muitas leitoras poderão se reconhecer. A autora destaca que essas opressões são amplificadas pela desigualdade social e pelo racismo estrutural que atravessam a nossa sociedade, tornando ainda mais difícil a luta por direitos. A raiva é, portanto, justificada e necessária, da faísca ao incêndio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Somos ensinadas que não estamos completas sem um amor, sem a outra metade, a tal da tampa da panela, da metade da laranja. E muitas vezes acabamos aceitando o inaceitável em nome disso. Repito: mesmo as mulheres mais independentes, esclarecidas, com mil livros na cabeça e na cabeceira, carreira e contas bancárias sólidas, mesmo essas não estão livrs disso. É uma questão estrutural. É algo que está muito entranhado em nossas construções. / Não estou falando que todos os homens são monstros e nem que devemos fugir deles e viver solteiras para sempre. Amar é bom, relacionamentos podem ser saudáveis, ainda que complicados, mas temos que estar atentas a essa construção de amor romântico que nos anula. Na verdade, de onde vejo, acho que muitos deles são vítimas de uma construção de masculinidade tóxica que execra o feminino e é calcada em violência e dominação. Não sabem sequer nomear seus sentimentos e viram uns deficientes emocionais, que não sabem lidar com os sentimentos sem ser de formas violentas. Porém, mesmo eles sendo vítimas dessa masculinidade, quem paga o preço alto somos nós, mulheres.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 79-80)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHgmDzQk0iZ3hAhSoEaSAIx8po1wR9tFRxL8gu6R3Gly-MXtsbqFNg7SWGEBZ5oidcSRI4y7llKrDiZp8dQCwzhixbWMjqwRZHqxXcjcD8Qg6WoOr3j1TohsLi5v3a-cXKEJmIVeUDSP7y-hgQGdOgGpGGsCz2l3ngPGI8qNpzBTLvmEti8vIk/s669/Clara%20Averbuck%20-%20Sim,%20n%C3%B3es%20estamos%20com%20raiva.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;669&quot; data-original-width=&quot;466&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHgmDzQk0iZ3hAhSoEaSAIx8po1wR9tFRxL8gu6R3Gly-MXtsbqFNg7SWGEBZ5oidcSRI4y7llKrDiZp8dQCwzhixbWMjqwRZHqxXcjcD8Qg6WoOr3j1TohsLi5v3a-cXKEJmIVeUDSP7y-hgQGdOgGpGGsCz2l3ngPGI8qNpzBTLvmEti8vIk/w223-h320/Clara%20Averbuck%20-%20Sim,%20n%C3%B3es%20estamos%20com%20raiva.png&quot; title=&quot;Clara Averbuck - Sim, nós estamos com raiva&quot; width=&quot;223&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Clara Averbuck publicou seu primeiro livro aos 22 anos, achando que sabia das coisas. Ao longo de quase três décadas, sua trajetória se funde com as transformações dos modos de escrever e publicar no Brasil. Passou a vida contando histórias de mulheres que não cabiam nas regras e descobriu, no caminho, que a raiva é uma excelente matéria-prima. Mora com seis gatos resgatados no centro de São Paulo e carrega uma teimosia de gerações. Este é seu décimo livro. Mandou avisar que pretende escrever mais dez ou vinte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B02cZ7wVS&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B02cZ7wVS&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;Sim, nós estamos com raiva&lt;/i&gt; de Clara Averbuck&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/176892764351575581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/176892764351575581' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/176892764351575581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/176892764351575581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/09/clara-averbuck-sim-nos-estamos-com-raiva.html' title='Clara Averbuck - Sim, nós estamos com raiva'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSHX0MJORDxvgtn6xfIczxay0htDvlt_XpAbrJZgwQwlhnL6Fb0QnaF7ohytZwrs5a903o4varNPaNujnuRF93jiZcD3OSQd2tHbHh7gFP8Q5-OIfVabT5AHFhCboaKMESiqZ7QGWKi-JuHbCmXhg0cf1uqbn1Q7M3Qw5vQdZai5mg0VpOaP8D/s72-w640-h484-c/Clara%20Averbuck%20-%20Sim,%20n%C3%B3s%20estamos%20com%20raiva_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-5894637140969336676</id><published>2026-08-23T10:42:40.209-03:00</published><updated>2026-08-23T10:42:40.303-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cinema e Vídeo"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><title type='text'>Marcos Alexandre Faber - Cinema nacional</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJ3lrZcRXGejXRat4rM-LxdMQK8a2jYSYaFFVoRwmc7rBUS4G55NynCZz_E9br9mp_iV1VCBxlRWYgJQ5NDQiiWJc1spwoOKCU6RrkCxN9aw005g7fXpwQ-DAcb0pruEFIcwhPfkMg-rN_ezKSv1THA1RLylmtwESpfSQCqdSQf_foB1hzYmoA/s800/Marcos%20Alexandre%20Faber%20-%20Cinema%20nacional_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;568&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;454&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJ3lrZcRXGejXRat4rM-LxdMQK8a2jYSYaFFVoRwmc7rBUS4G55NynCZz_E9br9mp_iV1VCBxlRWYgJQ5NDQiiWJc1spwoOKCU6RrkCxN9aw005g7fXpwQ-DAcb0pruEFIcwhPfkMg-rN_ezKSv1THA1RLylmtwESpfSQCqdSQf_foB1hzYmoA/w640-h454/Marcos%20Alexandre%20Faber%20-%20Cinema%20nacional_A.png&quot; title=&quot;Marcos Alexandre Faber - Cinema nacional&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Marcos Alexandre Faber - Cinema nacional - Editora Reformatório - 224 Páginas - Imagem de capa: Sala do cinema São Luiz (Divulgação São Luiz) - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O protagonista-narrador do mais recente romance de Marcos Alexandre Faber, assim como o autor, &lt;i&gt;&quot;é um cineasta sem uma câmera na mão, mas com muitas ideias na cabeça&quot;&lt;/i&gt;. No entanto, o verdadeiro protagonismo é dividido entre o cinema nacional e a cidade-cenário do Recife, que se impõe como uma personagem viva,  com sua história e talento natural para a criação artística, reinventando tradições na literatura, na música e nas artes em geral. A obra combina ficção, ensaio e memória, tendo como eixo narrativo a formação de um cineclube caseiro, idealizado como forma de resistência cultural pelo protagonista de trinta e sete anos, que nunca é nomeado, uma espécie de alter ego do autor, sua esposa Fernanda e o casal de amigos, Arthur e Helena.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Em uma edição&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;cuidadosa&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;da Editora Reformatório, o livro é enriquecido por uma seleção de cartazes da extensa filmografia citada ao longo da narrativa que é apresentada no anexo em detalhes, além de epígrafes com citações de diretores, críticos e trechos de famosos roteiros. O amor e o conhecimento de Faber pelo tema transparecem em cada página, compondo um painel consistente da história do cinema nacional, com nomes como Nelson Pereira dos Santos (&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Rio, 40 graus&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt; e &lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Vidas secas&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;), Glauber Rocha (&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Deus e o Diabo na Terra do Sol&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt; e &lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Terra em Transe&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;), Anselmo Duarte (&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O Pagador de Promessas&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;), Carlos Diegues (&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Bye, Bye Brasil&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;), Arnaldo Jabor (&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Eu Sei que Vou Te Amar&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;), entre outros. Enfim, um paraíso para os amantes da sétima arte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;&lt;i&gt;Eu e o Arthur tivemos a adolescência pelo Recife dos anos oitenta e, sempre que arranjávamos algum dinheiro, íamos ao cinema. Tínhamos a meta inviável de assistirmos a um filme por dia. E a nossa queixa era sempre o fechamento das salas que tanto amávamos (Trianon, Art Palácio, Moderno, Veneza, Astor, AIP, Ritz), transformadas em farmácias, igrejas evangélicas. O único sobrevivente era o São Luiz. Sediado na surreal Rua da Aurora, em frente ao Capibaribe, o cinema foi inaugurado em 1952 como a sala de projeção mais luxuosa do Recife. Com a transferência das salas para os shoppings e o empobrecimento cultural do Centro, o São Luiz agora é uma &#39;espécie rara&#39; na paisagem recifense. Um animal exótico. Não se sabe até quando! De qualquer forma, já não é a mesma coisa, pois agora exibe uma programação segmentada, sem a espontaneidade de quando entrávamos sem horas marcadas. É como se ele tivesse se tornado oficial, com programações alternativas.&lt;/i&gt;&quot; (p. 32)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;No campo da ficção, a amizade entre o protagonista e seu melhor amigo Arhur se sustenta em um sonho comum de realizações que, dia após dia, nunca se concretizam: &lt;i&gt;&quot;Dois homens de sensibilidade e criação superiores, destinados a uma compreensão mútua apenas. Parecia mesmo pouco, mas era quase o suficiente.&quot;&lt;/i&gt; Essa relação, contudo, acaba contaminada por uma traição entre os casais, como no roteiro de&amp;nbsp;&lt;i&gt;O Quatrilho&lt;/i&gt; de Fábio Barreto, levando ao isolamento do protagonista e a uma viagem ao interior de Pernambuco, em busca de um enredo inspirado nos clássicos do cinema nacional, questionando: &lt;i&gt;&quot;Como fazer um romance ou um filme regionalista sem uma seca?&quot;&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;&lt;i&gt;Também era comum irmos, no final da tarde, à Livro 7, reduto dos intelectuais recifenses dos anos 80, particularmente dos poetas, já que no Recife os poetas nascem à solta como as plantas do mangue. [...] Uma vez, ao acaso, avistei o próprio João Cabral. Tive vontade de falar-lhe sobre &lt;/i&gt;O Cão sem Plumas&lt;i&gt;, mas ele me parecia tão superior e distante como se fossede outra casta, Ou, pelo menos, era assim que eu o imaginava enquanto artista juvenil. Afinal, o que eu poderia acrescentar ao seu poema? O que poderia eu dizer que ele já não soubesse? Toda aquela minha excitação e alumbramento apenas o incomodaria. Afinal de contas, ele não fizera o poema para ser devassado. Ele também tinha a fama de chato, de pouco receptivo, não frequentava nem os saraus literários. Enfim, em torno da Livro 7 — uma espécie de &lt;/i&gt;L´art industriel&lt;i&gt;, de Flaubert — desfilavam desde os poetas e artistas que queriam ser vistos e criar ali seu ciclo de relações dentro do campo da arte pernambucana àqueles leitores anônimos que simplesmente amavam os livros.&lt;/i&gt;&quot; (pp. 55-6)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A filmografia não se limita aos clássicos: o autor também evoca filmes de sua memória afetiva, nacionais ou estrangeiros, vistos na infância nas matinês do Recife ou em sessões da tarde, como&amp;nbsp;&lt;i&gt;O Mágico de Oz&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Os Trapalhõe&lt;/i&gt;s. Destaque para o capítulo dedicado ao impacto causado por&amp;nbsp;&lt;i&gt;Amarelo Manga&lt;/i&gt; de 2002, dirigido por Cláudio Assis e ambientado no centro histórico de Recife. Mais do que uma coleção de grandes produções, o autor transforma o ato de assistir aos filmes em uma experiência literária e certamente vai te fazer lembrar de alguns filmes que marcaram a sua história, termino com a epígrafe de Luiz Carlos Barreto, bem alinhada com a visão da obra: &lt;i&gt;&quot;Um país sem cinema é como uma casa sem espelho.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;&lt;i&gt;O filme, da nova cena pernambucana, foi literalmente uma porrada no estômago, semelhante à primeira vez em que assisti a &lt;/i&gt;Taxi Driver&lt;i&gt; ou &lt;/i&gt;Laranja Mecânica&lt;i&gt;. &lt;/i&gt;Amarelo Manga&lt;i&gt;, simples assim. A verdade é que eu já tinha visto muitos curtas sobre o Recife, mas aquele filme penetrava as entranhas da cidade como uma faca de açougueiro, transpassava aqueles becos cheios de pensões e pessoas decadentes que eu conhecia tão bem de passagem, como se fosse eu mesmo um passageiro de Travis Bickle, a personagem corrosiva do Robert De Niro. Meu Deus, este é o Recife dos artistas marginais que conheço: do Ivinho, gênio da guitarra que tocou em Montreux, e de poetas, como Erickson Luna, que solvem a dor da cidade e adormecem nas calçadas. Aquele filme era forte demais para mim, mas, ao mesmo tempo, era a primeira vez que eu via o Recife sem maquiagem alguma, assim na tela, como vísceras no açougue.&lt;/i&gt;&quot; (pp. 93-4)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2OZivgaepgbP8thf3wgUWar7AH8LBweVcpFrHOo2QgIPtpew-MMJz5OGc__lYD67aso7Qy29nd_A_uBX2ptaYENR_jc806LdxCxMABKN5LpNuLSXXTzP239pcJ2h-R_UQSrB2xICW1xEZ7DGd0Np_5N80HnnEl-RM-gfGKqRzOvhzdvehm8_L/s874/Marcos%20Alexandre%20Faber%20-%20Cinema%20nacional.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;874&quot; data-original-width=&quot;571&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2OZivgaepgbP8thf3wgUWar7AH8LBweVcpFrHOo2QgIPtpew-MMJz5OGc__lYD67aso7Qy29nd_A_uBX2ptaYENR_jc806LdxCxMABKN5LpNuLSXXTzP239pcJ2h-R_UQSrB2xICW1xEZ7DGd0Np_5N80HnnEl-RM-gfGKqRzOvhzdvehm8_L/w209-h320/Marcos%20Alexandre%20Faber%20-%20Cinema%20nacional.jpg&quot; title=&quot;Marcos Alexandre Faber - Cinema nacional&quot; width=&quot;209&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Marcos Alexandre Faber é natural do Recife, na adolescência frequentou os cinemas da cidade e espaços como a Livro 7. Da geração do rock nacional, formou com amigos uma banda, a Expoente, e tocou em cenários como a Sala Clênio Wanderley, a Arte Viva e o Teatro Valdemar de Oliveira. A sua jornada literária, iniciada na poesia, expandiu-se para música, ensaios e ficção. Em paralelo à sua poética, a sua formação compreende: graduação em Letras e em Direito; doutorado em Literatura pela Universidade do Porto; e dois estágios pós-doutorais abordando a relação entre literatura, cinema e música (FLUP – UFPE). Atualmente é docente de Letras na UFAL. É autor, entre outros, de &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2021/09/marcos-alexandre-faber-leitora-de-poesia.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A leitora de poesia&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (Reformatório, 2021) e&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2023/08/marcos-alexandre-faber-por-dentro-de.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Por dentro de Rita Hayworth&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (Reformatório, 2023).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B03mmzaKz&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Cinema nacional&lt;/i&gt; de Marcos Alexandre Faber&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/5894637140969336676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/5894637140969336676' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5894637140969336676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5894637140969336676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/08/marcos-alexandre-faber-cinema-nacional.html' title='Marcos Alexandre Faber - Cinema nacional'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJ3lrZcRXGejXRat4rM-LxdMQK8a2jYSYaFFVoRwmc7rBUS4G55NynCZz_E9br9mp_iV1VCBxlRWYgJQ5NDQiiWJc1spwoOKCU6RrkCxN9aw005g7fXpwQ-DAcb0pruEFIcwhPfkMg-rN_ezKSv1THA1RLylmtwESpfSQCqdSQf_foB1hzYmoA/s72-w640-h454-c/Marcos%20Alexandre%20Faber%20-%20Cinema%20nacional_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-5327844015980001088</id><published>2026-08-09T11:33:39.926-03:00</published><updated>2026-08-09T11:46:31.019-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Marcela Fassy - Abafada</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjhJ04fvuLQGdsZBfuWt0Zg-8OPaI_t_zje80GOteyS4vXlMX7Yd3oN1IlxnweJuHkS0ugxWIddzRDxSwIVbipy68C1uutfjgha91lMj9UCQsJSmtbCjOhr_GZhilfINCu8JTd-RYKLGVFqO7daQ6Z6kAqIAW_G9Yy8AkibAbnRdlOTILRTFH__/s800/Marcela%20Fassy%20-%20Abafada_C.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;606&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;484&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjhJ04fvuLQGdsZBfuWt0Zg-8OPaI_t_zje80GOteyS4vXlMX7Yd3oN1IlxnweJuHkS0ugxWIddzRDxSwIVbipy68C1uutfjgha91lMj9UCQsJSmtbCjOhr_GZhilfINCu8JTd-RYKLGVFqO7daQ6Z6kAqIAW_G9Yy8AkibAbnRdlOTILRTFH__/w640-h484/Marcela%20Fassy%20-%20Abafada_C.png&quot; title=&quot;Marcela Fassy - Abafada&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Marcela Fassy - Abafada - Editora Reformatório - 168 Páginas - Imagem de capa: iStockphoto - Design e editoração eletrônica: Negrito Produção Editorial - Lançamento: 2025.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A protagonista de &lt;i&gt;Abafada&lt;/i&gt;, romance de estreia de Marcela Fassy&lt;i&gt;,&lt;/i&gt; narra, em um fluxo de consciência atordoante, sua busca por uma saída. Essa fuga, entretanto, pode assumir a forma da desistência definitiva, como sugere a citação de Silvina Ocampo inserida no texto:&amp;nbsp;&lt;i&gt;&quot;Às vezes, morrer é simplesmente ir embora de um lugar, abandonar todas as pessoas e os costumes que se ama. Por esse motivo, o exilado que não deseja morrer sofre, mas o exilado que busca a morte encontra o que antes não tinha conhecido: a ausência da dor em um mundo outro&quot;&lt;/i&gt;. De fato, a protagonista-narradora tenta o suicídio algumas vezes ao longo da vida, incapaz de continuar riscando a letra V nos checklists diários que a sociedade e a tradicional família mineira lhe impõem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A personagem é atormentada pelo fantasma de outras mulheres que cederam à &lt;i&gt;&quot;tentativa de autoextermínio&quot;&lt;/i&gt; como foi registrado no prontuário de sua primeira tentativa aos treze anos. Entre elas está a tia Celina, figura que habita suas lembranças desde a infância, quando a levava para tomar sorvete. Celina ingeriu comprimidos para dormir e depois abriu o gás, tornando-se uma presença constante na construção da identidade da protagonista. &lt;i&gt;&quot;Você tem o mesmo riso da Celina&quot;&lt;/i&gt;, dizia a mãe; já o pai a reduzia a um julgamento sumário: &lt;i&gt;&quot;A Celina sempre foi meio doida, né?&quot;&lt;/i&gt;. No decorrer da narrativa, outras escritoras famosas que também foram sufocadas ao longo da jornada são citadas como Virginia Woolf, Sylvia Plath e Ana Cristina Cesar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;(se me permite aqui um parêntese, a minha cabeça é uma geringonça muito mal tratada, sinto vontade de arrancá-la pelo menos uma vez por dia, por enquanto vou conseguindo equilibrá-la em cima do meu pescoço mas sinto que a qualquer momento ela pode deslizar, cair no chão e se quebrar como uma jarra de cerâmica, dessas que as mulheres fazem nas pequenas cidades do Jequitinhonha, tão bonitas ( as jarras, não as mulheres, mas também as mulheres eventualmente, mas veja, já estou criando um parêntese dentro de outro parêntese, isso deve ser proibido em algum lugar ( sim, eu falava da minha cabeça deslizando de cima do meu pescoço como um bonito jarro de cerâmica, até que não é uma imagem feia, um jarro de cerâmica com uma cabeça desenhada ( não que minha cabeça seja particularmente bonita, pronto, outro parêntese, [...]&quot;&lt;/i&gt; (p. 9)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A sensação de claustrofobia é reforçada pelo uso recorrente de parênteses, que funcionam como breves interrupções do fluxo narrativo, pequenos respiros em meio ao sufocamento emocional da protagonista. Uma de suas crises mais fortes é provocada pelo relacionamento com Leon, um homem casado que literalmente a sufoca: &lt;i&gt;&quot;Leon tem o hábito de me asfixiar, gosta de se deitar sobre mim com as mãos em volta de meu pescoço, eu penso que vou morrer sufocada e acho uma delícia (&quot;&lt;/i&gt;. Ajudada pela amiga Ivana, &lt;i&gt;&quot;uma garotinha de sessenta&amp;nbsp; alguns anos&quot;&lt;/i&gt;, que também tem a &lt;i&gt;&quot;cabeça quebrada&quot;,&lt;/i&gt; ela consegue superar uma das tentativas de suicídio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Ivana é maconheiríssima, quando o marido a trocou pela secretária vinte anos mais nova a cabeça de Ivana quebrou e o médico que conserta cabeças receitou para ela uns antidepressivos fortes, Ivana não conseguia levantar da cama e ficava babando no travesseiro o dia todo, até que resolveu fazer um experimento científico e trocar os antidepressivos por maconha, o experimento funcionou até certo ponto, quer dizer, a cabeça dela continuou quebrada, mas a maconha ajudou a fazer com que ela conseguisse rir desse fato ( o riso aproxima, aproxima os caquinhos quebrados das cabeças das pessoas e ajuda a disfarçar, nem ficou tão feio assim ( o riso resulta de um estímulo no córtex motor desencadeado pelo sistema límbico, a resposta física do corpo sob a forma do riso faz com que a caixa torácica se contraia de maneira rápida, empurrando o ar e fazendo com que aumente a quantidade de oxigênio inalado, que se espalha pelas células cerebrais e por todo o organismo (&quot;&lt;/i&gt; (p. 37)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Uma experiência de autoconhecimento em uma caverna irá permitir alívio,&amp;nbsp;sem o consumo de antidepressivos e ansiolíticos,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;influência da indústria farmacêutica e de alguns profissionais da área de saúde que muitas vezes procuram combater apenas o efeito, mas não a causa dos colapsos psíquicos de seus pacientes. Um livro que surpreende tanto pela originalidade da construção narrativa quanto pela coragem de abordar temas sensíveis do universo feminino, fazendo com que aguardemos com interesse novos lançamentos de Marcela Fassy.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Você anota, você rabisca, você escreve incessantemente no receituário, as vistas eternamente pregadas no papel azul, você prescreve os medicamentos adequados, você coloca o CID, você é um profissional sério, zeloso, de suas grandes responsabilidades, o grande salvador de mulheres solitárias à beira de um ataque de nervos, o grande herói, o grande Deus da medicina, Herr Doktor, pois sim, aquele que tudo sabe e tudo conhece, todo poderoso onisciente onipotente, por fim você pressiona o carimbo sobre a almofada embebida em tinta e imprime no canto inferior direito da folha azul o seu registro do CFM. Em seguida você alisa os bigodes amarelos, você sorri orgulhoso e satisfeito com a sensação de dever cumprido, enquanto a paciente sai pela porta você dá uma boa olhada na bunda dela, você pensa que é um desperdício uma bunda daquelas com depressão, ao final do expediente você faz uma parada para um uísque e olha a bunda da garçonete.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 164-5)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQAhG9FdlOFApnXroanTkj2AS7n4bV1aJkKCEf1amI18Xqx_gmGFh_Mk817eONVvWu_-XhjdjNXqVbsBy2p-DwJKQQoLr6b9szmGLZfuxOPvFhdsXyuCDPXdBiANoe-9nEsFN4xoH3GK6ALXKwuUo7YYWyYUfHa4Vr5b1_LtgJcbCSwfIoWOpe/s1500/Marcela%20Fassy%20-%20Abafada.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatrura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;968&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQAhG9FdlOFApnXroanTkj2AS7n4bV1aJkKCEf1amI18Xqx_gmGFh_Mk817eONVvWu_-XhjdjNXqVbsBy2p-DwJKQQoLr6b9szmGLZfuxOPvFhdsXyuCDPXdBiANoe-9nEsFN4xoH3GK6ALXKwuUo7YYWyYUfHa4Vr5b1_LtgJcbCSwfIoWOpe/w207-h320/Marcela%20Fassy%20-%20Abafada.jpg&quot; title=&quot;Marcela Fassy - Abafada&quot; width=&quot;207&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Marcela Fassy nasceu em Belo Horizonte, em 1984. É historiadora (UFMG), Especialista em Artes Visuais (Senac/MG) e Mestre em Ciências Humanas (UFVJM/Museu do Louvre). Trabalha como arte-educadora no Instituto Brasileiro de Museus. Seu livro de contos &lt;i&gt;As Putas Escrevem&lt;/i&gt; (Urutau, 2024) recebeu menção honrosa no Concurso Nacional da UBE/PB. Foi finalista do Prêmio Internacional Pena de Ouro com um conto integrante do seu livro &lt;i&gt;Oniros&lt;/i&gt; (Urutau, 2022). &lt;i&gt;Abafada&lt;/i&gt;, livro vencedor do Prêmio Caio Fernando Abreu 2024, é seu primeiro romance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B02xkxHl7&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;i&gt;Abafada&lt;/i&gt; de Marcela Fassy&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/5327844015980001088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/5327844015980001088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5327844015980001088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5327844015980001088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/08/marcela-fassy-abafada.html' title='Marcela Fassy - Abafada'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjhJ04fvuLQGdsZBfuWt0Zg-8OPaI_t_zje80GOteyS4vXlMX7Yd3oN1IlxnweJuHkS0ugxWIddzRDxSwIVbipy68C1uutfjgha91lMj9UCQsJSmtbCjOhr_GZhilfINCu8JTd-RYKLGVFqO7daQ6Z6kAqIAW_G9Yy8AkibAbnRdlOTILRTFH__/s72-w640-h484-c/Marcela%20Fassy%20-%20Abafada_C.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-2309797624328886039</id><published>2026-08-02T11:30:22.947-03:00</published><updated>2026-08-02T11:33:55.477-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura japonesa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Haruki Murakami - A cidade e suas muralhas incertas</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhW4pYtGBOQUqW8Fe2pQ5aWahePQ6kGGFW_XdRi-EegCbxLrSyAJSntid_Uhntf1aFMgCvIi9B9xlqpd_fURUzJ0LQNU37ecH3VsYFywyGbHEqPR-9FgktAHY_AqkLo5jVw7a74LaEN6JIMVxtlILrXgQFMMXpKWbXDApeBdpj_Q43rHv7Cmb8e/s800/Haruki%20Murakami%20-%20A%20cidade%20e%20suas%20muralhas%20incertas_A.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura japonesa contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;619&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;496&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhW4pYtGBOQUqW8Fe2pQ5aWahePQ6kGGFW_XdRi-EegCbxLrSyAJSntid_Uhntf1aFMgCvIi9B9xlqpd_fURUzJ0LQNU37ecH3VsYFywyGbHEqPR-9FgktAHY_AqkLo5jVw7a74LaEN6JIMVxtlILrXgQFMMXpKWbXDApeBdpj_Q43rHv7Cmb8e/w640-h496/Haruki%20Murakami%20-%20A%20cidade%20e%20suas%20muralhas%20incertas_A.jpg&quot; title=&quot;Haruki Murakami - A cidade e suas muralhas incertas&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Haruki Murakami - A cidade e suas muralhas incertas - Editora Alfaguara - 504 Páginas - Tradução de Jefferson José Teixeira - Capa: Alceu Chiesorin Nunes - Lançamento no Brasil: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Haruki Murakami é um dos autores favoritos da casa, e cada lançamento seu é aguardado com ansiedade. &lt;i&gt;A cidade e suas muralhas incertas&lt;/i&gt; foi inspirado em um conto publicado pelo autor em 1980, em uma revista literária japonesa, no início da carreira. Na época, o autor administrava um bar de jazz em Tóquio. O próprio Murakami explica no posfácio que jamais se sentiu plenamente satisfeito com a versão original. Ao expandir esse conto décadas depois, reflete: &lt;i&gt;&quot;Como disse Jorge Luis Borges, o número de histórias que um escritor é capaz de contar com sinceridade durante a vida é limitado. Ou talvez seja melhor afirmar que apenas reescrevemos, de várias formas e por todos os meios possíveis, os temas desse número limitado de histórias. Ou seja, a verdade não está em uma quietude fixa, mas numa mudança constante. Mas será que não é isso que constitui a quintessência das narrativas? É o que penso.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;De fato, muitos temas recorrentes na obra de Murakami são revisitados neste romance: o amor adolescente, as fronteiras entre o real e o fantástico, os impasses existenciais da nossa época e, é claro, sua conhecida fixação por gatos e música de qualidade. Na primeira parte do romance, escrita em uma rara narrativa em segunda pessoa, um protagonista sem nome, como ocorre com muitos personagens no livro, apaixona-se por uma colega do ensino médio após ambos vencerem um concurso de redação. Aos dezessete e dezesseis anos eles mantêm uma relação durante alguns meses e ela descreve os detalhes de uma enigmática cidade cercada por altas muralhas onde o seu eu verdadeiro viveria, trabalhando em uma biblioteca. Após alguns meses, a jovem desaparece misteriosamente, deixando o namorado inconsolável em uma busca incessante pela cidade na esperança de encontrá-la também.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Mas o que, afinal, conversávamos ali, com as testas unidas? Não me lembro mais. Eram tantos assuntos que é impossível saber cada um deles. Desde que você começou a contar sobre a cidade especial cercada de altas muralhas, porém, esse assunto se tornou a parte principal de nossas conversas. / Os detalhes da cidade foram se definindo sobretudo porque você contava sobre as origens dela e respondia às minhas perguntas práticas a respeito dela. Essa cidade tinha sido originalmente criada por você. Mas acredito ter, de alguma maneira, dado minha modesta contribuição para torná-la visível e para que pudesse ser descrita em palavras. Você conta a história, e eu a anoto. Da mesma forma que os antigos filósofos e religiosos tinham atrás de si fiéis e escribas ou discípulos meticulosos que os seguiam. Cheguei a pegar um pequeno caderno apenas para registrar sua história, como faria um bom secretário ou um apóstolo fiel. Naquele verão, estávamos os dois totalmente concentrados nesse trabalho conjunto.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 16-7)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Em uma narrativa paralela, muitos anos depois, o rapaz, agora um homem de meia-idade, finalmente chega à misteriosa cidade que imaginara com a garota. Para entrar, precisa abandonar sua sombra no portal vigiado por um guardião e submeter-se a uma lesão nos olhos para assumir o trabalho de leitor de sonhos em uma biblioteca sem livros, onde essas memórias são preservadas em estranhas esferas. Sua assistente é justamente a antiga namorada de dezesseis anos, que não envelheceu um único dia e não guarda qualquer lembrança de tê-lo conhecido. Nesse mundo fantástico cercado por muralhas móveis, uma torre com um relógio sem ponteiros recorda constantemente aos habitantes que o tempo não existe. Enquanto isso, unicórnios circulam livremente pelas ruas e todos precisam viver sem suas sombras, mais Murakami do que isso impossível não é mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;O longo e úmido inverno terminou, finalmente, e um rigoroso inverno chegou à cidade. Alguns animais já haviam perdido a vida. Na manhã da primeira nevasca forte, alguns deles estavam estirados sobre os cerca de cinco centímetros de neve acumulada no seu assentamento, os corpos dourados intensificando a brancura invernal. Os primeiros a morrer eram os mais velhos, os mais fracos e os mais jovens que, por algum motivo, tinham sido abandonados pelos pais. A estação os selecionava com rigor. Subi a torre de vigia da muralha e observei as carcaças dos animais. Era uma visão deprimente e, ao mesmo tempo, espantosa. O sol matinal brilhava débil por trás das nuvens, e abaixo delas o hálito branco expelido pelos animais vivos pairava no ar, como uma névoa matinal. Logo após o amanhecer, ao som do berrante, o guardião como de costume abriu o portal e conduziu os animais para dentro. No assentamento, depois de os animais vivos terem saído, algumas carcaças ficaram como calombos na terra. Fiquei contemplando a cena, hipnotizado, até meus olhos doerem devido à luz matinal.&quot;&lt;/i&gt; (p. 83)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A sombra do protagonista, aprisionada junto ao guardião da cidade, começa a definhar lentamente e convence seu &quot;dono&quot; a fugir levando-a consigo. No último instante, porém, ele muda de ideia e permite que ela parta sozinha. Na segunda parte do romance, o protagonista-narrador retorna ao mundo real e decide abandonar o emprego estável em uma editora para candidatar-se a uma vaga em uma biblioteca no interior do país. O responsável pela entrevista é Koyasu, um dos raros personagens nomeados por Murakami: um homem idoso e excêntrico, que usa boina e gosta de vestir saias. Após assumir a direção da biblioteca, o protagonista passa a levar uma rotina simples e repetitiva. A narrativa, contudo, ganha um novo impulso quando Koyasu, que continua a lhe oferecer frequentes conselhos administrativos, declara de forma repentina e desconcertante que é um fantasma: &lt;i&gt;&quot;Sim, não vivo mais neste mundo. Tenho tanta vida quanto um prego de ferro congelado.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;— Sim, fiquei pensando sobre a alma. Porém, por mais que reflita, ela é um mistério profundo. Mesmo depois de morrer e me tornar um fantasma, ou melhor, justamente por ter me tornado um fantasma, aí é que não compreendi nada. Muitas pessoas gostam de usar a palavra &#39;alma&#39;. Porém, ninguém consegue definir e explicar de forma clara e inteligível o que ela é. Como essa palavra é usada com muita frequência em várias situações, todos acreditam se tratar de algo que exista inexoravelmente dentro de nossos corpos. Todavia, quando morremos, de fato, a alma fica invisível e intocável. Não é possível fazer nada com ela. A meu ver, só podemos confiar mesmo na consciência e na memória. / Abstive-me de expressar qualquer opinião pessoal sobre o assunto. Como contra-argumentar quando uma pessoa morta surge diante de seus olhos e declara: &#39;Não sei se existe alma?&#39;&quot;&lt;/i&gt; (pp. 232-3)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Ainda na segunda parte, um novo personagem surge para tornar a trama ainda mais enigmática: um adolescente que veste sempre um moletom com capuz estampado com a capa de &quot;Yellow Submarine&quot;, dos Beatles. Incapaz de frequentar uma escola convencional, o rapaz possui memória fotográfica e passa os dias na biblioteca, dedicando-se a memorizar livros. Esse personagem desempenhará um papel decisivo na terceira e última parte, quando a cidade das muralhas incertas volta a ocupar o centro da história. Marcado pela melancolia e pela solidão, temas recorrentes na obra de Murakami, o romance acompanha a busca persistente do protagonista por seu amor perdido entre diferentes mundos. Uma obra recomendada, que revisita muitas das obsessões literárias do autor e que certamente encontrará forte acolhida entre seus leitores mais fiéis. Eu, decididamente, me incluo entre essa legião de seguidores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvW97WcfwsyyT-Y5C83-CsTTfDB-0SbpwkTkUeiqmAKrAPgm9FCoy3Gdk9djsjWgZmtZySrXcl29QJ9bMAGDYocTDLVCRzw0-qN-nqdXCnkWvgzA395R1SCu_QIXVefRDLMmEu1zkJzobIyGG_N7Xmn8RCBJZhOGU3mBPDqkUH71xkt5JUAEiB/s1500/Haruki%20Murakami%20-%20A%20cidade%20e%20suas%20muralhas%20incertas.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura japonesa contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;970&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvW97WcfwsyyT-Y5C83-CsTTfDB-0SbpwkTkUeiqmAKrAPgm9FCoy3Gdk9djsjWgZmtZySrXcl29QJ9bMAGDYocTDLVCRzw0-qN-nqdXCnkWvgzA395R1SCu_QIXVefRDLMmEu1zkJzobIyGG_N7Xmn8RCBJZhOGU3mBPDqkUH71xkt5JUAEiB/w207-h320/Haruki%20Murakami%20-%20A%20cidade%20e%20suas%20muralhas%20incertas.jpg&quot; title=&quot;Haruki Murakami - A cidade e suas muralhas incertas&quot; width=&quot;207&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;: Haruki Murakami nasceu em Kyoto, no Japão, em janeiro de 1949. É considerado um dos autores mais importantes da atual literatura japonesa. Sua obra foi traduzida para mais de quarenta idiomas e recebeu importantes prêmios, como o Yomiuri e o Franz Kafka. O escritor vive atualmente nas proximidades de Tóquio. Dele, a Alfaguara publicou os relatos “Do que eu falo quando falo de corrida” e “Romancista como vocação”, as coletâneas de contos “&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2024/01/haruki-murakami-primeira-pessoa-do.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Primeira pessoa do singular&lt;/a&gt;”, &quot;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2016/01/haruki-murakami-homens-sem-mulheres.html#.VpZ71MArIfE&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Homens sem mulheres&lt;/a&gt;&quot;, os romances “&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2015/10/haruki-murakami-cacando-carneiros.html#.Vh_YCPlVhBc&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Caçando carneiros&lt;/a&gt;”, “&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2016/01/haruki-murakami-homens-sem-mulheres.html#.VpZ71MArIfE&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Minha querida Sputnik&lt;/a&gt;”, “&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2015/07/haruki-murakami-o-incolor-tsukuro.html#.VbA2b2TBzGc&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;O incolor Tsukuro Tazaki&lt;/a&gt;”, “&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2017/12/haruki-murakami-cronica-do-passaro-de.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Crônica do Pássaro de Corda&lt;/a&gt;”, &quot;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2021/05/haruki-murakami-sul-da-fronteira-oeste.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Sul da fronteira, oeste do sol&lt;/a&gt;&quot; e a trilogia “&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2014/01/haruki-murakami-1q84-livro-3.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;1Q84&lt;/a&gt;”, entre outros.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B08bA8eV0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B08bA8eV0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;A cidade e suas muralhas incertas&lt;/i&gt; de Haruki Murakami&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/2309797624328886039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/2309797624328886039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2309797624328886039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2309797624328886039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/08/haruki-murakami-cidade-e-suas-muralhas.html' title='Haruki Murakami - A cidade e suas muralhas incertas'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhW4pYtGBOQUqW8Fe2pQ5aWahePQ6kGGFW_XdRi-EegCbxLrSyAJSntid_Uhntf1aFMgCvIi9B9xlqpd_fURUzJ0LQNU37ecH3VsYFywyGbHEqPR-9FgktAHY_AqkLo5jVw7a74LaEN6JIMVxtlILrXgQFMMXpKWbXDApeBdpj_Q43rHv7Cmb8e/s72-w640-h496-c/Haruki%20Murakami%20-%20A%20cidade%20e%20suas%20muralhas%20incertas_A.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-2350895124729948724</id><published>2026-07-24T20:53:44.672-03:00</published><updated>2026-07-24T20:55:13.541-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Biografia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Nélio Silzantov - Em busca de Madalena Santos Reinbolt</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYzYjU5twb9nlG1a2w5pmvOy1p69cuJf4euLcD8MpKlBC7yooYlTcWPuXYsd6wCgeYeIa5TCLwdBFI04BqzsPlGRhGv5qg4NwCnZlrjQpSYPkS5xVu29D9bHNNx73YKIZQRqBK-1SGO_3y4FfrZi_Hj9EmqMuAT4aR4KvXIMUTFyRFGo0tLj_U/s800/N%C3%A9lio%20Silzantov%20-%20Em%20busca%20de%20Madalena%20Santos%20Reinbolt_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;545&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;436&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYzYjU5twb9nlG1a2w5pmvOy1p69cuJf4euLcD8MpKlBC7yooYlTcWPuXYsd6wCgeYeIa5TCLwdBFI04BqzsPlGRhGv5qg4NwCnZlrjQpSYPkS5xVu29D9bHNNx73YKIZQRqBK-1SGO_3y4FfrZi_Hj9EmqMuAT4aR4KvXIMUTFyRFGo0tLj_U/w640-h436/N%C3%A9lio%20Silzantov%20-%20Em%20busca%20de%20Madalena%20Santos%20Reinbolt_A.png&quot; title=&quot;Nélio Silzantov - Em busca de Madalena Santos Reinbolt&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Nélio Silzantov - Em busca de Madalena Santos Reinbolt - Editora Litteralux - 268 Páginas - Concepção de capa: Dáblio Jotta - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Este livro não é uma biografia da pintora e bordadeira Madalena Santos Reinbolt (1919-1977), personalidade real, embora pouco conhecida do grande público, como ocorre com muitos artistas populares, frequentemente classificados como representantes da arte naïf ou da chamada arte primitiva, definições nem sempre lisonjeiras empregadas pela crítica especializada. Na verdade, trata-se de um romance inspirado em sua trajetória, no qual a narradora-protagonista relata sua própria história. Oriunda da zona rural de Vitória da Conquista, na Bahia, ela percorre um caminho que se estende dos anos 1960 aos dias atuais. Entre as dificuldades de criar sozinha três filhos, um deles com deficiência auditiva, a realização do sonho de ingressar na universidade já em idade madura e a pesquisa sobre a vida e a obra de Reinbolt, a protagonista acaba viajando sozinha para São Paulo, onde entra em contato com as pinturas e tapeçarias da artista em um museu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A luta para escapar da invisibilidade constitui o principal elo entre a protagonista e a artista Madalena Santos Reinbolt. Antes de obter reconhecimento por sua obra, Reinbolt trabalhou como cozinheira na casa de Lota de Macedo Soares, que então vivia com a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. Em uma de suas cartas, Bishop observou que os vasos pintados por Reinbolt lhe pareciam mais belos do que os de Portinari pertencentes a Lota. Apesar desse reconhecimento, ambas concluíram que a convivência com a artista representava um dilema entre “a arte e a paz”, optando pela tranquilidade doméstica. O episódio, reconstruído no romance, evidencia uma contradição que o leitor pode interpretar como pouco compatível com os ideais libertários frequentemente associados às duas intelectuais, mas tão comum em nossa sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;A lida na Casa de Farinha só começava quando as mulheres se assentavam ao redor da ruma de mandioca e, com golpes ágeis e precisos das suas facas, raspavam as raízes que seriam posteriormente lavadas para retirar qualquer vestígio de terra e deixá-las alvinhas. As mulheres também eram responsáveis pela subtração da goma, a fabricação de beijus e tapiocas. Em todos os processos, as conversas entre elas amenizavam o trabalho fastidioso e o arrastar das horas. A tritura das raízes ficava a cargo dos homens, e na falta de algum deles nos trabalhos considerados mais pesados, tia Basilda era quem assumia o posto. Atividade solitária e de extrema concentração para que não ocorresse nenhum acidente. O trabalho perfeito para ela, primogênita entre os filhos e filhas de vô Cosme e vó Mani, a mais forte e reservada das mulheres. Basilda assumiu desde cedo as responsabilidades de uma segunda mãe, sempre muito respeitada e, às vezes, até temida pelos irmãos mais novos. Sua experiência na casa de farinha a tornara essencial para o funcionamento das tarefas.&quot;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt; (pp. 16-7)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O romance funciona também como uma forma de homenagem e de resgate cultural de artistas pouco conhecidos de Vitória da Conquista, terra natal de Nélio Silzantov, cujos nomes surgem ao longo da narrativa. Ao recuperar essas trajetórias frequentemente relegadas à margem dos circuitos culturais, o autor faz um chamado à reflexão sobre a necessidade de pertencimento e reconhecimento em um país marcado por profundas desigualdades regionais, onde a concentração de oportunidades limita a difusão da produção artística realizada longe do chamado &quot;Sul Maravilha&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Desde que ele chegou ao mundo, carreguei no peito a culpa silenciosa de não decifrar o que seus olhos gritavam. Eu era sua mãe, seu primeiro lar, e falhava diariamente em criar a ponte para a sua voz. Aos sete anos, quando finalmente o inscrevi na escola, vi meu filho engolido por um turbilhão de crianças que riam de seus gestos truncados, de sua voz que não ecoava como a delas. Com seus dedos apontados e risinhos cruéis chamavam-no de &quot;mudinho&quot;, até nas calçadas do bairro, onde os adultos repetiam o insulto como se fosse seu verdadeiro nome. Vicente mordia os lábios até sangrar, esmurrava as paredes, arrancava os cabelos, os olhos marejados de uma raiva que eu, erroneamente, atribuía a um temperamento difícil - e, em vez de enxergarmos sua dor, todos, inclusive eu, dizíamos que ele era apenas uma criança &#39;nervosa&#39; e &#39;malcriada&#39;. E o mundo, com essa palavra fácil, nos permitia seguir em nossa ignorância.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 95-6)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Um livro recomendado que mescla biografia e ficção de uma forma ainda pouco explorada na literatura contemporânea. Além do cuidadoso trabalho de pesquisa que sustenta a narrativa, o autor demonstra domínio de uma linguagem fortemente marcada pela expressão poética, capaz de conferir densidade e beleza ao texto, como neste trecho: &lt;i&gt;&quot;A casa de vó Egídia respirava silêncio após a lida na Casa de Farinha. A luz do candeeiro se propagava tímida e tremulante pela sala. Deitada no chão de barro batido, meus olhos vibravam ao ver contornos se formarem: cavaleiros sem rosto montando cavalos de crina flamejante, mulheres com jarros na cabeça e pés descalços pisando nuvens, santos de rosto severo abençoando plantações. O tear rangia feito a roda do tempo girando, e nas urdiduras que elas teciam, o sertão se fazia mito.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Quando olho mais à esquerda, avisto duas obras de Madalena Santos Reinbolt, atravesso um breve corredor e me ponho cara a cara com dois dos seus quadros de lã. No primeiro deles, uma mulher negra se destaca no canto esquerdo superior da paisagem. Ela está em frente a um dos lagos característicos de Madalena, repleto de flores e animais num turbilhão de cores e formas, ocupando boa parte da região central. O cenário é bastante movimentado e denso, com cores extremamente intensas, contendo ainda onze figuras masculinas ao redor e logo abaixo uma manada de bois, vacas e um cavalo branco puxado por um dos personagens. Mas o que mais chama a atenção nesta cena é a única mulher em sua composição: uma negra imponente no canto superior esquerdo, ornada com dois colares enormes e um conjunto de faixas sobrepostas na cabeça com fios amarelo-ouro, misturado com azuis e marrons, que remetem ao turbante ou à coroa. Sim, ela mesma! A mulher que tantas vezes me visitou em meus sonhos. [...]&quot;&lt;/i&gt; (pp. 242-3)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8sCCKx7fJ7ieDKAcfOxUgkKR-I20GIyWOkdDzj-V0MxUWMmMYSeNjrKYdKI4jXu0MCotTh2KhjeH3NbisdkmKxSqIlhHH8tHoSI9j9E0M9vWkOWkKaqamAaZF8vudh_wNPHtvSjdx6-xu3GbN77PgyB3Nd7Se5UrY296bMmZXtAYU8VXMiRj_/s1000/N%C3%A9lio%20Silzantov%20-%20Em%20busca%20de%20Madalena%20Santos%20Reinbolt.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1000&quot; data-original-width=&quot;628&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8sCCKx7fJ7ieDKAcfOxUgkKR-I20GIyWOkdDzj-V0MxUWMmMYSeNjrKYdKI4jXu0MCotTh2KhjeH3NbisdkmKxSqIlhHH8tHoSI9j9E0M9vWkOWkKaqamAaZF8vudh_wNPHtvSjdx6-xu3GbN77PgyB3Nd7Se5UrY296bMmZXtAYU8VXMiRj_/w201-h320/N%C3%A9lio%20Silzantov%20-%20Em%20busca%20de%20Madalena%20Santos%20Reinbolt.jpg&quot; title=&quot;Nélio Silzantov - Em busca de Madalena Santos Reinbolt&quot; width=&quot;201&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Nélio Silzantov é escritor, crítico literário, professor e editor. Indicado ao 65º Prêmio Jabuti 2023, na categoria contos, com o livro &quot;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2022/08/nelio-silzantov-br2466-ou-patria-que-os.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;BR2466 ou a pátria que os pariu&lt;/a&gt;&quot; (Penalux, 2022). É membro fundador do coletivo Escritores Conquistenses, e editor do projeto Foro Literário Sertão da Ressaca, dedicado à memória, à divulgação e demais ações em prol da literatura produzida em Vitória da Conquista. É organizador da coletânea “A novíssima literatura do Sertão da Ressaca” (Ressacada Edições, 2023), e autor dos romances &quot;Desumanizados&quot; (Penalux, 2020) e &quot;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2024/06/nelio-silzantov-finitude-das-coisas.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A finitude das coisas&lt;/a&gt;&quot; (Patuá, 2023)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0bBISmTQ&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0bBISmTQ&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Em busca de Madalena Santos Reinbolt&lt;/i&gt; de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Nélio Silzantov&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/2350895124729948724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/2350895124729948724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2350895124729948724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2350895124729948724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/07/nelio-silzantov-em-busca-de-madalena.html' title='Nélio Silzantov - Em busca de Madalena Santos Reinbolt'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYzYjU5twb9nlG1a2w5pmvOy1p69cuJf4euLcD8MpKlBC7yooYlTcWPuXYsd6wCgeYeIa5TCLwdBFI04BqzsPlGRhGv5qg4NwCnZlrjQpSYPkS5xVu29D9bHNNx73YKIZQRqBK-1SGO_3y4FfrZi_Hj9EmqMuAT4aR4KvXIMUTFyRFGo0tLj_U/s72-w640-h436-c/N%C3%A9lio%20Silzantov%20-%20Em%20busca%20de%20Madalena%20Santos%20Reinbolt_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-1049224296082801376</id><published>2026-07-04T12:03:11.039-03:00</published><updated>2026-07-04T12:10:02.436-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Poesia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Poesia brasileira contemporânea"/><title type='text'>Danilo Giroldo - Rosa infinito</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXe3dfQnrIM1hc9qu1t62tr4c9mXnMSPEZ-n75T5Zi4JWr2518T3UQ7oKkt-45RJ2-lwaEBb0Jp_AnVyrIamg5yzglVeERfTiJux2IQSgqsw-atWOs_ozGJgDc7dO1dFW0vHMUxD9qVzF1hP6CaOdAr-Nkqe8RI3bOblkAF1mHBFBgfL0zQwnG/s800/Danilo%20Giroldo%20-%20Rosa%20infinito_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Poesia brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;559&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;448&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXe3dfQnrIM1hc9qu1t62tr4c9mXnMSPEZ-n75T5Zi4JWr2518T3UQ7oKkt-45RJ2-lwaEBb0Jp_AnVyrIamg5yzglVeERfTiJux2IQSgqsw-atWOs_ozGJgDc7dO1dFW0vHMUxD9qVzF1hP6CaOdAr-Nkqe8RI3bOblkAF1mHBFBgfL0zQwnG/w640-h448/Danilo%20Giroldo%20-%20Rosa%20infinito_A.png&quot; title=&quot;Danilo Giroldo - Rosa infinito&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Danilo Giroldo - Rosa infinito - Editora Patuá - 92 Páginas&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Capa e projeto gráfico: Alessandro Romio - Lançamento: 2025.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Os poemas de Danilo Giroldo neste seu mais recente lançamento, &lt;i&gt;Rosa infinito&lt;/i&gt;,&amp;nbsp; surpreendem pela inspiração que afasta-se do lirismo convencional para apresentar ao leitor imagens inusitadas, como em&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Precipício&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; (p. 17): &lt;i&gt;&quot;quem é o precipício / na perspectiva do abismo / um vazio apenas / a sensação própria da queda / andar junto ao precipício / não é para qualquer um&quot;&lt;/i&gt;, versos que evocam, em alguns momentos, a poética de João Cabral de Melo Neto, especialmente à ideia de aprendizagem pela dureza do mundo real, me fazendo lembrar de&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2010/09/joao-cabral-de-melo-neto.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A educação pela pedra&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;:&lt;i&gt; &quot;É preciso tirar algumas lições / dos líquens e dos musgos / a nutrição em total aridez / o amor pelo substrato / a aderência integral à beirada / a escora na rocha clivada&quot;&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A imagem da resistência fria da pedra retorna em &lt;b&gt;&lt;i&gt;Sentido&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; (p. 33): &lt;i&gt;&quot;aprender com a pedra / com a folha amarela / o sentido sem som / a palavra em silêncio&quot;&lt;/i&gt;. Contudo, as referências poéticas principais são mesmo as rosas, ainda que não naturais, como quando o poeta se lamenta da sua própria artificialidade em &lt;b&gt;&lt;i&gt;Rosa de plástico&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; (p. 81): &lt;i&gt;&quot;sigo neste repouso / vivendo o fardo da longevidade / típico das coisas artificiais / invejando a efemeridade da vida / a decadência que sucede a beleza / nada é pior que a consciência / de que lhe falta o atributo / daquilo que é natural&quot;&lt;/i&gt;. Segundo o próprio autor,&lt;i&gt; &quot;um livro sobre o rosa, as rosas, as feridas e o infinito&quot;&lt;/i&gt; que acaba nos fazendo refletir sobre as nossas perdas e a fragilidade da condição humana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Precipício&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;É raro se adaptar ao precipício&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;poucos seres vivos conseguem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;sobreviver por entre escarpas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;conviver com o risco da queda&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;com as alturas e as vertigens&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;depender da acurácia dos pés&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;É preciso temer o tombo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;respeitar a gravidade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;nunca se pode pensar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;em nenhuma hipótese&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;no vazio como alívio&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;para o tremor das pernas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;É preciso tirar algumas lições&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;dos líquens e dos musgos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a nutrição em total aridez&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;o amor pelo substrato&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a aderência integral à beirada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a escora na rocha clivada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;quem é o precipício&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;na perspectiva do abismo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;um vazio apenas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a sensação própria da queda&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;andar junto ao precipício&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;não é para qualquer um&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Ser como a cabra da montanha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ter no precipício o amparo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a proteção contra o lobo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;escapar de todos os males&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;por entre as mais finas fendas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;viver em iminência de morte&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Engana-se quem pensa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a planície sem precipícios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;nem cabras da montanha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;talvez os mais terríveis barrancos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;os mais habilidosos caprinos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;estejam por aqui nestas planuras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Sentido&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Hoje eu fiz aquele bolo de bergamota&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;com caramelo que você gosta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;pena que ficou um pouco amargo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;só foi bom porque ninguém me viu chorar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;não é estranho dizer as mesmas coisas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;sabendo que não há mais qualquer crença&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;já viu que palavras muito repetidas perdem o sentido&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ando atrás de algo além delas para voltar a acreditar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;aprender com a pedra&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;com a folha amarela&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;o sentido sem som&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a palavra em silêncio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;por isso agora apareço nas formas&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;às vezes faço força para engolir&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;superar minha própria garganta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;não é só o bolo, tudo anda meio amargo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Rosa de plástico&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Flor artificial me dizem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;trinta centímetros mais ou menos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;sozinha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;deitada nessa prateleira branca&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;no lavabo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;é menos que um banheiro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;lugar para mim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;que sou menos que uma rosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;pétalas vermelhas de tecido sintético&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;caule verde com poucas folhas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;feito de um plástico de baixo valor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ainda assim vejo que me notam&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;não sei se é pela solidão que exalo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;talvez o contraste com o mdf branco&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ou porque nunca serei mesmo uma rosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;sigo neste repouso&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;vivendo o fardo da longevidade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;típico das coisas artificiais&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;invejando a efemeridade da vida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;a decadência que sucede a beleza&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;nada é pior que a consciência&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;de que lhe falta o atributo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;daquilo que é natural&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;para que haja o viço esplêndido&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;o tônus exato&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;as cores de intensidade única&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;tem de haver a sequência da morte&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;como conviver com a memória&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;da falta daquilo que não se teve&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;saber que seu brilho é constante&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;portanto insuficiente&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Também não tenho&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;como me dói&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;saber que nunca terei&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;o cheiro das coisas vivas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;perfume de uma rosa real&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ou mesmo o odor da decomposição&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ao contrário vivo exalando&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;aromas terríveis do plástico&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Vivo de um único alento&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;sempre que ela me visita&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;sorrindo com cabelos cacheados&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;me olha de um jeito que ninguém mais&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;outro dia pude ouvi-la dizer&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;uma coisa tão bonita&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;quis chorar mesmo sem poder&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;disse que faria de mim um poema&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Poemas também são coisas não vivas&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;mas vivem como se fossem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;parecem não ter cheiro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;mas exalam como se tivessem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;não morrem mas fazem querer morrer&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;quase como uma pequena rosa artificial&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;deitada na prateleira de um lavabo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhB2Q2esbBPlHzvAxlKPVxYe03wHIgMnppOyAOIozmkMfg0IHPvg9_wMrY9jGdXFEE1Dh3DXv7kxHaPdrwkdEcVDrk0tGqUfHn-nK2jbcUezmRlJt4Sb5j4KYSSCdrXRYzjgyBCvSwrBBP4IFSwchxnXd6JU1fb9u6X3z_EKzazd34JK-roZJnO/s653/Danilo%20Giroldo%20-%20Rosa%20infinito_3D.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Poesia brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;653&quot; data-original-width=&quot;367&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhB2Q2esbBPlHzvAxlKPVxYe03wHIgMnppOyAOIozmkMfg0IHPvg9_wMrY9jGdXFEE1Dh3DXv7kxHaPdrwkdEcVDrk0tGqUfHn-nK2jbcUezmRlJt4Sb5j4KYSSCdrXRYzjgyBCvSwrBBP4IFSwchxnXd6JU1fb9u6X3z_EKzazd34JK-roZJnO/w180-h320/Danilo%20Giroldo%20-%20Rosa%20infinito_3D.png&quot; title=&quot;Danilo Giroldo - Rosa infinito&quot; width=&quot;180&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;: &lt;/i&gt;Danilo Giroldo, 50 anos, é paulista e professor na Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Publicou os livros de poesia “Vala” e “O canteiro das flores de metal e o jardim de areia” em 2019 e 2020, além do projeto coletivo “De labirintos e espirais: sete poetas de Rio Grande” em 2021 e “Contos de Morte” em 2023, todos pela Editora Patuá. Publicou também “Plexo Solar” pela Editora Penalux, finalista do prêmio AGES de literatura em 2024. Tem publicações em diversas revistas literárias, como WebTV, LiteraLivre, Ruído Manifesto, Literatura&amp;amp;Fechadura e Mallarmargens.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://editorapatua.com.br/rosa-infinito-poemas-de-danilo-giroldo/p&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Rosa infinito&lt;/i&gt; de Danilo Giroldo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/1049224296082801376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/1049224296082801376' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/1049224296082801376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/1049224296082801376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/07/danilo-giroldo-rosa-infinito.html' title='Danilo Giroldo - Rosa infinito'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiXe3dfQnrIM1hc9qu1t62tr4c9mXnMSPEZ-n75T5Zi4JWr2518T3UQ7oKkt-45RJ2-lwaEBb0Jp_AnVyrIamg5yzglVeERfTiJux2IQSgqsw-atWOs_ozGJgDc7dO1dFW0vHMUxD9qVzF1hP6CaOdAr-Nkqe8RI3bOblkAF1mHBFBgfL0zQwnG/s72-w640-h448-c/Danilo%20Giroldo%20-%20Rosa%20infinito_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-7095608516754580789</id><published>2026-06-27T11:58:45.374-03:00</published><updated>2026-06-27T12:01:54.201-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fotografia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Viagem"/><title type='text'>Tamara Klink - Bom dia, inverno</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAcqBdfFlnErDkZceQUleUlMfbzIrnCplhwM2xBFMSm4pwljOGHBARat7pWntQrqyRdVtSrV3kv0IQfq9x01tJmcHYW-7X4yE2yhbaUMyEhyphenhyphenJXpBdFBE3PLTLYfHGmckwIxXgd4_fSLwK3lcoFAiehQHptpXCg-8Nl2nSKmIGgkWPIfMbKiJqD/s1451/Tamara%20Klink%20-%20Bom%20dia,%20inverno_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Livro de viagem&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1076&quot; data-original-width=&quot;1451&quot; height=&quot;474&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAcqBdfFlnErDkZceQUleUlMfbzIrnCplhwM2xBFMSm4pwljOGHBARat7pWntQrqyRdVtSrV3kv0IQfq9x01tJmcHYW-7X4yE2yhbaUMyEhyphenhyphenJXpBdFBE3PLTLYfHGmckwIxXgd4_fSLwK3lcoFAiehQHptpXCg-8Nl2nSKmIGgkWPIfMbKiJqD/w640-h474/Tamara%20Klink%20-%20Bom%20dia,%20inverno_A.png&quot; title=&quot;Tamara Klink - Bom dia, inverno&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Tamara Klink - Bom dia, inverno - Editora Companhia das Letras - 256 Páginas - Capa e projeto gráfico: Elisa von Randow - Foto de capa: Tamara Klink - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;É impossível não se apaixonar pela beleza, inteligência e pelas ideias dessa jovem navegadora brasileira que passou um inverno sozinha no mar congelado do Ártico, atravessou a Passagem Noroeste em solitário e cruzou o Atlântico duas vezes, também sozinha. De fato, Tamara Klink é um ser humano especial e, para nossa alegria, também escreve com leveza e personalidade, tornando a leitura deste livro um prazer comparável apenas ao que senti com outros diários de viagem, como &lt;i&gt;South&lt;/i&gt;, que narra a lendária expedição de Ernest Shackleton à Antártica em 1914, ou &lt;i&gt;Paratii&lt;/i&gt;, de Amyr Klink, pai de Tamara, que navegou durante 22 meses, percorrendo 50.000 quilômetros, de 1989 a 1991, dos quais seis passou imobilizado no gelo antártico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Com apenas 26 anos, Tamara conseguiu, ao longo de oito meses, libertar-se &lt;i&gt;“das necessidades desnecessárias e das urgências que não o são”&lt;/i&gt; e descobriu que, apesar da região inóspita onde escolheu realizar sua &lt;i&gt;“invernagem”&lt;/i&gt;, poderia estar mais segura do que nas grandes cidades, &lt;i&gt;&quot;sem o risco de ter sua casa ou seu corpo invadidos&quot;&lt;/i&gt;, além do prazer de precisar agradar apenas a si própria, sem se sentir excluída &lt;i&gt;“por ter útero ou subestimada por ser jovem”&lt;/i&gt; e podendo se vestir apenas &lt;i&gt;“para ficar aquecida e confortável ao se deslocar”&lt;/i&gt;, sem a necessidade de seguir os padrões de beleza que restringem a liberdade das mulheres, revelando, assim, como o isolamento acabou se transformando em um exercício de liberdade e autoconhecimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Tenho raiva das palavras. Parece que tudo que escrevo é invenção, porque as palavras não são as coisas, são um punhado de manchas e senhas. Os acontecimentos não se parecem com elas, e a experiência muda as definições. Pensava ter tido frio ao navegar até aqui, mas agora duvido dessa lembrança porque o que chamei de frio em julho virou o morno de janeiro. O que chamei de silêncio quando o mar fazia ondas é barulhento perto do som surdo de agora, os ventos &#39;fortes&#39; da navegação eram mais fracos que os do início do inverno, e &#39;aproveitar&#39; tem outro sentido. Aproveitar era fazer muitas coisas; agora aproveitar é caminhar, sentar numa pedra, olhar as nuvens passarem. Brigo com a linguagem para guardar os cheiros, os sons, o gosto da água de iceberg ou da água de neve. Mas sou refém, porque só sei organizar lembranças com palavras. Acredito cada vez menos nelas. / Às vezes penso em como viverei depois daqui, depois de passar esses meses conversando sem abrir a boca, sorrindo sem mostrar os dentes, vivendo sem rosto, sem identidade, inventando minha civilização no espaço de um inverno. O que será a vida depois de dar a ela outra definição? De ver que, entre raposas, focas, lagópodes e corvos, sou apenas mais uma mortal? O que será das ruas que abri, das pedras que batizei, das leis que criei&amp;nbsp; para me sentir segura entre os perigos desse lugar? [...]&quot;&lt;/i&gt; (pp. 18-9)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Chamou-me a atenção uma das entrevistas de Tamara, na qual ela afirma que não precisaria ter feito essa viagem para aprender muitas das coisas que veio a descobrir — pois, de alguma forma, elas já estavam dentro dela. Ainda assim, um período prolongado de isolamento, cercada por raposas, focas e outros animais selvagens, além das noites intermináveis do Ártico, certamente favorece uma conexão mais profunda com o próprio interior. Outro ponto de destaque surge quando ela questiona o foco excessivo dado ao colapso climático como uma ameaça futura, lembrando que já existem urgências concretas no presente, não apenas ambientais, embora muito importantes, como a desigualdade social no planeta, que impede muitas pessoas de sonhar com experiências como as que ela viveu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Por 26 anos, vivi entre humanos. Outros marinheiros me disseram que seria perigoso viver sem. E é. Mas quando comparo os perigos daqui com os das cidades, me sinto confortável. Com meu bastão de madeira, meço o gelo e estabilizo meus passos. Com o martelo, quebro icebergs e faço água. Com a voz, afasto outros animais. Com a isca e o anzol, atraio comida. Aqui, caminho sem temer ser perseguida. Durmo sem medo de ter minha casa ou meu corpo invadidos. Danço sem medo de ser atacada. Nem fraca, nem forte, pois não há comparação. Corro, brinco, pulo, salto, canto. Não sou excluída por ter útero. Não sou subestimada por ser jovem, ou excluída por não ser. Não sou obrigada a sorrir quando não quero, a agradar quem me desagrada. E não preciso ter superpoderes para obter respeito. Se um dia as falas negativas dos outros me doeram, hoje me fazem lembrar das dificuldades do caminho até aqui. São minha prova de coragem. / E é incrível quanto tempo sobra quando a gente só precisa agradar a si mesma. Quando a gente se veste para ficar aquecida e confortável ao se deslocar, e não para ser bonita. Um dia achei normal as roupas femininas serem desenhadas para limitar nossos movimentos. Com todo um catálogo de artigos para controlar nossos gestos, punha um salto e achava normal que agradar os outros me machucasse.&quot;&lt;/i&gt; (p. 91)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A narrativa descreve também o difícil planejamento e os obstáculos para a arriscada viagem, assim como a adaptação do pequeno veleiro de aço&amp;nbsp;&lt;i&gt;Sardinha 2&lt;/i&gt;, de apenas 10 metros de comprimento, construído por Jacques Le Berre no jardim de sua casa, na Bélgica — embarcação que Tamara conseguiu adquirir apesar do orçamento apertado de que dispunha. Trata-se de uma obra recomendada, não apenas como livro de viagem, mas também por reunir reflexões relevantes sobre as prioridades do nosso tempo, como liberdade, meio ambiente, feminismo e desigualdade social. Afinal, o que é realmente importante para sermos felizes?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Estou dentro d´água e não dá tempo de pensar em morrer. Só olho para a frente e me agarro em pedaços soltos de gelo, tentando arrastar meu corpo com as mãos. Sinto a água subindo pelas pernas, avançando pelas três camadas de calças e tornando as pernas pesadas, fazendo das botas duas âncoras que me puxam para o fundo. Os pedaços de gelo em que me seguro quebram, o corpo escorrega, mas não há desespero, não há medo, apenas a obstinação absoluta de lutar por cada centímetro, de reconquistar o terreno perdido com toda força que meu corpo tiver. Não haverá depois. A cabeça não para para rebobinar o filme do passado, se concentra somente neste instante. TE TIRA DAQUI. O gelo afunda com o peso das pernas e quanto mais tempo passa, mais molhada fico, mais difícil é sair. Cada segundo, cada centímetro para fora são uma chance de vida a mais. Dou socos no gelo podre em cima de uma pedra, abro buracos onde conseguir me segurar. Centímetro por centímetro, uma mão, a outra, então um cotovelo, e o outro. Me arrasto para cima da pedra, agarrando no gelo e nas ranhuras da rocha. Consigo encostar a cintura, a coxa, e sei que vou conseguir. [...]&quot; (p. 180)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvFQLB9XFdbH0eLYAcAqA_am2mrPwyEYzzViOnXXY9_k1Y2ruHqJKa_62hB6ldcL1DKv1Oy2qmHXk5c5Fbgc5iusU1nqkh7F8GU4vVwiWg4TVZBnbyRUnNlCVTySMv0ymYOsVALgDqvl8arV3dMyiL7ycTZS5cOWi_XY9fZuiKq8jqX5JZm4TY/s1500/Tamara%20Klink%20-%20Bom%20dia,%20inverno.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Livro de viagem&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;979&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjvFQLB9XFdbH0eLYAcAqA_am2mrPwyEYzzViOnXXY9_k1Y2ruHqJKa_62hB6ldcL1DKv1Oy2qmHXk5c5Fbgc5iusU1nqkh7F8GU4vVwiWg4TVZBnbyRUnNlCVTySMv0ymYOsVALgDqvl8arV3dMyiL7ycTZS5cOWi_XY9fZuiKq8jqX5JZm4TY/w209-h320/Tamara%20Klink%20-%20Bom%20dia,%20inverno.jpg&quot; title=&quot;Tamara Klink - Bom dia, inverno&quot; width=&quot;209&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;: Tamara Klink já passou um inverno sozinha no mar congelado do Ártico, atravessou a Passagem Noroeste em solitário e cruzou o Atlântico solo duas vezes. Nascida em 1997, em São Paulo, formou-se em arquitetura naval e terrestre pela ENSA Nantes. Já realizou mais de 300 palestras em inglês, português e francês, e é uma voz importante sobre a fragilidade do clima e do gelo marinho. Atualmente, reúne uma das maiores comunidades de vela nas redes sociais, autora de “Mil milhas” (Peirópolis, 2021), “Um mundo em poucas linhas” (Peirópolis, 2021) e “Nós – O Atlântico em solitário” (Companhia das Letras, 2023).&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0bNAKyjL&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0bNAKyjL&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;Bom dia, inverno&lt;/i&gt; de Tamara Klink&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/7095608516754580789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/7095608516754580789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/7095608516754580789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/7095608516754580789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/06/tamara-klink-bom-dia-inverno.html' title='Tamara Klink - Bom dia, inverno'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAcqBdfFlnErDkZceQUleUlMfbzIrnCplhwM2xBFMSm4pwljOGHBARat7pWntQrqyRdVtSrV3kv0IQfq9x01tJmcHYW-7X4yE2yhbaUMyEhyphenhyphenJXpBdFBE3PLTLYfHGmckwIxXgd4_fSLwK3lcoFAiehQHptpXCg-8Nl2nSKmIGgkWPIfMbKiJqD/s72-w640-h474-c/Tamara%20Klink%20-%20Bom%20dia,%20inverno_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-1647858838983517033</id><published>2026-06-20T19:59:06.620-03:00</published><updated>2026-06-20T20:09:58.629-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Carlos Mendes Valença - O que fomos</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXXTmy3ataVXzJZ47cVNZyf0letLeoyZSECMwO-VTAppi3qeAaDpOUyIBWCrbme5RIyIefib2fsX1Lk_J1Oje0FccESaBusMkbpHMBsH_lbjpSVmDvmij5guW9MriS8TPX8lcPzpADGAGirO9o7mPTREHm0RVRIxV4UTyz-Z5G0wFS-caIkeKL/s800/Carlos%20Mendes%20Valen%C3%A7a%20-%20O%20que%20fomos_B.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;617&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;494&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXXTmy3ataVXzJZ47cVNZyf0letLeoyZSECMwO-VTAppi3qeAaDpOUyIBWCrbme5RIyIefib2fsX1Lk_J1Oje0FccESaBusMkbpHMBsH_lbjpSVmDvmij5guW9MriS8TPX8lcPzpADGAGirO9o7mPTREHm0RVRIxV4UTyz-Z5G0wFS-caIkeKL/w640-h494/Carlos%20Mendes%20Valen%C3%A7a%20-%20O%20que%20fomos_B.png&quot; title=&quot;Carlos Mendes Valença - O que fomos&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Carlos Mendes Valença - O que fomos - Editora Patuá - 252 Páginas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Capa, projeto gráfico e diagramação: Estúdio Encruzilhada - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Em tempos de superexposição nas redes sociais e de acirrada disputa por espaços de divulgação editorial, chama atenção neste romance a opção por um pseudônimo literário e pela ausência completa de imagens do autor no ambiente virtual. Trata-se de uma estratégia inusitada, na contramão das práticas usuais de marketing, que busca preservar a identidade profissional do escritor como diplomata do Ministério das Relações Exteriores. Essa escolha evita que sua produção literária — marcada pelo tom satírico e pelas críticas institucionais, principalmente no romance de estreia, &lt;i&gt;Contra Alheias Terras&lt;/i&gt; (Editora Mondrongo, 2023), semifinalista do Prêmio Jabuti de 2024 na categoria principal — comprometa de alguma forma a sua carreira diplomática.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Neste lançamento mais recente, um estranho romance de formação, se é que podemos chamá-lo assim, por falta de definição melhor,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;acompanhamos três personagens aos 15 e aos 30 anos, em capítulos alternados. Isabela, André e Diogo compartilham um passado singular, marcado pelo desaparecimento de Isabela na adolescência e os impactos dessa perda na vida adulta dos amigos. Liderados por ela, o grupo se reunia em uma casa abandonada para elaborar um plano de fuga inspirado em um mapa &lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;“que não abreviasse o mundo, mas o extrapolasse, que não simplesmente compilasse o conhecido, mas ousasse indicar o ignorado, um mapa que não apenas mostrasse os lugares, mas revelasse os caminhos”&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;, na certeza de que assim seria possível enganar o destino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;É difícil dizer ao certo, mas acho que não vou mentir. Os outros mentem. Usam frases grandiosas, obscuras. Brincam com suas esperançosas ignorâncias. São tantas mentiras, de tantas partes, por tão variados motivos, que não se pode confiar em ninguém hoje em dia, não obstante o quão próximo, o quanto você goste, o quanto você julgue que talvez você a conheça. Há os que mentem para te enganar. Há os que mentem para não admitir a verdade que sabem. E há os que mentem porque precisam enganar a si mesmos. Se eu fosse mais inteligente, eu saberia apontar quando estão mentindo e saberia discernir entre cada um desses casos. O mais importante, no entanto, é não acreditar nas pessoas. Elas são todas umas personagens. As coisas que elas falam, às vezes nem elas mesmas, são reais. Eu não. Eu não tenho por que mentir. Portanto, se eu nada respondo a César, quando ele me pergunta o que eu quero da vida, é porque não faço a menor ideia da resposta.&quot;&lt;/i&gt; (p. 9)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;André vê seus planos provisórios se tornarem definitivos enquanto, solitário em seu apartamento, com as paredes repletas de recortes de jornal, desenhos e bilhetes, dialoga com interlocutores fantasmas — entre eles César, com quem firmara o pacto de se matar caso chegasse aos trinta anos sem objetivo. Seus desejos são simbolizados por Bernardo, apenas mais um desenho de um boneco pregado à parede com fita adesiva, além das visões e diálogos imaginários com a própria Isabela. Já Diogo, aparentemente mais adaptado à ausência da antiga amiga, é novamente assombrado pelas lembranças quando precisa ajudar Simone, conhecida comum acometida por uma grave doença que lhe rouba a visão gradativamente e que, decidida a pôr fim à própria vida, reabre os traumas do passado.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Era o silêncio. Era o silêncio de Isabela sob a luz maleável daquelas manhãs mal chocadas, o que mais impressionava a André, enquanto os dois esperavam que o carro de Diego passasse para levá-los à escola. Esperavam lado a lado, sem quase se olharem, à maneira de estranhos num ponto de ônibus comungando da coincidência sem importância de estarem indo na mesma direção. André morava a poucos quarteirões dali e, nos dias de aula, andava até a casa de Isabela, parava diante dos altos portões enferrujados e se deixava ficar. Nunca tocava a campainha. Ela vivia numa rua minúscula, perfilada por casas silentes e sisudas com ares afetados de monastério, de janelas eternamente fechadas e sem mais vida perceptível que uns esparsos latidos de cães agoniados, os quais se podia intuir correndo de um lado para o outro pelas garagens desertas, arrastando atrás de si correntes indiferentes, ganindo ávidos pedidos de atenção para donos que pareciam ter partido em definitivo e os deixado sem remordimentos para trás. Umas árvores de troncos grossos e retorcidos esfarelavam as calçadas com a desordem desembestada das raízes e se alçavam até muito acima dos telhados, em copas de folhas amadurecidas que filtravam a luz, fazendo-as cair em colunas estáticas e resinosas que pareciam esperar, de um modo muito cerimonioso, que algo importante, tal como um silêncio, fosse exposto sob seu facho.&quot;&lt;/i&gt; (p. 18)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Uma obra sobre as nossas perdas e a passagem do tempo, além do desafio de lidar com o próprio destino, essa entidade misteriosa chamada de &quot;Tempo&quot; por André ou de &quot;viagem&quot; por Isabela, uma viagem sem retorno, como ela afirma para os amigos antes do desaparecimento: &lt;i&gt;&quot;uma viagem definitiva, pois depois dela não haveria como retornar, não haveria razão para retornar, não porque o destino estaria aqui à espreita, mas porque eu seria uma pessoa tão diferente que o ponto de partida me seria tão irreconhecível como o ponto de chegada me é agora [...]&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Quanto a mim, vou me ocupar do Tempo, vou me dedicar a ele, para entendê-lo, para melhor frustrá-lo, pois já gastei tempo demais tentando esquecê-lo e de agora em diante quero gastar meu tempo tentando conquistá-lo. Aprendi que é possível vencer o Tempo, tirar coisas dele e não ser somente por ele roubado. Isabela e Simone me mostraram. Eu também, agora entendo, já o venci um dia, e é por essa razão que ele me vigia tão de perto, cabreiro, temeroso, lesado. Espalhadas na minha sala, na minha vida, vejo as pegadas do Tempo, suas patas grandes e desastradas de dragão desleixado. Não voltarei a estar desatento, e seu trabalho não será tão fácil. Retiro da parede o desenho de Bernardo, e trocamos um aceno de comparsas mal-intencionados, ele orgulhoso de mim, e eu o dobro, guardando-o na carteira, amuleto talismã, feito uma figa mais benzida de papel. Se um dia já venci o Tempo, é possível vencê-lo de novo. Quando o fiz, eu não sei. Eu poderia, eu penso, esquadrinhar o passado para definir em que momento, em que sítio, de que modo. Não vou, no entanto, ceder a essa tentação, pois essa é mais uma das armadilhas do Tempo, que, inelutavelmente, passa, fazendo com que sintamos uma necessidade compelida de buscá-lo, tentando regressar aos lugares que habitamos, tentando reaver o que, quiçá, jamais tivemos, tentando reencontrar o que julgamos que um dia nós fomos. Sempre em vão. Pois o passado, o presente e o futuro, embora componentes de um mesmo fluxo, são rios que correm num mesmo leito, entrecruzados entretecidos, mas sem nunca se tocar.&quot;&lt;/i&gt; (p. 243)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEio5GHdWUdxkAYSxP4shhi9i04UGRay1GqIokvzI9OH6uWmF7eOAmu4_MtGcbXxDJt64pz6akdV-_lVGQWFKUIQzHlCxcmS-lPXPbXLaDcbwJriKXkEMcu7R-LdBQQu-DKS0Pli-tjCpBZtJm4JwXv256D_CXnJc52L04lTJXbCvEred53zfklq/s865/Carlos%20Mendes%20Valen%C3%A7a%20-%20O%20que%20fomos.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;865&quot; data-original-width=&quot;593&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEio5GHdWUdxkAYSxP4shhi9i04UGRay1GqIokvzI9OH6uWmF7eOAmu4_MtGcbXxDJt64pz6akdV-_lVGQWFKUIQzHlCxcmS-lPXPbXLaDcbwJriKXkEMcu7R-LdBQQu-DKS0Pli-tjCpBZtJm4JwXv256D_CXnJc52L04lTJXbCvEred53zfklq/s320/Carlos%20Mendes%20Valen%C3%A7a%20-%20O%20que%20fomos.png&quot; width=&quot;219&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;: Carlos Mendes Valença é um pseudônimo. Seu primeiro romance, &lt;i&gt;Contra Alheias Terras&lt;/i&gt;, foi semifinalista do Prêmio Jabuti de 2024 na categoria principal. O que Fomos é seu segundo romance e o primeiro publicado pela Editora Patuá.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://link.amazon/B0ciENFJu&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;O que fomos&lt;/i&gt; de Carlos Mendes Valença&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/1647858838983517033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/1647858838983517033' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/1647858838983517033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/1647858838983517033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/06/carlos-mendes-valenca-o-que-fomos.html' title='Carlos Mendes Valença - O que fomos'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXXTmy3ataVXzJZ47cVNZyf0letLeoyZSECMwO-VTAppi3qeAaDpOUyIBWCrbme5RIyIefib2fsX1Lk_J1Oje0FccESaBusMkbpHMBsH_lbjpSVmDvmij5guW9MriS8TPX8lcPzpADGAGirO9o7mPTREHm0RVRIxV4UTyz-Z5G0wFS-caIkeKL/s72-w640-h494-c/Carlos%20Mendes%20Valen%C3%A7a%20-%20O%20que%20fomos_B.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-7073718878816209768</id><published>2026-06-07T12:34:02.641-03:00</published><updated>2026-06-07T12:45:38.102-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Poesia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Poesia brasileira contemporânea"/><title type='text'>Priscila Faria - Nesse corpo de água doce</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4IraNi5aV9K0WgDCNlqraMTKLgKKXt4CL-i4WB2UeSdPetcli37Qz94dHM29xY2HtOrxbC1UcyfOmid4g35oLRHDG84fehHatV4i_vgCsxE8RmDQFKFDm-rkpc0K_3ewH0CoZEjkdJrdoy0kz3Ranmhyn3yW_qP2gyUleD3cmiS23ekLI_mej/s800/Priscila%20Faria%20-%20Nesse%20copo%20de%20%C3%A1gua%20doce_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Poesia brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;672&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;538&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4IraNi5aV9K0WgDCNlqraMTKLgKKXt4CL-i4WB2UeSdPetcli37Qz94dHM29xY2HtOrxbC1UcyfOmid4g35oLRHDG84fehHatV4i_vgCsxE8RmDQFKFDm-rkpc0K_3ewH0CoZEjkdJrdoy0kz3Ranmhyn3yW_qP2gyUleD3cmiS23ekLI_mej/w640-h538/Priscila%20Faria%20-%20Nesse%20copo%20de%20%C3%A1gua%20doce_A.png&quot; title=&quot;Priscila Faria - Nesse corpo de água doce&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Priscila Faria - Nesse corpo de água doce - Editora Patuá - 112 Páginas - Capa e projeto gráfico: Roseli Vaz - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Os poemas de Priscila Faria neste livro de estreia demonstram coragem ao encontrar&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;força e beleza no duro aprendizado de ser mulher em nosso país. Um exercício diário de resiliência para conseguir conviver com a violência de gênero que não respeita idade ou laços familiares e tantas vezes termina em feminicídio. É um tema difícil. Parece não caber em versos, e muitos preferem silenciar, mesmo quando a tragédia ocorre tão próxima de nossas casas. No entanto, é preciso resistir e para isso também serve o espaço da poesia:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;aprendi a transitar pelos porões abertos / acender a luz / sacar a caneta // ainda tenho medo / mas aqui não&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Priscila transmite intensidade emocional ao descrever o universo feminino em transformação, utilizando a metáfora do corpo como água em movimento, oceano profundo ou rio caudaloso que transborda e ocupa cada vez mais espaços em um mundo, até então, feito pelos homens e somente para os homens: &lt;i&gt;&quot;meu corpo feito meu país / entre margens / meu peito feito uma mata / atravessada por um rio // meu sangue segue o leito / condutor de vida / água infinita / nesse corpo pélago que ainda ama / nesse corpo de água / doce&quot;&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Vale a pena conhecer e dar voz a esta poeta que reivindica autonomia profissional, afetiva e sexual ao exercer controle sobre o próprio corpo e a vida:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;a falha de ser mulher nesse mundo / de homens / e de ser traumatizada nesse mundo / por homens / a gente que resolva / entre nós // mulher dá / muito trabalho&quot;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;eu quero a palavra com cheiro, a palavra com pelos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;que veja a beleza desfocada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;quero a palavra sem espelho, atemporal, vadia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;que abrace a menina, penetre a mulher&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;quero a palavra perfurante&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;na garganta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a palavra que treme e vibra e contrai&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a palavra da água da morte do medo do fim&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;eu quero a palavra engasgada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;sem fôlego, sem batimentos, sem culpa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;quero a palavra mapa, procura e dedos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a palavra sem ida e sem volta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;que se contradiga&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a palavra descrente da verdade do agora&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;eu quero uma palavra que é tudo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;e que não sabe de nada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;quero a palavra que reinvente a vida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;materialidade fina e transcendente&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;do meu gozo, num único verbete&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;uma fogueira, um altar, a porta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;do céu ou do inferno&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;eu quero a palavra muda&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a palavra que desnude a poesia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;eu quero o milagre do verso&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;porque meu sexo não sabe ser escrito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: large;&quot;&gt;❖&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;nasceu numa cidade do interior&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a mãe e o pai&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;de outros interiores mais interiores ainda&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;foram parar nessa cidade em que nasceu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;e não teria feito diferença alguma se não fosse essa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;nasceu mulher&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;nem mais nem menos que nenhuma outra&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;a mãe que também nasceu mulher&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a criou como foi criada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;o pai que nasceu homem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;a criou como a mãe foi criada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;criadas, ela e a mãe&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;assim como quase toda pessoa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;que chega nesse mundo com uma vagina&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;homens chegam por ela e dela não querem sair&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;(mesmo se for de uma criança&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;mesmo se for de uma filha)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;mulheres não sabem ao certo pra que serve&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;só sabem que têm que servir&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;(e servem até quando não sabem)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;nasceu e logo recebeu o título&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;de difícil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;nasceu rasgando tudo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;nasceu sem querer nascer&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;nasceu sem querer servir&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;nasceu sabendo o quanto ia morrer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;e morreu muitas vezes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;chorava e se escondia com uma frequência&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;que ninguém entendia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;criada como toda pessoa com vagina&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;não podia reclamar não podia gritar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;toda vez que tentava era lembrada do que era&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;difícil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;então se continha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana;&quot;&gt;cresceu calada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;só conseguiu gritar quando viu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;saindo do seu interior rasgando tudo sem querer sair&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;uma menina&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: large;&quot;&gt;❖&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;ainda me visita nas madrugadas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;como antes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;nunca convidado&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;ossos e músculos contraídos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;boca pele e olhos cerrados&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;não sou mais aquela menina&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;mas o pesadelo&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;me faz companhia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp19lcijA7-zVFTeTcjxRZIkVQ2N6ZTuTeIxcqJs8FweKl-zHjuZ48mZx2kOSi_ES5t_GQ7Vw54VnWOV_SAwbHBgYYu2DGmdvl7aO8KLhDVcp6y1PW4PWTDzcHm5-gdqf5ohTA8n9dR73AA-noEwuow5f3RlCm5gi8dCvOrMgIRpD__9wF-jZa/s1500/Priscila%20Faria%20-%20Nesse%20copo%20de%20%C3%A1gua%20doce.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Poesia brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;1000&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp19lcijA7-zVFTeTcjxRZIkVQ2N6ZTuTeIxcqJs8FweKl-zHjuZ48mZx2kOSi_ES5t_GQ7Vw54VnWOV_SAwbHBgYYu2DGmdvl7aO8KLhDVcp6y1PW4PWTDzcHm5-gdqf5ohTA8n9dR73AA-noEwuow5f3RlCm5gi8dCvOrMgIRpD__9wF-jZa/w213-h320/Priscila%20Faria%20-%20Nesse%20copo%20de%20%C3%A1gua%20doce.jpg&quot; title=&quot;Priscila Faria - Nesse corpo de água doce&quot; width=&quot;213&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;: Priscila Faria nasceu em Varginha, sul de Minas Gerais, em 1987. É mãe e professora da rede pública, formada em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei, onde também fez seu mestrado em Teoria Literária e Crítica da Cultura. Compartilha poemas autorais em seu perfil no instagram, o @prilirismo, desde 2024. &lt;i&gt;Nesse corpo de água doce&lt;/i&gt; é seu primeiro livro.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/49LDXHf&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://amzn.to/49LDXHf&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;Nesse corpo de água doce&lt;/i&gt; de Priscila Faria&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/7073718878816209768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/7073718878816209768' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/7073718878816209768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/7073718878816209768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/06/priscila-faria-nesse-corpo-de-agua-doce.html' title='Priscila Faria - Nesse corpo de água doce'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4IraNi5aV9K0WgDCNlqraMTKLgKKXt4CL-i4WB2UeSdPetcli37Qz94dHM29xY2HtOrxbC1UcyfOmid4g35oLRHDG84fehHatV4i_vgCsxE8RmDQFKFDm-rkpc0K_3ewH0CoZEjkdJrdoy0kz3Ranmhyn3yW_qP2gyUleD3cmiS23ekLI_mej/s72-w640-h538-c/Priscila%20Faria%20-%20Nesse%20copo%20de%20%C3%A1gua%20doce_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-4633985363321983669</id><published>2026-06-05T19:08:56.389-03:00</published><updated>2026-06-05T19:11:56.361-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Godofredo de Oliveira Neto - A ficcionista</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKDkHOVBfn1D8zUedG9Jr6gt9X_D0JJTFGEMfLkh8ONzVxvRQsKN_tdHPLhj68M9QBa3Cjgk8rfTAXafwcDkXFfDuQ0Ttp5wz0BPETBbAMx-7OVVxZY6qX53bHkEwcX38v_mEFJxKACEV8ixpHO5dJuiTnj2eGW2SU2WMnRqLk3aC03E0Rk5Y-/s1777/Godofredo%20de%20Oliveira%20Neto%20-%20A%20ficcionista_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1420&quot; data-original-width=&quot;1777&quot; height=&quot;512&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKDkHOVBfn1D8zUedG9Jr6gt9X_D0JJTFGEMfLkh8ONzVxvRQsKN_tdHPLhj68M9QBa3Cjgk8rfTAXafwcDkXFfDuQ0Ttp5wz0BPETBbAMx-7OVVxZY6qX53bHkEwcX38v_mEFJxKACEV8ixpHO5dJuiTnj2eGW2SU2WMnRqLk3aC03E0Rk5Y-/w640-h512/Godofredo%20de%20Oliveira%20Neto%20-%20A%20ficcionista_A.png&quot; title=&quot;Godofredo de Oliveira Neto - A ficcionista&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Godofredo de Oliveira Neto - A ficcionista - Editora Batel - 156 Páginas - Capa: Julio Lapenne - Imagem de capa: Hieronymus Bosch - O jardim das delícias terrenas - Lançamento: 2025.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Neste engenhoso romance de Godofredo de Oliveira Neto, publicado originalmente em 2013 pela Editora Ímã e relançado em 2025 pela Editora Batel, escritor, personagem e narradora se confundem na condução da trama.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A protagonista, Nikki, vive em um posto de gasolina abandonado nas imediações do Parque Nacional de Aparados da Serra, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É ali que ela recebe a visita de um escritor, não nomeado, em busca de uma boa história, disposto a pagar por seus depoimentos em uma série de gravações. O resultado é um jogo narrativo em que os limites entre imaginação e realidade se desfazem, dando lugar a um emaranhado de situações absurdas e figuras bizarras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Nikki carrega uma solidão marcada pela inadequação ao mundo e pela recusa às exigências de uma sociedade com a qual não se reconhece. Ela própria teria sido autora de um livro publicado nos Estados Unidos sob pseudônimo — se é que podemos acreditar. Formada muito cedo como técnica em mecânica e informática, mergulhou depois no vício em drogas e passou a praticar assaltos, ou “expropriações”, como prefere chamar, distribuindo os bens roubados à população. Essas ações a levaram a formar um grupo que vivencia uma série de situações violentas na marginalidade, até culminarem em um episódio decisivo, revelado gradualmente ao longo do romance, nos despenhadeiros de Aparados da Serra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;É verdade verdadeira. Nasci em Joinville, meus pais tinham se mudado para lá, meu pai foi trabalhar numa fábrica de compressores, era torneiro mecânico, mas gostava mesmo era de trabalhar com madeira. Moramos em Joinville só um ano. Minha vida é um romance mesmo. No começo, era toda certinha, terminei o Ensino Médio numa escola de São Bernardo do Campo, como você mais ou menos já deve saber. Depois fiz o Cefet de Moji das Cruzes, como também já te disse, área de mecânica e informática. Éramos três gurias na sala, a Nane, a Filó e eu. Foi a Nane quem me apresentou o Mário Sérgio, que acabou na Penitenciária de Florianópolis. / Eu sei, Nikki, estive com Mário Sérgio lá pessoalmente há um mês mais ou menos. Às vésperas da sua liberdade, levei um saco de padaria com dois mil reais. Graças a isso, ele deu o teu nome e paradeiro. Um conhecido do Mário Sérgio falou sobre a tua história para um escritor assassinado depois num assalto a um restaurante em Moema, em São Paulo. O escritor fez referência a uma garota de nome Nikki. Cochichou, meio bêbado num lançamento literário no Morumbi: a história pode salvar qualquer autor sem enredo pra contar, um tal de Mário Sérgio, preso em Florianópolis, pode dar paradeiro e identidade da escritora em potencial.&quot;&lt;/i&gt; (p. 38) - Trecho da Gravação 3&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A escolha da imagem da capa, uma reprodução do painel esquerdo,&amp;nbsp;&lt;i&gt;Jardim do Éden&lt;/i&gt;&amp;nbsp;parte do tríptico&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O jardim das delícias terrenas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; text-align: center;&quot;&gt;Hieronymus Bosch (1450-1516), foi muito feliz porque sugere ao leitor uma atmosfera singular onde realidade e sonho se entrelaçam, tão típica do pintor. A estratégia de estruturar o romance com base nas gravações mostra-se igualmente eficiente, ao conferir uma aura de testemunho e confissão, sem contudo oferecer qualquer garantia de veracidade. Dessa forma, o leitor é constantemente colocado diante de relatos que oscilam entre memória, delírio e invenção, o que reforça a ideia de que a ficção é sempre um espaço onde não há certezas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Na primeira vez, assaltamos um supermercado em Concórdia. A estratégia consistia em mudar constantemente de cidade. Essa regra era sagrada. Voltamos para o acampamento com as mochilas arquicheias. Depois uma farmácia, na semana seguinte um desses restaurantes tipo fast-food. Só na mochila de um dos meus escudeiros, o Ademir, trouxemos cento e cinquenta cheeseburgeres. Uma outra vez em Joaçaba, pegamos cerca de cinquenta laptops em uma loja de uma cadeia paulista de eletrodoméstico. Foi nessa vez aí que o Bruno se excedeu, ele ainda não estava bem preparado para a nossa filosofia de vida, a de distribuir bens à população. / Mas não deu polícia? Como é que vocês conseguiam fugir depois dos assaltos? Parece fácil demais. / A gente atacava por bando de dez mais ou menos, e ia para o mato depois da expropriação (era assim que chamávamos), fazia tipo acampamento móvel. A polícia não entra no mato, não está preparada para isso. Soubemos, uma ocasião, que chamaram um destacamento de Curitiba especializado em combate na floresta. Contaram para nós depois que a tropa fazia papel ridículo, soldados caíam em buracos, dois pegaram malária, um foi mordido de cobra. Três dias depois, o batalhão inteiro foi para um quartel em Xanxerê, todos com diarreia. Especializado em luta na floresta nada.&quot;&lt;/i&gt; (p. 62) - Trecho da Gravação 5&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O romance de Godofredo de Oliveira Neto nos leva a uma reflexão sobre o ato de narrar e o papel transformador da ficção, que desafia o leitor a desconfiar de tudo o que lê e reinventar o real. Na verdade, Nikki, a ficcionista, com sua vida marcada pela marginalidade e pela solidão, torna-se espelho de uma escrita que resiste à margem, em confronto com o mundo. Afinal, como o escritor bem define para a sua protagonista e narradora em uma das passagens finais do livro:&lt;i&gt; &quot;Literatura é arte, Nikki. Não é imitação ou descrição do real. E é herança cultural.&quot;&lt;/i&gt; Pois que assim seja!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;É que quando olho no espelho vejo um rosto peludo como um bicho. Essa visão horripilante me faz correr de mim toda hora. Sei que drogado pesado em abstinência tem alucinações desse tipo, como o alcoólatra na mesma situação também vê baratas correndo pelas paredes. Posso ficar horas e horas sentada e ter a sensação de ter corrido centenas e centenas de quilômetros fugindo de alguma coisa. Já tinham me provado que o meu rosto é normal. Um conhecido, frentista do posto de gasolina situado na entrada de Chapecó, veio aqui um dia com uma máquina fotográfica dessas super modernas, metade filmadora. O visor atrás era enorme, tirou várias fotos e me mostrava no visor. Tá vendo você ali linda e maravilhosa? Onde está o bicho que você diz aparecer, onde? Ele perguntava aos risos.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 138-9) - Trecho da Gravação 10&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhPqzwaGYGZ2rzRvMkkdE3C2_0kJ7qm9txe8nVa6riv3DgFGilzEq-vMBZnl-n_kG1bVcMkW14TR6vDgMXz4eap6qmYKpAiLINaiydAeNbUftAKRvpeg8hDK1qAA2md3jO0xVnAVQsIHcCNEC1rFxi42eUS3jFcaiupTEAbUTeC6E9Y-JIVRqbd/s1500/Godofredo%20de%20Oliveira%20Neto%20-%20A%20ficcionista.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;1012&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhPqzwaGYGZ2rzRvMkkdE3C2_0kJ7qm9txe8nVa6riv3DgFGilzEq-vMBZnl-n_kG1bVcMkW14TR6vDgMXz4eap6qmYKpAiLINaiydAeNbUftAKRvpeg8hDK1qAA2md3jO0xVnAVQsIHcCNEC1rFxi42eUS3jFcaiupTEAbUTeC6E9Y-JIVRqbd/w216-h320/Godofredo%20de%20Oliveira%20Neto%20-%20A%20ficcionista.jpg&quot; title=&quot;Godofredo de Oliveira Neto - A ficcionista&quot; width=&quot;216&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Godofredo de Oliveira Neto é romancista premiado, contista e cronista. Seus livros, entre os vários gêneros, foram traduzidos para o francês, inglês, italiano, espanhol, búlgaro e vietnamita. É professor titular de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ocupa a cadeira 35 da Academia Brasileira de Letras desde setembro de 2022. Leia também no Mundo de K a &lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2020/02/godofredo-de-oliveira-neto-marcelino.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;resenha de &lt;i&gt;Marcelino&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, romance histórico ambientado em 1942, do autor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4o8M9ap&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;A ficcionista&lt;/i&gt; de&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://amzn.to/4o8M9ap&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Godofredo de Oliveira Neto&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/4633985363321983669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/4633985363321983669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/4633985363321983669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/4633985363321983669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/06/godofredo-de-oliveira-neto-ficcionista.html' title='Godofredo de Oliveira Neto - A ficcionista'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKDkHOVBfn1D8zUedG9Jr6gt9X_D0JJTFGEMfLkh8ONzVxvRQsKN_tdHPLhj68M9QBa3Cjgk8rfTAXafwcDkXFfDuQ0Ttp5wz0BPETBbAMx-7OVVxZY6qX53bHkEwcX38v_mEFJxKACEV8ixpHO5dJuiTnj2eGW2SU2WMnRqLk3aC03E0Rk5Y-/s72-w640-h512-c/Godofredo%20de%20Oliveira%20Neto%20-%20A%20ficcionista_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-7582270604083178386</id><published>2026-05-30T06:00:47.650-03:00</published><updated>2026-05-30T06:10:42.774-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Lara Tironi - Vapor de dendê não tem cor</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFxDG7K_wIb3avQOcUq-IgutM5uA5JdIl8m5X-6qaLdphLmadgL5cEruTd58PThno_qzRnW6PrQILpPrYgIMmGm6KXU7C-5YAt7wlXnWwqdBLQZhEI9mcwCcvkEKgF2LXt2GTdzpW4ELMfCmz2nMiXGyObY32g6neRdav8s6AafiiN4UcULeDl/s800/Lara%20Tironi%20-%20Vapor%20de%20dend%C3%AA%20n%C3%A3o%20tem%20cor_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;590&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;472&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFxDG7K_wIb3avQOcUq-IgutM5uA5JdIl8m5X-6qaLdphLmadgL5cEruTd58PThno_qzRnW6PrQILpPrYgIMmGm6KXU7C-5YAt7wlXnWwqdBLQZhEI9mcwCcvkEKgF2LXt2GTdzpW4ELMfCmz2nMiXGyObY32g6neRdav8s6AafiiN4UcULeDl/w640-h472/Lara%20Tironi%20-%20Vapor%20de%20dend%C3%AA%20n%C3%A3o%20tem%20cor_A.png&quot; title=&quot;Lara Tironi - Vapor de dendê não tem cor&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Lara Tironi - Vapor de dendê não tem cor - Editora Patuá - 264 Páginas - Capa e projeto gráfico: Carla H. Oliveira - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O romance de estreia de Lara Tironi demonstra uma notável segurança narrativa, entrelaçando passado e presente na trajetória de suas duas protagonistas que, cada uma à sua maneira, expõem a violência da solidão e as dificuldades enfrentadas pelo universo feminino em uma sociedade marcada pela desigualdade e pelo patriarcado, fazendo valer a estranha afirmação de uma das personagens para justificar um aborto:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Sozinha você cabe em qualquer lugar&quot;&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;Salvador surge não apenas como cenário, mas como personagem viva, em uma ambientação que valoriza em detalhe os bairros, culinária e celebrações locais, reafirmando a força de um regionalismo que resiste e se reinventa mesmo em tempos de globalização.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O capítulo de abertura apresenta uma das protagonistas que não é nomeada até quase o final do romance, realçando assim a sua invisibilidade. Ela narra retrospectivamente em primeira pessoa suas lembranças desde a partida do Sertão, acompanhada do único amigo, Caricó — um calango que trouxe escondido na algibeira. Em Salvador, passa a trabalhar com a irmã cuidando de três gerações de uma mesma família, encontrando como uma das poucas satisfações tomar um sorvete em seu dia de folga. Mais tarde, busca refúgio na religião, tentando reencontrar um Deus que havia abandonado desde a morte da mãe ainda na infância,  uma perda que nunca conseguiu superar e que a manteve prisioneira da própria solidão ao longo da vida.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Poderia ter sido minha irmã e companheira de vida a mulher que veio aqui mais cedo afofar os travesseiros. Mas não, ela se foi há alguns anos. A mulher que entrou, não reconheço, não sei quem é, de onde vem, para onde vai. É nova, mas não muito, tem urgência em sair logo daqui. Ouço voz de criança, abafada pela porta, e os passarinhos piam lá fora. Esse quarto, mal iluminado, fede a mofo e água sanitária em p&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;artes iguais. Talvez o cheiro tenha também uma nota de velhice, mas, como é a minha, sinto menos no nariz do que nos ossos. Era de se esperar que eu ainda tivesse forças para alcançar a mãozinha de plástico pendurada na cabeceira da cama e coçar minhas próprias costas. Nem isso. Envelhecer frustra. O tempo, essa força implacável contra a qual não se pode lutar, passa. Mas se engana quem acha que ele é medido em semanas, meses, anos. O tempo é medido em coisas a fazer. E eu fiz.&quot;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt; (p. 11)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Já a segunda protagonista, Tieta, vinda igualmente do interior para estudar e morar na casa de uma tia, vê sua vida mudar radicalmente após a morte dela, passando a trabalhar como diarista para se manter na cidade. Ao lado da amiga Val — mãe solteira e sobrevivente de um relacionamento tóxico —,vive em uma comunidade sob a constante ameaça do tráfico de drogas, contentando-se com a transitória ilusão de felicidade proporcionada pelo carnaval. As tensões se agravam quando Tieta descobre estar grávida e passa a viver a incerteza sobre a paternidade, levando-a em seu desespero a pensar em um aborto como única solução para tantos problemas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Vim do interior da Bahia, de um povoado chamado Carnaíba do Sertão, pertinho de Juazeiro. Cresci entre irmãos e umbuzeiros, pais e palmas, vizinhos e mandacarus. Terra vermelha me acalma, aquece, faz os ponteiros do relógio andarem para trás. Era bonito de ver o vento levantar poeira em redemoinho de aquarela. Antes da morte de minha mãe, fui feliz. Até calango eu tive! Se ele era meu ou eu era dele, nunca saberei, me entendi por gente, ele já estava lá. Ah, Caricó. Botei nele esse nome porque metia medo nas galinhas do galinheiro de meu pai. Gostava de rastejar até elas de mansinho, num silêncio oco, chegar bem perto, e então se levantar num rompante, todo empertigado. Juro que ria de jogar a cabecinha para trás quando elas saíam correndo, as penas voando alto antes de se espalharem pelo chão.&quot;&lt;/i&gt; (p. 11)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Lara Tironi alterna os capítulos entre as duas protagonistas até que seus destinos se cruzem, revelando diferentes aspectos da resistência feminina diante da solidão, da violência e da desigualdade que sufoca grande parcela da população brasileira. O desfecho inesperado é comovente e convincente, capaz de surpreender o leitor sem deixar pontas soltas. O livro é recomendado porque consegue equilibrar na mesma medida reflexão e entretenimento, trazendo personagens bem construídas que permanecem na memória após o final e consolidando o nome da autora como uma nova voz a ser acompanhada no cenário da literatura brasileira contemporânea.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Dali do Morro do Gato se via tudo, trios empurravam para frente um mar de gente, feito artéria que pulsa sangue pelas avenidas da cidade. Tieta e Val chegaram ao pé da ladeira bem a tempo de ver o trio despontar da curva depois do Cristo. A multidão vinha da frente, dos lados, de trás, e a todo tempo mais e mais pessoas se incorporavam àquela massa colorida de tinta e pôr do sol. Era deslumbrante ver suspensa no ar a alegria quase palpável. Nas janelas, se aglomeravam pessoas de todas as idades, de bebês de colo a senhorinhas de cabelos de algodão, todos curiosos para ver passar o trio da felicidade. Na rua, vendedores ambulantes, com seus isopores de bebidas protegidos por guarda-sóis, delimitavam o caminho. Do outro lado, nos camarotes recém-construídos, pessoas de acotovelavam na tentativa de participar. As duas seguiam assim, pulando e gritando na trilha do axé. Chegaram às Gordinhas acabadas de tanto ser pipoca, de alma lavada da cabeça aos pés.&quot;&lt;/i&gt; (p. 71)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi56QNuNSOrWrAFmvvhIzMY92tigGf0r6GunRfZg0k7VgM-XEsZAYhohM0tiP4Ha81aaJkf57QACFCjZmH63rzShlgCMHnPA4XXPSDnVVm7KWYuYdu9z0061djfjDcepOFv_4JOak3WY_Wjv2zFjcD4bOIvKxyF9lozkFNvl_sR8VqF87aQ_hr9/s1500/Lara%20Tironi%20-%20Vapor%20de%20dend%C3%AA%20n%C3%A3o%20tem%20cor.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;1044&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi56QNuNSOrWrAFmvvhIzMY92tigGf0r6GunRfZg0k7VgM-XEsZAYhohM0tiP4Ha81aaJkf57QACFCjZmH63rzShlgCMHnPA4XXPSDnVVm7KWYuYdu9z0061djfjDcepOFv_4JOak3WY_Wjv2zFjcD4bOIvKxyF9lozkFNvl_sR8VqF87aQ_hr9/w223-h320/Lara%20Tironi%20-%20Vapor%20de%20dend%C3%AA%20n%C3%A3o%20tem%20cor.jpg&quot; title=&quot;Lara Tironi - Vapor de dendê não tem cor&quot; width=&quot;223&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Lara Tironi nasceu em Salvador em 1989. Formada em Direito pela Universidade Federal da Bahia, peregrinou por carreiras e cidades antes de admitir para si mesma que gostava mesmo era de escrever. Tem no conterrâneo João Ubaldo Ribeiro sua inspiração cotidiana, considera &lt;i&gt;Viva o povo brasileiro&lt;/i&gt; o melhor livro já escrito. &lt;i&gt;Vapor de dendê não tem cor&lt;/i&gt; é seu primeiro romance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4nQv6tx&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://amzn.to/4nQv6tx&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;Vapor de dendê não tem cor&lt;/i&gt; de Lara Tironi&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/7582270604083178386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/7582270604083178386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/7582270604083178386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/7582270604083178386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/05/lara-tironi-vapor-de-dende-nao-tem-cor.html' title='Lara Tironi - Vapor de dendê não tem cor'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFxDG7K_wIb3avQOcUq-IgutM5uA5JdIl8m5X-6qaLdphLmadgL5cEruTd58PThno_qzRnW6PrQILpPrYgIMmGm6KXU7C-5YAt7wlXnWwqdBLQZhEI9mcwCcvkEKgF2LXt2GTdzpW4ELMfCmz2nMiXGyObY32g6neRdav8s6AafiiN4UcULeDl/s72-w640-h472-c/Lara%20Tironi%20-%20Vapor%20de%20dend%C3%AA%20n%C3%A3o%20tem%20cor_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-2638359827761881423</id><published>2026-05-16T13:17:59.704-03:00</published><updated>2026-05-16T13:22:07.223-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Dau Bastos - Manobras de Retorno</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiv1KXX9GbqYZ41grt42aYbqCOScIzfaVTVtuBKH0OFepxZaWvQdMysjRugfrY5C7bVOmOdi-vrxdRtn1VCs_AhhGKUKnPgHcG3VygGoKlqv8BaOloS1ggIzbm52PYG_2c2WwKVP1uQDn-dotQBFtsvcnzig03g0Lnc1bzArEQyYs4Ru7U9t1bM/s963/Dau%20Bastos%20-%20Manobras%20de%20Retorno.jpg&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;611&quot; data-original-width=&quot;963&quot; height=&quot;406&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiv1KXX9GbqYZ41grt42aYbqCOScIzfaVTVtuBKH0OFepxZaWvQdMysjRugfrY5C7bVOmOdi-vrxdRtn1VCs_AhhGKUKnPgHcG3VygGoKlqv8BaOloS1ggIzbm52PYG_2c2WwKVP1uQDn-dotQBFtsvcnzig03g0Lnc1bzArEQyYs4Ru7U9t1bM/w640-h406/Dau%20Bastos%20-%20Manobras%20de%20Retorno.jpg&quot; title=&quot;Dau Bastos - Manobras de Retorno&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Dau Bastos - Manobras de Retorno - Editora Minotauro - 128 Páginas - Capa: Diego Santos - Lançamento: 2025.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O mais recente lançamento de Dau Bastos, &quot;&lt;i&gt;Manobras de Retorno&quot;&lt;/i&gt;, é uma coletânea de cinco longos contos, praticamente novelas, que abordam diferentes cenários políticos nos últimos cinquenta anos da história do Brasil. As narrativas tratam temas sérios com humor e ironia, evitando que o engajamento político reduza a obra a um tom meramente panfletário. O autor mescla ficção e fatos históricos reais, tendo como tema comum a influência do regime militar em nosso país e as tentativas de resgate desse regime.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Alguns personagens são facilmente identificáveis em tramas golpistas recentes, como o impagável general vice-presidente em &quot;&lt;i&gt;Vice não voga&quot;&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Já o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;conto de abertura, &quot;&lt;i&gt;Camicase&quot;&lt;/i&gt;, é narrado em primeira pessoa por uma corajosa guerrilheira sequestrada na década de 1970, durante a fase mais crítica de repressão dos militares, que é mantida em um cativeiro não oficial por um misterioso algoz com rompantes de fervor religioso. Na sequência, a fase de abertura política é o cenário de &quot;&lt;i&gt;Viva a Abertura!&quot;&lt;/i&gt; no qual um grupo de universitários na cidade de Recife, Pernambuco, tenta encenar uma peça engajada. Os planos são interrompidos devido à morte de uma colega por consumo de droga e o escândalo gerado por um inescrupuloso jornal local que faz sensacionalismo com a liberdade sexual dos jovens.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;O toque e inicial foi macio, como se a mão, claramente masculina, tivesse intimidade com minhas costas. Mas a pressão dos dedos longos aumentou até deixar claro que se tratava de captura. Paralelamente, veio a voz a sussurrar que não olhasse para trás e seguisse, sem alarde, misturada à multidão. A quentura da respiração chegava a meus ouvidos, em tal proximidade que podia passar por sensual mas indicava que tentar escapar seria apressar o fim. / Procurei me fixar nas pessoas à frente, de modo a encontrar brechas por onde me deslocar com mais facilidade. No entanto, minha mente se concentrava sobretudo na certeza de que meu acompanhante estava armado. Quando se trata de reforçar o próprio poder, a engenhosidade humana realmente impressiona: um cano de diâmetro mínimo deixa passar uma balinha de nada, porém indefensável e letal — portanto, basta portar o instrumento para neutralizar o adversário.&quot;&lt;/i&gt; (p. 7) - Trecho do conto &quot;&lt;i&gt;Camicase&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;A viagem da boina&quot;&lt;/i&gt;  é uma sensível homenagem a Caio Fernando Abreu, transformando em ficção uma passagem do saudoso escritor gaúcho por Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e uma viagem ao interior feita com três amigos num fusca, interrompida por uma batida militar e por um  sargento boa-praça que teria inspirado o conto &quot;&lt;i&gt;Sargento Getúlio&quot;&lt;/i&gt;, de Caio. O texto que finaliza a coletânea é uma experimentação, tanto em termos de conteúdo quanto de forma, em homenagem a Louis-Ferdinand Céline — autor de que Dau Bastos é especialista —, uma verdadeira ode ao pessimismo e ao fracasso da condição humana, bem ao estilo do homenageado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;Lacrimeja só de imaginar que, já na reserva e com um pé na terceira idade&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;— situação que muito cretino se permite saudar com piadinha envolvendo pijama&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;—, tem diante de si a possibilidade de desempenhar a sua missão mais importante. Tão logo ocorra o impeachment, iniciará campanha para que todos os brasileiros se coloquem na boa via. Da mesma forma que na década de setenta a eletricidade e a televisão conectaram o território nacional, usará a internet para fazer os habitantes dos mais distantes rincões adquirirem hábitos saudáveis, como hastear bandeira e cantar hinos, a começar pelo da Independência. / Pena que êxtase algum resista a toque de celular. Até mesmo o som de corneta de seu equipamento lhe parece irritante e inoportuno neste momento especial. Emite um esgar de aborrecimento, que transforma plenamente em careta ao ver, pelo nome do contato, que se trata do tal. Respira o mais profundamente que pode, enxuga os olhos, varre da cabeça o enlevo e solta um pigarro para limpar a garganta, então aperta o sinal verde do aparelho e pronuncia um &#39;pois não, presidente&#39; positivo e respeitoso.&quot;&lt;/i&gt; (p. 79) - Trecho do conto &quot;&lt;i&gt;Vice não voga&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A ficção de Dau Bastos é um alerta para que possamos aprender com os erros do passado e, assim, construir uma sociedade mais justa. Afinal, a literatura tem a capacidade de iluminar áreas obscuras da nossa história recente e de questionar, com inteligência e sensibilidade, os rumos do país. A realidade, por sua vez, sempre pode surpreender com a arrogância e a falsa certeza que tantas vezes acompanham a ignorância, forçando-nos a um exercício constante de preservação da memória e de vigilância crítica, bem como à reflexão sobre a responsabilidade de preservar os valores democráticos. Um livro recomendado em um momento muito oportuno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Agora me diga: que faz o autor destas páginas?... quebra a sentença! o pensamento! com interjeições e reticências!... Será futurista? cubista? enfim, experimental?... que nada! copiador descarado!... age como aluno dessas demências chamadas oficinas de escrita criativa!... não vai além do exercício de estilo!... E sabe o que consegue?... o contrário do efeito alcançado por meus escritos!... Aqui, minhas descobertas viram cristais!... Lei da imitação! do maneirismo!... o êxito depende do engessamento do predecessor! da anulação da nova autoria!... É o fim! Mas me vingo!... / Como, perguntará o leitor, se tou mortinho da silva?... É que também burilei! facetei! poli!... e não somente textos!... biografia! imagem! persona!... Impossível me invocar sem que eu surja inteiriço! monolítico!... Como se trata de ficção, nem sempre consigo impor a verdade!... entre um fato e outro, eis meu arremedador criando pontes falsas!... chegou a me pintar de desertor!... patranha deslavada!... Outro absurdo é me mostrar mais exclamativo do que fui!... como se me atualizasse! pós-modernizasse!... sei!... me faz apoplético, pra queimar de vez meu filme!... [...]&quot;&lt;/i&gt; (p. 115-6) - Trecho do conto &quot;&lt;i&gt;O toró de Céline&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4QMszs5pOVHb9UsaCN3bW5ZPRqvXRfTm_sVCJwzVlMQ4NCfdir0SgSts-TVJdNXguU-IPCZrIeR8UGC0jlgh3lRRbQO3NvwFttxqBDu3NswEJ8ZFv7b-n1BfWZSDpUw9K9sJ6AWjo60omsmnF5cYBA5fWmWxLKkef8QlPaWc3JoLkDvghALXb/s1500/Dau%20Bastos%20-%20Manobras%20de%20Retorno_A.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;1054&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4QMszs5pOVHb9UsaCN3bW5ZPRqvXRfTm_sVCJwzVlMQ4NCfdir0SgSts-TVJdNXguU-IPCZrIeR8UGC0jlgh3lRRbQO3NvwFttxqBDu3NswEJ8ZFv7b-n1BfWZSDpUw9K9sJ6AWjo60omsmnF5cYBA5fWmWxLKkef8QlPaWc3JoLkDvghALXb/w225-h320/Dau%20Bastos%20-%20Manobras%20de%20Retorno_A.jpg&quot; title=&quot;Dau Bastos - Manobras de Retorno&quot; width=&quot;225&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Dau Bastos nasceu em 1960, na cidade de Maceió. É professor titular de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde mantém a oficina &lt;i&gt;Contos do Fundão&lt;/i&gt;. Tem, entre seus livros, a tese &lt;i&gt;Céline e a ruína do Velho Mundo&lt;/i&gt; (2003) e a biografia intelectual &lt;i&gt;Machado de Assis ― num recanto, um mundo inteiro&lt;/i&gt; (2008). Dado sobretudo à escrita de ficção, lançou os romances &lt;i&gt;Das trips, coração&lt;/i&gt; (1984), &lt;i&gt;Snif&lt;/i&gt; (1987), &lt;i&gt;Clandestinos na América&lt;/i&gt; (2005), &lt;i&gt;Reima&lt;/i&gt; (2009), &lt;i&gt;Mar Negro&lt;/i&gt; (2014), &lt;i&gt;Espiral&lt;/i&gt; (2017) e &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2022/01/dau-bastos-morte-certa.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Morte certa&lt;/a&gt; &lt;/i&gt;(2021).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4niiGKC&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Manobras de Retorno&lt;/i&gt; de Dau Bastos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/2638359827761881423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/2638359827761881423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2638359827761881423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2638359827761881423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/05/dau-bastos-manobras-de-retorno.html' title='Dau Bastos - Manobras de Retorno'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiv1KXX9GbqYZ41grt42aYbqCOScIzfaVTVtuBKH0OFepxZaWvQdMysjRugfrY5C7bVOmOdi-vrxdRtn1VCs_AhhGKUKnPgHcG3VygGoKlqv8BaOloS1ggIzbm52PYG_2c2WwKVP1uQDn-dotQBFtsvcnzig03g0Lnc1bzArEQyYs4Ru7U9t1bM/s72-w640-h406-c/Dau%20Bastos%20-%20Manobras%20de%20Retorno.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-2827337110536037848</id><published>2026-05-01T12:42:00.017-03:00</published><updated>2026-05-01T12:50:21.410-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Poesia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Poesia brasileira contemporânea"/><title type='text'>Antonio Carlos Secchin - Desmentir</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYVaMJ0huljO4m9JOjJ3ncwPcrGXIilGI8mzjaXQ4zmQJx2e3CtjQHik1lsdB2cy_nEIIFcHYXKgH5AtziRYJzDlFix8auVWpwrC6LHLje2B25jnSm_tDkuzvHUIN-fj5dUymD3S5jO1GYJ7CoMAJtpM-31byjaRUS-a8pyzUu-M0S3N7TYtQR/s819/Antonio%20Carlos%20Secchin%20-%20Desmentir_AA.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Poesia brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;676&quot; data-original-width=&quot;819&quot; height=&quot;528&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYVaMJ0huljO4m9JOjJ3ncwPcrGXIilGI8mzjaXQ4zmQJx2e3CtjQHik1lsdB2cy_nEIIFcHYXKgH5AtziRYJzDlFix8auVWpwrC6LHLje2B25jnSm_tDkuzvHUIN-fj5dUymD3S5jO1GYJ7CoMAJtpM-31byjaRUS-a8pyzUu-M0S3N7TYtQR/w640-h528/Antonio%20Carlos%20Secchin%20-%20Desmentir_AA.png&quot; title=&quot;Antonio Carlos Secchin - Desmentir&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Antonio Carlos Secchin - Desmentir - Editora Patuá&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;72 Páginas -&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Capa e projeto gráfico: Alessandro Romio - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Seja lidando com formas livres ou estruturas fixas clássicas como os sonetos, rigorosamente metrificados em versos decassílabos ou alexandrinos, a poesia de Antonio Carlos Secchin é inspiradora na sua metalinguagem bem-humorada e carregada de fina ironia, seguindo a melhor tradição de Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade. Mais do que uma mera demonstração de virtuosismo técnico, os poemas reunidos em &lt;i&gt;Desmentir&lt;/i&gt; se equilibram entre a erudição e a liberdade criativa, a leveza e a reflexão, provando que não existe incompatibilidade entre o fazer poético tradicional e o contemporâneo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Este seu mais recente lançamento é dividido em três partes: &lt;i&gt;Desmentir&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Dez sonetos malcriados&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Abecebicho&lt;/i&gt;, cobrindo a diversidade de forma e conteúdo que caracteriza o estilo do poeta.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;&quot;Lutar com palavras é a luta mais vã&quot;&lt;/i&gt; já dizia Drummond, um pensamento que reside implícito na explicação de Antonio Carlos Secchin sobre o título desta obra: &lt;/span&gt;&lt;i style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;Desmentir é uma palavra que desmente o próprio prefixo, pois nada garante que o desmentido seja portador da verdade; pode, ao contrário, representar uma nova mentira, simulando estabelecer a verdade. Assim vai a poesia, entre desdizeres e desmentires, sem porto seguro e navegando em neblina.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Brinde&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Enchi de sol meu copo d’água&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;e me brindei ao som de um violino.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Me molhei na luz&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;que a tarde assoviava&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;e cantei à beira de um silêncio a pino.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Passei por perto de estar quase ali,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;perdi o ponto de onde não parti.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Zombei da fome porque havia trigo,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;briguei comigo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;e só assim venci.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Levei na mala minha alma pássara,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;anunciei ao mundo a minha sorte súbita:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;tocar na vida sem qualquer trapaça,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;mistério zero, delícia igual&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ao gozo matinal de uma fruta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Vida, te agradeço. Setenta anos&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;e ainda em recomeço.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Mineração&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Escavo o papel,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Atrás de uma frase oculta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Tento trazê-la à tona,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ela, porém, reluta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Resiste a se entregar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;nessa nossa disputa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Depois de muito suor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;consigo vencer a luta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Arranco da folha o segredo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;trancado em sua gruta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Descubro então o conselho&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;destinado à minha escuta:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;Desista de aqui procurar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;palavra fina ou bruta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Nem tente escavar o papel,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;não existe a frase oculta&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Além&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;O poema acaba aqui.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;O que vem agora não é meu,&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;nem sei de quem seja.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;Além de mim, com clareza,&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;a poesia passeia,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;num rumor de bruma e incerteza.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;Seu banquete começa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;depois que eu já tirei a mesa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;Desligo o som do poema.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;Ele insiste, à revelia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;O poema por fim

avança à sua origem:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;lança na cara da luz&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;o pólen da letra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;E vai, num voo feliz,&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;se transformando&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-weight: normal;&quot;&gt;em aprendiz de borboleta.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Soneto mentiroso&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Fala de poeta não merece crédito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Ficar de fora é seu constante ofício.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Sua sina é continuar inédito,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;mesmo que fale em meio de um comício.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Palavra de poeta pede médico&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;para tentar não acabar no hospício,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;na busca de não ser enciclopédico,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;nem vacilar no vão do precipício.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Pouca certeza é o máximo horizonte,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;no prazer de mentir sobre a mentira,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;e nada existe que ele não desmonte,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;feito um farsante contra a própria lira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Resta-lhe apenas com sinceridade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;mentir, sobre o vazio da verdade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Soneto da exclusão&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Meu incerto leitor, eu agradeço&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;as horas que perdeu nesta leitura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Lá fora a vida aflora em recomeço,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;não precisa invadir minha clausura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Empilhados na torre agora vejo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;catorze decassílabos de altura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Leve tudo o que dita o seu desejo,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;e todo o resto é só literatura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Dá tempo ainda para ir embora,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;caso aceite botar ponto final.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Peço que saia sem maior demora,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;ganhe em troca um silêncio glacial.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Não gostou nem da forma nem do tema?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Me deixa em paz, vai atrás de outro poema.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcRm46ezoc01hgqO2d-9tE2Gve9Ywg9higAe1sUq_GbjdhvlwXGeVj60Km5SSJ3v38MlrUDcymTDpRhuQCs-l34EWWOlBeLMMa1UITpYNcE16MKdHw9-H8TzrhNNGBn8L4dSNVYTrJmjQ32ZDFcl3kl-_bf_lOAxuiRt_ygvvEuwlmgsuOu7hz/s1241/Antonio%20Carlos%20Secchin%20-%20Desmentir.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Poesia brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1241&quot; data-original-width=&quot;825&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcRm46ezoc01hgqO2d-9tE2Gve9Ywg9higAe1sUq_GbjdhvlwXGeVj60Km5SSJ3v38MlrUDcymTDpRhuQCs-l34EWWOlBeLMMa1UITpYNcE16MKdHw9-H8TzrhNNGBn8L4dSNVYTrJmjQ32ZDFcl3kl-_bf_lOAxuiRt_ygvvEuwlmgsuOu7hz/w213-h320/Antonio%20Carlos%20Secchin%20-%20Desmentir.jpg&quot; title=&quot;Antonio Carlos Secchin - Desmentir&quot; width=&quot;213&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. Poeta, autor, entre outros, de &lt;i&gt;Todos os ventos&lt;/i&gt; (2002), premiado como melhor livro de poesia do ano, pela Biblioteca Nacional e pelo PEN Clube do Brasil, e de &lt;i&gt;Desdizer&lt;/i&gt; (2017). Ensaísta, especializado em poesia brasileira, teve sua obra &lt;i&gt;Percursos da poesia brasileira, do século XVIII ao XXI&lt;/i&gt;, considerada em 2018 a melhor do gênero no país, pela A.P.C.A. (Associação Paulista de Críticos de Arte, de São Paulo). Professor emérito da UFRJ. Em 2019, ganhou, da Academia Carioca de Letras, o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro pelo conjunto da obra. Atualmente, é o secretário-geral da Academia Brasileira de Letras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4t6tsVy&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Desmentir&lt;/i&gt; de Antonio Carlos Secchin&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/2827337110536037848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/2827337110536037848' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2827337110536037848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/2827337110536037848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/05/antonio-carlos-secchin-desmentir.html' title='Antonio Carlos Secchin - Desmentir'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYVaMJ0huljO4m9JOjJ3ncwPcrGXIilGI8mzjaXQ4zmQJx2e3CtjQHik1lsdB2cy_nEIIFcHYXKgH5AtziRYJzDlFix8auVWpwrC6LHLje2B25jnSm_tDkuzvHUIN-fj5dUymD3S5jO1GYJ7CoMAJtpM-31byjaRUS-a8pyzUu-M0S3N7TYtQR/s72-w640-h528-c/Antonio%20Carlos%20Secchin%20-%20Desmentir_AA.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-6375435484887973707</id><published>2026-04-26T09:45:00.001-03:00</published><updated>2026-04-26T09:45:48.678-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Clássicos da Literatura"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura russa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Mikhail Bulgákov - O Mestre e Margarida</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgKhue2sMjIjrqJJ_U1k8aXaUrsjei0vCIxhVI8HvIFykErxLjWeTVM1U5p7IOBRfnm8HihgrS3mpEI7eEdVF-jZ5w02zcocqJll7tclm5u18jsZs_oTvelPiVjm7ObRbi4d116F9gd4oJ48faY1_2TfauiWWL2g5UZfbp2JcSBNYeL7fNhsPmR/s1536/Mikhail%20Bulg%C3%A1kov%20-%20O%20Mestre%20e%20Margarida_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Clássicos da Literatura&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1024&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;426&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgKhue2sMjIjrqJJ_U1k8aXaUrsjei0vCIxhVI8HvIFykErxLjWeTVM1U5p7IOBRfnm8HihgrS3mpEI7eEdVF-jZ5w02zcocqJll7tclm5u18jsZs_oTvelPiVjm7ObRbi4d116F9gd4oJ48faY1_2TfauiWWL2g5UZfbp2JcSBNYeL7fNhsPmR/w640-h426/Mikhail%20Bulg%C3%A1kov%20-%20O%20Mestre%20e%20Margarida_A.png&quot; title=&quot;Mikhail Bulgákov - O Mestre e Margarida&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Mikhail Bulgákov - O Mestre e Margarida - Editora 34 - 408 Páginas - Tradução de Irineu Franco Perpetuo - Capa: Bracher &amp;amp; Malta Produção Gráfica - Lançamento: 2017.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Não sei por que demorei tanto para ler este livro, considerado um dos romances mais importantes e influentes do século XX. Essa espera, contudo, acabou sendo providencial uma vez que &lt;i&gt;O Mestre e Margarida&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Mikhail Bulgákov (1891-1940)&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;é uma obra que requer maturidade literária  para que se possa assimilar, ainda que parcialmente, suas múltiplas camadas e referências. Outra vantagem foi contar com esta mais recente e bem-cuidada edição da Editora 34 com tradução direta, posfácio e notas de Irineu Franco Perpetuo, especialista em literatura russa, a partir da versão mais completa e atualizada, publicada apenas em 2014 pela pesquisadora Ielena Kolycheva com base nos rascunhos e versões datilografadas do autor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Inspirado no poema trágico &lt;i&gt;Fausto&lt;/i&gt; de Goethe e na ópera homônima de Charles Gounod, o romance é uma sátira ferina à sociedade moscovita e à crítica literária da época. Bulgákov o desenvolveu de maneira fragmentada ao longo de doze anos (1928–1940), enfrentando a censura e perseguição stalinista. A obra só veio a público décadas depois, graças aos esforços de sua terceira esposa, Ielena Serguêievna, que preservou o manuscrito para publicação póstuma: primeiro na França (1967) e na Alemanha (1969), ambas edições em russo. A publicação soviética ocorreu apenas em 1973, quando já havia sido traduzida para diversas línguas, inclusive português (1969) em tradução indireta do inglês, um pecado para qualquer obra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Resumir o enredo é tarefa ingrata, pois a narrativa se desdobra em três partes ou camadas principais com inúmeros personagens. Na primeira, acompanhamos a chegada de um estrangeiro enigmático na Moscou dos anos 1930, professor de magia negra contratado para um espetáculo de ilusionismo e identificado como Woland&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;ninguém menos que o próprio Satã&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;que vem acompanhado por uma trupe insólita:  o gato falante e debochado Behemoth; o intérprete trapaceiro Korôviev; a sedutora bruxa Hella e o capanga Azazello. Esse grupo provoca o caos na cidade com episódios memoráveis, como a chuva de dinheiro durante o espetáculo no Teatro de Variedades, expondo a ganância dos cidadãos moscovitas e a utopia do regime comunista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&quot;[...] — Perdão — retrucou o desconhecido, com delicadeza&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—, mas para governar é preciso, afinal, ter um plano preciso para um certo período razoável de tempo. Permita-me perguntar: como o homem poderia governar se ele não apenas está privado da possibilidade de elaborar um plano para um período de tempo ridiculamente curto, como, digamos, mil anos, mas nem consegue responder pelo dia de amanhã? E, de fato&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;— daí o desconhecido se virou para Berlioz&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;—, imagine que o senhor, por exemplo, comece a governar, dar ordens para os outros e para si mesmo, em geral, como dizem, pega gosto e, de repente... cof... cof... um sarcoma no pulmão...&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;— daí o estrangeiro abriu um sorriso doce, como se a ideia de um sarcoma no pulmão lhe desse satisfação&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;— sim, um sarcoma&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;— repetiu a palavra sonora, semicerrando os olhos, como um gato&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;—, e é o fim do seu governo! Nenhum destino o interessa mais, além do seu próprio. Os parentes começam a lhe enrolar, o senhor, sentindo que algo não está bem, sai correndo atrás dos médicos formados, depois dos charlatães, e acontece de ir a cartomantes. Assim como os primeiros e os segundos, esses terceiros também se mostram totalmente insensatos, como o senhor mesmo compreende. [...]&quot;&lt;/i&gt; (p. 22) - Trecho do Capítulo 1 - Nunca fale com desconhecidos&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Uma segunda camada concentra-se na história de amor entre o Mestre — assim nomeado ao longo de todo o romance, funcionando como alter ego de Bulgákov — e Margarida, inspirada em sua terceira esposa. Há inúmeras evidências de que se trata de um enredo autobiográfico, sobretudo quando o atormentado Mestre, incapaz de suportar as críticas ao seu romance, perde a sanidade e decide queimar todos os manuscritos, episódio que de fato ocorreu na vida do autor. Após o desaparecimento do Mestre, internado em uma clínica psiquiátrica, Margarida, tomada pelo desespero, faz um pacto com o Diabo na esperança de recuperar o amado. Transforma-se em bruxa, abandona o marido e participa de um baile satânico como rainha, numa das passagens mais intensas do livro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;O unguento modificara não apenas seu exterior. Agora em todo seu ser, em cada partícula do corpo, fervilhava a alegria, que ela sentia como bolhas a lhe picar todo o corpo. Margarida se sentia livre, livre de tudo. Além disso, entendia com toda a clareza que acontecera exatamente aquilo de que seu pressentimento lhe falara por toda a manhã, e que ela abandonaria para sempre a mansão e a vida anterior. Porém, dessa vida anterior, ainda vinha a ideia de que precisava cumprir um último dever antes de começar algo de novo e extraordinário, que a impelia para cima, para o ar. E, nua como estava, voando pelo ar de vez em quando, saiu correndo do dormitório para o gabinete do marido, e acendendo a luz, precipitou-se para a escrivaninha. Em uma folha arrancada de um bloco, escreveu uma nota a lápis, rápido, com letras grandes, e sem correções: &#39;Perdoe-me e me esqueça o mais rápido possível. Estou deixando-o para sempre. Não me procure, é inútil. Tornei-me uma bruxa por causa das desgraças e calamidades que me afligiram. Está na minha hora. Adeus. Margarida&#39;&quot; &lt;/i&gt;(p. 235) - Trecho do Capítulo 20 - O creme de Azazello&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A terceira camada que atravessa toda a obra é o romance escrito pelo Mestre, rejeitado pela crítica e, surpreendentemente, ressuscitado por Satã após ter sido queimado, graças à atuação de Margarida durante o baile. Passagens deste livro são intercaladas em capítulos que narram a história de Pôncio Pilatos e o julgamento de Cristo, tido como subversivo por recusar o poder dos Césares ou qualquer outra autoridade. Mais uma vez fica evidente a analogia com a opressão do regime soviético. Bulgákov nos deixou uma obra-prima que continua a desconcertar e fascinar leitores em todo o mundo que descobrem novas referências e semelhanças não apenas com o regime autoritário da época, mas também com certos governos da atualidade, provando que a arte sempre encontra caminhos para se manifestar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;A meia-noite se aproximava, era necessário ter pressa. Margarida via tudo de forma confusa. Guardou na memória as velas e uma piscina de pedras preciosas. Enquanto Margarida estava de pé no fundo dessa piscina, Hella, com o auxílio de Natacha, vestia sobre ela um líquido fervente, espesso e vermelho. Margarida sentiu gosto de sal nos lábios e compreendeu que estava sendo banhada com sangue. O manto de sangue foi trocado por outro, espesso, transparente, rosado, e o óleo de rosas fez a cabeça de Margarida girar. Depois, Margarida foi jogada em um leito de cristal, e se puseram a esfregá-la com grandes folhas verdes, até ficar brilhante. Daí o gato irrompeu e começou a ajudar. Agachou-se aos pés de Margarida e passou a friccionar suas plantas dos pés, como se estivesse engraxando sapatos na rua. Margarida não lembrava quem lhe confeccionara aqueles sapatos de pétalas de rosas brancas, nem como esses sapatos abotoavam sozinhos suas fivelas douradas. Uma força levantou Margarida e a colocou na frente do espelho, e em seus cabelos cintilou uma coroa real de diamantes.&quot;&lt;/i&gt; (p. 264) - Trecho do Capítulo 23 - O grande baile de Satã&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4x3ZnG9QQKhWV7KtrObVTRLsneSeSu4VoUWkJg2xK4XqWEWMnWnNHMBb40dwteM_XTHxdrP9CNM3IcEku2e5ny92U7u8mVZ4rpdXpl2li82ZI9MBeKdBnnuw8gWzM0lrw49G9XRtRCco5XOSPKVVYxTWBY2VHJhgPnaDK-NgVHxebF6jHcn2V/s1296/Mikhail%20Bulg%C3%A1kov%20-%20O%20Mestre%20e%20Margarida.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Clássicos da literatura&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1296&quot; data-original-width=&quot;907&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4x3ZnG9QQKhWV7KtrObVTRLsneSeSu4VoUWkJg2xK4XqWEWMnWnNHMBb40dwteM_XTHxdrP9CNM3IcEku2e5ny92U7u8mVZ4rpdXpl2li82ZI9MBeKdBnnuw8gWzM0lrw49G9XRtRCco5XOSPKVVYxTWBY2VHJhgPnaDK-NgVHxebF6jHcn2V/w224-h320/Mikhail%20Bulg%C3%A1kov%20-%20O%20Mestre%20e%20Margarida.jpg&quot; title=&quot;Mikhail Bulgákov - O Mestre e Margarida&quot; width=&quot;224&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Mikhail Afanássievitch Bulgákov nasceu em Kíev, na Ucrânia, em 1891, filho de um teólogo e uma professora de piano. Formou-se em Medicina, tendo sido voluntário da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial. Após a Revolução de 1917, chegou a lutar ao lado do Exército Branco contra os bolcheviques. Nos anos 1920, sob influência de Gógol e H. G. Wells, escreveu contos e novelas satirizando a Nova Política Econômica (NEP), como as narrativas da coletânea &lt;i&gt;Diabolíada&lt;/i&gt; (1925) e a novela &lt;i&gt;Um coração de cachorro&lt;/i&gt;, rejeitada pela censura no mesmo ano. Publicou também o ciclo de contos &lt;i&gt;Anotações de um jovem médico&lt;/i&gt;, de teor autobiográfico, em periódicos locais. Foi como dramaturgo, no entanto, que Bulgákov primeiro alcançou a fama, quando o Teatro de Arte de Moscou (TAM) o convidou a adaptar para os palcos seu romance &lt;i&gt;A guarda branca&lt;/i&gt;, uma crônica de Kíev durante a Guerra Civil; o texto foi montado em 1926 com o título Os dias dos Turbin. Após ter várias peças censuradas, Bulgákov queimou seus manuscritos e escreveu em 1930 uma carta ao governo soviético pedindo permissão para deixar o país. Sem a autorização, conseguiu apenas um emprego de assistente no TAM. Morreu em 1940, em Moscou, tendo trabalhado até seus últimos dias em &lt;i&gt;O mestre e Margarida&lt;/i&gt;, seu romance-testamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4csyuXp&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;https://amzn.to/4csyuXp&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;O Mestre e Margarida&lt;/i&gt; de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; text-align: center;&quot;&gt;Mikhail Bulgákov&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/6375435484887973707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/6375435484887973707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/6375435484887973707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/6375435484887973707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/04/mikhail-bulgakov-o-mestre-e-margarida.html' title='Mikhail Bulgákov - O Mestre e Margarida'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgKhue2sMjIjrqJJ_U1k8aXaUrsjei0vCIxhVI8HvIFykErxLjWeTVM1U5p7IOBRfnm8HihgrS3mpEI7eEdVF-jZ5w02zcocqJll7tclm5u18jsZs_oTvelPiVjm7ObRbi4d116F9gd4oJ48faY1_2TfauiWWL2g5UZfbp2JcSBNYeL7fNhsPmR/s72-w640-h426-c/Mikhail%20Bulg%C3%A1kov%20-%20O%20Mestre%20e%20Margarida_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-5009301579016637034</id><published>2026-04-12T14:48:00.003-03:00</published><updated>2026-04-12T14:53:13.380-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Geraldo Lima - Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas?</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNpyzRdpyBA4VzCmRtpfoLGVfZSYjLxSZtZT7YkdWqVxN7zKtGXCKfRTWU5OH1Nww0L3SrI4DwjCXVj9VhnpG95_Tk5dZHPIE59LEt-CE_ElP_YJSCAnwUOtavA_xGNNL2GaPDTOCK6YgCaMWNTghyphenhyphenY1UrP8QHOVAY-gANi4UjCUL0P6CrMTZC/s1536/Geraldo%20Lima_C.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1024&quot; data-original-width=&quot;1536&quot; height=&quot;426&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNpyzRdpyBA4VzCmRtpfoLGVfZSYjLxSZtZT7YkdWqVxN7zKtGXCKfRTWU5OH1Nww0L3SrI4DwjCXVj9VhnpG95_Tk5dZHPIE59LEt-CE_ElP_YJSCAnwUOtavA_xGNNL2GaPDTOCK6YgCaMWNTghyphenhyphenY1UrP8QHOVAY-gANi4UjCUL0P6CrMTZC/w640-h426/Geraldo%20Lima_C.png&quot; title=&quot;Geraldo Lima - Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas?&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Geraldo Lima - Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas? - Editora Patuá - 228 Páginas - Capa e Projeto Gráfico: Roseli Vaz - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O mais recente lançamento de Geraldo Lima, o romance&amp;nbsp;&lt;i&gt;Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas?&lt;/i&gt; é ambientado em Brasília durante o conturbado período do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. A narrativa acompanha João Carlos, um brasiliense de meia-idade, funcionário público que trabalha na Divisão de Licitações de um Ministério. Separado de Carmem, com quem teve duas filhas, Mariana e Marina. João Carlos parece não perceber que sua vida se tornou uma sucessão de dias sem&amp;nbsp;objetivo. Entre o trabalho burocrático e as noites de bebedeira com “seus companheiros de jornada e desilusão”, Martins e Bernardo, ele atravessa uma rotina estagnada até ser surpreendido pela inusitada aparição de uma cigana, que lê sua mão e profetiza, como é comum nesses casos, boas novas no amor e no trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Esse episódio poderia ter passado despercebido, como tantos outros ocorridos no &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Bar do Lopes&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;, onde o trio de amigos ainda se vangloriava de permanecer à margem da corrupção generalizada dos partidos políticos. No entanto, a forma como &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;João Carlos&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt; passou a agir depois daquela noite contraria seu estilo de vida e suas convicções ideológicas.&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Sinais de mudança começam a surgir em sua rotina de servidor público de carreira: ele passa a ser assediado por pessoas fora de sua esfera habitual, em uma “intimidade desconcertante”, inclusive com a sensual Lurdes e é até chamado para uma conversa informal com o próprio ministro. Essa nova configuração profissional o conduz a um estado de euforia anormal, acompanhado por sonhos recorrentes com cavalos, que parecem anunciar transformações mais profundas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Há três meses uma cigana leu a mão direita de João Carlos num bar da Asa Norte. Apesar do estado de embriaguez em que ele e seus companheiros de mesa se encontravam, as imagens desse acontecimento imprevisto mantêm-se intactas e sem borrões em sua memória. Até a sensação de cócegas dos dedos da cigana, percorrendo minuciosa as linhas da sua mão, não desapareceu. As palavras que ela disse, num tom de voz suave, persuasivo, e olhando às vezes direto nos olhos dele, também não se dissiparam. A imagem de uma cicatriz no pulso esquerdo, vista num relance, ainda o faz cogitar um momento tenso e trágico na vida dela./ Assim como o encontro de Macbeth com as três bruxas na charneca, que lhe vaticinaram um futuro de glória, esse encontro com a cigana tem mexido com a cabeça de João Carlos. Da vida desinteressada e sem muitos propósitos, que o fez estacionar num remanso, viu-se arrastado para um redemoinho de expectativas e ambições.&quot;&lt;/i&gt; (p. 11)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Na esfera sentimental, mudanças também ocorrem de forma acelerada na até então extinta relação com &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Carmem&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;. Apesar da relutância inicial da ex-mulher e dos conflitos internos diante da possibilidade de retomar o casamento,&amp;nbsp; explorados pelo autor com humor sutil, ela acaba se reaproximando de João Carlos, assim como as filhas, após um período de afastamento motivado pela vida boêmia do protagonista. Tudo parece confirmar as previsões da cigana, e João Carlos, ingenuamente, deixa-se levar pela aparente maré de sorte. No entanto, as transformações no trabalho estão inevitavelmente ligadas a interesses escusos e à corrupção generalizada que assola o país. Isso se torna evidente quando a organização que manipula as licitações revela o preço que ele terá de pagar para ascender a um cargo superior na hierarquia do Ministério&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;O que continua intrigando-o é o porquê de ter começado a sonhar com cavalos com tanta frequência. Há algumas semanas, sonhou com um, todo branco, que aparecia e desaparecia diante dos seus olhos enquanto ele o seguia, embrenhando-se cada vez mais no mistério. O que significavam os dois cavalos soltos ali na superquadra e essa manada selvagem em pleno Eixão? Talvez esta última seja só a projeção de algo que ele viu há muitos anos [uma cena de filme de faroeste, com certeza] e que agora, deslocada no tempo e no espaço, havia ganhado corpo e movimento no seu sonho. Mas, e os cavalos selados pastando a grama bem ali em frente? Por mais espantoso que seja, ele não consegue afirmar se essa imagem era fruto de um sonho ou de uma visão real. Na tentativa de reencontrar o pleno domínio dos sentidos, repete para si mesmo: eles estiveram lá, imponentes, e teria bastado descer sem fazer barulho, me aproximar deles, montá-los e sair cavalgando. No entanto, entremeando essa aparente realidade, paira uma névoa de delírio e sonho. E é nessa zona obscura, imprecisa, que sua mente patina sem chegar a uma imagem acabada e irretocável.&quot;&lt;/i&gt; (p. 63)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;As mudanças na vida de &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;João Carlos&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;, que à primeira vista pareciam positivas, logo se revelam uma ameaça à sua segurança e à de sua família, sobretudo quando decide permanecer fiel aos seus princípios e recusar as vantagens oferecidas, inclusive pelo ex-amigo de botequim, &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Martins&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;. Um elemento adicional da trama é a presença do &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;racismo&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;, que permeia o cotidiano de uma família negra obrigada a enfrentar situações de preconceito racial e social. A progressão descontrolada dos eventos reforça a observação do autor, também roteirista e dramaturgo, em determinado trecho do romance&lt;/span&gt;:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;A vida é realmente um filme em que o roteiro vai sendo escrito segundo a segundo, no mesmo instante também em que vai sendo filmado, editado, distribuído e exibido para meio mundo.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Aquele Ministro [que João Carlos havia visto de perto apenas uma vez] tinha realmente algo de tão importante assim para lhe dizer? Que motivos fora do comum [fora também da sua agenda oficial] o levaram a chamar a seu gabinete um simples funcionário de carreira? Que tipo de revelação ou ordem de serviço ele deveria esperar daquele homem alto, branco e simpático, aparentemente se esmerando além da conta para se mostrar mais simpático ainda? / O fato é que João Carlos saiu de lá sem o saber. O Ministro falou de tudo, menos do porquê de ter mandado chamá-lo. Por várias vezes, deu a impressão de estar prestes a revelá-lo. Quando parecia ter chegado lá, mudava o curso da conversa, saltava abruptamente para outro assunto, um tema, às vezes, tão trivial que era difícil para João Carlos crer que fora chamado ali, às quatro da tarde, só para conversar banalidades com o chefe-mor. Deixou escapar, no entanto, alguns retalhos de promessas em meio a lampejos de sabedoria popular: &#39;Temos grandes expectativas a seu respeito&#39;; &#39;falaram muito bem de você&#39;; &#39;há que se ter paciência, no momento certo tudo acontece&#39;; &#39;devagar se vai longe&#39;; &#39;esteja pronto para assumir novas responsabilidades&#39;. [...]&quot;&lt;/i&gt; (p. 147)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgGgFG1Cqur9athOtvT37c4IHy_2NOL1VoC8IE2q6ACjDKIDynKViPMQNv8guzlC93webD8SOwrWoujk3Gqe5fNAhtcqxi4_-JHBfWct29Gohuo8v0dHfp9xhApGDJpka39jX4N1xm121GCwmboPMx6FjlkoozyLsyocJ-8Kc2g44gqT9Ka98i-/s887/Geraldo%20Lima%20-%20Quem%20foi%20que%20soltou%20os%20cavalos%20no%20campo%20de%20trevas_3D.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgGgFG1Cqur9athOtvT37c4IHy_2NOL1VoC8IE2q6ACjDKIDynKViPMQNv8guzlC93webD8SOwrWoujk3Gqe5fNAhtcqxi4_-JHBfWct29Gohuo8v0dHfp9xhApGDJpka39jX4N1xm121GCwmboPMx6FjlkoozyLsyocJ-8Kc2g44gqT9Ka98i-/s887/Geraldo%20Lima%20-%20Quem%20foi%20que%20soltou%20os%20cavalos%20no%20campo%20de%20trevas_3D.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;887&quot; data-original-width=&quot;651&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgGgFG1Cqur9athOtvT37c4IHy_2NOL1VoC8IE2q6ACjDKIDynKViPMQNv8guzlC93webD8SOwrWoujk3Gqe5fNAhtcqxi4_-JHBfWct29Gohuo8v0dHfp9xhApGDJpka39jX4N1xm121GCwmboPMx6FjlkoozyLsyocJ-8Kc2g44gqT9Ka98i-/w235-h320/Geraldo%20Lima%20-%20Quem%20foi%20que%20soltou%20os%20cavalos%20no%20campo%20de%20trevas_3D.png&quot; title=&quot;Geraldo Lima - Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas?&quot; width=&quot;235&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Geraldo Lima é escritor, dramaturgo e roteirista. Nasceu em Planaltina, GO, em 1959, e mora no DF. Tem alguns livros publicados, entre eles: &lt;i&gt;A noite dos vagalumes&lt;/i&gt; (contos, Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, FCDF), &lt;i&gt;UM&lt;/i&gt; (romance, LGE Editora), &lt;i&gt;Baque&lt;/i&gt; (contos, LGE/FAC), &lt;i&gt;Nuvem muda a todo instante&lt;/i&gt; (infantil, LGE), &lt;i&gt;Tesselário&lt;/i&gt; (minicontos, Selo 3x4), &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2017/12/geraldo-lima-uma-mulher-beira-do-caminho.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Uma mulher à beira do caminho&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (contos, Editora Patuá) etc. Tem textos publicados em jornais, suplementos literários, revistas, como Correio Braziliense, Correio das Artes, Jornal de Minas, Jornal Rascunho, revista Traços, revista Diversos Afins etc. É autor do roteiro do longa de ficção &lt;i&gt;O colar de Coralina&lt;/i&gt;, dirigido por Reginaldo Gontijo. Coautor da peça &lt;i&gt;Pharmácia Periphérica&lt;/i&gt; [encenada pela Oficina do Teatro de Periferia]. Autor das peças &lt;i&gt;Dora&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;Tom White&lt;/i&gt; [inéditas]; &lt;i&gt;Error&lt;/i&gt; [encenada em 1987]; &lt;i&gt;Trinta gatos e um cão envenenado&lt;/i&gt; [encenada em 2016]; &lt;i&gt;Antes que ela chegue&lt;/i&gt; [previsão de estreia em 2026].&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/48wiXU3&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://amzn.to/48wiXU3&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas?&lt;/i&gt; de Geraldo Lima&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/5009301579016637034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/5009301579016637034' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5009301579016637034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5009301579016637034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/04/geraldo-lima-quem-foi-que-soltou-os.html' title='Geraldo Lima - Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas?'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjNpyzRdpyBA4VzCmRtpfoLGVfZSYjLxSZtZT7YkdWqVxN7zKtGXCKfRTWU5OH1Nww0L3SrI4DwjCXVj9VhnpG95_Tk5dZHPIE59LEt-CE_ElP_YJSCAnwUOtavA_xGNNL2GaPDTOCK6YgCaMWNTghyphenhyphenY1UrP8QHOVAY-gANi4UjCUL0P6CrMTZC/s72-w640-h426-c/Geraldo%20Lima_C.png" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-5068844438252474474</id><published>2026-04-05T13:11:00.002-03:00</published><updated>2026-04-05T13:15:19.754-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Artes Plásticas"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Claudio Eugenio Luz - Pelo caminho de Ibrahim</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfAl7GNZo-rBYt4XZLZQuukSWaA5epKY281xxg-cb4X4tiaOvxOLke8wD4dymcDhCmbQv5ZkRwTXGTXXmlA7VjxW8AeZiE-1mGXTpKho5Z79pSp3kk6jIbRMeKrpW-dI1iQcWi7HfOUkmwQ06XwPzmKuyqvZqZlLr64JjtxkmLeypvVzCKDO10/s801/Claudio%20Eugenio%20Luz%20-%20Pelo%20caminho%20de%20Ibrahim_AA.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;600&quot; data-original-width=&quot;801&quot; height=&quot;480&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfAl7GNZo-rBYt4XZLZQuukSWaA5epKY281xxg-cb4X4tiaOvxOLke8wD4dymcDhCmbQv5ZkRwTXGTXXmlA7VjxW8AeZiE-1mGXTpKho5Z79pSp3kk6jIbRMeKrpW-dI1iQcWi7HfOUkmwQ06XwPzmKuyqvZqZlLr64JjtxkmLeypvVzCKDO10/w640-h480/Claudio%20Eugenio%20Luz%20-%20Pelo%20caminho%20de%20Ibrahim_AA.png&quot; title=&quot;Claudio Eugenio Luz - Pelo caminho de Ibrahim&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Claudio Eugenio Luz - Pelo caminho de Ibrahim - Mercador Editorial - 100 Páginas - Capa e editoração eletrônica: Ayumi Shimamoto - Imagem da capa: Leonardo Costaneto - Lançamento: 2025.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Claudio Eugenio Luz é um especialista em minicontos ou microcontos, uma técnica que privilegia estruturas narrativas simples, com descrições mínimas e apenas as informações essenciais para a compreensão da trama e do perfil psicológico dos personagens.  Seus textos, em geral, não se situam em tempo ou espaço definidos, o que contribui para a criação de uma atmosfera distópica e perturbadora, de caráter mágico, mesmo quando retratam situações cotidianas, nas quais desponta o que há de melhor e pior no comportamento humano. A concisão e a necessidade da palavra exata, evidenciam a urgência da mensagem e o absurdo dos impasses existenciais e morais a que a nossa sociedade está cada vez mais exposta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A coletânea é dividida em duas partes. Na primeira, os argumentos são relacionados a impasses existenciais como em &lt;i&gt;Questão&lt;/i&gt; que nos apresenta um protagonista que deveria se sentir feliz com a casa paga, o carro na garagem e a geladeira cheia e, no entanto, apesar do aparente sucesso, algo não parece estar bem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Essa insatisfação com o presente também permeia&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; text-align: center;&quot;&gt;&lt;i&gt;Pelo caminho de Ibrahim&lt;/i&gt;,&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;miniconto que empresta o título ao livro. Já na segunda parte, os temas são relacionados às relações afetivas. Em &lt;i&gt;Nepo&lt;/i&gt;, a protagonista demonstra ódio incontido e indiferença com o seu ex-parceiro, somente para concluir que a porta estará sempre aberta. Já em &lt;i&gt;Um modo simples&lt;/i&gt;,  o autor expõe a ingenuidade do amor nascente, marcado pela inexperiência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Questão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-size: x-small; font-weight: normal;&quot;&gt;Um conto de Claudio Eugenio Luz&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Acordou de madrugada. Sua mulher e seu filho dormem. Não quis ligar a televisão, tampouco o rádio. A casa está silenciosa. Não há nada para ser feito. Tudo está em ordem. Apenas perdeu o sono. Não sabe o motivo, nem deseja sabê-lo. Talvez, assim seja melhor. É bom começar um novo século. A casa paga. O carro na garagem. A geladeira cheia. Nenhuma novidade, nenhum sobressalto. Mas, tudo está bem. Todos estão com saúde. É isso que importa nessa vida. Saber que todos estão bem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Pelo caminho de Ibrahim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-size: x-small; font-weight: normal;&quot;&gt;Um conto de Claudio Eugenio Luz&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Ontem um velho, em seu cavalo, passou cantando pela minha rua. Não havia tristeza alguma, nem mesmo um leve lamento em sua música. Por um tempo, deixei meu trabalho de lado. Não tinha fumado nem bebido. Ainda assim, sentia meu corpo entorpecido. De longe, em certo momento, ele sorriu para mim. Pensei: &lt;i&gt;Isso não é para qualquer um&lt;/i&gt;. Parecia bobagem. Mas, esperava o quê daquele homem? Só mais tarde, quando estava novamente enfurnado em meu ganha-pão, imaginei como seria bom se ele me tivesse dito: &lt;i&gt;Vamos!&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Autorretrato&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-size: x-small; font-weight: normal;&quot;&gt;Um conto de Claudio Eugenio Luz&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Tudo isso é muito estranho. Primeiro, eles tiraram meu sangue, depois colheram amostras da minha pele, da minha saliva, do meu suor. Explicaram que era procedimento padrão, coisa rotineira, nada para me preocupar. Durante muito tempo, permaneci calado, ouvindo seus discursos, suas teorias e acreditando que um dia estaria curado. Só raras vezes ousei levantar a voz, protestar ou duvidar de ses procedimentos. O que importava era minha felicidade, meu bem-estar. Agora, e tudo isso é muito estranho, reclamam que a experiência não deu certo. Deram para gritar, berrar e, já faz alguns dias, cortaram minha ração. Querem que eu vire um trapo e morra de fome? Até um animal de circo recebe tratamento melhor. Acho que mereço um pouquinho de consideração e respeito. Não creio, como eles querem me fazer acreditar, que é assim mesmo que caminha a humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Nepo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-size: x-small; font-weight: normal;&quot;&gt;Um conto de Claudio Eugenio Luz&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Não vou chorar. Ah, eu não vou &lt;i&gt;mesmo&lt;/i&gt;. Tampouco gritar, espernear ou arrancar os cabelos. Deixa estar, o mundo dá voltas. Um dia você também vai descobrir&amp;nbsp; que a vida, &lt;i&gt;meu bem&lt;/i&gt;, não é feita só de espelhos. Dance, ria, copule. Divirta-se Arranque suspiros, arrombe corações. Suba nos postes, salte canteiros, engrene uma primeira e vá adiante. Chupe, devore, ejacule. Goze até a última gota de esperma. Mas, por favor, quando você estiver sozinho, arranhado, esgotado, consumido, amassado e um tanto já ultrapassado, lembre-se: a porta do meu apê estará do mesmo jeito que você deixou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Um modo simples&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial; font-size: x-small; font-weight: normal;&quot;&gt;Um conto de Claudio Eugenio Luz&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style=&quot;border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;&quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Como se fôssemos estranhos, sentamos um diante do outro. Ela, a contragosto, e eu, surpreendentemente, pensando em sermos bons amigos. Mas a vida tem suas inconformidades. Éramos jovens e inexperientes, e o amor, meu Deus, estava apenas começando.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqkHpW-uidTVbRgSC7ziyHNdD039dCUrmDvShQhGgzqaVtF4vb2FPUgOIBFdyYPzarUHb4PbiYEv-mCaSmXjbtwjnbwY6ELahR0xFuAjyZny-TEJuPN1xXisHwFMA4-CVi6j0aj4bYQakE1Tnn0BEkfF0pql653V1zmt_H95lrDGzBN6aDbrYm/s843/Claudio%20Eugenio%20Luz%20-%20Pelo%20caminho%20de%20Ibrahim.png&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;843&quot; data-original-width=&quot;596&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqkHpW-uidTVbRgSC7ziyHNdD039dCUrmDvShQhGgzqaVtF4vb2FPUgOIBFdyYPzarUHb4PbiYEv-mCaSmXjbtwjnbwY6ELahR0xFuAjyZny-TEJuPN1xXisHwFMA4-CVi6j0aj4bYQakE1Tnn0BEkfF0pql653V1zmt_H95lrDGzBN6aDbrYm/w226-h320/Claudio%20Eugenio%20Luz%20-%20Pelo%20caminho%20de%20Ibrahim.png&quot; title=&quot;Claudio Eugenio Luz - Pelo caminho de Ibrahim&quot; width=&quot;226&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Claudio Eugenio Luz nasceu em Bauru, São Paulo, em 1968, e atualmente reside em Santo André. É formado em filosofia e história, e lecionou na Rede Municipal de Ensino de São Paulo por 25 anos. Escreve há mais de 30 anos, com contos publicados na revista &lt;i&gt;Literatura: Revista Do Escritor Brasileiro&lt;/i&gt;, editada pelo escritor Nilton Maciel, e na coletânea &lt;i&gt;Contos em Miniatura&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4sWmPGf&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Pelo caminho de Ibrahim&lt;/i&gt; de Claudio Eugenio Luz&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/5068844438252474474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/5068844438252474474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5068844438252474474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/5068844438252474474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/04/claudio-eugenio-luz-pelo-caminho-de.html' title='Claudio Eugenio Luz - Pelo caminho de Ibrahim'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfAl7GNZo-rBYt4XZLZQuukSWaA5epKY281xxg-cb4X4tiaOvxOLke8wD4dymcDhCmbQv5ZkRwTXGTXXmlA7VjxW8AeZiE-1mGXTpKho5Z79pSp3kk6jIbRMeKrpW-dI1iQcWi7HfOUkmwQ06XwPzmKuyqvZqZlLr64JjtxkmLeypvVzCKDO10/s72-w640-h480-c/Claudio%20Eugenio%20Luz%20-%20Pelo%20caminho%20de%20Ibrahim_AA.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-6467093206085143628</id><published>2026-04-04T10:12:00.017-03:00</published><updated>2026-04-04T10:22:33.051-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><title type='text'>Sallié Oliveira - Negro no para-brisa</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3rhlu-Hmc3eYS3D0ckQi5iHZ53eWM6hSuDamGGwxt4Rfwx1GWZfpuCRlForwn_8_KJo83iKhrXa1yk_S3LB2xw65TXPOOgONxf0WxgFgNpGjiBXFDiNMfSq4bZDbwZHTxDuug25Ta9mjnxGVf8dN9RCngnGPNXnFzmQqKbpFyvS6BwsNZ1uZ7/s978/Salli%C3%A9%20Oliveira_Negro%20no%20para-brisa_AA.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;690&quot; data-original-width=&quot;978&quot; height=&quot;452&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3rhlu-Hmc3eYS3D0ckQi5iHZ53eWM6hSuDamGGwxt4Rfwx1GWZfpuCRlForwn_8_KJo83iKhrXa1yk_S3LB2xw65TXPOOgONxf0WxgFgNpGjiBXFDiNMfSq4bZDbwZHTxDuug25Ta9mjnxGVf8dN9RCngnGPNXnFzmQqKbpFyvS6BwsNZ1uZ7/w640-h452/Salli%C3%A9%20Oliveira_Negro%20no%20para-brisa_AA.png&quot; title=&quot;Sallié Oliveira - Negro no para-brisa - Editora Patuá&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Sallié Oliveira - Negro no para-brisa - Editora Patuá - 212 Páginas - Capa e Projeto Gráfico: Carla H. Oliveira - Imagem da capa: Sallié Oliveira - Lançamento: 2026.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O mais recente romance de Sallié Oliveira, &lt;i&gt;Negro no para-brisa&lt;/i&gt;, nos mostra até onde pode chegar o racismo estrutural em nosso país – uma ideologia que unifica, implícita ou explicitamente, a crença na superioridade branca e justifica e naturaliza a desigualdade. As consequências desse preconceito ancestral contra as pessoas negras manifestam-se não apenas na esfera econômica e social, mas também no acesso desigual aos serviços públicos, principalmente à segurança e à justiça. Na ficção imaginada pelo autor, uma espécie de doença tem início no Brasil&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&amp;nbsp;quando homens e mulheres de variadas camadas sociais, todas brancas, perdem inexplicavelmente o controle de suas ações e utilizam seus carros para perseguir e atropelar pessoas negras nas ruas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O argumento imaginado por Sallié Oliveira nessa espécie de distopia social, apesar de muito bem conduzido, é propositalmente irreal ou farsesco; ainda assim as situações vivenciadas por seus personagens, assim como as ações tomadas pelas autoridades ao longo da narrativa, demonstram um processo diário de perpetuação do racismo e exclusão social, infelizmente muito real. É quando o preconceito pode atingir um ponto de irracionalidade e ódio injustificado fora do controle, como destacado por um personagem em certo trecho do livro: &lt;i&gt;&quot;A gente vive em um país que foi construído, e é mantido, por uma base larga odiada pelos que estão acima na pirâmide. A questão é que, sem base, não há pirâmide. O pessoal quer, ao mesmo tempo, depender dessa base e exterminá-la.&quot; &lt;/i&gt;Essa reflexão resume o absurdo de uma sociedade que pretende excluir a própria estrutura que a sustenta.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Segundos antes, Júnior havia fixado seu olhar no ônibus do outro lado do cruzamento. Por conta de sua concentração, não percebeu o carro se aproximando. Quando se virou para encará-lo, era tarde demais. Seu corpo subiu ao ar como se içado por uma corda invisível. Caiu desacordado entre as duas faixas. Não ouviu os gritos histéricos dos clientes do bar da esquina. Inconsciente, não percebeu os passos que se aproximavam, desesperados, prontos para prestar qualquer auxílio. Não houve tempo para que erguesse a cabeça, pois o pequeno carro branco voltou a acelerar. Seu motorista, recuperado do primeiro susto, não esperou as pessoas se aproximarem furiosas e questionadoras. Guiou as rodas até o pescoço do desconhecido. Queria ser fatal. O barulho que ouviu embaixo do assento provou que havia conseguido. Era o som de um corpo sendo despedaçado, deixando de ser inteiro.&quot;&lt;/i&gt; (p. 24)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Um ponto a se destacar é a forma como o autor lidou com o humor em meio a situações violentas, sem comprometer a consistência da narrativa e, ainda assim, mantendo o senso crítico da obra. O tom contemporâneo foi evidenciado pela presença do personagem-influencer Phelipe Mistérios e o posicionamento político de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;extrema direita de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;parte da população e de alguns políticos: &lt;i&gt;&quot;O homem parou para beber água. Havia perdido o fôlego. Desde a pandemia do começo dos anos 20, estava assim, exausto. Usara remédios e mais remédios, tanto preventivos como durante os dias em que tivera sintomas graves da doença que matara mais de setecentos mil brasileiros. Vencido pelo próprio corpo, tomou a vacina às escondidas, sem jamais revelar isso publicamente.&quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Todos os presos, sem exceção, diziam estar arrependidos e envergonhados. Seus próprios atos os deixaram tão constrangidos que optaram por não serem atendidos por psiquiatras negros. Era o temor de olhar nos olhos deles e assumir que haviam derrubado alguém como eles. Foi em vão que o órgão público tentou intervir, definindo essa preferência como discriminatória: o profissional chamado para atendê-los lidava com homens e mulheres lhes pedindo desculpas sem parar; depois, calavam-se definitivamente. Após a confissão dos motoristas encarcerados, o Brasil não teve outra saída — teve que assumir ser o nascedouro de uma doença. O governo, os cientistas e a mídia não sabiam como ela se espalhava, quais eram seus sintomas ou como curá-la, mas sabiam e precisaram comunicar a sua população. O mundo precisava saber que o país tropical, berço do samba e da MPB, exportador da bossa nova e do funk carioca, acabava de originar também uma peste misteriosa que tinha seus infectados obcecados pela ideia do corpo negro no para-brisa.&quot;&lt;/i&gt; (p. 122)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;A conclusão do livro é surpreendente e convincente, reforçando, na forma de metáfora, como pessoas negras precisam seguir algum tipo de protocolo de sobrevivência para escapar das ameaças diárias em um contexto político e social adverso. Trata-se de uma herança histórica que a sociedade brasileira prefere ignorar (apesar de todas as evidências em contrário) ou, ainda pior, perpetuar por muitas gerações no futuro. Com este romance, Sallié Oliveira tenta nos chamar a atenção para uma doença que não é a dos atropelamentos inexplicáveis — essa permanece no campo da ficção. A verdadeira doença que ele quer destacar é de caráter cultural que precisa ser tratada com urgência se quisermos evoluir como indivíduos e como nação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;A guerra civil estava declarada. Diretamente, com essas exatas palavras. Ainda hoje, é possível ir aos perfis públicos de diversos participantes dessas manifestações e ler frases emocionadas que chamavam os amigos virtuais, a família e os vizinhos à batalha. Muitos outros apagaram tais vestígios, uma vez que descobriram que declarar guerra ao Estado é crime no Brasil. Verdade seja dita: o País não sabia o que fazer com seus carros e com seus motoristas. A paralisação dos primeiros dias até funcionou sob as restrições impostas e as novas regras de locomoção pela cidade — apenas transporte público dirigido por pessoas autodeclaradas não-brancas, que levaram e trouxeram os prestadores de serviço essenciais para seus postos de trabalho —, mas os condutores afastados de seus veículos ficaram perigosamente insatisfeitos. Entre as principais reclamações, estava a de que haviam lutado muito para conquistar aquela peça de seu patrimônio e agora não poderiam usufruí-la. Muitos debateram que não eram monstros ou assassinos, não eram preconceituosos ou racistas para que o governo imputasse sobre eles essa pré-acusação, impedindo-os de tirar seus carros da garagem.&quot;&lt;/i&gt; (p. 165)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiueNxOSmjky2fktQrznYL4yOtnGPtE4-jfeWyINIC9MJbmNdkSvSn4WfBNXTM2mQ4o0bmoCOu-gSV4dPo4RnwMzamCNJxthTn4edR5rMkA3rVPeRGiZze-7Ac_TOHhyMx6JwTGn08mNiFwyjlbDjPXsAoIeLKODHChWXga-vIZs_lzGYvuqK2A/s1500/Salli%C3%A9%20Oliveira%20-%20Negro%20no%20para-brisa.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;1000&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiueNxOSmjky2fktQrznYL4yOtnGPtE4-jfeWyINIC9MJbmNdkSvSn4WfBNXTM2mQ4o0bmoCOu-gSV4dPo4RnwMzamCNJxthTn4edR5rMkA3rVPeRGiZze-7Ac_TOHhyMx6JwTGn08mNiFwyjlbDjPXsAoIeLKODHChWXga-vIZs_lzGYvuqK2A/w213-h320/Salli%C3%A9%20Oliveira%20-%20Negro%20no%20para-brisa.jpg&quot; title=&quot;Sallié Oliveira - Negro no para-brisa&quot; width=&quot;213&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style=&quot;font-style: italic; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre o autor&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Sallié Oliveira é escritor e cineasta. Natural de Diadema, é bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). É autor do romance &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2022/08/sallie-oliveira-grande-casa-beira-da.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Grande Casa À Beira da Estrada&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, da coletânea de poesia &lt;i&gt;Guerra no Corpo do Homem&lt;/i&gt; e do juvenil &lt;i&gt;Ana, a Mãe de Ana e Ana de novo&lt;/i&gt;, os três publicados pela Editora Patuá. Sallié também tem trabalhos no cinema e no teatro e já foi selecionado em mais de dez prêmios e editais artísticos nos últimos anos&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/41eJWj3&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://amzn.to/41eJWj3&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;&lt;i&gt;Negro no para-brisa&lt;/i&gt; de Sallié Oliveira&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/6467093206085143628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/6467093206085143628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/6467093206085143628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/6467093206085143628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/04/sallie-oliveira-negro-no-para-brisa.html' title='Sallié Oliveira - Negro no para-brisa'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3rhlu-Hmc3eYS3D0ckQi5iHZ53eWM6hSuDamGGwxt4Rfwx1GWZfpuCRlForwn_8_KJo83iKhrXa1yk_S3LB2xw65TXPOOgONxf0WxgFgNpGjiBXFDiNMfSq4bZDbwZHTxDuug25Ta9mjnxGVf8dN9RCngnGPNXnFzmQqKbpFyvS6BwsNZ1uZ7/s72-w640-h452-c/Salli%C3%A9%20Oliveira_Negro%20no%20para-brisa_AA.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-1095465601104108493</id><published>2026-03-28T11:13:00.009-03:00</published><updated>2026-03-28T11:22:45.655-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura brasileira"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Prêmios Literários"/><title type='text'>Luiza Fariello - Um corpo para Jaime</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhGeFp11iNA3qmMmwrKGoZejXyQmLPMfTdhzwXhDWIu84PJ6lbTZT-pEn8Ep3olD3i-HLJPsBs_IE53yS2eAoBMrmfaLkizv4jDmMDd7q9nD0B6jJef-ecAq5PLZtrAZHvtK0_YexpqyBEYhAMSDfZGxPkFVE-8-DWcUXjCee6KUUhwTk2NkDB/s800/Luiza%20Fariello%20-%20Um%20corpo%20para%20Jaime_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;791&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;632&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhGeFp11iNA3qmMmwrKGoZejXyQmLPMfTdhzwXhDWIu84PJ6lbTZT-pEn8Ep3olD3i-HLJPsBs_IE53yS2eAoBMrmfaLkizv4jDmMDd7q9nD0B6jJef-ecAq5PLZtrAZHvtK0_YexpqyBEYhAMSDfZGxPkFVE-8-DWcUXjCee6KUUhwTk2NkDB/w640-h632/Luiza%20Fariello%20-%20Um%20corpo%20para%20Jaime_A.png&quot; title=&quot;Luiza Fariello - Um corpo para Jaime&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Luiza Fariello - Um corpo para Jaime - Editora Patuá - 172 Páginas - Capa e Projeto Gráfico: Roseli Vaz - Lançamento: 2026.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Em seu romance de estreia, Luiza Fariello escreveu uma das melhores frases de abertura que li ultimamente: &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;“Jaime precisava morrer, mas não tinha um corpo.”&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt; A narrativa revela que Jaime é uma criação virtual de Mariano, o atormentado protagonista que, para escapar da solidão de uma vida sem sentido após a morte da mãe, recorre à inteligência artificial para gerar um perfil tão realista quanto possível, com defeitos, contradições e, sobretudo, uma qualidade que falta ao próprio Mariano: a capacidade de se relacionar com pessoas. Assim nasce Jaime, &lt;i&gt;Chief Marketing Officer&lt;/i&gt;, pós-graduado em &lt;i&gt;Data Analytics&lt;/i&gt;, produtor de conteúdo e executivo de uma empresa de investimentos, se preparando para morar na Alemanha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Não demora para o perfil de Jaime acumular seguidores nas redes sociais e se envolver em uma relação afetiva com Olga, outro perfil fictício, criado por Moema, uma professora que também enfrenta dificuldades em estabelecer vínculos reais. A autora resume bem essa relação: &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;“O que Jaime e Olga viviam não era verdade, tampouco mentira.”&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt; O romance explora, assim, o estado permanente de solidão e vulnerabilidade que marca nossas interações na atualidade, tema que Luiza Fariello já havia trabalhado em seu excelente livro de contos &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2025/04/luiza-fariello-hoje-deserto.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Hoje, deserto&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Aqui, o estreitamento entre os mundos real e digital revela como as “relações humanas”, se é que ainda podemos chamá-las assim, podem ser criadas e mantidas sem a presença de corpos&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Jaime precisava morrer, mas não tinha um corpo. E aí estava todo o seu problema. Viver sem um corpo, como ele mesmo provou, era viável, ainda que não fácil ou simples – postagens periódicas nas redes e interações constantes no WhatsApp, uma manobra aqui e ali para continuar assegurando aos outros a própria veracidade, e as coisas caminhavam, de certo modo. Poucos duvidam da existência de alguém, as pessoas têm pouco tempo. Ele seguiu vivendo enquanto pôde, até que não foi mais possível, porque o seu caminho, ao invés de continuar adiante, voltou-se em círculos. Logo: matar-se sem possuir propriamente um corpo. Para um enterro digno de ser acompanhado, fotografado, postado e curtido por outras pessoas, era preciso, ao menos, algo que fizesse um bom peso no caixão. E conseguir um corpo demandaria também obter documentos válidos do defunto, porque qualquer funerária exigiria a comprovação de que o óbito se deu e ass&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;im foi registrado, ainda que o cadáver fosse isso, um cadáver.&quot;&lt;/i&gt; (p. 11)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;As constantes interações de Jaime começam a trazer problemas para Mariano, como quando o perfil é convidado a participar de um congresso de marketing como palestrante, obrigando-o a enviar um currículo elaborado a partir da carreira e da tese de mestrado de seu chefe na empresa em que trabalha. Olga, por sua vez, aumenta gradativamente a pressão por um encontro real, esgotando as desculpas de Mariano. O acúmulo de conflitos obriga o protagonista, cada vez mais atormentado, a tomar uma decisão radical: desaparecer com Jaime definitivamente e, para isso, planejar a morte de sua bem-sucedida criação. Não se trata, porém, de uma morte apenas simbólica, mas de um velório e enterro reais, acarretando a necessidade de um corpo para Jaime.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Agora, na quitinete, poucos móveis e utensílios com a finalidade de possibilitar a uma pessoa comer e dormir. Até respirar podia-se. Mariano tomava um banho rápido, esfregando o sabonete transparente de glicerina da cabeça aos pés, detestava xampu, colocava o pijama, assistia ao noticiário sem prestar atenção, dormia rolando o dedo no celular na busca frenética por qualquer coisa que com frequência acabava lhe fugindo. Dormia mal, comia pior: pão de forma com requeijão pela manhã, muito café, um prato-feito com gosto de arroz com coisas de ontem, feito pelo restaurante PF Bom Jesus em frente à empresa, uma barra de cereal à tarde, de novo, muito café, pão com requeijão à noite, ou miojo, ou dois pacotes de fandangos. Se queria luxo, jantava queijo gorgonzola, achava chique e, por vezes, aproveitava a oferta, quinze reais uma robusta fatia, que mundo bom! Ia acumulando gordura e tédio na mesma proporção, uma se desdobrando em sua cintura, outro, na cabeça.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 15-6)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Na execução do planejamento de seu personagem, a autora desenvolve uma espiral de problemas que tem início com a demissão de Mariano e culmina com o sequestro virtual de dados para chantagear a sua empresa e obter recursos que lhe permitam adquirir, pela Dark Web, um cadáver desconhecido. O resultado é uma sucessão de situações de tom farsesco e humor macabro que nos conduz à reflexão sobre o absurdo de uma época em que estamos permanentemente conectados e, paradoxalmente, cada vez mais solitários. Um romance recomendado, que mescla com habilidade entretenimento e reflexão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Mariano caprichara na foto de perfil: olhos misteriosos por trás de um elegante par de óculos escuros, rosto triangular, delicado e masculino ao mesmo tempo, conforme o ângulo que se escolhesse. Um gosto sofisticado o suficiente para apreciar arte moderna e editoriais políticos do Le Monde, e simples o bastante para se derreter com vídeos de gatinhos. Trabalhou também uma foto artística do contorno do seu rosto e tórax, num jogo de sombras, uma imagem que, além de escondê-lo, dava o efeito sensual. Trabalho perfeito, pensou, e saiu para seu passeio pelas quadras residenciais da Asa Sul, dessa vez com a cabeça mais erguida e saltitando um pouco entre um passo e outro, deixando até escapar o assobio de uma música antiga cuja memória o surpreendeu . Na mochila, levava as rações para os gatos já separadas em porções, além dos remédios e vermífugos. Desceu as escadas de seu prédio, observando mais uma vez as infiltrações, as paredes que penetravam em seus pesadelos noturnos, nos quais o seu prédio velho e mal cuidado desmoronava, fazendo-o acordar tossindo como se estivesse dentro de uma nuvem de poeira.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 26-7)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqiIVqWCrOtW4_yJqtUDFY0xWLtDOp09FJw9jQn7eoJSkAUiKARlR1paHfYrKCPWeXfMgsPlUFXulFi3mkEfvZ3vopdkP799x4zoQoC8-Xi-ARyfuNIqq_HAoz4RW2o69CkuKexkWzeyfHZ5yGb1R3KsYSWakyrxjJzz7A41IHGjmiePStxx6T/s1241/Luiza%20Fariello%20-%20Um%20corpo%20para%20Jaime.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura brasileira contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1241&quot; data-original-width=&quot;828&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqiIVqWCrOtW4_yJqtUDFY0xWLtDOp09FJw9jQn7eoJSkAUiKARlR1paHfYrKCPWeXfMgsPlUFXulFi3mkEfvZ3vopdkP799x4zoQoC8-Xi-ARyfuNIqq_HAoz4RW2o69CkuKexkWzeyfHZ5yGb1R3KsYSWakyrxjJzz7A41IHGjmiePStxx6T/w214-h320/Luiza%20Fariello%20-%20Um%20corpo%20para%20Jaime.jpg&quot; title=&quot;Luiza Fariello - Um corpo para Jaime&quot; width=&quot;214&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;: Luiza Fariello é professora de Língua Portuguesa e doutoranda em literatura na Universidade de Brasília (UnB), onde pesquisa metodologias para ensino de poesia em sala de aula. É autora de dois livros de contos: &lt;i&gt;Essa palavra eu não falo&lt;/i&gt;, semifinalista do Prêmio Oceanos (2022) e finalista do Prêmio Candango de Literatura (2022) e &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2025/04/luiza-fariello-hoje-deserto.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Hoje, deserto&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, finalista do Prêmio Candango de Literatura (2025), ambos lançados pela Editora Patuá. &lt;i&gt;Um corpo para Jaime&lt;/i&gt; é o seu primeiro romance. Atraída pelo jornalismo, sua primeira profissão, deixou a capital paulista, onde nasceu, para se estabelecer em Brasília há quinze anos. Atualmente é professora da rede pública do Distrito Federal, dedicando-se especialmente à formação de jovens leitores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4bQKY9Y&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Um corpo para Jaime&lt;/i&gt; de Luiza Fariello&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/1095465601104108493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/1095465601104108493' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/1095465601104108493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/1095465601104108493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/03/luiza-fariello-um-corpo-para-jaime.html' title='Luiza Fariello - Um corpo para Jaime'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhhGeFp11iNA3qmMmwrKGoZejXyQmLPMfTdhzwXhDWIu84PJ6lbTZT-pEn8Ep3olD3i-HLJPsBs_IE53yS2eAoBMrmfaLkizv4jDmMDd7q9nD0B6jJef-ecAq5PLZtrAZHvtK0_YexpqyBEYhAMSDfZGxPkFVE-8-DWcUXjCee6KUUhwTk2NkDB/s72-w640-h632-c/Luiza%20Fariello%20-%20Um%20corpo%20para%20Jaime_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-3938175722004753755</id><published>2026-03-15T09:12:00.001-03:00</published><updated>2026-03-15T10:10:40.949-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Biografia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Poesia"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura norte-americana"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Memórias"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Música"/><title type='text'>Patti Smith - Pão dos anjos</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbrkGJhszRApl6ow5WCOQJmpcTY76ivEhzhAB4OyHnARdnX-aKQV2_ses8rTTKQsk1RuvUj7EwpNwW7lpckoBURBuF4pNxXKwNAJkPmk40zZWTWyx-Ntityan2XGkFuh4E2XvtOzA_jL4TvN2PVad54gmTsisbV5w88eIt4ZuX0J5_9icQkZU2/s800/Patti%20Smith%20-%20P%C3%A3o%20dos%20anjos_C.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura norte-americana&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;604&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;484&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbrkGJhszRApl6ow5WCOQJmpcTY76ivEhzhAB4OyHnARdnX-aKQV2_ses8rTTKQsk1RuvUj7EwpNwW7lpckoBURBuF4pNxXKwNAJkPmk40zZWTWyx-Ntityan2XGkFuh4E2XvtOzA_jL4TvN2PVad54gmTsisbV5w88eIt4ZuX0J5_9icQkZU2/w640-h484/Patti%20Smith%20-%20P%C3%A3o%20dos%20anjos_C.png&quot; title=&quot;Patti Smith - Pão dos anjos: A história da minha vida&quot; 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e &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2016/04/patti-smith-linha-m.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Linha M&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;, marcado por reflexões íntimas sobre o passado recente e a relação com a família e com o marido, o guitarrista Fred &quot;Sonic&quot; Smith, falecido em 1994 — &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Pão dos Anjos&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt; revela uma dimensão mais pessoal. O livro percorre sua infância e atravessa todas as fases da vida de uma das artistas mais influentes&lt;/span&gt;&amp;nbsp;do mundo ocidental, que soube lidar com múltiplas formas de expressão: música, artes plásticas e poesia, não necessariamente nesta ordem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Os primeiros anos, apesar da narrativa um tanto o quanto romantizada, foram profundamente marcados pela pobreza e doença. O pai, um veterano da Segunda Guerra Mundial, volta traumatizado e debilitado pela malária contraída na Nova Guiné e nas Filipinas, sustentando a família com trabalhos em fábricas e mudando-se repetidas vezes até fixar-se em um modesto condomínio na zona rural do sul de Nova Jersey. As condições precárias de muitas dessas moradias, algumas condenadas e infestadas de ratos,  favoreceram o surgimento de diversas enfermidades entre as crianças, atingindo especialmente a pequena Patti, que cedo se revelou uma sobrevivente ao enfrentar tuberculose, escarlatina e gripe asiática durante a infância&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;A primeira sensação de que me lembro é de movimento, meu braço balançando para a frente e para trás, um pequeno esforço que resulta na queda do Pernalonga da minha cadeirinha alta. Meu parceiro silencioso, apoiado ali diante de mim, grande como a vida, desapareceu feito um navio viking despencando da borda do mundo. Tudo não passa de um borrão que está muito além do meu alcance; a consequência primitiva de uma ação. Lembro de ser abraçada pelo meu pai, e de como era diferente de ser abraçada pela minha mãe. Ele era calmo; eu buscava seu ombro reconfortante. Gravitava em torno dele, embora fosse minha mãe que estivesse sempre presente, sempre dominante. Ainda não tinha um ano quando dei meus primeiros passos vacilantes pelo chão da cozinha, e depois continuei seguindo em frente. Minha mãe era constantemente desafiada pela primeira filha curiosa e irrequieta, que não conseguia deixar de explorar, de se soltar de suas garras, de se libertar no parque, desaparecer nas lojas de departamentos e rejeitar seu afeto.&quot;&lt;/i&gt; (p. 13) Trecho do capítulo &lt;i&gt;A idade da razão&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;Na adolescência, Patti descobre a arte em uma visita com o pai ao Museu de Arte da Filadélfia, onde se depara com obras de Modigliani e Picasso. Na literatura, apaixona-se pelos simbolistas franceses Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, cujas influências a acompanhariam por toda a vida. Aos 19 anos, anuncia a gravidez e entrega o filho para adoção, decisão que antecede sua partida para Nova York, onde viveria uma incomum história de amor platônico com o fotógrafo Robert Mapplethorpe e se aproximaria de figuras centrais da geração beat, como Allen Ginsberg e William Burroughs. Nesse período, é também profundamente influenciada pela obra de Bob Dylan, precursor da fusão entre música popular e poesia, que se tornaria uma das características do seu próprio estilo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Em 26 de junho de 1975 tocamos na casa noturna The Bitter End, no Greenwich Village, nossa primeira apresentação com baterista, sinalizando que éramos de fato uma banda de rock. No momento em que pisei no palco, percebi que havia algo diferente, a atmosfera estava carregada de energia. A princípio atribuí aquilo ao nosso som mais encorpado, mas havia algo além acontecendo. Podia sentir no ar, como o excesso de umidade sobre pele; a eletricidade que se seguiu intensificou nossa performance já barulhenta. Depois do show, Bob Dylan entrou no nosso camarim. Ouvi aquela voz inconfundível gritar: Tem algum poeta aí? Tomada pela adrenalina, e inexplicavelmente combativa, deixei escapar: Eu odeio poesia. Considerando o quanto ele significava para mim, não sei por que disse aquilo, mas Bob apenas riu, e nada pareceu mais maravilhoso do que o ver sorrir. Sua presença causou um grande rebuliço, e algumas pessoas tiraram fotos. O fotógrafo Chuck Pulin perguntou se poderia fazer um retrato nosso juntos, do lado de fora, perto da entrada. Quando a imagem saiu na capa do The Village Voice dias depois, fiquei preocupada com o que Dylan poderia pensar. Mas pouco depois o encontrei na rua 4 Oeste, em frente a uma banca de revistas com uma pilha de exemplares do jornal. Ele me perguntou com um ar malicioso, se eu conhecia aquelas duas pessoas, e eu quis saber se ele estava aborrecido. Ele só balançou a cabeça e sorriu.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 103-4) Trecho do capítulo arte/ratos&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;A vida de Patti Smith muda completamente quando conhece Fred &quot;Sonic&quot; Smith, guitarrista do MC5. Movida por esse encontro, ela deixa Nova York e se instala em Detroit, escolhendo a maternidade e a vida doméstica em pleno auge de sua fama. Ao lado de Fred, constrói uma história de amor intensa e discreta, marcada pelo nascimento de dois filhos e pela busca de uma existência mais serena, longe dos holofotes. Essa fase, no entanto, é interrompida pelo falecimento precoce de Fred, em 1994, que a mergulha em um período de luto profundo. Na parte final de &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Pão dos anjos&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;, que se estende até o presente, Patti narra o processo de reconstrução de sua carreira e de sua identidade artística, revelando como a dor do luto se transforma em força criativa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Depois que nos casamos, e pelos catorze anos seguintes, com exceção de algumas poucas horas no hospital quando dei à luz nosso filho e nossa filha, Fred e eu nunca nos separamos. Vivemos segundo um relógio sem ponteiros, dentro da mesma pele, navegando no mesmo barco que nunca deixou a terra. Jesse desenhava ratinhos felizes e flores nos meus diários. À noite, Jackson costumava se sentar junto ao canal com a vara de pescar, ouvindo Pavarotti no aparelho de som portátil. Nas noites insones ou nas primeiras horas da manhã, eu escrevia. Descalça, descia com cuidado os degraus de mármore, passava pela porta de madeira com a imagem de um sol nascente no vitral e entrava na cozinha modesta, com o fogão a gás de quatro bocas, uma pia rústica, armários pesados de carvalho, a mesinha dobrável com um diário aberto e um pequeno pote com canetas. Escrevia o que não podia ser escrito, chamada pelo meu meteoro, minha vela invertida que caiu no mar.&quot;&lt;/i&gt; (pp. 187-8) Trecho do capítulo &lt;i&gt;Meu madrigal&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEie7YtXHhgn8OQ9qlKa9XdXqqKjPbiQYH7DB_Ypowkhzj0h0uDAWBkT7Py2SVF7nqb2SrhW5UTMJFnNT_9JpttrV-JNNrakuPLhAu6GZOk1Ok5TSRBjK4J1CfkcmsYWGKexerwZpMoQp0WmzITC5uFG1j7-VONpN33hLS4R_Q01ZubMaPnelvgS/s1500/Patti%20Smith%20-%20P%C3%A3o%20dos%20anjos.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura norte-americana&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1500&quot; data-original-width=&quot;1000&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEie7YtXHhgn8OQ9qlKa9XdXqqKjPbiQYH7DB_Ypowkhzj0h0uDAWBkT7Py2SVF7nqb2SrhW5UTMJFnNT_9JpttrV-JNNrakuPLhAu6GZOk1Ok5TSRBjK4J1CfkcmsYWGKexerwZpMoQp0WmzITC5uFG1j7-VONpN33hLS4R_Q01ZubMaPnelvgS/w213-h320/Patti%20Smith%20-%20P%C3%A3o%20dos%20anjos.jpg&quot; title=&quot;Patti Smith - Pão dos anjos: A história da minha vida&quot; width=&quot;213&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Patti Smith nasceu em 1946, em Chicago, nos Estados Unidos. Ganhou reconhecimento nos anos 1970 por sua fusão revolucionária de poesia com rock, e seu disco &lt;i&gt;Horses&lt;/i&gt;, de 1975, é considerado um dos álbuns mais influentes da história. Além da carreira musical, publicou volumes de poesia, como &lt;i&gt;Babel&lt;/i&gt; (1978) e &lt;i&gt;Auguries of Innocence&lt;/i&gt; (2005). Dela, a Companhia das Letras publicou &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2013/06/patti-smith-just-kids.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Só garotos&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, vencedor do National Book Award, além de &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2016/04/patti-smith-linha-m.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Linha M&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Devoção&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2019/11/patti-smith-o-ano-do-macaco.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;O Ano do Macaco&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Um livro dos dias&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Pão dos anjos&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4uu1rt0&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Pão dos anjos&lt;/i&gt; de Patti Smith&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/3938175722004753755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/3938175722004753755' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/3938175722004753755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/3938175722004753755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/03/patti-smith-pao-dos-anjos.html' title='Patti Smith - Pão dos anjos'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbrkGJhszRApl6ow5WCOQJmpcTY76ivEhzhAB4OyHnARdnX-aKQV2_ses8rTTKQsk1RuvUj7EwpNwW7lpckoBURBuF4pNxXKwNAJkPmk40zZWTWyx-Ntityan2XGkFuh4E2XvtOzA_jL4TvN2PVad54gmTsisbV5w88eIt4ZuX0J5_9icQkZU2/s72-w640-h484-c/Patti%20Smith%20-%20P%C3%A3o%20dos%20anjos_C.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38645424.post-6702982937329566525</id><published>2026-03-07T09:41:00.001-03:00</published><updated>2026-03-07T09:41:19.805-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica Literária"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura - Prosa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura japonesa"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mercado editorial"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Prêmios Literários"/><title type='text'>Mieko Kawakami - Peitos e ovos</title><content type='html'>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhU-K-wTU7y7SEp9o6HugPOBzc6xIdb7jDhkujygybgaumHnxGnhxMKifTqimK_KoXSOoA0L1eJGS0QrSQtuN9fROpKmDOhgK9cEUP6lQx9pFmbaXlZqaz-IbVN4wjoSsT97BwHnGlOsM545ecZgdnCqg5TrtfqLfuINYodYA32bLfbRJZ89wmr/s800/Mieko%20Kawakami%20-%20Peitos%20e%20ovos_A.png&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Literatura japonesa contemporânea&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;589&quot; data-original-width=&quot;800&quot; height=&quot;472&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhU-K-wTU7y7SEp9o6HugPOBzc6xIdb7jDhkujygybgaumHnxGnhxMKifTqimK_KoXSOoA0L1eJGS0QrSQtuN9fROpKmDOhgK9cEUP6lQx9pFmbaXlZqaz-IbVN4wjoSsT97BwHnGlOsM545ecZgdnCqg5TrtfqLfuINYodYA32bLfbRJZ89wmr/w640-h472/Mieko%20Kawakami%20-%20Peitos%20e%20ovos_A.png&quot; title=&quot;Mieko Kawakami - Peitos e ovos&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Mieko Kawakami - Peitos e ovos - Editora Intrínseca - 480 Páginas - Capa: Elisa von Randow - Imagem de capa: Ana Matsusaki - Tradução de Eunice Suenaga - Lançamento no Brasil: 2023.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O romance da premiada escritora japonesa Mieko Kawakami reafirma que a literatura contemporânea do país vai muito além de Haruki Murakami e evidencia a força crescente das vozes femininas. Autoras como Hiromi Kawakami (&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2025/02/hiromi-kawakami-valise-do-professor.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A valise do professor&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;) e Banana Yoshimoto (&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2014/07/banana-yoshimoto-kitchen.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Kitchen&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; e &lt;a href=&quot;https://www.mundodek.com/2016/01/banana-yoshimoto-tsugumi.html&quot; style=&quot;font-style: italic;&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Tsugumi&lt;/a&gt;) vêm ampliando esse espaço ao explorar, com sensibilidade e coragem, a experiência das mulheres em uma sociedade tradicionalmente patriarcal. De fato, &lt;i&gt;Peitos e ovos&lt;/i&gt; se destaca ao abordar questões profundamente ligadas ao universo feminino — da relação com o próprio corpo às transformações da puberdade, passando pela complexa decisão de criar um filho sozinha ou envelhecer sem filhos, algo que até pouco tempo seria impensável em um Japão marcado pelo envelhecimento populacional e pela preocupação com suas baixas taxas de natalidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;O livro é narrado do ponto de vista de Natsuko Natsume, que vive em Tóquio tentando se sustentar como escritora. A primeira parte, &lt;i&gt;&quot;Verão de 2008&quot;&lt;/i&gt;, começa com a visita de sua irmã mais velha, Makiko, que viaja de Osaka acompanhada da filha, Midoriko — uma menina prestes a completar doze anos, na transição entre a infância e a adolescência, e que há meses só se comunica com a mãe por escrito. O motivo da viagem é aproveitar a estadia na capital para que Makiko realize uma cirurgia de aumento dos seios, uma ideia que se transformou em verdadeira obsessão. Essa primeira parte, ambientada em um bairro pobre de Tóquio durante dias sufocantes de verão, é narrada em primeira pessoa por Natsuko, com inserções do diário de Midoriko que ajudam a contextualizar as tensões e o distanciamento emocional entre as três mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Quando estávamos andando em grupo num passeio da escola, alguém disse que, já que nasci mulher, com certeza quero ter filhos um dia. Como elas podem pensar dessa forma? É só começar a sair sangue daquele lugar que já se sentem mulheres e, sendo assim, querem dar à luz outra vida. Como podem generalizar assim? E como conseguem acreditar que isso é uma coisa boa? [...] Por alguma razão tenho um corpo que sente fome por conta própria, que fica menstruado por conta própria, e estou presa dentro dele — essa é a sensação que tenho. E, uma vez que nascemos, está tudo decidido: temos que continuar vivendo, comendo, ganhando dinheiro, e é muito duro viver dessa forma. Minha mãe trabalha pesado todos os dias, mas mesmo assim leva uma vida difícil e, vendo-a, penso: para quê? Já é duro uma pessoa sozinha sobreviver, ainda vai gerar outro ser? Para quê? Não consigo nem imaginar passar por isso, e será que quem diz que é algo maravilhoso sente isso espontaneamente? Está pensando mesmo com a própria cabeça? Fico deprimida ao pensar nessas coisas quando estou sozinha. Para mim, não parece nada bom, tenho quase certeza disso.&quot;&lt;/i&gt; (p. 44) - Trecho da Parte I, Cap. 2 - &lt;i&gt;Para ser mais bela&lt;/i&gt;, diário de Midoriko.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Na segunda parte, &quot;&lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Verão de 2016 a verão de 2019&quot;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;, o foco se desloca para Natsuko e seu desejo de se tornar mãe sem recorrer ao modelo tradicional. Para ela, sexo nunca trouxe prazer, segurança ou satisfação, e a possibilidade de usar um doador de esperma esbarra em barreiras legais: no Japão, o procedimento é restrito a casais inférteis&lt;/span&gt;. À medida que investiga alternativas e consequências, Natsuko se vê diante de um impasse existencial, em que a maternidade é discutida não apenas como escolha, mas como ato que pode ser interpretado como egoísmo ou violência., principalmente quando a origem do nascimento é escondida do filho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Eu o adorava. Queria muito continuar ao lado dele por mais algumas décadas, queria falar de vários assuntos com ele, ver várias coisas com ele, ou seja, pensava seriamente em construir uma vida com ele. Mas, por outro lado, não gostava de fazer esse tipo de coisa com ele. Queria proporcionar prazer a ele, e teve uma época em que tentei encarar de forma positiva, achando que essas coisas demandavam esforço, que era eu quem não entendia direito como isso funcionava. Mas, por mais que tentasse, não conseguia me acostumar. Não era que eu sentisse qualquer dor física, mas sentia uma inquietação indescritível, quase insuportável. Quando me deitava de costas, nua e com os olhos abertos, via redemoinhos pretos que pareciam espirais rabiscadas feitas por alguém girando uma caneta com toda a força nos cantos do teto, das paredes, em lugares mais afastados. Toda vez que Naruse movia seu corpo, esse redemoinho repulsivo crescia gradualmente, se aproximava e engolia minha cabeça, como se a cobrisse com um saco preto. Mesmo com o passar do tempo, o sexo nunca me proporcionou prazer, segurança ou satisfação, e toda vez que Naruse ficava por cima de mim, nu, inevitavelmente me sentia completamente sozinha.&quot;&lt;/i&gt; (p. 193 - Trecho da Parte II, Cap. 9 - &lt;i&gt;Segurando as pequenas flores&lt;/i&gt;, reflexões de Natsuko Natsume&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Com lirismo e coragem, Kawakami expõe as contradições de ser mulher em uma sociedade que ainda dita regras sobre corpo e maternidade.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;O romance se destaca pela forma como Kawakami aborda o corpo feminino não como objeto de desejo externo, mas como território de conflito interno e social. A escrita é delicada e, ao mesmo tempo, incisiva: cada diálogo e silêncio revelam tensões profundas sobre identidade, envelhecimento e expectativas impostas às mulheres&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;. Ao dar voz às inquietações de Natsuko, Makiko e Midoriko, Kawakami constrói um painel de experiências que desafia convenções e amplia o espaço da literatura feminina no Japão contemporâneo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Velkommen era um banco de sêmen dinamarquês, sobre o qual eu ficara sabendo por meio de pesquisas na internet e lendo livros. Era um exagero falar em longa tradição, mas se tratava de uma instituição de renome internacional que funcionava havia várias décadas. Eles divulgavam seus resultados, as instalações usadas eram sempre as mais modernas, pois sempre as renovavam, e, além de testes periódicos para detectar doenças transmissíveis, o sêmen dos doadores era submetido à análise cromossômica e a testes genéticos para saber se havia algum gene relacionado a doenças hereditárias graves. Todo motivo de preocupação, por menor que fosse, era detectado, na medida do possível, e somente o sêmen de homens saudáveis, sem problemas de saúde, era congelado para compor o banco. Como resultado, só dez por cento do sêmen passava na triagem. Ou seja, entre dez homens que se inscreviam para a doação, apenas um era cadastrado. A chance de aprovação era baixa. Velkommen já tinha fornecido sêmen para mais de setenta países e possuía um sistema para atender às demandas de qualquer pessoa pela internet, incluindo casais inférteis, casais homoafetivos e também solteiras como eu.&quot;&lt;/i&gt; (p. 217) - Trecho da Parte II, Cap. 10 - &lt;i&gt;Escolha a correta entre as seguintes opções&lt;/i&gt;, Natsuko descreve um banco de sêmen na Dinamarca&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; font-style: italic; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTAo-o2sjNjkg0xmAN0V_Uv7g9qwN6hiMO_MWjwyopvy7TMa0wwRlIb8bS6Wa-Kjp_T7We41JKnw3wMsG3HN3yg1Hrm23vLwAR8GC7zL4YL5mIp5OQn8LiU1Nzm1bEMhhA9l87phX1T2fHoZR2R9RVXV3GAUmC4Bqhi7vcti0WY5auw532Ty_Z/s1005/Mieko%20Kawakami%20-%20Peitos%20e%20ovos.jpg&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1005&quot; data-original-width=&quot;670&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTAo-o2sjNjkg0xmAN0V_Uv7g9qwN6hiMO_MWjwyopvy7TMa0wwRlIb8bS6Wa-Kjp_T7We41JKnw3wMsG3HN3yg1Hrm23vLwAR8GC7zL4YL5mIp5OQn8LiU1Nzm1bEMhhA9l87phX1T2fHoZR2R9RVXV3GAUmC4Bqhi7vcti0WY5auw532Ty_Z/s320/Mieko%20Kawakami%20-%20Peitos%20e%20ovos.jpg&quot; width=&quot;213&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Sobre a autora&lt;/i&gt;&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;Nascida em Osaka, no Japão, Mieko Kawakami fez sua estreia literária como poetisa e publicou sua primeira novela, &lt;i&gt;My Ego, My Teeth, and the World&lt;/i&gt;, em 2007. Seus livros, traduzidos para mais de 30 idiomas, são conhecidos por suas qualidades poéticas e reflexões sobre o corpo feminino, a ética e a sociedade moderna.Os prêmios literários de Kawakami incluem o Akutagawa, o Tanizaki e o Murasaki Shikibu. &lt;i&gt;Heaven&lt;/i&gt;, traduzido por Sam Bett e David Boyd, foi finalista do International Booker Prize de 2022. Seu romance mais recente traduzido para o inglês é &lt;i&gt;All the Lovers in the Night&amp;nbsp;&lt;/i&gt;e foi indicado para o National Book Critics Circle Awards em 2023. Ela mora em Tóquio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial;&quot;&gt;&lt;i&gt;Onde encontrar o livro&lt;/i&gt;: &lt;a href=&quot;https://amzn.to/4kZXjwt&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Clique aqui para comprar &lt;i&gt;Peitos e ovos&lt;/i&gt; de Mieko Kawakami&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds2.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.feedburner.com/fb/images/pub/feed-icon32x32.png&quot; alt=&quot;&quot; style=&quot;border:0&quot;/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://feeds.feedburner.com/MundoDeK&quot; title=&quot;Subscribe to my feed&quot; rel=&quot;alternate&quot; type=&quot;application/rss+xml&quot;&gt;Subscribe in a reader&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.mundodek.com/feeds/6702982937329566525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/38645424/6702982937329566525' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/6702982937329566525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38645424/posts/default/6702982937329566525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.mundodek.com/2026/03/mieko-kawakami-peitos-e-ovos.html' title='Mieko Kawakami - Peitos e ovos'/><author><name>Alexandre Kovacs</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12573593354839136247</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2d_M8_nZI-7vqDDHLfxQao4THmxvKU8e7MEYmQyx52Nl6rodFjgcN4tSUx6WkEBkhyRrHu_VDjmYma9KevBmwJSFJVC26_VyqIPoi6fhbhiClPDs_Qykssekb098Wr0O7O9lDZn2enc308UBcM1m8KwY_zJu5IAEo640idHp5s_Zhrg/s1600/Alexandre%20Kovacs%20IMG_9912-Small.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhU-K-wTU7y7SEp9o6HugPOBzc6xIdb7jDhkujygybgaumHnxGnhxMKifTqimK_KoXSOoA0L1eJGS0QrSQtuN9fROpKmDOhgK9cEUP6lQx9pFmbaXlZqaz-IbVN4wjoSsT97BwHnGlOsM545ecZgdnCqg5TrtfqLfuINYodYA32bLfbRJZ89wmr/s72-w640-h472-c/Mieko%20Kawakami%20-%20Peitos%20e%20ovos_A.png" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></entry></feed>