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	<title>Nerd Calculista</title>
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		<title>Nerd Calculista</title>
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		<title></title>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 May 2014 01:12:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Senhores, este blog acabou. Há muito tempo, mas só agora defini. Criei o blog com 13 anos e alcancei um relativo sucesso com ele, criando uma legião – podemos chamar assim? – de leitores ávidos. A questão é: eu mudei. Eu sou outra pessoa. Meu jeito de pensar mudou, meu jeito de enxergar a vida mudou, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="color:#444444;">Senhores, este blog acabou. Há muito tempo, mas só agora defini.</p>
<p style="color:#444444;">Criei o blog com 13 anos e alcancei um relativo sucesso com ele, criando uma legião – podemos chamar assim? – de leitores ávidos. A questão é: eu mudei. Eu sou outra pessoa.</p>
<p style="color:#444444;">Meu jeito de pensar mudou, meu jeito de enxergar a vida mudou, meu jeito de escrever mudou e, principalmente, meu jeito de interpretar isso tudo mudou.</p>
<p style="color:#444444;">Sei que vocês sempre esperam que eu escreva mais um texto do Almeida se fodendo, mas essas coisas não acontecem mais na minha vida – e, quando acontecem, eu as interpreto de outra forma.</p>
<p style="color:#444444;">Se eu melhorei ou piorei, juro que não sei dizer – mas aconteceu.</p>
<p style="color:#444444;"><strong>Se vocês ainda quiserem saber o que se passa na vida do Almeida, calma, é possível! </strong>Escrever é um vício meu, e não ia parar só por que fiquei diferente. Criei um novo blog, com outra cara e outro nome – puta que pariu, quase 20 anos e um blog chamado NERD CALCULISTA? Imagine a cena de vocês falando pra alguém:</p>
<p style="color:#444444;">“então, eu tenho um blog”<br />
“sério? qual o nome dele?”<br />
“Nerd Calculista”</p>
<p style="color:#444444;">Eu passei por isso numa entrevista de emprego.</p>
<p style="color:#444444;">E chegando numa mina.</p>
<p style="color:#444444;">…</p>
<p style="color:#444444;">Meu novo blog agora se chama <a style="color:#bb4411;" href="http://estabulo.wordpress.com/">Estábulo</a>. Olha, tem uma foto mó legal do Louis Garrel em La Belle Persone e tudo. Meio hipster, eu sei, mas desde que eu pensei “wow, devia fazer um banner” pensei nessa foto e nunca me ocorreu mudá-la. Ela foi feita pra ele.</p>
<p style="color:#444444;">O blog tem <a style="color:#bb4411;" href="https://www.facebook.com/estabulo?fref=ts">página no Facebook</a> e tudo mais.</p>
<p style="color:#444444;">Se você achá-lo um saco mas quiser me seguir em redes sociais em que eu continuo sendo o Almeida palhaço e odiável de sempre, existe meu <a style="color:#bb4411;" href="https://twitter.com/almeidoim">twitter</a> e o<a style="color:#bb4411;" href="https://www.facebook.com/ironmeidars">facebook</a>.</p>
<p style="color:#444444;">Todos nós te amamos, Nerd Calculista. Principalmente quando você me fez ganhar dinheiro do adsense.</p>
<p style="color:#444444;">Mas, igual ao dinheiro, você acabou mais rápido do que todos esperávamos.</p>
<p style="color:#444444;">E vai fazer falta.</p>
<p style="color:#444444;">Até mais, e obrigado pelos peixes!</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" src="https://nerdcalculista.wordpress.com/wp-content/uploads/2014/05/61ff3-goku-angel.jpg?w=512&#038;h=384" alt="" width="512" height="384" /></p>
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			<media:title type="html">Almeida - Nerd</media:title>
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		<title>O senso comum dos que não pensam.</title>
		<link>https://nerdcalculista.wordpress.com/2013/09/01/o-senso-comum-dos-que-nao-pensam/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Sep 2013 04:45:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia barata]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu gosto de dividir as pessoas em três segmentos – as que pensam, as que fingem que pensam (o que já demonstra que elas tem noção de que o certo é pensar, o que faz com que elas sejam quase seres pensantes) e as que simplesmente não conseguem transmitir nenhum impulso elétrico por aquela rede [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eu gosto de dividir as pessoas em três segmentos – as que pensam, as que fingem que pensam (o que já demonstra que elas tem noção de que o certo é pensar, o que faz com que elas sejam quase seres pensantes) e as que simplesmente não conseguem transmitir nenhum impulso elétrico por aquela rede de neurônios que desembocam no cérebro.</p>
<p style="text-align:justify;">Esses seres não-pensantes formam aquela massa de acéfalos semianalfabetos que agem por impulsos inconscientes, quase como se fossem porcos bípedes, e o mais admirável que podemos esperar deles é que sobrevivam por alguns anos sem esquecer de respirar ou engasgar com a própria saliva.</p>
<p style="text-align:justify;">É senso comum olhar feio para tudo o que essa massa não-pensante gosta. Pense aí em todas as coisas que é senso comum odiar: One Direction, Justin Bieber, Globo, Nicholas Sparks, Restart, Funk. Essa lista de coisas odiáveis poderia continuar ad eternum. Isso se dá pelo fato de que a quantidade de pessoas não-pensantes supera vexaminosamente a quantidade de pessoas pensantes no mundo. Costumamos achar que pensar é uma característica inerente ao ser humano, quando, na verdade, é uma qualidade que apenas uma porcentagem ínfima da população mundial detém.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-3046"></span></p>
<p style="text-align:justify;">E os semi-pensantes?</p>
<p style="text-align:justify;">Esses são aqueles seres que possuem uma dificuldade absurda de pensar, talvez por terem passado a maior parte da infância comendo cocô, mas, ao chegarem em determinado ponto da vida, perceberam que pensar talvez fosse uma atividade minimamente legal. E aí eles se esforçam, mas de forma errada: seus cérebros parcialmente desenvolvidos os fizeram chegar à conclusão de que fingir que pensam é muito mais fácil e rápido do que realmente pensar. São, na nomenclatura recente, os hipsters. Há uns 5 anos, eram os cults, e há uns 10 anos certamente tinham um outro apelido.</p>
<p style="text-align:justify;">Esses grupos são aqueles que estão mais preocupados em compartilhar uma frase do Caio Fernando Abreu do que em realmente ler um texto do cara. Eles saem por aí reproduzindo comentários absurdamente embasados sobre livros e músicas que eles leram em algum lugar e pensaram “wow, se eu repetir isso as pessoas vão me achar inteligente”. Eles não se esforçam, em momento algum, para elaborar um comentário inteligente de própria autoria. Até por que, quando tentam, sua capacidade mental limitada os faz angariar, no máximo, um texto incoerente com umas palavras bonitas utilizadas fora de contexto.</p>
<p style="text-align:justify;">Eles ainda se dão ao direito de bater no peito e creditar a si mesmos o título de inteligentes. Estão, claramente, reproduzindo um processo natural do ser humano que se repete desde a Grécia antiga, quando o Sócrates, teoricamente, disse “só sei que nada sei, e o fato de saber disso me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa”. Os que achavam saber foram esquecidos. Sócrates não.</p>
<p style="text-align:justify;">Existem, por fim, as pessoas inteligentes. Percebam que essa é uma classe humana de grande valia e de raríssimo encontro. Abrange aquele grupo de pessoas que, de fato, leem bastante, mas sequer saem por aí bradando a quantidade de livros que já leram. São pessoas que, de fato, entendem de filosofia, mas nem por isso saem por aí com uma barba gigantesca falando sobre Marx. Esse tipo de pessoa, por ter a capacidade plena de formular as próprias opiniões, pode ouvir desde One Direction e ver alguma qualidade naquilo, quanto segundos depois ouvir Bethoven e entender claramente o que ele tentava transmitir em suas composições.</p>
<p style="text-align:justify;">Entendam uma coisa – pessoas realmente inteligentes não desmerecem nenhum trabalho. Afinal, se de alguma forma aquele trabalho é valorizado por alguém, é por que ali tem alguma beleza. Semi-pensantes não conseguem enxergar isso, mas xingam com plena facilidade diversas obras.</p>
<p style="text-align:justify;">Em que ponto eu pretendo chegar com isso?</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje eu fui na Bienal do livro – ou BiAnal, como eu dizia na época em que era socialmente aceito eu achar engraçadíssimo o trocadilho <span style="color:#c0c0c0;">ainda acho, mas com 18 anos é feio</span> – e, por muitos momentos, odiei o evento. Vocês também odiariam em primeira instância. Precisava entrar numa fila para entrar numa segunda fila que permitiria entrar no stand no qual, se você quisesse comprar algo &#8211; que, contradizendo toda a lógica do universo, estava quase o dobro do preço de lojas como submarino -, teria que se direcionar para uma terceira fila, sendo que nenhuma delas demorava menos de 45 minutos. O ar era rarefeito e você não conseguia ficar 5 segundos parado sem ser empurrado por algum apressadinho. Isto é, se você conseguir manter seus amigos próximos por mais de 5 minutos sem perdê-los.</p>
<p style="text-align:justify;">Observando aquele contingente infinito de pessoas, percebi que, há 2 anos, na última bienal, não havia sequer dois terços daquilo tudo de gente. E aí pensei cá com meus botões – ah, mas ler virou modinha. E, por alguns instantes, aquilo também soou muito mal na minha mente.</p>
<p style="text-align:justify;">Cacete, que bela bosta, ein?</p>
<p style="text-align:justify;">O ato de ler se tornou aquela banda desconhecida que você ouvia e caiu no gosto popular tão rapidamente que você sente como se estivesse sendo traído. Ler, que antes era um diferencial de poucos que sabiam pensar, virou modinha. A bienal estava lotada por milhares de meninas virgens gritando pelo livro do One Direction, milhares de mulheres gritando pelo Nicholas Sparks, milhares de velhas ansiando livros do Chico Xavier, milhares de nerds se estapeando pelos volumes do Game Of Thrones, milhares de moleques brigando pelos livros do UFC.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma conhecida reclamou que tinha um stand “lotado de menininha gritando pelo Sabado à Noite”. Fiquei feliz por saber que a lindona da Babi Dewet tava ficando tão rica assim, e triste por perceber que aquela conhecida era mais uma semi-pensante – ela estava ali, com seus livrinhos, mas tava desmerecendo o gosto alheio sem perceber que, quando ela tinha 13 anos, certamente lia Thalita Rebouças ou coisas piores.</p>
<p style="text-align:justify;">Ler virou modinha. Comprar livro, agora, é um requisito necessário pra “fazer parte da galera”. Segunda, na sala de aula, todos vão comentar o livro que “estão lendo”, por mais babaca que possa ser. Amanhã, quando acordarem, todos entrarão no perfil do Skoob no facebook e compartilharão aquelas tirinhas babacas falando sobre “o cheiro dos livros”, e todos eles pagarão de cultos super antenados. Tornar-se-ão, por fim, semi-pensantes com aspirações de um dia, quem sabe, pensar. Ou não.</p>
<p style="text-align:justify;">Um paralelo interessante é pensar nos protestos que rolaram a alguns meses. A partir do momento em que virou um movimento da massa acéfala, a maioria desacreditou. Os pensantes, por outro lado, previram que, dali, surgiria um grupo de pessoas que se politizariam. E, por mais que poucos, ainda vemos por aí adolescentes comentando “e os médicos, ein? Cuba, né? Foda.”.</p>
<p style="text-align:justify;">Seja Querido John ou Gaia Ciência, ler é sempre o primeiro passo para que um ser não-pensante angarie uma carteirinha do grupo dos semi-pensantes. E ninguém se torna pensante antes de ser semi-pensante.</p>
<p style="text-align:justify;">Parem de reclamar.</p>
<p style="text-align:justify;">Os inteligentes jamais serão a maioria. Mas o mundo tá no caminho certo.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Sobre todas as coisas que decorrem de vinte centavos.</title>
		<link>https://nerdcalculista.wordpress.com/2013/06/20/sobre-todas-as-coisas-que-decorrem-de-vinte-centavos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2013 02:28:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Marcos vibrou – Companheiro, vamos colocar 10 mil pessoas na rua! Animado, Franklin resolveu exagerar – Que isso! Vamos botar 50 mil! Já se falava em 70 mil pessoas e muitos aventuravam 100 mil. A Cinelândia estava completamente tomada. De cima, a visão era a de um espetáculo inédito. As pessoas iam chegando como nos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" alt="" src="https://rrupta.files.wordpress.com/2013/06/passeata-dos-cem-mil-reproduc3a7c3a3o-de-o-globo.jpg?w=480&#038;h=460" width="480" height="460" /></p>
<p style="text-align:center;"><span style="font-style:italic;text-align:justify;"><br />
Marcos vibrou – Companheiro, vamos colocar 10 mil pessoas na rua!<br />
</span><span style="font-style:italic;text-align:justify;">Animado, Franklin resolveu exagerar – Que isso! Vamos botar 50 mil!</span></p>
<blockquote><p><em> </em><em>Já se falava em 70 mil pessoas e muitos aventuravam 100 mil. A Cinelândia estava completamente tomada.<br />
</em><span style="font-style:italic;text-align:justify;">De cima, a visão era a de um espetáculo inédito. As pessoas iam chegando como nos últimos tempos só chegavam ao Maracanã ou aos desfiles de escolas de samba: em grupos alegres, aos poucos, carregando cartazes com palavras de ordem que identificavam os setores – professores, bancários, estudantes, mães, garis, engenheiros, arquitetos, médicos, padres.</span></p>
<p><em> </em><em>(&#8230;)Ainda há um clima pesado de apreensão. Tudo corre em ordem, mas nas conversas há um certo medo: será que a polícia não vai mesmo aparecer? Tudo indica que não, mas nunca se sabe.</em></p>
<p><em> </em><em> </em><span style="font-style:italic;text-align:justify;">Papéis picados começam a cair dos edifícios enquanto novas passeatas continuam a chegar à Cinelândia.</span></p></blockquote>
<blockquote><p><span style="font-style:italic;text-align:justify;"><span id="more-3037"></span><br />
</span><span style="font-style:italic;text-align:justify;"><br />
(&#8230;)A passeata começava a se movimentar em direção à Candelária. Em ordem, os manifestantes tomaram então o caminho da avenida Rio Branco, cujo trânsito havia sido desviado pela polícia. Das janelas dos edifícios caía uma chuva de papel picados. Os estudantes olham pra cima e gritavam: “desce, desce”. Para os populares que assistam das calçadas, o convite era outro: “você, que é explorado, não fique aí parado!”. Essas rimas, repetidas por milhares de vozes, de forma cadenciada, compunham uma espécie de canção sem melodia, feita só de ritmo, mas ao mesmo tempo sonora, marcial, coletiva.</span></p></blockquote>
<blockquote><p><em>A visão daquela ensolarada tarde de junho, com as pessoas sentadinhas no asfalto do cruzamento da Rio Branco com a Presidente Vargas, era de converter incrédulos. Certamente, graças a Deus, não só cessara a chuva que caíra de madrugada, permitindo que elas pudessem se sentar no chão, como tudo tinha dado milagrosamente certo.</em></p>
<p><em> </em><em> </em><em>(&#8230;)De qualquer maneira, para a época, a concentração da Cinelândia foi um marco simbólico da força do povo – dos seus sonhos e, também, das suas limitações, como se veria depois.</em></p></blockquote>
<p style="text-align:center;"><em><img class="aligncenter" style="border:0;" alt="" src="https://i0.wp.com/sphotos-d.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/1016356_653232584706179_1220342272_n.jpg" width="485" height="324" /></em></p>
<p style="text-align:justify;">Essa aí foi a descrição do Zuenir Ventura, em 1989, sobre a Passeata dos Cem Mil de 1968. Aos 15 anos, li esse livro pela primeira vez e a parada mudou a minha cabeça. Eu estudava num colégio de freiras no qual a maioria dos estudantes formavam aquele estigma de brasileiro médio que Gilberto Freire descreve perfeitamente com as palavras “pessoas medianamente cultas, mas na verdade quase tão espontâneas quanto as iletradas”. O colégio sempre foi hipócrita no sentido de instigar um pensamento próprio no aluno, mas ceifar qualquer fecho de luz que representasse um.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de ler esse livro, meti na cabeça que queria formar um grêmio estudantil no cacete do colégio. Eu ia revolucionar Ramos, aquele bairrozinho residencial de classe média-baixa cujo único diferencial era ter o meu colégio.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui até a frente da turma, falei com todo mundo sobre a ideia revolucionária e determinante para o futuro da sociedade, e obtive a tal da “reação tão espontânea quanto a de pessoas iletradas”: fui ignorado. Tudo bem. Não esperava nada de mais de uma turma que, um dia após a vitória da Dilma nas eleições, preferia conversar sobre o jogo do Vasco contra o Catanduvense.</p>
<p style="text-align:justify;">Entrei em contato com um amigo que era líder de movimento estudantil. Ele super me apoiou a criar o grêmio e disse que iria no colégio pra dar uma palestra pra convencer aqueles ignorantes a pararem de cheirar a própria bunda e tentassem se ligar no fato de que o preço do croissant da cantina crescia mais rápido do que a inflação na Grécia.</p>
<p style="text-align:justify;">Acontece que essa palestra aconteceu no mesmo dia em que o Atlético Mineiro ganhou o Campeonato Brasileiro de 2012.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui, por fim, ao encontro da minha professora de sociologia e do professor de geografia, os caras que sempre disseram que o estudante deveria ser ativo, revolucionário e o escambal, e eles me disseram que “não poderiam me apoiar pois poria o emprego deles em risco”. Caceta!</p>
<p style="text-align:justify;">Me vi, então, desolado tal como a Besta Fera quando me pede um pedaço do Carré do meu almoço e eu o como inteiro sozinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Desisti daquele cacete. Nas eleições de 2012, mais um fiapo de esperança surgiu no meu inconsciente. Eu acompanhava o CQC, que fazia uma cobertura bem transparente – diga o que você quiser, seu pseudointelectual de merda, CQC é um programa mais informativo do que a maioria dos programas e jornais da Globo – e via toda a movimentação pró-Freixo nas redes sociais. O resultado, todo mundo sabe, foi vexaminoso.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha posição quanto à política ficou muito parecida com minha posição quanto a ter uma namorada: quero mais é que se foda. Espero que aconteça alguma coisa, mas não vou correr atrás. Até por que não adiantaria de nada.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, olhando pra trás, penso que foi melhor. Tudo se encaixou perfeitamente. Desde eu ter sido criado em um meio de ~brasileiros médios~ (aprendi esse termo na faculdade, na aula dum professor que analisa as camadas ignorantes da sociedade como se fossem ratos de laboratório) até eu não ter passado no vestibular em 2011. Tudo culminou para eu ter acabado de entrar na UFRJ, a faculdade mais politizada do país, exatamente no momento em que “as pessoas” decidiram botar o pau pra fora e bater com ele na cara da politicagem safada e sem vergonha.</p>
<p style="text-align:justify;">Coloquei “as pessoas” entre aspas por que, manos, não se enganem. Quando citamos 100 mil na Rio Branco, falamos de 100 mil jovens minimamente politizados e intelectualizados, e alguns mais velhos que são exceções. Sábado, antes da passeata, chamei todos os meus amigos pra ela e fui genuinamente ignorado. Quando postei no facebook chamando o pessoal, fui novamente ignorado. Na aula de Teoria da Comunicação, aprendi a diferença entre “multidão” e “público”. A multidão é a massa irracional, o público é o grupo racional. Tivemos, na Rio Branco, um público de 100 mil pessoas. Temos, no Rio de Janeiro, uma multidão de 17 milhões.</p>
<p style="text-align:justify;">Sim, manos. Foi perfeito.</p>
<p style="text-align:justify;">Era segunda feira, dia 17. Acordei cedo, fui pra academia, arrumei a mochila minuciosamente e me preparei psicologicamente pelo que, eu sentia no fundo, seria um dia histórico. Coloquei minha camisa branca – achei o tal “White day” uma parada meio ufanista, meio Marcha Para Jesus, mas animei e fortaleci – e fui pra faculdade. Já pressenti que o dia tava bacana quando notei que a menina do meu lado no ônibus tava ouvindo Beeshop e puxei assunto com ela. Eu não puxo assunto nem com meus amigos, quem dirá pessoas no ônibus. A aura do dia era diferente.</p>
<p style="text-align:justify;">A faculdade parecia um mundo paralelo. Todo mundo de branco, todo mundo animado pra passeata, todo mundo discutindo os acontecimentos políticos do fim de semana, enquanto, na rua, todo mundo tava mais preocupado em como coçar a virilha por cima da calça jeans sem que mais ninguém na rua percebesse.</p>
<p style="text-align:justify;">A aula terminou mais cedo do que de costume – os professores liberaram a gente pra passeata, até por que, se não o fizessem, nós sairíamos de sala da mesma forma, e os que ficassem, não se concentrariam, já que ninguém conseguia pensar em nada além de sair logo dali.</p>
<p style="text-align:justify;">A primeira concentração foi no campus, onde a rapeize organizou e foi pro centro.</p>
<p style="text-align:justify;">Aqui, manos, reitero– isso não foi um movimento das multidões. Foi de um seleto grupo. Enquanto andávamos rumo à passeata, ouvíamos desde “isso aí! Vão lá e destruam tudo mesmo!” de pessoas que eram “““super politizadas””” mas não se davam ao trabalho de ir até a passeata, até “tomara que esses vagabundos tomem muito tiro de borracha na cara”.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" alt="" src="https://i0.wp.com/imguol.com/blogs/92/files/2013/06/blog-teatro-municipal.png" width="511" height="327" /></p>
<p style="text-align:justify;">O clima de apreensão e hostilidade, o vento que batia forte, o cheiro de mijo, as canções que o grupinho de ativistas sequelados da faculdade tentavam puxar, tudo compactuava para eu ter ainda mais certeza de que estávamos fazendo a porra da história ali.</p>
<p style="text-align:justify;">Chegamos no IFCS e foi como se, novamente, chegássemos em um mundo paralelo, mas, nesse novo mundo, as pessoas não cochichavam mais, e sim gritavam em megafones, pulavam, balançavam bandeiras, se pintavam, entoavam ritos e marchas, convidavam transeuntes e escreviam cartazes.</p>
<p style="text-align:justify;">Garanto que não tinha menos de 10 mil pessoas ali, naquela concentração única da UFRJ. Entrei no facebook pelo celular e vi que o diretor da Faculdade de Direito da UFRJ tinha liberado o prédio pras pessoas se protegerem em caso de rolar alguma merda com a PM. Os consulados de outros países também eram fortalezas inabaláveis. Os professores de todos os períodos liberavam os alunos das aulas. Os estudantes de jornalismo estavam com suas câmeras pra tentar fazer um registro decente que a mídia não se preocupou em fazer até então, os de medicina se organizaram pra atender a qualquer pessoas que tenha se metido em algum acidente, e os de engenharia tavam fazendo alguma babaquice, por que é só isso que eles fazem mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">E aí eu entendi por que a UFRJ é tão imprescindível pra qualquer movimento estudantil que se preze, ainda mais em tempos de UNE massageando as bolas do governo e das demais organizações estudantis mais interessadas em ideologias partidárias retardadas do que no bem do povo.</p>
<p style="text-align:justify;">Os estudantes se encontraram com o resto da passeata e aí é tudo o que vocês já sabem. Foi lindo. Quase chorei várias vezes, e olha que, nos últimos dez anos, só chorei pontualmente duas vezes – na formatura e no término do namoro. Era uma parada transcendental. Um apaixonado por história, pelo movimento estudantil, pela oposição à ditadura, que há anos tentava mudar a mentalidade de pequenos grupos, que, de repente, se via em meio a 100 mil BRASILEIROS gritando “da copa eu abro mão, eu quero é saúde e educação”.</p>
<p style="text-align:justify;">Nelson Rodrigues, se ainda vivo, precisaria recorrer ao Imponderável de Almeida na tentativa de descrevê-la. Era imponderável, inefável, indescritível.</p>
<p><img class="aligncenter" style="border:0;" alt="" src="https://i0.wp.com/veja2.abrilm.com.br/assets/images/2013/6/155170/biermann-20130617-197-size-598.jpg" width="537" height="302" /></p>
<div>
<p style="text-align:justify;">Todos gritavam “quem concorda, pisca” e os prédios da Rio Branco começavam a piscar por meio dos apartamentos, que tinham as luzes acesas e apagadas seguidamente. Do alto dos prédios jogava-se papel picado, que voava e vislumbrava do alto todo o mar de pessoas. Quando gritava-se “quem não pula quer aumento”, o chão tremia pelo impacto de 100 mil pessoas pulando fervorosas em uma única avenida. E as vozes que estouravam quando alguém puxava “Ei, Cabral, vai tomar no cu!”? Essas aí eram de arrepiar os pelinhos da xurréia.</p>
<p style="text-align:justify;">Too bad sempre ter um babaca pra fazer merda. Assim que passei pela ALERJ, já indo embora, vi uns retardados arrumando briga com a polícia. Jogavam fogos na direção dela, chamavam pra briga, gritavam, xingavam. Segui meu caminho até o ponto de ônibus e, em menos de 5 minutos, consegui ouvir os tiros. Mais tarde chegaria em casa e ficaria sabendo de toda a merda na qual estaria envolvido se me atrasasse 5 minutos.</p>
<p style="text-align:justify;">Amanhã tem outra e eu estarei lá. Pode dar merda, posso apanhar, tomar tiro, posso não estar aqui pra descrevê-la. Mas vale a pena.</p>
<p style="text-align:justify;">No dia seguinte, terça feira, tive que acordar 5 horas da manhã pra dar uma aula de literatura em Ipanema. Assisti o nascer do sol dentro de um ônibus, em frente à praia, e pensei com meus botões: caralho, como tem sido foda estar vivo.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" alt="" src="https://nerdcalculista.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/06/a6819-oglobo.jpg?w=538&#038;h=960" width="538" height="960" /></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			<media:title type="html">Almeida - Nerd</media:title>
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		<title>BAAAAM! Isso mesmo!! Um texto novo!!!!!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 May 2013 00:33:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Olá, amiguinhos. Como vão os senhores? Ontem eu tive um dia daqueles que só eu tenho. Mas comecemos pelo começo. No terceiro ano, eu estudei português feito um corno. Aliás, acredito que um corno tenha estudado menos português do que eu. Eu fazia tantas questões de português que eu decorei os exemplos até hoje. Posso [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Olá, amiguinhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Como vão os senhores?</p>
<p style="text-align:justify;">Ontem eu tive um dia daqueles que só eu tenho.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas comecemos pelo começo.</p>
<p style="text-align:justify;">No terceiro ano, eu estudei português feito um corno. Aliás, acredito que um corno tenha estudado menos português do que eu. Eu fazia tantas questões de português que eu decorei os exemplos até hoje. Posso citar Soneto de Fidelidade a qualquer instante, da mesma forma que posso citar um exemplo de oração subordinada substantiva subjetiva envolvendo a Joelma.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse estudo era visando a prova da ufrj, que sempre foi o meu objetivo. A questão é que, pouquíssimos meses antes da ufrj, após mais uma reunião da cúpula internacional de pessoas que gostam de foder o Almeida, decidiu-se que a ufrj aderiria ao enem e não haveria essa prova.</p>
<p style="text-align:justify;">Como qualquer analfabeto sabe – principalmente os analfabetos, aliás -, o enem cobra tanto português quanto astrofísica. Todo o meu árduo estudo me foi tão útil quanto lavar a calçada com baldes d’água – sério, por que vocês fazem isso, caras?</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-3028"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Três anos depois, arrumei uma utilidade pra todo aquele conhecimento portuguêsístico adquirido em tanto tempo de estudo: virei monitor de português! Isso mesmo! Sou pago para corrigir redações de adolescentes espinhentos, substituir professores e ajudar adolescentes à beira da repetência a passar de ano.</p>
<p style="text-align:justify;">Por que eu estou contando isso? Além de atentar ao fato de que todos os caras mais ricos do Brasil começaram trabalhando com coisas que absolutamente não dão dinheiro algum – Eike Batista vendia seguro de porta em porta, Silvio Santos era feirante, Roberto Marinho&#8230; não, esse aí sempre foi endinheirado mesmo -, o que obviamente corrobora minha tese de que serei milionário em questão de tempo, é por essa razão que muito da fodelança do fatídico dia de ontem se deu.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui dormir 4:00 na madrugada de domingo-segunda (sou desses que especifica os dias) corrigindo redações que deveriam ser entregues na manhã de segunda.</p>
<p style="text-align:justify;">Eis que, ao acordar, procuro por meu celular e não o encontro. O dia já é bem claro e saio à procura do meu celular. O encontro com minha mãe, que brincava com a besta fera no sofá enquanto meu celular estava na cabeceira. Olhei a hora – CARALHOS VOADORES PELUDOS E VENOSOS, SÃO DUAS HORAS DA TARDE???</p>
<p style="text-align:justify;">Amigos, eu deveria entregar uma caralhada de redações corrigidas de manhã, e deveria estar na faculdade às 13:00 para fazer um trabalho de Linguagem Gráfica. Eram 14:00 e eu ainda tava todo enremelado e com a cara inchada. Exigi explicações da senhora minha mãe, e eis que então ela demonstra toda a sua maestria na arte do pensamento, com explicações e silogismos tão profundos que nem mesmo Aristóteles acompanharia.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem, naquela manhã, tinha chovido. Com a chuva, faltou luz. Como faltou luz, o elevador estava sem funcionar. Conclusão: estávamos presos em casa até que a luz voltasse.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha mãe simplesmente tinha esquecido do singelo detalhe que são as ESCADAS.</p>
<p style="text-align:justify;">E não termina por aí o raciocínio cognitivo avançadíssimo da moça.</p>
<p style="text-align:justify;">“Bem, faltou luz. Estamos sem telefone. Não quero gastar o crédito do meu celular. Vou usar o do Guilherme.</p>
<p style="text-align:justify;">Opa, o despertador dele ta tocando.</p>
<p style="text-align:justify;">Ah, foda-se.”</p>
<p style="text-align:justify;">Eis que então eu acordo com aproximadamente seis horas de atraso graças à senhora minha genitora.</p>
<p style="text-align:justify;">Nunca nesse mundo, amigos, eu disse NUNCA, alguém se vestiu tão rápido. Em coisa de 5 minutos eu estava vestido e percorrendo fervorosamente os quilômetros que distam minha casa da unidade do colégio em que eu deveria entregar as redações. Eu podia ouvir Bon Jovi ecoando ao meu redor com uuuuh she’s a little runnaway e as pessoas ao meu redor reencenavam essa cena aqui:</p>
<iframe class="youtube-player" width="420" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/whytAReStUQ?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe>
<p style="text-align:justify;">Consegui chegar na unidade e entregar as redações a tempo. O problema é que já eram 15:00 e minha aula acabava 15:30. Precisava fazer o trajeto que costuma durar uma hora e meia em apenas meia hora. Sabia que estava fodido. O tempo, ah, o tempo urgia.</p>
<p>Corri ao ponto de ônibus e esperei o maldito do ônibus passar. Novamente, aquela tônica de o ônibus sempre, SEMPRE, passar por mim 10 segundos antes de eu chegar no ponto, de forma que eu o vejo passando e já começo a aceitar mentalmente que ficarei uns 40 minutos esperando.</p>
<p>Chutei o pau da barraca de liguei o foda-se. Peguei um busão que dá a volta ao mundo, saquei meu kindle – que coisa linda é esse tal de kindle, ein? – e aproveitei a viagem pelo ridijanêro.</p>
<p>A viagem transcorreu normalmente, até que, já em Botafogo, olho pela janela e BAM!!!</p>
<p>BAAAAAAAAAAAAAM!!</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" alt="" src="https://i0.wp.com/sp9.fotolog.com/photo/41/26/126/maaa_ziotti/1224080541537_f.jpg" width="450" height="300" /></p>
<p>EIS QUEM ESTAVA ANDANDO NA RUA!</p>
<p style="text-align:justify;">O vocalista de uma das melhores bandas que a face desta Terra conhece – Danilo Cutrim, do Forfun.</p>
<p style="text-align:justify;">Os instantes que se seguiram foram daqueles em que, na sua cabeça, uma enxurrada de pensamento estupram seu cérebro tal qual um gangband de negros estuprando a Rita Cadilac nos tempos áureos de sua bunda, mas, na realidade, se passam apenas alguns poucos segundos.</p>
<p style="text-align:justify;">Cogito tudo o que preciso fazer – ir pra faculdade, procurar a professora, me informar do trabalho, assistir às outras aulas, etc. Chego à conclusão de que o melhor a se fazer é ignorar o Danilo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ah, foda-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Pulei do ônibus e novamente começa a tocar uuuuh she’s a little runununununnawaaaay enquanto eu corro para o lugar onde avistara o cara.</p>
<p style="text-align:justify;">Eis que, pra minha decepção, chego lá e o cara SUMIU. ESCAFEDEU-SE. DESINTEGROU-SE.</p>
<p style="text-align:justify;">Procuro esperançoso ao redor do lugar, mas foi tudo em vão.</p>
<p style="text-align:justify;">Chego na faculdade cabisbaixo só pra descobrir que também lá havia faltado luz e tivemos aula no escuro e sem ar condicionado.</p>
<p style="text-align:justify;">Ah, vida. Ah, ufrj.</p>
<p style="text-align:justify;">Vocês são uma enxurrada de negões me chamando de Cadilac.</p>
]]></content:encoded>
					
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			<media:title type="html">Almeida - Nerd</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Treta no Busão</title>
		<link>https://nerdcalculista.wordpress.com/2013/03/24/treta-no-busao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Mar 2013 04:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos últimos três dias eu desbravei as fronteiras geográficas do Rio de Janeiro e fui diversas vezes para a Barra da Tijuca – que, para os desavisados, é, na falta da uma palavra melhor, um lugar horroroso. Mas, por algum motivo, o destino me fez ter grandes amizades lá e vez ou outra algum evento [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Nos últimos três dias eu desbravei as fronteiras geográficas do Rio de Janeiro e fui diversas vezes para a Barra da Tijuca – que, para os desavisados, é, na falta da uma palavra melhor, um lugar horroroso. Mas, por algum motivo, o destino me fez ter grandes amizades lá e vez ou outra algum evento ocorre (como o musical em que fui hoje).</p>
<p style="text-align:justify;">A ida para lá é um martírio. O ônibus é cheio, é quente, as pessoas são feias, os lugares são ruins e engarrafados, e ele ainda fica se metendo em um monte de ruazinha até que BUM, tal qual uma ejaculação precoce no dia em que a excitação foi mais alta que o bom senso e vocês não usaram camisinha, o ônibus chega à barra. Eu sempre vou com meu livrinho, minha musiquinha e mal percebo a viagem, mas acredito que para pessoas não-tão-autistas seja um sacrifício.</p>
<p style="text-align:justify;">A volta, por outro lado, costuma ser mais fácil. Volto de noite, quase sem ninguém no ônibus, sem trânsito e a escuridão me impede de ver os transeuntes horrorosos da Freguesia. Ah, a Freguesia. Um rápido adendo sobre a Freguesia – que lugar lindo e charmoso é aquele, amigos. Anteontem o ônibus teve que parar no meio da rua pois um PORCO e um CAVALO estavam atravessando a rua. E foi lá também que entrou a moça que protagonizará a história que se segue.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-3023"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Era noite de um sábado e eu estava voltando de uma peça que tinha ido assistir na Barra. Logo atrás de mim tinha um boiolinha, daqueles gays bregas que se agregam a coisas que “todo gay gosta” apenas pra mostrar que está na moda. Digo isso não só pelo jeito nojentamente abichalhado dele falar, mas por ele dizer que a última atuação da lady gaga foi um ab-sur-do (mesmo que ele não tenha gostado da peruca, por que a cor não combinava com ela), e que ele chorou por horas com o término do My Chemical Romance (que, quando perguntado “ué, e você gosta deles?”, ele respondeu “só conheço uma música, mas gosto muito dela”).</p>
<p style="text-align:justify;">Ia seguindo viagem ouvindo as escatologias verbais que o rapaz soltava atrás de mim, quando, de repente, começa. “Deixa fechada, por favor” uma moça disse já com a voz exaltada. “Não, minha filha, vai ficar aberta”, respondeu uma outra voz de mulher. “Aberta é o caralho, que coisa!”, a primeira voz. Ao som daquele sonoro e bonito “caralho”, todo o ônibus se virou para observar o conflito que emergia.</p>
<p style="text-align:justify;">Acontece que uma loira estava embaixo da janela e, como estava chovendo, mantê-la aberta a molhava. A velha, sentada na cadeira de trás, se achava no direito de manter sua janela fechada, abrir a janela da frente e molhar a loira e foda-se. A velha tava evidentemente errada, mas quem é que liga pros fatos aqui, né?</p>
<p style="text-align:justify;">Depois do “vai ficar aberta” e “não vai não”, a velha, não bastando já estar errada, ainda xinga a loira de piranha. MEUS AMIGOS. Aquele “piranha” foi mais sonoro que uma enxurrada de caralhos gritados dentro de uma igreja no horário da catequese das crianças com um megafone.</p>
<p style="text-align:justify;">E a loira percebeu isso. A mulher levantou na mesma hora, meteu o dedo na cara da velha e começaram a discutir. “Piranha” tinha virado ofensa de uma discussão entre crianças com síndrome de down perto do palavreado que as duas tavam usando. “Você me desrespeitou mimimi” dizia a loira, com os peitos saltando pra fora daquele decote gigantesco que não a desrespeitava nem um pouquinho, enquanto a velha respondia “MIMIMI SUA PIRANHA MIMIMI”.</p>
<p style="text-align:justify;">Até então todo o ônibus observava atônito. Sempre que rola essas discussões tem um babaquinha pra separar, o que é uma merda. Torço invariavelmente para as brigas ficarem o mais feias possíveis, com sangue e cadáveres, se possível. Desta vez, ninguém separava ou tentava argumentar qualquer coisa perante a velha e a loira, que continuavam se xingando e se ofendendo como se se odiassem há 18 anos.</p>
<p style="text-align:justify;">E então o ápice – a loira fecha o punho, pede ajuda à sua constelação do zodíaco e voa UMA SÉRIE DE SOCOS na cara da velha. Sim, amigos, eu presenciei uma loira SOCANDO uma velha por causa de uma janela. A velha permaneceu sentada, reclamando e xingando a loira, que a essa altura já praticamente tava em cima do banco, lançando uma série ininterrupta de meteoros de pégasus no rosto da coroa.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" src="https://i0.wp.com/images6.fanpop.com/image/photos/32500000/Hyoga-saint-seiya-omega-32566111-1280-720.jpg" alt="" width="484" height="272" /></p>
<p style="text-align:center;">PIRANHA U SAID/</p>
<p style="text-align:justify;">Nessa hora o ônibus transformou-se em um estádio e todo mundo tomou partido e começou a torcer para uma – eu, pessoalmente, tava torcendo pela loira por que a velha era muito folgada e eu não gosto de velhos em ônibus justamente por serem muito folgados. Sem contar que a loira era um espetáculo (mesmo sendo da Freguesia, blerg).</p>
<p style="text-align:justify;">MAS É LÓGICO que diversão de pobre dura pouco. E aquele cara sentado no fundo do ônibus com um abada do chiclete com banana não podia se contentar em apenas ter um gosto musical pavoroso, ainda tinha que  apartar a briga. O bom – e é por isso que essa história é tão boa, quando você acha que acabou, ainda tem mais – é que, na tentativa de apartar a briga, a loira começou a brigar com o cara do abada também!</p>
<p style="text-align:justify;">E eis que, a partir daí, todo o ônibus começava a torcer pela velha e pelo rapaz de abada, menos eu, que continua fielmente mandando boas vibrações para a loira e pros seus peitos que já estavam quase escapando daquele decote. E quando eu digo “todo mundo”, é sem exceções – o motorista tinha parado o ônibus e tava observando a briga minuciosamente, vez ou outra vociferando alguma coisa que ficava abafada pelos xingamentos e pelas Olas que eu tentava puxar com a galera.</p>
<p style="text-align:justify;">/o/ o o/</p>
<p style="text-align:justify;">O boiolinha atrás de mim, aliás, tava toda emperequetada com a situação e já ficava falando “ai, amiga, se fosse comigo eu ia fazer isso e aquilo e ia dar uns tapas nessa menina, jogava ela no chão e quero ver quem ia me parar”.</p>
<p style="text-align:justify;">E é aí que você percebe que o ser humano é uma criatura filha da puta mesmo – uma morena levanta do meio da muvuca com o celular pro alto e fala “Ô MINHA SENHORA, já liguei pra delegacia, no próximo ponto tem uma viatura esperando pra você levar esta loira pra delegacia”. Imagino que naquele rabo gigante da loira tenha ficado rígido com aquela informação. Assim que o motorista parou no ponto seguinte e abriu a porta de saída para os passageiros descerem, a loira PULOU PRA FORA DO ÔNIBUS e saiu correndo tal qual Usain Bolt em direção ao banheiro depois de uma feijoada – lembrando que estava caindo uma chuva daquelas que metade da favela vem abaixo.</p>
<p style="text-align:justify;">Tenho certeza que naquele pique que ela deu os peitinhos saíram do decote, mas não pude observar com maior precisão de detalhes.</p>
<p style="text-align:justify;">Três pontos à frente, era minha vez de sair do ônibus e, quando me dirigia à porta, um menino me parou, apontou pra minha camisa (que era da Fresno) e disse: Fresno é vida, melhor banda de todas.</p>
<p style="text-align:justify;">Preciso pegar esse ônibus mais vezes.</p>
]]></content:encoded>
					
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	</item>
		<item>
		<title>The Rise and Fall of Belinha</title>
		<link>https://nerdcalculista.wordpress.com/2013/03/13/the-rise-and-fall-of-belinha/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2013 04:43:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[Os maias eram uns troxas mesmo. Não bastando terem sido exterminados pelos espanhóis – pelo amor de deus, quem é que é exterminado pelos espanhóis? -, ainda erraram naquela história do fim do mundo. 2012 não foi o ano do fim do mundo: foi apenas o ano do começo do fim. E digo isso com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Os maias eram uns troxas mesmo. Não bastando terem sido exterminados pelos espanhóis – pelo amor de deus, quem é que é exterminado pelos espanhóis? -, ainda erraram naquela história do fim do mundo. 2012 não foi o ano do fim do mundo: foi apenas o ano do começo do fim. E digo isso com ciência, pois sou eu que acolho, alimento e dou um lar ao monstro que nos exterminará de tal maneira que nem Goku conseguirá evitar o óbito da humanidade.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/sphotos-h.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/20401_373913839362826_513728935_n.jpg" alt="" width="512" height="384" /> o cãoçador de almas</p>
<p>Te falar – eu não gosto de cães. Eles babam, correm, mijam, cagam e babam um pouco mais. Eles são tão interessantes quanto um idoso em coma com o intestino desregulado. Mas este cão, largando mão de táticas negras de hipnose e fofura angariou um certo carinho e afeto deste que vos escreve tão imparcialmente.</p>
<p><span id="more-3019"></span></p>
<p style="text-align:justify;">O que pega é que, em decorrência do total desleixo que eu sempre tive com essas criaturas, nunca tive a menor ideia do que era conviver com um além de limpar merda e mijo. E, te falar, começo a crer que preferia continuar assim. Vejamos, basicamente, o que meu  cão faz:</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>1 – Caga e mija</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Nesse ponto eu estava certo. Meu deus do céu, a criatura solta mais merda pela bunda do que eu consigo soltar em palavras num texto falando sobre química. A besta fera tem sua casinha e banheiro na varanda, mas, por algum motivo, ela decide só soltar os bagulhos pra fora quando entra em casa. E não é no chão, ou no corredor – é no tapete. E naquele tapete bem peludo, praquelas bolotas de puro prazer sexual grudar e dar bastante trabalho. Não bastando a defecação sólida, a criatura ainda mira de mijar nos locais mais ALGUÉM VAI PISAR AQUI E NÃO VAI PERCEBER.</p>
<p style="text-align:justify;">Cês sabem o que é pisar no mijo e só perceber depois que metade do cômodo ta com pegadas amarelas? Ou melhor – pisar no mijo e NÃO PERCEBER até que alguém fale CARALHO, GUILHERME, TU SUJOU A CASA INTEIRA.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/sphotos-f.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/20129_394763423944534_1984137850_n.jpg" alt="" width="512" height="384" /> “então foi você que pisou no meu mijo?”</p>
<p><strong>2 – Lambe</strong></p>
<p style="text-align:justify;">De onde sai tanta saliva? Sério, de. Onde. Sai. Tanta. Saliva. A criatura lambe o chão, lambe os pés, lambe a si mesma, lambe até a própria merda. Ela tem medo de insetos vivos, mas não hesita em lamber os insetos mortos. Meus pais, inclusive, aderiram à técnica de JOGAR O CÃO NA MINHA CABEÇA quando eles querem que eu acorde – a criatura vai me lamber tanto que eu terei que levantar direto pro chuveiro.</p>
<p style="text-align:justify;">A monstra lambe tanto, mas tanto, que eu preciso estar o tempo inteiro sentado com os pés apoiados em algum lugar bem alto, se não ela lamberá minha perna até os pelinhos grudarem e eu ter que tomar outro banho. E, como os senhores bem sabem, tomar banho é uma atividade de alta periculosidade e que não deve ser efetuada com tanta frequência assim.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" src="https://i0.wp.com/sphotos-b.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/59782_411809475573262_2004397379_n.jpg" alt="" width="461" height="346" /> o cérberus aderindo à causa da Revolta Armada junto com o Majin Boo (evidentemente, já estabelecendo contatos para o colapso mundial)</p>
<p><strong>3 – Chulé</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Não, meu cachorro não tem chulé. Pelo contrário – é o bicho mais cheiroso que estas terras tupiniquins já viram. Cacete, que cão cheiroso. Sério mesmo, é mais cheiroso que minhas ex namoradas. Dá vontade de cheirar o dia inteiro. O que é paradoxal, uma vez que o divertimento favorito do monstro é lamber e cheirar meias sujas e tênis recém usados. Meias limpas não tem graça. Tem que ser suja. E, quanto mais fedida, maior o tempo e a intensidade da diversão.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sei se isso é uma mania de todos os cãos, mas, cacete, isso é muito estranho. Voltei de um futebolzin com os amigos e a criatura CAGOU dentro do meu tênis de TANTA alegria em sentir o odor da masculinidade que se esvai de meus pézinhos.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" src="https://i0.wp.com/sphotos-g.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/13881_419689561451920_622812207_n.jpg" alt="" width="461" height="346" /> Besta assassina em êxtase depois de umas cafungadas</p>
<p style="text-align:justify;">E o pior de tudo, senhores, é que esse diabo desse cão é um amor. Cacete, que criatura adorável. O dia em que minha mãe a levou no pet shop para tosar, o bicho ficou o dia inteiro triste, e eu fiquei igual a uma criança com atraso mental tentando alegrá-la. Imaginem como o coração não ficou partido quando bateu uma chuvarada com trovões e ela ficou apavorada?</p>
<p style="text-align:justify;">Cacete, não poderei jamais ter um filho. Vai que eu começo a&#8230; ó céus, gostar de crianças?</p>
<p style="text-align:justify;">Espero que eu seja poupado da matança que ela executará quando tiver mais de 10cm.</p>
<p style="text-align:justify;">(Caralho, eu realmente desaprendi a escrever nessa porra desse blog, ein?)</p>
]]></content:encoded>
					
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			<media:title type="html">Almeida - Nerd</media:title>
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	</item>
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		<title>Quem é teu Deus?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 00:13:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia barata]]></category>
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					<description><![CDATA[(Não é um texto de religião, amigo. Calma.) (((INAUGURANDO a sessão Filosofia Barata, que outrora era minha coluninha no site NSN:Br, mas que agora postarei aqui também. São textos mais sérios e reflexivos sobre coisas que a gente pensa quando percebe o quão idiota é tudo o que a gente pensa no resto do tempo.))) [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">(Não é um texto de religião, amigo. Calma.)</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="text-decoration:underline;">(((INAUGURANDO a sessão Filosofia Barata, que outrora era minha coluninha no site NSN:Br, mas que agora postarei aqui também. São textos mais sérios e reflexivos sobre coisas que a gente pensa quando percebe o quão idiota é tudo o que a gente pensa no resto do tempo.)))</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;">Começo o texto fazendo essa pergunta não só aos religiosos – pessoas que seguem qualquer religião -, mas aos ateus também. A tua estranheza sobre essa pergunta é justamente o assunto desse texto.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu sou adepto de uma teoria (que formulei depois de ler alguns textos de Nietzsche e de Freud) ((aliás, caralho, quão prepotente é um cara que lê trechinhos de Nietzsche por hobby querer formular uma teoria sobre a humanidade?)) que é basicamente assim: o ser humano é oco. Independente de nossa religião, precisamos creditar nossas alegrias, nossas esperanças, nossas expectativas, em alguma coisa. Somos impotentes para simplesmente acreditarmos em nós mesmos como perfeitos, então criamos imagens de perfeições que nos encham por dentro.</p>
<p style="text-align:justify;">Religiosos adotam a imagem de Deus como perfeita. E os que se dizem agnósticos e ateus? Todos criam, inclusive eles – é uma característica intrínseca do ser humano.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-3015"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Vou exemplificar comigo: eu sou agnóstico e tenho um sério problema com mulheres.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre que eu gosto muito de uma mina e ela me magoa, eu fico meses – até anos – pensando naquela menina como se ela fosse perfeita. Imagino-a sem defeitos, como se fosse minha parceira perfeita, alma gêmea, e o fato de não estarmos juntos seja um mero acaso do destino.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não sou o único, aliás. Caio Fernando Abreu tava no mesmo barco:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>“Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas(&#8230;)”.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">Tudo o que me instiga um mínimo de felicidade, eu associo à moça. Não é de se estranhar que, sempre que vou me envolver com alguma nova menina, começo a compará-la com a antiga.</p>
<p style="text-align:justify;">A projeção não é constante, ainda que seja duradoura – fiquei dois anos pensando em uma menina, me apaixonei por outra, esqueci a primeira e hoje projeto a segunda. No livro Quando Nietzsche Chorou, escrito por um dos mais renomados terapeutas da atualidade, um dos personagens passa pelo mesmo:</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8211; Você atribui ao seu amor algo que é a sua própria realização.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8211; O que quer dizer com isso?</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>&#8211; Que continua tão sozinho como antes, tão sozinho como cada pessoa está fadada a ser. O amor fabrica seu próprio ícone para, depois, ser protegido por ele. Talvez sejamos mais religiosos do que pensamos.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Ainda que soe estranho e errado, essa é uma situação que se repete com todos. Meninas de 13 anos ignoram a existência da religião e projetam seus sonhos nos Jonas Brothers, depois no Justin Bieber, depois no One Direction. Homens associam a perfeição e a felicidade ao dinheiro, ao status, ao carro do ano. Idosos, a Deus – não por estarem mais próximos da morte e se preocuparem em ir pro inferno, como dizem alguns, mas por terem associado a felicidade a tantas coisas na vida e não tê-la obtido em nenhuma delas, então a associa em algo inalcançável para não morrer na decepção.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa eterna necessidade de encher-se de algum sentimento de felicidade é um dos egoísmos mais primitivos e escrachados de nossa personalidade, e é por isso que tentamos tanto maquiá-la ou escondê-la (inconscientemente até), alegando apenas que “ouvimos um artista por que gostamos”, ou que “sentimos falta de uma pessoa por que ela era especial”, e nunca que “fazer isso me tira um pouco da angústia de não saber o que eu quero”. O egoísmo é tamanho que nos envergonha.</p>
<p style="text-align:justify;">Schopenhauer diria que a única forma de nos livrarmos desse vazio seria encontrar o afago em nosso próprio âmago. Parar de depender de amizades, de idealizações, de imagens &#8211; dependermos apenas de nós mesmos e daquilo que nossa mente pode nos oferecer.</p>
<p style="text-align:justify;">Não me estranha ele ter morrido sozinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas e você? Qual o teu Deus?</p>
]]></content:encoded>
					
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			<media:title type="html">Almeida - Nerd</media:title>
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		<title>Descobri como dominar o mundo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Feb 2013 18:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[No início de 2012, logo após assistir a um vídeo desses toscos de autoajuda no youtube, decidi fazer um &#8220;quadro dos desejos&#8221;. A parada consistia estritamente no que era o nome &#8211; você pegava um quadro e escrevia ali todas as coisas que você desejava. O vídeo era uns 20 minutos de um cara com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">No início de 2012, logo após assistir a um vídeo desses toscos de autoajuda no youtube, decidi fazer um &#8220;quadro dos desejos&#8221;. A parada consistia estritamente no que era o nome &#8211; você pegava um quadro e escrevia ali todas as coisas que você desejava. O vídeo era uns 20 minutos de um cara com as sobrancelhas estranhamente grandes dando explicações sobre o nosso cérebro ter um dispositivo que atrai aquilo que desejamos assim que definimos o desejo. A partir do momento em que definíssemos uma coisa que queríamos, o cérebro se encarregaria de, mesmo inconsciente, lutar por aquilo.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu tava tão desesperado por qualquer ajuda que fosse pra passar no vestibular, que até isso serviu de apoio. Apostei na parada.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma vez que seguir a dica de um vídeo de autoajuda era demasiado vexaminoso, preferi manter a empreitada só pra mim. Ao invés de um quadro, que seria visto por todos que entrassem no meu quarto, fiz uma imagem no paint. Pra ~balancear a miticidade~ do quadro, ao invés de apenas escrever o nome das coisas, coloquei imagens.</p>
<p style="text-align:justify;">E, um ano depois, vejam que bacana dos caralhos: consegui tudo o que estava no quadro!</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-3009"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Pra testar a funcionalidade da parada, coloquei algo bem simples e fácil &#8211; o casaco da Crux. Vá, não era algo tão difícil de se conseguir, mas eu realmente queria. E eis que não muito tempo depois, minha mãe comentou que eu tava precisando de uns casacos novos e, não mais que um mês depois de ter feito o quadro, tam dam:</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/oi46.tinypic.com/xmo0aa.jpg" alt="" width="419" height="543" /></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Ora bolas, mas mamãe sempre está me oferecendo roupas novas, principalmente quando eu uso tanto umas que elas começam a feder mesmo depois de serem lavadas &#8211; o que é um processo biologicamente curioso, aliás -, como era o caso do meu casaco antes desse.</p>
<p style="text-align:justify;">Decidi aumentar o nível de picorosidade da parada. Coloquei a foto de uma mina gatíssima que tinha visto no curso. Ainda não tinha trocado uma palavra sequer com a moça, mas a achava a mina mais bonita desta grande bola azul a qual chamamos de Terra. Era o teste principal da macumba.</p>
<p style="text-align:justify;">E eis que, poucos dias depois, um amigo nosso em comum nos apresenta e começamos a conversar. Um mês depois, <a href="http://nerdcalculista.com/?p=2824" target="_blank">já lhes foi relatado o que aconteceu</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">(Dissertando isso agora, devo admitir que soa meio doentio colocar a foto de uma mina em um quadro de desejo. É, de um jeito meio torto, como ligar para aqueles números de Trago a Pessoa Amada, ainda que a pessoa não fosse amada e eu não tenha ligado pra ninguém. MAZPELOMENO funcionou.)</p>
<p style="text-align:justify;">O importante é que eu tinha acabado de descobrir o chamariz de cocotas e de coisas boas pra vida. Foda-se meus desejos e ambições, apenas os colocaria ali no quadrinho e esperaria o destino agir.</p>
<p style="text-align:justify;">Resolvi, então, apostar alto &#8211; coloquei a foto da UERJ e da UFRJ no bagulho.</p>
<p style="text-align:justify;">Não precisava nem estudar mais. O universo se encarregaria de, pela primeira vez na vida, trabalhar a meu favor e colocar todos os astros no lugar correto para que eu obtivesse êxito no ingresso à faculdade. No fim do ano:</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" src="https://i0.wp.com/sphotos-h.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/541812_133158226846469_1208275657_n.jpg" alt="" width="518" height="278" /></p>
<p style="text-align:center;">Também passei pra UERJ, mas nem cheguei a tirar foto pois, por algum motivo que jamais entenderei, TODO MUNDO passou pra UERJ. Até as pessoas mais estúpidas que perigavam reprovar na prova de bolsa da Estácio conseguiram.</p>
<p style="text-align:justify;">Fechem os cursinhos. Fechem os sites de relacionamentos. Fechem os shoppings. Eu acabo de descobrir como dominar o mundo de um jeito muito mais fácil do que o de Freeza &#8211; que, se soubesse desse quadro, decerto não teria arrumado tanta briga com o Goku.</p>
<p style="text-align:justify;">Até que ponto o quadro me ajudou e até que ponto foi tudo decorrente do meu esforço, eu não sei. Só sei que tudo deu certo. Tentei fazer um pra 2013, mas não consigo pensar em mais nada que eu queira. Não stalkeio nenhuma moça, já passei pra faculdade, estou com bastante dinheiro guardado. Vou esperar começar a faculdade pra ver se coloco alguma coisa nele.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois cês me agradecem por ter facilitado sua vida em aproximadamente 100%.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>P.S.: </strong>Acho que as férias e o decorrente ócio profundo estão afetando minha capacidade de escrever. Tudo me soa escrito por uma criança de 13 anos. Sem contar que esse texto, mesmo depois de muito esforço, tá minúsculo. Eu ein.</p>
]]></content:encoded>
					
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	</item>
		<item>
		<title>Resenhas: &#8220;Quando Nietzsche Chorou&#8221; e &#8220;A Cura de Schopenhauer&#8221;</title>
		<link>https://nerdcalculista.wordpress.com/2013/01/29/resenhas-quando-nietzsche-chorou-e-a-cura-de-schopenhauer/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jan 2013 01:36:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
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					<description><![CDATA[Eaí, rapaziada, coméquicêstão? Espero que estejam todos bem, se alimentando bem, cheios de saúde, fortes como o Marcello do BBB, fodendo como porcos no cio e ganhando dinheiro como o Eike Batista antes de, bem, começar a perder dinheiro pra caralho. Eu to de férias. E o período sabático, tal como todos os anos, tem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Eaí, rapaziada, coméquicêstão? Espero que estejam todos bem, se alimentando bem, cheios de saúde, fortes como o Marcello do BBB, fodendo como porcos no cio e ganhando dinheiro como o Eike Batista antes de, bem, começar a perder dinheiro pra caralho.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu to de férias. E o período sabático, tal como todos os anos, tem sido marcado por algumas atividades primordiais – dormir, comer, ler, ver filmes e jogar. Uma vez que eu, aparentemente, já esgotei toda a cota de filmes assistíveis da face da Terra, já acabei com a maior parte da dispensa de casa e meu cérebro está prestes a explodir de tantas horas dormindo, me vejo devorando livros com um apetite nunca antes visto e jogando League of Legends como se minha vida dependesse disso (ou como se eu não tivesse vida, o que é mais provável).</p>
<p style="text-align:justify;">Quanto ao League of Legends, a única coisa que tenho a dizer é: joguem. Não tenho mais nada a dizer. Apenas um aviso – esteja ciente de que será o fim da sua vida. Eu nunca usei crack, mas posso dizer com uma certa firmeza que LoL vicia muito mais que as pedrinhas. Você pode considerar essa minha constatação infundada, mas, veja bem, não é preciso usar crack para constatar coisas sobre ele, tal como não é preciso pular do décimo quinto andar de um prédio pra constatar que você morreria vergonhosamente ao chegar no chão.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-2996"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Quanto aos livros, por outro lado, tenho muito a dizer. Como avisei no tuinter, esse ano pretendo levar a sério a sessão de resenhas, tanto de filmes quanto de livros. Nunca levei a sério por sempre notar que os senhores, amiguinhos leitores, tinham um tanto quanto descaso com elas. Nunca comentavam, nunca compartilhavam, me davam até a impressão de não lerem. Mas, veja bem, meu último texto teve dois – DOIS – comentários, de forma a ficar evidente que agora os senhores tem descaso com todos os tipos de texto, independente do conteúdo deles.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" src="https://i0.wp.com/oi49.tinypic.com/x0zke9.jpg" alt="" width="200" height="199" /></p>
<p style="text-align:center;">#triste</p>
<p style="text-align:justify;">Fico tão triste quanto um hamster triste, mas aceito que meus textos já deixaram de agradar a maioria das pessoas. Agradá-los sempre foi um dos meus intuitos, mas nunca o único. Sempre escrevi por gostar e me sentir bem fazendo-o, e é por isso que seguirei tal qual um hamster que, mesmo cansado, continua correndo em sua rodinha, mesmo que não tenha motivo nenhum para fazê-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">Sei que ainda existem alguns leitores – inclusive, uma muito linda me enviou um presente lindíssimo que chegou há instantes – e vocês me dão um gás para continuar com nossa casinha calculista. As always, peço pra vocês mandarem os textos para seus amiguinhos e divulgarem em suas redes sociais, quem sabe, assim, um dia poderemos voltar a ser aquela casinha calculista badalada de outrora. Juro que aqui os extintores de incêndio estão na validade.</p>
<p style="text-align:justify;">Enfim.</p>
<p style="text-align:justify;">2012 foi um ano em que abri os olhos pra muitas coisas que antes me pareciam inexistentes. Por uma inexplicável coincidência do destino, de alguma forma que não me lembro, fiquei sabendo desses livros aí embaixo, os quais serviram para orquestrar meus pensamentos com seu alto teor filosófico e psicológico.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><img class="alignleft" style="border:0;" src="https://nerdcalculista.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/01/9702b-yalom.jpg?w=192&#038;h=288" alt="" width="192" height="288" />Título:</strong> Quando Nietzsche Chorou<br />
<strong>Autor:</strong> Irvin D. Yalom<br />
<strong>Editora:</strong> Ediouro<br />
<strong>Enredo:</strong> Friedrich Nietzsche, o maior filósofo da Europa. Josef Breuer, um dos pais da psicanálise. Um jovem médico interno de hospital chamado Sigmund Freud &#8211; esses elementos se combinam para criar a saga de um relacionamento imaginário entre um extraordinário paciente e um terapeuta talentoso. Na abertura deste romance, a inatingível Lou Salomé roga a Breuer que ajude a tratar o desespero suicida de Nietzsche mediante sua experimental terapia através da conversa. Assim, dois homens brilhantes e enigmáticos mergulham nas profundezas de suas próprias obsessões.</p>
<p><strong>O que achei: </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Puta que pariu, eu ainda tava na página 50 e já bradava por aí que esse era o meu mais novo livro favorito. Caralhos que me fodam, o autor é épico demais. Se tem uma coisa que eu valorizo na literatura, é personagens com alguma profundidade. Talvez por isso goste tanto de Machado de Assis – poucos autores vão tão a fundo na criação da personalidade e dos pensamentos do personagem. O que pensar, então, de um livro escrito por um psicólogo? E mais – um livro escrito por um psicólogo no qual o personagem principal foi um filósofo que deixou para a humanidade livros em que dissertava seus mais profundos e inócuos pensamentos. E ainda mais – um livro em que esse filósofo conversa com um homem que tenta construir os alicerces da psicanálise.</p>
<p style="text-align:justify;">Os personagens, mesmo fictícios, são muito mais profundos do que todo mundo que frequenta micareta e usa o abada no shopping. Já fiz com que dois amigos lessem e parece uma regra – todo leitor se identifica, ou com um, ou com outro personagem. Inevitavelmente rolará uma identificação com algum personagem, você passará a torcer por ele como um torcedor apaixonado torce por seu time, e, à medida que eles se aprofundam em seus pensamentos e sentimentos, você se aprofunda com eles.</p>
<p style="text-align:center;"><iframe class="youtube-player" width="350" height="263" src="https://www.youtube.com/embed/qGTGOpjcwsk?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></p>
<p style="text-align:center;">Tem um filme, mas, como era de se esperar, o filme é um vexame quando comparado ao livro. Não significa que seja ruim &#8211; o livro é que é épico demais apenas.</p>
<p style="text-align:justify;">Não é um daqueles livros que se pode ler antes de dormir, por simplesmente tirar o sono. É fomentador e entusiasmante. Não tira o sono por te deixar com medo ou assustado, mas por te dar tantas coisas a pensar, que o sono fica subjulgado.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda que o tema pareça complicado – cacetes voadores, é filosofia e psicologia pura – o autor faz tudo parecer fácil e conhecido do leitor. Não é como uma aula ou uma palestra. O simples diálogo dos personagens é de um enriquecimento imensurável e tudo parece óbvio depois que é dito.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Vale a pena comprar?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Porra! Eu comprei por 15 reais em um sebo no centro da cidade. Aliás, não foi em qualquer lugar do centro da cidade – foi em frente ao prédio de História da UFRJ. Lugar perfeito, livro perfeito. Eu indicaria qualquer um a comprá-lo mesmo que, para isso, a pessoa precisasse ficar um dia inteiro sem comer.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Um excerto:</strong></p>
<blockquote><p>&#8211; Até onde consigo me lembrar, tenho me assustado com os espaços vazios dentro de mim. Além disso, minha solidão não tem nada a ver com presença, ou ausência, de pessoas. Está me entendendo?</p>
<p>&#8211; Quem poderia compreendê-lo melhor? Às vezes, penso que sou o homem mais solitário que existe. Como no seu caso, não tem nada a ver com a presença dos outros; na verdade, odeio quem me rouba a solidão sem em troca oferecer verdadeiramente companhia.</p>
<p>&#8211; Como não oferecem companhia?</p>
<p>&#8211; Por não prezarem as coisas que prezo! Às vezes, enxergo tão profundamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo.</p></blockquote>
<p style="text-align:center;">*****</p>
<p><strong><img class="alignleft" style="border:0;" src="https://i0.wp.com/images01.olx.pt/ui/12/81/00/1342682552_416718100_1-Fotos-de--A-Cura-de-Schopenhauer.jpg" alt="" width="194" height="276" />Título:</strong> A Cura de Schopenhauer<br />
<strong>Autor:</strong> Irvin D. Yalom<br />
<strong>Editora:</strong> Ediouro<br />
<strong>Enredo:</strong> O diagnóstico de um câncer maligno força o renomado psiquiatra Julius Hertzfeld a fazer um balanço de sua vida e de seu trabalho. A depressão e a tristeza dá lugar à vontade em rever pacientes antigos e à pergunta: será que seu trabalho fez alguma diferença na vida dessas pessoas? Reencontra, então, seu maior fracasso, Philip, que conseguiu vencer suas dificuldades mentais se utilizando da filosofia de Schopenhauer. Com uma relação de dependência profissional, o embate filosófico e psicológico começa a tomar maiores proporções em um grupo de terapia frequentado por ambos.</p>
<p><strong>O que achei:</strong></p>
<p>Sabe quando você fica séculos cortejando uma moça, investindo toda a sua paciência no ato de arrumar assunto com ela e, no momento do ensejo, você vê que não rola nada além de uma simples pegação tântrica e de umas mãos sagazes aqui e ali? Não que você não tenha gostado de trocar germes salivares com a moça e ter voltado pra casa com um fiapo da calcinha dela preso na unha do seu indicador, mas apenas não foi tão bom quanto você imaginava.</p>
<p>É esse livro. Depois de ler Quando Nietzsche Chorou, imaginei que esse livro reconstruiria o cenário, mas, dessa vez, com Schopenhauer. Errei feio. O livro foca num grupo de terapia em que os dois personagens principais, tanto o psicanalista, quanto o professor de filosofia, participam.</p>
<p>Ainda que interessantes, os personagens são mal explorados, principalmente os secundários – os outros participantes do grupo – que foram mal desvendados e suas histórias ficaram mal inseridas no contexto geral da trama. É interessante pra cacete as conversas em torno dos excertos de Schopenhauer que são apresentados, as técnicas de terapia que o Julius usa perante o grupo também são boas e os capítulos de histórias paralelas, como os que contam fatos da vida de Schopenhauer ou os que contam sobre uma viagem de uma das participantes do grupo a um centro de meditação, são bem interessantes.</p>
<p>A pessoa que desejar lê-lo precisa ter em mente que não verá nenhuma grande história ou emoção – são várias pessoas sentadas conversando sobre sentimentos e descobrindo a si mesmos. Como Yalom é um gênio, acabamos conhecendo a nós mesmos também por nos identificarmos com alguns personagens.</p>
<p>O livro é muito bom, independente do fato de ter me decepcionado.</p>
<p><strong>Vale a pena comprar?</strong></p>
<p>Vale sim. Comprei por 18 reais em um site aleatório na Internet, li em uma semana e meia e não me arrependi nem um segundo.</p>
<p><strong>Um excerto:</strong></p>
<blockquote><p>Quando eu tinha trinta anos, estava cansado e aborrecido por ter de considerar iguais a mim pessoas que nada tinham a ver comigo. Como um gato que, quando pequeno, brinca com bolinhas de papel porque acha que são vivas e parecem com ele, assim me sinto em relação aos bípedes.</p></blockquote>
<p style="text-align:center;">[lomadeewpro category=&#8217;3482&#8242; keywords=&#8217;a cura de schopenhauer, quando nietzsche chorou&#8217; ]</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Comprem por esses links aí pra ajudarem o Almeidinha. Vocês serão redirecionados ao Buscapé, escolherão a loja que melhor lhes aprouver (tem as clássicas extra, saraiva, submarino e tal) e ainda ganharão um descontinho bacaníssimo.</p>
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		<title>Rapidinhas sobre gente chata pra caralho.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jan 2013 20:47:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Queria começar dando um aviso a essa rapaziadinha “educada” do Brasil: vocês são chatos pra caralho. Uma situação em especial me fez chegar a essa conclusão – que eu já havia chegado centenas de outras vezes, afinal, pessoas &#8220;educadas” são, na falta de uma palavra mais ofensiva, insuportavelmente escrotas pra caralho. Vamos supor que vocês [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Queria começar dando um aviso a essa rapaziadinha “educada” do Brasil: vocês são chatos pra caralho.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma situação em especial me fez chegar a essa conclusão – que eu já havia chegado centenas de outras vezes, afinal, pessoas &#8220;educadas” são, na falta de uma palavra mais ofensiva, insuportavelmente escrotas pra caralho.</p>
<p style="text-align:justify;">Vamos supor que vocês são motoristas de ônibus. Seu trabalho é ficar sentado entre 10 a 12 horas (dependendo da quantidade de horas extras que você faz pra pagar o leite da tua quinta filha, a Rosiclaine) andando de um lado pro outro. E então, entra aquela criatura odiosa, politicamente correta e integralmente de bom humor, e lhe profere um sonoro “Bom dia!”. Você se vê na obrigação de responder o bom dia, fingindo um ânimo que não tem, afinal, está há 3 dias sem dormir, emendando hora extra em hora extra nos 4 empregos que não são o suficiente pra pagar a aparelho dentário do terceiro filho do primeiro casamento, o Roberto Carlos (nome dado em homenagem ao jogador, não ao cantor).</p>
<p style="text-align:justify;">Agora imaginem que, em um país boiolinha como é o Brasil, centenas de pessoas diariamente são politicamente corretas babaquinhas metidas a “educadas” e proferem “bom dia” ao motorista. Descartando o fato de que desejar bom dia pra alguém já é babaca por si só – afinal, ninguém ta realmente desejando bom dia pra ninguém, e, ainda que desejasse, não faria a menor diferença -, a pessoa está apenas servindo pra piorar o dia do cara, que terá que juntar todos os resquícios de paciência pra fingir alguma educação respondendo o bom dia da pessoa.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-2991"></span></p>
<p style="text-align:justify;">O mesmo se dá para porteiros, inspetores, padeiros e prostitutas. Sejam menos educados e mais suportáveis. O mundo não chorará se vocês deixarem de ser idiotas.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p style="text-align:justify;">Eu falei que entrei na academia? Falei? Não? Foda-se, to falando agora.</p>
<p style="text-align:justify;">Então. Eu entrei na academia há mais de um mês.</p>
<p style="text-align:justify;">Já tinha feito academia há alguns anos, fiquei marombadinho por alguns meses, mas tive que abandonar pra fazer aquela parada inútil e idiota – estudar. Agora que minha faculdade só começa em abril, me vi na eminente possibilidade de voltar a ser lindo de bonito e queimar uns tecidos musculares levantando placas de metal.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" style="border:0;" src="https://i0.wp.com/images2.wikia.nocookie.net/__cb20120725000330/tudosobrehoradeaventura/pt-br/images/5/59/1306821092416.jpg" alt="" width="446" height="509" /></p>
<p style="text-align:center;">oi amiguinhos da maromba</p>
<p style="text-align:justify;">Cheguei na academia todo contente e mostrando serviço pra ver se dava pra ficar o menos absurdamente magrelo no menor tempo possível. Eis que se passou mais de um mês e eu ainda mal consigo andar quando saio de lá e continuo sem ter nada além de pele e osso.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p style="text-align:justify;">Por que é que velho é um troço tão chato em ônibus, ein? Puta que pariu, eu até gosto de velhos, sério mesmo, me amarro quando eles começam a falar “do tempo deles”. Sou um fanático por história e esse é o contato mais direto que posso ter com ela. Mas, puta que pariu, no ônibus eles são chatos demais.</p>
<p style="text-align:justify;">Nem por eles puxarem papo – o que minha antipatia de nascença já faz com que não ocorra com muita frequência -, mas por eles serem absurdamente lerdos. Entendo que, com a idade, o corpo tenda a ficar mais fraco e os movimentos são mais lerdos, mas, puta que pariu, a velha precisa deixar o cartão do ônibus dentro da bolsa e deixá-lo cair no chão duas vezes? Custa alguma coisa o velho ver se a maquininha aceitou o cartão dele antes de ficar se debatendo na roleta? E você também emburrece quando fica velho? Por que precisa ser muito burro pra passar na roleta e deixar a bolsa presa do outro lado. Aliás, qual a dificuldade de tocar o sinal e esperar o ônibus parar sem gritar “ô motorista, eu vou soltar no próximo ponto, ta”?</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, meus queridos leitores da terceira idade, se vocês tem as pernas esculhambadas, a culpa não é do motorista. Ele precisa dirigir o ônibus da mesma forma, independente de vocês estarem ali ou não. A próxima vez que alguém gritar “quero ver se você dirigiria assim se sua mãe estivesse aqui”, vou dar um tapa na cara do velho babaca.</p>
<p style="text-align:justify;">E escuta aqui – não é por que aquele acento é preferencial que você pode me fazer levantar dele <em>se todo o resto do ônibus estiver vazio.</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>****</em></p>
<p style="text-align:justify;">Eu agora posto de 15 em 15 dias no <a href="http://nevershoutnever.com.br/" target="_blank">NSN:Br</a> algum texto, cês já viram? Deem uma olhada lá. Amanhã tem texto novo.</p>
<p style="text-align:justify;">Aliás, cês viram essas propagandinhas aí nos lados do blog? Então. Comprem elas. Sim, comprem. É uma ordem. Sei que todos os leitores deste singelo blog são fidalgos da mais alta estirpe.</p>
<p style="text-align:center;">****</p>
<p style="text-align:justify;">Quem perde a vida pro crack com certeza nunca jogou League of Legends.</p>
<p style="text-align:center;">[lomadeewpro category=&#8217;3482&#8242; keywords=&#8217;azarão, markus suzak&#8217;]</p>
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