<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730</id><updated>2026-10-31T17:36:12.331-07:00</updated><category term="Brisas"/><category term="Rabiscos"/><category term="SO.L no Breu - Frases"/><category term="Contos de Breu"/><category term="Humor de Breu"/><category term="Sonzeira"/><category term="Desenhos"/><title type='text'>No Breu</title><subtitle type='html'>Ache o que não perdeu,</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>463</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-2964811502269044426</id><published>2026-08-19T01:42:19.534-07:00</published><updated>2026-08-19T06:19:27.363-07:00</updated><title type='text'>Megalomania</title><content type='html'>A visão que nós temos sobre nós mesmos é algo muito forte. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Eu sempre tive uma sensação de que o mundo é meu e que se eu realmente me dedicasse a qualquer coisa, eu poderia conseguir em algum momento. Claro, esse é um pensamento megalomaníaco que não tem efeito prático em totalidade, mas parece que o simples fato de tentar é uns 70% do caminho. Porém, a visão a que temos acesso do horizonte, de onde podemos ir, marca muito uma pessoa. As referências que adotamos como realidade podem nos ajudar a construir ou nos destruir completamente. Cada um sabe dos próprios infernos e como determinadas situações podem tirar nosso ânimo ou nossa convicção; e cada um lida de forma diferente com isso.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Existe uma sensação, quando se age de forma muito irresponsável, onde o cérebro logo acha uma justificativa pra dizer que aquilo não daria certo mesmo, que nem havia grandes expectativas, então foda-se tudo. Esse foda-se amacia a queda e nos coloca em um papel de autonomia e controle da situação. Mas a real é que, por mais que muitas vezes seja muito difícil, boa parte do caminho é não desistir das coisas. Começar e ir até o fim. O que me leva ao pensamento de que boa parte de tudo seja começar coisas. Se comprometer. Iniciar idéias e mesmo que de pouquinho, ir sempre desenvolvendo ali. Não abandonar, não abrir mão por idiotices. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Todas as suas razões, lamentos e dificuldades podem ser totalmente genuínos, mas se eles te levam a desistir de algo que é construtivo para você, sua razão não está agindo a seu favor. O fato é que toda dor é válida, as lágrimas são vaĺidas, ninguém pode tirar a realidade da nossa dor. Porém, a nossa dor não faz o universo ter pena de nós. Não há ninguém para te salvar, assim como com certeza, você também não está salvando ninguém (mesmo que acredite nisso). Alguém até pode te ajudar, mas a coisa só funciona mesmo quando você entende que precisa seguir em frente a qualquer custo. Não quando você decora um caminho, uma fórmula; e sim quando você realmente entende que precisa seguir para ter paz. Então há uma responsabilidade individual de que, para aplacar uma situação ruim, é preciso fazer o óbvio: sair dela. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Apesar de óbvio, muitas vezes a teoria é muito mais simples do que a prática. E o entendimento sobre isso começa no início desse texto: em iniciar coisas necessárias e não desistir delas. Mesmo que dê errado ou muito errado, boa parte do caminho é seguir em frente até passar a linha de chegada, independente do tempo necessário para isso. E inclusive, já pensando no tempo, o quanto antes começar, melhor. 

Outro dia vendo algo sobre a animação de X-Men 97. Fiz uma associação com um personagem e minha cabeça ficou divagando nela. Sobre a habilidade do Noturno. Ele consegue se teletransportar para outro lugar, contanto que ele saiba para onde está indo, que já tenha visto esse lugar. É mais ou menos isso. Podemos chegar, mas precisamos saber que aquele lugar existe. Sem nem saber, sem nunca ter se imaginado lá, parece que é apenas um lugar que existe para os outros, algo que se ouviu falar em terras muito longe. Muitas pessoas não se vêem onde poderiam ou gostariam de estar, porque sua realidade é dura e imediatista, estão sempre apagando incêndios e fica pouco tempo ou condições para arquitetar soluções duradouras. Assim como outras pessoas tem todo o potencial e condições para chegar em seus maiores objetivos, mas o fato de não se enxergarem lá as amarram em suas realidades como se presos ao chão por um cimento. Nós não começamos dos mesmos lugares. Então temos que entender logo cedo a dificuldade que teremos e já ir, mesmo que muito devagar, andando em direção ao horizonte. Se até pessoas como eu, que não tiveram privações sérias na infância e que são confiantes, podem após períodos difícies ficar com a visão curta em algum momento da vida, imagina então quem teve essas privações. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Tem também que a pouca idade nos concede uma sensação de poder. Vinte anos demoram muito para passar. E dentro deles, há uma sensação de juventude eterna. Uma sensação de que tudo pode ser recomeçado sempre, então permanecer ou não, não faz muita diferença. É possível achar outro emprego, é possível fazer o vestibular no ano seguinte, é possível morar em um lugar melhor alguma hora, é possível beber menos em algum momento, é possível melhorar a situação financeira algum dia. O horizonte é uma névoa. Em algum momento acontece.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Existem estudos que duraram décadas, guerras que duraram séculos e às vezes o que a gente precisa fazer é resistir por uns cinco anos. Mas muitas vezes a gente não se vê lá, conseguindo. Porque a gente não está se vendo ali, nem alguém parecido, nem próximo. Quem está lá sempre parece estranho e suspeito. E é um trabalho mental entender que, talvez, às vezes precisamos ser megalomaníacos para enxergar fora do limite que estamos vendo. Ver o horizonte é uma megalomania para o louco, para a vida difícil, para a dor genuína, para psicológicos quebrados. &lt;br&gt;&lt;br&gt;Algumas sensações são muito especiais. A de concluir um objetivo, talvez seja das mais especiais para mim.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/2964811502269044426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2026/08/megalomania.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/2964811502269044426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/2964811502269044426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2026/08/megalomania.html' title='Megalomania'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-8826655305090691195</id><published>2026-05-21T18:10:19.639-07:00</published><updated>2026-05-21T18:10:19.640-07:00</updated><title type='text'>Agente duplo</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Me pergunto quantas vezes durante a vida uma pessoa é um agente duplo. Quantas vidas é possível viver em uma. Quantas pessoas pode-se descobrir dentro de si mesmo e conseguir conviver com elas. Há quinze anos atrás, talvez eu abriria uma cerveja agora. Mas hoje, eu sinto ausência. Ainda fechando os olhos e ouvindo o barulho dos carros a noite, como antes. Mas, em minha própria presença no escuro, me sinto ausente. Havia um sentimento entediado e desanimado que estaria aqui agora, mas ele não está. Ele envelheceu? Ou ele se transmutou e virou nada. Eu consigo ouvir as palavras de Schopenhauer agora. Realmente estou ouvindo agora. Não há nada aqui. Nem uma grande exaltação, nem uma grande melancolia, uma gargalhada interna mal intencionada que me levava a escrever.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E esse sentimento não é um vazio. Não tem nada aqui que esteja melancólico, ao menos não de forma evidente. Eu preciso acordar cedo amanhã. Eu tenho coisas a perder e curioso, eu não perdi. Eu dei mais um passo quando eu largaria tudo e abriria no facão outro caminho no mato. E depois, dei mais outro passo. E mais outro e mais outro. E mais outro. Cheguei a conclusão que sou boa de cálculo. E agora uso muito menos meu facão.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu consigo ainda olhar para dentro. São novos tempos, agora os olhos estão sempre em uso. Sempre ocupados em adquirir todo tipo de informação. Tem informação demais. Palavras demais. Coexistimos nos palanques uns dos outros, nas desgraças uns dos outros, nos melhores angulos uns dos outros. Porque é útil, porque é a forma mais esperta de fazer as coisas. A esperteza já nos levou a lugares mais interessantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu olho para tudo e consigo respirar. Eu escrevo agora e vejo como é diferente respirar escrevendo. Eu me li agora pouco e entrei em máquinas do tempo, em agentes duplos, triplos, quadruplos. Eu estava tentando sobreviver e sobrevivi. E não sinto nada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porém, conforme escrevo, sinto que aquilo vem voltando. Como um reencontro de um amigo muito antigo, que nada muda independente do tempo separados. Ligar o interruptor do lado de dentro dos olhos em ceratite. Uma luz de uma lamparina morna, que não toma o escuro e sim se mescla com ele. Que toca as sombras dos objetos com uma paz intransponível e indivisível. Somos desde sempre e em ser, somos muitos. Muitas vidas, muitas mortes. Mais uma morte, um chá a meia luz. Encontrando não todo um contexto passado, mas em quais furos essa linha passou costurando tudo.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/8826655305090691195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2026/05/agente-duplo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/8826655305090691195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/8826655305090691195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2026/05/agente-duplo.html' title='Agente duplo'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-9115946160846447166</id><published>2026-05-10T20:32:09.245-07:00</published><updated>2026-05-10T20:32:26.190-07:00</updated><title type='text'>Enterrem meu coração na curva do rio</title><content type='html'></content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/9115946160846447166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2026/05/enterrem-meu-coracao-na-curva-do-rio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/9115946160846447166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/9115946160846447166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2026/05/enterrem-meu-coracao-na-curva-do-rio.html' title='Enterrem meu coração na curva do rio'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-7252626614031937418</id><published>2025-01-08T19:35:00.000-08:00</published><updated>2025-01-08T19:40:48.011-08:00</updated><title type='text'>Dados</title><content type='html'>Procurar uma casa que seja em uma região bonita, que tenha uma janela para a rua e que se possa ouvir o vento. Para no fim, andar sempre correndo, não usar a varanda e não ouvir o vento. Amar o escuro e só apagar a luz para dormir. Amar o barulho dos carros, mas não consegue mais prestar atenção neles.&amp;nbsp;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São tantos acontecimentos, tantas novidades, tantas coisas interessantes que&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a sinfonia da cidade silenciou. Ela não é mais a mesma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha uns 15 ou 16 anos quando apelidei caminhões de dinossauros.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meus olhos tem visto tantas coisas que cada vez menos tenho parado e fechado esses olhos, como costumava fazer em dias como esse, que o vento assobia. Ou quando na estrada, ouvir meus dinossauros no escuro. Minha sinfonia de cimento. Meu concerto de luzes móveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;arvore na odisseia no espaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu estou perdendo alguma coisa. E não estou ganhando como poderia sugerir a quantidade de informação a qual estou me expondo. Eu realmente estou perdendo alguma coisa. Minha memória tem estado ruim.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/7252626614031937418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2025/01/dados.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/7252626614031937418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/7252626614031937418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2025/01/dados.html' title='Dados'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-3127768543954589516</id><published>2023-12-22T18:20:00.000-08:00</published><updated>2023-12-22T18:22:39.312-08:00</updated><title type='text'>Prática Isolacionista</title><content type='html'>&lt;p&gt;https://www.youtube.com/watch?v=0YOXsll6t2Y&amp;amp;list=OLAK5uy_luKYwT9byNqnbXKZ_sHtftqVB57gT-OL8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;A luz de fora entra por uma fresta, presto atenção na minha respiração. Eu realmente vivo apenas por agora&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olho a minha feiúra pelos espelhos quebrados. Mesmo agora, com os cacos juntos, a cola é parte da solução e do problema&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;irreversível&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu encaro a minha feiúra com paixão, deformada e destruída&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fragmentos que se uniram como laçados por chicote de ferro quente. Meu rosto queima e então eu respiro. Eu parei de pensar e segui a diante. Abri agora essa lata encaro minha feiúra no escuro e me reviro por dentro, para tocar sentimentos que só são possíveis de serem sentidos isoladamente. Gritaram e eu não ouvi o mundo. Sinto, simultaneamente, a minha estupidez, a minha arrogância, a minha verborragia tentando conectar palavras que se aproximem disso que eu eu preciso revisitar, de duras criticas ao externo que descrevo referenciando a mim mesma, o monstro bizarro que compõe o que me tornou o que enfim, estou. Eu parei de realmente escrever - as palavras que não são para serem lidas - para tentar não me odiar, para focar no que eu tenho de melhor que é essa cicatriz horrenda que me conecta e me dá sentido. Eu não encontro passos noutros caminhos. Eu respiro agora, eu respiro por meio de palavras, eu respiro no escuro. Eu sinto o vento e encosto em monstros de olhos fechados. Eu, em minha megalomania ridícula, corro pelo vazio nas florestas engalfinhadas da minha própria cabeça como deusa de um universo doloroso e apocaliptico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;amanhã é um grande dia. e eu não posso realmente ter um grande dia sem ter você. meu maior amor, meu demônio, minha deformação profunda, meu defeito, minha estrada interna, invisível e solitária.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/3127768543954589516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2023/12/pratica-isolacionista.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3127768543954589516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3127768543954589516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2023/12/pratica-isolacionista.html' title='Prática Isolacionista'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-6231043166493841924</id><published>2022-06-04T02:00:00.006-07:00</published><updated>2022-06-04T02:07:05.473-07:00</updated><title type='text'>Monge</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;As mãos estão grudadas no vácuo. Vazias. Como se aguardassem algo que pudessem ter na palma da mão para destruir.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Seu colar estava no chão, no mesmo azulejo, havia três semanas. Seus pensamentos corriam como corcéis no escuro e conseguiam meditar apenas no barulho que a geladeira fazia de madrugada. Seu sono diário estava em torno das 3 horas. Escrevia na penumbra, escrevia nos cantos do crânio, nas memórias antigas, como amaldiçoada por Calíope. Não conseguia parar de pensar. As ideias tomaram conta do ambiente e destruíram o chão onde podia pisar. Das pessoas queria apenas as palavras e as imaginava como se fossem sem rosto e sem corpo. Perseguia os pensamentos como presas, um leopardo noturno em argumentos insones embreagados por xícaras de café, de chá, de cappuccino, até que um a um se esgotasse. Levantou e tomou dois pratos rasos de sopa e com eles viveu dois dias. O aluguel estava pago, mas a casa que estava morando era a própria mente. O pequeno espaço era um depósito de ossos. Mas precisava do som da geladeira, no silêncio da madrugada. O único momento de repouso daquele corpo estático.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/6231043166493841924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/06/monge.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/6231043166493841924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/6231043166493841924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/06/monge.html' title='Monge'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-8639706202980457032</id><published>2022-05-27T22:58:00.005-07:00</published><updated>2022-05-27T23:06:51.272-07:00</updated><title type='text'>Social</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Estreou um filme novo. A atriz principal era belíssima e parece que o filme era bom. Aquilo ia pegar. Já foi olhando o orçamento do mês: afinal, aquela mulher era muito diferente dela mesma. O cabelo era maior, o olho era mais escuro. Fazia uns quatro meses que aquela atriz loira do cabelo no ombro era o momento e que tinha feito todos os procedimentos para ter o rosto idêntico ao dela, como todas as outras mulheres. Mas parecia fazer muito tempo. Nem lembrava o nome da atriz, inclusive.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa de agora, Milene Denueve, tinha as bochechas mais cheias. A anterior tinha um rosto mais marcado e cadavérico. Havia se recuperado realmente bem de retirar as bochechas não fazia nem duas semanas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ah, mas ia esperar mais um pouco antes de fazer uma nova cirurgia. Ia ficar um pouco fora de moda, mas ela não era como essas outras desesperadas aficcionadas por tendências. E também havia perdido o emprego a pouco tempo. Ia curtir um pouco mais a nova aparência, depois entrava na faca de novo. Doía, mas era sempre recompensador. Sua imagem diz quem você é, todo mundo dizia isso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A amiga mandou um holograma, com a foto de Milene. Era realmente bonita. Um novo recorte de rosto, nunca tinha visto. Diziam que com ele era possível respirar 30% melhor e mais um monte de outros benefícios que não conseguiu decorar, mas lembrava que eram vários. Ficou ansiosa. A colega disse que tentou combinar de marcar a clínica para o dia seguinte, mas não dava. Tudo lotado, não daria para adqurir a nova face na estréia do filme. Mas uns dias depois, ainda tava em tempo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foram ao cinema ver a estréia. Todas as mulheres já estavam com o rosto de Milene. Era um ambiente lindo, pensava. Como eram graciosas. Mas olhavam para ela, desatualizada, com desdém. Coitada, suburbana, pensavam. Embora que algumas ali estavam totalmente endividadas, mas já tinham a nova estética no rosto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os meses passaram. O dinheiro continuava muito curto. Não podia abrir mão das coisas básicas da casa por isso, mas já estava sentindo algumas retaliações. Sentiu que ter aparência antiga não agradava na entrevista de emprego, passava uma imagem de desleixo, de fracasso, de caricata. Nos restaurantes e bares, também. A família olhava estranho. Os amigos pararam de convidar para reuniões.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas aí que passaram uns meses e saiu uma série. Ficção científica. Diziam que era a melhor série de todos os tempos. A personagem principal era uma alien, com uma pele avermelhada com riscas brancas em relevo, não tinha um olho. Era muito bonita. Aparência inovadora, a frente do seu tempo, diziam. Ousada. Aquela anatomia prevenia até alguns tipos de câncer, diziam. E liberava mais serotonina. Gerou polêmica, os médicos se recusavam a fazer o procedimento, foi proibido, era muito arriscado. Todos em polvorosa. Era o item de luxo a ser alcançado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Havia passado meses sem conseguir um trabalho por conta do seu rosto ultrapassado. Precisava mudar isso. Então, elaborou um plano detalhado, traçou antes o corpo, mediu, chamou a amiga e pegou um bisturi. Não tinha anestesia, tudo com esse efeito era caríssimo em 2049. Se cortou em várias tiras, do rosto ao centro da barriga, como a personagem. Pediu que a amiga esfregasse seu corpo com palha de aço em determinada intensidade, para criar o mesmo efeito das linhas no corpo da atriz. Ela gritava de dor. A amiga continuava com a mão firme e dizia que doía, normal, mas que ela devia focar no resultado final. Era o combinado que, no fim, jogasse vinagre, para cicatrizar bem e as linhas ficarem salientes e não tão uniformes. Jogou. Ela deu um grito muito agudo e curto, em seguida desmaiou. Quando acordou, achou que já estaria tudo pronto, mas faltava o olho. A amiga disse que não conseguiu porque era muito nojento. Ela procurou agir rápido, para acabar logo com aquilo. Enfiou o estilete no olho direito e puxou de uma vez. Ficou alguns minutos tremendo, com o olho pendurado pelo nervo óptico, perto do nariz. Na mesma hora a órbita ocular ficou preta, pela quantidade de sangue que saiu. A amiga foi no banheiro vomitar. Ela continuou tremendo, em uma espécie de transe. Enquanto a pele ainda estivesse úmida pelo sangue, poderia se mexer. Mas a cicatrização seria terrível. Pensava apenas: o pior já foi. Desabou o corpo contra a parede e sua mente se apegou no resultado. A amiga limpou tudo e deu uma injeção para não infeccionar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passou um mês. E saiu na rua. Ela era a única que havia feito o procedimento. As pessoas olhavam admiradas, a cumprimentavam. Sentiu o respeito dos familiares voltando. Ela dessa vez estava a frente e isso dava a ela respeito, inteligência, vanguardismo, inovação, status, coragem. Várias características foram atribuídas pelo novo bem que havia conquistado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se sentiu respeitada com nunca antes fora por duas semanas. Mas a injeção não adiantou, pegou uma infecção generalizada e morreu de uma forma bem dolorosa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao menos foram poucas pessoas notaram que ela havia retirado o olho errado.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/8639706202980457032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/05/social.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/8639706202980457032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/8639706202980457032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/05/social.html' title='Social'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-29375174768853085</id><published>2022-04-05T15:03:00.000-07:00</published><updated>2022-04-05T15:03:03.056-07:00</updated><title type='text'>Súbito</title><content type='html'>acordou correndo a casa estava sendo invadida não conseguia pensar no que deveria pegar ou em que ordem saiu do jeito que estava pela janela ouviu barulhos altos e carros pegando fogo gente em todas as direções correndo na rua os postes sem luz. viu nesse meio tempo pelo menos três pessoas sendo mortas na porrada e outras correndo com pedaços de cano, cabo elétrico, girando pneu de carro ladeira a baixo, concha de pegar sopa na cara do filho mais novo do vizinho. não tinha amizade com ninguém não tinha familiar próximo pensou em correr para algum lugar inacessível e de lá pensar melhor no que faria depois. subiu em um prédio próximo de uma perfumaria e não muitas pessoas haviam tido a mesma ideia. de cima viu: os mercados sendo saqueados, caixas eletrônicos destruídos, idosos e crianças pisoteados, mulheres e homens se espancando freneticamente. aproveitou a sombra de uma caixa de energia e se acocorou ali, estava sozinha, parecia ali um ótimo ponto cego, talvez conseguisse dormir agora e quando acordasse quem ainda tivesse vivo poderia estar dormindo. pegou no sono e mais ou menos três horas depois teve a cabeça aberta por um pedaço de porta de vidro de hospital.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;estava em um atendimento pelo telefone e viu abarrotar de gente na escada em espiral, todos subindo&amp;nbsp; como uma serpente da morte até o andar superior. os telefones foram arrancados de suas mesas, os fios estrangulavam quem havia sido pego de surpresa. cadeiras, lápis, canetas, cintos, lentes de óculos, dentes, unhas, tudo ali virou uma arma de um segundo para outro. só havia uma porta naquele andar. ele urinou um pouquinho, antes de ser atingindo por uma divisória e ter o pulmão perfurado por uma faca de cozinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pulou no carro e bateu com força no vidro, o motorista acelerou e fez uma curva, jogando para o outro lado da rua. se ralou inteiro, o peito ficou exposto em osso e sangue, mas as mãos, braços e cabeça ainda se sacodiam e agrediam o próprio asfalto. deu uma cabeçada de boca aberta tão violenta no chão que afundou a parte superior da gengiva pra frente dos dentes, fraturando a mandíbula e o crânio. não conseguia se mexer e desmaiou com a dor, morreu horas depois atropelado por um caminhão que perdeu o rumo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;estava no chuveiro quando acabou a água saiu reclamando e foi sentindo algo diferente, saiu nu pelas escadas do prédio com uma vassoura que estava no box do banheiro e batendo na cabeça de todas as pessoas que foi encontrando pelo caminho. na frente do prédio havia um açougue, estava apinhado de pessoas que se confundiam com as carnes a serem vendidas no balcão. foi direto para o interior do lugar mas encontrou um funcionário que desceu o facão na perna e o jogou para dentro do frigorífico. lá dentro tinham outras pessoas, o funcionário jogou a faca e fechou a porta. havia gente com vidro, facas e espetos na mão, o lugar se tornou uma arena, pedaços de carne e sangue voando e grudando nas paredes e no teto, ossos aparecendo e gritos que ninguém ouviu do lado de fora. fraturas expostas, tripas e miúdos do corpo se amontoando no meio do lugar, olhos rolando pelo chão, cabelos usados como cordas, dentes cravados em rostos e pescoços, gargantas abertas espirrando feito chafarizes não durou nem uma hora até que virasse tudo uma grande massa bolonhesa com poucos pedaços distinguíveis.&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/29375174768853085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/04/subito.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/29375174768853085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/29375174768853085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/04/subito.html' title='Súbito'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-4190687404371645066</id><published>2022-04-05T10:06:00.005-07:00</published><updated>2022-04-05T10:08:52.248-07:00</updated><title type='text'>Chá mate</title><content type='html'>&lt;p&gt;Um limão inteiro e uma xícara de mate. Precisava respirar um pouco. Respirar é tão estranho às vezes que parece não ser involuntário. Um pouco de música. Um pouco das próprias mãos. Apertava os próprios braços como se dissesse que estava tudo bem, afinal estava consigo mesma. Estou aqui e tudo vai se resolver. Isso vai parar porque você mesma está aqui.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um pouco de pés no chão, no azulejo gelado, para diminuir a temperatura não do corpo, mas das ideias que rondavam a cabeça. Um pouco de silêncio lá fora. Um mute no mundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como uma receita tarja preta. Um feitiço sem poder nenhum, esperando um resultado sobrenatural. Um limão inteiro e uma xícara de mate. Voltava a respirar aos poucos. Aos poucos.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/4190687404371645066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/04/cha-mate.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/4190687404371645066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/4190687404371645066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/04/cha-mate.html' title='Chá mate'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-5543125663845857402</id><published>2022-04-04T14:41:00.017-07:00</published><updated>2022-04-05T11:00:28.195-07:00</updated><title type='text'>Possessão</title><content type='html'>você não sabe como é estar aqui dentro. você pode tentar escrever essas placas e coloca-las em mim. pode tentar acreditar nelas, tentar usa-las para que, pela mágoa e pelo cansaço, eu me encolha no que você diz. você pode tentar manter o controle dos outros, querer ser um mapa do arbítrio alheio, se mostrar profundamente ofendido por não estar no comando de outra vida. querer se ocultar enquanto quer total exposição do outro, querer arrancar um pedaço sadio da outra pessoa porque arbitrariamente você não o quer ali. você pode tentar possuir alguém que não pode ser possuído. Porque afinal não é algo, é alguém. nem mesmo o animal mais sereno pode ser controlado sem que perca um pouco do seu gosto pela vida. quem dirá os mais selvagens. a lealdade não mora na submissão, você entendeu tudo errado. se você ver algo selvagem demais e conseguir sua confiança, você não pode ter medo. é dali que você terá as reações mais intensas, a proteção mais fervorosa, você estará entre as patas de um leão. mas se você se guiar pelo medo, ao querer controlar pode tentar pela agressividade se fazer ouvir em frases que são diferentes das que você realmente quer dizer e nada disso dará resultados a você. é preciso ser claro, é preciso ser honesto. pela força, você nunca conseguirá. pela mentira e pela acusação, você nunca conseguirá. pelo contrário, cada algema, cada suspeita infundada, cada insinuação, são como um enxame de mosquitos sugando, incomodando, se tornando repulsivo, se tornando um fardo, um problema, um som agudo e irritante que aparece de repente. que não deixa dormir, que não dá repouso a mente do outro. sempre ali uma insinuação, algo que vem discreto mesmo quando não parece ter espaço e se faz presente de forma tão insistente que asfixia, com um gás venenoso que é disparado sem nenhum motivo aparente ou por motivos que não fazem sentido nenhum. Isso não te torna onipresente, isso não te aproxima, isso te torna um inseto, que se afasta com repelente. você pode ter raiva sem que precise ter razão, mas a raiva não nos dá direito sobre os outros, não nos autoriza a quebrar as cancelas daquele espaço coberto pelo nevoeiro ininteligível que são o que o outro sente e pensa. havia mais uma lata de cerveja na geladeira e ela ficou ali, havia recebido uma ligação que não atendeu, havia recebido mensagens que preferiu nem ler. havia sentido um sentimento tão ruim porque estava sendo atacada e era tão injusto, era tão errado que não sabia bem de que ponto começar a refutar, elaborava em sua cabeça linhas e linhas de réplicas que se acabavam na falta de sentido da própria situação. era óbvio que estava errado. você sabe disso, você apenas não liga, apenas quer descarregar algo que sente, apenas quer parar de ter medo, porque não se acha digno, não se acha o bastante. não importa quantas vezes ela tenha demonstrado o oposto. você foi testando os limites como se conquistasse territórios, mas o que estava fazendo era arrasando todo o plantio, queimando as casas e a comida que existia ali. todas aquelas palavras eram uma explicação lógica sobre algo que não tinha lógica nenhuma. não conseguiu dormir de madrugada, a resposta parecia interminável era interminável o quanto aquilo não deveria estar acontecendo. queria dormir e talvez precisasse conversar um pouco. tudo estava começando a se perder, se arruinar. explodia um pouco a cada dia, de dentro para fora. foi vendo suas conquistas começarem a se dissolver. precisava de força porque estava indignada demais para se concentrar em qualquer coisa. não fazia sentido. a realidade começava a ganhar cores estranhas, fios de consciência estranhos, aquilo se repetindo como uma tragédia e tudo tão imperdoável que continuar a briga era apenas tolo demais. essa foi uma guerra que você perdeu para você mesmo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/5543125663845857402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/04/voce-nao-sabe-como-e-estar-aqui-dentro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/5543125663845857402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/5543125663845857402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/04/voce-nao-sabe-como-e-estar-aqui-dentro.html' title='Possessão'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-4405106653642249523</id><published>2022-03-31T17:39:00.005-07:00</published><updated>2022-03-31T17:52:23.095-07:00</updated><title type='text'>Proposta de texto injusta</title><content type='html'>&lt;p&gt;Criar um aforismo que contenha 5 palavras das coisas que mais te perturbam atualmente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse foi o meu.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/4405106653642249523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/proposta-de-texto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/4405106653642249523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/4405106653642249523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/proposta-de-texto.html' title='Proposta de texto injusta'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-4329817514175673566</id><published>2022-03-29T19:18:00.003-07:00</published><updated>2022-03-29T19:33:02.879-07:00</updated><title type='text'>Eletro domésticos</title><content type='html'>&lt;div&gt;Chegou em casa e ligou o interruptor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Click.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deixou as chaves no lugar de sempre. Pendurou a jaqueta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ligou o rádio, colocou um cd. Ritual Genocide.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (som da bandeja abrindo, som da bandeja fechando. som começa.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pegou uma xícara, encheu de água, um sachê de mate. Pôs no microondas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (som das microondas em ação, plataforma de vidro girando)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tirou o coturno. Cortou um limão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pegou alguns pães de queijo congelados e colocou no forno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (som mecânico do cronômetro do forno. ar quente no ambiente.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (Notificação do celular: aplicativo do Chess.com incentivando a jogar)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (Apito do microondas. O chá está pronto.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pega o chá, espreme o limão. Duas colheres de açúcar. Joga uma partida das rápidas enquanto aguarda os pães de queijo e o chá esfriarem um pouco.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pão de queijo fica pronto. Toma o chá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lê mais um pedaço do &quot;O Estrangulador&quot;, do Montalbán.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (Notificação do celular: a Tim está com uma nova promoção)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Termina de comer. Lava o prato, a bandeja do forno, a xícara. Limpa tudo e logo está tudo da mesma forma que estava quando chegou. Da forma que sempre deixa, que sempre está. Como se ninguém morasse ou usasse aquele espaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Termina o cd.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (som da bandeja abrindo e fechando)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Joga mais algumas partidas. Aí vai assistir um filme, caçar alguma coisa no TopFlix mesmo pra ser mais rápido.&lt;br /&gt;- (Notificação do celular: fulano comentou na foto de siclano)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;Não entendia esse tipo de notificação. Ignorou. Continua procurando no TopFlix e acaba achando uma série que parece legal. Clickbait, o nome. Clica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (anúncio de apostas no primeiro clique para dar o play. anúncio de loja de roupas no segundo clique. anúncio de investimento na bolsa no terceiro clique.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Assiste um capítulo.&lt;br /&gt;- (Notificação do celular: Você ganhou um selo de superfã como um dos seguidores mais engajados de Olhar Digital. Pegue o seu selo!)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não achava que fosse usar aquilo, mas pegou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Coloca uma camiseta de banda velha que chama de pijama, mas às vezes sai com ela também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olha um pouco para o céu pela janela, antes de dormir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- (geladeira e notebook fazem um som discreto, que nesse horário fica notável.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Medita na noite com a geladeira e notebook.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tá tarde. Desliga o interruptor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Click.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;A companhia de quem mora sozinho é futurista.&amp;nbsp;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/4329817514175673566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/eletro-domesticos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/4329817514175673566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/4329817514175673566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/eletro-domesticos.html' title='Eletro domésticos'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-9122976695949513591</id><published>2022-03-28T11:04:00.004-07:00</published><updated>2022-03-28T11:04:35.507-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Somos fortes quando acreditamos que podemos, com nosso ímpeto mais apaixonado, dissolver o que há de quebrado nos outros. Somos fracos quando acreditamos nisso por muito tempo.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/9122976695949513591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/somos-fortes-quando-acreditamos-que.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/9122976695949513591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/9122976695949513591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/somos-fortes-quando-acreditamos-que.html' title=''/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-2279727207403347812</id><published>2022-03-19T02:10:00.006-07:00</published><updated>2022-03-19T10:02:07.256-07:00</updated><title type='text'>Condição</title><content type='html'>Saiu do trabalho. Entra no mercado com 40 conto. Ficava puta consigo mesma que sempre ia só quando já tava sem nada em casa. E pensando bem, era assim com tudo: comprava tênis só quando rasgava a sola, celular só quando o conserto ficava mais caro que comprar outro, a passagem só quando já estava voltando. Ir no hospital então, só se já tivesse era morrendo.&lt;div&gt;Pois bem. Desde a pandemia de 2019 pra 2022, tudo aumentou muito de preço. Antes tava caro, agora tava era tudo valendo ouro. Fez uma lista pra não esquecer de comprar nada, mas claro que esqueceu o porra da lista. Vai de cabeça mesmo. E vai esquecer alguma coisa, óbvio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em casa de rango só tinha arroz e limão. Precisava de sabão em pó, açúcar e sal. Sabonete. Pasta de dente. Uma carninha, quem sabe? Ovos, leite e pão. Tempero acabou também, não ia rolar não. Na memória vinha uma lembrança longe de que tinha mais alguma coisa. Certamente ia lembrar só em casa. Memória filha da puta. Ela quem faz a seleção de prioridade. Pegou uns itens. Só no ovo, leite e pão já morreu vinte e cinco conto. Dava raiva de tudo ser perecível, isso não deveria mais existir. Dois dias acaba o leite e o pão. E em 10 minutos acabariam 40 conto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passa no corredor dos enlatados. Um cara com uma garrafa de óleo pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Moça, não quero pedir dinheiro não, quero comida mesmo. Pode comprar um pacote de arroz pra mim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Porra, arroz tava no crime, pacote de 5 kg do mais barato 30 conto. 1 kg quase dez.)&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cara, não vai ter como, foi mal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E esse óleo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Não costumava usar óleo. Quanto era? De repente até ajuda sim)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quanto é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá aqui que é 9 e cinquenta&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Putz cara, não consigo mesmo não, mas boa sorte&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Ele deve ouvir isso o dia inteiro. Mas ela realmente não tinha como).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Cê quer uma bolacha, algo assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você acha que eu vivo de bolacha porque sou pobre?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Ela fica confusa. Tentou ajudar, mas não sabe se fez uma boa abordagem. Talvez ele também não tenha dado uma boa resposta. Sei lá, faz uns anos que sempre no mercado tá todo mundo nervoso.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vai pro outro corredor. Não pegou nem metade das coisas e o dinheiro já quase deu. Porra! O papel higiênico. Vai faltar três reais e cinquenta e dois centavos. Merda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Chega sua vez na fila. Vai olhando o computador passando os produtos e aumentando a facada. Ficou olhando como se a matemática ali pudesse ser diferente. Mas não era não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olha na carteira digital. Era só quarenta mesmo. Olha na outra, que sabia que já tinha esvaziado, mas olhou porque vai que né? Vai que. O &quot;vai que&quot; é o último que morre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vou pagar no QR code. No Caixa Tem. Mas só tô com 40, pode ser?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seu Ricardo olhou até com naturalidade pra pergunta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bom, cê mora aqui perto, né? Tudo bem. Mas pode ser assim, amanhã cê me paga?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pode sim (pode? Ia receber de novo só na próxima segunda-feira.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então tá bom.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passou uma semana evitando passar na frente do seu Ricardo. Seu Ricardo tava evitando responder o whatsapp do locador do imóvel. O locador tava evitando pagar a pensão que devia. Ela, depois que saiu do mercado lembrou: esqueceu do remédio de pressão. E o mendigo, ainda tava tentando comprar o arroz.&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/2279727207403347812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/condicao.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/2279727207403347812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/2279727207403347812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/condicao.html' title='Condição'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-1231008056772735739</id><published>2022-03-19T01:24:00.005-07:00</published><updated>2022-03-19T01:27:30.368-07:00</updated><title type='text'>Múltiplo (05/07/2017)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 15px; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: white;&quot;&gt;Ele acordou, coçou o olho e saiu pra rua, como se estivesse sendo expulso de casa. Chegou na calçada, viu as pessoas transitando. Achou que estava sonhando, mas era isso mesmo: todas as pessoas na rua eram ele. Todos voltavam do mercado com os mesmos itens na sacola de compras, estavam com a mesma roupa e andavam do mesmo jeito. Também não o cumprimentaram quando passaram por ele, como ele mesmo faria.
Se sentiu extremamente mal. Foi  trabalhar, do jeito que estava, em desespero, sem olhar para os lados, desviando de tudo. Teve a impressão de que tudo se desviava  também.
Chegou no trabalho, já havia alguém sentado em sua cadeira. Ele mesmo. E já havia alguém tomando seu café, no outro cômodo, que era o que fazia quando a passagem até sua mesa estava obstruída. Havia até ele mesmo fumando um cigarro, que era o que fazia quando não tinha café. 
Tentou correr para algum lugar onde não houvesse ninguém, mas ele preenchia tudo e tudo era sua imagem e semelhança. Tudo se movia, pensava do mesmo jeito. E assim, ele não tinha mais espaço na própria vida, apenas um papel secundário, de um coadjuvante que faz o que é esperado dele: existir, de acordo com sua própria norma. Uma transgressão seria uma traição a si mesmo.
Então, sentindo uma agonia descontrolada, tentou não pensar e agir como um bicho. Correu em direção a uma ponte e uma multidão  correu com ele. Ele pulou, caiu de cabeça. O pescoço foi comido pelo asfalto e a cabeça virou um purê, em baixo da costela que se dobrou em &quot;L&quot; e atravessou sua bacia. 
Então, sentindo uma agonia descontrolada, tentou não pensar e agir como um bicho. Correu em direção a uma ponte e uma multidão  correu com ele. Ele pulou, caiu de cabeça. o pescoço foi comido pelo asfalto e a cabeça virou um purê, em baixo da costela que se dobrou em &quot;L&quot; e atravessou sua bacia. 
E essa situação se repetiu em cadeia, como uma faísca perseguindo uma trilha de pólvora, dizimando a população de uma mesma pessoa da mesma forma, estourando seus miolos um a um ponte abaixo. A visão final foi um rio de sangue, ossos e miolos, sem nenhum expectador para conjecturar em cima sobre o suposto milagre que diziam ser a vida.
Mas houve a exceção. Uma parte dele se conteve e olhou para a carnificina, indiferente. Como ele olharia. E foram para casa prosseguir com suas vidas e horários, pois era domingo, pois era segunda, pois era sexta, pois era sábado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/1231008056772735739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/multiplo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/1231008056772735739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/1231008056772735739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/multiplo.html' title='Múltiplo (05/07/2017)'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-6016966876176159499</id><published>2022-03-14T04:09:00.001-07:00</published><updated>2022-03-14T04:09:20.984-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;O termômetro da estabilidade mental de uma pessoa é a organização do ambiente em que ela vive.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/6016966876176159499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/o-termometro-da-estabilidade-mental-de.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/6016966876176159499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/6016966876176159499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/o-termometro-da-estabilidade-mental-de.html' title=''/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-7394184366460470433</id><published>2022-03-09T19:02:00.024-08:00</published><updated>2022-03-14T06:08:28.720-07:00</updated><title type='text'>Positivo</title><content type='html'>&lt;div&gt;Finalmente ele chegou da lan house.&lt;/div&gt;- E a resposta, foi negativa?&lt;br /&gt;- Foi, mãe. Mas vai dar certo, a gente continua tentando.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Negativo. De novo. Estava tentando arrumar emprego fazia tempo e não conseguiu nada além de uns bicos. Não tinha muito tempo, também. Precisava cuidar do filho. Pandemia, escola fechada. O marido havia metido o pé há dois meses e nunca mais apareceu. Até pagava a pensão, mas não era muito. Marcinho estava ficando grandinho, começando a ter vontades. E era foda sempre dizer para ele o negativo que sempre diziam pra ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não tinha jeito, o caminho era continuar tentando. As coisas não podem dar errado sempre, assim como não podem dar certo sempre. Repetia essa frase na cabeça como se fosse um mantra. Gostava de ver filme na televisãozinha de tubo. Mas naquele dia sorriu pro filho e chamou ele pra brincar de bola. Tentava sempre não transparecer para ele que as coisas não iam muito bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando começaram a correr, se sentiu fraca. Não andava comendo e nem dormindo direito. Muitas contas, o menino crescia, precisava de roupas novas, tava tudo o olho da cara no mercado. Era maldade deixar ele sempre em casa, mas quando saíam ele queria as coisas. Embora que ela também queria as coisas quando saía. Carne mesmo, não via fazia mais de ano.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Chutou a primeira bola, a visão deu uma falhada. Devia ser o sol. No quarto chute, só caiu e apagou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acordou no hospital.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Positivo - disse o médico&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela deu um sorriso travado pela novidade da palavra, mas ao mesmo tempo sentiu um arrepio na espinha como se tivesse levado um choque. 4 meses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não podia. Não podia de jeito nenhum. Não tinha mais ninguém, só o filho e a pensão magra. Não tinha nem o que vender, não tinha trabalho, não tinha psicológico, não tinha nem nutriente no corpo. Nem tinha máscara obrigatória pra entrar nos estabelecimentos, as que tinha emprestou pro filho e ele nunca lembrava onde colocava. Sentia que não poder sequer entrar em uma loja representava alguma indigência. Às vezes um vizinho olhava estranho. Dava um jeito de fazer alguma com uma roupa velha, mas o filho não gostava. Dizia que era feio. Era verdade que não era a melhor das costureiras, ficava meio desbeiçada mesmo. Precisaria caso chamassem pra trabalho, também. Fora isso, tava todo mundo ficando doente. Ficou sabendo que a esposa do seu Antônio da mercearia tava internada ruim à beça. Teve uma semana que ficou bem resfriada toda mole, tentou fazer o teste do Covid mas era o olho da cara, 100 conto na farmácia da rua. Foi no postinho, pegou uma fila gigante e quando chegou sua vez falaram pra tomar bastante líquido, que tinha pouco teste, se não melhorasse em uma semana era pra voltar. Pelo menos ganhou um potinho de álcool em gel. No início dessa confusão toda, tavam vendendo aquele troço como se fosse ouro. Lembra também que disseram no inicio que era só pra quem tava doente usar máscara, depois era todo mundo. A impressão que tinha é que a coisa tava feia e ninguém sabia direito como lidar com aquilo. Mas o que sempre foi unanimidade é que tinha que evitar os outros. Pedir comida por delivery. Era fácil entrar no ramo de entregas de aplicativo, não tinha muita burocracia, quase nenhum vínculo com a empresa. Tinham feito uma reforma trabalhista que deixava as pessoas trabalharem em lugares diferentes, por horas ou esporadicamente de acordo com a possibilidade do trabalhador entendeu que era alguma coisa assim. Mas parece não tinha direito a mais nada que não fosse o uniforme e o pagamento das horas trabalhadas. Você era seu próprio chefe, fazia sua própria carga horária muitas vezes. Esse pessoal que entrou nessa tava trabalhando muito, parece que dava um dinheiro se trabalhasse umas 12, 14 horas por dia. Mas diziam que tinha que ser perto de casa, porque os restaurantes não gostavam que os entregadores tomassem água e usassem o banheiro. Queria muito entrar nesse ramo, mas precisava de uma bicicleta, além de ter alguém com quem deixar o filho. Se conhecesse, podia também ter dito ao filho quando ele perguntou sobre o filme que queria ver &quot;Ladrões de Bicicleta&quot;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O negócio é que era pra evitar a rua, mas ela precisava sair e trabalhar a todo custo, mais que nunca. E agora estava ali, de cama, com o médico dizendo parabéns. Não podia. Voltou pra casa com um dos positivos mais aterrorizantes do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ligou para o ex-marido. Ele ouviu, mas não queria ouvir. Nem respirou. Disse que não tinha. E não tinha mesmo. Havia também uma pandemia de boletos no mundo. Mas claro, tinha mais condições de ajudar do que qualquer outra pessoa. Se quisesse, poderia conseguir. Mas disse que ia ver, sem a menor intenção de fazer isso. Sabia que ela ia conseguir se virar sozinha de alguma forma. E ela sentiu essa confiança na voz dele.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desligou sem fazer caso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sentou na cadeira e pensou. Uma amiga falou que fez e foi horrível. Tinha contato. Era caro. Porra, eu não tenho nem uma cama pra vender, ela pensava. Dormia com o filho em um colchonete, num quartinho pequeno. As únicas coisas de valor que tinha era a geladeira e o fogão. Teria que vender um dos dois o quanto antes. Optou pelo fogão. Limpou bem, pegou uma caneta preta para tampar alguns riscados, esfregou tudo até parecer um brilho.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi na casa da amiga. Pareceu bem estranho que ela, tendo passado pela mesma coisa, pareceu julga-la pela situação. Mas entrou em contato. Demoraria 2 semanas. 500 pau. Ela confirmou, sem ter esse dinheiro. Tinha por aí de 50 para manter a ela e o filho até o fim do mês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltou pra casa, sentou na cadeira. Começou a limpar a geladeira. Usando branquinho, para corrigir um risco aqui e outro ali. Tacou a placa no portão, já que não tinha celular pra anunciar no OLX: &quot;Geladeira e Fogão, 600 reais. Bom estado&quot;. Iam chorar, melhor colocar um pouco mais do que precisava (essa frase ficou tragicômica), pra pelo menos conseguir comprar comida depois. Pra armazenar e preparar, ia ter que pedir novamente pra vizinha. Não dá nem tempo de calcular muito se vai dar certo ou não, só fazer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Preço de exploração atrai gente rápido. E claro, pedindo desconto. Antes das duas semanas conseguiu o comprador. Endureceu como se não precisasse tanto do dinheiro. Era pra comprar uma melhor, disse ela. Conseguiu vender por R$550, antes das duas semanas. Ficou feliz em ir ao mercado. Pegou 50 só de comida não-perecível, já que tava sem a geladeira.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi rápido para pegar o remédio. A amiga deu algumas instruções, disse que era bom que alguém estivesse com ela no dia que tomasse. Ela mesma não poderia ir, por causa do trabalho. Já tinha faltado dia e não podia mais se complicar. Não estava mentindo, era isso mesmo. Mas também não estava com vontade de ajudar, então deu certo. Ela podia argumentar sobre o dia de folga, mas preferiu parecer compreensiva.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tinha ninguém para chamar, não tinha tempo, então ia ser agora. Chegou em casa e botou o RG no bolso, por precaução. Disse pro filho que ela estava com um sono muito forte e, se ela dormisse, só um adulto poderia acordar. Era pra ele chamar qualquer um na rua como fez da outra vez, porque ela não queria perder um filme que ia passar de noite. Ele perguntou qual era o filme, mas ela não respondeu. Não conseguia pensar em nada.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pegou o copo d&#39;agua, abriu a caixa do remédio e tacou pra dentro. Engoliu e sentiu um alívio. Talvez nem acontecesse nada demais, Maria era fresca pra caralho, nem deve ter doído tanto assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas em alguns minutos percebeu que aquela porra era forte. Não estava sentindo dor, mas sentia algo mexer com o seu corpo. Não estava normal. Era como se seus instintos estivessem girando uma sirene vermelha e nem havia acontecido nada ainda.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passaram algumas horas. De repente, sentiu algo escorrer pelas pernas, correu para o banheiro. Sentou no vaso. Sangue. Veio meio inibido, até que sentiu algo estourar. A bolsa. E aí veio muito. Mas era muito sangue. Vermelho, espesso, correndo de sua vagina como um corcel indomável solto em um campo num sol da tarde. Mal teve tempo de abaixar as calças. Precisava fechar a porta antes que o filho passasse por ali, deu um impulso para alcançar a maçaneta e acabou caindo no chão com a dor fechou os olhos puxou a gola da camiseta e mordeu para esperar passar sangue colava na sua bocheca grudada no azulejo um cheiro forte orgânico um cheiro forte de morte infestando grudando ela colada na porta servindo de escudo para o sangue não passar para fora do banheiro cansada será que é assim mesmo não posso apagar não posso apagar começou a apertar o braço bem forte e a se levantar na força do desespero, enquanto o rio vermelho não demostrava querer parar. Não tem certeza de quanto tempo durou aquilo. Suor escorrendo pelo rosto, o corpo fraco, ela estava matando um pouco de si mesma, um suicídio controlado e tentando ficar firme. Sempre viu nos filmes alguém dizendo para não dormir nessas situações. Então iria aguentar firme. Deu um gemido ou outro, mas não gritou. Tal qual a Jessica Alba no Sin City.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;A corredeira foi parando. Os dentes foram ficando menos rígidos. e entao caiu. caiu, era isso? Havia tanto sangue no vaso que ele mesmo deu a descarga. &quot;Não consegui ver, era isso? Havia acabado?&quot; Sentiu algo cair, tinha certeza. &quot;Como se fosse uma...pedra?&quot; Uma pedra que havia tirado do meio do caminho, pensou. Em seguida pensou se deveria ter pensado isso. Não tinha controle dos pensamentos. Estava com medo daquele sangue todo, de tantos problemas, daquela dor que estava abandonando seu corpo depois daquele terremoto todo. Estava com medo do filho ter percebido alguma coisa, estava com medo de não ter mais geladeira e fogão, com medo de colocar mais uma pessoa no mundo e não conseguir sobreviver mais, já não sabia como é que estava conseguindo, faz tempo que já funcionava no piloto automático. Colocou a responsabilidade em si mesma, devia ter se prevenido melhor. E a dor foi virando uma culpa enorme e solitária, como se ela tivesse feito aquilo sozinha. Nem lembrou de responsabilizar ninguém, mas se lembrasse, lembraria que foi insistência do ex fazer algumas coisas desprotegidos &quot;somos casados, que mal tem?&quot;. Era ela ali, no sangue e com uma pedra no fundo do vaso. Enquanto isso, nesse exato momento em outro estado, seu ex-marido terminava de fazer a janta e se preparava para assistir o jogo de quarta. Pensou em abrir uma cervejinha, mas melhor não. &quot;Começa na primeira e depois não tem fim, melhor se preparar para o trabalho amanhã. O camarãozinho fritinho com um refri já tá de boa&quot;. De leve, na semana passada havia pensado sobre a ligação da ex-mulher, mas sabia que ela ia dar um jeito. &quot;Se seria ruim pra mim pagar outra pensão, pra ela ia ser pior, então ela vai ter que se virar. Melhor eu nem ligar para não sobrar para mim, quando estiver resolvido ela liga. Se ela não ligar em um mês, eu vejo o que faço&quot;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A dor dela foi passando. Muito lentamente, ligou o chuveiro para lavar a si mesma e ao banheiro. Viu que o RG havia caído no meio do sangue todo. Demorou bastante ali. Quando saiu, passou pelo espelho. Deveria olhar, ver se não tinha mancha. Mas não conseguiu. Não queria se olhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passou um mês. Dificuldades extremas e ela não estava bem. A vizinha deixou ela usar seus eletrodomésticos, mas ficava no ar aquele sentimento de que estava sendo incoveniente. Ela não era rude, mas também não era simpática. Abria o portão sem cumprimentar, olhava de soslaio, observava se ela não estava retirando alguma coisa dela da geladeira. Às vezes dividia o almoço, mas ainda naquela atmosfera de piedade, que faz porque se sente superior. Se ouvia a geladeira abrir, olhava imediatamente. Olhava as mãos dela na hora que ela saía da casa. Não deixava ela usar o banheiro ali, dizia que tava quebrado. Só era recebida na cozinha. Às vezes mandava um bolinho pro Marcinho. Às vezes dava alguma roupa velha do filho. Sentia que as outras pessoas da vizinhança estavam olhando diferente para ela. A máscara desbeiçada devia colaborar. Falava para ir no mercado fazer as compras pra ela, mas não agradecia. Perguntava se tava tudo certo, os produtos e o troco e aí ela fazia um positivo. Mas ela achava que não tinha problema, afinal ela acabava ajudando muito. Quando conversavam brevemente, corrigia sua forma de falar e ironizava seu desleixo na aparência. Ironizava sua forma de comer. Mas de um jeito suave, como quem puxa assunto para quebrar o gelo, quase que brincando. Tinha que aguentar pelo filho, mas tinha que aguentar mais ainda era que sentia não raro dores fortes demais, que vinham e iam. Talvez fosse melhor ir no médico. Mas ela fez algo que não podia fazer, então será que seria atendida?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Numa das idas a geladeira, a vizinha resolveu conversar. Estava passando por um problema no trabalho, uma outra funcionária estava tentando tomar seu lugar. Falou sobre isso por horas, estava transtornada, xingou a rodo e depois se sentiu melhor. E ela sentia muita dor, mas ouviu as queixas e teve tempo de comer um pouco mais também. Ao se sentir aliviada após desabafar, a vizinha Bruna olhou com algum carinho para Joana. Deu um abraço nela. Cortou uma fatia generosa da torta para ela levar. Falou algo sobre chip em vacinas, que não devia ter se vacinado e vacinado Marcinho. Disse que Joana era boa pessoa, que fez o certo, não tinha condições de ter outro filho e que seu ex-marido era um imprestável, que devia cobrar dele responsabilidades pelo o que aconteceu. Falar da geladeira e do fogão. E de mais algumas coisas para casa, você não está em condição de fazer tudo sozinha e o filho não é só seu. Disse também que essa conversa de ser orgulhosa e dizer que não precisa é furada, você só está isentando ele da responsabilidade, tirando o fardo dele pra colocar em você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Joana agradeceu. Não conseguia pensar muito sobre o que Bruna falava, na verdade não ouviu direito, estava com muita dor. E nem queria reclamar de nada, estava com sorte, estava levando uma torta maior. Embora pensou levemente que o chip devia ser barato pra ser gastado nela. Teve um estranho sentimento de inserção em cogitar que de alguma forma fazia parte de algo que precisava ser monitorado, que tinha alguma relevância para ter um chip. O filho ainda não havia comido bem naquele dia. Precisava levar a torta para casa, precisava que Bruna se cansasse dela e levantasse da mesa em direção a porta, como sempre fazia quando queria dar a visita por encerrada. Até que ela o fez, mas dessa vez de bom humor. Falou pra voltar amanhã mais cedo pro café. Joana quase em delírio por dentro. Latejava como se levasse golpes de dentro pra fora. Se despediu, agradeceu, deu dois passos na calçada e caiu de testa na rua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acordou no hospital. O primeiro pensamento é se a torta havia ficado no chão. O segundo, foi Marcinho. Abriu os olhos devagar. Estava tomando soro. O terceiro pensamento foi ter ficado satisfeita em ter desmaiado, poupou a chateação que ia ser tentar se consultar sem o RG. A médica entrou, muito prática. Um par de olhos sem emoção acima da máscara hospitalar. Falou sobre o aborto, sublinhou que é crime, perguntou como foi, quanto tempo fazia e como foram as reações. Com a mecanicidade de quem pergunta já sabendo o que vai ouvir de resposta, já emendou sem sutileza &quot;uma parte está aí ainda&quot;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&quot;Uma... parte? Mas sentiu que havia caído, parte?&quot; Ficou tentando pensar em que parte e, em seguida, seu pensamento foi para o todo que estava sem a parte. A médica continuou: &quot;Positivo, uma parte. Está com você faz mais de um mês, necrosou, você vai precisar fazer uma cirurgia de emergência. Vai ficar quatro dias aqui. A cirurgia correndo bem, você vai ficar em observação e vou receitar remédios para a recuperação. Foi uma agressão muito forte, você chegou no hospital no limite. Fique calma e vamos fazer todo o possível aqui.&quot;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi para a cirurgia. Sentia que nem a dor, nem o medo, nem os pensamentos podiam trazer alguma emoção. Estava desconectada da realidade. Estavam ali abrindo. Nem sabia se tinha tomado anestesia ou não. Alguém falou alguma coisa, mas não prestou atenção. Só estava ali, tinha que estar, desejava de todo o coração que resolvesse, mas tinha plena consciência de que não tinha o controle de nada ali. Só foi existindo. Quando terminou, ficou mais dois dias no hospital. Não tiraram a parte que ficou, o corpo expulsaria sozinho em breve, disseram. E você terá que voltar assim que isso acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estar no hospital, para ela, era maravilhoso. Silencioso, a comida não era ruim, eram três refeições por dia e sucos em intervalos diferentes. Estar internada melhorou um pouco seu estado geral. Perguntou assim que pode do filho, se alguém havia dito algo, se alguém procurou por ela. A enfermeira disse que Bruna pediu para avisar que estaria com Marcinho. Respirou um pouco e comeu, feliz, um pedaço do filé de frango e olhou para a janela da onde vinha um raio de sol fraquinho e quente na medida certa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saiu do hospital e foi buscar o filho. Bruna foi rápida em passar o menino pelo portão. E disse que o filho com Marcinho não se deram muito bem. &quot;Briga de criança, você sabe, não pode deixar criança junto muito tempo que sai confusão&quot;. Joana só queria chegar em casa. Pensou vagamente naquele pedaço de torta, enquanto calculava mentalmente o quanto de comida tinha ainda em casa. Bruna deu um pote com um pouco do almoço e foi fechando o portão. Assim que chegou, deu falta do pacote de arroz. Marcinho contou: ela levou mãe, disse que o dela tinha acabado, arroz tá muito caro. E foi aí que reparou que o braço do menino estava com alguns hematomas. Pegou na mão do filho e pediu para ele contar o que havia acontecido, foi caminhando com ele até o colchonete. Abraçou o menino e escorreu uma lágrima em cima do cabelo dele, enquanto ele falava. Ela estava exausta e não conseguiu ouvir bem a história, a voz dele foi embalando o seu sono. Sentia como se fosse a Park So-dam, na cena do alagamento de &quot;Parasita&quot;. Adormeceu, com um Marcinho triste nos braços.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passaram alguns dias. Estava sentindo a dor no colo se intensificar. Sabia que tinha algo por vir e veio. Sentiu correr por dentro da calça. Parecia um deja vú, mas com uma dor um pouco menos intensa. Talvez finalmente tenha realmente respirado em todos esses dias. Reconheceu na diminuição o fim daquela situação. Era o fim, tudo ia voltar ao normal, na medida do possível. Estava se esforçando para não pensar demais a respeito da situação, desde o início. Não podia se abalar. E estava acabando. Sentia o sangue sair mais contido no vaso, a dor atenuando. Saía tudo, sangue, urina, merda, tudo de uma vez, aos poucos. O corpo estava se limpando. Até que chegou no fim. Pegou o papel para se higienizar e, quando passou, sentiu algo ali. No caminho entre levar o papel de sua vagina para o lixo, viu: um pequeno corpinho vermelho escuro, sem um olho e sem uma parte da cabeça, com o pescoço virado em um ângulo estranho, uma das mãos travadas para fora. Ela olhou de uma forma tão profunda que aquela imagem se tatuou de forma violenta na sua memória. A mão começou a tremer, Marcinho bateu na porta &quot;Manhê, quero usar o banheiro, a senhora vai demorar?&quot; ela se assustou e o corpinho caiu no vaso cheio de sangue e merda. Marcinho foi abrindo a porta se cortorcendo com a mão na virilha, no reflexo para que ele não visse o que estava acontecendo Joana deu a descarga. Ele notou o sangue: &quot;a senhora está bem?&quot; Ela disse: sim, sim, chama menstruação isso, um dia te explico melhor filho. A mãe limpa amanhã tá, estou muito cansada, tente não encostar tá bom? Ele responde: &quot;a senhora agora vive cansada, não fala mais comigo...&quot;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a voz dele foi ficando mais baixa. Ela sequer terminou de se limpar. Suava frio. Deitou no colchonete e disse para si mesma: você não pode pensar. não pense. não pense. se concentre no cansaço. não pense.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E dormiu, com um sorriso leve no rosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/7394184366460470433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/positivo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/7394184366460470433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/7394184366460470433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/positivo.html' title='Positivo'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-8724919421351095664</id><published>2022-03-09T14:05:00.002-08:00</published><updated>2022-03-09T14:05:26.964-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #050505; font-family: &amp;quot;Segoe UI Historic&amp;quot;, &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 15px; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;(08/03/2016)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #050505; font-family: inherit; font-size: 15px; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;Para Michele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q&quot; style=&quot;animation-name: none !important; background-color: white; color: #050505; font-family: &amp;quot;Segoe UI Historic&amp;quot;, &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 15px; margin: 0.5em 0px 0px; overflow-wrap: break-word; transition-property: none !important; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot; style=&quot;animation-name: none !important; font-family: inherit; transition-property: none !important;&quot;&gt;Trabalhe e estude. Não tem outro caminho. Se você acha que tem, reveja enquanto há tempo e trabalhe e estude. Se não pode estudar, procure sempre conhecer algo novo por conta própria. Se articule. Tenha seu dinheiro e goste da própria companhia, procure algum entretenimento que você possa ter sozinha ou de forma independente. Evite ter algo do qual dependa, como vícios ou pessoas. Se tiver, trabalhe mais ainda e reserve ainda mais momentos para você mesma. Abrace seus gostos estranhos e defenda-os, mesmo que ninguém concorde com você.&lt;/div&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot; style=&quot;animation-name: none !important; font-family: inherit; transition-property: none !important;&quot;&gt;Em vários sentidos, a vida não foi feita para ser fácil para você. Não espere solidariedade de homens e nem de outras mulheres. Entenda desde cedo que você está sozinha e que falta de dinheiro e afeto exagerado escravizam as pessoas. Alguém que se preocupa muito em te julgar por coisas simples quer te manipular e te controlar, não permita. Se você sentir que algo que acontece com você não é justo, não é loucura da sua cabeça. Não engane as pessoas, isso é desperdício de tempo e tempo é a coisa mais importante que você tem, o tabuleiro onde você joga. Não confie demais e nem rápido demais nas pessoas. O tempo mostra em quem você pode confiar, tenha paciência. Existem exceções, mas não se adota uma exceção como regra. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q&quot; style=&quot;animation-name: none !important; background-color: white; color: #050505; font-family: &amp;quot;Segoe UI Historic&amp;quot;, &amp;quot;Segoe UI&amp;quot;, Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 15px; margin: 0.5em 0px 0px; overflow-wrap: break-word; transition-property: none !important; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;div dir=&quot;auto&quot; style=&quot;animation-name: none !important; font-family: inherit; transition-property: none !important;&quot;&gt;E, mesmo se ouvir o que eu digo, ainda assim terá muitas decepções, porque a gente aprende mesmo é na prática e, mesmo depois que aprende, às vezes erra. Nada pode te poupar de acontecer alguma merda e vão acontecer muitas, mas você pode se preparar e isso faz toda diferença. Essa é a última carta e mais importante que te escrevo. Você me enviou uma carta muito bonita e te agradeço, mas isso que te digo não é para ser bonito, quero que fixe isso na cabeça: não tem outro caminho.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/8724919421351095664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/08032016-para-michele.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/8724919421351095664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/8724919421351095664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/03/08032016-para-michele.html' title=''/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-964495128426395366</id><published>2022-01-18T12:35:00.011-08:00</published><updated>2022-01-18T12:50:02.359-08:00</updated><title type='text'>Aborto (Texto afetado pelo álcool, pela tristeza, pela intuição e outros critérios que fazem sentido apenas em pensamentos marítimos)</title><content type='html'>&lt;p&gt;A partida, é claro, é sempre do início. E talvez o fim tenha uma relação sempre muito próxima do início, como um ciclo que se encerra. Quem sabe, quando chegar a morte, eu tente lembrar do início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O início está no fim, neste fim. O início foi o motivo do fim.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É confuso associar o que pertence ao meio, neste meio. O que era meu e o que era do início. Ou se tudo sempre foi apenas, início. Abortado, um aguardo. (Dublê, eu?) Se tudo é apenas o aguardo do início ser levado mais a sério e ver que, através do dejà vu sempre o mesmo, a mesma razão, o mesmo retorno, as mesmas defesas, defendi o meio do que sempre foi apenas o início.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu era uma semelhança que tinha, em alguns pontos, com o início. Foi desenvolvido um meio? Talvez. Então agora temos um início deformado, mas ainda assim um início.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Percebo que inícios são diferentes. O meu ficou lá. Eu procurei desenvolver. A resistência a desenvolver, é o que? Estar preso - claro - ao começo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando tantas discussões não fazem sentido, quando a indiferença era tão fácil (e eu sentia! eu sabia, mas que valor dei a achismos, o que eu figura elementar do ar entendo disso?), é porque o sentido é outro. O sentido é o início e era lá no início que sempre esteve o fim.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/964495128426395366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/aborto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/964495128426395366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/964495128426395366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/aborto.html' title='Aborto (Texto afetado pelo álcool, pela tristeza, pela intuição e outros critérios que fazem sentido apenas em pensamentos marítimos)'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-3801618433091081812</id><published>2022-01-18T12:24:00.001-08:00</published><updated>2022-01-18T12:24:29.563-08:00</updated><title type='text'>Jogando Água Fervente no meu Cérebro</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;(&quot;The Return...&quot; Cecília, primeiro parágrafo)&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/3801618433091081812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/jogando-agua-fervente-no-meu-cerebro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3801618433091081812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3801618433091081812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/jogando-agua-fervente-no-meu-cerebro.html' title='Jogando Água Fervente no meu Cérebro'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-3827504234749077267</id><published>2022-01-14T15:41:00.002-08:00</published><updated>2022-01-14T15:52:28.954-08:00</updated><title type='text'>(Des)culpa</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Algumas palavras da língua portuguesa tem um entendimento complicado e essa é definitivamente uma delas. Afinal, é possível pedir desculpas por motivos diferentes e divergentes entre si.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguém pode se desculpar por uma reação negativa do outro, sem de fato se sentir culpado pelo o que fez, mas em tentativa de mostrar se importar com o que sente a outra pessoa. Alguém também pode sentir culpa, mas sem achar que estava errado e pedir desculpas por polidez. Também pode realmente sentir culpa e então, se desculpar e esperar ser desculpado. Ou ainda pode-se pedir desculpas por ser culpado, porém de forma retórica, como um atenuante, como um mínimo a ser feito, mas sem esperar que a outra pessoa aceite ou não esse pedido. Ainda teria o sentido de &quot;motivo&quot;, de criar uma &quot;desculpa&quot; para fazer ou não fazer algo e, mesmo nesse sentido, se a justificativa de uma ação foi classificada como &quot;desculpa&quot;, já envolve uma ótica dúbia, entre dois pontos de vista diferentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando alguém diz essa palavra, é complicado entender o que de fato a pessoa quer dizer com isso. A intenção em todas elas é demonstrar consideração. Mas a força motivadora e o real objetivo desse pedido é nebuloso. A palavra não tem um sentido sozinha, depende de outra pessoa, depende de outra ótica. Isso sublinha um caráter específico das situações onde essa palavra se aplica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/3827504234749077267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/desculpa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3827504234749077267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3827504234749077267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/desculpa.html' title='(Des)culpa'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-611116051094488935</id><published>2022-01-13T11:59:00.000-08:00</published><updated>2022-01-13T11:59:50.321-08:00</updated><title type='text'> Entrada ou saída de luz</title><content type='html'>&lt;p&gt;Uma janela deve ser grande e apropriada para a entrada de sol e ar, para manter na temperatura adequada os objetos, as paredes e a pessoa-eu viva ali dentro. Porém, a janela dá para um corredor, onde passam outras pessoas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma janela tem funções ambivalentes: a de permitir a entrada e de vetar a entrada. Vezes não quero a luz, mas preciso de ar. Quando quero a luz, não quero me expôr para as ocasionais pessoas que passam no corredor. Em dias quentes, quero arejar, mas não quero ouvir os sons que vem de fora. Quero, como se faz com um frango, filetar apenas a fatia que me interessa, mas não é possível porque o caminho para um é o caminho para o outro.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quero me esconder, mas quero materializar ideias que tenho na cabeça (e a matéria, está no mundo). Quero pensar, mas existem pensamentos para onde não quero ir. Quero destruir, mas tem os efeitos colaterais. Quero ver, mas não quero estar lá. Ou quero estar, mas não quero participar. Ou ainda, quero participar, mas não com todos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O hedonismo é uma escolha ambidestra.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/611116051094488935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/entrada-ou-saida-de-luz.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/611116051094488935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/611116051094488935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/entrada-ou-saida-de-luz.html' title=' Entrada ou saída de luz'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-550255645755415207</id><published>2022-01-11T23:19:00.007-08:00</published><updated>2022-01-13T10:45:36.145-08:00</updated><title type='text'>Para os meus textos</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Vocês são os filhos que pari para me ampararem na velhice e nos maus momentos. Vocês envelheceram e foram amadurecendo. Lembro de vocês pequenos, infantis, com a letra arredondada e afundada, desenhada no espaço de duas linhas de um caderno espiral brochura, buscando os primeiros finais e os primeiros sonhos. Lembro da folha da primeira história que escrevi para a escola. Mas lembro da folha pautada, do lápis mal apontado, como uma foto, na minha cabeça. Vocês tinham a visão da alegria que foi para mim materializar as primeiras das tantas linhas que sempre abarrotaram minha cabeça. Meus olhos olhavam aquelas letras ainda com luz, antes da vida desligar esse interruptor.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas eu sempre tive aquela semente: aquela que não pode ser escolhida, aquela que não faz parte.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim vocês foram crescendo, rebeldes como corcéis, atravessando as linhas, as letras inclinando, indo para desde o sulfite até guardanapos, papéis higiênicos, carteiras, até meu próprio corpo. Como inspirada por Calíope, como embreagada por Dionísio. Vocês começaram com algumas piadas sem graça, tentando criar um estilo, quando se encontraram em alguns pontos que sempre me foram inerentes: A soturnez, que me fazia companhia na insônia, que me fazia ir escondido do quarto para a sala na infância para ver filmes e escrever. E de uma madrugada, como essa, surgiu o Breu. Também a minha estranheza de personalidade e raciocínio, que então se tornara convicta. O niilismo, que me segurava a mão quando eu via toda a civilização virar um banco de areia e vagar sem destino ao meu redor. E o gosto pelo aleatório. Ah, isso. O aleatório. O absurdo de tudo. A descoberta do surrealismo, do dadaísmo, da guerra, o centro da cidade de São Paulo, a insanidade do metal extremo. A descrença em um destino, a irreverência. Eu me apaixonei de uma forma profunda e violenta pela capacidade de conseguir extrair da criação e da memória as ideias mais caóticas que eu poderia parir. E eu pari. Muitos de vocês.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Claro que eu só poderia ser uma mãe atroz, muitos foram perdidos e descartados. Dos mais terríveis até os mais belos. A maioria batidos nos bolsos de calças jeans cheirando a cerveja dentro de máquinas de lavar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escrevi muitos de vocês sozinha nas madrugadas, em calçadas, em bares, em momentos tão nossos. Vocês não tem pai. Vocês, como Atena, nasceram de uma dor de cabeça initerrupta e, conforme as situações foram me golpeando, foram saindo seus braços, pernas, tronco e cabeça de dentro do meu crânio. O sêmen foi exclusivamente a minha necessidade de vocês existirem. A quase totalidade de vocês não foram direcionados a ninguém. Vocês são de mim e para mim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A intransigência de vocês foi ficando cada vez mais marítima. Afundando. Fomos juntos ao centro da terra. Fomos juntos ao inferno. A letra ficou instável, as ideias cada vez mais pesadas e sufocantes. Tentando entender, tentando descriptografar nós na garganta e gritos que só foram percebidos pelos ouvidos dos meus orgãos internos. Um ódio tão intenso que quase me comeu viva, aquele instinto assassino e aquela instrospecção que me tirou o sangue. Lembram? Eu lembro. Algumas palavras de vocês estão marcadas em mim como se fossem feitas com ferro quente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Boa parte dos que ainda me restam estão aqui, nessa tela preta. Eu lembro das circuntâncias em que escrevi a maioria de vocês. Então me sooam como se fossem um diário. Minha memória funciona de uma forma estranha e não entendo a seleção que ela faz. Não entendo bem o tempo, o &quot;quando&quot; é complicado para mim determinar. Uma mãe que não lembra do aniversário de seus filhos. O &quot;onde&quot; às vezes também. Mas o porquê, eu sempre lembro. Porque é essa região aérea, mental, que sempre foi nossa casa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje é um dia terrível para mim. E como de hábito, vim recorrer a minha prole: ver o que cada uma tinha a dizer, analisar novamente como foi a construção de vocês. Vocês e a música são as minhas companhias mais duradouras. Vocês e você, que escrevo nesse exato momento, acabam de acalmar meus nervos. Mas vamos com calma: parece que voltamos a zona abissal do oceano. Só que dessa vez, eu já te conheço.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E tenho melhor noção das letras que preciso para criar essa nova embarcação, que me abrigará durante o dilúvio. Obrigada pela sua sinceridade e principalmente pela confiança que sempre depositei em vocês. Não usei meias palavras, apenas palavras inteiras e verdadeiras, por mais que elas eternizassem algo com quem lutei. Obrigada por toda essa violência. Obrigada, pela confiança. Voltei a produção aos mais horrendos da prole.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/550255645755415207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/para-os-meus-textos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/550255645755415207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/550255645755415207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/para-os-meus-textos.html' title='Para os meus textos'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-3821115016631772840</id><published>2022-01-11T20:52:00.003-08:00</published><updated>2022-01-11T20:52:32.534-08:00</updated><title type='text'>Valor</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Olhou do verso e do inverso, colocou-as de ponta-cabeça e sacudiu, como uma senhora com sua bolsa de moedas procurando uma de valor. Ouviu histórias pessoais inteiras de quarenta minutos em algum vídeo, fez perguntas constrangedoras, testou uma piada média e aguardou alguns minutos. Olhou em volta, penetrando as córneas na semânica de cada palavra que ouvia, fez um raio-x em cada onomatopéia, prestou atenção até na cadência da respiração. Se perguntou se ali havia &quot;quem não confessasse um pecado, mas uma infâmia&quot;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A moeda que usava havia perdido o valor.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/3821115016631772840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/valor.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3821115016631772840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/3821115016631772840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/valor.html' title='Valor'/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4724232715069579730.post-5631277704638354022</id><published>2022-01-11T18:41:00.002-08:00</published><updated>2022-01-11T18:43:14.656-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEhlQDELkpZzRw2mM-9CN8ajOc2XhK0vu0U3Afic1Tj7689uu6wnG7tuPc8PZ4RtU15drQh9DMxUF7md6OTq7LQdNeV8XmdzLFFwVsJEnp8ig1D58PeR2DNhdNlAWbBhxQHf8Bou55p9ddSckGCfqo1dnsQip0IyKHBvF-fa36oxdYolUxaacGRMzILp=s311&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;311&quot; data-original-width=&quot;162&quot; height=&quot;311&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEhlQDELkpZzRw2mM-9CN8ajOc2XhK0vu0U3Afic1Tj7689uu6wnG7tuPc8PZ4RtU15drQh9DMxUF7md6OTq7LQdNeV8XmdzLFFwVsJEnp8ig1D58PeR2DNhdNlAWbBhxQHf8Bou55p9ddSckGCfqo1dnsQip0IyKHBvF-fa36oxdYolUxaacGRMzILp&quot; width=&quot;162&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nobreu.blogspot.com/feeds/5631277704638354022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/lyssa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/5631277704638354022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4724232715069579730/posts/default/5631277704638354022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nobreu.blogspot.com/2022/01/lyssa.html' title=''/><author><name>Losterh</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18073537163238109166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/a/AVvXsEhlQDELkpZzRw2mM-9CN8ajOc2XhK0vu0U3Afic1Tj7689uu6wnG7tuPc8PZ4RtU15drQh9DMxUF7md6OTq7LQdNeV8XmdzLFFwVsJEnp8ig1D58PeR2DNhdNlAWbBhxQHf8Bou55p9ddSckGCfqo1dnsQip0IyKHBvF-fa36oxdYolUxaacGRMzILp=s72-c" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>