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    <title>Não posso evitar...</title>
    
    
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    <updated>2012-01-24T21:32:16-02:00</updated>
    <subtitle>Minhas opiniões são mais fortes que o meu juízo.

Por Rodolfo Araújo</subtitle>
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        <title>Lucro verde</title>
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        <published>2012-01-24T21:32:16-02:00</published>
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        <summary>Quem veio aqui atrás da última grande iniciativa ecológica que, além de salvar o planeta, está gerando fabulosos lucros a engajados empreendedores, putz, errou de endereço. Este texto é sim sobre uma iniciativa que vai gerar bastante lucro e deixar...</summary>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p>Quem veio aqui atrás da última grande iniciativa ecológica que, além de salvar o planeta, está gerando fabulosos lucros a engajados empreendedores, putz, errou de endereço.</p>
<p><a href="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330163001015cd970d-pi" style="float: left;"><img alt="Sacolas plásticas 03" class="asset  asset-image at-xid-6a00e554b11a2e88330163001015cd970d" src="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330163001015cd970d-250wi" style="width: 250px; margin: 4px 12px 5px 0px;" title="Sacolas plásticas 03" /></a>Este texto é sim sobre uma iniciativa que vai gerar bastante lucro e deixar alguém bem na foto. Mas está longe, muito longe de ser algo realmente impactante em nível ambiental. Positivamente, ao menos.</p>
<p>Se você costuma frequentar as lojas do Pão de Açúcar - ou sua rede mais humilde, a Qualitá/Taeq (não deveria ser este o nome, já que é o que te empurram lá dentro?) - deve ter notado os avisos informando que, a partir de 25 de janeiro, não haverá mais distribuição de sacolas plásticas gratuitas.</p>
<p>A iniciativa, segundo o folheto explicativo, é para não sufocar mais o planeta. Um belo gesto da empresa do politicamente correto Abílio Diniz, patrocinado por... você!</p>
<p>Veja a razão:</p>
<p>Da data citada em diante, o Pão de Açúcar deixará de distribuir (gratuitamente) sacolas plásticas e, em seu lugar, venderá as tais bolsas ecológicas, feitas de material reciclável e que podem (e devem) ser reutilizadas.</p>
<p>O grande problema desta iniciativa é que estaremos trocando uma embalagem pouco poluente por uma outra, muito mais poluente - além de muito mais cara. Se você estranhou a afirmação, então vamos aos fatos:</p>
<p>Em fevereiro de 2011 a <em>Environmental Agency</em>, um órgão oficial do Governo Inglês - e, portanto, britanicamente sério - publicou um relatório sobre um estudo comparativo entre os diferentes tipos de sacolas utilizadas para carregar compras de supermercado.</p>
<p>Textualmente, o relatório afirma:</p>
<p><a href="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330168e6062295970c-pi" style="display: inline;"><img alt="Sacola plástica01" border="0" class="asset  asset-image at-xid-6a00e554b11a2e88330168e6062295970c image-full" src="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330168e6062295970c-800wi" title="Sacola plástica01" /></a><br />Ou seja: "As sacolas convencionais de HDPE (polietileno) tiveram o <strong>menor impacto ambiental das sacolas leves em oito das nove categorias</strong>."</p>
<p>Mais adiante, o relatório aponta quem é o vilão:</p>
<p><a href="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330168e6062721970c-pi" style="display: inline;"><img alt="Sacola plástica02" border="0" class="asset  asset-image at-xid-6a00e554b11a2e88330168e6062721970c image-full" src="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330168e6062721970c-800wi" title="Sacola plástica02" /></a><br />Isto é: "As sacolas de poliéster tiveram o maior impacto em sete das nova categorias consideradas. (...) devido ao alto impacto da produção da matéria-prima, transporte e geração de metano nos aterros".</p>
<p>Se, ainda assim, você não se convenceu, porque vê grande importância na reciclagem do lixo para a confecção das sacolas, você não está sozinho. Os vietnamitas concordam contigo. Porque as sacolas vendidas no Pão de Açúcar são fabricadas lá no Vietnã. Estamos limpando um quintal alheio, do outro lado do mundo. Fora a poluição do transporte de lá para cá.</p>
<p>OK, você usa sacolas de algodão? Que ótimo, porque ela não é a pior de todas. É a segunda pior. A razão é que para ser ecologicamente viável ela deve ser usada, segundo o mesmo estudo, 173 vezes no mínimo.</p>
<p>Quem vai ao mercado uma vez por semana, tem que levar a mesma sacola de algodão, branquinha, durante pelo menos três anos, três meses e duas semanas para valer a pena. Sem lavar, porque sacolas plásticas não precisam ser lavadas. Bom, se você é um ecologista xiita isso não deve ser problema, porque higiene não é mesmo o seu forte...</p>
<p>No meu caso, sempre utilizei as sacolas como sacos de lixo, em vez de jogá-las nos rios para sufocar peixes e aves de propósito. Com o fim delas, precisarei comprar sacos de lixo - que acredito ser muito mais poluentes do que sacolas. E onde os comprarei? No Pão de Açúcar, claro.</p>
<p>Ainda assim, dirá você, a preocupação da rede de supermercados é justa, afinal, está retirando milhões de sacolas plásticas do mercado, não é?</p>
<p>Pois é, insistente leitora, volte ao início do texto e repare a última palavra do terceiro parágrafo. Ela não está lá à toa. Ela alerta para as letras miúdas do contrato: não haverá mais distribuição <strong>gratuita</strong> de sacolas plásticas. Se você as quiser, é só pagar! Pagar por uma coisa que sempre foi de graça. Pagar por uma coisa que o Pão de Açúcar diz que polui, que é ruim para o meio ambiente.</p>
<p>Poluir é feio, mas se der lucro não tem problema!</p></div>
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        <title>A Grande Muralha da Internet</title>
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        <published>2012-01-20T02:31:40-02:00</published>
        <updated>2012-01-20T02:31:40-02:00</updated>
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            <name>Rodolfo Araújo</name>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p>O assunto do momento na Internet é o projeto de lei americano que põe em risco a Internet enquanto instituição aberta, livre e democrática. Isso, claro, fora do Brasil, porque aqui só se fala mesmo em BBB.</p>
<p>A iniciativa tem o (justo?) propósito de tentar por um freio na pirataria, mas seus efeitos colaterais abrem perigosos precedentes para sinistras aberrações jurídicas. Senão vejamos:</p>
<p>Iniciado no Senado americano, o <em>PROTECT IP</em> ganhou sua versão também na <em>House of Representatives</em> (o equivalente à Câmara dos Deputados), sob o singelo acrônimo <em>E-PARASITE</em>, ou <em>Enforcing and Protecting American Rights Against Sites Intent on Theft and Exploitation</em> (algo como Cumprindo e Protegendo os Direitos Americanos Contra Sites Intencionados em Roubo e Exploração).</p>
<p>Grosso modo, a lei obriga os provedores de acesso (como Vírtua e Speedy) a bloquearem os IPs de quem é suspeito - repito, suspeito - de veicular informações que possam favorecer a pirataria. Em bom nerdês, isso significa que você não vai conseguir acessar os sites que estiverem na lista negra. Além disso, podem impedir os meios de pagamento (como VISA e PayPal) de fazerem negócios com estes sites, fechando suas fontes de recursos.</p>
<p>À primeira vista, parece algo razoável, na medida em que violar direitos autorais é crime previsto, inclusive, em leis internacionais. Mas de boas intenções, dizem, está calçado o caminho do inferno. E, neste caso, os paralelepípedos são um presente das indústrias cinematográfica e fonográfica. Vamos ao roteiro, pois:</p>
<p><span style="color: #ff4040;"><strong>MORTO AO CHEGAR:</strong></span> a partir da denúncia de (supostas) atividades ilícitas de um determinado site, independentemente de sua localização física, o provedor de acesso tem um prazo para bloqueá-lo, sob pena de severas multas. Ele deixa de ser o meio e passa a ser o próprio criminoso. Isso é comparável a responsabilizar companhias telefônicas pelo que as pessoas conversam através de sua rede.</p>
<p><span style="color: #823857;"><strong>EFEITOS COLATERAIS:</strong></span> provedores de acesso precisarão criar equipes próprias para administrar as listas negras de bloqueios, além de reforçar suas estruturas jurídicas para dar conta das inevitáveis ações que pipocarão de ambos os lados. Essa conta será paga por você, assinante. Por outro lado, empresas criarão desvios de IP para contornar (ilegalmente) a restrição e venderão seus serviços a quem interessar possa. E mais: em meio à recessão que afeta o país como um todo, os EUA correm o risco de verem os pólos de inovação migrarem para outros países, onde a legislação não apoia tão grotesca violação.</p>
<p style="margin: 4px 0px 5px 10px; float: right; text-align: right;"><a href="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330162ffd015a4970d-pi" style="display: inline;"><img alt="Bill_of_Rights" class="asset  asset-image at-xid-6a00e554b11a2e88330162ffd015a4970d" src="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330162ffd015a4970d-400wi" style="width: 400px;" title="Bill_of_Rights" /></a><br /><span style="font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 11px;"><em>Bill of Rights</em>: cada vez mais uma relíquia do passado</span></p>
<p><span style="color: #ff4040;"><strong>CULPADO POR SUSPEITA:</strong></span> a partir da denúncia, o provedor de acesso fica obrigado a primeiro bloquear o IP, para depois discutir se a medida procede ou não. O efeito antecipa-se ao processo legal, tal qual uma liminar.</p>
<p><span style="color: #823857;"><strong>EFEITOS COLATERAIS:</strong></span> é a volta do macartismo, puro e simples. Uma virtual inversão do ônus da prova; do denunciante para o denunciado.</p>
<p><span style="color: #ff4040;"><strong>ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ:</strong></span> a lei abrange todo tipo de endereço na Internet (e também vale para emails!), desde os grandes portais de comunicação, aos humildes <em>blogs</em> como este que você está lendo.</p>
<p><span style="color: #823857;"><strong>EFEITOS COLATERAIS:</strong></span> tanto empresas gigantescas quanto você e eu, cidadãos comuns, precisaremos recorrer às esferas jurídicas para provarmos nossa inocência, depois do prejuízo que o bloqueio possa vir a causar. Você é culpado até que prove o contrário, numa afronta clara e direta à Primeira Emenda da Constituição Americana que estabelece direitos fundamentais, como o da Liberdade de Expressão e Liberdade de Imprensa.</p>
<p>No início do ano passado, por exemplo, uma agência governamental americana <a href="http://torrentfreak.com/u-s-government-shuts-down-84000-websites-by-mistake-110216/" target="_blank" title="Leia a história (em Inglês)">bloqueou, por engano</a>, 84.000 domínios sob a (infundada) acusação de pedofilia.</p>
<p><span style="color: #ff4040;"><strong>TIROS NA ESCURIDÃO:</strong></span> pela dimensão da Internet, pelo que ela representa em termos de liberdade de expressão, pela velocidade com que a informação se espalha e, principalmente, por seu difícil controle, todos são potenciais suspeitos. E já que não dá para ir atrás de todo mundo, a lei mira os veículos. Leia-se: Facebook, Twitter, Tumblr, YouTube, Wikipedia, Google e Yahoo!, só para citar os cachorros grandes.</p>
<p><span style="color: #823857;"><strong>EFEITOS COLATERAIS:</strong></span> não dá para viver num mundo assim. As plataformas citadas nasceram e prosperaram baseadas na liberdade que oferecem a seus usuários. Abusos foram cometidos? Sem dúvida! Mas a fiscalização e devidas sanções não podem punir a todos. Não podem representar um retrocesso aos que já estão aí, muito menos desencorajar os que ainda estão por vir.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * * * * * * * * *</strong></p>
<p style="margin: 4px 12px 5px 0px; float: left;"><a href="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330168e5c5dcdc970c-pi" style="display: inline;"><img alt="Banner_Censura" class="asset  asset-image at-xid-6a00e554b11a2e88330168e5c5dcdc970c" src="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330168e5c5dcdc970c-400wi" style="width: 400px;" title="Banner_Censura" /></a><br /><span style="font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 11px;">Foi mal: o singelo banner exibido nos 84.000 sites bloqueados por engano.</span></p>
<p>Muita gente compara a medida à censura governamental imposta por países como a China e o Irã. Mas a que os congressistas americanos propõem é bem mais nociva. As duas primeiras têm regras claras, embora anti-democráticas, para suas restrições. Já a lei americana é vaga, não define exatamente o que pretende coibir e deixa muita margem a interpretações - o que pode ser muito mais pernicioso.</p>
<p>Alguns setores da economia criticam duramente a iniciativa, já que ela representaria um freio à Inovação. Patrocinada pelos gigantes de Hollywood, cujo <em>lobbying</em> está por trás dos congressistas, as leis tentam combater novas tecnologias físicas e sociais que vêm corroendo uma indústria que parou no tempo. A conta mostra que é muito mais rentável pagar lobistas do que apostar em inovação. Para grandes empresas é mais barato manter o <em>status quo</em> do que correr os riscos inerentes às novidades - cujos lucros engordarão bolsos alheios.</p>
<p>Noutras épocas, combateu-se o rádio, a televisão, o videocassete e a copiadora pelos mesmos motivos. Curiosamente, estas invenções multiplicaram os ganhos daqueles que foram, inicialmente, seus principais opositores. Hoje, um filme gera muito mais receita na venda de DVDs e transmissão por TV do que nas bilheterias.</p>
<p>Outro previsível tiro pela culatra é que uma proibição pode levar à criação de algo muito mais danoso. Quando fecharam o Napster, surgiu o Torrent - que hoje responde pelo maior volume de tráfego na Internet. Se uma medida dessas for aprovada, corre-se o risco de criarem uma rede muito mais bandalha do que a atual tornando a fiscalização, aí sim!, totalmente impraticável.</p>
<p>Isto ocorre porque bandidos e estelionatários sempre encontram um jeito de cometer seus crimes. O famoso golpe do milionário que precisa do número da sua conta para receber uma herança era feito por cartas antigamente. Pode voltar a ser. O SPAM vai voltar a ser enviado por correio e os vídeos pirata continuarão a ser vendidos nos camelôs - só que em quantidades incrivelmente maiores. Ou os piratas vão desistir do que fazem e procurar um emprego de verdade?</p>
<p>O cerne da questão envolve a falsa premissa de que novas tecnologias incentivam a pirataria e que o consumidor embarca nessa onda. Uma das mais badaladas criações dos últimos anos aponta na direção oposta: o iPod vingou exatamente por ser um modelo de negócio inovador - pois a tecnologia já estava disponível muito antes de o <em>gadget</em> endeusar a Apple. O aparelho virou febre <strong>apesar</strong> de os clientes terem que pagar pelas músicas o que, aliás, gerou uma muito bem-vinda receita extra para os estúdios. O iPod representa, portanto, um caso clássico de multiplicação de receitas e redução de custos e foi algo que surgiu <strong>fora</strong> da indústria de entretenimento.</p>
<p>Honestamente, a lei é tão bizarra que não vejo nenhuma chance de ela ser aprovada da forma como está - ao menos não na terra dos bravos, lar dos livres. Mas sempre posso estar enganado...</p>
<p> </p></div>
</content>



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        <title>A última teta do Governo</title>
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        <published>2012-01-18T22:52:32-02:00</published>
        <updated>2012-01-18T22:52:32-02:00</updated>
        <summary>Enquanto o país mergulha no infame debate da Bela-Adormecida-que-foi-estuprada-ou-não, uma silenciosa entubada espreita-nos, contribuintes, numa medida irresponsável de nossa presidente - ou presidenta, como queiram. Trata-se do famigerado caso das próteses de silicone francesas e holandesas que, adulteradas, começam a...</summary>
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            <name>Rodolfo Araújo</name>
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<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p>Enquanto o país mergulha no infame debate da Bela-Adormecida-que-foi-estuprada-ou-não, uma silenciosa entubada espreita-nos, contribuintes, numa medida irresponsável de nossa presidente - ou presidenta, como queiram.</p>
<p>Trata-se do famigerado caso das próteses de silicone francesas e holandesas que, adulteradas, começam a apresentar rupturas e ameaçar a saúde de suas portadoras. Sua Excelência, preocupada que é com a saúde pública, decidiu unilateralmente que o SUS deverá arcar com as cirurgias de remoção das tais turbinas. O mesmo vale para os planos de saúde que, por força da lei, também deverão cobrir a despesa.</p>
<p>O caso envolve má-fé dos fabricantes, que utilizaram material impróprio na confecção dos implantes que, mesmo assim, continuaram a ser comercializados no país, sob as barbas da distraída fiscalização sanitária.</p>
<p>Ainda assim, o Governo apressou-se em pagar a conta da pilantragem, mesmo sem ter a <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5555218-EI306,00-SUS+anuncia+remocao+de+proteses+de+silicone+sem+prever+custo.html" target="_blank" title="Veja matéria no portal Terra">menor ideia de quanto isso vai custar</a> aos cofres públicos ou particulares.</p>
<p>A parte do cidadão comum é fácil de entender, já que será pago com o meu, o seu, o nosso rico dinheirinho arrancado através dos impostos. Do outro lado, a coisa é mais sutil, já que os planos de saúde certamente darão um jeito de repassar a pemba, embutindo-a em alguma linha miúda do seu contrato de cobertura. Assim, se você tem plano de saúde, pagará por dois peitos, em vez de um.</p>
<p style="margin: 4px 0px 5px 10px; float: right; text-align: right;"><a href="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330162ffced917970d-pi" style="display: inline;"><img alt="Larissa-Riquelme-jogo" class="asset  asset-image at-xid-6a00e554b11a2e88330162ffced917970d" src="http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e88330162ffced917970d-400wi" style="width: 400px;" title="Larissa-Riquelme-jogo" /></a><br /><span style="font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 11px;">- Viva a Dilma! Vou ligar pra ela pra ver se também posso...</span></p>
<p>Salvo em casos de mastectomia, relacionados a doenças ou outras causas - nas quais a medida do Governo é compreensível - colocar silicone nos seios é um procedimento puramente estético, eletivo, opcional, facultativo.</p>
<p>Qualquer cirurgia expõe o paciente a riscos diversos, desde a própria anestesia (geral, neste caso), até infecções, hemorragias e demais dissabores, relacionados a procedimentos que incluem um bisturi e linha de costura.</p>
<p>Ao escolher, por livre e espontânea vontade, submeter-se a este incômodo, o paciente (geralmente A paciente) assume todos os riscos envolvidos, inclusive o de ruptura da prótese - seja ela causada por defeito de fabricação, ou por uma buzinada mais empolgada.</p>
<p>De qualquer forma, o risco existe e foi assumido exclusivamente pelo paciente (normalmente pelA paciente, repito), no momento da decisão de fazer a cirurgia.</p>
<p>A ANVISA, que agora aparece montada em seu cavalo branco, deveria impedir que isso acontecesse, com uma fiscalização eficaz daquilo que ela permite que se venda no país (ênfase na parte "a ANVISA liberou a venda das próteses impróprias"). Depois de falhar espetacularmente nesta tarefa, entretanto, ela agora posa de mocinha da história quando, na verdade, é uma das vilãs.</p>
<p>A substituição é necessária, pois parece que o problema detectado é grave, de fato. Seria ótimo se nosso Sistema Único de Saúde tivesse dinheiro sobrando e nenhuma outra preocupação. Mas isso está muito longe de ser verdade, sabemos.</p>
<p>Aliás, mesmo que não apresentem defeito algum, as próteses devem ser trocadas a cada 10 anos, obrigatoriamente e a paciente sabe disso no momento em que toma a decisão. Se ela não tem dinheiro para fazer isso, muita gente também não tem dinheiro para fazer os tratamentos de saúde que o Governo, sem nenhum arrependimento ou culpa, igualmente nega.</p>
<p>Se o dinheiro está sobrando para os peitos - mesmo sem saber o tamanho da conta - está faltando para hemodiálises, transplantes, quimioterapia e diversos outros tratamentos bem mais penosos, arriscados e imprescindíveis. Com a diferença que ninguém optou por precisar deles.</p></div>
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    <feedburner:origLink>http://www.naopossoevitar.com.br/2012/01/a-ultima-teta-do-governo.html</feedburner:origLink></entry>
 
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