<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771</atom:id><lastBuildDate>Sun, 14 Sep 2025 14:24:20 +0000</lastBuildDate><category>toponímia</category><category>Galiza</category><category>Portugal</category><category>antropotopónimos</category><category>germânicos</category><category>celtas</category><category>deturpação</category><category>hidronímia</category><category>romanos</category><category>oicotopónimos</category><category>comarcas</category><category>notas gerais</category><category>oronímia</category><category>artigo</category><category>falsos antropotopónimos</category><category>geografia</category><category>mitologia</category><category>publicações</category><category>teónimo</category><category>urbana</category><category>Gallaecia</category><category>burguesia</category><category>cartografia</category><category>compostela</category><category>concelhos</category><category>corónimos</category><category>cristãos</category><category>descrição</category><category>descrições</category><category>deuses</category><category>edifícios</category><category>etnónimos</category><category>falsos amigos</category><category>fenícios</category><category>fitotopónimos</category><category>hagionímia</category><category>história</category><category>indoeuropeus</category><category>irmandinhos</category><category>orónimos</category><category>revoltas</category><category>rueiro</category><category>s. XVII</category><category>suevos</category><category>tartessos</category><category>território</category><category>toponímia inventada</category><category>toponímia viária</category><category>viagens</category><category>zoónimo</category><category>árabes</category><title>Nomes do país</title><description>Um espaço sobre toponímia, geografia e história da Galiza</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Anonymous)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-108311050621516290</guid><pubDate>Mon, 18 Sep 2017 16:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-09-18T17:59:32.526+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">burguesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">compostela</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">história</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">irmandinhos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">revoltas</category><title>Todo o poder aos concelhos: um levante popular de 1117</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
“Berravam desde fora: «que saia a rainha se quer, para ela damos permissão; os demais que morram a ferro e lume». [...] Saiu a rainha da torre. Quando a viram, botaram-se a ela, agarraram-na e tiraram-na no chão, na lama, raptaram-na como lobos e rasgaram-lhe os vestidos. Com o corpo despido de peito para baixo, ficou vergonhentamente exposta diante de todos durante muito tempo. Muitos quiseram lapidá-la e uma velha feriu-a gravemente na meixela com uma pedra.” Isto foi por 1117, há novecentos anos, em Compostela. E assim o conta a &lt;i&gt;História Compostelana&lt;/i&gt;, livro 1, capítulo 114. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O relato — um dos que ficam ocultos entre o silenciamento geral da história medieval da Galiza — é o de um dos primeiros levantes populares urbanos da Europa medieval, que a historiografia tradicional explica como uma simples sequência dos conflitos sucessórios dos reinos da Galiza, Leão e Castela após a morte do rei Afonso VI. Com efeito, a assim humilhada era a &lt;b&gt;raínha Urraca&lt;/b&gt; (filha desse mesmo Afonso), que em 1107 assinava como &lt;b&gt;imperatriz de toda a Galiza&lt;/b&gt;; e o lugar do que a deixavam sair para depois a espancar publicamente era o palácio arcebispal de &lt;b&gt;Diego Gelmires&lt;/b&gt; que, por certo, conseguira fugir daquela situação por uma porta traseira e disfarçado de mulher, o que para a época não deixava de ser uma humilhação considerável. Mas quem protagonizava aquele levante?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;310&quot; data-original-width=&quot;683&quot; height=&quot;290&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8xDGIlGR97X2bpJc3Jep3AR3jHRL7tQzVILhDLILc3n0HkMOC97lsjchq2xXxM9an-gtZU8YdLNyFrb3dwvwwOoNUdWQUxVCyRmqShyphenhyphen_nwTvbYnVn4Wi_yPzA2R1wMq9_EodvFwbvb5U/s640/Captura+de+ecra%25CC%2583+2017-08-24%252C+a%25CC%2580s+20.30.46.png&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
Miniatura da raínha Urraca, correspondente ao Tombo A da Catedral de Compostela. Na cartela que sustém, pode ler-se: URAKA⋮REGINA⋮ADEFONSIS⋮FILIA⋮CONFIRMAT&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
Compostela era, naquele começo do século XII, uma das principais cidades europeias. O núcleo urbano, constituído precocemente a partir do mito apostólico, tinha uma população burguesa medieval já assentada, que se opunha a continuar submetida ao senhorio arcebispal, e exigia instituições políticas próprias, para o qual se havia organizar numa irmandade urbana relativamente poderosa. Aqueles homens — porque as mulheres foram deixadas à margem, como era habitual — não só se atreveram a atacar o poder feudal exercido, neste caso, por meio da igreja. Foram, ainda, muito além: até à formação de um &lt;i&gt;&lt;b&gt;conçelho&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; com competências políticas nunca antes detentadas que, entre 1116 e 1117, chegou a governar a cidade por completo à margem do arcebispo.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a resolução do conflito dinástico e a aparição de contradições internas na &lt;b&gt;irmandade compostelã&lt;/b&gt;, com um setor favorável ao restabelecimento da situação de partida, Gelmires conseguirá recuperar o seu papel de senhor. Mas, mesmo assim, o poder leigo na cidade ficaria certamente reforçado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Burguesia, soberania, classe&lt;/h3&gt;
Além do significativo do exemplo, pola sua radicalização e pola sua cronologia, Anselmo López Carreira, que recolhe a revolta no seu livro &lt;i&gt;A cidade medieval galega&lt;/i&gt; (Vigo, 1999), explica como, além das luitas dinásticas, o episódio de Compostela de 1117 não pode considerar-se um acontecimento isolado. Bem ao contrário, terminaria reeditando-se em 1136 na mesma cidade e também noutros lugares, como &lt;b&gt;Lugo&lt;/b&gt;, na segunda metade do século, com idêntico resultado: as nascentes burguesias locais, por meio da força das ocupações de terrenos do senhorio ou de agressões diretas como a narrada contra a raínha Urraca, conseguiam controlar e governar a cidade momentaneamente, até em períodos que ultrapassavam o ano. E, finalmente, terminavam forçando a aceitação das suas exigências, que iam sistematicamente na linha de retirar poder dos senhorios feudais e o entregar aos cada vez mais poderosos concelhos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta luta polo poder urbano, que se dá muito cedo na Galiza e que continua durante todo o século XIII e XIV até derivar, no século XV, na criação da &lt;b&gt;Irmandade Fusquenlha&lt;/b&gt; e das guerras irmandinhas foi, portanto, um processo complexo. Um processo que podia ter por objectivo a substituição do poder feudal por um poder forâneo (o do monarca), mas que deve ser valorizado em relação a outras duas realidades. Em primeiro lugar, que não existia, nem existiria em muito tempo, um conceito de nação análogo ou sequer similar ao que hoje manejam as luitas contra o sistema estabelecido em países como Galiza, com os direitos políticos conculcados em grande parte, de maneira que a luta pola soberania era uma luta do imediato, pola soberania do espaço mais próximo. E em segundo lugar, que ainda quando os pleitos e revoltas que vinham acontecendo desde o século XII não tivessem um carácter nacional, evidenciavam efetivamente rasgos da luta de classes que, nesta fase, opunha a burguesia das renascentes cidades aos interesses de classe do clero e da monarquia, ainda quando amiúde se tentasse usar a última como panca frente à primeira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em resumo: houve um tempo em que a Galiza adiantava acontecimentos e no que se viveu um renascimento pioneiro das cidades que teve o seu próprio conflito, o dumha classe emergente nascida à sombra dos burgos que exigia direitos políticos às portas do poder político. Antes eram os bispos. Hoje não são apenas eles.&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2017/09/todo-o-poder-aos-concelhos-um-levante.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8xDGIlGR97X2bpJc3Jep3AR3jHRL7tQzVILhDLILc3n0HkMOC97lsjchq2xXxM9an-gtZU8YdLNyFrb3dwvwwOoNUdWQUxVCyRmqShyphenhyphen_nwTvbYnVn4Wi_yPzA2R1wMq9_EodvFwbvb5U/s72-c/Captura+de+ecra%25CC%2583+2017-08-24%252C+a%25CC%2580s+20.30.46.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-5498374974242355718</guid><pubDate>Thu, 07 Sep 2017 22:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-09-07T23:36:15.105+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">comarcas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">corónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><title>Toponímia maior da comarca de Arçúa</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
A comarca de Arçúa (graf. isolac. &lt;i&gt;Arzúa&lt;/i&gt;) limita a norte com as terras de &lt;b&gt;Ordens&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Betanços&lt;/b&gt;, a leste com a &lt;b&gt;Terra de Melide&lt;/b&gt;, a oeste com a comarca de &lt;b&gt;Santiago&lt;/b&gt; e a sul com o rio &lt;b&gt;Ulha&lt;/b&gt; e as &lt;b&gt;terras do Deça&lt;/b&gt;. Na atualidade, a comarca de Arçúa inclui o concelho do mesmo nome, e também os de &lt;b&gt;Boimorto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Pino&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Touro&lt;/b&gt;. A localização da comarca, acavalo entre as províncias históricas de &lt;b&gt;Santiago&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Betanços&lt;/b&gt; tem levado à divisão de alguns dos seus concelhos e à criação de outros novos, como o de Boimorto, no século XIX, com o consequente impacto na toponímia maior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;405&quot; data-original-width=&quot;610&quot; height=&quot;424&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlbfigfwwUFwbx_BeW4z4_2iinAKTkGUSd9ifOalk_Hq6LVLNn55dNAzTmkRu1wCU-l6-Mmbiy9XCfpG3Rx-oD4KQFGyBWiNhXXKVPqfU65qpC5ezW5GoPU2ns7dWMevRbKQV03x6Gv1I/s640/hortas.jpg&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Fervença das hortas no rio de Saímes, que separa os concelhos de Arçúa e Touro&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Arçúa&lt;/h3&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
O topónimo Arçúa parece já com essa forma na idade meia: &quot;Petrus Didaci de Arçua&quot; (CDGH, 1283), &quot;scudeiro que levava os taes moravedis ata a vila de Arçua et que tomase carta de pago&quot; (TMILG: Santiago, 1418). A forma originária de Arçúa deveu ser um *&lt;i&gt;Artiŏla&lt;/i&gt;, a mesma forma que dá origem a &lt;b&gt;Arçoá&lt;/b&gt; em Vilardevós. Dessa maneira, poderia estar relacionado com o mesmo étimo céltico *&lt;i&gt;art-&lt;/i&gt; &#39;urso&#39; que parece estar por trás de &lt;b&gt;Arteijo&lt;/b&gt;. Outra hipótese, colocada por Bascuas (2002: 55) é que provenha de *&lt;i&gt;Artiŏwa&lt;/i&gt; com o sufixo *&lt;i&gt;-owia&lt;/i&gt; que se aponta para &lt;b&gt;Arnóia&lt;/b&gt;&amp;nbsp;e que é característico dos hidrónimos. Na sequência do seu valor hidrónimo, haveria então que reinterpretar o primeiro elemento art-/arz- como também hidronímico, segundo o próprio Bascuas presente em &lt;b&gt;Arcela&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arciego&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Artes&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Artanho&lt;/b&gt; e também &lt;b&gt;Arteijo&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Boimorto&lt;/h3&gt;
Boimorto apenas existe como concelho desde 1835, quando foi estabelecida a última estruturação municipal. As freguesias que hoje fazem parte de Boimorto estavam antes divididas entre os concelhos de &lt;b&gt;Arçúa&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Messia&lt;/b&gt;, que por sua vez corresponde à comarca de &lt;b&gt;Ordens&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
A etimologia popular observa para o caso de Boimorto, logicamente, a morte de um boi. Contudo, ainda que haja quem explique o nome referindo um matadoiro, a norma de afastar-se dessas etimologias populares deve seguir-se também neste caso. Em Boimorto há, com efeito, dois elementos a considerar separadamente: boi e morto; mas não parece que *&lt;i&gt;boi&lt;/i&gt;- tenha muito a ver com boi (&amp;lt; lat.&amp;nbsp;&lt;i&gt;bovem&lt;/i&gt;) nem que *-&lt;i&gt;morto&lt;/i&gt;&amp;nbsp;tenha a ver com morto (&amp;lt; lat.&amp;nbsp;&lt;i&gt;mortus&lt;/i&gt;). Boi aparece com frequência na toponímia galego-portuguesa (Boialvo, Boi Grande, Boiamonte, Boi de Canto, Pedra de Boi, Serra do Boi, etc.), onde amiúde se relaciona com litónimos. Sobre os bois da nossa toponímia falamos já &lt;a href=&quot;https://nomesdopais.blogspot.com.es/2017/08/bois-na-toponimia-falsos-zootoponimos.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;noutra nota&lt;/a&gt;. Mas também há quem, como José M. González,&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.google.com/url?sa=t&amp;amp;rct=j&amp;amp;q=&amp;amp;esrc=s&amp;amp;source=web&amp;amp;cd=23&amp;amp;ved=0CDMQFjACOBQ&amp;amp;url=http%3A%2F%2Fdialnet.unirioja.es%2Fservlet%2Ffichero_articulo%3Fcodigo%3D908937%26orden%3D0&amp;amp;ei=ImM6T9KfK4-KhQfPpaiKCg&amp;amp;usg=AFQjCNGxZsvt-6l1-JzAmIYsiuJ_ufQvTA&amp;amp;sig2=oH9SM4J2hKtxGF5MaR4fIg&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;proponha&lt;/a&gt;&amp;nbsp;uma origem no hidrónimo&amp;nbsp;&lt;i&gt;bodo(m)&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seja lá como for, a segunda parte, -morto, parece relacionada claramente como o céltico *&lt;i&gt;mor&lt;/i&gt;-, com valor oronímico, ou também, segundo&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://frornarea.blogspot.com/2009/05/de-ansemil-ate-asgard.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Costa (2009)&lt;/a&gt;, um grau zero do IE&amp;nbsp;&lt;i&gt;*meur-&lt;/i&gt;, com o significado de lodaçal. A etimologia de Boimorto é, portanto, controversa: poderia relacionar-se com bodo e *&lt;i&gt;meur&lt;/i&gt;-, dando como significado um hidrónimo terroso ou um curso especialmente lamacento de um rio; ou poderia relacionar-se com os orónimos *boi- e *mor-, dando origem a um pleonasmo que, por sê-lo, também não deve estranhar a ninguém que procure a origem dos nossos topónimos. Em todo caso, é um topónimo consolidado bem cedo, com a sua forma atual recolhida já no século X, no Tombo de Celanova (CODOLGA, 961): «&lt;i&gt;quod nunc vocatur Cerserelio qui est inter villa Sanbadi et Boimorto&lt;/i&gt;»&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Pino&lt;/h3&gt;
Muita menos explicação requer o corónimo do Pino, que só não resulta transparente pola lenta desaparição — por pressão do barbarismo castelhano &lt;i&gt;El Pino&lt;/i&gt; — do particípio pino, -a com o significado de empinado, íngreme. Nada a ver com pinheiros, em qualquer caso e por mais que uma árvore seja o centro do escudo municipal, se tivermos em conta que no étimo latino, &lt;i&gt;pīnus&lt;/i&gt;, o i longo se encarrega de modificar o -n- tornando-o velar /ɲ/, e que, portanto, a evolução do pinheiro latino seria&amp;nbsp;&lt;i&gt;pīnus&lt;/i&gt; &amp;gt; &lt;i&gt;pinius&lt;/i&gt; &amp;gt; &lt;i&gt;pinhu&lt;/i&gt; &amp;gt; &lt;i&gt;pinho&lt;/i&gt;, e nunca *pino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Touro&lt;/h3&gt;
Em troca, sobre Touro convém deter-se um bocado, porque está estendidíssima a ideia de que tenha algo a ver com os touros, do mesmo modo que muitos outros topónimos com raíz semelhante: &lt;b&gt;Tourinhão&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Tourém&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Touriga&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Toural&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Touredo&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Tourinha&lt;/b&gt; e um longuíssimo etcétera. Já foi dito, como norma geral, que convém desconfiar dos zootopónimos e dos fitotopónimos, não sendo que expressem conjuntos mais ou menos grandes, com entidade avonda para georreferenciar um lugar, para o nomear. Não é o caso de Touro. Primeiro, porque um touro não tem essa entidade; segundo, porque touros há por toda a parte. Em qualquer caso, a teima em relacionar Touro com o animal do mesmo nome não é um problema exclusivo deste caso. Também é muito comum noutros lugares, alguns dos quais até têm a sua história etimológica bem à vista, como Toro, vila oriental da província de Zamora, cujo nome é evolução da expressão &lt;i&gt;campu gothorum&lt;/i&gt;, campo de godos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltando para Touro, parece mais inteligente procurar uma explicação na sua extensa série, onde também se encontram formas sem diptongação — &lt;b&gt;Toronho&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Torronha&lt;/b&gt; — e que vai além da Galiza: Tauriac, Thoiré, Thorey, Thoiry, Toury na França, por exemplo. Todas estas formas podem relacionar-se com o pré-romano &lt;i&gt;*teu&lt;/i&gt;/&lt;i&gt;*tu&lt;/i&gt;, com o significado de &#39;inchar-se, tornar-se forte&#39;, que no plano da toponímia marca claramente um orotopónimo, o nome de uma elevação. Por sinal, é provável que a mesma raíz esteja também na história da palavra latina &lt;i&gt;taurus&lt;/i&gt; para se referir ao animal, mas para este caso, a raíz deveu chegar diretamente, sem passar polo latim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2017/09/toponimia-maior-da-comarca-de-arcua.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlbfigfwwUFwbx_BeW4z4_2iinAKTkGUSd9ifOalk_Hq6LVLNn55dNAzTmkRu1wCU-l6-Mmbiy9XCfpG3Rx-oD4KQFGyBWiNhXXKVPqfU65qpC5ezW5GoPU2ns7dWMevRbKQV03x6Gv1I/s72-c/hortas.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-8709379169156343996</guid><pubDate>Wed, 23 Aug 2017 18:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-23T19:46:32.230+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">descrições</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">publicações</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">viagens</category><title>O calvário galego de Claude de Bronseval</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os caminhos e as peregrinações no s. XVI pouco deviam ter a ver com as de hoje, que ateigam Compostela de turistas com todas as letras que simulam diferenciar-se do resto pola particularidade de chegarem de a pé, de bicicleta ou a cavalo. Notícias e narrações dessas viagens à Galiza abundam desde a Idade Meia, sempre com uma constante: serem as visões de estrangeiros a contarem o visto da sua própria óptica, que é a óptica do visitante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um texto particularmente interessante é a &lt;i&gt;Peregrinatio Hispanica&lt;/i&gt; de &lt;b&gt;Claude de Bronseval&lt;/b&gt;, o secretário do abade do mosteiro cisterciense de Claraval, Dom Edme de Saulieu, que acompanha o próprio abade numa visita à península ibérica em 1532 que não é exatamente uma &lt;i&gt;peregrinatio pro Christo&lt;/i&gt;, mas sobretudo para pulsar os ânimos nos vários mosteiros da congregação pola iminente fusão destes na congregação de Castela e a eventual separação da matriz francesa. Bronseval deixa por escrito os episódios da peregrinação — que entra na Galiza por Ponferrada e continua para Portugal — alguns dados geográficos, alguns topónimos e avondosas mostras do «calvário galego» que sofreu a comitiva, na que além do abade e do seu secretário, viajavam outro frade cisterciense, Jean de Vicelieu, o crego segrar Jean Gallot, um palafreneiro, um page, um cozinheiro e um ajudante de câmara. Com efeito, as penalidades foram tantas que até dá para ler como uma peça de humor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;315&quot; data-original-width=&quot;1140&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUScmGhIQ1f7pFkVv1cV9KBUAZgXwdXtioHvSI_CPJ2UGkNTE4Ero7ND8Udi9hlNljH1HhaNNzgQulFNMXKrE8_oA5WJ0v1M3qZxhhGnkrZeM3JQ-FBi5oONDbXSS_M6Lo0-ILONLns08/s640/cister.jpg&quot; width=&quot;100%&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
De Ponferrada a Valcarce&lt;/h3&gt;
A primeira referência de Bronseval à Galiza é &lt;b&gt;Ponferrada&lt;/b&gt; «onde termina o reino de Castela e começa o da Galiza». Diz Bronseval que entram «na vila de Ponferrada passando por um primeiro rio, chamado &lt;b&gt;Rio de Boez&lt;/b&gt;, através de uma ponte pêssima e perigosíssima». Desde Ponferrada, onde param, cruzam o &lt;b&gt;rio Sil&lt;/b&gt;, «que não flui, mas se precipita» e continuam ao dia seguinte polo caminho de Santiago polo Bérzio até &lt;b&gt;Camponaraia&lt;/b&gt;, onde se desviam para &lt;b&gt;Naraiola&lt;/b&gt; e continuam face ao mosteiro de &lt;b&gt;Carrazedo&lt;/b&gt;. Anota aí Bronseval — e quase será a última vez que o faça — que foram bem tratados e descansaram a noite toda:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia seguinte, a comitiva faz o trajeto entre Carrazedo e a Veiga de Valcarce, o &lt;i&gt;uallis Carceris&lt;/i&gt; latino, citando apenas como ponto intermeio &lt;b&gt;Vila Franca do Bérzio&lt;/b&gt;, que Bronseval esquece relacionar com a sua origem francesa, atestada na toponímia medieval primeiro como &lt;i&gt;Vico Francorum&lt;/i&gt; e depois como &lt;i&gt;Villa Francorum&lt;/i&gt; — com um genitivo que, antes da sua substituição por um adjetivo, não deixa muita margem à dúvida. Para Bronseval, a &lt;i&gt;Vila Francha&lt;/i&gt; que atravessam na sua viagem é apenas uma vila franca, sem portagens. Era Vilafranca realmente uma vila de francos? Era, se atendermos ao facto de «francos» se empregar como gentílico geral — com excepções — para todo quanto peregrino vinha por aquela rota, e que na época chegou a vila a ter até cinco hospitais de peregrinos. É assim que escreve Bronseval:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
tandem devenimus in villam quae nuncupatur Villa Francha, parvam et oblongam, inter montes altissimos in angusta vallicula sitam.&lt;/blockquote&gt;
Uma vilarejo pequeno e oblongo situado num pequeno vale rodeado de montes altíssimos e horríveis entre os quais passa o caminho tortuoso, inícuo e «cornuto» até à misérrima &lt;b&gt;Veiga de Valcarce&lt;/b&gt;, onde se vêm obrigados a dormir à intempérie e são tratados a paus. A narração é explícita o suficiente:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
Hanc preteverimus et ponte lapideo transacto torrente inter horridos montes inclusi ad dextram manum rupes, ad sinistram torrentem habentes, via scopulosissima, cornuta, tortuosa, iniqua, processimus duabus magnis leucis… finaliter ad miserriumum villagium pervenimus vocatum La Vega. Ubi oportuit manere ella nocte, ubi fuimus male et misserabiliter cubati ut super terram et tractati a la forche, et equi nostri miserabilius.&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
De Valcarce a Compostela&lt;/h3&gt;
Depois da experiência da Veiga, fazem a distância entre a &lt;b&gt;Faba&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;Cebreiro&lt;/b&gt; e entram no que administrativamente se conhece hoje como Galiza. O Cebreiro aparece no texto de Bronseval como &lt;b&gt;monte Februarius&lt;/b&gt;, &lt;i&gt;Le mont de la Fane&lt;/i&gt;. A confusão entre Cebreiro e Februariu é geral em toda a época, e já foi em parte explicada quando falamos dos &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2011/12/toponimos-celtas-i-o-tema-cerv.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;topónimos com raíz céltica cerv-&lt;/a&gt;. Continuaram avançando até &lt;b&gt;Biduedo&lt;/b&gt;, onde de novo frei Claude nota que não acharam nada para comer, nem para si nem para os cavalos, o que os obriga a continuar de a pé descendo até &lt;b&gt;Triacastela&lt;/b&gt;&amp;nbsp;(&lt;i&gt;burgum dictum Trecastel&lt;/i&gt;), onde só toparam para comer o que levavam consigo de Carrazedo.&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
pervenimus ad miserrimum villagium vocatum Beduledo, in quo volebamus prandere quia iam sex leucas maximas faceramus. Sed pro bestiis nostris nihil omnino manducabile inveniri potuit. Itaque ex eo loco cepimus descendere celsis cacuminibus et pedites ambulavimus trahentes equos nostros valde lassatos per iter et descensus lapidosum. Et tandem devenimus ad burgum dictum Trecastel in quo summe laboraviums por equis locandis… tandem aliud est inventum ubi cibum sumpserunt… nos vero comediums ea quae nobiscum detuleramus&lt;/blockquote&gt;
O seguinte trajeto, depois do almoço, continua desde Triacastela por um vale aberto e agradável — e isso foi o melhor que Bronseval escreveu — até &lt;b&gt;Sárria&lt;/b&gt;, uma vila fortificada com castelo na cima do que hoje fica apenas a torre, e onde comeram bem, mas de novo dormiram mal.&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
Prandio sumpto… et inter castaneas arbores…devenimus in vallem optimum, cuius in latere altero…situm est oppidulum nuncupatum Sarria in quo equi nostri fuerunt bene tractati, nos vero satis bene, sed male cubati.&lt;/blockquote&gt;
No trajeto do dia seguinte, entre Sárria e &lt;b&gt;Gontim&lt;/b&gt;, cita Bronseval apenas um topónimo, o de &lt;b&gt;Portomarim&lt;/b&gt;, onde param a comer numa pousada com tanto fumo como o inferno e regentado por uma mulher que o frade compara com Jezabel, princessa fenícia casada com o rei Acabe de Israel que passou ao Primeiro Livro de Reis do Antigo Testamento como uma mulher dominadora que se impôs ao próprio rei. Depois de Porto Marim chegaram os frades a Gontim, outra vila fortificada onde acabam mais uma vez dormindo no chão depois de muito esforço para encontrar hospedagem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após deixarem Gontim, dom Edme e frei Claude continuaram até &lt;b&gt;Ligonde&lt;/b&gt;, onde de novo abandonaram o caminho para se dirigir ao mosteiro de &lt;b&gt;Sobrado&lt;/b&gt;, que era também cisterciense por meio da doação do conde de Trava e que na altura se parecia pouco com a imagem barroca atual. Ao mosteiro chegam após atravessarem «um rio mui perigoso», que não é outro que o Tambre, que formava naquela zona um pequeno pântano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na jornada seguinte, os frades chegam por fim a Compostela, citando três topónimos no caminho: Ferreiros, Lavacolha e o Monte do Gozo. A descrição de &lt;b&gt;Ferreiros&lt;/b&gt; é a de uma aldeia situada numa zona mísera, íngreme, em absoluto fértil. A &lt;b&gt;Lavacolha&lt;/b&gt; aparece citada apenas de passada, e sobre o &lt;b&gt;monte do Gozo&lt;/b&gt; diz haver uma grande cruz em que os peregrinos amoreiam pedras. À chegada à cidade, observa Bronseval que há mais franceses que galegos, que a língua francesa é língua «familiarissima» e, de novo, que a sua hospedagem, a pousada do Anjo, resulta desconfortável: &lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
in hospitio sordido, misero, fumoso, fetido, tenebroso, maledicto, in quo non quievimus, sed in labore et erumma magna fuimus propter malam loci dispositionem&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
De Compostela a Tui&lt;/h3&gt;
Bronseval e o abade permanecem um dia completo em &lt;b&gt;Compostela&lt;/b&gt;, mas no relato destacam apenas a capela da França da catedral — onde o abade oficia uma missa — e, sobretudo, uma nota sobre a disputa da catedral de Toulouse com a compostelã a respeito das relíquias do apóstolo. Depois de fazer noite de novo na pousada do Anjo, abandonam a cidade pola porta &lt;i&gt;Falguera&lt;/i&gt;, isto é, &lt;b&gt;Faxeira&lt;/b&gt;, em direção a &lt;b&gt;Padrom&lt;/b&gt;, fazendo à inversa o que hoje conhecemos como caminho português. As quatro léguas entre Compostela e Padrom aparecem caraterizadas como «via distorta». Passam pola capela do Santiaguinho, onde diz o frade que a estátua do apóstolo se esconde dos seus perseguidores. E Padrom, em todo caso, continuam os maus tratos, o que os faz continuar em direção a &lt;b&gt;Caldas de Reis&lt;/b&gt; por um caminho pedregoso. Mas tampouco em Caldas topam pousada e só no último momento são ajudados por um crego que os topa deambulando e lhes oferece a sua casa «onde fomos tratados de maneira miserável e pobre nós e os nossos cavalos».&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde Caldas, a comitiva abandona o caminho para se achegar ao mosteiro da &lt;b&gt;Armenteira&lt;/b&gt; através de estériles montes salferidos de pequenos vales com grandes bosques. Ao descrever o mosteiro, Bronseval laia-se da majestuosidade perdida e qualifica-o como quase totalmente arruinado: os seus frades, a dizer do francês, mal sabem já pronunciar o latim, «enfermidade muito estendida entre os hispanos». Na Armenteira não permanecem mais do que o tempo imprescindível e no dia seguinte atravessam as suas fragas até cruzar o &lt;b&gt;rio Lérez&lt;/b&gt; «por uma ponte longuíssima» e chegar à vila de &lt;b&gt;Ponte Vedra&lt;/b&gt;, que Bronseval escreve &lt;i&gt;Pont de Vedre&lt;/i&gt;, com preposição ainda presente. Em Ponte Vedra hospedam-se depois de grandes dificuldades: «só Deus sabe como é que fomos tratados nessa vila». &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde Ponte Vedra o caminho continua face à «&lt;i&gt;Pont Saint Paye, id est Pauli&lt;/i&gt;» — mesmo que &lt;b&gt;Ponte-Sampaio&lt;/b&gt; não seja &lt;i&gt;Pauli&lt;/i&gt; em absoluto —, que dá acesso a Redondela, onde mais uma vez têm problemas para encontrar pousada e onde são acolhidos por um peregrino que retornava de Roma via França «em lembrança das boas pousadas do nosso país». &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dia seguinte foi o último dos dous frades na Galiza. Abandonando Redondela, passam polo &lt;b&gt;Porrinho&lt;/b&gt;, onde param para comer «muito pobremente», e desde onde continuam até Tui: «Os dali riam de nós como se fôssemos bárbaros ou sarracenos», e não conseguiram encontrar pousada. O próprio bispo de Tui acolheu o abade de Claraval na sua própria casa, mas Bronseval acabou numa pousada dormindo «ao modo galego, entre sujidade e maus odores».&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
devenimus ad urbem Tuenesem, idiomate galego Touy, quae finem facit regno Galeciae...Hic intervenit difficultas grandis admodum reperiendi hospitium quase essemus barbari at Agareni, et nos irrideban incolae...ubi ea nocte iacuimus more galego in sordibus et fetoribus.&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Algumas ideias rápidas sobre o texto de Bronseval&lt;/h3&gt;
As narrações literárias sobre viagens são uma constante na história da humanidade, em particular na sua vertente de livro para viageiros do tipo do &lt;i&gt;&lt;b&gt;Códice Calixtino&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, mas também como crónica: o&amp;nbsp;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Itinerarium ad Loca Sancta&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; de Egéria, escrito nos anos finais do século IV, é um exemplo perfeito. Contudo, a verdadeira explosão deste tipo de literatura acontece dez séculos mais tarde, no XIV. De 1300 é o &lt;i&gt;&lt;b&gt;Livro das maravilhas&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; de Rustichello de Pisa, que narra as viagens de Marco Polo polo Oriente como uma crónica. Hoje é sabido que Marco Polo não existiu realmente e que tudo foi uma invenção de Rustichello com base nas narrações de mercaderes genoveses e venezianos, mas o pormenor não importa neste caso, porque existiam narrações reais de base e porque, por si próprio, o livro teve um sucesso e uma distribuição infrequente — se considerado que Gutemberg ainda não inventara a sua versão da imprenta de tipos móveis. O desenvolvimento deste tipo de obras foi tal nos séculos seguintes que, em 1896, o hispanista Raymond Foulché Delbosc contabilizava na sua &lt;i&gt;Bibliographie des voyages en Espagne et en Portugal&lt;/i&gt; mais de oitocentos títulos e mil e setecentas edições, &amp;nbsp;em dezesseis línguas, apenas referindo-se à península ibérica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pode que o texto de Bronseval não tivesse como destino ser publicado, mas apenas servir de crónica da viagem aos efeitos da gestão interna da ordem do Císter. Aliás, uma das suas tarefas na viagem era precisamente redigir os chamados «documentos de visita», que recolhiam os defeitos observados polos visitantes na comunidade de cada um dos mosteiros, e dos quais uma cópia era enviada à casa mãe francesa aos efeitos de fiscalização. Mas esse provável caráter interno, o facto de não estar destinado à sua publicação — o texto só foi publicado em 1970, quando o pergaminho foi descoberto polo abade Maur Cocheril — não impedem que a narração de Claude de Bronseval seja filha da sua época, nem que tenha um interesse particular, no caso da Galiza, como descrição da rede viária e das pousadas e hospedagens que nela havia: neste caso, desde a entrada polo caminho francês em Ponferrada até à saída polo caminho português em direção a Caminha. A dizer de Bronseval, com caraterística profussão de adjetivos pejorativos, os caminhos e as pousadas galegas deviam ser particularmente penosas e ruins — por oposição às da França, em cuja comemoração um romeiro os acolhe em Redondela. Será que era assim? Uma comparativa transporia os limites desta nota. Fica para mais adiante, pois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1432&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi35NHkzfx-NnuBXyIdBqWMkGTjUVj9i3fXSwHCrD0-E58FLIJ7GhTAn5bvjY_ZWSzvNdpZgRSaDNfpNiiBrIDRXTVLqIhiaybwJYsTNn5l_4yVy2A8BjnUEEprLSaEWXCWC2PX3OQMBv0/s640/viagembronseval.png&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;100%&quot; /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Percurso do abade Edme de Saulieu, frei Claude de Bronseval e o resto da comitiva polo reino da Galiza na sua viagem em 1532, com os topónimos apontados.&amp;nbsp;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2017/08/o-calvario-galego-de-claude-de-bronseval.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUScmGhIQ1f7pFkVv1cV9KBUAZgXwdXtioHvSI_CPJ2UGkNTE4Ero7ND8Udi9hlNljH1HhaNNzgQulFNMXKrE8_oA5WJ0v1M3qZxhhGnkrZeM3JQ-FBi5oONDbXSS_M6Lo0-ILONLns08/s72-c/cister.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-8458214868712595654</guid><pubDate>Mon, 14 Aug 2017 12:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-17T00:41:48.595+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">orónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><title>Bois na toponímia: falsos zootopónimos?</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnEBREUrR__8aDgeWaBt4ztkLqwTiZnMlXZU2lxd9FhCOwMMCdlOM3IWHbbzS6Gx3lO9ftkrtUjWSQdww1Tc4yYTcExoBXvpMipFbQ_cyRPgbvJX07osjVzrFMh17JdrUDOeL6m4VstCM/s1600/Boidecanto.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;Cabo de Boi de Canto, Oleiros&quot; border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;355&quot; data-original-width=&quot;719&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnEBREUrR__8aDgeWaBt4ztkLqwTiZnMlXZU2lxd9FhCOwMMCdlOM3IWHbbzS6Gx3lO9ftkrtUjWSQdww1Tc4yYTcExoBXvpMipFbQ_cyRPgbvJX07osjVzrFMh17JdrUDOeL6m4VstCM/s1600/Boidecanto.png&quot; title=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As homofonias criam, amiúde, topónimos que, desde determinado ponto de vista, podem resultar intrigantes. Já falamos do &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-celtas-i-o-tema-cerv.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;caso de Cervo, Cervantes ou Cerveira&lt;/a&gt;, e do modo como parecem zootopónimos vindos do &lt;i&gt;cervus&lt;/i&gt; latino, sendo que provêm, mais provavelmente, da raíz PIE &lt;i&gt;*ker-&lt;/i&gt;, com valor também oronímico. E ainda não é um caso muito extravagante, porque cervos / zebros houve na Galiza e em Portugal, ainda quando parece difícil que possam dar para estabelecer um topónimo. Para isso parece que seja necessário um bocado mais. &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Outro caso de confusão com zootopónimos é o de boi-, que, desse ponto de vista, estabeleceria toponímia certamente abstrusa como Boimorto, Boi de Canto ou Boiamonte, que por pressão dessa explicação espúria, há quem escreva Boi-a-Monte (como se fosse cabra). &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Com boi- há &lt;b&gt;Boiaca&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boial&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boialvo&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boiám&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boico&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boicornelho&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boi de Canto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boi de Gures&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boidobra&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boimorto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boi Pequeno&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boiro&lt;/b&gt; (&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2012/06/concelhos-galegos-iv-betancos-brancos.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;com reticências&lt;/a&gt;), &lt;b&gt;Boisaca&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boivão&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boi Vivo&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Boizám&lt;/b&gt;. Aliás, há vários Boi compostos como segundo termo: &lt;b&gt;Vilar de Boi&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Rego do Boi&lt;/b&gt; e 
diversos pleonasmos como &lt;b&gt;Monte de Boi&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Corno do Boi&lt;/b&gt; (com artigo a marcar a assimilação do orónimo com o zoónimo), &lt;b&gt;Pedra de Boi&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Pena do Boi
 &lt;/b&gt;ou &lt;b&gt;Serra de Boi&lt;/b&gt;. Pleonasmos parecem também os já citados &lt;b&gt;Boicornelho&lt;/b&gt; (onde 
Cornelho provém claramente do IE &lt;i&gt;*korn-&lt;/i&gt;)&amp;nbsp;&lt;b&gt;Boi de Canto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boidobra&lt;/b&gt; (com tema 
céltico &lt;i&gt;*bra&lt;/i&gt; &amp;lt; &lt;i&gt;-briga&lt;/i&gt;, que significa “monforte”) e &lt;b&gt;Boimorto&lt;/b&gt; (onde 
-morto remete para &lt;i&gt;*mor-&lt;/i&gt;, com valor também oronímico, como se verá noutra ocasião). &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Por outra banda, existência do ditongo -oi- exige a presença do ditongo -ou- como a sua variante documentada na evolução do latim -au-, embora neste caso seja por assimilação, e não por evolução direta. Deste modo, obtém-se &lt;b&gt;bou-&lt;/b&gt; como raiz, o que termina de complicar a distinção com os possíveis zoónimos, pela facilidade com que -u- palataliza em -v-, dando origem a *bov- confundível com o latim &lt;i&gt;bove(m). &lt;/i&gt;Considere-se apenas, como exemplo, o caso de &lt;b&gt;Boimorto&lt;/b&gt;, falsamente latinizado, em 994, como &lt;i&gt;Boue Mortuo&lt;/i&gt;. À margem disto, há que considerar que a maioria das ocorrências de -ou- (que, por sua vez, se dão maioritariamente na Galiza) estão relacionadas com o étimo &quot;bouça/boiça&quot;, que significa &quot;terreno inculto, em que se cria mato para roçar&quot;, do latim &lt;i&gt;baltea&lt;/i&gt;. Excluindo a toponímia referida às bouças, e considerando que &lt;b&gt;Boizão&lt;/b&gt; pode relacionar-se também com ela, cabe sublinhar o modo como -oi- se impõe sobre -ou- estatisticamente. Mesmo assim, com bou- há, na Galiza: &lt;b&gt;Bou&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Bouca&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boudom&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boudanhido&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boulouro&lt;/b&gt; (note-se a proximidade com &lt;b&gt;Boialvo&lt;/b&gt;), &lt;b&gt;Bourrelo&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Bouso&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Bousés&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Bouteiro&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Boutrim&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Bounhou&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Finalmente, cabe apontar mais uma variante: a forma bai-, que está em &lt;b&gt;Baiom&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Baiões&lt;/b&gt;&amp;nbsp;ou &lt;b&gt;Baiona&lt;/b&gt;, e também, palatalizado o iode, em &lt;b&gt;Bajanca&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Bajouca&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Bajouco&lt;/b&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De onde provêm, em qualquer caso, essas formas boi- / bou- / bai- / baj-? Indo aos mestres, encontramos diferenças entre Piël, que considerava &#39;boi&#39; como equivalente do &lt;i&gt;bos taurus&lt;/i&gt;, proveniente, portanto do latino &lt;i&gt;bove&lt;/i&gt; já identificado acima — o que o levava a ler em Boimorto aquela cousa de &quot;touro morto&quot;; e Sachs, que admite uma origem germânica. &lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sabemos, por observação, que onde há ocorrências de Boi há algum rochedo ou promontório, e para reforçar a ideia estão os pleonasmos que já apontei acima. Não parece que haja grandes problemas, portanto, para lhe dar um valor oronímico geral. Mas, como sempre, é tudo discutível.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2017/08/bois-na-toponimia-falsos-zootoponimos.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnEBREUrR__8aDgeWaBt4ztkLqwTiZnMlXZU2lxd9FhCOwMMCdlOM3IWHbbzS6Gx3lO9ftkrtUjWSQdww1Tc4yYTcExoBXvpMipFbQ_cyRPgbvJX07osjVzrFMh17JdrUDOeL6m4VstCM/s72-c/Boidecanto.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-3481342205133084168</guid><pubDate>Tue, 30 Apr 2013 08:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-17T00:49:09.423+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">comarcas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><title>Toponímia maior da comarca dos Ancares</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os &lt;b&gt;Ancares&lt;/b&gt;, a serra que hoje faz de limite oriental à Comunidade Autónoma Galega, mas que geograficamente oferece um contínuo com a comarca &lt;i&gt;irredenta&lt;/i&gt; do Bérzio, é também o nome que recebe a comarca histórica e administrativa conformada polos atuais concelhos de &lt;b&gt;Bezerreã&lt;/b&gt;, as&amp;nbsp;&lt;b&gt;Nogais&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Baralha&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Cervantes&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Návia de Suarna&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Pedrafita do Zebreiro&lt;/b&gt;, em território administrativo galego, mais o concelho de &lt;b&gt;Candim&lt;/b&gt;, em território administrativo leonês. Atravessada por vários afluentes do rio &lt;b&gt;Návia&lt;/b&gt;, limita a norte com a comarca da &lt;b&gt;Fonsagrada&lt;/b&gt;, a oeste com a comarca de &lt;b&gt;Sárria&lt;/b&gt;, a sul com a &lt;b&gt;Terra de Quiroga&lt;/b&gt; e a leste com o &lt;b&gt;Bérzio&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYR4c22Hoi0XuT50daJn5YhbMCT26GlKhbCM7V3OS_YlETUMJeRHOL01LdCTGi0qUv4dpgRwZIvdJmaR_8fBXr3L9LUexdHFurn75Sij8NTSvnzWBX5puXQiHolEAFVmaklZiBJSH1Sow/s1600/ancares-2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;270&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYR4c22Hoi0XuT50daJn5YhbMCT26GlKhbCM7V3OS_YlETUMJeRHOL01LdCTGi0qUv4dpgRwZIvdJmaR_8fBXr3L9LUexdHFurn75Sij8NTSvnzWBX5puXQiHolEAFVmaklZiBJSH1Sow/s640/ancares-2.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
O topónimo Ancares&lt;/h2&gt;
O topónimo Ancares, na sua extensão mais reduzida, corresponde a um vale onde hoje se situa o concelho de &lt;b&gt;Candim&lt;/b&gt; (graf. esp. Candín). Em 1787, o &lt;b&gt;Censo de Floridablanca&lt;/b&gt; já recolhe uma jurisdição de &lt;b&gt;Ancares&lt;/b&gt;, integrada por oito povos: &lt;b&gt;Candim&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Pereda&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Sorbeira&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Vilasumil&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Sortes&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Espinhareda de Ancares&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Lumeiras&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Vilarbom&lt;/b&gt;, com os seus topónimos convenientemente castelhanizados. A denominação do vale, que na realidade se corresponde com o do rio que o atravessa, estendeu-se posteriormente ao conjunto da serra e daí, recentemente, foi convertido em corónimo comarcal institucionalizado pola Junta da Galiza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem várias propostas etimológicas. López Ferreiro e Millares Carlo consideram Ancares como variação de &lt;b&gt;Antares&lt;/b&gt; (que existe no vizinho vale de Valcarce) e que se relaciona com o étimo anta. Com essa referência, César Varela pergunta-se —mais bem retoricamente— se&amp;nbsp;&lt;i&gt;anticares&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(com evolução normativa *&lt;i&gt;ant&#39;cares&lt;/i&gt; &amp;gt; ancares)&amp;nbsp;não poderia corresponder com a denominação antiga das atuais palhoças, com refúgios para gadeiros ou gado no meio do monte, com hórreos, etc. Mas, de novo, parece que estejamos a confundir o campo semântico, afastando-nos da hidronímia e tomando como primeira referência o monte e, neste caso, as atividades económicas relacionadas com ele. Ninguém explica, ademais essa variação, *ant- &amp;gt; *anc-, além de Peinado Gómez, que diz ser uma anomalia fonética produzida polo contacto do romance com o árabe no seu momento — um argumento pouco claro no plano histórico e geográfico, em qualquer caso. Outra opção apontada é que tenha a ver com o latim &lt;i&gt;ancariu&lt;/i&gt; &#39;asno, animal de carga&#39;, mas aí encontraríamos o contra-argumento de determinar em que medida um apelativo assim poderia dar nome a todo um vale. Por último, há teorias que o relacionam com a raiz indoeuropeia *&lt;i&gt;kar-&lt;/i&gt; &#39;rocha, elevação&#39;. A problemática desta explicação não é só resultar tão pouco clara como qualquer outra que remontar ao indoeuropeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penso, com efeito, que Ancares é hidrónimo antes de ser nome de vale (ou simultaneamente, em função da íntima relação geomórfica entre os rios e os seus vales); e vale antes de ser nome de comarca. Como adequar a raíz *kar- a esse valor hidronímico? Talvez como um rio de pedras?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, há a possibilidade de procurar uma explicação em tempos mais afastados. Moralejo Álvarez mostrou como o ide. *-&lt;i&gt;h&lt;sub&gt;3&lt;/sub&gt;n-k&lt;/i&gt;-, com concreção céltica -&lt;i&gt;anc&lt;/i&gt;- e latina -&lt;i&gt;enc&lt;/i&gt;-, está presente na hidronímia galega; mas apenas se referiu a ele como sufixação, com valor expressivo ou aumentativo. A questão é: pode esse elemento, com esse valor, ter também funcionado como protema outrora? Não parece provável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pokorny (WP. I 60 f.), porém, sim estabeleceu um tema *&lt;i&gt;ank&lt;/i&gt;- com o significado de &#39;flexão, curva, giro&#39;, que semanticamente parece estar mais próximo do conceito hidronímico e que tem bastante descendência em toda a família indoeuropeia. É a mesma raíz do grego &lt;i&gt;ἀγκών&lt;/i&gt;, com o mesmo significado, com realizações em -s- e -l-, susceptíveis de rotacismo. É também a origem do &lt;i&gt;ἄγκυρα&lt;/i&gt; &#39;âncora&#39;, que passou via latina ao nosso idioma. E, em latim, é também a origem de &lt;i&gt;ancus&lt;/i&gt; &#39;pessoa trenca&#39; e de &lt;i&gt;ancrae&lt;/i&gt; &#39;vale, gorja&#39;, muito próximo do germânico *&lt;i&gt;angra&lt;/i&gt;-. Ademais, pola rama céltica, está também na origem do galês &lt;i&gt;anghad&lt;/i&gt; &#39;mão&#39;, do galorromano &lt;i&gt;ancorago&lt;/i&gt; &#39;anzol&#39;. Sem estar completamente convencido —pois não sou quem de explicar a sobrevivência de *anc- em lugar de *ang-, entre outras cousas—, penso que por aí possa ser rastejada a origem de Ancares, com todos os poréns do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Baralha&lt;/h2&gt;
Baralha aparece em &quot;&lt;i&gt;[in valle de] Pineira, ripia de Neira, villa que vocitant Baralia&lt;/i&gt;&quot; (Samos, 1125), que Menéndez Pidal identificava como procedente de *varalia, do latim &lt;i&gt;vara&lt;/i&gt;, significando &#39;seto de travesseiros&#39;, provavelmente seguindo Du Cange (1493), que dá o significado de &#39;paliçada&#39;. Contudo, nenhuma ocorrência encontro desse *varalia. Costa (&lt;a href=&quot;http://frornarea.blogspot.com/2009/03/barallobre-baralhovre-castro-do.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;2009&lt;/a&gt;) explica bem por que, em cualquer caso, é pertinente desligar Baralha da possível relação com o &lt;i&gt;vara&lt;/i&gt; latino, e, ainda, oferece uma outra explicação para o topónimo, relacionando-o com os conceitos de parlamento, debate, desputa em relação com o castro e topónimo de &lt;b&gt;Baralhovre&lt;/b&gt;. Mesmo assim, a teoria de Menéndez Pidal continua tendo força na atualidade.&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Bezerreã&lt;/h2&gt;
A etimologia popular de Bezerreã narra a história de um bezerro que se safa de ser vendido para sacrificar na feira local. A explicação, por mais simpática que for, não deixa outra opção que a de procurarmos uma alternativa. Para Piël, Bezerreã estaria relacionado com um proprietário latino, sendo o sufixo -ana &amp;gt; -ã a pista principal para concluir um *Bezerreana que não aparece na documentação. Caridad Arias considera, na mesma linha, uma uilla *beceriana, onde a forma *beceriana derivaria do patronímico Becerius, cuja forma Becius e Vecius aparece documentado epigraficamente. Tanto *becerreana como *beceriana são, em qualquer caso, puras reconstruções que o único que deixam claro é a mecânica de formação do topónimo: mais uma vez, como posse.
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Candim&lt;/h2&gt;
Embora Candim não faça parte dos concelhos administrativamente galegos da comarca dos Ancares (faz parte da comarca administrativa do Bérzio), faz todo o sentido a sua inclusão neste grupo pola sua localização geográfica, ainda sem ânimo de polemizar sobre a questão dos limites territoriais. Etimologicamente, como a maioria de topónimos com esta terminação, faz referência ao nome do possuidor, Candinu, genitivo Candini. A &lt;i&gt;uilla Candini&lt;/i&gt; é hoje Candim, com o apelativo já perdido. Sem necessidade de muita mais explicação. 
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Cervantes&lt;/h2&gt;
É comum referenciar a etimologia de Cervantes como relacionada com os cervos. Mas, sobre o tema céltico *cerv- já falamos &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2011/12/toponimos-celtas-i-o-tema-cerv.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;neste caderno&lt;/a&gt;, e apontamos para uma raíz indoeuropeia *kerbho- &#39;alto, corno&#39; que parece estar por trás de outros topónimos como &lt;b&gt;Cervo&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Cerveira&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Cervanha&lt;/b&gt; e também mais aparentemente afastados como &lt;b&gt;Corunha&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Corcuviom&lt;/b&gt;, etc.
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Návia de Suarna&lt;/h2&gt;
Eis mais um topónimo composto por relação geográfica: o lugar e &lt;b&gt;Návia&lt;/b&gt;, e &lt;b&gt;Suarna&lt;/b&gt; é território mais amplo, do mesmo modo que acontece com &lt;b&gt;Cabana de Bergantinhos&lt;/b&gt; ou com &lt;b&gt;Póvoa de Varzim&lt;/b&gt;. Analisando Návia, e longe de explicar o nome por pretensamente ter um treito navegável o rio (!), o certo é que a raíz *nav, com valor de concavidade do terreno, depressão, está bem documentada. Mesmo assim, têm aparecido outras hipóteses que relacionam Návia com uma divindade fecundadora pré-romana presente na Gallaecia e bem relacionada com a hidronímia, tanto na Galiza e em Portugal, onde há os rios &lt;b&gt;Návia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Navea&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Neiva&lt;/b&gt;, como na vizinha Asturias (&lt;b&gt;Naviegu&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Navelgas&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Navidiellu&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Nalón&lt;/b&gt; (antigo Nauilo), como noutras áreas celtas: &lt;b&gt;Naver&lt;/b&gt;, em Escócia, &lt;b&gt;Neber&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Naseby&lt;/b&gt; em Inglaterra, etc. Leite de Vasconcelos relacionou a Návia divindidade com o sánscrito navya &#39;curso de água, rio&#39;, abrindo assim espaço para uma clara identificação de Návia com uma deusa fluvial — além das ré-significações que possam dar-se polo tratamento das águas na cultura celta, que não é caso tratar aqui. Mesmo assim, a raíz *nav com valor orográfico não colide com a referência sánscrita nem com a referência ao panteão celta na Gallaecia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a Suarna, embora seja a explicação mais repetida a de sub + arna, a resposta não parece assim tão evidente. Não há documentação medieval, ou quando menos eu não a conheço, de *&lt;i&gt;Subarna&lt;/i&gt;. Isso levou a estudosos como Edelmiro Bascuas a pensar que mesmo a divisão continuar a ser su + arn-, esse primeiro elemento não fosse equivalente ao moderno &#39;sob&#39;, plenamente latino e sem dificuldade, mas um protema pré-romano, provavelmente indoeuropeu, com valor qualificativo &#39;bom&#39;. Seja como for, isso deixa a raíz *arn- que já vimos também bem relacionada com a hidronímia: &lt;b&gt;Arnoia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arnego&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arnal&lt;/b&gt;, etc., seria uma variante do radical *er- &#39;mover-se&#39;, com o mesmo significado ou, mais concretamente, por palavras de Bascuas: &quot;algo que se move, se eleva, cresce, se lança ou corre&quot;. Todo isso que faz um rio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em resumo: Návia é hidrónimo ou é teónimo fluvial. Suarna pode denominar uma terra por baixo do rio (algo estranho), ou a zona de um rio bom (cfr. as inúmeras ocorrências de&amp;nbsp;&lt;b&gt;Riobom&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Riomau&lt;/b&gt;, e construtos deste tipo como topónimos)
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Pedrafita do Cebreiro&lt;/h2&gt;
Do mesmo modo que no caso anterior, estamos perante um topónimo composto. O primeiro elemento, &lt;i&gt;pedrafita&lt;/i&gt;, não requer muita explicação. Uma pedra fita é um fito, uma demarcação territorial ou geográfica, através do elemento singular de uma pedra colocada horizontalmente, de forma natural ou por ação humana. A procedência é latina, sem dúvida: &lt;i&gt;petra ficta&lt;/i&gt;. Assim aparece na documentação em 1600, e assim se relaciona com outras pedrafitas, outras parafitas e perafitas e mesmo com outras [pedras] chantadas (&amp;lt; lat. &lt;i&gt;plantata&lt;/i&gt; = &lt;i&gt;ficta&lt;/i&gt;) das que há boa mostra na Galiza e em Portugal. A ausência dessas pedras concretas também não deve surpreender se considerado que na antiguidade provavelmente tivessem algum sentido religioso relacionado com a sua forma fálica, e que desde então até hoje tem havido, ademais do esquecimento que sempre ocorre, diversas tentativas de &lt;i&gt;limpeza&lt;/i&gt; do passado, por diversos motivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O outro elemento, &lt;b&gt;Cebreiro&lt;/b&gt;, tem mais dificuldade. No &lt;b&gt;Códice Calixtino&lt;/b&gt; aparece como &lt;i&gt;Mons Februarii&lt;/i&gt;, mas parece uma vulgar ré-latinização (e errada). Para Moralejo Lasso, poderia haver relação com o zebro, um ungulado que deveu habitar a Galiza até ao século XIV. Outros autores apontam para uma relação com a árvore do aciveiro. Ora, como já comentamos para &lt;b&gt;Cervantes&lt;/b&gt;, também nesta comarca, convém não deixar-se ir com a referência fácil aos cervos, ou dos zebros. Porque cervos e zebros houve, provavelmente; mas uma cousa é havê-los e outra serem tão significativos que deixem zootopónimo — tendo em conta, aliás, o comum que é os zootopónimos esconderem outra realidade. E o mesmo para os fitotopónimos. Ainda, sabemos que a raíz *&lt;i&gt;kerbh-o&lt;/i&gt; indoeuropeia tem dado em galego-português formas facilmente confundíveis por essa via. De modo que é provável estarmos perante um simples orónimo, com uma sufixação tão comum que até resulta indecifrável. Proponho, por isso, descartar as explicações que falam de &lt;i&gt;equos feros&lt;/i&gt; &#39;asnos bravos, zebros&#39;, por mais atractivas que forem essas evoluções *equisferarium &amp;gt; *ecisfrararium &amp;gt; *cesbrarium &amp;gt; *cebrarium &amp;gt; *cebreiro. Tenho a sensação de que estejamos perante algo muito mais prosaico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2013/04/toponimia-maior-da-comarca-dos-ancares.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYR4c22Hoi0XuT50daJn5YhbMCT26GlKhbCM7V3OS_YlETUMJeRHOL01LdCTGi0qUv4dpgRwZIvdJmaR_8fBXr3L9LUexdHFurn75Sij8NTSvnzWBX5puXQiHolEAFVmaklZiBJSH1Sow/s72-c/ancares-2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-7939581233953997</guid><pubDate>Wed, 10 Apr 2013 21:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-17T01:00:16.871+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cartografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">descrição</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">geografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">publicações</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">s. XVII</category><title>O reino da Galiza no Teatro do Mundo de W. J. Blaeu. </title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em 1650,&amp;nbsp;&lt;b&gt;Willem Janszoon Blaeu&lt;/b&gt;&amp;nbsp;publicou em Amesterdão o conhecido como &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;http://archive.org/stream/letheatredumonde00blae#page/n0/mode/2up&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Le theatre du monde ou Nouuel atlas&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, um compéndio cartográfico que, além de mapas, incluía também uma série de textos descritivos (geográfica e historicamente) de cada um dos territórios tratados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A continuação, reproduzo o texto relativo à Galiza, traduzido (penso que pola primeira vez na nossa língua) e na sua versão original em francês, assim como umas considerações finais, por força brevíssimas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinq6kDxAElOhjpJpiul7ycFXsnyzrk3V3YCk_acjqDzcZ0BHoX35KQB302GZFwNhiVI4-5Q_k77FwV44YqpnSI3QEZ24qtULqVPVpDFFZMgguR1DL1bVgpK0xMpcwIcEjOaAkpMTDP6mw/s1600/letheatredumonde00blae_0271.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinq6kDxAElOhjpJpiul7ycFXsnyzrk3V3YCk_acjqDzcZ0BHoX35KQB302GZFwNhiVI4-5Q_k77FwV44YqpnSI3QEZ24qtULqVPVpDFFZMgguR1DL1bVgpK0xMpcwIcEjOaAkpMTDP6mw/s1600/letheatredumonde00blae_0271.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span id=&quot;goog_2012651449&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id=&quot;goog_2012651450&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Tradução&lt;/h2&gt;
A Galiza toma o seu nome dos povos &lt;i&gt;Calaicos&lt;/i&gt;. Este reino limita pola banda setentrional com o Oceano, ao seu sul está &lt;b&gt;Portugal&lt;/b&gt;, separado dela polo rio &lt;b&gt;Douro&lt;/b&gt;; ao levante, limita com Astúrias e Leão. Décimo Júnio Bruto, cónsul romano, após ter vencido os povos daquele país no ano 617 após a fundação de Roma, recebeu o sobrenome de &lt;i&gt;Galaico&lt;/i&gt;. Mas é certo que os galaicos, ou, mais bem, os galegos, se estenderam por um largo espaço e ocuparam uma grande porção de terra, visto que Paulo Orósio diz que a &lt;b&gt;Numância&lt;/b&gt;, que hoje reputadamente faz parte da antiga &lt;b&gt;Castela&lt;/b&gt;, estava nos confins da Galiza, e ainda mais, que face ao oriente, chegava até aos &lt;b&gt;Pirinéus&lt;/b&gt;. Hoje, porém, está limitada polo mar e rio &lt;b&gt;Anha&lt;/b&gt; e polos reinos de &lt;b&gt;Leão&lt;/b&gt; e Portugal. Esta área tem sido ocupada por outras nações diferentes dos galaicos ao longo do tempo, como os anfiloquianos, os cilenos, os célticos, os tamaricos na zona do rio Tamarim, os ceporos, os lucianos e os ceclianos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O principal e quase único rio é o &lt;b&gt;Minho&lt;/b&gt;, que se forma nos lugares mais afastados da Galiza e a atravessa por meio, de norte a sul, visitando &lt;b&gt;Ourense&lt;/b&gt; e muitos outros lugares, e descarrega no &lt;b&gt;mar Ocidental&lt;/b&gt;. A costa está entrecortada por numerosos golfos, nos quais se encontram mais de quarenta portos ou peirãos, os maiores e mais famosos dos quais são a &lt;b&gt;Corunha&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Ferrol&lt;/b&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esta província contém nos seus limites cinco cidades episcopais, e outras cinquenta e sete amuralhadas. Na atualidade, a sua cidade capital é &lt;b&gt;Compostela&lt;/b&gt;, não enobrecida por qualquer valor de antiguidade ou de acontecimentos heróicos, mas polas relíquias de S. Tiago, que é o patrão de toda a Espanha. É por isso que os espanhóis chamam a vila de &lt;b&gt;Sant Iago&lt;/b&gt;. Antigamente, foi denominada &lt;b&gt;Brigantium&lt;/b&gt;, mas hoje tem sido substituída por este arcebispado. &lt;b&gt;Lugo&lt;/b&gt; mostra claramente, polo&amp;nbsp;circuíto&amp;nbsp;das suas muralhas, ter sido uma grande cidade: tem também fontes de água quente, até mesmo fervente. A cidade de &lt;b&gt;Ourense&lt;/b&gt; está situada mesmo à beira do rio &lt;b&gt;Minho&lt;/b&gt;, num terreno não somente prazeroso e recriativo, mas também muito fértil, adubado por toda a parte com excelentes árvores de fruta e grande número de vinhas que produzem um vinho bem bom e generoso. Mas o mais famoso são as suas fontes de águas quentes, capazes de curar todas as enfermidades, algumas das quais jorram água temperada que não dana os corpos de quem se lava com elas, mas outras tão quentes e ferventes que não poderíamos suportar o seu calor e que os ovos se cozinham nelas facilmente. Nesta cidade&amp;nbsp;há uma igreja catedral, cujo bispado tem três mil ducados de renda. As outras cidades menores são &lt;b&gt;Tui&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Mondonhedo&lt;/b&gt;, que gozam de um ar são e temperado, e de um terreno grandemente fértil. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O resto das vilas estão situadas quer sobre a beira do mar, como &lt;b&gt;Baiona&lt;/b&gt;, frente à qual se podem ver as ilhas de Baiona, antigamente ditas ilhas de Deuses, ou como &lt;b&gt;Vigo&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Ponte Vedra&lt;/b&gt;, que têm dez milhas entre elas, &lt;b&gt;Padrom&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Noia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Muros&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Cee&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Fisterra&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Mogia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Corunha&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Ponte d&#39;Eume&lt;/b&gt;, o jardim da Galiza, &lt;b&gt;Ferrol&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Santa Maria&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Viveiro&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Riba d&#39;Eu&lt;/b&gt;; quer sobre as margens dos rios, como &lt;b&gt;Sárria&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Betanços&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Riba d&#39;Ávia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Viana&lt;/b&gt;, etc.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A &lt;b&gt;Corunha&lt;/b&gt; está dividida em duas vilas, a saber, uma superior e outra inferior. A superior está situada na descida de um monte, equipada com fortificações e com um castelo; a inferior, conhecida vulgarmente como &lt;b&gt;Pescaria&lt;/b&gt;, situa-se na costa, em baixo, e todos os seus lados estão batidos polo mar, a modo de uma península. Esta cidade tem um peirão capaz de acolher uma grande flota de barcos, e não longe de aqui há mui excelentes minas de jaspe. Marinée conta que a vila de &lt;b&gt;Taure&lt;/b&gt;, nas margens do rio &lt;b&gt;Douro&lt;/b&gt;, lugar esgrévio, tem abundância de vinho claro, grão e diversos tipos de frutas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
As vilas marinheiras da Galiza situam-se na ordem seguinte: &lt;b&gt;Avilés&lt;/b&gt;, de onde se contam seis léguas marinhas até &lt;b&gt;Luarca&lt;/b&gt;, de Luarca a &lt;b&gt;Riba d&#39;Eu&lt;/b&gt;, dez; de Riba d&#39;Eu a &lt;b&gt;Viveiro&lt;/b&gt;, dez; de Viveiro a &lt;b&gt;S. Marcos&lt;/b&gt;, uma; de S. Marcos até ao cabo &lt;b&gt;Ortegal&lt;/b&gt;, seis; detrás do cabo Ortegal vemos um castelo, e depois há quatro léguas até a &lt;b&gt;Cedeira&lt;/b&gt;; de Cedeira a &lt;b&gt;Ferrol&lt;/b&gt;, seis; de Ferrol à &lt;b&gt;Corunha&lt;/b&gt;, três; de Corunha às &lt;b&gt;Sisargas&lt;/b&gt;, seis; das Sisargas a &lt;b&gt;Queres&lt;/b&gt;, duas; e também de Sisargas ao &lt;b&gt;Cabo Belém&lt;/b&gt;, nove ou dez; deste cabo até ao de &lt;b&gt;Coriane&lt;/b&gt;, duas; entre estes dous cabos há um golfo a cuja direita está a vila de &lt;b&gt;Mogia&lt;/b&gt;; finalmente, depois do Cabo de &lt;i&gt;Coriane&lt;/i&gt;&amp;nbsp;até ao de &lt;b&gt;Fisterra&lt;/b&gt;, duas, et daí a &lt;i&gt;&lt;b&gt;Sechen&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, ou ainda a &lt;b&gt;Corconie&lt;/b&gt;, uma; depois do mesmo cabo até &lt;b&gt;Ponte Vedra&lt;/b&gt;, sete: esta cidade, afastada do mar, está situada numa das partes mais interiores do golfo, na embocadura da qual há uma ilha oposta, desde a qual há, até as de &lt;b&gt;Baiona&lt;/b&gt;, quatro léguas; e aproximadamente a meio caminho entre estes dous lugares encontram-se &lt;b&gt;Cangas&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Vigo&lt;/b&gt;; de Baiona a &lt;b&gt;Caminha&lt;/b&gt; há tres léguas, e depois de Caminha até &lt;b&gt;Viana&lt;/b&gt;, cinco; onde se encontram os limites da Galiza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ar da Galiza é temperado contra a ribeira do mar, mas dentro do país é mais frio; o terreno é desigual e por toda a parte montanhoso. Entre as cidades de Ourense e &lt;b&gt;Monte Rei&lt;/b&gt;, há uma chaira muito prazerosa; o resto do país é ocupado por montanhas e vales muito estreitos, de onde surgem grande número de mananciais que dão lugar a um número infinito de pequenos regatos e por volta de setenta rios, entre os quais os principais são o &lt;b&gt;Sil&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Minho&lt;/b&gt;, o &lt;b&gt;Ulha&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;Tambre&lt;/b&gt;. Esta província produz em cada época todas as cousas necessárias para a vida humana, e grande abundância de peixe fresco que, salgado e bem acomodado em toneis para se conservar, é exportado. Os galegos, por causa da grande humidade do ar (pois em Compostela chove por volta de nove meses ao ano) ou por causa de terem abundância de todas as cousas necessárias, ou por se contentarem com pouco, não exercem apenas o tráfico nem as artes mecânicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Galiza recebeu o título de reino por volta do ano de graça de 1060. Pois naquele tempo Fernando, rei de Castela, filho de Sancho o Maior, rei de Navarra, após casar com a filha de Afonso V, irmã e única herdeira de Veremundo III, rei de Leão, após ter unificado os dous reinos, tendo três filhos, dividiu o seu domínio por testamento, a saber: a Sancho, a Castela; a Afonso Leão e Astúrias, e finalmente a Garcia a Galiza e Portugal. Ora Sancho, não contente com a divisão do testamento de seu pai, expulsou seu irmão Afonso do seu reino, e matou seu irmão Garcia. Após reinar arredor de seis anos, foi morto &amp;nbsp;e Afonso, que se tinha refugiado em Toledo junto com o rei dos mouros, recuperou não somente o seu reino de Leão, que tinha conseguido por testamento de seu pai, como também os de Castela, Galiza e Portugal. O referido Afonso teve três filhos legítimos de três mulheres, a saber, uma filha denominada Sancha, e dous filhos, Sancho e Afonso, que será o seu herdeiro de todos os reinos de seu pai e, pola grandeza do seu império, irá merecer o nome de Imperador das Espanhas, depois do qual a Galiza teve sempre o mesmo rei e senhor que Leão e a Castela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os templos do reino, o mais famoso é o de &lt;b&gt;Compostela&lt;/b&gt;. Afonso o Casto fundou-o e dedicou-o à honra do apóstolo S. Tiago no mesmo lugar em que as relíquias deste santo apóstolo foram encontradas pelo bispo Teodomiro. Lá chegou por volta do ano 835, nos tempos do reino de Rodríguez. Após ter sido edificado, tiveram lugar grande número de milagres e o nome de S. Tiago tornou-se muito famoso como aquele que apareceu muitas vezes em combates com os mouros, ajudando os cristãos e singularmente o rei Ramiro. Daí vem que os espanhóis tenham por costume chamar durante o combate por S. Tiago, gritando o seu nome em voz alta: Sant Iago. Assim, sob o título desse nome, os espanhóis têm uma ordem de cavalaria, onde não se é recebido se não se tiverem pais nobres e ilustres. O rei Afonso III fez revestir este templo muito mais magnífico do que antes, e todos os sucessores o adornaram com grandes doações e ricas ofrendas; e os Papas de Roma deram-lhe grandes prerrogativas, como Urbano II, que transportou o Evangelho de Íria Flávia para este igreja; exemplo do poder do arcebispo de Braga, o Papa Pascal confirmou e deu à igreja de Compostela o privilégio de poder fazer e criar doze cardenais, que seriam eleitos entre os cónegos da mesma igreja. Finalmente, o Papa Calixto elevou esta igreja a arcebispado de Mérida. Há o costume de visitar esta igreja desde todos os lugares da cristiandade, e concorrem um número infinito de pessoas. Silio Itálico fala assim da Galiza e dos galegos no livro 3:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;i&gt;Fibrarum et penna, divinarumque sagacem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;flammarum, misit dives Gallaecia pubem:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Barbara nunc patriis ululantem carmina linguis,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;nunc pedis alterno percussa verbere terra&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;ad numerum resonas gaudentem plaudere Cetras:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;haec requies ludusque viris, ea sacra voluptas,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;caeterea faemineus peragit labor, addere sulco&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;semina, et impresso tellurem vertere aratro,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;segne viris, quicquid duro sine Marte gerendum est,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Callaici Conjux obit irrequieta marisi.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;h2&gt;
Versão em francês&lt;/h2&gt;
Gallice a pris son nom des peuples Callaices. Ce Royaume est ferré du costé Septentrional par l&#39;Ocean : à son Midy il a la Portugalle , de laquelle il est separé par 
le fleuve Durie : au Levant l&#39;Asturie &amp;amp; Léon. D. Iunius Brutus Consul Romain , ayant 
vaincu les peuples de ce pays , l&#39;an depuis la fondation de Rome 617 , mérita d&#39;estre surnommé Callaice. Mais il est certain que les Callaices, ou bien Galliciens, s&#39;estendoient bien plus au large, &amp;amp; occupoient plus grand pays , veuque Paul Orosè dit, que Numance, qui est à present réputée de l&#39;ancienne Castille , a esté sur les confins &amp;amp; commencement de la Gallice ; &amp;amp; qui plus est, ce pays s&#39;estendoit vers l&#39;Orient , jufques aux monts Pyrénées : &amp;amp; maintenant il est limité par la mer &amp;amp; le fleuve Anie , &amp;amp; par les Royaumes de Léon &amp;amp; Portugal. Cette contrée a du temps passé esté occupée par diversès nations outre les Callaices , comme par les Amphilochiens , Ciliens, Celtiques, Tamariques sur le fleuve Tamarin, Cepores, Luciens &amp;amp; Zecliens. Le principal &amp;amp; presque l&#39;unique fleuve est le Mino , lequel renant sa source des plus esloignées parties de la Gallice , la traverse quasi toute par le milieu, tirant du Septentrion contre le Midy , &amp;amp; visitant Orense , &amp;amp; plusieurs autres places , sè descharge dans la mer Occidentale. Le rivage de la mer est entrecoupée de plusieurs Goulfes , dans lesquels le trouvent plus de quarante ports ou havres , les plus grands desquels, &amp;amp; les plus renommez, sont Corunne &amp;amp; Ferrol. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cette Province contient dans lès limites cinq villes Episcopales , &amp;amp; cinquante sèpt autres ceintes de murailles : pour le jourd&#39;huy sa ville capitale est Compostelle, non annoblie d&#39;un tas d&#39;antiquitez &amp;amp; de faits héroïques , mais des reliques de S.Iacques , qui est le patron de toute l&#39;Espagne; ce pourquoy les Espagnols appellent cette ville Sant Iago : Anciennement elle fut dite Brigantium , &amp;amp; pour le present elle est rédigée en Archevesché. Lugo monstre suffisàmment par le circuit de ses murailles qu&#39;elle a esté autresfois une grande ville : elle a des fontaines d&#39;eau chaude, voire mesme bouillantes. La ville d&#39;Orensè est située sor le bord du fleuve Mino , non seulement en un terroir fort plaisant &amp;amp; recreatif , mais aussi tres-fertil , orné de tous costez d&#39;excellens arbres fruiétiers , outre un grand nombre de 
vignobles , qui produisént du vin tres-bon &amp;amp; généreux : mais ce qui rend cette ville plus renommée, sont ses fontaines d&#39;eau chaude , &amp;amp; propre à guarir toutes fortes de maladies , aucunes d&#39;icelles estans si tiedes &amp;amp; tempérées qu&#39;elles ne nuisent aucunement aux corps de ceux qui s&#39;y lavent : mais les autres sont tellement chaudes &amp;amp; bouillantes que l&#39;on ne pourroit sùpporter leur chaleur , &amp;amp; les œufs s&#39;y cuissent facilement. En cette ville il y a Une Eglife Cathédrale, l&#39;Evesque de laquelle a trois mille ducats de revenu. Les deux autres moindres villes sont Tui &amp;amp; Mondogneto , lesquelles jouyssent d&#39;un air sain &amp;amp; 
tempéré, &amp;amp; ont un terroir grandement fertil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Les autres villes sont fituées , ou sor le rivage de la mer , comme Bayonne , a l&#39;opposite de laquelle se voyent les Isles de Bayonne , anciennement dites Isles des Dieux: Vigo, Pontevedra, qui a dix mille cinq cent feux : Padro , Noya, Muros , Cea , Finis terra; , Mongia , Corunne, Pontedeaume, le Iardin de Gallice, Ferrol ,S.Marie, Bivero , Ribadeo ; ou bien for les bords des fleuves , comme Sarrie , Betancos , Rivadavie, Viane, &amp;amp;c.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Corunne est divisée en deux villes , à sçavoir en la Supérieure &amp;amp; l&#39;Inférieure. La Supérieure est située sor la deseente d&#39;une montagne , munie de rempars &amp;amp; d&#39;un chafteau , à laquelle l&#39;Inférieure, vulgairement dite Pescarie,eft conjointe du costé d&#39;en bas, &amp;amp; tous ses autres flancs sont battus des flots de la mer à la façon d&#39;une peninsule. Cette ville a un havre capable pour loger une grande flotte de vaisseaux ; &amp;amp; non loing d&#39;icelle il y a de très-excellentes mines de Iaspe. Marinée raconte que la ville de Taure estoit aflîse sur le bord du fleuve Durie, en un lieu razé, &amp;amp; eslevé , laquelle estoit fort abondante en vin clairet, grains &amp;amp; diversès sortes de fruits.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Les villes maritimes de Gallice sont situées en l&#39;ordre fuivant ; Avila, de laquelle ville l&#39;on compte six lieues jusques à Luarce ; de Luarce jusques à Ribadeo dix; de Ribadeo jusques à Vivero dix : de Vivero à la ville de S. Marc une : de S. Marc jusqu&#39;au Cap Ortegal six : derrière ce Cap d&#39;Ortegal on void un chasteau : depuis ce Cap jusques à Sedeire quatre : de Sedeire jusques a Ferrol six : de Ferrol jusques à Corunne trois : de Corunne jusques à rifle de Cysarge six: de Cysarge jusques à Queres deux: &amp;amp; aussi de Cyfarge jusques au Cap de Bellem , neuf ou dix: de ce Cap jusques à celuy de Coriane deux : entre ces deux Caps est un Goulfe , sor la gauche duquel est située la ville Mongie; finalement, depuis le Cap de Coriane jusques à celuy de Finisterre deux : &amp;amp; de là jusques à Sechen , ou bien Corconie , une : &amp;amp; auffi depuis le mesme Cap jusques à Pontevedra, sept ; cette ville estant plus esloignée de la mer, est située dans la partie plus intérieure du Goulfe, à l&#39;emboucheure duquel est une Isle opposée , de lequelle , jusques à Bayonne il y a quatre lieues , &amp;amp; environ à mi chemin entre ces deux places se rencontrent Cannes &amp;amp; Vigo , de Bayonne jusques à Camine trois lieues : &amp;amp; enfin depuis Camine jufques à 
Viane , cinq; là où aboutissent les confins de Gallice.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
L&#39;air de Gallice eft tempéré vers le rivage de la mer: mais dedans le pays il eft froidelet; le terroir est inégal , &amp;amp; pour la pluspart montagneux. Entre les villes d&#39;Orense &amp;amp; de Montere, il y a une plaine fort plaisante : le reste du pays est occupé par des montagnes &amp;amp; vallées fort estroites , où sourdent grand nombre de fontaines , &amp;amp; descoulent un nombre infiny de petits ruisseaux , &amp;amp; environ septante petites rivieres entre lesquelles les principales sont le Sil , Migno , Vile &amp;amp; Tambre. Cette Province produit à soison toutes choses necessaires à la vie humaine , &amp;amp; grande abondance de poissons frais, lesquels estans salez &amp;amp; bien accommodez dans des tonneaux pour se consèrver , sont transportez ailleurs. Les Galliciens , ou à raison de la grande humidité de l&#39;air (car vers Compostelle il pleut environ neuf 
mois l&#39;année ) ou à causè qu&#39;ils ont en abondance toutes choses necessaires , ou bien d&#39;autant qu&#39;ils sont contents de peu, n&#39;exercent gueres le trafic, ny quelques arts mechaniques.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gallice a receu le tiltre de Royaume environ l&#39;an de grâce 1060. Car en ce temps Ferdinand Roy de Castille , fils de Sanctie le Majeur Roy de Navarre , après qu&#39;il eut esppusé Sanctie fille d&#39;Alphonsè V,sœur &amp;amp; unique héritière de Veremond III Roy de Léon , &amp;amp; qu&#39;il eut ainsi conjoint les deux Royaumes , ayant trois fils , divisa par testament son domaine , à sçavoir , à Sanctie la Castille; à Alphonsè le Leon &amp;amp; l&#39;Asturie; &amp;amp; finalement à Garcie la Gallice &amp;amp; Portugal. Or Sanctie, non content de la division testamentaire de son père , chassa son frère Alphonse de son Royaume , &amp;amp; tua son frère Garcie. Apres qu&#39;il eut régné environ six ans , &amp;amp; qu&#39;il fut tué par finesse de Vellede, Alphonse qui s&#39;estoit réfugié à Tolède auprès du Roy des Mores , recouvra non seulement son Royaume de Léon qu&#39;il avoit auparavant par testament de son père , mais aussi ceux de Castille , Gallice &amp;amp; Portugal. Ledit Alphonse eut trois enfans légitimes de trois femmes, à sçavoir une fille nommée Sanctie, &amp;amp; deux fils , Sanctie &amp;amp; Alphonse , lequel demeura seul héritier de tous les Royaumes de son pere, &amp;amp; par la grandeur de son Empire mérita le nom d&#39;Empereur des Espagnes , depuis lors la Gallice a eu toujours un mesme Roy &amp;amp; Seigneur avec le 
Léon &amp;amp; la Castille.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre tous les temples du Royaume le plus fameux est celuy de Compostelle. Alphonse le Chaste le fonda , &amp;amp; le dédia à l&#39;honneur de l&#39;Apostre S.Iacques , au mesme lieu où les Reliques de ce sainct Apostre furent trouvées par l&#39;Evesque Theodimire. Cela arriva environ l&#39;an 83 y, au temps du règne de Roderiguez. Apres qu&#39;il fut édifié , il s&#39;y faisoit grand nombre de miracles , &amp;amp; le nom de S. Iacques fut fort fameux, comme celuy qui est apparu plusieurs fois combattant contre les Mores, &amp;amp; secourant les Chreftiens, &amp;amp; singulierement le Roy Raymere. D&#39;où est venu que les Espagnols ont de coustume d&#39;appeller en combattant le nom de S. Iacques crians à haute voix , Sant Iago. Aussi souz le tiltre de ce nom , les Espagnols ont un ordre de Chevallerie , dans lequel personne n&#39;est receu s&#39;il n&#39;est procréé de parens nobles &amp;amp; illustres . Le Roy Alphonse III fit rebastir ce temple beaucoup plus magnifique qu&#39;auparavant , &amp;amp; tous ses successeurs l&#39;ont orné de grands dons &amp;amp; de riches offrandes : &amp;amp; les Papes de Rome l&#39;ont doué de grandes prérogatives , comme Vrbain 1 1 transporta l&#39;Evesche d&#39;Iris-Flavie en cette Eglifê, l&#39;exemptant de la puissance de l&#39;Archevesque de Bracare: ce que le Pape Paschal confirma, &amp;amp; par dessus donna à cette Eglise de Compostelle ce privilège de pouvoir faire &amp;amp; créer douze Cardinaux , lesquels sont esleus d&#39;entre les Chanoines de la mefme Eglise. Finalement le Pape Calixte esleva cette Eglise en Archevesché , luy attribuant l&#39;Archevesché d&#39;Emerite. On a de coustume de visiter cette Eglise de tous les quartiers 
de la Chrestienté , y concourant journellement un nombre infiny de perfonnes. Silius Italicus 
parle ainsi de la Gallice &amp;amp; des Galliciens au livre 3:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;i&gt;Fibrarum et penna, divinarumque sagacem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;flammarum, misit dives Gallaecia pubem:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Barbara nunc patriis ululantem carmina linguis,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;nunc pedis alterno percussa verbere terra&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;ad numerum resonas gaudentem plaudere Cetras:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;haec requies ludusque viris, ea sacra voluptas,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;caeterea faemineus peragit labor, addere sulco&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;semina, et impresso tellurem vertere aratro,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;segne viris, quicquid duro sine Marte gerendum est,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Callaici Conjux obit irrequieta marisi.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Considerações finais&lt;/h2&gt;
A respeito do texto em si, alguns topónimos aparecem com formas relativamente estranhas; outros são difíceis de identificar —quando menos, para mim— e deles só posso oferecer conjecturas. Entre os primeiros, o rio Tamarim é, evidentemente, o rio &lt;b&gt;Tambre&lt;/b&gt;, as ilhas Cysarge são as &lt;b&gt;Sisargas&lt;/b&gt; (&amp;lt; lat. &lt;i&gt;Caesaricas&lt;/i&gt;), e Sedeire é &lt;b&gt;Cedeira&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os outros topónimos, os que apenas posso conjeturar: o rio &lt;i&gt;Ania&lt;/i&gt; pode ser referência do rio &lt;b&gt;Lima&lt;/b&gt;, que desemboca em &lt;b&gt;Viana do Castelo&lt;/b&gt;, a sul do qual está a atual &lt;b&gt;Anha&lt;/b&gt;. Os cabos de Coriane e Belém penso que sejam os cabos &lt;b&gt;Tourinhão&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Vilão&lt;/b&gt;. No caso do segundo, penso que possa haver uma simples confusão fonética beˈlɛŋ / biˈlaŋ, pois é assim que se pronuncia nessa zona da Galiza o nome do cabo. Corconie, que também aparece citada na descrição da &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2012/08/toponimia-inventada-i-costa-da-morte.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Costa da Morte&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; (que não aparece com este nome), penso que seja &lt;b&gt;Corcubião&lt;/b&gt;, pola descrição da distância, o que dá para identificar &lt;i&gt;Sechen&lt;/i&gt; com &lt;b&gt;Cee&lt;/b&gt; —ainda quando, anteriormente, Cee apareça sob a forma &lt;i&gt;Cea&lt;/i&gt;. A respeito desta dualidade, também é certo que &lt;b&gt;Viveiro&lt;/b&gt; aparece como Vivero e como Bivero, sem muito reparo, o que me induz a pensar que estejamos perante um caso similar de confusão fonética e de transcrição, pois, errada. A referência a &lt;b&gt;Queres&lt;/b&gt; resulta-me indecifrável: pola distância conjeturo que se deve encontrar algures na ria de &lt;b&gt;Corme&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Lage&lt;/b&gt;, mas não encontro toponímia atual que o confirme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais dous apontamentos toponímicos: o primeiro é para a confusão &lt;b&gt;Brigantium&lt;/b&gt; / &lt;b&gt;Compostela&lt;/b&gt;, evidentemente errada: na controvérsia sobre a localização da antiga Brigantium esta é, que eu conheça, a única identificação que se tem feito com Compostela. O segundo é para a referência à vila de Taure nas margens do &lt;b&gt;Douro&lt;/b&gt;, imediatamente após o parágrafo sobre a &lt;b&gt;Crunha&lt;/b&gt;, e que não sou quem de explicar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito dos limites, Blaeu distingue perfeitamente a diferença entre a extensão da província romana (ainda quando cite Orósio, amplamente discutido hoje) e a extensão do Reino da Galiza na época em que é redigido o texto. Por sinal, corresponderia com os limites atuais, ainda um bocado alargados a norte, até &lt;b&gt;Lluarca&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Avilés&lt;/b&gt;; e a sul, até ao rio Lima, segundo identifico. É claro que a descrição se limita aos territórios costeiros, com a excepção de &lt;b&gt;Lugo&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Ourense&lt;/b&gt; e a citação de &lt;b&gt;Monterrei&lt;/b&gt;. Daí que não seja possível tirar uma conclusão a respeito dos limites orientais da Galiza. &amp;nbsp;Em qualquer caso, o mapa que acompanha o texto dá outros limites: polo Cantábrico, o limite claro fica na ria do Eu; e polo Atlântico, polo rio Minho. O mapa, porém, não foi desenhado por Blaeu, mas por frei &lt;b&gt;Hernando Ojea&lt;/b&gt;, vários anos antes, o que explicaria as diferenças entre a descrição e a cartografia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por último, as referências históricas mereceriam provavelmente alguma anotação. Porém, talvez não seja lugar aqui para o tratar com a suficiente extensão. Fique assim, por enquanto, como um texto geográfico, sem outra dimensão que a descritiva. Essa é a missão do &lt;i&gt;Teatro do Mundo&lt;/i&gt;, e esse é o seu interesse.&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2013/04/o-reino-da-galiza-no-teatro-do-mundo-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinq6kDxAElOhjpJpiul7ycFXsnyzrk3V3YCk_acjqDzcZ0BHoX35KQB302GZFwNhiVI4-5Q_k77FwV44YqpnSI3QEZ24qtULqVPVpDFFZMgguR1DL1bVgpK0xMpcwIcEjOaAkpMTDP6mw/s72-c/letheatredumonde00blae_0271.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-8027196417965323955</guid><pubDate>Sun, 07 Apr 2013 12:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-17T01:56:40.104+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">comarcas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">concelhos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><title>Toponímia maior da comarca da Arnóia</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEibrQ01XIQ8RQAUaIzy-Q0JBHy3BgwdrxKvQnbFx0Nd8hFtTE2vuoeRCiC_10jrDIwaRscrwZdohBeniefP-bXHGxHERyVmwWdb9Hat-P5yxhilF0bHVhjQl1IHu-9iDKvvdl1Yapg-P40/s1600/arnoia.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;501&quot; data-original-width=&quot;501&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEibrQ01XIQ8RQAUaIzy-Q0JBHy3BgwdrxKvQnbFx0Nd8hFtTE2vuoeRCiC_10jrDIwaRscrwZdohBeniefP-bXHGxHERyVmwWdb9Hat-P5yxhilF0bHVhjQl1IHu-9iDKvvdl1Yapg-P40/s400/arnoia.png&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
A comarca da Arnóia — oficialmente, comarca de Alhariz-Maceda — inclui os concelhos de &lt;b&gt;Alhariz&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Banhos de Molgas&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Maceda&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Paderne de Alhariz&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Junqueira de Ambia e Junqueira de Espadanedo&lt;/b&gt;. A comarca linda a leste com a terra de &lt;b&gt;Ourense&lt;/b&gt;, ao oeste com a terra de &lt;b&gt;Caldelas&lt;/b&gt;, a sul com a &lt;b&gt;Límia&lt;/b&gt; e a sueste com a terra de &lt;b&gt;Celanova&lt;/b&gt;;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;e possui dous pontos de referência importantes: o monte &lt;b&gt;Penamá&lt;/b&gt; (927m) e o rio &lt;b&gt;Arnóia&lt;/b&gt;, que a atravessa de leste a oeste.&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Alhariz&lt;/h2&gt;
Alhariz é, sem dúvida, o centro urbano mais importante da comarca e, como corónimo, possui uma extensão no vizinho Paderne, que é de Alhariz, o que aponta para a sua importância referencial. Etimologicamente é bem fácil deduzir uma procedência de&amp;nbsp;&lt;i&gt;Aliarici&lt;/i&gt;, como genitivo de&amp;nbsp;&lt;i&gt;Aliaricus,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;cujo segundo elemento -&lt;i&gt;rik&lt;/i&gt;- (*&lt;i&gt;rīkjaz&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&#39;forte, nobre&#39;) leva imediatamente para a antroponímia germânica de que já falamos &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2011/12/toponimos-germanicos-ii-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. Há documentado, com efeito, Aliarico, que é caso pouco frequente, porém, válido. De maneira que a&amp;nbsp;&lt;i&gt;uila Aliarici&lt;/i&gt;&amp;nbsp;será a vila de Aliarico.&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Banhos de Amolgas&lt;/h2&gt;
Banhos de Amolgas (graf. isol. Baños de Molgas) é, segundo &lt;a href=&quot;http://www.uaum.uminho.pt/edicoes/revistas/ca_II_12_13/CA%2012_13%20Mansiones%20y%20mutationes%20en%20la%20Via%20Nova.pdf&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Rodríguez Colmenero&lt;/a&gt;&amp;nbsp; e outros, a &lt;i&gt;&lt;b&gt;mansio Salientibus&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; do itinerário de Antonino. Como quer que fosse, &amp;nbsp;no plano etimológico, este topónimo está composto por um primeiro elemento, Banhos, inteligível como outros Banhos (cf. &lt;b&gt;Banhos de Bande&lt;/b&gt;), balneários, caldas, etc., relativamente comuns na Galiza e que, por isso, não requer mais explicação; e por um segundo elemento, Molgas, que convém aclarar. Molgas aparece com a forma atual em meados do s. XI: &quot;&lt;i&gt;presentia regis ipse Guttier et ille Tegino [Regino] in villa de Molgas&lt;/i&gt;&quot; (Celanova, 1058), mas parece hápax (cf. Tegino, em lugar de Regino), se considerado &quot;&lt;i&gt;presentia regis ipse Guttier et ille Regino in villa de Amolgas&lt;/i&gt;&quot; (Celanova, 1058) e ocorrências posteriores da forma &lt;b&gt;Amolgas&lt;/b&gt; até ao s. XIII: &quot;&lt;i&gt;facta karta apud Amolgas XVo kalendas nouembris. ERA M.CC.XXX.II. ego rex dominus Alfonsus hoc&lt;/i&gt;&quot; (Ourense, 1232).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Bascuas (2002: 208-209), Amolgas proviria de uma raíz *am- &#39;água&#39;, presente também em &lt;b&gt;Ámio&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Amaia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Amoeja&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Amoeiro&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Amoedo&lt;/b&gt;, e outros. Ainda, penso que talvez -olgas seja não um sufixo *-&lt;i&gt;olicas&lt;/i&gt;, mas um lema per se, proveniente do celta *&lt;i&gt;(p)olca&lt;/i&gt; &amp;gt; *&lt;i&gt;olga&lt;/i&gt;, com o significado de &#39;terreno húmido [à beira de um rio]&#39; (cfr. &lt;b&gt;Acenha de Olga&lt;/b&gt;, Lugo, à beira do Minho; ou o castelhano &lt;b&gt;Huelgas&lt;/b&gt;), concitando novamente a referência hidronímica. Estaríamos, portanto, perante um sumatório de banhos&amp;nbsp;+ *am-&amp;nbsp;+ *(p)olcas perfeitamente concertado no seu significado.&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Maceda&lt;/h2&gt;
A etimologia de Maceda provém, com probabilidade, do latim vulgar *&lt;i&gt;mattianeta&lt;/i&gt;, isto é, &#39;bosque de maceiras, pomar&#39;. A procedência é latina, mas Coromines e outros apontaram a possibilidade de, já no latim, ter procedência céltica, relativa à raiz *&lt;i&gt;mati&lt;/i&gt;- &#39;bom, propício&#39;. Desse modo, *&lt;i&gt;mattiana&lt;/i&gt;, que dá em galego-português maçã, seria o fruto do bom tempo, o que se dá em latitudes com clima temperado. E Maceda referiria um cultivo de maçãs. O aqui dito é válido também para o concelho de &lt;b&gt;Maceda de Trives&lt;/b&gt;, barbaramente castelhanizado como Manzaneda.&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Paderne de Alhariz&lt;/h2&gt;
Sem explicar novamente Alhariz, Paderne apresenta um topónimo também antroponímico, derivado neste caso de &lt;i&gt;Paterni&lt;/i&gt;, genitivo de Paderno ou Paterno, o possuidor. O antropónimo aparece amplamente documentado, mas de maneira especial em feminino, de modo que até poderíamos estar perante um &lt;i&gt;Paternae&lt;/i&gt;, com redução do ditongo final perfeitamente normativa. Padernes, com efeito, há outros, na mesma Galiza (cº &lt;b&gt;Paderne&lt;/b&gt;, cª &lt;b&gt;Betanços&lt;/b&gt;) e em Portugal, como junta de freguesia no cº de &lt;b&gt;Albufeira&lt;/b&gt; (dº &lt;b&gt;Faro&lt;/b&gt;).&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Junqueira de Ambia&lt;/h2&gt;
A nome Junqueira não apresenta qualquer dificuldade: é apelativo e, aliás, tem presença relativamente alargada na Galiza e em Portugal, com proveniência do latim &lt;i&gt;iuncaria&lt;/i&gt;, isto é, lugar onde abundam os juncos. Os juncos (género &lt;i&gt;juncus&lt;/i&gt;), em qualquer caso, não são muito comuns na fachada atlântica europeia, de modo que, neste caso, os &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2012/01/falsos-fitonimos.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;reparos com que devemos tratar os fitotopónimos&lt;/a&gt; não fazem tanto sentido. Quanto a Ambia, diz Corominas que seja o nome antigo do rio &lt;b&gt;Arnoia&lt;/b&gt;, que é o principal da comarca, mas, como reconhece Moralejo Lasso, há que dizer que não há provas documentais. O que parece certo é que, etimologicamente, esteja relacionado com o tema céltico &lt;i&gt;*ambas-&lt;/i&gt; &#39;água&#39; de que &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimia-celta-iii-o-tema-ambas.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;já falamos neste caderno&lt;/a&gt;. Tendo presente que os juncos são, sempre, espécies próprias de áreas alagadas, e que aqui teríamos, por &lt;i&gt;ambia&lt;/i&gt;, um lugar bem húmido, a concordância resulta evidente e reforça esta hipótese para Ambia.&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
Junqueira de Espadanedo&lt;/h2&gt;
Nesta mesma comarca, Junqueira de Espadanedo (med. &lt;i&gt;Iuncarie de Spataneto &lt;/i&gt;— Ourense, 1282) comparte o fitotopónimo, que já se explicou. O segundo elemento, Espadanedo, responde também provavelmente a um fitotopónimo coletivo, relacionado com as espadanas (género &lt;i&gt;typha&lt;/i&gt;), próprias, como os juncos, de humidais e zonas lacustres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2013/04/toponimia-maior-da-comarca-de-alhariz.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEibrQ01XIQ8RQAUaIzy-Q0JBHy3BgwdrxKvQnbFx0Nd8hFtTE2vuoeRCiC_10jrDIwaRscrwZdohBeniefP-bXHGxHERyVmwWdb9Hat-P5yxhilF0bHVhjQl1IHu-9iDKvvdl1Yapg-P40/s72-c/arnoia.png" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-212935494124745841</guid><pubDate>Tue, 02 Apr 2013 11:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2013-04-06T01:15:45.165+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">celtas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Gallaecia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">geografia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">notas gerais</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">romanos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">suevos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">território</category><title>Apontamentos sobre o conceito de território na Gallaecia: dos celtas aos suevos</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os territórios políticos da antiguidade sobreviveram em muitos casos, tanto na sua concepção geográfica ou espacial, quanto no que diz a respeito do seu nome. Hoje, é possível rastejar corónimos celtas nos nomes das nossas comarcas e, nomeadamente, das demarcações geográficas da hierarquia católica. A divisão geográfica é interessante por si própria, como parte da história do país, mas também o é para a toponímia e, sobretudo, para o caso concreto dos corónimos. O que vem a continuação é apenas uma série de apontamentos sobre a organização territorial na Gallaecia desde a época pré-romana, mas com referências na documentação romana, até ao século VI e a ré-organização sueva. São apenas apontamentos introdutórios, e portanto não deve procurar-se neles qualquer exaustividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHd1dADltQ05rA9dQrqESiDIj8Af7HpSeT5G7d4rG2ZvcOyImLyztETlrBe_5N3uCzowo_pYxvuuCA0DY81fQ0ReGL80_r7bC_eB1jvI1_QYGkXzAjIejFmhukXdJTqsNw13hnLgupN54/s1600/gallaecia.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHd1dADltQ05rA9dQrqESiDIj8Af7HpSeT5G7d4rG2ZvcOyImLyztETlrBe_5N3uCzowo_pYxvuuCA0DY81fQ0ReGL80_r7bC_eB1jvI1_QYGkXzAjIejFmhukXdJTqsNw13hnLgupN54/s1600/gallaecia.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;184&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHd1dADltQ05rA9dQrqESiDIj8Af7HpSeT5G7d4rG2ZvcOyImLyztETlrBe_5N3uCzowo_pYxvuuCA0DY81fQ0ReGL80_r7bC_eB1jvI1_QYGkXzAjIejFmhukXdJTqsNw13hnLgupN54/s640/gallaecia.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
1. LIMITES&lt;/h2&gt;
Como para todo território, interessa considerar quais são os limites, isto é, até onde é que um território existe —e se nomeia de determinada maneira— e também o modo como, em geral, os territórios são delimitados. No fundo, o que um território importa é polos limites que estabelece e pola sua capacidade para separar e resguardar, neste caso, como iremos ver, a soberania —seja soberania nacional, desde o século XIX, seja soberania administrativa em função de relações de vassalagem multinível, como aconteceu na Idade Meia e já antes. De maneira idêntica à atualidade, os territórios pré-romanos e suevos eram então delimitados por elementos significativos, a maior parte dos quais eram fitos naturais com base em elementos e acidentes geográficos significativos, às vezes inclusive com valor mágico-propriciatório, como penedos figurativos, seixos brancos (&lt;i&gt;saxas albas&lt;/i&gt;), etc. Estes elementos conformavam os marcos, que na documentação medieval aparecem também com a forma latinizada &lt;i&gt;coriae&lt;/i&gt;, isto é, &lt;b&gt;coiras&lt;/b&gt;. O facto de ser uma forma latinizada aponta, com efeito, para um uso anterior à romanização e, portanto, à existência de divisões e estruturas pré-romanas recolhidas posteriormente na estrutura interna das &lt;i&gt;provinciae&lt;/i&gt; romanas, de onde passou à idade meia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras coiras podiam ser elementos artificiais —humanos— pré-existentes, aos que se lhes reconhece uma determinada singularidade. Podiam ser, por exemplo, mesas ofertórias neolíticas com fossetes (&lt;i&gt;cupmarks&lt;/i&gt;, burgários na documentação medieval), túmulos neolíticos (&lt;i&gt;lacos anticos&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;lacunas&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;lacunellas&lt;/i&gt; na documentação medieval), mámuas, arcas, armadas, etc. A respeito das Lacunas, veja-se a existência de orónimos Lagoa, Lagoela, etc. Por outra parte, a correspondência pré-latina dessas ocorrências de &lt;i&gt;lacus&lt;/i&gt; é o termo &#39;pala&#39;, que se mantém com valor apelativo na atualidade referindo uma pedra oca pola sua parte inferior e, por extensão, um buraco numa pedra. (veja-se também a toponímia Pala, neste caderno).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h2&gt;
2. CONCEITO E EVOLUÇÃO&lt;/h2&gt;
O que fica dentro dos limites estabelecidos polas coiras é um território de carácter político, na medida em que a sua divisão é humana e responde a uma organização económica (estrutural), com as suas derivadas superestruturais. Em qualquer caso, o território político antigo, desde a época de povoamento celta até à do reino suevo, recebe diferentes nomes, como se irá ver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Celtas&lt;/h4&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: left; margin-right: 1em; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6f/Castro_en_santa_trega.jpg/800px-Castro_en_santa_trega.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6f/Castro_en_santa_trega.jpg/800px-Castro_en_santa_trega.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Castro de Santa Tegra (Guarda — Galiza)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
O estabelecimento do poder romano mostra como os invasores aproveitaram a estrutura hierárquica e organizacional pré-latina, e até mantiveram a maioria dos seus nomes anteriores, o que, por outra parte, era avondo comum no caso do império romano. Se quisermos traçar uma evolução também dos nomes que as diferentes culturas deram ao conceito de território, devemos começar polo conceito de &lt;b&gt;castro&amp;nbsp;&lt;/b&gt;(que também aparece como &lt;i&gt;castellu&lt;/i&gt;), que é, aliás, o conceito que mais se associa com os celtas. É comum interpretar o castro como um recinto fortificado, povoado por casas de plano circular onde morar. Trata-se de uma ideia avondo reduzida do que um castro era. Porque, em primeiro lugar, deve considerar-se que nesses espaços, especialmente angostos, teria sido impossível desenvolver qualquer atividade económica, de modo que esta deveu desenvolver-se fora da área fortificada. Evidentemente, as zonas de trabalho dependiam também dos espaços fortificados. O castro é, portanto, a zona fortificada, mas também as suas dependências económicas ou, por outras palavras, a sua área de influência política direta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os castros, porém, não eram entidades isoladas da sua contorna nem doutros castros. Mesmo entendidos como espaço de soberania nobre, com o seu valor económico e social, estavam organizados numa instância superior, dominada por um &lt;i&gt;princeps&lt;/i&gt; como autoridade ordenadora no marco de um território político de ordem superior. Aqui entra o segundo nível territorial, que tem ocupado muita menos literatura: a &lt;b&gt;treba&lt;/b&gt;. O conceito de treba, de origem induvitavelmente celta&amp;nbsp;(ir.&amp;nbsp;&lt;i&gt;trebad&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&#39;casa&#39;) e com valor de &#39;território político&#39; em Irlanda e noutras áreas claramente celtas, está relacionado, como é evidente, com o de tribo e com o de &lt;i&gt;tributus&lt;/i&gt;, que é o pagamento (portanto, relação de vassalagem) a uma realidade política, for nobreza ou território de soberania.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os celtas organizaram-se na Gallaecia, sem dúvida, em trebas —ainda quando talvez utilizassem outra palavra— que consistiam em âmbitos socio-económicos mais ou menos amplos dominados por relações de vassalagem com o proprietário e senhor de um castro. A palavra treba em questão, com efeito, apresenta poucas ocorrências documentais, inclusive entre os autores latinos: em concreto, apenas aparece na literatura quando Plínio nomeia a tribo Arrotrebae isto é a tribo dos da Terra dos Arrões. No registo epigráfico há outras ocorrências, mas não muito mais numerosas: na inscrição rupestre de Rigueiral (Sanfins, Valpaços) aparece o epígrafe TERMIN(US) TREB(AE) OBILI(ORUM), isto é: &quot;término da treba dos Obili&quot;. Por outras palavras, uma mais uma coira que delimitava, neste caso, uma treba.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aspecto relacional entre os diferentes castros e a sua treba aparece também na epigrafia, polo geral, através dum C invertido &quot;)&quot; colocado entre o nome da treba e o nome do castro. Por exemplo, temos &lt;i&gt;Susarrus ) Aiobaiciaeco&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;Limicus ) Arcuce&lt;/i&gt;; ou &lt;i&gt;Celtica Supertamarica ) Iureobriga&lt;/i&gt;, traduzíveis por o castro de Aiobaiciaeco no território (na treba) dos susarros, o castro de Arcuce no território dos límicos e Iureobriga no território dos celtas supertamaricos. Ademais, na documentação literária, o signo ) aparece substituído por &quot;castellum&quot; ou por &quot;domo&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A treba configura-se assim como espaço auto-reconhecido, composto por uma sucessão de castros que, por sua vez, são também territórios de soberania autárquica e funcionam como &lt;i&gt;clientes&lt;/i&gt; (lat. &lt;i&gt;clino&lt;/i&gt; &#39;inclinar-se&#39;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Romanos&lt;/h4&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: right; margin-left: 1em; text-align: right;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8b/Gallaecia-Dioclecianus.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;193&quot; src=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8b/Gallaecia-Dioclecianus.png&quot; width=&quot;200&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Província da Gallaecia, &lt;br /&gt;
instituída por Diocleciano, &lt;br /&gt;
com os seus conventos&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
A chegada dos romanos e o estabelecimento do seu poder não modificaram substancialmente esta organização. As trebas e os castros foram substituídos polos &lt;i&gt;populi&lt;/i&gt; e as &lt;i&gt;civitates&lt;/i&gt;, mas nada foi muito além de uma mudança puramente nominal. Evidentemente, com a incorporação ao império, a estrutura romana foi imposta e os espaços de poder pré-romanos recolhidos polos geógrafos latinos como Pompónio Mela ou Plínio ficaram apenas num nível interno se comparado com a estrutura de &lt;i&gt;provinciae&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(e as suas reformas augustana, antoniana e diocleciana — que estabelece por fim a província da Gallaecia), por sua vez divididas em &lt;i&gt;conventi&lt;/i&gt; (para a Gallaecia, as fontes citam o &lt;i&gt;Asturum&lt;/i&gt;, o &lt;i&gt;Lucensis&lt;/i&gt; e o &lt;i&gt;Bracarum&lt;/i&gt;). Mas dentro desses, as civitates não deixam de expor a mesma estrutura de poder que já vinha dos castros. Ainda, muitas das civitates romanas serão apenas castros transmutados, mas com as suas capacidades de ordenamento dos populi inalteradas em grande medida. É mais: conservando amiúde os nomes que, com efeito, legam para a seguinte época, já depois do império, com o estabelecimento do reino suevo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Suevos&lt;/h4&gt;
Mesmo na Alta Idade Meia, quando as províncias se desmoronem perante o surgimento dos novos reinos ocidentais (a começar polo suevo),&amp;nbsp;os &lt;i&gt;populi&lt;/i&gt; cederam o seu nome às &lt;i&gt;terrae&lt;/i&gt; e aos &lt;i&gt;territoria&lt;/i&gt;. Por outras palavras: o castro pré-romano, com a sua organização interna como território económico e político autárquico transfere-se então quase diretamente para as &lt;i&gt;villae&lt;/i&gt; medievais, que são também territórios económicos e políticos autarquicos. Mudam os nomes, mas não as estruturas. E, do mesmo modo, as &lt;i&gt;villae&lt;/i&gt; medievais serão tributárias de uns &lt;i&gt;territoria&lt;/i&gt; controlados num nível superior, supra-vilego, às vezes vinculado com um senhorio leigo, mas mais comumente vinculado pola instituição que desde chegada do cristianismo se impõe como principal organização vertebradora da economia e a sociedade (e outras superestruturas, evidentemente) da Idade Meia: a igreja.

A conversão maciça dos ovates pré-cristãos que se produz quanto em 314 o bispo da diócese galega de Beteka envia um presbítero ao concílio de Arlés impõe apenas uma mudança de credo, mas não das jurisdições em que se sustenta materialmente. Daí que a igreja galega mantenha as delimitações internas, isto é, os marcos ou coiras que já existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do mesmo modo que aconteceu em Irlanda duzentos e cinquenta anos mais tarde com a conversão de Ard-Ri, os ovates converteram-se então em &lt;i&gt;abbones&lt;/i&gt;, &amp;nbsp;mudando tudo  para continuar igual. Talvez, com a única salvedade das cidades como elemento novo —sé do poder eclesiástico também, especialmente desde o século VI, se tivermos presentes os avanços de Anselmo López Carreira (1999).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim: a situação só mudou de modo considerável no s. VI com a ré-organização impulsionada por Martinho de Dume e polo rei Teodomiro, feita desde a cima do sistema dos &lt;i&gt;territoria&lt;/i&gt;, e cristalizando na &lt;i&gt;Divisio Theodomiri&lt;/i&gt;, que marca o início da segunda época da organização territorial da Gallaecia, a partir do reinado suevo. Mas isso será para tratar noutra nota.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2013/04/apontamentos-sobre-o-conceito-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHd1dADltQ05rA9dQrqESiDIj8Af7HpSeT5G7d4rG2ZvcOyImLyztETlrBe_5N3uCzowo_pYxvuuCA0DY81fQ0ReGL80_r7bC_eB1jvI1_QYGkXzAjIejFmhukXdJTqsNw13hnLgupN54/s72-c/gallaecia.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-7717401912757137046</guid><pubDate>Sat, 30 Mar 2013 22:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-17T02:41:08.572+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">antropotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">urbana</category><title>Mondonhedo, o topónimo que viajou</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não há muitos casos como o de Mondonhedo, a sétima cruz do escudo da Galiza, a sétima das suas sés episcopais e a sétima das suas sete províncias históricas até 1833. A topónimo Mondonhedo tem dado bastante literatura, alguma significativamente errada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjylzvk9-IhyPNqdUp0il8qjZrBP7LMU3ZCC03_FxdOEKJ2Q08nbNjCYXZxjYoVFLiUZ4XQYIowjXo81Uf84sFwqUjOXAQYN5dqr470oSLjpxeXCdz8pvQdgTxPkIGB-X09I2Hft7n2Poc/s1600/Mondonhedo.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;355&quot; data-original-width=&quot;719&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjylzvk9-IhyPNqdUp0il8qjZrBP7LMU3ZCC03_FxdOEKJ2Q08nbNjCYXZxjYoVFLiUZ4XQYIowjXo81Uf84sFwqUjOXAQYN5dqr470oSLjpxeXCdz8pvQdgTxPkIGB-X09I2Hft7n2Poc/s1600/Mondonhedo.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
De Mindonieto para o Vale do Bria&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
Em primeiro lugar convém notar que o atual Mondonhedo não se corresponde com o lugar que hoje ocupa a sé episcopal e a cabeceira do concelho do mesmo nome. Ao contrário, corresponde-se com o lugar conhecido como &lt;b&gt;S. Martinho de Mondonhedo&lt;/b&gt;, hoje paróquia no concelho de &lt;b&gt;Foz&lt;/b&gt; e na época medieval, desde o s. V, habitado por uma nutrida presença de imigrantes bretões que estabeleceram lá a única diócese étnica da Galiza, recolhida como tal no conhecido&amp;nbsp;&lt;i&gt;parochiale suevorum&lt;/i&gt;. Daí foi trasladada no século XII 18 quilómetros por ordem da rainha dona Urraca à localização atual, que recebeu o seu nome em substituição do topónimo anterior, documentado como &lt;i&gt;Vila Maior de Vallibria&lt;/i&gt;, isto é, &lt;b&gt;Vila Maior do Vale do Bria.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;Bria conserva-se como bairro em Mondonhedo e é, segundo Reigosa (1952), o atual Masma, em cuja margem situa a sede episcopal de &lt;b&gt;Laniobria&lt;/b&gt;, de que falaremos noutra ocasião. Contudo, provavelmente Reigosa esteja errado, dado que o Masma não cruza esse vale e dado que os regos mais próximos são os de &lt;b&gt;Cessuras&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Compiceiro,&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;b&gt;Santa Margarida&lt;/b&gt;&amp;nbsp;e &lt;b&gt;Valinhadares&lt;/b&gt;, Em 1763, Francisco Antonio Villaamil e Saavedra, que era côengo da catedral de Mondonhedo, escreve numa das páginas da sua &lt;i&gt;Noticias de la Santa Iglesia de Mondoñedo&lt;/i&gt;:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
El río Bria (Valiñadares) está muy poblado de molinos; y a las piedras de que se forman las ruedas, con que se muele el grano, que se cortan en la falda de un monte que está en la extremidad septentrional del valle (Gramela - Viloalle) atribuyen algunos la buena qualidad del pan, que se come en esta ciudad; otros quieren que penda de la pureza de las aguas, con que se amasa: lo cierto es, no se encuentra en España ciudad de mejores aguas, ni mejor pan que la de Mondoñedo, pues en estos dos géneros a ninguna le conoce ventaja.&lt;/blockquote&gt;
Como quer que seja, o traslado de uma cidade também não é nenhuma novidade na história, e aqui obedece à reação frente aos ataques viquingos contra a antiga diócese de &lt;b&gt;Britónia&lt;/b&gt;. O que não é assim tão comum é que a mudança da&amp;nbsp;&lt;i&gt;civitas&lt;/i&gt;&amp;nbsp;—basicamente, a mudança da sua sé episcopal— trasladasse consigo também o topónimo, e que este acabasse substituindo o de Vila Maior — especialmente porque esse Vila Maior já expõe a ideia de uma determinada importância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Origem etimológica&lt;/h3&gt;
De volta para Mondonhedo: ao tratar de apreender a sua etimologia desde o sistema evolutivo que deu lugar ao castelhano, a explicação que o identifica a parir de *mund- &#39;monte&#39; e *onna &#39;fonte&#39; obvia duas questões fulcrais para o estudo da toponímia etimológica. Em primeiro lugar, a sequência -nn- de *onna dá *onha /ɲ/ em espanhol (há, com efeito, topónimos&amp;nbsp;&lt;b&gt;Oña&lt;/b&gt;&amp;nbsp;e derivados em áreas castellanas), mas não em galego, onde apenas se simplifica e cuja única virtualidade é a de evitar a normal lenição do -n- intervocálico. Se esta proposta de *mund + *onna fosse correcta, o topónimo teria sido *mondonedo, no melhor dos casos, ou *Mondoedo, mas nunca Mondonhedo. Para dar o resultado /ɲ/ [nh], em galego-português é necessário um iode, que existiu, como se vê na procedência etimológica do termo. Outra cousa é a aparição de formas do tipo&amp;nbsp;&lt;i&gt;Mondonnedo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;na documentação tardomedieval do s. XV, que têm mais a ver com o modo —estrangeiro— de representação desse fonema&amp;nbsp;/ɲ/&amp;nbsp;do que com a evolução linguística, até onde eu sei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, a explicação com *mund- obvia a presença maciça tanto na documentação medieval como no gentílico da forma *mind-/*mend-: Mindonieto &quot;&lt;i&gt;Petro de Sancto Martino de Mindonieto et alteros decem dare in pauperibus&lt;/i&gt;&quot; (Lourençã: 1117-1119 ca). Mindonieto parece provir, melhor, de um antropónimo &lt;b&gt;Mindónio&lt;/b&gt; (Lourençã, 1265) ou &lt;b&gt;Mendónio&lt;/b&gt; (em forma &lt;i&gt;Mendonia&lt;/i&gt; em Samos, 982), nome latinizado de origem grega que provavelmente seria o do proprietário da zona no momento de dar nome ao lugar. Em Mendónio está o iode necessário para a evolução /n/ &amp;gt; /ɲ/.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Mendonhedo&lt;/i&gt; é, com efeito, forma comum na documentação medieval até finais do século XIII, quando começa a rastejar-se a última mutação do nome, afectando agora a vogal ante-pré-tónica. O facto de que essa vogal /e/ tivesse uma nasal posterior, e que a vogal /o/ aparecesse na pré-tónica podem explicar perfeitamente essa mudança Mendonhedo &amp;gt; Mondonhedo por pura harmonização vocálica.&amp;nbsp;A primeira menção documental do novo Mondonhedo —com o— é de 1271, e desde aí tenderá a tornar-se geral, até hoje, enquanto no gentílico se conserva a forma com /i/: mindoniense.&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2013/03/mondonhedo-o-toponimo-que-viajou.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjylzvk9-IhyPNqdUp0il8qjZrBP7LMU3ZCC03_FxdOEKJ2Q08nbNjCYXZxjYoVFLiUZ4XQYIowjXo81Uf84sFwqUjOXAQYN5dqr470oSLjpxeXCdz8pvQdgTxPkIGB-X09I2Hft7n2Poc/s72-c/Mondonhedo.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-1548375061858403869</guid><pubDate>Sun, 10 Mar 2013 16:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T17:44:59.288+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">oicotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia viária</category><title>Congostras</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Congosta&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;congostra&lt;/b&gt;, como variante galega, é um dos nomes empregues para denominar uma rua estreita e longa, um caminho estreito entre paredes ou &lt;b&gt;cómaros&lt;/b&gt;: uma &lt;b&gt;corga&lt;/b&gt;. Procede aí do latim &lt;i&gt;coangusta&lt;/i&gt;, isto é, do prefixo &lt;i&gt;cum&lt;/i&gt; mais o particípio&amp;nbsp;&lt;i&gt;angusta&lt;/i&gt; &#39;estreita&#39;, dando como resultado um apelativo que se manteve operativo até a atualidade, nomeadamente em áreas rurais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A palavra &lt;i&gt;angusta&lt;/i&gt; pervive nalgumas línguas romances, como no próprio galego-português &lt;b&gt;angusto&lt;/b&gt; &#39;estreito&#39;, no espanhol &lt;i&gt;angostar&lt;/i&gt; &#39;fazer estreito&#39; ou no romeno &lt;i&gt;îngusta&lt;/i&gt;, com o mesmo significado de estreiteza. E, como forma culta, também em &lt;b&gt;angústia&lt;/b&gt;, que não é mais do que, literariamente, uma sorte de estreiteza sentida no ânimo, mas que pode ter aplicações na toponímia que vaiam além da evidência hagionímica da &lt;b&gt;virgem das Angústias&lt;/b&gt;. Não deverá estranhar, pois, se, na realidade, as Angústias atuais forem, nalguns casos, puras ré-elaborações a cargo de bispados e outras hierarquias &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2012/07/o-poder-de-nomear.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;com capacidade para nomear&lt;/a&gt;. Será cousa de o estudar com mais pormenor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: right; margin-left: 1em; text-align: right;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/gl/f/fc/Congostra.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/gl/f/fc/Congostra.JPG&quot; height=&quot;300&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Congostra no bairro do Couto, conc. Narão&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
A prefixação &lt;i&gt;cum-&lt;/i&gt; tem, neste caso, um valor superlativo que não é estranho na derivação latina, e que, para o caso que nos ocupa, vém significar &quot;bem estreito&quot;. Existem, com efeito, outras ocorrências toponímicas do mesmo valor do prefixo &lt;i&gt;cum&lt;/i&gt;, bem estudadas por &lt;a href=&quot;http://frornarea.blogspot.com.es/2009/02/compostela.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Miguel Costa&lt;/a&gt;: eis &lt;b&gt;Conchouso&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Conforto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Conguada&lt;/b&gt; ou a própria &lt;b&gt;Compostela&lt;/b&gt;, que já tocamos &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2011/11/compostela-necropole-ou-entulheira.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;neste caderno&lt;/a&gt;, e cujo valor semântico se alarga até relacionar-se com o conceito de necrópole como terra formosa, bem formada. Com elas, será necessário notar ainda a presença de &lt;b&gt;Quingosta&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Quingostas&lt;/b&gt;, topónimos a sul do Minho que remetem para uma variante portuguesa com realização -i- do -u- — a mesma variação que também temos no bairro viguês da &lt;b&gt;Quiringosta&lt;/b&gt;, com epêntese expressiva, e noutros microtopónimos da área SO da Galiza atual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em qualquer caso, congostra ou congosta, que o mesmo tem, é particípio com função adjetival e tem, portanto, capacidade flexiva: daí que apareçam também &lt;b&gt;Congostro&lt;/b&gt; (conc. Aranga, Rairiz de Veiga) e &lt;b&gt;Congostrinha&lt;/b&gt; (conc. Barreiros) e, na microtoponímia, inúmeras ocorrências. Até, é necessário notar a presença de &lt;b&gt;Alcongosta&lt;/b&gt; nas áreas do atual Portugal onde essa presença moçarábica foi suficiente para dar origem ao híbrido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
Enfim: há até um &lt;b&gt;João das Congostras&lt;/b&gt;, um daqueles salteadores míticos que as crónicas localizam nas congostras da área de Gerês num tempo impreciso entre os séculos XVI e XIX, e que tem até uma lenda escrita na Pena de Anamão que diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;
Os pobres não o têm&lt;br /&gt;
e os ricos não o dão;&lt;br /&gt;
quem quiser assentar praça&lt;br /&gt;
venha à Pena de Anamão&lt;br /&gt;
com dous pesos diários&lt;br /&gt;
e um trabuco na mão. &lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2013/03/congostras.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-3630666745866703290</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2013 00:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T17:46:10.725+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">zoónimo</category><title>Rãs que não cantam</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
As rãs coaxam. Há também quem diga que cantam, mas, na realidade, o que as rãs fazem chama-se coaxar. A toponímia, por enquanto, parece dizer o contrário, quando menos à partida. Porque polo país adiante há várias &lt;b&gt;Cantarrã&lt;/b&gt; (conc. Oímbra, Póvoa de Trives, Viveiro, Sárria, Riba d&#39;Eu, Salvaterra do Minho), &lt;b&gt;Cantarrana&lt;/b&gt; (conc. Viveiro, Ferrol), e, sobretudo, &lt;b&gt;Cantalarrana&lt;/b&gt; (conc. Barreiros, Vilalva, Sárria, Ames, Avanha, Brião, Compostela, Vale do Dubra, Riba d&#39;Ávia e Cangas), barbaramente espanholizado. E aínda há um &lt;b&gt;Cantanarrás&lt;/b&gt; em Vereia e um &lt;b&gt;Cantanasrãs&lt;/b&gt; em Moanha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se deitarmos uma olhada para mais longe, veremos também outros construtos a partir do que aparentemente é &lt;b&gt;cantar&lt;/b&gt;. Há &lt;b&gt;Cantagallo&lt;/b&gt; em Salamanca e &lt;b&gt;Canta-el-Gallo &lt;/b&gt;em Toledo. Também há uma &lt;b&gt;Cantada do Galo&lt;/b&gt; na Gudinha, por certo, e&amp;nbsp; &lt;b&gt;Gallocanta&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Cantalobos&lt;/b&gt; em Zaragoza e Castelló. &lt;b&gt;Cantallops&lt;/b&gt; também há em Girona e, para não estender de mais a lista, há um &lt;b&gt;Cantalapiedra&lt;/b&gt; em Salamanca e um &lt;b&gt;Cantalamuda&lt;/b&gt; em Palencia. Conclui-se, portanto, que a série constituída por construtos elaborados, aparentemente, por cantar + animal, é relativamente extensa, por todo o norte da península Ibérica.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR9TfxLxhamt6qG8ODqsRhUWvMKsnuSJereQaNmOZ-HUtgJI6jaFQlrPBc7yyT3TFZ7IDdL-HWPzooSP_LgCXxZwZSBiEeCKW5-xg6ucTC5JjedLEVoNdIuV6UWnHeqlou_mGMzEt-SFQ/s1600/cantarrana.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;900&quot; data-original-width=&quot;1600&quot; height=&quot;360&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR9TfxLxhamt6qG8ODqsRhUWvMKsnuSJereQaNmOZ-HUtgJI6jaFQlrPBc7yyT3TFZ7IDdL-HWPzooSP_LgCXxZwZSBiEeCKW5-xg6ucTC5JjedLEVoNdIuV6UWnHeqlou_mGMzEt-SFQ/s640/cantarrana.jpg&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Uma hipótese lítica&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Para explicar estes casos galegos há, principalmente, duas hipóteses se, definitivamente, descartamos a explicação cantar + animal, que onomasticamente não faz muito sentido, embora haja quem queira ver nesses casos referências a águas empoçadas onde se dão rãs e cágados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira hipótese é que tenha a ver com o árabe &lt;i&gt;qantara&lt;/i&gt;, que significa ponte, mas também aqueduto no sentido da sua estrutura, isto é, referindo a &quot;ponte&quot; pola que se faz discorrer a água. No norte da Itália, concretamente na zona de Milão, há, com efeito, ocorrências de &lt;i&gt;cantarana&lt;/i&gt; no mesmo campo semântico, concretamente referido à água conduzida por um canal de pedra. Diversos argumentos jogam à contra, neste caso. Em primeiro lugar,&amp;nbsp;as ligações desse &lt;i&gt;cantarana&lt;/i&gt; milanês com o &lt;i&gt;qantara&lt;/i&gt; árabe parecem pouco seguras. Por outra parte, a presença de diferentes &lt;b&gt;Chanterane&lt;/b&gt; na toponímia francesa torna ainda mais difícil explicar os Cantarrãs galegos dessa óptica, segundo penso. E, finalmente, não deve esquecer-se que, no caso da Galiza, pouca toponímia de origem árabe há (alguma sim), e, aliás, não se regista rasto de &lt;i&gt;qantara&lt;/i&gt; para denominar o que são presas, acéquias, azenhas ou regueiros.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
A outra hipótese é que a procedência dos diferentes resultados dados na Galiza e também noutras áreas da Europa seja mais antiga. Penso que se trate de um derivado de dous étimos: &lt;i&gt;*kant-&lt;/i&gt; &#39;pedra&#39; e &lt;i&gt;*arn-&lt;/i&gt; &#39;rio&#39;. Em primeiro lugar, a raiz &lt;i&gt;*kant- &lt;/i&gt;está presente no pré-céltico &lt;i&gt;kantos&lt;/i&gt;, que significa bordo, esquina, extremo, e que dá em irlandês antigo &lt;i&gt;cét&lt;/i&gt; (piar de pedra arredondado), em galês &lt;i&gt;cant&lt;/i&gt; (borde, extremo, ponta) e em gaulês *&lt;i&gt;kanto&lt;/i&gt;-. A forma céltica provém, por sua vez, do proto-IE &lt;i&gt;*kan-tho-&lt;/i&gt;, que dá também resultados noutras famílias, como o eslavo &lt;i&gt;kǫtъ&lt;/i&gt;, o grego &lt;i&gt;κανθός&lt;/i&gt;, ou a latina &lt;i&gt;cantus&lt;/i&gt;,&amp;nbsp;do que procede o nosso &#39;canto&#39;. Fica por perfilar, em qualquer caso, o significado da raíz, na medida em que pode referir uma estrema ou uma pedra. Confronte-se, ao respeito, a mesma relação semântica na raíz *&lt;i&gt;kor-&lt;/i&gt;/&lt;i&gt;kar-&lt;/i&gt; que dá tanta toponímia no país —&lt;b&gt;Corunha&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Corcuviom&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Corme&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Carnota&lt;/b&gt;— e cujo significado caminha, também, acavalo entre pedra e promontório (estrema).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, a raiz &lt;i&gt;*arn-&lt;/i&gt; parece provir, por sua vez, do indoeuropeu &lt;i&gt;*er-&lt;/i&gt; e tem a ver, semanticamente, com o conceito de &quot;excitar, pôr em movimento&quot;, de onde se tiram aplicações hidronímicas, precisamente, por essa referência ao movimento. A lista de étimos originados a partir daí é imensa, e apenas destacarei aqueles que tenham a ver com a hidronímia, como o latim &lt;i&gt;orior&lt;/i&gt; &#39;surgir&#39; ou o antigo alto alemão &lt;i&gt;rinnan&lt;/i&gt; &#39;correr, fluir&#39;, por citar apenas referências geograficamente próximas. O caso é que, evidentemente, existe abundante hidronímia europeia relacionada com esta raiz: &lt;b&gt;Arno&lt;/b&gt; na Toscana; &lt;b&gt;Arn&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arne&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Orne&lt;/b&gt; na França; ou &lt;b&gt;Earn&lt;/b&gt; na Inglaterra. Também na Galiza há &lt;b&gt;Arnoia&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arnego&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Arno&lt;/b&gt;, não relacionáveis com o latim &lt;i&gt;arena&lt;/i&gt;, que alguns autores apontam e que sim está na origem de outros topónimos como &lt;b&gt;Arnada&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arneiro&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arnela&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Arnoso&lt;/b&gt;, etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em conclusão, &lt;b&gt;Cantarrã&lt;/b&gt; (em nenhum caso Cantalarrana, que é barbarismo evidente) refere um cauce de água pedregoso ou, talvez, a estrema de um regato, isto é, o seu nascimento ou a sua desembocadura.&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/11/ras-que-nao-cantam.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR9TfxLxhamt6qG8ODqsRhUWvMKsnuSJereQaNmOZ-HUtgJI6jaFQlrPBc7yyT3TFZ7IDdL-HWPzooSP_LgCXxZwZSBiEeCKW5-xg6ucTC5JjedLEVoNdIuV6UWnHeqlou_mGMzEt-SFQ/s72-c/cantarrana.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-740749750542246405</guid><pubDate>Tue, 04 Dec 2012 21:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T17:54:51.317+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">etnónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">romanos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Braga</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: right; margin-left: 1em; text-align: right;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/Braga-mapa_mediaval.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/Braga-mapa_mediaval.jpg&quot; height=&quot;292&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Plano da cidade tirado do &lt;i&gt;Civitates Orbis Terrarum&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
de Georg Braun e Franz Hogenberg (1594)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
Braga, que hoje é capital do distrito do mesmo nome, e que foi designada em épocas anteriores com formas grandiloquentes como a &quot;cidade dos Arcebispos&quot;, a &quot;Roma portuguesa&quot;, a &quot;cidade dos três Sacro-Montes&quot; ou o &quot;coração do Minho&quot;, foi também capital de toda a &lt;b&gt;Gallaecia romana&lt;/b&gt; após a sua&amp;nbsp;fundação no século I a.C. sob o nome de &lt;b&gt;Bracara Augusta&lt;/b&gt; e de todo o &lt;b&gt;Reino Suevo da Galiza&lt;/b&gt; após a chegada daquele povo germânico no século V. Mas, de onde procede o seu nome?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
A evolução &lt;i&gt;Bracara&lt;/i&gt; &amp;gt; &lt;i&gt;Braga&lt;/i&gt;&lt;/h3&gt;
O nome Braga procede, como é popularmente conhecido, de Bracara (preparoxítona), que é o nome que os romanos dão ao lugar ao fundarem a cidade. A evolução de &lt;b&gt;Bracara&lt;/b&gt; para &lt;b&gt;Braga&lt;/b&gt; dá-se, em primeiro lugar, já antes do s. IV, com a aproximação dos fonemas /k/ e /g/ que deixam um &lt;b&gt;&lt;i&gt;Bragara&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; com pronúncia gutural.&amp;nbsp;A segunda fase produz-se antes do s. X, na sequência de uma alteração que afecta a vibrante -r-, que se transforma em lateral -l-, resultando &lt;b&gt;&lt;i&gt;Bragala&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Já no s. X irá ocorrer a lenição do -l- intervocálico que é normativo para o galego-português,&amp;nbsp;deixando duas vogais contínuas que funcionam como hiato: &lt;i&gt;&lt;b&gt;Bragaa&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Estes encontros vocálicos tenderam a desaparecer já desde o século XIV e, em posição postónica resolvem-se simplificando-se sem qualquer outra mudança. De *&lt;i&gt;Braga-a&lt;/i&gt; passa-se então a &lt;b&gt;Braga&lt;/b&gt;, já, logicamente, oxítona, como a atual. Mas, de onde procede esse Bracara?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Três hipóteses etimológicas&lt;/h3&gt;
Os romanos não inventaram o nome da cidade. Beberam, como habitualmente, num gentílico da zona: os &lt;i&gt;&lt;b&gt;bracari&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, uma tribo céltica que ocupava a franja entre os rios Tâmega e Cávado. E é no vale deste rio que foi fundada a cidade. O nome dos brácaros, pois, é chave para desmascarar o que haja de significado no nome da cidade. Mas a respeito do que &lt;i&gt;bracari&lt;/i&gt; signifique, há profundas controvérsias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira hipótese —a mais popular— é que os &lt;i&gt;bracari&lt;/i&gt; tivessem recebido esse nome por levarem &lt;b&gt;calças&lt;/b&gt;:&amp;nbsp;&lt;i&gt;bracae&lt;/i&gt;. Estaríamos, então, perante um exoetnónimo, isto é, um nome de tribo que se impõe desde fora, não desde a própria tribo, e por oposição a outros clãs ou tribos que não levassem calças, mas outras vestimentas. Aqui interessa notar como os romanos denominavam, em ocasiões, algumas áreas por uma característica visual dos seus habitantes. Aí estão a &lt;i&gt;Gallia comata&lt;/i&gt;, isto é, a Galia dos guedelhudos (Gália setentrional) e a &lt;i&gt;Gallia bracata&lt;/i&gt;, isto é, a Galia dos que vestiam calças (Gália Narbonense). A relação linguística entre os &lt;b&gt;&lt;i&gt;bracati&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; e os &lt;i&gt;bracari&lt;/i&gt; parece poderosa avondo para ser mais do que &quot;possível&quot;. Porém, as descrições da área e as imagens que nos chegaram da época obrigam a duvidarmos e sermos céticos, e, pois, a procurarmos outras alternativas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda hipótese tem relacionado a raiz *&lt;i&gt;brag-&lt;/i&gt; com o PIE *&lt;i&gt;bhrgh-&lt;/i&gt; &#39;altura&#39;, que está na origem das numerosas ocorrências de &lt;i&gt;briga-&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;-bre&lt;/i&gt; que se dão na área galaica, e que coincide com a origem de Bracara na área elevada que hoje ocupa a freguesia da &lt;b&gt;Cividade&lt;/b&gt;. Mas, se esse povo brácaro era céltico, como então não chamar a atenção para a inconsistência evolutiva da sua realização em *&lt;i&gt;brag-&lt;/i&gt; frente à realização habitual &lt;b&gt;*&lt;i&gt;brig-&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; que se dá em toda o NW peninsular? Será então que estamos perante um *&lt;i&gt;brag-&lt;/i&gt; pré-céltico? Ou será que nada tem a ver com o *&lt;i&gt;bhrgh-&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira opção, que encontro mais plausível, é a de que tenha a ver com uma raiz &lt;i&gt;&lt;b&gt;*mbrak-&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Se compararmos Braga com outras ocorrências similares como Bragança, Braganha, Barga, Barganha, e outros, encontraremos sufixações em -&lt;i&gt;ant&lt;/i&gt;, -&lt;i&gt;an&lt;/i&gt; e -&lt;i&gt;ar&lt;/i&gt; (como a de Bracara) — que remetem para hidrónimos paleuropeus. Se for assim, esse &lt;i&gt;*mbrak&lt;/i&gt; pode proceder, por sua vez, de um &lt;i&gt;&lt;b&gt;*mrāg&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; PIE, com epêntese de -b- mais do que esperável e com significado de &#39;sedimento, limo&#39;. Essa raiz deu em grego antigo &lt;i&gt;brágos&lt;/i&gt; e em germânico &lt;i&gt;*brōk-a&lt;/i&gt;; mas nada na rama céltica — o que aponta para uma origem ainda mais antiga. Se for assim, os &lt;i&gt;bracari&lt;/i&gt; seriam os povoadores de uma área húmida, limosa, próxima a algum rio, talvez o atual Cávado que passa à beira de Braga.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
***&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como quer que fosse, se for certa a primeira hipótese, a tribo que habitasse a zona antes da chegada dos romanos não se denominaria a si própria bracari. Ao contrário, se qualquer uma das outras hipóteses fosse a correta, estaríamos perante um endoetnónimo. Tenho para mim que uma investigação sobre a literatura ligada ao processo de contacto com essa tribo e de posterior fundação da cidade teria algo de interesse a nos dizer desde que lhe aplicássemos a lógica, mas, infelizmente, não sou eu quem possa desenvolver esse trabalho. Chegue, por enquanto, com notar estas três hipóteses sobre a origem do etnónimo que deu nome à cidade outrora capital do reino suevo.&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/12/braga.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-5813227020654502353</guid><pubDate>Fri, 30 Nov 2012 19:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T18:10:33.500+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">rueiro</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">urbana</category><title>Falperra: lugar de ladrões?</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;/div&gt;Existe a crença popular de que o topónimo Falperra que temos nas cidades da Crunha e de Vigo provém do português, e que significa &quot;lugar onde abundam os ladrões&quot;. Ora, uma afirmação do tipo &quot;vém do português e significa lugar onde abundam os ladrões&quot; deve, necessariamente, obrigar-nos a andar com olho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Outras Falperras&lt;/h3&gt;Em primeiro lugar, existem mais ocorrências de Falperra na Galiza do que as da Crunha e Vigo: em concreto, a Falperra é também uma rua do concelho da Gudinha, fgª Tameirão. E em Portugal, a Falperra é topónimo em Amarães, Fafe, Guimarães, Paços de Ferreira, Vila Pouca de Aguiar, Arouca, Castelo de Paiva e Mourão, além do já comentado corónimo bracarense. Isto permite concluir que, com muita probabilidade, os nomes de lugar que se registam na Galiza não provêm do português, como se diz. Ao contrário, seriam endógenos, originados no contínuo galego-português e, deste modo, alheios provavelmente ao valor de lugarejo que falperra tem como apelativo, e que sim faz todo o sentido nas imediações de Braga. Por outras palavras, será primeiro o valor toponímico e depois o apelativo , então, nada permite concluir que o nome das Falperra da Crunha e Vigo provenham desse apelativo &quot;português&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtLQvDP80hJXvOOIgb95zfyyNDl2oeK-GWBIMuJNwB9dZbjpjebg6qyF5XNGUjIsQfCefRtW9gGI6NbK3WiLJRvqO9Srt3TRMeb_glECps9MJzaIOEehhxBO1kdqRB0m2G8sTJ15hb9NA/s1600/falperra.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;355&quot; data-original-width=&quot;719&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtLQvDP80hJXvOOIgb95zfyyNDl2oeK-GWBIMuJNwB9dZbjpjebg6qyF5XNGUjIsQfCefRtW9gGI6NbK3WiLJRvqO9Srt3TRMeb_glECps9MJzaIOEehhxBO1kdqRB0m2G8sTJ15hb9NA/s1600/falperra.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Significado da Falperra&lt;/h3&gt;Em segundo lugar, se concluirmos que é de origem toponímica, a seguinte pergunta será pola procedência etimológica do topónimo. José Pedro Machado, no seu &lt;i&gt;Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa&lt;/i&gt; sustém uma origem obscura e rechaça a hipótese popular de que provenha de &#39;falsa pedra&#39;. Sugere, então, uma redução de &#39;falda da perra&#39;, sem explicar mais disso. Almeida Fernandes, no seu &lt;i&gt;Toponímia portuguesa&lt;/i&gt;, sugere que a raiz &lt;i&gt;*fal-&lt;/i&gt; seja evolução de &lt;i&gt;palla&lt;/i&gt;, com o significado de &#39;abrigo rochoso&#39; ou &#39;edificação dolménica&#39;, e perra seja evolução irregular do latim &lt;i&gt;petrea&lt;/i&gt;. Estaríamos, deste modo, perante mais um desses pleonasmos tão habituais na toponímia pré-latina. A relação entre &lt;i&gt;*fal&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;palla&lt;/i&gt; baseia-se na variação p-/f- inicial noutros pares como pechar/fechar. Ora, de &lt;i&gt;palla petrea&lt;/i&gt; para Falperra, faltam os passos intermédios, como indica Carlos Rocha. Por outra parte, tenha-se em conta a presença de diversos &lt;b&gt;Pala&lt;/b&gt; (conc. Mortágua e Pinhel) e &lt;b&gt;Palas&lt;/b&gt; (conc. Vinhais e &lt;b&gt;Palas de Rei&lt;/b&gt;) toponímicos. Machado (op.cit), dá para o &lt;i&gt;palla&lt;/i&gt; o valor de &#39;vertente lisa e muito inclinada&#39; documentado, segundo diz, no século XII nas zonas de Baião (Porto) e Penedono (Viseu) — afastando-se do significado oronímico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em conclusão, tendo em conta a pouca segurança que há sobre a origem desse &lt;i&gt;*fal-&lt;/i&gt;, a Falperra poderia ser um abrigo rochoso ou uma vertente lisa e íngreme de pedra. Enfim: opções bem mais comuns que relacionar as ocorrências da Crunha e Vigo com um lugar onde se concentram ladrões e outras pessoas indesejáveis — que poderiam concentrar-se numa serra nas imediações de Braga, mas muito menos provavelmente justo à beira de uma cidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/11/falperra.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtLQvDP80hJXvOOIgb95zfyyNDl2oeK-GWBIMuJNwB9dZbjpjebg6qyF5XNGUjIsQfCefRtW9gGI6NbK3WiLJRvqO9Srt3TRMeb_glECps9MJzaIOEehhxBO1kdqRB0m2G8sTJ15hb9NA/s72-c/falperra.png" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-82715398669234815</guid><pubDate>Fri, 26 Oct 2012 10:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T18:18:01.890+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">celtas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">hidronímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Toponímia celta (V): o tema dubr-</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um tema interessante de origem céltica, com presença na Gallaecia, mas não só, é o tema &lt;i&gt;dubr&lt;/i&gt;-. &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/p/bibliografia.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Ward (1996)&lt;/a&gt; compila-o como *&lt;i&gt;dubros&lt;/i&gt;, que é, ao mesmo tempo &#39;escuro&#39; e &#39;água&#39;. Nisso segue a Matasovic, que parece confundi-lo com *&lt;i&gt;dubos&lt;/i&gt;, com efeito &#39;escuro&#39;. De modo que *&lt;i&gt;dubros&lt;/i&gt; ficaria apenas para &#39;água&#39;, dando apelativos nas línguas célticas modernas: &lt;i&gt;dobhar&lt;/i&gt; em irlandês, &lt;i&gt;dwfr&lt;/i&gt; em galês, &lt;i&gt;dour&lt;/i&gt; em córnico e em bretão. E com essa raíz dá também hidrónimos na área de influência indiscutidamente céltica: &lt;b&gt;Dover&lt;/b&gt;, antiguamente &lt;i&gt;Dubris&lt;/i&gt;, na Inglaterra; e &lt;b&gt;Dourres&lt;/b&gt; na França, e até um rio &lt;b&gt;Tauber&lt;/b&gt; na Alemanha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Algumas evidências&lt;/h3&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxfOonSQNJQ1FheBRXnjyimF8u_zsq1lnnwokWnJE2YO-5r11s0D-eGtHMSRKXT-Fgipzc3OHR6jcgdYk_ziY-w1oBzbHeoJc-588yvwsvXwxiD1B2dE-4vs4S6YvVu58DUTUFK5N_hBw/s1600/geres.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;296&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxfOonSQNJQ1FheBRXnjyimF8u_zsq1lnnwokWnJE2YO-5r11s0D-eGtHMSRKXT-Fgipzc3OHR6jcgdYk_ziY-w1oBzbHeoJc-588yvwsvXwxiD1B2dE-4vs4S6YvVu58DUTUFK5N_hBw/s320/geres.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt; Na Galiza e na antiga extensão da Gallaecia há o hidrónimo &lt;b&gt;Dubra&lt;/b&gt;, que nomeia um &lt;b&gt;Vale do Dubra&lt;/b&gt; transformado em corónimo de concelho. Mas não só: estão aí as formas &lt;b&gt;Dobro&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Banhola de Dobro&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Fonte Dobra&lt;/b&gt;, todas na Galiza; e também, fora dos atuais limites administrativos do país: rio &lt;b&gt;Dobra&lt;/b&gt; e monte Dobra nas Astúrias, e também lá o &lt;b&gt;Dubro&lt;/b&gt;, um maciço oriental dos Picos de Europa, e já tocando a meseta, mas em terra da antiga Gallaecia, &lt;b&gt;Collada de Dobres&lt;/b&gt; em Leão, &lt;b&gt;Dobres&lt;/b&gt; na Vega de Liébana (Cantábria) e &lt;b&gt;Dobro&lt;/b&gt; na província de Burgos. A respeito do monte Dobra e do maciço Dubro, que são hoje orónimos, está por ver se é certa essa identificação com o céltico &lt;i&gt;dubros&lt;/i&gt;, mas a homonímia dá, no mínimo, para considerar. Também nesse grupo de evidências estão o &lt;b&gt;Divor&lt;/b&gt;, no Alto Alentejo português, e o &lt;b&gt;Douro&lt;/b&gt;, que tem produzido inumerável literatura, mas que está, para mim evidentemente, vinculado com este tema céltico. Em qualquer caso, até aqui as evidências (talvez salvando estas duas reticências), que não requerem maior explicação: hidrónimos com raíz hidronímica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penso, aliás, que neste grupo deveria estar também &lt;b&gt;Trasdobos&lt;/b&gt; (agrónimo), que é nome de leira em Pobra de Trives e que talvez tenha sido &lt;i&gt;*Trás-Dobro&lt;/i&gt;s, com lenição de -r- por efeito da vibrante anterior, na preposição, significando, pois, uma &#39;terra por trás do cauce&#39;. Ainda, como é lógico, o facto da preposição reforça ainda o protagonismo de Dob(r)os, e faz com que se pense diretamente num elemento que pudesse ter-se significado tanto: um cauce de água é a minha hipótese.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Andúrbios, Brea, Dorvisou&lt;/h3&gt;
Finalmente, mais explicação requerem outros hidrónimos, muito menos evidentes e dos quais não se pode albergar o mesmo grau de &quot;segurança&quot;. Proponho os seguintes três, com toda a precaução:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Andúrbios&lt;/b&gt;. Pradaria na paróquia de Azúmara, Castro de Rei. Aníbal Otero (1964) encontra aqui um apelativo comum com o significado de &#39;rego de águas pluviais&#39;, que faz derivar do latim &lt;i&gt;turbidu&lt;/i&gt;. Considero, porém, que haja importantes inconsistências nessa explicação: por uma parte, não explica o salto semântico de &lt;i&gt;turbidu&lt;/i&gt; para &#39;rego de águas pluviais&#39; — nada escuro nem turvo, à partida. Por outra parte, esquece a relação do céltico &lt;i&gt;dubros&lt;/i&gt; com o latino &lt;i&gt;turbidu&lt;/i&gt;. Aliás, procurando nas fontes disponíveis (DdD, DDGM, TILG, TMILG e CODOLGA), as únicas ocorrências documentadas são no DdD, onde as duas entradas remetem para textos do próprio Otero, um dos quais referido concretamente ao vocabulário de S. Jorge de Piquim (1977). Não discuto que &lt;i&gt;andúrbio&lt;/i&gt; possa ser hoje apelativo em áreas mais ou menos restritas do contínuo galego-português no limite entre a Galiza e as Astúrias. Mas não acredito que provenha de &lt;i&gt;turbidu&lt;/i&gt;: antes ao contrário, parece-me que Andúrbio seja um típico pleonasmo, com a raiz &lt;i&gt;*am-&lt;/i&gt; &#39;cauce&#39; e o referido &lt;i&gt;*dubr-os&lt;/i&gt;. Não é por acaso, segundo creio, que haja um &lt;b&gt;Rego do Andúrbio&lt;/b&gt;, na freguesia de S. Julião de Vilaboa, concelho da Pontenova, no qual não faria sentido &quot;do&quot; se &lt;i&gt;andúrbio&lt;/i&gt; significasse claramente &#39;túrbido&#39;. E nada obsta, por outra parte, para que, de hidrónimo, tenha derivado em apelativo depois de esquecido o valor semântico do próprio hidrónimo. Não é o caminho habitual, sem dúvida, mas é a ausência de ocorrências além do recolhido por Otero que me faz imaginar esta hipótese: que Andúrbio(s) provenha de um &lt;i&gt;*am&lt;/i&gt; &lt;i&gt;*dubr-yo&lt;/i&gt;, com metátese nada estranha da vibrante (*&lt;i&gt;dubr&lt;/i&gt; &amp;gt; *&lt;i&gt;durb&lt;/i&gt;) e sufixo derivativo &lt;i&gt;*-yo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Brea&lt;/b&gt;. Regato na freguesia de S. Vicenço de Cespão, concelho de Boiro, que aparece documentado em repetidos documentos do tombo de Tojos Outos sob as formas Donabria, Duavria, Duavra, Duabra, Duaria e Doavria, que parecem muito próximas de *&lt;i&gt;dubros&lt;/i&gt;. A explicação Duabra &amp;gt; Brea explica-se facilmente pelas tão habituais dissimilações provocadas pela confusão do início destas palavras com a preposição &quot;de&quot; e ainda com a contração &quot;do&quot;. Ora, a presença dessa terminação -bria como uma constante na documentação também poderia estar a apontar, penso, para um étimo céltico &lt;i&gt;*brîwâ&lt;/i&gt; &#39;ponte&#39;, com o qual o &lt;i&gt;Donabria&lt;/i&gt; encontrado poderia não ser puro hápax e ter já relevância etimológica esse -n- intervocálico. Enfim, serva para apontar a minha confusão ao respeito, que me faz considerar este Brea como possível, mas com todas os signos de interrogação do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Dorvisou&lt;/b&gt;. Lugar da paróquia de S. Tomé de Ínsua, concelho de Vila de Cruzes. Não encontro constância documental de outra forma que não seja Dorvisón/Dorvisou. Proponho, para ele, uma leitura &lt;i&gt;*dubr-is-&lt;/i&gt;, mais o derivativo &lt;i&gt;*-ion-&lt;/i&gt; que &lt;a href=&quot;http://frornarea.blogspot.com.es/2011/04/o-que-me-anda-na-cabeca.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Costa (2011)&lt;/a&gt; enxerga como provável diminutivo para outros casos. A metátese da vibrante não devia representar qualquer problema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim, eis três propostas sobre as que me atrevo a apontar esta etimologia. Estudos que venham, com mais dados e maiores conhecimentos, poderão ajudar a corroborar ou desmentir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Referências:&lt;/h3&gt;
&lt;ul style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;li&gt;&lt;span class=&quot;a&quot; style=&quot;left: 832px; top: 3789px; word-spacing: -1px;&quot;&gt;Otero Álvarez, Aníbal (1964): &quot;Contribución al léxico gallego y asturiano&quot; in &lt;i&gt;Archivium. Revista de la Facultad de Filosofía y Letras&lt;/i&gt;. Tomo XIV. p. 233-249. Universidad de Oviedo. Uviéu.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Ward, Alan (1996): &lt;i&gt;A checklist of proto-celtic lexical items&lt;/i&gt;. &lt;a href=&quot;http://pt.scribd.com/doc/20623905/A-Checklist-of-Proto-Celtic-Lexical-Items&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;VER&lt;/a&gt;.&amp;nbsp; &lt;span class=&quot;a&quot; style=&quot;left: 832px; top: 3789px; word-spacing: -1px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/10/toponimia-celta-v-o-tema-dubr.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxfOonSQNJQ1FheBRXnjyimF8u_zsq1lnnwokWnJE2YO-5r11s0D-eGtHMSRKXT-Fgipzc3OHR6jcgdYk_ziY-w1oBzbHeoJc-588yvwsvXwxiD1B2dE-4vs4S6YvVu58DUTUFK5N_hBw/s72-c/geres.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-7423283305001960739</guid><pubDate>Mon, 17 Sep 2012 16:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-22T02:10:58.414+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">antropotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">germânicos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Topónimos germânicos (VI): terminações em -ilde</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nesta sexta nota sobre antropotoponímia germânica vou expor o caso dos topónimos terminados em &lt;b&gt;-ilde&lt;/b&gt;. Procedem, como no resto dos casos, de um genitivo, neste caso -&lt;i&gt;gildi&lt;/i&gt;, com uma evolução dupla: para -ilde, pola perda do -g- não sonorizado; e para -gilde, pola sonorização dessa gutural. Com independência do modo como evoluiram, estas terminações correspondem-se com o étimo paleo-germânico *geldan &#39;tributo, recompensa&#39; funcionando como deuterotema (ver &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/p/compendio-de-temas-antroponimicos.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;CTAGG&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se deitarmos uma olhada nos compéndios toponímicos da Galiza, encontramos as seguintes ocorrências: Agilde, Aquisilde, Baílde, Engilde, Espaílde, Fagilde, Faílde, Gugilde, Jugilde, Lugilde, Urdilde, Novegilde, Nugilde, ademais de um Vilagilde que mercerá um comentário mais demorado e um Vilarfrugilde. Fora da atual CAG, há um &lt;b&gt;Tenchilde&lt;/b&gt; no conc. de Porto, um &lt;b&gt;Ungilde&lt;/b&gt;&amp;nbsp;e um &lt;b&gt;Cristilde&lt;/b&gt; no conc. de Povra de Seabra — todos na comarca de Seabra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Algumas evidências&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
Como nas anteriores notas, a maioria dos topónimos encontrados apresentam equivalências diretas com antropónimos documentados em textos da época. Não é necessária muita imaginação para ver que &lt;b&gt;Aquisilde&lt;/b&gt; provém de Aquisildus, que &lt;b&gt;Engilde&lt;/b&gt; provém de Engildus ou que &lt;b&gt;Fagilde&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Faílde&lt;/b&gt; provêm de Fagildus, dando para a vista, ao mesmo tempo, essa dupla evolução de que falei acima. Tampouco é obscuro o topónimo&amp;nbsp;&lt;b&gt;Cristilde&lt;/b&gt;&amp;nbsp;se considerado genitivo&amp;nbsp;de um híbrido romano-germânico Christildus. Outra opção, que parece mais provável porque apoiada na onomástica é que, do mesmo modo que em Cristosende e Cristomil, proceda de um étimo Vistrosildu deduzível por outras ocorrências com o mesmo protema: Vistrimundu, Vistremiru, Vistraricus, etc. A evolução w- &amp;gt; k- também está atestada:&amp;nbsp;&lt;b&gt;Guimarei&lt;/b&gt;&amp;nbsp;(Vimaredu),&amp;nbsp;&lt;b&gt;Guisande&lt;/b&gt;&amp;nbsp;(Visandu), etc. O mesmo para a metátese de -r-. De maneira que, talvez, a evolução tenha sido algo assim: *Vistrigildi &amp;gt; *Vistrildi &amp;gt; *Vristildi &amp;gt; Cristilde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na mesma linha está&amp;nbsp;&lt;b&gt;Cristosende&lt;/b&gt;&amp;nbsp;(conc. Teixeira), que parece provir de Vistrosindu, deduzível pola presença de Vistrimundu, Vistremiru, Vistraricus, etc. A evolução de Vistrosindo para Cristosende requer uma evolução w- &amp;gt; qu-, comum noutros casos como&amp;nbsp;&lt;b&gt;Guimarei&lt;/b&gt;&amp;nbsp;(Vimaredu),&amp;nbsp;&lt;b&gt;Guisande&lt;/b&gt;&amp;nbsp;(Visandu), etc.; e de uma metátese de -r-: Vistrosindi &amp;gt; Guistrosindi &amp;gt; Gristosindi &amp;gt; Cristosindi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se tivermos também em conta as quedas das intervocálicas e, em geral, o que é a evolução normal no romance galego-português, também é fácil comprovar a equivalência entre &lt;b&gt;Agilde&lt;/b&gt; e Anagildus, entre &lt;b&gt;Gugilde&lt;/b&gt; e Geodegildus, entre &lt;b&gt;Lugilde&lt;/b&gt; e Leovegildus ou entre &lt;b&gt;Ungilde&lt;/b&gt; e Gundegildus. Também é possível considerar &lt;b&gt;Jugilde&lt;/b&gt; de Iugildus, não documentado, mas sim como Uisegildus, ou inclusive de Suigildus, em cujo caso haveria que grafar Xugilde. Por último, em &lt;b&gt;Vilarfrugilde&lt;/b&gt;, que conviria talvez grafar Vilar Frogilde, o que há é Frogildus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1432&quot; height=&quot;560&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglXNIkRNq96u7PIgnJgU43hrjVh-lQP63pDyB7Rz5G3p28TC0X6ZBTSbbr0XrUUwgs8Os5VajwN-mP3o3cslCrqDsdXjwNZrav7jx4vvjku8e1abTh8OsuzmPQoiKTnAGuut0XGwtuyfk/s640/germanicos-ilde.png&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Topónimos germânicos com terminação em -ilde. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
Fonte: elaboração própria a partir dos Nomenclátores oficiais da Galiza, Astúrias e Castela e Leão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Algumas deduções&lt;/h3&gt;
Noutros casos em que não há documentado antropónimo correspondente, é necessário levar em frente um processo comparativo para tirar, de outros antropónimos, os protemas que expliquem o topónimo em questão. Assim, não se documenta Bagildus, nem Banildus, nem Badildus, mas sim Bagesindus, o que torna possível considerar esse Bagildus que dê &lt;b&gt;Baílde&lt;/b&gt;. E o mesmo passa com &lt;b&gt;Espaílde&lt;/b&gt;, cujo antropónimo mais próximo documentado é Sparildo, mas que apresenta a dificuldade de explicar como, neste caso, caiu o -r- intervocálico, que é norma manter em galego-português. Como alternativa, há documentados Spanaricu, Spanarius, Spanosendo e Spanubrida que permitem albiscar um Spanegildu, que concorda bem como o nosso Espaílde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Algumas hipóteses&lt;/h3&gt;
Por último, existem três topónimos sobre os que apenas posso oferecer conjecturas. Sobre &lt;b&gt;Neovegilde&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Nugilde&lt;/b&gt;, parece evidente que Neovegilde seja a forma mais arcaica. Não há, porém, ocorrências documentais desta forma, o que obriga a considerar duas hipóteses: a) que seja um híbrido latino, com a partícula neo- proveniente, por sua vez, do grego; b) que seja uma evolução pouco comum de Leovegildus, como o que se produz, por exemplo, no par naranja/laranja, que se produz a partir do século VIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que tem a ver com &lt;b&gt;Urdilde&lt;/b&gt;, documentado também como Ordilde, é possível enxergar um antropónimo Ardegilde similar a Ardemiru ou Ardemundu,  onde o a- inicial se realice em o- e -egi- fique reduzido a -i-:  Ardegilde &amp;gt; Ordegilde &amp;gt; Ordeilde &amp;gt; Ordilde &amp;gt; Urdilde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, &lt;b&gt;Vilagilde&lt;/b&gt; oferece também duas hipóteses que não se excluem: a) que se trate de uma &lt;i&gt;uilla Anagildi&lt;/i&gt;, cuja evolução normal seria, com efeito Vilagilde; ou b) que se trate de uma &lt;i&gt;uilla Gildi&lt;/i&gt;, onde Gildi seja genitivo de Gildu, efetivamente documentado, mas funcionando aqui como tema único, o que não é muito comum na antroponímia germânica, sueva, na Gallaecia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por último, resta-me reconhecer a minha incapacidade para resolver a etimologia de &lt;b&gt;Tenchilde&lt;/b&gt; como não seja uma realização africada postalveolar surda de *Tengilde, muito similar com &lt;b&gt;Tangil&lt;/b&gt;, com terminação apocopada que iremos tratar numa adenda a esta nota.&amp;nbsp;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
LEIA MAIS:&lt;/h3&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-i-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (I): Terminações em -rei&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-ii-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (II): Terminações em -riz&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-iii-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (III): Terminações em -mil&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-iv-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (IV): Terminações em -ulfe, -ufe, -oufe&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2012/01/toponimos-germanicos-v-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (V): Terminações em -sende e -sinde&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2012/09/germanicos-vi-ilde.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (VI): Terminações em -ilde&lt;/a&gt; &lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/09/germanicos-vi-ilde.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglXNIkRNq96u7PIgnJgU43hrjVh-lQP63pDyB7Rz5G3p28TC0X6ZBTSbbr0XrUUwgs8Os5VajwN-mP3o3cslCrqDsdXjwNZrav7jx4vvjku8e1abTh8OsuzmPQoiKTnAGuut0XGwtuyfk/s72-c/germanicos-ilde.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-3844327374869990806</guid><pubDate>Thu, 13 Sep 2012 23:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T19:59:47.555+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">oicotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Das vendas, das mercas e das feiras</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Andam os tempos cada vez mais económicos. Nunca tanta gente soube tanto tecnicismo nem tanta gíria económica, e talvez nunca tanta gente soube menos de economia, polos vistos. Hoje vou fazer um pequeno contributo, referindo-me às vendas, às mercas e às feiras que povoam a nossa toponímia galego-portuguesa. A existência de topónimos relacionados com os étimos &lt;b&gt;venda&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;merca&lt;/b&gt; parece relacionar-se de algum modo, complementariamente. E o termo feira, polo mesmo, parece englobar ambas as ações. Também na toponímia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz Cunha que o topónimo Venda é viário e refere um &quot;lugar onde se faziam vendas ou mercado à beira da estrada&quot;. É possível, porque a palavra &quot;venda&quot; tem, com efeito, esse significado no contínuo galego-português. E mesmo poderia dizer-se do topónimo Merca, com o mesmo valor, embora com um significante complementar. Se, com efeito, se tratar de topónimos viários é outra questão, que não deixa por isso de ser possível. Com efeito, no galego-português medieval há constância de superposições funcionais, semânticas, do étimo venda com o significado de pousada, especificamente viário. Mas, como quer que seja, essa associação não parece que seja em absoluto obrigatória. E o mesmo pode dizer-se para feira. Do que não há dúvida, especialmente no caso de feira, é de serem oicotopónimos, isto é, topónimos relacionados, de algum modo, com as atividades económicas humanas, com atividades culturais e, por isso, com fenómenos não naturais, muito mais abundantes na toponímia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Duas são as hipóteses que podem manejar-se a respeito do par venda/merca: uma aponta para uma origem latina do étimo, que teria passado a funcionar, com efeito, como oicotopónimo; outra aponta para a existência de um topónimo anterior, possivelmente céltico ou indo-europeu, como se verá, com outro tipo de valor semântico. Comecemos, porém, primeiro pelo caso mais doado: o da feira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;width=&quot;100%&quot;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;757&quot; data-original-width=&quot;1411&quot; height=&quot;342&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzXA8ta-LHFSToipG6pHFuFBpo-f5QhVj5YIn1Ppl4J-bSdg8C1q5kxWRXKTWe99FadPTIKdtw2OHLr0auTv3QUsK7dsF0ixP0aHUlCFC1KB1IBoP8MgZEiWXRkuGfcMb1q1L7xAFaXB0/s640/pendelhos.png&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;100%&quot; /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;
Pendelhos de Agolada.&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;
Foto: Turgalicia.&amp;nbsp;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;O topónimo Feira: feriado e mercado&lt;/h3&gt;Feira procede do latim &lt;i&gt;feria&lt;/i&gt;, com o significado de &#39;dia festivo&#39; e, por extensão, &#39;dia de grande mercado&#39;. O &lt;i&gt;feria&lt;/i&gt; latino apresenta dupla evolução em galego-português que remete para esse duplo significado: &lt;b&gt;férias&lt;/b&gt; para os dias festivos (não por acaso, o &lt;i&gt;feriae&lt;/i&gt; latino tem na sua origem a forma &lt;i&gt;fesiae&lt;/i&gt;, com a mesma raiz que &lt;i&gt;festum&lt;/i&gt; &#39;festivo&#39;) e &lt;b&gt;feira&lt;/b&gt; para o mercado — que depois irá também denominar correlativamente cinco dos sete dias da semana, tanto em Portugal como também na Galiza (embora na Galiza hoje fiquem apenas áreas reduzidas a utilizarem essa fórmula). Fora dessa extensão de significado, as feiras converteram-se, sem dúvida, numa das principais atividades económicas na área rural da Galiza e de Portugal, e daí procede a variada formulação toponímica que originaram, desde as múltiples ocorrências de &lt;b&gt;Feira Nova&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Feira Velha&lt;/b&gt;, ou de &lt;b&gt;Campo da Feira&lt;/b&gt;, para microtoponímia e para toponímia geral, que aparecem massivamente representadas, até à toponímia que, mais surpreendentemente, aponta tais eventos no calendário: a &lt;b&gt;Feira do Dous&lt;/b&gt; (Serantes - Ferrol), a &lt;b&gt;Feira do Seis&lt;/b&gt; (Barrantes - Tominho), a &lt;b&gt;Feira do Treze&lt;/b&gt; (Sedes - Narão), a &lt;b&gt;Feira do Vinte&lt;/b&gt; (Taborda - Tominho); a &lt;b&gt;Feira do Vinte-e-três&lt;/b&gt; (Tominho) ou a &lt;b&gt;Feira do Vinte-e-sete&lt;/b&gt; (Vilouçás - Paderne), por citar apenas alguns casos da Galiza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Topónimos complementares: as vendas e as mercas&lt;/h3&gt;Para explicar o significado destas duas formas toponímicas, pode  apontar-se o facto de referirem, ambas, atividades que se faziam muitas  vezes na beira dos caminhos, como ainda se faz agora e como, sem dúvida,  se deveu fazer muito mais em épocas anteriores, quando estávamos menos  contaminados pelos grandes supermercados e pela inflação de centros  comerciais. Em tempos melhores, enfim, eucrónicos. Neste caso, a  procedência latina seria evidente, e a continuidade de significante e  significado faria todo o sentido, já que a atividade não desapareceu nem  passou a conhecer-se sob outro nome. Por esta via, Venda, com as suas múltiplas variantes, procederia do latim &lt;i&gt;vendita&lt;/i&gt;, particípio de &lt;i&gt;vendo&lt;/i&gt;, com o idêntico significado e procedente por contração, por sua vez, do sintagma &lt;i&gt;venum do&lt;/i&gt;, isto é, &#39;pôr à venda&#39;. E, quanto a Merca, parece que esteja relacionada com o latim &lt;i&gt;mercatus&lt;/i&gt; &#39;lugar onde se vende e se compra (ou merca)&#39;, proveniente do étimo &lt;i&gt;merx&lt;/i&gt;, provavelmente etrusco. Trataria-se, então, de topónimos deverbais, com um valor económico e com uma poderosa referencialidade que explicaria, ao mesmo tempo, a sua expansão e o seu mantimento ao longo do tempo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, também se têm apontado outras explicações para os topónimos destas duas séries. &lt;a href=&quot;https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;amp;q=cache:XnxMPlRXDEUJ:ifc.dpz.es/recursos/publicaciones/30/23/07moralejo.pdf+&amp;amp;hl=pt-PT&amp;amp;pid=bl&amp;amp;srcid=ADGEESiVAhuyxG5HTLz_XXRqNzfGF6q85CVDvn1Iy6XvnHKl5HVK5mliVG8oZlyuRWR1Ugzq1wpplkb_dVlaLJkleq_2LXLGp55Dvc1TwDZmHrvKMY6umXMECzkjW65JJN1-CX3jQQfx&amp;amp;sig=AHIEtbRa71JiHnv9B6fMBIv2Sqwfkw-jaA&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;J. J. Moralejo &lt;/a&gt;suspeitava que, como &lt;b&gt;Bendanha&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Bendoiro&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Vendabre&lt;/b&gt;, o topónimo &lt;b&gt;Venda&lt;/b&gt; podia derivar, nalguns casos, de um *&lt;i&gt;bend&lt;/i&gt;- indo-europeu, com o significado de &#39;ponta montanhosa&#39; ou do proto-céltico *&lt;i&gt;windo&lt;/i&gt;- &#39;branco&#39;. E, para &lt;b&gt;Merca&lt;/b&gt;, Rosa Pedrero sugere que, como em &lt;b&gt;Mirce&lt;/b&gt; (Melide), &lt;b&gt;Miraz&lt;/b&gt; (Germade e Friol), possa ter a ver com o hidrónimo &lt;i&gt;*mir-ko&lt;/i&gt; ou com o céltico *&lt;i&gt;mer-g&lt;/i&gt; &#39;roxo, rúbio&#39;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A favor da hipótese latina joga o facto de estes topónimos apresentarem amiúde formas de artigo, tanto em &quot;A Venda&quot; como em &quot;A Merca&quot;.&amp;nbsp; A existência desses artigos, na realidade, não equivale a qualquer prova incontornável, porque os artigos, como é sabido, poderiam ter sido adicionados mais tarde, por assimilação. Dado o volume de ocorrências de ambos os topónimos, o mais provável, ao meu entender, é que estejamos perante uma dupla origem: de maneira que uns topónimos procederiam das raízes célticas ou até indo-europeias, enquanto outros procedam, com efeito, de fórmulas latinas e galego-portuguesas medievais. E ainda mais, não descarto a possibilidade de se produzirem ré-significações e adaptações assimilativas do significante depois de perdida a referência semântica dos casos pré-latinos. Casos desse tipo já se viram e não devem estranhar. &lt;/div&gt;</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/09/das-vendas-das-mercas-e-das-feiras.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzXA8ta-LHFSToipG6pHFuFBpo-f5QhVj5YIn1Ppl4J-bSdg8C1q5kxWRXKTWe99FadPTIKdtw2OHLr0auTv3QUsK7dsF0ixP0aHUlCFC1KB1IBoP8MgZEiWXRkuGfcMb1q1L7xAFaXB0/s72-c/pendelhos.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-9179834970614973940</guid><pubDate>Thu, 16 Aug 2012 01:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T20:27:03.061+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">oicotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia inventada</category><title>Toponímia inventada (I): a Costa da Morte</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Há casos de toponímia inventada. Por inventada refiro-me ao facto de não ter sido produzida de forma coletiva polos povos ao longo dos tempos e assentada pola ação mesma de nomear os lugares — mas imaginada por uma pessoa ou por um grupo muito reduzido de pessoas e só depois aceitada e reproduzida através de mecanismos exógenos ao que seja a normal evolução das línguas. A nota de hoje é o primeiro dos exemplos que quero trazer a este caderno: o corónimo &lt;b&gt;Costa da Morte&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: right; margin-left: 1em; text-align: right;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk2V61VemvpEFT1jOBCJlv6JYE4NRhU0A5hXwnspRExfAmVoWW5vj4zr5NP5Itj_ZlqtjIjeHZ1ydnG_it54F2TXcRD9qJjYvUTku0KIGYEfh0xMjjIOIRs9WDQ7OVwC5CNycc6xTvvY4/s1600/3974918041_6d4b12dc48.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;211&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk2V61VemvpEFT1jOBCJlv6JYE4NRhU0A5hXwnspRExfAmVoWW5vj4zr5NP5Itj_ZlqtjIjeHZ1ydnG_it54F2TXcRD9qJjYvUTku0KIGYEfh0xMjjIOIRs9WDQ7OVwC5CNycc6xTvvY4/s320/3974918041_6d4b12dc48.jpg&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Cabo Vilano&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
A tão famosa &lt;b&gt;Costa da Morte&lt;/b&gt;, que nomeia uma franja da costa galega que, para além da controvérsia sobre o seu abrangimento, tem nas leituras mais restritivas uma extensão que inclui as comarcas de &lt;b&gt;Soneira&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Fisterra &lt;/b&gt;e &lt;b&gt;Bergantinhos&lt;/b&gt;, e nas mais extensivas também a de &lt;b&gt;Muros&lt;/b&gt;. Um topónimo hoje perfeitamente assentado, mas com uma história muito curta em cuja origem está uma vontade poética, mais do que a habitual constatação de um fito geográfico ou antropográfico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o investigador José Manuel Lema, a primeira constância escrita da &quot;Costa da Morte&quot; localiza-se num artigo de José Lombardero de 14 de janeiro de 1904 aparecido no jornal &lt;i&gt;El Noroeste&lt;/i&gt;, fazendo referência aos naufrágios do Kenmore, o Draga Rosario 2 e o Francisca Rosa, afundidos, respetivamente, em &lt;b&gt;Trava de Lage&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Santa Marinha&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Lobeira&lt;/b&gt;, os três na noite de 11 para 12 de janeiro, por causa de um nevoeiro. Eis a primeira aparição conhecida do topónimo. Depois, ao longo de 1904, apareceria mais vezes, porque apenas naquele ano naufragaram um total de sete buques naquelas costas. A definição poética de Lombardero&amp;nbsp;calhou bem no imaginário coletivo e, daí, passou a utilizar-se até como marca turística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Microtoponímia dos naufrágios&lt;/h3&gt;
Com efeito, os acidentes com naufrágio e a presença de rateiros configuraram uma nova toponímia para esta área do país, que, aliás, no nível popular, engoliu em grande medida outros corónimos da zona, nomeadamente no caso dos nomes de comarcas — embora a perda dos topónimos comarcais se possa explicar também por outros motivos. Contudo, também os naufrágios ajudaram a criar novos microtopónimos, incorporando nomes tão estranhos à aparência galega como os dos barcos que por toda aquela parte naufragaram: estão aí os &lt;i&gt;&lt;b&gt;baixos do Serpent&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, também conhecidos como baixos da Ponta do Boi, na enseada de Treze, Camarinhas. Nas proximidades, concretamente no Porto do Trigo, foi construído um cemitério para enterrar os corpos dos tripulantes, e a zona começou a conhecer-se como &lt;b&gt;Cemitério dos Ingleses&lt;/b&gt;. O caso do The Serpent (buque-escola da Marinha Real Britânica, afundido a 10 de novembro de 1890) é um dos mais conhecidos, mas dos mais de 450 afundimentos registados, não foi o único a dar nome à costa. Também em Treze se situam hoje os &lt;b&gt;baixos do Lucín&lt;/b&gt;. São exemplos de &lt;b&gt;talassonímia &lt;/b&gt;que não têm a ver com a evolução da língua nem com as origens habituais. Mas eu também não diria que sejam toponímia inventada, mas que respondem a outra mecânica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
A costa dos mortos?&lt;/h3&gt;
A modo de atualização, com informações que foram sendo deitadas nos comentários abaixo desta nota, convém notar que há uma certa tradição nos países celtas ou com presença céltica de denominar &quot;Costa dos Mortos&quot; às estremas ocidentais do continente. Além da galega, há na Bretanha, na península de Crozon, uma &lt;b&gt;Île des Morts&lt;/b&gt; e o corónimo de &lt;b&gt;Côte des Morts.&lt;/b&gt;&amp;nbsp;A cultura céltica também situa o Annwn (Gales) ou a casa de Donn (Irlanda) sempre a oeste, comumente retratado como um castelo rodeado de água e protegido por ilhas fortificadas que bem poderiam fazer referência à morfologia esgrévia destas áreas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/08/toponimia-inventada-i-costa-da-morte.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk2V61VemvpEFT1jOBCJlv6JYE4NRhU0A5hXwnspRExfAmVoWW5vj4zr5NP5Itj_ZlqtjIjeHZ1ydnG_it54F2TXcRD9qJjYvUTku0KIGYEfh0xMjjIOIRs9WDQ7OVwC5CNycc6xTvvY4/s72-c/3974918041_6d4b12dc48.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-8202402662801714967</guid><pubDate>Fri, 03 Aug 2012 17:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T20:40:04.200+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mitologia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Mitos de fundação: o caso da Galiza.</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrkYSyEYbsHfHJRK2Gu9t7pAnkEf2yFbuvbG2R1cbhJsItypWP-sqMaI79rRXRhZ8R4sKhuqj1y8VF-9_T6NPPCwP7skDTDY7-pKXv0y6_p6Tgzfpf7HuYTSaJGOUAtTVP8xXlyj1iEvo/s1600/MAP_029.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;447&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrkYSyEYbsHfHJRK2Gu9t7pAnkEf2yFbuvbG2R1cbhJsItypWP-sqMaI79rRXRhZ8R4sKhuqj1y8VF-9_T6NPPCwP7skDTDY7-pKXv0y6_p6Tgzfpf7HuYTSaJGOUAtTVP8xXlyj1iEvo/s640/MAP_029.JPG&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Mapa da Galiza ca. 1630, &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;de Iudoci Hondij e&amp;nbsp;Johannis Cloppenburgij&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;
É comum, entre os filólogos e os etimólogos, rechaçar as &lt;b&gt;etimologias populares e fantásticas&lt;/b&gt; que em ocasiões se dão para algumas palavras, nomeadamente topónimos, e que contaminam a informação histórica e linguística que esses topónimos possam oferecer. É um procedimento científico, necessário. Mas também não deixa de ser interessante notarmos essas etimologias populares, por vezes de grande valor etnográfico, desde que se clarifique o seu carácter precisamente fantástico. A imaginação dessas etimologias responde a maioria das vezes à mesma necessidade de explicar a realidade que, com mais elaboração, origina mitos e mitologias. Outras vezes, o que há é uma interessada &lt;b&gt;política narrativa&lt;/b&gt; que encontra nas fundações heróicas e nas origens fantásticas um lugar para a expressão do que se quer que seja a grandeza de uma cidade ou de uma nação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito desta última tipologia, a relacionada com os mitos de fundação, em 1747 foi publicado em Madrid a obra &lt;i&gt;Población general de España: historia chronologica, sus tropheos, blasones y conquistas heroycas&lt;/i&gt;, de Juan Antonio de Estrada, que tinha como objetivo assinalar a grandeza das Espanhas, na linha do que expressa no prólogo, a saber:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;&quot;España Triumphante, bien celebrada por Insigne, Opulenta, y Rica, que hace Cabeza Imperial del Dragòn de Europa, y es la mas Occidentàl de toda ella, Emperatriz de dos Mundos, la Reyna de las Provincias, Princesa de las Naciones, Terror de los Infieles, Columna de la Religion Catholica, Trompa sonòra del Evangelio, y Primogenita de la Christiandad; à quien las edades aclaman Ilustre, pregonan Excelente, publìcan Valiente, confiessan Invicta, y aplauden Soberana&quot;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;Enfim, quase nada. Dragões e realezas à margem, a obra continua oferecendo toda uma série de simpáticas etimologias e fundações, das que, nas vindouras notas, vou apenas signar as que tocam ao nosso país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Uma descrição à castelhana&lt;/h3&gt;Antes de mais, contudo, não me resisto a copiar a descrição do reino da Galiza que se faz na obra, mesmo que seja apenas notando aquelas passagens que pudessem ter algo a ver com a toponímia e com o modo como os nomes comuns se terminam convertendo em nomes do país. Diz Estrada:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;  El Reyno de Galicia que Justino con justa razon alaba, confina por la parte Orientàl con el de Leon, y Principado de Asturias; al Medio-dia con Portugàl; bañandole al Poniente el Mar Occeano Atlantico; y al Norte el Cantabrico, quedando casi en forma quadrada que comprehende 45 leguas, baxo del Signo de Piscis todo su Territorio, donde hay siete Ciudades, muchas Villas, y Lugares, 54 Fortalezas; pero oy algunas arruinadas, 45 Puertos Maritimos; un Arzobispado, y quatro Obispados [...] Le riegan diversos Rios, el mas crecido es Miño, llamado en Latin Minius, por el mucho Bermellòn de que abunda [...] Goza de lindas Fuentes, y con cinco salutiferos Baños. El clyma es algo destemplado por los frios, mas reparado con abundante Leña, y Carbòn de sus fragosas Montañas, donde cortan mucho Maderage para Fabrica de Naves. [...] Los Naturales hablan la Lengua, ò Idioma Castellana; pero la Gente comun, mezclada con la Portuguesa, que viene à quedar algo tosca, poco politica, y menos harmoniosa. Son piadosas, dóciles, afables, constantes à lo que una vez se inclinan; costumbre (segun parece) originada de los Griegos sus Progenitores [...] Hay un famoso Cabo, llamado Finis-Terre, por haver entendido sus Pobladores havian llegado al fin de la Tierra, donde se fundò una Ciudad de Santa Maria del mismo nombre del Cabo. Sus Rios principales son, ademàs del referido Miño; Aviafis, Cilinca, Miranda, y Tamaucilla. Tiene tambien su nacimiento aqui el Rio de Lima, que llamaron los Antiguos el Lethèo, ò el Olvido [...].&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;Várias cousas podem ser ditas a respeito destes trechos. Vou obviar o tema de confundir as falas galego-portuguesas com uma mistura de castelhano e português e vou apontar, apenas, a referência às sete cidades, que, convém notar, não é isso das atuais &quot;sete grandes cidades&quot; que hoje tanto gostam alguns meios e pessoas de dizer na Galiza. Em concreto: Vigo, Ponte Vedra e Ferrol não são, nesta época, cidades, mas vilas, e assim aparecem tratadas no texto de Estrada. E, ao contrário, sim aparecem designadas como cidades Mondonhedo, Betanços e Tui, que têm ainda hoje esse tratamento, mas que não aparecem na nómina das grandes urbes do país — tendo em conta, aliás, que, comparativamente com outros territórios europeus, as cidades galegas resultam pequenas e menos povoadas. A maior, Vigo, não ultrapassa trezentos mil habitantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Origem do corónimo Galiza&lt;/h3&gt;A descrição da Galiza de Estrada continua com um tema central para nós, a etimologia e a sua relação com os mitos de fundação. Diz:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Acerca de la ethymologìa de Galicia hay tres distintinas opiniones: la primera, quieren sea originada de Gatelo, hijo de Cecrope, Rey Atheniense, que llegando à Porto, como alli se refiere, habitaron este Reyno, y se llamaron Gatelos, corrupto Gallegos. Segunda: Dice San Isidoro provino por ser Tierra fria, y criarse sus Naturales blancos, sonando esto la voz Gallegos. La tercera, y la mas cierta, es, que poblandola Galos Celtas año 290 antes de la humana Redempcion, junto con Griegos, le dieron nombre de Galo Grecia, alterado en Galicia [...].&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;À margem da referência de S. Isidoro, que me declaro absolutamente incompetente para decifrar, e da explicação que recorre a Galo Grécia e que Estrada considera mais certa, tem interesse como lenda fundacional a referência a Gatelo, embora Estrada a considere &quot;menos certa&quot;: &lt;b&gt;Gatelo ou Catelo&lt;/b&gt;, que aparece no Livro das Invasões da Irlanda como Gaedhil Glas, está vinculado também numa lenda fundacional como personalidade responsável pelo nascimento de Portugal. Com efeito, são emissários portugueses encabeçados por Gaspar Palha e enviados à Escócia por &lt;b&gt;Dom João III&lt;/b&gt;, quem escutaram pola primeira vez esta história, segundo a qual os fundadores da Escócia e da Irlanda teriam saído da Ibéria após Gatelo ter fundado o &lt;i&gt;&lt;b&gt;Portus Gateli&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, isto é, Portugal — bem antes de &lt;b&gt;Dom Afonso Henriques&lt;/b&gt;, é claro. Tão claro que, provavelmente conhecendo esta lenda, o historiador do século XVI Fernando de Oliveira chega a dizer que Afonso Henriques é apenas um refundador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Uma tendência&lt;/h3&gt;Enfim, não é por acaso que esta &lt;b&gt;tendência&lt;/b&gt; para as lendas fundacionais se produza durante o &lt;b&gt;Renascimento&lt;/b&gt; europeu, não tanto polo facto em si de produzir um mito urbigónico, mas, principalmente, por situar as aspirações de nobreza e posteridade no tempo dos clássicos grecolatinos (e, lateralmente, também semíticos bíblicos). Nas &lt;b&gt;próximas notas&lt;/b&gt; a respeito das fundações míticas das cidades e vilas galegas veremos, com efeito, mais referências ao tândem Grécia-Roma: Hércules teria fundado a Crunha; o Imperador César em pessoa, a cidade de Lugo e a vila de Riba d&#39;Eu; Amphyloco, Ourense; Bruto, Mondonhedo; o referido Gatelo, Betanços; Teucro, Ponte Vedra; Diomedes, Riba d&#39;Ávia, Padrão e Monforte, e assim por diante, completando-se ainda com referências às genealogias bíblicas segundo as quais Gondomar teria sido fundado por Gomer, filho de Japhet, filho de Noé; e Noia por Noela. Não havia, portanto, cidade insigne, ou que pretendesse sê-lo, que não tivesse a sua fundação mítica. Até a própria Roma, embora anterior, tinha o seu mito.&lt;/div&gt;</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/08/mitos-de-fundacao-o-caso-da-galiza.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjrkYSyEYbsHfHJRK2Gu9t7pAnkEf2yFbuvbG2R1cbhJsItypWP-sqMaI79rRXRhZ8R4sKhuqj1y8VF-9_T6NPPCwP7skDTDY7-pKXv0y6_p6Tgzfpf7HuYTSaJGOUAtTVP8xXlyj1iEvo/s72-c/MAP_029.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-535520503531402723</guid><pubDate>Fri, 20 Jul 2012 14:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T20:43:23.897+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">deturpação</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">notas gerais</category><title>O poder de nomear</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um anúncio da Junta da Galiza a respeito da toponímia galega está a gerar já alguma controvérsia, com expressões, como a de &lt;a href=&quot;http://www.sermosgaliza.com/opinion/carlos-callon/toponimos-e-cinismo/20120717235952003373.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Carlos Callón&lt;/a&gt;, que sobardam a incredulidade para qualificar a medida de puramente cínica. Quem habitar na Galiza saberá que a toponímia é um âmbito em conflito permanente entre, de uma banda, as &lt;b&gt;práticas colonizadoras&lt;/b&gt; assentadas durante décadas pola ditadura e polo capital, com mais força quanto maior for, não por acaso; e, de outra, a &lt;b&gt;vontade de reapropriação popular &lt;/b&gt;do que lhe é próprio, que é a faculdade de nomear. Que a direita espanhola a governar na Junta da Galiza apresente agora uma medida como esta é &lt;b&gt;cinismo puro&lt;/b&gt;, tem razão Carlos Callón. Mas, sobre a faculdade de nomear e sobre a importância que isso tem, quero apenas extractar a continuação um trecho escrito por Xoán Carlos Lagares Diez num texto intitulado &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;http://www.uff.br/cadernosdeletrasuff/35/artigo4.pdf&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Sobre a noção de galego-português&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
O poder de nomear&lt;/h3&gt;
Nomear é uma forma de intervir sobre a realidade, e o ato de renomear pode produzir, de fato, uma espécie de reorganização do mundo. Mas, afinal, esse poder está reservado a uns poucos. Fiorin&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;, ao apresentar a noção saussuriana da arbitrariedade do signo linguístico, que tem como corolário a convenção social, cita uma interessante passagem das &lt;i&gt;Aventuras de Alice&lt;/i&gt;:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
– Não sei bem o que o senhor entende por “glória” –, disse Alice.&lt;br /&gt;
Humpty Dumpty sorriu com desdém. – Claro que você não sabe, até eu lhe dizer. O que eu quero dizer é: “eis aí um argumento arrasador para você”.&lt;br /&gt;
– Mas “glória” não significa “um argumento arrasador” –, objetou Alice.&lt;br /&gt;
– Quando uso uma palavra –, disse Humpty Dumpty em tom escarninho – ela significa exatamente aquilo que quero que ela signifique... nem mais nem menos.&lt;br /&gt;
– A questão –, ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.&lt;br /&gt;
– A questão –, replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso (O grifo é nosso).&lt;/blockquote&gt;
Como comenta Fiorin, o que resulta absurdo nessa passagem é o fato de Humpty Dumpty pretender passar por cima das convenções que presidem o uso da linguagem, querendo criar significados particulares para signos já existentes, o qual tornaria impossível a comunicação. Mas com a réplica do personagem à ponderação de Alice, Lewis leva a questão a muito mais longe, pois problematiza esse consenso entre os falantes de uma dada comunidade linguuística em torno do significado de suas palavras. Com efeito, quem manda tem a faculdade de propor e, com frequência, de impor novas relações entre significante e significado, ao serviço de ideologias que justifiquem e permitam a manutenção da ordem social dominante&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os países colonizadores atribuem-se a faculdade de nomear os lugares conquistados, embora aqueles lugares já tivessem nome nas línguas dos povos colonizados. Assim, num mesmo gesto, inaugura-se através desse ato simbólico uma nova realidade, enquanto se apagam os rastos das culturas vencidas. A cerimônia de baptismo das terras conquistadas representa na realidade um ritual de apropriação. É através do ato de nomear que se toma posse dos novos territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: right; margin-left: 1em; text-align: right;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIbBpir0Bf9fIlWFE6-5MFKMdZYeq-nNYuwhU-4kMlcAsW7kbKndReHFBocvRI5hUGVdc2VZzsSNz-lgGzEt3cMQGaqtYOe8_HQGnhMQR-SivMiHZiZ063tnC1J7PS6K7PfIdmwNgbSnk/s400/P1010626.JPG&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;240&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIbBpir0Bf9fIlWFE6-5MFKMdZYeq-nNYuwhU-4kMlcAsW7kbKndReHFBocvRI5hUGVdc2VZzsSNz-lgGzEt3cMQGaqtYOe8_HQGnhMQR-SivMiHZiZ063tnC1J7PS6K7PfIdmwNgbSnk/s320/P1010626.JPG&quot; width=&quot;320&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
Um exemplo de intervenção&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;font-size: 12.8px;&quot;&gt;na sinalética galega&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
Na Galiza, a castelhanização dos topônimos foi uma das formas usadas pelo poder central para submeter esse território à unidade (que frequentemente, em termos políticos, não é mais do que uniformidade) do Estado. Assim, foram sendo trasladados à língua oficial todos os nomes de lugar: d’A Corunha para La Coruña, de Ourense para Orense, e assim por diante. A castelhanização supõe em alguns casos uma tentativa de tradução, muitas vezes fantasiosa, ignorando o significado dos nomes. Viana do Bolo, por exemplo, passou a ser denominada &lt;i&gt;Viana del Bollo&lt;/i&gt;, &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2012/01/mesao-do-bento-nao-do-vento.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Mesón do Bento&lt;/a&gt; foi traduzido erradamente como &lt;i&gt;Mesón del Viento&lt;/i&gt;, o bairro corunhês da Agrela passou a ser conhecido oficialmente como de &lt;i&gt;La Grela&lt;/i&gt; e, no cúmulo do absurdo, o lugar denominado &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2011/12/o-neno-ou-as-aguias.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;O Ninho d’Águia&lt;/a&gt; como &lt;i&gt;El niño de la Guía&lt;/i&gt;. Não sabemos o que foi que freou o impulso castelhanizador em casos como Pontevedra, que nunca foi &lt;i&gt;Puentevedra&lt;/i&gt; nem, traduzindo também a segunda parte do nome, que é um arcaísmo em galego, &lt;i&gt;Puenteviejo&lt;/i&gt;. Em outras ocasiões, renunciou-se a decodificar o significado dos nomes e optou-se pela simples adaptação fonética ao espanhol, como nos casos em que Teixeiro passou a ser &lt;i&gt;Teijeiro&lt;/i&gt; (com a pronuncia /x/ do castelhano) ou Aceadama se converteu num inexplicável &lt;i&gt;Haciadama&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como afirma Calvet:&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;
os nomes dos povos, os nomes dos lugares não pararam de variar, de acordo com as invasões ou alternâncias de poder. Desse modo, há uma constante valsa toponímica e etnonímica, que pode testemunhar uma aproximação fonética (quando na África, por exemplo, a língua bãmana transformou-se em bambara, ou o pulaar se tornou peul), uma alusão pejorativa (quando os índios &lt;i&gt;Shuars&lt;/i&gt; são chamados pelos espanhóis de &lt;i&gt;jibaros&lt;/i&gt;, isto é, &lt;i&gt;camponeses&lt;/i&gt;) e às vezes um desejo identitário (quando o Congo Belga se tornou Zaire e, depois, República Democrática do Congo)&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;.&lt;/blockquote&gt;
Essas mudanças de denominação são, como também lembra o próprio Calvet, evidentes atos de política linguística. Quando na Espanha a Constituição de 1978 chama castelhano à língua espanhola oficial do Estado, ela está nesse mesmo gesto instaurando uma política determinada a respeito das línguas de Espanha, que passam também a ser consideradas línguas espanholas. Imbuído nesse fato está o reconhecimento de que não há uma correspondência absoluta entre o nome do Estado-nação, Espanha, e sua língua oficial, que pelo nome se identifica com apenas uma de suas regiões, Castela. Ao mesmo tempo, ao assumir a diversidade linguística do Estado, a Constituição assimila à categoria de espanholas as línguas co-oficiais da Galiza, Catalunha e o País Basco. A diversidade passa a ser considerada “riqueza cultural”, numa nova ideologia linguuística costurada de velhas idéias sobre o que deve ser a nação, enquanto se mantém a idéia de unidade com o castelhano cumprindo a função de “língua comum”, “de encontro”, “de concórdia” e mesmo, numa pirueta discursiva, de língua propícia para o exercício da democracia&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt;. A expressão que condensa essa ideologia é “Unidade na Diversidade”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Notas:&lt;/h3&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;FIORIN, José Luiz. “Teoria dos signos”, in José Luiz Fiorin (org.). &lt;i&gt;Introdução à Lingüística. I. Objetos teóricos.&lt;/i&gt; São Paulo: Contexto, 2007 (5a ed.), pp. 60-61.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Assim é como novos significados nos são impostos pelos processos de criação de consenso das sociedades capitalistas pós-industriais, que convertem, por exemplo, os empresários em ‘criadores de empregos’ ou que escamoteiam a dimensão de força de trabalho do operariado ao enquadrá-lo na categoria de ‘capital humano’. Nesse sentido, a luta pelos significados é uma das dimensões dos conflitos sociais e ideológicos. Quando se aprovou a lei do matrimônio homossexual na Espanha, por exemplo, coletivos de juristas e acadêmicos da língua se levantaram em protesto contra o uso da palavra &lt;i&gt;matrimônio&lt;/i&gt; para designar esse tipo de união civil, defendendo, na realidade, mediante o controle do significado (técnico) desse substantivo, um modelo tradicional de família.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;CALVET, Louis-Jean. As políticas lingüísticas. São Paulo: Parábola Editorial/IPOL, 2007, pp. 78-79.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Veja-se, nesse sentido, o que diz Del Valle: “Ya el relativo fracaso del nacionalismo liberal decimonónico puso de manifiesto el hecho de que la superioridad práctica de una lengua no basta para vencer el poder de lealtades lingüísticas establecidas de un modo, digamos, más primordial. De ahí que en la actualidad se insista no sólo en la utilidad del español sino también en su asociación con valores universales superiores, tales como la concordia y la democracia, que estimulen la formación de vínculos más “emocionantes” entre la lengua y los individuos que integran o que se aspira a que integren la comunidad”. DEL VALLE, José. “La lengua patria común: Política lingüística, política exterior y el post-nacionalismo hispánico”, in Roger Wright y Peter Ricketts (eds.), Studies on Ibero-Romance Linguistics Dedicated to Ralph Penny, Newark [Delaware], Juan de la Cuesta Monographs (Estudios Lingüísticos n.o 7), 2005, pp. 391-416.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/07/o-poder-de-nomear.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIbBpir0Bf9fIlWFE6-5MFKMdZYeq-nNYuwhU-4kMlcAsW7kbKndReHFBocvRI5hUGVdc2VZzsSNz-lgGzEt3cMQGaqtYOe8_HQGnhMQR-SivMiHZiZ063tnC1J7PS6K7PfIdmwNgbSnk/s72-c/P1010626.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-27423529786511635</guid><pubDate>Thu, 12 Jul 2012 13:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T20:48:45.529+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">árabes</category><title>Toponímia árabe (I): o tema sidi</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Comecemos esta primeira nota sobre &lt;b&gt;toponímia árabe&lt;/b&gt; centrando-nos no tema &lt;b&gt;&lt;i&gt;sidi&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, do árabe &lt;b&gt;&lt;i&gt;sayyid&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;  (&quot;senhor&quot;), que deu, evolutivamente, a forma *&lt;i&gt;zide&lt;/i&gt; (var. &lt;i&gt;*side&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;*xide&lt;/i&gt;)  que aparece tanto na Galiza como em Portugal habitualmente como segundo  elemento de um topónimo composto. Na Galiza, figuram Abuzide, Cazide,  Cardezide, Carpazide, Carrazide, Carrozide, Casal de Zide, Crezide,  Donzide, Lamazide, Lamarzide, Menzide, Mouzide, Pranzide, Pedrouzide,  Salzide, Teizide, Touça de Zide, Vila Zide e Vila Perzide. Aparecem,  aliás, Codeside, Louside e Maside, e também, finalmente, Ameixide,  Bugide, Caxide, Eigide, Freixide, Gugide, Lexide, Maxide, Meixide,  Taxide, Teixide, Vigide, Gegide e Tojide, que tentaremos explicar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
O que não é senhor&lt;/h3&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinIU3gQoftwFuxsJXzrcacXP8tVd4yE6NkrES9bSTXQaYO82OA373Gs0uSeKUTsLbvbyiKdyK0dwFMDBkh77MNYZVnsZ1Hf7fpb1nBcdE9kMTJiRxK1sP9fPQihwaPpupGFw2_t32aniI/s1600/sidi.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;224&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinIU3gQoftwFuxsJXzrcacXP8tVd4yE6NkrES9bSTXQaYO82OA373Gs0uSeKUTsLbvbyiKdyK0dwFMDBkh77MNYZVnsZ1Hf7fpb1nBcdE9kMTJiRxK1sP9fPQihwaPpupGFw2_t32aniI/s400/sidi.png&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Em primeiro lugar, algumas destas ocorrências pouco ou nada têm a ver com o &lt;i&gt;sayyid &amp;gt; sidi&lt;/i&gt;&amp;nbsp;árabe, mas noutras é possível sugerir essa relação sem aparentemente cair em contradições evidentes. Convém, por isso, eliminar primeiro aqueles nomes que não correspondam a este grupo de origem árabe. À partida, sabemos que a terminação -ide/-ite é a evolução normal do genitivo -iti, o que obriga a procurarmos referências com terminação -itus. Entre os topónimos encontrados, respondem claramente a esta fórmula &lt;b&gt;Gegide&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Eigide&lt;/b&gt;, genitivos do antropónimo &lt;b&gt;Gegitus&lt;/b&gt;. Do mesmo modo, &lt;b&gt;Bugide&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Gugide&lt;/b&gt; serão variantes do genitivo de &lt;b&gt;Gugitus&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;Vigide&lt;/b&gt; será genitivo de &lt;b&gt;Vegitus&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Lexide&lt;/b&gt; de &lt;b&gt;Lesidius&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Magide&lt;/b&gt; de &lt;b&gt;Magitus&lt;/b&gt;. Por outra parte está &lt;b&gt;Maside&lt;/b&gt;, que não corresponde com Magide com pronúncia de /ʃ/ como /s/, pois está documentado como Masidi no século V — o que, ao mesmo tempo, impede que seja explicável através do apelativo árabe &lt;i&gt;sidi&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também não parece que tenham muito a ver com &lt;i&gt;sidi&lt;/i&gt; outros topónimos: &lt;b&gt;Carrazide&lt;/b&gt; (Compostela) poderia ser forma genitiva de &lt;b&gt;Carrazedo&lt;/b&gt;, que aparece como topónimo de maneira muito comum, tanto na Galiza como a norte de Portugal. E o mesmo para &lt;b&gt;Carrozide&lt;/b&gt; (Alfoz), com uma variação a/o que nada deve estranhar. Igualmente, parece possível descartar &lt;b&gt;Salzide&lt;/b&gt; por este método, considerando a multidão de ocorrências de &lt;b&gt;Salzedo&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Salzeda&lt;/b&gt; e mesmo de &lt;b&gt;Salzido&lt;/b&gt;. E tampouco parece que pertençam ao grupo de &lt;i&gt;sidi&lt;/i&gt; as formas &lt;b&gt;Codeside&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Tojide&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Ameixide&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Freixide&lt;/b&gt;, que provavelmente correspondam a &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2012/01/falsos-fitonimos.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;fitotopónimos&lt;/a&gt; que, por sua vez, explicam as terminações -side/-xide/-jide como valor coletivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
§2. O tema &lt;i&gt;Sidi&lt;/i&gt;&lt;/h3&gt;
Os topónimos que parecem mostrar uma presença de &lt;i&gt;sidi&lt;/i&gt; mais evidente são os construídos com o primeiro tema derivado de tagi-/tegi-, &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com.es/2011/12/toponimos-celtas-ii-tema-tegi.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;sobre o qual já falamos anteriormente&lt;/a&gt;. Estariam neste bloco &lt;b&gt;Taxide&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Teizide&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Teixide&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Teixiz&lt;/b&gt;, com o significado provável de &#39;alpendre ou casopa do senhor&#39;. Interessa assinalar que a forma *tei- deveu manter o seu valor apelativo quando menos até ao século XI para poder dar origem a estes híbridos celto-árabes. Com um valor semântico similar também temos &lt;b&gt;Casal de Zide&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Cazide&lt;/b&gt; (Cas + sidi) e &lt;b&gt;Cardezide&lt;/b&gt; (Cas + de + sidi), onde o elemento &lt;i&gt;tagi-/tegi-&lt;/i&gt; céltico é substituído pelo latino &lt;i&gt;casa&lt;/i&gt;, com aplicação de rotacismo sobre o -s no caso de &lt;b&gt;Cardezide&lt;/b&gt;. Trataria-se, nestes casos, de &#39;casa do senhor&#39;. Com a mesma estrutura haveria um &lt;b&gt;Touça de Zide&lt;/b&gt;, com significado diáfano que não requer mais explicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dous últimos topónimos onde posso rastejar uma referência clara de sidi são &lt;b&gt;Abuzide&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Donzide&lt;/b&gt;, com as seguintes explicações possíveis. &lt;b&gt;Abuzide&lt;/b&gt; parece ser um topónimo composto de &lt;i&gt;abu&lt;/i&gt; + &lt;i&gt;sidi&lt;/i&gt;, sendo esse &lt;i&gt;abu&lt;/i&gt; uma &lt;i&gt;kunya&lt;/i&gt; islâmica, muito utilizada em todo o islã com valor antroponímico. O significado seria &#39;pai do senhor&#39;, referindo provavelmente as terras do progenitor de um senhor. &lt;b&gt;Donzide&lt;/b&gt;, por sua vez, pode vir composto pela partícula de tratamento latina&amp;nbsp;&lt;i&gt;dom&lt;/i&gt;, mais o sabido &lt;i&gt;sidi&lt;/i&gt;, resultando um pleonasmo dos muitos que há na toponímia. Sobre esta base seria possível também aventurar que &lt;b&gt;Mouzide&lt;/b&gt; possa construir-se a partir do possessivo mon + sidi, com estrutura análoga em mon + senhor = monsenhor. O resultado seria um *Monzide cuja nasal bem poderia ter evoluído em -ou-: &lt;b&gt;Mouzide&lt;/b&gt;. E, ainda, também poderia haver uma variação de *mon- &amp;gt; *men- sobre o par relativamente habitual o/e entre nasais: &lt;b&gt;Menzide&lt;/b&gt;, ainda que isto com menor segurança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Enfim&lt;/b&gt;: é certo que na Galiza pouca toponímia árabe há. O processo de avanço  muçulmano pela península ibérica não se assentou a norte do rio Douro   pela faixa atlântica, mesmo tomando como referência a máxima expansão do  califado de Córdoba, por volta do ano 1000. Em consequência, a presença  de toponímia árabe, ainda existindo, é quase puramente testemunhal, ao  contrário do que acontece em Portugal a sul do Douro e mais intensamente  quanto mais a sul, em boa lógica. Mas, mesmo assim, há toponímia que  merece ser identificada e estudada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/07/toponimia-arabe-i-o-tema-sidi.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinIU3gQoftwFuxsJXzrcacXP8tVd4yE6NkrES9bSTXQaYO82OA373Gs0uSeKUTsLbvbyiKdyK0dwFMDBkh77MNYZVnsZ1Hf7fpb1nBcdE9kMTJiRxK1sP9fPQihwaPpupGFw2_t32aniI/s72-c/sidi.png" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-5373907405941992354</guid><pubDate>Tue, 07 Feb 2012 02:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T20:51:10.667+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">celtas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">hidronímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Toponímia celta (IV): o tema inh-</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;b&gt;Inhanho&lt;/b&gt; (Cabana de Bergantinhos), &lt;b&gt;Inhovre&lt;/b&gt; (Rianjo) e &lt;b&gt;Inhás&lt;/b&gt; (Oleiros) são topónimos na Galiza cujo lema inh- parece ter muito a ver com os hidrónimos &lt;b&gt;Inha&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Dinha&lt;/b&gt; (&amp;lt; de Inha) que há em Portugal, e também com o rio &lt;b&gt;Em&lt;/b&gt; (&quot;&lt;i&gt;inter rivulos Enn et Gorgula&lt;/i&gt;&quot;; 940), na zona galega do Gerês, como se verá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;A presença do tema&lt;/h3&gt;Poderia considerar-se, em primeiro lugar, que esse &lt;i&gt;*inh-&lt;/i&gt; que na documentação medieval aparece por vezes como &lt;i&gt;*ini-&lt;/i&gt; e outras vezes como &lt;i&gt;*ign&lt;/i&gt;- tenha algo a ver com o étimo latino &lt;i&gt;ignis&lt;/i&gt; &#39;fogo, lume&#39;. Dad que &lt;b&gt;Inha&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Dinha&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Em&lt;/b&gt; são nomes de rios e que tanto &lt;b&gt;Inhanho&lt;/b&gt; como &lt;b&gt;Inhovre&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Inhás&lt;/b&gt; estão relacionados também com hidrónimos, interessa observar como &lt;b&gt;a relação da água com o calor&lt;/b&gt; está presente em formas como Fervença e Ola (= remoinho), e também em &lt;b&gt;Águas Caldas&lt;/b&gt; (cf. nos numerosos Caldas, com perda do apelativo &quot;água&quot;, que há tanto na Galiza como em Portugal), em &lt;b&gt;Águas Quentes&lt;/b&gt; ou em &lt;b&gt;Rio Caldo&lt;/b&gt;, por citar apenas uns exemplos evidentes. Porém, como bem aponta &lt;b&gt;Domingos A. Moreira (1999)&lt;/b&gt;, o latim &lt;i&gt;ignis&lt;/i&gt; não produziu novos étimos nas línguas romances, com exceção do romeno, de modo que a raíz &lt;i&gt;*ign-&lt;/i&gt; poderia dever-se, muito provavelmente, a uma simples latinização forçada nos textos latinos e medievais. Aliás, há constância de hidrónimos com raiz ini-/inh- em áreas alheias ao domínio linguístico latino. Em concreto, constate-se a existência de apelativos em euskera que, com essa raiz, pertencem ao campo semântico da água: &lt;i&gt;inontz&lt;/i&gt; (orvalho), &lt;i&gt;iñetazi&lt;/i&gt; (saraiva), &lt;i&gt;iñoski&lt;/i&gt; (líquido) e &lt;i&gt;iña&lt;/i&gt; (vime); mas também do raio: &lt;i&gt;iñar&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;iñestue&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;iñastura&lt;/i&gt;. Seja lá como for, precisamente a existência destes &lt;b&gt;étimos bascos&lt;/b&gt; dá para considerar que, à margem de que os hidrónimos mais afastados possam ter alguma outra origem, os máis próximos, os galego-portugueses, tenham uma origem mais que provável nesse lema &lt;i&gt;*ign&lt;/i&gt;-, provavelmente proveniente do &lt;b&gt;indoeuropeu &lt;i&gt;*pen-&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Vejamos como. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnYCl0XnXT7uwqXYYxOKrGyWftkp5xg7X59BV4JfKZSFNjIBKp66VDPbMIrAcgWtweVDPhmb4OIfJzEycT59VcJXXGBHCf8tNcpA4jlD-dM_v977ipejRB_Nh_JIbl3cOAMqtqUQGUElE/s640/pa%CC%82ntano.jpg&quot; width=&quot;100%&quot; /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3&gt;A evolução *pen- &amp;gt; *in-&lt;/h3&gt;Se considerarmos esta raiz como estando na origem dos casos a estudo, há que explicar a perda desse p- inicial, que se mantém noutros lugares, com as suas transformações correspondentes. Aí estão, com efeito, o &lt;b&gt;gótico&lt;/b&gt; &lt;i&gt;fani&lt;/i&gt; &#39;lama&#39;, o &lt;b&gt;holandês&lt;/b&gt; &lt;i&gt;veem&lt;/i&gt; &#39;charneca&#39;, o &lt;b&gt;antigo islandês&lt;/b&gt; &lt;i&gt;fen&lt;/i&gt;, o &lt;b&gt;antigo alto alemão&lt;/b&gt; &lt;i&gt;fenna&lt;/i&gt;, o &lt;b&gt;inglês&lt;/b&gt; &lt;i&gt;fen&lt;/i&gt; e o &lt;b&gt;saxónico&lt;/b&gt; &lt;i&gt;fen(n)i&lt;/i&gt;, todos eles significando pântano e todos eles germânicos, tendo em conta a sabida evolução p-&amp;gt;f- nessa rama. Fora dessa família germânica e, portanto, fora da transformação p-&amp;gt;f-, há também, no domínio balto-eslavo, o &lt;b&gt;antigo prussiano&lt;/b&gt; &lt;i&gt;pannean&lt;/i&gt;, como o mesmo significado pantanoso, e o &lt;b&gt;letão&lt;/b&gt; &lt;i&gt;pane&lt;/i&gt;: &#39;água de esterco&#39;. Mais claramente, há os rios &lt;b&gt;Panissos&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Peneiós&lt;/b&gt; na Grécia, e também o rio &lt;b&gt;Panaro&lt;/b&gt; na Itália, que são ambas áreas de conservação do p- inicial. Para Moreira, o grupo de hidrónimos &lt;i&gt;*pan&lt;/i&gt;- / &lt;i&gt;*pen&lt;/i&gt;- que ele mesmo refere não teria nada a ver com Inha e Dinha, que identifica como provenientes de uma raíz indoeuropeia &lt;i&gt;*ini&lt;/i&gt;- / &lt;i&gt;*ign&lt;/i&gt;-, de &lt;b&gt;origem mediterrâneo-asiático-ameríndio&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Uma hipótese&lt;/h3&gt;Ora, tendo em conta a localização de Inha e Dinha a norte de Portugal e as ocorrências de Inhanho, Inhovre, Inhás e Em na Galiza, ainda completadas com o &lt;b&gt;Enna&lt;/b&gt; e o lago &lt;b&gt;Enol&lt;/b&gt; nas Astúrias, parece arriscado descartar, como Moreira, a possibilidade de provirem da raiz &lt;i&gt;*(p)ign-&lt;/i&gt; / &lt;i&gt;*(p)en-&lt;/i&gt; / &lt;i&gt;*(p)an&lt;/i&gt;-. Note-se, à partida, a &lt;b&gt;presença nesta área de etimologia céltica&lt;/b&gt;, que, como se sabe, perde do p- incial indoeuropeu. Em segundo lugar, observe-se a ocorrência de &lt;i&gt;enach &lt;/i&gt;em &lt;b&gt;antigo irlandês&lt;/b&gt;, &lt;i&gt;an&lt;/i&gt; em &lt;b&gt;irlandês medieval&lt;/b&gt; e &lt;i&gt;anam&lt;/i&gt; em &lt;b&gt;gaulês&lt;/b&gt;, significando os três pântano e ficando, morfologicamente, muito próximos de Inha e as suas derivações Dinha, Inhovre, Inhanho e Inhás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em consequência, poderia considerar-se que os casos a estudo derivem quer do éuscaro, quer, talvez mais propriamente, do céltico da área norte-ocidental da península ibérica (está aí a hipótese das ligações entre o celta nor-ocidental e o éuscaro, contudo), em cujo caso esse tema inh- teria, provavelmente, o significado de &lt;b&gt;pântano&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;***&lt;/div&gt;&lt;h3&gt;Referência:&lt;/h3&gt;Moreira, Domingos A., “Perspectivas para a Interpretação linguística do hidrónimo “Inha”, em &lt;i&gt;Carlos Alberto Ferreira de Almeida: in memoriam&lt;/i&gt;, vol.II, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1999, pp.107-119.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;Atualização (7 de fevereiro de 2012, 23h38)&lt;/h3&gt;Introduzo o topónimo Inhás (Oleiros), que não aparecia inicialmente no artigo. Obrigado, Carlos, polo seu contributo (&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimia-celta-iv-o-tema-inh.html#comment-form&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;comentº&lt;/a&gt;). &lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimia-celta-iv-o-tema-inh.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnYCl0XnXT7uwqXYYxOKrGyWftkp5xg7X59BV4JfKZSFNjIBKp66VDPbMIrAcgWtweVDPhmb4OIfJzEycT59VcJXXGBHCf8tNcpA4jlD-dM_v977ipejRB_Nh_JIbl3cOAMqtqUQGUElE/s72-c/pa%CC%82ntano.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-1411836312064493959</guid><pubDate>Mon, 30 Jan 2012 23:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T20:52:59.734+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">falsos amigos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">fitotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Falsos fitotopónimos</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quantos nomes de lugar há que sejam Carvalho? Quantos Pinheiro? Quantos Sobreira, quantos Figueira, Nogueira ou Moreira? E, porém, como suspeita &lt;a href=&quot;http://toponimialusitana.blogspot.com/2006/02/tem-nome-de-rvore-mas-no-rvore.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;José da Cunha&lt;/a&gt;, não são elementos vulgares de mais para darem nome a um lugar? Não são elementos que há por toda a parte e, por isso mesmo, inúteis para significar com o seu nome um espaço geográfico com as exigências que isso comporta? Será que há &lt;b&gt;falsos fitotopónimos&lt;/b&gt;? Pois, vejamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;float: left; margin-right: 1em; text-align: left;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHgm6mxf08zDkTTof64PsacNpqFT2M8r2jdIkS6N2N5rgEFfQZb90FlKHRpXf9H2MWbTVJkLPamtsIb_VFYhDkwLLQjRBLwkyqtFkI_vXBQOLHOQYq5O-x2P_SNCVCU8wRP0CW4VPmDh8/s1600/Sambucus_nigra_-_Ko%CC%88hler%E2%80%93s_Medizinal-Pflanzen-127.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;400&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHgm6mxf08zDkTTof64PsacNpqFT2M8r2jdIkS6N2N5rgEFfQZb90FlKHRpXf9H2MWbTVJkLPamtsIb_VFYhDkwLLQjRBLwkyqtFkI_vXBQOLHOQYq5O-x2P_SNCVCU8wRP0CW4VPmDh8/s400/Sambucus_nigra_-_Ko%CC%88hler%E2%80%93s_Medizinal-Pflanzen-127.jpg&quot; width=&quot;323&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;i&gt;Sambucus nigra&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
O próprio Cunha resume o processo de maneira dificilmente melhorável: &quot;não dão nome às coisas, absorvem o nome de outras coisas&quot;. Assim parece que seja, com toda probabilidade, em diferentes casos. De modo que &lt;b&gt;Castanheira&lt;/b&gt; seria, por exemplo, uma forma assimilada de &lt;i&gt;costaneira&lt;/i&gt;, como lugar do início de uma encosta. Esse &lt;i&gt;costaneira&lt;/i&gt; assimilar-se-ia ao fitónimo castanheira por duas leis fundamentais das línguas: a economia da linguagem e, quando menos até ao século XIX, a extrema &lt;b&gt;variabilidade toponímica&lt;/b&gt; de uma área para outra (falando, inclusive, em áreas relativamente pequenas). Como este exemplo há vários. Alguns, os mais comuns, já tratados por Cunha, convém tê-los presentes para não cair no óbvio nem ficar ancorado em &lt;b&gt;etimologias fantásticas&lt;/b&gt; que a nada levam — além dos pacotes turísticos. Entre os tratados polo professor estão &lt;b&gt;Figueira&lt;/b&gt;, que ele identifica como derivado do verbo ficar/fixar, portanto, relacionado com o topónimo e o conceito de &quot;Póvoa&quot;; &lt;b&gt;Macieira&lt;/b&gt;/&lt;b&gt;Macieiro&lt;/b&gt;, relacionada com o topónimo &lt;b&gt;Mação&lt;/b&gt;/&lt;b&gt;Maçám&lt;/b&gt; (também em Boimação e Pusmação), vindo provavelmente do latim &lt;i&gt;mansio&lt;/i&gt; e significando, pois, &quot;casa&quot;; &lt;b&gt;Moreira&lt;/b&gt;, relativa ao conceito de morar e moradia; &lt;b&gt;Nogueira&lt;/b&gt;, associado a elevações e que dá nome a várias serras; &lt;b&gt;Oliveira&lt;/b&gt; (e Olveira), documentado como Ulveira, isto é, lugar húmido e pantanoso; &lt;b&gt;Pereira&lt;/b&gt;, asociado a pedras (&amp;lt; peras); &lt;b&gt;Pinheiro&lt;/b&gt; (e também, Pinho), relacionado com um ponto elevado; e &lt;b&gt;Sobreira&lt;/b&gt;, relacionado com a preposição latina &lt;i&gt;super&lt;/i&gt; e explicitando algum tipo de &lt;i&gt;terra&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;(villa) supraria&lt;/i&gt;, isto é, elevada. E o que há de &lt;b&gt;Carvalho&lt;/b&gt;? Pois tudo aponta para que seja mais um caso de assimilação formal e que a referência do seu mais provável significado esteja na raiz indoeuropeia *&lt;i&gt;kar&lt;/i&gt;, talvez chegada através do celta *car &amp;gt; *carv.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes são os casos estudados por Cunha, mas parece haver, no mínimo, mais dois. Em primeiro lugar, &lt;b&gt;Bieito&lt;/b&gt; (também conhecido como &lt;b&gt;sabugueiro&lt;/b&gt;, nome que comparte com o resto da lusofonia), que analisávamos parcialmente na nota sobre &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2012/01/mesao-do-bento-nao-do-vento.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Bento/Vento&lt;/a&gt;, e que poderia tratar-se de um antropotopónimo ou de um simples adjetivo (em ambos os casos, proveniente do &lt;i&gt;benedictu&lt;/i&gt; latino) mais provavelmente que de um &lt;b&gt;fitónimo&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Sambucus nigra&lt;/i&gt;). Em segundo lugar, &lt;b&gt;Loureiro&lt;/b&gt;, que poderia ser mais um caso nas mesmas coordenadas, sendo como eram Laura e Lauro, com os seus derivados, formas comuns da antroponímia latina (relacionada com o loureiro - &lt;i&gt;laurus nobilis&lt;/i&gt; -, mas sem significar, univocamente, loureiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, cabe mais uma consideração. Um dos pontos em comum da maioria destes falsos fitotopónimos é a terminação -eira/-eiro. A existência dessa terminação não deve desviar a atenção, mesmo que faça assim coincidir palavras e propicie a assimilação. Esse sufixo -eira/-eiro é tão abusivamente utilizado em galego-português que se tem esvaziado completamente de significado, ao ponto, como reconhece &lt;b&gt;Moralejo&lt;/b&gt; (2010), de resultar banal. &lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/01/falsos-fitonimos.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgHgm6mxf08zDkTTof64PsacNpqFT2M8r2jdIkS6N2N5rgEFfQZb90FlKHRpXf9H2MWbTVJkLPamtsIb_VFYhDkwLLQjRBLwkyqtFkI_vXBQOLHOQYq5O-x2P_SNCVCU8wRP0CW4VPmDh8/s72-c/Sambucus_nigra_-_Ko%CC%88hler%E2%80%93s_Medizinal-Pflanzen-127.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-1004852977725693567</guid><pubDate>Fri, 27 Jan 2012 20:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-21T21:19:10.111+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">antropotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">deturpação</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">romanos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Mesão do Bento, não do Vento</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Já se falou em diversas ocasiões do modo como a ignorância premeditada que instituiu a ditadura fascista no Estado espanhol trouxe para a Galiza importantes consequências no âmbito concreto da toponímia. Às &lt;b&gt;castelhanizações&lt;/b&gt;, que foram deturpações consabidas e, portanto, bárbaras, há que somar outras fórmulas como a de ir à toa &lt;b&gt;segmentando falsos&lt;/b&gt; artigos (v. &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/11/artigo-ou-mutilacao.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Artigo ou mutilação&lt;/a&gt;) ou &lt;b&gt;trocando significados&lt;/b&gt;, com o caso espantoso de &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/o-neno-ou-as-aguias.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Ninho d&#39;Águia&lt;/a&gt;. O que ocupa outra nota é mais um exemplo desta fórmula da ignorância premeditada, de como se esvaziaram de conteúdo as nossas referências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1432&quot; height=&quot;560&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxp9msCsWCXkubCVD196XbSrAjwMjVqbbnRCU15rBxjexA587UWmav9LzGka5EoP1t8QfvpUYW-JXY3lnujjkp3upyaC-13O87MuLgyQp-_LTbV4CIRkERe8knxz-Su1mbQg0c3TOoGiM/s640/bentos.png&quot; width=&quot;80%&quot; /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Excluíndo as referências hagionímicas, a branco, as ocorrências de Bieito; a preto, as ocorrências de Bento (incluídas as grafadas com v-)&lt;br /&gt;
Fonte: SITGA-IDEG&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;/div&gt;O caso das posses &quot;&lt;b&gt;do Bento&lt;/b&gt;&quot;, como Casa do Bento, Mesão do Bento, Moinho do Bento, etc. é similar ao do ninho das águias. Ao escreverem os poderes &lt;b&gt;Vento&lt;/b&gt; com &quot;v&quot; remetem literalmente para o ar em movimento, estabelecendo um significado poético e dando origem ao isso que se denominam &quot;etimologias populares&quot;. E, porém, é claro que em lugar do Vento o que há aí é um Bento, do latim &lt;i&gt;Benedictu&lt;/i&gt;, como possuidor. Talvez a substituição não se tivesse operado assim tão facilmente se, na Galiza atual, em lugar de &lt;b&gt;Bieito&lt;/b&gt;, Bento se tivesse conservado como resultado maioritário da evolução de &lt;i&gt;Benedictu&lt;/i&gt; — tal como acontece em Portugal. E convém dizer &quot;na Galiza atual&quot; porque, se deitarmos uma olhada sobre a toponímia, as ocorrências de Bento são muito mais do que as de Bieito, enquanto na antroponímia as ocorrências de Bieito são no século XX muito mais comuns do que as do quase desaparecido Bento. É, pois, possível; mas, em qualquer caso, isso não exculpa quem no passado praticou a ignorância por motivações políticas nem quem a continua a praticar com as mesmas motivações. Que Bieito seja a forma maioritária dos nomes atuais na Galiza não invalida a presença de Bentos na Galiza, nomeadamente referidos a casas grandes, moinhos e outros tipos de herdades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença de Bieitos na toponímia galega é também relativamente alargada, mas interessa notar como o significado adjetival do latim &lt;i&gt;benedictu&lt;/i&gt; pôde ter passado para a toponímia, sem que por aparecer Bieito se deva automaticamente deduzir um caso de &lt;b&gt;posse&lt;/b&gt;. É o caso de &lt;b&gt;Souto Bieito&lt;/b&gt;, em Riós, que parece corresponder mais com um souto bendito que com um souto de Bento; ou, mais claramente, o caso de &lt;b&gt;Regos Bieitos&lt;/b&gt; (manancial compostelano), onde o plural nos situa rapidamente sobre uma função epíteto, e não sobre um complemento nominal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim, quer que sejam Bieitos ou Bentos, o que fica claro é que não podem ser Ventos mais que quando esteja justificada essa massa de ar a mover-se, que costuma chegar pola via toponímica com formas como Ventoso e Ventosa, Ventoeira, e outros.&lt;/div&gt;</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/01/mesao-do-bento-nao-do-vento.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxp9msCsWCXkubCVD196XbSrAjwMjVqbbnRCU15rBxjexA587UWmav9LzGka5EoP1t8QfvpUYW-JXY3lnujjkp3upyaC-13O87MuLgyQp-_LTbV4CIRkERe8knxz-Su1mbQg0c3TOoGiM/s72-c/bentos.png" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-8866354064689079884</guid><pubDate>Mon, 02 Jan 2012 01:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-22T02:47:03.446+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">antropotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">germânicos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Topónimos germânicos (V): terminações em -sende e -sinde</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Vai mais uma peça sobre as terminações de topónimos derivadas de genitivos germânicos, nesta ocasião referidas a -sende e -sinde. Estas terminações correspondem-se com os lemas paleo-germânico &lt;i&gt;*senþaz&lt;/i&gt; &#39;companheiro&#39; ou &lt;i&gt;*swenþaz&lt;/i&gt; &#39;forte&#39;, e com elas, aparecem nos limites da antiga Gallaecia mais de meio cento de topónimos diferentes, sem contar os microtopónimos, cuja extensão ultrapassaria as possibilidades desta nota. Antes de mais, porém, interessa destacar que a raiz &lt;i&gt;*send &lt;/i&gt;/ *&lt;i&gt;sind&lt;/i&gt; aparece na antroponímia tanto como protema (com -e-: Sendamirus, Sendericus, Sendinus, Sendredus, Sendulfus; e com -i-: Sindamundus, Sindigis, Sindileuba, Sindiverga, Sinduara) quanto como deuterotema, o que explicará a terminação -sende/-sinde que vamos analisar a continuação:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;1254&quot; data-original-width=&quot;1432&quot; height=&quot;560&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQQG5hrv7VvC8fDrdDCQ3bGYfl1uhFABR4MXq2ntfgci4zqoFh9bsX49suEKnyAl7vjmzpNtzc7nBIZ16aIbHC7-S39_zH5K2boDqe2TNHuiNvkJK0pmFTOT_BEm7TEjS4p6-adK0W35Q/s640/toponimos-sende.png&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.8px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.8px;&quot;&gt;Topónimos com terminação -sende / -sinde. Ambas as variantes com distribuição por todo o país.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 12.8px;&quot;&gt;Fonte: SITGA-IDEG e IGN.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;h3&gt;
&lt;br /&gt;Equivalências diretas&lt;/h3&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
A maioria dos topónimos não apresentam qualquer complicação à hora de dar uma equivalência segura. É o caso de &lt;b&gt;Ermosende&lt;/b&gt; (conc. Viveiro), com procedência segura de Ermosindus, igual que &lt;b&gt;Ermesende&lt;/b&gt; (concelho da com. Seabra); ou de &lt;b&gt;Bertosende&lt;/b&gt; (conc. Antas de Ulha), que deve o seu nome a Bertosendus, do qual há forma documentada na variante feminina Bertosinda (Celanova, 1010), resultando, então, de um possível &lt;i&gt;uilla Bertosindae&lt;/i&gt;, ou de &lt;i&gt;uilla Bertosindi&lt;/i&gt;, pois qualquer um dos casos terminaria por dar um final -e. &lt;b&gt;Belesende&lt;/b&gt;, no conc. Pol, deve relacionar-se claramente com um Belesendus que, embora não aparecer documentado, é perfeitamente possível se atendermos às ocorrências de antropónimos como Belestrio, Belfonsus, Bellengus, Bellerto, Belmirus ou Belesarius, que dá, por certo, outro reiterado topónimo de origem germânica na Galiza: Belesar (concs. Chantada, Oíncio, Lugo, Savinhão e Coles). Por essa via, Belesende será, sem dúvida, uma&lt;i&gt; uilla Belesendi&lt;/i&gt;. Outro dos antropotopónimos evidentes, e mais repetidos, é &lt;b&gt;Gomesende&lt;/b&gt;, com ocorrências nos concs. Arteijo, Arçúa, Chantada, Pol, Vereia e no mesmo concelho de Gomesende. O antropónimo aqui é, em boa lógica, Gomesindus (Samos, 818). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do mesmo modo, também não deve apresentar muita dificuldade o nome de &lt;b&gt;Bosende&lt;/b&gt;, que aparece nos concs. de Arçúa, Tabuada e Mós. A sua equivalência não deve resultar difícil se considerada a perda do -n- intervocálico, que, restituído, dá o antropónimo documentado Bonesindus (923), do qual Bonesindi &amp;gt; &lt;i&gt;Bonesinde&lt;/i&gt; &amp;gt; &lt;i&gt;Bo(n)esinde&lt;/i&gt; &amp;gt; *&lt;i&gt;Bœsende&lt;/i&gt; &amp;gt; Bosende. Da mesma maneira, há &lt;b&gt;Esposende&lt;/b&gt; (concs. Cenlhe, Riba d&#39;Ávia e Návia — variante &lt;b&gt;Espousende&lt;/b&gt;), proveniente do documentado Spanosindus (Cuntis, 898), com a mesma característica perda do -n- intervocálico. Com perda de intervocálicas também se dá &lt;b&gt;Friosende&lt;/b&gt; (conc. Arçúa), que procede claramente de Fredosindus (Braga, 840), sem necessidade de muito maior comentário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Lebesende&lt;/b&gt; (conc. Antas de Ulha) e &lt;b&gt;Lebosende&lt;/b&gt; (concs. Carvalho e Leiro) são, estes sim, variantes de uma mesma forma antroponímica Leouesindus (Leão, 874), com betacismo -v- &amp;gt; -b- e com pretónica -e- ou -o- em função de se se produziu ou não se produziu metátese do -o- da ante-pretónica. Tenha-se em conta, ademais, que desde o último quartel do s. X há documentadas formas como Lovesindo e, já desde o s. VI, formas Levo- se considerarmos, v.g. Leboreto (Braga, 569), que, com genitivo deu o topónimo Leborei, que já estudamos noutra ocasião. Sem tanta dificuldade está o topónimo &lt;b&gt;Madrosende&lt;/b&gt; (concs. Ourense e Vila de Cruzes), proveniente claramente de Matrosindo, identificado por Miguel Costa no seu estudo de antroponímia altomedieval galega. &lt;b&gt;Marcosende&lt;/b&gt;, pela sua vez, procederá de Marcosendus, documentado já em genitivo (&quot;&lt;i&gt;leyram que vocatur leyra de &lt;span class=&quot;m&quot;&gt;Marcosindi&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&quot;, Ourense, 1240); e &lt;b&gt;Remosende&lt;/b&gt; provirá de Remesendus, antropónimo documentado por Miguel Costa, a partir do qual é fácil explicar a evolução da pretónica -me- &amp;gt; -mo- pela influência da nasal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Ousende&lt;/b&gt; (concs. Cambre, Messia, Savinhão e Paderne de Alhariz) parece estar relacionado, sem muita dificuldade, com Ausindus (Sobrado, 860), com o típico passo au- &amp;gt; ou-, que é obrigado em toda a evolução do galego-português, ainda quando haja algum caso isolado que fuja da norma, como &lt;b&gt;Vilausende&lt;/b&gt; (conc. Ribadeo), proveniente de Vila + Ausende, sendo &lt;i&gt;ausende&lt;/i&gt; aí, precisamente, como se diz, a excepção que confirme a regra. Com a mesma origem em Ausindus há documentado também o antropónimo Ozandus, provável hápax que dá formas como &lt;b&gt;Ouzande&lt;/b&gt; (concs. Estrada e Silheda), com -zande como variante de -sende (&lt;span style=&quot;color: #3d85c6;&quot;&gt;*&lt;/span&gt;). &lt;b&gt;Quetisende&lt;/b&gt; (conc. Sto. Justo, Seabra) não representa dificuldade: há Quedesendu na documentação medieval que o avale. &lt;b&gt;Risende&lt;/b&gt; (conc. Sto. Justo) também é facilmente retornável ao nome documentado de Recesendu se considerada uma simples haplologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto a &lt;b&gt;Troitosende&lt;/b&gt; (conc. Avanha), é fundamental desligá-lo de qualquer zoónimo. Troitosende nada tem a ver com as trutas, mesmo sabendo como, em determinadas áreas da Galiza: latim &lt;i&gt;uct&lt;/i&gt;- &amp;gt; &lt;i&gt;oit&lt;/i&gt;; e, noutras áreas e fundamentalmente a sul do Minho: &lt;i&gt;uct&lt;/i&gt; &amp;gt; &lt;i&gt;uit&lt;/i&gt; &amp;gt; &lt;i&gt;ut&lt;/i&gt;. Neste caso, a procedência é do antropónimo Tructesindus (Cuntis, 898), por sua vez procedente do PGmc *&lt;i&gt;drūdaz&lt;/i&gt; &#39;amigo, amado&#39;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Algumas deduções&lt;/h3&gt;
Outros topónimos têm uma origem que merece maior explicação, ainda quando seja evidente a sua procedência de antropónimos germânicos em genitivo. No primeiro lugar desta grupo figura &lt;b&gt;Aldosende&lt;/b&gt;, entidade e paróquia do conc. Paradela, para o qual aparece uma Aldosinda (Sobrado, 1162) que, por sua vez poderia estar relacionada, pelo seu primeiro termo, com o antropónimo documentado Eldesindus, ou com algum possível Aldesindus, não documentado, mas factível pela presença sim documentada de Aldemirus, Alderetus, Aldericus, Aldia e Aldinus e também de Ardesendus, Ardericus ou Ardaldus. Poderia ser, pois, como já temos proposto para os exemplos das anteriores terminações germânicas, uma &lt;i&gt;uilla Eldesindi&lt;/i&gt; sobre o qual haveria que explicar&amp;nbsp; a mudança de e- inicial para a- que, por enquanto, não é estranha em galego-português (cf. v.g. Elgidi (1164) &amp;gt; Aldige). A outra opção, que proceda de Ardesendus, é talvez mais provável, com lateralização do rótico em posição de coda silábica (-r &amp;gt; -l), que tem lugar também noutros antropotopónimos germânicos (Ardulfe &amp;gt; Aldurfe) e não só. A equivalência entre -l- e -r-, em todas as posições silábicas, mas nomeadamente em posição final ou de coda, é um lugar comum na evolução do galego-português e, portanto, não deve estranhar, ainda quando seja difícil estabelecer um período concreto para uma mudança que se dá e se reverte com muita facilidade, e, aliás, tendo como único material as, neste aspecto geralmente pouco fiáveis, escritas medievais. Por outra parte, para reforçar o dito anteriormente sobre a equivalência Aldosende = Ardesendus, tenha-se em conta a ocorrência do topónimo &lt;b&gt;Ardesende&lt;/b&gt;, tanto em Boqueijão como em São Cristóvão de Ceia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na mesma linha está &lt;b&gt;Cristosende&lt;/b&gt; (conc. Teixeira), que parece provir de Vistrosindu, deduzível pola presença de Vistrimundu, Vistremiru, Vistraricus, etc. A evolução de Vistrosindo para Cristosende requer uma evolução w- &amp;gt; qu-, comum noutros casos como &lt;b&gt;Guimarei&lt;/b&gt; (Vimaredu), &lt;b&gt;Guisande&lt;/b&gt; (Visandu), etc.; e de uma metátese de -r-: Vistrosindi &amp;gt; Guistrosindi &amp;gt; Gristosindi &amp;gt; Cristosindi. Nesta evolução, operaria também a poderosa atração homofónica do étimo Cristo, sem dúvida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma relativa dificuldade apresenta também &lt;b&gt;Gosende&lt;/b&gt; (concs. Avanha, Brião, Cambre, Carral, Cerzeda, Compostela, Laracha, Maçaricos, Messia, Ordens, Ortigueira, Outes, Samos e Vila Marim), para o que há ocorrências de Gosindo desde 1084 (Samos) e de Gosindiz mesmo antes (Celanova, 942(ca)-977(ca)), cujo genitivo explicaria o topónimo. Outra coisa é determinar de onde é que procede esse Gosindo, que é, claramente, uma forma derivada de um intenso processo evolutivo, e não uma forma germânica &quot;plena&quot;. O mais provável é que proceda de Gaudesindus (Sobrado, 887), com evolução -au- &amp;gt; -o- e perda do -d- intervocálico. Nada tem a ver, pois, Gosende com Gomesende, como muitas vezes se tem pretendido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível que &lt;b&gt;Lesende&lt;/b&gt; (conc. Lousame) e &lt;b&gt;Lousende&lt;/b&gt; (conc. Friol) estejam relacionados com o mesmo Leouesindus desde o qual explicamos Lebesende e Lebosende? Se for assim, haveria que explicar evoluções fonéticas alheias à norma geral. Porém, pode que haja outra explicação. Ambos poderiam provir, voltando para as normas gerais de evolução, de Leodesindus (Liébana, 790), de onde é muito mais fácil explicar Lesende por perda do -d- e simplificação PGmc -eu- &amp;gt; -eo- &amp;gt; -e-; e também Lousende, com a mesma perda da intervocálica e uma evolução -eo- &amp;gt; -o- &amp;gt; -ou-. Relacionado com esta mesma evolução há também o topónimo &lt;b&gt;Tosende&lt;/b&gt; (concs. Gontim, Alhariz e Baltar), proveniente de Teodesindus (Sobrado, 887), que dá (?) também &lt;b&gt;Tasende&lt;/b&gt; (conc. Cerzeda).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro caso relativamente complexo é o de &lt;b&gt;Mosende&lt;/b&gt; (concs. Cedeira e Ourol) e da sua variante &lt;b&gt;Mousende&lt;/b&gt; (concs. Ponte Nova e Taramúndi). Poderia pensar-se num Modesindus ou num Modesendus, nenhum deles documentado, por mais que sim apareçam Modericus (Celanova, 936), Moderido e Modildus, por exemplo; ou talvez mais propriamente num Munesendus ou num Monesendus, que também não figuram na documentação, mas cuja raíz &lt;i&gt;*mon&lt;/i&gt;- está presente em formas como Monefonsus e Monebredo. Seja lá como for, procederia mediante a lenição das intervocálicas -d- ou -n-, própria do galego-português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Quetesende&lt;/b&gt;, por sua vez, procede de Quetesendus que, embora não documentado, é factível pela presença de Quedemiro (Celanova, 958) e Quederigo (Braga, 1061). Estas formas, que apresentam raiz &lt;i&gt;*ked&lt;/i&gt;- convivem com outras documentadas com raiz &lt;i&gt;*ket&lt;/i&gt;-, como Ketemera ou Keterici (Lugo, 757), o que poderia explicar a presença de Quetesende em lugar de Quedesende, que, ademais, teria provavelmente sofrido um síncope do -d-, resultando em *Quesende. Com esse síncope aparece um dos antropotopónimos germânicos mais repetidos: &lt;b&gt;Rosende&lt;/b&gt; (concs. Friol, Germade, Palas de Rei, Paradela, Ponte Vedra, Ribeira, Sárria, Silheda, Sober, Touro, Traço, Vedra e Zas) com a sua variante &lt;b&gt;Rousende&lt;/b&gt; (conc. Oíncio). Ambas as formas procedem do nome Rudesindus, que em genitivo evolui para o Rosendi já documentado a meados do s. XIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Recesendus temos, hoje, dois &lt;b&gt;Recesende&lt;/b&gt; (concs. Baralha, Castro Verde) e dois &lt;b&gt;Requesende&lt;/b&gt; (concs. Compostela e Laracha), ademais de um &lt;b&gt;Ricosende&lt;/b&gt; (conc. Carvalheda de Val d&#39;Eorras). É necessário, pois, considera uma dicotomia /k/ &amp;gt; /s/ vs. /k/ &amp;gt; /k/. A forma Requesendi, que apresenta conservação fonética de /k/, aparece já documentada desde o s. IX (Sobrado, 803: &lt;i&gt;uillam quam dicunt &lt;span class=&quot;m&quot;&gt;Requesendi&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;), do mesmo modo que a forma /s/ (Carvoeiro, 801(ca)-1000(ca)). Sabemos, em qualquer caso, que o processo /k/ &amp;gt; /s/ se produziu já durante a época do latim imperial, quando o ponto de articulação das oclusivas velares, neste caso /k/, se aproximou do ponto de articulação das vogais palatais /e/ e /i/, dando origem a formas do tipo /kye/ e /kyi/ que depois evoluiriam para /tše/ e /tši/, mantendo, por enquanto, a grafia &quot;c&quot;. A existência de Requesendi antes já do s. IX demonstra, sem dúvida, que o processo estava já claramente terminado para essa data, porque de outro modo não se teria produzido a solução Reque- como diferenciação de Rece-. Mas isto, é claro, não obsta para identificar Requesende e Recesende como evoluções do mesmo antropónimo Recesendus. Quanto a Ricosende, a procedência de Ricosendus é evidente, mas interessa salientar a equivalência de Recesendus e Ricosendus: depois de tudo, com origem no PGmc *&lt;i&gt;rīkjaz&lt;/i&gt; &#39;forte, nobre&#39;, há documentadas ambas as formas: Recaredus, Recemirus, e outros; e também Ricardus, Riquila, etc. De modo que, ainda quando é sabido como *&lt;i&gt;rīkjaz &lt;/i&gt;produz deuterotemas preferentemente em -&lt;i&gt;ricus&lt;/i&gt; que depois dão os -rigo atuais, também é importante destacar a presença de &lt;i&gt;rico-&lt;/i&gt; como protema, que é o caso de Ricosende.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Hipóteses&lt;/h3&gt;
Há também casos de etimologia bem mais escura, embora a sua aparência leve a identificá-los provavelmente com o mesmo mecanismo de formação de toponímia. É o caso de &lt;b&gt;Carvosende&lt;/b&gt; (conc. Tabuada). É provável que nestes casos o antropónimo de que procedam esteja já formado, em origem, por elementos híbridos latino-germânicos, que não são comuns, mas também não devem estranhar. Aí estão, para evidenciar a possibilidade, exemplos como Crescemirus, vindo muito provavelmente do latim &lt;i&gt;crescens&lt;/i&gt;, com o significado latino de &#39;crescente, próspero&#39;; ou como Destericus e Desteilli, provavelmente procedentes do latim &lt;i&gt;dexter&lt;/i&gt; &#39;destro, direito&#39;; ou Enserico, do latim &lt;i&gt;ensis&lt;/i&gt; &#39;espada&#39;. Para Carvosende não disponho de evidências documentais, mas vendo a proporção de formas com terminação -ende / -inde que se explicam pela via dos antropotopónimos, seria arriscado descartar esta possibilidade para estes casos só por não se encontrarem provas documentais manifestas. Num grupo assim configurado deverão comparecer também &lt;b&gt;Fortesende&lt;/b&gt; (conc. Arteijo), com &lt;i&gt;fortis&lt;/i&gt;, que deverá aparecer no híbrido Fortesendus como aparece no documentado Gundifortis (Celanova, 856), e &lt;b&gt;Formosende&lt;/b&gt; (conc. Fene), com evidente relação com o latim &lt;i&gt;formosu&lt;/i&gt; (&amp;lt; Formosinda: Sobrado, 917), e com o mesmo significado. Aliás, no caso de Formosende, interessa destacar como o significado de &#39;formoso&#39; estava já presente também através do tema germânico fred-/frid-, em casos como Fredosindus que, como se comentou, dá o topónimo &lt;b&gt;Friosende&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
Sende e Sinde&lt;/h3&gt;
Finalmente, embora até agora tenhamos considerado apenas formas provenientes de um sende / sinde como deuterotemas, há também casos documentados&amp;nbsp; em que funcionam como protemas, como já se explicou, e outros em que, simplesmente, funcionam como tema único. E daí teremos sende / sinde a funcionar como antropónimos por si mesmos, cujos genitivos darão os topónimos &lt;b&gt;Sende&lt;/b&gt; (conc. Póvoa do Caraminhal) e &lt;b&gt;Sinde&lt;/b&gt; (concs. Cabana de Bergantinhos, Narão, Padrão, Guitiriz e Pastoriza) e &amp;nbsp;&lt;b&gt;Vilasinde&lt;/b&gt; (conc. Veiga de Valcarce) sem maior complexidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h3&gt;
&lt;b&gt;Leia mais:&lt;/b&gt;&lt;/h3&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-i-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (I): Terminações em -rei&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-ii-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (II): Terminações em -riz&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-iii-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (III): Terminações em -mil&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimos-germanicos-iv-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (IV): Terminações em -ulfe, -ufe, -oufe&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2012/01/toponimos-germanicos-v-terminacoes-em.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (V): Terminações em -sende e -sinde&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2012/09/germanicos-vi-ilde.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Topónimos germânicos (VI): Terminações em -ilde&lt;/a&gt; &lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
_________________  &lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;b&gt;(*)&lt;/b&gt; Nesta nota refiro-me apenas às terminações -sende e -sinde. Como variante de -sende há algumas ocorrências de -sande, como em Ouzande ou Trasande. Mas a complexidade desta variação obriga a tratá-la especificamente noutra nota.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2012/01/toponimos-germanicos-v-terminacoes-em.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQQG5hrv7VvC8fDrdDCQ3bGYfl1uhFABR4MXq2ntfgci4zqoFh9bsX49suEKnyAl7vjmzpNtzc7nBIZ16aIbHC7-S39_zH5K2boDqe2TNHuiNvkJK0pmFTOT_BEm7TEjS4p6-adK0W35Q/s72-c/toponimos-sende.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4460477098485830771.post-6825625761468979736</guid><pubDate>Fri, 30 Dec 2011 01:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2017-08-22T02:50:57.925+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">falsos antropotopónimos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Galiza</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">indoeuropeus</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">oronímia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Portugal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">toponímia</category><title>Lugares com falso nome de pessoa (II): Mariola, Marta e Martim</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Continuando com o fio sobre lugares com falso nome de pessoa, no qual já foi tratado &lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimia-com-falsos-nomes-de-pessoa-i.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;o caso de Suso e Susana&lt;/a&gt;, vejamos agora mais um exemplo com os nomes de Mariola, Marta e Martim. Mariola é, na Galiza, &lt;b&gt;hipocorístico&lt;/b&gt; do nome bíblico Maria (hebreu Miriam). Marta é também nome bíblico, derivado do hebreu-aramaico&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt; מַרְתָּא&lt;/span&gt;, isto é &quot;a Senhora&quot;; sem dúvida é daí, através do culto cristão, que o nome se populariza, mas há quem sustenha que já tinha presença anteriormente, relacionado com o culto ao deus Marte, igual que &lt;i&gt;Martinus&lt;/i&gt;. Martim existe, por sua vez, como a variante mais comum de Martinho, por influência do castelhano &lt;i&gt;Martín&lt;/i&gt;. Mas são esses antropónimos os que subjazem sempre nas suas ocorrências toponímicas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
Quem deitar uma olhadela sobre a toponímia da Galiza e de Portugal, nomeadamente no norte (com a notável ausência da área da atual província de Lugo), muito provavelmente se deparará com Mariolas, Martas e Martins que lhe resultem, no mínimo, um bocado estranhos. O primeiro impulso é considerá-los antropotopónimos, talvez por via de genitivo, que é o modo mais comum de chegarem a nós os antropónimos transformados em nomes de lugar. E, com efeito, em muitos casos será que se trate, justamente, de nomes de pessoa em genitivo, como demonstram os claros Vila Martim (&lt;i&gt;uilla Martini&lt;/i&gt;, graf. isol. Vilamartín) e Veiga Martim (graf. isol. Veigamartín), ambos na Galiza. Mas não é sempre assim. Porque &lt;b&gt;Lamartim&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;as Martins&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;as Martizes&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;o Martil&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;Martige&lt;/b&gt;, e assim por diante, resultam claramente estranhos a essa explicação. O mesmo acontece com &lt;b&gt;a Marta&lt;/b&gt; (de Riba e de Baixo), &lt;b&gt;a Martinha&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;o Marto&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Martul&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;as Martizas&lt;/b&gt;, (note-se como, em muitos casos aparece um artigo que indica, quando menos muito provavelmente, um valor apelativo - pois, alheio ao antropónimo) e no caso de &lt;b&gt;Mariola&lt;/b&gt; e de &lt;b&gt;Mariolo&lt;/b&gt;, para o qual deve considerar-se com suma prudência a possibilidade de um hipocorístico dar para gerar um topónimo. Também é quase impossível, no caso de Marta, que o topónimo tenha a ver com o zoónimo da especie &lt;i&gt;&lt;b&gt;Martes martes&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, a marta europeia, por ser um animal geralmente insignificante no que diz a respeito da atividade humana de nomear lugares (para um mapa do hábitat da marta europeia, veja-se &lt;a href=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/archive/3/33/20101214181629%21European_Pine_Marten_area.png&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;). Deve existir, portanto, outra explicação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os três casos, Mariola, Marta e Martim, apresentam uma raiz IE *&lt;i&gt;mar&lt;/i&gt;- que resulta variante do tema *&lt;i&gt;mor&lt;/i&gt;-. Esse tema, *&lt;i&gt;mor&lt;/i&gt;-, tem ocorrência em galego-português no substantivo &lt;b&gt;morro&lt;/b&gt;, que significa penedio, rochedo, pequena elevação ou outeiro suave. Com &lt;i&gt;*mor&lt;/i&gt;-, e muito provavelmente com esse significado, temos o nome de comarca do &lt;b&gt;Morraço&lt;/b&gt;, e também &lt;b&gt;Morrão&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Morreira&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Morreiras&lt;/b&gt;, como lugares com vários morros; ou ainda &lt;b&gt;Morro&lt;/b&gt; a funcionar como topónimo, nomeadamente no Brasil, importado pelos portugueses em formas de “Morro de...”. Porém, a variante *&lt;i&gt;mar&lt;/i&gt;- é talvez mais comum, e sobre ela aparecem formas mais variadas, como &lt;b&gt;Marão&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Maranhiz&lt;/b&gt;,&amp;nbsp;&lt;b&gt;Mariocos&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Marofa&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Marouquim&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Marranços&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Marrazes&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Marroços&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Marrotes&lt;/b&gt;, e também os nossos &lt;b&gt;Mariola&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Marta&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Marim&lt;/b&gt; e&amp;nbsp;&lt;b&gt;Martim&lt;/b&gt;, quando Marim e Martim não forem antropónimos.&lt;br /&gt;
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&lt;li&gt;&lt;a href=&quot;http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/toponimia-com-falsos-nomes-de-pessoa-i.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Lugares com falso nome de pessoa (I): Suso e Susana&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
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</description><link>http://nomesdopais.blogspot.com/2011/12/lugares-com-falso-nome-de-pessoa-ii.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>