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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;C08FQns5fip7ImA9WhVTGEo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623</id><updated>2012-03-04T11:36:53.526-03:00</updated><category term="Evento" /><category term="Políticas Públicas" /><category term="Arte de Amigos" /><category term="Pré-História" /><category term="Leituras" /><category term="Mitologia" /><category term="Conto" /><category term="Lógica" /><category term="Opinião Poética" /><category term="Minicontos" /><category term="Experiência" /><category term="Crônica" 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href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><entry gd:etag="W/&quot;C0QBSHc6eCp7ImA9WhVTF0o.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-4298068997214628716</id><published>2012-03-03T07:42:00.000-03:00</published><updated>2012-03-03T07:42:39.910-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-03-03T07:42:39.910-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Linguagem" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Humanismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Budismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicanálise" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Manifesto" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Família" 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&lt;i&gt;"Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado." (Lucas 18:10-14)&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O mundo está cheio de pessoas hipócritas. A hipocrisia é a incrível capacidade de pensar uma coisa, falar outra e agir de modo completamente contrário ao pensamento e ao discurso.&amp;nbsp;A maioria dos hipócritas, porém, gosta de impor suas ideias sem o diálogo, de demonstrar que o contraditório deve ser extirpado, de não usar a cabeça para fazer o que é melhor para todos, de acabar por tentar fazer o que acha que é melhor para o outro. Essas pessoas gostam de combater as ideias dos outros, de enviar missionários até os povos para pregar e converter, de pregar em ônibus, de espalhar folhetos explicativos sobre suas crenças, de fazer seus rituais em público para "provarem" que são santos, de explodir seus próprios corpos como retaliação pela descrença do outro, de tirar direitos dos outros, de condená-los à morte, de excluir de sua vivência outros que não pensam como eles.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://www.matutando.com/2010/01/22/jornal-espanhol-el-pais-elege-lula-uma-das-5-pesoas-mais-hipocritas-do-planeta/" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="228" src="http://www.matutando.com/wp-content/uploads/2010/01/paz-hipocrita.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não bastasse isso, essas pessoas ainda empurram outras pessoas a agirem como elas nesse sentido, cerceando direitos, promovendo leis baseadas na ausência de diálogo e sempre na ideia de que o outro só será feliz quando estiver agindo como ela e crendo nas coisas em que ela crê. Tudo isso simplesmente porque essas pessoas parecem não suportar a ideia de que uma possibilidade diferente da sua possa ser cogitada por outro ser humano. O que acontece é que essas pessoas usam palavras, discursos. Neoateus debatem, cristãos pregam e muçulmanos rezam, mas todos, praticamente todos, se prendem às palavras.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No outro extremo está a ação. De que adianta fazer zazen por seis horas seguidas se, ao sair do zendô, você grita com o flanelinha que guardou seu carro? De que adianta orar antes de desviar verba? Para que ler a Bíblia todos os dias se sua próxima ação é cometer uma babeiragem no trânsito? De que adianta neoateus alardearem tanto contra as crenças se, no final, ele crê na ciência messiânica e salvadorada para humanidade?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Convencer o outro por ações é mais eficiente que tentar convencer por palavras. Nenhum pastor conseguirá convencer alguém de forma efetiva que sua igreja é a certa se ele pratica coisas contra as quais ele próprio prega (como usar o episódio de Jesus e da mulher adúltera na pregação e depois sair na rua maledizendo gays e prostitutas). Ou então aquele "humanista laico" que prega a liberdade de ser ateu ao mesmo tempo em que ridiculariza um cristão pelo simples fato de crer em Deus. Todos pregam, falam, debatem, discutem, mas ninguém vive aquilo que é defendido com palavras.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E como não ser hipócrita? Qual o melhor caminho, então, para ser perfeito em relação ao que se prega ao outro? A perfeição não é difícil, basta uma união perfeita entre disciplina, compromisso e respeito. Disciplinando-se, você pode fazer uma autoanálise diária de seus atos para verificar se está dentro do que sua ideologia exige. Com compromisso, cria-se um hábito de estar sempre de acordo com suas convicções. Com o respeito, não se exige que o outro adote as mesmas posturas que você, nem as mesmas crenças, respeitando-se a individualidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Primeiro, se você possui uma religião, uma ideologia, uma opinião ou uma percepção de mundo, não adianta pregar a respeito. Deve-se procurar viver de forma coerente com essa visão. Por exemplo: se eu acredito piamente que todas as pessoas são "filhas de Deus", devo tratar por igual desde a celebridade de Hollywood até o mendigo da minha praça. Se não trato por igual, estou sendo hipócrita, pois minhas palavras dizem uma coisa, e meus atos dizem outra.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se você possui uma religião ou prática religiosa, seja o Cristianismo, o Budismo, o Judaísmo, o Islamismo ou o que for, e acredita que seja a verdadeira, e quiser convencer uma outra pessoa de que sua religião é a melhor, o ideal é não ser hipócrita. Você deve ser coerente, tem a obrigação de seguir com sua vida com uma postura e uma visão tão invariavelmente espiritualizadas e santificadas, deve apresentar tanta paz e harmonia interior, deve demonstrar tamanha felicidade, deve estar tão contente e satisfeito, está obrigado a ser tão santo que qualquer pessoa que cruze seu caminho ou o conheça, ao apresentar sua busca diante de você, inevitavelmente ficará seguro e contente de encontrar uma possibilidade válida de resposta através de seus atos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se você possui uma ideologia ou sistema de métodos, seja o Laicismo, o Positivismo, o Marxismo, o Consequencialismo ou o que for, e acredita que seja mais adequada, e quiser convencer uma outra pessoa de que sua ideologia é a melhor, o ideal também é não ser hipócrita. Você deve ser coerente, tem a obrigação de seguir com sua vida com uma postura e uma visão tão invariavelmente coerente em na relação razão-emoção, pensamento-sentimento, ética-ação, deve demonstrar tamanha leveza de caráter, deve ser tão honesto e claro, está obrigado a ser tão perfeito que qualquer pessoa que cruze seu caminho ou o conheça, ao apresentar sua busca diante de você, inevitavelmente ficará seguro e contente de encontrar uma possibilidade válida de resposta através de seus atos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se você possui uma estilo de vida ou prática cotidiana, seja o Veganismo, o Ecologismo, o Atletismo, o Hedonismo ou o que for, e acredita que seja mais certa e adequada, e quiser convencer uma outra pessoa de que seu estilo de vida é o melhor, o ideal também é não ser hipócrita. Você deve ser coerente, tem a obrigação de seguir com sua vida com uma postura e uma visão tão invariavelmente coerente em relação ao seu estilo de vida, tem de demonstrar com ações que seus sentimentos são tão puros, deve apresentar uma melhora tão significativa em sua saúde ou sua felicidade, deve apresentar tamanha resistência e contentamento, deve demonstrar tamanha transformação e melhoria na qualidade de vida, deve ser tão honesto e claro sobre vantagens e desvantagens, deve ser tão compreensivo sobre as limitações físicas do outro, e está obrigado a ter uma qualidade de vida tão boa que qualquer pessoa que cruze seu caminho ou o conheça, ao apresentar sua busca diante de você, inevitavelmente ficará seguro e contente de encontrar uma possibilidade válida de resposta através de seus atos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ou seja, uma pessoa coerente não age de acordo com o que prega, ele prega de acordo com o que age. Os atos de uma pessoa falam mais alto que todas as pregações do mundo reunidas. Qualquer pessoa que seguir com sua vida sem a necessidade de ser hipócrita, inevitavelmente, em todos os momentos em que abrir sua boca e falar sobre os benefícios de suas escolhas, e com isso conseguir convencer uma pessoa de suas posturas, sua religião, seu partido político, sua ideologia, seu método, seu estilo de vida ou seu valor estético, estará sempre prestando um serviço maravilhoso para a vida dessa pessoa.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas se buscar viver de acordo com o que se prega, sem consegui-lo, sempre que se disser uma coisa e acabar agindo de outra forma, sempre que qualquer pessoa vier com uma busca e você falar dos benefícios de algo que você prega, mas não segue de forma plena, e mesmo assim conseguir convencer uma pessoa de suas posturas, sua religião, seu partido político, sua ideologia, seu método, seu estilo de vida e seu valor estético, estará sempre no ato do convencimento causando um dano gigantesco ao outro que possivelmente se tornará irreparável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-4298068997214628716?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/XQilob0F74A9SLy7OJowqY5i16U/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/XQilob0F74A9SLy7OJowqY5i16U/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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Alguns acham esquisito eu ser cientista, não crer em vida após a morte, não crer em sobrenatural e, ao mesmo tempo, ser místico, como se misticismo e ceticismo fossem termos antônimos. O problema é que não são termos antônimos, podem muito bem coexistir em uma mesma individualidade e em momento nenhum a existência de um implica na exclusão do outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Um termo, para ser antônimo do outro, deve ter uma definição que configure em sua base o exato oposto semântico da definição de outro termo. Assim, claro é antônimo de escuro, e pelo simples fato de a claridade ter, como elemento basilar de sua definição, a presença de luz e a visibilidade, enquanto que escuro tem, por outro lado, justamente a ausência de luz e a impossibilidade de visualização. Nisso, não posso dizer que ceticismo e misticismo sejam antônimos, pois suas definições não consistem necessariamente em uma oposição, mas em percepções de pontos completamente distintos de um mesmo ponto.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Expliquemos: e se eu dissesse que Carl Sagan, Friedrich Nietzsche e Albert Einstein eram tão místicos quanto Mahatma Gandhi, Madre Tereza de Calcutá e Chico Xavier? E se eu dissesse que Silas Malafaia, Osama Bin Laden e George Bush são tão céticos quanto Richard Dawkins, Daniel Dennett e Fílon de Larissa? Esquisito? Nem tanto! O que estou falando não é nenhuma falácia, o que posso demonstrar abaixo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Vejamos a definição de místico&lt;/b&gt;:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;Misticismo &lt;/b&gt;(do grego μυστικός, transl. mystikos, "um iniciado em uma religião de mistérios"), s.m. busca da identificação consciente ou consciência idêntica à de uma plena realidade, divindade, verdade espiritual ou Deus, através da experiência direta ou intuitiva.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Agora, vejamos a definição de cético&lt;/b&gt;:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;Ceticismo &lt;/b&gt;(do grego σκέπτομαι, transl. sképtomai, "olhar à distância", "examinar", "observar"), s.m., doutrina que afirma que não se pode obter nenhuma certeza absoluta a respeito da verdade, o que implica numa condição intelectual de questionamento permanente e na inadmissão da existência de fenômenos metafísicos, religiosos e dogmas.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ou seja, não se excluem. Abordam lados distintos de um mesmo objeto. Dá para ser místico sem ter religião, como é bastante possível ser religioso e ser cético. Se acham ainda que as definições acima (eu poderia usar a de qualquer dicionário) se excluem, vamos então para uma tabela de verdade simples. Levando em conta de que a definição de misticismo ocorre por disjunção (partícula "ou"), então podemos ter a seguinte estrutura: &lt;i&gt;M = (B → ((Er → (I → (R v D v E v U))))&lt;/i&gt;, em que Er = experiência direta ou intuitiva com a realidade, B = busca, I = identidade consciente ou consciência, R = realidade plena, D = divindade, V = verdade espiritual, U = Deus (se lerem novamente, verão que a maior parte desses termos, na parte sintática que define o objeto do misticismo, o operador lógico utilizado é "ou" (notado "v").&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Desenhando,na tabela de verdade de uma condicional, todas as relações são verdadeiras, exceto quanto há uma condição verdadeira para um resultado falso, enquanto que em uma disjunção, todas as assertivas são verdadeiras, exceto quando todos os termos da disjunção forem completamente falsos. Desenhando, fica assim:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table border="1"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Condicional&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Disjunção&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
A&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
B&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="text-align: justify;"&gt;A → B&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
A v B&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="color: red;"&gt;V&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="color: red;"&gt;F&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="color: red;"&gt;F&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
F&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="color: red;"&gt;F&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="color: red;"&gt;F&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
V&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;td&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;span style="color: red;"&gt;F&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Em uma relação "&lt;i&gt;Se A então B&lt;/i&gt;" &lt;i&gt;(A → B)&lt;/i&gt;, qualquer conclusão falsa que derive de uma premissa verdadeira invalida o argumento, mas uma premissa falsa pode levar a uma conclusão falsa, e isso validará o argumento. Eu posso, para invalidar um argumento falso A, demonstrar que sua conclusão condicional B é igualmente falsa, assim mostrando que a falsidade de A acarretará na falsidade de B. Mas, se para validar meu argumento, eu lançar mão de um argumento condicional em que A seja verdadeiro, mas B seja sabidamente falso, então o próprio argumento condicional se mostrará inválido, e usá-lo será desonestidade (o que chamamos de falácia). &lt;i&gt;&lt;b&gt;Viram? Ninguém precisa decorar termos em latim para aprender a identificar falácias!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Na definição de &lt;i&gt;Misticismo&lt;/i&gt;, encontramos uma sequência de três relações condicionais. Vejamos, Carl Sagan buscava algo (por meio da ciência). Logo, a primeira premissa é verdadeira. Segundo, a busca de Carl Sagan era uma experiência direta com a realidade (sem interpretações ilusórias). A segunda premissa é verdadeira. Terceiro, Carl Sagan tinha consciência de sua identificação com a realidade plena (não se colocava como um ser em separado do universo que estudava). A terceira premissa é verdadeira. A quarta premissa (R v D v E v U), para ser considerada verdadeira ou falsa, exigirá que verifiquemos seus elementos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Pelo que percebemos, em um argumento por disjunção, o todo será verdadeiro se pelo menos um de seus termos formadores for considerado verdadeiro. Sabidamente, Carl Sagan não buscava encontrar Deus ou qualquer outra divindade, nem almejava uma verdade espiritual (apesar de eu ter uma concepção bem própria a esse respeito). Porém, ele buscava compreender e entender seu lugar na derradeira realidade (o próprio fez considerações metafísicas em muitos de seus textos, e metafísica é o estudo da derradeira realidade), o único termo verdadeiro. Se há pelo menos um elemento verdadeiro, então o argumento de que Carl Sagan era místico é verdadeiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;O problema do neoateísmo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Antes que venham alegar blasfêmia, vamos entender que muitas vezes deslocamos os verdadeiros significados dos termos para que, com isso, possamos espalhar nossa "doutrina". Assim como é interessante aos fascistas modificar sentidos políticos, aos politicamente corretos modificar o sentido de gírias sociais e aos líderes religiosos modificar sentidos de termos relativos a comportamentos, é de interesse dos líderes do neoateísmo modificar o sentido das palavras para que posam facilitar a manipulação de uma massa.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No caso do neoateísmo, o termo Misticismo foi esvaziado de seu sentido original de forma forçada, e depois preenchido pela definição do termo Esoterismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;Esoterismo&lt;/b&gt;, s.m., nome genérico que designa um conjunto de tradições interpretativas e filosóficas para os símbolos e rituais religiosos, sobre os quais as doutrinas das religiões buscam desvendar seu sentido supostamente oculto e completamente dependente da aceitação cega da validade dos mesmos símbolos.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como podem perceber, o termo que melhor se colocaria como oposição a &lt;i&gt;Cético &lt;/i&gt;seria o termo &lt;i&gt;Esotérico&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Misticismo&lt;/i&gt;, em sua definição, abarca tanto monges benditinos como astrofísicos ateus, indo de pastores neopentecostais até os mais altos graus de agnosticismo. Enfim, é um termo mais abrangente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E por que os neoateus, sabendo dessa distinção (que encontra-se nos dicionários de filosofia, nos dicionários comuns, na Wikipedia e no Aurélio) insistem em causar confusão entre &lt;i&gt;Esoterismo&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Misticismo&lt;/i&gt;? Por que o neoateísmo presta tão pouca atenção à diferença entre &lt;i&gt;Místicos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Esotéricos&lt;/i&gt;? Como um grupo formado por céticos eruditos, que experimentam e põem a prova tudo o que ouvem, e que se valem de pesquisa profunda acerca de tudo o que inserem em seus argumentos, consegue cometer tamanho deslize em causar confusão em duas palavras simples e largamente utilizadas? A única causa que consigo visualizar no momento é &lt;i&gt;a política&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Assim como os Nazistas fizeram com os judeus, Napoleão fez com os alemães, o McCarthismo fez com os comunistas, a Ditadura Militar fez com os marxistas e o Apartheid fez com os negros, varrer para debaixo do tapete a exatidão das definições que podem ameaçar as posturas políticas do neoateísmo é uma atitude que interessa aos neoateus. Dawkins nunca teria o interesse político em admitir que algumas religiões orientais e algumas filosofias ocidentais são praticamente um Ateísmo Cético com mais tempo de estrada, pois isso poderia enfraquecer o poder que ele teria sobre sua legião de "fãs". Se metade dos neoateus caísse em si e debandasse para o Taoísmo, Dawkins não teria mais poder sobre metade de seus "seguidores".&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O neoateísmo, para justificar o ataque a TODAS as formas de espiritualidade, sem nenhuma distinção entre elas, e para reafirmar que TODAS as formas de espiritualidade são igualmente danosas (&lt;i&gt;preconceito religioso + homogeneização do objeto de ódio&lt;/i&gt;), lançam os significados de uma palavra sobre outra, fazendo o que os fascistas, os politicamente corretos e os líderes religiosos praticam há anos. Essa mágica da metamorfose das palavras deturpa definições para justificar as falácias do neoateísmo. Não interessa aos neoateus que o Budismo ou o Taoísmo sejam saídas espirituais válidas para quem baseia sua vida na dúvida em vez da fé, o que interessa a eles é que, no Ocidente, tenhamos o costume de dar a eles o nome de religião, mesmo que, de fato, não se comportem como tal.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Porém, o neoateísmo tem um comportamento bem comum a todas as religiões, comportamento esse que costuma afetar a quase totalidade dos praticantes de qualquer tradição espiritual ou filosófica, seja essa tradição o Budismo, o Cristianismo, o Marxismo, o Islamismo ou qualquer outra: o Fundamentalismo. Os neoateus são fundamentalistas, organizam-se em clubes com aparência de igrejas (com rol de membros, aclamação, prática de testemunhos de desconversão e uma visão fechada de mundo) e acreditam piamente (assim como todos os fundamentalistas) que TODOS os seres humanos serão felizes apenas quando TODOS forem como eles: neoateus.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Agora me digam: quem comete falácias? Um espírita místico que ajuda o próximo e respeita suas crenças individuais, ou um neoateu irritadinho que tenta tirar das pessoas aquilo que as faz felizes?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-6905922212474897031?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/jfAvYP0WnhuFxppvcSgMOZtARkw/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/jfAvYP0WnhuFxppvcSgMOZtARkw/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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Quando estudei letras na UFPB, as declarações de uma professora me encheram de asco para com a academia. &lt;b&gt;Ela disse que era comprovado que surdos não eram capazes de aprender matemática&amp;nbsp;&lt;/b&gt;(pasmem, foi isso mesmo que ela disse). Mas, mesmo que fosse verdade, fica uma pergunta: se temos uma educação feita para pessoas que ouvem, como ela espera que uma pessoa que não ouve possa aprender algo? Mas o problema é mais gritante que pensam nossas vãs consciências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Tentei argumentar, mas ela veio com as questões:&amp;nbsp;como é o pensamento de um surdo? Qual língua ele teria seus pensamentos? Seriam apenas associações correlacionadas com o objeto em tese? Esse questionamento não leva em conta somente um conjunto de fatores para ser respondida. Ela leva consigo várias outras questões sobre as quais pedagogos, neurologistas, psicólogos, linguistas e sociólogos se debruçam desde que se começou a estudar a questão de modo sério. As perguntas poderiam ser: a linguagem e o pensamento são simultâneos, concatenados ou independentes?qual o papel das sensações na linguagem? e no pensamento? existe uma sintaxe das percepções humanas anterior à linguagem? vice-versa? os animais têm uma linguagem complexa? quais os critérios para se definir o que é e o que não é uma linguagem?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Por outro lado, responder essas questões vai depender muito do que você entende como linguagem. Nas &lt;i&gt;Ciências da Linguagem&lt;/i&gt;, a língua difere da linguagem. Isso porque língua é um conjunto de códigos ORAIS/GESTUAIS produzidos pelo conjunto do aparelho fonador/muscular HUMANO, ou seja, primariamente ela é FALADA/GESTICULADA por uma comunidade humana específica (mesmo que se manifeste de forma secundária na escrita). Linguagem é algo bem mais amplo, e envolve todo o conjunto de códigos capazes de serem produzidos e organizados de modo a serem decodificados pelo interlocutor.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Há uma discussão inglória a esse respeito, pois, nesse sentido, até as plantas teriam linguagem, mas somente os humanos seriam dotados de uma língua, sendo seu principal critério o da &lt;i&gt;Arbitrariedade&lt;/i&gt; (ou seja, tanto na voz humana quanto no gestual do LIBRAS, os signos são arbitrários, além de dotados de &lt;i&gt;Dupla Articulação&lt;/i&gt;), mas, como eu disse, é uma questão longe de ser resolvida, uma vez que os humanos não são os únicos seres capazes de produzir signos arbitrários ou dotados de dupla articulação, o que nos leva a procurar outros critérios para definir o que é uma língua ou uma linguagem. A polêmica não é fácil de resolver, pois depende de quais limites o cientista estabelece para determinar se outros seres são capazes de abstração ou não.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://www.sabara.mg.gov.br/site/images/stories/noticias/educacao/libras.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="279" src="http://www.sabara.mg.gov.br/site/images/stories/noticias/educacao/libras.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O que sabemos é que a língua falada nos torna mais sensíveis a percepções e decodificações auditivas de uma língua, algo que falta aos surdos. Porém, um surdo tem a visão bem mais sensível para perceber nuances gestuais e corporais em relação a um ouvinte. Um surdo é mais treinado a entender a linguagem corporal de alguém, enquanto que um não surdo é mais treinado a perceber nuanças de tonalidade e velocidade da fala. O pensamento de um surdo poderia ser mais semiótico que o de uma pessoa capaz de ouvir. Esse argumento, é claro, se adotarmos a hipótese de que linguagem e pensamento são simultâneos ou dependentes.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O termo&amp;nbsp;&lt;i&gt;Semiótica&lt;/i&gt;&amp;nbsp;deriva do grego&amp;nbsp;&lt;b&gt;σημειωτικός&lt;/b&gt;, que significa "&lt;i&gt;a arte dos sinais&lt;/i&gt;", e é chamada também de&amp;nbsp;&lt;i&gt;Semiologia&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e, em outros autores, de&amp;nbsp;&lt;i&gt;Simbologia&lt;/i&gt;. Nas &lt;i&gt;Ciências da Linguagem&lt;/i&gt; é a área que estuda os signos em geral (vertente americana) e a simbologia por trás de todos os fenômenos culturais (vertente européia). Portanto, a Semiótica estuda o modo como os signos se ligam aos diversos sistemas de de significação. Seu objeto de estudo tende a transcender o da linguística, pois enquanto a linguística se preocupa com a língua e os sistemas de signos da linguagem verbal e suas relações internas e externas, a Semiótica abrange essa ciência e ainda abre espaço para mais objetos de análise. Portanto, qualquer sistema de signos e de comunicação pode ser entendido como uma linguagem, o que implica que a Semiótica estuda a ciência, a religião, as artes visuais, a música, as artes gestual-performáticas e cinematográficas, a culinária, a perfumaria, a moda, os rituais de comportamento animal, as relações sociais etc., ou seja, qualquer coisa que constitua um código compreensível por pelo menos dois membros de uma comunidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Falando por mim mesmo, acredito que&amp;nbsp;&lt;i&gt;Percepção&lt;/i&gt;,&amp;nbsp;&lt;i&gt;Pensamento&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e&amp;nbsp;&lt;i&gt;Linguagem&lt;/i&gt;&amp;nbsp;são instâncias separadas, uma vez que&amp;nbsp;&lt;i&gt;Percepção&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é o que seus sentidos te permitem acessar do mundo, o&amp;nbsp;&lt;i&gt;Pensamento&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é a forma de usar de raciocínio dedutivo e análise combinatória para resolver problemas, e a&amp;nbsp;&lt;i&gt;Linguagem&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é o modo de externar tudo isso para outro ser. Portanto, a linguagem, em um primeiro momento, não modificaria o pensamento, mas seria condicionada por ele. Nisso, uma pessoa surda teria a mesma capacidade inicial de pensar que uma pessoa não-surda, mas seus pensamentos seriam condicionados pelas percepções, que são distintas para cada um. Esse condicionamento não seria superior nem inferior, mas apenas diferente, apenas um reflexo da adaptabilidade mental do indivíduo às suas próprias limitações. Além disso, após a aquisição da linguagem (gestual ou linguística), o modo de pensar de cada um será modificado posteriormente por sua linguagem num processo de reequilíbrio chamado&amp;nbsp;&lt;i&gt;Homeostase&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-bXlA1U1rqPQ/TVUage8FwJI/AAAAAAAAAZQ/XuKYI-oFr3M/s1600/cerebro-e-a-linguagem_02.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-bXlA1U1rqPQ/TVUage8FwJI/AAAAAAAAAZQ/XuKYI-oFr3M/s1600/cerebro-e-a-linguagem_02.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Por isso, uma pessoa que adquire a linguagem verbal pode pensar "&lt;i&gt;O cavalo correu pela grama&lt;/i&gt;" pronunciando as palavras mentalmente enquanto cria a imagem de um cavalo correndo pela grama. Uma pessoa surda pensa "&lt;i&gt;cavalo correr atravessa grama&lt;/i&gt;", mas não pronunciando a palavra, mas criando pequenos&amp;nbsp;&lt;i&gt;pensamentos musculares&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(ou seja, ela associa os significados a movimentos de seu próprio corpo) para cada um dos termos da sentença. De qualquer forma, o pensamento auditivo ou muscular não&amp;nbsp; altera significativamente o alcance epistêmico ou a eficiência comunicativa da sentença. O mesmo raciocínio se aplicaria ao pensamento por imagens, ou se fôssemos capazes de nos comunicar por feromônios tão complexamente quanto o é com a língua falada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Daí, obviamente, me assustei com o fato de uma professora com doutorado em linguística dizer tamanha barbaridade dos surdos. Como professora do curso, ela nunca leu os mais básicos em semiótica? Ela nunca leu Umberto Eco, Gilbert Durand, e François Laplantine? Não se trata somente de leitura, dados empíricos desdizem tudo o que ela disse. Ela falou que surdos não têm capacidade mental para aprender matemática, e mesmo assim existe um matemático surdo chamado Neivaldo Augusto Zovico. Ela falou que um surdo tem problemas cognitivos graves, e mesmo assim um estudo comprovou que &lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.qir.com.br/?p=10801" target="_blank"&gt;os surdos tem QI mais alto que a média da população&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Claro que outros absurdos foram proferidos por ela, como dizer que os &lt;i&gt;yanomamis&lt;/i&gt; são estúpidos porque só contam até 2, que os negros pobres não evoluíram enquanto pessoa porque continuam pobres, ou que a ditadura foi um grande salto do Brasil para o progresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando vamos aprender que qualquer pessoa na sociedade tem a capacidade de aprender aquilo que ela quiser, desde que seja naturalmente direcionada para determinadas áreas? O &lt;i&gt;autismo&lt;/i&gt;, por exemplo, limita algumas inteligências, mas deixa outras em aberto em forma de compensação. Pessoas com problemas de visão de cores não são estúpidas (eu mesmo sou uma dessas pessoas), apenas exigem uma educação que e adeque à sua diferença. Observem as escolas, como elas se estruturam: as aulas de educação física excluem uma parte das turmas, as aulas de matemática excluem outra, as aulas de artes excluem outras, ao ponto de sobrarem apenas aqueles alunos que interessam à sociedade. As escolas reproduzem uma verdadeira &lt;i&gt;eugenia&lt;/i&gt;&amp;nbsp;velada, em busca dos alunos que melhor se adequam à visão de mundo fechada da mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que a professora falou as barbaridades dela, optei pelo silêncio a respeito, não queria entrar em embate com ela, professora universitária, e eu precisando de sua cadeira para passar. Mas, fiquei triste por perceber que a universidade se encheu de gente assim. Antes eram os direitistas de mente fechada, hoje são os politicamente corretos que inverteram a discriminação. Que fazer?&amp;nbsp;É uma pena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, em resposta hoje, digo: surdos pensam sim, professora! E não somente os surdos, como ouvintes também. Acrescenta também na lista cegos e olhantes, cadeirantes e andantes, anões e gigantes, autistas e não-autistas, daltônicos, negros, brancos, homens, mulheres, gays, héteros, vegetarianos, comunistas, capitalistas ateus, muçulmanos, yanomamis, alemães, pirahãs... É com pesar que constato que até você, professora, é capaz de pensar! Todo ser humano é dotado da capacidade de raciocínio, mas nem todos têm a &lt;i&gt;obrigação&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de pensar da mesma forma, pelos mesmos processos, com os mesmos cérebros e dentro das mesmas formas de inteligência. A nossa diferença individual e nossa plasticidade de pensamento é que nos dão a capacidade de vivermos em sociedade e de promover seus avanços. Nota zero para você, professora! Nota zero!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-3056175288954230652?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/gHVtKAiY4RH40xyi8p-fRERYmsY/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/gHVtKAiY4RH40xyi8p-fRERYmsY/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-OEUXBMIYdIA/TzmNn4rCAdI/AAAAAAAAA0E/3T19knK6GTg/s1600/151_buda.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-OEUXBMIYdIA/TzmNn4rCAdI/AAAAAAAAA0E/3T19knK6GTg/s320/151_buda.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tenho três amigos com os quais converso com frequência sobre assuntos dos mais diversos. Um deles é um Ateu Militante. Segundo ele, toda e qualquer religião é um caminho para a ignorância e nos afasta da ciência e do avanço da humanidade. Outro é um Pastor Evangélico Calvinista, para o qual toda e qualquer religião que não seja a dele leva as almas para o inferno e, por isso mesmo, todos devem seguir sua religião se quiserem a salvação. O terceiro amigo é um agnóstico hedonista que não está nem aí para a espiritualidade dos outros, mas faz o possível para sempre criticar os outros que se portam com um mínimo de autocontrole. Em suma, são pessoas que não somente acham que todos só serão felizes do jeito deles, com ainda criam um conjunto de estereótipos acerca do outro sem nem mesmo procurar entender primeiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Daí, posso dizer que todos eles possuem um conjunto de 17 estereótipos padrões sobre o Budismo:&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo acredita em um ser superior que controla as nossas vidas"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O único ser superior presente no Budismo é a Natureza Búdica, que, na verdade, é o próprio sujeito. Isso significa que o Ser Supremo do Budismo é o próprio praticante. Além do mais, o Budismo é uma religião essencialmente de ateus e agnósticos. Não há um criador, um agente pessoal eterno, e nem mesmo um Apocalipse dirigido. São coisas que não interessam à maior parte dos Budistas. Na verdade, discutir se existem deuses ou não é um assunto completamente sem sentido para um Budista. Doutrinariamente, não há deuses no Budismo, nem qualquer ilusão externa ao indivíduo que o salve ou o condene, nem especulações sobre o início ou o fim dos tempos, e muito menos a preocupação em religar-se a uma entidade Mística Sobrenaturalista. O Budismo (principalmente o Zen) procura apenas uma experiência plena com a realidade, o que descarta a necessidade de deuses.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é sobrenaturalista"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Essa frase é muito usada por ateus que querem recriminar todas as práticas espirituais, assim como pelos cristãos, que querem usar esse dado para tentar nos convencer a segui-los. É um dado mais comum no Zen-Budismo, que constata que tudo o que existe É a natureza, e, portanto, natural. Se tudo é natural, nada existe sobre a natureza, e portanto não existe o sobrenatural. Um Budista esclarecido não perde tempo especulando sobre que há além da vida ou do plano físico, apenas se vive e se melhora ESTA vida. Não somos todos místicos ou esotéricos (isso fica a cargo do praticante). O sobrenaturalismo, porém, é escolha do praticante. Alguns são ateus, outros são teístas. Alguns são místicos e esotéricos, e outros são céticos e materialistas. Nenhuma crença ou percepção espiritual é uma obrigação.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é um sistema de crenças"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As pessoas confundem Sistemas Éticos com Sistemas de Crenças, como se fossem a mesma coisa. Um Sistema de Crenças é um conjunto de pressupostos sem os quais um modo de ver o mundo não funciona. O Cristianismo precisa de um conjunto de pressupostos, bem delimitados no Credo Niceno-Constantinopolitano. Você deve confiar no Credo. O mesmo se diz do ateísmo: você tem um conjunto de crenças a serem seguidas. No Budismo, há uma história simbólica que pode ser questionada. Isso porque os budistas não vivem na dicotomia crer/não-crer que existe no Ocidente. Sua concepção está mais na área do fazer/não-fazer. Assim, não é preciso crer no Zen, mas apenas praticá-lo.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é contra as armas"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Budismo é pacifista, mas não contra as armas. Na verdade, o Budismo é um conjunto de práticas de melhora pessoal do indivíduo e de ajuda a outros indivíduos no que se pode ajudar. Muitas tradições até incentivam que o indivíduo aprenda a se defender por meio de qualquer coisa que estiver ao seu alcance (daí muitos budistas no passado terem inclusive desenvolvido artes marciais, algumas letais). A ideia do mestres em artes marciais é: para se defender, faça o possível, até mesmo mate seu agressor, mas deixe-o de lado assim que a ameaça for eliminada. Não é de se admirar que as artes marciais mais famosas (algumas com o uso de armas) tenham surgido a partir de ideais budistas: aikidô, jiu-jítsu, judô, kung fu shaolin (este com o uso de armas), dentre outros.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo incentiva o praticante a renegar o mundo"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Budismo é apenas uma doutrina que preza pela melhoria espiritual do indivíduo para que ele viva bem e feliz em qualquer situação em que estiver. Assim,não é obrigatório ninguém se tornar um monge, um mendigo ou um eremita. Pelo contrário, o Budismo ensina um caminho espiritual de "limpeza do ego" que permita com que monges e leigos, mendigos e milionários, eremitas e celebridades, eruditos e incultos, onívoros e vegetarianos, jovens e velhos, para que todos, sem distinção de qualquer espécie, possam viver bem consigo mesmos e buscar o bem dos outros. Logo, ensina-se a não se apegar às coisas, não a ter aversão a elas.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo crê na reencarnação"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Reencarnação é uma introjeção conceitual do Ocidente, e não uma doutrina Budista. Uma vez que nenhuma semente permanente sobrevive à nossa morte, a Reencarnação ou Transmigração da Alma (uma semente permanente) é um conceito estranho ao Budismo. Em vez disso, usa-se o termo Renascimento ou Remanifestação, para o qual o que existe é um conjunto de ações éticas e de materiais prévios que nos causa e que deixaremos para causar outras coisas, e ainda serviremos de material prévio para outras coisas. Por isso, dizemos também que o Budismo é voltado a uma vida após a morte, pois uma das buscas dos budistas é o esvaziamento do Eu. Se não está preparado para começar a esvaziar, não siga em frente. O Eu, como tudo no universo, é impermanente. Não existia antes do nascimento, e não durará depois da morte. Ao morrer, a consciência, o Eu, se apaga como o fogo de uma vela, e evapora como uma gota de água sobre uma chapa quente. Logo, não existe crença no pós-morte para o Budismo.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo possui leis, regras e mandamentos"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um mandamento é uma regra inflexível, cuja não execução é punida por leis religiosas próprias (ou com ameaças de inferno ou promessas de paraíso). No Budismo não existem mandamentos, mas preceitos, ou seja, conselhos de mestres que, em anos de prática, perceberam que determinado caminho era o melhor a ser seguido e ensinaram isso aos discípulos, mas nunca obrigaram ninguém a seguir determinada postura ética. Significa que não há coisas obrigadas no Budismo, apenas indicações de qual o melhor caminho, mas nenhuma obrigação de se seguir este ou aquele caminho. Por exemplo: no Zen pede-se para fazer o Zazen, mas isso não é obrigatório, é apenas algo que os mestres aprenderam por gerações e compartilharam com seus discípulos. Se qualquer discípulo acha que outro caminho é melhor em relação ao Zazen, que aprimore esse caminho para que seja eficiente.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo possui dogmas e rituais"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Quanto aos rituais, admito que pode ser verdade (há a presença de templos também). Apesar de nenhum deles ser obrigatório, o ritual é uma peça chave, pois ajuda na prática e cria um hábito na aplicação da ética. Quanto aos dogmas, o Budismo não possui. Todas as suas doutrinas são postas à prova pelos mestres aos seus discípulos. O Budismo não é uma doutrina de "está escrito, tem que aceitar". Não é uma religião dogmática e inquestionável, mas uma religião do experimentar. Não focamos em doutrinas pura e simplesmente sem, antes, focar a atenção na experiência. Além disso, o Budismo exige de seus praticantes uma constante postura crítica e cética, tanto em relação a doutrinas e ideologias, como em relação a crenças pessoais e à sua própria pessoa. Para isso sugiro ler o Kalama Sutra, em que o próprio Buda nos aconselha a não aceitar tudo o que se diz, nem mesmo seus próprios ensinamentos. Um espírito questionador é, portanto, essencial a um Budista.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é uma religião/psicologia"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Uma religião é um sistema de "religamento" entre o homem e um deus ou ser superior, que se dá mediante contratos de crença, fé e ritual, e quase sempre sustentada pelo mito. Uma psicologia é um sistema de "reajustamento", em que pessoas que estão em desequilíbrio com o meio social buscam ajustar-se à sociedade. O Budismo é uma prática ética de autoanálise e automelhoria, ou seja, não há um deus ao qual religar-se, e muito menos privilegia-se uma sociedade padrão à qual ajustar-se. O Budista está só, e ponto final.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo acredita que você só é feliz sendo budista"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Há, no Budismo, um exercício ético interessante: compreender que qualquer pessoa, de qualquer vida espiritual benéfica, pode alcançar a iluminação e tornar-se um Buda. Por isso os budistas não estão preocupados se você é budista ou não-budista, estão interessados apenas se você se aprimora enquanto indivíduo e se é feliz. Diferente do Cristianismo (que baseia-se na pregação de uma salvação) e do Neoateísmo (baseado na pregação anti-religiosa), o Budismo não se baseia na "pregação" de uma verdade, mas no exemplo de seus praticantes. Para tanto, sua principal forma de propagação é o "ver e vir", demonstrar pelas ações e ensinar somente aos interessados. O "ver e vir" é o que faz, por exemplo, com que o Budismo cresça muito entre grupos interessados. Os Cristãos enviam missionários que saem pregando e convertendo as pessoas. No Budismo, um pequeno grupo se converte e só depois é que PEDEM a um centro que envie um missionário. No Cristianismo, a conversão é empurrada a você, no Budismo, a conversão vem somente de você.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo preza pelo ascetismo e pelo fim da individualidade"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As pessoas confunde muito o prazer (a simples sensação agradável) com o desejo (ânsia de ter a sensação agradável a todo custo), e com isso acabam transformando o Budismo e uma espécie de ascetismo. Na verdade, não se procura eliminar o prazer nem a dor, mas apenas buscar o "Caminho do Meio", ou seja, encontrar um meio termo entre os dois, a moderação. Quanto à individualidade, ela é uma mera ilusão, mas deve ser respeitada. Logo, não existe no Budismo a preocupação extrema com a sexualidade do outro (muitos Budistas são homossexuais, e os centros budistas celebram casamentos homossexuais), com as opiniões do outro (a opinião deve ser respeitada), com a família do outro (o Budismo não tem um "plano" padronizado para modelos familiares), com as crenças do outro (há budistas céticos e esotéricos, ateus e teístas, convivendo tranquilamente) e muito menos com a vida particular do outro (não ficamos vigiando as ações do outro para ver se estão pecando).&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é machista, homofóbico e racista"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Apesar de algumas escolas (Tailandesa, Theravada, Tibetana) terem algumas reservas em relação ao homossexualismo ou à participação ativa de mulheres, os próprios mestres sabem que o próprio Buda Histórico recriminou seus discípulos por agirem, pensarem ou interpretarem seus ensinamentos de forma a diminuir a importância de outros seres humanos. A ideia central do Budismo é que todos os seres podem viver de forma harmoniosa, sendo as diferenças entre eles meras ilusões. Para ver como o Budismo aceita o diferente, há mestres budistas homossexuais (Mestre Jim Shalkham, da tradição Soto Zen), mestres budistas mulheres (Monja Cohen, também do Soto Zen) e boa parte dos budistas ocidentais são não-orientais (o que demonstra que não há primazia racial). Para o Budismo, o essencial é que se aprenda a conviver com o outro e se aceite o outro como ele é. Sempre somos lembrado que há muitos Bodissátivas (outros budas) que eram homossexuais, mulheres, anões, ricos, pobres, estrangeiros...&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"Se você seguir o Budismo, deixará de sofrer"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Budismo apresenta um conjunto de ações ou conselhos de como diminuir o sofrimento, que podem ser aplicados sem necessariamente você precisar ser budista, ir a uma sanga, visitar um templo ou abrir mão de outras práticas espirituais. Se, para deixar de sofrer, você tomou remédios e hoje está feliz, ótimo, que bom! Fico muito feliz por você! Se, para deixar de sofrer, você abraçou o Budismo e tornou-se um praticante exemplar, ótimo do mesmo jeito, é igualmente bom! O que o Budismo aconselha é que, para cessar o sofrimento, o indivíduo deve seguir o Caminho Óctuplo, ou seja, ter um caminho ético. O caminho óctuplo é tão somente o modo &lt;i&gt;Budista&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de lidar com o comportamento humano, mas não significa que você não possa ser Estoico, Consequencialista, Humanista ou Utilitarista. Resumindo: você deixa de sofrer quando encontra um caminho ético coerente e pessoal, alguns encontrando no Budismo, outros encontrando no Humanismo. Simples assim!&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é comodista"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Na meditação aprendemos que existe uma diferença clara entre passividade e comodismo. Passividade é tão somente o "deixar passar", é a velha prática do wu-wei de transformar uma energia em outra, e não tentar barrá-la. Se não entendeu isso, meditou de forma errada! É mais fácil desviar do carro que tentar pará-lo com seu corpo como barreira. Uma das principais atitudes do Budismo é o "faça". Não discuta o que fazer, faça! O melhor caminho a se seguir é a ação. Por isso, quando se entra no Budismo, tendo aquela ideia pré-concebida de pacifistas feitos de manteiga que morrem a qualquer soco, costuma-se ficar assustado quando nos deparamos com monges pró-ativos, budistas empresários e mesmo aqueles com forte participação na vida política e na luta por direitos.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo te fará feliz"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eu sou depressivo, e sou budista, e sou feliz. Não sou feliz porque sou budista. Sou feliz porque aprendi a me compreender. O Budismo não apresenta a fórmula da felicidade, mas para o Despertar. Se quer ser feliz, encontre outros meios (de preferência, encontre meios internos para a sua felicidade). Se você consegue ser feliz escrevendo livros ou desenterrando dinossauros, ótimo, que bom! Porém, há, como em todos os caminhos espirituais, gente que finge ser feliz para ser aceito. Se um budista finge sorrisos, então não entendeu o Budismo. Há uma frase que vi uma vez em um centro de Kung Fu de um amigo meu: "&lt;i&gt;a felicidade é um sofrimento&lt;/i&gt;". Segundo ele, era de um mestre zen. Mesmo que não seja, é bem esse o espírito do zen: felicidade e infelicidade são distinções que fazemos, não fazem sentido.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é muito complexo para os incultos"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um dos principais apelos do Budismo é que ele não vê distinções entre as pessoas. Há budistas pós-doutores como há budistas sapateiros semi-analfabetos. É fácil de ser compreendida essa característica do Budismo pelo fato de Sidarta Gautama ter sido um príncipe letrado e erudito, enquanto que o Sexto Patriarca do Zen-Budismo, Huineng, ter sido um lenhador analfabeto e inculto, e ambos serem igualmente respeitados nos dias de hoje. O Budismo não é um conhecimento acadêmico para poucos que exige anos de estudo e aprendizagem das línguas originais. Pelo contrário, ele é uma prática cotidiana, do dia-a-dia, é tão somente agir. Como o Budismo se baseia em doutrinas muito simples e em um viver mais prático, há muito pouco a ser deturpado caso alguém tenha uma cultura menor que um monge. É uma vida espiritual para poucos, tenham conhecimentos ou não.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;"O Budismo é hierárquico"&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tudo bem, admito que seja um pouco hierárquico, mas o sistema depende muito de que escola falemos. Alguns apresentam uma organização social complexa, dividida em classes, estrados, lamas e eruditos. Outras escolas têm apenas a distinção simples entre o mestre e o discípulo. O praticante não tem nenhuma obrigação de sustentar ou aceitar a hierarquia do Budismo além da fundamental distinção entre mestre e discípulo. Eu, por exemplo, que pratico o Zen-Budismo, ainda não tenho mestre, e só procurarei um quando me achar preparado para ele. Se eu me achar preparado, não vou sair escolhendo um mestre aleatoriamente, e nem obedecendo ele em tudo, mas sempre analisarei seus ensinamentos e tentarei aplicar. É o espírito do Budismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Diante do posto aqui, espero que você, leitor, tenha percebido que, muitas vezes, não é saudável viver de estereótipos. Mal sabem meus amigos que minha visão não se adequa ao que eles costumam usar para julgar as religiões ocidentais. Na verdade, as crenças monoteístas não são a regra de comportamento espiritual, mas uma exceção que apareceu na história humana. No mais, espero que todos fiquem em paz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-3299996281787750986?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Saber separar bem as coisas: eis uma tarefa árdua para artistas e críticos contemporâneos. O Ego é a força mais poderosa e difícil de se lidar quando se trata com artistas, e os produtores de arte mais humildes deparam-se com esse Ego dia após dia, lutando contra si mesmos e sua ânsia de eternizar-se à força. Todos os produtores musicais dizem que odeiam ter de lidar com músicos, maestros e instrumentistas. Editores, copidesques e leitores afirmam reiteradamente que os escritores são as criaturas mais intratáveis do planeta. Tudo bem que o artista sabe que precisa subverter com algo (os bons artistas, digo aqui), mas até que ponto a subversão com o objeto da arte &amp;nbsp;não alçao nível da subversão das pessoas que produzem a arte?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Muitos pretensos críticos e pretensos artistas têm dificuldade de admitir a limitação de seus conhecimentos sobre qualquer coisa relacionada ao objeto da arte. O que mais se vê no mundo artístico é gente metida, formados em química, história, física, ou de nível médio, que assumem sobre si mesmos conhecimentos sobre os quais nem os críticos mais renomados jamais ousariam imputar a si mesmos. É gente que leu um Anatol Rosenfeld e se acha a súmula extratosférica da poesia, ou que assistiu&amp;nbsp;&lt;i&gt;Transubstancial&amp;nbsp;&lt;/i&gt;de Torquarto Joel e se coloca igual a igual aos maiores especialistas do&amp;nbsp;&lt;i&gt;Academy Awards&lt;/i&gt;. Imagine a cena: um cabra de nível médio, que trabalha como vendedor numa loja de roupas, e católico, um dia encontra o livro&amp;nbsp;&lt;i&gt;O Poder do Mito&lt;/i&gt;, de Joseph Campbell. Lê rapidinho e, uma semana depois, resolve assistir a uma palestra de um professor de Ciências das Religiões sobre o catolicismo. Vez por outra, arrogantemente, o vendedor de loja vomita suas barbaridades, como se fosse o maior entendido no assunto, destrata o professor, sem perceber que ele é que fez o papel de idiota, e sai da palestra com raiva diante das "inverdades" ditas pelo acadêmico, e começa a espalhar que Ciências das Religiões não forma cientistas, diz que ele é cientista e, entendendo completamente errado o que o próprio Campbell disse, acaba fundando uma seita. Parece exagerado? Mas é mais ou menos isso que ocorre no campo da crítica de arte.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No campo da crítica de arte, há ideologias. Elas não moldam as artes em si, mas derivam delas.&amp;nbsp;A crítica aponta tendências, estilos, formatos, relações, saídas e falhas estéticas, nunca dá regras.&amp;nbsp;Apesar dos pesares, entre os críticos que tiveram formação específica para isso (o que inclui cursos superiores de Letras, Artes, Música etc.), há um certo consenso de que não se leva mais em conta a crítica impressionista. O consenso só não é geral porque há muito metido a crítico que é impressionista ao extremo, que não consegue separar muita coisa, como gosto pessoal e qualidade daquilo que produzem. Há desde críticos românticos até críticos de linha sociológica, existe desde crítica estruturalista até crítica psicanalítica, mas todas essas críticas entendem a crítica intimista (impressionista) como limitada por várias razões, dentre as quais destaco cinco:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;A subjetividade do crítico (julgar a arte pelo "gostei" ou "não gostei", ou seja, um julgamento vago, baseado apenas no próprio ego);&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;esquecer que a obra se insere num contexto;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;esquecer que a crítica deve se concentrar primariamente ao que está na obra;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;esquecer que a obra de arte não se trata de verossimilhanças externas ou internas, mas de realização estética;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;esquecer que a crítica não é normativa, mas descritiva.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Pois bem, falando como crítico literário: o falso crítico não sabe nada dessas coisas, passa por cima e simplesmente entra num achismo generalizado, tachando de arrogante todos os críticos sérios que se apresentam (já sofri perseguição / trollagem em duas comunidades de internet por ser um crítico sério). Enquanto isso, o crítico sério não é capaz de influenciar uma massa de leitores, não afeta nada além do ego do escritor e de outros críticos intimistas. Quem afeta leitores são falsos críticos (a maioria jornalistas, celebridades e escritores famosos), que criticam verossimilhança externa em obras, que ficam no nível do "gostei"/"não gostei", misturando o caráter das pessoas com as opiniões emitidas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um exemplo recente foi o Amador Ribeiro Neto, alvo de crítica minha e de outras pessoas. É um grande crítico sério, mas escorregou ao afirmar coisas sobre a poesia do interior da Paraíba que não condizem com a realidade. Porém, Amador disse isso não na condição de crítico, mas quanto artista que, como todos os artistas, é movido por elementos ideológicos próprios. Do mesmo modo, tivemos gente da turma do "gostei"/"não gostei" criticando-o duramente, e alguns até mesmo misturando sua pessoa com suas ideias, partindo para a generalização, em que passou-se a repudiar não mais a ideia que ele publicou, mas a sua pessoa, e sua trajetória enquanto poeta, crítico e intelectual. Em resumo, um crítico sério escorrega, e os achistas se&amp;nbsp;&lt;i&gt;urubuficam&amp;nbsp;&lt;/i&gt;sobre ele.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Isso seria fácil de lidar se não fosse o tal do Ego. Cá entre nós, o crítico sério também é assolado por esse mal milenar, e tanto quanto o artista. A diferença é que para irritar um crítico sério, basta escrever. Para irritar um falso crítico, basta discordar. Mas para irritar um artista, basta existir. Na balança, qual dos três é mais insuportável?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-6458205557127743031?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/H9NWu-rOuAJEd8jIbgxiUTycZ6I/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/H9NWu-rOuAJEd8jIbgxiUTycZ6I/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/H9NWu-rOuAJEd8jIbgxiUTycZ6I/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/H9NWu-rOuAJEd8jIbgxiUTycZ6I/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/dAVupYdyQws" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/6458205557127743031/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/critica-ego-arte-e-critica.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/6458205557127743031?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/6458205557127743031?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/dAVupYdyQws/critica-ego-arte-e-critica.html" title="Crítica: Ego, Arte e Crítica" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/critica-ego-arte-e-critica.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0UCRXk5eSp7ImA9WhRaGU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-5411721579768714170</id><published>2012-02-22T07:58:00.000-03:00</published><updated>2012-02-22T08:14:24.721-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-22T08:14:24.721-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura de Massa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Humanismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sexualidade" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Economia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Políticas Públicas" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura Popular" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Direito" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Opinião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><title>Reflexão: Ética e Estado</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Adolfo Sánchez Vázquez define a ética como "&lt;i&gt;a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade&lt;/i&gt;" (ÉTICA, p. 23), reduzindo-a a uma forma específica do comportamento humano. Há, porém, alguns problemas nessa concepção.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Primeiro, nem toda Ética é uma teoria (há Éticas propositivas). Segundo, nem toda Ética refere-se ao comportamento do Homo sapiens (César, de &lt;i&gt;O Planeta dos Macacos&lt;/i&gt;, era bastante ético). Terceiro, nem toda Ética reduz-se ao viver social do homem (também se aplica individualmente). Por quê? Primeiro, porque existem éticas descritivas e propositivas. As descritivas encarregam-se em estudar os princípios comportamentais, ou seja, os fundamentos lógicos, epistemológicos, semânticos, metafísicos e práticos do comportamento. As propositivas buscam uma aplicação &lt;i&gt;ipsis litteris&lt;/i&gt; do que se compreendeu de toda essa análise multifacetada do comportamento. Segundo, prefiro encarar a Ética como algo universal, uma vez que os princípios encontrados no comportamento humano são mais válidos na medida em que promovam o benefício à maior quantidade de pessoas possível.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Enquanto disciplina, a Ética é uma das áreas da filosofia que estuda os princípios comportamentais de seres dotados de sesciência (ou, como preferem os filósofos antropocêntricos, seres dotados de humanidade). Diferente da moral (conjunto de ideias pré-concebidas de certo e errado), da lei (conjunto de normas de comportamento social), dos preceitos (conjuntos de conselhos de como se comportar em determinadas situações, como a etiqueta e o politicamente correto) e do método (conjunto de ações necessárias para partir de um ponto a outro), a Ética não é presa nem fundamentada em comportamentos locais, grupais, políticos, ideológicos ou normativos. Assim, a existem moralidades éticas e antiéticas, e imoralidades éticas e antiéticas. Existem leis éticas e antiéticas, assim como crimes éticos e antiéticos. Alguns preceitos são éticos, outros são antiéticos, e suas quebras passam pela mesma categorização. Alguns métodos são igualmente classificados. E isso porque a Ética, quando universal, é um tipo de visão do comportamento que prevê duas coisas básicas: a Autonomia e a Felicidade Objetiva.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Posso estar parecendo ingenuamente &lt;i&gt;estoico-humiano&lt;/i&gt;, mas a Autonomia e a Felicidade Objetiva são sim as principais fontes de energia da Ética. A autonomia de todos os seres sescientes sem prejuízo ao bem de nenhum outro ser sesciente garante que todos os princípios éticos sejam filtrados. Significa que posso afirmar se a moral de um grupo (como os discursos de Silas Malafaia) ferem ou não princípios éticos, pois seus discursos ferem diretamente o binômio Autonomia e Felicidade Objetiva. Um pedófilo que se limite a tirar fotos de crianças nos parques para uso próprio também não fere nenhum princípio ético, pois a Autonomia e a Felicidade Objetiva de nenhuma criança foi afetada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Por Felicidade Objetiva compreende-se qualquer coisa que se relacione diretamente e de forma positiva à integridade existencial, material, intelectual, física e linguística de uma pessoa. Logo, Silas Malafaia, em suas ações, e promovendo passeatas contra a votação de leis, incide diretamente sobre a integridade material de terceiros (um direito legal é um bem material, além, é claro, de ser um direito à autonomia).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Justamente esse tipo de visão da Ética é que pode esclarecer as diferenças entre um Estado Moral, um Estado Constitucional, um Estado Preceptor (Politicamente Correto), um Estado Metodológico e um Estado Ético. A distinção está em como ele promove a Autonomia de todos os seus cidadãos sem, com isso, prejudicar a Felicidade Objetiva de nenhum outro cidadão. E isso nos leva a perguntas como: &lt;i&gt;É ético promover a propriedade privada enquanto milhões de cidadãos são privados de um teto onde abrigar-se da chuva? É ético permitir a livre cultura dos índios enquanto milhares de crianças são enterradas vivas? É ético privar bilhões de seres humanos de acesso livre ao conhecimento por causa de leis contra a pirataria?&lt;/i&gt; Essas questões, então, resolvem-se no âmbito da Ética de forma mais precisa que no âmbito da moral, das leis, dos preceitos e dos métodos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A moral de uma tribo indígena pode achar que o nascimento de uma criança deformada trará um mal à sua tribo, e se isso for algo com o qual nem o cacique nem a tribo possam conviver, então o cacique procure a FUNAI e entregue a criança para ser adotada. Entregar à adoção não afeta a Felicidade Subjetiva da tribo e não afeta a Felicidade Objetiva da criança. A partir do momento em que, para manter sua Felicidade Subjetiva e sua integridade, o chefe de uma tribo causa um prejuízo à Felicidade Objetiva de uma criança, então ele está sendo antiético. E isso por uma razão bem simples: &lt;b&gt;NÃO EXISTE ÉTICA DE ÍNDIO E ÉTICA DE BRANCO, o que existe é tão somente Ética&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Autonomia e o Felicidade Objetiva&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;critérios palpáveis&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Existem dois tipos de Felicidade: a Objetiva e a Subjetiva. A Felicidade Objetiva centra-se em elementos palpáveis, e, portanto, objetivos e verificáveis. A Felicidade Subjetiva abrange elementos impalpáveis e, portanto, subjetivos e inverificáveis. A grande diferença entre ambos está justamente no fato de a primeira poder ser observada por terceiros, e a segunda não poder ser observada. Por isso, se um Estado é ético, ele deve centrar-se apenas naquilo que é palpável, ou seja, na Felicidade Objetiva. A Felicidade Subjetiva não é assunto de Estado, até porque é impossível de ser mensurada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Os elementos palpáveis são a Existência, a Materialidade, a Intelectualidade, o Físico e a Linguagem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Existência pode ser mensurada pelo Estado por meio de uma &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lgebra_booleana" target="_blank"&gt;lógica &lt;i&gt;booleana&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; simples: vivo ou morto. Então é assunto de Estado zelar pela existência de todos os seres sescientes sob sua jurisdição, sejam esses seres um feto ou um idoso, um macaco falante ou um indígena. Garantir a segurança pública, o porte de armas (para lutar por sua própria vida), promover políticas éticas sobre o aborto e a pena de morte e promover educação para o trânsito são exemplos de ações de um Estado Ético e voltado para a Felicidade Existencial. O indivíduo pode querer se matar, e isso deve ser respeitado, pois a vida é um direito garantido pelo Estado, e não uma obrigação legal.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Materialidade é mensurada pela participação dos seres sob sua jurisdição nos processos econômicos, e pelas mesmas oportunidades de todos os indivíduos dessa sociedade na produção de bens materiais. Isso é o que garante a Felicidade Material, que pode ser conseguida com ações simples, como o abandono de políticas econômicas daninhas, geração de emprego e renda, capacitação profissional em massa, reforma agrária, reforma econômica e menor necessidade de força bancária no país. Um indivíduo pode optar por não querer participar da economia e se isolar do mundo no alto de uma montanha, e é dever do Estado respeitar isso, pois a participação na economia é um direito, e não uma obrigação legal.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Intelectualidade pode ser mensurada, pois basta que os aprendentes sejam avaliados de forma séria, e que o mesmo ensino tenha um caráter sério deliberadamente capaz de melhorar a si próprio. O Estado pode promover a Felicidade Intelectual por meio de ações simples, como a criação de leis ou sistemas educacionais variados (a distância, homeschooling, presencial, autoinstrucional etc.), de avaliações mais completas (e não apenas as avaliações escritas) e pela priorização dos conteúdos passados. Um indivíduo pode optar por não querer aprimorar sua intelectualidade e arcar com as consequências disso, e é dever do Estado respeitar isso, pois a intelectualidade é um direito, e não uma obrigação legal.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Físico pode ser mensurado: integridade física, saúde e habilidades motoras. Um Estado Ético promove ações que reduzam problemas de saúde causados pelo sedentarismo, melhora o atendimento nos sistemas de saúde (variando também os tipos de sistemas de saúde) e cria programas escolares para aumentar as habilidades motoras dos cidadãos. Claro que aqui podemos no perguntar: o que é prioritário ao Estado? garantir o gol perfeito do atleta olímpico ou construir um posto de saúde que funcione? Um indivíduo pode optar por seguir uma vida sedentária e arcar com as consequências disso, e é dever do Estado respeitar isso, pois o aprimoramento físico e a saúde são direitos, e não obrigações legais.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Linguagem pode ser mensurada: existe toda uma ciência dedicada a estudá-la de forma objetiva, que é a Linguística. O Estado pode obrigar o povo a usar em situações oficiais ou estatais uma língua padrão por razões práticas e econômicas, e promover livre acesso a essa linguagem sem, com isso, prejudicar ou procurar eliminar o falar ou a língua natural de cada falante, ou sua capacidade e liberdade de expressão. Assim, qualquer etnia que fale sua própria língua, além de acesso à língua padrão do Estado, tem a linguagem de sua etnia preservada e devidamente protegida, além de poder&amp;nbsp;exprimir o que bem desejar. Um indivíduo pode optar por abandonar sua língua mãe, ou por não usar a língua padrão, ou mesmo por não expressar algumas coisas, e é dever do Estado respeitar isso, pois a linguagem é um direito, e não uma obrigação legal.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;i&gt;&lt;b&gt;critérios impalpáveis&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Há, porém, uma miríade de elementos impalpáveis que, com frequência, são levados em conta na criação das leis, e que acabam por gerar polêmicas, dissensões, crises políticas e guerras de opinião. Aquilo que não se pode mensurar ou categorizar de forma objetiva justamente por não pertencer ao mundo objetivo são coisas que dizem respeito somente ao sujeito. Estão nesse universo a Moralidade, a Personalidade, a Espiritualidade, a Estética e a Opinião.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Moralidade não pode ser considerada assunto de Estado, pois é uma concepção de comportamento não universal, presa somente ao mundo de alguns grupos em detrimento de outros. Assim, a constituição da família, o sexo, a alimentação, a religião e as concepções metafísicas de mundo não dizem respeito ao Estado, pois não são critérios construídos sem a presença de um elemento moral (cristão, ateísta, budista, LGBTTT, marxista, capitalista etc.). É dever do Estado, porém, garantir aos indivíduos a liberdade de optar por qualquer comportamento que sua moral permita, desde que não fira a Felicidade Existencial, Física, Material, Intelectual e Linguística do outro. Se esse indivíduo optar por um estilo de vida ou um modelo familiar que vá de encontro aos ensinamentos de um determinado grupo, mas que não fira sua Autonomia ou sua Felicidade Objetiva, então sua opção é perfeitamente válida e deve ser permitida pelo Estado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Personalidade não pode ser considerada um assunto de Estado, pois é também uma concepção de comportamento não universal, presa somente ao mundo pessoal em detrimento de terceiros. Assim, se um indivíduo é hiperativo ou calmo, sedentário ou atlético, falante ou calado, emotivo ou racional, não dizem respeito ao Estado, pois são critérios puramente pessoais e, portanto, inalienáveis ao próprio sujeito. É dever do Estado, porém, garantir aos sujeitos a liberdade de agir de acordo com sua natureza, desde que não fira a Autonomia nem a Felicidade Existencial, Física, Material, Intelectual e Linguística do outro. O Estado não pode proibir que uma pessoa mude seu modo de ser, se assim o desejar, seja buscando uma tradição espiritual, seja buscando psicoterapia, seja procurando "curar" a homossexualidade. Ele pode optar por permanecer com seu modo de ser ou por mudá-lo se assim o desejar, desde que não fira a Autonomia nem a Felicidade Objetiva de terceiros.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Espiritualidade não pode ser considerada assunto de Estado, pois é um parâmetro de comportamento puramente pessoal, sem possibilidade de ser contemplada por terceiros. Assim, se alguém é Budista ou Muçulmano, Ateu ou Católico, Umbandista ou Cientologista, não compete ao Estado mensurar e muito menos proibir ou incentivar. É dever do Estado, porém, garantir aos indivíduos a liberdade de optar por qualquer sistema religioso, filosófico ou ideológico, desde que não fira a Autonomia e a Felicidade Existencial, Física, Material, Intelectual e Linguística do outro. Se esse indivíduo optar por uma ideologia ou uma religião que vá de encontro aos ensinamentos de uma religião ou ideologia "da maioria", mas que não fira a Autonomia nem a Felicidade Objetiva da mesma maioria, então sua opção é perfeitamente válida e deve ser permitida pelo Estado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Estética não pode ser considerada assunto de Estado, pois é um parâmetro de comportamento puramente contextual e fora das concepções éticas. Assim, se alguém opta por um estilo de escrita conhecido como &lt;i&gt;Dangerous Writing&lt;/i&gt;, pelo &lt;i&gt;Stand-Up&lt;/i&gt; polêmico de Rafinha Bastos ou se gosta de tatuar pênis pelo corpo todo, não compete ao Estado incentivar nem proibir, mas apenas respeitar. Se a população prefere &lt;i&gt;funk carioca&lt;/i&gt; em vez de samba, ou cabelo moicano em vez de cabeças raspadas, o Estado não pode nem deve interferir. É dever do Estado, porém, garantir aos indivíduos a liberdade de optar ou preservar seus próprios gostos estéticos, desde que não fira a Autonomia nem a Felicidade Existencial, Física, Material, Intelectual e Linguística do outro. Se esse indivíduo optar por um sistema estético que vá de encontro a uma determinada tradição estética, mas que não fira a Autonomia nem a Felicidade Objetiva de terceiros, então sua opção é perfeitamente válida e deve ser permitida pelo Estado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A Opinião pode ser ouvida e compreendida, mas também não pode ser mensurada, e por uma razão bem simples: a opinião é contextual, depende de um contexto coletivo e individual, ao mesmo tempo. Não compete ao Estado vigiar o que um jornalista ou um blogueiro pensa a respeito das cotas raciais, nem pertence ao Estado o dever ou o direito de controlar o modo como as opiniões são passadas, e muito menos ficar medindo quem se sentiu ofendido ou quem ofendeu pelo simples manifestar de suas opiniões. É dever do Estado, porém, garantir aos indivíduos a liberdade de opinar sobre qualquer coisa que decidam opinar, desde que não firam a Autonomia e a Felicidade Existencial, Física, Material, Intelectual e Linguística do outro. Se esse indivíduo opinar, elogiar ou criticar algo que a maioria da população ache repulsiva, imoral ou ofensiva, mas que não fira a Autonomia nem a Felicidade Objetiva de nenhum membro da sociedade, então sua opinião é perfeitamente válida e deve ser permitida pelo Estado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;E onde o Estado deixa de ser Ético?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Primeiro, todo Estado torna-se antiético quando, por qualquer motivo fraco que seja, priva seus cidadãos de direito à vida ou autonomia sobre ela, nega a participação de seus cidadãos na economia, os exclui de oportunidades de intelectualização, deixa de fornecer saúde de qualidade e proíbe à população determinados usos linguísticos, e se torna ainda mais antiético quando torna determinadas relações existenciais, econômicas, intelectuais, corporais e linguísticas obrigatórias.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Segundo, o Estado torna-se antiético quando transforma a Moralidade, a Personalidade, a Espiritualidade, a Estética e a Opinião em assuntos de Estado, passíveis de punição ou premiação, de limitações ou liberações, com políticas públicas próprias e fechadas (como financiar artistas em vez de hospitais, por exemplo). Quando, por exemplo, casais homossexuais tornaram-se livres para formar família e formalizar suas uniões, o Estado abriu mão daquilo que não era assunto seu, e partiu para coisas mais prioritárias (ou pelo menos creio assim), pois toda forma de comportamento humano que se torne obrigatório para o outro, ou seja, que incida diretamente sobre o outro em aspectos subjetivos, mesmo com a melhor das intenções (como a pregação religiosa agressiva ou impedir que algumas palavras sejam usadas por uma visão politicamente correta), é, desde já, um tipo de comportamento antiético.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Conclusão&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se pensarmos em um Estado Ético, perceberemos que a Ética pode, e deve, ser universal. Toda e qualquer ação que não interfira na Autonomia ou na Felicidade Objetiva de terceiros é uma ação ética ou neutra, e toda ação que cause prejuízo direto sobre a Autonomia e a Felicidade Objetiva de terceiros é, desde já, antiética. Por isso, não existe Ética de grupo A e Ética de grupo B, existe tão somente a Ética, que pode ou não ir de encontro à moral desses grupos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-5411721579768714170?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/hGsrRor5l8m-E8C64hXG0CumvAA/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/hGsrRor5l8m-E8C64hXG0CumvAA/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/hGsrRor5l8m-E8C64hXG0CumvAA/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/hGsrRor5l8m-E8C64hXG0CumvAA/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/SMfY5UsQQxI" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/5411721579768714170/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/reflexao-etica-e-estado.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/5411721579768714170?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/5411721579768714170?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/SMfY5UsQQxI/reflexao-etica-e-estado.html" title="Reflexão: Ética e Estado" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/reflexao-etica-e-estado.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CE8FQHgzfip7ImA9WhRaF0k.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-835173653792589611</id><published>2012-02-20T10:00:00.000-03:00</published><updated>2012-02-20T10:00:11.686-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-20T10:00:11.686-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pessoal" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Linguagem" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Opinião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Economia" /><title>Dica: Como escolher uma segunda língua?</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-hhvl9rMQhIY/TzkLe6z5MMI/AAAAAAAAAz0/YdQ9opEKPuM/s1600/globaliza%C3%A7%C3%A3o-2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="241" src="http://1.bp.blogspot.com/-hhvl9rMQhIY/TzkLe6z5MMI/AAAAAAAAAz0/YdQ9opEKPuM/s320/globaliza%C3%A7%C3%A3o-2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Os bilíngues são divididos entre três grupos: os de berço, os que escolheram inglês, e os que escolheram outra língua. Tudo bem que poderia ser uma escolha menos arbitrária, mas essa seleção em torno do inglês baseia-se no sistema imperialista atual, em que uma cultura (e sua língua) projeta-se sobre um mundo inteiro, criando uma quase obrigação de que sua língua é que deva ser compreendida e falada. Aconteceu com a Babilônia, aconteceu com a Grécia, aconteceu com Roma, aconteceu com a Arábia, aconteceu com a Mongólia, por que não aconteceria hoje?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Porém, nem sempre o inglês é a melhor escolha para se aprender. Um mundo globalizado não depende de apenas uma língua para se comunicar, ela precisa de várias, pois cada uma diz respeito a uma cultura em específico (talvez em outro texto eu explique a relação língua-cultura). Aprender uma língua, na maior parte das vezes, dependerá do que você pretende fazer no futuro. Para compreender como se escolhe uma segunda língua para aprender, vejamos primeiro uma situação simples e corriqueira:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Você formou-se em Engenharia do Petróleo, tudo bem. Nada contra, nada a favor. É um fato, neutro, sem nenhuma implicação na minha visão de mundo. Porém, o curso exige uma segunda língua, e dentre as que ofereceu você escolheu o inglês. Foi uma escolha sábia: a maior parte do globo fala inglês, as grandes companhias de petróleo falam inglês, a maior parte dos manuais está em inglês. Porém, em uma entrevista de emprego, após o término do curso, o empregador pergunta se você sabe árabe. Você diz que não e perde a vaga. Você volta para casa e começa a procurar trabalho perto de casa mesmo. Oferecem, perto de você, um curso de japonês. Você se inscreve, e aprende japonês. Um dia te chamam para uma entrevista de emprego: é uma companhia petrolífera russa. Mais uma vez, você deu azar. Mas será que deu azar mesmo? Ou foi falta de atenção aos mercados de sua área de conhecimento?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A primeira coisa que deve nortear a escolha de uma segunda, terceira ou quarta línguas é um conjunto e fatores como praticidade, economia, área de trabalho, área de conhecimento e possibilidade. Muitas vezes não somos práticos na escolha de uma segunda língua, e aprendemos inglês achando que ele sozinho resolve os problemas. Muitas vezes, seu trabalho não exigirá muito além do inglês que você aprendeu na escola. O nome disso é praticidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Aprender uma língua depende muito mais do uso diário que você fará ou tem possibilidade de fazer dela que propriamente do alcance imperialista que ela possui. Dependendo da área de atuação profissional, você pode ter outras línguas que venham a acompanhar ou mesmo a substituir o inglês. Vejamos alguns exemplos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Dança Contemporânea&lt;/b&gt;: o inglês é uma boa escolha, mas, devido à grande tradição francesa na dança, e pelo fato de a Dança Contemporânea ter surgido como protesto ao Balé Clássico, é necessário também aprender Francês e Russo. Este último devido às grandes companhias de balé, como a Bolshoi.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Engenharia do Petróleo&lt;/b&gt;: pois é, citei acima, mas não justifiquei. O inglês é importante, mas como as grandes reservas de petróleo no mundo encontram-se em países árabes e na Rússia, é interessante, além do inglês, anexar o russo e o árabe nos seus conhecimentos linguísticos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Tecnologia Eletrônica e Informática&lt;/b&gt;: é sempre bom falar a língua dos que criam as tecnologias. Hoje, isso significa uma porrada de países. No mais, deve-se saber inglês, japonês, chinês e português (sim! o português!).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Tecnologia Mecânica&lt;/b&gt;: grandes companhias em torno do mundo constroem carros, helicópteros, aviões, caminhões. Quem envereda nessa área de atuação acaba aprendendo alemão, francês, inglês, japonês, russo e italiano.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esses são apenas alguns exemplos. Para entender que línguas devem ser aprendidas em sua área de atuação, meça então quatro pontos essenciais.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;1) O mercado&lt;/b&gt;: entenda o mercado. Se sua área de atuação for mais presente no Sudeste Asiático, é bom começar a aprender tailandês, malaio, indonésio, cebuano, vietnamita, lao. Se sua área é típica do Mercosul, aprenda inglês, espanhol e francês. Se for algo que precise lidar com mineiros ou com o comércio africano, não se reprima em aprender wolof, swahili, africâner, yoruba, haussa ou berbere. Se for algo que exija o aprendizado do japonês, não perca tempo aprendendo húngaro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;2) A bibliografia&lt;/b&gt;: uma boa dica para escolher a língua estudada é observar a bibliografia de seu curso. Suponhamos que sua área seja cheia até transbordar de autores poloneses. Será uma perda de tempo para você, então, começar a estudar inglês. Vá aprender polonês. Se os autores são quase todos indianos, aprenda hindi. Se são quase todos alemães, aprenda alemão.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;3) A dúvida&lt;/b&gt;: se não estiver conseguindo visualizar com clareza o mercado e se a bibliografia for heterogênea o bastante para não se ter uma visão clara, concentre-se nas línguas mundiais ou emergenciais: inglês, francês, espanhol, chinês, árabe. Mas, cuidado! Faça por onde aprender línguas de pelo menos dois continentes. Assim, pode-se falar uma da América do Norte e uma da América do Sul, ou uma da Europa e uma da África, por exemplo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-hdQhkYMR5L4/TzkMiPI9CvI/AAAAAAAAAz8/7ObxYH5pRJ8/s1600/mapa-de-idiomas.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="227" src="http://4.bp.blogspot.com/-hdQhkYMR5L4/TzkMiPI9CvI/AAAAAAAAAz8/7ObxYH5pRJ8/s320/mapa-de-idiomas.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Boa dica: veja no mapa as línguas mais faladas,&lt;br /&gt;
e escolha as que mais se adequam à sua situação.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;4) O prazer&lt;/b&gt;: às vezes, você quer aprender uma língua pelo simples prazer de aprender, ou porque pretende visitar um país, ou mesmo porque tem relações não econômicas com a mesma (língua dos ancestrais, da religião, da literatura etc.). Devido a isso, o aconselhável é que primeiro resolva-se com as línguas de interesse econômico, e depois comece a aprender as de interesse pessoal. Eu, por exemplo, sou louco para aprender libras, alguma língua khoisan, da Namíbia, e o nheengatu, do Brasil, além de romani (ancestralidade), chinês, japonês, páli, sânscrito e vietnamita (Budismo), italiano, hebraico, romeno, alemão e grego (gosto literário). Já consigo usar, porém, algumas línguas que são importantes para minhas necessidades econômicas e profissionais: inglês, francês, espanhol e latim. E, claro, uma língua que aprendi parcialmente pelo contato que tive com nativos: yathê (falada pelos índios Fulniô). Porém, precisei aprender essas cinco línguas primeiro, antes de partir para as demais. No momento estou aprendendo alemão e chinês, e espero que seja o suficiente por enquanto.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Portanto, caros leitores, espero que eu tenha sido útil. Quando for escolher uma segunda língua, escolha sabiamente, pois nem sempre o inglês é a única opção. Sempre dá para aprender mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-835173653792589611?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/BA1pNrQFumgUiEoAQ4nsd0cVw3U/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/BA1pNrQFumgUiEoAQ4nsd0cVw3U/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/BA1pNrQFumgUiEoAQ4nsd0cVw3U/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/BA1pNrQFumgUiEoAQ4nsd0cVw3U/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/eJZpOKpGmQI" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/835173653792589611/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/dica-como-escolher-uma-segunda-lingua.html#comment-form" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/835173653792589611?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/835173653792589611?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/eJZpOKpGmQI/dica-como-escolher-uma-segunda-lingua.html" title="Dica: Como escolher uma segunda língua?" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-hhvl9rMQhIY/TzkLe6z5MMI/AAAAAAAAAz0/YdQ9opEKPuM/s72-c/globaliza%C3%A7%C3%A3o-2.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/dica-como-escolher-uma-segunda-lingua.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkMFQngzeip7ImA9WhVTEE0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-2607597310675704496</id><published>2012-02-18T08:30:00.000-03:00</published><updated>2012-02-23T09:33:33.682-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-23T09:33:33.682-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Conhecimento" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Metafísica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Budismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicanálise" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Estoicismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pessoal" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Misticismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><title>Reflexão: A morte</title><content type="html">&lt;blockquote class="tr_bq" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Erguem-se trinta fantasmas atrás de cada homem vivo. É esta precisamente a proporção entre os que ainda vivem e os que já morreram. Cerca de cem bilhões de criaturas humanas já pisaram o planeta Terra desde que o mundo existe. (Arthur C. Clarke, * 1917, + 2008, no livro 2001, Uma Odisséia no Espaço).&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: justify;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Npzz7DouXsQ/TzZ_IiFrnaI/AAAAAAAAAzM/h1ZK7de7kuk/s1600/fazenda-de-corpos-2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="241" src="http://3.bp.blogspot.com/-Npzz7DouXsQ/TzZ_IiFrnaI/AAAAAAAAAzM/h1ZK7de7kuk/s320/fazenda-de-corpos-2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Algumas pessoas agarram-se a qualquer coisa&lt;br /&gt;
na esperança de viverem para sempre.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O medo da morte é comum, é ancestral, é um sentimento basilar dos instintos humanos. Dizem por aí que ninguém em sã consciência, procura a morte. Talvez por isso considerem o suicídio e o heroísmo uma loucura, pois, que outro nome daríamos a um ser que termina com sua própria vida? Porém, o medo da morte é uma reação instintiva a momentos de perigo, é o que nos mantém vivos. O problema da espécie humana é que aprendemos a ter medo da morte mesmo em situações de segurança extrema. O tempo todo pensamos nela, mesmo quando não somos conscientes disso. Desenvolvemos cultura, religião, arte, política, tudo por medo da morte, na esperança de que sobrevivamos a ela, ou que deixemos algo que sobreviva a nós. A vida é para poucos: é preciso coragem para experimentá-la em sua plenitude.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O que mais nos assusta na morte é que ela se parece muito com o nascimento, mas de modo invertido. Ambos têm um ponto de início, ambos são lineares, ambos são irreversíveis, ambos são complexos, ambos são terríveis e assustadores. Quando uma pessoa nasce, ela insere-se em uma existência, um espaço tomado de dor, sofrimento, dúvidas, medo, ao que chamamos Vida. Você não pediu para nascer, mas sua existência te imbui de responsabilidades sobre sua própria vida e, mais tarde, essa responsabilidade cresce para outras vidas. Todos os seres vivos são assim. Esse mundo em que você está não possui nenhuma certeza, e tudo, praticamente tudo é capaz de te fazer mal: do oxigênio que você respira ao carro que você dirige. Você, porém, começa a acostumar-se com a vida, e vai aos poucos relaxando: arruma umas certezas aqui, deposita o medo em outras coisas ali, inventa uns outros prazeres acolá, e isso tudo para fazer-lhe esquecer de um fato muito presente: você não durará para sempre.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Talvez seja isso que nos assusta. O nascimento e a morte são praticamente idênticos: vem-se do nada e vai-se para o nada. No fim, sua vida é nada. O meio termo entre esses dois processos de nascimento e morte é a vida. Diferente do nascimento e da morte, a vida não é definitiva e irreversível. Nos ocupamos dela por mais tempo, e acabamos nos habituando com seus revezes, criando para eles compensações: prazer, dinheiro, segurança, mitos, religiões, ilusões. No fim, invariavelmente, ela se encerra, e tudo o que construímos para dar-lhe sentido encerra-se com ela. Não há volta. A vida não é definitiva, lembra-se?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E o que faremos para sobreviver à vida? O que faremos para que tenhamos uma morte pacífica? E a morte que nos une, e que nos separa! Ninguém lembra da própria concepção e do próprio nascimento, e assim não sabemos como é sair do estado de completa inexistência para o existir. Se tivéssemos essa memória, por certo estaríamos mais preparados para sair do existir para o inexistir. Por não entender esse processo, as pessoas têm medo de partir para o vazio existencial que virá depois. Elas criam castelos em que possam tentar sobreviver, constroem casas dentro de casas, como bonecas russas no próprio ego, para que, no fim, tenham a certeza de que durarão mais, de que terão algo ainda após, de que serão eternas. Apesar de todas as desvantagens em viver, elas criaram muros que compensaram, e acreditam que esses muros são eternos. Não são. Por maiores que sejam os muro da segurança, do dinheiro, da religião, de todas as ilusões, um dia tudo desabará, e será em um único momento, um único minuto. Não terá retorno.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Em vários anos pensando a respeito, comecei a ler, a pesquisar, a tentar entender a própria vida, ao processo dinâmico que se mantém em pé enquanto pode, essa consequência aparentemente caótica do nascimento, indo sempre em direção ao ponto irreversível e definitivo do outro lado. Crises existenciais. Passei por elas. Qualquer pessoa sensata e sincera consigo mesma admitirá que já passou por elas. E até o fim, estaremos o tempo todo passando por elas. O que fazer então para partir despreocupadamente?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HoafmczXFQY/TzaBvHv2uHI/AAAAAAAAAzU/qHJMoYep6Ow/s1600/ci4080309.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="206" src="http://3.bp.blogspot.com/-HoafmczXFQY/TzaBvHv2uHI/AAAAAAAAAzU/qHJMoYep6Ow/s320/ci4080309.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Assim como ocorre na natureza, a maior parte das mortes&lt;br /&gt;
é repentina, violenta e rápida (e feia, muito feia).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O primeiro exercício a se fazer é compreender uma verdade simples, mas quase sempre esquecida. Adolescentes e crianças são mais facilmente enganáveis com a aparente permanência das coisas, mas a verdade é que até os mais velhos querem continuar existindo. Nada dura, nada tem permanência, tudo vive em mutação. Todos os nossos átomos são substituídos a cada sete anos, o que significa que já fui, na existência, quatro pessoas diferentes, e estou me encaminhando para a quinta. Nossos pensamentos e nossas opiniões mudam o tempo todo, hoje não sou a pessoa que era ontem. A sociedade muda no decorrer da história. As obras de arte podem parecer as mesmas, mas elas mudam de contexto, de interpretação, envelhecem, são restauradas, reeditadas. Nossas cidades morrem, se deterioram, mudam sua cara, sua segurança, sua economia, são abandonadas. A vida na Terra não durará para sempre, pois um dia o Sol crescerá a ponto de engolir-nos, e nada restará que anuncie que um dia estivemos aqui. Nossa própria vida passa por etapas: não sou mais criança, e tudo o que tenho hoje em saúde, beleza e disposição se esvairá daqui a pouco, na velhice. Se nada é permanente, o que me faz acreditar que eu seria?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O segundo exercício é abrir mão do ego. Devido ao nosso ego, temos a ilusão de que somos importantes, de que uma infinidade de universos possíveis, 250 bilhões de galáxias, 200 bilhões de estrelas locais, 9 planetas, 7 bilhões de pessoas e todas as coisas existem apenas para que esse ego possa existir. Mal sabe essa pessoa que seu ego é somente mais um dos trilhões de processos complexos que espalham-se pelo universo, pelo multiverso, por toda a existência. O que o faria acreditar que tudo isso existe só para garantir sua existência? Seu ego é um processo de um organismo repleto de vida, é um conjunto de ações, de reações, de aprendizados, de estruturas cerebrais e corporais, que fazem com que seu corpo funcione e reaja ao ambiente, e nada além disso. Você morre, e seu ego morre com ele. Nada sobrevive à sua morte, exceto um conjunto de ações que tendem a causar mais coisas futuramente, inclusive mais nascimentos e mais mortes, num misto de teoria do caos e dos sistemas. Você não aparecerá em um paraíso cheio de anjos lembrando-se do que passou, e muito menos em um inferno de chamas e sofrimento. Você vai simplesmente deixar de existir, como tudo o que o cerca deixa de existir. Nenhuma semente permanente e imortal restará de você, nada, nadica de nada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-J4urSi0ZNXE/TzaCXZDKAsI/AAAAAAAAAzc/IF9mtPRRRWE/s1600/ALeqM5iYDRzpslV3M3eOmbN4Z1ReHJ-tyA.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-J4urSi0ZNXE/TzaCXZDKAsI/AAAAAAAAAzc/IF9mtPRRRWE/s320/ALeqM5iYDRzpslV3M3eOmbN4Z1ReHJ-tyA.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O terceiro exercício é a contemplação (em outro texto chamei de Meditação e Autoanálise). Contemple a natureza, as coisas, os objetos de sua casa. Veja como duram pouco, como tendem ao desgaste, como se destroem com o tempo. Veja como são substituídos. Veja o caos no universo. Olhe para as estrelas. Numa delas, talvez, haja uma criatura muito diferente de nós, mas também olhando para o céu e imaginando se aquele sol amarelo, o nosso, teria um mundo com vida. Nisso você percebe que está em uma galáxia e que, em essência, você é a galáxia, é formado por compostos que ela criou, por elementos químicos que suas estrelas formaram. E então você percebe: não há motivos para a existência, as coisas apenas existem. Não há propósitos para a existência, não há direção para as coisas, não existe um sentido para a vida. Apenas viva sua vida! As coisas não precisam de um motivo, de um propósito, de uma direção, de um sentido. A vida nunca precisou de um sentido!&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O quarto exercício é entender que você não é nada diante do todo. Muitas vezes, quando temos uma doença, queremos entender que somos importantes o suficiente para que todos tenham de se condoer de nossos problemas e sofrer ao nosso lado. Mas, o que é você diante de toda a história da humanidade? Todos morrem. O que era um fato para um faraó egípcio é um fato também para um favelado brasileiro. As chances de você ser um anônimo na história são grandes. Quantas pessoas, das mais de cem bilhões que já pisaram no planeta, você sabe o nome e o que fizeram da vida? Você é apenas um indivíduo em uma geração a mais dentre as mais de 13.000 gerações que nos separam dos primeiros representantes de nossa espécie. Somos apenas mais uma espécie dentre as mais de 30 milhões que convivem conosco no planeta. As 30 milhões de espécies são apenas as atuais, pois nosso planeta tem mais de 3,9 bilhões de anos em evolução da vida. Mesmo assim, nosso planeta tem 6 bilhões dos mais de 13 bilhões de anos do Universo (praticamente metade do tempo de sua existência). Nosso planeta talvez dure ainda un 5 bilhões de anos, até a morte de nossa estrela, e por certo não teremos o universo para sempre, alguns cálculos mais otimistas jogam o universo para até 120 quintilhões de anos no futuro. Enfim, você acha que seus 20, 40, 80 anos de vida signifiquem algo diante de tudo isso? Estou falando apenas no tempo. No espaço, somos o pó do pó do pó do pó do pó do pó do micropó da existência. Você acha que ficar rico, famoso, poderoso, saudável fará algum efeito? Somos nada, seu cabra! Ponto final!&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-JDoGyoxDpJk/TzaCq_r2y6I/AAAAAAAAAzk/V7H9vqjLOos/s1600/g_howarth.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://2.bp.blogspot.com/-JDoGyoxDpJk/TzaCq_r2y6I/AAAAAAAAAzk/V7H9vqjLOos/s320/g_howarth.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Já esteve em um hospital com crianças com câncer?&lt;br /&gt;
Fonte: &lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://www.adelaide.edu.au/adelaidean/image4908/g_howarth.jpg.html" target="_blank"&gt;Adelaidean&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O quinto exercício é entender que a diferença que fazemos entre nascer e morrer são apenas ilusões. Nascer e morrer são dois eventos definitivos, uma vez que aconteceram, não têm retorno. O conjunto de causas que existiram antes de você e culminaram em seu nascimento, a sua vida que resultou do seu nascimento e o conjunto de efeitos-causas que restará após a sua morte são apenas contingentes. Os eventos, em si, são completamente definitivos. Você tem dois pais antes de você nascer. Até ali, você é só uma possibilidade entre outras infinitas possibilidades. Mas você é concebido, é finalmente uma existência. Você já existia antes, em outras formas, em outras existências: a luz que alimentou as plantas que alimentaram seus pais, seus pais, a carne dos animais que alimentaram seus pais, e depois passou a ser o que você é durante sua vida por meio das mesmas causas. Enfim, você morre. Com o evento definitivo da morte, você passa a ser apenas mais uma causa, uma possibilidade que se realizou e enfim passou. Será alimento para os vermes, pó para a Terra, lembrança e luto para os vivos, e essas coisas culminarão em outros nascimentos, em outras mortes, em um ciclo longo e interminável. Logo, não existem diferenças ontológicas, metafísicas, entre o nascer e o morrer: são eventos de mudança de ser no sistema de existências e inexistências. Enfim, toda a sua vida resume-se a uma causalidade, pois até mesmo o evento derradeiro dela, a morte, só ocorre em função de você estar vivo. A melhor forma de escapar da morte é não nascendo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O sexto exercício é concentrar-se no agora. Você já nasceu, e não há nada que se possa fazer a respeito. Está no passado. Você não está mais nascendo, já nasceu, é algo definitivo. Há apenas um agora, a vida. Se está vivo, então viva! Vá ler um livro, aprender algo, ter filhos, festejar. Você pode morrer amanhã, depois de amanhã, daqui a oitenta anos, mas ainda não morreu, ainda está vivo. Não aproveite, porém, o momento pensando no futuro. Adolescentes sem perspectiva fazem isso: drogam-se, fazem estripulias, exageram, pois amanhã eles podem morrer. Vivem em função da morte, e querem aproveitar a vida ao máximo dos prazeres enquanto dá. É outro erro: vivem do futuro. Você ainda não morreu! Há tempo para uma porção de coisas, então viva naturalmente, viva normalmente. Continue indo à escola, continue lendo livros, continue indo a festas, continue fazendo amigos. Isso também serve aos espiritualizados que creem em vida após a morte. Não joguem suas esperanças ao que está atrás da cortina da morte definitiva. Você só consegue enxergar até ela, e não além dela. Vivam o agora. Não guardem a virgindade pensando em ir para o paraíso após a morte, nem deixem de viver prazeres por medo de um inferno depois da morte. Vivam os prazeres e as dores, as angústias e as alegrias, as dúvidas e as certezas, o medo e a segurança, vivam tudo o que tiverem para viver agora, e não o que tiveram para viver antes, e muito menos o que terão de viver depois. Vivam tão somente o que dá para viver agora.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O sétimo exercício é fortalecer sua dignidade. As pessoas acham que viver com dignidade é viver com posses, com dinheiro, com mulheres, com fama, com poder, com saúde, com juventude, com beleza. Essas pessoas acham que viver dignamente é viver pondo-se esperançosamente em coisas que não dependem de você, que são externas a você, que podem acabar com o tempo, e que desaparecerão assim que você morrer. O que for com você, morreu contigo. O que não foi com você, agora é de outra pessoa. Na hora de morrer, os indignados choram, chutam a parede, não admitem que aquilo esteja acontecendo com eles. Acham-se imortais, pensam que são eternos, seus egos são inflados ao ponto de não quererem aceitar o fato de que eles, assim como todos os outros, são finitos e pequenos. Um mendigo indigente que morre despreocupado na rua tem mais dignidade que um ricaço que morre chorando no hospital. Ambos podem ter o mesmo câncer, sofrer as mesmas dores, e ambos terão suas experiências e suas vidas encerradas para sempre em suas mortes. Mas o dignado apenas morre sabendo que fez o possível, enquanto que o indignado morre sempre com a sensação de que não fez o suficiente. Desenvolver a dignidade é importante, pois nos ensina que quem não está satisfeito com o que tem em mãos, aquilo que tem em mãos nunca o satisfará. Se você não está satisfeito com sua vida, sua vida nunca o deixará satisfeito, mesmo que conquiste o universo inteiro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-29Nseqlsvks/TzaDFYGQPMI/AAAAAAAAAzs/N4WLSblQkdI/s1600/velhice.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-29Nseqlsvks/TzaDFYGQPMI/AAAAAAAAAzs/N4WLSblQkdI/s1600/velhice.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;O medo aumenta com a idade&lt;br /&gt;para os corações despreparados.&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O oitavo e derradeiro exercício é o mais difícil, pois exige sangue-frio, coragem, determinação e identificação. É a solidariedade. A solidariedade é, geralmente, um ato de identificação: você vai à situação do outro, onde ele está, e abre mão de uma parte de si mesmo para que o outro possa ser mais feliz. Assistência social é solidária. Caridade é solidária. Mas ninguém nunca imaginou que a solidariedade poderia estar na própria morte. Gosto de dizer que um dos meus maiores mestres foi um amigo de João Pessoa/PB, hoje aposentado, que trabalhava no Instituto Médico Legal. Às vezes, depois da aula, eu ia comprar um lanche. Certa vez, peguei o lanche debaixo de chuva, e me protegi no IML. Lá dentro, um médico legista já velho conversava comigo, sentia saudades de ter gente viva para conversar às vezes. Com o tempo, comecei até mesmo a entrar na sala de necrópsia e a ver corpos desmembrados, em decomposição, congelados. Aquilo foi esquecido com o tempo. Hoje, entendo aquilo como um exercício: entender e acompanhar a morte alheia é um ato de solidariedade, pois estão todos no mesmo barco. Veja a carcaça de uma vaca apodrecendo e encare aquilo como real, como comum a todos os seres, até mesmo aos que comem aquela carcaça. Visite o IML, veja corpos desmembrados, pessoas mortas. Vá a velórios. Visite cemitérios. A princípio é assustador, mas com o tempo você se acostuma, e entende que a tendência sua, e deles, e de todos, é um dia terminar. Se terminar de forma violenta ou calma, dolorida ou indolor, repentinamente ou durando semanas, é algo que não fará a menor diferença. Todos vamos embora de qualquer jeito. Enxergar do modo certo um gato atropelado e mal-cheiroso, repleto de larvas de moscas, vendo-se nele, entendendo-se nele, às vezes ensina mais que todas as religiões do mundo reunidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-2607597310675704496?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/cIX7L101RHpirzeadcE8KSVe8Ag/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/cIX7L101RHpirzeadcE8KSVe8Ag/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/sJmrGtZ8fyU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/2607597310675704496/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/reflexao-morte.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/2607597310675704496?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/2607597310675704496?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/sJmrGtZ8fyU/reflexao-morte.html" title="Reflexão: A morte" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-Npzz7DouXsQ/TzZ_IiFrnaI/AAAAAAAAAzM/h1ZK7de7kuk/s72-c/fazenda-de-corpos-2.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/reflexao-morte.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkcFQ3o-fyp7ImA9WhRaE0Q.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-5693545477251377925</id><published>2012-02-16T08:00:00.000-03:00</published><updated>2012-02-16T08:00:12.457-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-16T08:00:12.457-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pessoal" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Conhecimento" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Linguagem" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Dicas de Escrita" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Trajetória poética" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Estética" /><title>Crítica: A Síndrome do Rinoceronte Machadiano</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NUZsH3TU1qY/SkWo1rD_EMI/AAAAAAAAAzA/Q8lwgQdD65k/s400/n.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_NUZsH3TU1qY/SkWo1rD_EMI/AAAAAAAAAzA/Q8lwgQdD65k/s200/n.jpg" width="168" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Quem é escritor como eu já passou por isso: tentar escrever em um determinado subgênero literário e, de repente, ver-se cauteloso em usar elementos interessantes que, a princípio (e pela pouca leitura ainda do próprio escritor) não fazem parte daquele universo estilístico. Todo escritor inexperiente demora para atentar para algumas verdades inerentes à própria produção, e uma delas é que os rótulos servem mais como orientação a críticos, jornalistas e editores, e servem menos a escritores. Estes, ao lado dos escritores inexperientes, estão presos a um conceito que gosto de chamar de &lt;i&gt;Síndrome do&amp;nbsp;Rinoceronte Machadiano&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Rinoceronte Machadiano é um elemento que aparece em &lt;i&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/i&gt;, durante &amp;nbsp;devaneios/memórias iniciais da personagem no túmulo. É um elemento estranho relativo ao texto que, por suas próprias características, não deveria estar lá (sugiro ler o livro de Machado de Assis para entender o que estou dizendo).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;
Minha experiência pessoal enquanto escritor pode ajudar a elucidar um pouco o caso. Desde que comecei a escrever, eu me afeiçoo por três subgêneros literários: fantástico, ficção científica e cosmogonias. As duas primeiras são típicas do mundo moderno (apesar de hipóteses que as "localizam" na Antiguidade) e a terceira é corrente em quase todos os mitos humanos. Porém, assim que conheci a literatura fantástica, comecei a me preocupar em não inserir elementos de ficção científica ou de quaisquer religiões. Já conhecia Tolkien desde a adolescência, principalmente &lt;i&gt;O Senhor dos Anéis&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e &lt;i&gt;Mestre Gil e Ham&lt;/i&gt;, mas &lt;i&gt;O Silmarillion&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;O Hobbit&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Contos Inacabados de Numenorë e da Terra Média&lt;/i&gt; só viriam a ser lidos após os 25 anos, o que me fez manter um pouco desse ideário da "pureza dos estilos" por um tempo ainda.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Essa informação à parte desenvolveu uma "personalidade literária" diferente da que eu teria caso esses livros fossem conhecidos desde a adolescência. Meu insaite ao me deparar com &lt;i&gt;O Silmarillion&lt;/i&gt;&amp;nbsp;foi o de perceber que o escritor cria suas personagens a partir de elementos de sua própria natureza, mas internalizadas do meio em que ele viveu (a desculpinha de que sua obra não é uma alegoria da II Guerra não cola comigo). Por isso, acredito que o Gollum era, além de uma criação externa ao autor, a própria identificação com o autor. A partir de Tolkien também cheguei a conhecer Marion Zimmer Bradley e C.S. Lewis, mas tinha reservas em relação à literatura engajada deles (hoje, estou mais relaxado a esse respeito).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Gollum era uma personagem problemática, e isso significa que Tolkien era também uma pessoa problemática. Tolkien demonstrou, então, que o escritor, antes de escapista, é um expositor de si mesmo. O escritor é um problemático explícito, mas dá outro nome ao seu problema. As personagens de Bradley são problemáticas, o que significa que ela também era. E o que dizer das personagens de José Lins do Rego, Guimarães Rosa, José Saramago e muitos outros que escreveram obras primorosas ao redor do mundo? Claro que a problematização é coletiva, daí a identificação com essas personagens, mas isso se explica pelo fato de esses escritores não tirarem nada de si mesmos, mas de seus problemas inseridos em um universo coletivo, que impõe a problemática sobre os demais entes da sociedade. Escritores são humanos, e, como todos os demais humanos, criam personagens problemáticas que, como todos os demais problemáticos, se identificam com os problemas alheios.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Literatura e realidade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Daí que vem uma pergunta: o que é o narrar? o escrever? o expressar? Quando lidamos com o mundo, lidamos com as coisas do mundo, e como nossos sentidos não são completamente fiéis às coisas do mundo, o que nos chega é tão somente a realidade, o fenômeno, aquilo que conseguimos filtrar e interpretar das coisas. Logo, o que temos nas nossas mentes é apenas uma construção, não tem valor de factualidade. &amp;nbsp;Lidar com a realidade exige métodos, alguns pessoais, outros criados coletivamente. Sempre que lidamos com o real, contrastamos a realidade nossa com a realidade do outro, criamos um confronto. Os métodos pessoais de confronto advêm da experiência pessoal com a realidade. Os métodos de confronto criados coletivamente são aqueles que passam por um consenso, que exigem um acordo entre emissor e receptor da mensagem quanto ao código utilizado. Há inúmeras formas de expressar sua realidade, narrar é uma delas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A mitologia, ao narrar, cria uma epistemologia, um ponto de conhecimento sobre a realidade, um foco de apoio. A ciência, a literatura, a filosofia, as artes plásticas, o cinema, todas as formas de expressão do real nada mais são que formas de confrontamento, desvirginam as percepções, nos levando a experimentar um pouco das coisas como são de fato por trás da cortina da realidade. Se a mitologia é uma epistemologia, tudo o que se baseia nela é uma forma de conhecimento.&amp;nbsp;Se a mitologia é um grande repositório de arquétipos sociais que lidam com elementos naturais ou psíquicos por analogia (Zeus não é apenas uma visão do trovão, como também uma visão do humano).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E o que isso tem a ver com os subgêneros literários? Simples: elementos estranhos ao comum do próprio gênero são realidades novas na construção do real.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;A Síndrome do Rinoceronte Machadiano&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tomemos como exemplo os animais mágicos. Poderíamos elaborar uma lista tremendamente grande de animais dotados de poderes sobrenaturais, desde o Touro que levou Europa a Creta, passando pela Burrinha de Balaão e pela aranha Anansi, e culminando em exemplos como as águias de Tolkien, os animais falantes de C.S. Lewis, e os animais da fazenda de Monteiro Lobato. Os animais mágicos, portanto, inserem-se em um conjunto muito reduzido de subgêneros (mitologia, fantástico, ficção científica etc.), mas, vez por outra, eles rompem as barreiras e aparecem em outras formas literárias (como o rinoceronte de &lt;i&gt;Memórias Póstumas de Brás Cubas&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tudo bem que, em povos conhecidos pela economia baseada na caça e na coleta, o animal mágico, místico, ocupa uma posição central. Essa entidade, conhecida como &lt;i&gt;animal mestre&lt;/i&gt;, é crido como aquele que traz as manadas todos os anos. Se observarmos os povos caçadores do passado, veremos crenças bem semelhantes, desde a crença nos Mamutes Místicos até as Arribaçãs Mágicas dos povos cariris. Logo, é um elemento comum ao estilo de narrativa que se desenvolve nesses povos.&amp;nbsp;Tudo bem, também, que o Fantástico seja uma literatura caracterizada pela quebra com a verossimilhança e pelos elementos &lt;i&gt;não comumente reais&lt;/i&gt;&amp;nbsp;em seus textos, o que justificaria os animais mágicos. Tudo bem, mais uma vez, que textos como os de ficção científica e os cordéis também justifiquem a presença de um animal mágico ou falante. Mas, o que um rinoceronte faz na obra de Machado de Assis?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se um narrador encontra-se em um povo com determinadas características, ele é o filtro não somente da própria realidade, mas da realidade de um povo inteiro. Ele vive um &lt;i&gt;stablishment &lt;/i&gt;semi-fixo, e sua narração tem um fator de coesão social forte. No caso de um narrador mítico, isso é o que justifica sua apelação para elementos fantásticos. O escritor de fantasia também mostra-se comprometido com um status quo estilístico, ainda que um um status quo mais reduzido, mais fragmentado, preocupado mais com a elaboração de uma forma textual que propriamente com um contexto externo à obra. Repito: o que um rinoceronte faz em uma prosa realista?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Quem já tentou escrever um conto, uma novela ou um romance fantástico, de certa já passou por esse impasse: representar um discurso status quo do estilo selecionado ou simplesmente escrever sem caracterizar-se em nenhum subgênero em específico? A maioria, preocupada em atingir leitores e seguir a moda, termina por caminhar no &lt;i&gt;stablishment&lt;/i&gt;, para o qual fantástico é tudo aquilo que tem mitologias, elfos, orcs, deuses e que se passa em um outro tipo de mundo. Outros escolhem, em uma prosa realista, justificar tudo factualmente, como se a verossimilhança externa ou com os clichês do gênero fossem todos obrigatórios. Esse foi o caso do rinoceronte em Machado de Assis, um elemento estranho à construção, inserido propositadamente (eu gosto desse recurso e uso de propósito, pra deixar os bestas reclamando da inverossimilhança).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Alguns escritores são especialmente preocupados tão somente em narrar e criar, sem moldar-se previamente a nada em especial. É comum um escritor afeiçoar-se a determinados estilos ou subgêneros, como fantástico, ficção científica, cosmogonias míticas, epopeias clássicas, cordéis, literatura policial, romances realistas, regionalismo etc. Os escritores podem começar escrevendo ou produzindo algo em torno desse subgênero ao qual se aproximam mais, o que é perfeitamente compreensível. Mas o escritor realmente preocupado em escrever, aos poucos, começa a libertar-se mais dos elementos determinados pelo status quo do estilo (ao que costumam chamar de clichê), e sua inovação está justamente no fato de inserir nesse estilo elementos que não lhes são próprios (imaginem reescrever um livro semelhante a Dom Quixote em que, do nada, sua lança atire raios laser).&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Diante de um Vladimir Propp, por exemplo, pode-se afeiçoar-se pelos contos populares russos e elaborar algo semelhante, mas, com o tempo, o caminho natural em um bom escritor é começar a quebrar com essa realidade pré-estabelecida pelos &lt;i&gt;seguidores&lt;/i&gt;&amp;nbsp;do estilo. Não é incomum um escritor que usa conscientemente as esferas de ação de Propp começar a matar o herói no começo da narrativa e seguir com o texto agora em fluxo da consciência do ponto de vista do antagonista. Da mesma forma, o escritor russo Kirill Eskov reescreve a obra de Tolkien do ponto de vista dos Orcs. Mesmo um fã de literatura do século XIX de vez em quando assume uma postura de rompimento, de subversão (que o digam as dezenas de mashups espalhadas por aí).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Logo, não há o que caracteriza um estilo. O que há é tão somente o que esse estilo é na tradição, independente de como desenvolverão mais à frente seus escritores-fãs.&amp;nbsp;O subgênero é uma bússola, um ponto de referência, mas é mais útil a críticos, jornalistas e editores que propriamente a escritores. Quem escreve e acha útil a delimitação, vai um má notícia: significa que você ainda é iniciante, não importa há quantos anos você escreva.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-5693545477251377925?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_EK9mkHEtnA8/TE7qWOB76gI/AAAAAAAAAVY/DfaVv6g-ykA/s1600/aprender.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://4.bp.blogspot.com/_EK9mkHEtnA8/TE7qWOB76gI/AAAAAAAAAVY/DfaVv6g-ykA/s200/aprender.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Gosto de dizer (é sério, gosto mesmo de dizer) que &lt;b&gt;&lt;i&gt;a espécie humana é um paradoxo similar a um buraco-negro&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;: difícil de entender, difícil de estudar, difícil de categorizar, difícil de observar e difícil de conceber. Mesmo assim, contra todas as lógicas possíveis, existimos. Professores são humanos e, portanto, são entremeados por seus próprios paradoxos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Explicarei melhor&lt;/b&gt;: quantos professores que me leem são contra a ditadura? Claro que a maioria dirá a si mesma que é contra a ditadura. Que educador, em sã consciência, seria a favor de um sistema autoritário, fascista, que priva outras trocas de informação além das permitidas, que cerceia a liberdade de expressão, que impõe sua vontade sobre as individualidades e ainda pune com a perda de direitos ou a exclusão social toda e qualquer quebra de normas abusivas e diminuidoras da liberdade? Ditadores, ou pessoas que agem e pensam assim, mereceriam a morte, não é?&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Complicado pensar assim, pois se matássemos todos os ditadores, o Brasil ficaria sem professores. Veja bem seu comportamento em sala de aula enquanto professor (quem não é professor, verifique também aqueles que os ensinam) e verificarão bem do que estou falando: os professores são autoritários, irritadiços, homogenizam seus alunos (fascismo), não deixam os alunos conversar nem um pouquinho, não permitem que eles relaxem, não deixam os alunos se expressarem livremente (usando boné ou dormindo, por exemplo), impõem sua vontade sobre a individualidade dos alunos, e qualquer aluno em sã consciência que perceba o quanto o professor é abusivo, é retirado da sala de aula ou suspenso pela coordenação.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não há salário baixo que justifique esse tipo de comportamento, pois seria o mesmo que pagar um salário mínimo a um senador e usar isso para justificar a corrupção. O salário interfere na qualidade do serviço, e não na forma de tratamento interpessoal (há pessoas miseráveis que respeitam o outro melhor que muito ricaço por aí). Alguns de meus amigos são professores, terminantemente contra a ditadura, mas apoiam contradições, como o modelo tradicional de ensino, o politicamente correto e as distorções dos movimentos sociais. Enfim, um paradoxo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A culpa, porém, é de nossos sistema educacional fixo, unimodal e sem nenhuma reflexão crítica a respeito do próprio ato da educação. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases), em seu Artigo 34, por exemplo, reza:&lt;/div&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;
&lt;i&gt;Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Claro que a própria lei, em seu Artigo 3º, inciso III, garante &lt;i&gt;o &lt;b&gt;pluralismo de ideias e concepções pedagógicas&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. O pluralismo não é de ação, não é de execução, não é de prática, mas tão somente de ideias e concepções, ou seja, um pluralismo tão somente teórico. Podem estar dizendo que estou interpretando, mas o problema é que a lei não fala nada sobre o mundo prático, fica apenas na teoria.&amp;nbsp;Sobre outras modalidades, há umas poucas linhas sobre educação a distância (Artigo 32, Inciso IV, parágrafo 4º; Artigo 62, parágrafos 2º e 3º, e algo mais específico no Artigo 80).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O problema é que o Brasil se vale ainda de uma Lei de Diretrizes e Bases filha de um sistema de ditadura, com pouca modificações, e ainda presa às concepções de mundo fechadas dos pais da maioria dos alunos. O resultado é uma educação cerceante, repleta de conteúdos inúteis, ineficiente, desfocada, autoritária e pessimamente organizada. Se a educação é cerceante, significa que ela não forma os alunos, ela os desmancha e os esquece. Os conteúdos são inúteis, pois os alunos saem conhecedores de número complexos e literatura brasileira, mas são completamente inaptos para consertar uma pia entupida. A educação é ineficiente: ela não se presta àquilo a que se propôs (alunos saem do ensino médio sem saber nem mesmo escrever um texto). A educação é desfocada, pois o generalismo dos conteúdos não á liberdade de qualquer aluno focar no que quer para seu futuro. A educação é autoritária, tirando a voz e a defesa dos alunos, seus maiores interessados. A educação brasileira é pessimamente organizada, e os salários dos professores e as condições físicas das escolas refletem bem isso.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A coisa mais urgente e rápida para resolver isso é garantir aos professores ferramentas para que possam gerir com mais cuidado seu processo educativo. Falta aos professores um treinamento para que possam usar outros modelos educacionais além do tradicional Oral-Expositivo, e falta ao Estado sensibilidade para outras modalidades educacionais que podem ser perfeitamente aplicáveis (algumas sairiam até mais barato, e o único preço que se pagaria seria o menor controle político sobre os alunos). E que modalidades poderiam ser aplicadas no Brasil? Listei um conjunto de 21 modalidades, recolhidas de fontes diversas, que poderiam ser escolhidas por professores, escolas, estados e até mesmo disponibilizadas como opções válidas pela própria União.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;1. Presencial de Campo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O modelo presencial de campo nada mais é que uma educação presencial, com horário fixo, local livre e turmas tradicionais em que o professor demonstra o conteúdo estudado de forma prática, como em uma oficina ou num laboratório. Um professor de Biologia poderia dar sua aula na beira do mar, e um professor de redação organizaria sua aula em uma praça, em forma de sarau de leitura. A avaliação costuma ser conjunta (ou seja, cada aluno é avaliado pelo professor e pelos demais).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;2. Presencial Expositiva&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É o modelo que chamamos de tradicional. Nele, há um local fixo, um horário fixo e turmas tradicionais em que o professor expõe oralmente o conteúdo (ou segue uma dinâmica de regras fixas), e avalia os alunos individualmente e pessoalmente por meio de exercícios ou de pergunta-resposta. Por ser aquele a que todos fomos expostos em nosso histórico escolar, é geralmente o modelo que os professores acabam seguindo (e ao qual acabam se limitando) em sua prática profissional.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;3. Presencial de Círculo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Exige local fixo, horário fixo e turma tradicional. Foi muito usado por Paulo Freire, preconizando apenas que o conteúdo seja apresentado superficialmente e depois discutido livremente por todos os membros da turma, sendo o conteúdo apresentado apenas um ponto inicial, podendo até mesmo ser desviado para questões que interessem aos alunos. A avaliação se dá por participação e menos por memorização do conteúdo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;4. Presencial Orientada&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não há um horário fixo, mas pode não ter um local fixo. A relação professor-aluno é de 1 para 1. Esse modelo educacional requer apenas que o aluno deseje ler sobre determinado assunto (ou deseje realizar as leituras inerentes a todas as disciplinas de um curso). Em vez de um professor, teríamos um tutor ou orientados, que apenas direcionaria e guiaria os livros que esse aluno quisesse ler, estaria presente para tirar dúvidas durante a leitura, e realização a avaliação por meio da produção de qualquer coisa que demonstrasse compreensão e domínio do conteúdo lido (podendo ser uma dissertação, uma tese, uma peça musical, um relatório, um estudo de caso, etc.). É mais usado nas pós-graduações.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;5. Presencial Mista&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esse modelo, apesar de muitos professores acharem que aplicam, é extremamente raro e difícil de executar.&amp;nbsp;Muitos professores Expositivos dão uma verdadeira aula aos seus orientando sobre o conteúdo, e acham que com isso eles orientaram (muito professor de pós-graduação faz isso). Um professor que usa o modelo presencial misto alterna entre esses diversos modelos, de modo a alcançar melhor todas as potencialidades de seus alunos. Um professor que opte por esse modelo deve estar mais disponível em tempo que os demais.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;6. Autodidatismo Dirigido&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-eBWAOVzZUzE/TzpAKuZ5rpI/AAAAAAAAA0M/UfpsbhTbzHs/s1600/leitura.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="290" src="http://2.bp.blogspot.com/-eBWAOVzZUzE/TzpAKuZ5rpI/AAAAAAAAA0M/UfpsbhTbzHs/s320/leitura.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Semelhante à modalidade Presencial Orientada, mas com a diferença de que o aluno não precisa da presença do professor para que possa dirigir suas leituras e seu aprendizado, mas precisa de um orientador ou um tutor, que dá a bibliografia e se ausenta. O aluno então escolhe ler tudo o que desejar sobre o assunto, e realiza tão somente um teste final que ateste eu domínio dos conteúdos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;7. Autodidatismo Pleno&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O autodidatismo pleno exige apenas que o indivíduo queira ler e pesquise por si mesmo. Se quiser ser credenciado, que realize uma avaliação que ateste seus conhecimentos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;8. Homeschooling de Campo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Homeschooling é a educação feita em casa, pelos pais, que leem, estudam e direcionam seus próprios filhos. No final de cada etapa, seus filhos podem realizar uma avaliação que ateste seu domínio dos conhecimentos. No Homeschooling de Campo é semelhante ao Presencial de Campo, com a diferença de que é executada pelos próprios pais ou tutores legais do jovem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;9. Homeschooling Expositivo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Similar ao Presencial Expositivo, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;10. Homeschooling de Círculo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Similar ao Presencial de Círculo, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;11. Homeschooling Orientado&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Similar ao Presencial Orientado, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;12. Homeschooling Misto&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Similar ao Presencial Misto, com a diferença de que é executada pelos pais ou tutores legais do jovem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;13. A Distância Interativo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O modelo a distância interativo implica no uso de tecnologias que permitam a interação e a troca de conhecimentos entre os alunos e o professor. Nesse modelo, não há um horário fixo, um local fixo ou uma turma no estilo tradicional. O professor é anulado à posição de "mais um" que faça uso da tecnologia e esteja cadastrado no curso, e sua função se resume a manter os alunos motivados e informados. Digamos que a função dessa modalidade é que os alunos dirijam eu próprio aprendizado, e até esqueçam que o curso possui algum professor.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;14. A Distância Personalizado&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Realizado por carta ou e-mail, é o modelo a distância de 1 para 1, um professor responde um aluno de cada vez, e os alunos não trocam muitos conhecimentos entre si. Mesmo assim, há no mesmo a liberdade de gerir seu próprio aprendizado e, assim como no modelo Interativo, o objetivo do professor é ficar praticamente invisível no processo como um todo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;15. A Distância de Massa&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Há um horário fixo (a não ser que se disponibilize o material posteriormente), mas o local não é fixo, e a turma não é tradicional. Nesse modelo, o aluno aprende por meio da exposição audiovisual de massa ou escrita (TV, rádio, jornal), e depois responde o material escrito de exercícios. O modelo a distância de massa é, por exemplo, o que testemunhamos todas as manhãs com o Telecurso da Fundação Roberto Marinho.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;16. A Distância Autoinstrucional&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O professor envia um material explicando ao aprendente não apenas parte do conteúdo, mas também como ele deve estudá-lo. O modelo a distância autoinstrucional se dá geralmente por escrito. O aluno recebe um material que ensina a ele como obter o conhecimento desejado, quais fontes buscar, como realizar os exercícios e as atividades e como se avaliar. Ou seja, é um modelo que prevê tão somente um conjunto de instruções para que o aluno possa aprender sozinho um conteúdo específico.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;17. Pesquisa Dirigida&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Na pesquisa dirigida, o aluno recebe um conjunto prévio de conhecimentos por meio de qualquer outra modalidade, e depois participa de um grupo de pesquisas. Com ou sem um orientador, o grupo se auxilia mutuamente, estudando, pesquisando e construindo suas conclusões em conjunto acerca do objeto pesquisado. É um modelo coletivo que não prevê a presença de um educador, e sua avaliação se dá por publicação de pesquisa.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;18. Grupo de Estudos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um grupo de estudos é uma estrutura não hierarquizada e não fixa. Há um assunto em específico que todos os membros do grupo desejam estudar, que é lido, discutido, avaliado e somado à sequência de conhecimentos. Um grupo de estudos pode escolher ler sobre qualquer assunto, seguir qualquer velocidade, e os membros ajudam uns aos outros acerca de eventuais dúvidas que apareçam. No fim, podem inclusive realizar uma prova que ateste os conhecimentos adquiridos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;19. Grupo de Leitura&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O grupo de leitura apenas se reúne e lê, em voz alta, os livros que foram escolhidos, e em seguida discutem o tema. Diferente do grupo de estudos, há um tema específico ou assunto a ser seguido (leitores de filosofia, de ficção científica, de teatro etc.).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;20. Sistema Matético&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
No sistema matético, o professor não ensina ao aluno o conteúdo, mas apenas técnicas de aprendizado, memorização, associação, fichamento, e deixa o aluno livre para estudar o conteúdo à sua maneira. No sistema matético, o aluno não aprende o conteúdo, ele aprende a aprender o conteúdo. Pode ser executado presencialmente ou a distância, ou mesmo ser feito em casa, e pode facilmente migrar para uma das duas formas de autodidatismo apresentadas aqui.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;21. Sistema Peripatético&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O peripatetismo prevê apenas um mestre que exponha os conteúdos e seja seguido por um conjunto e alunos para onde quer que ele vá. Nesse modelo educacional, tudo o que um professor vê torna-se um motivo para ensinar algo. É muito usado por mestres religiosos e filosóficos, mas nada impede que não possa ser usado por professores regulares (como, por exemplo, escolher a sexta-feira inteira para expor seus conteúdos).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E olha que deixei de lado uma porrada de outras modalidades: &lt;i&gt;coaching (executivo, life coaching, de performance)&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;couseling&lt;/i&gt;, tutoria (ou &lt;i&gt;mentoring&lt;/i&gt;), jogo teatral etc.&amp;nbsp;Uma coisa que Celso Antunes falou uma vez (não me perguntem onde!) é que qualquer modalidade educacional, se bem executada, poderia formar um bom médico ou um bom professor, e qualquer modalidade educacional, mal executada, geraria um médico ou um professor ruins. O problema do Brasil é que os professores se viciaram em apenas um modelo, jogam a culpa no salário (apesar de até os mais bem pagos serem igualmente viciados no modelo presencial expositivo), e ainda executam mal o seu trabalho de professores (a maioria dos que recebem mais de 3 mil mensais são péssimos professores). Enfim, apesar de ser professor, é um &lt;i&gt;puxão de orelha&lt;/i&gt;&amp;nbsp;que estou dando à minha classe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez algum colega ou amigo professor venha me inquerir aqui: como não sabemos ensinar? Enfrentamos duas gerações de bandidos, gerações de corruptos, um povo que não nos valoriza e ainda assim fazemos nosso trabalho... Eu reponderei: se ainda há bandidos, corruptos e gente que não valoriza o professor, então ainda fazemos nosso trabalho do modo errado!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-5584138721086020572?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/GrUdfHSShJVKUwwwcAsGy4il0ss/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/GrUdfHSShJVKUwwwcAsGy4il0ss/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/GrUdfHSShJVKUwwwcAsGy4il0ss/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/GrUdfHSShJVKUwwwcAsGy4il0ss/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/GK-hKEpuy9M" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/5584138721086020572/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/educacao-professores-brasileiros-nao.html#comment-form" title="7 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/5584138721086020572?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/5584138721086020572?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/GK-hKEpuy9M/educacao-professores-brasileiros-nao.html" title="Educação: Professores brasileiros não sabem ensinar" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_EK9mkHEtnA8/TE7qWOB76gI/AAAAAAAAAVY/DfaVv6g-ykA/s72-c/aprender.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>7</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/educacao-professores-brasileiros-nao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkMEQHs-cCp7ImA9WhRaEEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-761165676221988081</id><published>2012-02-12T08:00:00.000-03:00</published><updated>2012-02-12T08:00:01.558-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-12T08:00:01.558-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Leituras" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crítica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Resenha" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Estética" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura Erudita" /><title>Estética: A arte do sermão</title><content type="html">&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Vos estis sal terrae"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
Mateus 5: 13&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_9SmC8v4EkGQ/SVueRUeMq4I/AAAAAAAAAr8/ibXGBdcyejQ/s1600-h/sermoes+escolhidos.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285992608039742338" src="http://3.bp.blogspot.com/_9SmC8v4EkGQ/SVueRUeMq4I/AAAAAAAAAr8/ibXGBdcyejQ/s320/sermoes+escolhidos.jpg" style="float: right; height: 320px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 0pt; margin-top: 0pt; width: 206px;" /&gt;&lt;/a&gt;Talvez poucos leitores saibam, mas apesar de hoje ser budista, eu já fui evangélico, e seguia uma linha batista. Como tal acabei tendo contato, com certa frequência, com um tipo textual e oral de discurso bastante difundido, mas pessimamente utilizado: o sermão. De pastores e missionários a padres, de mestres budistas e professores a mães indignadas, e inúmeras outras esferas da sociedade, sua utilização espalha-se de acordo com a necessidade, mas nem todos conhecem as minúcias de sua composição ou a arte de sua feitura. Até em vestibulares isso é explícito: alunos escrevem textos argumentativos sem conhecer modelos ou formatos o suficiente para lê-los com criticidade e buscar o próprio estilo discursivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Nesse caso, porém, nos concentraremos no que chamamos&amp;nbsp;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sermão&lt;/span&gt;, o discurso oral religioso, chamado também&amp;nbsp;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;oratória sacra&lt;/span&gt;. O problema inicial é que um sermão, a despeito do uso pretendido do mesmo hoje, é um texto mais de convencimento, e menos doutrinatório. Para convencer seu interlocutor, é necessário com que, mesmo em sua livre temática, esses textos sejam edificados dentro de determinados modelos, ou padrões argumentativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um verdadeiro sermão não passa de um discurso moral propositivo, ou seja, um discurso que preconiza a presença de um julgamento moral e cujo intuito é o convencimento, com o uso de recursos retóricos, lógicos ou filosóficos. Quando proferido por um pastor ou padre, o mesmo texto costuma apresentar determinados passos aprendidos pelo mesmo dentro dos seminários teológicos. Da mesma forma, um discurso falado por um político advém principalmente de seu conhecimento dos discursos de outros políticos antes dele. Esse modelo, feito sobre o conhecimento das formas e dos conteúdos, não passa de uma ferramenta de elaboração de todo e qualquer discurso oral ou escrito. Como estamos falando de sermões, ou seja, discursos religiosos, vemos que a qualidade de um sermão está intimamente ligado à qualidade de sua formatação. Não falo da qualidade dos argumentos, pois existem discursos com péssimos argumentos que conseguem reunir seguidores, em qualquer esfera da sociedade – basta lembrar de Hitler na Alemanha Nazista, ou Richard Dawkins no mundo atual. Falo da qualidade do próprio discurso, da qualidade do jogo retórico. Assim, um sermão eficaz é um texto, em essência, bem elaborado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como consequência, um texto bem elaborado é o que consegue dizer muito com poucas palavras, e de um jeito que todos entendam. Isso obviamente me lembrou o Padre Antônio Vieira. O mestre do conceptismo barroco tinha, em seus sermões, temas que iam da escravidão à sexualidade, da política à salvação das almas. Seus temas eram tão sérios quanto atuais, e seus argumentos buscavam base não somente nas palavras de Jesus Cristo –&amp;nbsp;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Grande Pregador&amp;nbsp;&lt;/span&gt;a ser seguido como modelo, segundo Vieira – mas também da literatura, da filosofia, da história, do povo. Era essa erudição aliada ao conhecimento popular que lhe garantia a boa qualidade nos argumentos, e a boa seleção dos temas. Seus sermões não se construíam somente na temática, como também na linguagem, cujo bom uso, aliado ao conhecimento, tornaram-se em suas mãos ferramentas utilíssimas e otimamente utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas lembremos de outro fator importante: não adianta em nada construir seus argumentos sobre os conhecimentos tomados do mundo clássico ou moderno se o sermão não apresentar uma boa receptividade. De nada adianta um pastor pregar diante de pessoas que usam dicionários em vez de Bíblias. Quantos espectadores conseguiria um sindicalista que usasse a mesma linguagem de Camões em seus discursos? Pessoas como Vieira sabem que não vale de nada elaborar os argumentos do texto se não houver uma elaboração bem feita, de uma maneira que prenda a atenção do leitor ou ouvinte. Um bom pregador sabe facilitar a recepção do discurso, pois o próprio acaba, como disse um missionário certa vez,&amp;nbsp;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;falando suas verdades profundas para mentes rasas&lt;/span&gt;. Tudo bem, mas isso explica por que os sermões hoje estão menos eficazes? Os padres e pastores modernos perderam a capacidade da boa argumentação? Talvez tenhamos de estudar esse fenômeno com mais cuidado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos teóricos chegam ao consenso de que Vieira tinha suas "peças de oratória" acentuadamente barrocas, em que o estilo e a tendência priorizavam a sensibilidade, mas o próprio sabia como ninguém valer-se de recursos advindos da retórica clássica. Por isso mesmo, sua erudição em seus textos torna-se incontestável. Mesmo assim, ele sabia como ninguém atingir seu público e adaptar sua linguagem aos ouvintes. Ele sabia direcionar-se aos mais simples assim como aos mais entendidos. Sua adaptação da linguagem era tão patente que José Verdasca chega a dizer que ele mostrava-se ele um verdadeiro mestre na arte do floreio, e que não era somente um padre que sabia usar a arte do sermão, como também um verdadeiro modelo de pregador a ser seguido, tanto em erudição como em alcance, o grande seguidor do modelo de Jesus Cristo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-761165676221988081?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/2wXRsDbuKDPoOK1TsczoL54f-Cc/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/2wXRsDbuKDPoOK1TsczoL54f-Cc/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/2wXRsDbuKDPoOK1TsczoL54f-Cc/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/2wXRsDbuKDPoOK1TsczoL54f-Cc/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/39stSxLONLw" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/761165676221988081/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/estetica-arte-do-sermao.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/761165676221988081?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/761165676221988081?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/39stSxLONLw/estetica-arte-do-sermao.html" title="Estética: A arte do sermão" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_9SmC8v4EkGQ/SVueRUeMq4I/AAAAAAAAAr8/ibXGBdcyejQ/s72-c/sermoes+escolhidos.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/estetica-arte-do-sermao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0EEQHg6eSp7ImA9WhRbGEo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-6536769316207337738</id><published>2012-02-10T08:00:00.000-03:00</published><updated>2012-02-10T08:00:01.611-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-10T08:00:01.611-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pessoal" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sexualidade" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Opinião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Antropologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Família" /><title>Reflexão: O que aconteceu com os casamentos?</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Quando casei pela primeira vez, enxerguei o casamento como uma instituição sagrada, imutável, protetora da família, ordenada por Deus e que devia obedecer algumas regras mais ou menos convenientes como aparências, castidade anterior, recato e obediência à Bíblia. Esses valores me foram passados por meus pais, que terminaram por se separar após 20 anos de casados. Ainda durei menos, 8 anos de relacionamento, dos quais 3 foram de casamento. Não entrarei em detalhes, mas afirmo apenas que o maior culpado por ambas as separações, e por outras espalhadas por aí, foi a concepção de casamento dentro dos moldes gerais do Cristianismo. A religião que mais luta contra o divórcio é, de longe, a que mais o promove por meio do comportamento dos fiéis.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.cyberartes.com.br/fotos/1965/jan%20van%20eyck%20-%20o%20casamento%20de%20arnolfini.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://www.cyberartes.com.br/fotos/1965/jan%20van%20eyck%20-%20o%20casamento%20de%20arnolfini.jpg" width="234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;O casamento dos Arnolfini&lt;/i&gt; (Jan van Eyck)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Estendendo ao mundo além de mim, observei e ainda observo em casais ao meu redor um conjunto de ideias errôneas sobre o casamento que foram inseridas por uma cultura ao mesmo tempo individualista e fascista. Individualista porque cada indivíduo quer ser dono de si, sem preocupar-se com o outro. Fascista porque cada indivíduo acha-se importante demais para que ceda algo ao outro. Certa vez, lendo um livro do mitólogo Joseph Campbell intitulado &lt;i&gt;E por falar em mitos...&lt;/i&gt;, me deparei com a seguinte citação:&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;
&lt;i&gt;O casamento é uma provação que consiste em basicamente perder-se numa polaridade mais alta: o relacionamento andrógino. Acho que um dos problemas no casamento é que as pessoas nem sempre sabem o que ele é. Pensam que é um longo caso de amor, mas não é. O casamento nada tem a ver com a felicidade. Tem a ver, isto sim, com uma transformação pessoal, e, quando ela acontece, é uma experiência magnífica. Mas você tem de se submeter. Tem de ceder. Tem de dar. Não pode só ditar &lt;/i&gt;&lt;b&gt;(p. 57)&lt;/b&gt;&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eu trocaria algumas coisas, como &lt;i&gt;amor&lt;/i&gt;&amp;nbsp;por &lt;i&gt;paixão&lt;/i&gt;, ou &lt;i&gt;felicidade&lt;/i&gt;&amp;nbsp;por &lt;i&gt;contentamento&lt;/i&gt;, mas o texto é de Campbell, e vamos respeitar, né? Mas ele está certo nesse sentido: o casamento não é o conjunto de coisas que historicamente atribuímos a ele. Pelo contrário, nossa natureza faz com que ele seja justamente o oposto, e por não entender o que a nossa natureza pede muitas vezes acabamos por fazer tudo errado. Quando eu pergunto &lt;i&gt;o que aconteceu com os casamentos?&lt;/i&gt;, eu estou perguntando, na verdade, quais os fatores que deixaram os casamentos fracos e banalizados como estão hoje. Eu, por experiência e observação, resolvi separar&amp;nbsp;um conjunto de 8 fatores, que são falsas imagens que criamos em torno do casamento, principalmente no Ocidente, e que não condizem com a realidade:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;1) Casamento é estar sempre contente&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Longe da realidade. Quem já foi casado ou teve um lar com pessoas casadas por tempo suficiente sabe do que estou falando. Nem sempre as partes envolvidas estão contentes, e nem sempre estão tristes. Uma crise financeira pode trazer descontentamento para o casamento, da mesma forma que uma promoção pode trazer contentamento. Logo, contentamento e descontentamento nada têm a ver com felicidade no casamento. Há, no entanto, um conjunto de sentimentos que fluem naturalmente no relacionamento: o cuidado, a preocupação, a atenção, o carinho, o ombro amigo, a aspereza necessária, tudo refletindo que a relação exige cumplicidade. Se um casamento depende de condições externas para se manter, como finanças, emprego, família e moradia, então é um casamento de fundamentos fracos, e deve ser reformado antes que desabe.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;2) Casou com o outro, casou com a família do outro&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Falso! O casamento surge da relação entre duas partes, seja em que modelo de casamento for. Se a parte A casou com a parte B, não casou com a família B, mas apenas com a parte B. Um dos maiores venenos para um casamento, então, é essa concepção de que, ao casar com a família do outro, você torna-se obrigado a dever satisfação a ela, a seguir seus ritmos e a estar sempre por perto. Se eu não gosto de uma sogra ou de um cunhado, não sou obrigado a ser falso com eles pelo bem da parte B. Não tenho a mínima obrigação de ir a todos os almoços, jantares, reuniões, festas, cafés-da-manhã, eventos e datas com a família do outro, nem com a minha família. O casal é quem decide, em conjunto, se quer ir ou não. Quando uma das partes deixa membros de sua família opinar, interferir ou fofocar sobre problemas e conquistas que não lhes dizem respeito, mas apenas ao casal, é sinal de que a família do outro está perigosamente dentro do casamento. A dica é: casou? Deixe sua família longe de seus problemas no relacionamento, e também longe de suas conquistas no relacionamento. Problemas e conquistas dizem respeito apenas às partes interessadas, e não às suas famílias.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;3) O objetivo do casamento é ter filhos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esse conceito foi introjetado pelo Cristianismo e pelo Judaísmo, mas não é o fato em todas as culturas de todas as épocas. Muitos casais não tiveram filhos (um filme belíssimo, &lt;i&gt;Up!&lt;/i&gt;, mostrou bem isso), há casais homossexuais, e algumas culturas casam duplas de casais em vez de indivíduos. O casamento é mais que ter filhos ou constituir família (do modo tradicional). O casamento é uma união de troca de sentimentos, de materiais, de individualidades. Os filhos, se vierem, que venham como uma boa consequência do casamento (seja por gravidez ou adoção).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;4) Casamento é uma relação de paixão&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Errado! A paixão é uma emoção avassaladora e egoísta que exige que o outro esteja sempre disposto a suprir as suas necessidades emocionais. Ela é forte, queima rápido e debanda para a infelicidade a partir do momento em que o outro não pode mais suprir suas necessidades emocionais e você se encontra preso a ele. Porém, como falei no ponto 1, há sentimentos que brotam naturalmente em casais que sobreviveram à paixonite, um deles é o amor. Ele é, geralmente, a madeira que sobra da fogueira depois que a paixão queimou tudo. O amor não exige, ele dá. Não é egoísta, mas altruísta. Não age com pena, mas com cuidado. A partir do momento em que uma pessoa começa a se compreender e aprende a investir em coisas duradouras, o amor passa a substituir naturalmente a paixão.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;5) A minha individualidade deve ser &lt;i&gt;sempre&lt;/i&gt;&amp;nbsp;respeitada&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Algumas pessoas não entendem que, ao casar, estão dividindo suas vidas com o outro, e o outro está dividindo sua vida com elas. Matematicamente falando, se a parte A dá metade de sua vida à parte B, e vice-versa, cada um será também formado por metade do outro. Assim, a individualidade do outro deve ser respeitada: um homem gosta de se isolar e resolver seus problemas sozinho, uma mulher gosta de falar e dividir seus problemas, uma das partes pode apreciar uma ou duas horas sozinho para escrever ou rezar, a outra parte pode gostar de cozinhar. Mas, ao dividir a vida, ao compartilhar, significa que há momentos que dirão respeito a ambos. Arrumar a casa, cuidar dos filhos, fazer a feira, fazer sexo, ouvir música... Esses são momentos a dois. Deve-se prestar satisfação pelos momentos individuais que interfiram na vida, na rotina, nos sentimentos e nos momentos do outro, como sair com os amigos à noite ou trabalhar em outra cidade. Claro que a traição passa por aqui: quem trai dá tanto valor à própria individualidade que não liga para os sentimentos do outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;6) Há uma relação de submissão entre as partes&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;i&gt;Wroooooong&lt;/i&gt;!!! Essa é uma visão bíblica e uma noção que foi inserida nas diversas culturas por uma questão de superioridade física do homem, e pela confusão entre passividade e submissão pela liberdade garantida por vários séculos de agressão de uma parte sobre a outra e por confundir a relação sentimental com uma relação de posse-propriedade. Tanto é errado uma mulher ser submissa ao homem, como é errado um homem ser submisso à mulher. A submissão não deve ser ao outro, mas ao casamento, aos dois. Assim, se preciso ceder, que não seja pelo outro, mas pelo casamento, e isso apenas se ceder não for um abuso ou exigência mesquinha por parte do outro sobre mim. Uma mulher pode procurar emprego, um homem pode cuidar da casa e dos filhos. Isso não é ruim, não é inversão de valores e muito menos representa um mal à sociedade e à família. Quando ambas as partes decidem em conjunto, surge uma outra coisa importante no casamento: o diálogo e o argumento. As coisas deixam de ser feitas porque &lt;i&gt;parte A é quem manda&lt;/i&gt;&amp;nbsp;ou porque &lt;i&gt;parte B começou a chorar&lt;/i&gt;, e as decisões se tornam mais racionais, as responsabilidades são compartilhadas e um passa a conhecer mais ainda do outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;7) As partes devem compartilhar dos mesmos planos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nem sempre! Claro que é impossível um casamento sobreviver quando um tem planos de ir morar na Noruega enquanto que o outro não arreda pé nem do bairro em que nasceu, mas nem sempre os planos precisam ser os mesmos. Se, como afirmei no ponto 6, não existe uma relação de submissão, então não há uma necessidade de ambos serem donos do mesmo negócio, ou de ambos buscarem os mesmos valores econômicos e sociais. Os planos, como falei no ponto 5, só podem ser considerados de ambos quando interferem diretamente sobre a vida um do outro, como comprar uma casa, ter uma determinada quantidade de filhos ou escolher uma cidade em que morar. Logo, se um artista hippie casou-se com uma bancária, um estava perfeitamente consciente dos planos do outro, e devem respeitar e contentar-se por toda e qualquer decisão que o outro tomar, seja pelo retiro espiritual do hippie, seja pela promoção à gerência da bancária.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;8) Se não der certo, separa!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E finalmente, a frase que mais ouço ultimamente. O casamento é coisa séria não por vincular-se a um ideal de casamento cristão heterossexual instituído por Deus, mas por ser uma relação profunda entre duas partes que se envolvem ao nível da cumplicidade ao ponto de começarem a dividir tudo o que têm e o que são com o outro, e de permitir ao outro participar de uma parcela de si mesmo, e de participar de uma parcela do outro. Quando o pensamento banalizado vem à tona, significa que pelo menos uma das partes pensa assim: "&lt;i&gt;se o outro não gostar das mesmas coisas que eu, não aprovar minha individualidade egoísta, não me obedecer e não fizer tudo o que espero que ele faça, então não dará certo&lt;/i&gt;", e claro que não dará certo, pois o outro &lt;i&gt;nunca vai gostar das mesmas coias, nunca vai aprovar toda a sua individualidade (principalmente aquela que interfere em sua vida), nunca vai ser sempre obediente e nunca vai fazer tudo o que você espera que ele faça&lt;/i&gt;, e isso porque ele pode estar inserido em uma das duas categorias de pessoas: igual a você ou igual a si mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Daí, tomando o ensejo do ponto 8, posso dizer mais ou menos o que o casamento é, ou o que se deve esperar de um casamento. Como &lt;i&gt;o casamento é compartilhar sua vida com o outro&lt;/i&gt;, então podemos dizer que em um casamento o pensamento corrente nunca deve ser o dos extremos. Comparem os exemplos abaixo.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Em um casamento, deve haver compatibilidade&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;: devemos gostar das mesmas coisas, praticar a mesma religião, ter os mesmos tipos de planos, exercer a mesma área ou profissão, ter o mesmo posicionamento político, seguir a mesma rotina diária, estar sempre &lt;i&gt;sintonizados&lt;/i&gt;&amp;nbsp;um com o outro, ouvir as mesmas músicas, ler os mesmos livros, assistir os mesmos programas e o outro deve agir sempre da forma como eu geralmente ajo, para haver compatibilidade de gênios. Nesse caso, é melhor que o indivíduo case consigo mesmo ou que viva só, pois demonstra que tudo o que ele quer é outro de si ou um escravo.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Em um casamento, deve-se sempre ceder ao outro&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;:&amp;nbsp;devemos respeitar o gosto do outro, a religião do outro, os planos do outro, a área e a profissão do outro, o posicionamento político do outro, a rotina diária do outro, a&amp;nbsp;&lt;i&gt;sintonia&lt;/i&gt;&amp;nbsp;do outro, as músicas do outro, os livros do outro, os programas do outro, mesmo que a vida do outro interfira perigosamente em minha própria vida, e devo sempre agir sempre da forma como o outro espera que eu aja, para haver compatibilidade de gênios. Nesse caso, é melhor que o indivíduo busque tratamento urgente, pois demonstra que possui uma dependência emocional ao ponto de anular-se a si próprio.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Em um casamento, desde que não interfira perigosamente, ambos devem criar uma sintonia em tudo o que interfere na vida um do outro, e respeitar tudo o que for individual e não interferir na vida um do outro&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Dessa maneira, tanto o respeito à diferença quanto as identificações com as semelhanças virão naturalmente, de modo a haver naturalmente pontos de divergência e de convergência em seus gostos, em suas religiões, em seus planos, em suas áreas ou profissões, em seus posicionamentos políticos, em suas rotinas, em suas &lt;i&gt;sintonias&lt;/i&gt;, em suas&amp;nbsp;músicas, em seus livros, em seus programas, de modo que as divergências não causam tanto mal ao casamento, e as convergências não geram nenhuma obrigação excessiva de ambas as partes envolvidas. Nesse caso, podem casar, pois significa que o respeito e a identificação virão de forma tão natural que parecerá banal, a felicidade do casal será garantida, e não existirão problemas em ceder ou não ceder futuramente em um ou outro ponto.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Enfim, espero que a leitura deste texto possa ter ajudado. Aos que querem casar, vejam bem se estão realmente dispostos a compartilhar ou se querem apenas alguém que supra suas necessidades emocionais por um tempo. Preferem doar-se ao casal ou tomar uma decisão entre exigir e se submeter? Querem um casamento compatível ou uma relação de igualdade? Lembrem-se, se querem que o outro seja feliz e autônomo. Se já é casado, veja bem se suas atitudes atuais não podem ser uma bola de neve que pode estar grande demais para ser controlada no futuro. Quanto mais tempo casado, maior o sofrimento que se enfrenta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-6536769316207337738?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sra5vriOXcoRY_tYms4Ra-FePBw/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sra5vriOXcoRY_tYms4Ra-FePBw/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sra5vriOXcoRY_tYms4Ra-FePBw/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Sra5vriOXcoRY_tYms4Ra-FePBw/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/2SfiPFlcqMU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/6536769316207337738/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/reflexao-o-que-aconteceu-com-os.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/6536769316207337738?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/6536769316207337738?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/2SfiPFlcqMU/reflexao-o-que-aconteceu-com-os.html" title="Reflexão: O que aconteceu com os casamentos?" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/reflexao-o-que-aconteceu-com-os.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C08MQ3g-eCp7ImA9WhRbF0Q.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-3350088089209120156</id><published>2012-02-09T08:00:00.000-03:00</published><updated>2012-02-09T09:51:22.650-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-09T09:51:22.650-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Conhecimento" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ciência" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pré-História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Economia" /><title>Fim do Mundo VI : O legado de nossa cultura</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-zWj8TV-xKkA/Tx9eWafySnI/AAAAAAAAAt8/pmHCu8SqB6E/s1600/The-Walking-Dead.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="188" src="http://4.bp.blogspot.com/-zWj8TV-xKkA/Tx9eWafySnI/AAAAAAAAAt8/pmHCu8SqB6E/s320/The-Walking-Dead.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Cena de The Walking Dead. Caos generalizado&lt;br /&gt;
deixará o mundo mais silencioso.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
AVISO! Se você gosta de textos otimistas, enaltecedores e bonitinhos, que vejam com bons olhos o futuro humano, com a vitória do politicamente correto e da cultura, não leia esse texto! Mas se você é daqueles que têm certeza que a tendência é piorar, seja bem-vindo, e boa leitura!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;O que sobreviveria de nossa cultura, de nossos conhecimentos, de nossa história, caso a civilização entrasse em um colapso? A civilização é uma condição extremamente frágil, podendo ruir em menos de dois meses o que levamos 10 mil anos para construir. E se fosse um colapso tão gritante que pouquíssimos detentores de conhecimento sobrevivessem e muitos analfabetos, pobres, distantes da cultura padrão, estivessem entre os que reiniciassem o caminhar humano no mundo?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A cultura histórica pode ser facilmente esquecida, e podemos tranquilamente desaparecer da história a qualquer momento, sendo a atual estabilidade cultural e histórica da humanidade uma mera ilusão. A sobrevivência de um legado cultural é um terreno caótico, havendo a mesma chance para a sobrevivência de mestres-poetas com vasta erudição em contos populares ainus (Norte do Japão) como para alguns tratados sobre literatura guardados em alguma biblioteca pessoal em Nova York.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Efeitos diretos sobre a história&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um efeito direto é que, em uma projeção mais otimista, teríamos um retorno civilizatório à Idade Média. Mas, em uma projeção menos otimista, seria mais provável que retornássemos à Idade da Pedra mesmo, e isso devido aos efeitos diretos que essas situações acima descritas teriam sobre nossos legados culturais.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
1) &lt;b&gt;A escrita&lt;/b&gt;: é inegável a importância que a escrita tem para a civilização, mas isso deve-se apenas à civilização. Em uma situação em que trocas comerciais tornam-se quase nulas e em que apenas pequenos grupos nômades sobrevivem, sem nenhuma necessidade imediata de uma escrita devido ao aprendizado social dos bens culturais pelas crianças, é bem provável que essa tecnologia fosse abandonada gradativamente pela maioria absoluta, ou que se restringisse a alguns "teimosos" que assumiriam a função social semelhante à dos magos no passado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
2) &lt;b&gt;Os livros&lt;/b&gt;: apesar de milhões de bibliotecas agora disponíveis, os livros se degradam rápido. Traças, mofo, água, luz, oxigênio e cupins nada deixariam deles. Assim, alguns grupos de copistas entre os "magos" é que selecionariam os livros mais relevantes e os preservariam. E, dependendo de suas opiniões, crenças pessoais ou noções de prioridade, preservar um livro de rezas populares ou um diário pessoal de uma adolescente poderia ser mais importante para ele que salvar um tratado sobre lógica ou a Bíblia, por exemplo. Assim, poderíamos ver nosso contingente de livros ser reduzido a pouco menos de 0,1% de seu montante original, e da maioria desses livros sobreviventes seriam preservados, quanto muito, uns poucos capítulos ou fragmentos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VEDMETPYiKY/Tx9f6F5K1lI/AAAAAAAAAuU/wrvoYpPuh7M/s1600/world-without-people-bridges.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-VEDMETPYiKY/Tx9f6F5K1lI/AAAAAAAAAuU/wrvoYpPuh7M/s320/world-without-people-bridges.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Essa imagem de &lt;i&gt;O mundo sem ninguém&lt;/i&gt;&amp;nbsp;retrata uma ponte&lt;br /&gt;
apenas 100 anos sem as pessoas para cuidá-la.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
3) &lt;b&gt;As cidades&lt;/b&gt;: um documentário do History Channel intitulado O Mundo Sem Ninguém deixa bem claro, através da opinião de vários especialistas, que qualquer coisa que deixemos para trás desaparecerá em pouco menos de 500 anos, o plástico começando a sumir com um pouco mais de tempo. Todas as estruturas deixadas nas cidades durarão muito pouco, e se tornarão pó rapidinho. Significa que qualquer altar caseiro, qualquer móvel, qualquer inscrição nas paredes ou qualquer referência de ruas ou avenidas desaparecerá sem deixar rastros. Talvez arqueólogos no futuro afortunados encontrem fragmentos do todo, mas o resto será perdido. O mais provável é que algumas poucas obras de nossa civilização sobrevivessem o suficiente para confundir os arqueólogos do futuro, como a usina de Paulo Afonso ou uma estátua de granito de um Cristo qualquer em uma cidadezinha de interior.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
4) &lt;b&gt;A internet&lt;/b&gt;: sem indústrias e sem contingente humano, a eletricidade seria desligada no mundo todo. Sem eletricidade, o bem cultural mais precioso, vasto e completo se mostraria ao mesmo tempo o bem cultural mais frágil de todos. A internet seria finalmente desligada. Sem internet, os milhões de perfis em sites de relacionamentos, as milhões de páginas na Wikipédia, os bilhões de computadores seriam simplesmente desconectados e suas unidades físicas ficariam relegadas à mesma degradação ambiental dos livros. Qualquer disco rígido ou unidade de armazenamento oxidaria, e suas informações seriam perdidas para sempre.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
5) &lt;b&gt;O audiovisual&lt;/b&gt;: junto com a internet, os recursos audiovisuais, dela dependentes ou não, também acabariam desaparecendo. Entre um livro e uma fita cassete, adivinha qual o que exige menos tecnologia para ser acessado e lido. Se você é músico ou cineasta, eis a má notícia: meus poemas impressos aqui em casa têm mais chances que seus filmes ou suas músicas gravadas! Uma fita cassete ou um CD teriam outros usos mais urgentes, como isca para peixe ou barbante para amarrar varetas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
6) &lt;b&gt;As técnicas&lt;/b&gt;: você que acha que a roda não pode ser desinventada, vai uma lista simples em forma de perguntas de habilidades que todos os membros e uma tribo pré-histórica tinham no passado. Você sabe costurar? cavar? cortar madeira? caçar? cortar carne? tratar carne? tratar de veneno de cobra? cozinhar? lutar? localizar água e comida? preservar alimentos? esculpir? plantar? irrigar? moldar barro e cerâmica? navegar? guerrear? esconder-se? deslocar-se em silêncio? tear? tratar de ferimentos? cuidar de crianças? pescar? construir barracas? construir armas? construir armadilhas? levantar muros? nadar? escalar rochas? escalar árvores? selecionar ervas? usar ervas medicinais? Além de tudo isso, você sabe um método eficaz de ensinar essas habilidades à geração seguinte? Se a resposta é não, significa que essas habilidades estão tão diluídas na sociedade moderna que provavelmente a sobrevivência de uma pessoa será a sobrevivência de apenas algumas dessas habilidades, tendo um indivíduo que reaprender as que não sabe "na marra", ou morrer tentando. Como podemos alegar que a roda sobreviverá se a maioria das pessoas hoje não entende nem o mecanismo simples que liga o eixo à roda?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
7) &lt;b&gt;A história&lt;/b&gt;: nomadismo, migração, fim das cidades, destruição dos bens culturais. Isso tudo nos mergulhará em uma Idade das Trevas, ou um Vácuo Histórico, e por dois motivos. Primeiro, a consciência histórica não sobreviverá ao Apocalipse, e logo serão esquecidas rixas que fazem parte de nosso estilo de vida, de lutas de classe, raciais e de gênero até informações simples como a descoberta das Américas ou a Revolta da Chibata. Segundo, o que se produzir no período de "recuperação" será uma massa caótica de fatos e decisões pessoais que tenderá mais a moldar mitos fundadores que propriamente a deixar uma marca histórica.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
8) &lt;b&gt;As línguas&lt;/b&gt;: uma das vantagens da escrita é que ela ajuda a fixar uma forma da língua por meio da cristalização de um modo de falar da elite ou de mestres da literatura do passado. Basta uma olhada na história para ver que o Indo-Europeu desenvolveu-se em grupos bem diferenciados como o Latim, o Sânscrito ou o Grego antes do advento da escrita nesses povos, passando por um período de fixidez linguística, seguida de uma nova fragmentação, na Idade Média, tão logo a escrita tornou-se menos comum nesses lugares. Logo, um dos resultados do fim do uso da escrita (ponto 1 desta lista) seria a retomada dos rumos naturais na evolução das línguas. Bastariam pouco menos de mil anos para que os falantes da língua portuguesa não mais conseguissem se compreender.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Conclusão&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-biWaCtKDmng/Tx9fT131tWI/AAAAAAAAAuM/ApCe1WUdrzQ/s1600/statue_planet.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="232" src="http://4.bp.blogspot.com/-biWaCtKDmng/Tx9fT131tWI/AAAAAAAAAuM/ApCe1WUdrzQ/s320/statue_planet.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Essa imagem de &lt;i&gt;O Planeta dos Macacos&amp;nbsp;&lt;/i&gt;diz tudo&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
Observe bem agora para os bens culturais que você tem em casa. Se você tem uma biblioteca, usa agendas, escreve no caderno, guarda aulas da universidade, tem cópias de livros, coleciona bonecos ou gosta de fotos, reflita: em um cataclismo, sendo possível que eu salve um pouco do legado de nossa civilização, o que eu salvaria? Eu salvaria o Dhammapada? Salvaria a Bíblia? Salvaria meus próprios poemas? Minha agenda? Aulas da universidade em um caderno? Meus fichamentos de livros? Meus bonecos? Minhas jóias?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se sou ativo em coisas que seriam as primeiras a serem eliminadas, o que eu faria? Será que a internet, discos de vinil, CDs, fitas cassetes, DVDs e arquivos em MP3, onde jogo minhas produções culturais, são os lugares mais indicados? Lembre-se:&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;i&gt;a civilização é muito frágil para vivermos na ilusão de uma história estável&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto até que foi otimista, pois, sendo realista, esse processo de destruição da história parece já ter começado há vários anos, sem a necessidade de nenhum cataclismo da civilização. Resta-me suspirar, jogar minha sinuca e beber meu chá de hortelã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fiquem na paz, enquanto houver!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-3350088089209120156?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kZYpwqMFl7A9CgNyonynjXtXEWQ/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kZYpwqMFl7A9CgNyonynjXtXEWQ/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kZYpwqMFl7A9CgNyonynjXtXEWQ/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/kZYpwqMFl7A9CgNyonynjXtXEWQ/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/XrY64_uj274" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/3350088089209120156/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/fim-do-mundo-vii-o-legado-de-nossa.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/3350088089209120156?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/3350088089209120156?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/XrY64_uj274/fim-do-mundo-vii-o-legado-de-nossa.html" title="Fim do Mundo VI : O legado de nossa cultura" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-zWj8TV-xKkA/Tx9eWafySnI/AAAAAAAAAt8/pmHCu8SqB6E/s72-c/The-Walking-Dead.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/fim-do-mundo-vii-o-legado-de-nossa.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0MEQ3w7eip7ImA9WhRbF08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-8477366358291530634</id><published>2012-02-08T16:30:00.000-03:00</published><updated>2012-02-08T16:30:02.202-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-08T16:30:02.202-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Conhecimento" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><title>O Fim do mundo V: Depois do apocalipse</title><content type="html">&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-duBSPjJSujs/Tx9fADbzZiI/AAAAAAAAAuE/2OlAPAHF1wE/s1600/theroad.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="162" src="http://4.bp.blogspot.com/-duBSPjJSujs/Tx9fADbzZiI/AAAAAAAAAuE/2OlAPAHF1wE/s320/theroad.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="font-size: 13px; text-align: center;"&gt;Imagem do filme&amp;nbsp;&lt;i&gt;A Estrada&lt;/i&gt;. Reparem nos navios jogados&lt;br /&gt;
sobre os viadutos.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Imaginem que um cataclismo finalmente acontece. Se um meteorito cai no planeta, levanta uma nuvem de poeira e cinzas, causa a extinção de boa parte do seres vivos do planeta, quase extingue a espécie humana e, além disso, esquenta um pouco a atmosfera o suficiente para incendiar boa parte das bibliotecas, e ainda causa um terremoto em escala global o suficiente para pôr abaixo todas as grandes cidades do planeta. Isso se nos detivermos em apenas um exemplo, mas poderia ser qualquer outra coisa: um vírus mutante, um apocalipse zumbi, uma Era Glacial, um descongelamento completo dos pólos, uma guerra nuclear, uma revolta robô, invasão alienígena, desertificação global etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Além do mais, sobraram poucos seres humanos, vivem em pequenos grupos primitivos, basicamente instintivos. Qualquer evento apocalíptico teria sobre esses grupos, de cara, 7 efeitos diretos:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
1)&amp;nbsp;&lt;b&gt;Muita terra livre&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A diminuição do contingente populacional de bilhões para poucos milhares deixaria vastas porções de terra praticamente desabitadas. Cidades inteiras ficariam sem pessoas, e, assim que toda a ameaça fosse eliminada ou diminuída, a concentração de sobreviventes em centros urbanos isolados seria praticamente inviável. Um repovoamento seria urgente, o que se daria pelo velho e bom nomadismo. Sem falar de que, quando exaurissem as fontes de alimento civilizadas, alguns atos que consideramos tabus, como estupro, machismo, infanticídio, assassinato, pedofilia e canibalismo, se tornariam comuns por um tempo, afastando as pessoas de zonas de risco, como os centros urbanos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
2)&amp;nbsp;&lt;b&gt;Mais recursos naturais disponíveis&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Independente do tipo de Apocalipse, as terras e os recursos naturais do planeta estariam mais disponíveis aos sobreviventes. A própria natureza humana empurraria o contingente populacional aos pontos com mais recursos, podendo gerar rixas, migrações e fomentar o nomadismo. Quem, em sã consciência, se submeteria a um "chefe" que controla um açude, havendo milhares de rios agora disponíveis para o plantio?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
3)&amp;nbsp;&lt;b&gt;Perda de sentido em guerras ideológicas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A diferença entre uma ideologia e uma opinião é que a primeira é um construto social, surge da interação mais complexa entre os membros. A opinião é apenas uma crença simples sobre alguns fatos, que podem ser testados. Pequenos grupos de sobreviventes dependerão muito uns dos outros para que se preocupem se seu vizinho reza para Alá ou para Jesus e, passadas as tensões iniciais, a tendência é os grupos ou se separarem ou aprenderem a conviver, e qualquer uma das alternativas levará a uma unidade maior ao que restar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) &lt;b&gt;Esfacelamento da civilização&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensemos um pouco a respeito. Qualquer evento que elimine 90% dos seres humanos será tão pouco seletivo que eliminará também 90% dos exércitos, dos chefes de estado, das elites, dos trabalhadores das indústrias, dos engenheiros, dos médicos, dos líderes religiosos, dos artistas, dos professores etc. Em suma, teremos uma civilização restante completamente esfacelada. Significa que não sobrarão exércitos para contrapor-se ao restante do povo, não haverá governantes que o organizem, não haverá médicos suficientes, e nem professores. Com poucos engenheiros e trabalhadores das indústrias, a tecnologia dará uma ré na história, e sem os líderes religiosos, as formas mais fundamentalistas de manifestação da fé podem dar as caras no mundo, ou simplesmente pode ocorrer um abandono em massa da fé pela maioria.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
5)&amp;nbsp;&lt;b&gt;Sociedades anárquicas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há quem ache que os índios são uma demonstração do &lt;i&gt;Bom Selvagem&lt;/i&gt; de Rousseau, mas eles estão avançadíssimos em termo de cultura. O esfacelamento completo dos governos, dos exércitos, dos órgãos políticos, das instituições ideológicas e sociais, das comunidades e de qualquer outra forma de agremiação humana mergulhariam a humanidade restante em uma organização mais "primata" de sua sociedade, fazendo das culturas indígenas verdadeiros antros de requinte e civilização. Prevaleceriam pequenos grupos, com maior proteção de mulheres e crianças, sem regras sociais fixas ou aparentes, com relação mais familiar e menos centralizada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
6)&amp;nbsp;&lt;b&gt;Grupos heterogêneos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não seriam somente os urbanoides de classe média que morreriam no apocalipse. A morte passaria a foice em trabalhadores das indústrias, camponeses, empresários, professores, engenheiros, pesquisadores, bibliotecários, pescadores, artistas etc. Como falei na última postagem, em um grupo de dez pessoas, com quatro adultos e seis crianças, é bem provável que apenas um adulto fosse pai ou mãe das crianças, por exemplo. Os quatro adultos poderiam ser um trabalhador rural analfabeto, uma ex-presidiária viciada em crack, um ator famoso de novela da Globo e uma artesã que vende crochê, e isso só para sentirem a tensão que poderia ser gerada em um grupo desses, heterogêneo, fazendo qualquer&amp;nbsp;&lt;i&gt;reality show&lt;/i&gt;&amp;nbsp;parecer um teatro para crianças de três anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) &lt;b&gt;Redefinição das prioridades&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Qualquer pessoa que sobrevivesse teria duas escolhas a fazer sempre que se detivesse diante de um bem cultural: preservar a cultura ou sobreviver. A maioria das pessoas escolheria sobreviver, e umas poucas (e a maioria morreria por isso) escolheria a cultura. Aquela cena de &lt;i&gt;O dia depois de amanhã&lt;/i&gt;, por exemplo, em que o intelectual se abraça à Bíblia de Gutemberg, seria perigosa até mesmo para ele. A geleira vindo, é mais seguro queimar todos os livros para não morrer congelado. No meio do deserto, se você anda com seu animal de estimação ou com um amigo que morrerá a qualquer momento, a prioridade é a sobrevivência, e, portanto, matar o animal de estimação ou poupar seu amigo de sofrimento futuro, e beber seu sangue, é a prioridade no momento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-8477366358291530634?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/o8ZTkTCqTieUSIEgI4q3e0yv35g/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/o8ZTkTCqTieUSIEgI4q3e0yv35g/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/o8ZTkTCqTieUSIEgI4q3e0yv35g/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/o8ZTkTCqTieUSIEgI4q3e0yv35g/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/ISy0Wp_yeAQ" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/8477366358291530634/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/o-fim-do-mundo-vi-depois-do-apocalipse.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/8477366358291530634?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/8477366358291530634?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/ISy0Wp_yeAQ/o-fim-do-mundo-vi-depois-do-apocalipse.html" title="O Fim do mundo V: Depois do apocalipse" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-duBSPjJSujs/Tx9fADbzZiI/AAAAAAAAAuE/2OlAPAHF1wE/s72-c/theroad.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/o-fim-do-mundo-vi-depois-do-apocalipse.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0UERnc5eCp7ImA9WhRbFkQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-6037140303418135443</id><published>2012-02-08T07:00:00.000-03:00</published><updated>2012-02-08T07:00:07.920-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-08T07:00:07.920-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sexualidade" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Antropologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Família" /><title>Fim do Mundo IV: Convivendo em Grupo</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Rl_ZNyQeqM0/TzB7JQ29veI/AAAAAAAAAy8/-1-7ufOemUs/s1600/eliblu_shot2l.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="137" src="http://2.bp.blogspot.com/-Rl_ZNyQeqM0/TzB7JQ29veI/AAAAAAAAAy8/-1-7ufOemUs/s320/eliblu_shot2l.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Cena do filme &lt;i&gt;O Livro de Eli&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
Certo, você sobreviveu ao Apocalipse. A Terra foi deixada de lado, a biosfera sobreviveu e está se recuperando (ou nem sentiu num traço que seja desse Apocalipse), a humanidade se reduziu a uma parcela mínima de sobreviventes e toda a história humana anterior a nós simplesmente se perdeu. Esse novo mundo terá uma nova cara, mas continuará sendo um mundo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Agora sim você pode aproveitar um tempo sem civilização. Um tempo a dedicar-se à sua namorada, à sua família, aos seus irmãos e amigos... porém, há um probleminha: é mais provável que estejam todos mortos, e que todos os que você conhecia antes do Apocalipse não estejam mais contigo para compartilhar sua nova vida. Se tiver muita, mas muita sorte (ou azar, dependendo de quem você era antes), sobrará um vizinho esquisitão do final da rua com quem poderá trocar algumas amenidades.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Talvez não tenhamos ainda percebido, e é possível que tenhamos esquecido, que somos primatas. Somos uma classe de animais caracterizados, dentre outras coisas, por uma hierarquia muito rígida, uma agressividade natural e, no caso do humanos, um gosto atípico por sexo, comida e exercícios físicos. Naturalmente, odiamos roupas, como odiamos estudar. Esses são comportamentos aprendidos, e não instintivos. Adoramos coisas doces e gordurosas, e odiamos verduras. É outro comportamento que sofre modificação pelo aprendido sobre o instintivo. Certo, nossos instintos terão voltado, e nossos aprendizados inúteis serão descartados (afinal, qual a função de uma cueca ou um sutiã em um mundo aestético?).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Porém, suponhamos que você e um grupo de cerca de 15 pessoas sejam os únicos sobreviventes de um conjunto de cidades litorâneas que contabilizavam mais de dois milhões de pessoas. Até aí tudo bem, você sobreviveu, as pessoas que estão contigo sobreviveram, mas, e como será a dinâmica social? Como será o convívio?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Antes, quando vivíamos em um verdadeiro "formigueiro" humano, era fácil agir com frieza, não olhar no olhos do outro, não precisar fazer amizade com quem não era compatível contigo. Porém, o grupo que ficou, os sobreviventes, são tão heterogêneos que é mais provável que nenhum deles seja compatível com nenhuma qualidade que você preze. Além do mais, se estão todos vivos, significa que, além de imunes ou capazes naturalmente de sobreviver, são tão competentes quanto você na lida com o mundo natural.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O grupo poderá ser composto por gente tão diferente e sentimentalmente aflorada que fará assassinatos ao vivo em Reality Shows parecerem piqueniques em parque infantil. Como conviver com esse povo?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;1) Deixe as ideologias de lado&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nada atrapalha mais as relações interpessoais hoje em dia que as ideologias. Casamentos são prejudicados, amizades são prejudicadas, a educação é prejudicada, a política é prejudicada. Um branco não pode falar de um negro para não ser racista, um cristão não pode criticar o homossexualismo para não ser homofóbico. Porém, em situação-limite de sobrevivência na natureza, é bastante comum os sentimentos aflorados serem mal interpretados, e isso pode levar a rixas prejudiciais para o grupo. A solução é: guarda para si toda e qualquer opinião que não for diretamente e objetivamente útil para o grupo. Na natureza, não há marxismo, não há neo-liberalismo, não há budismo, não há ateísmo. Na natureza há pura e simplesmente sobrevivência. A &lt;i&gt;Oração do Anjo da Guarda&lt;/i&gt;&amp;nbsp;não alimenta, não traz frutas e não apaga fogo, portanto, deixe de falar de ideologias inúteis e vá caçar, coletar e apagar o fogo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;2) Respeite as diferenças&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-O67ZgovrZ6M/TzB7XaDFEJI/AAAAAAAAAzE/VLdexQso75A/s1600/Falling_Skies_TNT_tv_show_18-600x400.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-O67ZgovrZ6M/TzB7XaDFEJI/AAAAAAAAAzE/VLdexQso75A/s320/Falling_Skies_TNT_tv_show_18-600x400.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Falling Skies&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É mais provável que, em qualquer grupo formado por pessoas sobreviventes de um evento Apocalíptico, nenhum dos integrantes tenham nada a ver uns com os outros. Imagine que você seja um pastor evangélico branco e machista, mas que seu grupo tenha um capoeirista negro do candomblé, ex-detenta lésbica tatuada e promíscua, um monge budista tibetano abrindo mão do celibato, uma química de origem indígena ateísta e recatada, um adolescente hedonista funk-forrozeiro que se masturba o tempo todo na frente de todos... Aliás, vamos supor que ninguém tenha identificação com a vida de mais ninguém ali. Mas são os únicos sobreviventes no estado, no país, e quem sabe no mundo. Terão de conviver ainda por um bom tempo, quem sabe pelo resto da vida. Todos são diferentes: sexos, sexualidades, raças, cores, religiões, percepções de corpo, origens, línguas. O mais sensato, então, é aprender a conviver com eles, e, se for o líder, assumir sempre uma postura conciliadora e proibir terminantemente qualquer discussão por causa do modo de ser do outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;3) Seja estratégico&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Alguns indivíduos são péssimos para orientar-se espacialmente (como mulheres), alguns são péssimos em percepção visual de detalhes (como homens), alguns não se dão bem com sol forte (como brancos), outros têm mais tendência a problemas de visão (como negros). Fora os que são determinados pela biologia, há ainda situações em que uns sabem nadar e outros não, em que alguns escalam árvores enquanto outros têm medo de altura. Com isso em mente, é sempre bom saber aproveitar as potencialidades de cada um, e entender e saber as limitações de cada um. É estupidez, por exemplo, escolher uma pessoa branca para singrar quilômetros debaixo do sol com pouca água, assim como é burrice exigir de um homem que faça várias atividades ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;4) Evite o tédio&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nada pior em um grupo heterogêneo e estressado que a ausência de atividades. Por isso, organize atividades em grupo que sejam interessantes para gastar a "energia social", evitar atritos e criar mais vínculos sociais. Rodas de piadas, de luta, de causos, feitura de redes, artesanato, produção de ferramentas, fofocas, dança, torneios de habilidades, brincadeiras, dinâmicas, costura, cozinha, coleta de frutas e raízes, qualquer atividade é importante para impedir com que o tédio vá acumulando energia ao ponto de um de repente se estressar com o outro e acabar gerando uma situação mais perigosa. Além do mais, atividades em grupo permitem com que relaxem o estresse e com que criem emoções positivas, que virão a ser importantes na hora de caçar, defender-se ou reproduzir.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;5) Escolham um líder&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Reconheçamos: somos primatas. Não evoluímos a partir de centopeias ou tubarões, mas de macacos. E a hierarquia dos primatas, em geral, exige a presença de um macho alfa e uma fêmea alfa, e uma relação de igual a igual dos demais membros. Assim, o macho alfa decide tudo, e a fêmea alfa também. Escolher um líder, na selva, não é um processo democrático. Geralmente torna-se líder o macho e a fêmea mais carismáticos, proativos, energéticos, fortes e resistentes. Assim, deixe o líder se destacar naturalmente. Mas não deixe o grupo sem líder. O vácuo pode simplesmente matar a todos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;6) Ética não é opcional&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O comportamento ético cumpre duas funções básicas: garante a liberdade e limita ações danosas. Se alguém erra, puna! Se errou, aceite a punição. Não quer ser punido? Não erre. No mas, é sempre bom manter as regras bem claras. Mesmo assim, nunca criem regras que empatam a execução de um instinto básico sem causar mal a ninguém. Sem essa de "proibir o homossexualismo"! Se é algo inerente ao sujeito enquanto instinto, deixe-o. Vocês não estão mais na civilização. Um aborígene está agora avançadíssimo em relação a vocês.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;7) Saiba dividir&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Sua família e seus amigos de antes morreram. O grupo de sobreviventes é sua família agora. Vai que alguém mexa em sua caneca de infância e você fica com raiva. Ainda está preocupado com essa de "&lt;i&gt;isso me pertence&lt;/i&gt;" e "&lt;i&gt;aquilo não me pertence&lt;/i&gt;"? Deixe de pantino! Não existem posses em grupos pequenos e sem noção de civilização. Sua caneca pode servir a diversos fins. Não quer que ninguém toque? Segure-o o tempo todo, e isso em si já basta. Se está nas suas mãos, é seu. Mas, cuidado, o apego às posses pode matá-lo, pois aumenta seu peso, diminui sua velocidade, engancha fácil em outros lugares e pode atrair predadores.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;8) Não se reprima&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nada pior que viver na condição de sempre esperar a aprovação dos outros. Não se reprima quando o assunto for fome, medo, sono, sexo, sede, excreção, doença etc. A negação de fatos do corpo levaram toda a nossa civilização a desenvolver doenças e mais doenças psíquicas desde que os povos primitivos decidiram que instintos atrapalhavam. Não julgue, e não se preocupe em ser julgado. E saibam separar comportamentos acidentais de comportamentos essenciais. Um homossexual, um assexuado, um bissexual podem ter filhos biológicos, nada impede que eles tenham filhos biológicos. Porém, respeite suas necessidades afetivas. Só existe você e, quando muito, mais 15 pessoas. Quem irá te recriminar?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;9) Não existem comportamentos absolutos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Entre os animais caçadores, o normal é que os machos assumam a função de dominância (exceção clara das hienas). Porém, não existem regras absolutas a esse respeito. Uma mulher pode assumir um comando do grupo, um homossexual pode ter filhos biológicos com uma assexuada, uma psicopata pode desenvolver uma alternativa a seu comportamento. Em suma, a natureza deu regras, deu ferramentas pessoais (daí cada um se comportar de uma maneira), mas não tornou nenhuma dessas regras ou ferramentas um elemento absoluto. Tudo dependerá da situação, e do que o momento exigir. Assim, nada de ficar lembrando o passado dos outros, ou as possibilidades de futuro. Concentre-se no presente e faça o possível para &lt;i&gt;o grupo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;sobreviver.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;10) Finalmente, seja cortês&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As pessoas esquecem de serem cortesas, educadas, agradecidas. Você vive em grupo, divide tempo, espaço e atividades com os demais membros. Todos estão ali para ajudar uns aos outros e, a não ser que você seja um psicopata (algo que a seleção natural elimina sem problemas), é sempre bom ajudar todos os membros do grupo, agradecer por tudo o que te dão, ser educado com todos, e fazer o possível para evitar atritos. Evite e impor demais (isso serve tanto para brancos direitistas politiqueiros como para negros que exigem respeito e controle da fala o tempo todo).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-6037140303418135443?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/UQe6VL63GNtPSUzVbsUU1Xo_EVw/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/UQe6VL63GNtPSUzVbsUU1Xo_EVw/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/UQe6VL63GNtPSUzVbsUU1Xo_EVw/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/UQe6VL63GNtPSUzVbsUU1Xo_EVw/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/gpW8o6_S_Ws" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/6037140303418135443/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/fim-do-mundo-iv-convivendo-em-grupo.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/6037140303418135443?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/6037140303418135443?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/gpW8o6_S_Ws/fim-do-mundo-iv-convivendo-em-grupo.html" title="Fim do Mundo IV: Convivendo em Grupo" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-Rl_ZNyQeqM0/TzB7JQ29veI/AAAAAAAAAy8/-1-7ufOemUs/s72-c/eliblu_shot2l.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/fim-do-mundo-iv-convivendo-em-grupo.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DUMAQXs9eyp7ImA9WhRbFUs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-7751946668229859253</id><published>2012-02-06T11:01:00.000-03:00</published><updated>2012-02-06T19:30:40.563-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-06T19:30:40.563-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Conhecimento" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Lógica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Budismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicanálise" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Estoicismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pessoal" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ciência" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Misticismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mitologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Opinião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><title>Depressão: Quando a ciência não é o bastante</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-x4pz5bOht_A/Ty_dzw3HrPI/AAAAAAAAAy0/JD01PeQMPoY/s1600/RockGarden.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-x4pz5bOht_A/Ty_dzw3HrPI/AAAAAAAAAy0/JD01PeQMPoY/s320/RockGarden.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Jardim japonês: ótima forma de exaurir-se&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
Os depressivos vivem em um mundo preto-e-branco, maniqueísta. As pessoas dividem-se em dois grupos, as coisas se classificam em duas categorias, e a moral se exerce de duas formas. Seu mundo perde a cor justamente por causa disso, porque perdem as referências de meios termos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Quando sofria de uma forte &lt;i&gt;depressão maior&lt;/i&gt;, eu dividia as pessoas que me cercavam em dois grupos muito bem definidos: as céticas cientistas e as místicas religiosas. Apesar de eu transitar muito bem entre os dois grupos, não havia, precisamente, nenhuma divisão clara entre eles. Tomamos cerveja juntos, passeamos juntos, vamos às mesmas festas, aos mesmo &lt;i&gt;xous&lt;/i&gt;. Na verdade, muitas delas são amigas e convivem bem, há até céticos e místicos casados entre si, e muito bem casados, com a família feliz e o cotidiano tranquilíssimo, o que torna os extremos do fundamentalismo religioso e do neoateísmo praticamente desnecessários.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Porém, quando desconfiei que tinha depressão, em 2007, procurei uma psiquiatra que também era psicanalista. Em quatro sessões fui diagnosticado com &lt;i&gt;Depressão Maior&lt;/i&gt;&amp;nbsp;com forte tendência a tornar-se &lt;i&gt;Atípica&lt;/i&gt;. Fui medicado: Fluoxetina. Em 2008/2009 me separei, visitei os Neuróticos Anônimos, tive problemas decorrentes do uso excessivo de redes sociais e mudei de medicamento: Paroxetina. Com a separação, caí na esbórnia, comecei a exagerar no álcool, voltei a fumar e isso obrigou a psiquiatra a mudar minha medicação: Harmalina. Quando li a bula do antidepressivo, me assustei com as contraindicações. Procurei a psiquiatra e perguntei se não havia outra maneira. Ela disse: "&lt;i&gt;você tem três opções que não precisem de medicação: se interna, faz uma psicoterapia intensiva ou muda de filosofia de vida&lt;/i&gt;".&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A minha família nem sabia que eu vinha me tratando, e a psicoterapia intensiva era mais cara. Optei por mudar minha filosofia de vida. Na época eu estava passando por crise religiosa, me tornando um agnóstico cético, mas como tratava-se de uma visão de mundo sem um Norte ético, resolvi pesquisar um pouco. Em 2009, através de estudos sobre o Estoicismo, cheguei ao Zen-Budismo. O interessante é que a visão que o Zen me ofereceu era mais leve, mais simples, mais direta e menos mística. Era uma visão mais prática, e isso foi me libertando da depressão sem o uso de medicação. Fui ainda a algumas sessões, até a psiquiatra me fazer perceber que eu não precisava mais daquilo. Estava com a situação sob controle.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não digo que até hoje eu não tenha nenhum surto depressivo. Vez por outra bate angústia, me dá crises no meio da noite ou tenho dificuldades de dormir e desmotivação diante de novas etapas da vida, mas posso dizer que hoje consegui controlar a depressão. No Zen-Budismo aprendi a considerar o cérebro como um órgão como qualquer outro: se bem cuidado e estimulado, pode durar mais tempo sem dar problemas. Ainda penso em retornar ao consultório, dessa vez de um psicanalista sem o uso de medicação, apenas para um &lt;i&gt;checape&lt;/i&gt; padrão na minha saúde mental, se bem que ando precisando de uma porrada de exames para a saúde como um todo, afinal, faz tempo que não vou ao médico.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Recepção&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-16ZTpBjWCJc/TcLw5QHbaTI/AAAAAAAAAA8/0MZGCyYAKtA/s1600/depressa%25C3%25B5_comp.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-16ZTpBjWCJc/TcLw5QHbaTI/AAAAAAAAAA8/0MZGCyYAKtA/s1600/depressa%25C3%25B5_comp.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
Quando comecei meu tratamento com medicação, meus amigos religiosos vieram com as visões contrárias mais absurdas: é a falta de fé em Deus, devem ser espíritos atormentados, são demônios, suas energias místicas estão em desequilíbrio, é que seu Signo entrou na casa de Escorpião... Eu não só ria dessas proposições como ainda achei absurdo que nenhum deles ficasse feliz pelo fato de eu estar me tratando. Aliás, adivinha quais os tratamentos que eles me propunham? Ir à igreja, ir ao centro espírita, fazer uma sessão de descarrego, ir a uma rezadeira, fazer terapia de cristais, me converter ao catolicismo... Essas eram as complexas, brilhantes e embasadas sugestões desses meus amigos. Se fosse depender deles, minha próxima terapia seria fazer autópsia.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Porém, quando mudei para o Zen-Budismo, as reações foram as mais variadas possíveis, havendo homogeneidade apenas para os céticos. Evangélicos e católicos continuavam insistindo de eu ir à igreja, e espíritas e esotéricos agora insistirem para que eu abraçasse terapias ainda mais alternativas. Os céticos insistiram que eu continuasse com o tratamento medicamentoso e procurasse me internar. Mal sabiam todos que o Zen-Budismo não é uma visão de mundo mística, mas materialista, pé no chão, diário, baseado na ação e no fazer por conta própria. Me identifiquei devido ao meu passado &lt;i&gt;punque&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Do it yourself&lt;/i&gt;). Até hoje vem resolvendo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;A ciência não é o bastante&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eu descarto explicações místicas, esotéricas, sobrenaturalistas para as coisas, mas a depressão me explicou uma coisa: quando julgamos o mundo, julgamos baseados em nossas próprias representações mentais. Tomando um pouco de Nietzsche emprestado, gosto de dizer que tudo o que temos são meros pressupostos. Eu ajo com o outro tomando como pressuposto o fato de que o outro reagirá de uma determinada forma. Lido com o universo tomando como pressuposto o fato de Deus existir ou não, e esse pressuposto governará as conclusões seguintes. Às vezes, chegamos tão longe que é menos dispendiosos manter seus pressupostos que ter de descartá-los e refazer tudo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A ciência não é o ápice do pensamento humano. É apenas mais uma representação do pensamento humano. A ciência é tão importante quanto o mito, a religião, o sonho, a arte e a filosofia, todas meras manifestações da mente humana. Cada manifestação dessas lida com um conjunto muito específico de pressupostos, precisando de ferramentas mentais muito específicas (experimentação, narração, fé, experiência, criação, razão). Assim, a ciência parte do pressuposto de que o universo é físico e pode ser mensurado. Mas, de onde parte esse pressuposto científico? Ora, parte da própria ciência! O pressuposto é circular! A religião parte do pressuposto da existência do sobrenatural e da possibilidade dos milagres. De onde veio esse pressuposto religioso? Ora, da própria religião! É outro pressuposto circular!&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Assim, meus amigos místicos não compreendiam quando eu tomava medicação porque ia de encontro aos pressupostos deles. Meus amigos céticos não compreendiam quando abracei o Zen-Budismo também porque ia de encontro aos pressupostos deles. Hoje, nenhum dos dois lados me compreende justamente porque o principal exercício do Budismo é eliminar pressupostos, e baseando-se no pressuposto de que a eliminação completa de pressupostos leva à Iluminação. O Zen vai mais longe e encoraja o fim do próprio pressuposto de que a ausência de pressupostos leva à Iluminação.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;A natureza não é lógica&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eu gosto de usar a lógica. É uma ferramenta mental útil para lidar com o universo, e com as pessoas. Meu pensamento ético segue uma lógica. Meu pensamento científico segue uma lógica. Até meu pensamento artístico segue uma lógica. É algo que me acompanha há anos, antes mesmo de eu procurar a psiquiatra. Porém, não me iludo em achar que tudo se explica pela lógica, ou que tudo o que não é lógico é falso &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Uma coisa que me fez pensar a respeito foram as duas coisas mais complexas e difíceis de entender do universo: os paradoxos. Existem milhões de paradoxos ao nosso redor: paradoxos matemáticos, buracos-negros, paradoxos linguísticos, a espécie humana... Cada uma dessas coisas não apenas desafia a lógica, mas a quebra sem dó, sem piedade, sem misericórdia. O que isso significa? Que o universo é ilógico? Não! O universo não é lógico nem ilógico, ele é alógico, é isento de qualquer classificação de logicismo que a ele atribuamos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O universo segue um conjunto mais ou menos apanhado de leis, mas vive uma pequena porção de caos. O universo não é lógico, apenas nosso modo de compreendê-lo é que é lógico. A qualquer momento podemos simplesmente acordar com superpoderes, e para o universo será um fato corriqueiro como qualquer outro. Mas podemos acordar também como sempre acordamos, o que mantém o fato como corriqueiro no universo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;E a depressão, que tem a ver com isso?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nossa geração aprendeu que confiar em um médico protegido por um código de ética corporativista, que passou 5 anos em uma faculdade para aprender a prescrever remédios caros, completamente impessoais e de ego inflado e inquestionável. Na verdade, nossos médicos passam 5 anos na universidade apenas para realizar ESTE tipo de abordagem de nossa saúde. Assim, um psiquiatra não hesitará em prescrever um antidepressivo, mesmo que haja outras alternativas menos ortodoxas e igualmente eficientes (não descarto nem a Homeopatia, desde que o médico saiba o que está fazendo).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jx4ge0d7L_E/Ty_doOA8hcI/AAAAAAAAAys/mJX2y2F1VUU/s1600/dor.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-jx4ge0d7L_E/Ty_doOA8hcI/AAAAAAAAAys/mJX2y2F1VUU/s320/dor.jpg" width="238" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Sentimento de dor (não sei quem é o artista,&lt;br /&gt;
encontrei no twitter de alguém por aí)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
A psicanálise é um exemplo de uma abordagem sem o uso de medicação. Mesmo assim, muitos até preferem prescrever remédios. Há alternativas mais interessantes para tratar síndrome do pânico, depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, TAG, TOC e outras doenças neurológicas. Nessas soluções, teríamos prática religiosa, mudança de estilo de vida, mudança de filosofia de vida, &lt;i&gt;aiurveda&lt;/i&gt;, acupuntura, cirurgia, prática de esportes, grupos de ajuda, leitura, jogos de tabuleiro, meditação, ioga etc. Um médico psiquiatra, se fosse melhor treinado, usaria todo o seu aparato acadêmico para entender que existem alternativas à medicação, que deveria ser usada em último caso. Mas ocorre justo o contrário: a primeira coisa que passam hoje é a medicação, e depois esperam que tudo se resolva sozinho. Não há acompanhamento (não serei injusto, eles acompanham sim, mas de maneira muito impessoal). Não há abertura para outras alternativas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Minha alternativa foi mudar a filosofia de vida, mas isso apenas após duas medicações e quase uma terceira mais forte &lt;i&gt;para meu organismo&lt;/i&gt;. Algumas pessoas saem curadas ou com seus problemas controlados pela aiurveda, pela religião, por meio cirúrgico, ao praticar esportes. Um amigo meu que tinha TDAH que estava quase se transformando em uma depressão resolveu o problema partindo para uma terapia-criativa: começou a esculpir, e isso o ajudou a controlar sua própria atenção. O médico dele tinha receitado o uso de Imipramina, mas, após ouvir outras duas opiniões médicas, ele resolveu finalmente partir para uma alternativa. Inscreveu-se em oficinas de artes plásticas e começou a esculpir. Hoje, em exames mais recentes, a TDAH dele está bem mais controlada e menos evidente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não acho um médico desnecessário, mas infelizmente eles confiam demais na ciência. Eles têm fé nos remédios que compram. Basta um laboratório dizer que foi testado e a ANVISA liberar que o remédio pode ser receitado sem nenhum controle. Os laboratórios são os novos profetas, a ANVISA é a nova igreja, e os catálogos de remédios são suas novas Bíblias. Os médicos partem do pressuposto de que tudo o que laboratórios, órgãos reguladores e catálogos são devidamente testados, sem erros, sem problemas, sem desonestidades. Até o mais ateus aprenderam a ter fé, o que demonstra então o incrível paradoxo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Isso não é motivo para eliminar os testes, os órgãos reguladores e os catálogos, nem é motivo para que você, caro leitor, deixe de ir ao médico. Isso tudo significa apenas que você deve procurar outras opiniões (de preferência, vá sempre a mais médicos), veja se está disposto aos efeitos colaterais, e se a relação custo-benefício está em seu equilíbrio devido. Prefiro os efeitos colaterais de um antibiótico, por exemplo, pois se eu não tomar, eu morro. Quanto aos antidepressivos, prefiro recorrer a eles só em último caso, pois seu não uso não causará minha morte em casos leves ou medianos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Enfim, é uma questão de bom-senso e um pouco de lógica. O bom-senso, nas mãos certas, é capaz de verdadeiras maravilhas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-7751946668229859253?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VWlRzBRxwRPZwuhliM3yoCSibyE/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VWlRzBRxwRPZwuhliM3yoCSibyE/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VWlRzBRxwRPZwuhliM3yoCSibyE/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/VWlRzBRxwRPZwuhliM3yoCSibyE/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/pyOuYRijepU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/7751946668229859253/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/depressao-quando-ciencia-nao-e-o.html#comment-form" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/7751946668229859253?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/7751946668229859253?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/pyOuYRijepU/depressao-quando-ciencia-nao-e-o.html" title="Depressão: Quando a ciência não é o bastante" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-x4pz5bOht_A/Ty_dzw3HrPI/AAAAAAAAAy0/JD01PeQMPoY/s72-c/RockGarden.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/depressao-quando-ciencia-nao-e-o.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEEEQ3Y9cCp7ImA9WhRbE0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-5419529757217199798</id><published>2012-02-04T16:55:00.000-03:00</published><updated>2012-02-04T17:16:42.868-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-04T17:16:42.868-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pessoal" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fotografia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><title>Cotidiano: A escrivaninha de um escritor comum</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Uma coisa que aprendi quando criança é que o indivíduo é quem constrói seu próprio espaço. Nem sempre o mesmo espaço aparece de uma forma igual ao que era antes, pois sua constituição é irrepetível, irreversível e imemorável. Mas existem padrões de manifestação, como todo e qualquer sistema, adaptado ao momento ou à atividade que estiver sendo exercida no momento. Por isso mesmo, percebi meus próprios padrões em relação ao objeto que mais aparecia em meu cotidiano: a escrivaninha. De certa forma, minha vida gira em torno dela, seja minha vida como escritor, seja minha vida como leitor, ou qualquer outra vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nos últimos dias, resolvi então fotografar minha escrivaninha em todos os momentos em que eu estivesse ocupando-a e me lembra-se de registrar o fato. O resultado foi este abaixo:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HQmsNaPb6dU/Ty2KYc75AII/AAAAAAAAAxk/Wo2J31CbPZc/s1600/Escrivaninha-dormindo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-HQmsNaPb6dU/Ty2KYc75AII/AAAAAAAAAxk/Wo2J31CbPZc/s320/Escrivaninha-dormindo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha enquanto estou dormindo, comendo,&lt;br /&gt;
tomando banho, namorando etc.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xnBbBwA13Ys/Ty2KZNcYtYI/AAAAAAAAAxs/ZVnhIif3a3k/s1600/Escrivaninha-escrevendo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-xnBbBwA13Ys/Ty2KZNcYtYI/AAAAAAAAAxs/ZVnhIif3a3k/s320/Escrivaninha-escrevendo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha enquanto estou escrevendo (na ocasião,&lt;br /&gt;
o capítulo 12 de &lt;i&gt;Estrela Flora&lt;/i&gt;).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-57rFfwUWfyw/Ty2KaF1aHkI/AAAAAAAAAx0/OT5viFKlBt0/s1600/Escrivaninha-especializando-se.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-57rFfwUWfyw/Ty2KaF1aHkI/AAAAAAAAAx0/OT5viFKlBt0/s320/Escrivaninha-especializando-se.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha enquanto estou estudando para a&lt;br /&gt;
especialização ou escrevendo minha monografia.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-M6rBG8CSSMo/Ty2Kax2so6I/AAAAAAAAAx8/J3b6bnyZpQw/s1600/Escrivaninha-estudando.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-M6rBG8CSSMo/Ty2Kax2so6I/AAAAAAAAAx8/J3b6bnyZpQw/s320/Escrivaninha-estudando.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha quando estou estudando qualquer assunto&lt;br /&gt;
(no caso, &lt;i&gt;linguística histórica&lt;/i&gt;).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-I7uCAQoiFR8/Ty2Kbi1V3zI/AAAAAAAAAyE/K1QeG8ukLp8/s1600/Escrivaninha-lendo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-I7uCAQoiFR8/Ty2Kbi1V3zI/AAAAAAAAAyE/K1QeG8ukLp8/s320/Escrivaninha-lendo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha quando estou lendo qualquer coisa&lt;br /&gt;
despropositadamente (na ocasião, &lt;i&gt;O Parque&lt;br /&gt;dos Dinossauros&lt;/i&gt;, do Michael Crichton).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yvQMAxhKWio/Ty2KcRERg5I/AAAAAAAAAyM/NIzYlHIW-1s/s1600/Escrivaninha-navegando.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-yvQMAxhKWio/Ty2KcRERg5I/AAAAAAAAAyM/NIzYlHIW-1s/s320/Escrivaninha-navegando.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha quando estou navegando ou acessando uma&lt;br /&gt;
rede social qualquer.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-jR8A0QkJWJM/Ty2KdE7zOZI/AAAAAAAAAyU/0LtMMuUHZrM/s1600/Escrivaninha-saindo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-jR8A0QkJWJM/Ty2KdE7zOZI/AAAAAAAAAyU/0LtMMuUHZrM/s320/Escrivaninha-saindo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha em uma pausa a qualquer atividade&lt;br /&gt;
que eu estava fazendo nela no momento.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/--hkXKEA7m8w/Ty2KXZDBSNI/AAAAAAAAAxc/ZutHIqJ3q80/s1600/Escrivaninha-blogando.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/--hkXKEA7m8w/Ty2KXZDBSNI/AAAAAAAAAxc/ZutHIqJ3q80/s320/Escrivaninha-blogando.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Escrivaninha quando estou blogando (é o terror da minha&lt;br /&gt;
mãe quando entra no meu quarto).&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;
Não sei se é o que se processa com todos os escritores, mas geralmente é assim que eu faço: concentro todas as atividades importantes para um único local, deixando as que não lhes dizem respeito fora dali. Eu por exemplo, não como na escrivaninha, não bebo, não fumo charuto, não medito nela, e nem mesmo namoro nela. Quando quero me socializar, saio dela e procuro parentes, amigos, assisto um filme com a namorada.&amp;nbsp;Porém, é na escrivaninha que todos os meus atos não mundanos se realizam. É nela que desenho grandes heróis, e é nela que fujo de dinossauros. É na escrivaninha que contacto amigos distantes, ao mesmo tempo é nela que estudo para um concurso ou atendo meus alunos da universidade. Digamos que sou um Homem-Escrivaninha: que faria eu sem ela?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-5419529757217199798?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Y8TbDQSCBsMzqDOlEmACB5uZ__I/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Y8TbDQSCBsMzqDOlEmACB5uZ__I/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Y8TbDQSCBsMzqDOlEmACB5uZ__I/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Y8TbDQSCBsMzqDOlEmACB5uZ__I/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/ABCCzzERpy8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/5419529757217199798/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/cotidiano-escrivaninha-de-um-escritor.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/5419529757217199798?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/5419529757217199798?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/ABCCzzERpy8/cotidiano-escrivaninha-de-um-escritor.html" title="Cotidiano: A escrivaninha de um escritor comum" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-HQmsNaPb6dU/Ty2KYc75AII/AAAAAAAAAxk/Wo2J31CbPZc/s72-c/Escrivaninha-dormindo.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/02/cotidiano-escrivaninha-de-um-escritor.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DE4CRXg4cCp7ImA9WhRbFEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-5656389501647030944</id><published>2012-02-02T18:06:00.000-03:00</published><updated>2012-02-05T10:02:44.638-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-02-05T10:02:44.638-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Política" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura de Massa" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Lógica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sexualidade" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura Popular" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Opinião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Educação" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Estética" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><title>Reflexão: por que censurar um comediante?</title><content type="html">&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-8u2-4BdYMOE/Tyr6SCepnyI/AAAAAAAAAxM/Znr2FCETC_4/s1600/attention_manipulation1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-8u2-4BdYMOE/Tyr6SCepnyI/AAAAAAAAAxM/Znr2FCETC_4/s200/attention_manipulation1.jpg" width="158" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As pessoas defendem o Politicamente Correto como se ele fosse uma forma verdadeira de expressão da ética, sem perceber que o mesmo Politicamente Correto é, na verdade, mais uma forma de controle humano antiético. Como assim?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Já expliquei aqui no Calango Abstrato como um discurso politicamente correto modifica a linguagem, manipula significados e ainda por cima recolhe novos adeptos ingênuos de todas as esferas. Para que um discurso Politicamente Correto funcione não precisa muita coisa: basta que algum formador de opinião diga algo sobre um princípio ético que seja claramente deturpado em relação aos verdadeiros princípios éticos.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
São vários exemplos dessa manipulação: &lt;i&gt;heterofobia não existe, homens brancos heterossexuais não têm motivos de orgulho, camisa 100% branco é ofensa, ofender homens é piada lícita, piada com mulheres é machismo, as relações sociais são entre oprimidos e opressores históricos, mulher dá em cima e homem que come é estuprador&lt;/i&gt;&amp;nbsp;etc. Eu poderia escrever um texto derrubando logicamente qualquer uma dessas ideias, o que posso deixar para textos futuros, mas não é o foco agora. Os ingênuos talvez não saibam, mas sempre que uma pequena proibição na expressão de alguém se inicia, a tendência é esta se tornar em atos de intolerância maior no futuro. O povo alemão aprendeu isso depois do nazismo, os brasileiros não aprendem nunca.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-dhw3BBYU5GA/Tyr5NrzCOGI/AAAAAAAAAw8/RCnu1zA3BaI/s1600/rafinha-bastos.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="195" src="http://3.bp.blogspot.com/-dhw3BBYU5GA/Tyr5NrzCOGI/AAAAAAAAAw8/RCnu1zA3BaI/s200/rafinha-bastos.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Rafinha Bastos&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Rafinha Bastos, há vários anos, vem sendo alvo (de forma exagerada, diga-se de passagem) de sanções, ataques, processos e o escambau a quatro pelo simples fato de ele fazer piada com coisas e temas que socialmente são polêmicas. Mas, se é polêmico, significa que o povo ainda não superou o problema. Logo, a saída dos Politicamente Corretos é justamente fazer o oposto do que um Estado Democrático faria: proibi-lo de contar piadas e criar um &lt;i&gt;Index Ridorum Prohibitorum&lt;/i&gt;&amp;nbsp;do que pode e do que não pode ser usado como piada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O caso do Rafinha Bastos nos lembra aquele do filme sérvio que tinha um boneco realista semelhante a um recém-nascido que, na história, era estuprado. Vários países o proibiram, e o Brasil criou um verdadeiro movimento contra o filme. O filme poderia não estar de acordo com alguns valores, mas ele não deixou de ser 1) arte, 2) expressão humana e 3) expressão da liberdade humana. Posso não gostar do filme porque ele não se encaixa em meus valores estéticos, morais, espirituais, de opinião ou que não se adequem aos meus gostos pessoais enquanto personalidade e individualidade, mas não posso usar esses critérios para impedi-lo de ser exibido e expressado. Assiste quem quer, não assiste quem não quer.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É como ocorreu no Dia do Orgulho Hétero. Lembram da polêmica? Um grupo de deputados estaduais evangélicos (ou vereadores, não lembro) quiseram instituir uma data comemorativa chamada &lt;i&gt;Dia do Orgulho Hétero&lt;/i&gt;. Essa data não afetaria diretamente nenhum direito dos gays. Os gays poderiam continuar casando, constituindo família, adotando filhos, participando da economia, melhorando sua intelectualidade, se expressando, preservando sua saúde e mesmo poderiam continuar com seu direito à existência garantido. Enfim, eticamente, é uma data inócua.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O mesmo se diz de &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2012/01/adolescentes-sao-banidos-dos-eua-depois-de-piada-infeliz-no-twitter.html" target="_blank"&gt;dois adolescentes recentemente expulsos dos EUA&lt;/a&gt;&lt;/b&gt; simplesmente porque expressaram uma piada inocente no twitter. Quantos norte-americanos simplesmente não chegam e fazem ou falam o que quiserem nos países em que vão fazer turismo? Quem não lembra do comentário de Silvester Stalone sobre o Brasil? ou o filme &lt;i&gt;Turistas&lt;/i&gt;, que demonizou nosso país? Porém, isso não é motivo para expulsar diretor de filme, ator, maquiador, carregador ou qualquer outro ser humano do Brasil. Se somos um país democrático, membro da ONU, e defensor dos Direitos Humanos, devemos permitir toda e qualquer liberdade de expressão humana que não atinja diretamente os &lt;i&gt;princípios éticos absolutos&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;O que é um &lt;i&gt;princípio ético absoluto&lt;/i&gt;?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-VyumOVY_Jms/Tyr5ggkhhoI/AAAAAAAAAxE/fsYAKkfBvBU/s1600/parada-orgulho-hetero.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-VyumOVY_Jms/Tyr5ggkhhoI/AAAAAAAAAxE/fsYAKkfBvBU/s1600/parada-orgulho-hetero.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Está vendo os héteros matando&lt;br /&gt;
aquelas criancinhas?&amp;nbsp;Não? Nem eu!&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Por princípio ético absoluto entende-se todo e qualquer comportamento humano que seja universal, inalienável e intransferível. Os princípios éticos absolutos podem ser resumidos unicamente em dois princípios básicos: respeito à autonomia e preservação do bem individual.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Por autonomia entende-se que todas as ações são permitidas, desde que incidam tão somente sobre mim mesmo, e não acarretem em prejuízo a terceiros. O termo &lt;i&gt;prejuízo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;pode também ser entendido de acordo com o conceito de &lt;i&gt;bem individual&lt;/i&gt;. Se eu prejudico o bem individual de alguém além de mim mesmo, estou ferindo um princípio ético absoluto.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;O que seriam os bens individuais?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um bem individual é um aspecto inseparável do sujeito, e que permite com que ele seja considerado livre e feliz em uma sociedade. Logo, o bem individual é considerado a própria felicidade. O problema é que a felicidade pode ser compreendida como formada por elementos objetivos e elementos subjetivos. Atentar contra a liberdade de buscar a felicidade ao seu modo é tão somente atentar contra o outro, e é ferir um princípio ético absoluto.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A felicidade formada por elementos objetivos é aquela que diz respeito aos bens palpáveis e mensuráveis e, por isso mesmo, perceptíveis por terceiros. Esses bens são existencialidade (direito à existência, à vida), físico (saúde e integridade física), intelectualidade (direito à informação e ao conhecimento), a materialidade (participação na economia e na vida social), e linguagem (direito à expressão, na língua que escolher, sobre o assunto que bem desejar).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A felicidade formada por elementos subjetivos é aquela que diz respeito aos bens impalpáveis e imensuráveis e, por isso mesmo, apenas vagamente perceptíveis por terceiros. Esses bens são a moralidade (conceitos pessoais de bem e mal), a espiritualidade (religião, filosofia, prática espiritual), a personalidade (modos de ser, sexualidade, percepção pessoal, calma etc.), a estética (gostos estéticos e sistemas de criação estética) e a opinião (posso apenas ser contra ou a favor, e dar as razões, mas não posso medir isso objetivamente).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Analisando os casos que os Politicamente Corretos atacam&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Op26lrFCVdA/Tyr6SUtZYoI/AAAAAAAAAxU/dyDRo-5Ij2w/s1600/gisele-hope.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-Op26lrFCVdA/Tyr6SUtZYoI/AAAAAAAAAxU/dyDRo-5Ij2w/s320/gisele-hope.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Propaganda com Gisele foi até mesmo investigada!&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se eu pratico a homofobia, estou sendo antiético porque estou atentando contra um princípio ético absoluto, certo? Logo, se eu pratico a homofobia, sou antiético porque vou de encontro à autonomia dos homossexuais (como proibir seus casamentos). Um homofóbico atenta diretamente contra a felicidade formada por bens objetivos de um homossexual, podendo privá-lo de existencialidade, físico, intelectualidade, materialidade ou linguagem (exemplo: &lt;i&gt;fale feito homem!&lt;/i&gt;). Um homofóbico atenta contra &amp;nbsp;a felicidade formada por elementos subjetivos quando usa seus elementos subjetivos (como a moralidade e a espiritualidade) para impedir que um gay tenha garantidos seus próprios elementos subjetivos (moralidade, espiritualidade, estética, personalidade e opinião).&amp;nbsp;Porém, se um homossexual fere a autonomia de um heterossexual (como o direito de criar um dia comemorativo próprio), e atenta contra a sua existência, seu físico, sua intelectualidade, sua materialidade ou sua linguagem (exemplo: &lt;i&gt;viado deve ser banido da linguagem&lt;/i&gt;), e impede a manifestação da minha felicidade formada por elementos subjetivos (como dizer que não tenho motivo para ter orgulho), o que impede essa situação de tipificar heterofobia? Se qualquer uma das situações acontece, então tipificamos aqui tanto um como o outro lado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se eu nego aos negros o direito ao emprego, às mulheres o direito à autodefesa contra um agressor ou aos gays o direito à família, então estou sendo racista, sexista e homofóbico. Porém, por que quando se nega a um branco o direito à vaga na universidade, ao homem o direito à autodefesa contra uma agressora ou aos héteros o direito a uma passeada eu não estaria sendo também racista, sexista e heterofóbico? Ambas as situações não atentam à autonomia e à felicidade?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Perguntas válidas&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Rafinha Bastos, ao fazer a piada, impediu a autonomia de alguém? Quantos deficientes, quantas mulheres, quantos negros, quantos brancos, quantas pseudoartistas e quantos políticos perderam o direito inalienável de ir e vir, de falar e de ser o que são, sua autonomia? Quantas pessoas Rafinha Bastos matou? Quantas ele privou de seus bens materiais? Quantas ele atentou contra a integridade física? Quantas pessoas foram expulsas da escola por causa dele? Quantas pessoas perderam o direito de se expressar, e na língua que quiserem? Quantas pessoas foram impedidas por Rafinha Bastos de possuir suas próprias concepções de moralidade e julgamento? Quantas pessoas foram impedidas de praticar sua religião por causa da piada dele? Quantas pessoas ele tirou a liberdade de exercerem sua personalidade? Quantas pessoas tiveram seus gostos estéticos agressivamente recriminados? Quantas pessoas foram impedidas de exercer sua opinião sobre o Rafinha Bastos? Responda essa pergunta por si mesmo e descubra se uma piada atenta contra a autonomia e a felicidade alheia. Lembrem-se: sentir-se ofendido não é critério ético. Eu posso me sentir ofendido pelo simples fato de meu vizinho peidar na rua. Que farei, processarei meu vizinho?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Lembram-se do filme sérvio? O filme, ao usar um recém-nascido de borracha, impediu a autonomia de alguma mãe ou criança? Quantas crianças, quantas mães, quantos cristãos, quantos cidadãos perderam o direito inalienável de ir e vir, de falar e de ser o que são, sua autonomia? Quantas pessoas o filme matou? Quantas ele privou de seus bens materiais? Quantas ele atentou contra a integridade física? Quantas pessoas foram expulsas da escola por causa dele? Quantas pessoas perderam o direito de se expressar, e na língua que quiserem? Quantas pessoas foram impedidas pelo filme de possuir suas próprias concepções de moralidade e julgamento? Quantas pessoas foram impedidas de praticar sua religião por causa de uma cena com um boneco de borracha? Quantas pessoas ele tirou a liberdade de exercerem sua personalidade? Quantas pessoas tiveram seus gostos estéticos agressivamente recriminados? Quantas pessoas foram impedidas de exercer sua opinião sobre o filme?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E o Dia do Orgulho Hétero, ao ser instituído, impediu a autonomia de alguém? Quantos homossexuais, bissexuais, pansexuais e assexuais perderam o direito inalienável de ir e vir, de falar e de ser o que são, sua autonomia? Quantas pessoas o Dia do Orgulho Hétero matou? Quantas ele privou de seus bens materiais? Quantas ele atentou contra a integridade física? Quantas pessoas foram expulsas da escola por causa dele? Quantas pessoas perderam o direito de se expressar, e na língua que quiserem? Quantas pessoas foram impedidas pelo Dia do Orgulho Hétero de possuir suas próprias concepções de moralidade e julgamento? Quantas pessoas foram impedidas de praticar sua religião por causa da data? Quantas pessoas ele tirou a liberdade de exercerem sua personalidade? Quantas pessoas tiveram seus gostos estéticos agressivamente recriminados? Quantas pessoas foram impedidas de exercer sua opinião sobre o Dia do Orgulho Hétero?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Analisando o Politicamente Correto&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Porém, se formos analisar o politicamente correto e sua censura, veremos que a coisa é mais perigosa que se pensa. O Politicamente Correto impede a autonomia (não posso andar na rua com a camisa &lt;i&gt;100% Branco&amp;nbsp;&lt;/i&gt;para não ser acusado de racismo). O Politicamente Correto tira&amp;nbsp;o direito inalienável de ir e vir e de falar (prendendo as pessoas por crimes de opinião). &lt;b&gt;&lt;a href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2011/12/estamos-preparados-para-liberdade.html" target="_blank"&gt;O Politicamente Correto tira a liberdade de ser o que se é&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. O Politicamente Correto mata (priva pessoas de seu direito à vida quando joga um estuprador devidamente julgado e condenado em uma cela comum). O Politicamente Correto priva as pessoas de seus bens materiais (confisco de computadores, livros, fechamento de saites, perseguição às drogas e à pirataria de bens culturais etc.). O Politicamente Correto atenta contra a integridade física (vide casos de linchamento permitidos ou bem aceitos pela mídia). &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/03/universidade-expulsa-aluno-por-homofobia" target="_blank"&gt;O Politicamente Correto remove direitos à intelectualidade&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;.&amp;nbsp;O &lt;b&gt;&lt;a href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2011/12/inquisicao-do-politicamente-correto.html" target="_blank"&gt;Politicamente Correto impede o uso natural da língua&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;&lt;a href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/o-erro-de-silas-malafaia.html" target="_blank"&gt;O Politicamente Correto interfere duramente sobre o julgamento e a moralidade dos indivíduos&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;&lt;a href="http://josefranciscoartigos.blogspot.com/2009/10/pastor-que-comparou-gay-com-lepra-sera.html" target="_blank"&gt;O Politicamente Correto impede a prática espiritual das pessoas&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=c_vl45_iLSY" target="_blank"&gt;O Politicamente Correto interfere na liberdade pessoal de exercer sua própria personalidade&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;&lt;a href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2011/12/inquisicao-do-politicamente-correto.html" target="_blank"&gt;Os gostos estéticos são agressivamente recriminados pelo Politicamente Correto&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. &lt;b&gt;&lt;a href="http://bulevoador.haaan.com/2012/01/32257/" target="_blank"&gt;O Politicamente Correto impede as pessoas de exercerem suas opiniões&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Logo, dá para perceber que o Rafinha Bastos, os adolescentes ingleses, o filme sueco e o Dia do Orgulho Hétero são inócuos por serem eticamente neutros, e não ferirem em nenhum momento qualquer que seja o princípio ético absoluto. O único perigo que representam é aos que querem se manter no poder usando o Politicamente Correto como instrumento de dominação das massas, mascarando atos de censura e impedindo a livre expressão de todos os membros da família humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-5656389501647030944?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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A Hora Zero passou, todos os eventos que poriam você em risco já se foram, e agora resta um mundo despovoado, cujas poucas pessoas ainda vivas estão ainda entre nós graças a uma seleção natural de características e conhecimentos que as tornaram os indivíduos mais aptos da geração. Nas horas, dias ou anos seguintes você preocupou-se apenas em manter-se vivo, lutando &lt;i&gt;bravamente&lt;/i&gt;&amp;nbsp;contra as intempéries causadas pelo meteoro, pelos alienígenas, pela pandemia, pelos zumbis ou por qualquer outro evento que se alastrou pelo planeta.&amp;nbsp;Sua luta pela sobrevivência o fez apelar finalmente para toda uma gama de instintos úteis que evoluíram conosco, mas que praticamente deixamos de ouvir para podermos viver em sociedade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Trocando em vísceras pequenas, sobreviver é tão somente manter-se vivo o tempo suficiente para poder realizar pelo menos uma de três coisas: 1) pôr-se em segurança e calma, 2) ter descendentes férteis, 3) recuperar as energias para decidir que ações tomar. Resumindo o problema da sobrevivência em termos bem simplificados, aqui vão algumas dicas do que fazer caso você precise de mais tempo além da Hora Zero, caso sua existência dependa de uma série de ações que serão úteis quando a humanidade simplesmente resumir-se a poucos.&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-WaQNw4Ffh8s/TyoGyAY8UGI/AAAAAAAAAwk/fiPjqGKddbU/s1600/10,000-BC-thumb-560xauto-22974.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-WaQNw4Ffh8s/TyoGyAY8UGI/AAAAAAAAAwk/fiPjqGKddbU/s320/10,000-BC-thumb-560xauto-22974.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;10.000 A.C.&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Lembro que sempre que saía para trabalhar como ajudante de topógrafo, para caçar, para acampar, para o tréquing, a orientação ou para tocar gado, meu avô, e depois meu pai, acostumados com o clima seco da Caatinga, com os espinhos, com o calor do dia, com o frio da noite e com os perigos que o mato oferecia, sempre me dizia para me preocupar com duas coisas primeiro: água e comida. Ficar sem água em um lugar despovoado, seco, semidesértico, com poucas sombras e diante de uma necessidade forte de andar até pôr-se em segurança é, senão uma sentença de morte, pelo menos um certeza de que as coisas não irão muito bem para o seu lado. Vão por mim, já passei por isso, e ainda por cima mordido de cobra. É a pior coisa do mundo, não desejo nem aos possíveis inimigos que eu tenha.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A comida é outro requisito essencial: andar debaixo do sol ou no frio intenso queima muita energia, e seu corpo é obrigado a gastá-la tentando refrigerar-se ou esquentar-se, além de seus músculos (projetados para caminhadas longas) estarem começando a doer por falta de açúcar. Se a falta de comida vier associada à falta de água, desejo apenas boa sorte.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 1: Ande de água em água&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Andar de água em água significa que você deve manter a linha reta ou procurar sempre descer a altitudes cada vez mais baixas e, atingindo a água, parar para descansar, reabastecer, beber muita, mas muita água mesmo, até quase estourar a barriga, e prosseguir para a próxima água. Uma boa dica quando achar água é: coloque um pouco na boca e deixe-a lá, só engolindo de 10 em 10 minutos, ou então a cada mil passos. Se possível, ferva a água.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 2: Aprenda a fazer fogo sem fósforo e isqueiro&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ache qualquer coisa que, por atrito, seja capaz de liberar faísca, e leve consigo palha e alguns gravetos. Se tiver sorte em andar com líquidos inflamáveis, seja cuidadoso ao manusear para não se queimar e não gastar demais (algumas gotas no local da faísca são suficientes). Tome cuidado com a fumaça, ela geralmente atrai inimigos, mas é útil para afastar insetos e predadores. Sempre que sair de um local onde acabou de apagar uma fogueira, não siga em frente. Mude a rota, é mais seguro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 3: Consiga alimentos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Pode-se comer quase tudo o que encontrar e estiver vivo: plantas, animais e cogumelos. Por experiência, aprenda a identificar o que é venenoso, medicinal e comestível. Qualquer carne suspeita, asse até não ter mais chance de transmitir parasitas. Cozinhe os vegetais em água, e os cogumelos também. Entre os animais, podem-se comer todos: mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, insetos, aracnídeos, crustáceos, minhocas, sanguessugas etc. Entre os vegetais, não coma somente as frutas. Há muita energia na seiva, sob as cascas das árvores, nas raízes, nas folhas, nas flores (essas têm muito néctar). Algas também são um ótima opção. Evite, porém, comer por desespero: autocontrole evita indigestão e comer em excesso (péssimas coisas a acontecerem em ambiente natural).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 4: Só seja nômade em último caso&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se encontrou uma boa fonte de água e alimentos, mantenha-se neles, e proteja-os. Se tiver gente contigo, melhor ainda, pois dá para revezar a vigia. Porém, há fatos naturais que podem interferir perigosamente nessa estabilidade, como secas, enchentes e terremotos. Qualquer evento natural que ameace ou elimine sua fonte costumeira de água e alimento o forçará a procurar uma nova fonte de alimentos. Daí, há duas opções: ficar e esperar que as coisas mudem ou partir em busca de novos lugares. Se a opção for a primeira, certifique-se de que está aprovisionando o suficiente para atravessar a crise. Se a opção for a segunda, não saia aleatoriamente: siga os baixios, siga de água em água e evite calor excessivo na nuca, mas não se preocupe, fomos naturalmente feitos para caminhadas longas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 5: Saiba escolher bem o tipo de abrigo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-yCUw5ZcUhDk/TyoIFexJ-dI/AAAAAAAAAw0/VZYHXpb6IT8/s1600/images+(1).jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="132" src="http://4.bp.blogspot.com/-yCUw5ZcUhDk/TyoIFexJ-dI/AAAAAAAAAw0/VZYHXpb6IT8/s320/images+(1).jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Cenário de &lt;i&gt;A Máquina do Tempo&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Cavernas são boas, mas apenas em casos emergenciais. Não são bons lugares a longo prazo. Costumam-se entocar-se nelas predadores, morcegos (transmissores de doenças), e, em chuvas fortes, podem inundar. Se quiser construir um abrigo bom, coerente, forte e duradouro, sugiro fazê-lo como uma casa primitiva: paredes de madeira ou pau-a-pique, teto de folhas de palmeira ou corridas para vazar água com facilidade, e pedras para os fundamentos simples. Defeque e urine longe do abrigo, de preferência em locais mais baixos e longe da água, assim a urina evapora e as fezes secam antes que uma chuva as torne perigosas demais. Também prepare sua comida afastado do abrigo, deixando os restos por lá, pois assim não atrairá predadores.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 6: Aprenda a orientar-se&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nada pior que perder-se ou não saber onde está. No deserto, é uma notícia péssima. Em uma floresta também. Assim, é sempre bom ter um método adaptável ao ambiente. Em um deserto, identifique as constelações de acordo com a época do ano, seguindo geralmente uma reta, adaptando sua orientação à medida em que a noite avança. Preste atenção ao desvio natural que ocorre por causa de sua lateralidade (se destro ou canhoto, haverá um desvio de 5 a 10 metros para fora da reta a cada 2 quilômetros para o lado em que sua pisada é mais forte). Durante o dia, oriente-se pelo nascimento e pelo poente, organizando uma cruz Leste-Oeste-Norte-Sul, criando um ângulo de orientação em relação a esse eixo. Em uma floresta, use as árvores ou as pedras como pontos de referência, mirando o objeto seguinte a partir do objeto anterior em uma reta, e assim mantendo o rumo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 7: Treine seus sentidos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Pode parecer estranho, mas o viver civilizado nos destreinou com nossos sentidos. Além de vivermos presos a um número gigantesco de representações mentais, a maior parte delas é praticamente inútil para a sobrevivência. O resultado disso é que nossos sentidos perdem a prática. Boa parte da perda da prática vem do fato de não conseguirmos prestar muita atenção a eles por estarmos sempre com a "&lt;i&gt;mente cheia&lt;/i&gt;". Pode parecer estranho, e isso todo enólogo ou perfumista sabe: o olfato e o paladar humanos são também bastante apurados. Nossa audição também, mas os eventos apocalípticos podem tê-la prejudicado. Assim, aprenda a confiar no olfato e no paladar de forma bem simples: esvazie a sua mente o suficiente para que cheiros e gostos sejam ótimos alertas. Sua audição também deve ser retreinada para pequenos ruídos (treinar o som da respiração, dos passos e da fala são essenciais). Treine também sua visão: a visão periférica evoluiu conosco por uma razão simples, que é detectar perigos, presas e predadores que, de certa forma, encontram-se fora de nosso foco imediato de visão. Se você tem algo parecido com a intuição, aprenda a usá-la.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 8: Se for morrer, morra com dignidade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nada pior que ser um chorão com medo da morte ao ponto de perder sua humanidade. Lembrem-se da frase do poeta D.H. Lawrence: “&lt;i&gt;nunca vi um animal selvagem ter pena de si mesmo, um pássaro cai morto de cima de uma árvore, sem nunca ter sentido pena de si mesmo&lt;/i&gt;”. Situação de emergência, você praticamente voltou a ser um animal selvagem, então por que ter pena de si mesmo? Foi mordido de cobra? Vai se afogar? Está doente ou ferido? Então morra dignamente, sabendo que fez o possível, e que a morte virá a todos, até mesmo àqueles que parecem mais afortunados que você. A cobra que te mordeu, o vírus que te pegou e os peixes que comerão o seu corpo estão na mesma situação que você: querem apenas sobreviver, mas estão presos no mesmo ciclo natural. O mais importante é: se estiver em grupo, evite atrasá-lo ou prejudicá-lo por ocasião de sua morte. Nomadismo exige que o corpo seja entregue aos carniceiros, e sedentarismo obriga a enterrar ou cremar. Lute por sua sobrevivência, mas evite "projeções mentais" sobre um pós-morte, isso torna a despedida mais difícil.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 9: Encare tudo com bom humor e motivação&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Parece uma dica deslocada, mas é sempre bom manter o otimismo. Sem aquela de que o pessimismo aumenta nossa atenção. A fé evoluiu em nossa espécie por uma razão, e pode ser que tenha sido mais útil no Pleistoceno que na atual civilização entremeada de religiões e guerras santas. Assim, se está em um deserto, tenha como meta chegar a um oásis, mesmo que a lógica e as evidências digam que você morrerá, pois as evidências que você tem podem ser apenas uma parte da história toda, e uma oportunidade de ouro que você não enxergou pode ser perdida no simples fato de você resignar-se às evidências e desistir. Mesmo com um membro amputado, com uma infecção grave ou desidratado à quase morte, é bom manter o foco na sobrevivência.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 10: Proteja suas crias&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Parece óbvio, mas é bom decidir pela sobrevivência dos filhos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 11: Deixe a moralidade para depois&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Isso será melhor tratado no quinto texto. No momento, você precisa saber apenas que a saúde do grupo depende de um conceito de moralidade mais próximo da ética, em que todos no grupo e em outros grupos amigos podem se beneficiar. Primeiramente, não leve muito a sério o julgamento moral sobre homossexualismo, assexualismo, suicídio, depressão, pedofilia, assassinato, egoísmo, orgulho, estupro... Fale e pense por si, e seja coerente apenas consigo mesmo, e de maneira clara. Todos estão no mesmo barco, e uma situação de sobrevivência exigirá de todos que se comportem da forma como foram programados pela natureza. O comportamento de cada um pode, ou não, ser maléfico para a sua sobrevivência. Alguns indivíduos podem gastar energia e pontos de relação interpessoal mais rápido, outros menos. Alguns são mais traumatizáveis, outros menos. Querendo ou não, isso faz parte da própria seleção natural: eliminar os indesejáveis para o contexto ambiental e manter os mais aptos para aquele ambiente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Dica 12: Não seja a presa&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nos desacostumamos com esse tipo de relação em que éramos predadores, presas e competidores, mas isso se deveu por vivermos na ilusão de sermos protegidos pelas cidades. Mas, encaremos os fatos: parasitas são uma espécie de predador, e vivemos cheios deles, o tempo todo. Voltando à natureza, viveríamos em um novo tipo de relação, que exigiria de nós outro tipo de comportamento, e haveria sobre nós outro tipo de seleção natural. Podem pensar em todos os tipos de novos predadores que nos assolarão, sejamos realistas ou não (podem ir desde ursos até raptores, desde crocodilos até peixes como em &lt;i&gt;Piranha 3D&lt;/i&gt;). Podemos também ser seus predadores (quem nunca imaginou o gosto que uma piranha daquelas do filme teria?). Podemos também ser competidores (crocodilos e humanos têm, basicamente, as mesmas presas). O segredo para estar sempre no topo da cadeia alimentar é: conheça bem a fauna local.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-3830864823810577473?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/6i5-3bQXgfcpkxxer3YF-se7OK0/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/6i5-3bQXgfcpkxxer3YF-se7OK0/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-w9W_7kM_nhA/TycqkNbnLSI/AAAAAAAAAwQ/z4el9--QnJw/s1600/Walking_Dead.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="208" src="http://1.bp.blogspot.com/-w9W_7kM_nhA/TycqkNbnLSI/AAAAAAAAAwQ/z4el9--QnJw/s320/Walking_Dead.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;The Walking Dead&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O que você estava fazendo quando o World Trade Center foi atingido pelo dois aviões? Se você está aqui, lendo, significa apenas que não estava nas torres, nem nos aviões. Mas, entre todos os sobreviventes há com certeza uma sensação de "estar cotidianamente na história" quando nos deparamos com esse evento. Olhando para nosso futuro, podemos contemplar outro conjunto de perguntas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Onde você estará quando o mundo for atacado por alienígenas? Onde estará quando o clima se transformar em um caos completo? Onde estará quando os zumbis começarem a se espalhar pelo mundo? O que importa, porém, é: o que fazer quando chegar a Hora Zero? E vamos lembrar que, em primeira pessoa, cada indivíduo enxergará a Hora Zero como um evento catastrófico qualquer, sem ligar a outras situações semelhantes que possam estar ocorrendo no mundo. Naquele momento, um indivíduo está preocupando apenas em manter a si mesmo e/ou aos seus mais próximos vivos.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Hora Zero é o termo empregado para indicar o momento em que todas as decisões tomadas para lidar com a situação possam garantir &amp;nbsp;sua sobrevivência imediata a um evento cataclísmico. No caso de uma tsunami, colocar-se em uma posição mais alta que as ondas. No caso de uma invasão alienígena, pôr-se o mais distante possível dos atacantes. Mas, não nos afobemos, vamos por partes.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Conjunto de ações&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não há muito o que fazer caso você esteja bem no meio da situação inicial. Apenas, se tiver algum treinamento, faça o possível para sair vivo da situação e, secundariamente, para sair vivo do lugar e que ocorreu a situação. Sua sobrevivência não dependerá necessariamente de onde você está na Hora Zero, mas do que você fará nas horas que se seguirem. A civilização nos deixou molengas para lidar com situações de sobrevivência, mas, se for possível sair vivo, tranquilize-se, pois a calma agora é que te permitirá tomar as escolhas certas para não sofrer mais adiante. Mas, claro, há alguns passos que podem ser aplicados na maioria das situações envolvidas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;1) Afaste-se do lugar imediato de risco&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Vá para o mais distante possível de lugares em que se ponha em perigo iminente. Assim, caso uma queda de um meteorito seja documentada, parta imediatamente com sua família para o local mais distante que puder da zona de impacto e do litoral, com provisões para os dias seguintes, e esconda-se em qualquer subterrâneo que conseguir achar. Se estiver vivendo em uma época com grande possibilidade de guerra nuclear, a dica é afastar-se de todos os grandes centros urbanos. Essa dica também serve para epidemias, vulcanismo, ataque de zumbis, revolta de máquinas e invasão alienígena. No caso de uma inversão climática, o melhor a se fazer é tomar decisões rápidas baseadas no tipo de clima que se instalou, podendo mantê-lo no lugar onde está ou obrigá-lo a se locomover.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;2) Garanta suas necessidades básicas para as próximas horas&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nas próximas horas você e quem estiver contigo precisarão de energia, água, remédios e itens de utilidade imediata, como mapas, lanternas, armas e ferramentas de uso imediato (pás, cordas, ganchos, martelos etc.). Traga apenas a comida necessária para mais duas ou três refeições, mais que isso é comida que tende a te atrasar e que pode torná-lo mais lento caso precise fugir de algo. A água é o item mais necessário, e geralmente perde-se muito dessa água bebendo meio litro de cada vez. A dica é esquentá-la até a temperatura ambiente e colocar um pouco por vez na boca, não engolindo a não ser que seja necessário falar algo. Os remédios serão os necessários para qualquer emergência: antialérgicos, laxantes, ataduras, pomadas para queimaduras e outras coisas encontráveis em &lt;i&gt;quites&lt;/i&gt; de primeiros-socorros. Não esqueça de ter em mãos um mapa (da cidade ou da região), marcando nele em códigos mais ou menos reconhecíveis os pontos de referência e os lugares de onde se precisa manter distância. Uma lanterna pode ser improvisada com um farol de carro ou uma lâmpada ligados a uma bateria, e uma lâmina que direcione o facho de luz. Quanto a armas, qualquer coisa pode ser uma arma. Ter uma arma de fogo pode ser ótimo, mas nunca esqueça que &lt;i&gt;espreis&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e fósforo, facas, espadas, machados, flechas, facões, lança-chamas e outros objetos letais, sejam eles mais fáceis ou difíceis de achar, podem ser bastante úteis. Claro, não esqueça de uma pá (caso precise cavar), de cordas, martelos e ganchos (caso precise escalar) ou de qualquer outra ferramenta que possa garantir que você se vire bem na horas seguintes.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;3) Arrume um abrigo confiável&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O terceiro passo após afastar-se e aprovisionar-se é abrigar-se, e a escolha do abrigo pode, muitas vezes, ser um fator crucial entre a vida e a morte. As boas escolhas são os subterrâneos mais estreitos das cidades, minas abandonadas, grutas em serras ou colinas, poços abandonados etc. Se não existir um lugar parecido por perto, pegue sua pá e faça-o o quanto antes (não esqueça de escorar as paredes com madeira ou ferro). Um abrigo subterrâneo oferece segurança e garante que você possa guardar suas provisões de forma tranquila. Quanto mais afastado e aparentemente natural for o abrigo, mas seguro será. Mas, não esqueça: gente demais é perigoso, e é bom às vezes não sair muito do abrigo nem deixá-lo evidente para outras pessoas. Um abrigo evidente tem também a desvantagem de ser a primeira coisa que os inimigos (caso haja) venham a atacar depois dos eventos iniciais. Outra dica é: nunca use um único abrigo, mas tenha sempre um conjunto de abrigos em que possa se enfiar, pois caso um deles seja descoberto ou invadido, outros poderão ser usados.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;4) Afaste-se das pessoas desesperadas&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Gente desesperada, em uma situação de risco, costuma ser equivalente a duas coisas: uma pedra amarrada em sua perna enquanto você tenta nadar, e um sinal de trânsito luminoso e barulhento para que você possa ser visto. Nesse caso, afastar-se de gente desesperada é o primeiro passo. Se necessário, dê um calmante ao bebê, mate o histérico ou simplesmente fique longe de todos os que agem assim. Aprenda a mascarar seu cheiro (chafundar-se na lama e nas ervas, ou mergulhar no esgoto, na cidade, ajuda muito) e evite fazer barulho. Além disso, se um grupo muito barulhento e dando bandeira se aproximar, evite ser visto por esse grupo. Em um caso em que o barulho e o cheiro não são perigosos, porém, há a alternativa de se manter afastado de todos os nervosos e histéricos. O nervosismo e a histeria deles é um gasto de energia desnecessário, o que significa que precisarão de água e comida mais do que a média do grupo, e isso pode ser ruim, muito ruim.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;5) Decida de forma rápida e coerente&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se você está vendo a água subindo sob seus pés, arranje um barco ou suba mais alto. Se grãos de areia estão caindo do espaço e esquentando a atmosfera, vá para baixo. Se há pessoas doentes ou zumbificadas para todos os lados, fique em um lugar fechado e livre de todo contato com elas, e pense em um modo de ir embora o mais rápido que puder. Se o lugar está ficando quente e seco demais, arranje água. Se começou a nevar, arrume um agasalho e um lugar próximo a uma fonte de calor. Use a razão, pois a Hora Zero será o pior momento para usar a fé, as emoções ou o pânico. Se entre rezar e pendurar-se em uma corda forem suas únicas opções, pendure-se na corda, e deixe para rezar depois, em agradecimento. O segredo é aprender a domar o medo o suficiente para que ele não atrapalhe na hora de agir.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;6) Organize-se com grupos mais ou menos preparados&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Além de sermos animais caçadores, somos também animais gregários, e uma situação limite é a oportunidade perfeita para aflorar nosso modo de organização primata. Pode parecer incivilizado, mas é sempre bom um grupo que seja formado por indivíduos que saibam se impor como líderes, e indivíduos que consigam viver debaixo das ordens de um líder. Dessa maneira, se você se deparou com um grupo com pessoas mais alimentadas e saudáveis, sendo você próprio uma pessoa que sabe sobreviver, não se acanhe em juntar-se a eles. Claro que você deve evitar aqueles que agem com agressividade sem propósito (estuprando, matando gente desarmada e "testando armas" nas pessoas), pois além de serem antiéticos, demonstraram também ser bastante inaptos quando o assunto é guardar energia e provisões, o que pode ser prejudicial mais adiante.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;7) Cuidado ao dormir&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dormir é uma tarefa perigosa nas horas seguintes. Evite dormir em lugares onde você fique vulnerável aos inimigos, ao frio, a predadores e a catástrofes naturais. Se possível, durma onde os eventos que estão ocorrendo sejam mais difíceis de atingirem você. Tenha também um sono leve, ele pode ser compensado durante o dia em uma série de pequenos cochilos quando necessário. É sempre bom andar camuflado: isso lhe permite dormir em cima de uma árvore, debaixo de uma pedra ou por trás de uma cachoeira. O mais importante é: nunca, nunca, nunca, nunca, mas nunca mesmo ronque. Se você costuma roncar, invada uma loja de próteses dentárias e roube um protetor bucal. O ronco pode alertar predadores ou inimigos de sua localização.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;8) Não tenha medo de ficar só&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As pessoas geralmente temem ficar sozinhas, mas às vezes é necessário. É melhor só que mal acompanhado e, no caso de um evento apocalíptico, nada pior que estar mal acompanhado. Por isso é bom não ter família ou amigos, mas, caso os tenha, seja calmo o suficiente para explicar a situação para que ninguém morra por causa da má escolha de alguém. Porém, é melhor ficar só mesmo. Tome provisões simples, encontre um abrigo, e sobreviva como puder. Evitar multidões é uma ótima dica: uma multidão é um alvo evidente, facilita a transmissão de patógenos, atrai predadores e exaure mais facilmente seus próprios recursos, além de permitir mais violência e agressão entre os indivíduos. Assim, não seguindo o pensamento de manada, mas de grupo de caça para baixo, dá para se manter tranquilo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;9) Sem sentimentalismo&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Você viu uma pessoa pedindo por ajuda em uma situação que sabe que pode ser morto? Deparou-se com uma criança em uma situação que pode claramente oferecer risco? Está diante do perigo iminente de modo a estar sofrendo uma descarga de adrenalina? Então essa é a hora de parar, pensar racionalmente, decidir pela sua sobrevivência e deixar os sentimentos para os vermes. Humanista bom é humanista vivo, e nenhum humanista pode ajudar ninguém à frente se resolver ser humanista na hora errada. É essencial optar racionalmente por suas decisões, e arcar com as consequências delas sem remorso. Arrependimento, remorso, ansiedade, nostalgia, medo, orgulho, raiva, egoísmo desnecessário e devaneios com um futuro podem ser prejudiciais, além de serem sentimentos que tiram a concentração para o que está acontecendo no momento e atrapalham o pensamento lógico. Quer sobreviver? Engula seus sentimentos e aprenda a controlar suas emoções!&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;10) Entenda a situação como um todo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você se afastou da zona de risco, garantiu suas provisões, se abrigou, afastou-se dos desesperados, tomou as decisões certas, organizou um grupo, recarregou as energias e se equilibrou emocionalmente e fisicamente para o que virá. Agora é a hora de se sentar e pensar a respeito do que se passou. Para entender a situação, não descarte de primeira nenhuma hipótese (considere até mesmo ataque de anjos), mas seja racional para ir eliminando as opções até ficar com a mais provável ou evidente. Claro que dá para otimizar mais ainda o processo se você for alguém sempre atualizado e disciplinado em conseguir informações científicas sobre o mundo. Você sobreviveu a uma pandemia? Conseguiu fugir a tempo da cidade que estava sendo atacada por alienígenas? Ficou abrigado tempo suficiente depois da queda do meteorito para que a atmosfera voltasse a esfriar? Certo, se você finalmente juntou todas as evidências, uniu todos os pontos e entendeu finalmente a situação, agora é a hora de decidir e agir em torno da situação preterida. Observe forças e fraquezas da situação, afaste-se das forças, explore as fraquezas, e fique vivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Espero que tenha elucidado sobre o quanto a decisão nas poucas horas que se seguem pode ser crucial. Confie em seus instintos e sobreviva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-2570854799603661911?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Existe um equilíbrio perfeito e frágil de forças para que estejamos vivos. Digamos que, quando nascemos, a vida é incerta e impermanente, mas a morte é certa e definitiva. Isso serve individualmente, mas também serve no nível da espécie. A questão não é SE um dia isso acontecerá, mas QUANDO e COMO.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O QUANDO é mais fácil de responder: a qualquer momento. Desde que a humanidade surgiu sua existência vem sendo ameaçada: guerras, pestes, competição por alimentos, viradas climáticas etc. À medida em que a tecnologia foi avançando, mais e mais nos adaptamos às intempéries. Porém, a tecnologia nem sempre nos prepara para o fim. Vejam o exemplo dos maias (que estão famosos agora por causa do calendário). A tecnologia maia era avançada, tinham um calendário quase perfeito para prevenir problemas climáticos, e tinham um conhecimento apurado dos padrões naturais, e isso não os salvou de seu desaparecimento. O fim da civilização maia veio quando os maias menos esperavam.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É difícil imaginar o fim como iminente, e dizer isso me faz parecer aqueles malucos-sanduíche com cartazes no corpo escrito &lt;i&gt;The End is Near&lt;/i&gt;. Mas, vamos aos fatos:a civilização Ocidental está desmoronando, a civilização Oriental está se fragmentando, e as culturas tradicionais dos povos mais pobres estão desaparecendo. Não bastasse isso, os EUA deram os primeiros passos para uma ditadura, os países da antiga URSS estão passando fome (e ainda com mísseis nucleares em seu poder), a Europa está à beira de uma Terceira Guerra, a África está sendo dizimada pela AIDS, a China está perdendo controle sobre seu povo (e também tem ogivas em eu poder), o aquecimento global está trazendo um caos climático, doenças novas e para as quais não temos defesas estão aparecendo em decorrência disso, a internet está sendo controlada cada vez mais, o mundo árabe ainda mantém sua declaração de guerra ao Ocidente, sem falar de uma grande quantidade de ameaças cósmicas que só por um milagre ainda não aconteceram. Logo, estou mais inclinado em acreditar em cartazes com a frase &lt;i&gt;O fim está próximo&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O COMO é o que servirá de tema para este texto. Quem acha que é loucura conjecturar sobre o fim do mundo perceberá que nossa condição frágil nos expõe a tantas coisas que, de qualquer forma, vivemos em um momento antiprobabilidades, pois somos simplesmente afortunados de o mais provável não ter ainda acontecido.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E o que poderia acontecer? Quais as coisas que podem pôr em risco nossa existência enquanto humanos sobre o planeta? Quais os fatores que levariam nossa civilização (e talvez nossa espécie) pro beleléu? Dividi as ameaças em dois tipos: as prováveis e as improváveis. As prováveis são as que, dentro dos conhecimentos científicos que temos hoje e de acordo com as leis naturais. De cara descartei algumas formas de "fim do mundo" que eliminariam a vida do planeta, como supernovas, buracos-negros, colisões planetárias, contato com quark strange e outras coisas já citadas no Discovery Channel (por sinal, canalzinho ruinzim esse!). As improváveis são aquelas que, devido à sua natureza contrária às leis do universo como o conhecemos, são mais difíceis de acontecer, o que exigiria um pouco mais de "quebras de leis" do que o normal.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 1: Queda de meteorito&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://www.dailygalaxy.com/my_weblog/2007/09/code-yellow-mit.html" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="130" src="http://2.bp.blogspot.com/-tlI1t66p6_o/TyHwn4r9LwI/AAAAAAAAAvc/8o806sO_TjY/s200/asteroids.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um meteorito de aproximadamente 10 km, ao chocar-se com a Terra há 65 milhões de anos, mergulhou o mundo em um caos tão grande, e afetou de tal forma o ecossistema, que nenhuma criatura com mais de 12 kg pôde sobreviver por falta de alimentos. Assim, um Tiranossauro de 7 toneladas e um tricerátops de 12 toneladas estavam condenados. Porém, diferente dos animais da época dos dinossauros, provavelmente sairíamos vivos enquanto espécie, pois nossa capacidade adaptativa e a inteligência permitem aos humanos encontrar solução onde não há a princípio. Laicamente posso dizer que um meteorito de tamanho grande é capaz de levantar tanta poeira para o espaço que sua reentrada esquenta a atmosfera em todo o globo, o suficiente para cozinhar as pessoas vivas em alguns pontos do planeta, derreter os pólos em uma questão de dias e levantar o nível dos oceanos de modo a afogar a maior parte da população. Além disso, os detritos retornam e se chocam com o globo, o choque causa um terremoto global, e a nuvem de poeira cobre toda a atmosfera e ainda forma um anel no planeta impedindo o sol de aparecer por um tempo que pode variar de seis meses a 10 anos, causando a morte de toda a vida vegetal e proliferando os fungos. Pela grande quantidade de carbono e enxofre na atmosfera, passa a chover ácido carbônico e ácido sulfúrico por alguns meses, praticamente derretendo a pele das pessoas desprotegidas. Além disso, as pessoas restantes do impacto, dos afogamentos e do cozimento seriam obrigadas a lutar pelos recursos que sobrassem até que a natureza pudesse se recuperar. O prognóstico é variável, mas estima-se que sejamos reduzidos de bilhões a pouco menos de um milhão, que todo acervo cultural humano seja destruído e que completo caos climático dure alguns séculos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 2: Guerra Nuclear&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TQ8bM1bmOrA/TyHvD-UBdUI/AAAAAAAAAvU/sxdrzUVBBhI/s1600/350px-Nagasakibomb.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-TQ8bM1bmOrA/TyHvD-UBdUI/AAAAAAAAAvU/sxdrzUVBBhI/s200/350px-Nagasakibomb.jpg" width="166" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A hipótese ainda não foi descartada, inda mais agora que o Irã está produzindo energia nuclear. Apesar de não termos tantas ogivas para causar uma extinção em massa, ela será suficiente para eliminar boa parte dos seres humanos. A maior parte das pessoas hoje vive nas metrópoles e em zonas populosas. Bastam 3 ogivas, por exemplo, para matar mais de um bilhão de pessoas na China, e esta, por sua vez, tem ogivas suficientes para que a retaliação simplesmente elimine boa parte da população do planeta. Além da explosão, dependendo das condições do vento, a radiação pode contaminar e matar ainda outros milhões de seres humanos em áreas agrícolas próximas ou vizinhas, e pode também contaminar a água dos rios próximos. Enfim: provavelmente sobreviveremos, mas as sequelas continuarão matando por um bom tempo ainda. Além da radiação, teríamos que conviver por um bom tempo com as doenças que ela causa: deformidades, câncer, problemas de imunidade, deficiências químicas e alterações neurológicas. O prognóstico é a sobrevivência de, no máximo, um bilhão de pessoas, além de uma destruição parcial dos acervos culturais como livros, audiovisuais e internet. A radiação também mudaria os padrões climáticos "de leve".&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 3: Epidemia&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YFafiJ3RSjg/TyHuSerNC_I/AAAAAAAAAvM/naT_3Z1UvZg/s1600/filme_eu_sou_a_lenda.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://4.bp.blogspot.com/-YFafiJ3RSjg/TyHuSerNC_I/AAAAAAAAAvM/naT_3Z1UvZg/s200/filme_eu_sou_a_lenda.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Divulgação de &lt;i&gt;Eu sou a lenda&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Filmes como &lt;i&gt;Extermínio, Ensaio sobre a Cegueira, Os Filhos da Esperança&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e &lt;i&gt;Eu sou a lenda&lt;/i&gt;&amp;nbsp;já lidaram com o tema, além de &lt;i&gt;Os 12 Macacos&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e &lt;i&gt;O Planeta dos Macacos&lt;/i&gt;. Você pode achar que é ficção, mas já ocorreu tantas vezes na história que é impossível não acontecer de novo.&amp;nbsp;O mundo já foi atacado pela febre tifoide (século V a.C.), pela praga de Antonine (século II d.C.), pela peste bubônica (séculos VI e XIV d.C.), por vários surtos de cólera durante a história, além da gripe (quem não lembra da gripe espanhola, que matou mais de 25 milhões de pessoas em todos os continentes?). O mundo moderno vive sob ameaça de um verdadeiro coquetel de agentes patogênicos: AIDS, SARS, gripe (principalmente do tipo H1N1), varíola, hepatite, antavírus, superbactérias, protozoários patogênicos resistentes, além de verminoses e fungos. Claro que os vírus e as bactéricas causam maior medo, mas sempre sobrevivem aquelas pessoas mais imunes, mesmo que sejam poucas, além de uma vacinação poder vir a tempo. Mas, e se a vacinação não vier a tempo? Um efeito sobre as populações é que o ecossistema nem ia notar nossa ausência, na verdade iria até se recuperar. Os poucos seres humanos que restassem não seriam capazes de reconstruir indústrias, bancos, produção agrícola em massa, transportes, instituições ideológicas, exércitos e governos. Tudo estaria esfacelado. A estimativa é que um "coquetel de patógenos" lançado por algum terrorista ou espalhado por engano pelo mundo seria capaz de eliminar mais de 80% das pessoas no planeta.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 4: Problemas climáticos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MzYqfmGDaOE/TyHt3B7QIQI/AAAAAAAAAvE/9_NjoPebssQ/s1600/tdat_trailer_r1c2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="127" src="http://2.bp.blogspot.com/-MzYqfmGDaOE/TyHt3B7QIQI/AAAAAAAAAvE/9_NjoPebssQ/s200/tdat_trailer_r1c2.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;O dia depois de amanhã&lt;/i&gt;, divulgação&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Uma outra forma de matar bilhões de pessoas de forma rápida é causando o mais completo caos no clima do planeta. Uma Era Glacial repentina pode simplesmente eliminar todo o hemisfério norte devido ao frio e à fome, e ainda mergulharia os países do hemisfério sul em uma seca que duraria séculos, transformando a Amazônia em uma savana, e a África em um único e grande deserto. A Índia teria um clima semelhante à caatinga. Além disso, o gelo interferiria nas correntes marítimas, mudando completamente o padrão de alguns lugares, tonando o clima imprevisível por algum tempo. O aquecimento global é outro problema. Se os pólos derreterem, o nível do mar subirá de 120 a 250 metros, o clima se tornará ainda mais imprevisível, podendo transformar o Saara em uma floresta densa fechada e a Amazônia em um deserto quente por décadas, e depois inverter completamente o padrão de chuvas. Outro efeito é que mudaríamos completamente nossa relação com os demais seres vivos (algo como &lt;i&gt;O fim dos tempos&lt;/i&gt;, de Shyamalan). Os furacões ficam mais potentes e frequentes. O lado bom é que as plantas cresceriam mais, e os animais também, mas a espécie humana seria ameaçada, pois não é o tipo de clima para o qual evoluímos. A natureza sobreviveria, mas um problema climático em escala global, seja ele qual for, afetaria de tal maneira a produção de alimentos que poderíamos facilmente ser reduzidos, quando muito, a menos de 1% do montante original.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 5: Supervulcões&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-BmHc_ISyDQo/TyHtXNNhUqI/AAAAAAAAAu8/0WqlrbarRjg/s1600/supervolcano-yellowstone.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="111" src="http://2.bp.blogspot.com/-BmHc_ISyDQo/TyHtXNNhUqI/AAAAAAAAAu8/0WqlrbarRjg/s200/supervolcano-yellowstone.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;imagem do filme &lt;i&gt;2012&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Há 250 milhões de anos, na passagem do Permiano para o Triássico, a vida no planeta esteve por um fio. Mais de 95% das espécies no planeta simplesmente desapareceram devido a uma megaerupção vulcânica na Sibéria, um conjunto de vulcões que ficaram derramando lava por cerca de um milhão de anos. A causa mais provável foi uma pluma de lava vindo do manto terrestre. A atmosfera se superaqueceu, liberando metano, carbono e enxofre, que só pioraram a situação (apesar de o enxofre ajudar a diminuir a temperatura). A maioria dos animais morreu de fome, sufocados ou desidratados. Muitas espécies de grande porte diminuíram de tamanho para sobreviver (como ocorreu aos Lystrosaurus). Em um evento desses, a espécie humana poderia ser considerada virtualmente extinta, pois a população seria reduzida de 7 bilhões a poucos milhares poucos meses depois da explosão de um supervulcão. Quem acha impossível, a explosão de um supervulcão no Lago Toba (Indonésia), 80 mil anos atrás, quase tirou nossa espécie do mapa. E olhem que a explosão foi somente durante alguns dias. Imaginem enfrentar um supervulcão por um milhão de anos!&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 6: Apocalipse zumbi&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-viRuCXyvL-Q/TyHtAS-OTFI/AAAAAAAAAu0/3nmBHCQVEtY/s1600/the-walking-dead-2010-1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://1.bp.blogspot.com/-viRuCXyvL-Q/TyHtAS-OTFI/AAAAAAAAAu0/3nmBHCQVEtY/s200/the-walking-dead-2010-1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Cena de &lt;i&gt;The Walking Dead&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Eu bem que poderia inserir esse item na Hipótese 3, mas é melhor considerá-lo à parte por dois motivos: 1) o agente patogênico mantém o cadáver em animação mesmo depois de sua morte, o que o torna um vetor perigosíssimo, e 2) os humanos zumbificados ainda são humanos, mas apenas não fazem mais parte da humanidade. Nos últimos tempos a lista de filmes, livros, séries e jogos sobre o tema só tem crescido, dos quais cito &lt;i&gt;Residente Evil&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(que transforma em uma extinção em massa), &lt;i&gt;O Padre&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Zombieland&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;A Madrugada dos Mortos&lt;/i&gt; e&amp;nbsp;&lt;i&gt;The Walking Dead&lt;/i&gt;. Meu amigo escritor Betomenezes reafirma que é diferente um apocalipse zumbi para um apocalipse morto-vivo, diferença essa que acato. No caso, um apocalipse zumbi tornaria qualquer membro da espécie humana um vetor da doença e uma ameaça real à segurança dos sobreviventes. Com exceção de &lt;i&gt;Residente Evil&lt;/i&gt;, um apocalipse zumbi não parece ser tão perigoso para o ecossistema planetário, uma vez que atinge tão somente a espécie humana. Pelo contrário, os zumbis tornam-se até perigosamente vulneráveis a predadores, suas juntas perdem a eficácia com o apodrecimento, são logo reduzidos a trapos de carne em zonas quentes, e ficam completamente inaptos em regiões frias em questão de semanas. Claro que isso é tempo suficiente para espalhar a doença em mais e mais pessoas. A área atingida pode ser isolada, mas a estimativa, caso fuja do controle, é que a humanidade se reduza&amp;nbsp;a pouco menos de 10 milhões, entre os que sabem matar zumbis e os que são imunes à patogênese.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 7: Revolta das máquinas&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-q2Mdu-MBUEg/TyHsf-bkhAI/AAAAAAAAAus/mOykK25c2MM/s1600/t800metal.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-q2Mdu-MBUEg/TyHsf-bkhAI/AAAAAAAAAus/mOykK25c2MM/s200/t800metal.jpg" width="160" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Exterminador do Futuro&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como ocorreu em &lt;i&gt;O Exterminador do Futuro&lt;/i&gt;, e em &lt;i&gt;Matrix&lt;/i&gt;, um vírus complexo ou uma inteligência artificial podem ser suficientes para pôr as máquinas contra os homens. Dependendo do tipo de máquina e do tipo de guerra que ela promove, podemos ter uma situação que pode variar desde o dificilmente controlável até o impossível de ser controlado. Como tenho muita fé na estupidez humana, aposto mais na segunda opção. Não demoraria para que as máquinas pudessem encarar a espécie humana como descartável diante do ecossistema planetário, ou para nos considerar uma ameaça em potencial, iniciando o processo de extermínio. A boa notícia é que situação semelhante nos manteria "a postos" tecnologicamente para que pudéssemos responder à altura, a má notícia é que a reposição dos soldados mortos levaria, no mínimo, 12 anos, que é o tempo em que uma criança leva para se tornar apta para a batalha (deixemos a ética de lado, estamos falando da sobrevivência da espécie). Porém, acabaríamos sobrevivendo, sem indústrias para se manter, e sem conhecimentos sobre suas próprias constituições (como ocorria com os homens no passado), é provável que as máquinas oxidassem e perdessem suas funções. Seria nossa chance. No fim, seríamos pouco mais de 10 milhões de seres humanos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 8: Invasão alienígena&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-r5D5KbucvwQ/TyHsDhSw69I/AAAAAAAAAuk/rofXeWXUoGc/s1600/Alien+Ship-thumb-500x375.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://1.bp.blogspot.com/-r5D5KbucvwQ/TyHsDhSw69I/AAAAAAAAAuk/rofXeWXUoGc/s200/Alien+Ship-thumb-500x375.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Imagem do filme &lt;i&gt;Independence Day&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Apesar de ser antieconômico que uma criatura venha de outra estrela, singrando o vazio, somente para nos atacar, pode ser que um dia aconteça. Para isso, vamos primeiro descartar os motivos que levam esses seres para vir aqui. Primeiro, se estão aqui podem estar interessados em duas coisas: 1) em nosso planeta, 2) em nós, 3) em algum recurso natural do nosso planeta. Na primeira hipótese temos uma notícia boa: se estão interessados em nosso planeta, são parecidos conosco, ou seja, têm a mesma constituição química, e isso significa que, como qualquer criatura do planeta, podem ser mortos. Se estão interessados em nós (em &lt;i&gt;Skyline&lt;/i&gt;, eles querem nossos cérebros), a notícia é um pouco desanimadora, mas não tanto, pois significa que somos também uma arma contra os próprios alienígenas. Na terceira hipótese, a notícia é mais desagradável, pois significa que eles atravessaram distâncias enormes para algo que nosso planeta oferece em abundância (no filme &lt;i&gt;A Batalha de Los Angeles&lt;/i&gt;, os alienígenas querem drenar nossa água, e em &lt;i&gt;A hora da escuridão&lt;/i&gt;, querem drenar toda forma de energia do planeta). De qualquer forma, não demoraria até que os humanos aprendessem a lidar com esses seres (em &lt;i&gt;Final Fantasy I&lt;/i&gt;, por exemplo, aprendemos a controlar a energia que compõe os alienígenas). O efeito que um evento desses tem sobre o ecossistema é bastante vago: os alienígenas podem promover uma extinção em massa ou podem realizar um ataque seletivo. Logo, dependendo do tipo de ataque, a biosfera pode ser drasticamente prejudicada ou não, mas a humanidade seria reduzida talvez a menos de 1% do que era originalmente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Hipótese 9: Outros tipos de eventos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tudo bem que parece improvável, mas, como falei acima, não se trata de nada impossível. Histórias como&amp;nbsp;&lt;i&gt;Legião,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;Reino de Fogo, 11-11-11&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;Deixados para Trás&lt;/i&gt;&amp;nbsp;são bem interessantes nesse sentido. Criaturas imortais ou destruidoras aparecem no mundo e o mergulham em completas trevas e destruição. O que temos, então, é o tipo de evento cujos resultados dependerão da natureza do evento. Sendo o Apocalipse Bíblico de &lt;i&gt;Deixados para trás&lt;/i&gt;, ou qualquer apocalipse, seja ele muçulmano, xintoísta ou hindu, o ecossistema será muito afetado, e a fome se tornará a principal forma de morte entre as pessoas. Em &lt;i&gt;Legião&lt;/i&gt;&amp;nbsp;temos um mundo caótico com milhões de &lt;i&gt;possuídos&lt;/i&gt;&amp;nbsp;espalhados pelo mundo. Além desses, podemos imaginar um mundo tomado por dragões cuspidores de napalm, como &lt;i&gt;Reino de Fogo&lt;/i&gt;. Claro, são só filmes, mas o tipo de evento que ocorrer, se for de origem sobrenatural (supondo que o sobrenatural exista, é claro), é bem provável que seja difícil de determinar o resultado assim como é difícil determinar para onde vamos depois de mortos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Enfim, essas são as 9 hipóteses de fim do mundo que eu trouxe para vocês. Seja qual for o tipo de evento que nos atinja, o mais importante é o que fazer na famosa &lt;i&gt;Hora zero&lt;/i&gt;, no momento em que a coisa for finalmente deflagrada. Por sinal, a &lt;i&gt;Hora zero&lt;/i&gt;&amp;nbsp;será nosso próximo assunto. Até o dia 29. Fiquem na paz!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-3078436587468110614?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/XqI2UGdVhPLchzdhmuvwS5xKPWo/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/XqI2UGdVhPLchzdhmuvwS5xKPWo/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/XqI2UGdVhPLchzdhmuvwS5xKPWo/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/XqI2UGdVhPLchzdhmuvwS5xKPWo/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/-UQD-4am4y0" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/3078436587468110614/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/o-fim-do-mundo-i-tipologia-apocaliptica.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/3078436587468110614?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/3078436587468110614?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/-UQD-4am4y0/o-fim-do-mundo-i-tipologia-apocaliptica.html" title="O Fim do Mundo I: tipologia apocalíptica" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-tlI1t66p6_o/TyHwn4r9LwI/AAAAAAAAAvc/8o806sO_TjY/s72-c/asteroids.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/o-fim-do-mundo-i-tipologia-apocaliptica.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CU4BRXc8cCp7ImA9WhRUFko.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-544460534211481313</id><published>2012-01-27T11:19:00.000-03:00</published><updated>2012-01-27T11:19:14.978-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-27T11:19:14.978-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Humanismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sociologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><title>O fim do mundo - preâmbulo</title><content type="html">&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-zWj8TV-xKkA/Tx9eWafySnI/AAAAAAAAAt8/pmHCu8SqB6E/s1600/The-Walking-Dead.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="188" src="http://4.bp.blogspot.com/-zWj8TV-xKkA/Tx9eWafySnI/AAAAAAAAAt8/pmHCu8SqB6E/s320/The-Walking-Dead.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="font-size: 13px; text-align: center;"&gt;Cena de &lt;i&gt;The Walking Dead&lt;/i&gt;. Caos generalizado&lt;br /&gt;
deixará o mundo mais silencioso.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
O planeta tem mais de 4 bilhões de anos em evolução da vida. A maioria das espécies que já rastejaram na Terra já deixou de existir, está deixando de existir e, futuramente, continuará terminando seu tempo na existência. Conosco não é diferente. Um dia a espécie humana encontrará seu fim. Não seremos a primeira espécie a dar o adeus, e nem seremos a última. Talvez seja algo que o &lt;i&gt;darma &lt;/i&gt;venha me ensinando: tudo é impermanente, e o que serve para coisas, momentos e pessoas serve também para espécies e planetas. A questão que fica é: e o que virá depois do apocalipse?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Estamos em 2012, uma data (mais uma) para a qual foi proclamada o fim do mundo. Além disso, desde o fim do último milênio estamos sendo bombardeados com exemplos e mais exemplos de &lt;i&gt;fins de mundo&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;Acho interessante a&amp;nbsp;&lt;i&gt;Legião&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de filmes, livros, jogos, quadrinhos e séries apocalípticos (desculpem o trocadilho, hehe) que apareceram nos últimos tempos:&amp;nbsp;&lt;i&gt;Presságio, O Paneta dos Macacos, Legião, O Exterminador do Futuro, 2012, Ensaio sobre a Cegueira&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(não deixa de ser, né?)&lt;i&gt;, Depois do Apocalipse (Animal Armaggeddon), Final Fantasy I, Independence Day, O Livro de Eli, Mad Max, Waterworld, Titan AE, A hora da escuridão, O Padre, Os 12 Macacos, Zombieland, Falling Skies, Reino de Fogo, Os Invasores de Corpos, Inteligência Artificial, Extermínio, The Divide, Daybreakers, A Madrugada dos Mortos, Resident Evil, The Walking Dead, Skyline, Batalha de Los Angeles, 9 - A Salvação, 11-11-11, Uma Cidade sem Lei&lt;/i&gt;&amp;nbsp;etc. Além de filmes, há livros a respeito:&amp;nbsp;&lt;i&gt;A Estrada, Fim dos Tempos, O Dia Depois de Amanhã, Um cântico para Leibowitz, As Crônicas Marcianas, Deixados para Trás, A Máquina do Tempo, Guerra dos Mundos, Eu sou a lenda&lt;/i&gt;&amp;nbsp;etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso, inaugurarei esta série de textos apocalípticos e pós-apocalípticos para, de certa forma, terminar com alguns mitos sobre como podemos acabar e para provar que, de qualquer forma, não seremos extintos assim tão fácil. Pode ser o fim da civilização, de nosso estilo de vida ou de nossa história, mas a espécie ainda terá um tempo para respirar. Algumas perguntas sempre aparecem aos interessados em entender o "fenômeno": como sobreviver ao fim do mundo? O que restaria de nossa cultura? Como iniciaríamos um soerguimento?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para deixá-los a "preparado" para o apocalipse, seja para escrever ou para sobreviver a ele, vamos para um conjunto de textos nos quais descreverei o que aconteceria se um evento apocalíptico nos alcançasse ainda nesta geração. Me concentrei naqueles eventos nos quais nossa espécie terá alguma chance. As que não terá chance nenhuma, obviamente, não fará muita diferença onde nos esconderemos ou como lidaremos com o pós-apocalipse. Por isso, dividi o tema em sete postagens, descrevendo os inúmeros processos por trás do fim da civilização, sejam esses processos biológicos, éticos, psicológicos, sociais ou históricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As sete perguntas a serem respondidas nas próximas postagens serão:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) Que tipos de eventos podem acontecer nesta geração que sejam suficientes para pôr fim à civilização?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantarei inúmeras hipóteses verossímeis sobre as piores ameaças que podem nos afligir, desde as mais diretamente prováveis, como vírus e guerras nucleares, até as mais improváveis, como ataques de alienígenas, revolta de máquinas inteligentes ou mesmo a ira divina. Quais as que nos dão a melhor chance de sobreviver? e quais as que nos extinguirão sem nenhuma misericórdia? Além de descrever o processo de cada tipo de apocalipse, tomei a liberdade de explicar suas causas prováveis e suas consequências mais imediatas na vida da Terra e nas paisagens que ficarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2) Como será a Hora Zero e os momentos posteriores a ela?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua sobrevivência não dependerá necessariamente de onde você estará, mas do que você fará nas horas seguintes à Hora Zero. Apenas se você for muito, muito, mas muito azarado é que estará em meio às primeiras vítimas do evento, porém, se não estiver entre elas, se estará tomando café no prédio mais alto ou defecando no banheiro do subsolo não será tão importante quanto estar com a cabeça fria o suficiente para lidar com o momento. Aprenda a visualizar rotas de fuga e a agir de acordo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) Como sobreviver a um evento apocalíptico?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A variedade de eventos apocalípticos descritos pela imaginação humana amenizam, de certa forma, suas consequências. Até mesmo &lt;i&gt;A Estrada&lt;/i&gt;&amp;nbsp;age assim. Nessa postagem demonstrarei as melhores formas de se manter vivo nesse novo mundo enquanto todo o evento não se encerrou. Uma coisa que não levamos em conta é: o quanto a civilização nos deixou molengas? Dá para exercitar nossos instintos e mantê-los em forma para a próxima "investida"? É melhor ficar próximo ou mais distante das cidades? Uma mina abandonada é seguro? Como conseguir alimentos? Falarei então das melhores estratégias para sobreviver em um mundo apocalíptico: comida, saúde, água, abrigo, relacionamentos interpessoais etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) Como conviver com gente que nunca vi mais gorda?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na quarta postagem da série, mostrarei nosso comportamento em grupo, e como isso pode ser útil para a nossa sobrevivência, e o quanto os "jogos de poder" que aprendemos na civilização podem ser prejudiciais. Mostrando como nos comportamos em relação aos nossos instintos, demonstrarei que os &lt;i&gt;Reality Shows&lt;/i&gt;&amp;nbsp;parecerão piqueniques familiares perto do que vem depois de um apocalipse, pois assassinatos, agressões, estupros e coisa do gênero são facilmente eliminadas da TV, enquanto que, na vida real, as coisas não serão assim tão boas para quem fica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) O que ocorrerão com os tabus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembre-se: o objetivo primário é sobreviver. Não se preocupe se, para se manter vivo, você precisar dar um tiro de 12 na cabeça de uma criança que lhe aponta uma 38. Primeiro mantenha-se vivo, e depois, quando tudo se normalizar, pense em ser humanitário. Não existem humanitários mortos, o que existem são simplesmente mortos, e mortos não podem fazer muita coisa para ajudar. Por isso, suponho que esse será o texto mais polêmico da série: como lidar com estupro, consumo de drogas, pedofilia, tortura, assassinato, emboscadas, canibalismo, suicídio e outras coisas que o homem civilizado aprendeu a considerar tabus terríveis?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) O que virá depois de tudo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário do que pensam os filmes, a civilização não se erguerá. Porém, o que importa é que, você agora vivo, e acompanhado de um grupo, poderão conviver nos anos que se seguirem. Falarei do que acontece quando um grupo encontra seu "equilíbrio": a presença de um líder, lugares bons para recomeçar, as lições aprendidas com o evento, formando uma economia primária, contactando outros grupos de sobreviventes. Tudo isso será tratado nessa postagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) Qual será o legado de nossa cultura?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de tudo, esse será o tópico mais pessimista. Lembremos que o evento foi APOCALÍPTICO, caixa alta, tudo maiúsculo, ou seja, o que sobrou foi quase nada. Temos agora um punhado de pessoas sobreviventes, e tudo indica que não serão as mais intelectualizadas nem as mais habilidosas nas "artes da civilização". Assim, podem dizer bau-bau pra nossa civilização. Pouco será deixado dela como legado, e provavelmente o que sobrar serão fragmentos que se perderão ou serão confundidos assim que as migrações de repovoamento &lt;i&gt;a la Idade da Pedra&lt;/i&gt;&amp;nbsp;recomeçarem por todo o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desejo boa sorte aos que me lerem nos próximos dias, e juízo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-544460534211481313?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/zzobByFaOCuHYSRZNqNfuN5gEE0/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/zzobByFaOCuHYSRZNqNfuN5gEE0/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/zzobByFaOCuHYSRZNqNfuN5gEE0/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/zzobByFaOCuHYSRZNqNfuN5gEE0/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/CaIcanWBDE8" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/544460534211481313/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/o-fim-do-mundo-preambulo.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/544460534211481313?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/544460534211481313?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/CaIcanWBDE8/o-fim-do-mundo-preambulo.html" title="O fim do mundo - preâmbulo" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-zWj8TV-xKkA/Tx9eWafySnI/AAAAAAAAAt8/pmHCu8SqB6E/s72-c/The-Walking-Dead.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/o-fim-do-mundo-preambulo.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUQNR3k4cSp7ImA9WhRUFEQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-3564343638229750567</id><published>2012-01-25T08:00:00.000-03:00</published><updated>2012-01-25T09:09:56.739-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-25T09:09:56.739-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Conhecimento" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Linguagem" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Lógica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ciência" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Filologia" /><title>Linguagem: Concepções errôneas sobre a linguagem</title><content type="html">&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Quem lida com a linguagem todos os dias se depara com concepções geralmente errôneas que brotam no seio das mais diversas produções culturais, sejam elas movimentos de politicamente corretos, sejam defensores de um conservadorismo linguístico, sejam religiosos e místicos de todos os tipos, sejam cientistas leigos de outras áreas. O problema das concepções errôneas sobre a linguagem é que, geralmente, elas se fundamentam em conceitos que não dizem respeito necessariamente à linguagem. Por isso, listei abaixo sete exemplos de como as concepções errôneas sobre a linguagem afetam o cotidiano dos Cientistas da Linguagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;De que adianta ser lógico se você não é coerente?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ouvi essa no Orkut. Só esclarecendo: ser coerente é ser lógico. Ponto. A Lógica é uma ferramenta útil e necessária para a ciência e para a construção do conhecimento. Não significa que tenhamos que levá-la o tempo todo conosco (apesar de ser algo bastante aconselhável), e não significa que a natureza se comporte de maneira lógica. Lógica não é a forma como a natureza se comporta, mas apenas a forma como podemos entendê-la. A Lógica é tão somente uma ferramenta psicolinguística para a criação e o desenvolvimento de argumentos e discursos coerentes e fechados, que pode, e deve, ser aplicado a qualquer esfera do conhecimento. O argumento de que Lógicos não têm religião, por exemplo, é falso, visto os maiores desenvolvimentos no campo da Lógica terem se passado no seio do próprio Cristianismo, dentre os quais cito Tomás de Aquino e Anselmo de Cantuária. Defensores dos Direitos Humanos que dizem que Lógicos não são coerentes em relação aos &lt;i&gt;oprimidos históricos&lt;/i&gt;&amp;nbsp;esquecem que justamente por serem coerentes é que lógicos não acreditam em &lt;i&gt;opressão histórica&lt;/i&gt;. Esse discurso é da Retórica, não da Lógica. Além do mais, a Lógica ajudou a formular métodos científicos e axiomas úteis para a construção de várias ciências, inclusive medicina e engenharia, justamente por seu caráter coerente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;O politicamente correto&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Os dois lados dessa briga, ao defender seu posicionamento, acabam cometendo também "gafes" científicas quanto à linguagem. De um lado, temos os Politicamente Corretos, que abordam a linguagem como uma ferramenta de poder, mudando-a a seu bel prazer, para ajustá-la às suas ideologias e, assim, controlarem melhor as classes mais baixas. Do outro lado temos os tradicionalistas, para os quais a linguagem é exata, imutável e cujos vocábulos e conceitos não passam por transformação ou adaptação, esquecendo que a linguagem muda no decorrer dos anos. Enquanto os politicamente corretos tentam controlar a linguagem para que ela mude aos moldes que eles escolheram, os tradicionalistas tentam defender usos de termos de acordo com uma tradição erudita. É o caso de &lt;i&gt;Minoria&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Minoria&lt;/i&gt; é, originalmente, um termo numérico, quantitativo, referente à quantidade de determinado elemento dentro de um conjunto. Logo, homens brancos heterossexuais são uma minoria, uma vez que correspondem a apenas 27% da população, senão menos. O conceito de minoria adotado pelos Politicamente Corretos é o de &lt;i&gt;grupo oprimido&lt;/i&gt;. Para resolver a briga, então, deve-se optar por uma construção mais exata e menos sujeita à alteração, daí minha sugestão pela adjetivação: Minoria Numérica e Minoria Histórica seriam os elementos mais adequados no caso.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Se não é lógico, é impossível&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esse é o erro cometido pelos céticos de todos os tipos. A Lógica, como eu falei, não é a forma como a natureza se comporta, mas a forma como a compreendemos. Sabemos pela experiência que é um paradoxo ser seu próprio pai, ou morar em um planeta feito de livros. Isso não significa que a natureza, vez por outra, não possa simplesmente um dia quebrar suas próprias regras (ela faz isso o tempo todo em Buracos-Negros e paradoxos estruturais). Logo, é bastante ilógico sair do corpo, mas não impossível. Visto o universo ser todo o conjunto de existência, em seus mais diversos níveis, todas as possibilidades de existência que são &amp;nbsp;imagináveis, racionalizáveis ou mesmo citáveis são igualmente possíveis, dependendo tão somente de uma estrutura de leis que as torne possíveis. Logo, a Lógica é uma forma de interpretação da realidade, ou seja, é uma valoração. A natureza em si mesma é Alógica, neutra, nem valoração e sem respeito a nenhuma lei obrigatória.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;O que não é lógico, é ilógico&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Nada mais distante da verdade. A filósofa Susan Haack estudou, na lógica, a distinção entre Argumentos Formais e Informais, e demonstrou que ambos têm os mesmos teores de validade. Nem tudo que não é Lógico é Ilógico. O argumento pode ser Retórico, Niáico, Maiêutico, Alógico, Metalógico, Ex-Lógico e mesmo Paralógico. Cada estrutura de argumento serve para um fim específico. Argumentos Retóricos valem-se para convencer e encantar. O argumento Niáico tem, como função, promover a prática. Existe o Alógico, composto justamente de um argumento válido, porém subjetivo, sem estrutura lógica. Enfim, existem inúmeros tipos de argumento que transcendem a simples distinção Lógico-Ilógico.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Preservação da língua&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esse conceito errôneo tem duas dimensões. A primeiro refere-se à preservação de línguas indígenas ou em extinção. A segunda faz referência às formas clássicas das línguas em uso. Na primeira dimensão, encara-se uma linguagem em extinção como um produto arqueológico que precisa ser preservado e, portanto, precisa de falantes. O problema é que a extinção linguística é natural, faz parte do processo histórico, e outras sempre aparecem para substituí-la naquela comunidade de falantes (assim como o português substituiu as línguas indígenas brasileiras). O processo ocorreu milhares de vezes na pré-história, e continuará ocorrendo no futuro, tanto que o português ou o inglês podem ser substituídos inevitavelmente por outra língua que atenda às necessidades sociais e históricas de determinada comunidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A segunda dimensão diz respeito à preservação histórica de uma língua per si, como dizem os que alegam que brasileiro não fala bem o português, ou que assumem um Rui Barbosa como referência sobre a língua. Tais pessoas não sabem, mas a língua bem usada é aquela que serve bem a uma comunidade de falantes, que cumpre seu papel basilar de comunicar. Se um Rui Barbosa tentasse se comunicar com algum &lt;i&gt;funqueiro &lt;/i&gt;hoje, provavelmente não lograria êxito, uma vez que a linguagem de ambos não estabeleceria uma comunicação. Assim, o linguajar do &lt;i&gt;funqueiro &lt;/i&gt;serve bem à comunidade, e é bem usada, na mesma medida em que o linguajar de Rui Barbosa servia bem ao mundo erudito do qual ele fazia parte. Sendo a transformação linguística um fato histórico comprovado (Nostrático → Indo-Europeu → Itálico → Latim → Romanço → Português), a passagem da língua portuguesa para outra etapa da evolução linguística é, além de inevitável, incontrolável.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Povo com cultura é povo com leitura&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O problema dessa afirmação é que acaba-se por excluir toda manifestação cultural não advinda da leitura, e a cultura inteira de povos ágrafos, como uma não-cultura. Mas, sendo cultura toda manifestação humana inserida na história, seja ela produzida ou reproduzida, então podemos inferir que um povo sem leitura é apenas um povo sem leitura. Claro que a leitura dá ao povo poderes variados dentro da sociedade, mas a ausência da leitura de modo algum afeta a capacidade de um povo de produzir cultura. Assim, essa frase erra por submeter o todo à existência de apenas uma de suas partes.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;O palavrão é a degeneração da linguagem&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Antes de mais nada, o palavrão é um fato linguístico como qualquer outro. Seu uso e sua existência estão sujeitos a contextos, povos, culturas, modos de agir e pensar e a indivíduos e, portanto, fazem parte da linguagem, uma vez que a mesma linguagem serve a contextos, povos, culturas, modos de agir e pensar e a indivíduos. Usar &lt;i&gt;puta&lt;/i&gt;&amp;nbsp;em vez de &lt;i&gt;prostituta&lt;/i&gt;, ou dizer "&lt;i&gt;tô com mancha na cabeça do pau&lt;/i&gt;" em vez de dizer "&lt;i&gt;estou com cândida&lt;/i&gt;", são, linguisticamente, igualmente válidos. Não bastasse isso, o palavrão tem um uso corrente em um contexto histórico muito limitado: sua origem está nos tabus religiosos, principalmente no Ocidente que, para afastar os termos referentes a coisas impuras ou pecaminosas, proibiu o uso corrente de palavras que consideravam inadequadas para determinados ambientes. Ou seja, tivemos aí a gênese do politicamente correto. Depois disso, dizer "&lt;i&gt;porra&lt;/i&gt;" ao levar uma topada passou a ser recebido com hostilidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;As línguas são organismos vivos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Um organismo vivo é uma entidade caracterizada pela complexidade e aspectos gerais reconhecíveis como nascimento, crescimento, metabolismo, reprodução, reação e morte. O problema é que, &lt;i&gt;lato ou stricto sensu&lt;/i&gt;, língua nenhuma no mundo nasce. O estágio atual da língua portuguesa, por exemplo, é apenas o resultado de um continuum sistêmico, delimitado na história apenas por questões didáticas. Não houve aquele momento em que simplesmente deixou-se de falar Latim e passou-se a privilegiar o Português. O &amp;nbsp;que ocorreu é que cada geração, como de costume, falava sempre de modo ligeiramente diferente da geração anterior. E, como de som em som o dicionário enche as páginas, o Latim evoluiu para o Português. Também é falsa a alegação do crescimento (línguas não crescem, elas apenas são usadas, como uma roupa ou uma casa), do metabolismo (línguas não digerem nem excretam nada), de reprodução (o próprio continuum desdiz isso), da morte (o Latim não morreu, ele se desenvolveu, e mesmo línguas desaparecidas não morreram, entraram em desuso). Talvez o único aspecto que a língua divide com os seres vivos seja o da reação a estímulos. Ela se adapta, seja ao modo de pensar de um povo, seja às condições político-econômicas, seja aos fatores históricos. Por exemplo, a língua basca é parente da língua chinesa, mas a língua basca, falada na Europa, preservou as flexões de gênero e número, enquanto que o Chinês descartou todas as flexões. O motivo é que os bascos vivem na Europa, onde essas distinções fazem sentido, enquanto que na China, culturalmente, isso não faz sentido algum. Isso explica, por exemplo, porque as línguas neolatinas desenvolveram os artigos e abandonaram os casos. Logo, a reação a estímulos (históricos, sociais, culturais, econômicos) é o único ponto em comum entre as línguas e os seres vivos.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Espero ter sido claro neste texto. Surgindo outros conceitos errôneos, poderei atualizar este texto. Qualquer linguista que tope esclarecer outro ponto pode falar comigo que inserirei sua contribuição neste texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-3564343638229750567?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/_KQKUjr2c_HlItupydehO6rTF3k/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/_KQKUjr2c_HlItupydehO6rTF3k/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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Resolvi escrever um texto de auto-ajuda, mas, diferente dos demais textos de auto-ajuda, este não serve para que você, caro leitor, sinta-se bem com seus próprios defeitos. O objetivo aqui é justamente fazer jus ao termo "auto-ajuda", ou seja, darei a vocês ferramentas reflexivas para que realmente possam ajudar a si próprios. Se querem ferramentas para sentirem-se cômodos sem mudar um fio sequer de sua própria natureza, leiam Paulo Coelho.&lt;br /&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Nos últimos três anos comecei a refletir sobre a amizade, e descobri, espantado, que tenho amigos, e que meus amigos não são necessariamente aqueles com quem mais convivo e converso, mas aqueles que suportaram por anos minha personalidade e nunca reclamaram, dividindo a vida comigo pacientemente. São também pessoas com quem brinco, tiro um sarro, discuto, mas que também suporto pacientemente seus defeitos e nunca reclamei. Também são pessoas extremamente problemáticas em vários aspectos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E quem não é problemático? Amizade é uma troca, um gostar do outro apesar de seus defeitos. Amigos podem ser contatos de internet, parceiros de copo, parentes, semiparentes, namorada, noiva, cônjuge, vizinho, mas o que carateriza a amizade é justamente a intimidade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O mesmo despertar que me lembrou o que é a amizade me lembrou também o que é inimizade. Hoje não tenho mais inimigos. Já houve o tempo em que eu declarava guerra aos outros pelo simples fato de me impedirem de me expressar, ou de me humilharem em público, ou mesmo pelo simples fato de termos divergido fortemente em algum ponto determinado. Mas hoje percebo que era inimigo de alguns, mas que hoje não sou inimigo de ninguém.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Amizade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9qkGkWZDUiM/Tx4ZvW2nhpI/AAAAAAAAAts/EjMB17zF-Ns/s1600/Bob-Esponja-e-patrick.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="218" src="http://1.bp.blogspot.com/-9qkGkWZDUiM/Tx4ZvW2nhpI/AAAAAAAAAts/EjMB17zF-Ns/s320/Bob-Esponja-e-patrick.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Pode parecer bobo, mas o tema da amizade em&lt;br /&gt;
Bob Esponja é até interessante.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
Você conhece um sujeito no trabalho (ou na escola, ou na internet, ou na sua rua) com quem pode ou não pintar uma identificação inicial. Especialistas já disseram que as primeiras impressões são essenciais, mas é bom frisar que as impressões primárias são fruto de um preconceito inserido socialmente, e sua tendência é se amenizar com o convívio. Com o tempo, e o convívio, vocês dois começam a tomar umas cervejas juntos, e nas conversas (e discussões, e brigas, e concordâncias) começam a conhecer mais sobre o outro. Com o tempo, você perceberá que seu amigo tem gostos, opiniões, pensamentos, origem social, modo de ser sexual, trejeitos linguísticos, trejeitos gestuais, rotina, virtudes, vícios... Algumas você também tem, outras não tem, algumas desejadas por você, outras repudiadas por você. Em suma, você terá, diante de si, um outro ser humano que, como você, tem suas próprias peculiaridades.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Conhecendo mais a fundo essa pessoa, você deixa de enxergar os defeitos e as qualidades, e enxerga apenas um ser humano como você. Há uma identificação, mesmo que haja diferenças gritantes entre vocês. A identificação é tamanha que, quando o outro passar por dificuldades, você o ajudará, e provavelmente ele estará por perto quando você precisar dele. Dificuldade não é somente a financeira. Crises religiosas, fim de relacionamentos, crises de sexualidade, solidão, estresse, problemas de saúde, tudo é pretexto/desculpa/motivo para estar ao lado do outro dando aquela força. No fim, amizade é isso, estar ao lado do outro dando aquela força.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Inimizade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WI0t4-tUMf4/Tx4abZeiQ-I/AAAAAAAAAt0/-hgRIfl63Wk/s1600/Lion-Chases-Hyena.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/-WI0t4-tUMf4/Tx4abZeiQ-I/AAAAAAAAAt0/-hgRIfl63Wk/s320/Lion-Chases-Hyena.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Leões e hienas são íntimos o bastante para serem&lt;br /&gt;
considerados inimigos um do outro.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
O interessante é que a inimizade também exige o mesmo grau de intimidade.&amp;nbsp;Você conhece um sujeito no trabalho (ou na escola, ou na internet, ou na sua rua) com quem não pintou uma identificação inicial (o famoso santo que não bate). As primeiras impressões ficaram, fruto de um preconceito prévio, mas, ao contrário da amizade, as primeiras impressões persistiram, visto não haver nenhum esforço em abrir mão dos preconceitos. Porém, os dois são obrigados a conviver nos mesmos ambientes todos os dias. A isso há duas situações.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Na primeira, a hostilidade é recíproca, e ambos se odeiam. Com o convívio no mesmo ambiente, começam a conhecer melhor um ao outro. Você percebe que seu inimigo tem gostos, opiniões, pensamentos, origem social, modo de ser sexual, trejeitos linguísticos, trejeitos gestuais, rotina, virtudes, vícios... Algumas você também tem (mas não admite pra não se identificar), outras não tem, algumas desejadas por você (o que pode se transformar em inveja), outras repudiadas por você (o que pode gerar o ódio). A diferença é que você se torna hostil ao modo de ser do outro como um todo. Você acaba tendo, diante de si, um outro ser humano que, como você, tem suas próprias peculiaridades, mas você não aceita nenhuma delas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Na segunda situação, a hostilidade não é recíproca, apenas você odeia o outro. Com o convívio no mesmo ambiente, você começa a conhecer melhor o outro, e o outro a você. Você percebe que o outro tem gostos, opiniões, pensamentos, origem social, modo de ser sexual, trejeitos linguísticos, trejeitos gestuais, rotina, virtudes, vícios... Algumas você também tem (mas não admite pra não se identificar), outras não tem, algumas desejadas por você (o que pode se transformar em inveja), outras repudiadas por você (o que pode gerar o ódio). Você se torna hostil ao modo de ser do outro como um todo. Você acaba tendo, diante de si, um outro ser humano que, como você, tem suas próprias peculiaridades, mas você não aceita nenhuma delas. Como não é recíproca, seu ódio pelo outro te faz perder uma ótima oportunidade de formar uma amizade, mesmo que o outro nunca faça nenhum mal a você.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Conhecendo mais a fundo o outro que você odeia, passam-se de enxergar os defeitos e as qualidades. Seu ódio enevoa toda e qualquer identificação, mesmo que haja semelhanças entre vocês, podendo ser gritantes, mas há rejeição prévia. A rejeição é tamanha que até mesmo tentativas do outro de se reaproximar, de se mostrar diante de você, são recebidas com hostilidade. Dessas pessoas, você se irrita, mas o problema está em você, e não nelas: qualquer palavra fere, qualquer olhar fere, qualquer gesto fere, qualquer conquista fere. Logo, a inimizade exige um grau de intimidade bem grande, como a amizade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Ameaças às amizades&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A maior ameaça que pode existir a uma amizade não é o mundo, mas você mesmo. A impaciência, a raiva, o egoísmo, o apego e o orgulho são venenos terríveis que podem minar uma relação.&amp;nbsp;Esses sentimentos negativos tendem a transformar a amizade em hostilidade, e debandá-la para a inimizade. Esses sentimentos é que causam a não-aceitação do outro, a não compreensão do outro, o não-perdão do outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A impaciência destrói a amizade a partir do momento em que não se sabe esperar que o outro se manifeste. Chama-se para tomar uma cerveja na sexta-feira após o expediente, e começa a ficar irritado se o outro ainda não respondeu 5 minutos depois de solicitado, imergindo o outro em uma situação de urgência para tudo o que você planeja.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A raiva pode destruir uma amizade quando, sob pressão ou estresse, você descarrega sobre o outro essa energia negativa. Todos temos problemas, de familiares a financeiros, e às vezes é bom se abrir com um amigo em vez de jogar os cachorros em cima dele.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O egoísmo é querer sempre seu amigo por perto nos seus dias, ou só querê-lo para tomar cerveja e nunca ouvir seus problemas, é não respeitar sua individualidade, e muito menos dar-lhe voz. O egoísmo é o maior responsável pelo fim das amizades, pois você se basta e não abre espaço na sua vida para o outro.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O apego também é perigoso, pois te torna um inconveniente. Sem conseguir viver sem o outro, você se transforma em um chiclete no cabelo ou na sola do sapato. Até quando o outro necessita de seu espaço, de seu tempo, de si mesmo, você o interrompe e o desconcentra.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O orgulho também é problemático. Às vezes você não quer ouvir algumas verdades, e culpa o outro pela irritação que surge da não aceitação da verdade. O outro percebe que você age de determinado modo, ou sabe que você precisa saber de algo, e sempre vem você com a desculpa do "&lt;i&gt;feriu meus sentimentos&lt;/i&gt;" ou "&lt;i&gt;eu não estava preparado para essa verdade&lt;/i&gt;". Obviamente, isso é mais orgulho que qualquer outra coisa.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;O que pode beneficiar uma amizade?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Justamente o oposto do que pode ameaçá-la. Lembremos que a amizade não é um relacionamento permanente (como tudo no universo, ela um dia acaba), mas você pode usá-la para beneficiar o outro, o seu amigo, e nem sempre você o beneficiará de um modo que ele, a princípio, goste. Então, como posso lidar com um amigo problemático?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Você pode exercitar sua paciência e a paciência do outro, ao mesmo tempo&lt;/b&gt;. Saber esperar a manifestação do outro, esperar a resposta do outro e aprender a deixar cada coisa em seu tempo. Talvez seja uma oportunidade de preocupar-se com seus afazeres naquele momento e esquecer passados e futuros. Preocupar-se com seus afazeres e só dedicar-se a dar uma resposta quando concluí-las é também um ótimo exercício.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Você pode exercitar sua calma e a calma do outro, ao mesmo tempo&lt;/b&gt;. Quanto estiver com raiva, espere que ela baixe antes de falar, ou diga a seu amigo que precisa primeiro "&lt;i&gt;acalmar os ventos internos&lt;/i&gt;", ou então descarregue sobre ele um abraço amigo ou dê um tapa no ombro com todas as emoções do mundo, que isso ajuda a transformar a energia da raiva em outro tipo de energia menos prejudicial. Em relação à raiva do outro, exercite seu amor próprio o suficiente para que a raiva dele não seja uma ofensa para você. Devolva com sorriso, fala mansa e olhar compassivo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Você pode exercitar seu altruísmo e o altruísmo do outro, ao mesmo tempo&lt;/b&gt;. Esteja sempre a postos para ajudar seu amigo, mas fique de olho nas prioridades. Algumas vezes ele quer tua presença e teu trabalho em coisas que ele conseguiria resolver sozinho, mas não sabe que pode. Mas, naquilo que você perceber que transcende as capacidades dele, dê uma ajuda. E, claro, lembre-se que nem sempre os amigos estão preparados para ajudar. Quando você realmente precisar, e isso se e somente se você tiver medido todas as alternativas e perceber que o problema é realmente importante para os dois e que você não conseguirá resolver sozinho, você procure seu amigo e peça para que ele te ajude, e de um modo que não tenha como ele escapar.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Você pode exercitar seu desapego e o desapego do outro, ao mesmo tempo&lt;/b&gt;. Muitas vezes nos abstemos de dizer algumas verdades ou aceitamos coisas que contrariam nossos princípios com medo de perder a amizade.&amp;nbsp;Às vezes é necessário você dizer algo que pode irritar seu amigo, ou verdades para as quais ele não se acha pronto para ouvir, ou você pode negar algo a ele pelo fato de aquilo ferir seus princípios. Isso tudo é viável na amizade. Amizade não é sentir-se bem e agradável ao lado do outro, é valorizar o outro, e às vezes é preciso deixar o outro ir para longe de você se, com isso, você o valorizar. Da mesma forma, afaste-se de amigos que prejudicam sua vida, que te obrigam a fazer coisas que você não concorda pelo bem da amizade. Afastar-se dessas pessoas, dizendo-lhes o motivo, às vezes é melhor que ficar por perto "&lt;i&gt;pelo bem da amizade&lt;/i&gt;".&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Você pode exercitar sua humildade e a humildade do outro, ao mesmo tempo&lt;/b&gt;. Pode acontecer de o outro dizer algo que fere seus sentimentos, ou de dizer alguma verdade que você não quer assumir. Muitas vezes, em uma discussão, você estava errado, e não fala mais com o outro porque é doloroso admitir que estava errado. Nesse caso, seja humilde, e aprenda a ouvir também na mesma medida em que fala. Quem fala demais ouve demais, e quem ofende demais se ofende demais. A humildade do outro se exercita sendo você mesmo o exemplo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;E a inimizade?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A inimizade pode ser consertada, ou pelo menos neutralizada. Se não é possível reatar uma amizade com o outro, ou fazer um inimigo gostar de você, algumas atitudes pessoais podem garantir sua saúde moral e espiritual nesse caso. Não encarem a lista abaixo como regras, mas como conselhos de alguém que já passou pelas situações e aprendeu com elas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Não seja recíproco (ou vingativo)&lt;/b&gt;. Se o outro te odeia, ame-o. Se o outro é rude contigo, seja educado com ele. Se o outro é frio contigo, seja solícito com ele. Se o outro erra contigo, acerte com ele. Se o outro é rancoroso contigo, perdoe seus atos. Quando você faz isso, você desfaz a inimizade, pois ela deixa de ser recíproca. O outro é que se sente seu inimigo, ele é que nutre sentimentos negativos, mas sua atitude não vingativa torna o ranco inócuo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Não seja imediatista&lt;/b&gt;. Uma mudança de atitude para a melhor nunca é recebida de primeira e sem desconfiança. Às vezes, enquanto sua atitude muda, pode ocorrer de você ser "atacado" por situações que minam mais uma vez a confiança que vinha sendo conquistada. Se você era uma pessoa impositiva, possessiva, egoísta e briguenta e, do nada, torna-se passivo, desapegado, altruísta e calmo, nem sempre as pessoas compreenderão sua mudança de cara, e situações-limite serão sempre interpretadas à luz do velho &lt;i&gt;você&lt;/i&gt;. Para elas, exercite sua paciência. Pode durar dias, meses, anos, décadas até que alguém venha a entender que você não é mais o que era antes.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Não seja instável&lt;/b&gt;. Não projete sobre o outro suas frustrações. Aprenda a perdoar, aprenda a controlar sua própria raiva, a redirecioná-la em outra coisa menos prejudicial. Alguém que se ache seu inimigo pode descarregar todos os tipos de sentimentos e ações negativas contra você, mas evite perder a calma com isso, simplesmente esqueça o outro e siga sua vida. Deixe os defeitos dele para ele, e somente para ele, e se preocupe apenas com seus afazeres. Devolver o estresse alheio sempre com sorriso, fala mansa e olhar compassivo ajuda a&amp;nbsp;diminuir a tensão.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Não seja mesquinho&lt;/b&gt;. Se o seu "inimigo" estiver caído na estrada, ajude-o. Se seu pneu furar, ajude-o. Se ele estiver desempregado, indique-o. Se ele precisar de você e não tiver mais ninguém para fazer algo por ele, faça-o. Não se trata de ter sangue de barata, mas de simplesmente enxergar no outro um ser humano como você. Mas, cuidado! Se ele recusar sua ajuda, deseje-lhe o melhor e afaste-se. A simples intenção de ajudar fica gravada no subconsciente. Mesmo que na situação inversa ele deixasse que você se lascasse, ajude ou disponibilize-se. São atitudes, e não palavras, que demonstram quem você realmente é.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Não seja rancoroso&lt;/b&gt;. O outro te odeia? E daí? Não se apegue à opinião dele. Se você teve um atrito com alguém, evite ficar se informando ou procurando saber a respeito da pessoa só para alimentar mais ainda o ódio por ela. Não se trata de desprezo, mas de desapego. No desprezo, você não se preocupa com o sentimento do outro. No desapego, o que o outro sente e faz consigo mesmo é importante para você. Brigou com alguém na internet? Delete-o das redes sociais e deseje-lhe o melhor. Tem um colega de trabalho que te odeia? Esqueça-o. Concentre-se no que é útil, e ficar vigiando o outro é, de longe, a coisa mais inútil que você pode fazer.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;b&gt;Não seja ogulhoso&lt;/b&gt;. Se um "inimigo" diz uma verdade sobre você, reflita a respeito. Uma verdade é uma verdade, dita pela marreta ou pela pena. Se, após a reflexão, você ver que é verdade, mude suas atitudes. Se não for verdade, não se preocupe mais com isso. Além disso, se você feriu seu "inimigo" propositalmente, peça desculpas. Se ele não te desculpar, paciência, mas siga de consciência limpa. Se ele te desculpar, ótimo, use isso para quebrar de vez a inimizade.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Conclusão&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como vimos, tanto a amizade quanto a inimizade exigem intimidade. Às vezes atitudes negativas podem transformar a amizade em inimizade, e atitudes positivas podem transformar a inimizade em amizade ou neutralidade. Eu, pessoalmente, prezo muito hoje pelos meus amigos, e aprendi a prezar mais ainda as pessoas que me encaram como inimigo. E olha que aprendi a apanhar muito para entender isso. Espero somente que aprendam sem apanhar. Mas conselho, se fosse bom...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-304992600296007028?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Q46JHnsSVcFAGp8u-SsWO3WOY-Q/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Q46JHnsSVcFAGp8u-SsWO3WOY-Q/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Q46JHnsSVcFAGp8u-SsWO3WOY-Q/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Q46JHnsSVcFAGp8u-SsWO3WOY-Q/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/OCalangoAbstrato/~4/0ZA7ax1sFUA" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/feeds/304992600296007028/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/auto-ajuda-amizades-e-inimizades.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/304992600296007028?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/6727085888717145623/posts/default/304992600296007028?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/OCalangoAbstrato/~3/0ZA7ax1sFUA/auto-ajuda-amizades-e-inimizades.html" title="Auto-Ajuda: Amizades e Inimizades" /><author><name>Félix Maranganha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01499522681882437110</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="30" height="32" src="http://4.bp.blogspot.com/-iHMHWd-NrWA/TlaIVVOG5PI/AAAAAAAAAh8/ejiV9gtKCdk/s220/meditando.jpg" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-9qkGkWZDUiM/Tx4ZvW2nhpI/AAAAAAAAAts/EjMB17zF-Ns/s72-c/Bob-Esponja-e-patrick.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://ocalangoabstrato.blogspot.com/2012/01/auto-ajuda-amizades-e-inimizades.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkcEQX44fCp7ImA9WhRUEk4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-6727085888717145623.post-3612943426860611902</id><published>2012-01-22T08:00:00.000-03:00</published><updated>2012-01-22T08:00:00.034-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-22T08:00:00.034-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pessoal" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pensamentos" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Humanismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Koan" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Budismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicanálise" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Misticismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cotidiano" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Psicologia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Estoicismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ética" /><title>Budismo: A meditação</title><content type="html">&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.tekishin.org/zazen/zazen.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="192" src="http://www.tekishin.org/zazen/zazen.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Monge praticando o zazen&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
As pessoas que ouvem falar das tradições meditativas imediatamente inserem, sem antes procurar conhecer, pressupostos de suas próprias culturas. É assim que muitos povos, ao se deparar com o Budismo, por exemplo, consideram-no esotérico, mítico, sobrenaturalista, reencarnacionista, teísta, moralizante ou ritualista. Quem entra no universo budista, às vezes, acaba levando por vários anos, ou por uma vida inteira, esses mal-entendidos e, assim, acabam enchendo sua prática com detalhes sem importância.&lt;/div&gt;
&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O problema é que o Budismo não é esotérico (não se vale de simbologias ocultistas ou de interpretação fechada), não é mítico (não é necessário a vida de Buda ser verdade para que seus princípios sejam compreendidos), não é sobrenaturalista (tudo o que existe, existe na natureza, e não fora dela), não é reencarnacionista (não há sementes permanentes que sobrevivam, quanto mais uma semente que retorne), não é teísta (não há deuses no Budismo), não é moralizante (há preceitos, e não mandamentos) e não é ritualista (o ritual é um preceito, não uma obrigação).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;A meditação budista&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Como quase tudo no Budismo, a meditação acaba também sendo mal interpretada, preenchida por elementos ritualísticos das culturas em que o mesmo acaba entrando. É o que ocorre, por exemplo, quando o Budismo chega no Ocidente e no Japão. O Ocidente habituou-se ao ritual ligado à religião: orar antes de comer, participar da Ceia do Senhor, ajoelhar-se e fazer o sinal da cruz, etc. No Japão, vemos situação semelhante, mas de uma cultura que ritualiza o próprio cotidiano, e isso termina por influir na construção do Budismo Japonês, que é ritualizado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O problema é que, para o Budismo, o único "ritual" que se pede é a meditação, ou seja, não há rituais obrigatórios, mas aconselha-se (daí ser preceito, e não mandamento) que se medite para que o escopo ético seja melhor compreendido e executado. No Budismo, a meditação refere-se a todo e qualquer método de autoanálise que ajude a desnudar a Natureza de Buda (ou, como prefiro chamar, &lt;i&gt;As Coisas como Elas São de Fato&lt;/i&gt;). Ou seja, não é o que os outros analisam de você que importa, mas o que você entende de si mesmo.&amp;nbsp;É uma característica fundamental do Budismo: o foco na Iluminação faz com que qualquer método meditativo que não contrarie a ética budista pode ser experimentado. A&amp;nbsp;meditação não é propriedade exclusiva do Budismo, uma vez que budistas podem se valer de outros tipos de meditação, e não-budistas podem se beneficiar com técnicas budistas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Originalmente, o termo mais empregado era "bhavana", traduzido como "evolução/desenvolvimento mental". Como todas as coisas que existem há alguns milênios, algumas tradições se formaram em torno da meditação, chegando a estabelecer 5 métodos fundamentais de realizá-lo, distribuídos em duas categorias: Samatha (meditação de tranquilidade) e Vipassana (meditação de insaite).&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O Samatha pode ser dividido em anapana (atenção à respiração, para eliminar a distração) e mettā bhāvanā (meditação sobre o amor fraterno, para eliminar o ódio). O Vipassana se divide em "contemplação da impermanência" (para eliminar o apego), "prática dos seis elementos" (para eliminar a ilusão), e "contemplação da condicionalidade" (para eliminar a ignorância). Geralmente, usam-se as meditações do Samatha como introdutórias para o Vipassana.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Há, porém, outras fórmulas meditativas usadas por diversas escolas budistas e, por vezes, por outras tradições também, que escapam ou complementam esse escopo Samatha-Vipassana. No Budismo Ch'án (Zen, Son, Seon, Thien, Dhyana) a técnica utilizada é o Zuò Ch'án (Zazen). O Zuò Ch'án consiste em um Shikantaza (= "apenas sentar") e ficar atento ao presente, ao que ocorre naquele momento, e não controlar os pensamentos, deixando-os fluírem, assim como a realidade flui ao nosso redor. Esse é, pessoalmente, meu método favorito: pernas cruzadas, coluna ereta, mente sem controle sobre os pensamentos. No Budismo Ch'án há também o Kinhin (Zuò Ch'án andando).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.trip-to-china.com/pics/taichi1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://www.trip-to-china.com/pics/taichi1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A prática do Tai Chi Chuan&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Outros métodos tradicionalmente conhecidos no Budismo (não necessariamente surgidos nele) são a Yoga, o Pranayama, os Koan, Qigong, Tai Chi Chuan, Zhan Zhuang, a Cerimônia do Chá, &amp;nbsp;o Gongyo e outros. Há até exemplos mais recentes, como a Meditação Transcendental, usando sons, e as Terapias Alternativas (estão mais para autoanálise que propriamente para medicina). Todos esses são métodos de autoanálise que tem como objetivo alcançar a Natureza Última das coisas, mas que o ocidente comumente liga à religião e ao ritualismo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Meditação Laica&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Leigos, céticos, ateus e agnósticos talvez não entendam, mas a meditação, enquanto "método de autoanálise para compreender o mundo tal como ele é" não depende de nenhuma religião, pois seria como se a autoanálise dependesse somente da análise externa. Obviamente, alguma religiões ocidentais já criaram métodos próprios, como o Rosário, o Terço, o &lt;i&gt;Ajoelhar-se e Rezar&lt;/i&gt;, a Incorporação Mediúnica, mas não há, em lugar nenhum do planeta, a obrigação de se seguir uma religião para isso. Nesse caso, então, a meditação pode ser também uma sessão de Psicoterapia, o Santo Daime, a leitura e a reflexão de um filósofo, um devocional cristão diário etc. Há pessoas que empreendem uma intensa busca pela autoanálise no simples realizar de um cálculo complexo. Logo, a autoanálise pode estar em qualquer momento da vida: do lavar os pratos ao arrumar os livros na estante. O meditar está no dia-a-dia.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Necessidade do Ético&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Porém, o que poucos entendem é que a meditação, por ser um processo de autoanálise, depende de um parâmetro para que seja bem realizado. O melhor parâmetro de autoanálise que existe é o ético (existem outros, mas esse é o melhor que já foi encontrado). Ao analisar a si mesmo, um indivíduo está sempre se colocando à disposição de um julgamento, revistando seus atos, suas ações, seus movimentos, as energias humanas que colocam a roda da sua vida em movimento, ou seja, o foco é a Ética. No Budismo, a meditação é um meio de compreender a própria natureza como ela é, e para isso empreende-se uma rígida disciplina mental (iniciativa do indivíduo, e não imposição externa) nos seus preceitos éticos basilares.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Daí eu sustentar que uma ontologia sem um mecanismo de autoanálise do indivíduo sobre a ética que deriva dessa ontologia não serve de muita coisa, pois torna-se apenas um palavreado e um amontoado de promessas, e nunca uma ação de fato. De que adianta uma pessoa sustentar convicções profundas de Humanismo, Consequencialismo ou Virtuosismo se, no final das contas, ele não pratica suas convicções? O que teremos é uma pessoa em constante crise pessoal e profunda tristeza por nunca conseguir realizar aquilo que se propõe a fazer. A teoria sem a prática é apenas saber enumerar todas as cores do arco-íris e não pintar nenhuma delas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;E como meditar dentro daquilo que eu faço?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-IRdPGrnGKIw/Txgxux9O7kI/AAAAAAAAAs8/2OCRg6z3w48/s1600/316908_10150346351949853_662969852_9732825_3666088_n.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://3.bp.blogspot.com/-IRdPGrnGKIw/Txgxux9O7kI/AAAAAAAAAs8/2OCRg6z3w48/s200/316908_10150346351949853_662969852_9732825_3666088_n.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;A sinuca é uma boa maneira&lt;br /&gt;
de esvaziar a mente e repensar&lt;br /&gt;
seus atos diários.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Praticando. Quem sustenta uma ética e não a pratica é um hipócrita. Por sinal, Jesus Cristo condenou a hipocrisia como um pecado gravíssimo. Sustentar uma ação como pecado ou virtude, e praticar o pecado e fingir que é virtude é mais grave que simplesmente sentar-se, olhar para dentro de si e ver se aquilo que você fez é pecado ou virtude.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Praticar a autoanálise é simples: &lt;b&gt;&lt;i&gt;pare tudo o que estiver fazendo por pelo menos meia hora por dia&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; e, dentro do "ritual" que você escolher, &lt;i&gt;&lt;b&gt;use os preceitos ou mandamentos éticos ou morais para verificar se&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, na vida diária,&lt;i&gt;&lt;b&gt; você está realmente se adequando ao que é exigido por suas crenças&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, e tenha humildade suficiente para reconhecer quando erra, e amor próprio o suficiente para perceber quando acerta. Se errou, não se arrependa, apenas conserte. Se acertou, não se vanglorie, apenas mantenha o curso.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Claro que, para ateus, neoateus, agnósticos e céticos, achar um "ritual" que melhor se adeque a si é mais difícil, visto os pressupostos e preconceitos inerentes à vida religiosa que o Ocidente imprimiu neles, mas não é impossível. Um ateu pode praticar o zazen, por exemplo, ou pode ler um filósofo ético ao mesmo tempo em que analisa se aquilo que ele fez ou está fazendo adequa-se ao que se lê. Um neoateu pode, por exemplo, usar métodos psicanalíticos ou psicológicos para compreender sua própria natureza e, assim, compreender seu próprio comportamento.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
E a meditação pode, finalmente, revelar ao próprio indivíduo aquilo que ele é: alguns "Humanistas" são simples virtuosistas, mas não se apercebem disso. Há neoateus com atitudes praticamente religiosas e fundamentalistas, mas a falta de autoanálise enevoa essa realidade para eles. Conheço até mesmo Hedonistas que são Humanistas, mas como nunca realizaram a autoanálise, não sabem disso, e preferem viver como Hedonistas apenas porque é o que eles próprios sabem a respeito de si a partir do que os outros disseram.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;b&gt;Considerações finais&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Se seu objetivo é melhorar enquanto ser humano, deve-se pensar em um parâmetro: melhorar em relação a quê? O parâmetro em que você vai melhorar te faz feliz e se adequa à sua visão de mundo? Se se adequa, ótimo, que seus atos sejam sua propaganda. Se não se adequam, corrija o rumo do barco antes que ele afunde.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6727085888717145623-3612943426860611902?l=ocalangoabstrato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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