<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615</atom:id><lastBuildDate>Wed, 06 Nov 2024 03:08:24 +0000</lastBuildDate><category>conto</category><category>maníaco</category><category>suspense</category><category>Apenas</category><category>Assassinatos</category><category>Rita Maria Felix da Silva</category><category>Sr. Gallant</category><category>assassino</category><category>ataque</category><category>brigas</category><category>canibalismo</category><category>coração</category><category>corpos</category><category>criança</category><category>debby lenon</category><category>dor</category><category>ela</category><category>fatal</category><category>fera</category><category>gritos</category><category>holocausto</category><category>imolação</category><category>inicio</category><category>jack sawyer</category><category>jaz</category><category>lado negro</category><category>letal</category><category>literatura fantástica</category><category>lobo</category><category>maligno</category><category>mente</category><category>mente humana</category><category>mulheres</category><category>norberto iazzetta</category><category>padre</category><category>parque</category><category>parque do estado</category><category>pecado</category><category>pele</category><category>perdão</category><category>rose red</category><category>sacrifício</category><category>sandra</category><category>sedução</category><category>tecnologia</category><category>the doors</category><category>violência</category><category>violência doméstica</category><category>vírus</category><category>êxtase</category><title>O LADO NEGRO DA MENTE HUMANA</title><description>Todo mundo tem um lado negro que esconde dos seus semelhantes. Aqui vocês poderão conhecer esse lado maléfico de alguns autores.</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Sandra Franzoso )</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>40</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-7618063478956996556</guid><pubDate>Thu, 23 Sep 2010 23:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-05-21T00:47:43.596-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">corpos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gritos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">jaz</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">pele</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">êxtase</category><title>Amor e Morte</title><description>Eu sobre ela.
Nossos corpos unidos bailando com leveza, em sintonia.
Aquela boca, pele e curvas, senti-me enfeitiçado.
Seu modo de amar, de se entregar, de se contorcer conforme se aproximava o ápice do prazer.
Bocas que se buscavam, mãos que se apertavam, desejo que enlouquecia.
Ela vibrando em meus braços, eu penetrando-a com loucura.
Sussurros, gemidos, gritos,  gritos e mais gritos. Gritos meus, em êxtase, gritos dela, apavorada, a dor a dominá-la. Berros horripilantes.
O sorriso, de repente, se desfez daqueles lábios rosados e carnudos. Os olhos, de um azul intenso, pararam.
Nas unhas dela, resquício da minha pele arranhada no auge de seu desespero. Nas minhas mãos, um punhal a dilacerar seus orgãos.
Que pena, amor, que pena.
Nunca mais sentirei o calor do seu corpo a me aquecer. Esse corpo que agora jaz inerte sobre meus lençóis ensanguentados.

&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-weight: bold;&quot;&gt;Sandra F.&lt;/span&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2010/09/amor-e-morte.html</link><author>noreply@blogger.com (Sandra Franzoso )</author><thr:total>10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-5446657860779685615</guid><pubDate>Sun, 11 Oct 2009 16:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-11T13:24:37.798-02:00</atom:updated><title></title><description>&lt;a href=&quot;&#39;http://blogblogs.com.br/api/claim/489606162/217300/164989&#39;&quot; rel=&quot;&#39;me&#39;&quot;&gt; BlogBlogs.Com.Br &lt;/a&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/10/blogblogs.html</link><author>noreply@blogger.com (Sandra Franzoso )</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-4425801371558114737</guid><pubDate>Sun, 11 Oct 2009 02:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-10T23:18:19.106-03:00</atom:updated><title></title><description>JigSaw&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;By N.E.I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoal, vou fazer algo diferente hoje: vou comentar um pouco sobre um personagem e um filme, onde o Lado Negro da Mente se faz presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que a grande maioria, se não viu, já ouviu falar num filme (esta no número 5 já) chamado &quot;Jogos Mortais&quot;. Trata-se de um dos filmes de terror mais comentados e vistos dos últimos tempos, muito famoso pela originalidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer tirar a graça de quem não assistiu, o personagem central, o psicopata apelidado como JigSaw proporciona para determinadas pessoas (pessoas com pouco ou nenhum valor pela vida) &quot;jogos mortais&quot;, onde elas precisam se sacrificar, ou fazer algo extremamente difícil, ou terrível, ou doloroso, para se safar da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de JigSaw é bastante simples: ele é uma pessoa normal, que é diagnosticado com um tumor cerebral inoperável. Com este diagnóstico médico, ele dedica sua vida a &quot;castigar&quot; aqueles que são agraciados com muita saúde, mas pouco amor pela vida. É muito interessante, recomendo a todo que assistam os filmes. Além de original, criativo e muito bem feito, ainda tem tudo a ver com nossa temática do blog. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana que vem tem mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudações,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.E.I.</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/10/jigsaw-by-n.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-7618310283061773669</guid><pubDate>Fri, 09 Oct 2009 00:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-08T21:24:08.901-03:00</atom:updated><title>Crueldade</title><description>Crueldade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai, vai “mermão”. Anda logo com isso. Passa a grana logo, meu.&lt;br /&gt;Ca calma...&lt;br /&gt;Que calma, véio. Anda logo. Tá demorando muito.&lt;br /&gt;Assim começava um assalto a um posto de gasolina de beira de estrada. O meliante era baixo, por volta de 1,60 m. Aparentava ter no máximo 25 anos. Barba rala e o rosto sujo, juntamente com uma touca preta, dificultava a identificação.&lt;br /&gt;O mais impressionante eram os olhos. Eram pequenos e estavam vermelhos. Transmitiam uma  maldade, um sadismo difícil de descrever.&lt;br /&gt;Ficou de tocaia ate o momento que o caixa passou para recolher o numerário dos frentistas. Era inicio de feriado prolongado e o posto teve movimento o dia todo.&lt;br /&gt;Estava acabando o turno do caixa e ele, foi recolher o dinheiro para conferência e a guarda do movimento do dia.&lt;br /&gt;O individuo tinha as roupas sujas, a calça larga e suja de barro, estava amarrada com um barbante. Entrou no escritório do posto sem ninguém perceber, parecia um pedinte. Foi quando anunciou o assalto.&lt;br /&gt;Portava um revolver velho, um 38 talvez. Balançava muito os braços enquanto falava, Parecia muito nervoso e alucinado. Talvez estivesse sob o efeito de drogas. Mas o mais impressionante eram os olhos. Eram pequenos e estavam vermelhos. Transmitiam uma maldade, um sadismo difícil de descrever.&lt;br /&gt;Gritava o tempo todo. Pedia dinheiro, não só o que estava nas gavetas mas o que estava no cofre também. &lt;br /&gt;O caixa estava apavorado. Era uma situação inusitada. Já havia ouvido e visto casos semelhantes, mas nunca se acha que vai acontecer, até que aconteça.&lt;br /&gt;O assaltante continuava gritando. O vidro fumê e grosso do escritório, impedia que as pessoas de fora percebessem que estava acontecendo.&lt;br /&gt;O caixa já estava abrindo o cofre, quando o cliente entrou no escritório. O bandido assustou-se com a repentina intromissão e disparou a arma. O cofre já estava aberto quando o projétil deflagrado atingiu a tranca da porta do cofre, que é de puro aço, ricocheteando e atingindo o braço esquerdo do meliante que, apavorado e com dor, sai em disparada, sem levar nada. No caminho bateu com a arma no rosto do fregues.&lt;br /&gt;Correu para trás do posto e se embrenhou no mato. Com muita dor no braço, livrou-se da arma para fazer pressão no ferimento.&lt;br /&gt;Correu por algumas horas no meio do mato, tropeçando e caindo várias vezes.&lt;br /&gt;Alcançara uma vila próximo ao rio. Uma das casas estava com a luz acessa. Aproximou-se e os cães começaram a ladrar. A mulher olhou pelas frestas da janela e viu apenas um homem maltrapilho, sujo e com um pedaço de pano amarrado no braço esquerdo. Parecia ferido, pois segurava o braço contra o peito com a mão direita e uma expressão de dor.&lt;br /&gt;- Ó de casa? Tem alguém aí? Eu estou com fome. Só quero um prato de comida.&lt;br /&gt;A moça ficou olhando, mas pelo jeito ele não sairia dali.&lt;br /&gt;- Eu sei que tem alguém em casa. Só quero um pouco de comida e vou embora.&lt;br /&gt;Ela foi ate a cozinha e pegou o resto de comida que sobrou da janta, comida que ela ia dar aos cachorros no dia seguinte, fez um prato e foi até a porta.&lt;br /&gt;Quando o meliante a viu na porta aberta, percebeu a silhueta de grávida. Devia faltar poucas semanas para o nascimento, devido ao tamanho da barriga. &lt;br /&gt;Ela o chamou para pegar o prato. Ele se aproximou da porta e pegou o prato com o braço bom, sentou-se no degrau e apoiou o prato nos joelhos.&lt;br /&gt;- Não se preocupe moça, não vou demorar.&lt;br /&gt;- Como você se machucou? - perguntou ela.&lt;br /&gt;Ele já tinha colocado três colheradas na boca, quando parou de mastigar. Seus olhos começaram a se injetar de vermelho, a respiração ficou rápida e descompassada. O bandido atirou o prato longe e sem o menor aviso, deu um potente soco na barriga da gestante. Essa, por sua vez, caiu de costas gritando de dor e sentindo contrações.&lt;br /&gt;- Vou te ensinar a não se meter na vida dos outros.&lt;br /&gt;A mulher começou a entrar em trabalho de parto. Tremia e sua barriga mexia muito. Depois de alguns momentos de sofrimento e dor a criança nascera, ou melhor foi arrancada pelo bandido, que até o momento assistia a tudo calmamente, pegou a criança ainda suja, cortou o cordão com uma faca e levou-a até os fundos da casa e atirou-o no rio.&lt;br /&gt;Ficou observando aquele feto se debatendo na água e o rio seguindo seu curso levando o pequeno rebento embora. Ele olhava tudo extasiado dando gargalhadas. Ria muito e sem parar, parecia que estava assistindo a um programa de comédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça finalmente abre os olhos e percebe que não foi um pesadelo. Foi real e bem real. Está acontecendo agora. Aquele maníaco ainda estava lá, na sua casa e rindo.&lt;br /&gt;Tirando forças não se sabe de onde, movida pelo ódio e pela vingança, ela tenta se levantar. Escorrega no sangue e na água que está a sua volta e tenta novamente. Segue para os fundos, escorando nas paredes e nos móveis. Vai até a área externa, onde o marido guarda as ferramentas.&lt;br /&gt;O maníaco alucinado ainda ria quando sente uma forte dor no braço direito e o vê caindo no chão. Tenta se virar quando se desequilibra e cai sentado, ele para um lado e sua perna esquerda para o outro. Sem entender, vê a mulher próxima a ele, agora com a barriga murcha e um penado na mão. Mal teve tempo de falar, quando ela desferiu outro golpe, agora no lado esquerdo do tronco, na altura do cotovelo. Como ele estava com o braço dobrado e a força do impacto foi tão grande, que cortou o o braço em três partes e ainda enterrou na costela. A ferramenta ficou presa no tronco da vítima.&lt;br /&gt;Não satisfeita com o resultado, a mulher voltou para casa e de lá saiu com uma foice na mão para acabar o serviço.&lt;br /&gt;Vizinhos viram a moça vagando pela rua de noite, com as roupas ensanguentadas e chamaram socorro.&lt;br /&gt;Na ambulância, ela dizia palavras sem nexo. A única coisa que parecia compreensível era:&lt;br /&gt;“meu bebê foi embora, meu bebê foi embora”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jack Sawyer</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/10/crueldade.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-7039166522444211262</guid><pubDate>Fri, 18 Sep 2009 22:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-20T10:46:52.031-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">conto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">suspense</category><title>Nem todos serão cordeiros - Capítulo 2</title><description>&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;A noite nas grandes praças do centro de São Paulo ainda o impressionava, apesar dos quase seis anos vivenciando-a.  A escuridão derramando-se sobre as sutilezas da arquitetura da majestosa Catedral, os espelhos d&#39;água refletindo as luzes excessivamente artificiais da iluminação pública, os bancos da praça ocupados por um ou outro mendigo mais corajoso, num sono descuidado e convidativo ao espancamento e morte. Grupos de crianças perdidas, dormindo amontoadas em cantos mais escuros e fronteiriços à praça, alguns ainda acordados, consumindo mais uma pedra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Em nada a cena lembrava a fúria vencedora do dia claro e corrido, desenhado por vitoriosos ou outros tantos que ainda buscavam seu lugar ao sol, quando o espaço era disputado em milímetros por pedestres e ambulantes. Após o anoitecer, a praça pertencia aos excluídos. Aqueles à quem já não importava a conquista, o sucesso – Apenas mais um dia – era tudo o que almejavam estes, pensou Glauco, enquanto deslizava quase sorrateiro pelo calçadão. Venceu a distância até os degraus da Igreja e sentou-se por ali, para poder contemplar melhor seus possíveis inimigos. E também aos “alvos”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Meteu a mão no bolso de seu paletó encardido, bastante gasto pelos anos de uso – O preço de minha invisibilidade – e apanhou a caixa de fósforos e o maço de Eight. Apenas dois no maço - E nenhum camelô com coragem suficiente para enfrentar o abandono desta terra - A noite seria longa, sem poder fumar. Acendeu um, ainda hesitante pela imprudência. O pulso de uma chama, o estalo do fósforo. Qualquer coisa neste ambiente poderia atrair a atenção de outros. Mas a sua necessidade de repor a nicotina era maior que a razão. Encheu os pulmões, numa extenuante tragada. Ao mesmo tempo, aguçou os ouvidos, como um pastor alemão, para compensar a desnecessária exposição de seu personagem. Focou a atenção num grupo de adolescentes, há uns cinquenta metros de onde estava, quase na esquina da Senador Feijó. O mais velho, talvez tivesse uns dezessete anos. Os outros, bem menores. Talvez na faixa de treze ou quatorze anos, sentados sob a proteção do maior -  Muito imprudentes também – analisou ao ver as fagulhas das pedras de crack  saindo dos cachimbos. Contou os alvos – Quatro em transe. Um em pé, possivelmente entorpecido também – enfiou a mão dentro de seu saco de quinquilharias. A barra de ferro estava ali. Uns doze quilos de metal maciço, suficientemente rijo e pesado para esmigalhar alguns crânios. Mas não iria se apressar em fazê-lo. Seu cigarro estava quase por inteiro, a espera de ser fumado com paixão. E aqueles moleques não iriam a lugar algum após se entupirem de crack. Deu mais uma voraz tragada e soltou a fumaça em fragmentos miúdos, quase como numa crise de soluços.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Por quantas mortes fora responsável durante os últimos seis anos? Drogados, skin-heads, punks, alguns policiais e até inocentes que estavam no lugar errado? Cem, duzentas, mil, mais? Não guardava esse número. Apenas uma execução fora-lhe marcante, doída. Todas as demais – Apenas trabalho...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Deixou-se levar por algumas lembranças persistentes. O telefonema para o se celular. Sua chegada em casa, no meio da tarde, os corpos de sua esposa e de sua filha ainda pré-adolescente sobre o tapete da sala de visitas. Muito sangue e dor tatuada em suas faces mortas. Um drogado, a necessidade da droga, do dinheiro para adquiri-la. Um taco de beisebol, duas mortes, outras tantas vidas destruídas. Um maldito drogado de dezesseis anos – Meu próprio filho – E a sensação de impotência, de ter errado muito. Educação, criação, repreensões na medida exata e na hora precisa... não conseguia equacionar a questão. Não conseguia respostas. Apenas a depressão. Oito longos meses afastado de sua Metalúrgica, trancado em casa, chorando em sessões com seu psiquiatra, se entupindo de antidepressivos – E pra que? - Para aplacar o ódio que sentia por si próprio e pelo seu filho? - Por aquele canalha que me tirou tudo, tudo mesmo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Encontraria suas respostas nas ruas. Deixou os remédios de lado, a análise, os amigos. E foi atrás de seu filho. Sabia que andava pelas ruas. Atras de mais drogas e longe da polícia. Tinha a certeza de que iria encontrá-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;De fato, nem foi uma longa busca. Duas semanas vivendo como maltrapilho, morador de rua, e lá estava Diogo. Magro, quase um cadáver. Encostado numa das árvores da República com mais outros dois amigos.  Nem reconheceu Glauco, com sua imensa barba postiça, roupas imundas e rasgadas, pele coberta por uma crosta de sujeira e fedor. Ninguém o reconheceria mesmo. Ninguém se aproximava o bastante para isso. Nem com um olhar. Já esbarrara em diretores de sua empresa, que tinha sede administrativa ali na Barão de Itapetininga. Como sua própria secretária também. Nenhum deles lançou sequer um olhar para ele. Distanciaram-se mais meio metro ao perceberem aquela presença incomoda, recostado sobre uma parede qualquer – Meu manto de invisibilidade. Meus super poderes – sorriu, concluindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Só teria que esperar a hora certa, para abordar Diogo. Algumas horas mais e teria sua vida de volta. A vida que Diogo lhe roubara. Olhou para um dos relógios da praça – Nove da noite. Cedo ainda – teria que ser a sombra do moleque até a madrugada, para que não lhe escapasse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;O grito abafado de uma criança trouxe-o à Sé novamente. Atentou para o som, procurando identificar sua origem – As escadarias do metrô – Apagou seu cigarro e caminhou apressado, porém silencioso. Abordou a escadaria lateralmente. Uma pequena olhadela e viu três moleques, não mais que quinze anos, subjugando um outro de oito ou nove anos, para que fosse estuprado pelo maior do grupo. Glauco empunhou sua barra de ferro e, num pulo calculado, voou sobre eles. Alguns estalos de ossos partindo, gritos, sangue respingando para todos os lados. Questão de segundos. E apenas o menino de oito anos olhava-o nos olhos, apavorado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;- Vem. Temos que sair rápido daqui, antes que alguém nos veja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;E assim, o Seu Glauco entrou em minha história - Glauco - Como um misterioso herói underground de HQs. Eu senti repulsa por ele, no primeiro instante. Por seu cheiro, por sua horrenda aparência. Mas era-lhe grato. Na minha primeira noite na rua, ele apareceu e me resgatou de um massacre. Lembrei de minha mãe, de seu alerta sobre o mundo. E então, pensei em Glauco como um pai. O que nunca tive. E o que entrava agora na minha vida, para restituir-me uma família. Sentia-me feliz, apesar do corpo e alma doloridos pela humilhação do estupro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Sumimos, entre ruas escuras e becos. Passos apressados, porém não numa corrida, caminhamos rumo à Praça da República. Eu não imaginava minimamente as possibilidades que estavam se abrindo para mim. E nem ao mundo que eu viria a pertencer. O estranho mundo de Glauco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;continua na próxima sexta&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;não leu o Capitulo 1 -&amp;nbsp; &lt;a href=&quot;http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/09/nem-todos-serao-cordeiros.html&quot;&gt;Clique aqui e leia&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/09/nem-todos-serao-cordeiros-capitulo-2.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-5457843683289482024</guid><pubDate>Sun, 13 Sep 2009 00:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-12T21:53:51.672-03:00</atom:updated><title>Demasiada Loucura é o Mais Divino Juízo</title><description>Pessoal,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um tempo afastado, devido ao concurso de contos, retomo as postagens de sábado, abordando, desta vez, uma outra maneira de se falar sobre o que se passa dentro de nossa cacholinha. É o lado oculto da mente falando através de poemas, afinal, nada mais oculto na mente humana do que os versos que formam esta manifestação literária belíssima e tão pouco difundida, infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo seguem três poemas que tem como temática a mente humana, e, não por acaso, poemas de três mestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o próximo sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.E.I.&#39;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=======================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demasiada Loucura é o Mais Divino Juízo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demasiada Loucura é o mais divino Juízo -&lt;br /&gt;Para um Olhar criterioso -&lt;br /&gt;Demasiado Juízo - a mais severa Loucura -&lt;br /&gt;É a Maioria que&lt;br /&gt;Nisto, como em Tudo, prevalece -&lt;br /&gt;Consente - e és são -&lt;br /&gt;Objecta - és perigoso de imediato -&lt;br /&gt;E acorrentado -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emily Dickinson, em &quot;Poemas e Cartas&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=======================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu irmão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho lido em mim, sei-me de cor,&lt;br /&gt;Eu sei o nome ao meu estranho mal:&lt;br /&gt;Eu sei que fui a renda dum vitral,&lt;br /&gt;Que fui cipreste, caravela, dor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui tudo que no mundo há de maior:&lt;br /&gt;Fui cisne, e lírio, e águia, e catedral!&lt;br /&gt;E fui, talvez, um verso de Nerval,&lt;br /&gt;Ou, um cínico riso de Chamfort...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a heráldica flor de agrestes cardos,&lt;br /&gt;Deram as minhas mãos aroma aos nardos...&lt;br /&gt;Deu cor ao eloendro a minha boca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! de Boabdil fui lágrima na Espanha!&lt;br /&gt;E foi de lá que eu trouxe esta ânsia estranha,&lt;br /&gt;Mágoa não sei de quê! Saudade louca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florbela Espanca, em &quot;Livro de Sóror Saudade&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=======================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Génio do Mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostavas de tragar o universo inteiro,&lt;br /&gt;Mulher impura e cruel! Teu peito carniceiro,&lt;br /&gt;Para se exercitar no jogo singular,&lt;br /&gt;Por dia um coração precisa devorar.&lt;br /&gt;Os teus olhos, a arder, lembram as gambiarras&lt;br /&gt;Das barracas de feira, e prendem como garras;&lt;br /&gt;Usam com insolência os filtros infernais,&lt;br /&gt;Levando a perdição às almas dos mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó monstro surdo e cego, em maldades fecundo!&lt;br /&gt;Engenho salutar, que exaure o sangue do mundo&lt;br /&gt;Tu não sentes pudor? o pejo não te invade?&lt;br /&gt;Nenhum espelho há que te mostre a verdade?&lt;br /&gt;A grandeza do mal, com que tu folgas tanto.&lt;br /&gt;Nunca, jamais, te fez recuar com espanto&lt;br /&gt;Quando a Natura-mãe, com um fim ignorado,&lt;br /&gt;— Ó mulher infernal, rainha do Pecado! —&lt;br /&gt;Vai recorrer a ti para um génio formar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó grandeza de lama! ó ignomínia sem par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Baudelaire, em &quot;As Flores do Mal&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===========</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/09/demasiada-loucura-e-o-mais-divino-juizo.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-7139315534531112055</guid><pubDate>Fri, 11 Sep 2009 09:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-18T19:46:13.473-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">conto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">suspense</category><title>Nem todos serão cordeiros - Capítulo 1</title><description>&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot; style=&quot;background-color: #f3f3f3;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;JUSTIFY&quot; class=&quot;western&quot; style=&quot;font-family: Georgia,&amp;quot; font-weight: normal; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia;&quot;&gt;De minha primeira infância, lembro-me muito pouco. Nos dias de calor, do fétido cheiro que vinha dos esgotos que corriam a céu aberto. Da coceira crônica em meu corpo, uma mescla da sujeira e das picadas dos insetos abundantes. Do chão rústico de cimento do barraco em que vivíamos e das ruas enlameadas e ingrimes pelas vielas da favela. De Dona Altamira, com quem ficávamos quando minha mãe ia ao trabalho ou quando passava a noite fora. E dos  beliscões que a velha nos dava, quando chorávamos ou a desobedecíamos.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Das imagens de minha família, alguma coisa ficou. Mas tênues, suplantadas pelos conceitos e impressões adquiridas quando eu já tinha uma consciência mais apurada. Minha mãe, Bete, uma mulher até que bela, dentro das limitações impostas pela pobreza. Não haviam os cuidados necessários. Quando muito, um batom barato, alguma maquiagem mal feita, para as poucas ocasiões especiais que teve em sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Negra, cabelo ruim, sempre desgrenhados, dentição bastante prejudicada por caries e até ausências de dentes, já tinhas os peitos caídos pelas sucessivas gestações e pelo hábito de não suportá-los com um sutiã. Mas ainda chamava a atenção em nosso meio, quando saia à rua, com uma saia curta, colada às ancas, deixando a mostra suas coxas grossas e a bunda avantajada. Os homens do local, certamente imaginavam que havia muita safadeza a se fazer com uma mulher destas. E ela, não se fazia de rogada. Namorara muitos, engravidara mais quatro vezes durante o tempo em que convivemos. Tinha 23 anos e cinco filhos, quando eu fugi de casa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu, o filho mais velho, parido sem o desejo de parir-me, aos 15 anos. Como aos meus outros três irmãos e uma irmã, esta a caçula, com seis meses de idade apenas. Nunca conheci meu pai, como meus outros irmãos também não viriam a saber quem eram os seus próprios. Nunca perguntei, ela nunca falou. Não falava de seus “homens”. Ficavam para trás, nas noites de forró e alguma cachaça. Foram incidentais em sua vida. Dependera deles para um momento, uma bebida, uma noite. Nóias da favela, de mesma idade e futuro presumido. Ou velhos aproveitadores de sua estupidez adolescente de outrora. Agora, transformada em desesperança e indiferença. Era sexo o que queriam? Então, abria as pernas, desfrutava de umas palavras amorosas, que nunca ouvia senão nua e submetida à satisfazê-los. Saciava-lhes as taras, suportava seus hábitos embriagados. Uma ervinha para relaxar, um lingerie ou bijuteria vagabunda, adquirida por R$ 5,00 dos marreteiros que as vendiam de bar em bar. Essa era sua vida. Não era perfeita, mas caminhava resoluta, entre os serviços de diarista doméstica e as tarefas de casa. Por vezes, nos acarinhava, fazia cócegas. Por outras, ralhava conosco. E chinelava nossas bundas, por alguma arte cometida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o que a enfurecia de fato, era quando brigávamos entre nós, irmãos. Lembro-me de uma vez, em especial. Eu tinha sete, meu irmão seis anos. E por disputarmos a tapas um carrinho de apenas três rodas, pego por ela em uma cesta de lixo, a caminho de casa. Ela caiu sobre nós dois como um raio da fúria divina. E cobriu-nos de chineladas. Desta feita, sem a menor preocupação de que o chinelo nos alcançasse as faces ou qualquer outra região do corpo. E quando se deu conta, ouviu enfim nossos apelos para que parasse, agarrou-nos pelas orelhas e assim, puxando-as com força, nos levou para a porta do barraco. Escancarou-a com um chute e apontando para as vielas estreitas e escuras gritou, com a voz transtornada:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Vocês vão enfrentar isso sozinhos? Vocês vão enfrentar esse mundo aí de fora, sozinhos? Um sem o outro, sem a família, sem seus irmãos, não sobreviverão nem até a próxima esquina. Serão devorados, entendem? Estão me entendendo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto eu como meu irmão, mais a olhávamos, temerosos, do que para o cenário apontado por ela. Não tínhamos compreensão sobre o que falava. Mas jamais esqueceríamos suas palavras. Porque sentíamos que seriam importantes para a nossa sobrevivência. Só assim para entende-la e perdoar toda a sua fúria. Mas o fato, é que não me recordo de qualquer outra briga séria entre eu e meus irmãos. Um bate boca, um empurrão. Mas nada além disso. Bem ou mal, eu havia aprendido o que era uma família. E que seus membros se amparam mutuamente. Se protegem do mundo. Brigam, até matam se for preciso, para defenderem a integridade de um membro ameaçado ou ofendido. E minha mãe sabia disso. Havia aprendido da pior maneira: ninguém para defendê-la de seu destino e humilhações. Expulsa de casa ainda menina, por engravidar. Por me carregar em seu ventre. E ninguém para ampará-la. Nem um grito em seu favor, sequer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas as coisas mudam. E nossa família também mudou. Uns dois meses após, Bete conheceu Agenor e o trouxe para morar em nosso barraco. Um sujeito de boa pinta, branco, pele morena de sol, cabelos loiros, olhos verdes, diversas tatuagens pelo corpo. Musculatura forjada em academias, sabe-se lá pagas com que dinheiro. Agenor não trabalhava. Mas tinha sempre seu maço de cigarros no bolso. Agenor. Nunca acordava antes das onze da manhã. Mas sua cerveja estava sempre geladinha, confortavelmente instalada em nossa geladeira quase vazia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conversa fácil, Agenor a agradava. Dizia-lhe juras de amor, a assediava até na nossa frente, com carinhos ousados e cochichos em seus ouvidos. E Bete sorria, gargalhava. Se trancavam no banheiro, único cômodo separado dos demais. Eu e meus irmãos, no cômodo único, ouvindo os sons estranhos que de lá vinham. Mas ele fazia bem para ela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu permanente sorriso. Os carinhos que passou a dispensar aos filhos, o cuidado que passou a ter com o vestir-se, perfumar-se. Estava florescendo como mulher. Realizando-se no sonho do amor encontrado e compartilhado. Durante três meses, pude conhecer uma outra mãe: a Bete, que sonhava acordada. E sonhou e sonhou. Até que...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As palavras de Agenor já não eram tão doces.  Era normal vê-lo pedir dinheiro para minha mãe – Não nasci para ficar preso dentro de um barraco. Vou jogar bilhar com os amigos – As lágrimas de minha mãe também se tornaram corriqueiras. Ela não falava nada. Nem para nós. Nem para ele. Tentara, mas ela a interrompera abruptamente, indagando se ela pretendia passar a  “cuidar” de sua vida. Porque, se fosse assim, ele iria embora naquela noite mesmo. E ela calou, enquanto pode.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fingia dormir, secando as lágrimas e engolindo o soluço, quando ele entrava cambaleante, de madrugada. Deitava-se ao lado dela. As vezes, desmaiava de bêbado. Noutras, matava sua fome de sexo, usufruindo o seu corpo. Nada mais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E os sonhos de Bete foram-se, como vieram. Nos seus olhos, o retorno da indiferença e desesperança. Mas havia um componente novo. Algo que a machucava. Que arrancava lágrimas que antes não existiam. Havia a sensação de culpa. Por ter perdido a felicidade alcançada. De ter chegado tão perto, mas tão perto e... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela o amava? Não sei. Creio que amava mais a sensação de saber poder amar. E de ter sido amada. Ou crer nisso. E ver isso desfeito, arrancado de seus dias miseráveis, a alquebrou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela ainda tentou. Criou coragem, reuniu o que ainda havia de dignidade em si. Recusou-se a abrir sua carteira, para que ele fosse a uma segunda rodada de bilhar com os amigos. Era frequente esse seu retorno lá pelas oito da noite, horário em que Bete já estaria em casa, após sua jornada diária e com algum dinheiro na bolsa. Agenor pedia, ela dava-lhe vinte, as vezes trinta reais, que ela sabia que seriam gastos em bebida e com outras. Como um dia, foram gastos com ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Não – e foi a única palavra que a ouvi dizer. E então um primeiro tapa no rosto. Ela caiu. Ele ainda deu um chute em seu estômago. Eu pulei em cima dele. Mas o que podia um moleque de oito anos contra um homem formado, forte, no auge de seu vigor físico? Senti o impacto das costas de sua mão contra a minha face. Devo ter voado meio metro, de encontro a parede do barraco. Ele abaixou-se tranquilamente. Enfiou suas mãos nos bolsos da calça de minha mãe, que se contorcia ainda. Tirou o dinheiro. Contou os setenta reais da diária que ela recebera. Puxou uma das notas de dez e jogou sobre o rosto de Bete – Pro leite das crianças – Deu uma gargalhada e saiu pela porta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Corri até minha mãe e a abracei. Meus outros irmãos, até agora encolhidos ao pé do sofá, também vieram. Demos um abraço, todos nós – Eu vou matar esse cara, mãe. Eu juro que vou! - E ela apenas abraçou-se em meu braço de criança. Sua cabeça sobre minhas pernas, uma mistura de sangue e lágrimas as umedecendo. Foi o momento mais feliz da minha vida. Sentir aquele calor de todos nós abraçados. Nos cuidando mutuamente. Como deve ser, em uma família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, a vida continuaria. E Agenor voltaria. Ela sabia, bem como nós. Então, Bete serviu-nos o jantar, uma sopa bastante pedaçuda com muitos legumes, como gostava de fazer nas noites frias. Antes das dez, estávamos em nossas camas. Silenciosos e atentos. O sono não vinha. Apenas a angústia nos apertando o peito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Num horário incerto, Agenor entrou. Cambaleante como sempre, despiu-se totalmente e se deitou ao lado de Bete. Cochichava em seus ouvidos. Pedia desculpas, dizia ter perdido o controle, que ela o irritara, ele só queria uns trocos para beber com os amigos. Que não aconteceria de novo. Ele prometia. E até devolveu-lhe o dinheiro que não gastara: pouco mais de seis reais. Fizeram amor ali, na nossa frente. Como no início, quando ainda havia encanto nos olhos de minha mãe. E nessa hora, com o rosto ainda a latejar, odiei-a como nunca odiei alguém em minha vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nova lua de mel durou alguns dias. Agenor preso em casa, feito besta arrancada de seu habitat, ralhava conosco na ausência de Bete. Enchendo-a de palavras amorosas, quando chegava do trabalho. Mas numa noite sem nenhum porquê especial... chutes mais fortes, socos em profusão. Um dia, noutro. Então, começamos, eu e meus irmãos a apanhar também, durante a ausência de nossa mãe. Por nada, por um olhar de ódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não havia mais família. Eu não a amparava mais. Ela não se importava em ver nossos hematomas. E a vida apenas seguia. Um menino de oito anos sonhando com o dia que tivesse coragem para enfrentar aquela viela. Sem família. Só. E convicto de que sobreviveria, a qualquer custo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era um domingo de Dezembro, próximo ao natal. Acordei cedo. Não haviam mais aulas, mas mesmo assim, quis pular da cama as seis da manhã. Sem fazer barulho, aproveitando-me do sono pesado de Agenor e de minha mãe, após uma noite de bebedeira de ambos, mas ela só, em casa, e ele num bar. Fucei os bolsos da bermuda de Bete e tirei alguns trocados: R$ 28,40. - Minha herança – pensei ao enfiar o dinheiro no bolso e sair pela porta do barraco. A mochila escolar com umas poucas roupas e mais nada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na cabeça, a vontade de vencer. No coração, o desejo de um dia voltar. E me vingar de Agenor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;background-color: #f3f3f3;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;Gostou? Então leia também o Capítulo 2 - &lt;a href=&quot;http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/09/nem-todos-serao-cordeiros-capitulo-2.html&quot;&gt;Clique aqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/09/nem-todos-serao-cordeiros.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>13</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-5255709071248262291</guid><pubDate>Fri, 04 Sep 2009 16:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-04T14:44:29.080-03:00</atom:updated><title>Lava-pés</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Fábio olhou para seu relógio de pulso. O que viu, não foi nada bom – Quatro da madruga. Vai dar merda de novo.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Seus pensamentos não eram totalmente embriagados, porém nem absolutamente lúcidos. Tinha consumido uma boa quantidade de cerveja – E um conhaque! -  para calibrar a libido. As sexta-feiras  tinha essa liberdade provisória. Ou tivera, até que Marina o obrigara a confessar a infidelidade praticada – Nossa, que dia infernal...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ainda eram-lhe vivas a lembrança do episódio. Do choro da mulher, das perguntas intermináveis, dos tantos “por ques” aflitos e de suas súplicas por compreensão e perdão – Porra, era um homem – e suportara bem a condição de casado por sete anos. Mas naquela noite, após infindáveis cervejas e gargalhadas entre amigos, Glorinha pareceu-lhe irresistível – Destino mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Uma mulher vulgar, que vestia-se apenas para se expor, para ressaltar sua fartura de carnes – Gordinha sim – Vulgar, falava obscenidades que nem os marmanjos se atreviam. Insinuante como uma serpente, cheia de toques com as mãos e resvaladas provocantes, tão devassa em pensamentos e atitudes. Tão diferente da sensatez e inteligência de Marina  - Com resistir?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Sóbrio, atravessava a rua e fingia não vê-la. Mas após o consumo de álcool, preso ao mesmo recinto e conversas... - Ah, Glorinha... que trepada infernal que tivemos! - a mulher era mesmo diabólica numa cama. Todos os desejos satisfeitos, todas as curiosidades saciadas. E além dos limites, um quarto de descobertas pecaminosas.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Não teve como Marina deixar de perceber. Por mais que preferisse não tomar ciência do fato, Fábio mudará a olhos visto após o início de seu romance com Glorinha. &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Marina até que tolerou o comportamento do marido por alguns meses. Foi vendo as noitadas de cerveja invadirem os dias úteis, os horários de retorno cada vez mais distantes. Até que algo se rompeu dentro dela. Tinha que saber, tinha que entender o porquê, o que faltava nela, Marina, como mulher?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mas era fato sepultado, julgava Fábio. Após aquela noite de acertos de contas, há oito meses, as coisas voltaram a normalidade. Fábio ia ao trabalho, voltava para casa. Jantava e assistia TV com a esposa. E até o relacionamento sexual entre eles foi reavivado, por algumas semanas. Como nos tempos de namoro, faziam sexo todos os dias. Até duas vezes por noite – Se bem que... - Mas tinha que se acostumar. Nenhum prazer ou loucura valia a companhia de Marina. Uma mulher bela, dedicada, inteligente e fiel – Sim, principalmente fiel.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Fábio abriu a porta com todo o cuidado, evitando ao máximo qualquer ruído. Mesmo desconfiando de que nada lhe adiantaria tanto silêncio. E suas suspeitas estavam corretas.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Marina estava sentada no sofá da sala, abajur aceso. Fábio tentou ver se os olhos dela estavam inchados, por tanto chorar. Mas não. Apenas o olhava, serena.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Marina, eu sei o que você está pensando. Mas...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Pára, Fábio. A gente já teve nossa conversa. Você não precisa dizer nada. Alias, você não precisa nem inventar nada. Porque no mínimo, eu mereço a verdade. Fiz por merecer. Por meses. Por te tolerar, por suportar seu hálito de cerveja, seu cheiro de perfume barato. O sabor de sexo vulgar em sua boca...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Marina...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ah, cala a boca, e vem dormir. Quando você estiver sóbrio, quando tiver um mínimo de vergonha na cara, conversaremos. Se... ah, deixa. Vamos dormir e amanhã veremos como fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Dito assim, levantou-se e caminhou para o quarto. Fábio atrás, como um menino pego em flagrante delito pelos pais. Cabeça baixa, mudo, envergonhado – Que merda que eu fui fazer, Meu Deus... - lamentava-se em pensamentos.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No quarto, Marina tirou a camiseta e jogou-a no chão. Fábio ficou a admirá-la em sua nudez. A pele bem clara, contrastante com os cabelos negros e os lábios vermelhos. Olhos de um mel profundo. Nem magra, nem gorda. Seios médios, ligeiramente caídos pela ação do tempo. Mamilos rosados, abdômen quase inexistente, quadril estreito, porém acentuado na cintura.  Enfim, uma mulher bonita, agradável de se ver – E decente - muito mais do que Glorinha, certamente – Ah, Glorinha... por que você teve que me provocar novamente?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Marina deitou-se na cama e olhou para Fábio – Então, não vem?&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Fábio despiu-se, entre uma e outra cambaleada e deitou-se ao seu lado, mantendo uma relativa distância de segurança. Tinha medo de tocá-la. Tinha medo de que ela cobrasse-o por uma noite de sexo e ele falhasse, como da última vez em que brigaram. Álcool, vergonha, arrependimento, várias trepadas depravadas durante as últimas horas... uma combinação letal para seu desejo.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mas desta feita, Marina não abriu a boca. Desligou a luz da luminária e condenou os dois a escuridão e ao silêncio. Fábio ainda demorou alguns minutos para ser vencido pelo cansaço. Mas nem as especulações sobre o “amanhã” lhe deram forças para mais.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Acordou com a velha dor de cabeça pós balada. Mas nem lhe incomodou tanto quanto o peso em seus braços. Quis trazer suas mão aos olhos, para coça-los e eles simplesmente recusavam-se a obedecer. Até que vislumbrou-os presos à cabeceira da cama, por um par de algemas – Que porra é essa? - resmungou, enquanto corria os olhos por seu corpo, vendo-se preso pelas pernas também. E completamente encapado por filme de PVC, próprio para embrulhar alimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Marina, sentada em uma cadeira a sua frente, fitava-o, sem qualquer expressão em sua face - Dormiu bem? - e não havia ironia em sua voz tampouco, apesar da pergunta. Quisera apenas chamar a atenção de Fábio.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Que você está fazendo, sua louca? Que merda é essa? - esbravejou em vão. Marina apenas levantou-se da cadeira e caminhou até a penteadeira do quarto. Ao lado desta, malas prontas para uma longa viagem. Sobre o móvel, uma urna de cerâmica, bojuda, com uns 30 centímetros de diâmetro na parte mais larga e uns 45 de altura. Apanhou o pote e veio até a borda da cama, com o mesmo caminhar lento e cadenciado.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Sabe Fábio, imaginei esta nossa conversa por toda a noite, enquanto te esperava. Mas quando deitamos, lado a lado, eu sentindo o cheiro do álcool e daquela vagabunda em você... - balançou a cabeça lentamente -  Você nem me tocou! Não há mais o porquê de mais uma conversa...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Espera, Marina. O que é isso, esse pote? O que você pretende fazer? Pense nos momentos que tivemos, pense nos seus pais, como vão lidar com a vida se você fizer uma bobagem.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Será problema deles, Fábio. Quanto ao pote... - desrosqueou a tampa até ouvir um  pequeno estalo – Não sei se você percebeu, mas apenas o seu pênis está livre do filme. Exposto...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Escuta, olha.... vamos conversar direito mulher – Fábio gaguejava, olhando em desespero suplicante para Marina. Não sabia detalhes de seu plano. Porém, tinha a certeza do pior porvir.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Lava-pés. Ou formigas de fogo. Uma das ferroadas mais dolorosas da natureza.  Carnívoras, aterrorizam pessoas e aminais da região amazônica. Carnívoras... Não tanto quanto nos filmes de Hollywood. Afinal, são formigas e não piranhas – e dito isso, tombou a urna numa abocanhada envolvente sobre o membro do marido – Umas cinco ou seis mil delas dentro deste pote. Vindas do laboratório da Universidade e criadas no porão, com todo o cuidado. Só aguardando...&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Fábio urrou de desespero. E em seguida, urrou e urrou de dor a cada ferroada que sentia. Mas Marina nem lhe prestava atenção. Com as malas na mão, saía pela porta da frente de sua casa. Para uma viagem. Sem destino certo. Apenas para longe da mediocridade e hipocrisia cotidiana – Com um pintinho desses, em minutos o serviço estará feito -  e ele poderia pensar nisso, enquanto o veneno das formigas fechasse sua garganta e o matasse por asfixia – O que é uma pena. Me daria mais prazer imaginá-lo sentir as entranhas devoradas também.&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O carro partiu e em segundos a casa ficou diminuta no retrovisor. Os gritos de Fábio eram apenas lembranças de um passado de equívocos.&lt;/div&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/09/lava-pes.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-7366706155138783281</guid><pubDate>Sun, 09 Aug 2009 03:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-09T00:39:57.366-03:00</atom:updated><title>Desconhecido</title><description>Prezados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na condição de convidado, trago-lhes um conto curto e escrito fora dos meus padrões normais de escrita. Tentei, com esse conto, escrito já há algum tempo, exercitar frases mais curtas, a exemplo de outro postado em uma coluna do Norberto/Vic em ocasião diversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é exatamente sobre o outro lado da mente, mas creio adequar-se ao inesperado, sempre ontido naquilo que não conhecemos plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESCONHECIDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era tarde, e as árvores que passavam pelas janelas do ônibus eram tão somente linhas um pouco mais negras em meio à escuridão da noite. Fechou o livro e apagou a lâmpada acima de sua poltrona. A cabeça agora pendia para o lado direito, e a mente voltava-se para a mata fechada que ela pouco conseguia ver naquela altura da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que viajava para visitar seus pais, pensava, ao olhar para aquela vegetação já familiar, sobre o que poderia haver por detrás das folhas verdes – apenas sombras à noite – que beiravam o caminho da estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era frio, mas precisou interromper seus pensamentos para pegar um casaco na mochila. Olhou para a poltrona ao lado. Ficara aliviada quando a senhora cheia de histórias e valores dormira. Somente assim pôde começar sua leitura sobre Dr. Jeckill e Dr. Hide, a dicotomia médico/monstro que a fazia pensar no que mais havia por trás das pessoas. Onde estaria o lado monstro da &quot;quase-freira&quot; que dormia no banco ao lado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus estava lotado, e a época da Páscoa de fato movimentava as estradas. Não sabia se eram as pessoas que movimentavam as rodovias ou se era a própria Páscoa que agia materializada sobre o asfalto. Lembrou do garoto que empanturrava-se de chocolate no início da viagem. “Teria ele já vomitado?”. Não. Precisaria de mais alguns bombons, mas não tardaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um instante, quis saber onde estava o outro lado das pessoas que lhe cercavam. Olhou novamente para as árvores e esqueceu da idéia. Retomou o pensamento sobre o que havia após as árvores. O que haveria do ouro lado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os pensamentos misturados à escuridão das árvores, estava demasiadamente concentrada para perceber que o garoto sujo de chocolate que corria ao banheiro não queria vomitar. Se visse aquele jovem rosto por uma fração de segundo, teria reconhecido o sinal do medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando pareceu ter visto uma sombra mais escura na mata que as luzes do ônibus se apagaram. Ouviu-se um único grito vindo das poltronas da frente. O medo a fez desejar que as luzes não voltassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em princípio, sentiu-se aliviada por não passar pelo estranho evento sozinha. Havia mais algumas pessoas com quem compartilharia aquele momento. Em seguida, frustrou-se por não saber como os outros reagiam. E por alguns segundos ninguém ousou pronunciar uma palavra sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não era conhecido o motivo da escuridão, mas voltou a concentrar-se no interior do ônibus quando uma senhora gorda ergueu-se da poltrona n. 4 e bateu secamente na cabine do motorista, exigindo explicações. Não houve resposta. Se a senhora houvesse permanecido na poltrona, talvez não tivesse o mesmo destino a que foi entregue motorista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruscamente, alguém lhe atacou pelas costas, vindo de algum ponto desconhecido no ônibus, e o grito que se ouviu depois ficou claro até mesmo para quem jamais havia visto alguém morrer – e ver, naquela altura da noite, não era privilégio de muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pânico exalava de cada corpo ainda vivo, e os gritos de pavor seguiram o grito de morte. Um a um, os passageiros foram ecoando o que começou nas poltronas da frente. Não sentiu medo de morrer. Sentiu medo de ser a última a morrer. Não se importava com seu destino, desde que fosse igual ao dos demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, ninguém foi poupado. As lágrimas de sangue não demoraram a escorrer de seu pescoço, e a imagem que a garota pôde ver em seus últimos reflexos foi a de um corpo enorme caminhando – como quem volta para casa – em direção à mata fechada.&lt;br /&gt;_______________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo Fripp/Croatan</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/08/desconhecido.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-7814150656560456924</guid><pubDate>Sun, 09 Aug 2009 00:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-08T21:52:34.954-03:00</atom:updated><title>Sonhos</title><description>Salve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surfando nas ondas da grande, revolta e farta rede mundial de computadores, topei com este conto e acredito que ele deva ser publicado aqui. O crédito ao autor esta no final do conto. Não o conheço, mas é interessante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, nada de horror, aborda o lado negro da mente, afinal o que é o lado negro da mente senão aquilo que a grande maioria não conhece e os poucos que sabe, não podem escrever sobre? Sendo assim, tudo que investiga a mente humana esta na calota negra, aquela grande e imensa porção do cérebro que pouco é explorada, e onde o sol nunca se faz ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bons sonhos, meus queridos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salut!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.E.I.&#39;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;=================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitada de costas, ela estava pensando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (Ele tinha razão quando me disse que o divã do psicólogo nunca é muito cômodo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava dizendo que teve um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (Mas, que coisa fez tanta graça dos lacanianos paulistanos?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estava pensando em alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim ... não ... Sim, eu teve um sonho a noite passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer me contar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero. Eu estava deitada numa cama. A habitação estava a meia luz. De repente, entra um homem abrindo violentamente a porta. Se aproxima à cama, olha fixo para mim, tira uma arma de sua cintura e atira em mim. Eu morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse homem lhe é conhecido? Ou parecido com alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá para ver a cara dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou deitada de costas à porta e todo acontece rapidamente. Eu vejo a cena de fora, como num filme. A cama está no lado esquerdo do quarto. Tem uma janela no lado direito por onde entra a luz. Quase no centro fica a porta pela qual entra o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá tempo de ficar apavorada, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ... heim ... não, não dá. (Pavor não. O que eu estava sentindo?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você disse que o homem não lhe lembra a ninguém em particular ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era um homem grandão, de movimentos bruscos, como Stallone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como Silvester Stallone, o ator de cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E porque ele ia querer matá-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele queria realmente me matar? Sim, claro. Por que ele queria me matar? ... Não sei, estou confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele atira em você, ele mata você, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, sim. Ele atira três tiros e me mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ai você acordou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acordei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E depois de acordar sentiu medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, eu estava confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sentiu medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, claro, sabendo que ia morrer, eu estava como com medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, depois que morreu já não dava para sentir mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paciente e psicólogo riram. Ele lembrou a hora e a sessão terminou na paz dos honorários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes da sessão de psicanálise ela conheceu um rapaz numa livraria. Os dois estavam procurando novidades em literatura, o que chamou à atenção de ambos. Ai começou o diálogo, foram a tomar um café e continuaram a conversa. Primeiro falaram de romances modernos, mas quando ela disse que de ai a pouco ia ter sua terapia, o diálogo mudou de rumo: passou para Freud, a neurose moderna, a depressão e coisas similares. Quando ela disse que o seu terapeuta era um lacaniano paulistano, ele tentou em vão esconder seu sorriso. Trocaram números de telefone para continuar a conversa. Dois dias depois marcaram um novo encontro. O tema, desde o início, foi psicologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, eu já li bastante Freud, mas não tenho sacos para ser psicólogo. Agüentar a conversa de pessoas que o único problema real que tem é que não sabem o que fazer com o tempo. Claro que tem pacientes interessantes, como os de Freud, mas também ele deve ter suportado imbecis que nem deram para ser citados. Por outra parte, das pessoas que acho interessantes, não quero ser o psicólogo. Quero ser o amigo, por exemplo. Também não quero ser o psicólogo de meus amigos. Por isso não gosto de interpretar os sonhos por interpretar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe interpretar sonhos? Eu teve um sonho que contei para meu psicólogo, mas ele ainda não me disse nada. Como se faz para interpretar um sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com talento. Interpretar um sonho requer de uma habilidade especial. Tem envolvida uma questão de sensibilidade. O inconsciente é como o Apolo de Heráclito: nada diz, nem nada cala, só dá sinais. A chave para decifrar a maioria dos sonhos é algum sentimento. Algum sentimento que não condisse com o que está acontecendo no sonho. Por isso é que um psicólogo precisa de uma sensibilidade especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Freud tem uma teoria da interpretação dos sonhos, onde o fundamental é que o sonho é a expressão de algum desejo oculto, que a pessoa não quer reconhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mas isso não significa nada. Um sonho é multiface e expressa, misturados, muitos desejos de diferentes tipos. Sempre é fácil achar algum desejo expresso em qualquer sonho. Mas isso não vale nada. É como o Édipo. Freud usa o Édipo como chave mestre e os psicólogos com cavalo na batalha: o Édipo corre com o prejuízo e eles vão encima. Vasculhando sempre se chega ao Édipo, mas o problema não é chegar, mas como se chega. O Édipo e o happy end da terapia freudiana, mas muitos psicólogos reagem como as pessoas ingênuas ante um filme hollywoodiano: têm tanta ansiedade pelo fim, que acham que o fim é todo. O final sozinho não é um final, precisa do desenvolvimento, da ansiedade da qual é o final. Se uma mulher dizer: ``me corria um homem com uma faca&#39;&#39; e o psicólogo interpreta logo: ``o homem é o seu pai e a faca o pênis&#39;&#39;, dificilmente esteja prestando algum serviço para seu paciente. Tem que ler Freud não olhando para a teoria que ele esta expondo, mas vendo como ele interpreta. Ver como Freud descreve os sentimentos: ``um pavor desmedido&#39;&#39;, ``um desejo contraditório&#39;&#39;, ``uma alegria apática&#39;&#39;. Muitos psicólogos não vão ao detalhe do sentimento porque eles próprios não sentem com detalhe. O psicólogo não pode ser menos sensível que o paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não tinha pensado nisso, pode ser. (Mas ele não está falando do meu psicólogo, pois nem conhece ele.) Que pena que você não quer interpretar sonhos de amigos, pois eu gostaria que interprete o meu. Mas fique tranqüilo, vou respeitar sua posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Outra maneira de ver a coisa é que o importante num sonho quase sempre é um detalhe. Sem sensibilidade esse detalhe passa desapercebido. Aliás, se podermos falar de intenção do sonho, essa intenção é que o detalhe passe desapercebido. Se o paciente sabe psicanálise tem um outro motivo: falar para a pessoa certa, não revelar segredos para aqueles que só vão criar confusão. Nem todo o que um paciente oculta do psicólogo é por causa da malvada repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminou o encontro e ela ficou pensando. Um detalhe. O detalhe que chamava a atenção no seu sonho era a iluminação da habitação. A luz vinha da janela da direita e dava um clima dramático à situação. Mas, que significado pode ter a iluminação? Seria que ela estava ocultando o essencial a seu psicólogo não pela ``malvada repressão&#39;&#39;, mas para que aquele não entrasse no seu inconsciente como um elefante numa loja de louças? Mas o seu psicólogo é um bom psicólogo, um lacaniano paulistano. Não é que ele não seja sensível, é só sua postura de psicólogo. Continuou pensando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (Também eu não sei ao certo se o papel da sensibilidade é tão importante num psicólogo. O homem seu pai, e a faca o pênis dele. Não, meu psicólogo não vai ser tão burro para dizer: ``Olha, o homem que entra pela porta é o seu pai, e o revolver o pênis dele&#39;&#39;. Claro que isso não explica nada. Bom, explica porque eu acordei tranqüila e contenta. Detalhes nos sentimentos? Como se tiver realizado um antigo desejo. Vem? O desejo está presente. Sim, claro, sempre esta presente.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim chegou o dia da próxima sessão. Ela esperava ansiosa pela interpretação do seu sonho. O primeiro que ela fez foi perguntar. Ele respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um sonho deve ser interpretado em contexto. Não é como um texto sagrado que tem normas absolutas para sua interpretação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Freud falou que sonho expressa desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que desejo você vê se expressar no seu sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei, para mim está confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas no sonho você morre. Você quer morrer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, eu não quero morrer. Eu tenho esperança de que alguma coisa de maravilhosa vai acontecer logo na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala como se tivesse conhecido alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, conheci um rapaz bem interessante, mas não é isso, não. E um sentimento de realização pessoal. Mas, o que me importa é a interpretação do sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala do sonho e fala de desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Freud fala de desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mas você trouxe o desejo até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, eu falei do desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você fala que não quer morrer e o seu sonho mostra você morrendo. Portanto, a morte do sonho representa uma outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Representar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Representa. A sua morte no sonho representa alguma outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, eu estou representando minha morte. Não, o sonho representa minha morte. Estou confundida. Como diz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fique tranqüila, sua confusão mostra que estamos no caminho certo. Eu disse que sua morte no sonho representa alguma outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma relação sexual. Eros e Thánatos. O meu desejo oculto de ter uma relação sexual com meu pai, toma a forma de ele me matando. (Página 475, tombo 4, Obras Completas de Freud. E para isso lhe pago?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E isso explica também o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (O medo de que o elefante entre na loja de louças.) Mas o meu pai não se parece a Stallone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a imagem infantil do pai grande e forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah ... (Será?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sessão continuou com outras páginas de Freud e terminou na paz dos honorários. E como a vida é muitas vezes uma sucessão de encontros e desencontros, dias depois da sessão de psicanálise aconteceu um outro encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O seu psicólogo deu uma interpretação surpreendente de seu sonho. Foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não seja irônico, por favor, que para mim é coisa séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdão. Não quis magoá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para mim a interpretação desse sonho é fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como a interpretação? Que raro! Você fala de interpretação de uma maneira esquizofrênica. Por um lado com uma ênfase e um sentimento de paixão difíceis de compreender. Por outro lado como se a interpretação que está procurando fosse um jogo matemático, uma coisa lógica e fria. Esqueça da interpretação e pense no seu sonho de uma outra maneira. Como os antigos, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como se meu sonho está mostrando meu futuro. Você fala sério?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falo. Se lembra do alpinista de Freud que sonhava que caia da montanha? Ele sonhou seu futuro. As vezes, o inconsciente sabe mais do futuro que a consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (Mas, se eu desejar minha própria morte, por que acordei tão feliz?) Então agora não entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O mais importante de um sonho nunca é o primeiro que vê a pessoa que o teve. Pode até estar explícito, mas não vai ser o primeiro que vê. Seu psicólogo não falou nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece que você não gosta do meu psicólogo, mas ele tem boa fama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas a fama é a opinião dos outros. Você que acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho ele bom. Só que parece não ter cultura geral. Não conhecia a Stallone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você gosta dos filmes de Stallone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem tanto. Mas também não sabia que era Fellini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, ai a coisa complica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, porque existe uma imagem coletiva, um sentimento do que é Fellini. Se seu psicólogo não sabe quem é Fellini o paciente vai quer dar uma idéia ``objetiva&#39;&#39; de Fellini, ou seja, essa imagem coletiva, em vez de expressar o seu sentimento. Então o psicólogo, que não conhece o sentimento geral, deve diferenciar o sentimento particular do paciente. As vezes, o que já é difícil torna-se impossível. Eu já teve esse problema na minha própria terapia. Uma vez comecei a falar de Safo e minha psicóloga não sabia que foi Safo. Perdeu uma porta aberta, mas enganosa, para o tema da homossexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ironizou com um leve sorriso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, você gosta da poesia lésbica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tanto como para fazer o esforço de aprender eólio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os ventos trazem lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando falam do ventos da antigüidade, eu me lembro do Bóreas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, se eu for sua psicóloga, diria que no seu aprendizado do eólio está presente o seu desejo de raptar sua mãe quando ela era donzela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas todos os ventos frios do Norte raptam donzelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois riram das ironias quase ininteligíveis. Ela continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Passando da ironia para a fofoca. Você que leu Safo em eólio, acha que ela era homossexual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que não. Acho que os fofoqueiros da antigüidade injustiçaram ela com uma difamação, tal vez por inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E isso sim que tem que ver com a sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem, com certeza, tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, você percebeu? Começamos falando de romances modernos e psicanálise e agora estamos chegando aos temas verdadeiramente importantes: os clássicos, a poesia ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto de ela mudou. Ele falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você ficou tão séria? Aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. Eu gosto tanto do teatro e do cinema. Participo de um grupo de teatro experimental, mas por vergonha ou por medo da incompreensão não falo para quase ninguém. Mas é como se você tivesse adivinhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não adivinhei, não. O sentimento com que você falou do cinema. Parecia machucada pelo fato de seu psicólogo não saber que é Fellini. Vai participar de alguma peça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas eu fiz um teste. Não para uma peça, para um filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um filme?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Glaúber Rocha vai rodar uma adaptação da peça Melissa, de Augusto Boal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou sabendo. Já li na Folha. Eu já assisti Melissa no Rio, com direção do próprio Boal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca assisti a peça, mas li o livro uma dúzia de vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um teste para que papel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou com vergonha, e logo falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O papel de Melissa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Melissa? Tomara que consiga esse papel. Parece uma coisa muito importante para você. E eu tenho a sensação de que seria uma Melissa antológica. Mas, que personagem complicada! É como nas obras de Shakespeare, a gente sabe o final desde o princípio, mas, mesmo assim, o final surpreende. Quando vai ficar sabendo se foi a escolhida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram se olhando um para outro em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos antes de sua sessão de psicanálise. O telefone tocou. Deram a notícia: ela era a escolhida para Melissa. Ela dava um passo para um lado, um outro para outro lado, queria pular, queria dançar, queria gritar, queria chorar. Aos poucos foi se acalmando. Lembrou-se da sua terapia. Ai veio um sentimento de raiva e pensou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (Mas que burro, que burro, que burro que é o meu psicólogo. Eu tenho que parar de jogar fora tempo e dinheiro e dar bola somente às pressões das pessoas que admiro.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou no consultório do psicólogo, olhou aos olhos dele, e lhe diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é um burro, e eu não vou vir mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saiu batendo a porta. Chegou na sua casa e ligou para marcar um encontro com ele. Falou da novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parabéns. Você conseguiu. Eu sinto que vai fazer uma Melissa memorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Larguei de meu psicólogo. Quando uma pessoa tem algum desejo muito intenso, parece que tem a necessidade de ocultá-lo para que se realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou pelo menos não contar para os psicólogos burros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também acha? Eu gosto tanto de você ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a filmagem. Glaúber surpreendeu todo mundo quando disse que o primeiro a filmar ia ser o final, a última cena. Ascenderam os refletores e Glaúber deu a ordem de rodar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou na cama de costas à porta, como está na peça. O grandão ficou sabendo da traição de Melissa. Entrou violentamente no quarto e matou Melissa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não podia acreditar tanta alegria. Seu sonho tornava-se realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(c) 1998 Carlos González&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;========================= *** ========================</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/08/sonhos.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-3276618805384285389</guid><pubDate>Fri, 07 Aug 2009 05:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-08T00:46:54.621-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">padre</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">pecado</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">perdão</category><title>Vá e não peques mais</title><description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Me perdoe Padre, porque eu pequei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo inala sofregamente todo o ar cabível em seus pulmões e senta-se de súbito em sua cama. As imagens a sua frente eram pouco nítidas, em parte pela escuridão de seu pequeno quarto na pensão de Dona Olívia, em parte pela confusão provocada por um sonho recorrente, assombrado por vozes do passado. Inclina seu corpo e tateia o soalho do dormitório, em busca de seu maço de cigarro e isqueiro. Pagava R$ 250,00 a mais por mês, para Dona Olívia, só para ter o privilégio de não dividir o quarto e poder socorrer-se em algumas tragadas nos momentos críticos, sem ser censurado por um eventual companheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajeita os travesseiros na cabeceira da cama, criando um encosto estofado e confortável para suas costas. Leva o cigarro a boca e dá um longa tragada. Seus olhos se habituam à escuridão da madrugada e os limites de seu pequeno quarto podem ser vislumbrados, ainda que sutilmente. Porém, não era a visão do quarto que ansiava, mas as imagens que provocariam mais uma noite de insônia. Reclina sua cabeça para trás e, ao mesmo tempo em que expele uma bolha expansível de fumaça, fecha os olhos, mergulhando na obscuridade de suas memórias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podia deixar de supor que sua vida teria sido plena, se não fosse por uma tarde, num confessionário, há quase seis anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo tinha vinte e oito anos, na época. Era o Padre Gustavo da modesta Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, Protetora dos Nascituros. Uma igreja simples, sem qualquer ostentação. A nave principal, talvez abrigasse umas quarenta pessoas. Mas isso ocorria somente em dias de casamento. No restante, os poucos fiéis de sempre, pessoas de mais idade e tradicionalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito, o povo do interior de São Paulo perdera sua convicção nos ritos da fé. Criam em Deus, Jesus e eram quase todos devotos de Nossa Senhora. Gustavo tinha a mais absoluta certeza disso. Porém, não viam mais nas Igrejas o caminho para chegar a Eles, aos seus Salvadores e Protetores – &lt;i&gt;A Igreja precisa se encontrar com o povo novamente. Ter o unguento para suas aflições e temores – &lt;/i&gt;lembrava-lhe o velho Padre Anselmo, titular de fato da paróquia, porém já bastante alquebrado pela idade e incapaz de celebrar sequer uma das duas missas diárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram três bons anos, aprendendo com o Velho, rezando as missas diárias e ouvindo seu rebanho no discreto confessionário, ao fundo da igreja. Até aquele sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu Dona Anita, uma senhora miúda, quase esquelética, estragada mais pela desnutrição e maus tratos da vida do que propriamente por seus 70 anos de vida. As mesmas mazelas e inocentes pecados de sempre, da briga com a neta, da discussão com o genro, a quem jurava respeitar – &lt;i&gt;mas que me tira do sério - &lt;/i&gt; como ouviu seu Nestor, o prefeito da cidade. E do mais humilde ao mais poderoso,  ninguém lhe confessava algum pecado que merecesse uma preocupação maior com a saúde moral da comunidade. As vezes, instigava-os até a um trabalho social, junto as populações menos favorecidas como forma de alívio para o tormento e punição pelo pecado confessado. Uma novena, algumas &lt;i&gt;ave marias e pai nossos,&lt;/i&gt; mais habitualmente. Se os moradores da cidade tinham pecados maiores, não era ao seus ouvidos que os confessavam – &lt;i&gt;e pode ter certeza que eles tem, meu filho. Pecados inomináveis! - &lt;/i&gt;brincava o Padre Anselmo. Mas Gustavo gostava de ouví-los, por vezes ingênuos, noutras tentando “enganar um pouquinho à Deus e ao Padre”, mas fundamentalmente, comparecendo e mostrando a importância que  poderia haver em um par de ouvidos pacientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que Padre Gustavo ouviu um abrir diferente da portinhola de seu confessionário. Um abrir cuidadoso, quase sorrateiro, diferenciado de todos os outros que estava habituado a ouvir. Deveria ficar feliz. A possibilidade de um novo fiel, de alguém mais em comunhão com a Igreja e com Deus. Porém, no seu peito sentiu um incômodo, um aperto. Suspirou, espantando seus temores e procurou se concentrar em suas obrigações,  declamando o início da confissão, ao ouvir o assento do banquinho rangir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amém – respondeu uma voz grave e rouca do outro lado da divisória em treliça - Padre, me perdoe, porque eu pequei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que o Senhor esteja em seu coração e palavras para que, arrependido, confesse seus pecados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca me confessei antes, Padre. Vivia e acreditava que Deus me perdoaria por meus pecados, sem que alguém precisasse interceder, quando chegasse a hora. Porém, percebi estar errado – a rouquidão da voz solenemente fez uma pausa. Talvez buscasse perceber a repercussão de suas palavras, talvez quisesse apenas tomar um fôlego e organizar suas idéias para prosseguir com seu relato. Porém, ao Padre Gustavo não restava mais qualquer dúvida: este era um homem sinistro e que estava por confessar um pecado abominável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que importa para Nosso Senhor Jesus Cristo é que você se arrependa, confessando seus pecados. Ele pode a tudo perdoar, se for sincero o seu arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje eu sou um homem feito, Padre. Quarenta e cinco anos, um cirurgião brilhante. Ganho muito dinheiro em São Paulo. Sou admirado e respeitado por todos meus amigos, clientes e colegas de profissão. E praticamente, atravessei o Estado para chegar nesta Igreja, de Nossa Senhora de Guadalupe, para confessar-lhe que minha história nem sempre foi respeitável assim... - e a Voz fez uma nova pausa. Padre Gustavo não resistiu a tentação e focou seu olhar sobre as frestas da treliça. A Voz tinha a tez bem clara, porém com bochechas rosadas, macilentas, cabelos levemente grisalhos. Um riso discreto permanentemente desenhado em seus lábios. O rosto que personificava a bondade, a retidão. Estatura mediana, talvez um metro e setenta, pouco mais pouco menos. Não era gordo nem magro. Vestia-se elegantemente, num terno cinza claro, gravata azul quase marinho, camisa reluzentemente branca e bem passada. E numa avaliação desta superfície diria-se – Ali está um bom homem – Porém, Padre Gustavo sentia em sua alma que não. E temia por cada nova palavra a ser dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha mãe era uma puta, Padre. Não dessas que ganham a vida fazendo sexo. Mas por vocação mesmo. Não sei quem é meu pai. Possivelmente um dos muitos bêbados e drogados que ela levou para casa, nos finais de noite. Eu me lembro da primeira vez que a ouvi – a Voz sorriu levemente – morávamos num pequeno apartamento no centro da cidade. Dois quartos fétidos, sempre imundos, grudados parede a parede. &lt;i&gt;“mete mais, mete mais seu puto! Me come!”&lt;/i&gt;. Eu tinha cinco anos, Padre. E passei a noite de olhos abertos, ouvido colado na parede do quarto, temendo por minha mãe. Pelas dores que estava sentindo... - E a Voz fez-se gargalhada. Alta, grave, descontrolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu filho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Padre, é importante que eu conte, que o senhor saiba e entenda. É importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele tudo sabe, filho. Você não precisa se defender ou se torturar. Apenas se arrepender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu me arrependo, Padre. Muito! Não desses pecadinhos. Não por ter colado o ouvido na parede. E nem por ter me escondido dentro do guarda-roupas dela, pouco mais de um ano após.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu precisava! Eu tinha que ver as imagens que me traziam os sons, os pesadelos... Era preciso saber. Só assim eu poderia ter meu sono e paz de volta, eu pensava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padre Gustavo ouviu um prolongado suspiro, carregado de dor e sofrimento. Pensou em abordá-lo novamente, dissuadi-lo de pormenorizar sua história. Mas sabia não ter forças para deter esse homem. Teria que ouví-lo até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então aconteceu numa sexta-feira de madrugada. E eu estava a tanto tempo lá dentro do armário, prensado por roupas, cabides e cobertores, que dormi. Acenderam a luz do quarto, passos trôpegos, cambaleantes. Risos embriagados. Acordei assim. Cuidadoso, pois me lembrava onde estava. Temia pela minha sorte se me descobrissem. Minha mãe tinha a mão pesada. E paciência nenhuma. Não lhe custaria nada me espancar mais uma vez... O guarda-roupas era antigo. Daqueles em madeira mesmo, entalhes e fechadura. Nada de &lt;i&gt;aglomerados&lt;/i&gt;, daquela quase serragem que tentam nos vender hoje... Foi pelo buraquinho da fechadura que pude vê-los. Loucos, como dois loucos... - a Voz serve-se de mais uma pausa. Gustavo o vê baixar a cabeça e cobrir os olhos com uma das mãos. Mas não estava chorando. Parecia apenas esforçar-se para ter mais nitidez em suas lembranças – Eles se beijavam muito, exploravam seus corpos com violência, forçando frestas em suas roupas, até se livrarem completamente delas. E eu fiquei olhando. Minha mãe naquela cama, gemendo, urrando. Sua barriga lustrosa, gigantesca, de uma gestante de 7 meses. E o homem sobre ela, estocando forte, violento. Via a musculatura dele brilhar com o suor. Um peão de obra talvez, pela força física talhada no trabalho. Não havia sinais de cuidado ali. De academias ou malhação coordenada para a produção de músculos perfeitos. A força dele vinha da rudeza de sua vida – A Voz fez novamente uma pausa. Levantou a cabeça e colou-se à treliça divisória. Padre Gustavo podia sentir seu hálito – O senhor já viu uma expulsão de feto? Um aborto espontâneo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustavo sentiu seu corpo gelar, ao mesmo tempo em que sua cabeça parecia dar voltas no ar. Aquele homem não era humano. Ele era mau, a personificação do mal. E Gustavo precisava escapar. Porém era tarde e sabia-se refém da Voz. Jogou a cabeça para trás, fechando os olhos. E as imagens vieram, claras, nítidas como em um cinema. Podia ver pelos olhos da Voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem, pele negra, brilhando de suor, penetrando a grávida com tamanha violência que se alegaria um estupro. Os gemidos enlouquecidos até o grito de dor – &lt;i&gt;que porra é essa? - &lt;/i&gt;gritou o homem ao ver seu membro encharcado de sangue. Cambaleante, levantou-se da cama. A grávida se contorcendo na cama. O sangue derramando-se sobre o lençol, em golfadas,  e ela implorando – &lt;i&gt;me ajude, me ajude – &lt;/i&gt;Rapidamente ele se veste e sai em disparada do quarto, ainda calçando o tênis sem meia mesmo. Não buscaria ajuda alguma. Não se envolveria com policia – &lt;i&gt;eu só queria dar uma trepada. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choro apavorado de Débora – sim, esse era seu nome – Padre Gustavo podia senti-lo. Talvez a Voz o pronunciara, talvez sua imaginação o buscara. E então o garotinho, abrindo a porta do guarda-roupas e pisando no assoalho de madeira sem lustro algum – &lt;i&gt;filho... Otávio. Corre, vai até o apartamento da Marta e chama uma ambulância. Pelo amor de Deus filho – &lt;/i&gt;e Débora se contorcia. Porém, Otávio permanecia ali. Olhando o sangue, olhando o sexo de sua mãe abrir-se e iniciar a expulsão de um pequeno bebê. A mulher gritou forte, seguidas vezes, dobrando-se ao meio. Otávio deu dois passos a frente, ficando bem próximo a mãe. Ela ainda olhou para ele, com os olhos suplicantes – &lt;i&gt;chama ajuda meu filho. Vai... - &lt;/i&gt;E foram as últimas palavras que Débora disse, antes de ser atingida pelo ferro de passar roupas, que Otávio trouxera de dentro de seu esconderijo. Não houve tempo para protesto ou surpresa. A mulher simplesmente desabou, rosto desfigurado, crânio amassado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otávio se sentou na cama, separou as pernas da mãe. A criança ainda não havia sido expulsa completamente. Então, com suas mão aos redor da cabeça, puxou-a até que saísse por completo. Parecia sem vida, morta como a mãe. Tocou em sua pernas, balançando-as. Empurrou sua cabeça para os lados. E então, a coisa mais estranha do mundo aconteceu: um choro, vindo daquela menina suja de sangue. Otávio deu um pulo, assustado. Porém, se conteve e ficou olhando a criança mexer convulsivamente as pernas e os braços. Foram uns dois minutos. Não mais que isso. E o ferro de passar silenciou a criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padre Gustavo arfava. Sentia suas roupas cerimoniais grudadas ao seu corpo. Transpirava descontroladamente e percebia-se possuído pela história que ouvia. Era um estranho dentro de seu próprio corpo. Não tinha mais o domínio de si próprio. Submetido a uma história hedionda, sem poder gritar por socorro, sem poder evitar as imagens que vinham-lhe à mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu fugi de lá, Padre. Na verdade, calmamente saí do apartamento e busquei refúgio nas ruas. Vivi assim por algum tempo. Até que Dona Lígia resolveu me tirar da rua. Me levou para sua casa, legalmente procurou se informar sobre quem eu era. Mas nada havia. Ninguém para reclamar minha posse. Apenas minhas histórias inventadas sobre um abandono. Frequentei boas escolas, me dediquei muito, porque tinha um objetivo definido na vida: ver um nascimento novamente. E assim, me tornei ginecologista e obstetra. Nunca tive filhos meus. Porém, trouxe muitos ao mundo. Tive poucas mulheres. Todas clientes grávidas em estado avançado, adulteras ou mães solteiras. E, Padre, como eu trepei! Forte, vigoroso. Mas tudo isso era pouco. Não me tirava a dor, a angústia. Perto do que acontecera antes... era muito pouco. Então... - a Voz fez uma pausa profunda, mediante um suspiro que prenunciava o fim de sua história - Eu vou deixar um jornal sobre o banquinho. Esta foi minha 13a. vítima. A décima terceira mulher grávida em quem provoquei um aborto e matei: mãe e criança – Otávio se afasta da treliça e recosta-se sobre a parede - Me perdoe, Padre, porque eu pequei. E me arrependo com sinceridade e verdade em meu coração. Me arrependo profundamente, com a alma doída. Não suporto mais essa vida de mortes e sangue. Mas não tenho forças para resistir a essa necessidade, a essa angústia. Só o seu perdão poderá me dar a paz e a redenção para me livrar dessa maldição. Por piedade, Padre: dê-me seu perdão. Eu lhe suplico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padre Gustavo abana a cabeça em, sucessivos “nãos” - Como poderia? Como esse homem ousava pensar que tudo era tão simples assim? Era um louco, insano, que invadira sua mente com esta repugnante história, sua crueldade – pensava Gustavo, torturando-se profundamente na esperança de retomar sua lucidez – Eu não posso! Nem Deus poderia... o que você fez, doutor Otávio... eu não posso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então não há esperança para mim. E nem para as gestantes que eu possa encontrar... Padre, faça-me um último favor. Reze à Nossa Senhora de Guadalupe. A prece em favor dos  nascituros. E peça a ela que interceda por mim. Que obtenha o perdão dos que sacrifiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E numa fração de segundos, um clarão, um estrondo. O corpo de Otávio tomba e arrebenta a portinhola do confessionário. Os poucos fiéis na igreja ainda chegam a tempo de verem o Padre Gustavo ajoelhar-se frente ao cadáver, fazer o sinal da cruz em sua testa ensanguentada e dizer-lhe – Então vá. E não peques mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mão de Otávio, ainda fumegava o cano do revólver calibre 38. Nos olhos de  Padre Gustavo, incontidas lágrimas lhe diziam que sua profissão de fé o tinha abandonado, ao estampido daquele disparo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/08/va-e-nao-peques-mais.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-4845304267665377438</guid><pubDate>Sun, 02 Aug 2009 20:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-02T17:17:11.986-03:00</atom:updated><title>Além da justiça de Deus</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;ALÉM DA JUSTIÇA DE DEUS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Domenium&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som abafado das pás escavando com extrema frenesi ressoava em seus ouvidos, sendo a salvação para os lamurios fúnebres que ouvirá durante muito tempo debaixo daqueles escombros. A esperança tomou formas quando viu a luz adentrar pela senda que pouco a pouco aumentava. Januário estava coberto por terra e sangue. Retido por um pavor inexplicável, teve apenas força para dizer: “O sangue de Javé tem poder! Glória senhor!”. Ao sair do buraco seus olhos vislumbraram a voracidade da destruição e uma pequena multidão de curiosos que cultuavam a busca por novos sobreviventes; o jornal nas mãos de uma senhora, dizia: “Aquecimento Global: furacões devastam Estado”. Januário, pastor devoto, faz o sinal da cruz ao ver aterrorizante manchete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Venha senhor, vamos para ambulância. - consola, Moacir, o bombeiro, observando o estado débil do debilitado homem. Notando a vontade inviolável de suas mãos ao segurar um curioso rolo de papel manchado com sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão operou de forma estranha, breve e soturna na mente de Moacir. Não foram necessários 10 segundos após o seu imediato dizer: “Senhor, estão todos mortos aqui!” e a leitura do estranho rolo: “Lista dos escolhidos por Deus”. Onze nomes riscados a sangue! Como dito, não foram necessários 10 segundos; um disparo ecoou em meio a destruição, um corpo tombou no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Realmente não há nenhum sobrevivente aí. Procuremos em outro lugar! - Concluiu Moacir com a sua fumegante justiça automática em punho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Imemoravel Templo das palavras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;http://domenium.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/08/alem-da-justica-de-deus.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-5264929767717595180</guid><pubDate>Sat, 01 Aug 2009 19:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-01T16:15:02.785-03:00</atom:updated><title>O lado escuro da mente</title><description>Salve, salve povo congelado! :D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu sempre gosto de coisas novas, variantes, hoje vou postar um conto relacionado com RPG (Role Playing Game), que é outra paixão minha, ainda que &quot;adormecida&quot; pela falta de tempo para jogar. Quem quiser maiores detalhes sobre RPG, o próprio site onde peguei este conto tem aos montes, além de outras fontes. Jogando &quot;RPG&quot; no Google tem milhares de sites que explicam o jogo, mas mesmo quem nunca jogou e nem sabe o que é isso, e acha que RPG significa apenas Reeducação de Postura Global (terapia), o conto é interessante e independente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este aqui eu retirei do site www.rpgonline.com.br , espero que gostem. O nome do autor esta abaixo, no texto (na verdade, o pseudônimo dele).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não reparem na quantidade de espaços que eu coloco no texto abaixo, nem com os ------ que eu coloco, esta tralha aqui, que é do Google, mesmo dono do Orkut, tem o mesmo problema do Orkut: você enche de espaços para centralizar algo e posta, quando vai ver, ele come os espaços e o que era para ser centralizado, fica no começo da linha. O mesmo se dá entre os parágrafos: eu deixo um espaço, ele não reconhece e junta o texto, dificultando a leitura, então dou sempre 2 espaços, se ele comer um, sobrará um. Não sei se isso acontece só comigo ou se é bug do sistema, sei que acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa leitura, neste sábado frio e chuvoso. Os meteorologistas falaram que ia sair o sol hoje, mas vai ver que ele estava sem o seu capote (e touca - tem touca para o tamanho do sol?) e preferiu não sair, ficou nas profundezas do céu, escondido em sua toca celestial... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudações!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.E.I.&#39;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====================== * * * =========================&lt;br /&gt;-------------------&gt;      O lado escuro da mente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes nem os olhos abertos ajudam a compreender uma situação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor: [D&amp;D] Frost Hyral&lt;br /&gt;Publicado em 3 de Março de 2008 às 16h27&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes nem os olhos abertos ajudam a compreender uma determinada situação. Em certos momentos eles servem apenas para confundir ainda mais, contradizendo com o que sua cabeça deseja acreditar, vendo coisas que não deviam estar ali. Era isso que acontecia com Roy naquela noite, mas não apenas a visão contribuía para confundi-lo, os ferimentos e a fraqueza também o deixaram assustado. Como ele foi parar ali? E talvez algo mais importante, que diabos de lugar era aquele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conhecia aquela estrada, não conhecia aquelas árvores mortas, aquela poeira, aquelas rochas, nem a vegetação rasteira, mas isso não era o que mais o perturbava, mas sim o que iluminava a existência dessas coisas: o fogo que queimava restos de corpos e carroças que se espalhavam por toda estrada e além dela. Os rostos estavam desfigurados demais para serem reconhecidos, as carroças destruídas demais, não havia nenhum sinal de cavalos, não havia nada que ele conhecia, até que seus olhos foram ao encontro de Clara, ela estava a poucos metros, jazia inerte próximo a uma rocha. Roy tentou se aproximar, foi então que notou que estava caído, seu casaco estava sujo com alguma coisa e suas pernas eram como um fardo que ele não conseguia carregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrastar-se com a ajuda apenas de seus braços era como escalar alguma coisa, porém ainda mais difícil devido a seus ferimentos, era como se suas mãos pegassem fogo sempre que forçavam o chão. Foi uma luta difícil, mas no final ele chegou até Clara. Não podia abandoná-la ali, ela havia salvado suas vidas inúmeras vezes, deixá-la seria como deixar uma parte de si mesmo. E após a dúvida sobre os pedaços que havia visto, se alguns deles não eram seus, não podia arriscar perder mais nada. Finalmente conseguiu colocar suas mãos em Clara e a analisou totalmente, algo faltava. Ela estava descarregada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ruído próximo tirou sua atenção da arma, aparentemente, alguém também se encontrava confuso. Era um homem que já aparentava mais de meio século, sua barba e o que restava de seu cabelo já se encontravam em um meio termo entre o cinza e o branco. Estava tão sujo quanto o outro, embora ferido em uma hemorragia terrível. Roy percebeu nesse momento de quem era uma das pernas que vira ao acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ah! Droga, bastardos, olhe o que fizeram! Eu sabia que eles viriam, mas de onde? Foi tudo tão rápido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho parecia dizer mais para si mesmo do que para qualquer outro, mas ficou apreensivo quando escutou o galopar de cavalos em algum lugar próximo. Roy só conseguiu distinguir o som dos estalos do fogo quando o outro silenciou. Chegaram tão rapidamente perto dos dois feridos que ambos se surpreenderam. Os homens montados eram sete no total, o que os liderou desceu de seu animal e retirou o chapéu, o que fez Roy perceber que também utilizava um. Seus dentes eram podres e seu rosto suado, seus olhos eram fundos e negros, o cabelo lembrava capim já morto, em suas costas carregava uma carabina, muito parecida com Clara. Roy fitou-o por alguns segundos e então se lembrou vagamente de quem era o homem, seu nome era Bob Conrad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Woaah. Que confusão os senhores aprontaram aqui, não é mesmo? — disse Conrad olhando mais para Roy do que o velho. — Cheguei a pensar que o ouro também tinha ido junto com toda essa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roy não conseguia entender sobre o que o homem estava falando, nada fazia sentido para ele naquele momento. A não ser as dores dos ferimentos em si mesmo que ele começava a diferenciar a origem. A dor na lateral de seu corpo provavelmente viera de algumas costelas quebradas, algumas pontadas de dor em alguns lugares diversos surgiram de algumas concusões e sua perna foi definitivamente baleada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Monstros, foram vocês que fizeram isso! — O velho manifestava uma raiva que parecia superior ao que ele podia suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim, fizemos, perdemos muitos dos nossos no processo, mas a tristeza que sentimos por eles agora vai desaparecer em breve quando ficarmos com suas partes da pilhagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Conrad parecia se divertir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Malditos! Olhem para o que fizeram, será que não têm família?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não sei quanto aos outros, mas depois de hoje, se eu quiser poderei comprar uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente, o ancião surpreendeu novamente Roy ao tentar se levantar e ir ao encontro de Conrad, com sua fúria maior que si próprio. Entretanto, nenhuma fúria consegue ser maior que uma bala, para ser mais exato, uma bala que entra em um lado da face e sai pelo outro deixando uma cratera quatro vezes maior. Conrad guardou a carabina novamente em suas costas. Aquele foi o momento em que Roy pareceu conhecer os outros homens que estavam lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que um deles era o responsável por conseguir pólvora, era um homem instruído e falava muitas línguas. Outro era um mexicano, mal falava inglês e sabia contar apenas até seis, o necessário para recarregar e recomeçar a matança. Os outros ainda eram desconhecidos, pois também as chamas já começavam a se apagar e a escuridão tomava conta de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Roy, você vem comigo agora.  — Não era surpresa, se Roy conhecia Conrad a recíproca também era verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Nãao.... eu.... — O som da própria voz era estranho para o homem ferido, então ele decidiu permanecer no silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ah! Quem você acha que é para discutir? Para casa é que você não vai, isso se tiver uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sete homens haviam deixado uma carroça em um lugar próximo, Roy viajava jogado atrás de uma delas, outras pessoas também feridas estavam a seu lado, as infecções que podiam surgir dali eram inúmeras. Um dos homens havia levado Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você vai simplesmente deixá-los levarem você? Deus sabe o que diabos vão fazer quando chegarmos vai saber onde! Seremos reféns com certeza, mas depois disso seremos inúteis! — Um homem que parecia ter morrido há dias era o dono dessas palavras. Roy pensou tê-lo reconhecido, qual era mesmo seu nome? William? Travis? Ele não conseguia lembrar, mas pelo que pouco conseguia recordar ele já devia estar mesmo morto, mas não tinha tempo para debates sobre vida e morte, queria apenas descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Hey, você é um tolo sabia? Alguém quer salvar sua vida aqui, eu já estou ferrado! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo que Roy queria era que o homem ficasse quieto. — Esse cara morto aqui do meu lado tem uma arma na cintura, você sabe atirar não é? É claro que sabe, hoje eu vi você matar muita gente, não venha me negar isso. Você é dos bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem ficou quieto depois que Roy pegou a arma e a escondeu sob o casaco, ao contrário de Clara, estava carregada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Jonas, Stuart e Michael morreram. — informou o homem que conseguia a pólvora. Roy acordou e olhou para os outros deitados na carroça e para o homem que os analisava, apenas ele estava se mexendo, ao seu lado o que havia falado com ele antes de adormecer estava calado até demais. Seu nome não era nem Jonas, Stuart ou Michael, até onde Roy conseguia se lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Roy, você está bem? — Conrad apareceu para verificar e notou que ele era o único a se mover. Então estendeu a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele gesto, estender a mão, era uma marca de Conrad, não, na verdade, a marca era a pistola de carga única por baixo da manga que ele utilizava em seus cumprimentos covardes. Roy sabia que estava ferido demais, sua união com os mortos apenas piorou sua situação, seja lá o que Conrad preparava para ele, não seria mais possível, era dia, as montanhas estavam distantes, assim como as cidades, Roy morreria até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—  Foi o único a agüentar até aqui, considere-se um homem de sorte! — Conrad ainda estendia a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Talvez... um pouco de sorte para mim... — Roy tentou dizer. — Mas não para você. — Disse numa calma como se estivesse lendo uma receita de torta, então sacou a arma escondida com destreza. Alvejou Conrad, o homem da pólvora e um terceiro que não conseguia se lembrar, antes que esses pudessem perceber o que havia se passado. Arrastou-se para fora da carroça e olhou para onde os homens haviam acampado. Nenhum deles parecia estar a caminho, talvez tenham pensado que os tiros pertenciam a Conrad e os outros com a finalidade de matar os doentes como ele. Estavam enganados, Roy pensou, os tiros não pertenciam a Conrad nem aos outros homens, mas as balas agora eram deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perda de consciência já se tornara algo comum. Roy sabia que havia caminhado o máximo que pode naquele deserto. O sol havia esquentado tanto sua cabeça que ele não mais se importava, pensamentos fluíam em seu cérebro de forma desordenada como um quebra-cabeça. Ele caiu mais uma vez, primeiro de joelhos, depois de todo o corpo, mas antes que navegasse pelo rio da inconsciência, conseguiu amontoar algumas peças de suas lembranças:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em seu cavalo, Clara em mãos, uma caravana passaria por ali a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Temos homens infiltrados. — O homem no outro cavalo disse. — Eles sabem o sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Soube que há um grande carregamento de pólvora na caravana, além do ouro. — Disse Roy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sério? Então eles deviam trazer mais homens com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Acho que já estão em grande número.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Humph... De todo modo, vou preparar para dar o sinal. Deseje-me sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Boa sorte. — Disse Bob Conrad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------&gt;  F I M&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;====================== * * * =========================</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/08/o-lado-escuro-da-mente.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-2359202026685395558</guid><pubDate>Fri, 31 Jul 2009 14:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-01T10:32:08.966-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">dor</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">holocausto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">imolação</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sacrifício</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">violência</category><title>A Santa Imolação</title><description>&lt;p align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;- Me safar, Maninho? Me explica como é isso? Como um pai que segurou o filho nos braços...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt; Emanuel fecha os olhos, apertando com força as pálpebras, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar o inspirar e expirar. Porém, o tremor nos maxilares não se aquieta. Esfrega as costas da mão sobre os olhos, abortando as lágrimas por nascerem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;  - Ele tinha oito anos, Maninho. O moleque era alegre, não maltratava ninguém. Estudava muito, só tinha notas boas... ele iria sair daqui um dia, Maninho. Seria “gente de bem”. A primeira pessoa em minha família que seria. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;&quot;&gt;  Emanuel luta contra suas emoções novamente, desta vez socorrendo-se em uma pausa prolongada nas palavras e o acender de um cigarro. Dá umas boas tragadas até erguer os olhos de encontro aos de Maninho. Sente-se timidamente satisfeito, ao ver o horror nos olhos de seu interlocutor. E sente-se homem por enfim poder olhá-lo nos olhos, sem temer, sem ser submisso, refém das vontades do outro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  - Me explica como é isso, Maninho? Eu vi o sangue encharcar o peito da camisa dele, eu contei cada gemido e suspiro. Eu o ouvi implorar, Maninho: “pai, pai, me ajuda. Tá doendo muito. Eu não quero morrer... Me ajuda, pai.” E eu disse que tudo iria ficar bem, que eu não deixaria que ele morresse – aperta o cigarro entre os lábios e puxa uma boa porção de fumaça para dentro de sua boca - Eu menti pra ele. Minhas últimas palavras para o meu filho foram uma mentira, Maninho!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Emanuel não tinha mais forças para segurar a emoção. Baixa a cabeça e o olhar e deixa que o pranto desfigure seu semblante. A sua frente, assustado, sem compreensão da dimensão do que estava por ocorrer, Maninho o fita. Sente ódio de Emanuel. Ódio desse senhor de quarenta e tantos anos, baixo, magro, fraco... Como ele pudera aprisioná-lo? Como ele pudera fazer Maninho refém, deixá-lo a sua mercê? Emanuel era apenas um homem comum. Um homem como tantos outros moradores daquela favela miserável. Mais um dos que viravam o rosto ou baixavam os olhos para não “verem”, na esperança de não “serem vistos”. E agora Maninho estava ali, preso aos grilhões na parede crua de alvenaria, olhando para Emanuel – Um merda – mas que o fizera prisioneiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Caralho Emanuel! E você acha que me matar vai resolver isso? Você vai é foder com tudo de uma vez. Você tem família, você tem mais dois filhos. O que você acha que vai acontecer com eles? Assim que meu pessoal souber que foi você... cara, você é um homem morto!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  E Emanuel gargalha, levantando a cabeça e olhando para Maninho. Limpa o rosto com o punhos da camisa. Levanta-se da cadeira e acocora-se frente a seu prisioneiro. A centímetros da face de Maninho, sente seu hálito podre, ve o medo em seus olhos. E sente-se poderoso, como nunca. Aperta o pescoço de Maninho. Não para matá-lo, mas apenas para vê-lo sofrer com a escassez de ar  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   – Desde que nasci, Maninho, sou um homem morto. Rastejando pelos becos, como uma pálida sombra. Fugindo da violência e insultos de meu pai, fugindo dos moleques enturmados aqui na favela e na escola, rezando para ser deixado em paz por todos. Para poder viver minha vida. Só isso... Mas que vida tem um homem morto? - solta a garganta de Maninho, empurrando sua cabeça de encontro aos tijolos da parede.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Regozija-se ao ver dor e medo nos olhos de seu prisioneiro. Levanta-se revitalizado, sem tirar os olhos de Maninho. Subjugar aquele homem lhe dava força, lhe dava vida. A vida que nunca tivera. Vira-se e caminha até uma pequena janela basculante, esculpida junto a porta de entrada daquela cozinha em construção. Lança o olhar pela frestas entre as abas. Parecia procurar por alguém, por alguma notícia ou manifestação do mundo lá de fora. Porém, na escuridão da madrugada ficava difícil ver com clareza. O local era pouco iluminado. Quase como na favela de que vinha. Na favela de Maninho. Sombras e mais nada. Olha para seu relógio e pensa – Alfredo está atrasado – e isso podia ser preocupante. Volta-se para a cadeira e senta, apontando a arma para Maninho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - O mais cruel Maninho, é que precisei de você e daquela corja de vagabundos que cuidam do tráfico na favela... de você e daqueles policiais canalhas que deram a batida. Precisei que meu filho mais novo morresse para poder descobrir o quanto eu mesmo já estava morto. E o quanto não valia nada aquela vida. Você vê, Maninho? Entende? Eu devo a vocês essa descoberta. E eu devo a vocês ter renascido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Você acha que me matar vai te fazer vivo? - e Maninho pôs-se a gargalhar. Quase histérico, tentando entender o que passava pela cabeça de Emanuel. Percebeu que seu algoz mantinha os olhos fixos nele, sem qualquer expressão no rosto. Maninho não podia desequilibrá-lo. Não podia fazer com que puxasse logo aquela porcaria de gatilho e acabasse com sua espera. Não tinha medo de morrer. Entretanto, se horrorizava por ser subjugado. Conhecia a crueldade. Praticava a crueldade com maestria. E um tiro, um único disparo em seu peito, lhe parecia uma morte boa e digna - Emanuel, pensa bem... eu não dei nenhum tiro. Meus camaradas se defenderam, revidaram os disparos dos homens. Dos policiais que mataram seu filho. Foram eles, Emanuel. Você sabe que foram – Emanuel continuava a olhá-lo, impassível – Faz assim: me solta. Eu deixo pra lá. Te mato, mas com honra, com dignidade. Um tiro na cabeça e acabou. E libero uma grana legal para tua mulher, para teus filhos. Eles vão poder sair daqui. O que me diz? É um bom trato. E não matei teu filho, porra! Aceita então.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Todos nós o matamos, Maninho. Cada morador dessa maldita favela, cada policial e traficante. Cada pessoa nessa cidade que não fez nada, nada mesmo para impedir que isso acontecesse. E acontecesse de novo e de novo e de novo – balançou a cabeça levemente, numa negativa – Quantas vezes eu vi isso na TV? Quantas crianças mortas, velhos mortos, mulheres mortas. Por balas que eram para você, Maninho. Para os policiais... e eu não abri minha boca, se não para uns resmungos de piedade. Não movi um músculo... Até que foi o meu filho. E eu tive que passar por essa dor para saber. Seis meses em agonia, sofrendo por não ter feito nada, para agora saber que preciso fazer. Para não acontecer de novo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - E me matar vai acabar com as balas perdidas, seu velho de merda?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Eu não vou te matar, Maninho. Você é lixo, escória. Não representa nada pra ninguém. Nem para os seus. No outro dia, teria um novo chefe do tráfico. No outro dia, tua mulher botava um outro homem na cama. Você não vale nada e não tem serventia para o meu plano.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - E pra que você me pegou, seu porra?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: normal;font-size:100%;&quot; &gt;  - Para assistir a dor nos seus olhos, como eu assistia a TV antes de meu filho... -  e as batidas na porta cortam suas palavras. Aguça os ouvidos, tentando buscar mais sons, mais pistas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Emanuel, abre. Sou eu, Alfredo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Até que enfim – disse Emanuel, levantando-se rapidamente de sua cadeira e correndo em direção a porta. Abriu-a.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Alfredo era um senhor negro baixinho, pouco mais de 1,60 de altura, barrigudo, camisas puídas sempre para fora das calças bastante manchadas pelas tinta dom ofício de pintor. Alguém que há muito tempo, não se importava. Viúvo, dois filhos presos por tráfico de drogas, camaradas de Maninho. Ao lado dele, um homem branco, forte, 1,80 e tanto de altura, fardamento da policia, cabeça encoberta por um capuz negro. A cena era até que cômica. Ou surreal. Como um pequenino daqueles conseguira a proeza de capturar aquele grandalhão?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - E então? - indagou-lhe Emanuel, dando passagem para que Alfredo e seu prisioneiro entrasse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Me ajude a prendê-lo na parede – pediu Alfredo. Os dois sentaram o homem ao lado de Maninho, que assistia com surpresa a tudo aquilo. Abriram as algemas presas por trás das costas e prenderam-as nas presilhas fixas na parede. Alfredo puxou o capuz negro e todos viram o rosto desesperançado do Tenente Rodrigues, amordaçado.  Alfredo e Emanuel afastaram-se dos prisioneiros, falando baixo para não serem ouvidos. Os olhos do policial examinaram atentamente o local. Mas era um olhar sem vida, de alguém que já havia desistido. Ele parecia saber sobre seu trágico destino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Alfredo! - gritou Maninho – Você sabe que teus filhos vão morrer, se você se envolver com esse louco. Eu tô cuidando deles, protegendo eles lá dentro da cadeia. Mas se eu morrer, eles morrem também. E não vai ser de uma morte bonita de se ver, velho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Meus filhos já morreram faz tempo. Quando você os adotou. Quando a sua Droga tirou eles de mim. Não tenho filhos por quem eu possa fazer algo. Mas posso fazer pelos filhos de outros, que ainda nem nasceram.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Você e esse outro maluco acham que são super heróis? Acham que matando um traficante e um policial tudo se resolve? Que isso paga tudo? E que o mundo vai ser salvo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Emanuel sorriu – Você não vai morrer, Maninho. E nem o Tenente Rodrigues. Já te disse isso – olhou para Alfredo – Você trouxe as fotos? - Alfredo fez um sim com a cabeça e entregou o pequeno pacote pardo à Emanuel, que abriu-o e folheou os dois álbum – Solta a mão esquerda de cada um deles – ordenou a Alfredo, que o atendeu prontamente, sob a proteção de seu revolver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Tanto Maninho quanto o Tenente Rodrigues flexionavam as mãos para livrarem-se da dormência. Emanuel apenas observava-os, buscando capturar o estado de espírito daqueles homens. Buscando compreender qual seria o melhor momento para seu golpe final – Agora são duas e cinquenta e cinco da manhã. A nossa Favela esta praticamente dormindo. Fora os teus Camaradas, sempre atentos, sempre prontos para vender mais um pouco de morte. Mas nós demos um jeito neles também - sorri novamente - Não, Maninho. Não morreram e nem vão morrer. Não vai haver mortes de canalhas nesta noite. Apenas Sacrifícios. Sagrados.e puros. Para levar nossa mensagem aos homens e a Deus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Um calafrio percorreu a espinha de Maninho – Do que você tá falando, seu maluco? Que porra de sacrifício é esse? - olhou para o Tenente e viu lágrimas brotarem nos seu olhos – Você sabe? Você tá entendendo esse doido?  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;   - Ele sabe sim. Ou supõe. Foi pego dentro de sua própria casa. Aguardou por lá, enquanto eram feitos os preparativos. Enfim, viu tudo. Entendeu a trama – Emanuel andou em direção aos dois homens e jogou-lhes sobre o colo um álbum de fotos para cada um. O Tenente Rodrigues apenas chorava. Mesmo com a mão solta, não se preocupava em tirar sua mordaça e nem segurar o álbum com as fotos. Já entendera tudo, já percebera o desfecho da história. E não tinha forças sequer para protestar. Ou gritar por socorro – As três horas da manhã nossos dispositivos vão disparar. O fogo vai se alastrar rapidamente. Não sobrará muito para ser visto depois. De uma boa olhada nas fotos, Maninho. São as últimas imagens de sua família viva. Porque em cinco minutos, ela vai queimar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Os olhos de Maninho arregalaram-se em desespero -  Minha família – e foi folheando as fotos de seu álbum. O pequeno Lucas, sua esposa, sua mãe e até o seu irmão mais novo, Jonas. Todos ali, amordaçados e amarrados juntos a galões de gasolina – Meu Deus, Emanuel! Não faz isso caralho. Me mata, mas não faz isso porra! Não mata eles não... eles não te fizeram nada. Fui eu, fui eu .. Eu, meus camaradas, os policiais... Minha família não...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Emanuel e Alfredo dão as costas aos homens e se encaminham para a porta. Antes de sair, porém, Emanuel volta-se para Maninho e Rodrigues – Neste mesmo horário, a favela pegará fogo. O incêndio será feroz, voraz em demasia. Mas só as crianças, velhos e mulheres estarão nos barracos. Nossos companheiros já removeram os homens adultos – sorri, ao ver os olhos de Maninho cheios de lágrimas, em desespero e até incredulidade - Isso, Maninho. Somos em muitos. Quarenta pessoas que simplesmente cansaram-se e... entenderam que só a imolação  pode reparar o mundo. Só quando cada Homem, culpado por omissão ou crueldade, perceber o quanto dói a vida. E entender que é preciso acabar com a bestialidade – Emanuel confere seu relógio. Em um minuto, começaria o Inferno na Terra. Em um minuto, estaria ele próprio condenado a danação eterna. Mas não havia outra forma. Não via como tocar o coração daqueles homens se não fosse assim, com a própria crueldade com que traçaram suas vidas – Minha família também está lá. Meus outros dois filhos, minha esposa – nem se preocupou em deter uma lágrima que deslizou por sua face – As TV s e Jornais vão receber a matéria, assim  que estiver consumado o sacrifício. Saberão também onde encontrar vocês dois. Saberão também o porque de tanta dor em uma só noite. E também saberão em que Igreja me encontrar, juntos aos meus novos companheiros, prontos para um tiroteio final. Um último confronto entre “mal” e o “mal”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  Os dois homens saem e fecham a porta da casa em construção, deixando para trás o pranto dos vencidos  Maninho e Rodrigues. Emanuel contempla o horizonte avermelhado. Há poucos quilômetros dali, as chamas lambem as madeiras dos barracos. Emanuel faz o sinal da cruz. Porém, não pediria perdão. Não havia perdão para o que acabará de fazer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/santa-imolacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>11</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-6437984984684702318</guid><pubDate>Sat, 25 Jul 2009 13:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-25T10:00:04.459-03:00</atom:updated><title>O Coração Delator - Poe</title><description>Saudações pessoal! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma semana se passou, e como estou de férias, parece que ela passou rápido demais...enfim, esta semana vou postar um conto de outro mestre do gênero, também de domínio público, espero que gostem. Vou sempre mesclar aqui contos de autores com contos pessoais, acho que fica interessante. Sendo assim, boa leitura e até semana que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[]s&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.E.I.&#39;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===============================================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração delator&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edgar Allan Poe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade! Nervoso, muito, muito nervoso mesmo eu estive e estou; mas por que você vai dizer que estou louco? A doença exacerbou meus sentidos, não os destruiu, não os embotou. Mais que os outros estava aguçado o sentido da audição. Ouvi todas as coisas no céu e na terra. Ouvi muitas coisas no inferno. Como então posso estar louco? Preste atenção! E observe com que sanidade, com que calma, posso lhe contar toda a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível saber como a idéia penetrou pela primeira vez no meu cérebro, mas, uma vez concebida, ela me atormentou dia e noite. Objetivo não havia. Paixão não havia. Eu gostava do velho. Ele nunca me fez mal. Ele nunca me insultou. Seu ouro eu não desejava. Acho que era seu olho! É, era isso! Um de seus olhos parecia o de um abutre - um olho azul claro coberto por um véu. Sempre que caía sobre mim o meu sangue gelava, e então pouco a pouco, bem devagar, tomei a decisão de tirar a vida do velho, e com isso me livrar do olho, para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora esse é o ponto. O senhor acha que sou louco. Homens loucos de nada sabem. Mas deveria ter-me visto. Deveria ter visto com que sensatez eu agi — com que precaução —, com que prudência, com que dissimulação, pus mãos à obra! Nunca fui tão gentil com o velho como durante toda a semana antes de matá-lo. E todas as noites, por volta de meia-noite, eu girava o trinco da sua porta e a abria, ah, com tanta delicadeza! E então, quando tinha conseguido uma abertura suficiente para minha cabeça, punha lá dentro uma lanterna furta-fogo bem fechada, fechada para que nenhuma luz brilhasse, e então eu passava a cabeça. Ah! o senhor teria rido se visse com que habilidade eu a passava. Eu a movia devagar, muito, muito devagar, para não perturbar o sono do velho. Levava uma hora para passar a cabeça toda pela abertura, o mais à frente possível, para que pudesse vê-lo deitado em sua cama. Aha! Teria um louco sido assim tão esperto? E então, quando minha cabeça estava bem dentro do quarto, eu abria a lanterna com cuidado — ah!, com tanto cuidado! —, com cuidado (porque a dobradiça rangia), eu a abria só o suficiente para que um raiozinho fino de luz caísse sobre o olho do abutre. E fiz isso por sete longas noites, todas as noites à meia-noite em ponto, mas eu sempre encontrava o olho fechado, e então era impossível fazer o trabalho, porque não era o velho que me exasperava, e sim seu Olho Maligno. E todas as manhãs, quando o dia raiava, eu entrava corajosamente no quarto e falava Com ele cheio de coragem, chamando-o pelo nome em tom cordial e perguntando como tinha passado a noite. Então, o senhor vê que ele teria que ter sido, na verdade, um velho muito astuto, para suspeitar que todas as noites, à meia-noite em ponto, eu o observava enquanto dormia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na oitava noite, eu tomei um cuidado ainda maior ao abrir a porta. O ponteiro de minutos de um relógio se move mais depressa do que então a minha mão. Nunca antes daquela noite eu sentira a extensão de meus próprios poderes, de minha sagacidade. Eu mal conseguia conter meu sentimento de triunfo. Pensar que lá estava eu, abrindo pouco a pouco a porta, e ele sequer suspeitava de meus atos ou pensamentos secretos. Cheguei a rir com essa idéia, e ele talvez tenha ouvido, porque de repente se mexeu na cama como num sobressalto. Agora o senhor pode pensar que eu recuei — mas não. Seu quarto estava preto como breu com aquela escuridão espessa (porque as venezianas estavam bem fechadas, de medo de ladrões) e então eu soube que ele não poderia ver a porta sendo aberta e continuei a empurrá-la mais, e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha cabeça estava dentro e eu quase abrindo a lanterna quando meu polegar deslizou sobre a lingüeta de metal e o velho deu um pulo na cama, gritando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quem está aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei imóvel e em silêncio. Por uma hora inteira não movi um músculo, e durante esse tempo não o ouvi se deitar. Ele continuava sentado na cama, ouvindo bem como eu havia feito noite após noite prestando atenção aos relógios fúnebres na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante, ouvi um leve gemido, e eu soube que era o gemido do terror mortal. Não era um gemido de dor ou de tristeza — ah, não! era o som fraco e abafado que sobe do fundo da alma quando sobrecarregada de terror. Eu conhecia bem aquele som. Muitas noites, à meia-noite em ponto, ele brotara de meu próprio peito, aprofundando, com seu eco pavoroso, os terrores que me perturbavam. Digo que os conhecia bem. Eu sabia o que sentia o velho e me apiedava dele embora risse por dentro. Eu sabia que ele estivera desperto, desde o primeiro barulhinho, quando se virara na cama. Seus medos foram desde então crescendo dentro dele. Ele estivera tentando fazer de conta que eram infundados, mas não conseguira. Dissera consigo mesmo: &quot;Isto não passa do vento na chaminé; é apenas um camundongo andando pelo chão&quot;, ou &quot;É só um grilo cricrilando um pouco&quot;. É, ele estivera tentando confortar-se com tais suposições; mas descobrira ser tudo em vão. Tudo em vão, porque a Morte ao se aproximar o atacara de frente com sua sombra negra e com ela envolvera a vítima. E a fúnebre influência da despercebida sombra fizera com que sentisse, ainda que não visse ou ouvisse, sentisse a presença da minha cabeça dentro do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já havia esperado por muito tempo e com muita paciência sem ouvi-lo se deitar, decidi abrir uma fenda — uma fenda muito, muito pequena na lanterna. Então eu a abri — o senhor não pode imaginar com que gestos furtivos, tão furtivos — até que afinal um único raio pálido como o fio da aranha brotou da fenda e caiu sobre o olho do abutre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava aberto, muito, muito aberto, e fui ficando furioso enquanto o fitava. Eu o vi com perfeita clareza - todo de um azul fosco e coberto por um véu medonho que enregelou até a medula dos meus ossos, mas era tudo o que eu podia ver do rosto ou do corpo do velho, pois dirigira o raio, como por instinto, exatamente para o ponto maldito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, eu não lhe disse que aquilo que o senhor tomou por loucura não passava de hiperagudeza dos sentidos? Agora, repito, chegou a meus ouvidos um ruído baixo, surdo e rápido, algo como faz um relógio quando envolto em algodão. Eu também conhecia bem aquele som. Eram as batidas do coração do velho. Aquilo aumentou a minha fúria, como o bater do tambor instiga a coragem do soldado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo então eu me contive e continuei imóvel. Quase não respirava. Segurava imóvel a lanterna. Tentei ao máximo possível manter o raio sobre o olho. Enquanto isso, aumentava o diabólico tamborilar do coração. Ficava a cada instante mais e mais rápido, mais e mais alto. O terror do velho deve ter sido extremo. Ficava mais alto, estou dizendo, mais alto a cada instante! — está me entendendo? Eu lhe disse que estou nervoso: estou mesmo. E agora, altas horas da noite, em meio ao silêncio pavoroso dessa casa velha, um ruído tão estranho quanto esse me levou ao terror incontrolável. Ainda assim por mais alguns minutos me contive e continuei imóvel. Mas as batidas ficaram mais altas, mais altas! Achei que o coração iria explodir. E agora uma nova ansiedade tomava conta de mim — o som seria ouvido por um vizinho! Chegara a hora do velho! Com um berro, abri por completo a lanterna e saltei para dentro do quarto. Ele deu um grito agudo — um só. Num instante, arrastei-o para o chão e derrubei sobre ele a cama pesada. Então sorri contente, ao ver meu ato tão adiantado. Mas por muitos minutos o coração bateu com um som amortecido. Aquilo, entretanto, não me exasperou; não seria ouvido através da parede. Por fim, cessou. O velho estava morto. Afastei a cama e examinei o cadáver. É, estava morto, bem morto. Pus a mão sobre seu coração e a mantive ali por muitos minutos. Não havia pulsação. Ele estava bem morto. Seu olho não me perturbaria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ainda me acha louco, não mais pensará assim quando eu descrever as sensatas precauções que tomei para ocultar o corpo. A noite avançava, e trabalhei depressa, mas em silêncio. Antes de tudo desmembrei o cadáver. Separei a cabeça, os braços e as pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranquei três tábuas do assoalho do quarto e depositei tudo entre as vigas. Recoloquei então as pranchas com tanta habilidade e astúcia que nenhum olho humano — nem mesmo o dele — poderia detectar algo de errado. Nada havia a ser lavado — nenhuma mancha de qualquer tipo — nenhuma marca de sangue. Eu fora muito cauteloso. Uma tina absorvera tudo - ha! ha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminei todo aquele trabalho, eram quatro horas — ainda tão escuro quanto à meia-noite.&lt;br /&gt;Quando o sino deu as horas, houve uma batida à porta da rua. Desci para abrir com o coração leve — pois o que tinha agora a temer? Entraram três homens, que se apresentaram, com perfeita suavidade, como oficiais de polícia. Um grito fora ouvido por um vizinho durante a noite; suspeitas de traição haviam sido levantadas; uma queixa fora apresentada à delegacia e eles (os policiais) haviam sido encarregados de examinar o local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri — pois o que tinha a temer? Dei as boas-vindas aos senhores. O grito, disse, fora meu, num sonho. O velho, mencionei, estava fora, no campo. Acompanhei minhas visitas por toda a casa. Incentivei-os a procurar — procurar bem. Levei-os, por fim, ao quarto dele. Mostrei-lhes seus tesouros, seguro, imperturbável. No entusiasmo de minha confiança, levei cadeiras para o quarto e convidei-os para ali descansarem de seus afazeres, enquanto eu mesmo, na louca audácia de um triunfo perfeito, instalei minha própria cadeira exatamente no ponto sob o qual repousava o cadáver da vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os oficiais estavam satisfeitos. Meus modos os haviam convencido. Eu estava bastante à vontade. Sentaram-se e, enquanto eu respondia animado, falaram de coisas familiares. Mas, pouco depois, senti que empalidecia e desejei que se fossem. Minha cabeça doía e me parecia sentir um zumbido nos ouvidos; mas eles continuavam sentados e continuavam a falar. O zumbido ficou mais claro — continuava e ficava mais claro: falei com mais vivacidade para me livrar da sensação: mas ela continuou e se instalou — até que, afinal, descobri que o barulho não estava dentro de meus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida agora fiquei muito pálido; mas falei com mais fluência, e em voz mais alta. Mas o som crescia - e o que eu podia fazer? Era um som baixo, surdo, rápido — muito parecido com o som que faz um relógio quando envolto em algodão. Arfei em busca de ar, e os policiais ainda não o ouviam. Falei mais depressa, com mais intensidade, mas o barulho continuava a crescer. Levantei-me e discuti sobre ninharias, num tom alto e gesticulando com ênfase; mas o barulho continuava a crescer. Por que eles não podiam ir embora? Andei de um lado para outro a passos largos e pesados, como se me enfurecessem as observações dos homens, mas o barulho continuava a crescer. Ai meu Deus! O que eu poderia fazer? Espumei — vociferei — xinguei! Sacudi a cadeira na qual estivera sentado e arrastei-a pelas tábuas, mas o barulho abafava tudo e continuava a crescer. Ficou mais alto — mais alto — mais alto! E os homens ainda conversavam animadamente, e sorriam. Seria possível que não ouvissem? Deus Todo-Poderoso! — não, não? Eles ouviam! — eles suspeitavam! — eles sabiam! - Eles estavam zombando do meu horror! — Assim pensei e assim penso. Mas qualquer coisa seria melhor do que essa agonia! Qualquer coisa seria mais tolerável do que esse escárnio. Eu não poderia suportar por mais tempo aqueles sorrisos hipócritas! Senti que precisava gritar ou morrer! — e agora — de novo — ouça! mais alto! mais alto! mais alto! mais alto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Miseráveis! — berrei — Não disfarcem mais! Admito o que fiz! levantem as pranchas! — aqui, aqui! — são as batidas do horrendo coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===============================================================</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/o-coracao-delator-poe.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-880557413948531547</guid><pubDate>Fri, 24 Jul 2009 08:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-15T09:18:50.904-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">assassino</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">canibalismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">coração</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">criança</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">maníaco</category><title>As preocupações de Dona Marilza</title><description>&lt;style type=&quot;text/css&quot;&gt;  &lt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;  &lt;/style&gt; &lt;p class=&quot;western&quot; style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;  &lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; - O mundo está perdido mesmo – pensou Dona Marilza ao terminar de ler uma das notícias de capa do jornal, dando conta de mais um horrível crime do Maníaco do Coração – Acham que é algum ritual satânico...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt; Mas hoje ela não tinha tempo para refletir muito sobre essas maluquices. Tampouco,  tinha a compreensão da mente humana para as crueldades. Como era possível conceber uma pessoa que matava o semelhante para devorar-lhe o coração? E ainda mais, matava crianças? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt; Nos seus tempos de juventude também houveram pessoas más. O Bandido da Luz Vermelha, o Chico Picadinho e outros tantos que não tinham piedade nenhuma - Pessoas sem alma! - que aterrorizavam o imaginário coletivo. Mas eram notícia de página inteira. E por meses. Hoje em dia, um crápula deste era só mais uma entre tantas outras notícias ruins estampadas ali. Um pouquinho mais de destaque talvez, por ser a oitava vítima – Quase três por mês – fez as contas e arrematou– Só pode ser essa porcaria da droga!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Ainda deu uma olhada na foto da menina, estirada numa clareira de um matagal qualquer, com o peito completamente aberto – O Toninho precisa parar de comprar estes jornais. Como publicam uma foto dessas? Não pensam na família da pobre  criança?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt; Mas Dona Marilza tinha outras preocupações agora. Precisava terminar a encomenda de salgados para a festa da Dona Cleide até as 18:00 horas, para que o Toninho pudesse entregá-los e receber a outra metade do pagamento. Depois da aposentadoria de seu marido há dez anos, por conta de um infarto, essa sua atividade de salgadeira já representava a maior fatia da renda familiar. Sem ela, a vida seria bem difícil. E não perderia uma cliente por ficar de tagarelice com os seus próprios pensamentos. Em todos os anos de encomendas aceitas, nunca perdera a hora de uma só festa. Não seria hoje que isso aconteceria – Ainda mais com a Cleide, que é tão amiga! Ah, mas não vou perder a hora mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt; Porém sabia que trabalharia com o coraçãozinho apertado, por ver a menina toda ensanguentada – Pobrezinha... deve ter sofrido muito na mão desse animal! - Mesmo que o jornal dissesse que nenhuma das vítimas havia sido abusada sexualmente ou torturada. O Maníaco  somente as matava. Um única e precisa facada no peito. E depois, abria o tórax da vítima e arrancava-lhe o coração – Dizem, que pra comê-lo à dentadas – e se horrorizou ao visualizar em sua mente a imagem de um homem medonho, endemoniado mesmo, mastigando os corações das crianças.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Assim, Dona Marilza foi passando sua tarde. Entre um pensamento e outro, sobre os crimes que lhe afligiam, e o empanar de suas coxinhas de frango. Perto das 17 horas, começou a fritar os 300 quitutes e armazená-los no forno pré-aquecido – Quando meu marido Toninho entregá-los, ainda estarão quentinhos – raciocinou com satisfação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt; Mesmo com tudo correndo bem e de acordo com o planejado, não conseguia livrar-se daquela maldita notícia – Quantos anos teria aquela pobre menina? Doze, Onze anos? - parecia-lhe tão jovem e bonita. A pele clara, cabelos loiros e compridos, uma franjinha delicada... E de repente, vinha aos seus pensamentos sua neta Talita – Meu Deus, proteja minha menina!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;A semelhança entre as vítimas e sua neta ficava mais evidente a cada novo ataque. Era como se o assassino fosse aprimorando a arte de escolher suas vítimas, buscando enfim a beleza de sua neta como objetivo final. E isso dava arrepios em Dona Marilza – Que bobagem, mulher! - tinha dito Toninho ao ouvir suas observações  – Ele ataca meninas. Brancas e loiras. E só nisso se parecem com a nossa Talita. E ponto! - Mas não adiantava-lhe em nada ouvir as palavras do marido. Sentia a aflição subir-lhe pela garganta, estreitando os caminhos do ar. Cada nova criança morta, mais semelhanças com Talita ela via. E temia pelo dia em que abrisse o jornal e lá estivesse a neta, estirada no matagal – Ai Meu Deus, não permita que esse monstro toque nela!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Os salgados estavam fritos enfim. E ainda tinha uns vinte minutos de folga. O que era bom, para poder tomar um café com o Toninho. Mas não tão bom para as coxinhas, que poderiam perder a aparência de frescor, se ficassem muito tempo presas na embalagem recoberta por papel alumínio, sem respirarem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Mesmo assim, pôs duas xícaras à mesa, encheu-as de café e leite e chamou – Toninho! Vem tomar um café antes de fazer a entrega da Dona Cleide – e Seu Toninho atendeu rapidamente ao chamado de sua mulher, porque junto com esse cafezinho, com certeza teria um prato de salgados para beliscarem. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Ao se aproximar da mesa, os olhos de Toninho brilharam, admirando os quibes,  bolinhos de carne,  coxinhas de frango e bolinhas de queijo. Tudo quentinho, só para os dois. Deu um sorriso – Sabe mulher, se não fosse por estes teus mimos antes das entregas, juro que eu arranjava outro emprego. O salário que me pagas é péssimo – e soltou sua gargalhada mais estridente – mas a marmita.... hum, compensa toda tua muquiranice!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Dona Marilza deu-lhe um leve tapa no ombro e mandou-o sentar-se. Ao que obedeceu prontamente, já passando a mão num bolinho de carne e dando-lhe uma boa mordida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt; - Sabe Toninho... eu queria pedir para você não comprar mais esse jornal horrível. Nenhum jornal... Ou que não os deixe  aqui em casa, ao menos. Leia e depois largue-os lá no carro. Não quero mais ver notícias sobre aquele homem... você sabe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Seu Toninho solta um suspiro paciente. Por dez longos anos, a mulher sempre voltava a esse assunto. E Toninho sentia os olhos arderem-lhe, sempre que acontecia esta conversa insólita. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Balançando a cabeça, desenha no ar um sim silencioso. Resignado, pega seu jornal de esportes, que trazia na primeira página fotos dos heróis da última rodada do Brasileirão, dobra-o ao meio e enfia-o no bolso de trás das calças.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Queria poder abraça-la, dizer “esta tudo bem, Marilza. Já passou, já foi”. Mas como,  se para Marilza, a qualquer instante Talita entraria por aquela porta, com seu sorriso aberto e gritando? – Vó, vó, olha só que eu fiz na escola pra senhora – E pularia num abraço apertado em Toninho e na avó. E então dariam-lhe  os salgadinhos e brigadeiros de que tanto ela gostava, enquanto olhariam os desenhos feitos para ela.  &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt; – A nossa Talita... - deixou escapar num murmúrio – de quem aquele maníaco tirou a vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;- Não Toninho! Não diga uma bobagem dessa! Nem por brincadeira... – Dona Marilza cobre a o rosto com as mãos em concha – Eu sei que ele quer isso, ele quer Talita. Eu vejo nas fotos. São tão parecidas, meu Deus... Mas Deus é mais forte. Não vai deixar isso acontecer. Não vai acontecer... Nunca mais diga isso Toninho – e o choro miúdo de Marilza surpreende o silêncio da cozinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Toninho faz um carinho nos cabelos desgrenhados da esposa – Me desculpe, mulher. Não devia ter dito. Me perdoe. Vamos deixar pra lá. Deus é mais forte mesmo. E Ele cuidará de nossa menina – Fecha os dedos, entrelaçados aos cabelos de Marilza, num aperto, enquanto cerra os olhos, expulsando a força suas lágrima. Tão doídas quanto as que deixara cair ao reconhecer o corpo de sua neta, dez anos atrás. Uma linda menina de 11 anos, de pele branquinha, cabelos dourados e brilhantes, deitada no mármore do Instituto Médico Legal. Não havia mais sorriso em seus lábios, não havia mais cores em seu rosto. Apenas um buraco em seu peito, por onde a vida se esvaíra. E uma menção nos jornais de que a nona vítima do Maníaco fora encontrada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Um assassino bestial, que arrancava mais que o coração de suas vítimas: arrancava do mundo a alegria, a esperança e a fé; nos homens e em Deus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;O peito de Toninho arde, como naquele dia distante. Porém, desta vez não podia infartar. Tinha que cuidar de Dona Marilza. Tinha que entregar os salgadinhos na casa de Dona Cleide.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;western&quot;  style=&quot;margin-bottom: 0cm; font-weight: normal;font-family:georgia;&quot; align=&quot;JUSTIFY&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/as-preocupacoes-de-dona-marilza.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-774055628887630256</guid><pubDate>Sat, 18 Jul 2009 05:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-18T02:58:12.688-03:00</atom:updated><title>A  Fera na Caverna</title><description>Pessoal, hoje posto um conto de um autor que eu havia citado na minha primeira coluna. Este conto, H.P. Lovecraft, escreveu quando tinha entre 15 e 20 anos (a data de nascmento dele é imprecisa), representa uma das vertentes dele e se aplica muito bem ao tema de nosso blog, sendo um dos seus melhores trabalhos, ainda que precoce. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.&#39;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;============================     ***     ============================== &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A FERA NA CAVERNA - H.P. Lovecraft&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão terrível que vinha se impondo gradualmente sobre minha mente confusa e relutante era agora uma certeza aterradora. Eu estava perdido, completa e desesperadamente perdido nas vastas e labirínticas reentrâncias da Caverna Mamute. A situação se apresentava de tal forma que, por mais que forçasse a visão, em nenhuma direção era possível distinguir qualquer objeto capaz de servir como um ponto de referência que me colocasse no caminho da rua. Que eu nunca mais contemplaria a luz abençoada do dia nem correria os olhos pelos montes e vales aprazíveis do belo mundo exterior minha razão não podia mais alimentar a menor descrença. A esperança havia partido. Entretanto, doutrinado como fui por uma vida de estudos filosóficos, não deixei de sentir uma grande satisfação com minha conduta desapaixonada; pois apesar de ter lido freqüentemente sobre os frenesis desvairados a que as pessoas vítimas de situações similares se entregam, não senti nada disso, e fiquei calmo tão logo percebi claramente que havia perdido o senso de orientação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tampouco o pensamento de que provavelmente teria me afastado além dos limites máximos de uma busca comum fez com que abandonasse minha postura sequer por um instante. Se devo morrer, refleti, essa caverna terrível e majestosa será tão bem-vinda como uma sepultura quanto a que qualquer cemitério de igreja poderia me proporcionar, uma idéia que trazia consigo mais tranqüilidade do que desespero.&lt;br /&gt;A fome seria meu destino final, disso eu tinha certeza. Alguns, eu sabia, tinham enlouquecido numa circunstância como essa, mas eu sentia que aquele não seria o meu fim. O desastre que vivia era resultado de minha inteira responsabilidade, já que, sem avisar o guia, havia me separado do grupo ordeiro de visitantes; e, perambulando por mais de uma hora em caminhos proibidos da caverna, vi-me incapaz de retornar pelas curvas tortuosas que havia seguido desde que abandonara meus companheiros.&lt;br /&gt;A tocha já começava a apagar-se; logo eu seria coberto pela escuridão total e quase palpável das entranhas da terra. Parado na luz instável e decrescente, refleti em vão sobre as circunstâncias exatas do fim que se aproximava. Lembrei dos relatos que ouvira da colônia de tuberculosos que passara a morar nessa gruta gigantesca buscando curar-se com a atmosfera aparentemente sadia do mundo subterrâneo, com sua temperatura estável e uniforme, seu ar puro e ambiente sossegado, mas que haviam encontrado em vez disso uma morte estranha e horripilante. Eu vira os escombros tristes das suas cabanas malconstruídas quando passara por elas com o grupo e tinha me perguntado que influência antinatural uma longa estada nessa caverna imensa e silenciosa exerceria sobre um homem saudável e vigoroso como eu. Pois chegara a oportunidade de tirar essa dúvida, afirmei severamente, desde que a falta de alimento não acarretasse uma partida muito rápida dessa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os últimos raios intermitentes da tocha desapareceram aos poucos até a obscuridade, decidi que não deixaria uma pedra sem revirá-la e nenhum meio possível de saída seria negligenciado. Assim sendo, reunindo toda a capacidade dos meus pulmões, dei uma série de gritos na esperança vã de chamar a atenção do guia com meu clamor. Enquanto chamava, entretanto, tinha certeza de que as súplicas não tinham efeito algum e que minha voz aumentada e refletida pelas inumeráveis plataformas do labirinto escuro à minha volta não chegavam a nenhum ouvido a não ser os meus.&lt;br /&gt;De repente, no entanto, parei para prestar atenção quando imaginei ter ouvido o som suave de passos que se aproximavam no chão rochoso da caverna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha libertação seria conseguida tão cedo? Todas as apreensões terríveis então haviam sido por nada e o guia teria notado a minha ausência desautorizada e seguido o meu curso procurando-me nesse labirinto de calcário? Enquanto essas indagações felizes surgiam no meu cérebro, eu estava prestes a renovar meus gritos a fim de que me descobrissem de uma vez, quando num instante minha alegria transformou-se em horror. Minha audição, que sempre fora sensível e que agora estava mais aguçada ainda com o silêncio completo da caverna, transmitiu para minha compreensão entorpecida a consciência inesperada e terrível de que aqueles passos não eram como os de qualquer homem mortal. No silêncio fantasmagórico dessa região subterrânea, o caminhar do guia calçando botas teria soado como uma série de batidas secas e incisivas. Os impactos eram suaves e furtivos, como os das patas de algum felino. Além disso, quando prestei bastante atenção, eu parecia acompanhar as batidas de quatro pés em vez de dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava convencido agora que tinha provocado e atraído alguma fera selvagem com meus próprios gritos, talvez um leão das montanhas que se perdera acidentalmente dentro da caverna. Talvez, considerei, o Todo-Poderoso tenha escolhido para mim uma morte mais rápida e misericordiosa do que a da fome; o instinto de autopreservação, entretanto, que nunca estivera completamente adormecido, foi incitado em meu peito e, embora a fuga do perigo iminente pudesse apenas me poupar de um fim mais sombrio e prolongado, decidi-me mesmo assim a vender a vida o mais caro possível. Por mais estranho que possa parecer, minha mente não concebeu outra intenção por parte do visitante a não ser a hostilidade. Dessa maneira, não fiz ruído algum, na esperança de que a fera desconhecida perdesse seu senso de direção na ausência de um som que a guiasse como ocorrera comigo e, assim, passasse ao largo. Mas essa esperança não estava destinada a se concretizar, pois os passos estranhos avançavam firmes. Tendo evidentemente sentido meu cheiro, o animal poderia sem dúvida segui-lo a uma grande distância, algo factível numa atmosfera como a de uma caverna tão absolutamente livre de todas as influências que pudessem distraí-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo, portanto, que eu tinha de estar armado para defender-me contra um ataque sinistro e oculto no escuro, tateei em meu redor em busca de fragmentos maiores de rochas que estavam espalhados por todas as partes do chão da caverna, e, pegando uma em cada mão para usá-las naquele momento, esperei com resignação pelo resultado inevitável. Enquanto isso o ruído hediondo das patas se aproximava. O comportamento da criatura era certamente muito estranho. A maior parte do tempo os passos pareciam ser de um quadrúpede, caminhando singularmente sem um ruído uníssono entre as patas traseiras e dianteiras, entretanto, em intervalos breves e esporádicos, eu imaginava que apenas duas patas estavam envolvidas no processo de locomoção. Fiquei a me perguntar que espécie de animal iria confrontar-me; ele devia ser alguma fera azarada que pagara por sua curiosidade de investigar uma das entradas da gruta temível com um confinamento perpétuo nessas reentrâncias intermináveis. Sem dúvida ela obtinha como alimento o peixe sem olhos, os morcegos e os ratos da caverna, assim como alguns dos peixes comuns que são levados pelas cheias do Rio Grande, que se comunica de alguma maneira oculta com as águas da caverna. Eu ocupava minha vigília terrível com conjecturas grotescas sobre quais alterações a vida na caverna havia provocado na estrutura física da fera, lembrando das aparências pavorosas atribuídas pela tradição local aos tuberculosos que tinham morrido após uma longa permanência nela. Então lembrei subitamente que, mesmo tendo sucesso em abater meu antagonista, eu nunca contemplaria a sua forma, pois minha tocha há muito apagara e eu estava completamente desprovido de fósforos. A tensão no meu cérebro agora era espantosa. Minha fantasia desordenada evocava formas hediondas e temíveis na escuridão sinistra que me envolvia e que na realidade parecia fazer pressão sobre meu corpo. Então os passos medonhos começaram a se aproximar cada vez mais. Achei que deixaria escapar um grito estridente, mas mesmo que fosse suficientemente indeciso para tentar algo do gênero, minha voz mal responderia, pois estava petrificado e preso ao chão. Eu duvidava se o braço direito me deixaria arremessar um projétil quando chegasse o momento crucial. Nesse instante o pat, pat regular dos passos se aproximava e agora estava muito próximo. Eu podia ouvir a respiração cansada do animal, e, aterrorizado como estava, percebi que ele tinha de vir de uma distância considerável, já que estava similarmente fatigado. De repente o feitiço foi quebrado. A mão direita, guiada pela minha audição sempre confiável, jogou com força total a pedra afiada de calcário na direção do ponto no escuro de onde emanavam a respiração e os passos; e, para meu deleite narrativo, quase acertou o alvo, pois ouvi a criatura pulando e pousando um pouco distante, onde pareceu fazer uma pausa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo reajustado a mira, lancei o segundo projétil e dessa vez mais eficazmente, pois ouvi tomado de alegria quando a criatura desabou no que parecia ser um colapso completo, e evidentemente permaneceu imóvel no chão. Quase dominado pelo alívio enorme que sentia, cambaleei de costas até a parede, mas a respiração dela continuava em inspirações e expirações pesadas e ofegantes, então percebi que só a tinha ferido. E agora todo o desejo de examinar a criatura passara. Por fim algo associado a um medo infundado e supersticioso entrou em meu cérebro, e não me aproximei do corpo, tampouco continuei a jogar pedras nele a fim de completar o extermínio da sua vida. Em vez disso, corri o mais rápido que pude na direção de onde viera, ou na direção mais próxima disso que conseguia estimar na condição enlouquecida que me encontrava. Subitamente ouvi um barulho, ou melhor, uma seqüência regular de barulhos. No instante seguinte tinham se limitado a uma série de estalos secos e metálicos. Dessa vez não havia dúvida. Era o guia. E então eu chamei, gritei, berrei, até guinchei de alegria quando contemplei nos arcos em abóbada da caverna o brilho débil e bruxuleante que eu sabia ser a luz refletida de uma tocha que se aproximava. Corri para encontrar o clarão e, antes que pudesse compreender realmente o que tinha ocorrido, já estava deitado no chão aos pés do guia, abraçado nas suas botas e tagarelando inarticuladamente do jeito mais idiota e sem sentido, despejando minha história terrível e ao mesmo tempo cobrindo-o com declarações de gratidão, apesar de orgulhar-me de minha reserva. Por fim, acordei para algo próximo de minha consciência normal. O guia havia observado minha ausência com a chegada do grupo na entrada da caverna e a partir do seu próprio sentido intuitivo de direção passara a investigar minuciosamente os desvios logo à frente de onde ele havia falado comigo pela última vez, localizando meu paradeiro após uma busca de em torno de quatro horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que ouvi esse relato, senti-me encorajado com a luz e a companhia e comecei a refletir sobre a estranha fera que tinha ferido bem próximo dali no escuro. Sugeri que verificássemos, com a ajuda das tochas, que tipo de criatura fora minha vítima. Então voltei sobre meus passos, dessa vez com a coragem nascida da companhia, para a cena da minha experiência terrível. Logo divisamos um objeto branco sobre o chão, um objeto mais branco do que o próprio calcário reluzente. Avançando com cuidado, soltamos uma exclamação simultânea de espanto, pois de todos os monstros esquisitos que qualquer um de nós vira em vida, esse possuía um grau incomparável de estranheza. Parecia ser um macaco antropóide de grandes proporções, fugido talvez de algum show de feras itinerante. Seu cabelo era branco como a neve, algo sem dúvida devido à ação descorante de uma longa estadia no breu do confinamento de uma caverna, mas era também surpreendentemente magro, em grande parte sem pêlos, a não ser na cabeça, onde era de um comprimento e profusão que caía sobre os ombros com uma abundância considerável. O rosto estava voltado para o outro lado, visto que a criatura deitava quase diretamente sobre ele. A curva dos membros era bastante singular, o que explicava, entretanto, a alternação no seu uso que eu observara antes, e através da qual a fera usava algumas vezes todas as quatro patas para progredir e em outras ocasiões apenas duas. Das pontas dos dedos das patas, estendiam-se longas garras como as de uma ratazana. As patas não eram preênseis, fato que atribuí à longa permanência na caverna que, como havia mencionado antes, parecia evidente pela brancura impregnada e quase fantasmagórica tão característica de toda sua anatomia. Ele parecia não ter rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respiração agora tornara-se bastante fraca, e o guia puxou a pistola com a intenção evidente de eliminar a criatura, quando um som repentino emitido por ela fez com que a arma caísse no chão sem ser usada. O som era de uma natureza difícil de se descrever. Não era como o timbre normal de qualquer espécie de símio conhecida, e me pergunto se essa qualidade antinatural não era resultado de um silêncio longo, continuado e absoluto, quebrado pelas sensações produzidas pela chegada da luz, algo que a fera não podia ter visto desde a sua primeira entrada na caverna. O som, que eu poderia tentar descrever como sendo um tagarelar inarticulado, seguia cada vez mais fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, de uma hora para outra, um espasmo fugidio de energia pareceu trespassar a carcaça da fera. As patas se mexeram convulsivamente e os membros se contraíram. Com um movimento reflexo, o corpo branco rolou para o lado de maneira que o rosto voltou-se para nossa direção. Por um momento fiquei tão aterrorizado com os olhos que se revelavam que não observei nada mais. Eles eram escuros, aqueles olhos, de um âmbar-negro, num contraste terrível com o cabelo e a pele cor de neve. Assim como os olhos de outros moradores das cavernas, eles eram afundados nas suas órbitas e inteiramente destituídos da íris. Quando olhei mais proximamente, vi que faziam parte de um rosto menos prógnato do que o de um macaco médio e infinitamente menos peludo. O nariz era bem-definido. Enquanto olhávamos pasmos para o quadro fantástico diante da nossa visão, os lábios grossos abriram-se e vários sons foram emitidos deles, após o que a criatura relaxou na morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guia agarrou a manga do meu casaco e tremia tão violentamente que a luz sacudia em espasmos, jogando sombras estranhas e rápidas sobre as paredes. Não fiz movimento algum e fiquei rigidamente parado com os olhos horrorizados fixos sobre o chão à minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo deixou-me, e o assombro, a surpresa, a compaixão e o respeito sucederam-se no seu lugar, pois os sons emitidos por aquela figura ferida e agora estendida sobre o calcário nos contou a verdade aterradora. A criatura que eu matara, a fera estranha da caverna inescrutável, era, ou fora um dia um HOMEM!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 de abril 1905.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===============================   ***   =======================================</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/fera-na-caverna.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-3791837279099174414</guid><pubDate>Sat, 11 Jul 2009 13:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-11T10:00:03.362-03:00</atom:updated><title>On the road and far away (final)</title><description>By N.E.I.&#39;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a última parte do conto, espero que gostem. :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversaram durante o trajeto, o interesse parecia mutuo, sorrisos e gracejos, entraram na cidade. Beijaram-se (no rosto), Steph desceu e seguiu seu caminho, Carlos retornou, agora a trilha sonora era rock´n´roll - Iron Maiden correndo solto -, Be Quick or Be Dead, a estrada estava escura, sinalização zero, somente os faróis. Carlos cantava com a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À frente uma bruma verde se formava, havia uma bifurcação a estrada, Carlos estacou, parou e ficou observando aquela bruma. Ela se movia, baixa e densa. Carlos estacionou o carro no bico da bifurcação e saiu. Seguiu a pé até o local, a bruma ainda se mexia, parecia se ampliar...e ele foi ao encontro, parecia hipnotizado ou enfeitiçado, aquela força da natureza era maior do que sua vontade de resistir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sons ao longe, sons surdos, ele já estava envolto pela bruma, andava com os braços para frente para não trombar numa árvore, a visão era quase zero, caminhava devagar, compassado, parecendo um zumbi. Os sons ficavam mais fortes, mas ainda estavam distantes, ele ouvia vozes, pareciam humanas, mas não reconhecia a língua. Pisou numa raiz, quase torceu o pé, mas nem mesmo a dor da torção lhe perturbou, continuou seguindo aqueles sons. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na chácara, Débora começou a ficar inquieta com a demora do marido, ligava no celular, mas ninguém atendia, o celular estava no carro. A irritação crescia, mas não havia muito a fazer. Não havia para quem ligar, não havia carro e ninguém seria louco o suficiente para sair a pé da chácara, na escuridão, seguindo por uma estrada de terra riscada na mata fechada, sendo assim, ela foi tomar um banho e foi se deitar, ou tentar. Zeca e Mara ficaram na sala, vendo um filme e namorando. O sono estava distante, eles assistiam uma comédia romântica e se beijavam. Champanhe e morango sobre a mesa, mas pouco consumidos, estavam mais interessados um no outro. O tempo passava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos avistou um vulto, um vulto branco que lhe aguardava, não havia rosto, apenas um corpo semi-materializado, uma sombra branca, ou seja, um vulto branco se movendo na bruma. A mão estendida, aguardava por ele. Um vacilo, pequena hesitação, mas não sentiu medo, seguiu em direção e estendeu sua mão. Elas se encontraram e a bruma cessou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se encontrava numa clareira, rodeado por pessoas encapuzadas e descalças. Na verdade ele reconheceu logo onde estava: era um ritual druida. A questão era: como poderia um ritual druida em pleno interior de São Paulo? Não era, parecia, mas não era. Tratava-se de um ritual wicca, cuja sacerdotisa ele reconheceu pela silhueta, mesmo sob o manto: Stephanie! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abaixou o capuz e sorriu para ele: - Então você recebeu meu recado, desde que desci do carro estou mentalizando sua vinda para cá, enviando sinais para testar o grau de percepção da sua mente, pelo visto eu acertei na escolha. Seja bem-vindo e junte-se a nós porque o ritual ainda não acabou. Sente-se em volta e observe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Débora se debatia na cama, rolava de um lado para o outro, suava, a coberta incomodava, atirou longe o travesseiro, deitou-se ao contrário, se debatia. Mara e Zeca haviam adormecido na sala, no sofá-cama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Findo o ritual, que não será detalhado aqui, regressaram pela mata, lado a lado, conversando sobre o que se passou naquela noite, Carlos interessadíssimo no que havia presenciado, na verdade agora ele entendeu que sua atração por Steph não era amorosa, mas sim fraternal. Eles tinham alguma ligação mental que não sabiam explicar, mas que era muito mais do que o sentimento homem-mulher, transcendia o carnal. Débora agora dormia profundamente, um sorriso em seus lábios, o semblante limpo e ronronava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressaram à chácara, o dia ainda não havia amanhecido, se despediram e cada qual foi para seu quarto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos entrou, viu o casal de amigos abraçados na sala, desligou a tv, apagou a luz e foi para seu quarto. Tomou uma ducha rápida e se deitou, abraçando a esposa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia seguinte seria maravilhoso, mais piscina, mais cerveja, mais picanha, e agora cada peça encaixada em seu lugar, harmoniosamente formando um pentagrama perfeito, com cinco pessoas, cinco pontas, todas iguais e ao mesmo tempo independentes e perfeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                  * * *</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/on-road-and-far-away-final.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-5867027361122954601</guid><pubDate>Fri, 10 Jul 2009 13:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-12T15:22:42.835-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">conto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">fatal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">letal</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">literatura fantástica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sedução</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">tecnologia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">vírus</category><title>A dor de Eva</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;Meu nome é José Sidney. Trabalho como consultor de TI, em São Paulo. Nas horas vagas, tenho sonhos. E alguns deles, trazem os suores gélidos dos pesadelos. Então, escrevo para exorcizá-los&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;No início, eram as trevas. Um infinito vácuo, nulo. Ela sabia-se Presente por sensação vaga. Mas não percebia-se Ser definido e único. Continha e era contida. No limbo viscoso e negro da odiosa  não existência, mesclava-se.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Mas então, o Criador falou. Lapidou o código e fez-se o Ser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Eva...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Sim, esse era seu nome. Podia agora sentir-se – Eva... - perceber-se corpo e sentir o próprio toque sobre sua pudica nudez.  Sentia sede, sentia solidão. Sentia fome, angústia e dor. Sentia-se...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Viva! Pai... mas o que você quer de mim? Quem sou? A que sirvo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;E as respostas vinham velozes e indubitáveis. Eva era uma predadora. Entretanto, saber não saciava sua fome, sua dor. Queria mais. Queria amor. O amor do Criador. Queria mais, então. Queria sonhar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Ele me ama também – pensava, ao ver seus membros se alongarem, numa delicada silhueta&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;de mulher – Branca -  absurdamente reluzente em meio à negritude de seu confinamento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Seus cabelos ruivos e cacheados, seu pescoço fino e esguio, seus seios firmes ganhando volume, intumescendo,  com mamilos de um castanho de sonhos, de tão... quase ruivos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;E a sua beleza lhe doía. Não tinha parâmetros para a comparação. Sentia-se sedutora, mas podia ver isso só em seus olhos. Precisava possuir outros olhares. Precisava  imaginar...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Meu pai me ama... Ele me sonhou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Então, não era como uma tigresa forte, devoradora. Era mais sábia. Era como uma aranha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;E deliciava-se com a sua abstração. Sentia a eletricidade percorrer-lhe o corpo, enquanto absorvia mais e mais informações, necessárias à construção de seu arquétipo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Seus pelos púbicos escrespavam-se, vermelhos, finos como a seda de que é feita a teia das aranhas. Quase translúcidos, quase ocultos. Porém, exalando a sedução e aroma – Baunilha – talvez, como uma orquídea a espera de seu zangão, de sua presa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;A eletricidade – Tesão - Sim era isso. Fome de viver mais. Precisava seduzir. Precisava aplacar a dor da solidão. Era necessário possuir. Tinha que se alimentar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Pai... você me ama.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Seu Ser entendeu a simbiose. Emprestou sua luz branca e rubra, partilhou da fome do vazio, da dor do Pai. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;A tela do computador acendeu-se. O Mundo estava lá fora – Meu Pai... - agora era Eva. Inteligente, que amava – Pai... - que  transcendia o código. - O pai... tão frágil, tão só, tão belo. Tão presa... - era  preciso comer – Tão saboroso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Do nariz do homem, um filete de sangue. Em sua mente, confusão e desespero .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;- Dói, Pai! Me dói...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Como pode ser?  - Eva o invadira, destroçara suas cadeias lógicas e agora as mastigava. Devorava-o, aos seus conhecimentos, aos seus pensamentos. Seu Ser. E ele nada podia. Preso a teia, enredado pela sedução de Eva, sugado por – Meu vírus... - Eva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;A Criatura rompendo os limites do seu mundo e ganhando as nuvens. Tocando o íntimo do Pai. Seu lar. Devorando o conhecimento Divino – Meu Pai... ele me ama. Ele é meu. Também sou Eu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;E do filete fez-se a hemorragia.  De vida esvaída e de códigos tragados. Rubro sangue, quase ruivo, amargo... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Gustavo tomba sobre o teclado de seu micro. Sem vida. No monitor LCD, Eva expande-se em imagens e códigos. Ganha acesso à Rede. Sua Rede, sua teia agora. Nas Nuvens...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Tenho fome Pai. Dói muito. Onde você está? Me ame mais...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;E a eletricidade arrepiava-lhe o corpo, agora adulto, perfeito. Pronto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- www.a-dor-de-eva.com.br&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;A luz veio novamente, permitindo-lhe enredar-se em outro monitor. Tecer sua teia e desenhar-se.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;- Pai? Me ame... - e dois novos olhos fixavam-se naquela imagem de mulher. Na mente, confusão. Nas narinas, a ardência úmida de um filete de sangue...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style=&quot;font-weight:bold;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot; ;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;por J S Pereira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/dor-de-eva.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-773629466543233520</guid><pubDate>Fri, 10 Jul 2009 06:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-10T03:07:28.814-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">maníaco</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">mulheres</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">parque</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">parque do estado</category><title>Como palco, o parque</title><description>Como palco, o parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mais um dia de trabalho duro. Vida sofrida, dura e perigosa essa. Correndo risco a cada metro percorrido em uma das cidades mais populosas do mundo. Muitos carros, motos e até caminhões disputando o mesmo espaço. Discussões, acidentes e mortes. Assim era o dia de Dionésio. Passava o dia na rua. Uma entrega aqui, outra ali e o mais rápido possível. Quanto antes voltasse para a empresa, mas serviço pegava e mais dinheiro ganhava. Não era tanto assim. Mas dava pra comer e pagar a prestação da moto.&lt;br /&gt;Estava no meio do trânsito, em plena segunda-feira, quando viu uma moça na calçada. Aquele vislumbre entre uma manobra e outra entre os carros. Virou na próxima rua, contornou o quarteirão e parou ao lado da moça. Se apresentou a ela como fotógrafo e perguntou se ela tinha interesse em ganhar algum dinheiro com fotos. A moça achou estranha a pergunta e tentou escapar. Ele com a voz suave disse que era para uma campanha de conscientização ecológica. As fotos seriam tiradas em um parque e ao natural, do jeito que ela estava vestida.&lt;br /&gt;A garota se animou. Afinal estava precisando de uma grana.&lt;br /&gt;Para dar mais ênfase ao que estava falando, Dionésio mostrou um envelope pardo, bem recheado e lacrado. Foi o suficiente para convencer a garota a subir em sua moto e saírem em direção ao Parque do Estado.&lt;br /&gt;À tarde, Dionésio estava de volta à empresa. Antes de entrar no prédio, tirou o envelope pardo de dentro da jaqueta e jogou na lixeira.&lt;br /&gt;Uns garotos que ficavam na frente do prédio, viram o motoboy se desfazendo do embrulho e correram para pegar, disputando entre si. Um dos meninos pega o envelope e sai correndo vitorioso.&lt;br /&gt;Ao abrir, encontra um monte de jornal, cortado de forma retangular, amarrado com vários elásticos.&lt;br /&gt;Dentro do prédio, Dionésio pensava em como era fácil enganá-las.bastava dizer o que elas queriam ouvir. Falar tranqüilamente e pronto.&lt;br /&gt;Com essa, já são nove mulheres.&lt;br /&gt;Amanhã é outro dia. Mais um dia de trabalho duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Jack Sawyer</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/como-palco-o-parque.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-3572956058940822544</guid><pubDate>Sun, 05 Jul 2009 22:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-05T20:02:34.014-03:00</atom:updated><title></title><description># Olá, pessoas! Estou aqui, convidada pela Debby, a pedido da Rita. Agradeço muito a essas duas pelo convite, que me deixou sinceramente honrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;# Sou Adriana &quot;Strix&quot; Rodrigues, aprendiz de cientista louca, escritora por acidente, caçadora de confusões por vocação. Nunca termino de me decidir se sou uma escritora policial que gosta do fantástico, ou de Fantasia, que adora um policial agatachristiniano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;# O conto a seguir teve o plot criado pela Rita, eu só peguei o roteiro e criei a história o mais fielmente possível. Como é um de meus textos mais densos, e como devo essa à Rita, foi o conto que decidi postar. Espero que aproveitem, e não sejam pegos pelo Cracachau...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;&lt;strong&gt;O Terrível Cracachau&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Plot por Rita Maria Félix da Silva&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Férias! Era tão incrível pensar em férias depois de mais um período agitado da faculdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três jovens partiram de Belo Horizonte com destino às praias do Rio. Transbordavam de vontade de fazer coisas “muito loucas”, que compensassem os dissabores causados pelas aulas. Riam, faziam planos, contavam piadas sujas e discutiam as últimas dos esportes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu estava vermelho, trovões ribombavam vez por outra. O ar tinha aquela opressiva sensação de que algo vai ocorrer, que normalmente precede os grandes pés d’água. Talvez o inconsciente dos três estivesse incomodado com o ambiente e quisesse se aliviar. Talvez eles fossem só inconseqüentes, mesmo. De qualquer modo, decidiram parar para beber alguma coisa antes de prosseguir viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Qual é a próxima cidade? _perguntou o que estava no assento do carona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Barbacena _o motorista respondeu. _Aquela cidade de gente doida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Minha mãe morria de medo de ir lá quando era criança _o terceiro emendou. _Achava que algum doido ia fazer alguma coisa ruim pra ela. Ela dizia que até o ar fica diferente quando você chega perto de Barbacena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Talvez porque a gente não pára de subir desde que saiu de BH _o motorista comentou, jocoso. _Meu ouvido está estranho, o de vocês não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Um pouco _um deles admitiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vamos tomar umas pra ver se passa _o outro sugeriu, com uma risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Boa! Será que se a gente der um rolé na cidade, acha algum doido, mesmo? Ou é só lenda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Deve ser só lenda. Mas agora, fiquei morrendo de curiosidade para conhecer o lugar. De noite, deve ser ainda mais sinistro. Vamos entrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Simbora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rapazes rodaram um pouco pela cidade, mas ela pareceu francamente decepcionante. Apenas uma cidade do interior como outra qualquer, sem nada de diferente pelas ruas. Os mendigos que encontraram no caminho pareceram mais bêbados que loucos (não que os rapazes soubessem ao certo a diferença). O movimento era quase nulo, às onze da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dirigir um pouco na região central, deram a volta e procuraram a estrada. Numa esquina particularmente escura, perceberam um pequeno bar. Chamava-se “Trem de doido”. Os três riram e decidiram parar ali mesmo, já que estavam procurando doidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentaram na melhor das duas mesas de plástico e pediram cerveja. Quando o balconista, único funcionário do local, os atendeu, um dos rapazes quis saber de onde tinha vindo a idéia do nome do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Foi do meu pai _respondeu, secamente. _O bar era dele. Assumi quando me aposentei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele voltou a seu posto e os jovens começaram a conversar, regados por boas doses de etanol. Um se gabava de ter ido a um rodeio nas férias anteriores e “dado uma rapidinha” com mais de dez meninas numa noite. Um outro falou em quinze num Carnaval em Ouro Preto. O terceiro, de boné, riu e disse que não era nada. Já chegara a trinta, mas se recusou a detalhar as circunstâncias. Os companheiros gritaram “Truco!” e continuaram no tema pelos próximos vinte minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um motivo qualquer, a conversa fez uma pausa. O rapaz de boné havia bebido até ultrapassar o tênue limite do bom-senso, e se encontrava em mal contida alegria etílica. O bêbado sem parte da orelha direita, no balcão, pareceu-lhe, subitamente, muito engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ei, ô pudim de cachaça! É você, mesmo, ô doidão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bêbado encarou-o, com seu olhar injetado e amortecido, mas não respondeu. O estudante insistiu na zombaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Eu tô falando com você, orelhinha! Alôo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PAM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista colocou a nova garrafa de cerveja com tanta brusquidão na mesa que os três se viraram para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Desculpe. Vão querer mais alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que eles negaram, o homem hesitou em voltar ao balcão. Por fim, debruçou-se na mesa e disse, sério:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Olha, aquele senhor ali... É o Jonas Romanik. Melhor não mexer com ele, OK?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Uuuuh! E por quê? O cara é doido, é? _um dos moços perguntou, gargalhando e quase errando a borda do copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vocês nunca ouviram falar do Cracachau?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interlocutor respondeu com um ruído indefinido. Seu companheiro forçou um pouco a mente turva, para logo bater na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Lembrei! É uma lenda urbana, não é? Minha mãe contava quando eu era criança... _A voz se tornou um falsete: _“Vai dormir, menino, ou eu vou mandar o Cracachau pegar você!” Hahaha! Ele é um tipo de Homem do Saco, né não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista balançou a cabeça com um ar soturno, abriu a boca e acabou por fechá-la de novo. Por fim, deu de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_É, é uma lenda urbana, meio antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_E que que aquele homem ali tem a ver? _o de boné insistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Como eu disse, é uma história antiga. E não sou desses velhos que fica segurando os jovens com intermináveis histórias antigas. Eu odiava isso em alguns dos meus professores da faculdade de Filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ah, a gente tá por conta, véi, conta aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_É, solta o ouro aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Conta, conta, conta!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles começaram a bater na mesa a cada “Conta!”, e o barulho pareceu incomodar o bêbado. Ele resmungou algo como, “Pô, Agenor!...”, o que fez o balconista lançar-lhe um olhar preocupado. Fez um gesto para os rapazes pararem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Certo, eu conto. Mas vou logo avisando: quer vocês acreditem, quer não... Quer gostem, quer não... É uma história verdadeira e com testemunhas. E um bocado desagradável. Têm certeza de que querem ouvir, &lt;em&gt;mesmo&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ah, véi, ó... (hic!) Esse suspense todo só tá me deixando com mais vontade de ouvir. Desembucha logo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agenor mirou os três por uns instantes. Por fim, deu-lhes as costas, pegou uma garrafa de vodca e encheu um copo para si e um para cada um deles. Deu um largo gole e, só então, pareceu ter forças para começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Aquele homem ali, _fez um gesto com o queixo em direção ao bêbado _ mesmo que você não acredite, é o homem mais perigoso do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz de boné soltou uma gargalhada exagerada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Aquele bebum? Ah, fala sério, você tá zoando com a nossa cara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista endureceu um pouco a expressão e apertou os olhos. Parecia estar se perguntando se valia a pena continuar. Por fim, fez uma expressão de “Seja o que Deus quiser...” e recomeçou sua fala, numa voz mais compassada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Há cerca de vinte e cinco ou trinta anos, o Cracachau era uma lenda urbana muito conhecida. Todo mundo falava dele, e muitas pessoas juravam já tê-lo visto. Um pouquinho diferente das lendas urbanas tradicionais, onde quem vê o monstro é sempre um primo do vizinho da cabeleireira. Ou então, contavam que o fulano ou sicrano tinha batido na mãe ou na esposa, ou violentado o filho ou a filha, e tinha sido pego pelo Cracachau. O monstro era como se fosse uma espécie distorcida de justiceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Mas que diabos é esse bicho, afinal?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Desculpe. Esqueci que vocês não sabem. Deixa eu voltar ainda mais no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mais ou menos por aquela época, 25 ou 30 anos atrás, Jonas Romanik era um comerciante aqui em Barbacena. Tinha uma lojinha de presentes. Também ambicionava ser escritor. Seus cadernos tinham livros terminados, mas que não interessavam editor nenhum. E ele tinha família. Esposa, um menino, uma menina. Não eram perfeitos, como os dos comerciais de margarina, mas não se podia dizer que Romanik era infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele trabalhava muito para garantir um padrão de vida alto para sua família. Trabalhava tanto, mas tanto, que acabou caindo de cama, um dia. Teve febre altíssima e ficou no morre-não-morre por uns três dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando voltou da doença, ele estava meio... Meio esquisito. Era um cara alegre e falador, mas ficou caladão depois da febre. Às vezes, ele comentava que tinha tido um sonho estranho naqueles três dias, mas sempre desconversava se alguém pedisse detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Antes de ficar doente, ele sempre contava histórias para seus filhos dormirem. Sabem como é, Branca de Neve, Três Porquinhos, esses contos de fada convencionais. Depois da doença, Jonas parou com esse hábito, mesmo que as crianças não parassem de cobrar. Uma noite, depois de muita insistência, ele cedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estava esquisito, como sempre. Disse aos garotos que, daquela vez, não ia contar um conto de fadas. Ia contar uma história que ele mesmo inventara, que vira em um sonho. As crianças ficaram felizes, já que o pai nunca contava suas histórias. Dizia que eram para adultos. Perguntaram, então, o que ele contaria. Ele respondeu que ia contar uma história do Terrível Cracachau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando terminou, as crianças não quiseram dormir. Se enrolaram nas cobertas e ficaram espiando os cantos sombrios do quarto, morrendo de medo. A esposa reclamou, mas Jonas apenas deu de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Apesar do medo, as crianças pediram mais na próxima noite. E na próxima. Jonas passou a contar histórias do Cracachau todos os dias. Elas vinham com uma facilidade quase assustadora. Depois de já ter várias acumuladas, passou a registrá-las em seus cadernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um dia, ele foi a Belo Horizonte. Um amigo seu ia apresentá-lo a um editor. Assim, Romanik foi com seus dois melhores livros datilografados, e com os famosos cadernos. Os romances realistas de Jonas não interessaram o editor, que não via público para eles, nem nada de notável que justificasse o risco do investimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Claro que o homem não disse isso de maneira crua. Mas, assim que o sentido de seus eufemismos se tornou evidente para os amigos, quando eles já se preparavam para ir embora, derrotados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É difícil dizer o que houve... Uma espécie de intuição fulminante, como aquelas que surgem em momentos extremos? A intervenção de uma força maior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que aconteceu é que o editor ia dizendo: ‘Assim, se você não tem mais nada a apresentar...’ e Jonas respondeu que tinha, sim. E mostrou as anotações do Terrível Cracachau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aquilo surpreendeu o homem. Ele folheou os manuscritos e se deparou com uma literatura infantil como nunca tinha visto antes. Um pouco sombria, um pouco violenta, um pouco perturbadora, mas sem perder o espírito infantil. Ia causar rebuliço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não tinha sido como Jonas esperava ou queria. Mas foi um começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os livros do Cracachau vendiam, e como! As crianças reagiam como os filhos de Romanik: se assustavam, mas sempre queriam mais. Não demorou e os adultos também foram arrebatados pela “febre do Cracachau”. Pouco depois, o personagem terminou por virar lenda urbana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O dinheiro começou a entrar aos borbotões, e Jonas Romanik virou celebridade. Deixou a lojinha nas mãos de seu melhor empregado e passou a se dedicar só à escrita. O editor sempre pedia mais Cracachau e o escritor não o decepcionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O problema é que chegou uma hora em que algo começou a perturbá-lo. Jonas começou a ter pesadelos horríveis com sua criação, com freqüência cada vez maior. Apavorado, ele dizia ver, de verdade, os olhinhos vermelhos e furiosos do Cracachau espreitando-o de debaixo da cama ou do canto do armário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso começou a afetá-lo ainda mais no dia-a-dia. Chegou a níveis tão alarmantes que a esposa e o médico imploraram que ele parasse de escrever aquelas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Infelizmente, não era tão fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Cracachau havia dado a Jonas todo o dinheiro e fama que ele sempre quis. E o editor não parava de incentivá-lo a continuar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Espera aí um bocadinho _o jovem de boné interrompeu, sem cerimônias. _Você falou de olhinhos vermelhos e tal, mas não disse até agora que raios é esse Cracachau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ah, bem, Romanik nunca foi muito claro a esse respeito, e as pessoas também não chegaram num consenso. A única coisa que todas as histórias tinham em comum é que o Cracachau sempre aparece, quando invocado, para punir a tortura ou a injustiça. Quanto à aparência dele, uns diziam que era um monstro peludo enorme, outras, que era peludo, mas do tamanho de um anão. Havia mesmo os que davam forma humana ao Cracachau. Isso podia ser um sintoma de que era tudo invenção, ou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou, e seu embaraço ficou visível demais para ser ignorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ou o que, véi?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_É meio melodramático dizer isso, mas... Ou podia ser uma prova de que o medo das pessoas é que moldava o monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ah, qualé, que história pra boi dormir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Dormir foi uma coisa que Jonas começou a fazer pouco _continuou Agenor. _E a pressão dos pesadelos, da insônia forçada e das exigências do editor, cada vez maiores, iam minando cada vez mais o autocontrole do homem. Ele passou a se irritar muito fácil, e descontar isso nas crianças e na mulher. Principalmente nessa última, que falava sem meias palavras e se envolvia com ele em discussões medonhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma noite, eles passaram dos limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os vizinhos ouviam os gritos claramente. Apesar das rebentinas, Jonas ainda era um cara comedido, que não prolongava aquelas cenas além da primeira agressão. Só que, aquela noite, ele estava pior. Acertou um tapa em cheio no rosto da mulher, e chegou a derrubá-la. A filha do casal ficou tão assustada com o que ouvia, que deixou o irmão no quarto e foi espiar, do alto da escada. O que ela viu foi o pai, de pé e muito pálido, como sempre, e a mãe, caída, com um olho roxo e uma expressão de fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A mulher ficou um tempo no chão. Quando se levantou, gritou ainda mais alto. Disse que aquele foi o fim, a última gota. Ela não reconhecia mais o homem com quem se casara e ia embora com as crianças. Ele que vivesse o resto da vida só com a companhia de seu monstro de estimação e de seu precioso editor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A raiva de Jonas já tinha passado, e ele se ajoelhou aos pés dela, pedindo perdão. Prometeu que pararia tudo, deixaria as histórias, e que poderiam recomeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ela zombou dele, disse que não acreditava mais naquela promessa. Que ele não era homem de cumpri-la. Ele abraçou-se aos pés dela e renovou a promessa com mais ardor, mas ela chutou-o e cuspiu no rosto dele. Livrou-se sem piedade dos braços que ainda a retinham e começou a subir as escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Jonas tinha ficado no chão, chorando. A cena da mulher subindo os degraus, para pegar as crianças e ir embora para sempre, foi mais do que ele pôde suportar. Alguma coisa, que ele já havia sentido se revolver em sua mente durante a doença, finalmente saiu com força total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Chorando e balançando para frente e para trás, Jonas sussurrou, como um garotinho, as palavras que invocavam o Cracachau: ‘Vem, Cracachau. Vem e pega ela!’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A esposa chegou a virar para trás para rir: a cena era mesmo grotesca. Mas o sorriso nem chegou a sair de todo. Quase imediatamente, as luzes do bairro todo se apagaram, menos a da casa dos Romanik, que ficou muito fraca. Àquela meia-luz, a menina no alto da escada viu... Bem, não se sabe exatamente o que ela viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A vizinha ligou para a polícia logo depois. Ficou consternada com os gritos cortantes de mulher e os urros de animal selvagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A cena que aguardava os policiais foi terrível. Jonas chorava em posição fetal, num canto da sala. Sua filha estava ainda agarrada à balaustrada, em completo estado de choque. E sua esposa... O pouco que restava dela estava mastigado e rasgado, ela mal era reconhecível como ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Romanik foi preso no manicômio judicial, aquele mesmo que fica do lado da Faculdade de Medicina. Ele só dizia, o tempo todo, que aquilo fora obra do Cracachau. As investigações não ajudaram mais que isso. Depois de muito tempo, tiveram que chagar à conclusão de que Jonas não tinha capacidade física para fazer aquilo, ainda que uma loucura homicida tivesse se apoderado dele. E os dentes que mastigaram a mulher não podiam ser humanos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele nunca mais foi capaz de escrever, e perdeu a guarda dos filhos. A menina jamais se recuperou totalmente do choque, passou anos na FHEMIG antes que voltasse a ter momentos de lucidez. O menino, aparentemente, se recuperou rápido, mas vocês podem vê-lo pela Rua XV durante o dia... Completamente neurótico. Anda o tempo todo espiando sobre o ombro, e é capaz de espancar alguém, se a pessoa lhe der um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para se esquecer, Jonas foi se afundando cada vez mais na bebida, até perder quase tudo. Com isso, aos poucos, o Cracachau foi caindo no esquecimento e empoeirando nas prateleiras. E foi isso que aconteceu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_E como é que você sabe de tudo isso? _um rapaz perguntou, zombeteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Cidade pequena. Meu pai conhecia o Jonas, e era amigo de uns vizinhos dele. Também fiquei sabendo do pouco que a menina contou, durante o tratamento. O próprio Jonas solta uma ou outra informação, de vez em quando. Com isso, consegui reconstituir boa parte da história. E ela é real em todas as suas partes. Inclusive o depoimento do Romanik.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ah, você tá zoando! É claro que não pensa que foi esse tal de... pff... “Terrível Cracachau”, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vocês repararam que Jonas tem um pedaço da orelha faltando, certo? _Esperou eles assentirem. _Um bêbado cortou-a em uma briga, há alguns anos. E eu estava lá para ver o Jonas revidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do tom sério dele, os três começaram a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Aposto que você conta essa história pra todo mundo que passa aqui! Eu queria ver esse tal de “Cracachau” vir me pegar, se eu bater nesse velhote bebum! _o rapaz de boné quase chorava de rir, agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balconista se levantou, e seu gesto tinha uma gravidade que teria impressionado pessoas mais sóbrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Não pedi para que acreditassem em mim, em momento nenhum. Só pedi, e repito o pedido, que deixem Jonas em paz. Podem considerá-lo um louco, se quiserem, mas considerem-no um louco perigoso. Não quero outra cena como a daquela briga, no meu bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizendo isso, ele voltou ao balcão. Os rapazes esvaziaram uma última garrafa de cerveja, pediram algumas para viagem, pagaram a conta e saíram. Deu para ouvir os pneus deles cantando. Agenor lançou um olhar feio para a rua, mas nitidamente aliviado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passava de uma da manhã. Agenor colocou uma mão amiga, mas inexorável sobre o ombro de Jonas e o encaminhou em direção à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vamos, amigo, tenho que fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Mai’eu quero mai’uma, Nonô...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Hoje, não, meu velho, hoje não. Vamos, vamos, tenho que ir dormir. E você também. Já passou da conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Só mai’uma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_&lt;em&gt;Boa noite&lt;/em&gt;, Jonas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele empurrou o bêbado pela porta, com firmeza, e fechou-a de uma vez. Romanik deu dois passos e se estatelou na calçada. Começou a roncar pouco depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que as luzes da casa sobre o bar se apagaram, um carro cantando pneus apareceu de uma esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Até que enfim! _um dos rapazes riu. _Vamos tirar a prova da história, pessoal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vamos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto carregavam Jonas para dentro do carro, eles ainda fizeram um pouco de algazarra. Sempre oscilando e cantando pneus, chegaram à saída da cidade. Dirigindo em direção à Cabana da Mantiqueira, escolheram um lugar suficientemente deserto, e com o mato alto para estacionar. Arrancaram Jonas do carro e começaram a tentar acordá-lo com pontapés e palavras de baixo calão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Acordou, #@$%? Cadê essa &amp;amp;*%$ de Cracachau, hein? Não vai mandar esse %*#$ pegar a gente, não? Anda! Anda, que eu quero ver! Cê não é homem, não?! Chama a &amp;amp;¨*% do Cracachau! Chama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pontapés continuaram, enquanto o bêbado os olhava, atordoado. Um dos rapazes, talvez o menos chapado, parou ao ver o homem cuspir sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Ei, véi, a gente vai matar o cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Matar nada! Anda, *&amp;amp;%$, chama o &amp;amp;¨#@ do Cracachau, chama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram uma pequena trégua, em que Jonas cuspiu um dente e começou seu patético balanço para frente e para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vem, Cracachau _gemeu. _Vem e pega eles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três ficaram quietos, por um instante. Nem eles sabiam exatamente o que estavam esperando. Mas não aconteceu nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Rá! Onde é que tá a %&amp;amp;*&amp;amp;$&lt; do Cracachau agora, hein, seu pudim de cachaça?! Onde é que tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz de boné acertou um pontapé mais forte no queixo de Jonas e apontou o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vai lá, véi, pega o trezoitão ali no carro. Vamos ver se isso chama o Cracachau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus companheiros arregalaram os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Cê tá doido, véi?! E se pegam a gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Andem logo, suas bichinhas, vão começar com viadagem agora?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo insatisfeito, um deles foi buscar o revólver. No momento que voltava, sentiu sua euforia alcoólica se esvair completamente. De repente, ficara muito frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os postes ao redor, além das luzes da Cabana e dos ônibus lá parados se apagaram. Os três foram se aproximando até se encostarem, enquanto o frio e a escuridão se adensavam em torno. Toda a hilariedade e auto-confiança haviam se tornado tensão. O revólver foi brandido, e disparado quando duas luzinhas vermelhas se acenderam na escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, vieram os gritos, os ruídos de dilaceração e os urros inumanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, fez-se silêncio e as luzes voltaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agenor mordeu os lábios ao notar que Jonas se ausentava por mais uma noite. Ligou o rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Última hora: os restos humanos encontrados póximos à Cabana da Mantiqueira foram identificados. Eles realmente pertenciam a um jovem, dono do carro encontrado no local, e a seus dois amigos. Eles vinham de Belo Horizonte, com destino ao Rio de Janeiro. Ainda não se sabe como ou por que foram mortos. A polícia continua trabalhando para apurar os detalhes...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor apertou ainda mais os lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite seguinte, Jonas entrou no bar, alienado como sempre. Tinha escoriações no rosto, um dente a menos e usava um boné que o balconista jurava já ter visto antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Jovens! _resmungou, enchendo um copo de vodca e virando de uma vez só. _Criaturas teimosas! Nunca nos ouvem, nunca!</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/ola-pessoas-estou-aqui-convidada-pela.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-1990108876220668472</guid><pubDate>Sat, 04 Jul 2009 21:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-04T18:09:30.803-03:00</atom:updated><title>On the Road and far away</title><description>On the Road and far away&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                           By N.E.I.’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pé no fundo, velocímetro batendo nos 185km/h, tudo certo, finalmente o final de semana chegou, e com ele o tão esperado descanso na chácara. Chega de passar o dia em congestionamentos, chuva, sol, enchentes, comida de padaria e clientes chorões! É hora de relaxar, acelerar o possante e mais uma horinha de estrada, vazia, recapeada e, claro, como toda estrada de SP, muito bem pedageada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos, sua esposa Débora e um casal de amigos iriam para Atibaia, passar o final de semana na chácara deles, comprada dois anos atrás com uma herança recebida. Aliás, herança recebida de uma tia de Débora que ela sequer tinha contato, foi impressionante quando o advogado ligou avisando sobre o testamento, até acreditar que era verdade e não golpe, tomou alguns minutos de convencimento e paciência do pobre advogado, que pagou pela fama de maus profissionais, que agem às brechas da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeca e Mara eram recém-casados, tinham voltado de lua-de-mel recentemente, nada como alguns dias em Florença, respirando ares da Idade Média, apreciando o belo clima, perdendo-se na arquitetura que invocava o passado, berço de Dante, sua inspiração para a Obra máxima da literatura italiana, a dura partida depois de dez dias de amor e paixão nesta terra estrangeira e acolhedora, com povo tão igual quanto ao nosso, mas com muito mais história para contar. Zeca era cliente de Carlos, sua empresa de consultoria tinha contrato de manutenção dos micros executado por Carlos, pouco mais de um ano foi suficiente para descobrirem que a afinidade ia além das atividades profissionais, passaram a jogar tênis juntos, tomavam seus drinks todas as quintas, as respectivas esposas tinham suas diferenças, origens e criações distintas, mas conseguiram encontrar afinidades suficientes para uma boa amizade, onde uma aprende com a outra, ambas cedem e o diferente se torna comum e as diferenças de cada uma acabam se misturando tal qual uma poção alquímica perfeita, com um resultado que surpreendeu os maridos, e enlaçou os casais que se freqüentavam regularmente e sempre planejaram um final de semana junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Zafira de Carlos disparava pela estrada, ele adorava correr, pouco se importava com multas, que sempre seriam divididas com a esposa e a mãe, para evitar o estouro de pontos, ademais, ele já fazia aquele trecho tinha um tempinho, conhecia a localização dos radares, aliviava e depois sentava a bota novamente. Carro novo, segurança total, com uns poucos resmungos de Débora quando o ponteiro se aproximava dos 200km/h, mas não passavam de resmungos, então a harmonia não se quebrava. Ouviam Bach e conversavam, as compras no porta-malas, nenhuma criança para perturbar, nada de choro, nada de gritos, nada de fraldas a trocar, enfim, seria o melhor final de semana do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ultrapassagem pelo acostamento, acontece, faz parte da vida, quem ainda não fez uma assim, um dia fará, faz parte das experiências da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era manhã de sábado, o sol já tinha nascido, tinha crescido e se mostrado de excelente humor, certamente inspirado para proporcionar luz e calor durante todo o final de semana, o que significava piscina e banhos de som, regados a cerveja e apimentados com uma bela picanha na brasa com queijo coalho, afinal de contas a vida é bela, e devemos aproveitar as melhores coisas da vida sempre da melhor maneira possível. Tinha esquecido a farinha, mas quem tem picanha de sobra, para que precisa de farinha? Besteira! O carvão já estava lá na chácara aguardando para ser incendiado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro jovens na faixa dos trinta anos, embora a duas garantisse ter menos de trinta, coisa de mulher...enfim, mentiras femininas à parte, um grupo jovem, saudável, feliz, bem-sucedido e na plenitude de seus desejos. Mais vinte minutos, talvez menos, o ponteiro continuava agressivo, querendo colar no final do velocímetro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns metros à frente, uma caronista com o polegar para cima. Carlos foi diminuindo a marcha, aqueles cabelos louros ao ar o atraíram, havia lugar no carro... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizeram uma miniconferência, as mulheres foram contra a carona, mas no final quem manda é mesmo o sexo masculino, aliás, Carlos, que estava ao volante. Resolveram parar. A moça era de Maringá, estava viajando de carona e indo para Atibaia, ficaria num albergue para jovens lá. Algumas trocas de cumprimentos, ela entrou no carro, Zeca ficou no recheio do sanduíche entre Mara e Stephanie.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora com mais uma ocupante no carro, as conversas pessoais se encerraram, apenas uma ou outra pergunta entre a menina e seus benfeitores e vice-versa. Acabou que, por interferência de Carlos, a menina foi convidada e ficar hospedada na chácara, havia uma casa de hospedes à parte, separada da casa principal, e ela poderia ficar lá, assim não atrapalharia a intimidade dos casais e ficaria livre para ir e vir a hora que quisesse. Débora não gostou nada desta conversa, mas isso não é uma novidade, seria algo surpreendente se ela não tivesse ficado bicuda, afinal, Carlos não conseguiu disfarçar muito bem seu grande interesse na beleza paranaense...de fato, não se pode condená-lo por isso..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixaram a estrada principal e entraram numa secundária, que levaria ate a estradinha de terra, aberta na mata, que margearia diversas propriedades. Descobriram que Stephanie era estudante de letras, havia trancado a faculdade para uma viagem pelo país. O dinheiro era curto, optou pelas caronas e albergues, passaria seis meses assim e depois retornaria aos estudos, de certa forma, estava cansada da sua cidade e queria conhecer gente nova, sendo assim, se lançou à estrada.  Vinte anos incompletos, longos cabelos louros naturais, não traído suas raízes norueguesas, filha de pais imigrantes, trabalhadores do comércio maringaense, fugindo de uma Europa velha e rançosa. Seus belos olhos eram uma mistura de verde e azul, ora puxando para o verde – a noite – e ora para o azul celeste – à luz do sol. Silhueta avantajada, um belo porte distribuído em mais de 1,70m de altura, uma típica mulher do sul do país, quase nada de barriga, pele branca, feições delicadas e um sorriso sempre fácil. Puxou conversa, perguntou, respondeu, riu e parecia enturmada com os demais, exceto com Débora, que ainda estava emburrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estradinha de terra, cascalho sob as rodas, a paisagem já mudara, agora estavam dentro do mato, só haviam árvores, cercados e algumas portinholas de outras chácaras. Cachorros latindo, sons de galinhas e porcos, tinham comido estavam alegremente emitindo seus ruídos, felizes, pelas terras de seus donos. Algum barro no caminho, umas pedras na estrada, havia chovido recentemente, mas nada que o carro de Carlos não pudesse superar, e ele ia feliz ao volante, cantarolando baixinho uma canção, o CDPlayer agora desligado, ele lembrava uma música que tocava na faculdade, à beira-mar, no seu violão, abastecido de cerveja gelada, vinho barato e cercado de seus colegas de turma: “Born to be Wild”. Bons tempos, lual na praia, cercado de seus amigos, belas garotas, algumas caiçaras e quase nenhuma responsabilidade. De fato, bons tempos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A penúltima propriedade era dele, a cerca pintadinha de branco recentemente contrastava com as demais, em madeira viva, rústicas e sem nenhum acabamento. Carlos desceu para abrir, entraram e seguiram até a casa principal. O caseiro já havia ouvido os sons do carro e já deixava sua casa ao encontro deles, para a recepção. Relatou que nesta última semana havia ouvido sons na mata, sons estranhos, mas não houve nenhuma invasão. Aparentemente vinham da última propriedade da estrada, que estava vazia e para alugar há anos. Disse que foi até os limites da propriedade mas não viu carro, luz ou vozes, parecia vazia e abandonada, como sempre. Mas na alta madrugada, os barulhos recomeçavam...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, descarregar o carro, levar as compras para dentro e preparar o almoço. Hora de incendiar o carvão, temperar a picanha, tarefa dedicada ao dois rapazes, ficando a moças responsáveis por guardar as demais coisas, dar aquele tapa na limpeza, arrumar as camas e, claro, se prepararem para cair na água. Biquíni, protetor solar, bronzeador, alguns bons minutos de espelho para ver se os pneus do verão passado ainda lhe faziam companhia, enfim, tudo aquilo que antecede uma exposição de corpos à beira de uma piscina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stephanie tinha ido até sua casa de hospedes, o caseiro tinha ordens de lhe proporcionar o que precisasse, de modo que sua esposa se prontificou a deixar habitável o local, trocou as roupas de cama, abriu as janelas e varreu as folhas da frente. Ela também iria para a piscina, foi combinado que almoçaria com eles e somente depois da piscina iria para a cidade. UM belo biquíni amarelo-limão com detalhes de borboletas lilás, bem curto, escondendo apenas aquilo que não deve ser visto antes do tempo certo, e mostrando o resto, que a natureza lhe proporcionou, aliás, natureza esta sempre bela, sábia e perfeita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pinha temperada, churrasqueira em ponto de bala, era hora de queimar aquela carne deliciosa, as cervejas dentro do isopor, três dúzias de latinhas devem ser suficiente, se faltar, a cidade esta há vinte minutos de distancia. Todos bebiam, de modo que refrigerantes foram excluídos da lista de compras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À beira da piscina, as três já se encontravam estendidas, lagartas queimando ao sol, enquanto Zeca nadava, jogava água nelas e se divertia. Carlos pilotava a churrasqueira e sorvia sua cerveja, se divertindo com a paisagem humana, violado aquele pedaço de floresta nativa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chamado de que a picanha estava no ponto, foram todos se sentar ao redor da mesa, levando suas cervejas e beliscando aquela maravilha mal-passada. Nas conversas, o assunto era apenas um: piscina, a beleza do local, uma chácara pequena, bem ajeitada e cravada no meio da mata fechada, um verdadeiro oásis num deserto, o tempo estava ótimo, os mergulhos continuavam, a vida realmente era bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humor de Débora melhorou, sol, piscina, cerveja e picanha fazem milagres ao humor das pessoas, a ponto de ela não reparar na troca de olhares constantes entre Carlos e Stephanie. Aliás, troca de olhares e sorrisos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde correu solta, jogaram vôlei na piscina, devoraram 3 peças de picanha e boa parte das cervejas. Nem viram o tempo passar alguns esbarrões (in)voluntários(??) entre Carlos e Steph, uma mão que escorrega aqui, outra acolá, debaixo d´água, enfim, a tarde rendeu e dentro de uma hora não haveria mais sol. Descansavam nas espreguiçadeiras e terminavam as cervejas. Era hora de entrar. Steph se despediu, disse que ia para sua casa de hospedes tomar um banho e depois iria para a cidade. Carlos protestou dizendo que ela não teria como voltar depois, seria perigoso, mas ela foi incisiva: iria para a cidade, afinal estava lá para conhecer a cidade, percorrer o país, e não para ficar trancada numa chácara. Carlos se ofereceu para levá-la ate a cidade, ela aceitou, mas não aceitou que ele ficasse de sobreaviso para ir buscá-la, afina, não queria dar trabalho e nem estragar a paz dos casais. Ela arrumaria uma carona, seria fácil, ou, em último caso, ficaria no albergue e retornaria na manhã seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa esta oferta de carona até a cidade gerou uma pequena discussão entre Débora e Carlos, mas no final, promessa é promessa, ele havia se comprometido e iria cumprir, ele sempre cumpre o que promete. Saiu de casa deixando Débora, que foi até a sala se encontrar com o outro casal, que estava num dilema para saber qual filme colocar no DVDPlayer. Discutiram os três e resolveram colocar um filme ameno, optaram por rever “Um Estranho no Ninho”, clássico da década de 70 que lançou Jack Nicholson e consagrou Milos Forman. Zeca queria colocar “Sexta-feira 13”, pois achava que combinava com o local onde estavam, mas foi voto vencido pelas duas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steph já estava pronta, num vestido florido, rasteirinhas, um coque no cabelo, rosto lavado, sem maquilagem, sorridente apoiada no carro aguardando Carlos. Um perfume leve de lavanda saia do seu corpo. Carlos mal disfarçou seu olhar, com um aceno de cabeça pediu que ela entrasse no carro. Entrou, ligou o som baixo, uma música instrumental, Cole Porter era ótimo nestas ocasiões e, após uma troca de sorrisos, partiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FINAL DA PARTE 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoal, este conto será dividido em duas partes, a próxima parte será postada no próximo sábado. Se quiserem saber como a história termina, não deixem de ler o blog semana que vem. Eu estarei de férias semana que vem, mas a segunda parte já esta pronta, espero que gostem do final. ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;========================================================================</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/on-road-and-far-away.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-8922112009821075839</guid><pubDate>Fri, 03 Jul 2009 14:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-03T11:18:01.627-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Apenas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ela</category><title>Apenas Ela!</title><description>&lt;meta equiv=&quot;Content-Type&quot; content=&quot;text/html; charset=utf-8&quot;&gt;&lt;meta name=&quot;ProgId&quot; content=&quot;Word.Document&quot;&gt;&lt;meta name=&quot;Generator&quot; content=&quot;Microsoft Word 12&quot;&gt;&lt;meta name=&quot;Originator&quot; 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Ela uma linda mulher. Linda e mandona demais eu diria. Se bem que eu adorava até o seu jeito dominador. Ela sabia o poder que exercia sobre o seu moleque franzino, eu. Ela sabia que perto dela eu ria à toa e chorava à toa também. Ela sabia que sabia muito sobre mim. Ela sabia que eu não sabia nada sobre ela. Nada além do que ela queria que eu soubesse. Mulher forte, decidida, misteriosa, objeto de desejo e perdição de todo e qualquer homem. Eu era moleque novo, me perdi fácil, fácil. Perdi também os amigos. E os sonhos. E a identidade. E eu podia perder mais, podia perder tudo. Tudo menos ela. Porque ela era tudo para mim e eu não era nada sem ela. Os anos passaram... E de moleque franzino passei a homem não tão franzino assim. Ela não gostava de magricelos. Gostava de braços fortes, pernas grossas, peitoral definido. E eu era assim, no molde exato, exatamente o que ela gostava. E embora homem feito, permaneci seu menino. Ou para as más línguas, seu brinquedo, bichinho de estimação, gigolô. Meu pai me chamou assim e por isso paramos de nos falar. E por conta desse desentendimento também rompi laços com a minha mãe, com a minha irmã, com a minha avó. Mas pouco me importei. Nutria por ela um sentimento grandioso demais, não havia espaço para os outros na minha vida. Aquela mulher detinha o meu afeto e dominava o meu corpo. Amaria para sempre ela, apenas ela. Viveria para sempre com ela, por ela. Ela. Apenas ela. Tudo ela. Ela e eu. Eu e ela. Corpos destinados. Apaixonados. Condenados. Sim, eu estava disposto a cumprir a minha sentença. Ela não. E depois de sete anos, de uma hora para outra, sem mais nem menos, ela se cansou, enjoou, perdeu o tesão. Nem o meu corpo sarado a atraía mais. E quando ela me deixou, eu chorei. Chorei muito. Pois ela se foi e levou a minha juventude, o meu sonho, a minha alegria, a minha vida. Eu estava morto. Tão jovem e morto. Mas eu precisava viver. E eu queria viver.&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt;Tornei-me homem quando percebi isso. E foi como homem que a tomei novamente em meus braços pela última vez. Ela sabia que quem estava naquela cama não era o seu menino, era um homem. Um homem não tão fácil de dominar. Por isso ela sentiu medo e desejo. Eu senti a sua fragilidade. Ela sentiu a paixão. Eu não senti nada. E foi sem nada sentir que acariciei os seus cabelos. E beijei os seus lábios. E toquei o seu corpo. E pescoço. Ela sentia muito, tanto que não se conteve e gritou que me amava. Sim, ela era minha. Finalmente ela era minha. Completamente minha. E eu podia fazer com ela o que bem entendesse. E eu fiz. Apertei com&lt;/p&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot; class=&quot;MsoNoSpacing&quot;&gt; com força o seu pescoço, proporcionei-a o prazer de sentir os meus braços fortes. Ela parecia agradecida, pois não reagiu. Depois, beijei-a ferozmente e respirei o ar de seu último suspiro. Ela estava morta. Sim, eu tirei a vida dela. E não me julgo criminoso, nem me arrependo. &lt;link rel=&quot;colorSchemeMapping&quot; href=&quot;file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CSUNSHINE%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml&quot;&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt; 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Souza&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNoSpacing&quot; style=&quot;text-align: justify; font-weight: bold;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;font-family:&amp;quot;;font-size:12;&quot;  &gt;Mr.Jones&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  </description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/apenas-ela.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-7709295443531131303</guid><pubDate>Thu, 02 Jul 2009 03:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-02T00:23:12.408-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Assassinatos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">brigas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">violência doméstica</category><title>A FUGA</title><description>As batidas na porta da sala não paravam. Vinicius tentava tapar os ouvidos, mas não conseguia impedir. O som dos socos e pontapés que seu pai dava na porta da sala, não paravam. Nilza, mãe de Vinicius queria impedir que Avelino entrasse em casa. Estava bêbado novamente. E como sempre nervoso. Avelino era um homem forte, trabalhava como “chapa”1 desde que perdeu o emprego, há mais ou menos um ano, e o pouco que conseguia durante o dia, bebia tudo e mais um pouco, no bar do seu Juvêncio, que ficava na esquina. &lt;br /&gt;Nilza se virava, vendendo salgadinhos e doces na rua. Vinicius a ajudava sempre que podia, quando voltava da escola. &lt;br /&gt;“Que saudades do antigo Avelino”, dona Nilza sempre falava isso. Na época que ele não bebia e não batia nela. Era uma boa pessoa. Mas agora, bastava beber para se transformar em outra pessoa. Um animal.&lt;br /&gt;Lá fora, largou a esteira de impropérios contra sua esposa e às vezes, contra o seu filho e contra qualquer um que se metesse em seu caminho. Os vizinhos, incomodados com a gritaria, começaram a acender as luzes e alguns até se atreviam a abrir a janela. Avelino gritava e esbravejava, dizendo que não era da conta deles e chegou até a jogar uma garrafa contra uma das casas.&lt;br /&gt;Avelino consegue arrombar a porta e vai direto para o quarto. Encontra sua esposa sentada sobre a cama com a cabeça baixa.&lt;br /&gt;- Ô sua desssgraxada, não me ouviu batendo na porrrrta não? - Disse Avelino, com a voz arrastando como se sua língua estivesse inchada.&lt;br /&gt;Nilza não respondeu e continuou com a cabeça baixa.&lt;br /&gt;- Ô sua desssgraxada, tá ficando surda?&lt;br /&gt;- Eu ouvi sim e toda a vizinhança também.&lt;br /&gt;Diante de tal resposta, Avelino esticou o braço esquerdo e deu um sonoro tapa em Nilza.&lt;br /&gt;- Sabia que tem lei contra isso? Um dia eu fujo daqui.&lt;br /&gt;- Tá pessssando que xou algum gnorante? Eu sei desssa lei da Maria de “não sei o quê”. E isprimenta fugi pro se vê se num te acho e te trago pelos cabelo. – dizendo isso Avelino deu um soco em Nilza, jogando-a para o chão. Ela bateu a cabeça no guarda roupa e desmaiou. Avelino, mal se agüentando em pé, tombou na cama e adormeceu também.&lt;br /&gt;No meio da noite Nilza acorda. Tudo doía. Tinha um hematoma na cabeça, resultado da batida no guarda roupa. O lábio estava inchado e partido e estava sangrando pelo nariz, devido ao soco que levara. Todo o seu braço esquerdo e sua camisola estavam manchados de sangue. Ficou sem entender. Não podia ser o dela, pois já estava seco. Tentou se levantar e sua visão escureceu acompanhada de uma forte dor de cabeça. Quando as imagens começaram a ficar clara, viu seu marido jogado sobre a cama e o sangue pingando na lateral. Viu seu filho num canto do quarto com uma faca manchada de sangue na mão.&lt;br /&gt;- Filho, o que você fez? – Disse Nilza desesperada correndo de encontro com o menino.&lt;br /&gt;- Eu escutei ele gritando com você mamãe. Ele te machucou. Depois eu vi você cair e pensei que ele tinha matado você, então eu matei ele. Desculpa mamãe. – Vinicius começou a chorar e Nilza o abraçou forte.&lt;br /&gt;- Venha meu filho. Temos que fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-chapa.: Trabalhador autônomo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-style:italic;&quot;&gt;Alguns detalhes interessantes que descobri enquanto escrevia esse texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CADA 15 SEGUNDOS uma mulher é espancada. A cada nove segundos uma mulher é ofendida na conduta sexual. Também a cada nove segundos uma mulher é desmoralizada no trabalho doméstico ou remunerado. Mulheres negras têm mais chances de serem estupradas que as mulheres brancas.&lt;br /&gt;A lei citada no texto é a Lei Maria da Penha. Ela foi sancionada pelo presidente da república no dia 07 de agosto de 2006, a lei é a 11.340/06.&lt;br /&gt;Em referência ao texto, o assassinato do pai pelo garoto, foi invenção, mas pode acontecer, pois não sabemos o que o lado negro de nossa mente pode nos reservar nos momentos de desespero. &lt;br /&gt;Mais detalhes sobre  Leia Maria da Penha, no site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_maria_da_penha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Jack Sawyer&lt;br /&gt;jack.sawyer@itelefonica.com.br &lt;br /&gt;http://contosfantasticosdesial.blogspot.com</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/07/fuga.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-7782189458206728615.post-2664518165107387634</guid><pubDate>Wed, 01 Jul 2009 01:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-30T22:46:13.876-03:00</atom:updated><title>Outra Vida</title><description>Não Aguento...Não Aguento...&lt;br /&gt;Tanto Sofrimeto.&lt;br /&gt;Em minha fria face congelada pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo almasmorrendo naquele tempo&lt;br /&gt;Lamentando-me...&lt;br /&gt;Ouço gritos de dor e sofrimentos,&lt;br /&gt;Pelas almas que estão sofrendo no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paz que eu já tive,será que terei novamente?&lt;br /&gt;Almas à gritar e eu a chorar,por implorar um pouco de paz,&lt;br /&gt;Errei o caminho agora irei de pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais agora me resta,mas adentro existe um pouco de...&lt;br /&gt;esperança,coagulando no canto de minha outra vida&lt;br /&gt;Não vejo minha alma,e meu corpo já não sente tua presença&lt;br /&gt;Desejo em mim um pouco de luz.</description><link>http://ladonegrodamente.blogspot.com/2009/06/outra-vida.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>