<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242</id><updated>2024-09-14T22:21:31.502-03:00</updated><category term="Hitler"/><category term="calcinha"/><category term="casamento gay"/><category term="castigos"/><category term="diarista"/><category term="guatemalteca"/><category term="judeu"/><category term="patinete"/><category term="rio de janeiro"/><category term="sinagoga"/><title type='text'>O Pardal Imoral</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>73</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-613638516072945397</id><published>2014-12-16T17:11:00.005-02:00</published><updated>2015-01-29T19:53:32.868-02:00</updated><title type='text'>A Diarista Guatemalteca</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Garry José Bronhovitch jamais
deixou de carregar nos bolsos das calças duas caixas de fósforos, seis
pares de luvas de látex descartáveis, quatorze tabletes de manteiga sem sal e,
ao menos, uma edição capa dura do Antigo Testamento versão &lt;i&gt;pocket&lt;/i&gt; com folhas de
papel jornal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Era assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem via Bronhovitch
saindo da Blockbuster ou espiando com seus olhos negros as revistas adultas nas
bancas da cidade logo se assustava e tratava de segurar o riso. Afinal, ele tinha dois
braços delgados, compridíssimos e, nas extremidades destes, dois finos punhos
impressionantemente flexíveis - sendo capaz de girar simultaneamente com muita
agilidade suas duas mãos em sentidos opostos enquanto reproduzia à beira da
perfeição o som das ferozes turbinas de aviões supersônicos em dia de
exibição.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando requisitados,
especialistas e numerosas baterias de testes e exames (Garry sofreu uma
inesperada convulsão durante a retirada de uma unha encravada na clínica pedológica
do Instituto de Depilação Vanessa) ratificaram sua ampla capacidade
respiratória, constataram suas taxas de colesterol em níveis satisfatórios e
contaram números regulares e esperados de hemácias e plaquetas a boiar pelo seu
sangue grosso de origem caucasiana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Por mais que enfiassem objetos
pontiagudos por toda a extensão de seu corpo esguio durante os poucos mais de
quatro dias de internação, os médicos do hospital de San Diego, Califórnia,
Estados Unidos, não encontraram tumor, diabetes, câncer, otite, gastrite,
gonorreia ou uretrite aguda nenhuma em Garry - e ainda aproveitaram para
retirar por conta própria aquela pontinha de unha afiada ainda mergulhada na
carne dura do seu dedão esquerdo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E essas boas notícias alegraram
Garry ainda mais quando ele relembrou, tendo recebido alta e sendo levado de
volta para casa depois dessa arrastada passagem pelo hospital, que mantinha
vinte e um pares de meias brancas cheirosas na segunda gaveta da cômoda de seu
quarto; que guardava secretamente quatro Penthouse’s bastante castigadas
embaixo dos seus livros de escola, e que, diariamente, independentemente de onde
estivesse ou da ocasião, punha seu blackberry para despertar às quatro horas da
manhã para comer três paçocas e anotar num bloco de notas timbrado da IBM suas
recentes vivências oníricas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sabia que ainda guardava em algum
canto de sua casa um grosso cobertor tricolor que o reconfortaria e manteria
seu calor corporal inalterado mesmo ante a mais polar frente fria vinda de
Vladvostok. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sabia ainda que, ao chegar à sua
residência, ligaria sua televisão de oito polegadas e não teria dificuldade em
encontrar algum programa que o agradasse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sabia que seu blue-ray e suas
imensas duas caixas de som estéreo estariam implorando para serem utilizadas e
que - e isso era o mais importante-, era sexualmente ativo e conseguia criar
mirabolantes narrativas pornográficas em um estalar de dedos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Seus batimentos cardíacos amansaram quando ele ouviu o
ranger familiar da porta da entrada da sua casa. Depois de acender as luzes dos
lustres da sala de estar, Garry pôde fechar seus olhos serenamente, sentindo o
saudoso e fraterno silêncio que finalmente o circundava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Pelo horário avançado da noite, Juanita, a diarista
guatemalteca, já deveria estar descansando no quarto dos fundos. Caso nada
ocorresse fora do esperado, só a encontraria ao fim da próxima manhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Seu rosto, combalido pelo
distanciamento repentino do lar e pelo desgaste das horas de ásperos sonos nos
leitos das camas magras do hospital, aparentou preencher-se com cálidas cores e
ele, como sempre fazia quando sentia a dita felicidade formigar em seu corpo,
aproveitou o ermo cômodo para peidar - como se este gesto, que em outros
momentos poderia ser acertadamente interpretado como deselegante, o libertasse
das indesejáveis pestilências que sofrera no hospital.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Partiu para seu quarto, incontido, quase alcançando ritmo de
corrida; os batimentos acelerando-se em um ritmo perigoso e os músculos
retesando-se ansiosos. Gotículas de suor brotavam da testa e reluziram sob os
lustres da escada conforme escalava-a e depois dirigia-se para o fundo sinuoso
do corredor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
O disco prateado Rocco Goes to Montreal foi inserido no
leitor de mídia do blu-ray pela mão tremente de Garry. Das caixas despontou um
rumor suave que, conforme teve o volume aumentado, transformou-se em um hipnotizante
blues americano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Um sorriso nasceu em seu rosto, dilatando-se gradativamente,
e ele pôde então ouvir o som tímido e quase esquecido de seu próprio riso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Garry, antes de livrar-se das calças, sacou o tablete de
manteiga e o par de luvas dos bolsos; com dois palitos retirados da caixa de
fósforos acendeu uma rotunda vela vermelha aromatizante e deixou-a consumir-se
lentamente sobre o criado-mudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Da gaveta da cômoda pescou dois pares de meias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Abriu o Livro Sagrado em uma página aleatória. Deteve-se por
minutos no seguinte trecho, enquanto lágrimas vertiam de seus olhos: “Porque
também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para
levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo
Espírito; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus
esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é,
oito) almas se salvaram pela água; no qual também foi, e pregou aos espíritos
em prisão”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Buscou depois as edições sobreviventes da Penthouse e também
as abriu sobre a coberta tricolor, disponibilizou-as de modo que pudesse
vislumbrar quatro fotos que, na sua maneira de observar as coisas, eram as mais
estimulantes visualmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Finalmente para a televisão de oito polegadas passou a
lançar olhares transbordantes de lascívia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Sorridente, Rocco abordava uma mulher de biquíni branco, à
beira de uma banheira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Vinte segundos depois, Garry saiu arfando do quarto. Tinha o
corpo lavado de suor e uma sede sufocante. O olhar ardente e a furiosa rigidez
do corpo pareciam agora domados de certa forma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Afinal, para ele - assim como deve ser para inúmeros
cidadãos, sobre quem muito ouvimos falar- quatro dias sem punheta é um castigo
que não desejamos nem aos nossos piores inimigos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Garry José Bronhovitch adentrou sua cozinha e tomou três copos de
Catuaba em três rápidos goles. Verteu metade de um saco de amendoim de
quinhentas gramas para dentro da bocarra aberta e mastigou tudo aquilo com
sérias dificuldades. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Depois demorou-se em uma extensa inspiração e foi acordar
Juanita. Tinha ainda quatro dias de atraso pra tirar das costas.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/613638516072945397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/12/a-diarista-guatemalteca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/613638516072945397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/613638516072945397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/12/a-diarista-guatemalteca.html' title='A Diarista Guatemalteca'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-2535306745005736981</id><published>2014-10-27T18:25:00.002-02:00</published><updated>2015-04-01T01:40:27.518-03:00</updated><title type='text'>Avante, Dênis Curto!</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Dênis Curto foi demitido do
emprego por ter bafo de bosta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O senhor tem bafo de bosta, disse
a mulher do RH.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Bafo de quê? - Curto não estava
prestando atenção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De bosta, replicou a moça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Bosta. Podemos falar bosta aqui
no emprego?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Helvetica Neue Light&#39;, HelveticaNeue-Light, helvetica, arial, sans-serif;&quot;&gt;Pode falar.
Com parcimônia, obviamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Compreendo. Contudo, preferiria
que você, moça do R.H, ao se referir ao odor do meu hálito, dissesse cocô. Pode
ser assim? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ok.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Então, diga lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Senhor Curto, o senhor tem bafo
de cocô.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;nbsp;E daí?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;o senhor está sendo
demitido por isso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Compreendi.&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Helvetica Neue Light&#39;, HelveticaNeue-Light, helvetica, arial, sans-serif;&quot;&gt;Mas que péssima notícia. De
qualquer forma, obrigado por falar comigo. Abraço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Igualmente.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Curto já ia escapulindo quando veio-lhe a mente um questionamento que julgou digno de ser exposto naquele momento.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quer dizer então, disse antes de deixar a sala, que as pessoas que têm cheiro de cocô na boca estão
sendo demitidas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não é uma política
institucionalizada, senhor Curto. Não ainda. Veja bem. Mas é uma prática
recomendada pela OMS desde setembro deste ano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A OMS aconselha as empresas a
demitirem os funcionários cujas línguas cheiram feito cocô?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sim. Tenho inclusive o paper
aqui, publicado na Conferência de Illinois. Veja só.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Curto esticou seus dedinhos e
trouxe a publicação até sua vista. &lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&quot;&lt;i&gt;Stinky breaths can lead your company to bankruptcy – Why, if the toothbrush
can resolve the issue, you need to step up and act like a bloody man - By
Malachias Passareye&lt;/i&gt;&quot;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;EN-US&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
I see. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Publicação e tanto. É um
problema de saúde corporativa - explicou a moça do R.H.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas esse meu problema vem sendo
motivo de reclamações há tempos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não. Começou há três meses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Curto gargalhou.&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Helvetica Neue Light&#39;, HelveticaNeue-Light, helvetica, arial, sans-serif;&quot;&gt;Ora, mulher idiota. Porque és tão
cretina?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, não faço ideia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não vês que na verdade não és
minha boca que fede a merda, mas sim minha cara?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No compreendo – disse a moça do R.H, alarmadíssima. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não vês que na minha cara há um
tipo de substância amarronzada feito merda?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pois é merda. A pura merda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Oh! Achei que fosse algum problema
de pele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Oh! Não, não é problema, são
fezes mesmo. Veja só. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Curto esticou o dedo e esfregou a
ponta contra a testa, retirando um tanto de material fecal da face.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Apontou o dedo para a moça do R.H.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Prove!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ela olhou para Curto um pouco
abismada. Hesitante. Por fim, pôs a língua para fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Curto depositou o cocô do dedo na
língua ansiosa da mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sim, é merda mesmo o que tens na
cara – disse ela, degustando demoradamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Helvetica Neue Light&#39;, HelveticaNeue-Light, helvetica, arial, sans-serif;&quot;&gt;Não é um problema de bafo de
bosta – explicou Curto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas, ora, o que é então?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
É um problema trabalhista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tente explicar-me isso aí – pediu
a moça do R.H. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao chegar ao trabalho, todas as
manhãs, encontro dois amplos tabletes de merda sobre os teclados
de meu computador. Pendurado na ponta do palito de dente, sobre um desses pedaços,
há sempre um bilhete, cuja mensagem invariavelmente é “Esfregue-me na cara,
logo, antes de eu seque, estou quentinha”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, que horror. Mas quem é o
autor disso? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nunca descobri. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Será seu chefe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não faço ideia. Apenas vou até o
banheiro, para ter mais privacidade e esfregar com mais cautela. Mas pode ser
qualquer um. Um faxineiro. Um colega.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Porque você obedece a esse pedido
absurdo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, obedeço porque tenho medo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Medo. Eu também tenho – confessou
a moça do R.H. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Esqueci de comentar que depois da
parte que diz ‘Esfregue-me na cara, logo, antes de eu seque, estou quentinha’,
está escrito sempre, ‘senão você está demitido”.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não posso crer nisso que conta. Não
posso crer que tenhas permitido isso, senhor Curto. Deverias ter combatido essa
ação indecorosa, esse abuso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ora, de que vale? Estou demitido
de qualquer jeito. Esfregando ou não. No fim, sempre sairemos, não é? Da vida. Do
trabalho. Esfregando merda na cara ou não. O resultado é sempre igual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A moça do R.H, Richelle do Rego, olhou o
homem com cocô na cara levantar-se cabisbaixo e deixar a sala.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Disse ela, antes da porta bater, Avante,
Dênis Curto! Avante! Levante essa cabeça, Dênis Curto!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A porta fechou-se num estalo. E então ela gargalhou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pobre idiota, disse Richelle, antes de coçar&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Helvetica Neue Light&#39;, HelveticaNeue-Light, helvetica, arial, sans-serif;&quot;&gt;&amp;nbsp;o cu.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Helvetica Neue Light&#39;, HelveticaNeue-Light, helvetica, arial, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Helvetica Neue Light&#39;, HelveticaNeue-Light, helvetica, arial, sans-serif;&quot;&gt;Cagaria no teclado de quem na
manhã seguinte?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/2535306745005736981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/10/avante-denis-curto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2535306745005736981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2535306745005736981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/10/avante-denis-curto.html' title='Avante, Dênis Curto!'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>INCRA 6º, Rua Dr. Brasílio Machado, 203 - Santa Cecília, São Paulo</georss:featurename><georss:point>-23.538579 -46.657395</georss:point></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-124451491627656156</id><published>2014-09-11T18:51:00.001-03:00</published><updated>2014-09-11T19:03:14.056-03:00</updated><title type='text'>Desgraça no Largo da Pólvora</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O ônibus estava escuro e repleto
de pobres e feios cretinos cansados após um dia dedicado à atividades
completamente irrelevantes para a continuidade e melhoria da condição da
espécie humana no Planeta Terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Superei a catraca após encostar
meu Bilhete Único num aparelho cujo nome nunca tive a curiosidade nem
necessidade de saber e cumprimentei com um leve meneio de cabeça o mano com a
jaqueta da Torcida Independente. Ele não reagiu, provavelmente sonhando com as
pernas do Kaká, e continuou dormindo pesadamente com a cabeça apoiada no vidro
gorduroso entreaberto por onde uma brisa agradável feito um peido soprava para
o interior do veículo lastimável.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Grandes cobradores. Sempre nos
dando novas razoes para que não sejam trocados por máquinas de última geração
que, além de menos dispendiosas, poderiam realizar o trabalho de forma muita
mais rápida e eficaz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Analisei os assentos disponíveis no
ônibus. Não havia nenhum. Quer dizer, havia meio. Uma senhora gorda ocupava 1,5
assento ou 75% de dois assentos na fileira do meio, logo após a porta
localizada na parte intermediária do ônibus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Uma filha da puta. Olhava para as pessoas caminhando pelas
ruas. Mergulhada em algum pensamento que a reconfortava deveras. Sorria e tinha
os olhos brilhantes e vivos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Arranjei-me no corredor.
Empurrando massas e massas de carne humana suada, impossibilitando o fluxo e
impedindo o direito de ir e vir de todo o cidadão. Não havia muito o que ser
feito além de ser chacoalhado e empurrado, pisoteado, cutucado, cuspido;
rezando para que o trânsito não atrasasse demais a viagem até o ponto onde eu
por fim desceria alquebrado, um pouco menos esperançoso quanto a vida e um futuro
menos horrendo que o presente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Faltando apenas três pontos para
me ver livre daquele espaço claustrofóbico, mais uma leva barulhenta de homo
sapiens invadiu o ônibus. Uma leva irrelevante para a prosseguimento da
história humana, um grupelho asqueroso que poderia muito bem ser apagado sem
nenhum prejuízo para a felicidade geral da nação. Tornaram o ar respirável
ainda mais exíguo, espremendo minhas costelas quase ao ponto de quebrá-las ao
se acomodarem em meio ao mar de corpos inertes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Rangendo perigosamente a cada
balanço, o ônibus sôfrego arrastou-se por mais alguns metros como um soldado
que acaba de perder as pernas ao pisar sobre uma mina terrestre e busca,
desesperado mas impotente, alcançar um refúgio seguro na trincheira mais
próxima, deixando para trás apenas um rastro de sangue escuro e restos de
tecido, osso e músculos destroçados. O que o ônibus deixava como rastro era a
dignidade humana.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Uma boca se aproximou do meu ouvido. - Meu nome é Klaus, sou
claustrofóbico - disse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Virei em sua direção: - Meu nome é Eutanásio, a vida
é sagrada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ele concordou com um movimento de cabeça e encostou um
canivete suíço contra meu rim direito. Passei-lhe minha carteira, meu Motorola
com antena e dois Tridents. Ele desceu no próximo ponto. Deu uma longa
respirada sobre a calçada. Mastigava um dos chicletes. Estava longe daquele
ambiente opressor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Boa, Klaus. Vá, amigo. Cuide bem
de meus pertences, longe de ambientes claustrofóbicos como esse”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Acenei timidamente. Ele não
notou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No próximo ponto, o último antes
do meu, uma menina pediu passagem para conseguir saltar. Dei educadamente dois
passos para trás, disponibilizando amplo espaço para ele se enveredar rumo ao
mundo exterior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ela, talvez por ter calculado
errado, roçou sua bunda magra sobre meu pênis, que jazia naquele momento meio
inconsciente dentro da minha Zorba alviverde. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ela disse alto, rindo, descendo os
degraus. &quot;Que pinto pequeno&quot;. &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Meu rosto formigou. Os rostos
mortos foram inflados por um sopro animador, o sopro criado sempre que alguém
passa ser humilhado publicamente. As bocas murchas ganharam contornos de um
riso zombeteiro. Até um japonês me tinha como diversão. Todos me olhavam. &amp;nbsp;Que desgraça.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Saltei no meu ponto, no Largo da
Pólvora. O coração esgotado. Os risos persistiram até a porta do ônibus se fechar
atrás de mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pensei em arroz e em salmão. Trabalhava
em um restaurante japonês. Meu dia mal havia começado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/124451491627656156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/09/desgraca-no-largo-da-polvora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/124451491627656156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/124451491627656156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/09/desgraca-no-largo-da-polvora.html' title='Desgraça no Largo da Pólvora'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-2173406750604589014</id><published>2014-07-23T19:30:00.001-03:00</published><updated>2014-07-23T19:55:36.275-03:00</updated><title type='text'>Latrocínio no Setor de Laticínios</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Acabei de chegar ao baile de formatura da minha prima
Geovânia Pires do Rego. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Passei o dia inteiro me maquiando. Coloquei meus melhores
brincos, arrumei o cabelo no salão, depilei a virilha, pernas e axilas, passei
o vestido no ferro Walita da vizinha, escovei os dentes duas vezes, e tantas
outras coisas. E, finalmente, cá estou. Linda. Preparada para curtir muito esta
noite, que é muito especial para mim e para todos os meus familiares.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ansiosa como sou, mal cheguei e já esquadrinhei o perímetro
da &lt;i&gt;Eric Leonardo Salão de Festas&lt;/i&gt;. Fiz
isso para que eu não tenha de perder minutos preciosos da festividade na fila
que se formará inevitavelmente ao servirem a janta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Já averiguei também as condições dos banheiros caso a comida
não caia bem. Também fui ver se os seguranças tinham corpos bonitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Alguns sim, outros não. Mas quem sou eu para ficar
escolhendo, né?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Agora estou aqui na mesa com o pessoal da minha família,
somos em 32, entre irmãos, primos, tios e agregados. Legal demais rever meu
primo Washington, que só pôde estar aqui graças ao indulto do Dia das Mães.
Curioso ele estar aqui, sendo que estamos em setembro. Mas acontece, né?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na mesa ao lado, uma família de 12 chineses se aglomera.
Ouço um deles perguntando se vai ter pastel. A chinesa idosa que veste um
casaco de lã levanta os olhos pesados, balança demoradamente a cabeça e
responde: vai, senti um cheilinho de flitula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De fato, o ambiente está dominado por uma profusão
estonteante de odores. Muitos perfumes cortam o ar e se chocam contra minhas
narinas sempre atentas. Muitos &lt;i&gt;Axe&lt;/i&gt; e
shampoos &lt;i&gt;Monange&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pois é, meu bem, trabalhar no Boticário há quase dois meses
e meio acentua nossa capacidade de identificar fragrâncias. Recomendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E, olha, ter esse sentido apurado não é exclusividade minha,
não, meu bem. Meu finado avó, o seu Gurgel, esfaqueado aos 31 anos de idade
durante uma partida de truco, trabalhou como faxineiro no banheiro da estação
rodoviária do Tietê e sempre gabava-se do poder olfativo que possuía. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Sabia reconhecer, dizia, pelo – ai, que vergonha falar isso,
cara! - pelo cheiro do cocô (pronto, falei!) o que havia sido consumido nas
refeições e as possíveis doenças dos usuários do sanitário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Infelizmente ele próprio não foi capaz da antever, com suas
narinas sobrenaturais, que uma faca &lt;i&gt;Ginzu&lt;/i&gt;
viria a penetrar seu crânio através das têmporas enquanto ele gritava “truco,
ladrão”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Além de não conseguir prever sua própria morte, ele foi
incapaz de vaticinar que minha mãe havia sido infectada com Ebola na época em
que trabalhou como assessora de imprensa na Tanzânia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Perdi mommy, o anjo da minha vida, quando eu tinha apenas onze
anos. E ela, com 20 - mas 20 anos muito bem vividos! -, deixou um &lt;i&gt;gap&lt;/i&gt; irreparável &lt;i&gt;in my life&lt;/i&gt; (vocês vão ter que me desculpar, mas ando fazendo aulas
de inglês no OpenEnglish, com professores americanos 24 horas por dia, e quero utilizar
um pouco do vocabulário). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A estrela da noite, a Geovânia, minha prima, sempre foi uma
guerreira. Aos 45 nos ela finalmente está se formando no ensino fundamental. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Minha avó, quem esfaqueou meu avô na partida de truco,
sempre lembra os familiares que Geô só aos 27 anos aprendeu a escrever o nome
do cachorro dela. O nome do cachorro dela era I. Escolheram o nome justamente
para facilitar e motivá-la a aprender a escrever. Deu relativamente certo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Alguns têm a impressão que se o cão se chamasse Io ela ainda
estaria no processo. Mas o que importa é que ela é uma batalhadora. Hoje sabe
reconhecer umas 20 letras e balbucia algo próximo de 32 palavras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Parece pouco, mas foi o bastante para conseguir o diploma do
ensino médio aqui em São Paulo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De modo que não preciso dizer para vocês como hoje é um dia
especial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas quer saber? Estou um pouco com inveja dela, não vou
negar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ainda não me formei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Precisei largar tudo (estudo, Facebook) quando surgiu a
chance de trabalhar no Bob´s. A partir daí foram só conquistas na minha vida, e
passei a descrever uma trajetória digna dos grandes seres humanos desse
planeta. Do Bob´s para o Burguer King. Do Burguer King para o McDonalds. Do
McDonalds para o Subway. E agora no Boticário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Nessa correria doida do dia a dia, deixei os estudos de
lado. Mas tudo bem. Ainda leio muito. Código da Vinci. Padre Marcelo Rossi.
Guia de Viagens do Zeca Camargo. Dicionário de Sinônimos e Antônimos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Um dia pretendo voltar a estudar. Mas não tenho certeza
total, é uma certeza média, digamos assim. Muitos dos meus ídolos nunca
estudaram e olha onde estão, poxa! O Latino, muitos dos meus MCs favoritos, o
Mc Gui, o Mc Donalds, o Mc Guime - &amp;nbsp;hoje
estão todos entre os brasileiros mais influentes do século XXI, segundo me
contam quando vou ao salão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E outra, se formar nem sempre é uma boa. Lembro-me da
formatura do meu primo Abidal. Quando ele subiu ao palco para pegar o diploma
na colação de grau, o lugar se transformou num pandemônio, repentinamente.
Todos gritando “Ô Abidal, pega no meu pau”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Algumas pessoas não têm respeito. Não tem Deus no coração.
Credo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Vi que algumas moças e moços do buffet (se diz bife, né? ou
bifê?- ah, sei lá, meu!) começaram a trazer imensas travessas fumegantes com
muita comida e coisas assim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Levantei da mesa, empurrei um chinês, corri, agarrei meu
prato e já me adiantei para receber a primeira colherada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo isso com muita agilidade para meus 130 quilos. Tô um
pouquinho acima, sim, mas já perdi 300 gramas desde o ano passado. Falam que o
mais difícil é começar a perder. Que depois vai rápido. Bom, eu já comecei a
perder. Agora só falta a parte de emagrecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Como primeira da fila, estiquei o prato para receber a
primeira colherada de &lt;i&gt;fettuccine ao
funghi.&lt;/i&gt; O prato pesou com a quantidade de macarrão depositada ali e quase
veio ao chão. Olhei para o menino do buffet, equilibrando o prato, e ele riu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pedi mais uma colherada pro danadinho, já que o macarrão
parecia delicioso. Ele colocou. Ui!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não tirei os olhos do rosto dele durante a segunda
colherada, de forma que ele poderia ter colocado merda ali e eu jamais teria
percebido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele era lindo, o servidor de macarrão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Bem escurinho. Com um bigode negro, lustroso. Tinha alguns
pontos brancos de pus de espinha na cara, que lhe davam um aspecto parecido ao
dos cookies de chocolate com gotículas de chocolate branco que andavam vendendo
no Subway quando trabalhei lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ainda hipnotizada pela beleza daquele mancebo,
automaticamente empunhei minha colher, enchia-a de comida e engoli sem pensar
uma boa parcela do macarrão depositado no prato, o que deveria equivaler ao
peso de um saudável recém-nascido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi um impulso comer ali, ainda na fila, na frente de todos
aqueles formandos do Ensino Médio. Mas aconteceu. Não sou dessas que ficam se
martirizando pelos erros. Aconteceu e pronto, meu!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando a comida desceu, após dar uma arranhada um pouco
esquisita nas proximidades da faringe, passei a notar que o garoto agora me
olhava com um ar de incredulidade, um pouco assustado, com nojo até. Estava
sobressaltado e olhava repetidas vezes para o pulso da mão esquerda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Que menino idiota, meu, pensei de mim para mim mesma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
A fila já começava a se impacientar. Resolvi ir embora,
equilibrando o pesado prato com as duas mãos, e deixar aquele menino pateta
para trás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas antes de voltar à mesa, voltei a mirá-lo, por
curiosidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele continuava com os olhos colados em mim. Ainda com uma
expressão assustada, como se acabasse de ter sido assaltado. De vez em quando,
olhava para o pulso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Que garoto esquisito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mas era gato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois de comer aquela quantidade absurda de massa e dar uma
provadinha na sobremesa, resolvi dançar com a tia Marlúcia, que já peidava sem
parar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tocava então “Gostava tanto de Você”, do Tim Maia – &amp;nbsp;que saudades do Tim, meu! Salve, salve, Tim!
Mestre da nossa música popular do Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E então ele apareceu ali na pista de dança, com o uniforme
da Eric Leonardo Buffets e Festas – uma holding da Eric Leonardo Enterprises.Chegou
perto. Temerário. Mas já um pouco safado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Passou a apalpar-me carinhosamente o abdômen, os tríceps
murchos e o papo. Em verdade vos falo, fiquei excitadinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Durante a dança, ele permaneceu ao meu lado. O interessado
meninão me desejava claramente. Ora! Queria possuir-me por completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E não só ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Infinidades de outros bípedes pluricelulares me olhavam
incrédulos, dominados pela lascívia, subjugados pelo despudor e pelo sentimento
empreendedor masculino de concatenar orgias em ambientes não indicados como
velórios e reuniões de funcionários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele me beijou depois que a tia Marlúcia retornou para a mesa
sob o pretexto de tomar um remédio para gases. Apalpou minha bunda. Mas contidamente.
Achei bem esquisito. Mas já estava caidinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Criei coragem e levei-o para conhecer minha família.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Apresentei-o a meu pai, um pouco encabulada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O gato, ao contrário, pareceu desabrochar-se com a
interação. Contou, para minha completa surpresa, que havia trabalhado no ramo
de franquias, em um hospital para idosos e na fábrica da Bauducco de Guarulhos,
sendo o responsável, nesta última empresa, em colocar a quantidade exata de
açúcar na mistura que posteriormente viria a se transformar num panetone. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Em todos esses casos, ele, usando de sua lábia marota e
irresistível, sempre traia a confiança da chefia, inventando histórias críveis,
tais como ir à reuniões para assinatura de contratos ou realizar visitas
técnicas, para, na verdade, beber cerveja pelos botecos de Interlagos com seus
amigos travestis filiados ao Partido Verde.&amp;nbsp;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele falava, contando suas peripécias nesta existência, e eu,
cada vez mais excitada. Apesar de, notei então, seu corpo exalar um cheiro
similar ao da superfície do Rio Pinheiros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Finalmente, belisquei o cabeçote de seu pinto e lhe falei,
ao pé do ouvido. “Vamos ao botel?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele perguntou, “onde?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Ao botel”, respondi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Que?”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Botel, porra. Para drepar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Ah, sim”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Despedi-me triunfantemente de minha família e da Gêo, e
chispei veloz como qualquer mulher há treze meses sem sexo dirige-se para um
motel ensebado. Ali no quilômetro 8 da Anhanguera, perto de Caieiras,
deparamo-nos com o lugar ideal. Foi uma noite de amor intenso, por módicos 70
reais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Apesar de sentir que ele não estava inteiramente à vontade,
satisfiz-me como mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Dormi e sonhei que era a Demi Moore.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pela manhã precisei aliviar um pouco de peso resultante da
farta janta. Meu garanhão descansava de seus heroicos e delirantes feitos. Na
ponta dos dedos, como Ayrton Senna nas voltas finais, fui dar uma defecada no
banheiro da suíte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo certo. Dois toroços (forma informal para se referir a fezes
de tamanho não muito comum devido à grossura e ou tamanho) boiavam na água,
como um casal de férias nos mares de Ibiza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao sair do toalete, enquanto ainda ressoava da privada
castigada o rugido decrépito da descarga, deparei-me com meu menino junto à
porta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Olhava-me como que febril.&amp;nbsp;
Suava abundantemente e, com as mãos a tapar as vias nasais, parecia
completamente fora de si.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Você deu a descarga ali, mina? Foi? O que tinha lá?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Só cocô, meu amô – respondi, rindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois de aparentemente controlar um jato de vômito que lhe
subiu das entranhas, ele se acalmou.&amp;nbsp;
Suas feições afrouxaram-se e ele perguntou se eu havia sentido algo de
diferente durante a noite. Intestinalmente falando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Disse que não, que estava tudo nos conformes. Aproveitei o
diálogo para comunicar-lhe meu irrefreável desejo de ingerir alguma gororoba
doce e/ou gordurosa o quanto antes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele acatou e lá nós fomos desjejuar na padaria mais próxima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Era de manhã, de modo que não era de tarde e muito menos de
noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na padaria, ainda trajando meu vestido da noite anterior,
pedi uma porção de torresmo consideravelmente oleosa, uma de minhas favoritas,
apenas para despertar por completo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele sentou-se ao meu lado, pediu um suco de melancia.
Parecia esperar por alguma coisa, ansioso, muito incomodado. Suspeitei que seu
estado de nervosismo quando me interceptou na saída do banheiro estava
começando a retornar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Alegrei-me ao ver o garçom vindo com os pedidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ao aninhar o alimento servido com meu braço esquerdo,
agarrei, com a mão direita, um pote graúdo de Doriana ali na vitrine ao lado e
deixei-o ali sobre a mesa, para poder mergulhar os pequenos torresmos na
manteiga.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele ficou imóvel, apreciando, talvez, eu desjejuando.
Pareceu-me que sua feição ganhava cada vez maiores contornos de asco.
Misterioso aquele homem. Manteria trancado no peito um coraçãozinho de ajudante
de formatura perfeitamente triste e revoltado?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aquilo me entristecia. Porque aquele homem estava tão
diferente após nossa noite tórrida de amor? Onde estava aquele calor que eu
havia conhecido na pista de dança? Onde estaria escondida aquela energia?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aquelas questões eram-me obscuras demais, e respostas eram
insuficientes naquele instante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Estava próxima de cair em prantos, e molhar meus preciosos
torresmos. Antes de a segunda porção chegar (dessa vez pedi frango a passarinho
- outra porção das minhas favoritas), decidi retirar-me momentaneamente para o
sanitário mais próximo para que assim escondesse minhas lágrimas de desolação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Enclausurei-me em uma cabine e, aproveitando a placidez do
sanitário, resolvi excluir de uma vez por todas o saudoso jantar de meu
organismo. E assim fiz, tortuosamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
E assim feito, ouvi um tilintar esquisito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Oh! Havia um belíssimo relógio dourado, um Rolex, boiando
ali em meio das bolotas de cocô de médio calibre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Deveria valer um bom dinheiro aquele relógio, imaginei. Como
havia parado ali? Não tinha nada na privada antes de eu sentar. Ou havia?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tirei-o cuidadosamente da privada, tratando de não esbarrar
em nada. Depois de secar, o coloquei cuidadosamente, enrolada em papel
higiênico, no fundo da bolsa.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Aquele mistério fez-me esquecer dos problemas que passava a
enfrentar com o bonitão do Buffet de formatura, cujo nome, realizei então, nem
sequer havia perguntado.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando abri a porta, ora bolas, lá estava ele novamente!
Olhava-me furiosamente, os olhos ardiam em duas labaredas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Informei-lhe que aquela maneira de agir estava me deixando
assustada e que não podia acreditar que, além disso, ele havia deixado minha
meus pedidos à mercê de qualquer &lt;i&gt;famintinho&lt;/i&gt;
surrupiador de porções.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Desesperada, tratei de me apressar, saindo em busca de meus
estimados franguinhos. Contudo, ele me segurou pelo braço, com força
desmedida.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Perdi a paciência, sua gorda. Cadê o relógio que você
comeu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Que relógio? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Silêncio. Ele estremecia. As palavras não saiam de sua boca.
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Como eu poderia comer um relógio? Isso é impossível! –
disse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;- Meu relógio! Você
comeu o meu relógio na festa ontem. Escorregou para o prato, para dentro do
macarrão e você comeu. Nem tive tempo de impedir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;- Você está louco,
garoto do buffet.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Comecei a chorar,
ganindo, desamparada, esperneando, totalmente entregue à louca crueldade da
crueldade louca daquele louco e cruel homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;- Porque és tão cruel
e louco? Não percebe que me encontro totalmente entregue à sua louca crueldade?
– perguntei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;- Percebo! Mas não
percebes, gordinha, que o relógio me é importante demais?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Saí do banheiro, desvencilhando-me de suas mãos, correndo,
ganindo meu choro faminto. Ele veio atrás. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Quando voltei para a mesa, um homem entrou na padaria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tinha na mão uma pistola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Era um assalto, ele declarou apontado a arma para os
funcionários e clientes. Pensei nos frangos. E então no relógio de ouro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O malfeitor discutiu com o gerente. Deu um murro na boca de
uma senhora. Puxou o celular de um menino jovem e, então, veio na minha
direção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
“Minha comida jamais, seu vagabundo”, gritei. E empurrei o
cara do buffet para cima dele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Peguei a travessa com os frangos a passarinhos, que eram
tantos e tão suculentos, e corri para a parte de trás da padaria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Precisava esconder meus pertences valiosos em algum local,
para que o meliante calhorda de uma figa jamais os encontrasse. Depositei a
travessa no chão, escondida atrás de caixas empilhadas de leite desnatado. O
setor de laticínios me pareceu o lugar perfeito. Era geladinho. E eu suava
abundantemente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Busquei identificar onde se encontrava o ladrão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não o vi. Talvez tivesse desistido de me perseguir. Ou, quem
sabe?, o buffet boy (meu inglês está tinindo) o havia desarmado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Era a hora de tirar o relógio e escondê-lo ali entre duas embalagens
de Philadelphia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Pesquei o papel com o objeto do fundo da bolsa e, quando
estiquei o braço para depositá-lo ali na vitrine, ouvi sua voz horrenda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Que tá fazendo ai, sua gorda escrota?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ser chamada daquela forma me aborreceu deveras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Nada. Estava pegando o leite pra conferir a data de
validade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Pode passar esse papel ai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Entreguei o relógio para ele. Os frangos a passarinho permaneciam
longe de sua atenção escondidos atrás da pilha de leite. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele desembrulhou o papel higiênico e então seus olhos
brilharam. Não esperava que havia um relógio caríssimo sob o papel. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
De repente, o malfeitor foi empurrado contra a estante de
laticínios. Era o misterioso buffet boy de volta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Começou uma briga brutal. Com socos e pontapés. O bandido
então puxou a arma da cintura e apontou para o menino da festa. Disparou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Foi chocante para mim ver o corpo tombar no chão, já inerte,
tenda a ida escapulido décimos de segundo antes. &amp;nbsp;Horas atrás aquele corpo quente me penetrava o
ânus e, agora, estava branco feito um queijo prato. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O assaltante apontou a arma para o teto e atirou diversas
vezes para o alto, gritando: “não quero mais nenhuma gracinha aqui”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
As balas chocaram-se contra as luminárias, as quais
vomitaram vidro partido das lâmpadas. Já sem o relógio, pulei sobre meu prato
de frango a passarinho, para protegê-los dos objetos cortantes. Nenhum de nós
foi ferido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No chão, abraçando a travessa, vi que os franguinhos estavam
pálidos, assustadiços com aquela violência tão comum no mundo dos humanos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;O assaltante veio ao
meu encontro, lentamente.&amp;nbsp; - O que
esconde ai agora, obesa do caralho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Abri os braços, revelando minha querida porção de frango a passarinhos,
supercrocante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Ele riu e pegou a travessa com a mão, na outra, a arma que
havia matado o garotinho do buffet. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Olhou bem para mim. Recarregou seu revólver. E arremessou a
porção no chão. Depois pisou sobre os franguinhos, feito o Seu Madruga. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não havia necessidade alguma daquilo. Ele era um monstro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Não só havia matado um jovem inocente de pênis avantajado,
como roubado o relógio que eu havia comido e, por sinal, tentado roubar também.
Mas, não feliz com essas monstruosidades todas, resolvera ainda jogar meu
desjejum no chão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Mostro! – urrei contra ele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Resolvi que era hora de agir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Iria desarmá-lo em nome daquelas dezenas de vida (do meu
amante e dos franguinhos que foram abatidos à toa) perdidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tentei levantar rapidamente para agredi-lo. Mas ele me
alvejou com cinco balas no estômago antes - bem antes vamos dizer - de eu me
aproximar dele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tombei no chão como um boi depois de tropeçar num
cupinzeiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Notei que estava morrendo. Não havia saída. Vítima de um
roubo. Depois assassinada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tombada no chão, vi que um dos frangos a passarinho estava próximo de mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tentei agarrar um. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Com a ponta dos dedos, belisquei a pele fria e gordurosa.
Puxei o pedaço, com a mão tremendo, já fria. Mordi a carne deliciosa. Mastiguei
uma, duas, três vezes. Engoli. Morri. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/2173406750604589014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/07/latrocinio-no-setor-de-laticinios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2173406750604589014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2173406750604589014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/07/latrocinio-no-setor-de-laticinios.html' title='Latrocínio no Setor de Laticínios'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-4088854641592972346</id><published>2014-03-31T19:22:00.002-03:00</published><updated>2014-03-31T19:22:57.133-03:00</updated><title type='text'>Regurgito Textual</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;color: #222222; font-family: arial; font-size: small;&quot;&gt;
As pendências balouçavam em meu papo inflado como provetas aladas destituídas dos rumores do bater de asas das flores estacadas na terra lamacenta e lamuriosa e queijos coalhos vendidos por caolhos cheirando a couves-flores de Parma misturavam-se ao fedor do suor rançoso do milho e das estripulias femininas capazes de trazer um estado de semi-rigidez temporal ao meu pênis carente de afagos e beijos babados.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;color: #222222; font-family: arial; font-size: small;&quot;&gt;
.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;color: #222222; font-family: arial; font-size: small;&quot;&gt;
“E todas essas meninas”, pensei comigo, enquanto descabaçava a casca danada de um pistache com os dentes podres, “bamboleando as bundas rumo o trabalho, para sentá-las contra cadeiras semi-estofadas por horas enquanto açoitam suas retinas com frases venenosas as quais reportam minuto a minuto nossa vexatória atuação sobre a face de Terra. Centenas de milhares de belas nádegas, embaladas em vestidos suaves, que nasceram para escutar o som bronzeando de suas bochechinhas rubras e lisas sendo torradas com carinho maternal pelo Soile, sendo sufocadas até a semi-consciência contra um produto de terceira”.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;color: #222222; font-family: arial; font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;color: #222222; font-family: arial; font-size: small;&quot;&gt;
Ô, negada linda de meu deus, feita com pinceis novos, tinta importada de Florença e esporrado num gemido gutural contra &amp;nbsp;tela trançada com&amp;nbsp;pelos&amp;nbsp;pubianos de rainhas e princesas, vamos nos aconchegar together e construir caiaques resistentes para remar contra a quilométrica queda d’água que nós separa da tranquilidade alucinada, do cérebro fervilhantes de informações e conexões, das histórias que revelam nossa origem, destino e razão.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;color: #222222; font-family: arial; font-size: small;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;color: #222222; font-family: arial; font-size: small;&quot;&gt;
Uma pina colada com rum é o que basta para esse regurgito textual. Um brinde.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/4088854641592972346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/03/regurgito-textual.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/4088854641592972346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/4088854641592972346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/03/regurgito-textual.html' title='Regurgito Textual'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-5365897005295927432</id><published>2014-03-22T00:13:00.000-03:00</published><updated>2014-03-22T00:13:34.685-03:00</updated><title type='text'>Vamos para Poá? </title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
Minúsculos por parte de Espanha e devaneios açucarados em flancos triangulares. Temíveis e recôncavos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saudades de mim, não é?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não me queixo - e jamais irei - de deixar de afirmar que me nego em queixar-me disso aí. Disso mesmo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verão que no verão são os patos de sapatos que atravessam a rodovia sem queimar as patas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E por que não consegue conceber consigo próprio nada além disso e anda todo o dia, e tento, viu?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os passos passam-se em lugares específicos, a quase todos os instantes ali, acolá, aqui também!, estalando por sobre pedrinhas fatiadas por um trio escamoteador de cozinheiras cuidadosas - uma mãe!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um bolo quente agora prejudicaria minha tarde amanhã, e talvez até a manhã da vida inteira que estou a desperdiçar. &amp;nbsp;E, além disso, considerando a suavidade do frio do ar que se movimentava, as coisas caminhavam de maneira impecável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois andava atravessando destemido o frio do ar que se movimentava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabes tu que o inverno dificilmente erra e seus comentários calculados são de uma sobriedade impar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sei que sabes, cossaco, curioso comuna com mula. Alias, simulas mamilinhos das girls ad exaustum?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se faz, és erro retumbante, coisa que Vernon God Little e seu séquitos de bilhetes únicos e gororobas de goiaba jamais invejariam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Haveria de haver, com H, alguma voz ali dentro, dentro do cemitério micmac, onde talvez enterrem Gage?Haveria anjinhos chineses, que agora fabricam chinelos brancos Nike made in Heaven, tomando um sorvete no dedo sujo, &amp;nbsp;lambendo-se com suas linguinhas nojentas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, sim a tudo, e seria inesquecível até a manhã seguinte, caso na sorte dum lance factual, meus milhos e seu milho mamassem milímetros do mel matinal. Sorvete e bolo e meia dúzia de tenras pedritas de gelo diáfanas que liquefazem-se enquanto venta os suspiros novalgínicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, me é caro deveras os insultos exuberantes direcionados para as portenhas, possuidoras de portentosas peneiras plásticas e de pormenorizados paquidermes palestinos, pseudo-pára-polenta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poá!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vamos lá....para Poá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vamos para Poá?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não. E outro não.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/5365897005295927432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/03/vamos-para-poa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/5365897005295927432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/5365897005295927432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2014/03/vamos-para-poa.html' title='Vamos para Poá? '/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-5221570595679068676</id><published>2013-12-18T14:24:00.002-02:00</published><updated>2014-03-31T19:37:29.803-03:00</updated><title type='text'>A Diarista Guatemalteca</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Garry Bronhovitch jamais deixou de carregar nos bolsos das calças ao menos duas caixas de fósforos, seis pares de luvas de látex descartáveis, quatorze tabletes de manteiga sem sal e, ao menos, uma edição capa dura do Antigo Testamento versão pocket com folhas de papel jornal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Quem via Bronhovitch saindo da Blockbuster ou espiando com seus olhos negros as revistas adultas nas bancas da cidade logo se assustava e tratava de segurar o riso. Ele tinha dois braços delgados, compridíssimos e, nas extremidades destes, dois finos punhos impressionantemente flexíveis - sendo capaz de girar simultaneamente com muita agilidade suas duas mãos em sentidos opostos enquanto reproduzia à beira da perfeição o som das ferozes turbinas de um avião supersônico em dia de exibição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Quando requisitados, especialistas e numerosas baterias de testes e exames (Garry sofreu uma inesperada convulsão durante a retirada de uma unha encravada na clínica podológica do Instituto de Depilação Vanessa) ratificaram sua ampla capacidade respiratória, constataram suas taxas de colesterol em níveis satisfatórios e contaram números regulares e esperados de hemácias e plaquetas a boiar pelo seu sangue grosso de origem caucasiana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Por mais que enfiassem objetos pontiagudos por toda a extensão de seu corpo esguio durante os poucos mais de quatro dias de internação, os médicos do hospital de San Diego, Califórnia, Estados Unidos, &amp;nbsp;não encontraram tumor, diabetes, câncer, otite, gastrite, gonorreia ou uretrite aguda nenhuma em Garry- e ainda aproveitaram para retirar por conta própria aquela pontinha de unha afiada ainda mergulhada na carne dura do seu dedão esquerdo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;E essas boas notícias alegraram Garry ainda mais quando ele relembrou, tendo recebido alta e sendo levado de volta para casa depois dessa arrastada passagem pelo hospital, que mantinha vinte e um pares de meias brancas cheirosas na segunda gaveta da cômoda de seu quarto; que guardava secretamente quatro Penthouse’s bastante castigadas embaixo dos seus livros de escola, e que, diariamente, independentemente de onde estivesse ou da ocasião, punha seu blackberry para despertar às quatro horas da manhã para comer três paçocas e anotar num bloco de notas timbrado da IBM suas recentes vivências oníricas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Sabia que ainda guardava em algum canto de sua casa um grosso cobertor tricolor que o reconfortaria e manteria seu calor corporal inalterado mesmo ante a mais polar frente fria vinda de Vladvostok. Sabia ainda que, ao chegar à sua residência, ligaria sua televisão de oito polegadas e não teria dificuldade em encontrar algum programa que o agradasse; que seu blue-ray e suas imensas duas caixas de som stereo estariam implorando para serem utilizadas e que - e isso era o mais importante-, era sexualmente ativo e conseguia criar mirabolantes narrativas pornográficas em um estalar de dedos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Seus batimentos cardíacos amansaram quando ele ouviu o ranger familiar da porta da entrada da sua casa, e, depois de acender as luzes dos lustres da sala de estar, Garry pôde fechar seus olhos serenamente, sentindo o saudoso e fraterno silêncio que finalmente o circundava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Pelo horário avançado da noite, Juanita, a diarista guatemalteca, já deveria estar descansando no quarto dos fundos e, se nada ocorresse fora do esperado, só a encontraria ao fim da próxima manhã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Seu rosto, combalido pelo distanciamento repentino do lar e pelo desgaste das horas de ásperos sonos nos leitos das camas magras do hospital, aparentou preencher-se com cálidas cores e ele, como sempre fazia quando sentia a dita felicidade formigar em seu corpo, aproveitou o ermo cômodo para peidar solenemente - como se este gesto, que em outros momentos poderia ser acertadamente interpretado como deselegante, o libertasse das indesejáveis pestilências que sofrera no hospital e o assustara como nada antes havia ousado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Partiu para seu quarto, incontido, quase alcançando ritmo de corrida; os batimentos acelerando-se em um ritmo perigoso e os músculos retesando-se ansiosos. Gotículas de suor brotavam da testa e reluziram sob os lustres da escada, conforme escalava-a e depois dirigia-se para o fundo sinuoso do corredor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;O disco prateado &lt;i&gt;Rocco Goes to Montreal&lt;/i&gt; foi inserido no leitor de mídia do &lt;i&gt;blu-ray&lt;/i&gt; pela mão tremente de Garry; e das caixas despontou um rumor suave que, conforme teve o volume aumentado, transformou-se em um hipnotizante blues americano.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Um sorriso nasceu em seu rosto, dilatando-se gradativamente, e ele pôde então ouvir o som tímido e quase esquecido de seu próprio riso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Garry, antes de livrar-se das calças, sacou o tablete de manteiga e o par de luvas dos bolsos; com dois palitos retirados da caixa de fósforos acendeu uma rotunda vela vermelha aromatizante e deixou-a consumir-se lentamente sobre o criado-mudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Da gaveta da cômoda pescou dois pares de meias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Abriu o Livro Sagrado em uma página aleatória. Deteve-se por minutos no seguinte trecho, enquanto lágrimas vertiam de seus olhos: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Buscou depois as edições sobreviventes da Penthouse e também as abriu sobre a coberta tricolor, disponibilizou-as de modo que pudesse vislumbrar todas as quatro antigas capas ao mesmo tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Finalmente para a televisão de oito polegadas passou a lançar olhares transbordantes de lascívia. Sorridente, Rocco abordava uma mulher de biquíni branco, à beira de uma banheira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Vinte segundos depois, saiu arfando do quarto. Tinha o corpo lavado de suor e uma sede sufocante. O olhar ardente e a furiosa rigidez do corpo pareciam agora domados de certa forma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Afinal, para ele - assim como deve ser para inúmeros cidadãos, sobre quem muito ouvimos falar- quatro dias sem punheta é um castigo que não desejamos nem aos nossos piores inimigos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Com isso em mente, Garry Bronhovitch adentrou sua cozinha e tomou três copos de Catuaba em três rápidos goles. Verteu metade de um saco de amendoim de quinhentas gramas para dentro da bocarra aberta e mastigou tudo aquilo com sérias dificuldades; depois demorou-se em uma extensa inspiração e foi acordar Juanita.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Tinha ainda mais quatro dias de atraso pra tirar das costas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/5221570595679068676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/12/a-diarista-guatemalteca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/5221570595679068676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/5221570595679068676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/12/a-diarista-guatemalteca.html' title='A Diarista Guatemalteca'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-3571168137813555980</id><published>2013-09-26T14:29:00.003-03:00</published><updated>2013-09-26T14:32:08.136-03:00</updated><title type='text'>Jamais voltarei a chorar por Otto Von Schwintzger</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
Ele acordou de pé. Já em vias de sentar-se. Ou seja, nem lá
nem cá. Se bem que, deixa-me ver, &amp;nbsp;bom, sim,
agora ele se sentou mesmo.&amp;nbsp; Então, sim,
agora ele se encontra sentado, de fato.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Deixe-me ver mais de perto. Está olhando para uma xícara de
chá agora. Olha lá, sai uma fumacinha de lá, e ela parece cheirosa e quentinha.
Tenho certeza que ele deve estar pensando alguma coisa como “que fumacinha
cheirosa e quentinha essa desse chazinho”.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ele acordou já sentando, no meio do movimento descendente,
como falei ali em cima, né?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Certo, então vamos prosseguir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Acho que ele, sentado e bebericando o chá, deve agora ter
pensado alguma coisa como “é ótimo acordar desse jeito, sem ser deitado numa
cama ou em alguma coisa semelhante. Já acordar vestido e no trabalho, enquanto
estou sentando na minha cadeirinha. Um sonho de americano esse, indiscutivelmente.
Que coisa gostosa”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Eu teria pensado isso, eu acho - ou será que não? - não,
provavelmente sim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Mas olha lá, ele começou a uivar. De felicidade, acho. Não
sei. Agora parou. Que maluco. Deu uma ganida, e agora, enquanto esse frêmito
ainda sacoleja seus interiores, resolveu pegar o telefone. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Lá vai, ele vai falar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Leva o telefone à orelha e diz, se dirigindo como se
interagisse com uma entidade invisível posicionada sobre sua cabeça, no alto da
sala, entre o lustre e a janela enorme que se abre para a paisagem mais famosa
do mundo, nesse começo de setembro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Bom dia, meu assessor maravilhosamente competente. Tu és
esplendido, ó profissional estonteante! És ou não és?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Sou sim, sim sou, sim, acho.” respondeu uma voz sincera e
tímida, vinda do outro lado da linha, precisamente do andar 93.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Ora, então és como suspeitei. Esse ponto já me é bem claro
agora.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Sim, parece que está claro que lhe parece claro.“&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“E como vai seu dia? Digo, pessoalmente.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Estou com um pouco de dor de cabeça. Mas hoje é
terça-feira, Mister Schwintzger, e tem uma festinha ali no West Upper Village”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Ora, ora, ora, meu garoto, ora! Ora! Mas que bela notícia.
Não tem como não notar que você trabalha todos os dias, de manhã até o fim da
tarde, e às vezes até de noite, e de madrugada, e também de manhã, de novo. É
bom sair um pouco, ir atrás das raparigas, não é, hein?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Sim! Mil sins! E hoje acordei meio putão, sabe?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Sei sim. Sim sei. Opa, como sei. Eu próprio já fui muito
putão nessa vida. E, sabe de uma coisa?, meu menino, ainda tenho meus dias de
putão.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Ora, mas isso é legal demais, Mister Schwintzger. Gostaria
muito de um dia ter a honra de acompanhá-lo em uma dessas mirabolantes putarias
pela nossa New York City. Alias, seria ótimo se o senhor me acompanhasse esta
noite, pois eu realmente estou precisando lhe comunicar uma coisa o quanto
antes. Infelizmente, não é algo muito legal. Mas é extremamente importante”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Mas que história esquisita é essa, meu querido assessor?
Justo durante essa manhã inestimável, quando ainda mal fulgura um dia tal qual
este que desabrocha defronte nossas faces , tão intenso e radiante, tu me vens
com essa muito esquisita conversa de “coisa não muito legal?”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“À noite podemos conversar melhor, meu querido mestre Mister
Otto Von Schwintzger. Olha, você é como um segundo pai para mim. Eu não poderia
viver sem sua presença a me guiar pelas áridas veredas de nossa existência. Se
acontecesse uma tragédia horrível, tipo, sei lá, se um avião batesse aqui e
explodisse uma quantidade infindável de gasolina exatamente sobre essa sala, e
eu não estivesse nela, e estivesse apenas o senhor - eu não poderia
sobreviver!. Sabe? Sem sua gentileza a me guiar, seria como se eu mesmo
morresse no momento desse improvável acidente que usei como esdrúxulo exemplo!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Obrigado, meu assessor. Mas agora repare as horas aí em seu
relógio. São 8:30! Já é hora do meu pastel de queijo de terça-feira, hein? Não
é? Pode ir pegar lá para mim? Sem pressa, ok? Eu não vou sair daqui.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Bom, agora ele recolocou o telefone no gancho. Levantou,
abriu a janela. Ligou o rádio (toca La Bamba, Richie Valens).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Assobia, acompanhando
a levada gostosa. Remexe as cadeiras contidamente. Anda até a porta. Abre,
antes de fechar, antes de abrir de novo, enquanto ouve as lamúrias da madeira
da que acaba de fechar mais uma vez. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Esquenta mais um pouco de água. Sobe o vapor. Assobia. Vai
até a janela. Para de assobiar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Nas mãos, apenas a caneca esfumaçante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Está parado, inconfortavelmente paralisado. E &amp;nbsp;há um zunido crescente, engordando aos poucos,
esganiçando por fim um berro metálico vindo de lá de fora, além da janela, que
preenche toda a sala e faz vibrar toda a estrutura do prédio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ele parece meio assustado. Bom, agora é claro que ele está
assustado, e muito. Porque ele vê um avião berrando, monstruoso, rasgando o céu
da manhã recém-desperta. Lá vem, em sua direção, pronto para engoli-lo em meio
aos gritos das turbinas e os guinchos dos metais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Mas não vai ficar assim, ao que parece. Otto começa a tomar
distancia, caminhando para trás, empertigando-se corajosamente, morosamente,
ainda mantendo a xícara nas rígidas mãos. Afastasse mais e mais da janela
aberta e então parte velozmente em sua direção, tão rápido quanto pode.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E então o hercúleo bico adentra a sala e explode parte do
prédio gigantesco.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ele - e isso acontece em um brevíssimo instante – consegue
adentrar o voo 11 da American Airlines através de uma milagrosa cavidade
escancarada na fuselagem, pois, um centésimo de milésimo de segundo antes, os
vidros da cabine de pilotos espatifaram-se ao chocar-se com a carcaça do World
Trade Center. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E durante um milésimo de décimo de segundo, Mister
Schwintzger, filho de um nazista morto em Nuremberg, vocifera: “Toma essa, seu
pequeno árabe imundo“, enquanto atira o conteúdo infernal da xícara no rosto do
piloto suicida, antes que os dois e mais quase uma centena de vidas sejam
incineradas pela explosão das toneladas de gasolina da aeronave.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Se você estivesse lá nesse dia, durante aquela coisa toda
desmoronado, poderia ter encontrado o aluído assessor, mantendo nas mãos um
pastel murcho e salpicado de farinha de concreto, falando com um monte de
tijolos, alvenaria e ferro retorcido, que tinha a curiosa forma de um camelo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ele murmurava. “Finalmente quando eu tive coragem de contar
que eu tinha engravidado a mãe dele, uma senhora iluminada, que no alto de seus
84 anos mantém uma lucidez invejável, pelo que falam lá na casa de repouso, um
avião bate nesse prédio. O cara não viu o Word Trade Center na frente não?&amp;nbsp; Como isso me é possível, oras? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Ele era meu segundo pai, e eu queria ser seu segundo pai,
também”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Meses depois, eu, o narrador dessa história, fui convocado
para servir o exército durante a invasão ao Afeganistão. Participei de incontáveis
combates. Vi centenas de conhecidos perderem a vida. Sem jamais deixar de
relembrar o senhor Otto despejando o líquido fervilhante sobre a face do terrorista
que pilotava a aeronave. &amp;nbsp;Relembrar aquele
momento, a bravura humana ilimitada, por vezes me fazia chorar, deitado no
catre, antes de cair no sono.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Era, até setembro de 2011, apenas uma consciência onipresente
e onisciente, que passava sua existência sem limitações, contando histórias
para os leitores do mundo. O início de mais um conflito e o derramamento de centenas
de litros sobre o chão árido da Ásia transformou-me em um jovem americano de 18
anos, com idade ideal para servir o exército e lutar pelos objetivos
estipulados pela bandeira americana.&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Em 2007, adentramos a província de Helmand , onde fomos
emboscados pelos poucos remanescentes do Taliban que persistiam a
confrontar-nos.&amp;nbsp; Fui capturado e
torturado por alguns meses. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Um dos últimos estágios da tortura, antes de ter o pênis
decepado, foi ter o interior de uma xícara de óleo de motor despejado sobre os
olhos. Com a visão destroçada e com a cara parecendo um salmão destrinchado,
jamais voltei a chorar por Otto Von Schwintzger, não porque havia deixado de
admirar seu exemplo de hombridade, mas, sim, porque já não possuía um canal lacrimal
adequado para prantear como um bebê indefeso. O que, de fato, eu era.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/3571168137813555980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/09/nao-voltarei-chorar-por-otto-von.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3571168137813555980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3571168137813555980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/09/nao-voltarei-chorar-por-otto-von.html' title='Jamais voltarei a chorar por Otto Von Schwintzger'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-1189368928465844821</id><published>2013-09-10T22:12:00.003-03:00</published><updated>2013-09-10T23:09:08.509-03:00</updated><title type='text'>Fuzuê na Itália Fascista - Como Dercy Gonçalvez colocou o Brasil na Segunda Guerra Mundial</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
(Click) - soprou, como um beijo estalado, entrincheirada por detrás de um arbusto bojudo e simpático para o carajo, a Kapsa ostentada com firmeza titânica por mãos inchadas e gordas de dar asco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, e assim muito era, a máquina mantinha-se inabalável por entre pequenos e frágeis galhos, dirigindo seu olho imortalizante de ciclope para um senhor calvo que acabara de levar os dedos ansiosos à região da virilha e adjacências inferiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, mas isso são modos, Benito Amilcare Andrea Mussolini?, perguntou silenciosamente nosso herói Guglielmo Cardinari, postado de cócoras, submerso em meio a folhas secas sem cheiro e besourinhos e joaninhas de fazer cócegas, na Piazza del Duomo, em Milão, em algum momento entre o decepcionante nascer-do-sol e o igualmente triste ocaso do soile do dia da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois de fevereiro de mil novecentos e quarenta e um. Data completamente desprezível para os milaneses senão fosse pelo deselegante e muy ofensivo movimento do bípede europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Benito vivia então raros dias de férias de seus afazeres de ditador e mascava naquele instante, feito um camelo cansado de ser trouxa, um amontoado de três chicles de bola (tutti-frutti, menta e tutti-frutti, de novo), enquanto solfejava uma apaziguante canção de Mário Consiglo e roçava his both hands ao longo da diminuta extensão de sua própria bolsa escrotal deveras enrugada (como confidenciaria a rampeira Giovanna Rabinesca, sua amante titular durante a Guerra, em entrevista à espanhola endiabrada Marieta de las Nieves, do Diário de Zaragoza, duas dúzias de doze meses após o termo do maior conflito visto neste planeta).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, senhor Mussolini, com as mãos nos bagos/bilau em plena movimentada praça, a insignificantes metros do brincar sagrado de nossas crianças? Ora!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Click) (Click) - espocou então, feito dois estalos de língua e dentes, a máquina fotográfica, guardando aquelas coçadas de saco e ajeitadas de pênis para serem coladas no álbum de recordações dos grandes feitos do homo sapiens de God Almighty.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo dentro da caixa torácica da ferramenta da memória documentação das mais históricas, nosso bom menino Guglielmo tratou de chispar do perímetro tão veloz pôde e instantes depois já iniciava a negociação do material na redação do Corriere della Sera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fotos estampadas no jornal na manhã seguinte chacoalharam as bases da Itália fascista, viu, meu nego? Juro-te! Chacoalharam como nádegas em fevereiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ângulo da Kapsa fez vir ao mundo a ilusão de que Mussolini estava a descascar sua banana ditatorial a dois passos de uma menina a brincar de amarelinha. Não era bem assim, entrementes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua residência, após a leitura da manchete do dia, o comandante dobrou o papel higiênico com o qual limpara o ânus e caminhou placidamente para fora do banheiro para atirar a fina tira suja contra seu assessor pessoal, que estava a sorver uma xícara de chá, sentado sobre o parapeito da varanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Benito tinha o claro objetivo de machucar alguém e isso era bastante compreensível para minha pessoa, uma vez que as fotos deveriam causar dano irreparável à sua reputação. Ordenou então, após a agressão covarde, a meu ver, a prisão do fotógrafo, para poder torturá-lo no momento que achasse propício.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sete horas despúes nosso meninão Cardinari (papai de Claudia Cardinari [então com três anos]) foi engavetado feito uma meia lavada que aperta a ponta dos dedos no Presidio Osped na Via Castelvetro, 32, CEP- 01230-009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bennito, após a confirmação do encarceramento do fotógrafo, fez o que eu e mais quatro pessoas em um grupo de cinco fariam depois de mandar um homem para uma sentença de décadas do mais puro sofrimento: sentou-se à cadeira de balanço predileta e obrigou-se a mergulhar no mais profundo dos sonos, aquele do qual poucos têm o real ímpeto de desvencilharem-se. Queria esquecer a existência daquela imagem que agora, muito possivelmente, chocava-se contra os olhos de todos os irmãos italianos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas horas depois, Il Duce acordou revigorado, sobre o colchão duplo de sua cama king-size de travesseiros de pena de ganso manufaturados por consultoras de RH do sudeste do Brasil, cujo cheiro de almíscar lambido por tilápias adolescentes do baixo Cairo adocicava toda a atmosfera do elegante quarteirão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantou-se, sorrindo, e foi caminhando a passos lentos na direção da cozinha, onde tomou o jornal da manhã com a mão direita. Nada de ofensivo a seu respeito foi lido por seus olhinhos remelentos e pouco acostumados à luz mortiça da manhã milanesa. Então, com certa satisfação, fritou um bife à milanesa, raspou nacos de um gorduroso bacon alemão e, depois, fermentou dois bolinhos de soja para o desjejum. Tentava entender o que havia acontecido com a manchete do jornal que havia lido horas antes, antes de atirar o papel higiênico contra a face de Luigi, seu assessor principal durante toda sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inflou o peito após o término do mergulho entranhas adentro da última lasca de carne e acompanhamentos e empertigou-se. Aquela calma que sentia no corpo podia muito bem ser uma armadilha do destino, pensou, notando a tensão voltar rapidamente ao corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Automaticamente, coçou ampla área calva situada acima da alta testa. Precisava se distrair com o que fosse. Tratou então de cobrir a pele apropriadamente para um passeio relaxante ao longo dos bons metros da praça defronte seu apartamento alugado. Caminhou por longos quilômetros até postar-se diante de um banca de jornal, que expunha costumeiramente todas as manchetes do dia para a leitura gratuita dos transeuntes. Atentou-se demoradamente a cada uma delas. Nada sobre o ocorrido na praça constava nas manchetes e cadernos. Atenuaram-se imperceptivelmente os olhos negros injetados e a feição nervosa petrificada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente algum nobre e competente funcionário fez com que o jornal retirasse as edições primeiras da manhã e, oportunamente, as substituiu por outra, benditamente censurada, pensou consigo mesmo Mussolini, forçando-se a crer nessa possibilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com toda a certeza, alguém fez o trabalho certo, pensou. Posso ficar tranquilo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caminhou, saltitante, sentindo-se feliz e radiante, em direção à área da Plazza. Notou o burburinho cheio de gáudio erigido por um grupo de meninotas que brincava de amarelinha e ria e fazia poses por demais engraçadas enquanto não se envergonhava por levantar o vestido até a altura da testa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Il Duce se aproximou, dando uns dois, três, quiçá quatro passinhos tímidos e abriu as janelas da alma para receber os estímulos visuais de maneira mais apropriada. &amp;nbsp;Foi então que um vento gélido soprou vindo do noroeste búlgaro, uma cantiga morosa de Mário Consiglo espocou em seu espírito e por alguma razão desconhecida sua virilha passou a coçar furiosamente. &amp;nbsp;Mussolini, automaticamente, levou os dedos ansiosos à região da virilha e adjacências inferiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E então notou que aquilo já havia acontecido. E seu sangue ferveu com a certeza de que o astuto fotógrafo estava naquele instante sorrindo por detrás de sua câmera, registrando a coçada de saco mais importante da passagem humana pelo globo terrestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Benito voltou o corpo com ferocidade e passou a buscar a localização do fotógrafo. Afastou-se apressadamente do grupo de meninas e subiu rapidamente um tênue aclive de pedregulhos que alcançava um trecho infestado de arbustos. Pôs os olhos a esquadrinhar com plena dedicação cada milímetro do perímetro. Não demorou até um arbusto seco tremular. De lá saltou assustado um homem rotundo segurando uma câmera fotográfica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Benito lançou-se contra ele instantaneamente. O fotógrafo, entretanto, mostrando uma agilidade estranaha para aquela massa de carne que possuia, se desvencilhou e partiu do local correndo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini pôs-se atrás do fugitivo, sem perder tempo algum, fazendo valer seu corpanzil atlético e resistente. &lt;br /&gt;
Saindo da área da praça, o fotógrafo subiu a Giuseppe Mangoni, cruzou a Santa Margerita e ganhou a Via San Protaso, sem mostrar cansaço algum apesar dos treze quilos que julgava levar a mais no abdômen.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prosseguindo sua louca escapada, Cardinale cruzou feito um raio a elegante entrada do Victoria Café e, tomando a população transeunte da Via Clerici de assalto, encontrou exílio no Instituto Brasile-Itália, onde, justamente na entrada do edifício, Dercy Gonçalves lambuzava o rígido lábio inferior com a ponta molhada de um batom arroxeado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cardinale contou som sua astúcia ao gingar o corpo para a esquerda, evitando um choque frontal contra o corpanzil da humorista, e seguiu subindo em louca escapada a escada, sem parar por um instante sequer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Mussolini atropelou o franzino conjunto de ossos e pele vindo ao mundo na cidade do Rio de Janeiro em 1905, como um trem atropela um pedaço de maria mole.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dercy foi lançada para dentro do edifício, chocando-se violentamente contra &amp;nbsp;uma estátua colocada sobre uma mesa de carvalho, e caiu desacordada sobre o tapete que cobria o chão rangente de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recuperando-se do impasto, e emputecido com a perda preciosa de tempo, Mussolini agarrou Dercy e optou, sem dar-se conta do crime ultrajante que cometia, em jogá-la contra a parede do vestíbulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora Mussolini, como ousa empurrar e arremessar a maior atriz da República Federativa do Brasil dessa maneira?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini prosseguiu empreendendo sua perseguição, satisfeito com o teor da agressão àquela mulher intrometida, e, percorrendo os degraus altos da escada, atingiu o segundo andar do sobrado centenário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lá encontrou o fotógrafo caído, com cara de quem tenta suportar uma dor desumana. Ele segurava a ponta do dedão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Bati o dedo no degrau - explicou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- É uma dor lancinante, de fato - respondeu Mussolini. - Deixe-me dar uma olhada, sou bom com ferimentos nos pés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini analisou a região e não demorou com o diagnóstico. - Você quebrou esse dedo. E agora eu vou esmagar sua mandíbula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini montou sobre o fotógrafo e já se aprontava para enfiar os dedos nos olhos lacrimejantes do homem para que ele jamais batesse outra foto, mas sentiu toques ansiosos de um magérrimo dedo indicador contra suas costas e virou-se irritado para identificar quem lhe interrompia atividade tão prazerosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini virou o pescoço enraivecido, riscado por veias a pulular, e divisou a alguns poucos centímetros nossa querida Dercy Gonçalves brandindo com a mão tremula uma pequena estátua de musa pesando cinco quilos, a qual cintilou com a luz cinza e letal que pairava sobre o local..&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Toma essa, seu gordo filho da puta. Vai toma no cu, porra!, ela disse, desferindo golpe violento contra a careca do ditador, que se abriu vermelha como um teco de picanha mal passada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini tombou sobre o piso de madeira como uma geladeira, emitindo um suspiro abafado e agudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu sangue, borbulhando de sua testa, escorreu sobre o chão até a escada, vertendo por todas as quedas dos degraus até o piso térreo como um pequeno rio rubro a saltitar e quedar pelo litoral inflado de variações de relevo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Getúlio Vargas dançava tango com as meninas de Carmen Dudalina no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, Brasil, quando seu celular fez uma sequência de barulhos curtos e irritantes, vibrando impacientemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as terças-feiras de manhã Vargas recebia aulas de danças de salão - e não as interrompia por nada nesse mundo. Mas naquela ocasião ele afastou com um movimento calmo e gentil Maria de Cármen Etccheverria para longe de si, atendeu ao telefone, e, depois, caminhou até seu notebook, com o qual acessou sua conta de email.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma mensagem do embaixador brasileiro na Itália despontava no topo de sua caixa de correio. Seu conteúdo era horrendo. Getúlio ficou imóvel por um momento. Parecia concatenar imagens sombrias, as quais singravam livremente por sua mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então ergueu-se e foi até Etccheverria e dançou, mantendo expressão cheia de preocupações, como a de um marinheiro que vê a tempestade se avizinhando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o início da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas manteve-se neutro até o dia em que Mussolini resolver atirar nossa amada Dercy contra uma mesa. A atriz mudou tudo o que Getúlia planejara - com uma pancada fatal na calva de Benito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil declarou guerra contra o Eixo, como resposta ao anúncio de guerra anunciado pela Itália horas antes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dois milhões de jovens soldados brasileiros foram enviados à Itália.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o avanço das forças nazista por toda extensão europeia e depois por toda a União Soviética, a Itália ganhou força e apoio militar ilimitado da Alemanha de Hitler, chegando a invadir o Brasil em fevereiro de 1946. O resultado foi desastroso para os brasileiros, com milhões de mortos após a invasão e total destruição do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feitos prisioneiros, Getúlio e Dercy foram atirados do alto do Cristo Redentor durante uma manhã de extremo calor, diante dos olhos injetados e exultantes de Mussolini.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Il Duce acordou revigorado em sua cama king-size coberta por um imenso lençol elétrico Bioterm. Tinha ao lado Francesca Freduzeski, ex-coletora de impostos de origem egípcia, que por anos trabalhou no estaleiro de Berna. Francesca havia sofrido de uma forte diarreia durante a madrugada, como resultado do jantar com a delegação brasileira que visitava a Itália do dia anterior. Animada em conhecer aquele grupo festeiro, Francesca passou horas conversando com uma famosa atriz do país, com quem secou o interior de cinco garrafas de champagne e devorou três dúzias de ostras chilenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini levantou-se da cama silenciosamente, não queria acordar Freduzeski por nada desse mundo, e foi caminhando a passos de cágado rumo à cozinha, satisfeito por perceber que a invasão contra o Brasil não passava de um sonho irreal. Não se imaginava passando calor em uma cidade selvagem e abominável como a do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tomou o jornal do chão com a mão direita e texto algum a respeito de coçadas de saco foi lido por seus olhinhos remelentos e pouco acostumados à luz mortiça da manhã milanesa. Fritou um ovo de galinha que não cisca, raspou nacos de bacon alemão, fez uma margarita, fermentou dois bolinhos de soja para o desjejum e inspirou profundamente, prazerosamente. Resolveu descer à rua para uma rápida caminhada ao longo da Piazza del Duomo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Andou com o rosto inclinado para a cortina cinza que vestia o céu. Com os olhos cerrados, Mussolini se sentiu feliz por estar vivo, respirando profundamente um ar alegre e revigorante. Imaginou-se a correr pelas dunas brancas de alguma praia edênica do sul espanhol, acariciando os seios macios de alguma nativa, bebericando gim e urinando sorrateiramente no mar quente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O som de uma risada por fim o despertou de seu devaneio. Abriu os olhos com presteza e notou duas pessoas caminhando em sua direção. Um hombre e uma pequena menina de uns três anos vinham andando de mãos dadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao se aproximar, Mussolini fitou o corpo rotundo e as feições daquele homem e imediatamente o reconheceu. Era o fotógrafo de seu mais recente sonho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini se pôs à frente do homem e segurou-o pelas golas de sua camisa branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Fotógrafo maldito. Nunca mais vai me fotografar coçando o saco – disse Benito, acionando com um assobio agudo um séquito de policiais na esquina da Rua Tutuca com a Michele Alboreto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Me larga! – pediu Guglielmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Onde está a máquina, seu fotógrafo sujo? Deves ser um comuna imundo, só pode,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Máquina? Jamais bati uma foto em minha vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ver o pai sendo atacado repentinamente por um homem furioso fez com que a menina passasse a chorar copiosamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Fique tranquila, Cláudia. Tudo dará certo, ele mentiu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a última frase que Claudia ouviu do pai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Guglielmo Cardinari foi arrastado até o centro militar de Milão naquele mesmo momento. Lá, sem entender a razão do cárcere, dedicou-se a respirar, piscar os olhos e se lamentar pelo inconcebível infortúnio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por dois anos ficou ali, como um personagem kafkiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1943, Guglielmo encaminhava-se ao lavado da lavanderia da prisão para defecar com segurança e privacidade, quando seus astutos olhos captaram cena para lá de vexatória. Na sala de máquinas, localizada no início do corredor leste, com os dedos ariscos feito patinhas de caranguejo em perigo, o diretor da penitenciária, Manny Bonald, inglês podólatra, dava pequenos beliscos na chapeleta arroxeada de seu minúsculo pênis e, com efeito, dava gargalhadas gostosas de criança, diante de um pedaço balouçante, formato lua minguante, de espelho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O azar fez-se sobre nosso amigo pai de Cláudia mais uma vez e depois de perceber a invasiva atenção que o prisioneiro dava a seu lazer, Bonald o enviou para se exilado na Ilha de Elba, como cumprimento de pena perpétua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não conhece a ilhota, linda de morrer, o local é dividido em oito comunes italianos: a capital Portoferraio, Campo nell&#39;Elba, Capoliveri, Marciana, Marciana Marina, Porto Azzurro, Rio Marina e Rio nell&#39;Elba.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi naquele local em que o ilustre Napoleão Bonaparte permaneceu isolado da Europa, após a fracassada&lt;br /&gt;
invasão da Rússia. Na pequena porção de terra cercada de água por todos os lados, Gugliemo gostava de passear para coletar amoras silvestres e pedaços de ossos de pássaros mortos, com os quais realizava cerimônias politeístas e sodomizava pequenos repteis não venenosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário da penitenciária milanesa, Gugliemo podia andar livremente pelo local sem ter de se preocupar com qualquer tipo de intromissão dos guardas da prisão. Passava os dias notando certo contentamento a rondar seu corpo, mesmo que ínfimo diante do horror do encarceramento e da saudade irremediável que sentia da filha Cláudia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fim da tarde de uma terça-feira de céu azul sem nuvens, Guglielmo sentiu o estomago vacilar. Havia comido oito obesas jabuticabas logo pela manhã e sentiu que descia-lhe pelo ventre uma boa quantidade de cocô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentou-se tendo o esplendoroso azul do Mar Mediterrâneo desenrolando-se por toda sua frente e sorriu pela última vez. Antes de livrar-se do primeiro tablete de merda, sentiu dos afiados dentes sendo cravados contra seu ânus já semiaberto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Virou-se sem cagar e viu um mangusto a lhe encarar com os dentes a mostra, pronto para outro ataque. Guglielmo puxou as calças e tratou de trancar as entranhas. Tentou correr até o presídio, mas desfaleceu sobre um descampado, longe dos olhares dos funcionários do presídio, onde o Sol esquentou-lhe a carne.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Horas se passaram até Guglielmo ser levado à enfermaria. Lá, a bactéria proveniente dos dentes do mangusto espalhou-se pelos gânglios linfáticos, onde se multiplicou. Enfim, sete dias após ter o cu mordido, estouraram protuberâncias azuladas na pele de Guglielmo, acompanhado de alta febre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pouco depois, as bactérias invadiram a corrente sanguínea, onde se multiplicaram causando peste septicémica. Ao fim, a hemorragia invadiu o pulmão e matou-o.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste mesmo instante, quilômetros distantes, Mussolini sentiu um &amp;nbsp;um vento gélido bater-lhe sobre a careca e por alguma razão desconhecida sua virilha passou a coçar furiosamente, enquanto uma cantiga morosa de Mário Consiglo espocou em seu espírito, e ele acordou sobre o colchão duplo, agora empapado em urina, de sua cama king-size.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/1189368928465844821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/09/fuzue-na-italia-fascista-como-dercy.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1189368928465844821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1189368928465844821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/09/fuzue-na-italia-fascista-como-dercy.html' title='Fuzuê na Itália Fascista - Como Dercy Gonçalvez colocou o Brasil na Segunda Guerra Mundial'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-2577025219386850021</id><published>2013-08-23T12:16:00.001-03:00</published><updated>2013-08-23T12:17:12.927-03:00</updated><title type='text'>Vai pegar o ônibus, ó curioso animal?</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
5h30 da madrugada - lá estava eu em meu táxi, estacionado em
frente ao prédio, aguardando o cliente descer. Averiguei o aroma das axilas.
Tudo OK.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
Então o portão do prédio bateu em um estrondo. E eu pulei
para fora do táxi. Fiz-me então em continência, imediatamente, como se
estivéssemos, eu e meu batalhão invisível, em plena visita surpresa de general.
Ao cliente devo agrados mil.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
O que vi, entretanto, não era general, coronel, major,
cabo-armeiro nem ao menos um tenentezinho. Era sim um pequeno macaco, bastante
elegante, arrastando uma mala com rodas. Trajava um paletó cinza muito bem
passado, cheiroso que só, e assobiava a música de abertura dos Trapalhões.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Deslizou até meus pés uma enorme mala, sem dirigir-me
palavra alguma, nem ao menos um olhar. Depositei sua bagagem, pesada além da
conta, no porta-malas do táxi, como quem deita um bebê de colo em um berço. E iniciei
a prestação de mais um serviço incriticável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
O símio ajeitou no rosto uns chamativos óculos escuros de
haste vermelho caqui e entrou no táxi em um pulinho lépido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
“Mais um desses artistas afeminados”, falei para mim, no
silêncio da minha cabeça. Assenti com a formulação: “com certeza, cara, outro
macaquinho afeminado”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Adentrei meu táxi e ele indicou o destino: Rodoviária Novo
Rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
‘Vai pegar o ônibus, ó curioso anima?’, falei para mim
mesmo, novamente, mas perguntando para ele, telepaticamente. Procurava com isso
testar minha capacidade de refletir sobre as informações que me eram dadas.
Estava me saindo relativamente bem, até então, em minha opinião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Enquanto os pneus esfarelavam-se sobre o espinhoso asfalto
carioca, procurei lembrar-me se já havia recebido um passageiro macaco em meu
táxi. Não, nunca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
O macaco permanecia em silêncio, conforme contornávamos as
sinuosas e desertas curvas da Linha Amarelam em uma velocidade imbecilmente
alta. Depois de sermos quase ensanduichados por dois ônibus conduzidos por motoristas
tão ou mais inconsequentes que eu, ele se virou e olhou-me diretamente na cara,
mastigando os dentes de tensão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Imaginei que ele pediria para descer, como faz boa parte dos
meus clientes. Mas não. Não. Mil nãos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Não se lembra de mim, Clóvis?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Oi?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Sou eu, porra, o Silvinho, o macaco do circo Vostok.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Opa! Fala aí, Silvinho!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Fala aí, cara, tudo bom?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Não, não muito, na verdade. Mas e sua pessoa, vai bem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Mas é claro que não, porra! Seu imundo! Você deveria estar
preso depois de tudo o que fez comigo e com meus colegas naquele circo imundo.
Durante anos fomos humilhados, obrigados a usar batom, peruca, vestir trajes
apertador e cor de rosa, de noiva, de fazer malabarismo com ovo, comer banana.
Eu não gosto de banana, cara. Clóvis, hoje nós nos vingaremos de você!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Foi mal, Silvinho. Mas vocês mereceram! Se não fossem os
macacos, não existiriam os humanos e não existiriam táxis, e assim não
existiriam passageiros de táxi nem buzinas ou faróis de trânsito. Assim, eu não
estaria em um táxi de madrugada levando um macaco a uma rodoviária. Vocês
vieram com esse papinho frouxo de evoluir e tal, e aí viraram atração de circo.
Não se faça de vítima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Basta! – disse o primata enfezado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Silvio, qual o problema em se vestir de mulher? Todos
adoravam vocês lá. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Olha, desde que o circo faliu estamos a sua procura. Vejo
que não tens arrependimento em sua alma e/ou coração. Vamos para Ipanema,
então! Temos uma pequena surpresa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Aí Silvinho assobiou e da mala depositada no porta-malas saíram
uns trinta pequenos macaquinhos, todos igualmente elegantes, perfumados e
emputecidos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Todos esses aí? – perguntou o assustado Clóvis. - Vai
ficar caro, já vô avisando. E outra, eu não posso levar mais de quatro pessoas
no táxi, alguém aí vai precisar descer, viu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Clóvis, você parece não entender, nós estamos te
sequestrando, você fará o que nós mandarmos a partir de agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Ahh...Entendi. Onde em Ipanema?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Posto 9.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Hummm. Eu sabia, Silvinho...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Entretanto, alguns macacos quiseram buscar pó na Rocinha, de
modo que chegamos quando já era meio dia em Ipanema. Estacionei o táxi sobre o
meio fio da avenida e eles vieram com uma historinha esquisita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Durante a tarde toda você vai vestir esse biquíni fio
dental e caminhar pela areia. Para você sentir na pele o que nós sentíamos
diante do respeitável público, e não pense em fugir, se não a gente zoa seu
táxi, tá me ouvindo, cumpadi?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Poxa, Silvinho, mas que macaquinho boiola cruel que você
é, hein?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
- Sou mesmo, tá?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Seis horas depois os encontrei no táxi. Eu tinha boas novas.
Fui um sucesso absoluto na praia, me adoraram por lá, fiz amizades que resistem
até hoje e arrecadei uma boa grana dos turistas que acharam que eu era algum
tipo de retardado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Pedi desculpas aos macacos por tudo o que tinha feito e
ofereci-lhes a ideia de abrir uma sociedade para explorarmos o mercado GLS
carioca. Hoje eu e Silvinho temos uma agência internacional especializada em
turismo gay e vamos nos casar em Buenos Aires ao fim deste ano. Já compramos
nosso apartamento no Recreio e, quando retornarmos, adotaremos um bebê. Eu
quero muito uma menininha japonesa; ele, um pequeno mico-leão-dourado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ele tende a vencer a disputa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/2577025219386850021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/08/vai-pegar-o-onibus-o-curioso-animal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2577025219386850021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2577025219386850021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/08/vai-pegar-o-onibus-o-curioso-animal.html' title='Vai pegar o ônibus, ó curioso animal?'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-6988749226975973648</id><published>2013-05-22T17:17:00.001-03:00</published><updated>2015-01-29T19:54:48.156-02:00</updated><title type='text'>O Açougueiro de Zaragoza</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
Sobrevoava Ibiza a bordo do meu dirigível movido a energia maremotriz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Corria os olhos pelas linhas da página quarenta da propositalmente amarelada primeira edição de antologias em capa dura de grandes reportagens publicadas entre os anos de 1964 e 1968 pelo afamado e mui competente folhetim centenário “El Diário de Zaragoza” (presente inestimável recebido das mãos tementes a Deus do louvável Arcebispo François Labatella, catedrático da Arquidiocese de Marseille, na ocasião da belíssima cerimônia na qual fui agraciado com o prêmio de melhor detetive italiano da década), quando uma célere, súbita e desconfortável surpresa ordenou a atenção irrevogável de meu espírito inquisidor, de modo que não pude deixar de dispensar imediatamente os serviços de toda minha atenciosa tripulação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ofereci a todos pára-quedas e dezenas de apetrechos necessários para saltos urgentes feitos de imensa altitude e após as despedidas obrigatórias, tomei com as próprias mãos as rédeas da fera oval alada e dirigi-me sem escala para&amp;nbsp;Zaragoza, terra de atraente mistério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por horas e longas horas desbravei os céus cintilantes e pontilhados por&amp;nbsp;pedacinhos&amp;nbsp;risonhos de nuvens, navegando em altitude de cruzeiro. Pela janela frontal da aeronave, os montes e rios e vilarejos e seres humanos se apresentavam em dimensão&amp;nbsp;microscópica &amp;nbsp;Em certo momento, configurei o&amp;nbsp;dirigível&amp;nbsp;no piloto automático, para poder retornar as atenções completas à leitura da bizarra antologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na página de número trinta e nove da supracitada publicação,&amp;nbsp;leem-se os primeiros parágrafos do aguçante artigo intitulado “O Açougueiro de Zaragoza”, assinado por Mariquita De Las Cruzes, mote de meu estranho espanto e razão fundamental de minha não bem sucedida visita a estimulante cidade do nordeste espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No artigo escrito em formato fluido, cálido e quiçá hipnotizante, De La Cruzes reporta-nos um trágico momento de inconformável loucura por parte da população da cidade. Acontecimento tão trágico quanto improvável, a meu ver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1950, quando contava ainda com pouco mais de duzentos mil habitantes, a calada Zaragoza foi vítima de uma conspiração jamais dantes vista em território espanhol, sendo abastecida meses a fio por “incontáveis toneladas de carne manipulada espiritualmente”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chega a meu conhecimento através do punho intrépido de Mariquita, que nas fazendas de gado de corte das cercanias não era raro presenciar sanguinários rituais pagãos de culto ao carnivorismo. Mariquita (de quem assumo não possuir sólidos conhecimentos) escancara então os cruéis meandros de uma engenhosa farsa, desvelando ao longo de sua escrita endiabrada a participação premeditada de Don Abricó Gutierrez, açougueiro bisneto de turcos foragidos, letrado em magia negra e administração de empresas com ênfase em &amp;nbsp; gerenciamento de bovinos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abricó Gutierrez era dono da maioria dos campos de pasto, das fazendas da região e dos principais açougues da cidade espanhola, e manipulando as preferências alimentares dos zaragonezes lucrou imensa fortuna sem jamais ser indiciado ou incriminado; seu castigo veio de outra forma, como veremos em breve.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Graças a investigação astuciosa e destemida de De Las Cruzes (de quem me comprometo a buscar maiores informações assim que for humanamente viável) é possível compreender o efeito dos tais rituais pagãos na alimentação e dieta da população local, a qual, tendo modificada a tradicional estrutura bioquímica do hipotálamo e da matriz ungueal devido aos rituais heréticos, chegava a consumir até catorze vezes a quantidade normal de carne ingerida diariamente pelo homo sapiens comum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto tratava de ler o artigo, ainda sobrevoando a estupenda Ibiza, horas antes, acreditava intimamente se tratar apenas de mais uma entre as infindáveis fraudes baseadas em magia negra e consumo abusivo de carne por parte de uma população manipulada bioquimicamente - mas eu não poderia estar mais errado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi na página&amp;nbsp;quarenta&amp;nbsp;e três da antologia que li a conseqüência atroz de tal conspiração. O abate de gado, galinhas, ovelhas, coelhos, esquilos, chinchilas, porquinhos da índia, etc. mesmo produzindo gigantescas quantidades de carne, passou em determinado momento a não ser mais suficiente para alimentar a cada vez mais insaciável população carnívora de Zaragoza, de modo que não houve alternativa frente as práticas canibais que ganharam as ruas e fizeram milhares de mortos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio aos sangrentos banquetes de carne humana, o imperdoável Don Abricó Gutierrez (que além das fazendas e dos açougues, arcava com o sustento de dez amantes, e talvez o enriquecimento cujo objetivo seja a compra de mimos caros seja o motivo da tragédia sem precedentes) pareceu arrepender-se de sua fome por fortuna, pois decepou seus 10 dedos das mãos, enviou-os via correio para as amantes, caminhou decididamente pelas ruas encharcadas em sangue, invadiu o circo local e foi devorado por um leão de meia idade após ter-lhe chutado os bagos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mariquita buscou ouvir uma da dezena de amantes do cruel açougueiro em sua reportagem. E aqui reproduzo pequeno trecho da entrevista realizada: “Ainda guardo o dedo – o mindinho - que ele me enviou dentro de um envelope selado“- diz Manuelita de las Nieves. “ Está em uma garrafa, conservado no formol, entre o pote de sal grosso e o espremedor de alho”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encerrei a leitura do brilhante texto quando já me encontrava dentro do espaço aéreo de Zaragoza e entendi que era hora de pousar meu dirigível. Neste mesmo instante lembrei-me de minha imperícia em pousar a aeronave e não pude entender porque demiti sumariamente e obriguei um corpo de excelentes profissionais do ar a realizar um salto em queda livre de quatro mil pés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do gás do dirigível explodir, choquei-o desesperadamente contra uma lúgubre senhora e seu picolé – que de onde eu estava (gritando dentro da cabine), achei que deveria ser de limão ou de abacaxi, pela cor. Ela, sentada passivamente sobre o banco de uma praça deserta, e que por manter os óculos de grau no bolso da saia de seda curta para uma senhora daquela idade ao invés de pô-lo na cara, não pôde avistar a aproximação da aeronave descontrolada e teve o corpo e o picolé reduzidos a cinzas instantaneamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante minha permanência na ala de queimados do impecável hospital católico Santa Madre de Díos, enquanto tratava de recuperar os três quartos de meu corpo incinerado, chegou dolorosamente à minha ciência que o instigante relato publicado na Antologia, razão do meu desastre sem precedentes, é na realidade uma obra de ficção configurada escrachadamente pelo outrora pecaminoso poder criativo de um tal satírico francês que deu-se conta do chamado de Deus em território espanhol e que hoje comanda com mãos firmes e tementes Deus a Arquidiocese de Marseille, mas que à época atendia debochadamente pela alcunha de François Laputella y Anús.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E foi da instituição citada acima que recebi dias mais tarde presente de embrulho pomposo. Em seu interior descobri a segunda edição da maldita antologia com as &quot;grandes reportagens&quot; publicadas entre 1969 e 1974. Nas primeiras páginas amareladas do livreto, escrita a mão em letras garrafais, precisas e azuladas, pude ler, depois de muito forçar a única vista que ainda possuía, tal dedicatória:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Amigo Detetive Piercarlo Forlimpopoli,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;Espero que minhas estorinhas inocentes em nada tenham contribuído para o triste incidente por ti sofrido&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;Aguardo, com fé inabalável em Deus, por sua total recuperação&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;Que Ele esteja contigo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;Um abraço,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;Arcebispo François Labutella. Arquidiocese de Marseille.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/6988749226975973648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/05/o-acougueiro-de-zaragoza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6988749226975973648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6988749226975973648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/05/o-acougueiro-de-zaragoza.html' title='O Açougueiro de Zaragoza'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-3581333597125122272</id><published>2013-05-12T22:40:00.002-03:00</published><updated>2013-06-03T18:34:12.806-03:00</updated><title type='text'>O Sonho de Mussolini</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
(Click) - soprou como um beijo estalado a Kapsa entrincheirada por detrás de um arbusto bojudo e simpático para o carajo, ostentada com firmeza titânica por uma dupla de mãos inchada e gorda de dar asco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E sendo assim a máquina mantinha-se inabalável por entre pequenos e frágeis galhos, dirigindo seu olho imortalizante de ciclope para um senhor calvo que acabara de levar os dedos ansiosos à região da virilha e adjacências inferiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, mas isso são modos, Benito Amilcare Andrea Mussolini? - perguntou silenciosamente nosso herói Guglielmo Cardinari, postado de cócoras, submerso entre folhas secas sem cheiro e besourinhos e joaninhas de fazer cócegas, na Piazza del Duomo, em Milão, em algum momento entre o decepcionante nascer-do-sol e o igualmente triste ocaso do Soile do dia da Graça do Nosso Senhor Jesus Cristo de dois de fevereiro de mil novecentos e quarenta e um, data completamente desprezível para os milaneses senão fosse pelo deselegante e ofensivo movimento do eminente bípede europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Benito, vivendo raros dias de férias de seus afazeres de ditador, mascava como um camelo com laringite um amontoado de três chicles de bola (tutti-frutti, menta e tutti-frutti, de novo) enquanto solfejava uma apaziguante canção de Mário Consiglo e roçava his both hands ao longo da diminuta extensão de sua própria bolsa escrotal deveras enrugada (como confidenciaria a rampeira Giovanna Rabinesca em entrevista à espanhola endiabrada Marieta de las Nieves, do Diário de Zaragoza, duas dúzias de doze meses após o termo da Segunda Guerra).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, senhor Mussolini, com as mãos nos bagos/bilau em plena movimentada praça, a insignificantes metros do brincar sagrado de nossas crianças? Ora!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Click) (Click) - hablou com dois estalos de língua e dentes a máquina fotográfica, guardando aquelas coçadas de saco e ajeitadas de pênis para serem coladas no álbum de recordações dos grandes feitos do homo sapiens de God Almighty.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo dentro da caixa torácica da máquina de lembranças documentação das mais históricas, nosso bom menino Guglielmo tratou de chispar do perímetro tão veloz pôde. Instantes depois já iniciava a negociação do material na redação do Corriere della Sera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fotos estampadas no jornal na manhã seguinte chacoalharam as bases da Itália fascista, viu, meu nego? Juro-te! Chacoalharam como nádegas em fevereiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ângulo da Kapsa fez vir ao mundo a ilusão de que Mussolini estava a descascar sua banana a dois passos de uma menina a brincar de amarelinha. Não era bem assim, entrementes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua residência, após a leitura da manchete do dia, o comandante dobrou o papel higiênico com o qual limpara o ânus e deixou o banheiro para atirar a fina tira suja contra seu assessor pessoal, que estava a sorver lentamente uma xícara de chá sentado sobre o parapeito da varanda. O ditador tinha claro objetivo de machucar alguém e isso era bastante compreensível para minha pessoa uma vez que as fotos deveriam causar dano irreparável à sua reputação. Ordenou após a agressão porcalhona a prisão do fotógrafo, para torturá-lo devidamente no momento propício.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sete horas despúes nosso meninão Cardinari (papai de Claudia Cardinari [então com três anos]) foi engavetado feito uma meia lavada no Presidio Osped na Via Castelvetro, 32.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a confirmação do encarceramento do fotógrafo, Benny fez o que eu e mais quatro pessoas em um grupo de cinco fariam depois de mandar um homem para uma sentença de décadas do mais puro sofrimento. Sentou-se a uma cadeira de balanço e obrigou-se a mergulhar em um profundo cochilo do qual poucos teriam o ímpeto de desvencilharem-se. Queria esquecer a existência daquela imagem que agora chocava-se contra os olhos de todos os italianos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas horas depois Il Duce acordou revigorado em sua cama king-size de travesseiros de pena de ganso manufaturados por consultoras de RH do sudeste do Brasil, de cheiro de almíscar lambido por tilápias adolescentes do baixo Cairo e coberta por uma fronha com algumas freadas misteriosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantou-se e foi caminhando a passos de cágado à cozinha, onde tomou novamente o jornal da manhã com a mão direita. Nada de ofensivo a seu respeito, entretanto, foi lido por seus olhinhos remelentos e pouco acostumados à luz mortiça da manhã milanesa. Com certa satisfação fritou um bife à milanesa, raspou nacos de bacon alemão e fermentou dois bolinhos de soja para o desjejum enquanto tentava entender o que havia acontecido com a manchete lida horas antes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inflou o peito após o término do mergulho entranhas adentro da última lasca de carne e acompanhamentos e empertigou-se. Coçou ampla área calva situada acima da alta testa e tratou de cobrir a pele apropriadamente para um passeio relaxante ao longo dos bons metros da praça defronte seu apartamento alugado. Caminhou por longos quilômetros solfejando cantigas de sua distante infância até postar-se diante de um banca de jornal que expunha costumeiramente todas as manchetes do dia para a leitura gratuita dos transeuntes. Atentou-se demoradamente a cada uma delas. Mas nada sobre o ocorrido na praça constava nas manchetes e cadernos. Atenuaram-se os olhos negros injetados e a feição nervosa petrificada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente algum nobre e competente funcionário fez com que o jornal retirasse as edições primeiras da manhã e, oportunamente, as substituiu por outra, benditamente censurada, pensou consigo mesmo Mussolini.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desceu saltitante, sentindo-se feliz e radiante, em direção à área da Plazza e notou o burburinho cheio de gáudio erigido por um grupo de meninotas que brincava de amarelinha e ria e fazia poses por demais engraçadas enquanto não se envergonhava por levantar o vestido para quem tivesse olhos para mirar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Il Duce se aproximou, dando uns dois, três, quiçá quatro passinhos tímidos e abriu as janelas da alma para receber os estímulos visuais de maneira mais apropriada. &amp;nbsp;Foi então que um vento gélido soprou vindo do noroeste búlgaro, uma cantiga morosa de Mário Consiglo espocou em seu espírito e por alguma razão desconhecida sua virilha passou a coçar furiosamente. &amp;nbsp;Mussolini, automaticamente, levou os dedos ansiosos à região da virilha e adjacências inferiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E então Benny notou que aquilo já havia acontecido. E seu sangue ferveu ao ter certeza de que o astuto e maldito fotógrafo estava naquele mesmo instante sorrindo por detrás de sua câmera, registrando a coçada de saco mais importante da passagem humana pelo globo terrestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Benito voltou o corpo com feroz velocidade e dedicou-se a buscar a localização do fotógrafo. Afastou-se apressadamente do grupo de meninas e subiu um tênue aclive de pedregulhos que alcançava um trecho infestado de arbustos. Pôs os olhos a esquadrinhar com plena dedicação cada milímetro do perímetro. Não demorou até um arbusto seco tremular e dê lá saltar assustado um homem rotundo segurando uma câmera fotográfica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Benito lançou-se contra aquele homem instantaneamente, mas o fotógrafo se desvencilhou surpreendentemente e partiu do local correndo arfando. Mussolini pôs-se atrás do fugitivo, fazendo valer-se de seu corpanzil atlético e resistente. &amp;nbsp;O fotógrafo subiu a Giuseppe Mangoni, cruzou a Santa&lt;br /&gt;
Margerita e ganhou a Via San Protaso sem mostrar cansaço algum apesar dos treze quilos que julgava levar a mais no abdômen.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prosseguindo sua louca escapada, Cardinale cruzou feito um raio a elegante entrada do Victoria Café e, tomando a população transeunte da Via Clerici de assalto, encontrou exílio no Instituto Brasile-Itália, onde Dercy Gonçalves lambuzava o rígido lábio inferior com a ponta molhada de um batom arroxeado justamente na entrada do edifício.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cardinale beneficiou-se de sua astúcia mexicana ao gingar o corpo para a esquerda, evitando um choque frontal contra o corpanzil da humorista, e seguiu subindo em louca escapada a escada, sem parar por um instante sequer. O mesmo não pode ser dito sobre o italiano, que atropelou o franzino conjunto de ossos e pele vindo ao mundo na cidade do Rio de Janeiro em 1905, e, emputecido com a perda preciosa de tempo, optou por empurrar nossa Dercy sem dar-se conta do crime que cometia. Dercy foi arremessada contra uma estátua colocada sobre uma mesa de carvalho, caindo desacordada sobre o tapete que cobria o chão de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora Mussolini, como ousa empurrar a maior atriz da República Federativa do Brasil dessa maneira?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini prosseguiu empreendendo sua perseguição, percorrendo os degraus altos da escada até atingir o segundo andar do sobrado centenário, conseguindo, milagrosamente, aproximar-se do fotógrafo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No patamar da escada, as mãos sisudas de Benito alcançaram a gola da camiseta branca da Hering com a qual Cardinari cobria o corpo rotundo e neste momento amplamente empapado. Com extrema ira e força, arremessou o fotógrafo contra a janela, a qual o fez quicar como uma bola de tênis para depois tombar sobre o chão, escangalhado, sem energia alguma a restar pelas veias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini montou sobre o fotógrafo e já se aprontava para enfiar os dedos nos olhos do homem subjugado para que ele jamais batesse outra foto, mas sentiu toques ansiosos de um magérrimo dedo indicador contra suas costas e virou-se irritado para identificar quem lhe interrompia atividade tão prazerosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini virou o pescoço enraivecido, riscado por veias a pulular, e divisou a alguns poucos centímetros nossa querida Dercy Gonçalves brandindo com a mão tremula uma estátua de musa pesando cinco quilos, a qual cintilou com a luz cinza e letal que invadia o local através da janela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Toma essa, seu gordo filho da puta. Vai toma no cu, porra - ela gritou ao desferir golpe violento contra a careca do ditador, que se abriu como um teco de picanha mal passada. Mussolini tombou sobre o piso de madeira como um saco de gelo coberto de cal e lágrimas de ciganos, emitindo um suspiro abafado e agudo, cheio de cansaço por tanto viver. Seu sangue escorreu fervendo sobre o chão até a escada, vertendo por todas as quedas dos degraus até o piso térreo como um pequeno rio rubro a saltitar e quedar pelo litoral inflado de variações de relevo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Getúlio Vargas dançava tango com as meninas treinadas por Carmen Dudalina, no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, Brasil, quando seu celular fez um barulho curto e irritante, vibrando impacientemente. Todas as terças-feiras de manhã Vargas se predispunha a receber aulas de danças de salão e não as interrompia por nada nesse mundo. Mas naquela ocasião ele afastou com um movimento calmo e gentil Maria de Cármen Etccheverria para longe de si, atendeu ao telefone e, sem fazer menção de hablar, correu até seu notebook, com o qual acessou sua conta de email.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma mensagem do embaixador brasileiro na Itália despontava no topo de sua caixa de correio. Seu conteúdo era horrendo. Getúlio ficou imóvel por um momento. Parecia concatenar imagens sombrias, as quais singravam livres por sua mente. Então ergueu-se e foi até Etccheverria e dançou, mantendo expressão cerrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o início da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas manteve-se neutro até o dia em que Mussolini resolver empurrar nossa amada atriz contra uma mesa. Dercy mudou tudo o que Getúlia planejara - com uma pancada fatal na calva de Benito. O Brasil declarou guerra contra o Eixo, enviando dois milhões de jovens soldados à Itália. Com o avanço das forças nazista por toda extensão europeia e depois por toda a União Soviética, a Itália ganhou força e apoio militar ilimitado, chegando a invadir o Brasil em fevereiro de 1946. O resultado foi desastroso para os brasileiros. Por fim, com milhões de mortos após a invasão e total destruição do Rio de Janeiro, Getúlio e Dercy foram atirados do alto do Cristo Redentor durante uma manhã de extremo calor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Il Duce acordou revigorado em sua cama king-size coberta por um imenso lençol elétrico Bioterm. Tinha ao lado Francesca Freduzeski, ex-coletora de impostos &amp;nbsp;de origem egípcia que por anos trabalhou no estaleiro de Berna. Francesca havia sofrido de uma forte diarreia durante a madrugada, como resultado do jantar com a delegação brasileira que visitava a Itália do dia anterior. Francesca passou horas conversando com uma famosa atriz do país, com quem secou o interior de cinco garrafas de champagne e devorou três dúzias de ostras chilenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mussolini levantou-se da cama e foi caminhando a passos de cágado rumo à cozinha, satisfeito por perceber que a invasão contra o Brasil não passava de um sonho irreal. Tomou o jornal do chão com a mão direita e texto algum a respeito de coçadas de saco foi lido por seus olhinhos remelentos e pouco acostumados à luz mortiça da manhã milanesa. Fritou um ovo de galinha que não cisca, raspou nacos de bacon alemão, fez uma margarita, fermentou dois bolinhos de soja para o desjejum e inspirou profundamente, prazerosamente. Resolveu descer à rua para uma rápida caminhada ao longo da Piazza del Duomo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Andou com o rosto inclinado para a cortina cinza que vestia o céu. Com os olhos cerrados Mussolini se sentiu feliz por estar vivo, respirando profundamente um ar alegre e revigorante. Imaginou-se a correr pelas dunas brancas de alguma praia edênica do nordeste brasileiro, acariciando os seios macios de alguma nativa, bebericando água de coco e urinando sorrateiramente no mar quente. O som de uma risada por fim o despertou de seu devaneio. Abriu os olhos com presteza e notou duas pessoas caminhando em sua direção. Um hombre e uma pequena menina de uns três anos vinham andando de mãos dadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao se aproximar, Mussolini fitou o corpo rotundo e as feições assustadas do homem e imediatamente o reconheceu. Era o fotógrafo que causara toda dor e sofrimento de seu mais recente sonho. Mussolini se pôs à frente do homem e segurou-o pelas golas de sua camisa branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Fotógrafo maldito. Receberá o que mereces. Nunca mais vai me fotografar coçando o saco – disse Benito, acionando com um assobio agudo um séquito de policiais na esquina da Rua Tutuca com a Michele Alboreto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Me larga! – pediu Guglielmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Onde está a máquina, seu fotógrafo sujo? Deves ser um comuna imundo, só pode – esbravejou Mussolini.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Máquina? Jamais bati uma foto em minha vida – disse o pobre diabo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ver o pai sendo atacado repentinamente por um homem furioso fez com que a menina passasse a chorar copiosamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Fique tranquila, Cláudia. Tudo dará certo - ele mentiu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a última frase que Claudia ouviu do pai. Guglielmo Cardinari foi arrastado até o centro militar de Milão naquele mesmo momento. Lá, sem entender a razão do cárcere, dedicou-se a respirar, piscar os olhos e se lamentar pelo inconcebível infortúnio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por dois anos ficou ali, como um personagem kafkiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1943, Guglielmo encaminhava-se ao lavado da lavanderia da prisão para defecar com segurança e privacidade quando seus astutos olhos captaram cena para lá de vexatória. Na sala de máquinas, localizada no início do corredor leste, com os dedos ariscos feito patinhas de caranguejo em perigo, o diretor da penitenciária, Manny Bonald, inglês podólatra, dava pequenos beliscos na chapeleta arroxeada de seu minúsculo pênis e, com efeito, dava gargalhadas gostosas de criança diante de um pedaço balouçante, formato lua minguante, de espelho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O azar fez-se sobre nosso amigo pai de Cláudia mais uma vez e depois de perceber a invasiva atenção que o prisioneiro dava a seu lazer, Bonald o enviou para se exilado na Ilha de Elba, como cumprimento de pena perpétua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem não conhece a ilhota, linda de morrer, o local é dividido em oito comunes italianos: a capital Portoferraio, Campo nell&#39;Elba, Capoliveri, Marciana, Marciana Marina, Porto Azzurro, Rio Marina e Rio nell&#39;Elba . Foi lá onde o ilustre Napoleão Bonaparte permaneceu isolado da Europa, após a fracassada&lt;br /&gt;
invasão da Rússia. Na pequena porção de terra cercada de água por todos os lados, Gugliemo gostava de passear para coletar amoras silvestres e pedaços de ossos de pássaros mortos, com os quais realizava cerimônias politeístas antes de sodomizar pequenos repteis não venenosos. Ao contrário da penitenciária milanesa, Gugliemo podia andar livremente pelo local sem ter de se preocupar com qualquer tipo de intromissão dos guardas da prisão. Passava os dias notando certo contentamento a rondar seu corpo, mesmo que ínfimo diante do horror do encarceramento e da saudade irremediável que sentia da filha Cláudia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fim da tarde de uma terça-feira de céu azul sem nuvens, Guglielmo sentiu o estomago vacilar. Havia comido oito obesas jabuticabas logo pela manhã e sentiu que descia-lhe pelo ventre uma boa quantidade de cocô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentou-se tendo o esplendoroso azul do Mar Mediterrâneo desenrolando-se por toda sua frente e sorriu pela última vez. Antes de livrar-se do primeiro tablete de merda, sentiu dos afiados dentes sendo cravados contra seu ânus já semiaberto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Virou-se sem cagar e viu um mangusto a lhe encarar com os dentes a mostra, pronto para outro ataque. Guglielmo puxou as calças e tratou de trancar as entranhas. Tentou correr até o presídio, mas desfaleceu sobre um descampado, longe dos olhares dos funcionários do presídio, onde o Sol esquentou-lhe a carne.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Horas se passaram até Guglielmo ser levado à enfermaria. Lá, a bactéria proveniente dos dentes do mangusto espalhou-se pelos gânglios linfáticos, onde se multiplicou. Enfim, sete dias após ter o cu mordido, estouraram protuberâncias azuladas na pele de Guglielmo, acompanhado de alta febre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pouco depois, as bactérias invadiram a corrente sanguínea, onde se multiplicaram causando peste septicémica. Ao fim, a hemorragia invadiu o pulmão e matou-o. Neste mesmo instante, quilômetros distantes, Mussolini sentiu um &amp;nbsp;um vento gélido bater-lhe sobre a careca e por alguma razão desconhecida sua virilha passou a coçar furiosamente, enquanto uma cantiga morosa de Mário Consiglo espocou em seu espírito.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/3581333597125122272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/05/click-soprou-como-um-beijo-estalado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3581333597125122272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3581333597125122272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/05/click-soprou-como-um-beijo-estalado.html' title='O Sonho de Mussolini'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-6116947120059366526</id><published>2013-01-17T15:47:00.002-02:00</published><updated>2013-01-17T15:47:34.425-02:00</updated><title type='text'>The Whereabouts of the Spanish Magician Who Ejaculated on the Whisky of a U.S senator</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Chapter One&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;i&gt;Marivalda’s Arms&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marivalda and Wallace were in love in that warm Brazilian summer of 2015. Full of love. Love floating from the ears and noses and covering their sweaty bodies and old clothes. Love, love, love. Love in the air. Love in the land. But at that precious moment, love was is the water, few centimeters above the surface, as Marivalda and Wallace were touching each other with passion and without any shame, inside an inflatable boat, sailing in the direction of a small portion of land, some miles away from Marajo Island.&lt;br /&gt;
The merciless sun was melting the top of their heads when the bottom of the boat touched the sand floor, and then, exiting toward the beach, the couple, spotted a breathless and scared black lady, naked, disheveled hair and rotten teeth, wondering, madly, while shaking Marvivalda’s arms:&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Where is he? Where is that magician?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Chapter Two&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;i&gt;A bar in Dallas&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
After another cold day with the feeling that his life evaporated as he analyzed the euro exchange rate on the Mac Book Air, Donald McDonald pushed the door of the Frederick’s and sat down heavily on a padded bench on the edge of the counter. He ordered a beer and looked at the TV. The journalist, alarmed, spoke in torrents. But he could not listen. The TV was mute. He looked down and read the text written below the screen: Michelle Obama is found in Brazil after three years missing.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Chapter Three&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;i&gt;Nothing to do with Kelly McGrabin&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No doubt about that. Kelly McGrabin really was one of the members of the infamous but also glamorous dish washers gang from the east side of the San Francisco Bay that suddenly started to flew around orchids plantations like that ancient smelly witches did in the early days of the struggling between the cats of Auntie Dida and the butterflies of her foster parents Elijah and Pontiac McDonald.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
However, McGrabin, that started her life as a baby and have never worried about the absence of vitamin C in her blood, usually preferred to study the history of the sudden cases of coprophagia among elderly in Belgians asylums during the First World War until late at night (sited over her sleeping parents, remembering the salty taste of the thousand nails of penguins corpses that she licked after Carlin McFrancis came back from the Gozaldos Island in march of 2012) and rarely flew around orchids plantations with the other members of that hilarious and dearly missed group. Thus, she was protected and dry when the thirty ex-dishwashers were gunned down by the police force of San Francisco on a cold and rainy April morning, while the gang and their neon wings flew over the orchids and daisies’s plantation of the deputy mayor Toby Manning.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
But this story is not about McGrabin and the penis that started to grow in her forehead two weeks before her marriage. Also, this touching story is not about the man that pretended to be a mailman and got free buses rides for almost twenty years until the date in which a school bus run over him and destroyed the tumor that was starting to grow inside his brain.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
This story has to do with a dangerous sickness that silently started to destroy one of the greatest empires that existed on Earth, forty years ago. That menace attended to the name of Juan de la Rosa. A Spaniard. A magician. A plague. A tumor. Perhaps an ex-google employee made in some Al Qaeda’s laboratory to destroy the freedom and the American way of life. Maybe we are talking here about witchcraft, sorcery or wizardry. Or maybe we are talking shit. But maybe not. Maybe not. Maybe this is real. And you, Brasil, is the next victim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Let’s begin with a simple question: Can you imagine how difficult it is for a Texas-born husband to see his wife sucking a huge european cock right in front of him, as he realize &amp;nbsp;that he has no way of stopping her because he is linked against a chair on a stage in front of all his family on his 90th birthday?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(No, you can’t. Obama can, as we soon will see.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franco de la Monica didn’t imagine that anything like that could happened to him until the day in which his 79th years old &amp;nbsp;wife Monica de la Monica actually sucked a Spanish magician’s cock in front of all her family while cradled her grandson in her arms.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
After called Franco to take the stage and tie him to a chair, Rosa walked down towards Monica putting out his already rigid dick while all the presents stared, petrified, the vexing, nasty moment. Until the end of life, the senator struggled to believe that his wife had been taken by some unscrupulous spell. But he would never be &amp;nbsp;sure of that.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Chapter Four&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;i&gt;The whereabouts of the man who ejaculated on the whisky of a U.S senator&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Shortly after the horrific event, the ninety years old U.S. senator did not hesitate and immediately started using his entire political arsenal to discover the whereabouts of that Spaniard magician that, after ejaculating inside the glass of whiskey that he himself gladly sipped before being invited to attend to a supposed not dangerous magic number, turned into smoke and leaked through the reception’s window tilting, getting away from the Macadamias Studios Plaza in New York without being caught by the U.S. Secret Service guarding the place.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
After the party at Macadamias Studios, the poor senator could no longer look into the eyes of his wife. Whenever she came near him, while he was drinking yogurt in the kitchen or watching Top Chef in their bedroom, the senator remembered the nauseating scent of the Spanish’s cock being pumped inside his wife’s mounth - a mixture of saliva, cherry lipstick and sour cock long maintained within shorts in summer.&lt;br /&gt;
Gradually, as the investigations and searches for the damn Spanish continued with full force, the vitality of Senator decay remarkably. Months later, after his wife committed suicide sticking a baseball bat down her own throat, the senator called a meeting with his party’s members in Washington, in which we would communicate that he was leaving politics to die alone and, hopefully, soon, flooding his lungs with liquid content expunged by his own punished retinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
What happened at the meeting, however, was unexpected. Not only senator de la Monica appeared with the shattered health, on the verge of a fatal collapse. Senators James Kellogs, Sammy Sakuraba, Vinny O&#39;Toole and Claudio Perdigoto also looked like shit sitting around the ancient oak table at the Congress. There was communicated, in extreme confidence, that what happened with de la Monica also happened with all the leading members of the Republican Party of the United States of America.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mysteriously, without even getting hired, a strange hispanic magician attended to politicians festivities, acting as the catalyst of pure perversion scenes. The Spanish magician obligated Kellogs’s father to fuck Kellogs’s wife ass while Kellogs was also tied to a chair, having nothing to do against that horrible moment in the human history.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-&lt;span class=&quot;Apple-tab-span&quot; style=&quot;white-space: pre;&quot;&gt; &lt;/span&gt;My case was not so bad – thought de la Monica, after hearing Kellogg’s story.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
The truth is that their lives were over as they were strapped into the chair by the mysterious magician, which they neither knew would attend the party. Consequently, the politician’s energy, which has accompanied them since their youth, faded away. Soon, the Republican Party would end.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A year later, the FBI was caught off guard. At a birthday party for Michelle Obama, a magician Spanish suddenly materialized in the White House. Even the hundreds agents could do nothing to prevent the magician to do the dreaded presentation –they were petrified. Obama, even aware about what happened in the previous year with key members of his party, walked toward the magician, whose eyes sparkled. The president seemed dominated by a strange force as he walked, as if under a spell. Obama did not fight, even knowing what would happen next, and meekly allowed himself to be tied to a chair. The magician left the president behind and walked toward the first lady, lowering his pants.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
The rest is history. Obama stuck a bullet against his head after Michele, like the wives of other politicians who didn’t kill herselves, left him and fled with the magician to an unknown location. Actually, that was what the evil force behind the magician wanted us to think. The reality is that the politician’s wives, who had their will controlled by a spell of the magician, were taken to small and isolated islands scattered across the globe to die as their husbands, dry and bitter in the loneliness of our incomprehensible world.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Chapter Five&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;The equilibrium of the Earth&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
In the following years, no president has managed to stay in office for long. Thus, men who assumed command of the largest global power were increasingly disqualified and worked immersed in an atmosphere of tension and fear.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cases and more cases of magical Spaniards were reported in the country months after the suicide of President. Now the target was common families, which were destroyed one after another. Shortly after, the United States were on the verge of an unprecedented civil war. Thus began the decline of the American empire.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
What happened in America in the distant decade of 2010 was not an isolated event in human history. And it would not be the last.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
The mysterious force that demoralizes every major global power, causing it to enter into decline and eventually perish, according to scholars, who found rare documents hidden within small fossilized feces, has been responsible for similar events in Greece and Rome, shortly before the birth of Christ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
The next target, logically, would be Brazil, the current world power today, in 2044. Curiously, is scheduled for today the sixty years anniversary of the current president, Fabio Saar. His wife, a lovely lady, is now passing lipstick on her thin and dry lips, not knowing what to expect in a few hours. History repeats itself, and the fall of another mightiness nation starts with a blowjob.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/6116947120059366526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/01/the-whereabouts-of-spanish-magician-who.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6116947120059366526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6116947120059366526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2013/01/the-whereabouts-of-spanish-magician-who.html' title='The Whereabouts of the Spanish Magician Who Ejaculated on the Whisky of a U.S senator'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-1342205985764483458</id><published>2012-12-20T12:18:00.002-02:00</published><updated>2014-09-11T19:00:56.364-03:00</updated><title type='text'>Caríssimo Senhor Gorraba</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;i&gt;Caríssimo Senhor Gorraba,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;envio-lhe esta carta pois sei que
o senhor já atravessou situação semelhante.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Hoje acordei com uma forte dor na região escrotal. Talvez
eu tenha dormido com a perna sobre ela. Talvez tenha exprimido-a com a parte
interna de minhas coxas durante um terrível pesadelo. Ou, &lt;i&gt;quem sabe?&lt;/i&gt;, um
agressor vingativo tenha socado-a
durante meu pesado sono e eu nada reparei. Não sei ao certo. O que é
certo é que segui todas as indicações médicas. Tomei litros de água quente
sentado sobre um cupinzeiro. Participei
de duas sessões da polêmica técnica terapêutica chamada de Transfusão Fecal. &amp;nbsp;Por fim, orei aos céus. Nada disso funcionou. Encaminhei-me com a alma vazia de esperança até a catedral na rua Guillaume. Lá
perguntei ao sacerdote se aquela dor escrotal irrefreável poderia ser uma
espécie de castigo divino. Ele disse que não poderia opinar até manusear a
região enferma com as mãos. Rapidamente, no alto de sua graça, o sacerdote
revelou-me que saliva humana era a única cura para tal moléstia. Não me
contive de felicidade. Planejava chegar a minha residência e, através de um
método ainda não determinado, aplicar minha própria saliva no local. Mas não
era essa a solução, disse-me o homem de Deus. O sacerdote me confidenciou que apenas saliva de terceiros
surtem efeitos em casos assim e que devem ser aplicados com a língua. Ele me olhou. Levantou as hirsutas
sobrancelhas. E então eu entendi tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Foi assim também como aconteceu contigo,&amp;nbsp;&lt;i&gt;Caríssimo Senhor Gorraba&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;
&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Ass: &lt;span style=&quot;font-family: Trebuchet MS, sans-serif; font-size: x-small;&quot;&gt;Malaquias Passarôlho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/1342205985764483458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/12/carissimo-senhor-gorraba.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1342205985764483458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1342205985764483458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/12/carissimo-senhor-gorraba.html' title='Caríssimo Senhor Gorraba'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-3276891815667587559</id><published>2012-12-06T14:48:00.004-02:00</published><updated>2012-12-06T14:48:54.148-02:00</updated><title type='text'>Vai pegar o ônibus, ó curioso animal?</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: #fefefe; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt; line-height: 14.25pt;&quot;&gt;Às 5h30 da madrugada, lá estava eu em meu táxi, estacionado em frente ao
prédio, aguardando somente o cliente descer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Averiguei o aroma das axilas.&amp;nbsp;Tudo OK.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
Foi aí que o portão do prédio bateu em um estrondo. E eu pulei para fora do
táxi, imaginando que meu cliente se aproximava. Fiz-me então em continência, imediatamente, como se estivéssemos, eu e meu batalhão invisível, em plena visita
surpresa de general.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;O que vi, entretanto, não era general, coronel, cabo-armeiro, nem ao
menos um &lt;i&gt;tenentezinho&lt;/i&gt;; era sim um pequeno macaco bastante elegante, arrastando
placidamente em minha direção uma mala com rodas. Trajava um paletó cinza muito
bem passado e assobiava a música de abertura dos Trapalhões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Ele deslizou até
meus pés uma enorme mala, sem dirigir-me palavra alguma, nem ao menos um olhar. Depositei então sua bagagem estranhamente pesada no porta-malas do táxi,
como quem deita um&amp;nbsp;bebê de colo em um berço, iniciando a prestação de mais
um serviço incriticável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;O símio ajeitou no rosto uns chamativos óculos escuros de haste vermelho
caqui e entrou no táxi em um pulinho lépido.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;“Deve ser mais um desses artistas afeminados”, falei para mim, no
silêncio da minha cabeça, e assenti com a formulação: “com certeza, cara, um
macaquinho afeminado”.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Adentrei meu táxi e ele indicou seu destino: Rodoviária Novo Rio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Vai pegar o ônibus, ó&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;curioso animal?, falei para mim mesmo,
novamente, mas perguntando para ele, telepaticamente. Procurava testar minha capacidade
de refletir sobre as informações que me eram dadas. Estava me saindo bem, até
então, em minha opinião.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Enquanto os pneus esfarelavam-se sobre o espinhoso asfalto carioca, procurei
lembrar-me se já havia tido um passageiro macaco em meu táxi. Não, nunca tive.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;O macaco permanecia em silêncio, conforme contornávamos as sinuosas e
desertas curvas da Linha Amarelam em uma velocidade imbecilmente alta. Depois
de sermos quase ensanduichados por dois ônibus conduzidos por motoristas tão ou
mais inconsequentes que eu, ele se virou e olhou-me na cara, mastigando os
dentes de tensão. Imaginei que ele pediria para descer, como faz boa parte dos
meus clientes. Mas não.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Não se lembra de mim, Clóvis, seu cretinão?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Oi?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Sou eu, o Silvinho, o macaco do circo.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Opa! Fala aí, Silvinho!&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Fala aí, cara, tudo bom?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Não, não muito, na verdade. Mas e sua pessoa, vai bem?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Mas é claro que não, porra! Você deveria estar preso depois de tudo o que fez
comigo e com meus colegas naquele circo imundo. Durante anos fomos humilhados,
obrigados a usar batom, peruca, vestidos cor de rosa, de noiva, de paquita,
fazer malabarismo com ovo, comer banana. Eu não gosto de banana, cara. Clóvis, hoje
nos vingaremos de você!&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Foi mal, Silvinho. Mas vocês mereceram! Se não fossem os macacos, não existiriam
os humanos e não existiriam táxis, e assim não existiriam passageiros de táxi
nem buzinas ou faróis de trânsito. Assim, eu não estaria em um táxi de madrugada
levando um macaco a uma rodoviária. Vocês vieram com esse papinho frouxo de
evoluir e tal, e aí viraram atração de circo. Não se faça de vítima.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Basta! – ordenou o primata enfezado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Silvio, qual o problema em se vestir de mulher? Todos adoravam vocês
lá – disse o motorista ex-treinador, tentando acalmar a súbita revolta do mamífero
de óculos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Olha, desde que o circo faliu estamos a sua procura. Vejo que não tens
arrependimento em sua alma.&amp;nbsp;Vamos para Ipanema, então! Temos uma pequena surpresa!&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Aí Silvinho assobiou e da mala depositada no porta-malas pularam uns
trinta pequenos macaquinhos, todos igualmente elegantes, perfumados e
emputecidos.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Todos esses aí? – perguntou assustado Clóvis. Vai ficar caro, já vô
avisando. E outra, eu não posso levar mais de quatro pessoas no táxi, alguém aí
vai precisar descer, viu?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Clóvis, você parece não entender, nós estamos te sequestrando, você
fará o que nós mandarmos a partir de agora.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Ahh tá... Entendi. Onde em Ipanema?&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Posto 9.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Hummm... Eu sabia, Silvinho...&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Entretanto, alguns macacos quiseram buscar pó na Rocinha, de modo que
chegamos quando já era meio dia em Ipanema. Um sol de arder a alma do asfalto.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Estacionei o táxi sobre o meio fio da avenida e eles vieram com uma historinha
esquisita.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Durante a tarde toda você vai vestir esse biquíni fio dental e
caminhar pela areia. Para você sentir na pele o que nós sentíamos diante do respeitável
público, e não pense em fugir, se não a gente zoa seu táxi, tá me ouvindo,
cumpadi?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Poxa, Silvinho, mas que macaquinho boiola cruel que você é, hein?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;- Sou mesmo, tá?!&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background: #FEFEFE; line-height: 14.25pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Seis horas depois encontrei-os no táxi. Eu tinha boas novas. Fui um
sucesso absoluto na praia, me adoraram por lá, fiz amizades que resistem até
hoje e arrecadei uma boa grana dos turistas que acharam que eu era algum tipo
de retardado. Pedi desculpas aos macacos por tudo o que tinha feito e ofereci-lhes a ideia de abrir uma sociedade para explorarmos o mercado GLS carioca.
Hoje eu e Silvinho temos uma agência&amp;nbsp;internacional especializada em
turismo gay e vamos nos casar em Buenos Aires ao fim deste ano. Já compramos nosso
apartamento na Barra e, quando retornarmos, adotaremos um bebê.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt;&quot;&gt;&amp;nbsp;E&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;u quero muito uma
menininha japonesa; ele, um pequeno mico&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10pt;&quot;&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;leão-dourado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Ele tende a vencer a disputa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 10.5pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/3276891815667587559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/12/vai-pegar-o-onibus-o-curioso-animal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3276891815667587559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3276891815667587559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/12/vai-pegar-o-onibus-o-curioso-animal.html' title='Vai pegar o ônibus, ó curioso animal?'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-5388816587799335992</id><published>2012-10-17T14:48:00.001-03:00</published><updated>2012-10-17T14:48:27.250-03:00</updated><title type='text'>Deus fica triste quando não apertamos a descarga - Director&#39;s cut</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 10.5pt;&quot;&gt;Após a missa das sete, fui acometido pela vontade arisca de minha
memória e passei a lembrar-me de Tia Marlene discursando sobre como Deus fica
triste sempre que deixamos de apertar a descarga.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
As asserções da professora ressoavam tão solenes, cristalinas e carregadas por
um ameaçador tom através dos caminhos turvos da minha memória, que pude
relembrar detalhadamente do instante em que ouvi aquilo pela primeira vez,
quando ainda era um jovem banguela, dono de cuecas amareladas e de um couro
cabeludo polvilhado por caspas graúdas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentado à minha escrivaninha, imerso na tristeza só da minha profissão, revi diversas
e saudosas passagens de Tia Marlene: observava-a, mesmo com quatro décadas nos
separando, tomando os dez primeiros minutos do recreio, problematizando
apaixonadamente os grandes dilemas comportamentais de nossa espécie,
mencionando o Inferno, que aguardava faminto as almas dos pecadores, dos
subversivos e dos petistas, reforçando a responsabilidade gerada pela benção do
livre-arbítrio, lembrando-nos da salvação pela caridade, pregava a sumária
partilha do lanchinho com o colega que esqueceu a lancheira na perua, e, por
fim, ordenava que jamais, nunca, sob hipótese alguma, nos esquecêssemos de
apertar a descarga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentado à escrivaninha de minha alcova, algo, então, começou a me incomodar.
Não sabia, pois, se havia cumprido totalmente aquele último mandamento ao longo
dos recentes anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minha alma inflou-se em incertezas. Será que em algum momento, por pura
distração, eu havia me esquecido de apertar a descarga ao utilizar um&amp;nbsp;desses
banheiros da vida?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por toda a noite aquela dúvida zunzunou em minha cabeça e se calou apenas
depois que li o nome Marlene Assis de Sá no obituário do jornal, na manhã
seguinte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto atravessava a nave principal da Igreja onde habitava, acenei
rapidamente para as senhoras que ao brilho do primeiro raio solar já se postavam
sobre a madeira fria dos enormes bancos da Igreja, à espera da missa inicial do
dia.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ouvi alarmados “Aonde vai, Padre Isidoro?”. Mas não havia tempo
de informá-las, aquelas velhas surdas, seria necessário repetir três vezes a
horrenda informação. Passei por elas, fingindo não vê-las. Precisava chegar ao
velório. Era-me premente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois quando lá cheguei, um homem veio ter comigo. Tinha cravado na pele um
forte cheiro de tabaco, que contaminava todo seu redor.&amp;nbsp;Ele me perguntou
se eu era o Padre Larousse, que faria a cerimônia. Respondi que não, e só ali
notei que ainda vestia a batina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Respondi ao homem, com aquela minha característica bondade. Disse que fui
batizado com a alcunha de Isidoro Ludovico e Araújo, e que tinha sido aluno da
Tia Marlene, décadas atrás, no colégio Nossa Senhora Virgem Maria das Causas em
Tramite. Informei-lhe também que era padre, sim, mas estava lá apenas para me
despedir daquela mulher de tamanha importância em minha formação humanitária. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele abriu um amplo sorriso, como se ouvisse um sincero elogio à sua agradável
fragrância, e fez questão de me guiar até o salão onde o caixão estava
depositado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Morta, ela continuava igual à de antes. Já carregava durante a vida aquela
pálida rigidez de todo o cadáver. A única diferença realmente perceptível é
que, agora, ela pouco falava.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Sentei-me ao lado do caixão, guardando o local, tomando cuidado para que
nada de errado acontecesse durante a realização da cerimônia. Sentia que minha
presença tranquilizava tudo e todos ao redor. Falei com alguns dos presentes,
gente da mais pura educação e humanidade. Não deixei de elogiar Tia Marlene sempre
que pude, confirmando aos meus interlocutores que suas aulas e ensinamentos me
guiaram em direção à cidadania responsável. “Se hoje sou este padre incrível
que sou, devo muito a ela”, disse um bom par de vezes. Notava os olhos das
velinhas iluminando-se sempre que rememorava o passado da falecida. Algumas,
durante os diálogos, apertavam meu braço; outras corriam a mão sobre meu
peitoral; outra chegou até a escorregar o ventre murcho sobre minha virilha.
Sorri, mas me afastei, perdoando-a pelo pecado. Sempre fui bom em perdoar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Conforme as horas foram passando, notei certo desconforto entre os
presentes. O homem do cheiro de cigarro aproximou-se de mim com certo incomodo.
“Padre, o Padre Larousse foi parado numa Blitz aqui perto e se recusou a fazer
o teste do bafômetro. Ele e a Honda Biz dele estão retidos na delegacia. Parece
que você terá que fazer a cerimonia. E ai, topas?”, perguntou e ofereceu-me uma
bala de café. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;“Lógico. Topo. Será uma honra para mim. E posso pôr no currículo. Isso
conta muito na hora de achar uma paróquia melhor”, informei-o, com o drops a
derreter sobre minha língua afiada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Cheguei novamente ao lado do esquife e pigarreei. “Rám-Rá” – foi o som
do pigarro, lembro-me bem. Pigarreei novamente. Saiu um “Rúmmm-Ah-arú” dessa
vez. Os presentes se aproximaram, ombro a ombro, olhando-me encantados,
ansiosos em ascultar minha oratória irretocável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;“Hoje estamos reunidos aqui para honrar a querida lembrança da Tia
Marlene. Uma professora, uma irmã, uma amiga, uma mãe, uma santa”. Mal terminava
essa frase de abertura e já captava o espocar incontido dos choros na audiência
atenta. “Esta mulher aqui...”, continuei e apontei para o caixão. Mas, ora, vejam
bem, atenção aqui, não havia corpo algum. O caixão tinha apenas algumas coroas
de flores e nada mais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Olhei automaticamente para as pessoas ali diante de mim. Mas seus
olhares apenas vagam pelo salão. Perdidos em outro tempo e espaço. Olhei de
novo em direção ao caixão. Ele continuava vazio. E ao olhar de novo para quem
me escutava notei que alguns olhavam com dó para o caixão. Para onde o corpo deveria
estar. Eles olhavam para o corpo. Então apenas eu não o via? Antes de poder
responder aquilo, vi Tia Marlene entre a senhora que roçou a virilha sobre mim
e o homem que havia me oferecido a bala de café. De pé, ela ria de mim,
debochadamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.5pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;Senti meu estomago se liquefazer, gélido. Precisei ir ao banheiro. Pedi licença
antes e disse que tinha esquecido uma coisa no carro. E então, no meio do meu
discurso fúnebre, abandonei o local, suando, em meio a palavras sinceras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No banheiro, entretanto, o problema era maior do que supus inicialmente. Meu
intestino sacolejava feito um barco de papel em um oceano feroz. Não havia
alternativa por mais que tentasse me convencer que era apenas um problema com
gases. Puxei as saias da batina e sentei-me sobre o frio assento da privada.
Gritei ao mesmo instante que os primeiros tabletes de fezes mergulhavam ruidosamente
na água sanitária da privada da única cabine do toalete. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minutos depois, nascia ali, sem aviso algum, uma dúvida aterradora entre
apertar ou não a descarga. Nesse instante, surgiu de dentro do banheiro, saindo
do interior de um secador de mãos automático e sobrevoando a posta trancada da
cabine, o espírito de Tia Marlene, claramente incomodado pelo forte odor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“E então, não vai puxar?” – ela questionou-me, testando meu nobre espírito,
planando a centímetros do teto encardido do sanitário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Lógico que vou, eu jamais deixei de puxar descarga alguma, ora!” afirmei,
tentando me convencer daquilo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pare de se enganar. Nós dois sabemos da inverdade dessa sua afirmação, menino
Isidoro. Você jamais apertou uma descarga em toda a sua vida, meninote
traiçoeiro!“&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Isso é mentira, tia Marlene” – esbravejei, engasgado pelo choro que nascia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Não é, Isidoro. Aceite.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atordoado pelas convulsões do choro, desistindo de manter aquela mentira que eu
teimava em crer, disse aflito:&amp;nbsp;“Desculpe, Tia Marlene. É que eu adoro
imaginar a cara de nojo de quem entra no banheiro”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Acalme-se, meu menino.” Ela me abraçou, tentando domar minha alma pecadora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Perdoe-me, faz favor.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Eu não posso te perdoar, Isidoro. Tu é que tens que se salvar.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Mas como, Tia?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pense em algo. Agora deixe-me partir. Aqui a coisa está complicada”. E se transformou
em fumaça, sendo sugada novamente pelo secador de mãos; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dia do enterro da Tia Marlene marcou também o termo da minha vida como padre.
Ao sair do banheiro notei que boa aparte daquilo havia sido uma alucinação,
terrível alucinaçação, oh!, horrível, sim. O padre Larousse terminava sua fala
quando voltei ao salão. Brilhantemente ele relembrava a passagem de Tia
Marlene. Eu em momento alguma havia tomado a palavra. Naquele dia mesmo deixei
de ser um mediador entre Deus e os homens e resolvi buscar a salvação da minha
própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, trabalho dez horas diárias nos banheiros da Rodoviária do Tietê em São
Paulo e outras seis no banheiro masculino da estação de metrô da Sé - e sempre
que posso visito as instalações sanitárias dos postos de gasolina das rodovias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o velório, jamais deixei de apertar a descarga e comecei a cultivar o
inabalável hábito de averiguar a limpeza de todos os vasos sanitários que
posso, mesmo das privadas não utilizadas por mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, muitas vezes, enquanto estou sentado no banheiro lá em casa, Tia Marlene
aparece e conta como Deus fica feliz da vida sempre que me vê a apertar uma
descarga.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/5388816587799335992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/10/deus-fica-triste-quando-nao-apertamos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/5388816587799335992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/5388816587799335992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/10/deus-fica-triste-quando-nao-apertamos.html' title='Deus fica triste quando não apertamos a descarga - Director&#39;s cut'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-2272491400923250066</id><published>2012-10-08T00:53:00.003-03:00</published><updated>2015-01-29T19:55:54.883-02:00</updated><title type='text'>Os Mamilos Retalhados de Cambridge</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: white; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 2.3em; font-weight: normal; margin: 0px 0px 5px; outline: 0px; padding: 0px; text-align: center; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;entry-content&quot; style=&quot;background-color: white; border: 0px; margin: 24px 0px 0px; outline: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Martin Donnely inspirou profundamente. Ergueu o corpo gordo da cadeira e foi ao púlpito, subindo os degraus da escada do palco em passos calculados, preparadíssimo para o tradicional discurso de segunda-feira. Os alunos, entretanto, compondo a plateia, logo cedo, nada preparados para ouvi-lo, apenas tentavam manter-se despertos sobre os acolchoados assentos do anfiteatro da Universidade de Cambridge naquele princípio de 1952.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Decidam aí, senhores!”, começou o mestre, em tom amigável inédito, após um pigarro extravagante, dando origem a inúmeros olhares confusos que foram nascendo entre os ouvintes, sob o silêncio refrescante e sonolento da primeira manhã da semana. “Os parcos pelos nas rodelas dos peitos de suas namoradas lhes aborrecem tanto assim? Ora, decidam aí, senhores! Optem pela ignorância e os alisem tenramente, como se fossem um gostoso lenço de seda, ou reconheçam a pelagem excessiva e apreciem as nuances desses finos fios de cabelos mamários”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um grande choque. Indiscutivelmente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Mas, mestre, alguns pelos não são mais aceitáveis e coçam nosso rosto, nosso buço e queixo. Certa vez até espirrei em uma pobre mama depois que um pelinho safardana adentrou desavisadamente meu nariz”, hablou um meninote, ameaçando levantar-se de sua poltrona, irado, assustando-me deveras e afastando para muito longe o sono imenso que me abatia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Ora, mestre! Ora! Mestre, ora!”, disse outro meninote, igualmente irritante. “Estamos em plena década de 1950. Quero uma quenga lisa como uma mesa de madeira envernizada!”&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Um farfalhar intenso levantou-se entre meus colegas de classe, pairando sobre nossas cabeças ensebadas como um enxame, enquanto o mestre apenas nos observava, calado, estudando-nos o comportamento.&amp;nbsp;Após breve reflexão, decidi compartilhar minha opinião com os presentes, rasgando aquela nuvem intensa de comentários com minha voz trovejante. “Não me importo com esses tais pelos na teta, não”, redargui, silenciando os sons alheios dissonantes por apenas um momento, pois fui imediatamente vaiado com toda a fúria alcançada pelos pulmões dos colegas. Não podendo mais prosseguir em minha exposição, sentei-me à cadeira, resignado, e fiz força para não derramar uma sequência envergonhante de lágrimas. Falhei.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Garotos, compreendo muito bem a repulsa, a época em que vivemos e o prazer que sentimos ao deslizar as palmas das mãos sobre uma mesa de sala esmeradamente encerada. Mas, escutai-me bem, jovens mancebos. Deus pede que aceitemos os outros da forma como são”. O mestre tentava amenizar o fervor que incitara nos alunos, injetando força e autoridade em seu discurso. “Façam como o último colega, o chorão ali, deixem de lado se das bordas circulares dos mamilos de seus amores brotam alongados e nojentos pelos escuros encaracolados. Deixem de lado isso, filhos de Deus, ora bolas. Para o bem de todos vocês! Ora bolas! Bolas! Ora! Não permitam que um fino chumaço pendente afaste para sempre o amor de suas vidas”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Martin Donnely quase implorava-nos, pedindo que reconsiderássemos nossas posições. Estava envolvido emocionalmente até o pescoço com o tema de seu curioso e já histórico simpósio. Mesmo apoiando-o completamente, perguntava-me por que estaria ele abordando aquele tema naquele instante, naquele dia, naquele preciso momento em que Marte e Saturno estavam alinhados com Escorpião. Alguns pelinhos despontando de doces e rosados mamilos femininos não me causavam repulsa nenhuma e apesar de sua insólita fala, comecei a nutrir certa simpatia por sua curiosa personalidade, que nunca nem fez menção de irromper durante suas aulas regulares e mui entediantes.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Horas depois fui ao seu sombrio escritório no quinto andar da Torre Central do campus. Era o auge do inverno e me escondia sob um casaco de camurça que ganhei de papai. Superei altos lances da escada espiralada para encontrá-lo triste, debruçado sobre sua escrivaninha, sondando as profundezas de suas fossas nasais com o auxilio de um exagerado crucifixo dourado que pendia de um cordão amarrado ao redor de seu pescoço. Convidou-me para adentrar, tentando ocultar a melancolia que lhe dominava. Não pude, contudo, deixar de notar os olhos molhados precipitando fios de lágrimas sobre seu rosto pálido. Disse-lhe, ao pé de sua ampla escrivaninha, apinhada de grossos e poeirentos tomos de livros, que apreciei cada sílaba proferida em seu discurso da manhã e que concordava inteiramente com cada linha de seu ponto de vista.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Posso ver-lhe as tetas?”, perguntou-me subitamente o professor de Religião, com a testa desencantada e retesada em uma incômoda interrogação. Sua tristeza me entristecia.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“O senhor, preclaro mestre, quer analisar as rodelas de meu peito, aquelas que parecem um par de fatias de salames desbotados, ilhado por rasos mares de pelinhos escurecidos?” – perguntei. “É exatamente o que quero, doce mancebo! Sou fascinado por peitos cabeludos”, disse-me, ainda sentado à cadeira de seu escritório de cortinas cerradas, enquanto, em seu rosto, construía-se um puro sorriso sacana e, sobre a mesa, queimava uma vela perfumada. Lembrei-me então que minhas notas não eram das melhores em Religião e que havia uma boa chance de reprovação ao fim do ano, de modo que me livrei da camisa branca que tinha embaixo do casaco e desnudei meu peito branco e desgalgado. Tudo aconteceu celeremente, de tal forma que não pude atinar por completo tudo aquilo que era desfraldado diante de minha vista despreparada. Ele lambeu os beiços secos e, como um bebê faminto diante da fartura alimentícia da mãe, aproximou a boca ávida de meu mamilo esquerdo rígido pelo frio. Fechei os olhos com presteza. Meus maxilares pressionavam febrilmente os dentes rangentes. Senti a umidade de uma língua áspera dançando ebriamente sobre minha peitoca, pouco antes de um contato doloroso de dentes em leves mordiscadas. Só pude abrir os olhos assim que notei sua falta de atividade. Vi-o em pé, satisfeito, recompondo-se, desacelerando as expirações. Não pude me conter! Disse-lhe, sem medo de qualquer castigo posterior: “Mestre, posso…. eu….ver-lhe as tetas?”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Aguardei-lhe, com os olhos semicerrados, fitando suas feições impassíveis por uma breve eternidade. “Mas é claro”, disse, descobrindo prontamente seus fartos e enrugados mamilos, que não possuíam pelo algum. Estes reluziram sob a luz fraca da vela bruxelante. Curvei-me e estiquei o pescoço como uma receosa tartaruga expondo sua cabeça para além do casco, abocanhando morosamente uma alface. Rocei a língua, em amplos movimentos circulares, sobre seu gigantesco bico, que, vermelho, parecia a ponta melada de um tubo de batom. Seu corpo estremeceu. Martin Donnely disse, “Oh! Que delícia”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
À noite, a lua cheia em grave tom acusatório encarava-me através da janela. Tentava dormir, sem sucesso algum, em minha cama postada em um canto triste do dormitório do segundo andar. Mesmo depois de dois prolongados banhos quentes no banheiro do vestiário do primeiro andar, ainda sentia a saliva pegajosa do professor queimando meu mamilo esquerdo e escorrendo sobre meu abdômen. Evitei suas aulas durante a semana. Não sabia como me comportar diante dele. Não sabia como ele reagiria em minha presença. A semana prosseguiu cinza e o frio agigantava-se cada dia mais. A vida me era tão fustigada durante aquelas tenebrosas horas, que o céu e a terra pareciam petrificados sob uma pesada tristeza que a tudo contaminava.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Na sexta-feira meus colegas de sala e eu estávamos enfurnados no congelante vestiário central do campus. Preparávamos-nos para a aula de educação física no campo principal, quando o professor Ferdinand Whithmarsch entrou esbravejando, socando os armários e chutando as paredes e bancos. De sua testa suada saltitava uma veia prestes a explodir.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Em um urro animalesco, pediu que nos calássemos. Disse que precisava tratar de um assunto muito delicado. Mas que antes disso, necessitava que todos tomassem banho ali mesmo no vestiário e retornassem para sua preleção sem a camisa do uniforme de rugby. Da mesma maneira como aconteceu com a palestra do professor Martin Donnely na segunda feira anterior, nos entreolhamos, sem compreender. Mas, como alunos que só querem se livrar dos professores e de seus ensinamentos descartáveis, logo estávamos todos de banho tomando, diante dele, sem camiseta, com os mamilos duros como pedras de gelo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Quer dizer que as meninas aqui sentem repulsa diante um bom e tenro mamilo peludo?” – berrou, babando, com os olhos quase saltando para fora das órbitas. Tinha os punhos cerrados, vermelhos, zunindo diante dos rostos dos pseudoatletas calados e chocados postados à sua frente. “É isso mesmo?”&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Jerry Williamson, curvado sobre si, com a cabeça baixa e com os dentes chiando como pandeiros no carnaval, tentou expor sua posição, utilizando-se de sua voz banhada em uma xícara de chá do puro medo adolescente. “Não, professor, não, não, não é isso”, gaguejou. “É que muitos de nós preferimos um mamilo que não possua pelos. Mas tenho certeza total que ninguém aqui negaria a oportunidade de manusear com a boca uma dupla de peitos com alguns pelinhos a mais”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Whitmarsch pareceu não acreditar em nada do que o pobre Williamson e seus olhos tremeluzentes disseram. Agarrou-o pelas orelhas com as duas mãos, levantando-o uns oitenta centímetros do chão de azulejos brancos do vestiário. “Veja só, Williamson! Você tem inúmeros pelos mergulhados nesta massa amarela e pegajosa que habita suas orelhas miúdas, não é?”. “Tenho um pouco sim, senhor, professor”. “Pois sua mãe deixa de beijá-lo à noite e na manhã seguinte furta-se de levar-lhe café preto e enormes fatias de pão com manteiga à sua cama quente e cheirosa?”. “Não, nunca deixou e nem vai deixar, eu espero, mestre professor”. “Pois então, jovem Williamson, reveja essa posição. Dispensados da aula, após essa lição de moral”, ordenou, dirigindo-se a todo o medroso corpo estudantil, e largou o pobre Willy, que desabou no chão feito um saco de carvão. Caminhei às pressas, deixando meus colegas ainda estupefatos para trás. Agarrei a mala com minhas roupas e, quando ia abandonando o vestiário, ouvi o professor chamar meu nome e me virei. Ele estava com a mão esquerda sobre o mamilo direito, apoiando a cintura sobre uma pia, sem a parte superior de seu uniforme de treinador. Aplicava leves beliscões com o polegar e o indicador em sua teta já assanhada. A dois passos da saída do vestiário, mantive-me imobilizado, como se diante dos olhos da Medusa. Os alunos apressavam o passo, lavados de temor como uma manada de guinús tentando manter a vida para si diante das investidas de um felino faminto. “Venha cá, Tyler. Preciso te pedir um favor inadiável”. Temerosamente, dirigi-me em sua direção, esbarrando nos últimos alunos a sair do vestiário. Caminhava como se atravessasse um ringue de patinação ensaboado. Não conseguia de modo nenhum definir em qual momento ele havia se livrado do blusão do uniforme. “Veja, Tyler, veja a cor dos meus biquinhos”. Vi. Seus mamilos eram marrons, sem pelos, e possuíam um encantador tom rosado – uma bicoloração mamilesca inédita. “Mas que mamilos curiosos o senhor possui aí, professor Whitmarsh”, disse, profundamente interessado. “Ora, nunca ninguém notou esta minha qualidade, sabia? Agora me deixe vislumbrar seus mamilos quentes ainda cheirando a sabão. Soube que eles têm uma plumagem sublime.”&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Ele beliscou-os, timidamente, com seus ásperos e rijos dedos de atleta. Depois os apertou e parou e permaneceu assim por um tempo. Parecia segurar dois prendedores de roupa, prestes a coloca-los sobre uma toalha para secar no varal ao sol. Lembrei que havia uma grande chance de ser reprovado em Educação Física, então sorri, estimulando-o a iniciar suas carícias. Ele, avidamente, grudou seu rosto em meu tórax e passou a mordiscar meu mamilo esquerdo como os dentes do fundo de sua arcada, como um cão filhote roendo um osso de boi. Quando suas arfadas pareceram diminuir de intensidade, foi minha vez de pedir-lhe para manipular sua mama rosa e marrom. E ali, protegido do inverno que varria o campus e pintava de cinza escuro os gramados e os tijolos dos prédios, babamos no peito um do outro por cinco minutos, apreciando nossas mamas suculentas. Deixei-o sob o chuveiro de água abundante e quente. E, agradecendo a presteza como as coisas se deram, escafedi-me dali tão logo pude, sem saber dos fatos insólitos me ainda me aguardavam com ansiedade extrema.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Horas depois, com os mamilos mordidos inchados e ardendo horrorosamente, estava próximo do prédio de Filosofia plantando bananeira junto de meus bons colegas Sanderson e Willy Nelson Jr. Fui então, no meio de uma atrevida manobra, alvejado na face ruborizada pelo inverno por uma bolota de fezes de pomba próxima da liquefação. Sanderson disse prontamente que era melhor eu me lavar antes que alguém visse aquilo e socasse meus bagos gratuitamente, de modo que me apressei em encontrar o primeiro sanitário disponível. Na Ala Leste do Prédio de Filosofia descobri um inusitado e sombrio lavabo. Enxaguava a cara apinhada de espinhas com água fria, na esperança de expulsar aquela camada de merda que já quase endurecia devido ao frio polar de Fevereiro, quando fui interpelado por um canto angelical nascido das vibrações das cordas vocais perfeitamente afinadas de uma fêmea estonteante. Bernadet era seu nome. Era faxineira do campus já há trinta anos. Agora, aos noventa e três, mesmo curvada e ranhenta, ainda desempenhava suas funções com um vigor espantoso, irradiando uma beleza pelancuda por toda a extensão dos corredores e banheiros da tradicional instituição de ensino. Saindo de trás da porta da única cabine do lavado, sob uma atmosfera dominada pelo cheiro de urina curtida, ela chegou próxima de minha face ainda umedecida e salpicada por persistentes restos de cocô e beijou minha boca com seus lábios murchos, cujo cheiro lembrou-me uma par de meias molhadas esquecidas na gaveta. Hipnotizado pelo toque argiloso de sua boca esguia, demorei a perceber que ela já estava junto ao meu ouvido, murmurando e gemendo febrilmente. “Gostaria que você visse meus mamilos. Eles andam meio cabisbaixos”, pediu. Não neguei seu convite, mesmo sem saber por quê, e, minutos depois, com o maxilar exausto, já estava com a face lavada e com um leve sorriso satisfeito plantando atrevidas bananeiras novamente com meus bons camaradas Sanderson e Willy Nelson Jr. As mamas da nonagenária faxineira eram incomparáveis e passei a sonhá-las a cada instante desperto. Durante os seminários e avaliações, ao invés de cálculos e teorias, vinha à minha lembrança aquele par de mamas decrépitas. Mesmo breves, os inesquecíveis cinco minutos passados no lavado do prédio de Filosofia me perturbavam de tal forma que minhas péssimas notas conseguiram ficar ainda mais risíveis e preocupantes. Na terça-feira seguinte, durante uma manhã tristemente escurecida pelas nuvens de um temporal que se assomava sobre as torres de Cambridge, fui levado ao escritório do professor de Literatura Inglesa para uma conversa pormenorizada a respeito da queda do meu já fraco desempenho acadêmico. Bati em sua porta e um ranger estridente me acompanhou enquanto penetrava o aposento. O professor Edward Francis estava de pé. Tinha o corpo coberto por um relevo acidentado de músculos rígidos, empapados em seu próprio suor, e, sem vestes na parte superior, levantava um par de pesos de 50 quilos. Vestia um diminuto short azul desbotado de lycra barata, que lhe cingia a fina cintura e cobria seus diminutos genitais. Das duas caixas de som instaladas sobre uma ampla janela, a partir da qual se divisava o intermitente campus acinzentado encolhendo-se sob as nuvens negras do temporal iminente, uma canção de Carlos Gardel choramingava levemente às margens da quietude e preenchia com dificuldades o escritório do mestre musculoso.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Sabias, jovem Tyler, que além de escritor e teatrólogo, sou também matemático autodidata?” – questionou-me, esnobemente, com um sorrisinho escavando as pontas de seus rotundos lábios rosáceos. “Aposto que não sabia de mais essa capacidade minha!”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Empurrou uma cadeira, a qual apontou com o dedo longo afetado, sugerindo que ali me sentasse. Começou a secar as axilas ressumadas com uma toalha de rosto, assobiando o tango argentino do cantor uruguaio.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Não sabia não, professor Francis” – assegurei, sinceramente, enquanto me ajeitava no banco sem braços.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Ora, já sabia que não sabias. Sei que sabes que pouco sabes sobre os assuntos deste mundo. Mas ao contrário do senhor, sei de uma infinidade de fatos, inclusive sei que possui um par de mamilos bons de morder”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“É o que afirmam por aí, professor” – reconheci, com certo orgulho.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Sabe como uma nota quatro transforma-se em um oito, querido Tyler?” – ele mudou de assunto.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Multiplica-a por dois?”&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Em casos normais, sim, mas, em sua situação, apenas a aplicação de uma sequência de mordidas em seus dois jovens e peludinhos mamilos faria com que tal milagre ocorresse” – redarguiu, antes de arremessar sobre meu rosto assustado a toalha empapada em líquido cítrico de seu sovaco.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Desde que havia conhecido Bernadet havia prometido a mim mesmo que pararia de morder mamilos alheios e que nunca mais deixaria que os meus, já inchados e doloridos, fato que dificultava o sono e as trocas de roupas, fossem mordiscados pelo cada vez maior número de docentes que se interessava pela coisa, mesmo que isso significasse minha reprovação ou expulsão da Universidade de Cambridge. “Olha, professor. Fico verdadeiramente grato pelo seu interesse em meus mamilos, mas eu prefiro não envolvê-los mais em assuntos acadêmicos”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Ele, que havia ficado de pé durante toda a extensão de nossa conversa, subitamente arriou sobre sua poltrona. Parecia chocado por uma surpresa incomensurável. Seu sorriso transformara-se em uma massa tremelicante de lábios pálidos. Sua tez, antes empapada em suor, estava agora congelada pela frustração. Com as sobrancelhas arqueadas em tom ameaçatório, questionou, “O que quer me dizer? Não o compreendo”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #333333; font-family: Palatino, Times New Roman, serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14px; line-height: 1.5em;&quot;&gt;Ergui-me do assento magro e doloroso e respondi, empertigado, inflado por toda a coragem que consegui represar. “Quero dizer que não mais irei deixar meus peitos disponíveis para professores mordê-los conforme queiram. Não mais alugarei minhas tetas para outros mamarem”. E dito isso, em um berro fulminante o bastante para roer a estrutura da edificação na qual estávamos, atirei-lhe a toalha encharcada, devolvendo-lhe o golpe com intensidade superior, e me dirigi caminhando à porta, aturdido, impregnado pelo asco que sentia. Antes de abandonar o prédio, porém, ainda no ermo corredor e a poucos passos do início da escadaria espiralada que me guiaria de volta ao campus, tive o pescoço covardemente sufocado pela mesma toalha de rosto e lutei para me desvencilhar do ataque repentino que veio pelas costas. A acidez do suor frio rascava meu pescoço, como se aquele toalha possuísse em sua superfície milhares de invisíveis filetes de estilete. Com as duas mãos tentava impedir o contato terrível contra minha pele, mas já começava a perder a consciência. Antes de ceder à força covarde do mestre, vislumbrei, à luz rarefeita do corredor, os mamilos quase centenários de meu amor. Acordei tremendo e em pânico. Estava de volta ao escritório do Professor Francis. Tinha as mãos amarradas por grossas cordas ao encosto daquela mesma cadeira. Vislumbrei mestre Francis realizando frenéticos levantamentos de peso, enquanto fazia polichinelos. A muralha de músculos de seus braços parecia à beira de um colapso, prestes a explodir, e ele arfava a cada movimento, próximo da completa exaustão. Continuava trajando apenas o mirrado short azul e sorriu ao ver que eu recobrara os sentidos. Aproximou-se de mim e beliscou meu mamilo que se encolhia de medo. A dor assemelhava-se ao terror congelante de uma agulha penetrando minha carne. Gritei, mas ninguém ouviu – tinha a toalha suada enfiada na boca, servindo de mordaça. Prometi que sairia daquela situação são e que não permitiria viver sem perpetrar uma vingança merecida e horrorosa contra o responsável por aquele ultraje inaceitável. Professor Francis riu diante da minha impotência, vendo-me me debater, preso junto ao assento. Meus olhos vertiam lágrimas com sabor de ódio e desespero. Ele debruçou-se e mordiscou meu peitinho esquerdo e depois mordiscou meu peitinho direito e depois mordiscou meu peitinho esquerdo e depois mordiscou meu peitinho direito e depois mordiscou meu peitinho esquerdo e depois mordiscou meu peitinho direito e depois repetiu tudo duas vezes, com os olhos a cintilar como um par de faróis no negror da noite. Calado, eu urrava de dor e raiva. Entretanto, um providencial ruído de batidas na porta do escritório superou o som do sangue fervilhando em minhas artérias. O professor vestiu um terno e calças e surpreendido foi à porta atender o visitante. Por alguns minutos fiquei sozinho. Com a porta às minhas costas, não me era possível observar a interação entre Professor Francis e o bendito e inesperado bípede pluricelular que lá estava. O que pude fazer foi afrouxar um pouco o nó dos punhos. Mas então senti um toque ansioso nas costas. Era Bernadet. Vê-la ali estancou a inclemente dor que esganava meu coração e me sedou por breves instantes. Foi sua pressa em libertar-me que me devolveu à gravidade da situação. Voltei a tnetar remover as amarras de minhas mãos. Ela retirou a toalha empapada de suor e beijou-me apaixonadamente. O dulçor de seus lábios finos e secos misturou-se com o acre das glândulas sudoríparas do professor teatrólogo e matemático, e só não vomitei porque seria&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14px; line-height: 21px;&quot;&gt;ridículo&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14px; line-height: 1.5em;&quot;&gt;&amp;nbsp;demais. Livre das cordas e tendo abandonado a cadeira que me servia de cativeiro, vi o corpo musculoso&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: transparent; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 21px;&quot;&gt;do Professor Francis&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: transparent; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em;&quot;&gt;&amp;nbsp;desfalecido, estirado próximo à entrada do escritório. Tínhamos pouco tempo para fugir dali. Naquele momento, qualquer imagem referente ao meu futuro naquela instituição de ensino desvanecia de minha imaginação na velocidade dos meus batimentos cardíacos desesperados. Quando Bernadet saltou sofregamente sobre o corpo inconsciente do professor soube que não havia escapatória para nosso amor. Durante minha vez de saltá-lo senti sua mão gélida agarrando firmente meu tornozelo, amarrando-se em mim como uma algema inviolável. Ele estava desperto novamente. Gritei para Bernadet correr, descer a escada espiralada ao fim do corredor e misturar-se entre os alunos no campus, e ela obedeceu. Antes, porém, lançou em minha direção uma vassoura, com a qual, imaginei, o havia nocauteado antes. Agarrei o cabo da vassoura e com as cerdas de palha quebradiças de 40 centímetros dei-lhe sucessivos golpes na face até que ele voltasse à inconsciência e o corpo inerte lançasse mão de meu tornozelo quase necrosado. Fechei a porta rangente do escritório e sai à caça de Bernadet, abandonando o cenário grotesco com um plano de fuga mirabolante já sendo esquadrinhado por minha criatividade alucinada. Uma chuva intensa inundava o campus e o horrendo frio fazia arder minha tetinha assada. Saltei em direção do gramado alagado. Cada gota da chuva furiosa era como um golpe certeiro de um punho destruidor e fazia meu corpo vacilar. Vaguei sob a chuva por horas, revirando cada canto dos prédios, com as roupas pesadas e encharcadas, mas não reencontrei Bernadet. Então, enquanto subia o primeiro lance de escadas, que dava para o segundo andar e para meu dormitório, a umidade da chuva e minha descrença na superação daqueles imensos obstáculos venceram-me e desmaiei pesadamente, durante um passo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Acordei com um par de enfermeiros agarrados à suas pranchetas, anotando com canetas informações referentes à minha condição física. Gemi logo que voltei a travar contato com meu corpo alquebrado. Sentia uma forte dormência no cotovelo, devido, provavelmente, à queda que sofri na escada. Suspeitei que depois de desmaiar, rolei escada abaixo e me surpreendeu o fato de não contar mais danos no corpo.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Ao meu lado, na cama vizinha, ainda inconsciente e coberto por fartas mantas de lã, estava o professor Francis. Sua face estava inchada feito meus peitinhos. Estava ligado a tubos de soro através de suas veias de professor safado. Meu coração, que havia boiado em infindáveis e inabaláveis mares quentes de serenidade durante minha perda de consciência, voltara e espernear dentro de minha caixa torácica e engasguei em desespero. Os enfermeiros se aproximaram ao verem-me consciente. “O encontramos desmaiado na escada do prédio do dormitório 3. Você estava quase congelado. Você deu sorte. Willie Nelson Jr. ligou e pediu socorro à enfermaria”, disse um deles. “Fizemos alguns exames e notamos algumas coisas estranhas em seu corpo”, informou o outro, com seriedade preocupante. “Seus dois mamilos parecem ter sido mastigados por algum tipo de animal enfurecido. A condição deles não é das melhores.” Eles me olharam, aturdidos, ainda agarrados à suas pranchetas, esperando divisar a normal reação de um paciente diante de tal horrorosa informação. Entretanto, não a viram. Perguntaram, então, “O senhor tem algum roedor em seu quarto? Deve saber que eles são expressamente proibidos pela Reitoria”. Respondi que não tinha nenhum roedor no meu quarto. Mas que gostaria muito de ter um companheiro. Contei-lhes que me sentia muito sozinho ali na Universidade. Que era natural do interior da Inglaterra e que andava me masturbando muito. E que começava a achar que professores formavam um complô para mordiscar minhas tetas. Disse que o professor ao lado era um deles. E que eu havia nocauteado-o com uma vassoura que pertencia a uma senhora faxineira com quem havia praticado sexo anal dias antes e por quem estava perdidamente apaixonado. Confessei também que estava com uma dilacerante gonorreia desde então. E quando dei por mim cada um deles mordia violentamente uma de minhas tetas. De modo que nada pude fazer. Algum tempo depois bateram à porta da enfermaria. Os enfermeiros saíram de cima de mim prontamente. Entraram empurrando uma maca. Nela havia um corpo coberto por um cobertor branco. Pelo tamanho do cadáver tive certeza que era de Bernadet. Ele era tão miúda. Do tamanho de um pigmeu com ananismo. Aquilo nem era uma toalha, parecia mais uma tolha de rosto. Levantei da cama e puxei o tecido, que era um lenço na verdade. Era ela mesmo. Dura como o meu bilau, naquele instante. Estava branca e encharcada, em posição fetal. Parecia um ovo de avestruz. “Encontramos ela atrás da estátua de Sir. Bonald McDonald. Deve ter desmaiado em algum momento. O frio fez o resto”, disse o bombeiro, o maior deles, debochadamente.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Fui até perto dele e dei-lhe toques agradecidos no ombro. A ele, ao bombeiro que o acompanhava e aos dois enfermeiros, perguntei: “Alguém aí tem um tesoura bem pontiaguda?”. “Ora, meu jovem, que sorte essa a sua, hein? Olha uma aqui, bem brilhante!”, respondeu imediatamente um daqueles que há pouco tinha meu mamilo quase a descer-lhe a goela. Tirou a tesoura de uma gaveta, a qual devia usar para cortar gaze. “Veja só essa sorte a minha! Muito Grato”, disse tomando a arma em minhas mãos. Após mostrar gratidão e muita educação, enfiei a tesoura uma centena de vezes na jugular de cada um dos quatro homens e depois decepei as duas tetas do professor inconsciente. Ele acordou para ver me retalhando-lhe a esquerda. Gritou como um bebê no escuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minutos depois, enquanto tomava um cappuccino no café central do campus fui levado pela policia à delegacia onde passei doze horas até ser levado novamente para o mesmo café. Meu cappuccino ainda estava ali, pela metade. Frio. Mas tomei mesmo assim. E pedi outro. Ao fim deste fui levado pela policia à sala do reitor onde deveria dar explicações referentes a todo aquele sangue derramado. Deixaram-me ir ao dormitório antes, onde me despedi de meus grandes colegas Willie Nelson e Péricles Gasoduto. Lá fiz uma breve mudança de roupas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Miríades de flocos de neve e orquídeas dançavam, planavam e descendiam pesarosamente do céu leitoso enquanto eu era escoltado pelos policiais. Pouco depois, encontrei-me cercado por professores. Todos sóbrios, de ternos e gravatas escuras. Conhecia-os bem. Principalmente seus dentes e línguas. Alguns jamais havia visto e notei uma vibrante curiosidade em seus olhos quando entrei na sala. Sentavam-se ao redor de uma mesa redonda enorme. Eu vestia um terno de tweed cor de bosta. Espetara uma flor na lapela que tinha as sete cores do arco-íris. Exibia contente um tapa olho pirata, e tinha delineado improvisadamente um bigode a la Dali com uma caneta Bic azul. Na delegacia, depilara as sobrancelhas e meu saco escrotal com um lamina enferrujada. Assentado sobre uma cadeira pontiaguda e fria, do lado oposto ao dos docentes, ouvi, sob um silêncio sepulcral respeitoso, as primeiras considerações do Reitor James Hunt. Hunt devia pesar 150 quilos. Seu queixo se conectava diretamente com o início de seu tórax inchado e flácido. Os olhos eram azuis como uma piscina no Caribe. Parecia um cego. Era calvo e tinha um nariz delicado como o de um mamute. “Não é a primeira vez que um aluno assassina bombeiros e enfermeiros antes de retalhar os mamilos de um professor aqui em Cambridge. E não será a última. A questão, nobre e estimado aluno Peterson Tyler”, disse-me, olhando com seu olhar vago, “é que nosso corpo docente tem uma clara necessidade de afagos furtivos com alunos com qualidades iguais às suas. Em suma, gostam de um rapaz com a “peitoca” peluda. De modo que, para que possa se formar nesta Universidade, sua pessoa terá que prosseguir a deixar que seus mamilos sejam mordiscados impunemente pelos professores. É este o acordo. Caso aceite, a policia será dispensada e você poderá voltar às aulas normalmente”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Eu sorria. Meu saco coçava. Penteei o bigode. Disse, “entendo”. O reitor pegou uma folha debaixo de uma pilha de caixas de esfihas. No contrato para bolsa de estudos, há uma clausula que torna obrigatório que alguns alunos selecionados permitam que os professores mamem em seus peitos. Seus pais sabiam disso quando assinaram o termo, Tyler.”&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Cocei o saco de novo. Estava incomodando demais. Meu bigode também coçava. O arrancaria assim que saísse de lá. “Não sabia de nada disso. Herr Reitor”, disse.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Entendo”, afirmou o Reitor, novamente. Com um gesto de mão, chamou um ajudante ali presente para próximo de si. Cochichou e o ajudante foi até uma ampla porta de madeira, de costas. A porta que ficava do meu lado direito abriu-se em silêncio e de lá, instantes depois, saíram papai e mamãe. Papai vestia um longo vestido de seda, cor de bege, com detalhes em prata, e segurava um guarda-chuva com babados de um rosa incrível. Tinha os olhos delineados por um lápis escuro que lhe valorizava os olhos negros. A boca estava coberta por um batom cereja cintilante. Mamãe usava regata, um par de luvas de boxe e tinha uma ereção. Eles se sentaram lado a lado, próximos ao Reitor, à mesa circular de carvalho milenar. “Seus pais, Tyler! Eles sabem de tudo o que aconteceu. Veja como eles estão decepcionados com você”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Levantei da cadeira. “Sei que meu comportamento foi péssimo. Que matei gente e cortei um par de mamilos inocentes. Mas perdi a cabeça ao ver Bernadet morta. Estou com gonorreia também. Andava me masturbando muito antes de conhecê-la. Convivo apenas com homens e faz um frio do caralho nessa porra de lugar. Qualquer um enlouqueceria em uma situação como esta”, confessei.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Tyler, querido”, disse meu pai. Ele estava de pé e se abanava com um leque chinês enorme. Tinha as unhas pintadas de cor de merda, as quais combinavam com meu terno. “Para que você pudesse estudar aqui, eu precisei passar pelo mesmo que você está passando. Meus peitos foram fuzilados pelas metralhadoras de dentes do corpo docente desta respeitosa instituição de ensino. Mas veja, valeu a pena. Você está estudando aqui. Terá um futuro brilhante”. Ele, sensível, tirou um lenço umedecido da pequena bolsa e tocou com destreza as pupilas secas.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Tyler, porra”, disse minha mãe, ajeitando a cueca debaixo do short de boxeador. “Seu pai também passou por isso. Lembro que ele nem mais jantava, pois apenas o descer da comida machucava seus mamilos recém-mastigados. Honre esse esforço soberbo. Não refugue feito uma bichinha diante deste obstáculo ínfimo em sua vida”.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Os dois se sentaram. O Reitor levantou. Foi até meu pai, morosamente, e abaixou-lhe o vestido. Inclinou-se sobre ele e passou a mordiscar com força o mamilo de meu progenitor. Meu pai mordeu os lábios para não gritar. O Reitor descolou a boca e me olhou. “É isso que você quer, Tyler? Que eles tenham os peitos destruídos por nossas arcadas dentárias famintas? Hein?”. Voltou a morder meu pai. Via seu maxilar se fechar e abrir. Escutava-o arfando. Meu pai chorava. Sua boca aberta, muda. De lá não nascia som algum.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
“Está certo, Herr Reitor. Voltaremos à nossa programação normal. Deixe-os em paz”, ordenei, impedindo que aquilo se prolongasse. Alisei o bigode, tentando mostra uma calma que há muito não existia. O bigode também não existia. “Porém, devo informar-lhes que meu peito está liso. Retirei toda a pelagem que tinha sobre ele”. Pois é. Além das sobrancelhas e do saco, depilara o peitola na cadeia. Ouvi um gemido coletivo do outro lado da mesa. Os professores se desesperaram. Alguns levantaram, zonzos. Outros bateram na mesa com os punhos em riste. O Reitor pediu silêncio. “Não importa. Esse seu ato de rebeldia não surtirá efeito algum. Nós esperaremos que os pelos voltem a crescer. Enquanto isso as atividades serão suspensas”, ordenou.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Tive duas semanas de paz, durante as quais, enlutado, voltei a me dedicar aos estudos e tentei aceitar o que me ocorria. Ao término das duas semanas, tudo voltou. E por mais uma semana sofri abusos. Aceitei-os. Sem pesar. Numa noite de quinta feira, quando 500 orangotangos invadiram o restaurante principal e alguns alunos resolveram espancá-los com tacos de críquete, fui à suíte principal do Reitor. Era a noite dele.&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;background-color: transparent; border: 0px; color: #333333; font-family: Palatino, &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 14px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 1.7em; outline: 0px; padding: 0px; text-align: justify; vertical-align: baseline;&quot;&gt;
Hunt morava em um amplo apartamento de estilo vitoriano em um prédio afastado. Lá, equipado por uma graúda tesoura de cortar grama, decepei seus mamilos e guardei-os em uma pochete de couro, sob minha jaqueta do time de rugby. Tranquei-o no banheiro e abandonei o lugar. Lá fora, muitos cadáveres de orangotangos espalhavam-se como um tapete negro e vermelho pelos gramados outrora verdejantes de Cambridge. A caçada continuava. Alguns dos pobres símios haviam escalado as torres e os prédios, e os alunos propunham planos para agarrá-los. Visitei em seguida o dormitório de Whitmarsh. Sai de lá com mais um par de mamilos na pochete. Duas horas depois, após outras visitas às alcovas de meus mestres, somava uma dúzia de mamilos. Encaminhei-me à quadra de vôlei, onde música e vozes preencheram tudo a minha volta. Fui até uma das geladeiras e peguei uma forma de gelo. Esvaziei-a e depositei em cada cubo um dos mamilos recolhidos. Completei os compartimentos com água fria e fui encontrar Willie Nelson, Jerry Williamson, Péricles Gasoduto, Rammy O’Relly, Frankie Crispie e Tutta Delaware. Meus grandes camaradas. Eles tinham as mãos manchadas de sangue. As roupas também. O Reilly vestia a pele de um dos hominídeos e um chapéu de cowboy. Reuni-os sob a luz mortiça da lua minguante, fora do ginásio onde se localizava a quadra, e comuniquei-os que aquela era minha última noite em suas companhias. Eles pouco se importaram com o que eu dizia e logo voltaram à quadra para buscar mais bebidas. Interceptei-os durante o retorno e disse-lhes que eu faria aquela gentileza e que gostaria de propor um brinde à nossa amizade eterna. “Apenas pegue a bebida, seu idiota”, disse Delaware. Voltei ao ginásio e fui direto ao bar. Em uma bandeija levei sete copos de whisky. Com duas pedras de gelo cada. O meu tomei puro. E comemoramos meu último dia em Cambridge.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/2272491400923250066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/10/os-mamilos-retalhados-de-cambridge.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2272491400923250066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/2272491400923250066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/10/os-mamilos-retalhados-de-cambridge.html' title='Os Mamilos Retalhados de Cambridge'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-1781488176708644812</id><published>2012-07-30T16:02:00.003-03:00</published><updated>2014-03-31T19:26:25.102-03:00</updated><title type='text'>Os Secretos Dias de Meretrício de Vovó</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #222222; font-size: 12pt;&quot;&gt;Frangos
fervilham nas fornalhas. Fantásticos flamingos forrados de fibras de firmes
falhas farmacêuticas flauteavam formando filas nos Flamboyants de folhas
flabeladas. Filhos e filhos, finitas farsas, fingindo, falseiam a fartura de
feijões que formigam fáceis de faltar. Fora, francamente fora, fadas fabricadas
fitam a fraqueza da franqueza. Fora, francamente fora, mas acima, francamente
acima, flocos de farpas flageladas e flácidas ficções fumegam flatos no feto
acima das fezes fervendo e falamos nas facilidades e futilidades fincadas em
finas fitas fascinando favas, fétidas fazendas e faxinas. &amp;nbsp;Fagulham
femininas frutas, fractais focas fulminantes fervem em filmes. Porque não ficas e fracassas fielmente comigo? &amp;nbsp;E estrelas
espúrias e ensopadas esfarelam-se entalhadas em enciclopédias educacionais,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #222222; font-size: 12pt;&quot;&gt;enquanto
erigem-se enfermeiros empalhados, enciumados e endiabrados, que ensopam de
ebola Eva e Edens, espantalhos evocam eternidades enfraquecidas e
embaralham as esperadas empanadas especiais da escrava enegrecida.&amp;nbsp; E por
fim, astros bissexuais carcomem-se diariamente; figos grandiosos,
&amp;nbsp;hediondos, invadem jantares lamentosos maldizendo nebulosas operadas por
queijos rindo suplícios tal uma viúva xexelenta &amp;nbsp;zumbi.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/1781488176708644812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/07/os-secretos-dias-de-meretricio-de-vovo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1781488176708644812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1781488176708644812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/07/os-secretos-dias-de-meretricio-de-vovo.html' title='Os Secretos Dias de Meretrício de Vovó'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-6195413880756769750</id><published>2012-05-29T22:46:00.002-03:00</published><updated>2012-05-29T22:47:07.295-03:00</updated><title type='text'>Amélia, Doce Mulinha</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
Nuvens frias pesavam tristes naquela manhã de domingo&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Descolorindo todas as esperanças que eu então trazia&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E nada indicavam, neste coração que guardo comigo,&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
as alegrias que você, Amélia, em breve, me daria.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Amélia, minha doce mulinha&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Cavalgarmos felizes para todo o sempre&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Amélia, nobre, quadrúpede, rainha&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
A luz do sol sorrie, reluz, se esparramava pelo ar,&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
assistindo seu nobre cavalgar,&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
desenhando bilhões de pontos sob o azul do lago &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
ao som do seu único galopar.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E agora deixo minha arcada dentária impressa em suas coxas&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E sei que isto é apenas o começo&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Fecho os olhos e eis você comigo &lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Tomando mordidas suas nos mamilos, agradeço&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Não vou negar, doce Amélia,&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E fingir que feliz fiquei em ouvir suas antigas histórias&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Outrora, você, mulinha de muitos cavaleiros?&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Mas, isto é passado, seu trotar, relincho e rédeas são todos
meus, não há mais o que se falar.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/6195413880756769750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/amelia-doce-mulinha-nuvens-frias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6195413880756769750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6195413880756769750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/amelia-doce-mulinha-nuvens-frias.html' title='Amélia, Doce Mulinha'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-1041048857536856730</id><published>2012-05-10T23:11:00.001-03:00</published><updated>2014-03-22T00:16:09.430-03:00</updated><title type='text'>Gordos e Prepotentes Lambaris</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
Os gordos e prepotentes lambaris, que não gastam tempo em retribuir os simpáticos olhares dos interessados observadores além dos vidros do aquário, seu cárcere submerso, tiveram os corações quase que cuspidos, de repente, quando um chacoalho desavisando provocou um alvoroço intenso nas águas onde deslizavam sem razão. &#39;Aprisionados neste cubo, vivem achando que estão livres na vasta imensidão de um oceano. Parecem comigo e com você&#39;.&amp;nbsp;O efeito foi distinto em mim. A chacoalhada não foi o bastante para perturbar a calma da superfície da minha mente, ou para brotar ondas destruidoras para erodir a praia tranquila na qual passava os dias em repouso. Meus raros músculos persistiram em puro silêncio após a afirmação ouvida. Minhas veias, inertes como piscinas abandonadas. Meu sistema coronário, em horário de almoço. Agradeci por não ser igual aos lambaris e me afastava do aquário e do homem que quis me destruir com uma frase. Lá fora o dia era branco, lento e ecoava por espaços hexagonais dipostos em cima de cada crânio humano colecionado. Eu aceitava meu castigo; haviam me convencido que todos passam por isso. E o grave mantra, que acompanhava minha consciência e seus devaneios, indicava que marchávamos sem direitos ou poderes, equilibrando-nos pela teia de aranha que divide a vigília e o sonho. Então bati com a cara em um paredão transparente, a base de uma gisgantesca redoma de vidro; e além dela, avistei algo enorme olhando pra mim com uma curiosidade pueril e chacoalhando a parede vítrea interminável. Mantive-me em pé, resistindo às investidas sísmicas e depois prossegui a andar, sem fazer ideia de que não rumava a direção alguma.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/1041048857536856730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/gordos-e-prepotentes-lambaris.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1041048857536856730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/1041048857536856730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/gordos-e-prepotentes-lambaris.html' title='Gordos e Prepotentes Lambaris'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-8771051428176321437</id><published>2012-05-10T22:23:00.000-03:00</published><updated>2012-05-10T22:23:02.228-03:00</updated><title type='text'>E Nada Vi</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
com um espirro, os céus borraram meu terno de azul e branco&lt;br /&gt;
e dentro do meu bolso, um punhado de feijões começou a chorar.&lt;br /&gt;
- todos sentem sua falta no mesmo instante-&lt;br /&gt;
ali onde estava, crianças gargalhavam doces agudos após romperem as portas de todas as casas iguais, de entediantes cozinhas brancas de casas vazias.&lt;br /&gt;
as mães, pelas janelas, gritavam reprovações, anunciavam punições, mesmo sendo completas mudas.&lt;br /&gt;
e dentro do meu bolso, meus feijões esqueceram o pranto e passaram a assobiar uma melodia libertadora.&lt;br /&gt;
- nesta hora pensei em me tornar um instalador de painéis solares -&lt;br /&gt;
ali onde estava, um par de expirações depois, um violino passou a repetir incessantemente suas tristezas e, ganhando os ares, subiu já azul, pronto para virar céu.&lt;br /&gt;
e ao fim da primeira curva um homem revelou, orgulhoso de sua orelha que caia sobre seus ombros, que eu deveria voltar para meu pote e virar açúcar.&lt;br /&gt;
com ele ao lado, virei uma primeira curva e o céu escureceu.&lt;br /&gt;
eu queria que chovesse, que transbordassem represas, que Arca alguma salvasse…&lt;br /&gt;
ele também.&lt;br /&gt;
eu queria que a noite engolisse a luz; queria ter mãos para sempre tatear o bréu inviolável&lt;br /&gt;
ele também&lt;br /&gt;
- éramos um boa dupla -&lt;br /&gt;
e foi aí qie Incontáveis grãos mergulharam nesta ampulheta sem fundo, e com a mente tentando equilibrar-se sobre meus desnivelados ombros&amp;nbsp;em um débil e enojante balanço, corri para olhar o céu, esperando por nada ver&lt;br /&gt;
e nada vi…&lt;br /&gt;
e fechei os olhos durante uma expiração - uma notável, épica desistência - e pedi que sonhasse com tudo aquilo novamente&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/8771051428176321437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/e-nada-vi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/8771051428176321437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/8771051428176321437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/e-nada-vi.html' title='E Nada Vi'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-6915283664998340664</id><published>2012-05-10T18:05:00.000-03:00</published><updated>2012-05-10T18:21:12.528-03:00</updated><title type='text'>31 de Maio de 1998</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Sobre o verde gasto da lousa, um binômio quadrado perfeito &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;rabiscado sem certeza&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt; persiste &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;esquecido desde a aula anterior&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;. Tomando a frente&amp;nbsp; da mesma antiga lousa, murmúrios de refrigerantes despejados goelas insatisfeitas adentro são ignorados, enquanto
folhas de testes improvisados chocalham sendo passadas de mãos vacilantes para mãos indiferentes.
Uma espinha gorda encrustada na bochecha ensebada reluz sob a luz branca que frustra-se ao preencher
a sala sepulcral, criando t&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;ênues sombras&amp;nbsp; que reconfortam as feições dos alunos petrificadas pelo
extremo frio que proíbe o riso e convida o temor febril. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt; Fora, o cinza invernal paira ameaçadoramente sobre as apressadas
formigas de calças e óculos, gritando em agonia além das janelas trancadas da
escola. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt;No bolso&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 14pt; line-height: 150%;&quot;&gt; apalpo as apetitosas
pedras de crack que ainda não transformei em fumaça, enquanto me afasto em passos frenéticos. E eu penso nas manias maravilhosas
da cozinheira gorda de olhos aguados e rosto ainda rabiscadaode desenhos
formados pelas dobras da fronha de cheiro doce de amaciante Ypê Aconchego Azul.
E ouço as farfalhas incômodas de inverno que circundam as caminhadas solitárias
e cheias de derrota enquanto escorrego ladeira abaixo, antes de ser golpeado por uma sequência desnorteante de faniquitos
agudos; e depois ouço as fraudes escancaradas da TV, a descrença compartilhada&amp;nbsp; daqueles
que não piscam diante dela, metros acima da piscina sombreada pelo próprio
prédio, cercada por palmeiras importadas, antigo conjunto habitacional das aves agora
despejadas pela justiça. E enquanto demoradamente pisco os olhos, lambendo
lentamente o seco olhar, fantasio sobre a formidável fragrância da carne em
decomposição agarrada aos dentes do fundo da boca de meu amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/6915283664998340664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/31-de-maio-de-1998.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6915283664998340664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/6915283664998340664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/31-de-maio-de-1998.html' title='31 de Maio de 1998'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-3188642982973166401</id><published>2012-05-04T18:11:00.002-03:00</published><updated>2012-05-04T18:14:46.222-03:00</updated><title type='text'>Não engravide Tânia</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Não
engravide Tânia. Era esse o aviso que precisava ser transmitido, delegado. Transmitido
para mim mesmo, no passado. Estranhamente, doutor, mesmo tendo informado-me
sobre o porvir, em tom de extrema urgência, não fui capaz de alterar o que já aconteceu.&amp;nbsp; O objetivo era que eu interpretasse
a mensagem como uma advertência, como um vaticínio irrefutável, e me afastar de
qualquer fêmea alcunhada de Tânia, fosse quem fosse. Não sei o que aconteceu. Apenas
sei que agora estou encarcerado, fruto de um mal-entendido completo. Como
tentativa de inocentar-me, conto-lhes agora, delegado e policiais
desinteressados, como ocorreu o bizarro incidente, o qual me pegou com as
calças arriadas, literalmente, e me arremessou inclementemente para o interior
deste pardieiro, com vossas senhorias. Já era começo de noite quando ouvi um
rumor nascer do casebre à margem oposta da rua onde labutava sofrivelmente –
uso o verbo no passado, pois acho que meus empregadores não mais quererão
contar com meus serviços. Naquele dia havia sido despertado às onze da manhã
pelo estrondo pavoroso de uma broca a perfurar o asfalto da alameda onde
residia - uso o verbo no passado, novamente, pois tudo leva-me a crer que, a
partir de hoje, passarei a ser morador da cadeia mais próxima. Apesar de ter
despertado cedo, somente às 14h30min encaminhei-me com o costumeiro pesar até o
prédio de dois andares no qual trabalhava com clara má vontade. A soma dos
fatores desagradáveis e grotescos os quais havia experimentado ao longo daquele
dia provocava-me um dor inabalável e sufocante - terrível como se fragmentos de
vidro raspassem a superfície de meus olhos. Contudo, aquele sofrimento foi
momentaneamente aquietado quando um aprazível canto acariciou minha orelha
esquerda, a qual dava para a janela, que dava para a rua, que dava, por sua
vez, para a casa, e que deveria dar, pensei, para a fonte da cantiga. Como se liberto
após séculos encarcerado em uma caverna depositada nas entranhas do mundo, descolei
os olhos da tela do 386 (era o Ano da Graça do Senhor Hare Krishna de 2012) e
como um idoso de músculos atrofiados, ergui-me do banco de madeira sem
estofamento ao qual meu corpo era mantido pregado por 8 horas todos os dias. As
juntas pútridas e ligamentos mofados guincharam ao abandonar o esquelético
assento e fui à janela para inspirar o sopro vívido e atraente da noite. Prontamente,
cortei a jugular do chefe, sentado ao lado, antes de ganhar a rua deserta e dirigir-me
ao portão de onde provinha a canção milagrosa. Sem dar atenção a uma provável
morte por atropelamento, cruzei a rua inóspita, como que hipnotizado. Chamei
alguém através do interfone instalado no portão de madeira antiga e pedi para
falar com o responsável pela música que de lá ganhava a vizinhança. Uma voz
respondeu, não pelo interfone - ela vinha de trás do muro. Perguntou-me se
havia marcado hora. O portão se abriu inteiramente, convidando-me a entrar,
após ter-lhe garantido que a hora marcada era exatamente aquela – para tal,
aumentei um tanto minha potência vocálica para que esta pudesse transpor a
imponente altura da construção de pedras gastas. Adentrei o terreno, empapado
em sombras, dando um passo incontornável rumo à loucura completa. Na escuridão
que se abateu logo em meus primeiros passos pelo jardim, consegui divisar uma
miúda fresta de luz ao fim do que parecia ser um caminho de terra batida, mas
não pude, por mais que tivesse arriscado, encontrar o interlocutor do brevíssimo
diálogo anterior. Caminhei na direção da linha imóvel e horizontal desenhada ao
fundo da total escuridão. Tateava os pés sobre a trilha improvisada quando a
voz chamou-me e senti um calor vulcânico explodir em minha garganta. A voz -
era a mesma, podia identificar - soava enfurecida e descontrolada e perdi-me no
negror sufocante, sentindo medo pela primeira vez desde que ali havia
adentrado. Girei sobre os calcanhares tantas vezes na ânsia de ter a
localização daquilo que me dirigiu a palavra que desfaleci, tombando
pesadamente sobre a grama úmida da noite infante. Quando despertei, estava à
frente do 386, e meu superior, em meio a risadas infantis abafadas, peidava
impunemente ao lado. Girei a cabeça na direção da janela e avistei a casa, o
portão e a mesma muralha de pedras gastas. Aspirei novamente o teor adocicado
da noite, buscando expurgar a produção gasosa daquele que me dava ordens, mas
não tive aptidão para tal. Também tentei encontrar algum vestígio da bela melodia
a singrar pelo ar próximo, mas também não consegui – o chefe ouvia uma música
chamada naquele estágio da evolução humana de sertanejo, estilo musical definido
como música clássica pelos estudiosos contemporâneos, e aquilo subjugava
qualquer outro som existente. Levantei menos irritado do que instigado pelo que
acabara de experimentar minutos atrás e lancei-me novamente à rua. Em seguida,
vi-me diante do portão destrancado, o qual, apenas encostado, convenceu-me a
entrar por mais uma vez. Confuso como se navegasse um frágil bote por águas
desconhecidas e cobertas por névoa espessa e gélida, penetrei novamente o
jardim, após empurrar o portão, que gemeu alto, como se gritasse alertando os
residentes sobre a covarde invasão. O local permanecia tomado por uma escuridão
intensa e desnorteante. Então outra vez ouvi a voz. Ela vinha de algum recanto
invisível, “Pai?”, perguntou-me, em tom de surpresa. Corri os olhos por toda a
extensa treva, esquadrinhando cada centímetro do breu no qual penetrava. Era uma
menina, uma criança que deveria estar brincando quando entrei ali, intempestivamente.
O silêncio dominou-me, calando inclusive o som de minha respiração e, estacado
no gramado baço, divisei a fresta; uma lua minguante dourada a planar à altura
do horizonte. Encaminhei até ela sem medo ou preocupação - só acompanhava-me a
curiosidade, o desejo incontrolável de conhecer a identidade daquela menina, a
dona da voz que há anos acreditava não ouvir. Enquanto arrastava-me resoluto
por sobre aquela escuridão sólida abaixo de meus pés, a fresta curva
ampliava-se cada vez mais até que uma lívida explosão englobou-me. Recolhi- me,
protegendo os olhos. A claridade perturbante evanesceu-se e a escuridão novamente
derrubou-se sobre mim. Vislumbrei a casa na qual havia passado os primeiros e
mais deliciosos anos de minha infância. ‘Pai!’, a voz celebrou, encharcada de
saudades. E a menina correu para meus braços. Reconheci a face de minha irmã
quando ainda uma menina de sete ou oito anos, ao toma-lá sobre o peito.
Devolvi-a ao chão, celeremente, em uma mescla de espanto e repulsa, mas, pelas
mãos, a menina levou-me ao interior da casa. Nada pude fazer além de
acompanhá-la. Sentada à mesa da cozinha, folheando o jornal do dia, reencontrei
minha mãe, a qual, após um beijo aliviado, expôs sua preocupação com o
inesperado atraso daquele que ela imaginava ser seu marido - o que refirmava,
pois já tinha certeza, que naquele momento eu era de fato meu próprio pai.
Disse a elas que miríades de obstáculos transpus para sentar-me, extasiado, ao
lado de meus dois maiores amores, naquele iluminado momento. Após um sorriso de
consternação de ambas, os quais não esconderam certa surpresa pela beleza da minha
sincera afirmação, foquei-me no problema que mais me causava aflição e
desconforto. Se estava na pele do pai, onde haveria de estar eu mesmo? Pedi
licença e deixei-as ali para tratar de encontrar eu mesmo. Por já ser noite, deveria
estar de volta da escola e, estimando a idade da irmã, acreditei saber onde e o
que estaria fazendo àquela hora do dia. Procurei meu quarto, o qual, lembrava-me
muito bem, ficava no andar superior, após o breve lance de escadas que se
levantava da sala de estar. Quando adentrei o pequeno quarto ao fim do
corredor, após empurrar a porta afobadamente, avistei a mim mesmo deitado na
cama, coberto até o pescoço por uma manta de lã, a qual, na altura da cintura,
sofria constantes e violentíssimos abalos sísmicos. O menino, de 14 anos,
surpreendeu-se com a presença daquele que achava ser seu pai e, em um improviso
inútil, parou de masturbar-se para fingir que apenas coçava a virilha. Entretanto,
o enrubrecimento, até mesmo para seu pai, caso fosse ele quem estivesse
empostado aterrorizado sob o batente daquela porta, o denunciaria sem pestanejo.
O menino pareceu tentar formular uma desculpa ou encontrar um assunto súbito
que desviasse a atenção do recente acontecimento, mas para nada adiantaria - por
vezes revivia aqueles momentos engraçados através dos caminhos turvos da
lembrança. Eu tinha pressa em lhe transmitir uma informação vital. Sentei à
beira da cama, enquanto um claro aspecto de asco modificava suas feições do
menino. “Olha aqui, você precisa acreditar em mim, eu sou você, você sabe
disso, e disso sabe por razões que não podem ser esplanadas por causa da
estranheza da situação e pelo raro tempo que ainda me resta nesse tipo bizarro
de realidade e ..”. “É claro que te entendo, pai”.-&amp;nbsp; o menino interrompeu. &lt;/span&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;line-height: 150%; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;&quot;&gt;Amaldiçoei-me
por ser burro desde muito pequeno, mas encontrei forças para prosseguir. “Olha,
eu sou você daqui vinte anos”, apressei-me em falar. “E eu sou um você de um
jeito que você não irá querer ser. Está ouvindo? De jeito algum engravide a
Tânia na oitava série e nem no ano seguinte. Ao invés disso, peça pra mudar de
escola amanhã mesmo. Isso modificará inteiramente sua vida - pelo menos esta
que vivi até agora. Se você engravidar aquela evangélica infeliz, terá que
trabalhar desde novo. E então trabalhos cretinos sucederão trabalhos sem
sentido e idiotas, chefes despreparados substituirão completos boçais, em um
fluxo que só se completará na ocasião de seu completo aniquilamento - algo que
eu aguardo com clara ansiedade, para falar-lhe a verdade”. O menino retraia-se,
quase se enterrando sobre a suada manta de lã, enquanto expunha-lhe a situação.
“Mas tudo isso pode ser mudado se você fizer as escolhas certas a partir de
agora...”. Mas então o chefe peidou, o sertanejo invadiu-me a audição e
despertei para o pesadelo nosso de cada dia. À minha frente, o 386 e a mesma
conhecida e maldita situação. A familiar melancolia servindo-me de alma. Havia informado
sobre o futuro, pensei, urrando dentro de minha própria cabeça, mas nada mudou.
Possivelmente, eu, um completo cretino, esqueci o incidente ou tomei-o como um
sonho constrangedor e alucinado. Enfim, continuava, neste presente inaceitável,
enterrado sob uma Cordilheira do Himalaia de Merda, longe de qualquer salvadora
missão de resgate. O próximo flato do meu superior hierárquico definiu o
restante de minha vida, afundando-me, irremediavelmente, um pouco mais nas
profundezas fecais. A nova arrosta foi a gota d’água e decidi pelo suicídio,
finalmente. Seria, entrementes, um suicídio bastante diferente. O primeiro sui
- homicídio de toda a existência ocorreria após uma nova invasão à misteriosa
casa. Lá mataria a mim mesmo, com um vasto e inescrutável sorriso na face,
enquanto minha mãe, aturdida e desesperada, tentasse impedir o bestial sufocamento,
ao passo que a filha, hipnotizada pela violência repentina do pai, encolher-se-ia
contra a parede gélida do corredor, tremelicando diante da absurdidade da cena.
Usando com astúcia meu canivete suíço, rasguei lentamente a jugular do meu
chefe, como se cortasse uma suculenta peça de picanha mal passada. Instantes
depois, estava novamente sobre a escuridão insólita do jardim à procura de mim
mesmo. Após penetrar a cozinha vazia, subi o breve lance de escadas, às
pressas. Quando invadi o quarto sentia-me muito vivo, mesmo estando a poucos
segundos do falecimento. Com a lâmina manchada e os olhos inflamados de rubro,
esfaqueei-me ao menos umas duas dezenas de vezes - todas as estocadas com a
mesma potência assassina insaciável da primeira. Quando a polícia me algemou e
arremessou-me no camburão, antes de aqui chegar, ainda não havia atinado para
os eventos recém-ocorridos. Foi só há poucos instantes que compreendi que após
assassinar João Gouveia de Medeiros, meu chefe na empresa Bolso Largo
Contabilidade Ltda, invadi uma residência cujo proprietário desconheço e assassinei
seu filho enquanto este, sozinho na residência, jogava, deitado sobre sua cama
de viúva, Call of Duty 3 em seu Xbox 360. Foi exatamente assim que tudo ocorreu,
delegado e raivosos policiais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/3188642982973166401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/nao-engravide-tania.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3188642982973166401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/3188642982973166401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/05/nao-engravide-tania.html' title='Não engravide Tânia'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-7590625928061083253</id><published>2012-04-24T22:41:00.000-03:00</published><updated>2014-03-31T19:29:36.927-03:00</updated><title type='text'>Às minhas penas degringoladas</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
Dê um tempo para minhas têmporas desincharem e eu retiro dos
cascos do bote do Porto um bom gole de vinho pra você, meu bem, minha
recém-conhecida paixão eterna. Bicaremos volumes miúdos do liquido como boas
pombas que somos. E depois dê um abraço turbulento em mim para que minhas
têmporas se inchem horrorosamente, e aí então podemos começar a fazer tudo isso
novamente. E logo após, cheios de graça e tara, ziguezaguearemos pelas dunas e
holofotes e carros mortíferos e indiferentes desse litoral melado e áspero de
areia agarrada às minhas penas degringoladas. E, bailando em uma frequência
suave e hipnotizante, como aquela onda distante na madrugada, adentraremos respeitosamente,
num fluxo apaixonante, a Igreja do Padre Pardo para perguntar-lhe sobre a
questão fundamental. &#39;Por qual motivo minha barriga tá fazendo uns barulhos
bizarros?&#39; Questão essa que não produzi, mas sobre a qual reflito desde que a
ouvi, décimos de segundos atrás - tempo estipulado pelo trabalho preciso de cronômetros suiços Tag Hever. Questão essa sobre a qual ainda
reflito, até o momento em que Padre Pardo me confidencia no sigilo morno de
seus edredons, enquanto, nu, massageio suas ancas, que as barrigas fazem
barulhos bizarros quando Deus deixa de nos amar e que para a solução desse mal
só havia uma única e singular saída: voltar a fazer com que ele queira nos
amar. Digo para Padre Pardo, enquanto você me espera cheia de falta de
paciência, distante daquela intimidade inesperada, que quero que Ele me ame em
toda sua magnificência, em todo seu esplêndido esplendor de Homem-Deus barbudo
semelhante a um mendigo sabichão; que quero que Ele me ame tanto, mas não tanto a ponto de
querer fornicar-me. Então Padre Pardo apaga seu cachimbo de crack com um densa e pegajosa cuspida e abre sua
maleta com papéis e documentos dignos de um advogado atuante e preparado para o
enriquecimento rápido e inescrupuloso e diz, olhando para mim com seu olhar
vidrado, típico dos padres prestes a ofertarem uma proposta irrecusável, &#39;tenho
cá uns papeis que devem te interessar, Monsieur Vômito&#39;. E digo, enquanto você
ainda me espera, sentada no gélido banco de madeira duro feito uma imagem de
Santo Padre, ‘mostre-me logo essa tentadora proposta e deixe-me esquadrinhá-la
por um minuto que seja&#39;. E Padre Pardo fala, mostrando o papel, (um cheque
parcialmente preenchido, faltando apenas uma assinatura) &#39;dê-me um autógrafo
aqui, e Ele irá amá-lo até o milésimo em que você falecer magro feito um fio de
macarrão pré-cozimento - quebradiço e sem sal. Assino o papel enquanto meu abdômen
tem convulsões orgásticas e quando saio da alcova do Homem de Deus-Mendigo,
vejo você fazendo sexo oral no coroinha de 10 anos. E então, compreendendo
sobre o que se trata o amor de Deus, e caminho até a nave principal, e tomo em
minhas mãos uma enorme vela branca - cujo simbolismo idiota foge-me agora - e,
depois de amordaçá-lo à cama, enfio-a repetidas vezes em Padre Pardo,
acompanhando o badalar do sino da meia noite, que preenche o ar incrédulo e calam
as poucas ondas a chiar, quebrando tímidas, onde o vinho estivemos a bicar.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/7590625928061083253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/04/as-minhas-penas-degringoladas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/7590625928061083253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/7590625928061083253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/04/as-minhas-penas-degringoladas.html' title='Às minhas penas degringoladas'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-316323131088449242.post-8931727778202060617</id><published>2012-04-13T19:23:00.000-03:00</published><updated>2014-03-31T19:32:19.833-03:00</updated><title type='text'>Orgia no Necrotério</title><content type='html'>&lt;div dir=&quot;ltr&quot; style=&quot;text-align: left;&quot; trbidi=&quot;on&quot;&gt;
Uma sucessão de imbecilidades
péssimas e terríveis constituiu aquela quinta-feira.&amp;nbsp; Para começar, eu acordei. O que já indicava
que o dia seria péssimo. Depois perturbou-me uma incômoda impressão de que minha
presença era obrigatória em um local distante do meu lar. Obrigação é a
precaução ao castigo. Não existe obrigação. Existe punição. Mas como não há
punição maior do que deixar de dormir, eu ignorei com determinação a sensação e
virei para o outro lado da minha cama, onde dois olhos inertes apontavam um
brilho quase petrificante em minha direção, enquanto me ajeitava no
travesseiro. A cama inteira se fez fria como uma forma de gelo e foi como se o
quarto escuro tivesse se tornando uma sala de necrotério iluminada e perturbante.
Achei estar deitado sobre uma mesa de autópsia, coberto por algum tipo de
lençol branco recém-lavado na lavanderia de um necrotério. Então me lembrei que
era aquilo mesmo. Que eu dormia, dias após dia, sob uma cama gélida junto a um
cadáver durante o fim da madrugada, quando os médicos legistas ficavam
enfurnados em salas longínquas, onde também deveriam dormir. Aproveitava aquela
abençoada ausência de vida e de idiotices desregradas para poder dormir em paz,
sem interrupções, sem medo. Mas o que eu senti foi justamente medo naquela hora.
E não apenas isso. Senti um dilacerante pavor que pareceu suspender o controle
que eu achava possuir sobre meu ânus. Por sorte e para meu momentâneo alívio,
havia evacuado antes do meu cochilo. O breve alívio em nada abrandou o terror
que crescia em mim. O cadáver deitado ao meu lado estava tão acordado quanto
eu.&amp;nbsp; E parecia contente com aquilo,
porque sorria exageradamente diante do meu rosto apavorado. O cadáver agarrou minhas
mãos e as beijou. Depois me beijou também na boca, deixando uma gosma transparente
e asquerosa sobre meus lábios trêmulos. ‘Bom dia, flor do dia!’, ele desejou,
apaixonado, se aconchegando cada vez mais próximo de mim. O que me fez crer que
a qualquer momento poderia até sentir uma ereção na altura da região do meu
quadril. O que não ocorreu, porque eu velozmente saltei daquela mesa cinza e
morta assim faria algo extremamente rápido. &amp;nbsp;Ao me pôr de pé, senti uma dor na região
lombar, como se algo pesado e forte houvesse sido pressionado sobre minhas
costas repetidas vezes durante as últimas cinco horas. Senti também uma
ardência no ânus e um cansaço impensável. Mas tudo isso foi reduzido ao
esquecimento quando vi outros cadáveres levantando-se e me olhando com
indisfarçável surpresa. ‘O que foi queridinha? Não está cansada não? ’,
perguntou maliciosamente um deles, pouco antes de todos os defuntos preencherem
a desnorteante sala com uma risada fetidamente esganiçada, como um riso
conjunto grotesco em um vestiário masculino. Notei então que havia algum tipo
de conotação sexual pairando no ar. E ao olhar para baixo, em um impulso
inexplicável, notei que eu usava uma minissaia quadriculada e uma meia calça
preta linda de morrer. Depois disso notei uma curiosa saliência no peitoral. E
ao notar isso, notei também a falta do costumeiro volume logo abaixo da
virilha. E ao notar tudo isso, fazendo uma breve reflexão, cheguei à conclusão
que eu era uma mulher. E que todos aqueles cadáveres excitados queriam me
possuir. E foram essas as duas conclusões que me fizeram correr desesperadamente tentando me equilibrar sobre os saltos, segurando uma bolsa minúscula que
estava pendurada em um de meus ombros. Ao chegar à porta, tentei abri-la. Mas nem com
toda minha força desesperada consegui girar a maçaneta e puxá-la. E então me
lembrei da chuva; do som dos carros incontroláveis escorregando pelas ruas
encharcadas. Lembrei do impacto surdo do plástico quente que semanas atrás
havia rasgando minha pernas; de voar
alguns metros dentro da tempestade antes de cair na escuridão e de tudo cessar.
E então me puxaram violentamente e eu caí entre muitos deles que agora não mais
estavam naquele estado narcoléptico e pareciam repletos de vida. Sobre o chão,
abri a bolsa, passei um batom rapidamente e disse, resignada, ‘Um por vez,
ok?’.&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pardalimoral.blogspot.com/feeds/8931727778202060617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/04/orgia-no-necroterio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/8931727778202060617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/316323131088449242/posts/default/8931727778202060617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pardalimoral.blogspot.com/2012/04/orgia-no-necroterio.html' title='Orgia no Necrotério'/><author><name>Guilherme Abati</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18170029916341225657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='25' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgm1N25ULW05EJGqEwaU9t7kjDmaja3s0wyD5Gl-VhAbxW9pnxdwkvl8pzUSGzAD_UM4vrRffeWP2V3qEjW80Kzcm5Sy15R6BhFui6-oOyQUVz_CbM_17hGVLFi5hTFTA/s220/pardal.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>