<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" version="2.0">

<channel>
	<title>O Recado da Pesquisa</title>
	
	<link>http://www.orecado.org</link>
	<description>reflexões filosóficas em diversas áreas</description>
	<lastBuildDate>Sat, 10 Oct 2009 21:12:43 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.5</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/ORecadoDaPesquisa" type="application/rss+xml" /><feedburner:emailServiceId xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0">ORecadoDaPesquisa</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0">http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item>
		<title>Tópicos de Lógica nos clássicos da Filosofia</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=430</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=430#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 21:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=430</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho
Vimos ser a Lógica o estudo da razão do ponto de vista de seu uso no conhecimento ou como meio de chegar à verdade. Discutimos o problema central da Lógica Menor ou Formal e o da Lógica Maior ou Material. Indagamos: quais são as regras que precisamos para raciocinar corretamente? [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p>Vimos ser a Lógica o estudo da razão do ponto de vista de seu uso no conhecimento ou como meio de chegar à verdade. Discutimos o problema central da Lógica Menor ou Formal e o da Lógica Maior ou Material. Indagamos: quais são as regras que precisamos para raciocinar corretamente? Em que condições o raciocínio é não somente correto mas também verdadeiro e demonstrativo, e faz adquirir a ciência?</p>
<p>Trata-se de discutir os métodos das ciências. Enquanto tentativa de explicar a realidade, a ciência caracteriza por ser uma atividade metódica. De lógica. Atividade da fala que, ao se propor conhecer a realidade, busca atingir essa meta por meio de ações passíveis de serem reproduzidas. Linguagem essa que constitui um conjunto de concepções sobre o homem, a natureza e o próprio conhecimento, que sustentam um conjunto de regras de ação, de procedimentos, prescritos para se construir conhecimento científico.</p>
<p>Referir-se-á lógica filosófica é suscitar o debate sobre o enfoque dado pela dialética como um caminho de investigação trilhado pelos clássicos da filosofia. É através da dialética &#8211; dessa arte de no diálogo -, que os filósofos demonstram uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão. Indicam o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória.</p>
<p>Assim, para o filósofo Tales (625-548 a.C.), a origem da vida estava na água; para Anaxímenes (585-528 a.C.), estava no ar. Segundo Heráclito (540-470 a.C.), o ser está no &#8220;vir-a-ser&#8221; ou no devir. O ser está a cada momento se modificando. Para Pitágoras (580-497 a.C.), &#8220;o número é o fundamento de todas as coisas (&#8230;) E, de fato, tudo o que se conhece tem número. Pois é impossível pensar ou conhecer algumas coisas sem aquele&#8221;, afirmava ele.</p>
<p>Platão (426-348 a.C.) filosofava: &#8220;Pensamento e discurso são, pois, a mesma coisa, salvo que é ao diálogo interior da alma consigo mesma que chamamos pensamento&#8221;. E Aristóteles (348-322 a.C.) dizia: &#8220;É, pois, manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras, pois dizemos que conhecemos cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa&#8221;.</p>
<p>RENÉ DESCARTES (1596-1650)<br />
&#8220;Entendo por método regras certas e fáceis, que permitem a quem exatamente as observar nunca tomar por verdadeiro algo de falso e, sem desperdiçar inutilmente nenhum esforço da mente, mas aumentando sempre gradualmente o saber, atingir o conhecimento verdadeiro de tudo o que será capaz de saber&#8221;. (Regras Para a Direção do Espírito)</p>
<p>BARUCH DE ESPINOSA (1632-1677)<br />
&#8220;Mas como os homens no começo, com instrumentos inatos, puderam fabricar algumas coisas muito fáceis, ainda que laboriosas e imperfeitamente, feito que, fabricaram outras coisas mais difíceis, com menos trabalho e mais perfeição, passando gradativamente das obras e instrumentos, para chegar a fazer tantas coisas e tão difíceis com pouco trabalho, também o intelecto, por sua forma nativa, faz para si instrumentos intelectuais e por meio deles adquirir outras forças para outras obras intelectuais, graças às quais fabrica outros instrumentos ou poder de continuar investigando, e assim prosseguindo gradativamente até atingir o cume da sabedoria&#8221;. (Tratado da Correção do Intelecto)</p>
<p>JEAN-JACQUES ROUSSEAU (1712-1778)<br />
Tópicos do Discurso Sobre as Ciências e as Artes (1750)<br />
&#8220;Na política, como na moral, é um grande mal não se fazer de algum modo o bem e todo cidadão inútil pode ser considerado pernicioso (&#8230;) Os antigos políticos falavam constantemente de costumes e virtudes, os nossos só falam de comércio, de dinheiro e de poder (&#8230;) Avaliam os homens como gado. Segundo eles, um homem só vale para o Estado pelo seu consumo&#8221;</p>
<p>&#8220;&#8230; Reconhecei, pois, a pouca importância de vossas produções e, se o trabalho dos mas esclarecidos de nossos sábios e de nossos melhores cidadãos nos proporciona tão parca utilidade, dizei-nos o que devemos pensar dessa chusma de escritores obscuros e de letrados ociosos que, em pura perda, devoram a substância do Estado.&#8221;</p>
<p>&#8221; Se a cultura das Ciências é prejudicial às qualidades guerreiras, ainda o é mais às qualidades morais. Já desde os primeiros anos, uma educação insensata orna nosso espírito e corrompe nosso julgamento. Vejo em todos os lugares estabelecimentos imensos onde a alto preço se educa a juventude para aprender todas as coisas, exceto seus deveres. Vossos filhos ignoram a própria língua, mas falarão outras que em lugar algum se usam; saberão compor versos que dificilmente compreenderão; sem saber distinguir o erro da verdade, possuirão a arte de torná-los ambos irreconhecíveis aos outros, graças a argumentos especiosos; mas não saberão o que são as palavras magnanimidade, eqüidade, temperança, humanidade e coragem; nunca lhes atingirá o ouvido a doce palavra Pátria e, se ouvem falar de Deus, será menos para reverenciá-lo do que para temê-lo. Preferiria, dizia um sábio, que meu aluno tivesse passado o tempo jogando péla, pois pelo menos o corpo estaria mais bem mais disposto. Sei que é preciso ocupar as crianças e que a ociosidade constitui para elas o maior dos perigos a evitar. Que deverão, pois, aprender? Eis uma questão interessante. Que aprendam o que devem fazer sendo homens e não o que devem esquecer .&#8221;</p>
<p>&#8220;Que é a filosofia? Qual o conteúdo das obras dos filósofos mais conhecidos? Quais são as lições desses amigos da sabedoria? Ouvindo-os, não os tomaríamos por uma turba de charlatães gritando, cada um para seu lado, numa praça pública: &#8216;Vinde a mim, só eu não engano!&#8217; Um pretende não haver corpos e que tudo existe como representação; o outro, não haver outra substância se não a matéria, nem outro deus senão o mundo. Este avança não haver nem virtudes, nem vícios, e serem quimeras o bem e o mal morais; aquele, que os homens são lobos e podem, com a consciência tranqüila, se devorarem uns aos outros. Oh! Grandes filósofos, por que não reservais para vossos amigos e filhos essas lições proveitosas? Teríeis logo a recompensa e não temeríamos encontrar entre os nossos amigos alguns de vossos sectários.&#8221;</p>
<p>MONTESQUIEU (1689-1755)<br />
&#8220;Coloquei princípios e vi os casos particulares submeterem-se a eles como por si mesmos, as histórias de todas as nações serem apenas seqüências e cada lei particular a outra lei, ou depender de outra mais geral (&#8230;) Não extraí meus princípios de meus preconceitos mas da natureza das coisas&#8221; (Espírito das Leis)</p>
<p>IMMANUEL KANT (1724-1804)<br />
&#8220;Sou, por meu gosto, um pesquisador. Experimento toda a sede de conhecer e a ávida inquietude de progredir, do mesmo modo que a satisfação que toda aquisição proporciona. Houve um tempo em que acreditava que só isso poderia fazer a honra da humanidade e desprezava a plebe que tudo ignora. Foi Rousseau que me tirou da ilusão. Esse privilégio ilusório se desvanece, aprendo a honrar os homens e ter-me-ia por mais inútil que o comum dos trabalhadores se não estivesse convencido de que a especulação à qual me entrego pode conferir um valor a tudo mais: fazer ressaltar os direitos da humanidade.&#8221; (Observações sobre o Sentimento do Belo e do Sublime)</p>
<p>&#8220;O Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria se a sua causa não reside na falta de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem de se servir de si mesmo sem a orientação de outrem. Sapere aude! Tenha a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo&#8221;. (Resposta à Pergunta: Que é Iluminismo?)</p>
<p>HEGEL (1770-1831)<br />
&#8220;Este livro apresenta o devir da ciência em geral ou do saber. O saber como é inicialmente, ou o espírito imediato, é o que é desprovido de atividade espiritual, a consciência sensível. Para chegar ao saber propriamente dito ou para gerar o elemento da ciência, que é para a ciência o seu puro conceito, esse saber deve percorrer penosamente um longo caminho. &#8211; Esse devir, tal como se apresentará em seu conteúdo, com as figuras que se mostrarão nele, não será o que se imagina primeiramente sobre o título de introdução da consciência não científica na ciência, também será algo diferente do estabelecimento dos fundamentos da ciência; &#8211; e algo bem diferente desse entusiasmo que, como um tiro de revólver, começa imediatamente com o saber absoluto e se desembaraça das posições diferentes, declarando que nada tem a ver com elas&#8221;. (A Fenomenologia do Espírito; o prefácio)</p>
<p><BR><br />
* texto publicado neste site originalmente em 2002. </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=430</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eutanásia: a vida produz a morte</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=428</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=428#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 21:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=428</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho
Eutanásia, Vida e Morte. Três expressões interligadas. Relacionando-se. É que forças opostas, unidade e luta dos contrários, constituem movimentos comuns e inerentes a todas as coisas materiais e espirituais. Em contínua transformação. Inacabadas, no mundo da finitude. Fazem sentido, uma vivendo em função da outra. Eutanásia: a vida produz a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p>Eutanásia, Vida e Morte. Três expressões interligadas. Relacionando-se. É que forças opostas, unidade e luta dos contrários, constituem movimentos comuns e inerentes a todas as coisas materiais e espirituais. Em contínua transformação. Inacabadas, no mundo da finitude. Fazem sentido, uma vivendo em função da outra. Eutanásia: a vida produz a morte.</p>
<p>Lembram-nos Fátima Oliveira (1997), Hubert Lepargneur (1999), entre outros, definem etimologicamente, a eutanásia (eu = bom; thanatos = morte) significando &#8220;boa morte, morte suave e sem sofrimento&#8221;, morte harmoniosa e morte sem angústia. Fácil. Feliz. Domínio sobre sua própria vida ou sobre a vida de outrem. Libertação livre do viver e do morrer. &#8220;Homicídio por piedade&#8221;, ação de aliviar o sofrimento de doentes terminais.</p>
<p>O tema da eutanásia se tornou, hoje, um dos mais agudos e debatidos no campo da ética médica e da Bioética, à luz da Filosofia e áreas afins. O enorme progresso das técnociências, nos últimos anos, abriu horizontes de esperança e bem-estar, de vida e morte, pela capacidade da medicina de prolongar indefinidamente uma vida por meios artificiais, motivos sociais, humanos e econômicos. Vejamos alguns destaques dos bioeticistas nesse campo, do jogo da vida e da morte na fronteira da eutanásia.</p>
<p>Para Márcio Palis Horta (1999), &#8220;morrer é parte integral da vida e da existência humana (&#8230;), tão natural e imprevisível como nascer. Sua tradicional definição do instante do cessamento dos batimentos cardíacas tornou-se obsoleta. Hoje, ela é vista como um processo, como um fenômeno progressivo e não mais um momento, ou evento. Morrem primeiro os tecidos mais dependentes do oxigênio em falta, sendo o tecido nervoso o mais sensível de todos. Três minutos de ausência de oxigenação são suficientes para a falência encefálica que levaria à morte encefálica ou, no mínimo, ao estado permanente de coma, em vida vegetativa.&#8221;</p>
<p>Logo a seguir, com Leocir Pessini, insinua algumas respostas com questões éticas. A vida humana deve ser sempre preservada, independentemente de sua qualidade? Devem-se empregar todos os recursos tecnológicos para prolongar um pouco mais a vida de um paciente terminal? Devem-se utilizar processos terapêuticos cujos efeitos são mais nocivos que o mal a curar? Quando sedar a dor significa abreviar a vida, é lícito fazê-lo?</p>
<p>São perguntas incisivas com prováveis respostas abertas à discussão. A busca de respostas a essas questões éticas constitui um desafio aos pesquisadores com argumentos a favor e contra a eutanásia. Vamos dialogar.</p>
<p>A moral hipocrática objeta contra a prática da eutanásia. A Deontologia médica inspirada no filósofo Hipócrates é falaciosa. É uma camuflagem. Proibir os profissionais de saúde a jamais ministrar medicamentos letais, mesmo a pedido do paciente, é uma teoria ideal desse filósofo ou uma prática contraditória, vivenciada nos hospitais? Thomas More, em sua obra Utopia (1516), defende-a &#8220;se a doença é incurável e faz-se acompanhar de dores agudas e contínuas angústias&#8221;. E o iluminista Montaigne (1987) disse que o principal problema da Filosofia é a morte. E pensou: &#8220;Quem não souber morrer que não se preocupe. A natureza o instruirá plenamente num instante e o fará com exatidão&#8221;.</p>
<p>Estas atitudes filosóficas frente à prática ou não da eutanásia fazem pensar a relação médico-paciente. Confiança nele ou desconfiança na injeção que o cura ou o mata? É verdade que o paciente se coloca nas mãos do médico. Mas, o que fazer quando o próprio médico informa: &#8220;Não há mais nada a fazer&#8221;, ou quando &#8220;a própria medicina cria situações desumanas e depois se recusa a assumir responsabilidades por ela&#8221;, e ainda no fato de que &#8220;as novas condições do morrer obrigam os médicos a se ocuparem também da morte do ser humano&#8221;?</p>
<p>Penso que, estas discussões e seus argumentos &#8220;contra&#8221; e &#8220;a favor&#8221; sobre eutanásia tendem a camuflar outras dimensões da vida e da morte. Escondem outras formas de violência contra o ser humano. A eutanásia, a cacotanásia (&#8221;má morte&#8221;), a distanásia (&#8221;morte dolorosa&#8221;), narcotanásia (&#8221;morte narcotizada&#8221;), mistanásia (&#8221;morte infeliz&#8221;), ortonásia (&#8221;direito de morrer com dignidade&#8221;) e outras palavras correlatas são, na prática, verdadeiras &#8220;penas de morte&#8221;, sem julgamento e sem lei. São sentidos ideológicos da vida e da morte, acobertando outras violências cotidianas. Violências que matam: a fome, seqüestros, corrupções econômicas e políticas. A eutanásia é também exclusão da cidadania, sua ausência. Exploração e embrutecimento do homem. Sua alienação. Em outros termos, o próprio homem inventa a linguagem da eutanásia e outras experiências culturais, de vida e de morte. Onde estaria a autonomia do paciente nessa sua &#8221; libertação da morte&#8221;? Nos seus familiares? Nos profissionais da saúde?</p>
<p>Segundo esse raciocínio, vida e morte, além do seu aspecto natural, são cultivadas (Boff, 1999). São experiências culturais. Mortos e vivos estão sempre juntos e contradizendo-se. A vida contra a morte. A morte contra a vida. Opondo-se. Invisíveis. A vida é tudo. Morte é ruína. Vida e morte transformam-se em mercadorias. Vida e morte nas igrejas. Vida e morte nos hospitais. Vida e morte nos assaltos. Vida e morte nas empresas. Vida e morte dos sem-terra-teto. Utopia do reino de Deus. Vida no além-morte.</p>
<p>Somos programados para viver e morrer. Projeto genético. Criamos a linguagem de outro projeto. Cultivamos outras vidas e outras mortes: projeto institucionalizado.</p>
<p>E mercantilizamos a vida e a morte.</p>
<p><BR><br />
<strong>Bibliografia</strong></p>
<p>   1. BOFF, Leonardo. Morte e ressurreição na nova antropologia, in Leonardo Boff, Ética da Vida. Brasília: Letra Viva, 1999: 219-237.<br />
   2. HORTA, Márcio Palis. Eutanásia – problemas éticos da morte e do morrer, in Bioética (rev.), V.7 num.01-1999. Conselho federal de Medicina, 1999: 27-33<br />
   3. LEPARGNEUR, Hubert . Bioética da eutanásia – argumentos éticos em torno da eutanásia, in Bioética (rev.), V.7 num.01-1999. Conselho federal de Medicina, 1999: 41-48.<br />
   4. MONTAIGNE, Michel de.(1553-1592): Ensaios. São Paulo: Nova Cultural, 1987.<br />
   5. OLIVEIRA, Fátima. Bioética – uma face da cidadania. São Paulo: Moderna, 1997.<br />
   6. SANVITO, Wilson Luiz. Eutanásia – os limites da assistência, in Valdemar Augusto Angerami – Camon (org.). A Ética na Saúde, São Paulo: Pioneira, 1997: 61-7</p>
<p>* texto publicado neste site originalmente em 2000.  </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=428</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Modernidade e suas contradições</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=423</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=423#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 20:52:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=423</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho
&#8220;Se o progresso das Ciências e das Artes contribuiu para corromper ou apurar os costumes.&#8221; (Rousseau)

É tempo de modernidade. Do progresso das tecnociências. É tempo de &#8220;crise&#8221; da razão moderna. De contradições. De limites. De novas possibilidades de intervenção no mundo e no próprio homem. De pluralismos éticos e científicos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p><em>&#8220;Se o progresso das Ciências e das Artes contribuiu para corromper ou apurar os costumes.&#8221; (Rousseau)</em><br />
<BR></p>
<p>É tempo de modernidade. Do progresso das tecnociências. É tempo de &#8220;crise&#8221; da razão moderna. De contradições. De limites. De novas possibilidades de intervenção no mundo e no próprio homem. De pluralismos éticos e científicos. Contraditoriamente, modernidade é tempo de destruição da natureza, da vida, do homem.</p>
<p>De um lado, há tempo e na história humana, já haviam florescidas as idéias dos filósofos: uma nova postura do mundo, da relação entre o homem e as realidades integradas, do homem, ser de cultura e produzido pela sociedade. É a modernidade nascida do Iluminismo, privilegiando o universal e a racionalidade, apostando na padronização dos conhecimentos e da produção econômica como sinais de sua época. São &#8220;novos tempos&#8221; em que se inaugura uma nova forma de pensar e de agir do homem em sua capacidade de inovar, de produzir ciência frente as grandes descobertas do seu tempo.</p>
<p>De outro, essa mesma modernidade revela sua face contraditória e seus limites. A filosofia entra em &#8220;crise&#8221;[1]. Crise dos valores morais e éticos. Ela nasce com a Ilustração, pela confiança iluminista na razão como força de progresso nas ciências e nas artes. De processo de moralidade e de eticidade. E entra em crise com a própria modernidade no desafio à relação entre ética e política, nas esferas da vida privada e pública.</p>
<p>A filosofia é desafiada a pensar-se em si mesma e na relação com outros saberes. Proclamada a falência da razão, atravessada pelo reino do desejo e da sensibilidade contra as ilusões da objetividade, a filosofia é questionada, convidada a procurar respostas e solução para dilemas da moral e da ética iluministas.</p>
<p>Na verdade, de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) a Immanuel Kant (1724-1804), entre outros, a vida e a natureza foram refletidas como vias que permitem juízos éticos quanto ao bem e ao mal, o justo e o injusto, o errado e o correto. Da filosofia sensualista de D&#8217;Alembert, Holbac e Helvetius que, nas sensações do prazer e do desprazer, do agradável e do desagradável, buscaram respostas para a felicidade e auto-realização do indivíduo.</p>
<p>É curioso observar que, nesses tempos modernos, mesmo a pretexto das &#8220;Luzes&#8221; e do &#8220;Progresso&#8221;, de &#8220;Humanidade&#8221;, de &#8220;Civilização&#8221;, Biociências, Biotecnologias, Ciberespaço, Internet, Globalização, entre outras palavras-chave da modernidade, mesmo assim, o homem ocidental continuou escravizando os seus semelhantes, em nome de uma igualdade de todos os homens. Atualmente, o direito à segurança é um direito fundamental do cidadão. Precisamos admitir que o progresso científico não garante o progresso moral e nem os direitos humanos. Perdeu-se o sentido do &#8220;ethos&#8221; como &#8220;lugar em que se habita&#8221;, de sua dimensão axiológica, dos modelos sócio-culturais; e das regras e dos comportamentos tradicionais. Como se pensar nessas realidades?</p>
<p>Talvez as respostas de Rousseau e Kant a este desafio nos sirva de apoio para as questões fundamentais do mundo atual. São novos desafios ao saber filosófico, novas indagações da atividade reflexiva, suas respostas às problemáticas da pós-modernidade.</p>
<p>Problematizando as indagações de seu tempo, o filósofo genebrino constrói um saber filosófico rico de expressões éticas[2]. Para ele, o homem nasce livre. Repugna-lhe a crueldade e a violência do &#8220;progresso&#8221; e as contradições das ciências e das artes de seu tempo.</p>
<p>Na verdade, a Academia de Dijon, na França do Século XVIII, lança, no Jornal &#8220;Mercure de France&#8221;, um primeiro desafio à filosofia moderna. Indagava-se &#8220;Se o progresso das Ciências e das Artes contribuiu para corromper ou apurar os costumes&#8221; [3] . Em conexão deste texto integrado com outras obras do mesmo pensador, conhecemos outros desafios publicados pela mesma Instituição: &#8220;Qual a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens?&#8221; [4]</p>
<p>Rousseau responde pela negativa. Diz: Não! à primeira questão. Pensa, negando. Negando, pensa. Apaga e ascende a luz da razão. A razão vê no escuro e no claro. Critica e afirma. Cultiva a natureza. Trabalha as ciências e as artes. Não as destrói, nem as artes, nem as ciências. Faz progredí-las. Perante elas, cria uma racionalidade ética e de direitos culturais e artísticos. Confirma-o, pois, Rousseau, no Primeiro Discurso [5], ao delimitar o objeto de sua pesquisa: aquelas &#8220;verdades que importam a felicidade do gênero humano&#8221;, ou da &#8220;virtude que defendo&#8221;.</p>
<p>Insiste ainda na busca de uma fundamentação dos desafios políticos lançados à filosofia. E a encontra naquelas indagações de seu tempo. Criticando os costumes corruptos, da inversão ética nas práticas políticas do Século XVIII, assim pensava:</p>
<p>Na política, como na moral, é um grande mal não se fazer de algum modo o bem e todo cidadão inútil pode ser considerado pernicioso (&#8230;). Os antigos políticos falavam constantemente de costumes e virtudes, os nossos só falam de comércio, de dinheiro e de poder. Avaliam os homens como gado. Segundo eles, um homem só vale para o Estado pelo seu consumo.[6]</p>
<p>Para Rousseau, a razão política está em crise. Na cidade não existe o cidadão. Foi anulado, nulificado, sem &#8220;costumes e virtudes&#8221;. O comércio, o dinheiro e poder são valores humanos para uma minoria e a maioria excluída, à margem da sociedade, sem esses bens econômicos. Sem viver. Sem direitos.</p>
<p>Para esse pensador, a mesma razão moderna foi diluída. Virou pó, em crise cultural. Péssima e inútil produção científica. Cultura envergonhada pelos letrados ociosos, perniciosos ao Estado. Chusma de escritores obscuros que, em pura perda, &#8220;devoram a substância do Estado&#8221; [7]. E indaga: &#8220;Que é a filosofia? Qual o conteúdo das obras dos filósofos mais conhecidos? Quais são as lições desses amigos da sabedoria? &#8221; [8] Cada um grita em praça pública: &#8220;Vinde a mim. Só eu não engano.&#8221; Eu sou de Voltaire. Eu sigo Bobespierre. E a sociedade distante, sem resposta para seus problemas. A filosofia é desafiada. Rousseau buscou sua fundamentação e a encontrou. Pensou seu tempo, sua história.</p>
<p><BR><br />
<strong>Notas</strong></p>
<p>   1. Vários pensadores atuais entram nesta discussão. Ver Manfredo Araújo de Oliveira, A Filosofia na Crise da Modernidade, Ed. Loylola: São Paulo, 1998. Adauto Novaes (org.), A Crise da Razão, Companhias das Letras: São Paulo, 1996.____________ , Ética, Companhia das Letras: São Paulo, 1992.<br />
   2. Essas idéias iluministas constituem objeto do projeto de pesquisa Princípios do Direito Civil: Sociedade Civil Segundo Jean-Jacques Rousseau, dentro do Programa de Bolsas de Iniciação Científica/UNICAP, para os alunos Tiago de Melo Correia e Ângela Celi Leite Valdivino, orientados pelo Prof. Dr. Francisco Antônio de Andrade Filho.<br />
   3. Rousseau, J.-J. Discurso Sobre as Ciências e as Artes, Nova Cultural: São Paulo, 1987, P. 137.<br />
   4. ____________. Discurso Sobre a Origem das Desigualdades entre os Homens, Nova Cultural: São Paulo, 1987, p. 7.<br />
   5. idem, Discurso Sobre as Ciências&#8230;, p. 137.<br />
   6. op. cit. p. 148.<br />
   7. id. ib.<br />
   8. cit. 153</p>
<p><BR><br />
* texto publicado neste site originalmente em 1999. </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=423</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Filosofia no tempo da globalização: modernidade e pós-modernidade</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=419</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=419#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 20:51:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=419</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho
A Filosofia enfrenta, hoje, os desafios (Japiassu, 1997) da era da globalização &#8220;o de pensar-se nos dias de hoje&#8221; e &#8220;a chamada pós-modernidade&#8221;, entre outros, de repensar o pensamento científico, não só enquanto atividade de pesquisa e atividade intelectual, mas enquanto atividade social estreitamente ligada, de modo complexo, às estruturas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p>A Filosofia enfrenta, hoje, os desafios (Japiassu, 1997) da era da globalização &#8220;o de pensar-se nos dias de hoje&#8221; e &#8220;a chamada pós-modernidade&#8221;, entre outros, de repensar o pensamento científico, não só enquanto atividade de pesquisa e atividade intelectual, mas enquanto atividade social estreitamente ligada, de modo complexo, às estruturas e às conjunturas sócio e econômico-políticas. É o tempo propício de conceber e de se praticar a filosofia: a habilidade de buscar um outro modo de ver e de pensar as realidades em suas múltiplas dimensões, entre as quais as novas teorias da linguagem provenientes das tecnologias da inteligência.</p>
<p>O que é modernidade? O que é pós-modernidade? Qual a relação entre si e dentro de um determinado processo histórico?</p>
<p>Suponho encontrar possibilidades de trabalhar estas questões frente aos desafios à Filosofia na pós-modernidade envolvida nas novas tecnologias dos dias de hoje. Pois, atividade filosófica &#8220;não consiste em justificar e legitimar o já passado&#8221;, mas em elaborar constantemente uma crítica do pensamento sobre ele mesmo. O filósofo, hoje, em sua arte de praticar a filosofia integrada a áreas afins, não tem o direito de permanecer surdo. Produz suas pesquisas não só enquanto tais, mas enquanto &#8220;atividade social&#8221;. Revela estudos e pesquisas. Sabe trabalhar projetos integrados de pesquisa. Tem habilidade de assumir radical e plenamente sua tarefa de &#8220;reflexibilidade&#8221; capaz de situar temporalmente suas &#8220;categorias&#8221;, suas questões e suas práticas de ensino, pesquisa e extensão.</p>
<p>Sem excluir sua prática, penso poder tomar o capitalismo (ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de, 1994) como via de acesso à modernidade. Pois, de nenhuma criação histórica pode se dizer com mais propriedade que seja tipicamente moderna como do modo capitalista de reprodução da riqueza social e inversamente, nenhum conteúdo característico da vida moderna é tão essencial para defini-la como o capitalismo.</p>
<p>Esse caráter peculiar da modernidade configurada pelo capitalismo, de mudança radical revolucionária da história, abre caminho à &#8220;emancipação social&#8221; do homem. Realidade efetiva e ativa da riqueza moderna, o capitalismo, porém, desvela processo limitado e contraditório. Indispensável para a existência concreta da riqueza social moderna, a mediação capitalista, contudo, corrói. Dilui-se. Não se afirma como condição essencial e única de sua existência, enquanto explora a força do trabalho.</p>
<p>A atitude reflexiva da Filosofia serve como instrumento na arte de pensar e transformar a realidade social de nossos dias, principalmente se se trata de compreender a &#8220;moderna sociedade capitalista&#8221; (MARX, K. &#038; ENGELS, F., 1982). Esse exercício do filosofar tem sua importância ao mostrar o real significado da modernidade, indo às raízes da questão para apreendê-la como movimento real, movimento contraditório, movimento dialético entre os diversos momentos do político, do jurídico, ideológico, científico e religioso que compõem a totalidade social, tendo como &#8220;última instância&#8221; a economia. Essa Filosofia tem muito a dizer do &#8220;capital global&#8221;, desvendando o dinamismo, as contradições e as crises desse sistema, também numa perspectiva do proletariado, cujo trabalho constitui o ser humano, em sua sociabilidade, consciência e liberdade.</p>
<p>Assim, entendo a modernidade como um processo histórico. Como conhecer o sentido profundo desse tempo? Ela não é uma elaboração subjetiva, mas uma apreensão do movimento da própria realidade, da materialidade, das condições de existência do homem. É uma &#8220;atividade humana sensível&#8230; atividade humana como atividade objetiva&#8221; (MARX, K., 1982).</p>
<p>A modernidade não é uma idéia em si mesma, mas a idéia como produto humano, a forma pela qual os homens pensam e refletem as suas condições e relações sociais. Ela é essa realidade do mundo do homem, como realidade feita pelo homem. É a coisidade da &#8220;sociedade burguesa moderna&#8221; (MARX, K. &#038; ENGELS, F., 1987).</p>
<p>É a partir desse conhecimento do processo histórico enquanto totalidade social, na &#8220;globalidade&#8221; e no conjunto das relações de produção como &#8220;base real&#8221; (MARX, K., 1982) que se apreendem dialeticamente as formas de consciência que dela se desprendem. Desse &#8220;ser social que determina a sua consciência&#8221; é que se entendem os processos sociais da globalidade capitalista, nos dias de hoje, e numa perspectiva do trabalho humano. E nasce uma nova questão que desafia à Filosofia: a pós-modernidade. A que idéias e práticas se refere algo tido como pós-moderno?</p>
<p>É um termo que parece significar tudo e nada (ROCHA, 1998). A pós-modernidade é um processo que, por estar ainda acontecendo, pode se desenvolver em várias direções. Ainda é cedo para se avaliar essa época atual.</p>
<p>De qualquer forma, a noção que está em jogo é a do novo, daquilo que está acontecendo no presente. É um mundo em ebulição, onde não há, então, nada definitivo. Tudo é passível de mudança, o que permite a afirmação: &#8220;Tudo o que era sólido e estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas&#8221; (MARX, K. &#038; ENGELS, F., 1987).</p>
<p>A globalização, que hoje conhecemos como prática, é assim percebida. Nascido nas ruínas do Feudalismo, o Capitalismo ultrapassou os limites da Europa Ocidental, implantou-se nas mais diferentes regiões do mundo, como modo de produção dominante na maioria dos países, inclusive, com mais evidência na destruição de outros modos de produção enquanto estava nesse movimento de expansão pelo mundo. Na fala de Marx &#8220;A necessidade de um mercado constantemente em expansão impele a burguesia invadir todo o globo. Necessita estabelecer-se em toda a parte, explorar em toda parte&#8230; deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países&#8230; As velhas indústrias nacionais foram destruídas diariamente&#8230; encontramos novas necessidades, que requerem para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas&#8221;.</p>
<p>De fato, urge considerar que, nas últimas décadas, ocorreram grandes revoluções científicas, transformações aceleradas das práticas culturais e político-econômicas. De modo cada vez mais perfeito, embora limitado, o homem produz novas tecnologias. Com elas se relaciona, vive e morre. Fabrica instrumentos da inteligência na pesquisa de técnicas e de objetos técnicos. As biociências produzem as biotecnologias com o poder de continuar investigando a utilização da matéria com a industrialização e com o mercado da vida.</p>
<p>Mais do que nunca o pesquisador (ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de, 1999/2000), inclusive o filósofo, recorre às tecnologias da inteligência na área biomédica (BERNARD, 1998). Indaga e encontra respostas nessa &#8220;revolução terapêutica&#8221; que propiciou os grandes avanços farmacêuticos, ajudaram a debelar doenças mortais e deram maior garantia às cirurgias e transplantes.</p>
<p>Ainda mais. Com as novas biotecnologias, com essa outra &#8220;revolução biológica&#8221;, de Engenharia Genética (OLIVEIRA, 1997), o pesquisador desenvolve técnicas de diagnóstico e técnicas de manipulação dos dados diagnosticados, e com o Projeto Genoma Humano, abre caminho para o domínio da reprodução biológica.</p>
<p>Os efeitos dessas transformações na produção do conhecimento genético (CLAGUE, 1999) acarretam suas implicações éticas. A clonagem animal e a possibilidade da clonagem humana, entre outras, constituem os avanços da ciência genética. Progressos científicos esses que, segundo a bioeticista Julie Clague, &#8220;afetam as atitudes em relação à vida, à morte e à saúde; afetam a disponibilidade concreta dos recursos biomédicos; e afetam também as práticas de pesquisa em muitas culturas onde a maioria da população jamais terá a oportunidade de compartilhar os benefícios da genética avançada&#8221;.</p>
<p>Na verdade, essas descobertas do tempo atual suscitam mais fortemente suas questões éticas, sociais e econômicas. Bilhões de dólares são investidos pelos países desenvolvidos. Eles esperam daí lucros enormes em termos de aplicações comerciais para suas indústrias biotecnológicas. Exigem a transformação do conhecimento científico em produtos lançados no Mercado Mundial.</p>
<p>Assim, referindo-se às pesquisas genéticas desenvolvidas pelo Projeto Genoma Humano, a mesma Julie Clague cita o filósofo francês Jean François Lyotard, e percebe as relações entre ciência e economia nas sociedades capitalistas avançadas:</p>
<p>&#8220;As relações dos fornecedores e usuários de conhecimento com o conhecimento que fornecem e usam está agora tendendo, e sempre mais vai tender, a assumir a forma que já tornaram as relações dos produtores e consumidores de mercadorias com as mercadorias que produzem e consomem, ou seja, a forma de valor. O conhecimento é e será produzido para ser vendido, é e será consumido para ser valorizado em uma nova produção: em ambos os casos, a meta é o comércio&#8221;.</p>
<p>Dessa reflexão, estenderemos o debate em torno de outros objetos novos que constituem verdadeiros desafios à filosofia. Daqui, partiremos para novos trabalhos em sua relação ético-política na era da informática e da comunicação social.</p>
<p><BR><br />
<strong>Bibliografia</strong></p>
<p>    * JAPIASSU, H. Um desafio à Filosofia: pensar-se nos dias de hoje. São Paulo: Letras &#038; Letras, 1997.<br />
    * MARX, K. &#038; ENGELS, F. Obras Escolhidas. Lisboa : Avante, 1982 (três volumes)<br />
    * __________________. O Manifesto Comunista de 1848. Edições Moraes, 1987<br />
    * ROCHA, Adriana Magalhães. Pós-Modernidade: Ruptura ou Revisão? São Paulo: Editora Cidade Nova, 1998.<br />
    * BERNARD, J. A. Bioética. Editora Ática, 1998.<br />
    * OLIVEIRA, Fátima. Bioética: uma face da cidadania. São Paulo: Moderna, 1997.<br />
    * CLAGUE, Julie. O conhecimento genético como uma mercadoria – Projeto Genoma Humano, Mercado e Consumidores, in Sowle-Cahill (org.), Ética e Engenharia Genética, Conscilium, 245 (2), Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 13 (157) a 24 (168).<br />
    * ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de. O Problema da modernidade no Pensamento Político da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – 1952-1988. (Tese de Doutorado, ICHC, UNICAMP – texto digitado, 1994).<br />
    * ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de. et. alii. O Recado da Pesquisa (http://www.orecado.cjb.net). Indagar, questionar, problematizar &#8211; do senso comum à consciência filosófica; Concepção de Liberdade em Montesquieu; Modernidade e suas contradições; O DNA e a justiça social; A Ética no Pensamento Político de Baruch de Espinosa; Bioética: medicina e sua relação com a antropologia filosófica; Informação ou Comunicação?; A questão paradigmática e a atualidade; Existe uma Ética do Serviço?; Bioética e sua relação com o Direito; Eutanásia: a vida produz a morte; Engenharia Genética &#8211; algumas implicações ético-filosóficas; Bioética &#8211; um novo desafio à Filosofia; O que é Bioética?; O Biofilho; Para Conhecer a Bioética &#8211; um novo paradigma da relação entre ciência e tecnologia; Relato de uma Experiência de Estudos e Pesquisas em Bioética; Relação entre Bioética e Psicologia: O Paradigma entre Caim e Abel</p>
<p><BR></p>
<p>* texto publicado neste site originalmente em 1999. </p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=419</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Diário de Leitura: por uma ética profissional e afetiva</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=408</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=408#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 18:32:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=408</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho

 
Nelma Penteado é uma das intelectuais mais famosas e respeitadas no Brasil. Tive a alegria de conhecê-la num evento “De Bem Com a Vida”, ocorrido em Aracajú/SE, 03 de julho de 2009. Uma excelente pessoa humana, com a qual provocava paz e alegria no Teatro Tobias Barreto, repleto de aproximadamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p><img alt="Nelma Penteado" src="http://www.orecado.org/wp-content/uploads/nelma_penteado.jpg" width="550" height="330" /></p>
<p> </p>
<p>Nelma Penteado é uma das intelectuais mais famosas e respeitadas no Brasil. Tive a alegria de conhecê-la num evento “De Bem Com a Vida”, ocorrido em Aracajú/SE, 03 de julho de 2009. Uma excelente pessoa humana, com a qual provocava paz e alegria no Teatro Tobias Barreto, repleto de aproximadamente um mil e seiscentos ouvintes. Sua palestra, rica de conteúdo e cheia de energia divina, fazia vibrar corpo e alma nos participantes.</p>
<p>Neste mesmo dia, senti-me abençoado por Deus. É que, de público, me convidou a subir no palco daquele Teatro, onde junto com minha esposa, recebemos um lindo e precioso presente, este livro: “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/257016/">Inteligência Profissional e afetiva: desenvolva seu potencial rumo ao sucesso e à felicidade</a>&#8220;. Nelma Penteado. São Paulo: Matrix, 2004. Ela autografou, com os termos: “Queridos diamantes, Francisco e Tânia”.</p>
<p>Escritora, palestrante e autora de outros livros, a Nelma abre novos caminhos de paz e amor. Por isso, ela é chamada de Diva da Auto-Estima e Diva da Felicidade. Toca o corpo e a alma de seus leitores. É assim, com extrema delicadeza que a escritora chega ao coração e à mente dos homens e das mulheres. Lança o olhar sobre seus sonhos; sobre suas perdas e ganhos; despertando para o agora, num forte desejo de viver de forma diferente; de aproveitar cada instante; de valorizar cada minuto, enchendo-o de beleza; de verdade e de leveza. Revela suas experiências e desvela o vivido do outro, também entrelaçado de uma saudade gostosa de algo trabalhado em plenitude.</p>
<p>Inspirado na leitura atenta e reflexiva, Dr. Mailson da Nóbrega ao prefaciar o livro escreve: “Minha impressão é a de que Nelma escreveu o livro pensando em seu numeroso público. Daí os conselhos que ministra com ponderação e bom senso. Além disso, o texto é freqüentado por pensamentos impregnados de sabedoria [...] Ou este: “Não deixe passar um dia sem expressar seu amor, seja através de palavras, gestos ou demonstrações de afeto”.</p>
<p>Dedicado e com respeito, li suas primeiras páginas. Fiz anotações no meu diário de leitura. Percebo que <a href="http://www.nelmapenteado.com.br/">Nelma</a>, numa dimensão holística, descobre trilhas de ética profissional e afetiva. Vejo nesta “Inteligência Profissional e Afetiva”, uma rica relação de ética e  a espiritualidade. Penso que seus leitores desenvolverão atitudes corretas para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito, sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano.</p>
<p>Ao longo de alguns de seus parágrafos, capturei recados de felicidade. Senti que a autora, artista da letra, e com muita emoção, faz um convite à reflexão e à descoberta do viver feliz, do nascer-criança ao envelhecimento saudável. Encontrei espaços que me indicaram caminhos de vida em busca de realizações na história do ser humano, criança, adulto e velho. </p>
<p><strong>Para conhecer mais</strong>, acesse o site <a href="http://www.nelmapenteado.com.br/">www.nelmapenteado.com.br</a></p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=408</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Promessa de uma Assembléia Nacional Constituinte</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=403</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=403#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 02:02:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=403</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho

 
Tancredo de Almeida Neves, José Sarney e a CNBB dispersaram as massas. Escorados em suas armas de comando, desintegraram-nas com promessa de uma Assembléia Nacional Constituinte. Temeram o Povo.
A Mensagem nº 343/85 e a Emenda Constitucional nº 26/85, José Sarney convocou a Assembléia Nacional Constituinte. Dois anos mais tarde, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p><img alt="Catedral de Brasília" src="http://www.orecado.org/wp-content/uploads/catedralbrasilia.jpg" title="Promessa de uma Assembléia Nacional Constituinte" width="550" height="315" /></p>
<p> </p>
<p><em>Tancredo de Almeida Neves, José Sarney e a CNBB dispersaram as massas. Escorados em suas armas de comando, desintegraram-nas com promessa de uma Assembléia Nacional Constituinte. Temeram o Povo.</em></p>
<p>A Mensagem nº 343/85 e a Emenda Constitucional nº 26/85, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Sarney">José Sarney</a> convocou a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_constituinte">Assembléia Nacional Constituinte</a>. Dois anos mais tarde, em 01/02/1987, com os discursos de instalação e posse do evento, do Presidente do Supremo Federal José Carlos Moreira Alves; o Deputado <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ulysses_Guimar%C3%A3es">Ulisses Guimarães</a> foi eleito Presidente da Constituinte.</p>
<p>Sob a égide da modernidade, evocada na tradição, os representantes políticos e eclesiásticos garantiram uma nova constituição. Quais imperadores e inimigos das massas, eles se denominaram tutores da soberania popular. Garantiram às multidões substituir o caos jurídico-institucional da velha constituição, imposta em 1969 pela Junta Militar do regime autoritário. </p>
<p>Para essa elite política, parecia fácil derrotar a concentração do poder e da renda – corrosão dos valores básicos -, tudo isso substituído por uma nova constituição. Nascia um novo império camuflado no projeto político, defensor das liberdades democráticas e conquistas sociais almejadas por todos os “brasileiros e brasileiras”.</p>
<p>A <a href="http://www.cnbb.org.br">CNBB</a> não se omitiu ao acontecimento. Pois, seu Presidente, Dom Ivo Lorscheiter, em 31 de janeiro de 1987, véspera da instalação do evento constituinte, falou: ”O momento político em que vivemos é de transição&#8230;”. Inserida na História, a Igreja é o mundo dos homens, com os mesmos desejos de mando na liberdade do outro. Por mimese, fala a linguagem dos políticos. Ameaçada, teme as massas.</p>
<p>As colunas do Trono e do Altar se associam, instaladas na Assembléia Nacional Constituinte. Assim, na Catedral de Brasília, o Presidente da CNBB evoca a proteção divina e o respeito aos ditames da reta consciência à lei de Deus. E dita: “O nome de Deus presidirá, então, não apenas o texto escrito, mas a organização concreta da sociedade brasileira e a vida do povo”.</p>
<p>Foi nessa época que, naquele mesmo templo religioso, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Te_Deum">“Te Deum Laudamus”</a> é entoado, uníssono, com o “Hino Nacional” no Congresso. Deslocado, cheio de louvores, em Latim e em Português, Deus não mais detesta a tirania, nem desaprova aos tiranos. É que a CNBB sentou-se no “Plenário Pró-Participação Popular na Constituinte” para a politicalha, da burguesia brasileira ser protegida e abençoada por Deus. Objetiva-se com isso, escrever a lei da Democracia impossível, enquanto governo da ganância do capital e (des)governo do trabalho.</p>
<p>Para tanto, lenta e sorrateiramente, a Igreja se movimenta em direção ao povo. Fala. Escreve. Ora. Age para não ser tocada nem fisgada pela massa Sabe que, ao destruir diferenças e aniquilar “Hierarquias firmemente estabelecidas, na conquista da igualdade com o outro, a massa popular se volta contra ordens tradicionais – quer políticas, econômicas, filosóficas ou religiosas -, “já não se conforma com condições e promessas piedosas”.</p>
<p>Na expressão de Elias Canetti, é “o perigo”, a paranóia dos que mandam, rondando na igualdade das multidões, que não distinguem nem superior, nem súdito; nem Presidente, nem deputados e senadores; nem Papa, nem CNBB e nem leigos. As massas querem experimentar por si mesmas o sentimento supremo de sua potência e de sua paixão selvagens.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=403</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sarney: Tudo pelo Social no Plano Cruzado</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=399</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=399#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 23:39:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=399</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho

 
Era preciso mais arte de manobrar as massas no regime ditatorial anterior em sua distensão militar. 
À luz da filosofia política, vimos José Sarney aplaudir a valentia do povo na execução do Plano Cruzado contra a corrupção da ordem econômica e social. A fala do Presidente, no espelho das forças [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p><img alt="Horizonte" src="http://www.orecado.org/wp-content/uploads/horizonte.jpg" title="Sarney: Tudo pelo Social no Plano Cruzado" width="550" height="280" /></p>
<p> </p>
<p><em>Era preciso mais arte de manobrar as massas no regime ditatorial anterior em sua distensão militar. </em></p>
<p>À luz da filosofia política, vimos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Sarney">José Sarney</a> aplaudir a valentia do povo na execução do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Cruzado">Plano Cruzado</a> contra a corrupção da ordem econômica e social. A fala do Presidente, no espelho das forças populares, se fez também em ciência e tecnologia, a serviço da população. A nova bandeira costurada na velha se percebia a expressão-chave do “Tudo pelo social”. Tornava-se a miragem da massa científica.</p>
<p>O “tudo pelo social” no Plano Cruzado se constituía compromisso de mobilizar todos os esforços no combate à pobreza e ao desemprego. Exigia-se uma política nacional de desenvolvimento científico e tecnológico. Urgia a participação popular no trabalho dos cientistas.</p>
<p>Com uma câmara escura nas mãos, o Governo Sarney camuflava o “o novo modelo de desenvolvimento econômico e social”; o marco fundamental do perfil da sociedade; da democracia recém conquistada; de fora, pelas massas na rua, nos sindicatos, nos templos religiosos, nas cidades universitárias, nos laboratórios de pesquisa, públicos e particulares. Com a mão direita no coração, Sarney eleva sua voz em defesa das metas sociais da democracia. Segundo ele, o sistema político social deve guiar-se pelo compromisso de resgatar amplas camadas da população brasileira.</p>
<p>Era a ambigüidade da conciliação conservadora, conservantismo civilizado esse, como prática e como padrão ideológico e político. Imperava a ideação do povo, cooptada por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tancredo_Neves">Tancredo</a>-Sarney, em nível de discurso e germinada desde a “distensão de Geisel, passando pelos ruídos dos sinais de “abertura” de Figueiredo para a “transição”. Todos eles garantiram, com isso, a interceptação das massas em sua consciência coletiva e individual. Traçaram-lhes outras rotas para deter suas ondas ameaçadoras. Nelas atuaram e conseguiram barrar a força dos movimentos populares.</p>
<p>A esta altura, com o pai do plano cruzado, urge tomar a decisão de alterar o discurso político, outorgar-lhe o exclusivo controle do processo no qual toda comunidade está participando.</p>
<p>De outro, à luz da ideologia do Governo Sarney, era necessário construir um novo horizonte para uma mudança sem ruptura. Foi fácil apropriar-se das massas e subsumi-las sem agentes políticos. Pois, as massas transbordavam dos canais de repressão e rotina, criando órgãos paralelos de representação de demandas e formas diferentes de mobilização.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=399</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jesus ora por si mesmo e pelos seus [Meditação 1]</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=391</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=391#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 17:48:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=391</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho

&#160;
Jesus falou estas coisas. Depois, olhou para o céu e disse: &#8220;Pai, chegou a hora: glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique [...] Rogo por eles: não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus; tudo o que é meu é teu e tudo o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p><img alt="Jesus ora por si mesmo e pelos seus" src="http://www.orecado.org/wp-content/uploads/jesusporsi.jpg" title="Jesus ora por si mesmo e pelos seus" width="550" height="341" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Jesus falou estas coisas. Depois, olhou para o céu e disse: &#8220;Pai, chegou a hora: glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique [...] Rogo por eles: não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus; tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. É assim que sou glorificado neles&#8221; (Jô. 17, 1; 9).</em></p>
<p>Antes de partir para junto do Pai, Jesus reza por todos nós e o Evangelho de João registra essa oração. <em>Jesus inicia esta oração rezando por si mesmo</em>, uma vez que ele sabe que o sofrimento está chegando e que deve estar preparado para esse momento. Em seguida, Jesus diz ao Pai que cumpriu a missão aqui na terra, de modo que o Nome de Deus foi manifestado aos homens sendo que sua mensagem foi acolhida. Todos viram nele como Jesus de Nazaré, filho do casal José e Maria. Sua humanidade revelava-se tão divina que seus fiéis e o próprio Jesus, aceitaram ser o enviado do Pai na unidade do Espírito Santo. Em seguida, <em>rezar por todos os que creram em suas palavras</em>. </p>
<p>Essa, a espiritualidade bíblica, centrada na mensagem de Jesus. Assim, testemunha João ao escrever seu Evangelho. Jesus rogou ao Pai, primeiro para se mesmo; depois orou por todos os que creram em suas palavras. O Filho de Deus pensou nele e nos outros. Ele amou a si mesmo e ao seu próximo, seus discípulos. Esse, o significado profundo da espiritualidade.</p>
<p>Outros líderes espirituais, alinhados não apenas a religiões; mas também, de cunho filosófico ou de outras áreas científicas, a medicina, por exemplo; todos confirmam a mesma necessidade da dimensão espiritual do ser humano. É a integridade humana que está em jogo. Ademais, toda Natureza é a maior expressão dessa verdade.</p>
<p>Para exemplificar, eis as sábias palavras de dois mensageiros espirituais que, a exemplo de Jesus, anunciaram. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Antonio_Gasparetto">Luiz Antônio Gasparetto</a> fala: “Se eu me amo, estou preenchido.” “Se me considero, me sinto preenchido.” “Se me aceito, me sinto preenchido.” </p>
<p>É nesse sentido da fala espiritual do <a href="http://www.gasparetto.com.br">Gasparetto </a>que se descobre a verdade. Na realidade, como se pode considerar o outro, quando você mesmo não se considera? Igualmente, amar o outro, quando não se ama? Quando você se quer ser preenchido por essas virtudes, seu próximo receberá a mesma recompensa, feliz com seu agir cristão a favor dele. Então, não é egoísmo amar primeiro a si mesmo; depois, será fácil preencher o outro com a mesma postura.</p>
<p>Enquanto isso, <a href="http://www.dalailama.com/">Dalai-</a><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dalai_Lama">Lama</a> escreve o que pratica, nestes termos: “A essência de toda vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito, sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano”. </p>
<p>Aracaju, 20 de junho de 2009.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=391</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sarney: O Presidente da República do Cruzado</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=384</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=384#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 15:10:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=384</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho

&#160;
Frágil e enfermo como aquela transição democrática, Tancredo Neves morre coroado “herói da Nova República”. Emocionado, com lágrimas nos olhos banhando a alegria de seu coração, assume o vice. Do nada – enquanto o esquife subia a rampa do Planalto em Brasília; ou descia à tumba em São João Del-Rey, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p><img alt="José Sarney" src="http://www.orecado.org/wp-content/uploads/sarney.jpg" title="José Sarney" width="550" height="383" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Frágil e enfermo como aquela transição democrática, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tancredo_Neves">Tancredo Neves</a> morre coroado “herói da Nova República”. Emocionado, com lágrimas nos olhos banhando a alegria de seu coração, assume o vice. Do nada – enquanto o esquife subia a rampa do Planalto em Brasília; ou descia à tumba em São João Del-Rey, Minas Gerais –, qual fantasma José Sarney já nasce presidente da república do cruzado.</p>
<p>O vice do Tancredo, agora, Presidente do Brasil, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Sarney">José Sarney</a> promete continuidade ao projeto alicerçado pela Aliança Democrática. Mórbido em Funaro e molhado com as lágrimas de Conceição, o novo presidente tem o mesmo propósito de domesticação das massas. Faz do Povo, fiscal do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Cruzado">Plano Cruzado</a>, manobra fácil e mágica na palavra dos que mandam ou desejam dominar. À luz de sua ideologia, as massas manobradas são agentes de transformações políticas, sociais e econômicas sofridas pelo país.</p>
<p>Buscando força nos movimentos de rua que derrubaram o regime militar, José Sarney concitou o povo a usar de sua coragem. Numa postura de dominação, conclama-o para a guerra contra a inflação. Covardemente &#8211; à distância e com medo das massas -, projeta reverter o curso dos acontecimentos impulsionados pelos movimentos populares que inspiraram as primeiras iniciativas da Nova República.</p>
<p>Sentado à cabeceira da mesa, no Palácio da Alvorada – não mais nas praças públicas das cidades brasileiras; à distância e com medo das massas -, o substituto de Tancredo dita à sombra da ideologia camuflada em seu discurso para seus Ministros, nestes termos: </p>
<p>“Esta é uma convocação para que juntos, governo e povo tomemos uma decisão grave e difícil [...] O caminho que escolhi não é o caminho dos fracos [...] Mas, não bastará nossa firmeza, se faltar a coragem do povo que vai derrotar a inflação. Iniciamos hoje uma guerra de vida ou morte contra a inflação. A decisão está tomada. Agora, cumpre executá-la e vencer [...] Todos estaremos mobilizados nesta luta”.</p>
<p>À exemplo de seu antecessor, Sarney já havia acompanhado o povo na rua, percebido ao estilo da obra <em><a href="http://www.americanas.com.br/AcomProd/1472/200912">Massa e Poder</a></em>, de Elias Canetti ¨que escreve: ”a massa, uma vez formada, quer crescer rapidamente – ela sente como limitação toda e qualquer coisa que se opuser ao seu crescimento”. </p>
<p>Por isso, sabendo que “O ataque exterior à massa somente pode fortalecê-la”, Sarney aplaude e se apropria da valentia do povo na execução do Plano Cruzado contra a diluição da ordem econômica. E o pior, esse plano político-econômica já havia decidido nos porões do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_da_Alvorada">Palácio da Alvorada</a> no Brasil e da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_Branca">Casa Branca</a> dos Estados Unidos; sem ouvir “os brasileiros e as brasileiras”; nem americanos; sem nenhuma participação da sociedade civil. </p>
<p>Essa fala, no espelho das forças populares, era a câmara escura, invertida e pronunciada “Nova República” pelo herdeiro do “Estado Novo”, agora, República do Cruzado – em sua essência desenhada pelo Sarney na maquete da “Velha” -, se fez presente nas posturas políticas de seu governo.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=384</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ideologia Política da Nova República do Brasil [Parte 3]</title>
		<link>http://www.orecado.org/?p=378</link>
		<comments>http://www.orecado.org/?p=378#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2009 17:55:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.orecado.org/?p=378</guid>
		<description><![CDATA[por Francisco Antônio de Andrade Filho

&#160;
Manobradas pela ideologia política do neoliberalismo, as massas exigiam a realização de eleições pelas “INDIRETAS COM TANCREDO – JÁ”. Uníssonas, de mãos dadas, repudiavam o golpe militar de 1964. Às caladas da noite, o “herói da Nova República” falece e é coroado “o mártir da democracia”. 
Entusiasmadas pelos discursos neoliberais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="mailto:franciscofilosofia+&#x6f;&#x72;&#x65;&#x63;&#x61;&#x64;&#x6f;&#x40;&#x67;&#x6d;&#x61;&#x69;&#x6c;&#x2e;&#x63;om">Francisco Antônio de Andrade Filho</a></p>
<p><img alt="Protesto" src="http://www.orecado.org/wp-content/uploads/protesto.jpg" title="Protesto" width="550" height="320" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Manobradas pela ideologia política do neoliberalismo, as massas exigiam a realização de eleições pelas “INDIRETAS COM TANCREDO – JÁ”. Uníssonas, de mãos dadas, repudiavam o golpe militar de 1964. Às caladas da noite, o “herói da Nova República” falece e é coroado “o mártir da democracia”. </p>
<p>Entusiasmadas pelos discursos neoliberais, as massas exigem a realização de eleições pelas “<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1">Diretas &#8211; Já</a>” e depois, pelas “Indiretas com Tancredo &#8211; Já”, ou pelo “Muda Brasil”. Repudiavam a República dos Generais. Nela, os tiranos produziram a história da negação das liberdades humanas pela repressão militar, amparada com a bênção divina dos capelães, pastores católicos, evangélicos e outras forças míticas e ecumênicas. Eram os deuses-homem, profanos e sagrados, com desejos de mando. </p>
<p>Em contrapartida, ludibriadas pelo mesmo sistema – poder civil acoplado ao poder sacro –, as massas ovacionam o paladino mineiro, depositário de todas as esperanças do povo. A esta vivacidade popular, iniciada desta vez, pelo <a href="http://www.pt.org.br">Partido dos Trabalhadores/PT</a>, em comício, frente ao Estádio do Pacaembu, na Cidade São Paulo, incorporam-se todos os partidos políticos com exceção da Aliança Renovadora Nacional, ARENA que dá sustentação ao governo agonizante.</p>
<p>Contudo, ao invés de provocar-se a precipitação da queda do regime, essa mobilização serviu como meio de sustentação de um acordo político que viabilizou a eleição de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tancredo_Neves">Tancredo Neves</a> a Presidência da República. Ficou instalado o apaziguamento dos ânimos militares com respeito ao primeiro governo civil. Os trabalhadores não perceberam a força das massas, suas formas de expressão na busca de metas sócio-econômicas. O herdeiro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Get%C3%BAlio_Vargas">Getúlio Vargas</a>, com sua sensibilidade humana e política, conseguiu desintegrar as massas. Preservou a República velha ou o Estado novo, costurada na nova República.</p>
<p>Antes de tomar posse, porém, Tancredo Neves cai gravemente enfermo. E morre. No palanque, o poder, o “herói da Nova República” não fez história. Nada de real, apenas aparências. Na terra, finito, instável e frágil como a transição democrática, apregoada do alto de seus palanques políticos às massas populares.</p>
<p>Coroado “o mártir da democracia”, a morte firmou-se soberana, reconhecida por todo o povo, que rezou com fé em Deus e amor ao enfermo no Hospital de Base ou pelo defunto, quando a esquife subia a rampa do Planalto, Brasília; ou descia à tumba em São João Del &#8211; Rey, Minas Gerais.</p>
<p>Eram as multidões, que rezavam na esperança de vida ou morte do nobre ou do tirano. Massas que, na marcha de sua liberdade, riram de seus ditadores e choraram a mentira de seus representantes-tutores. Do povo em oração, pondo-se em contato com o destino, contra ele, no apelo à divindade; e ao infinito, a solução dos problemas reais. </p>
<p>Era força popular que, no fundo do seu sofrimento, contra o arbítrio militar, do poder coercitivo-físico que se insurgia contra as multidões desenfreadas no caminho da história, na conquista da liberdade.</p>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.orecado.org/?feed=rss2&amp;p=378</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
