<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4663186607101861256</atom:id><lastBuildDate>Wed, 06 Nov 2024 02:54:08 +0000</lastBuildDate><category>Crônicas</category><category>Aventuras</category><category>Humanidades</category><title>O Soviete</title><description></description><link>https://osoviete.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Anaximandra de Mileto)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4663186607101861256.post-4800683189188922378</guid><pubDate>Fri, 11 Nov 2022 13:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2022-11-11T05:04:45.818-08:00</atom:updated><title>O Homem</title><description>&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Essa história começa com um homem
sentado na frente de um computador, dentro de um espaço corporativo, no início
da terceira década do século XXI. Ele está vestido de forma muito próxima com o
rigor necessário para a profissão que exerce. Ele estuda, ele trabalha, ele
vive e ele dorme. Sua capacidade física não é das melhores por isso tenta
compensar com esforços intelectuais visando alcançar o que acredita ser sua
evolução.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Apesar de esse não ser o começo
da história desse homem, ele sabe que dentro de si algo começou. Pela primeira
vez ele sentiu algo que não sentira antes, pensou algo que não pensara e
iniciou algo que jamais iniciara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esse texto. Mas por que esse
texto é novo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O objetivo de escrever essa
redação é simplesmente tentar entrar em um lugar raramente visitado, mas por uma
porta diferente e municiado de ferramentas diferentes. Apesar de ser um lugar
conhecido, há poucas informações que garantam como o lugar estará, se será
iluminado ou escuro, organizado ou bagunçado, um quarto, um banheiro ou um salão
vazio. De uma certa forma parece um pouco de cada uma dessas coisas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Aparentemente há uma (ou mais)
voz que o guia, ou pelo menos o acompanha. Ela incentiva, ela impulsiona, ela
promete uma revelação ou pelo menos uma recompensa valiosa o suficiente, que
justifique essa aventura. Diz a voz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- É esse o caminho. Ou pelo menos
um deles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Naturalmente há outra (ou mais)
voz que o repele. Ela é cautelosa, carinhosa e desdenha do homem de forma
sutil, soando como um acalento, mas também como uma ameaça. Ela soa baixa e
sussurrante, mas certeira:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Sério que tu quer entrar aí de
novo? É pela tua conta em risco. Tu sabe o que pode acontecer se tu entrar
aí.(?)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Essa última frase soa como uma
afirmação e uma interrogação ao mesmo tempo. Confuso o suficiente pra segurar
um dos últimos passos do homem que está descendo a escada e já enxergando a porta de madeira
ladeada por uma parede de pedras cinzas, com tons medievais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Um pouco brega.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Essa afirmação foi de qual voz?
Talvez da segunda, talvez de outra, ele não sabe, mas prestando rapidamente a atenção, lhe parece ter sido sua própria voz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O homem respira fundo e avança em direção
a porta, que se abre sozinha, sem ranger e sem obstáculos, como se obedecesse a
um chamado (ou seria um grito?) de dentro do homem. A próxima visão é a de um
chão de nuvens, um céu colorido, rosa e dourado, e vários arco-íris por todos
os lados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Impressionado?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O homem pensa que não. E, por
mais que ele normalmente confie no que seus olhos lhe mostram, ele não acredita
muito naquele cenário. Não sabe dizer bem por qual motivo, mas de alguma forma
aquilo lhe parece irreal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ou esse pensamento na verdade vem
de alguma das vozes, que agora soa mais com medo do que ameaçadora. Pode muito
bem ser outra voz se fazendo ouvir pela primeira vez ou uma se passando pela outra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;De qualquer forma, o homem acha
que o cenário já não é mais exatamente o mesmo, as nuvens antes brancas como a
neve agora parecem ser feitas de chumbo e um certo tremor percorre o ambiente
(sala? quarto? as nuvens são paredes?) quando uma chuva fina e persistente
começa a cair.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Roncos longos, mas distantes,
parecendo trovões, chegam aos ouvidos do homem e quase como se misturado ao
lúgubre som das nuvens se digladiando, ele ouve:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Eu avisei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Um sorriso de canto de boca surge
no rosto do homem, meio debochado, meio incrédulo, meio temente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ele se nota ainda sem ter passado
a porta, ou teria passado? Parece que seu poder de enxergar o permite também
sentir e andar por onde a visão alcança, mas de forma limitada. Ou será que a
porta é um quadro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O que ele aprendeu nesse lugar?
As novas ferramentas funcionaram? O que tudo isso significa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Ele pensa se está na hora de
virar de costas e subir as escadas, mas alguma coisa o segura. Após se perder e
se encontrar no labirinto de sua mente (ou na mente de sua mente) ele se volta
para o vão da porta e enxerga uma noite escura como o ébano, estrelada e bela,
silenciosa como só o período noturno consegue ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Uma interferência surge nos seus pensamentos e ele se sente incomodado com tudo aquilo.
Vira as costas e enxerga alguns degraus, que passam por debaixo dos seus pés
quase que automaticamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O homem promete voltar, há mais
coisas naquele lugar, ou então em outro lugar. Ele conclui (acredita?) que realmente não há
como definir se alguma vez poderá voltar praquele lugar, mas que sempre haverá
algum lugar para voltar. Isso conforta o homem, de certa forma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;As vozes diminuem o volume ou
então se aquietam. Quando já quase de volta para o seu computador (talvez não
fosse o lugar ideal pra esse texto, mas talvez não houvesse opção), o homem
apenas escuta uma frase, de uma voz (ou de todas?) com tom provocador e
acolhedor ao mesmo tempo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Até breve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://osoviete.blogspot.com/2022/11/o-homem.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4663186607101861256.post-3619695483768294588</guid><pubDate>Thu, 31 Dec 2020 14:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-12-31T06:37:16.119-08:00</atom:updated><title>O Lago</title><description>&lt;div&gt;Hoje a melancolia é um lago que adentro lenta mas confortavelmente, com minha pequena embarcação de madeira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pinheiros formam a vegetação e uma neblina se adensa a cada remada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A água é da cor do chumbo e suas profundezas são imensuráveis, mas eu pulo como uma ponta de flecha e me lanço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não há nada que se mova a não ser pelas ondas causadas pelo meu impacto com o líquido turvo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu mergulho cada vez mais fundo e, como num milagre, enxergo algo. Não, me engano, eu sinto tão forte e familiar que parece que vejo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquele sentimento retorna e me envolve carinhosamente, trazendo calor dentro daquelas águas geladas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu aproveito o momento, ouço os sons, me deixo ser devorado. E quando a lição terminar, volto a emergir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Subo no barco, remo de volta, instintivamente, até a beira que nunca estive, onde o passado me aguarda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nos abraçamos, ele me alcança roupas secas, entra no barco e vai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu fico, viro as costas para o lago, e vou.&lt;/div&gt;</description><link>https://osoviete.blogspot.com/2020/12/o-lago.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4663186607101861256.post-2589435593008875159</guid><pubDate>Thu, 08 Oct 2020 13:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-10-08T07:01:48.161-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Aventuras</category><title>desumanizado</title><description>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3oK7tkGskLkx-XleKnfkbfg_WnGxkD8WjrRZ0SoLmD0RzFq185zWQSmFzNCzswsVs1Z1RHJXyW79Yr_Q5YQfQ_sVIosgz0QSGgAzPX0v3IMq3MT6plIywrGzW1WhghF5m_-NwqxBQo79g/s458/WhatsApp+Image+2020-10-08+at+10.51.48.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;458&quot; data-original-width=&quot;321&quot; height=&quot;200&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3oK7tkGskLkx-XleKnfkbfg_WnGxkD8WjrRZ0SoLmD0RzFq185zWQSmFzNCzswsVs1Z1RHJXyW79Yr_Q5YQfQ_sVIosgz0QSGgAzPX0v3IMq3MT6plIywrGzW1WhghF5m_-NwqxBQo79g/w146-h200/WhatsApp+Image+2020-10-08+at+10.51.48.jpeg&quot; width=&quot;146&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando deito em minha cama à noite, penso
no meu dia e em meus muitos pecados,&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Penso que poderia ter feito diferente,
penso que eu poderia ser diferente,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Penso que poderia ser aquilo que sonho em
ser, penso que poderia fazer mais,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Penso que poderia não ser só mais um, penso
que poderia existir mais,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Penso que poderia marcar, penso no quanto
errei para não ter marcado,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Penso que poderia ter errado menos, penso
que poderia ter sido menos influenciada,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Penso que amanhã pode ser diferente, penso
que amanhã serei diferente,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas o dia amanhece, e a monótona rotina
começa mais uma vez, a noite vem,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E volto a pensar e refletir, no quão a
mesma fui,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Deito e viro de lado, temo que lágrimas
irão escorrer,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas elas se contem, os soluços escapam, não
consigo controlá-los,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mas a água salgada que aparenta brotar de
meus olhos, não rolam,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;E mais uma vez pego no sono,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Sinto-me secando a cada dia que passa,
sinto meu coração endurecer,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Até onde isso irá? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Até virar um pedaço de rocha dentro do meu
peito, talvez,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Agora, as lagrimas não chegam nos meus
olhos, clamo a Deus,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Para que me torne de volta no que eu era,
ou acabe com isso, antes que minha alma se torne estátua,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Sinto-me endurecer a cada dia que passa,
deito-me na cama e a pedra aumenta,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Acordo e não sinto mais uma parte de mim,
meus olhos secos, não sinto mais culpa,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Não sinto mais dó, não tenho misericórdia,
meus sentimentos estão indo, junto com os meus sonhos,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Acredito poder acordar e ser só emoções e
sentimentos, mas por algum motivo, que desconheço, nada mais existe, tudo está
sendo apagado,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Parece que tudo foi em vão, parece que nada
foi real, parece que nada mais faz sentido,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Estou perdendo minha fé, e não sei porque,
mas não temo por isso,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Nada mais é real, nada mais tem
importância, tudo o que eu acreditava ser e existir, está se apagando dentro de
mim, como uma pequena fogueira exposta à garoa fina e calma,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Às vezes, sinto como se um monstro me
dominasse, perdi o meu controle,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Quero me libertar disso, mas perco minhas
forças, ele está se contendo, mas louco para se mostrar ao mundo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Mostrar como ele é, quem me domina, minhas
ações não partem de minha vontade,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Isso está se tornando sufocante, não posso
mais resistir, ele está me corroendo, me matando por dentro,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Devorando minha alma, que está sendo
mortificada rápido demais, para eu lutar contra,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Resistir a isso, está se tornando
insuportável, não quero, não posso, mas não existe vontade de impedi-lo, estou
fazendo sua vontade, me tornado o que ele é, estou sendo ele, nos tornando um
só,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Amanhã talvez, eu não vá mais existir, será
um algo, incapaz de amar, no corpo de só mais um,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Não há mais...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes;&quot;&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&amp;nbsp;24 de maio de 2013.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://osoviete.blogspot.com/2020/10/quando-deito-em-minha-cama-noite.html</link><author>noreply@blogger.com (Anaximandra de Mileto)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj3oK7tkGskLkx-XleKnfkbfg_WnGxkD8WjrRZ0SoLmD0RzFq185zWQSmFzNCzswsVs1Z1RHJXyW79Yr_Q5YQfQ_sVIosgz0QSGgAzPX0v3IMq3MT6plIywrGzW1WhghF5m_-NwqxBQo79g/s72-w146-h200-c/WhatsApp+Image+2020-10-08+at+10.51.48.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4663186607101861256.post-1186420611299445266</guid><pubDate>Mon, 28 Sep 2020 19:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-10-09T07:54:47.000-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Humanidades</category><title>Herdeiros da Liberdade</title><description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkwk77gtP91G6q-dIG_CIk061MPT8_HavaOVAphCW7WDgMHw8HXfnXseGWoBUG2mvVor9W9T3N__ti0bdSKwDrgr4VNEaVUSJ6_dFGIBhj1PhSfkfMzf-r6FtKltglSdxuLgorqa3tKIQ/s626/liberdade.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; data-original-height=&quot;626&quot; data-original-width=&quot;626&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkwk77gtP91G6q-dIG_CIk061MPT8_HavaOVAphCW7WDgMHw8HXfnXseGWoBUG2mvVor9W9T3N__ti0bdSKwDrgr4VNEaVUSJ6_dFGIBhj1PhSfkfMzf-r6FtKltglSdxuLgorqa3tKIQ/s320/liberdade.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;Que a Revolução Francesa colocou o mundo de cabeça pra baixo e nobre na guilhotina, é axiomático para qualquer ser pensante minimante informado dos acontecimentos históricos mundiais. Pois bem, para a conversa de hoje é necessário ter esse humilde fato histórico em mente. Inclusive, chamar a revolução francesa de humilde parece resumir em muito o evento. A pauta era simples, mais liberdade e igualdade para uma classe política emergente economicamente mas carente de capital político nos meios oficiais. A nobreza não quis escutar, cabeças rolaram. Sobrou pro rei, pra mulher do rei, pro filho do rei, pros amigos do rei, pro pessoal que tava fazendo a revolução, pro pessoal que escrevia sobre a revolução, pro pessoal que, bem da verdade, não estava nem aí pra revolução. Sobrou até pro padeiro que, ao cochichar com um camarada - &quot;acho que isso não vai dar muito bom&quot; - foi denunciado pelo comitê revolucionário e... a guilhotina funcionou.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Tudo isso em nome de uma palavrinha que, citando Jorge Furtado (citando mais ou menos, diga-se de passagem), ninguém sabe realmente o significado mas, no fundo, todo mundo tem uma mínima compreensão da mensagem. Falo da liberdade, é claro.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Tratados e mais tratados foram escritos para uma definição da liberdade e, arrisco dizer, o embate de toda a política ocidental é, nada mais nada menos, do que uma disputa de quem é que, realmente, detém o significado último de liberdade.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; A digressão histórica para a frança do Século XIX é importante, pois a fundamentação teórica basilar dos que se proclamam hoje como os principais arauto da liberdade está lá. Falo dos liberais é claro. Liberais aqui no fenômeno brasileiro, não os &quot;liberals&quot; americanos. Política imperialista estadunidense fica pra outro post, companheiros.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; A liberdade para os revolucionários franceses, claro, era uma liberdade econômica, juntamente com a igualdade política: aqui num sentido mais formal do que material, ou seja, os burgueses não queriam que critérios incontroláveis do ponto de vista humano, como&amp;nbsp; nascimento, por exemplo, necessariamente influíssem no jogo político, pelo menos não de maneira direta. Necessário lembrar o lema revolucionário, &quot;liberdade, igualdade e fraternidade&quot; para ter uma ideia do objetivo detrás de tantas cabeças rolando.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; O livre comércio já era aventado pelo iluminista escocês Adam Smith, e sua doutrina quanto ao progresso social estar ligado com as riquezas individuais (capital privado) foram uma importante força motriz para uma burguesia tímida e cansada de só levar na bunda pela nobreza mais &quot;descansada&quot;. Claro que na revolução de 1789, os iluministas franceses e sua estruturação teórica de organização estatal e democracia fundamentaram mais potencialmente as baionetas revolucionárias, até então carentes de ideologia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Difícil julgar os burgueses do século XIX. A mordomia da nobreza, ao final, era bancada por uma camada da população que sequer tinha oportunidade de dar sua opinião sobre os rumos da pólis. Além disso, sequer tinham direito de argumentação para otimizar o próprio ramo, isto é, o comércio. Ainda, eram afogados por um mar de instabilidade social e desmandos causados por meia dúzia de soberanos que tinham uma legitimidade social questionável, para dizer o mínimo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Bem da verdade o iluminismo construiu a base teórica revolucionária. E a base teórica revolucionária, fim ao cabo, se resumia em uma única palavra: liberdade.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Resumo da ópera: burgueses matam meio mundo, difundem o comércio e o capitalismo pela Europa e se mantém como classe política hegemônica que passa a ditar os rumos políticos de suas nações. Viva a liberdade. Liberdade política, liberdade econômica, liberdade de pensamento. O mundo, depois da revolução francesa surpreendeu até o sacerdócio. O paraíso na terra tinha enfim sido conquistado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Bom, não era o que pensava Carlinhos Massa, vulgo Karl Marx.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; No enfrentamento da ideologia burguesa, o marxismo é interpretado, erroneamente e infelizmente, como contrário à liberdade. Afinal de contas, ser contra os senhores da liberdade pode não pegar muito bem quando outras pessoas tentam interpretar que tipo de visão de mundo se quer passar. Dizendo de outra forma, se o marxismo foi um contraponto à burguesia, soberana dos libertos, o que raios o marxismo quer dizer? O que raios o marxismo traz de novidade que não tenha sido trazido pelos iluministas? Ora, esses loucos só podem estar querendo algum tipo de restrição, não é mesmo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; É uma guerra narrativa interessante e, confesso, é possível compreender o estranhamento de muitos com a doutrina marxista, principalmente se analisarmos essa ótica de contraponto entre teoria marxista x teoria de liberdade até então hegemônica.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; O que a direita entende (e entende assim pois foi também desinformada, e muito, por um aparelho midiático&amp;nbsp;alinhado aos interesses burgueses, hoje representados pelos Estados Unidos e a doutrina neoliberal) de Marx do ponto de vista de doutrina autoritária, pouco tem a ver com os escritos do alemão barbudinho. Diga-se de passagem, Karl Marx nunca fez uma análise teórica da democracia e das liberdades em si, passando à uma análise muito mais voltada para o âmbito econômico. Entretanto, é justamente na análise econômica que a verdadeira crítica marxista surge, isso é: a exploração da classe trabalhadora, a opressão burguesa. Dizendo de outro modo: a ditadura dos livres.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; O que o marxismo vislumbra e aponta, portanto, é uma ausência profunda de liberdade que acomete a classe trabalhadora, uma ausência que é compartilhada por aqueles que não detém os meios necessários para serem livres. O marxismo vê uma divisão no direito de liberdade, uma divisão perversa em que a camada de base, assim como os revolucionários da França de 1789, não possuí condições de paridade em garantias e direitos com a burguesia, a nova nobreza, o topo da pirâmide.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; A esquerda contemporânea, mais ainda, através de influências de ótica marxista, passam a analisar outras formas de opressão, isto é, outros grupos sociais que estão carentes de liberdade. Aí surgem as pautas identitárias, as pautas raciais, as pautas feministas, as pautas &quot;body positive&quot;, as pautas indígenas e inúmeras outras.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Nenhum outro grupo político, nenhuma outra ala ideológica abraça mais discursos de liberdades como as esquerdas nesse mundão afora. Ironicamente, são os liberais, antigos burgueses, que se alinham com vertentes mais conservadoras e atacam, justamente, os oprimidos e desgarrados de um sistema que, outrora, eles mesmos ajudaram a combater (falo de um sistema de opressão em si, e não do sistema capitalista necessariamente). É o modelo histórico-dialético na sua forma mais sublime.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Claro que a imagem de marxismo = autoritarismo não foi beneficiada por aqueles regimes totalitários que se diziam comunistas. Stalin na União Soviética pouco se preocupou com liberdades e estava mais interessado em ser uma potência hegemônica. Na China, Mao também não deixou um legado democrático muito promissor. Entretanto, o modelo comunista chinês têm peculiaridades confucionistas que eu gostaria de abordar em outros textos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;A conclusão é que a narrativa sobre a liberdade atinge a política atual e ainda vai se propagar para infindáveis discussões futuras. Cabe à esquerda se reposicionar de forma clara em relação a esse conceito de forma mais substancial, abandonando qualquer tipo de saudosismos autoritários que mais tendem a se alinhar com discursos e simbologia fascistas do que propriamente marxistas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Marxismo é liberdade. O problema é que a própria esquerda esquece disso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; P&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;ortanto lembremos, camaradas!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>https://osoviete.blogspot.com/2020/09/herdeiros-da-liberdade.html</link><author>noreply@blogger.com (O Barão )</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkwk77gtP91G6q-dIG_CIk061MPT8_HavaOVAphCW7WDgMHw8HXfnXseGWoBUG2mvVor9W9T3N__ti0bdSKwDrgr4VNEaVUSJ6_dFGIBhj1PhSfkfMzf-r6FtKltglSdxuLgorqa3tKIQ/s72-c/liberdade.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4663186607101861256.post-7295666114351717024</guid><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 18:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-09-18T07:47:20.069-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>Precisamos quebrar o tabu da quebração de tabu</title><description>O meu problema com lacradores é que não existe lacração nem quebra de tabu de verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vamos tentar, antes de eu arrumar briga com 90% da internet, digredir em alguns conceitos para fins mais didáticos e para ver se eu faço um pouco de sentido. Não que&amp;nbsp; sentido seja exatamente o propósito, veja bem, se existe uma procura de sentido para um blog que nem tem um escopo principal no seu editorial (haha editorial...) o problema está no leitor que procurou sentido, não em mim. A culpa está sempre no outro, afinal de contas. (SARTRE, 1944)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, o que é tabu? Ora ora, essa parece até fácil. Qualquer dicionário vai vir com um conceito engessado (mas nem por isso não adequado) sobre o verbete, relacionando-o sempre como: tema a ser evitado socialmente, ao assunto não falado, geralmente movido por uma construção religiosa (aqui daria para elencar a maioria dos tabus sexuais, por exemplo) ou social/tradicional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tabu quando ventilado gera desconforto, sorrisos amarelos, rostos corados e até mesmo opiniões inflamadas sobre moralidade e bons costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa sociedade moderna, movida por quebras de conceitos e paradigmas, onde existe uma juventude conectada disposta a mergulhar em assuntos que antes não eram desbravados, costuma-se esbarrar constantemente em tabus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E aqui chegamos na lacração de internet, na turminha lacradora e nos movimentos de pautas identitárias que em geral são vinculadas à terminologia. Conceituar a lacração, claro, já é uma tarefa mais difícil. Entretanto, esbarrei em uma reportagem interessante outro dia, que definia lacração como uma atividade há muito utilizada (pelos gregos, para variar) e tinha outro nome: sofisma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sofisma é o oposto da dialética, é a vitória no debate pela vitória no debate, avesso à verdade e ao conhecimento. Afinal e paradoxalmente, uma das características mais reiteradas por Platão para definir o sofista seria aquele sujeito que aparenta saber de tudo. Obviamente, sabe-se que é humanamente impossível a detenção de todo o conhecimento existente. Mesmo assim o sofista se engrandece pela sua capacidade de definir o que para ele mesmo, dentro da sua razão e capacidade, não haveria de se conseguir definir. O sofista é um grande orador, por excelência, mas não tem nenhum apreço pela verdade. (PLATÃO, 2003)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Onde é que se quer chegar, afinal de contas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meu ponto é, a maior parte do debate da internet gira em torno de retórica sofista (lacração) para, teoricamente, abordar temas que seriam tabus. Não que os temas não seriam de fato tabus, mas a quebra de tabu promovida por alguns grupos partem de premissas duvidosas e o questionamento do cerne dessas mesmas premissas acabam virando novos tabus dentro daquele mesmo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Digo &quot;premissa duvidosa&quot;, pois a própria construção da premissa não é aparente no discurso. A premissa é construída, replicada e nunca, de fato, questionada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, a turba que deitou o pau no PC Siqueira de fato partiu de questionamentos pertinentes sobre a análise da pedofilia, como fetichização e transtorno psiquiátrico, ou engatou-se um discurso pronto sobre a polêmica? Claro que pedofilia é o tabu dos tabus, então vamos para &quot;polêmicas&quot; mais palatáveis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando Babu disse em rede nacional que a palavra &quot;negro&quot; deriva da palavra grega &quot;nigro&quot; que seria &quot;inimigo&quot;, houve pesquisa série sobre a etimologia da palavra em alguns cantos da internet, outros preferiram apenas replicar a fala sem qualquer análise mais aprofundada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os movimentos body positive levantam a bandeira da patologização do corpo gordo, mas de fato abordam as inúmeras pesquisas científicas correlacionando excesso de peso com aumento de risco de demais doenças?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A galera que senta a lenha na pornografia já se questionou até que ponto a pornografia replica o mero comportamento animal? Essa aqui vai mais numa linha de: o que veio primeiro, a pornografia ou o masoquismo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu poderia citar inúmeras outras discussões polêmicas, mas o ponto é: o debate das redes sociais não dá espaço para questionamento de premissas, o debate de internet não se importa, bem da verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mediação por imagens que ocorre na internet só dá espaço ao sofisma e ao raso, sem momento para o questionamento do questionamento, para a quebra do tabu da quebra do tabu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não quero aqui pagar de &quot;mamãe falei&quot; e usar o bordão clássico do questionamento incessante sobre qualquer coisa. Inclusive, é preciso dar o mérito para as pautas identitárias e para os lacradores, esses costumam ir mais fundo nos meandros sociais do que todos os grupos conservadores juntos, que seja feita, portanto, a justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, a turba massificada de opiniões e o comportamento de manada que a internet promove reverbera em um comportamento de lacração que não se interessa absolutamente para a verdade das próprias pautas e facilita um abandono ao diálogo e um abraçar do caos polarizado da política atual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembremos que, afinal de contas, a polarização subentende dois polos opostos que estão avessos ao verdadeiro debate, e aqui fica a autocrítica para a esquerda que se acha super esclarecida mas que, no final, se usa da internet apenas para alimentar as próprias verdades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/05/09/como-a-filosofia-explica-a-cultura-da-lacracao-e-da-mitagem-na-internet.htm&quot;&gt;https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/05/09/como-a-filosofia-explica-a-cultura-da-lacracao-e-da-mitagem-na-internet.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>https://osoviete.blogspot.com/2020/07/precisamos-quebrar-o-tabu-da-quebracao.html</link><author>noreply@blogger.com (O Barão )</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4663186607101861256.post-6787624032686080692</guid><pubDate>Mon, 22 Jun 2020 19:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2020-09-18T07:48:13.034-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Crônicas</category><title>É preciso dar um jeito meu amigo </title><description>Erasmo Carlos já havia chegado de muito longe pra exigir a práxis do mocorongo que dormiu no ponto da curva da política: &quot;é preciso dar um jeito, meu amigo&quot;, diz ele, de forma incessante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, é preciso dar um jeito na imagem que fala mais que a verdade, no diploma de cursinho C- que vende conhecimento para o mercado de enchimento de currículo, é preciso dar um jeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso dar um jeito pro tiosinho que tem um empreendimento merda na esquina parar de achar que é empreendedor e ter um pouco de consciência de classe, é preciso dar um jeito nisso também.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também tem que se dar um jeito na lógica (ou falta de) que achismo substitui a ciência, ou de que está última pode encontrar zonas cinzentas de intangibilidade argumentativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso dar um jeito (e aqui urgentemente) nos fiscais de cu e genitália alheia, que preferem politizar o sexo ao invés de praticá-lo. O jeito que precisa ser dado nisso, talvez, seja de primeira ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso dar um jeito no capital, que liquifez tudo que é possível (e impossível também) ser liquifeito, que dita os rumos da humanidade pra encher o bolso de alguns, que congelou a forma de ver as horas, de ler a notícia, ouvir a música, de ver o filme e jogar o jogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso dar um jeito nisso tudo e mais um pouco, é preciso dar um jeito em dar um jeito, afinal de contas. Do contrário ninguém anda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prazer, sou colunista desse blog que não tem compromisso nenhum com alguma coisa muito séria. O Blog, não eu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>https://osoviete.blogspot.com/2020/06/e-preciso-dar-um-jeito-meu-amigo.html</link><author>noreply@blogger.com (O Barão )</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>