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	<title>OUTSIGHT</title>
	
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	<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 22:50:26 +0000</pubDate>
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		<title>2008</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 20:28:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Keid</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Outsight]]></category>

		<category><![CDATA[calda longa]]></category>

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		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[2008: um ano revelador.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Acho que o maior favor que 2008 fez para todos nós foi, definitivamente, nos mostrar que - parafraseando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marguerite_Yourcenar">Marguerite Yourcenar</a> em seu livro <em>Alexis</em> - a maior mentira é a mentira da calma aparente. Não só da calma, mas apenas da aparência pela aparência. Muito além dos rombos provocados pela imaterialidade contemporânea (impérios construídos sobre dinheiros que não existem), especulações tomadas como verdades absolutas fizeram a cena de 2008. Só que algumas delas foram desmascaradas.</span></p>
<div></div>
<div><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Algumas das coisas que fizeram de 2008 um ano inesquecível:<span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><strong>1) Música Pau No Cu Brasileira</strong></span></span></p>
<ul> <span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></p>
<li>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;">Aí temos uma nova diva: <strong>Mallu Magalhães</strong>. Uma adolescente assediada por um trintão sensível, Mallu é o típico exemplo de lixo da internet hypado por <em>indieotas</em> desesperados em justificar sua própria xenofobia. Malluzinha canta em inglês, dá entrevistas com conteúdos confusos, próprios de uma fofinha de classe média que nunca foi comida pelos coleguinhas da escola. Por não ter capital social, Mallu é uma prolixa tentando soar inteligente, mas suas respostas são apenas idiotas, como todo adolescente de 16 anos. Ela é a maior de todas as divas <em>indieotas</em> que tivemos até hoje, e será insuperável, pois representou bem a afetação e pretensão dos nossos – perdão pelo baixo calão da palavra<span style="mso-spacerun: yes;"> </span>– artistas. Como disse Álvaro na sua coluna Escuta Aqui, será o ex-hype de 2008 ano que vem.</p>
</li>
<li>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><strong>Marccelloo Cammelloo</strong>: suma, por favor. E, se possível, seja preso por molestar menores.</p>
</li>
<li>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;">Outro pau no cu da MPB foi a briga entre <strong>Caetano</strong> e <strong>Tom Zé</strong>. Além de ninguém entender porra nenhuma, ficou claro que ta na hora de Mano Caê ir embora pra Florida gozar de sua aposentadoria. E Tom Zé, de voltar para Plutão.</p>
</li>
<li>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><strong>Cansei de Ser&#8230;</strong> quem mesmo?</p>
</li>
<li>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;">Essa nova onda folk nacional, ressuscitada pelo <strong>Vanguart</strong> (que caralho de nome cretino é esse???) é o maior exemplo do quanto estamos desprotegidos e desamparados, sem ninguém para nos defender. Cópia triste do <strong>Devendra</strong>, do<strong> Sufjan</strong> e do <strong>Bright Eyes</strong>. Tipo, HELLO-OOO, <strong>Sá e Guarabira, Renato Terra e 14Bis</strong> já faziam isso há 35 anos. Na época era chamado <em>Rock Rural</em>.</p>
</li>
<li>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;">A melhor banda brasileira é o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=hKkkZQbAL3w"><strong>Também Sou Hype</strong></a>.</p>
</li>
<p></span></span></ul>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><strong>2) Chris Anderson tava errado</strong></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Finalmente a teoria Long tail provou ser um <a href="http://www.newscientist.com/article/mg20026873.300-online-shopping-and-the-harry-potter-effect.html?full=true ">engodo</a>. Mais que isso, a própria cultura pop provou que esse impostor estava errado. O novo disco do <strong>AC/DC</strong>, <em>Black Ice</em>, <strong>NÃO ESTÁ</strong> disponível para download em formato digital. Lançado em outubro, já vendeu mais de 6 milhões de cópias no mundo todo fisicamente.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><strong>3) O universo da Rede Globo é o maior formador de opinião. PONTO.</strong></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Quer exemplo recente? A banda indieota <strong>Beirut</strong>, cuja música <em>Elephant Gun</em> foi o tema de Capitu e Bentinho. Com um glorioso 2º lugar, logo atrás de <strong>Victor e Leo</strong>, mas antes de <strong>Britney Spears</strong> em 7º, a música aparece como a letra mais solicitada no site Letras.mus.br. <a href="http://img211.imageshack.us/my.php?image=beirutzy3.jpg">A prova está aqui</a>. No <a href="http://www.youtube.com/watch?v=N-mqhkuOF7s">YouTube</a>, o vídeo da música teve nada menos que 736 % de aumento em visitas por causa da inclusão na minissérie. Mas o melhor foram os comentários, com grifos meus:</span></span></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">*Isto é Arte! Que música! Que coreografia! Que bailarinos! <span style="text-decoration: underline;"><em>Para obras como estas que o videoclip foi criado&#8230; Um verdadeiro sonho</em></span>.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">*digo que sinto essa música.. dráma poesia. <em><span style="text-decoration: underline;">a arte não explicada, contemporânea..</span> </em>digo isso quando uma história é cantada,mostrada com exito, não sabemos explicar, más consiguimos sentir o poder da dramaturgia, espero sentir isso mais vezes com outras minisséries e canções tão combinadas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">*Lindo&#8230;<em><span style="text-decoration: underline;">alto teor de ludicidade</span></em>..pena q corre o risco de se tornar popular demais&#8230;com pessoas cantando e usando sem saber o q realmente significa..mais lindo!!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><strong>*so acho uma merda q a globo tenha botado na trilha da minisserie.. agora neguinho q nem conhece nada sobre a banda vai ta baixando tudo! odeio o pop!</strong></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><strong>*não intendi nada da letra ^^&#8221;</strong> (nota outsight: adorei esse, hehehehe)</span></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">E o mais lúcido de todos:</span></span></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Olha &#8220;ksm10&#8243; também acho horrível essa coisa de conhecer música por influências globais, tbm odeio pop, mas n podemos deixar de pensar q a mídia é isso aí, putz é muito difícil conhecermos muitas e muitas bandas boas que existem pelo mundo apenas pelos meios mais convencionais.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">moro numa cidade do interior da BA, aqui não exite magastore, mtv, lojas de cd, rádios, apenas a internet e a tv&#8230;</span></span></p>
</blockquote>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Viva a Globo!</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><strong>4) A ascenção da Máfia Social</strong></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Já tinha comentado sobre isso aqui, mas acho que vale relembrar. Temos um novo grupo social no Brasil, e ele se chama blogueiro. Mais que um grupo social, um blog é uma ferramenta de ascenção social na virtualidade tupiniquim. Mas, como tudo no Brasil, é muito mais baseado em QUEM se conhece do que O QUE se conhece. Se você está no circulo certo, tem grandes chances de ser aceito nessa maçonaria virtual. Embora eu tenha empregado a palavra maçonaria, não é tão sofisticado assim. Aliás, o que menos temos na blogosfera brasileira é sofisticação, muito menos intelectual, que deveria ser a matéria prima dos conteúdos. Por entre layouts horríveis, adulações e posts cretinos, pessoas que não sabem escrever encontram audiência por entre gente que não sabe ler.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">E todos sofrem com isso, inclusive gente interessante que sabe escrever, que é abafada por essa corja. Tenho saudades do tempo - 5 anos atrás apenas - em que coletivos como o <a href="http://www.mundissa.com/"><strong>Mundissa</strong></a> e <a href="http://www.wunderblogs.com/"><strong>Wunderblogs</strong></a> eram referência de inteligência e conteúdo. Ainda sobraram meia dúzia de pessoas, mas temo que eles desapareçam pela falta de retorno bacana em seus blogs.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Não bastasse isso, espertalhões agora tentam dominar as chamadas mídias sociais. Vai ser um festival de post pago com 10 reais + link que não quero nem ver. E infelizmente blogueiros e blogueiras talentosos, assim como empresas sérias do ramo vão sofrer por causa desses vampiros.<span style="font-size: small; font-family: Georgia;"> </span></span></span></p>
<p></span></p>
<div></div>
<div><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></div>
<p><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></span></span></span></span></span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;">Beijo, 2008. Obrigado por tudo, mas já deu.</span></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></span></span></span></span></span></p>
<p></span><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><br />
</span></span></span></span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></span></span><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><br />
</span></span></span></span></span></p>
<p><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><br />
</span></span></p>
<p><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><span style="font-size: small; font-family: Georgia;"><br />
</span></p>
</div>
</div>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;">
]]></content:encoded>
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		<title>Quem ri por último…</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Nov 2008 20:35:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Keid</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Outsight]]></category>

		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[A banda mais legal do mundo volta limpinha. E, de tão limpa, deixando algumas coisas bem claras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="The Sound of The Smiths" src="http://i450.photobucket.com/albums/qq228/outsight_photos/smiths.jpg" alt="" width="500" height="500" /></p>
<p>Falar sobre os Smiths é algo muito complicado. Explico: pode-se entrar num terreno maniqueísta, uma espécie de batalha de opostos. Argumentos não faltam, e eles vão desde a influência da banda na música pop contemporânea, até a percepção que eles foram mais seminais que os Beatles na cultura popular britânica (?!). Mas a banda é assim mesmo, polarizante e polarizadora. Ou você os ama, ou você os odeia. Não há neutralidade quando o assunto é a parceria entre Morrissey e Johnny Marr. Eu pelo menos não conheço alguém que ache Smiths <em><span style="text-decoration: underline;">mó le</span>g<span style="text-decoration: underline;">al</span></em>. Até a ex-ministra Tatcher pronunciou-se a respeito de Morrissey, chamando-o de “bigmouth”. Isso tudo, polarização e polêmica, provam que a banda foi no mínimo relevante. Smiths, e conseqüentemente seu eterno vocalista  Morrissey, são uma pequena seita desorganizada, mas com dogmas suficientemente fortes para arrebatar seus seguidores.</p>
<p>Meu primeiro contato com os Smiths foi à segunda metade da década de 80, em uma pequena cidade mineira perdida no meio do nada, mas próxima a Brasília. Um namorado da irmã de uma amiga foi quem trouxe um single de 7 polegadas, de uma “banda muito legal com um vocalista meio gay”, comprado em Londres, em uma viagem feita pelo irmão, que trabalhava no Itamaraty. O single em questão era How Soon is Now, a música que, na época de seu lançamento, havia levado dois jovens ingleses ao suicídio. Foi a revista Bizz quem disse (e no final era verdade mesmo). Naquela época, o fluxo da informação era assim, algo torto e longo, e extremamente raro. Existiam duas opções: ou você consumia passivamente o que a Globo e a Bandeirantes passavam, ou se deixava levar pelo clima de mudança democrática que o país vivia. As revistas Bizz e a Som 3 raramente davam pra todo mundo. E era por meio delas que sabíamos que algo estava acontecendo.</p>
<p><em>&#8220;Nós&#8221;</em> eram 20 pessoas que travavam verdadeiras guerras para ter acesso ao que rolava no mundo. O jornaleiro, o Bernardinho, ficava numa saia justa absurda, e se desdobrava para alimentar a gente das coisas que nos faziam acreditar que uma vida melhor, mais livre e mais inteligente era possível. E era por meio da música que entendíamos isso. MTV era uma espécie de utopia, de que ouvíamos falar, mas que era distante demais da gente. Mas éramos generosos uns com os outros. Gravávamos mixtapes caprichados, e assim compartilhávamos e nutríamos o sonho comum. Smiths, claro, estava em todas as fitas Basf, TDK e Pioneer que consumíamos enlouquecidamente.</p>
<p>Existiam também Siouxsie, Echo, Cure, U2, Talking Heads, R.E.M, além das raivosas bandas nacionais de garotos da classe média entediada de Brasília. Mas, para alguns de nós, foram os Smiths que abriram os olhos para o mundo. Uma lupa para um futuro adulto sombrio. Morrissey era o sujeito que cometia aquelas letras, cheias de autocomiseração e ironia sofisticada. Para alguns de nós, foi ele quem ensinou o valor do cinismo e alertou que somos todos desesperadamente sozinhos. Apenas muitos anos depois foi que dei valor a Johnny Marr. Como ficar ileso a palavras pesadas ditas suavemente* por meio de arpejos e dedilhados delicados, docemente melódicos? Smiths eram a harmonização perfeita entre luz e sombra, tristeza lírica e musicalidade solar.</p>
<p>Entre 1986 e 1987, quase todos os discos dos Smiths já tinham sido lançados no Brasil. Foi uma festa conhecer os B-sides por meio de Louder than Bombs e Hatful of Hollow, ouvir a genialidade de The Queen is Dead, e descobrir as preciosidades de Meat is Murder. Era um evento comprar um LP dos Smiths. Aquelas letras eram pequenas verdades relativas, vindas de alguém de Manchester que, misteriosamente, sabia sobre a desgraça de ser adolescente, solitário, tímido e idealista. Não havia alento nem proposta de solução. Tudo o que Morrissey fazia era mostrar de volta que as feridas de todos eram comuns. Foi ele quem me fez entender a intimidade nefasta entre Eros e Tanatos, e também a repressão cruel imposta pela maioria.</p>
<p>Daí os Smiths acabaram. Morrissey seguiu em carreira solo que acompanho com entusiasmo, mas sem surpresas. Johnny Marr não está mais lá, ao lado, tornando a melancolia do bardo de Manchester mais palatável. Dezenas de coletâneas foram lançadas, mas demorou 21 anos para os dois chegarem num acordo quanto a esta, The Sound of The Smiths. Com direção de arte e título criados por Morrissey, coube a Marr supervisionar a limpeza das faixas, tirando erros e excessos de mixagens e masterizações equivocadas feitas ao longo dos anos. Está tudo lá, só que mais limpo, mais coerente, mais audível.</p>
<p>21 anos depois, além da limpeza, algo ficou mais claro. Até parece que algo de valor se perdeu, mas, num olhar mais lúcido, o que entendo é que toda aquela tristeza é ridícula em faixas etárias depois dos 18 anos. Nada se perde afinal, pois a maturidade expande nossa visão sobre as coisas, e nos dá novas possibilidades de olhares.</p>
<p>Se eu fosse dar um conselho eu diria: Cuidado com o Morrissey! Ele sempre foi uma grande tela em branco chamando as pessoas para depositarem ali suas fantasias. Antes de se afundar numa crise existencial onde as esperanças estão mortas e a vida aparentemente é um fardo, é preciso levar em consideração a herança do Wilde e a ironia que permeia tudo que ele escreve. Morrissey é amado por muitos, faz centenas de shows por ano, é um cara muito rico, mora numa casa incrível, e em seus shows costuma vestir Gucci, Helmut Lang e Dolce &amp; Gabbana.</p>
<p>A tristeza só é bom negócio para alguns poucos, e não creio que eu esteja entre esses escolhidos. Hoje, o melhor talvez seja se juntar ao Morrissey para rir de tudo o que passou.</p>
<p><em>*trecho de What Difference Does It Make</em></p>
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		<title>Buzz, o meu urubu de estimação</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 22:25:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Keid</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[CUBOCCism]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotos do Buzz, meu urubu de estimação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis o Buzz, meu urubu de estimação, aquele que <a href="http://outsight.bitpapo.com.br/cubocc">pousou na varanda sexta passada</a>. Ele vive no topo do prédio aqui em frente. Com um(a) significant other. A gente se apega, né? Enfim, eis meu bebê, em toda sua imponência.</p>
<p><img class="aligncenter" title="buzz" src="http://i450.photobucket.com/albums/qq228/outsight_photos/DSC06690-1.jpg" alt="" width="530" height="398" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="buzz" src="http://i450.photobucket.com/albums/qq228/outsight_photos/DSC06689-1.jpg" alt="" width="530" height="398" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="buzz" src="http://i450.photobucket.com/albums/qq228/outsight_photos/DSC06688-1.jpg" alt="" width="530" height="398" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="buzz" src="http://i450.photobucket.com/albums/qq228/outsight_photos/DSC06687-2.jpg" alt="" width="530" height="398" /></p>
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		<title>CUBOCC</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 13:24:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Keid</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Outsight]]></category>

		<category><![CDATA[caos]]></category>

		<category><![CDATA[CUBOCCism]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre o complexo de vira-latas e fazer a diferença, a gente escolheu botar a mão na massa e a alma pra pensar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="cubocc" src="http://i450.photobucket.com/albums/qq228/outsight_photos/cubocc.jpg" alt="" width="580" height="313" /></p>
<p>CUBOCC não é uma agência.</p>
<p>É uma outra maneira para definir desconstrução - de olhares, metodologias, práticas, verdades e status quo. É aqui, nessa pequena <a href="http://www.releituras.com/mbandeira_pasargada.asp">Pasárgada</a> de comunicação, onde o sonho pela diferença se materializa. Junto com o rei, aliás.</p>
<p>Aqui não se tem <a href="http://www.geocities.com/beijospratorcida/complexo.htm">complexo de vira-latas</a>. Sorry, Nelson Rodrigues. Aqui não seguimos regras de mercado, não sonhamos dublado ao vermos cases internacionais, não questionamos o futuro da comunicação, muito menos a relação das pessoas com o consumo e marcas. A gente simplesmente faz. Não temos a alma recalcada pela inserção na criatividade global. Pra que olhar pra <em>fora</em> quando tem tanta coisa incrível para fazer <strong><em>aqui</em></strong>?</p>
<p>É inútil pra gente questionar o zeitgeist da publicidade interplanetária, já que somos parte da solução. Isso é uma conversa muito metafísica, uma vez que nossa missão é fazer as coisas acontecerem. Por acaso somos brasileiros que caíram de cabeça no caos global. Nosso idioma é a criatividade. Sem ufanismos, sem deslumbres, pois sabemos muito bem que temos que vender produto, construir marca e gerar resultado. Não somos naïf nesse sentido. E, na real, não dá tempo pra onanismos sobre o futuro, já que passamos boa parte do nosso tempo fazendo a diferença por meio dos nossos jobs. O presente é lugar tão incrível.</p>
<p>Sexta-feira um urubu pousou na nossa varanda. Comoção. Bichão bonito, viu? Bico grande, patas grossas, garras fortes, exuberante e que mete respeito. Igualzinho aos grandes grupos de comunicação. Mas no fundo a gente ama o viralatismo. A questão é que para amá-lo não significa ser igual a ele, muito menos viver o complexo de vira-latas. Ama-se a diferença, afinal de contas. Se a gente escolher ser vira-lata, é pela simpatia, pela resistência e, principalmente, pela liberdade de poder ser quem se é.</p>
<p>E, cá entre nós, eu não conheço ninguém que levaria um urubu pra casa.</p>
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		<title>Movimento cultural pessoal, mas não intransferível</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Nov 2008 16:34:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Keid</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Outsight]]></category>

		<category><![CDATA[caos]]></category>

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		<category><![CDATA[meme]]></category>

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		<description><![CDATA[Post aleatório sobre um movimento cultural que eu queria criar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se eu tivesse um mínimo de talento para a programação, eu tenho certeza que seria um hacker. Não saberia dizer se eu me decidiria ser um white ou grey hat. A questão é que, se eu tivesse esse talento, com certeza, eu criaria um sub-movimento dentro da <a href="http://www.rizoma.net/interna.php?id=193&amp;secao=intervencao">Z.A.T.</a> de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Lamborn_Wilson">Hakim Bey</a>.</p>
<p>Eu chamaria esse movimento cultural de <strong>SSP2P</strong>, ou melhor, <strong>Shift Seedind P2P</strong>, e aconteceria apenas em devices digitais - qualquer hardware que as pessoas tivessem em casa, no trabalho e em mãos. Minha proposta seria a disseminação de elementos artísticos que, historicamente, tivessem inspirado mudanças de comportamento e paradigmas nas pessoas. Um lembrete das raízes de mudanças que tivemos em nossa história, mas que a nossa condição situacionista apagou de nossas memórias. Aliás, já que todo esse aparato de hardwares à nossa disposição funciona como próteses de nossa memória, nada mais justo que inundá-los com <strong>SSP2P</strong>.</p>
<p>Haikais ilustrados distribuídos aleatoriamente por Bluetooth. Invasão a PCs: substituição de fundos de tela, ícones e atalhos com obras de street art mais <em>de raíz</em>; placement em HDs de cópias de livros como <em>Viagem ao Fim da Noite, Além da Civilização, Sursis, O Terceiro Sexo, Alexis, Breviário da Decomposição</em> e<em> Bom Dia, Angústia</em>. E também um saudável resgate da história de repressão de nossa América Latina, por meio de obras de artistas como <em>Violeta Parra</em> e <em>Gonzalo Díaz</em>.</p>
<p>Penso também em hotsites que aprofundassem um sentimento de caos divertido, por meio de uma temática anti-memes, mas que fossem sempre colaborativos. Penso em praticar o Shift Seeding dentro do Orkut, criando ferramentas caóticas na plataforma Open Social, que desestruturassem a comunidade, e dessem ao usuário novas perspectivas sobre o que fazer ali dentro. Não há nada mais perverso que essa gente que faz o jogo do gentil em busca de Ibope pessoal.</p>
<p>Sonho com uma combinação de micro-ações, descentralizadas e contínuas, que nos oferecessem algum riso, alguma inspiração e algum alento nas inóspitas ruas de São Paulo, na tristeza que são nossos ambientes de trabalho, na mentira que contamos a nós mesmos todos os dias e que convenientemente chamamos de vida real.</p>
<p><a href="http://planetcioran.blogspot.com/">Cioran</a> uma vez disse: Só tem convicções aquele que não aprofundou nada. Então, o que há além da superfície, gente?</p>
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