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	<title>Pablo González Blasco</title>
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	<description>Educar no Humanismo</description>
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		<title>Leon Tolstói: A morte de Ivan Ilitch</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graziela Moreto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 15:48:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após 25 anos, retorno à leitura deste livro que exerceu profundo impacto em minha formação, assim como na de tantos alunos e médicos que passaram por nossa instituição. A motivação para essa releitura surgiu a partir de uma nova iniciativa da SOBRAMFA – os Encontros Culturais –, cujo objetivo é estimular o interesse pela cultura entre jovens médicos e profissionais ... </p>
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<figure class="alignleft size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="360" height="599" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/06/image.jpeg" alt="" class="wp-image-15793" style="aspect-ratio:0.6010285458746366;width:148px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/06/image.jpeg 360w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/06/image-180x300.jpeg 180w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/06/image-100x166.jpeg 100w" sizes="(max-width: 360px) 100vw, 360px" /></figure>
</div>


<p>Após 25 anos, retorno à leitura deste livro que exerceu profundo impacto em minha formação, assim como na de tantos alunos e médicos que passaram por nossa instituição. A motivação para essa releitura surgiu a partir de uma nova iniciativa da SOBRAMFA – os Encontros Culturais –, cujo objetivo é estimular o interesse pela cultura entre jovens médicos e profissionais da saúde através da literatura e artes em geral.</p>



<span id="more-15792"></span>



<p>Quando tive contato com a obra pela primeira vez, era uma médica recém-formada. Carregava os ideais e as expectativas próprias da juventude, focada em oferecer aos pacientes um cuidado de excelência. Naquele momento da vida, minha leitura esteve fortemente relacionada aos aspectos médicos presentes na narrativa: a frieza com que os médicos tratavam Ivan Ilitch; a dificuldade de perceber o sofrimento humano para além da doença; a família ausente, que atribuía ao próprio paciente a responsabilidade por sua condição; e a compreensão de que os cuidados paliativos vão muito além da simples administração de morfina.</p>



<p>Hoje, após 25 anos de experiência profissional e de vida, meu olhar sobre a obra se ampliou. O livro não trata apenas de medicina ou de cuidados paliativos. Trata, sobretudo, das relações humanas que construímos ao longo da vida. Podemos passar anos sem refletir profundamente sobre nossas escolhas e decisões, mas, em algum momento, a própria vida nos convida — ou nos obriga — a fazê-lo.</p>



<p>No caso de Ivan Ilitch, essa reflexão surge diante da proximidade da morte. A pergunta que permanece é inevitável: por que esperamos a dor, a perda ou a finitude para revisitar nossas escolhas?</p>



<p>Ao longo desse processo de questionamento interior, percebe-se que muitas das decisões do personagem foram moldadas pelas expectativas sociais. Um exemplo é a escolha de sua esposa:</p>



<p><em>“Praskóvia vinha de boa família, não era nada feia e tinha algumas posses. Ivan certamente aspirava um casamento melhor, mas mesmo esse não era um mau arranjo. (&#8230;) Ilitch considerava que o casamento lhe traria satisfação pessoal, ao mesmo tempo em que estaria fazendo o que era considerado correto pelas classes mais altas.”</em></p>



<p>Surge então outra questão: é possível construir uma vida feliz e com significado baseada apenas em um checklist imposto pela sociedade?</p>



<p>Tolstói provoca o leitor ao afirmar:</p>



<p><em>“A história de vida de Ivan Ilitch foi das mais simples, das mais comuns e, portanto, das mais terríveis.”</em></p>



<p>Ivan era um homem que cumpria as regras, tanto no trabalho quanto na vida familiar. Mas por que isso tornaria sua existência terrível? Porque viver apenas de acordo com normas e expectativas externas não é suficiente para que o ser humano desenvolva plenamente suas potencialidades, encontre propósito e faça a diferença na vida das outras pessoas.</p>



<p>Existem diversos caminhos que podem favorecer o hábito da reflexão: a literatura, a música, a filosofia, o cinema e as artes em geral. Entretanto, a disposição para buscar esses recursos e permitir-se ser transformado por eles depende exclusivamente de cada um de nós.</p>



<p>A leitura desta obra nos faz pensar que a reflexão sobre a vida não deveria ser um exercício reservado aos momentos de sofrimento ou à proximidade da morte. Ela pode — e talvez deva — fazer parte do cotidiano, orientando nossas escolhas e ajudando-nos a construir uma existência mais autêntica, humana e significativa.</p>
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		<title>A vida de Chuck: é possível discutir existencialismo sem transcendência?</title>
		<link>https://pablogonzalezblasco.com.br/2026/05/25/a-vida-de-chuck-e-possivel-discutir-existencialismo-sem-transcendencia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Levites]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 23:50:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A vida de Chuck. Drama, 2024, Drama. Autor Stephen King. Direção Mike Flanagan. Roteiro: Mike Flanagan. Elenco: Tom Hiddleston, Mark Hamill, Chiwetel Ejiofor Existe uma tipologia informal pela qual costumo avaliar um bom filme. O primeiro nível é o do entretenimento puro — aquele prazer simples de ser levado por uma história durante duas horas. O segundo é o do ... </p>
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<figure class="alignleft size-full is-resized"><img decoding="async" width="338" height="500" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image.png" alt="" class="wp-image-15776" style="width:178px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image.png 338w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-203x300.png 203w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-100x148.png 100w" sizes="(max-width: 338px) 100vw, 338px" /></figure>
</div>


<p><em>A vida de Chuck. Drama, 2024, Drama. Autor Stephen King. Direção Mike Flanagan. Roteiro: Mike Flanagan. Elenco: Tom Hiddleston, Mark Hamill, Chiwetel Ejiofor</em></p>



<p>Existe uma tipologia informal pela qual costumo avaliar um bom filme. O primeiro nível é o do entretenimento puro — aquele prazer simples de ser levado por uma história durante duas horas. O segundo é o do desconforto produtivo: o filme que nos retira do lugar comum, que nos faz questionar algo que tínhamos por certo. O terceiro, o mais raro, é o da necessidade de partilha — quando saímos da sessão com a urgência de ligar para um amigo, de debater à mesa do jantar, de escrever. <em>A Vida de Chuck</em> pertence inequivocamente a esse terceiro nível.</p>



<span id="more-15775"></span>



<p>O filme é baseado numa novela de Stephen King, reunida no volume <em>Com Sangue</em>, e foi adaptado com fidelidade ao espírito — se não sempre à letra — do original. A narrativa acompanha a vida de Charles Krantz de forma deliberadamente invertida, em três partes que se interligam como os movimentos de uma sonata. Começamos com sua morte precoce aos 39 anos, vítima de um tumor cerebral; recuamos então pelos eventos que moldaram sua existência, até chegarmos à casa da infância, envolta em mistério e numa atmosfera que flerta discretamente com o sobrenatural. A estrutura invertida não é mero artifício — ela é a própria filosofia do filme: só compreendemos uma vida quando a vemos de trás para frente.</p>



<p>Convém dizer que esta é uma surpresa rara: um filme baseado em King que não é de terror e que, longe de provocar sustos, provoca reflexão existencial. Quem, como eu, nutria uma certa resistência à idolatria americana pelo autor, encontrará aqui motivos sérios para revisitar esse julgamento. (E os fãs do <em>O Iluminado</em> de Kubrick perceberão que a grandeza de King habita registros muito diferentes do horror: ele sabe, quando quer, ser tão contemplativo quanto perturbador.)</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>A canção de si mesmo</strong></p>



<p>Impossível falar do filme sem spoilers. A saída que encontrei foi dialogar com as suas duas referências filosóficas centrais, que o próprio Flanagan torna explícitas ao longo da narrativa. A primeira é &#8220;Song of Myself&#8221; (&#8220;Canção de Mim Mesmo&#8221;), de Walt Whitman (1819–1892) — o mesmo poeta que deu voz a <em>O Captain! My Captain!</em> na cena memorável de <em>Sociedade dos Poetas Mortos</em>. A segunda é o Calendário Cósmico de Carl Sagan (1934–1996).</p>



<p>Os versos de Whitman (poema completo no final da crítica) reaparecem ao longo do filme como um <em>leitmotiv</em>, até os momentos finais da vida de Chuck. Na memória da primeira infância, uma professora explica o poema para o pequeno Charles com uma simplicidade que é também uma iluminação:</p>



<p><em>&#8220;O mundo, Chuck&#8230; Tudo o que você já amou, tudo o que você vê&#8230; A cada ano da sua vida, esse mundo vai ficar maior e mais brilhante, mais detalhado e complexo. Se você preencher tudo isso, vai ser um universo. Não é uma maravilha?&#8221;</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="634" height="339" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image.jpeg" alt="" class="wp-image-15779" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image.jpeg 634w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-300x160.jpeg 300w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-100x53.jpeg 100w" sizes="(max-width: 634px) 100vw, 634px" /></figure>
</div>


<p>E é com esse mandato silencioso — preencher o próprio universo — que Chuck atravessa a vida. A dança e a matemática perpassam suas memórias de plenitude em situações <em>sui generis</em> da infância, da adolescência e da vida adulta, num encadeamento de encontros e desencontros magistralmente interpretado por Hiddleston.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="538" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2-1024x538.jpeg" alt="" class="wp-image-15785" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2-1024x538.jpeg 1024w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2-300x158.jpeg 300w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2-768x403.jpeg 768w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2-1536x806.jpeg 1536w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2-100x53.jpeg 100w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2-1200x630.jpeg 1200w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-2.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>O avô de Chuck — vivido por Mark Hamill numa atuação de contenção e gravidade — retoma o tema com outras palavras:</p>



<p><em>&#8220;Quando você olhar para o céu à noite, ele pode revelar coisas sobre seu futuro. Ele não vai mentir para você. Ele é puro assim. Você pode ver mais do que gostaria. Mas, se você tem coragem, você terá esperança. Você tem muita coragem, Charles Krantz.&#8221;</em></p>



<p>Coragem e esperança: é com esses dois termos, aparentemente simples, que o filme responde à questão de como viver. Os versos de Whitman, que fecham o poema, ressoam com esse chamado:</p>



<p><em>O passado e o presente murcham — eu os preenchi, eu os esvaziei.</em> <em>E prossigo para preencher minha próxima dobra do futuro.</em> <em>Será que me contradigo?</em> <em>Muito bem, então me contradigo</em> <em>(sou vasto, contenho multidões).</em> <em>Quem deseja caminhar comigo?</em> <em>Você falará antes que eu parta? Ou já será tarde demais?</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>O Calendário Cósmico</strong></p>



<p>O segundo <em>leitmotiv</em> do filme é o Calendário Cósmico de Carl Sagan — uma escala didática que comprime os 13,8 bilhões de anos de história do universo, desde o Big Bang, em um único ano calendário. Nessa escala, cada segundo equivale a aproximadamente 500 anos reais. Pedro Álvares Cabral chegaria ao Brasil nos primeiros instantes do último segundo de 31 de dezembro. O capitalismo nasceria milissegundos depois. E toda a história da humanidade registrada caberia nos últimos minutos do último dia.</p>



<p>O primeiro terço do filme parece, à primeira vista, tratar de um apocalipse universal. É fascinante observar como as personagens reagem ao anúncio do fim: alguns entram em pânico e se dispersam; outros buscam, com urgência renovada, as pessoas que amam. O filme usa esse cenário não para nos aterrorizar, mas para nos fazer a pergunta que Sagan também fazia: diante da imensidão do tempo e do espaço, o que significa, afinal, uma vida humana?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-1-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-15782" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-1-1024x682.jpeg 1024w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-1-300x200.jpeg 300w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-1-768x512.jpeg 768w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-1-100x67.jpeg 100w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-1-1200x800.jpeg 1200w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/05/image-1.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>A resposta do filme é a de Chuck, aprendida com Whitman: significa preenchê-la. Fazer valer cada dobra do futuro. Ter significado.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>O que o filme não pergunta</strong></p>



<p>A argumentação de <em>A Vida de Chuck</em> é formidável até esse ponto. Flanagan constrói um existencialismo cósmico de rara beleza, ancorado em duas das mentes mais luminosas da cultura americana. O problema — ou melhor, a pergunta que o filme deixa sem resposta, talvez deliberadamente — é a da transcendência.</p>



<p>Por que tudo isso? Por que 13,8 bilhões de anos de história, um universo para cada um dos 117 bilhões de seres humanos que já existiram sobre a Terra, cada qual com suas danças e suas matemáticas, seus encontros e desencontros, suas coragens e suas esperanças — para não ter um Criador? Parece trabalho demasiado, uma obra de profundidade e complexidade vertiginosas, para resultar em silêncio do outro lado.</p>



<p>O filme nos diz que a vida pode fazer sentido <em>por dentro</em> — e nisso é convincente, até comovente. Mas a pergunta sobre o sentido <em>por fora</em>, sobre o que justifica que haja algo em vez de nada, sobre quem ou o quê dispôs esse universo para que Chuck pudesse dançar — essa pergunta, o filme escolhe não fazer. E é precisamente aí, nesse silêncio eloquente, que a crítica termina e a filosofia começa.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>



<p>Canção de Mim Mesmo&nbsp;</p>



<p>O passado e o presente murcham — eu os preenchi, eu os esvaziei.<br>E prosseguir para preencher minha próxima dobra do futuro.</p>



<p>Ouvinte aí em cima! O que você tem para me confidenciar?<br>Olhe para o meu rosto enquanto eu apago o rastro da noite,<br>(Fale honestamente, ninguém mais está te ouvindo, e eu fico só mais um minuto.)</p>



<p>Será que me contradigo?<br>Muito bem, então me contradigo<br>(sou vasto, contenho multidões).</p>



<p>Eu me concentro naqueles que estão próximos, espero no batente da porta.</p>



<p>Quem já terminou o trabalho do dia? Quem terminará o jantar mais cedo?<br>Quem deseja caminhar comigo?</p>



<p>Você falará antes que eu parta? Ou já será tarde demais?</p>
</blockquote>



<p>Em inglês:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>



<p>Song of Myself</p>



<p>The past and present wilt—I have fill’d them, emptied them.<br>And proceed to fill my next fold of the future.</p>



<p>Listener up there! what have you to confide to me?<br>Look in my face while I snuff the sidle of evening,<br>(Talk honestly, no one else hears you, and I stay only a minute&nbsp;longer.)</p>



<p>Do I contradict myself?<br>Very well then I contradict myself,<br>(I am large, I contain multitudes.)</p>



<p>I concentrate toward them that are nigh, I wait on the door-slab.</p>



<p>Who has done his day’s work? who will soonest be through with&nbsp;his supper?<br>Who wishes to walk with me?</p>



<p>Will you speak before I am gone? will you prove already too late?</p>
</blockquote>



<p>Walt Whitman (1819–1892)</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Super Agers, o segredo da longevidade saudável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Levites]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 22:28:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>QUEM QUER VIVER PARA SEMPRE? (&#8220;Who Wants to Live Forever&#8221;) — este é o tema de uma das mais belas músicas do QUEEN (álbum: A Kind of Magic, 1986), excelente trilha sonora do filme marcante Highlander , com Christophe Lambert e Sean Connery. Lembro de apreciar a música e ver o filme na infância. Nessa mesma toada, na vida profissional ... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="692" height="1000" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image.jpeg" alt="" class="wp-image-15769" style="aspect-ratio:0.69204502339699;width:154px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image.jpeg 692w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-208x300.jpeg 208w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-100x145.jpeg 100w" sizes="auto, (max-width: 692px) 100vw, 692px" /></figure>
</div>


<p>QUEM QUER VIVER PARA SEMPRE? (&#8220;Who Wants to Live Forever&#8221;) — este é o tema de uma das mais belas músicas do QUEEN (álbum: <em>A Kind of Magic</em>, 1986), excelente trilha sonora do filme marcante <em><a href="https://www.imdb.com/pt/title/tt0091203/">Highlander</a> </em>, com Christophe Lambert e Sean Connery. Lembro de apreciar a música e ver o filme na infância.</p>



<span id="more-15768"></span>



<p>Nessa mesma toada, na vida profissional como médico tive que discutir, em alguns momentos, o tema da longevidade. São várias as explicações para o envelhecimento (epigenética, telômeros, manutenção de proteínas e remoção do lixo celular, etc.). Encontrei e estudei, alguns anos atrás, a teoria dos telômeros da ganhadora do Nobel Elisabeth Blackburn (<em>O segredo está nos telômeros</em>, Editora Planeta). Ter os telômeros compridos — parte final do cromossomo — é uma das maneiras de determinar nossa longevidade. Se não temos doenças nem situações de estresse, temos telômeros maiores. Se passamos por doenças ou problemas, eles diminuem. Podemos usar o cadarço como metáfora: quanto maior a agulheta — aquela ponteira de plástico na extremidade do cadarço —, maior tende a ser a longevidade. É muito interessante saber que podemos, de alguma maneira, viver mais e melhor. Claro que não é uma receita de bolo, uma solução fácil. Entretanto, motiva-nos a ter uma vida mais saudável.</p>



<p>Em 2025, o renomado cardiologista Eric Topol, autor do livro <em>Medicina Profunda</em> (Editora Artmed) — <a href="https://pablogonzalezblasco.com.br/2025/09/08/eric-topol-medicina-profunda-como-a-ia-pode-reumanizar-a-saude/">já discutido neste blog</a> —, escreveu um novo livro sobre longevidade: <strong><em>Super Agers, o segredo da longevidade saudável</em></strong> (Editora Artmed), lançado em português em 2026. Fiquei curioso para lê-lo. O autor não descansa: além de estudar a interação entre I.A. e medicina, continuar atendendo pacientes e lecionar medicina molecular no Scripps Research — onde criou o blog <em><a href="https://erictopol.substack.com/">Ground Truths</a></em>, que discute todos os avanços relevantes da medicina —, ele resolve fazer uma revisão de toda a literatura sobre longevidade.</p>



<p>Por que ele coloca seu instituto e a si mesmo nessa empreitada? Pela quantidade absurda de informações falsas distribuídas pelas redes sociais. Concordo com Topol. A quantidade de informações erradas é absurda e reproduzida por muitos na sociedade, incluindo médicos desinformados.</p>



<p>Topol comenta que começou a estudar profundamente temas não ligados à cardiologia depois da experiência com a Covid. Ele recorda — e eu também — como a desinformação reinou e como foi difícil encontrar dados robustos para ajudar nossos pacientes. Desde esse período, a preocupação dele — e a minha também — sobre a veracidade da informação aumentou. Infelizmente, mesmo os especialistas falam verdades incompletas, gerando confusão na vida dos pacientes e de suas famílias.</p>



<p>O livro é orientado por evidências reais sobre longevidade, um livro técnico muito bem-feito que permite ao leigo e ao médico não cair em falsas promessas das novidades. Para quem ainda não visitou o circo da longevidade recentemente: existem 800 clínicas de longevidade nos Estados Unidos, inclusive na prestigiada Mayo Clinic. Algumas cobram 50 mil dólares por semana. Há retiros de longevidade com soros intravenosos, uma &#8220;Olimpíada de rejuvenescimento&#8221;, um &#8220;clube de campo para diagnósticos de precisão&#8221; da Fountain Life; academias que oferecem soros intravenosos antienvelhecimento; um X-Prize concedendo mais de 100 milhões de dólares para restaurar pelo menos uma década de funções musculares, cerebrais e imunológicas em idosos; e clínicas de células-tronco voltadas à longevidade. Existem cientistas que fazem um carnaval com alegações falsas e venda de suplementos, bem como listas de líderes em longevidade informando a dose de rapamicina que estão tomando para prolongar sua expectativa de vida. Há um centimilionário de 47 anos que fala abertamente sobre estar tomando 110 comprimidos de suplemento por dia, monitorando seus órgãos (usando um sensor de ereção em formato de anel peniano) com uma equipe de 30 médicos especialistas, gastando mais de 2 milhões de dólares em alimentação por ano para ingerir 1.977 calorias diárias, e que recebeu infusões de plasma de seu filho adolescente, além de realizar terapia gênica.</p>



<p>Há um debate acirrado sobre o limite da expectativa de vida humana. Alguns pesquisadores se referem à lei de Gompertz-Makeham, que afirma que o risco de morte aumenta exponencialmente com a idade; outros aludem à teoria limite de Hayflick, que postula que as células humanas não podem se dividir além de 50 vezes. A idade de morte da pessoa mais velha do mundo — Jeanne Calment, aos 122 anos — não mudou desde 1997. Além da biologia, há a física do desgaste: o envelhecimento cumulativo causado pelo estresse recorrente em nossas células, tecidos e corpo — a decadência obrigatória que pode ser vagamente atribuída à segunda lei da termodinâmica. Nesse sentido, a postulação de um limite absoluto é discutível, já que a existência de mais Matusaléns não nos garantirá Matusaléns saudáveis. Idealmente, gostaríamos de estender a expectativa de vida e a qualidade de vida, alcançando um alinhamento total. Não adianta viver mais tempo sem a cabeça e o corpo para desfrutar. Isso não é tão simples; em última análise, dependerá da ciência do envelhecimento, que ainda está começando.</p>



<p>O que sabemos hoje que de fato pode nos fazer viver mais e melhor? Pouca coisa. Comer alimentos não ultraprocessados, em quantidade moderada, fazer exercício sem exageros e estar bem com a vida em um ambiente agradável parecem funcionar muito bem. A maior novidade prática dos últimos anos que parece bem sólida é a compreensão da obesidade como doença que acelera o processo de envelhecimento. A introdução do GLP-1 (Mounjaro, Ozempic) pode modificar as consequências da obesidade, do envelhecimento e de muitas outras doenças. Um senão: é preciso adotar todas as práticas de bem viver de forma contínua e manter o uso da medicação por longo período. Não adianta mudar o estilo de vida e usar o remédio por dois meses para perder 3 kg, voltar a comer o que quiser e abandonar o tratamento.</p>



<p>A pergunta importante é: é possível fazer isso? Podemos viver sem comer processados e ultraprocessados? Comer em quantidade moderada, manter atividades físicas regulares e estar bem com a vida sempre?</p>



<p>Em um laboratório irreal onde só existe você, isso pode acontecer. Um lugar onde questionamentos sobre o sentido da vida, problemas de relacionamento ou falta de dinheiro não existem. Na realidade, tentamos manter o equilíbrio do bom cuidado familiar — que exige tempo e dedicação —, a boa atividade profissional para ter um ganho razoável que permita viver com sentido de entrega, e a difícil arte de lidar com os relacionamentos com as pessoas que amamos ao nosso redor.</p>



<p>No mundo real, qual a prioridade? Como lidar com as demandas que surgem e manter o equilíbrio do seu autocuidado? Procurando essas respostas, vi um filme de 1947 sugerido por este blog e pela tese de doutorado do professor Pablo: <em><a href="https://pablogonzalezblasco.com.br/1947/02/14/a-felicidade-nao-se-compra/">A felicidade não se compra</a></em> (<em>It&#8217;s a Wonderful Life</em>, direção de Frank Capra e atuação fenomenal de James Stewart). </p>



<p>James Stewart interpreta George Bailey, um pai de família desesperado que quer pôr fim à própria vida. Em uma conversa celestial, um anjo é enviado para ajudá-lo. Antes de fazê-lo, o anjo foi estudar a vida de Bailey — um homem que tinha muitos desejos e vontades, mas sempre decidiu fazer aquilo que era melhor para todos. A direção de Frank Capra e a atuação de James Stewart mostram com maestria que não são decisões fáceis. Por que não percorrer o mundo e desbravar o desconhecido, ao invés de cuidar dos negócios do pai — importantes para a comunidade local — que acabara de falecer? Por que casar e ter uma família se a vida despreocupada era tão boa?</p>



<p>Um diálogo muito interessante acontece entre o anjo da guarda e George Bailey: &#8220;Sua vida não presta? Você vai ver como seria o mundo se você não existisse.&#8221; Confesso que, por vezes — e penso que não sou o único —, cheguei a sentir inveja dessa situação: a possibilidade de estabelecer uma conversa com quem pode mostrar como o mundo seria sem nós, para nos certificar de que estamos fazendo as coisas certas, de que somos de fato úteis. Saber-se útil é o maior motor para viver a vida com plenitude. Isso não depende de vivermos por mais tempo, longevos, com saúde perfeita.</p>



<p>A experiência de ver o filme ao mesmo tempo em que estudava a longevidade foi especial. Quando não temos um sentido para as coisas que fazemos na vida, só nos resta tentar viver mais tempo para acertar — e poder partir sem nada a temer, sem nada a dever. É nessa entrega — e não na contagem dos anos — que reside o verdadeiro segredo da longevidade. Como Fernando Pessoa escreve em <em>Gládio</em>:</p>



<p><em>Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça</em> <em>A sua santa Guerra.</em> <em>Sagrou-me seu em honra e em desgraça,</em> <em>às horas em que um frio vento passa</em> <em>por sobre a fria terra.</em></p>



<p><em>Pôs-me as mãos sobre os ombros e dourou-me</em> <em>A fronte com o olhar;</em> <em>E esta febre de além, que me consome,</em> <em>E este querer grandeza são seu nome</em> <em>Dentro em mim a vibrar.</em></p>



<p><em>E eu vou, e a luz do gládio erguido dá</em> <em>em minha face calma.</em> <em>Cheio de Deus, não temo o que virá,</em> <em>Pois venha o que vier, nunca será</em> <em>Maior do que a minha alma.</em></p>
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		<title>Hamnet: A vida antes de Hamlet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graziela Moreto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 01:14:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje em dia a quantidade de opções e facilidades para assistir um filme ou série é imensa. Navegar pelo streaming e encontrar algo que realmente vale a pena pode ser desanimador. Assim, antes de embarcar em algum filme, procuro ouvir a opinião de amigos e comentários em revista de referência na área cinematográfica. Quais foram minhas motivações para assistir Hamnet?  ... </p>
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<figure class="alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="307" height="458" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-3.png" alt="" class="wp-image-15740" style="width:163px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-3.png 307w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-3-201x300.png 201w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-3-100x149.png 100w" sizes="auto, (max-width: 307px) 100vw, 307px" /></figure>
</div>


<p>Hoje em dia a quantidade de opções e facilidades para assistir um filme ou série é imensa. Navegar pelo streaming e encontrar algo que realmente vale a pena pode ser desanimador. Assim, antes de embarcar em algum filme, procuro ouvir a opinião de amigos e comentários em revista de referência na área cinematográfica.</p>



<p>Quais foram minhas motivações para assistir Hamnet?  Claro que levei em consideração o fato de ter sido indicado para o Oscar em diversas categorias. Além disso, fiquei sensibilizada com o discurso de Jessie Buckley quando recebeu a estatueta de melhor atriz “&#8230; <em>dedico esse prêmio ao belo caos do coração de uma mãe</em>”</p>



<p>As críticas de experts em revistas especializadas diziam que o filme era um pouco lento e que demorava para engrenar. Não fiquei muito animada com esses comentários.</p>



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<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="570" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-4-1024x570.png" alt="" class="wp-image-15743" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-4-1024x570.png 1024w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-4-300x167.png 300w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-4-768x427.png 768w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-4-100x56.png 100w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-4-1200x668.png 1200w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-4.png 1287w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>A decisão final veio quando perguntei a opinião de um professor que é bastante crítico e seletivo nas suas escolhas. Ele me disse: vale a pena assistir.</p>



<p>Sem dúvida valeu a pena assistir. Um filme que fala sobre família, amor e perdas.&nbsp; Jessie Buckley é Agnes, mulher diferente para os padrões da época. Foi criada pela madrasta. Mesmo adulta sente as marcas da perda da sua mãe quando criança.&nbsp;</p>



<p>O casamento de Agnes com Shakespeare era considerado improvável pelas famílias, mas ela conseguia ver algo especial em Willian.&nbsp;Acredito que o amor tem essa capacidade, de enxergar as potencialidades do outro.</p>



<p>O filme toma outra proporção quando Hamnet (filho gêmeo mais novo do casal) falece devido a peste. O grito de uma mãe com o coração dilacerado perante a perda do filho é emocionante. Uma interpretação brilhante que atinge nosso coração e alma com o poder de remeter nossas próprias experiências de perda.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="755" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-5-1024x755.png" alt="" class="wp-image-15746" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-5-1024x755.png 1024w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-5-300x221.png 300w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-5-768x566.png 768w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-5-100x74.png 100w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-5.png 1046w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>Willian sente a dor de maneira diferente. Não consegue explicitar seus sentimentos e busca resposta sobre o significado da morte. As formas distintas de sentir e viver a perda, acarreta distanciamento do casal.</p>



<p>Vale a pena uma reflexão sobre as diferentes maneiras que as pessoas respondem ao sofrimento. Algumas choram e compartilham seus sentimentos, outras se isolam; algumas buscam respostas através da fé, outras através da ciência. Tem aquelas que procuram culpados; outras se desesperam ou se revoltam. Nenhuma maneira é melhor ou pior, são formas de expressar um sentimento intenso de dor. A compreensão dessas diferenças, sem julgamento, pode contribuir para fortalecimento daquela pessoa que sofre.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="585" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-7-1024x585.png" alt="" class="wp-image-15757" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-7-1024x585.png 1024w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-7-300x171.png 300w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-7-768x439.png 768w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-7-100x57.png 100w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-7-1200x686.png 1200w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-7.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>A cena final, apresentação da tragédia Hamlet, é comovente. Shakespeare utiliza a arte para expressar suas dúvidas e seu sofrimento. O silêncio e a troca de olhares entre marido e esposa diz tudo: agora eu entendo a sua dor.</p>



<p></p>
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		<title>Oscar Wilde: De Profundis e outros escritos de cárcere</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graziela Moreto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 21:09:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A indicação para a leitura desse livro surgiu de uma amiga e professora durante reunião de Humanismo em Saúde da nossa instituição – www.sobramfa.com.br.&#160; Era a última reunião do ano de 2025 e a discussão era sobre as dificuldades em promover a reflexão e feedback do livro “Fostering Reflection and Providing Feedback&#8220;. Oscar Wilde esteve preso durante 2 anos devido ... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="246" height="420" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-1.png" alt="" class="wp-image-15729" style="width:133px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-1.png 246w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-1-176x300.png 176w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-1-100x171.png 100w" sizes="auto, (max-width: 246px) 100vw, 246px" /></figure>
</div>


<p>A indicação para a leitura desse livro surgiu de uma amiga e professora durante reunião de Humanismo em Saúde da nossa instituição – <a href="http://www.sobramfa.com.br">www.sobramfa.com.br</a>.&nbsp;</p>



<p>Era a última reunião do ano de 2025 e a discussão era sobre as dificuldades em promover a reflexão e feedback do livro “<a href="https://www.amazon.com/Fostering-Reflection-Providing-Feedback-Experiences/dp/0826114296">Fostering Reflection and Providing Feedback</a>&#8220;.</p>



<p>Oscar Wilde esteve preso durante 2 anos devido a um relacionamento homossexual. Nesse período, escreve cartas ao seu amante que são enviadas para o seu editor. <strong>De Profundis</strong> é justamente a publicação dessas cartas.</p>



<span id="more-15728"></span>



<p>O livro é uma reflexão profunda sobre a sua própria vida. As primeiras cartas têm um tom pessimista e de arrependimento das suas escolhas: “<em>Culpo a mim mesmo por ter permitido que uma amizade que nada tinha de intelectual, uma amizade cujo objetivo principal jamais foi a criação ou a contemplação do belo, dominasse inteiramente a minha vida&#8230; enquanto esteve ao meu lado minha vida foi totalmente estéril e improdutiva&#8230;”</em></p>



<p>Com o decorrer do tempo na prisão, podemos identificar uma mudança no conteúdo das suas reflexões. Considera que todas as experiências de vida são uma oportunidade de crescimento: <em>“Lamentar as experiências vividas é uma forma de impedir o próprio desenvolvimento. Negá-las é colocar uma mentira nos lábios da própria vida. É nem mais nem menos do que a negação da alma.”&nbsp;</em></p>



<p>O autor ressalta que o fato de refletirmos sobre os nossos possíveis erros ou escolhas equivocadas, bem como a aceitação de que tais aspectos integram a experiência humana, isso não nos autoriza a justificar quem nós somos ou nos tornamos: <em>“&#8230;. embora entenda que não há nada errado naquilo que fazemos, entendo também que há qualquer coisa de errado naquilo em que nos tornamos. Foi bom ter aprendido isso.”</em></p>



<p>Outro tema abordado por Oscar nas suas cartas é o significado do sofrimento na vida das pessoas. O sofrimento é uma experiência física ou emocional dolorosa que todos tentamos fugir. Não faz parte da natureza humana conviver com a dor. Por outro lado, essa experiência é inevitável. Assim, refletir sobre vivências dolorosas é fundamento para o crescimento e amadurecimento pessoal. Segundo o autor:&nbsp;</p>



<p>“<em>O sofrimento – curioso como talvez lhe possa parecer – é o nosso meio de vida porque é o único meio através do qual temos consciência de existir, a lembrança dos sofrimentos passados nos é necessária como um testemunho, uma prova de que continuamos a manter a nossa identidade.”&nbsp;</em></p>



<p><em>“&#8230;. onde quer que haja sofrimento, o terreno é sagrado: algum dia as pessoas entenderão o significado dessas palavras – não conhecerão nada da vida até que o façam.”</em></p>



<p>Agradeço a professora pela indicação desse livro. A leitura nos oferece a oportunidade de, no silêncio, refletirmos sobre nossas atitudes e sobre quem somos. Sobre o tema do autoconhecimento, finalizo com os dizeres do autor:&nbsp;</p>



<p><em>“&#8230;o oráculo tinha razão quando afirmou que o importante é conhecer-se a si mesmo. Essa é a primeira meta do conhecimento. Mas reconhecer que a alma do homem é incognoscível é o objetivo supremo da sabedoria. O mistério final somos nós mesmos. Quando tivermos conseguido pesar o sol na balança e medido os degraus da lua e desenhado o mapa dos sete céus, estrela por estrela, ainda restaremos nós. Quem pode calcular a órbita da própria alma?”</em></p>
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		<title>Jerome Lejeune: Retrato espiritual à luz das virtudes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graziela Moreto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 18:29:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recordo em diversas ocasiões os comentários do Professor Pablo sobre Jerome Lejeune. Ele sempre dizia que Jerome havia perdido o Prêmio Nobel de Medicina pois escolheu lutar pela vida dos seus pacientes.&#160; Jerome Lejeune foi um médico francês, pai da genética moderna que descobriu a anomalia cromossômica que dá origem a trissomia do 21. O livro não é uma biografia, ... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="673" height="1024" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-673x1024.png" alt="" class="wp-image-15720" style="aspect-ratio:0.6575704225352113;width:131px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-673x1024.png 673w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-197x300.png 197w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image-100x152.png 100w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/04/image.png 747w" sizes="auto, (max-width: 673px) 100vw, 673px" /></figure>
</div>


<p>Recordo em diversas ocasiões os comentários do Professor Pablo sobre Jerome Lejeune. Ele sempre dizia que Jerome havia perdido o Prêmio Nobel de Medicina pois escolheu lutar pela vida dos seus pacientes.&nbsp;</p>



<p>Jerome Lejeune foi um médico francês, pai da genética moderna que descobriu a  anomalia cromossômica que dá origem a trissomia do 21.</p>



<span id="more-15719"></span>



<p>O livro não é uma biografia, mas uma análise do comportamento e da sua vida sob o olhar das virtudes.</p>



<p>Após seu falecimento em 1994 aos 67 anos, a família recebeu uma avalanche de cartas provenientes de amigos, pacientes, famílias e de pessoas que conheciam seu trabalho e admiravam sua pessoa. Vale a pena explicitar alguns trechos dessas cartas:</p>



<p><em>“Jerome Lejeune é nossa Madre Teresa no mundo da ciência, nosso mestre que lançou uma contracorrente”</em>.</p>



<p><em>“Dele emanava uma autoridade natural, uma força de vida e uma irradiação espiritual de extrema intensidade, que, mesmo que não aderisse a todas as suas ideias, despertavam admiração”</em>.<br><br><em>“Jérôme Lejeune tinha consciência do mistério da vida. Tinha essa consciência profunda que vem de um outro lugar. Ele nos convoca aquela parte de nós que é a mais luminosa, em um grau de ser que ultrapassa a ordem da razão; ele nos lembra os segredos tão grandes que estão em nós e dos quais os modernos não têm totalmente consciência. Nunca conheci o Prof. Lejeune, mas pertenço à sua fundação porque, como muçulmano, sou espontaneamente convocado a esse mistério da vida que ecoa em mim e sobre o qual não posso colocar palavras. Ele tinha o conhecimento íntimo dos segredos da vida e teve o mérito excepcional de transformar em atos as suas intuições proféticas, fez delas o seu projeto de vida”</em>.</p>



<p><em>“Seu exemplo luminoso mostra que o exercício paciente, fiel e heroico das virtudes é o caminho para a plenitude”</em>.</p>



<p>Após a descoberta da anomalia do cromossomo 21 houve uma onda de apoio ao aborto. Diante desse cenário Lejeune não se cala e luta incondicionalmente pela vida dessas crianças independente das consequências. Ele comenta: <em>“Com o avanço da genética, ao invés dos médicos cuidarem dos portadores de deficiência, esses estranhos médicos propõem assassiná-las pela única razão de serem doentes.&nbsp;Que estranha ideia querer suprimir o doente quando não se consegue suprimir a doença”.&nbsp;</em></p>



<p>Ao lutar pela vida dos seus pacientes, Jerome perde o apoio para a realização das suas pesquisas e toda sua equipe o abandona. Mesmo diante das dificuldades, ele segue com suas convicções. Essa postura comove e conquista, pois ele não somente fala a verdade, mas a vive.</p>



<p>O livro segue com a exposição das virtudes teológicas (fé, esperança e caridade) e virtudes cardeais ou morais (prudência, justiça, fortaleza e temperança). Cada virtude é explicada através dos exemplos da vida do Jerôme Lejeune.</p>



<p>Lejeune não se destacou por feitos extraordinários, mas pelo seu brilho interior que iluminou a vida de muitas pessoas. Construiu sua vida seguindo sua consciência e as exigências de uma moral autêntica.</p>
<p>O post <a href="https://pablogonzalezblasco.com.br/2026/04/04/jerome-lejeune-retrato-espiritual-a-luz-das-virtudes/">Jerome Lejeune: Retrato espiritual à luz das virtudes</a> apareceu primeiro em <a href="https://pablogonzalezblasco.com.br">Pablo González Blasco</a>.</p>
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		<title>Maria Dueñas: Se o destino nos trouxer de volta</title>
		<link>https://pablogonzalezblasco.com.br/2026/03/13/maria-duenas-se-o-destino-nos-trouxer-de-volta/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Graziela Moreto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 11:01:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Preciso confessar que sou fã de Maria Dueñas. Li todos seus livros. A cada nova publicação, buscava a opinião do Professor Pablo; contudo, a leitura tornava-se imperativa, independentemente de sua avaliação. Quanto à sua obra mais recente, lançada em agosto de 2025, não tive ciência prévia da publicação, o que impossibilitou a consulta à opinião do Dr Pablo. Enquanto aguardava ... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="420" height="604" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/03/image.png" alt="" class="wp-image-15710" style="width:145px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/03/image.png 420w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/03/image-209x300.png 209w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/03/image-100x144.png 100w" sizes="auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px" /></figure>
</div>


<p>Preciso confessar que sou fã de Maria Dueñas. Li todos seus livros. A cada nova publicação, buscava a opinião do Professor Pablo; contudo, a leitura tornava-se imperativa, independentemente de sua avaliação. Quanto à sua obra mais recente, lançada em agosto de 2025, não tive ciência prévia da publicação, o que impossibilitou a consulta à opinião do Dr Pablo.</p>



<p>Enquanto aguardava meu voo com destino a Vitória no Aeroporto de Congonhas, sentei defronte a uma livraria, momento em que avistei a obra em questão. Adquiri-a de imediato, prescindindo da leitura da sinopse ou de qualquer informação prévia acerca do enredo.</p>



<span id="more-15709"></span>



<p>Não recordava dos comentários do Professor Pablo sobre o primeiro livro da autora &#8211; <a href="https://pablogonzalezblasco.com.br/2010/02/01/o-tempo-entre-costurasmaria-duenas/">Tempo entre Costuras</a>, mas a sensação lendo <em>Se o destino nos trouxer de volta</em>  foi a mesma: mergulhei completamente na trama e não conseguia parar de ler.</p>



<p>Após o término da leitura um pensamento persistia na minha mente: Porque gostei tanto do livro? Identificação com a personagem? Mulher com uma história de vida repleta de desafios e sofrimento que consegue se fortalecer diante as dificuldades e vence na vida por mérito próprio. Outra opção seria meu gosto por romance histórico. A narrativa do livro mistura ficção com eventos históricos ambientada na Argélia colonial. Ou seria o estilo da escrita capaz de envolver o leitor? Todas essas hipóteses não me convenciam. A pergunta se mantinha sem resposta.</p>



<p>Decidi compartilhar a pergunta com amigos. Semanalmente participo de encontros na minha empresa com médicos e professores onde discutimos artigos científicos da área médica. No entanto, durante o almoço que precede a reunião, levei para discussão a questão: Porque gostamos de um livro? Quais as características que fazem com que a leitura se torne envolvente?</p>



<p>Inicialmente foi levantado o gênero literário como principal fator. Normalmente temos uma predileção por algum gênero: romance, ficção, fantasia, suspense, biografia, histórico, cientifico, etc.</p>



<p>Outro ponto abordado foi o momento de vida da pessoa. Dependendo da fase da nossa vida temos necessidades de leitura distintas. As vezes precisamos de uma leitura com um pouco de fantasia e em outros de um romance. Recordo a primeira vez que tentei ler o livro <em>O Idiota de Fiódor Dostoiévsk</em>. Parei nas primeiras páginas. Após alguns anos enfrentei novamente o desafio e parecia que estava lendo outro livro.</p>



<p>Ainda estava sem uma resposta clara. Até que surgiu um último comentário, que foi definitivo. As vezes simplesmente gostamos do livro, sem necessidade de justificativas. Permitimos que a leitura seja feita não somente com os olhos, mas com o coração. Nos envolvemos com os personagens, mergulhamos na trama como se estivéssemos vivendo aquela história. E quando o livro termina, temos a sensação de ser uma pessoa diferente. Como dizia C.S. Lewis  <em>“Ao ler as grandes obras da literatura, transformo-me em milhares de homens sem deixar, ao mesmo tempo, de permanecer eu mesmo”</em>.</p>
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		<title>Cuidar-nos. Em busca do equilíbrio entre a autonomia e a vulnerabilidade</title>
		<link>https://pablogonzalezblasco.com.br/2026/02/27/cuidar-nos-em-busca-do-equilibrio-entre-a-autonomia-e-a-vulnerabilidade/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Graziela Moreto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 00:47:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em pleno século XXI e em tempos da inteligência artificial (IA), falar sobre o tema “cuidar-nos” parece algo de pouca relevância. Será que precisamos de outras pessoas para vivermos bem e sermos felizes? Será a inteligência artificial capaz de responder as necessidades do ser humano? Esses questionamentos me vêm à mente quando escuto relatos de pessoas que estão utilizando a ... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="365" height="507" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-2.png" alt="" class="wp-image-15700" style="aspect-ratio:0.7199361346977284;width:174px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-2.png 365w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-2-216x300.png 216w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-2-100x139.png 100w" sizes="auto, (max-width: 365px) 100vw, 365px" /></figure>
</div>


<p>Em pleno século XXI e em tempos da inteligência artificial (IA), falar sobre o tema “cuidar-nos” parece algo de pouca relevância. Será que precisamos de outras pessoas para vivermos bem e sermos felizes? Será a inteligência artificial capaz de responder as necessidades do ser humano?</p>



<p>Esses questionamentos me vêm à mente quando escuto relatos de pessoas que estão utilizando a IA como conselheiro de relacionamento, terapeuta  e mesmo companhia para conversar. </p>



<span id="more-15699"></span>



<p>Confesso que sinto certa perplexidade ao ouvir esse tipo de comentário. Por outro lado, a leitura desse livro trouxe reflexões sobre a importância das relações humanas e em especial sobre o cuidado.</p>



<p>A autora inicia o tema com um relato de sua experiência pessoal como paciente. Aborda a dificuldade de aceitar a própria vulnerabilidade e como permitir-se ser cuidada fez toda a diferença em seu processo de convalescença. Ela faz uma provocação: “Será necessária uma lei que nos obrigue a cuidar uns dos outros ou seremos capazes de encontrar, dentro de nós mesmo, uma fonte ética natural que nos leve a servir os demais?”</p>



<p>Isabel cita o filósofo espanhol Higinio Marin, na sua obra Mundus, onde o cuidado é abordado como uma dimensão essencial do ser humano. Precisamos uns dos outros para o florescimento pessoal. Ao permitir ser cuidado, a pessoa proporciona condições para que o outro desenvolva atitudes e competências novas para o seu desenvolvimento pessoal.</p>



<p>O isolamento e a solidão estão nos levando a uma sobrecarga de sofrimento. A falta de sentido para a vida é um elemento que contribui para esse sofrimento. No processo de busca de sentido e de crescimento individual, a autora menciona a importância de reconhecer e aceitar a nossa própria vulnerabilidade , a nossa própria dor e a dor do outro. </p>



<p>De forma didática, Isabel Sanchez descreve 6 dimensões sobre as quais podemos edificar a nossa melhor versão:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Autonomia. </strong>Estar aberto aos questionamentos que os outros fazem. Importante as &#8220;colisões&#8221; de ideias nesse processo;</li>



<li><strong>Interdependência:</strong> Âmbito dos vínculos fortes e saudáveis. Relação de confiança com outras pessoas que leva a uma segurança pessoal. Está relacionada com empatia;</li>



<li><strong>Aceitação pessoal</strong>: Conhecer e aceitar nossos pontos fortes. Libertar-se das comparações angustiantes;</li>



<li><strong>Crescimento pessoal</strong>: Necessidade desenvolvimento contínuo, viver abertos a novas experiências. Olhar para nós mesmos requer&nbsp; coragem e honestidade;</li>



<li><strong>Viver com sentido</strong>: Não temos apenas uma história, mas somos uma biografia escrita a partir de escolhas livres;</li>



<li><strong>Saber criar ambientes seguros</strong>: Viver bem tem muito a ver com viver bem acompanhado.</li>
</ol>



<p>Será que a IA poderia oferecer o passo a passo, tipo checklist, de como alcançar essas 6 dimensões? Confesso que não tenho intimidade com a IA para fazer esse tipo de questionamento. Por outro lado,  segundo relatórios da OMS, o cultivo das artes e das humanidades, o estudo da filosofia e da história, além de incidirem nas 6 dimensões, oferecem recursos para nos tornarmos cidadãos competentes e preparados, verdadeiros protagonistas na construção do nosso mundo.</p>



<p>Vivemos em uma era na qual se valoriza o que fazemos — e, com maior intensidade, aquilo que pode ser mensurado. No entanto, quando falamos de relações humanas e em especial do amor, estes não se traduzem em fazer. “Amar é colocar-se a disposição, abrir-se. Amar é confiar e deixar que conheçam as suas misérias.  Para poder cuidar, é preciso conhecer. Ser amado é ser conhecido”</p>
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		<title>Jovem Sheldon</title>
		<link>https://pablogonzalezblasco.com.br/2026/02/19/jovem-sheldon/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Levites]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 23:21:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Serie]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jovem Sheldon e a Noviça Rebelde: “é a família, estúpido”Marcelo R. Levites O que faz uma família manter o hábito de atividades conjuntas de entretenimento? Não é nada fácil. Eu, por exemplo, gosto de filmes de ação, futebol e séries da National Geographic, minha esposa aprecia séries românticas dos streamings. Por sua vez, meus dois filhos não abrem mão de ... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="440" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-1.png" alt="" class="wp-image-15694" style="width:157px;height:auto" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-1.png 300w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-1-205x300.png 205w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-1-100x147.png 100w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure>
</div>


<p class="has-text-align-right"><em>Jovem Sheldon e a Noviça Rebelde: “é a família, estúpido”</em><br>Marcelo R. Levites</p>



<p>O que faz uma família manter o hábito de atividades conjuntas de entretenimento? Não é nada fácil. Eu, por exemplo, gosto de filmes de ação, futebol e séries da <em>National Geographic</em>, minha esposa aprecia séries românticas dos streamings. Por sua vez, meus dois filhos não abrem mão de filmes da Marvel e DC, vídeos do YouTube e, obviamente, futebol. </p>



<span id="more-15693"></span>



<p>É possível que uma programação atraia a todos nós e consigamos realizar coisas juntos? Certamente, é difícil isso acontecer de forma tal que todos se divirtam de forma autêntica.&nbsp; Quando isso se dá, parece quase um milagre. Idas ao parque, casa de amigos em comum, refeições em família em casa ou em bons restaurantes são boas pedidas. Mantenho a firme a convicção de pai de que quanto mais fazemos as atividades em conjunto, mais fortificado fica a família.</p>



<p>Encontramos há pouco um jogo de tabuleiro chamado Hister que está fazendo o maior sucesso aqui em casa! O objetivo é simples, porém viciante: organizar as músicas em ordem cronológica na sua linha do tempo musical! Não somos uma família musical, porém a combinação de um jogo das antigas que envolve cartas com músicas do catálogo do <em>Spotify</em> acaba divertindo a todos!</p>



<p>Outro sucesso que empolgou toda a família nestas férias foi o seriado Jovem Sheldon (<a href="https://bigbangtheory.fandom.com/wiki/Young_Sheldon"><strong><em>Young Sheldon</em></strong></a>). Trata-se de uma série de televisão criada e produzida por <a href="https://bigbangtheory.fandom.com/wiki/Chuck_Lorre"><em>Chuck Lorre</em></a><em> </em>e<em> </em><a href="https://bigbangtheory.fandom.com/wiki/Bill_Prady"><em>Bill Prady</em></a> que estreou na CBS em 25 de setembro de 2017. A série é um <em>Spin Off</em> de <em>Big Bang Theory</em> e acompanha o genial <em>Sheldon</em> em sua infância e adolescência em que vive com sua família no Texas. O tema central do enredo mostra as agruras do convívio de um menino superdotado com sua “família normal” da década de 80. </p>



<p>Inicialmente você pode pensar que a série é sobre o pequeno <em>Sheldon Cooper</em>, o qual vai crescendo no decorrer da série, e as esquisitices de um gênio egocêntrico e incompreendido na infância. Todavia, no decorrer da série, você começa a perceber que os irmãos e os pais ganham relevância e toda a família desperta interesse. E as estratégias utilizadas por essa família normal para fazer o melhor pelo gênio da família constroem um enredo bastante envolvente.</p>



<p>A irmã gêmea Missy, não herdou a genialidade de Sheldon. Porém, tem uma inteligência emocional gigante, vive intensamente como uma menina da sua idade e com o tempo aprende a conviver com o irmão gênio. O irmão mais velho Georgie é um típico adolescente da década de 80. Se arrisca em novas aventuras e não tem medo de nada. Sabe recuar e ter a humildade de pedir desculpas. A mãe, Mary, é uma pessoa bastante religiosa que conduz a família com sensibilidade e compreensão em relação a todos. Seu marido, George, é um técnico escolar de futebol americano que de maneira simples procura atender as necessidades de todos os familiares. Por fim, temos avó materna, figura debochada e liberal, que traz leveza e, de alguma forma, representa um ponto de equilíbrio no ambiente.</p>



<p>Por que esse seriado funcionou tão bem em nosso contexto familiar? A título de esclarecimento, citamos a frase “é a economia, estúpido!”, cunhada em 1992 por James Carville, então estrategista de campanha do ex-presidente Bill Clinton. Tal frase tornou-se um mantra político mundial desde então para destacar a importância do desempenho econômico nas eleições. E, para explicar o sucesso de Jovem Sheldon que tão profundamente uniu nossa família, parafraseamos a citação de James Carville: “é a família, estúpido”.</p>



<p>Lembro-me de quando meus filhos tinham 3 e 6 anos e estávamos com dificuldades de encontrar estes momentos. O professor Pablo me deu de presente o DVD do filme A Noviça Rebelde (<em>The Sound of Music</em>). Ele me disse que na sua infância, as músicas cantadas por junto às crianças e a conquista do coração do durão capitão <em>Von Trapp</em> (<em>Cristopher Plummer</em>) deram certo.&nbsp; Tentei, imaginando que o filme estava ultrapassado e que não funcionaria&#8230; Para a minha surpresa, deu muito certo. Já vimos a Noviça Rebelde em família umas 20 vezes desde então. Todos concentrados no filme, ninguém distraído com celular ou outras telas&#8230;</p>



<p>Acredito que é necessário ser feliz individualmente sempre. Por outro lado, conseguir em alguns momentos que o entretenimento e a felicidade sejam usufruídos em um grupo familiar representa uma grande vitória em nossas vidas. Assim, encerro essa reflexão, parafraseando James Carville novamente: “é a família, estúpido”.</p>
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		<title>A.J. Cronin: Pelos caminhos de minha vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Graziela Moreto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Feb 2026 16:57:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As obras de Cronin são muito conhecidas no âmbito médico. Talvez pelo fato do autor ser médico antes de se tornar escritor e algumas das suas obras estão baseadas em relatos sobre sua vivência profissional. Recordo de ter lido o seu livro mais conhecido no Brasil &#8211; “A Cidadela”- durante os meus anos de graduação. Fiquei muito motivada com as ... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="157" height="236" src="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image.png" alt="" class="wp-image-15675" srcset="https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image.png 157w, https://pablogonzalezblasco.com.br/wp-content/uploads/sites/5/2026/02/image-100x150.png 100w" sizes="auto, (max-width: 157px) 100vw, 157px" /></figure>
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<p>As obras de Cronin são muito conhecidas no âmbito médico. Talvez pelo fato do autor ser médico antes de se tornar escritor e algumas das suas obras estão baseadas em relatos sobre sua vivência profissional. Recordo de ter lido o seu livro mais conhecido no Brasil &#8211; “A Cidadela”- durante os meus anos de graduação. Fiquei muito motivada com as histórias e desafios enfrentados pelo personagem que era um jovem médico. Ainda tenho a versão antiga que comprei em um sebo. Estava pensando em reler, no entanto, um fato fez com que a sua releitura fosse adiada.</p>



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<p>&nbsp;Assistindo uma palestra sobre caridade e perdão,&nbsp; me chamou atenção o relato de uma história sobre uma passagem da vida do nosso escritor/médico. Vale a pena expor a narrativa &#8211; Cronin foi chamado para a realização de um procedimento de traqueostomia (abertura com introdução de uma cânula na traqueia) para salvar a vida de uma criança com obstrução das vias aéreas pela doença difteria. O procedimento foi realizado com sucesso e contou com a ajuda de uma enfermeira recém formada. Ela ficou responsável pelo cuidado da criança durante a noite. Devido ao cansaço intenso, a enfermeira acabou cochilando e a criança&nbsp; retirou a cânula de traqueostomia e faleceu. Cronin ficou indignado e disse para a enfermeira que iria denunciá-la e que ela não poderia mais exercer a sua profissão. Ele fez um relato minucioso do ocorrido e por 4 vezes tentou entregar o relatório ao órgão responsável de classe, mas algo o impedia. Intuição? Talvez. Algumas décadas se passaram, através da leitura de um artigo no jornal,&nbsp; ele descobriu que essa enfermeira foi homenageada pela rainha da Inglaterra pela sua dedicação a profissão. Foi responsável por cuidar de milhares de órfãos. Era conhecida como a Anjo da noite. Ela não conseguia dormir e ficava velando o sono de todos.&nbsp;</p>



<p>Fiquei encantada com essa história. Refleti sobre a importância de não ignorarmos nossa intuição, sobre perdão e que todos merecemos uma segunda chance. Durante a palestra e o relato dessa narrativa, o livro Pelos Caminhos da minha vida foi citado. Comecei a leitura com essa motivação.&nbsp;</p>



<p>O livro é dividido em 4 partes. Começa com o período da graduação, passando pelos primeiros anos de formado como médico rural seguida pela experiência cuidando dos trabalhadores das minas de carvão. Depois, já com alguns anos de formado, sua atuação em Londres como médico conceituado e de sucesso. Finaliza com uma fase de reflexão e a decisão de se tornar escritor e o encontro com a religiosidade.</p>



<p>Cada fase da sua vida é ilustrada com histórias fascinantes e de muito aprendizado. Ele comenta que <em>O escritor que se lança ao perigoso mar da autobiografia, deveria reconhecer as falhas do seu caráter paralelamente a quaisquer méritos que porventura possuísse,&nbsp; pesando suas vaidades e suas virtudes</em>. Lembrei de outro livro escrito por um neurocirurgião britânico – <a href="https://pablogonzalezblasco.com.br/2016/10/12/henry-marsh-sem-causar-mal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sem causar Mal</a> – onde o médico escreve sobre os seus fracassos e como aprendeu com eles. Leitura obrigatória para qualquer médico.</p>



<p>Durante os primeiros anos de formado, o autor teve o privilégio de trabalhar como assistente de um excelente médico rural. A primeira apresentação já mostra o caráter e valores desse médico. Para impressionar o “chefe”, Cronin compra uma maleta nova. Ao chegar no casa, recebe logo de cara o seguinte comentário<em>: &#8220;numa clínica como a minha, não é a maleta que importa é o homem.”</em></p>



<p>Nesse período inicial da sua vida profissional, Cronin alerta sobre a importância da humildade. Com a prática clinica a tendência do médico é achar que já sabe de tudo. Um caso um tanto inusitado ilustra esse tema. Cronin foi chamado para avaliar uma criança com um desconforto respiratório importante. Ele fez um exame físico perfeito, mas não conseguia fazer uma hipótese diagnóstica. O tipo de ruido respiratório que vinha do peito da criança não constava nos livros de medicina. Chamou o seu mentor. Chegando na casa ele olhou para criança, examinou o nariz e fez ausculta do pulmão. Em seguida pediu para a mãe um grampo. Colocou o grampo no nariz e retirou um apito. No final, o mentor fez o seguinte comentário para Cronin: <em>Ficarei com esse apito. Se um dia eu notar que você está se tornando um pouquinho convencido demais, então,  pode estar certo, que este apito entrará em cena.</em></p>



<p>Os anos como médico nas minas de carvão foram muito difíceis. Muito trabalho, pouca remuneração. Condições de vida dos trabalhadores muito precárias. No entanto, nesse cenário de pobreza ele pode identificar e beleza das relações humanas, o estoicismo e a sublime fortaleza dos pobres. Presenciou inúmeros e comovedores exemplos de coragem e auto sacrifício.&nbsp;</p>



<p>Chegou a grande oportunidade de se estabelecer em Londres e ter sua carreira reconhecida. No entanto, quando o retorno financeiro e reconhecimento chegaram, interiormente Cronin não se sentia satisfeito. Momento de crise existencial. O propósito em ser médico se havia perdido. O encontro com as madres de um convento fizeram ele refletir sobre sua vida:</p>



<p><em>&#8220;Compreendi que havia certas questões vitais, certos impulsos íntimos que eu não ousava enfrentar e lançava comodamente ao descarte do futuro,&nbsp; e nesses momentos , dominado por uma auto insatisfação, jurava com ardor regenerar-me, resolução que, infelizmente , uma vez de volta as distrações do mundo exterior e ao corre corre da clínica, deixava de cumprir de maneira lamentável.&#8221;</em>&nbsp;</p>



<p>A decisão de se tornar escritor não foi fácil. Não tinha argumentos racionais, mas sentia que sua missão como médico havia terminado e que precisa se lançar a novos horizontes. O processo de convencimento familiar foi um desafio, mas o final da história conhecemos através do grande sucesso das suas obras.</p>



<p>Nesse período como escritor, Cronin encontrou a importância da fé em Deus. Percebeu que os limites da existência estão muito além daquilo que havia aprendido nos compêndios de medicina.</p>



<p>Finalizo com os dizeres de Cronin: “<em>Por mais que aprofundemos a maneira de formigas, com nossos débeis métodos de pensamento, não podemos nem sequer arranhar a superfície do Infinito. A revelação de Deus só pode vir do coração”.</em></p>
<p>O post <a href="https://pablogonzalezblasco.com.br/2026/02/07/a-j-cronin-pelos-caminhos-de-minha-vida/">A.J. Cronin: Pelos caminhos de minha vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://pablogonzalezblasco.com.br">Pablo González Blasco</a>.</p>
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