<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984</id><updated>2026-09-07T02:22:47.492-03:00</updated><title type='text'>Paidéia</title><subtitle type='html'>A Paidéia grega tinha a ambição de educar os jovens para um estado de espírito plenamente desenvolvido. Os mestres idealizavam as lições da educação para o Bom, o Belo e o Justo. Este espaço é dedicado à reflexão das coisas da vida sob a égide daqueles valores da Paidéia grega. Seja o que for - a boa mesa, o bom vinho, o filme de agora ou de outrora, o livro, as artes - é possível pensar com simplicidade e extrair destas coisas o perfume saboroso do bom viver. </subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>121</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-7776199800074707667</id><published>2017-08-14T14:37:00.000-03:00</published><updated>2017-09-01T10:09:48.842-03:00</updated><title type='text'>Arte Como Estranheza e Grosseria</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Estou certo de que a arte, em geral, a literatura, em particular, tem de manifestar alguma &quot;estranheza&quot;. Sem ela, não há verdadeiramente aquilo que denominamos arte. Também não consigo imaginar que a arte não possua algum nível de compreensão, entendida não como algo objetivo que é delimitada pelo sujeito, mas pela percepção ampla que revindica para o apreciador certo de nível de aprisionamento da ideia por detrás da obra. Há que se aceitar que nesse vasto campo perceptivo possamos atrair para ele múltiplas formas, conteúdos, cores e meios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Também há o compasso do tempo que envolve a arte. Aqui, o envolvimento da obra por um certo &quot;espírito do tempo&quot; acomoda a obra e seu autor junto aquele que vislumbra a produção do artista. Trata-se de &quot;acomodação&quot; vez que o tempo não escraviza necessariamente a obra com o compromisso de uma época. Pode, inclusive, romper os limites temporais para explorar campos nunca vistos. Projetados no presente, pode-se revolver o passado, alterando-o, ou fustigar o futuro com ilações e composições que permitem aguçar a imaginação, criativa e sensivelmente. Nesse caso, o esforço do pensamento pode transcender aquém do que imagina o próprio autor. Obras de arte fogem de seus autores e percorrem múltiplos campos e, somente assim, é que se pode falar em plenitude da arte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O descompromisso estético e temporal da arte, ao permitir transcendência além das fronteiras verificáveis no presente, apenas poderá ser reunida como parte da &quot;história&quot; quando lá no futuro se puder pensar sobre se a experiência artística foi coletiva ou apenas individual. Ao se tornar parte do passado, os estudiosos poderão analisar diacrônica e sincronicamente um extrato do tempo e, assim, fazer a &quot;teoria&quot; daquela arte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Nesses tempos de cólera, no qual as tensões sociais, econômicas e políticas estão aguçadas, fico a imaginar o que terão a dizer os cultuadores, ou melhor, os críticos de arte de nosso tempo e que escreverão no futuro. Haverá generosidade para com os descompromissos estéticos de hoje? Como serão distinguidas aquilo que será considerada &quot;arte&quot; e aquilo que se constituirá, quiçá, em &quot;puro mau gosto&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;De minha parte não me escuso do direito de me pronunciar sobre meu desapreço por certas manifestações. Não estou a me referir a distinção provocada pela &quot;estranheza&quot;, goste ou não dela. Estou a me referir, por exemplo, aos &lt;i&gt;happenings&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de Jean-Jaques Lebel (1936 - &amp;nbsp; &amp;nbsp; ) que fazia La Tarte, a personagem de um livro de Picasso (&quot;O desejo pego pelo rabo&quot;), urinar durante dez minutos em plena cena. Nesse diapasão, podemos encontrar muitas outras grosserias que se espalharam pelo mundo, dos shows &quot;profanos&quot; de Madonna até a &quot;música sertaneja-universitária&quot;, no Brasil.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Creio que o fato de estarmos em mundo da livre expressão permite que nos manifestemos sobre certas estranhezas, mesmo que seja para dizer que estas não passam de grosseiras expressão e que, no caso, não são propriamente &quot;arte&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;É preciso depurar agora um pouco do prazer da vida retirando da frente o que lhe reste ruim...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/7776199800074707667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/7776199800074707667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/7776199800074707667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/7776199800074707667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2017/08/arte-como-estranheza-e-grosseria.html' title='Arte Como Estranheza e Grosseria'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-2219467345541335174</id><published>2016-10-18T10:48:00.001-02:00</published><updated>2016-10-18T12:00:31.149-02:00</updated><title type='text'>Rubem Braga, sem o afeto de outro tempo</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;No final da minha meninice
e início da adolescência li com afinco e imenso prazer as crônicas de Carlos
Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Rubem Braga. Ler
era uma espécie de descanso, nos poentes dos recheados de aulas e futebol. Por
entre as horas tudo soava eterno, como se a vida e o tempo fossem dissociados
por uma poesia entranhada por sentimentos puros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;De um modo geral, as
crônicas me levavam ao cotidiano não vivido e, assim, lançava-me ao imaginário
mais largo. O Rio de Janeiro, o Brasil, a praia e, sobretudo, os grandes
personagens sociais e políticos, os artistas e os escritores acabavam por
inundar o meu mundo tão distante de tudo aquilo. Creio que, observado da
cadeira do futuro, eu me fartava mais dessa aproximação cognitiva e emotiva com
algo que não vivia ou convivia - não era catarse literária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Na juventude mais
avançada e agora na denominada “idade adulta” afastei-me da crônica e mergulhei
nos livros mais densos, nos romances e na poesia. Foi abandono sem rodeios ou
reflexões. Imagino que o afastamento da crônica se deu pela constatação de que
aquilo que via no cotidiano já preenchia as minhas especulações mentais. Meu
desinteresse ocorreu no momento em que, pouco a pouco, todos os cronistas que povoavam
a vida foram morrendo. Drummond em 1987, Mendes Campos em 1991, Rubem Braga em
1990 e, mais tarde, Sabino em 2004.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Recentemente ganhei uma
belíssima caixa, cujo conteúdo me revestiu de melancolia, saudades e certa
ansiedade. Refiro-me aos três livros de crônicas de Rubem Braga (1913-1990),
organizados por André Seffrin, Bernardo Buarque de Holanda e Carlos Didier, sob
o selo “Autêntica”. Trata-se de coleção recentemente lançada e cujos títulos
são “Os Moços Cantam”, “Os Segredos Todos de Djanira”, “Bilhete a Um Candidato”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Tais crônicas foram
publicadas nos mais importantes jornais e revistas do país. São textos curtos e
versam sobre pessoas e fatos, na maioria conviventes de Braga e conhecidos do
público. Foi uma surpresa, da qual insistentemente procurei afastar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A cada texto vi-me
tolhido do prazer da leitura. Muito se comenta sobre a tal “objetividade” dos
textos de Braga. Desta “objetividade”, contudo, não consegui retirar o extrato
literário que me dá o prazer ao percorrer linhas. Já tinha para mim que a
crônica não é propriamente um gênero literário quando se defronta com a
grandeza da poesia e do romance. Todavia, em Rubem Braga encontrei a barreira
que não consegui transpor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Achei-o espinhoso,
cooptado pelos personagens e fatos que descreveu, hermético a ele mesmo, miúdo
nas observações, sem psicologia e insistente em provar que não recalcitra em sentimentos
e, inclusive, humor. Com o passar das páginas e o avanço nas datas de cada
crônica vi o meu ídolo da meninice e adolescência tomado por mais e mais
descompromisso literário e mais seguro de que o seu nome, &lt;i&gt;per se&lt;/i&gt;, já consagrava a própria escrita. Não há em Braga aquela “estranheza”
necessária à literatura e também não via a tão decantada poesia quando se lê a
crítica e a reflexão sobre a obra do escritor capixaba. A própria ausência de
firulas linguísticas e a economia das palavras não se traduz em maiores avanços
no campo da perdição literária. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Naquela reunião de textos
restaria o jornalista, pensei eu. Todavia, achei-o ora laudatório, ora
subjetivo demais, propenso as digressões menos factuais e mais imaginárias, sem
a completude de poética. Ou seja, se como cronista me frustrou, como jornalista
não me conquistou. Triste mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Por fim, ao sentir toda a
escassez de meandros sintáticos que aguçassem o lirismo ou, sei lá, o riso,
notei que a tal objetividade de Braga acabava sempre em subjetivismo no qual
ele inexoravelmente se tornava personagem da estória que ele tentava contar de
forma especial. Pode-se dizer que há “leveza” no texto, mas a mensagem híbrida,
sempre contando com a presença do próprio escritor o que acaba por deixar a
sensação de aleatoriedade de sentimentos que não tem muito a ver com aquilo que
se lê, mas com o que o leitor especula por si mesmo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Não encontrei em Rubem
Braga os meus tempos e idos, mas também não encontrei os faróis o cotidiano
agudo ou outra qualquer motivação mais especial. Ali, naquelas páginas,
constatei facilmente o modernismo das construções frasais e, de certa forma, a
própria linguagem. Todavia, se colocarmos Rubem Braga frente aos seus pares,
cronistas ou não, vê-se uma figura menor e, até mesmo, microscópica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Saí daqueles três livros
com a sensação de que o presente de outrora era mais feliz. Tudo que li de
Braga no tempo em que o tempo não passava foi a generosa parcela que a vida me
deu daquele escritor capixaba. Por ora, senti que a falta de intensidade dos
livros que tão belamente reuniram as crônicas dele talvez sejam parte
integrante da vida que percorro, cética em meio às obviedades. A imbricação que
ainda não ser por onde começar a deslindar.&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;times new roman&amp;quot; , serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/2219467345541335174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/2219467345541335174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/2219467345541335174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/2219467345541335174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2016/10/rubem-braga-sem-o-afeto-de-outro-tempo.html' title='Rubem Braga, sem o afeto de outro tempo'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-3516184728646802980</id><published>2016-10-04T16:40:00.001-03:00</published><updated>2016-10-18T11:59:22.223-02:00</updated><title type='text'>Um pouco de poesia em meio ao tempo chuvoso</title><content type='html'>&lt;h1&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;
Verso Livre&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Quando nasce um poema&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;De longe ele vem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;De perto ele chega&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Tão junto a mim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Tão longe do ser&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Às regras não de entrega&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Sua forma é não tê-las&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Sentimentos não se perdem na rima&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Fazem a rima!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Ilustram uma página do dia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Que na noite do pragmatismo não teria&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Aquela palavra, aquele vocábulo não entendido,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Longe de certo ser, por certo é sentido&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Quero te captar, poesia!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Como tu és, pura e límpida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Tão singela que faz da heresia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;De não ser captada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Uma ameaça em vão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Minha boca, teu portão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Tua boca, o poeta!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Tão interado em ti &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Tu em mim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Que quando te abro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Deliro na forma que não tens&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Mas que sinto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;arial&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , sans-serif;&quot;&gt;Sentimos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/3516184728646802980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/3516184728646802980' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3516184728646802980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3516184728646802980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2016/10/um-pouco-de-poesia-em-meio-ao-tempo.html' title='Um pouco de poesia em meio ao tempo chuvoso'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-3454730150986676733</id><published>2014-05-17T18:50:00.001-03:00</published><updated>2014-05-17T19:03:18.609-03:00</updated><title type='text'>Lisboa, poética e mundana</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;
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&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De várias cores,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De várias cores ...&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como à força de sentir, fico só a pensar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;
Na lucidez inútil de não poder dormir,&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;
Quero imaginar qualquer coisa&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E surge sempre outra (porque há sono,&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E, porque há sono, um
bocado de sonho),&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quero alongar a vista com que imagino&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por grandes palmares fantásticos,&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas não vejo mais,&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que Lisboa com suas casas&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De várias cores.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra
coisa.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A força de monótono, é diferente.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;(Fernando
Pessoa, Ficções do Interlúdio/Poesia de Álvaro de Campos 11-5-1934)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;Lisboa é um eterno recomeço para os portugueses e
uma pedra angular para nós brasileiros. Um lugar no qual a saudade parece
começar antes da despedida. Fernando Pessoa, este “indisciplinador de almas” é
uma espécie de retrato humano desta capital que se reveste de extratos
melancólicos, bucólicos e suaves. Olhar o Tejo para nós brasileiros é como nos
puséssemos a retornar do exílio na direção da ensolarada costa de nosso
Nordeste. Enquanto isso, para os portugueses, o Tejo, nas suas profundezas, é
para os lusitanos um mergulho no passado, na busca do &lt;i&gt;Sebastianismo&lt;/i&gt; enfim restaurado, de um Portugal, pequeno no tamanho,
mas grandioso nas ambições.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;Antes de ir as beiradas do Tejo, recomenda-se um
passeio descompromissado e lento pelo Chiado e pelas cercanias da Rua dos
Douradores, pelo bar Martinho das Arcadas e pelo Café “A Brasileira”. Nada
melhor que nesta andança cercar os olhos em uma livraria próxima e, quando dela
se aproximar, despreocupar-se com os temas certeiros dos livros de autoajuda,
dos romances medíocres (tal qual, “Comer, Rezar, Amar”, de Liz Gilbert). O
momento é para o lirismo de Pessoa, para a ironia refinada e ilustrada de Eça
de Queiroz e para o romance tortuoso de José Saramago. Ou ainda, para revisitar
“Os Lusíadas”, estes sim!, versos para se ler silenciosamente ao longo das
margens do Tejo. Depois, solte um grito de glória como se independente fosse. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;Lisboa é como um vinho estruturado, mas, ao mesmo
tempo, simples, doce e com &lt;i&gt;bouquet &lt;/i&gt;cheio
de nuances e referências imemoriais. Não cabe perder tempo se preocupando com o
último &lt;i&gt;post &lt;/i&gt;do Twitter ou do
Facebook. Senão, Lisboa se torna um vinho varietal sem o frescor necessário à
curtição da cidade, nas suas fotos vívidas e sem as encostas dos “amigos” da
rede que nunca passam na sua casa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;Os bondes em Lisboa são lentos até nas ladeiras do
Forte de São Jorge. Na parada do Largo de São Carlos desça e veja o que se
passa nos vitrais que anunciam o espetáculo do momento no teatro de mesmo nome.
Tudo é elegante, gentil e culto, sem que seja argentário ou cercado dos
flanelinhas de Copacabana. Não há a pressa do tempo moderno, por certo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;Se misture ao povo e sinta-se um “emissário de um
rei desconhecido”. Verá que aquele sotaque que despenca dos lábios carnudos das
belas raparigas que passam nas largas avenidas é cheio de sensualidade e
beleza. Se estiver ao lado de alguém amado (amado mesmo!), espete um beijo nos
seus lábios para conter o ímpeto que nasce nas entranhas. Se estiver só como um
berbere no Marrocos, sinta-se alado para o amor. Anime-se, mas com lucidez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;As horas em Lisboa sempre hão de interrogar sobre
onde e quando parar e sorver um café, um doce de ovos ou um pescado à moda
portuguesa. Não hesite em responder: pare no “Martinho das Arcadas” para o café
e sinta-se recebendo os amigos como Fernando Pessoa recebia. Coma um “pastel de
Belém” na rua de mesmo nome e pergunte, depois da primeira mordida, se foi por
ali que os anjos que cercaram a manjedoura passaram antes de irem para a Judéia
no tempo daquela criança que mudou o mundo. Quanto ao pescado, bem isso é um
mar (ou oceano?) de possibilidades. Se quiser fugir do mais ordinário, vá ao “O
Polícia”, ali na Rua Marquês Sá da Bandeira, 112ª. Recomendo o vinho &lt;i&gt;Quinta Pacheca&lt;/i&gt; para acompanhar os
pescados, sejam quais forem estes. Este branco é um corte do Douro, das castas Cerceal,
Malvasia Fina, Gouveio e Moscatel. Diferente, muito diferente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 107%;&quot;&gt;Em Portugal se comemora neste ano os quarenta anos
da Revolução dos Cravos que encerrou (para sempre) a ditadura do período de
Salazar. Vá a Alfama e comemore a liberdade (que também é sua). Não deixe nunca
de passear por entre os parques da cidade. Não é apenas um lugar de repouso
para a elevada luminosidade que penetra nos olhos. Dá para se encantar com as
variedades de árvores, algumas trazidas do Ultramar, dos recantos quase
infinitamente distantes que Vasco da Gama ousou singrar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 107%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Lisboa deveria ser sempre a primeira cidade a
visitarmos na Europa. De lá podemos partir mais humanos e simples, mesmo que
revestidos pela Graça de sentir Pessoa nos seus versos que abrem este singelo
texto. A Europa tem fronteiras que se expandem para dentro das pequenas
comunidades, suas relvas próprias, sua comida típica, seus vinhos sedutores,
seu povo provinciano. Lisboa, por sua vez, nos avisa que “a poesia é a maneira
figurada de se viver”. As suas bordas, portanto, nunca se firmam em definições,
mas numa leveza cândida que nos leva a viajar: o rio e o mar, os conventos e os
puteiros, as avenidas e vielas, o universo e o canto de um bairro, as casas
grandes e os pequenos palácios. Não há amarguras quando sabemos que ficamos
sozinhos em Lisboa, cercados de nódoas de amor juvenil por todos os lados...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;https://www.blogger.com/null&quot; name=&quot;_GoBack&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/3454730150986676733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/3454730150986676733' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3454730150986676733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3454730150986676733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2014/05/lisboa-poetica-e-mundana.html' title='Lisboa, poética e mundana'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-2689141084661914503</id><published>2014-01-14T11:44:00.000-02:00</published><updated>2014-01-14T11:44:10.823-02:00</updated><title type='text'>&quot;A Grande Beleza&quot; Mimetiza o Mundo e o Renova</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Reinou durante a segunda metade do século XX até a queda do Império Soviético, a crença de boa parte do pensamento de que os valores burgueses necessariamente corroíam as perspectivas do proletariado. Em seu famoso livro &quot;A Sociedade do Espetáculo&quot; de 1967, Guy Debord afirma que&lt;span style=&quot;background-color: #eeeeee;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;t&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; line-height: 20px;&quot;&gt;oda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20px;&quot;&gt;&lt;i&gt;Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação&quot;. &lt;/i&gt;Não é preciso nos desgastarmos excessivamente para que possamos enxergar que a síntese de Debord manifesta-se claramente por todos os afluentes e vazantes da sociedade moderna. Além disso, falta-nos um sentido de totalidade e um &quot;sentimento de mundo&quot; com a licença ao poeta Drummond. &amp;nbsp;Espalha-se, ademais, uma cultura vazia de valores (individuais e coletivos), descartável e, permitam-me o termo, &quot;brega&quot; e &quot;grosseira&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20px;&quot;&gt;É a partir da premissa brevemente enunciada acima que passo a comentar o filme A Grande Beleza&amp;nbsp;(&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 16px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;La Grande Bellezza&lt;/i&gt;, Itália/rança, 2013, 142m, dirigido por Paolo Sorrentino, com Toni Servillo,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;Carlo Verdone, Sabrina Ferilli, Carlo Buccirosso e Serena Grandi),&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;ganhador do Globo de Ouro (2013) de melhor filme estrangeiro.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;. Trata-se de um filme que pode ser visto por variados ângulos, mas de muitas formas estes fluem para uma ácida critica para a &quot;sociedade do espetáculo&quot; que transborda por todos os lados de nossa vida, digamos, &quot;burguesa&quot;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;Jep Gambardella, interpretado brilhantemente por Servillo, é um jornalista que escreve sobre as faces da vida da alta sociedade romana, especialmente sobre arte contemporânea. É uma espécie de colunista de arte/social, um observador agudo e crítico daquilo que vê, um escritor de apenas um livro, escrito em sua juventude (ele tem 64 anos). Nada, após seu primeiro livro, o empurrou para escrever outro. É como se um tédio se abatesse por décadas, sem um grande amor (que teve quando jovem) e sem um &lt;i&gt;insight&lt;/i&gt;&amp;nbsp;que justificasse um novo empreendimento do pensamento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;O filme é um flanar de Gambardella por sua Roma querida, observando as cenas urbanas e delas retirando, com humor e perspicácia, a vulgaridade, o vazio e a inconsequência daquilo que vê. Sorrentino, o jovem e talentoso diretor do filme, constrói um roteiro (juntamente com Umberto Contarello) que consegue ser explícito por meio de um cultivo precioso do detalhe. É a partir das particularidades cênicas que Sorrentino expande as ideias e o imaginário do espectador. Não é um filme &quot;fácil&quot; no sentido de que é preciso estar atento ao que se passa, pois quase tudo parece importante (e, às vezes, não é). Há cenas que são verdadeiramente hilariantes na medida em que o trajeto dos personagens e a progressão das cenas mostra cenas bizarras e explícitas, absurda mesmo, sobre a vulgaridade e o vazio mundano. Paolo Sorrentino carrega para a tela toda a tradição de Federico Fellini (&quot;A Doce Vida&quot;), seja na temática estupenda, seja na forma inovadora e cheia de &quot;estranhamentos artísticos&quot;. Há, inclusive, várias cenas que põe a nu a vontade de Sorrentino em expor ao público a pura fonte felliniana.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;São muitas as divagações de Jep Gambardella (Servillo): o amor, a arte contemporânea, as relações sociais, o papel dos intelectuais, a gastronomia, a loucura humana, o sexo, as drogas, e assim vai. Em tudo há espírito crítico, mas o diretor/roteirista não se furta a contradizer o fato vulgar com uma visão alternativa (seria uma fuga?). Em palavras singelas, Sorrentino &quot;bate e rebate&quot;. Mostra disso é a cena em que uma criança joga aleatoriamente e violentamente tintas de todas as cores sobre uma imensa tela. Está a &quot;elaborar&quot; um quadro de arte. Nas cenas seguintes, a câmera desliza lentamente por entre obras de arte renascentistas como se mostrasse uma porta de saída para aquela coisa horrorosa de uma tresloucada menina. É como se o diretor gritasse: &quot;parem o Romero Brito!&quot;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;O filme conspira sem solenidade contra a &quot;sociedade do espetáculo&quot; que passamos a vivenciar conforme o desenvolvimento capitalista se expandiu desde o início do século passado. A corrosão não é mais capitalista. É da alma mesmo.&amp;nbsp;&lt;i&gt;A Grande Beleza&lt;/i&gt;&amp;nbsp;contesta a ausência de espírito na matéria, a alma penada e perdida do nosso cotidiano e, em meio a uma bela e cuidada contestação, ela abre os portões para o belo. Sorrentino não tem medo de combater numa trincheira na qual dificilmente haverá vitória. A realidade parece um jogo perdido, mas sempre devemos construir oásis em meio ao deserto. É preciso ver e sentir a realidade, mas é necessário sonhar e superar o espetáculo vazio por meio de um sonho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;Do ponto de vista artístico Toni Servillo dá um show de interpretação. Ele combina rara capacidade de se mostrar delirante e, ao mesmo tempo, sóbrio e irônico. Lembra muito Marcelo Mastroianni, morto em 1996. Esteja o seu olhar na câmera ou no horizonte, Gambardella transmite com perícia a linguagem do filme e, criativamente, constrói um personagem que serve ao roteiro e vice-versa. Espero ver Servillo mais vezes na tela.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;A Grande Beleza &lt;/i&gt;é, enfim, um filme espetacular. O seu nome condiz com esperança que devemos cultivar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px; text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/2689141084661914503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/2689141084661914503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/2689141084661914503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/2689141084661914503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2014/01/a-grande-beleza-mimetiza-o-mundo-e-o.html' title='&quot;A Grande Beleza&quot; Mimetiza o Mundo e o Renova'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-4035002313424605230</id><published>2013-12-17T10:37:00.001-02:00</published><updated>2013-12-17T10:37:06.108-02:00</updated><title type='text'>Sob a Influência de Harold Bloom</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Temos de reconhecer que os livros, tal qual ainda o vemos, são peças cada vez mais raras no cotidiano humano. Interessante que a leitura mais escassa, fugidia da superficialidade que domina o mundo, não é sinal de progresso. Ao contrário: na era da informação há uma concatenação entre o excesso de notícias, dados, descrições, fofocas e, de outro lado, pouco conhecimento e uma visão além do meramente aparente. Diz Harold Bloom, no seu magnífico livro &quot;Como e Por que Ler&quot;:&lt;i&gt; &quot;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Nos dias de hoje, a informação é facilmente encontrada, mas&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;onde está a sabedoria?&quot;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Harold Bloom é daqueles oásis no qual repousa a sabedoria. Trata-se de uma virtude torneada de conhecimento que se expande por um campo definido, o da literatura e outro indefinido, a vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #333333; font-style: italic;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;“A crítica literária como tento praticá-la é em primeiro lugar literária, ou seja, pessoal e apaixonada. Não é filosofia, política ou religião institucionalizada. Em sua melhor forma, (...) é uma espécie de literatura de sabedoria e, logo, uma meditação sobre a vida”, &lt;/i&gt;diz com singeleza e profundidade, ao mesmo tempo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20px;&quot;&gt;Aos 83 anos, Harold Bloom leciona há mais de 57 anos, sem nenhuma interrupção significativa. É professor da Yale University, entidade na qual a literatura ainda ocupa lugar de imenso prestígio dentre as ciências mais modernas. Também foi professor da New York University de 1988-2004. É imensamente recompensador escutá-lo sobre o seu papel de professor aos 83 anos, mesmo para aqueles que jamais serão seus alunos:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;— Dar aulas hoje significa tudo para mim. Quando você chega a uma idade como a minha ainda dando aulas, aprende a amar os estudantes de uma forma muito elevada.&quot;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Trata-se inequivocamente de uma vocação amorosa e não propriamente de uma profissão, daquelas que estão filiadas a um determinado sindicato.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em Anatomia da Influência (&lt;i&gt;Anatomy of Influence, Yale University Press, 2011, lançada no Brasil em outubro de 2013 pela Editora Objetiva, tradução de&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;color: #666666;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Renata Telles e Ivo Korytowski&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 20px;&quot;&gt;), Bloom retoma, após largo período, desde 1973, o texto que o lançou como um dos ícones da crítica literária, &quot;&lt;i&gt;The Anxiety of Influence&quot;. &lt;/i&gt;Esta obra calçou uma concepção de crítica literária diversa daquela que dominou o século XX, sobretudo após os anos 20, quando T.S. Eliot lançou o seu estrondoso poema &lt;i&gt;The Waste Land (1922). &lt;/i&gt;A partir de Eliot, críticos literários, tais como&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 19.1875px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;William K Wimsatt e Monroe Beardsley, passaram a pregar que autores não podem ser vistos ou avaliados por intenções, mas apenas pelo texto produzido de onde se extrai a fonte pura de sua arte. Portanto, esta crítica jogava um balde de água fria nas concepções historicistas da literatura, em geral, e da poesia, em particular. Creio, de minha parte que esta concepção se afastou, inclusive, daquela preconizada originalmente por T.S. Eliot, que diz em seu famoso ensaio &lt;i&gt;A Função da Crítica&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(1923) &quot;que nenhum poeta, nenhum artista, tem significação sozinho&quot;. Ademais, Eliot defendia que um artista tem herança e causa comum com outros artistas e, neste sentido, há uma submissão que deve ser superada para que um autor se torne único, especial. Ora, esta visão Eliotiana está mais próxima de Bloom que os seguidores do primeiro. Os &lt;i&gt;Neocríticos,&lt;/i&gt;&amp;nbsp;ao rejeitarem a investigação da crítica sobre as variáveis da criação literária (as intenções e contemporaneidades), acabam por se afastar da ideia da influência de uns autores sobre os outros. É neste campo que Bloom navega com grande intensidade teórica e versatilidade estética. É o &lt;i&gt;ágon&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de Bloom.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 19.1875px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em &lt;i&gt;Anatomia da Influência&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Harold Bloom explora as &quot;lutas&quot; e &quot;as relações&quot; entre escritores de diferentes épocas, em diferentes momentos e, até mesmo, por diferentes razões. Não é, contudo, uma relação marcada pela temporalidade, mas pelo &lt;i&gt;ego&lt;/i&gt;&amp;nbsp;literário&amp;nbsp;de um autor em relação à outro. Nesta diapasão, Bloom imagina que Freud pode ter antecedido a Goethe. A construção de um autor não pode ser completamente&amp;nbsp;&amp;nbsp;afastada de outras influências e esta interação se dá por meio de uma &quot;luta&quot; do autor para superar o influenciador. Deste princípio, Bloom analisa com maestria os vetores da influência dos autores canônicos (para usar uma expressão que Bloom popularizou) sobre outro autores igualmente canônicos. Milton, Shelley, Whitman, Crane, e, sobretudo, Shakespeare, este ganhador da &quot;luta&quot; com Homero.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 19.1875px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Há outro aspecto notório na obra de Harold Bloom que é a interação permanente, não passível de ser ontologicamente separada, entre a vida e a literatura. Para ele, a literatura é a própria vida e não se pode estabelecer um &quot;momento&quot; ou qualquer outro critério que possa delimitar onde uma começa e a outra termina. A independência destas ideias literárias de Bloom parece fácil aos olhos do leitor, mas é preciso entender que em &lt;i&gt;Anatomia&lt;/i&gt;&amp;nbsp;a forma e as conclusões das investigações de Bloom tem repercussões elásticas sobre a apreciação da arte literária. Não há, por assim dizer, nenhuma concessão às facilidades da era moderna. Para Bloom, a busca da sabedoria é uma atividade que demanda tempo e dedicação. Deve ser realizada de forma &quot;experimental e pragmática&quot; (neste sentido, não é educacional) o que implica na &lt;i&gt;desleitura&lt;/i&gt;&amp;nbsp;do texto literário em busca de sua influência anterior (e, como dito, posterior). A partir da &lt;i&gt;influência&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é possível que encontremos o autor ou sejamos encontrados por ele. Shakespeare é, ao mesmo tempo, a &lt;i&gt;sublime &lt;/i&gt;experiência do humano, seja em Hamlet ou Rei Lear, ou é o encontro com a nossa própria alma. A &lt;i&gt;desleitura&lt;/i&gt;&amp;nbsp;proposta por Bloom é sempre um inevitável encontro. Daí, porque não há como separar a vida da literatura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 19.1875px;&quot;&gt;Creio que a leitura de &lt;i&gt;Anatomia &lt;/i&gt;é uma tarefa relativamente difícil quando temos por referência o texto fácil da cibernética que nos rodeia. Certamente não é um texto que será valorizado no &lt;i&gt;Twitter &lt;/i&gt;ou no &lt;i&gt;Facebook&lt;/i&gt;. Em tempos de &lt;i&gt;redes&lt;/i&gt;, Harold Bloom pode parecer demais. Todavia, ao percorrermos o seu livro, vai nos tomando conta da alma uma série de referências estimulantes que nos levam a querer apreender mais e mais do sabor das influências entre os autores e os leitores. É uma tarefa muito mais &quot;barata&quot; que os muitos reais que boa parte da classe média dispende para &quot;educar&quot; os seus pimpolhos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 19.1875px;&quot;&gt;Em Bloom estamos diante de um desafio, é verdade! Mas, trata-se de um desafio alimentado pela sedução literária desprovida das presunções que estamos acostumados a fazer de quase tudo. É uma navegação livre e infinita e que pode ser reavivada no tempo que se quiser, pois a literatura é uma invenção não apenas do autor, mas de cada um dos leitores que solitariamente navegam por mares já navegados e jamais totalmente conhecidos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/4035002313424605230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/4035002313424605230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4035002313424605230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4035002313424605230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2013/12/sob-influencia-de-harold-bloom.html' title='Sob a Influência de Harold Bloom'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-8101431359836048442</id><published>2013-01-08T10:32:00.001-02:00</published><updated>2013-01-08T10:32:14.401-02:00</updated><title type='text'>Alessandra Maestrini, Bom Gosto, Beleza e Arte</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;As fronteiras daquilo que é arte ou não estão cada vez mais complexas de serem definidas. Seja em função das barreiras, digamos, metodológicas, que permitem trabalhar e construir &quot;conceitos&quot; sobre arte, seja pela crescente utilizações de &quot;presunções éticas e politicamente corretas&quot; que impedem que as pessoas possam dizer em alto e bom tom aquilo que gostam ou desgostam, ou que consideram ou não que seja arte, sem que sofram as ingerências e críticas que são facilitadas pelo senso comum de que toda expressão um pouquinho mais elaborada merece um lugar na prateleira daquilo que se chama arte. Chegamos a mesmice, assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Ora, grande parte da música chamada de &quot;sertaneja&quot; é de uma chatice impressionante, seja pela estridência das vozes, pelo ridículo das letras e pela débil criatividade musical. Esta é uma opinião e, possivelmente, seja minoritária dentre aqueles muitos que apreciam esta espécie de &quot;arte&quot;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A música brasileira é uma das manifestações culturais mais edificantes de nossa brasilidade. A diversidade de estilos e formas sempre guardou proporção com a qualidade das produções, das letras, das melodias. Do baião ao samba (dois pilares de nossa musicalidade), do chorinho ao rock nacional (ele existe &lt;i&gt;per se&lt;/i&gt;!), passando pelos &quot;cantores do rádio&quot; e pela inesquecível &lt;i&gt;bossa nova, &lt;/i&gt;se pode ouvir uma &quot;arte&quot; que merece ser apreciada sem os &quot;hermetismos&quot; que na aparência sugerem que &quot;tudo pode ser arte&quot;, mas que na realidade escondem os preconceitos e barreiras das coisas politicamente &quot;corretas&quot;. Bom, estes dois parágrafos são apenas introdutórios e são incapazes de margear uma discussão tão ampla sobre o &quot;que é e o que não é arte&quot; (no sentido de &quot;música&quot;). Mesmo assim, prefiro ser claro e dizer que a atual música sertaneja - apenas para citar um exemplo - é um verdadeiro horror, muito embora seja bem ouvida por algumas multidões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Num contexto tão pobre da atual música popular brasileira, sobra-nos os grandes autores e cantores: Caetano, Chico, Milton, Paulinho da Viola, Gil, Betânia, Marisa Monte, Rosa Passos, etc e etc. Estes persistem com o estandarte da beleza, da variedade, do multicolorido, da melodia instigante (e encantadora) daquilo que é chamada de &quot;música popular brasileira&quot;. Esta geração, na qual muitos chegam aos setenta anos ainda é a nossa melhor geração musical dos últimos cem anos, muito embora Noel Rosa, Lamartine Babo e outros tantos possam brilhar com igual valor. E é raro podermos selecionar novos intérpretes, compositores e músicos que tenham o valor artístico desta geração dos anos 60 e 70. Somos devedores destes e temos de devotar a nossas maiores homenagens a eles de forma a que possamos escapar do sofrimento de escutar Chitãozinho e Xororó, Jorge e Mateus, Leonardo, César Menotti e Fabiano e outros tantos gritantes que estão a se espalhar por aí, inclusive nos centros acadêmicos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em meio a tudo isso, acabei de descobrir uma cantora excepcional e que produziu um CD doce e belo, seja pela qualidade artística-musical, seja pela cuidadosa e espinhosa produção. Trata-se de &lt;i&gt;Alessandra Maestrini &lt;/i&gt;e o seu CD &lt;i&gt;Drama`n Jazz (2012)&lt;/i&gt;. É realmente impressionante a voz desta cantora, sua versatilidade e a &quot;elasticidade&quot; vocal que permite que suas versões de velhas músicas (tal qual a &lt;i&gt;The Man I Love &lt;/i&gt;de George e Ira Gershwin) se tornem de fato em &quot;outra canção&quot;. Isso prova a imensa fortaleza desta intérprete maravilhosa que destoa de tanto mau gosto solto pelas rádios e shows. A produção primorosa deste CD coube a Rodolfo Rebuzzi (também responsável pelos arranjos).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Tudo neste CD é permeado por grande talento, pela soma de inventividade e elegância, por uma produção gráfica inteligente, criativa e bela e por uma voz que parece se levantar em meio à &quot;velha guarda&quot; ainda cheia de vida e a pobreza musical que destoa da história da MPB. Saudemos Alessandra Maestrini. Para o nosso bem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/8101431359836048442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/8101431359836048442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8101431359836048442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8101431359836048442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2013/01/alessandra-maestrini-bom-gosto-beleza-e.html' title='Alessandra Maestrini, Bom Gosto, Beleza e Arte'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-383240016575828316</id><published>2013-01-08T09:17:00.000-02:00</published><updated>2013-01-08T09:17:36.643-02:00</updated><title type='text'>Liv &amp; Ingmar, Poeticamente Conectados</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Foi o cineasta soviético Andrei Tarkovsky (1932-1986) uma das maiores influências de Ingmar Bergman, apesar de o primeiro ser bem mais jovem que o sueco. Tarkovsky considerava, por sua vez, a obra prima&amp;nbsp;&lt;i&gt;Persona &lt;/i&gt;de Bergman um dos maiores filmes de todos os tempos. Ambos os autores tinham preferência pela linguagem metafórica e poética. Para eles as ideias, sentimentos, percepções não podiam ser contidas pela linguagem simbólica, pela utilização de signos e ícones. Nessa diapasão, os filmes de ambos tem conteúdo vasto, às vezes com a aparência de imperceptíveis, outras tantas sinalizam um vazio (existencial?) que, de fato, são recheados de substância, de coisas verdadeiras. Aqueles que veem os seus filmes sentem-se recompensados em poder refletir sobre a realidade humana de forma expansiva e gritantemente significativa. Um cinema que poucos fazem e outros poucos veem. Um cinema para se pensar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Ao assistir o documentário &lt;i&gt;Liv &amp;amp; Ingmar - Uma História de Amor (Reino Unido/Noruega/Índia, 2012, dirigido por Dheeraj Akolkar)&lt;/i&gt;&amp;nbsp;o que vemos é uma declaração de amor da atriz Liv Ullmann na direção de Bergman. Ela conviveu com o grande diretor sueco por mais de 42 anos e fez 12 filmes sob a direção dele. Os anos de convivência incluem os 5 nos quais a atriz esteve casada com Bergman. Foi neste tempo de casamento que o sueco disse-lhe que eles estariam &quot;dolorosamente conectados&quot; por toda a vida. De fato, os anos de casados foram dolorosos, fruto da crescente solidão imposta por Bergman à Ullmann, na casa destes na isolada Ilha de Faro na Suécia, bem como pelos acessos de ciúmes (ele era 21 anos mais velho). Muito embora o casamento houvesse despencado num insucesso, foi desta convivência que aos poucos Liv Ullmann extraiu um profundo amor, um sentimento de crescente cumplicidade amorosa e intelectual, matéria-prima de seus filmes em conjunto e da própria relação que foi construída nos anos subsequentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A meu ver, este longa metragem de Dheeraj Akolkar (de fato, é o primeiro deste diretor indiano), não é propriamente um &quot;documentário&quot;. Trata-se essencialmente de um depoimento sentimental de Liv Ullmann em relação a um silente Bergman, cuja voz não aparece sequer uma vez durante todo o filme apenas imagens que guardam uma relação com a estética dos filmes por ele dirigidos. É uma declaração de amor adornada de contradições (suas brigas e discussões), de docilidade (a candura das conversas reportadas, os telefonemas e cartas), de respeito e admiração, bem como de uma profunda saudade de um tempo que se foi e que de muitas forma ficou na vida da atriz norueguesa. O espectador perde o sentido do tempo histórico e não muito bem se localiza relativamente à carreira de cada um dos &quot;personagens&quot;. De fato, o tempo mais importante é o poético (na linguagem de Tarkovsky) do qual se pode alimentar a alma pensando no significado do amor numa relação que ultrapassa as fronteiras objetivas da vida deles (e da nossa própria). Neste sentido, este documentário lembra &lt;i&gt;Pilar e José (2011)&amp;nbsp;&lt;/i&gt;do documentarista português Miguel Gonçalves. Este filme talvez tenha penetrado com mais profundidade na intimidade amorosa do casal que morava na Ilha de Lanzarote na Espanha. Todavia, ambas as obras contém uma seiva vívida de amor que pode ser percebida não apenas nas palavras proferidas, mas sobretudo nos olhos marejados de quem fala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A temporada de 2013 nas salas de cinema de São Paulo começou muito bem. Estamos diante de um belo filme. Daqueles que se deve assistir em silêncio e com grande atenção, dispensando inclusive a sonora pipoca que em nada ajuda à compreensão da alma.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/383240016575828316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/383240016575828316' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/383240016575828316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/383240016575828316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2013/01/liv-ingmar-poeticamente-conectados.html' title='Liv &amp; Ingmar, Poeticamente Conectados'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-8617902709159993744</id><published>2012-12-17T19:12:00.000-02:00</published><updated>2012-12-17T19:12:28.150-02:00</updated><title type='text'>Leituras Para O Crepúsculo de 2012</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Vai-se mais um ano. De fato, foram poucos os comentários neste &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;&amp;nbsp;em 2012. Prometo que em 2013 serão mais numerosos e, quiçá, a maior frequência seja companhia agradável para mais inquietação. Afinal, a ideia central deste &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; é a de trazer à tona alguns traços daquilo que perseguimos de melhor em nós mesmos a partir do mundo que nos defrontamos. Seja um livro, um filme, uma receita, uma arte ou uma conversa entre amigos que desejamos compartilhar. Padéia.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Neste sentido, recomendo aos amigos algumas leituras que me parecem interessantes e que reflorem a nossa mente num jogo solto de ironia, alegria, amor, juízos de valor, compaixão, reflexão e outras tantas cousas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Para os que gostam de poesia, recomendo &lt;i&gt;Primeira Poesia &lt;/i&gt;da coleção &lt;i&gt;Biblioteca Borges&lt;/i&gt;&amp;nbsp;da Companhia das Letras, bem como &lt;i&gt;Outras Inquisições &lt;/i&gt;da mesma coleção. Nos poemas podemos encontrar toda a elegância de Jorge Luis Borges sem as modernas travessuras dos poetas ditos vanguardistas. O traço de Borges, em estilo inconfundível, conta-nos poeticamente a tão amada Buenos Aires, seja a do passado, seja aquela que permanece intocada pelo tempo. Em sua linguagem, Borges sabe passar da idealização mais mítica até uma pletora de fatos, dados e coleções bem factuais. Nesse alinhavado de poemas podemos nos deliciar ao sabor das letras como se estivéssemos a sorver um delicioso vinho em algum lugar de &lt;i&gt;Palermo Viejo&lt;/i&gt;. Uma delícia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Nos textos de &lt;i&gt;Outras Inquisições&lt;/i&gt; encontramos, ao mesmo tempo, um rigor de ideias &amp;nbsp;a cada pequeno ensaio e, de outro lado, um vagar de reflexões despojadas de pretensões acadêmicas. Assim, podemos conhecer o que seria o &quot;pensamento&quot; de Borges sobre diversos temas. De Nathaniel Hawtthorne até Kafka, de Goethe a Schopenhauer. Logicamente, o livro não se caracteriza pela fluidez singela de um texto de Lya Luft, mas não é um texto denso de Petrarca. O livro no fundo nos rivaliza conosco: deveríamos saber mais para sermos mais felizes. Borges é um dos caminhos rumo a esta sabedoria e felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Outro livro sensacional que merece leitura é &lt;i&gt;Paris: A Festa Continuou&lt;/i&gt;&amp;nbsp;de Alan Riding (Companhia das Letras). Trata-se de uma inquietante investigação sobre o papel desempenhado pelos intelectuais, artistas e &quot;formadores de opinião&quot; franceses (ou que lá moravam) durante o período da ocupação da Alemanha nazista. É incrível descobrirmos como o vazio político pode levar os &quot;legisladores&quot; do pensamento a um caminho tão equivocado quanto o suporte ao regime nazista e ao governo colaboracionista do Marechal Philippe Petáin em Vichy. Esta é uma história que sempre ficou acobertada pelo orgulho (e vergonha?) dos franceses. Ademais, é possível transpor muitas daquelas realidades para os limites atuais da Europa em crise. O desemprego, a desesperança, a ausência de perspectivas podem levar sociedades inteiras na direção de soluções que aumentem as imperfeições das estruturas e conjunturas e, até mesmo, nos levem para abismos como foi o regime de Hitler. Riding (que viveu no Brasil) fez uma pesquisa volumosa que foi destrinchada alocando informações e análise de forma lógica e com uma linguagem elegante e simples. Bela leitura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Ler é um ato egoísta e saboroso. Um prazer que podemos nos dar e que nos leva a melhor das solidões. Aquela que nos liga ao mundo sem que necessitemos dele participar. Boa leitura.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/8617902709159993744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/8617902709159993744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8617902709159993744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8617902709159993744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/12/leituras-para-o-crepusculo-de-2012.html' title='Leituras Para O Crepúsculo de 2012'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-8999107163664853881</id><published>2012-09-06T11:42:00.002-03:00</published><updated>2012-09-06T11:42:30.764-03:00</updated><title type='text'>Elles: Os Fantasmas Também Se Enganam</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Na sua magnífica obra O Fantasma de Canterville de Oscar Wilde há uma passagem em que o fantasma se vê surpreendido com um cartaz nas mãos que narrava estas &quot;horríveis palavras&quot;: &quot; O Fantasma Otis, o único verdadeiro e original espantalho. Cuidado com as imitações, todos os outros são falsificados.&quot; Trata o evento de uma enganação, derrota, um acontecimento que leva a ludibriação . Até mesmo os fantasmas não escapam a este tipo de acontecimento. &lt;br /&gt;O filme Elles (Alemanha/França/Polônia, dirigido por Malgorzata Szumowska, com Juliette Binoche, Anaïs Demoustier, Joanna Kulig, Louis-Do de Lencquesaing, Krystyna Janda,&lt;br /&gt;Andrzej Chyra, Ali Marhyar) narra, no melhor estilo do cinema francês, a estória de uma jornalista de uma revista feminina empenhada em escrever um artigo sobre jovens universitárias que ganham a vida se prostituindo. Desta forma, a jornalista de meia idade acaba por interagir com as prostitutas, contando a suas experiências e, por detrás destas, acaba por descobrir os seus próprios e mais profundos sentimentos.&lt;br /&gt;A tarefa da jornalista não lhe é neutra. Toda aquela realidade acaba por recair sobre a vida comum, ordinária e pouco transversal da jornalista. Não se pode ser imune à própria vida e, tal qual o Fantasma  de Wilde, as falsificações não podem ser escondidas sob o tapete e as imitações podem ser evidentes, mas não obscurecem de todo a própria realidade.&lt;br /&gt;A jornalista vê-se desnudada por completo. O que as universitárias fazem entre as quatro paredes nada mais é que a ilustração (ou imitação) da própria vida dela em distintos e assombrosos sentidos. Pouco importa que a narrativa trate das fantasias sexuais dos clientes, satisfeitas com perfeição pelas prostitutas. O roteiro é competentemente utilizado pela diretora do filme  para se tornar uma especie de imitação da própria vida rotineira (e caseira) da jornalista. Não à toa, a fascinação com a história de cada uma, vai se tornando uma tortura crescente quando a jornalista reconhece a farsa de seu casamento, das relações familiares, das exigências da vida doméstica, das preocupações com os estudos do filho mais velho que insiste em transgredir e da absorção total do filho pequeno por um vídeo-jogo.&lt;br /&gt;Notável no filme, o contínuo e crescente vazio que se vai despejando pela personagem de Binoche. Ao fim, a percepção, metafórica e real de que os clientes daquelas jovens estudantes, não passam dos homens comuns que rodeiam a vida dela e de sua família.&lt;br /&gt;Tudo no filme parece ajustado para produzir a angústia da jornalista e, por conseguinte, daqueles que assistem as cenas.  Tem-se de ter cuidado para não se verificar que muita coisa de nosso mundo é falsificado, assim como na cena do fantasma de Wilde.&lt;br /&gt;Juliette Binoche dá outro show de interpretação. Sua beleza não é essencialmente plástica. É um conjunto que soma a própria artista e a sua obra que exercita com o corpo e com a alma. Um prêmio para os amantes do cinema. Da mesma forma, as jovens atrizes que cumprem o papel de prostituta conseguem engendrar cenas de sexo cheias de erotismo (pago e ambicionado pelos clientes) com a dureza e a doçura que brota de suas palavras.&lt;br /&gt;A direção da jovem diretora Malgorzata Szumowska (39 anos) é impressionantemente segura. Ela faz jus a tradição do (excelente) cinema polonês, bem como consegue construir um ambiente tipicamente teatral dentro de uma perspectiva cinematográfica. Não é tarefa fácil transitar entre estes dois mundos da arte. Para Szumowska parece simples.&lt;br /&gt;Eis um filme recomendado para quem deseja sair da zona de conforto. Curtir um filme e sair um pouco inquieto com os nossos fantasmas. Logo eles que também podem ser ludibriados como nos ensina Oscar Wilde. &lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/8999107163664853881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/8999107163664853881' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8999107163664853881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8999107163664853881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/09/elles-os-fantasmas-tambem-se-enganam.html' title='Elles: Os Fantasmas Também Se Enganam'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-4537371858801903547</id><published>2012-07-25T16:08:00.002-03:00</published><updated>2012-07-25T16:08:51.196-03:00</updated><title type='text'>Na Estrada Se Perdeu Um Filme</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;Jack Kerouac, John Clellon Holmes, Allen Ginsberg e alguns outros lançaram à prova e aos &quot;consumidores de arte&quot; o termo &lt;i&gt;beat &lt;/i&gt;ou &lt;i&gt;beatnik&lt;/i&gt;&amp;nbsp;como forma de identificação e referência a uma geração pós-II Guerra Mundial que, inserida nas cidades, era excluída, marginalizada, tresloucada e viciada. Uma espécie de submundo do qual estes escritores extraíram inspiração para a produção de suas obras igualmente batizadas de &lt;i&gt;beats.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Creio que a principal virtude desta geração literária tenha sido a sintonia instintiva com o seu tempo e com os seus pares. Beberam direto na fonte. De outro lado, os seus leitores (e muitos que sequer pegaram em seus livros), criaram esterótipos muito além da própria qualidade ou virtude de cada escritor. Em função destes últimos , a geração &lt;i&gt;beat&lt;/i&gt;&amp;nbsp;pareceu-me&amp;nbsp;exageradamente valorizada ao longo dos anos. Já nos anos 50 e 60, iniciava-se a &quot;pasteurização&quot; do pensamento e dos intelectuais: a força essencial das ideias era sublimada pela sua forma aparente. Uma camiseta &lt;i&gt;beatnik&lt;/i&gt;&amp;nbsp;era &quot;bacana&quot;, mesmo que não se soubesse minimamente o que &quot;significava&quot; ou &quot;expressava&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 19px;&quot;&gt;O filme &lt;i&gt;Na Estrada (On The Road, EUA, 2012, dirigido por Walter Salles Jr., com&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Sam Riley, Garrett Hedlund, Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Tom Sturridge, Viggo Mortensen, Amy Adams, Alice Braga, Steve Buscemi, Danny Morgan, roteiro de Diego Rivera) é a tentativa de resgatar para o cinema a principal obra homônima do &lt;i&gt;beatnik&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Jack Kerouac. Os direitos do livro eram detidos há mais de vinte anos por Francis Ford Coppola, o notável produtor do filme e Salles Jr. resolveu filmá-lo há alguns anos e executou este projeto em outros tantos. Para isso montou um elenco que pudesse assumir o compromisso de longo prazo com as filmagens. Houve, portanto, um considerável esforço de produção para a consecução da tarefa. Neste ano, o filme foi badalado no Festival Internacional de Cinema de Cannes e recebeu algumas menções secundárias do júri.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O fato é que o filme não consegue minimamente converter a obra de Kerouac em ficção cinematográfica capaz de expressar a qualidade do livro. Nem mesmo, os esterótipos relacionados ao uso de drogas, aos excessos sexuais ou comportamentais, à música ou às personagens da &quot;longa jornada na estrada&quot; consegue se fixar nos olhos de quem assiste ao filme de Salles Jr. Ademais, um a um, os atores tem um desempenho muito ruim, sem dramaticidade, sem capacidade de tornar certas cenas comuns em algo &quot;estranhamente artístico&quot; o que sempre foi o objetivo de Kerouac. Sam Riley é visivelmente imaturo para um papel principal desta magnitude e não consegue desempenhar a personalidade complexa que Kerouac teceu ao (seu próprio) personagem. Kristen Stewart é apenas uma atriz bonita e &lt;i&gt;sexy &lt;/i&gt;e não consegue ultrapassar esta fronteira, Kirsten Dunst parece conformada em seguir instruções do diretor e assim vai. O filme vai, logo nos primeiros minutos, se tornando enfadonho, sem maiores expectativas e do meio para frente, a torcida é grande para que tudo acabe logo. Nada de anti-materialista, espiritual, questionador, crítico ou reflexivo consegue ser extraído do filme. Apenas o que se vê é um amontoado de cenas que angustiam pela incapacidade de expressar e não por aquilo que expressam.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A direção é muito óbvia, com o jogo de câmeras sempre igual, especialmente ao longo da estrada. Uma eterna repetição. Aliás, lembra muito em alguns momentos &quot;Os Diários da Motocicleta&quot; do mesmo diretor sobre a trajetória de Ernesto &lt;i&gt;Che &lt;/i&gt;Guevara na sua viagem pela América do Sul nos anos 50.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Uma pena que este filme não tivesse atingido o seu objetivo de realimentar a memória de tão relevante obra da literatura moderna norte-ameircana. Perdeu-se uma excelente oportunidade de fazê-lo depois de tantos anos de o roteiro permanecer na gaveta. Perdeu-se e não foi na estrada. Foi na tela mesmo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/4537371858801903547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/4537371858801903547' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4537371858801903547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4537371858801903547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/07/na-estrada-se-perdeu-um-filme.html' title='Na Estrada Se Perdeu Um Filme'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-4271774546907048556</id><published>2012-07-17T14:30:00.005-03:00</published><updated>2012-07-25T12:23:24.678-03:00</updated><title type='text'>Um Novo e Grande Poeta: Fernando Dusi Rocha</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Dentre
os gêneros literários - a comédia, o drama, a tragédia, o romance, a novela, o
conto - é a poesia aquela que encerra as maiores dificuldades para o autor e
para o leitor. O poeta é essencialmente um criador em todos os aspectos deste
gênero literário, restringindo-se não somente à forma do verso, mas ao caráter
essencialmente subjetivo do texto e à sua elevação ficcional. Há um elenco de
possibilidades que carrega o poeta cujas escolhas em verso traduzem um lirismo
necessariamente irracionalista, mesmo que penetre à mente do leitor com poderes
de produzir sensações mais diversas. Para o leitor, exige-se um grau de
abstração resultante da ausência de um “estatuto próprio” deste gênero que
possa situá-lo em termos de narrativa e forma. Tal qual a música, a poesia é
recebida como uma espécie de sussurro ao pé de ouvido, uma confissão que não
pode ser proferida em voz alta. Apenas mergulha na alma.&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Nestes
tempos em que a matéria domou o gênero humano, a poesia se acanhou enquanto
preferência dentre os livros escolhidos nas prateleiras pelos leitores e com
poucos editores capazes de redescobri-las em autores de qualidade no exercício
da construção da qual nos falou Aristóteles na sua &lt;i&gt;Poética&lt;/i&gt;. A poesia de qualidade brota com a flor de lótus por entre
o imenso lamaçal de grande parte da literatura mundial e nacional. Parece um
diagnóstico excessivamente duro, mas basta percorrer os corredores das
livrarias para perceber esta realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Há
bênçãos, contudo. Fernando Dusi Rocha é destes poetas, escondidos em meio à
vastidão do mundo e que é repouso para a alma do leitor e amante da poesia.
Seu livro &lt;i&gt;Crisol Com Açúcar&lt;/i&gt; (2011,
Editora 7Letras) é simplesmente dotado de todas as virtudes para frequentar as
boas prateleiras mentais e físicas, dos leitores e das livrarias. O poeta
nasceu em 1961 em Ubá, a cidade carinho, terra de Ary Barroso, Antonio Olinto e
Ascânio Lopes. Portanto, já tem raízes que deitam sobre a melhor terra da
música e da literatura. É doutorando em literatura pela Universidade de
Brasília, onde desenvolve pesquisa sobre o veio &lt;i&gt;prosaístico&lt;/i&gt; das Cartas Régias do Padre Antônio Vieira. Seu primeiro
livro, &lt;i&gt;O exílio de Polifemo &lt;/i&gt;(2006),
foi o 10º colocado na categoria &lt;i&gt;Poesia &lt;/i&gt;do
Prêmio Jabuti de 2007. É acadêmico voltado às letras, membro da &lt;i&gt;Societè dês auteurs et poetes de la
Francophonie&lt;/i&gt;, ensaísta e publicou artigos em diversos jornais e revistas
nacionais e estrangeiros. Como se vê uma bagagem e tanto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;img src=&quot;data:image/jpeg;base64,/9j/4AAQSkZJRgABAQAAAQABAAD/2wCEAAkGBhQSERUUEhQUFRUWFxoWFRcUFBUVGBwaGhcXGBgYGBUXHSYeFxklGRQYHy8gIycpLCwsFR4xNTAqNSYrLCkBCQoKDgwOGA8PGikcHxwsKSkpKSwpKSwpKSwpLCwpKSkpKSkpKSkpLCkpLCkpKSkpKSwpKSksKSkpKSwsKSwpLP/AABEIAPAAoAMBIgACEQEDEQH/xAAcAAABBQEBAQAAAAAAAAAAAAADAAIEBQcGAQj/xABCEAABAgMEBwUFBgUDBQEAAAABAAIDESEEEjFBBVFhcYGRoQYiscHwBxMy0eEjQlJicqKCkrLC8RRTsxY0Q3PSFf/EABkBAAIDAQAAAAAAAAAAAAAAAAABAgMEBf/EACERAAIDAAICAwEBAAAAAAAAAAABAgMREjEhQQQiURNx/9oADAMBAAIRAxEAPwDcJLyScvJKLjoDSmOaikJpCplEaI72ILmqY5qA5qoki6EiI9iA9imPao0UgAkkADE5c1U0aYyIcRqiR4jWibiANZIC5LtX7SWQyYdlAiOziT7g2D8R6LO9I9oY8c/axHOH4ZyH8oTVbY3YkaxaO1FlaZGPD5z8FGf2ssn++zhePksjY7XVS2yu69gqp/yRFTNZsuk4UUThxGu3GvI1RXBY3C0gGPmC4SwIx5Zrp9GduHNbJ/eGsAeBIkoSraJKaO4c1CcFE0Xptkcd011YdCp7mqomRyExwRnNTHBIABCYQjFqGQgDXUkkl2TlnkkpL1JADSxMMIeiirwqDimGgHQBtWQe0/tb3zZYDqA/bEHF34BsGe3ctT7RaTFns0WMTK4wkfqlJo/mkvmi0xC5xJqSSTtOapcVpdBsBGJNShAdEUtntK99wQUbhYotj7NWnyRTD92c+B+i9gQgSMJ7k+0QzOspbBL1xUdJKLAW5zJzaATxHMKHBtBadSnRoBe3Kmf+B4psCx0nLKXn5I1IOLbJ2h9JFrwdWpalAhXmtcHUIBGGYmswZZm3bzcR6+fJaP2WjF1khk4gFvIkKqS0sXgkus519EN1nOvoprghOChg9IToJGfRD9wdY5FTHBMIRgaaekkkumc4SSSSAEkkkgDifa5HLdHkD78RjfF39qwqMAMF9De0Sztfo+PeHwgObsdMS8TzWCRIPeWebxmitahlksshednhxUv/AED6XK8vNS4cMXRPUFNsjJLHKbOnCpFbA7MWhxvAtG8jyQdI6FjtMnNPAFwPELs7Kx0griADIGqp/vJMtfx4teDO9GaHiuAb7t/Iy65KRbbC6EwgsdPKmeEytKaCcl6+HSvVKVzb6HGiMV4MfhQyQTq8JyHitP7MwQ2yQpZtDjvNSuU0vYQLUWQ2yaWNvS2uoOMl30KAGNa1tA0BoGwCS0qXJaYZx4ywG4ITgpDghOCCABwQyEZwQyEAaWkkkukc8SSSSAEkkkgDgPazbiIcKCDIRC5ztzQAOE3dFk74M3VC0L2wOc2NBdKnuyP3mfi1cC34Wmc5k9ay6LHY/szp1QX80w0jQBMe278Ua6dg8STII8PHYvTYGkEOaHAmeMuOxZdw1uLfRMsWljBIvkkZGVOa7HRukRF+HCS4jSE4l2/g0SFcsh/lW3Y+IWvIylJVWZmosgmvDLPtBp3/AE7SATPGYlQbSVAsukIjmNc9ziHYOImMpHIyqKjWrTS+iWxplxlQgjWJzwQ7HdDWwmNIDcMZDngoKa4k3CTkeQbCTHaXZXd9HdMV0bwqmrYjQMxLqFcOCuqeox/IjjAOCE4IzghuCuMwBwQ3BGcEMoA0dJJJdI54kkkkAJJJJAHMdvuz5tVn7gnEhm80axKT28RLiAsaFjlMTOM5aspL6KcFy/a/QEE2W0RBCYIly9fDQHTaQceCz2w16jXRdxXBoyKGMldWCzAqjjGs1bucRALgaSqudNHWg8IOkI4Ly1gEhmc1Z9nYZERozK56zxBFndmZY90g7Vf6EhvYaOnXCYBEt9UTjiwlGevTrnQzKUgaYnXqQdGOY6fdukYhDt1r92z3jr0pgTALqkyAEsSTqUTR0YRC8tDm3TIgiWIwlsKocc8linqLeHZg6IDq6epdSprkywQ5M4ojwtNayJz7pcpf4AchOCM5CcrCkE4ITgjOQigRoqSSS6ZzxJJJIASSS8QAiVk/tX7bPZFZZYDy0D/uLsq3pAQzsumZ/UNS7ztb2oh2KzxIhc0vAkxkxMuNGiWMp47F83Wq1uive55LnPJcScS4kknmeqhInDvToXvmpthtk4b4bsxTgueslvvCvxDH5qSyPzWCUPR1lZ7RZQIMzNtDsMjzC67RNoiSaL57tahpNdpFVyFieup0XBMgqJPGaoY0XVogEkOe5zpVF4zrrAwCZZoFy9LFzrx3mgRHwzIlxoNanaOsh+Nwlm0eZ+SqUXJissUESWQ5NA1IbwjvQXLX0c7dAPQnBGehOQAJyEUVyGUCNDSSSXTOeJeTSJXD9tfaXCsoMOAWxI+GtjP1EYu/KOMktA7G2aQhwm3or2Mbre4NHMriO1vtRgQ4DhZIgiRT3WuAddbMHvTIk40oBxosjt+lYtpiGJaIj3nEl1ZD8owGwBQ4hvYTAyGP+TRRbLFAj2yK57i5xLnGpcTMnWSTUkqIXVUqKwtI21UaNDk7YahIlgZriCHjj62+KtQ0OaHtwOOw6lTwnyOzMbNXrMBWOj4/u3EYscKjWMjsI+arsjvRfVJLw+mWFmmDSfBdXonSMQ0Ff4VVaO0fOV0gg4f5XSaOstzIyXPskjqRg10C7Q6VdZ7O6K4zcJBgOF4mkxnhNdT2d0+y2WdsVtCaPb+F2Y3ZjWCsp9o+lLz2QQcAYjt5o3pePFReyHaeJY3Etk4OEnNdMAywNMCDPmdavqr+m/pivl98/Db3oDlylm9pUMkCLBeyebCIo5UK6Kx6RhxmX4Tw9uzLYQag70OLRXo96E5FchOURg3IbkRyGUxGhIFttjITHRIjgxjRNzjgAjFYv7UO1xjx/wDTw3fZQzIyNHP17QMBxXRbMCWhO2ntTiRgYdmnChmhdg9w/sB2VWcufM19a17aHV5DkJJsITnu+nmoliRJikyDZYVO0y8AKc9a9MObaYtx2j6eFciiPih5IJlMktJynr/LICe6eRnHhRyHSMw4Yjz26/8AKiTPbQ29Dnm013H5OH7lDifBPV6KsnNkQZd11CNWTgN05jeFX2mAWhzcsRuTQMjOaptjdeF3PLfq3Hx3qJDFK5U+SfBHrom0COh0D2gbBeGRHSa7AkE3TrOoLvTawIcwQQaggg9RRYzGhuvEuJJNZ5/5XVdlbUGwIrZ1BDgMpXZU/inyCyfIoWckb/i3veDOc03ai+1RXmvf6CQA3SEk+DszEx61iUju2qJaKxHHWSi2NxJDRrnLxlwHQLSo4kjHJ/ZlndvMJGI6+gOm1E0PpqLAeHw3EHbUHYZ4jYq+PGLQSDLVuRYRDmtcMxUaiMR58UsFpqfZntcLUSx4DYgqJTuvbrE6g6wr5yxXR9rdDdfYbrmOm0jbj1/rWq9ntOttUG+KOBuxG6nSnTYQZhZ5wwsjLSxchuRHIblWSOj7bac/0tjiRAZPIuQ/1OoOQmeC+d3x+9M1qDXfPyWg+13TnvLUyA092CKjK+7HiGyHErN4hXQZjj0OtAqePiU2AZOGc6HLHUcsV7HyI1N8PoeS8YZ4YqJJBZ5Zih35odrmQD95uB2ajs9bj6Rh98uGs9Te80wGYSJB7LaA+G7de3Fsgf2kj+EJWg3mNNPvA8CCOjuirrBF91Gun4XeBoehR4Zum6eCMGj1tnmw0qJmcjkJ12GRHJeQ4Ac3u4j5HzAUqynvS/ECOYI8SoMOMYUQHIkHiD9EaA6E4PbVOgxTCvSzaW/0kdShx4YhvJb8B8Muibbo/dAGJPSX0CffgaePSLFh1opsCyyAeZg48pZ65kejR0GDdxx9YKYawzsPjT5ckmwK3SbSL2+Y3Gvmi2IfZ8QehB8An6TbOGDqofEeY/hTLI0+7nq+skC9is+Lhr+frkF2fs0j/a2hgOLWOltBIJA1d5cZAbIzUjQGkXQLQ6K2t10iBgRg4cR5KMlqGnjNnKGUoNoa9oe0za4BwOw1CTlkLjIdJ250WI+I4zc57nE6yTNQY+JT3mh3+SYTOXL10W8yHgdNu7wnTqTzSnMTbRw6ryA3vXfxd3icOskJ1DMUz5pEizL77WnO6J9W/wBijsFx35SaocO0TlkRTUJV+ZUsGoviUjXgRNIkQNK2eU5YsJltkZFEL7zA4J+lWkTni0z4Emfiomi30c3UU/QvZNhxZiYxCbpOFevS13hxr5oUI3XyOBU20Q5Bs9Uj4jo5IkRLM+/CriyQPEmXgolnbOL+kJNcYbjqMp8/qjw2j3hIzaPE/JMiWD290HbI8pjwK8hmjh+WfIhetdOGdhHmP7gmwMZawRzBl1USQxxmC3XTdPA8CB1XmjWd0twJBEtRBmOolxQox9eKlwhVp/ECT+oAg9RPigCOKSXtjs90XXUca7nTw8t4Uf3tdwmpNpiTIOZAdxIn4koEd32D0rNjoDjVhLmT/CTUcCeq6orJYOk3QIzIzMjUa5/E3iPJarAtDYjGvaZtcA4HYarPNY9LYsxomh5+uaE12XEbx9FZaY0W6zWiJBfixxbvH3TuIkeKqHOkZ5rWZgt6ew5FFtrJOnka/wAwmeswglkxTeNyLBtE23XZHofk7+oqJIjtE1ZF0w0mswJ8DdPgOaie6BqCpbWTh7if3N+bOqTJIFaYt4kO+9Prlwn0VXo8yiOG0hWUrwkeahR4JZFJOcjvyn0TQMlWtmB9UUp0e9DZu8C5vkOSGwXmHZX5+tijtiSIB2j9x+aQxmkIfcJ3f1IdhiTO5o8VKtYnBdw/qHzVfop3ed+keKfoj7LqAJkjWJfLqgtfnqqn2eJJw58q+SHaWyc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/&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Todavia,
seria apenas um acadêmico com estufada reputação, não fosse poeta do qual
“escorre o poema” e se excede. &lt;i&gt;Crisol com
Açúcar &lt;/i&gt;é um livro bem cuidado, caprichado, ressonante. O termo Crisol,
conforme explicado logo na abertura do livro, era o nome atribuído aos
anarquistas catalães que se notabilizaram em 1922/23 no combate contra a
“guerra suja” patronal contra os trabalhadores de Barcelona. Note-se, portanto,
que o poeta, talvez revestido pela mansidão e delicadeza mineira, logo tratou
de adoçar os combatentes revolucionários: eis o &lt;i&gt;açúcar&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O
livro é um compêndio poeticamente organizado de 36 poemas “afetados” e 32
“glosados”. São impressionantemente representativos da melhor poesia: o leitor
vai passeando, nas palavras de Tvzetan Todorov, “&lt;i&gt;na literalidade como uma pura configuração fônica, gráfica e semântica
e, por outro lado, um discurso representativo (´mimético´) que evoca um
universo de experiência.&lt;/i&gt;” Tudo isso, marcado por um lirismo transeunte
entre o humor (contido) e certo ar fatídico. Vejamos uns poucos versos
selecionados do poema &lt;i&gt;&amp;nbsp;Ora et Labora, estúpido!:&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;tremi ao saber que
jamais seria um anjo: apenas percebo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;a angeolologia em
papéis de cabeceira. Esse devão nunca&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;me degradaria nem me
arrastaria a terras sem nódoas. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Ou
no poema que dá nome ao livro:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;que a humanidade oferecia:um
verniz da verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Nada mais faiscava no
meu lado: só o gozo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;daquele nosso crisol
derretido em rapadura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;É
rara a presença de um poeta entre nós com tanta versatilidade, sem que o uso
desta palavra ressoe algo ligado ao utilitarismo do mundo hodierno. Como “poeta
moderno” e mineiro, as formas do autor não estão circunscritas aos rondós ou
aos modelos clássicos, mas bem que poderiam estar, uma questão de mera
preferência formal. A temática poética que é proposta por Dusi Rocha para se
expandir na mente do leitor pode perfeitamente ser reimaginada e novamente os
versos são passíveis de serem reconstruídos para que a ideia possa ser
completamente abarcada. É difícil, como já disse acima, esta tarefa poética.
Não à toa, a sua escolha por formas mais fixas recai sobre os sonetos, a mais
fecunda criação poética de vez que “vale mais que um longo poema” (Boileau)
quando bem construído. A heterogeneidade da linguagem, as suas fábulas
narrativas e as coletâneas de ideias são realmente merecedoras de leitura
cuidadosa daqueles que tem a capacidade especial da abstração e do
“entendimento” poético da apresentação/representação proposta pelo autor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Crisol com Açúcar &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 115%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;é
um presente à poesia brasileira. Fernando Dusi Rocha, poeta mineiro de Ubá,
precisa ser conhecido do público brasileiro e dos editores. È justo que os
encontros literários voltem ao passado para comemorar os anos de nossos maiores
escritores e poetas. Todavia, por tantas vezes, temos a chance de inaugurar o
futuro e continuamos a cultivar apenas o passado. E apenas isso. Dusi Rocha
está aí para, quem sabe com tantos outros poetas, inaugurar uma nova jornada &lt;/span&gt;&lt;i&gt;com açúcar&lt;/i&gt; da poesia brasileira.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;, serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/4271774546907048556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/4271774546907048556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4271774546907048556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4271774546907048556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/07/um-novo-e-grande-poeta-fernando-dusi.html' title='Um Novo e Grande Poeta: Fernando Dusi Rocha'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-8265294682262429729</id><published>2012-06-25T17:33:00.000-03:00</published><updated>2012-06-25T17:47:23.767-03:00</updated><title type='text'>Gracias a Violeta Parra</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Violeta Parra (1917-1967) pertence a um rol de artistas que se projetou diretamente de suas raízes para o mundo. Sem intermediários e influências laterais conseguiu ao longo de sua &amp;nbsp;carreira, iniciada aos nove anos, projetar uma musicalidade genuína e marcante nascida das montanhas chilenas diretamente para o mundo. Muito embora seu traçado artístico tenha sido aproveitado (e com a sua aquiescência) ideologicamente pela esquerda latino-americana pode-se afirmar que sua arte integra-se muito mais ao universo folclórico que ao tecido do pensamento da esquerda de língua espanhola da América. A isso também pode-se dizer de suas outras facetas artísticas menos conhecidas: as pinturas e o artesanato.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;img src=&quot;http://www.redebrasilatual.com.br/temas/entretenimento/2012/06/filme-sobre-violeta-parra-desafia-senso-comum-e-tem-copia-fiel-como-protagonista/image_preview&quot; /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img src=&quot;http://www.violetaparra.cl/sitio/wp-content/themes/violeta/i/violeta.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Interessante que apesar de sua vida estar fincada num período de extraordinária transformação política e econômica do Chile e da América Latina, a força de seus versos cantados está na intensa expressão artística das classes que ficaram permanentemente à margem destes processos. São os campesinos, mineiros, pequenos agricultores e os marginais do processo subcapitalista os inspiradores e os destinatários da obra de Parra. Todavia, esta obra ultrapassou as fronteiras chilenas e ganhou as mentes dos ideólogos e dos artistas mundo afora. Sua personalidade forte somada a uma imagem marcante e destoante da elite branca não impediu que a burguesia nativa se apropriasse de algumas de suas visões nacionalistas e raízes mais profundas do povo chileno. Além das músicas recheadas de conteúdo de protesto, há um lirismo penetrante em sua música, sendo a mais famosa &lt;i&gt;Gracias a La Vida&lt;/i&gt;&amp;nbsp;cantada por muitos intérpretes, dentre os quais a argentina Mercedes Sosa (1935-2009) e a brasileira Elis Regina (1945-1982).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: arial, sans-serif; font-size: 11px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Gracias a la vida, que me ha dado tanto&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Me dió dos luceros que cuando los abro&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Perfecto distingo lo negro del blanco&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Y en alto cielo su fondo estrellado&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;Y en las multitudes el hombre que yo amo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;font-family: arial, sans-serif; font-size: 11px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O recém-lançado filme &lt;i&gt;Violeta Foi Para o Céu (2011, Chile/Brasil/Argentina, direção de Andrés Wood, com Francisca Gavillán, Tomas Durand e Christian Quevedo e roteiro de Eliseu Altunaga)&lt;/i&gt;&amp;nbsp;recorda com certa veia poética a trajetória da cantora chilena. O mais impressionante do filme é a interpretação segura de Francisca Gavillán (atriz principal do filme &lt;i&gt;Machuca&lt;/i&gt; de 2004)&lt;i&gt;. &lt;/i&gt;A semelhança física com Parra &amp;nbsp;é impressionante (a foto colorida é da atriz e a em preto e branco é da cantora) e a interpretação é firme e consistente, coisa difícil em personagens tão marcados e marcantes. O filme ganhou Prêmio do Grande Júri do &lt;i&gt;Festival de Sundance&lt;/i&gt;, uma das razões para a ampla distribuição nos cinemas das principais cidades brasileiras. &lt;i&gt;Violeta&lt;/i&gt;&amp;nbsp;tem todos os ingredientes para agradar os públicos mais intelectualizados dos países do hemisfério norte. A composição de uma excêntrica musicalidade com os contrastes sociais que as letras de Parra projetam tem tudo para seduzir os públicos mais distantes da realidade deste canto do mundo. Para os brasileiros há algo de melancólico em ver a personagem e escutar as suas músicas. Afinal, tudo soa como se estivéssemos nos perdidos anos 60. De outro lado, é um aprendizado para os que não conhecem Parra. Neste particular, o roteiro deixa rastros de sua personalidade, mas falta para os que nada sabem da história de Violeta uma contextualização que permita que o espectador se situe temporalmente perante a personagem e a sociedade em que estava inserida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Por estes tempos em que a antiga esquerda latino-americana perdeu suas referências políticas e artísticas é um deleite assistir a este filme e resgatar um pouquinho aqueles tempos nos quais algumas almas ainda se condoíam com os mais pobres, os marginalizados e os sofridos. A música era folclórica e a realidade dura. Hoje, as coisas parecem estar invertidas. &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/8265294682262429729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/8265294682262429729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8265294682262429729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/8265294682262429729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/06/violeta-parra-1917-1967-pertence-um-rol.html' title='Gracias a Violeta Parra'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-7987827047497556099</id><published>2012-05-02T16:17:00.000-03:00</published><updated>2012-05-02T16:18:08.541-03:00</updated><title type='text'>A Beleza do Kilimajaro</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;É possível extrair vários fragmentos fantásticos de grandes obras e, a partir destes, construir outras derivações artísticas que nos remetem a outras tantas ideias e reflexões. Foi da inspiração do poema de Victor Hugo (1802-1885)&amp;nbsp;&lt;i&gt;Pobres&lt;/i&gt;&amp;nbsp;que nasceu o argumento do filme francês &lt;i&gt;As Neves de Kilimanjaro &lt;/i&gt;(França, 2011,&amp;nbsp;dirigido por&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Robert Guédiguian, com&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: left;&quot;&gt;Ariane Ascaride, Jean-Pierre Darroussin, Gérard&amp;nbsp;Meylan, Marilye Canto, Grégoire Leprince-Ringuet).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: left;&quot;&gt;Trata-se de uma obra que remete com significativa carga dramática à crise atual do Velho Continente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: left;&quot;&gt;Michel é um líder sindical que é demitido de uma empresa portuária em Marselha. Seu nome foi sorteado juntamente com outros vinte para fazer parte de um programa de demissão. Ele não precisava se autoincluir dentre os possíveis sorteados, mas o fez por pura generosidade e fidelidade aos seus ideais político-sindicais. Uma vez demitido, vê-se solitário e diante da perspectiva da aposentadoria e da melancolia que começa a se desenrolar pelo início da velhice. Sua esposa Marie-Claire é depositária não somente de um profundo e duradouro amor, mas é a coluna vertebral de seu cotidiano, marcado pelos costumes &lt;i&gt;proletários&lt;/i&gt; da França hodierna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Na comemoração das bodas de prata do casal seus amigos lhes presenteiam com uma viagem para a Tanzânia, onde visitarão o Kilimanjaro, cujas neves foram celebrizadas no filme homônimo a este de 1952, com Gregory Peck, Susan Hayward e a estonteante Ava Gardner. A semelhança com o filme norte-americano pára na sua simples menção. Depois da festa, o casal e seus melhores amigos são roubados e, assim, perdem as passagens e o dinheiro arrecadado para a viagem. Inusitadamente, Michel descobre quem são os assaltantes. Um dos presos é um jovem igualmente desempregado que sustenta outros dois irmãos menores e abandonados pela mãe. Tanto Michel quanto Marie-Claire se envolvem emocionalmente com a dramática situação cujo desfecho é lapidado por uma sensibilidade imensa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Desde a Revolução Francesa (1789), o ocidente é marcado por diversos tipos de burguesia. Não importa qual seja a sua tipologia, os marcos desta estão entranhados na sociedade: o regime da propriedade, a ordem econômica (em tese) competitiva e a ideologia do consumo e do individualismo. Tudo isto revestido por uma democracia representativa que varia os partidos, mas não radicaliza o &lt;i&gt;modus vivendi&lt;/i&gt;&amp;nbsp;burguês&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Pois bem: o filme não propaga ideologias políticas, no sentido clássico da palavra. Nada revela sobre a &lt;i&gt;dominação &lt;/i&gt;burguesa, ou mesmo, as hemorragias do desemprego e da desesperança. De forma elegante e bem construída, o roteiro e sua excelente execução trata da abnegação, da solidariedade, do amor genuíno pelo próximo e pela sensibilidade que nasce do coração na direção do outro. Esta ideia de alteridade não é diluída por uma estória fácil ou &quot;água com açúcar&quot; . Ao contrário, nasce das dificuldades de uma família proletária que vive um de seus piores momentos. A burguesia e suas opressões e o sindicato combatente ao qual pertence Michel estão presentes, mas preferem o anonimado quando se trata das escolhas pessoais que os personagens principais vão fazendo ao longo do filme.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;No contexto real de uma Europa que sofre as agruras do desemprego e da desesperança, o filme não escolhe a realidade como ponto de reflexão e de inflexão de direção. Prefere a imagem e a ação do homem na direção de sua tarefa para com o próximo. Uma bela e, de certa forma, incompreensível imagem à luz do cientificismo social e político que costuma se engrandecer nos momentos difíceis das sociedades. Michel e Marie-Claire não escolheram os trágicos fatos com os quais se defrontam, mas, uma vez estes presentes, são capazes de dizer para si mesmos e para os outros que a vida não é feita para a ordem do mundo, mas para que sejamos mais do que indivíduos que estão de olho nas próprias preferências. É preciso não negar a dor, mas para curá-la o primeiro passo cabe ao próprio&quot;homem de barro com um sopro de espírito&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Do ponto de vista &quot;técnico&quot;, a direção é competente e não há nenhum apego às manobras da câmera ou às tomadas diferenciadas das cenas. Trata-se de um filme bastante tradicional neste estrito sentido. O grande destaque artístico cabe à atuação segura e muito bem ambientada de todo o elenco. A atriz Ariane Ascaride (Marie-Claire) se destaca por uma representação precisa de uma mulher proletária moderna. Claramente, a atriz explorou o que de melhor a personagem lhe fornece e, desta forma, conquista o público e o restante do elenco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Eis um belo filme para pensar e sairmos mais determinados a enobrecer a nossa própria humanidade.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/7987827047497556099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/7987827047497556099' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/7987827047497556099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/7987827047497556099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/05/beleza-do-kilimajaro.html' title='A Beleza do Kilimajaro'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-4884553708223764338</id><published>2012-04-03T19:19:00.000-03:00</published><updated>2012-04-03T19:26:06.295-03:00</updated><title type='text'>Robert Doisneau: O Fotógrafo Está No Rio</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Robert Doisneau (1912-1994) foi um dos maiores fotógrafos do século passado e com ,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 14px; text-align: left;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Cartier-Bresson, Eugène Atget e André Kertész, suas maiores influências, retratou o cotidiano marcado pelas guerras, o gigantesco desenvolvimento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 14px; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;econômico e a multiplicação das manifestações artísticas, especialmente na Europa. Deste ambiente de profundas transformações políticas e sociais Robert Doisneau soube captar vínculos especiais entre as cidades e os campos, entre os pequenos-burgueses e os trabalhadores, crianças e velhos, donas de casa e mulheres que ganhavam crescente participação na vida ocidental.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 14px; text-align: left;&quot;&gt;Assim como Cartier-Bresson, Doisneau foi um artista que se aproveitou da luz e das sombras com exemplar maestria. Muito embora suas fotos pareçam (e provavelmente sejam) &quot;mais posadas&quot; que a de Cartier-Bresson, a estética de ambos não merece reparos, muito embora Doisneau seja menos &quot;comemorado&quot; que seu colega francês. (A propósito, no próximo 14 de abril comemora-se os 100 anos de seu nascimento).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 14px;&quot;&gt;A exposição de 152 fotografias do mestre francês no Centro Cultural Justiça Federal no Rio de Janeiro é um acontecimento perfeito para que o público, leigo ou não, possa interagir com a arte deste maravilhoso retratista do século passado. A curadoria da exposição (a cargo de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 14px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Agnès de Gouvion Saint-Cyr)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 14px;&quot;&gt;&amp;nbsp;conseguiu enquadrar, com oportunidade e talento, a visão, ao mesmo tempo, oportuna e romântica de Doisneau. Não é tarefa fácil como alguns poderiam simplificar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 14px;&quot;&gt;Doisneau traduz por meio de registros cotidianos e, com evidente viés jornalístico, uma série de fronteiras que podem ser apreciadas em função da excelente organização da mostra do francês. Estas fronteiras saem da banal vivência dos transeuntes, dos pequenos agricultores, das moradias populares para a convivência entre o natural e o extraordinário, o excêntrico e o comum. Ademais, não é fácil fugir da obviedade de suas mais famosas fotos, estas quase todas aproveitadas pela cultura &lt;i&gt;pop&lt;/i&gt;&amp;nbsp;pós-II Guerra Mundial. A mais famosa&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;background-color: white; line-height: 19px;&quot;&gt;Le baiser de l&#39;hôtel de ville&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 14px;&quot;&gt;&amp;nbsp;(O Beijo no Hotel de Ville) &lt;i&gt;per se&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é uma marca registrada e fiel de sua obra, mesmo que tenha sido exageradamente &quot;aproveitada&quot; para fins de consumo de massa. Permito-me expor abaixo uma das minhas prediletas e que espelham com fidelidade o senso de oportunidade, humor, luz e poesia do fotógrafo francês.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 14px;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;img src=&quot;http://entremundos.com.br/revista/files/2010/09/PL004Musician-in-the-Rain-Robert-Doisneau.jpg&quot; /&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;É notório perceber que ao longo da exposição não há uma fotografia sequer que sugira ou induza o apreciador de sua obra a um pensamento elaborado, a uma ideologia delimitada ou a um modelo &quot;bizarro&quot; ou &quot;contestador&quot; de arte. O que se vê são fotografias marcadas por temas (crianças, jovens, Paris, os mercados e assim vai) que ressaltam uma profunda humanidade, simples e complexa, sem a necessidade de que o artista se envolva demais com o seu objeto a ponto de pretender transformá-lo na mente de quem vê a foto. Disto decorre a lindeza da exposição. Um detalhe importante:&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&amp;nbsp;a iluminação da exposição do Rio sabe aproveitar e valorizar no limite a qualidade da obra deste fotógrafo que deixará suas marcas por muito tempo entre os amantes da fotografia. Vale visitar o Centro Cultural Justiça Federal no Rio.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Por fim, gostaria de deixar aos amigos deste &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;&amp;nbsp;um poema de outro fotógrafo francês famoso, amigo de Robert Doisneau: Jacques Prévert. Este poema juntamente com um belo café após a exposição carioca refresca a alma e faz a vida mais bela. Ainda mais para aqueles que acreditam no amor. É isso mesmo, o amor. De novo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;background-color: #1b1814; line-height: 24px; text-align: -webkit-auto;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;line-height: 1.5em;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;line-height: 1.5em;&quot;&gt;
&lt;strong style=&quot;line-height: 24px; text-align: -webkit-auto;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;line-height: 1.5em;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 24px; text-align: -webkit-auto;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Café da Manhã&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;line-height: 1.5em;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 24px; text-align: -webkit-auto;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;line-height: 1.5em;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;line-height: 24px; text-align: -webkit-auto;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Pôs café&lt;br /&gt;na xícara&lt;br /&gt;Pôs leite&lt;br /&gt;na xícara com café&lt;br /&gt;Pôs açúcar&lt;br /&gt;no café com leite&lt;br /&gt;Com a colherzinha&lt;br /&gt;mexeu&lt;br /&gt;Bebeu o café com leite&lt;br /&gt;E pôs a xícara no pires&lt;br /&gt;Sem me falar&lt;br /&gt;acendeu&lt;br /&gt;um cigarro&lt;br /&gt;Fez círculos&lt;br /&gt;com a fumaça&lt;br /&gt;Pôs as cinzas&lt;br /&gt;no cinzeiro&lt;br /&gt;Sem me falar&lt;br /&gt;Sem me olhar&lt;br /&gt;Levantou-se&lt;br /&gt;Pôs&lt;br /&gt;o chapéu na cabeça&lt;br /&gt;Vestiu&lt;br /&gt;a capa de chuva&lt;br /&gt;porque chovia&lt;br /&gt;E saiu&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;debaixo de chuva&lt;br /&gt;Sem uma palavra&lt;br /&gt;Sem me olhar&lt;br /&gt;Quanto a mim pus&lt;br /&gt;a cabeça entre as mãos&lt;br /&gt;E chorei.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/4884553708223764338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/4884553708223764338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4884553708223764338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4884553708223764338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/04/robert-doisneau-o-fotografo-esta-no-rio.html' title='Robert Doisneau: O Fotógrafo Está No Rio'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-5382216772180208458</id><published>2012-04-02T17:49:00.000-03:00</published><updated>2012-04-03T18:31:28.662-03:00</updated><title type='text'>A Poética de &quot;A Dançarina e o Ladrão&quot;</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A América Latina é um canto do mundo recheado de surpresas e esperanças, tantas vezes marcadas pela sina da miséria, corrupção e sofrimento eivadas pela desesperança. Historicamente, as terras ocidentais e abaixo do Equador, mostraram-se irrelevantes em muitos aspectos, mas, de vez em quando, se enchem de leveza, pureza e dão exemplos ao mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A Argentina, melancólica terra que canta o seu passado (não tão) glorioso, tem feito no cinema uma obra magistral, fluida em frescor e competência técnica e dramática. De sua posição geopolítica irrelevante tem sido o cinema um sinal de modernidade e renovação para a arte deste apêndice do globo. Isso, nestes tempos recentes, pela atuação espetacular de Ricardo Darín, o melhor ator de língua espanhola da atualidade. O melhor dentre os melhores da atualidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;É o que se vê no filme &lt;i&gt;A Dançarina e o Ladrão (El Baile de La Victoria, Espanha, 2009, dirigido por Fernando Trueba, com Ricardo Darín,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; text-align: left;&quot;&gt;&lt;i&gt;Abel Ayala, Miranda Bodenhofer, Ariadna Gil , Julio Jung, Mario Guerra, Marcia Haydée, Luis Dubó, Luis Gnecco, Mariana Loyola). &lt;/i&gt;Baseado no romance do chileno Antonio Skármeta (1940- &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;), é roteirizado pelo diretor Fernando Trueba e pelo próprio Skármeta, este filme foi indicado, sem sucesso, pela Espanha para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Pena que demorou certo tempo para percorrer as salas de cinema do Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; text-align: left;&quot;&gt;Trata-se da estória de uma ladrão de cofres, Nícolas Vergara Grey (Darín), anistiado do cumprimento de parte de sua pena por um crime comum, no exato momento em que a democracia chilena tentava jogar luzes sobre o período ditatorial de Augusto Pinochet. O ditador acabava de chegar de sua estadia forçada na Inglaterra (2000), quando foi mantido em prisão domiciliar pela tentativa da justiça da Espanha em lhe aplicar sanções criminais em função do assassinato de cidadãos daquele país durante o regime ditatorial chileno. Neste contexto, Vergara Grey é libertado e tenta reencontrar sua esposa e filho. Sua busca resulta na descoberta de que estes moravam com o &quot;novo&quot; marido de sua amada. Em meio a esta decepção amorosa, carcomido pela angústia de seus espetaculares feitos de ladrão de cofres, Vergara Grey encontra casualmente Ángel Santiago (Ayala), também um ladrão anistiado, mas sem a fama de Grey. Santiago, em seu primeiro dia liberto, encontra uma dançarina pobre e desamparada, órfã de ativistas políticos assassinatos no período ditatorial, por quem se apaixona e passa a conviver. Nasce assim um amor puro cheio de descobertas e senões existenciais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; text-align: left;&quot;&gt;Do inusitado encontro dos dois ladrões, nasce a ansiedade e insistência de Santiago em atrair Vergara Grey para a realização de um roubo cinematográfico. A recusa de Vergara Grey em realizar um novo crime se afasta quando comovido pelo amor poético e sofrido de Ángel e Victoria, esta uma dançarina talentosa perdida em meio às ruas da capital do Chile. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; text-align: left;&quot;&gt;É precioso neste filme, a mistura de beleza poética do relacionamento entre os personagens e, ao mesmo tempo, a rudeza da realidade de cada um deles e de sua convivência meio forçada e meio desejada. A certa altura do filme se somam elementos factuais e uma doce fantasia. A percepção do que é metafórico e real se afasta e o espectador cai na cilada da estória. Em meio à emoção, se espera o desenrolar dos fatos e ao andamento dos acontecimentos cede-se à aceitação da mensagem poética. O encadeamento das cenas tem um força dramática especial, não importando os resultados que se constatam dos fatos, mas a sua construção. Nem mesmo a realização do roubo dos dólares de um ex-general ligado a Pinochet chega a se descolar deste cenário, digamos, cheio de lirismo. Não à toa, o roteiro pode atrair para si a beleza dos versos de Gabriela Mistral (1889-1957), escritora chilena ganhadora do Prêmio Nobel de 1945:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-size: 16px; line-height: 24px;&quot;&gt;&quot;Sentirás que a teu lado cavam briosamente,&lt;/span&gt;&lt;br style=&quot;background-color: white; font-size: 16px; line-height: 24px;&quot; /&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-size: 16px; line-height: 24px;&quot;&gt;que outra dormida chega a quieta cidade&lt;/span&gt;&lt;br style=&quot;background-color: white; font-size: 16px; line-height: 24px;&quot; /&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-size: 16px; line-height: 24px;&quot;&gt;Esperarei que me hajam coberto totalmente…&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-size: 16px; line-height: 24px;&quot;&gt;e depois falaremos por uma eternidade!&quot;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; text-align: left;&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Reconhecemos neste filme muitos de nossas esperanças e sonhos. Neste sentido, a competência do diretor espanhol Fernando Trueba (ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro por Belle Époque em 1993) possibilita que todas as simbioses, sejam poéticas, artísticas ou dramáticas, possam ser levadas ao público com imenso e raro bom gosto. (Não seria difícil que o filme caísse na pieguice). A verdade é que, esgotado o tempo em que estamos embebidos pela estória, acabamos por perceber que nos faltam filmes como este, cheio de renovação, mistério, poesia e amor. Tudo isso, carregado de elegância, competência visual, uma musicalidade além da própria (e boa) trilha musical, posicionamentos de câmeras bem pensados e uma teatralidade que condiz com plenitude com aquilo que Skármeta quis passar em seu romance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A safra de filmes de Hollywood não tem sido generosa. Em certo sentido a vulgaridade da festa do Oscar lhe faz boa companhia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em, &lt;i&gt;A Dançarina e o Ladrão&lt;/i&gt;, podemos nos sentir recompensados pela insistência em amar o cinema. Podemos sair leves e cheios de esperança da sala do cinema. E, se ainda tivermos vontade, podemos recitar versos, quem sabe os da própria Mistral, na certeza de que a poesia vive em meio à miséria do mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/5382216772180208458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/5382216772180208458' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/5382216772180208458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/5382216772180208458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/04/poetica-de-dancarina-e-o-ladrao.html' title='A Poética de &quot;A Dançarina e o Ladrão&quot;'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-7801095845468398186</id><published>2012-01-27T11:32:00.000-02:00</published><updated>2012-01-27T11:32:34.393-02:00</updated><title type='text'>Mussolini de Pierre Milza</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Em tempo de internet, &quot;nuvens&quot;, twitter, facebook e outras &quot;ferramentas intergalácticas&quot; ainda é um imenso prazer percorrer as ruas das grandes cidades europeias e verificar que as &quot;jurássicas&quot; livrarias ainda tem muitos apreciadores. As prateleiras estão lotadas de livros fantásticos, bem como de verdadeiro lixo cultural. Umberto Eco, o grande intelectual italiano, em artigo recente no &lt;i&gt;Corriere della Siera&lt;/i&gt;&amp;nbsp;observou com grande propriedade que &quot;a internet é um perigo para quem não tem &lt;i&gt;conhecimento&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e uma ferramenta extremamente útil para quem o tem.&quot; De fato nunca se produziu tanta informação e relativamente tão pouco conhecimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O livro &lt;i&gt;Mussolini &lt;/i&gt;(487 páginas)&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;escrito por Pierre Milza e traduzido para o português pelo General Gleuber Vieira e pela tradutora Alessandra Bonrruquer e publicado pela Nova Fronteira em 2011 é um livro espetacular. Trata-se de uma biografia política do ditador italiano e que traz luzes fundamentais sobre a formação do Estado Fascista a partir dos anos 20 até a sua completa derrocada em 1945. Neste livro sobra conhecimento, somado a uma gama extraordinária de informações. Exatamente como imagina Eco ser o ideal no mundo de hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O fascismo foi um fenômeno bastante diverso do Nazismo alemão, apesar de suas semelhanças fundamentais (ditadura, centralização do poder e associação com a burguesia nacional) terem contribuído para que o senso comum os igualasse milimetricamente. Este livro de Milza tem o mérito de analisar detidamente a construção do fascismo na Itália e, desta forma, diferenciá-lo do que aconteceu na Alemanha, sobretudo após a chegada de Adolf Hitler ao poder em 1933. Note-se que quando o Hitler ascendeu ao poder, Mussolini já estava liderando a Itália há dez anos. Aliás Hitler o admirava muito em função de sua liderança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Pierra Milza, além de ter investigado política e sociologicamente a formação, ascensão, consolidação e derrocada do fascismo por meio de uma vasta literatura acadêmica que está relacionada ao final do livro, teve acesso a todo o arquivo particular do ditador italiano (&lt;i&gt;Segreteria particulare del Duce&lt;/i&gt;). Desta forma, o personagem político apresentado se completa com feições pessoais que alicerçam a visão sobre o ser e o animal político complexo que Mussolini era.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O mais interessante do livro a meu ver é a descrição da opção de Mussolini entre a Alemanha nazista e os aliados (inicialmente comandados exclusivamente pela Inglaterra de Churchill) quando da Segunda Guerra Mundial. O livro deixa evidente que esta não foi uma opção óbvia como as aparências podem nos levar a crer. Ao contrário, Mussolini tinha uma visão geopolítica bem elaborada no papel, mas impossível do ponto de vista da sustentação militar - as forças armadas italianas não estavam à altura do projeto do ditador. Neste contexto, o &lt;i&gt;Duce&lt;/i&gt;&amp;nbsp;tentou de muitas formas negociar as suas ambições de ser o &quot;Rei do Mediterrâneo&quot;, seja com Hitler, seja com os aliados. Ademais, contava com sincera simpatia de Churchill e de Roosevelt, que o consideravam uma espécie de pacificador político e social, uma &lt;i&gt;terceira via&lt;/i&gt;,&amp;nbsp;em meio aos conflitos entre as velhas idéias do liberalismo dos séculos anteriores e o bolchevismo que se espalhava pelo Velho Continente. Outro aspecto interessante é que Mussolini desconfiava por demasiado das teoria raciais de Hitler e temia que os italianos fossem considerados &quot;raça inferior&quot; pelos nazistas &quot;arianos&quot;. Não bastasse esta desconfiança, uma de suas três principais amantes (elas foram muitas), Margherita Sarfatti, era judia e foi a única delas capaz de influenciá-lo de forma mais decisiva. Nada mais paradoxal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Se o Mussolini real foi uma figura do qual poucos tem saudade (felizmente), o &lt;i&gt;Mussolini&lt;/i&gt;&amp;nbsp;que surge do livro de Milza é fascinante e inquietador. Entender a Itália de então é jorrar informações e conhecimento sobre a formação do Estado Italiano Moderno. Neste sentido, a &quot;descontinuidade&quot; do fascismo proporcionada pela II Guerra Mundial não retirou da história os efeitos dramáticos que o fascismo trouxe para as sociedades europeias, em geral, e italiana em particular. Além disso, as lições políticas construídas há 90 anos (quando Mussolini assumiu o poder) me parecem suficientemente relevantes para estes tempos em que a Europa insiste em colocar em perspectiva muitos dos fatores que permitiram os nefastos efeitos do fascismo sobre a democracia, a liberdade e a justiça.&amp;nbsp;Leiam &lt;i&gt;Mussolini &lt;/i&gt;de Pierre Milza.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/7801095845468398186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/7801095845468398186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/7801095845468398186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/7801095845468398186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/01/mussolini-de-pierre-milza.html' title='Mussolini de Pierre Milza'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-3225427066478043552</id><published>2012-01-09T17:08:00.000-02:00</published><updated>2012-01-09T17:08:30.138-02:00</updated><title type='text'>The Artist é Lição Generosa Para um Mundo em Crise</title><content type='html'>&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Indicações aos prêmios de cinema nem sempre são referências eficazes para guiar aqueles que gostam de cinema e pretendem escolher um bom filme. Assim como ocorre no caso dos críticos, há uma infinidade de aspectos subjetivos e objetivos que criam barreiras ao discernimento dos leitores no que tange a escolha para assistir aos filmes abençoados e bem conceituados pelos críticos. Ademais, há o número de estrelas e os &lt;i&gt;rankings &lt;/i&gt;dos jornais e &lt;i&gt;sites&amp;nbsp;&lt;/i&gt;que emboloram a mente do desejoso de um bom filme. De toda a forma, há inteira justiça na indicação do filme &lt;i&gt;The Artist &lt;/i&gt;(França, 2011, dirigido por&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 20px;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Michel Hazanavicius, com&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 20px;&quot;&gt;Jean Dujardin, Bérénice Bejo e John Goodman) para o Oscar e para o Globo de Ouro, os dois prêmios mais importantes do cinema norte-americano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 20px;&quot;&gt;Trata-se de um filme mudo, em preto em branco e com um roteiro, digamos, &quot;bastante tradicional&quot; que faz, por meio de seus personagens, o retrato da transposição do cinema mudo em falado, no final dos anos 1920 e início dos 30 nos EUA e no mundo. Além da superação tecnológica e formal do cinema sem fala para o falado, esta transformação alterou completamente a construção cinematográfica no que se refere à dramaticidade dos personagens e ao comportamento cênico e expressividade corporal dos artistas. Não à toa, Charles Chaplin foi um dos maiores críticos e &lt;i&gt;partizan&lt;/i&gt;&amp;nbsp;ativo contra o cinema falado. Enfim, cedeu sem que isso não o permitisse dar umas boas bordoadas no cinema falado. &amp;nbsp;Para o gênio do cinema mudo, esta transformação minimizava a expressividade dos sentimentos perante a câmera e distorcia a caracterização dos personagens. Já Buster Keaton, rival de Chaplin no cinema mudo, se valia das &lt;i&gt;gags&lt;/i&gt;&amp;nbsp;recheadas de saltos, movimentos acrobáticos e uma série de expressões corporais para gravitar os personagens em torno da estória silenciosa. A compassividade de Keaton se confrontava com a expressão facial e a extremada saliência dramática de Chaplin. Um belo confronto, sem dúvida e relativamente esquecido na história do cinema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 20px;&quot;&gt;&lt;i&gt;The Artist &lt;/i&gt;não faz alterações bruscas do ponto de vista daquela forma dos anos 20 e 30. Muito embora os dois artistas principais do filme não sejam Chaplin e Keaton, ambos se desincubem da missão artística com grande talento e beleza estética. Jean Dujardin (cujo personagem chama-se George Valentin) consegue somar o brilho de duas lembranças fantásticas do cinema, Gene Kelly (com o qual se parece bastante) e o estilo fanfarrão d&lt;i&gt;O Gordo e o Magro.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;O francês faz uma verdadeira &quot;estréia&quot; internacional em grande estilo. O mesmo vale para a mimosa Berenice Bejo que reúne raro talento para expressar Peppy Miller, a personagem bondosa e, ao mesmo tempo, vívida da atriz do cinema falado (Dujardin faz o artista mudo).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 20px;&quot;&gt;Na Europa o filme foi extremamente bem recebido,sem que as falas em inglês possam se constituir em uma barreira significativa para a aceitação de um filme como ocorre na França e na Itália (onde os filmes todos são dublados e não legendados). Interessante notar que, diante da crise atual no Velho Continente, o roteiro exala uma série de mensagens significativas aos europeus. Não vou contar nada do roteiro para não atrapalhar o gosto cinéfilo dos leitores mas posso antecipar que da estória há lições muita humanas. Mesmo em meio a enormes transformações tecnológicas, crises pessoais e interesses econômicos é possível projetar aos seres humanos doçura, solidariedade e amor. Entre os dois personagens do filme haveria um enorme espaço para as intrigas e as vaidades. Todavia, a personagem de Bejo (Peppy Miller) resolve tudo por meio da generosidade e do amor para quem seria o seu rival se seguisse a vontade imperial do produtor do filme (personagem de John Goodman). Estas lições caem como uma luva para uma Europa atual cheia de desempregados e solitários vaguejantes nas ruas das cidades e das capitais. O amor vence sempre, desde que assim desejemos. É essa a respiração natural e cheia de emoção deste fantástico filme que deve chegar ao Brasil ao longo deste ano. A aceitação do público e os prometidos prêmios demonstram igual generosidade que o filme condensa, ilustra e encanta. O público agradece e este filme merece.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/3225427066478043552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/3225427066478043552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3225427066478043552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3225427066478043552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2012/01/artist-e-licao-generosa-para-um-mundo.html' title='The Artist é Lição Generosa Para um Mundo em Crise'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-4120739695134418863</id><published>2011-12-13T18:29:00.000-02:00</published><updated>2011-12-13T18:29:51.419-02:00</updated><title type='text'>Late Bloomers: A Doçura do Tempo</title><content type='html'>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O tempo e a andança dos homens por ele é uma dos temas mais complexos para as ciências e para a filosofia. Da reflexão mais metafísica possível até a mais científica, a temporalidade do homem e seus efeitos sobre ele, estão a desafiar desde os intelectuais até o mais comum dos homens. Dentre as várias facetas que o tempo impõe, a velhice e a morte ocupam especial lugar nas artes e no cinema.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Singelamente podemos especular que há aqueles que aceitam o tempo como uma espécie de linha lógica, onde a cada passagem pré-determinada (o dia, a noite, os meses e anos) se constitui uma etapa inescapável que precisa ser cumprida ou simplesmente por ela se passa. Na ponta final há a morte. De outro lado, há quem desconheça o tempo como algo definido. Muito embora sejamos carcomidos no corpo, a alma exala novos desafios que não criam uma &quot;sincronia lógica&quot; entra o passado referencial, o presente vivencial e o futuro imaginário. A partir deste pensar é possível que um &quot;velho&quot; se lance à tarefa de um jovem e vice-versa. Rompe-se assim a ideia de que há etapas cumpridas e não cumpridas. A morte, como boa fantasma que é, vive a passear ao largo da vida e nela pode interferir a qualquer hora e definitivamente.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O filme &lt;i&gt;Late Bloomers - O Amor Não Tem Fim (2010, França, Bélgica e Reino Unido, dirigido por Julie Gavras, com&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white; color: #262626; line-height: 26px;&quot;&gt;&lt;i&gt;Isabella Rossellini, William Hurt, Joanna Lumley, Simon Callow&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;é uma reflexão sobre o tempo e o ser a partir de uma &quot;história comum&quot;. De um modo geral, seja no Brasil ou no exterior, o filme foi recebido com frieza pela crítica. Foi considerado &quot;pobre&quot; do ponto de vista do roteiro, muito embora na maioria das críticas tenha-se ressaltado a competente participação de Hurt e Rossellini no filme.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Não compactuo com esta visão. Acredito que a maior virtude do filme é a exata projeção do tema central (a temporalidade) num ambiente ordinário, comum e vulgar. Facilmente, podemos associar a nossa vida e contexto ao que vemos na tela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O filme conta a estória de Mary e Adam, um casal próximo dos 60 anos de idade. Ela presume a certa altura que é portadora do mal de Alzheimer, o que não se comprova verdadeiro. Todavia, este fato faz com que Mary comece a adaptar a sua vida a perspectiva da velhice. Assim, compra equipamentos para velhos, camas com ajustes automáticos, relógios com números grandes e assim por diante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Adam, um arquiteto premiado, comporta-se opostamente. Acredita que é capaz de novos desafios profissionais e pessoais e trata o tempo com desprezo. Não vê limites aos seus novos sonhos. Lança em projetar um novo empreendimento tendo como parceiros jovens arquitetos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;É desta dicotomia, cheia de rompimentos e descobertas por parte de cada personagem que o filme atinge o seu objetivo. Não caberia propriamente, do meu ponto de vista, que os personagens &quot;inflamassem&quot; os espíritos dos &quot;céticos&quot; que aceitam a condição de &quot;velhos&quot; ou os &quot;rebeldes&quot; que se renovam diariamente. Ao contrário, o filme transparece que, mesmo na serenidade do dia-a-dia, os homens são capazes de modificar ou não as suas vidas. Tudo ao alcance do espectador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A cineasta franco-grega Julie Gavras, filha do comemorado diretor grego Costa-Gavras, saiu-se bem neste seu segundo filme - o primeiro chama-se &lt;i&gt;A Culpa é do Fidel&lt;/i&gt;. Sua direção é segura e, mesmo tendo excepcionais artistas no elenco - não se pode dizer que a diretora não consegue extrair o seu próprio talento. A própria delicadeza do roteiro (de sua co-autoria) e a firmeza na condução das tomadas de cena, são talentos próprios dela. Portanto, a dureza com que foi tratada pela crítica me parece exagerada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Vale a pena ver este filme cheio de doçura e significado. Nem sempre é preciso nos defrontarmos com a aspereza de um Dorian Gray para entendermos os efeitos, defeitos e possibilidades do tempo que nos envolve. Até Oscar Wilde concordaria.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/4120739695134418863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/4120739695134418863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4120739695134418863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/4120739695134418863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2011/12/late-bloomers-docura-do-tempo.html' title='Late Bloomers: A Doçura do Tempo'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-3713939026560199722</id><published>2011-12-12T17:02:00.000-02:00</published><updated>2011-12-12T17:02:57.579-02:00</updated><title type='text'>A Pele de Almodóvar</title><content type='html'>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Pedro Almodóvar é um criador raro no ambiente cinematográfico. Sua estréia no cinema em 1974 com o curta-metragem&amp;nbsp;&lt;i&gt;Dos Putas o História de Amor que Termina em Boda &lt;/i&gt;(Duas Putas ou a História de Amor que Termina em Casamento) já inaugurava um estilo que se perpetuou ao longo de toda a sua carreira. É um estilista criativo que cunhou a primazia de sua própria personalidade sem preocupações em rivalizar seus filmes com os de outros cineastas, muito embora tenha recebido múltiplas e relevantes influências, reconhecidas pelo próprio espanhol, dentre os quais Luis Buñuel, Billy Wilder e Alfred Hitchcock.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Do meu ponto de vista há dois &quot;fios condutores&quot; que percorrem toda a sua filmografia. O primeiro &amp;nbsp;é o cuidado estético de fixar uma imagem comum a todos os filmes, no geral, uma ambientalização &lt;i&gt;pop&lt;/i&gt;, uma espécie de conjunção entre referências antigas (ou melhor,&amp;nbsp;&lt;i&gt;old fashion&lt;/i&gt;) e, paradoxalmente, moderna. Este &quot;pano de fundo&quot; de seus filmes respinga para o espectador uma sensação de atemporalidade, uma dificuldade de se localizar no tempo, se se está no futuro ou no passado. Trata-se de um traço cujo exercício é complexo do ponto de vista artístico e técnico e que coloca em segundo plano a discussão sobre o valor estético daquilo que se vê. Está mais para uma &quot;assinatura&quot;. O segundo marco de sua obra é a presença marcante de grandes atrizes, algumas que projetam uma sexualidade exacerbada pela lente do diretor (Penélope Cruz e Victória Abril, por exemplo) e outras que recheiam os diálogos com uma força feminina exagerada (como no caso de Carmem Maura e Marisa Paredes). Excluo o fato de sua pública homossexualidade ser um aspecto definitivo de sua obra, muito embora muitos críticos assim o projetem. Para mim, a homossexualidade de Almodóvar pode até ter contribuído para apimentar certos traços comuns de seus filmes. Todavia, parece-me primário reduzir a construção de uma obra tão talentosa a um aspecto que embora marcante, me parece incapaz de ser determinante ou, como querem alguns, dominante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O seu último filme, &lt;i&gt;A Pele Que Habito (A Piel Que Habito, 2011, Espanha, com Antonio Banderas, Marisa Paredes e Elena Anaya)&lt;/i&gt;&amp;nbsp;não é uma &quot;novidade&quot; em nenhum aspecto quando colocado à luz (e sem comparação) com o seus filmes anteriores. Isso não o torna de modo algum desinteressante ou óbvio. Ao contrário, o enredo sabe estar em sintonia com novos e intrigantes temas. O personagem principal é um cirurgião plástico (Robert, papel de Banderas) que está aparentemente às voltas com um experimento genético que levará a sua paciente Vera (Elena Anaya) a ter &quot;uma pele resistente&quot;. A trama passa, ao longo de um bem construído roteiro, de algo marcadamente &quot;científico&quot; para outra perspectiva especialmente pessoal (relativamente a Robert). Não se trata propriamente de um &quot;mistério&quot; no sentido de Hitchcock, mas de uma &quot;surpresa&quot; no sentido do próprio cineasta espanhol. O roteiro é um vai-e-vem de cenas, temporalmente distintas, que vão explicando não apenas o sentido da estória, mas também a natureza dos personagens que de muitas formas se travestem segundo o tempo em que transcorre a estória. Ou seja, todos os possíveis, imaginários e impossíveis transtornos de seus personagens (não apenas deste filme) estão na estória que ganha o mesmo e forte colorido de seus cenários recheados de vermelho, laranja, lilás, etc. As psicoses são contadas com surpresa e calma. Tudo meio enlouquecedor sem que ninguém fique tremendo de medo ou angústia na cadeira do cinema. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;A Pele Que Habito &lt;/i&gt;é um filme no qual residem um argumento poderoso (o grau de transformação de cada personagem nos seus aspectos físico e psicológico) e uma projeção estética que domina as cenas. Este ultimo aspecto me parece o &quot;desejado&quot; pelo autor. Parece-me que Almodóvar talhou cada cena de forma a que a própria forma cinematográfica tomasse de assalto os olhos do espectador. O que se vê &amp;nbsp;é muito mais marcante que aquilo que se interpreta ou se escuta. É ali que está a pele de Pedro Almodóvar - ou será a sua alma? É como se o filme em sua forma final fosse apenas uma variante da estética que ele como esmero desejou projetar. Um produto cheio de aspectos complexos e intrigados que, ao final da sessão, recriam uma experiência particular e individual que permite que se discuta horas a fio sobre o filme e se chegue a apenas um consenso: trata-se de algo específico e especial de um autor de cinema. A forma supera o conteúdo sem o sufocar. O resto cabe a cada um concluir.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/3713939026560199722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/3713939026560199722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3713939026560199722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3713939026560199722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2011/12/pele-de-almodovar.html' title='A Pele de Almodóvar'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-6132726864134263073</id><published>2011-11-16T17:34:00.000-02:00</published><updated>2011-11-16T17:34:45.485-02:00</updated><title type='text'>Revisitando Charles Chaplin</title><content type='html'>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white; line-height: 19px;&quot;&gt;O crítico literário e jornalista inglês Samuel Johnson&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white; line-height: 19px;&quot;&gt;&amp;nbsp;(1709-1784) fraseou que &lt;i&gt;&quot;n&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&lt;i&gt;ada é pequeno demais para uma criatura tão pequena quanto o homem.&quot; &lt;/i&gt;Esta frase pode se aplicar a diversas situações, mas pode ser lembrada a cada um dos filmes de Charles Chaplin (1889-1977) e ao conjunto de sua obra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;A pequeneza do homem traduzida em diversos aspectos, no amor e ódio, na política, na economia, na vida social, nas artes, na ausência de urbanidade e assim vai. Carlitos, uma das maiores criações do cinema em todos os tempos, é a expressão pessoal e universal de um humanismo vasto e reflexivo que extrapolou as telas e passou ao cotidiano do homem a partir de uma forma que inicialmente sugeriria ser a da comédia. Afora este personagem, Chaplin forjou na película outros magníficos personagens tais quais &lt;i&gt;O Grande Ditador (1940)&amp;nbsp;&lt;/i&gt;e&lt;i&gt; Monsieux Verdoux (1947) &lt;/i&gt;nos quais a temática não sofreu enormes variações, muito embora os roteiros já falados tenham se alterado e ganhado contornos igualmente marcantes e geniais dos filmes mudos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Neste ano comemoramos os 80 anos de &lt;i&gt;Luzes da Cidade (1931) &lt;/i&gt;e os 90 anos de &lt;i&gt;O Garoto (1921)&lt;/i&gt;, ambos dramáticos e pensados para espelhar as contradições dos tempos frente ao capitalismo em crise das décadas de 1910, 1920 e, sobretudo, nos anos 1930. Chaplin soube captar os fatores de exclusão do capitalismo, tal qual tão bem foi retratado no genial &lt;i&gt;Tempos Modernos (1936), &lt;/i&gt;uma exposição dos intestinos da máquina de produção moderna&lt;i&gt;.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Não é nada fácil, em meio aos turbilhões históricos pelos quais as sociedades passam, extrair e perceber as origens e consequências das tragédias e expressá-las de forma sobremaneira humana e crítica. Charles Chaplin construiu a essência de sua obra em meio à decadência do Império Britânico, às duas guerras mundiais e a maior depressão econômica e social de que se tem notícia. Foi dos valores sociais e individuais que Carlitos, com sua bengala e roupas frouxas, pode olhar cinematograficamente o ser humano e de forma criteriosa e crítica colocá-lo frente a frente com a realidade dura e cruel. Eis uma forma recheada de conteúdo!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;O homem de Chaplin não é nada cômico. Este parece absolutamente solapado pelo sistema econômico, social e político em que vive. Não à toa, o Senador Joseph Macarthy, de triste memória na perseguição de esquerdistas, e J. Edgar Hoover, o temido chefão do FBI, viam naquelas pálidas figuras dos filmes de Chaplin a imagem de um comunista (que talvez Chaplin fosse mesmo). De fato, a utopia traduzida na vasta filmografia de Charles Chaplin (mais de 100 filmes), estava a atacar, do meu ponto de vista, o homem por dentro. Cenas famosas, como o discurso d&lt;i&gt;O Grande Ditador, &lt;/i&gt;a prisão d&lt;i&gt;O Garoto&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e a famosa troca de olhares entre &lt;i&gt;Carlitos&lt;/i&gt; e a florista cega em &lt;i&gt;Luzes da Cidade &lt;/i&gt;me parecem endereçada ao homem defronte da tela. Uma espécie de tentativa de conversão e sedução da audiência aos preceitos de um certo humanismo necessário à percepção do &lt;i&gt;ego humano&lt;/i&gt;. Logicamente esta é apenas uma leitura possível de Chaplin. Há aqueles que preferem o revestimento social de seus filmes, dos cenários às vestimentas dos personagens e, neste aspecto, tem toda razão. Todavia, parece-me que toda a cena dramática transborda mais o humanismo, este o aspecto mais longevo que sobrevive na obra de Chaplin. Notório é o fato de que a edificação da maioria dos roteiros dos filmes de Chaplin não começavam a ser filmados como algo acabado. Ao contrário, Chaplin zelava pela improvisação e pelo ajuste refinado que criava durante as filmagens para espelhar o que pretendia dizer em relação às suas mensagens, digamos, humanistas. Nos tempos modernos da internet e dos protocolos abertos, pode-se verificar o quão moderno era o pequeno homem inglês.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;A crise capitalista mostra, neste início de século XXI, mais uma vez a sua ira. Mais de 30 milhões de desempregados estão desesperançados em função da crise que explodiu em 2008, fruto de um progresso desmensurado e sem função social (e humana), bilhões de pessoas vivem em condições aquém daquilo que chamamos de civilização humana e, ainda, verificamos que há uma insensibilidade considerável das classes dirigentes para os dramas que surgem em meio aos sistemas políticos e sociais. Em meio a tudo isso, Chaplin respira profundamente, diante &amp;nbsp;da própria &quot;pequeneza do homem&quot;, segundo a frase de Johnson que inaugura este texto. Eis uma chance para assistirmos aos filmes dele e nos sensibilizarmos, quem sabe, diante de nossa própria e sofrida humanidade. A vida pode ser mais doce e feliz.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/6132726864134263073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/6132726864134263073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/6132726864134263073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/6132726864134263073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2011/11/revisitando-charles-chaplin.html' title='Revisitando Charles Chaplin'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-3390671557484802677</id><published>2011-11-08T16:03:00.000-02:00</published><updated>2011-11-08T16:03:18.543-02:00</updated><title type='text'>Os Intelectuais Por Zygmunt Bauman</title><content type='html'>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O tempo é raro para aqueles que gostam de ler. Reconheça-se, ademais, que em uma época onde prevalece o estresse do cotidiano e as obrigações mais imediatas, o descanso mais fácil é encontrado nas telas das TVs e nos encontros mais informais entre as pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Todavia, o encontro do leitor com o seu objeto amado, o livro, ainda pode exalar um extraordinário celeiro para a reflexão e a imaginação. Se isto será superado nos tempos vindouros, deixemos o futuro para o próprio futuro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Pois bem: &lt;i&gt;Legisladores e Intérpretes (de Zygmunt Bauman, 1987, Editora Zahar, publicado em português no Brasil em 2010)&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é daqueles livros densos que conseguem fazer, ao mesmo tempo, uma reflexão profunda e necessária sobre os nossos tempos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Ao contrário do que possa sugerir o título, não se trata de um livro jurídico. O seu conteúdo é uma reflexão intelectual sobre a modernidade, a pós-modernidade e o papel dos intelectuais na interação com estes processos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Os intelectuais podem ser vistos de diversas formas e este seccionamento proporciona, por conseguinte, diferentes visões que ao mesmo tempo ampliam o nosso entendimento, bem como o reduzem para parâmetros estabelecidos para cada uma destas visões/reflexões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Zygmunt Bauman, cidadão polonês e residente no Reino Unido, professor emérito da Universidades de Varsóvia e Leeds, escolhe um caminho diferente e interessante. Preocupa-se o autor em entender o papel do intelectual no contexto variante da modernidade e da pós-modernidade. Este entendimento não significa de forma alguma traçar uma espécie de tipologia sobre este papel. Este seria um tratamento por demais &lt;i&gt;estático, &lt;/i&gt;mesmo que este seja útil ao entendimento em certas ocasiões. A preocupação do autor é a de perceber e refletir sobre a dinâmica do pensamento nestes contextos factuais do próprio desenvolvimento social, político, artístico e filosófico. A realidade é um dado que influi sobre o pensamento, mas para os intelectuais os seus efeitos são mais essenciais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;A partir do Iluminismo, os intelectuais sempre protagonizaram (ou procuraram fazê-lo) o chamado &lt;i&gt;vanguardismo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;inerente à própria confiança na sua capacidade criativa, sustentada na ciência e nos processos racionais que dela decorrem. Poderia-se minerar várias consequências desta visão, mas Bauman prefere selecionar deste contexto &lt;i&gt;vanguardista&lt;/i&gt;&amp;nbsp;a característica, metaforicamente construída, de &quot;legislador&quot;. Esta palavra expressa o conceito da classe dos intelectuais, o papel de &quot;árbitro&quot; dotado de autoridade (ou de autoritarismo) para conduzir, guiar e totalizar uma forma de pensamento que se torna socialmente difundido. Reconhece, assim, o autor que esta legitimidade resultou, na era moderna, de seu &quot;conhecimento superior&quot; e de sua capacidade em tornar este conhecimento em uma espécie de verdade frente às sociedades. Este &lt;i&gt;vanguardismo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;não encontrou barreiras para os intelectuais: estes lideraram, legislaram e pronto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Na &lt;i&gt;pós-modernidade&lt;/i&gt;&amp;nbsp;este processo se altera, sem excluir o seu papel &quot;legislador&quot; anterior, para aquilo que Bauman chama de &quot;interpretação&quot;. Por ele, o intelectual não mais se orienta para escolher a melhor ordem social, política, artística, etc. A preocupação se volta para a promoção do conhecimento e para que sejam evitadas as eventuais distorções deste no processo de comunicação. Neste novo contexto, os intelectuais não podem (não estão mais capacitados, de fato) a construir modelos de universalização conceitual em diversos campos do conhecimento humano (ciência, filosofia, moral, estética, etc.). Note-se, mais uma vez, que Bauman supõe a convivência dos dois modelos que constrói: o intelectual continua como um legislador e, ao mesmo tempo, é um intérprete. Tudo depende do contexto sociológico com o qual se defronta o intelectual, o que abrange as variantes de &quot;ocidente e oriente&quot;, as &quot;formas de organização das sociedades&quot;, &quot;a forma de produção de conhecimento&quot; e outras mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Finalmente, cabe aqui dizer que Zygmunt Bauman não cria uma hierarquia histórica ou valorativa (ontológica) entre a modernidade e a pós-modernidade. Afora a própria dificuldade que isto geraria na identificação se de fato a segunda &quot;superou&quot; a primeira, Bauman reconhece que nada pode ser conclusivo quando se confronta ambas. Não é um toque de humildade intelectual, é honestidade em relação ao tratamento das eventuais evidências sobre o que é moderno e pós-moderno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Neste tempo em que a imponderabilidade sobre a própria dinâmica social e cultural se acentua, num contexto &quot;paradoxal&quot; em que a ciência, a técnica e os &lt;i&gt;lumières&lt;/i&gt;&amp;nbsp;permanecem atuantes, a reflexão de Bauman é uma bela oportunidade para se pensar e entender algumas coisas cotidianas. Em outras palavras: pouca ação podem os intelectuais engendrar para &quot;explicar e legislar sobre o mundo&quot; à luz da destruição dos cânones artísticos, culturais, políticos e sociais na pós-modernidade. Com efeito: a própria incerteza é a única certeza.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Esta constatação pode ser angustiante para os participantes do processo social, mas o é muito mais para os intelectuais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Vale a pena ler Bauman.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/3390671557484802677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/3390671557484802677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3390671557484802677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/3390671557484802677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2011/11/os-intelectuais-por-zygmunt-bauman.html' title='Os Intelectuais Por Zygmunt Bauman'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-5970691580434895653</id><published>2011-09-08T15:57:00.000-03:00</published><updated>2011-09-08T15:57:06.388-03:00</updated><title type='text'>Um Conto Chinês: Um Filme Irônico, Suave e Cheio de Vida</title><content type='html'>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Ricardo Darín é certamente um dos atores mais completos da América Latina e, ao meu ver, nivela-se entre os grandes do cinema atual. O argentino consegue absorver, trabalhar, transformar e projetar os seus personagens com invejável talento. Até parece que ele aprisiona a capacidade cognitiva dos espectadores, os quais se identificam instantaneamente com as situações e os personagens, e atrai, seja do passado, do presente ou do futuro, os espectadores para compartilhar a estória (ou história). Uma identidade difícil entre o ator, o personagem e a audiência. Foi assim, especialmente, em &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;O Segredo de Seus Olhos (2009), O Filho da Noiva (2001) e Kamchatka (2002).&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Desta feita o assistimos na deliciosa comédia &lt;i&gt;Um Conto Chinês (2011,Argentina-Espanha, Escrito e Dirigido por Sebastián Borensztein, com Ricardo Darín, Ignacio Huang e Muriel Santa Ana)&lt;/i&gt;. O filme conta a aparentemente pacata vida de um vendedor de ferragens, personagem marcado por uma implacável rotina diária que lhe preenche a vida e, ao mesmo tempo, o torna intolerante perante seus clientes, as banalidades de sua atividade e os ritos domésticos. Nesta composição entre a aparente simplicidade e o seu comportamento irascível surge um chinês em sua vida. Algo inusitado e cheio de uma espécie de realismo fantástico: o chinês era noivo em sua terra natal e sua amada morre de forma inusitada - não cabe aqui contar &quot;como&quot; o que perturbaria o humor dos espectadores. De repente, em busca de seu tio, o chinês se vê perdido em Buenos Aires, sem saber o espanhol e sem acesso ao endereço dele. Uma trajetória que se entrelaça com a do personagem de Ricardo Darín. Este solitário, intolerante e, paradoxalmente, sentimental, vê-se &quot;invadido&quot; em sua rotina pessoal e profissional por aquele chinês frágil que lhe arrebata irritação, incompreensão e inação. Há soluções, é claro. Todavia, estas dependem da vontade e crescente envolvimento com o drama alheio o qual, pouco a pouco, vai se formando. O desenlace não é surpreendente, mas desafiador: de repente, o vendedor de ferragens se revela a si mesmo. Ao tentar compreender o chinês acaba por compreender a sua própria alma. Sendo assim, pode se libertar e mergulhar num novo mundo, incluindo a aquisição da vontade de amar e ser amado, coisa simples que exige uma decisão complexa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;O roteiro do filme cria uma cadência elegante, sem provocar longas risadas, mas mantendo a união constante de um argumento provocador com diálogos e situações inteligentes e com profundidade na ironia. A partir de um pequeno mundo, o roteiro é capaz de explicar o mundo em sua totalidade e, de sobra, a nós mesmos. Uma arte difícil se concretiza na tela e possibilita que saiamos do cinema felizes, sorridentes e identificados com a nossa realidade. Sem traumas, cheios de esperança às nossa indagações. Ou melhor, como ensina Susan Suntag: &lt;i&gt;&quot;as únicas respostas interessantes são aquelas que destroem as nossas perguntas&quot;&lt;/i&gt;. Aconteceu com Darín neste filme. Pode acontecer conosco.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/5970691580434895653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/5970691580434895653' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/5970691580434895653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/5970691580434895653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2011/09/um-conto-chines-um-filme-ironico-suave.html' title='Um Conto Chinês: Um Filme Irônico, Suave e Cheio de Vida'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-1081870631098346610</id><published>2011-08-22T16:37:00.000-03:00</published><updated>2011-08-22T16:37:30.278-03:00</updated><title type='text'>&quot;Árvore da Vida&quot;: Um Filme Corajoso Para Um Mundo Cético</title><content type='html'>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Sócrates, na palavras de Platão (em sua obra Fédon), pregava que &quot;os apetites humanos, a vida corporal, obriga o homem a ver a vida &amp;nbsp;através da paredes de uma prisão.&quot; Há nesta afirmação algo além dos valores filosóficos elevados. Há algo de ascético no pensador grego. Como nos belos versos de &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;San Juan de la Cruz &lt;/i&gt;em suas &lt;i&gt;Poesias:&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Eu não soube onde entrava&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Porém, quando ali me vi,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Sem saber onde estava,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Grandes coisas entendi;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Não direi o que senti,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Que me quedei não sabendo,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;Toda a ciência transcendendo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;No filme &lt;i&gt;Árvore da Vida (Tree of Life, EUA,2011, dirigido por Terrence Malick, com Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain) &lt;/i&gt;o&amp;nbsp;diretor escolhe por epígrafe as palavras do Velho Testamento do Livro de Jó (38,4-7):&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;“Onde estavas tu, quando eu  fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas,  se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre o que estão fundadas  as suas bases, ou quem assentou a sua pedra angular? Quando as estrelas da alva  juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus  rejubilavam?”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Se juntarmos o surpreendente &quot;ascetismo&quot; de Sócrates, com a mística de San Juan de la Cruz a esta epígrafe do filme abrilhantado por Pitt e Penn, podemos ter longos dias de discussão sobre a transcendência humana, o sentido da vida e a nossa própria humanidade. Como se vê um tema profundo, complexo, polêmico, filosófico e, ao mesmo tempo, parte de muitas conversas ao longo desta vida não tão longa.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Neste contexto, o primeiro aplauso para o maravilhoso filme de Terrence Malick (que também assina o roteiro) é a sua coragem, enquanto cineasta, em lançar este tema na composição de um filme. Missão nada fácil de vez que, ao menor passo em falso, o roteiro e toda a montagem podem cair em valas que comportam desde os filmes/livros de autoajuda até os dramalhões que comovem, mas que tantas vezes ressentem-se da ausência de conteúdo. Em tempos onde o debate intelectual permanece como que interditado, nada mais corajoso quando vemos um diretor remexer com tema tão polêmico: a vida, a morte, os valores e a transcendência. E muito mais.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Este é um filme que é uma espécie de &quot;rosa dos ventos&quot; e pode nos tocar de diversos modos, muito embora, o diretor com extrema competência não nos deixe fugir ao &quot;fio condutor&quot; central do roteiro. Uma estória singela de um casal que perde o filho, sem que fatos sobre este evento sejam contados pelo roteiro, consegue extravasar uma coleção de reflexões sobre a nossa humanidade. O casal (formado por Brad Pitt e pela excelente Jessica Chaistain) consegue incorporar, cada um por si, a contradição entre o singular e particular sofrimento (possível e provável) da vida e o sucesso que enxergamos no outro. Matéria e espírito, digamos assim, se entrelaçam e se separam por meio de uma &quot;estória&quot; composta por imagens galácticas, visualmente indefiníveis, e o cenário simples e cativante do interior dos EUA nos anos 1950. Uma família e seus filhos preenchem a nossa humanidade. O sofrimento e a sua superação preenchem o nosso espírito. O pai (Pitt) representa a construção social, moral, econômica, etc. que fazemos ao longo de nossas vidas, sem que &lt;i&gt;de facto &lt;/i&gt;se possa construir minimamente que seja, um objetivo, um fim, um horizonte para tal edificação. De outro lado, a mãe (Chaistain), releva junto aos filhos a primazia do amor, da doçura, da leveza espiritual, da bondade, da vigilância desinteressada. Não há uma luta &quot;glauberiana&quot; entre o bem e o mal, o demônio e o divino. O que há é a interação da realidade mais mundana de quem assiste o filme e a possibilidade de redenção que, em princípio, nos caberia. O filme opera no âmbito da subjetividade, da leitura individual, cabível na vestimenta pessoal de cada um. Pode-se revirar o filme de cima abaixo e, de lado a lado, extrair a visão que nos pareça cabível. Espíritas, judeus, crentes, descrentes e cristãos. Ascéticos e céticos.&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esta feição subjetiva do filme não isenta o diretor e roteirista. Acredito que a sua escolha é feita e é definitiva: a existência humana não é nem obra acabada e nem possui originalidade senão em Deus. Malick, a meu ver, não faz uma cruzada religiosa, mas coloca contornos bem claros às possibilidades de o homem ser apenas produto de seu meio ou de um evento &quot;natural&quot;. Para ele, existe um &lt;i&gt;big bang&lt;/i&gt;&amp;nbsp;criativo que nos converte, às vezes serenamente e noutras explosivamente, em algo além do &quot;barro provido de espírito&quot; considerado por tantos pensadores. Uma escolha prá valer, suficiente para deixar rodas de pensamento propensos a longos debates. (Ou talvez tudo se converta nos 140 caracteres do twitter).&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Por fim, algumas palavras sobre a estética do filme. A composição de belíssimas imagens (definidas e indefiníveis) com um cenário extremamente bem arranjado das &quot;imagens reais&quot; é um arranjo precioso, uma obra-prima. A música incidental (com destaque para Brahms) rima com a cadência da câmera e cria um ansiedade complicada de definir. Afinal, o &quot;ritmo&quot; do filme é aparentemente lento. Por detrás da sensação de que &quot;nada acontece&quot;, tudo está acontecendo: a criação do mundo, a consolidação da vida, a abrangência dos limites geográficos, o caos da natureza e a racionalidade do homem. Diante de tanta coisa, a platéia muitas vezes fica tentada a sair correndo da sala de cinema, mas o filme prende o espectador na cadeira. De lá não sai, porque logo tudo pode &quot;acontecer&quot;. Tudo muito lindo, poético, cheio de essência e sabor. Assim, poderemos escolher entre a paciência de Jó em seus pedidos a Deus, a &quot;prisão&quot; de Sócrates ou a transcendência de San Juan de la Cruz. Ou muito mais.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/1081870631098346610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/1081870631098346610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/1081870631098346610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/1081870631098346610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2011/08/arvore-da-vida-um-filme-corajoso-para.html' title='&quot;Árvore da Vida&quot;: Um Filme Corajoso Para Um Mundo Cético'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7535809800767125984.post-113375384470548949</id><published>2011-08-11T17:04:00.000-03:00</published><updated>2011-08-11T17:04:09.381-03:00</updated><title type='text'>Os 100 Anos de Triste Fim de Policarpo Quaresma</title><content type='html'>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Sou fã das efemérides. Datas comemorativas são preciosas oportunidades de nos lembrarmos de algo relevante no passado e lançarmos pensamentos ao futuro e sobre ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Neste ano comemoramos o centenário do lançamento de &lt;i&gt;O Triste Fim de Policarpo Quaresma&lt;/i&gt;, livro magnífico construído pelos folhetins publicados por Lima Barreto (1891-1922) entre agosto e outubro de 1911.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Tenho enorme fascinação por Lima Barreto. Ele me parece uma espécie de &quot;oásis&quot; em meio ao Brasil pós-escravidão e uma Nação ainda na manjedoura de uma República edificada pelas elites, sem povo e sem instituições. Lima Barreto é, por assim dizer, um símbolo da rebeldia em meio a tudo isto, um anarquista cheio de coragem e arrojo. Sua escrita é verdadeiramente natural, saída da pena que combinava fluidez no estilo, sem concessões aos padrões francófilos das camadas sociais elevadas de então, com uma temática &quot;verde e amarela&quot; capaz de ser elegante na linguagem coloquial que denunciava o sofrimento dos mais pobres e sofridos desta terra. Deveria ser um exemplo, uma estandarte das lutas que tentam tornar o nosso país mais justo e solidário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;i&gt;O Triste Fim de Policarpo Quaresma &lt;/i&gt;é uma das (poucas) obras literárias brasileiras que &quot;pulam&quot; à frente do gosto popular, antes do reconhecimento da crítica e dos detentores da &quot;interpretação intelectual&quot;. &lt;i&gt;Policarpo &lt;/i&gt;é um personagem que ironiza a realidade de seu tempo e que revela que a vivência social no Brasil pós-República não passava de obra de impostores. Ao optar pela cultura dos indígenas, pelo violão, em detrimento da norma culta,&amp;nbsp;&lt;i&gt;Policarpo Quaresma&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;faz estridente um grito contra o &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;importado da sociedade brasileira. Tudo soa cômico, mas deveria era comover, inquietar e despertar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Sua ironia é cortante, afiada, fértil. Mais fértil que as terras do sítio &lt;i&gt;Sossego&lt;/i&gt;&amp;nbsp;que engendra uma das principais passagens irônicas do livro, mas de onde não sai convincente produção agrícola.&lt;i&gt;&amp;nbsp;Policarpo &lt;/i&gt;participa da luta por uma República que o trai: ao defender os prisioneiros da revolta contra a nascente República, &lt;i&gt;Quaresma &lt;/i&gt;é executado, acusado de traição pelo simples fato de ter denunciado&amp;nbsp;ao Marechal das Alagoas Floriano Peixoto&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;os fuzilamentos dos revoltados já derrotados . Tenta salvar e, ironicamente, é vítima de sua própria virtude. Enfim, todos os planos de &lt;i&gt;Policarpo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;dão em nada. O ideal nacionalista é solapado por uma dura realidade, marcada pela brutalidade e pelas cercanias precisas do Poder. Não há, de fato, espaço para um sentimento republicano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;Das tensões do Brasil do início do século XX até as tensões do Brasil deste século, há muito sobre o qual se pode refletir. Lima Barreto em &lt;i&gt;Policarpo &lt;/i&gt;adianta muito esta agenda de discussão e pensamento. Não fica amarrado a nenhum saudosismo e não prognostica nenhuma solução. Apenas escancara a realidade e a põe à prova nesta obra centenária e das mais importantes da literatura nacional. Há no livro uma mescla bem dosada que espelha o conservadorismo social de então e a trajetória de um sonhador que tenta reformá-lo. Não teve sorte porquanto sua luta era quixotesca. A vitória de &lt;i&gt;Policarpo Quaresma&amp;nbsp;&lt;/i&gt;vem muito depois, quiçá mais nestes seus 100 anos, depois que somos capazes de ver que as situações que Lima Barreto tentava consertar com a sua ironia de &lt;i&gt;maldito &lt;/i&gt;e&amp;nbsp;seu protesto literário ainda estão presentes neste país.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://franciscopetros.blogspot.com/feeds/113375384470548949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment/fullpage/post/7535809800767125984/113375384470548949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/113375384470548949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7535809800767125984/posts/default/113375384470548949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://franciscopetros.blogspot.com/2011/08/os-100-anos-de-triste-fim-de-policarpo.html' title='Os 100 Anos de Triste Fim de Policarpo Quaresma'/><author><name>Francisco Petros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08729510245791910824</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyPrT6o4PYyemr9hSBp2bixc9nBuqhLZG8TnC2C_h6hcYC8KwkO361VUDTDO0aTg3TrV7XcTLWYKg3686_iO9m2K6LTz5J3RrLztC7-XW2qUK3KUjwaXdiMAFRwl5zSQ/s113/divulgacao2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>