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	<title>Papo de Homem - É tempo de homens possíveis. Puxe uma cadeira, a casa é sua.</title>
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	<description>Conteúdo sem frescuras para homens de todas as idades.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 11 Oct 2024 17:46:18 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Bacon, alho, a cebola frita. Coloca mais água no feijão!</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/bacon-alho-a-cebola-frita-coloca-mais-agua-no-feijao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bia Amorim]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Oct 2024 17:46:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques - Home]]></category>
		<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Comida]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas e contos]]></category>
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					<description><![CDATA[Porque é sempre importante se lembrar da importância e gostosura de um bom feijão]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p id="docs-internal-guid-0c101de7-2f63-6b77-1fef-37d40cacecf5" dir="ltr">Fiz feijão hoje. Um dia comum na cozinha brasileira. Mas talvez estivesse inspirada. Pode ser que meu sensorial estivesse mais alerta. Ou eu estou mais sentimental mesmo. Proteína, ferro, cálcio, vitaminas, carboidratos e fibras fazem parte da composição do feijão, mas não são elas que me atraem, é muito mais do que isso.</p>
<p dir="ltr">A semente virou símbolo e está na lista de compras do mais simples barraco à mansão mais grandiosa. Mas não se ganha tanta fama assim do dia para a noite. O Brasil <a href="https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/feijao-e-graos-especiais/199693-estudo-mostra-o-que-mudou-na-producao-e-consumo-de-feijao-no-brasil-em-20-anos.html#.WdVEW2hSzIU" target="_blank" rel="noopener">é o maior produtor de feijão comum do mundo</a>. Consumimos cerca de 16,6 kg de feijão per capita por ano! Não é só mais uma questão de nutrientes. O feijão virou cultura. Enche nossas terras, trabalha o agricultor.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" src="https://assets.papodehomem.com.br/2017/10/18/12/58/31/27d90bd0-916c-4c69-a385-6d0f1b773d0a/feijao-jpg" alt="" /><figcaption></figcaption></figure>
<p dir="ltr">E ele muda de cor em cada região do país. O famoso carioca, de cor bege e com rajadas mais escuras, tem este nome <a href="http://http://coperaguas.com.br/feijao/feijaeo-carioca" target="_blank" rel="noopener">por conta das calçadas no Rio de Janeiro</a>, mas na cidade maravilhosa não é ele a tomar conta dos pratos surfistas. No rio é o feijão preto, aquele conhecido mundo afora pela nossa feijoada, o comum. Rajado, Azuki, Vermelho, Fradinho e assim por diante, são nomes a serem provados e seguimos com a grande variedade que essa espécie de grão nos dá. Até salada de feijão se come.</p>
<p dir="ltr">Hoje eu fiz feijão preto mesmo. Joguei na bancada uma quantidade e comecei a escolher e tirar os mais judiados. Enquanto fazia essa seleção rigorosa, pensei em quanta gente faz isso todos os dias nas casas de todo o Brasil. Uma manualidade que nos conecta com as outras pessoas. Um gesto que alimenta a alma, cultivando a cultura que temos desde quando viramos sociedade. Colhemos, escolhemos, cozinhamos e alimentamos o mundo assim. Dia após dia.</p>
<p dir="ltr">Deixei o feijão de molho e fui fazer minhas coisas. Passado um tempo, voltei para a cozinha e comecei a fatiar a cebola. Triste? Não apenas aquelas lágrimas que correm no rosto de quem ousa, mesmo no choro, temperar a comida. Batendo com o lado da faca direto no dente de alho, tiro facilmente sua casca e faço aquele montinho do lado das cebolas bem picadinhas.</p>
<p dir="ltr">Panela de pressão vai pro fogo. Medo e conforto, sentimentos que eu tenho ao cozinhar com esse objeto tão importante. Vamos de novo para 10.000 anos atrás, quando cozinhávamos os grãos para facilitar a digestão. Tudo mudou depois que aprendemos a colocar as coisas no fogo. Panela apita que tá com pressão. Liga o cronômetro e aguarda o tempo necessário.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" src="https://assets.papodehomem.com.br/2017/10/18/13/50/14/97be96eb-684d-4a9c-973b-594697c10efe/feijoada-jpg" alt="" /><figcaption></figcaption></figure>
<p dir="ltr">Agora sim a coisa vai ficar interessante. Aquele bacon picadinho vai na frigideira quente.</p>
<p dir="ltr">Boom! O ar ficou pesado.</p>
<p dir="ltr">Respirar aquele cheiro da gordura subindo pelas narinas dá uma fome danada. Cada vez mais a carne do porco vai ganhando cores e sabores enquanto faz o assovio da fritura. Lá vai o alho e, em seguida, a cebola. Pronto. Não há trilogia de filme que ganhe desses três. O aroma conquista nosso coração barato. Aquele cheiro é de infância, é do vizinho, é o cheiro mais brasileiro, de casa, o mais lar doce lar que se pode ter.</p>
<p dir="ltr">Pííiíííí, e os grãos estão aptos para serem desligados. Espera sair a pressão, abre a panela, tira uma gorda concha e joga na frigideira quente. Tudo começa a fazer mais sentido. Aquela amassadinha marota para criar um caldo mais grosso. Tem visita a mais em casa hoje? Coloca água nesse feijão!</p>
<p dir="ltr">Uma pitada de sal na mistura, uma colherada de pimenta, aquela folha de louro e no tempero mais ousado, tem cominho. Sabor de casa. Aquele gosto que Europa nenhuma vai te dar em passeios. O rolê nos Estates não tem essa memória. Mas dá uma andada pelo bairro por volta das onze e tanto e vê se o mesmo aroma não ronda toda a calçada.</p>
<p dir="ltr">No dia a dia, o que a gente quer é conforto. Aquele arroz soltinho se banha na calda quente e saborosa que demorou horas para ficar pronta. O casamento entre dois grãos de diferentes espécies. Une a todos na garfada pela sobrevivência em tempos que não é mais preciso coletar na natureza a comida. Um agradecimento pelo alimento que temos, um Amém da ponta da mesa e pronto. Mais um dia.</p>
<h3 dir="ltr">Leitura complementar</h3>
<p dir="ltr">Nota do editor: deu fome? Ah, deu.</p>
<p dir="ltr">Coloco aqui três artigos do PapodeHomem pra quem precisa perder a mania maluca de não saber feijão. Perde o medo e recupera a vergonha na cara e a vontade de viver comento melhor, comendo feijão do bom.</p>
<p class="entry-title"><a href="https://papodehomem.com.br/como-fazer-feijao-passo-a-passo/" target="_blank" rel="noopener">Como fazer feijão, passo-a-passo</a>;</p>
<p class="entry-title"><a href="https://papodehomem.com.br/como-fazer-feijao-sem-panela-de-pressao/" target="_blank" rel="noopener">Como fazer feijão sem panela de pressão</a>;</p>
<p class="entry-title"><a href="https://papodehomem.com.br/como-fazer-feijao-tropeiro-o-segundo-melhor-do-mundo-passo-a-passo/" target="_blank" rel="noopener">Como fazer feijão tropeiro (o segundo melhor do mundo), passo-a-passo</a>;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Como prevenir violência e abuso sexual infantil? Um papo sobre consentimento.</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/como-prevenir-violencia-e-abuso-sexual-infantil-um-papo-sobre-consentimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jul 2021 17:29:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desafios]]></category>
		<category><![CDATA[O melhor do PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Um caso recente, em que um adulto, amigo de uma família, toca o corpo de uma criança sem autorização durante uma confraternização levanta discussões sobre abuso sexual. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">No dia 26 de julho de 2021 a um v&iacute;deo originalmente&nbsp;gravado e postado pelo cantor Wesley Safad&atilde;o, chamou aten&ccedil;&atilde;o das redes. Em uma reuni&atilde;o familiar, crian&ccedil;as brincam no que parece ser uma confraterniza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p dir="ltr">Enquanto as crian&ccedil;as celebram e batem palma, um dos homens, o pastor Andr&eacute; Vitor, atrapalha a comemora&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a a abra&ccedil;ando por tr&aacute;s. A garota se desvencilha naturalmente e segue celebrando. Em seguida, o homem&nbsp;puxa a camiseta para baixo da cintura, como se cobrisse algo.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">O caso levantou pol&ecirc;micas e suspeitas de abuso sexual infantil. O cantor defendeu o amigo.&nbsp;</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/30/14/14/10/2c238006-c18f-4203-b0b7-a301619613ec/trym-nilsen-exv-lswfcoo-unsplash-jpg" /><figcaption>Photo by <a href="https://unsplash.com/@trymon?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Trym Nilsen</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/child-sad?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></figcaption></figure>
<p dir="ltr">Trazemos esse papo, porque acreditamos que o ocorrido levanta temas importantes e de interesse p&uacute;blico:<strong> 1) prote&ccedil;&atilde;o dos direitos das crian&ccedil;as, 2) import&acirc;ncia de se falar sobre consentimento para qualquer tipo de toque com as crian&ccedil;as e 3) preven&ccedil;&atilde;o das viol&ecirc;ncias sexuais.&nbsp;</strong></p>
<p dir="ltr">Havendo ou n&atilde;o inten&ccedil;&atilde;o libidinosa no toque feito pelo pastor, ele n&atilde;o pediu autoriza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a para abra&ccedil;&aacute;-la. N&atilde;o houve nenhum contexto para tal abra&ccedil;o por tr&aacute;s. A menina pulava e batia palmas e, ent&atilde;o ele resolve, toc&aacute;-la, segur&aacute;-la.</p>
<p>Existe aqui uma inadequa&ccedil;&atilde;o clara: independente da finalidade (que pode agravar e muito o caso)&nbsp;o corpo da crian&ccedil;a n&atilde;o deve ser visto como um objeto &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do toque dos adultos.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Existe sempre uma din&acirc;mica de poder entre crian&ccedil;as e adultos &#8211; tanto pela diferen&ccedil;a de for&ccedil;a, tamanho, quanto pela autonomia e capacidade de consentimento &#8211; portanto os adultos ao redor de qualquer crian&ccedil;a devem ser duplamente respons&aacute;veis, em respeitar o limite da crian&ccedil;a e impor esse limite a si e aos demais.</p>
<p dir="ltr">N&atilde;o estamos falando aqui necessariamente de toques com inten&ccedil;&otilde;es sexuais. Estamos falando de respeitar a crian&ccedil;a como indiv&iacute;duo. Se essa pequena pessoa n&atilde;o quer um beijo molhado na bochecha, um apert&atilde;o, ter seu cabelo afanado, &eacute; preciso que os adultos ao redor cuidem para que os limites dela sejam respeitados. E n&atilde;o o contr&aacute;rio.</p>
<p dir="ltr">Isso pode parecer bobo ou at&eacute; &ldquo;antissocial&rdquo;. Muitos de n&oacute;s fomos educados de formas diferentes, em que evitar o toque da fam&iacute;lia era falta de educa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p dir="ltr">O afeto fam&iacute;lia pode ser constru&iacute;do com consentimento e respeitando limites: &ldquo;n&atilde;o quer dar um abra&ccedil;o no tio? Ent&atilde;o, que tal&nbsp;um toca ai?&rdquo;. Pronto.&nbsp;&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Crian&ccedil;as s&atilde;o indiv&iacute;duos e as rela&ccedil;&otilde;es de confian&ccedil;a e proximidade familiar precisam ser constru&iacute;das. N&atilde;o &eacute; obriga&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a ceder sempre &agrave;s vontades da fam&iacute;lia.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Quando ensinamos a crian&ccedil;a a ceder suas vontades para n&atilde;o ser &quot;mal educada&quot; com adultos, estamos desprotegendo estes pequenos indiv&iacute;duos. O abuso sexual infantil, assim como diversos tipos de viol&ecirc;ncias, come&ccedil;a&nbsp;de maneira gradativa, numa espira de agravamento.</p>
<p dir="ltr"><a href="https://papodehomem.com.br/violencia-sexual-contra-meninos-e-homens" target="_blank" rel="noopener">[Leia aqui sobre a realidade de meninos que sofreram abusos durante a inf&acirc;ncia.]</a></p>
<p>Portanto, o adulto autor de abuso frequentemente usa dessa chantagem &quot;anti-falta de educa&ccedil;&atilde;o&quot; para come&ccedil;ar a chantagear a crian&ccedil;a e depois incita sentimentos de culpa, de modo que os abusos tendem a ser cont&iacute;nuos e por longos per&iacute;odos de tempo.</p>
<p>Ao contr&aacute;rio do que se pensa, a crian&ccedil;a estar em casa n&atilde;o significa que ela esteja segura. O ambiente externo, a rua, a escola, qualquer lugar, podem ser&nbsp;lugares perigosos para crian&ccedil;as, mas a pr&oacute;pria casa tamb&eacute;m o &eacute;.&nbsp;A maioria dos casos de abusos sexuais, viol&ecirc;ncia disciplinar, viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, incluindo homofobia e transfobia contra crian&ccedil;as <em>queer/LGBTQIAP+</em>&nbsp;acontecem dentro de casa.</p>
<p dir="ltr"><a href="https://papodehomem.com.br/o-caso-henry-or-como-identificar-se-meu-filho-sofre-violencia" target="_blank" rel="noopener">[N&atilde;o precisamos ir longe para lembrar&nbsp;do caso do menino Henry, que morreu dentro de casa v&iacute;tima de tortura e viol&ecirc;ncias f&iacute;sicas.]</a></p>
<h3 dir="ltr">Como falar sobre consentimento com seus filhos:<br />
&nbsp;</h3>
<div data-oembed-url="https://youtu.be/Ayh0rc1g9jU">
<div style="left: 0; width: 100%; height: 0; position: relative; padding-bottom: 56.25%;"><iframe allow="accelerometer; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture;" allowfullscreen="" scrolling="no" src="https://www.youtube.com/embed/Ayh0rc1g9jU?rel=0" style="top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; position: absolute; border: 0;" tabindex="-1"></iframe></div>
</div>
<p dir="ltr">&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Para proteger as crian&ccedil;as de viol&ecirc;ncias sexuais &eacute; necess&aacute;rio que se tenha o di&aacute;logo sempre aberto em casa para esse assunto n&atilde;o seja tratado como um tabu, como algo para ser escondido e nunca ser dito.</p>
<p dir="ltr">A educa&ccedil;&atilde;o sobre sexualidade &eacute; uma das principais ferramentas de preven&ccedil;&atilde;o a viol&ecirc;ncia sexual contra crian&ccedil;as. Quando falamos sobre&nbsp;crian&ccedil;as pequenas, a educa&ccedil;&atilde;o sexual foca em ensinar consentimento, limites, nomea&ccedil;&atilde;o das partes sexuais. Isso permite que a crian&ccedil;a identifique quando um toque &eacute; inadequado, e faz com que ela n&atilde;o se sinta culpada, que consiga nomear, descrever o que aconteceu. Assim ela poder&aacute; contar a um adulto de confian&ccedil;a sobre o ocorrido podendo encontrar apoio e escuta.</p>
<p dir="ltr">Educa&ccedil;&atilde;o sexual n&atilde;o &eacute; para &quot;desvirtuar&quot; ou para &ldquo;desmoralizar&rdquo; seus filhos e filhas, mas para garantir a sua seguran&ccedil;a e sa&uacute;de. Educa&ccedil;&atilde;o sexual tampouco&nbsp;vai destruir a sua fam&iacute;lia se esse tema estiver na mesa. Pelo contr&aacute;rio, se voc&ecirc; realmente est&aacute; preocupado em proteger a fam&iacute;lia e a inoc&ecirc;ncia de seus filhos, entender a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; de extrema import&acirc;ncia.</p>
<p dir="ltr">O nosso papel enquanto homens &eacute; aprender sobre o tema e tomar posicionamentos que defendam os mais vulner&aacute;veis. &Eacute; sobre n&atilde;o ser conivente com as atitudes e viol&ecirc;ncias de homens pr&oacute;ximos, &eacute; reivindicar pol&iacute;ticas anti-viol&ecirc;ncia, pr&oacute;-acolhimento e de preven&ccedil;&atilde;o, tal qual&nbsp;ensino sobre&nbsp;sexualidade.</p>
<p>&Eacute; sobre n&atilde;o ficar&nbsp;em sil&ecirc;ncio e sobre escutar. Escute as crian&ccedil;as e adolescentes, com o cuidado de n&atilde;o culpabilizar o lado vulner&aacute;vel, prezando pelo bem estar deles, que dependem da prote&ccedil;&atilde;o de maiores de idade.&nbsp;</p>
<p>Coloque o bem-estar&nbsp;&nbsp;das crian&ccedil;a como prioridade, e n&atilde;o a defesa do adulto que infringiu o direito dela. Somos respons&aacute;veis para que casos como esse n&atilde;o aconte&ccedil;am mais.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Crianças na Cozinha | 7 benefícios de preparar a comida junto dos filhos</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/criancas-na-cozinha-or-7-beneficios-de-preparar-a-comida-com-os-filhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jader Pires]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jul 2021 14:59:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O melhor do PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Mecenas]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Cozinha também é trocar afeto, conversar, aprender sobre cuidado, química, nutrição, responsabilidade e mais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Lembro de ouvir de uma amiga que ela sempre quis, quando iniciou sua vida adulta, ser uma <em>nonna italiana</em>, com a casa cheia, bochechas rosadas, como a av&oacute; dela tinha, os cabelos presos num coque poderoso, se recusando ver sua penca de netos comendo apenas uma pratada das del&iacute;cias que ela prepararia por toda a manh&atilde; para o t&iacute;pico almo&ccedil;o de domingo.</p>
<p dir="ltr">Me recordo tamb&eacute;m de, anos depois, sentado na cozinha moderna do apartamento para o qual ela havia rec&eacute;m mudado para poder criar com mais qualidade seu primeiro filho, que aquele sonho havia h&aacute; muito desvanecido, que sua nova meta era ser, na verdade, uma pessoa que compartilha a cozinha com outras pessoas, que n&atilde;o queria se acabar em horas com o umbigo queimando na beira do fog&atilde;o enquanto o restante da fam&iacute;lia ficasse na sala degustando vinhos e m&uacute;sicas.</p>
<p dir="ltr">Seu novo ideal seria o de trazer todos para o mesmo ambiente, que os almo&ccedil;os de domingo fossem grandes eventos de compartilhar de um processo coletivo e de afetuosidade. Sorrisos no preparar dos alimentos, as can&ccedil;&otilde;es entoadas por todos num karaok&ecirc; com panelas e facas ditando o ritmo.&nbsp;</p>
<p><a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=banner" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/26/20/08/56/53896c10-dc86-40ed-ae9c-4c3ae68f861f/8699c8e0-9f9b-474a-8e0a-87afe03daf01-jpg" /></a></p>
<p dir="ltr">Ter filhas e filhos, netas e netos, hoje, &eacute; desejar rela&ccedil;&otilde;es mais pr&oacute;ximas, compartilhadas. E cozinhar &eacute; parte fundamental desta troca. Uma cozinha com mais afeto e aten&ccedil;&atilde;o, com olhos e ouvidos atentos para trabalhar o crescimento de si e do outro pode, certamente, ser um espa&ccedil;o transformador.</p>
<p dir="ltr">Quem fala isso &eacute; o jornalista italiano Luca Scarcella, <a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-de-receitas-reune-renomados-chefs-do-mundo-para-incentivar-a-criancada-na-cozinha,70003351877#:~:text=%E2%80%9CTodo%20mundo%2C%20mas%20principalmente%20as,irm%C3%A3os%20mais%20velhos%20ou%20respons%C3%A1veis.">em entrevista ao Estad&atilde;o</a> para falar de seu livro, Childfood &ndash; Receitas para Jovens Coolinary Explorers, que re&uacute;ne 23 receitas feitas por grandes chefs renomados (dos brasileiros Bel Coelho, Jefferson Rueda at&eacute; o italiano Massimo Bottura, retratado pela s&eacute;rie Chef&rsquo;s Table, da Netflix) para incentivar as crian&ccedil;as e pais a compartilhar bons momentos:</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&ldquo;Todo mundo, mas principalmente as crian&ccedil;as, cresce quando tenta fazer algo diferente. Preparar pratos ajuda a aumentar a aten&ccedil;&atilde;o aos detalhes, a melhorar a autoestima e a ter momentos de divers&atilde;o com os pais, irm&atilde;os mais velhos ou respons&aacute;veis. &Eacute; muito importante que os pais/respons&aacute;veis passem um tempo de qualidade com os filhos, porque os filhos nunca esquecer&atilde;o esses momentos, nem os pais. Criar na cozinha &eacute; uma atividade incr&iacute;vel, ent&atilde;o o que &eacute; melhor do que cozinhar e compartilhar uma refei&ccedil;&atilde;o juntos?&rdquo;</p>
</blockquote>
<p dir="ltr">Separamos, aqui, sete benef&iacute;cios para trabalhar alimentos na cozinha com as crian&ccedil;as.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>1. Cozinha &eacute; disparador de conversa</strong></h3>
<p dir="ltr">Perguntar como foi o dia &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o de tentativa de proximidade, mas uma boa conversa tamb&eacute;m parte da necessidade de se mostrar dispon&iacute;vel para ouvir o que a pessoa quer falar, seja um desabafo ou curiosidade. Todo o processo que envolve a comida ajuda nesse processo.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">Pensando em cozinhar em fam&iacute;lia, a&nbsp;chef argentina Paola Carosella,&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=-G6PM8ceZ9M">em seu canal do YouTube</a>, a fala sobre uma nova constru&ccedil;&atilde;o ao redor do ato de cozinhar:</p>
<p><em>&quot;Primeira coisa: a gente precisa fazer as refei&ccedil;&otilde;es juntos. Ao menos duas refei&ccedil;&otilde;es. Quando vai chegando a hora do jantar, duas horas antes, [&#8230;] vai pensando: o que a gente vai comer?&quot;</em>.</p>
</blockquote>
<p dir="ltr">O ato de preparar uma comida j&aacute; pode, de sa&iacute;da, ter o envolvimento de todos. Escolhas dos pratos, dentro das possibilidades da fam&iacute;lia no dia, a puxada de responsabilidades, &quot;se voc&ecirc; cozinha, ent&atilde;o eu lavo a lou&ccedil;a e eu ponho e tiro a mesa. Eu descasco as batatas, eu vou lavando as coisas&quot;.</p>
<p dir="ltr">Aproxima&ccedil;&atilde;o, escuta, espa&ccedil;o para a fala. Uma troca vai-se criando antes mesmo que qualquer movimenta&ccedil;&atilde;o seja feita. Disso para <a href="https://papodehomem.com.br/mergulhe-no-mundo-da-crianca">mergulhar no mundo das crian&ccedil;as</a>, desenvolver Os 4 pilares da paternidade (Amor, conhecimento, empatia e comunica&ccedil;&atilde;o, vejam o v&iacute;deo do Thiago Koch <a href="https://papodehomem.com.br/video-os-4-pilares-da-paternidade" target="_blank" rel="noopener">em depoimento para O Sil&ecirc;ncio dos Homens</a>) pode ser bem recompensador.</p>
<div data-oembed-url="https://www.youtube.com/watch?v=SkFmYd5OpWI&amp;feature=emb_title">
<div style="left: 0; width: 100%; height: 0; position: relative; padding-bottom: 56.25%;"><iframe allow="accelerometer; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture;" allowfullscreen="" scrolling="no" src="https://www.youtube.com/embed/SkFmYd5OpWI?rel=0" style="top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; position: absolute; border: 0;" tabindex="-1"></iframe></div>
</div>
<p dir="ltr">
Aproveite para fazer aceitos coletivos, com os filhos, a companheira ou o companheiro, com as pessoas envolvidas na fam&iacute;lia, sobre a casa, sobre planos futuros, anseios. Dividir os desejos faz com que coisas fiquem mais palp&aacute;veis para serem realizadas.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>2. Aprendizados sobre como s&atilde;o feitos os alimentos</strong></h3>
<p dir="ltr">H&aacute; um universo quase infinito aqui. O Brasil &eacute; grande demais e muita gente na cidade (muita gente mesmo) quase n&atilde;o tem ideia de como funciona o b&aacute;sico da agricultura. Estou falando de coisas simples e essenciais, como &eacute; um p&eacute; de abacaxi, que o a&ccedil;a&iacute; n&atilde;o &eacute;&nbsp; s&oacute; um doce. Apresentar de onde v&ecirc;m os alimentos, como eles viram o que viram, processos, caminhos, folclores! Conhecimento e divers&atilde;o n&atilde;o faltar&atilde;o neste item.&nbsp;</p>
<figure class="image"><a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=banner" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/26/20/19/54/ca336353-9ca3-4c80-83b3-fbee7510ba93/img_3-png" /></a><figcaption>Imagina fazer uma experi&ecirc;ncia de comida desidratada dentro de casa?</figcaption></figure>
<p dir="ltr">Podemos, ainda, ampliar a conversa para outros conhecimentos, falar de gastos com comida&nbsp;(o Eduardo Amuri fala amplamente <a href="https://www.amuri.com.br/textos/financas-para-criancas">sobre finan&ccedil;as para crian&ccedil;as</a> l&aacute; no site dele), qu&iacute;mica e f&iacute;sica, assuntos tratados como t&atilde;o chatos na candura popular, aqui viram catalisadores, as transforma&ccedil;&otilde;es da mat&eacute;ria, o aglutinar, a mistura, um tub&eacute;rculo r&iacute;gido que aparece na mesa milagrosamente como um pur&ecirc;.</p>
<p dir="ltr">Cores, texturas. Alimentos <em>in natura</em>, processados, pasteuriza&ccedil;&atilde;o, lavagem, da moagem a secagem, refrigera&ccedil;&atilde;o e congelamento, fermenta&ccedil;&atilde;o. Se quiser, pode at&eacute; abrir uma conversa com sua filha ou seu filho sobre desidrata&ccedil;&atilde;o e liofiliza&ccedil;&atilde;o <a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-sao-feitos-os-alimentos-em-po/">para fazer as comidas dos astronautas</a>.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>3. Aprender sobre nutri&ccedil;&atilde;o</strong></h3>
<blockquote>
<p dir="ltr"><em>&quot;Quem me conhece, sabe que sempre fui apaixonada pela cozinha. Mas me tornar m&atilde;e potencializou esse amor a mil. Trazer minha filha pra cozinha &eacute; minha atividade preferida h&aacute; quatro anos. E como &eacute; lindo ver o amor dela pela comida de qualidade crescer, junto das habilidades de uma verdadeira mini chefe,&quot;</em></p>
</blockquote>
<p dir="ltr">&nbsp; &nbsp; &nbsp; me disse a nutricionista e especialista em introdu&ccedil;&atilde;o alimentar e acompanhamento nutricional de beb&ecirc;s, crian&ccedil;as e fam&iacute;lias, Luiza Miranda Campos, <a href="https://www.instagram.com/mirandacirandinha/">da Miranda Cirandinha</a>.</p>
<p dir="ltr">Observando poss&iacute;veis dificuldades que os pais podem ter no in&iacute;cio da alimenta&ccedil;&atilde;o dos pequenos, ela comenta perceber que essa preocupa&ccedil;&atilde;o acontece s&oacute; quando as crian&ccedil;as j&aacute; est&atilde;o &agrave; mesa, de frente para o prato, sem interesse, e que esse processo pela metade faz perder a proveito de estreitar rela&ccedil;&otilde;es com comida de qualidade no dia a dia.</p>
<p dir="ltr">Para ela, a crian&ccedil;a precisa ter mais que fome, mas interesse e curiosidade, que fazer do ato de cozinhar algo divertido, far&aacute; todo o sentido para a aproxima&ccedil;&atilde;o dos filhos:</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&quot;Indo pra cozinha, a crian&ccedil;a observa o preparo do alimento, participa do processo, interage com ele, desperta interesse! Al&eacute;m de ser uma forma de criar mem&oacute;rias afetivas. Quem a&iacute; n&atilde;o lembra de um bolo da v&oacute;, um biscoito da tia ou um p&atilde;ozinho da vizinha? Cozinhar junto com os pais tem cheiro de inf&acirc;ncia! Cozinhar junto com as crian&ccedil;as &eacute; uma oportunidade de mostrar pra elas que preparar nosso alimento &eacute; a maior e melhor oportunidade de cuidar do nosso bem mais precioso: o nosso corpo.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">[&#8230;] Diferenciar o que faz bem e o que deve ser evitado em excesso, dizer de qual grupo alimentar cada um deles faz parte. Duvido os olhinhos deles n&atilde;o brilharem e a pr&oacute;xima experi&ecirc;ncia com a comida saud&aacute;vel ser muito mais proveitosa. O que voc&ecirc; acha que faz mais sentido pra uma crian&ccedil;a: sentar &agrave; mesa e comer a beterraba que voc&ecirc; coloca no prato dela ou te ajudar a colher/comprar, pegar na geladeira, descascar deixando a m&atilde;o rosa, picar do tamanho sugerido por ela, escolher os temperos, levar pra panela, temperar, esperar cozinhar, sentir o cheirinho do ambiente mudar, depois experimentar aquele alimento que teve a m&atilde;ozinha dela em todo o processo?&quot;</p>
</blockquote>
<figure class="image"><a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=banner" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/26/20/28/25/db0ca5b8-41ca-4ace-a523-95da0d48668d/filip-urban-ffj8qa0vqu0-unsplash-jpg" /></a><figcaption>Foto por&nbsp;<a href="https://unsplash.com/@yngprmtv?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Filip Urban</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/vegetable-child?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></figcaption></figure>
<p dir="ltr">Mas lembre-se: se a crian&ccedil;a participa de todo o preparo, e no final n&atilde;o quer experimentar, tudo bem! N&atilde;o demonstre decep&ccedil;&atilde;o! &Eacute; um processo. Uma constru&ccedil;&atilde;o. Cada parte do caminho fortalece as rela&ccedil;&otilde;es, inclusive com a comida!</p>
<p dir="ltr">A nutricionista <a href="https://www.instagram.com/nutri_marcela/">Marcela Kotait</a>, especialista em transtornos alimentares e obesidade, tamb&eacute;m fala sobre as possibilidades das crian&ccedil;as na cozinha:</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&quot;Quando colocamos a crian&ccedil;a em contato com os alimentos ajudamos a criar uma rela&ccedil;&atilde;o mais saud&aacute;vel com a comida. Entender os sabores, cores, texturas e poss&iacute;veis misturas, faz com que a comida ocupe um lugar de prazer. Entender nutri&ccedil;&atilde;o &eacute; diferente de ter uma boa rela&ccedil;&atilde;o com o alimento, dessa maneira, desconstruir o &ldquo;nutricionismo&rdquo; &eacute; de fato conectar-se com a ideia da comida de verdade, j&aacute; que comemos comida e n&atilde;o nutrientes.</p>
<p dir="ltr">Valorizar os aspectos culturais e familiares nesse momento &eacute; importante, al&eacute;m de exaltar o prazer em comer, aproveitando os sabores e diferen&ccedil;as entre as prepara&ccedil;&otilde;es. Evitar qualquer tipo de conversa sobre dietas restritivas e peso corporal &eacute; bastante indicado, j&aacute; que gerar preocupa&ccedil;&atilde;o e culpa pode ser um grande gatilho para desenvolvimento de transtornos alimentares e obesidade no futuro&quot;.</p>
</blockquote>
<h3 dir="ltr"><strong>4. Despertar o gosto por comidas diferentes</strong></h3>
<p dir="ltr">O assunto &quot;paladar infantil&quot; tem complexidades e n&atilde;o se trata como simples bobeira de crian&ccedil;a. Mas a ideia aqui &eacute; ter, nessas empreitadas com os filhos na cozinha, uma experi&ecirc;ncia mais vasta e preliminar do pr&oacute;prio paladar.</p>
<p dir="ltr">Comidas cruas, menos sal e a&ccedil;&uacute;car, constru&ccedil;&otilde;es de pratos mais naturais e diversificados. Estar pr&oacute;ximo da comida, de como ela &eacute; preparada e como ela nos nutre pode ajudar a desenvolver uma gusta&ccedil;&atilde;o mais complexa e variada.</p>
<p dir="ltr">Ampliar a cartela e possibilidades alimentares &eacute; dar poder de escolha e decis&atilde;o para uma pessoa, claro, quando falamos de crian&ccedil;as, uma inser&ccedil;&atilde;o lenta e gradativa, com real aten&ccedil;&atilde;o sobre como se desenvolve esse processo, para n&atilde;o provocar traumas ou justamente afastar a rela&ccedil;&atilde;o.</p>
<p dir="ltr">O desenvolvimento pode ser feito na base da brincadeira, da atenciosidade, novamente, da troca.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>5. Aprendizado do cuidado, da autonomia</strong></h3>
<p dir="ltr">Pode parecer clich&ecirc; afetivo, mas deixar a crian&ccedil;a mexer, errar, sujar, entender consequ&ecirc;ncias, a calmaria de novas tentativas e del&iacute;cias dos acertos &eacute; uma experi&ecirc;ncia significativa e gratificante. N&atilde;o se sentir diminu&iacute;da ou envergonhada, mas capaz, aut&ocirc;noma, entendendo que coisas dependem dela e da aten&ccedil;&atilde;o dela, e os frutos decorrentes disso.</p>
<figure class="image"><a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=banner" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/26/20/50/05/8dec6e88-b456-4e7a-acd1-2beaf40446ff/brooke-lark-ux87pz74uky-unsplash-jpg" /></a><figcaption>Photo by <a href="https://unsplash.com/@brookelark?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Brooke Lark</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/kids-cooking?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></figcaption></figure>
<p dir="ltr">&Eacute; ensinar autocuidados! E isso pode ser revolucion&aacute;rio, a integra&ccedil;&atilde;o do cuidar de si, do outro e do espa&ccedil;o, aprofundado numa entrevista com a Raquel Franzim, coordenadora de educa&ccedil;&atilde;o do Instituto Alana, organiza&ccedil;&atilde;o que promove o direito e o desenvolvimento integral da criança e ​fomenta​ novas formas de bem viver <a href="https://papodehomem.com.br/video-or-ensinar-o-autocuidado-aos-meninos-pode-ser-revolucionario">em entrevista ao PapodeHomem</a>.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&quot;Se ao longo da vida essa experi&ecirc;ncia com o outro &eacute; t&atilde;o circunscrita, se eu tenho poucas oportunidades de ter intimidade com o outro, como que eu desenvolvo v&iacute;nculo? Com a cidade, com a minha casa, com a fam&iacute;lia e com o planeta que a gente vive? N&atilde;o &agrave; toa a gente vive uma crise dos cuidados que pode ser visto com todo este escalonamento&quot;.</p>
</blockquote>
<h3 dir="ltr"><strong>6. Aprendizado de que aquela n&atilde;o &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o da mulher da casa</strong></h3>
<p dir="ltr">Um &oacute;timo exemplo disso &eacute; parte da mesma fala da fala da Raquel Franzim citada acima, sobre as vontades e desejos dos meninos:</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&quot;A gente aprende a atender necessidades pr&oacute;prias atreladas a um tempo, a um espa&ccedil;o&hellip; Ent&atilde;o eu aprendo que agora eu to com fome, que agora eu quero dormir, ou que agora eu quero descansar. Aos meninos esse olhar para si ou fica sob a domina&ccedil;&atilde;o da mulher: &ldquo;agora voc&ecirc; vai dormir, agora voc&ecirc; vai comer..&rdquo; Ou ele &eacute; pouco enxergado. &Eacute; como se esse menino n&atilde;o tivesse essa vida interior, essa vida de desejos, essa vida de necessidades que precisam ser atendidas&quot;.</p>
</blockquote>
<p dir="ltr">A cozinha &eacute; um espa&ccedil;o coletivo. Todos passam por l&aacute; e todos devem saber como operar aquele canto da casa. O velho retrato da m&atilde;e na cozinha e pai em frente &agrave; TV impossibilita um espa&ccedil;o de conversa, cria ambientes de isolamento e de privil&eacute;gios. Voltando &agrave; fala da Paola do come&ccedil;o deste texto:</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&quot;Cuidar da fam&iacute;lia, cuidar da casa, cuidar da comida, pra que a gente coma e se alimente melhor, em todos os sentidos se alimenta melhor, &eacute; um cuidado e&nbsp; uma tarefa e um trabalho de todos. [&#8230;] &eacute; entender que a cozinha, a comida e o cuidado do que a gente&#8230; como e o que a gente come, &eacute; de todos&quot;.&nbsp;</p>
</blockquote>
<p><a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=banner" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/26/20/51/47/fe6f99be-cab2-4dd7-bf8a-ab5373160c16/15d60969-849a-445f-aaca-a7c8bd38763d-jpg" /></a></p>
<p dir="ltr">Ter, por meio da rotina, o entendimento de que todos os processos da cozinha &#8211; limpezas, prepara&ccedil;&otilde;es, ajustes, escolhas, propostas &#8211; s&atilde;o coletivas e inclusivas, n&atilde;o excludentes, &eacute; contribuir para um futuro transformador.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>7. Desenvolvimento de&nbsp;motoras e sensoriais</strong></h3>
<p dir="ltr">S&oacute; de dividir o espa&ccedil;o de cozinhar com uma crian&ccedil;a j&aacute; &eacute; aux&iacute;lio primordial para seu desenvolvimento. Experimentar os preparos com os olhos, desenvolver a intelig&ecirc;ncia da observa&ccedil;&atilde;o, um in&iacute;cio menos participativo ativamente, mas podendo desenvolver os sentidos, segurar ingredientes, perceber odores e texturas, integrar-se aos sons, &agrave; din&acirc;mica.</p>
<p dir="ltr">Desenvolver a fala, a coordena&ccedil;&atilde;o de come&ccedil;ar certas misturas, aprofundar os di&aacute;logos, a rela&ccedil;&atilde;o de parceria, passar a delegar fun&ccedil;&otilde;es, tarefas conforme as idades, amassar, cortar, bater, utilizar eletrodom&eacute;sticos, tratar da limpeza e dos lixos. Claro que manusear objetos, utilizar o fog&atilde;o ou microondas ter&atilde;o a supervis&atilde;o de adultos e em etapas apropriadas.</p>
<p><a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=banner" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/26/20/52/38/f06f83d6-039c-46b6-b86f-1d9eca1d588c/cd36fe78-c670-4acd-bfac-fc94a77289fa-jpg" /></a></p>
<p dir="ltr">Mas a experi&ecirc;ncia est&aacute; criada. O ac&uacute;mulo delas. Toda uma complexidade, entender equil&iacute;brios, tempos e espa&ccedil;os, seu lugar no mundo e o lugar dos outros, cheiros e gostos, contatos, temperaturas, sons.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">O ato de trazer as crian&ccedil;as para a cozinha pode ser agrad&aacute;vel e divertido. Conversar, se juntar, trocar olhares, aten&ccedil;&atilde;o. Muda o ritmo de chegar em casa depois de um dia, ou inicia o fechar de dia no home office. Aproxima, faz ajustes, comemos melhor e mais gostoso, provocamos transforma&ccedil;&otilde;es pessoais e sociais tirando a fun&ccedil;&atilde;o historicamente feminina das m&atilde;os exclusivamente das mulheres, ampliamos horizontes.</p>
<p dir="ltr">A <em>nonna</em> fica cada vez mais contente na nossa mem&oacute;ria e as lembran&ccedil;as de fam&iacute;lia v&atilde;o se tornar mais amplas com o passar do tempo.</p>
<h3 dir="ltr">Mecenas: <a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=texto" target="_blank" rel="noopener">Nestl&eacute; por crian&ccedil;as mais saud&aacute;veis</a></h3>
<p><a href="http://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=banner" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/27/12/04/43/6e40b346-4266-4244-884b-db8b34f07419/nestle-n4hk-banner-site-papo-de-homem-peca01_770x350px_v2-1-png" /></a></p>
<p dir="ltr">O Programa <a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=texto" target="_blank" rel="noopener">Nestl&eacute; por Crian&ccedil;as Mais Saud&aacute;veis</a> &eacute; uma iniciativa global da Nestl&eacute;, que assumiu o compromisso de ajudar 50 milh&otilde;es de crian&ccedil;as a serem mais saud&aacute;veis at&eacute; 2030 no mundo todo. Desde 1999 foram beneficiadas mais de 3 milh&otilde;es de crian&ccedil;as no Brasil.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Com o lema &ldquo;muda que elas mudam&rdquo;, a partir de uma plataforma de conte&uacute;do, o programa estimula fam&iacute;lias a adotarem h&aacute;bitos mais saud&aacute;veis e ainda promove um pr&ecirc;mio nacional que&nbsp;ajuda a transformar a realidade de 10 escolas p&uacute;blicas por ano com reformas e mentorias pedag&oacute;gicas.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Conhe&ccedil;a mais <a href="https://criancasmaissaudaveis.com.br/?utm_source=papodehomem&amp;utm_medium=texto" target="_blank" rel="noopener">no&nbsp;site do programa.</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>O pacto de silêncio dos homens: O que é? Como se estrutura? E por que acontece?</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/pacto-de-silencio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jul 2021 17:48:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[O melhor do PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Supere crises]]></category>
		<category><![CDATA[Como a gente se transforma?]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Esse pacto narcísico é um dos principais pilares de manutenção de poder entre homens.
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 dir="ltr"><strong>I. Como esse sil&ecirc;ncio se constr&oacute;i?</strong></h3>
<p dir="ltr">As masculinidades hegem&ocirc;nicas s&atilde;o constru&iacute;das a partir de dois fatores: dom&iacute;nio dos homens e rep&uacute;dio a tudo o que &eacute; feminino.</p>
<p dir="ltr">Para essa estrutura se sustentar, n&oacute;s vigiamos uns aos outros, e procuramos a aprova&ccedil;&atilde;o um do outro. O sil&ecirc;ncio &eacute; uma forma de apoio invis&iacute;vel: vai desde uma piada machista a casos em que, havendo abuso da parte de um amigo, por exemplo, ningu&eacute;m chama aten&ccedil;&atilde;o.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/08/14/45/14/7ee3d791-1369-4ec4-a0ee-6f5007b583a9/priscilla-du-preez-xkkcui44im0-unsplash-jpg" /><figcaption>Photo by <a href="https://unsplash.com/@priscilladupreez?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Priscilla Du Preez</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/men-group?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></figcaption></figure>
<h3 dir="ltr"><strong>II. Pacto narc&iacute;sico&nbsp;</strong>da masculinidade:</h3>
<p dir="ltr">Voc&ecirc; deve estar se perguntando como a maioria dos homens fazem isso sem nunca terem planejado, como se tivessem aprendido por osmose. Esse pacto entre os homens acontece porque psicologicamente tendemos a defender quem &eacute; nosso semelhante, por isso pacto narc&iacute;sico, assim como Narciso, apaixonado pelo seu reflexo, somos &quot;apaixonados&quot; por quem parece e tem as mesmas ideias que n&oacute;s.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2021/07/08/14/45/42/b745118e-7dc4-4336-bb6d-b0de8dd97e8a/caravaggio-narciso-d-jpg" /><figcaption>Pintura de Caravaggio sobre o mito de narciso.</figcaption></figure>
<h3 dir="ltr"><strong>III. Existem outros v&aacute;rios pactos.</strong></h3>
<p dir="ltr">Existem outros pactos, e talvez fique mais simples de entender. Existe o pacto narc&iacute;sico da branquitude, o pacto narc&iacute;sico da cisgeneridade, entre outros. Grupos oprimidos, como mulheres, e negros por exemplo, tem muita dificuldade de construir esses pactos, porque a opress&atilde;o dos grupos dominantes serve para manter seus privil&eacute;gios e promove estrat&eacute;gias para que isso aconte&ccedil;a em todo ambito cultural.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>IV. O efeito nefasto do pacto masculino.</strong></h3>
<p dir="ltr">O pacto faz com que se mantenha diversas opress&otilde;es, como a exig&ecirc;ncia do padr&atilde;o corporal das mulheres, padr&atilde;o afetivo. Mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es abusivas psicologicamente e fisicamente. Mant&eacute;m a desigualdade no trabalho e a opress&atilde;o sist&ecirc;mica para com as mulheres e LGBTQIAP+.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>V. Como o pacto afeta a n&oacute;s.</strong></h3>
<p dir="ltr">Pelo pacto manter os privil&eacute;gios da masculinidade, parece que s&oacute; existem benef&iacute;cios, mas na verdade tem malef&iacute;cios para n&oacute;s tamb&eacute;m,</p>
<p dir="ltr">porque o sil&ecirc;ncio dos homens tamb&eacute;m &eacute; a impossibilidade de falar dos pr&oacute;prios sentimentos, cuidar da sua sa&uacute;de f&iacute;sica e mental, falar de si e dos seus problemas e fragilidades, dificulta sair dessa l&oacute;gica da masculinidade t&oacute;xica.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>VI. Nossa responsabilidade &eacute; fazer barulho.</strong></h3>
<p dir="ltr">Se pretendemos ser homens melhores, precisamos ter iniciativa. Chame aten&ccedil;&atilde;o do seu amigo que tem atitudes ruins, converse com seu irm&atilde;o, seu pai, sobre masculinidades, saiba ouvir quando for voc&ecirc; a pessoa que cometeu erro e mude, para melhor. Chega de sil&ecirc;ncio.</p>
<p dir="ltr">Consegue pensar nas vezes que voc&ecirc; defendeu ou n&atilde;o se op&ocirc;s a algu&eacute;m que era do seu grupo? Um amigo, um familiar? Conta pra gente aqui nos coment&aacute;rios e vamos pensar juntos em como quebrar o sil&ecirc;ncio em situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis.</p>
<h1 dir="ltr">&nbsp;</h1>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>A corrida por ser melhor cansa (e não necessariamente vai te fazer feliz)</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/a-corrida-por-ser-melhor-cansa-e-nao-necessariamente-vai-te-fazer-feliz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriella Feola]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2020 18:31:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Mente e atitude]]></category>
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					<description><![CDATA[Vivemos em busca de valores paradoxais - ser feliz com o simples, mas buscar sempre mais. Porque temos medo de ser medianos? Porque queremos nos diferenciar? Como diferenciar os ruídos das pressões sociais, daquilo que te traz felicidade?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><em>&quot;Treine enquanto eles dormem, estude enquanto eles se divertem, persista enquanto eles descansam, e ent&atilde;o, viva o que eles sonham.&quot; &#8211; Prov&eacute;rbio Japon&ecirc;s</em></p>
<p dir="ltr">Essa &eacute; uma das muitas frases que comp&otilde;e nossa cultura de busca pelo sucesso. Para mim, a frase&nbsp;reflete (de maneira at&eacute; um pouco caricata) tr&ecirc;s valores.</p>
<ol dir="ltr">
<li>&nbsp;Se esforce sempre mais:&nbsp;acomodar-se &eacute; ruim, o f&aacute;cil e confort&aacute;vel n&atilde;o nos faz crescer, precisamos buscar sempre superar, nem que seja superar a n&oacute;s mesmos.</li>
<li>Busque objetivos crescentes: tenha metas diferentes, busque alcan&ccedil;&aacute;-las e desenvolva novas, n&atilde;o se conforme com que o se tem. Busque o novo, cres&ccedil;a.</li>
<li>Se diferencie dos outros: n&atilde;o seja como &quot;eles&quot;, mostre porque voc&ecirc; &eacute; especial e porque voc&ecirc; merece alcan&ccedil;ar esses objetivos superiores.</li>
</ol>
<p dir="ltr">Gostando ou n&atilde;o do &quot;trabalhe enquanto eles dormem&quot;, voc&ecirc; h&aacute; de convir que esses valores s&atilde;o bem aceitos e multiplicados:&nbsp;seja no ambiente escolar, no mercado de trabalho, nos esportes,&nbsp;em rela&ccedil;&atilde;o aos seus objetivos de vida pessoal&#8230; Em todos esses espa&ccedil;os ressoa, para mim, adjetivos superlativos como mais e melhor:&nbsp;busque mais e melhor, se esforce mais e melhor, seja mais e&nbsp;melhor.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Mas, j&aacute; se perguntou se essa trilha, ou melhor, que essa corrida por superioridade n&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m uma pris&atilde;o? At&eacute; que ponto essa busca realmente nos leva para o cultivo da nossa felicidade?&nbsp;</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2020/07/30/15/27/55/9758b253-f81a-4a4e-895c-cb711a4d32af/corrida-jeremy-lapak-cvvfvq_-oug-unsplash-jpg" /><figcaption>Foto por Jeremy Lapak</figcaption></figure>
<p dir="ltr">N&atilde;o, podem ficar&nbsp;tranquilos, que esse n&atilde;o &eacute; um texto sobre largar tudo e viver na praia. De certa forma, me parece que essa tamb&eacute;m &eacute; uma busca por mais e melhor, s&oacute; que sob outros valores: ser mais espiritualizado, mais conectado&nbsp;com a natureza, mais desapegado&#8230; Entre outros.</p>
<p dir="ltr">Na verdade, a quest&atilde;o que me inquieta &eacute; essa constante busca por diferenciar-se, por sentir-se especial, por n&atilde;o se permitir ser confundido com algu&eacute;m &quot;m&eacute;dio&quot; ou &quot;med&iacute;ocre&quot;.</p>
<h3 dir="ltr">Ser especial &eacute; elogio, ser m&eacute;dio &eacute; ofensa</h3>
<p dir="ltr">Na s&eacute;rie American Crime Story&nbsp;&mdash;&nbsp;que na 2&ordf; temporada conta a hist&oacute;ria de Andrew Cunanan, <em>serial killer</em> que matou o estilista Gianni Versace e mais quatro &mdash; o jovem assassino&nbsp;diz que tudo o que mais queria era ser&nbsp;especial. A s&eacute;rie retrata como ele se frustra e se&nbsp;revolta diante sempre e quando os que o rodeiam n&atilde;o reconhecem sua &quot;distin&ccedil;&atilde;o&quot;.</p>
<p dir="ltr">Me perdoem por come&ccedil;ar com a imagem do serial killer. Pode soar um pouco rude. &Eacute; que esse momento da s&eacute;rie me levou a pensar que, das pessoas mais diferentes poss&iacute;veis&nbsp;&mdash;&nbsp;da aluna aplicada, ao artista virtuoso, &agrave; religiosa filantropa, ao &ldquo;monstro&rdquo; assassino &mdash; de alguma forma todos estamos buscando ser especiais,&nbsp;seja aos olhos dos nossos pais, dos professores, dos cr&iacute;ticos de certa &aacute;rea, do chefe,&nbsp;de Deus ou da m&iacute;dia chocada.</p>
<p dir="ltr">A gente cresce nesse caldo em que a mediocridade &eacute; ofensa da maior escala. Na minha fam&iacute;lia, a tia que ostentava um diploma universit&aacute;rio, vivia ofendendo os demais n&atilde;o-diplomados com essa palavra: &ldquo;<em>n&atilde;o seja um med&iacute;ocre</em>&rdquo;. Nos meus dias de adolescente, eu, aluna dedicada, corria atr&aacute;s da minha vaga na concorrida universidade p&uacute;blica, n&atilde;o s&oacute; pra garantir uma forma&ccedil;&atilde;o e possibilidade de&nbsp;sustento financeiro, mas para&nbsp;provar que eu era diferente, mais inteligente&nbsp;que os populares colegas de sala.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">10 anos depois eu escrevo para voc&ecirc;s para dizer que, apesar das corridas e de minhas vit&oacute;rias, eu&nbsp;me sinto absolutamente med&iacute;ocre. N&atilde;o se preocupem em me dissuadir disso, porque eu escrevo justamente para ressiginificar e exaltar o sentido de estar no meio, de ser mais uma e apenas isso.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Queria usar um exemplo muito simb&oacute;lico. A&nbsp;concorrida Universidade de S&atilde;o Paulo oferecia&nbsp;60 vagas para o&nbsp;curso, eu passei em 30.&nbsp;Passar a&nbsp;frente de milhares candidatos&nbsp;rendeu momentos empolga&ccedil;&atilde;o pela conquista e, em seguida, l&aacute; estava eu,&nbsp;numa posi&ccedil;&atilde;o perfeitamente mediana entre outros tamb&eacute;m aprovados.&nbsp;</p>
<h3 dir="ltr">Sobre comparar-se com os outros.</h3>
<p style="text-align:center"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2020/07/30/15/29/13/605108e2-2b58-4f64-9861-8f3bc609e092/lacam-jpg" /></p>
<p dir="ltr">Quando Lacan d&aacute; o exemplo do espelho &mdash;&nbsp; a crian&ccedil;a que aprende que a&nbsp;imagem no espelho &eacute; seu&nbsp;pr&oacute;prio reflexo, porque reconhece&nbsp;que a outra imagem &eacute; a da pessoa que o segura &mdash;&nbsp;ele mostra como&nbsp;aprendemos a nos entender como indiv&iacute;duos a partir da rela&ccedil;&atilde;o com o outro.</p>
<p dir="ltr">Digo isso para mostrar que n&atilde;o &eacute; simples pensar em nossa identidade, trajet&oacute;ria, objetivos&nbsp;de um jeito completamente desprendido das compara&ccedil;&otilde;es com ou das&nbsp;expectativas com os outros.</p>
<p dir="ltr">O que &eacute; um ideal&nbsp;de felicidade? Ter fam&iacute;lia? Ter sucesso? Ter aventuras? Mais&nbsp;que isso, como escolhemos o nosso? Geralmente ao&nbsp;ver isso em outra pessoa:&nbsp;num filme, num livro, em algu&eacute;m que voc&ecirc; admira. Podemos e devemos pensar na nossa trajet&oacute;ria individual, sem tanta compara&ccedil;&atilde;o, mas seria ing&ecirc;nuo (e pouco eficiente) acreditar que parar de comparar-se &eacute; simples.</p>
<p dir="ltr">&Agrave;s vezes nos comparamos e nos sentimos bem porque vemos tudo o que superamos (e que outros n&atilde;o superaram ou n&atilde;o superariam) e &agrave;s vezes nos sentimos mal porque avaliamos que n&atilde;o fizemos tanto quanto fulano ou ciclano. H&aacute; quem olhe o copo meio cheio, h&aacute; quem o olhe meio vazio. Ambas as possibilidades s&atilde;o mais recorrentes que uma terceira: olhar&nbsp;copo sem tentar medir uma parte comparando pelo preenchimento da outra.</p>
<h3 dir="ltr">Cara a cara com as nossas frustra&ccedil;&otilde;es</h3>
<p dir="ltr">A pandemia causou um impacto imposs&iacute;vel de ignorar na vida de muita gente este ano.&nbsp;Um amigo muito querido &mdash; que estava se aproximando da independ&ecirc;ncia financeira, mas teve seu progresso interrompido pela crise&nbsp;&mdash;&nbsp;&nbsp;ao celebrar seu anivers&aacute;rio, contou estar sentindo-se mal, como quem envelhece e n&atilde;o sai do lugar, que&nbsp;fica pra traz.</p>
<p dir="ltr">Diante da minha&nbsp;tentativa de valorizar as conquistas da trajet&oacute;ria, ele pondera: &ldquo;&eacute; como se, numa corrida de 1000&nbsp;eu estivesse, em 600&ordm; lugar&rdquo;. Um pouco mais pra traz ou pouco mais pra frente, estar entre os do meio nos parece ruim, desanimador, sinal de fracasso.</p>
<p dir="ltr">Na juventude a gente sonha com esse ideal de destacar-se, de nos afastar da mediocridade pouco atraente dos adultos da vida real. Por&eacute;m,&nbsp;ao adultecer, n&oacute;s, apesar das conquistas, tamb&eacute;m descobrimos que algumas&nbsp;ambi&ccedil;&otilde;es da juventude n&atilde;o est&atilde;o exatamente pr&oacute;ximas da nossa realidade. &Eacute; frustrante, n&atilde;o &eacute;? Consegue pensar em alguma destas n&atilde;o-realiza&ccedil;&otilde;es em sua vida?</p>
<p dir="ltr">Para aplacar a frustra&ccedil;&atilde;o, ao n&atilde;o conseguir estar no topo de todas as categorias, escolhemos&nbsp;ao menos uma em que nos destacamos mais e nos aferramos a ela: &ldquo;posso n&atilde;o ser o melhor profissional, mas sou um pai excepcional&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o sou dos mais inteligentes mas sou divertido como ningu&eacute;m&rdquo;, &ldquo;posso n&atilde;o ser popular, mas sou a comprometida em ajudar minha comunidade&rdquo;. Te dou um minuto: qual &eacute; o seu palco de destaque?</p>
<p dir="ltr">Essas ideias costumam trazer conforto, mas s&atilde;o fr&aacute;geis. Toda a seguran&ccedil;a sobre a identidade que constru&iacute;mos para n&oacute;s mesmo, se abala t&atilde;o logo nosso p&oacute;dio&nbsp;seja&nbsp;amea&ccedil;ado por outros &quot;pais excepcionais&quot;, &quot;amigos divertidos&quot;, &quot;ou filantropos engajados&quot;. J&aacute; sentiu isso? A sensa&ccedil;&atilde;o de ser destitu&iacute;do do seu trono?</p>
<h3 dir="ltr">Sobre a relatividade das posi&ccedil;&otilde;es</h3>
<p dir="ltr">[Uma pausa: pensa em tr&ecirc;s grandes atores de Hollywood&nbsp;dos anos 1990. J&aacute; volto nisso]</p>
<p dir="ltr">Se eu olhar com carinho para minha trajet&oacute;ria, percorri um longo caminho de conquistas. Se eu comparar a minha posi&ccedil;&atilde;o hoje, com a de alguns&nbsp;colegas de faculdade sinto que estou pra tr&aacute;s. Pensando sobre isso, um dia eu me deparei com um poster do Matt Damon e&nbsp;senti que t&iacute;nhamos algo em comum.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Por acaso o Matt Damon foi um dos atores que&nbsp;te veio a cabe&ccedil;a ao lembrar das estrelas dos anos 1990? Tom Hanks, Leonardo di C&aacute;prio, Brad Pitt&#8230;&nbsp;Eu particularmente n&atilde;o iria citar o Matt Damon nem se aumentasse um pouco esse lista. Ele &eacute; um excelente ator, um dos mais jovens vencedores do &Oacute;scar como roteirista, cheio de sucessos de bilheteria e cr&iacute;tica no curr&iacute;culo, mas n&atilde;o foi consagrado como o mais talentoso da gera&ccedil;&atilde;o, nem como o mais bonit&atilde;o, nem como o mais dur&atilde;o, nem como o queridinho dos romances.</p>
<p dir="ltr">Matt Damon tem um curr&iacute;culo brilhante e&nbsp;chegou onde muitos sonham, mas, talvez, ele olhe para os colegas com uma certa sensa&ccedil;&atilde;o de ter sido menos, ou de ter tido menos&nbsp;reconhecimento.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Viver correndo atr&aacute;s dessa diferencia&ccedil;&atilde;o de superioridade, nem que seja&nbsp;em pelo menos uma &aacute;rea, &eacute; um trabalho constantemente frustrante, porque&nbsp;ele n&atilde;o acaba e, ent&atilde;o, quando ser&aacute; suficiente?</p>
<p dir="ltr">Se estamos buscando sempre o ser especial, o ser mais ou melhor em algo, quando vai bastar? Quando n&atilde;o houver mais ningu&eacute;m para superar ou quando j&aacute; houver gente suficiente &quot;a baixo&quot; para nos sentirmos legitimados?</p>
<h3 dir="ltr">Os preju&iacute;zos da corrida pelo m&eacute;rito</h3>
<p dir="ltr">Essa buscar por ser especial, diferente ou por estar num topo n&atilde;o&nbsp;prejudica s&oacute; a n&oacute;s mesmo a medida que nos guia por um caminho de insatisfa&ccedil;&atilde;o, mas cria tamb&eacute;m uma competitividade mais focada no destaque de uns que no benef&iacute;cio de v&aacute;rios.</p>
<p dir="ltr">Quando desejamos ser mais e sempre mais, estamos valorizando a l&oacute;gica da sociedade em pir&acirc;mide, em que s&oacute; alguns podem ter o que &eacute; bom, em que &eacute; preciso uma base larga para sustentar a pontinha brilhante.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Exaltar essa sociedade em pir&acirc;mide, querer ocupar o topo, &eacute; indiretamente ou inconscientemente, precisar que muitos estejam&nbsp;abaixo de voc&ecirc;, seja para o sustento do seu valor, de seu reconhecimento, ou falando em quest&otilde;es materiais, do seu luxo.</p>
<p dir="ltr">Ser&aacute; se valorizamos as conquistas que n&atilde;o nos diferenciam? Se numa sele&ccedil;&atilde;o de 10 candidatos, conseguimos uma vaga, mas descobrimos em seguida, que haviam 10 vagas,&nbsp;por mais que o postos seja tudo o que voc&ecirc; buscou, voc&ecirc; se sentiria vitorioso? Ou se sentiria ao menos em d&uacute;vida por n&atilde;o ter se provado nem mais (nem menos) que nenhum dos outros dez candidatos?</p>
<p dir="ltr">Eu n&atilde;o sei para voc&ecirc;s, mas para mim cria-se um paradoxo: ao mesmo tempo que eu busco me provar e obter esse reconhecimento por conquistas que me &quot;diferenciam&quot;, a ideia de ver os outros abaixo, ou menos valorizados, n&atilde;o&nbsp;bate&nbsp;com os meus valores pessoais. Eu n&atilde;o quero acreditar no meu valor a partir da percep&ccedil;&atilde;o de que eu alcancei mais que outros, ou que outros alcan&ccedil;aram e podem menos que eu.</p>
<p dir="ltr">N&atilde;o &eacute; isso que eu quero para os meus primos, colegas de escola, de bairro, nem para todas as pessoas que eu cruzo no &ocirc;nibus e n&atilde;o sei o nome.</p>
<p dir="ltr">Essa corrida n&atilde;o tem feito sentido para mim, at&eacute; porque, como bem tem se discutido hoje, essa ideia de &quot;m&eacute;rito&quot; n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples e passa por muitos fatores &mdash; como cor, g&ecirc;nero, classe &mdash; que nada tem a ver como a nossa &quot;capacidade&quot;.&nbsp;Ao mesmo tempo que eu tenha&nbsp;conquistas, no fim das contas, n&atilde;o tem como separar meu esfor&ccedil;o das minhas condi&ccedil;&otilde;es de estudo, de apar&ecirc;ncia, de cor da pele&hellip;</p>
<h3 dir="ltr">O que ganhamos quando paramos de competir?</h3>
<p dir="ltr">Na briga com as compara&ccedil;&otilde;es, os sentimentos de frustra&ccedil;&atilde;o e o desejo de me afastar&nbsp;dessa l&oacute;gica de ocupar o topo de qualquer pir&acirc;mide, eu fui encontrando conforto a medida que passei a abra&ccedil;ar a mediocridade, libertando o conceito do seu significado de ofensa (n&atilde;o que esse processo tenha sido r&aacute;pido ou f&aacute;cil).</p>
<p dir="ltr">Qual mal tem em ser med&iacute;ocre, em estar no meio? O que perdemos por n&atilde;o buscar o topo? Me deixa inverter essa pergunta: <strong>o que podemos ganhar quando paramos de competir&nbsp;em busca de uma &ldquo;superioridade&rdquo;?</strong></p>
<p dir="ltr">Ser&aacute; que estar buscas e estes ideias que desenhamos para n&oacute;s mesmos s&atilde;o realmente o que vai nos fazer mais felizes?&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Outro dia, no instagram do PDH falamos sobre como Kelly Slater, maior campe&atilde;o de surf do mundo, <a href="https://surftotal.com/noticias/internacionais/item/16676-kelly-slater-e-a-sua-incessante-busca-pelo-titulo-vazio" target="_blank" rel="noopener">conta que os trof&eacute;us n&atilde;o fizeram dele um homem mais feliz</a>.&nbsp;</p>
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<p dir="ltr">Estabelecer objetivos pode ser uma ferramenta muito importante de conquistas em nossas vida, mas se n&atilde;o tivermos um olhar muito atento para n&oacute;s mesmos, corremos o risco de usar a meta como distra&ccedil;&atilde;o, como um jogo&nbsp;que nos mant&eacute;m ocupados com a promessa de vit&oacute;ria, mas que nos atrapalha de olhar para dentro e entender o que realmente importa.&nbsp;</p>
<h3 dir="ltr">Quando ningu&eacute;m est&aacute; por perto, o que sobra?</h3>
<p dir="ltr">Se pensar a vida em 2020, &eacute; insepar&aacute;vel de olhar para os efeitos da pandemia,&nbsp;para mim, a crise financeira e o isolamento, me levaram tamb&eacute;m a um processo de liberta&ccedil;&atilde;o do olhar desse&nbsp;audit&oacute;rio imagin&aacute;rio que vive na nossa cabe&ccedil;a, que bate palma, vaia ou d&aacute; risada das nossas viv&ecirc;ncias di&aacute;rias.</p>
<p dir="ltr">Aproveitando as refer&ecirc;ncias noventistas, o espanhol&nbsp;Alejandro Sanz, al&eacute;m de&nbsp;&ldquo;coraz&oacute;n partio&rdquo; tem outro sucesso que diz &ldquo;quando ningu&eacute;m me v&ecirc;, eu ponho o mundo de cabe&ccedil;a pra baixo&rdquo;. E quando o mundo n&atilde;o te v&ecirc;? E quando sua felicidade n&atilde;o pode vir de fora, dos outros, das distra&ccedil;&otilde;es ou das compras. O que sobra?</p>
<p dir="ltr">Aqui em casa agora somos&nbsp;eu e minha fam&iacute;lia, apenas. Tudo o que eu fazia no meu tempo livre em 2019 n&atilde;o &eacute; mais seguro. Qualquer consumo que seja mais que um sonho de padaria est&aacute;&nbsp;fora da meu alcance. O objetivo de completa independ&ecirc;ncia financeira teve de ser adiado indefinidamente.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">O que realmente te faz feliz na ess&ecirc;ncia? O que realmente me faz feliz na ess&ecirc;ncia?</p>
<p dir="ltr">Para minha felicidade, pro meu sentimento de paz comigo mesmo, o que sobra s&atilde;o coisas muito simples. As grandes conversas sobre a vida e a pol&iacute;tica com a minha m&atilde;e, a felicidade de cantar m&uacute;sicas de cornos com todo meu cora&ccedil;&atilde;o. A despeito do amor que tenho pelos meus, ficar sozinha me faz imensamente feliz. As brincadeiras com os meus cachorros tamb&eacute;m. A&nbsp;paz de tomar um caf&eacute; olhando pela janela, o sentimento de potencia ao ser capaz de pintar alguma coisa que tava na minha cabe&ccedil;a. Essas s&atilde;o as coisas que me fazem feliz.</p>
<div data-oembed-url="https://www.instagram.com/p/B-Ugv3vBDrn/"><iframe allowfullscreen="true" allowtransparency="true" class="instagram-media instagram-media-rendered" data-instgrm-payload-id="instagram-media-payload-0" frameborder="0" height="862" id="instagram-embed-0" scrolling="no" src="https://www.instagram.com/p/B-Ugv3vBDrn/embed/?cr=1&amp;v=12&amp;wp=723&amp;rd=https%3A%2F%2Fpapodehomem.com.br&amp;rp=%2Fadmin%2Farticles%2F114472%2Fedit#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A4080.3700000979006%2C%22ls%22%3A3613.025000086054%2C%22le%22%3A3615.955000044778%7D" style="background: white; max-width: 658px; width: calc(100% - 2px); border-radius: 3px; border: 1px solid rgb(219, 219, 219); box-shadow: none; display: block; margin: 0px 0px 12px; min-width: 326px; padding: 0px;"></iframe><script async="" src="https://www.instagram.com/embed.js"></script></div>
<p dir="ltr" style="text-align: center;"><em>(eu e minha pintura perfeitamente m&eacute;dia)</em></p>
<p dir="ltr">N&atilde;o que o financeiro n&atilde;o importe:&nbsp;importa que eu consiga colocar comida em casa, que as d&iacute;vidas estejam sob controle e que ao fim de tr&ecirc;s meses eu consiga repor umas&nbsp;bisnagas de tintas para manter minha paix&atilde;o, isso importa. Mas, quando ningu&eacute;m v&ecirc;,&nbsp;pouco importa que eu tenha um diploma mais prestigiado que outros ou que eu ganhe menos entre os pares &#39;prestigiados&#39;.</p>
<p dir="ltr">Existem alguns conceitos muito claros de sucessos impregnados em nossas cren&ccedil;as. Querendo ou n&atilde;o, quando a gente os alcan&ccedil;a alguns deles, sentimos uma felicidade genu&iacute;na: um sentimento de vit&oacute;ria, de reconhecimento. &Eacute; gostoso, n&atilde;o tem como negar. Mas quando ningu&eacute;m v&ecirc;, quando estamos a s&oacute;s conosco, importa a diferencia&ccedil;&atilde;o para o nosso sentimento de plenitude interna?</p>
<p dir="ltr">Se pararmos um pouco a competi&ccedil;&atilde;o, podemos descobrir que a felicidade est&aacute; ao alcance das m&atilde;os e que mora nas&nbsp;coisas mais med&iacute;ocres da vida.&nbsp;</p>
<blockquote>
<p dir="ltr"><em>&quot;Okay, Gabriella, nem te conhe&ccedil;o mas voc&ecirc; escreveu tudo isso para dizer que no fim a felicidades est&aacute; nas coisas simples da vida? Como se isso fosse algo novo&#8230;&quot;</em></p>
</blockquote>
<p dir="ltr">De fato, que a felicidade est&aacute; nas coisas simples &eacute; frase manjada. No entanto vivemos em um contexto de valores paradoxais: encontre a felicidade no simples, mas se esforce sempre mais, respeite a todos, mas n&atilde;o seja como &quot;eles&quot;&nbsp;ou &quot;como todo mundo&quot;. &Eacute;&nbsp;dif&iacute;cil ficar em paz enquanto somos bombardeados por ideias opostas.</p>
<p dir="ltr">Porque, ao mesmo tempo que dizemos &quot;n&atilde;o sou mais ou menos que ningu&eacute;m&quot; nos sentimos ofendidos com a ideia de mediocridade?</p>
<p dir="ltr">No fundo, eu escrevi tudo isso pra exaltar o sentimento de liberta&ccedil;&atilde;o que &eacute; abra&ccedil;ar a mediocridade, ressignificar a palavra e o conceito, e entender que estar pr&oacute;ximo dos seus, que n&atilde;o ser t&atilde;o diferente assim, n&atilde;o &eacute; ofensa.</p>
<h3 dir="ltr">Abra&ccedil;ando a mediocridade</h3>
<p dir="ltr">O meu ponto &eacute; aceitar a beleza da mediocridade, de olhar pros outros e ver neles, n&atilde;o seres superiores ou inferiores, mas semelhantes: mais chegados nisso, menos experientes naquilo e&nbsp;med&iacute;ocres na maioria das coisas.</p>
<p dir="ltr">Como eu falei, eu gosto de pintar. &Eacute; uma das coisas que me traz felicidade. E eu sou absolutamente med&iacute;ocre pintando. Outro dia, num momento de exalta&ccedil;&atilde;o da minha mediocridade, postei uma pequena aquarela&nbsp;e escrevi: &ldquo;n&atilde;o sou boa, mas fico feliz em ser m&eacute;dia em v&aacute;rias pequenas coisas&quot;.</p>
<p dir="ltr">Um amigo, tentando ser gentil veio, indignado, pedir que eu n&atilde;o dissesse&nbsp;tal coisa, afinal, ele sempre me viu como algu&eacute;m &quot;cheia de confian&ccedil;a&quot; e n&atilde;o estava me reconhecendo.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Nessa conversa eu perceber que a medida que fui abra&ccedil;ando minha mediocridade,&nbsp;eu n&atilde;o me sentia menos confiante, nem menos potente. Apenas mais livre, livre para n&atilde;o superar expectativas.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">​</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2020/07/29/18/01/26/7981e670-8b9d-4611-b1af-f26845c9931e/voce-e-limitad-jpg" /><figcaption>Para mim, um dos melhores conselhos da internet &eacute; o &ldquo;Voc&ecirc; &eacute; limitado&rdquo; do @Coachdefracassos.</figcaption></figure>
<p dir="ltr">N&atilde;o &eacute; que eu n&atilde;o consiga criar belezas pintando, nem que eu desgoste das belezas que eu crio. Mas aceitar que elas s&atilde;o m&eacute;dias &eacute; amar o que eu crio plenamente. &Eacute;&nbsp;amar o que eu fiz do jeito que eu fiz, sem indulg&ecirc;ncias, ou exageros e&nbsp;sem a press&atilde;o de s&oacute; gostar quando for &ldquo;melhor&rdquo;,&nbsp;melhor que eu mesma ou melhor que os outros.</p>
<p dir="ltr">A mesma maneira, aceitar minha mediocridade n&atilde;o &eacute; diminuir o meu valor.&nbsp;N&atilde;o &eacute; perder a cren&ccedil;a em mim ou nas coisas que eu posso fazer, mas me libertar para faz&ecirc;-las sem a obriga&ccedil;&atilde;o de compar&aacute;-las, ou de&nbsp;buscar supera&ccedil;&atilde;o. Sabendo que sempre haver&aacute;&nbsp;par&acirc;metros de compara&ccedil;&atilde;o no nosso dia a dia e que n&atilde;o podemos escapar deles (sal&aacute;rio, especializa&ccedil;&otilde;es, posses), abra&ccedil;ar a mediocridade &eacute;&nbsp;abra&ccedil;ar o seu valor mesmo que ele seja perfeitamente ordin&aacute;rio em algumas das compara&ccedil;&otilde;es.</p>
<p dir="ltr">Ressignificar a mediocridade &eacute; amar a mim e a minha trajet&oacute;ria mesmo sem corresponder idealiza&ccedil;&otilde;es, <a href="https://papodehomem.com.br/autocompaixao-26-perguntas-para-descobrir-quanto-dela-tem-consigo-mesmo" target="_blank" rel="noopener">na linha da autocompaix&atilde;o</a>. E tamb&eacute;m &eacute; amar aos meus irm&atilde;os todos e&nbsp;as&nbsp;suas trajet&oacute;rias incondicionalmente, enxergando a profunda beleza de suas trajet&oacute;rias, que n&atilde;o s&atilde;o iguais &agrave;s de ningu&eacute;m, mas que muito provavelmente, s&atilde;o m&eacute;dias como as de muitos.&nbsp;</p>
<h4 dir="ltr">E voc&ecirc;, j&aacute; abra&ccedil;ou&nbsp;sua mediocridade hoje?</h4>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Como superar a cobrança por experiências que não tive?| Mentoria #66</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/como-superar-a-cobranca-por-experiencias-que-nao-tive-or-mentoria-66/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação PdH]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Feb 2020 12:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquivo]]></category>
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					<description><![CDATA[É como se, quanto mais velho eu fico, mais esperam que eu seja algum ser ideal. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&quot;<em>Ol&aacute;, sou Clay, tenho 20 anos e&#8230; bom, indo direto ao ponto:&nbsp;sinto que a falta de experi&ecirc;ncia e conhecimento sobre v&aacute;rias &aacute;reas da vida &mdash; que normalmente se vive na adolesc&ecirc;ncia&nbsp;&mdash;&nbsp;me faltam fortemente hoje.</em></p>
<p><em>N&atilde;o sei como me resolver nisso. Sempre fui uma crian&ccedil;a isolada e quieta. Isso refletiu muito na minha adolesc&ecirc;ncia, onde eu n&atilde;o tinha uma boa auto- estima, al&eacute;m de ser t&iacute;mido.&nbsp;Acabei deixando de descobrir muita coisa que&nbsp;normalmente acontece nessa idade,&nbsp;principalmente como me relacionar com o sexo oposto, os malditos joguinhos e coisas que eu n&atilde;o tenho ideia de como descobrir.</em></p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2020/02/07/16/38/09/2cba33f2-67b7-4471-a9fb-ba37b6f063b2/mentoria-jpg" /><figcaption>Desenho por&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/andrzej_alexander/">@andrzej_alexander</a></figcaption></figure>
<p><em>N&atilde;o &eacute; como se eu fosse socialmente disfuncional. Hoje, nos meus 20 anos, eu superei v&aacute;rias coisas:&nbsp;a timidez, o medo de aproxima&ccedil;&atilde;o, dentre outros&#8230;&nbsp;</em></p>
<p><em>Tenho uma apar&ecirc;ncia &oacute;tima em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; antes, mas isso apenas faz com que as pessoas com quem me relaciono esperem de mim algo que eu n&atilde;o sei como entregar,&nbsp;as maldades, os detalhes que eu nunca tive conhecimento&#8230;&nbsp;</em></p>
<p><em>Nunca soube como de fato me comportar num relacionamento e acabo sufocando minhas parceiras com um desejo impar&aacute;vel de ter algo real com elas. Acabo tendo apenas mais uma experi&ecirc;ncia frustrada com algu&eacute;m bacana, mas que eu e minhas inseguran&ccedil;as n&atilde;o fomos&nbsp;capazes de lidar. </em></p>
<p><em>E, claro, na falta de ter com quem me relacionar, acabo tendo quase nenhuma experi&ecirc;ncia com sexo. J&aacute; tive parceiras que n&atilde;o quiseram continuar comigo por esse fato.</em></p>
<p><em>&Eacute; como se, quanto mais velho eu fico, mais esperam que eu seja algum ser ideal que tem que conseguir fazer de tudo pra ser aceit&aacute;vel, e isso &eacute; imposs&iacute;vel. </em></p>
<p><em>Enfim, como posso lidar com minhas inexperi&ecirc;ncias, minhas inseguran&ccedil;as? Como posso aprender a descobrir de verdade o mundo a minha volta e fazer da minha juventude uma fase decente e bem aproveitada da minha vida, superando toda esta cobran&ccedil;a por algo que n&atilde;o pude conhecer?&quot;</em></p>
<h3 class="MsoNormal"><strong>Como responder e ajudar no Mentoria PdH</strong></h3>
<p><strong>(leia para evitar ter seu coment&aacute;rio apagado):</strong></p>
<div class="gs">
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<div class="a3s aXjCH " id=":1k8">
<ul>
<li><strong>comentem sempre em primeira pessoa, contando da sua experi&ecirc;ncia direta com o tema&nbsp;</strong>&mdash; e n&atilde;o s&oacute; dizendo o que a pessoa tem que fazer, como um professor distante da situa&ccedil;&atilde;o</li>
<li>n&atilde;o ridicularizem, humilhem ou fa&ccedil;am piada com o outro</li>
<li>sejam espec&iacute;ficos ao contar do que funcionou ou n&atilde;o para voc&ecirc;s</li>
<li>estamos cultivando rela&ccedil;&otilde;es&nbsp;<a href="https://papodehomem.com.br/cultive-relacoes-de-parceria/" target="_blank" rel="noopener">de parceria de acordo com a perspectiva proposta aqui</a>, que vai al&eacute;m das amizades usuais (vale a leitura desse link)</li>
<li>coment&aacute;rios grosseiros, rudes, agressivos ou que fujam do foco, ser&atilde;o deletados</li>
</ul>
<h3><strong>Como enviar minha pergunta?</strong></h3>
<p>Voc&ecirc; pode mandar sua pergunta para&nbsp;<a href="http://mailto:posts@papodehomem.com.br/" target="_blank" rel="noopener">posts@papodehomem.com.br</a>&nbsp;.</p>
<p>O assunto do email deve ter o seguinte formato: &quot;PERGUNTA | Mentoria PdH&quot; &mdash; assim conseguimos filtrar e encontrar as mensagens com facilidade.</p>
<h3><strong>Posso fazer perguntas simples e pr&aacute;ticas, na linha &quot;Como planejo minha mudan&ccedil;a de cidade sem quebrar? Como organizar melhor o tempo pra cuidar de meu filho? Como lidar com o diagn&oacute;stico de uma doen&ccedil;a grave?&quot; ?</strong></h3>
<p>Queremos tratar tamb&eacute;m de dificuldades pr&aacute;ticas enfrentadas por n&oacute;s no dia-a-dia.</p>
<p>Ent&atilde;o, quem tiver quest&otilde;es nessa linha, envie pra n&oacute;s. Assim vamos construindo um mosaico mais amplo de assuntos com a Mentoria.</p>
<h3><strong>Essa Mentoria &eacute; incr&iacute;vel. Onde encontro as perguntas anteriores?</strong></h3>
<p>Basta entrar na&nbsp;<a href="https://papodehomem.com.br/colecoes/mentoria-pdh" target="_blank" rel="noopener">cole&ccedil;&atilde;o Mentoria PdH</a>.</p>
<h3><strong>Clay, um presente pra voc&ecirc;:</strong></h3>
<p>Vamos te enviar por email o ebook&nbsp;<a href="https://pages.hotmart.com/b5902174m/as-25-maiores-crises-do-homem-e-como-superalas-papodehomem" target="_blank" rel="noopener">&quot;As 25 maiores crises dos homens &mdash; e como super&aacute;-las&quot;, produzido pelo PdH.</a></p>
<p>Se deseja adquirir ou presentear algu&eacute;m que possa se beneficiar,&nbsp;<a href="https://pages.hotmart.com/b5902174m/as-25-maiores-crises-do-homem-e-como-superalas-papodehomem" target="_blank" rel="noopener">compre a sua edi&ccedil;&atilde;o aqui.</a></p>
<figure class="image"><a href="http://pages.hotmart.com/b5902174m/as-25-maiores-crises-do-homem-e-como-superalas-papodehomem" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/06/03/19/56/53/bd10cd95-83b3-48ec-8707-9182f2d9857f/25-crises-jpg-jpg-jpg-jpg" /></a></p>
<div class="seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image">
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<p>Para conhecer mais sobre o conte&uacute;do do livro e tudo que vai encontrar l&aacute; dentro,&nbsp;<a href="https://papodehomem.com.br/as-25-maiores-crises-do-homem-e-como-supera-las/" target="_blank" rel="noopener">leia esse texto</a>.</p>
<p><strong>Ao comprar o livro, voc&ecirc; tamb&eacute;m ajuda a manter o PapodeHomem vivo.</strong></p>
<p>Nosso rendimento com an&uacute;ncios caiu drasticamente nos &uacute;ltimos dois anos, assim como aconteceu com toda a ind&uacute;stria jornal&iacute;stica, no Brasil e no mundo (a verba agora se concentra no Facebook e no Google). Como o que fazemos &eacute; para voc&ecirc;s e n&atilde;o para gerar o maior n&uacute;mero de clicks com textos vazios, essa ajuda &eacute; essencial para nossa sustentabilidade.</p>
</div>
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		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15411</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Esposa do jogador Bruno Henrique é intimidada no estádio após questionar torcedor</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/esposa-do-jogador-bruno-henrique-e-intimidada-no-estadio-apos-questionar-torcedor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação PdH]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Oct 2019 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O melhor do PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Equidade de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://localhost:8888/pdh/institucional/sem-categoria/esposa-do-jogador-bruno-henrique-e-intimidada-no-estadio-apos-questionar-torcedor/</guid>

					<description><![CDATA[Depois do vídeo em que pedia respeito a torcedor,  Bhel Dietrich foi encurralada e empurrada na saída do jogo do Palmeiras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em setembro, dias depois do time sofrer uma derrota por 3 X 0 pro Flamengo, um torcedor abordou Bruno Henrique, jogador do Palmeiras, enquanto ele caminhava com sua esposa e o cachorro do casal.</p>
<p>O homem em quest&atilde;o chamou Bruno de &quot;pipoqueiro&quot; e, em tom calmo, a esposa de Bruno confronta o torcedor dizendo que ele estaria sendo desrespeitoso e desagrad&aacute;vel ao ofender seu marido&nbsp;fora do est&aacute;dio, no seu momento familiar.</p>
<p>A discuss&atilde;o foi filmada e o v&iacute;deo<a href="https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2019/09/02/bruno-henrique-e-cobrado-por-torcedor-na-rua-e-defendido-pela-esposa.htm" target="_blank" rel="noopener">&nbsp;viralizou na internet.</a> Enquanto muitos parabenizaram o casal pela forma pac&iacute;fica como confrontaram o torcedor, outros os criticaram.&nbsp;</p>
<div data-oembed-url="https://twitter.com/Miltonneves/status/1168842715800440832">
<blockquote align="center" class="twitter-tweet" data-dnt="true">
<p dir="ltr" lang="pt">Bruno Henrique do Palmeiras: quanta paci&ecirc;ncia, calma e educa&ccedil;&atilde;o! Mas sua esposa &eacute; brava como o Felipe Melo. T&ocirc; com ela! <a href="https://t.co/zcQEmmPqbP">pic.twitter.com/zcQEmmPqbP</a></p>
<p>&mdash; Milton Neves (@Miltonneves) <a href="https://twitter.com/Miltonneves/status/1168842715800440832?ref_src=twsrc%5Etfw">September 3, 2019</a></p></blockquote>
<p><script async="" src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></div>
<blockquote>
<div data-oembed-url="https://twitter.com/LumaFelixx/status/1168969800187555841">
<blockquote align="center" class="twitter-tweet" data-conversation="none" data-dnt="true">
<p dir="ltr" lang="pt">T&aacute; nervoso?? O acomodado a&iacute;? Acho que o torcedor pegou at&eacute; leve, esses babacas est&atilde;o curtindo com a cara dele e do clube, o sal&aacute;rio est&aacute; em dia, o clube fornece tudo e um pouco mais ai e ainda quer que a torcida aceite viver de derrota? Folgados! Ningu&eacute;m quer isso pro seu clube</p>
<p>&mdash; Luma F&eacute;lix (@LumaFelixx) <a href="https://twitter.com/LumaFelixx/status/1168969800187555841?ref_src=twsrc%5Etfw">September 3, 2019</a></p></blockquote>
<p><script async="" charset="utf-8" src="https://platform.twitter.com/widgets.js"></script>
</div>
</blockquote>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/21/21/51/44/2b42889e-9248-4671-aeb3-e635eb0e38fd/bel-e-bruno-jpg" /><figcaption>O jogador do palmeiras Bruno Henrique e sua esposa Bel Dietrich</figcaption></figure>
<p>Neste domingo, ap&oacute;s o empate 1&#215;1 com o Atl&eacute;tico Paranaense, Bruno Henrique relatou que, na sa&iacute;da do est&aacute;dio, sua esposa foi&nbsp;<a href="https://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/10/21/por-que-a-esposa-de-bruno-henrique-virou-alvo-da-torcida-do-palmeiras/" target="_blank" rel="noopener">acuada, xingada e empurrada por outro grupo de torcedores.</a></p>
<p>A viol&ecirc;ncia nos est&aacute;dios, apesar de atroz, n&atilde;o &eacute; novidade. Os confrontos&nbsp;entre torcedores, tampouco. Nessa era de&nbsp;vendas multimilion&aacute;rias de boleiros, tem sido cada vez mais frequente que os torcedores intimidem os jogadores, tal qual agiotas que&nbsp;exigem, violentamente,&nbsp;vit&oacute;rias como juros devidos aos investimentos&nbsp;do clube.&nbsp;</p>
<p>Com o epis&oacute;dio da intimida&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o de Bhel Dietrich, chegamos ao ponto em que, por se posicionar em contra este tipo de cobran&ccedil;a, a esposa do jogador &eacute; punida por um grupo de torcedores que n&atilde;o aceitam ser contrariados.</p>
<h3>A discuss&atilde;o do <a href="https://twitter.com/Miltonneves/status/1168842715800440832" target="_blank" rel="noopener">v&iacute;deo</a></h3>
<p>A discuss&atilde;o do v&iacute;deo e a forma como Bhel confrontou o torcedor fez com que ela virasse alvo da revolta de torcedores descontentes com o time. Mas qual foi a postura que causou tanta revolta?</p>
<p>Enquanto o seu tom de voz era firme porem calmo e ponderado, as palavras de Bhel na discuss&atilde;o foram as seguintes:&nbsp;</p>
<blockquote>
<p>[Bhel] &quot;N&atilde;o pode (xingar). Voc&ecirc; gostaria que algu&eacute;m xingasse sua esposa, sua m&atilde;e, sua filha? Voc&ecirc; pode at&eacute; falar, mas voc&ecirc; est&aacute; sendo desrespeitoso e desagrad&aacute;vel. Voc&ecirc; n&atilde;o falou time, voc&ecirc; xingou diretamente ele. Assuma as coisas que voc&ecirc; faz, seja homem para fazer na frente. Quer fazer, faz, mas assume. Voc&ecirc; acha que est&aacute; certo? P&ocirc;, a gente tem vida tamb&eacute;m. Voc&ecirc; quer xingar? Vai no est&aacute;dio xingar ent&atilde;o.&quot;</p>
<p>[Bruno]&quot;Eu to com a minha esposa, a gente sabe que o time est&aacute; passando por um momento ruim voc&ecirc; acha que a gente est&aacute; feliz? Ningu&eacute;m est&aacute; feliz. Eu estou passeando com a minha esposa.&quot;</p>
<p>[Bhel] &quot;Porque voc&ecirc; vem magoar os outros, meu? Voc&ecirc; acha que perde porque quer?&quot;</p>
</blockquote>
<p>Em seguida ela repara que est&aacute; sendo filmada, se dirige a quem est&aacute; gravando e diz &quot;voc&ecirc; vai apagar esse v&iacute;deo agora&quot;. A &uacute;ltima coisa que se v&ecirc; &eacute; sua m&atilde;o tocando o celular.&nbsp;Este ato foi o ponto de cr&iacute;tica de diversos torcedores.&nbsp;</p>
<div data-oembed-url="https://twitter.com/jowabesoares/status/1168852688983007232">
<blockquote align="center" class="twitter-tweet" data-conversation="none" data-dnt="true">
<p dir="ltr" lang="pt">Perdeu a raz&atilde;o quando foi tentar pegar o celular. Eu concordo totalmente com ela at&eacute; ela tentar pegar o celular da m&atilde;o do cara.</p>
<p>&mdash; Joabe Soares (@jowabesoares) <a href="https://twitter.com/jowabesoares/status/1168852688983007232?ref_src=twsrc%5Etfw">September 3, 2019</a></p></blockquote>
<p><script async="" charset="utf-8" src="https://platform.twitter.com/widgets.js"></script>
</div>
<p>No entanto, este tipo de coment&aacute;rio ignora a lei de direito de imagem. Filmar algu&eacute;m sem sua autoriza&ccedil;&atilde;o e reproduzir esta imagem <a href="https://jus.com.br/artigos/75081/o-direito-de-imagem" target="_blank" rel="noopener">&eacute; crime e cabe indeniza&ccedil;&atilde;o</a>, portanto Bhel tem o direito garantido pela constitui&ccedil;&atilde;o de demandar que o v&iacute;deo seja apagado.&nbsp;</p>
<h3>O machismo nas&nbsp;cr&iacute;ticas</h3>
<p>Os coment&aacute;rios em sites de not&iacute;cias e no Twitter nos mostram alguns aspectos da rea&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico diante da postura de Bhel&nbsp;Dietrich.&nbsp;</p>
<div data-oembed-url="https://twitter.com/WendellAlvaren1/status/1168861262912065537">
<blockquote align="center" class="twitter-tweet" data-conversation="none" data-dnt="true">
<p dir="ltr" lang="pt">Se n&atilde;o fosse a mulher dele, ele apanhava.</p>
<p>&mdash; Wendell Alvarenga (@WendellAlvaren1) <a href="https://twitter.com/WendellAlvaren1/status/1168861262912065537?ref_src=twsrc%5Etfw">September 3, 2019</a></p></blockquote>
<p><script async="" charset="utf-8" src="https://platform.twitter.com/widgets.js"></script>
</div>
<p>Os coment&aacute;rios manifestam uma carga machista na qual se espera uma postura agressiva do homem e passiva da mulher: repreendem Bhel por ela se impor diante do torcedor,&nbsp;ofendem&nbsp;a&nbsp;Bruno Henrique por sua esposa tomar a frente da nessa situa&ccedil;&atilde;o:</p>
<div data-oembed-url="https://twitter.com/celsoreginato/status/1168914823230492672">
<blockquote align="center" class="twitter-tweet" data-conversation="none" data-dnt="true">
<p dir="ltr" lang="pt">A esposa do BH exerce dupla fun&ccedil;&atilde;o esposa e guarda costas. O BH, por sua vez, &eacute; t&atilde;o molenga para se defender quanto jogando pelo time do Palmeiras.</p>
<p>&mdash; Celso Reginato (@celsoreginato) <a href="https://twitter.com/celsoreginato/status/1168914823230492672?ref_src=twsrc%5Etfw">September 3, 2019</a></p></blockquote>
<p><script async="" charset="utf-8" src="https://platform.twitter.com/widgets.js"></script>
</div>
<blockquote>
<p>&quot;Torcedor tem que apavorar mesmo!!! Mulher arrogante!!! E o Bruno Henrique mostrou que &eacute; frouxo mesmo. T&aacute; mais que evidente que em casa a &uacute;ltima palavra &eacute; a dele: &quot;SIM SENHORA&quot;.-Coment&aacute;rio por LeoSG.</p>
</blockquote>
<p>A torcedores que&nbsp;n&atilde;o compactuam&nbsp;com a intimida&ccedil;&atilde;o cometida&nbsp;exigiram um posicionamento do&nbsp;Palmeiras. Muitos pedem&nbsp;para que os culpados pela agress&atilde;o sejam responsabilizados e banidos dos est&aacute;dios.&nbsp;</p>
<p>Na nota oficial, o clube declara:</p>
<p><em>&ldquo;A Sociedade Esportiva Palmeiras repudia veementemente o deplor&aacute;vel e constrangedor epis&oacute;dio ocorrido na sa&iacute;da do est&aacute;dio neste domingo (20), ap&oacute;s a partida contra o Athletico-PR, em Curitiba, envolvendo a esposa do jogador Bruno Henrique e sua fam&iacute;lia.</em></p>
<p><em>&Eacute; inadmiss&iacute;vel que aconte&ccedil;am situa&ccedil;&otilde;es lament&aacute;veis envolvendo ataques de supostos torcedores a atletas, comiss&atilde;o t&eacute;cnica, dirigentes e seus familiares. O clube est&aacute; dando todo o suporte necess&aacute;rio ao jogador e sua fam&iacute;lia&rdquo;</em></p>
<p>Como foi muito bem colocado por <a href="http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/10/21/por-que-a-esposa-de-bruno-henrique-virou-alvo-da-torcida-do-palmeiras/?cmpid=copiaecola" target="_blank" rel="noopener">Renata Mendon&ccedil;a no site Dibradoras:</a></p>
<blockquote>
<p>&quot;O futebol virou desculpa para se naturalizar o que, na verdade, s&atilde;o crimes. Amea&ccedil;a, agress&atilde;o, intimida&ccedil;&atilde;o. Nada disso pode ser tratado como &quot;normal&quot; ou como &quot;parte da rotina&quot; de uma profiss&atilde;o&#8230;.&nbsp;&quot;</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Varicocele | Você conhece a principal causa da infertilidade masculina?</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/varicocele-or-voce-conhece-a-principal-causa-da-infertilidade-masculina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dr. Daniel Suslik Zylbersztejn]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2019 19:52:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde do homem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://localhost:8888/pdh/institucional/sem-categoria/varicocele-or-voce-conhece-a-principal-causa-da-infertilidade-masculina/</guid>

					<description><![CDATA[Ela é a responsável por 40% dos casos em que os homens não conseguem engravidar suas parceiras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p dir="ltr"><em>&quot;- Varico&#8230;o qu&ecirc; meu filho?&nbsp;<br />
&#8211; Varicocele</em><em> pai, eu tenho </em><em>varicocele!!!! Voc&ecirc; n&atilde;o teve quando era jovem, pai?&nbsp;<br />
&ndash; Que bobagem meu filho, acho que esta doen&ccedil;a &eacute; mais uma que inventaram nestes tempos modernos! &quot;</em></p>
</blockquote>
<p dir="ltr">Este curto di&aacute;logo&nbsp;mostra o quanto ainda existe de ignor&acirc;ncia sobre os&nbsp;cuidados da sa&uacute;de masculina. A varicocele &eacute; a principal causa da infertilidade masculina, mas ainda &eacute; pouco comentada.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">H&aacute;&nbsp;muito preconceito quanto as quest&otilde;es da infertilidade conjugal, afinal, ainda existe um dogma na sociedade supondo que os problemas est&atilde;o&nbsp;relacionados a fatores femininos. Na verdade, os homens est&atilde;o implicados em <strong>50% das causas</strong> de infertilidade conjugal.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Agora que entendemos que o homem tem uma importante parcela de contribui&ccedil;&atilde;o no quadro de infertilidade do casal, fica mais f&aacute;cil de entender a raz&atilde;o de falarmos sobre a varicocele.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/18/20/00/51/66881372-4784-4eb6-8937-a9742bd3f69e/varicocele-capa-jpg" /><figcaption>A varicocele &eacute; caracterizada pela dilata&ccedil;&atilde;o dos vasos testiculares</figcaption></figure>
<p dir="ltr">Ela &eacute; a respons&aacute;vel por 40% dos casos em que os homens n&atilde;o conseguem engravidar suas parceiras e por 80% dos casos de infertilidade em homens que j&aacute; tiveram filhos, mas que n&atilde;o conseguem uma nova fecunda&ccedil;&atilde;o.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Mas, calma! &Eacute; Importante ressaltar que n&atilde;o &eacute; sempre que a varicocele causa infertilidade. Isso acontece em 20% dos homens diagnosticados &mdash; porcentagem suficientemente expressiva para se preocupar com esta doen&ccedil;a e suas consequ&ecirc;ncias na sa&uacute;de reprodutiva masculina.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Se voc&ecirc; ainda n&atilde;o est&aacute; convencido de como esta doen&ccedil;a pode atrapalhar a qualidade de vida do homem (e tamb&eacute;m do casal), aqui v&atilde;o mais alguns dados:</p>
<p dir="ltr">Pesquisas cl&iacute;nicas em homens f&eacute;rteis com varicocele tem mostrado que a varicocele tamb&eacute;m pode<strong> prejudicar a produ&ccedil;&atilde;o de testosterona, gerando um quadro de andropausa </strong>pela queda de produ&ccedil;&atilde;o deste horm&ocirc;nio pelo test&iacute;culo.</p>
<h1 dir="ltr"><strong>Mas o que seria a varicocele?&nbsp;</strong></h1>
<p dir="ltr"><em>&ldquo;Quando ela aparece? Ela causa algum sintoma, como dor? Como eu fa&ccedil;o para detectar se eu tenho? E por que ela pode gerar infertilidade masculina?&rdquo;</em>&nbsp;</p>
<p dir="ltr">A varicocele nada mais &eacute; do que um nome espec&iacute;fico para a dilata&ccedil;&atilde;o das veias testiculares associadas ao refluxo de sangue. Dependendo da regi&atilde;o do organismo onde as veias est&atilde;o doentes &mdash; dilatadas e com refluxo venoso &mdash;, o nome pode mudar. A mesma dilata&ccedil;&atilde;o, quando acontece na veia das pernas, chamamos de varizes e, quando estas varizes ocorrem na regi&atilde;o anal, chama-se ent&atilde;o <em>doen&ccedil;a hemorroid&aacute;ria.</em>&nbsp;</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/18/20/01/23/cb323398-2682-4e73-b00b-d8544562e915/varicocele-jpg" /><figcaption>Do mais leve para o mais grave, diferentes n&iacute;veis de dilata&ccedil;&atilde;o das veias testiculares.</figcaption></figure>
<p dir="ltr">O aparecimento das veias dilatadas nos test&iacute;culos durante a puberdade ocorre pelas transforma&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas e hormonais desta fase da vida: r&aacute;pido aumento dos n&iacute;veis da testosterona, ganho de peso e de estatura, por exemplo.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Em meninos com a predisposi&ccedil;&atilde;o de terem a fragilidade venosa, estas mudan&ccedil;as abruptas f&iacute;sicas e hormonais geram uma sobrecarga nas veias dos&nbsp; test&iacute;culos que, por sua vez, acabam dilatando e gerando o refluxo venoso.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">&Eacute; muito comum o adolescente com o pai e o irm&atilde;o mais velho com hist&oacute;rico de varicocele desenvolver a doen&ccedil;a, mostrando tamb&eacute;m uma quest&atilde;o de predisposi&ccedil;&atilde;o heredit&aacute;ria.&nbsp;</p>
<h1 dir="ltr"><strong>Mas como eu fa&ccedil;o para saber se eu tenho ou n&atilde;o varicocele?&nbsp;</strong></h1>
<p dir="ltr">Simples, basta apenas um exame f&iacute;sico. Numa consulta de rotina, basta que o urologista examine o paciente fisicamente e pronto.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Como j&aacute; falamos aqui no PapodeHomem, <a href="https://papodehomem.com.br/porque-garotos-nao-vao-ao-urologista">garotos adolescentes n&atilde;o t&ecirc;m o costume de ir ao urologista</a>, e por isso, muitos casos de varicocele n&atilde;o s&atilde;o identificados na sua fase inicial. Por isso, ressaltamos aqui a import&acirc;ncia das consultas de rotina na adolesc&ecirc;ncia, afinal, &eacute; neste per&iacute;odo da vida que a varicocele se desenvolve e se torna detect&aacute;vel clinicamente.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">A varicocele raramente traz algum sintoma. S&oacute; em 10% dos casos os pacientes sentem dor. Mas, alguns adolescentes se sentem envergonhados quando a varicocele &eacute; muito acentuada, pois altera a &ldquo;est&eacute;tica&rdquo; da bolsa testicular e, neste per&iacute;odo de descobertas sexuais, acabam procurando por ajuda m&eacute;dica. Nestes casos, os adolescentes podem ter a varicocele detectada ainda no seu est&aacute;gio inicial pelo urologista.&nbsp;</p>
<h1 dir="ltr"><strong>Mas como uma veia dilatada gera infertilidade?</strong></h1>
<p dir="ltr">Para entendermos melhor, convido o leitor a fazer uma&nbsp;analogia&nbsp;simples: pense num motor de carro.</p>
<p dir="ltr">O test&iacute;culo, tal qual um motor de um carro, precisa trabalhar sempre em uma temperatura adequada. Enquanto o motor de um carro precisa estar sempre abaixo de 100&ordm; C, o test&iacute;culo para produzir bons espermatozoides precisa estar sempre a 2 ou 3&ordm; C abaixo da temperatura corporal.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Para isso, tanto o motor de carro quanto os test&iacute;culos usam um sistema de resfriamento. No test&iacute;culo este &eacute; feito pelas veias testiculares saud&aacute;veis, ou seja, sem dilata&ccedil;&atilde;o.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Quando as veias adoecem e aparece a varicocele, este sistema de resfriamento perfeito fica prejudicado, perdendo a capacidade de diminuir a temperatura testicular. Ao trabalhar em uma temperatura mais aquecida cronicamente, o test&iacute;culo n&atilde;o vai &ldquo;ferver&rdquo; (como ocorreria com um motor de um carro), mas produzir&aacute; de forma gradativa espermatozoides em menos quantidade e em pior qualidade.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Este &eacute; o famoso <strong>estresse oxidativo</strong>, fen&ocirc;meno biol&oacute;gico t&atilde;o em moda nos dias de hoje, em que ocorre uma produ&ccedil;&atilde;o em excesso de radicais livres de oxig&ecirc;nio e que levam a dano e a morte celular progressiva.</p>
<h1 dir="ltr"><strong>Tem cura?</strong></h1>
<p dir="ltr">Claro. Felizmente existe tratamento e este &eacute; capaz de melhorar a produ&ccedil;&atilde;o de espermatoz&oacute;ides, tanto na quantidade como na qualidade.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">No entanto, o tratamento da varicocele <strong>&eacute; sempre cir&uacute;rgico</strong>. N&atilde;o existem rem&eacute;dios milagrosos, vitaminas ou exerc&iacute;cios f&iacute;sicos que possam tratar a varicocele.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Uma vez diagnosticada, o urologista precisa identificar se o paciente poder&aacute; se beneficiar do tratamento cir&uacute;rgico, afinal, como j&aacute; destacamos, apenas 20% dos homens com varicocele ter&atilde;o preju&iacute;zo na fertilidade. O restante dos homens com a varicocele, como n&atilde;o ter&atilde;o preju&iacute;zos, n&atilde;o precisar&atilde;o de cirurgia.</p>
<p dir="ltr">Existem algumas t&eacute;cnicas cir&uacute;rgicas para a corre&ccedil;&atilde;o da varicocele, por&eacute;m <strong>apenas uma t&eacute;cnica exibe os melhores resultados, podendo reaver a fertilidade com mais seguran&ccedil;a: a microcirurgia. Esta </strong>t&eacute;cnica permite ao cirurgi&atilde;o tratar todas as veias doentes sem danificar outros vasos testiculares, como, por exemplo, a art&eacute;ria testicular, principal vaso provedor de energia e oxig&ecirc;nio, vital para o bom funcionamento do test&iacute;culo.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">O procedimento cir&uacute;rgico demora ao redor de 3 horas, com o paciente podendo ter alta 24hs ap&oacute;s a cirurgia.&nbsp;</p>
<p>A varicocele &eacute; uma doen&ccedil;a que se caracteriza por ser <strong>tempo-dependente</strong>, ou seja: quanto maior o tempo de exist&ecirc;ncia, mais preju&iacute;zo ela trar&aacute; para a fun&ccedil;&atilde;o do test&iacute;culo. Desta maneira, ir ao urologista e detectar a doen&ccedil;a no come&ccedil;o, principalmente durante a adolesc&ecirc;ncia, &eacute; a melhor maneira de prevenir a infertilidade na vida adulta.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Respondendo perguntas necessárias sobre nosso trabalho e o documentário “O silêncio dos homens”</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/respondendo-perguntas-necessarias-sobre-nosso-trabalho-e-o-documentario-o-silencio-dos-homens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação PdH]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Oct 2019 18:26:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Inspiração]]></category>
		<category><![CDATA[O melhor do PdH]]></category>
		<category><![CDATA[Comida]]></category>
		<category><![CDATA[Equidade de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidades]]></category>
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					<description><![CDATA[Dialogando com nossa comunidade sobre pontos importantes a respeito de como atuamos, escolhas e processos de aprendizado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Diante da repercuss&atilde;o do projeto &quot;<a href="https://papodehomem.com.br/o-silencio-dos-homens-documentario-completo/" target="_blank" rel="noopener">O sil&ecirc;ncio dos homens</a>&quot;, recebemos diversas perguntas. Nos alegrou, em especial, receber&nbsp;elogios de ativistas em diversos campos.</p>
<p dir="ltr">Como &eacute; natural, tamb&eacute;m recebemos cr&iacute;ticas. Muitas das perguntas est&atilde;o conectadas a respostas ou a&ccedil;&otilde;es j&aacute; realizadas por n&oacute;s ao longo desses 12 anos. Mas sabemos que n&atilde;o h&aacute; como ningu&eacute;m acompanhar tudo o que fazemos e tamb&eacute;m h&aacute; problemas que de fato precisamos reconhecer e seguir melhorando.</p>
<p dir="ltr"><strong>Ainda h&aacute; muito a ser feito. </strong>O PdH e os homens que participam da equipe e dos projetos possuem <strong>muito a melhorar pessoalmente</strong>, tamb&eacute;m.</p>
<div data-oembed-url="https://www.youtube.com/watch?v=NRom49UVXCE">
<div style="left: 0; width: 100%; height: 0; position: relative; padding-bottom: 56.25%;"><iframe allow="encrypted-media; accelerometer; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen="" scrolling="no" src="https://www.youtube.com/embed/NRom49UVXCE?rel=0" style="border: 0; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; position: absolute;" tabindex="-1"></iframe></div>
</div>
<p><a href="https://youtu.be/NRom49UVXCE" target="_blank" rel="noopener"><em>Link Youtube</em></a>&nbsp;|&nbsp;<em>Disponibilizamos legendas em ingl&ecirc;s e espanhol</em></p>
<p dir="ltr">Abaixo seguem algumas das respostas que acreditamos serem importantes para todos que nos acompanham.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/19/14/48/23/b9d60898-0478-49f2-8132-41639096cb6b/whatsapp-image-2019-06-24-at-20-09-27-8-jpg" /><figcaption><em>Bastidores de &quot;O sil&ecirc;ncio dos homens&quot;</em></figcaption></figure>
<h3 dir="ltr"><strong>O que exatamente &eacute; o PdH?</strong></h3>
<p dir="ltr">Uma plataforma de transforma&ccedil;&atilde;o das masculinidades. Hoje atuamos em tr&ecirc;s bra&ccedil;os. Um portal de conte&uacute;do p&uacute;blico, um bra&ccedil;o de eventos e o Instituto PdH.</p>
<p dir="ltr">Realizamos <strong>a&ccedil;&otilde;es remuneradas e atuamos tamb&eacute;m de forma n&atilde;o-remunerada</strong> com escolas, universidades e institui&ccedil;&otilde;es diversas. Trabalhamos em rede com institutos, coletivos, empresas, escolas, universidades e &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos por todo o pa&iacute;s.</p>
<p dir="ltr">Lutamos <strong>pela equidade de g&ecirc;nero, contra o machismo</strong>, pelo fim das viol&ecirc;ncias contra as mulheres e pela transforma&ccedil;&atilde;o dos homens.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/19/15/02/11/8649399e-a193-40b1-a5a7-91f798da6cad/captura-de-tela-2019-10-14-as-18-32-51-png" /><figcaption><em>Roda realizada por n&oacute;s em escola em S&atilde;o Bernardo do Campo</em></figcaption></figure>
<h3 dir="ltr"><strong>O PdH &eacute; composto s&oacute; por homens?</strong></h3>
<p dir="ltr">N&atilde;o. Temos mulheres em nossas equipes de trabalho h&aacute; anos. Somos uma rede com centenas de homens e mulheres que colaboram para que tudo isso siga vivo. O projeto &quot;O sil&ecirc;ncio dos homens&quot; teve v&aacute;rias mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a, como listamos mais abaixo.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>O que voc&ecirc;s fazem pra ajudar a acabar com o machismo? E como voc&ecirc;s est&atilde;o promovendo a responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos homens?</strong></h3>
<p dir="ltr"><strong>Responsabiliza&ccedil;&atilde;o</strong> &eacute; uma das mensagens centrais do document&aacute;rio &quot;O sil&ecirc;ncio dos homens&quot;, assim como do estudo resultante. Concordamos que &eacute; passo absolutamente essencial.</p>
<p dir="ltr">Precisamos reconhecer os erros e falhas com honestidade, nos olhar no espelho antes de qualquer processo de mudan&ccedil;a come&ccedil;ar.</p>
<p dir="ltr">Toda a atua&ccedil;&atilde;o do PdH, no portal, nos eventos, nas centenas de a&ccedil;&otilde;es em escolas, f&aacute;bricas, institui&ccedil;&otilde;es diversas e &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, &eacute; calcada nisso. Estamos sempre abertos a convites para novas maneiras de seguir atuando na luta contra o machismo. Caso queira falar conosco, envie uma mensagem para <a href="mailto:posts@papodehomem.com.br" class="secure-mailto-protected">posts@papodehomem.com.br</a> .</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/19/15/08/22/910d241c-1256-4928-ad08-67b8cb06beaa/captura-de-tela-2019-10-14-as-18-37-57-png" /><figcaption>Roda realizada em SP com a Secret&aacute;ria de Justi&ccedil;a e o grupo &quot;E agora, Jos&eacute;?&quot;, para capacitar homens que v&atilde;o trabalhar no combate &agrave; viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero</figcaption></figure>
<h3 dir="ltr"><strong>O projeto &quot;O sil&ecirc;ncio dos homens&quot; &eacute; somente o document&aacute;rio ou h&aacute; algo a mais?</strong></h3>
<p dir="ltr">O projeto se iniciou com uma pesquisa qualitativa que teve conversas em profundidade com dezenas de homens e mulheres. Em seguida realizamos uma pesquisa quantitativa online, que obteve mais de 40.000 respostas. Essas etapas foram a base do document&aacute;rio.</p>
<p dir="ltr">O lan&ccedil;amento do document&aacute;rio foi realizado com exibi&ccedil;&otilde;es independentes e volunt&aacute;rias em todo o Brasil, contando com articula&ccedil;&atilde;o de dezenas de mulheres e homens interessados no tema.</p>
<p dir="ltr">Tamb&eacute;m <a href="https://papodehomem.com.br/silencio" target="_blank" rel="noopener">lan&ccedil;amos um relat&oacute;rio de pesquisa e seguimos apoiando os grupos que surgiram pelo pa&iacute;s</a>.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>O t&iacute;tulo &quot;O sil&ecirc;ncio dos homens&quot; n&atilde;o seria paradoxal, considerando que os homens ocupam tantos espa&ccedil;os de fala e posi&ccedil;&otilde;es de poder?</strong></h3>
<p dir="ltr">Endere&ccedil;amos essa quest&atilde;o no pr&oacute;prio filme, mas vale tratarmos aqui tamb&eacute;m.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">No estudo que fizemos com a ONU Mulheres em 2016, descobrimos que <a href="https://youtu.be/jyKxmACaS5Q">7 em cada 10 homens n&atilde;o falam sobre seus medos, obst&aacute;culos e d&uacute;vidas nem com seus amigos</a>.</p>
<p dir="ltr">Ao mesmo tempo em que ocupam tantas posi&ccedil;&otilde;es de poder, n&atilde;o falam sobre o que est&aacute; dentro &mdash; o que acaba travando justamente o processo de transforma&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rio para acabar com o machismo. Sem escuta interior, n&atilde;o h&aacute; consci&ecirc;ncia e sem consci&ecirc;ncia n&atilde;o existe mudan&ccedil;a. Ao silenciar suas emo&ccedil;&otilde;es, eles n&atilde;o desenvolvem empatia ou escuta com as mulheres, nem consigo pr&oacute;prios e com outros homens.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">E esse sil&ecirc;ncio tamb&eacute;m se manifesta de maneiras distintas a depender de sua condi&ccedil;&atilde;o social. Homens brancos, negros e LGBT possuem sil&ecirc;ncios e dores distintas. Ent&atilde;o o sil&ecirc;ncio no t&iacute;tulo do filme &eacute; de significado amplo, diz respeito ao mundo emocional, &agrave;s omiss&otilde;es, a n&atilde;o responsabiliza&ccedil;&atilde;o.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"><a href="https://www.coemergencia.com.br/23-sobre-o-silencio-do-homens/" target="_blank" rel="noopener">Em epis&oacute;dio recente do podcast Coemerg&ecirc;ncia</a>, Ismael dos Anjos, que atuou como coordenador do projeto, tamb&eacute;m abordou essa quest&atilde;o em mais detalhes.</p>
<h3>O que nos motivou a fazer o filme?</h3>
<p>Em 2016 lan&ccedil;amos o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jyKxmACaS5Q&amp;t=5s" target="_blank" rel="noopener">nosso primeiro&nbsp;document&aacute;rio</a> com&nbsp;pesquisa, que escutou mais de 20.000 pessoas. Ele nos mostrou que 7 em cada 10 homens n&atilde;o falam sobre seus maiores medos, obst&aacute;culos e d&uacute;vidas com os amigos.</p>
<p>J&aacute; not&aacute;vamos o mesmo fen&ocirc;meno em nossas rodas de conversa h&aacute; mais de 10 anos. E, &agrave; medida em que nos aprofundamos no estudo sobre masculinidades, observamos como esse sil&ecirc;ncio est&aacute; na raiz de v&aacute;rios outros problemas.</p>
<p>Viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, aus&ecirc;ncia de mulheres em posi&ccedil;&otilde;es de poder na pol&iacute;tica e economia, ass&eacute;dio, estupros, sexismo institucional.&nbsp;Entre os homens, observamos altas&nbsp;taxas de suic&iacute;dio, homic&iacute;dio, elevado &iacute;ndice de mortes no trabalho,&nbsp;baixa expectativa de vida dos&nbsp;homens trans, alto encarceramento de homens negros jovens&#8230; a lista &eacute; longa.</p>
<p>Sil&ecirc;ncio aqui tem sentido amplo. &Eacute; emocional, verbal, social, tanto individual como coletivo. Estamos falando de uma rigidez psicol&oacute;gica, que se torna um vulc&atilde;o quando associada aos &quot;mandamentos da masculinidade&quot;: ser bem-sucedido profissionalmente, n&atilde;o agir de modos que pare&ccedil;am femininos, n&atilde;o levar desaforo pra casa, dar em cima das mulheres sempre que poss&iacute;vel, n&atilde;o expressar emo&ccedil;&otilde;es, dentre outros.</p>
<p>A maioria dos homens&nbsp;foi treinado para sufocar o que sente, aguentar o tranco e peitar a vida, como&nbsp;<em>machos</em>.</p>
<p>Acontece que essa maneira&nbsp;de existir e estar no mundo tem causado danos&nbsp;para as mulheres e para os pr&oacute;prios homens. &Eacute; tempo de mudar.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Por que voc&ecirc;s n&atilde;o abordaram o tema masculinidades negras, masculinidades n&atilde;o heterossexuais e transmasculinidades em maior profundidade no filme?&nbsp;</strong></h3>
<p dir="ltr">Essa tamb&eacute;m &eacute; uma dor nossa. Daria pra fazer um document&aacute;rio inteiro s&oacute; sobre masculinidades negras e tamb&eacute;m outro inteiro sobre masculinidades n&atilde;o heterossexuais e transmasculinidades.</p>
<p dir="ltr">Entretanto, optamos por fazer um filme introdut&oacute;rio, que apresentasse v&aacute;rios temas importantes no campo das masculinidades: os problemas, as dores, as origens, a situa&ccedil;&atilde;o nas escolas, no campo, em diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s, viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero e caminhos de mudan&ccedil;a, masculinidades negras, masculinidades n&atilde;o-heterossexuais, como iniciar um grupo, e, permeando tudo isso, responsabiliza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p dir="ltr">Sab&iacute;amos tamb&eacute;m que se o filme ficasse com mais de 1 hora, seria bem mais dif&iacute;cil chegar em escolas, empresas e eventos diversos &mdash; aprendemos isso com nosso primeiro document&aacute;rio sobre equidade de g&ecirc;nero (vamos comentar logo abaixo).</p>
<p dir="ltr">Focamos em falar com pessoas que ainda est&atilde;o distantes do tema, isso implicou em uma s&eacute;rie de decis&otilde;es de linguagem e edi&ccedil;&atilde;o, para fazer com que o filme furasse bolhas e chegasse mais longe.</p>
<p dir="ltr">O projeto foi inteiro pensado pra ser p&uacute;blico e com distribui&ccedil;&atilde;o horizontal. Torcemos para que ele inspire novos document&aacute;rios, a&ccedil;&otilde;es, pesquisas e mergulhos. E seguiremos tratando de masculinidades negras e n&atilde;o heterossexuais no Instituto PdH, em nosso portal e em nossos eventos &quot;Homens Poss&iacute;veis&quot; e &quot;PAI&quot;.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Como fa&ccedil;o pra exibir o filme em minha cidade ou comunidade?</strong></h3>
<p dir="ltr"><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfDvqryNOlMmGjGfz-EfazCc6rh_s2HbDbyrKWyQKW5kUpxLA/viewform">Basta preencher esse cadastro</a> e ler *atentamente* &agrave;s instru&ccedil;&otilde;es para receber o filme em HD. Voc&ecirc; pode usar como quiser.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Esse &eacute; o primeiro document&aacute;rio que voc&ecirc;s fazem? Por que n&atilde;o fizeram algo focado em equidade de g&ecirc;nero e feminismo antes?</strong></h3>
<p dir="ltr">Em 2016 lan&ccedil;amos o filme &quot;<a href="https://youtu.be/jyKxmACaS5Q">Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de g&ecirc;nero</a>&quot;, realizado com a ONU Mulheres e viabilizado pelo Botic&aacute;rio.</p>
<p dir="ltr">Foi uma das maiores pesquisas j&aacute; feitas nesse campo, direcionada pelas demandas de mulheres ativistas para n&oacute;s.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">O projeto nasceu de um convite da pr&oacute;pria ONU Mulheres, que aspirava estabelecer campos de di&aacute;logo mais construtivos com os homens e as masculinidades, pois entenderam que a transforma&ccedil;&atilde;o necessitava t&ecirc;-los como aliados para ir mais longe e superar obst&aacute;culos fruto da resist&ecirc;ncia dos pr&oacute;prios homens. Sem tocar homens em posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, muitas barreiras seguiam (e seguem) de p&eacute;, infelizmente. Por isso escutamos milhares de mulheres e homens pelo pa&iacute;s para mapear caminhos poss&iacute;veis de mudan&ccedil;a.</p>
<p dir="ltr"><a href="https://issuu.com/onumulheresbrasil/docs/relat__rio_onu_eles_por_elas_pesqui">O relat&oacute;rio completo do projeto est&aacute; aqui</a> &mdash; ele come&ccedil;a oferecendo um panorama sobre o patriarcado, suas origens e consequ&ecirc;ncias. O documento inclui ainda sete gatilhos de transforma&ccedil;&atilde;o e uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es a serem realizadas j&aacute;, em contextos corporativos, dom&eacute;sticos e p&uacute;blicos.&nbsp;</p>
<h3 dir="ltr"><strong>O document&aacute;rio e a pesquisa foram realizados por uma equipe s&oacute; de homens heterossexuais?</strong></h3>
<p dir="ltr">N&atilde;o. O projeto contou com dezenas de pessoas (quase 50) e organiza&ccedil;&otilde;es distintas. Trabalharam nele homens, mulheres, pessoas brancas, negras, asi&aacute;ticas, pessoas hetero e pessoas n&atilde;o-hetero.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Mas houve mulheres com voz e posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a no projeto?</strong></h3>
<p dir="ltr">Sim. A pesquisa qualitativa foi liderada por Juliana Fava. A dire&ccedil;&atilde;o-geral document&aacute;rio foi compartilhada entre uma mulher e um homem, Luiza de Castro e Ian Leite. A edi&ccedil;&atilde;o foi feita por Ana Higa. A estrat&eacute;gia de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas foi coordenada por Gabrielle Estevans. A identidade visual foi feita pelo Estudio Nono, liderado por Inara Negr&atilde;o e Jorge Oliveira. A equipe de Natura e de ONU Mulheres que fizeram interface com o projeto, tamb&eacute;m se envolvendo em sua constru&ccedil;&atilde;o, foram lideradas por mulheres. A equipe de Reserva tamb&eacute;m contou com mulheres. Por fim, a equipe de pesquisa quantitativa teve mulheres em posi&ccedil;&otilde;es s&ecirc;nior na estrutura&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio e an&aacute;lise dos dados, atuando de ponta a ponta.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/19/15/04/17/f8327d00-829b-4d6a-a9de-6ae6e769f477/whatsapp-image-2019-06-24-at-20-09-27-16-jpg" /><figcaption><em>Luiza de Oliveira, co-diretora do document&aacute;rio, junto da equipe Monstro Filmes, em bastidores de grava&ccedil;&atilde;o</em></figcaption></figure>
<h3>H&aacute; legendas em ingl&ecirc;s e espanhol para o document&aacute;rio?</h3>
<p>Sim, s&oacute; ativar no pr&oacute;prio YouTube.</p>
<h3>Quero ajudar e ser anfitri&atilde;o(&atilde;) de uma exibi&ccedil;&atilde;o do document&aacute;rio ou at&eacute; mesmo iniciar um grupo de homens em minha regi&atilde;o, o que fa&ccedil;o?</h3>
<p>Fant&aacute;stico. Centenas de mulheres e homens se cadastraram e dezenas de sess&otilde;es p&uacute;blicas e volunt&aacute;rias aconteceram pelo pa&iacute;s. Em escolas, igrejas, universidades, empresas, teatros e &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos.</p>
<p><strong><a href="https://forms.gle/WSz9xCHs7XLGyuzt9" target="_blank" rel="noopener">Se cadastre aqui para ser anfitri&atilde;o(&atilde;)</a>&nbsp;</strong>(leia com aten&ccedil;&atilde;o as instru&ccedil;&otilde;es e observe os links indicados). Voc&ecirc; vai receber o filme em HD e pode us&aacute;-lo para fazer quantas sess&otilde;es quiser, seja em espa&ccedil;os p&uacute;blicos ou privados.</p>
<p><a href="https://papodehomem.com.br/estreia-de-o-silencio-dos-homens-tudo-o-que-voce-precisa-saber" target="_blank" rel="noopener">Leia tamb&eacute;m&nbsp;todos os detalhes</a>&nbsp;sobre como organizar sua sess&atilde;o.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/19/15/07/00/ec1b54d5-2891-44c4-b617-53456fb3ee4c/captura-de-tela-2019-10-19-as-12-06-00-png" /><figcaption><em>Foto de uma sess&atilde;o independente de &quot;O sil&ecirc;ncio dos homens&quot; <a href="https://www.instagram.com/p/B3cGKUjJ_fk/">realizada em Maputo</a> (Mo&ccedil;ambique) <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f642.png" alt="🙂" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></em></figcaption></figure>
<h3 dir="ltr"><strong>Por que voc&ecirc;s falam em &quot;masculinidades saud&aacute;veis&quot;, n&atilde;o acham que o nome pode ser problem&aacute;tico?</strong></h3>
<p dir="ltr">Pode, sim. Pra n&oacute;s esse &eacute; apenas um termo provis&oacute;rio, uma ferramenta de di&aacute;logo em um momento de transi&ccedil;&atilde;o. O projeto MEMOH fez uma cr&iacute;tica muito interessante sobre <a href="https://open.spotify.com/show/0IT6Qhu5mWrKc9mpeN3dyg">no epis&oacute;dio #10 do podcast deles</a>.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>A masculinidade deve ser destru&iacute;da? A masculinidade deve ser resgatada e retornar ao tradicionalismo?</strong></h3>
<p dir="ltr">N&atilde;o consideramos nosso papel dizer qual o futuro ou solu&ccedil;&atilde;o&nbsp;da masculinidade. Estamos nessa investiga&ccedil;&atilde;o ombro a ombro com voc&ecirc;s, aprendendo e criando caminhos poss&iacute;veis junto homens a mulheres que acreditam que &eacute; poss&iacute;vel sermos mulheres, mais respons&aacute;veis e equitativos.</p>
<p dir="ltr">Por&eacute;m, n&atilde;o achamos que o caminho passa por destruir a masculinidade ou por resgatar as vis&otilde;es de nossos av&ocirc;s.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>N&atilde;o acham que voc&ecirc;s est&atilde;o feminilizando os homens?&nbsp;</strong></h3>
<p dir="ltr">N&atilde;o. Acreditamos em liberdade, &eacute; ok ser chucro ou ser feminino &mdash; que cada homem possa viver sua masculinidade do modo como achar melhor, desde que de forma respons&aacute;vel e sem invadir os direitos de outras pessoas. <a href="https://papodehomem.com.br/colecoes/homens-possiveis">Escrevemos v&aacute;rios textos sobre&nbsp;isso</a>.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Voc&ecirc;s possuem podres? Pessoas da equipe ou da dire&ccedil;&atilde;o est&atilde;o escondendo a&ccedil;&otilde;es machistas que j&aacute; cometeram? Por que ficam pagando de homens saud&aacute;veis e resolvidos?</strong></h3>
<p dir="ltr">Em todos os eventos, rodas e workshops que organizamos, abordamos publicamente falhas cometidas por n&oacute;s e incentivamos o processo de quebra do sil&ecirc;ncio e responsabiliza&ccedil;&atilde;o por parte dos homens. Essa &eacute; uma pr&aacute;tica constante em nossa rede.</p>
<p dir="ltr">Os homens que participam ou participaram do PdH s&atilde;o comuns, falhos, com erros, atitudes machistas e quest&otilde;es a melhorar, com toda certeza. Nenhum de n&oacute;s se posiciona como nada al&eacute;m disso. N&atilde;o podemos falar pelas pessoas individualmente, mas acreditamos que cada um tem procurado lidar com suas quest&otilde;es pessoais de maneira respons&aacute;vel.</p>
<p dir="ltr">Quem nos acompanhou em nossos primeiros anos sabe que o PdH era um ve&iacute;culo machista que se achava n&atilde;o-machista, basicamente composto por jovens imaturos, inseguros e sem conhecimento sobre a tem&aacute;tica de g&ecirc;nero. Publicamos artigos vergonhosos, a maioria fora do ar. Pedimos desculpas in&uacute;meras vezes por essas falhas. Caso localizem textos que devam ser removidos, pedimos a gentileza de nos avisar pelo email <a href="mailto:posts@papodehomem.com.br" class="secure-mailto-protected">posts@papodehomem.com.br</a> .</p>
<p dir="ltr">Muito do que aprendemos veio atrav&eacute;s de erros graves cometidos por pessoas que participaram do PdH ao longo dos anos. Como afirmado antes, somos homens comuns em processo de mudan&ccedil;a, conscientiza&ccedil;&atilde;o e responsabiliza&ccedil;&atilde;o.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">O nosso fundador Guilherme tem <a href="https://papodehomem.com.br/sobre-coisas-ruins-que-fiz-como-homem-processos-de-mudanca-e-auto-responsabilizacao">um texto publicado narrando quest&otilde;es pessoais e se responsabilizando por a&ccedil;&otilde;es ruins e machistas que j&aacute; cometeu</a>, por exemplo.</p>
<h3 dir="ltr">Encontrei um artigo antigo de voc&ecirc;s que possui trechos sexistas / transf&oacute;bicos / homof&oacute;bicos. Por que ainda estava no ar?</h3>
<p dir="ltr">Pedimos a gentileza de enviar um email para nossa equipe em <span class="secure-mailto-protected" data-secure-email="posts@papodehomem.com.br">posts@papodehomem.com.br</span> , vamos agir imediatamente. De antem&atilde;o pedimos desculpas. Muitos de nossos artigos mais antigos s&atilde;o problem&aacute;ticos e vergonhosos. Fizemos um pente fino para tirar v&aacute;rios do ar, mas como somos um time muito pequeno, sabemos que nem tudo foi resolvido.</p>
<h3 dir="ltr">Enviei uma mensagem a voc&ecirc;s que nunca foi respondida.</h3>
<p dir="ltr">Pedimos desculpas. Como mencionamos acima, nossa equipe &eacute; bem pequena e boa parte do tempo estamos sobrecarregados. N&atilde;o conseguimos responder todas as mensagens que chegam, infelizmente. Mas mesmo mensagens n&atilde;o respondidas muitas vezes se tornam tema de debate entre n&oacute;s, para reflex&atilde;o e melhoria. Agradecemos a disposi&ccedil;&atilde;o de todos e todas em dialogar conosco.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Voc&ecirc;s fazem algum trabalho n&atilde;o remunerado?</strong></h3>
<p dir="ltr">Grande parte de nossa atua&ccedil;&atilde;o hoje &eacute; n&atilde;o remunerada.</p>
<p dir="ltr">Vamos a escolas e universidades, ajudamos a capacitar pessoas na luta contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. Atuamos com &oacute;rg&atilde;os como ONU Mulheres, Defensorias P&uacute;blicas e Secretarias de Justi&ccedil;a. Apoiamos ativistas jur&iacute;dicos, pol&iacute;ticos e do campo da educa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p dir="ltr">Digitalmente todo nosso conte&uacute;do &eacute; p&uacute;blico. Todos os dados gerados por nossos estudos s&atilde;o p&uacute;blicos. Oferecemos orienta&ccedil;&atilde;o a milhares de homens e mulheres ao longo dos anos sobre dores relacionadas ao machismo e as masculinidades &mdash; nunca indo al&eacute;m do que nos cabe falar como homens, sem invadir o espa&ccedil;o das mulheres ou falar por elas. Do mesmo modo, orientamos centenas de pessoas sobre como iniciar grupos e rodas de combate ao machismo.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Voc&ecirc;s passaram a lidar com pautas ativistas como estrat&eacute;gia de neg&oacute;cios?</strong></h3>
<p dir="ltr">N&atilde;o. O projeto nasceu para ajudar as pessoas. Mas no in&iacute;cio a equipe era imatura e pouco capacitada a fazer isso, apesar da aspira&ccedil;&atilde;o bonita. S&oacute; fomos come&ccedil;ar a aprender de verdade sobre g&ecirc;nero, machismo e feminismo quando o PdH tinha uns 5 anos de vida. De l&aacute; pra c&aacute; t&ecirc;m sido quase 8 anos de aprendizado constante, erros, escuta ativa &agrave;s mulheres e trabalho.</p>
<p dir="ltr">Quando passamos a abordar mais esses temas (cerca de 6 ou 7 anos atr&aacute;s), a maioria das empresas que trabalhava conosco se afastou, o que gerou uma crise financeira. Quem nos lia achou que est&aacute;vamos sendo falsos, quem era ativista pensava igual. Mas uma vez que voc&ecirc; entende melhor o contexto de desigualdade, opress&atilde;o e abuso que afeta tantas pessoas, n&atilde;o h&aacute; como voltar atr&aacute;s. Por isso seguimos adiante. Foram anos at&eacute; surgir confian&ccedil;a na legitimidade desse processo.</p>
<p dir="ltr">Somos um projeto independente, pequeno, de equipe enxut&iacute;ssima, que luta todos os dias para manter suas contas e impostos pagos, al&eacute;m de oferecer remunera&ccedil;&atilde;o justa a quem trabalha conosco.</p>
<p dir="ltr">Al&eacute;m disso, projetos nos quais somos melhor remunerados (realizados com empresas) ajudam a financiar nosso tempo para atua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o remunerada com escolas, &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, pessoas e institui&ccedil;&otilde;es diversas que nos pedem ajuda em todo o pa&iacute;s. Grande parte do trabalho di&aacute;rio da equipe &eacute; gasto com a&ccedil;&otilde;es quase invis&iacute;veis, respondendo emails, coment&aacute;rios, DMs, dialogando com professoras, ativistas, agentes p&uacute;blicos, homens e mulheres enfrentando dores ligadas &agrave;s masculinidades. Escolhemos atuar desse modo por acreditar ser correto oferecer o conhecimento gerado a quem mais precisa dele.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Os dados de pesquisa e todo o conhecimento gerado por voc&ecirc;s s&atilde;o p&uacute;blicos ent&atilde;o?</strong></h3>
<p dir="ltr">Sim. No caso de &quot;O sil&ecirc;ncio dos homens&quot;, por exemplo, temos uma parceria com a USP que vai disponibilizar inclusive a base de dados integral para que outras pessoas e centros acad&ecirc;micos possam rodas an&aacute;lises independentes.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>&quot;Voc&ecirc;s s&atilde;o liberais imperialistas&quot;, &quot;Voc&ecirc;s s&atilde;o esquerdistas comunistas&quot;</strong></h3>
<p dir="ltr">Por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, recebemos as duas cr&iacute;ticas. N&atilde;o nos identificamos com nenhuma delas.</p>
<p dir="ltr">Nosso editorial &eacute; de tend&ecirc;ncia progressista, entretanto, temos autoras e autores em diversos espectros pol&iacute;ticos e damos autonomia para que se expressem. Buscamos construir pontes com diferentes p&uacute;blicos em diversos segmentos por todo o pa&iacute;s. Dialogamos com bolhas mais progressistas e outras mais conservadoras. N&atilde;o &agrave; toa <a href="https://papodehomem.com.br/pontes/">produzimos um estudo nacional chamado &quot;Construindo Pontes &amp; Derrubando Muros&quot;</a>, em parceria com o Instituto Avon.</p>
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<div style="left: 0; width: 100%; height: 0; position: relative; padding-bottom: 56.25%;"><iframe allow="encrypted-media; accelerometer; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen="" scrolling="no" src="https://www.youtube.com/embed/8pAK37I1c0w?rel=0" style="border: 0; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; position: absolute;" tabindex="-1"></iframe></div>
</div>
<p dir="ltr">&nbsp;</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Que tipo de impacto positivo voc&ecirc;s geraram ao longo dos seus 12 anos de exist&ecirc;ncia?</strong></h3>
<p dir="ltr">Perdemos a conta de quantas rodas, workshops e atividades presenciais fizemos. Independentes, em escolas, f&aacute;bricas, empresas, &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, coletivos. Com jovens, adultos, homens, mulheres, pessoas hetero, LGBT, negras, brancas, na cidade, no campo. Onde nos chamam, n&oacute;s vamos.</p>
<p dir="ltr">O querido Pedro Burgos nos ajudou a analisar os mais de 220 mil coment&aacute;rios recebidos por n&oacute;s e descobriu que, <a href="https://papodehomem.com.br/qual-impacto-alcancamos-em-12-anos-de-papodehomem-analisamos-nossos-226-mil-comentarios-para-descobrir/" target="_blank" rel="noopener"><strong>a cada 11, um diz &quot;obrigado&quot;</strong></a>. Essa &eacute; uma de nossas maiores alegrias.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Qual a agenda de voc&ecirc;s?</strong></h3>
<p dir="ltr">Sobrevivermos como uma institui&ccedil;&atilde;o independente, em constante aprendizado, focada no florescimento humano e transforma&ccedil;&atilde;o das masculinidades. Aspiramos realizar isso em constante di&aacute;logo, escuta e aprendizado com as mulheres.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">Como fazemos:</p>
<ul>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">com nosso portal, cujo conte&uacute;do &eacute; inteiramente gratuito e acessado por milh&otilde;es de pessoas todos os anos</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">com os eventos anuais (tamb&eacute;m p&uacute;blicos) &quot;Homens Poss&iacute;veis&quot; e &quot;PAI: os desafios da paternidade&quot;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">com o Instituto PdH, que realiza a&ccedil;&otilde;es pagas com empresas e a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-remuneradas com escolas, coletivos e outros grupos sem condi&ccedil;&otilde;es de financi&aacute;-las</p>
</li>
</ul>
<p dir="ltr">* * *</p>
<p dir="ltr">Caso voc&ecirc; tenha alguma quest&atilde;o que n&atilde;o foi respondida, podem nos enviar pelo email <a href="mailto:posts@papodehomem.com" class="secure-mailto-protected">posts@papodehomem.com.br</a> ou colocar nos coment&aacute;rios aqui embaixo (estamos com um problema t&eacute;cnico e eles s&oacute; est&atilde;o funcionando na vers&atilde;o mobile, prometemos resolver em breve).</p>
<p>Como nos provoca a autora&nbsp;<a href="https://www.amazon.com.br/Will-Change-Men-Masculinity-Love/dp/0743456084" target="_blank" rel="noopener">bell hooks</a>&nbsp;(fonte constante de inspira&ccedil;&atilde;o para n&oacute;s)&nbsp;nesse&nbsp;<a href="https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/ciencias-sociais/sociologia/o-feminismo-e-para-todo-mundo-politicas-arrebatadoras-2111826502" target="_blank" rel="noopener">excelente livro</a>, &quot;o&nbsp;que foi e ainda &eacute; necess&aacute;rio &eacute; uma vis&atilde;o de masculinidade em que a autoestima e o autoamor da pessoa formem a base de sua identidade.&quot;.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/19/15/36/10/4e5cf625-87c5-4bb6-af89-f37d0388d998/resenha-feminismo-para-todo-mundo-bell-hooks-imagem-1-jpg" /><figcaption>Recomendamos, em especial, esse livro de bell hooks &mdash; did&aacute;tico, cap&iacute;tulos curtos, f&aacute;cil e gostoso de ler e discutir em grupo</figcaption></figure>
<p>Se deseja fazer algo j&aacute;, mergulhe em nosso mapeamento com &quot;<a href="https://papodehomem.com.br/transformacao-homens-masculinidades-projetos-iniciativas-pessoas" target="_blank" rel="noopener">129 projetos, iniciativas e pessoas que trabalham com a transforma&ccedil;&atilde;o dos homens, no Brasil e no mundo</a>&quot;. Leia nosso&nbsp;<a href="https://papodehomem.com.br/como-articular-um-grupo-de-homens-guia-basico/" target="_blank" rel="noopener">guia pr&aacute;tico para iniciar um grupo de homens</a>. E nos&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/papodehomem/" target="_blank" rel="noopener">siga&nbsp;no instagram</a>, todas nossas novidades ser&atilde;o divulgadas aqui e por l&aacute;.</p>
<p dir="ltr">Agradecemos a todos e todas pelo carinho, pelas cr&iacute;ticas e pelo interesse em seguirmos avan&ccedil;ando na luta pela equidade de g&ecirc;nero, contra o machismo, pelo fim das viol&ecirc;ncias contra as mulheres e pela transforma&ccedil;&atilde;o dos homens.</p>
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		<title>As estranhas regras da solteirice moderna</title>
		<link>https://papodehomem.com.br/as-estranhas-regras-da-solteirice-moderna/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Bernardelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Oct 2019 16:46:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desafios]]></category>
		<category><![CDATA[Equilíbrio]]></category>
		<category><![CDATA[Mente e atitude]]></category>
		<category><![CDATA[Relações]]></category>
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					<description><![CDATA[A vida é um roteiro de sitcom ruim.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sei que em tempos de crise falar de qualquer outra coisa parece futilidade, mas algu&eacute;m precisa urgentemente chamar essa galeira solteira na casa dos 30 pra uma conversa s&eacute;ria.</p>
<p>Sabe que eu, solteira e saud&aacute;vel que sou, vez ou outra entro nuns papos com homens por a&iacute;.&nbsp;N&atilde;o sei por que insisto nisso e&nbsp;n&atilde;o sei tamb&eacute;m se pra eles esses momentos s&atilde;o t&atilde;o insuport&aacute;veis quanto pra mim.</p>
<p>Talvez a galera em relacionamentos est&aacute;veis n&atilde;o saiba, mas nesse mundo da solteirice moderna surgiram umas regras estranhas.</p>
<p>Decidiram, por exemplo, que n&atilde;o d&aacute; mais pra come&ccedil;ar conversas com &quot;oi, tudo bem?&quot;, porque &eacute; preciso ser criativo, sair do senso comum, inovar, puxar papo com tiradas incr&iacute;veis e piadinhas muito bem pensadas, como se f&ocirc;ssemos todos n&oacute;s personagens muito sagazes de alguma sitcom qualquer.</p>
<p>A&iacute; decidiram tamb&eacute;m que n&atilde;o d&aacute; pra fazer muitas perguntas sobre a pessoa, o que ela faz, o que estuda, que tipo de m&uacute;sica gosta, porque a&iacute; a conversa fica parecendo &quot;entrevista de emprego&quot;. &Eacute; o que dizem eles, ignorando o fato de que existe uma coisa que entrevistadores em seletivas de emprego e pessoas em conversas iniciais t&ecirc;m em comum: a vontade de conhecer a pessoa com quem est&atilde;o falando, de forma que &eacute; bastante razo&aacute;vel que uma pessoa em qualquer uma das duas situa&ccedil;&otilde;es fa&ccedil;a perguntas para, bom, conhecer a pessoa com quem est&aacute; falando.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o que eu acho mais grave, ignoram tamb&eacute;m que a grande diferen&ccedil;a entre entrevistadores em seletivas e pessoas em primeiro encontro &eacute; que s&oacute; em um desses grupos faz sentido a pessoa ter uma lista de requisitos que o outro deve atender.</p>
<figure class="image"><img decoding="async" alt="" src="https://assets.papodehomem.com.br/2019/10/16/20/45/03/db20d33e-29d0-416e-8722-64da1d174784/friends-jpg" /><figcaption>N&atilde;o, sua vida n&atilde;o vai ser uma reprise de friends.</figcaption></figure>
<p>Essas conversas, na din&acirc;mica atual, precisam ser substitu&iacute;das tamb&eacute;m por di&aacute;logos extra&iacute;dos do roteiro criado pelo interlocutor para sua sitcom pessoal na qual, obviamente, ele &eacute; o personagem mais legal.</p>
<p>Esses personagens super legais j&aacute; t&ecirc;m caracter&iacute;sticas bem definidas, gostos que nunca mudam, uma perfeita no&ccedil;&atilde;o de si mesmos e&nbsp;&ndash; o&nbsp;mais importante&nbsp;&ndash;&nbsp;uma hist&oacute;ria j&aacute; bem tra&ccedil;adinha.&nbsp;Tudo que eles precisam &eacute; encontrar os outros personagens para encaixar na hist&oacute;ria que eles querem contar.</p>
<p>Por isso, &eacute; preciso tamb&eacute;m desde o come&ccedil;o deixar tudo muito claro, os planos que tem, o que espera&nbsp;de um relacionamento, se quer&nbsp;um relacionamento ou n&atilde;o. &Eacute; preciso saber se quer um relacionamento, de qual tipo e com qual intensidade. E gente, socorro, quem que sabe esse tipo de coisa?</p>
<p>Tamb&eacute;m decidiram que tem hora pra querer essas coisas, &agrave;s vezes a pessoa at&eacute; quer, mas n&atilde;o nessa temporada, voc&ecirc; est&aacute; atropelando o roteiro dela e tem que entender que n&atilde;o &eacute; assim.</p>
<p>A&iacute; que primeiros encontros e primeiras conversas, assassinados por esse medo bizarro de n&atilde;o ser descolado e criativo o suficiente e tomados pelo p&acirc;nico de n&atilde;o parecer uma entrevista de emprego, acabam parecendo, no fim, um teste de elenco.</p>
<p>Essa necessidade de ser o personagem bem sucedido / descolado / sagaz arruinou qualquer possibilidade de espontaneidade. Tudo &eacute; meio roteirizado. Do primeiro encontro ao sexo, nada &eacute; constru&iacute;do com quem est&aacute; ali, com quem acabou de chegar.</p>
<p>Esses dias eu conversei com um cara que me perguntou se eu morava com meus pais, eu disse que n&atilde;o e devolvi a pergunta, mais por educa&ccedil;&atilde;o que por interesse &ndash; porque meio que tanto faz pra mim com quem as pessoas moram, mas uma habilidade essencial para conversas iniciais com pessoas dessa minha gera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; entender que quase sempre que uma pessoa pergunta de algum assunto para voc&ecirc;, ela quer&nbsp;na verdade&nbsp;falar daquele assunto sobre ela &ndash; de forma que ela vai, em algum momento, responder a pr&oacute;pria pergunta, mesmo que voc&ecirc; n&atilde;o pergunte tamb&eacute;m.</p>
<p>Pois ele engrenou um discurso enorme de que morava com os pais por op&ccedil;&atilde;o j&aacute; que ele era um profissional muito bem sucedido e um homem independente, mas que gostava de planejar a vida e, quando sa&iacute;sse de casa, queria ter um c&ocirc;modo s&oacute; para os livros dele, que ele &eacute; muito ocupado, tangenciou no meio disso tudo a lista de requisitos que uma mulher precisa ter, mandou um &quot;olha que legal&quot; e mandou um link que, juro juradinho, era do perfil dele no linkedin, concluindo que ele odeia S&atilde;o Paulo mas que pretende se aposentar daqui uns anos com fundos imobili&aacute;rios e outros ativos e viver de renda e que ele era um cara muito t&iacute;mido que n&atilde;o gostava de sair de noite, que o que ele gosta mesmo &eacute; de ficar em casa e que as mulheres em geral n&atilde;o gostam desse perfil&#8230;</p>
<p>A&iacute; as coisas v&atilde;o ficando complicadas, sabe, porque n&atilde;o tem jeito f&aacute;cil de dizer pra uma pessoa que se o problema dele fosse gostar de ficar em casa, tava f&aacute;cil de resolver.</p>
<p>O problema &eacute; que ele, como a maioria das pessoas, &eacute; um p&eacute;ssimo roteirista da pr&oacute;pria vida e ganharia muito mais se deixasse as coisas acontecerem com espa&ccedil;o pra improviso, contradi&ccedil;&otilde;es e constru&ccedil;&otilde;es coletivas, ao inv&eacute;s de viver esse personagem que, al&eacute;m de muito chato, fica testando quem aparece no caminho pra ver se a pessoa se encaixa no papel que ele j&aacute; escreveu.</p>
<p>Eu sempre achei legal pra caramba conhecer gente nova, mas essa onda da galera descolada e bem resolvida com tiradas &oacute;timas o tempo todo, cheia de certezas e com bem pouco interesse real em conhecer de verdade a pessoa com quem est&aacute; interagindo tem matado aos poucos minha disposi&ccedil;&atilde;o e&nbsp;paci&ecirc;ncia.</p>
<p>Sabe, eu consegui bem cedo aceitar o fato de que eu n&atilde;o&nbsp;receberia minha cartinha de Hogwarts, acho que n&atilde;o &eacute; exigir demais querer que agora, nos 30, todo mundo aceite que a vida n&atilde;o &eacute; mesmo uma temporada de Friends, que as pessoas s&atilde;o mais complexas que isso, e que ainda bem que &eacute; assim. &nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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