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	<title>Paulo Fodra</title>
	
	<link>http://paulofodra.com.br</link>
	<description>Contos de fantasia, terror, suspense e ficção científica.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 31 Jan 2012 15:49:45 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Latência</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 05:20:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-445" title="Latência" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/psique-e1326345292779.jpg" alt="" width="640" height="286" /></p>
<p>Somente embaçado o espelho é fiel. A nitidez escraviza. Por isso, ela deixa a água quente a ponto de ferir a pele. Como se já não queimasse por dentro. Desejo, febre, culpa. Ansiedade. Pêlos. Presas dentro dela, muitas outras. Famintas. Tantas vidas e uma só pele. Brilho mortiço da Lua. Carne nua. Crua. Sangue. Sonhos estranhos. Profanos. Sagrados enganos. Profética morfina. Contornos no escuro. Seda, suor e unhas. Sim. Você se lembra dela de algum lugar. Ela poderia ser a estudante quente. Ou a sua vizinha crente. A moça que passeia os cachorros da vizinhança. A viciada que bateu sua carteira. A punk passeando no shopping. A jovem triste na fila do cinema. A <em>hacker</em> que roubou seus dados. A <em>hippie</em> manifestante. A puta que amparou o velho caído na calçada. A amiga louca da sua prima. A professora comportada da escola em frente ao teu prédio. A adestradora de cães assassinos. A solteirona entediada na cafeteria. A sedutora dançarina da boate.</p>
<p>Talvez ela seja mesmo todas. Talvez, nenhuma. Ao menos enquanto a água estiver bem quente, ninguém saberá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="facebook_like"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fpaulofodra.com.br%2F2012%2F01%2Flatencia%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=500&amp;action=like&amp;font=segoe+ui&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:500px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PauloFodra/~4/XYvxI3C6nxc" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Insólito – microalucinações</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 02:56:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://paulofodra.com.br/2011/10/insolito_microalucinacoes/insolito/" rel="attachment wp-att-380"><img class="aligncenter size-full wp-image-380" title="Insólito – microalucinações" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/insolito.jpg" alt="Livro de microcontos de Paulo Fodra" width="640" height="287" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;[...] Com engenho e arte, Paulo Fodra vem afiando seu estilo no microconto, assim como um jovem pianista pratica escalas para ganhar maior eficiência e destreza.[...] O leitor terá certamente um arrepio de prazer ao inteirar-se dos estranhos eventos aqui relatados — com poucas e precisas palavras. Bem-vindo ao mundo macabro de Paulo Fodra.&#8221;<br />
</em>Luiz Roberto Guedes</p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;"><img class="alignleft size-medium wp-image-379" title="Capa Insólito" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/10/capaf-pf-211x300.jpg" alt="Insólito – microalucinações" width="211" height="300" />Na confluência entre a lucidez e a loucura, o sonho e a realidade, existe um território neutro onde as leis da lógica deixam de existir. Um lugar estranho, perdido entre o dia e a noite. O <strong>insólito</strong>. Do ventre fértil da incerteza, nascem centenas de microalucinações que invadem o cotidiano, corroendo o tecido fino do lugar comum. É nesse lugar inóspito que <strong>Paulo Fodra</strong> busca inspiração para os seus microcontos.</p>
<p><em>“Pegou um dos cacos de seu coração partido e degolou a infeliz. Ela deveria saber que amor de psicopata é mortal.”</em></p>
<p><em>“E a culpa vinha se arrastando atrás dele, feito cordão de sapato desamarrado. Uma hora dessas, acabaria tropeçando.”</em></p>
<p><em>“A Rainha subiu no palanque. A lâmina cantou, impiedosa – zás! E ela virou carta fora do baralho.”</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os microcontos deste livro testam os limites da narrativa, valendo-se do inusitado como recurso para atingir o minimalismo textual. Embarcando nessas microalucinações, você descobrirá que alguns becos sem saída escondem passagens que conduzem a um mundo obscuro, onde nada é apenas o que parece ser. Bem vindo ao INSÓLITO!</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;"><a title="Insólito no Skoob" href="http://www.skoob.com.br/livro/197187" target="_blank">Insólito – microalucinações</a></span><br />
</strong>2011, Editora Multifoco – selo 3&#215;4<br />
88 páginas</p>
<h3>Resenhas</h3>
<ul>
<li><span style="text-decoration: underline;"><a title="Medo, loucura e suspense em 140 caracteres" href="http://contraversao.com/post/11995086174/medo-loucura-e-suspense-em-140-caracteres" target="_blank">Medo, loucura e Suspense em 140 caracteres</a></span>, por <span style="text-decoration: underline;"><a title="Aléssio Esteves no Twitter" href="http://www.twitter.com/leosias" target="_blank">Aléssio Esteves</a></span>, no blog Contraversão.</li>
<li><span style="text-decoration: underline;"><a title="Micro-contos, a renovação da linguagem" href="http://www.napontadoslapis.com.br/2011/10/micro-contos-renovacao-da-linguagem.html" target="_blank">Micro-contos, a renovação da linguagem</a></span>, por <span style="text-decoration: underline;"><a title="Leonardo Schabbach no Twitter" href="http://www.twitter.com/leoschabbach" target="_blank">Leonardo Schabbach</a></span>, no blog Na Ponta dos Lápis.</li>
<li><span style="text-decoration: underline;"><a title="Resenha + Entrevista: Insólito – microalucinações " href="http://mundodefantas.blogspot.com/2012/01/resenha-insolito-paulo-fodra.html" target="_blank">Resenha + Entrevista: Insólito – microalucinações</a></span>, por <span style="text-decoration: underline;"><a title="Celly Borges no Twitter" href="http://www.twitter.com/cellyborges" target="_blank">Celly Borges</a></span>, no blog Mundo de Fantas.</li>
</ul>
<h3>Onde comprar</h3>
<ul>
<li><em>Na <a title="Livraria Multifoco" href="http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=661&amp;idProduto=682" target="_blank">loja da editora</a></em></li>
<li><em>Pelo <a href="mailto:vendas@editoramultifoco.com.br" target="_blank">email da</a></em><a href="mailto:vendas@editoramultifoco.com.br" target="_blank"> </a><em><a href="mailto:vendas@editoramultifoco.com.br" target="_blank">editora</a></em></li>
<li><em>No site da <a title="Insólito na Livraria Cultura" href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29048133&amp;sid=87115285014131482232085374" target="_blank">Livraria Cultura</a></em></li>
<li><em><strong><a href="mailto:vendas@paulofodra.com.br" target="_blank">Autografado pelo</a></strong></em><strong><a href="mailto:vendas@paulofodra.com.br" target="_blank"> autor</a></strong></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">
<div id="facebook_like"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fpaulofodra.com.br%2F2011%2F10%2Finsolito_microalucinacoes%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=500&amp;action=like&amp;font=segoe+ui&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:500px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PauloFodra/~4/Ltgjd1V_NYQ" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Despedida</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 06:53:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.” Mário Quintana Escalou a plataforma mais alta para relembrar os dias de glória. Ao chegar ao topo, fechou os olhos,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/09/despedida.jpg"><img class="size-full wp-image-353 alignleft" title="despedida" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/09/despedida.jpg" alt="um último adeus" width="640" height="287" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.”<br />
Mário Quintana</em></p>
<p>Escalou a plataforma mais alta para relembrar os dias de glória. Ao chegar ao topo, fechou os olhos, respirou fundo e lançou o corpo ao vazio. Executou uma pirueta elegante e finalizou o salto com um movimento perfeito, entrando de cabeça no fundo da piscina vazia. Dessa vez, ninguém aplaudiu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="facebook_like"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fpaulofodra.com.br%2F2011%2F09%2Fdespedida%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=500&amp;action=like&amp;font=segoe+ui&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:500px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PauloFodra/~4/gOiEZ-cTTUw" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Deus Ex Machina – Anjos e Demônios na Era do Vapor</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 02:42:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Os calendários são simplesmente ignorados por aqueles que combatem pelo bem ou pelo mal, numa guerra sem vencedores. As grandes batalhas distribuem louros entre os dois lados, em uma dança...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/07/topo_deusex.jpeg"><img class="alignleft size-full wp-image-326" title="topo_deusex" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/07/topo_deusex.jpeg" alt="" width="640" height="200" /></a>Os calendários são simplesmente ignorados por aqueles que combatem pelo bem ou pelo mal, numa guerra sem vencedores. As grandes batalhas distribuem louros entre os dois lados, em uma dança milimétrica da balança. Mas esse equilíbrio esteve ameaçado em uma época em que a elegância do vestuário das senhoras e cavalheiros convivia, não sem uma ponta de contradição, com o peso e a estranheza dos acessórios e equipamentos utilizados por uma civilização que começava a descobrir as maravilhas da tecnologia.</p>
<p><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/07/deusex_250.jpeg"><img class="alignleft size-full wp-image-327" title="deusex_250" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/07/deusex_250.jpeg" alt="" width="178" height="269" /></a>Anjos e demônios escolheram aquele tempo, utilizando-se de todos os artifícios armamentos e equipamentos possíveis, e encenaram algumas das mais terríveis batalhas de que a humanidade já presenciou. De conflitos e duelos isolados a confrontos sangrentos entre os exércitos das trevas e da luz.</p>
<p>Essa foi a proposta apresentada aos autores de <span style="text-decoration: underline;"><strong><a title="Deus Ex Machina no site da Editora Estronho" href="http://www.estronho.com.br/editora/index.php/deus-ex-machina" target="_blank">Deus ex machina: anjos e demônios da era do vapor</a></strong></span>.</p>
<p>Com organização de <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.estronho.com.br/editora/index.php/autores/306-candidoruiz">Cândido Ruiz</a></span>, <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.estronho.com.br/editora/index.php/autores/309-tatianaruiz">Tatiana Ruiz</a></span> e <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.estronho.com.br/editora/index.php/autores/58-m-d-amado">M. D. Amado</a></span>.<br />
Autor Convidado: <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.estronho.com.br/editora/index.php/autores/247-romeumartins">Romeu Martins</a></span>. Prefácio de <a href="http://www.estronho.com.br/editora/images/autores/icones/baccioly1.png"><span style="text-decoration: underline;">Bruno Accioly</span><br />
</a>Editora Estronho, 208 páginas</p>
<p>Conto: A Seita do Ferrabraz</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://estronho.com.br/loja/index.php?page=shop.product_details&amp;flypage=flypage_new.tpl&amp;product_id=146&amp;category_id=8&amp;option=com_virtuemart&amp;Itemid=1" target="_blank">Compre</a></span> o seu na loja da Editora Estronho!<br />
Caso deseje seu exemplar autografado, entre em contato direto com o <span style="text-decoration: underline;"><a href="mailto:vendas@paulofodra.com.br">autor</a></span>.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/yUvsOywLev8" frameborder="0" width="640" height="480"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="facebook_like"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fpaulofodra.com.br%2F2011%2F07%2Fdeus-ex-machina-%25e2%2580%2593-anjos-e-demonios-na-era-do-vapor%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=500&amp;action=like&amp;font=segoe+ui&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:500px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PauloFodra/~4/sGWRZ9I9v7w" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O Preço</title>
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		<comments>http://paulofodra.com.br/2011/02/o-preco/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Feb 2011 03:21:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Microcontos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<category><![CDATA[doença]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160; Antes de ir dormir, confessou à esposa que estava doente e precisava fazer um tratamento que custava os olhos da cara. Ao acordar, encontrou um pequeno embrulho de pano,...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/02/preco.jpg"><img class="size-full wp-image-258 aligncenter" title="preco" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/02/preco.jpg" alt="Tudo tem o seu preço" width="640" height="287" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Antes de ir dormir, confessou à esposa que estava doente e precisava fazer um tratamento que custava os olhos da cara. Ao acordar, encontrou um pequeno embrulho de pano, manchado de vermelho escuro, ao lado do despertador. Sob o pacote, havia um bilhete escrito em maiúsculas, a caligrafia torta e vacilante, porém inconfundível:</p>
<p style="text-align: center;">TE AMO, PAPAI<br />
FIQUE BOM LOGO!</p>
<div id="facebook_like"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fpaulofodra.com.br%2F2011%2F02%2Fo-preco%2F&amp;layout=standard&amp;show_faces=true&amp;width=500&amp;action=like&amp;font=segoe+ui&amp;colorscheme=light&amp;height=80" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:500px; height:80px;" allowTransparency="true"></iframe></div><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PauloFodra/~4/obvLZM0lDiw" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sem asas</title>
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		<comments>http://paulofodra.com.br/2010/07/sem-asas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 19:53:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ângelo, Ao acordar, encontrei o teu recado escrito a sangue em meu espelho. “Eu odeio você!”. Só então percebi o corte recente em meu antebraço. Ardia, é verdade, mas o...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/semasas.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-96" title="semasas" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/semasas.jpg" alt="Um relacionamento nada convencional" width="640" height="287" /></a></p>
<p><em>Ângelo,</em></p>
<p><em>Ao acordar, encontrei o teu recado escrito a sangue em meu espelho. “Eu odeio você!”. Só então percebi o corte recente em meu antebraço. Ardia, é verdade, mas o contraste das letras vermelho-vivo sobre a prata me entorpeceu. A caligrafia era inconfundível, mesmo traçada a dedo. Imaginei teu braço pesado a segurar a lâmina contra a minha pele, meus pelos arrepiando-se de instantâneo. Tua mão a rasgar-me a carne em fenda torta, fina e funda. A ferida latejando a cada bafejar de tua respiração acelerada. Tudo enquanto eu dormia. </em><em>Ah, como eu queria ter sentido o teu dedo nodoso violar os meus tecidos! Tive você sob a minha pele, encharcando-se em meu sangue, e nem pude saboreá-lo em mim. Ao menos, sei que sentiu tanto tesão quanto eu estou sentindo agora. O travesseiro está manchado, então você esfregou meu sangue no teu rosto. Sei que isso te excita – fluidos, perversão, tudo o que é proibido –, enquanto meu delírio é a tua existência, as tuas marcas em meu corpo. Queria ser capaz de fazê-las eu mesmo, decretar minha independência de você. Mas isso me é impossível, pelo mesmo motivo que me impede de olhar bem no fundo dos teus olhos cinzentos e gritar tudo o que sinto. Não. Tenho que escrever. Sempre faltou-me a tua coragem. Enquanto eu despejava um caminhão de entulho sobre meus desejos, você buscava os teus à luz do dia. Nas profundezas desse aterro, descobri-me a desejar-te. A violência que o teu espírito pedia era o meu combustível, minha válvula de escape. Eu queimava. E a cada piranha que você retalhava, meu amor crescia mais e mais. Tantas vezes te visitei. Era isso que te virava do avesso, e fazia o teu ódio por mim aumentar. Foi por isso que você começou a fugir de mim e da fúria que eu te despertava. Mas saiba, meu amor, que não há mais saída. Vivo muito bem dos sinais da tua presença, e as tuas tentativas de ferir-me é que me fazem feliz de verdade.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Teu, em cada célula do corpo,<br />
Guilherme</em></p>
<div class="MsoNormal">
<div style="text-align: center;">&#8230;</div>
</div>
<p>Ângelo despedaçou a carta e atirou os pedaços para o ar. Apesar do buraco em sua memória, era evidente que Guilherme passara por ali. O espelho fora limpo com afinco. O cinzeiro, sob o qual encontrara a carta, também. O quarto estava arrumado demais, não havia um único objeto fora de lugar. Ângelo bufava em fúria, os músculos do pescoço completamente contraídos. Como era possível que Guilherme vivesse em meio à tanta ordem, enquanto ele não conseguia ao menos organizar seus próprios pensamentos, sua memória? Arremessou o cinzeiro com força contra o espelho, que explodiu enquanto dexiava escapar um urro de desespero e frustração.</p>
<p>Migalhas de sonhos prateados choveram por todo o piso. Nu, sua aparência era tudo menos humana. Caminhou até a sacada com os pés crivados de cacos de vidro, deixando um rastro de pegadas sangrentas. Respirou fundo. Estava cansado de viver assim, estilhaçado como o espelho. Não bastassem as lacunas em sua memória, ainda tinha aquele maníaco perseguindo-o. Curioso é que ele nem lembrava mais em qual momento de sua vida deixara que Guilherme se aproximasse. “Não há mais saída”, sentenciava a carta. Não mesmo, Guilherme? Sempre tem! Quer ver? Sem aviso, Ângelo saltou o parapeito, como se fosse voar.</p>
<p>A queda silenciosa durou quinze andares e terminou, com um baque surdo, em uma pilha moribunda de carne e ossos quebrados. Por instantes, tudo fez sentido, e então se desfez. Reunidos, Ângelo e Guilherme encontraram-se um no outro, ainda que apenas para uma estranha despedida.</p>
<p>– Ângelo, meu amor, você me fez feliz como ninguém&#8230;</p>
<p>– Ah, Guilherme&#8230; até que enfim, me livrei de você!</p>
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		<title>O rosto</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 06:38:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
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		<description><![CDATA[“As pessoas veem apenas o que elas estão preparadas para ver.” Ralph Waldo Emerson Mariana apertou o passo quando ouviu o sinal soar. Seus pequenos pés deslizaram com agilidade sobre...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: right;">
<p><em><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/orosto.jpg"><img class="size-full wp-image-93" title="orosto" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/orosto.jpg" alt="Perigo no metrô" width="640" height="287" /></a></em></p>
<p><em>“As pessoas veem apenas o que elas estão preparadas para ver.”<br />
</em>Ralph Waldo Emerson</p>
</div>
<p>Mariana apertou o passo quando ouviu o sinal soar. Seus pequenos pés deslizaram com agilidade sobre o piso de borracha preta, e ela projetou-se para dentro do vagão mais próximo apenas um segundo antes da porta automática se fechar. Equilibrou o corpo em um movimento gracioso, ainda apertando contra o peito a pasta de couro e o avental branco dobrado, como se fossem tesouros. Embora levasse uma grande bolsa sobre o ombro esquerdo, era com esse braço que se defendia dos solavancos do metrô que partia.</p>
<p>Quando a velocidade do trem estabilizou, ela ajeitou a franja ruiva comprida, revelando seu olhar concentrado em busca de um assento vago. Encontrou-o junto à uma das janelas do lado oposto. Acomodou-se e começou a observar as pessoas, todas com a mesma pressa irracional. Gente enlatada – pensou, admirando aquele mar de cabeças oscilantes – abusando do anonimato ilusório das multidões enquanto se esforçavam ao máximo para não enxergar o outro. E tratava de devolver-lhes a identidade, um a um, estudando seus pormenores, lendo nas entrelinhas dos gestos. O que não conseguia captar, inventava. Era uma espécie de jogo que fazia para suportar o tempo que passava ali. Linha Verde, Linha Azul, depois Linha Vermelha. [Seis dias por semana, três vezes por dia, Doutora]. Se fizesse as contas, perceberia que passava mais tempo no metrô do que em sua própria casa.</p>
<p>A composição mergulhou veloz em direção ao subterrâneo e ela voltou-se para a janela. Lá fora, na escuridão pulsante do túnel, as sombras dos pilares e equipamentos passavam tão depressa, que mal podia percebê-las. Era isso que a fascinava. O túnel funcionava como uma janela para dentro do seu eu. Era somente contra aquela tela escura que todas as peças de sua vida pareciam encaixar-se. Gostava tanto de brincar nesse plano subjetivo que, por vezes, se esquecia de onde estava e do que se passava ao redor. E o tempo se perdia com ela, hipnotizado pelas mudanças de cor daqueles olhos intensos.</p>
<p>Sempre que se apanhava assim, tão distraída, um calafrio violento a empurrava de volta à realidade. Uma lembrança sombria. Olhou em volta, nada anormal. O vagão prosseguia imerso em seu microcosmo: nunca igual, nem tão diferente assim. O oposto daquela tarde, dez anos atrás, na qual um intrigante rosto surgiu dentre suas ideias, encarando-a com seus profundos olhos negros. Jamais esqueceria aquele olhar urgente, face contraída. Na verdade, recordava-se daquele dia em cada detalhe.</p>
<p><em>Deduziu, pelo reflexo, que a dona daquele rosto tão sinistro estava parada junto à porta. Curiosa, voltou-se para observá-la. Não a encontrou. Através da porta que se fechava, vislumbrou expressões aterrorizadas na plataforma. O que estava acontecendo? O trem partiu, e ela percebeu que não havia mais ninguém no vagão além do homem sentado ao seu lado. Sufocou o impulso de sair correndo ao perceber o reflexo metálico que corria sobre o jeans de suas calças. Na mão trêmula, o sujeito tinha uma tesoura. Segurava-a com tanta força, que as juntas dos dedos estavam esbranquiçadas. Ela sentia o hálito podre soprado em seu pescoço, o odor azedo de dias sem banho. Não arriscou olhar direto para ele, pois tinha medo de que o contato visual rompesse o frágil equilíbrio da situação. Pelo canto do olho, descobriu que ele a estudava, abrindo e fechando a tesoura bem devagar. Quem sabe o que estivera pensando? Naquele hiato de gente entre as duas estações, o tempo parou. Os minutos desdobraram-se em horas de pânico e desespero. A próxima estação parecia não chegar nunca. Então ela fez a única coisa sensata a fazer. Fechou os olhos e começou a contar para si – um, dois, três, quatro –, para obrigar o tempo a passar. Onze, doze, treze – fizera isso tantas vezes quando criança – dezessete, dezoito, dezenove – uma pequena fuga que sempre enfurecia sua mãe – vinte-e-três, vinte-e-quatro, vinte-e-cinco. O trem parou. Chegara à estação? Esperava que sim. Ela abriu os olhos e o homem não estava mais lá. Corria alucinado pela plataforma, com vários seguranças em seu encalço. O vagão encheu novamente, e ela se deu conta de que ainda contava – trinta-e-oito, trinta-e-nove&#8230; </em></p>
<p>Escapara por pouco, soube mais tarde. O homem era um maníaco procurado pela polícia e dera muito trabalho naquele dia, antes de ser capturado. Apesar de todo o perigo vivido, o que deixava o seu coração inquieto e, por vezes, roubava seu sono, ainda era o rosto feminino no túnel. Algo nele a atraía na mesma medida em que a apavorava. Quem seria? Odiava charadas sem resposta, por isso essa questão subia à superfície dos seus pensamentos com freqüência. A hipótese mais provável era que o seu subconsciente reconhecera a mulher de alguma de suas memórias passadas, provocando aquela estranha sensação.</p>
<p>Nesses últimos anos trabalhando no hospital, várias vezes pensou tê-la visto de relance. Como acontece com a maioria dos vultos que nos pegam pelo canto dos olhos, ao virar-se, nada encontrava. Acontecia sempre durante os dias mais tensos e, em meio à correria e à confusão das emergências, ela não conseguia parar para averiguar melhor. Acabara por atribuir essa sensação às descargas emocionais do trabalho. [Adrenalina, Doutora. Uma bomba química que deixa o seu corpo pronto para reagir em condições extremas. Às vezes faz enxergar de menos, às vezes, demais. Só isso.] Porém, nunca se convencera. Enquanto ponderava sobre o assunto, as peças de que dispunha foram surgindo em sua tela mágica. Tirando a tensão da jogada, haveria mais características comuns? Dessa vez, concentrou-se nos mais insignificantes detalhes: cheiros, gostos, sensações. O trem assobiou agudo nos trilhos, e o ruído ecoou, soprando-lhe a direção em que deveria olhar. Sons! Com a ansiedade a revirar-lhe o estômago, Mariana começou a relembrar os sons que cercavam o aparecimento daquela misteriosa figura: o arrastar de macas, gritos de médicos e enfermeiras, a melodia aguda e constante do monitor cardíaco e mais nada. [Parada cardíaca! Rápido, doutora, consiga ajuda!] Ela sabia muito bem o que vinha depois. A visão turva, afunilando-se sobre o paciente. O mundo afastando-se como se visto através da penumbra de um longo túnel. O rubor intenso em seu rosto. O sangue pulsando violento em sua garganta, lembrando a cada instante que o tempo passa, inexorável, sem que o coração do outro reaja. E o monitor a repetir, incessante, em sua nota única e cruel: morreu morreu morreu morreu morreu morreu morreu morreu morreu.</p>
<p>A descoberta fez com que suas pernas amolecessem, mas seu instinto profissional, mais do que depressa, chamou-a à razão. [E como você explica, Doutora – desse seu ponto de vista místico aí – a primeira vez em que esse rosto te assombrou?] Nesse mesmo instante, o aviso do fechamento da porta do metrô fez o coração disparar, trazendo-a de volta à realidade. [O tempo se esgota sempre, em algum lugar.] Pela primeira vez, percebeu-o como um arremedo do monitor cardíaco. Ergueu os olhos para a plataforma e lá estava ela, a mulher misteriosa, parada no meio da multidão. Sem pestanejar, Mariana arremessou-se para fora do vagão. Precisava resolver de vez aquela história, antes que ficasse maluca. A porta fechou-se, tentando impedi-la de sair. Mas ela foi mais rápida. Soltou-se com um puxão decidido, colocando-se em segurança do lado de fora. Frustrada, constatou que a mulher se fora. Um baque surdo atrás de si fez a multidão gritar. Ao virar-se, percebeu que o vagão estava vazio, exceto pelo homem de aparência insana com o rosto grudado na janela. Frenético, batia o punho ensanguentado contra o vidro tentando quebrá-lo. Na outra mão, trazia um grande caco de vidro pontudo.</p>
<p>Mariana arfou, sentindo o sangue gelar em suas veias enquanto o trem partia. Não pela percepção do que se livrara – essa só viria bem depois. Atrás do lunático, sentada no lugar em que ela mesma estivera, vira uma conhecida figura de mulher.</p>
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		<title>Caçada</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 07:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="MsoNormal">
<p><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/caçada.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-90" title="caçada" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/caçada.jpg" alt="O homem é o lobo do homem" width="640" height="287" /></a></p>
<p>O caçador abriu a porta da cabana, apontando a espingarda para o vazio. O ar lá dentro estava pesado e ele sentiu seu estômago pulsar em um instintivo alerta de perigo iminente. A primeira saleta parecia vazia, mas nada estava no lugar. O chão estava coberto de potes e pratos quebrados. À sua esquerda, havia um armário despedaçado que parecia ser o epicentro da destruição. Pequenas marcas alongadas de sangue fresco no assoalho sugeriam que alguma coisa viva fora arrastada desde o móvel até a parede oposta. Uma peça de tapeçaria simplória, que estivera ali pendurada, amontoava-se displicente sobre um volume junto ao chão. O homem contornou a pequena mesa e ergueu a tapeçaria com a ponta da espingarda. O movimento suave liberou no ar um cheiro denso de vísceras e sangue, que penetrou fundo em suas narinas e encheu os seus pulmões. Fechou os olhos por um breve instante, tentando se controlar. Conseguiu, por fim, olhar e concluiu que aquilo era o que sobrara do frágil corpo de uma senhora idosa, despedaçado por uma força descomunal. Rezou para que a atrocidade tivesse parado ali. Mas havia algo úmido sendo rasgado no segundo cômodo. E aquele som familiar fez com que seu coração acelerasse ainda mais.</p>
<p>Deslocou-se em silêncio até a porta e se esgueirou pela abertura, bloqueada em parte por uma cesta de vime trançado, ainda cheia de comida. Fragmentos do que teria sido uma capa vermelha estavam espalhados pelo chão. Em cima da cama, um grande lobo castanho abocanhava pedaços do corpo nu de uma menina loura, e os mastigava com deleite. O caçador recuou, tentando recuperar o fôlego, mas não havia mais ar ali, apenas o odor pungente de sangue fresco. Um forte tremor desceu do crânio até a base da sua espinha, e ele teve que sufocar o rugido bárbaro que brotava em seu peito. O chão desapareceu sob seus pés e ele desabou, batendo de costas contra a parede. Sentia a pele arder como fogo, enquanto lutava para respirar.</p>
<p>O lobo ergueu o focinho sujo de sangue no ar, ganiu baixinho e começou a contorcer-se, como se estivesse lutando contra uma armadilha invisível. Grunhia a cada espasmo, enquanto seu corpo mudava. A pele clareou e os membros se alongaram, enquanto as articulações estalavam em ângulos impossíveis. A criatura ergueu-se sobre as patas traseiras e encarou o caçador. Tinha peito e ventre tingidos de vermelho brilhante, cabelos desgrenhados e sujos, mas agora não passava de um garoto de cerca de quinze anos, nu e assustado.</p>
<p>– Papai, eu não queria! – ele correu de encontro ao homem, soluçando, e enterrou a cabeça em seu ombro. – Mas eu estava com tanta fome&#8230; não consegui me controlar. Foi&#8230; tão rápido!</p>
<p>O  homem abraçou-o em silêncio.  Pensava na loucura incondicional que é o amor de um pai. Lembrou da primeira vez em que viu o menino. Ele era tão pequeno, tão dependente, um pequeno milagre que precisava de sua proteção e de seu carinho. O mundo ficou menor, porque passou a girar em torno dele. O garoto ainda soluçava, deixando o seu coração aos pedaços. Ambos tremiam muito, mas não por causa do frio. Era o cheiro da carne fresca. Dedos alongados puxaram o cano da espingarda de encontro à própria cabeça.</p>
<p>– Acaba com isso, pai. Eu não quero viver assim&#8230; por favor!</p>
<p>O caçador engoliu em seco. Sua cabeça latejava enquanto seus sentidos se expandiam. Em meio à torrente de pensamentos, viu-se consciente do toque frio do aço do gatilho sob seu indicador, da textura do tecido grosso da camisa sobre sua pele, do balanço suave do assoalho de madeira da cabana. O vento leste vinha das colinas e entrava pelas frestas da parede, trazendo o cheiro inconfundível do filho, misturado ao do orvalho sobre os pinheiros distantes. Trazia também mais um odor, que eriçou os seus pêlos e fez seus caninos trincarem: uma matilha de cães. Caçadores!</p>
<p>Os cães desceram a colina em uma corrida frenética, com os homens em seu encalço. Eram dez e todos levavam armas. Seguiam o rastro do lobo desde a cidade. O mais velho deles, ao avistar a cabana, teve um mau presságio e assoviou, chamando os cachorros de volta. Um tiro ressoou pelo vale, assustando os animais. O ar ficou paralisado em um silêncio denso e, por um instante, foi como se todos os corações parassem de bater, aguardando um sinal. Então, a urgência venceu o medo. Os homens engatilharam as armas e desceram, com os cães, a encosta lamacenta que levava ao casebre. Demoraram mais do que o esperado para vencer o pouco mais de um quilômetro de caminho, pois o solo mole fazia com que escorregassem e tropeçassem com freqüência. Ao atingirem a base do traiçoeiro declive, o cheiro da morte os alcançou, e vários homens amarraram seus lenços sobre nariz e boca, antes de prosseguir. Mantinham o dedo no gatilho e os olhos na porta. Um barulho na parte da frente da construção fez com que todos se abaixassem e firmassem a mira, preparando-se para enfrentar qualquer coisa que saísse dali.</p>
<p>Da escuridão, emergiu um caçador. Levava nos braços um enorme lobo cinzento sem vida, o maior que já haviam visto. O animal tinha a espessa pelagem coberta de manchas viscosas e a cabeça partida balançando disforme. Era muito pesado, mas ele não parecia importar-se. Carregava o seu fardo quase que com reverência. Apesar de ser alto, suas roupas eram largas demais e a espingarda pendia, desajeitada, em suas costas. Ele chorava. Seu rosto era dor, desespero e determinação. Soluçava, convulsivo, enquanto caminhava, atravessando a campina em direção ao bosque. Sequer se deu conta dos cães que latiam. Tampouco percebeu os dez homens atônitos, que apenas observaram enquanto ele desaparecia por entre as árvores. Em seu futuro nebuloso, um único propósito: viver, o melhor que pudesse, a vida que o seu pai lhe deu.</p>
</div>
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		<title>Carnaval: o outro lado da folia</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 13:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Microcontos]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[microcontos]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
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		<description><![CDATA[I. No meio da amoralidade, o coração negro do Pierrot batia forte. Eram tantas presas fáceis! Difícil escolher apenas uma. II. Sua mãe dizia que ela nascera para ser rainha....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/carnaval.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-151" title="carnaval" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/carnaval.jpg" alt="O outro lado da folia" width="640" height="287" /></a></strong></p>
<p><strong>I.</strong><br />
No meio da amoralidade, o coração negro do Pierrot batia forte. Eram tantas presas fáceis! Difícil escolher apenas uma.</p>
<p><strong>II.</strong><br />
Sua mãe dizia que ela nascera para ser rainha. E a profecia se realizava, por um dia, a cada ano, ao longo da avenida.</p>
<p><strong>III.</strong><br />
O fracassado lutador de sumô fugira do Japão em desonra. No Brasil, encontrou a felicidade: todo fevereiro, virava Rei!</p>
<p><strong>IV.</strong><br />
Adorava o Carnaval. Nessa época, sempre conseguia uns três ou quatro rins a mais para vender no mercado negro.</p>
<p><strong>V.</strong><br />
Quando o Pierrot levou a Colombina para a cama, descobriu que, na verdade, ela era o Arlequim.</p>
<p><strong>VI.</strong><br />
Vinte facadas foi pouco para aquela atriz nojenta que roubara sua realeza. A avenida era toda sua, outra vez. Avante, bateria!</p>
<p><strong>VII.</strong><br />
Morria de medo da Quarta-Feira de cinzas. Acordava com a realidade a beliscar suas pernas, apenas mais um na multidão.</p>
<p><strong>VIII.</strong><br />
Acordou chorando. Tirou a tinta do corpo, vestiu o uniforme. E lá foi ela enfiar a rotina goela abaixo outra vez&#8230;</p>
<p><strong>IX.</strong><br />
Mastigou sem pressa o último pedaço de carne. Delicioso! Fígado de foilão, agora, só no ano que vem&#8230;</p>
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		<item>
		<title>Horóscopo Macabro</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 16:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Fodra</dc:creator>
				<category><![CDATA[Microcontos]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
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		<category><![CDATA[morte]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/zodiac.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-97" title="zodiac" src="http://paulofodra.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/zodiac.jpg" alt="Alguns signos são de matar" width="590" height="265" /></a><br />
</em></p>
<div style="text-align: right;"><em>&#8220;O destino não se satisfaz em infligir apenas uma calamidade.&#8221;</em></div>
<div style="text-align: right;">Publilius Syrus</div>
<p><strong>Áries</strong><br />
Descontrolada, berrava sem parar com ele. Onde já se viu usar a jarra de cristal para aguar as plantas? A peça quebrada, que estivera brilhando na mão dele, atingiu-a com força no rosto. Uma, duas, três vezes. Silêncio, afinal.</p>
<p><strong>Touro</strong><br />
– Tem certeza que sabe usar o câmbio automático?<br />
– Claro que sei! É óbvio! Tudo mundo sabe! Você não?<br />
– Você não acha melhor pedir aj&#8230;<br />
– Não precisa! Eu sei como faz! Quer ver?</p>
<p>Ela engatou a ré por engano e acelerou. Matou três pessoas.</p>
<p><strong>Gêmeos</strong><br />
A textura da pele do pescoço dele sob seus dedos lembrava a seda, que lembrava o presente ousado que ganhara do aluno, que lembrava a sensação de fazer o que era proibido, que lembrava banho de sol nua, que lembrava liberdade, que lembrava que acabara de conquistar a sua. Largou o corpo flácido do marido no chão e foi viver.</p>
<p><strong>Câncer</strong><br />
Quando ele a deixou, ela pensou em matá-lo. Mas não suportaria viver sem ele. Então, passou a matar todas as mulheres que se aproximavam demais.</p>
<p><strong>Leão</strong><br />
O resultado do exame: câncer no estômago. Era tão orgulhoso, que não se deixaria matar por uma doença tão cruel. Pegou uma faca, amolou, e fez ele mesmo o serviço.</p>
<p><strong>Virgem</strong><br />
Com movimentos seguros, removeu as duas pálpebras da mulher. Ajeitou os lábios dela, já rijos, para que arremedassem o sorriso tosco que entalhara em sua garganta. Acomodou os cabelos negros em leque e deixou um lírio sobre os seios nus. Parabenizou-se em silêncio: fizera um trabalho perfeito.</p>
<p><strong>Libra</strong><br />
Era um marido muito dedicado. Antes de deitar, sua mulher confidenciara que o seu maior sonho era ganhar a cabeça de sua chefe em uma bandeja de prata. Quando ela acordou, olhos mortos a encaravam de cima da mesa.</p>
<p><strong>Escorpião</strong><br />
Cento e cinqüenta corpos no salão de culto. Homens, mulheres, crianças e velhos, caídos uns sobre os outros. Do chão, uma gargalhada quebra o silêncio. O Pastor bebera suco ao invés de veneno.</p>
<p><strong>Sagitário</strong><br />
O policial não tinha o direito de fazer isso com ele. Tudo bem que os pneus do carro estavam mesmo carecas, a licença estava mesmo vencida, e ele estava mesmo embriagado. Mas isso lá era motivo para ser tão rigoroso? Por isso, quando recebeu a prancheta para assinar o flagrante, enfiou a caneta no olho do policial e fugiu.</p>
<p><strong>Capricórnio</strong><br />
Cuidou com afinco da tia avarenta durante seis anos. No dia seguinte à assinatura de um novo testamento, que beneficiava o sobrinho, um escorregão no piso molhado a fez rolar escada abaixo. Dessa vez, ele não a socorreu.</p>
<p><strong>Aquário</strong><br />
Ele jurou que não contaria mais mentiras. O bilhete que ela encontrou mostrava que ele não cumprira com sua palavra. Então deu a ele um remédio para dormir e sumiu no mundo. Deixou para trás apenas a língua dele, pregada na porta. Agora, ele cumpriria a sua promessa na marra.</p>
<p><strong>Peixes</strong><br />
Na saída do shopping, só encontrou o carro porque tinha muita gente em volta. Dois bombeiros removiam um pequenino volume pelo parabrisa quebrado: seu filho de um ano, esquecido lá dentro, morrera sufocado.</p>
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