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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" gd:etag="W/&quot;C0YDQ3w9eyp7ImA9WhRaE0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847</id><updated>2012-02-16T00:32:52.263-08:00</updated><category term="Crônicas" /><category term="Mangá" /><category term="Contos" /><category term="DVD" /><category term="Cinema" /><category term="Literatura" /><category term="Quadrinhos" /><category term="geral" /><title>Pensar Expresso</title><subtitle type="html">O blog Pensar Expresso foi idealizado com intuito de discutir as diversas formas de manifestação artística da mídia do entretenimento, como cinema, quadrinhos e literatura, ressaltando o prazer existente em cada um desses veículos de expressão artística.</subtitle><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Luciano Altoé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06937325025295744971</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="25" height="32" src="http://1.bp.blogspot.com/_JbVRk_of-DI/TC-ZOfHiGGI/AAAAAAAAACA/NXa_9j3GE_k/S220/Aleph.jpeg" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/PensarExpresso" /><feedburner:info uri="pensarexpresso" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><entry gd:etag="W/&quot;CEACQno5cCp7ImA9Wx9aFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847.post-572547239270350389</id><published>2011-03-09T06:59:00.001-08:00</published><updated>2011-03-09T06:59:23.428-08:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-03-09T06:59:23.428-08:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos" /><title>Corda Bamba–Homenagem ao Dia das Mulheres</title><content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Abri os olhos. Senti meu corpo sacudir pela ação do vento. Percebi que me apoiava em algo estranho. Olhei para os meus pés. Estava em uma corda bamba. Tomado pelo medo, fitei à frente. A uns 15 metros, ao final da corda, havia uma pequena plataforma. Segurança.  &lt;p align="justify"&gt;Tentei olhar para trás. Não consegui. Desequilibrei-me e quase caí. Só então percebi que era impossível visualizar o chão. Não podia precisar a altura, mas em certo ponto do desconhecido abaixo, uma bruma densa como pedra me impedia conhecer o destino fora da corda bamba. Tinha que caminhar.  &lt;p align="justify"&gt;O medo da morte fez que com me apaixonasse pelo fio sobre meus pés. Aquela corda era minha sustentação. Meu equilíbrio. Meu único existir. Precisava caminhar.  &lt;p align="justify"&gt;Os passos eram lentos, mas confiava na corda. O trajeto era firme, linear, sem obstáculos. A plataforma se aproximava. Senti uma doce brisa vinda do leste. Sorri. Desequilibrei. Quase caí. Maldita brisa. Doce brisa que quase me arremessou em direção ao nada. Aquietei meu coração. Mais alguns passos seguros.  &lt;p align="justify"&gt;Apenas 3 metros da plataforma. Vou viver. Permiti-me um sorriso presunçoso. Ainda era cedo para sorrir. Nova rajada de vento. Nenhuma doçura. Apenas uma força cheia de ódio. Não suportei. Meu porto seguro faltou debaixo de meus pés. Caí. O vento castigou meu rosto. O medo da morte era insuportável. Atravessei as brumas. Encontrei o solo e, com ele, uma dor inacreditável. Voltei à corda bamba. Olhei para frente. Mais 15 metros.  &lt;p align="justify"&gt;Não entendi. Caí de uma altura incrível, mas não quebrei um osso sequer. Apenas meu peito doía. Como que por milagre, voltei à estaca zero. Ao menos estava vivo. Tinha minha corda aos meus pés. Segurança.  &lt;p align="justify"&gt;Caminhei novamente. Poucos passos. Nova rajada de vento. Essa, porém, não era carregada de ódio. Uma corrente de ar quente aqueceu também meu corpo. Incompreensivelmente tremi com o calor. Perdi-me em pensamentos libidinosos daquela corrente magnífica. Perdi também o equilíbrio. Nova queda. Terror antigo. Amaldiçoei aquela distração profana enquanto vislumbrava novamente a dor por debaixo das brumas. Atravessei-as. Nada aconteceu. Voltei à corda. Segurança.  &lt;p align="justify"&gt;Como era possível? Que lugar infernal era aquele? O que significava a sensação de prazer que tomava agora o meu corpo? Mais 15 metros.  &lt;p align="justify"&gt;Retomei o trajeto rumo à plataforma. Mais dois passos. Senti pelas pontas dos dedos o ar movimentar-se. Parei. Que sensação essa corrente traria? Pensei na corda. Estava seguro. O vento foi aumentando sem pressa. Desfrutei o momento. Em certa hora, sua intensidade estabilizou. A brisa refrescante acalmava o meu corpo cansado e produzia uma alegria desconhecida. Fechei os olhos. Gozei aquela sensação por um tempo incontável. Esqueci da corda e da plataforma. Sorri. Desejava que o momento perpetuasse na eternidade. Abri os olhos. Estava caindo novamente. Mas a alegria persistia. Mesmo na queda, o ar delicioso e repleto de amor acompanhou-me. Encontrei o chão. Dor. Voltei à corda. Outros 15 metros.  &lt;p align="justify"&gt;O peito queimava. O prazer experimentado a pouco ardia ainda mais. Mantive o equilíbrio. A plataforma estava à minha frente; mas olhava para os lados, tentando de maneira patética, visualizar aquele maravilhoso vento pelo qual estava fascinado. Aguardei alguns minutos. O ar permanecia estático. Desolado, segui para o único lugar possível. A plataforma se aproximava. Ansiava aquele sentimento mais uma vez. O bendito vento havia desaparecido. Estava a um metro do fim da corda. Apenas um passo. Esperei. Meus pés latejavam. A corda que antes era segurança, agora era sofrimento. Mais um passo e me livraria da corda, porém, nunca mais sentiria o frescor do amor trazido pela brisa de outrora. Dei mais uns minutos para o destino. Nada.  &lt;p align="justify"&gt;Quando inclinei meu corpo para subir na plataforma lembrei-me. Na última queda, aquela presença repleta de amor acompanhou-me até o fim. Olhei para as brumas do desconhecido abaixo de mim. Fechei os olhos. Sorri. Deixei-me cair.  &lt;p align="justify"&gt;O amor acompanhou-me incontáveis vezes. Sempre retornava à corda bamba, porém, ela não representava mais segurança. Apenas a dor daquilo que é invariavelmente estável. A rotina daquele trajeto perpetuamente linear me deixava louco de pavor. Depois de um tempo, a alegria passou a residir somente no descenso ao desconhecido. Nem sempre a queda foi prazerosa, mas a mínima chance de reencontrar o amor no abismo compensava todo o risco. Caí.  &lt;p align="justify"&gt;As mulheres, muitas vezes, produzem esse efeito nos homens. Desorientação, perda do equilíbrio, queda... Com seus altos e baixos, com sua intensidade irracional de pensar e viver a vida, as mulheres conseguem nos tirar do ponto de equilíbrio que, preguiçosamente, encaramos como felicidade. Seus arroubos de alegria, tristeza, raiva e amor nos tiram do sério e nos arremessam rumo ao vazio. Normalmente os homens odeiam sair de sua paz rotineira e estável. Mas a partir do momento em que encaram o desafio de saltar rumo ao desconhecido, passam a aproveitar, mesmo que por um efêmero instante, o esplendor intenso dessa gama infindável de sentimentos que denominamos mulher.  &lt;p align="justify"&gt;Parabéns pelo seu dia e obrigado por roubar nosso equilíbrio. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-572547239270350389?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Todas as plantas que envolviam a casa simples traziam em seus corpos as marcas gélidas de um orvalho intenso da noite recém afugentada pelos primeiros raios de Sol.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Dentro da residência o silêncio reinava quase absoluto; era combatido somente por alguns passos arrastados. No corredor, um casal de idosos seguia de braços dados rumo à sala. Uma terceira pessoa os seguia desinteressada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Seu José, pode deixar que eu levo a Dona Maria para a sala. O senhor não pode se esforçar assim. – A enfermeira fingia preocupação. Cuidar de um casal de velhos não era um emprego ruim, mas ser obrigada a acordar em um domingo antes das oito horas da manhã era motivo suficiente para amaldiçoar a família inteira dos patrões.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Arre! Já disse que eu levo ela. Teimosia besta! – Resmungou o velho com a voz rouca. Enquanto sua mão esquerda tateava a parede de madeira buscando um equilíbrio perdido há algum tempo, o braço direito, flexionado num ângulo de noventa graus, amparava a mulher que depositava nele o peso do próprio corpo, já que suas pernas não tinham mais condições de realizar o serviço. As mãos dela começavam a se esquentar, após a noite gelada, com o sangue correndo sem pressa pelas pontas dos dedos, que agora se entrelaçavam com os do marido. Infelizmente, não podia sentir esse calor atravessando-lhe o lado direito do corpo; uma veia rompida no cérebro tratou de impedir qualquer sensibilidade “ao leste do nariz”, como costumava dizer.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Estou sentindo uma bezerrinha bufar aí atrás. – Comentou ela com um sorriso torto na boca. – Não para não. Assim eu esquento um pouco os ossos. A dor nas minhas costas até parou. Você podia fazer isso outras vezes, Margarida.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– E vou fazer mesmo, se o Seu José não me deixar fazer o serviço.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Para logo com isso, não quero conversa. Já disse que eu levo ela para a sala. – José não podia se dar ao luxo de discutir no momento. Amparar a mulher vinha se tornando uma atividade cada dia mais difícil. Nunca precisara tanto de sua mão esquerda apoiando na parede.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Isso mesmo meu velho, me segura, vai que eu caio em cima de um menininho por aí? Ai ai! Ia ser difícil me tirar de cima dele. – O riso estridente dela encheu o corredor que, por um instante, pareceu mais iluminado. Margarida não queria, mas foi obrigada a sorrir também.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Larga de ser assanhada mulher. Estamos indo ver a missa. Respeito!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O casal seguiu até a sala; seus pés envoltos por meias grossas e encravados em chinelos de borracha eram arrastados pelo assoalho de madeira, provocando um som abafado e calmo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Na sala, bem iluminada por uma grande janela aberta à esquerda, que permitia alguns convidativos raios matutinos entrarem, o trabalho de colocar Maria em sua cadeira demorou quase três minutos. Seu lado direito não mais respondia aos seus comandos e uma queda fizeram um estrago considerável em sua coluna. Sentar causava-lhe dor. Assim, como andar, como deitar...&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Ai meu velho! Já foi muito mais gostoso sentar nas coisas. Hoje parece que meu bumbum vai queimar!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Meu Jesus, Maria! Quieta esse facho senão sua bunda vai doer dos tapas que vou te dar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ela passou a mão na cabeça do marido, olhou de lado para Margarida e continuou falando com o sorriso estampado no rosto: – Tá vendo menina? É assim que homem segura um casamento. Se o marido não dá uns tapas no bumbum da mulher de vez em quando, ela vai achar um menininho por aí que dê.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Pelo amor de Deus Dona Maria! Vai deixar Seu José doido! – Margarida tentava chamar-lhe a atenção, mas a frase saía entrecortada com os risos incontidos e todo o efeito da reprimenda se perdeu.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Arre! Bendito dia que meu pai foi cobrar aquela dívida do seu e acabou recebendo você para casar comigo! Margarida, liga logo a televisão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A enfermeira, tentando conter o riso, virou-se para o aparelho, uma velha TV Philco, cor vermelha, que o casal ganhara há muitos anos de um filho. Ao ligar, um leve ruido foi gerado e após um brilhareco, a imagem chuviscada apareceu na tela. Girando o dial do aparelho, encontrou a emissora que transmitiria a missa dominical. A imagem era fraca, um tanto azulada, e muito prejudicada pelos chuviscos provocados pelo equipamento antigo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Eu vou lá na cozinha, porque o pessoal já deve estar chegando. Qualquer problema é só me chamar. – Antes de sair pela porta de acesso ao corredor, parou o passo de forma abrupta e dirigiu-se ao casal: – Ah! E parabéns para vocês!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Obrigado, minha querida.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;José olhava fixo para as imagens distorcidas dos preparativos para a cerimônia do corpo de Cristo. Há muito seus óculos não mais resolviam seu problema de visão, então preferia enxergar a televisão por cima deles. Angulava a cabeça de um jeito que os óculos transformavam-se em mero enfeite em seu rosto. Deixou alguns segundos passassem até sentir-se sozinho novamente com a esposa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Parabéns por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ela virou-se para o marido, segurou sua mão direita. Pôde sentir a pele grossa de seus dedos. A mão ainda era firme e com a pele grossa; evidentemente, não possuía mais a força para agarrar uma saca de café morro acima ou deitar um boi “na unha”, como fazia na época de veterinário prático, mas ela ainda guardava as memórias da força juvenil. Infelizmente, não se podia dizer o mesmo de sua memória.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Hoje é nosso aniversário de casamento. Lá se vão 65 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ele permaneceu com o olhar fixo na televisão. Agora o celebrante, ao som do cântico inicial, postava-se diante do altar para iniciar a missa. Há algum tempo não se espantava mais com seus lapsos de memória; encarava tudo com a frieza de quem sabe não ser possível corrigir o que está errado. Por mais que pretendesse, grande parte de seu passado estava perdido em um canto desativado de sua mente. O sumiço da maior parte da sua história, o fez também mudar de comportamento; não era mais o homem ativo do passado que vivia na roça trabalhando ou no boteco conversando com os amigos, hoje preferia permanecer em casa todo o tempo; era melhor evitar o constrangimento de ser cumprimentado por uma legião de desconhecidos na rua. Todos diziam seu nome, com aquele olhar de pena que lhe causava repulsa. Não conhecia ninguém, não sabia como conversar com essas pessoas. O que diria? Eram estranhos. Melhor ficar em casa com a esposa. Ao menos este era um rosto familiar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Da cozinha vinha um som que preencheu a sala. Risos e gritos de surpresa pareciam intermináveis. Não se podia compreender o que se dizia no outro cômodo; todos falavam juntos, berravam como se tentassem impedir um enforcamento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Diacho! Quem é que está gritando desse jeito? Não consigo ouvir a missa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Calma véio. Nossos filhos estão chegando para o almoço. Todos vão vir para o nosso aniversário de casamento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– E precisam se esgoelar assim? Devem ser nossos filhos mesmos, os gritos deles são iguais aos seus.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Agora está fazendo piadas também? – Ela ria da raiva do marido. Adorava vê-lo nervoso. – Sabe que você fica ainda mais bonito rindo?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Você está com catarata, até um pé de jaca é bonito para você. – Retrucava ele em vão. Ela continuava rindo sem parar. Para José, Maria continuaria rindo até depois da morte. Às vezes, a invejava por isso... às vezes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O assoalho rangeu pesaroso anunciando a entrada de um homem alto, com barba por fazer e uma barriga que denunciava o sedentarismo crônico. Maria não pôde ver sua entrada, pois seu pescoço não obedecia a qualquer comando que mandasse sua cabeça virar para o lado direito.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Sua benção! – O homem abaixou e beijou-a na testa de forma carinhosa. Em resposta recebeu um “Deus te abençoe”.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Oi pai! Tudo bom? Sua benção! – Estendeu a mão para José, que cravou o olhar no homem corpulento que se dizia seu filho e pedia a benção. Não lhe ocorria quem poderia ser. Estendeu a mão e abençoou de maneira protocolar o desconhecido. Estava se acostumando a abençoar estranhos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A conversa que se seguiu foi, para José, como um sonho. Um sonho como tantos outros que permeavam sua vida há anos. Escolheu o silêncio. Manteve o olhar direcionado para a televisão, mas não fazia ideia do que o padre pronunciava. Fingia prestar atenção no sacerdote, tentando compreender alguns dos fatos recordados pela esposa e pelo suposto filho. Nenhum nome pronunciado atiçava sua mente; nada daquela conversa parecia fazer parte da sua vida.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Alguns poucos minutos se passaram e o homem se despediu do casal. Iria se encontrar com os irmãos na cozinha, havia muito o que preparar. Despediu-se da mãe com um beijo na testa. Acenou a cabeça para José, um tanto encabulado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Você se lembrou dele José?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Sabe que não. Por que pergunta? – O rosto cansado era um reflexo da raiva interna por não se lembrar dos fatos mais banais de seu passado. Considerava-se um imbecil pela incapacidade de recordar dos próprios filhos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Esse é o Orlando. Hoje ele tem 47 anos. Pra você, quantos anos ele tinha ainda?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Nossa, tudo isso? – José encarava a idade do filho com tristeza, não com espanto. – Lembro dele com 15. Meu Deus! Quanto eu perdi? – Gostaria de chorar, mas nenhuma emoção mais forte era gerada da constatação de que perdera mais de 30 anos da vida de seu filho. Causava-lhe muito mais angústia pensar que podia ter chorado por este fato incontáveis vezes, mas não se lembraria de nenhuma delas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Maria sabia o que José sentia, convivia com o sofrimento do marido todos os dias, mas não conseguia se colocar no lugar dele. Sua mente, ao contrário, não a deixava quieta um segundo sequer. A todo o momento, pensamentos diversos explodiam em sua frente, fazendo desejar esquecer de tudo. Gostaria de um pouco de silêncio. Muita coisa vivida seria melhor que caísse no esquecimento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Nesses momentos de fraqueza, onde a fuga parecia a melhor solução, olhava para a fisionomia perdida do marido, amaldiçoava o próprio egoísmo e agradecia aos Céus por ter a mente perfeita. Concluía que o tagarelar da sua mente era infinitamente melhor do viver no silêncio constrangedor do esposo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Não se preocupe meu velho. – Dizia carinhosa, roçando os dedos da mão esquerda no braço do marido.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Não me preocupo. Não vou lembrar disso mesmo! – Maria sabia que o marido tinha razão; em cinco minutos a conversa com o filho escorreria por sua cabeça, desaparecendo por completo. Ela, pelo contrário, teria as palavras de José martelando na sua mente por muito tempo ainda.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Outros filhos e netos apareceram na sala. Maria conversou e brincou com todos. Alguns dos presente tinham os olhos mareados com os risos soltos provocados pela boca abençoada da mulher que mal podia mexer o próprio corpo naquela cadeira acolchoada. José permanecia inerte. Cabeça baixa, olhos por cima dos óculos, vez por outra murmurava palavras desconexas que nem ele próprio entendia. Aparentemente a missa entrara na primeira das três leituras dominicais, mas a passagem era o menos importante no momento. Seus olhos corriam medrosos cada um dos presentes, tentando reconhecer os rostos risonhos que se apresentavam à sua mulher. Seu cérebro informava ser a primeira vez que via aquelas pessoas... fazia tempo que considerava seu cérebro um grande mentiroso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quando elevava a voz a um patamar audível, de sua boca vazavam queixas e reclamações pela arruaça que o impedia de assistir a celebração do corpo de Cristo. Seus olhos percebiam que os presentes fingiam não notar sua presença, porém, quando lhe cediam um pouco de atenção era somente para transpassá-lo com olhares dúbios, carregados de medo ou indiferença. Às vezes pereciam enxergar um ditador, às vezes o fitavam como se fosse ninguém, um desconhecido, um qualquer que não fazia parte de suas memórias. Não entendia o porquê da reação de seus supostos filhos. Pensava no pai terrível que teria sido. Talvez esquecer não fosse tão ruim assim.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Todos se despediram. Um a um os passos deixaram na sala o eco lamentoso do ranger do assoalho. Apenas uma mulher manteve-se na sala, a pedido de Maria. Rosa era a terceira filha mais velha do casal e a primeira mulher a nascer da união de Maria e José. Com quarenta e quatro anos, tinha uma fisionomia tranquila; a linhas em seu rosto, apesar de denunciarem a chegada da idade, não lhe conferiam um expecto ruim, pelo contrário, desenhavam em sua face a história de uma pessoa que vivera com intensidade a maior parte do tempo. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Maria precisava ir ao banheiro, mas essa não era mais uma tarefa que podia se dar ao luxo de executar sem auxílio. Rosa laçou a mãe com os braços, tocando a bochecha no rosto quente dela. Firmou a coluna e trouxe para si o corpo da mãe proferindo um “Upa!” na execução.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Cremdeuspai! – Riu-se Maria! – Depois de velha a gente vira criança mesmo. Até pra me levantar tem que falar upa?!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Desculpa mãe, não resisti. – Rosa não conseguia ficar séria perto de Maria, algo nela provocava-lhe um comichão no rosto que se contorcia num sorriso constante.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Velho, vou no banheiro e você fica quietinho aí! Se eu voltar e tiver uma menininha no seu colo, você vai se ver comigo!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Arre, Maria! Sossega um minuto só! Não tenho paz mesmo, nessa casa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Maria e Rosa saíram com lentidão da sala. Aproveitavam o tempo juntas para colocar em dia a conversa. Rosa contava como estavam suas aulas na escola primária onde lecionava, explicando para mãe como cada aluno se comportava na turma. O trajeto para o banheiro não passava de seis metros, mas a conversa rendeu muito. Maria se acostumara a não mais ter pressa para atingir seus objetivos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Na sala, preso em seu silêncio, José voltava suas atenções para a missa. Perdera as leituras das escrituras e o início da homilia. O padre encontrava-se no meio de seu discurso; era um sujeito de meia idade, mas com feições novas. Falava com entusiasmo e aparentava ser descendente de italiano, pois quase todas as palavras proferidas eram acompanhadas de um gestual exagerado, como se fosse emudecer se ficasse com as mãos atadas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– … sem se preocupar com o caminho traçado para nós por Jesus. Irmãos e irmãs, todos desejamos alcançar a felicidade, atingir a velhice e ter no passado um saldo positivo de nossas atitudes, para com nós mesmos e para com nossos irmãos. Entretanto, nessa petulância que nos é peculiar, temos a firme certeza que conhecemos o rumo certo a seguir e as decisões certas a tomar; esquecemos que nascemos na ignorância e nela permanecemos enquanto não abrimos os olhos para os dizeres, os rumos e as diretrizes traçadas por Nosso Senhor Jesus Cristo. Nossa autoconfiança nos impede de aprender com o Pai os passos certos a dar nessa caminhada, pois temos a convicção de estarmos sempre corretos. Pois lhes digo... estamos errados. Somos arrogantes por acharmos que podemos caminhar sozinhos. Ninguém, eu repito, ninguém anda sozinho nessa vida. Deus não quer isso, ele nos oferece a mão todos os instantes para que não sejamos obrigados a trafegar isolados em meio às trevas presentes no mundo. Cabe a nós perceber sua presença ao nosso lado, estender-lhe a mão e humildemente pedir ajuda. Deus ama a todos como filhos. Irmãos e irmãs, vamos abrir nossos olhos para isto, vamos abrir nossos corações para o amor de Deus, vamos permitir que o amor Dele nos contagie, vamos retribuir esse amor maravilhoso, vamos esquecer nossa soberba e, por fim, vamos permitir que Deus permaneça ao nosso lado, pois esse é o Seu maior desejo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ao final da homilia, o padre convocou toda a congregação a professar a fé com a oração do Creio. O som da multidão deixando seus assentos para iniciar a oração foi a deixa para José baixar seus olhos e acompanhar a prece. À sua frente, porém, algo novo chamava-lhe a atenção; uma figura sorridente e diminuta prostrava-se diante dele com um sorriso impávido. José não fazia a menor ideia de quem poderia ser; como sempre, sua mente pregava peças; já estava ficando cansados das brincadeiras de seu cérebro. Sentia saudades de encontrar pessoas conhecidas, pois hoje todos eram grandes incógnitas. Sentia-se um estrangeiro em perpétua movimentação por mundos que não conhecia.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;No banheiro, Maria estava sentada no vaso sanitário branco, que havia sido elevado alguns centímetros para facilitar o uso, enquanto Rosa a observava com ar de irritação.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Não sei por que essa teimosia? Eu posso te limpar mãe, a Margarida faz isso, porque diabos eu não posso?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Já disse pra você não repetir o nome do cramulhão perto e mim! Me respeite! – A fisionomia suave deixou o rosto da idosa, permanecendo apenas o semblante cansado e cheio de rancor.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Eu não consigo fazer mais nada sem a ajuda dos outros. Nunca precisei da ajuda de ninguém. Todos os meus nove filhos eu pari aqui nessa casa, só eu, uma parteira e Deus. Hoje não me deixam nem comer sozinha, pra tudo eu dependo dos outros. Sou um pedaço de bosta enterrado em uma cadeira que não consegue nem levantar sem ajuda de alguém. Se limpar a minha própria merda é a única coisa que consigo fazer sozinha, por favor, não me retire esse prazer. – Seu rosto desfigurado tinha diversas veias aparentes que ameaçavam estourar a qualquer momento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Mãe, desculpa! Não quis ofender a senhora. Não era a minha intenção. Eu estou fora de casa, não faço ideia do que acontece aqui. Me perdoa. – As lágrimas corriam soltas pelo rosto da filha. Vergonha, medo, raiva, tristeza eram só alguns dos sentimentos que martelavam seu peito naquele momento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Esquece filha, você não fez por mal. – Maria deslizava a mão esquerda pela testa, tentando enxugar um pouco o suor. – Me perdoa também! Só me ajuda aqui, vai. – A velha não sabia para quem estava gritando: para a filha, por não entender seus desejos, para si mesma, por não possuir forças para as tarefas mais simplórias da vida, ou para Deus, por não encerrar logo essa vida inválida.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Rosa mais uma vez abraçou a mãe, mas não havia prazer naquele movimento. O sangue ainda fervia em suas veias e estar perto de Maria naquela hora era o que menos desejava. Mas esse era seu dever de filha; trouxe-a para si e esperou alguns segundos enquanto a mãe se limpava. Repetiu o gesto quatro vezes e ao final suspirou aliviada pelo fim do esforço. As duas se olharam e viram o suor brilhante salpicar grande parte de seus rostos. Com o líquido salobro, também a tensão abandonou seus corpos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Fala verdade minha filha, você já pensou que cagar fosse tão difícil? – O riso frouxo das duas ultrapassou os limites do banheiro e atingiu a cozinha, onde os demais filhos tentavam descobrir qual a nova besteira fora proferida pela boca bendita da mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;De volta ao corredor, os pés cansados de Maria se arrastavam pelo assoalho da casa enquanto seu braço era enlaçado pelo da filha que, com calma, acompanhava seu caminhar lendo. Vez por outra trocavam olhares cúmplices; palavras eram dispensadas, pois o brilho de seus olhos transmitiam o amor mútuo com tal clareza que não era preciso externar o sentimento do momento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quando chegaram na sala se surpreenderam com uma pequena menina loira sentada no colo de José. Seus cabelos dourados passavam pouco dos ombros e tocavam delicados a blusa regata rosa. O pequeno short verde não fazia uma combinação muito boa com a blusa, principalmente porque ambas as peças estavam visivelmente gastas pelo uso, mas eram perfeitas para uma menina que estava se preparando para se esbaldar no enorme quintal da casa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Ora, ora! Quem foi que abriu o galinheiro para essa pintinha rosa sair? – Perguntou alto Maria enquanto se preparava para sentar-se.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Essa é minha nova amiguinha, Beatriz! – Disse José com orgulho. – Estávamos aqui conversando um pouco e ela me pediu para mostrar os coelhos. Não é, Beatriz? – Ao que a menina respondia sacudindo a cabeça para cima e para baixo, com um sorriso lindo e o dedo indicador direito na boca.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Nossa que bom! Será que seu pai vai deixar você levar um coelhinho para casa dessa vez? – Inquiriu Maria enquanto sentia os fios de cabelo finos da menina.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Num sei! – Respondeu a pequena levantando os ombros com as duas mãos espalmadas para cima.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Ah, mas pode deixar que eu vou conversar com ele. Dessa vez você vai para casa com um coelhinho branquinho! – José disse com um sorriso torto no rosto enquanto dava um pequeno beliscão no queixo da pequena.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Eba! – A menina pulou do colo de José, que riu imediatamente do susto tomado. Sumiu da vista do casal em menos de um segundo. – Papai! Papai! Eu vou poder levar um coelhinho pra casa. Me ajuda escolher? Vamos pap... – o som doce da voz da menina perdeu-se enquanto ela rebocava o pai para fora da casa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Deixa eu ver se alguém está precisando de mim, qualquer coisa é só chamar. – Rosa abaixou-se e beijou a testa dos pais, primeiro Maria e após José, que ainda tinha no rosto as marcas deixadas pelo sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O casal permaneceu alguns instantes mais em silêncio, como se desfrutando da aura tranquila que a pequena garota deixara no recinto. Na televisão, a imagem distorcida e cheia de chuvisco deixava transparecer apenas uma figura torta com as mãos para o alto; deduziram eles que o corpo de Cristo estava sendo apresentado à congregação.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Maria, essa menina é nossa neta? – José torceu um pouco a cabeça para a esquerda ao perguntar à esposa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Não querido, ela é nossa bisneta. É a filha do Augusto, nosso primeiro neto.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O rosto de José não recebeu a notícia com tristeza ou espanto; deixou a novidade ser assimilada pelo cérebro e prosseguiu com um leve sorriso no rosto. Não importava quem a menina fosse, ela exalava uma alegria revigorante que contagiava a todos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Que graça de menina.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Maria ampliou o sorriso nos lábios até a pele das bochechas se dobrarem em marcas fundas. Aproximou-se um pouco mais do marido e tocou-lhe o braço com carinho.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Meu velho, você sempre diz a mesma coisa da Beatriz. E vou de contar um negócio, eu tenho um ciúme danado desse chamego de vocês dois, ela sempre gostou mais de você do que de mim.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;José tornou a olhar para a televisão, que transmitia agora imagens quase indecifráveis da missa que deveria estar por terminar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Gostaria de poder me lembrar dela. – José baixou a cabeça por alguns instantes, tornou a levantá-la e fitou a esposa. – Maria, eu fui um bom marido? – A pergunta soava como súplica e Maria não conseguiu impedir que seus olhos ficassem repletos de lágrimas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Você não foi, você é um marido maravilhoso! Se hoje nossos filhos e netos tem alguma noção de responsabilidade é porque você esteve sempre perto, mostrando o que devia ser feito e como devia ser feito.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Às vezes penso que posso ter sido duro demais com eles.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Não se preocupe José. Você fez o que precisava. Tem vezes que a gente precisa ser duro mesmo. Imagina se você fosse igual eu, falando besteira o tempo inteiro...&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– A gente não teria filhos, teria um monte de palhaços em casa. – Os dois riam juntos da piada de José. Seu humor era cada vez menos presente, então Maria desfrutava dele sempre quando aparecia.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Bom, pelo menos a gente montava um circo. Dava pra ganhar algum. – As gargalhadas transbordavam os limites da sala e atingiam a cozinha, onde o restante da família amontoava-se para apreciar a alegria dos dois.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Espero que a nossa vida tenha sido feliz. – Suspirou José enquanto recuperava o fôlego pelas gargalhadas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Nós fomos muito felizes, meu velho. – Maria tocava a mão do marido com a ponta dos dedos, fazendo movimentos leves e circulares, sentindo as veias grossas presentes somente nas mãos dos que sofreram e trabalharam por toda a vida; eram como uma cicatriz gerada pelo trabalho e sacrifício, uma cicatriz pulsante, que não se permitia parar. – Só lamento que você não consiga lembrar de tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;– Arre! Não preciso lembrar, já tenho você aqui, que não fecha essa matraca e não me deixa esquecer de nada. Sua tagarela! – Maria continuava sorrindo e percorrendo a mão do marido com os dedos. Olhava seus cabelos ralos, sua pele maltratada pelo Sol, aqueles óculos sempre caídos na ponta do nariz e agradecia a Deus por recordar-se de cada instante ao lado dele.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;José virou a palma da mão para cima e agarrou os dois dedos de Maria que o acarinhavam. Em seu rosto os lábios se esticaram num sorriso e os olhos enrubesceram pelas lágrimas. Na televisão, a multidão de fiéis agradecia pela celebração do corpo de Cristo e começava a deixar a Igreja, enquanto no restante da casa o tumulto de filhos, netos e bisneta continuava; um almoço precisava ser feito. A vida seguiu para todos eles.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-8066420999038969296?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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O hino tocava enquanto a câmera caminhava pelas faces dos jogadores... alguns balbuciavam a letra, outros não. Há dias temia o jogo contra a Holanda, com certeza, nosso mais forte adversário nesse campeonato mundial. Era um time forte, aplicado e com alguns lampejos de criatividade assustadora.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Após trilar o apito do árbitro, uns poucos instantes de futebol proporcionaram uma reflexão e duas conclusões rápidas: a laranja mecânica estava com as engrenagens em descompasso e o Brasil estava nervoso além da conta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O destempero do time brasileiro assustou-me um pouco. A imagem de um ensandecido Robinho gritando “fuck off” para um holandês (em uma supercâmera lenta, onde foi possível perceber o ódio estampado em cada músculo), não contribuiu em nada para tranquilizar minha mente.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas o nervosismo pareceu um problema irrelevante, pois o Brasil jogava muito mais que a Holanda. Passes curtos, rápidos, precisos... a laranja mecânica parecia perdida. A bola não parava em seus pés e os jogadores brasileiros só eram parados com falta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Evidentemente Kaká seria bem marcado. Ele era o cérebro do time, estampava em suas costas o sagrado 10. Contudo, ele não podia ser o único a ser marcado; éramos 11 jogando um belo futebol. Nessa toada, de quem menos se esperava, veio o instante de magia; Felipe Melo, o Dunga do Dunga, serve uma Jabulani preciosa e precisa para Robinho; desde o meio-campo ela atravessou incólume todos os abasbacados jogadores de laranja e posou por milésimos nos pés do atacante. Gol!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Os holandeses mudaram a postura após o gol, mas não conseguiam alterar a história do primeiro tempo. Com Kaká, Juan e Maicon o Brasil poderia ter feito mais. Não fez. Fez falta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Como torcedor, evidentemente, não percebi isso no momento. Meus olhos grudados na televisão transportavam para minha mente imagens que faziam esquecer as dificuldades daquela partida. Estava fácil demais; pelo visto, o nervosismo dos jogadores não seria um problema muito grave; talvez a Holanda não fosse tão forte assim...&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Começa o segundo tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E o time que foi para os vestiários vencendo não voltou para o campo. De alguma forma que somente os obscuros mistérios do futebol podem explicar, o Brasil não existiu como um time na etapa final. Por outro lado, os holandeses encheram-se de confiança e tranquilidade e encararam aquele espaço de tempo restante como uma batalha. E lutaram lindamente.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não que os brasileiros tenham deixado de lutar. Pelo contrário, lutaram muito, mas com armas diferentes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Arma dos holandeses na peleja era a bola. Usaram-na com maestria; tudo o que foi feito pelo Brasil no primeiro tempo os holandeses empregaram com correção no segundo. Não que tenham jogado um futebol encantador, não acho isso. Mas não erravam. Os malditos não erravam!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Era tempo dos brasileiros passarem por momentos de desnorteio, de desorientação. Por não encontrar a bola, contentavam-se com as pernas dos adversários. E o nervosismo aumentava.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Em uma bola despretensiosamente lançada para a área por Sneijder, Julio César e Felipe Melo saltaram juntos para atingir a Jabulani; morreram abraçados no gramado e a bola nos braços carinhosos da rede ao fundo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Jogo empatado e Dunga era o reflexo do campo. Ensandecido em sua jaula tracejada de branco no gramado, parecia um gorila: agachava-se, como se pronto para o ataque; gritava; batia no peito; surrava seu abrigo, digo, banco de reservas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;No palco, os jogadores continuavam a guerrear, mas não com a bola, como deveria ser. Guerreavam com as travas das chuteiras, com gritos, com descontrole. Numa patética tentativa de assustar os holandeses. Como se eles tivessem medo de cara feia. Não tinham.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Novo cruzamento e dessa vez Sneijder completou para o gol. No alto de seu um metro e setenta, venceu a defesa do Brasil. Para cabecear saltou pouco mais de dez centímetros. Ao cabecear, fez o time inteiro do Brasil despencar de uma altura superior a um quilômetro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A queda fez os jogadores ficarem ainda mais desorientados. Antes que conseguissem achar o equilíbrio, a loucura abateu-se sobre suas mentes. A perda momentânea do juízo produziu marcas eternas. Quando as travas da chuteira de Felipe Melo encontraram a coxa de Robben toda uma nação teve o vislumbre do fim da Copa, muito antes de o árbitro apitar o final da partida. Ao mostrar o pequeno retângulo vermelho para Felipe, o juiz encarnou um toureiro às avessas, acalmou todo o time. Tornaram-se gado manso, domesticado, inocente e indefeso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O resto foi apenas a espera pelo fim. Os minutos passavam despreocupados. A Holanda jogava como em um treino. E o Brasil de guerreiros não tinha mais força para lutar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Terminada a partida levantei-me e fui procurar um rumo... na verdade queria procurar um culpado. Assustei-me ao encontrar muitos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quando o sangue esfriou e consegui colocar as ideias nos devidos lugares, percebi ter faltado a essa seleção um líder. Um exército que se preze não pode vencer batalhas apenas com guerreiros; é imprescindível para a vitória um comandante centrado e tranquilo, que consiga indicar aos subalternos os caminhos para invadir o front inimigo e subjugar sua defesa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Dunga nunca foi um comandante; desde seus tempos de jogador, era um guerreiro. Ficou famoso por isso. Conheceu inferno e céu sendo desta forma. Como técnico deveria saber que sua postura tinha que mudar. Não mudou. Todos nós perdemos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-7682277899152484844?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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R$ 39,00&lt;/h5&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O Dr. Peter Brown não é uma pessoa feliz. Pelo contrário, parece odiar a tudo e a todos que o cercam, desde animais inofensivos aos pacientes que é obrigado a atender no Manhattan Catholic Hospital, onde é médico residente. Cada dia no exercício da medicina assemelha-se mais a uma condenação do que o simples desempenho de uma profissão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O que não deixa de ser verdade, pois o protagonista do primeiro livro escrito pelo estadunidense Josh Bazell não cursou medicina pelo firme propósito de salvar vidas alheias (o que, inclusive, gera uma impagável passagem no livro no início do segundo capítulo), mas para fugir da máfia, que não vai descansar enquanto não tiver sua cabeça em uma bandeja.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;As coisas complicam por completo quando um dos pacientes o reconhece e ameaça denunciar sua nova vida para David Locano, exatamente o chefe do clã que o persegue.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A narrativa do livro, portanto, desdobra-se em duas frentes, enquanto acompanhamos todo o esforço do protagonista para não ser descoberto pela máfia, somos remetidos ao passado, onde conhecemos Pietro Brnwa, jovem que teve seus avós assassinados, passa a ser um assassino contratado pela família Locano e transforma-se posteriormente em Peter Brown, graças ao programa de proteção à testemunha.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Neste último parágrafo reside o grande trunfo do livro, a forma com que o autor trata essas duas histórias impede que o leitor perca o interesse pela trama. O meio utilizado é simples, o modo de executa-lo, nem tanto. Bazell faz um revezamento constante entre passado e presente do protagonista, capítulos ímpares cuidam do presente e pares do passado (com exceção no último capítulo).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Assim, a cada capítulo par descortinamos um pouco mais do passado de Peter Brown e descobrimos os motivos pelos quais o protagonista tornou-se uma pessoa tão perigosa e cheia de ódio.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Evidentemente essa forma não-linear de tratar o texto é complexa em termos narrativos, e isso fica claro durante a obra. Isso porque o passado do protagonista é repleto de detalhes e passagens importantes para a construção do seu caráter, abrangendo um período enorme de tempo (vários anos), enquanto o presente como médico é retratado no livro em um período de apenas um dia. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Portanto, há muito mais a ser dito sobre o seu passado do que sobre o presente; isso faz com que vários momentos da história pretérita de Peter (na época ainda Pietro) sejam mencionados de maneira apressada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Outro problema dessa “pressa” em retratar o passado do protagonista é a construção de alguns personagens. Para criar um pouco mais de empatia com o leitor, Bazell deveria ter desenvolvido melhor duas pessoas essenciais para a trama: Adam Locano e Magdalena. Ambos são imprescindíveis para explicar o atual estado psicológico e emocional do protagonista, porém, não lhes é dado no texto o espaço merecido. No caso específico de Magdalena, entendo ter o autor se equivocado ao construí-la; no início é uma religiosa fervorosa, contudo, cede facilmente ao apetite sexual de Peter (após um ou dois “não’s” sem muita convicção) e aceita de uma maneira incrivelmente fácil o fato de seu namorado ser um assassino contratado pela máfia! Convenhamos, este não é lá um comportamento normalmente visto em pessoas religiosas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas acredito que tais equívocos também façam parte da inexperiência do autor, afinal este é seu primeiro livro. E para uma estréia, ele se sai muito bem.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O livro é dotado de um humor ácido. Bazell, por meio de seu protagonista, ataca sem perdão o sistema de saúde dos EUA, além de boa parte da categoria médica. E o autor sabe dosar tranquilamente o humor durante o texto; lógico que algumas piadas não funcionam como deveriam, mas grande parte delas é ótima (adorei o raciocínio sobre o fato de os anões da Branca de Neve sofrerem de silicose!!!).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Além do humor, o que não falta em Sinuca de Bico é violência. Aliás, Peter Brown pode ser considerado um novo Chuck Norris… a forma com que ele elimina os inimigos é tão fácil quanto impiedosa. O final do livro, inclusive, guarda uma cena de automutilação simplesmente inacreditável. Aqueles que assistiram Jogos Mortais 1 e acharam forte a parte em que o médico amputa o próprio pé para libertar-se de uma corrente, mudarão de opinião após lerem Sinuca de Bico!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É de se mencionar que essa incrível habilidade do protagonista de matar pessoas pode ser considerado uma bola fora do autor; já que, em nenhum momento é mostrado um aprendizado de Peter ou mesmo uma evolução na sua técnica, ele simplesmente tem um dom para matar qualquer um que apareça em seu caminho. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Como visto, erros durante o texto existem e precisam ser citados, porém, a história não-linear, a narrativa ágil, o humor ácido e o protagonista revoltado com o mundo e extremamente violento, tornam este livro de estréia de Josh Bazell uma grande pedida para aqueles que gostam de uma boa história policial. É um livro pequeno, de leitura agradável e com uma narrativa eficiente que mantém o interesse do leitor até a última palavra.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Uma última informação, toda a crítica feita por Bazell à classe médica e ao sistema de saúde americano são feitas com certo embasamento, pois o escritor também é médico residente.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-2740989658157775634?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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R$ 38,00.&lt;/h5&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Antes de iniciar a análise propriamente dita, é importante frisar que as opiniões aqui exaradas são referentes somente ao texto de Saramago. Tentarei não expor qualquer opinião religiosa, muito embora o livro aborde de maneira incisiva o tema.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Um segundo ponto que devo salientar (este com repercussões mais diretas ao livro) é que Saramago é ateu. Mas a leitura de “Caim” me deixou a impressão que o autor acredita que Deus não existe e se existisse o odiaria. Opinião dele, esta eu não discuto; porém, o seu aparente ódio refletiu no resultado final do livro, negativamente falando.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A história de “Caim” inicia antes mesmo de seu nascimento. Estamos falando do limiar da humanidade, ou melhor, do Universo em si.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Saramago coloca a sua visão da criação, com o jardim do éden e seus primeiros habitantes humanos: Adão e Eva (no livro, todos os personagens têm a primeira letra do nome minúscula, inclusive Deus. Mais tarde trataremos do assunto).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;No início da obra, Saramago descreve não só a criação, mas o convívio de Adão e Eva no interior do Jardim Sagrado, bem como os conhecidos efeitos da gula por uma certa maçã proibida. Logo após a saída do Éden, a história direciona o foco em Caim, o primogênito do casal primeiro e personagem da primeira manifestação de inveja da raça humana.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Caim inveja a relação de seu irmão Abel com Deus, pois todas as oferendas realizadas por Abel são aceitas de bom grado enquanto as de Caim são rejeitadas sumariamente. Desta maneira, imaginando ser Abel o preferido de Deus, pratica o fratricídio.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Deus indignado com a atitude de Caim o castiga pelo ato; impõe a ele a condenação de andar errante pelo mundo até o fim de seus dias. Caim, preocupado com sua vida durante sua caminhada, imaginava que seria morto logo, pois havia matado o próprio irmão; então Deus, para evitar o assassinato de Caim, marca-lhe a testa; este sinal impediria que qualquer mal lhe ocorresse.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Desta forma, Caim inicia sua jornada pelo mundo, começando pelas terras de Nod. Seu caminhar, contudo, passa por importantes passagens do velho testamento, como a Arca de Noé, o sacrifício de Abraão, as Muralhas de Jericó e o desafio a Jó.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;No meu entender, a vontade de Saramago de, com esta obra, zombar e questionar as ações de Deus foi sobreposta ao gosto literário. Ao final do livro pareceu-me que criticar Deus somente pela história de Caim era muito pouco (mesmo porque este personagem na Bíblia tem uma passagem muito pequena), queria o autor português apontar todas as passagens possíveis onde Deus teria se mostrado um tirano sanguinário.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Interessante foi a saída encontrada por Saramago para fazer com que Caim viajasse por todos esses fatos conhecidos da Bíblia. Em suas andanças Caim simplesmente sai de um lugar para o outro, como se pulasse para o futuro ou, como dito no livro, “para outro presente”.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O meio imaginado foi interessante, o resultado final não.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O que mais me incomodou durante todo o texto foi a natureza episódica da obra. Caim salta para a Torre de Babel, presencia os fatos e salta novamente para outro ponto. Visita Sodoma e Gomorra, fica escandalizado com a morte de diversas crianças inocentes pelo fogo sagrado e salta novamente para outro ponto. Em momento algum conseguimos nos afeiçoar com qualquer personagem, inclusive o principal, que por quase toda obra mais parece um coadjuvante, muito embora devesse ser o protagonista.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Em vários momentos a presença de Caim é completamente irrelevante para a narrativa, sua manutenção física no local justifica-se apenas para que a passagem bíblica a ser criticada pelo autor seja contada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Nos poucos pontos onde a narrativa se assenta para descrever mais sobre os personagens e a situações em que se envolvem, o texto cresce. É assim, por exemplo, no início do livro com um tom cômico ótimo, ou no momento em que Caim encontra Lilith pela primeira vez.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Esta passagem em particular merece algumas observações positivas. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Em primeiro lugar, foi ótima a metáfora encontrada&amp;#160; por Saramago ao narra a chegada de Caim nas terras de nod. Sem emprego, a única atividade que lhe foi oferecida foi a de pisar o barro. Podemos fazer relação deste emprego de Caim com um desdém pela obra suprema do Criador ou mesmo que são os homens e não Deus os responsáveis pela própria origem e por construir o futuro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Em segundo lugar, a personagem Lilith, muito embora não retratada na Bíblia, é bem conhecida. Conta a lenda que ela foi a primeira esposa de Adão (antes de Eva, Lilith também tinha sido gerada do barro), mas seu marido não a aprovou, pois durante o ato sexual ela se recusava a ficar debaixo do marido, queria, digamos, controlar a situação. No livro de Saramago, Lilith é a governante de uma pequena cidade; muito embora tenha marido, pode levar para cama quem bem desejar. Não é preciso gastar muito a palavra neste ponto, evidentemente, ela se afeiçoa a Caim e faz dele seu escravo sexual. Posteriormente, brota em ambos a paixão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Infelizmente, são poucas as páginas em que o texto de Saramago sobrepõe-se às suas convicções religiosas. Após deixar Lilith em sua cidadela, Caim passa a viajar pelo Velho Testamento, criticando Deus e seus desígnios, mas sem obter êxito em cativar o leitor.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O livro tem um acentuado tom de comédia, sendo este um ponto positivo que deveria ter sido mais explorado pelo autor. Quando acerta a mão, produz passagens ótimas, como a explicação de como seria fácil evitar que Eva e Adão comecem do fruto proibido: &amp;quot;se realmente não queria que lhe comessem do tal fruto, remédio fácil teria, bastaria não ter plantado a árvore, ou ir pô-la noutro sítio, ou rodeá-la por uma cerca de arame farpado...&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas nem mesmo a comédia é boa todo o tempo, em alguns instantes Saramago flerta com o ridículo. Parece tentar repetir Terry Pratchett, mas sem a elegância e criatividade cômica do inglês criador da sensacional série Discworld.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ponto negativo também é o desenvolvimento dos personagens; praticamente todos retratados de maneira estéril, sem criatividade. Reputo isto à natureza episódica do texto; Saramago se ateve muitas vezes ao texto Sagrado e narrou passagens demais, havia pouco tempo para construir personagens.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Aliás, como dito alhures, todos os personagens possuem a primeira letra do nome minúscula, inclusive Deus. Ao que parece, Saramago assim agiu pois repudia a Deus, não o considerando como ser digno de nota, e os demais personagens não podem ser considerados pessoas, apenas peças em um tabuleiro ou cordeiros prontos para o sacrifício.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A vida de Caim poderia render um ótimo livro, mesmo porque sua passagem na Bíblia é pequena. Poderia Saramago ter contado a trajetória sofrida do primeiro assassino da história (e no ínterim criticaria Deus conforme bem entendesse), mas seu desejo de desconstituir grande parte do Velho Testamento fez sua narrativa perder força, seus personagens perderem importância como pessoas e a piada perder a graça.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-2933273377722668564?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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R$ 19,90.&lt;/h5&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A marca “Stephen King” é conhecida no mundo inteiro. Mesmo aqueles que nunca leram um livro do Sr. King já assistiram um filme baseado em alguma de suas obras. São dezenas. Algumas de gosto duvidoso, outras pequenas obras de arte. A Zona Morta inclui-se tranquilamente nesta segunda categoria.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Neste livro, Stephen King narra a história de um jovem professor de uma pequena cidade estadunidense, John Smith, que desde criança tem um dom perturbador; quando toca em uma pessoa é capaz de descobrir tudo sobre o seu passado, além de enxergar flashes de seu futuro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Este dom surge em um momento dramático de sua infância, quando sofre um acidente no gelo e bate fortemente sua cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Porém, somente na idade adulta toda a intensidade de sua aptidão seria revelada. Coincidentemente após outro acidente. Entretanto, este acidente quase lhe ceifou a vida, deixou marcas perpétuas em seu corpo, além de tê-lo feito perder quase 05 anos de sua vida, período em que passou vegetando, em estado de coma.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Terminada a leitura deste livro, peguei-me pensando se realmente A King tinha a intenção de escrever um livro de terror. Se este foi realmente seu objetivo principal, acho que falhou miseravelmente. Não se preocupe, leitor, não digo isso como se apontasse um ponto negativo no texto. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Apenas aponto para os desavisados que este não é um livro de terror… é um drama, e dos melhores que já li.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É impossível não se comover com a história sofrida do protagonista. A todo momento o leitor se perguntará se sua habilidade paranormal é um dom ou maldição divina.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Stephen trabalha o texto como de costume, sem pressa. Apresentando cada detalhe e cada personagem de uma forma pausada e tranquila, para que possamos degustar as personalidades de todos os que compõem o texto. Isso sempre foi um de seus pontos fortes, a preocupação com o psicológico e com a história de todos os componentes da narrativa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Diferentemente de muitos autores (como Dan Brown) que resumem personalidades complexas em uma palavra, reduzindo a quase nada o ser humano, King trata cada um de seus personagens com um carinho paternal. Mesmo os vilões (que são medonhos, diga-se de passagem) são objeto de análise criteriosa do autor; desta maneira, suas atitudes, mesmo as mais ensandecidas, são explicadas. E ainda quando as ações são inexplicáveis, são devidamente fundamentadas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ou seja, os vilões são loucos, mas sabem o que estão fazendo e por que estão fazendo suas atrocidades.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Isto humaniza os personagens, deixando próximos a nós. Com o passar da leitura, nos afeiçoamos a cada um deles. Desta maneira, quando sofrem algum mal ou morrem nós também sentimos; acompanhamos sua dor com apreensão e compaixão, torcemos para sua vitória e choramos cada derrota.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Dos livros que li de Stephen King, talvez este seja o que o autor estadunidense tenha trabalhado melhor o seu protagonista. Johnny é uma pessoa simpática, extrovertida e que consegue cativar qualquer um de uma maneira rápida e natural. É impossível não sentir pena, portanto, de todo o mal que lhe aflige durante a narrativa. Seu fardo é inacreditavelmente pesado e ele, ainda assim, consegue carregá-lo. Muitos teriam desistido ou enlouquecido, mas a força de nosso protagonista o mantém de pé, caminhando.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Diversos são os problemas enfrentados por Smith desde o fatídico acidente automobilístico que, se não o matou, privou-lhe de mais de 04 anos de vida, de alguns movimentos de sua perna, de um aspecto saudável (as cicatrizes em seu corpo não permitem esquecer a tragédia) e o amor de sua vida. Após acordar de seu estado vegetativo ele percebe que o mundo mudou, ou melhor, o mundo seguiu o seu curso natural, muito embora ele tenha ficado preso nas ferragens de um carro como que paralisado por 05 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Este livro foi escrito por King em 1979 e é possível perceber o frescor de sua narrativa. A obra tem todos os pontos positivos do texto de King sem os seus pontos negativos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É costumeiro ouvir críticas ao trabalho de Stephen, pois durante a narrativa o autor tende a se perder em histórias paralelas sem sentido ou propósito aparente para a trama principal. Vagando em seus pensamentos desordenados o autor também faz o leitor viajar, mas no sentido ruim da palavra, tornando a leitura, por vezes, maçante.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não aqui. Nesta obra, King usa cada subtrama, cada desvio do texto para incrementar a narrativa e conferir profundidade a todos os personagens envolvidos. É impressionante que um livro tão extenso consiga manter o interesse do leitor em um patamar tão alto sem cessar. A narrativa é detalhista sem ser chata, descrevendo cada instante da vida de Johnny de uma forma crível… e terrível.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Também estão presentes no livro temas correntes na obra de King: fanatismo religioso (personificado na mãe do protagonista), histeria popular (pela divulgação nacional do poder paranormal de Johnny) e a dualidade dom x maldição (o protagonista passa por todo o livro rejeitando seu poder, haja vista toda a desgraça que lhe afligiu após sua manifestação).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Todos são temas com os quais o leitor pode facilmente se identificar. Aliás, é impossível não se identificar com o protagonista; a forma com que King apresenta cada dilema é muito factível. Portanto, muito embora estejamos diante de uma história fantástica, conseguimos nos imaginar agindo da mesma maneira que Johnny se nos deparássemos com cada um de seus desafios.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Evidentemente, este livro não seria de Stephen King se não tivesse um vilão marcante. Bem, aqui temos dois. O primeiro é um assassino em série que atormenta uma pequena cidade interiorana. Seu objetivo principal na obra é mostrar para Johnny que seu poder também pode ter uma utilidade benéfica para a sociedade. Detalhe que merece destaque é a investigação de Johnny sobre o assassinato de uma criança. Quando o protagonista toca o exato local onde ela foi morta, toda a cena é apresentada novamente a ele; e a descrição de King para esta parte é qualquer coisa de inacreditável, é impossível não ficar com a espinha gelada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O segundo, e principal, vilão é Greg Stillson. Um ser odioso, dono de um raro dom de cativar a todos os que estão ao seu redor e que tenta galgar novos degraus, agora investindo em uma carreira política, o que pode significar o fim de toda a humanidade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O personagem de Greg é um mistério. Sua popularidade é tão forte quanto sua crueldade. Johnny sabe disso… aliás talvez seja o único que saiba exatamente o tamanho do poder e da loucura de Greg. Assim, ele é a única pessoa capaz de detê-lo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Enfim, esta é uma obra-prima de Stephen King. Personagens marcantes, narrativa poderosa e um final marcante. É, definitivamente, um livro obrigatório para quem gosta de livros baseados não somente na ação e no sangue, mas que sejam focados principalmente nas pessoas e nos efeitos que fatos trágicos podem ocasionar em suas vidas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Alguns pequenos detalhes: este livro já foi transformado em filme pelo diretor David Cronenberg em 1983; a película é difícil de ser encontrada, mas vale a pena. Assisti ao filme anos atrás e, com certeza, é uma das melhores adaptações de uma obra de Stephen King. Além disso, baseada nele foi produzida uma série, iniciada em 2002 e cancelada em 2006.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por fim, os comentários deste livro foram feitos baseados em uma nova edição publicada pela Editora Objetiva, agora sob o selo “Ponto de Leitura”. É um livro de bolso, com ótima encadernação. O “Ponto de Leitura” foi lançado pela Objetiva em novembro do ano passado e ainda conta com poucos títulos, mas toda a iniciativa para lançar livros de bolso, com preços mais acessíveis e, principalmente, com ótima qualidade gráfica devem ser motivos de aplausos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-3800928653001310830?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Na madrugada deste sábado, Ana Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni foram condenados (decisão ainda passível de recurso, deve-se lembrar) a 26 e 31 anos de prisão, respectivamente.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas uma coisa não me sai da cabeça desde que a menina Isabella teve sua vida ceifada há 02 anos… a condenação deste sábado não passou de uma chancela, uma confirmação de condenação já determinada há anos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por mais que juristas, sociólogos e jornalistas discutissem os possíveis resultados dos intermináveis debates que envolveram esse julgamento histórico, o fato é que Alexandre e Ana Jatobá já tinham suas sentenças escritas pela sociedade. A opinião pública os condenou há tempos, mas desta sentença não cabe qualquer recurso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Todo o “circo” armado pela acusação e defesa por todo o processo criminal, desde sua fase embrionária no inquérito até a teatralização do juri em si, causou-me enjoo. Senti-me mal ao ver tanta dedicação de um promotor com a “insaciável” sede de justiça, assim como causava-me ânsia de vômito observar o advogado de defesa “emocionando-se” com todo o drama sofrido pelos acusados.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Todos os dias crianças têm suas vidas ceifadas no Brasil. Todos os dias pais e mães vão deitar-se desesperados, pois seus filhos desapareceram. Infelizmente, muitos deles não terão sequer o direito de enterrá-los.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas não nesse caso. A divulgação maciça dos eventos que determinaram a morte de Isabella, tornaram essa criança uma filha de todos nós. Como pais desesperados, tentamos de todas as maneiras achar um culpado… encontramos dois.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Na histeria geral que envolveu o caso Isabella, a maioria da população deixou de analisar a questão como um fato social que seria apreciado juridicamente pelo Poder Judiciário. Como bons pais, estabelecemos nosso foco de atenção e imediatamente condenamos à prisão perpétua Alexandre e Ana Jatobá.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Talvez, muitos podem pensar que esteja aqui defendendo os dois condenados. Não estou. Por tudo o que acompanhei do processo, não consigo imaginar como uma terceira pessoa poderia ter cometido o crime, somente os dois teriam condições para praticar tal ato. O que digo neste momento é que a divulgação excessiva de um determinado fato pode resultar em uma grande e incorrigível injustiça.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Imaginem, por exemplo, que Alexandre e Ana Jatobá fossem considerados inocentes. A decisão do júri é soberana de acordo com a nossa Constituição (art. 5º, inc. XXXVIII, alínea “c”) e deve ser respeitada por representar a verdade real do processo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas e a verdade da sociedade? Entenderíamos nós que pai e madrasta de Isabella são inocentes? Acataríamos a soberania do veredicto do júri e deixaríamos os acusados continuar sua vida normalmente?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Acredito que não. A pena dos acusados vai muito além de 31 ou 26 “míseros” anos, pois a sociedade já estabeleceu a pena perpétua para ambos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O que digo aqui é quase impossível de ser atendido, mas talvez seja hora da sociedade tentar pensar de uma maneira mais racional, não se deixando levar pela emoção desmedida o tempo todo, estabelecendo heróis ou criando vilões; isso porque a sociedade cria sua própria verdade, mas talvez a sua verdade não represente com exatidão a realidade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Lembro mais uma vez que os acusados ainda poderão recorrer da decisão dos jurados. Em um recurso uma reviravolta pode acontecer, transformando os agora condenados em inocentes. Mas e a sociedade, conseguirá inocentá-los?&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-3213918375424577819?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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R$ 39,50&lt;/h5&gt;  &lt;p align="justify"&gt;“Os homens que não amavam as mulheres” é o primeiro volume da trilogia Millennium, escrita pelo prematuramente falecido escritor sueco Stieg Larsson.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Trata-se de um romance policial que narra a história de Mikael Blomkvist, o editor-chefe da revista Millennium, um periódico que cuida primordialmente de assuntos econômicos e políticos. No início da trama, somos apresentados a um protagonista que sofre o risco de ter toda a reputação (e a revista que comanda) destruída por uma matéria investigativa que denunciava práticas ilegais do poderoso empresário sueco Hans-Erik Wennertröm.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Como a fonte que originou a matéria publicada na Millennium não se mostrou confiável, os argumentos expostos por Mikael em seu periódico foram atacados por Wennertröm. O protagonista, então, foi processado e condenado por difamação (dentre outras infrações) a 03 meses de prisão, além de uma pesada multa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quando tudo parecia perdido para Mikael, eis que surge uma oportunidade de salvar a reputação e a própria existência profissional de Mikael e da revista Millennium. A luz no fim do túnel deste atende pelo nome de Henry Vanger e tudo o que Mikael precisa fazer para recuperar a própria vida é descobrir quem assassinou a sobrinha desse magnata da indústria há 39 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Henry Vanger não possuía filhos, portanto, tratava sua sobrinha Harriet como tal. Entretanto, seu inexplicável assassinato ocorrido há 39 anos havia praticamente destruído sua vida. E mais, o assassino parecia querer destruir psicologiamente Henry, pois, todos os anos, envia para o mesmo uma flor dentro de um quadro, costume iniciado por Harriet. O último detalhe bizarro na história é que, Henry tem fortes motivos para acreditar que um dos membros da própria família é o responsável pelo desaparecimento de Harriet.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Desta maneira, é proposto a Mikael uma pequena troca. Caso ele forneça o nome do assassino de Harriet à Henry, este não só solverá toda a dívida da Millennium como fornecerá informações que destruirão a carreira de Wennertröm, resgatando a imagem manchada de Mikael.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Sendo bem direto, este primeiro volume da trilogia Millennium é um belo exemplar de um livro policial, além de demonstrar que é plenamente possível associar uma literatura de massa, para divertimento, com uma leitura mais densa, que faça o leitor realizar uma análise crítica da sociedade em que vive.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Larsson, antes de ser um escritor, era um repórter. Assim, as questões éticas que envolvem a profissão são tratadas na obra por quem, certamente, vivenciou fatos semelhantes no dia a dia jornalístico.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O autor aborda duas questões espinhosas que envolvem a ética do jornalista e que poderiam, tranquilamente, render boas horas de conversas acaloradas: até que ponto vai o dever do jornalista em revelar para a população toda a verdade sobre determinado acontecimento? Pode, o jornalista, valer-se de meios ilícitos para encontrar subsídios que fundamentem sua reportagem?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Certa vez, Rui Barbosa afirmou que “a imprensa é a vista da nação” (A Imprensa e o Dever da Verdade, p. 20), assim, cabe ao jornalista trazer a luz da verdade para a população, que em sua maioria não tem condições de acompanhar os acontecimentos maléficos praticados diariamente. É função do jornalista, portanto, ser os olhos do povo, alcançando os recantos sombrios e obscuros, não permitindo que atos ilegais ou imorais passem despercebidos e seus autores saiam impunes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Contudo, até que ponto a divulgação de um fato pode ser mais prejudicial do que a sua própria ocultação? Larsson aborda este ponto com classe e nos faz pensar que, às vezes, a ignorância pode trazer menos dor do que o conhecimento pleno dos fatos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A utilização de meios ilícitos para fundamentar uma reportagem é um tema tão espinhoso quanto o anterior. No livro, Mikael e sua auxiliar Lisbeth, acabam cometendo diversos crimes para encontrar provas que tornassem viável a publicação de uma matéria. Estariam certos ou errados? No meu entender, essa é uma pergunta que cada um pode responder à sua maneira, encontrando fortes fundamentos para apoiar a opinião.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas, antes de ser um livro gerador de discussões acaloradas, “Os homens que não amavam as mulheres” é um livro policial divertido. Puro entreternimento. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Larsson demonstra muita segurança em sua narrativa. Seu ritmo é calmo e rico de detalhes, especialmente nos diálogos, onde o autor não poupa esforços em alongá-los, na tentativa de conferir maior profundidade aos personagens. Evidentemente, a minúcia com que o livro é escrito pode incomodar alguns; particularmente, entendo que a obra poderia ter 100 páginas a menos, sem resultar em qualquer prejuízo para a plena compreensão de todos os acontecimentos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Entretanto, é importante ressaltar que em momento algum a leitura se torna maçante. Larsson tem uma escrita prazerosa e leve; assim, mesmo nas partes mais lentas, mantém-se o interesse na história, pois o autor faz parecer que todo aquele contexto apresentado é fundamental para o deslinde de toda a narrativa. Uma única exceção sobre a narrativa de Larsson reside em seu final, que tratarei adiante.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Auxilia, e muito, a manter o interesse sobre o livro os belos personagens criados por Larsson. A dupla de protagonistas, Mikael e Lisbeth, são muito interessantes em seus dilemas e, em meio às suas excentricidades, parecem pessoas reais, com dilemas e problemas que poderiam afligir a todos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É incrível o trabalho desempenhado pelo autor na construção de Lisbeth, em particular. Em princípio, a personagem teria tudo para ser odiada pelo leitor, mas por um motivo inexplicável, não consegui parar de torcer por ela. Descrita na obra como uma mulher não muito bonita, magra ao extremo e com um temperamento que consegue impedir qualquer relacionamento afetivo, Lisbeth poderia, facilmente, tornar-se uma chata de galocha, contudo, Larsson faz o leitor torcer por um final feliz por essa mulher sofrida.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;No que tange a história em si, como dito anteriormente, divide-se em duas frentes: a descoberta do assassino de Harriet e o caso Wennertröm. Infelizmente, aí está o problema. Teoricamente, essas duas frentes deveriam ter importância equivalente no livro, ou seja, o leitor deveria se preocupar com o desfecho do caso Wennertröm; contudo, esse ponto é tratado somente no início e no final do livro, ou seja, o leitor passa muito tempo sem ter contato com o caso em si. Assim, deixa de ter tanta importância no contexto da história (entendo que o fato de Wennertröm não ter sido retratado no livro, também diminuiu a importância do caso, pois o leitor não pode se afeiçoar com a personagem, a fim de dar-lhe importância).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ocorre que, o mistério do sumiço adquiriu muita importância no texto e seu esclarecimento (que é decepcionante, diga-se de passagem) ocorre prematuramente. Assim, após solucionar o principal ponto da obra, Larsson “obriga” o leitor a acompanhar mais 70 páginas sobre um caso “menos&amp;quot; importante. Portanto, o interesse em prosseguir na leitura diminui bastante após a elucidação do caso Harriet.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Todavia, este ponto negativo não diminui a qualidade do livro. Afinal, não é todo o dia que podemos acompanhar uma história que diverte, repleta de personagens interessantes e que, de quebra, nos traz questionamentos muito relevantes para os dias atuais, onde há um excesso de informação disponível para a população (especialmente na internet) sem que haja uma preocupação ética com aquilo que é transmitido para a população. Preocupa-se demais em informar o povo, sem se ater às consequências dos fatos noticiados ou mesmo se a notícia tem qualquer fundo de verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O comentário a seguir é um spoiler, portanto, não leia se ainda não terminou o livro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não poderia terminar essa análise sobre o livro sem externar a decepção com o caso Harriet. Quando comecei a ler a obra, imaginei que a sobrinha de Henry pudesse estar viva, mas logo imaginei: “Isso é absurdo! Ela não seria tão cruel a ponto de sumir e continuar mandando flores para o tio todo ano, quase o deixando louco!” O pior é que ela fez exatamente isso!!!! Poucas vezes vi uma pessoa tão sem coração como Harriet. Ora, quando ela mandava as flores para o tio, estava imaginando o quê? Que ele ficaria feliz por receber uma recordação da sobrinha mais amada e que, provavelmente, tinha sido morta por um parente próximo? Afinal, ela o amava demais, será que não poderia ter procurado informações sobre Henry? Não tinha a menor curiosidade em saber se o “amado” tio estava bem de saúde ou não?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Definitivamente, a solução do mistério do caso Harriet foi decepcionante. Larsson soube construir muito bem os personagens e a história em si, mas talvez não tenha se debruçado o suficiente sobre o desfecho do sumiço de Harriet. Uma pena.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-611563070888373407?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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O que nos impulsiona para frente, mesmo inexistindo perspectiva de um futuro melhor?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Neste perturbador livro de Cormac MacCarthy os dois protagonistas se deparam com este dilema todo o tempo, enquanto caminham por uma estrada sem fim, buscando algo que nem mesmo eles sabem o que é.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;MacCarthy é autor do livro que originou o filme dos irmãos Coen, “onde os fracos não tem vez”, e nos apresenta aqui um futuro desolador. Por motivos não explicados no livro, o mundo que nós conhecemos não existe mais. Tudo foi destruído e encontra-se encoberto por uma espessa manta cinza. Há anos o Sol existe apenas como uma sombra pálida em um céu eternamente nublado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Neste cenário desolado, um pai e um filho caminham por uma estrada rumo ao sul. Tentam encontrar o mar e, talvez, um mundo novo, com algum resquício de vida. No caminho deles apenas a morte se faz presente à todo momento. Tudo o que é visto pela estrada ou morreu ou está moribundo, clamando pela morte.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O tom da narrativa, como se percebe, é tenso e triste por todo o livro. Quase não há espaço para esperança; assim, mesmo fatos positivos e alegres (como encontrar alguma comida enlatada pelo percurso) é encarado com frieza que quase pode ser confundido com desdém, afinal, mesmo o alimento que os manterá vivos tem uma função efêmera de somente retardar o final certo e inevitável.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O texto de MacCarthy é maravilhoso ao retratar o mundo extinto e as pessoas agonizantes que o habitam. Tratando insistentemente a história de maneira crua e sem perdão, o autor opta por utilizar descrições curtas dos ambientes, empregando muitos pontos simples durante os parágrafos. Desta maneira, a narrativa aparenta ser “quebrada” ou às vezes “inacabada”. Apenas o essencial é transmitido ao leitor, mas isto não quer dizer que a ambientação não seja clara; com essa técnica, autor impõe ao leitor o dever de terminar a construção do cenário, ampliando a sensação de desolação de tudo o que cerca os personagens.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Entretanto, sem dúvida alguma, o melhor do texto de MacCarthy é reservado à dupla de protagonistas. Pai e filho, ambos sem nome, são descritos fisicamente pelo autor com alguns poucos detalhes que retratam as dificuldades pelas quais eles passaram no decorrer da caminhada. Todo o resto é deixado para o leitor.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;As falas de ambos, acompanhando o ritmo cru da narrativa, são de uma sinceridade desconcertante. Não são poucas as vezes que você se surpreenderá com os diálogos desesperançosos de ambos. Um perfeito exemplo disto encontra-se na página 49, quando o menino vira-se para o pai e diz:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;“Eu queria estar com a mamãe.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ele não respondeu. Sentou-se ao lado do vulto pequenino embrulhado nas colchas e nos cobertores. Depois de algum tempo ele disse: Você quer dizer que queria estar morto.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;É.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Você não deve dizer isso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas eu queria.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não diga isso. É uma coisa ruim de se dizer.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não dá para evitar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Eu sei. Mas tem que evitar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Como é que eu faço isso?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não sei.”&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Como se percebe dessa pequena pérola acima, o autor não interrompe o diálogo com explicações sobre a reação dos personagens à cada fala, talvez porque, afundados na tristeza e ausência de perspectiva de um futuro melhor, os protagonistas não reajam às falas uns dos outros. Desta maneira, as conversas fluem de uma maneira natural e rápida, sem divagações sobre o que foi dito.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Um se apóia no outro para continuar seguindo em frente. São muitos os obstáculos que o fazem pensar em parar ou desistir totalmente de acreditar na bondade humana: mortos por todos os lados, sobreviventes saqueando e matando com o único objetivo de manter-se vivos, além de homens (os quais aparentemente perderam a noção de humanidade) que praticam o canibalismo (inclusive infantil) para não sucumbir ao descanso eterno. Na tentativa de encontrar um lugar habitável, almejam também não perder o que lhes resta de humanidade em meio à loucura que os rodeia.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ao final do livro, contudo, percebe-se que o amor os manteve caminhando quando tudo os impulsionava para a morte. A vida era sofrida demais, tudo o que havia sobre a Terra estava morto e enterrado sobre uma manta cinza. O amor era a única razão para prosseguir, não permitindo que sucumbissem ao desespero, mesmo quando tudo os impelia nesta direção. Era somente este sentimento que os distinguia dos demais moribundos encontrados numa estrada sem fim e sem futuro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;P.S.: Este livro foi recentemente transformado em filme, o qual é estrelado por Viggo Mortensen e entrará em cartaz nos cinemas brasileiros em 12/02/2010.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-2371428163982721770?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Uma década depois de conquistar o mundo com Titanic, Cameron nos assombra agora com a impressionante história dos Na’vi, um povo residente do planeta Pandora, o qual é forçado a conviver com uma raça alienígena (os humanos) que firma bases em sua terra na busca por um minério precioso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Infelizmente não pude assistir o filme em uma sala de projeção 3-D, portanto, boa parte da experiência criada com os novos equipamentos desenvolvidos pela Weta (empresa de Peter Jackson que já havia realizado pequenos milagres em Senhor dos Anéis) perdeu-se na visão padrão em 2-D. Contudo, se a experiência não foi completa, o que me foi apresentado na sessão causou um deslumbramento tal que se torna complexa a tarefa de descrever todos os pontos positivos deste filme.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quando leio algum comentário sobre determinado filme onde mencionam que é impossível distinguir as criações por computação gráfica do “mundo real” fico ressabiado. Isso porque sou bastante crítico neste ponto e normalmente a distinção entre esses dois mundos é bastante nítida no decorrer da produção, especialmente com relação à textura dos objetos e personagens. Quase sempre é possível notar uma diferença clara entre o real e o desenvolvido por computação gráfica.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ocorre que, em Avatar, por várias vezes, simplesmente não conseguia afirmar se o que estava vendo existia, na realidade, ou se era produto de uma série de linhas de comandos de um software. Tudo parece tão crível, são palpável... desde o início do filme tentei encontrar falhas nos efeitos especiais... depois de um tempo desisti, era uma busca inútil, pois os erros quase não existiam.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ao assistir o filme você sabe que tudo aquilo foi criado por computador, porque normalmente não se vê seres azuis de 3 metros de altura andando normalmente pela rua. Fora esse “pequeno” fato, os Na’vi são totalmente reais, assim como todo o ecossistema de Pandora.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por falar em Pandora, deve-se ressaltar um belíssimo trabalho de criação do planeta, o qual é coberto, em quase sua totalidade, por uma densa floresta semelhante às Tropicais. No desenvolvimento deste sistema complexo e delicado (posto ser todo interligado, como se percebe durante o filme), boa parte da flora foi aproveitada de espécimes existentes na Terra e outra foi modificada por Cameron com o claro intuito de causar o deslumbramento do espectador. Assim, são diversas as plantas que brilham no escuro, que se fecham por completo ao menor toque ou que soltam sementes que mais parecem ter sido extraídas de um documentário do Discovery sobre o fundo do mar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Pandora é grandiosa, as batalhas durante a projeção são de proporções colossais, porém, o mais impressionante no que tange os efeitos são os pequenos detalhes. O ato banal de comer uma fruta torna-se um deleite absoluto para os olhos; cada criatura tem suas “pequenas falhas” naturais na pele, tornando cada personagem computadorizado um ser único, meticulosamente pensado em suas particularidades.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Com relação aos personagens, os efeitos de criação dos Na’vi são totalmente direcionados para criar uma verossimilhança nas ações e reações dos mesmos, tornando-os tão “humanos” quanto possível. Assim, não há como deixar de emocionar quando os homens atacam impiedosamente o lar dos Na’vi. A reação dos nativos é tão real que a empatia com o público é imediata. A imensa dor deles é sentida pelo expectador nos mínimos detalhes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ao final do filme percebe-se ter havido uma perfeita simbiose entre atores e tecnologia. A relação entre o público e os Na’vi é intensa graças não só à computação gráfica, mas à atuação de todo o elenco. Os efeitos visuais dos Na’vi são maravilhosos e captam cada nuance da fisionomia dos atores, assim, a atuação é transportada para a tela como se não houvesse a barreira tecnológica entre ator e espectador. Ou seja, a atuação em Avatar é imprescindível para que o público se identifique com os habitantes de Pandora.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Sem os efeitos fantásticos, mesmo com boas atuações, os Na’vi seriam inverossímeis. Sem ótimas atuações, a enxurrada de efeitos se tornaria estéril, sem a ligação emotiva necessária para a imersão do público.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Até o momento praticamente só comentei os efeitos especiais de Avatar. As razões para isto são óbvias. Porém, o resultado final do filme não seria tão bom se o roteiro e as atuações não fossem também de boa qualidade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O roteiro é bem simples; nada truncado e com longas discussões filosóficas. Porém, cumpre o seu papel com louvor, fazer com que o público afeiçoe-se com os Na’vi, um povo primitivo e que cultua o seu planeta, não só como um deus, mas como um organismo vivo e interligado do qual dependem totalmente para sobreviver. Em contrapartida, os humanos, em sua maioria, são retratados como os imperialistas e mercenários que visam somente o lucro; se para atingir seus objetivos for necessário destruir completamente o povo Na’vi, tudo bem, desde que os dividendos compensem o sacrifício.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;James Cameron leva o espectador a torcer todo o tempo pelos Na’vi. Desde à forma de vida dos Na’vi, passando pela diferença gritante entre os cenários onde vivem os nativos e os humanos, pois enquanto estes são rodeados por cinza e branco, formando um ambiente sem vida e mecanizado, a casa dos Na’vi é uma explosão de cores e sensações, pulsando, reagindo e interagindo com todos os habitantes, demonstrando ser um organismo vivo e complexo em sua magnitude.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Não pude ver Avatar em 3-D, não consegui sentir toda a experiência em seu esplendor, contudo, tudo o que me foi mostrado em mais de 2h30min de projeção foi suficiente para comprovar (mais uma vez) a imensa qualidade de James Cameron em criar histórias fantásticas que nos cativam e comovem. Cameron pode não ser o cara mais simpático do mundo (afinal, se autoproclamou rei na entrega do Oscar por Titanic), mas é inegável a sua capacidade e talento como diretor. Só vamos torcer para que ele não demora mais uma década para nos presentear com mais uma de suas pérolas.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-8647221674969109577?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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R$ 39,90&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fast food. Acredito que assim possa ser resumido este livro de Dan Brown. Assim como essas comidas rápidas, este livro passa ligeiro, é gostoso de ler, mas jamais será eleito o prato preferido de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta obra, acompanhamos mais uma aventura do simbologista Robert Langdon, que se envolverá (novamente) em uma trama repleta de símbolos escondidos, que, caso revelados, mudarão os rumos da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dan Brown elege, desta vez, a capital americana como cenário para sua trama e os mistérios da francomaçonaria como motriz dos personagens principais. Nesse trajeto, portanto, somos levados à lugares escondidos de Washington, investigando os segredos por trás de toda a arquitetura americana; a qual foi inspirada em rituais maçônicos (haja vista que seus fundadores eram irmãos de maçonaria) e no anseio de liberdade que movia todos os participantes do projeto de independência e unificação dos estados americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, como este é um livro de “teoria da conspiração”, a parte do “anseio de liberdade” é posta de lado, dando lugar principalmente à forma mística de criação da capital americana. O que não deixa de ser uma pena, pois a história americana foi um marco inigualável na luta pelos direitos humanos e no delinear do constitucionalismo, ou seja, o estudo da Constituição como norma máxima de um Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse é um livro fast food. Essas questões demandam um aprofundamento de discussões sérias e densas, as quais não tem espaço nas quase 500 páginas da obra (como se não houvesse tempo para elas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, aliás, é fator essencial na obra e na forma de leitura do livro. A ação toda se desenrola em aproximadamente 12 horas da vida de Robert Langdon, então, não há tempo a perder com discussões “menos importantes” como as mencionadas anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não li “O Símbolo Perdido”, eu o devorei. Fato inédito para mim, pois sempre adorei degustar um livro com calma; sempre leio algumas poucas páginas por dia. Assim, posso assimilar toda a leitura, a narrativa, pensar nas atitudes dos personagens, enfim, viver a aventura com intensidade e de maneira plena. Contudo, simplesmente não consegui parar de ler o este livro de Dan Brown, especialmente a partir da página 250, aproximadamente, quando a coisa toda engrena de forma definitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo o parágrafo acima, você, leitor, pode imaginar: “Nossa, então esse livro é ótimo!!!”. Não é bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um livro de símbolos e códigos. Quando terminei a leitura, analisei tudo o que tinha vivido antes e tirei várias conclusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira delas é que, sendo um livro de códigos, somente eles interessavam durante a leitura. Li quase 300 páginas em um dia (coisa que nunca havia feito antes na vida), simplesmente para saber o segredo dos símbolos. Então, até descobrir tudo o que eles escondiam, eu lia desesperadamente, sem atenção, quase sem prazer de ler, eu somente tinha que descobrir o significado. Entretanto, quando a verdade é revelada e alguns segredos da narrativa são iluminados (alguns bem decepcionantes, por sinal), o objetivo do livro se esvai. O que sobra são quase 50 páginas para serem lidas, as quais eu também devorei, mas por outro motivo... o livro já acabara e eu ainda estava com ele na mão, precisava terminá-lo, então li desesperadamente, sem atenção, quase sem prazer de ler. Tinha, apenas, que encerrar aquelas páginas para poder pegar uma próxima obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveria ser assim. Um bom livro é aquele que você lê com vontade, mas sente um aperto no coração ao ver que o fim se aproxima; deseja encerrar a leitura, mas gostaria que tivesse mais algumas páginas para gozar aquele sentimento um pouco mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda conclusão é que “O Símbolo Perdido” é SOMENTE um livro sobre códigos e símbolos, não sobre personagens. Este é o seu principal ponto negativo. O autor, em momento algum, preocupa-se em desenvolver os personagens da trama ou criar um vínculo afetivo entre eles e o leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dan Brown, por sinal, da mesma forma que é ótimo para criar coincidências em sua obra é terrível em desenvolver personagens, pois todos, sem qualquer exceção, são absolutamente desinteressantes; incluindo o próprio Robert Langdon, o qual, em teoria, deveria representar a mente humana, racionalizando toda a mística que envolve o cotidiano dos homens. Ele deveria ser a ciência em meio aos bárbaros, com todos os questionamentos, dúvidas e medos que envolvem o caminhar pelo desconhecido. Todavia, suas dúvidas soam tão artificiais, mecânicas, que não conseguimos nos envolver, nos identificar com aquele que seria a representação do nosso cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também pudera, na tentativa de criar empatia entre Langdon e o leitor, Brown limita-se apenas a narrar a história que originou sua claustrofobia e a mostrar, vez por outra, o ridículo relógio do Mickey. É pouco, muito pouco para desenvolver sentimento de afeição para com o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão ruim quanto ou pior é o desenvolvimento dos irmãos Solomon, que na obra tem papel essencial. Para demonstrar que eles são pessoas boas e honestas o autor, em um arroubo de criatividade, resume toda a natureza desses indivíduos, a pessoas com “olhos cinzentos”. Uma pergunta: Que diabos significa ter, a pessoa, olhos cinzentos? Bem, ao menos para o autor, isso significa: “esse cara é bacana, nele você pode confiar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema maior de não saber desenvolver os personagens é que você não consegue dar a mínima para o futuro deles. Morram, vivam, sofram... pouco importa. Eles não são nada para você, então, o que venha a acontecer também será totalmente irrelevante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um erro crasso em um livro que discute o futuro da humanidade. Para que os símbolos tenham relevância, para que você sinta os efeitos drásticos da sua elucidação, você precisa se preocupar com os indivíduos imediatamente atingidos pelos efeitos dos mesmos, os personagens. Se eles são irrelevantes, os símbolos também perdem sua força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, não posso deixar de mencionar uma artimanha ridícula do autor. O livro é narrado em 3ª pessoa onisciente, portanto, o narrador (e o leitor) conhece os personagens em seu interior. Porém, em certo momento da história, o narrador conta todo o passado de um dos personagens principais da obra de maneira enganosa; o narrador mente para o leitor (o que é ilógico, pois os dois deveriam funcionar como um só), contando de maneira errada o passado deste personagem com o único objetivo de criar (não há palavra melhor que defina o que Dan Brown fez neste ponto do livro) uma reviravolta ridícula no final. Qualquer escritor que se preze tem de inventar formas de tornar a história verossímil, acredito que mentir não é a melhor forma de se fazer isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse no início, este é um livro fast food. Seu tema são os símbolos e os segredos que os envolvem, é esta a mola impulsionadora da história. Os personagens são irrelevantes. É uma pena Dan Brown não ter percebido que, no final das contas, o importante são os indivíduos e os efeitos que os segredos desvendados podem fazer em suas vidas. Sem os personagens, o livro fica estéril, sem vida. Ao término da leitura essa é a sensação; o livro é rápido e os códigos são interessantes, porém, são totalmente sem sentido, pois não é possível conectar-se a quem realmente deveria ser a parte principal da obra, as pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-7096045340386265965?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/0Eg8mwPqSg4DCBBruBkN3f_tCm8/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/0Eg8mwPqSg4DCBBruBkN3f_tCm8/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
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Principalmente para mim, na época estudante de Direito, toda aquela sequência aterradora de fatos não fazia sentido. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Eu não era inocente, sabia que no Estado agiam organizações criminosas poderosas que eliminavam sumariamente todos os que se opusessem aos seus esquemas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O que eu (e a quase totalidade da população) não sabia era até onde essas organizações poderiam chegar. Um magistrado sempre me pareceu uma pessoa intocável, criminoso nenhum seria burro o suficiente de matar um juiz, pois seria uma afronta tão absurda contra o Judiciário, a caçada aos bandidos seria tão implacável que ninguém em sã consciência ousaria perpetrar uma ação como essa…&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O corpo do Dr. Alexandre tombou sem vida em uma rua da cidade de Vila Velha-ES no mesmo instante em que toda a população percebeu que o crime organizado tinha ultrapassado todos os limites, se é que há limites para o crime organizado no Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por ser capixaba, eterno estudante e amante do Direito, os fatos descritos nesta obra geraram um efeito natural em mim. Um misto de revolta e tristeza acompanharam a leitura do início ao fim do livro. Não é fácil ver os problemas de sua “casa”, não é simples se deparar com os seus defeitos mais cruéis.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas encarar nossos próprios defeitos é o primeiro passo para a solução dos problemas. É necessário revisitar nossas falhas a fim de descobrir o caminho para a melhoria. Eu precisava ler esse livro. Sou capixaba. Sou brasileiro. Essa obra, antes de ser um retrato de um estado é o retrato do Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por escancarar um problema tão recente e grave do Brasil (o envolvimento do mais alto escalão dos três Poderes com o crime organizado), entendo ser esse livro de importância fundamental. É imprescindível à população conhecer até onde chegar essa rede infindável de terror e quem pode ser atingido por seus tentáculos impiedosos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Como qualquer livro-reportagem, “Espírito Santo” enche o leitor de dados aterradores do poderio dos criminosos. Mas como todo ótimo livro-reportagem, os autores da obra não se contentam de “cuspir” detalhes sórdidos nos leitores; de maneira precisa eles preenchem cada espaço com uma narrativa clara e agradável.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Relacionar as informações sobre o crime qualquer repórter competente pode fazer; mas interligar essas informações de uma maneira prazerosa, construindo uma narrativa coesa e uniforme, somente pode ser realizada por um ótimo escritor.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Assim, a narrativa de “Espírito Santo” em momento algum torna-se enfadonha. Os fatos descritos no livro são gravíssimos, mas a rede de corrupção e crimes que antecederam e sucederam o assassinato do Juiz Alexandre são de grande complexidade. Seria simples tornar a leitura deste livro quase indecifrável, mas a competência dos autores permite que o leitor faça a assimilação de todos os fatos descritos sem sobressaltos, compreendendo toda a mecânica do assassinato do magistrado e todo o caminho tortuoso da investigação, na busca dos culpados. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A facilidade de compreensão do texto só possui um efeito colateral danoso. Tudo o que está escrito neste livro ressoará em sua mente por algum tempo. É impossível ver o poderio do crime organizado e não temer pelo futuro do país.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas há esperança. Apesar de todos os problemas. Muito embora as investigações sejam prejudicadas pelos incontáveis membros desse monstro que assola nossa pátria, ainda existem motivos para vislumbrar um futuro mais digno.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O Dr. Alexandre Martins foi um grande exemplo. Era uma pessoa como qualquer outra… humano em suas imperfeições; corajoso em suas convicções. Mas ele não caminhou sozinho. Sua memória reside reluzente na mente daqueles que partilham de seu sonho, de seus ideais.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O crime eliminou um combatente, mas um exército inteiro ainda se mantém de pé, pronto para a batalha.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A leitura deste livro me deixou com um sabor ranço na boca. Relembrar esses fatos deploráveis que aconteceram na “minha terra” foi difícil, por vezes humilhante. Mas, como dito, o embate com os próprios defeitos é necessário; só assim, poderemos sonhar com um Espírito Santo (e um Brasil) mais justo e seguro.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-6115116296908818345?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/BM5DOK4t9SEx4ShoerSCpqVB3Oo/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/BM5DOK4t9SEx4ShoerSCpqVB3Oo/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PensarExpresso/~4/0_Nw5fQRncY" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/feeds/6115116296908818345/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/11/analise-livro-espirito-santo.html#comment-form" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/6115116296908818345?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/6115116296908818345?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/PensarExpresso/~3/0_Nw5fQRncY/analise-livro-espirito-santo.html" title="Análise – Livro – Espírito Santo" /><author><name>Luciano Altoé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06937325025295744971</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="25" height="32" src="http://1.bp.blogspot.com/_JbVRk_of-DI/TC-ZOfHiGGI/AAAAAAAAACA/NXa_9j3GE_k/S220/Aleph.jpeg" /></author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/11/analise-livro-espirito-santo.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0QDQXY-eip7ImA9WxNWGUg.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847.post-8255494142087733883</id><published>2009-10-19T05:17:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T05:29:30.852-07:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-10-19T05:29:30.852-07:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura" /><title>Análise - Livro - Gomorra - Roberto Saviano</title><content type="html">Autor: Roberto Saviano&lt;br /&gt;Editora: Bertrand Brasil&lt;br /&gt;349 páginas&lt;br /&gt;R$ 39,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo brasileiro, em seu geral, é formado por extremos. Não só na massacrante diferença entre as classes sociais, mas também com relação ao nosso modo de ver a vida. Talvez seja o sangue latino correndo rápido pelas veias quentes dos brasileiros, mas o fato é que a vida passa por nossos olhos sem meios-termos. Amamos ou odiamos algo; temperar as coisas, vivenciando-as com moderação não faz nosso tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso sejamos diferentes, talvez isso nos torne únicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa introdução diz respeito também nossa autocrítica sobre o próprio país. Nas conversas do dia a dia notamos pessoas que elogiam o Brasil como se este fosse o paraíso na Terra (afinal Deus é brasileiro e o papa é carioca); outros tantos criticam nosso chão como se somente na Europa as coisas realmente funcionassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, lendo esse livro-reportagem de Roberto Saviano, pude perceber que as coisas realmente funcionam na Itália... ao menos a máfia funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse impressionante relato, Saviano, um repórter italiano, infiltrou-se na Camorra, uma das espécies da máfia italiana, para narrar como o crime organizado corrompe por completo toda a região de Nápoles, no sul daquele país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confie em mim quando digo, você não vai conseguir ler vários momentos deste livro sem se espantar com a força da máfia. Às vezes se torna difícil crer que um país como a Itália, do qual dependemos boa parte da nossa herança genética, encontra-se tão imerso no crime e na corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Saviano é preciso ao apontar alguns dos motivos pelos quais a Camorra conseguiu se apoderar de uma grande parte do sul da Itália. Narra o autor que é a miséria da população a principal porta de entrada da máfia; a região sul do país, que tem um histórico grande de pobreza, mostrou-se um celeiro perfeito para a evolução do crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitos momentos do livro percebemos que a Camorra transformou-se no único futuro possível para uma grande parcela dos jovens, os quais não obtém no mercado de trabalho a oportunidade para tentar sair da miséria onde se instalaram e de onde nunca mais sairão... não utilizando os meios lícitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa vida sem futuro, sem expectativas, a máfia oferta aos jovens um presente de riquezas e status. Aqueles que se enveredam pelo caminho do crime ganham muito mais do que dinheiro, ganham respeito, temor. Isto, às vezes, tem um valor muito superior que uma montanha de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lógico que esses jovens perdidos tem a noção de que esta fama é fugaz e acabará tão rápido como começou, provavelmente, em uma sarjeta, afogado em uma poça do próprio sangue. Contudo, eles não tinham futuro; a máfia ao menos lhes concede um presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa de Saviano impressiona por vários motivos. Primeiro, pelo texto em si, que não somente cospe os detalhes sórdidos da máfia para o leitor, mas descreve, em uma prosa prazerosa, todos os meandros da Camorra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um único momento em que o autor deixa essa narrativa, para apenas informar a grande árvore do crime italiano, o nível do livro cai e a leitura torna-se um pouco cansativa. Mas esse momento é pequeno; o texto volta ao alto nível e o leitor pode novamente “desfrutar” da crueldade da Camorra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é muito interessante todos os instantes em que Saviano demonstra como a cultura pop influencia o modo de agir dos mafiosos. Por exemplo, o termo “padrinho”, consagrado na trilogia “O Poderoso Chefão” não era utilizado pela Camorra, mas devido ao filme passou a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certos momentos, essa interferência de Hollywood na máfia chega a ser cômica; como na hipótese em que os filmes de Quentin Tarantino modificaram a forma com que os assassinos, principalmente os jovens, impunham a arma e atiram nos inimigos. Segurando a pistola de uma maneira estilosa, com a arma de lado ao invés de ereta, e fazendo movimentos exagerados com os braços, os assassinos perderam a eficácia. Assim, para matar alguém, era necessário desferir muitos tiros, pois quase sempre erravam o alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas, o importante não era somente cumprir o objetivo, mas fazer isso de uma maneira com que as pessoas enxergassem o assassino de uma forma diferente, com um respeito maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um último ponto positivo a ser destacado é a disposição narrativa da obra. O autor opta por narrar sua investigação de uma maneira não linear e isso tem um objetivo claro que, para mim, somente se apresentou no final do livro. Tentou Saviano (com total sucesso, na minha opinião), contar a história de degradação da região de Nápoles; uma destruição principalmente moral, ocasionada pelos membros da Camorra. Portanto, o livro se inicia falando do glamour advindo da máfia, a influência desta no comércio da moda e da alta costura, para terminar explicando como age a Camorra no tráfico internacional de lixo e a completa destruição de uma grande região italiana; intoxicada por uma imensidão de lixões ilegais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim o caminho do crime, é assim o caminho da máfia. O explendor de suas conquistas reside apenas na aparência jovem de alguns de seus membros. Mas ela não tarda a mostrar a todos a podridão de sua verdadeira face, bem como a melancolia de toda uma região absorvida por sua ganância destrutiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o Brasil não seja o paraíso na Terra, talvez não sejamos o pior dos povos. Na minha opinião estamos na média, somos como qualquer outro povo, com suas alegrias e tristezas; às vezes usando uma máscara belíssima para esconder as cicatrizes deixadas pela mão impiedosa do crime e da corrupção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-8255494142087733883?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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O`Byrne&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.cinemaemcena.com.br/Perfil_Detalhe.aspx?id_entidade=784&amp;amp;ID_FILME=3933"&gt;Armin Mueller-Stahl&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.cinemaemcena.com.br/Perfil_Detalhe.aspx?id_entidade=1829&amp;amp;ID_FILME=3933"&gt;Naomi Watts&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.cinemaemcena.com.br/Perfil_Detalhe.aspx?id_entidade=1799&amp;amp;ID_FILME=3933"&gt;Clive Owen&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.cinemaemcena.com.br/Perfil_Detalhe.aspx?id_entidade=10467&amp;amp;ID_FILME=3933"&gt;Ty Jones&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.cinemaemcena.com.br/Perfil_Detalhe.aspx?id_entidade=4206&amp;amp;ID_FILME=3933"&gt;Ulrich Thomsen&lt;/a&gt;&lt;/h5&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Acabei de assistir ao novo trabalho do diretor Tom Tykwer, do frenético “Corra Lola Corra”. A cada novo trabalho deste diretor fico com a mesma sensação de frustração por não ter ele repetido o fantástico trabalho que marcou o início de sua carreira.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Bem, com esse início de análise vocês poderiam pensar que o este filme, que tem Clive Owen encabeçando o elenco, é muito ruim. Já digo de antemão, não é. Trata-se de um bom filme, correto do início ao fim, mas é só. O problema de Tykwer é que ele gerou expectativas demais nos cinéfilos com seu trabalho em Corra Lola Corra; agora, toda a vez que me preparo para ver um de seus filmes, anseio em encontrar aquela energia maluca e “clipeira” que envolvia seu trabalho mais marcante.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Antes de retornar aos detalhes técnicos do filme (bons e ruins), deixem-me situar vocês um pouco na história. Clive Owen é Lois Salinger, um agente da INTERPOL, que investiga as ações do IBBC, um banco com ramificações em todo o globo, e que estaria envolvido no comércio ilegal de armas, comércio este que abastece as guerras destruidoras do 3º mundo. Como esta instituição financeira deseja expandir suas ações, não tolera qualquer intromissão; fazendo desaparecer do mapa todos os que tentam impedir o seu avanço no comércio armamentista.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A partir deste gatilho, toda a ação de Trama Internacional se desenvolve. No final das contas, é um thriller de ação competente, mas algumas falhas comprometem em demasia o resultado final.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas primeiro, falemos das coisas boas. Li alguns comentários negativos a respeito da natureza impessoal do vilão (afinal é uma pessoa jurídica, um banco). Sinceramente gostei desta parte. Pareceu-me adequar-se à nossa realidade; realmente, ao final da projeção, o expectador pode ter a impressão de que faltou um vilão, mas quem disse que ele precisa estar presente para ser temido? Lembremos que um dos maiores vilões do todos os tempos do cinema é Sauron do Senhor dos Anéis, que é um ser imaterial. No meu entender, o fato de o vilão ser uma empresa foi empregada de forma correta, dando sempre a impressão de que pode estar em vários lugares ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Outro ponto muito positivo é o fato de as ações desenvolvidas serem aparentemente lícitas, tratando-se apenas de comércio, assim, várias das reuniões, mesmo as que tratam de assuntos muito comprometedores, são realizadas dentro da própria sede do banco, em salas com paredes de vidro; ou seja, qualquer um pode ver quem está se reunindo na sala ao lado, pois não há nada a ser escondido. Por falar nisso, a maior parte da estrutura do banco é de vidro, passando ao mesmo tempo uma sensação de transparência de suas ações e de frieza; denotando ser aquele um ambiente estéril.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por fim, o último ponto positivo é a impressionante cena de ação no museu Gugenhaim em Nova York. É uma cena longa, muito bem coreografada e com violência gráfica acima da média do que havia sido mostrado no filme até então. Detalhe para o DVD, que possui um belo extra, onde mostra toda a complexidade no desenvolvimento de uma cena assim, passando, inclusive, pela contrução de todo museu em um galpão abandonado para ser usado como set de filmagem.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Passemos, então, ao que o filme tem de pior. Por incrível que pareça, essa mesma cena no Gugenhaim é um ponto negativo para o filme. Não pela cena em si, que é maravilhosa, mas por destoar completamente do propósito do filme, o qual vinha adotando uma linha realista até aquele momento, quando se envereda pela ação fantasiosa. A cena analisada de forma isolada é ótima, mas quando colocada no contexto do filme, fica sem sentido. Toda sua estrutura, passando pela violência um pouco exagerada, não condiz com o que vinha sendo apresentado.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Outro ponto negativo é Naomi Watts. Sua personagem é uma promotora americana que auxilia Louis Salinger na investigação do IBBC, mas sua aparição no filme é tão apagada que sua presença pouco importa para o resultado final da película. Não deveria ser assim. Afinal, ela possui características diferentes das vistas nas mocinhas de filmes de ação. Ela é forte, tem uma família e não possui interesse sexual no heroi (o que é muito estranho para uma produção hollywoodiana). Mas esses pontos positivos perdem-se em sua atuação discreta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por fim, o roteiro inconstante deve ser mencionado. Algumas boas ideias foram utilizadas, porém, mal aproveitadas. Ao final, percebe-se ter faltado um pouco de ousadia aos realizadores, o que é normal tratando-se de uma produção americana. O maior exemplo deste medo de atingir os limites é o encerramento do filme. Toda a segunda parte da projeção induz o expectador a acreditar que o protagonista tomará atitudes extremadas para tentar impedir a atuação do IBBC, mas no momento de agir é tomado por um sentimento qualquer de pena ou remorso que o impede de completar seu objetivo. Esse tipo de atitude é uma constante em filmes de hollywood, mas que sempre enfraquece o resultado da película, tirando-lhe verossimilhança. Será que o mocinho, para ser mocinho, tem que tomar sempre as mesmas atitudes pradonizadas a fim de não perder a credibilidade perante os espectadores?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Como disse no início, continuo esperando de Tom Tykwer um novo “Corra Lola Corra”; isso ainda não aconteceu com Trama Internacional. Com certeza ele é um diretor bem acima da média (e várias cenas deste filme provam isso), mas as inconstâncias deste trabalho comprometem o resultado, tornando a película apenas mais um bom thriller de ação, nada mais.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-7449583683069617471?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Mas é bom parar de comparar a criação descomunal de Tolkien com essa peça de arte desenvolvida por Isaac Asimov.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Diferente de Tolkien, que desenvolve uma narrativa com um grau de complexidade inacreditável, Asimov tem uma escrita simples, mas muito longe de ser simplória. No início da leitura deste primeiro volume da série Fundação é bem provável que você se pegue pensando: “Essa história não tem nada demais. Para falar a verdade, esse escritor não tem nada demais!!!”. Não se preocupe, essa sensação é normal (eu mesmo cheguei a pensar um pouco desta maneira no início), mas confie em mim quando digo, você mudará de opinião tão rápido quanto a velocidade como você devorará página após página, louco para saber os rumos que tomarão o destino da humanidade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Mas, deixe eu contar um pouco da história em si. A humanidade atingiu o seu limiar; simplesmente não há como os homens avançarem em termos tecnológicos. Todos os planetas do Universo foram colonizados pelos humanos, os quais somam sua população aos trilhões. Apesar de atingir os confins mais longícuos do universo, todos os humanos são governados por um único Império, que necessita de um planeta inteiro, com uma população de 40 bilhões de habitantes, para conseguir administrar todo o Império.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Tudo caminhava como sempre caminhou para o Império, até que um matemático chamado Hari Seldon, muito respeitado por seus conhecimentos da psico-história, prevê, através de cálculos matemáticos, que o Império, após uma hegemonia de 10.000 anos, sucumbirá dentro em poucos séculos. Esta previsão tão aterradora quanto irreal torna-se ainda mais terrível pelo fato de que, segundo Hari Seldon, a humanidade viverá nas trevas por um período de 30.000 anos até que um novo Império surja.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;De acordo com Seldon, a queda do Império não pode ser impedida, porém, o ressurgimento do Império pode ser antecipado e a humanidade poderá viver nas trevas por “apenas” 1.000 anos e não 30.000 como o antecipado por ele.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Evidentemente as autoridades do Império logo interferem. Afinal, não poderiam deixar que um agitador como Seldon prosseguisse disseminando suas ideias apocalípticas. Mas a forma de impedir a continuidade das ações de Seldon não utiliza a violência, muito pelo contrário, o Império o permite continuar com seu plano de salvação, desde que em um planeta longícuo, onde toda a estrutura criada há milênios pelo Império não poderiam ser atingidas pelos seguidores do matemático.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Desta maneira, Seldon e seus seguidores são enviados para um planeta na borda do Universo, onde iniciam sua Fundação (que dá o nome à trilogia) e seu plano para antecipar o reerguer da humanidade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Este é apenas o início da história, uma pequena e rasa amostra do maior desafio já imposto aos homens. Antecipar qualquer outro fato, com certeza, estragaria a beleza da descoberta dos detalhes escondidos na narrativa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Por falar na narrativa, é impossível não se deliciar com a forma com que Asimov conduz o leitor. Vale lembrar que a trilogia foi escrita, inicialmente, em forma de contos, posteriormente unidos pelo autor. Portanto, cada capítulo representa um avanço grande no tempo. Cada passagem da história é quase independente da outra, com novos personagens e novos desafios.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Termino esta análise neste ponto, para não adiantar qualquer discussão sobre os temas que envolvem o texto. Prefiro deixar tais discussões quando for analisar o segundo livro da série, mas já adianto, Asimov criou de forma explêndida um apanhado geral de toda a criação da sociedade, desde as eras bárbaras até o envolvimento necessário da religião no avanço dos seres humanos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Este é uma leitura divertida e simples. O texto é de fácil compreensão e a aventura deixa o leitor preso à narrativa desde o início, mas ela é muito mais profunda do que pode parecer; depende de você, leitor, aprofundar-se ou não nas discussões postas pelo autor nesta obra-prima. Mas o importante é que, descompromissada ou atenta, esta é uma leitura indispensável e deliciosa.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-8197431295478363477?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Vaughan&lt;br /&gt;Arte: Eduardo Risso&lt;br /&gt;Cores: Dean White&lt;br /&gt;Panini Comics&lt;br /&gt;Preço: 10,90 – páginas: 74&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicio esta análise manifestando uma opinião pessoal minha, mas que com certeza representa mais de 90% dos amantes dos quadrinhos: Wolverine é o melhor personagem da Casa das Idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, como diriam antigamente, tudo que abunda atrapalha. Com o frisson natural provocado pelo lançamento mundial do primeiro filme solo do Wolverine, uma enxurrada de histórias abarrotaram as bancas de todo o Brasil. Revistas históricas, mundos alternativos e elucidação sobre o passado do herói saciaram a sede de adamantium dos aficionados pelo Canadense mais peludo da Marvel. Infelizmente, nem todas as revistas são de boa qualidade, algumas, aliás, são de qualidade péssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso desta edição de Wolverine – Logan. Aparentemente fadada ao sucesso, haja vista contar com um belo time criativo, comandado pelo texto cool de Brian K. Vaughan (Y – O último homem) e os desenhos perfeitos de Eduardo Risso (100 Balas), parecia que nada podia dar errado... parecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa história, somos apresentados a uma parte do passado de Wolverine. Mais precisamente no final da Segunda Grande Guerra, quando ele foi encarcerado no início de agosto, nos arredores de Hiroshima. Convenhamos, não era uma cidade adequada para se estar em agosto de 1945.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o início o texto de Vaughan é equivocado. Primeiro, Logan aparece visitando uma antiga construção japonesa, com clara intenção de enfrentar um rival (só não é explicado como e porque ele foi chamado até lá), entretanto, na parte final da revista, após um embate contra o desfigurado inimigo, Wolverine aparentemente o reconhece. Ora, se ele foi ao local para enfrentar uma pessoa específica, como ele só descobriu quem ele era após lutar com o mesmo por algum tempo? É uma incoerência estranha, causada por desleixo do autor ou na tentativa (frustrada) de causar certo impacto no leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o principal erro do roteirista é o anseio de criar uma história dramática e romântica para Wolverine. O texto é de uma pieguice absurda. Sejamos sinceros, Logan nunca foi um Ás com as palavras, tampouco se mostra uma pessoa delicada. Dito isso, suas frases soam ainda pior. Por exemplo, quando Wolverine é golpeado pela primeira vez por seu rival, solta esta pérola: “Sabe, eu me recupero de qualquer coisa... qualquer coisa, menos ter meu coração estraçalhado”. Aos desavisados, ele não estava mencionando um ferimento grave em seu peito, mas a uma desilusão amorosa (que metáfora bonitinha, não?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo na história, após ter uma noite de amor com uma gueixa (onde, aparentemente, Wolverine brochou – bem, nem tudo dele deve ser de adamantinum, certo?), a bela meretriz se compadece do herói dizendo: “Eu aqui pensando que tinha ido pra cama com um calejado guerreiro, mas você é uma frágil boneca de porcelana, não?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma aí, Wolverine é uma boneca de porcelana? Tem alguma coisa errada comigo ou Brian Vaughan escreveu essa história para outro mutante, não para o Wolverine que eu conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não é piegas de dar nojo, o texto de Vaughan investe em absurdos. Até onde eu me lembro, Wolverine é um mutante que tem uma capacidade fantástica de recuperar seus ferimentos. Bem, eu não sabia que nessa capacidade se incluía o poder de criar um novo coração; isso porque o de Logan é comido (!) pelo vilão. Você não leu errado, ele tem órgão arrancado e devorado pelo inimigo, e ainda sobrevive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é a reação ridícula do vilão ao reencontrar Wolverine ainda vivo. Descrente por ver o mutante caminhando ele sugere que o mesmo está tendo espasmos. Essa conclusão mentecapta chega a ser risível. Acho que Vaughan nunca viu um caso de espasmo cadavérico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ridícula também é a forma como Logan derrota seu inimigo. Ambos estavam em Hiroshima em agosto de 1945 e sobreviveram à bomba nuclear. Daí concluímos que os dois são, digamos, complicados de se derrotar. Mas não para o Wolverine, que simplesmente arranca a cabeça do maldito. Convenhamos, o cara sobreviveu à bomba e é apresentado na revista como um ser cadavérico que flutua (pois só possui a parte superior do corpo) e passa o tempo inteiro pegando fogo; você acha que “só” arrancar-lhe a cabeça o mataria? Pelo visto o escritor estava meio sem tempo para pensar em uma saída mais decente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, acho que já falei o suficiente do texto de Vaughan, é hora de passar para a arte de Risso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou dizer que Eduardo Risso se saiu bem (pois esse trabalho é bem inferior à sua media), mas o resultado, ao menos, não é vergonhoso como de Brian Vaughan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No geral Risso apresenta desenhos inconstantes, oscilando bons momentos, como a paisagem desolada do Japão atual e o visual devastador no instante após a explosão da bomba atômica, como instantes péssimos, como o fato de o rosto de Logan quase nunca se repetir (sempre possui um aspecto diferente do quadro anterior) e a cena onde Wolverine defere o golpe de misericórdia em seu adversário (um quadro terrivelmente desenhado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no caso de Vaughan, parece que Risso fez seu serviço às pressas ou estava desinteressado pelo tema, pois falta à sua narrativa gráfica uma de suas marcas principais, a escolha sempre inusitada dos ângulos. A história transcorre de uma forma tradicional demais para o padrão Risso de qualidade. Faltou a ousadia que sobrava quando trabalhava em 100 Balas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns momentos faltou também um pouco de noção de tempo na narrativa, a fim de dar-lhe verossimilhança. Um bom exemplo disso é o momento em que o vilão Warren investe contra Atsuko (o flerte de Logan), na tentativa de estupra-la. Arma na mão direita, cinto na mão esquerda, ele avança contra a moça, a qual salta com uma katana contra o agressor. Durante o salto, Warren solta o cinto, pega a baioneta que se encontra nele, acopla na arma e inicia a luta contra Atsuko. Sinceramente, é incrível o quão alto essa moça pode pular. Warren tem um tempo enorme (ou uma agilidade incrível), pois quando termina de preparar a arma com a baioneta, Atsuko ainda está no ar. Ah, só uma perguntinha, não seria mais fácil atirar contra ela, ao invés de arriscar uma luta manual contra alguém que empunha uma katana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma edição terrível, com uma arte inconstante e um texto deplorável. Há um bom tempo não lia algo tão ruim; é difícil imaginar que os autores deste desastre sejam artistas tão valorizados por mim. Como brinde, a Panini envia junto com a revista uma placa de identificação do exército; é muito pouco para uma edição “especial” que custa R$ 10,90.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-517228089621011847?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Analisar o drama por trás de um homem amargurado pela perda da mulher e dos filhos? Realizar um comparativo crítico da atuação extremamente violenta deste vigilante com os atuais índices de violência da sociedade? Apreciar uma apurada direção de arte ou uma fotografia precisa, que consiga captar os dramas dos personagens? NADA DISSO! O verdadeiro fã do Justiceiro quer apenas duas coisas: sangue e vísceras! Se todas as outras perguntas acima vierem no pacote e puderem ser respondidas durante o longa, tudo bem! Mas, com certeza, este não é o objetivo principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Justiceiro já foi muito maltratado pela indústria de Hollywood. Basta uma rápida passada pelas outras duas incursões dele no cinema; uma vivida pelo esquecido Dolph Lundgren (Soldado Universal) em 1989 e a outra interpretada por Thomas Jane (O Nevoeiro) em 2004. A primeira, graças a Deus, consegui apagar da memória (com exceção do cabelo tingido do Dolph Lundgren – ridículo), quanto a segunda, Thomas Jane até que se esforça para dar intensidade a Frank Castle, mas com um roteiro muito fraco, um diretor inexpressivo e o estúdio marcando em cima para garantir uma censura baixa, foi impossível salvar o filme de um fiasco completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueçamos o passado então! Até que enfim surgiu um filme para honrar a carreira sanguinária do Justiceiro. Definitivamente este não é um filme que sua namorada vá apreciar; a diretora alemã Lexi Alexander (Hooligans) entrega aos fãs tudo aquilo que eles sempre sonharam, mas que outros não tiveram coragem de mostrar; um Frank Castle totalmente impiedoso, adepto do mate primeiro... pergunte depois. Esqueça a tortura com um picolé (!) visto no filme de 2004; o atual Justiceiro não faz esse tipo de tortura... para falar a verdade, ele não faz tortura alguma... não há tempo, os bandidos sempre morrem antes. No máximo, dois tiros no joelho... que resolvem o problema de maneira instantânea!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o protagonista sofreu um upgrade. Não estou aqui criticando a atuação de Thomas Jane, já disse que ele fez o que podia, mas é evidente que Ray Stevenson se encaixa mais no papel. Com um tipo físico perfeito (ele mede quase dois metros de altura), Ray apresenta um Justiceiro destruído pelo próprio dever de combater o crime. Em todas as cenas que aparece, seu semblante está fechado, seus olhos fundos e mareados, como se os espíritos daqueles que matou estivessem pesando em sua mente. Apesar disso, não hesita um só instante em exterminar qualquer delinquente, mesmo estando ele desarmado (é impossível não soltar um palavrão no momento que o Justiceiro explode a face de um criminoso que estava rendido, desarmado e que iria ser algemado!!!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente o filme não escapa de seus erros. O vilão, muito embora seja bem superior à ridícula caricatura feita por John Travolta, deixa a desejar no que tange sua maquiagem, a qual em vários momentos parece querer despregar do rosto do ator Dominic West. Em algumas cenas, a máscara faz dobras no rosto do ator que denunciam a maquiagem mal-feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também mal realizada foi a gangue que utiliza o Le Parkour para concretizar suas investidas criminosas. Neste ponto, a diretora poderia ter visto algumas vezes o belo trabalho obtido no filme (B13 – 13º Distrito), tanto no que tange aos ângulos de câmera quanto aos cortes necessários para propiciar agilidade à cena. No final, essa gangue soa artificial, forçada e sem sentido na trama (valendo somente pela morte grotesca do líder do grupo, o que é pouco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse no início do texto, poderíamos aqui tecer várias e várias páginas sobre a atuação de Frank Castle. É evidente que a ação impiedosa de um vigilante como ele na sociedade real é deplorável e deve ser repudiada por todos. Mas aqui tratamos apenas de uma ficção, é o momento de sentar na poltrona e esquecer o mundo em que vivemos, é o instante em que nos permitimos sentir e viver experiências impossíveis na nossa vida cotidiana. Nesse mundo fictício, o Frank Castle apresentado neste filme é perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza o filme não será apreciado por todos, pois sua violência explícita pode afastar uma boa parte dos expectadores. Porém, tenho certeza que os fãs do Justiceiro vão vibrar, pois finalmente fez-se justiça a um dos heróis mais interessantes (e perversos) já criados pela casa das ideias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-1266033923349922262?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Uma nave repleta de mulheres e crianças cai, devido às avarias causadas por um ataque de insetos do Mar Podre. Na procura por sobreviventes, Nausicaä encontra a princesa de Pajite que, antes de morrer, lhe pede para entregar um artefato ao seu irmão, o príncipe de Pajite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo por devolver o artefato ao príncipe de Pajite e a responsabilidade atribuída à Nausicaä, que devido à saúde debilitada de seu pai, deve comandar seu povo em uma guerra que ameaça toda a população do Vale do Vento, são os fios condutores do capítulo inicial da série. Quando este se encerra, Nausicaä encontra-se fugindo do centro do Mar Podre, juntamente com Asbel, príncipe de Pajite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste segundo capítulo, Hayao Miyazaki consegue imprimir um ritmo ainda mais ágil do que o visto no primeiro volume, em que pese a sua história, a cada página, ganhar contornos mais grandiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor mantém sempre o interesse do leitor. Isso porque de tempos em tempos, nos são apresentados fatos novos (e relevante para a narrativa) e personagens novos, sempre intercalados com cenas de guerra, as quais têm as funções de deixar que o leitor assimile os fatos acrescentados e trazer mais dramaticidade à história (isso porque Hayao não poupa esforços para mostrar a verdadeira face da guerra, onde os inocentes são os primeiros a sofrer – assim, há, principalmente no primeiro volume, várias cenas de morte de mulheres e crianças).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma obra tão extensa (são 07 volumes ao todo) é natural que existam momentos mais parados e que não têm função específica para a história principal (é o famoso encher lingüiça); não é o que ocorre aqui até o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hayao não introduz cenas desnecessárias na trama. Todos os quadros pintados até então são essenciais para a trama. As cenas apresentadas ou dizem respeito especificamente à guerra ou mostram os efeitos danosos na natureza ou servem para aumentar a profundidade dos personagens principais e secundários. Nada está ali por acaso, tudo influi diretamente na mitologia por ele desenvolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nos personagens, é incrível o trabalho do autor ao atribuir a eles uma tridimensionalidade ímpar em cada caso. Não há aqui maniqueísmo no trato dos integrantes da trama; há evidentemente os heróis e os vilões, mas até esse conceito fica nebuloso em alguns momentos, pois mesmo os personagens que antes pareciam cruéis são capazes de tomar atitudes éticas louváveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso, por exemplo, da princesa de Torumekia. Desde o início vista como vilã, levando todos os povos circunvizinhos à Torumekia a ingressar em uma guerra sem sentido, demonstrou grande respeito por seus comandados que deram a vida no campo de batalha. É o que se percebe da pág. 58, quando corta o próprio cabelo e o oferece simbolicamente aos que perderam a vida pela causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta revista, descobrimos contra quem o reino de Torumekia luta. São os Doroks. Pouco se sabe, ainda, sobre esse povo, mas ao que parece, sua intensão é dominar todo o reino de Torumekia, não importando se suas atitudes possam gerar a destruição de toda a vida humana. A princípio não é um povo eminentemente guerreiro, pois lança mão de mercenários para implementar seu plano de guerra. O que não os impede de praticar ações cruéis, como no caso da tortura realizada a um filhote de Ohmu, com o propósito de enfurecer uma horda desses seres grandiosos para lançá-los contra a base de Torumekia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o texto, a arte de Hayao é precisa. Seus quadros, se não são grandiosos, passam emoção e velocidade à trama, adequando-se perfeitamente à narrativa. Os ângulos escolhidos pelo autor são sempre os melhores e deixam o leitor a par de tudo o que ocorre no ambiente. Mesmo nas cenas de guerra, onde diversos fatos pipocam ao mesmo tempo nos quadros, o leitor não se sente perdido, sabe sempre o que está acontecendo, o que é uma tarefa complexa, primeiro por se tratar de uma obra desprovida de cores e segundo pela escolha do autor em pintar quadros pequenos, o que em mãos menos habilidosas seria um risco, podendo tornar a história confusa e sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com grandes ganchos para o próximo volume, Hayao avança lentamente com a história, mas sem a deixar maçante, pelo contrário, cativa o leitor mais e mais, apresentando e aprofundando a personalidade de cada integrante da trama. É uma obra grandiosa, com uma mensagem ecológica forte, que flui suave apesar do tema denso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino essa análise pedindo sinceras desculpas pelas falhas neste texto. Reconheço que diversos pontos da revista não foram abordados aqui (como a morte do pai de Nausicaä), mas a narrativa de Hayao é tão rica em detalhes que faria esta análise tornar-se de um tamanho impraticável, portanto, abordei somente alguns pontos, apenas para transportar para você, leitor, um panorama geral desta obra-prima da arte sequencial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-3483311050852874133?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/5V1b2v6NjxL2lshCR19IWwLqpe8/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/5V1b2v6NjxL2lshCR19IWwLqpe8/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/5V1b2v6NjxL2lshCR19IWwLqpe8/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/5V1b2v6NjxL2lshCR19IWwLqpe8/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PensarExpresso/~4/Jt-3PdmjttI" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/feeds/3483311050852874133/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/04/analise-manga-nausicaa-vol-2-hayao.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/3483311050852874133?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/3483311050852874133?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/PensarExpresso/~3/Jt-3PdmjttI/analise-manga-nausicaa-vol-2-hayao.html" title="Análise – Mangá – NAUSICAÄ Vol. 2 – Hayao Miyazaki" /><author><name>Luciano Altoé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06937325025295744971</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="25" height="32" src="http://1.bp.blogspot.com/_JbVRk_of-DI/TC-ZOfHiGGI/AAAAAAAAACA/NXa_9j3GE_k/S220/Aleph.jpeg" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/04/analise-manga-nausicaa-vol-2-hayao.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkAARnc_cCp7ImA9WxVbFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847.post-8632222425079781992</id><published>2009-04-02T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-04-02T06:59:07.948-07:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-04-02T06:59:07.948-07:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura" /><title>Análise – Livro – A Cabana – Willian P. Young</title><content type="html">Autor: Willian P. Young&lt;br /&gt;Editora Sextante&lt;br /&gt;239 páginas&lt;br /&gt;R$ 24,90&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que Deus, sendo onipresente e onisciente, não impede que coisas ruins ocorram com pessoas inocentes? O autor do romance religioso “A Cabana”, William p. Young, tenta responder esta e outras perguntas. Infelizmente ele apenas tenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro conta a história de Mackenzie Allen Phillips. Um sujeito de meia idade, casado e pai de 05 filhos que vive uma vida rotineira até o dia em que sua filha caçula, Missy, desaparece durante um acampamento. A investigação policial que se seguiria indicou ter sido ela morta por um assassino em série em uma cabana isolada no interior de uma floresta. Após anos de sofrimento pela perda da filha, Mackenzie recebe uma correspondência, aparentemente escrita por Deus, marcando um encontro na cabana onde se supõe ter sido sua filha assassinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tecer comentários mais aprofundados sobre o livro em si, devo ressaltar que este romance de sucesso em diversos países (inclusive no Brasil), possui uma prosa simples e de fácil compreensão; portanto, para aqueles que não buscam uma narrativa mais complexa e rica (em termos teológicos) deverão ficar muito satisfeitos com o resultado final. Contudo, a forma superficial com que assuntos delicados são abordados, podem incomodar diversos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários são os problemas existentes no livro, abordarei alguns deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, o autor falha em não desenvolver mais profundamente os personagens componentes da história. O maior exemplo disto é o próprio protagonista. A visão psicológica de Mack (apelido do personagem principal) apresentada durante o prefácio do livro é muito mais profunda da vista durante toda a narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mack do prefácio é uma pessoa que nasceu em uma família rigorosa, tanto no trabalho quanto na religiosidade. Seu pai era um religioso tão fervoroso quanto violento. Antes de fugir de casa devido à agressividade do pai, Mack colocou veneno de rato em todas as garrafas de bebida existentes na casa; sua intenção era matar o pai, que também era alcoólatra. Dotado de uma inteligência privilegiada, possuía uma relação de amor e ódio por Deus; relação dúbia originada, talvez, na infância sofrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa caracterização é praticamente esquecida durante a narrativa. Em nenhum momento percebe-se com nitidez os efeitos dessa infância atroz no personagem principal, fora nos instantes em que alguma pendência do passado precisa ser resolvida, o que demonstra falta de preparo do escritor, que não soube construir um personagem constante em seus rancores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o restante da família do protagonista também é tratada com desleixo. O resultado deste trabalho relaxado é a quase completa ausência de empatia entre o leitor e os integrantes da história. Como não houve aprofundamento na relação dos personagens, o leitor não consegue se sentir tocado pela tragédia que assola a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas a relação entre Mack e Missy é tratada com um pouco mais de esmero, porém, não o suficiente para transmitir toda a intensidade do sentimento existente entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica a nítida impressão de que faltou mais tempo para o correto desenvolvimento dos personagens. Como foram abordados, acabaram por perder boa parte de sua complexidade, transformando-se em pessoas carentes de tridimensionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, na segunda parte do livro, Mack encontra Deus na cabana, é a deficiência narrativa do autor que atrapalha de forma determinante o desenrolar da história. Principalmente as reações do protagonista à doutrina explicada por Deus soam sempre artificiais e chegam a incomodar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também neste momento o autor deixou de dissertar mais profundamente sobre pontos decisivos para a história. Enquanto são gastas diversas páginas com a doutrina divina passada por Deus a Mack, as questões mais delicadas (como o encontro com a filha, o perdão concedido a Deus e a solução dos conflitos com o próprio pai e com o assassino da filha) são tratadas de forma muito sucinta. Da maneira como foram postas no livro, chega-se a duvidar sobre a importância de tais questões para a vida de Mack ou mesmo a complexidade para sua solução. Se tais questões fossem tão delicadas para o protagonista, com certeza, não seriam resolvidas assim, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, o livro possui seus pontos positivos. O principal deles, sem dúvida, é aquele em que o próprio Jesus inclui a religião na trindade de terrores, juntamente com a política e a economia. Isso porque, segundo o autor, Deus abomina instituições, pois elas tem que funcionar de forma hierarquizada e, consequentemente, deve ser regulamentada. Essa regulamentação e obediência ao sistema faz com que o homem torne-se independente, na medida em que regula o próprio comportamento, afastando-se de Deus, que é pleno na liberdade e rechaça toda a forma de hierarquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, momentos como este, que poderiam gerar interessantes (e longas) discussões, são tratados de forma rápida, fazendo a obra perder força e fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contando com uma narrativa inconstante, que inicia rebuscada para, pouco depois, passar para uma superficialidade muito grande, este livro pode agradar à pessoas religiosas que desejam ler uma história edificante e simples na forma com que é escrita. Contudo, fica muito aquém para aqueles que almejam aprofundar-se em discussões mais incisivas sobre os desígnios de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica sempre a dica para aqueles que desejam enveredar-se por caminhos mais profundos sobre os planos de Deus para os homens... leiam “A Imitação de Cristo” de Tomás de Kempis; esse sim, um livro indispensável para os que desejam um conhecimento maior sobre a teologia cristã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-8632222425079781992?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LYNZ4V0DuvZtQdu6ymzQW3grxEQ/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LYNZ4V0DuvZtQdu6ymzQW3grxEQ/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LYNZ4V0DuvZtQdu6ymzQW3grxEQ/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/LYNZ4V0DuvZtQdu6ymzQW3grxEQ/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PensarExpresso/~4/oF1bhY2BuCU" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/feeds/8632222425079781992/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/04/analise-livro-cabana-willian-p-young.html#comment-form" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/8632222425079781992?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/8632222425079781992?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/PensarExpresso/~3/oF1bhY2BuCU/analise-livro-cabana-willian-p-young.html" title="Análise – Livro – A Cabana – Willian P. Young" /><author><name>Luciano Altoé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06937325025295744971</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="25" height="32" src="http://1.bp.blogspot.com/_JbVRk_of-DI/TC-ZOfHiGGI/AAAAAAAAACA/NXa_9j3GE_k/S220/Aleph.jpeg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/04/analise-livro-cabana-willian-p-young.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0cBRHg_fCp7ImA9WxVbEk0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847.post-2926324348077195620</id><published>2009-03-27T17:37:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T17:44:15.644-07:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-27T17:44:15.644-07:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Quadrinhos" /><title>Análise – HQ – Coringa</title><content type="html">&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Editora Panini&lt;br /&gt;Papel LWC - 100 páginas&lt;br /&gt;Preço: R$ 24,90&lt;br /&gt;Escritor: Brian Azzarello&lt;br /&gt;Arte: Lee Bermejo&lt;br /&gt;Cores: Patrícia Mulvihill&lt;br /&gt;Arte-final: Mick Gray e Lee Bermejo&lt;br /&gt;Capa: Lee Bermejo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez uma das melhores formas de se avaliar a grandeza de um super-herói seja observar a complexidade de seus inimigos. Quanto mais terríveis e assustadores forem os vilões, maior será a importância do herói na história. Quem sabe aí esteja boa parte da magnitude do Batman para o mundo dos quadrinhos... ele é sempre acompanhado de uma horda de criminosos terríveis, que são capazes de produzir no leitor sentimentos de pura perplexidade. Evidentemente, há sempre aquele vilão que se destacará em meio aos outros; no caso do Batman esse criminoso é o Coringa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias já foram as histórias memoráveis envolvendo esse criminoso. A mais conhecida delas (e na minha opinião, a melhor) é “A Piada Mortal” de Alan Moore e Brian Boland (tenho certeza que muitos concordarão comigo neste caso). Naquela história, Alan Moore disseca de forma magistral a personalidade de um indivíduo que, antes de se tornar o monstro que aflige Gotham sem perdão, era um homem com seus problemas, dilemas e alegrias. Em meio ao turbilhão de acontecimentos que resultam na origem do Coringa, o mago inglês encontra as similitudes entre as trágicas histórias de Batman e Coringa, escancarando os efeitos de um dia ruim no destino de uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, essa história escrita por Brian Azzarello não é uma “Piada Mortal”; esse americano não possui a sutileza do inglês; sua função não é explicar porque o Coringa atua de forma tão avassaladora em Gotham; seu único objetivo é escancarar de forma definitiva todo o leque de maldades que perambulam ensandecidas pela mente do Coringa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso ele faz com perfeição. Eu, particularmente, nunca havia lido uma história tão cruel envolvendo o Coringa. Nela, ele surge como uma força demoníaca incontrolável. O Coringa de Azzarello atua hesitação alguma, pois ele desconhece qualquer limite moral ou legal, seja estabelecido pela sociedade ou pela sua própria mente. Desta maneira, tudo lhe é permitido: esfolar por completo um antigo sócio, estuprar a ex-esposa de um comparsa, matar um casal de idosos sem qualquer motivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como no filme de Batman – O Cavaleiro das Trevas, o Coringa de Azzarello é um agente do caos. Apesar de possuir o objetivo de reconquistar todo o poder perdido enquanto estava recluso no Asilo Arkham, suas ações só estão completas quando regadas de violência extremada. Tanto que se mostra triste ao assaltar um banco sem que, infelizmente, ninguém tenha morrido. Ao que parece, a clausura do Asilo Arkham só fez acumular toda a energia maléfica do Coringa; uma vez liberto, toda essa energia eclode de uma forma terrível, principalmente para os seus traidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da HQ se inicia exatamente com a libertação do Coringa. Jonny Frost, um ladrão pequeno e desconhecido, que entrou e saiu da prisão algumas vezes por crimes irrelevantes, vê na soltura do Coringa uma oportunidade para se tornar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa de “Coringa” é realizada, exatamente, por Jonny. Por seus olhos acompanhamos as investidas insanas do Coringa contra tudo e todos que atravessem o seu caminho (e alguns desavisados que morrem não porque eram uma ameaça, mas só porque ele queria matar). Apesar do medo inicial por encontrar um criminoso tão temido, Jonny “investe” na sua carreira; mantém-se ao lado de um indivíduo que aparenta tranqüilidade em um momento para, em três segundos, explodir e destruir qualquer um à sua volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade incondicional de Jonny Frost de “se tornar alguém” e sua autoconfiança exagerada em seu poder de manter sempre o controle das situações, que o impulsiona para caminhos que podem destruí-lo por completo. Inclusive, com relação ao seu desejo de sempre manter o controle das ações, note sua ação final na última página da revista; sua atitude remete à história de um sapo narrada no decorrer da revista, demonstrando que, seja qual for o resultado, ele comanda seu próprio destino, não os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando à arte da revista, Lee Bermejo a comanda com total segurança. Sua diagramação das páginas, sempre dispondo a ação em porções distintas no papel, confere à narrativa a fluidez necessária para o desenvolvimento dos personagens. Ao optar por trazer em cada página uma nova disposição dos quadros, os quais, por vezes, têm apenas a função de “dar um zoom” em uma parte do corpo de um personagem, intensificando a emoção da cena, o artista traz novo fôlego à história, renova os próprios desenhos e instiga o leitor a “descobrir” sua nova forma ilustrar a narrativa a cada página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito embora não invista tanto em planos inusitados, posiciona sempre sua “câmera” de uma forma a ressaltar o texto de Azzarello. Por exemplo, sempre quando o Coringa demonstra sua força perante alguém, a “câmera” é posta na altura do solo, filmando-o de baixo para cima, a fim de acentuar seu poder e sua superioridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia deixar de mencionar, também, a capa desta revista. Mostrando simplesmente a boca do Coringa, ela talvez seja a mais assustadora dos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo a arte-final de Mick Gray mostra-se correta nesta revista. Não sou o maior fã dele, pois sempre acho que suas sombras exageradas tendem a deixar todos os personagens feios, mesmo que o roteiro indique se tratar de uma pessoa deslumbrante. Para conferir o que digo, vejam seu trabalho em Promethea; Alan Moore descreve uma Deusa, John Williams III esforça-se ao máximo para criar uma entidade celestial e Mick Gray a consegue destruir tudo com suas sombras despropositadas. Porém, não é o caso de “Coringa”, onde as sombras existem em função da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claramente influenciado pelo filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, o Coringa apresentado por Azzarello talvez não se torne o padrão a ser seguido nas histórias regulares de Batman, devido à sua personalidade violenta ao extremo, mas com certeza já entrou para a galeria dos vilões mais doentios das histórias em quadrinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah... já ia me esquecendo! Batman, aqui, é apenas um coadjuvante de luxo, portanto, sua aparição ocorre apenas no final da revista. Resume-se a uns poucos quadros, onde é retratado sempre nas sombras, com pequenas (mas precisas) falas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-2926324348077195620?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/udGKDUjmaPWo8XsRp8jjKx1tWP8/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/udGKDUjmaPWo8XsRp8jjKx1tWP8/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/udGKDUjmaPWo8XsRp8jjKx1tWP8/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/udGKDUjmaPWo8XsRp8jjKx1tWP8/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PensarExpresso/~4/pvb3fcxt70Q" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/feeds/2926324348077195620/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/03/analise-hq-coringa.html#comment-form" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/2926324348077195620?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/2926324348077195620?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/PensarExpresso/~3/pvb3fcxt70Q/analise-hq-coringa.html" title="Análise – HQ – Coringa" /><author><name>Luciano Altoé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06937325025295744971</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="25" height="32" src="http://1.bp.blogspot.com/_JbVRk_of-DI/TC-ZOfHiGGI/AAAAAAAAACA/NXa_9j3GE_k/S220/Aleph.jpeg" /></author><thr:total>3</thr:total><feedburner:origLink>http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/03/analise-hq-coringa.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkcHQnw6eip7ImA9WxVUFUs.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847.post-1335454134494114347</id><published>2009-03-20T08:34:00.000-07:00</published><updated>2009-03-20T08:47:13.212-07:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-20T08:47:13.212-07:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mangá" /><title>Análise – Mangá – NAUSICAÄ Vol. 1 – Hayao Miyazaki</title><content type="html">Nausicaä do Vale do Vento – Vol. 01&lt;br /&gt;144 páginas&lt;br /&gt;Hayao Miyazaki&lt;br /&gt;Editora Conrad&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nausicaä é considerada obra máxima de Hayao Miyazaki. Frase que ganha contorno especial considerando que seu autor também assinou as animações O Castelo Animado e A Viagem de Chihiro (vencedora do Oscar de melhor animação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que esta história tem de tão especial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, responder a essa pergunta de maneira minuciosa resultaria em alguns problemas: a) a análise ficaria de um tamanho impraticável; b) provavelmente todos os méritos do mangá não estariam devidamente explicados; c) estragaria o prazer de ler e descobrir as nuances da história. Desta maneira, abordarei apenas alguns pontos, que considero mais relevantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pela ambientação. A história se passa em um mundo completamente devastado; a civilização, por mil anos, degradou o meio ambiente de tal forma que o tornou estéril, tudo realizado em nome da evolução da humanidade. Os homens utilizavam o avanço irrefreável da sociedade como desculpa para realizar uma destruição sistemática do ecossistema em geral. O plano funcionou, os homens atingiram o ápice, porém, a natureza cobrou seu preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a humanidade atingiu seu limite na escala evolutiva, uma guerra sem precedentes provocou a ruína completa das metrópoles do globo e toda a poluição produzida por essa sociedade industrial auxiliou para a queda imediata do reino dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a guerra a sociedade perdeu sua tecnologia e a poluição produzida durante todo um milênio tornou a terra improdutiva. Foi o fim de uma era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a natureza, dentro de sua perfeita complexidade, sempre encontra uma forma para sobreviver. Assim, no meio de toda a poluição, nasceu uma vasta floresta. Contudo, ao contrário do que se pode imaginar, esse novo ecossistema não é a origem da vida, mas a fonte de destruição e morte de toda a existência atual do planeta. Suas plantas produzem um pólen que é capaz de matar qualquer ser vivo que o inspire (por isso, essa floresta é denominada de Mar Podre). Somente alguns insetos e grandes seres chamados Ohmus sobrevivem neste ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil notar a beleza da metáfora criada por Hayao neste ponto. Transportar sua visão soturna para os dias atuais é quase automático. O ser humano destruiu o quanto pode a natureza, esquecendo-se da sua força descomunal. Agora a natureza quer de volta tudo o que lhe foi tomado; dia a dia as mudanças no clima e seus efeitos devastadores fazem dos homens reféns em sua própria casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, durante a história, a função do Mar Podre é esmiuçada, o que só aumenta a grandiosidade metáfora criada pelo autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos personagens, comentarei apenas dois na análise deste primeiro volume, o Rei Jihl e sua filha, Princesa Nausicaä.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei Jihl, do Vale do Vento, já nos é mostrado no crepúsculo de seus dias. A proximidade com o Mar Podre debilitou ao extremo sua saúde e, agora, encontra-se preso à cama. Seu semblante cansado e, principalmente, uma cicatriz abaixo de seu olho esquerdo, como se fosse o caminho traçado por uma lágrima, mostram claramente todo o sofrimento enfrentado por aquele governante que, mesmo com todas as dificuldades encontradas naquele mundo inóspito, não pode deixar em momento algum de proteger e zelar pelo bem-estar de todos os seus súditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe que não lhe resta muito tempo de vida. Assim, seus últimos instantes na Terra são concentrados em fazer de Nausicaä, sua única filha, uma governante forte para toda a população do Vale do Vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em momento algum perde a calma. Com o mesmo semblante sereno é capaz de convidar um amigo (Professor Yupa) a contar histórias a toda população do Vale do Vento e, algum tempo depois, de criticar a atitude de Nausicaä que não exterminou uma pequena tropa do Reino de Torumekia, a qual entrou no Vale sem permissão, ameaçando contaminar a plantação com o veneno do Mar Podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sob a batuta de seu pai que Nausicaä inicia o caminhar para comandar a região do Vale do Vento. É incrível como Miyazaki nos apresenta diversas “Nausicaäs” durante toda a revista; inicialmente uma menina gentil e simpática, ela passa boa parte de seu dia pesquisando e procurando utensílios (que serão usados para fins militares) no Mar Podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, ao primeiro sinal de ameaça à segurança de sua população, a princesa converte-se imediatamente em uma exímia guerreira que, sem medo, enfrenta (e vence com facilidade) um treinado membro da guarda pessoal do Imperador de Torumekia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante vários instantes da história, Nausicaä deixa-se abater pelo pesado fardo de ter que se responsabilizar pela segurança de toda a população do Vale, principalmente em uma época tão conturbada e às portas de uma nova guerra. Contudo, mesmo não desejando guerrear, sabe ser o combate inevitável; então, deixa novamente os seus anseios de lado e encara com firmeza os desafios impostos pelo seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um mundo que beira o colapso (tanto ambiental quanto diplomático), Nausicaä é apresentada como uma ilha de lucidez em meio àquela loucura. Amante da vida humana e da natureza, tenta entender como o meio ambiente voltou-se contra a população; ao contrário de quase a totalidade da sociedade, não escolhe o caminho fácil para indicação dos culpados dos problemas ambientais, insistindo, por exemplo, que o Mar Podre não é essencialmente venenoso, mas tornou-se assim pela situação degradante a que foi exposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste primeiro volume da história, é a humanidade apresentada por Nausicaä ao atender um último pedido de uma princesa moribunda, a qual lhe entrega uma misteriosa pedra, que serve de fio condutor para toda a narrativa. Sua jornada para devolver a pedra ao irmão da falecida princesa e as consequências por não deixar que o Reino de Torumekia se apodere da mesma geram ganchos para o próximo volume deste extraordinário mangá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação à arte do mangá, Hayao realiza um trabalho estupendo. Não temos grandes quadros com minúcias dos personagens expostas (como é costumeiro em diversos mangás); Hayao opta por quadros menores, com muitos closes, privilegiando a dinâmica da narrativa. Desta forma, é possível distribuir em uma única página diversos momentos de ação, além proporcionar o leitor com uma inundação de informações, aprofundando ainda mais a rica mitologia por ele criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma história de heroísmo, mas desprovida totalmente de heróis egocêntricos. Os personagens desenvolvidos agem de forma real à situações extremas, portanto, não esperem vê-los em poses ilógicas, ostentando uma estampa heróica irreal. As atitudes tomadas durante a narrativa são realizadas pela índole do personagem e devido às suas crenças, assim, nada soa artificial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas essas considerações tecidas nesta análise não esgotam a riqueza de detalhes contidos no primeiro volume de Nausicaä. Começo a entender porque consideram esta obra o ápice da esplêndida carreira de Hayao Miyazaki.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-1335454134494114347?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Guardas! – Terry Pratchett</title><content type="html">Para que servem as sociedades secretas? A resposta é fácil. As sociedades secretas têm como único objetivo concentrar, de preferência violentamente, todo o poder Estatal. Pelo menos esse é o principal objetivo de uma sociedade secreta com sede na poluída, violenta, corrupta e adorável cidade de Ankh-Morpork.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda a sociedade secreta, nesta existem senhas mirabolantes para permitir a entrada somente de seus membros, os quais estão sempre escondidos nas trevas por trajes enormes que lhes cobrem o rosto; os nomes dos integrantes dessa irmandade são inventados para preservar a identidade e os planos para o domínio do poder são muito, mas muito inventivos. Nada desse negócio de príncipe órfão, espadas mágicas, artefatos misteriosos... isso nunca funcionou e nem funcionará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, contra aqueles que desafiam a ordem e a paz social (como se essas palavras fossem conhecidas em Ankh-Morpork) surgem destemidos (ou quase isso) defensores da Lei e da Justiça. O problema é que esses defensores fazem parte da vigilância de Ankh-Morpork, um trabalho praticamente sem sentido na cidade, principalmente, depois que o patrício “sugeriu democraticamente” a criação de grêmios de ladrões, assassinos, mendigos, etc. Todos poderiam atuar impunemente, desde que atendessem à cota estabelecida pelo governo (e pagassem seus impostos respectivos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a vigilância de Ankh-Morpork (agora reduzida a 04 homens para uma cidade de 1.000.000 de habitantes) é completamente desprestigiada. Um serviço menor, realizado por profissionais que também não estão lá muito interessados em melhorar a qualidade do trabalho (mesmo porque isso resultaria em um aumento grande na probabilidade de morte na função, o que não é lá muito bom para quem quer viver até os 150 anos, pelo menos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, quando a cidade encontra-se em perigo, o orgulho (e o desejo de viver eternamente) é deixado de lado e esses bravos defensores da Justiça desafiam perigos inimagináveis para impedir que sociedades secretas, um patrício sádico e dragões furiosos destruam completamente a lixeira que eles chamam de lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, este é um dos melhores livros da série Discworld (o que é uma tarefa complicada, dado o nível altíssimo dos exemplares anteriores), principalmente pela dinâmica da narrativa de Terry Pratchett. É natural que em um livro de mais de 300 páginas, em alguns momentos a narrativa torne-se um pouco arrastada ou contenha fatos menores e descartáveis para a trama; porém, não é o caso aqui. O autor, de forma soberba, consegue manter o ritmo ágil do texto por todo o livro. É mantido, desde o início, uma marcha rápida, sempre tecendo fatos interessantes de uma forma divertida e sem firulas, o que torna o texto agradável de acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me clara a evolução do próprio Terry Pratchett como escritor no decorrer da série. Acredito que a familiaridade com o tema e o mundo criado por ele o deixa mais solto para realizar histórias textualmente mais fluidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de Terry Pratchett possuir uma escrita enxuta também contribui para o efeito dinâmico da leitura da Série Discworld. Apesar de o escritor inglês encaixar conceitos científicos e referências à cultura pop mundial durante toda a narrativa, isto é feito de forma sucinta. Não se perde tempo com grandes divagações; elas existem, mas ocupam o espaço preciso para que o autor passe a sua mensagem e siga em frente com a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às piadas, há pouco o que dizer... estão ótimas como sempre. Destaco a referência a uma clássica passagem do filme Dirt Harry (1971), só que sai  Clint Eastwood e sua .44 e entra um capitão alcoólatra e um pequeno dragão (!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto leve e divertido; uma história repleta de conspirações e atos heróicos. Este livro da série Discworld é leitura obrigatória para quem gosta de comédia, intriga, magia, ação e romance. Vida longa a Terry Pratchett!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-628487035589377703?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/k3IUH_cN-iu0HQ5m5dYdnLWK17w/0/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/k3IUH_cN-iu0HQ5m5dYdnLWK17w/0/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;
&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/k3IUH_cN-iu0HQ5m5dYdnLWK17w/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/k3IUH_cN-iu0HQ5m5dYdnLWK17w/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PensarExpresso/~4/xBpDJEzWuxQ" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/feeds/628487035589377703/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/03/analise-livro-discworld-guardas-guardas_16.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/628487035589377703?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/628487035589377703?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/PensarExpresso/~3/xBpDJEzWuxQ/analise-livro-discworld-guardas-guardas_16.html" title="Análise – Livro – Discworld: Guardas! Guardas! – Terry Pratchett" /><author><name>Luciano Altoé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06937325025295744971</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="25" height="32" src="http://1.bp.blogspot.com/_JbVRk_of-DI/TC-ZOfHiGGI/AAAAAAAAACA/NXa_9j3GE_k/S220/Aleph.jpeg" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/03/analise-livro-discworld-guardas-guardas_16.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0EBSHk_eyp7ImA9WxVVGUo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847.post-7824665199588985475</id><published>2009-03-13T14:25:00.000-07:00</published><updated>2009-03-13T14:27:39.743-07:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-13T14:27:39.743-07:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Quadrinhos" /><title>Análise – HQ – Pixel Magazine nº 19</title><content type="html">&lt;strong&gt;Y – O Último Homem nº 04 e 05&lt;br /&gt;Escritor: Brian K Vaughan&lt;br /&gt;Arte: Pia Guerra&lt;br /&gt;Cores: Pam Rambo&lt;br /&gt;Arte-final: José Marzan Jr.&lt;br /&gt;Capa: J. G. Jones&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo como conhecemos acabou! Em um mesmo momento, sem qualquer explicação aparente, todos os mamíferos machos existentes na Terra (ou seja, aqueles que possuíam em seus genes o cromossomo Y) faleceram. Bem, quase todos. Dois mamíferos portadores desse cromossomo ainda caminham sobre o planeta: Yorich e seu macaco Ampersand.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constantemente ouço por todos os lados as pessoas proclamarem que as mulheres estão dominando o mundo. E se isso realmente ocorresse? Seriam elas melhores do que nós homens na administração deste planeta? O roteirista Brian K Vaughan tenta responder a essa e outras perguntas com essa história (já clássica) dos quadrinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um curto período de inércia traumática, uma parte da população (agora totalmente feminina) tenta reerguer os pilares da sociedade, adequando-se à nova realidade. Infelizmente, algumas dessas mulheres parecem-se terrivelmente com os homens nesse ponto, pois almejam a tomada do poder... pela força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascem, assim, as amazonas. Um grupo paramilitar que visam galgar os degraus do Poder para estabelecer uma ordem “democrática” e feminista, adequando a atual situação mundial para melhor atender aos anseios das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como muitas outras células dissidentes do Poder Constituído, as amazonas iniciam sua jornada com ideais claramente políticos, mas a forma com que seus integrantes agem (instigadas por sua líder), fazem o grupo transformar-se em pouquíssimo tempo em uma organização terrorista, que não reluta em eliminar qualquer um que se prostre entre elas e seu objetivo. Seu foco no fim último de sua luta é tão intenso que não temem extrair uma de suas mamas (a esquerda), para facilitar o manuseio do arco e fecha (assim como as guerreiras amazonas da mitologia grega).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que o comando das Amazonas toma conhecimento da existência de Yorich, o medo se instaura no grupo, medo de ver a opressão masculina retornar, massacrando a liberdade conquistada. Inicia-se, então, uma caçada para extirpar da Terra o último resquício do passado opressor que ainda teima em resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível ler as duas edições publicadas na revista Pixel Magazine e não ficar maravilhado com a desenvoltura de Brian Vaughan na criação e desenvolvimento dos personagens. O protagonista não poderia ser mais carismático e humano. Um nerd descolado, Yorich recheia todas as suas frases com citações a filmes, livros, quadrinhos e grupos musicais; ele parece uma enciclopédia do pop. Contudo, sua auto-confiança exagerada, assemelhando-se a de um adolescente, o compele a agir de forma precipitada e irresponsável, pois não só o faz arriscar a própria vida, mas também toda a sobrevivência da humanidade, posto ter ele se tornado a última esperança ressurgimento dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série Y passa longe de ser uma leitura descompromissada. É um belo estudo sobre o comportamento humano, sobre como reagimos em situações extremas, inusitadas e perigosas; de que forma encaramos uma mudança radical da ordem natural das coisas. Enquanto alguns lutam pela sobrevivência da humanidade, outras, como as amazonas, tentam a todo custo encontrar no caos uma oportunidade para ascender e impor seus ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, ressalto a belíssima arte que estampa a capa da Pixel Magazine. Desde o início da série, J. G. Jones nos tem presenteado com verdadeiras obras de arte. Suas capas possuem movimento, vivacidade e um tom sinistro perfeito. Um grande trabalho para ilustrar um texto fabuloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Frequência Global nº 4&lt;br /&gt;Escritor: Warren Ellis&lt;br /&gt;Arte: Roy Allan Martinez&lt;br /&gt;Cores: David Baron&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frequência Global é uma organização não-vinculada a qualquer Estado que atua no sentido impedir que Governos ou grupos terroristas massacrem a população inocente. Esta organização foi criada por uma ex-agente, Miranda Zero, e tem como coordenadora central uma jovem chamada Aleph.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas são as únicas duas personagens fixas da série. Isso porque a Frequência Global é formada por 1.001 agentes, ou seja, a cada história um novo agente é convocado, não havendo repetição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma como Warren Ellis desenvolve a história também é muito interessante. Todas as revistas formam uma história fechada, não existindo sequência ou continuidade. Portanto, as revistas podem ser lidas de forma aleatória sem atrapalhar o entendimento. Como existem 1.001 agentes na organização e, a cada história, um novo é convocado, o escritor tem total liberdade para matar o seu protagonista no final. Ou seja, tudo pode acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história contida nesta edição da Pixel Magazine (Os Cem do Paraíso) é um deleite completo para os fãs de ação. Um grupo de cem fanáticos religiosos aprisiona trabalhadores de um prédio e amarram explosivos aos corpos destes; os explosivos estão conectados à pulsação de um dos integrantes do grupo, portanto, se ele morrer os reféns também morrerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que, os fanáticos ingeriram veneno (segundo eles para realizar a transição para o novo mundo). Para que os reféns escapem ilesos, as exigências dos terroristas têm que ser atendidas. Caso contrário, permanecerão presos até que o último fanático morra, levando consigo todos os inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois agentes são designados para a missão. Um homem e uma mulher. Ela está no comando. Seu plano não é lá dos mais complexos: armar-se até os dentes e entrar no prédio. Qualquer fanático que apareça em seu caminho até os reféns fará a transição bem antes do veneno ingerido fazer efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, sai o texto de Warren Ellis e entra a belíssima arte de Roy Allan Martinez. São sequências intermináveis de tiros em braços, pernas e cabeças (com direito a tiro de escopeta calibre 12 na testa de um sequestrador)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueça a história. Curta a ação. Um conto de pura adrenalina, repleto de violência e diálogos ácidos. Por falar nos diálogos, o último é qualquer coisa de sensacional. Seco. Direto. Perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Constatine – Congelado – Parte 1 de 4&lt;br /&gt;Escritor: Brian Azzarello&lt;br /&gt;Arte: Marcelo Frusin&lt;br /&gt;Cores: James Sinclair&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brian Azzarello tornou-se famoso no mundo dos quadrinhos, principalmente, pela realização da soberba história “100 Balas” (com certeza uma das melhores histórias policiais dos últimos anos). Contudo, sua destreza com as palavras naquela série, querendo ou não, tornou-se uma maldição: ninguém espera menos dele em qualquer revista que escreva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, quando se lê o Constantine de Azzarello, espera-se contemplar a mesma habilidade desenvolta mostrada em 100 Balas. Ocorre que uma pessoa não pode ser obrigada a escrever uma obra-prima em toda a revista que participe. É o caso de sua passagem aqui; a revista não é uma obra-prima, não é uma 100 Balas, mas é um exemplar muito acima da média dos quadrinhos que circulam atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta história, que marca o início do arco “Congelado”, Constantine volta ao seu habitat natural... um bar. Porém, alguns podem se decepcionar com o começo da narrativa, pois aqui John surge como um coadjuvante em sua própria revista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Azzarello concentra muito mais tempo descrevendo os frequentadores do bar, os quais se encontram presos no local devido a uma nevasca monstruosa. A presença de Constantine é reduzida e suas palavras são muito econômicas. Azzarello deixa os demais presentes no bar levarem toda a narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto segue em um ritmo lento (muito embora com bons diálogos) até o final da revista, onde um belo gancho nos enche de curiosidade para acompanhar o desenrolar da trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto a arte de Marcelo Frusin quanto as cores de James Sinclair absorvem bem o universo geralmente criado por Azzarello em suas histórias. Ambientes não muito hospitaleiros e personagens com claros desvios comportamentais são retratados de forma (até certo ponto) suja e com grandes contrastes; assim, os personagens normalmente são “banhados” por um preto intenso que lhes camufla parte do rosto (em uma metáfora à não exteriorização de todos os seus pensamentos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse, não é uma grande obra de Azzarello, mas é um bom começo para um arco que, ao menos no princípio, mostra John Constantine particularmente ácido com todos os que o rodeiam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-7824665199588985475?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/JrrYuwRK6DKIVjmqv6MBktJBoq4/1/da"&gt;&lt;img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/JrrYuwRK6DKIVjmqv6MBktJBoq4/1/di" border="0" ismap="true"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PensarExpresso/~4/ZOWKt4ga67s" height="1" width="1"/&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/feeds/7824665199588985475/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/03/analise-hq-pixel-magazine-n-19.html#comment-form" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/7824665199588985475?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/2836428781563427847/posts/default/7824665199588985475?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://feedproxy.google.com/~r/PensarExpresso/~3/ZOWKt4ga67s/analise-hq-pixel-magazine-n-19.html" title="Análise – HQ – Pixel Magazine nº 19" /><author><name>Luciano Altoé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06937325025295744971</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="25" height="32" src="http://1.bp.blogspot.com/_JbVRk_of-DI/TC-ZOfHiGGI/AAAAAAAAACA/NXa_9j3GE_k/S220/Aleph.jpeg" /></author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pensarexpresso.blogspot.com/2009/03/analise-hq-pixel-magazine-n-19.html</feedburner:origLink></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0QAQH05fSp7ImA9WxVVE0w.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-2836428781563427847.post-8043387114756164015</id><published>2009-03-05T19:46:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T19:49:01.325-08:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-03-05T19:49:01.325-08:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Literatura" /><title>Análise - Livro - Discworld: Eric - Terry Pratchett</title><content type="html">Editora Conrad.&lt;br /&gt;125 Páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredite no que eu digo. Dificilmente você conseguirá encontrar autor de comédia tão bem sucedido na atualidade quanto Terry Pratchett. E o seu sucesso é mais que justificado. A cada livro da série Discworld o autor inglês consegue se superar; trazendo a cada nova página inúmeras situações, no mínimo, inusitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não conhece (infelizmente a esmagadora maioria da população), a série Discworld, criada por Terry Pratchett, é um conjunto de histórias ambientadas em um mundo imaginário (em alguns pontos semelhantes com certo planeta terciário de um insignificante sistema solar). Esse mundo, o Discworld, tem uma forma de disco estando apoiado nas costas de quatro elefantes, os quais se equilibram como podem nas costas de uma gigantesca tartaruga (chamada A’Tuin), que caminha preguiçosa pelo espaço infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece absurdo não é? Esse é o ponto... a história é absurda. Talvez aí esteja parte do seu encantamento. Já que estamos tratando de uma terra ilógica, diversas situações sem-sentido podem acontecer (todas devidamente provadas pelos embasados cientistas do Discworld). Liberto de quaisquer amarras da realidade, o autor pode infestar esse “mundo disco” com as mais diversas criaturas: magos, guerreiros, grêmios de ladrões e assassinos (devidamente organizados), universidades invisíveis, deuses sanguinários e Morte (com “M” maiúsculo, pois aqui ela existe, possui corpo e uma bela foice terrivelmente afiada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não se engane, a série Discworld é muito mais que isso. É uma inundação de paródias, críticas, piadas ácidas e referências ao mundo pop. A cada volume publicado Terry Pratchett parece renovar totalmente seu estoque de piadas e imaginação no desenvolvimento de situações tão inverossímeis quanto sensacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste volume, o nono publicado no Brasil, Terry Pratchett faz uma paródia à peça Fausto de Goethe. Aliás, a paródia é tão escancarada que a própria capa do livro possui o nome Fausto toscamente riscado, sendo sobreposto o nome do protagonista, Eric.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eric é um demonólogo de apenas 13 anos que tenta conjurar um demônio que lhe realize três desejos: fortuna, mulheres e vida eterna. Por total falta de experiência, acaba por conjurar um mago fracassado (Rincewind, personagem mais freqüente e medroso das histórias do Discworld). Convencido de que Rincewind é realmente um demônio, Eric o força a realizar seus desejos, porém, como o mago nunca havia realizado um feitiço sequer na vida, todos os desejos do jovem demonólogo são realizados de uma forma um tanto inusitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicia-se a partir de então uma jornada por uma civilização retrógrada e adoradora de um Deus sanguinário, dois povos em um conflito (o qual envolve uma mulher desejada e um grande cavalo de madeira) e o fim-início do mundo (nesta ordem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritmo narrativo de Terry Pratchett é louvável. Sua forma ágil de conduzir toda a história absurda de Eric, Rincewind e uma bagagem andante (!) impressiona. Sem contar a quantidade homérica de tiradas e piadas impagáveis que recheiam todo o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil é a tarefa de destacar o ponto mais interessante da obra, pois são muitas as inventivas situações desenvolvidas por Terry Pratchett, porém, não posso deixar de ressaltar toda a criação do mundo criada pelo escritor. A forma como as primeiras bactérias foram criadas é simplesmente inesquecível! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ponto cabe um aviso: ler a série Discworld em meio a outras pessoas pode gerar um constrangimento desnecessário. É praticamente impossível segurar o riso durante todo o texto, assim, se não quiser fazer papel de maluco em frente aos outros (assim como eu em diversas ocasiões), prefira ler esse pequeno grande livro em um local sossegado e desabitado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dito anteriormente, este livro é uma comédia de absurdos que parodia quase tudo. Então, para que você possa desfrutar totalmente desta leitura leve, porém, complexa em seus detalhes, é fundamental desarmar-se de qualquer preconceito formado quanto a livros de comédia e às deliciosas impossibilidades plenamente plausíveis contidas no microcosmo deste mundo em forma de pizza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito piamente que chegará o dia em que a comédia será tão bem quista na literatura quanto os livros de gêneros mais “sérios” e, quando este dia for alcançado, Terry Pratchett será devidamente reconhecido como um dos maiores escritores da atualidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-8043387114756164015?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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Lovecraft</title><content type="html">Esse conto é o primeiro contato literário que tenho com a obra de H. P. Lovecraft (1890-1937). As informações que tive anteriormente vinham os filmes de terror (de gosto extremamente discutível) e das diversas fontes de inspiração para os quadrinhos, games e escritores contemporâneos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo esse conto percebo ainda mais o quanto o cinema se afasta do cerne da obra de Lovecraft. Normalmente os filmes baseados em suas obras são repletos de carnificina, com imagens gráficas de violência. Nada poderia ser mais longe da obra original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em O Chamado de Cthulhu somos apresentados à mitologia criada por Lovecraft e toda a insanidade gerada às pobres almas que são submetidas ao conhecimento dos terríveis seres ali existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insanidade. Com certeza essa é a palavra que define esse conto e, pelo que pude perceber em uma análise superficial, a maioria de suas obras. Lovecraft não se preocupa em descrever cenas fortes de morte ou mutilação (não que elas não existam, que fique bem claro), mas o foco de sua narrativa paira nos efeitos devastadores que tais imagens aterradoras podem produzir no âmago de cada indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a herança maldita daqueles que são confrontados com a desesperança da verdade. Sobre esse ponto específico, a loucura residente na verdade, é imprescindível descrever o parágrafo inicial do Chamado de Cthulhu, o qual dá o tom da obra com maestria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A coisa mais misericordiosa no mundo, eu acho, é a inabilidade da mente humana em correlacionar todos seus conteúdos. Nós vivemos em uma plácida ilha de ignorância no meio de um oceano negro infinito, e não era para que pudéssemos navegar para longe. As ciências, cada um esticando a corda em sua própria direção, têm nos causado pouco mal até agora; mas algum dia esse mosaico de conhecimento dissociado nos legará um terrível panorama da realidade e de nossa amedrontadora posição neste lugar, tão terrível, que ou bem nós ficaremos loucos diante da revelação ou fugiremos covardemente da luz mortal para a paz e a segurança de uma nova Idade Negra”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim, brincando com o medo humano da verdade, que Lovecraft inicia sua jornada pelo desconhecido. Desafiando ingressar em um terreno dos mais delicados para o homem. Afastando da frente dos próprios olhos (e dos leitores mais corajosos) o véu sublime e apaziguador da ignorância para defrontar-se com o maior dos medos... o de que o desconhecido seja habitado por seres piores e mais cruéis do que nós mesmos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino essa pequena análise com uma nota triste. Há no Brasil uma carência injustificada de publicações sobre Lovecraft. Boa parte de seus textos são atualmente encontrados em sebos ou, como no caso deste Chamado de Cthulhu, “baixados” diretamente da internet. Esta tradução, inclusive, realizada por EULOGIO GARCIA RECALDE merece todos os elogios, pois, além de manter firme e dinâmica a narrativa do conto, ainda o enriqueceu com diversas notas de rodapé imprescindíveis para uma melhor compreensão da obra, repleta de referências à mitologia em geral, magia e personagens históricos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2836428781563427847-6310863291612709320?l=pensarexpresso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;
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