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	<title type="text">Pensar Não Dói</title>
	<subtitle type="text">Em busca de vida inteligente na Terra</subtitle>

	<updated>2012-05-15T19:14:56Z</updated>

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		<author>
			<name>Arthur</name>
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					</author>
		<title type="html"><![CDATA[As feministas e o aborto masculino]]></title>
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		<updated>2012-05-15T19:14:56Z</updated>
		<published>2012-05-15T19:14:56Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Aborto" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Cidadania" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Ética" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Política" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Sexismo" />		<summary type="html"><![CDATA[As feministas são a favor do aborto. As feministas dizem que lutam pela igualdade entre os sexos. Logo, as feministas deveriam reivindicar o direito ao aborto masculino. Como elas não o fazem, OU não são a favor do aborto, OU não lutam pela igualdade. Simples assim. A não ser, é claro, que o silogismo tenha sido &#8220;promovido&#8221; [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/05/15/aborto/as-feministas-e-o-aborto-masculino">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;As feministas são a favor do aborto. As feministas dizem que lutam pela igualdade entre os sexos. Logo, as feministas deveriam reivindicar o direito ao aborto masculino. Como elas não o fazem, OU não são a favor do aborto, OU não lutam pela igualdade. Simples assim. A não ser, é claro, que o silogismo tenha sido &amp;#8220;promovido&amp;#8221; a instrumento machista do patriarcado falocêntrico historicamente opressor. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Um homem e uma mulher fazem sexo consensual. Do sexo consensual surge uma nova vida. Dizem então as feministas que a mulher deve ter o direito de matar essa nova vida que cresce dentro dela segundo seus próprios interesses e conveniências.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ignorando momentaneamente o absurdo de reivindicar o &amp;#8220;direito ao homicídio de inocentes incapazes de se defender&amp;#8221;, porque é isso o aborto, quero avaliar a coerência das feministas em reivindicar a &amp;#8220;luta pela igualdade&amp;#8221;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;As feministas não chamam o feto de bebê, criança, ser humano ou filho &amp;#8211; elas o chamam de &amp;#8220;mero aglomerado de células&amp;#8221; &amp;#8211; e não chamam a mulher grávida de &amp;#8220;mãe&amp;#8221;, alegando que ela só se tornará mãe após o feto passar a ser um ser humano (afinal, &amp;#8220;feto&amp;#8221; é uma samambaia). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ora, as feministas dizem que a mulher deve ter o &amp;#8220;direito soberano&amp;#8221; de decidir pelo aborto em qualquer situação, ou seja, de fazer o que bem entender com seu próprio corpo, inclusive sexo desprotegido e irresponsável, e pela mesma lógica &amp;#8220;tirar o corpo fora&amp;#8221; mesmo que isso implique a morte de um ser humano inocente. E dizem que lutam pela igualdade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Supondo verdadeiros &amp;#8211; para mero exercício intelectual &amp;#8211; os discursos feministas pelo aborto e pela igualdade, as feministas deveriam reivindicar direitos iguais para o homem, o que inclui o direito de fazer sexo desprotegido e irresponsável e depois &amp;#8220;tirar o corpo fora&amp;#8221;, que é o que significa a expressão &amp;#8220;aborto masculino&amp;#8221;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;No chamado &amp;#8220;aborto masculino&amp;#8221; o homem não influi sobre o corpo da mulher, que decide livremente sobre seu próprio corpo, mas também não permanece refém da decisão da mulher, reservando-se o direito de &lt;/span&gt;&lt;em style="color: #004400;"&gt;não se tornar pai&lt;/em&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt; da criança que nascerá. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Manifestas em tempo hábil fixado em lei e igual para ambos os sexos, a vontade de &amp;#8220;não se tornar mãe&amp;#8221; e a vontade de &amp;#8220;não se tornar pai&amp;#8221; do &amp;#8220;mero aglomerado de células&amp;#8221; que se tornará uma criança deveriam ser rigorosamente simétricas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Vejamos como seria um discurso coerente: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Segundo as feministas, a mulher que não quer se tornar mãe pode usar um método anticoncepcional, mas se não o fizer ou se este falhar ela tem o &amp;#8220;direito soberano de decidir sobre seu próprio corpo&amp;#8221; e &lt;/span&gt;&lt;em style="color: #004400;"&gt;não se tornar mãe&lt;/em&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt; através de uma técnica chamada &amp;#8220;aborto&amp;#8221;, que nada interfere com o corpo do doador do espermatozóide. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt; - Segundo as feministas, o homem que não quer se tornar pai pode usar um método anticoncepcional, mas se não o fizer ou se este falhar ele tem o &amp;#8220;direito soberano de decidir sobre seu próprio corpo&amp;#8221; e &lt;/span&gt;&lt;em style="color: #004400;"&gt;não se tornar pai&lt;/em&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt; através de uma técnica chamada &amp;#8220;aborto masculino&amp;#8221;, que nada interfere com o corpo da doadora do óvulo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Não é lógico? &amp;#8220;Direitos iguais&amp;#8221; é isso: ambos, homem e mulher, devem ter a mesmíssima possibilidade de decidir se podem ou não arcar com o ônus de ter um filho, segundo seus próprios interesses e conveniências, e a mesmíssima possibilidade de se desonerar destes ônus independentemente da vontade do outro, como as feministas reivindicam para as mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;As feministas querem que a mulher tenha sempre, a todo o momento, antes durante e depois do ato sexual, o direito de decidir sobre ter ou não ter o filho que gerou. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Mas as mesmas feministas querem que o homem, a partir do momento em que o ato sexual foi consumado, não tenha qualquer direito de escolha sobre ter ou não ter o filho que gerou, permanecendo refém da decisão da mulher e tendo a obrigação adicional de pagar por duas décadas e meia por uma decisão que não foi sua e que era contrária a sua vontade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Vamos deixar bem claro, então: para que o discurso feminista fosse coerente, as feministas teriam a obrigação de reivindicar OU que o aborto só possa ser realizado se ambos, homem e mulher, forem da mesma opinião, OU que o homem possa praticar o &amp;#8220;aborto masculino&amp;#8221;, desligando-se completa e definitivamente de qualquer obrigação em relação ao filho que a mulher decidiu sozinha que viria a nascer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Percebam que em nenhum momento minha argumentação reivindica o direito de influir sobre a decisão da mulher. Nada disso. &lt;strong&gt;Eu reivindico lógica e coerência.&lt;/strong&gt; Se a mulher pode decidir sobre o aborto e assim fugir da responsabilidade de criar um filho indesejado, então o homem também deve ter o mesmo direito. E, se o homem não pode ter esse direito, então a mulher também não pode tê-lo. É isso que significa &amp;#8220;direitos iguais&amp;#8221;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;É por direitos iguais que as feministas dizem que lutam. Vamos ver se elas serão coerentes e encherão a caixa de comentários do Pensar Não Dói com a reivindicação explícita do direito do homem de &lt;/span&gt;&lt;em style="color: #004400;"&gt;não se tornar pai&lt;/em&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt; após o ato sexual &lt;em&gt;tanto quanto&lt;/em&gt; querem que a mulher tenha o direito de &lt;/span&gt;&lt;em style="color: #004400;"&gt;não se tornar mãe&lt;/em&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt; após o ato sexual. Se isso não acontecer, ficará evidente &amp;#8211; mais uma vez &amp;#8211; que o que as feministas reivindicam não são direitos iguais, são privilégios sexistas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 15/05/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/PensarNaoDoi/~4/iUFB8CtVr54" height="1" width="1"/&gt;</content>
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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					</author>
		<title type="html"><![CDATA[Aula gravada em computador no lugar de professor]]></title>
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		<updated>2012-05-10T20:18:25Z</updated>
		<published>2012-05-10T20:03:41Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Educação" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Soluções Radicais" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Tecnologia" />		<summary type="html"><![CDATA[Este artigo comenta uma notícia de mesmo título publicada no jornal O Dia do portal iG em 07/05/2012.  Esta é a notícia: Aula gravada em computador no lugar de professor MEC distribuirá 600 mil tablets com lições de quatro disciplinas POR MARIA LUISA BARROS  Rio &#8211; Na falta de professores de Ensino Médio para disciplinas [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/05/10/educacao/aula-gravada-em-computador-no-lugar-de-professor">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Este artigo comenta uma&lt;/span&gt; &lt;a href="http://odia.ig.com.br/portal/educacao/aula-gravada-em-computador-no-lugar-de-professor-1.438117" target="_blank"&gt;notícia de mesmo título&lt;/a&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;publicada no jornal O Dia do portal iG em 07/05/2012. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Esta é a notícia:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;h5&gt;Aula gravada em computador no lugar de professor&lt;/h5&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;MEC distribuirá 600 mil tablets com lições de quatro disciplinas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;POR MARIA LUISA BARROS &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;Rio &amp;#8211; Na falta de professores de Ensino Médio para disciplinas de Física, Química, Biologia e Matemática, o Ministério da Educação (MEC) pretende solucionar o déficit, no segundo semestre, com aulas gravadas e transmitidas pelo computador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;“&lt;strong&gt;Não temos professores disponíveis no mercado para atender a demanda&lt;/strong&gt;. Com a educação digital pretendemos dar conta desse grande desafio que é o Ensino Médio”, reconheceu o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, após evento na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, ontem, no Rio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-content/uploads/2012/05/Computador-no-lugar-do-professor.jpeg"&gt;&lt;img class="aligncenter size-full wp-image-2339" title="Computador no lugar do professor" src="http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-content/uploads/2012/05/Computador-no-lugar-do-professor.jpeg" alt="" width="575" height="396" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;O ministro afirmou que vai distribuir 600 mil tablets com projetores digitais para professores de escolas públicas em todo o País. Segundo o ministro, &lt;/span&gt;&lt;strong style="color: #000080;"&gt;atualmente existem 170 mil professores que não têm formação nas matérias que lecionam&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;O ministro pretende levar o programa Mais Educação, que oferece atividades extras no contraturno, para 30 mil escolas este ano. Mercadante defendeu que pelo menos 30% da arrecadação dos royalties sobre a exploração de petróleo da camada de pré-sal sejam destinados ao financiamento das áreas de educação, ciência e tecnologia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;O aumento da arrecadação seria a saída para o Plano Nacional de Educação, que eleva de 5% para 8% do Produto Interno Bruto os recursos destinados à educação. Mercadante prevê que comissão na Câmara aprove o plano até o fim do mês.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h5&gt;Para Nobel, ação dos pais é fundamental&lt;/h5&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;Pais que participam da educação dos filhos nos primeiros três anos — estimulando leitura, conversa e jogos — contribuem para o sucesso profissional. A conclusão é do ganhador do prêmio Nobel de Economia, em 2000, James Heckman. Professor da Universidade de Chicago, ele disse ontem que o Brasil deve focar políticas públicas na primeira infância.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;“Até 10 anos, a personalidade pode ser mudada. Quanto mais precoce for a intervenção maior será o custo benefício”, disse o especialista. Heckman sugeriu que se inclua no Enem avaliações não só de conhecimentos gerais, mas da personalidade dos jovens. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Bem&amp;#8230; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Quando eu afirmava já em 1995 que a educação no Brasil era um lixo e que a (&lt;del&gt;maioria absoluta&lt;/del&gt;) quase totalidade dos professores não passava de papagaios que seriam melhor substituídos por videotecas com aulas gravadas por professores de primeira linha, o pessoal do partido do ministro da educação (minúsculas propositais) tinha faniquitos, subia nas tamancas e bradava clichês sobre a insubstitutibilidade do ser humano, sobre a imensurável importância do professor na formação do cidadão, contra o elitismo na educação e blá-blá-blá Whiskas Sachê. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Nada como um dia após o outro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A parte divertida de ler uma notícia destas é lavar a alma vendo os mesmos detratores de minhas idéias e de minha pessoa fazerem com dezessete anos de atraso aquilo que eu já preconizava em 1995. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A parte triste é perceber que o PT está fazendo isso não porque reconheceu que o ensino público brasileiro é uma merda, mas porque percebeu que não conseguiria sequer distribuir merda para todo mundo. &lt;/span&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;Bota incompetência nisso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h5&gt;Mas a idéia é boa ou não é?&lt;/h5&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Não, não é. Na verdade, a idéia é péssima. Seria boa se tivesse sido resultado de uma análise e de um planejamento cuidadosos, ciosos da necessidade de capacitação e treinamento &lt;em&gt;prévios&lt;/em&gt; para centenas de milhares de professores que precisariam aprender a lidar com a tecnologia da informação e adquirirem uma formação mínima nas disciplinas que lecionam &lt;em&gt;muito antes&lt;/em&gt; de o governo distribuir seiscentos mil equipamentos caros que certamente serão extremamente sub-utilizados ou mesmo não utilizados por pura falta de capacidade dos professores para operá-los. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Do jeito que isso está sendo feito &amp;#8211; como sempre, aliás &amp;#8211; o resultado não será muito diferente do que seria distribuir computadores com planos de fuga na jaula dos macacos: a informação estará &amp;#8220;disponível&amp;#8221;, mas os macacos continuarão na jaula. &lt;/span&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;Permitam-me fazer uma previsão sombria: daqui a dois ou três anos, talvez pouca coisa mais, alguém vai se lembrar dessa história e perguntar &amp;#8220;mas onde estão estes equipamentos e que uso está sendo dado a eles?&amp;#8221; &amp;#8211; e uma reportagem no Fantástico vai mostrar que no mínimo 60% deles ou nunca foram instalados em sala de aula, ou já sumiram, sem que nenhum benefício tenham prestado e sem absolutamente nenhum impacto nas estatísticas educacionais. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E, para piorar as coisas, a reportagem será encerrada mostrando UM professor abnegado e genial que conseguiu dar nó em pingo d&amp;#8217;água com o equipamento, mostrando que &amp;#8220;quando se quer e se tem boa vontade, tudo é possível&amp;#8221;, deixando assim um clima de esperança no ar ao final da reportagem. Uma esperança falsa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h5&gt;Como deveria ser?&lt;/h5&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Garantir um grande incremento na qualidade do ensino público brasileiro não é complicado. Eu mesmo já apresentei duas fórmulas, uma no artigo&lt;/span&gt; &lt;a href="http://arthur.bio.br/2009/10/28/educacao/como-qualificar-o-ensino-publico#.T6l6jhbs1xA" target="_blank"&gt;Como qualificar o ensino público&lt;/a&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;e outra no artigo&lt;/span&gt; &lt;a href="http://arthur.bio.br/2010/11/09/educacao/revolucao-na-educacao-do-atoleiro-as-estrelas-em-uma-geracao#.T6l6gBbs1xA" target="_blank"&gt;Revolução na educação: do atoleiro às estrelas em uma geração&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Porém, desta vez quero me focar na proposta específica em questão: como distribuir 600.000 &lt;em&gt;tablets&lt;/em&gt; com projetores e garantir que eles sejam usados de modo produtivo? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A resposta é, na verdade, muito simples: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; Distribuam os &lt;em&gt;tablets&lt;/em&gt; somente para quem se capacitar previamente para utilizá-los. &lt;/span&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;Um professor tem que ter capacidade intelectual suficiente para aprender a usar um &lt;em&gt;tablet&lt;/em&gt; sozinho. Para isso existe o manual do usuário e para isso podem ser feitas boas cartilhas (o MEC não tem professores capacitados para preparar essa cartilha?). Quem não tiver capacidade intelectual para &amp;#8220;tanto&amp;#8221;, dá licença, pé na bunda. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;2.&lt;/strong&gt; Ofereçam um incentivo salarial para quem se capacitar para utilizar os &lt;em&gt;tablets&lt;/em&gt; em menos de (&lt;del&gt;um mês&lt;/del&gt;) (&lt;del&gt;três meses&lt;/del&gt;) seis meses. &lt;/span&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;Cem pila por mês a mais para aprender a usar um &lt;em&gt;tablet&lt;/em&gt; já seria um grande incentivo para a maior parte dos professores que precisam deste incentivo. Nada de bônus percentual. Sem essa de pagar 10% a mais de salário para essa finalidade, porque isso não faria quase diferença para o professor semi-analfabeto que ganha salário mínimo e ainda trabalha com&lt;/span&gt; &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mime%C3%B3grafo" target="_blank"&gt;mimeógrafo&lt;/a&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;enquanto premiaria injustamente o professor universitário que ganha dez ou vinte salários mínimos e já usa computador todo dia. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; Demitam os professores que não se capacitarem em dois ou três anos. &lt;/span&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;Tenha Santa Paciência&amp;#8230; uma ameba lobotomizada não demoraria dois ou três anos para aprender a usar um &lt;em&gt;tablet&lt;/em&gt;. Quem não conseguir &amp;#8211; ou não quiser &amp;#8211; se atualizar minimamente para atender às necessidades da educação de seus alunos no mundo moderno estará fazendo &lt;em&gt;o que&lt;/em&gt; em sala de aula??? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Para verificar quem está capacitado e quem não está capacitado a usar o &lt;em&gt;tablet&lt;/em&gt;, nada mais simples: prova prática. Pela internet mesmo. Basta orientar os professores: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Envie um e-mail para testedotablet@mec.gov.br com o número do seu CPF na linha de título, seu nome como único conteúdo da mensagem e sua foto em anexo; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Responda ao e-mail de confirmação automática que será imediatamente enviado para sua caixa de correspondência preenchendo o formulário nele contido;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Monitore seu e-mail diariamente, realize as tarefas solicitadas pelo MEC e aguarde a avaliação (automática) para saber se está qualificado a receber o &lt;em&gt;tablet&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Qual a dificuldade de o Ministério da Educação elaborar um conjunto de tarefas que possam ser solicitadas e respondidas por e-mail para verificar a capacitação dos professores no uso da tecnologia que pretende distribuir? Não tem ninguém lá que saiba fazer uma coisa banal destas? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 10/05/2012 &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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		<title type="html"><![CDATA[A solução para o Brasil é proibir o futebol]]></title>
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		<updated>2012-05-07T19:24:32Z</updated>
		<published>2012-05-07T19:10:15Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Comportamento" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Futebol" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Humor" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Soluções Radicais" />		<summary type="html"><![CDATA[Navegando pelo Orkut e pela blogosfera eu sempre me incomodei com o fato de que artigos ou tópicos sobre determinados assuntos banais rendem discussões intermináveis enquanto propostas de debate sobre assuntos importantíssimos afundam inapelavelmente. Acho que entendi o motivo: são os &#8220;tópicos pebolim&#8221;. Explico.  Aviso Anti-Aporrinhação: xô mau humor. Tópico pebolim é aquele em que [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/05/07/comportamento/a-solucao-para-o-brasil-e-proibir-o-futebol">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Navegando pelo Orkut e pela blogosfera eu sempre me incomodei com o fato de que artigos ou tópicos sobre determinados assuntos banais rendem discussões intermináveis enquanto propostas de debate sobre assuntos importantíssimos afundam inapelavelmente. Acho que entendi o motivo: são os &amp;#8220;tópicos pebolim&amp;#8221;. Explico. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: #ff0000;"&gt;&lt;small&gt;Aviso Anti-Aporrinhação: xô mau humor.&lt;/small&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Tópico pebolim é aquele em que o interlocutor entra com a mentalidade de um torcedor de futebol, ou seja: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;1. Mais importante que jogar bem e bonito é ganhar, mesmo que com gol de mão em impedimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;2. Mais importante que meu time ganhar é meu rival perder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;3. Mais importante que esclarecer o lance duvidoso é xingar o outro e a explicação do outro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;4. Mais importante que o preço do feijão é o jogo do timão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ou, traduzindo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;1. A ética não importa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;2. Ódio e mesquinharia imperam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;3. Não há racionalidade nem razoabilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;4. As prioridades são completamente invertidas (ou melhor, pervertidas).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ora, quando se quer eliminar um efeito, deve-se eliminar a causa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A causa dessa visão torta de mundo e de ética é a cultura do futebol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Conclui-se, portanto, que a solução para o Brasil é proibir o futebol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 07/05/2012&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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					</author>
		<title type="html"><![CDATA[Seqüestro-relâmpago]]></title>
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		<updated>2012-04-26T23:04:23Z</updated>
		<published>2012-04-26T18:41:15Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Caso de Polícia" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Crack" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Drogas" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Segurança" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Trânsito" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Violência" />		<summary type="html"><![CDATA[Pessoal, desculpem eu não ter atualizado o blog esta semana. Estive ligeiramente ocupado sendo seqüestrado e me recuperando disso&#8230;  Estou bem. Meu anjo da guarda é o melhor do universo. Eu e ele temos um trato: ele deixa eu me estrepar nas pequenas encrencas mas guarda todas as forças para me proteger nas grandes. Passei [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/04/26/caso-de-policia/sequestro-relampago">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Pessoal, desculpem eu não ter atualizado o &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; esta semana. Estive ligeiramente ocupado sendo seqüestrado e me recuperando disso&amp;#8230; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Estou bem. Meu anjo da guarda é o melhor do universo. Eu e ele temos um trato: ele deixa eu me estrepar nas pequenas encrencas mas guarda todas as forças para me proteger nas grandes. Passei por maus bocados mas saí ileso &amp;#8211; e isso é o que importa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O fato se deu na noite de sexta para sábado, lá pelas quatro horas da madrugada, em uma avenida movimentada, iluminada e cheia de policiais e fiscais de trânsito. Quem conhece Porto Alegre vai reconhecer o nome do reduto de patricinhas e mauricinhos a que me refiro: a Avenida Goethe. Alô portoalegrenses: seqüestro na Avenida Goethe! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Eu estava sozinho no carro, voltando para casa, quando fechou uma sinaleira (semáforo, para quem não fala gauchês). O carro que estava em frente ao meu parou e eu tive que parar atrás dele. Imediatamente dois indivíduos de terno azul-marinho e gravata vermelha, ambos armados com revólveres, chegaram junto às janelas de meu carro, um de cada lado, apontaram as armas para mim e anunciaram: &amp;#8220;fica quieto e não faz bobagem que tu sai vivo dessa&amp;#8221;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Um deles tinha uns trinta e poucos anos e lembrava o Thiago Lacerda, o outro tinha uns cinqüenta e poucos anos e lembrava o Humpty Dumpty. Entraram ao mesmo tempo no carro, um a meu lado, outro atrás de mim. E falaram em jogral: &amp;#8220;toca pra Viamão&amp;#8221;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Viamão é um município vizinho a Porto Alegre. Entre um e outro há algumas estradas escuras e tenebrosas nas quais nem as almas penadas passeiam durante a madrugada por medo do que podem encontrar ali &amp;#8211; e da falta de recursos para chamar socorro. Foi numa dessas que me mandaram estacionar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Pára ali, Alberto. &amp;#8211; disse o mais velho. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Meu nome não é Alberto. &amp;#8211; respondi. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Teu nome é Alberto! &amp;#8211; disse o mais jovem, apontando o revólver para mim. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E riram. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Tudo era farra para os dois, que contavam piadas estúpidas repletas de&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/latim.htm" target="_blank"&gt;termos jurídicos em latim&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;. &amp;#8220;Não se preocupe, não há aqui &lt;em&gt;animus dolandi&lt;/em&gt;&amp;#8220;, disse o mais velho. &amp;#8220;Mas não garanto a ausência de &lt;em&gt;animus jocandi&lt;/em&gt;&amp;#8220;, disse o mais jovem. E riram como duas hienas engasgadas, achando que eu não havia entendido nada. Bendita piada idiota que me tranqüilizou. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Mas o que os dois distintos, engravatados e alegres seqüestradores queriam naquele local ermo e assustador? Ora&amp;#8230; Queriam fumar &lt;em&gt;crack&lt;/em&gt;! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Das quatro  horas da madrugada até às sete horas da manhã os dois se revezaram em abrir as duas portas do lado do carona, agachar-se entre as duas, encher a cabeça de fumaça, passar a lata para o outro, pegar na mão o revólver e apontá-lo para mim, focando toda sua atenção deturpada pelo pancadão da droga em cada ínfimo movimento meu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Sabendo que a &amp;#8220;espiadeira&amp;#8221; (a paranóia resultante do abuso do crack) aumenta a cada dose, tornando o usuário cada vez mais desconfiado e intolerante, tratei de sincronizar meus movimentos com os períodos em que eles trocavam de posição para fumar, pois era o momento em que o último a fumar já estava suficientemente lúcido para tolerar meus movimentos e o outro ainda não estava doidão para que eu tivesse que voltar à imobilidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;No total foram três horas agachado no meio do mato, tendo que ficar imóvel sob a mira de um revólver a cada vez que um deles fumava. Este é o motivo pelo qual não atualizei o &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; nem liguei o computador de sábado a quarta-feira: vocês não imaginam a dor nas costas que aquelas três horas em péssima posição causaram. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Contra o resfriado, vitamina C e cama. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Contra três horas agachado no meio do mato sob a mira de revólveres, anti-inflamatório, relaxante muscular e cama. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Mas sigamos o curso dos acontecimentos. Veio a aurora. Nasceu o sol. Clareou o dia. Os ônibus começaram a passar por nós. Alguns carros também. A tensão aumentou. Eles já não se sentiam seguros. E resolveram me liberar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Arrumaram suas coisas. Observaram a aproximação de um ônibus. Saíram do carro. E o mais jovem disse: &amp;#8220;tá, Alberto, vai embora&amp;#8221;. Eu perguntei: &amp;#8220;sério?&amp;#8221;. E o mais velho disse: &amp;#8220;sério, Alberto, anda de uma vez!&amp;#8221;. Então ele jogou de volta para mim as chaves do carro, que havia recolhido quando estacionei, correram ambos para o ônibus que chegava e embarcaram. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Surreal. Nem bandido estabanado de comédia pastelão foge de ônibus, mas eles fizeram isso. E me deixaram com o carro. Mas eu não estava em condições de aproveitar essa vantagem. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Depois de três horas agachado e encurvado, custei para conseguir sentar novamente no banco do motorista e tive dificuldade de dirigir. Na hora nem pensei em perseguir o ônibus, fui direto para casa. Não lembrei que estava o tempo todo com o celular  no bolso &amp;#8211; sorte que não tocou nenhuma vez. Eu só queria voltar a me sentir seguro, tomar um analgésico e me deitar para diminuir aquela dor nas costas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Como vocês podem perceber, estou bem. A dor nas costas já passou, não fui agredido, não roubaram meu carro. Perdi os R$ 140,00 que tinha na carteira, uma noite de sono e alguns dias de férias para ficar na cama, mas saiu barato a palhaçada em comparação com as alternativas possíveis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E ganhei um artigo para o &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 26/04/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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					</author>
		<title type="html"><![CDATA[As sacolinhas plásticas]]></title>
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		<updated>2012-04-19T19:10:30Z</updated>
		<published>2012-04-19T19:10:30Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Meio Ambiente" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Charlatanismo" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Cidadania" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Ciência" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Ecologia" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Economia" />		<summary type="html"><![CDATA[Então os supermercados em São Paulo deixaram de ofertar sacolinhas plásticas para os clientes carregarem suas compras supostamente devido à preocupação com o meio ambiente. Arrãm. Ontem eu estava em uma reunião com o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa e eles também concordavam que esta era uma importante medida de defesa do meio [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/04/19/meio-ambiente/as-sacolinhas-plasticas">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Então os supermercados em São Paulo deixaram de ofertar sacolinhas plásticas para os clientes carregarem suas compras supostamente devido à preocupação com o meio ambiente. Arrãm. Ontem eu estava em uma reunião com o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa e eles também concordavam que esta era uma importante medida de defesa do meio ambiente. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Eu conheço bem o assunto &amp;#8220;lixo&amp;#8221; e suas ramificações, tenho uma boa experiência na área e até já lecionei a respeito em nível de pós-graduação. Vocês nem imaginam as verdadeiras barbaridades e absurdos envolvidos no tema. Não por acaso, já tivemos até mesmo o assassinato de um prefeito de uma grande cidade do ABC paulista devido (entre outras falcatruas) à questão do lixo. Este é um tema multibilionário no qual pouca gente se interessa além do discurso superficial das sacolinhas plásticas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Vamos a um exemplo: trocentos tipo de embalagens plásticas diferentes são usadas para embalar todo tipo de produto. Tente ir ao supermercado e não comprar ao longo de um mês inteiro produto algum que não venha embalado em plástico ou que não seja feito de plástico. Espero que você consiga sobreviver somente com salsichas enlatadas e cerveja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Plásticos demoram centenas de anos para se decompor. O Oceano Pacífico está completamente poluído de plásticos. Toda a vida marinha do maior oceano terrestre está em perigo devido às gigantescas ilhas de resíduos plásticos que lá flutuam e circulam livremente. São tão imensas que são visíveis a olho nu do espaço, ou seja, tomaram da Muralha da China o lugar de &amp;#8220;única obra humana visível a olho nu do espaço&amp;#8221;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E São Paulo retira as sacolinhas plásticas dos supermercados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-content/uploads/2012/04/lixo-no-oceano1.jpg"&gt;&lt;img class="aligncenter size-full wp-image-2331" title="lixo no oceano1" src="http://arthur.bio.br/pensar-nao-doi/wp-content/uploads/2012/04/lixo-no-oceano1.jpg" alt="" width="490" height="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&amp;#8220;Ah, mas as sacolinhas fazem parte do problema!&amp;#8221; Sim, claro. Tanto quanto uma unha encravada faz parte do problema de um politraumatizado que acabou de ser atropelado e deu entrada na emergência com parada cardíaca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Se&lt;/strong&gt; não tivéssemos toda uma gigantesca economia baseada na reintrodução de carbono fóssil na biosfera, o que está colocando o planeta inteiro a beira de um colapso climático que pode extinguir a espécie humana, e &lt;strong&gt;se&lt;/strong&gt; não tivéssemos milhões de toneladas de plásticos não-sacolinhas sendo desperdiçados grotescamente em função da completa falta de uma política nacional de embalagens, coisa que os cretinos de Brasília não são capazes de discutir nem mesmo no intervalo entre uma falcatrua e outra, &lt;strong&gt;então&lt;/strong&gt; as sacolinhas plásticas seriam relevantes. No atual contexto, não são.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Até onde sei, em São Paulo ainda é obrigatório depositar o lixo para coleta em sacolas plásticas.&lt;/strong&gt; Antes os paulistanos usavam para este propósito as sacolinhas plásticas dos supermercados, nas quais traziam os produtos para casa. Agora serão obrigados a comprar nestes mesmos supermercados as sacolas plásticas necessárias para embalar o lixo. Exceto, portanto, o novo custo para o consumidor, o que foi mesmo que mudou? &lt;strong&gt;Qual é a vantagem para o meio ambiente entre a sacola que era ofertada e a que precisará ser comprada?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 19/04/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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		<title type="html"><![CDATA[O Brasil movido a ódio]]></title>
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		<updated>2012-04-18T20:12:32Z</updated>
		<published>2012-04-18T20:12:32Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Brasil" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Cidadania" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Direitos Humanos" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Política" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Segurança" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Violência" />		<summary type="html"><![CDATA[O fascismo está entre nós &#8211; tenho denunciado há anos sem que mais de meia dúzia de pessoas mostre mais do que um vago sentimento de preocupação; a maioria ignora completamente o assunto. Eu pensava que isso era negligência da população. Desconfio agora que seja algo muito pior. Acho que o povo brasileiro abraçou uma [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/04/18/politica/brasil/o-brasil-movido-a-odio">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;O fascismo está entre nós &amp;#8211; tenho denunciado há anos sem que mais de meia dúzia de pessoas mostre mais do que um vago sentimento de preocupação; a maioria ignora completamente o assunto. Eu pensava que isso era negligência da população. Desconfio agora que seja algo muito pior. Acho que o povo brasileiro abraçou uma cultura de ódio e intolerância. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Olhe em volta. Faça as perguntas certas. Ouça o que as pessoas dizem. É assustador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;P1: O que você acha da pena de morte?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;R1: É uma afronta à dignidade humana. Ninguém tem o direito de matar, muito menos o Estado. Não quero um Estado que mate em meu nome. Precisamos investir na recuperação das pessoas e não em sua destruição.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;R2: Bandido bom é bandido morto, tem mais é que matar estes desgraçados mesmo ao invés de sustentar vagabundo em presídio cinco estrelas, com três refeições ao dia e direito à visita íntima, direitos que nem o trabalhador tem garantidos. E enterrar essa corja em pé pra não ocupar espaço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;P2: O que você acha da política?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;R3: A política é a mais nobre das atividades humanas. É através da política que a sociedade expressa seus valores e debate as medidas necessárias para o progresso, em busca do bem estar de todos os seus membros, de harmonia social e de justiça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;R4: A política é uma podridão completa. Só atrai pilantra, corrupto e safado. O único interesse dos políticos é roubar o povo. Precisamos mesmo é de uma nova ditadura pra botar ordem no país. Pra acabar com a baderna só na base do medo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Em um plebiscito, qual das posições sobre a pena de morte sairia vitoriosa? R1 ou R2? Qual inclinação transparece a partir desta constatação? O povo brasileiro é pacífico, generoso e tem uma visão positiva do ser humano? Ou o povo brasileiro é movido a raiva, ressentimento e tem uma visão negativa do ser humano?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Em uma enquete, qual das opiniões sobre a política sairia majoritária? R3 ou R4? Qual tendência transparece a partir desta constatação? O povo brasileiro confia em sua capacidade de transformar o país em um lugar melhor para viver? Ou o povo brasileiro quer mais é se livrar da responsabilidade de consertar o país e deseja que algum &amp;#8220;salvador&amp;#8221; meta-lhe um cabresto e o conduza à força para um lugar diferente do poço de lama que seu complexo de vira-latas indica ser o único lugar para onde sabe ir? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Eu poderia citar inúmeros outros exemplos, mas no momento vou avaliar somente um, a escalada da &amp;#8220;guerra às drogas&amp;#8221; e a posição da maioria dos brasileiros em relação a diversas medidas do governo neste sentido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O cidadão que deseja se entorpecer de modo privado, em busca de relaxamento ou entretenimento, se usar para isso determinadas substâncias, é considerado criminoso. A justificativa é que &amp;#8220;drogas fazem mal&amp;#8221;, mas os remédios propostos contra o &amp;#8220;mal&amp;#8221; são porrada da polícia, cadeia o mais desconfortável possível, repressão, humilhação, &amp;#8220;tratamento&amp;#8221; à força e quase sempre ostracismo. Isso é lutar contra o mal ou é usar uma desculpa conveniente para demonstrar intolerância e promover violência? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Pois bem, até pouco tempo as chamadas &amp;#8220;drogas ilícitas&amp;#8221; eram as únicas a serem reprimidas com intolerância e violência. Das ilícitas já passamos às lícitas. Hoje o cidadão que bebe uma latinha de cerveja e uma hora depois volta dirigindo do bar para casa é um criminoso a ser encarcerado, enquanto o cidadão que acende um cigarro e distraidamente entra em um ônibus é um infrator da lei a ser expulso e multado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;As drogas absolutamente necessárias para tratamentos de saúde, por sua vez, estão cada vez mais controladas. Há apenas dois anos atrás, o cidadão que sofresse um arranhão qualquer que infeccionasse simplesmente ia até o banheiro de sua própria casa, tirava da farmacinha do fundo do armário uma pomadinha e uma gaze, fazia um curativo e no dia seguinte estava bem. Hoje em dia o cidadão é proibido de cuidar da própria saúde, não pode comprar a tal pomadinha sem autorização do Estado e tem que entrar numa fila para ser atendido e avaliado pelo Estado para que este determine o que é melhor para sua saúde. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Quanto tempo falta até que tenhamos que solicitar autorização do Estado e entrar em uma fila para comprar sal? Afinal, sal causa hipertensão arterial, é perigoso para a saúde e portanto deve ser controlado pelo Estado. Ou talvez o sal seja simplesmente alvo de impostos escorchantes, como os cigarros recentemente, porque o Estado decidiu que o povo não tem que fumar e que se dane quem pensar diferente? O que não falta hoje em dia é gente dizendo que o governo agiu bem ao elevar astronomicamente o preço dos cigarros. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O brasileiro tem recebido alegremente e aprovado toda medida autoritária e repressiva imposta pelo governo. Não se ouviu um &amp;#8220;ai&amp;#8221; na mídia contra o autoritarismo das medidas do desarmamento, da proibição da comercialização dos antibióticos, da interdição dos fumódromos, da criminalização de qualquer nível de alcoolemia, do banimento dos aditivos de sabor nos cigarros, etc. A grande imprensa apóia e estimula o autoritarismo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O brasileiro acha tudo isso justo e correto &amp;#8211; até que a sua porta seja chutada por um coturno no meio da madrugada. Aí ele abre os olhos e percebe a injustiça, mas o vizinho dele diz &amp;#8220;para a polícia invadir a casa dele deste jeito, alguma coisa errada ele fez&amp;#8221; e continua apoiando o autoritarismo, a repressão e a violência&amp;#8230;até o dia em que a sua própria porta é chutada por um coturno no meio da madrugada e o seu próprio vizinho diz &amp;#8221;para a polícia invadir a casa dele deste jeito, alguma coisa errada ele fez&amp;#8221; e continua apoiando o autoritarismo, a repressão e a violência&amp;#8230; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;SESSENTA E SEIS MILHÕES DE PESSOAS FORAM MASSACRADAS ASSIM na antiga União Soviética sem que ninguém metesse uma bala na cabeça de Stálin. Os agentes do governo vinham, seqüestravam um cidadão inocente a qualquer hora do dia ou da noite &amp;#8211; de preferência no meio da madrugada &amp;#8211; e os vizinhos não diziam nada, não faziam nada, nem sequer fugiam do país, só ficavam torcendo que a sua cabeça não entrasse na contagem. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Esse número &amp;#8211; 66.000.000 de vítimas do comunismo &amp;#8211; é 11 vezes maior do que o número de pessoas que foram massacradas pelo nazismo. E mesmo assim ninguém fez nada. As pessoas sabiam que havia algo errado, mas diziam que não era com elas, que não podiam fazer nada, que se tentassem se meter na política acabariam sendo prejudicadas ou perseguidas, etc. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A história nos ensina que nem mesmo sessenta milhões de vidas destruídas são suficientes para demover um povo de sua letargia e fazê-lo enfrentar um opressor enquanto este estiver dizendo que faz o que faz pelo bem do povo. Somente um completo idiota declararia abertamente ser um déspota hoje em dia, após os excelentes ensinamentos de Hitler (déspota declarado, subiu ao poder apoiado pelo povo, matou seis milhões de pessoas e viu o mundo se unir em guerra contra ele) e de Stálin (déspota hipócrita, subiu ao poder apoiado pelo povo, matou sessenta e seis milhões de pessoas, morreu em paz e é cultuado por imbecis até hoje). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A hipocrisia dá muito melhor resultado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E isso funciona porque o povo adora ser enganado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Adora, porque tem sede de sangue. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Só não percebe que o único sangue disponível é o seu próprio. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 18/04/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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					</author>
		<title type="html"><![CDATA[Quatro segredos para o sucesso no casamento]]></title>
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		<updated>2012-04-26T18:46:19Z</updated>
		<published>2012-04-17T21:32:23Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Relacionamentos" />		<summary type="html"><![CDATA[Esses dias eu estava conversando com uns amigos quando surgiu o tema &#8220;casamento&#8221;. Ouvi de tudo, a maior parte contra: de &#8220;o casamento é uma instituição falida&#8221; para baixo. Discordo totalmente. Minha opinião é que hoje em dia os casamentos não dão certo porque as pessoas estão perdidas dentro de uma cultura moralmente falida.  Uma [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/04/17/relacionamentos/quatro-segredos-para-o-sucesso-no-casamento">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Esses dias eu estava conversando com uns amigos quando surgiu o tema &amp;#8220;casamento&amp;#8221;. Ouvi de tudo, a maior parte contra: de &amp;#8220;o casamento é uma instituição falida&amp;#8221; para baixo. Discordo totalmente. Minha opinião é que hoje em dia os casamentos não dão certo porque as pessoas estão perdidas dentro de uma cultura moralmente falida. &lt;span id="more-2323"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Uma cultura falida inevitavelmente impregna os indivíduos a ela expostos com conceitos que invertem prioridades, estabelecem padrões de comportamento nocivos e geram perspectivas absolutamente irreais. É óbvio que um quadro conceitual assim pervertido acaba por compelir as pessoas ao fracasso nos relacionamentos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Confrangido e agastado pelo sofrimento gerado por tal vicissitude, e seguindo sua vocação de apresentar soluções inovadoras e eficazes para todos os assuntos possíveis, imagináveis ou impensáveis, da paz mundial a como lavar a louça a jato, da solução para o problema das drogas a como não levar um pé na bunda por bobeira, o &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; Pensar Não Dói apresenta os quatro segredos para o sucesso no casamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h4&gt;1. Treinar a mente para o sucesso no amor.&lt;/h4&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Desde a adolescência, quando pela primeira vez o despertar dos hormônios leva os meninos e meninas a sentirem interesse pelo sexo oposto (ou pelo mesmo, que o &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; não é homofóbico), a principal orientação que nossos jovens recebem (e que muitos de nós receberam) é desgraçadamente a de &amp;#8220;não se prender&amp;#8221; por ser muito jovem. Nada mais pernicioso para o sucesso no amor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O jovem que começa a namorar sério aos 13, 14, 15 anos não está &amp;#8220;desperdiçando sua juventude&amp;#8221; por &amp;#8220;se prender&amp;#8221; a alguém. Ele está treinando sua mente para lidar com todas as necessidades inerentes a um relacionamento afetivo: aprendendo a lidar com a divergência, com o ciúme, com o assédio de terceiros e o conflito entre a valorização do vínculo e a experiência sexual fortuita, com a necessidade de diálogo, com a frustração devida às idiossincrasias do parceiro ou a suas expectativas, etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Já o jovem que é estimulado a &amp;#8220;não se prender&amp;#8221; treina sua mente de modo totalmente distinto. Ao invés de aprender a lidar com a divergência, ele aprende e evitar a divergência, ou a manipular o divergente, porque não sabe nem quer aprender a encontrar um meio de encontrar um denominador comum, ou um arranjo que satisfaça a ambos. Ao invés de lidar com o ciúme e amadurecer, elevando sua auto-confiança e estreitando os laços do relacionamento, ele se torna um tirano que cobra do outro uma série de restrições abusivas, desde o não falar com fulano até o não sair jamais sozinho com os amigos. Ao invés de aprender a valorizar o vínculo afetivo e superar as dificuldades que um relacionamento sério traz, ele aprende que é mais fácil trocar de parceiro quando diverge, quando não consegue manipular ou simplesmente quando não está mais contente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Quando alguém recebe este tipo de orientação na adolescência, não raro passa dos 30 anos agindo sempre do mesmo modo, eventualmente tendo um filho pelo caminho, o que via de regra constitui uma dificuldade a mais para estabelecer novos relacionamentos em uma cultura cada vez mais individualista. Isso sem falar na bagunça que pessoas com esse tipo de conceitos provocam na cabeça dos próprios filhos, gerando novos desajustados em relacionamentos para a próxima geração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E a solução, qual é?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ora, raios! A solução é treinar a mente do modo oposto!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E como se faz isso?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Com muita atenção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Se você faz parte do grupo de azarados que teve esse tipo de educação (o que é uma alta probabilidade para quem tem menos de 50 anos), você precisa aprender a prestar atenção em si mesmo e identificar quais destes padrões se aplicam a você quais precisam ser modificados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E, lamento informar, mas não há saída fácil para modificar um padrão de comportamento de longa data: você vai ter que se esforçar por manter a atenção e se corrigir. Ponto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ninguém disse que o sucesso seria fácil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h4&gt;2. Gostar de conversar e da companhia do outro.&lt;/h4&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Poucas são as relações que duram entre pessoas que não gostam de conversar uma com a outra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A paixão dos primeiros seis meses vai embora, o êxtase sexual vai embora, o estoque de novidades interessantes que o parceiro consegue apresentar vai embora, os planos em comum vão sendo realizados ou perdidos e vão embora, a beleza física vai embora, os filhos casam e vão embora, a saúde vai embora e só o que resta é o prazer de estar com o outro, trocando idéias e carinho (físico e emocional) até que a vida vá embora &amp;#8211; e um dia ela vai embora mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Portanto, construir relacionamentos sobre paixão, êxtase sexual, deslumbramento, planos ou carreiras, aparências e até mesmo a estrutura da família costuma ser uma receita para o rompimento dos relacionamentos em algum momento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Bem melhor valorizar o que dura do que valorizar o que é fugaz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h4&gt;3. Ficar feliz por fazer o outro feliz.&lt;/h4&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Se A exige de B que o faça feliz e B exige de A que o faça feliz, então A e B estarão sempre em conflito, um exigindo o tempo todo que o outro o faça feliz, e a vitória de um em ser atendido em suas exigências representa uma derrota do outro em usar seu tempo para ser feliz. Um esquema assim tem tudo para dar errado assim que a paixão inebriante dos primeiros dias arrefecer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Por outro lado, se A gosta de fazer B feliz &lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt; B gosta de fazer A feliz, então ambos viverão no melhor dos mundos, pois virtualmente tudo que um fizer fará ambos felizes, reforçando diariamente o contentamento de estar com o outro, valorizando o vínculo um pouco mais a cada dia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Creio que foi o Luciano Huck, &amp;#8220;emprestado&amp;#8221; para uma entrevista no programa da Hebe Camargo, quem contou a história seguinte. Já contei isso por aí, mas é útil repetir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ele estava sentado na igreja, assistindo um casamento católico, o padre estava fazendo um sermão, os noivos estavam ajoelhados em frente ao altar, quando de repente o padre interrompe o que estava dizendo, faz uma pausa, aponta o nariz na cara do noivo e diz:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Se você quiser ser feliz, não se case!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Espanto geral na igreja. Silêncio sepulcral. Então o padre aponta o dedo para o nariz da noiva e diz:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Se você quiser ser feliz, não se case!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Tensão. Apreensão. As madrinhas ficam azuis, com a respiração suspensa. Começa um burburinho de leve ao fundo. Antes que a situação degenere, o padre eleva a voz e diz:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- Só se case&amp;#8230;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O padre cruza os braços esticados em frente ao corpo, apontando novamente para o nariz de cada um com uma mão, e conclui:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;- &amp;#8230; se você quiser fazer o outro feliz!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Alívio geral &amp;#8211; e uma lição bem ensinada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Se você conseguir aprender bem esta lição, apesar de tê-la recebido de segunda mão, e compartilhá-la sinceramente com a pessoa com quem pretende viver, suas chances de ter e manter um relacionamento de sucesso a longo prazo serão grandes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h4&gt;4. Compartilhar uma noção saudável de família.&lt;/h4&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Este é o ponto para o qual nossa cultura menos colabora &amp;#8211; ou, melhor dizendo, mais atrapalha. Você pode treinar a própria mente em qualquer sentido que queira, pode encontrar uma pessoa com quem adore compartilhar seu tempo, suas idéias e seu carinho, pode estabelecer de comum acordo um padrão de boa vontade mútua que funcione como &amp;#8220;nosso segredo contra o mundo&amp;#8221;&amp;#8230; mas não há jeito de viver em família sem a influência perniciosa de uma cultura que faz força para empurrar cada elemento da família em uma direção, procurando de todos os modos destroçar as famílias através da sedução mórbida do individualismo moderno. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Encontrar alguém que tenha coragem e capacidade de cuspir na cara do mundo quando ele acenar com uma nova e incrível oportunidade &lt;em&gt;somente para uma pessoa&lt;/em&gt; em uma cidade 2.400 km distante do emprego do outro é uma raridade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Existem diversos modelos viáveis e saudáveis de família, mas nenhum deles é compatível com o individualismo exacerbado da &amp;#8220;modernidade&amp;#8221;. O &lt;em&gt;meu&lt;/em&gt; modelo desejado de família, por exemplo, é o de &amp;#8220;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://arthur.bio.br/2010/05/12/relacionamentos/viva-a-familia-de-comercial-de-margarina#.T43Tihbs1xA" target="_blank"&gt;família de comercial de margarina&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&amp;#8220;, um modelo dito conservador, tradicional, falido e em extinção. Mas é o &lt;em&gt;meu&lt;/em&gt; modelo, e que se dane quem não gostar dele, isso não vai alterar a minha preferência, nem a minha escolha. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O &lt;em&gt;seu&lt;/em&gt; modelo pode ser outro bem diferente, mas você tem que saber qual é o seu modelo e encontrar alguém que compartilhe da mesma visão. Se um dos dois gosta do modelo &amp;#8220;família de comercial de margarina&amp;#8221; e o outro gosta do modelo &amp;#8220;cada um mora sozinho e nada de filhos&amp;#8221;, ora, &lt;em&gt;não vai dar certo&lt;/em&gt;, alguém vai ficar frustrado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Poucas pessoas conversam com quem namoram sobre o modelo de família que preferem. É um grande erro, porque divergências importantes nesta questão costumam se traduzir em famílias disfuncionais, em que papéis são representados ou cobrados em desacordo com as necessidades e capacidades dos demais integrantes da família, gerando conflitos graves. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Não esqueça: se você estiver namorando sério, na próxima &amp;#8220;DR&amp;#8221; (Discutir Relação) o papo sobre modelo de família é fundamental. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 17/04/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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		<title type="html"><![CDATA[A ciência PODE responder questões morais]]></title>
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		<updated>2012-04-26T18:45:21Z</updated>
		<published>2012-04-13T19:42:58Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Ciência" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Cidadania" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Comportamento" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Direitos Humanos" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Ética" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Religião" />		<summary type="html"><![CDATA[Não sou eu quem diz, é Sam Harris no TED. Assista o vídeo, vale a pena. Sam Harris disse em apenas 23 minutos tudo que eu sempre disse sobre a relação entre ciência e moralidade. A diferença é que ele o fez com muito maior precisão e elegância do que eu fui capaz.  Link: http://www.ted.com/talks/sam_harris_science_can_show_what_s_right.html (O vídeo [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/04/13/ciencia/a-ciencia-pode-responder-questoes-morais">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Não sou eu quem diz, é Sam Harris no TED. Assista o vídeo, vale a pena. Sam Harris disse em apenas 23 minutos tudo que eu sempre disse sobre a relação entre ciência e moralidade. A diferença é que ele o fez com muito maior precisão e elegância do que eu fui capaz. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Link: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ted.com/talks/sam_harris_science_can_show_what_s_right.html"&gt;http://www.ted.com/talks/sam_harris_science_can_show_what_s_right.html&lt;/a&gt; &lt;span style="color: #004400;"&gt;(O vídeo tem legendas em português.) &lt;span id="more-2321"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Por que isso seria importante? Porque isso desmonta completamente as alegações dos relativistas culturais, dos politicamente corretos, dos marxistas, dos &amp;#8220;cientistas sociais&amp;#8221; que ignoram que o ser humano é um ser biológico, dos ignorantes em biologia evolutiva e de todos os alucinados que acham que tudo na humanidade é &amp;#8220;culturalmente determinado&amp;#8221;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Este vídeo é a melhor, mais ponderada e mais contundente apresentação em favor da racionalidade e da objetividade que eu conheço. Independentemente de minha concordância ou discordância com outros posicionamentos de Sam Harris, eu certamente gostaria muito de ter produzido esta síntese. Como foi ele quem fez, eu a divulgo. Divulgue também. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 13/04/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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		<author>
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		<title type="html"><![CDATA[Sobre a imprevidência (2)]]></title>
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		<updated>2012-04-20T19:03:20Z</updated>
		<published>2012-04-11T19:12:13Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Economia" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Cidadania" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Comportamento" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Ética" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Planeta dos Macacos" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Política" />		<summary type="html"><![CDATA[Às vezes eu preciso desligar o cérebro preventivamente para evitar um AVC causado pela contemplação da estupidez humana. O caso típico desta necessidade normalmente é proporcionado pela TV aberta. Desta vez foi uma notícia em um telejornal, cuja fonte não vou citar para poder xingar a protagonista sem risco de processo.  Lá estava ela, no [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/04/11/economia/sobre-a-imprevidencia-2">&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;&lt;strong&gt;Às vezes eu preciso desligar o cérebro preventivamente para evitar um AVC causado pela contemplação da estupidez humana. O caso típico desta necessidade normalmente é proporcionado pela TV aberta. Desta vez foi uma notícia em um telejornal, cuja fonte não vou citar para poder xingar a protagonista sem risco de processo. &lt;span id="more-2317"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Lá estava ela, no pátio dos fundos da casa cheia de barro, logo após baixarem as águas, papagaiando enquanto o repórter segurava o microfone:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color: #000080;"&gt;- Olha só! Isso é um absurdo! É a quarta vez que eu perco tudo por causa da cheia desse rio. Perdi todos os meus móveis. A minha geladeira. O fogão. A TV. Quem é que vai pagar todo esse prejuízo? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Quem vai pagar? Tu mesmo, sua burra! Sua anta! Sua ameba lobotomizada! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;[Calma, fígado. Calma, vai passar.] &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8230;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Em 2009 essa mulher viu o rio encher e invadir a casa dela. Perdeu todos os móveis, os colchões, as cobertas, as roupas, os brinquedos e o material escolar dos filhos, os eletrodomésticos, a geladeira, o fogão, a TV, teve que sair de casa no meio da noite, precisou refugiar-se em um estádio de esportes, dormiu no chão, passou um inferno por uma semana e enfim retornou para a casa destruída pelas águas, que precisou de uma reforma geral que consumiu três ou quatro meses de salário. A comunidade ajudou, ela recebeu algumas doações e voltou a tocar sua vidinha do mesmo modo de sempre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Em 2010 essa mulher viu o rio encher e invadir a casa dela. Perdeu todos os móveis, os colchões, as cobertas, as roupas, os brinquedos e o material escolar dos filhos, os eletrodomésticos, a geladeira, o fogão, a TV, teve que sair de casa no meio da noite, precisou refugiar-se em um estádio de esportes, dormiu no chão, passou um inferno por uma semana e enfim retornou para a casa destruída pelas águas, que precisou de uma reforma geral que consumiu três ou quatro meses de salário. A comunidade ajudou, ela recebeu algumas doações e voltou a tocar sua vidinha do mesmo modo de sempre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Em 2011 essa mulher viu o rio encher e invadir a casa dela. Perdeu todos os móveis, os colchões, as cobertas, as roupas, os brinquedos e o material escolar dos filhos, os eletrodomésticos, a geladeira, o fogão, a TV, teve que sair de casa no meio da noite, precisou refugiar-se em um estádio de esportes, dormiu no chão, passou um inferno por uma semana e enfim retornou para a casa destruída pelas águas, que precisou de uma reforma geral que consumiu três ou quatro meses de salário. A comunidade ajudou, ela recebeu algumas doações e voltou a tocar sua vidinha do mesmo modo de sempre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Em 2012 essa mulher viu o rio encher e invadir a casa dela. Perdeu todos os móveis, os colchões, as cobertas, as roupas, os brinquedos e o material escolar dos filhos, os eletrodomésticos, a geladeira, o fogão, a TV, teve que sair de casa no meio da noite, precisou refugiar-se em um estádio de esportes, dormiu no chão, passou um inferno por uma semana e enfim retornou para a casa destruída pelas águas, que precisou de uma reforma geral que consumiu três ou quatro meses de salário. A comunidade ajudou, ela recebeu algumas doações e voltou a tocar sua vidinha do mesmo modo de sempre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E ela ainda pergunta quem vai pagar o prejuízo?!?!?! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A quadrúpede acéfala vê a mesma coisa acontecer quatro vezes, em quatro anos seguidos, continua morando no mesmo lugar, não é capaz de pregar meia dúzia de tábuas para fazer um andaime onde colocar a geladeira, o fogão e a TV para não serem destruídos pelas águas, não é capaz de fazer um puxadinho mais alto estilo palafita para colocar as camas e os armários e ter onde ficar durante a enchente, recebe ajuda e doações todas as vezes e ainda reclama e quer saber quem vai pagar o prejuízo na quarta vez?!?!?! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Fala sério, eu não posso ouvir uma coisa dessas ao vivo. Sou capaz de querer construir o puxadinho usando as vértebras cervicais dela como maçanetas ou suportes de lâmpadas. O crânio, evidentemente, só serve como penico. E olhe lá. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Mas lá está ela, sendo levada a sério por um repórter de uma grande emissora de TV, exigindo providências do governo para sanar os resultados da sua própria estupidez. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ainda bem que ninguém falou a palavra &amp;#8220;cidadania&amp;#8221;, ou eu teria atirado o controle remoto contra a tela da TV.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 11/04/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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		<author>
			<name>Arthur</name>
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		<title type="html"><![CDATA[Notícias de Amélia]]></title>
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		<updated>2012-04-20T19:02:26Z</updated>
		<published>2012-04-10T20:28:56Z</published>
		<category scheme="http://arthur.bio.br" term="Crack Nem Pensar" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Cidadania" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Comportamento" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Crack" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Drogas" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Política" /><category scheme="http://arthur.bio.br" term="Saúde" />		<summary type="html"><![CDATA[Neste final de semana de Páscoa, quando estávamos comendo peixe e ovinhos de chocolate com nossas famílias, recebi notícias de Amélia. Notícias truncadas, incompletas e pouco confiáveis, trazidas por uma amiga dela igualmente prostituta e drogada, das quais seleciono somente o que pude confirmar por alto com uma fonte que não posso revelar.  Este artigo [...]]]></summary>
		<content type="html" xml:base="http://arthur.bio.br/2012/04/10/drogas/crack-nem-pensar/noticias-de-amelia">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Neste final de semana de Páscoa, quando estávamos comendo peixe e ovinhos de chocolate com nossas famílias, recebi notícias de&lt;/span&gt; &lt;a href="http://arthur.bio.br/2010/06/14/drogas/crack-nem-pensar/ah-meu-deus-que-saudade-da-amelia#.T4SD0Rbs1xA" target="_blank"&gt;Amélia&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;. Notícias truncadas, incompletas e pouco confiáveis, trazidas por uma amiga dela igualmente prostituta e drogada, das quais seleciono somente o que pude confirmar por alto com uma fonte que não posso revelar. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: #ff0000;"&gt;&lt;small&gt;Este artigo é baseado em fatos reais. &lt;span id="more-2316"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/small&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;O filho que Amélia esperava quando a vi pela última vez teve &amp;#8220;sorte&amp;#8221;: ficou aos cuidados de uma família, como o primeiro. Que família, não sei. As versões são duas: a amiga de Amélia diz que aquela criança ficou com a dona do quartinho de fundos que o ex-companheiro de Amélia alugava, onde hoje Amélia mora de favor; o policial diz que aquela criança ficou com os tios do pai biológico, que não é o anteriormente citado ex-companheiro de Amélia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ao contrário das últimas vezes em que encontrei Amélia, na próxima vez que eu a encontrar, se ainda estiver viva, Amélia não deverá sorrir ironicamente, pois terá novidades a contar. Vou adiantar duas delas aqui.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;A primeira novidade é que, conforme eu previ, Amélia está com AIDS. Contraiu o HIV do companheiro e descobriu isso somente quando o médico veio informar a morte do sujeito, baixado dois dias antes com um acesso de tuberculose. Ou seja, há uma imensa chance de que Amélia tenha contraído tuberculose também, pois ambos dormiam juntos e fumavam crack na mesma lata.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;E a segunda novidade é que Amélia teve um terceiro filho, este do companheiro falecido. Amélia estava com três meses de gravidez quando o pai do último filho morreu. Descoberta a &lt;em&gt;causa mortis&lt;/em&gt; do companheiro, foi testada para HIV. Diagnosticada como soropositiva, foi avisada de que teria que fazer um tratamento para que o bebê não nascesse contaminado. Informada de que o tratamento exigiria disciplina de horários e abstinência do crack, fugiu. Não fez pré-natal. Deu entrada na maternidade já quase parindo, ainda com o cachimbo de crack fumegando na mão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Creio que essa é a história do terceiro filho de Amélia. Foi concebido pelo acaso, numa orgia movida a drogas; nasceu de uma prostituta analfabeta, padeceu sob luzes feéricas, foi entubado, morto e reanimado, desceu ao inferno da abstinência, recuperou-se à terceira semana; subiu à maternidade, está internado entre outros desgraçados, donde não se sabe se há de vir a sair vivo ou morto. Pobre Espírito Desvalido, dependente da Saúde Pública, pária na comunidade, condenado sem ter pecados, amaldiçoado em sua própria carne, que nunca terá uma vida plena. Amém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Esse é o resultado das &amp;#8220;campanhas de conscientização&amp;#8221; e da &amp;#8220;guerra às drogas&amp;#8221;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Amélia mesmo sabe que não tem mais forças sequer para tentar viver. Tudo o que faz é anestesiar-se a qualquer custo para fugir do terrível sofrimento que é continuar respirando. Se &amp;#8220;vive&amp;#8221;, é porque com apenas 22 anos seu organismo ainda não foi suficientemente violentado para entrar em colapso e abençoá-la com o alívio da morte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Ao invés do amparo, repressão. Ao invés de cuidados, imposições. Ao invés de mais oportunidades, mais limitações. Ao invés de solidariedade, combate. Ao invés de libertação, encarceramento. Ao invés de saúde, somente a pressa pela morte. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #004400;"&gt;Mas não se preocupem, não haverá convite para enterro. Ninguém será constrangido por faltar ao adeus à Amélia. Nem ela. Há muito tempo que ela sabe que vale menos do que lixo &amp;#8211; porque até o lixo jogado na rua alguém recolhe. Amélia não vota, nem tem valor de revenda. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="color: #99cc00;"&gt;Arthur Golgo Lucas &amp;#8211; www.arthur.bio.br &amp;#8211; 10/04/2012&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
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