<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087</atom:id><lastBuildDate>Sat, 21 Dec 2024 09:01:26 +0000</lastBuildDate><category>crônica</category><category>cinema</category><category>conto</category><category>poesia</category><category>chapéu alheio</category><category>microconto</category><category>política</category><category>artigo</category><category>jornalismo</category><category>teatro</category><title>portador de ausências</title><description>impressões e expressões sobre literatura, cinema, jornalismo, cultura e política...</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (wagner)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-8894306896853251728</guid><pubDate>Thu, 14 Jul 2011 13:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-14T07:01:30.760-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>noite de s. joão</title><description>&lt;a href=&quot;http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/galerias/imagem/0000000408/md.0000002513.jpg&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 466px;&quot; src=&quot;http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/galerias/imagem/0000000408/md.0000002513.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;color: rgb(153, 153, 153); font-size: small; &quot;&gt;Noite de S. João para além do muro do meu quintal.&lt;br /&gt;Do lado de cá, eu sem noite de S. João.&lt;br /&gt;Porque há S. João onde o festejam.&lt;br /&gt;Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,&lt;br /&gt;Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.&lt;br /&gt;E um grito casual de quem não sabe que eu existo.&lt;p&gt;Alberto Caeiro&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;font-size: normal=&quot;&quot;&gt;Caía a tarde naquela sexta-feira de junho. Distraía-me com alguma leitura sonolenta na solidão do meu apartamento. Lançando o olhar a esmo para além da janela, notei que se festejava a noite de S. João em um prédio vizinho, a uns 100 ou 200 metros do meu, cujo terraço, onde se dava o folguedo, fica bem ao nível da minha janela. Alguns jovens, todos do sexo masculino, preparavam o ambiente a céu aberto, dispondo balões e bandeiras feitas com recortes de revistas e demais enfeites próprios das festas juninas. Vestiam-se, claro, a carater: camisa xadrez, chapéu de palha trançada.&lt;/font-size:&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senti, mais com a imaginação que com o olfato, o cheiro do quentão que por certo era preparado por aqueles rapazes ávidos por uma alegria à toa. Uma leva mais forte, com uma boa quantidade de aguardente adicionada à mistura. Outra, para os menos beberrões, mais doce e com menor teor alcoólico. Imaginei o cardápio daquela celebração composto por pinhão, pipoca, rapadura e, enfim, o habitual em festas do mesmo tema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O grupo não tardou a se multiplicar, na mesma proporção do volume produzido pela algazarra de suas vozes e risadas, permeada por uma música indistinta para a distância em que eu me encontrava da folia. Esses sons me chegavam confundindo-se uns aos outros, mesclando-se, como uma imagem de que, ao longe, não se distingue cada objeto separadamente, tornando-se para quem vê uma imprecisa massa disforme.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Senti uma pequena alegria por aqueles rapazes, lembrei-me de memoráveis festejos de que fiz parte no passado, e remoendo a memória, não vi chegando, dominadora, a inveja. É óbvio que só agora, com a frieza da análise e a ajuda da linguagem escrita, chamo de inveja aquilo que senti. Naquele momento, o crescente despeito pelo deleite alheio fora tratado por mim como uma legítima análise crítica daquele festim tão cafona, tão artificial, e tão fracassado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fracassado sim, ou alguém chamaria de bem-sucedida uma festa junina que não conte nem mesmo com uma fogueira? A euforia dos jovens que chegaram primeiro e tão entusiasticamente prepararam o ambiente não durou muito. O que se via depois era uma alegria forçada, pouco convincente, talvez porque, como pude notar, o número de convivas homens superasse o de mulheres na proporção de 3 ou 4 por uma. Para piorar, as poucas moças que compareceram digamos que não primavam pela beleza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na certa, os organizadores do evento contavam com um contingente muito maior de mulheres, dado o número de amigas que, apesar de garantir que estariam presentes, não deram o ar da graça. Algumas delas já estavam decididas a não comparecer desde quando confirmaram presença, outras o fizeram com a real intenção de participar do festejo, mas depois, acabaram desistindo, por terem arranjado outro entretenimento mais auspicioso ou mesmo por, pensando melhor, considerarem ridícula a coisa toda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O fato é que a festa preparada para ser uma apoteose de diversão mixou quando ainda tentava engrenar. E mesmo da distância da minha janela pude notar a crescente onda de bocejos e muxoxos. Não sei se realmente vi ou metaforicamente imaginei, mas até a lua sumiu, vencida por alguma nuvem. Não demorou para o recolhimento total dos participantes daquela noite de S. João. E daquela festa sobrou um terraço com bandeirolas penduradas balançando para ninguém. Naquela noite, adormeci lentamente, envolvido por um silêncio absoluto, sem fogueiras, sem gargalhadas, sem baques de salto, sem grito casual de quem não sabe que eu existo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;color: rgb(153, 153, 153); font-size: small; &quot;&gt;&lt;i&gt;Imagem: GUIGNARD, Alberto da Veiga. NOITE DE SÃO JOÃO, 1961, Série Paisagem Imaginante, Óleo/tela, 61 x 46 cm&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2011/07/noite-de-s-joao.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-1769924072598695687</guid><pubDate>Mon, 27 Jun 2011 17:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-28T06:06:46.639-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>o novo woody allen</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWB3rSRbtW0PCzlch1PjpG3k2y4HDvVzA9aKLTQ9Hkw0rHaQtzhsw1-3h1_orLuIqpESpqV-g7v23VVt7XV-nzdGwi_KVNIJfA9UqCp3liLQ7odpKQ7qMijVoKm-KFkhd03eEZ8rUg1VE6/s1600/Midnight-in-Paris.jpg&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWB3rSRbtW0PCzlch1PjpG3k2y4HDvVzA9aKLTQ9Hkw0rHaQtzhsw1-3h1_orLuIqpESpqV-g7v23VVt7XV-nzdGwi_KVNIJfA9UqCp3liLQ7odpKQ7qMijVoKm-KFkhd03eEZ8rUg1VE6/s400/Midnight-in-Paris.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5622948364748480258&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;i&gt;“Pena de quem viu Paris à Meia-noite no fds. melhor q ver um novo woody allen é a expectativa de vê-lo sabendo q está num cinema perto de vc.”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Escrevi isso no Twitter na segunda-feira subsequente à sexta em que &lt;i&gt;Meia-noite em Paris&lt;/i&gt;, o novo Woody Allen, entrou em cartaz em Porto Alegre. Na quinta-feira, uma semana após a estreia, finalmente assisti ao filme. A semana entre a estreia e a ida ao cinema é como um ritual sabático, excitante, de espera e expectativa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Woody Allen faz um filme por ano, uma frequência quase ritualística também (segundo a Wikipedia, a última vez que o judeu nova-iorquino lançou dois trabalhos no mesmo ano foi há quase duas décadas, em 1992, quando foram paridos &lt;i&gt;Neblinas e Sombras&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Maridos e Esposas&lt;/i&gt;, e o último ano que não viu nascer uma obra de Allen foi 1974). Seus fãs aguardam a novidade com avidez, cada qual com seu ritual, individual ou em pequenos grupos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O meu é esse, simples: assistir ao filme uma semana depois de sua estreia. Sete dias é tempo suficiente para deixar brotar aquela vontade, aquela curiosidade, aquela saudável impaciência e um certo temor de que o título saia de cartaz prematuramente. Como, aliás, já aconteceu comigo: o gostinho da expectativa de assistir a &lt;i&gt;O Sonho de Cassandra&lt;/i&gt; se tornou amargo quando fiquei a ver navios, traído pela inexplicável curtíssima temporada de exibição. Daí fixar em exatos sete dias o período preparatório. Não é cabala, é precaução.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outro temor que me vejo obrigado a enfrentar é o de alguém deselegantemente contar o final do filme ou algum detalhe importante, estragar uma piada, desfazer uma surpresa. É um risco considerável. Se bem que relativo, porque ninguém consegue fazer uma história do Woody Allen parecer tão divertida e saborosa a não ser o próprio. Além do mais, todo fã do Woody tem certeza de que sabe como ninguém ver um filme dele, desvelar suas nuanças, captar uma referência, compreender uma metáfora sub-reptícia e sacar uma piada interna, daquelas que só sendo muito íntimo do autor - condição que o fã confere a si próprio, sem cerimônias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não confundir esse expediente deplorável dos estraga-prazeres com comentários e críticas despretensiosas sobre o filme. Por exemplo: como as que se lê e ouve pela imprensa ou as dos amigos e conhecidos, coitados que ignoram a semana sabática de saborosa privação (e provação). São geralmente opiniões pessoais do tipo “gostei/não gostei”, incapazes de minar nosso interesse pelo filme, tampouco de adiantar ou postergar a data em que vamos deliciarmo-nos com ele, mas que atiçam nosso desejo no período da espera. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A maioria das considerações, seja o “gostei” ou o “não gostei”, é sucedida por sentenças como “é o mesmo Woody Allen de sempre” ou “é divertido, mas nada de novo”. Típicos de espectador comum (sim, os fãs se colocam acima do que consideram espectador comum). São asserções de quem, quando do lançamento de &lt;i&gt;Match Point&lt;/i&gt;, não titubeou em vaticinar: “é o melhor Woody Allen”, quando na verdade se trata do menos Woody Allen dos Woody Allens. Esses comentários são saudáveis para aumentar nossa expectativa, e para reafirmarmos a nós mesmos, após ver o filme, que eles não entenderam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eles não sabem, por exemplo, que um Woody Allen não se explica completamente por si só, mas compõe o conjunto da obra, faz muito mais sentido se relacionado aos demais trabalhos de sua filmografia. Nem imaginam que a suposta mesmice ou repetição faz parte de uma marca registrada do autor, que criou seu próprio jeito de escrever, filmar, dirigir, dando liga a essa teia de filmes. Ignoram que com essa aparente carência de profundidade na construção das personagens, repetições de situações e tramas, limitação de recursos estilísticos, preguiça e falta de audácia para desafiar a gramática fílmica tradicional, o cineasta destila sua agridoce e singular visão da condição humana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguém pode dizer, para justificar o ato precipitado de assistir ao filme logo na estreia, que a espera já ocorre desde o seu lançamento internacional. Mas não, essa espera por algo distante, ainda inacessível, é infinitamente menor do que a espera quando o objeto de desejo está ali, disponível, a poucos metros, a poucos minutos de ti. Às vezes, quando um filme estreia no Brasil, Woody já tem mais um ou dois filmes sendo rodados ou já exibidos no exterior. Mas o que nos assanha mesmo é o que já chegou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sobre &lt;i&gt;Meia-noite em Paris&lt;/i&gt;? É um Woody Allen. Que mais dizer? Esperemos o próximo, The &lt;i&gt;Bob Decameron&lt;/i&gt;, no ano que vem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;iframe width=&quot;485&quot; height=&quot;306&quot; src=&quot;http://www.youtube.com/embed/aYP4RfN1NvU&quot; frameborder=&quot;0&quot; allowfullscreen=&quot;&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2011/06/o-novo-woody-allen.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWB3rSRbtW0PCzlch1PjpG3k2y4HDvVzA9aKLTQ9Hkw0rHaQtzhsw1-3h1_orLuIqpESpqV-g7v23VVt7XV-nzdGwi_KVNIJfA9UqCp3liLQ7odpKQ7qMijVoKm-KFkhd03eEZ8rUg1VE6/s72-c/Midnight-in-Paris.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-5239791044781218418</guid><pubDate>Mon, 06 Jun 2011 14:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-27T09:59:45.767-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">teatro</category><title>sobre anjos e grilos e passarinhos</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWulnZ_zP6Eh_cRN55WOnS_ZDbtvUhAhB9-mZ9jpy73k1bsrLQlM6PHXMbIF-_hOcp9oAW6Jv1X-uwTIivE3jHo1nc-KH4YWz6NM3WieGM9FWXrHOlxmN9-xz55QhiKx9smSWifQIoWih-/s400/zoraviabettiol_quintana&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 360px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWulnZ_zP6Eh_cRN55WOnS_ZDbtvUhAhB9-mZ9jpy73k1bsrLQlM6PHXMbIF-_hOcp9oAW6Jv1X-uwTIivE3jHo1nc-KH4YWz6NM3WieGM9FWXrHOlxmN9-xz55QhiKx9smSWifQIoWih-/s400/zoraviabettiol_quintana&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;Assisti ao espetáculo Sobre Anjos e Grilos, uma homenagem-adaptação-recriação da obra do poeta Mario Quintana concebida, dirigida e interpretada por Deborah Finocchiaro, a atriz mais Mario Quintana do Rio Grande do Sul. Durante cerca de uma hora, a artista só sobre o palco praticamente nu – apenas com uma máquina de escrever e um pano sobre o qual são projetadas imagens alegóricas sobre o universo quintanesco – traduz para fora das páginas a essência poética deste que é considerado o maior poeta sul-riograndense. E o faz com desobediente fidelidade e parcimoniosa grandeza.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A nudez despojada e ultrajante do palco dá espaço à cuidadosa e exata iluminação que compõe o ritmo e o tom da peça, aliada às gravuras temáticas da artista plástica Zoravia Bettiol, estas alinhadas ao tom de singela loucura que caracteriza o poeta-tema do espetáculo. Envolta neste ambiente, Deborah trilha o percurso onírico-material de Mario Quintana, a um só tempo leve e fustigante, debochado e melancólico, metódico e anárquico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À vontade no papel de porta-voz cênica do poeta coestaduano, Deborah sabe (sabe?) que ela, seu trabalho, sua trajetória, funde-se ao de Quintana, não por uma aproximação pré-concebida ou ainda pré-identificável, mas por uma questão que, forçosa, foge à intenção e mesmo à consciência do artista. Ambos construíram suas história neste confim do Brasil, longe dos holofotes da exposição e consagração midiática que confunde caricaturalmente artista e celebridade de coisa nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos, Deborah e Mario, ficaram. Fundiram-se à paisagem e ao cotidiano desta distante Porto Alegre ao ponto de muitas vezes não sabermos distinguir o que estes artistas revelam da cidade e o que através dela dizem de si próprios. E deste microcosmo às vezes tão pequeno, às vezes tão provinciano, às vezes tão mesmo, leram e cantaram o intangível universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sendo – pra minha vergonha e tristeza – um frequentador assíduo de teatro, fui tocado pela fina simplicidade do espetáculo, que teve o cuidado de sobretudo nisso aproximar-se de Quintana, o poeta pelo qual tive meu primeiro contato com a poesia. Aos cinco anos de idade, encasquetei com um pano de prato comemorativo aos 80 anos do poeta que minha mãe ganhara de brinde. Neste pano estava escrito o famoso poema “Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho, / Eles passarão... / Eu passarinho!”. Aquilo para mim não fazia qualquer sentido e eu me intrigava e não entendia como alguém podia chamar aquilo de poesia. De tanto ensimesmar com o enigma, aconteceu-me aquilo que se chama de experiência estética. Um pano de prato, um palco nu, Deborah nele, Quintana sobre a máquina de escrever, eu passarinho&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Imagem: &lt;a href=&quot;http://www.zoraviabettiol.com.br/&quot;&gt;Zoravia Bettiol&lt;/a&gt;. Mario-Anjo Disfarçado de Homem. Série Trans-figurações de Quintana. Monotipia 2006&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2011/06/sobre-anjos-e-grilos-e-passarinhos.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWulnZ_zP6Eh_cRN55WOnS_ZDbtvUhAhB9-mZ9jpy73k1bsrLQlM6PHXMbIF-_hOcp9oAW6Jv1X-uwTIivE3jHo1nc-KH4YWz6NM3WieGM9FWXrHOlxmN9-xz55QhiKx9smSWifQIoWih-/s72-c/zoraviabettiol_quintana" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-7693230264684508896</guid><pubDate>Wed, 02 Mar 2011 00:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-01T16:15:49.634-08:00</atom:updated><title>Outro Cine: Dilemma - em repúdio ao atropelamento dos ciclista...</title><description>&lt;a href=&quot;http://outrocine.blogspot.com/2011/03/dilemma-em-repudio-ao-atropelamento-dos.html?spref=bl&quot;&gt;Outro Cine: Dilemma - em repúdio ao atropelamento dos ciclista...&lt;/a&gt;: &quot;Em solidariedade aos ciclistas do movimento Massa Crítica, que sofreram na última sexta-feira (25) um atentado enquanto realizavam um ato em...&quot;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2011/03/outro-cine-dilemma-em-repudio-ao.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-737331712254812828</guid><pubDate>Tue, 25 Aug 2009 23:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-27T10:03:08.307-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">artigo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">jornalismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><title>funeral de um lavrador</title><description>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg03RDQf3FKqK1SPgntw4fKEti_K3JZNGDpUAoT5F3rqIb32HAtrGDh5vW-5Vi6V_Ok2OP_gcKj7bmeO4KkL4Lg7VTzg45cLCJFdR3O-GfduDaR018FI0E-MjyfojfdU-aT2iw0WSxONnYW/s1600-h/mst_funeral_de_um_lavrador.jpg&quot; onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 368px; height: 275px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg03RDQf3FKqK1SPgntw4fKEti_K3JZNGDpUAoT5F3rqIb32HAtrGDh5vW-5Vi6V_Ok2OP_gcKj7bmeO4KkL4Lg7VTzg45cLCJFdR3O-GfduDaR018FI0E-MjyfojfdU-aT2iw0WSxONnYW/s400/mst_funeral_de_um_lavrador.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5374050491496314626&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-family: verdana; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: verdana; font-style: italic; &quot;&gt;Esta cova em que estás com palmos medida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;font-family:verdana;&quot;&gt;É a conta menor que tiraste em vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;font-family:verdana;&quot;&gt;É de bom tamanho, nem largo nem fundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;font-family:verdana;&quot;&gt;É a parte que te cabe deste latifúndio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;font-family:verdana;&quot;&gt;Não é cova grande, é cova medida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;font-family:verdana;&quot;&gt;É a terra que querias ver dividida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;João Cabral de Melo Neto &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;O jornal Zero Hora do dia 22 de agosto de 2009 noticiou a execução pelo Estado do camponês sem terra Elton Brum da Silva, em São Gabriel (RS), com uma reportagem intitulada “&lt;/span&gt;&lt;a style=&quot;font-family: verdana;&quot; href=&quot;http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;source=a2627013.xml&amp;amp;template=3898.dwt&amp;amp;edition=12968&amp;amp;section=1015&quot;&gt;MST ganha seu mártir&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;”. O curto, impactante e decisivo título da matéria induz – ou busca induzir – o leitor a entender que o episódio não só teve saldo positivo para o movimento dos sem-terra como por ele foi planejado e provocado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Subentende-se, portanto, pelo discurso contido em Zero Hora, que, se houve erro da polícia, este não foi ter matado um ser humano, mas ter presenteado o MST com um mártir. Como se de mártires os que lutam pela reforma agrária ainda precisassem – vide o massacre em Eldorado dos Carajás e tantas outras ações da polícia e de capangas em defesa do sagrado e inalienável direito dos latifundiários à propriedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Após trazer, em nome da protocolar imparcialidade, a informação de que testemunhas atribuíram a autoria do disparo a um oficial da Brigada Militar, o texto prontamente trata de desqualificá-la: “Grande parte das testemunhas é ligada ao MST, que já deu início a uma primeira estratégia de reação: orientou seus militantes a soterrarem com depoimentos os cartórios da Delegacia da Polícia Civil de São Gabriel, que investigará a morte. Os testemunhos repetem que o autor do disparo é da BM”. A reportagem não teve curiosidade de apurar se, por acaso, os policiais que participaram da operação foram orientados por seus superiores sobre a versão que deveriam sustentar para livrar a cara de comandados e, principalmente, comandantes sobre a responsabilidade pela ação criminosa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;No decorrer da notícia, Zero Hora continua martelando a ideia de que o MST só tem motivos para festejar o ocorrido e aproveitá-lo politicamente: “O segundo passo dos militantes poderá ser uma grande movimentação em direção à fronteira, ainda sem data definida.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma linha sobre a dor de familiares e companheiros da vítima, como é tão comum em notícias cuja personagem violentamente assassinada provém da chamada classe média. Aliás, não lembro alguma vez ter visto Zero Hora ou qualquer outro veículo da grande imprensa decretar, quando do homicídio de um membro da tal classe média, que os setores conservadores da sociedade ganharam um mártir em sua sanha por pena de morte, redução da maioria penal ou tolerância zero nas operações policiais em favelas e guetos. Em suma, para que o Estado legitime, cada vez mais, a sobreposição do direito à propriedade em detrimento do direito à vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;O crime&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;O militante sem-terra Elton Brum da Silva, 44 anos, tombou varado nas costas por um tiro de espingarda calibre 12. O crime ocorreu durante operação da Brigada Militar para cumprir ordem de reintegração de posse concedida pela Justiça ao fazendeiro Alfredo Southall, cujo latifúndio soma mais de 13 mil hectares.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma arma de fogo foi encontrada pela polícia em posse dos sem-terra que ocupavam a fazenda. O próprio governo do Rio Grande do Sul admite que o tiro partiu da Brigada Militar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ao que tudo indica, o autor do disparo ostenta uma alta divisa no braço que puxou o gatilho. Em &lt;/span&gt;&lt;a style=&quot;font-family: verdana;&quot; href=&quot;http://www.abracors.org.br/detalhe_info.php?id=296&quot;&gt;entrevista &lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;divulgada pela Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), o ex-ouvidor agrário do governo do RS Adão Paiani disse ter ouvido de fontes policiais que o tiro à queima roupa contra Elton Brum da Silva foi disparado por um alto oficial da brigada. &quot;Se essa conta for debitada a um soldado da Brigada, eu, como filho de um soldado da Brigada, vou apontar o nome do autor do homicídio&quot;, afirmou Adão Paiani.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;O jornal classifica reiteradamente a ação como “desastrada”, e não como resultado de uma visão política e governamental de criminalização dos movimentos. No entanto, as fotos e relatos da operação de remoção do acampamento de trabalhadores sem-terra - humilhação e violência contra os manifestantes -, e o histórico de repressão por parte do atual governo do RS a manifestações como as de estudantes e sindicalistas prova que o tiro fatal contra o militante é antes uma consequência que um desvio do pensamento do poder Executivo gaúcho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Sem argumentos para justificar a ação, a saída é desqualificar seu alvo: “Os sem-terra invadiram a Southall no dia 12 e, como de costume, protelaram sua retirada da fazenda. Contrariaram a ordem judicial para que evacuassem a área. Esticaram até o ponto de ruptura a tênue linha que separa a legalidade da clandestinidade e da desobediência metódica.” No discurso do jornal, manter latifúndios improdutivos está abrigado sob a legalidade, embora não seja isso que reze a Constituição Federal, e lutar por reforma agrária e por acesso à terra, direitos previstos pela mesma Constituição, é clandestina desobediência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width=&quot;480&quot; height=&quot;385&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/BnVbz6dtgg0&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0xcc2550&amp;amp;color2=0xe87a9f&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowscriptaccess&quot; value=&quot;always&quot;&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/BnVbz6dtgg0&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0xcc2550&amp;amp;color2=0xe87a9f&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowscriptaccess=&quot;always&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;385&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;font-family:verdana;font-size:78%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Foto: César Soares/extraída do Portal Terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2009/08/funeral-de-um-lavrador.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg03RDQf3FKqK1SPgntw4fKEti_K3JZNGDpUAoT5F3rqIb32HAtrGDh5vW-5Vi6V_Ok2OP_gcKj7bmeO4KkL4Lg7VTzg45cLCJFdR3O-GfduDaR018FI0E-MjyfojfdU-aT2iw0WSxONnYW/s72-c/mst_funeral_de_um_lavrador.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-7391800711713648723</guid><pubDate>Thu, 18 Dec 2008 22:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-18T15:13:53.741-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>duas quedas</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Esse meu amigo, o F... não interessa, omito o nome para evitar constrangimentos. Basta dizer que ele tinha dois grandes orgulhos, evocados ao infinito no vaidoso intuito da jactância. Eis que esse meu amigo perdera de uma só vez as duas razões que alimentavam sua imodéstia. Foi assim: gremista aferrado, ficara chateado com o título de campeão da América conquistado pelo Inter, arqui-rival que ele tanto detestava. Chateado, mas não preocupado, porque tinha certeza de que ao disputar o Mundial, o Colorado não só não conseguiria bater o supertime do Barcelona como seria humilhado ao tomar uma goleada da equipe catalã.&lt;br /&gt;Era tamanha a convicção que acertou com um grupo de amigos, todos gremistas, de assistirem juntos ao embate futebolístico. Para tanto, combinaram de passar a noite pelos bares e, às oito e meia da manhã, horário que começaria a partida disputada no Japão iriam para a casa de um deles degustar a irreversível derrota colorada.&lt;br /&gt;Acontece que a noite, assim como o futebol e as mulheres, gosta de desafiar a lógica e de pregar peças nos humanos incautos, e eis que a beleza arrebatadora de uma ex-colega de escola, que ele tanto desejara e jamais havia conquistado, arrancou o nosso protagonista da mesa de seus companheiros, desfalcando a corrente anticolorada. Ele não faria falta, argumentou com o grupo, pois o jogo eram favas contadas.&lt;br /&gt;Despediu-se prometendo presença na festa do título do Barcelona e se embrenhou na libidinosa mata do desejo, cujo destino não muito tortuoso foi a residência da dama. Não entendeu porque o permanente desprezo da moça nos tempos de colégio transformou-se em desejo arrebatador, mas o que importava era que finalmente a tinha conquistado, e o sabor das conquistas é proporcional às dificuldades de alcançá-las.&lt;br /&gt;Quando entraram, ardentes, no apartamento, o sol já raiava, o que significava que os atletas de Barcelona e Internacional já corriam pelo gramado oriental disputando a taça mais almejada pelos clubes de futebol ao redor da Terra. Mesmo com a excitação do jovem casal, arranjou um jeito de pedir à amante que ligasse o televisor, e em meio a beijos, sussurros e suores, tentava prestar atenção ao jogo.&lt;br /&gt;Tanto a batalha dos gramados quanto a da cama se encaminhavam para o final apoteótico. A garota, desfigurada de prazer, gemia cada vez mais alto. Porém, súbito, a voz do narrador pareceu tomar o ambiente: “O Inter vai pro ataque, o Inter se manda. Olha o Iarley, vamos nessa, olha a chance. Abriu pela direita. Olha o gol, olha o gol, bateu, olha o gol, olha o gol, olha o gol, olha o gol, olha o gol, olha o gol. Gooooooooooollllllllllllllll. Éééééééééééé do IIIIIIIInteeeeeerrrrrr”.&lt;br /&gt;A partir desse momento, ele não ouviu mais nada. E nem fez mais nada. Tentou concentrar-se na batalha da cama, mas essa também já estava perdida, e ruíram no mesmo instante os dois grandes orgulhos do meu amigo: o de que o Grêmio era o único gaúcho campeão mundial e o de nunca ter brochado. Logo, foi-se embora com uma despedida sem graça, derrotado em meio àquela manhã vermelha de domingo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/12/duas-quedas.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-5541023283996030819</guid><pubDate>Sun, 07 Dec 2008 12:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-07T04:35:43.013-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>Penelope Maria Elena Barcelona</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVXMee8tdSuN2SMdUSc1OfI6vzaYkX6RPdr_QWi5n5P4c2Nbee-xsu-o6RbsUchLCC_A59VFczsGh10idzYABndhUKKHU88D2u0xVWMOOJP2xWm09bYIxpoiiOAqUzBBOcHU01-s1co4I/s1600-h/Vicky03.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVXMee8tdSuN2SMdUSc1OfI6vzaYkX6RPdr_QWi5n5P4c2Nbee-xsu-o6RbsUchLCC_A59VFczsGh10idzYABndhUKKHU88D2u0xVWMOOJP2xWm09bYIxpoiiOAqUzBBOcHU01-s1co4I/s400/Vicky03.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5277021917560251106&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fui assistir Vicky Cristina Barcelona e pensei: vou escrever um texto sobre o filme para o blog. Só que eu estava lá, assistindo, e achando o filme uma chatice. Mas falar mal do Woody Allen é blasfêmia das mais cabeludas. Daí fiquei pensando o que eu poderia escrever. Eis que, lá pela metade da projeção, aparece a Penelope Cruz. E eu cá comigo: já sei o que botar no blog. Isso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Scarlett Johansson é bonita. Bonita mesmo. Mas a Penelope Cruz é infinitamente mais linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia escrever só isso. Mas não é que a partir do momento em que a espanhola entra em cena o filme começa a ficar legal? Começa a ficar mais Woody Allen. Maria Elena, a maluca com tendências suicidas interpretada por Penelope, é uma personagem tipicamente woodyalleniana. O cara foi buscar em uma personagem espanhola, vivida por uma atriz espanhola, um jeito de se encontrar consigo mesmo.&lt;br /&gt;Impressionante como o velho nova-iorquino faz filmes tão parecidos e a gente não cansa, continua gostando igual. Vicky Cristina Barcelona saiu de Manhattan, a trilha sonora não é jazz, Woody Allen não atua, mas mesmo assim o filme tem a marca registrada de seu autor, aquilo que chamamos estilo, e que alguém classificou como a arte de plagiar a si próprio. &lt;br /&gt;Dá-lhe Woody. Ainda bem que nem cogitei escrever algo de ruim sobre o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEk6X_k-Zm-upK_lkFJFZidbMlSqfWoK5k0YU3WUvhin2rpjMm4DS5YwlDuqyerBMrrk4lEBhwI7XBU7kHcdksAHm3F2BC7XxsTF2wk_EUxh1mNNww8J9LkmHDNo7tRjzSnciOPnJGykQ/s1600-h/Vicky01.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEk6X_k-Zm-upK_lkFJFZidbMlSqfWoK5k0YU3WUvhin2rpjMm4DS5YwlDuqyerBMrrk4lEBhwI7XBU7kHcdksAHm3F2BC7XxsTF2wk_EUxh1mNNww8J9LkmHDNo7tRjzSnciOPnJGykQ/s400/Vicky01.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5277021684906384738&quot; /&gt;&lt;/a&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/12/penelope-maria-elena-barcelona.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiVXMee8tdSuN2SMdUSc1OfI6vzaYkX6RPdr_QWi5n5P4c2Nbee-xsu-o6RbsUchLCC_A59VFczsGh10idzYABndhUKKHU88D2u0xVWMOOJP2xWm09bYIxpoiiOAqUzBBOcHU01-s1co4I/s72-c/Vicky03.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-6794587441279559608</guid><pubDate>Mon, 24 Nov 2008 02:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-23T18:23:40.828-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><title></title><description>Tua presença – não digo a presença&lt;br /&gt;recriada nas coisas que se pensa&lt;br /&gt;ou em cada canto do apartamento&lt;br /&gt;– sim tua carne teu cheiro teu jeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é-me uma jarra vazia ofertada&lt;br /&gt;ao sedento, é gasolina lançada&lt;br /&gt;para aplacar o incêndio na cidade&lt;br /&gt;A cidade erma chamada saudade</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/11/tua-presena-no-digo-presena-recriada.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-9110260568739370007</guid><pubDate>Sun, 12 Oct 2008 23:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-12T16:42:55.781-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>allstar vermelho</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg7NxLHb7RWicTqjCqwvL6Jti6xoSiihTcjjFEXQNjKSTMuMisQU3BuqsSMf4pjAtOrcok-1V5sg7OvIeJYUVgaqmftoVX6-FSbWmn8nUHGapTywMIwd-idGikKfKnXJ3MBtrLEuVID52wW/s1600-h/All-Star-Vermelho.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg7NxLHb7RWicTqjCqwvL6Jti6xoSiihTcjjFEXQNjKSTMuMisQU3BuqsSMf4pjAtOrcok-1V5sg7OvIeJYUVgaqmftoVX6-FSbWmn8nUHGapTywMIwd-idGikKfKnXJ3MBtrLEuVID52wW/s320/All-Star-Vermelho.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5256417004587331442&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Sabe aquele meu allstar vermelho que ficou na tua casa? Eu queria ele de volta. Não que eu ache que tu não vai devolvê-lo, mas é que, sabe, eu não costumo comprar muitos calçados, eu só tinha dois pares de tênis, e como o allstar vermelho está retido na tua casa, agora só tenho um, e pode chover. E tem outra: tu sabe que eu gosto daquele calçado, e eu ando pensando que eu deveria gostar mais de mim do que tenho gostado ultimamente, então achei que reaver o meu allstar vermelho podia ser um começo. E eu tenho andado tanto por aí mas parece que estou sempre indo para o lugar errado ou para o mesmo lugar ou então procurando algo que eu nem sei o que é. Talvez com meu allstar vermelho eu encontre um rumo ou ao menos meu caminho fique menos sem graça, porque às vezes mesmo quando a gente não sabe direito para onde está indo pode haver uma surpresa no caminho e esta surpresa pode ser boa mas não é o que tem acontecido. Mas para a surpresa ser boa a gente tem pelo menos que estar aberta a ela e para isso é preciso estar gostando de si mesmo. Quem sabe com meu velho allstar vermelho... Pensei que de repente tu pudesse me convidar pra ir à tua casa buscar meu allstar vermelho. Mas é claro que me vendo depois de tanto tempo tu me convidaria para entrar um pouquinho e eu titubearia um pouquinho mas aceitaria. E tu iria me oferecer uma cerveja e a gente ia conversar tanto e ia entender aquelas coisas do outro que ninguém entende. só a gente. Então a gente ia rir tanto e ia ser tão bom que eu iria embora tão embriagado, não só do álcool, que esqueceria do meu allstar. Daí eu iria te telefonar e antes de eu falar qualquer coisa tu diria já sei, esqueceu teu tênis aqui, pode voltar qualquer dia menos tal dia porque eu tenho uma reunião lá na ONG, quem sabe sábado, daí eu preparo uma janta para te esperar. E até sábado chegar eu não iria fazer nada direito, só esperando o grande dia e planejando o que te falar, mesmo sabendo que não adiantaria nada porque na hora eu nunca sei o que falar e acabo falando alguma bobagem ou então ficando quieto demais. Até que chegaria sábado e eu iria chegar cedo demais na tua casa e não entraria logo, ficaria andando pelo teu bairro até chegar a hora. E o jantar seria ótimo, e tantas bebidas tantas conversas tantas risadas que ficaria muito tarde. E tu diria que eu não precisava gastar em táxi, que passasse a noite na tua casa, assim ainda poderíamos assistir a um filme que tu alugou. Então tu faria para mim uma cama no chão ao lado da tua só que essa cama improvisada amanheceria intacta e nós apertados na tua cama de solteiro acordaríamos tão tarde e tão felizes que eu de novo esqueceria meu allstar vermelho, mas também, nem teria mais tanta urgência porque eu já estaria de novo gostando tanto de mim e também já não precisaria andar por aí sem rumo porque logo voltaria para junto de ti e me encontraria em teus braços como está perdido meu allstar vermelho na gaveta,entre os teus sapatos.</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/10/allstar-vermelho.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg7NxLHb7RWicTqjCqwvL6Jti6xoSiihTcjjFEXQNjKSTMuMisQU3BuqsSMf4pjAtOrcok-1V5sg7OvIeJYUVgaqmftoVX6-FSbWmn8nUHGapTywMIwd-idGikKfKnXJ3MBtrLEuVID52wW/s72-c/All-Star-Vermelho.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>20</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-3738836249862120447</guid><pubDate>Fri, 05 Sep 2008 21:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-05T14:45:52.181-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>carta ao pé do ouvido</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;i&gt;            O amor é difícil&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;            E estamos na cidade&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://portalliteral.terra.com.br/ferreira_gullar/porelemesmo/a_vida_bate.shtml?porelemesmo&quot;&gt;&lt;b&gt;Ferreira Gullar&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYQEWUFYrymjGtnDptQWEw9bQ7oEG55VvY6NPpDzgtfVUYtJswSLE0LMf6GHE6XLAmmXtQgklEI1oY5OSHYJgPBad2Nvan3mes5tujUYuIx3LLLuFpTjNMTN2WjPdMiIHb1B-xWTcIkHUF/s1600-h/lagosdospatos.jpg&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-decoration: underline;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYQEWUFYrymjGtnDptQWEw9bQ7oEG55VvY6NPpDzgtfVUYtJswSLE0LMf6GHE6XLAmmXtQgklEI1oY5OSHYJgPBad2Nvan3mes5tujUYuIx3LLLuFpTjNMTN2WjPdMiIHb1B-xWTcIkHUF/s320/lagosdospatos.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5242653845333412946&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era uma tarde de segunda-feira. Estávamos no centro da cidade. Tantas pessoas andavam, corriam, cruzavam, suavam. Estávamos próximos à estação rodoviária. Tantas pessoas chegavam, partiam, tantas ficavam. Próximos ao porto, tantos barcos ancoravam, tantos erravam, alguns talvez naufragassem. Estávamos perto das lojas populares. Tantas pessoas vendiam, compravam, pechinchavam, enganavam. Estávamos perto do mercado público. Tantas pessoas buscavam o que comer, o que beber, tantas buscavam não lembrar. Estávamos próximos à Rua da Praia. Tantas pessoas roubavam, tantas pessoas ofereciam bugigangas, cacarecos. Na praça, uns trocavam dinheiro por companhia, uns ofereciam o corpo por dinheiro. Estávamos próximos ao viaduto. Carros corriam, expeliam fumaça, barulho. Mas naquele instante, naquele sôfrego, urgente instante, não havia gente, não havia barulho, não havia fumaça, não havia nada. Éramos nós unidos como se nunca nos houvéssemos perdidos. Era eu, era tu, e estávamos sem relógio, sem pressa, sem hora. Dançávamos na gravidade da lua (havia um calçadão de Copacabana na lua), andávamos à beira-mar, estávamos no pico do Everest, estávamos no cânion da Fortaleza, num chalé à beira da lagoa dos Patos, flutuávamos numa gôndola em Veneza, éramos juntos em Eldorado, em Atlântida, encontrávamo-nos em Montauk, abraçavamo-nos na Praça Vermelha, na Sierra Maestra sem perder a ternura, brincávamos na infância, no sítio do pica-pau amarelo, pisávamos a areia de Itapuã, visitávamos Pompéia, a Acrópole, a catedral de Notre Dame, o Himalaia, a Cordilheira dos Andes, a Chapada Diamantina, o Rio Sena, bebíamos chope em um bar de pescadores numa praia distante, subíamos uma escada para o céu, eu te levava pela mão a correr por campos de morango. Para sempre. Éramos, para sempre éramos.</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/09/carta-ao-p-do-ouvido.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYQEWUFYrymjGtnDptQWEw9bQ7oEG55VvY6NPpDzgtfVUYtJswSLE0LMf6GHE6XLAmmXtQgklEI1oY5OSHYJgPBad2Nvan3mes5tujUYuIx3LLLuFpTjNMTN2WjPdMiIHb1B-xWTcIkHUF/s72-c/lagosdospatos.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-12308856020452685</guid><pubDate>Sat, 23 Aug 2008 22:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-23T15:33:53.215-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">microconto</category><title>microcontos II</title><description>Encontrei esses na bagunça das minhas gavetas virtuais. Não lembro de tê-los escrito, mas lá vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEit1DyiDSlSuSWnRGReRR_zU12_bVsRHBkj2bSm1IHKLEzBmWiaviraN7y4yHbnDJxMdJbMKunq4JhxSwM3_eDZ8TiBdIypT1ebUIM-FX5TtXOTt6kYclzAr-BxieMTNE36_WC8bslFaZWB/s1600-h/bar.png&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEit1DyiDSlSuSWnRGReRR_zU12_bVsRHBkj2bSm1IHKLEzBmWiaviraN7y4yHbnDJxMdJbMKunq4JhxSwM3_eDZ8TiBdIypT1ebUIM-FX5TtXOTt6kYclzAr-BxieMTNE36_WC8bslFaZWB/s320/bar.png&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5237844683142630002&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;MESA DE BAR &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Horas a fio, esperando que a ausência se vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;PESADELO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sonhava dormir. Acordar duas vezes é demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;GIRASSÓIS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Chuva. Cidade alagada. O jardim ficou à deriva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;REVOLUÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Matei o tirano, sobreviveu a tirania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;LEGÍTIMA DEFESA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sei que é pecado violar uma tumba, mas eu estava perdendo a respiração.</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/08/microcontos-ii.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEit1DyiDSlSuSWnRGReRR_zU12_bVsRHBkj2bSm1IHKLEzBmWiaviraN7y4yHbnDJxMdJbMKunq4JhxSwM3_eDZ8TiBdIypT1ebUIM-FX5TtXOTt6kYclzAr-BxieMTNE36_WC8bslFaZWB/s72-c/bar.png" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-5967427019965271516</guid><pubDate>Wed, 20 Aug 2008 14:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-20T07:57:14.434-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">chapéu alheio</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">política</category><title>ladrão de galinha</title><description>Estava escrevendo um texto sobre a decisão do STF de proibir algemas para os graúdos, mas lembrei de uma crônica do Verissimo de alguns anos atrás que diz tudo. Ei-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e&lt;br /&gt;levaram para a delegacia.&lt;br /&gt;– Que vida mansa, heim, vagabundo ? Roubando galinha para ter o que&lt;br /&gt;comer sem precisar trabalhar. Vai para cadeia!&lt;br /&gt;– Não era para mim não. Era para vender.&lt;br /&gt;– Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio&lt;br /&gt;estabelecido. Sem-vergonha!&lt;br /&gt;– Mas eu vendia mais caro.&lt;br /&gt;– Mais caro?&lt;br /&gt;– Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as&lt;br /&gt;minhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as&lt;br /&gt;minhas botavam ovos marrons.&lt;br /&gt;– Mas eram as mesmas galinhas, safado.&lt;br /&gt;– Os ovos das minhas eu pintava.&lt;br /&gt;– Que grande pilantra...&lt;br /&gt;Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.&lt;br /&gt;– Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...&lt;br /&gt;– Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais&lt;br /&gt;boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços&lt;br /&gt;dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos&lt;br /&gt;de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio.&lt;br /&gt;Ou, no caso, um ovigopólio.&lt;br /&gt;– E o que você faz com o lucro do seu negócio?&lt;br /&gt;– Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei&lt;br /&gt;alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no&lt;br /&gt;suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e&lt;br /&gt;superfaturo os preços.&lt;br /&gt;O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a&lt;br /&gt;cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois&lt;br /&gt;perguntou:&lt;br /&gt;– Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está&lt;br /&gt;milionário?&lt;br /&gt;– Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que&lt;br /&gt;tenho depositado ilegalmente no exterior.&lt;br /&gt;– E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?&lt;br /&gt;– Às vezes. Sabe como é.&lt;br /&gt;– Não sei não, excelência. Me explique.&lt;br /&gt;– É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa.&lt;br /&gt;Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma&lt;br /&gt;coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me&lt;br /&gt;sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso,&lt;br /&gt;finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova.&lt;br /&gt;– O que e isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.&lt;br /&gt;– Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!&lt;br /&gt;– Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Fernando Verissimo</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/08/ladro-de-galinha.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-1443763197929150383</guid><pubDate>Sun, 10 Aug 2008 17:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-10T10:07:33.133-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">conto</category><title>a alça do esquife</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhovNNoRHmu8iE7h6GkUBuEOl_ypScb27SbDY5UtF85eJ5P3KA-noWXW7Qngs2WwjyzpSKdweJY_dD5SvxFzqyc0lifDTTEDmA4p58ZHO1JKN-3yAfD5vm21_AtbZ6DaCX-zNBA4wu9Hegv/s1600-h/copas.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhovNNoRHmu8iE7h6GkUBuEOl_ypScb27SbDY5UtF85eJ5P3KA-noWXW7Qngs2WwjyzpSKdweJY_dD5SvxFzqyc0lifDTTEDmA4p58ZHO1JKN-3yAfD5vm21_AtbZ6DaCX-zNBA4wu9Hegv/s320/copas.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5232936264340976274&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Existem fatos que nunca escapam da memória. Podem ficar meses, anos submersos na consciência. Mas um dia, sem aparente razão, eles emergem e ficam ali, reivindicando posto na biografia de seu tutor. Não raro surge em mim o cenário do primeiro funeral a que compareci, o de minha avó. Rapazote que ainda não perdera a ilusão de que a vida se leva na flauta, dirigi-me ao cemitério ensaiando ares de tristeza que deveras não sentia. Tinha a idéia da solenidade de tais eventos e vagamente me censurei pela ausência de sensibilidade própria à situação. Sentia-me desprotegido ao ver minha mãe chorando e era só isso que me desgostava no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo à entrada, achei bonito o desfile de óculos escuros, lenços e olhos marejantes. O salão onde se realizava o velório recendia a flores, café e vela. Uma fileira de cadeiras parecidas com as de salas de aula se estendia em todo entorno do recinto. Pessoas, em duplas ou trios, conversavam em voz baixa. Uma parenta distante alegou tonturas e deixou a sala às pressas. Minha mãe foi conferenciar com a minha tia. Ao longe, parecia que elas disputavam quem trazia os olhos mais inchados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao centro do salão, jazia o corpo de minha avó, acomodado no estofamento interno de um caixão muito escuro, com flores e coroas ao redor. Aproximei-me lentamente e vi dois chumaços de algodão tapando os orifícios do nariz. Decorridos todos estes anos, há detalhes que estão marcados em minha memória de maneira cinematográfica, e outros que se perderam nos desvãos da consciência. A roupa que trajava minha avó, por exemplo, ignoro. Mas suas mãos trançadas segurando um rosário são tão reais no pensamento que parecem estar ainda agora diante de meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante das reminiscências, porém, são as de conceitos. Ao ver minha avó deitada no esquife, tive a plena certeza de que não era ela que estava ali. De que tudo de peculiar, idiossincrático e próprio da velha faltava naquele corpo. Não sou dado a espiritismos ou teologias, mas ali eu percebi que o que minha família velava não era nada. Era apenas matéria desprovida de ser, como uma palavra a que não se pode conferir nenhum significado. Se eu avistasse minha avó em meio ao séqüito que dali a pouco acompanharia a condução do féretro até a sepultura, não me causaria terror, tamanha era a ausência dela naquele defunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive maiores intimidades com minha avó. Aliás, ela era uma pessoa que não se prestava a intimidades com ninguém. Muito rígida quanto às questões disciplinares e ferrenha guardiã da magra aposentadoria que recebia – não mencionarei a palavra avara porque funeral é o momento de exaltar as qualidades positivas do morto e enterrar as negativas junto com seu corpo. De pouco falar e menos ainda de escutar, minha avó me dedicava, creio, menos afeto do que a uma outra neta, minha prima. Motivos para isto há, mas não é o caso de arrolá-los. Digo apenas que, apesar destas considerações, minha avó me despertava certo fascínio que, àquela época, eu não entendia. Mas as ruminações que me tomaram a partir de seu enterro me esclareceram. O que me fascinava – e de resto creio que fascinava a todos que com ela conviveram – era seu gênio forte de égua indomável. A faísca do seu olhar e o tijolo da sua voz imperavam, sempre. Por vezes, excedia-se e flertava com a crueldade, mas como já foi dito, é das virtudes que se fala nessas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi naquela tarde ensolarada e fria de agosto que percebi a realidade das pessoas que partem. Não se sente saudade das virtudes nem dos defeitos e nem de nada que não seja a presença. É a ausência do morto que modifica todos os que permanecem no mundo. Chegar à casa da minha avó e não vê-la na área, sentada em sua cadeira de praia, a ler o jornal, chupando minuciosamente seu chimarrão. Não a ouvir ralhando com os cachorros. Não observar sua atenção ao noticioso do rádio de pilha. Não a ouvir censurando a mim, a minha mãe, a meu tio, a minha tia, a meus irmãos. Olhar para trás e não vê-la no portão dando mais uma orientação que se esquecera na despedida. Eis a ausência. A tristeza da perda de um pedaço de si mesmo. Eis o luto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observava o corpo vazio de minha avó quando senti de leve uma mão tocando meu ombro e pelo toque soube que não era a mão de minha mãe. Era de minha tia-avó que me olhava com piedade e em silêncio e eu poderia jurar que a ouvi dizer em seguida serei eu a próxima a estar com as narinas entupidas de algodão, olhos cerrados e cercada de flores e eu fiquei com pena dela e a abracei e tentei chorar mas não consegui. Sua mão ossuda e enrugada encravou-se em minha cabeça e pensei que um dia será minha tia depois minha mãe depois meu tio depois minha irmã depois eu depois mais nada, isso se alguma fatalidade não atropelasse a ordem que rezam os segundos. Apenas um mundo feito de ausências. Meu padrinho, que não é da família, mas é como se fosse, dirigiu-se a mim em tom jovial e disse algumas piadas amenas. Achei que não era uma boa decisão fazer piadas naquele momento. Senti-me ofendido, dei-lhe as costas e o deixei falando sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não assisti ao padre rogar para que Deus levasse a alma de minha avó para junto dele, mas seus berros eram tão altos que lá de fora ouvi sua voz itálica. O esquife tinha quatro alças e de repente me vi segurando uma delas, a do lado direito, na dianteira do caixão. E ouvi soluços baixinhos e algumas lamúrias mais contundentes. E senti um engasgo. Fui acometido por uma cegueira repentina e não adiantou nada tentar segurar o pranto. As lágrimas brotavam grossas e caíam violentamente sobre meu rosto e sobre meu peito. Não havia mais como chorar em silêncio e nem como manter a feição sob controle. Tive medo de que faltasse força para segurar o caixão e que, ao vacilar, desmoronasse o corpo de minha avó, mas segurei firme e soluçava tanto que todos pararam de chorar, como se conferissem a mim a tristeza oficial pelo ocaso de minha avó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Causou-me tristeza ver minha avó sendo sepultada em uma gaveta na parede, em vez de ser enterrada em uma cova no chão, na terra. Minha mãe me disse que aquela era a tumba da família. Não retruquei, mas decidi não deixá-la ser depositada lá quando chegasse sua hora e resolvi também anunciar ordem expressa a minha descendência sobre como proceder quando chegasse a minha. Causou-me náuseas o rosto impassível dos coveiros que jogavam pás de cimento para lacrar o túmulo. Agora, eu não sentia nada, a não ser uma ânsia para que a cerimônia terminasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colorido das flores expostas nas bancas à saída do cemitério me devolveu à cidade de meu cotidiano. Agora, a mão que se apoiava sobre meu ombro era a de meu padrinho. Sempre risonho, convidou-me para beber um refrigerante.  Na lancheria, até minha mãe ria de suas piadas. Pela janela, só o que eu conseguia enxergar eram as copas das árvores, tremulando ao vento, no cemitério onde jazia o corpo de minha avó.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/08/ala-do-esquife.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhovNNoRHmu8iE7h6GkUBuEOl_ypScb27SbDY5UtF85eJ5P3KA-noWXW7Qngs2WwjyzpSKdweJY_dD5SvxFzqyc0lifDTTEDmA4p58ZHO1JKN-3yAfD5vm21_AtbZ6DaCX-zNBA4wu9Hegv/s72-c/copas.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-131508296724812595</guid><pubDate>Tue, 05 Aug 2008 04:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-05T05:23:15.505-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>estética da expectativa</title><description>&lt;span style=&quot;color: rgb(204, 102, 0);font-size:130%;&quot; &gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;ou o banheiro do papa poderia ser melhor se você não dissesse que é ótimo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp21piqxKSL75Xj4wqvOeWNbzeDR2pTIpRt2PPyRxEaoYxnsy2XwjvS_VyZHYsKdLgUVc2_pM0AcbyVNm9hxKdjZQziPVTePbahWbzdhL9zhuJ_mWiVHyB1VCcQo_20W6j9xqjahN-ZQlJ/s1600-h/01.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp21piqxKSL75Xj4wqvOeWNbzeDR2pTIpRt2PPyRxEaoYxnsy2XwjvS_VyZHYsKdLgUVc2_pM0AcbyVNm9hxKdjZQziPVTePbahWbzdhL9zhuJ_mWiVHyB1VCcQo_20W6j9xqjahN-ZQlJ/s400/01.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5230886883847585330&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;Se eu tivesse ido assistir O Banheiro do Papa sem maiores expectativa, apenas com aquela idéia de &quot;vamos ver qual é&quot;, talvez tivesse saído do cinema estupefato e emocionadíssimo. Mas fui vê-lo condicionado por dezenas de recomendações e comentários dos mais positivos. Disseram-me que eu não poderia perder. E não perdi. O filme, mas sim a surpresa. Aliás, penso que a expectativa é um integrante fundamental da nossa recepção de obras de arte. Por exemplo, o que diríamos ao ler Ulisses e, sem sabermos tratar-se do colossal livro de Joyce, dissessem-nos que havia sido escrito por um jovem e esquisito escritor cachoeirinhense? O nome do autor, a indicação de conhecidos, as críticas publicadas na imprensa, tudo contribui para que comecemos a formar nossa opinião antes do contato com a obra. A própria obra às vezes condiciona ao nosso entendimento dela mesma. Fico pensando como seria ler – ou ver – Édipo Rei ou Macbeth sem saber nada a respeito. Deve ser uma sensação ímpar, que nunca teremos. &lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;Voltando à vaca-fria, penso que a expectativa que criei em torno de O Banheiro do Papa arrefeceu um pouco o sentimento que tive em relação ao filme depois de vê-lo. Porém não ao ponto de não me fazer reconhecer que é um grande filme e de ver nele inúmeras qualidade. Como já se falou muito sobre a obra – tanto que condicionaram meu olhar – atenho-me a dois pontos que me pareceram muito interessantes. &lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;Um deles diz respeito à complexidade das relações internas da família de Beto, o protagonista. Ele mora em um barraco com a mulher e a filha adolescente. A menina resiste a cumprir o destinos das mulheres daquele pequeno povoado fronteiriço do Uruguai e descarta fazer um curso de corte e costura, pois quer ir a Montevidéu fazer um curso de radialista. A mãe ganha alguns trocados lavando roupas e, quando o marido, muambeiro que atravessa a fronteira duas vezes por dia a bordo de uma bicicleta, sucumbe à fiscalização da fronteira, é ela quem sustenta o trio. Nesta pequena casa, as relação entre Beto, Carmem e a filha Silvia em curto espaço de tempo transitam entre o amor, a esperança e união para forjar um futuro um pouquinho melhor e a frustração, a incompreensão, o ódio e a violência. Este é um dos pontos altos da produção uruguaio-brasileira, pois poucos filmes conseguem urdir tão bem este entrelaçamento entre as vicissitudes da dimensão existencial humana e as contenções impostas pela realidade social. &lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;Outro aspecto notável de O Banheiro do Papa é a desgraça de as pessoas terem de traírem seus próprios sentimentos e princípios em busca da sobrevivência. Ilustra isso a escolha de Beto – se é que podemos chamar escolha uma decisão em que as necessidades imediatas imperam sobre qualquer outra coisa – prestar serviços a Meleyo, o guarda da fronteira mais sacana e, por isso, odiado pela população de Melo. Era a única forma de obter recursos para a construção do banheiro a ser oferecido aos visitantes da cidade durante a visita do papa e que, nos planos de Beto, renderia muito dinheiro. Porém, a aliança com Meleyo representava uma traição ao povoado, à família, e a si próprio. Quando a filha descobre e conta à mãe, ambas se voltam contra o chefe da família que, sozinho e contrariado, não encontra forças para continuar no empreendimento salvador. Mas não se sabe – e certamente nem eles sabem – se é o amor, a compreensão, a esperança ou simplesmente a falta de outra possibilidade que os mantém sempre unidos e confiantes que o futuro será melhor. E será.&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 36pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;&lt;object height=&quot;344&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/kH40Hdvncks&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/kH40Hdvncks&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; height=&quot;344&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/08/esttica-da-expectativa-ou-o-banheiro-do.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjp21piqxKSL75Xj4wqvOeWNbzeDR2pTIpRt2PPyRxEaoYxnsy2XwjvS_VyZHYsKdLgUVc2_pM0AcbyVNm9hxKdjZQziPVTePbahWbzdhL9zhuJ_mWiVHyB1VCcQo_20W6j9xqjahN-ZQlJ/s72-c/01.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-832562069945121871</guid><pubDate>Mon, 21 Jul 2008 18:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-21T11:25:58.333-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">conto</category><title>trilha sonora</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfRwPWnKvVtaHGv7-ji8Ahq8wfa7sdFdHeaQBzReYcacjpSyagB2DL8utQOzZndBIjzUMJLlIKb5mjo6F9nLE8i8yaJivdtsR8h4viSPr2lByKj2NRXfokw2mDqeQNG0L2LdRrT6_GXRwO/s1600-h/ceu.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfRwPWnKvVtaHGv7-ji8Ahq8wfa7sdFdHeaQBzReYcacjpSyagB2DL8utQOzZndBIjzUMJLlIKb5mjo6F9nLE8i8yaJivdtsR8h4viSPr2lByKj2NRXfokw2mDqeQNG0L2LdRrT6_GXRwO/s320/ceu.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5225535113095955682&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Desprestigiado após o advento do cinema falado, o velho Francisco fora-se embora de Mirada das Rochas. Depois de vinte e seis anos trabalhando como responsável pelo acompanhamento musical dos filmes no cinema municipal, ele era agora desnecessário para animar as tardes de domingo. Ninguém sabia seu paradeiro. Além das imagens em movimento, nas películas modernas era possível ouvir as conversas, as risadas, os choros, os tiros e os motores dos carros. O músico não entendia como aquelas pessoas se contentavam com tanta realidade, como conseguiam viver sem “aquela elevação da vida que só a música pode proporcionar”. “O que sobra para os espectadores imaginar”, perguntava a si próprio. “Nada.”    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;Planejou para a última sessão do ano, no dia 23 de dezembro, seu retorno triunfal à cidade. Faria, junto a seus amigos mais próximos, “todos músicos da maior qualidade”, um concerto defronte ao cinema. Mas um concerto tão grandioso, que seria impossível ouvir o som do filme. No dizer de Francisco, um presente aos moradores de Mirada das Rocas. Postou-se atrás de uma árvore na praça central e, tão logo iniciou a sessão, fez sinal aos músicos para que se aproximassem.&lt;span style=&quot;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;No programa, constavam peças de Beethoven, Bach, Mozart, Brahms. Planejara tocar enquanto durasse a exibição do filme. Antes, porém, de terminar a música escolhida para abrir a apresentação, a Nona de Beethoven, a turba enfurecido saía pela porta do cinema em sua direção, arremessando-lhe impropérios, pedras, frutas e pipocas. Só quando Francisco conseguiu desvencilhar-se da confusão foi que percebeu que lhe haviam quebrado o arco do violino. &lt;/p&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/07/trilha-sonora.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfRwPWnKvVtaHGv7-ji8Ahq8wfa7sdFdHeaQBzReYcacjpSyagB2DL8utQOzZndBIjzUMJLlIKb5mjo6F9nLE8i8yaJivdtsR8h4viSPr2lByKj2NRXfokw2mDqeQNG0L2LdRrT6_GXRwO/s72-c/ceu.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-253759123177559229</guid><pubDate>Thu, 14 Feb 2008 15:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-14T10:09:59.865-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">conto</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">microconto</category><title>microcontos</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQNHwQfFzifySJVgCtXOLQVy37bJ1CcdfUdC50KeV1f0EaTfBSDnTVlCKfGiP7Z8wntD5R0IFBJGmz4h9mx6y-2BAvz7nUPhNipkzzbtOEBSMWoT12u0_U-o7iVYk5Ix6ZBHJOBH17MhKM/s1600-h/aviao3.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQNHwQfFzifySJVgCtXOLQVy37bJ1CcdfUdC50KeV1f0EaTfBSDnTVlCKfGiP7Z8wntD5R0IFBJGmz4h9mx6y-2BAvz7nUPhNipkzzbtOEBSMWoT12u0_U-o7iVYk5Ix6ZBHJOBH17MhKM/s400/aviao3.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5166868928004669154&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;Microconto é uma espécie de conto que anda meio na moda nos meios literários. Muitos entendem que microconto e miniconto são a mesma coisa, mas eu acho que não. Acho que o miniconto é apenas um conto pequeno, que cabe, por exemplo, em uma página. Mas o microconto é o ápice da concisão. Poucas frases, no máximo três. De preferência uma. O problema é que muita gente confunde microconto com poema em prosa, ou com piadinha, ou com o que daria pra chamar de sacada de publicitário. Mas para ser conto tem que haver uma narrativa, senão é qualquer outra coisa e pode até ter seu valor, mas conto não é. O guatemalteco Augusto Monterroso escreveu aquele que é considerado o melhor microconto. É assim: &quot;Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.&quot; Genial, mas prefiro este, de Hemingway: &quot;Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.&quot; E eu, de brincadeira, resolvi escrever alguns. Ei-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;VISITA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Depois  de  espiar  pelo  olho  mágico,  tentou  fugir  pela  janela  e  rachou  a  cabeça  no  meio-fio.  Tudo  por  medo  daquela  velha  magra  vestida  de  preto  que  tocara  a  campainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;AMOR  VOLÁTIL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Respondeu  sim.  No  minuto  seguinte,  não  estava  mais  a  fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;ORGULHO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ela  chorava  no  avião.  Ele  vertia  lágrimas  no  colchão.  Ambos  sem  coragem  de  pedir  perdão.</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2008/02/microcontos.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQNHwQfFzifySJVgCtXOLQVy37bJ1CcdfUdC50KeV1f0EaTfBSDnTVlCKfGiP7Z8wntD5R0IFBJGmz4h9mx6y-2BAvz7nUPhNipkzzbtOEBSMWoT12u0_U-o7iVYk5Ix6ZBHJOBH17MhKM/s72-c/aviao3.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-5138593781772061451</guid><pubDate>Wed, 05 Dec 2007 13:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-14T10:09:33.221-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>um beijo, à distância</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUQe47_OQw-d_KupnqtaszK9Po38lvwzKYEjbQYgwgsRXWZ1zsx0bvXgXNGhf9QYzuIYHcdlHxDQZPAnjTpdDXyCaqaT9CnM2bBh9YRxpVD83o2k8uN5eQGN1EB9tNi74odYU2fbd9qW7e/s1600-h/janoite.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUQe47_OQw-d_KupnqtaszK9Po38lvwzKYEjbQYgwgsRXWZ1zsx0bvXgXNGhf9QYzuIYHcdlHxDQZPAnjTpdDXyCaqaT9CnM2bBh9YRxpVD83o2k8uN5eQGN1EB9tNi74odYU2fbd9qW7e/s400/janoite.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5166899306308353778&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;Eu estava tão feliz, apenas pela pequena delicadeza de me mandares um beijo, à distância. Depois de tantos dias de solidão, febre e envelhecimento, aquele teu gesto me restituiu o homem que eu não encontrava mais em mim, e em minha janela eu já conseguia ver estrelas e até uma ponta da lua. E me permitiu olhar não mais apenas para o passado, mas adiante. Restos de força recolhi pelos cantos da casa para refazer meu sorriso e meu olhar que iriam te receber com tamanho entusiasmo e aplacariam tudo o que não coubesse naquele abraço longo e sôfrego que eu antevia. Estava tão feliz e parecia definitivo, embora não ignorasse que a felicidade se leva muito tempo para construir e um instante para pôr abaixo. Como num golpe, as gigantes nuvens carregadas voltaram a espreitar meu desassossego. Mas guardei aquela tua pequena delicadeza que traduzi como prova de amor. Aquele beijo, à distância, guardei bem junto de mim. E é ele que docemente me desperta a cada manhã.&lt;/span&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/12/um-beijo-distncia.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhUQe47_OQw-d_KupnqtaszK9Po38lvwzKYEjbQYgwgsRXWZ1zsx0bvXgXNGhf9QYzuIYHcdlHxDQZPAnjTpdDXyCaqaT9CnM2bBh9YRxpVD83o2k8uN5eQGN1EB9tNi74odYU2fbd9qW7e/s72-c/janoite.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-5885474019598273401</guid><pubDate>Thu, 22 Nov 2007 03:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-24T15:55:14.742-08:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">conto</category><title>e agora você está só</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-LktAS8YUnX8S71ZKSje7zhoTg7CnFG8Y7giTOClR23qjJaN3_nlojfpsdJ0AaKdP3IxI9B6vOpsAS-Kt9Gt33LSUx8NyHWYxDoNHj71keT9BghOz2-H9fU1NxAjoY2yLHX_zdStKA2Bb/s1600-h/solidao.bmp&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-LktAS8YUnX8S71ZKSje7zhoTg7CnFG8Y7giTOClR23qjJaN3_nlojfpsdJ0AaKdP3IxI9B6vOpsAS-Kt9Gt33LSUx8NyHWYxDoNHj71keT9BghOz2-H9fU1NxAjoY2yLHX_zdStKA2Bb/s200/solidao.bmp&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5135510492728550226&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 17pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;  &lt;/p&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:8;&quot;  &gt;&lt;span style=&quot;font-size:78%;&quot;&gt;(...) é muito mais fácil contabilizar os números do que os sentimentos e as culpas pelo que cada um está fazendo de errado. Fechar a conta somando e diminuindo os custos é um exercício de cálculo. Fechar a conta somando e diminuindo os erros e acertos é um exercício de humildade. Fechar a conta sem sequer abri-la é um exercício de generosidade. (&lt;a href=&quot;http://magsine.wordpress.com/2007/11/14/o-limbo-de-memorias-onde-apareceu-hoje-um-prato-quebrado-no-passado/&quot;&gt;André Mags&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;E agora você está só. E agora você tem apenas um passado tão lindo que lhe dá medo memorá-lo, pois dói tanto sabê-lo passado, absoluto, cada vez mais distante. Passado que você não consegue nem jogar fora nem pendurar na parede. Todos aqueles planos tão singelos e tão sonhados agora pertencem ao futuro do pretérito. Pertencem a um futuro que não enxergam os olhos da esperança, mas os embaçados olhos do inalcançado. Você queria tanto fazer o tempo voltar um pouquinho. E a angústia de não poder. Se você soubesse o que estava em jogo. Mas você sabia. Se você soubesse que não valem as palavras, não valem os humores, não valem as incomodaçõezinhas ante ao fato de que aquela mulher detentora da sua felicidade pode simplesmente dizer-lhe adeus. Mas você sabia. Agora o que importa seu orgulho? O que importa seu ímpeto? Agora o que importa quem tinha razão? O que importa agora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;Agora você está só. E não se trata, você bem sabe, daquela solidão boa que você antes chegava a ensejar. Agora sua solidão é uma solidão impossível. Impossível e permanente. Uma solidão pesada que não é liberdade, mas é falta, é lembrança, é ausência. Uma solidão que no cinema vai comer pipoca ruidosamente ao seu lado. Que no bar vai estar caindo de bêbada e babujar com hálito quente e mal-cheiroso verdades na sua cara. Que nas viagens vai convidar-lhe para voltar para casa e em casa vai implorar-lhe para fugir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;Só. E você bem sabe que não adianta pensar que a morte existe e que de qualquer modo todos temos de enfrentar. Porque a morte é um imperativo, a morte nos transcende. Mas sua felicidade está logo ali, e poderia bastar um telefonema. Tudo que você queria é que ela atendesse o telefone e mesmo com uma voz amuada aceitasse passar o fim de semana em um chalezinho de um lugar quase deserto para que você pudesse propor a renúncia a tudo o que não seja amor. Aí você mostraria para ela o quanto a ama e você seria feliz apenas por vê-la sorrir, por vê-la dormir, por vê-la acordar e lhe dar bom dia. Você seria feliz apenas por vê-la feliz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify; text-indent: 27pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;Mas agora você está só. E o arrependimento é um grito sem reverberação, que só você ouve e de nada adianta. E você sabe que não há culpados porque não há crime. E agora você descobriu que tudo foi posto fora e não precisava, e não devia, e não podia. E você não queria. Mas por algo que você não sabe ao certo – orgulho? egoísmo? intolerância? – você trocou o tudo pelo nada. Lembra daqueles programas idiotas de televisão? “Você troca uma banana estragada por um automóvel?” “Siiiiiiiiimmmmmmmm”. Você trocou. E agora você está só. Insuportavelmente só.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/11/e-agora-voc-est-s.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-LktAS8YUnX8S71ZKSje7zhoTg7CnFG8Y7giTOClR23qjJaN3_nlojfpsdJ0AaKdP3IxI9B6vOpsAS-Kt9Gt33LSUx8NyHWYxDoNHj71keT9BghOz2-H9fU1NxAjoY2yLHX_zdStKA2Bb/s72-c/solidao.bmp" height="72" width="72"/><thr:total>13</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-4417785396040427202</guid><pubDate>Fri, 12 Oct 2007 17:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-12T11:40:58.312-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">chapéu alheio</category><title>a morte de ivan ilitch</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://www.liceus.com/cgi-bin/gui/04/tolstoi.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px;&quot; src=&quot;http://www.liceus.com/cgi-bin/gui/04/tolstoi.jpg&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;line-height: 150%;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;como escrevi outrora aqui, a idéia original do blogue não é postar citações alheias. na falta de tempo e daquilo que se chama abstratamente de inspiração, porém, um cumprimentozinho com chapéu alheio não é idéia desprezível. por isso, hoje cumprimento com o chapéu pesado e doloroso de Tolstói. trata-se de um trecho de &quot;a morte de ivan ilitch&quot; em que o personagem que dá nome à novela, conversa, por assim dizer, com uma voz interior, espirutual, a pouco tempo do inevitável fim de sua existência:&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote  style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 0);font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;— Viver? Viver como? — perguntou a voz do espírito.&lt;br /&gt;— Sim, viver como vivi antes: bem, agradavelmente.&lt;br /&gt;— Como viveste antes, bem e agradavelmente? — perguntou a voz. E ele começou a examinar na imaginação os melhores momentos de sua vida agradável. Mas, fato, estranho, todos estes momentos melhores de uma vida agradável pareciam agora completamente diversos do que pareceram então. Tudo, exceto as primeiras recordações da infância. Lá, na infância, existia algo realmente agradável, e com que se poderia viver, se aquilo voltasse. Mas não existia mais o homem que tivera aquela experiência agradável: era como que a recordação sobre alguma outra pessoa.&lt;br /&gt;E apenas começava aquilo que dera em resultado o seu eu atual, Ivan Ilitch, tudo o que parecia então ser alegria derretia-se aos seus olhos, transformando-se em algo desprezível e freqüentemente asqueroso.&lt;br /&gt;E quanto mais longe da infância, quanto mais perto do presente, tanto mais insignificantes e duvidosas eram as alegrias. A começar pela faculdade de Direito. Ali ainda havia algo verdadeiramente bom: havia a alegria, a amizade, as esperanças. Mas, nos últimos anos, esses momentos bons já eram muito raros. Depois, no tempo do seu primeiro emprego, junto ao governador, surgiram de novo momentos bons: eram as recordações do amor a uma mulher. A seguir, tudo isso se baralhou, e sobravam ainda menos coisas boas. Adiante, ainda menos, e, quanto mais avançava, mais elas minguavam.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote  style=&quot;font-family:verdana;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:100%;&quot;&gt;(León Tolstói. in: A Morte de Ivan Ilitch)&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/10/morte-de-ivan-ilitch.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-5451459410162909662</guid><pubDate>Wed, 05 Sep 2007 12:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-09-05T05:41:04.930-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>um rato foi atropelado ao tentar atravessar a rua</title><description>&lt;span style=&quot;font-size: 10pt; line-height: 150%; font-family: Verdana;&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;Um rato foi atropelado ao tentar atravessar a rua. Em meio ao largo asfalto da avenida, seus restos jazem esmagados, quase irreconhecíveis, não fosse o rabo, inconfundível cauda comprida e fina de um rato que viveu se alimentando das nojeiras humanas. Um rato foi atropelado ao tentar atravessar a rua. E os carros seguem passando por cima do rato. Carros com gente séria, apressada, atrasada, alarmada. Carros com gente se escondendo em cigarros, telefones, óculos escuros. Gente se escondendo atrás da dissimulada seriedade. Gente correndo atrás de comida. Gente correndo atrás de gente. Em meio ao zumzumzum e ronronrom dos carros que passam sem elegância, apresentam-se as já secas vísceras do rato que foi atropelado ao tentar atravessar a rua. Talvez o autor do acidente nem saiba que o cometeu, mas eu sei que morreu um rato, porque vi os restos estraçalhados do que fora, há pouco, um rato. Se tinha filhos não sei. Sua idade, por onde andou, onde dormia são informações que ignoro. Só sei que um rato foi atropelado ao tentar atravessar a rua. Mas com tantas atrocidades por aí, pode dizer-me alguém, e enumerar com indignação a guerra, a fome, a aids, a violência, o meio ambiente em degradação. Porém, só o que me tirou do torpor ligeiro do dia-a-dia foi aquele rato que não teve sucesso na tentativa de chegar ao outro lado da rua. Que ia ele fazer no lado oposto é um mistério que nunca será revelado. Com o passar dos pneus, o tempo veloz não deixará nenhum vestígio daquele ser. Os carros seguirão passando, os senhores e senhoras continuarão passando, as crianças continuarão a brincar. Eu continuarei passando por ali e pode ser até que um dia este episódio se apague por completo da minha memória. Mas um rato foi atropelado ao tentar atravessar a rua.</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/09/um-rato-foi-atropelado-ao-tentar.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-3002399217431854005</guid><pubDate>Wed, 01 Aug 2007 19:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-08-04T22:28:20.355-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cinema</category><title>o maior artista de cinema desde a invenção da câmara de filmar</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgeZnwYDH9HPvhaV14njHrAXG6oAx3IDtt_VzIMz69kBlewdtM-_hqjVKUq51QBxzYCDsHIjdh2FdCNzGFdJoVGef93vcZZczIJO-BPNOyB6hKdRypmoHLXbgmIIkZ4wclPkUyAsSnoNtwL/s1600-h/bergman3.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgeZnwYDH9HPvhaV14njHrAXG6oAx3IDtt_VzIMz69kBlewdtM-_hqjVKUq51QBxzYCDsHIjdh2FdCNzGFdJoVGef93vcZZczIJO-BPNOyB6hKdRypmoHLXbgmIIkZ4wclPkUyAsSnoNtwL/s400/bergman3.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5093825515608186242&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:90;&quot;&gt;A morte de Ingmar Bergman, ocorrida por irônica coincidência no mesmo dia da morte de Michelangelo Antonioni, encerra o mais artisticamente grandioso ciclo da arte cinematográfica. Para mim, Bergman foi o maior realizador da história da cinema. Se suas obras-primas fossem apenas O Sétimo Selo, Gritos e Sussurros e Morangos Silvestre, já o seria, mas tem ainda a trilogia do silêncio, Sonata de Outono, Persona, A Flauta Mágica, entre tantos outros. Fellini foi mais criativo? Antonioni foi mais ontológico? Eisenstein foi mais técnico? Glauber foi mais engajado? Buñuel foi mais visceral? Tarkovski foi mais poético? Kubrick foi mais pictório? Kurosawa foi mais terno? Visconti foi mais versátil? Talvez. Mas o mestre sueco soube usar cada um desses ingredientes como ninguém soube e, arrisco, não saberá. É por isso que, como disse Woody Allen, Bergman foi o maior artista do cinema desde a invenção da câmara de filmar. E por falar em Woody Allen, será ele o maior cineasta vivo a partir da morte de Bergman e Antonioni? Não vejo muita concorrência. Apenas Godard pode fazer frente. Mas acho que Godard é mais importante como agitador cultural do que como realizador de cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;*Postei uma homenagem a Bergman e Antonioni no blogue &lt;a href=&quot;http://outrocine.blogspot.com/2007/08/homenagem-bergman-e-antonioni.html&quot;&gt;OutroCine&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/08/o-maior-artista-de-cinema-desde-inveno.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgeZnwYDH9HPvhaV14njHrAXG6oAx3IDtt_VzIMz69kBlewdtM-_hqjVKUq51QBxzYCDsHIjdh2FdCNzGFdJoVGef93vcZZczIJO-BPNOyB6hKdRypmoHLXbgmIIkZ4wclPkUyAsSnoNtwL/s72-c/bergman3.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-1407281311434739171</guid><pubDate>Thu, 26 Jul 2007 17:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-07-27T11:32:45.424-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>uuuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhh........</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhe_6XAYj-_yNPVa8LeMnXacLVXr2stRFMLbQ0qMcIPJToN2IaE-g07ZJJC4ORtZGRP1Dba04OX8kD03TjabpuTEAQzgXkPETrdzxbxqJUNUB-jedPr8ZP-TfV8y205hHWoHWU_9yzjF0Lb/s1600-h/grito2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhe_6XAYj-_yNPVa8LeMnXacLVXr2stRFMLbQ0qMcIPJToN2IaE-g07ZJJC4ORtZGRP1Dba04OX8kD03TjabpuTEAQzgXkPETrdzxbxqJUNUB-jedPr8ZP-TfV8y205hHWoHWU_9yzjF0Lb/s400/grito2.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5091943503888751986&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(51, 51, 51);font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 0);&quot;&gt;A cordialidade do brasileiro só se manifesta quando não deveria, quando não é cordialidade, mas letargia, inércia, covardia, preguiça, servidão, egoísmo. O sentimento de nacionalidade é (mal) catalisado para o esporte. A cada medalha somos mais orgulhosos do Brasil, não por vontade própria, mas instados pelo Galvão Bueno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 0);&quot;&gt;Os jogos pan-americanos do Rio de Janeiro serviram ao extravasamento da idiotia e da bestialidade em que naufraga a nação. As vais despropositadas e infelizes que se viu em certas situações impróprias comprovam a constatação. Nada mais propício para mostrar o lado escuro da humanidade do que o anonimato proporcionado pela massa. Não sou o João, o Pedro, a Maria nem a Iracema, sou brasileiro, torcedor, sou o povo. Não me julguem, julguem a massa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 0);&quot;&gt;Em diversas ocasiões durante os jogos foi triste ver o público usar a força da coletividade para tão torpe manifestação. É claro que toda a torcida quer ver seu país no local mais alto do pódio – para usar o jargão dos narradores. Porém, ao menos nas provas individuais e que sobremodo exigem concentração, não é razoável que, no intuito de favorecer um atleta brasileiro, atrapalhe-se com vais a concentração de outro. Peguemos como exemplo a ginástica. Nas provas de salto, uma esportista cubana, sob os gritos desencorajadores da turba, perdeu a concentração e o equilíbrio, não conseguindo permanecer em pé após a manobra. Deleite da massa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 0);&quot;&gt;Em outra ocasião, a vaia foi ainda mais imprópria. As seleções brasileira e cubana de vôlei feminino protagonizaram talvez o jogo mais disputado da história deste esporte. Na disputa pela medalha de ouro, ambas as equipes se apresentaram maravilhosamente e eram dignas do título. No &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;tiebreak&lt;/span&gt;, vitória apertadíssima da seleção da ilha caribenha, prata para o excelente time brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 0);&quot;&gt;Neste tipo de esporte, coletivo e de embate direto – diferente da ginástica, em que a classificação depende do cotejo das notas atribuídas à apresentação individual dos atletas – vaias à equipe adversária são perfeitamente justificáveis. Agora, na entrega das medalhas, as campeãs mereciam o aplauso e o reconhecimento por terem batido um adversário fortíssimo. O que ocorreu, entretanto, foi uma chuva de vaias com o objetivo de estragar a festa das cubanas. Lamentável. Deve ter sido a válvula que garante aos brasileiros a medalha da cordialidade frente ao fato de subirmos impassíveis ao pódio da desigualdade social.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/07/uuuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhh.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhe_6XAYj-_yNPVa8LeMnXacLVXr2stRFMLbQ0qMcIPJToN2IaE-g07ZJJC4ORtZGRP1Dba04OX8kD03TjabpuTEAQzgXkPETrdzxbxqJUNUB-jedPr8ZP-TfV8y205hHWoHWU_9yzjF0Lb/s72-c/grito2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-4110238210420172942</guid><pubDate>Mon, 23 Jul 2007 06:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-07-26T14:22:49.061-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cinema</category><title>declaração de amor ao cinema</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://www.saneamentobasicoofilme.com.br/cenas/72/18.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px;&quot; src=&quot;http://www.saneamentobasicoofilme.com.br/cenas/72/18.jpg&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;    Atingir a simplicidade aliada à qualidade é tarefa muito mais difícil do que parece. Tanto que Jorge Furtado, um dos melhores e mais criativos cineastas do Brasil, precisou de quatro longas para resolver esta equação. Mas o fez, com &lt;a href=&quot;http://www.saneamentobasicoofilme.com.br/&quot;&gt;“Saneamento Básico”&lt;/a&gt;, um filme engraçado e inteligente que, no dizer do próprio cineasta, é “uma declaração de amor ao cinema” (não confundir declaração de amor com chatice militante).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Depois de realizar ótimos curtas como “O dia em que Dorival encarou a guarda”, “Esta não é a sua vida”, “Ângelo anda sumido”, “Sanduíche” e, claro, “Ilha das Flores”, além de trabalhos legais para televisão, Furtado realizou três longas decepcionantes. Tanto “Houve uma vez dois verões” quanto “O homem que copiava” e “Meu tio matou um cara” têm elementos de criatividade e competência, porque Furtado é um ótimo cineasta, mas todos pareciam não fazer jus ao potencial do diretor. Parecia que o cineasta gaúcho se conformara a reproduzir o esquema de comédia do núcleo Guel Arraes da TV Globo e, por outro lado, não havia se desembaraçado do esquema narrativo que o consagrou em Ilha das Flores. Em suma, parecia faltar fome artística a Furtado.&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;    Saneamento Básico prova que é possível fazer um filme inteligente, engraçado e de apelo popular, não um apelo que faz concessões aos ditames estéticos e narrativos já constituídos, mas que convida o espectador a participar do filme, em vez da atitude arrogante que se vê por aí dizendo: “sou um cineasta inteligente e meus filmes só podem ser vistos por pessoas cultas (ou cult, para soar mais cult)”. Nem isso e nem “faço filmes bobinhos e rasos porque o que o povão quer é mais do mesmo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;    O filme serve também como um manual prático de cinema para iniciantes, com problemas com que qualquer pessoa que já se aventurou a produzir uma obra audiovisual já enfrentou. A história se passa em um lugarejo no interior de Bento Gonçalves, na serra gaúcha. A comunidade tenta solucionar o problema com a fossa sanitária, que expele um cheiro horroroso. Na prefeitura, recebem a resposta de que não há verbas para obras de saneamento básico, mas existe um financiamento de 10 mil reais do Ministério da Cultura para a produção de um curta. A idéia é fazer um vídeo qualquer para usar o dinheiro na obra. O único porém é que aquelas pessoas não sabem absolutamente nada sobre cinema. Ao saber da exigência do edital de que a produção deve ser de ficção, imaginam que precisam fazer uma ficção científica. A idéia, que parece à primeira vista uma insensatez, vai ganhando força e, principalmente, o entusiasmo dos envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;    No início, a única pessoa que se engaja para a produção do vídeo – mesmo assim com o único objetivo de resolver o problema da fossa – é Marina, a personagem de Fernanda Torres. O primeiro a comprar a idéia é Joaquim, o marido de Marina, vivido por Wagner Moura. Silene (Camila Pitanga), a fútil e bela irmã de Marina, vê no projeto uma forma de extravasar sua vaidade e quem sabe catapultar uma carreira de modelo, e Fabrício (Bruno Garcia), proprietário de uma pousada no local e namorado de Silene, é o dono da câmera, e só aceita participar da filmagem por temor de que estraguem o equipamento. Otaviano (Paulo José), pai de Marina, é um velho e desiludido veneziano de uma família nobre e decadente. Teve educação, ouve ópera, mas ganha a vida fabricando móveis nos confins do Rio Grande do Sul. Aos poucos, todos vão sendo seduzidos pela construção do vídeo, que ganha fôlego com a entrada de Zico (Lázaro Ramos), dono de uma produtora de vídeo em Bento especializada em aniversários e casamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;    Saneamento Básico não tem um personagem principal, cada um tem mais ou menos a mesma importância no filme. E um dos motivos de Saneamento Básico ter dado certo é a complexa particularidade de cada personagem. Não há tipos, cada um possui suas vicissitudes que garantem a singularidade. Quem mais corre o perigo de tornar-se um tipo é Silene com seu sonho de celebridade, mas não chega a cair no estereótipo. Ela difere muito da irmã, cujo investimento não é em si próprio, mas em um projeto que melhorará a vida de todos. Os atores sem dúvida foram importantíssimos para a composição dos personagens. A máxima de Hitchcock, “ator é gado”, não é compartilhada pelo diretor de Saneamento Básico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:100%;&quot;  &gt;    É um filme que pode ser visto por vários vieses, inclusive opostos. E isso é o que confere qualidade artística a uma obra. Inúmeras “caixas de diálogo” surgem ao longo da projeção. Quem está interessado em apenas uma história boa e bem contada, fica satisfeito. Mas quem acha que um filme deve “levantar questões”, também é um prato cheio. Um país pobre, com chagas sociais gritantes, pode dar-se ao luxo de despender milhões e milhões de reais para a produção de cinema? Obras de saneamento são mais importantes que o investimento em cultura? O esforço pessoal para obter resultados coletivos vale mais a pena do que o auto-investimento? Essas e muitas outras questões estão presentes no filme, sem resposta. A única afirmação é a do poder que a cultura (especificamente o cinema) tem de transformar as pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:verdana;font-size:85%;&quot;  &gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(153, 153, 153);&quot;&gt;O trailer do filme:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height=&quot;350&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/ucuArxDO8Dk&quot;&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/ucuArxDO8Dk&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; wmode=&quot;transparent&quot; height=&quot;350&quot; width=&quot;425&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista de Furtado à Carta Capital no blogue &lt;a href=&quot;http://outrocine.blogspot.com/2007/07/entrevista-com-jorge-furtado.html&quot;&gt;OutroCine&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/07/declarao-de-amor-ao-cinema.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-423315584098926135</guid><pubDate>Wed, 18 Jul 2007 19:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-07-20T09:15:58.363-07:00</atom:updated><title></title><description>Em tempos de supremacia da auto-ajuda (ainda que disfarçada de neuro-lingüística e outras fantasias), é cada vez mais difícil escrever um texto como o que pretendo sobre o terrível acidente aéreo ocorrido na terça-feira em São Paulo. Mas tento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que saibamos que a morte faz parte da vida, a dor da perda de pessoas queridas é sempre dolorosa, principalmente quando acontece de uma forma inesperada como esta. Há centenas, milhares de pessoas que morrem diariamente em decorrência da desigualdade social extrema e violenta, da fome, das guerras (declaradas ou não), do descaso no sistema público de saúde, da forma de vida cada vez menos humana que a humanidade tem escolhido. Mas um acidente destes, tão próximo de nós, obriga-nos à reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que se toma conhecimento da notícia do acidente, a primeira coisa que se torce é para que não haja nenhum conhecido entre os passageiros do vôo. Mas logo passei a pensar nas tantas pessoas por quem tenho profundo carinho e que faz tempo que não vejo. Anos, em alguns casos. Se uma delas estivesse à bordo do avião que explodiu, viria o remorso de não ter compartilhado mais a vida enquanto havia chance. Quem sabe falar-lhe sobre o quanto gosto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco, uma amiga escreveu em seu &lt;a href=&quot;http://mulherdesardas.blogspot.com/&quot;&gt;blogue&lt;/a&gt; uma carta aberta a uma conhecida dela com quem se encontrara fortuitamente depois de muito tempo. Esta amiga da minha amiga cogitou uma consulta aos astros para saber o que eles planejavam com aquele encontro. Não sei se os astros tiveram responsabilidade nisso, não creio que eles tenham este poder. Mesmo que tivessem, não deveríamos contar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submersos em compromissos, acabamos deixando pra depois e por fim esquecendo o compromisso de matar a saudade, compartilhar a vida, estar com quem amamos e com quem nos ama. Às vezes substituem isso por contatos frios e distantes pelo orkut, msn etc. Auto-engano. A vida é o que existe, e não se pode saber até quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Acabo de pensar que tudo o que eu queria escrever aqui já foi escrito tanto, e que às vezes as palavras não valem quase nada.)</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/07/em-tempos-de-supremacia-da-auto-ajuda.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-8420109520516135087.post-6024690690137430184</guid><pubDate>Mon, 16 Jul 2007 19:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-07-18T12:36:49.733-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><title>meteorologia</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://wvs.topleftpixel.com/photos/hays_cottage_tall_clouds_island_dark.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px;&quot; src=&quot;http://wvs.topleftpixel.com/photos/hays_cottage_tall_clouds_island_dark.jpg&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;Esta tarde faz vermelho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;Sinal de que a noite &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;Será carregada de vazios&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;E carente de estrelas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Prevejo tempos de desalegria&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;Desalento pelas manhãs&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;E crepúsculos duradouros&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;Mas com nuvens de esperança&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:Verdana;font-size:10;&quot;  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://portadordeausencias.blogspot.com/2007/07/meteorologia.html</link><author>noreply@blogger.com (wagner)</author><thr:total>1</thr:total></item></channel></rss>