<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098</atom:id><lastBuildDate>Fri, 30 Aug 2024 04:08:39 +0000</lastBuildDate><title>Princesa Ameba</title><description></description><link>http://princesameba.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Unknown)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-4460802357092569840</guid><pubDate>Wed, 27 Aug 2008 00:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-26T21:42:32.191-03:00</atom:updated><title>Capítulo XX</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#993399;&quot;&gt;S&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;aiu do quarto pé ante pé. Olhando para os lados, foi caminhando devagar pelos corredores, escolhendo caminhos que ela acreditava serem mais seguros. Não estava acostumada a caminhar pelo castelo neste horário. Apesar disso, sabia que se algum empregado ainda estivesse acordado, estaria em determinadas áreas, as quais ela evitou na medida do possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram dois andares para descer. Escolheu a escada mais próxima de seu quarto, mas chegando ao primeiro andar, precisou percorrer todo o corredor para ter acesso à outra escada, a fim de evitar os cômodos da área de refeições. Depois, já no andar térreo da construção, percorreu novamente todo o corredor para ter acesso ao jardim por uma porta lateral, mais discreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns trechos precisou usar seu instinto, como Theodore havia dito, tal era a escuridão. Mas continuou, decidida. Já estava quase chegando à porta envidraçada por onde sairia, quando ouviu passos. Olhou ao redor procurando um local para esconder. O som dos passos ficava mais alto e ela não tinha muito tempo. Sem outra opção, jogou-se no chão e rolou para o lado entrando debaixo de um aparador de onde pendiam duas frondosas samambaias. Estas, de tão amplas, quase chegavam ao chão, como uma saia, atrás da qual a princesa se escondeu. Confiando no fato de estar escuro, ficou ali quieta e esperou que o criado passasse. Esperou um pouco mais e quando teve certeza de que ele não voltaria, saiu debaixo do aparador e dirigiu-se rapidamente à porta do jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um ruído seco destrancou a porta e a abriu, bem devagar. O cheiro das flores invadiu seus sentidos e o ar fresco da noite a envolveu. Ajustou o xale nos ombros e saiu, tomando o cuidado de fechar novamente a porta. Não sabia para onde devia ir, mas confiou que William logo a encontraria. E assim aconteceu. Ela nem precisou dar dois passos e ele já estava ao seu lado. À luz do luar ele parecia ainda mais bonito. Olhava para ela com tanto cuidado. Tinha nos olhos aquele mesmo brilho da manhã, talvez um pouco mais intenso agora. O tempo pareceu parar e aquele olhar penetrou o fundo de sua alma. Sentiu-se subitamente calma. Sorriu para ele e esperou que aquele momento nunca acabasse. Então uma brisa tocou seu rosto e a despertou. O rapaz também pareceu perceber que precisavam sair dali o mais rápido possível. Foi apenas um sussurro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Venha, não há muito tempo. Ninguém pode nos ver aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz pegou sua mão e rapidamente a puxou para dentro de um arbusto alto. O toque macio em sua mão era tão natural quanto era estranho entrar no meio de um arbusto àquela hora da noite. Sentiu-se levada através das folhas por alguns passos até chegar a um portão oculto pela vegetação. Nunca soube que havia ali um portão. Indagou-se para onde daria, mas não houve muito tempo para pensar nisso - logo foram entrando por ele. Do outro lado, corredores sem janelas, como um porão, iluminados por tochas presas às paredes úmidas. Seguiram por aproximadamente seis metros num aclive leve até chegar a uma escada que descia até um átrio pequeno com apenas duas portas situadas em lados opostos. Tomaram a da direita, saindo em outro corredor por onde andaram mais alguns metros até chegar diante de uma bifurcação onde cada um dos lados dava acesso a uma escadaria. A da esquerda descia ainda mais e a da direita subia. Tomaram a escada da direita e subiram por uma escada estreita e sinuosa que terminava numa porta muito pequena e velha, sendo necessário ajoelharem-se para atravessar. Atrás dela havia outro arbusto numa área que parecia ser um pequeno pátio, largo e descoberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram pela pequena porta com certa dificuldade. No centro havia um poço de onde saía um suporte de madeira. Um balde, preso ao suporte por uma corda, descansava na beirada do poço. Do mesmo suporte, saíam vários arames que tinham as outras extremidades presas nas paredes externas do pátio, onde várias portas intercalavam outras tantas janelas. Havia apenas um pequeno archote iluminando o pátio. Atravessaram rapidamente, desviando de lençóis alvos pendurados nos varais parando diante de uma das portas, ao lado da única janela um pouco iluminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William bateu levemente, abriu a porta e deixou-a entrar antes dele. Finalmente, do outro lado, estavam Theodore e Moira. Era uma sala pequena com aparência extremamente simples, mas muito aconchegante. Tecidos bonitos e coloridos adornavam três poltronas pequenas ao redor de uma lareira discreta. Na mesma parede, mais à direita, um fogão com um velho bule soltava uma pequena nuvem de fumaça branca. Havia também uma mesa de madeira rústica arrumada para quatro pessoas, com grandes canecas de cerâmica e um prato de bolinhos no centro. O aroma do café fresco inundava o ambiente e os convidava a uma boa conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu-se bem vinda e sorriu para si mesma. Trocaram cumprimentos e Theodore indicou uma das cadeiras ao redor da mesa à princesa. William sentou-se de seu lado direito, Theodore em frente e Moira, depois de pegar o bule no fogão, encheu de café cada uma das canecas antes de sentar-se de seu lado esquerdo. A bebida estava quente e saborosa. Achou que seria educado aceitar os bolinhos que Moira lhe oferecia. Eram deliciosos, nada parecidos com o que comia no castelo. Saboreou-os com a expressão claramente satisfeita. Então, sentiu a ansiedade voltar novamente. Queria que começassem logo a falar, a tirá-la da escuridão em que se encontrava. Não entendia nada do que estava acontecendo e aquela família parecia ter ao menos algumas respostas. O café estava quente e encorpado, muito saboroso. Ela pensou que não poderia haver bebida melhor numa ocasião como aquela. Sentiu-se aquecida e agradecida. Descansou a caneca na mesa e fixou o olhar em Theodore a fim de deixar claro que estava pronta para ouvir, fosse o que fosse.&lt;br /&gt;O velho senhor a olhou com muito carinho e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Princesa, não sei se poderemos dar todas as respostas às suas dúvidas mas garanto que diremos tudo o que soubermos. Aquilo que não estiver ao nosso alcance, teremos que descobrir juntos. Tudo o que ouvir aqui hoje pode parecer uma grande loucura. Porém, diante do que nos confidenciou na biblioteca, acredito que não será mais louco do que os sonhos e os acontecimentos a que a senhorita se referiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois bem. Moira, eu e William não somos daqui deste reino. Viemos de muito longe há muitos anos. Morávamos numa terra distante onde ocorreu uma grande tragédia, anos atrás. Na ocasião, Moira, muito abalada com o tumulto, deu à luz a William, dias antes do esperado. Ele nasceu em meio a uma grande confusão e temíamos por nossa família. Todo o reinado estava aterrorizado. – ele parou por alguns segundos escolhendo as palavras. – Havia um castelo. O rei e a rainha eram felizes juntos, se amavam verdadeiramente. Apenas uma coisa impedia que a felicidade fosse completa: eles não tinham filhos. Por anos e anos eles tentavam e rezavam por um filho, mas não acontecia. Então, o rei ficou sabendo que existia um feiticeiro poderoso que, segundo diziam, poderia dar a eles este filho. – O velho senhor parou e olhou para a princesa tentando ler sua expressão. Conseguiu ver a surpresa se mesclando ao interesse. Não havia descrença. Então, continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O rei, temendo dar falsas esperanças à princesa, resolver ir sozinho até o feiticeiro e conferir seus poderes, mesmo sabendo que correria grande perigo. Mas amava muito a esposa e faria qualquer coisa para dar a ela a felicidade que lhe faltava, uma criança. Disse à rainha que viajaria para resolver algumas pendências referentes ao reino. Se o feiticeiro realmente pudesse ajudá-los, voltaria então à sua esposa com a feliz notícia.&lt;br /&gt;Então ele partiu. Sabia que o percurso ficaria mais difícil na medida em que se aproximasse da caverna onde vivia o bruxo. Durante muitos dias ele seguiu por caminhos obscuros e repletos de obstáculos, mas sua perseverança e seu amor o levaram a sobreviver. Quando finalmente ele se viu cara a cara com o feiticeiro, não precisou dizer seu desejo. Já era esperado e logo ouviu o preço que teria que pagar: “uma vida por outra”. Ele teria a criança se desse em troca a vida de outra criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento a princesa não conteve uma exclamação de horror. Theodore continuou então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim, o rei também achou uma proposta horrível e indignado com tal disparate foi-se embora. No caminho de volta, já bem longe da caverna, encontrou uma velhinha muito misteriosa que lhe abordou e disse, sem rodeios que tomasse muito cuidado a partir daquele momento. O rei não entendeu e perguntou à velha senhora a que ela estava se referindo. Ela olhou bem para ele e disse pausadamente: “Quem procura o que não conhece será procurado por toda a eternidade e terá que arcar com o preço de tal imprudência”. Quando o rei indagou o que significava a sentença ouviu apenas: “Pense bem naquilo que pediste dias atrás, mesmo que pareça não ter pedido. Se um dia os céus lhe mandarem o que tanto queria, poderá ser cobrado por ele, como se tivesse sido atendido por ele, mesmo não sendo o responsável pela graça conseguida.” O rei perguntou quem era “ele”, mas a velhinha não disse mais nada e se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princesinha, muito ansiosa, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Era o feiticeiro, não? “Ele” era o feiticeiro para quem o rei ia pedir a criança. Mas ele não pediu! Ele desistiu e foi-se embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim, acreditamos que era sim o feiticeiro. Mas a senhora também disse que ele seria cobrado se um dia tivesse uma criança, mesmo que fosse um presente dos céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oh! – a princesa estava pasma com a história. Queira saber mais e aguardou enquanto&lt;br /&gt;Theodore sorvia alguns goles do café. Então Moira se pronunciou, coisa rara até então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–Deseja mais um pouco de café, princesa? Um copo de água, talvez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não, não. Estou bem. Ansiosa talvez, mas estou bem sim. Obrigada, Moira.&lt;br /&gt;Então ela percebeu: Theodore parecia muito cansado, quase doente. Moira também apresentava sinais de cansaço evidentes. Além disso, viu os ferimentos de ambos e percebeu então que a preocupação de Moira deveria ser baseada em seu próprio estado. Sentiu-se solidária a eles e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pensando bem, acho que estou um pouco cansada. Não, acho que estamos todos cansados. Talvez devêssemos continuar amanhã para que possamos descansar. Muito embora eu queira ouvir toda a história não posso deixar de perceber que é tarde e vocês estão precisando muito de uma boa noite de sono. Agradeço muito a boa-vontade de ambos, mas não posso ignorar que seria abuso de minha parte. William, seria bom se cuidasse dos ferimentos de seus pais, não é? Tem medicamentos e bandagens? Posso providenciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz olhou-a com carinho e lhe disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não se preocupe, minha princesa. Cuidarei deles. Obrigado pela compreensão. Também acho que eles precisam descansar. Levarei a senhorita de volta e poderemos continuar amanhã, concorda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É evidente que sim! E Moira, Theodore, muito obrigada por me receber. Se precisarem de algo, me avisem, por favor. Boa noite! – e levantou-se antes que eles retrucassem.&lt;br /&gt;O caminho de volta foi tranqüilo, inclusive dentro do castelo. Ao que tudo indicava, todos dormiam. Exausta com tantas emoções, Ameba despiu-se para deitar e a corrente com o lindo pingente em forma de coração caiu de seu decote. Havia se esquecido dele. Apreciou novamente a jóia e a guardou no fundo da caixa de jóias, juntamente com o mapa. Deitou-se ainda pensando na jóia pretendendo perguntar sobre ela no dia seguinte. Adormeceu imediatamente.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2008/08/captulo-xx.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-4614364600125063731</guid><pubDate>Thu, 15 May 2008 17:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-15T14:09:49.089-03:00</atom:updated><title>Capítulo XIX</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#993399;&quot;&gt;A&lt;/span&gt;nte a perspectiva de obter algumas respostas às suas questões, decidiu ser cuidadosa na escolha das palavras e começou, devagar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Bem, estive aqui ontem pela manhã, como de costume, e encontrei a biblioteca diferente. Digamos que algumas coisas estavam fora de lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Me desculpe, princesa. Não entendo porque a limpeza não foi efetuada por outros empregados, já que não estávamos aqui. – disse Moira que até agora não parecia ter voz. – É sempre certo que quando um empregado se ausenta outro toma seu lugar para evitar que cômodo algum fique sem a limpeza diária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim, Moira. Já pude constatar isso. Porém, quando vi tudo fora de lugar preferi que ninguém os tirasse do lugar até que vocês voltassem. Fui até a cozinha e deixei claro minhas intenções. Por isso é que tudo está como encontrei ontem, com exceção dos livros sobre a mesa que agora estão fechados e empilhados com outros que eu peguei nas prateleiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e deu alguns passos em direção a mesa. Fez um silêncio calculado aproveitando para escolher bem as palavras desta vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Achei os livros bastante interessantes. – e, num rompante de coragem, disparou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Algo está acontecendo, não? O que está realmente acontecendo? Eu já havia perguntado isso a você, Theodore, mas fomos interrompidos e depois não pude mais encontrá-lo. Não me esqueci, porém. E as coisas continuam acontecendo, portanto não posso mesmo tentar relevar. Preciso descobrir alguma coisa e tenho certeza de que um de vocês, talvez ambos, poderia me ajudar. Você, Theodore. – e olhou diretamente para o velho senhor – Percebeu algo também, não? Naquele dia em que estávamos aqui mesmo, no dia em que desfaleci por alguns instantes. – tomou fôlego rapidamente e logo continuou – Vou repetir as perguntas que você não teve a oportunidade de me responder: O que está acontecendo comigo? Por que tenho a sensação de nos conhecermos já há muito tempo se não me lembro de nada que justifique essa sensação? – parou de falar e continuou olhando para ele, em seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A que exatamente a princesa se refere? Preciso saber em que a princesa se baseia para que eu possa respondê-la satisfatoriamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí estava, a porta que a levaria para todas as respostas estava se abrindo, ela sentia. Só precisa entrar bem devagar. Suspirou e escolheu melhor ainda as palavras, mas percebeu que para obter respostas teria que revelar também muitas coisas, implícitas nas próprias perguntas. Resolveu sentar-se, pois, ao que parecia, seria uma longa conversa. Gostaria que o casal também se sentasse, junto a ela, mas teve receio de que eles não o fariam, por respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Muitas coisas estão acontecendo e rápido demais, eu diria. Sensações desconhecidas a mim até então têm me assaltado e tenho percebido que, em alguns momentos, compartilho destas sensações com outras pessoas. Você é uma delas, Theodore. Mas não sei explicá-las, não consigo descrevê-las, apenas as sinto. Tenho sentido coisas estranhas, quase lembranças, mas não podem ser lembranças, certo? São impressões, e sonhos. Há sinais por toda a parte agora, me indicando um caminho que não consigo tomar, que não sei como chegar e não sei sequer para onde este caminho irá me levar. – colocou as mãos no rosto e seus olhos se perderam no espaço vazio, buscando uma explicação melhor. – Oh, estou confusa, não posso ser mais clara com tantas coisas se misturando em minha mente. Meu coração está repleto de sentimentos novos e não sei como lidar com eles. Tenho a sensação que algo está reservado para mim, algo que preciso descobrir. E sinto que posso confiar em você, Theodore. E em você, Moira. – e calou-se, desanimada, baixando os olhos para as próprias mãos. Não sabia como continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando levantou os olhos viu no casal uma expressão única que a deixou desconcertada, mas feliz. Seria carinho? Ou talvez uma compreensão tão grande acompanhada de pura bondade? Ambos deram um passo à frente, Moira um pouco mais tímida que Theodore. Sentiu que se tivessem um relacionamento mais íntimo seria agora a hora em que teria suas mãos acolhidas entre as deles e, quem sabe, receberia um abraço. Foi o que sentiu naqueles olhares. Um afago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Minha pequena princesa – começo Theodore – há tantas coisas invadindo sua mente e seu coração e ainda há tanto para ser dito. Temo que seja uma carga grande demais para a senhorita. Mas não é possível lutar com o destino sem que haja muito esforço e muita coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou um pouco mais perto e a luz da lamparina revelou em seu supercílio esquerdo um ferimento que ela não havia antes. Parecia recente. Ameba olhou melhor e percebeu que não era o único ferimento. Havia manhas arroxeadas do outro lado do rosto e na mão direita um corte que ia dos dedos e se escondia por debaixo do punho da camisa não revelando assim seu real tamanho. Olhou para Moira e constatou que também nela alguns ferimentos se escondiam por debaixo dos cabelos, porém menores. Sentiu medo, por eles, por ela, por tudo o que estava acontecendo. Ficou olhando tão fixamente para os cortes que o livreiro percebeu e parou de falar.&lt;br /&gt;– Não se preocupe com isso, senhorita. Não é nada grave. Um pequeno acidente apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pequeno acidente? Sua mão, seu rosto, e o seu também, Moira. O que aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Na hora certa poderá entender, princesa. Tenha calma. Mas aqui na biblioteca não poderemos falar com tranqüilidade sobre tudo sem o risco de sermos interrompidos pelos empregados que virão verificar as luzes acesas. Precisamos ir para um lugar mais adequado. Terá que ser mais tarde, porém. Num horário em que todos estejam dormindo e não percebam sua ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Certo. Onde, quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Em duas horas, encontre-nos no jardim. Mas vá com cuidado e em silêncio absoluto. Não convém levar a lamparina, pois a luz poderá chamar a atenção de alguém. Terá que confiar em seus próprios instintos, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim, sim. Estarei lá em duas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E, princesa... quem irá esperá-la será William, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um calor subiu por seu corpo ao imaginar que estaria no jardim, a sós com William, tão tarde da noite. Assentiu em silêncio e tratou de se recolher rapidamente completamente tomada pela ansiedade, antes que alguém desconfiasse de algo. Antes, porém, já que tinha tempo, resolveu comer alguma coisa antes que passasse mal por estar em jejum por tantas horas. Em vinte minutos já estava entrando em seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha que esperar ainda por mais de uma hora e resolveu olhar melhor o mapa. Agora, com novos conhecimentos adquiridos nos dois dias de muito estudo, via cada traço com outros olhos. Embora faltasse um globo terrestre para auxiliar na localização indicada no mapa, podia perceber coisas que antes eram apenas traços sem sentido. Constatou também que, embora já soubesse muito mais que antes, ainda lhe faltavam os conhecimentos dos outros dois livros. Algumas anotações nas laterais do papel continham termos e palavras que desconhecia. A sensação era de frustração, mas de vitória também. Sabia que, de acordo com o que tinha aprendido, poderia conseguir decifrar aquelas palavras, traços, símbolos assim que adquirisse conhecimento suficiente. Já tinha conseguido um grande progresso, faltava apenas a metade. E mergulhada naquele mapa ela ficou por vários minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois já era hora de ir. Não sabia se o percurso do quarto até o jardim seria tranqüilo. Se encontrasse alguém, certamente teria que esconder-se ou, se fosse vista, teria que inventar alguma desculpa para estar fora da cama e isso causaria algum atraso. Embora temerosa com o risco da situação em que se encontrava, tinha a certeza de que era o que devia ser feito. Sentia isso no fundo do peito e essa certeza lhe deu forças para prosseguir. Pegou um xale, respirou fundo algumas vezes e saiu.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2008/05/captulo-xix.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-7796530565789027766</guid><pubDate>Fri, 02 May 2008 05:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-02T02:29:35.429-03:00</atom:updated><title>Capítulo XVIII</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#993399;&quot;&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;o final da manhã o clima mudou um pouco e o dia tornou-se propício para o repouso. Entretanto havia tanto a fazer, tanto a aprender e o tempo era precioso agora. A pequena princesa então se dirigiu à biblioteca disposta a mergulhar nos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá olhou para todos os lados a fim de verificar se realmente ninguém havia efetuado a limpeza do aposento, como solicitara a criadagem na noite anterior. Tudo estava como antes e ela agradeceu aos céus por isso. Teria tido um grande trabalho se os livros tivessem sido guardados e ela tivesse que localizá-los todos novamente. Além disso, cada um continha pedaços de papel marcando páginas onde tinha informações relevantes. Se estavam marcadas haviam de ser importantes e não poderia correr o risco de perdê-las. Cada uma das páginas indicadas pelos papéis era um passo à frente no propósito de conquistar conhecimento em cada um dos temas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se e olhou para os livros. Resolveu que dedicaria o dia para o estudo dos símbolos e códigos usados em cartas marítimas, mapas estelares e mapas geográficos, já que era o que mais se assemelhava com o estudo das medições geográficas e marítimas, visto no dia anterior. Seria como uma extensão de estudo, facilitando o entendimento, pensou ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou o livro e abriu na página indicada e retirou o papel. Neste, vários códigos indicavam que alguém havia feito anotações e apontamentos importantes. Na página aberta havia um quadro composto de símbolos com seus respectivos significados. Cada um dos símbolos tinha mais de um significado, dependendo do contexto em que era usado. O mesmo símbolo, por exemplo, poderia indicar uma laguna no mar ou um leito de rio. Outro símbolo poderia significar uma várzea margeando um rio ou uma planície extensa sem nenhum cultivo. Por isso era imprescindível compreender perfeitamente todas as possibilidades de interpretação e isso, certamente exigiria um pouco mais de esforço, tempo e vontade do que no dia anterior. Respirou fundo e entregou-se à leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou e ela nem percebeu que não havia almoçado. Devorava cada linha e cada traço como se aquilo fosse necessário para sua própria sobrevivência. Treinava os códigos e desenhava os símbolos. Como no dia anterior, procurou nas estantes repletas, outros livros que complementassem as informações. Achava estranho como aquilo tudo era tão interessante e como tudo sentia as informações penetrando em sua mente de maneira natural, como se tivesse nascido para aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da tarde, fechou o livro diante de si com a certeza de que poderia usar seus conhecimentos com segurança. Arrumou tudo a um canto da mesa e percebeu o quanto estava cansada. Levantou-se e já estava pronta para sair do aposento quando percebeu um brilho no chão, perto do biombo vermelho. Chegou mais perto e viu a pequena corrente dourada, a mesma que vira certa vez nas mãos de Theodore. Estava quase que totalmente coberta pelo biombo, mas a pequena parte que estava para fora foi suficiente para que pudesse identificá-la. Tentou puxá-la, mas não conseguiu. A corrente não saía debaixo do biombo, apesar de tão fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princesa olhou, olhou e pensou que talvez... se conseguisse abrir novamente aquele pouquinho de outro dia, poderia ir puxando-a para o lado até que chegasse à pequena abertura. Clicou então na saliência descoberta no outro dia e tornou a ouvir o clique característico. Pegou um livro já planejando colocá-lo no primeiro vão que conseguisse abrir, pois sabia que o tanto que abrisse, tornaria a fechar assim que deixasse de ser puxado, como se houvesse uma mola mantendo o biombo sempre fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxou e puxou até que a abertura fosse suficiente para colocar o livro. Pegou então a ponta da corrente e foi tentando deslizá-la para o lado, muito delicadamente. Finalmente a corrente chegou à abertura e pôde ser retirada. O que estava prendendo-a sob o biombo era uma linda peça em ouro. Trata-se de um coração de ouro, com um rico trabalho em relevo. Era muito, muito bonito. Lembrou-se da maneira que Theodore segurava a corrente e movia os lábios murmurando algo incompreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolheu uma poltrona confortável onde pudesse analisar melhor o adorno. Devia medir apenas dois centímetros de lado a lado. Olhou atrás e percebeu que faltava o trabalho em relevo. Virou entre as mãos e percebeu que em um dos lados, onde se unia as duas faces havia uma pequena saliência. Parecia ser um tipo de dobradiça. Talvez fosse possível abrir, separar as duas partes. Pela largura seria possível sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pôde verificar essa possibilidade, entretanto. Ouviu sons vindos do corredor e sabia que a qualquer momento alguém poderia entrar à sua procura. Passara o dia lá sem fazer nenhuma refeição e já era hora de se recolher. Guardou a corrente e o coração dentro do decote e levantou-se, no instante exato em que a porta se abriu. Não era uma criada lhe avisando sobre o horário. Parado na porta, ainda segurando a maçaneta estava Theodore. Quando viu a princesa pareceu ficar muito surpreso. Ficou alguns segundos parado como se não a esperasse ali àquela hora e não soubesse exatamente o que devia fazer. Logo atrás dele havia alguém, mas não era possível reconhecer, sendo mais baixa que o livreiro. Num instante ele se recompôs fazendo uma pequena reverência com a cabeça. Com calma ele disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Boa noite, princesa. Desculpe-me. Pensei que não houvesse ninguém aqui neste horário. Não vou incomodá-la. – e foi virando-se para sair virando sobre os próprios pés. A pessoa que se encontrava no corredor devia ter percebido o ocorrido, pois não era mais possível vê-la. Neste momento sentiu como se um milhão de palavras povoasse sua cabeça e disse quase sem pensar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não! Não se vá ainda! Eu desejava mesmo encontrá-lo para conversarmos. Há alguém aí fora? Quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pareceu embaraçado, mas logo se recompôs. Assentiu silenciosamente e afastou para dar lugar à pessoa. Era Moira quem entrava, com uma expressão de respeito e confusão no rosto conhecido. Parecia não querer entrar, mas, como criança pega em meio à travessura, concordou um pouco constrangida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente Ameba percebeu seu embaraço e disse gentil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah, sua esposa Moira. Pode entrar também, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos, Theodore e Moira, pareceram surpresos por ela mencionar seu relacionamento sem que nenhum deles tivesse anteriormente revelado.&lt;br /&gt;Ameba também percebeu a reação de ambos e completou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim, sei que são casados. Eu os procurei na cozinha ontem e me informaram sobre sua ausência. Quando estranhei o fato de ambos se ausentarem no mesmo dia fui informada sobre isso. Conseguiram resolver seus problemas? A ausência foi proveitosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão dos dois criados chegou a dar pena, tal era a surpresa estampada em seus rostos. Nunca tinham ouvido a princesinha falando assim, com tanta desenvoltura e gentileza. Então sorriu, tentando tornar o momento mais leve. Não funcionou. O casal se entreolhou e voltou a olhar para a princesa, sem entender o que poderia estar acontecendo. Ameba, por sua vez, decepcionada com sua própria falta de tato, suspirou. Com um muxoxo sentou-se novamente. Não havia como reparar o efeito de causara o seu entusiasmo inesperado. Resolveu tentar de outra forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Boa noite, Theodore. Boa noite, Moira. Por favor, gostaria de fazer algumas perguntas a vocês. Vocês não entenderiam mesmo meu novo comportamento sem que lhes conte tudo o que aconteceu nos últimos dois dias. Aliás, nas últimas semanas têm acontecido muitas coisas em minha vida. É como se minha vida estivesse virando de ponta-cabeça. Mas não se preocupem, ainda sou a princesa que conhecem, embora mais amadurecida, eu creio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez parecia ter acertado um pouco melhor nas palavras. As expressões de surpresa quase horrorizada transformaram-se em agradável surpresa. Ameba teve a impressão de ver até certo ar de orgulho e... respeito, como em William!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois não, senhorita. – Era Theodore quem dizia calmamente enquanto tocava de leve o cotovelo de Moira, ao que ela pareceu concordou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois não, princesa. – e ela sentiu que finalmente teria algumas respostas.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2008/05/captulo-xviii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-6103451490296320980</guid><pubDate>Fri, 11 Apr 2008 00:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-10T21:29:23.464-03:00</atom:updated><title>Capítulo XVII</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#993399;&quot;&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; dia seguinte amanheceu claro e convidativo para um passeio. Saltando da cama, Ameba esticou-se por alguns instantes e foi logo fazer seu desjejum, ainda no quarto. Estava animada ante a perspectiva de passar um dia produtivo e poder assim ter ao menos uma chance de entender o torvelinho de mistério que rondava sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aulas ainda demoravam um pouco para começar e daria tempo para uma caminhada no jardim, pensou ela. Além disso, poderia ainda encontrar William novamente, o que lhe daria grande prazer. Foi com este pensamento que chegou ao jardim, repleto de flores e cores, luz e sombra, perfumes e esperança. Caminhou com calma disfarçada, mas em seu interior, sentia a ansiedade crescendo, à espera de ouvir aquela voz melodiosa que tanto a encantara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos minutos depois de iniciar sua caminhada ouviu um farfalhar nas folhagens a sua esquerda. Parou e esperou. Não moveu sua cabeça para a esquerda, mas sim para o local de onde poderia chegar alguém do castelo a fim de verificar possíveis interrupções. Não havia ninguém. Assim, quase num sussurro, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– William?&lt;br /&gt;– Sim, minha princesa. – e, ao ouvir aquelas palavras, seu dia iluminou ainda mais. Fazendo-a sorrir abertamente. Olhou então para a esquerda de onde viu os cabelos loiros e revoltos de seu mais novo amigo. Ainda sorria quando seus olhos se cruzaram e ele também sorriu ao ver sua expressão. Foi um sorriso sincero e puro, carregado de alegria e prazer. Ficaram assim se olhando e sorrindo por alguns segundos até que resolvessem falar.&lt;br /&gt;– Como vai, minha princesa? Tem passado bem?&lt;br /&gt;– Oh, sim. Tenho passado bem, muito ocupada, porém. As coisas têm acontecido rápido demais em minha vida e quase chego a perder o pé, se é que me entende.&lt;br /&gt;– Sim, entendo perfeitamente. Estou sabendo dos preparativos para a grande recepção. – neste momento seus olhos escureceram e seu sorriso se foi. Ele olhou para baixo como quem procura algo. – Falta apenas uma semana, não?&lt;br /&gt;– Sim. Apenas uma semana. – e sentiu seu sorriso ir-se também. E arriscou:&lt;br /&gt;– Sinto uma nota de desagrado em sua voz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu que talvez tivesse ido longe demais. Talvez estivesse sendo presunçosa ao imaginar que a menção da recepção para a escolha de seu futuro marido teria sido desagradável para William. Mas surpreendeu-se ao ouvir o rapaz assentir, tímido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não se enganou, minha princesa. Sinto ser tão transparente para a senhorita. Perdoe-me pela pretensão. Perdoe-me, não me diz respeito. É melhor eu ir agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela percebeu que era hora de cortar pela raiz o mal-estar que se instalara entre eles. Rapidamente interveio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não! Não é pretensão e nem desrespeito seu demonstrar seu desagrado. Também é assim para mim. Também eu não posso concordar e nem tampouco gostar de ser exposta a todos como uma prenda frágil e valiosa. Tenho, na verdade, muito medo do que possa acontecer em sete dias. Tento nem pensar sobre o assunto pois nada posso fazer para evitar algo que já foi decidido pelos meus pais. – e algo em seu cérebro se acendeu ao ouvir sua própria voz dizendo “já foi decidido”... lembrou-se da criatura que povoara seus sonhos dizendo que tudo já estava decidido.&lt;br /&gt;Permaneceu ali com o olhar perdido por alguns segundos tentando lembrar-se do resto da frase... “desde a escolha de seu nome”... mas baniu o pensamento da cabeça a tempo de perceber que sua confissão fizera o efeito desejado. William parecia mais leve ao ouvi-la e olhou-a com um misto de preocupação e esperança. Ficou alguns segundos a olhando e parecia lutar consigo próprio quando finalmente perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então, será que minha princesa não considera o futuro casamento como algo interessante, ou pelo menos, natural?&lt;br /&gt;– Mas é evidente que não! Sinto-me ultrajada e desrespeitada e... – de repente percebeu que se inflamara e que estava revelando sentimentos tão íntimos, sentimentos que ainda não havia revelado nem a si mesma. Percebeu que aquela cerimônia seria como um mercado onde o produto oferecido ao melhor comprador era ela. E isso era um ultraje, realmente! Olhou para o rapaz como que buscando sua concordância e o que viu deixou-a desconcertada. Ele sorria satisfeito e seus olhos brilhavam!&lt;br /&gt;– Está feliz? Minha situação ridícula ultrajante e... e, absurda lhe dá prazer? – sentiu-se abalada sem saber o que pensar e chegou a sentir um arrepio de amargura. Mas ele logo desfez sua indignação:&lt;br /&gt;– Satisfeito, eu diria. Descobrir que minha princesa se revolta com tal insulto à sua inteligência e com seu direito de escolha me faz ter a certeza de que eu estava certo todo o tempo! Sempre soube que sua alteza não era submissa aos preceitos da realeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o sol despontou novamente em seu coração, aquecendo-a como um manto de carinho que envolve cada partícula de seu ser. Entendeu que William a respeitava por não ser uma adolescente fútil e subserviente. Ele sabia valorizar seus princípios e sua clareza. Ele realmente a admirava e isso era extremamente excitante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu de volta e assim permaneceram por alguns instantes, olhando-se como se acabassem de descobrir um grande tesouro. Um tesouro que estivera oculto por uma camada de líquens como aqueles que se formavam no tronco da mesma árvore que os abrigava do sol. Pensamentos começaram a povoar sua mente e sentimentos brotavam em seu coração. Entretanto não teve tempo para pensar melhor ou esclarecer tais pensamentos. Gostaria muito de confrontar com ele seus pensamentos e descobrir até onde iriam as semelhanças, até que ponto estariam na mesma sintonia. Alguém a chamava para sua aula diária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William se escondeu e pareceu desaparecer num passe de mágica. Compreendeu que não havia o que fazer senão dirigir-se ao salão para as enfadonhas preleções sobre coisas inúteis. Porém hoje a aula seria diferente, com uma nova perspectiva se formando em seu coração.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2008/04/captulo-xvii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-1362331850479681970</guid><pubDate>Sun, 30 Mar 2008 00:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-10T00:09:03.020-03:00</atom:updated><title>Capítulo XVI</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#993399;&quot;&gt;A&lt;/span&gt;ssim que entrou na biblioteca Ameba percebeu que ninguém havia estado lá para fazer a limpeza diária. O recinto era de responsabilidade de Theodore e Moira e, como eles não se encontravam, tudo permanecia como antes, com os quatro livros sobre a mesa, as ferramentas de medição espalhadas e a mesinha caída. Sentou-se e pegou o primeiro livro. Leu um pequeno trecho na página aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Estudo prático de cálculos - Posicionamento Global - A nossa posição sobre a&lt;br /&gt;Terra é referenciada em relação ao equador e ao meridiano de Greenwich e&lt;br /&gt;traduz-se por três números: a latitude, a longitude e a altitude.&lt;br /&gt;A&lt;br /&gt;longitude é obtida da comparação de horas homogêneas num mesmo instante, sendo&lt;br /&gt;essas horas referidas, respectivamente, ao meridiano de Greenwich e ao meridiano&lt;br /&gt;local.”&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Resolveu reler para entender melhor. Com os instrumentos ali mesmo, sobre a mesa, ia lendo e tocando cada um deles na medida em que eram citados no livro e sentia que poderia aprender a lidar com eles quase que facilmente. Como se estivesse apenas relembrando algo já aprendido há tempos, foi se familiarizando com cada peça enquanto lia as páginas repletas de cálculos sobre latitude e longitude. Pegou papel e caneta e foi rabiscando códigos e cálculos a fim de compreender todas as instruções contidas naquelas linhas. Quando se sentiu um pouco mais confiante pegou o mapa e olhou atentamente para cada anotação feita nas laterais. Mas não era tão fácil assim. Faltavam-lhe outros conhecimentos que não constavam do primeiro livro. Reconhecia algumas das anotações, mas havia mais uma série de outras notas que não se encaixavam no estudo recém descoberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ouviu a porta se abrindo. Era uma das criadas as quais havia encontrado na cozinha quando estava à procura de Moira. Tinha nas mãos alguns apetrechos de limpeza e quando percebeu que a princesa ali se encontrava, fez uma mesura respeitosa e ficou hesitante por alguns instantes. Porém, seus olhos pousaram na desordem do cômodo e não deixou de perceber a mesinha virada no chão. Seus olhos se abriram um pouco mais e seus lábios entreabriram-se. Rapidamente a princesa levantou-se e disse apressadamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pode deixar a limpeza para amanhã. Estou usando a biblioteca e desejo que fique assim, como está. Não quero correr o risco de perder nenhum livro ou anotação que fiz até agora. Pode ir. Se alguém perguntar, me responsabilizarei pela desordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mocinha fez uma nova mesura, desta vez muito mais tranqüila, já que não haveria ninguém que a fosse culpar por não ter feito sua obrigação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No instante em que a criada saiu, outro clique na porta. Era outra criada, desta vez a chamando para o almoço pois já havia passado da hora. Isso até era comum ultimamente, pois cada dia que passava mais e mais situações atípicas aconteciam impedindo-a de fazer as refeições no horário correto. Não era realmente um problema já que seus pais não faziam questão de que as refeições fossem compartilhadas por todos os membros da família. Normalmente seu pai nem se encontrava no reino, sempre viajando e tratando de coisas importantíssimas que a princesa nem fazia idéia do que se tratava. Sua mãe, por sua vez, alternava entre enxaquecas, súbitas indisposições e dietas. Assim, comera só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente após o almoço, o mais rápido que pôde, voltou à biblioteca para continuar com seus estudos. Percebeu que até poderia gostar do assunto. Sentou-se muito animada e continuou lendo o livro sobre medições geográficas, sentindo mais uma vez que aquilo parecia familiar.&lt;br /&gt;Estudou a tarde toda. Consultou outros livros semelhantes que não se encontravam sobre a mesa mas que continham informações interessantes e úteis. Treinou seus novos conhecimentos em papéis, no globo terrestre enorme que ficava no chão ali perto e em mapas. Ao final da tarde sentia-se muito mais preparada para ler dados geográficos. Sorriu satisfeita e organizou tudo o que usara durante seu período de estudo num canto da mesa. Talvez ainda precisasse consultar algum daqueles livros e ferramentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu que no dia seguinte faria o mesmo com outro dos quatro livros e, desta forma, ao final de mais três dias estaria apta a tentar decifrar o mapa com suas anotações tão estranhas. Arrumou então todo o material que se encontrava na mesa de acordo com o assunto.&lt;br /&gt;O primeiro canto já estava organizado e todo tomado com o tema “cálculos geográficos”. No segundo ficaria com o livro de “códigos e símbolos geográficos e marítimos”. No terceiro, “astrologia, astronomia e os fenômenos naturais”. Finalmente, no quarto canto da mesa ela deixou o livro de “histórias, lendas, mitologia e magia”. Em cada um dos cantos colocaria todo o material usado em seus estudos e teria então os meios de buscar respostas a algumas de suas dúvidas que a atormentavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu recolher-se e descansar bastante para que, no dia seguinte, pudesse encontrar disposição visto que teria grande parte da manhã tomada por seus compromissos reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao quarto, correu para guardar o mapa e, subitamente lhe ocorreu que no dia seguinte, Theodore e Moira já poderiam estar de volta e a biblioteca seria arrumada e limpa. Mesmo que eles não voltassem, alguma criada iria, com certeza, tratar da limpeza do local. Todo o material organizado sobre a mesa seria retirado e guardado e então, perderia todo o fio da meada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do quarto com cuidado achando melhor não ser vista andando pelo castelo naquele horário o que não era muito comum. Foi até a cozinha e, como no dia anterior, procurou por um rosto conhecido. Viu então a mesma senhora que havia falado sobre Theodore e Moira. Estava mais ao fundo dando instruções a outra senhora bem mais jovem. Quando viu a princesa na porta, correu para ela e, com uma mesura rápida perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim, princesa. Precisa de algo? Talvez um lanche antes de recolher-se?&lt;br /&gt;– Não, não tenho fome. Eu... quem fará a limpeza da biblioteca amanhã?&lt;br /&gt;– Como, senhorita?&lt;br /&gt;– A biblioteca. Quem limpará no caso de Moira ou Theodore não puderem novamente? De quem é a função neste caso?&lt;br /&gt;– Como hoje, senhorita, será Danielle quem fará a limpeza. Apenas no caso de Moira não comparecer novamente, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena princesa percebeu que Danielle não comentara sobre o fato de não ter limpado o local a pedido da própria princesa. Também percebeu que a senhora mais velha fizera questão de deixar claro que a ausência de Moira e Theodore não era esperada também para o dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Bem, neste caso eu gostaria que a biblioteca não fosse arrumada amanhã. E nem depois de amanhã. Melhor ainda, não deve ser tocada até que eu a libere.&lt;br /&gt;– Mas, senhorita... e a sujeira?&lt;br /&gt;– Não há de ter tanta sujeira assim. Serão apenas dois ou três dias. Serão suficientes para mim. Espalhei uma série de livros e objetos por toda a sala e não gostaria que fossem movidas ou guardadas. Assim, será melhor que ninguém entre lá até que eu os use e decida guardá-los todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora abaixou os olhos, nitidamente incomodada. Não retrucou, porém. Apenas assentiu com a cabeça murmurando um “sim, senhorita; como queira” quase inaudível.&lt;br /&gt;Já quase saindo da cozinha a princesa ainda perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Todos serão avisados, não? Não há o risco de Moira chegar amanhã e...&lt;br /&gt;– Não, senhorita. Moira virá falar comigo assim que chegar, como é o costume. Assim como Theodore.&lt;br /&gt;– Está bem então. – e finalizando – Acredito que não há necessidade de incomodar a rainha com uma bobagem sem importância como esta, certo? – e saiu sem esperar resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhando seu próprio comportamento decidido, voltou ao quarto um pouco mais tranqüila. Pensou na surpresa das criadas ao receber ordens tão claras da mesma princesinha frágil de sempre. Riu abertamente sentindo-se diferente, como que descobrindo em si mesma uma faceta que não conhecia: a real firmeza que cabe a um membro da realeza.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2008/03/captulo-xvi.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-7009536412069845372</guid><pubDate>Wed, 19 Mar 2008 00:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-18T21:29:48.765-03:00</atom:updated><title>Capítulo XV</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#993399;&quot;&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; aula com os instrutores consistia basicamente em regras e etiquetas a serem seguidas por uma princesa, com ênfase na moral inabalável de uma jovem que estava prestes a casar, uma pré-nubente com uma posição privilegiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era enfadonha e cansativa. Tudo o que ouvia e tinha que repetir eram regras as quais a princesa, tão sedenta de liberdade, não conseguia aceitar ou sequer entender. Cada gesto deveria ser pensado e ensaiado. Cada olhar, cada palavra, tudo deveria ser treinado à exaustão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por várias vezes percebeu que havia uma preocupação especial em treiná-la para o momento de apresentação aos candidatos, ocasião em que os mesmos trariam presentes e se portariam como verdadeiros nobres merecedores do cargo real de príncipe do reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As instruções eram detalhadas. Ela deveria mostrar-se delicada e submissa. Educada e discreta. Sorrisos deveriam ser cuidadosamente contidos. Não deveria, no entanto, mostrar-se mal-humorada ou taciturna. Deveria também ser doce e suave, usando palavras curtas se e quando fosse estritamente necessárias ou solicitadas pelos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou toda a manhã com os vários instrutores. Eram quatro mulheres e um homem.&lt;br /&gt;A primeira mulher cuidava das vestimentas e sapatos a serem usados por uma princesa de respeito. Como deveriam ser usados, de que forma a cauda dos vestidos deveria ser posicionada em relação ao corpo e ao sentar, quanto da ponta do sapato poderia ficar à mostra por debaixo do vestido, em que posição o xale deveria ficar em seus ombros e coisas semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda mulher era a instrutora de etiqueta. Cuidava de seu comportamento propriamente dito. Como ela deveria andar, sentar-se, olhar para objetos, olhar para pessoas, sorrir com realeza, comer em público ou não, agradecer, posicionar as mãos. Instruía inclusive a como virar a cabeça delicadamente para o lado quando assim fosse necessário demonstrando desagrado e mais coisas absurdamente detalhadas e ridículas no seu entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira mulher, juntamente com o homem, a treinava para conversar. Tratava-se de conversa fictícias onde vários assuntos eram abordados. Caberia a ela mostrar sua cultura de maneira brilhante mas mantendo seu mistério. Ao mesmo tempo, obtinha instruções de coisas que nunca deveriam ser ditas ou assuntos que não deveriam ser abordados. Simulavam conversas que poderiam vir a ocorrer no dia da tão esperada recepção e alertavam a pequena princesa em relação a cada resposta possível e aceitável em cada situação específica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quarta mulher era um verdadeiro mistério. Estava sempre presente às outras aulas mas nunca dizia nada, apenas observava. Tinha uma expressão indefinível no rosto magro e chegava a incomodar quando se movia para ver melhor o rosto da princesa enquanto seguia as instruções dos outros. Tentava não cruzar os olhos com a mulher mas, invariavelmente, isso acontecia. E a sensação de invasão era brutal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da manhã o cansaço já havia tomado conta de seu corpo e a única coisa em que ela pensava era tomar um banho longo e relaxante para recompor-se e poder continuar com suas investigações. Sentia-se exausta mas os mistérios que rondavam sua vida eram muitos demais e a urgência em descobrir respostas para todos os últimos acontecimentos era mais forte ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao despir-se percebeu algo caindo no chão e lembrou-se do papel dobrado em seu cinto. Um mapa, encontrado na biblioteca tomada pela desordem. Recostou-se na linda banheira ainda pensando no mapa e tentou relaxar seus músculos cansados, um a um. A água morna mostrou-se um sonífero poderoso e a bela princesinha não conseguiu evitar o cochilo. Seus olhos foram se fechando e ela achou que não havia mal em permitir um breve intervalo em seu dia tão cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos minutos depois o cochilo transformou-se em um sono profundo, cheio de imagens estranhas e indefinidas. Não havia som algum, apenas imagens. Pessoas com as mãos cobrindo o rosto. Quando tiravam as mãos, não havia nada, não havia rosto, apenas uma mancha desagradavelmente obscura. Para onde olhasse era só o que via. Sentiu-se sufocada e acordou assustada. Terminou o banho rapidamente e resolveu que não poderia deixar que sonhos perturbadores voltassem a tomar conta de suas noites. Tinha que solucionar todos os mistérios que se acumulavam em sua vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber exatamente para onde devia ir parou por alguns instantes no corredor para resolver qual seria o próximo passo. Percebeu que não havia com quem contar neste momento. Theodore e Moira não se encontravam no castelo e William... bem, William não poderia estar o dia todo no jardim à sua disposição. Assim, voltou ao quarto e pegou o mapa o qual ela havia escondido em sua caixa de jóias. Guardou-o novamente em seu cinto e dirigiu-se à biblioteca a fim de observar melhor os livros que estavam sobre a mesa. Se aquele papel realmente era um mapa, havia de decifrá-lo!</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2008/03/captulo-xv.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-4911819658169184640</guid><pubDate>Sun, 10 Feb 2008 04:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-16T23:13:40.679-03:00</atom:updated><title>Capítulo XIV</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;ensou que talvez tivesse ouvido mal... - “William Hartman Coli?”- Ficou olhando para o rapaz como se de um momento para outro ele pudesse desfazer o engano. Mas percebeu que não tinha verbalizado suas dúvidas, e sim apenas pensado nelas. Corou ao perceber que o encarava. Então disse:&lt;br /&gt;- William Hartman?...&lt;br /&gt;- Coli, princesa. William Hartman Coli. Como Theodore.&lt;br /&gt;Ela apenas piscou sem nada conseguir dizer. Sentiu-se estranhamente confusa. “Como Theodore... deve ser seu filho então. Mas por que não pode ser visto? Não parece ser filho de Theodore, não há nenhum traço de semelhança. Ou de Moira tampouco. Então quem será ele?”&lt;br /&gt;- Como Theodore? E ele é seu...&lt;br /&gt;- Pai, princesa. Sou filho de Theodore e Moira.&lt;br /&gt;- Nunca soube que tinham um filho... mas na verdade, nunca soube nada de Theodore ou de Moira. – disse a pequena princesa. Depois, continuou como se pensasse alto:&lt;br /&gt;- Aliás, só soube o nome de Moira alguns momentos atrás... ambos se ausentaram para resolver problemas pessoais. E você é filho deles.&lt;br /&gt;- Sim, princesa. Theodore e Moira precisaram resolver algumas pendências importantes.&lt;br /&gt;- Sim, claro. – percebeu então que estivera divagando. – E por que então é necessário que ninguém o veja?&lt;br /&gt;- É uma longa história, princesa. Muito longa. Apenas posso dizer que os guardas do castelo não devem saber que vossa alteza anda falando com plebeus dentro do próprio jardim.&lt;br /&gt;- Sim, disso eu tenho certeza. Mas ainda não entendi o motivo de você também não ser empregado do castelo como seu pai e sua mãe.&lt;br /&gt;- Digamos assim, princesa... não moro e nem trabalho aqui pois já houve, em outros tempos, acontecimentos... controversos, que me impedem de transitar por este castelo. Mesmo que eu tentasse trabalhar aqui não seria bem aceito, compreende?&lt;br /&gt;- Sim, mas... não, não entendo não; porém, se está aqui clandestinamente deve ter sido algo grave... estes acontecimentos a que se refere, foram coisas que você fez e não deveria ter feito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz então conteve um sorriso ao perceber que a princesa procurava de todas as formas descobrir mais alguma coisa, deixando de lado a postura real e, quase como uma criança, perguntando e questionando suas palavras.&lt;br /&gt;- Bem, é mais ou menos isso. Mas eu não diria que foram atos de tal gravidade mas sim, um tanto inconseqüentes de minha parte. Eu era ainda um fedelho na ocasião.&lt;br /&gt;- Ah, sim. Bem... então, não é exatamente um “procurado” pela guarda real?&lt;br /&gt;- Não exatamente. Mas mesmo algo que não está sendo procurado pode ser encontrado e trazer consigo algumas lembranças desagradáveis, sendo portanto melhor que não seja encontrado.&lt;br /&gt;- Certo, entendi... eu acho. – E sorriu diante da resposta espirituosa do rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para ele admirou mais uma vez os cabelos em desalinho. Não pareciam sujos, apenas mal cuidados. Percebeu então que isso não importava. Apenas sentiu vontade de penteá-lo, cuidadosamente. Sentiu-se bem com esse pensamento. Imaginou sua escova dourada de cerdas macias percorrendo aquela cabeleira cor de trigo e quase podia sentir entre seus dedos os fios rebeldes resistindo no início mas aceitando finalmente o afago disfarçado. Corou novamente e viu nos olhos cor de esmeralda um brilho de amizade e humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou que não poderiam continuar assim, simplesmente se olhando. Não era certo e poderia ser interpretado como um interesse maior. Passou pela sua cabeça então a frase “o que é certo ou errado se vem do coração?”. Assustou-se com o rumo de seus pensamentos e já ia retomando a conversa quando ouviu seu nome sendo chamado. Estava na hora de sua aula de etiqueta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após uma rápida mesura o rapaz sorriu e acenou, já se escondendo por entre os arbustos a fim de evitar ser descoberto. Em um instante a princesa se encontrava só novamente, como se nada tivesse acontecido. Não podia ficar ali rememorando os últimos momentos. Era hora da tortura diária com instrutores maçantes e regras inúteis, as quais ela tinha que suportar. E assim, foi-se.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2008/02/captulo-xiv.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-3505251487770053996</guid><pubDate>Sat, 29 Dec 2007 18:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-29T18:19:15.582-02:00</atom:updated><title>Capítulo XIII</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; acordo firmado entre a Princesa e a pessoa que se escondia no jardim real trazia agora a esperança de encontrar as respostas que tanto buscava. Soava como um início, o primeiro passo para desvendar todos os mistérios que se acumulavam dia após dia. Um sorriso brincou em seus olhos ao ouvir a resposta afirmativa daquele que seria agora alguém real com nome e corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardou em silêncio por alguns instantes e já começava a impacientar-se quando ouviu o barulho suave de folhas, logo atrás de si. Virou-se devagar com um misto de curiosidade e temor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca poderia imaginar aquilo que seus olhos agora admiravam. Eram os olhos verdes mais lindos que já havia visto . Os cabelos um pouco emaranhados possuíam vários tons de loiro e dourado e caíam desordenadamente ao redor de um rosto bonito e corado. Uma boca perfeitamente delineada adornava a expressão de receio e o olhar tímido a atingiu como um raio de calor e eletricidade que percorreu todo o seu corpo em instantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste instante uma brisa roçou seu rosto e um pássaro cantou em algum lugar do jardim. Ela sorriu levemente, quase sem perceber, num puro sentimento de alívio e prazer. Alívio por perceber que seus temores em relação àquela pessoa misteriosa deviam ser imaginários. E prazer por sentir-se tão bem ao deitar os olhos sobre criatura tão encantadoramente diferente de todas as pessoas que já havia conhecido em toda a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz parecia muito simples e humilde. Porém, era definitivamente uma pessoa boa, de coração grande e absolutamente agradável de ver. Devia ter mais ou menos a sua idade, mas não tinha o trato de um nobre, como ela. Um pensamento fugaz passou pela sua mente: “como seria ela mesma vivendo nas mesmas condições que ele?” - mas o pensamento logo fugiu do alcance de sua mente. Quando percebeu que estivera encarando avidamente o rapaz, baixou os olhos corando de vergonha pela ousadia. Pigarreou e disse, ainda olhando para baixo:&lt;br /&gt;- Muito bem. Agora me diga quem é você e por que se esconde aqui no meu jardim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz suspirou antes de responder suavemente:&lt;br /&gt;- Venho aqui neste jardim para poder vê-la, princesa. Aqui eu posso, ou podia até que fui descoberto, vê-la sem nenhuma interferência de sua posição real. Aqui posso vê-la como realmente é em sua essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princesa ouviu a resposta em silêncio e demorou alguns segundos para captar o tom de admiração por parte do rapaz. Quando finalmente percebeu, corou ainda mais e nada pôde dizer. Sentiu-se ao mesmo tempo admirada e invadida em sua intimidade. Tinha plena consciência de que lá, naquele jardim, despida de todas as máscaras, era apenas uma jovem, com os anseios e conflitos de uma adolescente normal. Ao perceber que alguém, sem sua permissão, estivera a observando durante momentos tão íntimos, sentiu-se envergonhada. Porém, não foi capaz de retrucar ou reclamar pela sua intimidade invadida. Apenas esperou que ele continuasse, como uma criança pega em uma de suas peraltices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele não continuou imediatamente. Um silêncio quase desconfortável começou a instalar-se e ela arriscou levantar um pouco os olhos. O que viu a fez sentir-se mais tranqüila. Ele parecia tão ou mais constrangido que ela pela revelação recente. Olhava para as próprias mãos e seus cabelos em desalinho cobriam seu rosto bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como se o silêncio não pudesse mais suportar o próprio peso, ele se desfez. O rapaz disse pausadamente com sua voz suave:&lt;br /&gt;- Meu nome, minha princesa... – e fez uma pausa carregada de significados - é William. William Hartman Coli.&lt;br /&gt;E a simples menção desse nome trouxe consigo uma nova brisa com cheiro de saudade e felicidade .</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/12/captulo-xiii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-75661922286994555</guid><pubDate>Sat, 17 Nov 2007 22:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-19T01:25:00.163-02:00</atom:updated><title>Capítulo XII</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;cordou animada com a perspectiva de descobrir algo sobre o sumiço de Theodore. Tomou seu desjejum rapidamente e correu para a cozinha, onde normalmente poderiam ser encontrados vários serviçais. Chegando lá, olhou para cada uma das senhoras, mas não encontrou aquela.&lt;br /&gt;Assim que a viram, postaram-se em fila, como era de se esperar em sinal de respeito, e aguardaram à disposição da pequena princesa. Perguntou da única maneira que encontrou:&lt;br /&gt;- Hum, quem é responsável pela limpeza da biblioteca?&lt;br /&gt;A mais velha delas respondeu rapidamente:&lt;br /&gt;- É função de Moira, sua alteza. E também do senhor Theodore.&lt;br /&gt;- E onde Moira se encontra agora?&lt;br /&gt;- Precisou ausentar-se por motivos pessoais, mas se sua alteza necessitar, eu posso substituí-la, sua alteza.&lt;br /&gt;- Motivos pessoais? Hoje apenas?&lt;br /&gt;- Sim, somente hoje. Raramente ela pede para sair. Entretanto, hoje nem chegamos a vê-la por aqui. Ficamos sabendo sobre sua ausência através de um bilhete deixado por ela aqui mesmo na cozinha, sua alteza.&lt;br /&gt;Estranho, pensou ela.&lt;br /&gt;- E Theodore?&lt;br /&gt;- Infelizmente, sua alteza, ele também não se encontra hoje. Pensamos que eles devem ter precisado ausentar-se para tratar do mesmo problema.&lt;br /&gt;- Como assim? Ambos resolvendo o mesmo problema?&lt;br /&gt;- Sim, sua alteza. Moira é esposa de Theodore...&lt;br /&gt;&quot;...Moira, esposa de Theodore? Motivos pessoais que exigiam a presença de ambos&quot;... tentou achar ali alguma pista que explicasse  tudo aquilo.&lt;br /&gt;Já ia sair da cozinha sem perguntar mais nada quando notou os outros empregados entreolhando-se com ares de preocupação. Ou medo, talvez. Tentou então parecer natural e delicada quando agradeceu. Resolveu que seria prudente tomar o máximo cuidado em disfarçar seu interesse em quaisquer que fossem os mistérios que rondavam sua vida. Com uma expressão inocente, completou:&lt;br /&gt;- Está bem. Penso ter perdido um broche na biblioteca, mas isso certamente pode esperar até que voltem. – sorriu novamente com suavidade. - Espero que não seja nada grave. Podem voltar ao trabalho.&lt;br /&gt;Saiu dali satisfeita por perceber que a expressão dos empregados havia mudado, ficando mais leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no jardim que a princesinha resolveu sentar-se e pensar sobre o que faria com as informações que tinha agora. Sentou-se em seu banco preferido, apreciando o leve farfalhar das árvores e os sons da natureza. A brisa que roçava sua pele lhe confortava. Fechou os olhos e respirou longa e profundamente, sentindo o aroma das tantas flores que adornavam seu lindo recanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, percebeu que não estava mais sozinha. Sentia uma presença, mas não sentiu medo. Lembrou-se imediatamente do outro dia em que ouvira aquela voz suave e melodiosa que permanecera ressoando em sua mente por horas. Impetuosamente, perguntou:&lt;br /&gt;- Você está aí, não é?&lt;br /&gt;Sentia uma ansiedade sufocante enquanto esperava pela resposta. Era excitante e quase divertida a expectativa de poder falar com o autor daquelas palavras que lembrava-se tão bem. Esperou e esperou.&lt;br /&gt;Prestes a desistir, resolveu fazer uma última tentativa:&lt;br /&gt;- Por favor... fale comigo novamente.&lt;br /&gt;E então, quase que por mágica, ele falou:&lt;br /&gt;- Sim, minha princesa. Estou aqui.&lt;br /&gt;Seu peito pareceu crescer e sentiu algo como um formigamento a percorrer-lhe os sentidos. Sorriu. Não sabia o que pensar, o que fazer, o que falar.&lt;br /&gt;- Eu... é... quem é você? Por que apenas ouço sua voz? Por que você se esconde? Onde está você?&lt;br /&gt;Pensou então ter ouvido um pequeno riso. Mas logo a voz lhe respondeu:&lt;br /&gt;- É mais seguro assim, eu creio. Seria arriscado se eu fosse visto conversando com sua alteza.&lt;br /&gt;- Mas quem é você? Por que seria arriscado? Não trabalha aqui no castelo? Você é um dos jardineiros?&lt;br /&gt;Fez-se então um silêncio, longo e angustiante. Achou que tivesse sonhado e estivesse falando sozinha como uma louca. Mas ele respondeu novamente, desta vez com a voz triste:&lt;br /&gt;- Minha princesa, não sou um empregado do castelo e, com certeza, não seria natural de me vissem ao seu lado. Talvez fosse melhor eu ir embora agora. Rogo-lhe que não chame os guardas e, se assim preferir, nunca mais saberá de mim por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento sentiu um aperto no peito, como se conhecesse aquela pessoa sem rosto e estivesse prestes a perdê-la. Disse simplesmente:&lt;br /&gt;- Não. Não chamarei os guardas. Mas prometa-me uma coisa, e esta será a condição de seu segredo estar seguro comigo.&lt;br /&gt;- Sim, minha princesa. Sou todo ouvidos.&lt;br /&gt;- Revelará a mim a sua identidade e o motivo pelo qual se esconde aqui, dentro do meu jardim. Dirá seu nome e de onde vem, para o que veio e o que pretende.&lt;br /&gt;Esperou alguns segundos e finalizou:&lt;br /&gt;- Temos um acordo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os minutos se arrastaram dolorosamente. Após o que achou ser uma eternidade, ouviu satisfeita:&lt;br /&gt;-Sim, minha princesa. Temos um acordo.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-xii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-8073732931794730789</guid><pubDate>Sat, 17 Nov 2007 20:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-18T19:05:45.296-03:00</atom:updated><title>Capítulo XI</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; sensação de estar sendo testada por alguma força invisível e implacavelmente cruel aumentava na medida em que princesa Ameba caminhava em direção aos aposentos da rainha.&lt;br /&gt;Chegando lá, entrou no amplo cômodo como alguém que está prestes a encarar um grande sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe penteava os longos cabelos, sentada defronte a uma suntuosa penteadeira cravejada de pedras preciosas. Era uma mulher bonita, elegante e fútil. Logo a rainha já falava sobre as obrigações de uma princesa na recepção de apresentação dos pretendentes. Era um momento único e a pretendida deveria portar-se impecavelmente diante de todos os presentes, principalmente os pretendentes. Deveria ser uma cerimônia rica e repleta de nobres de toda a redondeza. Havia um protocolo a ser seguido à risca e, cada gesto da princesa deveria ser passado e repassado a fim de que nada pudesse desaboná-la diante de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, sua mãe ia discorrendo sobre cada detalhe, os quais a princesa deveria treinar exaustivamente durante a semana. Seria designada a ela uma equipe de instrutores com os quais passaria a maior parte dos dias, enquanto receberia toda a instrução necessária e teria a supervisão adequada para que, findo o referido treinamento, estaria finalmente pronta para apresentar-se a contento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rainha falava e falava, como um poema de mau-gosto declamado pela milionésima vez. Mal respirava entre as frases e só parou quando engasgou com suas próprias palavras e teve um acesso de tosse que perdurou por quase dez minutos. Então, com os cabelos em desalinho e o suor formando bolhas sobre seus lábios, encerrou a entrevista com um breve e espremido “pode ir”, enquanto abanava-se com um leque delicado e secava algumas lágrimas, fruto do esforço para desafogar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algum motivo que a princesa desconhecia, todos estavam ansiosos demais com a cerimônia de apresentação. Sabia que seu reino era rico o suficiente para despertar o interesse de todos os príncipes das redondezas. Também sabia que sua beleza era enaltecida por todos os que a conheciam. Não entendia o motivo de tanta ansiedade, como se houvesse a possibilidade de não haver um só interessado nesta união. Pensou e pensou, mas não conseguia entender tal temor. Ou seria pressa? Será que existia algum motivo para que o casamento acontecesse o mais rápido possível? Será que a intenção de seus pais fazerem o casamento com tanta urgência era, na verdade, movida por algo muito maior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrando resposta alguma, decidiu que tentaria mostrar-se interessada para não levantar suspeitas. Porém, tentaria descobrir o que estava acontecendo com todas as suas forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após uma tarde cansativa com os tais instrutores, Ameba dirigiu-se à biblioteca em busca de Theodore. Apesar da falta de intimidade com ele, sentia que poderia confiar nele se necessário. Mas ele não estava lá. Aliás, olhando melhor para o ambiente, achou que ele deveria ter saído com pressa. Vários livros encontravam-se fora do lugar e alguns objetos haviam caído da prateleira que ficava próxima dos mapas. Uma pequena mesinha estava virada, caída displicentemente ao lado do grande sofá. Aos poucos foi percebendo vários detalhes que mostravam que algo estranho havia ocorrido. Um tapete com a ponta dobrada, uma cadeira fora do lugar, uma folha de papel saindo debaixo do biombo de veludo vermelho... Pegou a folha com cuidado e virou para ver o outro lado. Havia uma espécie de mapa. Nas laterais da folha, algumas palavras soltas, sinais de interrogação, círculos e números acompanhados de letras. Pareciam anotações de alguém que tentava decifrar o tal mapa. De quem seriam aqueles traços apressados? Seriam de Theodore?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então se lembrou do delicado senhor. Onde estaria ele? O que teria acontecido ali para que tudo tivesse que ser repentinamente abandonado? Poderia perguntar a alguém sobre isso sem o risco de revelar seu verdadeiro interesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirou fundo, dobrou a folha de papel duas vezes e guardou em seu cinto. Começou então a examinar cada detalhe dos móveis, tapetes, objetos e livros. Algo poderia dar-lhe mais pistas.&lt;br /&gt;Ao final de 30 minutos fez um balanço do que havia encontrado. A área que mais continha alterações era a de geografia, onde provavelmente continha muito mais condições de ajudar a quem quer que tivesse a intenção de decifrar um mapa. Várias ferramentas de medição encontravam-se sobre a mesa, juntamente com quatro livros onde encontrou alguns pedaços de papel marcando algumas páginas. No primeiro, informações sobre cálculos e estudos sobre latitude e longitude. No segundo encontrou considerações sobre a influência dos astros nos fenômenos da natureza. No terceiro, o autor descrevia e explicava símbolos e códigos usados em cartas marítimas, mapas estelares e geográficos. Finalmente, no quarto livro, toda a sorte de histórias antigas e lendas fantásticas, um pouco de magia e mitologia. Neste último, figuras coloridas enchiam os olhos enquanto ilustravam as palavras. Nada disso, porém, fazia sentido para ela. Precisava de mais dados, mais informações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu procurar algum empregado. Theodore não limpava sozinho a biblioteca. A ele cabiam os livros e objetos. A limpeza do chão, janelas, tapetes, mesas era feita por uma senhora muito quieta que, vez ou outra encontrara saindo dali com os apetrechos de limpeza. Não sabia seu nome, mas lembrava-se bem da expressão taciturna da mulher, como se não devesse estar ali. Olhava para baixo e saía rapidamente, sempre que a princesa chegava muito cedo à biblioteca.&lt;br /&gt;Devido ao adiantado da hora, porém, não encontrou quase nenhum empregado ainda disponível, exceto aqueles que ficavam até mais tarde para servir às necessidades e luxos dos membros da realeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariada, percebendo que teria que fazer isso no dia seguinte, recolheu-se para tentar dormir um pouco. O dia seguinte prometia ser longo e mais cansativo ainda do que já havia sido este.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-xi.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-8534586267311085479</guid><pubDate>Sat, 17 Nov 2007 05:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-17T03:35:49.474-02:00</atom:updated><title>Capítulo X</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; pequena princesa acordou sentindo o peso da realeza. Era muito, era grande demais, era um mundo de obrigações pesando sobre seu corpinho tão frágil, sobre sua mente tão cansada e sobre seu coração tão carente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou alguns instantes tentando organizar as idéias. Teria que lidar com mais um problema agora, mas não sabia como poderia escapar daquele maldito casamento. Queria ter tempo para dedicar-se apenas ao mistério que rondava sua origem mas agora, tinha outras coisas a tomar-lhe a mente, outros problemas a resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou deitada por longos minutos apenas pensando, tentando achar uma saída, olhando para os tecidos finos que caíam do dossel de sua cama. Sempre se sentira bem em sua cama, protegida de todo o resto por aquele fino e delicado tecido que adornava seu leito. Logo alguém entraria trazendo seu desjejum. Abriria as cortinas e deixaria a luz do sol banhar todo o quarto. Talvez abrisse também as janelas, se o tempo estivesse calmo, e a brisa da manhã entraria e balançaria levemente a organza ao seu redor. Então, ela estenderia os braços e as pernas, languidamente, bocejando e piscando os olhos, preparando-se para um novo dia. De repente, como um raio, lhe veio a lembrança daquela voz no jardim. Sentou-se abruptamente, seus olhos percorrendo todo o quarto, como se ali pudesse encontrar alguma resposta. Mas seus olhos não enxergavam o quarto. Apenas passeavam nos móveis enquanto seu cérebro corria em busca de cada detalhe que estivesse gravado em sua memória. Sorriu para si mesma quando se lembrou das palavras delicadas e do tom cuidadoso daquele que não tinha nome e nem rosto, apenas voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu que tinha informações demais para administrar. Resolveu tomar um longo banho de banheira para que a água fresca pudesse limpar-lhe a alma e o coração, como sempre acontecia. Tinha uma relação íntima com a água e com ela, sentia-se à vontade e tranqüila. Ficou então imersa até a água quase esfriar. Conseguiu finalmente clarear um pouco a mente e seu desjejum transcorreu muito melhor do que nos últimos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se sentiu satisfeita, levantou-se da mesa e, quase sem pensar, dirigiu-se ao jardim. Desta vez, não se sentou. Decidiu apenas caminhar, sentindo um fio de esperança que lhe dizia que poderia encontrar novamente o dono da voz misteriosa. A cada som, virava-se e olhava atentamente por entre as folhagens e flores de tantas cores a fim de detectar a origem, mas, apenas pássaros e esquilos lhe faziam companhia. Logo seus pés estavam cansados e seus pensamentos voltavam a lhe perturbar. Tinha agora três desafios! Não sabia por onde começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu então voltar à biblioteca. Quem sabe se lá poderia ter alguma idéia de como evitar aquele casamento inusitado e não desejado.Chegando lá, procurou por Theodore, mas não o encontrou. Vagou por entre as estantes e as poltronas de veludo vermelho até de deparar com o cantinho de que menos se interessava da biblioteca, o de história. Lembrou-se do dia em que Theodore separara-lhe os livros a seu pedido. Depois lembrou-se das sensações estranhas em relação a ele e depois do desmaio. Tudo foi voltando, resgatado de sua mente confusa. Achou melhor tentar distrair-se desses pensamentos ou ficaria louca. Seguiu as prateleiras olhando as lombadas de cada livro e percebeu que ainda havia uma grande quantidade numa altura em que precisaria de um apoio para subir. Pegou uma banqueta e subiu, mas percebeu que não era suficiente. Começou então a procurar uma escada. Deveria haver uma em algum lugar. Avistou então o biombo de veludo vermelho. Sim, poderia estar ocultando uma escada, por que não? Foi até ele e tocou os dedos no tecido macio e bonito. Percebeu que teria que puxá-lo para o lado ou não teria acesso ao que estaria atrás dele. Tentou movê-lo para um lado mas não conseguiu. Tentou então para o outro lado, mas era muito pesado. Estranho, não parecia pesado. Se não fosse ridículo acharia que estava pregado no chão. Procurou por uma trava ou algo parecido que pudesse soltá-lo, que permitisse que se movesse. Então, numa das dobras do tecido encontrou uma saliência. Apertou e empurrou para o lado, entretanto nada aconteceu. Tentou então tentar puxar aquilo que parecia ser uma pequenina maçaneta. Nada aconteceu. Ficou ali olhando para a saliência e, como se fosse a coisa mais óbvia a pensar, lhe ocorreu que maçanetas são feitas para ser giradas. Nervosa, pegou a pequena saliência com dificuldade e girou, lentamente, como numa porta. Ouviu um clique, apenas um pequeno clique. Desta vez o biombo se moveu. Precisou fazer força mas continuou, animada pela idéia de ter decifrado um enigma, embora pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centímetro a centímetro, foi movendo o biombo até que achou já ter conseguido uma abertura suficiente para pelo menos olhar atrás dele. Decepcionada, não viu coisa alguma, nenhuma escada ou móvel... Apenas uma pequena porta. Mas, o que seria aquela portinha ali escondida por detrás de um biombo misterioso com uma maçaneta oculta? O que haveria além daquela porta? A abertura que havia conseguido não era suficiente para atravessar, apenas para espiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomeçou então o difícil trabalho para mover o biombo. Ficou ali por quase uma hora e a abertura ainda não era suficiente. Decidiu descansar um pouco e sentou-se, desajeitadamente em uma das poltronas próximas. Cochilou de tão cansada. Quando despertou momentos depois, percebeu desolada que o biombo havia retornado quase à posição inicial. No tempo em que estivera cochilando, alguém ou alguma coisa fizera o biombo fechar a entrada novamente. Ficou ali parada, olhando sem ação por alguns momentos. De repente, percebeu o pequeno movimento do móvel. Era como se tivesse uma mola ou algum mecanismo semelhante. Compreendeu que, se quisesse ter acesso àquela porta, teria que fazer o esforço de uma vez, sem interrupção. Quase chorou, mas estava decidida em descobrir mais este mistério. Levantou-se e, ao dirigir-se ao biombo, esbarrou a perna numa banqueta. Veio-lhe então a idéia de calçar o espaço já aberto com a mesma. Assim, poderia descansar e retornar. Incentivada pela ótima idéia, decidiu voltar ao trabalho, contente pela própria esperteza. Colocou a banqueta no espaço e foi até a mesinha onde ficava uma jarra de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto sorvia pequenos goles de água fresca, ouviu o som de passos se aproximando da biblioteca e pensou que ninguém deveria saber sobre sua façanha. Ficou alguns segundos sem saber o que fazer e foi o suficiente para que alguém entrasse no recinto. Era uma serviçal, trazendo um recado de sua mãe: deveria ir ter com ela imediatamente para conversar sobre assuntos importantes. Deu um suspiro de puro desânimo, agradeceu e foi ter com a mãe, aquela pessoa estranha que quase não lhe dirigia a palavra se não fosse estritamente necessário.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-x.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-2562439742313060674</guid><pubDate>Sat, 17 Nov 2007 05:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-17T03:28:44.848-02:00</atom:updated><title>Capítulo IX</title><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;C&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;omo princesa, Ameba tinha suas obrigações reais, compromissos enfadonhos e maçantes. Mas, ciente de sua posição, obrigava-se a comparecer a todos, a fim de não indispor-se com seus pais. Seu relacionamento com eles era frio e superficial. Mas era tranqüilo, desde que não houvesse oposição de sua parte em relação aos deveres reais. Preferia, simplesmente, ser aquela que todos esperavam que ela fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, neste dia, sua ansiedade transparecia em seu rosto delicado. Seus olhos denunciavam sua curiosidade e aflição com tudo que estava acontecendo. Precisava voltar logo à biblioteca e terminar a conversa com Theodore. Teria sido um momento difícil para ela se o rei questionasse sobre sua expressão aflita. Não houve, entretanto, nenhum questionamento pois, como sempre, sua alteza, o rei, não a olhou por mais que alguns segundos. Ela, por sua vez, olhava para os lados, como se pensasse numa maneira de escapar dali e escolhesse a melhor saída. Não conseguia prestar atenção ao discurso de seu pai até ouvir: &quot;... o seu casamento&quot;. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Estarrecida, abriu a boca e olhou para o rei pensando ter ouvido mal mas, para sua total decepção, percebeu que tinha ouvido muito bem. O assunto em questão era o fato de seu aniversário estar próximo e, conseqüentemente, o fim do prazo para realizar seu matrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fica bem uma princesa com sua idade não ter ainda anunciado a data do enlace. Nem sequer o nome do escolhido! Não, não. Temos que resolver o mais rápido possível. Assim, dentro de dez dias haverá a recepção de apresentação dos pretendentes. Oriente-se com a rainha sobre como se portar na ocasião. Não poderá haver um só deslize!... É só. - e, com estas palavras, seu pai fez um gesto indicando que ela deveria sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Completamente sem palavras, saiu da sala real sem saber para onde ir ou o que fazer. Lembrou-se de apenas um lugar onde pudesse dar vazão às lágrimas que teimavam em cair: o jardim. E foi lá, onde passara tantas tardes, que a pequena princesa chorou, chorou e chorou. Sabia que este dia chegaria mas, procurava não pensar a respeito. Casamento... viver com uma pessoa desconhecida, dormir na mesma cama, ser obrigada a sorrir mesmo quando triste, estar à disposição do marido o tempo todo, submissa... não, não podia aceitar tal imposição. Ficou lá, sentada em seu banco preferido, sob uma linda e frondosa oliveira, sem ver o tempo passar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando deu por si, sua mente estava vazia, seus olhos secos de tanto chorar, e a noite já avançava pelo jardim, trazendo as sombras e o canto dos rouxinóis. Uma brisa suave brincava com seus cabelos. Sentia-se extremamente cansada. Achou melhor recolher-se em seus aposentos devido ao adiantado da hora. Não conseguiu, no entanto, levantar-se. Sentia seu corpo pesado e uma total falta de disposição de esboçar qualquer movimento. Ficou ali, observando as várias nuances de claro e escuro nas plantas, totalmente absorta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Após alguns momentos, algo lhe chamou a atenção, tirando-a do torpor. Sentiu-se observada! Olhou à sua volta mas nada pode divisar por entre as plantas pois já era noite. Sentiu um arrepio de medo e todos os sentidos voltaram a funcionar imediatamente. Seu coração batia descompassado. Nenhum som denunciava qualquer presença além dos animais noturnos mas, ela sabia que havia alguém ali, muito perto, à espreita. Enquanto decidia o que fazer, gritar ou correr, ouviu uma voz suave à sua direita:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não temas! Nada farei contra sua alteza. Pode voltar ao castelo tranqüila, estarei aqui caso algum perigo a ameace. Vá.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Surpresa, levantou-se e fez menção de falar mas sentiu sua voz abandoná-la. Não sabia o que dizer. Deveria perguntar quem era ou estaria correndo um risco ainda maior? Sem saber como, seguiu para o castelo e dirigiu-se diretamente aos seus aposentos onde finalmente pôde respirar normalmente. Deitou-se cansada sobre o cetim dourado, entre as almofadas de seda e adormeceu, ouvindo o eco daquela voz suave e melodiosa, cravado em sua mente.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-ix.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-4313825612308616818</guid><pubDate>Fri, 16 Nov 2007 23:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-16T23:07:14.477-02:00</atom:updated><title>Capítulo VIII</title><description>...&quot;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;T&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;heodore Coli&quot;... A sensação de ter encontrado algo há muito tempo perdido perdurou por alguns momentos mas, por força da circunstância, dissipou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, foi vencida pela consciência de que era uma princesa e que, portanto, não deveria demorar-se em conversas íntimas ou trocando olhares com os serviçais. &quot;Maldita consciência&quot;, pensou ela. E então, lembrou-se do que o ser tenebroso havia lhe afirmado sobre sua identidade: &quot;Sou sua consciência, seu pudor e sua vergonha...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confusão tomou conta de seu pensamento e ela se viu mergulhando num torvelinho de emoções contraditórias, tentando entender como poderia livrar-se de tal sofrimento mental. Sentiu que seu corpo se tornava mais e mais leve. Finalmente, veio a escuridão total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou, estava deitada em um dos divãs da biblioteca, confortavelmente apoiada em almofadas de seda. Ao seu lado, uma mesinha de apoio continha uma jarra de água, um copo e um pequeno frasco de vidro, parecido com os dos caros perfumes que tinha em sua penteadeira. Levou alguns segundos para entender o que havia ocorrido. Devia ter perdido os sentidos e o amável senhor a teria levado ao divã. Não sabia quanto tempo teria ficado desacordada mas, pelas luzes fracas que penetravam pelas cortinas de veludo, parecia ter dormido por horas e o sol já devia estar se pondo. Devagar, sua visão foi se tornando mais nítida e foi se sentindo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livreiro aguardava em silêncio e não percebeu de imediato que ela estava acordando. Andava de um lado para outro com a expressão aflita e, pelo movimento de seus lábios, parecia estar orando. Não podia, no entanto, entender o que dizia. De suas mãos pendia uma corrente delicada quase sem brilho. Se houvesse um pingente, ela não podia ver. Ele olhava para baixo e parecia debater-se numa dúvida qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, como se percebesse seu olhar, ele parou. Ela, rapidamente fechou os olhos e esperou. Sentia o par de olhos verdes sobre si mas, por algum motivo desconhecido, não se incomodou com isso. Sentiu-se aquecida e percebeu que poderia abrir seus olhos com segurança.Ele estava ali, olhando-a como se olha uma flor machucada, com um misto de preocupação e carinho. Segurava firmemente a corrente como se fosse um talismã. Seus olhos brilhavam apesar da sala já estar bem pouco iluminada. Tentou levantar-se e, no mesmo instante, ele estava ao seu lado oferecendo a mão para ajudá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando seus dedos tocaram a palma estendida à sua frente, sentiu um fio de eletricidade percorrer seu corpo. Nada parecido com as sensações vividas em seus sonhos. Era algo excitante, mas também calmo e tranqüilo. Confortador e maravilhoso, como voltar para casa após um longo período de ausência. Mais uma vez ela experimentava uma sensação nova e intensa por uma pessoa que nunca havia significado nada além de alguém que limpava seus preciosos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se. Não sabia exatamente o que fazer ou dizer. Olhou para os próprios pés tentando encontrar palavras que coubessem no momento. Então, levantou os olhos para ele que, postado em sua frente, apenas a observava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhorita perdeu os sentidos, madame. Espero que já esteja se sentindo melhor. Talvez fosse melhor chamar o médico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Não é preciso nenhum médico. Me sinto melhor. Mas insisto, o que está acontecendo? Não me refiro ao meu desmaio... Theodore. O que está acontecendo comigo? Por que sinto que o conheço há muito tempo, embora não me lembre de nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste instante, alguém entrava na biblioteca procurando por ela. Era o secretário do rei, informando-lhe que seu pai queria falar-lhe. Suspirou profundamente a fim de livrar-se da raiva que sentiu ao ser interrompida num momento tão importante. Deu um olhar significativo ao livreiro, deixando claro que voltariam a se falar numa outra ocasião, e foi-se.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-viii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-8308650122399510694</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 16:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-14T14:25:32.081-02:00</atom:updated><title>Capítulo VII</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; dia estava bonito e o castelo parecia estranhamente diferente. Algo parecia ter mudado, algo muito sutil. Andou pelos corredores e percebeu que, em tantos anos, nunca reparara nos lindos afrescos das colunas que se espalhavam pelo caminho. Nas paredes, obras de arte de todas as escolas e retratos de pessoas que ela nunca havia conhecido. Os quadros eram grandes em sua maioria, bastante grandes. Enquanto ia caminhando para a biblioteca, quase sem perceber, foi diminuindo o ritmo, parando vez ou outra para apreciar esta ou aquela obra. As esculturas eram muito expressivas e os vasos de uma beleza ímpar. Realmente, eram coisas belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, lembrou-se dos livros e apressou o passo novamente. Quando lá chegou, estava ofegante e ansiosa. Seu rosto delicado tingira-se de um rosa suave e saudável. Seus olhos brilhavam de excitação ao imaginar o que descobriria hoje, já que teria em suas mãos, os livros onde poderia encontrar as respostas aos seus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhorzinho já a esperava, com uma expressão indefinida e uma pequena pilha de livros ao seu lado. Sua postura era impecável e sua cabeça calva brilhava. O monóculo repousava em seu bolso, preso por uma fina corrente dourada. Seus olhos cruzaram com os da princesa por um instante e o tempo pareceu parar. Rapidamente, ele desviou o olhar e restou nela a impressão de que devia estar imaginado coisas. Fechou os olhos, deu um suspiro e abriu-os novamente. É, devia ter sido sua imaginação. Deu um leve sorriso ao homem e postou-se à sua frente, como uma criança pronta a ver um truque interessante. Após um polido bom dia, ele pegou a pilha de livros e, com gestos educados, levou até a mesa grande convidando-a a sentar-se. Pegou cada um dos livros e descreveu-os rapidamente a ela, saindo em seguida da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali estava ela, tão ansiosa que não conseguia focar as letras. Pegou um copo de água e sorveu alguns goles. Começou a ler o primeiro livro mas sua ansiedade não lhe permitia concentrar-se. Pelo índice percebeu que tratava-se da história de um reino próximo ao seu. Resolveu descartá-lo e passar para o próximo. Mas nenhum deles era de seu reino, exceto o último. Começou a ler devorando cada palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história começava com acontecimentos de muitos anos atrás. Descobriu coisas interessantes mas, superficiais. Quando chegou ao final percebeu que o mesmo relatava a história até antes de seu nascimento. Precisava de um livro mais recente. Ou jornais antigos. Começou a ficar nervosa ante a perspectiva de não conseguir informação nenhuma. Constatou infeliz que, teria que se arriscar e perguntar diretamente por um livro que tratasse do ano em que nascera. Se fosse indagada a respeito poderia dizer apenas que estava curiosa por saber de acontecimentos passados, sem nenhum foco especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamou novamente o livreiro e fez o pedido de maneira natural. No momento em que fez a pergunta, viu nos olhos do homem um brilho diferente e, antes que ele pudesse responder, se ouviu perguntando a ele o seu nome. Não sabia de onde teria vindo aquele impulso mas, sabia que isso agora era o mais importante. Ele então prendeu o ar e sua expressão anuviou-se quase que instantaneamente. Como se naquela pergunta estivesse todo um mundo de informações, ela esperou pela resposta, os olhos arregalados fitando os olhos à sua frente. Eram olhos verdes, profundos e calorosos. E a resposta veio numa voz doce e firme:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu nome, minha princesa, é Theodore. Theodore Coli, madame. - e com estas palavras, sorriu. E este sorriso iluminou a pequena princesa como quando se encontra algo que há muito foi perdido.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-vii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-922550346612677370</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 16:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-14T14:22:19.884-02:00</atom:updated><title>Capítulo VI</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;omeçou a ler cada livro com cuidado mas, após algum um tempo, percebeu que isso demoraria demais. Além disso, era uma leitura enfadonha e achava que saber a história de algum lugar muito distante dali não traria respostas às suas dúvidas. Após dois dias, passou a ler os índices e prefácios, procurando apenas as referências que poderiam estar ligadas ao seu reino. Se nada ali parecesse relevante, passava para o próximo. E assim passaram-se semanas. Porém, nenhum dos livros lhe parecia o certo. Ela procurava os livros com a história do reino mas eram tantos os livros que ela chegava a ver o mesmo livro duas vezes sem, no entanto, achar sequer uma menção ao seu nascimento.Se pudesse perguntar a alguém, facilitaria muito. Mas temia expor seus sonhos a alguém que não a conhecia. Talvez - pensou ela - se eu perguntar apenas pela história do reino, sem demonstrar grande interesse por um ano específico, como se fosse apenas mais uma leitura... talvez desse certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamou o responsável pela biblioteca, um senhor baixo e meio calvo. Usava um monóculo no olho direito e tinha uma aparência doce. Por mais incrível que parecesse, nunca tinha reparado nessa característica dele. Era apenas mais um empregado. Mas hoje, chamara-lhe a atenção o modo respeitoso e gentil do homem. Ele a olhou, embora rapidamente, como se não entendesse o motivo da princesa dirigir-lhe a palavra, após todos aqueles anos escolhendo sozinha os livros, para lhe pedir indicações de leitura. Então, quase sorriu. Além do respeito pela realeza, comum entre os empregados do castelo, ele parecia bastante solicito. Perguntou a ela que tipo de leitura estava procurando. Ameba então pigarreou e tentou colocar na voz o tom mais corriqueiro possível quando perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, o senhor poderia me indicar algum livro que contasse histórias interessantes sobre lugares? Lugares que eu possa vir a conhecer algum dia. Ou talvez, aqui mesmo, sobre nosso reino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No instante em que terminou a pergunta, pensou ter visto um misto de euforia e terror nos olhos do homem. Ele respondeu, muito educadamente que, faria uma busca com algumas leituras interessantes que pudessem atender ao seu desejo e que, no dia seguinte, teria algo já escolhido. A princesa agradeceu e saiu, com a sensação de que havia algo estranho no modo como ele olhara para o lado, como se, por uma fração de segundos, pensasse no que deveria responder.&lt;br /&gt;Deitada em sua cama, antes de dormir, voltou a pensar no gentil homem. Como poderia ela, em tantos anos freqüentando a biblioteca, não havia reparado na figura amigável que lá trabalhava. Ele não ficava o dia todo mas, aparecia de vez em quando, ficando ali, disponível, para qualquer pedido dela. Quando ela nada pedia, ele ia-se, para retornar uma hora mais tarde. Ela nunca havia recorrido a ele. Porém, pensando melhor, sempre encontrava livros exatamente do seu gosto, em cima da mesa. Seria ele que deixava lá, de propósito, apenas para agradá-la? Tais pensamentos tomaram boa parte da noite, fazendo-a sentir-se em falta, embora não identificasse exatamente com o que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeceu quando os raios de sol já apontavam no horizonte. Quando acordou, percebeu que já era tarde. Só pensava nos livros que o amável senhor teria separado para ela. Com sorte, ainda hoje, poderia descobrir a chave de todo o mistério. Sorriu consigo mesma e levantou-se, pronta para o novo dia carregado de promessas.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-vi.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-1539632970146796245</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 16:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-14T14:18:50.058-02:00</atom:updated><title>Capítulo V</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;L&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ogo depois do café da manhã, correu à biblioteca. Gostava muito de ler e diariamente era vista com um livro na mão na maior parte do dia. Não gostava de ler na biblioteca, porém. Levava o livro consigo e escolhia um lugar calmo no jardim do castelo onde pudesse mergulhar nas vidas de outras pessoas. Amava as histórias que falavam de liberdade e bravura, sensações desconhecidas à pequena princesa. Antes dos sonhos, era sua única chance de deixar o pensamento solto e poder viajar por outros mundos. Então, vieram os sonhos, nas noites de prazer e satisfação que a embalavam por dimensões nunca sequer imaginadas. Nesta época então, tinha os dias com seus livros e as noites com seus sonhos. Era mágico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, não havia mais prazer nas noites intermináveis que se seguiram ao pesadelo que fora seu confronto com a terrível criatura. Não havia mais sonho, bom ou mal. Chegava a se perguntar se tudo não passara de um delírio... mas não havia como negar, havia sido real demais para não ser verdade. Não tinha opção, não tinha escolha. Teria que descobrir o mistério que ficara suspenso, mesmo que fosse difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A biblioteca era formada por paredes muito altas e repletas de livros, de todos os tamanhos, cores, espessuras e encadernações possíveis. Coleções com filigranas em puro ouro alternavam-se com livros pesados que não poderiam ser carregados por ela. Miniaturas que caberiam no bolso ficavam num armário separado, para que não se perdessem em meio aos livros maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia também manuscritos antigos e jornais de várias partes do mundo. Num canto da sala, ficavam os mapas, bússolas, compassos, um sextante e um relógio preciso. No chão um globo terrestre da altura de um cavalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meio da sala era tomado por toda a sorte de sofás, poltronas, divãs e banquetas para os pés. Mesinhas de apoio e luminárias completavam o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo havia uma porta pequena que era oculta por um biombo de veludo vermelho. Ficava mais próxima dos livros de história. Mas estes não eram seus preferidos, já que só contavam fatos sem nenhuma magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia muito bem por onde começar. Começou a andar pela biblioteca olhando as prateleiras repletas. Era tudo muito bem organizado e limpo. Incrivelmente limpo. Por um instante, se esqueceu de tudo e pensou nas pessoas que passavam os dias limpando o castelo, se esforçando tanto para que a vida da família real fosse perfeita. Distraída, corria os dedos pelas lombadas impecavelmente limpas e se perguntava quem seriam aquelas pessoas? O que as levava a passar os dias e parte das noites apenas servindo? Ficou alguns segundos parada, olhando o vazio, mas como aquele tipo de preocupação não fazia parte de sua vida, logo deixou o pensamento de lado, concentrando-se nos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, se o que procurava era algo relacionado ao seu nascimento, teria que recorrer aos livros que nunca gostara, os de história. Nenhum deles lhe parecia interessante. Porém, tinha uma missão e teria que lê-los, um a um. Sentia que, se tivesse alguma chance de descobrir algo, seria ali. Pegou então uma pilha de livros de história, sentou-se numa poltrona grande e confortável bem ao lado da janela, respirou fundo e abriu o primeiro volume.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-v.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-4993367202426742185</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 16:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-14T14:17:14.711-02:00</atom:updated><title>Capítulo IV</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;F&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;orçou sua mente a formular novas perguntas mas, na fração de segundo em que piscou os olhos, a criatura havia sumido. Olhou para todos os lados e nada, nem uma mísera sombra daquele ser obscuro. A única pista que tinha era o que ouvira, embora achasse que nada fazia sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forçou a memória para lembrar-se das palavras exatas... &quot;consciência, pudor, vergonha.&quot;... &quot;Você nunca será uma pessoa comum&quot;... &quot;você é única&quot;... &quot;decidido, desde seu nascimento, desde a escolha de seu nome!&quot;... ficou ali, no escuro, completamente sozinha, tentando entender alguma coisa mas, nada. &quot;decidido, desde o seu nascimento, desde a escolha de seu nome&quot; ... seu nome... era isso, só podia ser isso! Tinha que descobrir mais sobre seu nome, sobre seu nascimento... o que poderia ser tudo isso? Algo que já estava decidido?... O que? Decidido por quem? E por que? Por que tinha agora estes sonhos? Seriam parte daquilo que havia sido decidido há anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando percebeu que não havia resposta para nenhuma das questões, olhou novamente à sua volta. Alguma coisa estava diferente agora. Parecia haver uma pequena névoa mas, como tudo estivesse escuro, poderia ser apenas uma impressão. Caminhou na penumbra em busca de algo que pudesse apoiar-se, guiar-se. Por que ainda não acordara? Sempre acordava assim que as ações em seus sonhos cessavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu então, ao longe, um som de sinos, muitos sinos, de várias tonalidades. Eles tocaram por alguns minutos e, quando finalmente se calaram, vieram os gritos, muitos gritos. Distantes e confusos, como se uma multidão estivesse falando e gritando ao mesmo tempo. Havia um tom de desespero naquelas vozes. Então, embora não pudesse ver quase nada, percebeu a névoa aumentando, pairando sobre ela. Podia sentir quase como um toque em sua pele. Quando sentiu que algo fosse acontecer, acordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente anotou tudo o que ainda estava fresco em sua mente. Como sempre, não parecia ter sido um sonho mas algo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua meta agora era descobrir qualquer coisa sobre seu nascimento. Não sabia exatamente como fazer isso sem levantar suspeitas. Sabia apenas que, se contasse a alguém sobre seus sonhos, seria considerada louca. Sentia que algo muito importante estava sendo acobertado, escondido, abafado. Precisaria ter muito cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu começar pela biblioteca do castelo. Iniciou então, uma investigação voltada para o ano de seu nascimento e seu nome...</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-iv.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-5545477739043010341</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 16:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-08T23:04:48.171-03:00</atom:updated><title>Capítulo III</title><description>&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;or noites e noites ela tentou fugir daquele ser misterioso mas seu corpo não obedecia. A sensação era de tanto sofrimento que acordava assustada, tremendo e angustiada. O medo agora era seu companheiro diário e, ao anoitecer, já sentia o desespero de saber que, mais uma vez, teria que encarar aquele terrível desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/bosque2.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Após alguns dias, ela percebeu que não poderia fugir a vida inteira. Embora nada acontecesse que justificasse realmente todos os seus temores, ela não conseguia livrar-se da horrível sensação daquelas noites longas e sofridas. Então, a bela princesa teve um rompante de coragem e resolveu enfrentar o medo, acabar com essa angústia e tentar resgatar seus sonhos maravilhosos. Se isso não fosse possível, restava ainda a esperança de poder dormir um sono sem sonhos, apenas dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se, nesta noite, disposta a fazer algo que a tirasse daquela situação tensa e massacrante. O sono a embalou depois de algumas horas. Logo o sonho reiniciava e, como sempre, era escuro, frio, úmido e tenebroso. Então a criatura saiu das sombras e postou-se à sua frente, como nos outros sonhos. Quase sem pensar, deu dois passos à frente aproximando-se um pouco mais da figura que tanto a ameaçava... seu corpo chegou a formigar, tal o medo que teimava em tomar conta. Tentou ignorar essa reação e olhou fixamente para o ser macabro e sinistro. Esperou por alguns momentos o que viria em conseqüência de seu momento de coragem mas, ela não veio como imaginara. O estranho ser apenas pareceu crescer, como se estivesse contrariado com sua ousadia. Ela sentiu um tremor de verdadeiro pavor tomar conta de seu corpo. Respirou profundamente e pensou que, se nada mais acontecesse, poderia prosseguir. Mais nada aconteceu realmente. &lt;img style=&quot;FLOAT: right; MARGIN: 5px 0px 0px 5px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/dark.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, mentalizou as perguntas que tanto a perseguiam:&lt;br /&gt;- Quem é você e o que quer de mim?&lt;br /&gt;Antes que pudesse verbalizar seus pensamentos, ela ouviu, embora tivesse certeza que não havia realmente uma voz... apenas um som que fazia sentido:&lt;br /&gt;- Eu sou a sua consciência. Eu sou o seu pudor. Eu sou a sua vergonha. E sou tudo com o que você luta para ser uma pessoa igual às outras, comum. Mas não se iluda! Você nunca será uma pessoa comum, mesmo que se livre de mim pois, antes de tudo, você é única e ninguém vai poder transformá-la num ser igual a todos os outros. Isso já está decidido, desde seu nascimento, desde a escolha de seu nome!&lt;br /&gt;E então, como se isso explicasse tudo, silêncio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena princesa ficou por alguns momentos tentando entender o que ouvira, como quem decifra um código, um enigma. Nada fazia sentido, nunca ninguém lhe falara tais palavras. Na verdade, nunca ouvira nada que explicasse coisa alguma na sua vida. Crescera cheia de dúvidas, sempre com a mente repleta de perguntas e nunca, nem em seus sonhos, alguém lhe respondera.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-iii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-7597024992245656040</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 02:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-17T12:42:29.281-03:00</atom:updated><title>Capítulo II</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#663366;&quot;&gt;S&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;eus sonhos agora eram seu segredo e seu tesouro. Acordava sentindo o sabor das suas fantasias. E se deliciava com as sensações. Eram tantas, tão novas e tão intensas. Nunca sequer imaginara poder viver algo assim. Esperava ansiosa pelo momento de deitar-se entre os lençóis de seda para, com sorte, logo poder mergulhar nos sonhos mais íntimos que agora eram tão importantes. E, quando amanhecia, estava feliz, estranhamente satisfeita e, pronta para o novo dia. Isso durou alguns meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/meditation_sky_image-200102-SM-1.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/p&gt;Ela agora era uma pessoa diferente, mais alegre e sorria quase todo o tempo. Ninguém entendia o que teria acontecido com a princesinha que sempre fora tão taciturna e agora, florescia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, numa noite, o sonho se tornou pesadelo! Nele, viu todos os seus sonhos lhe escapando por entre os dedos. As cores se tornaram escuras, já não eram mais belas. Sentiu-se muito sozinha e acordou banhada de um suor sofrido, desesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena princesa agora se sentia completamente desamparada. Em seus sonhos agora via apenas uma imagem, no início indefinida, mas que pouco a pouco foi tornando-se mais e mais nítida. Uma figura sinistra e assustadora, que ia aproximando-se devagar... não sabia exatamente sua intenção mas sentia um medo crescente e um cheiro de podridão que lhe tomava os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;img style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 1px 5px 0px 0px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/robe_adma.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada dia o sonho avançava mais um pouco. Apesar do medo crescente ela sentia que teria que sonhar mais e mais vezes ou nunca saberia o que aquilo poderia significar. À medida que aquele macabro desconhecido aproximava-se, Princesa Ameba tentava se afastar mas, suas pernas não obedeciam, o medo tomando conta de seu corpo e aquele cheiro... aquele cheiro que impregnava o ar deixando uma sensação de perda e dor. Tudo isso ocorria em seus sonhos mas ela vivia aquilo com tal lucidez que não poderia ser mais real. Chegava a doer fundo, todo aquele emaranhado de sensações desagradáveis que arrombavam agora seus momentos mais íntimos. Momentos que já haviam sido tão maravilhosos e mágicos, eram agora sua antítese, numa versão caprichosamente funesta.</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-ii.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-9161425475071114680</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 02:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-17T12:41:30.145-03:00</atom:updated><title>Capítulo I</title><description>&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;COLOR: rgb(102,51,102);font-size:180%;&quot; &gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/Reinoo.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;COLOR: rgb(102,51,102)&quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:180%;color:#993399;&quot;&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;um reino muito distante vivia uma linda princesa. Ela levava uma vida morna e sem cor. Nada em sua vida era mais do que apenas um dia após o outro. Seu nome era Ameba.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;A pequena princesa era muito quieta mas tinha seus desejos, embora não pudesse contar a ninguém. Ela guardava estes desejos a sete chaves; desejava muitas coisas mas tinha vergonha &lt;img style=&quot;FLOAT: left; MARGIN: 5px 10px 0px 0px; WIDTH: 200px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/cama.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;de assumir esse sentimento tão íntimo! &quot;Ninguém, em todo o reino, poderia entender como uma princesa tão singela e delicada tinha pensamentos tão intensos.&quot; - pensava. Além disso, era uma pessoa retraída e solitária. Não tinha amigos e, sendo uma princesa, não tinha ninguém em quem pudesse confiar ou contar. Convivia assim com seus anseios mundanos mas solitários. Sempre sentia que faltava algo em sua vida. Não conseguia, entretanto, deficir de que exatamente sentia falta. Acordava e ia se deitar sempre com a mesma sensação de dúvida e insatisfação. Sabia que existia muito mais a ser vivido. Sonhava acordada com outros lugares e com uma vida diferente daquela que levava. Mas durante o sono, revirava-se na enorme cama com dossel. Acordava sonolenta, insatisfeita e infeliz. E seu dia passava como todos os outros, monótonos e sem graça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;Um dia, porém, isso mudou. A noite passou a ser muito diferente e, em seus sonhos, podia tudo. Realizava neles todas as suas fantasias e assim, sentia-se completa. Acordava com a sensação de que havia ganho uma chance de experimentar coisas que nunca poderia na realidade. Considerava-se incapaz de perseguir seus sonhos e realizar seus desejos. Era insegura e tristonha na maior parte do tempo. &lt;img style=&quot;FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 0px 5px; WIDTH: 200px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/santiago_caminho-1.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;br /&gt;Assim, as noites foram passando e os sonhos foram mudando sua vida. Cada vez mais, acordava sentindo-se diferente. Enquanto dormia, conhecia sensações que nunca poderia conhecer acordada. Isso continuou por algum tempo, o qual ela viveu e se entregou de uma maneira que nunca sequer imaginara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa manhã, percebeu que os sonhos em que havia se entregado com tanta intensidade não pareciam ter sido sonhos, pareciam mais uma lembrança... Era como se, durante o sono, tivesse viajado para aquele mundo mágico! Passou a acordar exausta. Em seus sonhos via lugares, caminhos e pessoas. Tinha a sensação de ter passado as últimas horas num mundo cheio de cores e desejos satisfeitos. Sentia em sua pele as marcas de uma vida que ela agora roubava, noite após noite, de uma realidade que ela não sabia de qual dimensão vinha, mas que a fazia sentir finalmente viva! &lt;/div&gt;</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-i.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1104363916459017098.post-8112299884593611854</guid><pubDate>Wed, 14 Nov 2007 02:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-01-18T14:25:58.505-02:00</atom:updated><title>Capítulo 0</title><description>&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;Prefácio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;color: #993399; font-size: 180%;&quot;&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;s amebas são protozoários pertencentes ao &lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
Filo Sarcomastigophora e ao sub-filo Sarcodina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/untitled-1.jpg&quot; style=&quot;margin: 0px 10px 10px 0px; width: 134px;&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
São protozoários formados por uma única célula (animal unicelular). Fazem parte de uma das mais simples (e por que não dizer, primitivas?) formas de vida do planeta. Pela própria definição da palavra, &lt;em&gt;o que é primitivo é original, é puro e genuíno&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/Ameba2-1.jpg&quot; style=&quot;float: right; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 200px;&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
As amebas possuem uma grande capacidade de adaptação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;em&gt;Adaptação: Poder ajustar-se às variações, seja qual fôr a circunstância. Processo pelo qual os indivíduos (ou as espécies) passam a possuir caracteres adequados para viverem em determinado ambiente.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;
&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/ameba3.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 200px;&quot; /&gt;Sua forma pode ser bastante variável, e muitas vezes indeterminada, já que seu corpo gelatinoso assume formas diversas, em alguns casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reprodução da ameba ocorre por um simples processo de divisão celular: uma ameba se divide em duas. &lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pesquisadores do Japão e da Hungria publicaram na revista Nature um estudo demonstrando que o organismo unicelular amebóide (espécie de bolor que se arrasta pelo solo devorando bactérias e fungos) é dono de uma “inteligência primitiva mas bastante lógica”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os organismos unicelulares, de extrema simplicidade, estão no planeta há cerca de três bilhões de anos. São portanto os mais bem-sucedidos na competição natural da evolução das espécies.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;Prólogo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/Ameba-1.jpg&quot; style=&quot;display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 200px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;Esta história nasceu na verdade num dia em a autora (eu) estava se sentindo uma ameba, unicelular, primitiva e burra! A autora, que ainda desconhecia todos os predicados de uma ameba, criou a Princesa Ameba com um grande segredo e um grande desafio, a fim de provar que as aparências enganam e podem até surpreender. A princesa encarnaria a possibilidade de provar que, mesmo o que é considerado pequeno e insignificante, pode ter em sua essência o poder de mudar o mundo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história virá em capítulos sem data marcada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;Preâmbulo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;
&lt;div align=&quot;left&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/radiolarios1thumb.jpg&quot; height=&quot;202&quot; style=&quot;float: left; margin: 10px 10px 0px 0px; text-align: center; width: 141px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;left&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
# As figuras de linguagem serão constantes, fique atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;# Não se engane, não é uma história para crianças. O humor e o romance contidosm nela trata-se apenas de um subterfúgio para se alcançar um objetivo.&lt;br /&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://i161.photobucket.com/albums/t210/cintialeme/radiolarios2.jpg&quot; height=&quot;234&quot; style=&quot;float: right; height: 212px; margin: 0px 0px 10px 10px; width: 150px;&quot; /&gt;&lt;br /&gt;# As imagens constantes nos capítulos ou mesmo ao redor das páginas são importantes. Não as ignore!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;# Se algum termo lhe é desconhecido, consulte un dicionário a fim de evitar dúvidas no decorrer da história&lt;br /&gt;
# Se ficou sem ler por alguns dias e se perdeu na história, volte e dê uma boa olhada a fim de lembrar-se em que ponto havia parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: 180%;&quot;&gt;Prelúdio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Boa Leitura!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://princesameba.blogspot.com/2007/11/captulo-0.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item></channel></rss>