<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><rss xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"><channel><title>Profissão: Cinéfilo</title><description>Críticas de filmes por Caio Amaral.</description><managingEditor>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</managingEditor><pubDate>Wed, 10 Jun 2026 15:56:24 -0300</pubDate><generator>Blogger http://www.blogger.com</generator><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">1601</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/">25</openSearch:itemsPerPage><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/</link><language>en-us</language><item><title>Junho 2026 - outros filmes vistos</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/06/junho-2026-outros-filmes-vistos.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Tue, 9 Jun 2026 18:06:41 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-3836899389709939489</guid><description>&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs2-2Lp_Lc_6mGDXRonIi2AgGIXKu0xK-P_YcKib91FuWV2dIwBXYP52WGT7qcJyTNxl29vtVhFvzpsLshT4Fgis4iL1904b-lLHVLnsdgxibcC_A1rwNvT1XbRukBWHBGrlMLkbQJMWSt-_CIPHtGvwHuT1kGeTEGXfr79LneTl1VGJT0LQZR3_W0Kv0s/s1481/MV5BMTJjYTFkM2EtZjBmNy00OTk2LTg0NTAtNzYxYzlmNjhkMzQ5XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1481" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs2-2Lp_Lc_6mGDXRonIi2AgGIXKu0xK-P_YcKib91FuWV2dIwBXYP52WGT7qcJyTNxl29vtVhFvzpsLshT4Fgis4iL1904b-lLHVLnsdgxibcC_A1rwNvT1XbRukBWHBGrlMLkbQJMWSt-_CIPHtGvwHuT1kGeTEGXfr79LneTl1VGJT0LQZR3_W0Kv0s/w135-h200/MV5BMTJjYTFkM2EtZjBmNy00OTk2LTg0NTAtNzYxYzlmNjhkMzQ5XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;Mestres do Universo (Masters of the Universe / 2026 /&amp;nbsp;Travis Knight)&amp;nbsp;&lt;span style="color: #04ff00; font-size: large;"&gt;★★★&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal"&gt;Assumidamente "Sessão da Tarde" — não é o tipo de filme que pega um material pop e tenta torná-lo artístico — mas é mais decente do que eu imaginava. O grande perigo aqui era o deste "não levar-se a sério" acabar caindo pro lado da autoparódia. Mas diria que em 85% do tempo, o humor do filme é benevolente, não destrutivo. Nem o fato do Esqueleto ser bem-humorado me incomodou, pois em filmes mais juvenis é aceitável o vilão ser semicômico pra história não ficar assustadora demais. Há sim alguns momentos em que o filme apela para o humor cínico estilo &lt;em&gt;Guardiões da Galáxia&lt;/em&gt;, onde o heroísmo dos personagens se torna o alvo das piadas. Mas essas cenas acabam parecendo até deslocadas — algo que o filme insere mais pra seguir tendências do que por refletir o real espírito dos autores. Quando você analisa o conjunto da obra — o casting de He-Man, a trilha sonora, a fotografia, as mensagens, etc. — o que marca&amp;nbsp;&lt;em&gt;Mestres do Universo&lt;/em&gt; é sua tentativa de se distanciar do entretenimento envergonhado da última década em direção a algo mais honesto.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjs2-2Lp_Lc_6mGDXRonIi2AgGIXKu0xK-P_YcKib91FuWV2dIwBXYP52WGT7qcJyTNxl29vtVhFvzpsLshT4Fgis4iL1904b-lLHVLnsdgxibcC_A1rwNvT1XbRukBWHBGrlMLkbQJMWSt-_CIPHtGvwHuT1kGeTEGXfr79LneTl1VGJT0LQZR3_W0Kv0s/s72-w135-h200-c/MV5BMTJjYTFkM2EtZjBmNy00OTk2LTg0NTAtNzYxYzlmNjhkMzQ5XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Cultura - Junho 2026</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/06/cultura-junho-2026.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Fri, 5 Jun 2026 17:00:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-3064267092197570883</guid><description>&lt;div&gt;5/6 — Martin Scorsese e IA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkdYdwePFi4IR5VzueS0smSJbjxcSQfcemXPrJy4V8TSHIFlbKEmyAVJQKIZziKjr1UB3P5najCguIPhLg9inRvgBO5zIzCEUyrzKtmOC0IAHEzW1PbVhMQUk86_7cIKtEH0elSazVuAmbLdmOn6HjPOW0tpJWhoAJlCft4HpNDakU-JW2ASKffpUxdiDw/s1245/Screenshot%202026-06-04%20at%2013.48.40.png" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1245" data-original-width="991" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkdYdwePFi4IR5VzueS0smSJbjxcSQfcemXPrJy4V8TSHIFlbKEmyAVJQKIZziKjr1UB3P5najCguIPhLg9inRvgBO5zIzCEUyrzKtmOC0IAHEzW1PbVhMQUk86_7cIKtEH0elSazVuAmbLdmOn6HjPOW0tpJWhoAJlCft4HpNDakU-JW2ASKffpUxdiDw/w159-h200/Screenshot%202026-06-04%20at%2013.48.40.png" width="159" /&gt;&lt;/a&gt;Pra não parecer que sou anti-tecnologia, aqui está uma polêmica onde estou do lado da IA. Martin Scorsese&amp;nbsp;recentemente apoiou o uso de IA em certas etapas da pré-produção, como na criação de storyboards. Os ataques que ele vem sofrendo vêm principalmente daqueles que lamentam que artistas de storyboard agora ficarão sem trabalho. Essa pra mim não é uma queixa legítima. Meu problema com a IA é quando ela começa a tomar decisões criativas pelo artista e a executar a obra final em si, colocando um ponto de interrogação no talento e na autoria do trabalho — o artista se torna um prompter, supervisionando o processo de maneira distanciada, sem deixar mais suas digitais nos pormenores da obra.&amp;nbsp;Mas há inúmeras etapas práticas na produção de um filme que podem ser facilitadas pela IA. Estou elaborando um roteiro atualmente e aproveitando para refletir sobre essa questão na prática. Uma coisa que a IA facilita muito, por exemplo, é o processo de pesquisa. Quando você está escrevendo sobre um período histórico, sobre um emprego ou ramo da ciência no qual não tem domínio, e precisa de informações e detalhes para tornar a história mais crível, a IA é um ótimo assistente. Você consegue ter uma visão geral rápida sobre o assunto, encontrar as melhores fontes e autores caso precise se aprofundar no tema, etc. Algumas coisas já começam a esbarrar mais no processo criativo, como usar a IA para te dar feedback, mas nem isso compromete necessariamente a integridade do trabalho. Certamente existe uma zona cinzenta onde começa a ficar complexo julgar a ética do uso da IA. Mas usá-la para storyboards pra mim ainda está longe da zona de perigo. Não seria contra nem fazer um rascunho do filme inteiro em IA antes de filmar a coisa real — uma versão aprimorada do que se chama de "monstro" ou "animatic" hoje no audiovisual — seja para vender a ideia para produtores, seja por questões criativas: checar o ritmo, planejar tomadas, comunicar melhor a visão do diretor para a equipe, etc.&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkdYdwePFi4IR5VzueS0smSJbjxcSQfcemXPrJy4V8TSHIFlbKEmyAVJQKIZziKjr1UB3P5najCguIPhLg9inRvgBO5zIzCEUyrzKtmOC0IAHEzW1PbVhMQUk86_7cIKtEH0elSazVuAmbLdmOn6HjPOW0tpJWhoAJlCft4HpNDakU-JW2ASKffpUxdiDw/s72-w159-h200-c/Screenshot%202026-06-04%20at%2013.48.40.png" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><title>Todo Mundo em Pânico</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/06/todo-mundo-em-panico.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Thu, 4 Jun 2026 21:21:16 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-7039039020476626831</guid><description>&lt;div class="separator"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRNhleccfrpG8kUQFYUE_WR30A6p5uzwHcaQiDT_tzxcvfbwWSYoM7L8sBE22FoS7BRppUV4X-zax3SnwbuG4Sw2k5m92fpZtcwP7Wa9bKrqgeFQuZp73wXnGXwM0meWkoCgvo1CmToDxwU5WYmCukbgyZ2Gwfke6N_AqCYBsXmBjvTDJWNJjvBLRCHjaD/s1481/MV5BNTJjMDk1NzAtMGVmNS00NTFmLWFlOTQtZDk5M2I2NjZiZDdlXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1481" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRNhleccfrpG8kUQFYUE_WR30A6p5uzwHcaQiDT_tzxcvfbwWSYoM7L8sBE22FoS7BRppUV4X-zax3SnwbuG4Sw2k5m92fpZtcwP7Wa9bKrqgeFQuZp73wXnGXwM0meWkoCgvo1CmToDxwU5WYmCukbgyZ2Gwfke6N_AqCYBsXmBjvTDJWNJjvBLRCHjaD/w135-h200/MV5BNTJjMDk1NzAtMGVmNS00NTFmLWFlOTQtZDk5M2I2NjZiZDdlXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Não é tão bom quanto eu gostaria, mas dá pra matar a saudade da franquia e do estilo de humor (algo que o novo &lt;em&gt;Corra que a Polícia Vem Aí&lt;/em&gt; pra mim não fez).&amp;nbsp;O conceito de &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2025/12/densidade-criativa-quantas-ideias-por.html" target="_blank"&gt;Densidade Criativa&lt;/a&gt; explica em parte o motivo de eu gostar de comédias como essa: o gênero praticamente força o autor a apresentar três ou mais ideias cômicas por minuto. Ou seja, a &lt;i&gt;Frequência Criativa&lt;/i&gt; costuma ser altíssima — ainda que a &lt;i&gt;Qualidade Criativa&lt;/i&gt; possa oscilar (várias das piadas acabem sendo fracas). Há formas mais e menos artísticas de se fazer besteirol, e digamos que o nível aqui não é dos mais elevados. O filme é uma sucessão de &lt;em&gt;sketches&lt;/em&gt; parodiando filmes de terror modernos (e a cultura americana moderna), mas não há um grande esforço para conectar uma coisa à outra, apresentar um enredo minimamente coerente, ou tornar as piadas autossuficientes (independentes de referências externas). Por mais que você vá ver um filme desses esperando burrice, você quer algo "brilhantemente burro", não piadas jogadas de qualquer jeito. Nesse ponto, o filme não satisfaz 100%, mas há risadas o bastante pra justificar o ingresso, sem falar na liberdade refrescante de ver alguém fazendo piada com tudo aquilo que parecia tabu até pouco tempo atrás (na verdade, há coisas aqui que ainda não estão "liberadas" para escárnio e o filme faz piada mesmo assim; vamos ver até que ponto os Wayans passam impunes).&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Scary Movie / 2026 /&amp;nbsp;Michael Tiddes&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #04ff00; font-size: medium;"&gt;★★★&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgRNhleccfrpG8kUQFYUE_WR30A6p5uzwHcaQiDT_tzxcvfbwWSYoM7L8sBE22FoS7BRppUV4X-zax3SnwbuG4Sw2k5m92fpZtcwP7Wa9bKrqgeFQuZp73wXnGXwM0meWkoCgvo1CmToDxwU5WYmCukbgyZ2Gwfke6N_AqCYBsXmBjvTDJWNJjvBLRCHjaD/s72-w135-h200-c/MV5BNTJjMDk1NzAtMGVmNS00NTFmLWFlOTQtZDk5M2I2NjZiZDdlXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Revolução dos Bichos</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/06/a-revolucao-dos-bichos.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Mon, 1 Jun 2026 13:27:43 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-3648770820911718842</guid><description>&lt;div class="separator"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiToG80yZsxpECmGM0iWg3m5s8XwyDxGP4LZnC28AqOUKb7ugRSpXnz3LIXQFFUjYb8pe2Pmpc3HbwLRfHEKyOxmkRJxEm3ZcfAAVqMiVtrUKeJJYDCtFsVr0EbGr38-VbZilfKzEquGCiJmyh8bVTyDa1uRSW_iIIdcjHSlwIz_R-0WbTHLV0KOvZ1vydE/s1483/MV5BY2U5YTliZDktZWFhZS00ZDI3LTk5MWMtMDFlMjA3MDI2MGMwXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1483" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiToG80yZsxpECmGM0iWg3m5s8XwyDxGP4LZnC28AqOUKb7ugRSpXnz3LIXQFFUjYb8pe2Pmpc3HbwLRfHEKyOxmkRJxEm3ZcfAAVqMiVtrUKeJJYDCtFsVr0EbGr38-VbZilfKzEquGCiJmyh8bVTyDa1uRSW_iIIdcjHSlwIz_R-0WbTHLV0KOvZ1vydE/w135-h200/MV5BY2U5YTliZDktZWFhZS00ZDI3LTk5MWMtMDFlMjA3MDI2MGMwXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Como já comentei antes, não li o livro do Orwell e conheço a história principalmente pela animação de 1954. Na minha percepção leiga, esta nova adaptação moderniza e ameniza um pouco a história para tentar apelar para crianças, mas é basicamente fiel à ideologia do livro. A indignação tanto da esquerda quanto da direita me parece equivocada. A direita rechaçou o filme porque quer acreditar que o livro é contra o socialismo, e que a animação teria deturpado os ideais de Orwell. A esquerda, por ser contra tudo o que é higienizado e açucarado para fins comerciais. Nem a questão da "deturpação" nem a da "higienização" foram problema pra mim. Se a ideia é trazer &lt;em&gt;A Revolução dos Bichos&lt;/em&gt; para os tempos atuais, as alterações na história até que são coerentes. E nada contra tirar elementos deprimentes demais se seu público inclui crianças. O filme é bem mais equilibrado do que as reações fazem parecer. Isso me fez gostar do filme? Não. Primeiro porque eu provavelmente já teria questões com o livro do ponto de vista ideológico (apesar do ceticismo quanto à implementação prática do socialismo, a história ainda é favorável aos ideais éticos por trás dele). Segundo, porque se a intenção do filme é transmitir ideias políticas, isso é um tanto incompatível com um entretenimento familiar. Se sua história é primeiramente ideológica, o melhor é assumir isso e fazer um filme intelectual para adultos. Tornar tudo colorido e cheio de piadinhas não faz o filme automaticamente funcionar como entretenimento familiar — não há real conexão com os protagonistas, nem eventos intrinsecamente prazerosos de assistir. Tudo que o filme tem de interessante — e há detalhes espertos que me surpreenderam — ocorre em um nível cerebral.&amp;nbsp;A adaptação foi incompleta nesse aspecto. Pra realmente funcionar como animação para a família, teria que ser algo mais como &lt;em&gt;Vida de Inseto&lt;/em&gt; (1998), onde as mensagens políticas emergem de uma aventura que se sustenta sozinha, e menos um ensaio ideológico explícito.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Animal Farm / 2025 /&amp;nbsp;Andy Serkis&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #ffa400; font-size: medium;"&gt;★★&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiToG80yZsxpECmGM0iWg3m5s8XwyDxGP4LZnC28AqOUKb7ugRSpXnz3LIXQFFUjYb8pe2Pmpc3HbwLRfHEKyOxmkRJxEm3ZcfAAVqMiVtrUKeJJYDCtFsVr0EbGr38-VbZilfKzEquGCiJmyh8bVTyDa1uRSW_iIIdcjHSlwIz_R-0WbTHLV0KOvZ1vydE/s72-w135-h200-c/MV5BY2U5YTliZDktZWFhZS00ZDI3LTk5MWMtMDFlMjA3MDI2MGMwXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><title>Backrooms: Um Não-Lugar</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/05/backrooms-um-nao-lugar.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sat, 30 May 2026 11:52:04 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-6659745370863972738</guid><description>&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjy_4pIPqfo26tgXQHjNjHgvBYN0A3LeP2_pH03kqKKdzAmoILkuAVYh668QmafODLIMVXIpBUKbJK4SPSIOFYsfNssv_e05Oyvcy-sKy5kMnY6BZDlIkApiT-c5T0hRQ9NA6nUt44kt4Uxcxi4pzuTXhUPkeaYxdoOjB_4SM4gLFohHB-ictZz6u8Uj0K/s1481/MV5BYzQyYjZmMjctMzIyZi00MDI0LWJhNGQtMzQ3MTFlNDgwNGM5XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1481" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjy_4pIPqfo26tgXQHjNjHgvBYN0A3LeP2_pH03kqKKdzAmoILkuAVYh668QmafODLIMVXIpBUKbJK4SPSIOFYsfNssv_e05Oyvcy-sKy5kMnY6BZDlIkApiT-c5T0hRQ9NA6nUt44kt4Uxcxi4pzuTXhUPkeaYxdoOjB_4SM4gLFohHB-ictZz6u8Uj0K/w135-h200/MV5BYzQyYjZmMjctMzIyZi00MDI0LWJhNGQtMzQ3MTFlNDgwNGM5XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;Com o buzz ao redor de &lt;em&gt;Obsessão&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Backrooms&lt;/em&gt;, estou começando a achar que eu estava certo quando sugeri que Hollywood iria pular a Geração Millennial e a próxima safra de diretores novos que empolgariam a indústria viria da Gen Z.&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;Gostei mais de &lt;em&gt;Backrooms&lt;/em&gt; do que de &lt;em&gt;Obsessão&lt;/em&gt; (ainda que &lt;em&gt;Exit 8&lt;/em&gt; seja a comparação mais óbvia entre os lançamentos recentes de terror), pois &lt;em&gt;Obsessão&lt;/em&gt; pra mim já descarrilhou logo no início do ato 2, o que me deixou descrente pela maior parte do filme. &lt;em&gt;Backrooms&lt;/em&gt; se mantém bom por um tempo bem maior — e é só na segunda metade, mais para a meia hora final, que ele começou a me frustrar.&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;O conceito das salas secretas é intrigante como gancho inicial, e os cenários/design de produção são o que tornam &lt;em&gt;Backrooms&lt;/em&gt; distinto. Em termos de narrativa, o grande diferencial pra mim é algo que deveria ser óbvio, comum, mas hoje em dia não é: o filme tem uma sensatez básica na sequência de acontecimentos e na maneira como os atores reagem a tudo. É como pessoas reais talvez reagissem e se portassem ao descobrirem algo aparentemente impossível (Renate Reinsve foi uma escolha inusitada de elenco, mas ela ajuda a dar credibilidade à situação). Essa intenção sempre foi normal no entretenimento — é só na última década e pouco que se tornou padrão a completa ausência de lógica nas tramas e os personagens agirem de forma implausível. Fui ver &lt;em&gt;Hokum: O Pesadelo da Bruxa&lt;/em&gt; outro dia — que é também sobre um homem preso num labirinto de quartos secretos sinistros, fugindo de uma presença maligna — e não passava mais de 2 minutos sem que algo completamente sem sentido acontecesse, seja em termos físicos/práticos, seja em termos de psicologia e comportamento humano. Essa postura mais realista ao lidar com o fantástico é o que cria a sensação de que os eventos de &lt;em&gt;Backrooms&lt;/em&gt; estão realmente acontecendo. Sem isso, perde-se muito do magnetismo da ação.&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;SPOILERS: Se meu interesse diminuiu na segunda metade, é porque essa postura foi em parte abandonada, e o filme começou a ficar mais explicitamente simbólico, psicológico. Nesse ponto, o cineasta não traz nada de novo para a indústria; está apenas seguindo aquilo que já é um clichê há décadas no horror — o &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2021/03/1999-e-o-declinio-da-objetividade.html" target="_blank"&gt;subjetivismo&lt;/a&gt; que talvez tenha sido "edgy" em 2002, quando Shyamalan transformou o clímax de &lt;em&gt;Sinais&lt;/em&gt; em uma sessão de terapia, mas hoje já é o esperado. Não ajuda também o fato de as questões psicológicas no centro da história serem um tanto banais — o protagonista não é desenvolvido o bastante nem está vivendo nada tão grandioso que justifique uma representação tão dramática de sua mente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;



&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;Ou seja, é um filme onde os ganchos são frequentemente melhores que as recompensas, mas ainda assim rende uma sessão divertida.&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;Backrooms / 2026 / Kane Parsons&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;&lt;span style="color: #ffa400; font-size: medium;"&gt;★★★&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjy_4pIPqfo26tgXQHjNjHgvBYN0A3LeP2_pH03kqKKdzAmoILkuAVYh668QmafODLIMVXIpBUKbJK4SPSIOFYsfNssv_e05Oyvcy-sKy5kMnY6BZDlIkApiT-c5T0hRQ9NA6nUt44kt4Uxcxi4pzuTXhUPkeaYxdoOjB_4SM4gLFohHB-ictZz6u8Uj0K/s72-w135-h200-c/MV5BYzQyYjZmMjctMzIyZi00MDI0LWJhNGQtMzQ3MTFlNDgwNGM5XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Cultura - Maio 2026</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/05/cultura-maio-2026.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sat, 30 May 2026 10:29:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-6950306562085356686</guid><description>&lt;div&gt;30/5 — Um bom momento para o cinema&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhB3mGJ4WfIt69h7hNvqBoPsaIuhf0TrkkE8N2rH-Mf_FKnhMzx4zdX3PkxqSV8l4SDaEUOmFuwWL2RI8-k0XLCF6Yeg2BIpoVS232qgoN8_nq2VEmRQuLQA3weHeNfHsHaP8DKF5cURBSIfHbxYKhCYG3DAqYTwYajyeWrY2Kvuyh1iqRtv7c4H0OLqY9n/s2362/2026%20movies.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="2362" data-original-width="1772" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhB3mGJ4WfIt69h7hNvqBoPsaIuhf0TrkkE8N2rH-Mf_FKnhMzx4zdX3PkxqSV8l4SDaEUOmFuwWL2RI8-k0XLCF6Yeg2BIpoVS232qgoN8_nq2VEmRQuLQA3weHeNfHsHaP8DKF5cURBSIfHbxYKhCYG3DAqYTwYajyeWrY2Kvuyh1iqRtv7c4H0OLqY9n/w150-h200/2026%20movies.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;Em janeiro, quando escrevi o post sobre a&amp;nbsp;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/01/cultura-janeiro-2026.html" target="_blank"&gt;Temporada 2025&lt;/a&gt;, estava mais pessimista do que nunca — um pouco por causa da sempre deprimente temporada de prêmios. Mas&amp;nbsp;abril e maio de 2026 foram alguns dos meses mais animadores pra mim da última década. No passado, fiquei pontualmente empolgado com um ou outro filme, mas há muito tempo não sinto uma onda consistente de filmes com intenções positivas (ou pelo menos, intenções melhores). E o público está reagindo positivamente: semana após semana, noto as salas mais movimentadas, como se parte da população tivesse subitamente decidido retomar o hábito de ir ao cinema. &lt;em&gt;Michael&lt;/em&gt;&amp;nbsp;acho que foi o sucesso que coroou este período, mas outros lançamentos também ajudaram a criar uma mudança de ares (franquias menos corrompidas que de costume, ou filmes que vieram atender à demanda por histórias originais). Sem falar nos trailers dos próximos lançamentos: &lt;em&gt;Dia D&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Todo Mundo em Pânico&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Mestres do Universo&lt;/em&gt; — não sei se esses filmes serão bons, mas os trailers pelo menos estão vendendo um tipo de entretenimento mais honesto, menos Anti-Idealista (como disse em 2025, os melhores sinais estão vindo dos filmes comerciais sem grandes pretensões com a crítica, não dos filmes que visam prêmios). Em algumas dessas sessões, vendo as salas cheias e esses trailers passando, consegui ter a ilusão momentânea de estar vivendo em tempos normais. Um pouco de exagero, claro. Não aguardo o início de nenhuma era de ouro do cinema e, levando em conta o fim da "monocultura", já nem sei se acredito mais na ideia de "&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2025/01/livro-pendulum.html" target="_blank"&gt;pêndulo&lt;/a&gt;" ou de coesão cultural. Mas se uma forma mais autêntica de Idealismo pelo menos deixar de ser &lt;i&gt;démodé&lt;/i&gt;, se tornar um nicho viável, que pode coexistir com outras abordagens de entretenimento, já será uma vitória.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;11/5 — Billie Eilish: Hit Me Hard and Soft - The Tour in 3D&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEixlAHY-cbfWlc8CBG7ycVgDTr7MRTVuZ87G5guYwpHxemJF9zaoKEtb_VyYDPGIe5NQMGWAfzujHGEMUlAq9pBH-E9hALAch0xeA7J4xn_QX8kvR_mYgNKlg4YkNL5jvAWhXflDbvWqKlDf-Qmj7xZiDTsPy9W_lHQu29B6f07GgTno9sytlPjjBKsslBU/s1200/billieeilishhardsoftre-jpg.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="500" data-original-width="1200" height="105" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEixlAHY-cbfWlc8CBG7ycVgDTr7MRTVuZ87G5guYwpHxemJF9zaoKEtb_VyYDPGIe5NQMGWAfzujHGEMUlAq9pBH-E9hALAch0xeA7J4xn_QX8kvR_mYgNKlg4YkNL5jvAWhXflDbvWqKlDf-Qmj7xZiDTsPy9W_lHQu29B6f07GgTno9sytlPjjBKsslBU/w253-h105/billieeilishhardsoftre-jpg.webp" width="253" /&gt;&lt;/a&gt;Não me interesso pela Billie Eilish, mas fui assistir ao show/documentário por causa da direção do James Cameron — e saí continuando sem entender por que ele se envolveu com esse projeto, com uma artista que não dá match nenhum com ele, onde ele pôde contribuir muito pouco além de garantir um 3D tecnicamente bem feito, mas que acaba tendo pouco impacto até pela crueza visual do palco. (Cameron não dirigiu o show em si; apenas cuidou da captação e edição, além de fazer algumas entrevistas superficiais que não agregam muita coisa.)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7/5 — Orwell e comunicação objetiva&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEii_w6Zjh2LPPKiLRO-FGk4ru6XeMNKTtpGDIdicPCQza2_qmpGSLu9oRuJmnalquOi8N3tPrqPAkzHVWFBj0Z6-tDPAOa0SKV_jO6a9lTPp0B3m9mB-uSVzFhyphenhyphenawMB05mpJSsVUQroEqr8SwFHYftiDuJMoDLaoqeLaCR0-WRhECX91KiaahFcf5LiwNGZ/s2339/81LK6+TzE0L.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="2339" data-original-width="1524" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEii_w6Zjh2LPPKiLRO-FGk4ru6XeMNKTtpGDIdicPCQza2_qmpGSLu9oRuJmnalquOi8N3tPrqPAkzHVWFBj0Z6-tDPAOa0SKV_jO6a9lTPp0B3m9mB-uSVzFhyphenhyphenawMB05mpJSsVUQroEqr8SwFHYftiDuJMoDLaoqeLaCR0-WRhECX91KiaahFcf5LiwNGZ/w130-h200/81LK6+TzE0L.jpg" width="130" /&gt;&lt;/a&gt;Eu tenho um jeito bastante explícito, “direto ao ponto” de escrever, e uma das minhas maiores&amp;nbsp;dificuldades na faculdade agora é ter que me adaptar a um estilo cognitivo totalmente diferente — a uma linguagem vaga, inespecífica, indireta, que parece ter medo de se comprometer com qualquer coisa ou de expor a mente de quem escreve.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;
&lt;p data-end="678" data-start="398"&gt;Tentando entender melhor essa diferença, encontrei um texto ótimo do George Orwell chamado &lt;em data-end="528" data-start="497"&gt;“&lt;/em&gt;&lt;span data-end="528" data-start="497"&gt;Política e a Língua Inglesa”&lt;/span&gt;, que explica bem por que a faculdade às vezes me faz sentir como um estrangeiro aprendendo uma língua nova, ou então como um caso muito mais grave de TDAH.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1185" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="680"&gt;No fim, o vilão é a velha falta de Objetividade (que, segundo Orwell, é comum não só por problemas de inteligência e ética, mas também por razões políticas). No cinema, estou mais treinado pra identificar como a linguagem não objetiva e a má cognição afetam roteiros, direção, e já não deixo que isso me traga qualquer senso de inferioridade. Mas o meio acadêmico é novo para mim, e diante desses textos vagos e dos métodos irracionais de ensino, muitas vezes ainda me pego questionando minha própria sanidade.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://www.orwellfoundation.com/the-orwell-foundation/orwell/essays-and-other-works/politics-and-the-english-language/" target="_blank"&gt;Orwell - Politics and the English Language&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(original)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogacritica.blogspot.com/2015/02/orwell-politica-e-lingua-inglesa.html" target="_blank"&gt;Orwell - A política e a língua inglesa&lt;/a&gt; (tradução que encontrei em Portugês PT)&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhB3mGJ4WfIt69h7hNvqBoPsaIuhf0TrkkE8N2rH-Mf_FKnhMzx4zdX3PkxqSV8l4SDaEUOmFuwWL2RI8-k0XLCF6Yeg2BIpoVS232qgoN8_nq2VEmRQuLQA3weHeNfHsHaP8DKF5cURBSIfHbxYKhCYG3DAqYTwYajyeWrY2Kvuyh1iqRtv7c4H0OLqY9n/s72-w150-h200-c/2026%20movies.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Maio 2026 - outros filmes vistos</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/05/maio-2026-outros-filmes-vistos.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Mon, 25 May 2026 17:58:25 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-1983020391959637059</guid><description>&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuDywFjFb7hnZfqS5DzMa6ymFU0XsF8LJAcfMGIHeN2V_YgYiPSTU-XJxer8Tw32b1wjrDO0GHJnxkuf-LperiKTES03SzbIpajx6MowHI9TZFlZYJwu_Ot04dAblqQfrLMwrI3L_UyQuH79p4iqCh4QIjx_TG1VYD80jqzheB76Ol9MUxmLfH9h3k9Zcp/s1568/MV5BMTk4NjMxNjcyOV5BMl5BanBnXkFtZTgwNDAwNTIxMDE@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1568" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuDywFjFb7hnZfqS5DzMa6ymFU0XsF8LJAcfMGIHeN2V_YgYiPSTU-XJxer8Tw32b1wjrDO0GHJnxkuf-LperiKTES03SzbIpajx6MowHI9TZFlZYJwu_Ot04dAblqQfrLMwrI3L_UyQuH79p4iqCh4QIjx_TG1VYD80jqzheB76Ol9MUxmLfH9h3k9Zcp/w127-h200/MV5BMTk4NjMxNjcyOV5BMl5BanBnXkFtZTgwNDAwNTIxMDE@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="127" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;Exodus&lt;/b&gt; (1960 / Otto Preminger) ★★★½&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;Nunca tinha visto este épico sobre a criação do estado de Israel. Não chega a ser um David Lean, mas gostei de assistir por ser uma produção grandiosa sobre um tema pouco explorado no cinema. O mais surpreendente de tudo, pra quem vê o filme no contexto atual, é "descobrir" que na época em que o filme foi feito, defender Israel era uma coisa de esquerda! &lt;em&gt;Exodus&lt;/em&gt; inclusive foi escrito por Dalton Trumbo, e foi uma peça fundamental para dar fim à lista negra de Hollywood (que caçava comunistas na indústria), já que o diretor Otto Preminger foi corajoso e decidiu dar crédito a Trumbo por seu roteiro (durante a lista negra, comunistas tinham que usar pseudônimos e trabalhar nas sombras).&lt;/p&gt;
&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;O estranhamento vem de constatar que, nas primeiras décadas após a 2ª Guerra, os judeus ainda eram vistos como um povo oprimido, e Israel como uma espécie de experimento socialista. O grande vilão da história era o Império Britânico — por isso, a esquerda estava do lado de Israel. Os palestinos eram uma questão secundária. Foi só no final dos anos 60 que Israel se estabeleceu como uma grande potência militar, e aí a narrativa se inverteu totalmente — os judeus se tornaram os opressores para a esquerda, que passou para o time dos palestinos. &lt;em&gt;Exodus&lt;/em&gt; se torna um caso interessantíssimo de um ponto de vista estético/político. É um filme com um posicionamento controverso, inaceitável hoje em dia, mas feito com uma linguagem mainstream, como quem não sabe que está "do lado errado" da história. Me fez pensar que talvez essa seja a melhor forma mesmo de apresentar qualquer ponto de vista, se sua intenção é normalizá-lo — tratá-lo como algo natural, humano, de bom gosto, parte do senso comum, em vez de deixar que a controvérsia se reflita na sua abordagem.&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvnDMooooI7lLiK3fz8NZBFhk5xAw2I4W60GuiQ7pysn3KwzvOC-aAdwaGpBTR6yNZw4PiRB7uXaLWIDbFftf4q5nkqp8_8GjB2tjLgBTSp02SstFNfXEh1E442iYKGZYA6bksHS_oRP4MLx6N73v0bqVuvE0eCxgkAvSZxVxb_5j-CweY8QFxEgO7Daxr/s858/MV5BOTc0MmM1MmMtYTI0Yi00YzJlLTg4MjctNjBlOGQ4NGJjZTNmXkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="858" data-original-width="580" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvnDMooooI7lLiK3fz8NZBFhk5xAw2I4W60GuiQ7pysn3KwzvOC-aAdwaGpBTR6yNZw4PiRB7uXaLWIDbFftf4q5nkqp8_8GjB2tjLgBTSp02SstFNfXEh1E442iYKGZYA6bksHS_oRP4MLx6N73v0bqVuvE0eCxgkAvSZxVxb_5j-CweY8QFxEgO7Daxr/w135-h200/MV5BOTc0MmM1MmMtYTI0Yi00YzJlLTg4MjctNjBlOGQ4NGJjZTNmXkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;Congo&lt;/b&gt; (1995 / Frank Marshall)&amp;nbsp;★★&lt;/p&gt;
&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;Frank Marshall tinha praticamente tudo nas mãos pra fazer o seu &lt;em&gt;Jurassic Park&lt;/em&gt; — um grande orçamento, um roteiro sobre cientistas sendo perseguidos por predadores ferozes numa selva exótica, também baseado em um livro de Michael Crichton (autor de &lt;em&gt;Jurassic Park&lt;/em&gt;), uma equipe técnica excelente, que inclui a editora de &lt;em&gt;Lawrence da Arábia&lt;/em&gt;, o fotógrafo de &lt;em&gt;E.T.&lt;/em&gt;, Jerry Goldsmith na trilha sonora — lembrando que o próprio Marshall já havia trabalhado ao lado de Spielberg como produtor em inúmeros sucessos, como os três primeiros &lt;em&gt;Indiana Jones&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;De Volta para o Futuro&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Hook&lt;/em&gt;, etc. Ou seja, em termos de produção, ele tinha aqui o pacote completo para criar um blockbuster spielbergiano, o que parece ter sido sua intenção — a única coisa que faltava mesmo era o próprio Spielberg (e John Williams, claro). A diferença brutal que isso faz torna &lt;em&gt;Congo&lt;/em&gt; um ótimo caso de estudo para entender os detalhes intangíveis por trás de uma grande direção.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuDywFjFb7hnZfqS5DzMa6ymFU0XsF8LJAcfMGIHeN2V_YgYiPSTU-XJxer8Tw32b1wjrDO0GHJnxkuf-LperiKTES03SzbIpajx6MowHI9TZFlZYJwu_Ot04dAblqQfrLMwrI3L_UyQuH79p4iqCh4QIjx_TG1VYD80jqzheB76Ol9MUxmLfH9h3k9Zcp/s72-w127-h200-c/MV5BMTk4NjMxNjcyOV5BMl5BanBnXkFtZTgwNDAwNTIxMDE@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Star Wars: O Mandaloriano e Grogu</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/05/star-wars-o-mandaloriano-e-grogu.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Fri, 22 May 2026 22:18:12 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-2720094460578609305</guid><description>&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi85B74kdyopDH_JTxKruH4i-EQ6slPHvD4G6bZYVyRaK4lOh-CbPxv-VYaN5hY-4Ta4FEiyARWSWJMph71fHqUSudS9mlYglp18ztoyllilhmaB9q5EjrvpfISA7TBlr6GjsyDxwrTfXz_DYDJW21MePupL_ITwTe3YLateyMk5qB8UqxKRrE02V16yr3m/s1482/MV5BNjYwYzM4OTUtMDhmMy00ZTZiLTk0YzMtZGQ1MTRhMDNjZjMzXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1482" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi85B74kdyopDH_JTxKruH4i-EQ6slPHvD4G6bZYVyRaK4lOh-CbPxv-VYaN5hY-4Ta4FEiyARWSWJMph71fHqUSudS9mlYglp18ztoyllilhmaB9q5EjrvpfISA7TBlr6GjsyDxwrTfXz_DYDJW21MePupL_ITwTe3YLateyMk5qB8UqxKRrE02V16yr3m/w135-h200/MV5BNjYwYzM4OTUtMDhmMy00ZTZiLTk0YzMtZGQ1MTRhMDNjZjMzXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;Lembro de ter visto o primeiro episódio de &lt;i&gt;The Mandalorian&lt;/i&gt; e achado problemática uma questão que também afeta o longa, que é o fato de termos um protagonista sem rosto. Se você for pensar, isso é extremamente incomum no cinema — há inúmeros filmes estrelados por humanos que não falam, por personagens animados, por animais, objetos, seres fantasiosos, mas não lembro de quase nenhum onde o protagonista não tem um rosto. E não acho que isso seja acidental. Há algo de crucial para o engajamento visual e para o entretenimento nas expressões faciais e reações dos personagens. Sem falar na questão do carisma e nos elementos de caracterização que se perdem com a ausência do rosto.&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;A história de&amp;nbsp;&lt;i&gt;O Mandaloriano e Grogu&lt;/i&gt;&amp;nbsp;não é das mais envolventes. Trata-se de um "&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2021/02/motivacao-do-personagem-e-da-plateia.html" target="_blank"&gt;filme de serviço&lt;/a&gt;" onde o Mandaloriano, que é um caçador de recompensas, recebe uma missão aleatória no início do filme e parte para cumpri-la: viaja para um local, faz uma reunião com uma pessoa, depois segue para outro lugar, pega pistas com uma nova pessoa, e assim por diante.&lt;/p&gt;
&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;Nada parece ter grande relevância, pois o filme viola algo que podemos chamar de "Princípio do Centro do Universo". Os melhores blockbusters costumam contar histórias onde o protagonista é o centro do universo — no sentido de estar participando daquilo que parece ser o evento mais importante do mundo naquele momento. Numa escala menos épica, um blockbuster no mínimo deveria tentar contar uma história que retrate o momento mais crucial da vida do personagem — algo tão especial e decisivo para sua vida que justifique existir um filme sobre aquilo. Em &lt;i&gt;O Mandaloriano e Grogu&lt;/i&gt;, a sensação é que aquela é apenas mais uma missão como inúmeras outras que o herói já viveu ou viverá, e que aquele conflito em particular é apenas um entre centenas de outros ocorrendo na galáxia — não estamos tentando destruir a Estrela da Morte e acabar com o Império de uma vez por todas, como na saga original — apenas lidar com uns vilõezinhos de segunda. O próprio Mandaloriano não parece ter um grande status dentro do universo &lt;i&gt;Star Wars&lt;/i&gt;. Como disse na postagem &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2020/04/o-que-torna-um-personagem-gostavel.html" target="_blank"&gt;O que torna um personagem gostável?&lt;/a&gt;: "No Idealismo, tendemos a pensar em extremos. Se o personagem for um agente secreto, queremos que ele seja o melhor agente secreto do mundo. Se for uma criança levada, queremos que seja a mais levada que já vimos...". No filme, o Mandaloriano luta bem, mas não há nada de tão extremo ou único que o faça parecer central no universo da franquia.&lt;/p&gt;
&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;No fim, o maior problema de &lt;i&gt;O Mandaloriano e Grogu&lt;/i&gt; é a timidez e a falta de personalidade do filme. Não há nada de terrivelmente ruim ou de mau gosto na produção, o que já é uma vitória. Tudo é adequado, apresentável — e os elementos &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2014/11/idealismo-corrompido.html" target="_blank"&gt;Corrompidos&lt;/a&gt; que destruíram tantos produtos &lt;i&gt;Star Wars&lt;/i&gt; nos últimos anos também estão bem reduzidos. A Disney parece estar querendo escutar os fãs. O problema é que não basta excluir os negativos. Falta inserir os positivos — as boas ideias, as cenas surpreendentes, os &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2025/12/densidade-criativa-quantas-ideias-por.html" target="_blank"&gt;300 Beats Criativos&lt;/a&gt; que são a base de um bom espetáculo. Mas isso requer imaginação e liberdade criativa, coisas não muito incentivadas na cidade corporativa, avessa ao risco, que é Hollywood hoje.&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;Star Wars: The Mandalorian and Grogu / 2026 / Jon Favreau&lt;/p&gt;&lt;p class="font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]"&gt;&lt;span style="color: #ffa400; font-size: medium;"&gt;★★&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi85B74kdyopDH_JTxKruH4i-EQ6slPHvD4G6bZYVyRaK4lOh-CbPxv-VYaN5hY-4Ta4FEiyARWSWJMph71fHqUSudS9mlYglp18ztoyllilhmaB9q5EjrvpfISA7TBlr6GjsyDxwrTfXz_DYDJW21MePupL_ITwTe3YLateyMk5qB8UqxKRrE02V16yr3m/s72-w135-h200-c/MV5BNjYwYzM4OTUtMDhmMy00ZTZiLTk0YzMtZGQ1MTRhMDNjZjMzXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Obsessão</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/05/obsessao.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sun, 17 May 2026 16:39:08 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-8663020608513439754</guid><description>&lt;div class="separator"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEixnv_3MfBSPWECVOe-U9lyCjrDYpMnALFuibExS5QFO9W3o2SEt874RvCcugAmj-kZeSzd661qH9e037HxAvR2otgH6UENm7vr0cXIABlL4E_yx8FAcHGTRR9Oe3NwgjdM7quWI8-3uiUHHkfsf6-BHO4zVEtgFHnHQKgUTd_XAkaTY939ZO660QdRj3Bf/s1481/MV5BYzc1NWUwMDgtNGZlMS00ZmYzLWIzMzktNmMxMmY1MTUzNWExXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1481" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEixnv_3MfBSPWECVOe-U9lyCjrDYpMnALFuibExS5QFO9W3o2SEt874RvCcugAmj-kZeSzd661qH9e037HxAvR2otgH6UENm7vr0cXIABlL4E_yx8FAcHGTRR9Oe3NwgjdM7quWI8-3uiUHHkfsf6-BHO4zVEtgFHnHQKgUTd_XAkaTY939ZO660QdRj3Bf/w135-h200/MV5BYzc1NWUwMDgtNGZlMS00ZmYzLWIzMzktNmMxMmY1MTUzNWExXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Gostei do set-up da história — a primeira meia hora quando conhecemos o protagonista, vemos as tentativas fracassadas de Bear de se declarar para a amiga, etc. Os primeiros momentos após Nikki ser "possuída" também funcionam, até pela maneira realista com que Michael Johnston reage a tudo, tornando convincente uma situação que seria difícil de levar a sério com uma performance menos sensível. O problema de &lt;i&gt;Obsessão&lt;/i&gt; é que o filme não sabe muito bem o que fazer no ato 2. Nikki está claramente fora de si, e em vez de Bear comprar um outro feitiço pra tentar reverter a situação, ou então pedir socorro para os amigos, ele tenta levar uma vida normal de casal com Nikki, tornando tudo artificial demais — como naqueles filmes de casa mal-assombrada onde mesmo após o protagonista já ter tido contato direto com o fantasma, ele continua morando na casa normalmente, como se precisasse que o mesmo fato óbvio fosse esfregado 5 ou 6 vezes na sua cara até ele tomar uma atitude sensata (aí, o roteirista já enrolou o bastante e conseguiu chegar ao ato 3). Alguns clichês na caracterização do "monstro" também são frustrantes (até quando o cinema vai achar que uma mulher com cabelo pra frente estilo Samara provoca medo?), até porque &lt;i&gt;Obsessão&lt;/i&gt; é mais sofisticado que a média do gênero, e podia ter encontrado soluções menos batidas para os momentos de terror.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Obsession / 2025 / Curry Barker&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #ffa400; font-size: medium;"&gt;★★½&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEixnv_3MfBSPWECVOe-U9lyCjrDYpMnALFuibExS5QFO9W3o2SEt874RvCcugAmj-kZeSzd661qH9e037HxAvR2otgH6UENm7vr0cXIABlL4E_yx8FAcHGTRR9Oe3NwgjdM7quWI8-3uiUHHkfsf6-BHO4zVEtgFHnHQKgUTd_XAkaTY939ZO660QdRj3Bf/s72-w135-h200-c/MV5BYzc1NWUwMDgtNGZlMS00ZmYzLWIzMzktNmMxMmY1MTUzNWExXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O Diabo Veste Prada 2</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/04/o-diabo-veste-prada-2.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Thu, 30 Apr 2026 15:37:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-7443213656094834928</guid><description>&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9T6_dh42SJDA4W3LASMmdExHB9t5nj2huWJc9deFq6HZcF4semws_jVMYwoFmFGy_XdlAcFR6E-bKAST85Lst8Ca8wOHLjAJAU-uC52Jt0vBqOHQrXYD5uMwSTZfdbgWbnhEYSurwNC8x-55RqHAHODlOyNf0f16GQdjk2NDKw1ZglEJbqyTpPuzZ2gPU/s1482/MV5BZmM3ZDU3ODItZmY5Yi00OTQ2LWE5OTctZTA5NDBhMWJkOGY3XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1482" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9T6_dh42SJDA4W3LASMmdExHB9t5nj2huWJc9deFq6HZcF4semws_jVMYwoFmFGy_XdlAcFR6E-bKAST85Lst8Ca8wOHLjAJAU-uC52Jt0vBqOHQrXYD5uMwSTZfdbgWbnhEYSurwNC8x-55RqHAHODlOyNf0f16GQdjk2NDKw1ZglEJbqyTpPuzZ2gPU/w135-h200/MV5BZmM3ZDU3ODItZmY5Yi00OTQ2LWE5OTctZTA5NDBhMWJkOGY3XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;Bem realizado, se esforça para agradar os fãs e repetir o que deu certo no original — o grande problema é que a cultura mudou muito de 2006 pra cá, e a sequência não soube muito bem como traduzir a história para os dias de hoje mantendo aquilo que a tornava divertida. &lt;i&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/i&gt; foi feito em uma época em que hierarquias ainda eram vistas como necessárias, em que se aceitava a realidade dos padrões de beleza, em que o desejo de se tornar poderoso, bem-sucedido — e, por consequência, de não ser medíocre — era visto como um impulso humano natural, digno, e não algo vergonhoso. Miranda Priestly, como conceito, se sustentava sobre essas premissas, assim como a narrativa de ascensão profissional/"extreme makeover" da personagem de Anne Hathaway — e é isso que tornava a história prazerosa de assistir. Mas o politicamente correto é um veneno para expressões de&amp;nbsp;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/07/os-4-pilares-do-idealismo.html" target="_blank"&gt;Autoestima&lt;/a&gt;, e acabou corroendo essas premissas que faziam&amp;nbsp;&lt;i&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/i&gt; funcionar tão bem. O resultado não é uma sequência ruim, mas um filme que parece tímido, hesitante, com parte de sua energia vital sugada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;The Devil Wears Prada 2 / 2026 / David Frankel&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #ffa400;"&gt;★★★&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9T6_dh42SJDA4W3LASMmdExHB9t5nj2huWJc9deFq6HZcF4semws_jVMYwoFmFGy_XdlAcFR6E-bKAST85Lst8Ca8wOHLjAJAU-uC52Jt0vBqOHQrXYD5uMwSTZfdbgWbnhEYSurwNC8x-55RqHAHODlOyNf0f16GQdjk2NDKw1ZglEJbqyTpPuzZ2gPU/s72-w135-h200-c/MV5BZmM3ZDU3ODItZmY5Yi00OTQ2LWE5OTctZTA5NDBhMWJkOGY3XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Feedback Imediato</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/04/feedback-imediato.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Thu, 23 Apr 2026 15:01:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-3763102963048221408</guid><description>&lt;p data-end="223" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHDFAiXiyJDdxf8gpY20phypbGRLjTDs8KD-07mcq-Lu4VlFwAT6FCdp5LSMvC2YtJx4t6LTekxA1XCky9OQbv74DCAat8opKFhfnZun3elgcUe0ZtuPo42S497_RBfqn5W2zd5H2n0gRX9e2BQB4eli5OBDm_WWilt-53kuSCNDgDATvbU8Ob1zC5HEcZ/s1067/12_Angry_Men_1.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="600" data-original-width="1067" height="180" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHDFAiXiyJDdxf8gpY20phypbGRLjTDs8KD-07mcq-Lu4VlFwAT6FCdp5LSMvC2YtJx4t6LTekxA1XCky9OQbv74DCAat8opKFhfnZun3elgcUe0ZtuPo42S497_RBfqn5W2zd5H2n0gRX9e2BQB4eli5OBDm_WWilt-53kuSCNDgDATvbU8Ob1zC5HEcZ/s320/12_Angry_Men_1.webp" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;O livro &lt;em data-end="63" data-start="8"&gt;Flow: A Psicologia do Alto Desempenho e da Felicidade&lt;/em&gt;, de Mihaly Csikszentmihalyi, discute o&amp;nbsp;que é necessário para termos experiências mentais ideais e traz alguns princípios compatíveis com a teoria do &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2019/07/o-que-e-idealismo.html" target="_blank"&gt;Idealismo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="867" data-start="225"&gt;Um dos mais relevantes, pois nunca discuti aqui explicitamente, é o conceito de Feedback Imediato: para estarmos totalmente envolvidos em uma atividade, precisamos não só ter um objetivo claro, mas também a capacidade de avaliar, a cada momento, o quão bem estamos nos saindo. Pense em um jogo de tênis: o jogador tem o objetivo de vencer a partida e, toda vez que a bolinha bate na raquete ou quica na quadra, ele tem uma nova informação sobre o quanto está se aproximando ou se afastando da vitória. Sem esse feedback imediato — que depende também de as regras do jogo serem claras e conhecidas — ele não ficaria absorvido pela experiência.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1461" data-start="869"&gt;Feedback imediato é igualmente importante para o cinema narrativo. Para estabelecer um "objetivo", uma boa trama precisa ter &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2025/09/ganchos-e-recompensas.html" target="_blank"&gt;Ganchos&lt;/a&gt; — criar um desejo no espectador de ver o que irá acontecer. Geralmente, o Gancho estará ligado ao desejo/necessidade do protagonista (&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2021/02/motivacao-do-personagem-e-da-plateia.html" target="_blank"&gt;Motivação do Personagem e da Plateia&lt;/a&gt;). Sem um destino final para o qual o personagem e o filme estão caminhando — sem que o filme tenha uma Linha de Chegada visível e atraente para o espectador — a história não tem um objetivo e, sem um objetivo, não poderemos medir a cada momento o quanto estamos nos aproximando dele.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1996" data-start="1463"&gt;Como um filme como &lt;em data-end="1508" data-start="1482"&gt;12 Homens e uma Sentença (1957)&lt;/em&gt; consegue ser tão envolvente mesmo não tendo ação física e se passando quase inteiramente dentro de uma sala? Ele apresenta logo cedo um objetivo atraente — o protagonista deseja convencer todos os outros 11 jurados de que está certo — e, em cada cena do filme, surgem situações que permitem que você avalie de forma objetiva se o personagem está se aproximando ou se distanciando dessa Linha de Chegada. Sem esse jogo de "quente/frio", uma trama não consegue ter um senso de imediatismo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="2450" data-start="1998"&gt;Outro filme sempre útil de usar como exemplo é &lt;em data-end="2058" data-start="2045"&gt;Encurralado (1971)&lt;/em&gt;, por se tratar de uma trama de ação minimalista, em que o personagem tem um único objetivo, e tudo é bastante visual e linear, inclusive no desenvolvimento físico da ação: toda vez que o caminhão alcança o carro do protagonista na estrada, sabemos que seu objetivo de sobreviver está em risco. Toda vez que ele despista o caminhão e o deixa para trás, ele se aproxima de sua Linha de Chegada.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="2859" data-start="2452"&gt;Em bons filmes românticos, o quente/frio costuma ganhar a forma de um jogo de bem-me-quer/mal-me-quer: o protagonista tem o sonho de viver um relacionamento amoroso com determinada pessoa, mas diversos obstáculos e incertezas sobre os sentimentos do outro fazem a relação, às vezes, parecer mais provável, às vezes menos provável — e cada nova sequência atualizará o espectador quanto ao status desse sonho.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="3344" data-start="2861"&gt;Nem todo filme é composto de apenas um único gancho central, ao qual todos os feedbacks fazem referência, como &lt;em data-end="2998" data-start="2972"&gt;12 Homens e uma Sentença&lt;/em&gt; ou &lt;em data-end="3015" data-start="3002"&gt;Encurralado&lt;/em&gt;. Há filmes em que vários ganchos secundários se sobrepõem ao principal. Nesses casos, nem toda cena trará feedback sobre o gancho principal. Ainda assim, feedbacks serão importantes para manter o espectador envolvido nessas tramas secundárias (que, em última instância, devem ter relação com o objetivo principal do personagem).&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3344" data-start="2861"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiL6zw1mnA9ttwTGPGfhKJL_wcJNLyVgsdscPCICeikC7JN2Z1kuR-NgNWkrXAhyphenhyphenVTGRqFalIK2fUhPzI1cdYeUmYf4jZI3ix_wPdo_KnbPb0H2EMp_WGSbGvLrMYE0KNNyW7LNV0Cdkqm3YAMtFdA9hMfpIVzoNJd-PDNZPpUeQvpN-Ebpn5KCZjuCzJBy/s1920/The_Enchanted_Rose.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1080" data-original-width="1920" height="180" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiL6zw1mnA9ttwTGPGfhKJL_wcJNLyVgsdscPCICeikC7JN2Z1kuR-NgNWkrXAhyphenhyphenVTGRqFalIK2fUhPzI1cdYeUmYf4jZI3ix_wPdo_KnbPb0H2EMp_WGSbGvLrMYE0KNNyW7LNV0Cdkqm3YAMtFdA9hMfpIVzoNJd-PDNZPpUeQvpN-Ebpn5KCZjuCzJBy/s320/The_Enchanted_Rose.webp" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Uma técnica que torna os feedbacks particularmente satisfatórios é transformá-los em algo concreto e&amp;nbsp;visual na história, que funcione como um "placar". Em &lt;em data-end="164" data-start="153"&gt;12 Homens&lt;/em&gt;, as diversas rodadas em que cada jurado levanta a mão para indicar seu voto funcionam como feedback visual. Em &lt;em data-end="293" data-start="276"&gt;A Bela e a Fera&lt;/em&gt; (1991) e &lt;em data-end="319" data-start="303"&gt;O Mágico de Oz&lt;/em&gt; (1939), a rosa encantada e a ampulheta viram contagens regressivas para a possível derrota dos protagonistas — assim como a fotografia de &lt;em data-end="479" data-start="455"&gt;De Volta para o Futuro (1985)&lt;/em&gt;, com os irmãos desaparecendo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="4760" data-start="3846"&gt;No texto &lt;span data-end="3875" data-start="3855"&gt;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2025/12/densidade-criativa-quantas-ideias-por.html" target="_blank"&gt;Densidade Criativa&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, disse que filmes envolventes mantêm o espectador interessado através de Beats Criativos, e que os mais importantes desses beats — aqueles que estruturam todos os outros — são os beats relativos à trama; os acontecimentos que fazem a história avançar. "Fazer a história avançar" significa aproximar ou afastar o personagem de sua Linha de Chegada — isto é dar Feedback Imediato para o espectador. Idealmente, toda cena (que é a unidade narrativa fundamental de um filme, tendo geralmente de 1 a 3 minutos) deve incluir um feedback para o público — trazer um avanço relevante para a trama, que é o que torna uma cena necessária em um roteiro. Se a cena não contribui em nada para os objetivos centrais do personagem, ela deve ser eliminada ou fundida com outra cena. Portanto, podemos dizer que, em um filme narrativo, toda cena após o estabelecimento do Gancho deve ter algum feedback.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="5696" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4762"&gt;Assim como o &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2015/12/naturalismo.html" target="_blank"&gt;Naturalismo&lt;/a&gt; e o &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2011/06/experimentalismo-e-subjetivismo.html" target="_blank"&gt;Experimentalismo&lt;/a&gt; são caracterizados pela ausência de Ganchos Narrativos, eles também não costumam oferecer Feedback Imediato, gerando experiências menos envolventes. Filmes fantasiosos sem regras claras, que violam o pilar da Objetividade (em que o espectador não sabe com precisão o que pode ferir o herói ou derrotar o vilão, já que a história se passa em uma realidade anticientífica, que não obedece às leis naturais), também podem ter o Feedback Imediato prejudicado — o espectador até fica sabendo quem vence ou perde cada confronto, mas só com base no resultado, sem poder entender precisamente como isso ocorreu: é como um espectador de tênis que tem que avaliar se seu jogador favorito está ganhando ou perdendo exclusivamente através do placar, em vez de observar a bolinha interagindo com as raquetes e julgar o progresso com sua própria consciência, baseado na sua compreensão da realidade e da relação entre consequências e causas.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="5696" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4762"&gt;O conceito de Feedback Imediato é poderoso porque pode estimular, simultaneamente, todos os&amp;nbsp;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/07/os-4-pilares-do-idealismo.html" target="_blank"&gt;4 Pilares do Idealismo&lt;/a&gt;. No nível da Objetividade, ele cria um senso de estrutura, direção, previsibilidade e regras claras para a narrativa. No nível da Autoestima, ele coloca a eficácia do protagonista e o objetivo de vencer no centro da experiência. No nível da Benevolência, ele pressupõe a expectativa por um final feliz. No nível da Excitação, cria tramas estimulantes, que estão sempre avançando na direção de objetivos interessantes e se preocupando em manter viva a atenção do público.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiHDFAiXiyJDdxf8gpY20phypbGRLjTDs8KD-07mcq-Lu4VlFwAT6FCdp5LSMvC2YtJx4t6LTekxA1XCky9OQbv74DCAat8opKFhfnZun3elgcUe0ZtuPo42S497_RBfqn5W2zd5H2n0gRX9e2BQB4eli5OBDm_WWilt-53kuSCNDgDATvbU8Ob1zC5HEcZ/s72-c/12_Angry_Men_1.webp" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Michael</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/04/michael.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Wed, 22 Apr 2026 17:32:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-740532237593280517</guid><description>&lt;p data-end="670" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhizmnwb4u4Hq8ba3DaEtjapfmBQ0JsLfMe-8Bog5wRJN3TpdHDw5om_A6_sNuJt7p_-3xGFnt75TdAIHxE-fP1qHZzyxBX-BmOyU2tgEkLKfO2XBBcBfLQaRB9ulCvvA7RV9H3QLERvWgnJVZiPmpbD9s8y3LppJwtC435NGyTjt4uJH5l8BEmUESrcOsg/s1481/MV5BNzllNmRlN2EtMDQyOC00ODJjLTg4OWQtZDNmNGU3YzlkNjc1XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1481" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhizmnwb4u4Hq8ba3DaEtjapfmBQ0JsLfMe-8Bog5wRJN3TpdHDw5om_A6_sNuJt7p_-3xGFnt75TdAIHxE-fP1qHZzyxBX-BmOyU2tgEkLKfO2XBBcBfLQaRB9ulCvvA7RV9H3QLERvWgnJVZiPmpbD9s8y3LppJwtC435NGyTjt4uJH5l8BEmUESrcOsg/w135-h200/MV5BNzllNmRlN2EtMDQyOC00ODJjLTg4OWQtZDNmNGU3YzlkNjc1XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;Fui feliz por 2h no cinema, ainda que pudesse reconhecer os pontos fracos do filme — especialmente a superficialidade e falta de “unidade de ação” do roteiro, que salta entre os principais momentos da carreira de Michael Jackson sem muito senso de hierarquia e sem nunca ter tempo de se aprofundar em nada (John Branca aparecer mais que Quincy Jones não faz o menor sentido). E não estou dizendo que o filme deveria ter tornado Michael moralmente ambíguo ou discutido as acusações de abuso (muitos acham que revelar imperfeições de caráter é o mesmo que “aprofundar”), mas senti falta de uma dimensão mais reflexiva — insights interessantes sobre a psicologia de Michael, a fonte de seu talento, o que o tornou único no mundo do entretenimento etc.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1087" data-start="672"&gt;O filme funciona praticamente como um jukebox musical, uma experiência audiovisual imersiva que celebra a carreira de Michael, mas não tem nada de muito interessante a acrescentar. Em termos de imagem e som, a produção é ótima; os cenários e figurinos são super bem-feitos, Jaafar Jackson canaliza bem a energia do tio, e o melhor de tudo é que o filme é fiel ao senso de vida idealista de Michael — o que já o torna uma experiência cinematográfica rara nos tempos atuais.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1633" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="1089"&gt;Mas, sim, poderia ter sido melhor enquanto filme — no mínimo, ter dado um desfecho mais satisfatório para essa primeira parte (fica claro que haverá sequência), que termina de forma abrupta durante a turnê Bad, em um ponto pouco natural para pausar a jornada. Se era para focar no conflito com o pai e acabar o filme ainda nos anos 80, deviam pelo menos ter mostrado Michael finalmente saindo da casa da família e se mudando para o rancho Neverland — um clímax para o qual o filme parecia estar caminhando, mas que acaba não sendo aproveitado.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1633" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="1089"&gt;Michael / 2026 / Antoine Fuqua&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1633" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="1089"&gt;&lt;span style="color: #04ff00;"&gt;★★★½&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhizmnwb4u4Hq8ba3DaEtjapfmBQ0JsLfMe-8Bog5wRJN3TpdHDw5om_A6_sNuJt7p_-3xGFnt75TdAIHxE-fP1qHZzyxBX-BmOyU2tgEkLKfO2XBBcBfLQaRB9ulCvvA7RV9H3QLERvWgnJVZiPmpbD9s8y3LppJwtC435NGyTjt4uJH5l8BEmUESrcOsg/s72-w135-h200-c/MV5BNzllNmRlN2EtMDQyOC00ODJjLTg4OWQtZDNmNGU3YzlkNjc1XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Cultura - Abril 2026</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/04/cultura-abril-2026.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sat, 11 Apr 2026 16:41:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-1223268332563753220</guid><description>&lt;div&gt;11/4 - Games: Autoestima vs. Benevolência&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p data-end="363" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR6BjoWlAGMGgwyDsdziOTSOFhkgRkDxAKyy458Gj3BXctfAolhKC7N9csVxfWMCU857jKT55A4hsPSDIHYdVuk4d_ofz2grFXrOGniZFCq1P7qI_EJU4zjv5vZQDI8uac-CuP9QG5VtEzDX10ZCi6nE_XQ9ku-TtTQIjx_QFigkbmbSL5CD_9S9REeBXn/s418/grabbing-the-wand-at-the-top-of-your-jump-in-super-mario-v0-7xhHlCLDxdMXZrU7ae5_L_pZd3OkhtjxOJzmY6hrvYg.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="313" data-original-width="418" height="150" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR6BjoWlAGMGgwyDsdziOTSOFhkgRkDxAKyy458Gj3BXctfAolhKC7N9csVxfWMCU857jKT55A4hsPSDIHYdVuk4d_ofz2grFXrOGniZFCq1P7qI_EJU4zjv5vZQDI8uac-CuP9QG5VtEzDX10ZCi6nE_XQ9ku-TtTQIjx_QFigkbmbSL5CD_9S9REeBXn/w200-h150/grabbing-the-wand-at-the-top-of-your-jump-in-super-mario-v0-7xhHlCLDxdMXZrU7ae5_L_pZd3OkhtjxOJzmY6hrvYg.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Tenho me divertido com alguns jogos antigos do Mario em um console retrô que comprei.&amp;nbsp;Por&amp;nbsp;curiosidade, fiz uma pesquisa pra tentar entender quais jogos seriam o equivalente aos jogos do Mario hoje, em termos de estilo e popularidade. Pelo que entendi, parece ter ocorrido uma polarização no mundo dos games que reflete tendências que também afetaram o cinema.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="653" data-start="365"&gt;Os jogos mais leves e lúdicos hoje, em geral, parecem ser de mundo aberto, sem objetivos predefinidos (o usuário é quem decide o que quer fazer), com tempo ilimitado, nos quais você não precisa ganhar ou perder, ir bem ou ir mal, mas sim explorar, se expressar, interagir socialmente etc. (Quando minha sobrinha de 5 anos está jogando no iPad dela, gosto de provocá-la perguntando se ela está ganhando — ela sempre responde impaciente: “não é de ganhar, tio Caio!”.)&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="864" data-start="655"&gt;Já os jogos que envolvem objetivos claros, exigem habilidade e são “de ganhar” tendem a ser mais sombrios, violentos, ambientados em universos hostis, envolvendo competições de soma zero etc.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1250" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="866"&gt;Se for isso mesmo, é mais um reflexo das tendências anti-autoestima/anti-meritocracia da cultura atual. Quando habilidade e mérito são tornados maus, surge necessariamente essa dicotomia: ou você fica do lado da &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/07/os-4-pilares-do-idealismo.html" target="_blank"&gt;Benevolência&lt;/a&gt; e abandona a &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/07/os-4-pilares-do-idealismo.html" target="_blank"&gt;Autoestima&lt;/a&gt;, ou fica do lado da Autoestima e abandona a Benevolência. Um jogo que faça você se sentir habilidoso e inocente ao mesmo tempo&amp;nbsp;(como os do Mario)&amp;nbsp;se torna antiquado.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhR6BjoWlAGMGgwyDsdziOTSOFhkgRkDxAKyy458Gj3BXctfAolhKC7N9csVxfWMCU857jKT55A4hsPSDIHYdVuk4d_ofz2grFXrOGniZFCq1P7qI_EJU4zjv5vZQDI8uac-CuP9QG5VtEzDX10ZCi6nE_XQ9ku-TtTQIjx_QFigkbmbSL5CD_9S9REeBXn/s72-w200-h150-c/grabbing-the-wand-at-the-top-of-your-jump-in-super-mario-v0-7xhHlCLDxdMXZrU7ae5_L_pZd3OkhtjxOJzmY6hrvYg.webp" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total></item><item><title>Abril 2026 - outros filmes vistos</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/04/abril-2026-outros-filmes-vistos.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Fri, 10 Apr 2026 15:03:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-9175162218171581225</guid><description>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQZ2iYejjtrbdS74c4oOYOn063P-LAVkv2E-tei5vCGp9rg2bbpUVAmZCASEdcQjxTnnFkk0xgADdt7zbQ79Axa99Q2n8gHdFhKSztjB_QOVTxEK_p9xzQICvbbqukJ4AR0QTc24c3-8QFtLXpnxjrNW8VtEcmkcq8PL09RY5P3bHmh98XcTBMUnK8oSqb/s1558/MV5BMzFjZjQ4ZmYtZmVkZC00MTU4LWI5N2MtNDA1NjI5Njg1MGY0XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1558" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQZ2iYejjtrbdS74c4oOYOn063P-LAVkv2E-tei5vCGp9rg2bbpUVAmZCASEdcQjxTnnFkk0xgADdt7zbQ79Axa99Q2n8gHdFhKSztjB_QOVTxEK_p9xzQICvbbqukJ4AR0QTc24c3-8QFtLXpnxjrNW8VtEcmkcq8PL09RY5P3bHmh98XcTBMUnK8oSqb/w128-h200/MV5BMzFjZjQ4ZmYtZmVkZC00MTU4LWI5N2MtNDA1NjI5Njg1MGY0XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="128" /&gt;&lt;/a&gt;O Drama (The Drama / 2026 / Kristoffer Borgli)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #ffa400; font-size: medium;"&gt;★½&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um filme arruinado por uma premissa extremamente boba. A ideia de um homem descobrir algo chocante sobre sua noiva na véspera do casamento é até um bom ponto de partida pra um drama de relacionamento. Mas, para prender a atenção, esse “algo” teria que ser minimamente convincente e levantar uma discussão moral relevante pra maioria das pessoas. Em vez disso, o filme opta por uma ideia esdrúxula, que se torna ainda mais artificial quando você tem a&amp;nbsp;&lt;span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"&gt;Zendaya&lt;/span&gt; interpretando a noiva (que expressa tudo, menos a ideia de uma pessoa perigosa, complexa e socialmente desajustada). Se a ideia era ser uma comédia, a premissa também não funciona, pois envolve algo doentio demais pra ser levado na brincadeira.&amp;nbsp;&lt;span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"&gt;Robert Pattinson&lt;/span&gt;, na maior parte do filme, é retratado como se fosse um neurótico fazendo tempestade em copo d’água, quando na verdade, não há nada de exagerado em sua reação.&amp;nbsp;Como muita coisa da A24, o filme aposta na excentricidade, no diferente, mas por não ter real profundidade intelectual/psicológica, acaba virando &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/10/pseudo-sofisticacao.html" target="_blank"&gt;pseudo-sofisticação&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZg_mGN9MP4lbLIlEYQ5jr6jPdfx5UiCuXGevLVsMEp8vctkNgcDqBs1hsIra59po9rhh3bVg_i_8zUhn2_rVEsW5U5ajsAUoD9KEw85_Tup7i_h4ZWW43hzTtmISslAvZYXjsj-Ou_r1rxarbOSePbw5BFPSoSvcUsJrVTn5jQf4V4tejP53M2ruelxoi/s2500/MV5BMDg5MjRkNWEtYmU1Mi00MTExLTk5MDQtY2RiMWVkZWNiOThjXkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="2500" data-original-width="1579" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZg_mGN9MP4lbLIlEYQ5jr6jPdfx5UiCuXGevLVsMEp8vctkNgcDqBs1hsIra59po9rhh3bVg_i_8zUhn2_rVEsW5U5ajsAUoD9KEw85_Tup7i_h4ZWW43hzTtmISslAvZYXjsj-Ou_r1rxarbOSePbw5BFPSoSvcUsJrVTn5jQf4V4tejP53M2ruelxoi/w126-h200/MV5BMDg5MjRkNWEtYmU1Mi00MTExLTk5MDQtY2RiMWVkZWNiOThjXkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" width="126" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Super Mario Galaxy: O Filme (The Super Mario Galaxy Movie / 2026 /&amp;nbsp;Aaron Horvath,&amp;nbsp;Michael Jelenic)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: #ffa400; font-size: medium;"&gt;★&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A definição de comercialismo vazio, do cinema baseado em fórmulas, clichês e fan service, sem um pingo de inspiração ou inteligência.&amp;nbsp;O que mais me impressionou é o quanto o filme parece ignorar a possibilidade do espectador ter um cérebro funcional. Somos reduzidos à condição de um bebê de 3 anos olhando pra um iPad, cuja atenção precisa ser renovada momento a momento por objetos coloridos se movendo freneticamente na tela, sem que nenhuma linha de raciocínio se sustente por mais de alguns segundos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por exemplo: em certo momento, uma enorme chuva de meteoros preenche o céu, embasbacando os heróis e criando um espetáculo visual que faz você pensar que algo grandioso está ocorrendo — no fim, é só a chegada de um personagem secundário que veio pedir ajuda a eles. Em outro momento, o castelo da princesa é arrancado inteiro do chão e erguido ao céu pela nave espacial do vilão. Há uma luta de braço dentro do castelo, que logo cai de volta no solo. Qual a necessidade da chuva de meteoros? Do castelo levitar? Nenhuma... É só pra agarrar momentaneamente a atenção do público. No minuto seguinte, aquilo já não importa mais. E assim o filme prossegue por 1h40, num desfile de personagens genéricos e piadinhas enlatadas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQZ2iYejjtrbdS74c4oOYOn063P-LAVkv2E-tei5vCGp9rg2bbpUVAmZCASEdcQjxTnnFkk0xgADdt7zbQ79Axa99Q2n8gHdFhKSztjB_QOVTxEK_p9xzQICvbbqukJ4AR0QTc24c3-8QFtLXpnxjrNW8VtEcmkcq8PL09RY5P3bHmh98XcTBMUnK8oSqb/s72-w128-h200-c/MV5BMzFjZjQ4ZmYtZmVkZC00MTU4LWI5N2MtNDA1NjI5Njg1MGY0XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><title>Heroísmo vs. Coragem</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/04/heroismo-vs-coragem.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Fri, 10 Apr 2026 11:23:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-2307615261589864189</guid><description>&lt;p data-end="941" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNxmAiTrFecsLy6haAxTp0915YzFG-uYDwuxUPAn8yxdjqFTt-uVkSPRuFN7j0zFePoY6KQyleX_hUtNTFcz6SIZhr026vlW-vcP7poV1-_qdlp6mJt88zS-qW0rGN_kW5FVmBW5z4NbNiDyKC07S5cHAzGy6m1L7bZmISS6ALalfUrjdYjH-FrYOc8cXq/s761/images_HAcksaw-1068x601.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="601" data-original-width="761" height="183" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNxmAiTrFecsLy6haAxTp0915YzFG-uYDwuxUPAn8yxdjqFTt-uVkSPRuFN7j0zFePoY6KQyleX_hUtNTFcz6SIZhr026vlW-vcP7poV1-_qdlp6mJt88zS-qW0rGN_kW5FVmBW5z4NbNiDyKC07S5cHAzGy6m1L7bZmISS6ALalfUrjdYjH-FrYOc8cXq/w232-h183/images_HAcksaw-1068x601.jpg" width="232" /&gt;&lt;/a&gt;Em um episódio recente, o Yaron Brook comentou o filme &lt;em data-end="80" data-start="55"&gt;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/03/devoradores-de-estrelas.html" target="_blank"&gt;Devoradores de Estrelas&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; e, apesar de ter feito&amp;nbsp;algumas críticas semelhantes às que fiz, notei que ele tem uma visão de heroísmo que diverge da minha. Embora também tenha considerado o uso de humor destrutivo, Yaron ainda viu atos heroicos no filme, especialmente mais para o final. Imagino que ele esteja se referindo à decisão do protagonista de salvar o amigo em vez de voltar para a Terra. Pra mim, esse ato foi ainda mais baseado em altruísmo do que o ato inicial de querer embarcar na missão. Ainda que alguém possa argumentar que a pedra se tornou um grande “amigo” do herói, e que salvá-lo foi baseado em auto-interesse, o que mais me incomoda aqui não é só a decisão do personagem no contexto da trama, mas a própria atitude do filme de ficar forçando cenários improváveis nos quais a sobrevivência de uma pessoa (ou da humanidade inteira) sempre depende do sacrifício de outra.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1652" data-start="943"&gt;É muito comum as pessoas associarem heroísmo a autossacrifício, a atos coletivistas/altruístas — algo herdado de tradições religiosas. Mas até pra quem não teve criação religiosa, heroísmo muitas vezes ainda é sinônimo de coragem, de enfrentar um enorme perigo para salvar a vida de inocentes ou de pessoas que você ama. Pra mim, essa é uma visão muito restrita de heroísmo. Um ato desse tipo pode até ser heroico — se não partir de premissas altruístas — mas mesmo nos melhores casos, este é apenas o tipo de heroísmo particular do&amp;nbsp;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2023/04/idealismo-e-teoria-dos-arquetipos.html" target="_blank"&gt;arquétipo do Guerreiro&lt;/a&gt;. Nem todo ser humano compartilha das necessidades emocionais do Guerreiro e, para cada tipo de indivíduo, um tipo diferente de heroísmo se aplicará.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2013" data-start="1654"&gt;Associar heroísmo apenas a matar dragões ou a resgatar pessoas de incêndios é partir do princípio de que a vida é trágica, que vivemos o tempo todo rodeados de perigo e que eliminar esses perigos é o ápice da existência humana. Por essa perspectiva, um homem com uma vida segura jamais poderia ser heroico. A tragédia se torna uma pré-condição para a virtude.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2516" data-start="2015"&gt;Sim, na vida há riscos, o sucesso sempre envolve dificuldades e, na arte, é frequentemente necessário inserir perigos extremos para ilustrar as virtudes dos heróis (&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2018/09/principio-do-contraste.html" target="_blank"&gt;O Princípio do Contraste&lt;/a&gt;). Mas quando o artista parte de um&amp;nbsp;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2014/07/senso-de-vida.html" target="_blank"&gt;Senso de Vida benevolente&lt;/a&gt;, ele não torna sacrifícios e o enfrentamento de dores a essência do heroísmo, o aspecto mais admirável do herói, o clímax da obra. Dificuldades existirão no caminho, mas o objetivo final será a representação do ser humano em seu estado máximo de excelência.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2877" data-start="2518"&gt;Da mesma forma que, para criar um herói trágico, mostramos um personagem sucumbindo a vícios humanos de maneira eloquente e memorável, para criar um herói devemos mostrar um indivíduo incorporando virtudes importantes de maneira igualmente singular (no caso do &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2019/07/o-que-e-idealismo.html" target="_blank"&gt;Idealismo&lt;/a&gt;, virtudes importantes para o florescimento individual e para a conquista da felicidade).&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3429" data-start="2879"&gt;O heroísmo será associado à conquista de valores positivos, não à capacidade de combater negativos. E os maiores desses valores positivos são os valores de caráter — ser um herói é tornar-se a versão mais elevada do tipo de personalidade que você pode ser: a versão mais consistente, mais expressiva, com as realizações mais emblemáticas no mundo real, no contexto de um determinado código de valores e área de atuação. O herói, na arte, é a concretização mais poderosa do&amp;nbsp;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/07/os-4-pilares-do-idealismo.html" target="_blank"&gt;pilar da Autoestima&lt;/a&gt;&amp;nbsp;— o mais fundamental dos valores emocionais do Idealismo.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3656" data-start="3431"&gt;Ayn Rand também não caracterizava o heroísmo como enfrentamento de perigos e não romantizava o martírio. Pra ela, o heroísmo estava ligado ao desenvolvimento máximo do indivíduo — uma visão mais próxima da que discuti acima.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3703" data-start="3658"&gt;Ayn Rand sobre se sacrificar pela humanidade:&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4163" data-start="3705"&gt;&lt;i&gt;Pela mesma razão pela qual você deve valorizar sua própria vida, você deve valorizar a vida humana como tal. Eu diria até que a vida animal tem um certo valor que o homem deve respeitar. Mas isso não significa que você deva valorizar indiscriminadamente a vida de qualquer outro ser humano, nem que tenha o dever de sacrificar a sua própria vida pelos outros — embora deva, racionalmente, valorizar a vida de qualquer pessoa que corresponda aos seus valores.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4876" data-start="4165"&gt;&lt;i&gt;Metafisicamente, nunca somos colocados em uma situação em que a vida de uma nação inteira dependa do sacrifício de um único homem. Se isso ocorresse (fora da ficção coletivista), estaríamos vivendo em um universo diferente e, portanto, as regras da nossa existência seriam diferentes. É claro que a questão de saber se um homem deve morrer lutando pela liberdade, como na Revolução Americana, é diferente. Tal homem não está morrendo pela nação. Eu honro os homens que morreram lutando pela liberdade no passado e os honro quando digo que espero que tenham morrido pela sua própria liberdade. Porque nos beneficiamos de suas ações, devemos apreciar o que fizeram; mas não era dever deles serem mártires por nós. &lt;/i&gt;[Ayn Rand Answers / Pág. 113]&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4909" data-start="4878"&gt;Leonard Peikoff sobre heroísmo:&lt;/p&gt;&lt;p data-end="5524" data-start="4911"&gt;&lt;i&gt;Um herói deve ser uma personificação completa — não necessariamente do Objetivismo — mas de um código moral. E todos os seus atributos têm que ser volitivos, têm que ser escolhidos, têm que ser possíveis. Se não são possíveis na Terra, então estão fora de toda a ideia de moralidade e de termos morais. Ayn Rand usava o conceito de “herói” de forma mais ampla do que apenas para a sua própria moralidade. Ela considerava, por exemplo, que Jesus é um herói dentro do cristianismo, e esse é um uso adequado do termo: a personificação completa da visão cristã; e que Hitler foi um herói dentro da ideologia nazista. &lt;/i&gt;[The Peikoff Podcasts / Ep. 241]&lt;/p&gt;&lt;p data-end="766" data-start="0"&gt;











&lt;/p&gt;&lt;p data-end="6051" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="5526"&gt;Ao definir heroísmo, as pessoas costumam tingir sua definição com o arquétipo particular com o qual mais se identificam. Da mesma forma que Yaron enxergou o herói pela lente do Guerreiro, essa definição de Peikoff e Ayn Rand pende um pouco para o lado do Sábio: ser um herói significaria incorporar uma ideologia de forma extrema, total. Na minha visão, dá pra ser ainda mais abrangente que isso e pensar em heroísmo como uma expressão superlativa de qualquer um dos arquétipos — e das virtudes humanas simbolizadas por eles.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNxmAiTrFecsLy6haAxTp0915YzFG-uYDwuxUPAn8yxdjqFTt-uVkSPRuFN7j0zFePoY6KQyleX_hUtNTFcz6SIZhr026vlW-vcP7poV1-_qdlp6mJt88zS-qW0rGN_kW5FVmBW5z4NbNiDyKC07S5cHAzGy6m1L7bZmISS6ALalfUrjdYjH-FrYOc8cXq/s72-w232-h183-c/images_HAcksaw-1068x601.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Cultura - Março 2026</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/03/cultura-marco-2026.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Thu, 26 Mar 2026 12:15:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-1801405598624228329</guid><description>&lt;p data-end="38" data-start="0"&gt;&lt;b&gt;26/3 — Harry Potter (HBO)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg97_QIwpNAkJjDcTNIQ9emgSnvfZmpV_VNNi48Vo9Yw7QE9rwTfK4zP17AoVBplvS2yqHgrPSIkl14zCqim9aaBgblUam3OxOWDMzgRpQcia-Mve8jr4HspZd6Ns4by_IcpK-gi9WoYGqjaibIXcAQkPSAg8ak6hG06tVr2xgluanuERrSPGcfId_MS6V5/s1500/FotoJet-2026-03-25T190831.666.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="843" data-original-width="1500" height="113" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg97_QIwpNAkJjDcTNIQ9emgSnvfZmpV_VNNi48Vo9Yw7QE9rwTfK4zP17AoVBplvS2yqHgrPSIkl14zCqim9aaBgblUam3OxOWDMzgRpQcia-Mve8jr4HspZd6Ns4by_IcpK-gi9WoYGqjaibIXcAQkPSAg8ak6hG06tVr2xgluanuERrSPGcfId_MS6V5/w200-h113/FotoJet-2026-03-25T190831.666.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;A nova série baseada nos livros de Harry Potter é um bom exemplo do que discuto no texto &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2021/07/casting-naturalista.html" target="_blank"&gt;Casting&amp;nbsp;Naturalista&lt;/a&gt;. Ao ver as novas imagens, fiquei me perguntando por que essa tendência — que também afeta o cinema — é especialmente forte nas séries. Uma hipótese: não é apenas ativismo dos criadores, mas talvez os estúdios tenham descoberto que, para o público, as séries de TV têm uma função ainda mais paliativa do que os filmes. Que os adeptos do "binge-watching" costumam buscar conforto emocional, diminuição da ansiedade (em vez de inspiração/admiração), ainda mais do que o espectador de cinema.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="38" data-start="0"&gt;&lt;b&gt;16/3 — Prêmios da Academia: Vencedores&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="398" data-start="40"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAsslrrd6_cES_8Bn1dfZOqz9hpqPG2_sitCP4RGl-xPuHaCppItFCRw8xWu6P9MBw5z6nJbY8o2TQZZB5wxuteF66yLa6V5DYJBrgQaGquWoOYugz1csVdUcfaNuedNGTuMSxZMFFZ_8PgMmXBVRGd8RzvwPW3ZmKnARNg_DX76tVqGxpLm_3LqFBA8cn/s1581/Best-Pictures-One-Battle-After-Another-2026-Oscars.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1054" data-original-width="1581" height="133" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAsslrrd6_cES_8Bn1dfZOqz9hpqPG2_sitCP4RGl-xPuHaCppItFCRw8xWu6P9MBw5z6nJbY8o2TQZZB5wxuteF66yLa6V5DYJBrgQaGquWoOYugz1csVdUcfaNuedNGTuMSxZMFFZ_8PgMmXBVRGd8RzvwPW3ZmKnARNg_DX76tVqGxpLm_3LqFBA8cn/w200-h133/Best-Pictures-One-Battle-After-Another-2026-Oscars.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em data-end="66" data-start="40"&gt;Uma Batalha Após a Outra&lt;/em&gt; foi o grande vencedor e, como eu disse, reflete um posicionamento mais&amp;nbsp;moderado da Academia — a demonstração de algum respeito ainda por técnica cinematográfica, merecimento: é como se estivéssemos nos anos 70, quando filmes mais cínicos e de teor político ganhavam o prêmio, mas pelo menos eram bem dirigidos, tinham grandes atuações etc.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="730" data-start="400"&gt;Michael B. Jordan levar Melhor Ator foi o prêmio mais forçado da noite, assim como o de Melhor Roteiro Original para &lt;em data-end="528" data-start="517"&gt;Pecadores&lt;/em&gt;. A performance de Timothée Chalamet e o roteiro de &lt;em data-end="595" data-start="580"&gt;Marty Supreme&lt;/em&gt;&amp;nbsp;pra mim eram obviamente superiores, e o fato de &lt;i&gt;Marty Supreme&lt;/i&gt; ter saído de mãos abanando é um mau sinal. Mas&amp;nbsp;&lt;em data-end="649" data-start="638"&gt;Pecadores&lt;/em&gt; ter perdido 12 dos 16 prêmios ajuda a diminuir um pouco a sensação de “fim dos tempos” que tive quando saíram as indicações.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1439" data-start="732"&gt;Fora isso, não acho que os resultados foram exageradamente injustos, levando em conta os filmes disponíveis. Posso não gostar da maioria dos filmes como um todo, mas não discordo que tenham mérito em categorias específicas: gosto de Amy Madigan em &lt;em data-end="1004" data-start="989"&gt;A Hora do Mal&lt;/em&gt; (uma versão mais &lt;span data-end="1028" data-start="1022"&gt;camp&lt;/span&gt; da personagem de Ruth Gordon em &lt;em data-end="1081" data-start="1061"&gt;O Bebê de Rosemary&lt;/em&gt;, que também venceu Atriz Coadjuvante), achei Sean Penn ótimo em &lt;em data-end="1159" data-start="1146"&gt;Uma Batalha&lt;/em&gt;, a performance de Jessie Buckley não me toca, mas não havia outras muito mais premiáveis que a dela; respeito a direção de Paul Thomas Anderson, a fotografia de &lt;em data-end="1362" data-start="1351"&gt;Pecadores&lt;/em&gt;, gosto dos cenários e figurinos de &lt;em data-end="1400" data-start="1386"&gt;Frankenstein&lt;/em&gt;, da canção de &lt;em data-end="1436" data-start="1415"&gt;Guerreiras do K-Pop&lt;/em&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p data-end="32" data-start="0"&gt;



&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1836" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="1441"&gt;Em 2025, quase não tivemos bons filmes alinhados com o Idealismo, então, pela ausência de constraste, minha sensação de injustiça nessa cerimônia foi menor que de costume.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="32" data-start="0"&gt;&lt;b&gt;12/3 — Hamnet: arte paliativa&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="32" data-start="0"&gt;
&lt;/p&gt;&lt;p data-end="838" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="31"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1VLGrmWvFryRikHK7Lx8H2eV1_FRkkQyGE5RBToc3JTioPUxuMnHWsSEB2vc0GnNzi9jRNuXRwIj8SJKUEN-nkqAxku5GYzbBAia4cFICy9jc3YSimeUepXKN6vDICaXThev9AExGf6Uhu-jLQAQDKi5aBX9MGQ5n-El_ytqflUwLX2xaA45jG4LZD4uU/s1200/Hamnet-Jessie-Buckley.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="891" data-original-width="1200" height="149" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1VLGrmWvFryRikHK7Lx8H2eV1_FRkkQyGE5RBToc3JTioPUxuMnHWsSEB2vc0GnNzi9jRNuXRwIj8SJKUEN-nkqAxku5GYzbBAia4cFICy9jc3YSimeUepXKN6vDICaXThev9AExGf6Uhu-jLQAQDKi5aBX9MGQ5n-El_ytqflUwLX2xaA45jG4LZD4uU/w200-h149/Hamnet-Jessie-Buckley.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;A cena que mais me incomodou em &lt;em data-end="71" data-start="63"&gt;Hamnet&lt;/em&gt; foi a cena final da apresentação da peça. Pra minha&amp;nbsp;surpresa, é a cena que mais vem emocionando as pessoas. Fãs do filme parecem achar particularmente bonita a maneira como o filme ilustra o poder da arte; a maneira como a arte se torna crucial para a transformação dos personagens no final. Até aí não vejo nenhum problema. O que me impede de me conectar com a cena (além dos problemas de caracterização) é que ela só funciona sob a perspectiva da “arte paliativa”: da arte como remédio para as dores da vida, não como afirmação de valores positivos. De certa forma, é um final metalinguístico. O espectador se comove com &lt;em data-end="705" data-start="697"&gt;Hamnet&lt;/em&gt; por ser uma história sobre luto e, no final, a protagonista de &lt;em data-end="777" data-start="769"&gt;Hamnet&lt;/em&gt; vai a uma peça que a comove igualmente por falar sobre luto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="32" data-start="0"&gt;&lt;b&gt;11/3 —&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;strong data-end="37" data-start="0"&gt;Prêmios da Academia: Expectativas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="209" data-start="39"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi41IfxaeEnyOJ0hKZfCq7WUtRQqLJxRbpPZXZ3qKuQsZFZwVdGfv8pj2fBMvzg98p2ClYphI48GSnnXz-D89G2pzr4dXfeTHtVlL2wmDig6XvPPaSfWTZb2MqJjOSbYgWPnfH7wkHpFSfGluJxOkDd6UPdCSgqa8axFMwI1hyE-EewhEbzmkFP70rxck-n/s1000/GettyImages-2264305546.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="667" data-original-width="1000" height="133" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi41IfxaeEnyOJ0hKZfCq7WUtRQqLJxRbpPZXZ3qKuQsZFZwVdGfv8pj2fBMvzg98p2ClYphI48GSnnXz-D89G2pzr4dXfeTHtVlL2wmDig6XvPPaSfWTZb2MqJjOSbYgWPnfH7wkHpFSfGluJxOkDd6UPdCSgqa8axFMwI1hyE-EewhEbzmkFP70rxck-n/w200-h133/GettyImages-2264305546.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Pra usar a cerimônia deste domingo como termômetro cultural, os três filmes mais importantes pra ficar de&amp;nbsp;olho são &lt;em data-end="177" data-start="151"&gt;Uma Batalha Após a Outra&lt;/em&gt;, &lt;em data-end="190" data-start="179"&gt;Pecadores&lt;/em&gt; e &lt;em data-end="208" data-start="193"&gt;Marty Supreme&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="557" data-start="211"&gt;&lt;em data-end="226" data-start="211"&gt;Marty Supreme&lt;/em&gt; é o concorrente “opressor” da temporada. Ainda que tenha toques desconstruídos, no contexto atual, ele acaba simbolizando a busca por excelência, padrões elevados e merecimento à moda antiga — por isso mesmo vem perdendo força na disputa. A única categoria na qual ainda tem chances é a de Melhor Ator. Caso Timothée Chalamet vença, será um aceno bem-vindo (e hipócrita) da Academia à meritocracia.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="962" data-start="559"&gt;&lt;em data-end="585" data-start="559"&gt;Uma Batalha Após a Outra&lt;/em&gt; é o filme militante “respeitável”. Se vencer Melhor Filme e Melhor Direção, será a Academia optando por uma alternativa menos radical. Sim, ela ainda funciona como plataforma política, continua sendo contra os valores do antigo Oscar, mas pelo menos acredita que é importante equilibrar essa agenda com um pouco de mérito, reconhecendo artistas talentosos, de bom currículo etc.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1542" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="964"&gt;&lt;em data-end="975" data-start="964"&gt;Pecadores&lt;/em&gt; já é o chute no balde. É o filme que jamais conseguiria ser indicado pelos critérios antigos e só tem força na disputa por questões ideológicas que nada têm a ver com a qualidade real do filme. Prêmios técnicos ou ligados à produção podem até ser merecidos, mas, se ganhar Melhor Filme, Direção, Roteiro Original e qualquer prêmio de atuação, será uma vitória da “justiça social”, a mensagem clara de que mérito e excelência não são mais os critérios, que o antigo Oscar continua morto etc. Com base nos resultados da última década, seria minha aposta para Melhor Filme.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1542" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="964"&gt;&lt;b&gt;11/3 — Todo Mundo em Pânico 6 — trailer&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1398" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="938"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEirl2jUR2ZSa0WxYCm5NgwfIXKRbSmOjdK0Uw0aUj6aO5xda2hITmLxkGdLeQLuzST4kytOFDDq2w4rm8cCGdOofhivQ837tDx-jyN16J9EINyzSG3gvHAC1AdzTIL6sfPhZkHuvX04zBH4-CBwWf4J_mbsEWwlnQuajPBZFM-QdiT3oZS1ujaae0UQMgl6/s1200/scary-movie-6-1.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="675" data-original-width="1200" height="113" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEirl2jUR2ZSa0WxYCm5NgwfIXKRbSmOjdK0Uw0aUj6aO5xda2hITmLxkGdLeQLuzST4kytOFDDq2w4rm8cCGdOofhivQ837tDx-jyN16J9EINyzSG3gvHAC1AdzTIL6sfPhZkHuvX04zBH4-CBwWf4J_mbsEWwlnQuajPBZFM-QdiT3oZS1ujaae0UQMgl6/w200-h113/scary-movie-6-1.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Os Wayans estavam afastados da franquia &lt;em data-end="998" data-start="976"&gt;Todo Mundo em Pânico&lt;/em&gt; desde o segundo filme e agora estão voltando determinados a ressuscitar o besteirol politicamente incorreto dos anos 90/2000. &lt;span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"&gt;Marlon Wayans&lt;/span&gt; disse à &lt;span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"&gt;Deadline&lt;/span&gt;&amp;nbsp;que seu objetivo é "cancelar a cultura do cancelamento" e que o filme é "sobre trazer a comédia de volta". Uma missão mais do que nobre e, pelo &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=0fZ58S-7QP0" target="_blank"&gt;trailer&lt;/a&gt;, acho que eles têm tudo pra conseguir.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg97_QIwpNAkJjDcTNIQ9emgSnvfZmpV_VNNi48Vo9Yw7QE9rwTfK4zP17AoVBplvS2yqHgrPSIkl14zCqim9aaBgblUam3OxOWDMzgRpQcia-Mve8jr4HspZd6Ns4by_IcpK-gi9WoYGqjaibIXcAQkPSAg8ak6hG06tVr2xgluanuERrSPGcfId_MS6V5/s72-w200-h113-c/FotoJet-2026-03-25T190831.666.webp" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><title>Devoradores de Estrelas</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/03/devoradores-de-estrelas.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Mon, 23 Mar 2026 10:45:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-2765455728698923223</guid><description>&lt;p data-end="879" data-start="82"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAOgiJMJRSqZxtWZFvqpAHc2ZXVFxAGKcoODnZy27rtybz_8kby_-pCkzJAohqkVjuf8L8fha6x_6t1cwYPutj-TkhWeBIYJiKT3q3n_Q1uaJGLKS9RmfthIDQcwMZw_eKr0m6YTPk3QxEchUtcUgDwqGZbAgW7Z0NsnvseGJXgU_apaC3E1Z7BFOpgEg2/s1350/MV5BYTI4MzYxYzAtMDk1Yi00MDljLWEyM2ItODZmNzZhNTUwMmU4XkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1350" data-original-width="1080" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAOgiJMJRSqZxtWZFvqpAHc2ZXVFxAGKcoODnZy27rtybz_8kby_-pCkzJAohqkVjuf8L8fha6x_6t1cwYPutj-TkhWeBIYJiKT3q3n_Q1uaJGLKS9RmfthIDQcwMZw_eKr0m6YTPk3QxEchUtcUgDwqGZbAgW7Z0NsnvseGJXgU_apaC3E1Z7BFOpgEg2/w160-h200/MV5BYTI4MzYxYzAtMDk1Yi00MDljLWEyM2ItODZmNzZhNTUwMmU4XkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" width="160" /&gt;&lt;/a&gt;Embora goste do gênero, já não fui com muitas expectativas por conta do trailer e do histórico dos criadores (não gosto de &lt;em data-end="223" data-start="205"&gt;Perdido em Marte&lt;/em&gt; nem da franquia &lt;em data-end="253" data-start="240"&gt;Aranhaverso&lt;/em&gt;). A história é sobre um homem em uma missão pelo espaço para salvar a humanidade, mas qualquer senso de heroísmo que você poderia esperar disso é destruído logo na primeira aparição do Ryan Gosling, que parece mais estar estrelando a paródia dos Trapalhões do filme do que a obra original (imagine&amp;nbsp;&lt;em data-end="576" data-start="562"&gt;Interestelar&lt;/em&gt; mas com as piadinhas de&amp;nbsp;&lt;em data-end="603" data-start="581"&gt;Guardiões da Galáxia&lt;/em&gt;). O humor às vezes é tão desnecessário que parece uma tática pra prender a atenção de uma plateia mentalmente prejudicada — me lembrei desses vídeos curtos do YouTube que precisam dividir a tela e inserir gameplays ou coisas tolas na parte superior para o público aguentar a discussão mais séria embaixo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1408" data-start="881"&gt;Outra coisa que costumo esperar em filmes de espaço/extraterrestres é um senso de encantamento, de inspiração ("awe") diante da grandiosidade do cosmos. Mas, assim como em &lt;em data-end="1071" data-start="1053"&gt;Perdido em Marte&lt;/em&gt;, não há nada desse sentimento aqui. O protagonista é basicamente um cientista em sua rotina de trabalho — o fato disso envolver conhecer outros planetas e interagir com alienígenas é apenas um aspecto curioso do serviço, mas nada que provoque emoções grandiosas ou faça o personagem sair do seu modo irônico/blasé de reagir a tudo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="2680" data-start="1410"&gt;Os três pilares emocionais do Idealismo são: &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/07/os-4-pilares-do-idealismo.html" target="_blank"&gt;Autoestima, Excitação e Benevolência&lt;/a&gt;. O anti-heroísmo e a atitude blasé do protagonista dão conta de destruir os dois primeiros. Resta a Benevolência — algo que a ética cristã da história se encarrega de minar, transformando a trama em uma grande competição de autossacrifício. O &lt;em data-end="1750" data-start="1739"&gt;Ave Maria&lt;/em&gt; do título, na verdade, é uma referência a um passe do futebol americano, mas as referências religiosas do filme (que incluem o nome do protagonista — Grace/"Graça") são totalmente consistentes com a moralidade da história.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2680" data-start="1410"&gt;&lt;strong data-end="1975" data-start="1963"&gt;SPOILER:&lt;/strong&gt; &lt;i&gt;Embora o protagonista já estivesse em uma missão suicida para salvar a humanidade, ficamos sabendo mais tarde que ele acabou sendo colocado à força na nave, pois tentou voltar atrás na hora H. Culpado por não ter se sacrificado corajosamente no início, a redenção do personagem vem quando ele tem uma segunda oportunidade de se sacrificar — e, dessa vez, o faz por livre e espontânea vontade, não mais em nome da humanidade, mas em nome de um alien que acabou de "conhecer". Assim, o filme expande o alcance da moralidade altruísta para que sacrifícios humanos tenham valor até quando o beneficiário é de outro planeta. (Após o ato altruísta bem-sucedido, o filme termina em um tom festivo, ao som da música gospel “Glory, Glory”.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="3103" data-start="2682"&gt;Pra lista de coisas que me irritaram no filme, adiciono a narrativa não linear, entrecortada por flashbacks, que vêm expor fatos básicos da trama quando já é tarde demais pra você reavaliar suas opiniões sobre os personagens (eventualmente eles “explicam” por que Ryan Gosling parecia um &lt;span data-end="2988" data-start="2980"&gt;maconheiro&lt;/span&gt; após uma&amp;nbsp;&lt;span data-end="3009" data-start="2999"&gt;bad trip&lt;/span&gt; no começo do filme — só que isso não anula o poder que a introdução de um personagem tem no cinema).&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;Quanto à amizade entre Grace e Rocky, não achei nada cativante — não só pelo altruísmo e pelo tom irônico que sublinham a relação, mas também porque é difícil ter empatia por uma pedra sem face. Fiquei pensando no trabalho brilhante de Carlo Rambaldi e na sensibilidade envolvida no design de &lt;em data-end="3342" data-start="3336"&gt;E.T.&lt;/em&gt; para que a criatura projetasse traços de caráter e fosse carismática. Aqui, toda essa dimensão do processo de caracterização é descartada. Rocky acaba sendo mais um conceito curioso de vida extraterrestre do que a coestrela do &lt;em data-end="3566" data-start="3553"&gt;buddy movie&lt;/em&gt; que o filme parece achar que é.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;Dito isso, imagino que &lt;i&gt;Devoradores de Estrelas&lt;/i&gt; será um grande sucesso de público e crítica, e estará indicado a vários Prêmios da Academia no ano que vem. Se você gostou de &lt;em data-end="175" data-start="157"&gt;Perdido em Marte&lt;/em&gt; e dos filmes citados no início, não deixe que meu gosto exótico te impeça de comprar o ingresso.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;Project Hail Mary / 2026 / Phil Lord, Christopher Miller&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;&lt;span style="color: red; font-size: medium;"&gt;★½&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;____________________________________&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;P.S.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;Alguns podem se perguntar se não gostei do fato do filme ser pró-ciência. Já citei algumas vezes como achava positiva a tendência dos anos 90 de ter cientistas como protagonistas de blockbusters, usando suas expertises para salvar o mundo etc. &lt;i&gt;Devoradores de Estrelas&lt;/i&gt; não cairia nessa categoria?&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;Parcialmente. Até acho positivo o fato do filme ter uma visão científica de universo, mostrar que problemas podem ser resolvidos por meio da razão etc. Nesse aspecto, ele é melhor que &lt;i&gt;Interestelar&lt;/i&gt;, que acaba vendendo uma visão mística/subjetivista da realidade.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;Mas isso não é o suficiente. Antes de mais nada, é válido lembrar que o fato de um filme ter mensagens pró-tal-coisa em seu conteúdo não o torna automaticamente pró-tal-coisa em sua essência: o que o filme expressa por meio de seu estilo, de seus elementos concretos, é mais relevante do que suas mensagens explícitas. Mas vamos assumir que &lt;i&gt;Devoradores de Estrelas&lt;/i&gt; respeite o pilar da Objetividade tanto no conteúdo quanto no estilo. Isso ainda não me faz gostar dele, pois embora a Objetividade seja uma pré-condição para um bom filme, ela não é o objetivo final da arte e não pode existir separada dos valores emocionais do Idealismo.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3597" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="3105"&gt;No texto &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2020/04/as-5-historias-idealistas.html" target="_blank"&gt;As 5 Histórias Idealistas&lt;/a&gt;, eu não apresento nenhuma história focada primeiramente no valor da Objetividade. Uma história em que um personagem apenas usa lógica e consegue solucionar uma série de problemas não cria um bom filme se a jornada não estiver associada a algum dos valores éticos/emocionais (Autoestima, Benevolência ou Excitação). &lt;i&gt;Devoradores de Estrelas&lt;/i&gt; pode até ter uma metafísica/epistemologia decentes, mas no resto de sua filosofia implícita ele vai contra o Idealismo.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAOgiJMJRSqZxtWZFvqpAHc2ZXVFxAGKcoODnZy27rtybz_8kby_-pCkzJAohqkVjuf8L8fha6x_6t1cwYPutj-TkhWeBIYJiKT3q3n_Q1uaJGLKS9RmfthIDQcwMZw_eKr0m6YTPk3QxEchUtcUgDwqGZbAgW7Z0NsnvseGJXgU_apaC3E1Z7BFOpgEg2/s72-w160-h200-c/MV5BYTI4MzYxYzAtMDk1Yi00MDljLWEyM2ItODZmNzZhNTUwMmU4XkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>O Idealismo é naturalmente comercial</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/03/o-idealismo-e-naturalmente-comercial.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sat, 14 Mar 2026 13:00:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-4644394516600985050</guid><description>&lt;p data-end="448" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0ORXBWt9J8S9qyPMoU3HK4Nbolrf1x2nrcQQ_DCmz2a1rYjbTxO4b-KuYvf8pCao3WrzX3E_FcodUXqFN9MPCvMABcpeh-SiCvo5C3ponZzbptQF0eWjPl-0JpMOYlL8AnqPv8FyDM9B50_y4Y-M6jH8rF5SnVzIaSyqp7_Ko-sqs0zUcLGu_23zomVly/s1200/dietitian-cartoon-1.png" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="927" data-original-width="1200" height="175" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0ORXBWt9J8S9qyPMoU3HK4Nbolrf1x2nrcQQ_DCmz2a1rYjbTxO4b-KuYvf8pCao3WrzX3E_FcodUXqFN9MPCvMABcpeh-SiCvo5C3ponZzbptQF0eWjPl-0JpMOYlL8AnqPv8FyDM9B50_y4Y-M6jH8rF5SnVzIaSyqp7_Ko-sqs0zUcLGu_23zomVly/w227-h175/dietitian-cartoon-1.png" width="227" /&gt;&lt;/a&gt;Para quem busca criar Idealismo em uma cultura Anti-Idealista, é importante entender que seu senso de impotência não vem tanto do fato de você oferecer algo que as pessoas não querem, mas algo que as pessoas não podem dizer que querem. A ética dominante da cultura define o que é apropriado dizer em público, o que as pessoas aprovam quando os outros estão olhando, mas não define o que as pessoas de fato desejam.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="669" data-start="450"&gt;Imagine o sexo em uma sociedade ultrarreligiosa: torna-se raro ver expressões públicas de sexualidade, discursos favoráveis ao sexo, mas isso não quer dizer que as pessoas não se interessem por ele entre quatro paredes.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1061" data-start="671"&gt;Essa perspectiva ajuda a explicar por que filmes Idealistas, quando conseguem ser feitos, continuam sendo sucessos de bilheteria, mesmo nos tempos atuais (pegue o caso de &lt;em data-end="861" data-start="842"&gt;Top Gun: Maverick&lt;/em&gt;&lt;span data-end="861" data-start="842"&gt;, entre outros sucessos recentes&lt;/span&gt;). O problema do Idealismo hoje não é nem tanto o fato do público ignorá-lo quando ele aparece, mas o fato de ser difícil produzi-lo com todas as interferências e barreiras que existem na indústria.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1377" data-start="1063"&gt;Um filme depende de dezenas de pessoas para ser produzido, e incontáveis decisões criativas são tomadas no processo. Muitas dessas decisões são tomadas em público, em diálogo com outros profissionais. Toda vez que isso ocorre, a ética dominante interfere no processo decisório e tende a afastar a produção do Idealismo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1811" data-start="1379"&gt;Ganhar prêmios se torna ainda mais inviável. Embora o Idealismo continue tendo força comercial mesmo em eras Anti-Idealistas, ele não tem força em premiações, em áreas que dependem de apoio público, de aprovação formal. Muito do senso de alienação e de impotência do Idealista vem daí — nem tanto do fato de ninguém pessoalmente valorizar seu produto ou de ninguém querer consumi-lo, mas de ninguém aprová-lo publicamente.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="2424" data-start="1813"&gt;Por isso, criadores com um olhar Idealista têm muito mais facilidade de serem bem-sucedidos em áreas que não exigem tantas etapas de sanção moral explícita entre a criação do produto e o consumidor final. Quando um produto que reflete valores Idealistas é colocado diante dos consumidores, ele é naturalmente comercial, atraente. O problema é que, na indústria do entretenimento hoje, dominada por uma ética contrária ao Idealismo, apenas criadores realmente confiantes e comprometidos com a causa (ainda que em um nível subconsciente) conseguem produzir algo Idealista sem que sua visão seja corrompida no processo.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3852" data-start="3748"&gt;Pra ajudar a entender a diferença entre essas duas áreas, pedi pra IA me ajudar a criar as listas abaixo:&lt;/p&gt;&lt;blockquote style="border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px;"&gt;&lt;p data-end="3954" data-start="3854"&gt;&lt;strong data-end="3954" data-start="3854"&gt;Áreas determinadas por preferência declarada (o julgamento coletivo, público e moral pesa mais):&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4427" data-start="3956"&gt;Eleições e votações em geral / Promoções corporativas em grandes empresas / Prêmios literários, acadêmicos e culturais / Indicações a cargos públicos e diplomáticos / Aprovação em comitês e bancas universitárias / Escolha de porta-vozes e representantes sindicais / Financiamento público para arte e cultura / Viralização em redes sociais quando o tema é moral/político / Indicações ao Oscar e premiações de "impacto social" / Escolha de líderes religiosos e comunitários&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4540" data-start="4429"&gt;&lt;strong data-end="4540" data-start="4429"&gt;Áreas determinadas por desejo latente (a escolha é privada, anônima, ou o custo de ser honesto é baixo):&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="5151" data-start="4542"&gt;Consumo de entretenimento em casa (o que as pessoas realmente assistem) / Buscas no Google e histórico de navegação privado / Aplicativos de namoro e atração sexual / Músicas mais tocadas no modo privado/offline / Escolha de mentores e modelos pessoais (não declarados) / Mercado de luxo e símbolos de status / Apostas e mercados de previsão / Quem as pessoas realmente ouvem em decisões importantes de vida / Empreendedorismo — o mercado pune a performance e premia o resultado / Esportes de alto rendimento — o desempenho é objetivo e inegável / Quem as pessoas seguem silenciosamente sem comentar ou curtir&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p data-end="2424" data-start="1813"&gt;Não estou negando a existência de consumidores que genuinamente não se conectam com os valores do Idealismo. Só estou negando que eles sejam uma vasta maioria, como a cultura faz parecer em certos períodos. É importante lembrar também de um fenômeno: o Idealismo continua sendo interessante até para aqueles que o rejeitam formalmente. Como o Idealismo reflete valores racionais e necessários para a felicidade, ninguém se livra totalmente de seus encantos. Já o contrário não é verdadeiro: uma pessoa de valores Idealistas não precisa ter uma atração reprimida pelo Não Idealismo. É por isso que o Idealismo não precisa que a população inteira seja Idealista para que ele permaneça comercial. Ainda que boa parte da população se volte contra o Idealismo intelectualmente, ele sempre será foco de interesse; a população ainda irá consumi-lo, nem que seja para atacá-lo depois.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="3746" data-start="3287"&gt;Por exemplo: se o Oscar voltasse a ser como já foi um dia — celebrasse mérito, exaltasse os melhores sem culpa — ele provavelmente voltaria a ter uma grande audiência. Ainda que o público criticasse os resultados, as pessoas estariam assistindo. Agora, quando a Academia começa a se ajustar às preferências declaradas da sociedade, a refletir o discurso ético oficial, o evento "misteriosamente" vai perdendo o interesse.&lt;/p&gt;



&lt;p data-end="5245" data-start="5153"&gt;Outro dia li uma frase que resume bem esse conflito interno gerado pela moralidade altruísta:&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="5300" data-start="5247"&gt;&lt;i&gt;"Apoio público ao cordeiro, desejo privado pelo leão"&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="5682" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="5302"&gt;Com isso, vêm boas e más notícias. A má notícia é que se torna pouco produtivo, para quem produz Idealismo, buscar apoio público, prestígio social e reconhecimento explícito em uma era como a atual. A boa notícia é que, se essas não forem suas necessidades primárias, a pessoa terá o mercado ao seu favor e poderá ter muito sucesso prático em áreas onde as decisões são menos afetadas pelo julgamento social.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0ORXBWt9J8S9qyPMoU3HK4Nbolrf1x2nrcQQ_DCmz2a1rYjbTxO4b-KuYvf8pCao3WrzX3E_FcodUXqFN9MPCvMABcpeh-SiCvo5C3ponZzbptQF0eWjPl-0JpMOYlL8AnqPv8FyDM9B50_y4Y-M6jH8rF5SnVzIaSyqp7_Ko-sqs0zUcLGu_23zomVly/s72-w227-h175-c/dietitian-cartoon-1.png" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Março 2026 - outros filmes vistos</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/03/marco-2026-outros-filmes-vistos.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Mon, 2 Mar 2026 15:26:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-4626571455119980123</guid><description>&lt;div&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0AkEpN9kZJE-mTbrFTn_XbWgVuPH8Fo087JFlyhcs0PqP4Y3G0Xr-7g07iRL_7HMzoGtaN-r1jIimb-yznE1AD_B2nLp2wHNri-DPz87XAxytJrC-kmahNFoMOXDLZe7DrpCHkCIyQMud9wD3KHIs33i_G4CqoaML_iRwsY-Pltn1lx8Rcm7T7bIzW-30/s1609/MV5BZTI4YzAxNjUtM2ZhZS00MmFkLWI1YTYtZGViNWM5MzA1NDQxXkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1609" data-original-width="1086" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0AkEpN9kZJE-mTbrFTn_XbWgVuPH8Fo087JFlyhcs0PqP4Y3G0Xr-7g07iRL_7HMzoGtaN-r1jIimb-yznE1AD_B2nLp2wHNri-DPz87XAxytJrC-kmahNFoMOXDLZe7DrpCHkCIyQMud9wD3KHIs33i_G4CqoaML_iRwsY-Pltn1lx8Rcm7T7bIzW-30/w135-h200/MV5BZTI4YzAxNjUtM2ZhZS00MmFkLWI1YTYtZGViNWM5MzA1NDQxXkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;Cara de Um, Focinho de Outro&amp;nbsp;(Hoppers / 2026 / Daniel Chong)&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="p1" style="font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-language-override: normal; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variation-settings: normal; line-height: normal; margin: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;span style="color: red; font-family: Helvetica Neue;"&gt;★&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red; font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;;"&gt;★&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Treinamento ideológico de esquerda para baixinhos. A "heroína" aqui é uma ativista ambiental revoltada que, pra proteger uma área verde perto de sua casa, organiza uma espécie de revolução dos bichos (com o auxílio de uma tecnologia inovadora à la&amp;nbsp;&lt;i&gt;Avatar&lt;/i&gt;) e bola uma estratégia para impedir a construção de uma rodovia que atravessará a floresta. Apesar da protagonista chegar a dar um passo na direção de assassinar o político responsável pela obra, o filme no fim opta por uma posição mais moderada — não quer ir ao extremo de promover terrorismo, mas também não quer dar liberdade total ao progresso humano. O ideal é o meio-termo, onde cada lado cede um pouco, permitindo que homem e natureza vivam em equilíbrio — uma mensagem bonita, mas desonesta no fim das contas. A "solução" que o filme apresenta não explica de fato como é possível ter progresso sem impactar a natureza. Para as crianças, fica a mensagem mais importante: quando você vir uma jovem raivosa, desarrumada, protestando contra homens engravatados sob alguma bandeira "progressista", ela provavelmente está no time certo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgF8BrB7b0EO6SS8rtoT9hQgAVLrHE5iHnIaul5cuA7ONn_onbTkrDXex1PfRM0JZysy0ANd7Uta25ufKlrrlj6kC2rEaW7Pphw_S8NbRyHFHTQjzvTU1Iv-8E-z_GC5otUF-GZmnuOyEZTsAVzrPtObJPdAGSS83mCZYgXLxuDf-gN2LtIiMSA1l8CebWM/s1481/MV5BYTIxMTYxY2YtMGMxNi00Y2U0LWE5OWYtMDNjZDYzODIwOGU4XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1481" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgF8BrB7b0EO6SS8rtoT9hQgAVLrHE5iHnIaul5cuA7ONn_onbTkrDXex1PfRM0JZysy0ANd7Uta25ufKlrrlj6kC2rEaW7Pphw_S8NbRyHFHTQjzvTU1Iv-8E-z_GC5otUF-GZmnuOyEZTsAVzrPtObJPdAGSS83mCZYgXLxuDf-gN2LtIiMSA1l8CebWM/w135-h200/MV5BYTIxMTYxY2YtMGMxNi00Y2U0LWE5OWYtMDNjZDYzODIwOGU4XkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Pânico 7 (Scream 7 / 2026 / Kevin Williamson)&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="p1" style="font-family: &amp;quot;Helvetica Neue&amp;quot;; font-feature-settings: normal; font-kerning: auto; font-language-override: normal; font-optical-sizing: auto; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-emoji: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-position: normal; font-variation-settings: normal; line-height: normal; margin: 0px;"&gt;&lt;span style="color: #04ff00; font-size: medium;"&gt;★★★&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Corrigiu os principais problemas que me fizeram considerar &lt;em data-end="70" data-start="59"&gt;Pânico VI&lt;/em&gt; o pior da franquia — a má direção, a falta de plausibilidade do roteiro, o &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2021/07/casting-naturalista.html" target="_blank"&gt;casting naturalista&lt;/a&gt;, a ausência de Neve Campbell etc. Agora não há mais uma tentativa de “modernizar” a franquia (corrompê-la), mas de resgatar o clima dos filmes do Wes Craven, apostando no que já deu certo — algo que Kevin Williamson faz bem o bastante (roteirista do original que agora virou diretor). O maior problema aqui é que, no 7º episódio da franquia, apenas acertar o tom não é suficiente. Um mínimo de inovação seria necessário. O filme acaba parecendo algo que já vimos inúmeras vezes, sem novidades ou frescor criativo (o final também não ajuda — achei tão insatisfatório quanto o do filme anterior). Diverte na maior parte do tempo e reflete um recuo positivo da indústria em relação às tendências Anti-Idealistas dos últimos anos, mas em termos de história, não chega a ter nada muito memorável.&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0AkEpN9kZJE-mTbrFTn_XbWgVuPH8Fo087JFlyhcs0PqP4Y3G0Xr-7g07iRL_7HMzoGtaN-r1jIimb-yznE1AD_B2nLp2wHNri-DPz87XAxytJrC-kmahNFoMOXDLZe7DrpCHkCIyQMud9wD3KHIs33i_G4CqoaML_iRwsY-Pltn1lx8Rcm7T7bIzW-30/s72-w135-h200-c/MV5BZTI4YzAxNjUtM2ZhZS00MmFkLWI1YTYtZGViNWM5MzA1NDQxXkEyXkFqcGc@._V1_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Cultura - Fevereiro 2026</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/02/cultura-fevereiro-2026.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Tue, 24 Feb 2026 11:30:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-9192291409284055571</guid><description>&lt;p data-end="20" data-start="0"&gt;&lt;span data-end="20" data-start="0"&gt;24/2 —&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Netflix vs. Paramount&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="615" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="34"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0lV3bQQJdAXv0U_JVZICdjp6w2eDFpbSPYR-0pXZel4OXgQEAaQFeYJKOTw_mvzdslAg5IIUoSD4OIiXuRoys-ZdMU6O9f-zKLsm9h-IgFmzCHWe0ELZvYSgIcNdIcBFODlEDbkT00U4Up7Fvv1uzmYDyRUTy6_knOz7dTaOYSE7FTNXaRsGDrh0xdocL/s1296/David-Ellison-and-David-Zaslav-Split-Getty-H-2025.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="730" data-original-width="1296" height="113" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0lV3bQQJdAXv0U_JVZICdjp6w2eDFpbSPYR-0pXZel4OXgQEAaQFeYJKOTw_mvzdslAg5IIUoSD4OIiXuRoys-ZdMU6O9f-zKLsm9h-IgFmzCHWe0ELZvYSgIcNdIcBFODlEDbkT00U4Up7Fvv1uzmYDyRUTy6_knOz7dTaOYSE7FTNXaRsGDrh0xdocL/w200-h113/David-Ellison-and-David-Zaslav-Split-Getty-H-2025.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;A batalha pela aquisição da Warner continua e é uma negociação complexa, mas pensando puramente pelo&amp;nbsp;lado do cinema, minha torcida certamente iria pra David Ellison/Paramount — não só pelas declarações que ele vem dando, mais respeitosas em relação ao cinema do que as de Ted Sarandos, mas também pelo histórico de Ellison como produtor. Ele foi indicado ao Oscar por &lt;em data-end="420" data-start="401"&gt;Top Gun: Maverick&lt;/em&gt;, está por trás da fase mais recente da franquia &lt;em data-end="489" data-start="469"&gt;Missão: Impossível&lt;/em&gt; e produziu &lt;em data-end="535" data-start="501"&gt;Air: A História por Trás do Logo&lt;/em&gt; — alguns dos poucos filmes decentes alinhados com o Idealismo lançados nos últimos anos.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="20" data-start="0"&gt;&lt;span data-end="20" data-start="0"&gt;16/2&lt;/span&gt;&lt;span data-end="20" data-start="0"&gt; — Erudição Judaica&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="236" data-start="22"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvrQU3vWpntyBJHcIB_SDDi8wbr9fz-XruskNIdpl2QiPz4BQvGb9Ujnt0XcEM6yFKuKRHUY9bKx6AhErskdPWZDZSHfUjyqS4io4W7RRdoNrnaJLUicp0iFYESWwuLC0HVpbFCUYYncSMc_ipXwLdILOBJkeRI54qGajQHnI7xjFWnD_bVsDFaZMipP5F/s3000/safdie%20bronstein.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1735" data-original-width="3000" height="116" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvrQU3vWpntyBJHcIB_SDDi8wbr9fz-XruskNIdpl2QiPz4BQvGb9Ujnt0XcEM6yFKuKRHUY9bKx6AhErskdPWZDZSHfUjyqS4io4W7RRdoNrnaJLUicp0iFYESWwuLC0HVpbFCUYYncSMc_ipXwLdILOBJkeRI54qGajQHnI7xjFWnD_bVsDFaZMipP5F/w200-h116/safdie%20bronstein.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Como mencionei na crítica, uma das coisas que mais apreciei em &lt;em data-end="100" data-start="85"&gt;Marty Supreme&lt;/em&gt; foi &lt;span data-end="110" data-start="105"&gt;a&lt;/span&gt; qualidade da&amp;nbsp;escrita, a riqueza de ideias e a bagagem cultural que, intelectualmente, colocam o filme num patamar superior. Me ocorreu que isso não é raro em filmes de autores judeus. Lembro de ter notado essa qualidade específica em alguns filmes recentes, como &lt;em data-end="388" data-start="377"&gt;Blue Moon&lt;/em&gt;, &lt;em data-end="406" data-start="390"&gt;Saturday Night&lt;/em&gt; e &lt;em data-end="427" data-start="409"&gt;A Verdadeira Dor&lt;/em&gt; — todos de roteiristas judeus. O nível de cultura da população parece ter decaído tanto nas últimas décadas que, hoje em dia, quando você nota essa qualidade intelectual em um roteiro, você quase pode adivinhar que o autor é judeu. A cultura judaica é conhecida por incentivar o desenvolvimento intelectual, os estudos e o conhecimento, de forma que, entre judeus, talvez esse declínio na erudição média tenha sido menos acentuado.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;



&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1281" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="861"&gt;Fico pensando se a superficialidade do cinema contemporâneo pode ser explicada, em parte, por uma diminuição na presença de judeus na indústria. Lembrem-se que o cinema deve muito de sua legitimação enquanto arte aos judeus — a figuras como Irving Thalberg, que fizeram um esforço consciente para trazer cultura e sofisticação à indústria em seus primórdios, quando os filmes eram considerados apenas uma distração vulgar.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1281" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="861"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipoCcWf56p4VvO85sz7sfREzD4XFDcvGfCagAWXwk48HUBeumcJbaTY58-8rITo4NgOJWA6-YOWbqveHfr_gMaASmSuzRunyh03IEVLPMtcn3txSlbLScVrFz3TXF0yHf7cb-gmIfRNTMj5ZYilUvJDL4rbmLT5IPTbvS9rJf2nGBTndyU2aHXD31U-PDC/s1192/Screenshot%202026-02-15%20at%2012.25.44.png" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1192" data-original-width="1189" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipoCcWf56p4VvO85sz7sfREzD4XFDcvGfCagAWXwk48HUBeumcJbaTY58-8rITo4NgOJWA6-YOWbqveHfr_gMaASmSuzRunyh03IEVLPMtcn3txSlbLScVrFz3TXF0yHf7cb-gmIfRNTMj5ZYilUvJDL4rbmLT5IPTbvS9rJf2nGBTndyU2aHXD31U-PDC/w199-h200/Screenshot%202026-02-15%20at%2012.25.44.png" width="199" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;15/2 — Alguns cineastas estão sob ataque no Festival de Berlim — não por comentarem sobre&amp;nbsp;política, mas por quererem evitar o assunto em coletivas de imprensa e focar em cinema. Isso revela uma situação curiosa nesses ambientes: se você não se posiciona, você é cancelado. Se você se posiciona, mas tem uma opinião que diverge do posicionamento “correto”, também é cancelado. Qual a única opção que sobra pra não ser cancelado, então? Falar — e falar aquilo que a imprensa quer que você fale.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;15/2 — Se eu fosse fazer uma versão atualizada daquele meu vídeo do Oscar dos amputados:&lt;/p&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSGvITXgy5tdzBC32Un5PK1Cg-Y9bMTp8ybVpCWbxraocYjBIM0Ny5Oro3cs8cFxnk6sX9fsJt0aDknYZG6oN6Pa-nA09kRmJjBw1ZRjiBuTIwHFLGT9EAuB4pL8eGolaUAyieIvhUsS5u39Hc4PviCvmcKrGMQ8iKmsbge5uy9AKI1W54eAh-RhROG-ti/s1320/rich%20are%20evil%203.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1320" data-original-width="1320" height="400" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjSGvITXgy5tdzBC32Un5PK1Cg-Y9bMTp8ybVpCWbxraocYjBIM0Ny5Oro3cs8cFxnk6sX9fsJt0aDknYZG6oN6Pa-nA09kRmJjBw1ZRjiBuTIwHFLGT9EAuB4pL8eGolaUAyieIvhUsS5u39Hc4PviCvmcKrGMQ8iKmsbge5uy9AKI1W54eAh-RhROG-ti/w400-h400/rich%20are%20evil%203.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;12/2 — Dawson&lt;/p&gt;&lt;p data-end="617" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMJr6vrcbWxQCskxm0xB0Oyt3-wew4ZQXbeo5yXw4YYQkxxFNTsiuR6tXj6qfYiAyuc1rs-f-R-_4PtdsO0o_NyShpiB5lXJFmKo5514RJsWltSlE_7bT6Rp1n5iiSzRHTgJU-i1xlfIvzRxxhdIrN149AfOoUcyM_rzceSx7rUeOFlNA0rgLWuiv46fWZ/s1260/dawson%20leery.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="950" data-original-width="1260" height="151" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMJr6vrcbWxQCskxm0xB0Oyt3-wew4ZQXbeo5yXw4YYQkxxFNTsiuR6tXj6qfYiAyuc1rs-f-R-_4PtdsO0o_NyShpiB5lXJFmKo5514RJsWltSlE_7bT6Rp1n5iiSzRHTgJU-i1xlfIvzRxxhdIrN149AfOoUcyM_rzceSx7rUeOFlNA0rgLWuiv46fWZ/w200-h151/dawson%20leery.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Assisti a um ou outro episódio de &lt;em data-end="50" data-start="34"&gt;Dawson’s Creek&lt;/em&gt; na época em que ia ao ar e, com a morte de James Van&amp;nbsp;Der Beek ontem, lembrei de uma cena do episódio 10 da 3ª temporada que me marcou. Dawson, que era um estudante idealista, fã de Spielberg e aspirante a cineasta, estava se inscrevendo em um festival de cinema. Na recepção, após fornecer alguns dados, perguntam a ele qual era seu diretor favorito. Ele responde, sem hesitação: Spielberg. A reação da recepcionista foi o que eu nunca esqueci: ela olha para ele incrédula, revirando os olhos, como se ele tivesse dito algo totalmente bizarro, inesperado e &lt;i&gt;uncool&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="617" data-start="0"&gt;Esse episódio foi ao ar entre 1999 e 2000, numa época em que eu ainda não entendido que o Idealismo estava ficando “fora de moda” e não era bem aceito em ambientes acadêmicos. Pra mim, Dawson estava sendo totalmente sensato e respeitável ao dar essa resposta. Mas, no final dos anos 90, jovens cinéfilos já viviam no mundo de cineastas como Tarantino, David Fincher e Paul Thomas Anderson, em que Spielberg representava o establishment — o “óbvio” do qual eles sentiam necessidade de se diferenciar — uma atitude que definiu os cineastas da Geração X, que são o establishment em Hollywood hoje (&lt;i&gt;Pulp Fiction&lt;/i&gt; foi o grande estopim dessa virada).&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;

&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1568" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="1229"&gt;O curioso é que, hoje, os jovens cineastas não estão indo contra o novo establishment. Sim, eles querem se diferenciar, mas não rejeitando a atitude básica da Geração X. Em vez de voltar na direção do Idealismo, eles estão apenas “dobrando a aposta” e tentando ser ainda mais subversivos em relação ao antigo establishment do que os Tarantinos da época foram.&lt;/p&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen='allowfullscreen' webkitallowfullscreen='webkitallowfullscreen' mozallowfullscreen='mozallowfullscreen' width='320' height='266' src='https://www.blogger.com/video.g?token=AD6v5dwvtla5leqQR3ZXZUCk6aPtMOz_tysAP5nkbBzdoVSQdyxAgfoSU9g6th1383_3z0RGlrwCmpe8Oo6iLgoCcg' class='b-hbp-video b-uploaded' frameborder='0'&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;6/2 — O desejo de parecer inteligente&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="498" data-start="35"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4HAp8ATWDS5mTWNGODZ9-xiZMgdXcx2wTF6TRxIrYPFcZcK5rb0EVf0uDZYRrqXS6AR03Vpj5mFkB3EegXiRDbSoSA34_lL7GdeQEkwRaCm0c1Hpmtrl28jFhv-Y7O-isl9Ab73Wn2WAmbpzRQPJgdsX3OvK6Odf1yNCAdpSgqrIudkP2SovLUQh6FL9G/s2000/dtmf.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1200" data-original-width="2000" height="120" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg4HAp8ATWDS5mTWNGODZ9-xiZMgdXcx2wTF6TRxIrYPFcZcK5rb0EVf0uDZYRrqXS6AR03Vpj5mFkB3EegXiRDbSoSA34_lL7GdeQEkwRaCm0c1Hpmtrl28jFhv-Y7O-isl9Ab73Wn2WAmbpzRQPJgdsX3OvK6Odf1yNCAdpSgqrIudkP2SovLUQh6FL9G/w200-h120/dtmf.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Outro dia li um comentário do diretor Scott Derrickson no X que ficou comigo: ele disse que a maioria das listas de melhores filmes do ano são feitas para “fazer o autor da lista parecer inteligente”. Isso é a pura verdade, mas o que me impactou ao ler essa frase foi perceber que muito do entretenimento hoje é feito com esse mesmo objetivo: muitos artistas produzem não pra dar prazer ou apresentar algo edificante ao público, mas pra parecerem inteligentes.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="993" data-start="500"&gt;Se duvidar, escute algumas faixas do álbum do Bad Bunny que venceu o Grammy 2026 e reflita se alguém honestamente escuta aquilo pra ter qualquer tipo de satisfação musical. É como se o desejo de parecer inteligente estivesse arruinando a cultura inteira: artistas criam para parecerem inteligentes, o público consome e diz que gostou para parecer inteligente, e os críticos exaltam para parecerem inteligentes — num ciclo que mantém todos isolados em suas próprias bolhas de infelicidade.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1286" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="995"&gt;Nada contra quem quer ser inteligente e ser apreciado por essa qualidade — o problema é que, quando esse não é de fato o ponto forte da pessoa, ela acaba confundindo inteligência com as táticas que discuto na postagem &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2017/10/pseudo-sofisticacao.html" target="_blank"&gt;Pseudo-sofisticação&lt;/a&gt;, e o resultado disso é o estado da cultura pop atual.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="17" data-start="0"&gt;3/2 — &lt;i&gt;Michael&lt;/i&gt; - Trailer Oficial&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="625" data-start="19"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8VM91YcAIv-kPHZYUAlqzKhjjA_YG7g26ziBXB8cxTWONVGos25AM7ldBTPNwxMZQZY8F50Sen_YpwuNE1iHiRhQY-I0n4G1RSRKcmxYUZ3E03o9n6a-PFxpOk7y9MP-09kgAxNOpbTZdtFOskFfDWLQ_jEKidflegfmOIqSe1WyQCgSXs9kukI21ntBB/s1300/Michael-07.webp" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="731" data-original-width="1300" height="113" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj8VM91YcAIv-kPHZYUAlqzKhjjA_YG7g26ziBXB8cxTWONVGos25AM7ldBTPNwxMZQZY8F50Sen_YpwuNE1iHiRhQY-I0n4G1RSRKcmxYUZ3E03o9n6a-PFxpOk7y9MP-09kgAxNOpbTZdtFOskFfDWLQ_jEKidflegfmOIqSe1WyQCgSXs9kukI21ntBB/w200-h113/Michael-07.webp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;O &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=3zOLzsbOleM" target="_blank"&gt;trailer oficial&lt;/a&gt; de &lt;em data-end="49" data-start="40"&gt;Michael&lt;/em&gt; me deixou mais animado quanto ao filme. Há um foco claro na trajetória de&amp;nbsp;sucesso e nas mensagens otimistas que Michael costumava transmitir; não me parece o tipo de filme que irá focar demais nos traumas de infância, no sofrimento psicológico, nem o tipo de biografia Naturalista/minimalista que anda em alta hoje. Tem tudo para ser um raro blockbuster Idealista em 2026, pelo menos no nível do conteúdo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="659" data-start="627"&gt;3/2 — Kleber Mendonça Filho e a feiura&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1724" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="661"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1KNP71htZnJ1rE2euOW0pTxMMDuVc8Nxy_aiQTG3W2Xukhf2L1I5y8bPlE1SFX7Hr6qUTs3bvVv8yV0nK2qqQY0NRBaEcNgq_5Yen5utNpCkk0c81Eqn9SXKT5Mzbhnl9q6iatqbB-YE44aNRrLkGdQyOtzmdIDXmYkHim0ANcHeJhqdK3-7v91cCTzWg/s1503/Screenshot%202026-02-01%20at%2000.15.13.png" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1054" data-original-width="1503" height="140" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1KNP71htZnJ1rE2euOW0pTxMMDuVc8Nxy_aiQTG3W2Xukhf2L1I5y8bPlE1SFX7Hr6qUTs3bvVv8yV0nK2qqQY0NRBaEcNgq_5Yen5utNpCkk0c81Eqn9SXKT5Mzbhnl9q6iatqbB-YE44aNRrLkGdQyOtzmdIDXmYkHim0ANcHeJhqdK3-7v91cCTzWg/w200-h140/Screenshot%202026-02-01%20at%2000.15.13.png" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Notei algo perturbador em &lt;em data-end="711" data-start="693"&gt;O Agente Secreto&lt;/em&gt; que me levou a fazer o seguinte comentário na crítica: “Não&amp;nbsp;sei se o diretor tem um olhar que, sem querer, revela a feiura das coisas ou se isso é proposital — se ele tem algum compromisso ideológico com a representação do feio na arte.” Não estava falando exclusivamente dos atores, mas outro dia me deparei com uma &lt;a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/iffr-the-secret-agent-director-outdated-casting-good-looks-1236490746/" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; da &lt;span data-end="1096" data-start="1076"&gt;Hollywood Reporter&lt;/span&gt; que me ajudou a compor um perfil. Apesar do que chamo de &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2021/07/casting-naturalista.html" target="_blank"&gt;Casting Naturalista&lt;/a&gt; já ser uma prática comum no audiovisual há muitos anos, na entrevista, Kleber fala como se ainda houvesse uma pressão enorme na indústria pra escalar atores de boa aparência — algo que ele considera “ultrapassado”. Não só ele não valoriza a aparência dos atores, como diz também que não gosta de distinguir entre atores profissionais e não-atores. A matéria obviamente foi escrita porque &lt;em data-end="1557" data-start="1539"&gt;O Agente Secreto&lt;/em&gt; está concorrendo ao Prêmio da Academia de Melhor Seleção de Elenco e, pelo visto, essa inversão de valores o coloca à frente na disputa.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1724" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="661"&gt;3/2 — Vilanização da riqueza&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="958" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="24"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimjMiQic-0u3ZgqyRtCjf12e67kRLs8Uzq2CiJIgaNqH0iqpwK5dAHDWVCjz8_P6h01Yvu5hO7EW9GjQi4HTSIOzlyMDsQU-9Q1BlS_jL9I7wh3it_HI1_mxGBIyKIbQhwLrAwhQ-I5AU4zdx34Nz9jDf1AKHiM444aSCym_O0vNusrZxMqzu9AJaq8nbR/s1024/the-housemaid-1024x612.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="612" data-original-width="1024" height="119" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimjMiQic-0u3ZgqyRtCjf12e67kRLs8Uzq2CiJIgaNqH0iqpwK5dAHDWVCjz8_P6h01Yvu5hO7EW9GjQi4HTSIOzlyMDsQU-9Q1BlS_jL9I7wh3it_HI1_mxGBIyKIbQhwLrAwhQ-I5AU4zdx34Nz9jDf1AKHiM444aSCym_O0vNusrZxMqzu9AJaq8nbR/w200-h119/the-housemaid-1024x612.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Revendo a lista dos filmes mais populares de 2025, percebi que hoje são minoria os filmes que &lt;i&gt;NÃO&lt;/i&gt; vilanizam a riqueza e o sucesso: &lt;i&gt;Marty Supreme&lt;/i&gt;, apesar de celebrar ambição, não deixa de ser um retrato crítico da busca por sucesso; &lt;i&gt;Hamnet&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Valor Sentimental&lt;/i&gt; mostram os danos emocionais que homens de sucesso causam à família; &lt;i&gt;A Única Saída&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out &lt;/i&gt;são sobre pessoas matando umas às outras pra subir na vida; em &lt;i&gt;Pecadores&lt;/i&gt;, os ricos são racistas, assassinos, parte de uma elite opressora, assim como em &lt;i&gt;Uma Batalha Após a Outra&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;O Agente Secreto&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Zootopia 2&lt;/i&gt;; em &lt;i&gt;A Empregada&lt;/i&gt;, eles são psicopatas mentalmente desequilibrados; em &lt;i&gt;Bugônia&lt;/i&gt;, são aliens infiltrados querendo destruir a humanidade — e daria pra achar mensagens similares em diversos outros filmes populares, como &lt;i&gt;Wicked: Parte II&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;O Sobrevivente&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Acompanhante Perfeita&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;A Longa Marcha&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Materialistas&lt;/i&gt; etc. O item 4 do&amp;nbsp;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2019/08/ayn-rand-vs-infiltracao-comunista-em.html" target="_blank"&gt;Screen Guide for Americans&lt;/a&gt;&amp;nbsp;nunca foi tão necessário.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj0lV3bQQJdAXv0U_JVZICdjp6w2eDFpbSPYR-0pXZel4OXgQEAaQFeYJKOTw_mvzdslAg5IIUoSD4OIiXuRoys-ZdMU6O9f-zKLsm9h-IgFmzCHWe0ELZvYSgIcNdIcBFODlEDbkT00U4Up7Fvv1uzmYDyRUTy6_knOz7dTaOYSE7FTNXaRsGDrh0xdocL/s72-w200-h113-c/David-Ellison-and-David-Zaslav-Split-Getty-H-2025.webp" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">8</thr:total></item><item><title>IA e o Criador</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/02/ia-e-o-criador.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sun, 22 Feb 2026 14:30:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-41056892405240924</guid><description>&lt;p data-end="217" data-start="0"&gt;Venho discutindo os perigos da IA para o entretenimento, focando mais no lado do espectador e em como os filmes podem se tornar menos impactantes para o público, mas a IA pode ser igualmente destrutiva do lado do criador.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="950" data-start="219"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnT6bUdyqWRvGa_l4_D52ABWWomJVMK4o8nZdRljc0i_bogKcr8GjjnLqz9uwZs5zWJB55P_OU6tv1QPeq97SYucRkaP_7nS-WYsLkRArU54ZOLNoiAeK6nBbalTwtalK_EKVTwd6t5logPKBpNOMXSPTbCTH9udfieuHTlMuYN-n2_tDOLETI_favF0QF/s960/quote%20spielberg.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="514" data-original-width="960" height="171" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnT6bUdyqWRvGa_l4_D52ABWWomJVMK4o8nZdRljc0i_bogKcr8GjjnLqz9uwZs5zWJB55P_OU6tv1QPeq97SYucRkaP_7nS-WYsLkRArU54ZOLNoiAeK6nBbalTwtalK_EKVTwd6t5logPKBpNOMXSPTbCTH9udfieuHTlMuYN-n2_tDOLETI_favF0QF/w320-h171/quote%20spielberg.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;A arte é uma das expressões máximas da potência criativa do homem. Há poucas coisas mais satisfatórias&amp;nbsp;e que trazem mais plenitude do que criar uma obra da qual você se orgulhe. E o processo criativo é tão gratificante quanto o resultado final. Ter uma grande ideia é uma das experiências mais prazerosas que um homem pode ter. Por essa ótica, pense no absurdo que é delegar o processo criativo à IA. Seria tão bizarro quanto ficar feliz com uma nova tecnologia que permita que um robô brinque com seus filhos por você ou faça sexo com sua esposa, já que ele pode fazer isso de maneira muito mais eficiente e lhe poupar esforço.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1494" data-start="952"&gt;A autoestima é uma necessidade psicológica fundamental para o ser humano, e o trabalho criativo é onde o homem consegue a maior parte de sua autoestima. Mas autoestima vem da avaliação que você faz de si mesmo, não do que os outros acham de você. Por isso, pra ter uma autoestima autêntica, você tem que saber que é o autor do seu trabalho, que se superou, que realmente desenvolveu as capacidades que admira e está demonstrando. Senão, você está tentando obter uma autoestima falsa, baseada em uma ilusão na mente de outras pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2582" data-start="1496"&gt;Meu temor é que obter esse tipo de “autoestima” seja a motivação principal daqueles mais empolgados com os avanços da IA. Por que será que a IA generativa parece tão focada em Hollywood, em se desenvolver a ponto de poder imitar a arte perfeitamente? Eu não tenho nada contra a tecnologia em si. Mas há vários usos para ela fora do campo da arte que me interessam muito mais. Imagine como aplicativos de mapas podem evoluir. Imagine como vai ser mais fácil planejar um corte de cabelo, uma cirurgia plástica, visualizar uma reforma. Imagine aulas de história para crianças acompanhadas de vídeos realistas mostrando como era a Grécia Antiga etc. Tudo isso eu acharia fantástico, mas por algum motivo, estão todos obcecados em fazer filmes com IA, músicas com IA, escrever livros com IA — ou seja, fazer arte, aquilo que serve para expressar a potência criativa do homem e que, historicamente, sempre foi uma das fontes mais elevadas de autoestima e de prestígio na sociedade. É um senso de orgulho e valor pessoal que as pessoas estão buscando na IA — porém, de forma desonesta.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="3493" data-start="2584"&gt;Vamos traçar um paralelo com as Olimpíadas. Imagine que inventem uma espécie de perna mecânica que permita que uma pessoa sedentária possa correr tão rápido quanto um atleta profissional. Eu não teria nada contra a tecnologia em si, que poderia ser usada para vários fins práticos fora do esporte — chegar mais rápido ao trabalho, passear pela cidade sem se cansar etc. Pra isso, a perna não precisaria ser ultrarrealista e se parecer exatamente com uma perna humana. Agora imagine que o usuário não esteja interessado nessas funções práticas, mas queira usar a perna mecânica para competir nas Olimpíadas. Qual é seu objetivo, nesse caso? Obter o tipo de admiração e prestígio que apenas atletas profissionais antes conseguiam. E, como ele deseja fazer o público acreditar que as capacidades da perna são suas capacidades naturais, ele precisa que a perna seja realista, indistinguível de uma perna humana.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4093" data-start="3495"&gt;Pense no quão ridícula é essa atitude. Não só esse homem está sendo desonesto com o público, como está confessando que a única coisa que lhe importa na vida é o que os outros acham dele. Ele sabe que não tem as virtudes que está exibindo, mas isso não importa, desde que receba os aplausos, as medalhas, os créditos sociais. Ele confessa também que não tem nenhum prazer no esporte em si. Que treinar, atingir metas, superar seus limites não lhe interessa. Que o esporte é apenas um meio para obter aplausos — e, se uma máquina puder eliminar toda a parte “chata”, melhor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;





&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4444" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4095"&gt;Minha esperança é que essa confusão a respeito da função da arte, tanto para o artista quanto para o espectador, leve a um cenário caótico apenas nos primeiros anos de IA, mas que, com o tempo, as pessoas comecem a cair em si e a limitar o uso da IA apenas a funções mais técnicas, “braçais”, que não destruam a dimensão criativa da arte. Veremos.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4444" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4095"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4444" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4095"&gt;Mais sobre IA:&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4444" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4095"&gt;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/02/hollywood-vs-ia.html" target="_blank"&gt;Hollywood vs. IA&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4444" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4095"&gt;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2025/10/ia-e-criatividade.html" target="_blank"&gt;IA e Criatividade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p data-end="4444" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4095"&gt;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2023/12/inteligencia-artificial-meus-pensamentos.html" target="_blank"&gt;Inteligência Artificial: meus pensamentos&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnT6bUdyqWRvGa_l4_D52ABWWomJVMK4o8nZdRljc0i_bogKcr8GjjnLqz9uwZs5zWJB55P_OU6tv1QPeq97SYucRkaP_7nS-WYsLkRArU54ZOLNoiAeK6nBbalTwtalK_EKVTwd6t5logPKBpNOMXSPTbCTH9udfieuHTlMuYN-n2_tDOLETI_favF0QF/s72-w320-h171-c/quote%20spielberg.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><title>Fortes vs. Fracos: a maior mentira do cinema</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/02/fortes-vs-fracos-maior-mentira-do-cinema.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sat, 21 Feb 2026 16:02:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-687804977263287967</guid><description>&lt;p data-end="270" data-start="0"&gt;A moralidade altruísta dominante na cultura cria uma “regra” que dificilmente consegue ser quebrada hoje no cinema: vilões devem sempre ser representados pelos fortes, poderosos, privilegiados, e as vítimas/mocinhos, sempre pelos mais humildes, desprovidos, vulneráveis.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="630" data-start="272"&gt;Na ética por trás do &lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2019/07/o-que-e-idealismo.html" target="_blank"&gt;Idealismo&lt;/a&gt;, não associamos força ao mal. Muito pelo contrário: o mal vem da irracionalidade, do erro, que, em última instância, torna o agente impotente. A fraqueza, portanto, é que é associada ao mal. Por trás da maldade, enxergamos burrice, ignorância, motivações como inveja, ressentimento, racionalizações e o desejo de proteger uma pseudoautoestima.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="935" data-start="632"&gt;Pouquíssimos filmes, no entanto, retratam o mal dessa forma. O mal absoluto, no entretenimento, quase sempre é associado à força — a um personagem poderoso que ataca suas vítimas não por invejá-las ou para camuflar suas próprias fragilidades, mas porque é forte demais, e a força corrompe.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1738" data-start="937"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHHTv4gQ91RsYAtzbDXuBCAeblc4qiXB2izXtqC3N3OSFrJEXYcuIXlUNEU0bbbeayHaODkZvdq_gXbTZ5yjRFu_5NifQ9tYVZIN2p6ZIwh12YP2iia5LQ5J-BWN4ROrcATfxYAEshIB8dtCPCf3aWGHw3r6CH4EGyz0aqnVBaVIz5zpqoKMrgUP1DmFW3/s800/master%20slave%20morality.jpeg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="533" data-original-width="800" height="133" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHHTv4gQ91RsYAtzbDXuBCAeblc4qiXB2izXtqC3N3OSFrJEXYcuIXlUNEU0bbbeayHaODkZvdq_gXbTZ5yjRFu_5NifQ9tYVZIN2p6ZIwh12YP2iia5LQ5J-BWN4ROrcATfxYAEshIB8dtCPCf3aWGHw3r6CH4EGyz0aqnVBaVIz5zpqoKMrgUP1DmFW3/w200-h133/master%20slave%20morality.jpeg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;A realidade, porém, é que pessoas realmente fortes (estou falando de força de caráter, de pessoas&amp;nbsp;motivadas por autoestima, ambição moral, pela conquista de valores positivos) não perdem tempo indo atrás de pessoas fracas para atacá-las; não ocupam suas mentes com elas. Pena, indiferença ou desprezo — não ódio mortal — é o que uma pessoa forte sente por aqueles que não têm suas forças. O forte odiará o fraco apenas se for atacado e prejudicado por ele, mas não gratuitamente, não como um impulso primário. Já a pessoa de caráter fraco (dominada pela “moralidade de escravo” descrita por Nietzsche) tende a odiar os mais fortes apenas por eles serem mais fortes — como a existência dos fortes evidencia sua fragilidade, eles representam uma “ameaça”, um “ataque”, mesmo que não tenham tomado nenhuma ação contra ela.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1738" data-start="937"&gt;Essa verdade — de que o ódio primordial é um ódio da fraqueza em direção à força, não da força em direção à fraqueza — é o grande tabu que o cinema raramente ousa quebrar. Isso é ainda mais verdadeiro em sociedades ou eras decadentes, quando a autoestima geral da população é baixa.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="2499" data-start="2026"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQLBSwP2lfzCf3DxYWueYSTqBxcn_i0dAXG41GhEWvyQ29y59Tt-Fiv_5D-sOJIjdttvdv720O_jnk_Rx4WKspDjC-g3k2koFqJyqjp1xRca4P3sfNeMmCGbrOloWYiro-GH6nspDjZ41uSB8-lP7J1XuhCwWOqzJkwG5xi1KHt3gmOMeOq0Kg87hZinUd/s2878/hitler.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1611" data-original-width="2878" height="112" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgQLBSwP2lfzCf3DxYWueYSTqBxcn_i0dAXG41GhEWvyQ29y59Tt-Fiv_5D-sOJIjdttvdv720O_jnk_Rx4WKspDjC-g3k2koFqJyqjp1xRca4P3sfNeMmCGbrOloWYiro-GH6nspDjZ41uSB8-lP7J1XuhCwWOqzJkwG5xi1KHt3gmOMeOq0Kg87hZinUd/w200-h112/hitler.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Isso significa que, para ser mainstream, politicamente correto e aceito pelo público, todo conflito entre&amp;nbsp;bem e mal, de uma forma ou de outra, acaba tendo que ser distorcido e apresentado como uma agressão provocada pelo forte. Isso leva, entre outras coisas, a uma falta de realismo psicológico no entretenimento: a vilões caricatos, cujo ódio parece gratuito, exagerado, irracional, sem as motivações mundanas, de lógica simples, que encontramos em conflitos da vida real.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2499" data-start="2026"&gt;Sim, existem pessoas “fortes” que não têm senso ético e, na busca de seus objetivos, podem atropelar os fracos — não por odiá-los, mas por não se importarem o bastante com eles, por vê-los como meros obstáculos em seu caminho. Nesse contexto, o fraco pode odiar o forte por razões legítimas — mas seu ódio será voltado contra a falta de ética de indivíduos específicos; não criará todo um ressentimento contra pessoas fortes, colocando no mesmo saco os éticos e os antiéticos. Mas esse tipo de distinção é raro entre pessoas que se colocam no time dos fracos. Pra essas, é muito mais conveniente ver os fortes sempre como opressores, os iniciadores de qualquer violência.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="3741" data-start="3185"&gt;Outro ódio legítimo é o dirigido à pessoa obstinada por poder, por dominar outros homens, que muitas vezes consegue ser bem-sucedida economicamente, obter poder político e é confundida com alguém forte. Mas a obsessão por poder sobre os outros é sempre sinal de fraqueza de caráter, não de força. Por trás desse comportamento, há sempre um ego frágil, um ressentimento contra pessoas que o “poderoso” enxerga como ainda mais fortes do que ele — mas esse fato raramente é reconhecido pelos filmes hoje, que insistem na ideia de que o mal tem sua origem no poder.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="4177" data-start="3743"&gt;É por causa dessa regra criada pela moralidade altruísta que dificilmente vemos filmes denunciando regimes comunistas. Discutir os males do comunismo honestamente requer que se exponha o ódio do fraco em relação ao forte, o que é um tabu. A maioria dos filmes anticomunismo acaba retratando os comunistas praticamente da mesma forma que os fascistas são retratados no cinema: autoritários, confiantes, oprimindo uma população humilde.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="4574" data-start="4179"&gt;&lt;em data-end="4202" data-start="4179"&gt;Os Gritos do Silêncio&lt;/em&gt; (1984), sobre os horrores cometidos no Camboja nos anos 70, nunca deixa claro que os Khmers Vermelhos eram seguidores do partido comunista. Se você não entender o contexto histórico, vai sair do filme com a impressão de que os Estados Unidos (fortes) foram os responsáveis pelo genocídio e que os mocinhos são os jornalistas expondo a crueldade do imperialismo ocidental.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="5212" data-start="4576"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEdj05sOZtFxxSOQyMBwe6PFD4aRm_O5E0DDllQFj1OOQO6ZcLgn3-2ev15Xy-2xZA0vSSAZEXZBemKCU0Vm9fSZqC4GvenDeARZJ-izOKqCrWdDHKtiMaJPLZwQeaxYJxvcn2VzAKBEHpMfcT0hqVyPzV1blcX1JfpqpsP20UdZ0mGzZtvUb8yjmc3s8P/s580/first-they-killed-my-father-body2.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="315" data-original-width="580" height="109" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEdj05sOZtFxxSOQyMBwe6PFD4aRm_O5E0DDllQFj1OOQO6ZcLgn3-2ev15Xy-2xZA0vSSAZEXZBemKCU0Vm9fSZqC4GvenDeARZJ-izOKqCrWdDHKtiMaJPLZwQeaxYJxvcn2VzAKBEHpMfcT0hqVyPzV1blcX1JfpqpsP20UdZ0mGzZtvUb8yjmc3s8P/w200-h109/first-they-killed-my-father-body2.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em data-end="4605" data-start="4576"&gt;Primeiro, Mataram o Meu Pai&lt;/em&gt; (2017) é um pouco melhor nesse sentido, pois, embora evite associar o&amp;nbsp;Khmer Vermelho ao comunismo e culpe parcialmente os EUA no final, pelo menos expõe que os vilões são igualitários, rejeitam o luxo e a propriedade privada — características claras do comunismo. Mas a história não deixa de ser contada por uma lente altruísta, que quer que simpatizemos com os cambojanos por serem vulneráveis, simples, vítimas passivas, em contraste com os vilões assertivos e autoritários. Há toda uma atitude “humanitária” na abordagem que, pra o espectador comum, pode se traduzir em uma crítica à força excessiva.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="5212" data-start="4576"&gt;No caso de filmes que denunciam o nazismo, já estamos tão acostumados com a ideia de os nazistas serem os “fortes” que achamos que, nesse caso, o retrato é honesto e não há controvérsia alguma. Mas será mesmo? Um dos maiores “plot twists” da minha vida adulta foi descobrir que, ao contrário do que os filmes sempre fizeram parecer, os judeus, na verdade, eram vistos como fortes pelos nazistas e pela população europeia — não como um grupo frágil, humilde, digno de desprezo. No documentário &lt;em data-end="5714" data-start="5707"&gt;Shoah&lt;/em&gt; (1985), isso fica claro nos depoimentos de alguns poloneses entrevistados. Eles não descreviam os judeus como inferiores no período pré-Segunda Guerra, mas como “os mais ricos em qualquer profissão”, as mulheres mais bem vestidas etc. Ou seja, o antissemitismo também era um ódio da fraqueza direcionado contra a força, e só quando entendi isso a perseguição contra os judeus fez sentido psicológico para mim.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="7011" data-start="6124"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj9fPYaxtV1-MsuacMZHEPCCet-R9hwrTnEO1FhNUj_tyB7nwgmrUGx3NIHrqtDrv_IhOPA4gk1VFQAlgjn933NcM9USZ0aRjrnd5Cep9W_T6idDEO6CDqTisx2cjjAoXRTsaXlUCQ9s-nYc-fYGNL1h1P-b3BROMoA9yskqeVv1RzoslNu7YPeEFYQ95_5/s590/meryl-sophies-choice-29955009-590-350.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="350" data-original-width="590" height="119" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj9fPYaxtV1-MsuacMZHEPCCet-R9hwrTnEO1FhNUj_tyB7nwgmrUGx3NIHrqtDrv_IhOPA4gk1VFQAlgjn933NcM9USZ0aRjrnd5Cep9W_T6idDEO6CDqTisx2cjjAoXRTsaXlUCQ9s-nYc-fYGNL1h1P-b3BROMoA9yskqeVv1RzoslNu7YPeEFYQ95_5/w200-h119/meryl-sophies-choice-29955009-590-350.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;A crueldade dos nazistas contra um povo tão vulnerável sempre me soou um pouco estranha — mas talvez&amp;nbsp;essa tenha sido a narrativa que os judeus tiveram que construir para se proteger. Judeus em Hollywood, muito espertos, sabiam que, se fossem vistos como fortes pela população, sempre gerariam desconfiança e seriam julgados como maus. Portanto, o cinema ressignificou essa dinâmica e construiu a imagem do judeu simples, humilde, oprimido pela força dos nazistas. Quando eu era criança e ouvia falar em “povo judeu”, me vinha imediatamente à mente a imagem de pessoas frágeis, “simplinhas”, mal alimentadas — o equivalente ao que se pensa hoje em relação aos palestinos. Enquanto essa narrativa se sustentou, o antissemitismo esteve em baixa. Nos últimos anos, porém, a percepção de que os judeus na verdade são os fortes voltou à atenção das massas, e o antissemitismo no mundo explodiu.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="7011" data-start="6124"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgATWvNmJrJFmO7lN7NRtzY9V7sgjERA-ejBUkSFe-pdReQdvoVUag6CKbpfeoUUzxWJf8YWbHPJ0Gezr5InZStEWelZw7yLMV5M6dwGcfoCYj6tdjC1YdcwylermXV-EA40-RN1-Hm4oTRhxEKh6Lm-rBOgYpHzY-KsS7kvE3nJ3WKz6Kb1EWVDHr-pUHr/s660/dogville%20grace.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="372" data-original-width="660" height="181" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgATWvNmJrJFmO7lN7NRtzY9V7sgjERA-ejBUkSFe-pdReQdvoVUag6CKbpfeoUUzxWJf8YWbHPJ0Gezr5InZStEWelZw7yLMV5M6dwGcfoCYj6tdjC1YdcwylermXV-EA40-RN1-Hm4oTRhxEKh6Lm-rBOgYpHzY-KsS7kvE3nJ3WKz6Kb1EWVDHr-pUHr/w320-h181/dogville%20grace.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Um filme relevante nessa discussão e que quebra essa regra altruísta do cinema de maneira única é&amp;nbsp;&lt;em data-end="7121" data-start="7111"&gt;Dogville&lt;/em&gt;&lt;span data-end="7121" data-start="7111"&gt; (2003)&lt;/span&gt;. A artimanha de &lt;em data-end="7148" data-start="7138"&gt;Dogville&lt;/em&gt; é dar a entender que a história se trata de uma crítica aos EUA. Não sei até que ponto isso foi intencional e até que ponto é reflexo das contradições do autor, mas gosto de me iludir que é um truque de mestre de Lars von Trier. Ao anunciar o filme como parte de uma trilogia irônica chamada “EUA: Terra das Oportunidades”, ele confunde o espectador o bastante para que ele acompanhe a história achando que se trata de um ataque aos fortes, sem perceber que Trier está, ao longo do filme todo, fazendo o contrário — expondo a mediocridade dos cidadãos de Dogville e revelando a verdadeira nascente do ódio humano: o ressentimento do fraco.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="8148" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="7798"&gt;Em culturas dominadas pelo altruísmo, celebrar a força é sempre politicamente incorreto, sempre impopular e arriscado. É por ir contra a moralidade altruísta — contra a ideia de que os fortes são maus e os fracos são os nobres — que o Idealismo não consegue florescer em tempos como os atuais. Quanto mais o altruísmo domina a cultura, mais o artista precisará usar artimanhas, camuflagens, ser indireto, confundir o público, se quiser desafiar esses valores sem se tornar &lt;em data-end="501" data-start="482"&gt;persona non grata&lt;/em&gt; na sociedade.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHHTv4gQ91RsYAtzbDXuBCAeblc4qiXB2izXtqC3N3OSFrJEXYcuIXlUNEU0bbbeayHaODkZvdq_gXbTZ5yjRFu_5NifQ9tYVZIN2p6ZIwh12YP2iia5LQ5J-BWN4ROrcATfxYAEshIB8dtCPCf3aWGHw3r6CH4EGyz0aqnVBaVIz5zpqoKMrgUP1DmFW3/s72-w200-h133-c/master%20slave%20morality.jpeg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Hollywood vs. IA</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/02/hollywood-vs-ia.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Sat, 21 Feb 2026 10:46:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-5284064001724618319</guid><description>&lt;p&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihCY4yPMdjqjDzwvzkYfPLGpPIngQ9zALdiEwljOcxP5lPYq0IFwCd_d6AvF_rYwau6BB4qN_GoHRTVOScqh9mu1jksL2A2zJvBJ1Kvttwmun8w6mTOLwzF_kfR9DQPFp8kh3YoyEHCFSnKNcb8iOyM1wN3qj4tvorwW8iXyPPs-Nfh0KvzG43Nczc7nGJ/s2048/hollywood%20vs%20ai.jpg" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="2048" data-original-width="1853" height="320" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihCY4yPMdjqjDzwvzkYfPLGpPIngQ9zALdiEwljOcxP5lPYq0IFwCd_d6AvF_rYwau6BB4qN_GoHRTVOScqh9mu1jksL2A2zJvBJ1Kvttwmun8w6mTOLwzF_kfR9DQPFp8kh3YoyEHCFSnKNcb8iOyM1wN3qj4tvorwW8iXyPPs-Nfh0KvzG43Nczc7nGJ/s320/hollywood%20vs%20ai.jpg" width="290" /&gt;&lt;/a&gt;A lista ao lado mostra uma divisão em Hollywood entre cineastas que estão abraçando a IA e outros que&amp;nbsp;estão resistindo. Minha maior preocupação com relação à IA no entretenimento ainda é a questão da identificação. Se o conteúdo criado por IA for facilmente identificável, diferenciado de registros fotográficos e de trabalhos autorais feitos sem IA, será apenas uma revolução tecnológica como o CGI foi. Sim, muitas pessoas perderão seus empregos atuais, longas poderão ser feitos num estalo de dedos por amadores em seus laptops, e isso pode ter o efeito de degradar ainda mais o status do cinema na cultura — mas essa é uma consequência inevitável do progresso tecnológico. Reclamar disso é como reclamar da invenção da eletricidade, da fotografia digital etc.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cineastas que quiserem manter o nível da arte continuarão podendo fazer filmes à moda antiga (fotografando atores em ambientes reais — o que se tornará apenas mais caro e inconveniente) ou usarão a IA com bons critérios — apenas para funções não criativas — colaborando com outros artistas (escritores, atores, diretores de arte, fotógrafos, compositores etc.), para que cada detalhe da obra seja intencional, reflita decisões e talentos humanos, e não funções automáticas do algoritmo.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1419" data-start="1316"&gt;O problema é se não pudermos diferenciar facilmente trabalhos feitos com IA de trabalhos feitos sem IA.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1840" data-start="1421"&gt;Muita gente parece não entender, por exemplo, que existe uma diferença fundamental entre imagens fotografadas e imagens feitas no computador. Por mais que você torne um ator de IA realista, ele nunca terá o mesmo impacto de um ator que existe de verdade. Astros são tão importantes que, até em animações, hoje se tornou uma convenção contratá-los para dublar os personagens, pois isso aumenta o interesse pela produção.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="2886" data-start="1842"&gt;O mesmo princípio vale para os cenários e os espaços físicos do filme: por mais grandiosa que seja uma imagem de CGI, ela sempre parecerá pequena em comparação com um panorama de David Lean. Se a IA se tornar a forma padrão de se criar imagens, isso significa que todo o cinema se transformará em animação. Animações podem ter muitos dos méritos criativos de um filme, mas o magnetismo de uma imagem fotografada não pode ser recriado por um desenho. “Ah, mas e se chegar a um ponto em que a imagem feita por IA fique indistinguível da realidade?” — Aí, o espectador terá uma desconfiança eterna em relação a tudo o que vê e, por via das dúvidas, assumirá que tudo é IA — ou seja, não se permitirá confiar na imagem e sentir o tipo de emoção que sentimos quando estamos diante de algo real. Mesmo quando a imagem for real, ele terá um pé atrás e reagirá a tudo como se fosse uma animação (isso já acontece hoje, com o excesso de CGI nos filmes). A confiança é uma coisa frágil. Se você descobre que uma pessoa lhe contou uma mentira descarada, você começa a duvidar de todas as suas outras afirmações.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="3503" data-start="2888"&gt;Mais grave ainda é o fato de muita gente não entender a importância do talento humano, da autoria da obra (e dos diversos aspectos da obra), como se apenas o produto final importasse, independentemente de sua origem (já discuti isso no texto &lt;span data-end="3149" data-start="3130"&gt;&lt;a href="https://profissaocinefilo.blogspot.com/2025/10/ia-e-criatividade.html" target="_blank"&gt;IA e Criatividade&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;). Mas pense: toda vez que você viu algo realmente extraordinário na arte, toda vez que uma obra impactou sua vida, você provavelmente se perguntou logo em seguida: “&lt;i&gt;Quem&lt;/i&gt; fez isso?” — e foi pesquisar sobre o artista. Se a autoria de tudo for colocada em xeque com a chegada da IA no entretenimento, a “desconfiança eterna” criada pela tecnologia prejudicará também essa dimensão da arte.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="4099" data-start="3505"&gt;Agora pergunte-se: quem é que se beneficiaria ao borrarmos a linha entre trabalhos feitos com IA e trabalhos feitos sem IA? Quem teria interesse em não identificar que seu trabalho foi feito por IA? Certamente não é o artista talentoso, capaz de inspirar o público com suas verdadeiras capacidades. É aquele que deseja usar a IA para esconder sua incapacidade e tentar obter algum crédito imerecido desse estado de incerteza inaugurado na mente do público. A IA, nesse cenário, torna-se uma máquina gigante de “redistribuição de crédito”, dando crédito a quem não merece às custas de quem merece.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="4538" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="4101"&gt;Num futuro mais distante, pode ser que a tecnologia avance tanto que modifique por completo a natureza humana; aí, nossas filosofias e valores terão de ser totalmente repensados. Mas, por enquanto, não vivemos nesse futuro, e ainda é importante que saibamos o que é verdade e o que não é, o que reflete talentos humanos reais e o que não reflete. Enquanto essa for nossa realidade, fazer arte com IA e não avisar o espectador será uma forma de fraude.&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihCY4yPMdjqjDzwvzkYfPLGpPIngQ9zALdiEwljOcxP5lPYq0IFwCd_d6AvF_rYwau6BB4qN_GoHRTVOScqh9mu1jksL2A2zJvBJ1Kvttwmun8w6mTOLwzF_kfR9DQPFp8kh3YoyEHCFSnKNcb8iOyM1wN3qj4tvorwW8iXyPPs-Nfh0KvzG43Nczc7nGJ/s72-c/hollywood%20vs%20ai.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>A Voz de Hind Rajab</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/02/a-voz-de-hind-rajab.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Mon, 9 Feb 2026 16:09:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-2874174690589436641</guid><description>&lt;p data-end="329" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiUzyKtk8HOzJrXPGjgws32UJw6sdlyMtgvd417wopfFEWrN7CkNzCmIcutINJBibD9s0BNKI7lr6WANQqZj1mwCANhmwS127QljWQ8Av_709qmJROqujfEaDAYi9jcJYghrlhiI_D0bGAdLA6rlv46hjQprSo8QJL9r62FEPnleh785A96VmnKZbwlDGPc/s1481/MV5BZWVlM2RjYTctODU4Mi00NTQzLWEzMDktZGVmYTQ2NTEwOWFiXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1481" data-original-width="1000" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiUzyKtk8HOzJrXPGjgws32UJw6sdlyMtgvd417wopfFEWrN7CkNzCmIcutINJBibD9s0BNKI7lr6WANQqZj1mwCANhmwS127QljWQ8Av_709qmJROqujfEaDAYi9jcJYghrlhiI_D0bGAdLA6rlv46hjQprSo8QJL9r62FEPnleh785A96VmnKZbwlDGPc/w135-h200/MV5BZWVlM2RjYTctODU4Mi00NTQzLWEzMDktZGVmYTQ2NTEwOWFiXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;A Voz de Hind Rajab&lt;/i&gt;, indicado ao Prêmio da Academia de Melhor Filme Internacional, é sobre o caso real de uma menina palestina de cinco anos que foi morta em 2024 na Faixa de Gaza durante um ataque do exército israelense. O filme mostra tudo pelo ponto de vista de socorristas que atendem a uma chamada de emergência da menina.&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1284" data-start="331"&gt;É um caso interessante de avaliar. Imagine que você vá ver um filme, e a história mostre apenas um jovem artista no início do século 20 desenvolvendo suas habilidades como pintor e tentando entrar na Academia de Belas Artes de Viena. O ator principal é carismático, o filme foca em suas qualidades positivas, há uma narrativa de sucesso razoavelmente envolvente, e a sessão, de modo geral, é agradável. O único “detalhe” é que esse artista se chama Adolf Hitler. Nada sobre seus males é citado na tela, não há críticas nem ironias nas entrelinhas, de modo que, se uma pessoa sem conhecimento de história entrasse na sala, ela só teria motivos pra admirar o personagem. Que nota você daria pra tal filme? Você julgaria o filme apenas pelo que ele apresenta — pelas emoções e ideias que evoca na plateia durante a sessão — ou levaria em conta informações que traz de fora da sala; o impacto que tal retrato pode ter no mundo?&lt;/p&gt;
&lt;p data-end="1794" data-start="1286"&gt;Eu busco avaliar filmes sempre pelo que apresentam na obra em si. Quando me irrito com um filme por questões ideológicas, é porque essas questões estão infundidas na narrativa, porque os valores que desprezo se manifestam na própria obra — não porque li declarações do diretor, etc. Então, no caso de &lt;em data-end="30" data-start="18"&gt;Hind Rajab&lt;/em&gt;, que foca em um drama específico, deixando o conflito Israel x Palestina em segundo plano, sou forçado a ignorar o contexto político externo e dar ao filme a mesma nota que daria a um filme sobre socorristas falando ao telefone com uma criança israelense durante um ataque terrorista islâmico.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="1794" data-start="1286"&gt;Não é uma nota muito boa, pois trata-se ainda de um filme semi-Naturalista, não muito dinâmico, focado em sofrimento, com uma relevância muito mais jornalística do que criativa — mas não é a nota zero que eu daria a um filme que representasse um ataque aberto ao mundo civilizado e ao direito de países livres de se defenderem.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2138" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="1796"&gt;The Voice of Hind Rajab / 2025 / Kaouther Ben Hania&lt;/p&gt;&lt;p data-end="2138" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="1796"&gt;&lt;span style="color: #ffa400; font-size: x-large;"&gt;★★&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiUzyKtk8HOzJrXPGjgws32UJw6sdlyMtgvd417wopfFEWrN7CkNzCmIcutINJBibD9s0BNKI7lr6WANQqZj1mwCANhmwS127QljWQ8Av_709qmJROqujfEaDAYi9jcJYghrlhiI_D0bGAdLA6rlv46hjQprSo8QJL9r62FEPnleh785A96VmnKZbwlDGPc/s72-w135-h200-c/MV5BZWVlM2RjYTctODU4Mi00NTQzLWEzMDktZGVmYTQ2NTEwOWFiXkEyXkFqcGc@._V1_FMjpg_UX1000_.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><title>Filmes em Alta</title><link>http://profissaocinefilo.blogspot.com/2026/01/filmes-em-alta.html</link><author>noreply@blogger.com (Caio Amaral)</author><pubDate>Fri, 6 Feb 2026 16:00:00 -0300</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1070542200492744759.post-8128622298360842528</guid><description>&lt;div class="text-base my-auto mx-auto pb-10 [--thread-content-margin:--spacing(4)] @w-sm/main:[--thread-content-margin:--spacing(6)] @w-lg/main:[--thread-content-margin:--spacing(16)] px-(--thread-content-margin)"&gt;&lt;div class="[--thread-content-max-width:40rem] @w-lg/main:[--thread-content-max-width:48rem] mx-auto max-w-(--thread-content-max-width) flex-1 group/turn-messages focus-visible:outline-hidden relative flex w-full min-w-0 flex-col agent-turn" tabindex="-1"&gt;&lt;div class="flex max-w-full flex-col grow"&gt;&lt;div class="min-h-8 text-message relative flex w-full flex-col items-end gap-2 text-start break-words whitespace-normal [.text-message+&amp;amp;]:mt-1" data-message-author-role="assistant" data-message-id="ad953f12-ee02-4bb4-9020-0479e4222c4e" data-message-model-slug="gpt-5-2" dir="auto"&gt;&lt;div class="flex w-full flex-col gap-1 empty:hidden first:pt-[1px]"&gt;&lt;div class="markdown prose dark:prose-invert w-full break-words light markdown-new-styling"&gt;&lt;p data-end="596" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="0"&gt;&lt;a href="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxcPJfyPO8TTejUFeLRYR6umZC5wsPDT4R5ijs3PxDH5wUEZMdmbcDB5VEzvR46MX3bXzEmsFGmygo8MqxNzm_dT9ed30PT7gPUD6Cc2g2krM6CbGJGdySrFHdufo5SMsiakQagSkmxIq5vzyK2nOWyWD4NrX4O-XEgPqqGXTAl2cGgTw4iKPjW732n6LU/s1470/Filmes%20em%20Alta.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" data-original-height="1470" data-original-width="935" height="200" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxcPJfyPO8TTejUFeLRYR6umZC5wsPDT4R5ijs3PxDH5wUEZMdmbcDB5VEzvR46MX3bXzEmsFGmygo8MqxNzm_dT9ed30PT7gPUD6Cc2g2krM6CbGJGdySrFHdufo5SMsiakQagSkmxIq5vzyK2nOWyWD4NrX4O-XEgPqqGXTAl2cGgTw4iKPjW732n6LU/w127-h200/Filmes%20em%20Alta.jpg" width="127" /&gt;&lt;/a&gt;Queria aproveitar melhor a coluna lateral pra deixar dicas ou informações que possam tornar o blog&amp;nbsp;útil&amp;nbsp;mesmo na ausência de novas postagens (continuo com o plano de comentar só os filmes de maior impacto cultural). Neste painel “Filmes em Alta”, a ideia é destacar os filmes mais discutidos do momento. As estrelas ao lado são a minha avaliação. A cor funciona como uma espécie de termômetro cultural: filmes em verde são os que fazem alguma movimentação relevante na direção do Idealismo; em amarelo, são os filmes mistos que não mudam muito o status quo; em vermelho, são os que fortalecem as más tendências. Filmes em cinza são os que não vi.&lt;/p&gt;&lt;p data-end="596" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="0"&gt;Têm achado essas informações úteis?&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" height="72" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxcPJfyPO8TTejUFeLRYR6umZC5wsPDT4R5ijs3PxDH5wUEZMdmbcDB5VEzvR46MX3bXzEmsFGmygo8MqxNzm_dT9ed30PT7gPUD6Cc2g2krM6CbGJGdySrFHdufo5SMsiakQagSkmxIq5vzyK2nOWyWD4NrX4O-XEgPqqGXTAl2cGgTw4iKPjW732n6LU/s72-w127-h200-c/Filmes%20em%20Alta.jpg" width="72"/><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total></item></channel></rss>