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	<description>Proclamando a Cristo Crucificado</description>
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		<title>Os Olhos Do Senhor Sobre Nós Para Um Bom Ano Novo &#8211; Sermão n°728</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 02:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sermão]]></category>
		<category><![CDATA[Sermão de ano novo]]></category>
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					<description><![CDATA[Pregado na manhã de Domingo, 6 de janeiro de 1867, po C. H. SPURGEON No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres. &#160; COMPRE NA AMAZON AQUI  (Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto) &#160;  “&#8230; SENHOR, teu Deus, cujos olhos estão continuamente sobre &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2026/03/os-olhos-do-senhor-sobre-nos-para-um-bom-ano-novo-sermao-n728/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2026/03/capa-sermao-spurgeon-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-8961" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2026/03/capa-sermao-spurgeon-1.jpg" alt="" width="403" height="608" /></a>Pregado na manhã de Domingo, 6 de janeiro de 1867, po</span></p>
<p><i>C. H. SPURGEON</i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="https://amzn.to/3DLtQEQ">COMPRE NA AMAZON AQUI</a>  </strong><strong>(Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b><i> “&#8230; SENHOR, teu Deus, cujos olhos estão continuamente sobre ela, desde o princípio até o fim do ano.” Deuteronômio 11.12</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os israelitas haviam permanecido por um tempo no Egito, uma terra que só produzia alimento para seus habitantes pelo trabalhoso processo de irrigar seus campos. Eles haviam convivido com os filhos de Cam enquanto observavam com olhos ansiosos as cheias do rio Nilo e haviam participado dos incessantes trabalhos pelos quais as águas eram armazenadas em reservatórios e, posteriormente, liberadas gradualmente para irrigar as diversas plantações. Moisés lhes diz neste capítulo que a terra da Palestina não era de todo como o Egito; era uma terra que não dependia tanto do trabalho dos habitantes, como da boa vontade do Deus do céu. Ele chama isso de terra de colinas e vales, uma terra de nascentes e rios, uma terra dependente não dos rios da terra, mas da chuva do céu, e ele conclui caracterizando-a da seguinte forma: “</span><i><span style="font-weight: 400;">terra cuidada pelo SENHOR, teu Deus, cujos olhos estão continuamente sobre ela, desde o princípio até o fim do ano</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Observe aqui um tipo de condição do homem natural e espiritual. Neste mundo em termos temporais e em todos os outros aspectos, o homem meramente carnal tem que ser sua própria providência, e responsabilizar-se por suprir todas as suas próprias necessidades. Portanto, seus cuidados são sempre muitos, e frequentemente eles se tornam tão pesados que o levam ao desespero. Ele vive uma vida de cuidado, ansiedade, tristeza, inquietação e decepção; ele habita no Egito e sabe que não há alegria, conforto ou provisão se não desgastar sua alma em consegui-los. Mas o homem espiritual habita em outro país; sua fé faz dele um cidadão de outra terra. É verdade que ele suporta os mesmos trabalhos e experimenta as mesmas aflições que os ímpios, mas ele lida com essas situações de uma maneira diferente, pois isso chega a ele como desígnios de um Pai misericordioso e vão embora por ordem da sabedoria amorosa. Pela fé, o homem piedoso lança seu cuidado sobre o Deus que cuida dele e, assim, caminha sem se preocupar, porque sabe que é filho da bondade do céu, para quem todas as coisas trabalham juntas para o seu bem</span><span style="font-weight: 400;">. Deus é seu grande guardião e amigo, e todas as suas preocupações estão seguras nas mãos da graça infinita. Mesmo no ano da seca, o crente habita em pastagens verdes e deita-se ao lado das águas tranquilas, contudo, quanto aos ímpios, ele permanece no deserto e ouve as murmurações daquela maldição: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Maldito o homem que confia no homem, que faz daquilo que é mortal a sua força e afasta do SENHOR o coração. Ele é como um arbusto no deserto, não perceberá quando vier bem algum</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você questiona minha afirmação, que Canaã é um tipo adequado da condição atual do cristão? Frequentemente tenho insistido nisso, que é um tipo muito melhor do crente militante aqui do que do santo glorificado na Nova Jerusalém. Canaã é, às vezes, usada por nós em nossos hinos como a imagem do céu, mas dificilmente é assim; a rápida reflexão mostrará que é muito mais, distintamente, a imagem do estado atual de cada crente. Enquanto estamos sob a convicção de pecado, somos como Israel no deserto, não temos descanso para os nossos pés, porém quando colocamos nossa confiança em Jesus, somos quando o povo atravessou o rio e deixamos o deserto para trás: “</span><i><span style="font-weight: 400;">nós, os que temos crido, que entramos no descanso”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> pois</span><i><span style="font-weight: 400;"> “ainda resta um repouso sabático para o povo de Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">. Os crentes entraram na salvação consumada que nos é fornecida em Cristo Jesus. As bênçãos de nossa herança estão em grande medida já em nossa posse; o estado de salvação não é mais uma terra de promessa, mas é uma terra possuída e desfrutada. Temos paz com Deus e somos, agora mesmo, justificados pela fé</span><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Amados, somos filhos de Deus”</span></i><span style="font-weight: 400;">. As bênçãos da aliança são, neste momento, na verdade, nossas, assim como as porções da terra de Canaã se tornaram realmente de posse das várias tribos. É verdade que há um inimigo em Canaã, um inimigo a ser expulso – o pecado interior, que está enraizado em nossos corações como em cidades muradas; concupiscências carnais, que são como as carruagens de ferro com as quais temos que fazer a guerra – mas a terra é nossa; neste momento, temos em nossa posse o patrimônio pactuado e os inimigos que nos roubariam dela serão, pela espada da fé e pelo poder da oração, completamente erradicados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cristão, como Israel em Canaã, não está mais sob o governo de Moisés; ele se desvinculou de Moisés de uma vez por todas. Moisés foi engrandecido e honrado quando subiu ao topo da colina, e com um beijo dos lábios de Deus foi levado aos céus. Mesmo assim, a lei foi ampliada e tornada honrosa na pessoa de Cristo e deixou de reinar sobre o crente; e como Josué era o líder dos israelitas quando eles entraram em Canaã, assim é Jesus, nosso Líder agora. É Ele quem nos conduz de vitória em vitória, e não embainhará a sua espada até que tenha tomado para si, e nos tenha dado, a nós, seus seguidores, a plena posse de toda a santidade e felicidade que os compromissos da aliança nos asseguraram. Por estas e muitas outras razões, é claro que os filhos de Israel em Canaã estavam tipicamente na mesma condição que nós estamos agora que, tendo acreditado em Jesus, têm a nossa cidadania no céu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amados, aqueles de vocês que se encontram em tal estado irão apreciar esse texto. É a essas pessoas que o texto se dirige. Os olhos do Senhor, teu Deus, estão sempre sobre ti, ó crente, do início ao fim do ano. Vocês que confiam em Jesus, estão sob a orientação do “grande Josué”, vocês estão lutando contra o pecado e alcançaram a salvação, deixaram para trás o deserto da convicção e do medo, entraram na Canaã da fé e agora os olhos de Deus estão sobre vocês e sobre a sua condição desde o início até o fim do ano. Que o Espírito Santo nos abençoe; e nós, primeiro, aceitaremos o texto como o encontrarmos; segundo, examinaremos o texto atentamente; terceiro, apagaremos partes do texto; e, quarto, extrairemos lições práticas do texto.</span><span id="more-8960"></span></p>
<p><strong>I.</strong> <em>Primeiramente, consideraremos </em><em>o texto como o encontramos</em>. A primeira palavra que brilha diante de nós como uma joia em uma coroa é “olhos”, “os olhos do Senhor”. O que significa isso? Certamente não é mera onisciência. Nesse sentido, os olhos do Senhor estão em todos os lugares, contemplando o bem e o mal. Deus vê Agar, assim como Sara, e contempla Judas quando este lhe dá o beijo traiçoeiro, com a mesma certeza com que contempla a santa mulher quando ela lava os pés do Salvador com suas lágrimas. Não é apenas isso, há amor no texto para adoçar a observação. <i>“O Senhor conhece o caminho dos justos”</i> com um conhecimento que vai além da onisciência. Os olhos do Senhor estão sobre os justos, não para simplesmente vê-los, mas para contemplá-los com complacência e deleite; não apenas para observá-los, mas para observá-los com carinho e interesse. O significado do texto, então, é, em primeiro lugar, <i>que o amor de Deus está sempre sobre o seu povo</i>. Ó cristãos, pensem nisto, é melhor pensar do que falar: Deus nos ama! O grande coração da Deidade está voltado para nós, pobres, insignificantes, indignos, seres sem valor. Deus nos ama, nos ama sempre, jamais pensa em nós sem pensamentos amorosos, jamais nos considera, nem fala de nós, e nem age em nosso favor senão com amor. Deus é amor, em certo sentido, para com todos, pois Ele é pleno de benevolência para com todas as Suas criaturas; o amor é, de fato, a Sua essência; mas há uma profundidade insondável quando essa palavra é usada em referência aos Seus eleitos, que são objetos de graça singular, redimidos pelo sangue, emancipados pelo poder, adotados pela condescendência e preservados pela fidelidade. Amados, não me peçam para falar desse amor, mas implorem a Deus, o Espírito Santo, que o fale ao íntimo de suas almas. Os olhos amorosos de Deus estão sempre sobre vocês, os mais pobres e obscuros do Seu povo, do início ao fim do ano.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A expressão do texto nos ensina que </span><i><span style="font-weight: 400;">o Senhor tem um interesse pessoal por nós</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não se diz aqui que Deus nos ama e, portanto, envia um anjo para nos proteger e velar por nós; mas é o próprio Senhor que faz isso. Os olhos que nos observam são os próprios olhos de Deus, o guardião sob cuja proteção estamos é o próprio Deus. Algumas mães entregam seus filhos para amamentar, mas Deus nunca faz algo parecido; todos os seus filhos permanecem em seu peito e são carregados em seus braços. Pouco poderíamos fazer se tivéssemos que realizar tudo pessoalmente, e portanto, a maioria das coisas é feita por procuração. O capitão, quando o navio precisa ser conduzido através do mar aberto, precisa de sua hora de sono, e então o imediato, ou alguém, deve comandar a embarcação; mas observe que, em momentos de emergência, o capitão é chamado e assume pessoalmente a responsabilidade. Veja-o como ele mesmo, ansiosamente, puxa o leme, permanece no timão ou na vigia, pois não pode confiar em ninguém mais em momentos de perigo. Pelo texto, parece que sempre há momentos de emergência para o povo de Deus, pois o seu grande Senhor sempre exerce um cuidado pessoal sobre eles. Ele nunca disse aos seus anjos: “Eu dispensarei a minha vigilância, e vocês guardarão os meus santos”; mas, embora lhes dê responsabilidades a respeito do seu povo, Ele próprio é o seu guardião e o seu escudo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu, o SENHOR, protejo-a e a rego a cada momento; eu a protegerei dia e noite, para que ninguém lhe cause dano”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Às vezes, quando estamos muito doentes, vocês já mandaram chamar um médico, e pode ser que ele estivesse ocupado em outro lugar, mas ele tem um assistente que provavelmente é tão habilidoso quanto ele. No entanto, assim que esse assistente chega, tamanha é a confiança que vocês depositaram no próprio homem que chamaram, que se sentem bastante desapontados; vocês queriam ver o homem a quem já haviam consultado antes. Não há motivo para temermos ser rejeitados por qualquer substituto para o nosso Deus. Oh, amados, quando penso no texto, sinto o mesmo que Moisés quando Deus disse: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu envio um anjo à tua frente”</span></i><span style="font-weight: 400;">. “Não”, disse Moisés, em essência, “</span><i><span style="font-weight: 400;">isso não basta: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Meu Senhor, não me contento com Gabriel ou Miguel, não me contento com o mais brilhante dos serafins que estão diante do teu trono; é a tua presença que eu quero, e bendito seja o teu nome, é a tua presença que o texto promete dar. A mãe ansiosa se alegra por ter uma babá cuidadosa em quem possa confiar, mas na crise da doença, quando a vida do pequeno está por um fio, ela diz: “Preciso ficar acordada com a criança esta noite” e, embora seja a terceira, talvez a quarta noite sem dormir, seus olhos não se fecham enquanto o perigo iminente estiver à vista. Vejam, meus irmãos, vejam a amorosa ternura do nosso Deus misericordioso. Jamais, jamais, jamais ele delega a outros, por melhores ou mais gentis que sejam, ou a quaisquer agentes secundários, por mais ativos ou poderosos que sejam, o cuidado de Seu povo, mas Seus próprios olhos, sem substituto, devem velar por nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o texto nos lembra </span><i><span style="font-weight: 400;">do poder incansável de Deus para com o seu povo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como assim, seus olhos podem estar sempre sobre nós? Isso não seria possível se ele não fosse Deus. O homem dificilmente conseguiria estar sempre focado em um único objeto; entretanto, onde existem dez mil vezes dez mil objetos, como pode o mesmo olhar estar sempre sobre cada um deles? Eu sei o que a incredulidade lhe disse. Ela sussurrou: “Ele cria as estrelas, chama todas elas pelos seus nomes, como então pode notar um inseto tão insignificante quanto você?” Então dissemos: “Meu caminho se afastou de Deus; Deus se esqueceu de mim; meu Deus me abandonou.” Mas aqui entra o texto. Ele não apenas não se esqueceu de você, mas jamais desviou o olhar de você, e embora você seja apenas mais um entre tantos, ele o observou com tanta atenção, cuidado e ternura como se não houvesse outra criança na família divina, nem outra pessoa cujas orações precisassem ser ouvidas ou cujas preocupações precisassem ser aliviadas. O que você pensaria de si mesmo se soubesse que é a única alma salva no mundo, o único eleito de Deus, o único comprado na cruz ensanguentada? Você sentiria: “Como Deus deve cuidar de mim! Como ele deve zelar por mim! Certamente ele jamais desviará o olhar de um predileto como eu.” Mas o mesmo acontece com você, amado, embora a família seja tão grande, você é tratado como se fosse filho único. Os olhos do Senhor jamais se cansam, ele não dorme nem cochila</span><span style="font-weight: 400;">, de dia e de noite observa cada um dos seus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você juntar todas essas coisas: afeto intenso, interesse pessoal e poder incansável, e se lembrar de que durante todo esse tempo, o coração de Deus é movido por propósitos imutáveis </span><span style="font-weight: 400;">​​</span><span style="font-weight: 400;">de graça para com você, certamente </span><i><span style="font-weight: 400;">haverá o suficiente para fazê-lo se perder em admiração, amor e louvor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Você pecou no passado da sua história, mas o seu pecado nunca diminuiu o amor que Ele sente por você, porque Ele nunca o viu como você é individualmente, nu e perdido em si mesmo, mas o viu e o amou em Cristo, no propósito eterno, mesmo quando você estava morto em transgressões e pecados</span><span style="font-weight: 400;">; Ele o vê em Cristo desde então e nunca deixou de amá-lo. É verdade que você tem sido muito falho, e quantas lágrimas isso deve lhe custar, mas assim como Ele nunca o amou por suas boas obras, Ele nunca o rejeitou por suas más obras, mas o contemplou como lavado no sangue expiatório de Jesus até que você se tornasse mais branco que a neve, e o viu revestido da perfeita justiça de seu Fiador, e, portanto, olhou para você e o considerou como se você fosse sem mácula, ruga ou qualquer coisa semelhante! A graça sempre o colocou diante dos olhos do Senhor como estando em Seu amado Filho, todo belo e amável; uma perspectiva agradável para Ele contemplar. Ele o contemplou, amado, mas nunca com ira, olhou para você quando suas fraquezas, aliás, suas maldades deliberadas, o faziam se odiar, e ainda assim, embora o tenha visto nesse estado lamentável, Ele teve tamanha consideração por seu relacionamento com Cristo que você ainda foi aceito no Amado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu gostaria que a linguagem humana pudesse transmitir toda a glória desse pensamento, mas ela não pode. Você deve saborear este pedaço sozinho; deve tomá-lo como um favo com mel, colocá-lo debaixo da língua e sugar toda a sua doçura. Os olhos de Deus, meu Deus, estão sempre voltados para os seus escolhidos, olhos de afeição, deleite, complacência, poder incansável, sabedoria imutável e amor eterno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A próxima palavra que parece brilhar e cintilar no texto é “</span><span style="font-weight: 400;">Continuamente</span><span style="font-weight: 400;">”; </span><i><span style="font-weight: 400;">“cujos olhos estão continuamente sobre ela”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E acrescenta-se, como se essa palavra não bastasse para ouvidos tão insensíveis como os nossos, “do início ao fim do ano”. Isso é tão claro e incisivo que não podemos imaginar que, </span><i><span style="font-weight: 400;">em nenhum dia, hora ou minuto, estejamos longe dos olhos ou do coração de Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tentei descobrir outro dia qual seria o momento da vida em que alguém poderia se dar ao luxo de estar sem Deus. Talvez a imaginação sugira o tempo da prosperidade, quando os negócios prosperam, a riqueza cresce e a mente está feliz. Ah, amados, estar sem o nosso Deus então, seria como uma festa de casamento sem o noivo, seria o dia de deleite sem deleite, um mar sem água, dia sem luz. Que absurdo! Tanta misericórdia e nenhum Deus! Então, só resta a casca e nenhum miolo, a sombra e nenhuma substância. Em meio a tantas alegrias que a Terra pode oferecer na ausência do Senhor, a alma pode ouvir o riso satânico, pois Satanás ri da alma, visto que ela tentou fazer do mundo o seu refúgio e certamente será enganada. Viver sem Deus na prosperidade, amados! Não podemos, pois então nos tornaríamos mundanos, orgulhosos, descuidados, e a morte eterna seria o nosso destino. O cristão na prosperidade é como um homem no topo de um pináculo; ele precisa ser sustentado divinamente, ou sua queda será terrível! Se você pode viver sem Deus, certamente não é quando está no topo do pináculo. E então? Poderíamos viver sem Ele na adversidade? Pergunte ao coração que está se partindo! Pergunte ao espírito atormentado que foi abandonado por seu amigo! Pergunte à criança pobre que não tem onde reclinar a cabeça! Pergunte à filha da enfermidade, que se debate noite e dia naquela cama desconfortável: &#8220;Vocês conseguem viver sem o Deus de vocês?” E só de pensar nisso já se ouve lamentos e ranger de dentes. Com Deus, a dor se torna prazer, e os leitos de morte se elevam a tronos, mas sem Deus, ah, o que poderíamos fazer? Bem, então, não há um ponto final? O jovem cristão, cheio de frescor e vigor, exultante com a novidade da piedade, não pode viver sem Ele? O Deus dele? Ah, coitadinho, como pode o cordeiro ficar sem o pastor para carregá-lo nos braços? Não pode então o homem maduro, cujas virtudes já foram confirmadas na vida, viver sem o seu Deus? Ele diz que é dia de batalha para Ele, e que os dardos voam tão densos nos negócios hoje em dia, que os fardos da vida são tão pesados </span><span style="font-weight: 400;">​​</span><span style="font-weight: 400;">nesta época, que sem Deus um homem experimentado é como um homem nu em meio a um emaranhado de espinhos e sarças; ele não pode esperar encontrar o caminho. Pergunte àquele homem de barba grisalha com toda a experiência de setenta anos se ao menos ele não alcançou a independência da graça, e ele lhe dirá que, à medida que a fraqueza e a enfermidade do corpo o pressionam, é sua alegria que seu homem interior seja renovado dia após dia, mas tire Deus, que é a fonte dessa renovação, e a velhice seria a mais completa miséria. Ah irmãos, não há um único momento, em qualquer dia que você ou eu tenhamos vivido, em que pudéssemos nos dar ao luxo de dispensar a ajuda de Deus, pois quando nos julgamos fortes, como, infelizmente, fomos tolos o suficiente para fazer, cinco minutos depois, fizemos algo que nos custou rios de lágrimas para desfazer; num momento de descuido, dissemos uma palavra da qual não conseguimos nos lembrar, mas que teríamos nos lembrado se tivéssemos que morder a língua para não a termos dito. Tivemos pensamentos quando Deus nos deixou, pensamentos que atravessaram nossas almas como um raio infernal, abrindo um caminho de fogo em nosso espírito; podemos nos perguntar como é que o pensamento maligno não se tornou um ato terrível, como teria acontecido se Deus, a quem esquecemos, tivesse nos esquecido. Precisamos ter o Senhor sempre diante de nós. Ao acordarmos pela manhã, levemos conosco esta promessa e digamos: ‘Senhor, Tu disseste que estarás sempre conosco; então não nos abandones até que o orvalho da noite caia e voltemos ao nosso leito; não nos abandones nem mesmo quando estivermos lá, para que a tentação não nos seja sussurrada à noite e não acordemos para contaminar nossa mente com impureza. Nunca nos abandone, ó nosso Deus, mas seja sempre nosso auxílio presente!’</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O ano passado foi, talvez, o mais sombrio de nossas vidas. Todos os resumos de jornais de 1866 são como o rolo profético escrito por dentro e por fora com lamentações. O ano passou, e todos estão felizes em pensar que entramos em um novo; contudo, quem sabe se 1867 não será pior? Quem pode dizer? Bem, irmãos, que seja o que Deus quiser que seja. Que seja o que Ele designar; pois temos este consolo, na certeza de que nenhum momento, desde esta noite de sábado até 31 de dezembro de 1867, estaremos sem o terno cuidado do céu; nem por um segundo o Senhor desviará os olhos de nenhum de seus filhos. Eis aqui um bom ânimo para nós! Marcharemos com ousadia por este deserto, pois a coluna de fogo e a cobertura de nuvem jamais nos abandonarão; o maná jamais deixará de cair e a rocha que nos seguiu jamais deixará de jorrar rios de vida. Avante, avante, sigamos em frente, alegremente confiantes em nosso Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A próxima palavra que surge do texto é aquela grande palavra JEOVÁ.</span><span style="font-weight: 400;"> É uma pena que nossos tradutores não nos tenham dado os nomes de Deus como os encontraram no original. A palavra SENHOR em maiúsculas é suficiente, mas aquele nome grandioso e glorioso de “Jeová” deveria ter sido mantido. Neste caso, lemos: “os olhos de Jeová estão continuamente sobre ela”. Aquele que nos observa com amor e cuidado não é outro senão o único e indivisível Deus, de modo que podemos concluir que, se temos os seus olhos para nos ver, temos o seu coração para nos amar, e se temos o seu coração, temos as suas asas para nos cobrir, temos as suas mãos para nos sustentar; temos os braços eternos para nos apoiar, temos todos os atributos da Divindade à nossa disposição. Ó cristão, quando Deus diz que sempre olha para você, ele quer dizer isto: que ele é sempre seu, não há nada que seja necessário para você que ele se recuse a fazer; não há sabedoria alguma acumulada nele que ele não use em seu favor, não há um único atributo de toda essa imensa glória que compõe a Divindade que lhe seja negado em qualquer medida, mas tudo o que Deus é será seu. Ele será o seu Deus para todo o sempre. Ele lhe dará graça e glória, e será o seu guia até a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez a palavra mais doce do texto seja a seguinte: os olhos de Jeová, “TEU DEUS”. Ah, eis um segredo abençoado! Por quê? Porque pertence à nossa aliança, nosso Deus, pois ele nos escolheu para sermos sua porção e, por sua graça, nos fez escolhê-lo para ele ser a nossa porção. Somos dele e ele é nosso.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b><i>“Assim sou do meu amado,</i></b></p>
<p><b><i>e ele é meu.”</i></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Teu Deus”. Bendito seja o Senhor, aprendemos </span><i><span style="font-weight: 400;">a vê-lo não como o Deus de algum outro homem, mas como o nosso Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">. Cristão, você pode reivindicar alguma propriedade em Deus hoje? Sua mão, pela fé, o agarrou? Seu coração, pelo amor, entrelaçou seus braços ao seu redor? Você o sente como a maior posse que possui, que todas as criaturas não passam de um sonho, uma ilusão, mas que Deus é o seu tesouro substancial; o seu tudo em tudo? Oh, então não é um Deus absoluto, cujos olhos estão sobre você, mas o Deus em aliança que contempla você. “Teu Deus.” Que palavra poderosa é esta! Aquele que me observa é o meu Pastor; aquele que cuida de mim é o meu Pai; não apenas o meu Deus em termos de poder, mas o meu Pai em termos de relacionamento; aquele que, embora seja tão grande que o céu dos céus não possa contê-lo, ainda assim se dignou a visitar esta pobre terra revestida de carne mortal para que pudesse se tornar semelhante a nós, e ele agora é o nosso Deus, o Deus do seu povo por meio de um relacionamento íntimo e querido. Nos laços de sangue, Jesus é um com os pecadores, nosso esposo, nossa cabeça, nosso tudo em todos, e nós somos a sua plenitude, a plenitude daquele que preenche tudo em todos. Assim, os olhos de Deus, como o Deus da aliança de Israel, estão sobre o seu povo do início ao fim do ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devo agora deixar o texto falar por si só. Muito mais poderia ser dito, mas é melhor que eu não diga, se você deixar o texto falar por si. Converse com o texto, eu lhe peço, deixe-o caminhar com você até que você possa dizer dele como os discípulos disseram de Cristo: “Não estavam ardendo os nossos corações quando ele nos falava pelo caminho?”</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><strong>II.</strong> <em>Agora, vamos </em><em>virar o texto</em>; isto é, vamos lê-lo de forma incorreta, mas ainda assim corretamente. Suponhamos que o texto fosse assim: “Os olhos do povo do Senhor estão sempre voltados para ele, do princípio ao fim do ano”. Caros amigos, gostamos do texto como está, mas não creio que jamais compreenderemos sua plenitude a menos que o recebamos como o alterei agora, pois só entendemos o olhar de Deus sobre nós quando o vemos. Deus, desconhecido para nós, é o nosso protetor, mas não é um protetor em quem possamos nos apoiar confortavelmente. Devemos discerni-lo com os olhos da fé, ou então a misericórdia, embora dada por Deus, não será desfrutada espiritualmente em nossos corações. Amados, se Deus nos olha, quanto mais nós devemos olhar para ele! Quando Deus nos vê, o que ele vê? Nada — eu diria nada, se ele nos olhasse em nós mesmos, exceto aquilo que não merece ser olhado. Agora, pelo contrário, quando olhamos para ele, o que vemos? Ó que visão! Não me admiro que Moisés tenha dito: “Rogo-te que me mostres tua glória”. Que visão será essa! Não será a própria visão do céu, ver a Deus? Não é prerrogativa peculiar dos puros de coração ver a Deus? E, no entanto, não consigo entender. Alguns de nós temos o direito de ver a Deus há anos, e ocasionalmente o vimos face a face, como um homem fala com seu amigo; pela fé, vimos a Deus. Mas, amados, o que não consigo entender é como o vemos tão pouco. Vocês nunca se veem vivendo o dia inteiro sem Deus? Talvez não completamente, pois vocês não gostariam de ir trabalhar sem uma pequena oração pela manhã; mas vocês não conseguem, às vezes, terminar a oração da manhã sem ver a Deus? Quero dizer, não é apenas a forma de se ajoelhar, dizer boas palavras e se levantar novamente? E durante todo o dia vocês não viveram longe de Deus? Este é um mundo estranho de se viver, pois não há muitas coisas que possam nos fazer felizes, e mesmo assim, de alguma forma, nos esquecemos exatamente das coisas que poderiam nos dar felicidade e mantemos nossos olhos em preocupações frívolas e nos irritantes problemas que nos distraem. Então, será que sequer encerramos a noite  sem provar de Seu amor, sem o beijo de seus lábios que é melhor que o vinho; e nossa oração noturna, pobre gemido que é, mal se pode chamar de oração. Temo que seja possível viver não apenas dias, mas meses neste ritmo de morte, e essa é uma vida horrível, tão horrível que eu preferiria infinitamente estar trancado na masmorra mais mofada em que um homem de Deus já apodreceu e ter a presença do Senhor, a ter que viver no palácio mais nobre em que um pecador já se deleitou sem Deus. Afinal, o que dá sentido à vida é o desfrute da presença de Deus. Não é assim com o mundano: ele pode viver sem Deus, como porcos que se contentam com suas bolotas, deitam-se, dormem e acordam novamente para se alimentar. Mas o cristão não pode viver de migalhas, ele tem um estômago acima delas, e se não tiver o seu Deus, será miserável. Deus ordenou que o homem espiritual seja infeliz sem o amor de Deus em seu coração. Se você e eu quisermos felicidade presente sem Deus, é melhor sermos pecadores declarados e vivermos neste mundo do que tentarmos ser felizes na religião sem comunhão com Jesus. A felicidade presente para um verdadeiro cristão na ausência de Cristo é uma impossibilidade absoluta. Precisamos de Deus, ou seremos os mais miseráveis ​​de todos os homens. Suponha que, neste ano de 1867, estivéssemos, ao menos, cheios do desejo de ter nossos olhos sempre em Deus do começo ao fim do ano, de estarmos sempre conscientes de que Ele nos vê, de estarmos sempre sensíveis à Sua presença; mais do que isso, de estarmos sempre ansiando por obedecer aos Seus mandamentos, sempre querendo ganhar almas para o Seu amado Filho do começo ao fim do ano, que felicidade seria essa! Se pudéssemos permanecer em um espírito de oração ou gratidão, devotos e consagrados, amorosos e ternos, seria uma grande conquista. Irmãos, cremos em um Deus grandioso, capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos; por que não esperar grandes coisas dEle? Penso nessa bênção e ouso pedi-la; certamente, então, Ele é capaz de concedê-la. Não nos deixemos abater pela incredulidade; peçamos que assim como os olhos de Deus estão sobre nós, os nossos estejam nEle. Que encontro de olhares abençoado quando o Senhor nos olha diretamente nos olhos, e nós o olhamos através do Mediador Cristo Jesus, e o Senhor declara: “Eu te amo”, e nós respondemos: “Nós também te amamos, ó nosso Deus!” Ó, que possamos estar em harmonia com o Senhor nosso Deus e nos sentirmos atraídos para o alto e unidos a Ele! Que o Senhor seja o Sol, e nós as gotas de orvalho que brilham em seus raios e são exaltadas e elevadas pelo calor do seu amor! Que Deus olhe lá do céu, que olhemos para o céu, e que ambos sejamos felizes na presença um do outro, deleitando-nos e regozijando-nos no afeto mútuo! Isto é o que significa comunhão. Levei muito tempo para chegar a essa única palavra, mas é isso que significa:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b><i>“Que eu possa provar em comunhão diária contigo, </i></b></p>
<p><b><i>bendito objeto do meu amor.” </i></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse era o desejo de Toplady</span><span style="font-weight: 400;">, mas receio que, se eu fosse expressar minha própria experiência, teria que concluir com os outros dois últimos versos onde Toplady diz: </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b><i>“Mas, oh, para isso não tenho forças, </i></b></p>
<p><b><i>minha força está em repousar aos teus pés.”</i></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>III.</b><em><span style="font-weight: 400;"> Em terceiro lugar, </span><span style="font-weight: 400;">vamos apagar completamente partes do texto</span></em><span style="font-weight: 400;">. Não que possamos apagá-lo ou que o faríamos se pudéssemos, mas devemos supor que ele esteja apagado. Vamos imaginar que você e eu temos que viver o ano inteiro sem os olhos de Deus sobre nós, sem encontrar um momento sequer, do início ao fim do ano, em que percebamos o Senhor cuidando de nós ou esperando para nos conceder Sua graça. Imagine que não há ninguém a quem possamos recorrer além de nossos próprios semelhantes em busca de ajuda. Ó, miserável suposição! Chegamos ao início do ano e temos que atravessá-lo de alguma forma, tropeçando em janeiro, atravessar o inverno aos trancos e barrancos, gemer na primavera, suar no verão, desfalecer no outono e rastejar até mais um Natal, sem Deus para nos ajudar; sem oração quando Deus se foi, sem promessa quando Deus não existe mais. Não poderia haver promessa, nenhum socorro espiritual, nenhum consolo, nenhuma ajuda para nós se não houvesse Deus. Suponho que este seja o caso de qualquer um de nós aqui. Mas ouço vocês exclamarem: “Não imagine tal coisa, pois eu seria como uma criança órfã sem pai, estaria desamparado, uma árvore sem água nas raízes”. Mas suponho que isso se aplique a vocês, pecadores. Vocês sabem que têm vivido por vinte, trinta ou quarenta anos sem Deus, sem oração, sem confiança, sem esperança; contudo, não me surpreenderia se eu lhes dissesse solenemente que Deus não permitiria que vocês orassem durante o próximo ano, e que não os ajudaria se orassem, vocês ficariam profundamente surpresos. Embora eu acredite que o Senhor os ouvirá do início ao fim do ano, embora eu acredite que Ele velará por vocês e os abençoará se o buscarem, temo que a maioria de vocês esteja desprezando o Seu cuidado, vivendo sem comunhão com Ele; e assim vocês estão sem Deus, sem Cristo, sem esperança, e assim permanecerão do início ao fim do ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conta-se a história de um pastor muito excêntrico que, ao sair de casa certa manhã, viu um homem indo para o trabalho e lhe disse: “Que manhã linda! Como devemos ser gratos a Deus por todas as suas misericórdias!” O homem respondeu que não sabia muito sobre isso. “Ora”, disse o pastor, “imagino que o senhor sempre ore a Deus por sua esposa e família, não é?” “Não”, respondeu ele, “não sei se devo orar.” “Como assim?”, insistiu o pastor, “o senhor nunca ora?” “Não.” “Então lhe darei meia coroa</span><span style="font-weight: 400;">, se me prometer que nunca orará enquanto viver.” “Ah”, disse ele, “ficarei muito contente com meia coroa para comprar uma cerveja.” Ele pegou a meia coroa e prometeu nunca mais orar enquanto vivesse. Foi trabalhar e, depois de cavar um pouco, pensou: “Que coisa estranha eu fiz esta manhã — uma coisa muito esquisita, peguei dinheiro e prometi nunca mais orar enquanto viver.” Refletiu sobre isso e sentiu-se miserável. Voltou para casa e contou à esposa. “Bem, John”, disse ela, “pode </span><span style="font-weight: 400;">​​</span><span style="font-weight: 400;">ter certeza de que foi o diabo, você se vendeu ao diabo por meia coroa.” Isso deixou o pobre coitado tão abatido que ele não sabia o que fazer consigo mesmo. Só conseguia pensar nisso: que havia se vendido ao diabo por dinheiro e que logo seria levado para o inferno. Começou a frequentar locais de culto, consciente de que era inútil, pois havia se vendido ao diabo, mas estava realmente doente, fisicamente doente, por causa do medo e do tremor que o acometia. Certa noite, ele reconheceu no pregador o mesmo homem que lhe dera a meia coroa, e provavelmente o pregador o reconheceu, pois o texto era: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">. O pregador comentou que conhecia um homem que vendera a alma por meia coroa. O pobre homem correu à frente e disse: “Devolva! Devolva!” “Você disse que nunca mais oraria”, disse o pastor, “se eu lhe desse meia coroa; você quer orar?” “Ó, sim, eu daria o mundo para poder orar.” Aquele homem foi um grande tolo por vender a alma por meia coroa, mas alguns de vocês são tolos muito maiores, pois nunca tiveram a meia coroa e, no entanto, não oram, e ouso dizer que nunca orarão, mas irão para o inferno sem nunca terem buscado a Deus. Talvez, se eu pudesse negar este texto e dizer a você: “Os olhos de Deus não estarão sobre você do início ao fim deste ano, e Deus não o ouvirá nem o abençoará”, isso poderia alarmá-lo e despertá-lo. Mas, embora eu sugira esse pensamento, prefiro que você diga: “Ó, que tal maldição não recaia sobre mim, pois posso morrer este ano, posso morrer hoje. Ó Deus, ouve-me agora!” Ah, caro ouvinte, se tal desejo estiver em seu coração, o Senhor o ouvirá e o abençoará com a Sua salvação.</span></p>
<p><strong>IV.</strong> Vamos concluir com o uso do texto. A maneira de usá-lo é a seguinte: se os olhos do Senhor estiverem sobre nós, Seu povo, do início ao fim do ano, o que faremos? <i>Ora, sejamos o mais felizes possível durante este ano</i>. Vocês terão suas provações e dificuldades pela frente: não esperem estar livres delas. O diabo não está morto, e faíscas ainda voam para o alto. Nisto reside a sua alegria: o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo jamais os deixará nem os abandonará. Ergam seus estandartes agora e marchem com ousadia! Em nome do Senhor, ergam seus estandartes e comecem a cantar. Deixem de lado as preocupações, Deus cuida de nós; os pardais são alimentados, e os Seus filhos não serão? Os lírios florescem, e não serão vestidos os santos? Entreguemos todos os nossos fardos àquele que os carrega. Vocês terão o suficiente com que se preocupar se cuidarem da causa dele como deveriam. Não desperdicem sua capacidade de cuidar de Deus cuidando de si mesmos. Que o seu lema neste ano seja: “<i>Busquem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas</i>”. Preocupando-se, vocês não podem aumentar um côvado de estatura, nem tornar um fio de cabelo branco ou preto; portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã cuidará de si mesmo. Apoiem-se em Deus e lembrem-se da sua promessa: a sua força será como for o seu dia. “Eu os quero”, diz o apóstolo, “eu os quero sem preocupações”. Ele não quer dizer que eu os quero sem economia, sem prudência e sem discrição, mas sim que eu os quero sem inquietação, sem desconfiança, sem se preocuparem consigo mesmos, porque os olhos do Senhor estarão sobre vocês.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, queridos amigos, gostaria que </span><i><span style="font-weight: 400;">usassem o texto para buscar bênçãos maiores e misericórdias mais abundantes do que jamais experimentaram</span></i><span style="font-weight: 400;">. Bendito seja Deus por Sua misericórdia para com esta igreja; Suas demonstrações de bondade têm sido muitas; Seus favores, novos a cada manhã e renovados a cada noite; mas queremos mais. Não nos contentemos com uma bênção de fevereiro, embora esse seja geralmente o mês em que recebemos nosso revigoramento; busquemos receber uma bênção hoje. Espero que vocês a recebam esta tarde na Escola Dominical, onde trabalham, e espero que a obtenham nas classes mais avançadas, do início ao fim do ano. Que não haja apatia, letargia ou indiferença nas classes esta tarde. Espero que o irmão que discursará na escola fale com fervor e sinceridade; não deve haver frieza ali. E espero que vocês, que estão pregando nas ruas, se possível com este tempo, ou indo de casa em casa com folhetos, ou fazendo qualquer outra coisa, sejam abençoados neste primeiro domingo do ano. Mas será que esfriaremos no próximo domingo? De modo algum. É do começo ao fim do ano. Será que devemos nos esforçar para gerar um pouco de entusiasmo e ter um avivamento por cinco ou seis semanas? Não, bendito seja Deus, devemos tê-lo do começo ao fim do ano. Enquanto tivermos uma fonte que nunca seca, por que o cântaro deveria ficar vazio? Certamente a gratidão pode nos fornecer combustível suficiente nas florestas da memória para manter a chama do amor sempre acesa. Por que deveríamos nos cansar quando o prêmio glorioso é digno de nossos esforços constantes, quando a grande multidão de testemunhas nos observa atentamente</span><span style="font-weight: 400;">? Que o nosso Senhor, pelo Seu Espírito, nos conduza a um alto nível de oração, e então continuemos em oração do começo ao fim do ano. Que Deus nos conduza a um alto grau de generosidade, e que possamos sempre dar do início ao fim do ano, a cada semana, da primeira à última, sempre acumulando conforme Deus nos prosperar para a Sua causa. Que possamos ser sempre ativos, sempre diligentes, sempre esperançosos, sempre espirituais, sempre celestiais, e sempre elevados e assentados juntos nos lugares celestiais em Cristo Jesus</span><span style="font-weight: 400;">. Que o nosso Deus misericordioso nos conduza do início ao fim do ano, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.</span></p>
<p><b>PASSAGEM BÍBLICA LIDA ANTES DO SERMÃO &#8211; SALMO 91</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.</b></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><b>FONTE</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Traduzido de </span><a href="https://www.spurgeongems.org/sermon/chs728.pdf"><span style="font-weight: 400;">https://www.spurgeongems.org/sermon/chs728.pdf</span></a><span style="font-weight: 400;">  </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Título original: </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Cheer for the New Year</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sermão nº 728—Volume 13 do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Metropolitan Tabernacle Pulpit</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tradução: Marcos David Muhlpointner</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Revisão e diagramação: Armando Marcos</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagem da Capa: Nebulosa de Hélix, também conhecida como Nebulosa da Hélice, A Hélix ou NGC 7293 é uma nebulosa planetária localizada na constelação de Aquarius, apelidada de &#8220;Olho de Deus&#8221; devido ao seu formato visto da Terra  </span></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nebulosa_de_H%C3%A9lix"><span style="font-weight: 400;">https://pt.wikipedia.org/wiki/Nebulosa_de_H%C3%A9lix</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><b>APOIE nossos Projetos contribuindo com qualquer valor no nosso PIX email : </b><a href="mailto:projetospurgeon@gmail.com"><b>projetospurgeon@gmail.com</b></a></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Estrela e os Magos Sábios – Sermão N° 1689</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2025/12/a-estrela-e-os-magos-sabios-sermao-n-1689/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2025 02:09:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sermão]]></category>
		<category><![CDATA[Sermões de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Sermão de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Sermão de Spurgeon]]></category>
		<category><![CDATA[Sermão de Spurgeon sobre Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Sermão para ler no Natal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.projetospurgeon.com.br/?p=8952</guid>

					<description><![CDATA[Pregado na manhã de Domingo, 24 de Dezembro de 1882, por C.H.SPURGEON no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres COMPRE NA AMAZON AQUI  (Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto) &#160; &#160; Depois de Jesus ter nascido em Belém da Judeia, no tempo &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2025/12/a-estrela-e-os-magos-sabios-sermao-n-1689/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/12/capa-sermao-spurgeon.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-8953" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/12/capa-sermao-spurgeon.jpg" alt="" width="392" height="592" /></a>Pregado na manhã de Domingo,</p>
<p>24 de Dezembro de 1882, por</p>
<p><em>C.H.SPURGEON</em></p>
<p>no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres</p>
<p><strong><a href="https://amzn.to/3DLtQEQ">COMPRE NA AMAZON AQUI</a>  </strong><strong>(Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Depois de Jesus ter nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, vieram alguns magos do oriente a Jerusalém, perguntando: Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Vimos sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. Depois de ouvirem o rei, partiram; e a estrela que tinham visto no oriente foi adiante deles, até que parou sobre o lugar onde o menino estava. Ao verem a estrela, os magos ficaram extremamente alegres.</em> (Mt 2. 12; 9-10) </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Vejam queridos amigos, a glória do nosso Senhor Jesus Cristo mesmo em estado de humilhação. Ele nasceu de pais humildes e foi colocado em uma manjedoura envolto em simples faixas, mas os principados e potestades celestiais estão em festa! Primeiro é um anjo que desce e proclama o advento do Rei recém-nascido e, de repente, uma hoste celestial surge cantando glória a Deus. E nem eram apenas os seres espirituais de cima que estavam felizes, pois abaixo desse céu estava uma terra em alvoroço. Uma estrela é escolhida representando todas as outras, como um ente enviado com plenos poderes para representar todos os astros diante de seu Rei. Essa estrela é designada e para acima do seu Senhor e é colocada como seu arauto para os homens, ela é como um porteiro a conduzilos ante a Sua presença, uma espécie de guarda-costas a proteger o Seu berço. Pastores vieram prestar-Lhe as homenagens de pessoas simples, com todo amor e alegria, curvaram-se diante daquela criança misteriosa. Depois disso, de longe, aparecem as mentes mais brilhantes daquela geração. Fazendo uma viagem longa e difícil, finalmente chegam os representantes dos gentios. Os reis Seba e Sabá oferecem presentes: ouro, incenso e mirra<a href="#_ftn1" name="_ftnref1"><sup>[1]</sup></a>. Homens sábios, líderes de seus povos, curvam-se diante dEle e reverenciam o Filho de Deus. Onde quer que estivesse, Cristo é honrado. “<em>Para vós, os que credes, ela é preciosa</em>” (1 Pd 2.7). No dia das pequenas coisas, quando a Causa de Deus é privada de atenção e escondida em meio a coisas desprezadas, ela ainda é gloriosa. Cristo, embora criança, ainda é Rei dos reis; embora entre os bois, ele ainda é destacado por uma estrela.</p>
<p>Amados amigos, se os sábios de antigamente vieram e adoraram a Jesus, não deveríamos nós fazer o mesmo? Meu forte desejo nesta manhã é esse: que todos nós tributemos louvor àquele sobre quem cantamos: “<em>Um menino nos nasceu, um filho se nos deu</em>”<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"><sup>[2]</sup></a>. Que aqueles entre nós que estão habituados a adorar possam, hoje, ter uma adoração ainda mais reverente e humilde e com um amor ainda mais intenso. E Deus conceda – oh, que Ele conceda isso</p>
<p>– que aqueles que estão longe espiritualmente, assim como os magos o estavam localmente, possam vir hoje e perguntar: “<em>Onde está aquele que nasceu Rei dos judeus? Pois nós viemos adorá-lO.</em>” Que os pés acostumados às estradas largas, mas não às estreitas, trilhem hoje esse caminho até encontrarem Jesus e se prostrem diante dEle de todo o coração, encontrando nEle a salvação. Esses sábios homens vieram naturalmente, atravessando o deserto, então venhamos nós, espiritualmente, abandonando os nossos pecados. Eles foram guiados pela observação de uma estrela, então que sejamos guiados pelo Espírito divino, pelo ensino de Sua Palavra e todas aquelas luzes que o Senhor dispõe para conduzir os homens a Si mesmo. Apenas nos cheguemos a Ele. Foi bom para eles ver aquele menino Jesus, iluminado pelos fachos de luz de uma estrela, mas você O verá ainda mais glorioso, pois agora, Ele está exaltado acima dos céus, com Sua própria luz revelando a Sua perfeita glória. Não se atrase, pois é Ele mesmo quem diz: “<em>Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.</em>” (Mt 11.28).</p>
<p>Nesta manhã, vamos tentar fazer três coisas: primeiro, <em>vamos nos reunir em volta dessa estrela</em>. Que o Espírito do Senhor nos capacite a fazê-lo. Em segundo lugar, <em>vamos absorver a sabedoria desses sábios</em> e, em terceiro lugar, <em>vamos agir como pessoas sábias, ajudados por nossa própria estrela</em>.</p>
<p><strong>I.</strong> Primeiro, então, VAMOS NOS REUNIR EM VOLTA DESSA ESTRELA. Que o Espírito do Senhor nos capacite a fazê-lo.</p>
<p>Suponho que cada um tenha sua própria opinião sobre o que essa estrela era. Parece ter sido totalmente sobrenatural e uma estrela ou um cometa comuns. Não era uma constelação nem um alinhamento de planetas, pois não há nada nas Escrituras que suporte essa ideia. Certamente, não se tratou de uma estrela no sentido atual que falamos hoje em dia, pois sabemos que ela se moveu diante dos sábios, desapareceu de repente, e novamente brilhou se movendo diante deles. Não era uma estrela nas esferas superiores do céu, pois tais movimentos não seriam possíveis. Alguns supuseram que os sábios foram na direção em que a estrela brilhava nos céus e seguiram as mudanças de sua posição; mas, nesse caso, não se poderia dizer que ela estava sobre o lugar onde a criança estava. Se a estrela estivesse em seu zênite<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><sup>[3]</sup></a> sobre Belém, ela também estaria em seu zênite sobre Jerusalém; pois a distância é tão pequena que não teria sido possível observar qualquer diferença na posição da estrela entre esses dois lugares. Deve ter sido uma estrela que ocupava uma esfera completamente diferente daquela em que os planetas orbitam. Acreditamos que tenha sido uma aparição luminosa no ar, provavelmente semelhante àquela que guiou os filhos de Israel pelo deserto, que era uma nuvem durante o dia e uma coluna de fogo à noite. Não podemos dizer se foi vista durante o dia ou não. Crisóstomo<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup>[4]</sup></a> e os primeiros pais da Igreja são surpreendentemente positivos sobre muitas coisas que as Escrituras deixam em dúvida, mas como esses eminentes teólogos recorreram à imaginação para suas conclusões, não estamos obrigados a segui-los.<span id="more-8952"></span></p>
<p>Eles afirmam que essa estrela era tão brilhante que podia ser vista o dia todo.<sup>5</sup> Se fosse assim, podemos imaginar os sábios viajando dia e noite; mas se só pudesse ser vista à noite, a cena diante de nós se torna muito mais singular e estranha, à medida que vemos esses orientais tranquilamente seguindo seu caminho iluminado pelas estrelas, descansando forçosamente quando o Sol brilhava mais, mas apressando-se silenciosamente à noite por terras adormecidas. Essas questões não são de grande importância para nós, e, portanto, não vamos nos alongar sobre elas.</p>
<p>Aqui já temos nossa primeira lição: se algum dia os homens falharem em pregar o evangelho, Deus pode conduzir as almas ao Seu Filho por meio de uma estrela. Ah! Não diga apenas por uma estrela, mas por uma pedra, um pássaro, uma folha de grama, uma gota de orvalho.</p>
<p><strong><em>“Lembre-se de que a Onipotência </em></strong></p>
<p><strong><em>Tem servos em toda parte.”<sup>6</sup> </em></strong></p>
<p>Portanto, não se desanime quando ouvir que um ministro deixou de pregar o evangelho, ou que outro está lutando contra a verdade vital de Deus. A apostasia dele será para sua própria perda, e não para o mal de Jesus e Sua igreja; e, por mais triste que seja ver</p>
<p>as lâmpadas do santuário apagadas, ainda assim Deus não depende das luzes humanas, Ele é a luz Shekhiná<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><sup>[5]</sup></a> de Seu próprio lugar santo. As línguas mortais, se se recusarem a pregar Sua palavra, terão seus lugares substituídos por livros nos riachos correntes e sermões nas pedras. O facho de luz clamará da parede, e a madeira lhe responderá. Quando os principais sacerdotes e escribas tiverem saído de ação, o Senhor colocará as estrelas em ação, e mais uma vez, de fato, os céus estarão proclamando a glória de Deus, e o firmamento estará mostrando Suas obras<sup>8</sup>. Antes que os pregadores faltem para o Deus encarnado, montanhas e colinas aprenderão a eloquência e romperão em testemunho. A mensagem de Jeová será anunciada até os confins da terra. Deus salvará os Seus eleitos. Ele fará Cristo ver o trabalho da Sua alma e Se alegrará com isso. Seu conselho permanecerá, e Ele fará toda a Sua vontade<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><sup>[6]</sup></a>. Aleluia!</p>
<p>Ora, quando o Senhor usa uma estrela como Seu ministro, qual é a ordem do seu ministério? Podemos aprender com essa reflexão que tipo de ministério Deus quer que tenhamos, se somos estrelas em Sua destra. Nós também brilhamos como luzes no mundo. Vejamos como fazê-lo.</p>
<p>Notemos, em primeiro lugar, que <em>a pregação da estrela é toda sobre Cristo</em>. Não sabemos qual era a cor da estrela, nem sua forma, nem qual era a sua grandeza; esses detalhes não foram registrados, mas o que foi registrado é de muito mais importância: os magos disseram: <em>“vimos sua estrela</em>”. Portanto, a estrela que o Senhor usará para conduzir os homens a Jesus deve ser a própria estrela de Cristo. O ministro fiel, como essa estrela, pertence a Cristo; ele é um homem de Cristo no sentido mais enfático. Antes de podermos esperar ser uma bênção, queridos amigos, nós mesmos devemos ser abençoados pelo Senhor. Se quisermos que outros pertençam a Jesus, devemos pertencer inteiramente a Jesus primeiro. Cada raio daquela estrela brilhava na direção de Jesus. Era a estrela dEle, sempre dEle, e somente dEle, e por completo dEle. Ela não brilhava para si mesma, mas apenas como a estrela dEle: como tal, era conhecida e mencionada: “Vimos sua estrela”. Como já disse, não há registro de nenhuma peculiaridade que ela possuísse, exceto esta: era a estrela do Rei. Desejo que você e eu, quaisquer que sejam nossas excentricidades ou personalidades, jamais as enfatizemos a ponto de atrair a atenção das pessoas para nós. Que as pessoas nunca se detenham em nossas conquistas ou em nossas deficiências, mas que sempre observem isto: que somos homens de Deus, que somos embaixadores de Cristo, que somos servos de Cristo e que não buscamos brilhar por nós mesmos ou nos tornar notáveis, mas que trabalhamos para brilhar para Ele, para que Seu caminho seja conhecido na terra e Sua salvação entre todos os povos.</p>
<p>Irmãos, é bom nos esquecermos de nós mesmos em nossa mensagem e mergulharmos em nosso Mestre. Conhecemos os nomes de várias estrelas, mas todas elas podem invejar aquela estrela que permanece anônima, mas que jamais será esquecida porque os homens que buscavam o Rei de Israel a conheciam como “<em>Sua estrela</em>”. Embora você seja apenas uma pequena estrela, brilhando para Jesus, e por mais fraca que seja a sua luz, que fique claro que você é a estrela dEle, de modo que, se as pessoas se perguntarem quem você é, jamais se perguntarão a quem você pertence, pois bem à sua frente estará escrito: “<em>De quem sou e a quem sirvo”</em>. Deus não conduzirá os homens a Cristo por nosso intermédio a menos que sejamos de Cristo de todo o nosso coração, completamente e sem reservas. Em seu templo, nosso Senhor não usa vasos emprestados; cada taça diante do altar deve ser a Sua própria. Não é compatível com a glória de Deus que Ele use vasos emprestados. Ele não é tão pobre a ponto de Se tornar assim. Esta lição merece toda nossa aceitação. Você está com pressa para pregar, jovem? Tem certeza de que pertence a Cristo? Acha que deve ser maravilhoso ter uma plateia ouvindo suas palavras? Já considerou a questão sob outra perspectiva? Já ponderou a responsabilidade de ter que falar como Cristo quer que você fale e de se entregar completamente à vontade de Deus? Você precisa ser consagrado e concentrado se quiser ser usado pelo Senhor. Se você tem um ou dez mil raios de luz, todos devem brilhar com o único propósito de guiar os homens a Jesus. Você não tem agora nada a ver com qualquer objeto, assunto, desígnio ou empreendimento, senão somente com Jesus: nEle, para Ele e a Ele você deve viver daqui em diante, ou jamais será escolhido pelo Senhor para conduzir sábios ou crianças a Jesus. Cuide bem para que a perfeita consagração seja sua.</p>
<p>Note-se a seguir que <em>a verdadeira pregação dessa estrela leva a Cristo. </em>A estrela era a estrela de Cristo, mas também levou outros a Cristo. Fez isso principalmente porque se movia nessa direção. É algo triste quando um pregador é como uma placa de sinalização apontando o caminho, mas nunca o segue por conta própria. Assim eram os principais sacerdotes em Jerusalém: podiam dizer onde Cristo havia nascido, mas não foram adorá-lO; eram totalmente indiferentes a Ele e ao Seu nascimento. A estrela que leva a Cristo deve sempre estar indo para Cristo. Os homens são muito mais atraídos pelo exemplo do que pela exortação. A piedade pessoal, por si só, pode ser reconhecida por Deus na produção de piedade nos outros. “Vão”, dizem vocês, mas eles não vão. Diz “venham”, e mostre o caminho: então eles virão. Não é assim que as ovelhas seguem o pastor? Quem quer que conduza outros a Cristo deve ir à frente deles, com o rosto voltado para o Mestre, os olhos voltados para o Mestre, os passos voltados para o Mestre, o coração voltado para o Mestre. Devemos viver de tal forma que possamos, sem nos vangloriar, exortar os que estão ao nosso redor a nos terem como exemplo. Oh, que todos os que se consideram estrelas se movam diligentemente em direção ao Senhor Jesus!</p>
<p>A estrela no Oriente levou os sábios a Cristo porque ela mesma foi nessa direção. e há aqui uma sabedoria no exemplo que os verdadeiros sábios são rápidos em perceber. Essa estrela teve tal influência sobre aqueles homens escolhidos, que eles não puderam deixar de segui-la, e ela os encantou através do deserto. Tal encanto pode residir em você e em mim e podemos exercer um ministério poderoso sobre muitos corações, sendo para eles como imãs, atraindo-os para o Senhor Jesus. Que privilégio abençoado! Não queremos apenas mostrar o caminho, mas induzir nossos próximos a entrar nele. Lemos de um antigo, não que disseram a ele sobre Jesus, mas que “o trouxeram a Jesus”. Não devemos apenas contar a história da cruz, mas persuadir os homens a correrem para o Crucificado em busca de salvação. Não disse o rei na parábola a seus servos: <em>“força-os a entrar?”</em> (Lucas 14.23)? Certamente Ele reveste Seus próprios mensageiros com tal poder persuasivo que os homens não podem resistir mais, porém, devem seguir sua liderança e se prostrar aos pés do Rei. A estrela não atraía <em>“como com uma corda de carroça”<a href="#_ftn7" name="_ftnref7"><sup><strong>[7]</strong></sup></a></em>, nem por qualquer força material e física; ainda assim, ela atraiu esses sábios do distante Oriente diretamente para o estábulo onde o recém-nascido estava. E assim, embora não tenhamos o braço da lei para nos ajudar, nem patrocínio, nem a pompa da eloquência, nem o desfile do saber, ainda assim temos um poder espiritual pelo qual atraímos para Jesus milhares que são nossa alegria e coroa. O homem enviado por Deus sai da presença divina permeado por um poder que faz os homens se voltarem para o Salvador e viverem. Oh, que tal poder possa sair de todos os ministros de Deus, sim, de todos os servos de Deus envolvidos na pregação nas ruas, nas escolas dominicais, na distribuição de folhetos e em toda forma de serviço santo.</p>
<p>Deus usa aqueles cujo objetivo é atrair os homens para Cristo. Ele coloca Seu Espírito neles, Espírito esse, pelo qual são ajudados a apresentar o Senhor Jesus como tão belo e desejável que os homens correm até Ele e aceitam Sua gloriosa salvação. É uma coisa pequena brilhar, mas é uma grande coisa atrair. Qualquer rejeitado pode ser brilhante, mas somente o verdadeiro santo será atraente para Jesus. Eu não pediria para ser um orador, mas oro para ser um ganhador de almas. Não visem, amados irmãos, nada menos do que levar os homens a Jesus. Não se contentem em levá-los à doutrina ortodoxa, ou meramente trazê-los a uma crença nas visões que vocês consideram ser bíblicas, por mais valiosas que possam ser. É à pessoa do Deus encarnado que devemos trazê-los; a Seus pés devemos conduzi-los para que O adorem: nossa missão não estará cumprida e será um fracasso total, a menos que conduzamos nossos ouvintes à casa onde Jesus habita, e então fique ao lado deles, vigiando suas almas por amor a Jesus.</p>
<p>Uma vez mais, a estrela que Deus usou neste caso foi <em>uma estrela que parou em Jesus</em>; ela foi à frente dos magos até levá-los a Jesus, e então parou sobre o lugar onde estava a criança. Admiro a</p>
<p>maneira como essa estrela se comportou. Existem estrelas notáveis no céu teológico atualmente: elas conduziram homens a Jesus, dizem, e agora os conduzem a regiões além, de um pensamento ainda em desenvolvimento. O evangelho dos puritanos é “antiquado”; esses homens descobriram que ele é inadequado para os intelectos expandidos da época; e assim, essas estrelas nos guiariam ainda mais longe. A essa ordem de estrelas errantes eu não pertenço, e espero nunca pertencer. Não tenho desejo de progredir além do evangelho. “<em>Mas longe de mim orgulhar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo</em>.” (Galatás 6.14). Quando a estrela chegou ao lugar onde estava a criança, ela parou e assim a mente graciosa deve se firmar, se fixar e se tornar inabalável. Os sábios sabiam onde encontrar aquela estrela e onde encontrar a criança perto dela, assim seja conosco. Ah vocês que até agora foram diligentes em conduzir almas a Cristo, jamais se permitam, nem por um instante, a ideia de que necessitam de uma filosofia mais ampla ou de uma espiritualidade mais profunda do que as que se encontram em Jesus. Permanecei nele. Clame: “Ó Deus, meu coração está firme. Meu coração está firme.” Não há nada além de Cristo que mereça um momento de reflexão. Não perca seu paraíso em Cristo por mais uma prova daquela árvore do conhecimento do bem e do mal que arruinou nossos primeiros pais. Mantenham-se firmes nos princípios fundamentais, o único tema de vocês, Cristo; o seu único objetivo: levar os homens a Cristo; a única glória: a glória de Cristo. Permanecendo com seu Senhor, e somente nEle, deste dia até o último dia, tomem de uma vida feliz, honrada e santa.</p>
<p>Disseram da Grécia, após sua queda, que ela se tornara tão arruinada que se poderia procurar a Grécia na Grécia e não a encontrariam. Temo ter que dizer que alguns pregadores do evangelho que se afastaram tanto dele que não se encontra o evangelho em seu evangelho, nem o próprio Cristo no Cristo que pregam. Alguns divergiram tanto da grande e essencial verdade salvadora da alma, além da qual ninguém deveria ousar pensar em ir, que nada retêm do cristianismo além do nome. Tudo o que está além da verdade é mentira, e qualquer coisa além da revelação é, na melhor das hipóteses, um assunto menor, e muito provavelmente uma “lenda urbana”, mesmo que quem a inventou seja bem intencionado<a href="#_ftn8" name="_ftnref8"><sup>[8]</sup></a>. Mantenham-se fiéis às suas crenças, vocês que esperam ser usados pelo Senhor. Permaneçam assim para que, daqui a vinte anos, os homens os encontrem brilhando por Jesus e apontando para o lugar onde o Salvador pode ser encontrado, assim como vocês estão fazendo agora. Que Jesus Cristo seja o seu ultimato. Seu trabalho estará concluído quando vocês levarem almas a Jesus e ajudarem a mantê-las lá, sendo vocês mesmos “<em>firmes e inabaláveis</em>”<sup>12</sup>. Não se deixem levar da esperança da sua vocação; mas apeguem-se firmemente até mesmo à forma das palavras sãs, pois pode ser que, ao abandonar a forma, vocês percam também a essência.</p>
<p><strong>II.</strong> Agora que nos alegramos um pouco com a luz da estrela, vejamos se conseguimos ABSORVER A SABEDORIA DOS SÁBIOS. Talvez você já tenha ouvido falar muito sobre quem eles eram, de onde vieram e como viajaram. Na Igreja Ortodoxa Grega, creio eu, sabe-se quantos eram, seus nomes, as características de sua comitiva e que tipo de ornamentos adornavam o pescoço de seus dromedários. Detalhes que não se encontram na Palavra de Deus, e você pode acreditar ou não, a seu bel-prazer, e será sábio se o seu prazer for não acreditar demais. Sabemos apenas que eram magos, sábios do Oriente, possivelmente da antiga religião parsi — observadores, senão adoradores, das estrelas<a href="#_ftn9" name="_ftnref9"><sup>[9]</sup></a>. Não vamos especular sobre eles, mas aprender com eles.</p>
<p>Eles não se contentaram em admirar a estrela e compará-la com outras, anotando a data exata de seu aparecimento, quantas vezes ela cintilou, quando se moveu e tudo mais; mas <em>aplicaram na prática os ensinamentos da estrela</em>. Muitos são ouvintes e admiradores dos servos de Deus, mas não são sábios o suficiente para fazer uso adequado e apropriado da pregação. Notam a peculiaridade da linguagem do pregador, o quanto ele se assemelha a um teólogo, o quanto se diferencia de outro; se tosse com muita frequência ou fala com a voz muito rouca; se fala muito alto ou muito baixo; se não tem um tom provinciano, se não há nele uma linguagem coloquial que beira a vulgaridade; ou, por outro lado, se não usa uma dicção rebuscada demais. Tais tolices são as observações constantes de homens por cujas almas trabalhamos. Estão perecendo e, ainda assim, se preocupam com coisas tão insignificantes. Para muitos, é só para isso que vão à casa de Deus: para tecer críticas de maneira mesquinha. Cheguei a vê-los alcançar a este lugar com binóculos, como se viessem aqui para observar um ator que vivia para entreter seus momentos de lazer. Tal é a diversão dos tolos, porém, estes que estamos observando eram homens sábios e, portanto, homens práticos. Eles não se tornaram contempladores das estrelas, parando apenas em admirar a estrela notável; mas disseram: “<em>Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Pois vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo</em>”. Partiram imediatamente em busca do Rei recém-nascido, cuja vinda era anunciada pela estrela. Oh, meus queridos ouvintes, como eu gostaria que todos vocês fossem sábios dessa mesma maneira! Eu preferiria pregar o sermão mais enfadonho já pregado do que o mais brilhante já proferido, se pudesse com esse humilde sermão levá-los a buscar o Senhor Jesus Cristo. Isso é a única coisa que me importa. Vocês nunca me darão a satisfação de perguntar sobre o meu Senhor e Mestre? Anseio por ouvir vocês dizerem: “Do que esse homem está falando? Ele fala de um Salvador, e nós teremos esse Salvador para nós mesmos. Ele fala sobre o perdão através do sangue de Cristo; ele fala sobre Deus vindo ao mundo para salvá-los; descobriremos se há alguma realidade nesse perdão, alguma verdade nessa salvação. Buscaremos a Jesus e encontraremos por nós mesmos as bênçãos que dizem estar reservadas nele.” Se eu ouvisse todos vocês dizendo isso, eu estaria pronto para morrer de alegria.</p>
<p>Não seria este um bom dia para partir em busca do seu Salvador? Alguns de vocês que têm adiado essa decisão por muito tempo, não seria bom partir imediatamente, antes que este ano que se encerra chegue ao fim? Parece que esses homens sábios partiram assim que descobriram a estrela, eles não estavam entre aqueles que perdem tempo com atrasos desnecessários. “Ali está a estrela”, disseram eles; “vamos, guiados por ela. Não nos contentamos com uma estrela, vamos encontrar o Rei a quem ela pertence!” E assim partiram para encontrar Cristo imediatamente e com determinação.</p>
<p>Sendo homens sábios, <em>perseveraram em sua busca por Ele</em>. Não sabemos até onde viajaram. Viajar era extremamente difícil naquela época. Havia tribos hostis a evitar, os caudalosos rios Tigre e Eufrates a atravessar e desertos inóspitos a percorrer; mas eles não se deixaram abalar pelas dificuldades ou perigos. Partiram para Jerusalém, e em Jerusalém chegaram buscando o Rei dos judeus. Se é verdade que Deus assumiu a nossa natureza, devemos resolver encontrá-lO, custe o que custar. Se tivermos que circundar o globo para encontrar um Salvador, a distância e o custo não deveriam importar, contanto que possamos alcançá-lO. Esteja Cristo nas entranhas da terra ou nas alturas do céu, não devemos descansar até chegarmos até Ele. Tudo o que era necessário para a sua expedição, os magos logo reuniram, sem se importarem com as despesas, e partiram seguindo a estrela para descobrir o Príncipe dos reis da Terra.</p>
<p>Finalmente, chegaram a Jerusalém, onde novos desafios os aguardavam. Deve ter sido um grande incômodo para eles quando perguntaram: “<em>Onde está o rei dos judeus recém-nascido?”</em> (Mt 2.2) e o povo balançou a cabeça como se considerasse a pergunta trivial. Nem ricos nem pobres na cidade metropolitana sabiam nada sobre o Rei de Israel. A multidão irreverente respondeu: “Herodes é o rei dos judeus. Cuidado com o que vocês falam de outro rei, ou suas cabeças poderão pagar por isso. O tirano não tolera rivais.” Os sábios devem ter ficado ainda mais surpresos ao verem Herodes perturbado. Estavam felizes por pensar que aquele que inauguraria a era de ouro havia nascido; mas o rosto de Herodes escureceu como nunca ao simples mencionar de um rei dos judeus. Seus olhos brilharam e uma nuvem de tempestade pairou sobre sua testa; um ato sombrio de assassinato resultaria disso, embora por ora ele ocultasse sua malícia. Há tumulto por todas as ruas de Jerusalém, pois ninguém sabe o que o severo Herodes fará agora que foi despertado pela pergunta: “Onde está aquele que nasceu Rei dos Judeus?” Assim, houve uma agitação em Jerusalém, começando no palácio; mas isso não impediu a busca dos sábios pelo príncipe prometido. Eles não recolheram seus pertences e voltaram dizendo: “É inútil tentar descobrir essa figura questionável, desconhecida até mesmo no país do qual é rei, e que parece ser terrivelmente indesejável para aqueles que serão seus súditos. Devemos deixar para outro dia a solução da pergunta: Onde está aquele que nasceu Rei dos Judeus?”.</p>
<p>Esses sinceros observadores do céu não se deixaram desanimar pelo clero e pelos homens sábios quando se reuniram. Aos principais sacerdotes e escribas foi feita a pergunta, e eles responderam sobre onde Cristo nasceria, mas não havia uma única pessoa entre eles que quisesse acompanhar os magos para encontrar o Rei recém-nascido. Que estranha apatia! Ai, como é comum! Aqueles que deveriam ser líderes não o eram; sequer queriam seguir o bem, pois não tinham coração para Cristo. Os magos, porém, superaram esse sério desânimo. Se o clero não os ajudasse, eles iriam até Jesus por conta própria. Ó, meu caro amigo, se você for sábio, dirá: “Encontrarei Cristo sozinho, mesmo que ninguém se junte a mim; se eu cavar até o centro da terra, eu O encontrarei; se eu voar em direção ao Sol, eu O encontrarei; se todos me rejeitarem, eu O encontrarei; se os ministros do evangelho me parecerem indiferentes, eu O encontrarei; o reino dos céus da antiguidade foi tomado à força, e os violentos o conquistaram, e assim também eu o farei”. Os primeiros cristãos tiveram que deixar para trás todos os mestres autorizados da época e seguir sozinhos: não será estranho se você tiver que fazer o mesmo. Feliz será se você estiver determinado a atravessar enchentes e chamas para encontrar Cristo, pois Ele será encontrado por você. Assim, esses homens foram sábios porque, tendo começado a busca, perseveraram até encontrarem o Senhor e o adorarem.</p>
<p>Note que eles foram sábios porque, quando viram a estrela novamente, “<em>os magos ficaram extremamente alegres</em>.” (Mt 2.10). Enquanto consultavam os sacerdotes em Jerusalém, estavam perplexos, mas quando a estrela brilhou novamente, ficaram tranquilos e cheios de alegria, essa alegria eles expressaram, de modo que o evangelista a registrou. Hoje em dia, pessoas muito sábias acham necessário reprimir toda emoção e parecer homens de pedra ou gelo. Não importa o que aconteça, são estoicas e se elevam muito acima de um simples entusiasmo. É maravilhoso como as modas mudam e a tolice passa por filosofia. Mas esses sábios eram como crianças, pois se alegraram quando sua perplexidade passou e a luz clara brilhou. É um bom sinal quando um homem não se envergonha de ser feliz porque ouve um testemunho claro e inequívoco do Senhor Jesus. É bom ver o grande homem descer de seu pedestal e, como uma criança pequena, se alegrar ao ouvir a simples história da cruz. Dê-me o ouvinte que não busca luxos, mas clama: “Guia-me a Jesus. Quero um guia para Jesus, e nada mais me satisfará”. Ora, se os homens conhecessem o valor das coisas, se alegrariam mais ao ver um pregador do evangelho do que um rei. Se os pés dos arautos da salvação são abençoados, quanto mais suas línguas quando proclamam as boas-vindas a um Salvador! Esses sábios, com todo o seu conhecimento místico, não se envergonharam de se alegrar porque uma pequena estrela lhes emprestou seus raios para guiá-los a Jesus. Unimo-nos a eles na alegria por um ministério evangélico claro. Para nós, todo o resto é escuridão, tristeza e aflição de espírito; mas aquilo que nos conduz ao nosso glorioso Senhor é espírito, luz e vida. Melhor que o Sol não brilhe do que um evangelho iluminado não seja pregado. Consideramos que um país floresce ou decai conforme a luz do evangelho é revelada ou retirada.</p>
<p>Agora sigamos um pouco mais esses homens sábios. Eles chegaram à casa onde estava o menino. O que farão? Ficarão olhando para a estrela? Não, eles entram. A estrela permanece parada, mas eles não têm medo de perder o seu brilho, e contemplam o Sol da Justiça. Eles não disseram: “Vimos a estrela, e isso nos basta; seguimos a estrela, e é tudo o que precisamos fazer.” De modo nenhum. Eles abrem a porta e entram na humilde residência do bebê. Já não veem mais a estrela e não precisam mais vê-la, pois ali está aquele que nasceu Rei dos Judeus. Agora a verdadeira luz brilhou sobre eles a partir do rosto da criança; eles contemplam o Deus encarnado. Oh, amigos, como vocês serão sábios se, quando forem conduzidos a Cristo por qualquer homem, não descansarem na liderança dele, mas procurarem ver Cristo por vocês mesmos. Como eu desejo que vocês entrem na comunhão do mistério, passem pela porta, venham e contemplem o menino, e se prostrem diante dEle. Nossa tristeza é que muitos são insensatos demais. Nós somos apenas seus guias, mas eles tendem a fazer de nós o seu fim. Apontamos o caminho, mas eles não seguem a estrada; ficam parados olhando para nós. A estrela se foi; cumpriu o seu trabalho e passou, Jesus permanece e os sábios vivem nEle. Será que algum de vocês é tolo o bastante para pensar apenas no pregador que morre e esquecer o Salvador que vive para sempre? Venham, sejam sábios e apressem-se imediatamente ao encontro de seu Senhor.</p>
<p>Esses homens foram sábios, por fim — e recomendo que vocês sigam o exemplo deles — porque, quando viram a criança, <em>eles a adoraram</em>. Não foi uma simples curiosidade satisfeita, mas devoção praticada. Nós também devemos adorar o Salvador, ou jamais seremos salvos por Ele. Ele não veio para remover nossos pecados e ainda assim nos deixar ímpios e obstinados em nossa própria vontade. Ó vocês que nunca adoraram o Cristo de Deus, que sejam conduzidos a fazê-lo imediatamente! Ele é Deus sobre todos, bendito eternamente: adorem-nO! Deus já tinha sido visto antes em forma tão digna de adoração? Eis que Ele inclina os céus; cavalga sobre as asas do vento; espalha chamas de fogo; fala, e sua elevada voz faz tremer os montes: vocês o adoram em terror. Quem não adoraria o grande e terrível Jeová? Mas não é muito melhor contemplá-lO aqui, aliado à sua natureza, envolto como outras crianças em faixas, tenro, frágil, tão próximo a vocês? Não adorarão a Deus quando Ele assim desce até vocês e Se torna seu irmão, nascido para sua salvação? Aqui, a própria natureza sugere adoração; oh, que a graça produza esse desejo! Apressemo-nos a adorar onde pastores, magos e anjos abriram caminho.</p>
<p>Aqui, deixe o meu sermão fazer uma pausa, assim como a estrela fez. Entrem na casa e adorem! Esqueçam o pregador. Deixem que a luz da estrela brilhe para outros olhos. Jesus nasceu para que vocês nascessem de novo. Ele viveu para que vocês vivessem. Ele morreu para que vocês morressem para o pecado. Ele ressuscitou, e hoje intercede pelos transgressores, para que sejam reconciliados com Deus por meio dEle. Venham, então; creiam, confiem, alegremse, adorem! Se vocês não têm ouro, incenso nem mirra, tragam sua fé, seu amor, seu arrependimento e, prostrando-se diante do Filho de Deus, ofereçam-lhe a reverência de seus corações.</p>
<p><strong>III.</strong> E agora passo ao meu terceiro e último ponto, que é este: VAMOS AGIR COMO PESSOAS SÁBIAS, AJUDADOS POR NOSSA PRÓPRIA ESTRELA. Nós também recebemos luz para nos guiar ao Salvador. Eu diria que muitas estrelas brilharam para nós com esse propósito abençoado. Contudo, neste ponto, limitarei a fazer perguntas.</p>
<p><em>Você não acha que existe alguma luz para você em sua vocação específica, algum chamado de Deus em seu trabalho?</em> Ouça-me, e então ouça a Deus. Esses homens eram observadores das estrelas; portanto, uma estrela foi usada para chamá-los. Alguns outros homens, pouco tempo depois, que eram pescadores, e por meio de uma pesca extraordinária o Senhor Jesus os fez perceber Seu poder superior, e então os chamou para se tornarem pescadores de homens. Para um observador de estrelas, uma estrela; para um pescador, um peixe. O Mestre Pescador tem uma isca para cada um dos Seus eleitos, e muitas vezes Ele escolhe algum ponto da própria vocação deles para ser o anzol que os fisga. Você estava ocupado ontem no seu balcão? Não ouviu nenhuma voz dizendo: “<em>Compre a verdade e não a venda”<a href="#_ftn10" name="_ftnref10"><sup><strong>[10]</strong></sup></a></em>? Quando fechou a loja ontem à noite, não pensou que em breve terá de fechá-la pela última vez?  Você faz pão?</p>
<p>E nunca se perguntou: “Será que minha alma tem comido o pão do céu?” Você é agricultor? Trabalha a terra? Deus nunca falou com você por meio desses campos arados e dessas estações que mudam, fazendo-o desejar que o seu coração também fosse arado e semeado? Escute! Deus está falando! Ouçam, surdos, pois há vozes por toda parte chamando vocês para o céu. Você não precisa ir longe para encontrar um elo entre você e a misericórdia eterna: os sinais estão por toda parte; Deus e as almas humanas estão próximos uns dos outros. Como eu desejo que sua vocação comum seja vista por você como escondendo em si mesma a porta para sua vocação mais elevada. Ah, que o Espírito Santo transforme seus interesses favoritos em oportunidades para a Sua obra graciosa em você. Se não entre as estrelas, então entre as flores do jardim, ou o gado dos montes, ou as ondas do mar, que Ele encontre uma rede na qual possa recolhê-lo para Cristo.</p>
<p>Eu gostaria que entre vocês, aqueles que pensam que suas atividades jamais poderiam atraí-los a Cristo, se esforçassem para ver se talvez não é isso que está acontecendo. Devemos aprender com as formigas, as andorinhas, as garças e os coelhos; certamente nunca nos faltarão mestres. Parecia que uma estrela era algo improvável para conduzir uma procissão de sábios orientais, e, no entanto, foi o melhor guia possível, e da mesma forma, pode parecer que seu ofício seja algo improvável para levá-lo a Jesus, e ainda assim o Senhor pode usá-lo. Pode haver uma mensagem do Senhor para você em muitas providências inesperadas; uma voz de sabedoria pode vir a você da boca de um jumento; um chamado à vida santa pode surpreendê-lo a partir de um arbusto; um aviso pode brilhar diante de você em uma parede; ou uma visão pode impressioná-lo no silêncio da noite, quando um sono profundo cai sobre os homens. Somente esteja pronto para ouvir e Deus encontrará uma maneira de falar com você. Responda à pergunta como os sábios responderiam, e diga: “Sim, em nossa vocação existe um chamado para Cristo.”</p>
<p>Então, afinal, <em>o que você e eu deveríamos fazer de melhor nesta vida do que buscar a Cristo? </em>Os sábios consideravam todas as outras atividades insignificantes em comparação a esta. “Quem vai cuidar daquele observatório e observar o resto das estrelas?” Eles balançam a cabeça e dizem que não sabem, essas coisas podem esperar; eles viram a estrela dEle e foram adorá-lO. Mas quem cuidará de suas esposas, famílias e de todos os outros enquanto fazem essa longa jornada? Eles respondem que tudo o que é menor deve ser subordinado ao mais importante. As coisas devem ser encaradas em proporção, e a busca pelo Rei dos Judeus, que é o desejo de todas as nações, é tão desproporcionalmente grande que todo o resto deve ser deixado de lado. Vocês também não são sábios o suficiente para julgar dessa maneira sensata? Não acham, queridos amigos, que seria bom usar todo o dia de amanhã para buscar a Jesus? Será um dia de lazer; poderiam aproveitá-lo melhor do que buscando o seu Redentor? Se você dedicasse uma semana inteiramente à sua alma e à busca por Cristo, não seria um tempo bem gasto? Como você pode viver com sua alma em perigo? Ah, se você pudesse dizer: “Preciso resolver isso, é algo de suma importância e preciso garantir que esteja seguro”. Isso seria puro bom senso. Se você estiver dirigindo e uma das rédeas se romper, você não para o cavalo e ajusta a arreios corretamente? Como, então, você pode continuar com a carruagem da vida quando todo o seu arreio está desalinhado e uma queda significa ruína eterna? Se você para de dirigir para ajustar uma fivela por medo de um acidente, eu lhe imploraria que parasse tudo para zelar pela segurança da sua alma. Veja como o engenheiro olha para a válvula de segurança: você se contentaria em correr riscos ainda maiores? Se sua casa não estivesse segurada e você exercesse uma profissão arriscada, provavelmente se sentiria extremamente ansioso até resolver essa questão. Mas sua alma não está segura e pode queimar para sempre, você não lhe dará atenção? Imploro que seja justo consigo mesmo, que seja bondoso consigo mesmo. Oh! Cuide do seu bem-estar eterno. Você não tem certeza se chegará em casa para o jantar hoje. A vida é frágil como uma teia de aranha. Você pode estar no inferno antes que o relógio bata uma hora! Lembre-se disso. Não há um passo sequer entre você e a destruição eterna da presença de Deus se você ainda não for regenerado; e sua única esperança é encontrar o Salvador, confiar no Salvador, obedecer ao Salvador. Portanto, como esses homens sábios, deixe tudo de lado e embarque agora em um esforço sincero, resoluto e perseverante para encontrar Jesus. Eu ia dizer: resolva encontrar Jesus ou morrer; mas mudarei as palavras e direi: resolva encontrá-lO e viver.</p>
<p>Quando nos aproximamos de Jesus, façamos a nós mesmos esta pergunta: “Vemos em Jesus mais do que as outras pessoas?” Pois, se vemos, somos os eleitos de Deus, ensinados por Deus, iluminados pelo Seu Espírito. Lemos nas Escrituras que, quando esses sábios viram o menino, prostraram-se e O adoraram. Outras pessoas poderiam ter entrado, visto a criança e dito: “Muitas crianças são tão interessantes quanto o bebê desta pobre mulher”. Sim, mas ao olharem, esses homens viram: nem todos os olhos são tão abençoados. Os olhos que veem são dádivas do Onisciente. Os olhos carnais são cegos; mas esses homens viram o Infinito no bebê; a Divindade resplandecendo na humanidade; a glória escondida sob as faixas. Sem dúvida, havia um esplendor espiritual nessa criança incomparável! Lemos que o pai e a mãe de Moisés viram “<em>que (ele) era bonito</em>” (Êx 2.2); viram que ele era “agradável a Deus”, diz o original. Mas quando esses homens eleitos viram o que é santo e chamado Filho do Altíssimo, descobriram nEle uma glória totalmente desconhecida. Então a sua estrela brilhou para eles; ele Se tornou o seu tudo em todos, e eles O adoraram de todo o coração. Você já descobriu tal glória em Cristo? “Ah!”, dirá alguém, “você está sempre falando de Cristo e da Sua glória. Você é um homem de uma só ideia!” Exatamente. Minha única ideia é que Ele é “<em>totalmente desejável</em>” e que não há nada fora do céu nem no céu que se compare a Ele, mesmo em Seu estado mais humilde e frágil. Você já viu algo assim em Jesus? Se sim, você pertence ao Senhor; vá e regozije-se nEle. Se não, ore a Deus para que abra seus olhos até que, como os magos, você veja e O adore.</p>
<p>Por fim, aprenda com esses sábios que, quando adoravam, não permitiam que fosse uma mera adoração de mãos vazias. Pergunte a si mesmo: “O que oferecerei ao Senhor?” Inclinando-se diante do menino, ofereceram “<em>ouro, incenso e mirra</em>” (Mt 2.11), os melhores metais e as melhores especiarias; uma oferta de ouro ao Rei; uma oferta de incenso ao sacerdote; uma oferta de mirra ao menino. Os sábios são homens generosos. A consagração é a melhor educação. Hoje, considera-se sábio receber sempre; mas o Salvador disse: “<em>Dar é mais bem-aventurado que receber</em>” (At 20.35). Deus julga nossos corações pelo que sai espontaneamente deles: por isso, o incenso comprado com dinheiro é aceitável a Ele quando oferecido livremente. Ele não sobrecarrega Seus santos nem os cansa com incenso; mas Se alegra em ver neles o verdadeiro amor que não pode se expressar apenas em palavras, mas precisa usar ouro e mirra, obras de amor e atos de abnegação, como emblemas de sua gratidão.</p>
<p>Irmãos, vocês jamais alcançarão a verdadeira felicidade enquanto não se tornarem altruístas e generosos; vocês apenas mastigaram as cascas da religião, que muitas vezes são amargas e nunca provaram do doce miolo até sentirem o amor de Deus constrangendo-os a fazer sacrifícios. Não há nada que o verdadeiro crente não esteja disposto a fazer por seu Senhor, nada em nossos bens que não lhe demos, nada em nós mesmos que não dediquemos ao seu serviço.</p>
<p>Que Deus lhes dê toda a graça de vir a Jesus, mesmo que seja à luz deste sermão, por amor a Ele! Amém.</p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.</strong></p>
<p><strong>FONTE</strong></p>
<p>Traduzido de <a href="https://www.spurgeongems.org/sermon/chs1698.pdf">https://www.spurgeongems.org/sermon/chs1698.pdf</a></p>
<p><em>Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público.</em></p>
<p>Título original: <em>The Star and the Wise Me</em></p>
<p>Sermão nº 1698—Volume 29 do <em>The Metropolitan Tabernacle </em><em>Pulpit</em></p>
<p>Tradução: Marcos David Muhlpointner</p>
<p>Revisão e diagramação: Armando Marcos</p>
<p><strong>APOIE nossos Projetos contribuindo com qualquer valor no nosso </strong></p>
<p><strong>PIX email : </strong><strong><u>projetospurgeon@gmail.com</u></strong></p>
<hr />
<p>NOTAS</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Citação do Salmo 72:10  <em>“Os reis de Társis e de outras terras distantes lhe pagarão tributos.Os reis de </em></p>
<p><em>Sabá e de Sebá lhe darão presentes.”</em>  aplicada como um cumprimento messiânico na visita dos magos [N.do Revisor]</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Cf. Isaías 9:6</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> O zênite é o ponto imaginário no céu diretamente acima da cabeça de um observador, representando a posição mais alta na esfera celeste. Esse termo é amplamente utilizado em astronomia e nas navegações. De maneira figurada, também pode significar o ápice ou o auge de algo, ou seja, o ponto mais elevado em determinado contexto. (nota do tradutor)</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> <strong>João Crisóstomo</strong> (347 – 407) foi um arcebispo de Constantinopla e um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo. É conhecido por suas poderosas homilias, por sua habilidade em oratória, por sua denúncia dos abusos cometidos por líderes políticos e eclesiásticos de sua época, por sua &#8220;Divina Liturgia&#8221; e por suas práticas ascetas. [Wikipédia]</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> A Shekhiná se refere à presença manifesta de Deus no mundo físico, particularmente à ideia de que Deus se faz presente entre os seres humanos de maneira tangível. Na tradição judaica, é frequentemente associada a momentos em que a divindade se revela de maneira direta ou se faz sentir de forma visível, como, por exemplo, na Arca da Aliança, ou na nuvem de glória que guiava os israelitas no deserto. (nota do tradutor) <sup>8</sup> Cf. Salmo 19:1</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Cf. Isaías 46.10</p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Cf. Isaías 5:18 . O sentido da citação é que alguém carrega o pecado como puxando uma carroça com uma corda, de forma pesada e lenta, ficando evidente o contraste de Spurgeon de que a estrela não fazia um grande esforço para conduzir os magos, mas que os atraia efetivamente. [N. d. Revisor]</p>
<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Spurgeon usa aqui uma expressão muito típica na língua inglesa – <em>most probably is an old wives’ fable, even though he may be of the masculine gender who invented it</em> – que, se traduzida para o português, não faria sentido, então foi adaptada para língua portuguesa. (nota do tradutor) <sup>12</sup> Cf. 1 Coríntios 15:58</p>
<p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> <strong>Os parsis</strong>, também grafados como parsee, são membros de um grupo de seguidores do profeta persa Zoroastro na Índia . O nome significa &#8220;persas&#8221; e eles descendem de zoroastrianos persas que emigraram para a Índia para escapar da perseguição religiosa por parte dos muçulmanos. [FONTE: Enciclopédia Britânica]</p>
<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Cf. Provérbios 23:23</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>URGENTE: Spurgeon’s College, escola fundada por C. H. Spurgeon em 1856, anuncia o ENCERRAMENTO DE SUAS ATIVIDADES após 169 anos, por insolvência financeira.</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2025/08/urgente-spurgeons-college-escola-fundada-por-c-h-spurgeon-em-1856-anuncia-o-encerramento-de-suas-atividades-apos-169-anos-por-insolvencia-financeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 19:16:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[escola batista de spurgeon falência]]></category>
		<category><![CDATA[escola de spurgeon fecha]]></category>
		<category><![CDATA[escola fundada por spurgeon encerra atividades]]></category>
		<category><![CDATA[escola fundada por spurgeon fecha]]></category>
		<category><![CDATA[pastor college]]></category>
		<category><![CDATA[spurgeon's college]]></category>
		<category><![CDATA[urgente]]></category>
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					<description><![CDATA[URGENTE: Spurgeon’s College, escola fundada por Charles Haddon Spurgeon em 1856 com o nome de “Pastor College” para treinamento de pastores e missionários batistas, anuncia o ENCERRAMENTO DE SUAS ATIVIDADES após 169 anos.   O Spurgeon&#8217;s College expressou em um &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2025/08/urgente-spurgeons-college-escola-fundada-por-c-h-spurgeon-em-1856-anuncia-o-encerramento-de-suas-atividades-apos-169-anos-por-insolvencia-financeira/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="" data-block="true" data-editor="fq96o" data-offset-key="4spsu-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="4spsu-0-0"><strong><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-26.png"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-8946 size-full" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-26-e1754075682699.png" alt="" width="1080" height="522" srcset="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-26-e1754075682699.png 1080w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-26-e1754075682699-300x145.png 300w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-26-e1754075682699-1024x495.png 1024w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-26-e1754075682699-768x371.png 768w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-26-e1754075682699-500x242.png 500w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></a>URGENTE: Spurgeon’s College, escola fundada por Charles Haddon Spurgeon em 1856 com o nome de “Pastor College” para treinamento de pastores e missionários batistas, anuncia o ENCERRAMENTO DE SUAS ATIVIDADES após 169 anos.</strong></div>
</div>
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<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="13uf4-0-0"><span data-offset-key="13uf4-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="fq96o" data-offset-key="ep86b-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="ep86b-0-0"><span data-offset-key="ep86b-0-0">O Spurgeon&#8217;s College expressou em um comunicado sua &#8220;profunda tristeza e grande pesar&#8221; enquanto se prepara para fechar suas portas. &#8220;Como muitas instituições de ensino superior — especialmente no setor de Teologia — o Spurgeon&#8217;s College enfrenta desafios financeiros significativos há vários anos, motivados pela queda no número de alunos e por um cenário financeiro cada vez mais complexo e difícil&#8221;, afirmou um comunicado do Conselho de Curadores. </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="fq96o" data-offset-key="c0mt2-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="c0mt2-0-0"><span data-offset-key="c0mt2-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="fq96o" data-offset-key="35t5i-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="35t5i-0-0"><span data-offset-key="35t5i-0-0"> As demonstrações financeiras mais recentes apresentadas mostraram que os gastos da Faculdade ultrapassaram em mais de £ 2 milhões a receita de 2024. A faculdade havia recentemente recebido empréstimos significativos, além de ter vendido alguns ativos imobiliários. Segundo o comunicado : &#8220;Nos últimos meses, a faculdade fez uma parceria com uma fundação de caridade que forneceu suporte financeiro vital e ofereceu garantias tanto à faculdade quanto ao Escritório de Estudantes de financiamento contínuo. No entanto, esse relacionamento foi encerrado inesperadamente, sem aviso prévio, em 21 de julho de 2025. Como resultado, a Faculdade não pode mais sustentar suas operações financeiras e não teve outra escolha a não ser entrar imediatamente em processo de insolvência&#8221;.</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="fq96o" data-offset-key="e5tu6-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="e5tu6-0-0"><span data-offset-key="e5tu6-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="fq96o" data-offset-key="3ml0f-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="3ml0f-0-0"><span data-offset-key="3ml0f-0-0">A faculdade que foi um bastião da educação cristã no Reino Unido, além de seu declínio financeiro enfrentou um declínio teológico eminente. Fundada em 1856 por C. H. Spurgeon como “Pastor College”, adotou seu nome atual em homenagem ao seu fundador quando se mudou para seu prédio atual em 1923. Posteriormente, rompeu ligações com o Tabernáculo Metropolitano, se reconciliou com a União Batista da Inglaterra e, tornando uma escola de educação batista independente, desde os anos 60 apoiou o pastoreado feminino e abrigou professores liberais com ensinos heterodoxos. Um triste fim para um ministério tão importante.<br />
</span><br />
<span style="color: #ff0000;"><strong>LEIA NA INTEGRA O COMUNICADO DA SPURGEON&#8217;S COLLEGE</strong></span></div>
</div>
<div data-offset-key="3ml0f-0-0">
<p>&#8221;</p>
<h2>Spurgeon’s <strong>College anuncia fechamento após 169 anos de serviço</strong></h2>
<div><strong> </strong></div>
<p><em><strong>Londres, 31 de julho de 2025</strong></em></p>
<p><em>Com profunda tristeza e grande pesar, o Conselho de Administração do Spurgeon&#8217;s College anuncia que a faculdade fechará imediatamente.</em></p>
<p><em>Como muitas instituições de ensino superior — especialmente no setor de Teologia — o Spurgeon&#8217;s College enfrenta desafios financeiros significativos há vários anos, motivados pelo declínio no número de alunos e um cenário financeiro cada vez mais complexo e difícil.</em></p>
<p><em>Nos últimos meses, a Faculdade firmou parceria com uma fundação beneficente que forneceu apoio financeiro vital e garantiu à Faculdade e ao Escritório de Estudantes a continuidade do financiamento. No entanto, essa parceria foi encerrada inesperadamente, sem aviso prévio, em 21 de julho de 2025. Como resultado, a Faculdade não consegue mais sustentar suas operações financeiras e não teve outra opção a não ser entrar em processo de insolvência imediatamente.</em></p>
<p><em>Nossa prioridade imediata é proteger os interesses de nossos alunos e funcionários o máximo possível durante este momento profundamente desafiador.</em></p>
<p><em>Compreendemos que esta notícia será um choque profundo para muitos. Os administradores, a liderança e a equipe do Spurgeon&#8217;s College trabalharam incansavelmente e com dedicação para encontrar um caminho sustentável e evitar esse resultado.</em></p>
<p><em>Fundada em 1856 por Charles Haddon Spurgeon, a Faculdade tem servido fielmente por 169 anos, treinando milhares de homens e mulheres para a missão cristã, o ministério e a liderança no mundo contemporâneo. Cada formando é um testemunho do legado duradouro do nosso fundador e do compromisso da Faculdade com a educação teológica e o serviço cristão.</em></p>
<p><em>Deus tem abençoado o Colégio de maneiras incríveis ao longo de nossa longa história, e encorajamos a todos, neste momento desafiador, a orar por Sua orientação para que homens e mulheres continuem preparados para o ministério cristão. É com pesar que compartilhamos esta notícia e expressamos nossa profunda gratidão a todos que apoiaram o Colégio Spurgeon ao longo de sua história.&#8221;</em></p>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>URGENTE: Pastor John MacArthur falece aos 86 anos</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2025/07/urgente-pastor-john-macarthur-falece-aos-86-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 02:28:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.projetospurgeon.com.br/?p=8943</guid>

					<description><![CDATA[URGENTE: Pastor John MacArthur , faleceu hoje aos 86 anos, depois de um longo período enfrentando problemas cardíacos e recentemente uma pneumonia. A notícia foi confirmada na noite dessa segunda feira, 14 de julho, pela conta oficial “Grace to You” &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2025/07/urgente-pastor-john-macarthur-falece-aos-86-anos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="ae688-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="ae688-0-0"><span data-offset-key="ae688-0-0"><a href="http://projetocasteloforte.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-15.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-2013" src="http://projetocasteloforte.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Copia-de-hoje-na-historia-da-igreja-novo-15.png" alt="" width="1080" height="1350" /></a>URGENTE: Pastor John MacArthur , faleceu hoje aos 86 anos, depois de um longo período enfrentando problemas cardíacos e recentemente uma pneumonia. A notícia foi confirmada na noite dessa segunda feira, 14 de julho, pela conta oficial “Grace to You” ministério fundado por MacArthur em 1969. </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="4ejnl-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="4ejnl-0-0"><span data-offset-key="4ejnl-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="do9um-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="do9um-0-0"><span data-offset-key="do9um-0-0">Pastor batista reformado na Grace Community Church por 56 anos , MacArthur foi considerado um dos teólogos expositivos mais influentes dos séculos XX e XXI. Segundo a “Grace to You” : &#8220;Nossos corações estão pesados, mas alegres, pois compartilhamos a notícia de que o nosso amado pastor e professor John MacArthur entrou na presença do Salvador. Esta noite, a sua fé tornou-se visão&#8221;</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="1fs3b-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="1fs3b-0-0"><span data-offset-key="1fs3b-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="a11d8-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="a11d8-0-0"><span data-offset-key="a11d8-0-0">Nascido em 1939, John MacArthur Jr foi filho de pastores descendente de escoceses, irlandeses e ingleses. MacArthur seguiu os passos de seu pai e se matriculou no fundamentalista Bob Jones College de 1957 a 1959. Em 1963, ele recebeu um mestrado em divindade do novo Seminário Teológico Talbot</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="7i60f-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="7i60f-0-0"><span data-offset-key="7i60f-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="7ln8b-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="7ln8b-0-0"><span data-offset-key="7ln8b-0-0">Em 1969, tornou-se pastor batista da Grace Community Church, em Sun Valley, Califórnia, onde pregou após mais de 50 anos. Seu ministério pastoral foi marcado pela pregação fiel versículo por versículo da Bíblia. Sob sua liderança, a igreja cresceu de algumas centenas para milhares de membros, com grande influência no meio evangélico conservador e calvinista. Em temas controversos, defendeu posições tradicionais quanto ao papel do homem e da mulher na igreja, a autoridade pastoral e o dispensacionalismo, posição minoritária entre batistas calvinistas.</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="6f2vq-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="6f2vq-0-0"><span data-offset-key="6f2vq-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="2dqvg-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="2dqvg-0-0"><span data-offset-key="2dqvg-0-0">MacArthur publicou mais de 150 livros e a Bíblia de Estudo MacArthur, que traz comentários expositivos em todas as passagens bíblicas. Seus escritos frequentemente confrontaram doutrinas modernas que ele considera distorções do evangelho, como o pragmatismo, o liberalismo teológico e o movimento carismático.</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="dtd55-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="dtd55-0-0"><span data-offset-key="dtd55-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="a73ve" data-offset-key="2f3f9-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="2f3f9-0-0"><span data-offset-key="2f3f9-0-0">John MacArthur foi casado com Patricia desde 1963, com quem teve quatro filhos e vários netos. Louvado seja o Senhor pela vida e obra de MacArthur na igreja militante, e agora ele desfruta da presença do Senhor na igreja triunfante. Seu legado e firmeza teológica certamente influenciarão gerações de crentes até a volta do Senhor</span></div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Retrospectivas e Perspectivas Divinas de Ano Novo : Os últimos dois sermões pregados pelo Príncipe dos Pregadores em vida [Publicados na revista &#8220;The Sword of the Trowel&#8221; de fevereiro de 1892]</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2024/12/retrospectivas-e-perspectivas-divinas-de-ano-novo-os-ultimos-dois-sermoes-pregados-pelo-principe-dos-pregadores-em-vida-publicados-na-revista-the-sword-of-the-trowel-de-fevereiro-de-1892/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jan 2025 01:51:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sermão]]></category>
		<category><![CDATA[Sermão de ano novo]]></category>
		<category><![CDATA[falecimento de Spurgeon]]></category>
		<category><![CDATA[morte de Spurgeon]]></category>
		<category><![CDATA[retrospectiva]]></category>
		<category><![CDATA[reveillon]]></category>
		<category><![CDATA[último sermão de Spurgeon]]></category>
		<category><![CDATA[últimos sermões de Spurgeon]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.projetospurgeon.com.br/?p=8900</guid>

					<description><![CDATA[Título original:  BREAKING THE LONG SILENCE &#8211;  Mr. Spurgeon&#8217;s last two Addresses, delivered at Menton, on New Year’s Eve, and New Year’s Morning, 1892 &#160; COMPRE NA AMAZON AQUI  (Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto) &#160; APRESENTAÇAO E CONTEXTO Por &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2024/12/retrospectivas-e-perspectivas-divinas-de-ano-novo-os-ultimos-dois-sermoes-pregados-pelo-principe-dos-pregadores-em-vida-publicados-na-revista-the-sword-of-the-trowel-de-fevereiro-de-1892/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-CAPA-SERMAO-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-8901" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-CAPA-SERMAO-2.jpg" alt="" width="380" height="574" /></a></strong></p>
<p><em>Título original:  BREAKING THE LONG SILENCE &#8211;  Mr. Spurgeon&#8217;s last two Addresses, delivered at Menton, on New Year’s Eve, and New Year’s Morning, 1892</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="https://amzn.to/4gYfm32">COMPRE NA AMAZON AQUI</a>  </strong><strong>(Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>APRESENTAÇAO E CONTEXTO</strong></p>
<p><em>Por Armando Marcos, editor de Projeto Spurgeon</em></p>
<p>Charles Haddon Spurgeon já enfrentava durante anos, desde aproximadamente o meio da década de 1860, mas de forma mais intensa no fim dos anos 1870, constantes ataques de gota e reumatismo que o deixava longos períodos impossibilitado fisicamente de exercer suas atividades pastorais e filantrópicas. A cada fim de ano a partir do fim dos anos 70, Spurgeon passava os meses de inverno na Riviera Francesa, especificamente na cidade de Mentone, no sul da França, próximo à fronteira Italiana. Essa cidade era muito procurada por pessoas procurando reestabelecer sua saúde, e o clima ameno favorecia muito a saúde de Spurgeon.</p>
<p>Porém, principalmente depois da controvérsia do declínio teológico entre 1887-1888, a saúde de Spurgeon piorava cada vez mais, apresentando um agravamento de seu estado, com crises de gota e reumatismo cada vez piores, e nos últimos tempos apresentado sintomas de inflamação renal, conhecida na época como “Doença de Bright”.  Em 1890 a situação começou ficar cada vez mais fora de controle, e em 26 de abril de 1891 pela primeira vez em quarenta anos, ele foi compelido por um ataque de nervosismo a deixar o púlpito depois de entrar nele. Spurgeon conseguiu ainda pregar até a manhã de 17 de maio, quando então a doença o dominou, e apenas mais uma vez na manhã de domingo, 7 de junho, ele ficou em seu púlpito. Seu estado era tão grave que se considerou instalar um elevador no Tabernáculo Metropolitano para facilitar a locomoção do amado pastor. Milhares de pessoas oravam por sua saúde e reabilitação em todo o mundo e em todas as seções da igreja.</p>
<p>Apesar de sua fraqueza, ele insistiu em ir naquela semana para revisitar Stambourne em preparação para o livro de memórias da infância que estava escrevendo. Lá, sua doença reapareceu, e ele retornou a Londres. Por mais de um mês ele ficou deitado, a maior parte do tempo inconsciente, só de vez em quando livre do delírio que era uma tristeza que o acompanhavam.</p>
<p>Após uma breve melhora, ficou evidente que Spurgeon precisava se afastar mais ainda de seus trabalhos pastorais, e prevendo uma falta prolongada se seu púlpito, aceitou um convite do pastor presbiteriano americano A.T. Pierson para o substituir por alguns meses no Tabernáculo. Em outubro Pierson chegou em Londres, e ele partiu para o sul da França na segunda-feira, 26 de outubro, acompanhado pela Sra. Spurgeon, pela primeira vez depois de anos de doença, pelo seu irmão James Archer Spurgeon e sua esposa, seu amigo o editor Joshep Passmore, seu devotado secretário Joseph W. Harrald e mais alguns amigos. Eles chegaram ao Hotel Beau-Rivage, Mentone, sem incidentes, e lá Charles e Susannah tiveram, apesar da fragilidade de ambos, três meses de uma última lua de mel.</p>
<p>Na última noite do ano 1891 e no dia primeiro de janeiro de 1892, Spurgeon fez os dois discursos que você lerá, que foram posteriormente publicados sob o título “<em>Quebrando o Longo Silêncio</em>” no mês de fevereiro da “<em>The Sword of the Trowel</em>”, a revista do ministério de Spurgeon. A melhora de Spurgeon por alguns dias foi tanta que ele teve tempo de continuar a escrita de seu comentário ao evangelho de Mateus até as partes finais e selecionar sermões para um livro especial que ia ser impresso como um resumo de seu ministério, e escrever cartas para seu povo no Tabernáculo e as crianças do seu orfanato, e até mesmo mandar um telegrama para dar as condolências pela morte repentina do filho do príncipe de Gales, ocorrida dia 14 de janeiro. Nas noites de domingo, 10 e 17 de janeiro, Spurgeon queria pregar, mas por recomendação dos amigos que sentiram que Spurgeon não teria forças para pregar, ele apenas leu alguns de seus próprios escritos nos cultos organizados no hotel, e no final do segundo culto, ele anunciou o hino &#8220;<em>As Areias do Tempo Estão Afundando</em>&#8221; do puritano Samuel Rutherford.</p>
<p>Em 15 de janeiro, foi comemorado o aniversário de Susannah, e no dia 20, foi a piora final de Charles Haddon Spurgeon. Nas palavras de seu secretário Harrald: “<em>À noite, sua mão doía tanto por causa da gota que ele foi dormir cedo; e daquela cama ele nunca se levantou. No dia seguinte, uma gota na cabeça aumentou nossa ansiedade em relação ao nosso querido paciente e, desde então até o fim, foi necessário que ele fosse atendido com amor e cuidado, dia e noite; e esse serviço foi prestado com muita alegria e boa vontade. Ninguém previu que a doença assumiria uma forma tão terrível, embora o querido doente nos assegurasse que sua cabeça doía exatamente como quando voltou de Essex no verão, e ele temia ficar tão doente quanto antes. estive em &#8220;Westwood&#8221; durante aqueles meses de ansiedade do ano passado. Foi nessa época que o Sr. Spurgeon me disse: “Meu trabalho está concluído”, e falou de vários assuntos que mostravam que ele sentia que seu fim estava se aproximando. Mesmo assim, todos nós nos apegamos à esperança de que ele seria poupado para nós e até mesmo autorizado a pregar novamente; mas na manhã de terça-feira, 26 de janeiro, o Dr. FitzHenry foi obrigado a relatar a condição de seu paciente como &#8220;grave&#8221;. </em></p>
<p><em>Quando tudo terminou, cerca de uma hora antes da meia-noite do dia do Senhor, 31 de janeiro de 1892, o pequeno grupo de cinco pessoas, antes mencionado, ajoelhou-se ao lado da cama, e o &#8220;portador de armadura&#8221; primeiro agradeceu pelo fato de o querido sofredor estar em paz. descanse, e então elogiou todos os que haviam sido tão dolorosamente desamparados à graça sustentadora do Divino Consolador. Antes que alguém se mexesse, outra voz foi ouvida: a da amada viúva, que, naquela hora difícil, agradeceu ao Senhor pelo precioso tesouro que por tanto tempo lhe foi emprestado, e buscou no trono da graça a força e a ajuda tão dolorosamente.”</em></p>
<p>A notícia da morte de Spurgeon chegou no mundo todo como uma bomba. Muitos esperavam mais uma vez sua recuperação. O corpo de Spurgeon foi enviado para Londres e depois de vários serviços memorais fúnebres, foi enterrado no cemitério Norwood em 14 de fevereiro, de onde seu corpo espera até hoje a volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.</p>
<p>Esses dois breves sermões são as últimas pregações daquele que foi conhecido como o príncipe dos pregadores, mas que na verdade estava apenas fazendo o seu trabalho para o Rei Jesus, o verdadeiro príncipe dos príncipes. Ore para que esses textos o ajudem a refletir nos caminhos do ano passado e que possam servir de alento para o ano seguinte.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></p>
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<p><span style="color: #ff0000;"><strong><em>Sermão 1 </em></strong></span></p>
<p><strong>Retrospectivas Divinas de Fim de Ano</strong></p>
<p>Uma Breve mensagem pregada na noite de quinta-feira,</p>
<p>31 de dezembro de 1891</p>
<p><em>Por Charles Haddon Spurgeon</em></p>
<p><em>Para um pequeno grupo de amigos e sua esposa Susannah</em></p>
<p><strong><em>Que foi sua penúltima pregação em vida, antes de seu falecimento </em></strong></p>
<p><em>Em 31 de Janeiro de 1892</em></p>
<p>No Hôtel Beau Rivage, em Menton, Sul da França</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><em>(e publicada e editada na revista “The Sword of the Trowel” de Fevereiro de 1892, com o título de “Rompendo o longo silêncio”)</em></span></p>
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<p>Queridos amigos, não posso dizer muito a vocês. Eu gostaria de tê-los convidado alegremente para a oração todas as manhãs se pudesse ter encontrado vocês. Mas eu não estava suficiente forte para fazê-lo. Todavia, não posso deixar de falar com vocês, nesta última noite do ano, como uma Retrospectiva, e talvez na manhã de Ano Novo, eu possa acrescentar uma palavra ao título de uma Perspectiva. Chegamos tão longe na jornada da vida, e estando no limite de outro ano, olhamos para trás. Você não precisará de mim para tentar elaborar palavras e frases bonitas: cada um, com seus próprios olhos, agora examinará o seu próprio caminho.<span id="more-8900"></span></p>
<p>Entre os acontecimentos impressionantes <em>a serem observados estão os perigos dos quais escapamos</em>. Depois que o peregrino de Bunyan atravessou em segurança o Vale da Sombra da Morte, a luz da manhã raiou sobre Cristão, ao se sentar, olhou para trás e viu a terrível estrada pela qual havia passado. Certa vez, pareceu-lhe terrível ter marchado por aquele vale à noite. Mas quando ele olhou para trás e viu os horrores dos quais havia escapado, deve ter se sentido feliz pela escuridão ter escondido muito de seu perigo quando ele estava realmente no meio dela. Quase o mesmo aconteceu conosco: graças a Deus, agora podemos ver claramente os perigos que passamos por eles em segurança.</p>
<p>Ao longo do ano que termina esta noite, alguns de nós estiveram muito próximos das garras da morte, enquanto outros de nós podem ter contornado também o abismo do desespero, mas ainda assim, estamos vivos e com esperança.</p>
<p>Nosso caminho foi cheio de provações e tentações, mas não nos foi permitido cair. Nosso coração foi dilacerado por conflitos internos, mas a fé provou ser vitoriosa. Nenhum de nós sabe o quão perto esteve de algum grande pecado ou de algum passo em falso. Uma única cilada poderia ter mudado todo o significado da vida para nós, porém dessa armadilha fomos preservados. Outros tropeçaram e caíram tristemente, mas nós, que temos as mesmas paixões que eles, exclamamos: “Bendita seja a mão que nos sustentou!”.  A liturgia grega fala dos “sofrimentos desconhecidos” do Salvador, que sem dúvida foram os maiores de todos os seus infortúnios<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>. Podemos falar com igual precisão de nossos perigos desconhecidos, pois provavelmente eles foram os maiores de nossos perigos. O Senhor viu o que não poderíamos ver e nos guardou onde não poderíamos estar protegidos.</p>
<p>Gostaria de lembrá-los de que evitar males é um favor de escolha. Um pai puritano encontrou seu filho em uma reunião. Cada um deles havia viajado vários quilômetros para chegar ao local designado e, quando se encontraram, o filho bradou com gratidão: “Pai! Experimentei uma grande providência na estrada, pois o cavalo tropeçou três vezes, até me jogou no chão e eu ainda estou ileso”. Seu pai respondeu: “Está certo. Mas eu também desfrutei de uma grande providência durante a viagem, pois meu cavalo percorreu o caminho todo sem tropeçar uma única vez”. Verdadeiramente, <em>ser mantido fora do perigo é um grande privilégio como ser preservado no perigo. </em>Apesar de nós esquecermos disso. Agradecemos a Deus pelas vidas preservadas, pelo conforto ininterrupto e caráter imaculado, pois esses artigos são “frágeis” e o fato de não serem quebrados é uma maravilha da graça. No entanto, desde a última vez que nos encontramos, quantos morreram! Pragas e mortes têm voado ao nosso redor, como tiros no meio de uma batalha. E somente <em>Aquele</em> que, no passado, protegeu a cabeça de Davi no dia da batalha, poderia ter nos livrado da morte. Nossa vida espiritual ainda sobrevive e somente <em>Aquele</em> que mantem as estrelas em seus cursos poderia ter nos mantido em nossa integridade. Deveríamos trazer lágrimas de gratidão aos nossos olhos enquanto, citando a linguagem de Cantares de Salomão, olhamos<em> “desde topo de Amana, desde o topo de Senir e de Hebrom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos</em> (Cantares 4:8)”<em>. </em></p>
<p>De minha parte não ouso omitir de minha retrospectiva <em>os pecados do ano passado</em>, dos quais me arrependo verdadeiramente. Aquele que não se conhece como pecador, não sente sua própria indignidade, certamente deve ter se tornado insensível ou presunçoso. Os pecados de omissão são os que mais me incomodam. Olho para trás e me lembro do que poderia ter feito e não fiz. Quantas oportunidades de uteis não aproveitei, e quantos pecados eu permitir passar sem repreensão. Quantos principiantes na fé que tiveram dificuldades com a graça e eu falhei em ajudá-los. Começando com o protelamento, a frouxidão ao vigiar, seguido do orgulho, estes contaminam nosso melhor serviço &#8212; que lista infindável de nossas falhas e faltas faríamos! Oh, amigos! Quando examinamos cuidadosamente um ano de nossas vidas, discernindo os pensamentos, motivos e desejos secretos da alma, quão humildes deveríamos ser! Enquanto eu cavalgava pelas ruas de <em>Menton</em> neste dia, senti-me oprimido por uma sensação de pecado. E de repente veio à minha mente: “Sim, logo, portanto, tenho minha parte e deixo a obra do Senhor Jesus entrar, pois Ele disse expressamente: “<em>Não vim chamar justos, mas pecadores</em>”. Observem que as palavras “ao arrependimento” são omitidas da <em>Versão Revisada </em>da King James<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"><em><strong>[3]</strong></em></a> (Marcos 2:17).</p>
<p>Por que Jesus morreu? Ele morreu pelos nossos pecados. Ele não precisaria morrer pelos homens se a humanidade não tivesse pecado. Onde não há pecado, não há relação com aquele Salvador que veio para salvar seu povo de seus pecados.  Para quem Jesus pleiteia? Ele intercede pelos transgressores. Se não sou um transgressor, não tenho nenhuma garantia de que Ele interceda por mim. Todo o sistema de mediação é para homens pecadores e, se estou consciente da minha culpa, também estou seguro, pela fé, de que estou dentro do círculo da graça de Deus. Minha fé coloca minha mão sobre a cabeça daquele que foi nosso substituto e bode expiatório<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>, vejo Nele todos os meus pecados, e também, todos os pecados de todos os crentes que para sempre levados por <em>Aquele </em>que se colocou no lugar do pecador. Que suas lágrimas caiam por causa de seus pecados, mas, ao mesmo tempo, que os olhos da fé contemplem firmemente o Filho do Homem levantado, assim como Moisés levantou a serpente, quem olhar para Ele, vive<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>. A nossa iniquidade é aquele vazio no qual o Senhor derrama sua misericórdia: “<em>Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores</em>” 1Timóteo 1:15-17. Nesse fato abençoado eu descanso minha alma. E embora eu tenha pregado Cristo crucificado por mais de quarenta anos e tenha levado muitos aos pés de meu Mestre, nesse momento eu não tenho nenhum raio de esperança exceto aquele que vem do que meu Senhor Jesus fez pelos homens pecadores.</p>
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<p><strong>“Veja-o lá! O Cordeiro sangrando!</strong></p>
<p><strong>Minha perfeita e imaculada Justiça,</strong></p>
<p><strong>O grande e imutável “EU SOU” </strong></p>
<p><strong>O Rei da Glória e da Graça.”<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a></strong></p>
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<p>Uma inundação de luz irrompe sobre a cena quando olharmos para trás para <em>suas misericórdias</em>! Agora, comece suas contas! Começo já a fazer seus cálculos e a contar, e pense nas grandes e pequenas misericórdias: tanto nas misericórdias passageiras que evitam o mal e aquelas que asseguram o bem. As misericórdias presentes nos lares e aquela presente em lugares distantes. Também encontramos a misericórdia no descanso e na mesa, na cidade e no campo. Ela está presente na sociedade, e também em lugares reclusos. A misericórdia afeta todas as faculdades mentais e preenche todas as partes do corpo.</p>
<p><em>Deus tem sido especialmente bom para mim.</em> Acho que ouço cada coração sussurrar: “Isso é exatamente o que eu ia dizer”. Queridos amigos, não vou monopolizar a expressão, ela é muito verdadeira para mim, e não duvido que isso também seja uma verdade para cada um de vocês. Podemos imaginar como Deus pode ter sido mais gracioso do que tem sido? Se você está familiarizado com o amor do Senhor, de modo que você habite Nele, e seu Espírito habita em você, você se unirá a mim para proclamar abnegadamente a memória de sua grande bondade. Quão maravilhosa é a sua benignidade! Quão livre! Quanta ternura há! Quanta fidelidade! Quão duradora! Quão infinita! Não, eu não posso nem mesmo tentar fazer um esboço da bondade do Senhor para conosco durante o ano que agora está acabando: Devemos revisar esse registro por nós mesmos. “Quanto devo ao meu Senhor?”, é uma indagação que deve ser respondida pessoalmente por cada um como indivíduo.</p>
<p>Mais uma coisa antes de encerrar: Q<em>uais são as lições que nosso gracioso Deus pretende que aprendamos com tudo o que aconteceu durante o ano?</em> Cada um de nós teve sua própria experiência de disciplina e linha de aprendizado. Porém nem todos tiveram da mesma forma. Está escrito: <em>“Todo os seus filhos serão ensinados pelo Senhor</em>” (Isaias 54:13), mas nem todos os filhos estão lendo na mesma página e no mesmo momento.</p>
<p>Não aprendemos a esperar mais de Deus e menos dos homens? Fazer menos resoluções, mas sim cumprir aquelas que foram formadas com sabedoria e fervor? Não enxergamos mais da instabilidade das alegrias terrenas? Acaso, não aprendemos mais detalhadamente sobre a necessidade de usar o tempo presente e a habilidade adquirida? Porventura não estamos agora conscientes de que não somos nem tão bons, nem tão sábios, tão fortes e nem tão constantes quanto pensávamos que éramos? Fomos ensinados a diminui para que Ele seja engrandecido, à maneira de João Batista, que bradou: “<em>Que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30)</em>?. Essas verdades valem a pena serem aprendidas. Não tenho tempo nem disposição para sugerir mais daquelas lições que a prática nos ensina quando nossos corações estão preparados para a instrução de Deus. Deveríamos ter aprendido muito em 365 dias. Assim espero. Permita-me agora apenas mencionar uma dessas verdades que me veio à mente.</p>
<p>Durante o ano último ano, pude ver que <em>há mais amor e unidade entre o povo de Deus do que geralmente se acredita</em>. Não falo de maneira egoísta, mas sim, com gratidão. Eu não tinha ideia de que os cristãos, de todas as igrejas, iriam espontaneamente e importunamente orar pelo prolongamento da minha vida. Sinto-me como um devedor de todo o povo de Deus nesta terra. Cada segmento da igreja parecia competir com todo o resto em enviar palavras de conforto para minha esposa, e apresentar intercessões a Deus em meu nome. Se alguém tivesse profetizado, vinte anos atrás, que um ministro dissidente<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>, e muito franco, receberia orações de muitas igrejas anglicanas, como na Abadia de Westminster e na Catedral de São Paulo, eu não teria acreditado. Mas foi assim que aconteceu<em>. Há mais amor no coração dos cristãos do que eles mesmos conhecem. </em>E confundimos nossas divergências de pensamentos com desvio de afeição, de modo que essas estão longe de se tratar da mesma coisa. Nestes dias de críticas inférteis, os crentes de todos os tipos serão levados a uma genuína unidade. De minha parte, acredito que todas as pessoas espirituais já são uma. Quando o Senhor orou para sua igreja fosse uma (João 17), sua oração foi atendida e seu verdadeiro povo ainda neste momento, em espírito e em verdade, é um Nele. Suas diferenças na maneira como adoram são como os sulcos de um campo, e o campo não deixa de ser um por causa das marcas do arado. Entre o racionalismo e a fé existe um abismo imensurável, entretanto onde há fé no Pai Eterno, fé no supremo sacrifício e fé no Espírito Santo, há uma união viva, amorosa e duradoura.</p>
<p>Eu aprendi também que quando a igreja pleiteia com súplicas sinceras,<em> ela deve e será ouvida</em>. Nenhum caso é desesperador quando muitos oram. As doenças mais mortais se abrandam diante do poder da intercessão comunitária. Enquanto eu viver, sou uma personificação visível do fato de que, através da oração da fé, apresentada pela Igreja de Cristo, nada é impossível. Valeu a pena ter ficado muito enfermo para ter aprendido esta verdade e tê-la experimentado em minha própria carne.</p>
<p>Neste pequeno recinto, provavelmente um ou outro pode dizer: “essas não são exatamente as lições que aprendemos neste ano”. Sim, talvez não sejam. Mas se você aprendeu mais de Jesus e de Seu divino amor, que excede todo entendimento, isso já é o suficiente. Sejamos gratos por ter aprendido um pouco mais de Jesus e não se julguem pelas realizações de outras pessoas mais velhas ou mais experientes. Contudo, regozijem-se no Senhor. Bendigam a Deus pela luz das estrelas, e Ele lhes dará a luz do luar. Louve-o pelo luar e Ele lhe concederá a luz do Sol. Agradeça a Ele pela luz do Sol e você ainda chegará àquela cidade onde os moradores não precisam da luz do Sol, pois o Senhor Deus os ilumina para todo o sempre (Apocalipse 21:23). Que este ano se encerre com bênção! Amém.</p>
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<p><span style="color: #ff0000;"><strong><em>Sermão 2</em></strong></span></p>
<p><em>Perspectivas Divinas para o Ano Novo</em></p>
<p>Breve sermão pregado na manhã de sexta-feira,</p>
<p>1º de Janeiro de 1892</p>
<p><em>Por Charles Haddon Spurgeon</em></p>
<p>Para um pequeno grupo de amigos e sua esposa Susannah</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Que foi sua última pregação em vida, antes de seu falecimento </strong></span></p>
<p>Em 31 de Janeiro de 1892,</p>
<p>Em Menton, Sul da França, onde estava hospedado.</p>
<p><em>(e Editada da revista “The Sword of the Trowel” de Fevereiro de 1892),</em></p>
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<p>Atravessando o umbral do ano novo nessa hora, olhamos para adiante e, o que é que vemos? Ainda que pudéssemos conseguir um telescópio que nos permitisse ver o final do ano, teríamos sabedoria para usá-lo? Acho que não. Desconhecemos os eventos que nos esperam: da vida ou a morte, nossa ou de nossos amigos, ou das mudanças de posição, de enfermidade ou a saúde. Que grande misericórdia é que essas coisas estejam ocultas para nós! Se víssemos antecipadamente nossas mais seletas bênçãos, elas perderiam seu frescor e sua doçura, enquanto impacientemente as aguardássemos. A antecipação se tornaria amarga, se converteria em desânimo, e a familiaridade geraria desprezo. Se pudéssemos ver antecipadamente nossas tribulações, nos preocuparíamos por elas muito antes que efetivamente viessem, e nesse desassossego perderíamos o aproveitamento de nossas bênçãos presentes. A grande misericórdia estendeu um véu entre nós e o futuro, e o deixou dependurado lá.</p>
<p>Ainda assim, nem tudo está oculto. Vemos com claridade algumas coisas. Digo: ‘nós’, porém, quero dizer aqueles cujos olhos foram abertos, pois não é qualquer pessoa que pode enxergar no sentido mais verdadeiro. Uma dama disse ao Sr. Turner: ‘<em>Olhei com frequência esse panorama, mas nunca vi o que você incorporou em seu quadro’</em>. O grande artista simplesmente lhe respondeu: ‘<em>Não desejaria poder vê-lo</em>?’ Olhando ao futuro com o olho da fé, os crentes podem ver muitas coisas que estão ocultas para os que não possuem fé. Permitam-me dizer-lhes em algumas palavras o que eu enxergo quando examino para o novo ano.</p>
<p>Vejo uma <em>estrada construída </em>desde este primeiro de Janeiro de 1892 ao primeiro de Janeiro de 1893. Vejo um caminho projetado pelo conhecimento antecipado e a predestinação de Deus. Nada sobre o futuro é deixado ao azar, nem a queda de um pardal, nem a queda de um cabelo são deixados ao fortuito, antes bem, todos os eventos da vida estão arranjados e assinalados. Não só cada volta do caminho está assinalada no mapa divino, como também cada pedra da rota, cada gota do orvalho matutino e toda névoa noturna que cai sobre a erva que cresce junto ao caminho. Não vamos cruzar um deserto sem pisadas; o Senhor ordenou nossa senda em Sua infalível sabedoria e infinito amor. <em>‘Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e deleita-se no seu caminho.” [Salmo 37:23].</em></p>
<p>Vejo, a seguir, <em>um Guia fornecido</em>, como nosso companheiro ao longo do caminho A ele dizemos de boa vontade: “<em>Guiar-me-ás com o teu conselho</em>” [Salmo 73:24]. Ele espera para ir conosco através de cada segmento do caminho. ‘<em>O Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo [Deuteronômio 31:8]</em>. Não fomos deixados para que passemos pela vida como se fosse um deserto solitário, um lugar de dragões e corujas, pois Jesus disse: ‘<em>Não os deixarei órfãos; voltarei para vós” [João 14:18].</em></p>
<p>Ainda que perdêssemos pai e mãe, e os amigos mais queridos, há Alguém que veste nossa natureza, e que nunca se sairá de nosso lado. Alguém semelhante ao Filho do Homem ainda está trilhando os caminhos vitais dos corações crentes, e cada crente verdadeiro sai do deserto apoiando-se sobre o Amado. Sentimos a presença do Senhor Jesus inclusive agora, nessa sala, onde dois ou três estão reunidos em Seu nome; e confio que a experimentaremos ao longo de todos os meses do ano, seja que se trate da estação do canto dos pássaros, ou na estação dos frutos maduros, ou nos escuros meses quando os blocos de gelo congelados parecem feitos de ferro. Nessa Riviera, deveríamos dar-nos conta, sem tanto esforço, da presença de nosso Senhor, porque o campo se parece muito a “<em>tua terra, ó Emanuel” </em>[Isaias 8:8]. Aqui está a terra do azeite de oliva, dos figos e dos ramos de Escol. Junto a esse mar azul, caminhou e escalou por essas colinas rochosas. Porém, seja aqui, ou em qualquer outra parte, esperemos que ELE permaneça conosco, para fazer com que esse ano seja verdadeiramente ‘<em>um ano de nosso Senhor’ [Isaias 61:2]</em>.</p>
<p>Junto ao caminho e ao Guia, percebo muito claramente, graças ao olho da fé, <em>a força requerida para a viagem designada</em>. Ao longo de toda a distância do ano, temos que encontrar pousadas onde possamos descansar e tomar refrigério, e logo prosseguir em nosso caminho cantando: “<em>restaura a minh’alma</em>” [Salmo 23:3]. Teremos a fortaleza suficiente, mas nenhuma além, e essa força virá quando seja requerida. Quando os santos imaginam que possuem força sobrando, se convertem em pecadores, e estão aptos a ter seus cabelos cortados pelos filisteus. O Senhor do caminho ministrará aos peregrinos suficientes suprimentos para a viagem, mas Ele pode não achar sensato sobrecarregá-los com fundos supérfluos.</p>
<p>O Deus todo suficiente não lhes falhará com aqueles que confiam Nele. Quando chegarmos ao lugar para carregar o fardo, chegaremos ao lugar para receber a força. Se agradar ao Senhor multiplicar nossos problemas de um para dez, ele aumentará nossa força na mesma proporção. O Senhor ainda diz a cada crente: <em>‘A tua força seja como os teus dias’ [Deuteronômio 33:25]</em><em>.</em> Você não sente ter ainda a graça que necessita para morrer: e daí? Você ainda não está morrendo. Enquanto você tem que enfrentar os negócios e o dever da vida, espere em Deus a graça que essas coisas precisam: e quando a vida esteja se esvaindo e seu único pensamento ser sobre desembarcar na costa Eterna, então olhe para Deus, teu Salvador, pela graça da morte no tempo da morte. Podemos esperar uma onda de força divina quando a força humana estiver falhando, e uma concessão de energia contínua conforme a necessidade diária o necessite. Nossas velas serão avivadas no tanto que precisem arder. Nossa presente debilidade não deve tentar-nos a limitar ao Santo de Israel. Há uma hospedaria em cada passo dos Alpes da vida, e uma ponte que cruza cada rio da tribulação que atravessa nosso caminho rumo à Cidade Celestial. Os santos anjos que nos guardam são tão numerosos como os anjos caídos que nos tentam. Nunca teremos uma necessidade para a qual nosso Pai não houvesse previsto nenhum recurso.</p>
<p>Eu vejo, muito claramente, <em>um poder que governa</em> todas as coisas que ocorrem no caminho que trilhamos. Vejo um alambique no qual são transformadas todas as coisas. “<em>E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” [Romanos 8:28]</em>. Vejo uma mão que opera maravilhas, que converte para nós às espadas da enfermidade em arados de correção e as lanças da tribulação em ganchos de poda para disciplina. Graças a essa habilidade divina, as coisas amargas se tornam doces e os venenos são convertidos em remédios. “<em>nada vos fará dano algum</em>” [Lucas 10:19], é essa é uma promessa demasiadamente forte para uma fé frágil, mas a plena segurança descobre que ela é verdadeira. Já que Deus é por nós, quem poderia estar contra nós? Que felicidade é ver Jeová mesmo como nosso estandarte, a Deus mesmo conosco como nosso Capitão! Sigamos adiante no Ano Novo, pois “<em>nenhum mal te sucederá</em>” [Salmo 90:10].</p>
<p>Mais uma coisa que é a essência do brilho: esse ano confiamos que veremos Deus glorificado por nós e em nós. Se cumprirmos nosso fim mais importante, alcançaremos nosso prazer mais excelso. É o deleite do coração renovado pensar que Deus pode obter glória de tais criaturas pobres como nós. “<em>Deus é luz</em>” [1 João 1:5]. Não podemos aumentar Seu brilho, mas podemos atuar como refletores que, ainda que não tenham nenhuma luz própria, quando o sol brilha sobre eles refletem seus raios, e os enviam aonde não teriam chegado sem tal reflexo. Quando o Senhor brilha em nós, projetamos essa luz nos lugares escuros e faremos que os que estão submersos na sombra da morte, se alegrem em Jesus nosso Senhor. Esperamos que Deus tenha sido de alguma maneira glorificado em alguns de nós durante o ano passado, porem confiamos que será glorificado por nós muito mais no ano que agora começa. Estaremos contentes de glorificar a Deus ativa ou passivamente.  Queremos que seja de tal maneira que quando a história de nossa vida seja escrita, qualquer um que a leia não nos considere como ‘homens que se fizeram a si mesmos, mas sim como obras de Deus, em quem Sua graça foi engrandecida. Os homens não podem ver a argila em nós, mas sim nas mãos do Oleiro. De um disseram: “é um excelente pregador”, mas de outro, falaram: “Nunca notamos como prega, <em>mas sentimos que Deus é grande</em>”. Desejamos que nossa vida inteira seja um sacrifício, um altar de incenso que fumega continuamente com um doce perfume para o Altíssimo. Ó, ser levado ao longo do ano sobre as asas do louvor a Deus: subir de ano em ano, e elevar em cada ascensão um cântico mais excelso e, no entanto, mais humilde para o Deus de nossa vida! A visão de uma vida repleta de louvor jamais acabará, mas continuará ao longo da eternidade. De salmo em salmo e de aleluia a aleluia, subiremos o monte do Senhor até chegar ao Lugar Santíssimo, onde, com rostos velados, nos curvaremos diante da Majestade Divina na bem-aventurança da adoração sem fim. Ao longo desse ano, que o Senhor seja com você. Amém!</p>
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<p><strong>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSES TEXTOS PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.</strong></p>
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<p><strong>Título original:</strong>  <em>BREAKING THE LONG SILENCE &#8211;  Mr. Spurgeon&#8217;s last two Addresses, delivered at Menton, on New Year’s Eve, and New Year’s Morning, 1892</em></p>
<p><em>Publicado em LONDRES, </em><em>Por PASSMORE AND ALABASTER</em></p>
<p><em>Inicialmente como artigo na edição de março de 1892 da revista “The Sword of the Trowel” e posteriormente como um livreto individual </em></p>
<p><strong><em>Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público</em></strong></p>
<p><em>Tradução do texto “Retrospectivas Divinas de Fim de Ano” : Bárbara Tomaz</em></p>
<p><em>Revisão: Armando Marcos</em></p>
<p><em>Tradução e revisão do texto “Perspectivas Divinas para o Ano Novo” : Armando Marcos</em></p>
<p><em>Edição e capa: Armando Marcos</em></p>
<p><em> 1º edição: 31 de dezembro de 2024 </em></p>
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<p><em><strong>NOTAS DO SERMAO 1 </strong></em></p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> FONTES DAS INFORMAÇOES “The Sword of the Trowel” de Março de 1892 e capitulo 19 do livro “Charles Haddon Spurgeon – A Biography” de W.Y.Fullerton.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Não achamos a fonte da liturgia que Spurgeon cita, porém, ao pesquisar em inglês, Spurgeon usou essa ideia em vários textos e sermões, que é uma frase que aparece primeiro em um sermão pregado em 1604 por Lancelot Andrewes [1555-1626] ,um bispo anglicano que foi um dos responsáveis pela supervisão da tradução da King James Version <a href="https://anglicanhistory.org/lact/andrewes/v2/passion1604.html">https://anglicanhistory.org/lact/andrewes/v2/passion1604.html</a> . Essa frase também aparece em um comentário do puritano John Trapp [1601-1669] em 1657  <a href="https://www.studylight.org/commentaries/eng/jtc/psalms-22.html">https://www.studylight.org/commentaries/eng/jtc/psalms-22.html</a>  e também em um comentário do puritano Thomas Brook [1608-1680]  de 1675 <a href="https://www.gracegems.org/Brooks/golden_key5.htm">https://www.gracegems.org/Brooks/golden_key5.htm</a>  , dois autores que Spurgeon considerava bastante . O mais provável é que a fonte de Spurgeon seja mesmo Andrewes, pois ele o cita nominalmente no “Tesouro de Davi” no comentário ao salmo 22 <a href="https://cleansedbycoal.wordpress.com/2020/03/02/the-unknown-sufferings-of-christ-lancelot-andrewes/">https://cleansedbycoal.wordpress.com/2020/03/02/the-unknown-sufferings-of-christ-lancelot-andrewes/</a> . Muito provavelmente (Nota do Revisor)</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> A “Revised Version”  da King James Bible de 1611 é Foi a primeira e continua a ser a única revisão oficialmente autorizada e reconhecida da versão King James na Grã-Bretanha. Foi autorizada pela Igreja da Inglaterra em 1870 e concluída em 1885. Teve grande impacto,  e é considerada o precursora de toda a tradição de tradução moderna. Spurgeon usou essa versão Revisada em alguns sermões. (Fonte: Wikipédia)</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Referência tipológica de Cristo com base em Levítico 16 (Nota do Revisor)</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Núm. 21:8–9, João 3:14-15</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Estrofe do Hino “Before the throne of God above”, escrito pela autora irlandesa Charity Lees Smith (1841-1923), que foi publicado pela primeira vez em 1863, e incluído por Spurgeon em seu próprio hinário “Our Own Hymn-Book” em 1866, para ser cantado à capela, com o título “Jesus intercede por mim”. Esse hino é amplamente conhecido hoje em dia pela letra adaptada e melodia composta pelo ministério americano “Sovereign Grace Music”. FONTE: <a href="https://www.hymnologyarchive.com/before-the-throne-of-god-above">https://www.hymnologyarchive.com/before-the-throne-of-god-above</a></p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Dissidente aqui, se refere aos “Não Conformistas” com a Igreja Estatal da Inglaterra, como os batistas ingleses são definidos, a priori, desde 1688 – Nota do Revisor</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Deus Encarnado, o Fim do Medo &#8211; Sermão N° 727</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2024/12/deus-encarnado-o-fim-do-medo-sermao-n-727/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Dec 2024 06:59:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sermão]]></category>
		<category><![CDATA[Sermões de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[C.H.Spurgeon]]></category>
		<category><![CDATA[NATAL]]></category>
		<category><![CDATA[SPURGEON A FAVOR DO NATAL]]></category>
		<category><![CDATA[SPURGEON CONTRA O NATAL]]></category>
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					<description><![CDATA[Pregado na manhã de Domingo, 23 de Dezembro de 1866, por C.H.SPURGEON no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres COMPRE NA AMAZON AQUI  (Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto) “E o anjo lhes disse: Não temais” Lucas 2:10 (ACF) Quando o &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2024/12/deus-encarnado-o-fim-do-medo-sermao-n-727/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-CAPA-SERMAO.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-8897" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-CAPA-SERMAO.jpg" alt="" width="360" height="543" /></a>Pregado na manhã de Domingo,</p>
<p>23 de Dezembro de 1866, por</p>
<p><em>C.H.SPURGEON</em></p>
<p>no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres</p>
<p><strong><a href="https://amzn.to/3DLtQEQ">COMPRE NA AMAZON AQUI</a>  </strong><strong>(Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto)</strong></p>
<p><strong><em>“E o anjo lhes disse: Não temais”</em></strong><strong> Lucas 2:10 (ACF)</strong></p>
<p>Quando o anjo do Senhor apareceu aos pastores, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles, eles ficaram aterrorizados. Chegou ao ponto em que os homens tiveram tanto medo de seu Deus, que quando o SENHOR enviou Seus pacíficos mensageiros com boas novas de grande alegria, os homens ficaram cheios de pavor como se fosse o anjo da morte que tivesse aparecido com a espada erguida diante deles. O silêncio da noite e a sua sombria escuridão não causaram temor no coração dos pastores, mas o alegre arauto dos céus, revestido das delicadas vestes das glórias da graça, fizeram eles temerem. De modo algum podemos condenar os pastores por esse motivo, embora eles fossem particularmente tímidos ou ignorantes, eles estavam apenas agindo como qualquer outra pessoa daquela época teria feito nas mesmas circunstâncias.</p>
<p>Não foi porque eram pastores simples que ficaram atemorizados de tão maravilhados, pois é provável que até os profetas bem instruídos teriam demonstrado o mesmo sentimento. Porque há muitos casos registrados nas Escrituras em que as autoridades de seu tempo tremeram e sentiram pavor das noites longas quando as manifestações sobrenaturais de Deus lhes eram concedidas.</p>
<p>Na verdade, um temor servil a Deus era tão comum que surgiu <em>uma tradição</em> dele, que foi universalmente recebida como nada mais e nada menos que seguinte verdade: geralmente acreditava-se que toda manifestação sobrenatural deveria ser considerada um símbolo de morte rápida. “<em>Certamente pereceremos porque vimos a Deus.</em>”(Juízes 13:22) não foi apenas a conclusão de Manoá, mas sim, da maioria dos homens de sua época. Na verdade, poucas pessoas eram aquelas mentes bem-aventuradas que, como a esposa de Manoá, podiam pensar de um ponto de vista mais positivo: “<em>Se o Senhor tivesse a intenção de nos destruir, Ele não nos teria mostrado coisas como essas.” </em>(Juízes 13:23).</p>
<p>Tornou-se a firme convicção estabelecida de todos os homens, sejam letrados ou ignorantes, bons ou maus, que uma manifestação de Deus não era tanto para se celebrar, pelo contrário, era para ser temida. Da mesma forma que disse Jacó: “<em>Quão terrível é este lugar! Não é outro senão a casa de Deus</em>” (Gênesis 28:17). Sem dúvida o espírito que originou essa tradição foi incentivado pela <em>dispensação legal</em>, a qual é mais adequada para servos medrosos do que filhos amados. Era o espirito da escrava, que gerou em escravidão. Como na solene noite em que foi ordenada a prática da maior ordenança numa noite de tremor, a morte estava presente na morte do cordeiro<em>. </em>(conf. Êxodo 12).  O sangue estava espalhado pelos umbrais das casas, não havia fogo para assar o cordeiro, e todos os sinais do julgamento estavam lá para marcar a mente com temor. Foi na terrível meia-noite que solenemente se reuniram a família, com porta fechada, e os próprios convidados numa atitude ansiosa e aterrorizados, pois os seus corações podiam ouvir o som das asas do anjo da morte ao passar pela casa.</p>
<p>Mais adiante na história, quando Israel chegou no deserto, e a Lei foi proclamada, porventura não lemos que o povo ficou afastado? E que limites foram estabelecidos ao redor do monte? E se caso um animal tocasse o monte seria apedrejado ou abatido por um dardo? (conf. Êxodo 19:12-13).  Foi um dia de medo e tremor quando Deus falou com eles do meio do fogo. Não foi com os acordes suaves da harpa, do hinário ou do saltério que a lei do Senhor chegou aos ouvidos de Seu povo. Não foi pelo voo suave dos anjos que a mensagem veio, nem por algum dia ensolarado e calmo, dado por Deus, que a mente foi cativada. Pelo contrário, foi através de som de trombeta e trovões, no meio dos resplandecentes relâmpagos, e com Sinai totalmente fumegando que a lei foi dada. A declaração da lei era clara: “<em>Não se aproximem daqui a noite!</em>”. O espírito do Sinai é medo e tremor.</p>
<p>As cerimônias da lei eram mais para inspirar temor do que gerar confiança.  O levita no templo viu derramamento de sangue desde o primeiro dia do ano até o final do ano. A manhã nascia com o derramamento de sangue do cordeiro, e as sombras da tarde não poderiam se pôr sem que o sangue fosse novamente derramado sobre o altar. Deus estava no meio do arraial, todavia a coluna de nuvem e de fogo era Seu cômodo inacessível. O emblema de Sua glória estava oculto atrás da cortina de linho fino azul e escarlate torcido, atrás da qual apenas um pé poderia passar, e isso apenas uma vez por ano (conf. Levítico 16). Homens falavam do Deus de Israel com respiração pausada, em voz baixa e num tom solene. Eles não aprenderam a falar: “<em>Pai Nosso que estás nos céus”. </em></p>
<p>Eles não receberam o Espírito de adoração e não estavam capacitados a dizer ‘Abba’, Pai. Eles sofriam sob o espírito da escravidão, o que os deixava com muito medo quando o Senhor manifestava Sua presença entre eles por meio de qualquer derramamento imprevisto de Sua glória. Por trás de todo esse temor servil estava <em>o pecado</em>.</p>
<p>Nunca encontramos Adão com medo de Deus, nem temendo qualquer manifestação da Dele enquanto ele estava no paraíso como uma criatura obediente, mas assim que ele tocou no fruto proibido, percebeu que estava nu e se escondeu (Genesis 3:7). Ao ouvir a voz do Senhor Deus caminhando no jardim no final do dia, Adão ficou apavorado e escondeu-se da presença do Senhor entre as árvores do jardim. O pecado torna todos nós miseráveis covardes. Veja, o homem que antes conseguia manter um diálogo agradável com seu Criador agora se esconde no jardim como um malfeitor consciente de sua culpa e que teme enfrentar os oficiais da justiça.</p>
<p>Amados, para <em>remover</em> este terrível pesadelo no medo servil do seio da humanidade, onde sua horrível influência reprime todas as aspirações mais nobres da alma, nosso Senhor Jesus Cristo veio em carne. Esta é uma das obras do diabo que Ele se manifestou para destruir. Os anjos vieram anunciar as boas novas do advento do Deus encarnado, e a primeira nota de sua canção foi uma antecipação da feliz consequência de Sua vinda a todos aqueles que O receberiam.  O anjo declarou: “<em>Não temais</em>”, como se os tempos de medo tivessem findados e os dias de esperança e jubilo tivessem chegado. “<em>Não temais</em>”. Essas palavras não foram dirigidas apenas àqueles pastores trêmulos, mas também foram dirigidas a <em>você</em> e a mim, sim, e a todas as nações as quais as boas novas chegariam. Deixe Deus não ser mais um objeto do seu temor servil! Não fiquem mais distante Dele. A Palavra se fez carne. Deus desceu seu tabernáculo entre os homens para que não haja barreira de fogo nem um abismo escancarado entre Deus e o homem.</p>
<p>Desejo abordar este assunto esta manhã, e que Deus me ajude. Tenho consciência da riqueza do assunto e estou muito ciente de que não posso fazer jus. Eu sinceramente pediria a Deus, o Espírito Santo, que fizesse você beber do cálice dourado da encarnação de Cristo os goles que eu tenho desfrutado em minhas meditações pessoais. Dificilmente posso desejar maior alegria para meus amigos mais queridos. Para o medo não há antídoto mais excelente do que o tema daquela canção da meia-noite, os primeiros e melhores corais natalinos, que desde a primeira estrofe até a última nota ressoa a doce mensagem, que começa com “<em>não temais</em>”:</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong><em>“É o meu mais doce conforto, Senhor,</em></strong></p>
<p><strong><em>E sempre será,</em></strong></p>
<p><strong><em>Meditar sobre a graciosa verdade</em></strong></p>
<p><strong><em>Da Tua Humanidade.</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Ah, alegria! Habitando em carne,</em></strong></p>
<p><strong><em>Sobre um trono resplandecente,</em></strong></p>
<p><strong><em>Nascido de uma mãe humana,</em></strong></p>
<p><strong><em>E em perfeita Divindade brilhante!</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>“Embora os fundamentos da terra sejam abalados,</em></strong></p>
<p><strong><em>Até suas profundezas; </em></strong></p>
<p><strong><em>Embora todo o universo, tremulo,</em></strong></p>
<p><strong><em>Seja varrido para a destruição;</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Para sempre Deus, para sempre homem,</em></strong></p>
<p><strong><em>Meu Jesus permanecerá;</em></strong></p>
<p><strong><em>E fixada Nele está, minha esperança permanece</em></strong></p>
<p><strong><em>Eternamente segura.”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></em></strong></p>
<p>Queridos amigos, primeiro chamarei a atenção de vocês com algumas <em>observações sobre o temor de que já contei</em>. Assim, em segundo lugar, <em>despertarei sua sincera atenção para o remédio que os anjos vieram proclamar</em>. E então, em terceiro lugar, conforme tivermos tempo, nos esforçaremos para fazer <em>uma aplicação deste remédio sob várias circunstâncias.</em><span id="more-8896"></span></p>
<p><strong>I. Com respeito ao TEMOR que lemos no texto, talvez fosse bom fazer algumas considerações.</strong></p>
<p>Existe um tipo de medo de Deus do qual não devemos querer ser livres. Há aquele temor lícito, necessário, admirável e excelente que é sempre devido da criatura ao Criador, do súdito ao rei, sim, e do filho aos pais. Esse temor santo e filial de Deus, que nos faz temer o pecado e faz com que buscamos ser obedientes aos Seus mandamentos deve ser cultivado, uma vez que, “<em>tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaríamos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?” (Hebreus 12:9) </em>. Isto é o “<em>temor do Senhor é o princípio da sabedoria</em>” <em>(Provérbios 9:10)</em>. Ter um santo respeito por nosso santíssimo Pai, justo, reto e terno é um privilégio, e não um julgo.</p>
<p>O<em> temor do Senhor</em> não é o mesmo que o “<em>temor que atormenta</em>” (1 João 4:18), o amor perfeito não o lança fora esse, mas habita com ele em perfeita harmonia. Os anjos amam a Deus perfeitamente, e ainda assim, com temor santo, eles cobrem suas faces com suas asas quando se aproximam Dele, e nós quando contemplarmos em glória a face de Deus e estivermos preenchidos com toda a Sua plenitude, não cessaremos de ter a humildade e a reverência na adoração a Infinita Majestade. O temor pela santidade de Deus é obra do Espírito Santo, e ai do homem que não o possui. Por mais que ele se vanglorie, o fato dele “<em>apascenta-se a si mesmo sem temor” [Judas 12] </em>é uma marca de sua hipocrisia.</p>
<p>O temor que deve ser evitado é o temor servil, ou seja, o medo que expulsa o amor perfeito, como Sara expulsou a escrava e seu filho [Gênesis 21:8]. Aquele temor que nos mantém afastados de Deus, que nos faz pensar Nele como um Espírito com quem não podemos ter comunhão, como um ser que não se importa conosco exceto para nos punir, e por quem, por consequência, não nos importamos, a menos que seja para fugir, se possível, de Sua terrível presença.  Este temor às vezes surge no <em>coração dos homens por causa de suas reflexões que se concentram exclusivamente na grandeza divina</em>.  Acaso, é possível espreitar o grande abismo do infinito e não ter medo? Acaso pode a mente humana se submeter a ponderar a respeito do Eterno, Auto Existente e Infinito Deus sem ficar cheia, primeira de admiração, e depois, de pavor? Quem sou eu? Um pulgão rastejando sobre uma roseira é uma criatura mais perceptível em relação ao universo do reino animal do que eu, quando me comparo a grandeza de Deus. O que eu sou? Um grão de poeira, que não chega nem a mover a balança da mais delicada e precisa, chega a ser algo grande se comparado ao ser humano diante de Jeová. Na melhor das hipóteses somos vaidade, e ainda, menos do que nada. Todavia, há mais assuntos para nos humilhar do que esses. Tivemos a impertinência de sermos desobedientes à vontade deste grande Ser, e agora, a bondade e a grandeza de Sua Natureza são para nós como uma corrente contraria, a qual a humanidade pecadora luta em vão, pois a torrente irresistível deve seguir seu curso e subjugar todos os seus opositores.</p>
<p>O que o grande Deus nos parece fora de Cristo senão um maravilhoso rochedo? Ameaçando nos esmagar, ou como um mar bravo apressando-se a nos gradar? A contemplação da grandeza divina pode, por si só, encher o homem de horror e lançá-lo numa miséria indescritível! Reflita muito nesses assuntos e, como Jó, você tremerá diante de Jeová, que do seu trono move a terra de seu lugar e faz tremer os seus pilares.</p>
<p>Cada um dos <em>atributos severos de Deus</em> causará de igual forma o temor. Pense em Seu poder pelo qual Ele faz rotacionar as estrelas, e cubra sua boca com as mãos. Pense em Sua sabedoria pela qual Ele enumera das nuvens e estabelece as ordens do céu. Medite sobre qualquer um desses atributos, mas sobretudo, em Sua justiça e sobre aquele fogo devorador que arde incessantemente contra o pecado, logo, não é de se admirar que a alma fique cheia de temor.</p>
<p>Por enquanto, deixe que o <em>senso de pecado, </em>com seu grande chicote de arame, flagele a consciência e de temor com o simples conceito de Deus. Pois este é o peso da voz da consciência para o homem culpado<em>: “Se você fosse uma criatura obediente, este Deus ainda seria terrível para você, pois até os céus não são puros diante de seus olhos, e Ele acusou Seus anjos de insensatez. Ora, quem és tu para que seja considerado justo com Deus ou ter alguma reivindicação sobre Ele? Uma vez que você O ofendeu, levantando a sua mão de rebelião contra a insondável majestade da onipotência – O que você imagina que pode acontecer contigo? Qual pode ser a sua porção senão ser afastado para sempre como um monumento de sua justa ira?</em>”</p>
<p>Agora, um medo como esse sendo facilmente criado numa mente que pensa, e sendo de fato, como me parece, a herança natural do homem, como consequência do pecado, <em>é muito doloroso e prejudicial</em>. Pois, onde quer que haja um pavor por causa da subordinação ao Ser Divino, isso aliena o homem completamente de seu Deus. Somos, por nossa própria natureza maligna, inimigos de Deus, e a imaginação de que Deus é cruel, severo e terrível acrescenta mais lenha ao fogo de nossa inimizade.  <em>Aqueles a quem tememos servilmente, não podemos amar. </em>Você não conseguiria fazer com que seu filho demonstrasse amor por você se seu coraçãozinho estivesse cheio de medo, se temesse ouvir seus passos e ficasse em pânico com o som de sua voz, de fato, ele não poderia amá-lo.</p>
<p><em>Uma das obras-primas de Satanás é enganar o homem, apresentando-lhe à mente uma imagem odiosa de Deus</em>. Ele sabe que os homens não podem amar aquilo que os aterroriza e, assim, pinta o Senhor da graça como um ser duro e implacável que não aceita o arrependido e que não tem piedade dos abatidos. Deus é amor! Certamente, se os homens tivessem graça suficiente para enxergar a beleza daquele retrato de Deus – aquela miniatura esboçada contendo apenas uma única linha: “<em>Deus é amor</em>!”, eles voluntariamente serviriam a tal Deus.</p>
<p><em>Quando o Espírito Santo capacita a mente humana a perceber o caráter de Deus, o coração do homem não pode se recusar a amá-Lo.  </em>Por mais baixos, caídos e depravados que sejam os homens, quando são iluminados do alto para ponderar corretamente a respeito de Deus, seus corações se derretem sob os amáveis feixes luminosos do divino amor, e eles amam a Deus porque Ele os amou primeiro.</p>
<p>Entretanto, aqui está a obra-prima de Satanás: ele não permite que a mente humana perceba a excelência do caráter de Deus, e desse modo, o coração não pode amar aquilo que a mente não entende como sendo algo amável e bom. Além de afastar o coração de Deus, esse temor cria um preconceito contra o <em>Evangelho da Graça de Deus</em>.</p>
<p>Há pessoas neste lugar, nesta manhã, que acreditam que se fossem religiosas seriam infelizes. É uma convicção bem consolidada de metade de Londres que crer em Jesus e ser obediente a Deus, que é a essência de toda religião verdadeira, seria sua própria miséria. “Ah”, diz o homem mundano, “eu deveria desistir do meu prazer, se eu me tornar um cristão”. Veja, esta é uma das calúnias mais perversas que já foi inventada, e ainda assim é uma crença comum em todos os lugares. É a teologia popular que ser inimigo de Deus é sinônimo de felicidade, enquanto ser amigo de Deus é tristeza.  Que opinião dos homens devem ter de Deus, quando creem que amá-Lo é ser miserável! Ó, se pudessem entender, se soubessem quão bom o Senhor é, ao invés de imaginar que ser Seu servo seria escravidão. Eu oro para que eles pudessem apenas entender que ser amigo Dele é a posição mais elevada e mais feliz que as criaturas podem ocupar.</p>
<p>Este temor, em alguns, <em>os afasta de todo coração de serem salvos</em>. Ao pensarem que Deus é um ser zeloso, eles se mantêm distantes Dele, e se houver alguma doce atração de vez em quando em um sermão, como algum suave quebrantamento de sua consciência, o bom desejo nunca amadurece numa resposta concreta. Eles não dizem: “<em>Eu me levantarei e irei para meu Pai</em>”, porque eles não O conhecem como Pai; eles apenas O conhecem como um fogo consumidor, e um homem não diz: “<em>Levantar-me-ei e irei para um fogo consumidor</em>”. Não, mas assim como Jonas, ele pagaria de bom grado sua passagem, independentemente da despesa, e iria para Tarsis com o propósito de fugir da presença do Senhor.  É isso que torna o homem tão miserável — o fato de que eles não podem fugir de Deus pois imaginam que se pudessem escapar de Sua presença, então rumariam para a bem-aventurança.  Entretanto, estando condenados a estar onde Deus está, então eles entendem que só lhes resta a infelicidade e a miséria. Os suaves ventos da advertência da misericórdia e os trovões da justiça são de igual forma impotentes sobre os homens enquanto suas mentes estiverem cauterizadas e tornadas insensíveis por um temor profano de Deus.</p>
<p>Esse medo perverso de Deus frequentemente leva <em>os homens aos extremos do pecado.</em> O homem diz: “<em>Não há esperança para mim. Cometi um erro fatal ao ser inimigo de Deus e estou irremediavelmente arruinado. Não tenho esperança de que algum dia serei restaurado à felicidade e à paz. Então, o que farei? Lançarei as rédeas sobre o pescoço de minhas paixões, desafiarei o destino e arriscarei. Terei a felicidade que pode ser encontrada no pecado. Se não puder me reconciliar com o céu, serei um bom servo no inferno”.</em> Consequentemente, sabe-se que os homens se apressam de um crime a outro com uma criatividade maliciosa de rebelião contra o Senhor, como se nunca pudessem ficar satisfeitos nem felizes até que acumulassem mais e mais obstinações contra a majestade de Deus, o qual temem em seus corações com temor intensamente diabólico unido com ódio. Se eles pudessem compreender que Ele ainda está disposto a receber os rebeldes, que no Seu íntimo anseia pelos pecadores, se eles pudessem pelo menos uma vez crer que Ele é amor e que não deseja a morte de um pecador, pelo contrário, preferiria que tal se voltasse para Ele para que vivesse, certamente o curso de suas vidas seria mudado. Contudo, o deus deste mundo os cega e difama o Senhor até que considerem uma insensatez submeter-se a Deus.</p>
<p>Queridos amigos, este mal que causa mil males opera de inúmeras formas maléficas. Ó, é infame, é perverso, imaginar que Deus, o qual é luz e não há trevas alguma, seja objeto de tamanho pavor. É infernal, não posso dizer menos, é diabólico ao mais alto grau, pintar Deus como um demônio, sendo Ele Jeová, o Deus do amor. Ó, impertinência do príncipe das trevas, e a insensatez dos homens, em consentir com isso de que Deus seja indisposto a perdoar, odioso, cruel, duro, mal.  Sendo que Ele é amor, supremamente e acima de todas as coisas, amor.  Ele é justo, porém ainda mais amoroso de fato pois é justo. Ele é verdadeiro e, portanto, certamente punirá o pecado, e punirá porque não seria nem bom nem justo deixar o pecado impune. Logo, esta é uma ingratidão vil por parte de uma criatura que recebe muito, por difamar seu benfeitor. O mal que é assim feito ao Senhor recai sobre o homem, porque esse medo atormenta. Não há miséria mais atormentadora no mundo do que pensar em Deus como nosso inimigo implacável.</p>
<p>Vocês, cristãos, que perderam há muito tempo o espírito de adoção, vocês que se afastaram do Senhor, nada pode ser mais assustador para vocês do que o medo de que Deus o tenha rejeitado e não o receba novamente. Ó, desviados, nada pode afastá-los do Pai celestial com o temor Dele. Se vocês puderem realmente saber que Ele não deve ser temido com um temor servil, vocês viriam a Ele como seus filhos fazem com vocês, e diriam: “<em>Meu Pai, eu o ofendi, tenha misericórdia de mim! Meu Pai, estou aborrecido e entristecido por meu pecado, perdoe-me, receba-me novamente em Teus braços e socorra-me com Tua poderosa graça para que eu logo possa andar em Teus preceitos e ser obediente à Tua vontade</em>”.</p>
<p>Meus queridos amigos, vocês que conhecem alguma coisa a respeito da vida espiritual, não percebem que quando vocês têm doces pensamentos a respeito de Deus soprados em vocês do alto, e tem o especial amor de Deus derramado em seus corações, logo, <em>é assim que vocês são mais santos!</em> Vocês não percebem que a única maneira pela qual vocês podem crescer naquilo que é moral e espiritualmente amável é ter seu Deus gracioso em grande estima e sentir Seu precioso amor ardendo em seus corações?  <em>Que sejam como crianças, é o que o Senhor deseja para Seus eleitos</em>.  É isso que Seu Espírito opera em Seus escolhidos e é isso onde devemos chegar se quisermos ser participantes da herança dos santos na luz. O temor servil se opõe tanto a fé genuína de uma criança, o qual é como se fosse um veneno de víbora. O pavor e o medo revelam em nós tudo o que pertence ao adulto e não à criança, pois nos incita a resistir ao objeto de nosso medo.  Uma confiança firme na bondade de Deus lança fora todo medo e traz à tona tudo o que há de infantil em nós. Você já viu uma criança confiar em algum homem grande e rude, e derrubá-lo com sua confiança? Ela confiou onde aparentemente não havia motivos para confiar e criou um terreno para si mesma.</p>
<p>Essa mesma criança que simplesmente e implicitamente confia em um pai amoroso e bom é uma nobre imagem, e se eu, uma criança pobre, fraca e débil, consciente de que sou assim, sabendo que sou todo formado por insensatez e fraqueza, somente acredito em meu <em>bem</em>, o grande Deus, por meio de Cristo Jesus, venha confiar-me a Ele e o deixe-O fazer aquilo que lhe apraz comigo, crendo que Ele não será cruel e não agirá com insensatez. Se eu puder repousar completamente em Seu amor e ser obediente à Sua vontade, então terei alcançado o ponto mais alto que uma criatura pode alcançar. O Espírito Santo terá então realizado em mim Sua obra consumada e estarei apto para o céu. Amados, é porque o medo se opõe e impede isso, que eu digo com o anjo: “<em>não temais</em>”.</p>
<p><strong>II.</strong> Temo que eu os canse enquanto falo sobre esse assunto um tanto doloroso e, assim, com tanta brevidade quanto a abundância do tema permitir, vamos observar em segundo lugar, <strong><em>A CURA PARA ESSE TEMOR</em></strong> o qual o anjo veio anunciar. E se consiste nisto: “<em>Hoje na cidade de Davi, nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor</em>” (Lucas 2:11).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>“Até que o Deus encarnado veja,</em></strong></p>
<p><strong><em>Meus pensamentos não encontrarão conforto;</em></strong></p>
<p><strong><em>Os santos, justos e sagrados Três</em></strong></p>
<p><strong><em>São terrores para minha mente.</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Mas se o rosto de Emanuel aparecer,</em></strong></p>
<p><strong><em>Minha esperança, e minha alegria começam;</em></strong></p>
<p><strong><em>Pois Seu nome proíbe meu medo servil,</em></strong></p>
<p><strong><em>Sua graça remove meus pecados.</em></strong>”<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></p>
<p>Essa é a nossa cura: Deus conosco, Deus se fez carne. Vamos tentar mostrar com isso através do hino do anjo. Segundo o texto, eles não deveriam temer, pois, antes de tudo, o anjo veio trazer as boas novas. Como isso aconteceu? Ele disse: “<em>Trago boas novas de grande alegria”. </em>Mas qual foi esse Evangelho? Mais adiante nos é dito que o Evangelho foi o fato de Cristo ter nascido. Portanto, é uma boa notícia para os homens que Cristo nasceu, que Deus desceu e assumiu a forma humana, numa união consigo mesmo. <em>Aquele que fez os céus dorme numa manjedoura. </em></p>
<p>E então? Por que então Deus não é necessariamente um inimigo do homem? Pois aqui Deus realmente está assumindo a humanidade em aliança com a Deidade. Não pode haver uma inimizade permanente, irreversível e enraizada entre as duas naturezas, caso contrário, a natureza divina não poderia ter considerado a natureza humana numa união hipostática consigo mesma. Não há conforto nessas palavras? Você é um homem pobre, pecador e fraco, e o que o faz temer ao Senhor é esse medo de que exista uma inimizade permanente entre Deus e o homem. Entretanto, não é necessário que haja tal inimizade, uma vez que o seu Criador realmente tomou sobre si a humanidade em perfeita união consigo mesmo.</p>
<p>Ora, você não vê outro pensamento aqui? O Eterno parece estar tão distante de nós.  Ele é infinito e nós somos criaturinhas. Parece existir um grande abismo firmado entre o homem e Deus, mesmo sendo nós obras de suas mãos.  Mas, observe, Aquele que é Deus também se tornou homem. Nunca ouvimos dizer que Deus tomou a natureza dos anjos em uma união consigo mesmo. Logo, podemos dizer que entre a Divindade e a natureza de um anjo ainda deve existir uma distância infinita. Porém aqui, o Senhor realmente <em>uniu a humanidade consigo mesmo</em>. Portanto, já não há um grande abismo entre um elo e outro, pelo contrário, existe aqui uma maravilhosa união. Deus estabeleceu laços matrimoniais com a humanidade.</p>
<p>Ó minha alma, você não fica agora como um pobre órfão, solitário, aguardando no vasto oceano o seu pai que o deixou para trás e que está tão longe que não pode ouvi-lo. Você não soluça e suspira agora como uma criança deixada nua e indefesa, tendo seu criador se afastado, estando longe demais, para considerar suas necessidades ou ouvir seus gritos. Não, pelo contrário, <em>o seu Criador tornou-se como você</em>. Acaso essa é uma palavra muito forte para se usar? Aquele pelo qual nada do que foi feito se fez, é o Verbo que habitou entre nós e se fez carne; se fez carne de tal modo que Ele foi tentado em todas as áreas, assim como nós somos, mas sem pecado.</p>
<p>Ó humanidade, alguma vez houve notícias como esta para você?! Pobre humanidade, fraca, verme e pó da terra, muito inferior aos anjos, levante a cabeça e não tenha medo! Ah, pobre humanidade, nascida em debilidade, vivendo em trabalhos, coberta de suor e finalmente morrendo para ser comida pelos vermes; não se envergonhe mesmo na presença dos serafins, pois ao lado de Deus Pai, está o homem, e nem mesmo um arcanjo pode estar tão próximo, mesmo estando no mesmo ambiente, não, de modo algum, não tão próximo de Deus. Dificilmente há isso a ser dito, porque Jesus, que é Deus, também é homem.</p>
<p>Jesus Cristo, eternamente Deus, nasceu, viveu e morreu como nós também<em>. Essa é a primeira palavra de conforto para expulsar o nosso temor. O segundo ponto que tira o temor é que esse homem, que também é Deus, de fato, nasceu. </em>Observe a expressão que o anjo usou: “<em>lhes nasceu</em>” (Lucas 2:10).<em>  </em>Nosso Senhor Jesus Cristo é, em alguns sentidos, mais homem que Adão. Adão não nasceu. Adão nunca teve que lutar contra os riscos e debilidades da infância. Ele não conhecia as miudezas da infância, uma vez que ele cresceu e amadureceu imediatamente. Nosso pai Adão não conseguia simpatizar conosco quando erámos um bebê ou uma criança. Agora, todavia, Jesus é semelhante ao filho do homem! Ele está conosco envolto por panos numa manjedoura. Ele não começa entre nós como um homem de meia-idade, como Adão, mas nos acompanha em nossas dores, fraquezas e enfermidades da infância, e continua conosco até a sepultura.</p>
<p>Amados, este é um doce conforto. Aquele que hoje é Deus já foi uma criança, de modo que se minhas necessidades forem pequenas e até mesmo triviais e igualmente infantis, eu posso ir até Ele, uma vez que Ele já foi uma criança. Embora os grandes da terra possam zombar do filho da pobreza e os levem a dizer: <em>“Você é muito mal e seu problema é muito pequeno para se ter pena e ser considerado”</em>.  Recordo-me com humilde alegria, de que o Rei do céu foi sustentado no peito de uma mulher e envolto em panos, e assim, conto a Ele todas as minhas tristezas. Ó! Quão maravilhoso é que Ele foi um bebê e ainda assim Deus sobre todos, nos abençoando para sempre! Não tenho medo de Deus agora. Este abençoado vínculo entre mim e Deus, o santo menino Jesus, eliminou todo o medo.</p>
<p>Observe que o anjo lhes contou um pouco sobre Seu ofício, assim como sobre Seu nascimento: “<em>Lhes nasceu hoje o Salvador</em>” (Lucas 2:11a). <em>O principal objetivo pelo qual Ele nasceu e veio neste mundo foi para que pecadores fossem libertos do pecado</em>. Logo, o que foi que nos deixou atemorizados? Não tínhamos medo de Deus porque sentíamos que estávamos perdidos em nossos pecados? Pois bem, aqui está a alegria das alegrias. <em>Aqui não encontramos apenas nosso Senhor que veio e viveu entre nós, como homem, mas também, Ele se fez homem para salvar o ser humano daquilo que o separava de Deus Pai</em>.</p>
<p>Eu me sinto, como se pudesse chorar por alguns aqui, que têm vivido descontroladamente e se distanciado de Deus, seu pai, por causa de seus maus caminhos. Eu sei que eles têm receio de voltar. Eles pensam que o Senhor não os receberá, e que não existe mais misericórdia para pecadores como eles.  Ah, mas pense nisso: <em>Cristo Jesus veio buscar e salvar aquele que estava perdido</em>. Ele nasceu para salvar. Se Ele não salva, logo, Ele nasceu em vão, pois o propósito do Seu nascimento foi a salvação. Se Ele não for o salvador, então a missão de Deus na terra perdeu sua finalidade, uma vez que seu desígnio era que pecadores perdidos pudessem ser salvos.</p>
<p>Perdeu um, sim, o inferno perdeu um, se houvesse uma notícia de que um anjo veio a terra para salvá-lo, já poderíamos encontrar alguma alegria nisso, entretanto, temos noticiais ainda melhores. Pois, Deus veio, o Grande Eu Sou, o Todo-Poderoso, desceu do mais alto céu para poder resgatar você, um pobre miserável, impotente e pecador. Acaso não encontramos conforto aqui? Acaso o Salvador encarnado não elimina o terrível pavor que paira sobre os homens, como uma nuvem escura?</p>
<p>Observe também que o anjo não se esqueceu de descrever a pessoa deste Salvador: “<em>Lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor</em>” (Lucas 2:11). Ai está a sua humanidade. Como homem, Ele foi ungido. “<em>O Senhor</em>”, aqui vemos a Sua Divindade. Sim, esta é a firme verdade sobre a qual firmamos nossos pés<em>: Jesus de Nazaré é Deus</em>.  Aquele que foi concebido no ventre da virgem e nasceu numa manjedoura de Belém, é agora, assim como sempre foi, Deus sobre todos e bendito para sempre. <em>Não existe evangelho se Ele não for Deus. </em>Não é nenhuma novidade anunciar o nascimento de um grande profeta. Tivemos grandes profetas antes, mas o mundo nunca foi redimido do mal pelo mero testemunho da verdade, e nunca será. Conte-me que Deus nasceu, que o próprio Senhor abraçou nossa natureza e a uniu a Ele, então os sinos do meu coração irão tocar alegremente, <em>porque agora posso ir até Deus, já que Ele primeiro veio a mim</em>.</p>
<p>Queridos amigos, todavia, vocês perceberão que o teor da mensagem que o anjo proclamou está nisso, “<em>para todos vocês</em>”. Você nunca obterá o genuíno conforto do encarnado Salvador até perceber seu interesse pessoal Nele. Cristo, como homem era o representante. Aliás, nunca houve senão dois homens representantes, o primeiro é Adão, e Adão enquanto era obediente, todo povo permanecia de pé, por outro lado, em Adão desobediente, todo povo caiu. Por isso, “<em>em Adão todos morreram</em>”. Agora, o homem Jesus é o nosso segundo grande representante. Todavia, Ele não representa todos, mas sim, todos aqueles que Seu Pai lhes deu. Desse modo, ele é o representante dos eleitos. Logo, independente do que Jesus Cristo fez, se você pertence àqueles que estão ligados Nele, Ele fez por você. Para que seja, Cristo circuncidado conforme a lei ou Cristo crucificado, Cristo morto ou Cristo ressuscitado, você é participante de tudo o que Ele fez e de tudo o que Ele é, uma vez que você é um com Ele.</p>
<p>Veja, então a felicidade e o consolo da encarnação de Cristo. Será que Jesus, como homem, foi capaz de levar a humanidade para o céu? Sim, Ele me levou até lá. Nosso pai Adão caiu, e eu caí porque estava nele. Porquanto o Senhor Jesus Cristo ressuscita, e eu ascendo se estou Nele. Amados, vejam, quando Cristo Jesus foi pregado no madeiro todos os seus eleitos foram pregados ali, e sofreram e padeceram Nele. Quando Ele foi colocado na sepultura, todo o Seu povo dormiu Nele, pois estavam nos lombos de Jesus assim como Levi estava nos lombos de Abraão. E assim, quando Jesus ressuscitou, eles ressuscitaram e receberam a antecipação de sua própria ressurreição do futuro, porque Ele vive, logo, eles viverão, e agora que Ele subiu aos céus para reivindicar o trono, Ele o reivindicou para cada alma que está ligada Nele.</p>
<p>Ó, isso de fato é uma alegria! Então, como posso ter medo de Deus, uma vez que neste dia, pela fé, eu, um pobre pecador indigno, tendo colocado minha confiança em Jesus, ouso dizer que estou assentado no trono de Deus. Não, não pense que fomos longe demais, pois na pessoa de Cristo, todo cristão é elevado e feito se assentar, juntos, nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Porque assim como Jesus está lá, representativamente cada um de nós está Nele. Eu gostaria de ter o poder de trazer à tona a tão preciosa doutrina da encarnação, o quanto posso desejar, porque quanto mais meditamos sobre ela, mais felizes nos tornamos.</p>
<p>Observemos como essa verdade é muito importante a respeito de Jesus, o Filho de Deus veio realmente em carne. É uma verdade tão importante que temos três testemunhas designadas para mantê-la diante de nós na terra<em> (1 João 5:8)</em>.</p>
<p>Por vezes, temos perseverado neste local na espiritualidade da esperança cristã. Mostramos que o exterior na religião, por si só, de nada vale, visto que é o espírito no nosso interior que é o que há de mais importante. Devo confessar que algumas vezes perguntei a mim mesmo, e espero que não tenha sido de forma rebelde: “<em>Qual o propósito desse batismo e para que serve essa comunhão da Ceia do Senhor?</em>”. Ora, essas duas ordenanças externas, quaisquer que sejam seus excelentes usos, têm sido as duas coisas em torno das quais mais erros se aglomeram, mais do que quaisquer outras ordenanças. E eu ouvi dizer, de amigos inclinados a seguir mais devotadamente os ensinos dos <em>Quakers</em>, a seguinte questão: “<em>Por que não deixamos de lado por completo o que as práticas que são exteriores e visíveis aos olhos? Que seja o batismo do Espírito, e não o Batismo com água. Que não tenha os elementos da ceia, o pão e o vinho, mas que tenha a comunhão com Cristo sem esses sacramentos visíveis</em>”.</p>
<p>Devo confessar que embora não ouse prosseguir com isso, porque espero permanecer firme no claro testemunho das Escrituras, mas meu coração se deixou levar pela tentação e eu disse desanimado: “<em>Os homens sempre perverterão esses dois sacramentos, não seria bom se só os seguissem?”. </em>Enquanto fui exercitado meu pensamento sobre este assunto, consciente de que as ordenanças estão corretas e devem ser obedecidas, encontrei descanso naquele texto: “ <em>E três são os que testificam na terra: o Espirito, a água e o sangue”</em> (1 João 5:8). Eles testemunham a missão de Jesus como Cristo, ou seja, de fato testemunham a encarnação de Deus.</p>
<p>Eles testificam a materialidade de Cristo. Você já percebeu que, geralmente, quando as pessoas desistem das duas ordenanças, elas revelam uma tendência de desistir do fato que literalmente Deus se fez carne? Literalmente o fato de que Cristo era realmente um homem tem sido geralmente posto em dúvida ou colocado em segundo plano quando os dois sacramentos externos são abandonados, e eu creio que essas duas ordenanças simbólicas, que são um elo entre o espiritual e o material, estão firmadas e surgiram de um propósito de apresentar Jesus Cristo, que embora gloriosamente sendo espirito,  era também um homem, envolto em um corpo carnal e com sangue de verdade, assim como nós, para que Ele pudesse ser visto e tocado, assim como Ele falou: “ <em>Vejam minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; toquem em mim e vejam se é verdade, porque um espirito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho</em> (Lucas 24:39)”.</p>
<p>Quando penso sobre o <em>Espírito Santo,</em> que dá testemunho de que Cristo era realmente um homem, penso Nele por esse testemunho. Então, me volto para a <em>água</em>, e quando leio que Cristo foi batizado nas águas no rio Jordão publicamente, percebo que Ele não poderia ter sido um fantasma.  Não poderia ter sido um mero ser espectral, uma vez que estava imerso em água. Logo, Ele deve ter sido um homem de carne e osso, em matéria.</p>
<p>A preservação do sacramento do batismo é um testemunho da existência do Deus encarnado.  Em seguida, vem o <em>sangue. </em> Ele não poderia ter derramado seu sangue no Calvário, se fosse um fantasma. E também, não poderia ter sido sangue escorrendo de Seu lado quando a lança o perfurou, caso Ele fosse apenas uma aparição fantasmagórica. Pelo contrário, Ele precisaria ser de carne e osso, totalmente palpável, como nós. E sempre que nos aproximamos à Sua mesa, pegamos o cálice e ouvimos as palavras: “<em>Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado por vocês”</em> (Lucas 22:20), este é a terceira testemunha, na terra, do fato de que Jesus veio em carne e com sangue, assim como todo homem.</p>
<p>Portanto, o Espírito, a água e o sangue são os três testemunhos sólidos na Igreja de Deus de que Cristo Jesus era e é Deus, e de que Ele também era e é real, genuinamente e verdadeiramente homem. Eu terei ainda mais prazer com esse sacramento por causa disso. Essas duas ordenanças servem para nos fazer lembrar que Cristo era homem, e que a religião tem algo a ver com este nosso corpo e sangue, uma vez que este mesmo corpo ressuscitará do túmulo. Jesus veio para libertar esta pobre carne da corrupção, e assim, embora devamos sempre manter o espiritual em primeiro lugar, somo impedidos de rejeitar o nosso corpo material, como se este fosse do diabo, Jesus purificou tanto o reino carnal como o reino espiritual, e em ambos Ele reina triunfantemente.  Há muito consolo aqui nessas palavras.</p>
<p><strong>III. Por fim, só podemos usar mais alguns segundos para a A APLICAÇÃO DO REMÉDIO PARA VÁRIOS CASOS.</strong></p>
<p>Filho de Deus, você que diz: “Não me atrevo a ir ao Pai hoje, sinto-me tão fraco”. Não temas, pois Aquele que nasceu em Belém disse: “<em>A cana quebrada não esmagarei, e o pavio que fumega não apagarei</em>” (Isaías 42:3). Outro diz: “jamais chegarei ao céu, nunca verei a face de Deus”, e ainda, com toda firmeza diz, “pois estou sendo tão tentado”. Para você, “<em>não tema</em>”, pois “<em>não temos um sumo sacerdote que não possa se compadecer das fraquezas de nossas enfermidades, uma vez que Ele mesmo foi tentado, de todas as formas, assim como vocês</em>” (Hebreus 4:15). “Ah, mas estou tão solitário no mundo”, diz outro, “nenhuma pessoa cuida de mim”. De qualquer forma, há um homem que se importa tanto contigo, um verdadeiro homem, como você. Ele ainda é seu irmão e não se esquece de um espírito abatido e solitário.</p>
<p>Mas também ouço um pecador dizer: “Tenho medo de ir a Deus esta manhã e confessar que eu sou um pecador”. Então, não vá a Deus, mas vá a Cristo. Certamente você não O temeria<em>. Veja Deus em Cristo, e não fora de Cristo</em>. Se você pudesse conhecer Jesus, você imediatamente iria a Ele, pois saberia que Ele o diria: “<em>Vá e não peques mais”. </em>Outro alguém diz: “não posso orar, porque tenho medo de orar”. Ora, não diga isso quando é um homem também aquele que o escuta! Você pode temer a face do Senhor, mas quando Deus é em carne e osso, você entende que não há motivos para ficar aterrorizado? Vá, pobre pecador, se aproxime de Jesus.</p>
<p>Outra pessoa diz: “me sinto incapaz de ir”. Você pode ser incapaz de ir a Deus, mas não de ir a Cristo. Existe requisitos e habilidades necessárias para permanecer no santo monte do Senhor, mas não há requisitos para vir ao Senhor Jesus.  Ora, venha como você se encontra, culpado, perdido e arruinado. Venha como está e Ele o receberá. E aí ouço alguém dizer nos fundos: “Ah, não posso confiar”. Entendo que você não seja capaz de confiar no Grande Deus invisível, todavia, será que ao menos você não pode confiar naquele Filho do Homem sofredor e ferido, que também é o Filho de Deus? Por fim, ouço, “Mesmo assim, não posso esperar que Ele ao menos me veja”. Apesar disso, Ele costumava olhar para quem você é. Lembre-se que Ele recebeu publicanos e pecadores, comeu com eles, e até mesmo as prostitutas não foram expulsas de Sua presença. Ó, já que Deus levou o homem à união consigo mesmo, <em>não tema</em>!</p>
<p>Caso eu converse com alguém que por causa do pecado se afastou tanto de Deus, que tem até pânico ao pensar no nome do Senhor, e ainda assim, visto que Cristo Jesus é chamado de “o amigo dos pecadores”, rogo que você reflita sobre Ele, ó pobre alma, como seu amigo. Ah! Que o Espírito Santo abra seus olhos cegos para que você veja que não há motivos para você se afastar de Deus, exceto seus próprios pensamentos equivocados sobre Ele! Que você creia que Ele é capaz e está disposto a te salvar! Que você possa compreender seu grande caráter, bom e cheio de graça, Sua prontidão para ultrapassar a transgressão, a iniquidade e o pecado! E que as doces influências da graça o constranjam a vir a Ele nesta mesma manhã! Que o Senhor conceda que Jesus Cristo possa ser gerado em você, que a esperança da glória seja gerada em ti, e que logo você possa cantar: “<em>Glória a Deus nas alturas, paz na terra e boa vontade para com os homens.”</em> (Lucas 2:13). Amém.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>PORÇÃO DA ESCRITURA LIDA ANTES DO SERMÃO &#8211; Lucas 2:1-24</strong></p>
<hr />
<p><strong>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.</strong></p>
<p><strong>FONTE</strong></p>
<p>Traduzido de <a href="https://www.spurgeongems.org/sermon/chs727.pdf">https://www.spurgeongems.org/sermon/chs727.pdf</a></p>
<p><em>Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público.</em></p>
<p>Título original: <em>God Incarnate, the End of Fear</em></p>
<p>Sermão nº 727—Volume 7 do <em>The Metropolitan Tabernacle Pulpit</em></p>
<p>Tradução: Bárbara Thomaz</p>
<p>Revisão e diagramação: Armando Marcos</p>
<p>Imagem da capa: “<em>The Annunciation to the Shepherds</em>” do pintor holandês calvinista Benjamin Gerritsz. Cuyp (1612 &#8211; 1652)  <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Gerritsz._Cuyp">https://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Gerritsz._Cuyp</a></p>
<p><strong>&#8211; APOIE nossos Projetos contribuindo com qualquer valor no nosso PIX email : </strong><a href="mailto:projetospurgeon@gmail.com"><strong>projetospurgeon@gmail.com</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><a name="_Toc150191976"></a> NOTAS</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Hino <em>“Christ´s Humanity</em>” de Edward Caswall [1814-1878], que apareceu pela primeira vez em 1858 no livro “The masque of Mary : and other poems”. Spurgeon incluiu esse hino em seu próprio hinário “Our own Hymn-Book”, sob o número 260, e o citou em diversos sermões. FONTE: <a href="https://archive.org/details/masqueofmaryothe00caswrich/page/n11/mode/2up?q=Christ%27s+Humanity&amp;view=theater">https://archive.org/details/masqueofmaryothe00caswrich/page/n11/mode/2up?q=Christ%27s+Humanity&amp;view=theater</a> E <a href="https://archive.org/details/ourownhymnbook0000chsp/page/n259/mode/2up">https://archive.org/details/ourownhymnbook0000chsp/page/n259/mode/2up</a>  .Há de se notar que Caswall foi um clérigo anglicano e escritor de hinos que se converteu ao catolicismo romano por influência do movimento de Oxford em 1847. Spurgeon aproveitou um hino de um converso ao catolicismo romano nesse momento, mas certamente aproveitando a utilidade dele nesse sentido. [N.do Revisor]</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Versos 2 e 3 do Hino “God Reconciled in Christ” de Isaac Watts [1674-1748] Publicado pela primeira vez na 2ª edição de seus <em>Hinos e Cânticos Sagrados</em> , em 1709. Segundo John Julian em seu <em>Dicionário de Hinologia</em>, esse hino “foi incluído em muitas das coleções mais antigas, como as de Whitefield e Toplady, e continuou a ocupar uma posição de destaque nos hinários até o presente” FONTE: <a href="https://hymnary.org/text/dearest_of_all_the_names_above">https://hymnary.org/text/dearest_of_all_the_names_above#</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um Feliz Natal &#8211; Sermão N° 352</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2024/12/um-feliz-natal-sermao-n-352/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Dec 2024 06:51:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sermão]]></category>
		<category><![CDATA[Sermões de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[NASCIMENTO DE JESUS]]></category>
		<category><![CDATA[NATAL]]></category>
		<category><![CDATA[SPURGEON A FAVOR DO NATAL]]></category>
		<category><![CDATA[SPURGEON CONTRA O NATAL]]></category>
		<category><![CDATA[SPURGEON ERA CONTRA O NATAL?]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/um-feliz-natal-spurgeon-capa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-8893" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/um-feliz-natal-spurgeon-capa.jpg" alt="" width="381" height="577" /></a>Pregado na manhã de Domingo,</p>
<p>23 de dezembro de 1860, pelo</p>
<p>REV. C.H.SPURGEON,</p>
<p>No Exeter Hall, Strand</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>“E foram seus filhos e festejaram em suas casas, cada um no seu dia; e mandaram chamar suas três irmãs para comerem e beberem com eles. E sucedeu que, passados </em></strong><strong><em>​​</em></strong><strong><em>os dias da sua festa, J</em></strong><strong><em>ó</em></strong><strong><em> os enviou e os santificou; e levantou-se de madrugada, e ofereceu holocaustos, segundo o n</em></strong><strong><em>ú</em></strong><strong><em>mero de todos eles; porque J</em></strong><strong><em>ó</em></strong><strong><em> disse: Pode ser que meus filhos pecaram e amaldi</em></strong><strong><em>ç</em></strong><strong><em>oaram a Deus em seus cora</em></strong><strong><em>çõ</em></strong><strong><em>es. Assim fez J</em></strong><strong><em>ó</em></strong><strong><em> continuamente.</em></strong><strong><em>”</em></strong> <strong><em>–</em></strong><strong><em> J</em></strong><strong><em>ó</em></strong><strong><em> 1:4-5</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jó era um homem extremamente feliz antes de sua grande provação. Ele foi tão abençoado com o fruto de seu corpo como no seu cesto e na sua provisão. Nosso texto nos dá uma imagem muito agradável da família de Jó. Ele era um homem feliz por ter tido tantos filhos confortavelmente acomodados na vida; notem que todos eles tinham casas, e eles haviam deixado seu telhado; todos eles haviam se estabelecido e prosperado tanto no mundo que não havia nenhum deles que não tivesse bens suficientes para entreter todos os demais. De modo que parecia que a prosperidade de Jó em seus negócios havia acompanhado seus filhos nos diferentes lugares onde se estabeleceram. Para aumentar seu conforto, eles eram uma família indivisa: não como a casa de Abraão, onde havia um Esaú e um Jacó que procurava suplantá-lo; nem como a casa de Jacó, onde havia José, porém todos os demais irmãos tinham inveja e ciúme dele. Os descendentes de Jó eram uma grande tribo; mas eles estavam todos unidos e entrelaçados em laços de perfeita felicidade; além disso parecem ter tido um grande desejo de preservar a sua unidade como família. Talvez Jó e sua família fossem os únicos que temiam a Deus na vizinhança, e desejavam, portanto, manter-se unidos como um pequeno rebanho de ovelhas no meio de lobos, como um aglomerado de estrelas no meio da escuridão espessa; e que constelação brilhante eles eram, todos brilhando e proclamando a verdade de Deus!</p>
<p>Digo que era o desejo deles não apenas desfrutar do prazer e da paz, mas também mantê-los; pois penso que essas reuniões anuais em casas diferentes tinham a intenção de uni-los, de modo que, se surgisse alguma pequena discórdia, assim que se encontrassem na casa do próximo irmão, tudo poderia ser resolvido, e tudo poderia continuar novamente, ombro a ombro e pé a pé, como uma falange de soldados de Deus. Acho que Jó deve ter sido um homem muito feliz. Não sei se ele sempre ia às festas deles; talvez a sobriedade da idade o tenha desqualificado um pouco para participar de suas alegrias juvenis; mas tenho certeza de que ele elogiou o banquete deles. Tenho certeza de que ele não os condenou. Se ele o tivesse condenado, ele nunca teria oferecido sacrifício a Deus para que não pecassem, mas ele lhes teria dito imediatamente que era uma coisa pecaminosa e que ele não poderia tolerar isso. Acho que vejo o grupo feliz, tão feliz e santo que certamente se Davi estivesse lá, ele teria dito: “<em>Eis, quão bom e quão agradável é para os irmãos habitarem juntos em união!</em>” [Salmo 133:1 KJV1611]. Mas Jó era um homem piedoso, e tão piedoso que, ao contrário de Eli, ele criou sua família no temor de Deus, e não apenas foi rápido em observar qualquer pecado conhecido, mas também foi extremamente zeloso de seus filhos, para que secreta e inadvertidamente em seus corações, enquanto estavam em suas mesas lotadas, poderiam ter dito ou pensado qualquer coisa que pudesse ser considerado uma blasfêmia contra Deus. Ele, portanto, assim que a festa terminou, Jó reuniu-os todos e então, como pregador, contou-lhes o perigo a que estavam expostos, e como sacerdote (pois todo patriarca antes da lei era sacerdote) ele ofereceu holocaustos para que nenhum pecado permanecesse sobre seus filhos e filhas.</p>
<p>Assim diz o texto, e oro para que agora tenhamos graça para ouvi-lo; e que o que ouviremos agora permaneça conosco durante a próxima semana, quando alguns de vocês se reunirão em suas próprias casas! Que Deus conceda que nossos pais, ou nós mesmos, se formos pais, possamos ser como Jó, e quando a festa terminar, que venha o sacrifício e a oração, para que não tenhamos pecado e blasfemado contra Deus em nossos corações!</p>
<p>Dividirei meu sermão assim. Primeiro, o texto, e isso é festivo: <em>então tocaremos um sino alegre</em>. Em segundo lugar, o que está no texto, e isso é instrutivo: <em>assim tocaremos o sino do sermão.</em> E, em terceiro lugar, o que segue o texto, e que é aflitivo: <em>assim tocaremos o sino do funeral.</em><span id="more-8891"></span></p>
<p><strong>I. Primeiro, então, o texto em si, e isso é festivo: vamos, portanto, TOCAR O SINO FELIZ.</strong> Acho que ouço claramente três notas em seu repique alegre. Primeiro, o texto dá uma <em>licença</em>; em segundo lugar, sugere uma <em>cautela</em>; e em terceiro lugar, fornece uma <em>solução</em>.</p>
<p>E, primeiro, o texto dá <em>uma licença</em>. Agora, vocês que negariam a seus semelhantes todo tipo de alegria, venham e ouçam o alegre sino deste texto, enquanto ele dá uma licença especialmente aos justos: uma licença para que eles se reúnam em suas casas, e lá comam, bebam e louvem ao seu Deus. Nos dias de Cromwell, os puritanos consideravam uma coisa ímpia os homens guardarem o Natal. Eles, portanto, tentaram acabar com ele, e o pregoeiro comum atravessava as ruas anunciando que o Natal não deveria mais ser celebrado, sendo ele uma cerimônia papista, até mesmo uma cerimônia pagã<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>. Ora, você não supõe que, depois que o pregoeiro fez a proclamação, algum inglês vivo tenha notado isso; pelo menos, dificilmente posso imaginar que alguém o tenha feito, exceto para rir disso; pois é inútil coar mosquitos e se equilibrar sob uma pena. Embora não celebremos a festa como papistas, nem mesmo como um festival comemorativo, ainda assim há algo nas antigas associações que faz o dia ser um no qual homem pode livrar-se das preocupações dos negócios e divertir-se com os seus pequenos. Deus me livre de ser tão puritano a ponto de proclamar a aniquilação de qualquer dia de descanso que caiba ao trabalhador. Eu gostaria que houvesse meia dúzia de feriados no ano. Gostaria que houvesse mais oportunidades para os pobres descansarem; embora eu não tivesse tantos dias santos como há nos países romanos, no entanto, se tivéssemos apenas mais um ou dois dias em que a família do homem pobre e a família do homem rico pudessem se reunir, talvez fosse melhor para nós. No entanto, tenho certeza de que toda a pregação do mundo não acabará com o Natal. Vocês se encontrarão na próxima terça-feira, festejarão e se alegrarão, e cada um de vocês, na medida que Deus lhes deu recursos, se esforçará para deixar sua casa feliz.</p>
<p>Agora, em vez de lhe dizer que tudo isso está errado, acho que o alegre sinal do meu texto lhe dá licença para fazê-lo. Vamos pensar um minuto. Festejar não é uma coisa errada, caso contrário Jó teria proibido isso a seus filhos, e ele teria conversado com eles seriamente e os advertido de que a reunião em suas casas era um costume ímpio e perverso. Mas, em vez disso, Jó apenas temia que algo errado fosse feito de uma coisa certa, e ofereceu sacrifícios para remover sua iniquidade; mas ele de forma alguma condenou a festa em si. Algum de vocês pediria uma bênção pela frequência de seus filhos ao teatro? Você poderia dizer, quando eles estiveram em tal lugar: “Pode ser que eles tenham pecado?” Não, você só falaria assim de uma coisa incerta, o que não é o caso do teatro.  Acho que posso lhe provar que isso foi uma coisa boa, pois primeiro você notará que eles se reúnem em uma boa casa; eles não iam a uma cervejaria para festejar; eles não precisavam entrar na taverna; mas eles se reuniam em suas próprias casas, casas onde se costumava fazer oração e louvor. É muito melhor para o trabalhador gastar seu dinheiro com a família do que com vendedores de bebidas alcoólicas!</p>
<p>E eles estavam em boa companhia. Eles não reuniram todos os rufiões do lugar para festejar com eles, mas eles estiveram com seus próprios amigos e parentes &#8211; e festejar é bom quando os homens bons comem; especialmente quando poupam para os pobres, como sem dúvida fizeram os filhos de Jó, ou então eram bastante indignos de seu ancestral generoso. Festejavam em boas casas e em boa companhia. E observaram durante a festa o bom comportamento. Jó não poderia ter dito: “Pode ser”, mas teria dito: “É assim”. Ele deve ser um bom filho de quem um pai possa dizer: “Pode ser que ele tenha errado”. Tudo o que ele tinha era o medo de que secretamente eles pudessem ter feito algo errado; mas parece que abertamente seu banquete foi tal que mesmo a língua ocupada do escândalo não conseguiria encontrar falhas neles.</p>
<p>Além disso, as festas deles era uma coisa boa, porque tinha <em>uma boa intenção; foi pela amizade, pela alegria e pela união familiar</em>. Era para que pudessem ser unidos como um feixe de varas fortes e ininterruptas, para que pudessem ser como um cordão fortemente entrelaçado, entrelaçado por suas saudações e reuniões familiares. Agora, eu digo, que se no caso deles a coisa não estava errada – e penso ter provado em quatro aspectos que estava certa – foi em boas casas, em boa companhia, com bom comportamento e com um bom propósito, o texto nos dá licença para fazermos o mesmo e nos reunirmos em nossas casas, na companhia de nossos amigos e parentes, desde que festejemos bem, e o façamos com a boa intenção de unir nossos corações uns aos outros.</p>
<p>Mas, novamente: os bons homens de antigamente festejaram. Preciso lembrar-lhes do grande banquete que Abraão fez em sua casa, quando seu filho Isaque foi desmamado? Devo contar-lhes de Sansão e das suas festas, ou de Davi, ou de Ezequias, ou de Josias, e dos reis que davam a cada um o pão, e um bom pedaço de carne, e um jarro de vinho, e eles alegraram seus corações e festejaram diante de Deus?</p>
<p>Mas deixe-me lembrá-lo de que a festa, longe de ser um mal, era até mesmo <em>uma parte essencial da adoração divina sob a antiga lei</em>. Você não leu sobre a festa das trombetas, a festa dos tabernáculos, a festa da Páscoa, a festa das luas novas e quantas outras festas? Eles não se repetem frequentemente? Agora, se a coisa estivesse errada em si mesma, Deus certamente nunca a empregaria como um emblema e sinal das doutrinas divinas puras e celestiais de sua graça. É impossível que Deus tenha considerado uma coisa errada como uma figura de uma coisa certa. Ele pode pegar um bem comum e torná-lo um tipo de favor especial, mas não uma coisa má. Está longe de nós supor tal coisa do nosso Deus.</p>
<p>Além disso, <em>o próprio Salvador não aprovou um banquete e ajudou a fornecer aos convidados os recursos para que pudessem ter bom ânimo</em>? Você acha que o Salvador estava deslocado quando foi à festa de casamento? Você acha que ele foi lá e não comeu nem bebeu? Não foi dito dele: “<em>Eis um homem bêbado e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores?”. </em>Não que ele estivesse bêbado ou sendo bebedor de vinho, mas que ele “<em>veio comendo e bebendo”,</em> para destruir o farisaísmo que diz que aquilo que entra no homem contamina o homem, enquanto Cristo ensina “<em>o que entra no homem, mas o que sai do homem, isso contamina o homem</em>”. Jesus Cristo, eu digo, estava na festa, e vocês creem que ele tivesse um semblante triste? Ele azedou com o vinagre de um comportamento taciturno o vinho com que encheu as talhas? Não creio, mas acredito que naquela festa de casamento ele se juntou aos convidados. E se ele fosse de fato “<em>um homem de dores e familiarizado com trabalhos</em>”, como ele certamente era, ainda assim ele não guardava suas tristezas para si mesmo, pois se ele próprio veio a sofrer, ele veio para alegrar os outros, e não duvido que na festa ele parecia o mais feliz dos convidados, muito feliz porque era realmente o mestre da festa, e porque via no casamento a figura do seu próprio casamento, o seu próprio casamento divino com a Igreja, que é “<em>o noiva, a esposa do Cordeiro</em>.”</p>
<p>E, deixe-me acrescentar mais uma vez, <em>Deus certamente fez neste mundo provisões para o banquete do homem</em>. Ele não deu apenas pão seco o suficiente para um homem comer e manter corpo e alma unidos, pois as colheitas são abundantes e muitas vezes os celeiros ficam cheios até estourar. Oh Senhor, tu não deste simplesmente pão seco e água para a humanidade, mas encheste a terra com abundância, e leite e mel nos deste; e além disso Tu carregaste as árvores com frutas e deu guloseimas aos homens. Tu não és avarento; não distribuis com mão miserável a caridade magra e escassa que alguns homens dariam aos pobres, mas dá liberalmente e sem censura! E com que propósito isso é dado? Apodrecer, mofar, ser pisoteado, estragado? Não, mas para que os homens tenham mais do que o suficiente, para que tenham tudo o que desejam, e se regozijem diante de seu Deus, e possam alimentar os famintos, pois esta é, de fato, uma parte essencial e necessária de todo verdadeiro banquete cristão. Meu texto, eu repito, toca um sino alegre e nos dá licença para um banquete sagrado.</p>
<p>Mas agora o mesmo sino alegre sugere uma<em> advertência</em>. Jó disse – “<em>Pode ser</em>”. Eles eram bons filhos, e tenho certeza de que eram jovens bons e piedosos, caso contrário Jó não teria dito: “Pode ser”. Mas “pode ser”, disse ele; “<em>pode ser que meus filhos tenham pecado e amaldiçoado a Deus em seus corações</em>;” ou, como alguns traduzem, “<em>abençoaram muito pouco a Deus em seus corações</em>”. Eles podem não ter sido suficientemente gratos pela sua prosperidade e pelos prazeres que Deus lhes deu. &#8220;<em>Pode ser</em>.&#8221; Ouçam bem, irmãos, “<em>pode ser</em>” também, que você e eu pequemos e blasfememos contra Deus em nossos corações, e sejamos como os filhos de Jó podem ter sido, muito pouco agradecidos. Se, embora fossem verdadeiros homens e verdadeiras mulheres, embora todos tivessem Jó como o seu pai, e embora suas festas fossem em suas próprias casas, e de uma espécie correta e louvável, ainda assim havia um “talvez” para que possa haver pecado; sou muito supersticioso ou muito cuidadoso quando digo, irmãos, “pode ser”, pode ser que em nossa reunião mais feliz de nossa família, pode ser que pequemos! Acho que não poderíamos nos preferir aos filhos e filhas de Jó – isso seria justiça própria – certamente não somos orgulhosos o suficiente para nos considerarmos melhores do que os filhos daquele homem “perfeito e reto”, mas que temia, então o “pode ser”. Olhe para isso: prestem atenção a si mesmos, tenham cuidado, estejam em sua torre de vigia. Deixe-me apresentar algumas razões e argumentos pelos quais esse cuidado não é desnecessário.</p>
<p>E, primeiro, lembre-se de que <em>não existe lugar livre de pecado</em>. Você pode estabelecer limites neste monte, mas a besta tocará a montanha. Você pode se esforçar tanto quanto quiser para manter Satanás afastado; mas onde quer que houver dois reunidos, Satanás será sempre o terceiro. Nunca houve uma companhia onde o Maligno não se intrometeu em algum lugar. Ele não entra no seu negócio? Você não o encontra entrando em seu armário? Sim, e na própria mesa do Senhor, Satanás não se sentou lá e tentou Judas; sim, e te tentou também? Como, então, você pode esperar que, quando sua família estiver reunida, Satanás não esteja lá? Não está escrito: “<em>Os filhos de Deus se reuniram, e Satanás também veio entre eles</em>?” Tenho certeza de que nunca o convidaram, mas ele não liga para isso. E você descobrirá que sim. Nunca o convide para algo ímpio ou anticristão. Mas como há tentações por toda parte, por mais puras e corretas que sejam suas intenções, por mais excelente que seja sua companhia, pense que você ouve meu sininho tocando – “Pode ser, pode ser, pode ser”; esse “pode ser” um teste abençoado para você.</p>
<p>Além disso, lembre-se de que há muitas tentações especiais onde há uma mesa lotada. O velho Quarles<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> disse: “<em>Armadilhas cercam tua mesa de reunião</em>”<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>; e certamente acontece. Mais homens pereceram por causa da fartura de pão do que morreram de fome. “<em>A fome pode romper paredes de pedra</em>”<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>, ser algo desesperador, mas eu conheci festeiros que saltaram até sobre paredes douradas – paredes douradas da divina graça. Alguns homens cortam a garganta com os dentes, e muitos homens nadaram até o inferno pela própria garganta. Mais pessoas morreram afogadas numa bacia do que jamais foram afogadas no mar. Acredito que não preciso dizer nada disso para você. Espero que não. Se houver um homem aqui que caia na embriaguez, em nome de Deus, que tenha temor, pois não há entrada para os bêbados no reino dos céus. E falando agora aos homens cristãos, não aos homens que caem nesses vícios , digo que onde você usa a moderação mais adequada ao receber as coisas que Deus lhe dá, onde você se abstém totalmente daquilo que pode ser um tentação, mesmo aí sua mesa pode ser uma armadilha para você. Portanto, tome cuidado, crente, para que Satanás não arme uma emboscada debaixo da mesa familiar.</p>
<p>Lembre-se também de que aqueles que se sentam à mesa são apenas homens, e os melhores homens são apenas os melhores homens, e os homens têm tão pouca graça que, se não estiverem na torre de vigia, poderão em breve ser alcançados e eles podem dizer ou fazer aquilo de que terão que se arrepender depois. Ouvi dizer que há homens que engolem na terra bocados que terão de digerir no inferno, e não duvido disso. Houve momentos em que um grupo feliz se reuniu e a conversa tornou-se insignificante e depois cheia de leviandade; talvez tenha ido tão longe que depois, quando se retirassem para casa, teriam recordado as suas palavras, se isso fosse possível. Que esta advertência, então, ressoe em todos os nossos ouvidos: “Pode ser – pode ser – pode ser!” – e ajamos de modo que, se Cristo estivesse na festa, não teríamos vergonha de vê-lo lá. Falemos tal que se Cristo se sentasse à nossa mesa, não deveríamos considerá-lo um obstáculo à nossa alegria, mas antes, seríamos mais livres, alegres e contentes por causa de uma companhia tão três vezes abençoada. Oh! Não me diga que o cristianismo restringe nossa alegria. Meus irmãos, ela fecha um de seus canais – aquele canal escuro e imundo para onde a alegria do pecador deve fluir; mas abre outro canal, mais amplo, mais largo, mais profundo, mais puro, e o enche até as margens de alegria, mais brilhante e mais cheias de glória. Não pense que nós, que seguimos a Cristo e procuramos andar estritamente em nossa integridade, somos miseráveis. Dizemos que os nossos olhos brilham tanto quanto os seus, e que não temos a vermelhidão dos olhos pela manhã. Podemos dizer aos mundanos que o nosso coração, apesar de às vezes ficar pesado, se alegra no Senhor, e temos uma paz que é como um rio, e uma justiça que é como as ondas do mar. Ó homens cristãos! Não deixem o mundo pensar que vocês estão  excluídos de qualquer coisa parecida com a felicidade, antes, ajam e vivam assim em todos os momentos, para que vocês possam ensinar aos homens que é possível ser feliz sem pecado e ser santo sem ser taciturno e carrancudo. Esta é, então, a advertência que nosso alegre sino toca para nós.</p>
<p>Mas, então, em terceiro lugar, tendo dado uma licença e sugerido uma advertência, o alegre sino fornece <em>um remédio</em>. “Pode ser” – pode ser que tenhamos feito algo errado. E então? Aqui está um remédio para ser usado pelos pais e chefes de família e por nós mesmos.</p>
<p>Jó mandou buscar seus filhos como pai, ele os santifica como pregador, e ele sacrifica por eles como sacerdote. Por tudo o que entendo, ele primeiro ordenou que eles se reunissem e depois os santificou: isto é, ele primeiro falou com eles: elogiou-os pela excelente e admirável forma como se encontraram, disse-lhes como estava satisfeito ao ver o seu amor, a sua união, mas então ele disse: “Pode ser, meus filhos, que vocês sejam como nós e se arrependam juntos”; e assim, sendo, creio eu, como pessoas piedosas, eles se sentaram e refletiram sobre seus caminhos. Então, sem dúvida, o bom velhinho pediu-lhes que se ajoelhassem enquanto orava com eles, e depois expressou sua fé no grande Mediador vindouro, e assim, embora a fé do homem não possa prevalecer sobre outro, ainda assim a fé do pai ajudou a vivificar a fé dos filhos, e a oração do pai foi o meio de suscitar a oração dos filhos, e assim a família foi santificada. Então, depois disso, ele diria: “Não há afastamento do pecado, exceto pelo derramamento de sangue”; então eles buscaram os novilhos, um novilho para cada filho e para cada filha: o velho patriarca matou as vítimas, colocou-as no altar, e enquanto a fumaça subia, todos pensavam, se eles tivessem pecado contra Deus, ainda assim o sangue derramado, e a vítima oferecida poderia, como um tipo de Cristo, tirar seus pecados. Acho que vejo o bom velhinho, depois que o sacrifício foi todo concluído dizendo: “agora, meus filhos, voltem para suas casas; se você pecou, ​​seu pecado foi perdoado, se você transgrediu, a expiação feita cancelou sua transgressão, vocês podem ir para suas habitações e levar consigo a bênção paternal”.</p>
<p>Lembre-se de que é dito que Jó cuidou de seu trabalho sagrado “<em>de manhã cedo</em>”. É ruim ficar deitado na cama quando temos pecado na consciência. Aquele que tem um pecado não perdoado jamais deve caminhar lentamente até a cruz, mas correr para ela. Assim, Jó não dormia pela manhã nem uma hora mais até que visse seus filhos e suas filhas santificados e o sacrifício feito. Observe bem que “ele ofereceu de acordo com o número de seus filhos”. Ele não deixou nenhum de fora. Se orava pelos mais velhos, orava também pelos mais novos, e se suplicava pelos filhos, não se esqueceu das filhas. Ah! Pais, nunca se esqueçam de nenhum de seus filhos, mas leve todos eles diante de Deus. Que todos sejam consagrados a Ele, e que sua oração sincera suba por todos eles, desde seu Rúben até seu Benjamim, não deixe nenhum deles de fora, mas ore a Deus para que todos possam ser unidos no feixe da vida.</p>
<p>E observe mais uma vez: “<em>O mesmo fez Jó continuamente</em>”. Quantas vezes eles se visitavam, tantas vezes havia sacrifício. Suponho que eles faziam dez festas por ano; e os antigos comentaristas supõem que eles se reuniam no dia de seu aniversário. Eles não se absorviam ininterruptamente em festas. “Eles comeram e beberam, casaram-se e foram dados em casamento”, coisas essas que são bastante certas em si mesmas; mas se estivermos totalmente imersos neles, sempre comendo, sempre bebendo, sempre festejando, então eles se tornam pecados e, de fato, sempre se tornam pecado, a menos que, como as festas de Jó, sejam santificadas pela Palavra de Deus e pela oração. Se nossas reuniões forem assim santificadas, podemos dar graças em tudo, então “<em>aquele que come, come para o Senhor e dá graças a Deus</em>”, e sendo aceito em sua gratidão, comer é para a glória de Deus. Digo, então, meus queridos amigos, que Jó fazia isso continuamente, o que ensina aos pais o seu dever de implorar continuamente por seus filhos e filhas.</p>
<p>O objetivo das minhas observações é exatamente este. A maioria de vocês se reunirá na próxima terça-feira e celebrarão a festa doméstica. Rogo-lhe que imitem Jó amanhã e façam com que seja sua tarefa especial e peculiar reunir seus filhos, santificá-los pela oração e implorar pelo precioso sacrifício de Cristo Jesus. Então “pode ser” que tenha havido pecado, mas não haverá “talvez” quanto à eliminação do pecado. Por suplicarem com oração e se apegarem ao sacrifício pela fé, vocês ainda serão aceitos, tanto vocês quanto suas famílias.</p>
<p>Agora, alguns podem pensar que o que eu disse sobre este ponto é desnecessário e que não deveríamos falar sobre coisas tão comuns como estas. Você acha que o púlpito cristão foi estabelecido por Deus para que possamos sempre falar com você sobre o milênio, ou os pré-diluvianos, ou as coisas que estão para acontecer na Etiópia ou na Palestina? Acredito que o ministério cristão tem a ver com você em sua vida diária, e quanto mais o pregador entrega aquilo que é sugestivamente prático e lucrativo para nossas almas, mais próximo ele se mantém do Mestre. Tenho certeza de que, se meu Senhor Jesus Cristo estivesse aqui, ele lhe diria algo com estas palavras: “Vá em frente e coma o seu pão com o coração alegre, pois Deus o aceitou através do meu sangue; mas vigiem e sejam como homens que buscam seu Senhor. Ainda mantenham suas lâmpadas e suas luzes acesas, e seus lombos cingidos, e sejam firmes e vigiem em oração, para que, se eu vier pela manhã, ou ao cantar do galo, possa encontrá-los prontos para minha aparição”.</p>
<p>Quanto a vocês, rapazes e moças, que no Natal estarão separados de seus próprios pais, não tendo nenhum círculo familiar ao qual se unirem, ainda assim, <em>realizem vocês mesmos esse agradável privilégio.</em> Reservem um período na manhã seguinte no qual, por meio de oração e súplica, vocês farão confissão de pecados; e sempre que chegar a hora da festa, sempre que você for convidado para uma reunião social, ou algo semelhante, considere essa prática como um desdobramento necessário da reunião social, para que haja súplica privada, confissão privada de pecado novamente e um apego pessoal sobre o grande sacrifício. Se isso for feito, suas reuniões, em vez de serem inúteis, serão o começo de dias melhores para vocês, e vocês até crescerão na graça por meio daquela oração, desse arrependimento e daquela fé que foram sugeridos por suas reuniões.</p>
<p>Acho que tudo isso está mais justo no meu texto; e se eu não deveria pregar a partir de tal passagem, então o texto não deveria estar na Bíblia.</p>
<p><strong>III.</strong> E agora vamos passar para o segundo tópico, ou o que está no texto, e isso é instrutivo; devemos, portanto, tocar o SINO DO SERMÃO.</p>
<p>Bem, será um sermão curto. Meu sermão não será como o sino e o pregador da igreja de Santo Antholin<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>, que se dizia serem ambos iguais<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>. O sino foi tocado por um longo tempo e tinha um tom extremamente sombrio, e se o pregador estava precisamente com um santo zelo para suspeitar que seus filhos não pecaram, quanto mais você acha que ele não suspeitou de si mesmo? Pode ter certeza de que aquele que estava tão ansioso por manter seus filhos limpos estava ele próprio mais ansioso por poder sempre temer a seu Deus e evitar o mal. Deus disse que Jó era um homem perfeito e reto; e ainda assim ele estava com ciúmes. Quanto mais, então, você e eu teremos ciúmes de nós mesmos? Não diga em seu coração, cristão: “Posso ir para cá e para lá e não pecar”, pois você nunca está fora do perigo de pecar. Este é um mundo sujo de graxa; você precisará tomar cuidado com frequência, se ao manuseá-lo quiser manter as mãos limpas. Há um ladrão em cada esquina da estrada para roubar suas joias; há uma armadilha em toda alegria; não há pedra sobre a qual você pise onde não haja ninho de víbora, e se você algum dia alcançar o céu, será um milagre da graça divina; se algum dia você voltar em segurança para a casa de seu Pai, será porque o poder de seu Pai o trouxe até lá. Se os filhos de Jó estavam em perigo em suas próprias mesas, quanto mais alguns de vocês correm perigo, cristãos, quando precisam ir para o meio dos ímpios! Pode ser que alguns de vocês sejam chamados para fazer negócios onde ouvem juramentos e blasfêmias. Seu modo de vida é tal que você não pode deixar de ser exposto a muitas tentações. Esteja atento. Foi dito sobre um certo grande homem que ele tinha tanto medo de perder a vida que sempre usava uma armadura por baixo das roupas. Tome cuidado para sempre usar sua armadura. Quando um homem carrega uma bomba de dinamite na mão, ele deve ter cuidado para não se aproximar de uma vela, e você também deve tomar cuidado para não se aproximar da tentação. Mas se você for chamado para passar pela tentação, quão vigilante, quão ansioso, quão cuidadoso, quão cauteloso você deveria ser!</p>
<p>Irmãos, não creio que algum de nós seja suficientemente vigilante. Ouvi falar de uma boa mulher que nunca faria nada até que buscasse o Senhor em oração sobre isso. Esse é o nosso costume? Se fizermos até mesmo uma coisa comum sem buscar a orientação do Senhor, talvez depois tenhamos que nos arrepender enquanto vivermos. Mesmo o nosso mundo comum que pode fomentar a piedade de um cristão pode destrui-la. Quão ansiosos deveríamos estar, então, em olhar para cima, em olhar para Deus, para que Ele possa nos guardar! Deixe sua oração declarar: “Segure-me e estarei seguro”. Deixe seu clamor diário ser, especialmente vocês, jovens cristãos, mas também os cristãos idosos: “Senhor, guarde-me! Guarde meu coração, peço-te, pois dele saem as saídas da minha vida.” Não se exponham desnecessariamente: mas se forem chamados à exposição, se tiverem que ir aonde os dardos voam, nunca saiam sem o escudo, pois se uma vez o diabo pegar você no lado de fora e seu escudo estiver em casa, então ele dirá: “Agora chegou a minha hora,” e ele lançará uma flecha que pode chacoalhar as juntas de seu arreio, e você pode cair ferido, mesmo que não possa ser morto. Grande Senhor, então que este sino do sermão do meu texto possa soar em seus ouvidos durante a próxima semana; e enquanto você viver, você poderá ouvi-lo dizendo: “Tenha cuidado; esteja atento; esteja vigilante; veja a quilha do seu barco<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>; olhe para as velas; olhe para as faixas do leme; observe cada parte do navio; pois a tempestade pode estar chegando, embora a calma reine no momento, e as rochas podem estar à frente, embora as ondas não as quebrem ainda, e as areias movediças podem estar por baixo de sua quilha, embora você pense que tudo está bem. Deus te ajude então, cristão, a vigiar em oração! O que dizemos a vocês, dizemos a todos: observem!</p>
<p>III. Mas agora vamos a sequência do texto, e isso é aflitivo: e aqui toquemos o<strong> SINO DO FUNERAL.</strong></p>
<p>O que segue o texto? Ouvimos isto: “<em>Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova”</em>. [Jó 1: 18-18 ACF]. Entre a mesa e o caixão há apenas um degrau: entre a festa e o funeral pode haver apenas um dia, e o próprio sino que toca o repique do casamento soa o sino do funeral. Aqui está uma caveira para você colocar em sua mesa. Os antigos egípcios colocaram um cadáver na festa entre os convidados, para que todos soubessem que deveriam morrer: agora coloquei os corpos dos filhos e filhas de Jó na sua mesa, para fazer você pensar que você vai morrer. Nossa própria alimentação é o túmulo da misericórdia de Deus e deveria nos lembrar de nossos próprios túmulos. O que fazemos quando comemos, senão remendar o velho cortiço; colocar gesso fresco nas vigas dilapidadas e nuas? Portanto, devemos lembrar que chegará o tempo em que não poderemos mais ‘consertar’ ele, mas quando o próprio cortiço será abalado e destruído. Pecador! Não deixe nenhuma alegria cruzar sua face até que você possa dizer: “Bem-vinda, morte; eu alegremente vou contigo.” Não faça nada que você não morreria fazendo de bom grado; não esteja fundamentado em nenhuma posição na qual você não estaria disposto a permanecer para sempre. Seja você hoje o que gostaria de ser na eternidade; e assim viva, e assim aja, e assim sente-se à mesa, e se o vento vier e bater nos quatro cantos da casa, e você morrer, ainda assim você adormecerá em uma festa para acordar em outra festa, onde não haveria “talvez”, sobre o qual Jesus Cristo falou, quando se levantou da ceia e deixou seus discípulos. Ah! Meu espírito eleva-se em asas de alegria ao som solene daquele sino fúnebre; pois, afinal, contém mais música do que meu alegre sino. Há uma alegria agradável na tristeza, e a alegria é semelhante à tristeza. Escutem, amigos, a campainha está tocando. “SE FOI, SE FOI, SE FOI, SE FOI.” Para quem é isso? Quem morreu nesta freguesia? “O pobre fulano de tal.” Meu Deus, quando chegar a minha vez, que minha alma contemple Tua face com alegria. Ó, que meu espírito, ao receber a última convocação, clame com alegria: “Bendito seja Deus por esse som! Foi o som mais alegre que minha alma poderia ter desejado; pois agora estou sentado com Jesus, como em sua mesa, e banqueteio-me com os anjos, e estou satisfeito, e tenho o privilégio de João, de apoiar minha cabeça no peito de meu Salvador”. Cristão! Eu digo, nunca deixe que a ideia de morrer o atormente; que isso seja um conforto para você, e que você fique tão pronto, que quando o Mestre disser: “Levante-se!” você não terá nada a fazer a não ser levantar-se ao seu comando e marchar para o céu, levando cativo o seu cativeiro.</p>
<p>Mas você, pecador, quando está sentado à mesa e pensa que ouve o sino do meu funeral tocando em seus ouvidos; e se você se afastar e o resto disser: &#8220;O que há com você?&#8221; – se você for obrigado a se levantar enquanto eles estão rindo e subir as escadas para orar, não me importarei, embora alguns possam dizer que eu te deixei melancólico e estraguei sua festa; pois, pecador, não é hora de você festejar enquanto a espada de Deus está polida, afiada e pronta para separar a alma do corpo. Há um momento para rir, mas não é até que o pecado seja perdoado. Há um momento para dançar, mas não é até que o coração esteja com alegria diante da arca. Há um momento para nos divertirmos, mas não é até que o pecado seja perdoado. Seu tempo é tempo de chorar, e tempo de rasgar suas vestes, e tempo de tristeza, e tempo de arrependimento. Que o Espírito Santo de Deus lhe dê a graça! A hora é <em>agora</em>. E dada a graça, que você caia diante da cruz e encontre perdão e misericórdia ali; e então podemos dizer, nas palavras de Salomão: “<em>Vai, come seu pão com alegria e bebe o seu vinho com o coração alegre, pois Deus se agrade de suas obras</em>” (Eclesiastes 9:7).</p>
<p><strong>____________________________________________________________________</strong></p>
<p><strong>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.</strong></p>
<p><strong>FONTE</strong></p>
<p>Traduzido de <a href="https://www.spurgeongems.org/sermon/chs369.pdf">https://www.spurgeongems.org/sermon/chs369.pdf</a></p>
<p><em>Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público.</em></p>
<p>Título original: <em>A Merry Christmas</em></p>
<p>Sermão nº 352—Volume 7 do <em>The New Park Street Pulpit</em></p>
<p>Tradução, Revisão e diagramação: Equipe Projeto Spurgeon e Armando Marcos</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>&#8211; APOIE nossos Projetos contribuindo com qualquer valor no nosso PIX email : </strong><a href="mailto:projetospurgeon@gmail.com"><strong>projetospurgeon@gmail.com</strong></a></p>
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<p><em>NOTAS</em></p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Em 1644, O Parlamento inglês, vitorioso na guerra civil contra o Rei Carlos I e de maioria puritana, aboliu o Natal pela primeira vez o substituindo uma convocação de Jejum e oração, e após a aprovação do Diretório de Culto em 1645, restringiu mais ainda qualquer tipo de celebração, e em 1647 oficialmente aprovou uma lei formal abolindo o Natal, tanto religiosa como secularmente, obrigando que comércio permanecesse aberto no dia, igrejas não fossem enfeitadas, as canções de natal foram proibidas e todas as reuniões festivas foram consideradas ilegais. Houve tumultos contrários as medidas em vários locais. A lei foi amplamente desrespeitada por grande parte da população, e finalmente revogada em 1660 com a restauração da monarquia e contribuindo com a percepção popular que o puritanismo é algo ‘chato e carrancudo’ <a href="https://www.historytoday.com/archive/feature/christmas-under-puritans">https://www.historytoday.com/archive/feature/christmas-under-puritans</a></p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> <strong>Francis Quarles</strong> (1592 &#8211; 1644) foi um poeta inglês. Sua família serviu reis ingleses durante muitos anos, e Francis chegou a ser advogado e copeiro da ´princesa Elizabeth Stuart, filha de James I. Também foi secretário de James Ussher, Arcebispo de Armagh e primaz da Irlanda. Na Guerra Civil , ele tomou o lado, e escreveu em favor de Carlos I, no mesmo ano que faleceu, em 1644. Sua obra literária mais conhecida é seu livro de emblemas intitulado “Emblems”. Publicado em 1635, com ilustrações consideradas ‘grotescas’ como abertura dos poemas, cada &#8220;emblema&#8221; consiste em uma paráfrase de uma passagem das Escrituras, expressa em linguagem ornamentada e metafórica, seguida por passagens dos &#8220;Pais Cristãos&#8221; e concluindo com um epigrama de quatro linhas. Foi uma obra popular, e no século XIX passou por uma nova edição embelezada com novas ilustrações de Charles Bennett e Harry Rogers, que você pode ler AQUI <a href="https://publicdomainreview.org/collection/quarles-emblems-1886/">https://publicdomainreview.org/collection/quarles-emblems-1886/</a> [fonte bibliográfica <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Quarles">https://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Quarles</a> ]</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> No original Spurgeon cita &#8220;<em>Snares attend my board</em>“, o que parece ser uma variação modernizada da frase original “<em>Snares tuck thy bed; and snares surround thy board</em>”, que aparece no livro “<em>Quarles Emblems</em>” . Como o termo “board” teria o sentido antigo de ‘tábua’ , ‘mesa’ ou ‘concílio’, mas no poema original a ideia é que Satanás lança tentações em todas as circunstancias da vida, e no verso original citado a ideia é que existem armadilhas nas situações caseiras da vida como acordar e dormir, traduzimos como “mesa de reunião” para manter tanto o original do poema citado quanto o contexto da citação de Spurgeon [Nota da edição]</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Provérbio Irlandês para significar desespero com uma situação faz que o impossível ser tentado para satisfazer a necessidade. <a href="https://dictionary.langeek.co/en/word/215550">https://dictionary.langeek.co/en/word/215550</a></p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> St Antholin, Watling Street, era uma igreja na Cidade de Londres. De origem medieval, foi reconstruído segundo projetos de Sir Christopher Wren, após a sua destruição no Grande Incêndio de Londres em 1666. O edifício do século XVII foi demolido em 1874 &#8211; Wikipédia</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> A igreja tornou-se conhecida por suas palestras matinais, estabelecidas em 1559, e seus sinos começavam a tocar às 5 da manhã, muito mais cedo que o de costume e por muito mais tempo que o normal. Muitos pregadores de linha puritana pregavam nesse local, e as pregações puritanas eram comumente longas, por isso da brincadeira de Spurgeon &#8211; <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/St_Antholin,_Budge_Row#cite_ref-wheat_7-0">https://en.wikipedia.org/wiki/St_Antholin,_Budge_Row#cite_ref-wheat_7-0</a> e <a href="https://www.british-history.ac.uk/old-new-london/vol1/pp550-565">https://www.british-history.ac.uk/old-new-london/vol1/pp550-565</a></p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> A quilha é em náutica uma peça forte — na origem em madeira — da embarcação que se estende da proa à popa, na parte inferior da nave, e se fixam as peças curvas onde se pregam as tábuas do costado – Wikipédia.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Hoje na História da Igreja: Em 18 de dezembro de 1853, Charles Haddon Spurgeon prega pela primeira vez em Londres, à convite da Igreja Batista de New Park Street.</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2024/12/hoje-na-historia-da-igreja-em-18-de-dezembro-de-1853-charles-haddon-spurgeon-prega-pela-primeira-vez-em-londres-a-convite-da-igreja-batista-de-new-park-street/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2024 23:36:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos e trechos]]></category>
		<category><![CDATA[C.H.Spurgon]]></category>
		<category><![CDATA[charles haddon spurgeon]]></category>
		<category><![CDATA[historia da igreja]]></category>
		<category><![CDATA[primeiro sermão de Spurgeon]]></category>
		<category><![CDATA[Spurgeon]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Armando Marcos Desde 1851, o jovem pastor Charles Haddon Spurgeon exercia o pastoreado na capela batista da vila de Waterbeach, próxima de Cambridge. Como a congregação não tinha condições de pagar muito a Spurgeon, ele continuou trabalhando como tutor &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2024/12/hoje-na-historia-da-igreja-em-18-de-dezembro-de-1853-charles-haddon-spurgeon-prega-pela-primeira-vez-em-londres-a-convite-da-igreja-batista-de-new-park-street/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span class="OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none"><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Thomas-Nelson-nasceu-em-algum-momento-em-1780-filho-de-na-vila-de.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-8886" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Thomas-Nelson-nasceu-em-algum-momento-em-1780-filho-de-na-vila-de.png" alt="" width="1080" height="1350" srcset="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Thomas-Nelson-nasceu-em-algum-momento-em-1780-filho-de-na-vila-de.png 1080w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Thomas-Nelson-nasceu-em-algum-momento-em-1780-filho-de-na-vila-de-240x300.png 240w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Thomas-Nelson-nasceu-em-algum-momento-em-1780-filho-de-na-vila-de-819x1024.png 819w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Thomas-Nelson-nasceu-em-algum-momento-em-1780-filho-de-na-vila-de-768x960.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></a><em>Por Armando Marcos</em></span></p>
<p><span class="OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none">Desde 1851, o jovem pastor Charles Haddon Spurgeon exercia o pastoreado na capela batista da vila de Waterbeach, próxima de Cambridge. Como a congregação não tinha condições de pagar muito a Spurgeon, ele continuou trabalhando como tutor durante a semana. Nesse tempo, a igreja cresceu de algumas dezenas para mais de 400 por meio dos sermões deste “menino pregador”, causando um pequeno reavivamento local. Em 1853, Spurgeon foi convidado para dar um discurso na reunião anual da Cambridge Sunday School Union. Sendo o mais jovem dentre os pregadores, Spurgeon foi constrangido por alguns que achavam que ele era novo demais para falar, mas ele pregou e impressionou todos, inclusive um senhor chamado George Gould, que falaria muito bem do “jovem pregador” para Thomas Olney, diácono da Capela batista de New Park Street de Londres, que há meses estava sem pastor e em decadência espiritual.</span></p>
<p>Em novembro de 1853, Olney mandou um convite para Spurgeon pregar em sua igreja. Ao receber a carta com a chamada, Spurgeon achou que era um engano, que deveria ser para um outro Spurgeon. Afinal, era um convite para pregar na igreja que foi no passado por grandes nomes batistas, como John Rippon, autor do hinário que Spurgeon usava, e de John Gill, um dos maiores teólogos batistas do século XVIII. “Ir para Londres é um grande passo a partir deste pequeno lugar”, ele relatou, e incrédulo, respondeu a carta pedindo uma confirmação se ela para ele mesmo. A confirmação veio e ficou acertado que ele iria para Londres em 17 de dezembro para pregar no dia seguinte. Na data combinada, Spurgeon chegou e ficou hospedado, às custas da igreja, em uma pensão na Queen Square, Bloomsbury.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_8866" style="width: 276px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/02/2ANH265-e1707293061407.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8866" class=" wp-image-8866" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/02/2ANH265-e1707293061407.jpg" alt="" width="266" height="175" /></a><p id="caption-attachment-8866" class="wp-caption-text">Ilustração da Capela Batista de New Park Street</p></div>
<p><span class="OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none">Spurgeon , o rapaz ‘do interior’ , ficou muito impressionado com os comentários dos hóspedes da pensão sobre “os grandes teólogos da metrópole e suas congregações! “. Relatos de como vários pregadores eram eloquentes e capazes o atemorizaram. Ele relatou que foi para seu quarto sábado de noite em plena “miséria solitária e não encontrava piedade”. No dia seguinte, ao andar pelas ruas: “Imaginando, orando, temendo, esperando, acreditando — eu me sentia completamente sozinho, e ainda assim não sozinho. Esperando pela ajuda divina , e interiormente abatido pelo meu senso de necessidade dela , atravessei um deserto sombrio de tijolos para encontrar o local onde minha mensagem deveria ser entregue”.</span></p>
<p>Naquela manha, Spurgeon encontrou uma igreja que para seus olhos era imponente, com capacidade para mais de 1000 pessoas, mas apenas pouco mais de 300 estavam no local, o que fazia parecer bem esvaziado. Spurgeon, mesmo com medo e temor, mas encorajado pela graça de Deus, pregou o sermão<strong><a href="https://amzn.to/4gF48Ag"> “O Pai das Luzes”</a></strong> em Tiago 1:17 : “<em>Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança</em>”. Todos ficaram maravilhados. <span class="OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none">Esse sermão impactou a congregação de tal forma que os que o ouviram convidaram muitos outros para ouvirem a segunda pregação da noite, entre eles uma jovem amiga da família Olney chamada Susannah Thompson, que seria a futura esposa do rapaz que ela achou excêntrico por pregar com enorme lenço de cetim azul.</span></p>
<div id="attachment_8887" style="width: 216px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Joseph-PAssmore.png"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-8887" class=" wp-image-8887" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Joseph-PAssmore.png" alt="" width="206" height="208" srcset="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Joseph-PAssmore.png 300w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Joseph-PAssmore-297x300.png 297w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Joseph-PAssmore-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 206px) 100vw, 206px" /></a><p id="caption-attachment-8887" class="wp-caption-text"><strong>Joseph Passmore</strong></p></div>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-start para-style-body"><span class="OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none">Ao voltar para a pensão, Spurgeon não tinha mais temor algum dos ‘bárbaros londrinos’, e nessa volta conheceu o diácono Joseph Passmore, que era um pequeno editor que muito em breve, junto com seu sócio começaria a publicar os sermões de C.H.Spurgeon , obra usada por Deus até os dias de hoje. Eles seriam amigos durante a vida toda. Após esse dia, Spurgeon foi convidado para pregar outras vezes em janeiro de 1854, e após alguns meses, foi convidado para ser pastor titular, sendo eleito em Abril com quase 95% dos votos da congregação. Charles Haddon Spurgeon deixou a pequena vila de Waterbeach com pesar por seu povo, mas o pastoreado em Londres o faria ser chamado de &#8220;Novo Whitefield&#8221;, multidões lotariam seus cultos até que New Park Street ficasse pequena demais , e sua pregação impactaria a Inglaterra e o mundo até o fim de seu ministério terreno em 31 de janeiro de 1892, e pela graça de Deus até nossos dias.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p class="cvGsUA direction-ltr align-start para-style-body"><span class="OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none">FONTE BIBLIOGRÁFICA: <em>Autobiography of Charles H. Spurgeon compiled from his diary, letters and records by his wife and his private secretary</em></span></p>
<p><span class="OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none"> </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Há 190 anos, nascia Charles Haddon Spurgeon, em Kelvedon, Inglaterra</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2024/06/ha-190-anos-nascia-charles-haddon-spurgeon-em-kelvedon-inglaterra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2024 21:02:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
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					<description><![CDATA[Hoje lembramos os 190 anos de nascimento de Charles Haddon Spurgeon, no dia 19 de junho de 1834, na Inglaterra. A seguir, uma pequena prévia do livro “Vida e Obra de Charles Spurgeon“, escrito por Armando Marcos, sem data de &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2024/06/ha-190-anos-nascia-charles-haddon-spurgeon-em-kelvedon-inglaterra/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="" data-block="true" data-editor="8itlr" data-offset-key="eg4ol-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="eg4ol-0-0"><span data-offset-key="eg4ol-0-0"><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-8701" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2.png" alt="" width="1600" height="900" srcset="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2.png 1600w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2-300x169.png 300w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2-1024x576.png 1024w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2-768x432.png 768w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2-1536x864.png 1536w, https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Historia-da-Igreja-2-500x281.png 500w" sizes="auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a>Hoje lembramos os 190 anos de nascimento de Charles Haddon Spurgeon, no dia 19 de junho de 1834, na Inglaterra. A seguir, uma pequena prévia do livro “<em><strong>Vida e Obra de Charles Spurgeon</strong></em>“, escrito por Armando Marcos, sem data de lançamento ainda:</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="8itlr" data-offset-key="6c9am-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="6c9am-0-0"><span data-offset-key="6c9am-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="8itlr" data-offset-key="5g4ib-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="5g4ib-0-0"><span data-offset-key="5g4ib-0-0">“John Spurgeon, pai de Charles, nasceu na vila de Stambourne em 15 de julho de 1811, no primeiro ano do pastorado de seu pai, James nessa localidade. John também se sentiu chamado ao ministério pastoral, mas no começo, tal como seu pai, não seguiu o ministério em tempo integral, e trabalhava durante a semana e pregava aos fins de semana em algumas igrejas Congregacionais da região. John trabalhou muito tempo como contador de empresas de carvão e teve vários negócios próprios. Assumiu o ministério em tempo integral apenas aos 40 anos.</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="8itlr" data-offset-key="c6okj-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="c6okj-0-0"><span data-offset-key="c6okj-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="8itlr" data-offset-key="b16nc-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="b16nc-0-0"><span data-offset-key="b16nc-0-0">John Spurgeon casou-se com uma moça chamada Eliza Jarvis em 1833 . Juntos, tiveram 17 filhos, dos quais apenas 8 sobreviveram à infância. Desses, Charles Haddon Spurgeon nasceu exatamente no dia 19 de junho de 1834. Nasceu na pequena vila de Kelvedon, Essex. Segundo seus diversos biógrafos, nasceu nesse povoado por conta do trabalho itinerante do pai nessa época. O pequeno Charles foi batizado em 3 de agosto do mesmo ano, pelo avô James, na Igreja Congregacional de Stambourne. Recebeu o nome “Charles” em homenagem a um irmão de sua mãe que chamava-se “Charles Parker Jarvis”, e o segundo nome, “Haddon”, em homenagem a um irmão de seu pai John que chamava-se “Haddon Rudkin Spurgeon”. Esse tio tinha recebido esse nome como homenagem de James para um amigo seu que era diácono de sua igreja e que o ajudou em certos negócios de vendas de laticínios quando James Spurgeon era jovem, ainda antes de assumir o ministério pastoral . Em sua autobiografia, Charles conta que gostava do “Tio Haddon”, mas achava que seu nome tinha ficado longo demais, e por isso chamou seus filhos gêmeos de Charles e Thomas, sem nome do meio .</span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="8itlr" data-offset-key="e7ae8-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="e7ae8-0-0"><span data-offset-key="e7ae8-0-0"> </span></div>
</div>
<div class="" data-block="true" data-editor="8itlr" data-offset-key="9ibbg-0-0">
<div class="_1mf _1mj" data-offset-key="9ibbg-0-0"><span data-offset-key="9ibbg-0-0">Durante pouco mais de um ano, Charles foi criado com John e Eliza, mas em agosto de 1835, ele foi entregue aos cuidados dos avôs paternos. O pequeno Charles moraria em Stambourne durante 5 anos aproximadamente. A providência divina estavam atuando”</span></div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um Banquete Celestial para o Natal – Sermão N° 846</title>
		<link>https://www.projetospurgeon.com.br/2023/12/um-banquete-celestial-para-o-natal-sermao-n-846/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Armando Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 00:11:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sermão]]></category>
		<category><![CDATA[Sermões de Natal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.projetospurgeon.com.br/?p=8795</guid>

					<description><![CDATA[Pregado na manhã de Domingo, 20 de Dezembro de 1868 Por Charles Haddon Spurgeon no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.  COMPRE NA AMAZON AQUI  (Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto)  “E o Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos &#8230; <a href="https://www.projetospurgeon.com.br/2023/12/um-banquete-celestial-para-o-natal-sermao-n-846/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-CAPA-SERMAO.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-8796" src="https://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-Copia-de-CAPA-SERMAO.jpg" alt="" width="362" height="548" /></a>Pregado na manhã de Domingo,</p>
<p>20 de Dezembro de 1868</p>
<p>Por Charles Haddon Spurgeon</p>
<p>no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.</p>
<p><strong> <a href="https://amzn.to/3NEyrLo">COMPRE NA AMAZON AQUI </a></strong></p>
<p><strong> (Os lucros ajudam na manutenção desse Projeto)</strong></p>
<p><strong> “E o Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um farto banquete com animais gordos, uma festa com vinhos envelhecidos, carnes com tutanos gordos e com vinhos velhos, bem purificados e com borras.” Isaías 25:6 </strong></p>
<p>Estamos quase chegando à grande época de festividades do ano. No dia de Natal encontraremos todos da Inglaterra divertindo-se com todo jubilo que puderem sentir. Como servos do Senhor, vocês possuem a maior parte da alegria na pessoa Daquele que nasceu em Belém, assim, convido-os a melhor de todas as ceias de Natal, convido-os ao prato mais nobre que nos faz suspirar na mesa: o pão do céu, o alimento para seu espírito. Eis quão ricas e abundantes são as provisões que Deus providenciou para a grande celebração, a qual Ele deseja que Seus servos se recordem, não apenas agora, mas sim, por todos os dias de suas vidas!</p>
<p>O Senhor, no versículo que temos diante de nós, teve o prazer de descrever as disposições do Evangelho de Jesus Cristo. Apesar de outras interpretações já terem sido sugeridas para este verso, elas são todas monótonas e obsoletas, e totalmente cheias de expressões pobres relacionadas ao que está diante de nós. Quando contemplamos a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, cuja carne é a verdadeira comida e cujo sangue é verdadeira bebida – quando O vemos oferecido no monte determinado, logo, descobrimos uma plenitude de significado nestas benditas palavras de santa hospitalidade: “<em>O Senhor preparará uma festa com animais gordos, carnes cheias de tutano</em>”.</p>
<p>Nosso próprio Senhor gostava muito de descrever Seu Evangelho sob a mesma imagem que é aqui empregada. Certa vez, Ele comentou a respeito da boda de um casamento real: <em>“Meus bois e meus novilhos estão abatidos, e tudo está preparado.</em>” (Mateus 22:4). E não parecia que Ele podia sequer completar a beleza da parábola do filho pródigo sem matar o bezerro gordo e sem terminar com um banquete, com música e dança. Assim como uma festividade na terra é aguardada e estimada como um oásis em meio ao deserto do tempo, o Evangelho de Jesus Cristo é para a alma que foi docemente libertada de sua escravidão e angustia, provando de gozo e alegria. Sobre este assunto pretendemos falar esta manhã, e ansiamos sermos socorridos pelo grande Anfitrião da celebração.</p>
<p>Nosso primeiro tópico será <em>a festa</em>. O segundo será a respeito do salão do banquete – “<em>neste monte</em>”. O terceiro será o Anfitrião – “<em>O Senhor fará uma festa</em>”. E no quarto tópico veremos sobre os convidados – “Ele fará isso <em>para</em> <em>todas as pessoas</em>”.</p>
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<p><strong>1. Assim, em primeiro lugar, temos que considerar o banquete</strong>.</p>
<p>É descrito como uma celebração contendo as melhores iguarias, ou melhor, o melhor do melhor. Tem pratos não apenas nobres, mas também suculentos e cheios de tutano. Os vinhos que são fornecidos são os mais deliciosos e revigorantes, vinhos com borras, que preservaram o seu aroma, seu teor e o seu sabor. E não apenas isso, estes são os vinhos mais antigos e raros, tendo sido mantidos tão preservados durante tanto tempo que se tornaram bem refinados. Por muito tempo eles sofreram a ação da purificação e passaram pela maturação, se elevaram ao mais alto grau de brilho e excelência. Tal como o melhor do melhor que Deus providenciou no Evangelho para os filhos dos homens. Examinemos atentamente as bênçãos das Boas Novas e observemos quais são as carnes saborosas e cheias de tutano.</p>
<p>Uma das primeiras bênçãos do Evangelho é a bênção da completa <em>justificação</em>. Um pecador, embora culpado em si mesmo, assim que crê em Cristo Jesus, tem todos os seus pecados perdoados. A justiça de Cristo lhe é atribuída, assim ele é aceito no Amado. Agora, este é realmente um banquete maravilhoso. Aqui está algo para nutrir a alma: “E pensar que eu, apesar de ser profundamente culpado, estou absolvido por Deus e liberto da escravidão da lei!”, “e pensar que eu, embora já tenha sido herdeiro da ira, agora sou estou tão acolhido diante de Deus Pai quanto Adão era quando andou no jardim sem pecado”, ou melhor, “muito mais aceito, pois a justiça divina de Cristo me pertence, e eu sou completo Nele, sou amado no Amado, e Nele aceito também”!</p>
<p>Amado, esta é uma verdade tão preciosa que quando sua alma se alimenta dela, ela experimenta uma paz serena, uma celestial e profunda calma, que não pode ser encontrada em nenhum outro lugar da terra. Este é o tipo de mel que nunca enjoa: de estar garantido pela Palavra de Deus e pelo testemunho do Espírito Santo no seu interior, <em>de que você está reconciliado e foi comprado pelo sangue e pela justiça de Jesus Cristo</em>. Esta é uma misericórdia concedida. De fato, isso é uma carne boa, mas não é tudo, ela é também suculenta e cheia de tutano também. Há um deleite no interior quando você alcança o coração e a alma da matéria, que transcende em riqueza.</p>
<p>Lembre-se, pois, de que esta justiça, aceitação e justificação torna-se nossa de uma forma perfeitamente legal, contra a qual o próprio Satanás não pode levantar nenhuma objeção, uma vez que o nosso Substituto pagou a nossa dívida, e portanto estamos legalmente isentos. Cristo cumpriu a lei e a tornou-a honrosa para nós, e mediante a isso, somos realmente aceitos no Amado. Aqui está o cerne, o tutano, quando percebemos a verdade e a realidade da substituição de Jesus, e compreendemos com o coração e alma o fato de nosso grande Fiador estar em nosso lugar, diante do tribunal da justiça, para que possamos estar em Seu lugar de honra e amor. Que felicidade é clamar com o apóstolo: <em>“Quem poderá trazer alguma condenação sobre os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica! Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, Ele ressuscitou dentre os mortos e está à direita de Deus, e também intercede a nosso favor.” (</em>Romanos 8:33-34<em>) .</em> Se aproximem, todos aqueles cujas necessidades espirituais são purificadas pela graça e alimentam-se desta divina provisão, a qual será doce ao seu paladar, sim, mais doce que o mel e o favo de mel.</p>
<p>Agora, reflita sobre a segunda bênção da <em>aliança da graça</em>, isto é<em>, a dádiva da adoção. </em>Claramente, nos é revelado que todos os que creram em Cristo Jesus para salvação de suas almas são filhos de Deus. <em>“Amados, agora somos filhos de Deus ”</em>(1 João 3:2). De fato, isso, é uma grande provisão. O quê?! Pode um verme do pó da terra se tornar um filho de Deus? Um rebelde ser adotado na família celestial? Ou um criminoso condenado não apenas será perdoado, mas realmente é feito filho de Deus? Maravilha das Maravilhas! “<em>Vede que imenso amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos tratados como filhos de Deus</em>! (1 João 3:1)”. A qual dos reis e príncipes desta terra Ele alguma vez disse, “<em>Tu és meu filho”? </em> Ora, o Altíssimo não declarou isso a respeito dos grandes e mais poderosos, mas agradou a   Ele escolher as coisas vis, e que não eram, e assim o fez como que fossem da semente real. Os sábios e prudentes ignoram, mas os filhos recebem a revelação do Seu amor. Óh, Senhor, de onde vem isso para mim? Quem sou eu e quem é a casa de meu pai, para que Tu me torne de um filho Teu?</p>
<p>Essa gloriosa carne nobre também está <em>cheia de tutano</em>. No interior, há uma riqueza na adoção, pois, <em>“se somos filhos, então, também somos herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se realmente participarmos dos seus sofrimentos para que, da mesma maneira, participaremos da sua glória</em>”( Romanos 8:17) A esse respeito, o apóstolo nos lembra que se somos filhos, então somos herdeiros, logo assim temos a certeza de nossa abençoada herança, “<em>porque tudo vos pertence, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo todo, a vida, a morte; assim como o presente ou o futuro, tudo o que existe é vosso, e vós sois de Cristo, e Cristo de Deus!</em>”( 1 Coríntios 3:21-23) e “<em>aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos concederá juntamente com Ele, gratuitamente, todas as demais coisas</em>?” (Romanos 8:32). Aqui estão as iguarias da coroa das quais a Palavra disse com toda a certeza: “<em>Eles se fartarão abundantemente com a gordura da tua casa</em>”(Salmos 36:8 ARA).</p>
<p>Passando da bênção da adoção, lembremo-nos de que todo filho de Deus é objeto de amor eterno, sem começo nem fim. Esta é um dos pratos fartos e cheios de tutano do banquete. Será que eu, um crente em Jesus, indigno como sou, sou objeto do amor eterno de Deus? Que profundidade existe nesse pensamento! Muito antes do Senhor começar a criar o mundo, <em>Ele havia pensado em mim.</em> Muito antes de Adão cair ou de Cristo encarnar, e dos anjos cantarem seu primeiro cântico sobre o milagre de Belém, os olhos e o coração de Deus estavam voltados para Seu povo eleito. Ele nunca começou amá-los, eles sempre foram “<em>um povo a quem Ele tanto ama</em>”(Salmo 148:14 NVI). Ora, não está escrito: “<em>Com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atrai?</em>”.</p>
<p>Alguns criticam a doutrina da eleição, mas são mal instruídos, pois trabalham para derrubar um dos pratos mais nobres da festa. Eles representam um dos riachos mais frios que fluem do Líbano. Eles cobririam com lixo um dos mais ricos veios de minério de ouro que enriquecem o povo do Senhor. Pois esta doutrina de um amor que não tem começo é o melhor vinho do nosso Amado, e que “<em>flui suave pelos lábios e dentes</em>”( Cânticos dos Cânticos 7:9 NVT). Quão alegremente o coração exulta e salta de felicidade quando esta verdade é levada para casa pelo testemunho do Espírito de Deus! Assim, a alma fica satisfeita com o favor e de cheia com a bênção do Senhor. Igualmente encantadora é a meditação a respeito de que este amor que não teve um começo, não terá fim. Ele é um Deus que não muda: “<em>Os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis</em>” (Romanos 11:29). Onde o Senhor uma vez colocou as Suas afeições de amor sobre o homem, Ele nunca deixa de lhe fazer o bem. Ele proclama com sua boca que Seu zelo, assim como as águas de Noé, assim é a Sua aliança conosco, pois da mesma forma como as águas de Noé não passaram mais sobre a face da terra, assim Ele jura que isso não se seguirá conosco nem nos castigará: <em>“Os montes podem mudar de lugar e as colinas podem abalar-se, mas, o meu sentimento de benevolência e misericórdia, isto é, meu amor, nunca mudará. A minha Aliança de Paz não será jamais abalada! Afirma o Senhor, aquele que se compadece de ti</em>”(Isaías 54:10) , “<em>porque eu, o Senhor, não mudo; por essa razão, vós, ó filhos de Jacó, não sois completamente destruídos</em>”(Malaquias 3:6), e ainda, “<em>Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Contudo, ainda que ela se esquecesse, Eu jamais me esquecerei de ti!</em>”(Isaías 49:15).</p>
<p>Ora, amados, isso realmente é um farto banquete, e eu posso acrescentar que fica ainda mais cheio de tutano quando você se recorda de que o <em>Senhor não apenas pensou em você desde a eternidade, como também o amou</em>. Ah! Que profundidade dessa palavra “<em>amor</em>”, tal como se aplica ao infinito Jeová, cujo nome, essência e natureza é o amor! Ele te amou com toda a intensidade de Seu coração imutável, nunca mais nem menos. Te amou tanto que deu Seu Filho unigênito por vocês, amou tanto que nada poderia satisfazê-lo, a não ser fazer com que você fosse conformado à imagem de Seu querido Filho, fazendo com que vocês participem de Sua glória afim de que vocês possam estar com Ele onde Ele estiver! Venham e comam, herdeiros da vida eterna! Pois aqui estão as carnes nobres e cheias de tutano.</p>
<p>Não teríamos, amados, completado esta lista se tivéssemos omitido uma doutrina preciosa, a qual talvez precise de um gosto refinado, mas que, quando um homem aprende a se alimentar dela, lhe parece ser a melhor de todas, estou falando a respeito da grande verdade de nossa <em>união com Cristo. </em>Somos claramente ensinados na Palavra de Deus que todos os que creram são um com Cristo. São casados com Ele, existe uma união conjugal baseada no afeto mútuo. A união é ainda mais próxima, pois existe uma união vital entre Cristo e Seus santos. Eles estão Nele como os ramos estão na videira. Eles são membros do corpo do qual Cristo é a cabeça. Eles são um com Jesus num sentido tão genuíno e real que com Ele morreram, com Ele foram sepultados e juntamente com Ele, foram ressuscitados e estão assentados juntos nos lugares celestiais. Há uma união indissolúvel entre Cristo e todo o seu povo: “<em>Eu neles e eles em mim</em>”. Desse modo, a união pode ser descrita como: Cristo em seu povo é a esperança da glória, e eles já estão sepultados, e as suas vidas estão escondidas com Cristo em Deus Pai. Esta é uma união dos mais maravilhosos tipos que há, a qual os números até podem definir vagamente, mas que seria impossível para a linguagem explicar totalmente.</p>
<p>A unidade com Jesus é uma das carnes suculentas e cheias de tutano, pois se é verdade que estamos em Cristo, assim, porque Ele vive, devemos viver também; porque se Ele foi punido por nossos pecados, também através Dele, suportaremos a ira de Deus; porque Ele foi justificado pela Sua ressurreição, também somos justificados Nele; pois Ele é recompensado e se assenta para sempre à direita de Seu Pai, nós também, e Nele obteremos a herança e pela fé  Nele a alcançamos agora, desfrutando de seu penhor. Ah, pode ser que essa cabeça latejante já tenha direito a uma coroa celestial! Que este coração acelerado tenha direito ao descanso que cabe ao povo de Deus!  E que estes pés cansados sejam dignos de trilhar as ruas sagradas da Nova Jerusalém! É assim, pois se somos um com Cristo, logo, tudo o que Ele tem nos pertence. E é apenas uma questão de tempo e de um gracioso arranjo quando chegaremos ao pleno desfrute disso. Sem dúvidas, ao meditarmos sobre este assunto, cada um de nós pode exclamar: “<em>Como de saborosa comida se farta a minha alma, e com júbilo nos lábios, a minha boca te louva</em>”(Salmos 63:5).</p>
<p>Não posso apresentar todo o banquete do meu Senhor, assim como um servo não pode apresentar diante de você as riquezas de um banquete tão extraordinário. Contudo, gostaria de lembrá-lo de mais um prato nobre, que é <em>a doutrina da ressurreição e da vida eterna. </em>Este pobre mundo presumia vagamente o que era a imortalidade da alma, mas nada sabia a respeito da ressurreição do corpo. O <em>Evangelho de Jesus</em> trouxe à luz a vida e a imortalidade, e esse mesmo nos declarou sobre Cristo que aquele que Nele crê nunca morrerá, e mais: “<em>Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá</em>” (João 11:25). Jesus é a ressurreição e a vida. E não apenas a alma, mas também o corpo participará da imortalidade, pois a trombeta soará e os mortos ressuscitarão em corpos incorruptíveis e nós seremos transformados. Aguardamos a morte, todavia temos a certeza de que viveremos novamente. Se o Senhor não vier, sabemos que nossos corpos verão a corrupção, mas aqui está o nosso consolo: não tememos a aniquilação, pois essa treva nunca atravessa nossos espíritos. Não tememos nenhum inferno, purgatório ou julgamento, pois Cristo aperfeiçoou para sempre aqueles que são os escolhidos, <em>ninguém pode condenar quem Ele absolve</em>. Os santos julgarão os anjos e sentar-se-ão com seu Senhor no dia do grande julgamento. Para nós, a vinda de Cristo será um dia de jubilo e regozijo. Seremos arrebatados para juntos Dele e Seu reinado será o nosso reinado, sua glória a nossa glória.</p>
<p>Portanto, consolem-se uns aos outros com estas palavras, e ao verem seus irmãos e irmãs partindo, um por um dentre vocês, não se entristeçam como aqueles que estão sem esperança, mas digam uns aos outros: “Eles não estão perdidos, apenas foram antes de nós”, pois, “<em>bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor, sim, diz o Espirito, para que descansem de seus trabalhos e suas obras os sigam</em>”(Apocalipse 14:13). <em>Aqui estão as carnes nobres e saborosas, uma vez que a nossa esperança é cheia de glória e imortalidade</em>. A nossa aguardada imortalidade não é a da mera existência, não é o privilégio estéril da vida sem bem-aventurança, da existência sem felicidade, pelo contrário, é cheia de glória, porque “<em>seremos como Ele quando o virmos como Ele é</em>” (1 João 3:2). Estaremos com Deus, em cuja mão direita há plenitude de alegria e regozijo para sempre. Ele nos fará beber do rio de Seus deleites, canções e jubilo eterno estarão sobre nossas cabeças, <em>e a tristeza e o suspiro desaparecerão</em>.</p>
<p><strong><em>“Ah, para não chorar mais,</em></strong></p>
<p><strong><em>Dentro dessa terra de amor!</em></strong></p>
<p><strong><em>A alegria sem fim de manter,</em></strong></p>
<p><strong><em>A festa nupcial celestial!</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Ah, aguardo pelo momento de ver</em></strong></p>
<p><strong><em>Meu Salvador frente a frente!</em></strong></p>
<p><strong><em>A esperança de algum dia estar</em></strong></p>
<p><strong><em>Naquele doce lugar.”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a></em></strong></p>
<p>Desse modo, coloquei diante de vocês algumas peças de carne nobres, saborosas e cheias de tutano, as quais, o Rei dos Reis colocou diante de Seus convidados na borda de Seu Amor. Agora, mudando de assunto, mas ainda assim, continuando no mesmo tópico, deixe-me trazer diante de vocês as taças de vinho. “<em>Vinho com borras</em>”, ou em algumas versões, “<em>vinhos envelhecidos</em>”. Consideraremos estas <em>expressões como símbolos das alegrias do Evangelho</em>. O que são esses? Só posso falar daqueles que me permitiram provar. Uma das alegrias mais queridas da vida cristã <em>é a sensação de estar em perfeita paz com Deus</em>. Oh, eu lhe digo que quando alguém fica em silêncio por um tempo, a tal ponto do som e os ruídos externos ficarem fora de seus ouvidos, se trata de uma das coisas mais maravilhosas do mundo: <em>meditar em Deus e perceber que Ele não é meu inimigo, e eu não sou inimigo Dele</em>. É incomparável a alegria e o pensamento de perceber que eu o amo.</p>
<p>Se houver algo que eu possa fazer para servi-lo, eu o farei. Se tivesse que passar por algum tipo de sofrimento para honrá-lo, se Ele me desse forças para suportá-lo, seria a minha felicidade, embora eu tenha me sujeitado como um mártir por mil vezes. Se eu pudesse honrar o meu Deus, o meu Pai e Amigo, tudo seria aceitável para mim. Não há nada entre o Senhor e eu, nenhum desacordo ou distância. Fui resgatado durante à noite através do sangue de Seu querido e unigênito Filho. Ele é meu Deus, meu Pai, meu tudo, e eu sou seu filho. Alguns de nós já experimentamos a imaginária felicidade do riso, nos misturamos com a multidão vertiginosa e provamos os vinhos da adega da casa da alegria segundo o mundo. Alguns de nós já experimentamos a ilusória felicidade do riso, nos misturamos com a atordoada multidão e provamos os vinhos da adega da casa da <em>alegria segundo a carne</em> (18), contudo, nossa genuína experiência é que um único gole do cálice da salvação vale mais que os rios de alegrias segundo o mundo.</p>
<p><strong><em>“Alegrias concretas e deleites duradouros,</em></strong></p>
<p><strong><em>Só os filhos de Sião conhecem</em></strong><strong>”. <a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a></strong></p>
<p>Um coração em silêncio, descansando no amor do Senhor, habitando em perfeita paz, tem uma realeza que nem por um momento pode ser igualada as alegras passageiras deste mundo. Nossa alegria por vezes brilha com uma luz mais intensa, porém isso não significa que esta seja mais pura e constante. Você pode olhar para este vinho quando ele está tão vermelho que ele brilha na taça, e quando movemos a taça, ele faz o movimento correto, sem entornar, pois não há aflição, nem olhos vermelhos reservados para aqueles que bebem até a embriaguez deste santo vinho. Esse santo jubilo é oriundo de <em>um senso de segurança.</em></p>
<p>Um filho de Deus, quando olha bem para seu Redentor e vê o mérito do precioso sangue e ao perceber o poder do apelo incessante, sente-se seguro, totalmente seguro de sua posição.  Não entendo um filho de Deus lendo sua Bíblia e ainda assim tendo que lidar com o assombro de ser lançado no inferno. Compreendo que tal medo, que percorre a sua mente, ocorra, no final das contas, por ele imaginar ser um naufrago da fé; entretanto, quando ele se aproxima mais uma vez aos pés da cruz e olha para Jesus, ele sente que tal situação não aconteça, uma vez que aquele que esteve aos pés da cruz nunca foi rejeitado, pois assim está escrito: “<em>O que vem a mim de modo algum o lançarei fora</em>”( João 6:37-40). Um filho de Deus, sem nenhuma esperança além da que ele encontra em Cristo, não tem motivos para pensar que seu destino eterno seja algo duvidoso. Todos os que estão em Cristo estão seguros, assim como todos os que estavam na arca de Noé. Nenhuma inundação, nem tempestade poderia ferir o homem a quem foi dito: “<em>E então o Senhor fechou a porta por fora</em>”( Gênesis 7:16). O Senhor selou todo o seu povo em Cristo, eles estão eternamente seguros Nele. Quando o espírito sabe que “<em>não há, portanto, agora nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus</em>” (Romanos 8:1) , então ele é preenchido com alegria.</p>
<p>Quando alguém sente que está tudo bem se ele viver ou morrer, trabalhar ou sofrer, quão livre de preocupações este coração é! Que alegria celestial é saber que se alguém perder todos os seus bens terrenos, o Senhor proverá. Que se alguém for tentando, tentando e tentado ainda mais, mesmo assim, com a tentação o caminho do escape será providenciado! Aqui está uma certeza rica em consolo: Quando alguém sente que está tudo garantido, todas as coisas estão determinadas para sempre, seja para a vida ou para a morte, tudo está assegurado, eu lhe digo que este é o vinho envelhecido, um vinho com borras bem refinado, e quem ganha um gole dele não precisa invejar as celestiais celebrações dos anjos.</p>
<p>Esta nossa alegria às vezes atingirá uma atmosfera ainda mais sublime, quando for reflexo da <em>comunhão com Deus</em>. Os crentes, enquanto envolvidos na oração e na adoração, no serviço e no sofrimento, são capacitados pelo Espírito Santo a manter um nível de dialogo grande com o seu Senhor. Não imagine que a conversa de Abraão com Deus tenha sido um privilégio incomum. O pai dos fiéis apenas desfrutou daquilo em que todos os fiéis participam de acordo com a graça que lhes foi dada. Assim, compartilhamos com Deus as nossas tristezas, falando sobre as tristezas não em diálogos imaginários, mas declarando-as em uma verdadeira conversa, como um homem conversa com seu vizinho, enquanto isso o Espírito do Senhor sussurra com uma voz suave e mansa as promessas, como palavras que acalmam nossas mentes e guie nossos pés.</p>
<p>Sim, e quando o nosso Amado nos leva para a casa do banquete da verdadeira comunhão ativa consigo mesmo, e hasteia a bandeira do amor sobre nós, nosso santo deleite é tão superior a toda alegria meramente humana, assim como os céus estão acima da terra. Então proclamamos e cantamos com santo entusiasmo e sentimos como se pudéssemos chorar de tanta alegria no coração, <em>porque o nosso Amado é nosso, e nós somos Dele. </em>Sua mão esquerda está sob nossa cabeça, e usa mão direita nos abraça, e nosso único temor é que algo entristeça nosso Amado e faça com que Ele se afaste de nós, pois é o céu na terra, uma verdadeira <em>entrada</em> do banquete oriunda dos altos céus contemplar a sua face e provar Seu amor.</p>
<p>A comunhão com Cristo é como o vinho bem refinado. Colocaremos sobre a mesa mais uma taça, da qual você poderá beber o quanto quiser. E oferecemos os <em>manjares da esperança, </em>uma esperança muito sólida e certa, e mais gloriosa e brilhante – a esperança de que o que conhecemos hoje será superado pelo que conheceremos amanhã. A esperança de que aos poucos o que vemos agora, como um vidro turvo, será visto face a face. Diremos, no céu, como disse a Rainha de Sabá em Jerusalém: “<em>Nem a metade não nos foi dita” </em>(2 Crônicas 9:6). Aguardamos ansiosamente por um dia em breve em que seremos aliviados deste frágil tabernáculo e estando ausentes do corpo, estaremos presentes com nosso Senhor. Nossa esperança de felicidade futura é grande e firme. Óh, a visão de Sua face! Óh, a visão de Cristo em Sua exaltação! Óh, o beijo de Seus lábios – e a declaração: “<em>Muito bem, servo bom e fiel</em>”, daqueles queridos lábios! E então para sempre repousaremos em Seu seio. Vá embora, você que se preocupa, saia, você que está triste. Se o céu estiver tão próximo, vocês não nos aborrecerão. Nossa estadia pode ser dura e humilde, mas somos apenas viajantes, não inquilinos de um aluguel. Este não é o nosso lugar de descanso. Estamos em nossa jornada para casa! Amado, na perspectiva dos lugares calmos de repouso na terra que mana leite e mel, você tem vinhos velhos e bem refinados.</p>
<p>Ah, se não estivéssemos limitados ao tempo esta manhã, mas que pena que somos! Eu deveria ter lembrado que essas alegrias do cristão são antigas desde sua origem, pois isso é apresentado no texto. Os vinhos <em>com borras </em>são entendidos como “vinhos bem refinados”. Eles permaneceram por muito tempo nas ânforas<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a><em>, </em>extraíram deles toda a virtude e foram limpos de toda substância pesada.  No Oriente, o vinho será refinado ainda mais do que os vinhos do ocidente através da conservação! E de igual modo as misericórdias de Deus são mais doces para nossas reflexões por causa de sua antiguidade. Desde a eternidade, ou em todas as vezes, desde que a Terra passou a existir, os compromissos da <em>aliança do amor</em> eterno de Deus têm descansado como vinhos nas ânforas, e hoje eles trazem para nós as maiores riquezas de todos os atributos de Deus.</p>
<p>Eu também deveria ter lembrado a você a <em>excelência da maturação</em>, porque o vinho armazenado mantém seu sabor e retém seu aroma, e há uma plenitude e riqueza nas bênçãos da graça divina que a torna tão querida em nossos corações. As felicidades da graça não são meras emoções ou momentos de uma excitação arrebatadora e efêmera, elas são baseadas em verdades absolutas de Deus. Elas são sensatas, equilibradas e verdadeiras, não pertencem às emoções superficiais nem a manifestações de mero sentimentalismo, são emoções profundas, sinceras e genuínas, visivelmente justificadas pelo discernimento. Nossa bem-aventurança não vem do vinho espumante ou do vinho frisante, pelo contrário, ela reside nas partes mais intimas do nosso coração.</p>
<p>Gostaria também de lembrá-lo de sua <em>natureza refinada</em>. Não há nenhum pecado envolvido com as alegrias do Evangelho e com as delícias da comunhão, elas são muito puras. As alegrias do Evangelho são edificantes, tornam os homens puros como os anjos. Da mesma forma como Deus desceu aos homens através do Evangelho, também por ele, os homens sobem a Deus. Eu também poderia ter mostrado a você claramente o quão inigualáveis são as provisões da <em>graça</em>. Não há banquete como a do Evangelho, não há carne como a carne de Jesus, não há bebida como o Seu sangue e não existe alegrias como aquelas que coroam a festa do Evangelho.</p>
<p><strong>2. Não posso me alongar, a mesa está posta diante de você, agora devemos observar o Salão do Banquete.</strong></p>
<p>“<em>Neste monte</em>”, aqui tem uma referência a três coisas &#8211; um mesmo símbolo com três interpretações. Em primeiro lugar, literalmente, se trata do monte sobre a qual Jerusalém foi construída. Não tenho dúvidas que a referência aqui seja à <em>colina do Senhor</em> <em>sobre a qual a cidade de Jerusalém se erguia</em>. A grande transação que foi cumprida nesta cidade, no Calvário, proporcionou a todas as nações uma grande celebração. Foi lá que aquela cruz posta continha Alguém que uniu céu e terra em união insondável. Foi lá onde, em meio as densas trevas, o Filho de Deus foi feito maldição para os homens. Foi ali onde culminou a tristeza que a nossa alegria foi consumada. Naquela mesma colina onde judeus e gentios se reuniram, e em alta voz irados bradaram: “<em>Crucifica, crucifica</em>”. Foi lá na entrega do Unigênito, cuja carne é o verdadeiro alimento, cujo sangue é a verdadeira bebida (João 6:55-56), que o Senhor fez um banquete com alimentos gordos. Tudo que falei esta manhã se encontra em Cristo, Ele é a ressureição e a vida, Nele somos justificados, adotados e ficamos seguros. Cada gota de alegria que bebemos flui de Suas veias.</p>
<p>A segunda interpretação para esta palavra <em>é a igreja</em>. Frequentemente, Jerusalém é usada como símbolo da igreja de Deus, e é dentro do âmbito da igreja que a grande festa do Senhor é feita para todas as nações. Sou, no sentido mais genuíno, um clérigo muito firme. Verdadeiramente sou um alto clérigo, um defensor muito determinado da igreja<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>. Eu não acredito na salvação fora dos limites da igreja, pelo contrário, creio que a salvação de Deus está confiada à igreja, e somente a ela. “Ué”, alguém diz, “qual igreja?” Sim! Essa é a questão. O Senhor não permita que minha fala a esse respeito seja uma referência a igreja batista, igreja independente, episcopal, presbiteriana nem a qualquer outra. Quando me refiro a igreja estou me referindo a Igreja de Jesus Cristo, a companhia dos eleitos do Pai, a companhia que Seu sangue comprou, a família dos crentes, onde quer que estejam, para eles é fornecido um banquete com animais gordos. Qualquer que seja a igreja física e visível à qual eles possam ter se associado, eles beberão dos vinhos com borras bem refinados. <em>Todavia a celebração só existe onde se encontram aqueles que depositam sua confiança em Cristo.</em> Existe apenas uma igreja no céu e na terra, formada por homens chamados pelo Espírito Santo e feitos para viver em novidade de vida pelo Seu poder vivificador. E é através do ministério dessa igreja que um banquete farto é compartilhado entre todas as nações, uma festa a qual as nações são convocadas pelo eleito arauto, a quem Deus chama para proclamar as boas novas de salvação por Jesus Cristo.</p>
<p>Mas amados irmãos, há um outro significado, associado às vezes ao termo <em>monte, que pode</em> significar: <em>a igreja de Deus glorificada nos últimos dias</em>. Esta montanha será exaltada acima das colinas e todos os povos correrão para ela. Neste dia, esse texto estará no ápice de seu cumprimento. Este texto terá essa parte do Evangelho desvendada com mais clareza do que hoje.  Os homens terão uma percepção mais completa da glória do Senhor e desfrutarão ainda mais profundamente de Sua graça, enquanto a felicidade e a paz reinarão com uma tranquilidade imperturbável. Em breve chegará a era de ouro há tanto tempo profetizada, pela qual choramos com intensa expectativa. Que o Senhor o envie rapidamente, e a Ele seja o louvor.</p>
<p><strong>3. Em terceiro lugar, vamos observar o Anfitrião da festa.</strong></p>
<p><em>“E o Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos uma festa com animais gordos, uma festa com vinhos velhos e animais gordos”. </em>Observe bem a verdade de que no banquete do Evangelho não há um único prato feito pelo homem, é o Senhor que faz e distribui tudo. Sei que alguns gostariam de contribuir levando consigo algum prato para o banquete, talvez, pelo menos através de enfeites e adornos, para que tivessem de algum modo uma parte da honra. Contudo, não deve ser assim, <em>o Senhor dos Exércitos faz a festa</em>, e nem mesmo Ele permitirá que os convidados tragam suas próprias vestes nupciais – eles devem parar na porta e vestir as vestes que o Senhor providenciou, pois a salvação é pela graça do início ao fim, e tudo trata-se Daquele que é maravilhoso em operar e que faz todas as coisas de acordo com os desígnios de Sua livre vontade.</p>
<p>O Senhor dá o banquete, e observe também que Ele o faz como Senhor dos Exércitos, como soberano e governante, fazendo o que Lhe apraz entre os filhos dos homens, preparando o que Lhe agrada para o bem de Suas criaturas, e chamando quem Ele deseja que participe do banquete de casamento. O Senhor provê soberanamente como Senhor dos Exércitos, e é completamente autossuficiente na qualidade de Jeová. Foi preciso toda competência de Deus para proporcionar um banquete aos famintos pecadores. Ninguém menos que o infinito “<em>Eu Sou</em>” poderia fornecer um banquete substancialmente rico para suprir as necessidades das almas imortais, mas Ele o fez, e você pode adivinhar o valor das iguarias pela natureza de nosso anfitrião. Se Deus preparou a festa, ela não deve ser desprezada. Se o Senhor exerceu toda a onipotência de Seu eterno Poder e Deidade ao preparar o banquete para a multidão dos filhos dos homens, então tenha certeza de que é um banquete digno Dele, <em>ao qual podemos nos aproximar com confiança</em>, pois deve ser um banquete de nossas almas precisam, como o qual o mundo nunca viu antes. Ó minha alma, alegre-se no Senhor seu Deus e seu Rei. Se Ele providência um banquete, que seja dada a Ele toda a glória por isso<em>, “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória</em>” (Salmos 115:1).  Ó alteza, imortal, eterna e invisível, Tu alimentaste Teus filhos no deserto com o maná que caiu do céu e com a água que fluiu da dura rocha, e eles deram graças ao Teu nome. Todavia, agora, Tu nos enches de um alimento ainda mais nobre. Eles comeram o maná e morreram, mas nós vivemos pelo pão imortal, sim, de Jesus, e, portanto, nunca poderemos morrer. Eles beberam da água que fluía da rocha, e ainda assim, novamente tiveram sede, contudo, nós nunca teremos sede, pois permaneceremos para sempre próximos de Ti, no tempo em que o Cordeiro, que está assentado no Trono, nos alimentará e nos conduzirá à fonte de águas vivas.</p>
<p>Portanto, bendito seja o Teu nome, sim, mil vezes seja bendito o Teu nome, ó Altíssimo! Que todo o céu diga “amém” aos louvores de nossos corações, e que a multidão de Teus filhos aqui na terra para os quais esta festa é oferecida, o louve, engradeça e bendiga o Teu nome desde o nascer do Sol até o seu se pôr.</p>
<p><strong>4. Por fim, um ou dois comentários a respeito dos convidados.</strong></p>
<p>O Senhor fez este banquete “<em>para todos os povos</em>”. Que preciosas são estas palavras! “Para todas as pessoas!”. Então isto inclui não apenas o povo escolhido, os judeus, para os quais os oráculos e promessas eram destinados, mas incluiu também os pobres gentios incircuncisos, que por meio de Cristo são trazidos para perto. O <em>bárbaro</em> é convidado para a celebração, o <em>cita</em> não é rejeitado e o intelectual <em>grego</em> encontra a porta aberta. E ainda, o <em>rigoroso romano</em> será recebido com calorosa acolhida. A <em>casa de César</em>, se vier, receberá uma porção, e o mesmo se seguirá aos <em>pobres irmãos</em>. Bendito seja Deus por esta palavra, “<em>para todos os povos</em>”, pois ela permite o empreendimento da obra missionária em todos os lugares, por mais depravado que seja um povo, temos provisões feitas para tal.</p>
<p>Este banquete de alimentos saborosos é feito tanto para o <em>Sudra </em>quanto para o <em>Brâmane<a href="#_ftn5" name="_ftnref5"><strong>[5]</strong></a>. </em>O Evangelho deve ser pregado tanto aos nômades <em>bosquímanos<a href="#_ftn6" name="_ftnref6"><strong>[6]</strong></a> </em>quanto aos civilizados <em>chineses</em>. Medite nessa frase, “<em>todos os povos</em>”, e você perceberá que ela inclui os ricos, pois há um banquete de comidas finas para eles, tais como o seu ouro nunca poderia comprar. E inclui os pobres, porque sendo ricos na fé terão comunhão com Deus. “<em>Todos os povos</em>”. Isto abrange o homem de grande inteligência e amplo conhecimento, mas também, abrange de igual modo o homem iletrado, ou o analfabeto.  O Senhor faz este banquete “<em>para todos</em>”, para vocês, senhores, porque se vierem a Jesus, descobrirão que Ele é suficiente para suas necessidades. <em>Para vocês</em>, jovens e senhoras, e também<em> para vocês</em>, pequeninos, pois se vocês colocarem sua fé no Salvador escolhido por Deus, haverá muita alegria e felicidade para vocês, “<em>para todas as pessoas</em>”. Creio que se eu estivesse perdido agora e não tivesse me apegado a Cristo, essa frase, “<em>todos os homens</em>”, seria de grande conforto para mim, porque dá esperança a todos aqueles que desejam vir. <em>Jamais alguém foi rejeitado entre todos os que vieram a Cristo e clamaram por Sua misericórdia</em>.</p>
<p>Ainda assim é verdade: “<em>Aquele que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora</em>”. Algumas pessoas muito estranhas vieram até ele, algumas pessoas muito perversas, algumas pessoas muito endurecidas, mas a porta jamais foi fechada na cara de ninguém. Por que Jesus deveria começar um relacionamento difícil com você? Ele não pode, porque não pode mudar. Se ele disser: “<em>Aquele que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora</em>”, faça dele um dos “aqueles” que vêm, e então Ele não poderá expulsar você.</p>
<p>Há também um outro raciocínio, a saber, que entre as capas da Bíblia não há uma menção sobre uma pessoa que não pode vir. Não existe uma descrição de uma pessoa que esteja proibida de crer em Cristo. Eu gostaria que vocês, que imaginam que Jesus os rejeitaria, que procurassem no Livro e descobrissem onde está escrito: “Essa pessoa eu rejeitarei, e esse aqui eu repudiarei”. Quando você encontrar tal cláusula de rejeição, então você terá o direito de ser um incrédulo, no entanto, até que o façam, imploro que não se atormentem desnecessariamente.</p>
<p>Afinal, por que semear dúvidas e medos desnecessariamente? Haverá um número expressivo deles sem que você mesmo os faça<em>. Não limite o que o Senhor não limita</em>. Eu sei que Ele tem um povo eleito, e eu me alegro com isso, e espero que você também se alegre com isso algum dia. E sei que Seu povo tem esse tutano e gordura fornecidas para eles e somente para eles; mas ainda assim isso não entra em conflito com a outra verdade preciosa de que: <em>Todo aquele que crê no Filho de Deus tem a vida eterna. </em>Se você crê em Jesus Cristo, todos esses elementos do banquete são seus.</p>
<p>Venha, pobre vacilante, a trombeta de prata soa, e esta é a nota que toca: “<em>Venha e seja bem-vindo, aproxime-se e seja bem-vindo, venha e seja bem-vindo</em>”. A trombeta mais pesada da lei soou excessivamente alta e longa no Sinai, e continha isso em suas notas: “Estabeleça limites ao redor do monte, para que ninguém o toque e morra”. Entretanto, a trombeta que ressoa do Calvário está num tom oposto, e é “<em>se aproxime e seja bem-vindo, venha e seja bem-vindo, pecadores, venham</em>!”. Venha como você está, venha tão pecador como você é, insensível como você pensa que é, e não possuindo nada de bom. Aproxime-se de seu Deus em Cristo!</p>
<p>Ó, que vocês venham até Aquele que deu Seu Filho para sangrar no lugar de pecadores, e lançando-se no que Cristo fez, você decida: “Se perecer, confiarei Nele, se for rejeitado, confiarei Nele”. Não perecerão, mas para vocês haverá um banquete com carnes suculentas, cheias de tutano, vinhos com borras e bem refinados. Que o Senhor te abençoe ricamente, por amor do Seu nome. Amém.</p>
<p><strong>Textos bíblicos lidos antes da pregação: Isaías 25:6-12 e 26:1-13</strong></p>
<p><strong> ____________________________________________________________________</strong></p>
<p><strong>ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES</strong></p>
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<p><strong>FONTE: </strong> <a href="https://www.spurgeongems.org/sermon/chs846.pdf">https://www.spurgeongems.org/sermon/chs846.pdf</a></p>
<p><em>Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público.</em></p>
<p>Título original: <em>Good Cheer for Christmas</em></p>
<p>Sermão nº 846—Volume 2 do <em>The Metropolitan Tabernacle Pulpit</em></p>
<p>Tradução: Bárbara Tomaz</p>
<p>Revisão e diagramação: Armando Marcos</p>
<p><strong>&#8211; APOIE nossos Projetos contribuindo com qualquer valor no nosso PIX email : </strong><a href="mailto:projetospurgeon@gmail.com"><strong>projetospurgeon@gmail.com</strong></a></p>
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<p><em>NOTAS</em></p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Estrofes do hino “<em>O for the Robes of Whiteness</em>” de Charitie Lees Bancroft, mesma autora do conhecido “<em>Before the throne of God above</em>”. Publicado pela primeira vez em 1860 <a href="https://hymnary.org/text/o_for_the_robes_of_whiteness_o_for_the#Author">https://hymnary.org/text/o_for_the_robes_of_whiteness_o_for_the#Author</a></p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Estrofe do <em>hino Glorious Things of Thee are Spoken</em> , de John Newton <a href="https://hymnary.org/text/glorious_things_of_thee_are_spoken">https://hymnary.org/text/glorious_things_of_thee_are_spoken</a></p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> O uso de ânfora de barro, ou seja, jarros ou outros recipientes de cerâmica, é uma das mais antigas formas de fermentar o vinho, que vem basicamente desde que a bebida começou a ser feita, há milhares de anos. Fonte: Wikipédia</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> Spurgeon aqui faz uma alusão irônica com o termo ‘clérigo’, no sentido usado pelos ministros da Igreja da Inglaterra. Quando ele diz ‘alto clérigo’ é uma alusão os adeptos da ‘High Church’, Igreja Alta, um partido dentro do anglicanismo que defende como essencial as formas litúrgicas e a aderência à igreja inglesa. Spurgeon por ser um não conformista aqui faz essa ironia ao defender a necessidade da verdadeira igreja além das formas externas – Nota do Editor</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Spurgeon faz uma referência ao sistema de castras indiano, os Sudras são considerados a quarta castra, formada pelos trabalhadores braçais que atuam em atividades pesadas. Enquanto os Brâmanes são considerados a casta mais nobre e privilegiada, sendo composta por sacerdotes que dedicam suas vidas a atividades religiosas. Fonte: Wikipédia.</p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Os bosquímanos são um povo indígena nômade sul-africano, que vive da pesca, caça e agricultura. Divididos em vários grupos, não possuem um idioma em comum.  Fonte: Survival Brasil</p>
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