<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439</atom:id><lastBuildDate>Mon, 07 Oct 2024 06:20:31 +0000</lastBuildDate><title>Que Fim Levou? </title><description></description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Anonymous)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-7976342563883648549</guid><pubDate>Fri, 08 Aug 2014 15:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-08T08:15:21.025-07:00</atom:updated><title>Joanna Marcenal</title><description>Bom dia Mariana, bom dia Rodolfo, bom dia a todos os nossos ouvintes. O tema do que fim levou de hoje é muito, muito triste. Eu fiquei abalada ao apurar esse caso. Afinal tenho quatro netos e história de criança morta é realmente muito difícil de enfrentar. Vamos falar sobre Joanna Marcenal, uma menina que morreu em 13 de agosto de 2010. Semana que vem lá se vão quatro anos. Se uma morte de criança já é muito triste, a de Joanna foi mais triste ainda. Ela estava com marcas pelo corpo que levantaram a hipótese de ter sofrido maus tratos e tortura. Por parte do próprio pai. &lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;Eu conversei com a mãe e com o pai da Joanna. Eles nunca foram casados, a Joanna nasceu de um relacionamento que não foi adiante e os dois, André Marins, o pai, e Cristiane Marcenal, a mãe, brigaram pela posse dessa criança praticamente desde que ela nasceu. Cristiane diz que o pai nunca quis ver a filha. André diz que a mãe o impedia. Cristiane perdeu a guarda temporária da filha para André, em um processo judicial que a obrigou a entregar a filha ao pai quando ela tinha 5 anos. Cristiane, que é médica cardiologista, diz que  isto aconteceu  porque o pai, serventuário da Justiça, tinha padrinho poderoso - o procurador Antonio Carlos Biscaia, casado com a tia dele, Maria Helena. Biscaia move uma ação contra Cristiane que ainda não foi julgada.&lt;br /&gt;Lá se foi Joanna, por ordem judicial, passar 90 dias com o pai. Não foi completado esse período. Antes, Joanna foi levada pelo pai ao hospital Riomar, na Zona Oeste, em um estado grave. Estava com convulsões, segundo ele, com problemas de controlar a urina e as fezes por não estar tomando remédios controlados que, segundo ele, tomava sempre e que a mãe não lhe avisou que eram necessários.  Cristiane diz que a filha nunca tomou esses remédios, o que foi confirmado pelo pediatra da menina Wanderley Porto em depoimento na delegacia e na Justiça. Para cúmulo dos problemas, a menina foi atendida por um falso médico, Alex Sandro um estudante de medicina que usava carimbo de outro médico, acobertado por outra médica, a pediatra Sarita Fernandes&lt;br /&gt;Joanna recebeu medicamentos errados, segundo o pai, e foi mandada para casa desacordada.&lt;br /&gt;Foi, depois, transferida para outro hospital da rede Amiu e lá já chegou em coma. Nunca mais se recuperou.&lt;br /&gt;Cristiane foi avisada por uma amiga de André. Saiu de Campos de Jordão, onde morava, com o marido atual e os filhos gêmeos que teve deste segundo casamento. Ficou chocada com o que encontrou. A menina tinha hematomas, queimaduras graves, cortes, marcas até na cabeça. Foi chamado o IML, Instituto Médico Legal, para fazer um laudo. Segundo Cristiane, esse laudo indicou maus tratos e tortura da menina. André chegou a ser preso - mas por ter ameaçado testemunhas em uma entrevista coletiva dada após a morte da filha e ficou por apenas cinco meses.&lt;br /&gt;A única testemunha do caso é Gedires, uma empregada que fazia diárias para André e a mulher dele, Vanessa Maia Furtado. Ela encontrou Joanna deitada em um tapete, com as mãos e pés envoltos em fita crepe e toda suja de cocô e xixi. Ao pedir explicações para André, ouviu dele que a menina era “especial”. pediu para limpá-la e o pai não permitiu. Falou que o pai se justificou dizendo que amarrou as mãos da filha para ela própria não se machucar durante as convulsões. Gerides não suportou a pressão. Confidenciou aos filhos dela o que tinha presenciado e eles a aconselharam a não voltar à casa de André. Ela foi a uma delegacia tentar denunciar e o delegado não quis aceitar a queixa. Deixa isso pra lá, é coisa de família. Mas depois Gerides foi à luta e denunciou na Justiça. Ela disse que chorou muito e, em entrevista para o Fantástico, dois anos depois disse: “Estou chorando até hoje”.&lt;br /&gt;Olha eu falei com o André sobre essa cena. Uma criança deitada nas próprias fezes e urina, com as mãos em fita crepe. Ele me disse que tratava muito bem a filha e que nesse dia teve que levar suas outras filhas na escola e deixou a Joanna nesta condição por um pequeno tempo, 20 minutos. André também me interpelou. Me perguntou se eu tenho integridade profissional, me disse que a imprensa deve ser regulamentada por que nós, os jornalistas, somos tendenciosos e já o julgamos culpado. Falou que o Rodolfo e o Boechat deveriam ter apurado melhor esse caso e que eu fui a primeira jornalista que procurou ouvir a versão dele. Enviou para mim, por e-mail, a íntegra do depoimento da empregada Gerides , marcando os trechos em que ela afirma que nunca viu ele maltratando a Joanna. André afirma que a filha dele morreu por medicação errada, que suas condições de saúde eram consequências de abstinência dos remédios, o que a mãe nega. E concluiu dizendo que todos nós vamos nos surpreender por que ele sairá ileso deste caso. &lt;br /&gt;Será mesmo? O processo está no Tribunal de Justiça. É a nossa Justiça brasileira, falai sério, luquemini serius em latim! Quatro anos, no próximo dia 13, semana que vem, e até agora nada. Todos estão soltos: pai, madrasta, médica que acobertou o médico falso e o médico falso. Impressionante.&lt;br /&gt;O desembargador José Muños Pinheiro está com o processo. Uma confusão danada. Como três juízes atuaram, configurou-se o que se chama em judicialês, a língua do Judiciário, de conflito negativo de competência e ele deve decidir qual dos três será o responsável pelo caso. Este juiz, a ser designado pelo desembargador é que decidirá se os réus vão ou não a Tribunal do Júri, o júri popular. Acontece que o desembargador está de férias até setembro. Então, a dor da espera vai ser maior e estamos falando de uma menina morta há quatro anos! Encontrada nas condições que eu já falei.&lt;br /&gt;A assistente do desembargador falou comigo e explicou ainda que esse processo não é prioritário, pois quando ele voltar terá que dar atenção a processos que envolvem pessoas que estão presas. &lt;br /&gt;Eu pesquisei e vi que não são tão raros os casos em que a criança é vitimada pela própria família. A Unicef, Fundo das Nações Unidas Para a Infância e Adolescência, organização da ONU, das Nações Unidas, voltada pra as crianças, acaba de lançar um aplicativo que permite denunciar  a violência contra crianças no Brasil. É o aplicativo Proteja Brasil, que dá as principais características de cada tipo de violência, o telefone e o endereço dos lugares de onde se pode buscar ajuda. Até agora, 30 mil pessoas já baixaram a ferramenta em &lt;a href=&quot;http://www.protejabrasil.com.br/&quot;&gt;www.protejabrasil.com.br&lt;/a&gt; .  E entre essas que baixaram, quatro mil fizeram ligações pedindo ajuda.&lt;br /&gt;Só no primeiro semestre deste ano, a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos recebeu quase 50 mil denúncias de agressões, uma média de 271 por dia, quase 11 por hora.&lt;br /&gt;Segundo o Disque 100, serviço da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República, no primeiro semestre deste ano, a central telefônica recebeu quase oito mil denúncias de casos de negligência. Cinco mil e quinhentos eram de violência psicológica, cinco mil de violência física, duas mil de violência sexual e 700 de exploração do trabalho infantil.&lt;br /&gt;O local onde a violência mais ocorre é a casa da vítima e do suspeito, mas há também registro de agressões em lugares onde menos se espera, como escolas e hospitais. Os casos denunciados são encaminhados para os órgãos de proteção às crianças ou adolescentes.&lt;br /&gt;Nós temos uma Delegacia especializada aqui no Rio, que é a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). Eles me informaram que os crimes de tortura contra menores são registrados em uma média de menos de um caso por mês. Já os crimes de maus tratos são cerca de 10 casos por mês. &lt;br /&gt;Então, infelizmente, o Que fim levou não pode dar um fim ao caso Joanna. Vamos ter que esperar pela Justiça. E a nossa Justiça, realmente tarda. Tomara que não falhe. Qual é a sua opinião? Quem é o culpado pela morte da Joanna? Na internet há um blog, Taxi em Movimento, feito por Jorge Schweiter, uma pessoa que abraçou a causa e que posta sempre notícias. Lá é possível ter muitos detalhes sobre o caso. &lt;br /&gt;Eu também fico com você durante a semana, no nosso facebook que fim levou e na página colunaquefimlevou.blogspot.com, páginas feitas pelo meu braço direito e esquerdo Vinícius Mello, formando em Jornalismo e já um grande repórter.&lt;br /&gt;Para reflexão, deixo com vocês a  triste música Angélica de Chico Buarque.&lt;br /&gt;Um beijo e até sexta que vem.&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/2njisDw3HmA?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/08/joanna-marcenal.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-2998641043422764455</guid><pubDate>Fri, 01 Aug 2014 15:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-01T08:54:28.727-07:00</atom:updated><title>Índios Pataxós</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Bom dia Mariana, bom dia Maíra, bom dia Rodolfo, bom dia
para todos os nossos ouvintes. Mas um carinho especial para o Rodolfo, fomos
colegas aí de bancada há muitos anos e é um grande prazer estar aqui com você
ao vivo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
O nosso tema de hoje surgiu de uma conversa minha com o
nosso colega jornalista Edílson Martins, o cara que mais fez reportagens sobre
índio no mundo! Nós estávamos comentando o caso destes índios isolados que
foram contatados no Acre essa semana. Quem diria, hein, índios dos quais os
brancos não tinham conhecimento e que vivem como há milhares de anos na
fronteira do Acre com o Peru. Nos últimos dias, a Fundação Nacional do Índio
(Funai) divulgou imagens do primeiro contato feito pelos isolados com uma comunidade
Ashaninka, na Aldeia Simpatia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Foi incrível por que acharam com eles vários elementos que
só brancos poderiam ter levado até a tribo, como armas e até uma carteirinha do
Corinthians, mistério a ser explicado. A hipótese é que os isolados encontram esse
material deixado por madeireiros ou traficantes de drogas que andam pela
região.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Mas na conversa sobre esses índios, eu e o Edilson Martins
nos perguntamos: que fim levou a história dos alemães com os Pataxós? Todo
mundo lembra que a seleção alemã comemorou a vitória com uma dança indígena,
dança que os jogadores campeões aprenderam lá em Cabrália, na Bahia, com os
pataxós. Depois foi noticiado que os Pataxós ganharam presente de branco, E não
foi apito! Foi um cheque de 10 mil euros e ainda foram convidados a visitar a
Alemanha. Como é que ficou isso? Bem, vamos contar! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Eu conversei com o cacique Zeca Pataxó ontem. Ele é chefe
como bem diz o nome cacique dos índios da Aldeia Coroa Velha que foi
beneficiada pelas bondades dos germânicos. Ele me contou que realmente está
indo para a Alemanha e que no dia 20 de agosto o cheque de 10 mil euros vai
virar grana de verdade e servir para comprar um carro para atender o posto de
saúde de Coroa Vermelha, que atende mais de 5 mil índios e está precisando
mesmo de um&amp;nbsp; reforço. Para a viagem á
Alemanha só falta regularizar a documentação, tirar passaporte e definir, junto
com o coletivo, quem serão os outros dois índios que vão cruzar os mares de
avião, pois já está definido que com o Zeca Pataxó vai o cacique da aldeia
Piqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
O cacique está muito feliz com o que recebeu dos jogadores
da Seleção Alemã e, depois, do próprio governo Alemão, que se interessou pelos
problemas do seu povo. Mas ele me confirmou uma história que está muito bem
contada em um livro do Edilson Martins. O livro &lt;i&gt;Nossos Índios, nossos mortos&lt;/i&gt;. Os pataxós quase deixaram de existir
como Nação Indígena, quase perderam toda a sua identidade cultural. Por que? Por
que em 1951 eles sofreram um dos maiores, senão o maior massacre que uma etnia
indígena já sofreu no Brasil. Imagina uma aldeia incendiada, mulheres
estupradas, índios feitos de animais, com selas amarradas a seu corpo e brida
na boca tendo que carregar soldados nas costas. Dizimação, assassinato,
covardia. Até velhos e crianças como vítimas. Foi isso que aconteceu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Além do cacique Zeca Pataxó, eu conversei também com a
Luzia, a gerente de uma agência de turismo que, há 17 anos, coopera com os
índios de uma aldeia vizinha à Coroa Vermelha, que fica no município de
Cabrália. A Luiza leva turistas e principalmente alunos de escolas de todo o
Brasil para a Reserva Junqueira. São quase 800 pessoas visitando a Aldeia por
mês. E 29 famílias de índios vivem dessa atividade. Ela também sabe do massacre
de 1951 e convive com índios que presenciaram tudo. Por exemplo, a dona Nega,
que tem três filhas que também testemunharam todas as barbaridades. Ela me
disse que a cultura pataxó quase morreu. E descreveu o ataque, com polícia de
duas cidades atirando e incendiando a aldeia de madrugada. O motivo alegado era
que os índios tinham feito um roubo, na verdade uma armadilha de uma pessoa que
levou coisas como presente para armar contra os índios.&amp;nbsp; Na verdade, uma conjunção, segundo a Luiza,
de polícia, fazendeiros e políticos para tirar os índios de terras muito
lucrativas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
O nosso colega Edilson Martins, no livro &lt;i&gt;Nossos Índios Nossos mortos&lt;/i&gt;, conta uma
coisa mais incrível ainda: que a animosidade contra os pataxós começou por que
eles foram alvo de uma tentativa de politização. Imagina! Um engenheiro e um
tenente, sendo um deles membro do Partido Comunista teriam tido a infeliz ideia
de usar os índios para fazer um levante contra o governo. E a partir daí eles
ficaram mais visados ainda pelo poder estabelecido. Edilson Martins, no livro,
entrevista a antropóloga Maria do Rosário Gonçalves Carvalho, antropóloga pela
Universidade da Bahia que passou um ano vivendo com os pataxós para fazer sua
tese de mestrado sobre esse massacre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Arrasados pelo ataque, os pataxós ficaram sem nada. Sem
terra, sem casa e quase perderam todos os seus costumes e a sua língua. Mas
conseguiram se recuperar. Hoje eles são mais de 20 mil da mesma etnia, divididos
em várias aldeias que se espalham entre os municípios de Cabrália e Porto
Seguro.&amp;nbsp; Conseguiram a demarcação de uma
área, que é a Reserva Jaqueira. Lá onde a Luzia faz as visitas dos turistas que
podem ver como é a habitação típica dos pataxós, a &lt;i&gt;quijeme&lt;/i&gt; - oca na língua deles -, podem comer um peixe na folha de
Patiopa, folha de uma palmeira que dá gosto e cheiro especial aos alimentos que
são cozidos nela, podem dançar com os índios no ritual de comemoração Auê e
aprendem, em uma palestra interativa, muito sobre essa cultura que resistiu.
Uma coisa que eu fiquei sabendo e que seria muito prática aqui entre nós é que
os pataxós se pintam, usam a pintura corporal, para expressar suas condições e
seu sentimento. Por exemplo, os casados se pintam de uma maneira e os solteiros
de outra. Quando o pataxó está alegre, a pintura é uma, quando está de mau
humor ou aborrecido ou triste, a pintura é outra e assim eles dão sinais
importantes para os outros. Como me disse a Luiza, é só o cara sair da &lt;i&gt;quijeme&lt;/i&gt; (a oca) com aquela pintura que você
já sabe se ele está ou não pra brincadeira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Os pataxós da reserva hoje sobrevivem basicamente destas
visitas turísticas, embora elas não sejam caras - uma pessoa paga R$ 35 para
passar um tempo lá e ver e participar de um dia da vida deles. Eles já não
caçam mais nem pescam, por poucas condições da terra e dos rios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Pior situação é a dos pataxós de Coroa Vermelha , liderados
pelo Zeca. Ele me contou que eles estão há 15 anos lutando pela demarcação de
uma área para eles. Uma área de 54 mil alqueires para atender a mais de 20 mil
índios. Enquanto essa área não é reconhecida pelo Governo brasileiro, os
conflitos são muitos e frequentes com os fazendeiros do local, a maioria
plantadores de mamão, abacaxi e coco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Zeca também me contou que esteve no mês passado com o
Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e que, infelizmente, a resposta dele
foi que enviou para a Funai o pedido de refazer o estudo antropológico que
determina se é legítimo ou não o pedido dos pataxós. Se realmente,
originalmente, essas terras, no lugar e, que foi rezada a Primeira Missa do
Brasil, quando chegaram aqui os portugueses, é realmente de direito deles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Eu também procurei a Funai e a assessoria de imprensa me
disse que é normal o Ministério da Justiça pedir essa revisão dos estudos,
pedir algum esclarecimento, tirar alguma dúvida. Só que, falai sério, &lt;i&gt;luqemini serius&lt;/i&gt;, 15 anos esperando uma
solução?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Para amenizar, a presença da Seleção Alemã junto a eles foi
realmente muito boa. Além do tal famoso cheque de 10 mil euros, segundo o Zeca,
foi criada uma verdadeira amizade entre os pataxós e os jogadores que estão
abrindo as portas de seu país para uma ajuda ao seu povo. Uma das expectativas&amp;nbsp; do cacique é conseguir, na viagem programada
para outubro, voltar com o patrocínio de uma Escolinha de Futebol para os
meninos pataxós. Tomara que dê certo e eu estou me preparando para levar meus
netos para passear na reserva. Estou doida para comer esse peixe na folha de palmeira!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Fico por aqui. Agradecendo ao Edilson Martins, acreditem que
ele está na Amazônia e ouvindo a gente pela internet!&amp;nbsp; E vai lançar um novo livro, pela editora Top Books,
que mistura ficção e realidade, chamado &lt;i&gt;Dediai
o Selvagem ou o voo das borboletas negras,&lt;/i&gt; esse eu não perco! Também
convido a todos a curtir e participar da nossa página no facebook, que é q fim
levou, feita pelo meu fiel escudeiro, o formando em jornalismo Vinícius Mello.
Só escrever o que com q mudo. Facebook que fim levou. Vai lá. O que você sugere
que seja tema da nossa coluna? Com certeza eu vou ficar muito feliz com sua
participação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Para encerrar, a música de hoje é dos meus tempos de
criança. Uma brincadeira, mas que é boa para a gente lembrar que os índios têm
direitos e não estão a fim de dar mole não. É a nossa velha conhecida &lt;i&gt;Índio quer apito&lt;/i&gt;, na versão atual
cantada pelo funkeiro máximo, Mr. Catra. Beijo e fui!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/Z8DKGPwYYFU?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/08/indios-pataxos.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-7967996149686125154</guid><pubDate>Fri, 25 Jul 2014 17:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-25T10:45:24.514-07:00</atom:updated><title>Vigas - Parte III</title><description>&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Bom dia Mariana, bom dia Jonathan, bom dia ouvintes da
BandNews. Bom dia especial para os taxistas que comemoram seu dia hoje! Atendendo
a muitos pedidos dos nossos fãs - e olha que já temos mais de mil seguidores na
nossa página no facebook - o nosso tema de hoje é Vigas da Perimetral, a
missão! Bem, logo que eu estreei aqui na rádio, as vigas foram tema de uma das
primeiras colunas e teve continuação de tanto que o assunto rendeu. Nós falamos
do inacreditável roubo das vigas e também abordamos a denúncia, do presidente
do Sindicato dos Engenheiros de Volta Redonda, João Thomaz Araújo, de que a
Prefeitura do Rio estava dando a preço de banana, muito, muito barato mesmo, um
material pago com o meu, o seu, o nosso dinheiro.&amp;nbsp; Isso deu um bafafá dos grandes. Só para se
ter uma ideia, estas vigas, construídas com aço corten, uma espécie de aço que
é resistente à corrosão até por 300 anos, segundo o João Thomaz custam &lt;b&gt;R$ 12 mil reais a tonelada no polo
siderúrgico de Volta Redonda&lt;/b&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E o valor da tonelada atingido no leilão das
primeiras 384 vigas, concluído em novembro do ano passado, foi de R$ 520 reais
a tonelada. Isso que a prefeitura colocou o valor base a R$ 320,00 e no leilão
subiu. O engenheiro estava tão revoltado com o que ele considera vender filé
mignon a preço de carne de segunda que fez até um requerimento ao Ministério Público,
pedindo ao Procurador Geral que se apurasse improbidade administrativa na venda
das vigas a preço de sucata. Ele também deu muitos exemplos de obras públicas
onde as vigas poderiam ser usadas, com grande economia de dinheiro, o meu, o
seu, o nosso. E ainda citou cidades do interior do Estado que queriam ter as
vigas para construir pontes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Amanhã vamos ter a demolição do último trecho do Elevado da
Perimetral. Não vai ser implosão, vai ser uma demolição a frio que estava
marcada para o sábado passado e agora será amanhã às 8 horas. Vamos ter mais um
monte de vigas, que vão, de novo ser leiloadas. A preço de banana. Tanto assim
que a empresa Metral, que ganhou o primeiro leilão e na época me disse que
tinha comprado um abacaxi, também se inscreveu na atual licitação. Então, não
era tão abacaxi assim, hein?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;&quot;&gt;
&amp;nbsp;Mas olha, eu bem acho que a nossa denúncia
ajudou e muito. As vigas começaram a ser usadas em boras da própria Prefeitura.
No Porto Marvilha e nos piscinões da Tijuca. Nesses reservatórios, que estão
sendo construídos para captar água das chuvas, vão ser usadas &lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;&quot;&gt;39 vigas na Praça Varnhagen e 42 na Praça Niterói. A informação que eu
recebi essa semana da Fundação Rio-Águas, responsável pela obra, mostra que as
queixas do presidente do Sindicato dos Engenheiros de Volta Redonda têm razão
de ser, pois só com esse uso das vigas da Perimetral nos piscinões a prefeitura
deixou de gastar R$ 27 milhões, que é o que ela desembolsaria para comprar o
aço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;&quot;&gt;As vigas também devem chegar ao interior do Estado. Eu voltei a falar
com o secretário de Planejamento de Barra Mansa, uma das cidades que na época
da nossa denúncia disseram que queriam ter as vigas para construir pontes. E
eles lá em Barra Mansa estão terminando um projeto de uma ponte sobre o Rio
Bananal, que cruza um bairro em expansão na cidade, a Colônia de Santo Antônio
para pedir as vigas para a Cdupr, Companhia de Desenvolvimento Urbano que é a
responsável pelas obrs do Porto Maravilha, pela demolição da Perimetral e pelos
leilões. A cdurp confirmou que doa as vigas, desde que as prefeituras paguem o
transporte, então vai sair uma ponte de vigas da petrimetral em Barra Mansa,
com uma grande economia para a cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;&quot;&gt;O que o engenheiro João Thomaz não se conforma é que esse aproveitamento
pederia ter sido muito maior e não será, já que o leilão em curso, esse que
está sendo licitado agora, vai vender praticamente tudo.&lt;/span&gt; Serão 4.300
toneladas ao valor estimado pela Prefeitura de&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;&quot;&gt; R$ 545,17/tonelada.
Quer dizer, vendendo tudo, a Prefeitura vai faturar no leilão R$ 2, 343.500 se
for por esse preço mínimo. Quanto vale o material? Segundo o presidente do
sindcaato dos Engenheiros de Volta Redonda, vale R$ 51 milhões e 600 mil, pelo
preço do aço corten a ser comprado na Siderúrgica de Volta Redonda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;&quot;&gt;Cadê o comprometimento da Prefeitura com a economia verde, com a
diminuição dos gastos públicos? Bem o presidente da Cdurp contrapõe que as
vigas não podem ficar armazenadas por um grande período, tomando espaço e
também levando a gastos com isso. E eu acrescento, fora o perigo de passar
outro ladrão e levar mais algumas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: Arial;&quot;&gt;Gente, até o avião da Malásia já apareceu! E as
vigas roubas? Nada. Todo mundo lembra não é? Depois da implosão, sumiram &lt;/span&gt;seis
vigas, que foram furtadas. Quando eu contei para uns amigos estrangeiros que
vieram para a Copa do Mundo eles pensaram que era piada... Sesis vigas de aço
de 40 metros cada, cada uma pesando 20 toneladas sumiram! Juntas, elas valem
pelo menos R$ 14 milhões, segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia
do Rio (Crea-RJ). Já o consórcio Porto Maravilha, com base nos precinhos dos
leilçoies, afirma que o valor das seis vigas é de R$ 62 mil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Na época eu conversei até com o maior detetive particular do
Brasil, o Bechara Jalk, que já desvendou crimes cabeludérrimos e ele apontou
logo um culpado, ou melhor uma culpada: a corrupção, pois segundo ele seria
impossível não rastrear para onde foram as vigas em cumplicidade de, como se
diz, “gente de dentro”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Pois bem, eu procurei de novo o delegado Marcio Braga, que é
o responsável pelo inquérito, na Delegacia de Roubos e Furtos. Mas... nada,
nada mesmo de novidade. A resposta, quie veio da assessoria de comunicação da
Polícia Civil diz o seguinte:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
De
acordo com o delegado Márcio Braga, titular da Delegacia de Roubos e Furtos
(DRF), as investigações estão em andamento. Novas testemunhas estão sendo
chamadas para prestar depoimento e diligências sendo realizadas. Cerca de 35
pessoas já foram ouvidas, entre elas representantes das empresas terceirizadas
e o chefe de operações da Prefeitura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
E é só! Falai sério, loquimini serius, falai sério em latim
para ficar mais pomposo. Eu acho que essas seis vigas nunca, mas nunca, nunca
mais vão aparecer mesmo. &amp;nbsp;Mas como vai
ser comemorado o aniversário de um ano do sumiço agora em agosto, data provável
do furto, a gente pode encomendar um bolo, colocar uma velinha e cantar
Parabéns. Parabéns para os ladrões!.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Antes de me despedir, meu convite para que você também venha
participar da nossa página, com suas sugestões. O que você quer saber aqui no
Que fim levou. Entra no facebook e procura a nossa página q mudo qfimlevou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
Para terminar fica uma musica para reflexão. O que dá para
chorar dá para rir e a música é &amp;nbsp;a
marchinha que ganhou este ano o concurso de Carnaval que a Fundição Progresso
já faz há nove anos. &quot;Cadê a Viga&quot;, de Cassio e Rita Tucunduva, beijo
fui!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/a7mnpkawy-k?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/07/vigas-parte-iii.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-8975948802890436093</guid><pubDate>Fri, 18 Jul 2014 16:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:48:27.248-07:00</atom:updated><title>Caso Palace II</title><description>&lt;span style=&quot;background-color: white; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, &#39;lucida grande&#39;, tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;&quot;&gt;Bom dia Mariana, bom dia Jonathan, bom dia para nossos queridos ouvintes, em especial os taxistas que já brincam comigo usando o nosso Falai Sério em latim, Loquimini serius, a expressão que eu gos&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot; style=&quot;background-color: white; color: #333333; display: inline; font-family: Helvetica, Arial, &#39;lucida grande&#39;, tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;&quot;&gt;to de falar quando realmente a coisa é brava, a coisa é feia, a coisa é daquelas que não dá para acreditar como é o caso do tema do Que fim levou de hoje. O desabamento do Palace II, o prédio na Barra da Tijuca, que desmoronou em parte num sábado de carnaval, no dia 22 de fevereiro de 1998. E foi implodido totalmente seis dias depois.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;text_exposed_show&quot; style=&quot;background-color: white; color: #333333; display: inline; font-family: Helvetica, Arial, &#39;lucida grande&#39;, tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;Pois falai sério, loquimini serius, passados 16 anos, as famílias ainda não receberam toda a indenização. É um dos casos de duração mais longa e com certeza o mais complexo em trâmite na Justiça do Estado do Rio de Janeiro segundo alguns advogados com quem eu conversei. Para as vítimas, é a tragédia que se estende, anos a fio. Chegou ao ponto de, entre as 120 famílias atingidas por essa verdadeira desgraça, 10 já terem perdido seus titulares, que morreram sem ver a cor do dinheiro que lhes era devido e que nem daria para reparar o que sofreram.&lt;br /&gt;
Como é que um prédio pode cair assim? Foi a pergunta que todos se fizeram e que até hoje parece mal respondida. O que aconteceu foi que, por volta da meia noite daquele sábado sinistro, soou um grande estrondo e o prédio começou a ruir a ponto de as placas de mármore da fachada saltarem das paredes atingindo até o prédio da frente. Toda a ala do prédio com os 44 apartamentos de final 1 e 2 despencou. Oito pessoas morreram.&lt;br /&gt;
Eu conversei com a Dra. Bárbara de Alencar Leão Martins, uma médica que perdeu o filho de 12 anos na tragédia. O menino estava na casa do ex-marido dela, tinha ido passar o Carnaval com o pai, que também morreu, junto com a nova mulher dele e o filhinho do casal, de 4 anos. A Dra. Bárbara me contou que viu na televisão que um prédio havia caído na Barra da Tijuca. Sentiu um aperto no peito, ligou para o telefone, ligou para o celular e ninguém atendia. Decidiu ir para o local e ao ver o carro do ex-marido na garagem já teve, ela me disse, certeza de que ele tinha morrido. Ele era paulista, não ia a lugar nenhum no Rio sem carro. E seu péssimo pressentimento se confirmou. Dra. Bárbara ficou só com o filho mais velho, que hoje tem 32 anos e, na época, ao invés de ir com o irmão par a casa do pai, resolveu passar o Carnaval com amigos, fora do Rio. Ela não conseguiu receber a indenização. Recebeu uma pequena parte e há 4 ou 5 anos não recebe nada. Mas o mais importante para ela não aconteceu: a punição dos culpados.&lt;br /&gt;
Eu conversei também com Vítor Lustosa, sobrevivente. Ele é cineasta e estava dormindo na hora em que começou o desabamento, tirando um cochilo por que teria que sair de madrugada para filmar uma escola de samba na avenida. Acordou com o estrondo, aquele barulhão e foi falar com a mulher que estava na sala vendo TV com o cachorrinho poodle da família, enquanto sua enteada, de 16 anos na época, dormia no quarto dela. Enquanto conversava com a mulher sobre o barulho, o interfone tocou. Era seu vizinho de porta, o hoje Coronel Bombeiro aposentado Marcos Silva. Marcos dizia nervoso no telefone para o Vítor descer imediatamente com a família por que o prédio estava caindo. Vítor pegou só a chave do carro e uma caixa de calmantes. Muitas pessoas foram avisadas pelo Coronel. Ficaram todas na portaria, conversando, sem acreditar, mas o bombeiro, experiente, explicava sobre o perigo. E foi até a garagem com alguns moradores, entre eles o Vítor. Vítor nem acreditava no que viu - a maior pilastra de sustentação da garagem estava com os ferros à mostra, vergalhões de mais de um metro toros retorcidos. Vitor, que tinha pensado em voltar ao apartamento, decidiu que não. Mas outros voltaram. O filho do sindico que estava ao seu lado foi um deles,. Subiu para pegar um iogurte. Uma outra moradora também, voltou a seu apartamento para pegar a fantasia de carnaval com que ia desfilar no dia seguinte no sambódromo. Poucos minutos depois, o pessoal conversando sobre chamar a Concremat para resolver o problema da pilastra, começou o desastre total. O menino do iogurte e a moça da fantasia não voltaram mais, morreram soterrados.&lt;br /&gt;
Vitor refez a vida, com um novo casamento já que o primeiro não resistiu às dores da tragédia e hoje tem uma filhinha d 5 anos. Mas, como todos os outros, nunca mais se recuperou totalmente. Ele teve problemas no coração, colocou duas pontes safena. E nunca recebeu nenhum centavo de indenização. Ele mesmo atribui isso ao fato de ter ficado sozinho, ter decidido entrar na Justiça sozinho. Agora ele também faz parte da Associação das Vítimas do Palace II que é a instituição que reúne todas as famílias e está conseguindo pelo menos alguma coisa. Eu conversei com a presidente da Associação, Rauliete Guedes que me explicou sobre o andamento, ou melhor o não andamento deste processo que dura já quase 16 anos. O apartamento do filho dela desmoronou e o dela foi implodido. Eu já conto como está o processso, mas vamos parar aqui um pouquinho só para deixar claro as consequências disso tudo. As pessoas não puderam mais voltar às suas casas. Não puderam mais entrar. Não puderam pegar nada. Não apenas os bens materiais, eletrodomésticos, joias, dinheiro, mas todas as suas recordações, as fotos, os objetos queridos, nada. Foi como ficar nu, sem lar e sem memória. Além das 120 famílias desalojadas do Palace, o desmoronamento do prédio obrigou, por questões de segurança e prevenção, a evacuação de dezoito edifícios em um raio de 200 metros do Palace II, desalojando temporariamente cerca de 14.000 pessoas. Dá para ter uma ideia da proporção disso?&lt;br /&gt;
Como é que pode um prédio cair assim? A pergunta que todos se fizeram e se fazem até hoje os que ainda sofrem nunca foi muito bem respondida. De acordo com o laudo de vistoria da prefeitura do Rio, divulgado na época, a causa do desabamento foi o esmagamento do pilar P 17 A. Mas o laudo não concluiu se o motivo teria sido falha no projeto, que teria provocado sobrecarga nesse ponto, ou insuficiência do material. Um dos peritos, Hugo Monteiro, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, atestou material de má qualidade, dizendo que o concreto usado nas pilastras chegava a se esfarelar na mão. Se chegou até suspeitar sobre uso de água do mar ou água salobra na construção.&lt;br /&gt;
O resultado é que ninguém foi punido. A Dra. Bárbara, a médica que perdeu o filho no desmoronamento, me disse que, na Justiça, o processo para os projetistas do prédio, foi um passeio no parque. E para o Sergio Naya também.&lt;br /&gt;
Quem era Sergio Naya - o dono das empresas construtora e incorporadora dos prédios, que morreu em 2009? Um empresário muito controvertido que já tivera outros problemas com edificações da sua responsabilidade. E muito amigo do Poder.&lt;br /&gt;
Ele fez fortuna construindo os prédios de anexos de Ministérios em Brasília, uma fortuna que ele mesmo gostava de dizer que chegava a meio bilhão de dólares, isso mesmo, US$ 500 milhões. Engenheiro, se tornou o deputado federal mais votado de Minas Gerais em 1990, depois de uma campanha em que foi acusado de distribuir máquinas de costura e distribuir transmissores para rádios comunitárias. Naya gostava de se vangloriar de ser padrinho de três netos do General Golbery do Couto e Silva, ex-Chefe do Serviço Nacional de Informações e vivia emprestando apartamentos e seus jatinhos para políticos. Ele, o engenheiro responsável e os projetistas do prédio foram absolvidos em todos os processos criminais. Na Justiça, só correm agora os processos de indenizações.&lt;br /&gt;
Como a Rauliette, a presidente da associação das vítimas, me contou tudo é lento e complicado. A avaliação dela é de que as vítimas receberam até gora cerca de 40% do total a que têm direito, em sete partilhas de bens já realizadas, e ainda faltam cerca de R$ 100 milhões a serem rateados entre as 120 famílias. São, é claro, indenizações que variam de acordo com as perdas das pessoas, se tiveram parentes mortos, se eram inquilinas, se eram proprietárias. Imagina que algumas, que no dia do acidente foram alojadas em motéis na Barra, por que não tinham para onde ir, depois de anos morando em hotel foram despejadas porque a empresa do Naya não pagava as diárias!&lt;br /&gt;
Enfim, o processo está na 4a Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, com o juiz Gilberto Clovis Farias Matos que, é claro, não é o primeiro, nem foi o único a tratar do caso. Tomara, pelo menos que seja o último. A dificuldade agora é que o perito, nomeado por esse juiz, chegue a um cálculo aceitável pelos advogados de ambas as apartes, os advogados da Associação das Vítimas e os advogados do grupo Sersan. O advogado das vítimas, Eduardo Lutz, diz que já corrigiu 8 erros do atual perito, que aceitou as correções e nisso, entre o antigo perito e o atual perito, esse cálculo está sendo feito há mais de 4 anos. Há brigas também pelo valor de venda dos terrenos do espólio de Sérgio Naya que vão sendo leiloados para pagar as dívidas dele, que não são só com as vítimas. As vítimas têm prioridade, mas existem outros credores que tentam embargar o pagamento e entrar no recebimento dos valores. Além do mais os advogados dos dois lados também brigam sobre o valor de venda dos bens. E até mesmo sobre os honorários. O perito, em um dos cálculos, informou que o advogado de defesa, Dr. Eduardo Lutz, teria recebido R$ 4 milhões de reais a mais. O advogado já fez sua resposta dizendo que não, que o perito errou e esse valor se refere a honorários de sucumbência - ou seja devidos pelo réu - e que foram mandados pagar em juízo. Então a discussão do momento é essa, se os advogadas da defesa deveriam ter recebido, durante esse período de 16 anos R$ 3 ou 7 milhões; Enquanto isso, existem R$ 8 milhões depositados no Banco do Brasil, que estão lá há 5 anos sem chegar às mãos das famílias. E famílias como a do Vitor Lustosa que não receberam nenhum tostão.&lt;br /&gt;
Por fim, eu tentei falar com o juiz, saber por que isso demora tanto....A resposta veio da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça: Não há novidades quanto à tramitação processual. No momento, os autos da ação aguardam remessa para vista do Ministério Público. Falai sério não é mesmo? Loquimini serius.&lt;br /&gt;
Muita dor, muito sofrimento mesmo. 16 anos. E não há nada a fazer além de esperar pela Justiça. Minha solidariedade aqui às famílias. E fica o nosso protesto, né , de todos nós. Para terminar uma música um pouco violenta do Lobão, “A queda”, mas o que fazer, esse caso foi mesmo uma violência!</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/07/caso-palace-ii.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-8507871266892821763</guid><pubDate>Fri, 27 Jun 2014 18:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-06-27T11:29:25.297-07:00</atom:updated><title>Caso Amarildo</title><description>Que fim levou o caso Amarildo?&lt;br /&gt;Eu me lembrei quando vi pela internet manifestantes em Copacabana, no dia do jogo do Brasil mais recente, na segunda-feira, contra Camarões, fazendo um protesto com uma faixa que dizia A festança nos estádios não vale as lágrimas nas favelas. E de vez em quando eles gritavam Amarildo e respondiam Presente. Pois é, daqui a pouco, no dia 14 de julho já faz um ano que o pedreiro Amarildo despareceu. Todo mundo lembra, foi um caso noticiado no mundo inteiro. Mais um caso em que a Polícia Militar é acusada de dar sumiço em uma pessoa, como no caso da Patrícia Amieiro, a engenheira que sumiu na estrada Lagoa Barra e que também foi tema aqui do Que fim levou.&lt;div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Amarildo tinha seis filhos, morava na Rocinha e era analfabeto. Tinha o apelido de Boi, por carregar pessoas nas costas até o asfalto, quando era necessário, uma pessoa doente, por exemplo. Era forte, apesar de magrinho. E gostava de pescar.  O que a Beth, viúva do Amarildo me contou , na longa conversa que nós tivemos essa semana, é que o Amarildo tinha chegado em casa com alguns peixes, tinha acabado de limpar os peixes e ia saindo para comprar alho e limão para fazer um tempero quando foi parado pela PM. Ainda chegou a dizer para ela quando ia sendo preso: Beth o meu documento está na mão desse pessoal aí, apontando para os policiais. E nunca mais apareceu.&lt;br /&gt;Os Policias Militares que ganharam o benefício do Programa de Proteção à Testemunha declararam no inquérito que Amarildo foi torturado dentro de um container até morrer. Eles estavam do lado de fora e ouviram. Agora estão em outro Estado, em local secreto. Dos 25 PMs acusados, 15 estão presos. O processo está em fase de audição das testemunhas de defesa dos policiais que negam o crime. Em seguida falarão as testemunhas de acusação.&lt;br /&gt;Enquanto isso, a Beth tem uma pensão de 1 salário mínimo e uma vida muito diferente da que levava na Rocinha antes de o marido desaparecer. Ela continua morando na Rocinha, com os filhos Amarildo de 19, Beatriz de 14, Alisson de 12 e Milena de 7 em uma casa melhor um pouco do que a que tinha com o Amarildo. Uma casa que conseguiu com a ajuda de artistas como Caetano Veloso e Marisa Monte, que fizeram um show em novembro do ano passado no Circo Voador para angariar fundos para ela e para a família. Também passou a ter contato com famílias que perderam parentes como vítimas da PM. Já esteve em encontros em Brasília, São Paulo e Minas. E também já foi presa, lá na Rocinha, por desacato à autoridade. Ela me disse que são os PMs que provocam. Que a ditadura acabou só para os ricos, para os pobres, continua. Que o pessoal da UPP xinga, ameaça seu filho, dizendo que estão de olho nele. Beth está preparando uma manifestação para o dia 14 de julho. Por enquanto ela e a sobrinha Michele, sozinhas, com uns cartazes que foram guardando de outras manifestações. Mas ela vai fazer. A gente gritar pelos nossos direitos, ela me disse, não é crime, e vamos lá para a boca do túnel, para lembrar como eu fiquei no dia 15, no dia 16 de julho indo para UPP, para delegacia, para IML atrás do meu marido e do Major me dizendo que ele tinha sido liberado.&lt;br /&gt;Os detetives que investigaram o caso e que preferiram não se identificar têm duas hipóteses para o desaparecimento do Amarildo. O corpo dele teria sido jogado pelo carro da Polícia na Central de Concreto das obras  Linha 4 do Metrô que fica no canteiro central do 23º Batalhão da PM, no Leblon para ser triturado   em uma máquina de concreto. Há comprovação de que um carro da PM e do mesmo Batalhão da UPP ficou ali parado por muito tempo no dia 14 de julho de 2013.&lt;br /&gt;Segunda hipótese, o corpo teria sido jogado no lixão do Caju para ser destroçado pelas pás retroescavadeiras e triturado nos caminhões de compactação.&lt;br /&gt;Eu conversei com um especialista que procurou e ainda procura, sem cessar, identificar entre todos os cadáveres sem identificação que surgem no Rio de Janeiro e no Brasil, encontrar o&lt;br /&gt;Amarildo. É o biomédico, professor de mestrado em Direito e perito criminal Rodrigo Grazionoli Garrido. Ele é o diretor do Instituto de Pesquisas e Perícias em Genética Forense da Polícia Civil aqui do Estado do Rio de Janeiro. Um verdadeiro banco de DNA de desaparecidos e criminosos. Vou explicar como funciona. Cada vez que o IML, Instituto de Medicina Legal não consegue identifica um cadáver, nem mesmo pela arcada dentária ou pela papiloscopia – as impressões digitais – envia um fragmento de tecido para o Instituto que coloca o DNA deste cadáver no banco de dados e cruza com o DNA de famílias que estão procurando pessoas desaparecidas. O sistema está integrado com outros estados e, outro dia, recentemente, um cadáver de Minhas bateu com o DNA de uma família do Rio de Janeiro. Por que isso é importante? Uma família encontrar o corpo de um ente querido, do ponto de vista emocional, é claro, mas também do ponto de vista social, regularizar uma situação e às vezes até do ponto de vista econômico, como para receber uma pensão ou uma herança.&lt;br /&gt;Os policiais que trabalham no instituto foram treinados por colegas do FBI, o Federal Bureau of Investigations dos Estados Unidos que é também o desenvolvedor do programa que já está em 16 Estados e tem 300 cadáveres registrados aqui no Rio. Mas o programa vai além. Ele também deve registras, de acordo com a lei 12654,  o DNA de presos por crimes hediondos e nisso a coisa  não vai tão bem. De acordo com essa lei, todos os condenados deveria ceder material genético para o banco de dados. Mas... a Justiça não tem encaminhado os condenados. Um exemplo que o Dr. Rodrigo me deu. Se há um estuprador em série e fica lá a coleta de semem de uma mulher estuprada, esse criminoso mais tarde pode ser identificado em outro estupro e se pegar a série toda de crimes, como aliás, já aconteceu. Então alô Justiça, vamos colaborar com a própria Lei?&lt;br /&gt;Para encerrar com um outro Que fim levou que tem a ver com o Amarildo. Que fim levou a Delegacia de Pessoas Desaparecidas que anunciamos no dia em que abordamos o caso da patrícia Amieiro? Quem lembra? A Jovita Belfort, mãe do lutador Vitor Belfort, que tem uma filha desaparecida há dez anos, ia se encontrar com o Chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso (furo nosso), para marcar a data de inauguração dessa nova unidade. Importante. As pessoas que têm parentes desaparecidos, ao invés de serem atendidas em Homicídios, como são atualmente, passarem a ter um local próprio, especializado. Ora, a pessoa tem sempre a esperança de que quem desapareceu esteja vivo e tem que ir logo na Homicídios? A novidade é que a Policia Civil espera penas a formatura de novos inspetores, prevista pra mês que vem, agora , julho, para instalar a nova delegacia na Cidade da Polícia e atender ali todos os casos de desaparecimento registrados na Capital. Vale lembrar que foi muita luta pra sair essa delegacia, pressão da luta de várias ONGs que se dedicam a pessoas desparecidas, das passeatas, das faixas, das cruzes em Copacabana antes e durante a Copa, enterro simbólico do Amarildo, a Jovita Belfort indo lá na Polícia Civil, ainda na época da Delegada Marta Rocha, tudo isso pesa e é a pressão da sociedade, a nossa pressão, contra o estado paquidérmico, contra a Justiça tartaruga, contra o descaso e aquela atitude que tantas vezes tem o Poder Público como se pudesse fazer de conta que  não tem nada a ver  com a gente, que não tem satisfações a nos dar, é isso que dá resultado. Dá em Júri, felizmente algumas vezes  e dá em novas e melhores delegacias.&lt;br /&gt;Eu fico por aqui. Agradeço a Carolina Mauro, aluna do Jornalismo da Unisuam que desvendou os meandros do banco genético da Polícia Civil e ao Vinícius Melo que opera nossas páginas na internet e que vão continuar na ativa. http://facebook.com/qfimlevou e http://colunaquefimlevou.blogspot.com&lt;br /&gt;Para reflexão uma música em homenagem ao nosso pedreiro Amarildo. Construção de Chico Buarque.&amp;nbsp;&lt;div&gt;
Fui!&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; color: #222222; font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/P7mHf-UCZp0?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;background-color: white; color: #222222; font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 11pt; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
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</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/06/caso-amarildo.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-2741517226207706824</guid><pubDate>Fri, 20 Jun 2014 15:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-06-20T08:27:23.100-07:00</atom:updated><title>Chuva de prata de Santa Cruz</title><description>O que fim levou de hoje é sobre uma chuva de prata de que prata não teve nada. Uma chuva de elementos poluidores que prejudicou muito os moradores de Santa Cruz. A Band cobriu muito bem o caso e com certeza os ouvintes fiéis se lembram e o Boechat, que me recomendou correr atrás, também. Foram dois acidentes causados pela CSA – a Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma mega siderúrgica lá na Zona Oeste. Vamos entender o que é mega. A CSA é uma parceria entre o grupo alemão ThyssenKrupp e a brasileira Vale do Rio Doce que ocupa uma área de 9 Km2 e é o maior investimento privado dos últimos 10 anos no Estado do Rio de Janeiro. Ela tem capacidade para fabricar até 5 milhões de toneladas de aço por ano e toda a produção é direcionada para unidades do Grupo no exterior, visando atender a clientes no mercado internacional de aço de melhor qualidade para as indústrias automotiva, da linha branca (os eletrodomésticos), e também tratores, guindastes e escavadeiras.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos entender a chuva de prata que não foi de prata. No dia seguinte à inauguração da siderúrgica, em junho de 2010, as casas da região amanheceram cobertas de um pó prateado. Em agosto a empresa foi multada em R$ 1,8 milhões pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Em dezembro aconteceu outra Chuva de prata, quando foi inaugurado o alto forno. Nova multa, também de milhões de reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tinha nesse pó prateado? A Secretaria de Meio Ambiente não teve tempo de me responder. Sabe como é que é, Copa do Mundo, feriado, né. Mas eu tive acesso à Resolução 195 da SEA. E nela diz que o pó prateado é tóxico e contém elementos químicos como Zinco (Zn), Silício (Si), Sódio (Na), Manganês (MG), Potássio (K), Cálcio (Ca), Carbono (C), Alumínio (Al) e outros elementos como Vanádio (V), Titânio (Ti), Enxofre (S), Chumbo (PB), Fósforo (P), Níquel (Nem), Magnésio (Mn), Cobre (Cu), Cromo (Cr) e Cádmio (Cd). Nesse relatório, a SEA reconhece ainda que o pó pode causar asma, câncer de pulmão, problemas cardiovasculares, defeitos congênitos e morte prematura. O relatório ainda afirma que levantamentos da própria Secretaria já teriam constatado o aumento no número de queixas dos moradores de Santa Cruz com relação a doenças respiratórias como asma, bronquite e doenças dermatológicas , além de doenças oftalmológicas (conjuntivites), fadiga e estresse e relatos de pioras nos casos de hipertensão e diabetes após exposição a essa poeira de partículas químicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós conversamos com a Cláudia, presidente da Associação de Moradores do bairro São Fernando, bem próximo ali da Siderúrgica, e ela me disse que a situação hoje é de relativa tranquilidade. Também puderam né, quatro anos se passaram. E, vamos combinar, as pessoas são pobres, são trabalhadores humildes, pescadores e só encontraram para brigar por eles a Defensoria Pública e já vamos falar sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo demorou. Até a Fiocruz. Um médico da Fiocruz, Dr. Hermano Albuquerque de Castro, pneumologista, pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca que integra a Fundação, o Dr. Hermano atendeu e acolheu a população que procurou o ambulatório de doenças ocupacionais e ambientais da instituição, na época. Vamos ver o que disse ele no relatório que escreveu sobre os atendimentos que fez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A Fiocruz recebeu moradores residentes próximo a esta fábrica, com diferentes queixas de saúde. Os encaminhamentos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde e pelos movimentos sociais locais. Foram atendidos no ambulatório da Fundação Oswaldo Cruz o total de sete moradores. Dentre estes, uma criança e seis adultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança apresentava história clínica compatível com rinossinusopatias e asma brônquica, com piora do quadro após a exposição ambiental, relatada pela família como uma poeira, ora prateada, ora escura. Foi possível verificar ao exame do couro cabeludo da criança, a presença de poeira, tipo purpurina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os adultos apresentavam queixas respiratórias, como tosse, dispneia e sinusite. Da mesma forma, referiram relação e agravamento do quadro respiratório com a exposição ao pó liberado na atmosfera pela siderurgia. Dois adultos apresentaram quadro clínico-funcional compatível com asma brônquica e um adulto apresentava na história pregressa patologia pulmonar prévia. Três adultos apresentaram alterações funcionais ao exame de espirometria realizado no ambulatório do CESTEH.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, dois moradores (um adulto e uma criança) referiram prurido em membros superiores e couro cabeludo relacionado à presença da poeira, tipo purpurina, segundo relato de exposição. As queixas e os sintomas agravados destes moradores se relacionavam, através da história colhida, com a exposição à fuligem da siderurgia, a partir do mês de agosto de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este relato não constitui um estudo epidemiológico. O que se verificou foram eventos-sentinelas que demonstram a possibilidade de danos causados pela exposição ambiental, relacionadas ao acidente ocorrido na região ou ao processo de emissão dos poluentes produzidos pela fábrica (…)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda de acordo com o relatório do pesquisador e cientista – levando-se em conta a proximidade das habitações e da população do entorno da fábrica e os possíveis danos à saúde de curto prazo (efeitos agudos), médio e longo prazo, como câncer (efeitos crônicos) – seria aconselhável que esses moradores permanecessem sob vigilância ambiental em saúde pelo tempo em que ficassem expostos às emissões e por, pelo menos, 20 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu? A empresa, a CSA processou o médico! Mas esse relatório foi em 2012. Agora, esse médico é o presidente da Escola Nacional de Saúde Pública. Eu conversei com o assessor da presidência da Fiocruz, Guilherme Franco Neto, e ele me disse que, na próxima terça feira, fica pronto o relatório conclusivo do Dr. Hermano e que esse relatório dirá que não existem garantias suficientes que assegurem a saúde as população e dos trabalhadores no entorno da CSA. O relatório também vai pedir a instalação de um laboratório permanente de monitoramento da saúde das pessoas gerido pela Secretaria de Saúde e a Fiocruz vai se colocar à disposição para participar da criação e da operação deste laboratório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto àq empresa, ela admitiu que não pagou multa nenhuma. A primeira de R$ 1,8 milhão em 2010, a segunda R$ 2,8 milhões no início de 2011 e a última de R$ 10,5 milhões no final de 2012, tendo entrado com recursos que estão há quatro anos sendo analisados pelo Inea, loquimini serius, falai serio.... Informou que não há ocorrências de dispersão de poeira ou grafite para a comunidade há mais de 20 meses e eu entrei no site do Inea e olhei uma por uma, todas as estações de monitoramento, com a ajuda do meu fiel escudeiro, o meu querido estagiário Vinicius Melo, aluno do jornalismo da Unisuam, deu um trabalho danado, e realmente hoje a qualidade do ar em Santa Cruz e região está dentro dos padrões aceitáveis pelas regras vigentes. A empresa diz ainda que tomou as providências necessárias para evitar outras ocorrências e que a mais importante foi a instalação do sistema de despoeiramento nos poços de emergência, evitando que o ferro gusa seja despejado diretamente em um poço ao ar livre, investindo R$ 33 milhões no desenvolvimento desta tecnologia, inédita no mundo, que tem eficiência comprovada pelo INEA e está funcionando adequadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que diz o Inea? O INEA diz que está analisando esse recurso das multas, Ô análise, hein, bota análise nisso, vai tempo.... E que fez um Termo de Ajustamento de Conduta com a empresa que, diga-se de passagem, não atem licença para funcionar, falai sério, loquimini serius, e funciona com base nesse termo. Esse termo tem 134 itens. Na avaliação feita este ano, 85 itens foram considerados atendidos, 27 foram atendidos parcialmente, 12 foram considerados em execução e cinco itens foram avaliados como não atendidos. E aí? A empresa ganhou mais 24 meses com prorrogação de mais 24 meses para cumprir. Bacana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. A Defensoria Pública não achou bacana e fez duas ações Penais que estão na bica para serem julgadas pela 2ª Vara Criminal de Santa Cruz. Eu conversei com o promotor Sandro Machado e ele, que fez as alegações finais, me disse que pediu a condenação da empresa e do gerente da empresa na época, por crimes de poluição que preveem cadeia, sim e mais multas. E me disse que ainda existe, em análise no próprio Ministério Público, mais um inquérito Civil. A Ver. Visita a gente no facebool que fim levou e no blog&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.counaquefimlevou.blog.spot.com.br/&quot;&gt;colunaquefimlevou.blogspot.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu deixo para reflexão a música de Luiz Gonzaga, o velho Luiz Gonzaga. Semana que vem foi o filho, nessa ficamos como pai. Se chama Xote Ecológico e se cuidem, com guarda chuva, contra eventuais chuvas de prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ate semana que vem. Fui!&lt;br /&gt;
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</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/06/chuva-de-prata-de-santa-cruz_8276.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-7677798979129603488</guid><pubDate>Fri, 13 Jun 2014 18:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-06-27T11:32:29.117-07:00</atom:updated><title>Geraldinos e Arquibaldos</title><description>O Que fim levou de hoje é sobre duas figuras nascidas no nosso querido futebol do Rio de Janeiro, mais precisamente, nascidas no Maracanã e imortalizadas pelo grande Nélson Rodrigues, dramaturgo e escritor que se consagrou mais popularmente com as crônicas ferinas sobre o comportamento humano e também sobre o futebol.  Foi Nelson Rodrigues que criou as expressões Geraldinos e Arquibaldos, para designar os frequentadores da geral e das arquibancadas do Maraca. Bem, com a transformação do Maracanã em Arena poderíamos dizer que o Que fim levou de hoje seria bem simples: Geraldino morreu, já que a geral do Maracanã foi demolida e o Arquibaldo também morreu, pois já não há mais arquibancada. Hoje só temos cadeiras no estádio. Mas não é bem assim.&lt;br /&gt;
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O que morreu mesmo, Boechat foi o espaço barato para assistir a jogo de futebol no estádio, isso, acabou de verdade!  E não só no Maracanã e não só em Copa do Mundo. Vou mostrar como a coisa ficou feia . Mas antes vamos ver como morreu o Geraldino.&lt;br /&gt;
O dia em que a geral abrigou mais pessoas, 40 mil pessoas,  foi  o da vitória da Seleção brasileira contra o Paraguai nas eliminatórias de 1969. Eu estava lá, espremidinha na arquibancada, em um total oficial de 183.341 torcedores. Normalmente, cabiam 30 mil pessoas no espaço  . Para quem nunca viu e eu vi –  meninos, eu vi, pois eu sou tijucana e fui uma frequentadora assídua do Maracanã, eu fui uma Arquibalda que ia de camisa e tudo – a  geral era um espaço cimentado sem assentos e as pessoas ficavam bem perto do campo mesmo,  com uma espécie de fosso de três metros de largura por três de altura entre elas e o gramado , com o gramado  estando a uma altura mais ou menos ali pelo meio do peito de um adulto de estatura média. E os torcedores da geral eram os mais fanáticos, hein, muitos iam fantasiados e muitos iam sempre, iam a todos os jogos do seu time. &lt;br /&gt;
O último dia da Geral foi o dia 24 de abril de 2005, um jogo entre o Fluminense e o São Paulo. Os geraldinos tiveram direito até a entrar em campo e fazer uma baita de uma farra. Mas a  geral já vinha sendo  esvaziada bem antes disso, desde a década de 90, a partir de acidentes e de atos violentos que aconteciam nas arquibancadas, mas acabavam sobrando para a geral. Em 2000, o Ministério da Justiça chegou a decretar o fechamento de todas as gerais do Brasil. Algumas, como a do Maracanã voltaram a abrir, mas nunca com a mesma força. Este esvaziamento se deu também pela presença cada vez maior da propaganda , que ia tirando ainda mais os campos de visão de quem estava na geral e da adaptação cada vez maior dos estádios às transmissões dos jogos pelas emissoras de TV.&lt;br /&gt;
O ingresso da geral custava bem baratinho. Na proporção, ele era em média ¼ do preço da arquibancada que por sua vez era ¼ do preço da cadeira. E os ingressos do futebol, em geral, todos os ingressos eram muito mais baratos do que hoje.  Vamos fazer uma comparação entre os ingressos dos jogos do Brasil em Copa do Mundo.  O valor médio de um ingresso para ver o Brasil na Copa de 1950 custava menos de 10% do que custa hoje, exatamente 7,7%.  Naquela época, o valor médio era de 35 cruzeiros e 14 centavos e agora é de R$ 531,79. Os cálculos e a adaptação entra as moedas,  para a gente poder ter a comparação, foram feitos pela Fecomércio, a Federação de Comércio do Rio de Janeiro. Não custa lembrar que o ingresso mais barato para o jogo de ontem, era de  R$ 160,00, atrás do gol. Enquanto o mais caro custava R$ 990,00 e estamos só no começo. Na final da Copa, o o ingresso mais caro custa R$ 1.980,00. E o mais barato, 330,00&lt;br /&gt;
Quem faz cálculos com mais emoção é o Anjinho, um torcedor flamenguista muito conhecido aqui no Rio de Janeiro. Ele, que na verdade se chama Marcelo Nuba, tem 37 anos e me garantiu que frequentou a geral desde sempre, tendo ido a jogos pagando desde R$ 1,00 em 1996 até R$ 3,00 no último jogo. Ele lembra até hoje Boechat que o Flamengo prometeu uma vez que se a Porgtuguesa ganhasse ia devolver o dinheiro do ingresso para os geraldinos. Pois a Portuguesa ganhou e o Clube não devolveu... Anjinho não perdoa. Ele me disse que viu todos, todos os jogos do Flamengo desde 2002 e agora quase não vê mais por que os ingressos dos jogos custam muito caro. Os dos regionais estão na faixa de R$40,00 a R$ 80,00 e dos nacionais entre R$ 60,00 e R$ 110,00.&lt;br /&gt;
O Anjinho do Maracanã, que sobrevive de vender produtos com a logomarca dele, camisas, almofadas, na porta dos estádios e ontem estava lá em Copacabana, no Cam – RJ, o Centro Aberto de Mídia, não é contra a Copa nem contra a modernização dos estádios, inclusive ele fala que o pior dia da vida dele foi ter assistido ao desabamento de parte das arquibancadas do Maracanã em 1992, mas acha que toda essa elitização do futebol foi muito ruim e que o Brasil devia gastar mais em outras coisas como Educação e Saúde. O Anjinho participa da campanha Liga pela Paz contra a violência nos estádios e se juntou a outros geraldinos também lendários em uma luta; a luta para cotas para ingressos mais baratos para os antigos frequentadores da Geral. Estão com ele nessa o Homem da Peruca do Vasco, o Jarbas - o homem da Taça do Botafogo e o Mascarado Tricolor. Eles até querem engajar o dublê de ex-jogador e atual parlamentar Romário nessa, mas eu falei com o gabinete do Romário e o Romário não abraça a causa dessa cota Geraldino.&lt;br /&gt;
Cota até teve, pois a Fifa destinou, do total de ingressos desta Copa, 300 mil para serem oferecidos preferencialmente para idosos, estudantes e participantes do Bolsa Família. Menos de 10% do total de mais de 3 milhões e 300 mil .  Detalhe, todos esses 300 mil ingressos  a R$ 60 nos jogos mais baratos, na fase inicial e nos piores lugares dos estádios. Quase tão ruim de ver o jogo quanto era ver da geral.   Ingresso para a geral? Eu achei, Boechat, só que caríssimo! Um ingresso antigo, antigo, com o valor de 5 cruzeiros estampado nele e sabe por quanto está à venda num desses sites de troca da internet? Por R$ 100,00, para os saudosistas....&lt;br /&gt;
Agora,  tem muita gente lembrando a geral e os ingressos baratos de antigamente por motivos que não são apenas a saudade. Gente que está levando o assunto de elitização do futebol a sério. É o caso do professor alemão Martin Curi, Doutor em Antropologia que dá aula como visitante na UERJ. Apaixonado por futebol,  ele aponta a elitização dos estádios como um risco de perda cultural para o país. Lembra das comidas típicas como o feijão-tropeiro que saboreava  no estádio de Natal acompanhado por uma cachacinha agora substituído por sanduiches padronizados e embalados em plástico e acredita que a falta de emoção pode até mesmo prejudicar financeiramente a longo prazo os próprios clubes, defendendo setores mais baratos e a volta da cerveja, tomando como exemplo o seu país, onde as gerais recebem as torcidas organizadas e o ingresso é mais barato que os atuais no Brasil.&lt;br /&gt;
Outro professor, também antropólogo, da UFF, o brasileiro Marcos Alvito, passou um ano na Inglaterra, escreveu o livro A Rainha de Chuteiras e teme que o Brasil esteja trilhando o mesmo mau caminho que o Reino Unido –. Invocando a prevenção à violência, no caso lá os temidos Hooligans, para transformar os seus estádios em estúdios e afastar os mais humildes e as famílias do esporte ao vivo. O professor constatou que lá não deu certo, os ingressos estão a preços equivalentes aqui a R$ 110,00, R$120,00, os estádios estão cada vez mais vazios, com as pessoas preferindo ver os jogos em casa ou nos bares, lá nos Pubs, né, e os clubes cada vez mais endividados.  O professor fundou com alguns alunos uma Associação: a Associação Nacional dois Torcedores que já tem quase 3 mil filiados e milita na luta contra a elitização do futebol, embora ele mesmo saiba que não é fácil já que o esporte como um todo, se tornou uma indústria tão forte que, nos Estados unidos já fatura duas vezes mais do que a indústria automobilística, só para dar um exemplo.&lt;br /&gt;
Esperneando estão também, Boechat até os donos das cadeiras cativas do Maracanã, olha uma turma que era de elite, umas 5 mil pessoas. Estão brigando na Justiça porque a Fifa fica com o direito de vender todos os ingressos da Copa, sem exceção. O Estado fez um acordo e e deveria ter dado uma indenização para eles comprarem os ingressos, mas demorou e até agora não  indenizou ninguém. Então, dono de cadeira também ficou sem, igualzinho a Geraldino e Arquibaldo.&lt;br /&gt;
Com essa, só me despedindo com uma linda música do Gonzaguinha que tem exatamente esse título, Geraldinos e Arquibaldos e que compara as agruras em campo com o nosso duro dia a dia. Antes agradecendo ao Vinicius Melo, aluno ado Jornalismo da Unisuam que me ajudou a apurar a coluna e convidando vocês a nos visitarem no facebook e no blog &lt;a href=&quot;http://colunaquefimlevou.blogspot.com.br/&quot;&gt;colunaquefimlevou.blogspot.com.br&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até a próxima sexta.&lt;br /&gt;
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</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/06/o-que-fim-levou-de-hoje-e-sobre-duas.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-3002183899714855960</guid><pubDate>Fri, 06 Jun 2014 17:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-06-06T10:46:29.050-07:00</atom:updated><title>Trem bala</title><description>&lt;br /&gt;Antes de responder que fim levou o Trem Bala, nosso tema de hoje, eu quero convidar vocês para um coquetel. Justamente o coquetel de inauguração do trem Bala. Só espero que vocês não sejam claustrofóbicos, não tenham medo de multidão, pois este coquetel já tem confirmadas, até agora, as presenças de 183 mil 421 pessoas. Quer dizer, nem vai ser um coquetel, né? Vai ser uma grande festa! A grande festa de inauguração do Trem Bala. A convocação para esta festa foi feita pela internet, pelo face book, eu fui convidada pela nossa ouvinte Esmeralda Jones, alo Esmeralda, e vejam só quantas pessoas confirmaram a presença! Na verdade, a iniciativa foi uma forma bem humorada de protestar contra os projetos faraônicos do Governo nunca realizados.&amp;nbsp;&lt;div&gt;
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Ideia de dois jovens, o Felipe Martins, de 27 anos e o Davi Ramos de 18 anos. Eu bati um papo com os dois. O Felipe, que mora no Sul, me disse que leu muitas reportagens sobre como as obras no Brasil são inauguradas quando ainda não estão prontas e teve a ideia de fazer alguma coisa bem humorada para chamar a atenção das pessoas sobre isso. E resolveu criar um evento no facebook para uma obra que sequer tivesse sido iniciada. Felipe me disse uma coisa que é bem verdade: Sabe como é, aqui no Brasil se comemora as coisas quando são anunciadas, não quando de fato são entregues. Aí eu conversei também com o Davi Ramos, que ajudou o Felipe a criar o evento. E o Davi me disse que o interesse das pessoas foi tanto, que a piada deixou de ser piada e virou um protesto real. No dia 12 de junho, dia da estreia da Copa do Mundo, vai ter mesmo um Coquetel de Inauguração do Trem Bala em São Paulo. No mundo real. Vai ser na Av. Paulista, às 14h, ali no Masp, o Museu de Arte de SP, que já tem uma área chamada de Protest Center, centro dos protestos, e os organizadores prometem até open bar, ou seja bebida de graça para o povo. 1.739 pessoas já confirmaram a presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então nós temos uma novidade, que é dois caras que não são políticos, não são advogados, não tem papel para representar ninguém, que, de repente, têm uma ideia e conseguem alertar nada menos que 200 mil pessoas de que os impostos que elas pagam estão perigando ser usados para um projeto que, falai serio, luqemini serius, para falar com mais pompa em latim, vai gastar um dinheirão que a maioria acredita que poderia ser melhor usado em outras coisas. Eu fiz o cálculo e já já vou revelar para vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso querido, esquece a festa e chora. A realidade do trem é triste mesmo. Eu lembrei deste assunto não foi à toa. Lembrei porque a presidente Dilma Roussef, quando era ministra da Casa Civil prometeu com grande alarde em todos os jornais e TVS que ele seria inaugurado para a Copa do Mundo que vai estrear agora na semana que vem. Não, não, não. O cronograma de atrasos e reavaliações de custo deste trem é de assustar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi anunciado pela primeira vez em 2006, para ir do Rio a São Paulo em uma velocidade de 340 km por hora, fazendo, portanto, o percurso em 80 minutos. Custaria R$ 18 bilhões e seria totalmente feito pela iniciativa privada, convocada através de concorrência por licitação. Ficaria pronto, como eu disse, ou melhor a Dilma prometeu, em 2014. Tudo deu errado, erradíssimo. Em 2008 o Tribunal de Contas contestou a planilha de um consórcio italiano que estimava que o trem teria 32 milhões de passageiros por ano e aí praticamente estatizaram o trem. Ou seja, começaram a meter a mão no nosso bolso. Em 2009, começou-se a falar na criação de uma empresa estatal para a obra. E a estimativa de custo já subiu para R$ 35 bilhões, com o velho e bom BNDES devendo entrar com R$ 20 bilhões. Em 2010 o governo ofereceu isenção de impostos ICMS, PIS/Pasep e Cofins aos interessados (mais ou menos uns R$ 500 milhões) e mesmo assim só uma empresa apareceu, a Alstom, investigada por fraudes no Metrô de São Paulo e o leilão foi suspenso. O segundo leilão, por que no primeiro não tinha aparecido nenhuma. Sabem por quê? Por que este custo da obra , mesmo tendo dobrado desde a primeira estimativa está  subestimado. A revista Veja publicou, em 2009, uma pesquisa, feita pelas empresas Sinergia e a Halcrow, que calcularam o custo em mais de R$ 60 bilhões, principalmente por causa da tecnologia necessária para escavar túneis capazes de suportar a pressão da velocidade do trem, os tais 340 km por hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boechat não gosta de conta, mas eu gosto e todo mundo vive fazendo conta, cada vez mais, o dinheiro está ficando cada vez mais curto, ainda mais com a Copa. Então vamos lá, pra gente ver que o Trem Bala tem muito a ver com a nossa vida. Sabe o que dá pra fazer com os R$ 35 bilhões que o governo quer que sejam gastos nesse projeto? Dá pra fazer mais de meio milhão de casas populares. Exatamente 555 mil 555 casas do  projeto Minha casa Minha vida, tipo de 2 quartos, sala, cozinha e área de serviço. É, eu sou chata e fui pesquisar lá na Caixa Econômica e o preço dessa casa é R$ 63 mil então dividindo R$ 35 bilhões por R$63 mil dá isso dá para fazer 555 mil  555 casas. Também dá para fazer 17.500 prédios, tá prestando atenção de R$ 2 milhões de reais iguais àqueles que foram demolidos lá em Niterói e que serviriam às famílias desabrigadas das enchentes no Morro do Bumba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a brincadeira do Felipe e do Davi não atraiu 183 mil pessoas à toa. Essas pessoas se tocaram que o convite ao coquetel de inauguração do trem bala era uma lembrança necessária a um a assunto que está rolando aí no esquecimento do noticiário, mas que prossegue firme na intenção dos poderosos de gastar nosso dinheirinho. Tenho que falar do outro lado, não tenho? Obrigação de jornalista, ouvir o outro lado. Procurei a empresa, EPL, Empresa de Planejamento e Logística, ligada ao Ministério dos Transportes. A nota que eles me enviaram não contestou nada do que eu disse até agora. Informou que a nova previsão para o trem é 2020, falai serio, loquimini serius. Eles acrescentaram Boechat, que o TAV, que é a sigla para Trem de Alta Velocidade, que é como eles chamam o Trem Bala, significará um grande salto na qualidade do serviço de transporte de passageiros e que a previsão é de 42 milhões de pessoas vão usar o transporte a cada ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim é isso. O governo prossegue com o projeto.  E nós de Lady Kate. Eu tô pagando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica o meu agradecimento ao Vinícius Melo nosso estagiário da Unisuam sempre nos acompanhando nas apurações e na operação das páginas do facebook Fala com a gente durante a semana. Dá aí sugestões do que você quer que a gente pesquise. É só entrar em &lt;a href=&quot;http://www.colunaquefimlevou.blogspot.com.br/&quot;&gt;colunaquefimlevou.blogspot.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar, vamos ficar com a música sensacional do Raul Seixas, Trem das Sete, boa para uma reflexão sobre o tema!&lt;/div&gt;
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&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/06/trem-bala.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-5762236431281700180</guid><pubDate>Fri, 30 May 2014 21:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-05-30T14:22:40.579-07:00</atom:updated><title>Porto do Açu</title><description>O Que fim levou de hoje é sobre o Porto do Açu, que fica no município de São João da Barra, região norte aqui do nosso Estado. Lançado pela governadora Rosinha Garotinho, no final de 2006, o empreendimento começou com o famoso empresário Eike Batista em 2007 e estava previsto para ser  um super, mega porto a ser inaugurado em 2012, com capacidade para receber os maiores navios do mundo. Para vocês terem uma ideia do tamanho da coisa, as notícias da época alardeavam que só para a construção do quebramar a quantidade de rochas necessária era equivalente ao volume do Pão de Açucar! O porto ocupa 20% da área do município.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Bem, como todos nós sabemos, o Eike Batista teve sérios problemas financeiros e deixou de ser trilio ou bilio e passou a ser apenas milionário ou coisa assim, mas o fato é que uma de suas empresas, a LLX que era a dona do Porto do Açu vendeu a maior parte de sua participação no porto para outra as empresas e agora a controladora do porto é a Prumo. Com essa crise tudo atrasou e diminuiu. Embora algumas empresas já estejam se instalando lá, a arrecadação de impostos de São João da Barra tenha crescido muito e a obras estejam empregando quase 10 mil pessoas, o porto do Açu, nem de longe é hoje o que se previa que já seria em 2012. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O porto está em uma localização geográfica muito estratégica para a indústria do petróleo, bem junto das bacias de Campos e do Espírito Santo. Mas, infelizmente, em uma região sem estradas, com um aeroporto muito fraco que é o aeroporto de Campos, sem ferrovia. O próprio porto não tem energia elétrica, funcionando até hoje com um planta de geradores, imagina o custo disso. Eu, para não ficar só imaginando esse custo,  fui procurar saber quanto o Porto do Açu poderia ter custado para nós, quer dizer, quanto de dinheiro público foi colocado nesta história. A Prumo, empresa hoje controladora do Porto, nas respostas que me enviou em nota, informou que através do BNDES tem hoje uma dívida de R$ 1 bilhão e 400 milhões a vencer em 2016, mas que isto é um empréstimo.  Ela não se referiu ao financiamento feito pelo Eike com recursos do Fundo de Marinha Mercante no valor de R$ 2 bilhões e 700 milhões para ser pago em 21 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se esse é o impacto para todos os brasileiros qual o impacto direto do porto para quem mora em São João da Barra? Infelizmente muito grande. O mais grave é o ambiental. Para muitos estudiosos, um dos mais graves acidentes ambientais da história do Estado do Rio de Janeiro. Durante a dragagem para a construção dos canais, foi tanta areia salgada que, contenção e bombas de sucção não deram conta e houve uma salinização que, a princípio se pensava ter atingido apenas ao canal do Rio Quintingute. Eu conversei com o geógrafo Marcos Pedlowski, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, doutor em poluição da atmosfera pela UFRJ, que acompanha desde o início este desastre. E ele me falou sobre a situação hoje. A salinização, segundo ele, se espalhou em uma área muito grande, uma área que pode ser 30 vezes, para a gente ter uma ideia de comparação, o tamanho do Leblon, ou como lembra o professor o tamanho de Manhattan, que era a comparação que o Eike Batista gostava de usar para o  Porto do Açu. Além disso, a salinização não foi pontual, ela é persistente. Foi levantada, por exemplo,  uma enorme duna de areia junto ao porto e os ventos, levando esta areia, também provocam a salinização. A escassez de chuvas no ano passado foi uma benção, mas um ano com fortes chuvas pode trazer um forte agravamento do problema. O que salinização provoca no dia a dia das pessoas? Eu conversei com o Seu Durval Ribeiro Alvarenga que foi um dos mais atingidos, por que a propriedade dele fica em um  terreno na parte mais baixa, então recebe mais  escoamento de água. No caso, infelizmente, água salgada. E o que o seu Durval perdeu? Tudo. Perdeu umas 60, 70 cabeças de gado, como ele me contou que tinha porque o pasto secou e assim não pode mais tirar os 90 a 100 litros de leite que tirava por dia para fazer queijo que era uma de suas atividades principais e perdeu também 150 mil pés de abacaxi. Seu Durval está na justiça, mas já tem mais de ano, como ele diz, mas o que deixa ele mais chateado é depois de ter visto tudo morrendo com esse banho de sal, nunca ter sido procurando por ninguém do Porto. Como ele tem o Pinduca, que perdeu a lavoura de quiabo e maxixe que, além do abacaxi são carros chefes na agricultura da região e muitos outros que perderam tudo. Quem paga a conta? Até agora, ninguém... O Inea aplicou uma multa na LLX, de R$ 1 milhão e 300 mil no início de 2013. Como a LLX saiu de cena, ficou para a Prumo. A Prumo requereu a conversão do valor da multa em serviços de interesse ambiental, que seriam previstos em um Termo de Ajustamento de Conduta que até hoje está sendo debatido entre as partes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O professor Pedlowski e felizmente outros professores e estudiosos como ele chegaram a medir pontos em que a salinização da água chegava metade do nível da água do mar e o que eles querem, o que pensam que deveria ser feito pelo governo, é permitir que as universidades medissem efetivamente o que está acontecendo, porque elas não têm permissão para medir nas áreas ocupadas pelo Porto. Não custa lembrar o alerta do professor. Um dos maiores reservatórios de água doce do mundo está lá nesta região – é o aquífero dos Goytacazes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem várias ações na justiça além das dos agricultores a respeito da salinização. São ações do próprio Ministério Público, mas é como diz o Boechat, vamos ficar com as pessoas e tem mais gente sofrendo em São João da Barra por causa do Porto. São famílias que tiveram suas casas desapropriadas para a realização das obras. As denúncias são de arbitrariedade na remoção até  de falta total de indenização. Tem situações tão absurdas, que um morador, o senhor Reinaldo Toledo, foi despejado com gado e tudo, diz que só recebeu um pedacinho de papel de caderno como documentação e até hoje paga o imposto da propriedade regularmente. Vamos ouvir o depoimento de outro morador que teve que sair de casa e não foi indenizado, o Sr. Adeilson Toledo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobe som&lt;/div&gt;
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&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/2F-ZYs2NlYU?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Codin, Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro, me respondeu em nota que já procurou o seu Adeilson, mas não teve retorno. Informou também que 70% das famílias aceitaram o acordo de indenização, que já fez mais de 6 mil atendimentos a moradores e negou qualquer tipo de arbitrariedade. Além disso, citou programa Reassentamento Vila da Terra que oferece terra e casas, onde estão morando 38 famílias e o Programa Auxílio Produção que oferece ajuda a estas famílias de de 1 a 5 salários mínimos.  O problema é que o professor Pedlowski estima que já foram  desalojadas umas 450 propriedades e que nelas moravam umas 1.500 famílias. A Justiça terá a palavra final.  Porque tem gente na briga. Um grupo de agricultores se juntou e foi direto ao STJ, o Superior Tribunal de Justiça e apresentou uma notícia crime em que são citados o ex-governador Sérgio Cabral, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o empresário Eike Batista. O Ministério Público Estadual fez um Inquérito Civil, também sobre irregularidades na desapropriação e a Promotoria de São João da Barra está analisando se vai ou não ajuizar uma ação contra a Codin para obrigá-la a parar os processos de desapropriação. Está analisando desde 2012. Falai serio, é um tempão analisando hein? Enquanto isso, o sal vai comendo o solo e contaminado a água e as pessoas se virando como podem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semana que vem estou de volta, quem sabe eu visito o Boechat em São Paulo de trem? Vocês me visitam, no facebook que fim levou e no blog &lt;a href=&quot;http://colunaquefimlevou.bologspo.com.br/&quot;&gt;colunaquefimlevou.bologspot.com.br&lt;/a&gt;, páginas feitas pelo Vinícus Melo, aluno do Jornalismo da Unisuam, que ralou comigo esta semana apurando  e que fez as páginas da internet. Bom fim de semana para todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/2F-ZYs2NlYU?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/05/porto-do-acu.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-2628249022056720409</guid><pubDate>Fri, 23 May 2014 18:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-05-23T11:28:13.976-07:00</atom:updated><title>Morro do Bumba e enchentes de Niterói</title><description>&lt;br /&gt;Bom dia Boechat, bom dia Maíra, bom dia Jonathan. O que fim levou de hoje é sobre as enchentes de Niterói, principalmente sobre o Morro do Bumba, a comunidade mais atingida pelas chuvas que caíram entre 4 e 5 de abril  de 2010 e provocaram o trágico deslizamento das encostas do Morro do Bumba. O resultado foram 171 pessoas mortas e cerca de 7 mil famílias desabrigadas. Infelizmente, o Que fim levou tem a dizer para vocês que o que foi tragédia para alguns naquela época, durante uma semana, com corpos aparecendo a cada minuto e depois a cada dia, pessoas que tinham visto suas casas ruírem, procurando seus familiares , desesperadas, ainda é tragédia, mais de  quatro anos depois, tragédia diária, para muitos, mas muitos mesmo.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;Eu me preocupei, primeiro, em saber parar onde foi tanta gente. Sete mil famílias? É muita gente mesmo. Para onde eles foram, onde eles estão agora? Fui procurar com a ajuda dos meus estagiários, que na verdade já são maravilhosos repórteres farejadores, adeptos do jornalismo investigativo, uma espécie de jornalismo dos velhos tempos em que quase não se investe mais,  a Renata Nolasco e o Alexandre Lima, alunos da Unisuam. Eles encontraram a Dona Monica Marques, que foi desalojada do Moro do Bumba, perdeu a casa dela, a casa dela foi interditada, depois demolida. Ela ficou sem nada. Sem ter onde morar. Passou um tempo abrigada em uma escola e depois ganhou um aluguel social. O que é isso? Um valor que o Estado  doa ao desabrigado, valor repassado à prefeitura pelo Governo do Estado. E qual é este valor??? R$ 400 . Falai sério!!!! O metro quadrado imobiliário em Niterói é o quarto mais caro do Brasil. Só perde para São Paulo, Rio e Brasília. Então por favor me diz onde a Dona Maria ia morar com R$ 400? e ainda, vamos lá, sem fiador, como seria provável, e mais pagar a luz, a mudança, a compra de móveis, falai sério? Loquimini serius....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois nós vamos voltar ao que a Dona Maria e muitos outros desabrigados passaram durante esse tempo todo, desde abril de 2010, quatro anos já se passaram! Mas vamos para os dias de hoje . Afinal estamos  no Que fim levou. A Dona Maria hoje mora no condomínio Viçoso Jardim, construído em frente ao Morro do Bumba em um apartamento bem pequeno, de quarto e sala. Em que a cozinha é, como ela disse para a Renata Nolasco que foi lá com o Alexandre Lima conversar com ela, a cozinha é dentro da sala. Está bacana lá? Não. Não, está bacana lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apartamento foi entregue sem piso, sem janelas e agora está... rachando!  As paredes estão rachando, porque está cheio de infiltrações e por que, ao que tudo indica as bases do terreno não foram preparadas adequadamente. Agora para vocês anotarem e refletirem o Condomínio Viçoso Jardin, vai ser viçoso assim no raio, tem com 180 unidades divididas em quatro blocos de quatro andares cada e a obra custou R$ 11.498.947 e é novinho,  praticamente, pois foi inaugurado há dois anos. Falai sério.  Loquimini serius. Além disso, os moradores reclamam que engenheiros visitaram do CREA visitaram o local e denunciaram que a encosta vizinha corre risco de desabamento com as chuvas! Parece brincadeira, mas não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós falamos de 7 mil famílias não falamos, que 7 mil famílias ficaram desabrigadas coma as enchentes de 2010 e que só cerca de 200 foram para esse pesadelo com a Dona Maria Marques.  E as outras? Ah cerca de 300 famílias foram para outro condomínio, o Zilda Arns, também em Niterói. E o que acontevceu? Os prédios para onde elas iam também o que? Também o que? Racharam! E tiveram que ser demolidos. Cada um custou R$ 2 milhões. E olha que eram prédios do programa Minha Casa Minha Vida, com a chancela de um programa do Governo Federal. Todo mundo na rua de novo, com o que? Aluguel social de R$ 400. Quem conseguir morar em Niterói com esse valor me conta como é que é. Em parte, eu descobri como como é que é e, infelizmente.  Uma das maneiras é voltando ao Morro do Bumba, onde lá, na mesma área de risco já estão de volta algumas famílias, no mesmo local onde as casas e as vidas foram engolidas pela lama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem alguma coisa boa nessa história e tem é que algumas pessoas se importam com  todo esse descaso. E tomaram algumas providências. Um grupo de vereadores está pressionando o executivo desde a gestão anterior e tentando uma CPI. Eu conversei com o vereador Henrique Vieira do PSOL e ele questiona a possibilidade fraudes no repasse dos alugueis sociais pois diz que tem gente que não é desabrigada que recebe e vice versa, muito gente que ficou desabrigada e nunca recebeu. Principalmente, ele quer saber sobre o montão de dinheiro público que foi gasto enquanto os desabrigados estavam alojados precariamente quartéis com custos a cargo da Prefeitura de Niterói que recebia verbas federais e estaduais altas. Os abrigos eram desumanos, com infestação de ratos vazamento de esgotos, condições tão ruins a ponto de crianças morrerem. Mesmo assim, só para dar um exemplo, em pouco mais de um ano, em um destes abrigos foram gastos mais de R$ 4 milhões em quentinhas para cerca de 300 pessoas. Então, tudo realmente parece um descalabro neste caso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fim levou procurou também a Justiça, através da Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania do Núcleo Niterói. Eles informaram o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um inquérito em andamento sobre Viçoso Jardim no GATE (Grupo de Apoio Técnico Especializado) . Sobre o Zilda Arns, a  atribuição para a fiscalização das obras é do Ministério Público Federal , já que a obra é da CEF. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras ações em andamento são: uma ação civil de improbidade contra os agentes políticos, que permitiram ocupação irregular do Morro do bumba, pois aquela já era uma área declarada de risco, antes de a primeira casa ser construída ali, dentre eles o ex-prefeito de Niterói, Jorge Silveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a atual Prefeitura? Eu procurei a prefeitura e eles me disseram o seguinte: A Prefeitura fez o acordo com o pessoal que estava abarigado no3º Batalhão de Infantaria, no Barreto e ia para o condomínio Zilda Arns de pagar  um auxílio, além do aluguel social ,  de R$ 5 mil, pagos em uma parcela de R$ 800 e sete parcelas de R$ 600 e essa ajuda de custo do município será mantida até a conclusão das obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao pagamento do aluguel social, o de R$ 400,00 mensais, que é de responsabilidade do Estado, foi feito, em conjunto com a prefeitura, um recadastramento das famílias e somente quem apresentou toda a documentação exigida para ter direito ao benefício foi contemplado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o problema lá da encosta junto ao condomínio Viçoso Jardim,  informaram que a Defesa Civil enviou laudo ao governo do Estado, responsável pelo condomínio. Mas não me informaram o resultado do laudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deram dados sobre o plano habitacional Morar Melhor,  que pretende  contratar 5 mil casas populares a serem destinadas, prioritariamente às vítimas das chuvas e moradores de áreas de risco. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura já estão em construção 1.500 unidades, e outras 780 estão sendo licenciadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à prevenção de enchentes as informações são de que foram realizadas obras de contenção de encostas em 20 pontos de risco e estão começando outras em 25 pontos. Foram criados sistemas de alerta contra chuvas e novos núcleos de Defesa Civil, além de colocados de pluviômetros em 30 comunidades da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico por aqui, minha solidariedade a Dona Maria Marques e a todas as vítimas dessa tragédia que se torna maior com a absoluta falta de respeito. Fique comigo durante a semana nas páginas do facebook que fim levou e no nosso blog colunaquefim legou blogspot.com.br, páginas feitas pelo aluno Vinícius Melo. Bom fim de semana para meus queridos companheiros do rádio e para vocês que tem a paciência de me ouvir e a vontade, sempre, de saber que fim levou.</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/05/morro-do-bumba-e-enchentes-de-niteroi.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-4392091250701523016</guid><pubDate>Fri, 16 May 2014 15:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-05-16T08:46:01.516-07:00</atom:updated><title>Bondinho de Santa Teresa</title><description>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fim levou de hoje é sobre os bondinhos de Santa Tereza. Nos trilhos desde 1896, os bondinhos tinham 115 anos quando pararam de circular pelas ladeiras de um dos bairros mais bonitos do Rio por causa de um trágico acidente que deixou 56 pessoas feridas e acabou matando seis.&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;O acidente aconteceu em um sábado, dia 27 de agosto de 2011, e o bondinho, que era o bonde 10, o mais antigo, estava lotado, com muitos turistas. É preciso que eu conte o caso como o caso foi, muito direitinho para vocês entenderem o absurdo em que o caso se transformou.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O motorneiro Nelson vinha conduzindo o bonde no sentido do alto de Santa Tereza para o Largo da Carioca quando foi abalroado por um ônibus, no Curvelo. Parou o bonde, deu uma olhada, achou que não tinha acontecido nada demais e tocou o bonde. Quando chegou ao Largo da Carioca encontrou o colega motorneiro Gilmar que pediu uma carona. E recebeu do encarregado Vieira a ordem de levar o bonde para a garagem no Largo dos Guimarães e tirar o bonde de circulação. Nelson subiu com Gilmar de carona com o bonde vazio e parou no Curvelo onde estava lá o ônibus que tinha batido no bonde e a PM. Parou para fazer o boletim de ocorrência e o Gilmar disse: “ pode deixar que eu levou o bonde para a garagem”. Não se sabe por que, Gilmar ao invés de deixar o bonde na garagem, fez meia volta e pegou passageiros. Passou de novo no Curvelo e devolveu o bonde para o Nelson. Nelson também sabe-se lá o motivo, pegou o bonde lotado de desceu no sentido Largo da Carioca. Ou melhor, desceu no sentido morte. Nelson foi um dos mortos no acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conversei com a Dulce, viúva do Nelson e ela, que entrou em estado de choque no dia, no Salgado Filho, quando chegou pensando que o marido tinha só se machucado, até hoje não se conforma. Nelson tinha 35 anos de motorneiro, mais do que os 33 anos de casado. Amava aquele bonde´, foi o que a Dulce me falou e falou também que o Nelson era muito Caxias , todo certinho e sempre reclamava da manutenção. A Dulce tem uma filha especial, que mora com ela, trabalha para completar a pensão que recebe como viúva. Ela foi uma das poucas porque não aceitou acordo – os acordos feitos pela procuradoria Geral do Estado com as vítimas chegaram a R$ 7 milhões - e está ainda na Justiça contra o Estado.  A Dulce considera o principal responsável pelo acidente o Governo, pela falta de manutenção dos bondinhos, durante anos e anos e anos como todo mundo viu nas reportagens depois do acidente e como a gente vai relembrar já, já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Nelson não tivesse morrido ele estaria no banco dos réus. Por que o principal acusado no processo que corre no Tribunal de Justiça é o motorneiro Gilmar! Que nem estava dentro do bonde na hora do acidente! E mais dois engenheiros e dois funcionários da Central, administradora dos bondinhos, ligada à Secretaria de Transportes do Governo do Estado do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Governo do Estado do Rio de Janeiro estava no banco dos réus antes e talvez, se não tivesse recorrido da sentença, quem sabe, hein? Esse brutal acidente talvez tivesse sido evitado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Dona Dulce está coberta de razão. A Associação de Moradores de Santa Tereza, a AMAST, uma das mais antigas do Rio, em 2008, já preocupada então com a péssima situação dos bondinhos centenários, entrou com uma ação contra o Estado, pedindo que o Governo cumprisse com a obrigação dele. Cuidasse dos trilhos, dos bondes, do sistema elétrico, enfim do funcionamento da coisa toda. Ganhou a ação. O que o governo fez? Recorreu da sentença! Falai serio. Loquimini serius. É preciso falar em latim, Loquimini serius, Boechat. Três meses depois do acidente, o Conselho dos desembargadores deu ganho de causa de novo à Amast, mas aí os bondinhos já tinham parado, o governo já tinha começado a pensar em tomar alguma providência e principalmente 56 pessoas estavam feridas e seis tinham morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conversei com o Jacques Schwarzstein, diretor de transportes da Associação de Moradores de Santa Teresa e ele me falou de várias outras ações. Vou resumir por que realmente é muito. Eles brigam contra as licitações, que acham suspeitas por que sempre quem ganha é uma mesma empresa, TTRANS, que fez bondes em 2008 apelidados de Frankstein pelos moradores por não terem nunca funcionado corretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe também uma ação contra o Estado pela dilapidação do Patrimônio Público, pois os bondinhos são tombados. Foram tombados pelo IPHAN o INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL – em abril de 2012 e já haviam sido tombados pelo Estado pelo INEPAC anteriormente. O Jacques me contou que os antigos bondinhos estão virando sucata lá na garagem do Largo dos Guimarães. E ainda mais uma ação, mais recente, um Inquérito Civil Público, na Promotoria de Tutela do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Estado para garantir a qualidade da obra e a segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Amast fez um abaixo assinado, com 14.500 assinaturas e levou ao Palácio Guanabara, em 2012. Era um dia em que estava até chovendo, eles ficaram ali na chuva e acabaram sendo recebidos pelo assessor do assessor do Governador Sérgio Cabral para entregar o manifesto e nunca mais tiveram resposta alguma. Só em um aspecto os moradores foram vitoriosos. O governo ia fazer um modelo de bonde modernoso e voltou atrás. O modelo dos novos bondinhos será semelhante ao dos antigos por insistência da população do bairro - esse era um dos pontos deste manifesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministério Público tentou algumas ações contra o Secretário de Transportes do Estado, Júlio Lopes, mas foram arquivadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Casa Civil do Governo do Estado, que assumiu a frente do problema dos bondinhos porque a Central, empresa responsável estava cheia de dívidas trabalhistas, O que responderam: que o investimento é de R$ 110 milhões, está sendo feita a troca de todos os trilhos e da rede dos 16 km dos cabos elétricos além da reforma da subestação elétrica para fornecimento de energia do sistema. Também será restabelecido o trecho entre as estações Dois Irmãos e Silvestre, e a estação Francisco Muratori. Haverá 7 composições equipadas para o transporte de cadeirantes, com 24 lugares. As outras sete, têm capacidade para 32 passageiros. Os bondes têm teto em fibra de vidro; travessão móvel para o fechamento das laterais enquanto o bonde estiver em movimento e piso antiderrapante em madeira. O valor da passagem ainda será definido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico cabreira como o Jacques e o pessoal da Amast. Na prática eles só fizeram mesmo, até agora, mais ou menos 1 km de trilho. E eu estou pagando para ver se vão entregar 14 bondinhos em julho. Eu comecei a pedir as informações no dia 7 de maio e nem uma foto do modelo do bonde conseguiram me mandar até hoje. Vamos ver. Agradeço ao Alexandre Lima, aluno da Unisuam participou desta apuração e volto na sexta. Fico durante a semana com vocês no facebook que fim levou, e no&lt;a href=&quot;http://www.colunaquefimlevou.blogspot.com.br/&quot;&gt;www.colunaquefimlevou.blogspot.com.br&lt;/a&gt; páginas feitas pelo outro aluno da Unisuam, Vinícius Melo.&lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/05/bondinho-de-santa-teresa.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-7689216115009091409</guid><pubDate>Fri, 09 May 2014 17:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-05-09T10:37:21.107-07:00</atom:updated><title>Caso do ônibus que caiu do viaduto</title><description>Greve de ônibus na Cidade Maravilhosa ontem e o tema do Que fim levou de hoje é o terrível acidente de ônibus que acabou matando 9 pessoas no dia 2 de abril do ano passado. Tudo aconteceu por causa de uma briga entre motorista e passageiro dentro da linha 328, que vai do bairro Bananal, na Ilha do Governador, até o Castelo no centro da cidade. O caso eu conto como o caso foi, baseada, no depoimento de testemunhas, que já foram ouvidas em audiência, no processo que corre na 5ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça.&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo dos Santos Freire se dirigiu para a porta de trás do ônibus para sair, mas a porta fechou e ele não conseguiu descer. As testemunhas dizem que em outros pontos, antes, isso já havia acontecido, não dar tempo para todos os passageiros descerem. Rodrigo pulou a catraca para passar para a parte da frente do ônibus e começou a discutir com o motorista, André Luiz da Silva Oliveira.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda de acordo com as testemunhas, André disse para o Rodrigo que ele não desceu do ônibus porque foi andando rebolando para a porta.  No próximo ponto, Rodrigo pediu para descer pela porta da frente. André disse que não era permitido, que Rodrigo voltasse para descer pela porta de trás. A discussão piorou e uma das testemunhas disse que André, o motorista chegou a dizer para Rodrigo, o passageiro: “Quer me bater? ?Vem me bater”. Rodrigo se pendurou com as duas mãos na barra de ferro que serve de apoio aos passageiros e chutou o rosto de André várias vezes. André desmaiou. O ônibus despencou do viaduto Brigadeiro Trompowski, uma altura de mais de 10 metros. Resultado 9 mortos e 11 vítimas, a maioria  com ferimentos graves. Entre elas, Rodrigo e André. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo quebrou sete dentes e fraturou a bacia. André fraturou o fêmur, precisou ser operado e colocar pinos nos ossos. Ambos são réus acusados pelo Ministério Público, de Atentado contra a segurança de transporte público, Lesão Corporal Grave e  Lesão Corporal Gravíssima e Lesão Corporal Seguida de Morte. Os dois podem ir a Júri popular e pegar penas altas. Mas já tiveram suas vidas muito, muito abaladas e, os dois, estão sofrendo muito. Eu conversei com o Rodrigo e com o André. E eu fiquei muito triste com essas conversas por perceber que todos nós, certa forma, corremos o risco, por uma soma geral de falta de respeito geral de nos ver envolvidos numa dessa em que um ou dois vivem o seu dia de fúria com drásticas consequências para todos. Mas vamos lá ao que esses dois tão culpados e tão vítimas me contaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O André tem 33 anos e fez de tudo um pouco, foi ajudante de pedreiro e de cozinheiro, antes de conseguir tirar a carta como ele diz para realizar o sonho de ser motorista. Sonho que ele tinha desde os 12 anos quando acompanhava o namorado de uma prima, motorista de micro ônibus, levando as crianças na escola. Quando o ônibus estacionava na garagem, André ficava no volante lá, fingindo que já era motorista. Na profissão, ele estava há 2 anos e 2 meses, sem nunca ter se envolvido em um acidente. Multas foram duas. Justamente por ter parado fora do ponto. E o que o André me falou sobre o acidente? Ele me falou que está com amnésia. Em consequência de ter batido com a cabeça. A última coisa de que lembra é da saída com o ônibus da empresa, a Paranapuan. E argumenta: “Se eu errei, a atitude dele – o passageiro, o Rodrigo, deveria ser esperar parar o ônibus e chamar uma viatura policial e não me agredir, ainda mais porque ele estava dentro do ônibus, não podia agredir quem estava dirigindo o ônibus”. André também me contou que terminou a licença remunerada dele pelo INSS. Ele se apresentou de novo na empresa. E o que a empresa fez? Demitiu o André por justa causa. Então agora o André está andando de muleta, sem poder trabalhar e sem ganhar um tostão, nem daqui e nem de lá. Ele tem 4 filhos lá em Aracaju, do primeiro casamento, e quem está pagando a pensão alimentícia destes filhos é  mãe dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Rodrigo? O Rodrigo tem 26 anos. Estuda Física e estava indo para a Universidade naquele dia fatídico. Como o André não lembra, afirma que não lembra de nada, o Rodrigo ficou com esse ônus de lembrar de tudo sozinho. E ele é muito lúcido lembrando. Como estudante de física, ele foi logo me dizendo que se ele estivesse pensando com clareza naquele momento da discussão, em pé, em frente ao para-brisa do ônibus, um para-brisa daquele tamanho, já ia lembrar da lei da inércia para ver que bastava uma freada brusca e uma batida para ele correr o risco de ser jogado pra fora e se machucar  ou até morrer. Então o que o Rodrigo diz é que naquele momento ele agiu em legitima defesa. Que o motorista chamou ele pra briga e ia atacar e que ele agiu em um impulso. Ele me disse assim: “Antes de ser racional, eu sou um animal, um animal racional, como todo mundo. Foi um impulso. Eu não iria, racionalmente, cometer um ato de suicídio”. O Rodrigo também me falou que está tentando reconstruir a vida dele, continua estudando e continua sendo um dos melhores alunos, pretendendo enfrentar de cabeça erguida tudo que ainda vem pela frente e não ser visto como um assassino. Mas ele me disse uma coisa muito importante para a gente refletir aqui. Andar de ônibus no Rio é uma tortura, para o motorista e para o passageiro. Como não dá para descontar na empresa, o motorista desconta no passageiro e o passageiro desconta no motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui dar uma pesquisada em como é a estrutura dos ônibus aqui do Município do Rio de Janeiro e quem me ajudou nesta pesquisa e em toda apuração do Que fim levou de hoje foi meu fiel escudeiro Alexandre Lima, aluno da Faculdade de Jornalismo da Unisuam. Vamos lá: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São cerca de 700 linhas que fazem 1 milhão 350 mil viagens por mês, o que dá mais de 60 milhões de  quilômetros, levando 80 milhões de passageiros. Nelas trabalham uns 19 mil motoristas e uns 10 mil cobradores, figuras em extinção, agora que as empresas estão colocando os motoristas em dupla função, de dirigir e cobrar a passagem ao mesmo tempo. Um dos motivos da greve, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as reclamações dos motoristas vão muito além disso. Eu conversei com o Sebastião José, vice-presidente do Sindicato dos motoristas, o Sintraurp, e ele me disse que, além de ganhar pouco, R$ 1.957 reais,86 por mês, os motoristas fazem jornadas muito longas, quer dizer muitas horas extras, que muitas vezes não são pagas. Por que? Porque com o trânsito caótico é difícil que a programação de viagens acabe no horário correto que é de 7 horas. Se acaba antes, o patrão quer que faça mais uma viagem então dá hora extra. Aí o motoristas trabalha 10, 12 horas, demora mais 1 hora e meia para ir e mais 1 hora e meia para voltar de casa ao trabalho, quer dizer que horas que esse cara dorme? Além disso, uma categoria dessa, com alto nível , altíssimo nível de estresse, não tem plano de saúde incluído no contrato de trabalho. Também não tem café da manhã. Muitos chegam no trabalho e vão pegar o ônibus com fome. Fora ainda a clássica falta de banheiro. Não tem onde fazer xixi. Falai sério, vamos falar em latim, Loquimini serius. Essa do motorista cobrar a passagem é comparada pelo Sebastião José  com a proibição de falar no celular ao dirigir. Ele acha que se é proibido falar no celular por tirar a atenção de quem dirige deveria ser proibido também o motorista cobrar a passagem pois tira a atenção, enfim atividades que não combinam bem entre si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuramos o outro lado, a Rio Ônibus, sindicato dos patrões. Perguntamos que medidas eles tomaram após o acidente. Presta atenção Eles mandaram um e-mail, copiando um prospecto, um manual de algum cursinho para motoristas, alguma coisa lá pronta, informando os temas de um curso para motoristas, informando que 11 mil passaram por oficinas educacionais e sete gravaram um CD com musicas de sua autoria. Fala sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o governo, hein? A secretaria de Transporte fez que nem a minha avó dizia. Porta arrombada, cadeado nela. Nove dias depois que o ônibus caiu lá de cima do viaduto, a  Secretaria municipal de Transportes multou o consórcio Internorte e a Paranapuan, empresa responsável pela linha,  em R$ 117.883,55 por infrações ao código disciplinar e ao contrato de concessão. Segundo a prefeitura, do total, R$106.371,55 correspondem a irregularidades com a frota e R$11.512 por atraso na vistoria do Detran, problemas que já existiam antes do acidente. Falai sério. Loquimini serius. A Paranapuan, apesar de termos ligado várias vezes não quis falar nem A nem B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero agradecer a Dra. Márcia Dias Alves, advogada do motorista André, que nos esclareceu vários aspectos do caso e está juntando provas, inclusive do tacógrafo para mostrar que o André não estava em excesso de velocidade. E ao Dr. Gentil Portela, advogado do Rodrigo, que também foi fundamental para podermos levantar toda a história. Uma história que levou nove pessoas à morte, infelizmente, e não chegou ao fim para o Rodrigo nem para o André. E, infelizmente, uma história que está longe de chegar ao fim para quem depende de ônibus. Só para dar uma ideia do descaso geral par ao assunto, o Brasil teve uma grande oportunidade de dar um passo a frente em termos de acidentes de trânsito em 2010 quando a ONU proclamou o período 2011-2020 Década Mundial de Ações de Segurança no Trânsito, com o objetivo de reduzir de 50% a taxa de mortalidade em acidentes. O número de mortos no trânsito no mundo era, então, avaliado em 1milhão e 300 mil por ano no mundo. O Brasil manifestou a intenção de participar, porém, acabou não adotando o plano de trabalho proposto. Que significava na prática por exemplo, exigir da indústria veículos mais seguros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo as estatísticas de acidentes pararam de ser feitas. A estatística oficial de referência em nível nacional, publicada pelo Ministério da Saúde, indica, para 2011, um número de 43.256 mortos em acidentes de trânsito. É o último dado publicado. Mas a coisa é tão mal parada que outra estatística, produzida pela Seguradora Líder, indica o número de óbitos decorrentes de acidentes de trânsito, indenizados no âmbito do seguro DPVAT, aquele seguro obrigatório que é pago por todos os proprietários de veículo e que serve para indenizar vítimas de acidente, seria da ordem de 58.000. Ou seja, ninguém dá muita bola para o assunto. Outra prova? Desde 2006 o valor do prêmio do DPVAT não é reajustado pelo governo. A vítima fatal recebe R$ 13 mil e 500 o mesmo valor máximo para invalidez e para despesas médicas e hospitalares R$ 2.700.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso aí&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai almoçar em casa Boechat?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai de ônibus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico por aqui, e espero todo mundo nas nossas páginas maravilhosas feitas pelo aluno Vinícius Mello, um craque da informática, o facebook que fim levou e o blogspot colunaquefimlevou blospot.com.br. Visitem, critiquem deixem sugestões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem deixar parabéns também que semana que vem faço 60 anos, sendo 40 de jornalismo com muito orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem a musica pra despedida e é do Ultraje a rigor, Ponto de ônibus . Até sexta-feira gente. Bom fim de semana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
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</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/05/caso-do-onibus-que-caiu-do-viaduto.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-6812166378758697599</guid><pubDate>Fri, 02 May 2014 15:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-05-02T08:17:20.106-07:00</atom:updated><title>Caso Marllon Jean</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Que fim levou de hoje é sobre um caso muito triste, trágico mesmo, que ainda não chegou ao fim, mas registra uma vitória. O Caso Marllon Jean que foi notícia em todos os jornais, em todas as emissoras de TV e rádio e aqui na Band.  É a história do acidente que aconteceu no dia 3 de julho de 2013, ano passado, com Marllon Jean Vasconcellos de Matteo, um rapaz que tinha 18 anos, e mudou completamente a vida dele e a de toda a sua família. Ele ia para o trabalho, no centro do Rio, e estava na estação de trem de Del Castilho quando um pedaço de reboco do viaduto que cruza a Avenida Pastor Martin Luther king Júnior, bem em cima da estação, caiu na cabeça dele, provocando um traumatismo craniano.&amp;nbsp;&lt;div&gt;
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Marllon ficou caído na rua, esperando por socorro. Foi levado, em uma ambulância dos Bombeiros para o Hospital Salgado Filho, aonde chegou entre a vida e a morte. Lá foi operado na neurocirurgia, mas infelizmente ficou com muitas sequelas. Hoje ainda está em uma cama, precisa de ajuda para andar, para ir ao banheiro, para se alimentar. Fez 19 anos este mês, teve festa, mas internado no hospital.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma fatalidade? Não. Pelo menos para o pai de Marllon, não. Ele viu no acidente também uma série de negligências do Poder Público contra o cidadão e foi à luta. E que luta Boechat! É essa luta que eu quero contar aqui, porque penso que vale a pena para todos nós. Você sempre fala que vale a pena espernear. Pois o pai do Marllon, o senhor Pedro Matteo Jr., não parou de brigar por seu filho nenhum dia durante todo esse tempo e ele conseguiu uma vitória. Porque negligência? Primeiro da Secretaria Municipal de Obras, que não deveria deixar pedaços de reboco de viaduto caindo. Segundo, a Supervia, que deveria ter prestado socorro imediato e, segundo o pai do Marllon não tinha ninguém preparado para prestar primeiros socorros, terceiro a demora no socorro. Matteo conta que seu filho Marcel, irmão de Marllon, contou uma hora e meia até a ambulância dos Bombeiros chegar ao local do acidente. Para piorar, segundo Matteo, a ambulância estava com um defeito que fez com que , na chegada ao Hospital Salgado Filho a maca fizesse com o que a cabeça do Marllon, já muito traumatizada sofresse nova contusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todos estes motivos, Senhor Matteo abriu um processo contra Estado, Município e Supervia. Eu vou falar depois sobre esse processo, mas como todo processo demora muito, o pai do Marllon foi à luta, por que ele queria melhores condições de tratamento para o filho dele, não queria que ele ficasse mais no Salgado Filho que é um hospital de emergência, embora elogie muito o neurocirurgião, Dr. José Álvaro Pinheiro, um dos médicos que atendeu lá o Marllon. O senhor Matteo contou que largou tudo para ir de porta em porta pedir ajuda. Ele queria levar o filho para outro hospital ou para casa. Mandou e-mail para governador, para prefeito, para secretaria de Saúde, falou com deputado, com senador, fez de tudo. Ele diz que, por conta disso,  perdeu sua empresa, faliu, perdeu até o apartamento em que morava e que sua mente também passou um tempo não funcionando muito bem por não se conformar em ver o filho naquelas condições. Um filho que tinha acabado de tirar a carteira de motorista e sonhava justamente em ser engenheiro civil vitimado daquela forma. Em dezembo, Matteo conseguiu a transferência do Marllon da UTI cirúrgica do Hospital Salgado Filho para a UTI da Coordenação de Emergência Regional Professor Nova Monteiro, o CER Leblon. Eu pedi informações para a Secretaria Municipal de Saúde sobre a atuação deles no caso e eles me responderam que o Salgado Filho salvou a vida do Marllon. Acredito nisso. Mas acredito também nas reclamações do Matteo. Conversei com um médico que conhece o hospital e ele me explicou: um paciente não precisava ficar em uma UTI cirúrgica cinco meses, tanto é verdade que está programado o Salgado Filho receber uma CER, uma Coordenação Regional de Emergência para dividir os pacientes. Os que são cirúrgicos para uma lado e os que são clínicos para outro, para desafogar o atendimento e para que todos possam ter cuidados melhores e específicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Eu também conversei com o advogado deste caso, Dr. Jorge Coutinho sobre o processo. Ele me explicou, que justamente por causa da lentidão da Justiça, o Juiz concordou com uma antecipação de tutela justificada com dois conceitos que ele me deu em latim: fumus boni iuris e periculum in mora. Ou seja, em nome do bom direito e pelo perigo da demora, o Juiz, mesmo não tendo sido julgado ainda o mérito do processo, determina que alguém cuide daquela vítima para que o pior não aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta decisão do Juiz de que o Marllon poderia ir para casa aconteceu há dois meses. Mas para ele ir para casa era necessário a casa ser equipa com aparelhos hospitalares, uma unidade de saúde, chamada home care. Foi feita, segundo o advogado, uma licitação pela Secretaria de Saúde para comprar estes aparelhos. Mas quando a empresa vencedora foi entregar o equipamento verificou que a casa onde ficaria o Marllon, a casa da família dele, não tinha as mínimas condições de ser habitada. Era muito precária demais. Não era possível instalar o equipamento lá, nem levar um doente para lá. Então foi feito um acordo, que envolveu além da Secretaria Municipal de Saúde, também a Secretaria Municipal de Habitação e a Procuradoria Geral do Município. Eu liguei para o senhor Matteo na quarta feira no final da tarde na hora em que ele estava com a mãe do Marllon assinando esse acordo na Sub Prefeitura da Barra. Como pagamento de indenização por danos materiais o Município pagará à família 5 salários mínimos mensais, mais o equipamento hospitalar e o principal, dois apartamentos, 103 e 104, um do lado do outro , no Parque Carioca, do programa Minha Casa Minha Vida, lá mesmo em Del Castilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto o advogado como pai do Marllon me disseram que são gratos ao secretário de saúde, Hans Dohmann e ao subsecretário de saúde, João Luiz Ferreira Costa, ao Subsecretário do Prefeito, David Carlos Pereira e ao Procurador Geral do Município, Fernando dos Santos Dionísio, que intermediaram toda essa negociação. Mas também me disseram que o processo vai continuar. E que Poder Público está apenas começando a cumprir com a sua obrigação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Justiça fará seu julgamento. No dia do acidente, por exemplo, a Secretaria de Obras divulgou uma nota lamentando o ocorrido e informando (estou lendo aqui) que seriam realizados trabalhos de prospecção na estrutura avariada (bate choco), sem a necessidade de interdição do equipamento. Informou também que já possuía projeto de recuperação estrutural do viaduto, com tratamento das juntas de dilatação e guarda rodas, no valor estimado de R$ 1,3 milhão. Informavam ainda que a obra ia começar de imediato e ia durar cinco meses. Isso foi em julho do ano passado. Estamos em abril, portanto os cinco meses já se passaram há muito tempo. Eu perguntei agora, por escrito, para a Secretaria Municipal de Obras se a obra já está pronta e eles nem bola me deram. Não responderam. Eu também procurei a Supervia que me mandou uma nota dizendo que prestou, sim, auxílio imediato ao Marllon, acionando os órgãos competentes, estou lendo aqui no e-mail da resposta deles. Mas... bem isso é o que o Juiz julgará. Qual o nível de descaso, de negligência que houve por parte de quem para que uma fatalidade fosse agravada, piorada e mal resolvida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado, Dr. Jorge Coutinho, me explicou que o pedido de indenização, que na ação está estipulado em R$ 3 milhões e 900 mil, é calculado de acordo com a expectativa de vida da pessoa baseada nos índices do IBGE,  multiplicando-se o que ela poderia ganhar nos anos de trabalho que perdeu por incapacidade e a isso são somados outros fatores como os gastos com os tratamentos, mais os danos morais, um cálculo que o Juiz ainda poderá modificar. E todos poderão recorrer e isso levar anos e anos e anos. Então, se o Senhor Matteo não tivesse sido guerreiro, o que poderia ter acontecido com o Marllon hein. Falai Serio, Loquimini serius!!! Falai serio, em latim. Até quando ele ficaria no Salgado Filho? Até quando ele ficaria no CER Leblon? E depois que ele tivesse alta? Como seria????? Por que o processo, muito provavelmente, nem estaria no início da primeira instância....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, Que fim levou pode mostrar hoje que lutar por nossos direitos pode levar a um bom fim. Quero agradecer ao aluno Fausto Amaral do curso de jornalismo da Unisuam que participou brilhantemente dessa apuração indo pessoalmente ao hospital onde o Marllon está internado e me ajudando a levantar toda a história. Eu me despeço desejando que seja um sucesso a mudança em breve do Marllon e lembro que estou durante toda a semana no facebook quefimlevou e no blogspot colunaquefimlevou.blogspot.com.br, páginas criadas pelo aluno Vinícius Melo do curso de Jornalismo da Unisuam. Um abraço especial para os taxistas. Recebo muitas mensagens e a minha fã assídua Esmeralda Jones me garante que vocês estão sempre me acompanhando, obrigada mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música de encerramento é a música que está no vídeo do Marllon na internet e que foi pedida pela família dele. Ressuscita-me, de Aline Barros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
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</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/05/caso-marllon-jean.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-1814697671096176229</guid><pubDate>Fri, 25 Apr 2014 23:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:39:33.534-07:00</atom:updated><title>Taça Jules Rimet</title><description>Hoje é o último dia para ver a Taça da Copa no Rio de Janeiro. Esperamos que ela fique de vez no Brasil é claro, mas nessa turnê que a Taça da Copa do Mundo da Fifa está fazendo por todas as capitais, esta sexta é o último dia dela no Maraca. Bem bacana a exposição que tem uma parte gratuita e outra, maior, com mais atrações que só vê quem participa da promoção da Coca Cola, que pagou aí uma grana forte para ser a patrocinadora e ter o direito exclusivo de andar com a taça pra lá e pra cá. Com um detalhe. Só quem pode pegar a taça, segurar a taça com as mãos, são ex-campeões mundiais e Chefes de Estado. Fora isso tem que colocar luvas, e mesmo assim, só seguranças oficialmente designados. Regra da Fifa. Então, o Que fim levou de hoje foi cascavear quem meteu a mão em outra taça, a muito famosa e querida Jules Rimet, conquistada definitivamente pelo Brasil com o tricampeonato da Seleção em 1970. Que fim levou a Jules Rimet?&lt;br /&gt;
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Todo mundo sabe que a Jules Rimet desapareceu. Mas vamos relembrar. Ela desapareceu no dia 20 de dezembro de 1983. Foi roubada da sede da CBF no Centro da cidade na noite de uma sexta feira. O caso eu conto como o caso foi. E foi um caso que envolve assassinato, trafico de drogas, tortura, fugas e até muita comédia. Tragicomédia, né?&lt;br /&gt;
Vamos lá.&lt;br /&gt;
Sérgio Pereira Ayres, conhecido com Sérgio Peralta, durante um jogo de baralho em um bar do Santo Cristo, ali na Zona Portuária, convidou Antonio Setta a roubar a taça Jules Rimet. Sergio Peralta era gerente de um banco e também fazia alguns serviços para um clube de futebol e conhecia a sede da CBF, na Rua da Alfândega. Antônio Setta, que no inquérito é apontado como afeito a pequenos furtos e entendedor em cofres, teve um ataque de patriotismo e recusou a proposta. Mas o Sergio Peralta encontrou quem aceitasse. E seus cúmplices, Francisco José Rocha Rivera, o “Barbudo”, e José Luiz Vieira da Silva, o “Bigode”, não tiveram a menor dificuldade em surrupiar a taça em menos de 20 minutos, depois de render o único vigia noturno da sede da CBF, o Seu Maia, que ficou amordaçado e teve os olhos vendados com esparadrapo. Agora aqui entra a comédia.&lt;br /&gt;
A Jules Rimet estava exposta em uma vitrine com vidros a prova de bala. Só que essa vitrine tinha uma moldura de madeira e por trás era presa na parede com pregos. Então bastou um pé de cabra para abrir aparte de trás da vitrine e pegar a Jules Rimet com outras três taças que estavam na mesma vitrine e dar o fora! Para complementar a comédia, a CBF tinha feito uma réplica da taça e tinha um cofre, mas era a réplica que estava guardada no cofre, o que foi motivo de piadas mundo a fora. Falai sério, Loquimini serius!!!!!.&lt;br /&gt;
Lá se foi a nossa tão suada taça Jules Rimet para as mãos de Peralta, Barbudo e Bigode. Notícia em todos os jornais. Uma verdadeira comoção nacional. Mas, tchan, tchan, tchan tchan, aí começou a maldição. &lt;br /&gt;
A taça, de 30 centímetros de altura com 1,8 kg de ouro puro, moldada no formato de uma mulher com asas estilizadas e batizada com o nome do presidente da Fifa na época, Jules Rimet,o homem que criou a Copa do Mundo, foi encomendada ao artesão francês Abel Lafleur e ficou pronta em abril de 1929. E olha, ela não perdoou ninguém que nela ousou colocar as mãos.&lt;br /&gt;
Os ladrões tiveram muito má sorte. Aquele Antonio Setta que estava lá no bar do Santo Cristo jogando baralho e não quis participar do roubo, um belo dia deu com a língua nos dentes para um policial e contou que o Sérgio Peralta era o mentor do roubo. Peralta foi preso e, segundo consta nos depoimentos dele, apanhou muito, foi torturado e entregou Barbudo e Bigode que também disseram que apanharam muito para dizer onde estava a nossa amada taça. Mas a taça não estava com eles. Só em 1984, um ano depois, a polícia finalmente chegou ao receptador do roubo invadindo o escritório de um comerciante de ouro, no centro do Rio. Agora sente o nome do escritório. Aurimet. A junção das palavras auri – ouro em latim com Rimet. Sugestivo não? O dono era Juan Carlos Hernandes, argentino acusado pelo Barbudo de ter ficado com o troféu. Na verdade, Hernandes tinha cortado a nossa Jules Rimet em pedaços que foram derretidos e transformados em barras de ouro. &lt;br /&gt;
O julgamento de Peralta, Barbudo, Bigode e Hernandes aconteceu em 1988, cinco anos depois do crime, como é comum aqui no Brasil. E eles foram condenados a 5 anos o mentor, 6 anos os ladrões e 3 anos o receptador. Mas as confusões foram muitas. E a maldição da taça pior ainda. Logo que saiu a sentença, Peralta conseguiu fugir, só foi preso em 1994, ficou 2 anos na cadeia e obteve condicional. Morreu em 2003. Barbudo também fugiu, mas por pouco tempo. Só que, depois de seis anos em cana, logo depois que ganhou a condicional, foi assassinado com cinco tiros. Bigode ficou foragido muito tempo, até 1996, aí cumpriu pena na Colônia Agrícola e ganhou a condicional. Sumiu, o que não deve ter sido difícil para um cara que se chama José da Silva.&lt;br /&gt;
O argentino, não é piada gente, foi preso em 1998, mas não foi por causa da taça. Ele estava com 7,5kg de cocaína em uma mala de mão, em São Paulo, na estação da Luz do Metrô e tinha que ir para a Rodoviária despachar a droga para o Rio. Mas ele não conhecia bem a cidade e foi pedir informações para um cara que estava andando atrás dele. O cara era Polícia Federal e prendeu ele na hora. Já era uma tocaia. Quando chegaram na delegacia, o delegado, botafoguense doente, reconheceu a carinha do Hernandes na hora como o acusado do caso da Taça Jules Rimet! Resultado: sete anos de prisão!&lt;br /&gt;
A maldição da taça pegou também o Antonio Setta, o alcaguete, aquele que contou tudo para o policial e levou ao desfecho do caso. Morreu em um acidente de carro na Lagoa Rodrigo de Freitas no dia em que ia para uma audiência no Tribunal de Justiça depor sobre o caso. &lt;br /&gt;
E Que fim levou o ouro? Nunca foi encontrado. Deve andar por aí no pescoço de alguém.... Mas muito cuidado hein! Porque a Jules Rimet era tão danada que da outra vez que ela sumiu se deram mal todos os que nela ousaram tocar também.&lt;br /&gt;
Foi em 1966, quatro meses antes da Copa do Mundo na Inglaterra. A taça estava em uma exposição em Londres e sumiu. Mas antes que o Império Britânico fosse abalado, a taça foi encontrada em um jardim, embrulhada em pedaços de jornal. Por um cachorro! O cachorro chamado Pickles chegou a conseguir uma recompensa entregue a seu dono, no valor de R$ 2 mil. Mas olha que coisa. Até o cachorro morreu. Enforcado na própria coleira, assim como morreu o suspeito de envolvimento neste caso, pouco depois do fato, Edward Betchley.&lt;br /&gt;
Mas a taça Jules Rimet não morreu. Seu roubo virou livro, programa de TV, na série Linha Direta da TV Globo, com participação dos craques Rivelino, Pelé e Gérson e um filme hilário do Casseta e Planeta em que Bussunda fazia o papel de um líder de um grupo de comunistas que queriam roubar a taça de Pelé e Carlos Alberto Torres. O longa, de 2003, era uma crítica muito bem humorada da forma como os governos militares tentavam se aproveitar politicamente do nosso futebol.&lt;br /&gt;
Agora, a Jules Rimet, ou melhor sua réplica, igualzinha e em ouro, está vivinha e bem aqui no Rio de Janeiro. O Antônio Carlos Napoleão, funcionário que cuida do acervo da CBF e que foi ouvido por nossa rigorosa apuração, da qual participou o aluno Alexandre Lima, do curso de jornalismo da Unisuam, está se preparando para mostrá-la a todos na nova sede da Confederação que tem previsão de ser inaugurada em junho, antes da Copa é claro, na Barra da Tijuca, ali perto do Parque Chico Mendes, na Rua Luiz Carlos Prestes, 130. &lt;br /&gt;
Napoleão lembrou que todos os países campeões da Copa até 1970, Uruguai, Itália, Alemanha e Inglaterra também mandaram fazer uma cópia da taça. E se você quiser fazer a sua é só ter R$ 5 mil reais sobrando e entrar na internet e encomendar. Tem um site que faz. Chama réplicas de troféus e lá a Jules Rimet custa mais caro que a atual Taça da Copa do Mundo da Fifa. Eu também acho a antiga mais bonita. &lt;br /&gt;
Quem quiser ver a atual, vai lá no Maraca hoje, a exposição é bem bonita. É de graça. E hoje tem show de Gaby Amarantos e Monobloco às 8h da noite. Uma outra parte com vídeos e jogos interativos faz parte da promoção da Coca Cola e aí tem que comprar o refrigerante e trocar por ingresso, mas só a parte gratuita já vale a pena, dá pra ver o troféu tirar fotos e curtir bastante. Só no primeiro dia, os visitantes foram mais de 15 mil. Vou ficando por aqui, vocês ficam comigo durante a semana no facebook Que fim levou criado pelo aluno Vinicius Melo e também no blog colunaquevimlevoublogspot.com.br e eu deixo, como sempre a música. Samba enredo da Caprichosos de Pilares, do ano seguinte ao roubo da taça. Falava das coisas que não existiam mais, que tinham sumido, como a virgindade, votar para presidente e a taça. Se chama E por falar em Saudade. Até Sexta. Fui!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
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</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/04/taca-jules-rimet.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-1247634571343289311</guid><pubDate>Fri, 18 Apr 2014 21:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-19T17:14:31.276-07:00</atom:updated><title>Patrícia Amieiro</title><description>O tema do Que fim levou de hoje é o caso Patrícia Amieiro. Vamos relembrar? No dia 14 de junho de 2008, era uma sexta feira, Patrícia saiu de uma casa de shows no Morro da Urca, já de madrugada, para voltar para a casa de seus pais, na Zona Oeste, dirigindo o carro dela, sozinha. Na mesma madrugada, seu carro foi encontrado caído, nas pedras das margens da Lagoa de Marapendi, ironicamente bem abaixo daquela placa Sorria você está na Barra, embaixo ali do viaduto que sai do Túnel do Joá. &lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;A PM foi a primeira a chegar ao local. O corpo de Patrícia não estava no carro. E nunca mais apareceu. No carro foram encontradas marcas de tiro de balas de calibre igual ao das armas usadas pela PM, acusada ade assinar Patrícia e ocultar seu cadáver. Seis anos se passaram. Patrícia foi considerada morta em 2011. Ela era, quando desapareceu, uma moça de 24 anos, engenheira bem sucedida e muito bonita. Deixou, é claro, seus pais e seu irmão desolados. Mas esta tragédia envolve muito mais que a profunda dor de uma família. E hoje vamos revelar aqui no Que fim levou informações novas sobre este caso que gerou um inquérito de mais de três mil páginas, passou pela delegacia Antissequestro e pela de Homicídios e está agora no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A primeira informação, em primeira mão,  é de que o caso vai, finalmente, a Júri popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A investigação foi muito, muito longa e complicada. Eu gosto muito de casos misteriosos e passei toda a semana lendo os argumentos da acusação e da defesa, estudando as análises periciais, quase me tornei um personagem daqueles seriados tipo CSI! Gostaria de contar todos os detalhes para vocês que eu apurei com o apoio do Alexandre Lima, aluno do curso de jornalismo da Unisuam que se demonstrou nessa apuração um verdadeiro detetive. Mas como não dá tempo de contar tudo, vamos resumir e começar montando a cena da acusação: Patrícia vinha dirigindo, os PMS atiraram no carro, ou porque mandaram que ela parasse e ela não parou ou porque confundiram o carro dela com o de um bandido. Patrícia perdeu o controle e o caro caiu na ribanceira. Ao perceber o erro, os policiais foram até o carro, jogaram uma pedra de 8 kg no vidro dianteiro para disfarçar o buraco feito pelo tiro no vidro e chamaram outros dois PMs para ajuda-los a se livrar do corpo. Uma pedra foi mesmo encontrada no interior do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a cena da defesa: Patrícia deu muitos telefonemas depois que saiu do show até a hora em que seu carro caiu. Demorou mais de uma hora entre sair da Urca e o momento do acidente, tempo medido pelo registro das câmeras do local de saída do show  e uma multa que ela  levou em Ipanema. Um colete de moto taxista da Rocinha foi encontrado próximo ao local do acidente. Patrícia poderia ter sido sequestrada e não estar no carro. Os tiros seriam dos sequestradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas investigações, a defesa perdeu. E as investigações deste caso foram dramáticas mesmo, e exaustivas. Uma perita tentou desmentir o laudo que confirmou marcas de tiros no carro, mas depois houve suspeitas de que ela era amante de um dos PMs acusados. Ossadas foram desenterradas para serem feitos exames de DNA, mas descobriu-se que eram ossadas de animais. Muito sofrimento. Até que por fim, um ano depois do dia em que Patrícia desapareceu, o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, determinou que as marcas de tiro no carro correspondiam à arma do soldado PM William Luiz do Nascimento que estava de plantão na Auto Estrada Lagoa Barra naquele triste dia 14 de junho de 2008 junto com o cabo  Marcos Paulo Nogueira Maranhão. Ambos foram indiciados por homicídio e ocultação de cadáver. Os soldados PMs Fábio Silveira  Santana e Márcio Oliveira Santos, que chegaram depois no local do acidente, foram indiciados por ocultação. Eles chegaram a ficar presos por 81 dias, menos de três meses quando a pena de homicídio qualificado pode chegar a 30 anos. Mas a defesa recorreu e eles foram soltos com habeas corpus. Foram também julgados pela Justiça Militar que é bem mais rápida que a Justiça comum e neste fórum foram absolvidos. E, dentro da corporação, foram promovidos. Hoje trabalham normalmente em serviços internos. A Assessoria da PM não quis dar maiores detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Justiça civil, tudo indica que a defesa dos PMs vai perder de novo. O Juiz Fábio Uchoa Pinto de Miranda Montenegro pronunciou os réus, o que significa que os quatro PMs serão julgados por um Júri popular. A defesa recorreu, então este recurso foi para a 8ª Câmara Criminal. Lá a Desembargadora Elizabeth Aguiar decidiu pedir um parecer à Procuradoria Geral da Justiça. E eu revelo a vocês, também em primeira mão, o resultado deste parecer: O procurador Julio Cesar Lima dos Santos nega um por um todos os argumentos da defesa que fez um recurso chamado recurso em sentido estrito. O procurador, no seu relatório devolvido estes dias à desembargadora, se manifesta pela manutenção da decisão de haver o Júri popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desembargadora Elizabeth Aguiar não quis falar com a gente. O advogado Nélio Soares, que defende os policiais militares, também não. Mas eu falei com o Dr. Alexandre Dumans, advogado da família. Ele, que tem 40 anos de experiência nesta área do Direito, me disse que, neste caso, a célebre máxima indubito pro reu – em dúvida a favor do réu – será diferente, substituída por in dubito pro societas – em dúvida a favor da sociedade. Isso para afirmar que tem convicção de toda o clamor da sociedade foi ouvido e que haverá o Júri para os PMs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... ainda vai demorar para acontecer, mais ou menos um ano ele calcula. Embora o Dr. Alexandre Dumans ressalve que crimes contra vida tenham julgamentos longos em todo o mundo, ele considera a Justiça brasileira lenta. E me fez uma comparação muito, muito reveladora. A Suprema Corte Inglesa julgou 117 casos em 2013. A Suprema corte Brasileira, também no ano passado, mas de 270 mil. E me explicou o porquê. Lá existem juízes leigos, operários, professores, nas chamadas Magistrate Courts,  com competência para julgar os pequenos conflitos, que chegam a ser 94% dos casos. Então apenas 6% dos casos chegam aos juízes togados. Olha que boa ideia a ser pensada aqui para o nosso Judiciário tão lento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra informação em primeira mão que a nossa coluna tem hoje é justamente uma boa ideia. Uma ótima ideia. A Polícia Civil vai criar a primeira Delegacia de Pessoas Desaparecidas aqui do Rio. No próximo dia 29, Jovita Belfort, mão da Priscila Belfort que é irmã do lutador Vitor Belfort e está desaparecida há dez anos, vai se encontrar com o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, para já definir a data em que será criada esta delegacia. É uma iniciativa muito importante. Para dar a vocês uma ideia do tamanho do problema, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República estima que cerca de 40 mil desaparecimentos são registrados ao ano em todas as delegacias do território nacional. O problema é tão grande que, em 2009, o governo criou o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, onde as famílias informam o desaparecimento e estas informações são repassadas às delegacias e órgãos cadastrados. Não sei se funciona, vale um que fim levou esse cadastro hein... Vamos fazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me deu esta informação exclusiva sobre o encontro sobre a nova Delegacia de Pessoas Desaparecidas, quando o chefe da Polícia civil vai receber a Jovita Belfort, mãe do lutadora Vitor Belfort e de uma filha a Priscila, desaparecida há dez anos, para gente ver que o problema não escolhe ninguém, foi o Antonio Carlos Costa, fundador da ONG Rio da Paz. Desde 2006 quando houve uma chacina que matou 19 pessoas, 8 delas queimadas vivas dentro de um ônibus, em vários bairros do Rio, ele luta contra a violência e na busca de desparecidos. Então, é muito bom frisar a importância dessa delegacia, mas é muito bom também ressaltar a importância da luta de pessoas como o Antônio e de mães como a Jovita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, uma pessoa que tinha um familiar desparecido era obrigada a registrar essa ocorrência em uma delegacia de homicídios. Ora, a pessoa tem sempre a esperança de que quem desapareceu esteja vivo e tem que ir logo na Homicídios? Então, uma delegacia especializada em pessoas desaparecidas será muito mais humano, além, é claro, de poder se dedicar melhor, especificamente, aos casos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a pressão da luta, das passeatas, das faixas, das cruzes em Copacabana, até das ameaças e fazer o enterro simbólico da Patricia Amieiro em frente ao Palácio Guanabara, da Xuxa com a camiseta com o rostinho dela nos protestos organizados pela família. A Jovita Belfort indo lá na Polícia Civil, ainda na época da Delegada Marta Rocha, tudo isso pesa e é a pressão da sociedade, a nossa pressão, contra o estado paquidérmico, contra a Justiça tartaruga, contra o descaso e aquela atitude que tantas vezes tem o Poder Público como se pudesse fazer de conta que  não tem nada a ver  com a gente, que não tem satisfações a nos dar, é isso que dá resultado. Dá em Júri e dá em novas e melhores delegacias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a Rio da Paz, existem muitas outras ONGs que trabalham com estas questões. Como por exemplo meufilhosumiu.com que tem uma ferramenta que faz com que cada criança desaparecida cadastrada seja automaticamente compartilhada com os Vigilantes Voluntários. Para ser um Vigilante basta baixar os aplicativos para o celular ou ainda &quot;doar&quot; o seu perfil do Facebook e do Twitter, para que fotos e informações das crianças desaparecidas apareçam para os seus amigos e seus familiares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de encerrar tenho outra informação em primeira mão para vocês. Eu conversei com o irmão da Patrícia Amieiro, o Adriano, outro grande batalhador. Ele me contou que no dia 10 de maio, na antevéspera do dia das Mães, será feita uma manifestação no local onde o carro caiu, na Lagoa de Mapendi, ali no canal embaixo do viaduto o Túnel do Joá. Lá,  a família já havia feito o Jardim Patrícia Amieiro. Pois na semana passada esse jardim foi destruído, depredado mesmo. Aqui vale o nosso Loquimini serius. Fala sério em latim. Loquimini serius. Destruir depredar um local em homenagem a uma moça desaparecida há seis anos que uma mãe não pode nem sepultar? Fala sério, Loquimini serius. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano me contou que no lugar onde eles colocaram, isso já há muitos anos, além das flores, uma cruz e uma placa e onde a mãe de Patrícia, dona Tânia, costuma ir frequentemente para rezar, foram amaradas telhas com arames em cima da placa e um capacete de soldado foi pendurado na cruz, além de ter sido plantada uma bananeira. Ele não quer acusar ninguém, mas Adriano me contou  que um publicitário que tem placa de propaganda próximo ao lugar disse que aquilo não deveria ser um santuário e comentou: “é porque não foi a filha dele que desapareceu há seis anos”. Adriano está também confiante que a Justiça levará o caso de sua irmã a Júri popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manifestação do próximo dia 10 de maio, além de rezar, reconstruir o Jardim e colocar uma faixa com os dizeres “Seis anos em busca de Justiça”, eles vão pedir ao Prefeito Eduardo Paes que oficialize o local como Jardim Patrícia Amieiro e passe a cuidar dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra ideia que está em estudo é que a manifestação prossiga com uma caminhada até a Delegacia da Barra. Lá os pais de Patrícia colariam algemas nas próprias mãos como se fossem se entregar à Polícia. Já que, segundo eles, os assassinos estão soltos e a família está presa pela dor e pela impunidade. Bem eu vou ficando por aqui. Vocês fiquem comigo durante a semana. Vamos continuar conversando pelo facebook quefimlevou. Anotem aí e participem facebook que fim levou e também &lt;a href=&quot;http://www.colunaquefimlevou.blogspot.com.br/&quot;&gt;www.colunaquefimlevou.blogspot.com.br&lt;/a&gt;. Nossas páginas foram criadas pelo aluno Vinícius Mello, do curso de jornalismo da Unisuam. Apesar de todas as boas novas como a possibilidade do caso ir a Júri e finalmente chegar ao fim e a criação da Delegacia das Pessoas Desaparecidas, eu me associo à dor dos Amieiro e deixo com você uma música triste hoje apesar de muito linda. Uma música que reflete muito bem o quanto pode ser grande a dor da saudade. É &quot;Pedaço de mim&quot;, composta por Chico Buarque que nessa versão divide os vocais com a Zizi Possi. Até sexta feira, bons feriados. Fui.&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;iframe allowfullscreen=&#39;allowfullscreen&#39; webkitallowfullscreen=&#39;webkitallowfullscreen&#39; mozallowfullscreen=&#39;mozallowfullscreen&#39; width=&#39;320&#39; height=&#39;266&#39; src=&#39;https://www.youtube.com/embed/JIFWpMzwUnc?feature=player_embedded&#39; frameborder=&#39;0&#39;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/04/patricia-amieiro.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-4858455260295398579</guid><pubDate>Fri, 11 Apr 2014 20:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:39:13.298-07:00</atom:updated><title>Engenhão</title><description>&lt;br /&gt;
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O que fim levou hoje é sobre o Engenhão. Vamos relembrar? Planejado para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e inaugurado no dia 30 de junho daquele ano o Estádio Olímpico João Havelange foi logo batizado pela irreverência dos cariocas de Engenhão por ficar em um antigo terreno da Rede Ferroviária Federal, localizado no bairro do Engenho de Dentro.&lt;br /&gt;
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Construído na gestão do prefeito Cesar Maia e de propriedade municipal, mas arrendado pelo Botafogo no ano de sua inauguração até 2027, com possibilidade de renovação por mais 20 anos, portanto até 2047, foi erguido para sediar as competições de atletismo e futebol.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira estimativa de custo do Engenhão, foi de R$ 60 milhões, com previsão de entrega para o fim de 2004. Mas ele só foi aberto quase três anos depois e seu custo final saltou para R$ 380 milhões, pagos com dinheiro público. O seu, o meu, o nosso din dim. Ah, se problema fosse só esse, Boechat, seria até pouco por tudo mais que aconteceu depois. Como todo mundo sabe e você está careca de saber, com todo o respeito, o Engenhão está fechado porque teve problemas, problemíssimos com a sua cobertura, vamos dizer o teto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
E Que fim levou vai revelar aqui em primeira mão que todo mundo foi muito enganado durante muito tempo sobre estes problemas da cobertura. A verdade verdadeira é que as pessoas que assistiram os jogos  do Pan Americano no Engenhão correram risco. Que risco? Da cobertura desabar na cabeça delas. E isso é muito grave, gravíssimo. Quem fez esta revelação para mim foi o presidente do CREA, engenheiro Agostinho Guerreiro, baseado em um estudo que durou quase um ano, com um comitê do CREA ouvindo engenheiros envolvidos no projeto, integrantes da Comissão Especial de Avaliação do Engenhão criada pela própria Prefeitura e engenheiros do Consórcio Construtor que na época era o Consórcio Racional Delta Reconoma. Um destes engenheiros, membro da Comissão Especial de Avaliação do Engenhão formada pela Prefeitura, o engenheiro civil Sebastião Andrade disse o seguinte no depoimento dele, eu estou lendo aqui do depoimento dele, hein: “Ao avaliar as medições quando da inauguração, a cobertura já estava 70 cm fora do local esperado. Apesar da estabilização mais adiante, este deslocamento aconteceu no Pan. As pessoas que foram ao estádio corriam risco com a estrutura”. Fala sério. Falai serio. Loquimini serius. Em latim Boechat loquimini serius.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Então gente, toda aquele bla bla bla sobre vento de mais de 70 km não procede simplesmente, vocês lembram? Quando a atual gestão do Prefeito Eduardo Paes fechou o Engenhão, em março do ano passado, a alegação era de que a cobertura era segura sim, só seria problema se fosse atingida por ventos de mais de 63 km por hora, Não, não, não. O engenheiro Sebastião Andrade disse que o peso da estrutura era muito para a espessura dos arcos e por isso houve o deslocamento de 70 cm. E que durante o Pan as pessoas estavam em risco. Disse com todas as letras e assinou em baixo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
O presidente do CREA me deu uma longa explicação técnica que vou tentar resumir pra vocês. As construções em arco com vãos que se apoiam em superfícies distantes, como uma ponte por exemplo, depois de prontas elas realmente sofrem um deslocamento, isso é normal e calculado. É uma técnica de construção que existe desde o tempo dos Romanos. Mas no caso da cobertura do Engenhão o projeto foi feito errado. Então o deslocamento foi maior que o previsto.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Mas os problemas foram outros. Que problemas. Falta de planejamento e pressa para tocar a obra custasse o que custasse, inclusive a segurança como agora está provado, para que o estádio fosse inaugurado para os jogos pan-americanos.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;
O consórcio Racional Delta Reconoma  saiu da obra antes do fim e assumiu o Consórcio Engenhão formado pelas empresas OAS e Odebrecht, que já exigiu uma cláusula no contrato explicitando que não assumiria falhas do projeto. Pois bem aconteceu tudo que aconteceu. E este Consórcio está fazendo a obra de graça. Epa! Pois é, está fazendo a obra de graça. Assumiu tudo e está acionando na Justiça o outro consórcio, o consórcio lá responsável pela primeira obra. O Consórcio Engenhão me mandou uma resposta por e-mail dizendo o seguinte:  Esta ação tem o objetivo de recuperar os valores já despendidos e os que ainda serão gastos nas obras de reparo na cobertura.  A quantia a ser ressarcida não foi definida na ação e deverá ser apurada em perícia judicial. O Consórcio Engenhão iniciou a reforma da cobertura do estádio em julho de 2013, após assinar um &quot;Termo de Entendimentos&quot; com a Prefeitura do Rio de Janeiro e a RioUrbe.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
No documento, as autoridades municipais reconhecem expressamente que o Consórcio não tem responsabilidade pelos projetos básico e executivo do estádio, não sendo também responsável pelas falhas que ocasionaram a sua interdição. O Consórcio Engenhão esclarece que decidiu realizar as obras de reparo da cobertura do Estádio Olímpico João Havelange, mesmo não sendo o responsável pelos problemas que acarretaram sua interdição, conforme foi atestado por Comissão Técnica Especial constituída pela Prefeitura carioca. Ao assumir a recuperação da cobertura, o Consórcio buscou contribuir para reduzir os prejuízos que foram causados ao Rio e ao País, restabelecendo a possibilidade de uso do estádio, um dos principais equipamentos das Olimpíadas de 2016.  A postura foi semelhante à adotada pelo Consórcio em 2006, quando aceitou pedido da Prefeitura para firmar o Contrato Emergencial que possibilitou concluir o Estádio Olímpico a tempo de ser utilizado nos Jogos Panamericanos, tornando viável a candidatura do Brasil aos grandes eventos esportivos da década.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Olha é semelhante mesmo. A mesma coisa. O consórcio entrou emergencialmente, sem licitação, sem planejamento e por isso mesmo eu fico preocupada, para não dizer horrorizada. E como não existe almoço grátis isso tudo é muito estranho mesmo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;
Quando a apuração foi para o lado da prefeitura, eu entrei nos Jogos Olímpicos na modalidade maratona. Falei, ou melhor, tentei falar com a assessoria de imprensa da Prefeitura, que me jogou para todo lado, Riourbe, Secretaria de Obras, Empresa Olímpica Municipal, Comitê Organizador Local da Copa, Rio Eventos, olha... Enfim. Vou resumir aqui o que conseugi porque na maioria dos casos recebi releases prontos e não respostas às minhas perguntas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
A reforma que está em andamento consiste na montagem de 34 torres de escoramento. Erguidas com a ajuda de guindastes essas torres saem dos  degraus da arquibancada para aliviar o peso da cobertura e permitir a instalação de mastros e tirantes que reforçarão os arcos superiores.  Quando a reforma estiver concluída, a cobertura será retensionada e as torres de escoramento serão retiradas. O prazo de conclusão é meio vago: segundo semestre de 2014. Hoje são 340 trabalhadores envolvidos, que essa semana fizeram uma paralisação por melhores salários, mas o consórcio estima que poderão ser até 550 no pico a obra.  Eles são auxiliados pro 15 alpinistas e há outros 15 já em treinamento.&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;
Custo? Ah, dinheiro não é problema. Resposta da Riourb: O projeto está sendo detalhado e o material orçado. Enquanto isso não estiver concluído, não é possível falar sobre custos. Nesta obra o custo é consequência, não prioridade. Como a obra começou há meses e está a poucos meses de acabar, eu nunca vi isso gente! Fala Sério Loquiminis serius. Não sabe quanto vai custar no meio da obra???&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;
Para encerrar eu volto ao relatório do CREA que recomenda um processo ético contra todos os responsáveis pela construção do Engenhão. Como eu sei o chefe que eu tenho, Ricardo Boechat eu perguntei sim, quem na Prefeitura assinou o recebimento da obra pronta. A secretaria de obras me respondeu que foi uma comissão formada por três fiscais eleitos. Mas nem por um cacho de ouro me deu o nome de ninguém. Eu vou ficando por aqui . Fiquem comigo durante a semana no facebook que fim levou criado pelo aluno Vinicius Melo do curso de jornalismo da Unisuam e no colunaquefimlevou.blogspot. Musica. Bem como hoje é sexta feira, vamos pegar leve e tentar sorrir da desgraça ficando com A casa de Vinícius de Moraes&lt;/div&gt;
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Até sexta que vem. Fui!&lt;br /&gt;
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Click para ouvir a música: &lt;a href=&quot;http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/49255/&quot;&gt;http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/49255/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/04/engenhao.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-5585187756214977687</guid><pubDate>Fri, 04 Apr 2014 07:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:38:48.298-07:00</atom:updated><title>Canecão</title><description>Que fim levou o Canecão? Eu frequentei muito o Canecão, durante duas décadas. Sou mãe de dois músicos e lembro que muitos músicos protestaram muito quando a casa fechou no dia 10 de maio de 2010. Já se passaram quase 4 anos e daí? Continuam as portas fechadas de um espaço que foi super hiper importante para a cultura musical do Rio de janeiro e do país.&lt;br /&gt;
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&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu me lembro que Martinho da Vila, chegou a dizer, na época que o Canecão fechou, que era como se tivessem fechado o Olympia de Paris, a mais célebre casa de espetáculos da França. Parece exagero? Não é não. É só lembrar um pouco a história do Canecão que a gente vai ver que o Martinho tinha razão. A casa localizada ali perto do Túnel Novo que dá acesso a Copacabana, funcionou durante 43 anos. Foi batizada assim porque foi inaugurada, na década de 60, como uma grande cervejaria, mas logo começaram lá os shows de Música Popular brasileira e que shows! Foi lá, em 1970, por exemplo, que Roberto Carlos fez o seu primeiro show da carreira solo. Em 1971, Chico Buarque, que passou pela casa em todas as suas turnês, cantou com a bateria da escola de samba padre Miguel e com a Orquestra Sinfônica Brasileira, juntos no mesmo show. Eu estava lá, meninos, em 1976, no encontro histórico de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Betania e Gal Costa, quando eles formaram o inesquecível Doces Bárbaros. E também testemunhei a cuspida que Cazuza deu em uma bandeira nacional jogada por uma fã no palco durante o último show dele, em 1988. Ele já estava muito mal, né, na fase final da Aids. Um show histórico. Eu também estava na plateia de outro show memorável do Canecão, em 1990 – o show de Ray Charles no auge da carreira. Enfim, todas essas lembranças são para marcar bem a dimensão cultural desse lugar que incrivelmente está fechado há quatro anos. Mais uma. O cantor Elymar Santos, nascido no morro do Alemão, que cantava em churrascarias e ganhou concursos de calouro nos programas do Chacrinha e do Flávio Cavalcanti deslanchou na carreira depois que alugou o Canecão para fazer um show. Dizem que ele pagou 200 mil reais para se lançar na Zona Sul. E deu certo. Ele alugou o Canecão em 1985. Lotou a casa e em 1986 foi escolhido para fazer o papel de Che Guevara na opera rock Evita em São Paulo e ganhou o papel de melhor ator do ano. Agora, voltando para o Canecão. Com toda essa bagagem, fechado há quatro anos. Falai sério. Loquimini serius. Aliás, está pegando hein Boechat. Nossa expressão em latim está sendo usada aí por muita gente. Falai sério em latim, Loquimini serius. E o Canecão era um espaço importante para a cultura, para os artistas e para o público também. O Rio de Janeiro tem falta de espaços para shows. É verdade. Tem disputa de artistas por teatros. Briga mesmo. E esse espaço, tão importante, fechado há tanto tempo. Pior ainda, um espaço assim, vamos dizer médio. Por que os espaços no Rio ou são bares pequenos, onde o ingresso ainda é relativamente barato, mas as condições de apresentação são bem precárias, sem palco, sem acústica, tipo toca num cantinho, ou são casas de show enormes onde o ingresso é caríssimo. O Canecão era uma casa meio termo, em local de acesso bem fácil, e com ingresso de preço entre o barato e o caríssimo. Então, eu fui ver as causas, como é que pode uma casa assim estar fechada há quatro anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conversei com o professor Carlos Vainer, titular de Planejamento Urbano e Regional da UFRJ e coordenador do Fórum de Ciência e Cultura, que está à frente da recuperação do espaço onde funcionava o Canecão.&lt;br /&gt;
Vamos por partes como diria o esquartejador.&lt;br /&gt;
Durante todo o tempo de funcionamento, o Canecão foi operado pelo empresário Mario Priolli. Ele conseguiu o espaço da Associação dos Servidores Civis da UfRJ que, na época, lá atrás, tinha a posse do lugar. Depois de muitos anos, a UFRJ ganhou a posse. Mário Priolli nunca pagou aluguel à Universidade. Calcula-se que hoje o aluguel daquele espaço supere os R$ 200 mil por mês. Então, nossa!, imagina a dívida. É tanto que em uma das propostas feitas por Prioli à universidade havia a de resgatar R$ 6 bilhões presos na Justiça, depósito judiciais bloqueados, justamente para pagar aluguéis atrasados. Mas essa proposta não colou. Eu deixei dois recados no celular do Priolli para falar sobre tudo isso, mas ele não me retornou.&lt;br /&gt;
Depois de longos anos brigando na Justiça a UFRJ ganhou a briga em última instância, no Supremo Tribunal Federal, e despejou Mário Priolli. O Canecão, então, fechou em 2010.&lt;br /&gt;
Mas a novela não acabou ali.&lt;br /&gt;
A justiça determinou que a UFRJ ficasse como fiel depositária dos bens do Priolli. Bens esse que eram garantia de processos contra ele, por exemplo processos trabalhistas, em que ele devia grana para empregados. A UFRJ não queria esses bens. O professor Carlos Vainer me disse que eram uma porcaria mesmo, eram mesas e cadeiras e outras coisas, mas quebrados, danificados. Ele queria se livrar desses bens para começar a obra, recuperar o espaço. Me disse que chegou a cogitar até um guarda móveis, mas era caríssimo, inviável. Só ano passado, em julho, ele conseguiu da Justiça a decisão de retirada dos bens do espaço. Durante estes três anos de pendengas judiciais, o Canecão foi se degradando, se destruindo. O telhado ficou cheio de buracos, entrou água, surgiram focos de dengue, um caos. Loquimini serius. Falai serio.&lt;br /&gt;
Quando a Justiça permitiu a retirada dos bens, a primeira coisa que a Universidade fez foi consertar o telhado.&lt;br /&gt;
Agora a boa notícia, que é primeira mão aqui do Que fim levou, é que em maio, sai o edital de um concurso, organizado pelo IAB, Instituo dos Arquitetos do Brasil, para escolher um arquiteto para projetar o novo Canecão. E não é só isso. O projeto vai ser muito mais abrangente. Vai ser um projeto para reformar e modernizar toda uma área de 25 mil metros quadrados no em torno do antigo Canecão. Vai criar além de uma nova casa de shows no lugar do antigo Canecão, mais um estacionamento subterrâneo, um hotel, um centro de convenções e uma área de lazer. A prioridade é a obra começar pelo antigo Canecão. A universidade chegou a cogitar o nome de Arena Minerva, mas não colou, então a gente pode até lançar um concurso para escolher o novo nome que tal?&lt;br /&gt;
Tem outras novidades para eu anunciar. Aquele espaço onde funcionava o bingo, lembram? Aquele espaço já está em obras, no final das obras e lá será a sede da Editora e a Livraria da UFRJ. Será chamado de Casa da Cultura.&lt;br /&gt;
Também tem previsão de inauguração para este ano o espaço ao lado que era chamado de Canequinho, quem lembra? Ficava bem ao lado do antigo bingo, perto do estacionamento. Vai se chamar Café Universitário. Com cem lugares, será dedicado a saraus e pequenas apresentações artísticas. No em torno existe ainda a Casa da Ciência. Que também vai ser renovada, mas está funcionado. A próxima exposição, que será inaugurada no final deste mês se chama Cadê a Quimica. Será uma réplica de uma casa com explicações sobre a química no nosso dia a dia. No banheiro, olha que máximo, ao abrir a tampa do vaso sanitário, você vê um vídeo sobre a Química do cocô! Vale conferir. A Casa da Ciência fica na Rua Lauro Muller, 3.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas ainda tem muita polêmica sobre o futuro do Canecão. O diretório central dos Estudantes da UFRJ promete muito barulho por que acha que se o espaço pertence a uma Universidade pública então ali todos os shows e apresentações devem ser sempre gratuitos.&lt;br /&gt;
O professor Veiner me disse que isso ainda não está resolvido. Ele me garantiu que a Universidade está muito preocupada em democratizar o acesso à cultura, em devolver o espaço à MPB, em não ter fins comerciais e em integrar o espaço à educação. Por exemplo, quer usar o antigo Canecão como espaço para prática dos alunos dos cursos de cenografia, música e teatro da universidade. Bacana. Ele até falou que vai criar um conselho curador, para ter várias opiniões sobre como se utilizar o espaço. Bacana também. Mas eu senti uma coisa, Boechat. Muita democracia e pouca pia, sabe. Minha avó é que dizia isso. Muita democracia e pouca pia. Ora, já se passaram quatro anos que a UFRJ tem a posse do Canecão e ainda não se sabe que modelo de gestão terá a casa? Vai ter show pago ou não vai? Vai ter preço popular ou não vai? Vai alugar para os artistas ou não vai? Os estudantes vão meter o bedelho ou não vão? E mais, quem vai pagar a obra, hein? O professor Carlos Veiner me disse que dinheiro para ele não é problema. Ui! Que ele tem certeza que a bancada parlamentar do Rio não deixará a Universidade na mão e que o Ministério da Cultura, a Prefeitura e o Governo do Estado também não. Ui! E que, com isso, até as Olimpíadas teremos o projeto do concurso do IAB lindamente pronto. E a Universidade, tem dinheiro no orçamento dela para colocar na obra? Fez previsão orçamentária para essa obra? De quanto? Ele não respondeu. Desde 2010 não fez previsão orçamentária para isso? Loquimini serius. Fiquem comigo durante a semana no facebook Que fim levou, agora também tem o blog colunaquefimlevou.blogspot, feitos pelo super craque da internet Vinícius Mello, aluno do Jornalismo da Unisuam. Musica para reflexão de hoje, é do meu querido Arlindo Cruz e atende pelo sugestivo titulo O show tem que continuar, até sexta que vem bom fim de semana fui!</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/04/canecao.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-8402763231003427873</guid><pubDate>Fri, 28 Mar 2014 07:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:36:25.298-07:00</atom:updated><title>Acidentes Aéreos Brasileiros</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tema do nosso Que fim levou de hoje são os dois maiores acidentes aéreos que aconteceram no Brasil. Pela nossa página do facebook, que fim levou, criada pelo aluno Vinicius Melo do curso de jornalismo da Unisuam, recebi muitas mensagens me perguntando que fim levou o avião da Malásia. Mas se mais de 20 países, o FBI e todas as instituições civis e militares envolvidas na busca ainda não têm uma resposta, tendo se passado 21 dias do desaparecimento, a Sherlock Homes aqui também não tinha pista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;Agora parece que são mesmo do avião 300 destroços grandes encontrados no Sul do Oceano Indico, mas ainda sem confirmação. Avião caindo está na cabeça de todo mundo agora, ainda mais que há dez dias, ainda desapareceu também um bimotor em Jacareacanga, no sudoeste do Pará, de que ninguém também tem pista. Lembrei então destes dois casos, os mais trágicos e fui ver que fim levou.&lt;br /&gt;
O maior acidente aéreo do Brasil aconteceu no dia 17 de julho de 2007: um Airbus A320 que fazia o voo 3054 da TAM não conseguiu aterrissar na pista, se chocou contra um edifício e pegou fogo em São Paulo. Morreram todas as 187 pessoas que estavam a bordo e mais 12 pessoas que estavam em terra. Fio o pior acidente aéreo do País.&lt;br /&gt;
O segundo maior acidente aconteceu em 29 de setembro de 2006. Matou 154 pessoas que estavam a bordo do voo 1907 da Gol, quando um jato executivo Legacy se chocou com ele em pleno ar. Os ocupantes do Legacy, piloto, co piloto e cinco passageiros sobreviveram.&lt;br /&gt;
Passaram-se então 7 anos do acidente da Tam e 8 anos do acidente da Gol e até agora não temos punições dos culpados nem assistência total aos familiares das vítimas.&lt;br /&gt;
Eu falei com muita gente para desvendar o andamento destes casos e quem me ajudou nesta apuração foi o aluno Marlos Thiago, do curso de jornalismo da Unisuam.&lt;br /&gt;
Vamos começar pelo da TAM. Há um processo em julgamento no Tribunal Regional Federal de São Paulo em que são réus a ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, o ex-vice-presidente de Operações da TAM Alberto Fajerman e o ex-diretor de Segurança de Voo da TAM Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro. Houve a última audiência agora em fevereiro, no dia 14, e só resta esperar a sentença do Juiz da 8ª Vara Criminal Federal em São Paulo, juiz Márcio Guardia. Que está recebendo alegações finais do Ministério Público Federal e do assistente de acusação e posteriormente vai ouvir também os advogados de defesa.&lt;br /&gt;
Quem estava nessa audiência do dia 14 de fevereiro, mês passado, eram o Archelau Xavier e o Dario Scott, vice presidente e presidente da Afivatam, Associação das Famílias do voo da TAM. Eu conversei com eles. Archelau perdeu um filha, que faria 24 anos no dia em que foi enterrada. Dario também perdeu uma filha, que na época era sua única filha, a Thais de 14 anos. O que esta associação quer? Que outras pessoas não sejam vitimas de acidentes semelhantes, como este, o maior do país, causado, segundo eles, os familiares, por descaso das autoridades com a segurança dos aeroportos, E descaso das empresas aéreas.&lt;br /&gt;
Archelau, o vice- presidente da Afavitam, me deu como exemplo da atitude que eles condenam nas empresas aéreas os sete mandamentos da TAM. Quem entrar no site vai ver lá que o primeiro é NADA SUBSTITUI O LUCRO. A segurança só vem em terceiro lugar. Dario Scott, o presidente da associação, comentou comigo que o objetivo maior deles, agora, depois de sete anos, é valorizar a vida e buscar a verdade e a justiça. Eles esperam que a Justiça condene os réus à pena máxima que varia entre 4 e 12 anos de prisão. Dario vive este processo dia a dia e chegou a ver o depoimento de um comandante, chamado comandante Brosco, afirmando que, no dia anterior ao acidente do voo 3054,, quase morreu e matou os passageiros do seu vôo porque não conseguia parar na mesma pista. Segundo Dario, uma pista mal acabada pela pressa de se inaugurar antes dos Jogos Pan Americanos de 2007. A tragédia foi tão grande que o comitê dos jogos decretou luto por três dias e os atletas competiram com faixas pretas nos braços. O que mudou? Segundo Dario, nada. O aeroporto de Congonhas em SP continua operando até hoje sem uma área de escape e na audiência pública que eles fizeram ano passado com a ANAC, Agencia nacional da Aviação civil na Assembleia Legislativa de SP a TAM sequer mandou um representante. Dario conseguiu refazer sua vida, tem um casal de gêmeos de três anos e meio, mas diz que entre os seus parceiros, os familiares das vítimas, muita gente ainda está presa aquele dia em que as suas vidas também se acabaram. A associação dos familiares conseguiu criar um memorial que fica junto ao local do acidente e faz alguns eventos em memória dos mortos, como concertos de música clássica e popular. Eles esperam que o Juiz dê a sentença final ainda neste primeiro semestre.&lt;br /&gt;
Ei perguntei ao Dario sobre indenizações e ele me disse que é um assunto sigiloso por obrigação dos contratos assinados. E fez a pergunta que é quase impossível de responder: quanto vale perder uma filha única?&lt;br /&gt;
E a TAM, o que diz?&lt;br /&gt;
Que familiares de 196 vítimas aceitaram o acordo e ponto final, Na verdade, esses acordos foram feitos por uma Câmara de Indenização criada especialmente. Com assessoria da Defensoria e do Ministério Público ela criou fórmulas para calcular os valores a serem pagos, cálculos que se basearam até em modelos de solução de conflitos extrajudiciais adotados por outros países, como o utilizado para indenizar as vítimas do ataque aéreo de 11 de setembro, nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;
Então o caso TAM aguarda este julgamento previsto para este primeiro semestre de 2014, sete anos depois do acidente, com familiares de vítimas ainda brigando na justiça por suas indenizações. Loquimini Serius. Fala sério na segunda pessoa do plural, Falai sério, em latim para ficar mais solene. Loquimini sérius é isso aí.&lt;br /&gt;
E o caso legacy Gol? O jato executivo era comandado por pilotos norte=americanos que foram condenados. Mas Joseph Lepore e Jan Paul Paladino estão livres, leves e soltos. Procurei a Associação dos familiares e amigos do voo 1907, esse era o número do voo da Gol que foi atingido pelo jato executivo da Legay em 2006. Falei com a Rosane Gutjahr, diretora da associação que perdeu o marido, Rolf, que ia fazer 50 anos. O relato dela foi impressionante. Ela recusou a proposta de um acordo de R$ 5 milhões de reais para poder continuar lutando pela solução do caso. Se aceitasse o acordo, não poderia mais processar ninguém e ela está processando a Gol, os pilotos, e a empresa ExcelAir, dona do jato Legacy. Rosane me falou que quando dizia eu te amo para o marido era de verdade e que pela busca da Justiça vai até o fim. Mesmo, segunda ela, tendo recebido na época uma ameaça do Brigadeiro Keron Filho que dirigia a Cenipa na época, para que ela parasse por que nã época do AI% muita gente tinha desaparecido por muito menos. Loquimini serius de novo!&lt;br /&gt;
A Associação entrou também com um outro processo, sinistro, que julga os responsáveis pela pilhagem dos cadáveres. É aconteceu. O ministério público mandou uma lista de pertences encontrados e esse pertences nunca chegaram à famílias. O celular de um morto foi encontrado em uma loja de conserto de telefones no Rio, para dar uma ideia. O julgamento desta pilhagem que tem como réus a Gol, a empresa fabricante do Legacy e próprio Ministério Público, responsável pelo acompanhamento dos bens, vai ser julgado agora no dia 9 de abril, pelo desembargador Fernando Quadros da Silva, da 3ª turma do Tribunal Regional de Porto Alegre.&lt;br /&gt;
E a culpa por este acidente? Os pilotos foram julgados culpados pela Anac e pelo DECEA, departamento de controle do espalho aéreo, do Ministério da Defesa, por voarem com o tacs aparelho anti colisão desligado, por voarem sem um documento chamado RSVM Reduced Vertical Separation Minimum (RVSM), um documento que comprova que a empresa está autorizada a voar em determinada altura. e por estarem voando fora da altura determinada pelo plano de voo. O julgamento se arrasta e é uma novela. Está atualmente no Superior Tribunal de Justiça, com o ministra Laurita Vaz. Os advogados de defesa dos pilotos conseguiram muitas manobras para adiar o julgamento. A ministra deu uma decisão baseada apenas nos argumentos da defesa e condenou os pilotos a 2 anos e 4 meses em regime semi aberto. As vítimas e o Ministério público recorreram e agora este mês, ela recebeu os argumentos da acusação e pode tomar três decisões: manter a sentença, mudar a sentença ou remeter o processo para a corte. Qual o problema que aflige mais a Rosane e todos os familiares das vitimas: é o processo não prescrever e ele prescreve em meados de 2016. Parece muito tempo? Não para quem está esperando desde 2006.&lt;br /&gt;
E o que diz a Gol. Nada. Ou melhor que a maioria dos familiares das vitimas foi indenizado com acordos e que ainda há processos na Justiça o que requer sigilo.&lt;br /&gt;
Mas a Rosane diz mais. Ela guardou uma entrevista do presidente da Tam, Constantino Filho dizendo que o acidente foi uma turbulência que a empresa já superou e outra dos pilotos, já de volta lá para a terra deles, nos Estados Unidos afirmando que o brasil e uma terá que só tem samba, carnaval e prostituta.&lt;br /&gt;
Além do processo contra a Gol, a fabricante do legacy e os pilotos. Rosane tem outro processo contra Joe Sharkey, jornalista que estava no Legacy e sobreviveu. Ele usou a internet para falar bem mal do Brasil e Rosane ganhou dele uma indenização. De 100 mil dólares. Que ela doou ao Hospital do Câncer. O processo continua, por que Rosane pede uma carta pública de desculpas do Mr Joe aos brasileiros e o advogado dela está indo para os Eua em breve para acompanhar o andamento deste processo.&lt;br /&gt;
Bem, falta o governo né? Como o Governo brasileiro atua nestes casos? Falei com a CENIPA, Centro de Investigação e prevenção da Aeronáutica. Eles me disseram que o trabalho de investigação é realizado com base no Anexo 13 da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), da qual o Brasil é signatário. E que a conclusão das investigações de acidente aeronáutico ocorre com a publicação do Relatório Final no site do CENIPA, contendo, entre outros dados, as recomendações de segurança de voo. A investigação do acidente da TAM) gerou 83 Recomendações de Segurança de Voo. Já a investigação do acidente do GOL e do Legacy gerou 65. Eu perguntei destas quantas foram postas em prática, mas esta resposta eles não me deram. Eles só recomendam, quem cumpre é Anac, infraero, DAC, os responsáveis pelos aeroportos. No caso da área de escape de Congonhas, eu até falei com um amigo meu que foi comandante e voou milhares de vezes no aeroporto. Ele me disse que área de escape é sempre bom, em aeroporto, na estrada, nos autódromos, mas que em Congonhas só se fizerem um viaduto suspenso em cima das avenidas Rubem Berta e Bandeirantes. Então, impraticável, né?&lt;br /&gt;
Pra terminar deixo aqui um pedacinho da Musica Até quando do Gabriel o Pensador. Foi feita para incentivar todos nos a não ser saco de pancada. A lutar, correr atrás dos nossos direitos, como estão lutando os familiares das vítimas. Vou me despedindo, acessem o facebook que fim levou durante a semana com as suas sugestões. Até sexta que vem, fui!</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/04/acidentes-aereos-brasileiros.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-1595913644453207749</guid><pubDate>Fri, 21 Mar 2014 07:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:36:12.513-07:00</atom:updated><title>Vigas da Perimetral - Parte 2</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que fim levou de hoje tem o título E a viga continua! Poderia também colocar como subtítulo um ditado que minha avó usava. Porta arrombada, cadeado nela! Para se referir a tudo que, depois de estragado é que se vai tomar alguma providência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;Relembrando, semana passada nosso tema foi o furto das vigas da Perimetral em que o inquérito rola da Delegacia de Roubos e Furtos e nada se apurou até agora, sete meses depois do dia em que, pelas fotos de satélite, as seis vigas que estavam em um terreno próximo o Cais do Porto foram surrupiadas. Mas naquela minha apuração, foi levantada outra polêmica: a Prefeitura estar vendendo a preço de banana um material valioso. Boechat até disse que preferia o ladrão!!!&lt;br /&gt;
Então eu acho que virei a rainha da viga, a musa da viga ou alguma coisa assim, pois ao que tudo indica, a nossa divulgação aqui e a determinação de um engenheiro, João Thomaz Araújo, presidente do sindicato de Volta Redonda, acabaram dando uma reviravolta na história. Anuncio em primeira mão que a Prefeitura vai utilizar as vigas em obras na cidade, para reduzir seu custo, exatamente como era a proposta do engenheiro João Thomaz desde antes do primeiro leilão. Neste leilão, realizado em 21 de novembro, 384 vigas foram vendidas a R$ 520,00 a tonelada quando, segundo o João Thomaz Araujo, o valor de compra de uma tonelada na CSN é de R$ 12 mil. Cerca de 24 vezes mais.&lt;br /&gt;
Agora vejam só! O presidente da CDurp, companhia de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura, que toca as obras do Porto Maravilha, o também engenheiro Alberto Silva, ligou para mim para anunciar a novidade, anunciar esse reaproveitamento que nunca tinha sido falado, né?. E eu fui detalhar o assunto com a Secretaria Municipal de Obras.&lt;br /&gt;
Cerca de 135 vigas da Perimetral serão reaproveitadas nos reservatórios que estão sendo construídos para captar águas das chuvas na Rua Heitor Beltrão e nas praças Niterói e Varnhagen, na Tijuca. Nesta quarta-feira, anteontem, as vigas começaram a ser cortadas e transportadas. E o presidente da Cdurp fez questão de ressalvar que elas vão ficar armazenadas em um local seguro até o uso.&lt;br /&gt;
As vigas, que nesse caso da obra dos piscinões subterrâneos, variam de 26 a 42 metros de comprimento, vão ser tratadas e recuperadas para se adequar a esse novo uso que é a sustentação das lajes que tamparão os reservatórios. Se a prefeitura tivesse que adquirir novas vigas no mercado ia desembolsar um valor em torno de R$ 52 milhões.&lt;br /&gt;
Segundo a Fundação Rio-Águas, que toca essa obra, a economia vai ser de exatos R$ 38 milhões e 500 mil. Os R$ 52 milhões que se gastaria para compra novas menos R$ 13milhoes e meio, custo estimado do beneficiamento e do transporte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra novidade é que a A Cdurp, criou um controle para registro da saída das vigas dos canteiros de obras da Perimetral. A cada saída, agora é emitido um documento que contém quantidade e centimetragem das vigas transportadas, numeração individual dessas vigas, assinatura de responsável da gerenciadora da obra (contratada pela Cdurp), assinatura do responsável pela empresa de destino das vigas, placa do caminhão, nome do motorista, data e hora da saída. Esse mecanismo vai permitir a segurança e o rastreamento das vigas da saída ao destino para controle da prefeitura. Agora loquimini serius, fala sério! Por que não fizeram isso antes do roubo das vigas??? E por que só agora anunciam esse reaproveitamento?&lt;br /&gt;
Vamos lembrar que na semana passada eu também informei que o presidente do sindicato dos engenheiros de volta redonda, o João Thomaz Araujo, entrou com um requerimento no MP, solicitando investigação de improbidade administrativa do Prefeito Eduardo Paes pelo mau uso dessas vigas e que ele me disse que os prefeitos de Volta Redonda e Barra Mansa tinham pedido as vigas, antes do primeiro leilão, para obras em suas cidades e ficaram chorando quando viram elas serem leiloadas baratinho.&lt;br /&gt;
Vamos por partes. Ministério Público – o requerimento denunciando a destinação das vigas para sucateiros e a falta de projetos para reutilização foi feito em 24 de outubro.&lt;br /&gt;
O promotor da 8ª Promotoria de Tutela Coletiva da Cidadania convidou o Dr. Alberto Silva para uma reunião no dia 19 de novembro, três dias antes do leilão que aconteceu dia 21 de novembro e 5 dias antes da implosão que aconteceu no domingo, dia 24 de novembro.&lt;br /&gt;
Eu consegui a Ata desta reunião que mostra que o Dr. Alberto Silva, presidente da Cdurp tinha pensado sim em usar as vigas em obras da cidade. No depoimento, ele alega que as obras citadas pelo presidente do sindicato dos engenheiros de volta redonda, João Thomaz que entrou com o requerimento, não são viáveis e que tinha recebido da Secretaria Municipal de obras a informação de que ela poderia aproveitar somente entre 50 e 70 vigas e mesmo assim em obras no segundo semestre de 2014. Loquimini serius, então mudou tudo, pois agora as vigas, não 50 ou 70, mas 135 vigas, já estão sendo cortadas e transportadas para a Tijuca. O promotor não encerrou o caso. Enviou o inquérito para o Gate, Grupo de Apoio Técnico Especializado, que é o órgão do ministério público que pode dar um parecer técnico confirmando ou não as afirmações dos envolvidos.&lt;br /&gt;
Na conversa comigo, o presidente da CDURP, Alberto Silva falou que é preciso pensar diferente em termos de economia, pois a demolição da Perimetral e o projeto do Porto Maravilha trarão muitos benefícios à cidade, que representam também economia. Citou por exemplo, pesquisa da Fundação Dom Cabral, uma escola de negócios, com cursos de pós graduação e MBA para executivos, considerada a melhor da América Latina. No Rio, esse custo é de R$ 5 bilhões .593.526.400,00/ano. Como é que calcularam? Fizeram uma fórmula que leva em conta o Impacto do gasto a mais com combustível e emissão de poluentes. Por pessoa, no RJ o custo de engarrafamentos foi calculado em R$ 7.662,23 por pessoa. A pesquisa mediu também o tempo médio de congestionamento nas cidades desde 2004. No Rio, chegava a uma hora e 12 minutos em 2009, com projeção de ultrapassar uma hora e meia em 2012.&lt;br /&gt;
O presidente da Cdurp acha que este custo será reduzido com a obra da Perimetral que já devia ter sido feita há anos para evitar engarrafamentos. E ainda põe na conta, a favor da Prefeitura, toda a recuperação dos prédios antigos que o projeto está fazendo na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E os pedidos das cidades de usar as vigas que o engenheiro Araujo, do sindicato de Volta Redonda, me disse que ficaram sem resposta? A Cdurp respondeu sim. A consulta foi feita ao Governador Sérgio Cabral pela deputada Inês Pandeló, por e-mail. O governador reenviou a mensagem dela para o Secretário de Obras Alexandre Lima que passou a pergunta para o presidente da Cdurp, Alberto Silva que respondeu à deputada também por e-mail em 1º de novembro, dizendo que era preciso ter projetos viáveis e levar em consideração os custos de transporte e armazenamento. Mas essa resposta não chegou aos prefeitos interessados.&lt;br /&gt;
O prefeito de Volta Redonda, Antonio Francisco Neto, está só aguardando essa resposta para arcar com o custo do transporte e levar as vigas para construir uma ponte de 400 metros de extensão cruzando o Rio Paraíba do sul, para beneficiar dois bairros. O engenheiro que projetou a ponte , Hildoni Deley calcula que usando as vigas, haverá 30% de redução no custo da obra, que é de R$ 60 milhões, que faz parte do PAC Mobilidade Urbana e prevê ainda três viadutos. O professor Hildony calcula o custo do transporte de cada viga em R$ 3mil a tonelada quando para comprar uma nova gastaria R$ 12mil por tonelada, fora a diminuição do tempo de construção. É muita coisa, segundo ele, porque as vigas, o material estrutural, representam cerca de 50% do valor de uma obra deste tipo. Além disso, a cidade de Volta Redonda tem um histórico na utilização das estruturas metálicas em obras de engenharia civil, então a ponte ainda combinaria como visual arquitetônica da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E Barra Mansa? O secretário de Planejamento da cidade, Ronaldo Alves, me falou que tem muito interesse nas vigas também para a construção de uma ponte. Seriam 9 vigas para uma ponte de 75 metros cruzando o mesmo Rio Paraíba do Sul. Ele me disse que a o Prefeito Jonas Marins Aguiar chegou a conversar com o vice-governador Pezão sobre o assunto logo que souberam da implosão, mas logo em seguida veio o leilão, e não recebeu resposta.&lt;br /&gt;
E quando eu falei que a Cdurb informa que pode doar sim para as prefeituras que quiserem, o Prefeito de Barra Mansa, Jonas Marins Aguiar, disse que vai ligar para a Cdurp e pedir as vigas. O Secretário ainda disse que quando inaugurar a ponte, vai colocar uma plaquinha com o meu nome na ponte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem participou da apuração do Que fim levou de hoje foi Alexandre Lima, estagiário do curso de Jornalismo da Unisuam e foi ele quem me lembrou uma ótima música para Reflexão. A música é a marchinha que ganhou este ano o concurso de Carnaval que a Fundição Progresso já faz há nove anos. &quot;Cadê a Viga&quot;, de Cassio e Rita Tucunduva, beijo fui!</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/04/vigas-da-perimetral-parte-2.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-3630814782509219481</guid><pubDate>Sat, 15 Mar 2014 04:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:35:52.593-07:00</atom:updated><title>Vigas da perimetral</title><description>&lt;span style=&quot;font-family: inherit; text-align: justify;&quot;&gt;Que fim levou o furto das vigas da Perimetral? Esse é o nosso tema de hoje. Afinal, ontem, dia 13 de março, o sumiço completou 7 meses. Primeiro o caso eu conto como o caso foi.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Na primeira fase da derrubada do viaduto da Perimetral para a modernização e embelezamento da zona portuária do Rio, foram retiradas 18 vigas de aço especial. Destas, seis foram para um terreno perto da Avenida Brasil, que serve de depósito para as obras de revitalização do Cais do Porto, sob responsabilidade da concessionária Porto Novo, licitada pela Prefeitura. No dia 9 de outubro, o Bom Dia Brasil deu a notícia do furto. Neste mesmo dia, a Prefeitura encaminhou uma notícia crime à Polícia Civil. No dia 11 de outubro a Delegacia de Roubos e Furtos abriu o inquérito. Durante as investigações, examinando as imagens de satélite verificou-se que até 10 de junho elas estavam lá. A próxima imagem feita do local, do dia 13 de agosto, já mostra o terreno sem as vigas. Então 13 de agosto, dia sinistro, agourento, pode ser dado como o dia da constatação do sumiço, sete meses atrás.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Eu procurei saber exatamente que vigas são essas e para isso fui conversar com o engenheiro agrônomo Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro, o CREA. Ele me explicou que essas vigas são precursoras do avanço da tecnologia brasileira na fabricação siderúrgica, pois têm resistência de até três séculos e meio à ferrugem. Elas foram fabricadas na nossa siderúrgica CSN de Volta Redonda. Antes, eram todas importadas dos Estados Unidos. Foi um feito histórico. Há mais ou menos 40 anos, enquanto se desenvolvia o projeto da Perimetral, a Companhia Siderúrgica Nacional desenvolvia o projeto das vigas, porque elas estariam à beira mar, sujeitas à corrosão. Se fossem feitas de aço comum, o Dr. Guerreiro falou que a manutenção custaria tão caro que não valeria à pena. Na composição das vigas entram alguns metais muito caros, como o cádmio e o nióbio que dão a elas a característica de resistência geral e de resistência especial à ferrugem. Um detalhe, gente, é que não é exatamente que elas não enferrujem. É que elas criam uma crosta de ferrugem de alguns milímetros e isso vira como que uma casca que protege, que impede a entrada de oxigênio e aí sim impede também que os sais marinhos misturados com o oxigênio formem a corrosão. Uau Por isso é que elas duram de três a 4 séculos.. Ai,Como eu tô científica. O aço se chama aço corten e é usado também em esculturas e monmentos. Aqui no Brasil pode ser visto, por exemplo na estrutura da Catedral de Brasília,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;O Dr. Agostinho Guerreiro qualificou a fabricação destas vigas, naquele tempo, a década de 70, de um grande feito e compartilhou comigo a perplexidade de ver, que em apenas meio século, menos de meio século, né, elas já se encaminharam para a destruição, de uma forma criminosa e com os envolvidos e responsáveis sem dar explicações pra nós, os donos das vigas!.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Como presidente do CREA, pelo absurdo que representou o furto e porque, segundo ele, o estatuto do conselho prega que é obrigação da classe trabalhar em benefício da sociedade, ele esteve várias vezes no local de onde foram furtadas as vigas. E conversou com pessoas que viram como elas foram levadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Eu aproveitei os grandes conhecimentos técnicos dele e essa, vamos dizer assim investigação privada, para a gente tentar reconstituir a cena do crime. Vamos lá. Tchan tchan tchan tchan.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Em primeiro lugar, Boechat, fica claro que as vítimas foram esquartejadas. Sem brincadeira. O presidente do CREA. Dr. Agostinho Guerreiro, tem certeza que as vigas foram picotadas com maçaricos para ficar em tamanhos menores de cerca de 1,5 a 2m de comprimento, mantendo sua largura que era de mais ou menos 1,20m. Isso por que? Para caberem em caminhões guindastes capazes de eles mesmos elevarem estes pedaços do solo. Caminhões especiais que fazem este serviço de levantamento de carga pesada sem precisar daqueles guindastes enormes que chamam muita atenção. Este tipo de caminhão tem duas partes e um espaço no meio onde se encaixa a carga e o espaço é mais ou menos deste tamanho, de 1 metro e meio.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Por isso o Dr Guerreiro acha que as vigas foram cortadas neste tamanho. Então, cada viga de 40 metros roubada, cortada neste tamanho, vamos dizer de 2 m rendeu 20 pedaços de 1 tonelada cada. Prestenção. Como eram seis vigas, ficamos com 120 pedaços, cada um com 1 tonelada. Dr. Guerreiro calcula que entre cortar com o maçarico e carregar os caminhões não demorou menos que três ou até quatro dias essas operação do furto. Três ou quatro dias !!!!! Dr Agostinho Guerreiro disse que as pessoas que deram depoimento ao Crea viram isso, esse movimento, durante dias, mas pensavam que era parte do trabalho da empresa Porto Novo, a que trabalha normalmente para o desmonte da perimetral.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Nosso Sherlock Holmes, quer dizer o Dr Agostinho Guerreiro , então me disse, Watson, é claro que toda essa logística custa muito dinheiro. Um homem sozinho não faz esse trabalho. Ele foi planejado e além do mais ele foi planejado não foi para vender as vigas para o ferro velho, foi para elas serem derretidas em uma siderúrgica e depois moldadas de novo em um material necessário como anticorrosivo, pois só assim teriam um valor que compensasse todo esse custo e esta logística e este risco! Aha. Quem seriam os receptadores do furto? Fabricantes de embarcações, de pontes, construtores de obras à beira mar. E por onde as investigações deveriam estar? Elementar, Meu caro Watson. Pelas empresas que alugam caminhões guindastes, pelas fundições.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Bem, é claro que eu fui correndo apurar melhor essa matéria e para isso contei com a participação da Renata Nolasco, aluna do 4o período do Jornalismo da Unisuam do campus de Bonsucesso. Primeiro, eu liguei para a Polícia que é paga por nós para investigar. Quem começou no caso foi o Rodrigo Santoro. Calma. Não o ator, o delegado Rodrigo Santoro. Na época, ele deu entrevistas, informando que tentou obter mais informações sobre o caso por meio de imagens de câmeras de monitoramento da CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego do município), mas eles não mantém um arquivo com os vídeos, então nada feito. Na mudança geral que ocorreu com a saída da Marta Rocha, não a miss, mas a chefe da polícia civil do Estado do rio, Saiu o Rodrigo Santoro da e entrou no caso o Marcio Braga, não o dirigente do Flamengo, mas o novo delegado da Delegacia de Roubos e Furtos. Ele está no caso há um mês, mas ainda está analisando e não se sente apto a falar com a imprensa, NEM MUITO MENOS A DAR SATISFAÇÕES À SOCIEDADE. Então resume-se a informar, através da assessoria de imprensa, que foram analisados os GPS dos caminhões da empresa que trabalha com os guindastes na retirada das vigas e que foram ouvidas 16 pessoas. 16 pessoas. Ui titia. Então ficamos assim: 7 meses se passaram, e é isso aí. Temos que utilizar a expressão que eu criei especialmente aqui para o Que fim levou Loquimini Serius. Falais Sério. Fala sério na segunda pessoa do plural e em latim Loquimini Serius, para dar mais solenidade à nossa indignação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Não me conformei não e corri atrás de um detetive particular. Um não, o maior do Brasil! Bechara Jalkh. O homem é uma lenda. Ele é libanês, filho de mãe brasileira e já tem mais de 80 anos, mas nunca foi desbancado. Desvendou milhares de crimes com inteligência e ainda trabalha na área de investigação de crimes empresarias. Criou até um curso de detetives por correspondência que formou mais de 150 mil! Bem o Bechara me falou que esse caso não vai demorar só esses 7 meses para ser resolvido. Vai demorar mais de 7 anos. Sabe por que, por que tem um culpado muito forte. Ou melhor, uma culpada. A corrupção. Olha o que ele falou. Simplesmente não é possível que, com tantos métodos modernos, um crime que leve tanto tempo para cortar e transportar o fruto do furto não seja descoberto tanto tempo depois. O que acontece é que quem está investigando acaba se envolvendo e está sendo comprado. No Brasil em todos os setores, municipal, estadual e federal, onde se investiga tem corrupção. Ele me disse que é isso o que ele vê no trabalho que realiza atualmente para clientes empresariais no setor de fraudes, problemas tributários, tentativas de extorsão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Como detetive falou que seria fácil , facílimo investigar este caso, verificando as empresas que alugam caminhões capazes de transportar o furto que não são muitas no Rio, investigar também as outras capazes de fundir as vigas e também e principalmente e rapidamente as imagens das câmeras das vias por onde mais obviamente passaram os caminhões. Ele até brincou. Para a Vieira Souto e para a Rua do Ouvidor, né Belisa Ribeiro é que eles não devem ter ido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Então meus amigos, para o maior detetive do Brasil, Bechara Jalkh, o crime está solucionado. Segundo ele, corrupção e roubalheira são as culpadas pelo sumiço das vigas da Perimetral! Loquiminis serius. Falais serio. Fala sério&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Conversei também com o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, e um dos maiores peritos do Brasil, Nelson Massini, formado em medicina e direito, que desvendou alguns dos maiores crimes ocorridos no Brasil (reconstruiu a face do crânio do nazista Josef Mengele/ Exumou o corpo do guerrilheiro Carlos Lamarca, por exemplo, reabriu os casos dos assassinatos de Stuart Angel Jones e de Zuzu Angel. Fez o laudo da morte de Chico Mendes e reabriu o caso do assassinato de PC Farias e a namorada Suzana Marcolino da Silva), E antes de ele me dar detalhes jurídicos, foi logo dizendo isso, que é um total desrespeito até hoje uma autoridade não ter vindo a público dar uma satisfação sobre este caso que considera o maior roubo da história do Rio de Janeiro. Ele também acredita em corrupção olha só o que ele me falou: parece que há forte ligação dos mandantes com gente da Prefeitura ou com grupos ligados aos terceirizados pela Prefeitura porque não é possível não conseguirem localizar. Ainda nas palavras do Professor Nelson Massini, o roubo foi feito para que essa liga nobre fosse derretida e poucas fundições que existem podem fazer isso. E ele ainda comentou que hoje, em qualquer ataque de bandidos, a polícia logo sabe o nome, divulga a fotografia... então ele concluiu que a impressão que fica para todos é que há interesse em ocultar e até citou o ex-presidente Jânio Quadros que falava nas Forças Ocultas. Com ele, além dessa aula de como falar sem papas na língua, aprendi que o crime é o de furto qualificado e o artigo a que ele corresponde no Código penal é o 155 com pena variando de 3 a 8 anos de prisão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;E o que dizem as “otoridades” e as empresas? Vamos lá.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Porto Novo – a que fazia e faz o trabalho de derrubada da perimetral e portanto de retirada das vigas. Muda. Calada. Transreta A dos caminhões guindaste que carregam as vigas. Muda. Calada. Liguei e as comunicadoras respondem que as empresas estão colaborando com o inquérito ou barbaridades que nem a da Transreta que os juízes mandaram não falar nada. Se nem tem processo ainda que juízes são esses? Olha é muita falta de respeito não é com a locutora que vos fala. É com a sociedade, é com todos nós. As empresas nem se preocupam em dar uma resposta coerente. É dane-se o patrimônio público, dane-se que já se passaram sete meses e não se descobriu nada, dane-se.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;E a Prefeitura? Vamos começar pelo prefeito Eduardo Paes que achou bacana levar um pedaço da viga para a casa dele. Tem gente que quando eu falo sobre isso pensa que é brincadeira minha. Não é. O prefeito mandou levar um pedaço de viga para a residência oficial da Gávea Pequena como um marco representativo do processo de revitalização da região portuária. Perguntei se ele pediu autorização para alguém, a assessoria disse que não precisa porque como o bem é público e a casa é pública não precisa. Perguntei de qual orçamento saiu o pagamento do transporte do tal marco representativo e qual foi o custo. Não responderam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Sobre o furto, a prefeitura informou que a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa da própria Prefeitura, gestora da operação urbana do Porto Maravilha, abriu um processo no dia 9 de outubro, dia em que foi divulgado o furto das vigas. E que a Cdurp publicou no Diário Oficial do Município um ofício de apresentação de defesa da concessionária Porto Novo, estabelecendo prazo de cinco dias para a resposta. A Prefeitura me informou que o prazo foi cumprido pela concessionária, mas que Cdurp aguarda conclusão do inquérito policial para consolidar o seu parecer final. Ora eu acho que a gente merecia saber logo o que consta nessa defesa, vocês não acham?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Mas o pior de tudo eu deixei para o final. O valor que a Prefeitura pretende cobrar de multa da Porto Novo. Vai ser menos de 60 mil reais. Porque a Prefeitura vai calcular de acordo com o valor da tonelada atingido no leilão das primeiras 384 vigas concluído em novembro do ano passado, que foi de R$ 520 reais a tonelada. Isso que a prefeitura colocou o valor base a r$ 320,00)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;Os profissionais de engenharia estão gritando contra isso Boechat, estão revoltados, estão esperneando mesmo. Eu conversei com o engenheiro João Thomaz Araújo, presidente do sindicato do Engenheiros de Volta Redonda, o Senge VR. A avaliação dele é de que asa vigas furtadas valem bem mais que 60 mil reais. Segundo ele o valor de mercado delas é de quase R$ 1 milhão e meio de reais. Isso porque o preço da Cada tonelada do material destas vigas custa R$ 12 mil reais no polo siderúrgico de Volta Redonda. Se cada uma tinha 20 toneladas, valia R$ 240 mil reais, multiplicado por seis, que foram seis a furtadas chegamos a !R$ 1 milhão 440 mil reais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;O presidente do sindicato dos engenheiros de Volta Redonda , João Thomaz Araujo me disse que a prefeitura está vendendo filé mignon como carne de segunda, e que o leilão foi praticamente uma doação. Ele está fulo da vida. Considera o não reaproveitamento das vigas um retrocesso à economia verde e uma vergonha para a engenharia, Disse que com essas vigas poderiam ser feitas muitas obras e que elas deveriam ser guardadas para serem usadas em obras na própria cidade do Rio de Janeiro, como, por exemplo, na expansão do Elevado do Joá, que é uma das exigências do (COI) para a realização das Olimpíadas de 2016. Mas ele fez uma denúncia muito grave. Que desde agosto, antes da retirada da primeira viga, ele formou um grupo de trabalho e apresentou ao prefeito Antonio Francisco Neto projetos de reaproveitamento das vigas para serem levados ao Prefeito Eduardo Paes. Nunca foram ouvidos. Também a cidade de Barra Mansa tentou pedir as vigas para projetos, segundo ele e não foi ouvida. Em 23 de outubro o engenheiro João Thomaz Araujo enviou ao Procurador Geral do Ministério Público do Rio de Janeiro um requerimento, pedindo que se apurasse improbidade administrativa na venda das vidas a preço de sucata. E não desistiu da luta. Em dezembro participou com o seu grupo de audiência pública com a Agência Nacional de transportes Terrestres em que de novo defendeu que as 600 vigas que ainda não foram leiloadas sejam reutilizada apresentando desta vez a sugestão de que sejam usadas na construção dos 8 km da terceira pista que será feita na Serra de Araras, obra estimada em mais de 1 bilhão de reais. Ele calcula que o uso das vigas pode reduzir o custo em quase 40%.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;É isso aí. Vocês ficam com a musica para reflexão e eu fico com vocês durante a semana no facebook Que fim levou, pagina feita pelo aluno Vinícius Melo, do 7º período do jornalismo da Unisuam. Entra lá e dá a sua sugestão sobre o que você gostaria de ver abordado aqui na coluna. A música para reflexão é o samba enredo de 1988 do Império Serrano. Fala sobre a fusão da antiga Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro e usa o termo FUNDIRAM TODA A COMPETÊNCIA, apropriado para o caso das vigas, vocês não acham? E o título é Para com isso, dá cá o meu. Beijo, Fui!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: inherit;&quot;&gt;
&lt;/span&gt;</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/03/vigas-da-perimetral.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-5794291200819521439.post-7234023733286501786</guid><pubDate>Fri, 07 Mar 2014 23:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-20T06:35:37.503-07:00</atom:updated><title>Bicheiros</title><description>&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Que fim levou o combate ao jogo do bicho no Rio de janeiro? Esse é o nosso tema de hoje.&amp;nbsp; Afinal, o Carnaval deste ano marcou a volta dos grandes nomes do jogo do bicho ao Sambódromo, depois de anos de ausência, não foi? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Estavam lá Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães (ex-presidente da Liga das Escolas de Samba); Luiz Drummond, o Luizinho (da Imperatriz Leopoldinense); e Rogério Andrade (da Mocidade Independente de Padre Miguel), que há mais dez anos não aparecia na Sapucaí. Só faltou Aniz Abrahão David, o Anísio, da Beija-Flor, que semana passada estava internado no CTI do Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, mas já está em casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Os mais velhos, setentões, Capitão Guimarães e Luizinho foram discretos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Rogério Andrade, que tem 50 anos, sobrinho do lendário bicheiro Castor de Andrade, escancarou geral. Foi a todos os desfiles de sexta a segunda, vestido a rigor, ou seja de branco, aquela calça branca típica, com sapato de couro, e gastou, entre a compra de camarotes e bufes com petiscos de luxo e champanhe francês um valor estimado em R$ 500 mil ou seja a bagatela de meio milhão. Enfim se esbaldou, com um castor, símbolo da família, decorando a parede, muitos seguranças em volta e uma loura peituda a tiracolo, é claro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Qual o problema? Ah, o problema é que todos os grandes nomes do jogo do bicho estão respondendo a processos criminais que duram anos e anos e anos na Justiça. E não envolvem apenas o inocente jogo do bicho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Eu fui apurar essa matéria para o Que fim Levou com o auxílio luxuoso do Alexandre Lima, aluno do 6º período do curso de comunicação social /jornalismo, do campus de Bonsucesso da UNISUAN&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Então vamo lá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Primeiro, gente, eu conto o caso como o caso foi, falando do episódio mais recente, o que gerou a operação Dedo de Deus. Uma ação espetacular. Eu confirmei com o delegado Glaudiston Galeano, da Corregedoria Interna da Polícia Civil, a Coinpol. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Depois de receber 60 mandados de prisão preventiva e 125 mandados de busca e apreensão, eles foram pra rua, no dia 15 de dezembro de 2011, com 120 delegados, 680 agentes, 300 carros e dois helicópteros. Eles também estavam acompanhados de cinco promotores de Justiça. Dos 60 mandados de prisão foram cumpridos 51 e ainda foram presas mais 6 pessoas em flagrante. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;A operação aconteceu simultaneamente no Rio, na Bahia e em Pernambuco. E apreendeu um dinheirão. Mais de R$ 4 milhões de reais em dinheiro, 26 carros de luxo avaliados em mais de R$2 milhões, além de joias e quadros. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;O delegado Glaudiston tem certeza que essa operação foi sem dúvida a maior da história contra o jogo do bicho e que os seus resultados foram muito positivos, também, sem dúvida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;E quando eu perguntei pra ele o que todo mundo pergunta, por que, em tão pouco tempo os bicheiros estão de volta na rua e sambando no sambódromo ele respondeu Melhor dirá o Poder Judiciário Fluminense. E ainda acrescentou que a Policia Civil deflagrou, para usar a linguagem dele, no dia 31 de janeiro do ano passado, a operação Dedo de Deus 2 (DDD2), tendo como base os dados coletados nas apreensões de documentos, planilhas, computadores e mídias em geral, ou o escambau, com o eu acho que o Boechat diria, arrecadados&amp;nbsp; na Operação Dedo de Deus. Então com base em tudo isso, a polícia pediu prisão preventiva de vários outros envolvidos com o que eles chamam de a máfia do jogo do bicho além de nova busca e apreensão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;E o que acontece? Somente foi deferida pela Justiça parte da representação pela busca e apreensão. E todas as prisões que a polícia solicitou foram negadas integralmente pelo Promotor de Justiça Criminal e pelo magistrado da Comarca de Teresópolis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Senti que o delegado Glaudiston estava com vontade de usar uma expressão que eu vou adotar aqui no Que fim levou. Loquimini serius. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Sabe o que é Mariana? Sabe Jonathan?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;É Falais serio em latim. Falais sério na segunda pessoa do plural, vós&amp;nbsp; para ficar mais sério e em latim para ficar mais sério ainda. Loquimini Serius!!!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Eu que fiz essa versão livre para a gente usar aqui no Que fim levou, vamos adotar Loquimini serius.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;A ação mais espetacular dessa operação Dedo de Deus, acho que todo mundo lembra, foi a invasão da cobertura do Anísio Abraão Davi, o patrono da Beija Flor, na Av. Atlântica, com helicóptero sobrevoando, uma coisa. Mas o homem já havia se evadido, para usar o jargão do noticiário policial. Depois ele chegou a ser preso em dezembro de 2012, mas por muito pouco tempo e está solto mediante um Habeas Corpus. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Eu conversei com o advogado dele, Ubiratan Guedes, que disse que a defesa foi muito simples por que jogo do bicho não é crime, é contravenção e que a polícia deveria se preocupar com outra coisa por que tem fila de gente para jogar na mega sena, um jogo promovido pelo Governo Federal, tem o Ronaldo fenômeno na televisão anunciando campeonato de pôquer, então por que combater o jogo do bicho, hein? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Ubiratan Guedes lembrou as marchas da maconha e a campanha pela legalização e disse que preferia ver uma campanha pela legalização do jogo. Ele está ansioso pela retomada dos trabalhos no Congresso, agora depois do Carnaval, pois está na pauta a apreciação de um projeto de lei, mais um por que existem muitos, para isso, legalizar o jogo do bicho. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Os empresários ligados a atividades como bingo, cassino e apostas esportivas vão pedir aos parlamentares uma audiência pública para apresentar seus argumentos. O principal é que eles dizem que, ao legalizar o jogo do bicho, o governo poderia arrecadar até R$ 60 bilhões por ano com impostos, baseados em dados de um estudo do Boletim de Novidades Lotéricas, BNL, um blog dedicado a notícias sobre tudo que é espécie de jogo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Segundo o BNL, enquanto as loterias operadas pela Caixa Econômica Federal movimentam pouco mais de R$ 11 bilhões de reais por ano, os jogos ilegais chegam a quase R$ 19 bilhões de reais&amp;nbsp; - 70% a mais. E enquanto as casas lotéricas não chegam a 15 mil em todo o país, segundo este blog, são 350 mil os pontos de bicho no Brasil, atraindo nada menos que 20 milhões de apostadores por dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Mas , enquanto a audiência pública do Congresso sobre a legalização do jogo não vem, vamos falar de audiência em processo na Justiça. Nada. Nada Nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;O Ministério Público encaminhou a denúncia resultante da Operação Dedo de Deus à Justiça em dezembro de 2011. A denúncia foi oferecida pela promotora Angélica Glioche.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;De acordo com esta denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, GAECO, do Ministério Público ao Juízo da Vara Criminal de Teresópolis, Município onde começaram as investigações, “a prática do jogo do bicho não se sustenta sem a prática de crimes desenvolvidos pela quadrilha, principalmente os&amp;nbsp; de homicídio (qualificado) e corrupção de agentes públicos, o que é de conhecimento de todos os denunciados”. Estou lendo aqui na denúncia. E entre os denunciados estavam vários policiais militares, policiais civis e um guarda municipal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Entre os denunciados estão os Policiais Militares Luiz Cláudio Laudino (PM Laudino), lotado no 22º BPM (Maré); Marco Antônio Coelho Anchieta (&quot;Marquinhos do Gás&quot;), lotado no BPChoque; o Policial Civil Eduardo Murilo Dantas Sampaio (“Comissário Dudu”), lotado na 64ª DP (Vilar dos Teles); o Guarda Municipal Aramis Lafere Mesquita, que estava cedido à Delegacia de Duque de Caxias; e o ex-PM Almir José dos Reis. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Que fim levou esse processo iniciado três anos atrás?&amp;nbsp; Perguntei ao Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro e a explicação foi a seguinte: a Vara criminal de Teresópolis é uma única para atender a todo tipo de crime, a processos de&amp;nbsp; família também, processos cíveis, então já viu, né, acumula. Para piorar a situação, esse processo tem 55 volumes e 60 réus, imagina o que tem de advogado e de recurso... De qualquer forma, o processo andou um pouquinho. Já virou uma ação penal no Rio de Janeiro e teve uma sentença de absolvição sumária de 12 réus por falta de provas. Tentei falar com o juiz responsável, que no caso é uma juíza, Myrian Terezinha Rangel Cury . Mas como o processo corre em sigilo, a juíza por lei não pode se manifestar sobre o caso. Vamos aguardar os próximos capítulos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Até por que essa é uma das novelas mais longas da história! E é importante a gente lembrar que as grandes ações contra o jogo do bicho começaram há muito tempo. Uma ação que ficou na história aconteceu há mais de 20 anos, tendo à frente a juíza Denise Frossard. Uma mulher corajosa pra danar. Esse caso foi notícia no mundo inteiro e ainda é relevante hoje. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;No dia 21 de maio de 1993 aconteceu o que ninguém esperava. Os 14 maiores banqueiros do jogo de bicho que atuavam no Rio de Janeiro foram condenados à prisão. Era uma coisa inédita, porque eles circulavam nas rodas, eram totalmente donos das escolas de samba, viviam cercados de artistas, políticos e até gente da alta sociedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;É histórico que a polícia dos Estados Unidos só conseguiu prender o mafioso Al Capone&amp;nbsp; por causa de fraude no Imposto de Renda, não é? Pois então. A Juíza Denise Frossard também deu um pulo do gato. Ela conseguiu condenar os bicheiros por formação de quadrilha autônoma, uma tese baseada em um artigo do código penal de 1940 que nunca tinha sido usado e fundamentada em decisões da Justiça italiana.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;O Alexandre, nosso estagiário da Unisuam fez um levantamento completo do caso, do nome e do histórico de todos os presos, bicheiros de porte. Muitos deles já morreram, nomes como, começando pela Mocidade Independente de Padre Miguel, Castor de Andrade, morto de morte morrida e Paulinho Andrade, seu filho, assassinado na guerra que houve por seu espólio. Maninho do Salgueiro assassinado. Miro Salgueiro morrido de morte natural. Nesse processo também estavam Carlinhos Maracanã da Portela, Anizio da Beija Flor, José Caruzzo Escafura (o Piruinha) e Antônio Petrus Kalil (o Turcão, ligado à Estácio de Sá&amp;nbsp; ) e Capitão Guimarães da Vila Isabel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Os bicheiros ficaram presos relativamente pouco tempo. Foram soltos através de recursos de seus advogados e a sentença foi modificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que reduziu a pena. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Eu conversei com a juíza Denise Frossard. Perguntei a ela: Será que então nada valeu a pena? Ela me disse que não cabe aos legisladores fazerem essa avaliação. Que a questão de um processo na visão de quem está na Justiça é outra. O Juiz tem que fazer o que deve ser feito, independentemente dos resultados. E usou uma frase bonita: É o imperativo obrigatório de Kant, referindo-se ao grande filósofo Immanuel Kant. E completou afirmando que as avaliações de valeu ou não valeu ficam para historiadores e sociólogos, não para os operadores da Justiça. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Mas o nosso Que Fim Levou aqui acha que sim. A coragem do enfrentamento daquela época foi um marco comparável ao marco em que hoje pega os políticos corruptos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Olha só Mariana, Jonathan, pessoal. Na audiência final do julgamento do mensalão, agora, mês passado, o ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal analisando o que é uma quadrilha foi buscar um acórdão de 1993, referente ao processo da Denise Frossard contra os bicheiros. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Então, alguma coisa evoluiu. Como me disse a juíza Frossard, o processo provocou uma discussão que nunca tinha havido no Brasil. Elevou o nível da discussão jurídica, com teses importantíssimas sendo levantadas, questões processuais importantíssimas sendo discutidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Que teses?&amp;nbsp; As de que por trás do inocente jogo criado pelo Barão de Drumonnd em 1892 para angariar uma graninha para o Jardim Zoológico do Rio, veja só, podem estar encobertos crimes e mais crimes. De Importação ilegal de caça níqueis até tráfico de armas e drogas. O advogado do Anísio da Beija Flor, Ubiratan Guedes, disse que nunca conseguiram provar na Justiça a ligação dos acusados do jogo do bicho com esses crimes, que ele chama de falácia. O assunto ainda está em julgamento e dizem que a Justiça tarda, mas não falha. Vamos ver, né.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Por outro lado o povo não é bobo quando se trata do seu dinheirinho ou do dinheirão das suas instituições e agremiações queridas. E pelo menos esperneia. Na Quarta-feira de Cinzas o Moisés, todo poderoso da Unidos de Vila Isabel saiu em carro blindado da Praça da Apoteose, chutado pelo pessoal que estava lá acompanhando as notas dos jurados na apuração da vencedora do desfile das Escolas de Samba. Um grupo de umas 20 pessoas, socando e chutando o carro. Moisés, na verdade Wilsom Vieira Alves, foi solto em novembro de 2012, graças a um habeas corpus aceito pelo Supremo Tribunal Federal. Ele está condenado a mais de 23 anos de prisão pelos crimes de contrabando, formação de quadrilha e corrupção ativa. Ele tentou se justificar sobre o fraco desempenho da escola, que teve componentes desfilando sem fantasia, dizendo que&amp;nbsp; não recebeu R$ 6 milhões de três empresas que haviam se comprometido em patrocinar a Vila, mas um grupo de torcida organizada, os Guerreiros da Vila, que chegou a pichar o portão da quadra da Escola, ficou durante a apuração fazendo um coro questionando onde tinha sido investido o dinheiro recebido como prêmio pelo campeonato do ano passado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Na prática, mesmo, meus amigos.... Loquimini serius. Bicheiros na rua, polícia com o que deveria ser a continuação da Operação Dedo de Deus, a DDD2, travada em parte pela Justiça, processos se arrastando. E o Estado patrocinando, ainda que em parte, na tal da parceria público privada, com o nosso dinheiro, dinheiro do contribuinte, a Liesa, Liga das Escolas de Samba que continua sob o comando de pessoas que estão sendo acusadas, julgadas, veja bem eu não estou dizendo condenadas. O Prefeito Eduardo Paes disse que se esforçou para dar às escolas condições para que elas abandonassem essa terrível história do patrono, nas palavras dele . E completou O dia que o patrono estiver catando coquinho no asfalto é o dia ideal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Ok, já que é assim e amanhã tem mais, com Desfile das Campeãs, muito provavelmente com bicheiro e com patrono , eu me despeço deixando com vocês a musiquinha para reflexão. Quem quiser entrar em contato comigo, fala comigo pelo face que fim levou. “Tô lá”, para ouvir as sugestões e os comentários de vocês. A musiquinha para reflexão é o samba enredo da Beija Flor no Carnaval de 1976, reeditada esse ano, 38 anos depois, pela Tradição.&amp;nbsp;&amp;nbsp; De Neguinho Flor, Sonhar com o Rei da Leão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-family: Times New Roman;&quot;&gt;Até sexta feira Mariana, Jonathan, até sexta feira pessoal. Fui!&lt;/span&gt;</description><link>http://colunaquefimlevou.blogspot.com/2014/03/bicheiros.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><thr:total>1</thr:total></item></channel></rss>