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<?xml-stylesheet href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/rss2full.xsl" type="text/xsl" media="screen"?><?xml-stylesheet href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css" type="text/css" media="screen"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-29251019</atom:id><lastBuildDate>Thu, 24 Jul 2008 02:13:14 +0000</lastBuildDate><title>Que Treta!</title><description /><link>http://ktreta.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>664</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/QueTreta" type="application/rss+xml" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1201563338517640</guid><pubDate>Wed, 23 Jul 2008 10:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-23T11:54:00.986+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amendoins</category><title>Bom e barato, V</title><description>Com estes vídeos podem perder quase duas horas, mas se tiverem em conta o que costuma dar na televisão penso que este investimento é melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro é uma palestra da Jane Goodall na Universidade de San Diego, &lt;a href=http://br.youtube.com/watch?v=s3FEWKdIvcA&gt;Reason for Hope&lt;/a&gt;. O tema é mais biográfico e pessoal que científico, mas esta mulher tem uma personalidade e uma vida tão interessantes como o seu trabalho (via &lt;a href=http://contanatura.com/&gt;Conta Natura&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo é a palestra do Torsten Reil no TED Talks, &lt;a href=http://www.ted.com/index.php/talks/torsten_reil_studies_biology_to_make_animation.html&gt;Using biology to make better animation&lt;/a&gt;. A palestra é de 2003, por isso se quiserem ver como esta tecnologia está agora o melhor é ir ao site da &lt;a href=http://www.naturalmotion.com/&gt;Naturalmotion&lt;/a&gt;, ver o o vídeo do sistema &lt;a href=http://www.naturalmotion.com/euphoria.htm&gt;Euphoria&lt;/a&gt; ou descarregar gratuitamente o &lt;a href=http://www.naturalmotion.com/ele.htm&gt;Endorphin 2.7.1&lt;/a&gt;, uma aplicação para simular movimentos e comportamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles usaram algoritmos evolutivos para treinar as redes neuronais que controlam estes comportamentos. Os criacionistas costumam apontar como os engenheiros se inspiram nas maravilhas da natureza mas esquecem que os engenheiros também se inspiram no processo que criou essas maravilhas. A evolução.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/343443234" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/bom-e-barato-v.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1280134239019211203</guid><pubDate>Mon, 21 Jul 2008 21:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-21T22:01:08.270+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">eu</category><title>Vou estar</title><description>no 6º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, em Évora, no dia 5 de Setembro, às 11:30 para falar sobre pensamento crítico. A participação no encontro custa 30€, 15€ para estudantes da Universidade de Évora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=http://pwp.netcabo.pt/0216148602/QueTretaImages/verdadeargumentacao.jpg&gt; &lt;img src="http://pwp.netcabo.pt/0216148602/quetretaimages/verdadeargumentacao.jpg" alt="Cartaz ENPF" width="319"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no dia 18 de Outubro vou estar novamente em Braga, na Jornada Fé e Ciência, onde vou falar sobre «A hipótese de Deus perante a ciência». A entrada é livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=http://pwp.netcabo.pt/0216148602/QueTretaImages/jornadafeciencia.jpg&gt; &lt;img src="http://pwp.netcabo.pt/0216148602/quetretaimages/jornadafeciencia.jpg" alt="Jornada Fe Ciencia" width="500"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/341891543" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/vou-estar.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2374861422788711649</guid><pubDate>Sun, 20 Jul 2008 20:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-21T08:28:26.591+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da Semana: outra vez o propósito...</title><description>É comum entre religiosos defender que tudo foi criado de propósito excepto um certo deus, apesar de discordarem, por vezes com demasiado zelo, acerca de qual deus é a excepção. Já discutimos aqui vários aspectos desta hipótese. O porquê de ser tão popular (1), inferior às alternativas (2) e ineficaz como explicação para as características dos seres vivos (3). Só faltava discutir porque é que é treta. O Senhor Arquitecto Anónimo Pereira (SAAP) deu o mote notando alguns aspectos importantes desta hipótese (4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o SAAP, falta &lt;i&gt;«prova científica»&lt;/i&gt; de não termos sido criados para um propósito. Não é claro o que entende por &lt;i&gt;«prova científica»&lt;/i&gt;, mas não deve ser aquilo que os cientistas procuram (5). E enquanto a falta de &lt;i&gt;«prova científica»&lt;/i&gt; é um defeito nas outras hipóteses, aparentemente é virtude na sua. Um post não chega para tanta treta, por isso tenho que me restringir a esta parte da discussão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;«A minha "crendice", como lhe chama, é a Verdade. Pura, simples e perfeita. Por isso resiste a todos os modelos científicos. Sem Deus os seus modelos científicos nunca existiriam, Doutor. Porque foi Deus que fez a ciência e permite ao senhor Doutor efectuar as suas pesquisas e modelos.»&lt;/i&gt; (4)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil distinguir os comentadores anónimos interessados mas coibidos por pressões familiares ou profissionais daqueles que defendem desonestamente uma posição que percebem ser ridícula ou que só querem chatear. Os internautas recomendam não alimentar estes últimos, os &lt;i&gt;trolls&lt;/i&gt;, mas eu penso que vale a pena se esclarecer algo relevante. E a premissa que deuses e seus propósitos são questões fora da ciência que compete à fé responder é suficientemente comum para não me ralar com o que motiva o SAAP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos perguntar se uma lasca de sílex é artifício propositado ou se é fruto de um processo natural. Arqueólogos e paleontólogos lidam regularmente com estas questões, e a ciência permite-lhes inferir propósito em alguns casos. Mas é verdade que, formuladas desta maneira, estas hipóteses não são científicas. É preciso detalhar os processos naturais, propósitos e métodos de fabrico que possam ter criado a lasca para poder comparar as hipóteses, confrontá-las com o que observamos e avaliar o mérito relativo de cada uma. E assim já são científicas. Mas se for para dizer que a lasca foi criada para um propósito insondável e por um método misterioso mais vale dizer «não sei». Adianta-se o mesmo poupa-se a má figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho insistido, insisto, e voltarei a insistir. As hipóteses saem do âmbito da ciência apenas se não é possível determinar a sua verdade. Por serem mera consequência da definição dos termos (mafaguinhos, ver 5), por serem demasiado vagas (Deus é Amor) ou por permitirem tudo. O SAAP dá um exemplo: &lt;i&gt;«Eu acredito na teoria da evolução. Se o Deus em que acredito é omnipotente, então tenho de olhar para a Natureza e pensar que se todas as coisas foram criadas desse modo então foi porque Deus assim o quis.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu sou omnipotente então tudo o que acontece é porque eu quero. Se a mosca que está aqui a voar é omnipotente então tudo o que acontece é porque ela quer. Há infinitas hipóteses que não podemos testar porque não dizem nada relevante. São indiferentes à realidade, nenhuma é científica e são todas disparate. Para disfarçar propõem a fé como “teste” da hipótese, mas a fé não tem nada a ver com a verdade da hipótese: &lt;i&gt;«Depois de uns anos com uma vida de total devoção a Deus - sabe que isto dos testes são coisas muito demoradas - volte aqui para conversarmos e indique-me as suas conclusões.»&lt;/i&gt;(4)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos também sugerir ao SAAP uns anos de devoção total à mosca até acreditar que a mosca é omnipotente. Um teste perfeitamente inútil porque, qualquer que seja o resultado, não indica nada acerca da omnipotência da mosca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O SAAP propõe que a sua hipótese está fora do âmbito da ciência e deve ser testada pela fé. A treta é que a hipótese está fora da ciência apenas por não ter ponta por onde se pegue e o teste só testa a credulidade humana, não a hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Editado: por excesso de zelo na revisão apaguei uma virtude que não devia. Obrigado ao João Vasco pelo aviso.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2008/06/conspirao-religio-e-inteno.html&gt;Conspiração, religião, e intenção.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2008/06/evoluo-como-se-fosse-de-propsito.html&gt;Evolução: Como se fosse de propósito&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2008/03/miscelnea-criacionista-o-propsito.html&gt; Miscelânea Criacionista: O Propósito.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4- &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2008/07/o-custo-da-propriedade-intelectual.html&gt;O custo da propriedade intelectual&lt;/a&gt;, (os comentários não estão relacionados com o post).&lt;br /&gt;5- &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2006/11/provado-cientificamente.html&gt;Provado cientificamente&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/340928443" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/treta-da-semana-outra-vez-o-propsito.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1394595286416234986</guid><pubDate>Fri, 18 Jul 2008 19:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-18T23:05:26.693+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><title>O Diabo.</title><description>Quando se fala de religião é costume falar de Deus. Se existe, se não existe, se é real ou imaginário, se criou o Homem ou vice-versa. Mas este é o meu 666º post. Parece-me mais adequado dedicá-lo ao Seu alter ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como com o jovem Clark Kent em Smallville, no princípio era só Ele. Os relatos mais antigos na Bíblia mostram o mal como sendo essencialmente desobedecer a Deus. O resto é tudo Ele. A serpente no Génesis foi mais tarde reinterpretada como Satã, mas no contexto original é mais razoável ver o episódio como uma adaptação do épico sumério de Gilgamesh, a quem o segredo da imortalidade também foi roubado por uma serpente espertalhona. E a serpente era tradicionalmente um símbolo dos aspectos temíveis e misteriosos da Natureza, não necessariamente do mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto no Êxodo podemos ver que foi Deus que deu a Moisés os poderes mágicos para impressionar o Faraó, foi Deus que mandou as pragas e também foi Deus que &lt;i&gt;«endureceu o coração de Faraó»&lt;/i&gt;(Ex, 9:11) para que este não deixasse partir os Judeus. Nesta altura isto parecia justo. Afinal, era Deus, e Deus podia fazer o que bem Lhe apetecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais reveladora ainda é a diferença entre os relatos de 2 Samuel e 1 Crónicas acerca do recenseamento que David mandou fazer. Os recenseamentos eram sempre mal vistos. Inevitavelmente, visavam a cobrança de impostos, o recrutamento militar ou ambos. Ninguém gostava quando os reis mandavam fazer um. 2 Samuel foi escrito antes do exílio dos Judeus na Babilónia, e relata que &lt;i&gt;«A ira do Senhor tornou a acender-se contra Israel, e o Senhor incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá.»&lt;/i&gt; (2 Sam 24:1). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contacto com a cultura Persa deu aos Judeus uma visão mais zoroástrica do conflito entre o bem e o mal como a luta constante de duas forças opostas. Esta foi muito mais popular em todos os géneros de ficção, dentro ou fora da religião, e influenciou os autores das Crónicas, escritas após o exílio: &lt;i&gt;«Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar Israel»&lt;/i&gt; (1 Cró 21:1). Qual cabine telefónica, este encontro cultural transformou Jeová, que nunca foi propriamente &lt;i&gt;mild mannered&lt;/i&gt;, num verdadeiro &lt;i&gt;badass&lt;/i&gt;. A partir de agora era a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a idade média muitos e doutos teólogos tentaram perceber quem seria Satanás, porque se teria virado contra Deus e como eram as hierarquias de querubins, serafins e outros perlimpimpins. A Enciclopédia Católica tem um artigo interessante sobre o assunto. Entretém, e dá uma ideia do tempo que se perdeu com este disparate (1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os tempos mudaram. Hoje em dia os católicos mais esclarecidos vêem o Diabo como uma metáfora para as falhas humanas ou um símbolo para o incompreensível, o absurdo, aquilo que está totalmente fora da razão. Curiosamente parecido com Deus em muitos aspectos. Um regresso às origens, de certa forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do Diabo dá-me esperança. No princípio não se distinguia de Deus. O bem e o mal eram o mesmo, o que importava era saber quem mandava. Mais tarde alguém desconfiou que isso não estava certo e separaram as personificações. O muito bom de um lado, o bicho papão do outro, mas nós ainda cá em baixo acagaçados. Com o evoluir das ideias deu-se mais um passo. O mal afinal é um conceito, uma falha, um símbolo. Não é um ser com existência autónoma. Não é um tipo encarnado de cornos e barbas com quem se possa ter uma relação pessoal, pedir coisas e prometer outras em troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esperança é que dêem o próximo passo neste raciocínio e vejam que Deus está na mesma categoria. É uma ideia, um símbolo, uma marca do limite das nossas capacidades. Nada mais. Se compreendem que o Super-Homem não existe deve ser fácil perceber que o Clark Kent também é fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Editado para corrigir uma gralha e alterar as tags. Obrigado ao António e à Granada pelas sugestões.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Catholic Encyclopedia, &lt;a href=http://www.newadvent.org/cathen/04764a.htm&gt;Devil&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/339259658" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/o-diabo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-4558369753341468655</guid><pubDate>Thu, 17 Jul 2008 22:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-17T23:52:12.079+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><title>Deus vai vos...</title><description>... bem, é melhor ouvir a canção...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cA-pWKRyyG8&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/cA-pWKRyyG8&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/338469722" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/deus-vai-vos.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2818105657366853839</guid><pubDate>Thu, 17 Jul 2008 22:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-17T23:50:09.702+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ética</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Confiar no sistema.</title><description>Várias pessoas têm discordado de mim em questões como a censura de injúrias, o &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; e a retenção de dados pessoais por parte de empresas. O que é bom porque obriga a repensar as coisas e torna os problemas mais claros. E o problema comum a estes casos parece-me ser o excesso de confiança no sistema e nas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos riscos de ceder poder a um sistema é que o sistema é controlado por pessoas falíveis, nem sempre fiáveis e muitas vezes com objectivos diferentes daqueles de quem nelas confia. A rede FiberWAN é um sistema informático de milhões de dólares que gere os pagamentos a funcionários públicos, registos de investigações policiais e comunicações electrónicas oficiais na cidade de São Francisco. Um técnico, por receber uma avaliação negativa, instalou programas para permitir a intercepção de mensagens por alguém que esteja fora da rede e alterou as passwords de administração (1). Sujeita-se a até sete anos de prisão mas se não der as passwords vai ser muito dispendioso recuperar o sistema. E não se sabe o que acontece entretanto à informação confidencial lá guardada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não proponho que se processe pagamentos e registos policiais à mão, ou que se abandone ambos por completo, porque há casos em que vale a pena correr o risco. Mas o risco de ter pessoas a gerir qualquer sistema tem que ser contabilizado nos custos. E quando se trata de pôr o juiz a decidir o que é ou não é ofensivo ou de guardar dados pessoais para se por ventura alguém for criminoso o risco ultrapassa os benefícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro problema é confiar no sistema. Até se apregoa muitas vezes a confiança na justiça, na polícia, nos legisladores e afins. É um erro, e é fugir à nossa responsabilidade. Numa democracia nós não temos apenas o direito de votar. Temos o dever de fiscalizar estes sistemas. A semana passada houve tiroteios e motins na Apelação. O artigo 302º do Código Penal pune com até um ano de prisão quem participar em &lt;i&gt;«motim durante o qual forem cometidas colectivamente violências contra pessoas ou contra a propriedade»&lt;/i&gt;. O artigo 303º agrava a pena a até dois anos se houver pessoas armadas no motim. O artigo 339º pune com até dois anos de prisão a fraude em eleição, quer pelo voto múltiplo quer pela falsificação dos resultados. Faz sentido que ofensas graves à ordem pública e ameaças ao sistema democrático sejam punidas com severidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 197º do código de direitos de autor pune com até três anos de prisão a distribuição não autorizada de uma obra protegida, ou até seis anos de prisão no caso de reincidência. A maioria dos que defendem que partilhar músicas seja crime foge à responsabilidade de fiscalizar este sistema. Matar de forma premeditada dá até vinte anos de cadeia; detonar explosivos pondo em perigo a vida de outros dá até dez; dois por falsificar eleições e um a quem se juntar com umas dezenas de amigos para bater em pessoas e partir coisas. Neste contexto partilhar ficheiros mp3 nem devia ser crime. Devia ser uma questão para tribunais civis. E estar entre a fraude eleitoral e o ataque terrorista demonstra a nossa irresponsabilidade enquanto cidadãos, porque me parece que o acordo tácito de muitos com este estado de coisas é mais fruto da ignorância da lei do que de um juízo ponderado em favor deste sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer sistema, seja legislação, bases de dados ou o que for, tem como desvantagem dar a alguém o poder de o gerir. E o nosso papel numa democracia não é confiar nos sistemas mas desconfiar deles. Os custódios dos custódios somos nós, com a responsabilidade última por aquilo que a nossa sociedade for. Pelo bom e pelo mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso proponho que não se defenda estas coisas sem considerar duas questões. Se vale a pena pôr esse poder nas mãos de alguém e se estamos a avaliar com diligência aquilo que defendemos. E nunca defender um sistema por confiar nele. Defendê-lo só apesar de desconfiar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- InfoWorld, &lt;a href=http://www.infoworld.com/article/08/07/15/IT_admin_locks_up_San_Franciscos_network_1.html?source=NLC-TB&amp;cgd=2008-07-15&gt;Report: IT admin locks up San Francisco's network&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/338459442" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/confiar-no-sistema.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2759616024782812278</guid><pubDate>Wed, 16 Jul 2008 21:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-16T22:29:21.804+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><title>Notícias</title><description>Ciência:&lt;br /&gt;&lt;a href=http://www.theonion.com/content/news/hubble_kaleidoscope_finds_evidence&gt;Hubble Kaleidoscope Finds Evidence Of Space Looking All Crazy&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direito:&lt;br /&gt;&lt;a href=http://www.theonion.com/content/video/supreme_court_rules_death_penalty&gt;Supreme Court Rules Death Penalty Is 'Totally Badass'&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/337449808" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/notcias.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-5622722923690350205</guid><pubDate>Tue, 15 Jul 2008 22:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-15T23:28:17.965+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><title>O custo da propriedade intelectual.</title><description>A semana passada, em conversa com uns colegas de bioinformática, alguém notou que a biotecnologia tem avançado muito menos que a informática. Há anos que parece prestes a rebentar mas continua empurrada lentamente por um punhado de grandes empresas em vez de despoletar novas aplicações, postos de trabalho e pequenas empresas como acontece na informática. Eu disse que uma das principais causas é o sistema de patentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As patentes começam a ser uma pedra no sapato da informática mas a biotecnologia está atolada em licenças e litígios, não só entre companhias mas também com os próprios clientes. Sementes e CDs têm mais em comum do que se julga (1). Por isso, para inovar em biotecnologia é preciso contratar um batalhão de advogados ainda antes de montar o laboratório. É preciso consultar milhares de patentes, processar os outros, lutar contra os processos dos outros e patentear cada espirrinho não vá outro patenteá-lo antes. Foi isto que levou a Microsoft a uma política agressiva de patentes a partir de 1990, já depois de terem desenvolvido os seus produtos principais (2), e a maioria das patentes em qualquer área já não é um incentivo à inovação mas uma arma legal. Só que a biotecnologia está no extremo. Ao conceder patentes até por sequenciar fragmentos de ADN reduziu-se a biotecnologia a cobrar licenças e marcar território. Os grandes avanços do sector público, onde a informação circula livremente, contrastam com o pântano legal do sector privado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema não está nas patentes ou naquilo a que se chama propriedade intelectual. O problema é confundi-las com propriedade. Uma patente pode beneficiar a sociedade e o inventor ao incentivar o esforço e a divulgação da invenção, mas a forma correcta de a ver é como parte de uma transacção que se quer benéfica para a sociedade e para o criador. A marca registada é um exemplo deste benefício mútuo. A associação exclusiva da marca ao vendedor beneficia o vendedor, que controla a imagem do que vende, e beneficia o comprador que assim sabe a origem do que compra. A investigação farmacêutica é outro exemplo. Ninguém financia anos de testes exaustivos sem ser compensado e não é desejável que o resultado seja secreto. É claramente benéfico para todos que a sociedade ofereça uma contrapartida pelo esforço e pela divulgação dos resultados, desde que a transação compense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro extremo temos patentes como a &lt;i&gt;one click&lt;/i&gt;, concedida à Amazon (3) por permitir compras online sem obrigar o cliente a introduzir o número do cartão de crédito a cada compra. É mau negócio dar direitos exclusivos sobre um processo sem custos de desenvolvimento nem nada que seja secreto. Estas patentes servem apenas para dificultar a concorrência. Três semanas depois de ter a patente, e antecipando as compras de Natal, a Amazon processou a Barnes and Noble obrigando-a a retirar o seu serviço &lt;i&gt;«Express Lane»&lt;/i&gt; de vendas online.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este problema abrange toda a propriedade intelectual. Das patentes de software à partilha de ficheiros, é raro o privilégio da exclusividade coincidir com um benefício adequado para a sociedade que o concede. Pela influência de quem detêm estes privilégios, a lei encara a exclusividade como um direito em vez de uma contrapartida a dar só em troca de um valor equivalente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos podemos deixar enganar pela retórica dos direitos de propriedade. Os direitos de propriedade são consequência da exclusividade inerente ao uso de bens materiais. Se eu como uma batata mais ninguém pode comer essa batata. É pelo uso ser necessariamente exclusivo que precisamos de direitos de propriedade. O dono da batata é que decide quem a come. A propriedade intelectual é o contrário. Parte de coisas que podem ser usadas por todos sem prejuízo de ninguém, como músicas ou ideias, e torna o seu uso exclusivo por mera disposição legal. Neste caso devemos questionar se interessa impor essa restrição. Se todos pudessem comer a mesma batata não haveria vantagem em proibi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos também que compreender os custos de conceder estes privilégios. Os direitos que cedemos, as oportunidades perdidas ao vedar o acesso a uma obra ou proibir que outros a melhorem, os custos inevitáveis dos monopólios e o que pagamos em impostos para que polícia e tribunais se preocupem com estas coisas em vez da nossa segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando os nossos representantes querem ceder a alguns o nosso acesso à informação, a nossa liberdade de agir e criar e o dinheiro dos nossos impostos, temos que exigir o façam só em troca de algo que valha a pena.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1- CNN Money, 10-7-08, &lt;a href=http://money.cnn.com/news/newsfeeds/articles/apwire/1ff4b254fea99c6593b9eaea577ecbd3.htm&gt;Monsanto patent fight ensnares Missouri farm town&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Ars Technica, Tim. B. Lee, &lt;a href=http://arstechnica.com/news.ars/post/20070313-analysis-microsofts-software-patent-flip-flop.html&gt;Analysis: Microsoft's software patent flip-flop&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Universidade de Stanford, projecto para a disciplina de Computers, Ethics, and Social Responsibility, 1999-2000,  &lt;a href=http://cse.stanford.edu/class/cs201/projects-99-00/software-patents/amazon.html&gt;Amazon One-Click Shopping&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/336497173" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/o-custo-da-propriedade-intelectual.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-4349499158690817773</guid><pubDate>Wed, 09 Jul 2008 22:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-09T23:37:16.137+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sarcasmo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da Semana: A falta de Olíbano.</title><description>A propósito da treta da semana passada, o leitor (leitora?) JATA sugeriu que não era útil criticar o milagre do beato Nuno Álvares Pereira (1). Como este blog é um serviço de utilidade pública sinto-me obrigado a redimir essa falha focando um problema grave que urge resolver. A falta de olíbano, nomeadamente do &lt;i&gt;«verdadeiro Olíbano Somalês»&lt;/i&gt;(2). Porque &lt;i&gt;«&lt;b&gt;O Olíbano é o ingrediente central da amarração, é a oferenda que atrairá as entidades e as fará agir da maneira que queremos&lt;/b&gt;. Sem ele, elas simplesmente não vão fazer o que queremos, pois não terão razões nem incentivos para isso.»&lt;/i&gt;(2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amarração &lt;i&gt;«é uma conjura de poderes para persuadir um homem ou uma mulher a desejar a pessoa que faz o feitiço»&lt;/i&gt;(3). Escreve-se num papel o nome do visado, faz-se um círculo de sal no chão, junta-se uma fotografia e duas velas negras, queima-se o imprescindível olíbano e profere-se este encantamento intrigante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;«Eu vos conjuro novamente, por todos os nomes secretos de Tetragrammaton, para que envies os teus poderes para oprimir, torturar e assediar o corpo, mente e alma de [nome da pessoa desejada aqui], ele(ela) cujo nome aqui esta escrito, (segure o papel) para que ele(ela) venha até mim e concorde de livre vontade com os meus desejos, nunca mais gostando ou amando alguém no mundo que não eu, enquanto eu assim o desejar.”»&lt;/i&gt;(3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece contraditória esta noção de &lt;i&gt;«oprimir, torturar e assediar o corpo, mente e alma»&lt;/i&gt; até que a pessoa &lt;i&gt;«concorde de livre vontade»&lt;/i&gt;. Mas o Bom Feiticeiro diz que se for &lt;i&gt;«bem-feita, nunca falha»&lt;/i&gt;, e eu tenho tanto respeito pela sua magia como tenho por qualquer outra “ciência oculta”, seja a astrologia, o pai-nosso ou a previsão do futuro na borra de café. São tudo formas legítimas de contactar a dimensão espiritual, também conhecida como terra do nunca nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais a sério, a questão da utilidade de criticar estas coisas é interessante. É certo que o faço mais por gozo que por utilitarismo, mas penso que também é útil. Não por criticar o milagre do salpico ou a amarração em particular – se não fosse isto podia ser outra coisa qualquer – mas pela atitude crítica em si. Essa julgo que é sempre útil mesmo nas coisas mais triviais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado porque estas coisas são triviais e inofensivas apenas se não as levarmos a sério. Milagres, magias e essas tretas têm uma grande influência na vida de quem acredita nelas e uma atitude crítica pode poupar muita chatice. E, por outro lado, é útil para não julgar estas coisas apenas pela primeira impressão ou sem impressão nenhuma. Quer a rejeição gratuita quer o politicamente correcto “respeito pela crença dos outros” desprezam a questão que a atitude crítica nos força a considerar: será que isto é verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da amarração e do olíbano não é preciso pensar muito. Não há vestígio dessas entidades que pretendem conjurar. E mesmo que existissem espíritos com a inteligência para identificar a pessoa visada e perceber o encantamento, e com o poder de a fazer amar alguém, o mais certo era desmancharem-se a rir do pateta que espalha sal no chão e lhes dá ordens enquanto queima olíbano. Mas até nestes casos de disparate óbvio parece-me que é útil perder alguns segundos a perguntar porque é que o consideramos um disparate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se isto não vos convence, deixo aqui alguns dos comentários ao post da amarração (3):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;« Estou a confiar muito nesta amarração tendo em conta que já gastei milhares de Euros e o meu problema ainda não foi resolvido.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;« A foto pode ser substituida por outra coisa? Como um fio de cabelo,ou o esperma dele?»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;« Bom Feiticeiro, o Sre. tem outro feitiço para ensinar, porque eu sou candidata a Vereadora e quero ganhar a Eleição e a Eleição é esse ano em Outubro.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;«FIZ TUDO COM MUITO AFINCO E INFELIZMENTE ONTEM VI O MEU AMOR RINDO E BRINCANDO MUITO COM OUTRAS MULHERES EM SALAS DE BATE PAPO, ENTÃO ISSO SIGNIFICA QUE NÃO DEU &lt;br /&gt;CERTO? ME RESPONDA POR FAVOR, SE PREFERIR PODE ME RESPONDER POR E-MAIL, POIS HJ ESTOU PROFUNDAMENTE DEPRIMIDA E CHORANDO PELO QUE VI ONTEM.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Obrigado ao leitor Quetretófilo pela sugestão do tema.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-&lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2008/07/treta-da-semana-crise-chega-aos.html&gt; Treta da Semana: A crise chega aos milagres.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Bom Feiticeiro, &lt;a href=http://bomfeiticeiro.com/2008/06/29/falta-de-olibano/&gt;Erro Número 1: Falta de Olíbano.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Bom Feiticeiro, &lt;a href=http://bomfeiticeiro.com/2008/02/28/amarracao-explicada-incluindo-as-duvidas-dos-leitores/&gt;Amarração explicada incluindo as dúvidas dos leitores.&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/331190892" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/treta-da-semana-falta-de-olbano.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2485917684866686569</guid><pubDate>Mon, 07 Jul 2008 21:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-07T22:25:24.057+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">digital</category><title>Simetria.</title><description>Até recentemente a tecnologia permitiu duas formas de comunicar. Uma forma assimétrica, com jornais, discos, cinema, radio e televisão, em que uns poucos controlam como o conteúdo chega a muitos. E uma forma simétrica, por carta, telegrama ou telefone, entre indivíduos ou grupos pequenos em igualdade de circunstâncias. A lei lida de forma diferente com estas relações em grande parte para mitigar as assimetrias. Entre médico e paciente, patrão e empregado ou pais e filhos a lei obriga uma das partes a zelar pelos interesses da outra, obrigação desnecessária em relações simétricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Internet baralha porque é enorme mas simétrica. Habituados à assimetria que as limitações tecnológicas impunham à comunicação em massa muitos vêem a Internet como jornais ou televisão. Mas a Internet é como o correio. O vosso computador envia uma carta de bits a ao computador do Blogger e recebe outra simulando o texto deste post (1). Na Internet as cartas podem ser copiadas para muitos destinatários mas é como o correio porque todos participam em igualdade de circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me insultam num programa de televisão eu estou em desvantagem porque são outros que decidem o que passa na TV. Assim é razoável haver leis e códigos de conduta que me protejam e reduzam a assimetria desta relação. Mas se me insultam na rua ou num blog usam meios aos quais eu tenho o mesmo acesso. Aí a lei só deve intervir em casos extremos de ameaças ou violência e não movimentar polícia e juizes sempre que eu amuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo se passa na extensão do &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; ao conteúdo digital. No fabrico de discos e livros há relações assimétricas entre quem investe em fábricas, quem assina contratos cedendo os direitos de autor e quem compra as cópias. Aqui é razoável que a lei equilibre melhor estas relações. No entanto, mesmo antes da Internet era óbvio que não o fazia de forma adequada. O problema de depender da lei é que também a lei é feita por alguns. E agora que todos têm acesso igual aos meios de distribuição e o criador pode negociar directamente com o seu público esta legislação é desnecessária; um empecilho injusto à inovação e ao acesso à cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta facilidade de cópia, transmissão e armazenamento de dados também pode dar demasiado poder a quem controla a infra-estrutura. Companhias de telefone, prestadores de serviços de acesso e outros podem acumular muita informação acerca de todos nós. A Google, por exemplo, tem 12 Terabytes de registos de acesso ao YouTube. Cada vídeo que vocês vejam eles registam o quê, quando, e o endereço do vosso computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem julgue que isto não faz mal porque a lei impede “abusos”, mas tal ingenuidade esquece que a lei é o que os tribunais decidirem. Agora um decidiu que a Google tem que ceder estes dados à Viacom (2). Não se sabe que uso a Viacom lhes dará mas não deve ser no nosso interesse. E isto não é o mesmo que contar os visitantes do blog ou guardar um registo de quem nos telefona. A notícia do Destak diz que esta informação é &lt;i&gt;«o suficiente para preencher as páginas de doze mil livros»&lt;/i&gt;(3) mas enganaram-se. Isto são doze milhões de livros com um milhão de caracteres cada um. Esta quantidade de informação acerca dos vídeos que vemos cria uma assimetria perigosa e injustificável. É este tipo de coisas que a lei devia evitar, não impedindo o que este ou aquele juiz considere abusivo mas impedindo a recolha destes dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a má compreensão da tecnologia, os &lt;i&gt;lobbies&lt;/i&gt;, a política de medo e (falsa) segurança e a falta de atenção dos cidadãos tem movido a lei no sentido inverso. No sentido de restringir o acesso e a comunicação entre indivíduos (&lt;i&gt;e.g.&lt;/i&gt; 4, 5, 6, 7)* e impor a recolha de dados pessoais por parte das grandes empresas (8). Temos um sistema de correio instantâneo e praticamente gratuito. Podemos usá-lo para comunicar com quem quisermos, exprimir ideias e opiniões, partilhar cultura e arte, colaborar na inovação e participar na gestão democrática da nossa sociedade. É isto que vamos perder se deixamos os políticos ir atrás do dinheiro de um punhado de “gestores de direitos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;i&gt;Obrigado aos leitores que me enviaram algumas destas notícias por email&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Encontrei esta ideia dos bits como simulação de conteúdos no &lt;a href=http://www.cato-unbound.org/2008/06/09/rasmus-fleischer/the-future-of-copyright/&gt;The Future of Copyright&lt;/a&gt;, do Rasmus Fleisher. Recomendo o artigo, e o Miguel Caetano tem &lt;a href=http://remixtures.com/2008/07/o-futuro-do-copyright/&gt;aqui&lt;/a&gt; uma tradução para Português.&lt;br /&gt;2- BBC, &lt;a href= http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/7488009.stm&gt; Google must divulge YouTube log&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Destak, &lt;a href= http://www.destak.pt/artigos.php?art=12594&gt;Viu o que não devia no YouTube?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4- Pedro Doria, &lt;a href=http://pedrodoria.com.br/2008/07/07/a-lei-do-senador-azeredo-e-o-que-ela-faz-da-internet/&gt; A lei do senador Azeredo e o que ela faz da Internet&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5- ZeroPaid, &lt;a href=http://www.zeropaid.com/news/9611/ISPs+to+Ban+P2P+with+New+European+Telecom+Package%3F&gt;ISPs to Ban P2P with New European Telecom Package?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;6- ZeroPaid, &lt;a href= http://www.zeropaid.com/news/9614/Dutch+Court+Rules+BitTorrent+Tracker+Site+Hosting+Illegal&gt;Dutch Court Rules BitTorrent Tracker Site Hosting Illegal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;7- EDRI, &lt;a href=http://www.edri.org/edrigram/number6.13/telecom-package-internet&gt; Control on Internet users pushed with the new telecom package&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;8- Wikipedia, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Data_retention&gt;Data Retention&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/329213196" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/simetria.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-3508109723824868628</guid><pubDate>Sun, 06 Jul 2008 21:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-06T23:06:43.165+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da Semana: A crise chega aos milagres.</title><description>As coisas já não são como no tempo de Nuno Álvares Pereira, quando o barril de petróleo nem um cêntimo valia e ninguém se queixava do preço da electricidade. Hoje vivemos uma crise que afecta tudo e todos. Beatificado em 1918 pela piedade com que fustigou nuestros hermanos, Dom Nuno passou quase um século a interceder junto ao Altíssimo para que Este concedesse um milagre, requisito &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt; para que a Igreja Católica admita um beato ao restrito clube de setecentos santos de reconhecida eficácia intercessora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria teve um filho ainda virgem e fez bailar o Sol no céu. Fernando, mais conhecido por António, deu uma lição no seu mosteiro ao mesmo tempo que pregava na igreja de São Pedro em Limoges e convenceu um burro e centenas de peixes a adorar Deus. Ao Nuno, coitado, calhou-lhe um milagre em tempo de crise. A Sra. Dona Guilhermina de Jesus, uma sexagenária de Vila Franca de Xira, estava a fritar peixe quando um salpico de óleo lhe caiu no olho esquerdo. &lt;i&gt;«O olho deveria ficar tapado de forma a não ser sujeito à luminosidade do sol e a senhora era obrigada a tomar medicamentos diários na tentativa de debelar a queimadura. “Mas mesmo com esses tratamentos não havia garantia de cura e a solução poderia ser um transplante de córnea”, explicou à Agência LUSA o Pe. Francisco Rodrigues»&lt;/i&gt;(1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem garantia de cura, de olho tapado e medicada, a Sra. Dona Guilhermina recorreu à única hipótese que restava. O único que a poderia curar. O beato Nuno Álvares Pereira, comandante do exército Português, vitorioso de Aljubarrota e flagelo dos castelhanos. &lt;i&gt;«Depois de várias novenas»&lt;/i&gt;(1), e passados três meses, começou a ver novamente do olho que o peixe tão traiçoeiramente, qual invasor espanhol, lhe havia salpicado. Esta cura &lt;i&gt;«foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.»&lt;/i&gt; Só podia ser. Nunca, sem garantias de cura, podia a medicação e tratamentos ter reparado os danos causados por um salpico de óleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por aqui também se vê a excelência destes médicos e teólogos. Dominam não só tudo o que a ciência sabe acerca da fisiologia ocular como também tudo o que a ciência algum dia poderá saber. É este conhecimento total sobre a ciência de hoje e do futuro que lhes permite identificar o carácter milagroso da cura do salpico, cientificamente inexplicável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a este trabalho, o processo de canonização irá avançar e em breve teremos mais um intercessor a quem pedir ajustes ao Plano Divino. Deus é omnisciente e todo-poderoso, o universo segue um plano traçado desde a Criação e tudo foi criado com um Propósito que é por nós insondável. Mas se alguém se magoa, tem um exame importante ou perde as chaves do carro não custa nada pedir um jeitinho. E tanto melhor se conhecermos alguém bem colocado lá dentro. Todos sabem que é assim que as coisas funcionam. É a diferença entre esperar três meses que a papelada fique pronta ou ser amigo da secretária do director.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Ecclesia, &lt;a href=http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=12624&gt; Beato Nuno Álvares Pereira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Ecclesia, &lt;a href=http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=61937&amp;seccaoid=3&amp;tipoid=108&gt; Papa reconhece milagre do Beato Nuno de Santa Maria&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/328331567" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/treta-da-semana-crise-chega-aos.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-5045190475893844314</guid><pubDate>Sat, 05 Jul 2008 11:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-05T12:26:50.929+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amendoins</category><title>Bom e barato, IV.</title><description>A propósito da providência cautelar que mandou fechar o Povoaonline (1), recomendo o &lt;a href=http://www.softforall.com/Internet/Browsers/HTTracker06010151.htm&gt;HTTracker&lt;/a&gt;, um programa gratuito para fazer cópias locais de sites na Web.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem tem um blog no blogspot fica uma sugestão para as &lt;i&gt;scan rules&lt;/i&gt;. Sem estas vão descarregar muita informação duplicada nos arquivos e ligações com pesquisas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-*/*search*&lt;br /&gt;-*/*archive*&lt;br /&gt;-*.tmp&lt;br /&gt;-*?showComment?*&lt;br /&gt;+*.css&lt;br /&gt;-*[vosso blog].blogspot.com/feeds*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta substituir [vosso blog] pelo nome do vosso blog e ficarão com uma cópia local de todos os posts e comentários. Infelizmente, muitas das ligações para os arquivos e posts são feitas dinamicamente, por isso se o blog for apagado será necessário criar um índice. E este arquivo é estático, não permitindo adicionar posts ou comentários. Mas sempre evita que algum disparate judicial ou percalço faça desaparecer tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- &lt;a href= http://ktreta.blogspot.com/2008/07/imprensa-da-pvoa.html&gt;Imprensa da Póvoa&lt;/a&gt;, e também Póvoa Offline, &lt;a href= http://povoaoffline.blogspot.com/2008/06/o-fascismo-continua-o-povoaonline-foi.html&gt;macedo vieira é o nosso homem&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/327314692" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/bom-e-barato-iv.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-3250228650304333322</guid><pubDate>Thu, 03 Jul 2008 21:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-03T22:43:12.282+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">criacionismo</category><title>Miscelânea Criacionista: a areia, o umbigo, e a infância de Adão.</title><description>Um argumento criacionista comum é que os seres vivos são tão complexos que não se podem ter formado gradualmente. Como um relógio ou um rádio, é preciso ter todos os componentes no sítio certo, coração, pulmões, fígado, tudo bem encaixado e coordenado senão morremos. Treta. Ao contrário do relógio, nós crescemos. Começámos numa célula que se dividiu em muitas que depois se diferenciaram. Gradualmente. O cérebro humano, que os criacionistas alegam ser a máquina mais complexa do universo*, começa como uma massa de neurónios imaturos e só com os anos é que vai adquirindo essa complexidade. Muitos anos, em alguns casos. No meu já lá vão 36 e, segundo a minha mulher, tenho menos juízo que os nossos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento não é o mesmo que a evolução mas dá um exemplo imediato de como o complexo emerge naturalmente do simples. E estamos cá para ver gaivotas a surgirem cada uma de uma célula de gaivota. Os criacionistas dizem que isto não conta porque já lá está o ADN cheio de informação codificada. Mas o ADN é só uma molécula. É uma molécula grande e complexa mas muito mais simples que uma gaivota ou um cérebro humano. A informação no meu ADN cabe num CD; só em fotografias dos miúdos tenho dez vezes isso. E se a máquina mais complexa do universo surge naturalmente de uma molécula temos que aceitar a possibilidade dessa molécula ter uma origem mais humilde que o acto infinitamente inteligente de um deus todo poderoso. Então gaivotas dão gaivotas mas montanhas dão ratos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sermos o produto do nosso desenvolvimento originou importantes discussões teológicas acerca do umbigo de Adão** e a famosa hipótese onfálica de Philip Gosse (1). Segundo esta, Deus teria criado Adão com umbigo e os estratos geológicos com fósseis para dar a aparência que Adão tinha antepassados e a Terra era mais antiga. Uma versão extrema desta hipótese, o ultima-quinta-feirismo, defende que o universo foi criado instantaneamente na quinta feira passada, incluindo umbigos, fósseis e todas as memórias de tempos anteriores (2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os criacionistas não chegam a este extremo, até porque estão ocupados com outros, e muitos cristãos defendem que Adão não tinha umbigo. Mas isso não resolve o problema dos músculos, flora intestinal, anticorpos e inúmeras características que adquirimos pelo desenvolvimento. E Adão sabia andar e falar. No conto criacionista, Adão é um humano intelectualmente mutilado pois sabe coisas sem a experiência de as aprender. Ou então Deus enganou-o com memórias falsas da sua infância, de gatinhar e dizer as primeiras palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só o desenvolvimento de cada organismo que é histórico e gradual, com cada passo partindo do anterior. No outro lado da escala vemos o mesmo. A areia é composta, em grande parte, por fragmentos de conchas. Se Deus criou a Terra há seis mil anos só com rocha vulcânica não havia tempo para se formar a areia das praias e do fundo do mar nem as rochas sedimentares. Então a Terra já tinha areia com pedaços de conchas que nunca existiram e rochas sedimentares formadas pela compressão fictícia de areia que nunca o foi. O mesmo para os ecossistemas. Uma floresta não é só organismos vivos. Tem troncos a apodrecer, folhas mortas, húmus e uma data de restos essenciais ao funcionamento do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que se admitimos milagres então vale tudo. Se no Paraíso os leões comiam brócolos também as árvores podiam crescer no basalto e a areia aparecer por magia. Ou o universo pode ter sido criado na quinta feira passada. Nada disto se pode provar ser falso. Mas o que importa é que, tal como o crescimento dos organismos, a formação das rochas e o desenvolvimento de ecossistemas, também a evolução das espécies mostra esta complexidade especial. A complexidade da árvore, da mente humana e da montanha, a complexidade que resulta de uma transformação gradual e cumulativa. Não é a complexidade artificial do relógio ou da caneca das Caldas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;i&gt;O universo dos criacionistas é só a Terra e os animais nem contam.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;**&lt;i&gt; E ainda dizem que a teologia não serve para nada...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Editado para trocar a fauna por flora no intestino do Adão. Obrigado Bruce.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Wikipedia, &lt;a href= http://en.wikipedia.org/wiki/Omphalos_(book)&gt;Omphalos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- &lt;a href=http://www.last-thursday.org/&gt;The Church of Last Thursday&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/326112802" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/miscelnea-criacionista-areia-o-umbigo-e.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-6577004206005023965</guid><pubDate>Wed, 02 Jul 2008 22:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-03T00:45:14.005+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amendoins</category><title>Imprensa da Póvoa.</title><description>No passado dia 25 a Google apagou o blog Póvoa Online no seguimento de uma providência cautelar instaurada pelo presidente e o vice-presidente da câmara da Póvoa do Varzim. Os queixosos não gostaram dos bigodes nas fotos e dos posts alegando que arranjam empregos a familiares e amigos, entre outros negócios ilícitos. E no passado dia 26 estreou-se o blog Póvoa Offline, beneficiando entretanto de publicidade em jornais, na TV e noutros blogs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este caso caricato mostra que os autarcas não percebem bem como estas coisas funcionam. Além de chamar mais atenção para estas alegações, agora qualquer um pode ler na notificação do tribunal (1) precisamente aquilo que eles queriam retirar do acesso público. Além disso, apesar de não se saber se as alegações são verdadeiras, a decisão do tribunal só mencione o ataque à reputação, honra e bom nome dos queixosos e não a sua inocência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento até refere o artigo 484º do código civil, um artigo estranho que pune mesmo quem diga a verdade: &lt;i&gt;«Quem afirmar ou difundir um facto capaz de prejudicar o crédito ou o bom nome de qualquer pessoa, singular ou colectiva, responde pelos danos causados»&lt;/i&gt;. E frisa que &lt;i&gt;«pouco interessa [...] que o facto imputado seja verdadeiro ou falso desde que seja susceptível de, dadas as circunstâncias do caso, diminuir a confiança na capacidade e na vontade das pessoas para cumprir as suas obrigações»&lt;/i&gt;. Em suma, acusam autarcas de serem corruptos e o tribunal censura porque, mesmo que seja verdade, a acusação é susceptível de diminuir a confiança nessas pessoas (acham?). Parece-me que é isto que mais lesa o crédito e o bom nome dos queixosos. E da justiça portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é a Póvoa do Varzim que me interessa; se não fosse esta queixa eu não teria esta má impressão dos seus autarcas. E, como eu, provavelmente mais uma data de gente. É uma lição a reter para quem quiser usar a censura como arma de debate. O que me interessa aqui é a sentença, principalmente esta parte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;«São textos e imagens cuja publicação não se justifica pelo respeito de um qualquer outro direito, designadamente, do direito de informar ou do direito de crítica e que extravasam claramente o núcleo do direito de liberdade de expressão [...] Em suma, não se divisa em tais textos e imagens o exercício adequado e razoável do cumprimento da função pública de informar, não se vislumbrando qualquer preocupação cívica atendível com a divulgação dos mesmos.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá vontade de dizer um palavrão, mas da maneira como isto vai é melhor conter-me. Compreende-se que haja restrições ao que se publica nos jornais ou na TV. São negócios e são meios de comunicação com uma grande assimetria entre comentadores e comentados. E compreende-se que um jornalista tenha responsabilidades profissionais no &lt;i&gt;«cumprimento da função pública de informar»&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas blogs não são jornais, bloggers não são  jornalistas e isto não é um serviço público de informação. Um blog é onde um tipo qualquer escreve o que lhe vai na cabeça sem que seja no cumprimento seja do que for. É um simples exercício da liberdade de expressão. Infelizmente, em Portugal a lei dá pouco valor a isso. De 2000 até agora os atropelos dos tribunais portugueses a este direito fundamental já nos deram cinco condenações pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (2). Em parte porque quem paga as indemnizações são os contribuintes, e não os juizes nem os legisladores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior é a confusão entre os deveres do jornalista profissional que escreve uma notícia e os direitos do cidadão que exprime uma opinião. Um dos fundamentos apresentados na sentença é que a &lt;i&gt;«maior parte do conteúdo do blogue [...] consiste na publicação de artigos de opinião sobre os requerentes»&lt;/i&gt;. Isto seria de criticar num jornal, mas não num blog.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vêem os blogs como jornais electrónicos baratos e aplicam a actos pessoais regras concebidas para regular actividades comerciais e profissionais. É um erro. Os blogs não são um jornal por fio; são um telefone com texto e imagens que muitos podem usar ao mesmo tempo. A lei, e a sociedade, têm que perceber que esta tecnologia é um meio de trocar informação, ideias e opiniões. É uma conversa global onde a liberdade de comunicar deve ter prioridade sobre pudores, melindres, queixinhas e negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Obrigado ao comentador anónimo que me deu o link para a &lt;a href=http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&amp;op=view&amp;fokey=ex.stories/355986&gt;notícia&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Póvoa Offline, &lt;a href=http://povoaoffline.blogspot.com/2008/06/o-fascismo-continua-o-povoaonline-foi.html&gt;macedo vieira é o nosso homem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2, Blasfémias, &lt;a href= http://blasfemias.net/2008/03/29/liberdade-de-expressao-em-portugal/&gt;Liberdade de expressão em Portugal&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/325308054" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/imprensa-da-pvoa.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-3979465095277595196</guid><pubDate>Tue, 01 Jul 2008 22:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-01T23:59:19.512+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ciência</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">criacionismo</category><title>O Carbono-14.</title><description>Agradeço esta sugestão da Joaninha porque é um bom exemplo para um post que tenho na calha. O carbono-14 (&lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C) é um isótopo radioactivo que se transforma espontaneamente em azoto. Em cerca de 5700 anos metade do &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C desaparece por este processo. Mas como o &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C é formado continuamente na atmosfera, em reacções nucleares desencadeadas pelos raios cósmicos, a qualquer momento cerca de um em cada milhão de milhões de átomos de carbono é &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As plantas e algas incorporam-no na fotossíntese, os animais comem-no e, aproximadamente, qualquer ser vivo tem esta pequena fracção de &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C. Mas quando morre deixa de incorporar &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C e, como este decai espontaneamente, perde metade deste isótopo a cada 5730 anos. Isto permite datar a morte do organismo medindo a proporção de &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C para &lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt;C, o isótopo estável e mais comum do carbono. Em teoria é simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prática é mais complicado. A proporção de &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C para &lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt;C depende do ciclo de carbono. Em ambientes terrestres as plantas incorporam o carbono da atmosfera mas em ambientes marinhos o carbono dissolvido vem em parte da atmosfera e em parte da dissolução de carbonatos mais antigos. Em média, o carbono marinho é cerca de 400 mais “velho” que o terrestre (a contar de quando esteve exposto na atmosfera).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade de &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C criada na atmosfera também varia ligeiramente com as flutuações no campo magnético da Terra (que deflecte os raios cósmicos). Isto resulta em alguma ambiguidade na datação. Por exemplo, material orgânico de cerca de 1660 não pode ser distinguido de algum material do século XX porque têm a mesma proporção de &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C para &lt;sup&gt;12&lt;/sup&gt;C. Por outro lado, as bombas nucleares detonadas na atmosfera entre 1945-55 duplicaram a produção de &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C nesse período, permitindo uma datação bastante precisa do material dessa altura. Mas para material antigo o erro é relativamente pequeno. Com valores calibrados pode-se datar pelo &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C materiais com vinte mil anos com uma margem de erro de 15%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para calibrar a correspondência entre a proporção de &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C e a idade é preciso amostras com idades conhecidas, que se pode obter das árvores. No inverno a árvore cresce menos que no verão e, como a madeira nova cresce na zona interior à casca, criam-se os conhecidos anéis anuais de crescimento, alternando madeira clara e escura. O espaçamento dos anéis varia de ano para ano com a temperatura e pluviosidade, criando padrões comuns a todas as árvores da mesma região. Estes padrões podem ser sobrepostos em árvores com idades diferentes para seguir a história das árvores até há quase doze mil anos atrás. Outros processos, como a deposição anual de sedimentos ou microorganismos e o decaimento radioactivo de outros isótopos, permitem calibrar a datação por &lt;sup&gt;14&lt;/sup&gt;C até aos quarenta mil anos antes do presente (1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quatro aspectos aqui que eu queria salientar agora e elaborar num próximo post. Primeiro, todas as hipóteses acerca do decaimento radioactivo, do ciclo do carbono e dos vários processos usados para datar as amostras, são hipóteses testáveis. Não se recorre a milagres ou mistérios. Segundo, estas hipóteses encaixam num sistema que permite resolver problemas e responder perguntas. Se um método dá erros pode-se recorrer a outros para o calibrar. Terceiro, dá-nos informação nova. Não é apenas uma história inventada para enquadrar o que observamos; é uma ferramenta para prever aquilo que ainda não observámos. Finalmente, não há explicação melhor para a coerência destes resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui aponto, mais uma vez, o contraste entre ciência e criacionismo. Os criacionistas não gostam dos métodos de datação porque não encaixam no seu universo com poucos milhares de anos. Por isso alegam que são todos falsos porque talvez o decaimento radioactivo tenha variado ou talvez tenha havido um milagre qualquer e seleccionam alguns casos onde os resultados não foram os esperados. Mas isto só lhes dá um conjunto desconexo de desculpas. Não serve para refutar uma rede interligada de hipóteses e observações que se encaixam tão bem umas nas outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Mais informação na &lt;a href= http://en.wikipedia.org/wiki/Radiocarbon_dating&gt;Wikipedia&lt;/a&gt; e na &lt;a href= http://www1.phys.uu.nl/ams/&gt;Universidade de Utrecth&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Stein, Goldstein, Schramm, &lt;a href=http://cat.inist.fr/?aModele=afficheN&amp;cpsidt=1158051&gt; Radiocarbon calibration beyond the dendrochronology range&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/324406394" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/07/o-carbono-14.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-8257026580671739901</guid><pubDate>Sat, 28 Jun 2008 09:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-28T10:24:37.163+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da Semana: A Escola Bíblica Maná.</title><description>Sem inspiração para esta semana, andava à cata de borras no fundo da Internet quando encontrei a Escola Bíblica Maná (EBM), &lt;i&gt;«um departamento da Igreja Maná, que tem como objectivo ensinar os alunos a edificar a sua vida em Jesus e a vencer o mundo o diabo e as circunstâncias adversas.»&lt;/i&gt;(1) Um curso para vencer o mundo, tirado em casa pela Internet e por apenas 600€ é um bom negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo docente é liderado pelo Apóstolo Jorge Tadeu, um engenheiro civil que &lt;i&gt;«Conheceu Jesus Cristo na África do Sul»&lt;/i&gt;(2), mas a directora da EBM é a Bispo Gisela Rodrigues, licenciada em educação física e &lt;i&gt;«pastora da Igreja do Tojal juntamente com o seu esposo, o Bispo José Manuel Rodrigues,»&lt;/i&gt; esposo este que também lecciona na EBM. Juntamente com a Pastora Christel Tadeu, apresentada apenas como &lt;i&gt;"Esposa do Apóstolo Jorge Tadeu"&lt;/i&gt;, com aspas no original. Que coincidência, tantos casais com o mesmo tacho. Digo, profissão. Como o mundo é pequeno. Mas isto seria uma treta corriqueira não fosse o protocolo entre a EBM e a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;«Os alunos da Escola Bíblica Maná com o 12º ano de Escolaridade completo e o curso da Escola Bíblica entram directamente para o terceiro ano universitário do Curso de Licenciatura em Ciências das Religiões, nos termos do protocolo estabelecido entre estas duas entidades. O Curso consta de quatro anos. Destes, os alunos farão apenas os dois últimos, o 3º e 4º.»&lt;/i&gt;(3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta informação parece estar desactualizada porque licenciatura agora é um primeiro ciclo de Bolonha e dura 3 anos. A página na Lusófona também não menciona o acordo com a EBM, e &lt;i&gt;«a única licenciatura laica sobre o fenómeno religioso»&lt;/i&gt; tem um corpo docente bastante mais qualificado, com alguns doutorados e estudantes de doutoramento em história e sociologia (4). O estudo cientifico das religiões é um tema interessante, se bem que me pareça mais apropriado para um mestrado ou doutoramento onde os alunos já tenham uma formação científica de base. A presença no corpo docente de um pastor evangélico &lt;i&gt;«Especialista em questões relativas ao Pensamento Contemporâneo»&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;«Empresário da área da Comunicação Social»&lt;/i&gt; e apenas com o grau de licenciado levanta-me algumas dúvidas, mas a licenciatura foi aprovada pela DGES (5), pelo que confio que esteja ao nível do ensino superior privado em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas parece-me que o corpo docente da EBM não garante o mesmo nível, e preocupa-me se for verdade o que está na página da Igreja Maná. Mais até do que se for aldrabice. Um curso por Internet ministrado pelo Apóstolo Jorge Tadeu dar aos alunos a equivalência a dois terços de uma licenciatura demonstra o espírito empreendedor do Apóstolo mas não abona em favor do ensino superior português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Escola Bíblica Maná, &lt;a href=http://www.eb-mana.com/2008/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=77&amp;Itemid=70&gt;Valor do Curso.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Escola Bíblica Maná, &lt;a href=http://www.eb-mana.com/2008/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=18&amp;Itemid=30&gt;Corpo Docente.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Escola Bíblica Maná, &lt;a href=http://www.eb-mana.com/2008/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=37&amp;Itemid=49&gt;Protocolo Universidade.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4- Universidade Lusófona, &lt;a href=http://www.grupolusofona.pt/portal/page?_pageid=135,514813&amp;_dad=portal&amp;_schema=PORTAL&gt;Ciência das Religiões&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5- Direcção Geral do Ensino Superior, &lt;a href=http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/OfertaFormativa/CursosConferentesDeGrau/&gt;Oferta Formativa&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/321924908" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/treta-da-semana-escola-bblica-man.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-4667145797164506994</guid><pubDate>Thu, 26 Jun 2008 21:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-26T22:36:47.151+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ética</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">digital</category><title>Estão a ver?</title><description>A propósito da conversa sobre vigilância e privacidade, recomendo este artigo do Bruce Schneier no Guardian, sobre os efeitos e consequências dos sistemas de video-vigilância:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=http://www.guardian.co.uk/technology/2008/jun/26/politics.ukcrime&gt;CCTV doesn't keep us safe, yet the cameras are everywhere&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de não reduzirem o crime que era suposto reduzirem, têm um custo de oportunidade pelo investimento ineficaz que podia ser usado para ter mais polícias e melhor preparados, e ainda dá azo a mais crimes (por exemplo, &lt;a href=http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/england/merseyside/4609746.stm&gt;Peeping tom CCTV workers jailed&lt;/a&gt;) e abusos que a lei nem contempla como ilícitos (como este, &lt;a href=http://community.seattletimes.nwsource.com/archive/?date=19960324&amp;slug=2320709&gt;`Caught In The Act' In Britain Means Millions May See You&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, muita gente pensa que os criminosos se reformam ao ver uma câmara ou que os terroristas desistem com medo que lhes registem as chamadas. Mas para estes é trivial estragar a câmara, mandar uma pedrada no candeeiro, usar uma máscara, telefonar com um telemóvel roubado ou ligar-se à Internet pela rede de outra pessoa. Vigiar toda a gente em vez de se concentrarem nos suspeitos só penaliza o resto das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Via &lt;a href= http://www.schneier.com/blog/&gt;Shneier on Security&lt;/a&gt;)&lt;/i&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/320838814" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/esto-ver.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-5675661620378127167</guid><pubDate>Wed, 25 Jun 2008 18:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-25T19:03:02.615+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ateísmo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><title>Como definirias “ateísmo”?</title><description>O Helder passou-me um questionário com dez perguntas (1), mas esta interessa-me mais que as outras. À letra, parece perguntar o que eu faria se decidisse como definir “ateísmo”. Não definia. A palavra “sinistrado” é útil mas não precisamos de uma palavra para quem não teve um acidente. Da mesma forma, basta conceitos como cristianismo, budismo e hinduismo para designar o atropelamento por uma dessas religiões. Não é preciso um termo para quem se safa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a palavra já foi definida pelos crentes e carrega séculos de preconceitos. A questão agora é explicar o que é que “ateísmo” tem a ver comigo, visto que já não me safo da etiqueta. Para os gregos, o ateu estava privado de deuses, coitado, e na idade média o ateísmo era a ruptura deliberada da relação com Deus. Não admira que até ao século XVII, “ateu” fosse sempre uma acusação que se fazia aos outros e nunca algo que se assumisse. Até porque seria arriscado. Do século XVIII para cá a convivência de muitas culturas e a liberalização de algumas sociedades mudou a situação mas permanece o problema de acharem que o ateísmo é um ismo acerca de deuses (2). Foi uma palavra mal escolhida e enviesada à partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ismo fundamenta-se numa premissa saliente, que considera inegável, mas que é disputada por outros ismos. Cristianismo, judaísmo, budismo, marxismo, e assim por diante. Por isso não é de estranhar que julguem que o ateísmo se fundamenta na premissa que deus não existe. Mas a inexistência de deuses não é premissa nem fundamento do ateísmo. O fundamento do ateísmo é a distinção clara entre o que é, o que julgamos ser, e o que gostaríamos que fosse. O resto é consequência de compreender que estes três conceitos são distintos. Se acham que isto é tão banal que não merece um nome, muito menos um ismo, estou de acordo. É como ter uma palavra para quem não foi atropelado. Mas as consequências desta distinção são significativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a realidade e o que penso dela são coisas diferentes posso exigir que toda a afirmação de factos tenha um fundamento empírico. Alguns interpretam esta exigência como dizendo que só o observável é real, mas não é isso. Admito a possibilidade de haver coisas que não podemos observar. Simplesmente não devemos afirmar que alguma dessas coisas exista porque isso é especular sem fundamento. Isto é consensual para unicórnios invisíveis ou extraterrestres de outras dimensões. Podem existir, mas se não se observam não se justifica afirmar que existem. Só que alguns chamam-me ateu porque aplico o mesmo critério ao que me dizem dos seus deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque distingo o que julgo ser verdade daquilo que gostaria que fosse a minha confiança em cada hipótese depende das evidências que a destacam das alternativas. Por isso rejeito a astrologia e acho o criacionismo um disparate. E é também por isso que não tenho fé. A fé faz do desejo uma opinião na qual se confia mais do que merece. Os que professam uma religião focam este detalhe e chamam-me ateu por não partilhar a fé deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a distinção entre realidade e desejo deixa-me insatisfeito com mistérios. Para pôr a realidade como eu quero tenho que perceber primeiro como ela funciona. Por isso não gasto dinheiro no professor Bambo e prefiro ciência em vez de bruxaria. E muitos crentes concordam com isto. Mas chamam-me ateu porque também rejeito o hocus-pocus na hóstia, os milagres a as missas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A palavra já está definida mas, infelizmente, foca uma parte insignificante daquilo que refere. Sim, discordo que haja deuses. Mas mudava de ideias se o Sol nunca nascesse quando o faraó fizesse greve ou se em cada trovoada visse um tipo de toga a atirar raios cá para baixo. Não é isso que importa. A questão da existência de alguns deuses só vem à baila por causa dos que insistem que o seu é que é verdadeiro. Há imensos deuses que se pode rejeitar sem ninguém achar nada de estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a quem quiser perceber o ateísmo recomendo que esqueça a parte dos deuses. Esqueça até a palavra, que só engana. Ateísmo é só usar o bom senso que todos têm, mas sem abrir excepções para a religião que saiu na rifa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Helder Sanches, 15-6-08, &lt;a href=http://www.heldersanches.com/2008/06/15/o-meme-ateista/&gt;O Meme Ateísta&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Wikipedia, &lt;a href= http://en.wikipedia.org/wiki/Atheist&gt;Atheist&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/319900556" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/como-definirias-atesmo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1418145214656577911</guid><pubDate>Tue, 24 Jun 2008 22:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-24T23:23:14.223+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ética</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">digital</category><title>Mais um exemplo</title><description>dedicado aos apologistas do deixem recolher a informação que a lei protege-nos. O Reino Unido tem uma rede extensa de vigilância electrónica, não só das comunicações mas também com mais de quatro milhões de câmaras espalhadas pelas ruas (1). Para proteger os cidadãos tem o &lt;i&gt;Regulation of Investigatory Powers Act&lt;/i&gt; (RIPA), que permite o uso destes dados apenas em casos de crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A BBC revelou que em alguns municípios do sul da Inglaterra o RIPA foi invocado mais de 750 vezes em 2007 e 2008. Apenas um em cada oito casos mereceu acção policial. A vigilância electrónica foi usada para detectar taxis ilegais, pessoas que não apanhavam a bosta do cão, a apanha do berbigão em locais não autorizados e até para vigiar um casal durante duas semanas para ver se estavam mesmo a morar na zona da escola onde tinham a filha (2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os cidadãos britânicos não têm nada a temer. O Information Commissioner's Office já se mostrou “preocupado” com a situação, e certamente que isto vai resolver o problema. Até parece que estou a ver o Humphrey a dizer “Yes, minister.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- BBC, 2-11-06, &lt;a href= http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/6108496.stm&gt;Britain is 'surveillance society'&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;2- BBC, 23-6-08, &lt;a href= http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/england/7469503.stm&gt; Councils admit using spying laws&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/319218762" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/mais-um-exemplo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-6040057824418728832</guid><pubDate>Mon, 23 Jun 2008 21:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-23T22:43:40.486+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">criacionismo</category><title>O melhor argumento criacionista.</title><description>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pg26_r274BM&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/pg26_r274BM&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/318406693" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/o-melhor-argumento-criacionista.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1416834675783081596</guid><pubDate>Mon, 23 Jun 2008 16:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-23T17:09:08.145+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ética</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">digital</category><title>Privacidade e abusos.</title><description>A Försvarets Radioanstalt (FRA) é a agência sueca de análise de sinais e criptografia. Fundada em 1942, trabalha com as forças armadas na defesa nacional. No passado dia 18 a Suécia aprovou uma lei que encarrega esta agência de interceptar e inspeccionar todas as comunicações por cabo que cruzem as fronteiras suecas. Dada a complexidade da Internet isto inclui a maioria das ligações dentro da Suécia e um grande número de comunicações que não têm a ver com a Suécia. E desde Novembro de 2007 que a FRA tem o 5º supercomputador mais poderoso no mundo, sabendo-se que esta agência já há décadas que monitoriza, à margem da lei, comunicações entre a Suécia e outros países, e provavelmente comunicações internas na Suécia (1,2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 20 o Congresso dos EUA aprovou uma amnistia a todos os fornecedores de serviços de Internet e telecomunicações que auxiliaram a presidência dos EUA a interceptar comunicações sem autorização judicial. É contrário à constituição dos EUA, que garante aos cidadãos a inviolabilidade das suas pessoas, casas, bens e comunicações sem que haja um mandato de busca fundamentado em causa provável (3). O artigo 34º da nossa constituição também estabelece que &lt;i&gt;«O domicílio e o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação privada são invioláveis»&lt;/i&gt; e que é &lt;i&gt;«proibida toda a ingerência das autoridades públicas na correspondência, nas telecomunicações e nos demais meios de comunicação, salvos os casos previstos na lei em matéria de processo criminal»&lt;/i&gt;. Mas apesar de proibida &lt;i&gt;«toda a ingerência das autoridades públicas»&lt;/i&gt; nas nossas comunicações poucos se preocupam que o Estado ordene às empresas de comunicações que guardem detalhes acerca do que enviamos uns aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo 35º da Constituição Portuguesa proíbe &lt;i&gt;«a atribuição de um número nacional único aos cidadãos.»&lt;/i&gt; O Cartão do Cidadão agrega toda a informação associada aos números de contribuinte, BI, segurança social e de saúde. Mas preserva os quatro números diferentes porque senão &lt;i&gt;«violaria a Constituição da República Portuguesa.»&lt;/i&gt;(4) Mas não faz sentido que a Constituição nos proteja de um número. Esta proibição só faz sentido para nos proteger do cruzamento indevido da informação que o Estado guarda. O Cartão do Cidadão é uma finta à Constituição. Dizem nas FAQ não haver cruzamento dos dados mas se têm uma base de dados informatizada em que relacionam as chaves das outras a informação está efectivamente cruzada. Se esta informação estiver em papel temos o inconveniente de esperar meia que a senhora da repartição consulte os cadernos quando pedimos um cartão novo. Mas essa meia hora é a única coisa que impede o Estado de bisbilhotar dez milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes exemplos, entre muitos outros, têm em comum a erosão dos nossos direitos e a indiferença e falta de informação por parte do eleitorado, agravadas pelo carácter imprevisível da tecnologia. Para muitos a retenção da informação acerca do tamanho e destino dos pacotes de dados que trocamos na Internet não levanta problemas. Os sistemas de telefone pela Internet (VoIP, &lt;i&gt;voice over IP&lt;/i&gt;), como o Skype, cifram os dados transmitidos pelo que mesmo examinando os pacotes de dados não é possível ouvir a conversa. Saber o tamanho destes pacotes devia dar ainda menos informação. Mas sons complexos como “au” exigem uma amostragem mais fina quando são digitalizados, e mais bits, do que sons simples como os de consoantes “c” ou “t”. Isto permite usar amostragens variáveis reduzindo a largura de banda usada pelo VoIP. O resultado desta compressão é uma correlação entre o tamanho dos pacotes de dados e os fonemas que permite identificar uma boa parte das palavras na conversa (5).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a informação é recolhida e armazenada alguém a vai usar, ou alterando a lei quando der jeito ou usando a informação ilegalmente e alterando a lei a seguir para não sofrer consequências. E ninguém prevê que usos se dará à informação recolhida. Os dados que parecem mais inócuos podem revelar mais do que se julga quando cruzados e processados. A única forma de defender o nosso direito de controlar e limitar a informação que guardam acerca de nós é consciencializando as pessoas para estes problemas e impedindo a retenção, processamento e cruzamento de dados pessoais sem autorização dos visados, excepto se estritamente necessário. Mesmo neste caso, como registos médicos, de contribuições ou propriedades, os dados não devem poder ser cruzados. Não se justifica que a DGCI possa aceder ao desempenho escolar dos meus filhos ou ao meu registo médico. E para isso é preciso impedir que seja tecnicamente fazível. Se nem à Constituição ligam não é o que escrevem num papel que nos protege de quem lá escreve o que quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Wikipedia, &lt;a href= http://en.wikipedia.org/wiki/Swedish_National_Defence_Radio_Establishment&gt; Swedish National Defence Radio Establishment&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Zeropaid, 18-6-08, &lt;a href= http://www.zeropaid.com/news/9564/Swedish+MPs+to+Vote+on+Wiretapping+Law+-+Major+Protests+Planned&gt; Swedish MPs to Vote on Wiretapping Law&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Zeropaid, 20-6-08, &lt;a href=http://www.zeropaid.com/news/9580/US+Congress+Approves+Warrantless+Wiretapping+-+293+to+129&gt; US Congress Approves Warrantless Wiretapping - 293 to 129&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4- FAQ do Cartão do Cidadão, &lt;a href=http://www.cartaodecidadao.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=39&amp;Itemid=35&amp;lang=pt&gt;Os números de identificação são substituídos por um número único?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5- &lt;a href=http://technology.newscientist.com/channel/tech/dn14124-compressed-web-phone-calls-are-easy-to-bug.html&gt;Compressed web phone calls are easy to bug&lt;/a&gt;, via &lt;a href=http://www.schneier.com/blog/archives/2008/06/eavesdropping_o_2.html&gt;Schneier on Security&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/318202983" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/privacidade-e-abusos.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2229757162600636785</guid><pubDate>Sun, 22 Jun 2008 19:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-22T20:55:50.457+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">criacionismo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da Semana: Ciência Evangélica.</title><description>O leitor Barba Rija criticou-me por dedicar posts inteiros a certos disparates evangélicos, conferindo-lhes &lt;i&gt;«uma dignidade que não compreendo de onde nasceu.»&lt;/i&gt; Admito que dou alguma visibilidade a estas coisas, mas 400 visitas diárias não devem fazer muita diferença. E pode ser que seja melhor ignorar e esperar que passe sozinho. Mas eu prefiro enfrentar o disparate, expô-lo e criticá-lo. Porque a treta é como a barata; prefere deixar-se ver só pelo canto do olho. E porque é mais divertido. Barba Rija, se não fosse tanta gente que acredita, estas coisas eram de chorar a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso o prémio desta semana vai para a secção &lt;i&gt;«Observatório-Textos-Ciência»&lt;/i&gt; do Portal Evangélico (1). Julgo pelo conteúdo que o segundo “-“ se deve ler “menos”: &lt;i&gt;«Encontrado O Carimbo De Jezabel»&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;«A Historicidade Do Dilúvio»&lt;/i&gt;; &lt;i&gt;«Físico E Pesquisador De Origem Síria Defende Criacionismo E Aponta Erros Do Darwinismo E Do Evolucionismo Teísta»&lt;/i&gt; (sim, isto é um título).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este último ilustra a estratégia criacionista do «se não tens razão repete mentiras até que peguem». O físico e pesquisador de origem síria, qualificações indispensáveis para criticar a biologia moderna, aponta que &lt;i&gt;«Nunca foi constatada evolução de uma espécie para outra»&lt;/i&gt;, o que é falso (2); &lt;i&gt;«as descobertas de fósseis de elos perdidos são farsas»&lt;/i&gt;, o que ou é falso (3) ou é disparate, visto que só são perdidos até serem descobertos; &lt;i&gt;«Até hoje nenhum cientista conseguiu simular a origem da vida em laboratório»&lt;/i&gt;, o que representa de forma enganadora a investigação nesta área (4); e que &lt;i&gt;«Isso nunca será possível, pois a vida não é um fenómeno da natureza, mas um milagre que somente Deus pode operar.»&lt;/i&gt; A tese do milagre, presume-se, foi demonstrada cientificamente. Mas não nos explica como. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto &lt;i&gt;«A Historicidade do Dilúvio»&lt;/i&gt;, Claudionor Corrêa de Andrade explica que o &lt;i&gt;«Dilúvio pode ser comprovado tanto histórica quanto cientificamente.»&lt;/i&gt; E dá-nos as provas. Primeiro, pela definição etimológica e teológica das palavras. Depois pelo relato no Génesis, corroborado pelo livro de Isaias, o evangelho de Mateus e o livro de Jó. A isto chama &lt;i&gt;«Evidências bíblicas do dilúvio universal»&lt;/i&gt;. A isto chamo “ouvi dizer”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vêm as &lt;i&gt;«Evidências científicas e históricas»&lt;/i&gt;. Dados concretos e sólidos como numa &lt;i&gt;«série de tijolinhos, gravados em caracteres cuneiformes, uma narrativa bastante similar à do dilúvio bíblico»&lt;/i&gt;, ou &lt;i&gt;«relatos de aviadores, indicando a presença de um grande barco na região de Ararate, onde pousou a Arca de Noé»&lt;/i&gt;. E este, especialmente engraçado: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;«Argumentam ainda alguns pseudo-cientistas que seria impossível cobrir altos montes como o Everest, cujo topo ultrapassa os 7 mil metros. Todavia, a altitude média do planeta é de apenas 800 metros acima do nível do mar, ao passo que a profundidade média dos oceanos é de 4 mil metros.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A altitude média é de 800 metros mas para cobrir o Everest é preciso elevar o nível do mar 7 mil metros. Como os oceanos cobrem 70% da superfície da Terra, isto exige mais do dobro da água que agora temos. O problema não é só estas alegadas evidências serem ridículas e as evidências contra um dilúvio universal serem tantas e tão sólidas (5). O maior problema é pôr tanta gente a acreditar que a ciência é esta fantochada. Se a investigação científica assentasse em tijolinhos cuneiformes e relatos de aviadores tínhamos rezas em vez de antibióticos e sacrifícios em vez da meteorologia. Mas é mesmo isso que eles querem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Portal Evangélico, &lt;a href= http://www.portalevangelico.pt/indexnoticias.asp?nPageSize=10&amp;nTopCod=51&gt;Observatório-Textos-Ciência&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Joseph Boxhorn, Talkorigins.org, &lt;a href=http://www.talkorigins.org/faqs/faq-speciation.html&gt;Observed Instances of Speciation&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Wikipedia, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Transitional_fossil&gt;Transitional Fossil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4- Albrecth Moritz, Talkorigins.org, &lt;a href=http://www.talkorigins.org/faqs/abioprob/originoflife.html&gt;The Origin of Life&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5- Mark Isaak, Talkorigins, &lt;a href= http://www.talkorigins.org/faqs/faq-noahs-ark.html&gt; Problems with a Global Flood&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/317610762" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/treta-da-semana-cincia-evanglica.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-8811224561904115206</guid><pubDate>Fri, 20 Jun 2008 19:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-20T20:12:08.955+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><title>Afinal foi mesmo.</title><description>O jornal Sol confirmou a notícia: &lt;i&gt;«'Upload' de 146 músicas resultou numa pena de 90 dias de prisão [...] Tem 28 anos, é do Algarve e pôs 146 músicas em upload no Kazaa e Limewire»&lt;/i&gt;(1). Como não tinha antecedentes criminais a pena pode ser substituída por uma multa de €1160 mais custas judiciais. Mas agora fica com antecedentes criminais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não há detalhes sobre o que ele fez de ilegal. Não se consegue determinar quantos uploads fez examinando o computador dele e o disposto no Artº 68º do Código de Direitos de Autor não se devia aplicar a redes P2P. Este artigo exige autorização do autor para &lt;i&gt;«a colocação à disposição do público, por fio ou sem fio, da obra por forma a torná-la acessível a qualquer pessoa a partir do local e no momento por ela escolhido»&lt;/i&gt;. Só que colocar &lt;i&gt;«à disposição do público»&lt;/i&gt; exige uma infra-estrutura considerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog está acessível ao público graças ao equipamento, largura de banda e motores de pesquisa que a Google disponibiliza. Mas se eu puser um ficheiro em partilha a situação é muito diferente. Só quem estiver próximo na rede (mesmo servidor ou a poucos nós de distância em redes distribuídas) é que descobre que eu tenho o ficheiro. A grande maioria dos utilizadores da rede P2P vai encontrar o ficheiro noutros sítios. Além disso a largura de banda e a capacidade do meu computador são muito limitadas. Só uma ou duas pessoas poderão descarregar o ficheiro de cada vez e, mesmo essas, só descarregarão partes do ficheiro. As redes P2P funcionam de forma a que cada um faz, em média, uma cópia para outro. Não há um ponto central que disponibiliza algo a todos. Infelizmente, poucos percebem a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro caso relacionado foi o de um miúdo que &lt;i&gt;«assinou uma declaração de culpa sobre os seus actos»&lt;/i&gt;(2):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;«Chamo-me N. tenho quinze anos e vivo nos Açores. Por várias vezes, acedi à Internet, onde consultei vários sites e utilizei alguns serviços Peer-to-Peer, como, por exemplo, o Kazaa e o Limewire. &lt;br /&gt;Através desses serviços, fiz downloads de várias músicas, como o "Dei-te quase tudo" e o "Fala-me de Amor". &lt;br /&gt;Depois partilhei-as e disponibilizei-as a outras pessoas na internet. Estes meus actos foram detectados e, no dia 3 de Maio de 2007, a Polícia apareceu em minha casa. Foi ao meu quarto, ao quarto da minha irmã e dos meus pais. &lt;br /&gt;Os polícias correram a minha casa toda e levaram-me o meu computador, bem como os meus CDs e DVDs.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto motivou &lt;i&gt;«um apelo das associações ao endurecimento da legislação aplicável à pirataria.»&lt;/i&gt; Revistar casas, tirar computadores a miúdos e condenar a meses de cadeia quem partilha sem sequer se saber com quantas pessoas realmente partilhou é ser muito brando para um crime tão grave como permitir que outros ouçam música sem pagar. Eu prevejo que não vão ficar satisfeitos enquanto a lei não nos obrigar a ir todos os dias à loja deles comprar CDs de bosta musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu aproveito para deixar também dois apelos. Até 2004 o Código de Direitos de Autor não punia ninguém apenas por disponibilizar a obra. Era preciso provar que havia distribuição. A lei foi alterada pela Directiva 2001/29/CE do Parlamento Europeu (3) mas, apesar de tornar ilegal algo que milhões de pessoas já faziam por toda a Europa, a alteração à lei foi meramente burocrática. O meu primeiro apelo é para não deixar que os políticos se safem com estas coisas. Se os obrigarmos, eles escolhem os votos em vez do dinheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como as discográficas preferem o dinheiro o meu segundo apelo é para bater onde lhes dói. Não comprem CDs às editoras e recordem que o Artº 81º autoriza a reprodução &lt;i&gt;«[p]ara uso exclusivamente privado, desde que não atinja a exploração normal da obra e não cause prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor»&lt;/i&gt;. Se alguém perguntar, digam que só prejudicam os exploradores anormais e que é em defesa dos interesses do autor porque andam uns idiotas a pôr os fãs na prisão. O dinheiro que pouparem gastem em concertos que é o que mais ajuda os artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Sol, &lt;a href="http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=98563"&gt;Pirataria digital&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Sapo-tek, &lt;a href="http://tek.sapo.pt/4L0/824504.html"&gt;Partilha ilegal de música já teve consequências para dois utilizadores e uma empresa&lt;/a&gt;, via &lt;a href="http://remixtures.com/2008/06/partilhador-portugues-condenado-por-disponibilizar-146-musicas-atraves-do-kazaa-e-limewire/"&gt;Remixtures&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Disponível no &lt;a href="http://www.inst-informatica.pt/legislacao-e-directivas/sociedade-da-informacao-1/Directiva_29_2001.pdf/view?searchterm=comit%C3%83%C2%A9"&gt;Instituto da Informática&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/316408857" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/afinal-foi-mesmo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-3795502667218111872</guid><pubDate>Thu, 19 Jun 2008 22:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-19T23:07:42.025+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><title>Português condenado por partilhar músicas?</title><description>Recebi a notícia há pouco por email. É estranho que não haja detalhes; a notícia apenas refere a pena, que ainda não transitou em julgado, e que o arguido &lt;i&gt;«terá descarregado música de forma ilícita ("downloads" ilegais) que depois transferiu para outros indivíduos»&lt;/i&gt;. Isto segundo &lt;i&gt;«fontes do mercado»&lt;/i&gt;(1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é estranho que tenham estabelecido que o arguido transferiu ficheiros para outros indivíduos. A menos que tenham interceptado as comunicações, o que normalmente exige crimes mais graves, só poderiam saber que os ficheiros estavam disponíveis e não que ficheiros transmitiu. Mas isto pode ser apenas erro da jornalista e não do juiz. Ao contrário da lei Americana, em Portugal é crime &lt;i&gt;«A colocação à disposição do público, por fio ou sem fio, da obra por forma a torná-la acessível a qualquer pessoa a partir do local e no momento por ela escolhido»&lt;/i&gt;. Não é muito claro se a partilha numa rede P2P faz isto, mas é possível que o tribunal assim o entenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto o descarregamento em si não deve ser automaticamente ilícito. O código de direitos de autor consente a reprodução &lt;i&gt;«Para uso exclusivamente privado, desde que não atinja a exploração normal da obra e não cause prejuízo injustificado dos interesses legítimos do autor, não podendo ser utilizada para quaisquer fins de comunicação pública ou comercialização.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era bom saber mais detalhes. Por enquanto partilho as suspeitas do Miguel Caetano (2). Parece-me que isto ou é treta (&lt;i&gt;«fontes do mercado»&lt;/i&gt;?) ou é mais um caso de ignorância tecnológica. Numa rede P2P cada utilizador transmite pedaços dos ficheiros a alguns outros utilizadores. Em média, cada um faz apenas uma cópia. Condenar um participante numa rede P2P a uns meses de cadeia por partilhar músicas sem fins lucrativos é um exagero. Especialmente quando o Hotel Tivoli fez negócio passando num bar música sem licença e, ao fim de uma data de tempo de tribunais e recursos, é condenado a 5000 euros de indemnização (3). Isso gastam eles numa semana em palitos e Sonasol...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Jornal de Negócios, &lt;a href=http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&amp;id=320686&gt;Português condenado por partilhar música na Internet&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2- Miguel Caetano, 19-6-08, &lt;a href=http://remixtures.com/2008/06/procura-se-partilhador-portugues-condenado-a-pena-de-prisao-de-90-dias/&gt;Procura-se: partilhador português condenado a pena de prisão de 90 dias&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3- Portugal Diário, &lt;a href=http://diario.iol.pt/tecnologia/cd-musica-pirataria-informatica-downloads-ilegais-pirataria/964261-4069.html&gt;Condenados por piratearem música&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/315741799" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/portugus-condenado-por-partilhar-msicas.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-8692432422192113787</guid><pubDate>Thu, 19 Jun 2008 13:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-19T14:47:55.472+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ética</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><title>A vingança do impotente.</title><description>As religiões cristãs e muçulmanas vivem muito do alegado castigo eterno que alguns terão no final da vida. O Jónatas Machado explicou que &lt;i&gt;«A violação das normas de um Deus eterno tem, logicamente, consequências eternas. A violação das normas de um Deus infinito tem, naturalmente, consequências infinitas.»&lt;/i&gt;(1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão absurdo como propor que roubar €20 a um rico merece mais castigo que roubar €20 a um pobre. As leis servem para proteger a sociedade e os mais fracos, e os castigos são necessários porque temos que dissuadir o que somos incapazes de prevenir. Mas um deus omnipotente não precisa de protecção e se quer impor uma norma fica imposta e pronto. Qual é o castigo para quem fizer a gravidade decair mais que com o quadrado da distância? Nenhum. Se Ele diz que decai com o quadrado da distância é assim e pronto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A desculpa da vontade livre não serve. Dizem que Deus quer que os humanos ajam livremente e por isso impõe regras que se pode transgredir. É uma justificação estranha. Por um lado pelas situações a que se aplica. Não somos livres de viver da luz do Sol nem de transformar a faca do assaltante em espaguete, mas somos livres de roubar para comer ou de matar outro à facada. Por outro lado, é liberdade com castigo. Somos livres de decidir com quem temos relações sexuais a vida toda mas depois de morrermos somos condenados ao sofrimento eterno se escolhemos a porta errada. Isto não faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um castigo pode educar e a ameaça pode dissuadir mas o inferno não serve nem para um nem para o outro. O sofrimento eterno não tem valor pedagógico e ameaçar sem evidências castigar depois da morte é ineficaz. O castigo deve imediato, inevitável e evidente. Dêem as voltas que derem, o pagamento hipotético daqui a cinquenta anos pelos pecados de agora não é boa justiça. Vão pensar que Ele recorre aos tribunais portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, o inferno não faz sentido como pedagogia, dissuasão ou retribuição. Não há mal que possamos fazer a um ser eterno e omnipotente que justifique um castigo destes. É pior que torturar uma criança só porque me pisou um pé. Mas o Jónatas Machado dá uma pista para compreender o fenómeno: &lt;i&gt;«A gravidade das consequências é proporcional à dignidade e autoridade das normas violadas.»&lt;/i&gt; (1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Bater num polícia em serviço ou desobedecer à sua ordem para parar o carro têm consequências mais graves do que se fosse com outra pessoa qualquer. Mas o Jónatas inverte a relação causal. A desobediência não é mais grave porque o polícia tem mais autoridade. É o contrário. O polícia tem mais autoridade porque a lei pune mais severamente quem lhe desobedece. É a lei que dá autoridade ao cargo e não o cargo que dá autoridade à lei*. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos lobos o chefe é chefe porque é o mais forte. A posição deriva da sua autoridade inata. Nos chimpanzés e em tribos humanas pequenas, o chefe é chefe em grande parte pela sua autoridade mas também pela autoridade que lhe concedem. Tem que ter aliados e amigos para se aguentar como chefe. Conforme o grupo cresce aumenta o contributo da convenção. Certamente que a maior parte da autoridade de quem liderou a construção de Stonehenge, Ur ou da Grande Pirâmide lhe foi concedida pelo cargo e não o contrário, e numa sociedade moderna isto é mais evidente que nunca. José Sócrates tem autoridade por ser o Primeiro Ministro. Não é o Primeiro Ministro que tem autoridade por ser o José Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em paralelo com esta inversão de poder veio a burocratização e os intermediários. O chefe da tribo era o mais forte ou carismático e presidia aos julgamentos, arbitrava conflitos e até dava uns sopapos quando era preciso. Agora temos tribunais, advogados, julgamentos que duram anos, leis, parlamento para fazer as leis, ASAE para confiscar bolas de Berlim e assim por diante. E padres. A religião é o culminar deste processo. Na religião o cargo supremo é pura convenção. Nem há lá ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Deus existisse primeiro explicava-me pessoalmente o que eu devia fazer. Um deus omnipotente não precisa de burocratas ou intermediários. E dava-me um carolo cada vez que eu escrevesse uma heresia ou tivesse um pensamento lascivo. Tau! Era logo. À força das mazelas fazia-me santo em poucos meses. Bem... poucos anos. Mas isto de serem os padres a dizer o que Deus quer, de um castigo que só vem sabe-se lá quando e que tem que ser terrível para proteger a dignidade do cargo só me sugere uma coisa. É tudo treta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;i&gt;O que dá autoridade à lei é a pistola do polícia e a convenção, não o cargo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Em comentários ao post &lt;a href= http://ktreta.blogspot.com/2008/06/mete-medo.html&gt;”Mete medo...”&lt;/a&gt;, sob o pseudónimo de Perspectiva.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/315421840" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2008/06/vingana-do-impotente.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author></item></channel></rss>
