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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-29251019</atom:id><lastBuildDate>Mon, 09 Nov 2009 09:04:31 +0000</lastBuildDate><title>Que Treta!</title><description>Há tretas que me incomodam. É aqui que desabafo.</description><link>http://ktreta.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1043</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/QueTreta" type="application/rss+xml" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-5474220606871792944</guid><pubDate>Sun, 08 Nov 2009 17:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-08T17:12:25.314Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">criacionismo</category><title>Treta da semana: radioactividade criacionista.</title><description>Os criacionistas queixam-se que não os deixam publicar a sua "investigação" em revistas científicas. É por isso que precisam ter as suas próprias publicações, como a &lt;i&gt;Creation Research Society Quarterly&lt;/i&gt;. Em Março de 1982 publicaram um artigo do Everett H. Peterson intitulado &lt;i&gt;«Creation, why and how?»&lt;/i&gt;. Não me parece misteriosa, nem indicativa de conspiração, a rejeição destas explicações por parte de revistas científicas legítimas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;«When God the Son squeezed energy into atoms, he squeezed and held the atom so tightly that there were no unstable elements and therefore no radioactivity. At the fall [of Adam and Eve], He relaxed His grip slightly ... which affected every atom and allowed some to become unstable, i.e., radioactivity!»&lt;/i&gt;(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infelizmente, só consegui acesso ao resumo do artigo. Mas é elucidativo. Uma conclusão importante deste autor é que a origem da radioactividade é a vaidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;«In this article the question: Creation-Why? is examined; and it is concluded, among other things, that the second law of thermodynamics was put into operation as soon as Creation was complete. The question: Creation-How? is also examined; and it is suggested that one of the results of making creation subject to vanity (Romans 8:20) at the fall was radioactivity.»&lt;/i&gt;(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se conseguíssemos aproveitar esta relação entre vaidade e radioactividade penso que, entre a Lili Caneças e o José Castelo Branco, Portugal conseguia a independência energética. É claro que, provavelmente, ficávamos todos com cancro...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Evolution vs. Creationism, The Saladin-Gish II Debate (1988), &lt;a href=http://www.infidels.org/library/modern/ken_saladin/saladin-gish2/saladin1.html&gt;Opening Statement for the Affirmative&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;
2- CRS Quarterly, &lt;a href=http://www.creationresearch.org/crsq/abstracts/sum18_4.html&gt;Volume 18, Number 4, March, 1982&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-5474220606871792944?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/j7cgacjn9yM" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/11/treta-da-semana-radioactividade.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1920404827463100124</guid><pubDate>Sun, 08 Nov 2009 10:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-08T10:25:56.601Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">eu</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><title>Relacionamentos e margens de erro.</title><description>Quando era miúdo tive uma professora de português de quem não gostava nada. A princípio. Mas, num momento de inspiração, ocorreu-me que aquilo de que eu não gostava era apenas uma ideia. Todo esse meu desagrado tinha por objecto a opinião que eu formara acerca de alguém que mal conhecia. A epifania serviu de imediato para tornar aquelas aulas muito mais suportáveis. E, a longo prazo, além de ainda me lembrar o que é o pretérito imperfeito do conjuntivo, tem me ajudado muito recordar que, salvo raras excepções, a ideia que formo das pessoas tem uma grande margem de erro. Há muito pouca gente na nossa vida que conheçamos suficientemente bem para ignorar lacunas na informação e estimativas erradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No relacionamento com os outros podemos assumir que os juízos que fazemos são fiáveis e evitar desilusões julgando os outros de forma mais pessimista. Ou podemos assumir o melhor das outras pessoas, dar-lhes o benefício da dúvida dentro da margem de erro e precavermo-nos contra dissabores tendo consciência que esse juízo é muito incerto. A experiência com a professora de português levou-me a optar pela segunda alternativa. É mais agradável, e mais justo, desconfiar da minha capacidade de julgar os outros em vez de ser pessimista acerca das pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso concordo, em parte, com o que me descrevem os crentes quando dizem confiar no seu deus. Dão-lhe o benefício da dúvida. Se não conhecemos alguém, podemos assumir que é boa gente. Mas só concordo em parte porque é preciso considerar que podemos formar um juízo errado. Se um estranho me toca à porta eu assumo que é boa pessoa e incapaz de maltratar crianças. Mas como posso estar enganado acerca disto não vou deixar que leve os meus filhos a passear sem mais informação que reduza a tal margem de erro. Para isso já tem de ser alguém que eu conheça o suficiente para que, além da confiar que é boa pessoa, também confie nesse juízo que fiz dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é nisto que os crentes se espalham. A religião, dizem-me, é uma relação com Deus. Ou com um deus, pelo menos. É confiar nesse deus. Mas o que quer que sintam por esse deus será sempre função da ideia que formaram dele. Ou dela. E o problema é não terem qualquer informação onde basear essa ideia. Eu, ao menos, tinha aulas com a professora de português. Não era suficiente para saber se era boa ou má pessoa, mas sempre sabia alguma coisa acerca dela. E neste universo não se vê vestígio de qualquer divindade. Tudo o que se pensava indicar intervenção divina tem vindo a desaparecer, como a magia do ilusionismo quando se explica o truque. Acerca do deus, da deusa ou dos deuses, nenhum religioso tem informação. Só especulação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso não me convencem quando dizem que se tem de interpretar o Antigo Testamento de uma maneira especial por esse deus não ser como os hebreus julgavam. Concordo que o Antigo Testamento relata o relacionamento dos hebreus com o seu deus, e que o relacionamento dos católicos com o deus católico é diferente daquele que os hebreus tinham com o seu. O dos católicos é chatinho mas é menos ameaçador, se descontarmos a tortura eterna com que castiga quem discorde dele. Mas ninguém, nem católicos, nem hebreus, nem seja quem for, faz ideia de como Deus é. Não se sabe sequer se existe tal coisa, quanto mais saber o que quer, o que manda, de que gosta ou desgosta ou como se deve interpretar o que se escreve acerca dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, até compreendo que queiram confiar num deus. Quando não tenho informação em contrário acerca de alguém também prefiro pensar que é boa pessoa. Mas neste caso é um exagero. A ideia que fazem do respectivo deus – e, no fundo, é sempre com a ideia que nos relacionamos – é fruto unicamente da imaginação dos crentes. Nem sequer é alguém que encontrem de vez em quando, nas aulas de português ou assim, porque na missa só está lá o padre e o cenário. Se estivesse lá um deus notava-se bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este exagero nem é o pior. Na verdade, se é exagero ou não é um juízo subjectivo, e admito podermos discordar disto por divergências de valor. É legítimo alguém querer confiar tanto num ser que até confia, sem evidências, que esse ser existe. É estranho, mas está no seu direito. O que é objectivamente incorrecto é ignorar a margem de erro. Que é enorme. Infinita. Todas as religiões que há, que houve e que algum dia inventem cabem nessa margem de erro, porque não há quaisquer dados que a reduzam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daí que as minhas críticas não sejam por crerem, ou quererem confiar, naquilo que nem sabem se existe. O que critico é dizerem que sabem. Que sabem que deus é assim e assado, que aquele trecho deve ser interpretado daquela maneira, que condena o preservativo, transubstancia a hóstia, engravidou Maria e milhentos outros pontos tirados ao acaso do grande chapéu das margens de erro. O que critico é venderem erro como se fosse conhecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-1920404827463100124?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/OnEuMHl_nlg" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/11/relacionamentos-e-margens-de-erro.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">20</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-8714236756335017299</guid><pubDate>Fri, 06 Nov 2009 22:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-06T22:41:16.652Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ciência</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">criacionismo</category><title>Miscelânea criacionista: o sexo.</title><description>O Mats comentou assim este boneco: &lt;i&gt;«Palavras para quê? É a teoria da evolução.»&lt;/i&gt;(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img src="http://pessoa.fct.unl.pt/a4338/quetretaimages/FrogWaitsForFemale.jpg" alt="sapo" width="400" /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por esta altura o Mats com certeza já sabe que a teoria da evolução descreve como variam as características de populações de geração em geração, e que é disparate falar da evolução de indivíduos. Mas se bem que este comentário do Mats seja mais decepção que ignorância*, a confusão que o sexo faz aos criacionistas deve-se, principalmente, à falta de conhecimento. Os criacionistas imaginam que a reprodução ou é assexuada ou há macho e fêmea que precisam um do outro para se reproduzir. Sem olhar para a natureza, são incapazes de imaginar como a evolução gradual pode ir de um sistema ao outro. Felizmente, nem todos estamos limitados àquele livrinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As bactérias não fazem sexo mas têm partes do mecanismo molecular da reprodução sexuada. Conseguem incorporar ADN do meio onde se encontram (transformação), partilhá-lo com outras bactérias (conjugação) ou receber ADN transportado por vírus (transdução). Na verdade, o difícil é impedir esta promiscuidade pois, sendo todos os organismos aparentados, o ADN de um organismo normalmente funciona nos outros. Por isso é que as bactérias também têm enzimas de restrição, para destruir ADN indesejado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As bactérias têm também enzimas para recombinar o ADN(2). A recombinação é um passo crucial na reprodução sexuada, trocando partes dos cromossomas que o organismo herdou dos pais. Este baralhar dos genes torna os filhos diferentes entre si e diferentes dos pais, com um número astronómico de combinações possíveis. Mas nas bactérias, que não têm sexo, a recombinação já há muito tempo serve para integrar genes "importados" e reparar trechos danificados de ADN substituindo-os por cópias funcionais. Numa jogada típica da evolução, a reprodução sexuada aproveitou para os seus fins mecanismos que já desempenhavam outras funções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os criacionistas também imaginam que a reprodução sexuada exige que um indivíduo nasça com o sexo determinado nos genes, talvez por Deus, e só se possa reproduzir com um indivíduo do sexo oposto. Mas há muitas alternativas. O sexo dos crocodilos é determinado pela temperatura de incubação do ovo (3). Em muitas espécies de plantas e de peixes, os indivíduos mudam de sexo ao longo da vida (4), e nos invertebrados é comum não haver distinção entre machos e fêmeas, sendo todos hermafroditas. Na verdade, a reprodução sexuada depende apenas de dois processos fundamentais: a fusão de duas células, cada uma com uma cópia de cada cromossoma (fertilização), e a posterior divisão de células com duas cópias de cada cromossoma em células só com uma cópia (meiose). De resto vale tudo, dando à evolução uma grande margem de manobra para inventar e reinventar o sexo. Ou desistir dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria ficou famosa porque a partenogénese é muito rara nos mamíferos. Mas, fora deste pequeno grupo, muitos animais abandonaram esse pecado (pouco) original: várias espécies de lagarto, insectos, aracnídeos (5) e até alguns tubarões (6). Os protozoários do filo Rotifera fizeram-no em massa, com 2200 espécies conhecidas sem pingo de malandrice.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A evolução da reprodução sexual é um mistério intrigante. Mas não por esta caricatura criacionista, do primeiro macho à espera que a fêmea evolua. Nem por falta de oportunidades para um processo gradual transformar em sexo os mecanismos de reparação e partilha de genes de seres assexuados primitivos. O que intriga é que vantagens possam compensar o custo, para cada progenitor, de transmitir às gerações seguintes apenas metade dos seus genes em vez de todos como faz quem se reproduz sem sexo. Há várias hipóteses, desde compensar mutações nefastas a reparar o ADN até a protecção contra parasitas (7). Mas há ainda muito para fazer até se ter uma ideia concreta e devidamente fundamentada dos factores que levaram à origem e, especialmente, à preservação desta forma de reprodução.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, esta é mais uma de muitas questões que não se responde satisfatoriamente com um "porque Deus quis". E a mais que isso a bíblia dos criacionistas já não chega.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;* O Mats até foi buscar o desenho a um post de um criacionista, Ray Comfort, a negar ter dito precisamente aquilo que o Mats insinua: &lt;a href=http://raycomfortfood.blogspot.com/2009/10/here-we-go-again.html&gt;Here we go again...&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Mats, &lt;a href=http://darwinismo.wordpress.com/2009/11/03/macho-e-femea/&gt;Macho e Fêmea&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Robert Winning, &lt;a href=http://www.emunix.emich.edu/~rwinning/genetics/bactrec.htm&gt;Bacterial Recombination&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
3- Wikipedia, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Temperature-dependent_sex_determination&gt;Temperature-dependent sex determination&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
4- Wikipedia, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Hermaphrodite#Sequential_hermaphrodites&gt;Hermaphrodite, Sequential hermaphrodites&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
5- Wikipedia, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Parthenogenesis&gt;Parthenogenesis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
6- Washington Post, &lt;a href=http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/05/22/AR2007052201405.html&gt;Female Sharks Can Reproduce Alone, Researchers Find&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
7- Wikipedia, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Evolution_of_sexual_reproduction&gt;Evolution of sexual reproduction&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-8714236756335017299?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/fDcsMZF_4rw" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/11/miscelanea-criacionista-o-sexo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">24</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-281112988613751197</guid><pubDate>Wed, 04 Nov 2009 23:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-05T10:26:50.722Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><title>Democracia.</title><description>Em 2007 os EUA, a Comunidade Europeia, a Suíça e o Japão começaram a negociar o Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA)(1). O projecto foi iniciado pela Global Business Leaders' Alliance Against Counterfeiting, uma associação representando os interesses de várias empresas multinacionais (2), e todas as negociações têm decorrido em segredo. Os parceiros agora incluem a União Europeia e vários outros países, como a Austrália, o Canadá e a Coreia do Sul, onde decorre este mês a sexta ronda de negociações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só por fugas não autorizadas é que tem saído informação acerca do ACTA, pois os governos envolvidos recusam revelar o que estão a negociar em nosso nome. Segundo as últimas, a ronda de negociações que agora decorre inclui medidas como criminalizar a violação de &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; mesmo sem fins lucrativos, responsabilizar os provedores de acesso ou hospedagem de conteúdos pela violação de &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; por parte dos seus clientes, obrigar o corte de acesso à Internet no caso de queixas pelos detentores de &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; e proibições obrigatórias a qualquer forma de contornar sistemas de protecção de cópia (DRM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se isto for para a frente, usar uma câmara de vídeo para gravar um filme no cinema será um crime, com pena de prisão. Serviços como o YouTube ou o Blogger desaparecerão, pois nenhuma empresa poderá comportar os custos de se responsabilizar por todas as violações de &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; que ocorram nestes meios. Muitas pessoas ficarão com um acesso restrito à cultura, informação e sociedade – incluindo serviços públicos – só porque o filho ou neto descarregou um mp3. E a legislação dos direitos de cópia irá ser ainda menos um sistema de incentivo à criatividade e cada vez mais uma marreta para bater em tudo o que possa fazer concorrência às editoras. Precisamente como as empresas querem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É provável que estejam a tentar levar isto longe demais e acabe por não ir a lado nenhum. Há limites para as alterações à lei que se pode obrigar com um acordo secreto entre interesses económicos e governos, sem um processo aberto de discussão e aprovação por representantes eleitos. Mas também é possível que consigam criar com isto um processo legislativo à margem da democracia, onde empresas multinacionais escolhem as leis que querem, meia dúzia de tipos de fatinho assinam à porta fechada e nós só sabemos o que se passou quando recebemos a notificação do tribunal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O melhor é fazer já barulho, a ver se é possível travar o ACTA antes que nos trame a todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais sobre isto:&lt;br /&gt;
Cory Doctorow, no BoingBoing, &lt;a href=http://www.boingboing.net/2009/11/03/secret-copyright-tre.html&gt;Secret copyright treaty leaks. It's bad. Very bad.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Michael Geist, &lt;a href=http://www.michaelgeist.ca/content/view/4510/125/&gt;The ACTA Internet Chapter: Putting the Pieces Together&lt;/a&gt;, e &lt;a href=http://www.michaelgeist.ca/content/view/4511/125/&gt;ACTA Negotiations, Day Two: What's On Tap&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
EFF, &lt;a href=http://www.eff.org/deeplinks/2009/11/leaked-acta-internet-provisions-three-strikes-and-&gt;Leaked ACTA Internet Provisions: Three Strikes and a Global DMCA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Wikipedia, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Counterfeiting_Trade_Agreement&gt;ACTA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Mark Harris, &lt;a href=http://acta.lemming-brothers.com/tiki-index.php?page=Completed+Submission&gt;Submission on the Proposed Anti Counterfeiting Trade Agreement&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-281112988613751197?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/IvQAhW0WO50" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/11/democracia.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">13</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-4859888874186372256</guid><pubDate>Tue, 03 Nov 2009 21:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-03T21:06:04.057Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">tecnologia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">digital</category><title>Distributed Hash Tables.</title><description>Para guardar registos de pessoas podemos usar 26 pastas, separando as folhas pela primeira letra do apelido, por exemplo. Isto facilita a tarefa de encontrar um registo porque só precisamos procurar entre os que começam pela mesma letra. Mas isto é pouco eficiente porque há letras muito mais frequentes que outras. Algumas pastas vão ficar mais grossas, dar mais trabalho a percorrer e, porque é mais comum que os apelidos comecem com essas letras, será nessas pastas que vamos encontrar a maior parte dos nomes que tivermos de procurar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa é mais eficiente se distribuirmos melhor os registos. É aqui que entram as funções &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt;, para fazer batata-palha das regularidades que desequilibram o arquivo. Por exemplo, podemos converter cada letra num número, com o A correspondendo a 1, o B a 2 e assim por diante, somar os valores de todo o nome e calcular o resto da divisão por 26. O número resultante, de 0 a 25, indica em que pasta guardar aquele registo*. Assim a distribuição pelas pastas será mais uniforme, poupando trabalho na pesquisa. É claro que, para nós, fazer estas contas dá mais trabalho que procurar folhas nas pastas. Para o computador já não e, por isso, as tabelas de dispersão (&lt;i&gt;hash tables&lt;/i&gt;) servem principalmente para organizar informação digital. Mas, para este post, o que interessa é a ideia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E uma coisa boa nesta ideia é que a tabela pode ser distribuída. Em vez de uma pessoa ter as pastas todas podemos dá-las a um grupo de pessoas. Cada uma tem um número aleatório de 0 a 25 e guarda as pastas que ficam mais próximas do seu número que do número de qualquer outro participante. Além disso, cada participante sabe o telefone da pessoa com o número mais próximo acima do seu e da pessoa com o número mais próximo abaixo do seu, imaginando que o circulo dá a volta no 25, recomeçando do zero. Assim temos um anel telefónico de várias pessoas, cada uma com o contacto dos seus dois vizinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para consultar um registo nesta tabela distribuída calculamos o valor do &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt; do nome. O tal número de 0 a 25. Depois telefonamos a qualquer uma destas pessoas. Essa vê se o valor corresponde a uma das suas pastas. Se corresponder, dá-nos a informação que queremos. Se não corresponder, passa a chamada para o vizinho cujo número estiver mais próximo do &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt; que lhe demos. Este fará o mesmo até a chamada chegar a quem tem a pasta certa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se em vez de pessoas usarmos computadores, ainda melhor. Podemos ter uma função de &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt; com números maiores. Tipicamente, em vez de 26 valores são números com cinquenta dígitos. Assim cada valor corresponde a uma única entrada na tabela, em vez de uma pasta inteira. O reencaminhamento das mensagens é automático e praticamente instantâneo, pela Internet. Cada computador pode guardar não só os contactos dos seus vizinhos mais próximos mas também vários outros, acelerando a pesquisa. Com informação redundante, tendo vários computadores guardando os mesmos dados, sempre que um desaparece da rede a falha pode ser colmatada pelos vizinhos, trocando os dados necessários para manter toda a tabela disponível. E quando entra um participante novo, procura um cantinho onde se meter e os seus vizinhos dão-lhe uma parte da tabela para guardar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É isto que está a tramar as editoras de discos e filmes. Quando alguém quer partilhar um ficheiro, o seu programa calcula o &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt; e gera uma ligação que pode ser publicada em qualquer sítio. Por exemplo, este é o URI ed2k de um ficheiro do filme District 9:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ed2k://|file|District_9_(2009).R5.avi|1474425934|F13EBED7C5C94A19D7872680A20BAD10|/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira parte é o nome do ficheiro, que pouco importa porque o &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt; é calculado pelo ficheiro em si. Em seguida o tamanho em bytes e, no fim, o &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt; identificando este ficheiro na rede ed2k. Quem tiver este ficheiro em partilha – com a devida autorização dos detentores de direito e a bênção dos mapinetas, é claro – envia para a rede uma mensagem com o seu endereço e o &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt; do ficheiro. Esta é reencaminhada até ao computador que, naquele momento, tiver a seu cargo a gama de valores que inclui este &lt;i&gt;hash&lt;/i&gt;. É esse computador que vai também receber todos os pedidos de quem quiser o ficheiro, pondo-os assim em contacto com quem o tem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Napster morreu quando encerraram os seus servidores, mas com uma DHT a rede deixa de depender de um computador central que registe quem tem quais ficheiros em partilha. Graças aos esforços da indústria discográfica, que motivaram o trabalho gratuito de muitos programadores, agora a RIAA pode fechar os servidores e trackers que quiserem. Já não são necessários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os poucos leitores que tiveram paciência de ler este post até aqui, deixo uma modesta recompensa. Agora quando carregarem no botão Kad do eMule ou repararem no plugin Distributed DB do Vuze já sabem o que é. O que é mais que a grande maioria dos mapinetas que ainda andam a tentar fechar servidores e páginas da Internet, julgando que isso faz alguma coisa às redes de partilha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;* Este é um hash muito pobrezinho, só para explicar a ideia. Se quiserem ver como é um mais a sério, a Wikipedia tem artigos sobre os &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/SHA_hash_functions&gt;Secure hash algorithms&lt;/a&gt; e os &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/MD5&gt;Message digest algorithms&lt;/a&gt;, por exemplo.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-4859888874186372256?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/ZNmmNaVg-kw" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/11/distributed-hash-tables.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-7085473447216364253</guid><pubDate>Sun, 01 Nov 2009 22:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-01T22:53:16.593Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sarcasmo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da semana: Centro Lusitano de Unificação Cultural</title><description>O Centro Lusitano de Unificação Cultural (CLUC) é uma associação que tem por objectivo nada menos que &lt;i&gt;«estabelecer em bases sólidas e correctas uma Biosofia - Sabedoria da Vida - abarcando todos os campos de pensamento, de actividade e de esforço humano, nomeadamente filosóficos, científicos, religiosos, políticos, sociais, pedagógicos, artísticos e éticos.»&lt;/i&gt; Com um objectivo tão ambicioso, não admira que estas pessoas estejam a sondar o insondável e a responder ao irrespondível. Sabem, por exemplo, que de Deus &lt;i&gt;«ciclicamente promana um raio (um fragmento da sua inesgotável e perpétua Essência) que dá origem a todos os Universos em manifestação»&lt;/i&gt; e que &lt;i&gt;«existem universos físicos com matéria mais velha, digamos assim, com maior número de anos de evolução, e que possuem elementos químicos ainda não gerados nesta»&lt;/i&gt;. Sabem também interpretar correctamente os textos sagrados. Ao contrário de muitos que, por ignorância, acham que a Bíblia foi inspirada por Deus, no CLUC sabe-se que &lt;i&gt;«Jeová é um nome atribuído ao Espírito de Raça do povo judeu, isto é, a uma entidade suprafísica, do Reino Dévico (um deus mas, não, Deus), que tutela (e, ao mesmo tempo, se alimenta com) as energias do referido povo.»&lt;/i&gt;(2) Fica assim corrigida mais uma leitura demasiado literalista do Antigo Testamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos que não foram iniciados no esoterismo pode ocorrer perguntar como sabem estes senhores tanta coisa acerca do que promana de Deus, dos outros universos, de quem é quem no Reino Dévico e assim. Mas aos iniciados não ocorre perguntar. Os estudiosos estudam e, como estudam, logo sabem. É assim que isto funciona e quem disser o contrário é ignorante. O presidente do CLUC explica bem isto. Ou, ainda melhor que explicar, não explica. Interpreta. Num texto intitulado «Esoterismo?», José Manuel Anacleto afirma que o verdadeiro esoterismo, como o verdadeiro escocês, não é superstição nem crendice, negócio, sensacionalismo, charlatanice, puerilidades, alienação ou autocentramento. Não fica claro o que é. Mas deve ser bom:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;«um conjunto sistemático e coerente de princípios e de valores mais abarcantes; uma Sabedoria Universal que integra, fundamenta e sintetiza as múltiplas expressões científicas, filosóficas, religiosas, éticas e, mesmo, estéticas...[etc]»&lt;/i&gt;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da investigação, o CLUC ministra cursos de ciência esotérica, como &lt;i&gt;«A Árvore da Vida e as 10 Sephiroth Cabalísticas»&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;«O Cristianismo à Luz da Sabedoria Esotérica»&lt;/i&gt; (4). E, em Junho de cada ano, celebram o Ritual da Circulação de Luz, &lt;i&gt;«uma cerimónia ritualística e um trabalho de irradiação espiritual, que constituem um evento mundial único e de capital importância nesta época.»&lt;/i&gt;(5)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto demonstra cabalmente como o estudo legítimo do espiritual e do divino se distingue da superstição, crendice e charlatanice. Primeiro, é um estudo. Não é apenas por crença que nos falam de outros elementos químicos em universos mais antigos e que os universos são criados por raios que saem regularmente de Deus. Dizem-no porque sabem. Porque estudam estas coisas. É a sério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, afirmam claramente que isto não é superstição nem charlatanice. Ora, se fosse, claro está, não iam dizer que não era. E há que tratar de forma diferente aquilo que (dizem que) é diferente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, dizem defender um conjunto coerente e sistemático de princípios. Ainda por cima, segundo eles, mais sofisticado que os outros. Certamente que tudo o que é coerente, sistemático e sofisticado tem mesmo de ser verdade. Se não fosse assim andava por aí muita gente a acreditar em tretas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- CLUC, &lt;a href=http://www.centrolusitano.org/acerca/default.asp&gt;Acerca do Centro Lusitano&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- CLUC, &lt;a href=http://www.centrolusitano.org/home/PerguntascomRespostas.asp&gt;Perguntas com Resposta&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
3- CLUC, &lt;a href=http://www.centrolusitano.org/acerca/esoterismo.asp&gt;Esoterismo?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
4- CLUC, &lt;a href=http://www.centrolusitano.org/cursos/default.asp&gt;Cursos de Ciência Esotérica&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
5- CLUC, &lt;a href=http://www.centrolusitano.org/livroritual/default.asp&gt;Ritual da Circulação de Luz&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-7085473447216364253?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/8OjnU4XtYFA" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/11/treta-da-semana-centro-lusitano-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">170</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1293348399148485320</guid><pubDate>Sun, 01 Nov 2009 10:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-01T10:18:50.205Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><title>Ken Lee</title><description>O grande êxito do Ídolos búlgaro. Sem dúvida, tulibu dibu douchoo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;object width="640" height="505"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_RgL2MKfWTo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_RgL2MKfWTo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="505"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-1293348399148485320?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/WqS4TKZIDxQ" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/11/ken-lee.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">11</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2721856420543779719</guid><pubDate>Fri, 30 Oct 2009 13:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-30T19:43:13.968Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><title>De novo a interpretação.</title><description>O Alfredo Dinis, depois de algumas considerações sobre mim, que agradeço, aponta que &lt;i&gt;«O que está em causa no ‘caso Saramago’ é a interpretação da Bíblia»&lt;/i&gt;, acrescentando que a minha &lt;i&gt;«insistência em que tudo na religião e, em particular no cristianismo, é mera opinião, é mera subjectividade, ignora que qualquer texto tem que ser interpretado de acordo com alguns parâmetros objectivos: estilo literário, época de composição, modo de composição, contexto cultural em que surgiu, significado dos conceitos utilizados no espaço cultural a que pertencem originalmente, etc. Nada disto é subjectivo.»&lt;/i&gt;(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concordo que uma interpretação de um texto é apenas tão fiável quão relevantes forem os parâmetros em que se baseou. Mas estes atributos do texto são insuficientes para a maioria das conclusões que os católicos defendem. O post anterior ao do Alfredo, do Miguel Pedro Melo, dá um exemplo: &lt;i&gt;«Foi em Jericó que Jesus curou o cego Bartimeu |Lc. 18, 35|.»&lt;/i&gt;(2) Nem o estilo literário, nem a época de composição, nem o modo, contexto cultural ou significado justificam concluir que Jesus realmente curou o cego Bartimeu. Porque o problema não é apenas determinar o significado do texto ou a intenção do autor. É aferir a sua correspondência à realidade. Apesar da insistência do Alfredo, ainda suspeito que os cristãos consideram verídicos estes relatos por razões meramente subjectivas e especulativas. A análise do texto, por muito objectiva que seja, não permite saber se o que lá está escrito é verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este problema é menos grave com católicos que com fundamentalistas. Como o Alfredo apontou, os católicos cedem quando as evidências em contrário são suficientemente fortes. O correcto seria aceitar como verdade apenas aquilo para o qual essa é a hipótese mais plausível mas, como o post do Miguel Melo também ilustra, este problema é mitigado por os católicos mais esclarecidos de hoje preferirem focar apenas aspectos éticos, morais e religiosos. Salvo algumas excepções importantes, os últimos séculos ensinaram os católicos a não insistir em matérias de facto. No entanto, o “caso Saramago” foi precisamente sobre a moral da Bíblia. Saramago não disse que a Bíblia era um manual de erros factuais. Disse que é um manual de maus costumes. Por exemplo, o Deuteronómio estipula que os filhos desobedientes devem ser apedrejados até à morte e que os soldados vitoriosos podem raptar mulheres que lhes agradem de entre os povos derrotados. Isto, parece-me indiscutível, eram maus costumes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem os entendidos que é preciso considerar o &lt;i&gt;«contexto cultural em que surgiu»&lt;/i&gt; cada uma destas recomendações e, por isso, não se pode interpretá-las de forma literal. Isto é uma contradição porque, no contexto cultural em que surgiram, estas normas eram para ser levadas à letra. Era a lei. E ainda há hoje quem pratique abominações destas. A menos que no hebraico original “apedrejar até à morte” quisesse dizer “uma semana sem ver televisão”, não há interpretação que safe estas partes da Bíblia. São maus costumes. São exemplo daquilo que há de pior na humanidade: a capacidade de exaltar o mal como virtude.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Queixa-se o Alfredo que &lt;i&gt;«Se a Igreja Católica nada muda, é acusada de imobilismo, de falta de liberdade de investigação, de espírito crítico, etc. Se muda, pergunta-se: quem lhe deu o direito de mudar?»&lt;/i&gt; Mas as histórias do antigo testamento foram consideradas sagradas porque eram a Palavra de Deus. Não foi por serem metáforas bonitas. Eram regras para se obedecer, relatos de como ele criou o mundo e afogou toda a gente e eram um aviso claro a quem o aborrecesse. A Igreja Católica manda agora interpretar literalmente umas partes, pelo contexto histórico outras e pelo estilo umas terceiras, tudo isto em função do que serve a sua doutrina, chamando ignorantes a quem não concorde com estas escolhas e recusando-se admitir que, desta forma, deixa de haver razão para considerar a Bíblia um livro diferente dos outros. Isso é mais arrogância que espírito crítico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A raiz deste problema é que, como qualquer religião, o catolicismo assenta em “factos” inventados pelos crentes. Para os católicos Jesus curou cegos com milagres, nasceu de uma virgem e ressuscitou. Para muitos protestantes, também Jonas viveu três dias na barriga de um peixe e Moisés dividiu as águas do Mar Vermelho. Os católicos dizem que acreditar nisso é ser ignorante, mas a verdade é que nenhuma destas crenças tem fundamento. Rejeitam o feito de Jonas e aceitam a virgindade de Maria apenas porque querem, porque são alegações igualmente implausíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passa-se o mesmo com as crenças mais fundamentais do cristianismo. Não há evidências que Jesus era Deus, que temos alma, que há vida depois da morte ou que a Bíblia é mais que os outros livros. É especulação sem fundamento em que só se acredita por razões subjectivas. Daí o contorcionismo, pouco honesto, que vende como milagre aquilo que ainda não se refutou e como metáfora o que já se sabe ser disparate. E que disfarça os maus costumes com alusões vagas ao estilo literário ou contexto histórico. Como se isso desculpasse Deus de ter posto na cabeça de alguém a ideia de matar crianças à pedrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só será legítimo aos católicos chamar conhecimento à forma como interpretam a Bíblia quando a interpretarem como qualquer outro texto, distinguindo factos e ficção pelas evidências em vez de pelo que gostariam que fosse verdade. Enquanto subordinarem os seus critérios alegadamente objectivos a crenças sem fundamento não podem apontar o resultado como conhecimento. É apenas fé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Alfredo Dinis, &lt;a href=http://companhiadosfilosofos.blogspot.com/2009/10/aprendemos-alguma-coisa-com-o-caso.html&gt;Aprendemos alguma coisa com o ‘Caso Saramago?’&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Miguel Lemos, &lt;a href=http://companhiadosfilosofos.blogspot.com/2009/10/da-hostilidade-hospitalidade-da.html&gt;da hostilidade à hospitalidade, da cegueira ao seguimento&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-2721856420543779719?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/cfLi7lgjkxQ" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/de-novo-interpretacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">64</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-5323912823513240119</guid><pubDate>Wed, 28 Oct 2009 20:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-28T20:10:42.953Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ciência</category><title>E física sem hermenêuticas.</title><description>Não quis juntar este ao do post anterior, apesar de o ter encontrado no mesmo sítio*. É uma palestra do Lawrence Krauss sobre cosmologia. Quando tiverem uma hora para ver televisão, vejam isto. Seja o que for que esteja a dar, isto é de certeza melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7ImvlS8PLIo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7ImvlS8PLIo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma citação para guardar, e emoldurar: &lt;i&gt;«Knowing the answer means nothing. Testing your knowledge means everything.»&lt;/i&gt; (aos 24m e 40s).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*&lt;i&gt;&lt;a href=http://scienceblogs.com/pharyngula/2009/10/physics.php&gt;Pharyngula&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-5323912823513240119?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/CD-6L2leoM0" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/e-fisica-sem-hermeneuticas.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">16</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-3268312556698815600</guid><pubDate>Wed, 28 Oct 2009 19:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-28T19:17:05.222Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><title>A hermenêutica da física.</title><description>Não são só os livros sagrados que podem ser interpretados à luz de uma ou outra fé. Também os manuais de física podem ser sujeitos a este tratamento. E com resultados semelhantes...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/C0c5yClip4o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/C0c5yClip4o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Via &lt;a href=http://scienceblogs.com/pharyngula/2009/10/physics.php&gt;Pharyngula&lt;/a&gt;, onde aconselho que assistam ao antídoto.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-3268312556698815600?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/tUQjw2dqtwI" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/hermeneutica-da-fisica.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">10</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2850755730010016520</guid><pubDate>Tue, 27 Oct 2009 19:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-28T10:39:33.102Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Falácias disto e daquilo.</title><description>Falácias são inferências inválidas que, muitas vezes, enganam por terem uma estrutura semelhante a inferências válidas. Se numa cidade que desconhecemos muitos aconselham evitar um certo bairro é boa ideia dar-lhes ouvidos. Mas o apelo à opinião popular é falacioso se concluirmos que a gripe A foi criada pelas empresas farmacêuticas só porque muita gente anda a dizer isso. Num caso a opinião é dada por quem sabe enquanto que, no outro, muitos o afirmam sem conhecimento dos factos. O ataque à pessoa, &lt;i&gt;ad hominem&lt;/i&gt;, também pode não ser falacioso. Normalmente, ser coxo não tira a razão a ninguém. Mas se o coxo está a testemunhar em tribunal que perseguiu o réu em corrida pelo bosque é legítimo levantar dúvidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Bernardo dá um exemplo da confusão entre um argumento válido e uma falácia que segue o mesmo esquema. Há uns posts atrás eu propus que não se deve elaborar modelos detalhados da origem desta ou daquela religião porque não conhecemos os detalhes necessários para fundamentar tais modelos (1). O Bernardo escreveu que isto é uma falácia de &lt;i&gt;argumentum ad ignorantiam&lt;/i&gt;, por eu justificar a minha conclusão apelando à nossa ignorância. Mas este apelo à ignorância não é falacioso. Se ignoramos os detalhes é legítimo inferir que não vamos poder criar modelos detalhados que mereçam confiança. Seria especular no vazio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que podemos dizer, para ter fundamento, terá de ser mais genérico. Por exemplo, que religiões ligadas ao poder político tendem a propagar-se ou fragmentar-se em função do que acontece às nações que as albergam e contribuem para exacerbar os conflitos entre estas. E que quando se reduz o poder da religião a diversidade religiosa pode aumentar sem pôr em perigo a sociedade. Modelos como estes podem ser confrontados com os dados históricos. A história da Europa nos dois últimos milénios confirma estas tendências. Mas tentar inferir causas para certa figura histórica ter aderido a esta religião em vez de a outra, ou para uma religião ter aqueles dogmas em vez de outros ligeiramente diferentes, vai muito além daquilo que se pode justificar com os dados de que dispomos. São essas inferências que são falaciosas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que eu propus até evita a falácia do apelo à ignorância, entre outras. Esta falácia consiste em inferir, da ignorância admitida acerca de algo, que esse algo tem de ser assim, assado e da outra maneira. Um chorrilho de detalhes tirados do chapéu. O Bernardo quer justificar isto com a magia da “coerência”, termo pelo qual julgo querer dizer consistência, que é &lt;i&gt;«usar o intelecto para procurar incoerências em certa doutrina religiosa, e assim, removê-la do baralho.»&lt;/i&gt; A consistência, a ausência de contradições, é um requisito de qualquer modelo. Um modelo que se contradiga a si próprio nunca será um bom modelo seja do que for. Mas é uma condição necessária que está longe de ser suficiente, porque para cada modelo consistente que corresponde à realidade há infinitos, igualmente consistentes, que são treta. É por isso que não é sentado no sofá, especulando e rejeitando apenas o que for contraditório, que se consegue bons modelos da realidade. É preciso dados, hipóteses testáveis e confrontar estas últimas com os primeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem isso tem-se religiões. Uma salada de crenças, rituais e preceitos, extraordinariamente detalhados e sem qualquer fundamento. Os católicos dizem saber exactamente quantas pessoas são o seu deus único – como se as tivessem contado – e que a hóstia se transubstancia na substância de Jesus. Não é na substância de um primo ou parente afastado, nem na de um santo ou na substância de um batido de morango. Segundo a hipótese que a substância muda deixando intacta a forma, estas alternativas são todas impossíveis de distinguir. No entanto, o modelo católico diz exactamente qual delas é verdadeira e que todas as outras são falsas. Sem qualquer informação concreta que permita fazer esta distinção. Isso é que é pôr a ignorância a trabalhar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não quero dizer que a crença por razões pessoais seja ilegítima. A fé é subjectiva mas, dentro do subjectivo, justifica igualmente bem qualquer coisa. Mas dos dados que os religiosos dispõem não é legítimo inferir, como verdadeiro, todo o detalhe com que enfeitam os seus modelos. E nisto incluo todos, dos católicos aos budistas, dos muçulmanos aos cientólogos. A informação que temos, em todos estes casos, é que alguém escreveu umas histórias. Não é correcto inferir daqui que os deuses são assim, que pensam daquela maneira, que tal ritual tem de ser desempenhado por um homem vestido com estas roupas, dizendo estas palavras e fazendo assim com as mãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Bernardo acusa-me da falácia do apelo à ignorância. Acusa-me de inferir da minha ignorância uma conclusão que não se pode fundamentar na ignorância. Não me parece que esse erro seja o meu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2009/10/razoes-historicas.html&gt;Razões históricas.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Bernardo Motta, &lt;a href=http://espectadores.blogspot.com/2009/10/argumentum-ad-ignorantiam.html&gt;Argumentum ad ignorantiam&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-2850755730010016520?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/e7GdqL0trIo" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/falacias-disto-e-daquilo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">148</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-8030878413377204914</guid><pubDate>Sun, 25 Oct 2009 18:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-25T21:03:26.398Z</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da semana: Leitura simbólica.</title><description>A propósito das declarações de Saramago, que a Bíblia é um &lt;i&gt;«manual de maus costumes»&lt;/i&gt;, teólogos e sacerdotes têm apontado que ler a Bíblia é uma coisa muito complicada. Como disse Carreira das Neves em debate com Saramago, a Bíblia tem infinitas leituras (1). Mas isso quase tudo tem e, retorquiu Saramago, por muitas interpretações que se dê a um texto não se pode esquecer o que lá está escrito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um problema que este episódio revela é a noção que alguns iluminados católicos sabem, com o saber de quem sabe, qual a interpretação certa para cada passagem. Por exemplo, o Filipe Noronha, no Companhia dos Filósofos, escreve acerca de Saramago que &lt;i&gt;«mesmo para quem se diz ateu, a sua interpretação do texto e a mensagem que nos quer fazer chegar é [...] um sinal claro de que devemos insistir na luta contra este tipo específico de ignorância.»&lt;/i&gt;(2) Mas dizer que a interpretação de Saramago é ignorante implica haver conhecimento. E, acerca disto, não há. Podemos ler tudo o que os cristãos escreveram acerca da Bíblia, de Aquinas a Ricoeur passando por Kiergegaard e C. S. Lewis, e o que vamos encontrar – nos duzentos mil livros que Carreira das Neves mencionou – é só opiniões. Para ser conhecimento precisavam assentar a opinião em algum processo fiável, testável e independente de opções subjectivas. Julgam que interpretam bem, cada um com a sua interpretação. Mas não sabem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E isto de exigir &lt;i&gt;«uma compreensão da Bíblia enquanto texto literário para verdadeiramente chegar ao seu sentido»&lt;/i&gt;(3) é moda recente. Só a partir do século XIX é que a exegese católica começou a considerar a Bíblia literatura. Antes disso defendiam uma interpretação literal. Daí que, quando afirmam que não se deve ler a Bíblia à letra, de uma forma a que chamam “banal”, contradizem dezoito séculos de tradição católica e outras variantes contemporâneas de cristianismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a letra continua lá. Podemos interpretar o livro de Jó como uma crítica à justiça retributiva, mas é ainda verdade que Jahve e Satan submeteram o desgraçado a uma injustiça intolerável. Podemos ler o sacrifício de Abraão como um salto de fé, a solução para um dilema impossível, algo com um significado existencial tão profundo que não serve para nada. Mas não podemos negar que o texto exalta um personagem disposto a matar o filho em nome da religião. E isso é um mau costume. Qualquer pessoa civilizada reconhece que a liberdade religiosa acaba muito antes do infanticídio. Mesmo sendo legítimo aos católicos darem outras interpretações a estes textos, essas não anulam o que lá está escrito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E há episódios que nenhuma (re)interpretação pode safar. Moisés desce da montanha e manda chacinar uma data de gente por ter um deus diferente. Deus manda matar cidades inteiras, destrói Sodoma e Gomorra sabe-se lá porquê*, transforma uma mulher em sal só porque olhou para trás, mata os primogénitos no Egipto só porque o Faraó era teimoso e assim por diante. Se os lermos como obra humana, estes relatos explicam-se pelo contexto cultural. Eram pessoas menos esclarecidas, intolerantes, sem respeito pela liberdade religiosa, privacidade e outros direitos fundamentais. Mas se é um livro inspirado por um deus então esse deus é horrível. Esse deus permitiu – e permite – que se façam coisas terríveis em seu nome. Se apedrejar uma rapariga até à morte por ter relações sexuais antes de casar não é um mau costume, não sei o que possa ser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, muitas interpretações pouco ajudam. O Novo Testamento relata como Jesus cresceu, liderou um grupo de crentes e foi morto na cruz. Os cristãos interpretam isto como um sacrifício do seu deus que, tornando-se homem, morreu e ressuscitou para nos redimir e mostrar que a morte pode ser vencida. O que é uma afronta ao sofrimento humano. Ser torturado e morrer é terrível, mas é terrível para quem é mortal, quem perdendo a vida perde tudo, quem não se pode defender do mal que lhe causam e deixa filhos órfãos e família desamparada. Um deus eterno, omnisciente e omnipotente, que com um pensamento podia ter transformado os soldados romanos em bolacha Maria, nunca esteve em perigo nem fez sacrifício nenhum. Fez teatro. E de mau gosto. É como ir à Etiópia, passar lá uma tarde sem lanchar e, de volta a casa, mandar àquela gente que morre à fome um postal da jantarada para terem esperança de vencer o seu jejum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito pouco na Bíblia é compatível com os valores da civilização moderna. Quem preza a liberdade e a justiça não pode concordar nem com o antigo testamento, com um deus tirano que castiga e tortura só porque lhe apetece, nem com o novo testamento, em que o mesmo deus se faz inocente e se finge matar para nos dar esperança ou mostrar que morrer na cruz é amor. É claro que podemos reinterpretar a Bíblia à luz dos nossos valores. É sempre possível  inventar que tudo o que parece mal é metáfora para outra coisa que vá escapando. Mas é incorrecto vender esta reinterpretação, muito forçada, como conhecimento. É mera opinião. E seria mais prático e honesto admitir, de uma vez por todas, que a Bíblia é um conjunto de obras literárias escritas por humanos. De grande valor histórico e cultural, com passagens bonitas, e com as falhas e caducidade de qualquer obra humana. O texto faz parte da nossa cultura mas a mensagem, felizmente, deixou de ser relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;* Tinha escrito originalmente “por causa de preferências sexuais”, mas o Pedro Amaral Couto apontou que isso não está na Bíblia. Tem alguma razão. Os vizinhos de Lot queriam ter relações sexuais com os anjos que o visitaram, mas pode ser por razões diferentes. &lt;a href=http://www.religioustolerance.org/hombibg193.htm&gt;Aqui&lt;/a&gt; há um apanhado de várias hipóteses.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SIC, 23-10-09, &lt;a href=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasCultura/2009/10/veja-na-integra-o-frente-a-frente-com-jose-saramago-e-o-padre-carreira-das-nevas.htm&gt;Frente-a-frente, José Saramago e Joaquim Carreira das Neves&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Filipe Noronha, 23-10-09, &lt;a href=http://companhiadosfilosofos.blogspot.com/2009/10/todos-temos-razao.html&gt;Todos temos razão&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
3- Agência Ecclesia, &lt;a href=http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=75633&gt;Saramago faz releitura banal da Bíblia&lt;/a&gt;. Via (2).&lt;br /&gt;
4- Catholic Encyclopedia, &lt;a href=http://www.newadvent.org/cathen/05692b.htm&gt;Biblical Exegesis&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-8030878413377204914?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/0771Gbmzt_o" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/treta-da-semana-leitura-simbolica.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">120</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-7013333677467504685</guid><pubDate>Sat, 24 Oct 2009 20:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-24T21:04:35.252+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">amendoins</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ciência</category><title>TEDx Porto.</title><description>TED, &lt;i&gt;Technology, Entertainment, Design&lt;/i&gt;, é uma organização académica famosa pelas suas conferências acerca de &lt;i&gt;«ideias que vale a pena divulgar»&lt;/i&gt;. Esta organização tem também um programa, o TEDx, ao abrigo do qual grupos independentes da TED podem organizar eventos semelhantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 20 de Fevereiro de 2010 vai haver a primeira conferência TEDx em Portugal. Será no Parque Biológico de Gaia, no Porto, com o tema &lt;i&gt;«Primavera, A arte de Viver»&lt;/i&gt;, e está a ser organizada pelo Manuel Forjaz e o Tiago Gaspar. No site da TEDx Porto há mais informações acerca da conferência, os conferencistas e os temas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href=http://tedxoporto.com/&gt;TEDxPorto.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-7013333677467504685?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/C5RDARg81xU" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/tedx-porto.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-4257076778843750522</guid><pubDate>Fri, 23 Oct 2009 21:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-23T22:26:09.630+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><title>Guerra Junqueiro.</title><description>No secundário tive de ler (partes d') os Lusíadas, As Viagens na Minha Terra e outras coisas que me pareceram um bocado seca. Pena que Guerra Junqueiro não tivesse feito parte do programa. Sempre ajudava a reduzir a histeria quando alguém como o Saramago dissesse aquilo que toda a gente já sabe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Wikipedia está o texto completo d'&lt;a href=http://pt.wikisource.org/wiki/A_velhice_do_Padre_Eterno&gt;A Velhice do Padre Eterno&lt;/a&gt;. Se quiserem um pdf do livro, num maravilhoso amarelo envelhecido, está na &lt;a href=http://purl.pt/227&gt;Biblioteca Nacional Digital&lt;/a&gt;. Fica aqui o capítulo sobre o Génesis, que recomendo especialmente aos criacionistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jehovah, por alcunha antiga o Padre Eterno&lt;br /&gt;
Deus muitissimo padre e muito pouco eterno,&lt;br /&gt;
Teve uma ideia suja, uma ideia infeliz:&lt;br /&gt;
Poz-se a esgaravatar co-o dedo no nariz,&lt;br /&gt;
Tirou d'esse nariz o que um nariz encerra,&lt;br /&gt;
Deitou depois isso cá baixo, e fez a terra.&lt;br /&gt;
Em seguida tirou da cabeça o chapeu,&lt;br /&gt;
Pol-o em cima da terra, e zás, formou o céo.&lt;br /&gt;
Mas o chapéu azul do Padre Omnipotente&lt;br /&gt;
Era um velho penante, um penante indecente,&lt;br /&gt;
Já muito carcomido e muito esburacado,&lt;br /&gt;
E eis ahi porque o céo ficou todo estrellado.&lt;br /&gt;
Depois o Creador (honra lhe seja feita!)&lt;br /&gt;
Achou a sua obra uma obra imperfeita,&lt;br /&gt;
Mundo serrafaçal, globo de fancaria,&lt;br /&gt;
Que nem um aprendiz de Deus assignaria,&lt;br /&gt;
E furioso escarrou no mundo sublumar,&lt;br /&gt;
E a saliva ao cahir na terra fez o mar.&lt;br /&gt;
Depois, para que a Egreja arranjasse entre os povos&lt;br /&gt;
Com bulas da cruzada alguns cruzados novos,&lt;br /&gt;
E Tartufo podesse inda d'essa maneira&lt;br /&gt;
Jejuar, sem comer de carne á sexta feira,&lt;br /&gt;
Jehovah fez então para a crença devota&lt;br /&gt;
A enguia, o bacalhau e a pescada marmota.&lt;br /&gt;
Em seguida metteu a mão pelo sovaco,&lt;br /&gt;
Mais profundo e maior que a caverna de Caco,&lt;br /&gt;
E arrancando de lá parasitas extranhos,&lt;br /&gt;
De toda a qualidade e todos os tamanhos&lt;br /&gt;
Lançou sobre a terra, e d'este modo insonte&lt;br /&gt;
Fez elle o megatheiro e fez o mastodonte.&lt;br /&gt;
Depois, para provar em summa quanto póde&lt;br /&gt;
Um Creador, tirou dois pellos do bigode,&lt;br /&gt;
Cortou-os em milhões e milhões de bocados,&lt;br /&gt;
(Obra em que elle estragou quatrocentos machados)&lt;br /&gt;
Dispersou-os no globo, e foi d'esta maneira&lt;br /&gt;
Que nasceu o carvalho o platano e a palmeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
..................................................&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim com barro vil, assombro da olaria!&lt;br /&gt;
O que é que imaginaes que o Creador faria?&lt;br /&gt;
Um pote? não; um bicho, um bipede com rabo,&lt;br /&gt;
A que uns chamam Adão e outros Simão. Ao cabo&lt;br /&gt;
O pobre Creador sentindo-se já fraco.&lt;br /&gt;
(Coitado, tinha feito o universo e um macaco&lt;br /&gt;
Em seis dias!) pensou: — Deixem-nos de asneiras.&lt;br /&gt;
Trago já uma dôr horrivel nas cadeiras,&lt;br /&gt;
Fastio... Isto dá cabo até d'uma pessoa...&lt;br /&gt;
Nada, toca a dormir uma sonata boa!&lt;br /&gt;
Descalçou-se, tirou os oc'los e chinó,&lt;br /&gt;
Pitadeou com delicia alguns trovões em pó,&lt;br /&gt;
Abriu, para cahir n'um somno repentino,&lt;br /&gt;
O alfarrabio chamado o livro do Destino.&lt;br /&gt;
E enflanelando bem a carcassa caduca,&lt;br /&gt;
Com o barrete azul celeste até á nuca,&lt;br /&gt;
Fez ortodoxamente o seu signal da cruz&lt;br /&gt;
Como qualquer de nós, tossiu, soprou á luz,&lt;br /&gt;
E de pança p'ro ar, n'um repoiso bemdicto,&lt;br /&gt;
Espojou-se, estirou-se ao longe do infinito&lt;br /&gt;
N'um immenso enxergão de nevoa e luz doirada.&lt;br /&gt;
E até hoje, que eu saiba, inda não fez mais nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Via &lt;a href=http://esquerda-republicana.blogspot.com/2009/10/um-classico-da-anti-religiosidade.html&gt;Esquerda Republicana&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-4257076778843750522?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/y00dRlcyRdM" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/guerra-junqueiro.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">41</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1157107872658559525</guid><pubDate>Fri, 23 Oct 2009 19:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-23T20:09:40.361+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><title>E assobiar, também precisa de licença?</title><description>Uma mercearia no Reino Unido foi contactada pela &lt;i&gt;Performing Rights Society&lt;/i&gt; (PRS) exigindo 80£ para o licenciamento anual do direito de ter o rádio a tocar. Sandra Burt, uma empregada da mercearia, lembrou-se então de desligar o rádio e cantar enquanto trabalhava. Os clientes até gostaram, que parece que a senhora até tem boa voz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gareth Kelly, da PRS, decidiu que isto era trafulhice, que era só uma forma ilegal de se tentar safar da licença. &lt;i&gt;«Usar qualquer material protegido por copyright na loja, sem pagar por isso, é ilegal. Não interessa se está a cantar uma música do Robbie Williams ou a ouvir uma música do Robbie Williams, tem de pagar à mesma. Pode ser multada por não ter uma licença de actuação pública, e se não pagar pode ir a tribunal.»&lt;/i&gt; (1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para sorte da loja e da Sra. Burt, a notícia apareceu nos jornais e o pessoal da PRS fez as contas a quanto a má figura lhes ia custar. Acabaram por lhe mandar um ramo de flores a pedir desculpa (2). Mas o facto é que a lei lhes daria razão, se um juiz a interpretasse dessa forma. E como estas organizações têm mais dinheiro para advogados que as empregadas de mercearia, se não fosse a atenção que o caso gerou o mais certo é que a Sra. Burt teria acabado por pagar a multa e as custas do tribunal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É mais um exemplo da necessidade de alterar a lei. Se alguém causar prejuízos injustificados a um negócio legítimo é razoável que o prejudicado seja indemnizado. Mas é razoável exigir que demonstre adequadamente esse prejuízo, e é isso que a lei deve especificar. Isto não deve ser uma fórmula decidida por &lt;i&gt;lobbies&lt;/i&gt; nem uma coisa que fique ao gosto do juiz. Deve ser responsabilidade da acusação provar que houve prejuízo e mostrar evidências do seu valor monetário. E acusações infundadas por parte de organizações de cobrança deviam ser punidas. Não se deviam safar com um ramo de flores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Daily Mail, 15-10-09, &lt;a href=http://www.dailymail.co.uk/news/article-1220423/Corner-store-worker-told-stop-singing-works--pay-licence.html#ixzz0UdPBDMOJ&gt;Corner shop worker told to stop singing in her store - or pay for a performing licence&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- BBC, 21-10-09, &lt;a href=http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/scotland/tayside_and_central/8317952.stm&gt;Apology for singing shop worker&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-1157107872658559525?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/FD-y-iTtV8k" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/e-assobiar-tambem-precisa-de-licenca.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-2749000865651293026</guid><pubDate>Fri, 23 Oct 2009 11:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-24T20:41:13.841+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ciência</category><title>Protões, membranas e geologia marinha.</title><description>O trifosfato de adenosina, ou ATP (de &lt;i&gt;adenosine triphosphate&lt;/i&gt;), é a molécula mais usada como fonte de energia em reacções biológicas, devido à facilidade com que perde o terceiro fosfato e se converte em ADP (difosfato de adenosina). E esta molécula, universal nos seres vivos, é sintetizada de uma forma estranha. Seja em mitocondrias, bactérias, archaea ou cloroplastos, o que alimenta a reconversão de ADP em ATP é o fluxo de protões através de uma membrana. A célula ou organelo usa energia química ou da luz do Sol para empurrar protões (iões de hidrogénio) para fora, criando uma diferença de concentração entre os dois lados da membrana. Depois, enzimas sintetizam o ATP usando a “força” que os protões fazem para voltar a entrar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é intrigante por ser uma forma rebuscada de produzir energia. É como se usássemos geradores a gasóleo para bombear água para um tanque e depois turbinas para gerar electricidade esvaziando-o. Quando Peter Mitchell propôs este mecanismo, no final dos anos 50, os biólogos torceram o nariz. Mas acabou por receber o prémio Nobel em 1978 por esta descoberta. Que se foi tornando cada vez mais intrigante e interessante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A genética molecular trouxe ferramentas para estudar o parentesco entre organismos e genes e revelou que os dois reinos mais antigos, Archaea e Bacteria, têm em comum essa enzima que produz ATP usando a passagem de protões pela membrana. Mas Archaea e Bacteria têm membranas celulares diferentes. As membranas celulares são compostas por fosfolípidos, moléculas compridas com uma extremidade polar, com afinidade pela água, e caudas apolares que tendem a aglomerar-se como gotas de óleo em água. As ligações químicas entre estas partes, a estrutura da cauda e até o grupo glicerol que se liga às caudas são diferentes entre estes dois reinos, o que sugere que os mecanismos de síntese da membrana evoluíram independentemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E isto é intrigante porque indica que o antepassado de Archaea e Bacteria produzia energia usando a diferença de concentração de protões entre os dois lados de uma membrana, tal como todos os seres vivos de agora, mas não sintetizava a sua membrana. Era um bicho muito estranho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que nos traz à geologia marinha. Quando a água do mar reage com a olivina, uma rocha composta por silicatos de ferro e magnésio, produz calor, hidrogénio e compostos alcalinos, criando chaminés parecidas com as chaminés vulcânicas mas de temperatura mais amena. Estas chaminés são formadas pela precipitação de carbonatos, quando os produtos alcalinos da reacção são neutralizados pela água do mar. E este processo cria uma rocha porosa, com poros de dimensão semelhante à das células, onde correntes de convecção e temperaturas suaves levam à acumulação de moléculas orgânicas. Possivelmente foi aqui que viveu o antepassado das Archaea e Bacteria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tal bicho estranho que não sintetizava as suas membranas era um aglomerado de proteínas, ADN, ARN e catalizadores inorgânicos a viver numa poro da rocha onde a acumulação de espuma orgânica lhe dava as membranas entre o interior alcalino e o exterior mais ácido. Nesse tempo o oceano era muito mais ácido que hoje, o que quer dizer que tinha uma concentração mais elevada de iões de hidrogénio. Os tais protões usados para sintetizar ATP. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas condições geológicas e químicas criavam nos poros da rocha um gradiente de protões como o que as células de hoje recriam. Uma concentração mais alta no exterior, o oceano ácido, e mais baixa no interior, no poro alcalino. Esta fonte de energia mesmo à mão pressionou a evolução de enzimas que a convertessem em moléculas úteis. O ATP, que ficou para a posteridade. Daí que esta parte do processo de produção de ATP seja igual em todos os organismos modernos. O que varia, e varia muito, é a forma como os descendentes deste ermita das furnas recriam o maná inicial daquele gradiente de protões. Queimam açúcares com oxigénio, usam luz do Sol, oxidam ferro, amónia, nitritos ou sulfitos, enfim, fazem tudo o que conseguem para bombear protões para fora da célula. Depois produzem ATP com a mesma enzima de sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma hipótese. Há muito ainda a fazer para a testar. Mas é uma boa hipótese. Quer esteja certa quer se venha a descobrir que estava errada, dá-nos mais um degrau para avançar. Porque mostra relações entre dados, explica factos intrigantes e, sobretudo, impõe restrições às condições que vamos encontrar nestes sistemas. Se o antepassado comum a todos os seres vivos evoluiu em chaminés alcalinas, então esse ambiente teve de ser compatível com os mecanismos de síntese de ADN e ARN e proteínas, entre as quais a ATP sintase, a tal que faz ATP da passagem de protões. Tudo isto produz novas hipóteses testáveis que se pode explorar, confrontar com os dados, corrigir e melhorar. Ou seja, produz conhecimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É muito superior às histórias da carochinha que querem impingir em vez disto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Escrevi isto por causa de um post do Larry Moran no Sandwalk, &lt;a href=http://sandwalk.blogspot.com/2009/10/ode-to-peter-mitchell.html&gt;Ode to Peter Mitchell&lt;/a&gt;, que me levou ao artigo &lt;a href=http://www.newscientist.com/article/mg20427306.200-was-our-oldest-ancestor-a-protonpowered-rock.html?full=true&gt;Was our oldest ancestor a proton-powered rock?&lt;/a&gt;, do Nick Lane na New Scientist. Recomendo que leiam ambos. Para quem gosta destas coisas, as páginas da Wikipedia sobre &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/ATP_synthase&gt;ATP synthase&lt;/a&gt;, &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Archaea&gt;Archaea&lt;/a&gt; e &lt;a href=http://en.wikipedia.org/wiki/Bacteria&gt;Bacteria&lt;/a&gt; também podem ter interesse.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-2749000865651293026?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/nK5KKZM853Q" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/protoes-membranas-e-geologia-marinha.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-8404147253379172761</guid><pubDate>Tue, 20 Oct 2009 15:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-20T16:03:15.728+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><title>Razões históricas.</title><description>O Jairo Entrecosto criticou as &lt;i&gt;«la palissadas»&lt;/i&gt; com que se tenta explicar o sucesso do cristianismo. &lt;i&gt;«O cristianismo é forte porque foi o que sobreviveu, existem cristãos porque as pessoas acreditaram em Jesus e não em outros. Sim, isso é um facto. Mas era muito importante saber; qual a razão histórica que justifique isso?»&lt;/i&gt;(1). Dou-lhe razão. Era bom compreender as causas deste fenómeno. No entanto, parece-me que o Jairo é demasiado exigente e parte de pressupostos errados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quais são as razões históricas para o sucesso do cubo de Rubik? Que tem graça e as pessoas gostam, que pegou a moda e assim, são mais &lt;i&gt;«la palissadas»&lt;/i&gt;. O próprio Rubik não adianta nada de concreto: &lt;i&gt;«é um desafio intelectual, é acessível a pessoas de todas as culturas e ajuda a dar uma sensação de ordem e estabilidade num mundo incerto»&lt;/i&gt;(2). Fica por explicar porque se tornou famoso o cubo de Rubik em vez do dodecaedro de Fonseca ou o tetraedro de Lopes da Silva. O problema é que estes fenómenos são demasiado complexos para conseguimos dizer mais que “se calhar foi porque...”. E o cubo de Rubik surgiu há trinta anos e ainda se vende nas lojas. Para algo que se passou há dois mil anos, no meio de não sei onde e segundo contou sabe-se lá quem, num livro tão velho que já só há cópias de cópias, não é de esperar explicações detalhadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Jairo defende que &lt;i&gt;«o cristianismo, na sua origem, é uma religião distinta de qualquer outra»&lt;/i&gt; por o seu deus ser &lt;i&gt;«uma figura histórica de carne e osso, que tenha andado por cá e ressuscitado.»&lt;/i&gt; Mas o budismo também tem uma divindade que supõe ser personagem histórica, a morte e ressurreição são temas comuns na mitologia e o cristianismo até se assume como um derivado do judaísmo. E há muitos cristianismos. Se virem um padre jesuíta a debater com um criacionista protestante verão de imediato que o cristianismo, na oferta de crenças, é mais bazar que capela. Por isso discordo que os cristianismos sejam mais carentes de explicação que quaisquer outras crenças religiosas. Pelos aspectos análogos das muitas religiões e pela dificuldade em apurar os detalhes acerca de acontecimentos tão antigos, o melhor é procurar explicações genéricas para as religiões em vez de focar uma só religião ignorando as outras, que é um erro de muitos crentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando a diversidade religiosa da nossa espécie, é muito mais plausível que as religiões – sem excepção – sejam invenções humanas. Todas sofrem dos mesmos problemas e nenhuma se destaca como inspirada por um deus. O cristianismo começou como uma pequena seita judaica, espalhou-se discretamente até se associar ao poder e reprimir a concorrência, fragmentou-se conforme os impérios se dividiram, em ortodoxos, anglicanos e protestantes de várias espécies, e agora até algumas sucursais abrem falência para evitar indemnizar as vítimas de abusos sexuais (2). Os detalhes variam, mas o percurso é o normal para qualquer religião humana, sem nada que aparente ser divino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sua origem histórica também é pouco compatível com a obra de um deus todo-poderoso. Os judeus são os protagonistas do antigo testamento por razões óbvias mas, historicamente, o seu papel foi pouco relevante. Excepto para eles. Foram dominados pelos egípcios, pelos persas, pelos romanos e, mais tarde, perseguidos e oprimidos pelos cristãos semana sim, semana não. À excepção dos Rothschild, se são o povo escolhido foram escolhidos para apanhar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também é costume apontarem o cristianismo como excepcional por ter dado origem à civilização ocidental moderna. Se bem que o cristianismo tenha sido um atributo de quase todos os intervenientes importantes na revolução social e científica dos últimos séculos, também o foram os testículos, o chapéu, a cerveja e uma cara séria nos retratos. Em geral, é um erro inferir de uma mera correlação uma relação causal. E, neste caso em particular, não há razão para que a religião, o sexo ou essas outras características tenham sido mais que consequências das restrições culturais da época. E até podemos constatar que, conforme o progresso cultural e tecnológico tem acelerado, também se tem distanciado da religião. Só quem não lê notícias desde que Galileu nasceu é que pode confundir a Igreja Católica como um motor de progresso e inovação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, para responder ao Jairo, não é verdade que os cristianismos sejam um fenómeno único. É certo que cada religião tem as suas manias, precisamente para se distinguir da concorrência, mas não há nada nas várias versões do cristianismo que careça de uma explicação extraordinária. E se bem que também gostasse de perceber os porquês desta coisa toda, não me parece realista exigir uma explicação detalhada para ter sido aquela seita, e não outra das muitas da altura, a religião oficial do Império Romano. Mais fácil seria explicar o sucesso do cubo de Rubik e ainda não vi quem o fizesse...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Comentário em &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2009/10/plausibilidade.html&gt;Plausibilidade&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
2- Time, 2-1-09, &lt;a href=http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1874509,00.html&gt;The Rubik's Cube: A Puzzling Success&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Público, 20-10-2009, &lt;a href=http://jornal.publico.clix.pt/noticia/20-10-2009/diocese-norteamericana-declara-falencia-para-fugir-a-julgamento-por-abusos-sexuais-18049503.htm&gt;Diocese norte-americana declara falência para fugir a julgamento por abusos sexuais&lt;/a&gt;. Obrigado pelo email com a notícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-8404147253379172761?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/5IOVu2D3ICI" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/razoes-historicas.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">210</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-4753871971598355173</guid><pubDate>Sun, 18 Oct 2009 17:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-18T18:29:19.716+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">sarcasmo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da semana: Terapia da Música do Cristal.</title><description>Por alguma razão (deve ser karma), recebo regularmente emails da Indian Rose (1). Esta semana vinha a anunciar &lt;i&gt;«o regresso de Bradford W. Tilden a Portugal »&lt;/i&gt;. Segundo o email, &lt;i&gt;«De Outubro a Dezembro, vai dar continuidade aos trabalhos já iniciados com cristaloterapia e som, e dar inicio a novos cursos. […] Para além de todas as actividades já mencionadas, Bradford vai realizar, pela primeira vez em Portugal, dois concertos de piano, que terão lugar em Dezembro, e prometem ser uma experiência única.»&lt;/i&gt; O tipo é fantástico. Não é qualquer um que proporciona uma experiência única duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No site do, segundo o próprio, talentoso Bradford, podemos ver uma &lt;i&gt;«condensação dos muitos talentos do Bradford que incluem Música de Piano Original, Cura por Cristais e Pedras Preciosas, Cura por Som, Supercomidas e mais.»&lt;/i&gt;(2) Vem até com a explicação como estas terapias funcionam, segundo a tão famosa disciplina de física-quântica-da-treta:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;«O Tempo Branco Universal ensina uma abordagem científica às terapias por pedras preciosas baseada em como as frequências emitidas por cristais diferentes, pedras preciosas e várias combinações afectam as nossas vibrações ao nível sub-atómico do nosso ser. A este nível, os cientistas descobriram que os átomos são feitos de cordas de energia a vibrar a várias velocidades. Isto significa que toda a matéria é simplesmente som cristalizado criando uma estrutura que pode conter luz.»&lt;/i&gt; (3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns neo-físicos, também conhecidos como ultra-físicos, chegam a dizer em público que isto é um disparate e alegam haver um conflito entre a Cristaloterapia Musical e a ciência. Isto começa logo por ser a falácia comum da técnica de Dizer que Há Conflito. É muito fácil de refutar. Considerem o seguinte diálogo, perfeitamente realista e nada inventado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NEO-FÍSICO: Há aí um conflito porque essa coisa do som cristalizado contendo luz não faz sentido nenhum na física moderna.&lt;br /&gt;
REFUTADOR: Ah, mas você pode PROVAR que não faz sentido NENHUM?&lt;br /&gt;
NEO-FÍSICO: Sim... o som são ondas de choque que se propagam na matéria, pelo movimento de partículas, enquanto que um cristal é uma estrutura ordenada de átomos ou moléculas. E a luz não tem nada a ver com isso...&lt;br /&gt;
REFUTADOR: Sim, você prova que não tem ESSE sentido. Mas pode provar que não tem sentido NENHUM? NENHUM MESMO? HEIN?&lt;br /&gt;
NEO-FÍSICO: O quê?... Mas...&lt;br /&gt;
REFUTADOR: AHA! Está refutado! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, a refutação é automática e nem é preciso saber nada de física. Basta ir insistindo até o outro desistir. Além disso, estes ultra-físicos, ao tentar destruir a visão do mundo dos cristaloterapeutas musicais, cometem o erro de não reconhecer como a subjectividade é o mais importante nas teorias acerca da realidade. Não interessa se os cristais curam mesmo ou não. O que interessa é adiarmos uns meses a ida ao oncologista e ficar a ouvir os CD deste senhor com um cristal na mão até ser tarde demais. Porque se alguém morrer desta maneira, no hospital, obviamente, só dá mais um exemplo de como a ciência e a medicina convencional não resolvem tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem estiver interessado, aqui fica o anúncio da workshop na próxima sexta-feira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O Bradford é um músico com formação académica na área do piano, que enveredou depois pela área da cura através da formação em massagem, cura pelo som, Cristaloterapia com Tempo Branco e Cura com Tempo Branco. Hoje em dia abraça também o projecto de criar a Escola Lemuriana de Cura Natural Intuitiva.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo formação na área do piano e na área da cura, presumo que a escola seja na área da Lemúria ou arredores...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- &lt;a href=http://www.indianrose.pt&gt;www.indianrose.pt&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
2- &lt;a href=http://www.crystalmusichealing.com&gt;Crystal Music Healing&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
3- Crystal Music Healing, &lt;a href=http://www.crystalmusichealing.com/Universal_White_Time_Gemstone_Healing.html&gt;Universal White Time Gemstone Healing &amp; Lemurian Intuitive Crystal and Sound Healing&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-4753871971598355173?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/w5rvcHxJot4" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/treta-da-semana-terapia-da-musica-do.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">38</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-5175977320871108714</guid><pubDate>Sat, 17 Oct 2009 17:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-17T18:15:24.980+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Plausibilidade, de novo.</title><description>O Ricardo, do Companhia dos Filósofos, ficou tão espantado com o meu post sobre a plausibilidade (1) que decidiu &lt;i&gt;«escrever uma resposta ao mesmo.»&lt;/i&gt; Eu propus que, perante um relato, se use as evidências de que se dispõe para avaliar a plausibilidade das alternativas, duas das quais são o relato ser factual ou ser fictício. Mas, obviamente, podemos considerar hipóteses mais detalhadas, como o relato ser factual em certos aspectos e fictício noutros, por exemplo. Em resposta, o Ricardo escreveu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;«Contudo o que é o «mérito relativo»? Ludwig nada nos diz. Como pode Ludwig apresentar um ponto de partida melhor, se não o explica? No que é que consiste esse seu ponto de partida? [...Q]ue evidencias são essas? […] Será que estas «evidências» bastam para justificar algo?Porque é que o relato da ressurreição de Jesus é implausível à partida? Com que critérios? Com que argumentos?»&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Felizmente, parece-me que o Ricardo subestimou a sua compreensão da ideia. Compensando os muitos defeitos do meu post, o Ricardo deu dois bons exemplos daquilo que eu queria dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;«Um relato pode ser factual não sendo plausível, e também um relato pode ser plausível e ser fictício. Vejamos o seguinte exemplo: se alguém me desse o testemunho de uma mulher ter sido mãe aos 65 anos de idade na Índia onde a esperança média de vida das mulheres ronda os 63 anos, eu diria que era um relato muito pouco plausível. Porém esse relato, «pouco plausível», constitui um facto verdadeiro.[...] Agora vejamos um outro exemplo: vou na rua e encontro um amigo que me dá um relato de ontem ter se desmoronada uma casa num bairro X. Eu conheço esse bairro e sei que ele é composto por casas bastante velhas e mal tratadas. Por isso, o relato dele é plausível. Agora acontece que depois de o ter encontrado, seguindo o meu trajecto, passo por esse bairro X e vejo que nenhuma casa se encontra desmoronada.»&lt;/i&gt;(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma coisa que por vezes omito, assumindo erradamente que todos já sabem, é que quando avaliamos se algo é plausível, ou formamos um juízo acerca da verdade de uma proposição, não o fazemos para todo o sempre. Fica sujeito a revisão posterior se novos dados o justificarem. Como o exemplo do Ricardo demonstra. Inicialmente, considerou plausível que a casa tivesse desmoronado e implausível que a senhora de 65 anos tivesse dado à luz. Com base nas evidências que tinha era a conclusão mais razoável. Mas a notícia do parto explica que foi por inseminação artificial, com tratamentos de fertilidade e um óvulo da sobrinha de 26 anos (3). Além disso, dado o detalhe da notícia e as fontes que a divulgaram, se fosse mentira era de esperar que alguém o apontasse. Isto torna mais plausível que o relato seja verdadeiro. Por outro lado, se o Ricardo vê que a casa não desmoronou tem razões para concluir que o que lhe disseram não era verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim é fácil responder às muitas perguntas da resposta do Ricardo. O Ricardo já sabe as respostas. Demonstrou ser perfeitamente capaz de avaliar a plausibilidade de dois relatos com base nas evidências que tinha, que mulheres de 65 anos não engravidam e que casas velhas provavelmente desmoronam. Mais importante ainda, mostrou ser capaz de rever essa sua estimativa quando as evidências indicaram o contrário, concluindo que afinal a mulher engravidou e que o amigo lhe tinha mentido. Agora resta apenas ao Ricardo manter esta atitude afastada de assuntos como a ressurreição de Jesus e afins. Porque se só aceita que uma mulher de 65 anos tivesse engravidado quando lhe dão evidências à altura da alegação, se lhe dá para ser consistente arrisca não só a confiança nos dogmas da sua fé mas talvez até o curso ou a carreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Andreas Lind, a quem agradeço a referência ao post do Ricardo, comentou acerca de avaliar o mérito de um relato. &lt;i&gt;«Ao fim ao cabo, essa escolha assentará sempre numa crença (por mais justificada que seja, trata-se de uma crença).»&lt;/i&gt; (1) Tem toda a razão. Sempre que formamos uma opinião acerca da verdade de uma proposição formamos uma crença. Ou na proposição, se a julgamos verdadeira, ou na sua negação se a julgamos falsa. Mas a questão é precisamente se a crença é justificada. Ou seja, se é racional, no sentido de haver razões que a fundamentem. E é aqui que surge uma confusão infeliz entre dois usos do termo “razão”, um mais lato e outro mais estrito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Andreas explica que &lt;i&gt;«se for um grande amigo»&lt;/i&gt; que nos relata algo, &lt;i&gt;«se for o nosso pai ou alguém que, pelas mais variadas razões, nos mereça muita confiança, confiaremos: tenderemos a acreditar. Mais, o modo do relato ser feito também nos leva a acreditar ou não no mesmo.»&lt;/i&gt; Isso é verdade mas nem tudo isso é razão no sentido de um fundamento racional. Eu posso acreditar em alguém porque me dá jeito, porque tenho medo de discordar, por distracção ou credulidade. Tudo isso me pode levar a formar crenças. Mas esses factores são mais causas que razões. Razões a sério fundamentam a conclusão de forma independente do sujeito. É para isso que elas servem. Se tenho razões para uma crença consigo mostrar aos outros que a crença é justificada. Quando acredito porque confio, porque me apetece ou porque sei lá, toda a gente diz que é assim, então não tenho razões. E é aí que está a diferença. Nas razões, e não em ser mais ou menos crença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2009/10/plausibilidade.html&gt;Plausibilidade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Ricardo, &lt;a href=http://companhiadosfilosofos.blogspot.com/2009/10/mas-que-plausibilidade-resposta-ludwig.html&gt;Mas que «Plausibilidade»? - Resposta a Ludwig Krippahl&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
3- BBC Brasil, &lt;a href=http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/030410_india1db.shtml&gt;Indiana de 65 anos pode ser a mãe mais velha do mundo&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-5175977320871108714?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/5C0GEBMmpPs" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/plausibilidade-de-novo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">53</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-6332454127912852557</guid><pubDate>Fri, 16 Oct 2009 17:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-16T18:42:32.326+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">copyright</category><title>Incentivar a inovação.</title><description>A função das patentes é compensar e incentivar o investimento em investigação e desenvolvimento concedendo um monopólio sobre a exploração. É uma boa ideia quando o negócio compensa à sociedade. Ou seja, quando é mesmo preciso que a sociedade financie a inovação e o custo de conceder o monopólio é inferior ao de outras formas de financiamento. Se não for esse o caso a patente é um mau negócio para a sociedade. Inibe a inovação e a concorrência e paga caro algo que custa, ou vale, pouco. Por isso não se devia conceder patentes a qualquer inovação, mas apenas àquelas que justifiquem este investimento da sociedade, que compensem o custo de oportunidade de monopólios que inibem outras inovações e que não possam ser financiadas de outra forma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo de uma patente que não devia ter sido concedida é esta da Google, para &lt;i&gt;«Um sistema incluindo um data-center montado numa plataforma flutuante, consistindo numa pluralidade de unidades de computação, um gerador baseado no mar em ligação eléctrica com a pluralidade de unidades de computação, e uma ou mais unidades de arrefecimento com água do mar para refrigeração da pluralidade de unidades de computação»&lt;/i&gt;(1). Ou seja, ter computadores em algo que flutue ou perto do mar. Se alguém usar um barco, plataforma petrolífera, ou mesmo uma casa à beira mar para ter um &lt;i&gt;data-center&lt;/i&gt; tem de pagar à Google. Isto é um mau negócio para a sociedade porque em vez de pagar o esforço de inovar serve apenas para obstruir a concorrência. Este tipo de concessões está a tornar-se cada vez mais comum, grave e absurdo por causa da popularidade crescente de duas ideias erradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma é a propriedade intelectual, a ideia que ideias têm dono. A justificação principal para a propriedade é proteger cada um de ser privado daquilo que tem. Da camisa, do carro, da casa onde vive. Algo que deixe de ter se outro passar a tê-lo. Por isso é que não precisamos de leis de propriedade para palavras, números, costumes, tipos de nós e combinações de cores na roupa que vestimos. Todo o sistema de ensino, toda a nossa cultura e civilização funcionam por ser desnecessário tratar ideias como propriedade. Na verdade, tratar as ideias como propriedade é a única maneira de deixarmos de ser donos do que pensamos, dando o poder legal a outros de nos vedar o acesso a informação pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra ideia errada é que a obrigação de pagar vem do usufruto em vez de ser consequência dos custos que impomos aos outros ou daquilo que prometemos dar em troca. É como se me sentar no meu quintal à sombra da árvore do vizinho me obrigasse a pagar-lhe o mesmo que se o tivesse contratado para plantar a árvore. A remuneração pelo usufruto, por si só, não faz sentido. E estas ideias transformam o comércio em extorsão. Aquilo que devia ser uma interacção voluntária na qual ambas as partes dão algo torna-se um acto coagido em que uma das partes é forçada a pagar e a outra não dá nada em troca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As patentes e o &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; não devem ser vistas como um direito de propriedade ou um dever de quem usufrui. São um incentivo e uma forma de pagar o investimento na inovação. Por isso deve ser concedidos apenas quando estes monopólios forem uma forma necessária de financiamento e quando a inovação resultante justificar o custo, que inclui não só o que o consumidor paga mas também o sistema legal e os obstáculos à criatividade, divulgação cultural e livre concorrência. Anedotas, receitas, canções, histórias, filmes ou lembrar-se de pôr os computadores num barco ficam muito abaixo dessa fasquia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Obrigado pelo email com a ligação para a patente.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- US Patent and Trademark Office, &lt;a href=http://appft1.uspto.gov/netacgi/nph-Parser?Sect1=PTO1&amp;Sect2=HITOFF&amp;d=PG01&amp;p=1&amp;u=%2Fnetahtml%2FPTO%2Fsrchnum.html&amp;r=1&amp;f=G&amp;l=50&amp;s1=%2220080209234%22.PGNR.&amp;OS=DN/20080209234&amp;RS=DN/20080209234&gt;United States Patent Application 20080209234, Water-Based Data Center&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-6332454127912852557?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/BjDiEJdHxz8" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/incentivar-inovacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">11</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-8471737954457565728</guid><pubDate>Tue, 13 Oct 2009 22:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-13T23:13:33.918+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Plausibilidade.</title><description>O António Parente comentou que &lt;i&gt;«Existem testemunhos que [afirmam] ter Jesus ressuscitado. Dado que é um acontecimento único e não repetível, é motivo para  [considerar] Jesus como Deus.[...] Claro que todo este esquema de prova parte da hipótese da credibilidade do testemunho»&lt;/i&gt; e perguntou  &lt;i&gt;«O que faz com que um testemunho histórico seja credível?»&lt;/i&gt;(1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema é este “esquema de prova”. Não faz sentido que se comece por escolher uma hipótese como verdadeira, excluindo qualquer alternativa, antes sequer de considerar as várias hipóteses e evidências. Em vez desta “prova”, cujo valor nunca é maior que o da escolha inicial, o que devemos fazer é avaliar cada hipótese para escolher a mais plausível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que temos acerca da ressurreição de Jesus é um relato escrito alegando ter havido testemunhas desse feito notável. E, perante um relato de um alegado acontecimento, há duas hipótese que se apresentam de imediato. Ou o relato corresponde a um facto ou é um relato fictício. Considerar o mérito relativo destas hipóteses é um ponto de partida melhor que simplesmente optar por uma e ficar-se por aí. Isto aplica-se aos relatos bíblicos e a quaisquer outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, uma placa suméria de 1850 AC relata um julgamento de três homens acusados de  assassinar um quarto. O texto conta o que disseram as testemunhas, que a mulher do assassinado permaneceu calada quando soube do sucedido, que os acusadores queriam que a mulher fosse também condenada mas que a “assembleia de Nippur” decidiu condenar apenas os três assassinos e ilibar a mulher por não ter morto ninguém (2). Como relato factual é plausível mas é pouco plausível que seja ficção. Além disso, mesmo que seja ficção, provavelmente estará próximo da realidade. Por isso, neste caso, é razoável dar credibilidade a este relato a menos que haja evidências em contrário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro relato sumério antigo conta como Inanna, deusa do amor e da luz, desceu ao inferno, jazeu morta durante três dias e três noites e depois voltou à vida. E, quando voltou, trouxe consigo espíritos de várias pessoas mortas (3). É curiosamente parecido com o relato da ressurreição de Jesus segundo Mateus. Neste, quando Jesus ressuscitou também ressuscitaram vários mortos (Mateus 27:52). Nestes casos, os acontecimentos relatados são implausíveis à partida. E a hipótese de se tratar de um história inventada para ilustrar algum conceito, dar esperança, convencer ou algo assim é plausível porque temos evidência que as pessoas gostam deste tipo de história. O herói que vence a morte é um tema recorrente em muitas culturas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário do António Parente, eu não tento “provar” algo decidindo dar credibilidade a um relato só porque sim. É mais correcto considerar as várias alternativas, confrontá-las com as evidências que permitam avaliar a verosimilhança dos relatos e a propensão humana para inventar histórias e, na ausência de outros indícios, usar esses dados para escolher a hipótese mais plausível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É por isso que aceito que na Suméria a assembleia de Nippur condenava assassinos mas rejeito que o filho do carpinteiro tenha sido um deus e tenha ressuscitado, ou que a deusa dos céus tenha descido ao inferno e voltado. Porque num caso o mais plausível é tratar-se de um relato factual e, nos outros, de histórias inventadas. São histórias apelativas, reconheço, e certamente comoveram e deram esperança a muita gente. Mas são ficção. Não há razão para inferir que um relato é factual só por ser popular ou ter um grande impacto. É até comum pessoas sentirem-se mais movidas e tocadas pela ficção que pela realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Comentário em &lt;a href=http://ktreta.blogspot.com/2009/10/treta-da-semana-o-onus-da-prova.html&gt;Treta da semana: o ónus da prova.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Samual Noah Kramer, A história começa na Suméria, Circulo de Leitores, p.83.&lt;br /&gt;
3- Sacred Texts, &lt;a href=http://www.sacred-texts.com/ane/sum/sum08.htm&gt;Myths of Kur&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-8471737954457565728?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/w1IojkzFdFU" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/plausibilidade.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">216</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-7043385135271884802</guid><pubDate>Mon, 12 Oct 2009 19:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-12T21:03:23.634+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ética</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><title>Moral absoluta.</title><description>&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YqC73omSk4o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YqC73omSk4o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por falar em moral e assim,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3bObItmxAGc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/3bObItmxAGc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-7043385135271884802?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/joqbxQVMCU4" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/moral-absoluta.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">25</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-3881490532516876634</guid><pubDate>Sat, 10 Oct 2009 17:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-10T18:42:40.738+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ateísmo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cepticismo</category><title>Treta da semana: o ónus da prova.</title><description>É comum ateus, e cépticos em geral, alegarem que o ónus da prova recai sobre os crentes porque estes é que propõem que algo existe, seja o monstro de Loch Ness seja Deus. Isto não é correcto. Dá a ideia, errada, que não é preciso fundamentar a tese que não existem deuses ou monstros nos lagos só porque se afirma que algo não existe em vez de afirmar que existe. Mas não é o tipo de tese que nos responsabiliza pelo seu fundamento. O ónus da prova recai sobre quem defenda qualquer tese. É a responsabilidade de propor algo como verdade, devido à promessa implícita, de quem participa num diálogo, de explicar ao outro o que defende. Se recusamos o ónus da prova prescindimos de defender a nossa posição ou desistimos de um diálogo racional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas “prova” aqui é no sentido de um teste para aferir a plausibilidade da tese proposta. É um erro alegar não ter o ónus da prova por não se poder provar a inexistência de algo porque isto é confundir o sentido de “prova”. Se eu propuser que não há tigres à solta no Chiado não é razoável exigir uma demonstração matemática. Não o posso provar nesse sentido. Mas tenho o ónus de mostrar que a minha tese é plausível e, neste caso, basta apontar que não há indícios de pessoas atacadas por tigres no Chiado. Se da existência de algo prevemos certos efeitos e não os encontramos justifica-se concluir que a coisa não existe. A calma das pessoas a ver montras é um forte indício de não haver tigres lá perto. Isto suporta perfeitamente o ónus da prova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma, se alguém propõe que algo existe incorre na obrigação de mostrar que a sua tese é a mais plausível. Se não o fizer é razoável rejeitá-la. O bule de Russell é um exemplo famoso. Para rejeitar a hipótese que há um bule a orbitar o Sol basta que quem o proponha não apresente indícios de haver tal coisa, pois assim não há razão para tomar a afirmação como verdadeira. Por isso, como disse Russell, não é ao céptico que compete provar a inexistência de algo ou, mais genericamente, a falsidade de uma afirmação. É quem a diz ser verdade que tem o ónus da prova. Mas isto deve-se a propor uma tese. Seja pela existência seja pela inexistência, qualquer tese requer fundamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso, quando o ateu vai além da mera rejeição das hipóteses dos crentes, por lhes faltar fundamento, e afirma que nenhum desses deuses existe passa a carregar também o ónus da prova. Para justificar o “não me convences” basta a outra parte não mostrar que a sua tese é a mais plausível. Mas para justificar o “isso é falso” já é preciso mostrar que é esta a hipótese mais plausível. Tal como quem afirma não haver tigres à solta no Chiado, o ateu tem o ónus de mostrar que é mais plausível não existir deuses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não é preciso uma prova matemática da inexistência de tigres ou deuses. É preciso apenas mostrar que essa é a hipótese mais plausível. E aqui a ausência de indícios esperados é determinante. Se está tudo calmamente às compras é plausível que não andem lá tigres à solta. Pela mesma razão, cada criança que fica sem pernas por pisar uma mina, morre de cancro ou nasce com uma doença genética sugere fortemente que não existe um ser benévolo e omnipotente preocupado connosco. É claro que se pode propor que os tigres são invisíveis e só mordem as almas das pessoas, que só dão por ela depois de morrerem. Mas essas hipóteses são, logo à partida, pouco plausíveis. E, mais importante que isso, a hipótese de não existirem continua a ser a mais plausível. Não é por pintar algo de invisível que a sua existência se torna mais plausível à falta de quaisquer evidências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso acho que, nestas conversas, devemos focar a plausibilidade de cada hipótese em vez de tentar passar a batata quente para o outro. Isto ocorreu-me porque aconteceu com o Ricardo Silvestre e uma senhora espírita no passado dia 2 (1). Ela pediu que ele provasse não existirem espíritos, ele disse que o ónus da prova era dela e ela disse que &lt;i&gt;«o ónus é exactamente igual»&lt;/i&gt;. E tinha razão. Se um afirma que existe e o outro afirma que não existe têm ambos o dever de fundamentar as suas teses. Mas isto não é só problema do Ricardo, por isso não quero focar esse episódio em particular. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema é uma confusão comum entre o dever de justificar uma tese e a dificuldade de provar, em definitivo, que algo não existe. A tal ambiguidade do termo “provar”. Apesar de ser muito difícil provar, no sentido forte, que uma coisa não existe, é relativamente fácil pôr à prova as teses da sua existência e inexistência e aferir qual delas é a mais plausível. E é isto que suporta o ónus da prova. Em relação aos extraterrestres que roubam mamas de vaca, aos santos que curam salpicos de óleo, às almas, espíritos, deuses e companhia, a hipótese que não existem é muito mais plausível que a enorme salada de alternativas que os crentes propõem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Portal Ateu, &lt;a href=http://www.portalateu.com/2009/10/02/mais-uma-oportunidade-para-ver-a-aradia/&gt;Mais uma oportunidade para ver… a Arádia (actualizado)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-3881490532516876634?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/8_oRnk4jvhY" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/treta-da-semana-o-onus-da-prova.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">28</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-7479517163176310305</guid><pubDate>Thu, 08 Oct 2009 18:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-08T19:52:06.007+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ciência</category><title>O desafio do Bernardo.</title><description>&lt;i&gt;«Termino com um desafio: peço ao Ludwig que me aponte uma contradição, basta apenas uma, entre doutrina católica e ciência.»&lt;/i&gt; (1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais que um conjunto de crenças, a ciência é o processo de escolher e transformar crenças para formar ideias correctas acerca da realidade. Por isso a ciência subordina as crenças aos dados. Se estes contradizem uma hipótese a ciência recomenda crer essa hipótese falsa. E se não há dados que favoreçam uma hipótese a ciência recomenda que não se confie nessa. As religiões vão no sentido inverso. Cada religião define-se por um conjunto fixo de crenças, costumes e rituais. São o seu fundamento, à luz dos quais interpretam tudo o resto, e exprimem  os anseios e tradições do povo de origem e dos povos que a adoptaram. Estas abordagens são incompatíveis. Enquanto a ciência visa escolher hipóteses segundo critérios objectivos de adequação à realidade, independentes do sujeito, as religiões são manifestações de subjectividade que projectam sobre a realidade o acto pessoal de crer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A diferença é óbvia ao longo da história. Filósofos gregos especularam que o universo seria feito de água, fogo, ar ou terra. Os alquimistas elaboraram a especulação e, eventualmente, nasceu a química e a moderna teoria dos átomos. Ficou muita treta pelo caminho mas, como o processo foi guiado pelos dados, os gregos até podiam ter proposto que o universo era feito de marmelada ou arenques fumados. Tanto fazia. Mais cedo ou mais tarde, empurradas pelo que se observa, estas especulações acabariam por convergir numa descrição mais próxima da realidade. Coisa que o fundamento subjectivo das religiões impede. Por isso as religiões divergem constantemente, e o seu número só não cresce sem parar porque muitas duram pouco. Religiões e ciência são incompatíveis à partida porque não podemos subordinar as crenças aos dados que obtemos ao mesmo tempo que assentamos uma visão do mundo num crer arbitrário. E porque não podemos encontrar formas objectivas de seleccionar crenças ao mesmo tempo que nos governamos por actos pessoais de fé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto não impede que alguém seja religioso e cientista. Também há pára-quedistas que fazem mergulho. Mas a capacidade humana para fazer e pensar coisas incompatíveis não faz com que deixem de o ser. Não é por um cientista ir à missa que provam a compatibilidade. Para isso teriam de mostrar como se faz ciência com rezas, fé e dogmas religiosos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E não é só no processo que há contradição. Também naquilo que é aceite como verdade as religiões contradizem a ciência. Por exemplo, muitas religiões – entre as quais a católica – afirmam a existência de seres conscientes e imateriais. Deus, almas, anjos, espíritos santos. E isto a ciência diz, claramente, ser impossível. Não é algo que esteja fora do conhecimento científico nem dependente dos modelos ainda incertos da neuropsicologia. É algo que segue da física mais fundamental. O processamento de informação, no sentido mais lato que abrange certamente qualquer forma de consciência, exige energia e acarreta custos em entropia. Disso não há escapa. A menos que a ciência moderna esteja redondamente enganada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes do deus católico são outro exemplo. As teorias científicas servem-nos por serem claras e explícitas, e a teoria da relatividade é das melhores que temos nisso. Quando nos diz que não se pode acelerar objectos à velocidade da luz é mesmo isso que quer dizer. Não há excepções, nem para o Capitão Kirk, nem para o Kal El nem para o Jeová. Não se pode. Ponto. É assim que se faz em ciência porque se a teoria é correcta, desta forma dá-nos uma visão clara e útil da realidade. E se a teoria for incorrecta damos logo com o gato. Por isso, afirmar que um amigo invisível pode acelerar coisas a velocidades superiores à da luz contradiz a ciência moderna. Da cosmologia ao GPS, muito na ciência depende de ser impossível fazer tal coisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para disfarçar esta contradição é costume alegar-se que Deus opera num domínio diferente ou que ele é que criou as leis da natureza e pode fazer o que quiser. Nada disso serve. Só há duas possibilidades. Ou a ciência está correcta nisto e é impossível deslocar objectos mais depressa que a luz. Ou não é impossível e a ciência está enganada. Torçam-se como quiserem, mas dizer que há um deus que o pode fazer é contradizer a ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E há os milagres, que os católicos adoram. Literalmente. Quando alguém se cura e dá jeito mais um santo, reúne-se cientistas para certificar que a cura é cientificamente impossível e oficializa-se o milagre. É uma fantochada, é certo. Não há qualquer contradição porque não há milagre. Há só aldrabice e trapalhada. Mas a ideia que querem transmitir é que o deus católico manda na ciência. A ciência diz que não pode e vem Deus e, pimba, já está. Os milagres são cartazes publicitários apregoando a incompatibilidade entre pensar objectivamente na realidade e acreditar que isto anda tudo a mando do homem invisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que o Bernardo vai dizer que Deus é um ser transcendente, que está para além do tempo e do espaço, é incompreensível para a mente humana e essas coisas. O que o leva a mais uma contradição com a ciência. Em ciência, essas desculpas são inaceitáveis. Porque não há maneira nenhuma de saber se isso é mesmo assim ou se é tudo treta. Nem faz qualquer diferença...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Bernardo Motta, 6-10-2009, &lt;a href=http://espectadores.blogspot.com/2009/10/crencas-e-diferencas.html&gt;«Crenças e diferenças»&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-7479517163176310305?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/T_a5t41CUl8" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/o-desafio-do-bernardo.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">190</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-29251019.post-1175505213788459282</guid><pubDate>Wed, 07 Oct 2009 21:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-07T23:02:45.410+01:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">argolada</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">ateísmo</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">gozo</category><title>Um delírio de refutações.</title><description>O blog do Luciano Henrique, “Neo-ateísmo, um delírio”(1), tornou-se popular aqui nos comentários desde que o Nuno Gaspar descobriu a conveniência de remeter quem discorda dele para textos longos e incoerentes escritos por outros. É prático e mais seguro que expor à crítica ideias escritas por palavras suas. E se alguém se der ao trabalho de ler os posts do Luciano e notar que não adiantam de nada, o Nuno só precisa copiar mais uma ligação e dizer “este é que é”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o Luciano tem uma forma intrigante de demolir o ateísmo. Como &lt;i&gt;«fã da aplicação do método científico para resolução de problemas corporativos»&lt;/i&gt; e auto-proclamado &lt;i&gt;«especialista em ceticismo empresarial»&lt;/i&gt;(2), de um fardo de palha inventa um conjunto de técnicas que diz refutar facilmente. Tem índice e tudo, onde promete coisas como &lt;i&gt;«Técnicas de Pseudo-Consultoria»&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;«Técnicas de Disfarce Científico»&lt;/i&gt;(3). E as refutações do Luciano são tão boas que se refutam a elas próprias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o Luciano, a &lt;i&gt;«Leitura Mental consiste em agir tomando como premissa de que se tem o poder de telepatia de forma a conseguir ler o pensamento de outra pessoa»&lt;/i&gt;(4). À letra, a definição aplicar-se-ia apenas a quem se dissesse telepata, o que é pouco útil. Mas o uso que o Luciano lhe dá sugere que se refere a quem quer que forme uma opinião acerca daquilo que o interlocutor pensa. Precisamente o que o Luciano faz, se bem que diga ser sem querer: &lt;i&gt;«Como não quero “ler a mente” dos neo-ateus, afirmarei várias possibilidades para o uso da Leitura Mental, podendo ser desonestidade intelectual, fanatismo, raciocínio de auto-ajuda, credulidade pura e/ou então ingenuidade argumentativa.»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que o Luciano diz refutar é a da &lt;i&gt;«Seleção do Adversário»&lt;/i&gt;, que &lt;i&gt;«funciona basicamente da seguinte maneira: por medo de falar sobre interpretações corretas de ciência e religião, eles afirmam que ciência e religião estão em luta, e então colocam um componente da entidade que dizem defender (ciência) em duelo com um componente falso (ou mal associado) do adversário (religião)»&lt;/i&gt; (5). À parte de se esquecer de não ler a mente do adversário, descaindo-se ao dizer que é por medo, o Luciano esquece-se também que, nas religiões, o que uns crentes dizem falso outros dizem verdadeiro. E, ao contrário da ciência, as religiões não têm maneira de saber quem tem razão. Cada um diz que o seu deus é que é infalível, que o seu livro é que é perfeito e que a sua fé é que é fonte de sabedoria. Ninguém se entende. Além disso, nesta “refutação” o Luciano faz precisamente o que refuta: &lt;i&gt;«Muitos neo-ateus NÃO SÃO CIENTISTAS (raros deles são) e fingem serem “representantes da ciência’. Eles costumam ficar irritados quando se descobre que eles não são o que afirmam ser.»&lt;/i&gt; Ou seja, coloca um componente da entidade que diz defender em duelo com um componente falso (ou mal associado) do adversário. Conheço muito mais ateus cientistas que ateus que se digam “representantes da ciência” ou que, não sendo cientistas, fiquem irritados quando se descobre que não são.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas restrições podem parecer estranhas. No fundo, o Luciano condena que se escolha as teses contra as quais se argumenta ou que se tente perceber o que o outro está a pensar. Quando saber com quem estamos a dialogar e perceber o que o nosso interlocutor pensa são peças fundamentais de qualquer diálogo produtivo. Mas há que considerar o contexto das refutações do Luciano. Imaginem. Sábado de manhã. Toca a campainha. Duas pessoas bem vestidas à porta, de livrinho debaixo do braço. Uma pergunta uma banalidade qualquer, começando por “Jovem...”. Independentemente da resposta que dermos, olha para longe e começa a recitar uma lengalenga acerca de Jesus, da salvação, da fé, da Palavra e assim por diante. E evita qualquer destas grandes falhas de considerar a quem se dirige, o que o interlocutor possa pensar daquilo ou sequer de pôr o cérebro a trabalhar (afinal, ao Sábado não se pode trabalhar).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra pérola, e um monumento à ironia, é a técnica da &lt;i&gt;«Defesa associada à fragilidade»&lt;/i&gt;(6). O Luciano explica que os ateus acusam os crentes de só tentarem atacar os argumentos dos ateus por não terem fundamento para as suas crenças. Como fazem os criacionistas, que tentam baralhar a teoria da evolução como se isso provasse que Jesus fez cada animal e planta. E como é que o Luciano “refuta” isto? É genial. Faz exactamente isso:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;«NEO-ATEU: Vocês ficam tentando refutar os ateus pelo simples fato de que não estão seguros de que a religião está certa.&lt;br /&gt;
REFUTADOR: Você tem como PROVAR que esse é realmente o motivo pelo qual os teístas se defendem da difamação feita por Richard Dawkins e sua turma?»&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fico por aqui. Há muito mais, mas já cocei o que tinha a coçar. Prossigo agora com o programa habitual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- &lt;a href=http://neoateismodelirio.wordpress.com&gt;neoateismodelirio.wordpress.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
2- Neo-ateísmo, um delírio, &lt;a href=http://neoateismodelirio.wordpress.com/about/&gt;About&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
3- Neo-ateísmo, um delírio, &lt;a href=http://neoateismodelirio.wordpress.com/conhecendo-o-inimigo/&gt;Conhecendo o inimigo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
4- Neo-ateísmo, um delírio, &lt;a href=http://neoateismodelirio.wordpress.com/2009/09/15/tecnica-leitura-mental/&gt;Leitura Mental&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
5- Neo-ateísmo, um delírio, &lt;a href=http://neoateismodelirio.wordpress.com/2009/09/23/tecnica-selecao-do-adversario/&gt;Seleção do Adversário&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
6- Neo-ateísmo, um delírio, &lt;a href=http://neoateismodelirio.wordpress.com/2009/10/07/tecnica-defesa-associada-a-fragilidade/&gt;Técnica: Defesa associada à fragilidade&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29251019-1175505213788459282?l=ktreta.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/QueTreta/~4/ybsFt6Lzpco" height="1" width="1"/&gt;</description><link>http://ktreta.blogspot.com/2009/10/um-delirio-de-refutacoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Ludwig Krippahl)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">74</thr:total></item></channel></rss>
