<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863</id><updated>2026-06-15T18:13:50.703-03:00</updated><category term="Contos"/><category term="Crônicas"/><category term="Devaneios"/><category term="Textículos"/><category term="Listas"/><category term="Eu acho..."/><category term="Vida bastarda"/><category term="Bastardo News"/><category term="(In)utilidade"/><title type='text'>Recanto de um bastardo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-8465913644642229736</id><published>2021-06-24T10:40:00.004-03:00</published><updated>2021-06-24T10:45:21.232-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Eu acho..."/><title type='text'>Uma pandemia que nunca vai embora</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em 24 de setembro de 2020 tivemos o pior dia do Brasil daquele ano todo: 1703 mortos de COVID. O pior dia de 2021 até agora foi 8 de abril: 4249 mortes. Só ontem, 24 de junho, morreu 2392.&lt;/p&gt;&lt;div&gt;E o número de mortes está subindo, apesar da vacinação. Mas por quê? Bom, primeiro porque o ritmo da vacinação tá muito lento: só 11% até agora da população está imunizada com as 2 doses. E segundo, não estamos mais fazendo quarentena. Primeiro que o país nunca sequer fez lockdown, e agora nem nos damos mais ao trabalho de tentar. Tá todo mundo de saco cheio de ficar só em casa, as vacinas tão aí, vai ficar tudo bem... Né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consequência dessa ilusão é: de COVID, apenas nos últimos 3 meses de 2021 morreram mais de 200 mil pessoas, mais gente do que no ano 2020 inteiro. Em 2020, a pior média móvel de mortes diárias foi de 1096. Em 2021, passou das 3 mil e hoje estamos lá pelas 2 mil. Se levar só isso em conta, estamos duplamente afundados na merda. O SUS opera no limite e continuamos nos aglomerando. Aí temos Copa das Américas, motociatas, e prefeitos e governadores abandonando medidas restritivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também temos novas variantes, como a Delta, da Índia, muito mais letal e transmissível. Mas o mais grave é o risco de uma variante que escape da imunidade vacinal. A inação criminosa do governo federal, pessoas recusando a se vacinar - especialmente aquelas que não tomam se não for a da Pfizer - e se aglomerando e não fazendo mais quarentena aumenta muito esse risco. Aí todo o trabalho de vacinação pode ir pro caralho. Um cenário perfeito para uma pandemia que nunca vai embora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Será que vamos ter uma nova gripe espanhola, exterminando toda uma população até que se alcance a tal imunidade de rebanho? E se essa imunidade de rebanho nunca acontecer porque mais e mais variantes podem surgir, reinfectando e matando os que já tinham pego? Quantos mais terão que morrer? E o Brasil vai se consolidando como pária global, com um governo negacionista, obscurantista e anti ciência, sem alcançar imunidade coletiva vacinal, sem nunca ter feito lockdown, sem nunca ter impedido o vírus de circular, e sem nunca ter achatado significativamente a curva de mortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Bolsonaro for reeleito em 2022, pode esquecer alguma chance desse cenário mudar. Mesmo com pressão internacional, com países voltando a normalidade, não é como se relações externas fosse fazer qualquer efeito benéfico sobre este governo. Pra mudar esse cenário: somente um líder que decrete lockdown nacional em coordenação com autoridades estaduais e municipais, que amplie a testagem e o rastreio de contatos, coloque em prática o plano nacional de imunização, invista em um Ministério da Saúde competente, científico e não negacionista, que valorize o Sistema Único da Saúde, amplie o auxílio emergencial, e que consiga unir a nação em torno desses objetivos, para tirar o país desse horrendo abismo interminável de desamparo e morticínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por enquanto, isso sequer pode ser visto como uma perspectiva realista sobre o futuro próximo. O Brasil do futuro próximo é o país que enquanto o mundo se recupera, aqui vamos voltando a nos aglomerar, em um retorno ilusório à normalidade - com milhares ainda morrendo de COVID, durante uma pandemia que nunca foi embora e, dado o atual cenário, nunca vai.&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8465913644642229736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8465913644642229736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2021/06/uma-pandemia-que-nunca-vai-embora.html' title='Uma pandemia que nunca vai embora'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-7460474108617206792</id><published>2020-11-24T20:09:00.018-03:00</published><updated>2021-06-24T11:43:22.039-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>Era pra ter sido uma vida feliz</title><content type='html'>Eu tive uma vida boa, mas não fui feliz.&amp;nbsp;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei em que momento descobri que não era verdade. De que bastava eu estudar, me dedicar no trabalho, ser um marido amoroso, acreditar em mim mesmo, e buscar fazer do mundo um lugar melhor. Já na pré-adolescência eu não me via motivado pra nada. O misto de auto cobrança e procrastinação foi desastroso. Tive um emprego entediante, que eu nunca amei, porém estável e que me permitiu sobreviver. Fui casado por 34 anos e fiz de tudo pra tentar ser um bom marido, mas fui um incompetente em todos os sentidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca fui bom em conseguir ser bom em nada. Ainda na infância me lembro de ter chorado porque não conseguia decorar o alfabeto. Demorei pra conseguir aprender a amarrar meus próprios cadarços. Tentei ser escritor, mas não tinha criatividade pra escrever sem no final acabar imitando o que já tinha lido. Tentei ser um bom estudante, mas tudo parecia ser sempre mais difícil pra mim do que pros outros. Minha memória sempre foi uma traiçoeira nefasta e me sabotou inúmeras boas oportunidades. Tentei ser um bom ator, mas jamais conseguia decorar bem minhas falas. Minha carreira jamais saiu dos primeiros degraus. Tentei ser um bom filho e amigo, mas tratei todos com frieza e distância e provavelmente magoei e decepcionei muito mais gente do que jamais poderia recompensar. Vivi com culpa e remorso após a morte de entes queridos por não ter sido melhor pra eles. Vivi com culpa e remorso por ter sido uma pessoa desprezível a vida inteira e só ter notado isso tarde demais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Preciso ser justo também. Tive uma vida boa e privilegiada. Se eu colocar em perspectiva, tive acesso ao que a maioria não teve. Talvez se eu tivesse batalhas mais difíceis pra lutar eu poderia ter sido mais humilde. Mais humano. Ainda sim drenei minha atenção à inseguranças e neuroticismos. Não aproveitei pequenos e grandes momentos de felicidade da qual tive oportunidade. Essas experiências externas de prazer foram diminuídas pela agonia interior fabricada pelo próprio ego. Encolhidas pelas angústias ilusórias de uma mente danificada e auto sabotadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era pra ter sido uma vida feliz. Não sei porque, só queria acreditar que deveria. Mas fui me provando errado a cada tentativa. Nenhuma terapia adiantou. Me vi velho, aposentado, ainda preso aos mesmos erros, aos mesmos vícios e aos mesmos hábitos. Eles me mantiveram prisioneiros de suas fabricações por todo o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu só consigo acreditar que não nasci pra viver uma vida feliz. Nem sequer que nasci pra viver. Talvez eu troquei algumas fantasias por outras. Mas os sonhos foram virando pesadelos. A euforia sempre foi dando lugar ao torpor. No fim restou a decomposição de um projeto de vida. A sombra do que foi antes uma faísca de explosões carregadas de energia. Um voltar ao esquecimento, ao escuro eterno, de onde não deveria ter saído. A única oportunidade de ter uma experiência única no universo valeu a pena? Não estar morto por um brevíssimo período de tempo na escala cosmológica foi um erro? Eu queria estar dando aqui meu testemunho final, de amor e esperança, de expressar gratidão e saudade, amor e compaixão. E, no entanto, esse é meu testemunho final. Uma mente que só alimenta planos que se tornam frustrações é dona de toda a angústia do mundo.&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7460474108617206792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7460474108617206792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2020/11/era-pra-ter-sido-uma-vida-feliz.html' title='Era pra ter sido uma vida feliz'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-8997389043156727970</id><published>2020-11-03T14:32:00.009-03:00</published><updated>2021-06-24T11:43:13.731-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Eu acho..."/><title type='text'>A letargia </title><content type='html'>Poucas coisas me deixam tão inquieto quanto a capacidade destrutiva do meio ambiente causada pelo homem. Lá fora tem um movimento ambientalista chamado &quot;Extinction Rebellion&quot;, ou &quot;Rebelião da Extinção&quot;, que direto organiza protestos contra o fracasso mundial em conter as mudanças climáticas e adotar políticas mais ecológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, apesar da destruição intencional de seus biomas, esse movimento não tem qualquer expressividade. Apesar dele existir aqui, não há sequer uma faísca de maior adesão população contra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não que eu também não entenda. O povo vai ir pras ruas protestar contra incêndios numa floresta distante pra que? Pra correr risco de pegar COVID-19 enquanto mal consegue comprar arroz e pagar a conta de luz? Não a toa o Extinction Rebellion também tem mais popularidade em países mais ricos. Recentemente o tal do &quot;New Green Deal&quot;, movimento que pressiona os EUA a adotar políticas mais sustentáveis, ganhou força entre ativistas climáticos e progressistas. O que estamos fazendo no Brasil além de nos preocupar com traições entre casais famosos e ignorar assassinatos de lideranças ambientalistas e indígenas? O povo prefere, e precisa, não sem razão, se preocupar com tópicos mais primários de sobrevivência, como poder ter dinheiro pra comer. Mas talvez também estejamos apáticos e desanimados demais com tudo, ou talvez o brasileiro nunca tenha tido uma construção cidadã e política forte o suficiente para se manifestar em massa contra esse pandemônio ecológico. Afinal, não foi através de manifestações populares que se derrubou a monarquia. Talvez a pandemia e esse governo obscurantista, que propositalmente permite milhares de mortes diárias por um vírus e a devastação de seus ecossistemas nos tenha sugado de qualquer força pra pensar em fazer alguma coisa. Ou talvez a situação se tornou tão lamentável que até mesmo se importar com o meio ambiente se tornou secundário. Ou simplesmente preferimos não enxergar o buraco em que estamos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O triste é saber que mesmo ações coletivas não corrigem o poder destrutivo em prol do capital com a anuência de um governo irresponsável. No final, só queremos ver um filme no fim do dia pra dormir e se sentir bem, afinal todos merecemos um pouco de lazer. E nessa sensação de derrota e letargia, seguimos testemunhando um vírus que ainda vitima milhares, um Estado que é desmontado e corroído com o apoio do grande empresariado, pessoas voltando a passar fome e a um Brasil acabando em fogo.&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8997389043156727970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8997389043156727970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2020/11/a-letargia.html' title='A letargia '/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-4528191480524065109</id><published>2018-11-12T15:01:00.001-02:00</published><updated>2018-12-10T11:11:22.213-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Devaneios"/><title type='text'>Transcritos aleatórios 5</title><content type='html'>&lt;b&gt;O Brasil lidera o assassinato de ativistas ambientais&lt;/b&gt;, carentes de apoio popular e político, que ficam às margens de um intenso lobby do agronegócio, afrouxando a legislação sobre agrotóxicos, desmatamento ilegal, mineração, pesca e caça em áreas protegidas, extinção de reservas ambientais; além das ameaças de Bolsonaro ao Ibama e ICMBio por serem apenas uma &quot;indústria da multa&quot;, da hostilização de terra indígena, e da saída do Acordo de Paris e da fusão (até agora ideias que foram abandonadas) do Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura. Ministérios esses que um será comandado por um réu por improbidade administrativa e o outro por uma deputada apelidada de &quot;Musa do Veneno&quot;, que juntos fazem a alegria de ruralistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma agenda ambiental, que use a ciência e a tecnologia para práticas mais sustentáveis, precisa ser prioritária em um planeta que já sofre significativos efeitos do aquecimento global, com o incentivo à agrossilvicultura, corredores ecológicos, OGMs, ampliação da matriz energética solar e das áreas de proteção ambiental, redução dos subsídios à combustíveis fósseis, entre outras. Não é só questão de proteger o meio ambiente. É benéfico para o comércio, desenvolvimento industrial, saúde, turismo, emprego, bem estar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O desmatamento da Amazônia&amp;nbsp;se aproxima do irreversível na recuperação do seu bioma, com impactos catastróficos não só na biodiversidade, mas também na agricultura e economia do país, que entrariam em colapso. A floresta é a principal responsável pelo ciclo hidrológico de São Paulo, e seu clima extremo, a falta de chuvas e a seca das represas são consequências importantes da destruição da floresta amazônica, e se ela não existisse a cidade inteira estaria hoje sob um deserto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas isso tudo não interessa em nada ao novo governo, que tem como chanceler um lunático que acredita que tudo isso não passa de dogmatismo. Essa é uma bela receita rumo à um desastre ecológico e econômico. O Brasil pode sofrer secas severas, impactos desastrosos no meio ambiente, sanções internacionais para a exportação de seus commodities, e assim o comércio nacional desabar e todo o país sofrer uma enorme crise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem certeza que não vamos virar uma Venezuela? Se você votou nesse novo governo, é melhor já ir cobrando seu candidato a abraçar pautas ambientalistas e de desenvolvimento sustentável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
---&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Uma sociedade cientificamente letrada&lt;/b&gt; se demonstra mais urgente do que nunca quando se presencia uma era da &quot;informação&quot; tão catastrófica em termos de credibilidade e qualidade. A facilidade e rapidez da comunicação exacerbou suas piores facetas, hoje dominada por debates supérfluos, fake news, manipulações, agressões verbais ou físicas, sensacionalismos e bolhas sociais, sendo estes os sintomas da falência educacional de um povo crédulo, analfabeto científico e desprovido de criticismo. Um instinto primitivo e irracional apossou-se desse país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ciência não é só remédios, dinossauros, drogas, bombas, planetas, lei da gravidade e foguetes espaciais. É também uma mentalidade a ser empregada, uma perspectiva filosófica de vida. Aplicar o método científico é saber identificar os maus argumentos e os bons, de ficar atento ás falácias, vieses cognitivos, falhas de raciocínio, do agir por impulso e emoção, de reconhecer que nosso cérebro primata é falho e pode sempre ser enganado. Aplicar o método científico diariamente é carregar consigo uma tocha de ceticismo, uma postura racional, crítica e intelectual, mas também humilde, em reconhecer não ter certeza quando não se tem, de assumir a própria ignorância, de estar sempre disposto a pesquisar mais através de fontes confiáveis, e também de estar a par de sua própria falibilidade e sugestionabilidade, da tentação ao auto engano, de aceitar qualquer coisa como verdade porque quer acreditar, de reconhecer e rejeitar pseudociência, notícias falsas ou tendenciosas, conspirações, ciências questionáveis e superstições. De condenar picaretas e charlatões que tentam nos enganar com terapias alternativas ou teorias mirabolantes supostamente irrefutáveis. De enxergar a vida de forma secular, sem apelo ao desconhecido e ao irracionalismo. De não relativizar o conhecimento cientificamente embasado, criando seus próprios fatos à maneira que bem entender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O método científico não é dogmático, e pode ser falível, mas está sempre se questionando, observando e aceitando, aprimorando e corrigindo novas ideias conforme o acúmulo de evidências e argumentos bons e aceitáveis que a suportem. O que pode ser afirmado sem evidência pode ser rejeitado sem evidência, e o que se afirma ser &quot;além da capacidade de verificação pela ciência&quot; também podem ser no mínimo questionável ou descartado.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/4528191480524065109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/4528191480524065109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/11/transcritos-aleatorios-5.html' title='Transcritos aleatórios 5'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-7684173980761430514</id><published>2018-09-30T23:38:00.002-03:00</published><updated>2018-10-02T22:16:35.496-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Eu acho..."/><title type='text'>Sobre o inominável</title><content type='html'>Todos estamos inseguros, com medo e cansados da violência, da velha política, da instabilidade social e econômica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, mesmo assim Bolsonaro, João Dória, Haddad (no lugar de Lula), Aécio e Dilma lideram nas pesquisas. Piora quando lemos: &quot;No estado de São Paulo, os mais votados (para Deputado Federal) em 2018 devem ser Tiririca, Marco Feliciano, Eduardo Bolsonaro, Celso Russomanno e Kim Kataguiri&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que revolta é essa, que se transformou em uma condescendência alienada ao votar nos mesmos velhos políticos ou em retrógrados que prometem &quot;mudar tudo isso&quot;, mas que carregam consigo uma bandeira de ódio, conservadorismo e ignorância?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse clima de indignação, Bolsonaro encarnou o papel de um herói, prometendo respostas mágicas para um povo desamparado, cansado do PT, da roubalheira e da ineficiência estatal, e que viu nele o portador de ares novos para a política. Nessa mesma mentalidade que Dória foi eleito, e hoje sabemos a farsa que ele é. Ou será que Bolsonaro vai mudar tudo isso? Eu não vejo nenhum motivo razoável para ter essa esperança. Bolsonaro tem, em sua carreira política, se mostrado bem fiel à manutenção do status quo e do establishment político, com um longo histórico corporativista e militarista. Por que seria diferente com ele presidente, ainda mais sofrendo tamanha rejeição e oposição (e não sem motivos)? Isso poderia ser certamente um forte impedimento à suas pautas, embora o Congresso, com sua dominância conservadora, pode facilmente se aliar ao seu governo. Não sei o que é mais assombroso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É problemático (para dizer no mínimo), em primeiro lugar, suas declarações e atitudes explicitamente intolerantes, preconceituosas e ignorantes em relação à índios, imigrantes, gays, mulheres, negros e outras minorias. Ou suas exaltações à ditadura e seus torturadores - ignorando um período totalmente obscuro na história do país, com altos índices de inflação, violência, corrupção, desigualdade e evasão escolar (irrefutável evidência de que militares no poder não são prova nenhuma de nobreza e boa gestão estatal). No entanto, seus apoiadores sem problema nenhum relevam, negam ou, pior ainda, até mesmo concordam com tudo isso. Porém, apoiá-lo é também ignorar o seu evidente despreparo para assuntos importantes como economia, políticas internacionais, saúde, segurança pública e educação. Ele facilmente derrapa em questões básicas sobre esses assuntos, ou joga nas costas de seu ministro da economia, que mesmo que fosse o mais brilhante do mundo (não é), sozinho esse ministro não é capaz de fazer nada sem um presidente que não tenha conhecimento, experiência, articulação e jogo de cintura; que saiba fazer acordos e ter poder de influência no Congresso. Ele ter só 3 projetos aprovados (nenhum desses sendo de segurança pública, uma de suas principais pautas) em 27 anos como deputado federal talvez seja uma amostragem importante sobre sua expressividade e importância política. Nada garante que com ele na Presidência seria diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com um discurso totalmente raso e desconexo, ele consegue ser totalmente superficial em todas as suas propostas, com soluções simples e imediatistas para problemas graves, porém profundos e de múltiplas causalidades. Ser a favor da educação a distância para &quot;combater o marxismo&quot;? Os alunos saem da escola e mal aprendem a interpretar um texto. Sua posição a favor do armamento é uma política simplista totalmente infundada, uma proposta para resolver um problema estruturalmente complexo que envolve diversas variáveis socioeconômicas e educacionais. Aliado a isso, há a proposta da carta branca pra polícia matar sem culpabilização (apesar de já termos uma das instituições policiais que mais mata no mundo), receita perfeita para o desastre. Para combater o desemprego, ele defende menos direitos trabalhistas, além de ser contra a igualdade salarial de gênero e a favor da diminuição da licença maternidade, o que soa no mínimo ultrajante para um país cujas condições de trabalho já podem ser abusivas ou até análogas à escravidão. No seu oportunismo latente, abraçou o liberalismo econômico como forma de agradar ao mercado, embora ainda seja contra taxação de grandes fortunas e heranças, no mínimo tornando questionável que seu governo será destinado às massas mais pobres. Em relação ao meio ambiente, sua defesa de fusão dos Ministérios da Agricultura com o do Meio Ambiente é uma clara afronta ao ambientalismo e à conservação dos biomas brasileiros, já claramente em perigo e que poderão sofrer ainda mais nas mãos do lobby agropecuário, causando mais desmatamento, mais extinções, e mais impacto ambiental em grande escala (não obstante a isso, Bolsonaro também defende a irresponsável saída do Brasil do Acordo de Paris). O projeto de desenvolvimento nacional, quando inexistente ou vago, é no mínimo questionável ou duvidoso; seu plano de governo não tem sequer uma aprofundamento palpável para questões importantes, muitas vezes se atendo à espantalhos anti-Foro de São Paulo (e o usando inexplicavelmente como correlação para ter ocorrido mais 1 milhão de assassinatos desde sua fundação), anti-PT e anti-Marxismo. O perigo já foi amplamente difundido de Bolsonaro não representar a nova política, e sim um reacionarismo conservador, sendo ele e seu problemático plano de governo já escrachado até por veículos internacionais de renome como The Economist, Washington Post e The Guardian. Esse receio piora pela sua persona autoritária que flerta com o fascismo, cultuando as Forças Armadas, a hierarquia de poder, o nacionalismo exacerbado, condenando o pacifismo, a modernidade e o inimigo como algo a ser combatido pela guerra; usando de oratória simplória com apelos ao medo, ao uso da força; criando um clima de incerteza, sobretudo às minorias e aos moderados (estes ainda sendo acusados de vitimistas e de &quot;isentões&quot;), amedrontados de serem ainda mais marginalizadas e perseguidas por aqueles que o apoiem (incluindo grupos neonazistas), vendo na figura de seu &quot;líder&quot; um incentivo moral aos preconceitos destilados por ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo seu passado político o contradiz: por já ter sido aliado do PMDB e do PT em diversas pautas econômicas (seu &quot;liberalismo&quot; só surgiu recentemente), a favor de privilégios políticos, de guerra civil para mudar o país, além de supostamente ter feito lavagem de dinheiro pelo partido através de doação da JBS; de já ter confessado sua indisciplina quando servia no Exército; por já ter empregado funcionária fantasma com verba de seu gabinete; por declarar que usava auxílio-moradia pra &quot;comer gente&quot;; por se declarar um fiel cristão e pregar o ódio e a relativização do estupro; de se declarar patriota mas bater contingência para os EUA e defender entregar a Amazônia para eles; de ter votado contra o Plano Real, da proibição do nepotismo e do teto salarial no setor público, do fundo do combate à pobreza, além de, pasmem, já ter inclusive elogiado e apoiado a candidatura de Ciro Gomes em 2002 à presidência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, no entanto, Bolsonaro se aproveitou do intenso antipetismo e da credulidade para instigar o medo com seu tom militarista e intimidador, propagando ameaças invisíveis de um fantasma comunista inexistente, de um suposto kit gay e ideologia de gênero, e outros boatos que inventa ou perpetua (mas fake news é só quando é sobre ele). E agora lidera nas intenções de voto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho seríssimas dúvidas sobre ele ser minimamente defensável, e não vejo como ele vai diminuir a violência, a corrupção, o desemprego, ou melhorar a educação e muito menos como vai salvar a economia do país. Mas quem o apoia parece não estar ciente do seu questionável preparo e coerência ideológica e política, ou se cega à tudo isso, comprando ideias e conclusões absurdas pra suportar um raciocínio insustentável a seu favor, entre eles: &quot;Ahh pelo o menos ele é ficha limpa&quot;, sendo que não é o único, e nem de longe esse é o único requisito para um candidato. &quot;Pelo o menos ele vai acabar com a roubalheira&quot;, sobre esse mesmo candidato que foi aliado do PMDB a carreira toda e chamou Eduardo Cunha de herói, que hoje está preso. &quot;OK, mas ele tem pulso firme e pelo o menos vai tentar salvar o Brasil&quot;, essa ideia deveria ser encarada com muito ceticismo, vindo de um deputado federal de carreira eleito pelo Rio de Janeiro, cujos resultados para combater a violência e a corrupção não têm sido sequer dignos de nota, além de outros motivos já apontados nesse texto. &quot;Aaa mas ninguém mais aguenta o PT, vamos dar uma chance pra ele&quot;, que pra mim soa mais como uma tentativa ingênua e perigosa de brincar com o fogo, jogando o futuro de um país nas mãos de um candidato que mal consegue entrar em acordo com seu próprio vice (este com falas igualmente ou ainda mais chocantes), que demonstra total desrespeito à diversidade do ser humano, que não conhece seu próprio plano de governo, entrando em desavenças até com seu ministro de economia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Óbvio que a rejeição do PT é enorme e sua volta ao poder é inaceitável, porém agora com Haddad em segundo lugar nas intenções de voto colocamos o país como refém e a população de mãos atadas. Na atual conjuntura, o ideal seriam candidatos conciliadores, que saibam apaziguar esse clima incerto, que tenham um projeto nacional estruturado e bem estudado, no caso de Marina Silva ou Ciro Gomes (embora obviamente eles não sejam perfeitos, mas que possuem uma longa e notável carreira política). No entanto, esse tipo de conduta não atrai o brasileiro médio, indignado e cansado. O pobre, trabalhador, quer chegar em casa com comida, sem ser assaltado, sem ficar cansado todo dia diante de tanta desigualdade e injustiça. O Bolsonaro, com seu populismo de direita, é um prato cheio para esse sentimento de desolação, com seus discursos inflamados e &quot;lacradores a la direita&quot; que conquistaram a simpatia do cidadão comum, que não tem nenhum interesse pelas pautas LGBTI, pela legalização da maconha ou do aborto, quando não consegue pagar o transporte escolar do filho para a escola ou que não ser roubado quando acabou de comprar um celular novo. O cidadão comum, que mora na periferia e convive diariamente com o crime, não se importa se seu candidato é machista, homofóbico e intolerante. Ele quer um presidente que o ajude a pagar as contas, a comprar remédios e que combata a violência. Nesse cenário, a oposição de Bolsonaro não pode se resumir a chamar seus apoiadores de fascistas e de associa-lo à todas as malezas imperdoáveis. Óbvio que existem aqueles que declaram seu voto nele puramente por preconceito, ignorância, ou por flertar com o fascismo, além de outros motivos execráveis que devem também ser combatidos. Mas não é só isso. Ele tem que ser criticado em todas as suas facetas, e de todo o perigo e risco que ele representa, em todas as esferas sociais, políticas e econômicas. Os motivos de suas propostas serem questionáveis ou inaceitáveis, e quais seriam melhores alternativas e por quê. Que Direitos Humanos não é pra defender bandido, defender o direito à moradia não é invasão de propriedade privada, Bolsa Família não é esmola, desmilitarização da polícia é oferecer melhores condições de trabalho para o policial, que racismo não é vitimismo, que intervenção estatal na economia não é socialismo. É compreensível a falta de paciência em ter que argumentar em um debate de baixo nível, com alguém que se recusa a entender. No entanto, essa crítica irresponsável por parte de seus opositores parcialmente ajudou sua ascensão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil, se rendendo à uma polarização hostil, não pode sucumbir à extremismos perigosos, seja do PT que almeja ensandecidamente recuperar seu trono do poder, ou do culto ao ódio e a intolerância propagados de um pretenso militarista conservador. Infelizmente, é o que está acontecendo, e Bolsonaro está na iminência da presidência, cobrindo com uma camada de véu ainda mais escura o futuro do país. E mesmo os mais fortes argumentos, fatos e dados são ignorados ao ouvido de seu apoiador cego. Aqueles que acabam caindo na armadilha enviesada de enaltecer seu candidato, usam os mesmos silogismos falaciosos para atacar candidatos adversários. E nesse esforço em tentar defendê-lo, as mais absurdas desculpas e malabarismos lógicos são criados para sustentar uma conclusão cujas premissas não a suportam: a de que Bolsonaro precisa ser presidente. O viés se torna tão forte que a realidade, o ceticismo e o senso crítico são jogados pela janela, tudo isso em prol de uma esperança confortável depositada nas promessas vazias de um suposto salvador da pátria.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7684173980761430514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7684173980761430514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/09/sobre-o-inominavel.html' title='Sobre o inominável'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-1935324992897243233</id><published>2018-08-06T01:31:00.003-03:00</published><updated>2018-08-06T02:08:30.139-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>O lado oculto de Xuihoctl</title><content type='html'>&amp;nbsp;Nos confins de uma galáxia extremamente longínqua, o planeta Xuihoctl&amp;nbsp;orbita uma débil e tímida anã vermelha chamada Nhgasuz, estrela de pequena massa e tamanho muito reduzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mesma face de Xuihoctl está sempre virada para Nhgasuz&amp;nbsp;enquanto a orbita, devido à sua proximidade com a estrela. Assim, esse lado é incessantemente bombardeado pela cataclísmica emissão eletromagnética de Nhgasuz, condenando-o a uma eterna e brilhante fornalha estéril e desolada. Contrastante a isso, o lado oposto do planeta é envolto em perpétua escuridão, nunca jamais tendo sido agraciado pela luz forjada na serena nucleossíntese da anã vermelha. O lado oculto de Xuihoctl&amp;nbsp;é igualmente desolado, abandonado em uma cegueira hedionda que recebe apenas o abraço penumbral de um firmamento inacabável, onde estrelas não brilham.&amp;nbsp;Isso se deve ao fato do planeta ocupar uma posição peculiar nas moradas de sua galáxia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O sistema de Nhgasuz habita recônditos remotos e segredados da borda de sua galáxia, logo antes dela se dispersar em um insondável oceano de eterna solidão cósmica sem estrelas. Esse sistema pode ser considerado o último da galáxia, o vizinho estelar mais longínquo. Pode-se concluir também que essa estrela e seus planetas são os vizinhos mais próximos do vazio e incalculável&amp;nbsp;abismo do cosmos entre o fim de uma galáxia e o início da próxima.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Isso não é tudo. A órbita de Xuihoctl ao redor da estrela é praticamente vertical em relação ao plano galáctico. O eixo de rotação do planeta também é extremamente inclinado, fazendo com que ele orbite Nhgasuz deitado, de forma parecida à Urano. Isso resulta com que seu macabro lado oculto jamais contenha um céu para que, de sua superfície, sejam avistados os acenos de outros corpos siderais intragalaticos além, com exceção dos raros e fantasmagóricos brilhos de luzes estelares distantes nas extremidades horizontais, que não são capazes de iluminar a noite eterna desse anômalo lado oculto de Xuihoctl.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Xuihoctl não tem lua, e não se conhece outros planetas em seu sistema. A estrela vizinha mais próxima talvez ronde há mais de 230 anos luz. O planeta tem uma estrela só pra si, e os dois erram solitários pelas bordas externas da galáxia, mais rápidos que qualquer outra estrela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Na vasta extensão probabilística de um interminável universo, há de se imaginar a mais exótica das configurações possíveis para a existência de um objeto celestial, com as mais excêntricas características. Nenhuma mente sadia jamais ousou conceder, contudo, a inexplicável e horrenda existência de Xuihoctl&amp;nbsp;e suas peculiares características físicas.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Até a descoberta desse corpo rochoso amaldiçoado foi de natureza estapafúrdia, uma vez que ele não foi descoberto de modo algum. Sua existência foi revelada de modo abrupto, capturada por telescópios que recebiam mensagens anormais vindas de sua direção, como um sistema que explode de repente com vida inteligente e implora por contato. Toda uma exaltação criada em torno dessa descoberta fantástica para descobrirmos, afinal, que sabemos menos do que imaginávamos. Uma luz misteriosa brilhou de forma breve em todo o espectro de emissão eletromagnética, vindo desse sistema anormal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Logo em seguida à esse esquisito evento, visões foram relatadas em pessoas ao redor de toda a Terra, descrevendo o caos instalado sob toda a superfície global de um planeta longínquo. O cenário era de um âmbar amarronzado obscuro, envolto em uma negritude total, apenas escassamente iluminado por uma débil estrela avermelhada. As imagens eram difusas, não se tinha uma perspectiva geral do contexto daquelas visões. O panorama era envolto em um insondável mistério, como se abraçado por uma intangível e nefasta entidade celestial, cuja constituição fora forjada nas brumas de uma malignidade cósmica. Uma extensa miríade grotesca de criaturas rastejantes foram relatadas, que propiciavam à essas alucinações visuais uma categoria além da simples esquisitice. Nessas mesmas epifanias também estavam incluídas paisagens cavernosas e desoladas, pertencentes à um mundo totalmente desconhecido, porém que tinha nome, assim como sua estrela. Quem os nomeou, não se sabe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Com os sinais captados pelo telescópio e os relatos, a suspeita era forte de que os dois eventos estavam conectados. O sistema de Nhgasuz&amp;nbsp;foi alvo de tamanha atenção que observá-lo apenas por telescópios não era o suficiente. Em um ato que talvez tenha sido um erro indescritível da exploração espacial, sondas foram pra lá enviadas a fim de conhecer de perto esse estranho sistema, excêntrico e bizarro em toda a sua magnitude e que, além disso, transmitia de alguma forma suas paisagens assombrosas para a mente de pessoas aleatórias ao redor da Terra&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A realidade das visões relatadas foi confirmada pelas sondas quando lá pousaram alguns anos depois, nas áreas debilmente iluminadas pela estrela. Assim que as imagens foram transmitidas para a Terra, as primeiras a serem mostradas foram às pessoas que tiveram as visões. Todas entraram em um estado cacofônico de extrema insânia, como se a confirmação de suas visões engatilhasse uma faísca de delírio irrecuperável. As visões difusas de repente materializaram-se em uma fotografia repleta de contraste e nitidez, relevando todo o assombro e o pânico. Nenhuma dessas pessoas jamais voltou a respirar sem a ajuda de aparelhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Aos demais desafortunados que puseram seus olhos nas imagens capturadas pelas sondas, apenas restam-nos torcer que algum dia se recuperem do desequilíbrio atordoador que os catapultou para fora de suas órbitas de sanidade, como um planeta errante que não gira ao redor de nenhuma estrela e não pertence à nenhuma galáxia. Quanto ao resto de nós, apenas esperamos que a nossa imaginação do terror, descrito por quem avistou a bizarria cósmica que emana daquele planeta, não seja o suficiente para que perdemos o controle de nossas faculdades mentais igual àqueles que avistaram a face de Xuihoctl.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O que eles viram é em vão tentar descrever, uma vez que no ataque psicótico de suas pirações eternas e condenatórias ao total espanto, quase nenhum sobrou para que pudesse voltar ao cerne de suas almas e pintar para nós, de maneira confiável, o que foi registrado nas imagens. Aqueles que tentaram relatar caíram em um abismo ainda mais profundo de loucura, como se sugados por olhos negros abissais que espreitavam nas paredes cósmicas daquelas imagens misteriosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Não se sabe como e nem por que houve esse repentino detectar simultâneo pelos telescópios da existência de Xuihoctl, seguido de visões ao redor do planeta inteiro. Especula-se uma força oculta por trás das bramas que compõem o tecido do espaço-tempo, que fabrica as propriedades do campo quântico cujos mistérios ainda mal compreendemos. Em nossa suprema ignorância, a nefastidão horrenda desse sistema pode ser apenas uma propriedade cósmica que ainda não tenhamos capacidade de vislumbrar. Ou, no recôndito abissal de nossos mais terríveis pesadelos, existam entidades que ajam alheias aos nosso delírios e receios, que consomem a energia do campo cósmico em suas fúrias aterrorizantes, cujas propriedades é impossível até de se teorizar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Talvez Xuihoctl seja a profana encarnação do próprio inferno, onde de acordo com os relatos, na escuridão perpétua de seu lado obscuro, emanações piroclásticas condenam à negritude daquele lugar medíocre à mais plena falta de misericórdia, onde seres rastejantes e reptiliformes trazem o horror e o caos à mente de quem os observa, aparentemente criados por deuses profanos com um distorcido senso de humor. A natureza desse sistema planetário é um mistério. O que propiciou o desenvolvimento dessas criaturas desgraçadas, condenadas eternamente a um tormento maldito, execradas de uma luz divina que a concedessem a glória de uma vida digna?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sádico criador, se é que alguém pudesse ter tido a audácia e a malícia de conceder tal planeta, teria um senso de humor tão sórdido assim, agraciando-o com climas de natureza cataclísmica e inefável, castigando as almas soturnas daquele mundo maldito? Xuihoctl talvez fora uma conjuração metacosmica, sublimemente se apresentando como uma aberração planetária com seu show sinistro, construído pelas energias maléficas de um caos astronômico. Logo antes de uma vítima cair em um acesso espasmódico de gritos e pânico generalizado, seu relato incluía seres humanóides andando sem rumo naquelas terras longevas, com o semblante impresso em suas faces do mais puro desespero e desalento, como crianças buscando refúgio em um purgatório desalmado. Espécimes que se assemelhavam à humanos que já viveram, como se reencarnassem naquele planeta, condenados à rastejar como moribundos. Seres com a expressão de um completo sofrimento, de olhos totalmente escuros, como uma adaptação evolutiva para absorver o máximo possível da fraca claridade. Toda a sórdida forma de vida respirava naquela faixa debilmente iluminada do planeta, na transição entre a fornalha brilhosa da face sempre iluminada pela estrela e o lado eternamente enegrecido pela noite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Não se sabe mais nada a respeito do sistema de Nhgasuz, nem como ele surgiu, há quantos bilhões de anos existe, como aquelas exóticas formas de vida desenvolveram-se, nem o que significou todas essas visões. Seria um chamado? Um alerta? Um efeito quântico ainda desconhecido? A sonda perdeu contato após essas transmissões, por motivos misteriosos. As fotos sumiram. Não é possível confirmar a confiabilidade dos poucos relatos obtidos através das visões e das fotos. Mas o efeito do que foi mostrado desse planeta é real. Um pandemônio caótico se instalou na mente de quem teve seus olhos voltados para esse lugar herético. Após esses episódios de insânia, da qual um cético leitor custaria a acreditar, os telescópios não conseguiram mais detectar o planeta em nenhuma faixa do espectro eletromagnético, e tampouco sua estrela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Nenhum sistema planetário simplesmente desaparece sem deixar vestígios. Nenhuma nuvem molecular densa e escura tampouco foi detectada para que houvessem bloqueios na visualização do sistema pelos telescópios. Não se sabe o que aconteceu. Nenhuma explosão nas redondezas foi detectada. Esse súbito desaparecimento adiciona uma camada de mistério que ainda permanece indecifrável, arrepiando e amedrontando os sonhos até dos mais destemidos cosmólogos e astrofísicos do mundo inteiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Nenhuma alucinação ou breves explosões de luz novas vindos deste sistema ocorreram desde então. No entanto, é de forte suspeita que o blasfemo sistema de Nhgasuz&amp;nbsp;ainda exista de alguma forma, em algum lugar, viajando pelas bordas externas de sua galáxia em uma órbita solitária, carregando consigo seus pesadelos heréticos, suas respostas indecifráveis, a esgueirar cegamente na espreita infinita desse vasto universo de mistérios indizíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Anãs vermelhas são conhecidas por suas vidas tempestuosas. Por mais fracas e imperceptíveis que sejam na imaculada grandeza do universo, são instáveis e turbulentas, alternando entre longos períodos imperturbáveis e estrondos espontâneos de massa estelar, gerando ondas de calor insuportáveis em seu perímetro. Nos resta torcer e rezar, sob o conhecimento da existência desse hediondo sistema solar e seus planetas, para que a benevolência cósmica faça que Nhgasuz, sendo uma anã vermelha, expurgue em todo o seu esplendor uma apocaliptica ejeção destrutiva de energia e morte para o infame planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Xuihoctl foi apenas o primeiro planeta a ter sido testemunhado pela humanidade, que tomou conhecimento das carnais profanações a rastejar por sua superfície. Nenhuma alma plena de sua sanidade ousará imaginar se um dia Nghasuz voltará a se revelar novamente para nós, descortinando-se de seu véu de negritude e indetectabilidade para seduzir-nos novamente com seus convites sedutores à loucura e ao terror de seus enigmas e sua incógnita existência. Na vasta extensão probabilística de um interminável universo, nenhuma mente sadia tampouco jamais ousará conceder, neste amaldiçoado universo sem fim, se haverá mais destes a serem descobertos.&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1935324992897243233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1935324992897243233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/08/o-lado-oculto-de-xuihoctl.html' title='O lado oculto de Xuihoctl'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-1972202647076112913</id><published>2018-05-26T20:07:00.000-03:00</published><updated>2018-05-26T20:07:04.156-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Devaneios"/><title type='text'>Transcritos aleatórios 4</title><content type='html'>&lt;b&gt;Cachorro é uma criatura maravilhosa&lt;/b&gt;. Eu acho que cães deviam comandar o mundo. Seria um lugar bem melhor. Você nunca ia ver um cachorro chegar em casa bêbado e espancar o filho, ou um regime autoritário de cães tiranos que matam milhões de cachorrinhos inocentes. Isso nunca ia acontecer. Humanos poderiam desaparecer pra sempre. Talvez os cães sentissem saudades no começo, mas eles iam superar conforme as gerações, se adaptarem, talvez inventar a agricultura. Os gatos, mais provavelmente, continuariam pouco se fodendo. Em duas ou 3 gerações eles já teriam quebrado todos os móveis do mundo. Os porcos, que Deus proteja os cães, seria melhor continuarem longe de A Revolução dos Bichos. Eles poderiam começar a ter ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A única coisa que eu gosto do calor é que ele me obriga a beber mais cerveja. Por outro lado, isso faz a cerveja acabar mais rápido. Bem, nem tudo é perfeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Transporte público me permite julgar todo mundo em silêncio&lt;/b&gt;. Eu posso ser o pior tipo de pessoa possível. Alguém senta do meu lado e eu penso: &quot;Puta merda, como você é feio!&quot; e saio ileso. Alguém meio acima do peso me pede licença pra passar e eu só falo comigo mesmo &quot;não tem espaço pra você não, seu gordo do caralho&quot;, enquanto tento educadamente sair do caminho. É tão divertido!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Abaixo está a lista oficial das músicas que tocarão no meu funeral.&lt;/b&gt;&amp;nbsp;Elas serão muitas, então seria mais&amp;nbsp;prático fazer uma festa de comemoração à minha partida. Seria bem mais interessante - uma pena que eu não poderei ir, embora essa lista esteja cheia de canções deprimentes. Sim, eu quero que vocês todos sofram! À lista:&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Nina Simone - Stars&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Tommy Emmanuel - Halfway Home&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Fletwood Mac - You Make Loving Fun&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;The Moody Blues - Nights In White Satin&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Tim Maia - Gostava tanto de você&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Johnny Cash - We&#39;ll Meet Again&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Black Sabbath - Fluff&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Queen - The Show Must Go On&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Bathory - Ring Of Gold&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Rainbow - Catch The Rainbow&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;David Bowie - Lazarus&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Creedence - Who&#39;ll Stop The Rain&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Frank Sinatra - My Way&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O Peso - Não Fique Triste&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;E todas as musicas tristes do Chaves.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Adendo importante: Não quero enterro, não quero ser cremado. Quero que todos os meus órgãos (os que não foram estragados pelo álcool) sejam doados e o resto de meu corpo enterrado debaixo da terra, sem caixão, usando alguma técnica para que meu corpo seja usado como nutrientes para o solo e para o crescimento de árvores, assim como meu corpo se alimentou dos nutrientes do solo a vida inteira. Grato.&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1972202647076112913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1972202647076112913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/05/transcritos-aleatorios-4.html' title='Transcritos aleatórios 4'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-8256539274800169242</id><published>2018-04-29T17:35:00.000-03:00</published><updated>2018-04-29T17:35:36.043-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Devaneios"/><title type='text'>Transcritos aleatórios 3</title><content type='html'>&lt;b&gt;O problema da humanidade é&lt;/b&gt;&amp;nbsp;que os inteligentes preferem não ter filhos enquanto a paternidade é delegada aos idiotas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Legalização do porte de armas é sempre defendido por homens que querem se sentir mais machos por terem uma arma, mascarando esse desejo de &quot;liberdade individual&quot;. É um apelo desesperado de uma sociedade cujo sistema está falido e/ou o Estado é omisso e negligente diante de um cenário de violência e desigualdade social. Uma arma, com o objetivo de ferir ou matar, em nome da liberdade. Que lindo, não é? Mas é claro que a polícia pode ser ausente, corrupta, ineficiente. Isso não significa que a solução é a legalização de armas. Significa que devemos resolver o problema da polícia ausente, corrupta e ineficiente. &quot;Um aparato estatal que me prive da minha liberdade de defender minha vida?&quot; Bom, filho, quando se trata de um instrumento cujo objetivo é potencialmente tirar a vida do outro, a liberdade individual também vale pro comparsa que tá na sua mira. Não importa se ele tá te assaltando, se ele quer te matar primeiro. Quando alguém ta apontando uma arma na sua cara, você vai pensar duas vezes em reagir mesmo se estiver armado. Não é tão simples assim. &quot;Mas eu posso ter a chance de correr o risco e me salvar&quot;, alguns podem dizer. Claro, armas em mãos de bandidos é um problema sério. Mas armas nas mãos de todo mundo não resolve nada. Não diminui a criminalidade, nem a violência. No Brasil ainda?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ser a favor do porte nesse país de retardado com gente se matando por causa da futebol e político: esquece. Alie isso à polarização e crescentes ondas de ódio, à apatia e à taxa do número de homicídios, à tendência inversa de pacificação em grande parte do mundo, e temos aí uma receita para gerar mais caos social. Foda-se a sua liberdade individual, você quer é ter sua arma para criar um falso sentimento de segurança, mas isso não vai acontecer se você descobrir que aquele seu vizinho folga também pode ter uma. Esqueça as armas. Legalizem-se as espadas! Isso seria muito mais interessante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Supermercado Latrocínio, porque nossos preços são um roubo seguido de morte!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Eis aqui o meu roteiro de um filme de terror realístico:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Cinco amigos se encontram na casa de Heitor, para passar a noite, beber, conversar, talvez puxar um beque (se alguém se lembrou de comprar, claro) e se divertir um pouco. Uma das piranhas do grupo de amigos, de nome Patrícia, começa a contar a história de um amigo de um amigo que decidiu brincar da brincadeira do copo, um oculto e misterioso jogo que invocava espíritos atormentados do purgatório. Esse amigo do amigo acabou fazendo uma pergunta fatal e tendo consequências terríveis, e ninguém sabe até hoje onde ele está e o que aconteceu com ele. Com álcool no sistema nervoso, o grupo de amigos decide jogar o jogo do copo, e em meio a tanta tensão e excitação, o corajoso Gabriel, um burguês safado filhinho de papai, decide fazer a pergunta fatal. Após alguns segundos de espera, que para o grupo pareceu milhares de minutos, nada acontece. Eles ficam frustrados, mandam Patrícia tomar no cu e xingam o Gabriel de cuzão. Eles continuaram a beber até 4 da manhã.&quot;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8256539274800169242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8256539274800169242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/04/transcritos-aleatorios-3.html' title='Transcritos aleatórios 3'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-3101658425293809820</id><published>2018-02-23T12:54:00.000-03:00</published><updated>2018-02-23T12:54:19.910-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Textículos"/><title type='text'>Rolês na periferia desse FDS</title><content type='html'>Confira abaixo a lista para os rolês, bailes, festas e baladinhas mais transadas da periferia para esse seu final de semana não passar na lamúria:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Baile eclético da Família Potranca,&amp;nbsp;&lt;/b&gt;Rua da Lama, número 80&lt;br /&gt;
Horário: a partir das 21h&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nem só de funk vive a comunidade. Reggae, samba, forró, sertanejo, pagode, MPB, eletrônica, e muito mais, tudo pelas mãos do DJ Josival, cunhado do Danilzo Potranca. No fundo do quintal, passando pela casa da vó da Silmara, o baile será regado a iluminação de danceteria, com muitas bebidas que poderão ser consumidas a vontade e gente fingindo que sabe dançar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Baile funk do Zézão&lt;/b&gt;, na esquina da Rua Garoto Pretinho com a Rua da Barraquinha&lt;br /&gt;
Forma de pagamento: bebidas alcoólicas, entorpecentes ilegais, sexo oral ou anal&lt;br /&gt;
Horário: a partir das 14h até ás 05h, ou até quando a última garrafa de energético acabar e ninguém mais tiver dinheiro&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Happy hour ao ar livre, perfeito para ir com os amigos. Vizinhos talvez possam se incomodar com o barulho, porém não precisa se preocupar com a polícia interrompendo a festança, lá a ausência do Estado pode te deixar tranquilo! E mesmo se vierem, não saia correndo: os donos da festa farão questão de conversar com os policias e garantirem que não incomodarão mais. Baile regado à muita vodka barata, refrigerante para misturar com Dolly, catuaba, vinho de cinco reais, tudo isso acompanhado de belas porções de erva natural para relaxar os nervos!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E atenção: A partir da 00h iniciará a competição de fuga da Rota. Os traficantes da boca irão disparar alguns tiros e esperar a chegada da tropa. Quem ser capturado por último ganha a fiança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Rolêzão na Praça da Cagada&lt;/b&gt;, em frente ao Departamento De Saneamento Urbano&lt;br /&gt;
Horário: a partir das 15h até ás 22h, porque os pais não deixaram passar disso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encontrão dos jovens em meio aos arbustos secos e a grama alta não cortada da Praça da Cagada. Bebidas, cantadas, músicas no celular, tédio e muita conversa. Depois do anoitecer, trechos escuros da praça mal iluminada podem servir para casais românticos aproveitarem um momento de muita beijação. DST opcional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Aniversário da Jandira&lt;/b&gt;, Rua da Lascívia, número 47&lt;br /&gt;
Horário: a partir das 17h30&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comemorando 50 anos, dona Jandira vai garantir nesse sabadão uma festança com muito bolo, beijinho, brigadeiro, coxinha fria da padaria, refrigerante quente e sem gás, gente feia, música ruim em uma caixa de som estourada, criança barulhenta, Skol congelada, criança traquineira estourando balão com o espetinho da linguiça, gritaria, e uma puta festa de família pra tu não ficar de fora!</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/3101658425293809820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/3101658425293809820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/02/roles-na-periferia-desse-fds.html' title='Rolês na periferia desse FDS'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-1132567155141835944</id><published>2018-02-08T17:03:00.000-02:00</published><updated>2018-02-08T17:03:02.757-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Devaneios"/><title type='text'>Transcritos aleatórios 2</title><content type='html'>&amp;nbsp;&lt;b&gt;Eu não acho que a falta de significado seja desalentadora ou aterrorizante como muitos acreditam.&lt;/b&gt; O que é o significado? Temos esse desejo impulsivo de atrelar razão à tudo, dar ao universo e à nossa existência um significado especial, como se fôssemos dignos de tal. Eu não vejo como isso pode ser mais ilusório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu acho muito mais atraente o fato de sermos o resultado de um processo aleatório e fortuito de milhões de anos, que nos trouxe até aqui por meio da pura sorte. Isso assusta os mais crédulos, os crentes, pois os joga para um vazio onde não há um conforto emocional de acreditar que fazem parte de algo maior, de que tudo acontece por um motivo. Ser fruto de uma lenta evolução de milhões de anos, sem um criador superpoderoso? Nós nos recusamos em aceitar essa perspectiva, é absolutamente horrenda. Mesmo para os mais céticos, a princípio essa ideia também o é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Mas, abandonando a superstição e o pensamento místico, aceitar a nossa existência como um mero acaso, desprovido de significado especial no contexto do cosmos, é um ato de extrema humildade, grandeza e transformação. É como ir para um retiro espiritual no meio da floresta e se deparar com uma realidade que, longe de qualquer crença ou dogma, acalenta e engrandece a mente com uma perspectiva estarrecedora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;É surpreendente e encantador poder enxergar o nosso parentesco evolutivo com todos os seres vivos do planeta, vislumbrar o panorama do universo e os átomos que de dentro das estrelas nos originam, aceitar a nossa profunda conexão com o cosmos e, ainda sim, sem precisar recorrer á qualquer tipo de busca de significado especial para a nossa existência que fuja da conexão com a realidade. Essa, pra mim, é uma perspectiva muito mais fascinante e prazerosa.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;***&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;&lt;b&gt;Eu me pergunto o que será desse blog quando eu morrer.&lt;/b&gt; Será que meus parentes o lerão com um misto de vergonha, risadas e encantamento? Se estão chorando: me desculpa. Eu sei que muitos dos textos aqui são apenas vergonhosos pra cacete. E olha que eu apaguei muitos deles. Esse blog é como um diário online, um registro de ideias que qualquer um pode ler. Será que ele servirá como recordação à minha vida, à minha personalidade? E se eles estiverem lendo isso exatamente quando eu já estiver morto? Estarão chorando, rindo, os dois? É certamente uma ideia interessante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu tenho muitas ideias interessantes. Eu só tenho preguiça de desenvolvê-las. Por exemplo: uma vez pensei num filme que se chamasse &quot;A Volta Dos Que Foram Mas Não Voltaram&quot;. Sobre o que é? Eu não faço a menor ideia! Espero que eu consiga desenvolver o enredo antes de morrer.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1132567155141835944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1132567155141835944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/02/transcritos-aleatorios-2.html' title='Transcritos aleatórios 2'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-7304580129144366086</id><published>2018-01-31T20:44:00.002-02:00</published><updated>2018-01-31T20:51:08.649-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Textículos"/><title type='text'>A Lei da Diminuição do Lanche</title><content type='html'>&lt;b&gt;&amp;nbsp;Após a reinauguração de uma hamburgueria perto de casa, em um espaço maior e mais modernizado, eu notei que o meu lanche preferido tinha sofrido uma alteração: Ele costumava ser maior.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;Todos os ingredientes continuavam lá: a gorgonzola, o molho especial, o cheddar e o saboroso hambúrguer artesanal por entre o pão australiano.&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;O pão e o hambúrguer, entretanto, pareciam menores, e os demais ingredientes pareciam ter sofrido uma pequena diminuição em sua quantidade. O preço talvez continuasse o mesmo, eu não lembrava a quantia original. Eu notei, portanto, que eu havia sido vítima dos efeitos implacáveis e dolorosos da impiedosa Lei da Diminuição do Lanche.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&amp;nbsp;A &quot;Lei da diminuição do lanche&quot;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;é um fenômeno de alteração no tamanho, qualidade e/ou preço de produtos alimentícios vendidos por novos estabelecimentos com o passar do tempo. Uma hamburgueria artesanal recém inaugurada, a fim de impressionar os primeiros clientes, irá produzir e vender lanches com a qualidade e preço mais satisfatórios possível, tendo em mente também a competição no mercado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Em caso de prosperidade do negócio, a hamburgueria acata mais custos, com mais funcionários, mais e melhores equipamentos, e possivelmente até a construção ou reforma para aumentar o local do estabelecimento. Isso, em ultimato, gera uma necessidade de maior renda para equilibrar os gastos extras, levando a um impacto direto no tamanho, qualidade e preço dos produtos, acarretando assim a diminuição do lanche. A&amp;nbsp;hamburgueria então diminui, por exemplo, o lanche de R$25: o hambúrguer passa de 200g pra 180g, ou reduz-se a quantia de seus demais ingredientes, ou o tamanho do pão (ou uma combinação de todos eles). O preço pode continuar o mesmo ou subir. Em alguns casos o preço pode subir enquanto o lanche se mantém igual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Em caso de dificuldades financeiras, o lanche pode sofrer sua diminuição, porém o preço sofre nenhuma ou pouca alteração, podendo até mais barato para tentar competir com o mercado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O fator da diminuição do lanche encontra um momento de estagnação ou pouca flutuação enquanto o estabelecimento se encontra em situação comercial estável, mantendo um produto satisfatório e conseguindo um bom equilíbrio entre custo, renda e boa satisfação dos clientes - há menos que o estabelecimento decida aumentar a proporção dos lucros em relação aos custos, acarretando mais uma vez na diminuição do lanche. Os perigos de diminuir o lanche visando maior margem de lucros é a perda da clientela para estabelecimentos concorrentes. Em alguns casos, a diminuição do lanche e a alteração de seu preço podem ser impactantes a ponto de gerar críticas negativas. Dependendo da severidade e quantidade de críticas, o estabelecimento pode se ver pressionado a baixar os preços e/ou a aumentar a qualidade dos lanches, até novamente alcançar um equilíbrio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A tendência da relação de diminuição do lanche e alteração de seu preço quase nunca são proporcionais. Antes um lanche de R$25 podia ter 2 hambúrgueres de 200g, meia folha de alface, 2 pequenas rodelas de tomate, 2 pedaços de cheddar, 1 colher de chá de maionese caseira e uma pitada de molho especial. Conforme a Lei da diminuição do lanche, esse lanche pode sofrer a diminuição de seus 2 hambúrgueres de 200g pra 180g e 1 pedaço de cheddar, a diminuição do diâmetro e espessura da massa do pão e ingredientes mais restritos ou baratos para o molho especial. O preço, no entanto, pode continuar o mesmo, abaixar muito pouco em proporção à diminuição do lanche ou até mesmo aumentar, seguindo uma proporção inversa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Observação importante: a diminuição do lanche, conforme já descrito, não envolve só o tamanho e preço, mas também a qualidade dos ingredientes, as vezes sendo substituídos por quantidades menores, marcas ou métodos de produção inferiores e mais baratos. Igualmente importante observar também que A Lei da Diminuição do Lanche não se aplica só a lanches. Refrigerantes, sucos, bolachas, cervejas, assim como a indústria alimentícia como um todo (e não só ela) sofrem os efeitos dessa Lei. Outro dia um vendedor de doces do prédio onde trabalho anunciou-me, muito espertamente só após eu pegar uma caixa de seus brigadeiros de churros, o seu aumento de 10 para 12 reais. Mais uma vez a Lei da Diminuição do Lanche furtivamente me atacou de surpresa com todo o seu implacável golpe de descontentamento. E o próximo pode ser você.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7304580129144366086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7304580129144366086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/01/a-lei-da-diminuicao-do-lanche.html' title='A Lei da Diminuição do Lanche'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-7304346321639266326</id><published>2018-01-25T20:46:00.001-02:00</published><updated>2018-01-29T20:42:10.669-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>As quatro covas</title><content type='html'>&amp;nbsp;Os postes iluminavam escassamente o cemitério. Jânio cavava quatro covas&amp;nbsp;por entre as folhas secas de Outono. O vento era tão gelado quanto sua alma. O ano era 1897, embora não se tenha certeza disso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Trabalhava sempre no período da madrugada. O cemitério não era murado, no entanto a cidade era tranquila, então ser zelador não era uma tarefa difícil - embora um ou outro bêbado ou cachorro aparecessem de repente e o assustasse. De qualquer forma, havia sempre ali em seu posto de descanso o mini rifle, carregado e funcionando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Os mortos não o incomodavam. Jânio enterrara tantos corpos que já se sentia como cada um deles, ali residindo logo abaixo. Alguns lhe eram conhecidos, e sentia-se emocionalmente íntimo a todos, conectado com a morte como um senhor da necromancia. De certa forma gostava dessa vida mórbida, era diferente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Após oito dias, cavando durante a madrugada, Jânio cavava o quarto e último túmulo, sozinho e com apenas uma enxada. Estava exausto. Sua idade avançada já não o permitia o mesmo alento de outrora. Sim, a verba municipal era ridícula, e para encurtar a história, acabou sobrando para ele abrir buracos na terra durante seu turno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Quem morreu? Foi vingança, doença, acidente? A vida podia acabar de formas inusitadas. Escutando apenas o dançar das árvores e a sinfonia da quietude contrastando com o atrito de sua enxada na terra, um novo elemento se adicionou à orquestra em seus ouvidos. Como estava dentro da sepultura, não podia visualizar quem se aproximava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Antes de finalmente subir de volta à superfície, um estrondo forte e alto irrompeu sobre o paralelepípedo, e Jânio assustado recuou por alguns segundos, antes de enfim saltar da cova. Sem ter tempo de terminar de subir, vislumbrou o terror a meros dez passos a sua frente. Três cadáveres desfalecidos aos pés de um desconhecido de aparência esquelética e fantasmagórica, de sobretudo e chapéu de aba pretos. O breu era fortalecido pelas lâmpadas incandescentes, que sombreavam a face do indivíduo em pé.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Quem é você?! - indagou Jânio.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Eu trouxe os corpos - de voz rasgada, arrastada e rouca, o desconhecido apontou para os cadáveres jogados ao chão. Jânio, incrédulo e pensativo, não respondeu de imediato.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Olha só parceiro, leve esses bonecos embora daqui porque eu tenho mais o que fazer. Vamos! Eu vou ter que pegar minha arma?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A enigmática figura riu em desdém diante da ameaça:&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Você não pode me matar - Jânio deu de costas, em direção ao seu posto de descanso:&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Vamos ver quanto a isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Antes mesmo de sair de dentro do posto, ecoou pela penumbra sepulcral do cemitério o ranger da arma engatilhando de Jânio, que se revelou já com o desconhecido em mira.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Esses são corpos reais? - ele perguntou, em tom intimador tentando mostrar confiança, embora assustado.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Você pode ter a certeza absoluta que sim.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Jânio analisou os corpos, ainda com a arma em mira, consternado e com um semblante de repulsa e raiva.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Vire-se. Vire-se, caramba! Eu vou te levar agora mesmo para a delegacia. Vamos, desgraçado!&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Mas o desconhecido continuava imóvel, com um débil e arrogante sorriso no seu rosto pálido.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Por que você vai me levar até lá?&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Você matou eles, seu assassino de merda! Não foi?! - explodiu Jânio, aumentando o tom de voz - dê meia-volta e coloca as mãos na cabeça ou eu te mato também! Eu cavei quatro covas essa semana e você vai preencher a última!&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O estranho continuou relutante, obstinado em sua posição como uma pedra. Novamente deu sua sutil gargalhada de desdém.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Me desculpa, Jânio. Os três corpos que eu trouxe foram justamente para essas covas. A última certamente não é minha.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- É mesmo, palhaço?! Vamos descobrir. - e Jânio, com a adrenalina pulsando em seu corpo como um gorila raivoso, subiu o mini rifle à altura dos olhos e, com o alvo fixado, tentou pressionar o dedo indicador no gatilho. A paisagem turvou em sua visão, e ele perdeu o equilíbrio como se uma estranha força subitamente tivesse sugado toda sua energia vital. Sua pressão arterial desabou, as mãos encharcadas de suor frio não mais tiveram apoio para continuar segurando a arma e Jânio caiu em seguida, pressionando com uma das mãos sobre o peito acima do coração, onde uma lancinante dor de uma parada cardiorrespiratória rasgava todo o seu corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Sua consciência estava a beira do colapso e seus olhos capturavam uma sombra desfocada que se aproximava lentamente. O desconhecido então se agachou à seu lado.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- A última cova é sua, Jânio. É hora de ir agora. - disse afavelmente enquanto fechou os olhos de Jânio e acariciou sua cabeça grisalha, que ainda tentava em vão lutar por um suspiro de postergação ao fim da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O desconhecido se levantou e tirou seu chapéu de aba preto, revelando a verdadeira face da morte, e segurando-o ao peitoral como um símbolo de luto.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;- Você nunca devia ter feito tanto esforço cavando essas covas, Jânio. Olha o que fez com você.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7304346321639266326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7304346321639266326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2018/01/as-quatro-covas.html' title='As quatro covas'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-1761361015712068280</id><published>2017-12-29T03:39:00.000-02:00</published><updated>2017-12-29T20:06:08.387-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>Como o universo surgiu</title><content type='html'>&amp;nbsp;No total foram seis minutos de um enaltecido e eloquente palavrório do presidente da Comissão Cosmológica Interplanetária. A confiança estava alta. Foi de grande surpresa e jubilo, ainda assim, a aprovação do orçamento para o Mega Colisor Supersimétrico Planetário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Um projeto ambicioso, para dizer pouco. Passarem-se 59 anos até sua finalização e, estima-se, 87 mil pessoas envolvidas. Todos os assentamentos extra-solares participaram de sua construção, liderados pela União Federal Solar. No fim, o Mega Colisor era um anel com uma largura de milhares de metros, se estendendo pela superfície como um muro estratosférico ao redor dos quase 3 mil quilômetros de circunferência do planeta anão&amp;nbsp;Ceres. Tinha uma capacidade superior a 1 trilhão de vezes a do LHC, e sua estrutura seria alimentada via conversão da energia geotérmica do planeta e também através da captura solar por usinas terrestres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Dezenas de séculos passaram-se de pesquisas, investigação científica e desenvolvimento tecnológico por uma espécie inquisitiva, curiosa e aventureira, que agora dava um novo passo rumo a resposta de uma importante questão primordial: como o universo surgiu? A colossal arma de investigação cosmológica fora testada de incontáveis maneiras até que o sinal verde acendeu para seu principal objetivo: emular a criação do cosmos e responder à pergunta primordial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ceres estava em seu periélio e a energia solar capturada era mais intensa. O momento era perfeito. A simulação começara agitando flutuações quânticas na escala de Planck em seus anéis centrais. Os testes corriam bem, e fenômenos da gravidade quântica em loop foram observados no tecido cósmico, deformando as propriedades do campo eletromagnético no Mega Colisor e unificando as forças fundamentais da natureza. Partículas elementares e gluóns em forma de plasma iam preenchendo o supervácuo dos anéis supercondutores, criando uma singularidade espaço-temporal no reator ativo do Mega Colisor, corroborando modelos propostos pela teoria-M.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Imensas quantidades de energia e calor resultantes desse processo incitavam dúvidas sobre a real capacidade de simular com eficiência a criação do universo. A emulação, contudo, ocorria com sucesso.&amp;nbsp;Subpartículas desconhecidas eram detectadas pelos monitores enquanto bárions e léptons se chocavam em eventos cataclísmicos e densos ao redor do quilométrico colisor supersimétrico central, e partículas de interação fraca responsáveis pela energia escura criam um buraco negro prototípico primordial que começa a se expandir, dando início aos fenômenos da relatividade geral. Hadrons e quarks emergem e as forças da natureza se divergem, agindo sobre o campo bariônico nas fábricas do Mega Colisor, e o plasma de quarks e gluóns interage com bósons de Higgs e geram prôtons e nêutrons, iniciando a nucleossíntese primordial e competindo com a antimatéria, que se aniquilam mutualmente enquanto toda a energia escura e o buraco negro prototípico vorazmente sugam a força vital e a matéria do Mega Colisor, de Ceres e do próprio universo como um monstro hiperespacial faminto, catapultando uma súbita inflação cósmica e gerando um novo tecido espaço-temporal de um universo totalmente novo dentro de outro universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Agora esse invasor extra sideral se alimenta das entranhas, como um parasita, do que um dia foi um cosmos intocável, avançando furtivamente e sugando toda a sua energia para alimentar sua própria. Ceres é destruído e em milissegundos todo o sistema solar é aniquilado, juntos com o Mega Colisor e a União Federal Solar,&amp;nbsp;não restando sequer núcleos atômicos para sobreviver ao caos reinante desse tumor horripilante, engolindo o universo por dentro lentamente como um cadáver pútrido. Constelações e aglomerados inteiros de estrelas e nuvens moleculares são desmembrados, buracos negros e quasares, galáxias e superclusters galáticos caem juntos nesssa fenda abismal da inexistência sem qualquer resistência. Um universo inteiro em agonia é estripado e rasgado em seu cerne como um câncer, um corpo em decadência sendo digerido por dentro para a sua própria morte, não sobrando ninguém, em lugar nenhum, para saber o que de fato aconteceu e como o universo foi criado. Talvez, nesse novo universo, depois de 13 bilhões de anos uma espécie surja novamente para se perguntar, afinal, como o universo surgiu.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: black; color: white; font-family: , &amp;quot;segoe ui&amp;quot; , &amp;quot;helvetica neue&amp;quot; , &amp;quot;helvetica&amp;quot; , &amp;quot;arial&amp;quot; , sans-serif; font-size: 14px; letter-spacing: -0.24px; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1761361015712068280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/1761361015712068280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2017/12/como-o-universo-surgiu.html' title='Como o universo surgiu'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-570191107119574392</id><published>2017-12-27T02:14:00.000-02:00</published><updated>2017-12-27T02:14:32.879-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Devaneios"/><title type='text'>Transcritos aleatórios</title><content type='html'>&lt;b&gt;Eu acho que todo homem devia ter a liberdade de, pelo o menos uma vez na vida, perder completamente a cabeça e ficar insano de raiva a ponto de não se reconhecer mais.&lt;/b&gt; Um momento daqueles de te deixar tão puto e fudido que você tem que arrebentar o próprio crânio na parede pra se acalmar. Apenas um momento de estresse e fúria o suficiente, não para machucar alguém, apenas pra perceber o quão irracionais e selvagens podemos ser quando nosso cérebro de réptil toma conta. Quão fácil é ser dominado por instintos primitivos. Claro, ficar puto não é sempre ruim, muitas vezes é justificável. Mas muitos homens não aprendem nada com esses momentos de insânia e ódio. E digo homem porque mulheres são melhores que isso. Por quê? Elas sempre estão perdendo a porra da cabeça, até que em alguma fase da vida elas dizem &quot;eu não vou mais estressar com isso&quot;. Isso significa que elas aprenderam alguma coisa. Homens, percam a porra da cabeça, mas tirem uma lição disso.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;Eu estou absolutamente convencido de que nada, nada mesmo, vai fazer um dia o Brasil ser um país que deu certo.&lt;/b&gt; Vivemos em um país falido que vai ser sempre fadado ao fracasso. Muitos vão tentar, alguns poucos vão conseguir alguma coisa, mas no âmbito mais amplo, tudo vai continuar a mesma bosta pra sempre. Esse país não surgiu pra dar certo. E claro, podem continuar tentando. Pessoas tentam fazer a diferença desde sempre, e algumas com certeza conseguiram. Mas na larga escala das coisas? Esqueça. Muitos acham que algum candidato vai melhorar, que votar faz a diferença, que existem pessoas iluminadas prestes a botar o Brasilzão nos trilhos de novo. É uma ilusão divertida, mas não funciona. &quot;Brasil, o país do futuro&quot;. Deu certo acreditar nisso por um tempo, mas não conseguimos. Foi divertido tentar, galera, mas é isso, vamos voltar pra casa, a brincadeira acabou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&amp;nbsp;Um dos nossos jargões preferidos quando reclamamos de alguma merda na sociedade ou na política é o &quot;é por isso que o Brasil não vai pra frente&quot;.&amp;nbsp;Mas querem saber realmente por que o Brasil não vai pra frente? Nós não estamos preparados pra ele. Tudo que é inovador, moderno, diferente e que nos tire da zona de conforto é assustador. Não queremos ir pra frente. O governo e o Estado mantém as coisas tão fudidas a ponto de deixar o povo indignado mas ao mesmo tempo boas apenas o suficiente pra deixa-lo acomodado. É a receita perfeita pra criar um país que nunca vai ir pra frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Esse país realmente não é pra amadores&quot;, um dos jargões também ouvidos a exaustão. Claro, é uma frase irônica, mas se você realmente pensar sobre isso, esse país é um caso especial. Somos um dos únicos países que investe mais em educação do que na Coréia do Sul, Japão ou Suíça e cujos estudantes não sabem matemática básica ou interpretação de texto. Isso explica melhor porque não adianta achar que ainda temos chance?&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Um país pode ser analisado de acordo com a necessidade de entretenimento do povo.&lt;/b&gt; Os Estados Unidos são os grandes exportadores da indústria cinematográfica, da de games, séries e em grande parte também na de música. Olhe só o presidente que eles acabaram elegendo. Isso é também aplicável pra gente. Observe apenas o imenso conteúdo idiota que esse país é capaz de produzir na internet, de youtubers a memes, vlogs, blogs, grupos de Facebook, grupos de Whatsapp, vídeos engraçadinhos, fotos engraçadinhas, estamos todo o tempo distraídos no celular, em busca de entretenimento. Olhem só a situação política que a gente vive. Olhem quais os principais candidatos a presidência. Isso explica melhor porque não adianta achar que ainda temos chance? Veja se a Finlândia ou qualquer outro país sério o povo fica perdendo tempo com essa merda. Você não por aí nenhum finlandês postando vídeo dele mesmo jogando enquanto se masturba na frente da câmera e fica recitando memes de 2010, não é? Claro que não, isso porque a Finlândia é um país sério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A cada 2 anos é sempre a mesma merda. É anunciado o Rock in Rio e suas atrações, e os chorões começam a repetir a mesma porcaria&lt;/b&gt;: &quot;onde já se viu um festival de rock ter artista X e banda Y? Se não tem só rock porque não muda o nome do festival? Antigamente tinha bem mais rock do que hoje&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro que o Rock in Rio nunca teve a menor pretensão de ser um festival só de rock. O nome Rock in Rio é uma alusão ao verbo em inglês &quot;to rock&quot;, que pode ser traduzido para &quot;festejando, arrasando, se divertindo&quot;, ou algo similar a isso. Muita gente pensa que é diretamente relacionado ao estilo musical &quot;rock&quot;, mas não é. Rock In Rio é um festival de música, de qualquer estilo. Por que? Porque dá mais dinheiro, e é o que público quer. Festival só de rock tem aos montes por aí. Procura que você acha. Também é mentira que antigamente tinha mais rock no Rock in Rio. O que teve na primeira edição de 1985? Queen, Iron Maiden, Whitesnake, Os Paralamas do Sucesso, AC/DC, Scorpions, Barão Vermelho, Ozzy Osbourne e Yes. 10 atrações. Vamos avançar 30 anos, e ver as atrações de rock e metal em 2015: Queen, Metallica, Motley Crue, Royal Blood, Gojira, Korn, Ministry, Angra, Noturnall, Paralamas do Sucesso, System of a Down, Queens of the Stone Age, CPM22, Deftones, Lamb of God, Halestorm, Project46 + John Wayne, Slipknot, Faith no More, Mastodon, Moonspell, Ultraje a Rigor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Rock In Rio não é um festival de rock, nunca foi e nunca será. Monster Of Rock, Download Festival, Hellfest e muitos outros estão aí pra isso (Lollapalooza não conta)&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/570191107119574392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/570191107119574392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2017/12/transcritos-aleatorios.html' title='Transcritos aleatórios'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-6231068637119444770</id><published>2016-05-20T19:32:00.001-03:00</published><updated>2016-05-21T17:15:33.699-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>Um conto intergalático</title><content type='html'>&amp;nbsp;Contemplo o céu âmbar no cume desse vale. O precipício apresenta-se diante de dois passos a minha frente, em sua descida de mais de dois mil metros. Eu visito essa galáxia longínqua, pousando na superfície rochosa de um de seus muitos bilhões de planetas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Um sentimento perscruta pela atmosfera rasa desse corpo celeste inóspito, com seus ventos intermináveis de uma fina cor sangrenta. Quão longe foi a distância que percorremos, em nossa audaciosa busca aventureira pelo desconhecido? Observávamos esse planeta, de longe. Ambiciosas foram as tentativas até aqui, e eis que me encontro sob essas formações geológicas de perto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Alvo de muito estudo científico, devido a indícios de presença biológica e - muito certamente - vida inteligente, piso na areia nunca antes sondada desse imenso globo errante. Quieto e intimidador, ouço seu uivo solitário nunca antes escutado por ninguém da nossa espécie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;As finas e geladas nuvens assobiam e serpenteiam por sobre o solo, coloridas de tons que passeiam entre o laranja e o sépia. Sua estrela hospedeira me recebe com sua débil iluminação avermelhada, e mortalmente me amedronto. Contemplo o firmamento nublado por sobre o horizonte, com suas diferentes estrelas em diferentes posições. Elas me avisam da minha posição no cosmos. Não sou capaz de descrever ou compreender o que sinto. Invisível, impotente, aterrorizado, minúsculo. O negrume do enorme vácuo celestial me envolve com seu braço espiral galático e encaro a solidão. Um súbito pânico me petrifica, e cria-me o desejo de voltar de imediato. Este mesmo pavor me faz querer continuar investigando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu avanço, reflexivo, por sobre as regiões pedregulhosas desse vale, e suas montanhas me acenam ao longe na linha do horizonte. Paisagens desérticas se esticam para além da visão periférica e ruínas são encobertas por poeira, relatando um cenário apocalíptico. Sinto a necessidade de mostrar e relatar o que vejo, todavia vejo-me sozinho, andando por planícies despovoadas. Tudo parece apático, desocupado, abandonado. Nunca o sentimento de solidão foi-me tão intenso. Eu posso ouvir a minha circulação sanguínea, porém nenhum ruído de algum animal exótico distante nesse inerte panorama. Penso nas inimagináveis cenas do que pode ter acontecido no passado desse planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Subitamente, tudo parece... semelhante, como a face de um velho rosto amigo. Vejo traços no solo arenoso, ruínas e escombros de restos metálicos oxidados, materiais excêntricos que se assemelham à plásticos. Com espantosa admiração, olho os indícios do que poderia ter sido um dia atividades de alguma forma de vida inteligente. Eu vejo esqueletos, destroços de edificações ao longe, encobertos pela desertificação desse árido planeta morto, e então, em pavorosa assimilação concluí que, pelo o que observei, não havia mais nenhum deles aqui. Meu coração congela e em estado de frenesi fito sinais de antigas épocas, em um diferente planeta, da devastação infringida a uma espécie de vida tecnológica. Me é indecifrável conjecturar sobre como eles eram. Muito menos me é imaginável como esse planeta desértico e aparentemente hostil foi capaz de abrigar um dia seres vivos, e como trilhou seu caminho para o declínio até a total aniquilação da vida. Como eram esses seres vivos? Ainda em choque, sou incapaz de começar a imaginar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Conseguimos descobrir algumas coisa sobre eles, onde mais se concentravam demograficamente ou que tipo de elementos químicos mais produziam. Nunca pudemos descobrir, no entanto, como eram anatomicamente. Nenhuma espécie senciente e inteligente me apareceu à vista. Foram todos condenados ao extermínio eterno. Por explosões solares, meteoro, guerra nuclear?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Posso somente supor. Em um exoplaneta obscuro, certo por nossa comunidade científica de que poderia conter vida inteligente, e até mesmo civilizações desenvolvidas, encontro-me apenas dominado por ambientes infernais, o que faz-me entrar em transe pelo assombro. &amp;nbsp;Por um instante sinto-me em meu próprio planeta, encarando o prefácio de andar por colinas inabitadas sob a extinção eterna de minha própria espécie. A distância imensurável entre este enigmático planeta e o meu parece inexistente e, de um instante para o outro, esse sentimento some. Sinto-me perdido novamente nessa praia intergalática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Observo os deteriorados vestígios materiais deixados por essa espécie falida, e domina-me um sentimento horroroso de melancolia. Durante anos observamos esse mundo longínquo de nosso planeta, avistando um débil e pálido reflexo azul, certos de que aqui poderíamos encontrar vida. Estávamos certos. Sinto-me deprimido, como alguém que chegou na cena de um crime sem ter conseguido impedir o assassinato. Estou diante de uma misteriosa cena de devastação que vitimizou a total existência da vida nesse planeta. Obrigo-me a reportar com pesar ao meu mundo que chegamos, portanto, tarde demais para contatar os habitantes deste planeta que, como soubemos, um dia o chamaram de &quot;Terra&quot;.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/6231068637119444770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/6231068637119444770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2016/05/um-conto-intergalatico.html' title='Um conto intergalático'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-90125805828384124</id><published>2016-05-17T20:38:00.001-03:00</published><updated>2016-05-18T22:22:19.185-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>6 horas</title><content type='html'>&amp;nbsp;Saí do consultório petrificado. O médico apertou levemente meu ombro, desviou o olhar para baixo, inspirou e sentenciou minha sina. Estremeci. Comecei a ver a sombra. Voltei pra casa carregando o fardo de mil pensamentos simultâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Você já sentiu a senciência da morte? A lucidez de saber o cessar de suas atividades biológicas? Não falo de ser vítima de um assalto a mão armada, de saber que você pode morrer ao vacilo de qualquer movimento brusco. É saber que tudo a sua volta não mais será alvo de seus olhos. De que tudo irá embora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Voltei pra casa com sete dias restantes de vida. No primeiro dia, eu não pude pensar, não consegui falar. Meu médico ainda me ligaria no decorrer da semana. Disse-me que poderiam haver novidades em meus exames. Minhas emoções foram vazias, imersas em um puro fluído de reflexões sem objetivos que minha mente criou. Minha esposa dirigiu e chegamos em total silêncio e desolação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;144 horas me restando de vida, acordei com a certeza de que eu não verei a próxima fase lunar, em breve eu não acordarei mais após um breve sono. O mês de Outubro será desconhecido, o planeta rotacionará sobre si sem a minha existência sobre sua superfície e as estrelas brilharão no céu mesmo em minha ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ao saber que encontrava-me respirando no dia seguinte, tentava ainda tirar uma conclusão, chegar a um racional consenso, mas o que podia pensar? Minha morte me fora anunciada e eu ainda havia tanto o que fazer. Eu não sabia o que fazer, e não sabia o que saber. Olhei pela janela da minha residência onde moro, ao sul da região metropolitana. Os orvalhos se extinguirão para mim, pois nunca mais os verei, e soube que eu irei morrer. Eu olhei os quatro cantos da visão periférica e soube da fragilidade da existência, da minúscula significância do impacto de minha morte. Eu soube, assim como sei o meu nome, a minha jornada até aqui, a minha vida. Em breve não saberei mais. Tudo esvaecerá, em aproximadas 115 horas que ainda havia por viver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Então eu tenho 115 horas. O que eu posso fazer?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Levantei-me depois, com surpreendente otimismo. Tomei meus remédios; meu médico ainda não ligara. A apreensão, contudo, estava inexistente. Eu não queria ficar inerte. Bebi um do meus últimos goles de água. Senti-me enjoado; eu estava com fome, porém sem apetite. Beijei minha esposa com a paixão fértil de um adolescente saudável. Ela me olhou com a dor de mil cátaros sendo apunhalados por inquisidores. Ela sente a agonia de carregar consigo o fardo premeditado da perda e da morte que a mim ei de ocorrer. Vê-la em seu interior, com seu sorriso pueril, porém sofrido, foi sentir o gosto do beijo da sombra que se aproximava de mim. Olha-la em seus olhos foi sofrer a perda não só dela, mas a de mim mesmo, de dizer adeus ao meu corpo, às minhas moléculas, ao caminho que percorremos juntos, tudo o que define o meu ser, minha individualidade, nossa vida e nosso matrimônio. Não consigo recordar de nenhum momento tão doloroso quanto esse, e foi com esse pesar do tamanho de montanhas que a abracei e permanecemos entrelaçados, silenciosos, ouvindo nosso batimentos cardíacos, por uma duração de tempo que me é impossível de mensurar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Por mim o anjo da morte poderia ter me levado naquele abraço acolhedor. As horas de vida restantes que meu médico proclamara seriam-me dispensáveis naquele ponto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Decidi antes do começo da tarde, sem nenhum propósito aparente, ir sozinho até o parque observar o lago e as gaivotas por uma última vez &amp;nbsp;Sentia-me ligeiramente débil, com uma crise de tosse insistente, contudo não contive-me. Eu senti os galhos e as folhas. Eu comprei meu último picolé. Não consegui saboreá-lo com vigor, infelizmente. Meu paladar estava fraco e minha arca dentária sensível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Não permaneci muito tempo lá no parque, no meu atual estado de saúde. Retornei para casa, admirei em esplendor a refração da luz solar por sobre o céu do globo terrestre, com suas camadas geomagnéticas e atmosféricas. Eu agradeci aos meus ancestrais sobreviventes de predadores naturais e aos meus antepassados que não foram extintos pela Peste Negra. Eu pude viver minha vida de forma esplendorosa graças aos descobridores do fogo e da penicilina. Eu senti a sombra, ainda distante, acenar para mim, sem pressa para chegar perto. Senti os esforços de meu organismo debilitado à caminho de casa, encontrando-me espiritualmente em paz. Meu tempo, no entanto, está no fim. Definitivamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Meu médico não havia ligado ainda. Ele havia prometido... mas deve estar ocupado. Será que haviam encontrado algo em meus exames? E se...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Sentei-me por algumas horas em minha cadeira reclinável, toquei meu clarinete empoeirado em tons soturnos e melódicos, e voltei a olhar por sobre a janela de meu quarto, com cerca de 106 em crédito de horas como ser vivo consciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Fitei a curvatura da Terra. Observei as luzes que desvaeceram ao crepúsculo no pôr do Sol, e que trarão consigo o ceifador, que se esgueira pelas sombras, e essa sombra avança a cada minuto, assim como o dia dá lugar à noite. Exceto que a noite irá durar para sempre. Eu sinto essa sombra. A cada segundo, milimetricamente aproximando-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Não lembro que horas dormi. Acordei no dia seguinte, para minha surpresa. Eu liguei para meus familiares, estes sem saber do meu breve período restante no cronômetro da existência física. Eu ri com a minha mãe, mesmo estando longe. Eu falei com meu pai, sem a coragem de me despedir, e sem a coragem de dizer o quanto ele fora meu herói. Eu senti seus contentamentos em receber uma ligação descompromissada do filho distante. Eu dizia adeus e chorava por dentro, e por fora eu apenas me comportava como se fosse passar o próximo Natal com eles. Tudo está indo embora, prestes a não mais existir por toda a eternidade. Os medicamentos me ajudam, e a sombra ainda parecia apenas um ponto ignóbil, mas na verdade ela esta mais próxima. A noite está chegando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Gargalhei pelos motivos mais estapafúrdios, das piadas mais grotescas e realizei as tarefas mais triviais para alguém que nunca mais irá testemunhar as belezas e misérias do mundo. Eu gostaria de ter rido mais, de ter chorado com mais frequência, sem medo. Senti meu sistema querendo encerrar suas atividades, apagar todas as minhas luzes e me hibernar-me para o resto da existência do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu abracei novamente a minha esposa, sabendo que nunca mais sentirei em muito breve seu corpo novamente, ela nunca mais será por mim entrelaçada novamente. Eu poderia ter feito mais por ela? Eu poderia ter dito que a amava mais vezes. E por que não me criou a coragem logo sabendo do meu perecimento em tão pouco tempo? Meus diálogos acabarão, as cortinas encerrarão a minha peça. E não haverá reapresentação no próximo Natal. E eu a amara sem a menor hesitação, durante todo o tempo que passamos juntos. E eu sei que ela sempre soube disso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Abracei meu labrador de estimação, entregando-me aos prantos. Eu não conseguia parar diante da inevitável perda mútua, tanto minha quanto dele. Eu poderia tê-lo abraçado mais, e em breve nunca mais o farei. Ele sentirá minha falta? Ele não terá consciência da minha despedida eterna, em suas naturezas tão alheias à morte. Eu com certeza sentirei saudades dele. Eu sinto a sombra dando alguns passo em minha direção, taciturnamente por entre os pilares da fábrica da existência, prestes a agarrar os véus da negritude e me enrolar com eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu adoraria ter ligado para amigos, tê-los em meus braços, beber uma última cerveja com eles. Foram todos embora, no entanto. As amizades foram sendo varridas como pó. Não tenho um velho companheiro para me despedir. Eu poderia ter cultivado mais amizades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Encontrei-me ainda vivo no quinto dia, com até talvez um cômico espanto. Agora sobram-me apenas dois dígitos de horas restantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A morte pareceu uma ideia banal. Algo abstrato, que não irá acontecer. É como se eu quisesse que a sombra viesse logo. E ela estava mais perto, sim estava. Começava a sorrir timidamente para mim. O Sol já estava na linha do horizonte e a sombra trazia consigo as flâmulas negras ao meu encalço, e a cegueira havia por me atingir. Senti-me conectado ao mundo, porém fisicamente débil, prestes a ser abraço pelo mar da penumbra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Poderia ter dito que não morrerei. Eu poderia ter me convencido de uma mentira para me sentir melhor. E de fato tentei. Poderia ter pedido exames mais completos. Meu médico combinou-me de me ligar, e ainda nada. Ainda faltava um exame a ser analisado mais cautelosamente. Pensei no que ele havia dito de que &quot;poderiam haver novidades&quot;. Isso me causava mistos e confusos pensamentos... Acredite, no entanto, que a constatação é definitiva. Meu estilo de vida, o meu corpo decadente, e a sombra que se aproxima furtivamente; corroboram a sentença oficial do médico sobre minha condenação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;As menos de 100 horas me começaram a dar medo. Meu médico ainda não havia ligado. Eu acho que ligarei para ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Subitamente vi-me revendo o filme de toda a minha vida, e devaneei de mãos dadas com as minhas memórias. Empregos passados, brigas e romances, risadas e revoltas, experiências e conhecimentos, possessões materiais e intangíveis. Pensei no que me restou a fazer, dos arrependimentos e dos planejamentos pendentes nunca até então concretizados. Serei eu buscado por um anjo? Irei para o inframundo de Xibalbá, para o céu celestial cristão, para o submundo de Niflheim, para o reinado de Hades no mundo inferior ou o de Osíris? Quem iria me buscar? Dormirei sem ir para lugar algum, no leito negro da inexistência eterna? Esses devaneios cansaram-me a mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Débil e de uma imensurável tristeza apossando-se de mim, acordei de um longo repouso com menos de 70 horas de bagagem. Um desânimo total dominou minhas faculdades emocionais e toda a minha mente entregou-se ao abraço da sombra, que conforme eu percebia, arrastava consigo as trevas mais um pouco perto ao meu redor. Pensei em meus pais, e o quanto poderia tê-los apreciado com mais frequência, expressado meus carinhos para com eles. Como eles irão receber a notícia de meu falecimento?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Fagueira, eu vejo a escuridão da sombra permear a superfície do meu perímetro ocular. Minha voz enfraqueceu, meus remédios pararam de fazer o efeito desejado de outrora. Minha fragilizada saúde começou a deteriorar-se e passei a dormir mais. Minha memória falha com frequência. Sou como um espelho rachado, prestes a se partir. É pesaroso para meus finais momentos ser um peso a mais para minha amada esposa, a quem desejo toda a felicidade em minha postmortem. Eu preciso dizer o quanto a amo e a amei antes de ir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Estou fraco e contabilizo cerca de 43 horas restantes no meu bolso. O jogo está acabando? Não sei o número do doutor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Tentei auto-remediar-me com efeitos placebos apenas com o emprego de táticas psicológicas, mas meu corpo já não resiste muito. Incrível como essa fraqueza geral veio tão de súbito, como uma gripe. Minha voz está fraca e escrevo isso com o esforço máximo que me compete aplicado nas mãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu sorrio para o meu cachorro, em sua sã alegria ao me acalentar com sua presença. Sua cauda perde-se na sombra que sutilmente esgueira-se ao redor de mim, no meu leito de morte, nessa cama moribunda que deito em minha casa. Minhas pílulas parecem homeopatia, meu organismo não sente nenhum efeito. Minha tosse está piorando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Um certo desespero acometeu-me ao deparar em acordar numa Sexta-Feira. Há uma semana o doutor sentenciou-me 7 dias de vida. Meu coração bate freneticamente como a de um garoto atlético, e meu peito inteiro dói. Eu não consigo respirar. Minha mulher me trouxe mais remédios e não conseguiu ligar para o médico. Tentei levantar-me e minha fadiga foi tão rapidamente exaurida que mal tive tempo de sair de meu quarto. A sombra já cobre-me a visão da porta, e a permeia as extremidades de todo o cômodo com a sua ausência de luz completa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Restou-me passar o dia inteiro deitado, o que eu detesto. Morrer de inanição? Droga, eu poderia estar morrendo pulando de paraquedas pelo o menos...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Não sinto vontade de ir ao banheiro, de comer, apenas bebi meus remédios, escrevi e vegetei, como se ensaiasse para o que faria para sempre, até que o último átomo de meu corpo fosse decomposto. Eu sou um homem que aceita seu destino. Meu médico estaria errado se eu morrer agora. Ainda tenho 9 horas de vida. A sombra, antes tímida e sutil, agora abre suas asas e estende seus braços. Seu sorriso é obscuro, sua aura suga-me. Eu a consigo ver, e ela também. Sua natureza amistosa me compele a aceitar seu aceno com serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Minha mulher saiu há algumas horas para cuidar de alguns documentos meus na agência bancária. Acredito que passará no mercado depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Me restam, eu diria, cerca de 6 horas de vida. Meu cachorro dorme deitado no chão ao lado de minha cama. O médico não me retornou, e eu não consigo reunir forças para procurar onde minha mulher tem seu número anotado para ligar-lhe. Eu me sinto na ferroviária, recebendo o anúncio antecipado de minha hora de partida antes do trem chegar à plataforma. Eu sei que este trem contêm o meu assento reservado nele. Eu já me sinto sentado, viajando neste trem, que desliza pelos trilhos em câmera lenta, prestes a se chocar na parede escura no final de um túnel sem iluminação. E o trem adentra essa parede negra, silenciosamente, como se ela fosse um portal, e tudo fica completamente escuro e quieto. Para sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu ouço o telefone tocar na sala de estar. Não há ninguém em casa, eu continuo deitado, me sinto tão mais franzino para levantar-me e atender à ligação. Acredito que já escrevi mais do que o suficiente, embora não sei o motivo de esta-lo fazendo. A sombra me acena mais de perto, sua nitidez está espantosamente maior. Eu posso encará-la nos olhos e cumprimentar-lhe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu ouço o telefone tocar mais uma vez. Pode ser meu médico. Será que ele tem notícias a respeito do exame que faltava? Depois eu peço para minha esposa lhe retornar. Eu adoraria dar-lhe um último beijo e falar o quanto a amo, eu não hesitaria mais nem um segundo. Eu adoraria ligar para o meu pai e declarar-lhe, com toda a coragem que emerge e mim, a minha admiração à ele, e chorar de felicidade sem motivos, pois muitas lágrimas de dor já me acometeram nessa última semana. Adoraria levantar-me sem dor, de sair correndo pela calçada. Daria tudo para poder genuinamente criar novas amizades e laços duradouros, mergulhar em águas cristalinas oceânicas, e contemplar os últimos momentos sorrindo. &quot;Morra grande&quot;, eles dizem. Me sinto, no entanto, muito fraco e sonolento novamente. Preciso do descanso na sombra que meus olhos buscam ao se fecharem. O telefone toca novamente... Melhor eu descansar um pouco.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/90125805828384124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/90125805828384124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2016/05/6-horas.html' title='6 horas'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-7025132047869303014</id><published>2016-03-10T13:30:00.000-03:00</published><updated>2016-03-10T13:43:24.887-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>Na rota para o necrotério</title><content type='html'>Diz-se aos ventos que se uma ambulância, em alta velocidade na estrada, de repente desliga a sirene, significa que o paciente a bordo morreu. Você já deve ter ouvido falar disso. Provavelmente também já viu alguma viatura da ambulância, correndo pela rua em meio aos carros, com a sirene desligada. Essa ambulância carregava um cadáver que não conseguiu chegar a tempo vivo no hospital, morto durante o trajeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lógica é essa: se o paciente faleceu, não há urgência em chegar ao hospital. Logo, a sirene é desligada. Pensava eu que minha destreza racional seria tão infalível quanto a lógica apresentada na sentença anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia em que minha mente era mergulhada em doses colossais de compostos etílicos, as imprevisíveis consequências passaram-se desapercebidas. Totalmente afetado, meu sistema nervoso central era uma entidade paralela coexistindo em meu corpo, não mais obedecendo às ordens das sinapses destruídas do meu cérebro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devo justificar-me, contudo, que não sou e nunca fui um alcoólatra. Meus passos trôpegos e minha mente entorpecida foram resultados de uma série de episódios que julgo ser válido usá-las como pretexto para esse fatídico dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A recém morte do meu pai havia me arrasado, de tal modo que nunca havia sentido antes. Descobri um afeto e admiração por ele nunca antes expressada por mim. Esses sentimentos reprimidos me criaram uma profunda angústia e remorso por nunca tê-los deixado conscientemente chegar aos seus ouvidos. Tal mágoa corroeu-se a tal ponto que nem mesmo as correntes do tempo a curaram. Meu espírito começou a ser tragado por ter perdido para a eternidade a chance de dizer pela primeira vez &quot;eu te amo&quot; para meu ascendente paterno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dias de trabalho tornaram-se mais difíceis, minha produtividade em declive, minhas contas em ascensão, meu relacionamento oscilante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fim de evitar prolongamentos: eu comecei a beber antes do serviço, no horário de almoço, depois do serviço, e constantemente aos finais de semana. Após uma sucessão de crises, minha namorada me deixou. O que já deixava meu emocional fora do eixo agora definitivamente o expulsava de sua órbita ao redor dos perímetros da minha sanidade, e minha fraqueza agora já manifestava-se como apoio o consumo excessivo de álcool.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu estava na rota direta para o precipício.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fatídico dia era numa Quinta-Feira. No dia em que eu deveria, rotineiramente cumprir, como até então cumpria, minha ida e volta ao trabalho conforme minha escala de horário, fora pela primeira vez quebrada. Eu saí de casa, e não desci no ponto do meu local de trabalho. Minha mente já não estava sóbria, mesmo sem nenhum álcool ainda em meu organismo. Ela pairava além dos limites da capacidade cognitiva de um ser senciente e são, sem nenhuma base racional ou emocional para se sustentar da lógica, do pensamento crítico ou analítico. Eu apenas estava seguindo o caminho do meu próprio desespero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Noto então, agora, que eu não estava na rota direta para o precipício. Eu já havia caído nele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encontrava-me, portanto, - no horário onde supostamente eu deveria estar entrando pelas portas do prédio do meu trabalho - nas ruas da cidade onde os bares são preenchidos a noite pelas almas perturbadas de corpos sórdidos que vagueiam por lá, em busca dos destilados que preenchem a vilania de seus demônios. Entrei no primeiro botequim e pedi minha primeira cerveja, com a falsa pretensão ilusória de que minha vida estaria ótima e repleta de motivos para comemorações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em poucos minutos eu me encontrava na terceira long neck, ingerindo-a ininterruptamente, recostado ao balcão do bar, como se eu fizesse dali minha própria balada pessoal durante pleno dia ensolarado de uma quinta feira. Eu conversava com o barman, com os transeuntes que passavam em frente e com os ocasionais clientes daquele estabelecimento. Não me lembro se foi a partir da sexta ou sétima garrafa que minha memória começou a falhar. Minha tolerância para o álcool sempre foi muito alta, portanto ainda me recordo decidir-me que cerveja não era o suficiente. Solicitei ao barman uma dose pura de cachaça do centro-oeste, e prontamente fui atendimento, tão rápido quanto virei o primeiro copo. Os dois outros copos foram consumidos na mesma velocidade. E após estes minha memória é um eclipse de tonalidade negra imensurável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acordei deitado na calçada cerca de três horas depois, tempo grande o suficiente para que desse grande margem de imaginação para o que pudesse ter acontecido durante essa lacuna de amnésia. Não sei se de fato dormi, ou se meu cérebro apenas havia recuperado parte de sua sobriedade. Não sabia onde estava. Ainda era de dia. Minha embriaguez não passara. Meu abalado emocional solicitava mais álcool. E assim eu o fiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minhas próximas memórias são difusas e confusas. Eu lembro que brigava com uma mulher desconhecida por não notar em mim enquanto passava, ameaçando enforcá-la com gestos enquanto uma mão segurava um copo com um líquido marrom-glacê (conhaque, provavelmente). Lembro-me de tentar chamar cachorros na praça para beijá-los. Também me recordo de beber um copo d´água, porém a esse ponto o céu perdia sua cor azul e era abraçado pela pretidão cósmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É difícil descrever cronologicamente os eventos deste dia. Peculiar dia em que senti o amargo gosto dos meus sentidos serem nocauteados pelo excesso alcoólico, até não restar nada exceto total escuridão. A noite, eu ainda estava rua, em becos desconhecidos, abordando estranhos, sendo abordado por estranhos, ameaçando e vagando cambaleante para os confins da minha perdição, enquanto meu corpo lutava por um resquício de funcionalidade para me manter vivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu consumo de cerveja, destilados e sabe lá mais o que - durante este fatídico dia inteiro - não apenas me direcionou diretamente aos trilhos da minha condenação. As paredes do precipício já haviam sido rompidas, e a queda se encontrava ainda mais funda, além dos limites do abismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu estava na rota direta para o necrotério, sendo carregado dentro de meu caixão, para o despejo final do meu corpo desfalecido e minha fétida alma, com rins e fígado putrefatos, decompostos de dentro pra fora devido a minhas pútridas ações enquanto vivo. Tomei consciência disso quando me descobri estar dentro de um lugar fechado, deitado sob uma prancha rígida, cercado de aparelhos e pessoas ao meu redor, enquanto o ambiente cambaleava em adição à minha própria visão turva e confusa. Meus sentidos não funcionavam, meu cérebro sentia os ecos de uma dor indescritível, eu não conseguia enxergar em cores, e meu corpo clamava por misericórdia. Eu agonizava em cada centímetro da minha existência física.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como eu fui parar lá ainda continua um mistério. Quem chamou a ambulância talvez nunca saberei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu ouvia vozes de humanos tentando me manter vivo. Eu senti o cheiro do meu próprio sangue. Eu ouvi os ecos insuportáveis de uma bigorna em minhas orelhas, a condenação pelos meus atos percorrendo todas as minhas entranhas. Eu pude sentir minha respiração voltar a funcionar após experimentar o vácuo da inexistência, enquanto a ambulância movimentava-se por estradas desconhecidas rumo ao meu túmulo. Eu, contudo, não pude ouvir uma sirene ligada. Fui somente atingido pela lucidez na minha consciência ao ouvir, com meus sentidos ainda debilitados, uma voz feminina gritando para o motorista &quot;Ligue a sirene de volta, ele tá vivo!&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu soube que, a partir deste momento, eu senti o gosto da morte que infringi a meu próprio organismo, por pura e simples irresponsabilidade inconsequente. Não há outra justificativa aqui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acordei no hospital, mais de doze horas depois. Eu não quis saber dos detalhes, Eu não sei exatamente o que aconteceu comigo. Assim que me senti melhor, dispensei explicações das enfermeiras e dos médicos e dirigi-me diretamente para minha casa. Eu tinha tido um happy hour e tanto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Racionalizando sobre este fatídico dia, não sei o que isso me trouxe, exceto a consciência da amargura e do arrependimento, e de conhecer de perto a rota direta para a minha própria cova. Agora, apenas sei que nunca mais repetirei isso. Provavelmente não precisarei mais. Provavelmente eu não serei demitido, depois de ter faltado para ir afogar minhas amarguras internas. Provavelmente você já viu alguma viatura da ambulância, correndo pela rua em meio aos carros, com a sirene desligada. Provavelmente era eu que estava lá.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7025132047869303014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7025132047869303014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2016/03/na-rota-para-o-necroterio.html' title='Na rota para o necrotério'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-7381031588746041151</id><published>2015-09-25T20:20:00.001-03:00</published><updated>2020-10-03T01:18:29.684-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>Sem estrelas no céu escuro</title><content type='html'>&lt;div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.nasa.gov/sites/default/files/kepler186f_artistconcept_2.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.nasa.gov/sites/default/files/kepler186f_artistconcept_2.jpg&quot; height=&quot;356&quot; width=&quot;640&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Em uma galáxia longínqua, havia esse planeta que em um passado muito, muito remoto, chamavam-a de &quot;Terra&quot;. No período geológico Holoceno do Cenozoico, destacou-se o Homo Sapiens, da família dos hominídeos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Povos e impérios surgiram e caíram. Culturas globalizaram-se. O mundo inteiro tornou-se uma civilização global, composta pelos nossos antepassados humanos. A mentalidade arcaica da sociedade daqueles tempos, no entanto, foram altamente danosas. Poluição, desmatamento, guerras e ganância, extinção em massa de espécies, exploração de recursos naturais. Ações que conforme décadas se passaram tornaram-se insustentáveis para o equilíbrio do planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Nossos ancestrais não mediram suas consequências em ferir ininterruptamente o ecossistema da qual tanto dependiam. De natureza dúbia, os hominídeos da época foram, no entanto, capazes de superar suas atitudes de caráter questionável.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Fomos capazes de aventurarmos-nos pelas estrelas. Séculos de conhecimento e ciência aliados à curiosidade foram aplicados à alma do espírito aventureiro e desafiador do homem. Lançamo-nos rumo ao céu noturno. A colonização do espaço sideral era, em primeira instância, necessária a longo prazo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O planeta que uma vez os humanos habitaram, chamado &quot;Terra&quot;, não mais era um lar sustentável para a demanda da espécie. O aquecimento global havia tornado-se irreversível. A tecnologia para conter as ações prejudiciais ao habitat natural contrastavam com a ambição e a vaidade humana. Mesmo se eles tivessem tornado-se sustentáveis; o Sol, estrela hospedeira do planeta, iria esgotar o hidrogênio em seu núcleo, explodindo em alguns bilhões de anos. O que de fato aconteceu. Nunca jamais existiu tecnologia capaz de impedir esse processo. A estadia permanente dos humanos da Terra seria impossível de qualquer forma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Colonizar exoplanetas habitáveis em sistemas estelares distantes era necessário. Na infâmia de nosso antropocentrismo, a perpetuação da espécie humana estava intrínseca à sua capacidade tecnológica de lentamente ir se instalando em outros mundos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Então, através das eras, os homens navegaram pelos mares negros do universo, colonizaram novos planetas, abandonando planetas condenados, atravessando galáxias, enfrentando mortes em massa por pousar no planeta errado, e entrando em guerra com outras civilizações intergalácticas... mas isso são histórias pra um outro dia.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Nessa escala cosmológica, milhões de estrelas morreram. Outras estrelas nascem dos remanescentes químicos de outras estrelas que um dia explodiram em uma violenta, brilhante a catastrófica explosão. Essa lei imutável seguiu-se por bilhões de anos, permitindo que gerações de hominídeos perpetuassem sua existência através das eras, instalando-se em novos planetas por mais tempo com o emprego de tecnologias e políticas mais sustentáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Nas brumas do tempo-espaço sideral, porém, nenhuma estrela vive eternamente. A antiga hospedeira Sol morreu há muitos éons. E muitas outras hospedeiras estelares tiveram o mesmo fim através dos bilhões de anos. O Homo Sapiens, em sua sábia virtude, soube sempre prever a data da morte de sua estrela hospedeira, a fim de planejar-se rumo à outras terras longínquas do espaço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Após essa longa jornada cósmica, somos uma espécie completamente diferente. A evolução nunca pára. A transmutação celeste é infinita. Temos a lucidez de estarmos a mercê das leis da natureza. Nenhuma estrela vive eternamente, e com a ascensão da velocidade de expansão do universo, a matéria tornou-se mais condensada, dispersa e, sobretudo, mais fria conforme os (bilhões) de anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Em nosso atual planeta, nossa estrela em breve morrerá.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;É hora de partir novamente. Com a condenação do nosso próprio terreno celeste, decretamos a vez de evacuar mais uma vez para o infinito cosmos em destino a uma nova estrela que comportasse nossa espécie. A humanidade destrava os portões de sua casa em busca de um novo lar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;No imenso abraço do firmamento, a escuridão atravessa o que antes nos era um lar propício à vida. Embarcamos em novas terras cósmicas. Em alguns milhares de anos, nosso planeta estará em um banho mortal de radiação pela sua estrela hospedeira em fase de colapso, tornando-a estéril para a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Nenhuma estrela vive eternamente. A matéria condensada, dispersa e fria dissipou-se junto com a expansão das texturas do espaço tempo. O universo traça seus finais momentos. Há muitas eras não vislumbramos o céu à noite com o mesmo esplendor de nossos antepassados hominídeos na Terra. Em nosso último planeta, não tínhamos mais estrelas no céu noturno. O que aconteceu com todas as estrelas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Nós, como espécie, no nosso atual estado nômade celestial, parecemos não termos um novo palco planetário para poder respirar o oxigênio de sua atmosfera. Porque o oxigênio está disperso e frio, junto com todos os outros gases e materiais essenciais para o desenvolvimento de novas estrelas, planetas e condições de abrigo à vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Somos exploradores do universo. Navegamos nos mares negros siderais por bilhões de anos, dando continuidade à nossa espécie em novos planetas, em novas galáxias, em longínquos cantos do cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Conforme os aeons cósmicos transitaram, no entanto, menos estrelas eram visíveis no firmamento de nossas moradas planetárias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Estamos em busca de uma estrela. Uma estrela que talvez possa ser eterna, com um planeta em sua órbita, capaz de nos abrigar confortavelmente. Mas o oceano cósmico não nos pisca nenhuma distante luz, nem mesmo fraca o suficiente para ser detectada pelo mais poderoso telescópio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A última estrela parece estar morta, e o universo escuro como a mais sombria noite. Não nos parece ter sido dado outra chance nos últimos respiros do universo. Nossa sonda mãe agora circunavega as margens de um espaço em seus momentos finais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Estamos a procura de um novo lar, mas o universo não é mais como antes. As estrelas que antes existiam morreram, e seus gases e matéria não mais foram capazes de formar novas estrelas e planetas. As galáxias estão apagando, como holofotes de um palco teatral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Quando a última luz apagar, não terão aplausos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O espetáculo chegou ao fim. Acredito que nossa jornada acaba aqui. Juntos em um abraço mortal, até nossa gélida respiração final, vagaremos diante das marés negras, calmas e estáticas... eternamente no céu escuro sem estrelas&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7381031588746041151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/7381031588746041151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2015/09/sem-estrelas-no-ceu-escuro.html' title='Sem estrelas no céu escuro'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-3517177379951190098</id><published>2015-03-24T21:59:00.000-03:00</published><updated>2016-09-02T21:58:10.905-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>Eu voltei</title><content type='html'>&amp;nbsp;É fácil para um homem perder a sanidade quando não há mais nada que ele possa perder. O emprego, o carro, a casa, e por fim, a mulher e filhos. E tudo por causa de alguns cretinos que não mereciam o oxigênio desse planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Quando um homem perde tudo, ele as tenta recuperar, engole suas lágrimas, batalha por uma guerra ainda não perdida, e luta de cabeça erguida para recuperar o que é seu. Mas quando um homem perde até mesmo sua dignidade, e o último lapso de seu orgulho é rasgado de sua pele, o que lhe resta? As garrafas de uísque não servem mais. O charuto não inibe a dor e as prostitutas já são todas descartáveis. Matar não é mais uma questão de vingança, e sim um mero entretenimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu virei psicopata? Ou apenas sempre fui um?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ahh isso não importa agora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O primeiro filho da puta que eu mandei comer capim pela raiz me fez sorrir até onda não haviam mais dentes. Ele tinha um belo coturno e as minhas botas já estavam deterioradas, e eu mal tinha dinheiro pra pagar a conta naquele bar medíocre. O que eu estava fazendo lá? Eu não me lembro. Mas ele era um deles. Eu tinha certeza!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Esperei até o sujeito sair daquela porra de reduto para fracassados e errantes inúteis. Não me lembro como paguei toda aquela quantidade de Jack Daniels afetando meu cérebro, mas me lembro muito bem de ter arrastado o infeliz pro beco da esquina e enfiado o punhal repetidas vezes na jugular dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Minha jaqueta não manchou muito, mas eu precisei lavar meu coturno novo cinco vezes pra tirar todo o sangue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Pensei que ficaria assustado ou que a polícia me pegaria em breve, mas ninguém sentiria empatia ou saudades daquele bastardo. Era um degenerado com um pé no inferno. Eu apenas coloquei o outro pé dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Meu segundo assassinato não demorou muito. Eu estava disposto a matar qualquer cretino que se metesse no meu caminho. Foi em uma de minhas andanças a esmo, durante uma garoa fina de um céu introspectivo e negro. Eu não tinha mais dinheiro para pagar as prostitutas. Só tinha uma garrafa já vazia de pura aguardente e a merda da coceira se espalhando pelo corpo inteiro implorando por um maldito cigarro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A mente e a razão esvaecem, e quando menos noto preciso sair correndo daquela calçada mal iluminada e deserta, onde escorre uma poça de sangue. Dessa vez o azarado que eu mandei pro purgatório com meus punhos não era um deles, mas o filho da puta deve ter merecido. De algum modo, ele foi primordial pra eu achar o próximo alvo da minha lista de sentenciados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O meu eu sóbrio já estava morto há tempos, então só me lembro de estar chutando a porta de um bar fedorento nas esquinas do inferno com meu coturno novo e esmurrando o primeiro arrombado que cruzasse meu caminho. Três gordos perdedores fedendo a merda de gato jaziam no chão com os cacos de vidro das garrafas de cerveja que enfiei em seus rostos barbudos e repugnantes. Não tive tempo de me desviar da pancada no crânio que levei. O taco de sinuca nas mãos de um dos cinco homens quebrou-se ao meio em cima da minha cabeça. O segundo tentou me enforcar, mas isso não me impediu de continuar mandando mais alguns corpos pra pilhagem. Me livrei dos dois e nocauteei o terceiro esmagando o cérebro inútil dele contra a parede de tijolos daquele muquifo de fim de mundo. Apaguei o quarto com uma testada bruta no nariz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Não tive a mesma sorte com o quinto homem... Desgraçado! Com um soco inglês, o corno! E era um deles! Tentei revidar e me reerguer, acertando um gancho no queixo dele, mas era tarde. Meu resquício de consciência morto pelo álcool me fez desabar no piso por alguns segundos, mas quando me reergui o viado já tinha ido embora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Devo ter acordado alguns dias mais tarde em algum lixeira há algumas quadras dali. Nesse intervalo de tempo devo ter dado o fim à mais alguns infelizes... não me lembro perfeitamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; Por que me deixariam vivo? Que tolo engano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Um mendigo me colocou sentado e perguntou se eu estava bem. Meu corpo inteiro doía e meus hematomas estavam por toda parte, mas isso não me impediu de deixar o mendigo com alguns hematomas também. Saí dali o mais rápido possível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Onde eu tinha deixado meu carro? Nahh que se foda... nem sabia mais quem eu mesmo era. O álcool era o único combustível que queimava minha sede por matança. E teria sido somente uma questão de tempo até eu achar e esganar o condenado... embora eu não soubesse exatamente quem fosse. Eu acho que já estava indo longe demais...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Cheguei no motoclube do velho João, onde pude me banhar e roubar algumas doses de licor, como um irmão distante que acabara de chegar. Desfrutei de algumas horas da agradável Stefany, a puta mais carinhosa daquele cabaré, e amiga de antigos tempos. Uni o útil ao agradável e reuni informações valiosas dela. O filho da puta que me nocauteou com o soco inglês era um dos capangas do miserável Jader Andolino, quem em breve eu iria me encontrar. Jader costumava frequentar o bar do Bin Laden e estuprar garotas que ousavam se aventurar por aquele limbo de repugnância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Stefany disse que ele estaria lá na noite seguinte. Sabendo que Jader sempre andava armado, ela providenciou com o velho João a &quot;segurança&quot; necessária para eu ter um papinho com ele na &quot;área de fumantes&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O bar do Bin Laden era sempre frequentado por beberrões assassinos, então era o lugar perfeito para um extraviado como eu. Já em estado de embriaguez - e não me lembro o porquê -, o sujeito do meu lado estava desmaiado no chão de ureia com a cabeçada que eu dei em seu nariz. Não sei o que ele fez para merecer aquilo. Não diria que ele era &quot;inocente&quot;; somos todos culpados nessa merda de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Jader Andolino não sabia que exalava suas últimas respirações, assim como eu não sabia que bebia uma das minhas últimas doses de Jack Daniels. Eu o encarava do balcão do bar, apenas esperando Stefany chegar ao seu lado, como uma velha amiga colorida. Eu podia ver dali o coldre de Jader. Era um deles! Meus nervos tremiam para não sacar meu revólver e fuzilá-lo, então apenas me restava imaginar arrancando seus olhos ali, bem na frente de todo mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Meu crânio ainda latejava de dor, e mesmo o cigarro não amenizava. Era uma dor mais profunda, pior do que de todas as pancadas que levei dos tacos e do soco inglês daquele filho da puta sentado logo ali na frente, mal sabendo que ele sorria para a morte. Stefany se aproximou dele amistosamente, exibindo seu sorriso encantador e ocultando perfeitamente sua Colt 45 no coldre em baixo de sua mini saia. Que pernas!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Já haviam se passado... quanto tempo? Eu não faço a mínima ideia. Stefany fez o sinal que havíamos combinado no motoclube. Os dois saíram acompanhados, em direção à saída, e como num jogo teatral, Stefany fingiu que me reconheceu como um amigo que há muito não via. Disfarçadamente, se aproximou de mim junto a ele para me cumprimentar, me apresentando ao meu &quot;novo camarada&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Após um breve papo, combinamos de ir para a &quot;área de fumantes&quot;. Stefany se posicionou ao meu lado, e Jader seguiu a frente. Assim que Andolino entrou na &quot;área de fumantes&quot;, seu rosto virou para nossa direção e teve um beijo roubado pela sola do meu coturno recém adquirido. O impacto foi forte, e o bastardo foi arremessado, o que teria sido uma cena engraçada se não eu estivesse possesso pela fúria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Stefany trancou a porta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Estirado no chão, meu peso caiu sobre o corpo frágil e ridículo de Andolino com um golpe certeiro logo no meio de sua face imoral, pedindo clemência para um ser impiedoso que despejava toda a força dos braços para amassar seus ossos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Faça as perguntas antes que ele engula os próprios dentes e não consiga mais falar&quot; disse Stefany para mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Me levantei e apontei meu revólver emprestado do velho João para o fucinho de Jader, proclamando: &quot;É melhor que me dê respostas, Andolino, ou você será carregado daqui direto para a sua cova!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Andolino deu um sorriso febril, ainda recuperando o fôlego que foi tirado dos meus socos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Você quem está cavando sua própria cova! Você acha que isso foi um complô? hahaha... você foi vítima da sua própria loucura! Teceu seu próprio destino fadado à morte trágica e à solidão... seu verme! Eu e meu pai apenas o colocamos em seu devido lugar, mas você não aprende... Por que acha que foi demitido de seu emprego, perdeu tudo o que tinha e foi abandonado pela sua mulher e pelos seus filhos?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Toda a raiva, o desespero, a ira e o ódio se uniram em um grande acesso de cósmica fúria, e um turbilhão de nervos me fez berrar somente um categórico &quot;Vai se fuder, seu filho da puta!!!&quot; e engatilhar meu revólver apontado para a testa de Jader.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Houve um eco do disparo por todo o bar, e um gemido rouco de dor saiu de pulmões perfurados pela bala da Colt 45 da Stefany. A filha da puta nem ao menos me explicou o por quê ter me traído desse jeito tão sujo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O sangue descia pelo meu corpo e manchava toda a minha roupa. Meu coturno já manchado fora banhado em poça vermelha, e Stefany destrancou a porta da &quot;área de fumantes&quot; e eles entraram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eram eles! Eram todos eles (os que restaram vivos). Estava também o velho João...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ninguém arma uma armadilha pra mim! Stefany, aquela vagabunda... deve ter sido feita de bode expiatório para o velho João, que sorriu para mim ao ver seus planos darem certo, sejam lá quais tenham sido. Ele deve ter sorrido por longos quinze anos, tempo que eu passei em cana. Teria passado menos, se eu não tivesse afogado um policial na privada cheia de bosta e arrancado a orelha do meu &quot;companheiro&quot; de cela. O viado ficava olhando pra mim como se quisesse sugar minha alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Todo a estirpe de Jader me abandonou sangrando naquele chão imundo. Me disseram algumas coisas sobre &quot;os direitos de propriedade dos terrenos&quot; e &quot;o comércio de enxofre&quot;, mas nesse momento eu estava anestesiado pelo álcool e a bala nem doía mais. Eu nem ao menos me importava ali se eu iria morrer ou não... quando se é traído por uma prostituta, não dá pra se surpreender com mais nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Chamaram a ambulância que em seguida me encaminhou até a delegacia de polícia, onde me mandaram à prisão. Eles já estavam me procurando antes mesmo do meu primeiro assassinato... antes mesmo de eu ter perdido meu emprego. Jader já sabia disso!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu aguentei todas as sessões na solitária e as torturas aleatórias que os policiais corruptos e nojentos combinavam para me dar. As quatro tentativas falhas de escapatória devem ter ajudado na motivação deles em me bater...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;...Até o dia em que eu fui solto. &quot;Você cumpriu sua sentença e está livre para ir&quot;, me disseram. Grande bosta... nunca me livrarei da minha real sentença. A sentença de sofrimento eterno em busca de uma vingança que jamais será alcançada, mesmo através das inúmeras mortes que causei durante todo meu percurso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Mas a minha busca não está acabada. Meu objetivo ainda vive, sendo mastigado pela fome da minha ira. Porque quando um homem perde tudo, só lhe resta perder a sanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Eu voltei, seus filhos da puta. Estou indo atrás de vocês... Estou precisando de um coturno novo.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/3517177379951190098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/3517177379951190098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2015/03/eu-voltei.html' title='Eu voltei'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-718870633377561467</id><published>2015-01-12T01:25:00.001-02:00</published><updated>2015-01-12T02:37:32.900-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crônicas"/><title type='text'>Consulta psicológica</title><content type='html'>Desviou o olhar por um instante, concentrou-se mentalmente e iniciou seu raciocínio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Não sei por onde começar. Sei lá, o que eu poderia falar? Não são problemas de verdade. Está tudo aqui dentro. São apenas barreiras psicológicas. Não é como se eu tivesse um pai alcoólatra com câncer renal ou uma casa caindo aos pedaços. Eu não tenho nenhum tipo de síndrome ou doença genética rara. Não sou deficiente físico... pelo o menos todos os meus membros ainda funcionam, se é que me entende&quot;. Soltou um leve riso sarcástico pra dentro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;E ainda sim, me sinto acorrentado, como se essas dificuldades criassem um campo de força que me aprisionasse. Obstáculos mentais acabam se tornando físicos também.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Respirou profundamente, e prosseguiu, enquanto ainda restavam 21 minutos da consulta:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu vejo o mundo com a perturbação que ninguém vê. Quando eu passo pela cidade, eu imagino os prédios corroídos daqui há alguns séculos, quando a humanidade estiver extinta. Eu também me sinto incapaz de me relacionar com as pessoas. Minha última namorada... ela era linda, mas depois de uns 2 meses eu comecei a ficar cansado... ela tinha bigode. Ralava na hora de beijar. E não sabia como manter uma boa conversa, sabe. Era uma merda, mas o pior foi que ela me deu o chute primeiro. Disse que &lt;i&gt;queria explorar novos horizontes&lt;/i&gt;. Quando ela me disse isso eu fiquei muito chateado... mas hoje eu só fico puto, porque agora entendi que ela quis dizer que tava afim de chupar buceta! Dá pra acreditar? &lt;i&gt;hahahaha&lt;/i&gt;&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Enquanto discursava, mantinha seu sorriso e uma gesticulação informal, demonstrando total serenidade, embora ainda se alimentasse do receio. Tentou retornar á um tom mais sério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Existem no mundo pessoas com tantos problemas. Eu tenho emprego, eu tenho uma casa... não tenho namorada, mas não preciso de dores de cabeça. Especialmente depois ter sido trocado por outras mulheres... Enfim... Eu-eu tenho saúde razoável...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Parara alguns segundos para reflexionar e alinhar sua linha de pensamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;...Mas ainda me sinto infeliz. E eu não quero buscar a felicidade. Eu não preciso ser feliz. Eu só preciso parar de me odiar, ok? De alimentar esse amargor e o ódio constante. Felicidade é um conceito egoísta. É a busca de quem tá pouco se fudendo!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aumentara razoavelmente seu tom de voz nesta última palavra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Os problemas dos outros parecem tão banais perto dos meus. Sabe como é.. a grama do vizinho é sempre mais verde. O pau do negão é sempre mais longo. Por outro lado, ás vezes meus problemas são ridículos e risíveis. Você consegue me entender? Eu...&quot; pausou para bufar. &quot;Eu acho que a mente tem um poder magnífico sobre as nossas vidas. Não de forma sobrenatural, mas científica. O que pensamos controla nossas atitudes, nossa maneira de ser, nossa maneira de viver. O abstrato se converte em concreto, entende? Grandes revoluções e criações na história humana surgiram de simples ideias. De conexões sinápticas na massa cerebral de alguma pessoa.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Pausou novamente para realinhar o seu eixo lógico, parecendo desnorteado e desesperado para conseguir se expressar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ele tinha mais 17 minutos de consulta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;E-eu... eu acho... &amp;nbsp;Ahhh... eu também acredito que a mente também pode ser uma inimiga. É o que eu sinto ás vezes. Uma eterna guerra entre a minha consciência e os meus pensamentos mais profundos. O que eu quero dizer é que meus pensamentos me aprisionam. E toda vez que tento sair da minha zona de conforto, acaba sendo um esforço em vão e eu volto para o meu casulo de isolamento, para a estaca zero. Eu continuo preso neste ciclo e não sei exatamente o que fazer. Enfim... o que você acha?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O paciente, confuso e engasgando com suas próprias palavras, tentou achar algo para dizer:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Me desculpa, doutor, como assim?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu achei que você pudesse dar sua opinião sobre isso.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu vim pra falar do MEU problema, doutor...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Certo, certo... desculpa, eu acabei me desconcentrando um pouco, hãm... vamos lá. O que você está fazendo em relação ao seu problema?&quot; perguntou o doutor, sem nem mais lembrar qual era a maldita situação do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu tenho bebida muita água, doutor. Mas eu me sinto incapaz, ás vezes, de fazer o que é preciso. Sabe, eu tento acordar mais cedo, me alongar, comer mais frutas... mas eu continuo travando.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;E o que você acha que seja isso?&quot; perguntou vagamente o doutor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Não sei, doutor, o que você acha?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Olha... não sei por onde começar. Eu também me sinto incapaz de tomar as atitudes necessárias na minha vida. Sabe, certas coisas que devemos mudar em nós mesmos, que sabemos que fazem mal tanto para nós quanto para os outros. Eu, por exemplo, me canso das pessoas rapidamente. Uma vez mandei um paciente tomar no cu logo no final da primeira consulta...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O doutor respirou fundo e deu avanço ao seu raciocínio. Ele tinha mais 15 minutos de consulta.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/718870633377561467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/718870633377561467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2015/01/consulta-psicologica.html' title='Consulta psicológica'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-452573816940278457</id><published>2015-01-07T02:16:00.001-02:00</published><updated>2015-01-07T02:34:54.156-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Crônicas"/><title type='text'>Kayke Rockstar</title><content type='html'>&quot;Quem é o próximo?&quot; perguntou o diabo, com sua voz rasgante e grave, em um tom nada amigável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Sou eu, senhor.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diabo, com um sorriso sarcástico no rosto, mediu o corpo esguio e frágil do rapaz. Ambos entram no escritório do príncipe das trevas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Kayke Brito, né? Você que marcou hora comigo, docinho?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Sim, senhor, diabo.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Sente-se, seja CALOROSAMENTE bem vindo&quot; imediatamente rindo satanicamente após proclamar tal estúpida aneodota.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kayke expressou um leve riso de incômodo. Com as fichas em mãos, o diabo repousa seu tridente sob as paredes em chamas de sua sala infernal, com uma expressão imutável de sarcasmo em seu rosco diabólico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Aqui diz que você deseja se tornar uma celebridade, um famoso, e que me veio procurar para que eu lhe conceda este... favor.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;S-sim, senhor, diabo.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Desculpa, você está confortável? Quer que eu aumente o ar condicionado?&quot; gargalhando de imediato, fitando seus olhos de sarcasmo nos de Kayke. &quot;Ou você tá com frio? Quer que eu acenda a lareira?&quot; explodindo em risos novamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Piada boa... Então... o que você tem para me oferecer, garoto?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kayke suspira e, visivelmente desconfortado, começa:&lt;br /&gt;
&quot;Sabe, senhor...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Diabo, por favor.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Como?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Tenho muitos nomes, não me chame de senhor. Pode me chamar de Diabo, Demônio, Belzebu, Belial, Capeta, Capiroto, Cramunhão, Coisa Ruim, Lúcifer, Leviatã, Mefisto, Mefistófeles, Tinhoso, Satã, Satanás... como quiser, eu tenho inúmeros nomes e representações. Enfim... o que você tem a &amp;nbsp;oferecer?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Eu... eu queria muito fazer sucesso, ter dinheiro e fama, e eu acho que você é a melhor opção pra fazer isso acontecer, senhor... Diabo Demônio Belzebu Belial Capeta Capiroto Cramunhão Coisa Ruim Lúcifer Leviatã Mefisto Mefistófeles Tinhoso Satã Satanás.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A face antes sarcástica agora dera lugar a um puro sentimento de desprezo pela alma ingênua que sentava em sua poltrona demoníaca. Kayke permanece sem reação, enquanto o progressivo desprezo do diabo permeia a sala. Ele ajeita sua gola e coloca as mãos em seu tridente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;E o que você tem para me oferecer?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kayke desesperadamente tenta prosseguir sua argumentação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;É difícil tentar ser um famoso sem o apoio da mídia, da imprensa... o que eu to querendo dizer... é difícil ser independente nesse meio, é tão competitivo...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Cara...&quot; interrompe o diabo, impaciente. &quot;Você... por que você não procura um emprego e para de encher meu saco satânico?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;É que eu fui demitido...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Ai meu tridente... e você pede socorre á mim pra resolver a tua vida de merda? Sem nem ao menos ter algo para negociar?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kayke se revolta, porém segurando parcela do que sente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Qualé seu capeta, eu desci todo o caminho até aqui. Eu não vou levar nada?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diabo exala uma de suas entusiásticas e quentes risadas, que fez Kayke sentir seu bafo infernal do outro lado da escrivaninha do Excelentíssimo Capeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Sabe o que tu vai levar daqui, Kayke? Uma chifrada do capeta no olho. E meio metro de tridente no rabo&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em poucos segundos, seu sarcasmo se transformara em apatia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;O que eu posso lhe dar? 15 anos de vida, uma alma, um bode, uma virgem?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diabo, dessa vez, apenas expira uma risada de desdém, já impaciente e mau humorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Você vai ter que ser mais criativo que isso...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um breve silêncio se instala, e o diabo expira uma breve risada novamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Eu sou um homem de negócios. Eu tenho os melhores advogados e empresários aqui, trabalhando pra mim. Eu sou uma força da natureza. Eu não perco meu tempo com gente como você. Eu sou o rei do inferno, aqui eu faço bolo sem precisar de forno, cara.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Se você é um homem de negócios, o que você precisa pra me tornar um rockstar?&quot; disse Kayke, abalado, embora ainda persistente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Rockstar? Ainda existe essa babaquice? O que você é, um vocalista de boy band? Esse seu cabelo não me engana, moleque... você é daqueles que usa o microfone pra cantar e depois pra socar no brioco? Ein? Haha... Eu conheço esse tipo... existem muito deles aqui no meu reino, garoto.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diabo estava com a tão costumeira face sarcástica novamente, se deleitando na arte de rebaixar os outros moralmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relutante, Kayke ainda tenta contra-argumentar em prol de convencer o diabo:&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Na verdade, eu queria formar uma banda de heavy metal. Eu só preciso de sua garantia que dará certo.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O semblante diabólico do Senhor Belzebu transfigurou-se inteiramente, como de total desdém, passasse para um súbito interesse pelo garoto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Heavy metal, hãm?&quot; disse o diabo. &quot;Você tá zoando com a minha cara?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Não, cara, eu quero ter uma banda de metal&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Sabe, eu já tive uma banda de metal antes...&quot; falou o diabo, como se repente quisesse puxar assunto. &quot;Mas eu abandonei aquela banda, cara... os caras eram otários, não tinham o espírito rock &#39;n&#39; roll. Um virou cristão e o outro começou a virar fã de Avenged Sevenfold... aí não dá né, eu caí fora. Eu conheço um espírito rock &#39;n&#39; roll quando vejo um... eu criei o Ozzy Osbourne, porra. Eu também criei o Marilyn Manson, e me desculpo por isso, mas... era tão bom ter uma banda de metal. Viajar o mundo, espalhando a palavra. Parece que essa essência se perdeu...&quot; o diabo fez uma pausa dramática e prosseguiu: &quot;Você tem o espírito rock &#39;n&#39; roll, Kayke Brito?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Sim, eu tenho!&quot; respondeu o Kayke, segurando sua euforia e poupando suas palavras para que não acabasse falando besteira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu não estou convencido.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu tenho o verdadeiro espírito rock &#39;n&#39; roll do diabo em minhas artérias!&quot; liberando toda a sua energia para fora dos pulmões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu não estou convencido!&quot; gritou o diabo. Sua sala já fora dominada por uma vibrante sensação de rock &#39;n&#39; roll pulsando por entre as flamas queimantes daquele inferno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Eu tenho o espírito rock &#39;n&#39; roll concedido pelo diabo e quero ter uma banda de metal de sucesso concedida pelo próprio diabo!!!!!&quot; a sala então estrondou em um barulho infernal de guitarras diabólicas, e tanto Kayke quanto o diabo explodiram em contentamento e se cumprimentaram com um forte aperto de mão satânico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A celebração continuou ao fundo, com as guitarras diabólicas e as baterias insanas incendiando a aura infernal do diabo, que propôs: &quot;Eu lhe concedo a banda, mas eu terei que participar dela. Eu posso ficar no baixo, mas eu queria usar umas letras minhas também!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Com certeza&quot;, sem hesitar disse Kayke.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O diabo sorriu de felicidade, abriu a gaveta de sua escrivaninha e, com seu tridente, perfurou um tipo de papel e o jogou sobre a mesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&quot;Assine esta merda de contrato, que juntos teremos nossa própria banda de heavy metal com o verdadeiro espírito do metal. Tome esta agulha, despeje um pouco de seu sangue sobre a parte sublinhada. Agora, se me permite, senhor Kayke, com licença que eu tenho mais clientes pra apresentá-los ao tridente. Vamos ensaiar assim que possível. Mal posso esperar para tocar em uma banda de heavy metal novamente!!!!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Muito obrigado, senhor Diabo Demônio Belzebu Belial Capeta Capiroto Cramunhão Coisa Ruim Lúcifer Leviatã Mefisto Mefistófeles Tinhoso Satã Satanás.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diabo, acompanhando Kayke até a saída, seu futuro companheiro de uma nova banda de metal, bateu em suas costas em um gesto amigável:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Por você favor, me chame só de Levi&quot;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/452573816940278457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/452573816940278457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2015/01/kayke-rockstar.html' title='Kayke Rockstar'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-6426171438164265956</id><published>2013-09-26T20:10:00.000-03:00</published><updated>2013-09-27T15:11:44.135-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Devaneios"/><title type='text'>Um galho metálico seco</title><content type='html'>&amp;nbsp;Com as impressoras 3D agora é possível imprimir pessoas inteiras e fabricar residências em apenas algumas semanas. Energia elétrica sem fio é dominante e fios se tornaram obsoletos. Doenças como Alzheimer, HIV e a grande parte das deficiências físicas e mentais são agora totalmente ou parcialmente sanáveis. Telecomunicação é instantaneamente transmitida, sem qualquer delay entre um ponto do planeta e outro. As leis da mecânica quântica finalmente passaram a ser aplicáveis ás leis da física contemporânea. Curiosity confirmou que já houve formas de vida em Marte e astrônomos descobriram que nosso universo está dentro de um hiperespaço, dentre muitos outros hiperespaços, estes por sua vez com milhares de universos dentro deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;b&gt;O que tudo isso significa?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Não me peça pra explicar com termos técnicos. Acontece que impressões 3D moldaram do zero o mundo como conhecíamos, sendo largamente criticada pelos empresários de grandes empresas e num piscar de olhos se tornou rigidamente controlada pelo Estado. Não existem mais postes e cabos nas ruas e nas casas. Foi tudo substituído por enormes antenas separadas por uma distância específica que induzem energia eletromagnética, que por sua vez alimentam e iluminam nossas lâmpadas e nossos eletrodomésticos. O teletransporte de dados e de pessoas (pasme!) é possível, embora seja um processo altamente caro e burocrático controlado pelo governo, assim como a viagem no tempo.&amp;nbsp;Se você tem câncer de medula óssea, um tumor maligno na lombar ou se perdeu um membro do corpo, suas chances de sobrevivência são grandes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Para que isso tenha sido possível, no entanto, muita merda aconteceu, mas prefiro omitir essa parte...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;b&gt;O que ainda não é possível&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&amp;nbsp;Não se engane que tudo agora é possível, pensando que ultrapassamos a velocidade da luz, que enviamos pessoas de volta ao passado ou que colonizamos planetas longínquos no espaço intergaláctico. As leis da física continuam imutáveis, o universo continua se expandindo, o planeta Terra continua orbitando o Sol e nós continuamos eternamente limitados pelas forças do cosmos. No entanto, continuamos a usar os poderes do universo e nosso entendimento sobre ele como forma de continuarmos avançando na nossa jornada cósmica, sempre em prol do desenvolvimento humano e da preservação de nosso planeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;b&gt;O porém&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Todavia, os valores morais da sociedade e da natureza intrínseca ao ser humano acabam impedindo a aplicação prática de muitos desses avanços. É a ganância, ambição e o poder sempre entrando em jogo sob a justificativa de um bem maior... bem maior este que acaba causando inúmeras outras malezas, como o aumento crucial da taxa de mortalidade mundial e da poluição em nossa pequena residência planetária, comprometendo todo um sistema ecológico e, consequentemente, pondo em nós mesmos a níveis críticos de um iminente colapso. Poderia me estender por horas citando exemplos da atitude cancerígena do ser humano para o planeta e para si mesmo...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A tecnologia evoluiu e continua evoluindo, mas essa evolução não acompanhou a sociedade. O humano ficou pra trás perante sua própria criação. Não quero dar exemplos, temendo que isso comprometa alguma coisa. Esses são apenas alguns dos avanços tecnológicos e científicos do meu tempo. Nem mencionei a situação social, política e econômica do país e de todo o capítulo mundial ocorrendo nesse pálido ponto azul vagando pela imensidão cósmica ao redor de uma estrela. Não sei se vale a pena. Quando o tempo chegar, você sentirá o impacto. Só espero que você e sua geração estejam preparados para o galho metálico seco, e que não deixem o futuro (atual presente) acontecer do exato mesmo jeito, embora isso fosse violar uma das leis fundamentais da física... mas lhe desejo boa sorte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;PS: Quando o novo oegã emergir, finja-se de morto.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/6426171438164265956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/6426171438164265956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2013/09/um-galho-metalico-seco.html' title='Um galho metálico seco'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-4623756167276679088</id><published>2013-09-08T11:29:00.001-03:00</published><updated>2017-11-21T21:56:46.789-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Textículos"/><title type='text'>O Deus-Cobaia</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigHUYGx_lugEAUGAv7QnMs8e2NAeEDxIt7OJVJnTOQZYfzmgvwb_fWR8VgNOialrXWypLipIaF1SbN_-Fvna8c8ehZLGvakYJe-J2rpx99TxsfJnLdqqyvNpjdNGtgItTAJVtLeHQZuCY/s1600/size_590_rato-microchip.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigHUYGx_lugEAUGAv7QnMs8e2NAeEDxIt7OJVJnTOQZYfzmgvwb_fWR8VgNOialrXWypLipIaF1SbN_-Fvna8c8ehZLGvakYJe-J2rpx99TxsfJnLdqqyvNpjdNGtgItTAJVtLeHQZuCY/s1600/size_590_rato-microchip.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Os ratos de laboratório são pessoas de fé. Eles acreditam no Deus-Cobaia, e que são protegidos por ele. Portanto, eles não são apenas meros instrumentos empregados em pesquisas e intervenções científicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O Deus-Cobaia é o protetor e pai dos&amp;nbsp;porquinhos-da-índia, hamsters e camundongos, e de todos estes ratos de laboratório.&amp;nbsp;Ele é o deus da proteção. Providencia tudo o que é necessário aos ratos de laboratório: gaiolas, piscinas, alimento, conforto, higiene e saúde. Eles não sofrem de doenças, cânceres, fome, falta de moradia e nem preconceito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;O Deus-Cobaia também é o deus dos milagres. É a mão amiga que realiza operações aleatórias nas cobaias. O Deus-Cobaia é justo, embora aja por caminhos aleatórios. Um rato, em sua gaiola, é repentinamente capturado pela mão branca do Deus-Cobaia,&amp;nbsp;e levado para o santuário de aperfeiçoamento. Lá é onde o Deus-Cobaia realiza alguma operação de reparo, melhoria, vantagem ou recuperação nas capacidades físicas ou cognitivas do rato de laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Vamos supor que o rato A, o rato B e o rato C sejam meros ratos, reproduzidos, nascidos e criados em laboratório. Eles não têm discussões filosóficas e morais sobre a ética de serem ratos de laboratório, de serem &quot;cobaias&quot;. Eles não sabem disso. O que eles sabem, já que foi doutrinado isso a eles desde recém-nascidos, é que todos eles serão cedo ou tarde manejados pela mão branca do Deus-Cobaia, da qual sofrerão um &quot;upgrade&quot;. O rato A, nessa nossa situação hipotética, sofreu a intervenção divina da mão branca milagrosa do Deus-Cobaia, e agora esse rato é imune ao Alzheimer, leucemia e algumas outras doenças degenerativas. O rato B, por sua vez, com a mão branca milagrosa&amp;nbsp;agora é deveras inteligente e se fixou com a ideia de todas as noites tentar conquistar o mundo, juntamente com seu amigo rato imbecil.&amp;nbsp;O rato C, ao passar pelo procedimento milagroso, começou a sentir fortes dores por todo o corpo. Deus-Cobaia é assim. Age por caminhos aleatórios, e ás vezes até mesmo um tanto quanto falhos. Ele não é perfeito, no entanto, como ele é justo, realizou o procedimento milagroso e o rato C pereceu sem sentir dor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Essa é a vida dos ratos de laboratório, protegidos e presenteados pelo Deus-Cobaia. O rato da gaiola 54 não sofre mais com problemas de hipertensão, e o rato da gaiola 33 parou de ser depressivo e agora vive a vida com vigor. Os ratos da gaiola 29 foram levados para passearem em labirintos e hoje não sofrem mais de ansiedade. Graças a quem? Ao Deus-Cobaia. Só ele para proporcionar a alegria e a felicidade para os ratos de laboratório. E os ratos de esgoto que se danem. Pobres criaturas sujas e misericordiosas... Deus-Cobaia ama todos, mas não liga pros ratos de rua. Só para os de laboratório. Estes, por sua vez, se sentem superiores, e esnobam os demais, pois somente a eles foi concedida a proteção do Deus-Cobaia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;E assim os ratos de laboratório vivem suas vidas, em prol do Deus-Cobaia, que providencia tudo. Até mesmo na hora da morte. Quando chega no final da vida de um rato, ele sempre o bota para dormir de forma indolor, com sua mãe branca mágica e uma agulha que espeta o rato. Deus-Cobaia é justo, é milagroso e protetor.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/4623756167276679088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/4623756167276679088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2013/09/o-deus-cobaia.html' title='O Deus-Cobaia'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigHUYGx_lugEAUGAv7QnMs8e2NAeEDxIt7OJVJnTOQZYfzmgvwb_fWR8VgNOialrXWypLipIaF1SbN_-Fvna8c8ehZLGvakYJe-J2rpx99TxsfJnLdqqyvNpjdNGtgItTAJVtLeHQZuCY/s72-c/size_590_rato-microchip.jpg" height="72" width="72"/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-8647369074187517672</id><published>2013-08-19T19:35:00.000-03:00</published><updated>2016-01-02T19:13:42.949-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Contos"/><title type='text'>Relato de um amigo que morreu por 6 minutos</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgQlCDz1chjUKM9QWN00k9QhJVhM26AJnJGm3AsipAnK2K6m3OjZJ6qjM4Ew0-YiccsmPMXD5VwPCka8J-qyZ5ssck21NeW4PDF4Nb1hiBX5ml6wcVupD26PwyRLdk8v3bi0499w5K4pk/s1600/heart+attack.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgQlCDz1chjUKM9QWN00k9QhJVhM26AJnJGm3AsipAnK2K6m3OjZJ6qjM4Ew0-YiccsmPMXD5VwPCka8J-qyZ5ssck21NeW4PDF4Nb1hiBX5ml6wcVupD26PwyRLdk8v3bi0499w5K4pk/s1600/heart+attack.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Meu amigo tem um histórico familiar de problemas cardíacos, e francamente era apenas questão de tempo até ele começar a ter alguns problemas também. O doutor disse que provavelmente era devido ao seu alto colesterol, ou estresse, ou uma combinação de ambos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ele está bem agora, pelo o menos fisicamente. A experiência foi muito difícil para ele, e eu posso apenas imaginar os efeitos que isso o trouxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ele morreu.&amp;nbsp;Por seis minutos ele não respirou. Sem pulso, sem movimento, sem nada. O doutor disso que não é tão raro assim, mas não torna o fato menos inacreditável. Eu pensei que essa experiência seria revigorante para esse meu amigo. Pensei que ia botar nele um orgulho rebelde, sabendo que ele trapaceou a morte. Mas não foi bem assim.&amp;nbsp;Meu amigo decaiu sob uma profunda depressão. O tipo de depressão que não só afeta o depressivo, mas suga toda a felicidade de todos ao redor dele. Só imagino o quanto deve estar afetando sua família, sua carreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Mas quanto á história aterrorizante: aconteceu numa noite em que eu senti a responsabilidade como amigo de tirá-lo de casa para deixá-lo bêbado. Ele não estava afim, claro, mas consegui trazê-lo para o bar com um punhado de amigos. Era uma noite quieta no bar, perfeita para contar histórias. Nós rimos e brincamos, até meu amigo depressivo soltou alguns risos. Porém, inspirado pelos efeitos do álcool, eu fiz uma pergunta que cuja resposta agora eu sei que estava comendo meu amigo por dentro:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;O que você sentiu ao morrer?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Ele ficou sombrio e obscuro, e imediatamente eu me arrependi de ter perguntado. Me desculpei, mas ele disse que estava tudo bem e concordou em nos dizer. Ficamos todos quietos e nos aproximamos para escutar, ansiosos para ouvir um conto sobre luzes brilhantes e anjos cantando. Mas não foi bem assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Aqui está o relato do meu amigo. Sem as palavras exatas, no entanto tentei ser fiel ás suas palavras:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &quot;Vocês devem pensar que a morte é um alívio. Uma escapatória agradável da dor e agonia, uma escapatória de uma vida desagradável, de uma guerra infestada, miséria arrasando esse planeta que chamamos de Terra, para um lindo lugar de interminável paz e felicidade. Mas não foi bem assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Pelo o menos não foi comigo. A dor começou intensa, e continuamente ficou pior por toda a manhã. Eu não podia faltar no trabalho de novo, sendo que eu já estava improdutivo. Tomei um Advil, estiquei meus braços, e saí. Eu realmente não devia ter dirigido com a dor intensa, o tráfego só piorou meu humor. &quot;Esqueça isso&quot;, eu dizia pra mim mesmo, &quot;seja homem&quot;. E eu fui, por um momento. As coisas ficaram piores quando eu estava sentado na minha mesa, lutando para respirar, pedindo ajuda. Foi quando eu apaguei.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Eu ouvi muitas vozes, vozes de pânico. Gritos, sirenes, vozes. Eu, de alguma forma, percebi que estava em uma ambulância, e tentei falar. Aí apaguei de novo. Tudo virou preto por um lado. Os sons ao meu redor se tornaram continuamente mais abafados, substituídos por um alto barulho de água nas minhas orelhas. Foi quando eu morri.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;A única maneira que eu posso colocar em palavra como se sente ao morrer é que tudo está sangrando de você. Não apenas sangue, mas... a essência de si mesmo. Todo o seu conhecimento, sua personalidade, suas memórias, seus desejos, você. Tudo vazando e caindo. Não havia luz no fim do túnel. Não havia vozes de anjos cantando. Morte é realmente sombria como soa. Eu não descreveria como &quot;falecer&quot; ou &quot;passar dessa pra melhor&quot;. Não, &quot;morte&quot; é a palavra perfeita. Se você me perguntar, não existe vida após morte. Não me senti alguém ou algum Deus vindo até mim para me levar para um lugar mágico, ou até mesmo um diabo ou torturador. Não, a real resposta é mais assustadora que qualquer teoria possível. Não há nada.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Após seu tempo na Terra, não há nada esperando por você. Você não será lembrado exceto por alguns humanos que foram tão insignificantes como você. Será como você nunca tenha existido. Não há significado para a vida. Não há grande mistérios ou vida após a morte. Quando você morre, você não existe mais. Um destino pior do que qualquer um, na minha opinião.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&amp;nbsp;Eu era um homem de fé. Eu esperava totalmente ouvir vozes de um Deus quando eu morresse. Eu esperava totalmente em ver minha mãe e meu pai de novo. Esperava em encontrar com meu cachorro e abraçá-lo mais uma vez. Eu esperava ser feliz. Pra sempre.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Mas não foi bem assim...&lt;/div&gt;
</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8647369074187517672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/8647369074187517672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2013/08/relato-de-um-amigo-meu-que-morreu-por-6.html' title='Relato de um amigo que morreu por 6 minutos'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgQlCDz1chjUKM9QWN00k9QhJVhM26AJnJGm3AsipAnK2K6m3OjZJ6qjM4Ew0-YiccsmPMXD5VwPCka8J-qyZ5ssck21NeW4PDF4Nb1hiBX5ml6wcVupD26PwyRLdk8v3bi0499w5K4pk/s72-c/heart+attack.jpg" height="72" width="72"/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-978907735200460863.post-2883455025545137129</id><published>2013-07-16T02:36:00.001-03:00</published><updated>2017-11-21T21:56:46.776-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Textículos"/><title type='text'>Sua vida é medíocre</title><content type='html'>&amp;nbsp;Você poderia estar visitando reservas naturais, tirando fotografias perto de um lince ou de um mico leão dourado, montando em um elefante e percorrendo trilhas de esterco em savanas. Poderia estar ingressando em programas sociais que cuide de cães abandonados na rua. Poderia estar ganhando dinheiro com o que você ama.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Poderia estar&amp;nbsp;conhecendo a cultura de alguma tribo remanescente de Alagoas, aprendendo a usar Hashi, aprendendo Mandarim, Esloveno ou Persa. Poderia estar chegando nelas sem medo, e dizendo o que pensa sem receio. Foda-se se você tomou um não. Foda-se. Poderia estar acordando cedo, correndo três quilômetros pelo parque, e depois voltar pra casa e ler no portal de notícias a morte dos seus piores inimigos, enquanto você termina de enterrá-los no seu quintal. Estar aprendendo a trocar um pneu, a emendar dois fios, soldar uma peça, a caçar um urso para sua janta, a pescar um tubarão para seu almoço, a consertar seu chuveiro ou acender uma fogueira. Aprendendo a se alimentar como um lobo, saborear um belo vinho, a preparar os drinks mais transados da festa, a cozinhar como um chef, a criar um jardim e cuidar de sua própria horta, a cultivar a reputação do cara mais foda e cacetudo do teu bairro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Poderia estar fazendo um curso para aprender a dançar, a lutar Jiu Jitsu, a fazer abdominais do jeito certo, a fazer pestana corretamente, a ler uma cifra, a fazer montagens no Photoshop, a pagar suas próprias contas, a aprender algo que você goste ou tenha interesse, para trabalhar com algo que você goste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;A fazer bem e fazer bem feito. A fazer correta e agilmente. A se arriscar! A aprender pelos seus erros! A regojizar da vida! A se tornar um ser humano com dignidade e de respeito! Ser independente! Auto-suficiente! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Mas não, você continua acordando tarde durante as férias, abrindo e fechando os mesmos sites, assistindo um filme ou lendo um livro enquanto coça o saco, se masturba duas vezes seguidas e entope o reto de refrigerante e bolacha. E depois se vê solitário, desmotivado e deprimido. Olha pra você. Sua vida é medíocre. Você merece seu status. Porque você é medíocre e sua vida é medíocre. Com seus valores invertidos e errados, que fala que vai começar a botar em prática seus planos a partir de tal data, mas nada faz. E se faz, desiste tudo depois de uma semana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Você está preso dentro de si mesmo. Usar sua &quot;condição econômica&quot; ainda é uma boa desculpa, todavia não te isenta de teu fardo. A culpa não é dos seus pais, do seu chefe ou do &quot;destino&quot;. A culpa é sua e somente sua. Você poderia e deveria mudar sua situação assim que descobrisse a origem dos seus problemas. Agora o peso é seu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Poderia estar saindo mais de casa, viajando mais, experimentando bebidas, drogas, e posições sexuais inconcebíveis na sua percepção. Simplificando a vida, não inventando desculpas. Apenas fazer. A tornar a vida mais excitante, sem roteirizar, sem programar, a viver novas experiências.&amp;nbsp;Crescendo espiritualmente, mentalmente, individualmente, fisicamente e adquirindo cultura, conhecimento, sabedoria, realizando-se como ser humano. Aumentando seu vocabulário, sua dicção, sua confiança e sua felicidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Você poderia estar sendo mais isso e menos aquilo. Não quero te deprimir, não abaixe a cabeça. Levante-a, e decida-se se vá lutar pelo o que você quer ou permanecer na inércia e na procrastinação. Comece aquilo que você desejaria ter começado há um ano atrás. O que te define é o que você faz diariamente. É tudo questão de tentar e não perder tempo e lutar para ser mais vivo, mais humano, e menos medíocre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;E se você não puder fazer nada para mudar... paciência.</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/2883455025545137129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/978907735200460863/posts/default/2883455025545137129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://recantodeumbastardo.blogspot.com/2013/07/sua-vida-e-mediocre.html' title='Sua vida é medíocre'/><author><name>Bruno F. Vascontim</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04015848076776715404</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>