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	<title>Ricardo Gondim</title>
	
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		<title>Metáforas desconcertantes do divino</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2012 18:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carol</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Metáforas desconcertantes do divino Ricardo Gondim Nietzsche disse que só acreditaria no Deus que soubesse dançar. As implicações filosóficas e existenciais dessa afirmação são enormes. Entre algumas: contingência, liberdade humana, o uso da sabedoria no improviso, desmonte da existência engrenada. Dizer que Deus dança significa que a vida pulsa com liberdade. Começo, meio e fim não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Metáforas desconcertantes do divino<br />
</strong>Ricardo Gondim<strong></p>
<p>Nietzsche disse</strong> que só acreditaria no Deus que soubesse dançar. As implicações filosóficas e existenciais dessa afirmação são enormes. Entre algumas: contingência, liberdade humana, o uso da sabedoria no improviso, desmonte da existência engrenada. Dizer que Deus dança significa que a vida pulsa com liberdade. Começo, meio e fim não jazem nos grilhões da necessidade.</p>
<p><strong>Em desagravo</strong> à espiritualidade nietzscheniana, atrevo-me dizer que o Deus que dança não é estranho ao relato bíblico.</p>
<p><strong>Sofonias (3.17)</strong> descreve Deus se regozijando com júbilo, cheio de brados de alegria. Deus se deleita tal qual o pai que se surpreende com a pergunta criativa do seu guri, igual ao professor que aceita ser ultrapassado pelo aluno, parecido com a mãe que se encanta com a bailarina que nasceu de suas entranhas. A alegria divina ou humana vem da percepção gostosa de um momento que, mesmo esperado, podia nunca acontecer. Isso desengrena o futuro e cria o insólito. Só o imprevisto tem força de gerar alegria ou decepção.</p>
<p><strong>Os profetas não</strong> economizavam predicados portentosos para o Divino: Senhor dos Exércitos, Todo Poderoso, Rei, Santo Juiz. Mas, diferentemente das divindades gregas que, posteriormente, seriam descritas a partir dos absolutos da metafísica, os judeus se valeram de histórias, contos e parábolas para descrever Elohim Javé. Sem a aura de sacralidade das antigas divindades, eles não tiveram medo de dizer que Deus assobia – Isaías 5.26, 7.18. “Assobiarei para eles e os ajuntarei, pois eu já os resgatei…” (Zacarias 10.8). Nietzsche, estou certo, não teria muito problema em crer num Deus que assobia.</p>
<p><strong>Um dos mais celebrados</strong> atributos dos deuses foi a constância. Contudo, Javé não se sente constrangido a comportamentos padrões. Os escritores o descrevem como um Criador arrependido, depois que constata o aumento da perversidade entre os filhos dos homens: “Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração” (Gênesis 6.8). Javé também se arrependeu de extrapolar sua severidade  ao anunciar a destruição de uma cidade: “Tendo em vista o que eles fizeram e como abandonaram seus maus caminhos, Deus se arrependeu e não os destruiu como tinha ameaçado” (Jonas 3.10).</p>
<p><strong>Com o fluir da história</strong>, certos mandamentos caducam, perdem a razão de ser, e merecem ser descartados. No período pós-exílio babilônico, foi necessário acabar com a lógica sacrificial de imolar animais inocentes. Os holocaustos se mostraram inúteis na transformação de pessoas. Jeremias teve peito de desdizer o que se considerava mandamento. Para ele, Javé  nunca havia ordenado derramamento de sangue  (quando, de fato, o Senhor exigira que se imolassem animais).</p>
<p><strong>“Assim diz o Senhor</strong> dos Exércitos, o Deus de Israel: ‘Juntem os seus holocaustos aos outros sacrifícios e comam a carne vocês mesmos! Quando tirei do Egito os seus antepassados, nada lhes falei nem lhes ordenei quanto a holocaustos e sacrifícios. Dei-lhes, entretanto, esta ordem: Obedeçam-me, e eu serei o seu Deus e vocês serão o meu povo. Vocês andarão em todo o caminho que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem’” (Jeremias 7.21)</p>
<p><strong>Numa expressão chula</strong>, no Brasil chamam o homem traído de corno. Embora o termo esteja completamente desconectado do hebraico, o profeta não teve vergonha de comparar a sua sorte à do Senhor. E de usar a própria história para fazer paralelo entre deslealdade conjugal e espiritual. Para escancarar a dor da infidelidade, Oseias, corneado por sua mulher, Gômer, disse que Israel fazia o mesmo com Deus. “Vá, trate novamente com amor sua mulher, apesar de ela ser amada por outro e ser adúltera. Ame-a como o Senhor ama os Israelitas, apesar de eles se voltarem para outros deuses e de amarem os bolos sagrados de uvas passas” (Oseias 3.1).</p>
<p><strong>O mosaico de metáforas</strong> atribuídas ao Divino é minimizado na teologia pelo termo técnico de antropomorfismo. Mas, os exegetas que procuram construir uma imagem de Deus sem essas inúmeras metáforas, acabam com um Deus apático, distante, indiferente, inacessível. Ao anularem as múltiplas descrições bíblicas, ficam com o Motor Imóvel aristotélico.</p>
<p><strong>Jesus de Nazaré ousou</strong> desmontar todos os devaneios que  antigos nutriam sobre Deus. O Evangelho de João diz que “ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido” (Jo 1.18). Quando Felipe pediu para ver o Pai, Jesus não hesitou: “Quem me vê, vê o Pai”. Portanto, a metáfora mais verdadeira de Deus encarnou e foi reconhecida em Jesus, o Cristo.</p>
<p><strong>Em Jesus,  Deus bate</strong> à porta e espera ser recebido para um jantar. Em Jesus, Deus relativiza as exigências cerimoniais de dias e espaços sagrados para preservar vidas. Em Jesus, Deus ama sem se impor – ainda ressoam de seus lábios a escandalosa condicional: “Se alguém quiser me seguir…”.</p>
<p><strong>Creio que Nietzsche</strong> era ateu da Causa Primária, do Relojoeiro, do Supremo Arquiteto, do Superintendente da Meticulosa Providência. Ele desprezou meras caricaturas distorcidas do Pai que mandou preparar churrasco para um grande baile. Não consigo imaginar Deus sentado, observando a festança do dia da volta do Filho Pródigo. Naquele dia, Ele dançou.</p>
<p><em>Soli Deo Gloria</em></p>
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		<title>Angústia é ganho</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 23:32:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ric_gon_bet</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Angústia é ganho Ricardo Gondim Nascemos entre a bigorna e o martelo. A noção de perigo nos acompanha pela vida e não demoramos perceber: somos mortais. De repente, damos conta: o oceano onde nadamos não tem porto. Sabedores do fim, cansados de nadar contra a maré, provamos um fel chamado angústia. Não há como fugir, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Angústia é ganho</strong><br />
Ricardo Gondim</p>
<p>Nascemos entre a bigorna e o martelo. A noção de perigo nos acompanha pela vida e não demoramos perceber: somos mortais. De repente, damos conta: o oceano onde nadamos não tem porto. Sabedores do fim, cansados de nadar contra a maré, provamos um fel chamado angústia.</p>
<p>Não há como fugir, é o medo existencial que faz nascer a angústia. Dela vem o choro que nunca desengasga. A angústia é mãe de pequenos surtos depressivos &#8211; que jamais entristecem totalmente. Angústia dói em todas as línguas. E lateja feito dor de dente.</p>
<p>A vida não se deixa domesticar. Não há unguento que cure o sofrimento de existir. E depois de toda obra e toda aventura, sobra a única certeza: a guilhotina descerá no pescoço de todos.</p>
<p>Não se extirpa a angústia dos ossos, da pele, do coração. Não existe antídoto para sua peçonha. André Comte-Sponville afirmou que “<em>somos fracos no mundo, e mortais na vida. Expostos a todos os medos. Um corpo para as feridas, ou para as doenças, uma alma para as mágoas, e ambos prometidos à morte somente… Ficaríamos angustiados por menos</em>”.</p>
<p>A angústia nunca se deixa descobrir. É assintomática. Oxigênio algum resolve quando falta fôlego na alma. Inexistem saídas. Tudo termina em tragédia. Fernando Pessoa constatou sobrarem pratos na mesa. Era dia do seu aniversário e, triste, disse ser “<em>sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio&#8230;.</em>”.</p>
<p>Todos vestirão luto um dia.</p>
<p>Pascal comparou o sentimento de angústia a homens acorrentados: “<em>Todos condenados à morte, sendo todos os dias uns deles degolados à vista dos outros. Aqueles que restam veem sua própria condição naquela de seus semelhantes, e, olhando-se uns aos outros com dor e sem esperança, esperam sua vez</em>”. No seu pessimismo, resta enlouquecer ou “ se divertir”. Numa equação shakespeariana: fuga ou loucura, eis a questão.</p>
<p>A modernidade tecnológica também se apropriou do jargão antigo:“Consumamos, consumamos, porque amanhã morreremos”. Nenhum país incorporou tanto essa ideia quanto os Estados Unidos. Lá virou o paraíso do consumo, a nova Roma para onde bárbaros desejam emigrar. Na América, rodam duas vezes mais automóveis per capita que o restante da humanidade. Gasta-se mais energia com ar condicionado que toda a produção energética da China. O desembolso com sapatos tênis fica em torno de doze bilhões de dólares. Mas, o consumismo desenfreado atual deixa as pessoas mais contentes ou felizes do que em 1954? Brinquedos caros ou baratos são impotentes para tirar a vontade de chorar.</p>
<p>Onde está a fonte da juventude eterna? A humanidade conseguiu adiar o dia fatídico. Os avanços da medicina se tornaram espantosos. Com o culto ao corpo, países ricos refizeram padrões estéticos. A beleza atual é bem diferente da medieval. A expectativa de vida aumentou mais nos últimos quarenta anos do que nos 4.000 anos precedentes. Cresceu de 53 anos – incluindo os países mais miseráveis – em 1960 para 67 anos em 2005. Uma criança nascida hoje viverá em média 122 mil horas ou 5,83 mil dias a mais do que uma, nascida há quatro décadas.</p>
<p>Um desdobramento negativo desses avanços é que as pessoas foram condenadas a passar mais tempo convivendo com a realidade.  A longevidade também faz crescer a angústia.</p>
<p>O mesmo soluço que afligiu filósofos gregos e salmistas judaicos soluça hoje. Mudaram os rótulos. Continuam as fobias do passado. O avanço da psicologia e o progresso da espiritualidade não desmentem que viver é um perigo. A força da angústia resiste a comprimidos e todas as alquimias.</p>
<p>Não sobram muitas escolhas. Jogados ao mundo, resta-nos aprender a viver.</p>
<p>O judeu itinerante, Jesus de Nazaré, falou coisas agradáveis, sem, contudo, evitar as antipáticas.  Sua mensagem convidou homens e mulheres a considerarem a vida como rara e imprescindível. Ao referir-se à verdade, ensinou a necessidade de enfrentar a realidade. Ele deixou as pessoas decidirem se queriam ou não lidar com a angústia. Não receitou fórmulas fáceis de como desatar os nós da alma. Seguidores e ouvintes deviam aprender a usar a força negativa da angústia em favor da felicidade. E não basta um estado transitório &#8211; estar alegre, feliz. A vida é um convite a ser.</p>
<p>Jesus acreditou que viver é somar pequenas decisões; é juntar experiências boas e más na construção do ser. Fiel à tradição do Eclesiastes, ele viu que só encontramos algum sentido mínimo de existir ao somarmos choros e risos, desejos e realizações, frustrações e sonhos.</p>
<p>Ninguém precisa exorcizar a angústia, que, assumida, gera sede de transcendência. A vida carece também de um lado sombrio para ser eterna. Além do mais, a angústia garantiu a sobrevivência da espécie. Só os angustiados buscam companhia. A angústia fez com que os primeiros seres humanos desejassem viver em sociedade. Ao notarem que eram frágeis e iguais no sofrimento, deram as mãos.</p>
<p>O grito que se ouviu no Calvário –<em> Eli, Eli, lamá sabactini?,</em> “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” – tornou-se o grito de toda a humanidade. Os lábios de Cristo passaram a representar os negros que morreram em navios fétidos, as mulheres perseguidas na Inquisição, as crianças que se exauriram em trabalho escravo, os curdos que nunca tiveram pátria. O filho de Deus desentranhou a sua angústia, que ressoou pelos quatro cantos da terra, e passou a ser o grito de todos. Cravados com ele no madeiro da solidão, seguimos o seu exemplo e encaramos qualquer sina – Ele é autor e consumador da fé.</p>
<p><strong> Soli Deo Gloria</strong></p>
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		<title>Em louvor ao livro</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Feb 2012 01:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ric_gon_bet</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meditações]]></category>

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		<description><![CDATA[Em louvor ao livro Ricardo Gondim Meu pai lia obsessivamente. Todas as vezes que surpreendi papai, ao abrir a porta do quarto sem bater, eu o flagrava com um livro na mão. Ele assinava pelo menos duas revistas de notícias semanais e vários pasquins. Comprava folhetos subversivos não sei onde. Trazia, perigosamente, para casa literatura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em louvor ao livro<br />
</strong>Ricardo Gondim</p>
<p>Meu pai lia obsessivamente. Todas as vezes que surpreendi papai, ao abrir a porta do quarto sem bater, eu o flagrava com um livro na mão. Ele assinava pelo menos duas revistas de notícias semanais e vários pasquins. Comprava folhetos subversivos não sei onde. Trazia, perigosamente, para casa literatura proscrita pelos ditadores. Professor de história, tinha um  fascínio enorme pela II Guerra Mundial. Na biblioteca, sobravam tomos, fotografias e artigos sobre o conflito que marcou sua infância. Herdei o vício.</p>
<p>Só há um tipo de consumismo que não me oponho: comprar livros. Todas as vezes que entro em qualquer livraria, gasto mais do que posso – divido em prestações, pago juros altos, mas saio sempre de mãos cheias.  Não cogito fazer qualquer viagem de avião sem ler o tempo inteiro. Só há um momento em que odeio o sono, quando o romance me mantém ávido pelo enredo.</p>
<p>Antigamente eu me contentava com textos conceituais, de não-ficção. Mas um dia eu quis aprender a escrever. Logo me disseram que se desejasse melhorar a redação – faltei às aulas de português do Liceu – eu teria de devorar literatura. Hoje, abocanho com igual apetite, biografias, romances, poesias, ficção científica, contos. Os livros grossos já não me metem medo. Sou capaz de perseverar em mil páginas.</p>
<p>Tenho avidez de compensar os anos perdidos em que não abri uma página e faço vigília até alta madrugada. Terminar um livro é fascinante. Só não passo a noite em claro, porque, casado, obedeço ordens superiores que zelam por minha saúde.</p>
<p>O livro faz parte da grande conspiração divina. Quando Deus quis falar à humanidade não fez pirotecnia celestial. Inspirou, tão somente, homens e mulheres a escreverem. Sempre que Moisés subiu a montanha, Javé ordenou que trouxesse um bloco de anotações. Tem razão a frase latina: <em>Scripta manent, verba volant</em> – “O escrito fica, as palavras voam”.</p>
<p>Afirmo sem medo: todo livro é sagrado. O livro, relicário santo, registra memórias, fantasias, angústias, medos, bravuras, grandeza e pecados da humanidade.</p>
<p>Não existe livro impuro, apenas o mal escrito. Literatura é a mais completa de todas as artes. Se o personagem na pintura, escultura ou cinema aparecer contemplando um relvado, ninguém conhecerá com exatidão o que cogita. O bom escritor, contudo, discerne os seus pensamentos. Sabe até o que move a suas entranhas.</p>
<p>Louvado seja o livro. Sem ele não conheceríamos o amor trágico de Tristão e Isolda, de Romeu e Julieta e de Bentinho e Capitu. Jamais celebraríamos a coragem enlouquecida do Quixote. Nunca saberíamos sobre a força do ciúme em Otelo. E nunca partilharíamos da coragem do capitão Acabe.</p>
<p>Jorge Luis Borges afirmou que procurou mais reler do que ler. “<em>Creio que reler é mais importante que ler, embora para reler seja preciso haver lido</em>”.</p>
<p>Já sem enxergar, o brilhante argentino nos legou uma declaração de amor ao livro:</p>
<p>“<em>Continuo fingindo não ser cego; continuo comprando livros, continuo enchendo minha casa de livros. Há poucos dias fui presenteado com uma edição de 1966 (ele escreveu isso em 1978) da Enciclopédia Brockhaus. Senti a presença dessa obra em minha casa; eu a senti como uma espécie de felicidade. Aí estavam os vinte e tantos volumes, com uma letra gótica que não posso ler, com mapas e gravuras que não posso ver; e, no entanto, o livro estava aí. Eu sentia como que uma gravitação amistosa do livro. Penso que o livro é uma das possibilidades de felicidade que temos, nós, os homens</em>”.</p>
<p>Homens e mulheres não vivem só de pão. Nossa alma se alimenta de palavras. No livro não se acha sabedoria pura e simples, nele estão as fontes da beleza, tragédia, alegria, esperança e felicidade.</p>
<p>Deus é escritor e os que querem se achegar a Ele, devem aprender a gostar de ler.</p>
<p><em><strong>Soli Deo Gloria</strong></em></p>
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		<title>FOTOS do Encontro “Por uma telogia da libertação” Rubem Alves, Gondim e Gouvêa | Lçto. Livro</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 22:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carol</dc:creator>
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<h1 class="ngg-single-gallery-title">Teologia da Libertação -  Parte 1</h1>
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		<title>Tempo de partir</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 02:29:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ric_gon_bet</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tempo de partir Ricardo Gondim Não perdi o juízo. Minha espiritualidade não foi a pique. Minhas muitas tarefas não me esgotaram. Entretanto, não cessam os rótulos e os diagnósticos sobre minha saúde espiritual. Escrevo, mas parece que as minhas palavras chegam a ouvidos displicentes. Para alguns pareço vago, para outros, fragmentado e inconsistente nas colocações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Tempo de partir<br />
</strong>Ricardo Gondim</p>
<p>Não perdi o juízo. Minha espiritualidade não foi a pique. Minhas muitas tarefas não me esgotaram. Entretanto, não cessam os rótulos e os diagnósticos sobre minha saúde espiritual. Escrevo, mas parece que as minhas palavras chegam a ouvidos displicentes. Para alguns pareço vago, para outros, fragmentado e inconsistente nas colocações (talvez seja mesmo). Várias pessoas avisam que intercedem a Deus para que Ele me acuda.</p>
<p>Minha peregrinação cristã está, há muito,  marcada por rompimentos. O primeiro, rachei com a Igreja Católica, onde nasci, fui batizado e fiz a Primeira Comunhão. Em premonitórias inquietações não aceitava dogmas. Pedi explicações a um padre sobre certas práticas que não faziam muito sentido para mim. O sacerdote simplesmente deu as costas, mas antes advertiu: “Meu filho, afaste-se dos protestantes, eles são um problema!”.</p>
<p>Depois de ler a Bíblia, decidi sair do catolicismo; um escândalo para uma família que se orgulhava de ter padres e freiras na árvore genealógica &#8211;  e nenhum “crente”. Aportei na Igreja Presbiteriana Central de Fortaleza.  Meus únicos amigos crentes vinham dessa denominação. Enfronhei em muitas atividades. Membro ativo, freqüentei a escola dominical, trabalhei com outros jovens na impressão de boletins, organizei retiros e acampamentos. No cúmulo da vontade de servir, tentei até cantar no coral &#8211; um desastre. Liderei a União de Mocidade. Enfim, fiz tudo o que pude dentro daquela estrutura. Fui calvinista.  Acreditei por muito tempo que Deus, ao criar todas as coisas, ordenou que o universo inteiro se movesse de acordo com sua presciência e soberania. Aceitei tacitamente que certas pessoas vão para o céu e para o inferno devido a uma eleição. Essa doutrina fazia sentido para mim até porque eu me via um dos eleitos. Eu estava numa situação bem confortável. E podia descansar: a salvação da minha alma estava desde sempre garantida. Mesmo que caísse na gandaia, no último dia, de um jeito ou de outro, a graça me resgataria. O propósito de Deus para minha vida nunca seria frustrado, me garantiram.</p>
<p>Em determinada noite, fui a um culto pentecostal. O Espírito Santo me visitou com ternura. Em êxtase, imerso no amor de Deus, falei em línguas estranhas &#8211; um escândalo na comunidade reverente e bem comportada. Sob o impacto daquele batismo, fui intimado a comparecer à versão moderna da Inquisição. Numa minúscula sala, pastores e presbíteros exigiram que eu negasse a experiência sob pena de ser estigmatizado como reles pentecostal. Ameaçaram. Eu sofreria o primeiro processo de expulsão, excomunhão, daquela igreja desde que se estabelecera no século XIX. Ainda adolescente e debaixo do escrutínio opressivo de uma gerontocracia inclemente, ouvi o xeque mate: “Peça para sair, evite o trauma de um julgamento sumário. Poupe-nos de sermos transformados em carrascos”. Às duas da madrugada, capitulei. Solicitei, por carta, a saída. A partir daquele momento, deixei de ser presbiteriano.</p>
<p>De novo estava no exílio. Meu melhor amigo, presidente da Aliança Bíblica Universitária, pertencia a Assembleia de Deus e para lá fui. Era mais um êxodo em busca de abrigo. Eu só queria uma comunidade onde pudesse viver a fé. Cedo vi que a Assembleia de Deus estava engessada. Sobravam legalismo, politicagem interna e ânsia de poder temporal. Não custou e notei a instituição acorrentada por uma tradição farisaica. Pior, iludia-se com sua grandeza numérica. Já pastor da Betesda eu me tornava, de novo, um estorvo. Os processos que mantinham o povo preso ao espírito de boiada me agrediam. Enquanto denunciava o anacronismo assembleiano eu me indispunha. A estrutura amordaçava e eu me via inibido em meu senso crítico. A geração de pastores que ascendia se contentava em ficar quieta. Balançava a cabeça em aprovação aos desmandos dos encastelados no poder. Mais uma vez, eu me encontrava numa sinuca. De novo,  precisei romper. Eu estava de saída da maior denominação pentecostal do Brasil. Mas, pela primeira vez, eu me sentia protegido. A querida Betesda me acompanhou.</p>
<p>Agora sinto necessidade de distanciar-me do Movimento Evangélico. Não tenho medo. Depois de tantas rupturas mantenho o coração sóbrio. As decepções não foram suficientes para azedar a minha alma, sequer fortes para roubar a minha fé. “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.</p>
<p>Estou crescentemente empolgado com as verdades bíblicas que revelam Jesus de Nazaré. Aumenta a minha vontade de caminhar ao lado de gente humana que ama o próximo. Sinto-me estranhamente atraído à beleza da vida. Não cesso de procurar mentores. Estou aberto a amigos que me inspirem a alma.</p>
<p>Então por que uma ruptura radical? Meus movimentos visam preservar a minha alma da intolerância.  Saio para não tornar-me um casmurro rabugento. Não desejo acabar um crítico que nunca celebra e jamais se encaixa onde a vida pulsa. Não me considero dono da verdade. Não carrego a palmatória do mundo. Cresce em mim a consciência de que sou imperfeito. Luto para não permitir que covardia me afaste do confronto de meus  paradoxos. Não nego: sou incapaz de viver tudo o que prego &#8211; a  mensagem que anuncio é muito mais excelente do que eu. A igreja que pastoreio tem enormes dificuldades. Contudo, insisto com a necessidade de rescindir com o que comumente se conhece como Movimento Evangélico.</p>
<p><strong>1.</strong>     Vejo-me incapaz de tolerar que o Evangelho se transforme em negócio e o nome de Deus vire marca que vende bem. Não posso aceitar, passivamente, que tentem converter os cristãos em consumidores e a igreja, em balcão de serviços religiosos. Entendo que o movimento evangélico nacional se apequenou. Não consegue vencer a tentação de lucrar como empresa. Recuso-me a continuar esmurrando as pontas de facas de uma religião que se molda à Babilônia.</p>
<p><strong>2. </strong>      Não consigo admirar a enorme maioria dos formadores de opinião do movimento evangélico (principalmente os que se valem da mídia). Conheço muitos de fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis. Sei que muitas eleições nas altas cupulas denominacionais acontecem com casuísmos eleitoreiros imorais. Estive na eleição para presidente de uma enorme denominação. Vi dois zeladores do Centro de Convenções aliciados com dinheiro. Os dois receberam crachá e votaram como pastores. Já ajudei em “cruzadas” evangelísticas cujo objetivo se restringiu filmar a multidão, exibir nos Estados Unidos e levantar dinheiro. O fim último era sustentar o evangelista no luxo nababesco. Sou testemunha ocular de pastores que depois de orar por gente sofrida e miserável debocharam delas, às gargalhadas. Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir. Parecia impossível acreditar que homens de Deus colocam a mão no fogo por uma política beligerante e mentirosa de bombardear outro país. Como um movimento, que se pretende portador das Boas Novas, sustenta uma guerra satânica, apoiada pela indústria do petróleo.</p>
<p><strong>3.</strong>       No momento em que o sal perde o sabor para nada presta senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Não desejo me sentir parte de uma igreja que perde credibilidade por priorizar a mensagem que promete prosperidade. Como conviver com uma religião que busca especializar-se na mecânica das &#8220;preces poderosas&#8221;? O que dizer de homens e mulheres que ensinam a virtude como degrau para o sucesso? Não suporto conviver em ambientes onde se geram culpa e paranoia como pretexto de ajudar as pessoas a reconhecerem a necessidade de Deus.</p>
<p><strong>4.</strong>       Não consigo identificar-me com o determinismo teológico que impera na maioria das igrejas evangélicas. Há um fatalismo disfarçado que enxerga cada mínimo detalhe da existência como parte da providência. Repenso as categorias teológicas que me serviam de óculos para a leitura da Bíblia. Entendo que essa mudança de lente se tornou ameaçadora. Eu, porém, preciso de lateralidade. Quero dialogar  com as ciências sociais. Preciso variar meus ângulos de percepção. Não gosto de cabrestos. Patrulhamento e cenho franzido me irritam . Senti na carne a intolerância e como o ódio está atrelado ao conformismo teológico. Preciso me manter aberto à companhia de gente que molda a vida, consciente ou inconsciente, pelos valores do Reino de Deus sem medo de pensar, sonhar, sentir, rir e chorar. Desejo desfrutar (curtir)  uma espiritualidade sem a canga pesada do legalismo, sem o hermético fundamentalismo, sem os dogmas estreitos dos saudosistas e sem a estupidez dos que não dialogam sem rotular.</p>
<p>Não, não abandonarei a vocação de pastor. Não negligenciarei a comunidade onde sirvo. Quero apenas experimentar a liberdade prometida nos Evangelhos. Posso ainda não saber para onde vou, mas estou certo dos caminhos por onde não devo seguir.</p>
<p><strong> Soli Deo Gloria</strong></p>
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		<title>Clube da capa encardida</title>
		<link>http://www.ricardogondim.com.br/perolas/clube-da-capa-encardida/</link>
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		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 19:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ric_gon_bet</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pérolas]]></category>

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		<description><![CDATA[No Blog Teologia Livre o texto&#8221;Clube da capa encardida&#8221; merece destaque. Acredito que estamos no alvorecer de um novo tempo. E o Roger conseguiu dizer com poucas palavras o significado desse novo tempo Aqui  &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Blog Teologia Livre o texto&#8221;Clube da capa encardida&#8221; merece destaque.<br />
Acredito que estamos no alvorecer de um novo tempo.<br />
E o Roger conseguiu dizer com poucas palavras o significado desse novo tempo</p>
<p><a title="Clube da capa encardida" href="http://teologia-livre.blogspot.com/2012/01/clube-da-capa-encardida.html?m=0">Aqui </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>NOTÍCIAS – Rubem Alves fala da Teologia da Libertação em uma Igreja Pentecostal</title>
		<link>http://www.ricardogondim.com.br/eventos/noticias-rubem-alves-fala-da-teologia-da-libertacao-em-uma-igreja-pentecostal/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 21:01:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>

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		<description><![CDATA[Jung Mo Sung Diretor da Faculdade de Humanidades e Direito da Univ. Metodista de S. Paulo. Adital &#160; Uma 5af noite (09/02/2012), convite para um relançamento de um livro de teologia –ainda mais teologia da libertação– escrito há mais de 40 anos: quantas pessoas poderiam se interessar? É claro que o autor, Rubem Alves, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em>Jung Mo Sung</em></div>
<div><em>Diretor da Faculdade de Humanidades e Direito da Univ. Metodista de S. Paulo.</em></div>
<div><strong>Adital</strong></div>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma 5af noite (09/02/2012), convite para um relançamento de um livro de teologia –ainda mais teologia da libertação– escrito há mais de 40 anos: quantas pessoas poderiam se interessar? É claro que o autor, Rubem Alves, é uma &#8220;atração” por si só; mas como ele não tem escrito mais livros ou artigos de teologia, muito menos escrito ou pronunciado sobre teologia da libertação, eu pensei que haveria um número razoável, mas nada de excepcional. Ainda mais se levarmos em conta que o evento teria lugar em uma igreja pentecostal –Igreja Betesda– e seria um debate sobre o livro com título &#8220;Por uma teologia da libertação” (título original da sua tese de doutorado defendida por Rubem Alves em 1968, mas publicada primeiramente nos Estados Unidos, em 1969 como &#8220;Por uma teologia da esperança humana”, por decisão do editor; e publicado no Brasil, em 1987, com o título &#8220;Da esperança”).</p>
</div>
<div>
<p>Rubem Alves voltando a debater em público sobre a teologia da libertação em uma igreja pentecostal? Isso seria impensável alguns anos atrás. E para quem não conhece bem o ambiente evangélico e pentecostal, é preciso lembrar que a teologia e os escritos mais espirituais de Rubem Alves são considerados heréticos ou até satânicos por muitos.</p>
<p>Está certo que esse evento foi divulgado na rede social através de pessoas com muitos &#8220;seguidores” ou &#8220;amigos”, mas divulgação por si não garante o sucesso do evento. Por isso, fui ao evento –após um dia muito intenso e longo de trabalho que quase me fez desistir de ir– com muita expectativa em relação ao que poderia ouvir de Rubem Alves, e dos outros dois debatedores: Ricardo Gondim (pastor da Igreja onde foi realizado o evento) e Ricardo Gouvêa (teólogo presbiteriano); mas não muita em relação ao número de participantes. Além disso, eu imaginava que Rubem Alves fosse falar de muitas coisas, mas pouco especificamente da teologia.</p>
<p>Tive duas surpresas! Em uma igreja com capacidade para 2.000 pessoas, o local estava quase completamente lotado. Imagino que estavam presentes mais de 1.500 pessoas; muitas delas com a Bíblia na mão (algo bem pentecostal ou do mundo evangélico popular). A segunda surpresa: Rubem, no meio de suas memórias, estórias e poesias –bem ao seu estilo–, falou explicitamente da teologia da libertação. Alguns anos atrás, eu participei, na cidade de México, de um painel sobre a teologia da libertação juntamente com Rubem Alves, Dussel e José M. Vigil. E lá, Rubem Alves falou da sua participação no início da teologia da libertação e como um acontecimento muito desagradável o afastou do grupo principal da TL. Mas, depois ele não respondeu nenhuma pergunta específica sobre teologia ou teologia da libertação. Por isso, minha surpresa ao vê-lo aqui tratar diretamente da TL e, em particular, sobre as diferenças entre a TL católica e a protestante. Foi uma fala de quem se sente ainda dentro da grande corrente da teologia cristã da libertação, uma corrente que é feita de várias teologias da libertação, como uma corrente marítima que é alimentada por muitos rios e &#8220;caminha” banhando muitos lugares.</p>
<p>Quem conhece o estilo de falar de Rubem Alves sabe que é muito difícil resumir em poucas palavras a complexidade de suas idéias expressas através de imagens, estórias, poesias e raciocínios acadêmicos. Por isso, não vou me atrever sintetizar aqui a bela exposição dele. E penso que isso também não é o mais importante. O mais importante da noite foi o próprio evento.</p>
<p>Alguns podem interpretá-lo como o fechamento de um ciclo que já acabou, como um evento &#8220;histórico” no sentido de recuperação de uma memória histórica que marcou a vida da geração de Rubem Alves e de outros. Outros podem interpretar como um sinal de &#8220;esperança” (o tema principal na fala de Rubem Alves e de Ricardo Gondim), de que algo novo está surgindo. A presença de muitos jovens (alguns vindos de lugares distantes da Grande S. Paulo e de outras cidades) pode indicar isso. Contudo, o mais importante, para mim, foi o encontro de uma figura memorável – alguém que é capaz de incitar grandes discussões acadêmicas e também encantar corações infantis com suas estórias, que carrega no seu corpo e memória as lutas e esperanças da gerações passadas – com as novas gerações que também anseia por um cristianismo liberto de amarras e dogmatismos que possa contribuir no fortalecimento da esperança dos mais pobres e das lutas pela libertação. E isso em uma igreja pentecostal!</p>
<p>O que resultará desse encontro? A resposta depende das novas gerações de cristãos que assumem –motivadas pelos testemunhos e memória dos mais antigos– a tarefa de levar adiante a boa-nova da esperança, a boa-nova de que a salvação vem pela graça de um Deus que nos ama apesar de tudo. E que, por isso, podemos continuar sorrindo, lutando e vivendo alegremente a vida, apesar de tudo, porque vivemos da esperança e fé.</p>
<p>[Autor de, entre outros, "Cristianismo de libertação” e "Sementes de Esperança”].</p>
</div>
<p>Fonte <a href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=64307&amp;grv=N">http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;cod=64307&amp;grv=N</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Da esperança</title>
		<link>http://www.ricardogondim.com.br/meditacoes/da-esperanca/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 02:56:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ric_gon_bet</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meditações]]></category>

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		<description><![CDATA[(texto que li na noite histórica com a presença de Rubem Alves na Betesda) Da esperança Ricardo Gondim Esperança já foi criticada como armadilha; ao prometer um futuro melhor, enganaria os incautos. Amaziada com a utopia, adiaria as iniciativas transformadoras do presente. Os corojosos, já se acreditou, não precisam de suas juras futeis, e só os covardes se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(texto que li na noite histórica com a presença de Rubem Alves na Betesda)</p>
<p><strong>Da esperança</strong><br />
Ricardo Gondim</p>
<p>Esperança já foi criticada como armadilha; ao prometer um futuro melhor, enganaria os incautos. Amaziada com a utopia, adiaria as iniciativas transformadoras do presente. Os corojosos, já se acreditou, não precisam de suas juras futeis, e só os covardes se valem de seus acenos.</p>
<p>Esperança se tornou substantivo que se desgastou por uso excessivo; na boca de demagogos, palavra piedosa que não comunica coisa alguma.</p>
<p>Porém, Esperança permanece o alento que resta aos pobres. Quem aguarda novos céus e nova terra levanta a cabeça. Por sua causa, na Páscoa, os judeus se cumprimentaram em guetos imundos: “<em>No próximo ano, em Jerusalém</em>”. Inspirados na Esperança, escravos negros cantaram nos velórios: “<em>Free at last, free at last</em>!”.</p>
<p>Esperança é irmã mais frágil da fé. Sua fragilidade vem da insustentabilidade. Esperança não nasce de certezas. O chão da Esperança, inseguro como areia movediça, será sempre improvável. Nas Escrituras, lê-se que “a Esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo?” (Romanos 8.24).</p>
<p>Mesmo incerta e incapaz de fazer promessas absolutas, Esperança alimenta o herói em sua gesta heróica. Animado pelo impossível, ele desenvolve sensibilidades que adensam os sonhos da Cidade futura, onde paz e justiça se beijarão.</p>
<p>Esperança espera, mas jamais obedece a mecânica do tempo. Nela, não existem cronogramas, relógios e planejamentos estratégicos. Enquanto flui, Esperança não se obriga senão que satisfará os que se engajarem pela vida. O galardão da Esperança resume-se a fazer da excelência um fim em si mesmo, jamais um meio.</p>
<p>A cor da Esperança dizem ser verde. Então, eis o tom que anima o vencido a continuar resoluto. Só ela ressuscita audácia em corações arruinados. Esperança, ao devolver alegria ao desiludido, lambuzado de cinza, nunca se contenta com uma só tonalidade. Ela é dona de todas as cores, na esperança mora um arco íris.</p>
<p>Esperança exorciza mau agouro, cala pessimistas e revoga os decretos do Destino. Esperança não sobrevive de quimeras; não procura construir castelos nas nuvens; não doura pílulas; não promove viagens alucinógenas. Todo esperançoso se torna companheiro de valentes, de intrépidos, de aventureiros. Neles, pulsa o coração de um batalhador, de onde surge a poesia mais inspiradora.</p>
<p>Esperança se move de trás para frente. Réstias de sua luz emanam desde o futuro longínquo para iluminar o presente. Esperança é a  força derradeira que anima o velho e o brilho que anima os olhos da mãe quando embala o filho.</p>
<p>Abraão, Moisés, Don Quixote, Martin Luther King Jr., e o Eródoto, meu pai, foram homens que navegaram nas águas da Esperança; oceano que conhecemos tão pouco, mas que sem ele não sobreviveríamos.</p>
<p><em><strong>Soli Deo Gloria</strong></em></p>
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		<title>FIZEMOS MUDANÇAS PARA MELHOR, devido ao volume de visitas…</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 22:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>

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		<description><![CDATA[FIZEMOS MUDANÇAS PARA MELHOR, devido ao volume de visitas pedimos desculpas pelos transtornos, agradecemos sua assiduidade! =) &#160; &#160; &#160; &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>FIZEMOS MUDANÇAS PARA MELHOR, devido ao volume de visitas pedimos desculpas pelos transtornos, agradecemos sua assiduidade! =)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-1505" title="" src="http://www.ricardogondim.com.br/ricardowp/wp-content/uploads/2012/02/banda_.png" alt="" width="597" height="207" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O eleito</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 22:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meditações]]></category>

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		<description><![CDATA[O eleito Ricardo Gondim Às vezes, querendo isolar-me e meditar, caminho por alamedas de antigos cemitérios. Reconheço a excentricidade. Mas não há nada mórbido ou sinistro em mim.  Ali, diante da mais crua realidade, sou colocado cara a cara com a vida, sem evitar a finitude dos meus anos. Bom lugar para repensar prioridades. Nessas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O eleito</strong><br />
Ricardo Gondim </p>
<p>Às vezes, querendo isolar-me e meditar, caminho por alamedas de antigos cemitérios. Reconheço a excentricidade. Mas não há nada mórbido ou sinistro em mim.  Ali, diante da mais crua realidade, sou colocado cara a cara com a vida, sem evitar a finitude dos meus anos. Bom lugar para repensar prioridades.</p>
<p>Nessas andanças, vejo sepulcros antigos, semidestruídos, e imagino o que deve ter acontecido àquela família para deixar o mato tomar conta do que já foi um lugar sagrado. Procuro ler as placas gravadas em granito que se esfarelam.  Divago sobre nomes moldados no bronze, que agora se apagam. Ali não há referência ao que viveram ou sofreram. São apenas nomes, mera conjunção de apelidos que identificam uma pessoa condenada a sumir.</p>
<p>No cemitério, acordo para o desejo de não ser esquecido. Todos sofremos com a ideia de  não passarmos de mais um no oceano humano. Choramos no dia em que a luz nos encandeou pela primeira vez. Quando nosso grito atraiu a atenção dos que assistiram ao parto,  começamos a acreditar que nos tornamos o centro do universo. A praça central da Galáxia passa a ser o lugar onde estivermos. Do peito que nos alimentou, sugamos mais que comida, nos alimentamos da autoestima que nos deixa convictos: o universo existe por nossa causa.</p>
<p>Daí, gastamos parte da existência a imaginar que deve existir algum tipo de eleição que nos distingue. Fantasiamos haver alguma lista com os especiais. Nos iludimos, sonhando que a confluência dos astros, as rodas do destino ou os olhos de Deus nos singularizam. Fazemos de nossa história o eixo do mundo. E sempre que alguma coisa nos suceder, suspeitamos: os vetores das estrelas se encaixaram para que algum milagre nos alcançasse.</p>
<p>O conceito de eleição está presente tanto nas mitologias como nas narrativas bíblicas. Narciso foi galardoado com beleza. O sacrifício de Abel foi aceito e o de Caim, rejeitado. Jacó, a despeito de sua falta de ética, ganhou a primogenitura – Esaú acabou descartado. Samuel marcou um x nas costas de Davi como o estimado de Javé. Além dos textos religiosos, a história também esteve repleta de poetas, literatos, cientistas e políticos que acreditaram na ideia de que Deus, a vida, o destino ou qualquer outra força os predestinou. Eles não se viam cotidianos, banais, ordinários. Pelo contrário, acharam que os outros mortais deviam se sujeitar aos códigos que escreveram.</p>
<p>Em Crime e Castigo, Dostoievski separa a humanidade em ordinários e extraordinários. Os extraordinários seriam homens e mulheres que ganham o direito de fazer e acontecer na história. Eles, contudo, não sofrem as penas que os outros estão sujeitos. Só os comuns precisam agir dentro da lei; obedecem ao superego (superego é por minha conta – tal conceito não existia nos tempos de Dostoievski); não podem deixar de moldar-se às exigências morais do tempo em que vivem.  Aos eleitos, predestinados, escolhidos, ungidos, a lei sempre abre enormes exceções. Os insignes podem tudo. Logicamente o autor russo mostrou o absurdo dessa lógica e como ela foi responsável por inúmeras vexações.</p>
<p>Lutamos desesperadamente para não nos vermos reduzidos a uma placa corroída em algum cemitério. Religiosos sistematizam teologias para ensinar que, mesmo na hostilidade da vida, Deus tem sua casta.  Esses, custe o que custar, desfrutarão as delícias infindáveis do Paraíso. A indústria do entretenimento também escolhe reis e rainhas. Não valem para os ídolos da música, futebol ou cinema as mesmas cercas impostas às massas. Políticos se sentem triplamente eleitos: O Eterno os guindou à posição de mando, o povo homologou a providência divina e a Fortuna os brindou com benesses.</p>
<p>Acreditar-se eleito é maldição – em qualquer circunstância. Os eleitos de Deus se condenam à soberba – e empáfia antecipa a queda.  Os ungidos sociais não têm como evitar olhar os excluídos com pena, de cima para baixo. Os afilhados do sistema econômico acabam se alienando da simplicidade – onde a vida realmente acontece. Não há nada mais irritante do que conviver com a vaidade de quem se acha dono de uma inteligência acima da média.</p>
<p>Os maiores carniceiros da história se viram eleitos. Enquanto o verdadeiro Ungido de Deus abriu mão da prerrogativa de ser único para irmanar-se a escravos, pobres e destituídos. Todo e qualquer sistema que rodopia em torno de “raça eleita”, de “povo especial” ou de “cultura sagrada” se tornará opressor. As barreiras que separam homens de mulheres, senhores de escravos, judeus de gentios, pobres de ricos, merecem ser implodidas.</p>
<p>O universo não se expande seletivamente. Existe contingência. Acaso e aleatoriedade esvaziam a percepção de necessidade cármica. Na narrativa bíblica, Deus faz com que sol e chuva venham, e não faz acepção de pessoas. A graça divina não privilegia, seu amor não particulariza e sua misericórdia despreza causa e efeito. Para os que acreditam no destino, convém lembrar: ele é cego, incapaz de nomear favoritos. E para os que seguem o zodíaco: a confluência astral atinge de baciada, sem distinguir quem é quem entre os que chegam ao mundo naquele mesmo instante.</p>
<p>Religião tem o dever de divulgar o fim do individualismo, do egocentrismo,  do personalismo. Filosofia não pode deixar de propagar a irmandade das nações. E para os que lutam na política, vale insistir: não há ética mais nobre que diminuir a brecha entre apaniguados e desprezados.</p>
<p>Querer fazer-se predileto é apequenar-se. Ambicionar ascender é cair. Cobiçar exceder ao restante da humanidade é minguar. Todo ufanista é pobre. Mal percebe que em um futuro não muito distante, algum caminhante passará por sua cova  e não vai notar que ali jaz um predestinado – que imaginava trazer o rei na barriga.</p>
<p><strong><em>Soli Deo Gloria</em></strong></p>
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