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	<title>RioOnWatch.org.br</title>
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	<description>RioOnWatch é um site de notícias trazendo atenção local e global para os pontos de vista oriundos das favelas do Rio de Janeiro até 2016. </description>
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		<title>Ato Público Ambiental: ‘Por um Futuro Sustentável com Floresta Viva, Ar Puro, Água e Terra para Todos e Mobilidade Urbana Mais Humana’</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=82363</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 10:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cobertura de Eventos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta reportagem faz parte de uma série gerada por uma parceria com o Digital Brazil Project do Centro Behner Stiefel de Estudos Brasileiros da Universidade Estadual de San Diego na Califórnia, para produzir matérias sobre direitos humanos e justiça socioambiental nas favelas. <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=82363" title="Ato Público Ambiental: &#8216;Por um Futuro Sustentável com Floresta Viva, Ar Puro, Água e Terra para Todos e Mobilidade Urbana Mais Humana&#8217;">[...]</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_82365" aria-describedby="caption-attachment-82365" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-59-scaled.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-82365 size-full" title="Participantes do Ato Público Ambiental em Copacabana seguram uma réplica inflável do planeta Terra durante caminhada na Avenida Atlântica. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-59-scaled.jpg" alt="Participantes do Ato Público Ambiental em Copacabana seguram uma réplica inflável do planeta Terra durante caminhada na Avenida Atlântica. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-59-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-59-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-59-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-59-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-59-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82365" class="wp-caption-text">Participantes do Ato Público Ambiental em Copacabana seguram uma réplica inflável do planeta Terra durante caminhada na Avenida Atlântica. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><i data-stringify-type="italic">Esta reportagem faz parte d</i><em>e uma <a href="https://bit.ly/SerieSDSU" target="_blank" rel="noopener noreferrer">série</a> gerada por uma parceria com o <a href="https://bit.ly/SDSUDigitalBrazilProject" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Digital Brazil Project</a> do </em><em><a href="http://bit.ly/2zcymI6" target="_blank" rel="noopener">Centro Behner Stiefel de Estudos Brasileiros</a> da Universidade Estadual de San Diego na Califórnia, para produzir matérias sobre direitos humanos e justiça socioambiental nas favelas.</em></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dando início à semana do <a href="https://bit.ly/43LwzYN" target="_blank" rel="noopener">Dia Mundial do Meio Ambiente</a>, celebrado no dia 5 de junho, um <a href="https://bit.ly/3PVhgtq" target="_blank" rel="noopener">Ato Público Ambiental</a> foi convocado pelo Fórum Estadual de Meio Ambiente e Agricultura do Rio de Janeiro (</span><a href="https://bit.ly/3RJw7Yr" target="_blank" rel="noopener">Femaarj</a><span style="font-weight: 400;">). Organizado na orla de <a href="https://bit.ly/3aYr10N" target="_blank" rel="noopener">Copacabana</a>, na <a href="https://bit.ly/2WL6FUi" target="_blank" rel="noopener">Zona Sul</a> da cidade, no dia 31 de maio, reuniu cerca de 500 pessoas, entre ativistas, participantes de movimentos populares, mobilizadores de favelas, povos originários, comunidades tradicionais, pesquisadores e cientistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento foi construído coletivamente por 210 entidades. Além de participarem do ato, as organizações também elaboraram uma </span><a href="https://bit.ly/4fhkNMT" target="_blank" rel="noopener">Carta Compromisso</a>, disponível <a href="https://bit.ly/4uM42OQ" target="_blank" rel="noopener">para assinatura</a><span style="font-weight: 400;">. Jorge Cacá, do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (<a href="https://bit.ly/3OsprfL" target="_blank" rel="noopener">SENGE-RJ</a>), fez a fala de abertura do ato:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Esse ato é um ato de construção coletiva. É um ato de militantes socioambientais que vieram construindo [essa manifestação] desde janeiro, tendo em vista a necessidade que nós temos de articular o movimento socioambiental e sindical do Rio de Janeiro.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82415" aria-describedby="caption-attachment-82415" style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ato-Publico-Ambiental.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-82415" title="No total, 210 instituições assinaram a construção do Ato Público Ambiental." src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ato-Publico-Ambiental.jpeg" alt="No total, 210 instituições assinaram a construção do Ato Público Ambiental." width="500" height="486" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ato-Publico-Ambiental.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ato-Publico-Ambiental-620x603.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ato-Publico-Ambiental-1543x1500.jpeg 1543w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ato-Publico-Ambiental-768x746.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Ato-Publico-Ambiental-1536x1493.jpeg 1536w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82415" class="wp-caption-text">No total, 210 instituições assinaram a construção do Ato Público Ambiental.</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda na concentração, o microfone permaneceu aberto para que os presentes pudessem fazer falas, denúncias e divulgar projetos e iniciativas socioambientais relevantes. Laudicéia Basílio, da Rede Socioambiental de Reciclagem Solidária e Economia Circular de Catadoras e Catadores do Rio de Janeiro, falou sobre o trabalho, <a href="https://bit.ly/3gPbOkD" target="_blank" rel="noopener">quase sempre invisibilizado</a>, dos <a href="https://bit.ly/2Je2zio" target="_blank" rel="noopener">catadores de recicláveis</a>: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Minha militância é sobre a <a href="https://bit.ly/3h8Vi0h" target="_blank" rel="noopener">economia solidária</a> e <a href="https://bit.ly/4j58mlQ" target="_blank" rel="noopener">circular</a> e as questões voltadas ao <a href="https://bit.ly/3NgbFMN" target="_blank" rel="noopener">protagonismo dos catadores</a> que desempenham as atividades da coleta seletiva <a href="https://bit.ly/3gnXtMB" target="_blank" rel="noopener">sem pagamento e sem reconhecimento</a> dos governos. Deixando claro que nós fazemos esse trabalho de limpeza, de <a href="https://bit.ly/2NcwZ2C" target="_blank" rel="noopener">reaproveitamento dessa matéria-prima</a>, trazendo para a nossa base a sustentabilidade.” </span></p></blockquote>
<p>Antônio Oscar, da Rede de Comitês de Monitoramento dos Planos Municipais de Resíduos, demonstrou preocupação sobre <a href="https://bit.ly/4emojVd" target="_blank" rel="noopener">o não cumprimento</a> da <a href="https://bit.ly/3Q01xsR" target="_blank" rel="noopener">Política Nacional de Resíduos Sólidos</a> (Lei 12.305, de 02 de agosto de 2010):</p>
<blockquote><p>“Todo município precisa ter um plano de gestão integrada de resíduos. E este plano, na sua elaboração e no seu acompanhamento, tem que garantir a participação social. Então, cada município precisa ter um comitê de monitoramento. Ele vai fazer justamente esse acompanhamento. Primeiro, se o município está cumprindo a lei, ou seja, se ele tem um plano. E se tem um plano, como é que está garantida a participação social? A Rede de Comitês vem tentando fazer isso de maneira articulada&#8230; A partir do plano, nós vamos verificar qual é o índice de reciclagem que cada município tem, e estabelecer metas para que&#8230; sejam priorizadas a coleta seletiva e a inclusão dos catadores.”</p></blockquote>
<p>José Miguel, da <a href="https://bit.ly/4o874KK" target="_blank" rel="noopener">Associação Ecocidade</a> de <a href="https://bit.ly/2KMwrB3" target="_blank" rel="noopener">Duque de Caxias</a>, denuncia que é lançado <a href="https://bit.ly/49A2zTd" target="_blank" rel="noopener">um bilhão de litros de chorume</a> na <a href="https://bit.ly/31JbV98" target="_blank" rel="noopener">Baía de Guanabara</a> por ano, segundo dados do movimento <a href="https://bit.ly/4tgKSPG" target="_blank" rel="noopener">Baía Viva</a>:</p>
<blockquote><p>“Isso é considerado por alguns pensadores como <a href="https://bit.ly/2XvPcl5" target="_blank" rel="noopener">racismo ambiental</a>, no sentido em que leva para as cidades mais pobres o resíduo e deixa um passivo. Desde 2012, <a href="https://bit.ly/4sGP0rP" target="_blank" rel="noopener">fechou o Aterro de Jardim Gramacho</a>, porém continua vazando chorume, como sempre vazou durante três décadas. Então, a gente quer chamar atenção para esse problema, que é o chorume que vaza para a Baía de Guanabara. O <a href="https://bit.ly/4ue2Dzm" target="_blank" rel="noopener">Comitê de Bacia da Baía de Guanabara</a> criou um grupo de trabalho e vem acumulando conhecimento a respeito desse problema.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_82368" aria-describedby="caption-attachment-82368" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-31-scaled.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-82368 size-full" title="Thaysa Santos (com microfone) e demais integrantes da Rede Favela Sustentável convocaram os presentes no ato a conhecerem a Carta Climática das Favelas. Ela convidou os presentes, a assinarem o manifesto, que pede que as favelas possam ser ouvidas na centralidade das questões climáticas. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-31-scaled.jpg" alt="Thaysa Santos (com microfone) e demais integrantes da Rede Favela Sustentável convocaram os presentes no ato a conhecerem a Carta Climática das Favelas. Ela convidou os presentes, a assinarem o manifesto, que pede que as favelas possam ser ouvidas na centralidade das questões climáticas. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-31-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-31-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-31-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-31-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-31-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82368" class="wp-caption-text">Thaysa Santos (com microfone) e demais integrantes da Rede Favela Sustentável convocaram os presentes no ato a conhecerem a Carta Climática das Favelas. Ela convidou os presentes, a assinarem o manifesto, que pede que as favelas sejam centrais nas questões climáticas. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p>Thaysa Santos, integrante-ponte da Rede Favela Sustentável (<a href="http://www.favelasustentavel.org" target="_blank" rel="noopener">RFS</a>)* e mobilizadora da <a href="https://bit.ly/4eko8GY" target="_blank" rel="noopener">Terra Afetiva</a>, convocou todos a conhecerem a <a href="https://bit.ly/AssineCartaClima" target="_blank" rel="noopener">Carta Climática das Favelas</a>:</p>
<blockquote><p>“Nós estamos aqui representando a Rede de Favela Sustentável, que escreveu em 2025 a Carta das Favelas. [Somos os] territórios menos assistidos. A gente levou essa carta para a COP30&#8230; A gente tem que, cada vez mais, pautar o saneamento dentro das favelas, porque é onde a gente está mais sofrendo com enchentes, é onde a gente não está conseguindo ter água potável para beber. São áreas onde temos que chegar com reivindicações, temos que pautar, pois&#8230; as favelas sofreram bastante com a questão do saneamento. Tem rios desnaturalizados que a gente precisa recuperar. Precisamos fazer incidência, para que a gente possa chegar ao poder público nas construções de políticas públicas.”</p></blockquote>
<p>A Rede Favela Sustentável marcou presença junto aos movimentos socioambientais mobilizados em defesa da justiça climática e socioambiental. Com a presença de 30 integrantes, vindos de diversas favelas da <a href="https://bit.ly/2kFp5ol" target="_blank" rel="noopener">região metropolitana do Rio de Janeiro</a>, a principal reivindicação era de que as favelas fossem colocadas no centro das decisões climáticas. Claudia Queiroga, cozinheira social, idealizadora do <a href="https://bit.ly/4fmEyCG" target="_blank" rel="noopener">Bora com Queiroga</a>, uma <a href="https://bit.ly/4a5kpxS" target="_blank" rel="noopener">cozinha escola</a> no distrito de <a href="https://bit.ly/4rengeu" target="_blank" rel="noopener">Nova Campinas</a>, afirmou:</p>
<blockquote><p>“É de importância colocar a RFS, as organizações e a favela no centro dessas discussões. É para isso que nós estamos aqui. Mobilizamos a rede para que coletivos integrantes estivessem aqui, dentro desse movimento. Porque só assim, a voz de dentro das favelas será ouvida. Nós temos que estar presentes para que possamos decidir juntos e levar essa discussão para dentro das favelas.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_82370" aria-describedby="caption-attachment-82370" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-39-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82370 size-full" title="Integrantes da Rede Favela Sustentável que participaram do Ato Público Ambiental em Copacabana reivindicam que as favelas sejam ouvidas e estejam no centro das decisões climáticas. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-39-scaled.jpg" alt="Integrantes da Rede Favela Sustentável que participaram do Ato Público Ambiental em Copacabana reivindicam que as favelas sejam ouvidas e estejam no centro das decisões climáticas. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-39-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-39-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-39-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-39-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-39-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82370" class="wp-caption-text">Alguns integrantes da Rede Favela Sustentável que participaram do Ato Público Ambiental em Copacabana reivindicam que as favelas sejam ouvidas e estejam no centro das decisões climáticas. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p>Após falas que abordaram diversos temas—saneamento precário, enchentes, falta de água e doenças de veiculação hídrica, além da <a href="https://bit.ly/47KvVNt">urgência de retomar um planejamento urbano voltado à preservação de áreas verdes nas cidades</a>, da reciclagem, da poluição do ar e da transição energética—o ato iniciou a marcha pela orla.</p>
<p>Ao final, a <a href="https://bit.ly/4fhkNMT">Carta Compromisso</a> do ato foi lida. Estava subscrita por mais de 210 grupos socioambientais e sindicais do estado do Rio de Janeiro. Dentre as pautas, estava a transformação radical da governança ambiental do estado, que deve ser pautada pela <a href="https://bit.ly/3wZrbkN" target="_blank" rel="noopener">justiça climática</a> e pelo combate ao racismo ambiental.</p>
<figure id="attachment_82371" aria-describedby="caption-attachment-82371" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-63-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82371 size-full" title="Puxando a frente da marcha, lia-se a faixa: “Por um Futuro Sustentável com Floresta Viva, Ar Puro, Água e Terra Para Todos e Mobilidade Urbana Mais Humana”. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-63-scaled.jpg" alt="Puxando a frente da marcha, lia-se a faixa: “Por um Futuro Sustentável com Floresta Viva, Ar Puro, Água e Terra Para Todos e Mobilidade Urbana Mais Humana”. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-63-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-63-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-63-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-63-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/AtoPublicoAmbiental_BarbaraDias-63-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82371" class="wp-caption-text">Puxando a frente da marcha, lia-se a faixa: “Por um Futuro Sustentável com Floresta Viva, Ar Puro, Água e Terra Para Todos e Mobilidade Urbana Mais Humana”. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p>No documento, há 23 reivindicações que podem ser divididas em nove eixos prioritários:</p>
<ol>
<li>A defesa da água como direito e não mercadoria;</li>
<li>A transição energética justa baseada em fontes renováveis;</li>
<li>O desmatamento zero nos biomas e nas cidades com restauração florestal urbana;</li>
<li>A despoluição das baías de Guanabara e <a href="https://bit.ly/4fucLgg" target="_blank" rel="noopener">Sepetiba</a>;</li>
<li>O monitoramento da qualidade do ar nos 92 municípios do estado, conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (<a href="https://bit.ly/3jcXDaQ" target="_blank" rel="noopener">OMS</a>);</li>
<li>O fortalecimento dos órgãos ambientais com concursos públicos e fiscalização;</li>
<li>A implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos com inclusão dos catadores;</li>
<li>A <a href="https://bit.ly/2PfAWGK" target="_blank" rel="noopener">agroecologia</a> e a<a href="https://bit.ly/2WslitN" target="_blank" rel="noopener"> soberania alimentar</a>; e</li>
<li>A consulta prévia a povos originários, quilombolas e comunidades tradicionais.</li>
</ol>
<h3><b>Veja Mais Fotos <a href="https://bit.ly/4veaAW0" target="_blank" rel="noopener">no Álbum</a>:</b></h3>
<p><a title="Ato Público Ambiental 2026, Copacabana, 31 de maio de 2026" href="https://www.flickr.com/photos/catcomm/albums/72177720333972265" data-flickr-embed="true"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://live.staticflickr.com/65535/55307400117_43c4744a34_h.jpg" alt="Ato Público Ambiental 2026, Copacabana, 31 de maio de 2026" width="1600" height="1200" /></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script></p>
<p><i><em>Sobre a autora: <a href="https://bit.ly/3Gc3OJU" target="_blank" rel="noopener">Bárbara Dias</a>, </em>cria de Bangu, Zona Oeste do Rio, é fotojornalista e fotógrafa documental desde 2016, com foco em direitos humanos, justiça socioambiental, religiosidades e territórios de favela. Comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (<em><a href="https://bit.ly/3i2GcdN" target="_blank" rel="noopener">NPC</a></em>) e graduanda em Jornalismo (UCAM), cofundou o <em><a href="https://bit.ly/3vfY8bj" target="_blank" rel="noopener">Coletivo Fotoguerrilha</a></em> (2016–2025). É l</i><i>icenciada em Biologia (UERJ), Mestre em Educação Ambiental (IFRJ) e professora da rede pública estadual.</i></p>
<hr />
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		<title>30 Anos Desde as Primeiras Promessas e 10 Após as Olimpíadas, a Despoluição da Baía de Guanabara Permanece Entrave Principal no Rio</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=82277</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Julio Santos Filho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 18:10:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Esta matéria faz parte da nossa série que reflete sobre os impactos dos megaeventos no Rio de Janeiro 10 anos após os Jogos Olímpicos Rio2016. É a primeira de uma série de reportagens e entrevistas realizadas pelo <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=82277" title="30 Anos Desde as Primeiras Promessas e 10 Após as Olimpíadas, a Despoluição da Baía de Guanabara Permanece Entrave Principal no Rio">[...]</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20644" aria-describedby="caption-attachment-20644" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/07/img_6807.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20644 size-full" title="Pescadores da Baía de Guanabara fizeram uma barqueata com cerca de 20 barcos. O protesto saiu da Praia do Zumbi, na Ilha do Governador, e foi até a Ilha Rasa exigindo a despoluição imediata da Baía de Guanabara, conforme prometido. Foto: Redes Sociais Rio Memórias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/07/img_6807.jpg" alt="Pescadores da Baía de Guanabara fizeram uma barqueata com cerca de 20 barcos. O protesto saiu da Praia do Zumbi, na Ilha do Governador, e foi até a Ilha Rasa exigindo a despoluição imediata da Baía de Guanabara, conforme prometido. Foto: Redes Sociais Rio Memórias" width="2000" height="1333" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/07/img_6807.jpg 2000w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/07/img_6807-620x413.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/07/img_6807-944x629.jpg 944w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/07/img_6807-768x512.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/07/img_6807-1024x682.jpg 1024w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-20644" class="wp-caption-text">Pescadores da Baía de Guanabara fizeram uma barqueata com cerca de 20 barcos. O protesto saiu da Praia do Zumbi, na Ilha do Governador, e foi até a Ilha Rasa exigindo a despoluição imediata da Baía de Guanabara, conforme prometido. Foto: Redes Sociais do <a href="https://www.facebook.com/MuseuRioMemorias">Rio Memórias</a></figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;"><em>Esta matéria faz parte da nossa série que reflete sobre os impactos dos megaeventos no Rio de Janeiro <a href="https://rioonwatch.org.br/?cat=2051" target="_blank" rel="noopener">10 anos após os Jogos Olímpicos Rio2016</a>.</em> É </span></i><em>a primeira de uma série de reportagens e entrevistas realizadas pelo <a href="https://bit.ly/3RGLa52" target="_blank" rel="noopener">Grupo CASA: Estudos Sociais Sobre Moradia e Cidade</a>, sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (<a href="https://bit.ly/433VRRM" target="_blank" rel="noopener">IESP</a>&#8211;<a href="https://bit.ly/2KQx9xm" target="_blank" rel="noopener">UERJ</a>), em parceria com o RioOnWatch. A série integra um projeto de extensão da UERJ cujo objetivo é divulgar para o público os resultados de pesquisas acadêmicas realizadas por pesquisadoras e pesquisadores associados ou egressos do Grupo CASA.</em></p>
<h3><strong>A Poluição da Baía de Guanabara como Problema Público</strong></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">É fácil identificar as causas da insalubridade das águas da </span><a href="https://bit.ly/31JbV98" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Baía de Guanabara</span></a><span style="font-weight: 400;">: ao longo da história, esgotos foram sendo despejados na baía, parte de suas </span><a href="https://bit.ly/4uBPv87" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">praias foram aterradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a poluição foi se tornando um </span><a href="https://bit.ly/3RyB32h" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">problema público</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_82309" aria-describedby="caption-attachment-82309" style="width: 1365px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82309 size-full" title="Bacia hidrográfica da Baía de Guanabara. Foto: Reprodução Secretaria Estadual de Meio Ambiente" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente.jpg" alt="Bacia hidrográfica da Baía de Guanabara. Foto: Reprodução Secretaria Estadual de Meio Ambiente" width="1365" height="1024" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente.jpg 1365w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente-620x465.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente-768x576.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente-678x509.jpg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente-326x245.jpg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Bacia-hidrografica-da-Baia-de-Guanabara.-Foto-Reproducao-Secretaria-Estadual-de-Ambiente-80x60.jpg 80w" sizes="(max-width: 1365px) 100vw, 1365px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82309" class="wp-caption-text">Bacia hidrográfica da Baía de Guanabara. Foto: Reprodução Secretaria Estadual de Meio Ambiente</figcaption></figure>
<figure id="attachment_50736" aria-describedby="caption-attachment-50736" style="width: 420px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Rio-de-Janeiros-poluicao-baia-de-Guanabara.-Foto-Julio-Santos-Filho-2020..jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-50736 size-full" title="Águas poluídas da Baía de Guanabara na orla da Praça do Zumbi, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, em 2020. Foto: Julio Santos Filho" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Rio-de-Janeiros-poluicao-baia-de-Guanabara.-Foto-Julio-Santos-Filho-2020..jpg" alt="Águas poluídas da Baía de Guanabara na orla da Praça do Zumbi, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, em 2020. Foto: Julio Santos Filho" width="420" height="864" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Rio-de-Janeiros-poluicao-baia-de-Guanabara.-Foto-Julio-Santos-Filho-2020..jpg 420w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Rio-de-Janeiros-poluicao-baia-de-Guanabara.-Foto-Julio-Santos-Filho-2020.-301x620.jpg 301w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Rio-de-Janeiros-poluicao-baia-de-Guanabara.-Foto-Julio-Santos-Filho-2020.-128x264.jpg 128w" sizes="(max-width: 420px) 100vw, 420px" /></a><figcaption id="caption-attachment-50736" class="wp-caption-text">Águas poluídas da Baía de Guanabara na orla da Praça do Zumbi, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, em 2020. Foto: Julio Santos Filho</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tentativas de despoluição já aconteceram sem sucesso. O projeto de maior repercussão e expectativa foi o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (</span><a href="https://bit.ly/4o3kCHd" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">PDBG</span></a><span style="font-weight: 400;">), assinado pelo então Governador Nilo Batista em 1994. As obras do PDBG tinham previsão de término para 1999 e estima-se que </span><a href="https://bit.ly/4dI7jbV" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">mais de US$1 bilhão</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenham sido investidos naquela época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O PDBG acabou por ser adiado e atravessou vários governos do país, até ser encerrado em 2007 sem ter cumprido a maioria de seus objetivos. F</span><span style="font-weight: 400;">oi considerado o maior plano sanitário na época. Ele englobava aspectos sanitários e ambientais e gerou uma expectativa social, que fez crescer o imaginário de purificação das águas da Baía de Guanabara. O objetivo do PDBG era tratar o esgoto lançado cotidianamente na baía </span><a href="https://bit.ly/4x2TT1x" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">em até 47%</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fim do PDBG ficou marcado como uma desilusão na questão de resolver o problema de sujeira na Baía de Guanabara.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Michel Misse Filho, autor da tese de doutorado </span><a href="https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/25147"><i><span style="font-weight: 400;">A Poluição como Problema Público: Um Século de Desigualdades Ambientais, Sociais e Urbanas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, defendida no IESP-UERJ em 2025, narra a história da poluição da baía. Ele explica qual o momento exato em que o problema da poluição se caracterizou como uma preocupação pública e discute as promessas e fracassos do PDBG. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os Jogos Olímpicos de 2016 surgiu outra promessa de despoluição. A intenção era realizar o </span><a href="https://bit.ly/4fjFkAl" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">tratamento de até 80%</span></a><span style="font-weight: 400;"> da carga de esgoto lançado na Baía de Guanabara. Nesse cenário, em 2012 foi constituído um novo plano de despoluição: o Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (</span><a href="https://bit.ly/4vkwDdK" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">PSAM</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O PSAM, como sucessor do PDBG, tinha como <a href="https://bit.ly/4uImfN0" target="_blank" rel="noopener">objetivo construir novas redes coletoras</a> para levar o esgoto até as estações de tratamento inoperantes. No entanto, essa promessa foi frustrada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com dados incluídos na tese de Michel Misse Filho, o PSAM, na realidade, pretendia realizar </span>“a construção de enormes Unidades de Tratamento de Rios (<a href="https://bit.ly/43GCyhu" target="_blank" rel="noopener">UTR</a>), que prescindiriam do esgotamento na casa das pessoas e tratariam o esgoto na foz dos rios, diminuindo o passivo ambiental da baía.”</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, em 2015, um ano antes das Olimpíadas, os objetivos do programa mudaram, deslocando o foco do esgoto, para o lixo flutuante. O objetivo em</span><span style="font-weight: 400;"> relação à Baía de Guanabara e as Olimpíadas mudou, de sua limpeza como legado para a população fluminense, para se estava ou não preparada para receber esportes aquáticos pontuais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa mudança foi marcada quando </span><a href="https://bit.ly/4ajyVBK" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">André Correa</span></a><span style="font-weight: 400;">, secretário estadual de meio ambiente do Governador <a href="https://bit.ly/36iS4Tx" target="_blank" rel="noopener">Pezão</a>, deu um </span><a href="https://bit.ly/4dTdlVQ" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">mergulho na baía</span></a><span style="font-weight: 400;"> alegando que era possível tomar banho assim como em Ipanema e na Barra da Tijuca. </span><span style="font-weight: 400;">Segundo ele, o desafio daquelas águas era o lixo flutuante, não o esgoto. E que um cenário com “lixo zero” era possível de existir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante disso, <a href="https://bit.ly/438G6ZG" target="_blank" rel="noopener">criaram as ecobarreiras</a>, que são estruturas montadas para impedir a passagem de lixo sólido e visível. Neste caso, ecobarreiras foram instaladas em rios oriundos da </span><span style="font-weight: 400;">região metropolitana do Rio</span> que desaguam na baía<span style="font-weight: 400;">. Essa ação reteve uma parcela significativa dos resíduos sólidos, mas não os resíduos principais, líquidos—esgoto.</span></p>
<figure id="attachment_23862" aria-describedby="caption-attachment-23862" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8019.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23862 size-full" title="O pescador José Vitor do Nascimento Raimundo espera por três horas e meia para poder atravessar a ecobarreira do Rio Sarapuí, na Baixada Fluminense, e trabalhar. A ecobarreira foi instalada pelo governo do estado para impedir o lixo flutuante de chegar à Baía de Guanabara, onde o rio deságua. Foto: Sophia Zaia" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8019.jpg" alt="O pescador José Vitor do Nascimento Raimundo espera por três horas e meia para poder atravessar a ecobarreira do Rio Sarapuí, na Baixada Fluminense, e trabalhar. A ecobarreira foi instalada pelo governo do estado para impedir o lixo flutuante de chegar à Baía de Guanabara, onde o rio deságua. Foto: Sophia Zaia" width="2000" height="1333" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8019.jpg 2000w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8019-620x413.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8019-944x629.jpg 944w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8019-768x512.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8019-1024x682.jpg 1024w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-23862" class="wp-caption-text">O pescador José Vitor do Nascimento Raimundo espera por três horas e meia para poder atravessar a ecobarreira do Rio Sarapuí, na Baixada Fluminense, e trabalhar. A ecobarreira foi instalada pelo governo do estado para impedir o lixo flutuante de chegar à Baía de Guanabara, onde o rio deságua. Foto: Sophia Zaia</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michel explica que o PDBG surge com a intenção de criar grandes estações de tratamento do esgoto que desaguava na Baía de Guanabara. Ele especifica que o programa foi sendo renovado, mas que suas metas ficaram muito abaixo do planejado e foi paralisado em meados de 2000. Já o PSAM, desenvolvido no contexto das Olimpíadas, buscava completar algumas das obras de esgotamento sanitário que o PDBG não fez. </span>“O PSAM segue até hoje, mas não foi executado a tempo das Olimpíadas. Foi executado ao longo dos anos em um ritmo menor do que o planejado originalmente&#8221;, diz Michel.</p>
<figure id="attachment_23874" aria-describedby="caption-attachment-23874" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8034.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23874 size-full" title="Raimundo olha o aglomerado de plantas gigóias, que nascem devido à alta concentração de esgoto nas águas, que ele deve percorrer para atravessar a ecobarreira e poder trabalhar. Foto: Sophia Zaia" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8034.jpg" alt="Raimundo olha o aglomerado de plantas gigóias, que nascem devido à alta concentração de esgoto nas águas, que ele deve percorrer para atravessar a ecobarreira e poder trabalhar. Foto: Sophia Zaia" width="2000" height="1333" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8034.jpg 2000w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8034-396x264.jpg 396w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8034-620x413.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8034-768x512.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2016/12/img_8034-1024x682.jpg 1024w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-23874" class="wp-caption-text">Raimundo olha o aglomerado de gigóias, que nascem devido à alta concentração de esgoto nas águas, que ele deve percorrer para atravessar a ecobarreira e poder trabalhar. Foto: Sophia Zaia</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michel exemplifica que a maior estação de tratamento de esgoto, a de Alegria, tinha previsão de tratar 5.000 litros por segundo, mas acabou tratando apenas 38% do plano inicial: </span>“O que acontece é que a população atendida por tratamento de esgoto na bacia drenante da Baía de Guanabara está em cerca de 24%. Ainda um número muito aquém do previsto. O prometido para as Olimpíadas seria de 80%.”</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A explicação para esses números baixos é que as redes de esgotamento a partir da casa das pessoas não foram feitas para transportar o esgoto. Não se investiu em infraestrutura para direcionar o esgoto produzido pela população para as estações de tratamento.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O tratamento de esgoto na casa das pessoas nunca foi colocado como a prioridade. Outras obras para as Olimpíadas foram tratadas como prioridade e a obra do saneamento básico não.” — Michel Misse Filho</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouca coisa mudou desde a promessa olímpica. Se passaram dez anos das Olimpíadas, mais de 30 anos desde as primeiras promessas de despoluição da Baía de Guanabara. </span><span style="font-weight: 400;">Contudo, uma das melhorias que pode ser descrita e atestada é a balneabilidade das praias do </span><a href="https://bit.ly/4dJ133E" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Flamengo, da Glória e de Botafogo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Michel, no entanto, relaciona essa melhoria como mais um fator que corrobora com a desigualdade socioambiental que estrutura a cidade: </span>“Mesmo durante a despoluição, a praia que passa a ter melhores condições de balneabilidade é uma praia em um bairro de elite.”</p>
<figure id="attachment_79678" aria-describedby="caption-attachment-79678" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Atual-estado-do-Canal-do-Cunha-na-altura-da-comunidade-Salsa-e-Merengue.-Foto-Amanda-Baroni.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-79678 size-full" title="Canal do Cunha na altura da comunidade Salsa e Merengue no final de 2025. Esse estreito canal da Baía de Guanabara separa o Complexo da Maré e do Caju da Ilha do Fundão. Foto: Amanda Baroni" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Atual-estado-do-Canal-do-Cunha-na-altura-da-comunidade-Salsa-e-Merengue.-Foto-Amanda-Baroni.jpg" alt="Canal do Cunha na altura da comunidade Salsa e Merengue no final de 2025. Esse estreito canal da Baía de Guanabara separa o Complexo da Maré e do Caju da Ilha do Fundão. Foto: Amanda Baroni" width="1600" height="900" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Atual-estado-do-Canal-do-Cunha-na-altura-da-comunidade-Salsa-e-Merengue.-Foto-Amanda-Baroni.jpg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Atual-estado-do-Canal-do-Cunha-na-altura-da-comunidade-Salsa-e-Merengue.-Foto-Amanda-Baroni-620x349.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Atual-estado-do-Canal-do-Cunha-na-altura-da-comunidade-Salsa-e-Merengue.-Foto-Amanda-Baroni-768x432.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Atual-estado-do-Canal-do-Cunha-na-altura-da-comunidade-Salsa-e-Merengue.-Foto-Amanda-Baroni-1536x864.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Atual-estado-do-Canal-do-Cunha-na-altura-da-comunidade-Salsa-e-Merengue.-Foto-Amanda-Baroni-678x381.jpg 678w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-79678" class="wp-caption-text">Canal do Cunha na altura da comunidade Salsa e Merengue no final de 2025. Esse estreito canal da Baía de Guanabara separa o Complexo da Maré e do Caju da Ilha do Fundão. Foto: Amanda Baroni</figcaption></figure>
<h3>A Poluição da Baía e a Desigualdade Social</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Historicamente, o Estado focou mais em soluções paliativas do que em resolver os problemas socioambientais da Baía de Guanabara. De acordo com Michel, há uma escassez crônica de atenção e recursos para resolver o problema do saneamento básico das favelas e das regiões periféricas do Rio de Janeiro. Sua tese traz essa reflexão, citando, por exemplo, que, ao longo da história, as praias da </span><a href="https://bit.ly/3qsTKRW" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Zona Norte</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram aterradas e receberam a maior concentração de poluição, enquanto as praias mais conhecidas atualmente permaneceram relativamente preservadas, mantendo a boa imagem que a </span><a href="https://bit.ly/2WL6FUi" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Zona Sul</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem hoje. Ele explica que, a poluição da baía não só é resultado de uma série de desigualdades, mas também é uma produtora de desigualdades.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A desigualdade relacionada à poluição da Baía de Guanabara é assunto do meu interesse porque comecei a perceber que, na Baía [de Guanabara], existe uma espécie de entrave para a redução das desigualdades do Rio de Janeiro [como um todo]&#8230; </span>A minha tese é que uma eventual despoluição da Baía de Guanabara, que incluísse a limpeza das praias dos subúrbios e da <a href="https://bit.ly/32JVvht" target="_blank" rel="noopener">Baixada Fluminense</a> seria uma alavanca para a redução das desigualdades sociais.” <span style="font-weight: 400;"> — Michel Misse Filho</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A baía é uma produtora dessas desigualdades em uma série de dimensões: na perda de praias suburbanas, da Baixada e de cidades do <a href="https://bit.ly/3V4qXG5" target="_blank" rel="noopener">Leste Fluminense</a>, nas sociabilidades que são afetadas com a degradação de pontos de lazer à beira mar, na saúde pública e em diversas outras questões socioambientais que há décadas esperam soluções.</span></p>
<figure id="attachment_82285" aria-describedby="caption-attachment-82285" style="width: 1152px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mobilizacao-de-pescadores-na-Petrobras.-Foto-Sindipetro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82285 size-full" title="Mobilização de pescadores em frente à sede da Petrobras no Rio de Janeiro. A empresa perpetrou um dos maiores crimes ambientais da história recente da Baia de Guanabara: um megavazamento de óleo no ano 2000. Até hoje, os pescadores da Baía aguardam reparações. Foto: Sindipetro" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mobilizacao-de-pescadores-na-Petrobras.-Foto-Sindipetro.jpg" alt="Mobilização de pescadores em frente à sede da Petrobras no Rio de Janeiro. A empresa perpetrou um dos maiores crimes ambientais da história recente da Baia de Guanabara: um megavazamento de óleo no ano 2000. Até hoje, os pescadores da Baía aguardam reparações. Foto: Sindipetro" width="1152" height="768" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mobilizacao-de-pescadores-na-Petrobras.-Foto-Sindipetro.jpg 1152w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mobilizacao-de-pescadores-na-Petrobras.-Foto-Sindipetro-620x413.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/06/Mobilizacao-de-pescadores-na-Petrobras.-Foto-Sindipetro-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1152px) 100vw, 1152px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82285" class="wp-caption-text">Mobilização de pescadores em frente à sede da Petrobras no Rio de Janeiro. A empresa perpetrou um dos maiores crimes ambientais da história recente da Baia de Guanabara: um megavazamento de óleo no ano 2000. Até hoje, os pescadores da baía aguardam reparações. Foto: Sindipetro</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michel cruzou dados de renda e raça para construir levantamentos para sua tese de doutorado. Durante a pesquisa, verificou quais localidades estão menos ou mais providas de esgotamento sanitário na cidade do Rio de Janeiro:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pude perceber que os bairros com maior proporção de população preta e parda são mais afetados pela ausência de saneamento básico… Periferias e favelas estão desproporcionalmente ausentes dessas infraestruturas de saneamento.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, há uma desigualdade socioambiental e racial explícita no contexto do saneamento básico da cidade. Michel descreve que estudar esses aspectos foi um dos desafios durante a pesquisa para sua tese</span><span style="font-weight: 400;">: </span>“Uma série de políticas urbanas que foram feitas ao longo de décadas acabaram alimentando a desigualdade&#8230; afetando mais as regiões periféricas [às margens da Baía de Guanabara] ao longo da história.”</p>
<hr />
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Com Início da Copa, Comunidades nas Cidades-Sede dos EUA e Canadá Reagem ao Aumento dos Aluguéis com o Termo Territorial Coletivo</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=82213</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clau Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2026 12:03:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#OlhoNaGentrificação]]></category>
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		<category><![CDATA[Termo Territorial Coletivo (TTC) / Community Land Trust (CLT)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Click Here for English Esta matéria faz parte da nossa série que reflete sobre os impactos dos megaeventos no Rio de Janeiro 10 anos após os Jogos Olímpicos Rio2016 e foi republicada com permissão e em <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=82213" title="Com Início da Copa, Comunidades nas Cidades-Sede dos EUA e Canadá Reagem ao Aumento dos Aluguéis com o Termo Territorial Coletivo">[...]</a></p>
<p>O post <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=82213">Com Início da Copa, Comunidades nas Cidades-Sede dos EUA e Canadá Reagem ao Aumento dos Aluguéis com o Termo Territorial Coletivo</a> apareceu primeiro em <a href="https://rioonwatch.org.br">RioOnWatch</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_82214" aria-describedby="caption-attachment-82214" style="width: 1194px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/TTCs-espalhados-pelo-mundo.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82214 size-full" title="Mapa Global de TTCs mostrando 627 Termos Territoriais Coletivos em todo o mundo em 24 de novembro de 2024. Fonte: Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos via Google My Maps" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/TTCs-espalhados-pelo-mundo.png" alt="Mapa Global de TTCs mostrando 627 Termos Territoriais Coletivos em todo o mundo em 24 de novembro de 2024. Fonte: Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos via Google My Maps" width="1194" height="374" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/TTCs-espalhados-pelo-mundo.png 1194w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/TTCs-espalhados-pelo-mundo-620x194.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/TTCs-espalhados-pelo-mundo-768x241.png 768w" sizes="(max-width: 1194px) 100vw, 1194px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82214" class="wp-caption-text">Mapa Global de TTCs mostrando 627 Termos Territoriais Coletivos em todo o mundo em 24 de novembro de 2024. Fonte: Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos via Google My Maps</figcaption></figure>
<p style="text-align: right;"><a href="https://bit.ly/USWorldCupRelease" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Click Here for English</strong></em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-15790" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2012/08/EN-standard-e1439583104716.jpg" alt="" width="20" height="20" /></a></p>
<p><em>Esta matéria faz parte da nossa série que reflete sobre os impactos dos megaeventos no Rio de Janeiro <a href="https://rioonwatch.org.br/?cat=2051" target="_blank" rel="noopener">10 anos após os Jogos Olímpicos Rio2016</a> e foi republicada com permissão e em colaboração com o <a href="https://www.cltweb.org/">Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos</a>.</em></p>
<p><em>Na América do Norte, de Los Angeles a Toronto, Termos Territoriais Coletivos de cidades-sede da <a href="https://bit.ly/2Rb4tSC">Copa do Mundo</a> vêm protegendo seus bairros da especulação imobiliária. No mês que antecede a Copa do Mundo FIFA 2026, perguntam: quem se beneficia com este torneio?</em></p>
<p>28 de maio de 2026 — Nas semanas que antecedem as atividades da <a href="https://bit.ly/2Rb4tSC">Copa do Mundo</a> FIFA 2026 em 16 cidades da América do Norte, algo previsível já vem acontecendo nas comunidades anfitriãs: aluguéis subindo, investidores rondando e moradores antigos assistindo seus bairros serem reprecificados para a celebração dos outros.</p>
<p>Prevê-se que as tarifas dos hotéis <a href="http://glo.bo/4uuknax">aumentem em até 300%</a> durante os jogos de abertura. Em alguns bairros das cidades-sede, diárias no Airbnb já ultrapassam US$6,000 (aproximadamente R$30 mil). Estima-se que <a href="https://bit.ly/49rkhrP">6,5 milhões de visitantes desembarquem</a> na América do Norte ao longo das seis semanas do campeonato—uma mina de ouro para especuladores imobiliários e um alerta preocupante para o resto da população.</p>
<p>Mas em cada uma das cidades anfitriãs, as comunidades locais têm feito muito mais do que assistir caladas. De Los Angeles a Toronto, Termos Territoriais Coletivos de cidades-sede da Copa vêm mostrando o que acontece em seus bairros quando a questão da terra deixa de ser tema de qualquer debate sobre moradia digna—por meio de uma solução permanente e coletiva.</p>
<figure id="attachment_82220" aria-describedby="caption-attachment-82220" style="width: 1263px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/16-cidades-sedes-Copa-do-Mundo-Fifa-2026.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82220 size-full" title="Cidades-sede da Copa do Mundo FIFA 2026 na América do Norte, onde estima-se que 6,5 milhões de visitantes circulem ao longo das seis semanas do campeonato. Fonte: Mapa de Babelia via Wikimedia Commons, traduzido e adaptado pelo RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/16-cidades-sedes-Copa-do-Mundo-Fifa-2026.png" alt="Cidades-sede da Copa do Mundo FIFA 2026 na América do Norte, onde estima-se que 6,5 milhões de visitantes circulem ao longo das seis semanas do campeonato. Fonte: Mapa de Babelia via Wikimedia Commons, traduzido e adaptado pelo RioOnWatch" width="1263" height="1245" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/16-cidades-sedes-Copa-do-Mundo-Fifa-2026.png 1263w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/16-cidades-sedes-Copa-do-Mundo-Fifa-2026-620x611.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/16-cidades-sedes-Copa-do-Mundo-Fifa-2026-768x757.png 768w" sizes="(max-width: 1263px) 100vw, 1263px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82220" class="wp-caption-text">Cidades-sede da Copa do Mundo FIFA 2026 na América do Norte, onde estima-se que 6,5 milhões de visitantes circulem ao longo das seis semanas do campeonato. Fonte: Mapa de Babelia via Wikimedia Commons, traduzido e adaptado pelo <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<h3>O que é um Termo Territorial Coletivo?</h3>
<p>Um Termo Territorial Coletivo (<a href="https://bit.ly/2Z09626">TTC</a>) é uma organização sem fins lucrativos de governança comunitária que adquire terras e as mantém sob gestão coletiva de forma permanente. As casas construídas nessas terras podem ser compradas e vendidas, mas a terra sob elas permanece nas mãos da comunidade, mantendo os preços acessíveis por meio de contratos de arrendamento de longo prazo. O resultado: nada de disparada de investimentos, nada de especulação imobiliária, nada de remoções.</p>
<p>O modelo surgiu em 1969, dentro do Movimento pelos Direitos Civis nos EUA, a partir da <a href="https://bit.ly/4dS1tEE">New Communities, Inc.</a>, em Albany, Geórgia—uma organização fundada por agricultores e mobilizadores negros que precisavam de acesso a terras que ninguém pudesse lhes tomar. Hoje, existem mais de 600 TTCs operando em todo o mundo, de acordo com o <a href="https://bit.ly/4wDwVOs">Mapa e Lista Global de TTCs</a> do Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos. As quatro organizações apresentadas neste comunicado estão entre elas: todas enraizadas em cidades-sede da Copa do Mundo e realizando esse trabalho muito antes da chegada das câmeras.</p>
<h3>Houston: Termo Territorial Coletivo de Houston</h3>
<p>A relação de Houston com a Copa do Mundo tem sido complicada desde o início. Embora a cidade tenha abraçado o torneio com genuíno entusiasmo—o futebol está profundamente enraizado na cultura de Houston, e o time da casa, Dynamo, conta com uma torcida local apaixonada—a realidade de sediar o evento já se faz evidente. Recursos públicos e filantrópicos foram direcionados para projetos de infraestrutura e empreendimentos comerciais em preparação para os jogos, mas grande parte desse investimento se concentrou em áreas onde a gentrificação e as remoções já estavam em curso. Para os moradores mais vulneráveis de Houston, que já enfrentam altos custos de moradia, esses empreendimentos contribuirão para preços ainda mais altos muito depois do apito final. Enquanto isso, muitos proprietários de baixa renda que esperavam lucrar alugando suas casas durante o torneio descobriram não ter condições de arcar com os custos e a complexidade de anunciar seus imóveis, deixando os maiores ganhos para investidores.</p>
<blockquote><p>“Os proprietários atendidos pelo <a href="https://bit.ly/367NB8V">Termo Territorial Coletivo de Houston</a> estão em boa situação. Seus custos com moradia estão estabilizados, então estão razoavelmente protegidos contra remoções causadas pelos empreendimentos impulsionados pela Copa do Mundo. Mas uma única casa ou proprietário não constituem uma comunidade inteira. Se outras pessoas correm o risco de ser expulsas de seus bairros por causa de um evento de curta duração, precisamos nos perguntar: isso realmente vale a pena para alguém?” — Ashley Allen, Diretora Executiva do Termo Territorial Coletivo de Houston</p></blockquote>
<figure id="attachment_82216" aria-describedby="caption-attachment-82216" style="width: 2074px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Montagem-Houston-Release-Copa-do-Mundo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82216 size-full" title="Embora os proprietários atendidos pelo TTC de Houston estejam protegidos, muitos dos moradores mais vulneráveis da cidade temem que os investimentos públicos e filantrópicos ligados à Copa do Mundo tornem seus bairros cada vez menos acessíveis. Enquanto isso, o NRG Stadium já recebeu US$55 milhões (aproximadamente R$277 milhões) em investimentos—uma fração dos quase US$2 bilhões (cerca de R$10 bilhões) que deverão ser gastos ao longo dos próximos 30 anos. Fotomontagem: TTC de Houston e foto do NRG Stadium por WhisperToMe via Wikimedia Commons" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Montagem-Houston-Release-Copa-do-Mundo.jpg" alt="Embora os proprietários atendidos pelo TTC de Houston estejam protegidos, muitos dos moradores mais vulneráveis da cidade temem que os investimentos públicos e filantrópicos ligados à Copa do Mundo tornem seus bairros cada vez menos acessíveis. Enquanto isso, o NRG Stadium já recebeu US$55 milhões (aproximadamente R$277 milhões) em investimentos—uma fração dos quase US$2 bilhões (cerca de R$10 bilhões) que deverão ser gastos ao longo dos próximos 30 anos. Fotomontagem: TTC de Houston e foto do NRG Stadium por WhisperToMe via Wikimedia Commons" width="2074" height="650" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Montagem-Houston-Release-Copa-do-Mundo.jpg 2074w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Montagem-Houston-Release-Copa-do-Mundo-620x194.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Montagem-Houston-Release-Copa-do-Mundo-768x241.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Montagem-Houston-Release-Copa-do-Mundo-1536x481.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Montagem-Houston-Release-Copa-do-Mundo-2048x642.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2074px) 100vw, 2074px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82216" class="wp-caption-text">Embora os proprietários atendidos pelo TTC de Houston estejam protegidos, muitos dos moradores mais vulneráveis da cidade temem que os investimentos públicos e filantrópicos ligados à Copa do Mundo tornem seus bairros cada vez menos acessíveis. Enquanto isso, o NRG Stadium já recebeu US$55 milhões (aproximadamente R$277 milhões) em investimentos—uma fração dos quase US$2 bilhões (cerca de R$10 bilhões) que deverão ser gastos ao longo dos próximos 30 anos. Fotomontagem: TTC de Houston e foto do NRG Stadium por WhisperToMe via Wikimedia Commons</figcaption></figure>
<h3>Coalizão de Termos Territoriais Coletivos de Los Angeles</h3>
<p>Comunidades de diversos bairros de Los Angeles, historicamente marcados por práticas discriminatórias de crédito imobiliário, desinvestimento e exclusão, encontram-se na linha de frente das remoções impulsionadas pela especulação imobiliária ligada à Copa do Mundo e às Olimpíadas de 2028. Há décadas, Termos Territoriais Coletivos de Los Angeles vêm trabalhando para adquirir terras, construir moradias permanentemente acessíveis e proteger inquilinos de remoções, ancorando a estabilidade comunitária em locais como South LA, Boyle Heights e outros ainda. Em resposta às crescentes pressões do mercado, que colocaram os aluguéis e a compra da casa própria fora do alcance de muitos moradores, a coalizão vem construindo um ecossistema mais amplo de habitação social e propriedade comunitária, baseado na gestão coletiva e na acessibilidade de longo prazo. Após os recentes incêndios florestais, a coalizão também vem promovendo políticas para conter a aquisição especulativa de imóveis durante a recuperação, incluindo a defesa das <a href="https://bit.ly/4wEAhAJ">TOPA/COPA</a> [legislações que ajudam a priorizar a compra de imóveis por inquilinos ou organizações sem fins lucrativos, ainda não aprovadas em muitas cidades], de um banco público de terras e de restrições à compra de imóveis por empresas para manter as terras nas mãos da comunidade. Esses esforços refletem uma estratégia proativa para garantir que a recuperação em caso de desastres naturais e investimentos globais não ocorram às custas das mesmas comunidades que sustentam Los Angeles há gerações.</p>
<blockquote><p>“Acessibilidade permanente significa que, independentemente de quantos megaeventos cheguem a Los Angeles, nossas comunidades não serão expulsas para dar lugar ao lucro—significa que moradores poderão permanecer, construir e transmitir estabilidade, mesmo enquanto investimentos globais continuarem a reconfigurar nossa cidade.” — <a href="https://bit.ly/4unl7yi">Coalizão de Termos Territoriais Coletivos de Los Angeles</a></p></blockquote>
<figure id="attachment_82228" aria-describedby="caption-attachment-82228" style="width: 1920px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Vista-aerea-de-Los-Angeles-e-do-SoFi-Stadium-durante-sua-construcao-em-2017.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82228 size-full" title="Vista aérea do SoFi Stadium durante sua construção em 2017. Localizado em Inglewood, um subúrbio de renda média de Los Angeles, o SoFi Stadium, avaliado em US$5,5 bilhões (cerca de R$27,8 bilhões), é o estádio mais caro já construído e sediará partidas da Copa do Mundo, além da cerimônia de abertura e competições de natação das Olimpíadas de 2028. Foto: Column-sitter, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Vista-aerea-de-Los-Angeles-e-do-SoFi-Stadium-durante-sua-construcao-em-2017.png" alt="Vista aérea do SoFi Stadium durante sua construção em 2017. Localizado em Inglewood, um subúrbio de renda média de Los Angeles, o SoFi Stadium, avaliado em US$5,5 bilhões (cerca de R$27,8 bilhões), é o estádio mais caro já construído e sediará partidas da Copa do Mundo, além da cerimônia de abertura e competições de natação das Olimpíadas de 2028. Foto: Column-sitter, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons" width="1920" height="1076" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Vista-aerea-de-Los-Angeles-e-do-SoFi-Stadium-durante-sua-construcao-em-2017.png 1920w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Vista-aerea-de-Los-Angeles-e-do-SoFi-Stadium-durante-sua-construcao-em-2017-620x347.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Vista-aerea-de-Los-Angeles-e-do-SoFi-Stadium-durante-sua-construcao-em-2017-768x430.png 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Vista-aerea-de-Los-Angeles-e-do-SoFi-Stadium-durante-sua-construcao-em-2017-1536x861.png 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Vista-aerea-de-Los-Angeles-e-do-SoFi-Stadium-durante-sua-construcao-em-2017-678x381.png 678w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82228" class="wp-caption-text">Vista aérea do SoFi Stadium durante sua construção em 2017. Localizado em Inglewood, um subúrbio de renda média de Los Angeles, o SoFi Stadium, avaliado em US$5,5 bilhões (cerca de R$27,8 bilhões), é o estádio mais caro já construído e sediará partidas da Copa do Mundo, além da cerimônia de abertura e competições de natação das Olimpíadas de 2028. Foto: Column-sitter, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons</figcaption></figure>
<h3>Toronto: Termo Territorial Coletivo de Kensington Market (KMCLT)</h3>
<p>Toronto está entre os mercados imobiliários mais inacessíveis da América do Norte, e a chegada da Copa do Mundo acelerou a especulação em torno de aluguéis por temporada em bairros já sob forte pressão—como Kensington Market, um bairro eclético e socialmente diverso que há muito vem servindo de ponto de chegada para novos imigrantes. Kensington Market é uma comunidade vibrante de inquilinos, polo de empreendedorismo e destino para mentes criativas e turistas—exatamente o tipo de lugar que a especulação ameaça esvaziar. Em meio às crescentes remoções de inquilinos da classe trabalhadora, o <a href="https://bit.ly/4uSF2oA">Termo Territorial Coletivo de Kensington Market</a> vem oferecendo aos moradores e pequenas empresas um porto seguro: o KMCLT detém coletivamente três edifícios de uso misto com 40 espaços residenciais e 17 comerciais para aluguel, e está construindo 78 unidades de custo extremamente acessível.</p>
<blockquote><p>“O KMCLT luta há anos contra hotéis-fantasma sem regulamentação. Um lugar especial como Kensington Market é feito daquele delicado equilíbrio entre destino turístico e vida comunitária. Embora aluguéis por temporada sem nenhuma regulamentação e megaeventos ameacem esta equação, o KMCLT se mantém firme ao lado da comunidade.” — Dominique Russell, Codiretora do Termo Territorial Coletivo de Kensington Market (KMCLT)</p></blockquote>
<figure id="attachment_82232" aria-describedby="caption-attachment-82232" style="width: 1750px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/KMCLT-PromoShoot-March2024-300-reproducao-do-site.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82232 size-full" title="54/56 Kensington Ave, uma das propriedades do Termo Territorial Coletivo de Kensington Market, reúne moradia acessível e espaços comerciais em um dos bairros de Toronto mais pressionados pelas ameaças de remoção. O icônico mural da Mona Lisa, restaurado em 2025 por seu artista original, Peter Matyas, hoje traz uma mensagem renovada: este prédio pertence à comunidade. Foto: Reprodução do site do Termo Territorial Coletivo de Kensington Market" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/KMCLT-PromoShoot-March2024-300-reproducao-do-site.jpg" alt="54/56 Kensington Ave, uma das propriedades do Termo Territorial Coletivo de Kensington Market, reúne moradia acessível e espaços comerciais em um dos bairros de Toronto mais pressionados pelas ameaças de remoção. O icônico mural da Mona Lisa, restaurado em 2025 por seu artista original, Peter Matyas, hoje traz uma mensagem renovada: este prédio pertence à comunidade. Foto: Reprodução do site do Termo Territorial Coletivo de Kensington Market" width="1750" height="1400" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/KMCLT-PromoShoot-March2024-300-reproducao-do-site.jpg 1750w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/KMCLT-PromoShoot-March2024-300-reproducao-do-site-620x496.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/KMCLT-PromoShoot-March2024-300-reproducao-do-site-768x614.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/KMCLT-PromoShoot-March2024-300-reproducao-do-site-1536x1229.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1750px) 100vw, 1750px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82232" class="wp-caption-text">54/56 Kensington Ave, uma das propriedades do Termo Territorial Coletivo de Kensington Market, reúne moradia acessível e espaços comerciais em um dos bairros de Toronto mais pressionados pelas ameaças de remoção. O icônico mural da Mona Lisa, restaurado em 2025 por seu artista original, <a href="https://bit.ly/49JqZJP">Peter Matyas</a>, hoje traz uma mensagem renovada: este prédio pertence à comunidade. Foto: Reprodução do site do Termo Territorial Coletivo de Kensington Market</figcaption></figure>
<h3>Vancouver: Hogan’s Alley Society</h3>
<p>A Hogan’s Alley Society (HAS) é uma organização sem fins lucrativos de liderança negra. Seu nome é uma homenagem a Hogan’s Alley, primeiro bairro negro de Vancouver, destruído pelas políticas de revitalização urbana e pela construção dos viadutos Georgia e Dunsmuir na década de 1970. A HAS lidera iniciativas voltadas ao bem-estar de afrodescendentes por meio de moradias inclusivas, programação culturalmente referenciada e empreendimentos impulsionados pela comunidade. A organização é guiada por um compromisso legítimo com a revitalização de Hogan’s Alley e com a articulação junto a outras comunidades que lutam pela justiça coletiva.</p>
<p>Embora o Hogan’s Alley Block continue sendo seu principal projeto, a HAS vem expandindo seu trabalho por meio do Termo Territorial Coletivo Hogan’s Alley Society (HASCLT), uma iniciativa focada na criação de moradias e espaços comunitários culturalmente enraizados e permanentemente acessíveis em toda a região metropolitana de Vancouver. Por meio da educação pública, de passeios a pé e de iniciativas de assistência comunitária, como seu próprio programa de apoio à moradia, a HAS se empenha para garantir que comunidades negras tenham um lugar duradouro no futuro da cidade. Em uma cidade onde a <a href="https://bit.ly/42GqTPt">rígida regulamentação sobre aluguéis por temporada</a> já fez disparar os preços das acomodações muito antes da Copa do Mundo—agravando uma crise de acesso à moradia que já vinha se aprofundando há anos—esse trabalho nunca foi tão urgente.</p>
<blockquote><p>“Na HAS, nossos esforços contra novas remoções vão muito além de combater apenas a perda de estruturas físicas. Quando comunidades são expulsas, perdemos pontos de encontro, relacionamentos, memória cultural e o tecido social que permite às pessoas se sentirem enraizadas e amparadas. Numa cidade como Vancouver, sobretudo em momentos de desenvolvimento acelerado ligados a eventos globais como a Copa do Mundo, é essencial que a gestão da terra seja comunitária porque ela abre caminhos para que comunidades continuem presentes, conectadas e autodeterminadas pelas próximas gerações. O Termo Territorial Coletivo Hogan’s Alley Society é uma das formas pelas quais passamos da sobrevivência temporária para a construção de um pertencimento de longo prazo.” — Djaka Blais, Hogan’s Alley Society, Vancouver</p></blockquote>
<figure id="attachment_82233" aria-describedby="caption-attachment-82233" style="width: 1920px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-BC-Place-em-Vancouver-esta-passando-por-reformas-orcadas-em-181-milhoes-de-dolares-foto-Christoph-Strassler.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82233 size-full" title="O BC Place está passando por reformas de US$181 milhões (cerca de R$915 milhões) financiadas com dinheiro público para sediar sete partidas da Copa do Mundo em uma cidade que enfrenta dificuldades para oferecer moradia acessível a seus próprios moradores—quanto mais acomodar os cerca de 350 mil visitantes esperados durante o evento. Assim, o investimento levanta questões mais amplas sobre os custos e prioridades envolvidos em sediar megaeventos como a Copa do Mundo. Foto: Christoph Strässler, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-BC-Place-em-Vancouver-esta-passando-por-reformas-orcadas-em-181-milhoes-de-dolares-foto-Christoph-Strassler.jpg" alt="O BC Place está passando por reformas de US$181 milhões (cerca de R$915 milhões) financiadas com dinheiro público para sediar sete partidas da Copa do Mundo em uma cidade que enfrenta dificuldades para oferecer moradia acessível a seus próprios moradores—quanto mais acomodar os cerca de 350 mil visitantes esperados durante o evento. Assim, o investimento levanta questões mais amplas sobre os custos e prioridades envolvidos em sediar megaeventos como a Copa do Mundo. Foto: Christoph Strässler, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons" width="1920" height="1080" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-BC-Place-em-Vancouver-esta-passando-por-reformas-orcadas-em-181-milhoes-de-dolares-foto-Christoph-Strassler.jpg 1920w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-BC-Place-em-Vancouver-esta-passando-por-reformas-orcadas-em-181-milhoes-de-dolares-foto-Christoph-Strassler-620x349.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-BC-Place-em-Vancouver-esta-passando-por-reformas-orcadas-em-181-milhoes-de-dolares-foto-Christoph-Strassler-768x432.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-BC-Place-em-Vancouver-esta-passando-por-reformas-orcadas-em-181-milhoes-de-dolares-foto-Christoph-Strassler-1536x864.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-BC-Place-em-Vancouver-esta-passando-por-reformas-orcadas-em-181-milhoes-de-dolares-foto-Christoph-Strassler-678x381.jpg 678w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82233" class="wp-caption-text">O BC Place está passando por reformas de US$181 milhões (cerca de R$915 milhões) financiadas com dinheiro público para sediar sete partidas da Copa do Mundo em uma cidade que enfrenta dificuldades para oferecer moradia acessível a seus próprios moradores—quanto mais acomodar os cerca de 350 mil visitantes esperados durante o evento. Assim, o investimento levanta questões mais amplas sobre os custos e prioridades envolvidos em sediar megaeventos como a Copa do Mundo. Foto: Christoph Strässler, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons</figcaption></figure>
<h3>Esta Não É a Primeira Vez</h3>
<p>As cidades apresentadas neste release não são as primeiras a enfrentar esse tipo de pressão. Quando o Rio de Janeiro sediou a Copa do Mundo de 2014 e, apenas dois anos depois, as <a href="http://bit.ly/2x1r6O2">Olimpíadas de 2016</a>, as favelas da cidade enfrentaram um intenso processo de remoções com a aceleração da especulação imobiliária antecedendo os dois eventos. Nos anos seguintes, a ONG Comunidades Catalisadoras (<a href="https://bit.ly/3AHqQIw">ComCat</a>) trabalhou com moradores de favelas para adaptar o modelo de <em>community land trusts</em>, conhecido no Brasil como Termo Territorial Coletivo (TTC) ao contexto local, ajudando a lançar a <a href="https://bit.ly/4mqRnfH">primeira iniciativa de TTCs do país</a>. Essa experiência é hoje uma referência para articuladores e TTCs de todo o mundo. Megaeventos oferecem a especuladores imobiliários uma oportunidade única que, em alguns casos, gera e, em outros, agrava crises habitacionais.</p>
<blockquote><p>“<a href="http://bit.ly/1TCUopn">80,000 pessoas</a> foram despejadas de suas casas por causa do ‘<a href="http://bit.ly/2xDQE1E">estado de exceção</a>’ criado pela escolha do Rio como sede das finais da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, inclusive em comunidades com concessões de uso de 99 anos garantidas pelo governo estadual. Isso sem falar daquelas que possuíam títulos de propriedade e que vivenciaram os primeiros processos de gentrificação de favelas na história do Rio. Nos dois casos, favelas estabelecidas, consolidadas e bem estruturadas foram privadas de seu direito à terra e da possibilidade de permanecer nas comunidades que elas próprias construíram. Depois de testemunhar isso lado a lado com nossos parceiros nas favelas, demos início ao Projeto Termo Territorial Coletivo. Hoje, cinco cidades brasileiras recomendam os TTCs em seus Planos Diretores. Esperamos lançar o primeiro TTC do país em breve.” — Theresa Williamson, urbanista e Diretora Executiva da Comunidades Catalisadoras</p></blockquote>
<figure id="attachment_82238" aria-describedby="caption-attachment-82238" style="width: 1030px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Plano-Diretor-Sao-Joao-de-Meriti-e-a-primeira-lei-brasileira-a-prever-o-Termo-Territorial-Coletivo.-e1660603860434-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82238 size-full" title="Primeiro do país a regulamentar os Termos Territoriais Coletivos, o Plano Diretor de São João de Meriti estabeleceu a ferramenta como um modelo de titulação de terras que promove sua gestão coletiva, protege o direito de comunidades permanecerem em seus territórios, promove a moradia acessível e estimula o desenvolvimento local. A iniciativa ajudou a abrir caminho para o lançamento do primeiro TTC do Brasil em breve. Foto: Projeto TTC/ComCat" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Plano-Diretor-Sao-Joao-de-Meriti-e-a-primeira-lei-brasileira-a-prever-o-Termo-Territorial-Coletivo.-e1660603860434-1.png" alt="Primeiro do país a regulamentar os Termos Territoriais Coletivos, o Plano Diretor de São João de Meriti estabeleceu a ferramenta como um modelo de titulação de terras que promove sua gestão coletiva, protege o direito de comunidades permanecerem em seus territórios, promove a moradia acessível e estimula o desenvolvimento local. A iniciativa ajudou a abrir caminho para o lançamento do primeiro TTC do Brasil em breve. Foto: Projeto TTC/ComCat" width="1030" height="480" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Plano-Diretor-Sao-Joao-de-Meriti-e-a-primeira-lei-brasileira-a-prever-o-Termo-Territorial-Coletivo.-e1660603860434-1.png 1030w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Plano-Diretor-Sao-Joao-de-Meriti-e-a-primeira-lei-brasileira-a-prever-o-Termo-Territorial-Coletivo.-e1660603860434-1-620x289.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Plano-Diretor-Sao-Joao-de-Meriti-e-a-primeira-lei-brasileira-a-prever-o-Termo-Territorial-Coletivo.-e1660603860434-1-768x358.png 768w" sizes="(max-width: 1030px) 100vw, 1030px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82238" class="wp-caption-text">Primeiro do país a regulamentar os Termos Territoriais Coletivos, o <a href="https://bit.ly/PlanoDiretorSJM">Plano Diretor de São João de Meriti</a> estabeleceu a ferramenta como um modelo de titulação de terras que promove sua gestão coletiva, protege o direito de comunidades permanecerem em seus territórios, promove a moradia acessível e estimula o desenvolvimento local. A iniciativa ajudou a abrir caminho para o lançamento do primeiro TTC do Brasil em breve. Foto: Projeto TTC/ComCat</figcaption></figure>
<h3>Um Movimento que Levou 57 Anos para Ser Construído</h3>
<p>O que começou com uma organização em Albany, Geórgia, em 1969, hoje reúne mais de 600 TTCs em dezenas de países—com novas organizações sendo fundadas todos os meses, principalmente em cidades que enfrentam <a href="https://bit.ly/3YpOGlN">rápida gentrificação e vulnerabilidade climática</a>. Em 15 de maio, a comunidade global de TTCs celebrou seu 5º <a href="https://bit.ly/4wDUuXd">Dia Mundial do TTC</a>, um momento dedicado a celebrar os termos territoriais coletivos ao redor do mundo, conectar as comunidades que formam o movimento e ampliar a visibilidade do trabalho realizado em bairros como os apresentados aqui.</p>
<p>O Dia Mundial do TTC deste ano foi marcado pela primeira <a href="https://bit.ly/4feCyfJ">Cúpula Virtual Global de TTCs 2026</a>, uma série gratuita de eventos online que acontece ao longo de seis semanas, entre os dias 5 de maio e 10 de junho. Concebida para reivindicar e honrar as tradições de lideranças negras e indígenas que deram origem ao modelo TTC, a Cúpula reúne profissionais, moradores, mobilizadores, pesquisadores e aliados de todo o movimento para compartilhar experiências, refletir sobre suas práticas e fortalecer a gestão comunitária de terras em todo o mundo. Organizada em parceria pelo Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos e pelo <a href="https://bit.ly/4tVvhW0">Termo Territorial Coletivo de Rondo</a>, com apoio da <a href="https://bit.ly/4uTx6U4">Fundação Robert Wood Johnson</a>, a Cúpula é gratuita e aberta a todos. Participe de um dos eventos ou acompanhe a série completa de seis semanas <a href="https://bit.ly/4feCyfJ">aqui</a>.</p>
<p>O Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos, que mantém a lista global de TTCs e apoia o desenvolvimento de TTCs em todo o mundo, conecta profissionais de diferentes regiões e coordena a crescente infraestrutura global do movimento. As organizações aqui apresentadas não esperaram a Copa do Mundo para começar esse trabalho e não vão parar quando ela terminar.</p>
<p><a href="https://bit.ly/4vjKPnu"><em>Aprenda mais sobre Termos Territoriais Coletivos</em></a></p>
<p><em>Este release pode ser republicado livremente. Encorajamos os veículos de mídia a entrarem em contato diretamente com os representantes dos TTCs em suas respectivas cidades para obter perspectivas locais, citações adicionais e histórias de moradores.</em></p>
<h3>Contatos para a Imprensa:</h3>
<p><b>Houston: </b><span style="font-weight: 400;">Ashley Allen, Termo Territorial Coletivo de Houston | E-mail: </span><a href="mailto:ashley@houstonclt.org"><span style="font-weight: 400;">ashley@houstonclt.org</span></a><span style="font-weight: 400;"> | Telefone: +1 (832) 638-6763</span></p>
<p><b>Los Angeles: </b><span style="font-weight: 400;">Jessica Melendez, T.R.U.S.T. South LA | E-mail: </span><a href="mailto:jessica@trustsouthla.org"><span style="font-weight: 400;">jessica@trustsouthla.org</span></a><span style="font-weight: 400;"> | Telefone: +1 (323) 233-4118</span></p>
<p><b>Toronto: </b><span style="font-weight: 400;">Dominique Russell, Termo Territorial Coletivo de Kensington Market | E-mail: </span><a href="mailto:dominique@kmclt.ca"><span style="font-weight: 400;">dominique@kmclt.ca</span></a></p>
<p><b>Vancouver: </b><span style="font-weight: 400;">Djaka Blais, Hogan’s Alley Society | Email: </span><a href="mailto:djaka@hogansalleysociety.org"><span style="font-weight: 400;">djaka@hogansalleysociety.org</span></a><span style="font-weight: 400;">| Telefone: +1 (778) 200-1003</span></p>
<p><b>Contexto brasileiro: </b><span style="font-weight: 400;">Theresa Williamson, Comunidades Catalisadoras — </span><a href="mailto:press@catcomm.org"><span style="font-weight: 400;">imprensa@comcat.org</span></a><span style="font-weight: 400;"> | WhatsApp: +55-21-991976444</span></p>
<p><b>Contexto internacional: </b><span style="font-weight: 400;">Ben Harris, Centro Internacional para Termos Territoriais Coletivos — </span><a href="mailto:ben@communitylandtrust.net"><span style="font-weight: 400;">ben@communitylandtrust.net</span></a><span style="font-weight: 400;"> | Telefone: +1 (706) 536-8603</span></p>
<hr />
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		<title>Estudo Comprova que Violência Viola Direito à Educação no Rio de Janeiro: ‘Muito Tiro Pouca Aula, Pouca Aula Mais Bandido’</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=82186</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Julio Santos Filho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 18:29:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Escrito por Comunicadores Populares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na Zona Norte do Rio de Janeiro, sair de casa para ir à escola pode significar atravessar um território marcado pela incerteza. Em dias de operação policial ou confronto armado, o caminho até a sala <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=82186" title="Estudo Comprova que Violência Viola Direito à Educação no Rio de Janeiro: &#8216;Muito Tiro Pouca Aula, Pouca Aula Mais Bandido&#8217;">[...]</a></p>
<p>O post <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=82186">Estudo Comprova que Violência Viola Direito à Educação no Rio de Janeiro: &#8216;Muito Tiro Pouca Aula, Pouca Aula Mais Bandido&#8217;</a> apareceu primeiro em <a href="https://rioonwatch.org.br">RioOnWatch</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_82223" aria-describedby="caption-attachment-82223" style="width: 1030px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Pichacao-com-os-dizeres-Muito-tiro-pouca-aula-pouca-aula-mais-bandido-localizada-proxima-a-passarela-9-da-Avenida-Brasil-na-entrada-da-Mare.-Foto-Redes-Sociais-e1779915313402.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82223 size-full" title="Pichação com os dizeres “Muito tiro pouca aula, pouca aula mais bandido!” localizada próxima à passarela 9 da Avenida Brasil, na entrada da Maré. Foto: Redes Sociais" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Pichacao-com-os-dizeres-Muito-tiro-pouca-aula-pouca-aula-mais-bandido-localizada-proxima-a-passarela-9-da-Avenida-Brasil-na-entrada-da-Mare.-Foto-Redes-Sociais-e1779915313402.jpg" alt="Pichação com os dizeres “Muito tiro pouca aula, pouca aula mais bandido!” localizada próxima à passarela 9 da Avenida Brasil, na entrada da Maré. Foto: Redes Sociais" width="1030" height="529" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Pichacao-com-os-dizeres-Muito-tiro-pouca-aula-pouca-aula-mais-bandido-localizada-proxima-a-passarela-9-da-Avenida-Brasil-na-entrada-da-Mare.-Foto-Redes-Sociais-e1779915313402.jpg 1030w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Pichacao-com-os-dizeres-Muito-tiro-pouca-aula-pouca-aula-mais-bandido-localizada-proxima-a-passarela-9-da-Avenida-Brasil-na-entrada-da-Mare.-Foto-Redes-Sociais-e1779915313402-620x318.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Pichacao-com-os-dizeres-Muito-tiro-pouca-aula-pouca-aula-mais-bandido-localizada-proxima-a-passarela-9-da-Avenida-Brasil-na-entrada-da-Mare.-Foto-Redes-Sociais-e1779915313402-768x394.jpg 768w" sizes="(max-width: 1030px) 100vw, 1030px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82223" class="wp-caption-text">Pichação com os dizeres “Muito tiro pouca aula, pouca aula + bandido!” localizada próxima à Passarela 9 da Avenida Brasil, na entrada da Maré. Foto: Redes Sociais</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na <a href="https://bit.ly/3qsTKRW" target="_blank" rel="noopener">Zona Norte</a> do Rio de Janeiro, sair de casa para ir à escola pode significar atravessar um território marcado pela incerteza. Em dias de operação policial ou confronto armado, o caminho até a sala de aula deixa de ser garantido—e, muitas vezes, a aula sequer acontece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o que mostra o novo relatório </span><a href="https://bit.ly/3Q9GSTj" target="_blank" rel="noopener"><i><span style="font-weight: 400;">Percursos Interrompidos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produzido pelo </span><a href="https://bit.ly/3pa0VPh" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Instituto Fogo Cruzado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em parceria com a </span><a href="https://bit.ly/4q4rnbA" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">UNICEF</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://bit.ly/3KgUOVC" target="_blank" rel="noopener">GENI</a>/<a href="https://bit.ly/3h2kC6O" target="_blank" rel="noopener">UFF</a></span><span style="font-weight: 400;">. Ele revela que a violência armada tem impactado de forma sistemática o deslocamento de estudantes na cidade e o acesso físico deles à escola. Em muitos casos, quando os alunos já estão nas escolas, a violência policial impede que as aulas continuem e deixa estudantes, professores e funcionários presos nas instituições em meio a tiroteios.</span></p>
<p>&#8220;Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, <a href="https://bit.ly/3Q9GSTj" target="_blank" rel="noopener">377 dias letivos registraram ao menos um impacto sobre trajetos escolares</a>, em um universo estimado de cerca de 520 dias, revelando que o problema não está restrito a episódios excepcionais ou concentrados em períodos específicos&#8221;, explica o relatório. Ao longo desse período, foram registrados mais de 1,02 milhão de trajetos escolares impactados.</p>
<h3><strong>Rotina Escolar Atravessada por Interrupções Longas</strong></h3>
<p>As interrupções não são apenas frequentes—elas são longas e ocorrem nos momentos mais críticos do dia. Mais de <a href="https://fogocruzado.org.br/rio-de-janeiro/percursos-interrompidos-cerca-de-190-mil-estudantes-tem-caminho-para-a-escola-comprometido-pela-violencia-armada-no-rio/">52% dos episódios em dias escolares começam entre 6h30 e 8h</a>, justamente no horário em que estudantes se deslocam para a escola. Em dias letivos, na média, as operações policiais duram <a href="https://fogocruzado.org.br/rio-de-janeiro/percursos-interrompidos-cerca-de-190-mil-estudantes-tem-caminho-para-a-escola-comprometido-pela-violencia-armada-no-rio/">8 horas e 13 minutos,</a> com mais de <a href="https://fogocruzado.org.br/rio-de-janeiro/percursos-interrompidos-cerca-de-190-mil-estudantes-tem-caminho-para-a-escola-comprometido-pela-violencia-armada-no-rio/">78% ultrapassando duas horas</a> e mais da metade excedendo quatro horas.</p>
<p>Na prática, isso significa que um único evento pode comprometer o funcionamento escolar do dia e a trajetória acadêmica dos alunos. É o que afirma a diretora de dados e transparência do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto:</p>
<blockquote><p>“A instabilidade virou regra para uma parte significativa dos estudantes. Quando isso vira rotina em determinados territórios, estamos falando de um comprometimento sistemático do direito à educação.”</p></blockquote>
<p>Esse cenário afeta diretamente o processo de ensino-aprendizagem. Como explica o psicopedagogo Rian França, que trabalha com crianças expostas rotineiramente às interrupções de suas rotinas pela violência do Estado, a quebra da continuidade pedagógica dificulta a consolidação da memória e a organização cognitiva:</p>
<blockquote><p>“A criança aprende por meio da regularidade, previsibilidade e repetição. Interrupções constantes comprometem esse processo.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_82224" aria-describedby="caption-attachment-82224" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Policiais-do-Batalhao-de-Operacoes-Especiais-do-Batalhao-de-Policia-de-Choque-e-UPPs-reforcam-o-policiamento-na-Rocinha-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82224 size-full" title="Policiais do Batalhão de Operações Especiais, do Batalhão de Polícia de Choque e UPPs reforçam o policiamento na comunidade da Rocinha. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Policiais-do-Batalhao-de-Operacoes-Especiais-do-Batalhao-de-Policia-de-Choque-e-UPPs-reforcam-o-policiamento-na-Rocinha-scaled.jpg" alt="Policiais do Batalhão de Operações Especiais, do Batalhão de Polícia de Choque e UPPs reforçam o policiamento na comunidade da Rocinha. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil" width="2560" height="1703" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Policiais-do-Batalhao-de-Operacoes-Especiais-do-Batalhao-de-Policia-de-Choque-e-UPPs-reforcam-o-policiamento-na-Rocinha-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Policiais-do-Batalhao-de-Operacoes-Especiais-do-Batalhao-de-Policia-de-Choque-e-UPPs-reforcam-o-policiamento-na-Rocinha-620x413.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Policiais-do-Batalhao-de-Operacoes-Especiais-do-Batalhao-de-Policia-de-Choque-e-UPPs-reforcam-o-policiamento-na-Rocinha-768x511.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Policiais-do-Batalhao-de-Operacoes-Especiais-do-Batalhao-de-Policia-de-Choque-e-UPPs-reforcam-o-policiamento-na-Rocinha-1536x1022.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Policiais-do-Batalhao-de-Operacoes-Especiais-do-Batalhao-de-Policia-de-Choque-e-UPPs-reforcam-o-policiamento-na-Rocinha-2048x1363.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82224" class="wp-caption-text">Policiais do Batalhão de Operações Especiais, do Batalhão de Polícia de Choque e UPPs reforçam o policiamento na comunidade da Rocinha. Foto: Tânia Rêgo/<em>Agência Brasil</em></figcaption></figure>
<h3><strong>Desigualdade Territorial e Racial no Acesso à Escola</strong></h3>
<p>Os dados mostram que os impactos da violência armada não se distribuem de forma uniforme na cidade. Dos <a href="https://bit.ly/3Q9GSTj" target="_blank" rel="noopener">96 bairros com registros de interrupção</a>, apenas dez concentram a maior parte dos episódios. A <a href="https://bit.ly/31jPWcp" target="_blank" rel="noopener">Penha</a> lidera com 296 ocorrências, seguida por <a href="https://bit.ly/3cEuW2M" target="_blank" rel="noopener">Jacarepaguá</a> com 108 e <a href="https://bit.ly/2ZuV10G" target="_blank" rel="noopener">Bangu</a>, 89.</p>
<p>Esse padrão cria desigualdades profundas no acesso à educação. Enquanto em alguns territórios o acúmulo de interrupções chega ao equivalente a <a href="https://bit.ly/3Q9GSTj" target="_blank" rel="noopener">88 dias letivos de paralisação</a>, em aproximadamente <a href="https://bit.ly/3Q9GSTj" target="_blank" rel="noopener">70 bairros não foram registradas ocorrências em horário escolar</a> no período analisado.</p>
<blockquote><p>“A violência armada não cria essa desigualdade, mas a aprofunda sistematicamente. Na prática, o que os dados mostram é que um estudante negro no Rio tem muito mais chance de ter sua rotina escolar comprometida.” — Maria Isabel Couto</p></blockquote>
<p>Rian reforça que esse contexto reverbera impactos negativos duradouros, que persistirão por gerações. Ele também conta que &#8220;interrupções constantes comprometem o processo de ensino-aprendizagem e de vínculo com a escola.”</p>
<p>A exposição ao problema é ampla. Das <a href="https://bit.ly/3Q9GSTj" target="_blank" rel="noopener">4.008 escolas municipais analisadas, 95,4% registraram ao menos uma interrupção</a> no período. Ao mesmo tempo, cerca de <a href="https://bit.ly/3Q9GSTj" target="_blank" rel="noopener">323.000 estudantes estão matriculados em escolas classificadas como de risco</a> moderado, alto ou muito alto, onde os episódios são mais frequentes e prolongados.</p>
<p>Nesses territórios, o direito de ir e vir deixa de ser garantido. “A instabilidade virou regra para uma parte significativa dos estudantes cariocas”, reforça Maria Isabel ao destacar que essa interrupção cotidiana dos alunos moradores de favela deve ser entendida como uma violação de direitos, como um crime contra a criança e o adolescente. E essa sucessão de crimes gera efeitos emocionais e cognitivos irreversíveis na juventude favelada.</p>
<blockquote><p>“O medo ativa o estado de alerta do cérebro, prejudicando funções essenciais para aprender. Isso pode resultar em ansiedade, queda no rendimento escolar, alterações no sono e, a longo prazo, eleva o risco de evasão escolar.” — Rian França</p></blockquote>
<figure id="attachment_82225" aria-describedby="caption-attachment-82225" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-de-Janeiro-Forcas-de-seguranca-participam-de-operacao-de-combate-a-confrontos-entre-traficantes-na-Rocinha.-Foto-Fernando-Frazao-Agencia-Brasil-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82225 size-full" title="Operação das forças segurança no combate aos confrontos entre traficantes na Rocinha. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-de-Janeiro-Forcas-de-seguranca-participam-de-operacao-de-combate-a-confrontos-entre-traficantes-na-Rocinha.-Foto-Fernando-Frazao-Agencia-Brasil-scaled.jpg" alt="Operação das forças segurança no combate aos confrontos entre traficantes na Rocinha. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" width="2560" height="1707" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-de-Janeiro-Forcas-de-seguranca-participam-de-operacao-de-combate-a-confrontos-entre-traficantes-na-Rocinha.-Foto-Fernando-Frazao-Agencia-Brasil-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-de-Janeiro-Forcas-de-seguranca-participam-de-operacao-de-combate-a-confrontos-entre-traficantes-na-Rocinha.-Foto-Fernando-Frazao-Agencia-Brasil-620x413.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-de-Janeiro-Forcas-de-seguranca-participam-de-operacao-de-combate-a-confrontos-entre-traficantes-na-Rocinha.-Foto-Fernando-Frazao-Agencia-Brasil-768x512.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-de-Janeiro-Forcas-de-seguranca-participam-de-operacao-de-combate-a-confrontos-entre-traficantes-na-Rocinha.-Foto-Fernando-Frazao-Agencia-Brasil-1536x1024.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Rio-de-Janeiro-Forcas-de-seguranca-participam-de-operacao-de-combate-a-confrontos-entre-traficantes-na-Rocinha.-Foto-Fernando-Frazao-Agencia-Brasil-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82225" class="wp-caption-text">Operação das forças de segurança no combate aos confrontos entre traficantes na Rocinha. Foto: Fernando Frazão/<em>Agência Brasil</em></figcaption></figure>
<p><i>Sobre o autor: </i><a href="https://bit.ly/3BY8eCD" target="_blank" rel="noopener"><i>Felipe Migliani</i></a><i> tem graduação em Jornalismo pela Unicarioca e pós-graduação em Jornalismo Investigativo e em Jornalismo de Dados. Atua como repórter e assessor de imprensa, tendo publicado matérias em veículos como Meia Hora, Estadão, Agência Lume, PerifaConnection, Ambiental Media, Gênero e Número, Olhos Jornalismo e ND Mais.</i></p>
<hr />
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		<item>
		<title>Museu das Remoções Celebra Dez Anos com Arte, Memória e Luta</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=82243</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Julio Santos Filho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 14:35:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#OlhoNoLegado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Click Here for English Esta matéria faz parte da nossa série que reflete sobre os impactos dos megaeventos no Rio de Janeiro 10 anos após os Jogos Olímpicos Rio2016. Neste Mês dos Museus, a Vila Autódromo, <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=82243" title="Museu das Remoções Celebra Dez Anos com Arte, Memória e Luta">[...]</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_82245" aria-describedby="caption-attachment-82245" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Publico-apoiadores-artistas-e-moradores-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes-em-Vila-Autodromo.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82245 size-full" title="Público, apoiadores, artistas e moradores presentes na comemoração dos 10 anos do Museu das Remoções em Vila Autódromo. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Publico-apoiadores-artistas-e-moradores-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes-em-Vila-Autodromo.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Público, apoiadores, artistas e moradores presentes na comemoração dos 10 anos do Museu das Remoções em Vila Autódromo. Foto: Bárbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Publico-apoiadores-artistas-e-moradores-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes-em-Vila-Autodromo.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Publico-apoiadores-artistas-e-moradores-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes-em-Vila-Autodromo.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Publico-apoiadores-artistas-e-moradores-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes-em-Vila-Autodromo.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Publico-apoiadores-artistas-e-moradores-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes-em-Vila-Autodromo.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82245" class="wp-caption-text">Público, apoiadores, artistas e moradores presentes na comemoração dos 10 anos do Museu das Remoções na Vila Autódromo. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p style="text-align: right;"><i data-stringify-type="italic"><a href="https://bit.ly/4obdSHx" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Click Here for English</strong></em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-15790" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2012/08/EN-standard-e1439583104716.jpg" alt="" width="20" height="20" /></a></i></p>
<p><em>Esta matéria faz parte da nossa série que reflete sobre os impactos dos megaeventos no Rio de Janeiro <a href="https://rioonwatch.org.br/?cat=2051" target="_blank" rel="noopener">10 anos após os Jogos Olímpicos Rio2016</a>.</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste <a href="https://rioonwatch.org.br/?tag=semana-de-museus">Mês dos Museus</a>, a </span><a href="https://bit.ly/3lHVbww" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Vila Autódromo</span></a><span style="font-weight: 400;">, comunidade onde <a href="https://bit.ly/3ON7IQp">3% conseguiu resistir</a> às remoções truculentas da Prefeitura, ditas para a realização dos <a href="https://bit.ly/4umUDfH" target="_blank" rel="noopener">Jogos Olímpicos de 2016</a>, celebrou os </span>dez anos do <a href="https://bit.ly/3qDYTHK" target="_blank" rel="noopener">Museu das Remoções</a> e da <a href="https://bit.ly/2WJiQQ4" target="_blank" rel="noopener">permanência de 20 famílias</a>. O evento, na comunidade da <a href="https://bit.ly/4rk7XAM" target="_blank" rel="noopener">Zona Sudoeste</a> do Rio de Janeiro, reuniu moradores, artistas, ativistas e apoiadores em uma jornada de memória, cultura e afirmação do <a href="https://bit.ly/3aY4PCT" target="_blank" rel="noopener">direito à cidade</a>.</p>
<p>A programação teve início com o encontro mensal da Rede de Museologia Social (<a href="https://www.instagram.com/remusrj/">REMUS</a>), que reuniu representantes de iniciativas museológicas de base comunitária para debater os caminhos da preservação da memória popular a partir dos próprios territórios. <a href="https://bit.ly/4nPW1FL" target="_blank" rel="noopener">Mario Chagas</a>, professor e diretor na <a href="https://bit.ly/4wSALDt">Escola de Museologia</a> da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), fez uma fala marcante durante o encontro:</p>
<blockquote><p>“Esse ano são dez anos do Museu do Amanhã, dez anos do Museu das Remoções e 20 anos do Museu da Maré. Eu fico feliz de estar aqui e não estar no Museu do Amanhã, porque aqui é que está o amanhã. A possibilidade de uma transformação do mundo dos museus está aqui, não lá. Lá está o Museu Espetáculo. Tem lugar para o Museu do Amanhã? Tem lugar. Mas o que nós queremos garantir é o nosso lugar: queremos que esse lugar tenha espaço.”</p></blockquote>
<p>Em seguida, o rapper <a href="https://bit.ly/4uySa2v" target="_blank" rel="noopener">Jef Rodriguez</a> subiu ao palco com uma apresentação que mobilizou o público com letras carregadas de denúncia e afirmações de luta, relembrando a resistência da Vila Autódromo. A tarde seguiu com a energia lá em cima com o <a href="https://bit.ly/43vDHbD" target="_blank" rel="noopener">Skabloco</a>, que animou os presentes ao tocar fanfarra com uma pegada de ska, misturando ritmos e arrastando moradores e visitantes.</p>
<figure id="attachment_82247" aria-describedby="caption-attachment-82247" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Varias-atracoes-culturais-estiveram-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82247 size-full" title="Várias atrações culturais estiveram presentes na comemoração dos dez anos do Museu das Remoções. Na imagem, o Skabloco, desfilou pela Rua Vila autódromo, animando os presentes na tarde celebrativa e de lutas. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Varias-atracoes-culturais-estiveram-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Várias atrações culturais estiveram presentes na comemoração dos dez anos do Museu das Remoções. Na imagem, o Skabloco, desfilou pela Rua Vila autódromo, animando os presentes na tarde celebrativa e de lutas. Foto: Bárbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Varias-atracoes-culturais-estiveram-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Varias-atracoes-culturais-estiveram-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Varias-atracoes-culturais-estiveram-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Varias-atracoes-culturais-estiveram-presentes-na-comemoracao-dos-10-anos-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82247" class="wp-caption-text">Várias atrações culturais estiveram presentes na comemoração dos dez anos do Museu das Remoções. Na imagem, o Skabloco, desfilou pela Rua Vila autódromo, animando os presentes na tarde celebrativa e de lutas. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sandra Maria, moradora da Vila Autódromo há 30 anos, participante ativa na resistência contra as remoções e cofundadora do Museu das Remoções, fala da importância dos dez anos desde sua criação:</span></p>
<blockquote><p>“Nós estamos comemorando os dez anos do Museu das Remoções, que nasce dentro desse processo de luta contra a remoção da Vila Autódromo. O Museu das Remoções é fundado como um instrumento de luta, uma ferramenta mesmo para a gente lutar contra as remoções que aconteciam naquela época e contra as ameaças de remoção em outros territórios. Hoje, também estamos comemorando <a href="https://bit.ly/3ON7IQp" target="_blank" rel="noopener">dez anos de permanência</a> da Vila Autódromo após as remoções. Porque cerca de 700 famílias foram removidas, mas 20 famílias conseguiram permanecer. Isso foi muito importante. A permanência dessas 20 famílias faz com que essa área, essa terra, esse território, continue sendo uma <a href="https://bit.ly/2izP6C1" target="_blank" rel="noopener">Área de Especial Interesse Social</a>, que são terras destinadas à moradia popular. Então, isso é muito importante na luta pelo direito à moradia, pelo direito à cidade, pelo direito da população pobre poder habitar as áreas urbanizadas da cidade e acabar com essa coisa de quando a especulação chega, urbaniza a área, a região, valoriza de alguma forma, e a primeira coisa que eles fazem é remover a população pobre. Então, a permanência da Vila Autódromo é uma referência muito grande, fundamental, na luta pelo direito à habitação, pelo direito à moradia, pelo direito à cidade. E o Museu das Remoções é mais um instrumento nessa luta.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_82248" aria-describedby="caption-attachment-82248" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-da-Penha-lideranca-historica-na-luta-contra-as-remocoes-e-integrante-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82248 size-full" title="Maria da Penha, liderança histórica na luta contra as remoções e integrante do Museu das Remoções, falou sobre a felicidade em ter permanecido na Vila Autódromo: “felicidade não tem preço”. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-da-Penha-lideranca-historica-na-luta-contra-as-remocoes-e-integrante-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Maria da Penha, liderança histórica na luta contra as remoções e integrante do Museu das Remoções, falou sobre a felicidade em ter permanecido na Vila Autódromo: “felicidade não tem preço”. Foto: Bárbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-da-Penha-lideranca-historica-na-luta-contra-as-remocoes-e-integrante-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-da-Penha-lideranca-historica-na-luta-contra-as-remocoes-e-integrante-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-da-Penha-lideranca-historica-na-luta-contra-as-remocoes-e-integrante-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Maria-da-Penha-lideranca-historica-na-luta-contra-as-remocoes-e-integrante-do-Museu-das-Remocoes.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82248" class="wp-caption-text">Maria da Penha, uma das lideranças da comunidade na luta contra as remoções e co-fundadora do Museu das Remoções, falou sobre a felicidade em ter permanecido na Vila Autódromo: “felicidade não tem preço”. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Maria da Penha, uma das referências da luta contra as remoções na Vila Autódromo e co-fundadora do Museu das Remoções, relembrou também a luta e destacou a felicidade de ter permanecido em sua comunidade:</span></p>
<blockquote><p>“Está sendo um dia maravilhoso, com muita esperança, com muito amor no coração, quando a gente faz a coisa certa, quando a gente luta por direito, que esse direito seja respeitado sempre. E hoje é um dia de festa&#8230; É um privilégio a gente estar aqui hoje com muitos amigos, com muitas pessoas maravilhosas, com os moradores que já moraram aqui. Então, eu me sinto muito privilegiada de ter ficado aqui e de estar continuando essa luta, porque a luta não acaba. A gente nunca sabe o dia de amanhã. Mas, enquanto a gente tá aqui, estamos vivendo com alegria e eu estou muito feliz porque estou no lugar que eu amo. E felicidade não tem preço!<span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82249" aria-describedby="caption-attachment-82249" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-Exposicao-de-fotografias-Memoria-e-Luta-de-Luiz-Claudio-e-Ana-Priscila-podia-ser-visitada-com-imagens-e-objetos-que-reconstituem-a-historia-da-remocao-da-comunidade.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82249 size-full" title="A Exposição de fotografias “Memória e Luta”, de Luiz Claudio e Ana Priscila, podia ser visitada com imagens e objetos que reconstituem a história da remoção da comunidade”. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-Exposicao-de-fotografias-Memoria-e-Luta-de-Luiz-Claudio-e-Ana-Priscila-podia-ser-visitada-com-imagens-e-objetos-que-reconstituem-a-historia-da-remocao-da-comunidade.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="A Exposição de fotografias “Memória e Luta”, de Luiz Claudio e Ana Priscila, podia ser visitada com imagens e objetos que reconstituem a história da remoção da comunidade”. Foto: Bárbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-Exposicao-de-fotografias-Memoria-e-Luta-de-Luiz-Claudio-e-Ana-Priscila-podia-ser-visitada-com-imagens-e-objetos-que-reconstituem-a-historia-da-remocao-da-comunidade.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-Exposicao-de-fotografias-Memoria-e-Luta-de-Luiz-Claudio-e-Ana-Priscila-podia-ser-visitada-com-imagens-e-objetos-que-reconstituem-a-historia-da-remocao-da-comunidade.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-Exposicao-de-fotografias-Memoria-e-Luta-de-Luiz-Claudio-e-Ana-Priscila-podia-ser-visitada-com-imagens-e-objetos-que-reconstituem-a-historia-da-remocao-da-comunidade.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-Exposicao-de-fotografias-Memoria-e-Luta-de-Luiz-Claudio-e-Ana-Priscila-podia-ser-visitada-com-imagens-e-objetos-que-reconstituem-a-historia-da-remocao-da-comunidade.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82249" class="wp-caption-text">A exposição de fotografias “Memória e Luta”, de Luiz Claudio e Ana Priscila, podia ser visitada com imagens e objetos que reconstituem a história da remoção da comunidade”. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No Centro Cultural Vila Autódromo, uma reivindicação dos moradores <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=62712">finalmente completada pela Prefeitura</a>, a exposição “Memória e Luta”, de Luiz Claudio e Ana Priscila, podia ser visitada com imagens e objetos que reconstituem a história da remoção da comunidade. Luiz Claudio, morador desde 1994, refletiu sobre a importância do Museu das Remoções em resposta à violência da Prefeitura, se tornando para além de um museu, um instrumento de luta popular:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É um museu que surgiu no meio de um ato violento do Estado sobre uma comunidade <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=30475">legitimada pela lei</a>, tanto é que estamos aqui até hoje e conseguimos fazer um enfrentamento contra um sistema opressor. Levamos essa luta até as vésperas das Olimpíadas, quando eles tiveram que se render e respeitar nossos direitos [dos que ainda permaneciam]. Então, para nós, tem uma importância muito grande a comemoração desses dez anos, porque nós travamos uma luta onde ninguém via possibilidade nenhuma da gente vencer [e alguns ficarem]. E foi uma coisa inédita, né? Tivemos apoiadores, que nos fortaleceram em cada momento de dificuldade. O Museu das Remoções é muito significativo não só para a Vila Autódromo; ele tem uma grande importância na luta popular: são várias as comunidades que sofrem ameaças de despejo quando há grandes empreendimentos.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82246" aria-describedby="caption-attachment-82246" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-performance-Remocoes-de-Joao-Maturo-reproduziu-artisticamente-as-memorias-da-violencia-sofrida-pelos-moradores-ressignificando-a-dor-em-linguagem-artistica.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82246 size-full" title="A performance Remoções, de João Maturo, reproduziu artisticamente as memórias da violência sofrida pelos moradores, ressignificando a dor em linguagem artística. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-performance-Remocoes-de-Joao-Maturo-reproduziu-artisticamente-as-memorias-da-violencia-sofrida-pelos-moradores-ressignificando-a-dor-em-linguagem-artistica.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="A performance Remoções, de João Maturo, reproduziu artisticamente as memórias da violência sofrida pelos moradores, ressignificando a dor em linguagem artística. Foto: Bárbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-performance-Remocoes-de-Joao-Maturo-reproduziu-artisticamente-as-memorias-da-violencia-sofrida-pelos-moradores-ressignificando-a-dor-em-linguagem-artistica.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-performance-Remocoes-de-Joao-Maturo-reproduziu-artisticamente-as-memorias-da-violencia-sofrida-pelos-moradores-ressignificando-a-dor-em-linguagem-artistica.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-performance-Remocoes-de-Joao-Maturo-reproduziu-artisticamente-as-memorias-da-violencia-sofrida-pelos-moradores-ressignificando-a-dor-em-linguagem-artistica.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-performance-Remocoes-de-Joao-Maturo-reproduziu-artisticamente-as-memorias-da-violencia-sofrida-pelos-moradores-ressignificando-a-dor-em-linguagem-artistica.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82246" class="wp-caption-text">A performance Remoções, de João Maturo, reproduziu artisticamente as memórias da violência sofrida pelos moradores, ressignificando a dor em linguagem artística. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dimensão teatral do evento ganhou um recorte militante com apresentações como a oficina de peteca, facilitada por </span><a href="https://bit.ly/43xJIVf" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Elihas di Jorge</span></a><span style="font-weight: 400;">, que reuniu crianças e adultos na confecção do brinquedo de origem indígena, feito com materiais simples. Depois disso,</span> <a href="https://bit.ly/430Dltl" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Maria Madeira</span></a> <span style="font-weight: 400;">se apresentou ao público com uma contação de história acompanhada pelo teatro de formas animadas. Por último, a performance &#8220;Remoções&#8221;, de </span><a href="https://bit.ly/4dT9Mip" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">João Maturo</span></a><span style="font-weight: 400;">, reproduziu artisticamente as memórias da violência sofrida pelos moradores, ressignificando a dor em linguagem artística. Em um trecho de fala de sua apresentação, Maturo, empunhando um megafone, disse ao público presente:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“É por isso que é preciso resistir, para que jamais aconteça de novo o que aconteceu aqui. Mais do que resistir: é preciso ocupar! A luta não está ganha… Precisamos resistir! Para que atos como esse nunca mais voltem a se repetir. Memória não se remove!”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da Vila Autódromo tem como cicatriz a remoção arbitrária de aproximadamente 700 famílias. Foi uma tentativa, perpetrada pela Prefeitura, de destruição de uma comunidade inteira e de suas memórias. A permanência das 20 famílias remanescentes no território e os dez anos do Museu das Remoções falam por si: sem luta não há vitória e a memória não pode ser removida.</span></p>
<h3>Veja Mais Fotos no <a href="https://bit.ly/4uDvs9t" target="_blank" rel="noopener">Álbum</a>:</h3>
<p><a title="10 anos do Museu das Remoções e da permanência da Vila Autódromo, 23 de maio de 2026" href="https://www.flickr.com/photos/catcomm/albums/72177720333855958" data-flickr-embed="true"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://live.staticflickr.com/65535/55293127543_ca48bd3e24_h.jpg" alt="10 anos do Museu das Remoções e da permanência da Vila Autódromo, 23 de maio de 2026" width="1600" height="1200" /></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script></p>
<p><i><span draggable="true"><em>Sobre a autora:</em> <a href="https://bit.ly/3Gc3OJU" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bárbara Dias</a></span></i><i>, cria de Bangu, Zona Oeste do Rio, é fotojornalista e fotógrafa documental desde 2016, com foco em direitos humanos, justiça socioambiental, religiosidades e territórios de favela. Comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (<em><a href="https://bit.ly/3i2GcdN" target="_blank" rel="noopener">NPC</a></em>) e graduanda em Jornalismo (UCAM), cofundou o <em><a href="https://bit.ly/3vfY8bj" target="_blank" rel="noopener">Coletivo Fotoguerrilha</a></em> (2016–2025). É l</i><i>icenciada em Biologia (UERJ), Mestre em Educação Ambiental (IFRJ) e professora da rede pública estadual.</i></p>
<hr />
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Parque Ary Barroso, na Penha, Sofre Há Décadas com Abandono do Estado e Corre Risco de Desaparecer</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=81928</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Baroni]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 14:46:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Série Apoiada pelo Centro Behner Stiefel/SDSU]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Click Here for English Esta reportagem faz parte de uma série gerada por uma parceria com o Digital Brazil Project do Centro Behner Stiefel de Estudos Brasileiros da Universidade Estadual de San Diego na Califórnia, para produzir matérias sobre direitos humanos e <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=81928" title="Parque Ary Barroso, na Penha, Sofre Há Décadas com Abandono do Estado e Corre Risco de Desaparecer">[...]</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_82190" aria-describedby="caption-attachment-82190" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Parque-Ary-Barroso-collagem-por-Arthur-Lucena.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82190 size-full" title="A história do Parque Ary Barroso é repleta de lutas mas também de resiliência. Fotos por: Arthur Lucena" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Parque-Ary-Barroso-collagem-por-Arthur-Lucena.png" alt="A história do Parque Ary Barroso é repleta de lutas mas também de resiliência. Fotos por: Arthur Lucena" width="2000" height="1000" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Parque-Ary-Barroso-collagem-por-Arthur-Lucena.png 2000w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Parque-Ary-Barroso-collagem-por-Arthur-Lucena-620x310.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Parque-Ary-Barroso-collagem-por-Arthur-Lucena-768x384.png 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Parque-Ary-Barroso-collagem-por-Arthur-Lucena-1536x768.png 1536w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82190" class="wp-caption-text">A história do Parque Ary Barroso é repleta de lutas mas também de resiliência. Fotos por: Arthur Lucena</figcaption></figure>
<p style="text-align: right;"><i data-stringify-type="italic"><a href="https://bit.ly/4viBQTg" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Click Here for English</strong></em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-15790" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2012/08/EN-standard-e1439583104716.jpg" alt="" width="20" height="20" /></a></i></p>
<p><i data-stringify-type="italic"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2019/08/SDSU.png" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-42675" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2019/08/SDSU-620x211.png" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2019/08/SDSU-620x211.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2019/08/SDSU-768x261.png 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2019/08/SDSU-1024x348.png 1024w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2019/08/SDSU.png 1934w" alt="" width="200" height="68" /></a>Esta reportagem faz parte d</i><em>e uma <a href="https://bit.ly/SerieSDSU" target="_blank" rel="noopener noreferrer">série</a> gerada por uma parceria com o <a href="https://bit.ly/SDSUDigitalBrazilProject" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Digital Brazil Project</a> do </em><em><a href="http://bit.ly/2zcymI6" target="_blank" rel="noopener">Centro Behner Stiefel de Estudos Brasileiros</a> da Universidade Estadual de San Diego na Califórnia, para produzir matérias sobre direitos humanos e justiça socioambiental nas favelas.</em></p>
<p>O <a href="https://bit.ly/4njRNWD" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Parque Ary Barroso</span></a> é um importante ponto de lazer verde e o único voltado a atender a <a style="font-size: 16px;" href="https://bit.ly/4sZqIZW" target="_blank" rel="noopener">Zona da Leopoldina</a>, na <a href="https://bit.ly/WximDf" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Zona Norte</span></a> do Rio de Janeiro. No entanto, devido à falta de atenção do Estado, o parque corre o risco de desaparecer completamente, o que também agravaria o cenário de intenso calor que afeta a região.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inaugurado em 13 de dezembro de 1964, no bairro </span><a href="https://bit.ly/LRHeDS" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Penha Circular</span></a><span style="font-weight: 400;">, na </span><span style="font-weight: 400;">Zona Norte</span><span style="font-weight: 400;">, o </span><span style="font-weight: 400;">Parque Ary Barroso</span><span style="font-weight: 400;"> foi construído no antigo terreno da Chácara das Palmeiras, que, na época, era propriedade de </span><a href="https://bit.ly/42E2HNi" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Francisco Lobo Júnior</span></a><span style="font-weight: 400;">, um influente empreendedor português.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Penha, ocupada por residências de classe média alta, foi escolhida para receber o que foi considerada a “</span><a href="https://bit.ly/4vXTKMs" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">réplica</span></a><span style="font-weight: 400;">” da </span><a href="https://bit.ly/48p0Y22" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Quinta da Boa Vista</span></a><span style="font-weight: 400;">, que era até então a área de referência nesse sentido, sendo a mais utilizada na cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale destacar que a região onde está inserido o bairro da Penha se encontra na chamada </span>Zona da Leopoldina<span style="font-weight: 400;">, que, no passado, foi um importante polo industrial e residencial, justamente por ser atravessada pela antiga </span><a style="font-size: 16px;" href="https://bit.ly/4eNIjRe" target="_blank" rel="noopener">Estrada de Ferro da Leopoldina</a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">atual </span>Ramal Gramacho<span style="font-weight: 400;"> do sistema de trens do Rio. </span><span style="font-weight: 400;">Após sua abertura ao público, o Parque Ary Barroso se tornou o primeiro e maior parque do subúrbio da Leopoldina, tendo sido tombado em 8 de outubro de 1965 como patrimônio histórico do Estado do Rio de Janeiro.</span></p>
<h3>Os Anos Dourados do Parque Ary Barroso</h3>
<figure id="attachment_81934" aria-describedby="caption-attachment-81934" style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Registro-do-Parque-Ary-Barroso-durante-anos-70.-Na-esquina-do-espaco-ficavam-as-quadras-o-espaco-ao-lado-esquerdo-da-foto-o-parque-infantil.-Foto_-Arquivo-Pessoal_-Reproducao-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81934" title="Registro do Parque Ary Barroso durante anos 70. Na esquina do espaço ficavam as quadras, o espaço ao lado esquerdo da foto, o parque infantil. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Registro-do-Parque-Ary-Barroso-durante-anos-70.-Na-esquina-do-espaco-ficavam-as-quadras-o-espaco-ao-lado-esquerdo-da-foto-o-parque-infantil.-Foto_-Arquivo-Pessoal_-Reproducao-1.jpeg" alt="Registro do Parque Ary Barroso durante anos 70. Na esquina do espaço ficavam as quadras, o espaço ao lado esquerdo da foto, o parque infantil. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução" width="500" height="329" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Registro-do-Parque-Ary-Barroso-durante-anos-70.-Na-esquina-do-espaco-ficavam-as-quadras-o-espaco-ao-lado-esquerdo-da-foto-o-parque-infantil.-Foto_-Arquivo-Pessoal_-Reproducao-1.jpeg 720w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Registro-do-Parque-Ary-Barroso-durante-anos-70.-Na-esquina-do-espaco-ficavam-as-quadras-o-espaco-ao-lado-esquerdo-da-foto-o-parque-infantil.-Foto_-Arquivo-Pessoal_-Reproducao-1-620x408.jpeg 620w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81934" class="wp-caption-text">Registro do Parque Ary Barroso durante anos 1970. Na esquina do espaço ficavam as quadras; o espaço ao lado esquerdo da foto, o parque infantil. Foto: Agência Globo</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O parque foi planejado com um lago central, duas cascatas, uma área infantil, três quadras esportivas e outras construções referentes à residência de Lobo Júnior. Todas as construções foram dispostas no terreno inclinado de 50.000 </span>m². Para se ter uma ideia do tamanho, dados da Prefeitura equiparam a área a <a href="https://bit.ly/4t1Is7i" target="_blank" rel="noopener">sete campos oficiais de futebol</a>.</p>
<p>O Parque Ary Barroso foi pensado para se assemelhar a um bosque, um espaço verde caracterizado pela disposição de árvores oferecendo sombra. Sua reserva verde inicial detinha mais de trezentas espécies de plantas, como quaresmeiras roxas e rosas, ipês roxos, amarelos e brancos, mulungus, espatódeas, flamboyants vermelhos e cássias amarelas e roxas.</p>
<p>Suas cascatas artificiais eram movimentadas por bombas que forneciam uma lâmina de água de dez centímetros de altura por uma extensão de três metros. A água era bombeada para a nascente a partir de uma casa de bombas, localizada na parte mais alta do parque, de onde descia em forma de cachoeira sobre os dois lagos, sendo recolhida novamente para ser bombeada.</p>
<p>Na área de esportes, havia três quadras, usadas para futebol e basquete quanto para outros esportes e atividades físicas, como capoeira e taí chi chuan, com arquibancadas e um vestiário, que chegaram a ser a sede de um antigo time esportivo, o <a href="https://bit.ly/420lwKE" target="_blank" rel="noopener">Portinho Futebol Clube</a>. <span style="font-weight: 400;">O parque infantil era também muito frequentado, tanto por vizinhos quanto por outras pessoas da cidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o nome escolhido homenageou o cantor e compositor brasileiro Ary Barroso, que havia falecido em fevereiro do mesmo ano de inauguração do parque. O artista foi escolhido por ser um grande frequentador da </span><a href="https://bit.ly/4sZsrOU" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Festa da Penha</span></a><span style="font-weight: 400;">, tradicional homenagem religiosa à padroeira do bairro e até tem entre suas composições uma <a href="https://bit.ly/3OIIyTd" target="_blank" rel="noopener">música que menciona a região</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o auge do parque durou pouco tempo, sendo afetado por uma série de fatores, como políticas habitacionais higienistas e desigualdades sociais.</span></p>
<h3>De Oásis ao Abandono: Linha do Tempo do Racismo Ambiental no Parque Ary Barroso</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda nos anos 1960, a cidade do Rio atravessou grandes mudanças demográficas e urbanísticas, como, por exemplo, as </span><a href="https://bit.ly/1ODiDRd" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">remoções forçadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de moradores de favelas da <a href="https://bit.ly/3ilwr9T" target="_blank" rel="noopener">Zona Sul</a> para regiões das zonas Norte e <a href="https://bit.ly/2VcmBwc" target="_blank" rel="noopener">Oeste</a>. Nesta página traumática da história da cidade, estima-se que houve o <a href="https://bit.ly/1ODiDRd">deslocamento forçado de mais de 140.000 pessoas</a>. Tal contingente populacional, hoje, equivaleria à população inteira do </span><a href="https://bit.ly/2PuOOgG" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Complexo da Maré</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_81936" aria-describedby="caption-attachment-81936" style="width: 1333px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Linha-do-tempo-de-transformacao-do-Parque-Ary-Barroso.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81936 size-full" title="Linha do tempo de transformação do Parque Ary Barroso. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Linha-do-tempo-de-transformacao-do-Parque-Ary-Barroso.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao.png" alt="Linha do tempo de transformação do Parque Ary Barroso. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução" width="1333" height="2000" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Linha-do-tempo-de-transformacao-do-Parque-Ary-Barroso.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao.png 1333w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Linha-do-tempo-de-transformacao-do-Parque-Ary-Barroso.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao-413x620.png 413w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Linha-do-tempo-de-transformacao-do-Parque-Ary-Barroso.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao-1000x1500.png 1000w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Linha-do-tempo-de-transformacao-do-Parque-Ary-Barroso.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao-768x1152.png 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Linha-do-tempo-de-transformacao-do-Parque-Ary-Barroso.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao-1024x1536.png 1024w" sizes="(max-width: 1333px) 100vw, 1333px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81936" class="wp-caption-text">Imagens de 1964, 1972 e 1986 do Parque Ary Barroso <a href="https://bit.ly/4nDTqyv">publicadas no <em>O Globo</em></a>.</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A região da Penha, assim como toda <a href="https://bit.ly/3P8tPAY" target="_blank" rel="noopener">Zona da Leopoldina</a>, que antes pertencia à elite, passou a servir de abrigo para pessoas de baixa renda removidas de outras localidades, através de </span>projetos habitacionais, tornando-se um local de intensa e desordenada expansão urbana. Paralelamente, o Rio de Janeiro deixou de ser a capital federal nessa mesma época, o que influenciou em um declínio econômico da cidade e de seu parque industrial. A Zona da Leopoldina, por consequência, também sentiu os impactos disso. As terras <a href="https://bit.ly/4vhZe3F">passaram a ser loteadas e vendidas</a> a pessoas de classe média, mas não incluíam áreas verdes e de lazer, apenas residências.</p>
<p>Isso contribuiu para uma ocupação urbana ainda maior numa área que já possuía pouca arborização e tornou a Zona da Leopoldina uma <a href="https://bit.ly/1RiZS9W" target="_blank" rel="noopener">ilha de calor</a>. O descaso passou a fazer parte da rotina do Parque Ary Barroso, com um longo e sofrido processo de sucateamento e degradação.</p>
<p>Em 1979, por exemplo, o parque já tinha instalações obsoletas em função do abandono, com uma água já não tão limpa e pouca segurança. Apenas cinco anos antes, em 1974, o cenário era outro: o parque foi um importante ponto de segurança hídrica para a região, durante uma forte escassez de água na cidade do Rio de Janeiro. Foi o lago do Parque Ary Barroso que permitiu a higienização básica de moradores da Penha, como tomar banho e lavar roupas.</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/p_Q4doWGq94?si=zGkC1HU8olAndSWX" width="1030" height="563" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, a falta de cuidado passou a ser rotina e a descaracterização e precariedade tornaram-se os principais temas aos quais o parque foi associado. Em julho de 2024, o parque ficou sem gestor responsável e desde então, dia após dia, os <a href="https://bit.ly/4k5qWvw" target="_blank" rel="noopener">moradores se preocupam</a> com a possibilidade do único parque da região desaparecer por completo.</span></p>
<h3>Parque Ary Barroso nos Dias de Hoje</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo </span><span style="font-weight: 400;">mapeamento</span><span style="font-weight: 400;"> realizado pela </span><span style="font-weight: 400;">Sociedade de Amigos do Parque Ary Barroso (</span><a href="https://bit.ly/3OyKi1k" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">SAMPAB</span></a><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> no ano de 2019, o parque, que já teve cerca de 3.000 árvores, agora se encontra com <a href="https://bit.ly/47KvVNt">apenas 500 unidades</a>, sem receber cuidado, manutenção ou reposição do que já foi perdido. </span><span style="font-weight: 400;">E há outros problemas. Os lagos, por exemplo, se encontram secos há anos, permanecendo cheios de água e vida apenas na memória.</span></p>
<figure id="attachment_81937" aria-describedby="caption-attachment-81937" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81937 size-full" title="Os lagos do Parque Ary Barroso que tinham peixes e até vitórias-régia desapareceram. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="Os lagos do Parque Ary Barroso que tinham peixes e até vitórias-régia desapareceram. Foto: RioOnWatch" width="1600" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Os-lagos-do-Parque-Ary-Barroso-que-tinham-peixes-e-ate-vitorias-regia-desapareceram.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81937" class="wp-caption-text">Os lagos do Parque Ary Barroso que tinham peixes, girinos e vitórias-régia desapareceram. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A antiga casa de bombas se encontra violada e abandonada, com muito lixo dentro.</span></p>
<figure id="attachment_81958" aria-describedby="caption-attachment-81958" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81958 size-full" title="Casa de bombas tem sinais de invasão e até de ser um ponto de dependentes químicos. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="Casa de bombas tem sinais de invasão e até de ser um ponto de dependentes químicos. Foto: RioOnWatch" width="1600" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Casa-de-bombas-tem-sinais-de-invasao-e-ate-de-ser-um-ponto-de-dependentes-quimicos.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81958" class="wp-caption-text">Casa de bombas tem sinais de ser um ponto utilizado por dependentes químicos. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há excessiva vegetação morta e alta, inclusive obstruindo passagens.</span></p>
<figure id="attachment_81939" aria-describedby="caption-attachment-81939" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81939 size-full" title="Passagem de pedestres no parque está sumindo, sendo tomada pela vegetação, em função da falta de manutenção. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="Passagem de pedestres no parque está sumindo, sendo tomada pela vegetação, em função da falta de manutenção. Foto: RioOnWatch" width="1600" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Passagem-de-pedestres-no-parque-esta-sumindo-sendo-tomada-pela-vegetacao-em-funcao-da-falta-de-manutencao.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81939" class="wp-caption-text">Passagem de pedestres no parque está sumindo, sendo tomada pela vegetação, em função da falta de manutenção. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também existem árvores com necessidade de podas para manter sua saúde.</span></p>
<figure id="attachment_81940" aria-describedby="caption-attachment-81940" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81940 size-full" title="Vegetação tomou conta do local e de diversas passagens, demandando podas urgentes. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="Vegetação tomou conta do local e de diversas passagens, demandando podas urgentes. Foto: RioOnWatch" width="1600" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Vegetacao-tomou-conta-do-local-e-de-diversas-passagens-demandando-podas-urgentes.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81940" class="wp-caption-text">Vegetação tomou conta do local e de diversas passagens, demandando podas. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O parque virou uma cena de uso de drogas e, portanto, há a circulação frequente </span><span style="font-weight: 400;">de dependentes químicos no local, aumentando a sensação de insegurança.</span></p>
<figure id="attachment_81959" aria-describedby="caption-attachment-81959" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81959 size-full" title="Tendas improvisadas ocupam a parte de cima do terreno aumentando a insegurança dentro do parque. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="Tendas improvisadas ocupam a parte de cima do terreno aumentando a insegurança dentro do parque. Foto: RioOnWatch" width="1600" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Tendas-improvisadas-ocupam-a-parte-de-cima-do-terreno-aumentando-a-inseguranca-dentro-do-parque.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81959" class="wp-caption-text">Tendas improvisadas ocupam a parte de cima do terreno aumentando a insegurança dentro do parque. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O acúmulo </span><span style="font-weight: 400;">de </span><span style="font-weight: 400;">lixo e cenário de degradação do parque também tem sido objeto de produção científica. Em <a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/IV-017.pdf">artigo</a> entitulado &#8220;Acúmulo e Descarte Inadequado de Resíduos Sólidos Urbanos: Estudo de Caso no Parque Ary Barroso (RJ)&#8221;, a pesquisadora de doutorado em Engenharia Ambiental pela UERJ e moradora da região, Pammela Primo de Oliveira Silva, analisa a situação do parque. A partir das relações entre acúmulo e descarte inadequado de resíduos sólidos, racismo e injustiça ambiental na Zona da Leopoldina, a pesquisa identifica maior concentração de resíduos descartados irregularmente na porção superior do parque, próxima ao acesso à comunidade da Caixa d’Água, incluindo plásticos, entulhos da construção civil, materiais perfurocortantes, eletroeletrônicos, madeira e resíduos orgânicos, evidenciando falhas nos sistemas de manejo, limpeza urbana e fiscalização ambiental.<br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O estudo também aponta impactos sobre o patrimônio arqueológico do local. Foram identificados pontos de acúmulo de águas pluviais com presença de larvas, favorecendo a proliferação do <em>Aedes aegypti</em>, além da precarização das áreas arqueológicas existentes no parque, que apresentam ausência de conservação, descarte recorrente de resíduos e risco de perda de materiais históricos.</span></p>
<figure id="attachment_81942" aria-describedby="caption-attachment-81942" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81942 size-full" title="Descarte de lixo e falta de limpeza são cotidianos no Parque Ary Barroso. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="Descarte de lixo e falta de limpeza são cotidianos no Parque Ary Barroso. Foto: RioOnWatch" width="1600" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Descarte-de-lixo-e-falta-de-limpeza-sao-cotidianos-no-parque-Ary-Barroso.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81942" class="wp-caption-text">Descarte de lixo e falta de limpeza são cotidianos no Parque Ary Barroso. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<figure id="attachment_81960" aria-describedby="caption-attachment-81960" style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Parque-Ary-Barroso-e-o-unico-parque-para-atender-toda-a-Zona-da-Leopoldina-na-Zona-Norte-do-Rio-de-Janeiro.-Fonte-Hugo-Costa-Reproducao.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81960" title="Parque Ary Barroso é o unico parque para atender toda a Zona da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Fonte: Hugo Costa/Reprodução" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Parque-Ary-Barroso-e-o-unico-parque-para-atender-toda-a-Zona-da-Leopoldina-na-Zona-Norte-do-Rio-de-Janeiro.-Fonte-Hugo-Costa-Reproducao.jpeg" alt="Parque Ary Barroso é o unico parque para atender toda a Zona da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Fonte: Hugo Costa/Reprodução" width="500" height="446" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Parque-Ary-Barroso-e-o-unico-parque-para-atender-toda-a-Zona-da-Leopoldina-na-Zona-Norte-do-Rio-de-Janeiro.-Fonte-Hugo-Costa-Reproducao.jpeg 714w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Parque-Ary-Barroso-e-o-unico-parque-para-atender-toda-a-Zona-da-Leopoldina-na-Zona-Norte-do-Rio-de-Janeiro.-Fonte-Hugo-Costa-Reproducao-620x553.jpeg 620w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81960" class="wp-caption-text">Parque Ary Barroso é o unico parque para atender toda a Zona da Leopoldina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Fonte: Hugo Costa/Reprodução</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Parque Ary Barroso possui a difícil missão de ser o </span>único parque verde voltado a atender a população suburbana da Leopoldina, formada por dezenas de bairros, que somam cerca de <a href="https://bit.ly/4tCdrHU" target="_blank" rel="noopener">meio milhão de pessoas</a>. Segundo artigo do geógrafo, Hugo Costa:</p>
<blockquote><p>“A Prefeitura do Rio ao desenvolver o <a href="https://bit.ly/48Kqa35">PDS</a> – Plano de Desenvolvimento Sustentável e Ação Climática da Cidade do Rio de Janeiro<span style="font-weight: 400;"> acabou chegando à conclusão de que a Zona da Leopoldina é a região com menos áreas verdes da cidade. Em determinado momento da eleição para prefeito em 2024, Eduardo Paes se auto-intitulou &#8216;Prefeito Parque&#8217; devido à atenção que o mesmo declara ter pelo tema. Desde a construção do <a href="https://bit.ly/4tV0MQz" target="_blank" rel="noopener">Parque Madureira</a>, no subúrbio da central, tivemos outros parques erguidos em outros bairros da Zona Norte e da </span>Zona Oeste, mas com exceção do <a href="https://bit.ly/4e9J4nv" target="_blank" rel="noopener">Parque Pavuna</a>, nenhum outro parque foi construído onde o diagnóstico do PDS ou do <a href="https://bit.ly/4cCg0ns" target="_blank" rel="noopener">Mapa do Calor</a> indicava como mais necessário.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_82192" aria-describedby="caption-attachment-82192" style="width: 1273px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Cacambas-no-Parque-Ary-Barroso.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82192 size-full" title="Ausência de portão na parte alta, além de caçambas de lixo atraindo mais sujeira para o “Pulmão da Zona da Leopoldina”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Cacambas-no-Parque-Ary-Barroso.png" alt="Ausência de portão na parte alta, além de caçambas de lixo atraindo mais sujeira para o “Pulmão da Zona da Leopoldina”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre" width="1273" height="437" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Cacambas-no-Parque-Ary-Barroso.png 1273w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Cacambas-no-Parque-Ary-Barroso-620x213.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Cacambas-no-Parque-Ary-Barroso-768x264.png 768w" sizes="(max-width: 1273px) 100vw, 1273px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82192" class="wp-caption-text">Ausência de portão na parte alta, além de caçambas de lixo atraindo mais sujeira para o “Pulmão da Zona da Leopoldina”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre</figcaption></figure>
<p>E, como se não fosse suficiente todo este drama atravessado pelo parque, coletivos e vizinhos lutam agora pela transferência das instalações da Unidade de Pronto Atendimento (<a href="https://rioonwatch.org.br/?tag=upa">UPA</a>) da Penha e da Unidade de Polícia Pacificadora (<a href="https://rioonwatch.org.br/?tag=upp">UPP</a>) <a href="https://rioonwatch.org/?p=20694" target="_blank" rel="noopener">do Parque Proletário</a>, implantadas em 2008 e em 2012 no terreno.</p>
<p>Construídas na gestão do governador <a href="https://bit.ly/3dB3F2U" target="_blank" rel="noopener">Sérgio Cabral</a> e prometidas como temporárias, a UPA e UPP foram autorizadas pelo Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (<a href="https://bit.ly/3R7BJev" target="_blank" rel="noopener">INEPAC</a>), pois eram temporárias.</p>
<p>O espaço onde se situa a UPA é onde anteriormente funcionava o parque infantil. Já a UPP foi colocada onde ficavam as três quadras esportivas. A promessa foi de que a UPA seria transferida para o quarteirão ao lado, ocupando o terreno da antiga lavanderia do <a href="https://bit.ly/4eOpxco" target="_blank" rel="noopener">Hospital Estadual Getúlio Vargas</a> e a UPP seria realocada para espaço definido pela Prefeitura, o que não ocorreu.</p>
<figure id="attachment_81945" aria-describedby="caption-attachment-81945" style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81945" title="Instalação da UPA Penha se encontra dentro de terreno tombado. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="Instalação da UPA Penha se encontra dentro de terreno tombado. Foto: RioOnWatch" width="500" height="375" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Instalacao-da-UPA-Penha-se-encontra-dentro-de-terreno-tombado.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81945" class="wp-caption-text">Instalação da UPA Penha se encontra dentro de terreno tombado desde 2008. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em função desses impasses, lideranças e movimentos se mobilizaram em prol do parque e a situação passou a ser alvo de processos do </span><a href="https://bit.ly/4n4DmWw"><span style="font-weight: 400;">Ministério Público</span></a><span style="font-weight: 400;">, através de uma ação da SAMPAB (Sociedade dos Amigos do Parque Ary Barroso) em 2012, mas que só teve um breve acordo em 2019.</span> O Governo do Estado do Rio de Janeiro, <a href="https://bit.ly/4dsxOlg" target="_blank" rel="noopener">através de um ofício</a>, finalmente reconheceu a relevância histórica do parque e estabeleceu a transferência da UPA e da UPP para outros locais, além da revitalização.</p>
<p>No entanto, apesar do espaço ter recebido uma breve melhoria posterior, como limpeza executada pela Comlurb, nada foi feito a respeito da transferência, como explica Arthur Lucena, liderança do <a href="https://bit.ly/4tDH1wH" target="_blank" rel="noopener">Movimento Parque Ary Barroso Livre</a>:</p>
<blockquote><p>“Conversando com o comandante da UPP [na época], ele chegou a citar que [foi] oferecido um espaço,&#8230; mas a polícia não aceitou porque o local estava em condições precárias. Então, aguardaram a Prefeitura ceder novo espaço [o que nunca aconteceu]. Em uma das coberturas feitas pela imprensa sobre o parque, a Prefeitura disse que não havia problema nenhum com o parque, que estava tudo acessível, que estava limpo e [que seu abandono] não era verdade. Já o Governo do Estado [justificou] que a Polícia Militar e a UPA eram importantes para o local [para segurança e saúde]. Mas como você vai colocar essas estruturas num parque público? Tem outros espaços para fazer isso. Senão, cada vez que houver uma necessidade pública, você vai [atender a população] ocupa[ndo] um espaço [substituindo seu uso, também necessário, anterior]?”</p></blockquote>
<figure id="attachment_81946" aria-describedby="caption-attachment-81946" style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Obras-irregulares-referentes-as-unidades-da-UPA-com-a-incorporacao-de-um-pequeno-espaco-verde-do-parque-aos-fundos-do-posto-foram-interrompidas-no-inicio-deste-ano.-Foto_-Arquivo-pessoal_Reproducao.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81946" title="Obras irregulares referentes às unidades da UPA, com a incorporação de um pequeno espaço verde do parque aos fundos do posto foram interrompidas no início deste ano. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Obras-irregulares-referentes-as-unidades-da-UPA-com-a-incorporacao-de-um-pequeno-espaco-verde-do-parque-aos-fundos-do-posto-foram-interrompidas-no-inicio-deste-ano.-Foto_-Arquivo-pessoal_Reproducao.jpeg" alt="Obras irregulares referentes às unidades da UPA, com a incorporação de um pequeno espaço verde do parque aos fundos do posto foram interrompidas no início deste ano. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução" width="500" height="281" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Obras-irregulares-referentes-as-unidades-da-UPA-com-a-incorporacao-de-um-pequeno-espaco-verde-do-parque-aos-fundos-do-posto-foram-interrompidas-no-inicio-deste-ano.-Foto_-Arquivo-pessoal_Reproducao.jpeg 960w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Obras-irregulares-referentes-as-unidades-da-UPA-com-a-incorporacao-de-um-pequeno-espaco-verde-do-parque-aos-fundos-do-posto-foram-interrompidas-no-inicio-deste-ano.-Foto_-Arquivo-pessoal_Reproducao-620x348.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Obras-irregulares-referentes-as-unidades-da-UPA-com-a-incorporacao-de-um-pequeno-espaco-verde-do-parque-aos-fundos-do-posto-foram-interrompidas-no-inicio-deste-ano.-Foto_-Arquivo-pessoal_Reproducao-768x431.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Obras-irregulares-referentes-as-unidades-da-UPA-com-a-incorporacao-de-um-pequeno-espaco-verde-do-parque-aos-fundos-do-posto-foram-interrompidas-no-inicio-deste-ano.-Foto_-Arquivo-pessoal_Reproducao-678x381.jpeg 678w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81946" class="wp-caption-text">Obras irregulares referentes às unidades da UPA, com a incorporação de um pequeno espaço verde do parque aos fundos do posto foram interrompidas no início deste ano. Foto<span style="font-weight: 400;">: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre </span></figcaption></figure>
<p><a href="https://bit.ly/4wh1J7w" target="_blank" rel="noopener">Só em 2026</a>, <span style="font-weight: 400;">a 4° Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural da Capital pede que os réus (governos estadual e municipal) sejam obrigados a demolir todas as edificações instaladas de forma irregular, como: Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), UPA e UPP.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O MPRJ também requer a elaboração e a execução de um projeto de restauração e revitalização que respeite os elementos paisagísticos, arquitetônicos e urbanísticos originais do local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em março desse ano, a Justiça determinou que o Estado e a Prefeitura <a href="https://temporealrj.com/ministerio-publico-do-rio-ajuiza-acao-sobre-abandono-e-degradacao-do-parque-ary-barroso/">adotassem medidas emergenciais</a> em relação ao Parque Ary Barroso em um prazo de 60 dias, <a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/rj1/noticia/2026/01/24/abandono-do-parque-ary-barroso-na-penha-vira-alvo-de-acao-na-justica.ghtml">para garantir</a> que esteja em condições adequadas de uso e salubridade. Entre as providências estão a remoção de árvores ou vegetação com risco iminente de queda e a paralisação de obras não autorizadas que estejam andamento dentro da área tombada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, o parque, referência histórica e de lazer para os moradores da região, encontra-se atualmente em estado de degradação. Os jardins foram transformados em estacionamentos, os antigos lagos estão secos, as vias internas deterioradas e o terreno está repleto de ocupações ilícitas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na decisão, o Juízo da 13ª Vara de Fazenda Pública determinou multa diária de R$1.000, em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$100.000. Apesar da Ação Civil Pública (janeiro) e da Decisão Judicial (março), ainda não é visto o início da tão sonhada revitalização, aumentando a angústia e apreensão de movimentos e vizinhos defensores do parque, que seguem assistindo a progressiva descaracterização, sem saber qual será seu futuro definitivo, como conta a advogada Andréa Neves, membro da Sociedade de Poetas Leopoldinenses:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nós que utilizamos o espaço não sabemos até que ponto a decisão realmente [abrange] o que a gente tá reivindicando para os moradores ou até que ponto é só para manter o espaço limpo. Aqui era muito utilizado pelas famílias da redondeza. A gente esticava as nossas toalhas de mesa [aqui]. Infelizmente, [o parque] foi totalmente negligenciado, não apenas nos últimos 20 anos. Tem muito mais tempo que isso. [Há] 20 anos é que [a situação] está em público [visível]. Aqui não é só uma questão de limpeza, precisamos revitalizar os lagos, controle sobre uso do espaço, porque virou um grande estacionamento. Se você quiser ir no banheiro e a Arena Dicró [espaço cultural que fica dentro do terreno] tiver fechada não tem onde utilizar. A gente não tá pedindo nada de especial. Só o necessário. Não é só a limpeza [que o parque precisa], ou colocar [novas] árvores. A gente precisa que o parque seja também [um ponto] de lazer, de utilidade pública.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_81947" aria-describedby="caption-attachment-81947" style="width: 1600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81947 size-full" title="UPP ainda está em local onde deveriam haver quadras esportivas para a população. Foto: RioOnWatch" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch.jpeg" alt="A história do Parque Ary Barroso é repleta de lutas mas também de resiliência. Fotos por: Arthur Lucena" width="1600" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch.jpeg 1600w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch-620x465.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch-768x576.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch-1536x1152.jpeg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/UPP-ainda-esta-em-local-onde-deveriam-haver-quadras-esportivas-para-a-populacao.-Foto_-RioOnWatch-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81947" class="wp-caption-text">UPP ainda está em local onde deveriam haver quadras esportivas para a juventude. Foto: <em>RioOnWatch</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Arthur Lucena, a falta de comunicação e suporte efetivo também é um outro ponto problemático:</span></p>
<blockquote><p>“A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (<a href="https://rioonwatch.org.br/?tag=secretaria-municipal-de-meio-ambiente">SMAC</a>) disse que já estava em licitação a reforma para o Parque Ary Barroso e em março iriam começar essas obras. Cadê essas obras? Em ano eleitoral tem aquela coisa: &#8216;Ah, a gente vai fazer&#8217;&#8230; O que era para existir aqui é um gestor, que estamos sem desde julho de 2024. Essa pessoa deveria ser esse mediador, deveria ter alguém pra auxiliar aqui.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_81948" aria-describedby="caption-attachment-81948" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Entradas-originais-do-Parque-Ary-Barroso-seguem-fechadas-ha-cerca-de-20-anos.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81948 size-full" title="Entradas originais do Parque Ary Barroso seguem fechadas há cerca de 20 anos. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Entradas-originais-do-Parque-Ary-Barroso-seguem-fechadas-ha-cerca-de-20-anos.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao.png" alt="Entradas originais do Parque Ary Barroso seguem fechadas há cerca de 20 anos. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução" width="2000" height="1333" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Entradas-originais-do-Parque-Ary-Barroso-seguem-fechadas-ha-cerca-de-20-anos.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao.png 2000w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Entradas-originais-do-Parque-Ary-Barroso-seguem-fechadas-ha-cerca-de-20-anos.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao-620x413.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Entradas-originais-do-Parque-Ary-Barroso-seguem-fechadas-ha-cerca-de-20-anos.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao-768x512.png 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Entradas-originais-do-Parque-Ary-Barroso-seguem-fechadas-ha-cerca-de-20-anos.-Foto_-Arquivo-Pessoal_Reproducao-1536x1024.png 1536w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81948" class="wp-caption-text">Entradas originais do Parque Ary Barroso seguem fechadas há cerca de 15 anos. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre</figcaption></figure>
<h3>Parque Ary Barroso Livre: Em Defesa da Natureza na Zona da Leopoldina</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, os coletivos </span><a href="https://bit.ly/4mVvjLB"><span style="font-weight: 400;">Sociedade de Poetas Leopoldinenses</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Movimento Parque Ary Barroso Livre, formados por moradores, </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DSXEYHgAAJp/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">vêm realizando uma série de ativações</span></a><span style="font-weight: 400;"> no espaço, buscando o resgate do parque junto à população no espírito “</span><a href="https://rioonwatch.org.br/?tag=nos-por-nos"><span style="font-weight: 400;">nós por nós</span></a><span style="font-weight: 400;">“. Através deles, já foram realizados mais de 20 eventos, entre mutirões de limpeza e ações artísticas e culturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O professor de artes marciais e cria da Penha, Alan Mello, um dos participantes da mobilização, </span><a href="https://www.instagram.com/reels/DQY5bBiDnyD/"><span style="font-weight: 400;">dá aula há dez anos no parque</span></a><span style="font-weight: 400;"> e compartilha seu desejo de que o local seja para a nova geração o que foi para ele na infância.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Minha primeira memória do parque é de quando eu vinha com minha mãe fazer piquenique [início dos anos 2000]. A água do lago já tinha um lodo, mas tinha vitórias-régia. Aqui tinha micos. Já ouvi gente dizer que teve até bicho-preguiça aqui. Aqui é um espaço ao ar livre pra comunidade, pra fazer uma atividade individual ou coletiva e poder aproveitar a natureza. O que a gente tá buscando cada vez mais é trazer atividades com qualidade e também uma mudança no parque para que melhore. A gente vive muito nessa vida corrida e aqui, na Zona Norte, a gente não tem um espaço tão bom quanto o Parque Ary Barroso.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Organizaram também encontros </span><span style="font-weight: 400;">de aniversário de 61 anos do parque (13 de dezembro de 2025) e <a href="https://www.instagram.com/reels/DTzw-YJjbJ_/">férias com crianças</a></span><span style="font-weight: 400;"> (17 de janeiro de 2026), com atividades variadas como: poesia, educação ambiental, dança indígena, aula de Kung Fu, apresentação musical e oficina de pintura com material reciclável para todas as idades. Com isso, o projeto atraiu até agora cerca de 500 pessoas para o Parque Ary Barroso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Arthur reforça que, mesmo com as dificuldades, ter esperança é um ato de resistência pelo parque e pela Penha:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“As pessoas que contribuíram com o </span><a href="https://bit.ly/4cDIUDO" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">abaixo-assinado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de recuperação do parque são, em sua maioria, daqui da região. [Além disso], atualmente a luta pelo meio ambiente tem se popularizado [ajudando nossa mobilização]. Como já se passaram 15 anos, tem muita gente que desacredita [de que a situação vai mudar], porque se não aconteceu nada antes, por que agora, né? Mas temos que continuar cobrando e acreditando.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82200" aria-describedby="caption-attachment-82200" style="width: 1280px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82200 size-full" title="União pela Revitalização do Nosso “Pulmão Verde da Zona Norte”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre " src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso.jpeg" alt="União pela Revitalização do Nosso “Pulmão Verde da Zona Norte”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre " width="1280" height="963" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso.jpeg 1280w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso-620x466.jpeg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso-768x578.jpeg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso-678x509.jpeg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso-326x245.jpeg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Movimento-Parque-Ary-Barroso-80x60.jpeg 80w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82200" class="wp-caption-text">União pela Revitalização do Nosso “Pulmão Verde da Zona Norte”. Foto: Arthur Lucena / Movimento Parque Ary Barroso Livre</figcaption></figure>
<h3>Confira a Lista de Reivindicações do Movimento Parque Ary Barroso Livre:</h3>
<ol>
<li>Retorno de uma equipe de gestão do parque.</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Comunicação visual eficiente: placas e sinalização em frente ao parque e nas suas entradas principais originais indicando a entrada. Melhora na comunicação com o entorno, com a Reabertura dos portões principais (após reformas urgentes), assim como das entradas laterais e contrução de novo acesso na parte alta, com placas visíveis. Sem a sinalização, muitas pessoas pensam que o parque pertence agora somente à UPA e à UPP. Há uma desconexão local. Muitos moradores, praticamente vizinhos do parque, nem conhecem a sua existência.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Restauração da placa histórica: restabelecer a sinalização que contava a história do parque, além de colocar um QR Code junto para conectar as novas gerações à História do “Pulmão da Zona da Leopoldina”.</span></li>
<li>Limpeza completa e regular: retirada de lixo e vegetação excessiva, incluindo a parte de cima do parque, onde existem lixeiras encostadas no muro, que acabam estimulando todo tipo de descarte no local.</li>
<li>Abordagem de dependentes químicos por equipes multidisciplinares de saúde e serviço social para que eles tenham o suporte adequado, abrigo e oportunidades de saírem da condição de rua e, assim, diminua a cena de uso no parque.</li>
<li>Segurança e vigilância do parque com presença 24 horas da Guarda Municipal e da Polícia Militar para evitar invasões noturnas e outros delitos, garantindo a segurança dos frequentadores.</li>
<li>Acessibilidade total: construção de vias que permitam o deslocamento de cadeirantes, pessoas idosas e com limitações de locomoção, entre outras.</li>
<li>Reativação da casa de máquinas, fontes, cascatas e lagos.</li>
<li>Resgate dos espaços originais: transferência da UPA para o terreno da antiga lavanderia do Hospital Estadual Getúlio Vargas e da UPP para espaços cedidos pela Prefeitura e reforma de quadras esportivas e parque infantil.</li>
<li>Reforma da entrada situada na parte de cima do parque: portões e grades se encontram destruídos e arrancados.</li>
<li>Banheiros, vestiários e iluminação noturna.</li>
<li>Incentivo à ocupação positiva do parque: oferta de atividades para moradores, com grades de oficinas esportivas e culturais semanais, shows, eventos, entre outras ações locais.</li>
<li>Funcionamento noturno até às 22h: permitindo maior uso para lazer a noite, tendo em vista que a maioria dos moradores está disponível nesse horário.</li>
</ol>
<h4>Para apoiar o movimento, é possível contribuir com o <a href="https://bit.ly/4cDIUDO" target="_blank" rel="noopener">abaixo-assinado</a>, além de seguir o projeto em seus perfis de redes sociais, como <a href="https://bit.ly/48VZqN2" target="_blank" rel="noopener">Instagram</a>, <a href="https://bit.ly/420GyZu" target="_blank" rel="noopener">Facebook</a>, <a href="https://bit.ly/48tmlza" target="_blank" rel="noopener">TikTok</a> e <a href="https://bit.ly/4tCdRxX" target="_blank" rel="noopener">X</a>.</h4>
<hr />
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Visite Até 30 de Julho! Exposição ‘Memória Climática das Favelas’ Retorna, Completa, ao Museu de Favela, no PPG: ‘Aprendemos a Sobreviver para Poder Contar Como Sobreviver’</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=82171</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Julio Santos Filho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 18:49:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[*Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Escrito por Comunicadores Populares]]></category>
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		<category><![CDATA[Série: Memória Climática das Favelas]]></category>
		<category><![CDATA[Zona Sul]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Click Here for English Em meio a 24ª Semana Nacional dos Museus, a exposição Memória Climática das Favelas retorna para o Museu de Favela (MUF), desta vez de forma completa. Organizada por onze museus e <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=82171" title="Visite Até 30 de Julho! Exposição &#8216;Memória Climática das Favelas&#8217; Retorna, Completa, ao Museu de Favela, no PPG: &#8216;Aprendemos a Sobreviver para Poder Contar Como Sobreviver&#8217;">[...]</a></p>
<p>O post <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=82171">Visite Até 30 de Julho! Exposição &#8216;Memória Climática das Favelas&#8217; Retorna, Completa, ao Museu de Favela, no PPG: &#8216;Aprendemos a Sobreviver para Poder Contar Como Sobreviver&#8217;</a> apareceu primeiro em <a href="https://rioonwatch.org.br">RioOnWatch</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_82179" aria-describedby="caption-attachment-82179" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-exposicao-Memoria-Climatica-das-Favelas-chega-ao-Museu-de-Favela-no-Pavao-Pavaozinho-e-Cantagalo.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82179 size-full" title="A exposição Memória Climática das Favelas chega ao Museu de Favela no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-exposicao-Memoria-Climatica-das-Favelas-chega-ao-Museu-de-Favela-no-Pavao-Pavaozinho-e-Cantagalo.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg" alt="A exposição Memória Climática das Favelas chega ao Museu de Favela no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-exposicao-Memoria-Climatica-das-Favelas-chega-ao-Museu-de-Favela-no-Pavao-Pavaozinho-e-Cantagalo.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-exposicao-Memoria-Climatica-das-Favelas-chega-ao-Museu-de-Favela-no-Pavao-Pavaozinho-e-Cantagalo.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-exposicao-Memoria-Climatica-das-Favelas-chega-ao-Museu-de-Favela-no-Pavao-Pavaozinho-e-Cantagalo.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-exposicao-Memoria-Climatica-das-Favelas-chega-ao-Museu-de-Favela-no-Pavao-Pavaozinho-e-Cantagalo.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-exposicao-Memoria-Climatica-das-Favelas-chega-ao-Museu-de-Favela-no-Pavao-Pavaozinho-e-Cantagalo.-Foto-Barbara-Dias-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82179" class="wp-caption-text">A exposição Memória Climática das Favelas retorna completa ao Museu de Favela no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p style="text-align: right;"><a href="https://bit.ly/3PSzCv2" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Click Here for English</strong></em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-15790" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2012/08/EN-standard-e1439583104716.jpg" alt="" width="20" height="20" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a </span><a href="https://bit.ly/498dm6P" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">24ª Semana Nacional dos Museus</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">a </span><a href="https://bit.ly/46BgZy8" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">exposição Memória Climática das Favelas</span></a><span style="font-weight: 400;"> <a href="https://bit.ly/463sFvc">retorna</a> para o Museu de Favela (<a href="https://bit.ly/2IGWNlt" target="_blank" rel="noopener">MUF</a>), desta vez de forma completa. Organizada por onze museus e projetos de memória integrantes da </span><a href="https://bit.ly/47oDcmW" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Rede Favela Sustentável</span></a><span style="font-weight: 400;">*, após passar <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=81278">três meses</a> em Santa Cruz, <a href="https://rioonwatch.org.br/?tag=zona-oeste">Zona Oeste</a> da cidade do Rio de Janeiro, a instalação com 60 painéis de linha do tempo, 13 banners e outros objetos, foi aberta ao público no coração da <a href="https://bit.ly/2WL6FUi" target="_blank" rel="noopener">Zona Sul</a> no dia 19 de maio. Permanecerá <a href="https://museudefavela.org/visiteomuf/">aberta para visitação até 30 de julho</a>, de terça a sábado, entre 10h e 17h na sede do MUF, Rua Alberto de Campos, 12 · 4º andar, Ipanema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Márcia Souza, co-fundadora do Museu de Favela, no <a href="https://bit.ly/35R78Gq" target="_blank" rel="noopener">Pavão, Pavãozinho</a> e <a href="https://bit.ly/2xHHPpW" target="_blank" rel="noopener">Cantagalo</a>, fala sobre a importância de receber a exposição mais uma vez no MUF e de como foi o processo de construção das rodas de memória climática que compõe a expo, rodas realizadas por dez favelas da cidade do Rio de Janeiro. Como Márcia lembrou, o processo de história oral das rodas gerou o conteúdo da exposição: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu venho nessa construção da Rede Favela Sustentável e da construção das rodas de conversa da memória climática e dessa integração com todos os outros territórios da cidade do Rio de Janeiro. Trazer essa exposição aqui novamente, agora, desta vez, completa, para mim, é muito importante, porque é uma exposição que foi construída coletivamente. Ela vem muito das entranhas do nosso íntimo, que é de onde a gente falou sobre tudo o que a gente passou no passado, o que a gente aprendeu com tudo o que se passou. E, hoje, está aí exposta essa questão do clima, que a gente não domina, a gente não tem como impedir, mas a gente tem como se prevenir. Essas questões [das mudanças climáticas] estão chegando e como a gente vai receber? E tudo isso pautado nas experiências de várias gerações: os jovens ouvindo os mais antigos [e os mais antigos, os mais jovens]… É maravilhoso fazer parte disso!”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82180" aria-describedby="caption-attachment-82180" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Durante-a-abertura-da-exposicao-no-MUF-um-grupo-de-mulheres-estava-reunido-para-uma-roda-de-conversa.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82180 size-full" title="Durante a abertura da exposição no MUF, um grupo de mulheres estava reunido no encontro 'Diálogos sobre a rede de proteção à mulher, caminhos de apoio e lideranças que protegem', mediado pelo CAOVIDMPRJ. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Durante-a-abertura-da-exposicao-no-MUF-um-grupo-de-mulheres-estava-reunido-para-uma-roda-de-conversa.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg" alt="Durante a abertura da exposição no MUF, um grupo de mulheres estava reunido no encontro 'Diálogos sobre a rede de proteção à mulher, caminhos de apoio e lideranças que protegem', mediado pelo CAOVIDMPRJ. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Durante-a-abertura-da-exposicao-no-MUF-um-grupo-de-mulheres-estava-reunido-para-uma-roda-de-conversa.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Durante-a-abertura-da-exposicao-no-MUF-um-grupo-de-mulheres-estava-reunido-para-uma-roda-de-conversa.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Durante-a-abertura-da-exposicao-no-MUF-um-grupo-de-mulheres-estava-reunido-para-uma-roda-de-conversa.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Durante-a-abertura-da-exposicao-no-MUF-um-grupo-de-mulheres-estava-reunido-para-uma-roda-de-conversa.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Durante-a-abertura-da-exposicao-no-MUF-um-grupo-de-mulheres-estava-reunido-para-uma-roda-de-conversa.-Foto-Barbara-Dias-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82180" class="wp-caption-text">Durante a abertura da exposição no MUF, um grupo de mulheres estava reunido no encontro &#8216;Diálogos sobre a rede de proteção à mulher, caminhos de apoio e lideranças que protegem&#8217;, mediado pelo CAOVIDMPRJ. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a abertura da exposição no MUF, foram realizados &#8220;diálogos sobre a rede de proteção à mulher, caminhos de apoio e lideranças que protegem&#8221;, pelo </span><span style="font-weight: 400;">Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (</span><span style="font-weight: 400;">CAOVD</span><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;"> do </span><span style="font-weight: 400;">Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro</span><span style="font-weight: 400;"> (<a href="https://bit.ly/2JqdMwR" target="_blank" rel="noopener">MPRJ</a>). Drª Eyleen Marenco, promotora de Justiça e subcoordenadora do CAOVD/MPRJ, e as assistentes sociais Rosangela Pereira e Jaqueline de Souza reuniram um grupo de mulheres </span><span style="font-weight: 400;">moradoras e lideranças comunitárias, e promoveram uma roda de conversa destas que atuam no enfrentamento à <a href="https://bit.ly/3kdNDAF" target="_blank" rel="noopener">violência de gênero</a>. Elizabete Pereira, Segunda diretora na atual gestão do MUF, fala da importância do evento, junto à abertura da exposição: </span></p>
<blockquote><p>“Foi uma troca muito interessante, inclusive por ser no mesmo momento que a abertura, de estarmos recebendo novamente a exposição Memória Climática das Favelas. Eu pude participar da montagem e é muito incrível que você vai vendo o que foi adicionado nas memórias de favelas e que somos diferentes, porém muito iguais. E têm muitas soluções, então, estou ansiosa pra terminar de explorar a exposição e fico muito feliz com essa parceria, com esse trabalho em parceria com o MUF.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_82181" aria-describedby="caption-attachment-82181" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-as-visitantes-que-durante-o-circuito-que-puderam-acompanhar-os-paineis-linha-do-tempo-poco-bacia-das-memorias-um-vasto-conteudo-sobre-as-memorias-c-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82181 size-full" title="Márcia Souza (à esquerda) guia as visitantes, que durante o circuito da Exposição Memória Climática nas Favelas, onde puderam acompanhar os painéis da linha do tempo, o poço, a bacia das memórias e um vasto conteúdo sobre as memórias climáticas de dez favelas cariocas. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-as-visitantes-que-durante-o-circuito-que-puderam-acompanhar-os-paineis-linha-do-tempo-poco-bacia-das-memorias-um-vasto-conteudo-sobre-as-memorias-c-scaled.jpg" alt="Márcia Souza (à esquerda) guia as visitantes, que durante o circuito da Exposição Memória Climática nas Favelas, onde puderam acompanhar os painéis da linha do tempo, o poço, a bacia das memórias e um vasto conteúdo sobre as memórias climáticas de dez favelas cariocas. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-as-visitantes-que-durante-o-circuito-que-puderam-acompanhar-os-paineis-linha-do-tempo-poco-bacia-das-memorias-um-vasto-conteudo-sobre-as-memorias-c-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-as-visitantes-que-durante-o-circuito-que-puderam-acompanhar-os-paineis-linha-do-tempo-poco-bacia-das-memorias-um-vasto-conteudo-sobre-as-memorias-c-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-as-visitantes-que-durante-o-circuito-que-puderam-acompanhar-os-paineis-linha-do-tempo-poco-bacia-das-memorias-um-vasto-conteudo-sobre-as-memorias-c-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-as-visitantes-que-durante-o-circuito-que-puderam-acompanhar-os-paineis-linha-do-tempo-poco-bacia-das-memorias-um-vasto-conteudo-sobre-as-memorias-c-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-as-visitantes-que-durante-o-circuito-que-puderam-acompanhar-os-paineis-linha-do-tempo-poco-bacia-das-memorias-um-vasto-conteudo-sobre-as-memorias-c-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82181" class="wp-caption-text">Márcia Souza (à esquerda) guia as visitantes, que durante o circuito da exposição Memória Climática das Favelas, onde puderam acompanhar os painéis da linha do tempo, a bacia das memórias e um vasto conteúdo sobre as memórias climáticas de dez favelas cariocas. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p>Após o encontro, as participantes participaram de uma visita guiada por Márcia, pela exposição, no <a href="https://bit.ly/4fzFMuk" target="_blank" rel="noopener">espaço renovado do Museu de Favela</a>. Márcia narrou como foi o processo de construção:</p>
<blockquote><p>“Essa exposição foi criada através das rodas de conversas, nós tivemos dez rodas. No primeiro momento (em 2023) cinco, depois (em 2024) mais cinco rodas, e a gente discutiu o que é clima, como o clima atingiu a gente ao longo do tempo. Todo mundo falava das tragédias, e de como as pessoas se resolviam diante da tragédia. Têm pessoas de lugares diferentes que sofreram a mesma coisa, mas de maneiras diferentes. E aí a gente acabou percebendo que a gente tinha uma união, sabe? [Tanto dentro da favela quanto entre as favelas que participaram] vivemos vários tipos de situações, aprendemos a sobreviver, para poder contar hoje como que a gente sobreviveu e o que a gente pode fazer. Então, a memória climática pra mim é esse resumo: viver e sentir o que foi passado lá atrás contado pelos mais antigos, e os mais novos criarem novas soluções, e não só esperar pelo governo.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Larissa Itaboraí, jornalista, voluntária no MUF, relatou ter se impressionado com o conteúdo da exposição:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Hoje, a gente estava participando de uma roda de conversa muito interessante e agora a gente está sendo apresentado para essa exposição. Confesso que fiquei impressionada com a quantidade de informações que existem nesses painéis. A forma como a Márcia também [guiou], que é uma pessoa integrante daqui, uma das fundadoras do MUF, me tocou muito. A gente fala muito de mudanças climáticas a nível de florestas, água. Mas quando a gente vem do macro para o micro, como as favelas são atingidas, a gente consegue ver um racismo ambiental e um racismo climático.” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82182" aria-describedby="caption-attachment-82182" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-jovens-estudantes-da-Escola-Municipal-Presidente-Joao-Goulart-na-Exposicao-Memorias-Climaticas-das-Favelas.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82182 size-full" title="Márcia Souza (à direita) guia jovens estudantes da Escola Municipal Presidente João Goulart na Exposição Memórias Climáticas das Favelas no Museu das Favelas. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-jovens-estudantes-da-Escola-Municipal-Presidente-Joao-Goulart-na-Exposicao-Memorias-Climaticas-das-Favelas.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg" alt="Márcia Souza (à direita) guia jovens estudantes da Escola Municipal Presidente João Goulart na Exposição Memórias Climáticas das Favelas no Museu das Favelas. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-jovens-estudantes-da-Escola-Municipal-Presidente-Joao-Goulart-na-Exposicao-Memorias-Climaticas-das-Favelas.-Foto-Barbara-Dias-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-jovens-estudantes-da-Escola-Municipal-Presidente-Joao-Goulart-na-Exposicao-Memorias-Climaticas-das-Favelas.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-jovens-estudantes-da-Escola-Municipal-Presidente-Joao-Goulart-na-Exposicao-Memorias-Climaticas-das-Favelas.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-jovens-estudantes-da-Escola-Municipal-Presidente-Joao-Goulart-na-Exposicao-Memorias-Climaticas-das-Favelas.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Marcia-Souza-a-esquerda-guia-jovens-estudantes-da-Escola-Municipal-Presidente-Joao-Goulart-na-Exposicao-Memorias-Climaticas-das-Favelas.-Foto-Barbara-Dias-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82182" class="wp-caption-text">Márcia Souza guia jovens estudantes da Escola Municipal Presidente João Goulart na exposição Memória Climática das Favelas no Museu de Favela. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo dia, a exposição foi visitada por 20 crianças do 3º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Presidente João Goulart, localizada no próprio território. Acompanhados por sua educadora, os pequenos visitantes foram guiados por Márcia Souza e puderam percorrer o circuito da exposição. No final, deixaram recados no mapa interativo que faz parte da exposição. Márcia comentou sobre a importância das crianças visitarem a exposição: </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando a gente traz essas informações para eles olharem, tocarem, ouvirem, verem, é super importante. E eles se engajam nisso, entendem que eles também podem participar na construção de uma solução. Então, a criança, quando ela vê a exposição e entende o que está no entorno dela, ela interpreta do jeito dela, sem nenhuma interferência, é ela e o olhar dela.” </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A exposição “Memória Climática das Favelas&#8221; está em exibição no Museu de Favela, Rua Alberto de Campos, 12 &#8211; 4° andar &#8211; Ipanema, Rio de Janeiro, até o dia 30 de julho. A <a href="https://museudefavela.org/visiteomuf/">visitação acontece</a> de terça a sábado, entre 10h e 17h para entrada, na Rua Alberto de Campos, 12 · 4º andar, Ipanema.</span></p>
<h3>Veja Mais Fotos no <a href="https://bit.ly/4dvrDgz" target="_blank" rel="noopener">Álbum</a>:</h3>
<p><a title="Exposição 'Memória Climática das Favelas' no Museu de Favela, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, 19 de maio de 2026" href="https://www.flickr.com/photos/catcomm/albums/72177720333863849" data-flickr-embed="true"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://live.staticflickr.com/65535/55292842655_f80e2d43e3_h.jpg" alt="Exposição 'Memória Climática das Favelas' no Museu de Favela, Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, 19 de maio de 2026" width="1600" height="1200" /></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script></p>
<p><em>Sobre a autora: <a href="https://bit.ly/3Gc3OJU" target="_blank" rel="noopener">Bárbara Dias</a>, cria de Bangu, possui licenciatura em Ciências Biológicas, mestrado em Educação Ambiental e atua como professora da rede pública desde 2006. É fotojornalista e trabalha também com fotografia documental. É comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (<a href="https://bit.ly/3i2GcdN" target="_blank" rel="noopener">NPC</a>) e co-fundadora do <a href="https://bit.ly/3vfY8bj" target="_blank" rel="noopener">Coletivo Fotoguerrilha</a>.</em></p>
<hr />
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		<title>Sua Alteza Real Princesa Abze Djigma, do Povo Mossi de Burkina Faso, Visita Casarão Cândido Mendes: ‘Não Podemos Permitir que as Cidades Sejam Esvaziadas de Seus Verdadeiros Cidadãos’</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=82108</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 00:23:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Moradores do Casarão da Cândido Mendes, em Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro, receberam uma visita ilustre, no dia 7 de maio, da Sua Alteza Real Princesa Abze Djigma, de Burkina Faso, <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=82108" title="Sua Alteza Real Princesa Abze Djigma, do Povo Mossi de Burkina Faso, Visita Casarão Cândido Mendes: &#8216;Não Podemos Permitir que as Cidades Sejam Esvaziadas de Seus Verdadeiros Cidadãos&#8217;">[...]</a></p>
<p>O post <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=82108">Sua Alteza Real Princesa Abze Djigma, do Povo Mossi de Burkina Faso, Visita Casarão Cândido Mendes: &#8216;Não Podemos Permitir que as Cidades Sejam Esvaziadas de Seus Verdadeiros Cidadãos&#8217;</a> apareceu primeiro em <a href="https://rioonwatch.org.br">RioOnWatch</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_82114" aria-describedby="caption-attachment-82114" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3445-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82114 size-full" title="Princesa Abze Djigma (ao centro) em visita ao Casarão da Cândido Mendes em Santa Teresa. Na foto, alguns moradores e professores da PUC-Rio que acompanharam a visita ao antigo hotel, hoje, ocupado por 64 famílias. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3445-scaled.jpg" alt="Princesa Abze Djigma (ao centro) em visita ao Casarão da Cândido Mendes em Santa Teresa. Na foto, alguns moradores e professores da PUC-Rio que acompanharam a visita ao antigo hotel, hoje, ocupado por 64 famílias. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3445-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3445-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3445-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3445-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3445-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82114" class="wp-caption-text">Princesa Abze Djigma (ao centro) em visita ao Casarão da Cândido Mendes em Santa Teresa. Na foto, alguns moradores e professores da PUC-Rio que acompanharam a visita ao antigo hotel, hoje, ocupado por 64 famílias. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Moradores do </span><a href="https://bit.ly/4tY63XK" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Casarão da Cândido Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;">, em <a href="https://bit.ly/2OMuRQ7" target="_blank" rel="noopener">Santa Teresa</a>, na região central do Rio de Janeiro, receberam uma visita ilustre, no dia 7 de maio, da Sua Alteza Real Princesa </span><a href="https://bit.ly/4dmMwJn" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Abze Djigma</span></a><span style="font-weight: 400;">, de Burkina Faso, país do Oeste da <a href="https://bit.ly/2CDzDNX" target="_blank" rel="noopener">África</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A visita se deu para conhecer os moradores e a história por trás da ocupação. Em sua passagem pelo Rio, a princesa também <a href="https://bit.ly/4d3IPJF" target="_blank" rel="noopener">visitou a favela da Rocinha</a></span><span style="font-weight: 400;">, e realizou uma palestra que inaugurou o Hub de Sustentabilidade e Resiliência Urbana em Engenharia (SURE), em parceria com a Universidade das Nações Unidas (</span><span style="font-weight: 400;">UNU</span><span style="font-weight: 400;">), na </span><a href="https://bit.ly/3QZEHlr" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">PUC-Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DYFjw-PDirK/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/DYFjw-PDirK/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Um post compartilhado por Rocinha Upmmr (@rocinhaupmmr)</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abze Djigma é conhecida internacionalmente por seu trabalho com as temáticas de <a href="https://bit.ly/SerieJusticaClimatica" target="_blank" rel="noopener">justiça climática</a> e inclusão social. Já esteve no Brasil antes, inclusive participando da</span> <a href="https://bit.ly/MovimentosNaCOP" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">COP30</span></a><span style="font-weight: 400;"> em <a href="https://bit.ly/3JPa5jn" target="_blank" rel="noopener">Belém</a> em 2025. É uma liderança na articulação de soluções para países do Sul Global, especialmente relacionadas ao desenvolvimento sustentável, energia e clima. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Descendente da </span><a href="https://bit.ly/3PlDrbE" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Princesa Yennenga</span></a><span style="font-weight: 400;">, figura histórica para a formação do </span><a href="https://bit.ly/4uNIWyT" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">povo Mossi</span></a><span style="font-weight: 400;">, Djigma carrega em sua ancestralidade a força dessa grande guerreira. De uma forma diferente, porém não menos importante, ela tem uma trajetória de luta por justiça socioambiental. A partir do seu trabalho, criou a fundação que leva seu nome, a </span><a href="https://bit.ly/48WFtFT" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">H.R.H. Princess Abze Djigma Foundation</span></a><span style="font-weight: 400;">, cuja missão principal é melhorar a vida das mulheres e jovens. </span></p>
<figure id="attachment_82116" aria-describedby="caption-attachment-82116" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3432-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82116 size-full" title="No terraço do Casarão da Cândido Mendes, a Princesa Abze Djigma ressaltou a importância de preservar os moradores na ocupação: 'Não podemos permitir que, como acontece em tantas capitais, as cidades sejam esvaziadas de seus verdadeiros cidadãos. Quando os moradores vão embora, a alma da cidade vai junto.'. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3432-scaled.jpg" alt="No terraço do Casarão da Cândido Mendes, a Princesa Abze Djigma ressaltou a importância de preservar os moradores na ocupação: 'Não podemos permitir que, como acontece em tantas capitais, as cidades sejam esvaziadas de seus verdadeiros cidadãos. Quando os moradores vão embora, a alma da cidade vai junto.'. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1706" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3432-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3432-620x413.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3432-768x512.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3432-1536x1024.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3432-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82116" class="wp-caption-text">No terraço do Casarão da Cândido Mendes, Princesa Abze Djigma ressaltou a importância de preservar os moradores na ocupação: &#8216;Não podemos permitir que, como acontece em tantas capitais, as cidades sejam esvaziadas de seus verdadeiros cidadãos. Quando os moradores vão embora, a alma da cidade vai junto.&#8217; Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhada por professores da PUC-Rio, a princesa chegou na tarde de quinta-feira, 7 de maio, no Casarão Cândido Mendes para conhecer a história e luta dos moradores. A maioria reside há mais de 30 anos no imóvel e busca que ele seja reconhecido pela Secretaria do Patrimônio da União (</span><span style="font-weight: 400;">SPU</span><span style="font-weight: 400;">) como moradia de interesse social, conforme <a href="https://bit.ly/4tY63XK" target="_blank" rel="noopener">publicado recentemente pelo <em>RioOnWatch</em></a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O professor Daniel Cardoso, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da PUC-Rio, presente na visita ao Casarão, enfatizou que a abordagem dos aliados técnicos na ocupação é interdisciplinar, apoiando os moradores em aspectos jurídicos, sociais, ambientais e estruturais. Ele acredita que a visita da princesa à ocupação pode &#8220;t</span>rabalhar o problema do casarão no contexto da recém assinada e lançada Universidade das Nações Unidas e do HUB de Sustentabilidade e Resiliência Urbana em Engenharia, contando com o apoio e articulação da princesa, que é consultora e tem uma relação próxima com a UNU e com a própria ONU.”</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao chegar ao Casarão, Abze Djigma foi recepcionada por uma comitiva de moradores, que apontou os aspectos históricos e sociais da luta deles por moradia. Foram contextualizados os problemas estruturais e as dificuldades de diálogo com o governo e a SPU.</span></p>
<figure id="attachment_82118" aria-describedby="caption-attachment-82118" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3373-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82118 size-full" title="Princesa Abze Djigma visita apartamento do morador Joel Antunes, que é fluente em francês. Ele foi um dos moradores que mais interagiu com a princesa e apresentou a ela o Casarão, além da vista da cidade. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3373-scaled.jpg" alt="Princesa Abze Djigma visita apartamento do morador Joel Antunes, que é fluente em francês. Ele foi um dos moradores que mais interagiu com a princesa e apresentou a ela o Casarão, além da vista da cidade. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3373-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3373-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3373-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3373-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3373-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82118" class="wp-caption-text">Princesa Abze Djigma visita apartamento do morador Joel Antunes, que é fluente em francês. Ele foi um dos moradores que mais interagiu com a princesa e apresentou a ela o Casarão, além da vista da cidade. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos moradores que abriu as portas de sua casa para a princesa foi o senhor Joel Antunes, fluente em francês. Ele apresentou o imóvel e a vista do terraço. </span></p>
<h3>Solidariedade Internacional como Ferramenta de Luta</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Lucinalva de Sousa Santos, moradora desde 1997 e Conselheira da Associação de Moradores do Casarão, analisou a visita da Princesa Abze Djigma como importante para a luta pela permanência:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O que dizer do privilégio de ter Sua Alteza Real Princesa Abze Djigma no nosso casarão? Representatividade muito grande, importantíssima para nossa luta. Um ícone da raça negra, que é a grande maioria [de pessoas] aqui no nosso casarão. Muita gratidão pela visita, muita gratidão pelas pessoas que foram o instrumento para trazer essa visita maravilhosa. Eu espero que a visita da Princesa Abze consiga levar o que está acontecendo conosco adiante e que também seja algo que ela possa carregar como bandeira. Que através disso venham ONGs e outros colaboradores para nos ajudar nessa luta que está muito grande.”</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Andreia Brasil, empreendedora, embaixadora do </span><a href="https://bit.ly/4uHKE58" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Mães Negras do Brasil</span></a> e<span style="font-weight: 400;"> filha de uma moradora do Casarão, Dona Valquíria Brasil, com quem trabalha num ateliê de bijuterias com temática africana </span><a href="https://bit.ly/4nkPjr0" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Afrokiry</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando soube da vinda da princesa, quis lhe dar um abraço e um presente.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu fiquei muito lisonjeada em saber que uma princesa da África, da minha terra ancestral, estava em visita ao meu país e naquele casarão em que residem famílias que precisam de muita ajuda. Decidi presenteá-la com um colar feito à mão por mim. Dei a ela e ela prontamente tirou o dela e colocou o meu. Foi muito receptiva. Mesmo não falando a minha língua, nem eu a dela, a gente conseguiu ter uma comunicação incrível. Ela foi muito educada, muito querida.” – Andreia Brasil</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82120" aria-describedby="caption-attachment-82120" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3394-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82120 size-full" title="Princesa Abze Djigma recebe um abraço de Andreia Brasil Dorneles, que trabalha com confecção de bijuterias de temática africana. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3394-scaled.jpg" alt="Princesa Abze Djigma recebe um abraço de Andreia Brasil Dorneles, que trabalha com confecção de bijuterias de temática africana. Foto: Bárbara Dias" width="2560" height="1709" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3394-scaled.jpg 2560w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3394-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3394-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3394-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/BCD_3394-2048x1367.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82120" class="wp-caption-text">Princesa Abze Djigma recebe um abraço de Andreia Brasil Dorneles, que trabalha com confecção de bijuterias de temática africana. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Maíra Martins, professora do Departamento de Arquitetura da PUC-Rio e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Projetos e Práticas Colaborativas de Interesse Social (</span><a href="https://bit.ly/4cIhEEc" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">COLABIS</span></a><span style="font-weight: 400;">), a visita tem desdobramentos que vão além da divulgação da situação do Casarão.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A fala da Princesa Abze Djigma é importante não só por divulgar a luta dos moradores do Casarão do Hotel Moderno, mas também por trazer à tona a discussão sobre as dinâmicas humanas de segregação socioespacial no Rio de Janeiro. E o que ela está apontando é um processo histórico que se reproduz na cidade há bastante tempo. E é um processo que também pode ser observado em outras capitais do mundo: um processo de valorização de determinadas áreas e a consequente expulsão dos moradores mais vulneráveis dessas áreas quando elas começam a ser valorizadas.” — Maíra Martins</span></p></blockquote>
<p>Ao final da visita, no terraço que possui uma vista ampla para a <a href="https://bit.ly/31JbV98" target="_blank" rel="noopener">Baía de Guanabara</a> e o Pão de Açúcar, a Princesa Abze Djigma fez uma fala sobre a importância das pessoas lutarem contra a <a href="https://bit.ly/4nubACX" target="_blank" rel="noopener">gentrificação</a> e a <a href="https://bit.ly/4fiwrXJ" target="_blank" rel="noopener">especulação imobiliária</a> nas grandes cidades.</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Estamos aqui em uma área que desperta o interesse de investidores. Este é um antigo hotel, o Hotel Moderno, que foi abandonado. Os moradores ocuparam o espaço e querem que a Prefeitura faça algo para garantir que possam permanecer aqui. Não podemos permitir que, como acontece em tantas capitais, as cidades sejam esvaziadas de seus verdadeiros cidadãos. Quando os moradores vão embora, a alma da cidade vai junto. O que faz o Rio ser o Rio é o povo carioca, o samba, a dança, a vibração. Mas, se não cuidarmos dessas pessoas, toda essa energia que faz as pessoas virem ao Rio vai desaparecer.” — Princesa Abze Djigma</span></p></blockquote>
<h2>Veja Mais Fotos no <a href="https://bit.ly/3R44kS5" target="_blank" rel="noopener">Álbum</a>:</h2>
<p><a title="Princesa Abze Djigma visita ocupação Casarão Cândido Mendes, Santa Teresa, Rio de Janeiro, 07 de maio de 2026" href="https://www.flickr.com/photos/catcomm/albums/72177720333599646" data-flickr-embed="true"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://live.staticflickr.com/65535/55264594695_c52a63e47a_h.jpg" alt="Princesa Abze Djigma visita ocupação Casarão Cândido Mendes, Santa Teresa, Rio de Janeiro, 07 de maio de 2026" width="1600" height="1200" /></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script></p>
<p><em>Sobre a autora: <a href="https://bit.ly/3Gc3OJU" target="_blank" rel="noopener">Bárbara Dias</a>, cria de Bangu, possui licenciatura em Ciências Biológicas, mestrado em Educação Ambiental e atua como professora da rede pública desde 2006. É fotojornalista e trabalha também com fotografia documental. É comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (<a href="https://bit.ly/3i2GcdN" target="_blank" rel="noopener">NPC</a>) e co-fundadora do <a href="https://bit.ly/3vfY8bj" target="_blank" rel="noopener">Coletivo Fotoguerrilha</a>.</em></p>
<hr />
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			</item>
		<item>
		<title>Ocupação Casarão Cândido Mendes, em Santa Teresa, Reivindica Direito à Permanência e Diálogo com Secretaria de Patrimônio da União: ‘Aqui É o Meu Berço da Vida’</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=81975</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Julio Santos Filho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 18:55:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#OlhoNaGentrificação]]></category>
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		<category><![CDATA[Trabalho e renda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Click Here for English Moradores do Casarão da Cândido Mendes em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, enfrentam risco iminente de reintegração de posse, que levará ao despejo, após uma obra contratada pela Secretaria <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=81975" title="Ocupação Casarão Cândido Mendes, em Santa Teresa, Reivindica Direito à Permanência e Diálogo com Secretaria de Patrimônio da União: &#8216;Aqui É o Meu Berço da Vida&#8217;">[...]</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_81996" aria-describedby="caption-attachment-81996" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-onde-moram-64-familias-uma-ocupacao-que-comecou-nos-anos-de-1990.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81996 size-full" title="Casarão da Cândido Mendes, em Santa Teresa, é uma ocupação onde moram 64 famílias desde os anos de 1990. Foto: Barbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-onde-moram-64-familias-uma-ocupacao-que-comecou-nos-anos-de-1990.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Casarão da Cândido Mendes, em Santa Teresa, é uma ocupação onde moram 64 famílias desde os anos de 1990. Foto: Barbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-onde-moram-64-familias-uma-ocupacao-que-comecou-nos-anos-de-1990.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-onde-moram-64-familias-uma-ocupacao-que-comecou-nos-anos-de-1990.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-onde-moram-64-familias-uma-ocupacao-que-comecou-nos-anos-de-1990.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-onde-moram-64-familias-uma-ocupacao-que-comecou-nos-anos-de-1990.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81996" class="wp-caption-text">Casarão da Cândido Mendes, em Santa Teresa, é uma ocupação onde moram 64 famílias desde os anos 1990. Foto: Barbara Dias</figcaption></figure>
<p style="text-align: right;"><a href="https://bit.ly/4u6O2GG" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Click Here for English</strong></em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-15790" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2012/08/EN-standard-e1439583104716.jpg" alt="" width="20" height="20" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Moradores do Casarão da Cândido Mendes em <a href="https://bit.ly/2OMuRQ7" target="_blank" rel="noopener">Santa Teresa</a>, região central do Rio de Janeiro, enfrentam risco iminente de reintegração de posse, que levará ao despejo, após uma obra contratada pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU) ter causado danos em um pilar de sustentação do imóvel. Construído em 1914 como hotel de luxo, o prédio já foi também convento de freiras e, desde os anos 1990, foi ocupado como moradia popular, abrigando, em sua maioria, ex-trabalhadores do convento e <a href="https://bit.ly/4tX6Rfu" target="_blank" rel="noopener">trabalhadores informais</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Moradores, aliados técnicos (advogados, arquitetos e professores da UFRJ, UFF e PUC), <a href="https://bit.ly/2F6okiw" target="_blank" rel="noopener">Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro</a> e Procuradoria da República, no entanto, contestam que haja necessidade de remoção. Segundo atestam laudos, obras emergenciais são necessárias no prédio para <a href="https://bit.ly/4vct4XP" target="_blank" rel="noopener">assegurar a permanência</a> das famílias em suas casas com segurança.</span></p>
<h3>Reparação: Prédio Histórico Hoje Serve como Moradia de Interesse Social</h3>
<p>O Casarão da Candido Mendes já teve vários usos ao longo de sua trajetória. Inicialmente construído para ser um hotel internacional de luxo, o <a href="https://bit.ly/4t0QAp8" target="_blank" rel="noopener">Hotel Moderno</a>, nos anos de 1940, foi incorporado ao patrimônio da União graças a dívidas dos antigos donos. Em 1952, foi cedido para ser uma filial da Ordem Nossa Senhora da Santíssima Trindade, que, quando deixou o prédio, passou a cessão do imóvel para os trabalhadores da Ordem que ali moravam.</p>
<p>Dona Francisquinha é a moradora mais antiga da ocupação. Com 95 anos, ela mora há 37 anos no local, desde 1989, e é uma das trabalhadoras da época das freiras:</p>
<blockquote><p>“Eu moro aqui há 37 anos, no tempo que aqui era uma casa religiosa, era de freira. Elas moravam aqui desde o tempo do Getúlio Vargas. E aí, quando foram fundar a ordem, Dom Jaime de Barros Câmara foi quem conversou com Getúlio e conseguiu esse prédio, que era um hotel famoso, eles saíram em dívida com o governo e deram o prédio. Então, aí eles ajudaram a fundar a Ordem Nossa Senhora da Santíssima Trindade. Elas moraram por quase 50 anos aqui. Aí, elas me chamaram nessa época pra trabalhar, porque eu era recepcionista. Aí eu vim e fiquei aqui. Com os anos, elas foram embora e eu fiquei. Eu estou aqui ainda porque eu preciso, né? E assim eu estou aqui até agora.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_81997" aria-describedby="caption-attachment-81997" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-esquerda-Matilde-Guilhermina-e-a-direita-Dona-Francisquinha-uma-das-moradoras-mais-antigas-do-casarao-hoje-com-95-anos.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81997 size-full" title="À esquerda, Matilde Guilhermina e, à direita, Dona Francisquinha, uma das moradoras mais antigas do casarão, hoje, com 95 anos. Em entrevista, ela diz que tem o desejo de continuar no Casarão, onde mora desde 1989. Foto: Barbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-esquerda-Matilde-Guilhermina-e-a-direita-Dona-Francisquinha-uma-das-moradoras-mais-antigas-do-casarao-hoje-com-95-anos.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="À esquerda, Matilde Guilhermina e, à direita, Dona Francisquinha, uma das moradoras mais antigas do casarão, hoje, com 95 anos. Em entrevista, ela diz que tem o desejo de continuar no Casarão, onde mora desde 1989. Foto: Barbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-esquerda-Matilde-Guilhermina-e-a-direita-Dona-Francisquinha-uma-das-moradoras-mais-antigas-do-casarao-hoje-com-95-anos.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-esquerda-Matilde-Guilhermina-e-a-direita-Dona-Francisquinha-uma-das-moradoras-mais-antigas-do-casarao-hoje-com-95-anos.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-esquerda-Matilde-Guilhermina-e-a-direita-Dona-Francisquinha-uma-das-moradoras-mais-antigas-do-casarao-hoje-com-95-anos.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-esquerda-Matilde-Guilhermina-e-a-direita-Dona-Francisquinha-uma-das-moradoras-mais-antigas-do-casarao-hoje-com-95-anos.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81997" class="wp-caption-text">À esquerda, Matilde Guilhermina e, à direita, Dona Francisquinha, uma das moradoras mais antigas do casarão, hoje com 95 anos. Em entrevista, ela diz que tem o desejo de continuar no casarão, onde mora desde 1989. Foto: Barbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra moradora antiga, Maria da Conceição Vicente, 69 anos, mora no casarão desde 1995, há 31 anos:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu conheci isso aqui em 1980, pois eu vim trazer uma marmita para o meu cunhado, que tinha pensão. Cheguei aqui e a irmã Terezinha me falou [eu estava desempregada], que precisava de alguém para limpar o quarto das senhoras que não podiam, que eram bem velhinhas… Então, eu aceitei e fiquei trabalhando aqui. Depois, eu fui trabalhar em outros lugares, mas no dia de sábado eu vinha aqui lavar uma roupa para as senhoras, fazer a faxina&#8230; Em 1995, vim morar aqui e estou aqui até hoje; [na época] minha filha mais nova tinha três anos e a mais velha tinha 12 anos.”</span></p></blockquote>
<p>Nathanael José Pereira, 71 anos, mora há 36 anos no prédio. Atualmente aposentado, foi também um trabalhador da Ordem das Freiras:</p>
<blockquote><p>“Eu vim morar aqui através da minha companheira que já conhecia aqui, que já trabalhava [aqui] na época das freiras. Aí, quando surgiu uma vaga, ela comunicou com a administradora, que era a irmã Cinila. Viemos para cá com a minha família toda, morar e trabalhar.”</p></blockquote>
<p>Além de trabalhadores da época da Ordem que permaneceram no prédio, outros trabalhadores informais residem no casarão. E esta é também uma questão importante: estar no Centro da cidade é estar em um local com melhores oportunidades de trabalho. Ivo Manuel dos Santos Faria Júnior, 37 anos, é camelô, e mora desde 2020 no casarão:</p>
<blockquote><p>“Moro aqui desde 2020, trabalho na rua, aproveitando a região, que é bem localizada. Consegui trazer a minha família também, que morava em <a href="https://bit.ly/2IUYpbd" target="_blank" rel="noopener">Santa Cruz</a>, num bairro com dificuldade de emprego. Aqui eles também conseguiram, através do trabalho informal na rua, conquistar a casa própria, onde eles gostam de morar&#8230; aqui também é o ponto de apoio deles. Todos os carnavais, eles vêm pra cá trabalhar. É muito importante a gente estar aqui e permanecer aqui, porque, além da moradia, foi um ponto de partida de melhoria das nossas vidas. Não só eu, como a da minha mãe, uma senhora de 64 anos, que chegou aqui com 50 anos, nunca trabalhou de carteira assinada, sempre trabalhou no trabalho informal. Ela tem um carrinho para trabalhar no samba, para trabalhar nos eventos. E isso é possível porque a gente mora aqui.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_81995" aria-describedby="caption-attachment-81995" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Ivo-Manuel-dos-Santos-Faria-Junior-o-Junior-diz-ser-estrategico-morar-no-Casarao-lugar-onde-criou-uma-rede-de-apoio-familiar-e-de-trabalho.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81995 size-full" title="Ivo Manuel dos Santos Faria Júnior, o Júnior, diz ser estratégico morar no Casarão, lugar onde criou uma rede de apoio familiar e de trabalho. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Ivo-Manuel-dos-Santos-Faria-Junior-o-Junior-diz-ser-estrategico-morar-no-Casarao-lugar-onde-criou-uma-rede-de-apoio-familiar-e-de-trabalho.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Ivo Manuel dos Santos Faria Júnior, o Júnior, diz ser estratégico morar no Casarão, lugar onde criou uma rede de apoio familiar e de trabalho. Foto: Bárbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Ivo-Manuel-dos-Santos-Faria-Junior-o-Junior-diz-ser-estrategico-morar-no-Casarao-lugar-onde-criou-uma-rede-de-apoio-familiar-e-de-trabalho.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Ivo-Manuel-dos-Santos-Faria-Junior-o-Junior-diz-ser-estrategico-morar-no-Casarao-lugar-onde-criou-uma-rede-de-apoio-familiar-e-de-trabalho.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Ivo-Manuel-dos-Santos-Faria-Junior-o-Junior-diz-ser-estrategico-morar-no-Casarao-lugar-onde-criou-uma-rede-de-apoio-familiar-e-de-trabalho.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Ivo-Manuel-dos-Santos-Faria-Junior-o-Junior-diz-ser-estrategico-morar-no-Casarao-lugar-onde-criou-uma-rede-de-apoio-familiar-e-de-trabalho.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81995" class="wp-caption-text">Ivo Manuel dos Santos Faria Júnior, o Júnior, diz ser importante morar no casarão, lugar onde criou uma rede de apoio familiar e de trabalho. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<p>O casarão é também uma alternativa para pessoas em busca de moradias mais acessíveis, em meio à realidade dos altos aluguéis do Centro. Maria da Penha dos Santos, 68 anos, moradora da ocupação há 19 anos, explica:</p>
<blockquote><p>“Eu vim com meus quatro filhos e quatro netos por indicação de uma pessoa. Eu estava [morando] num lugar onde o aluguel estava muito caro, eu não tinha mais condições de pagar. Eu morava na Ladeira de Santa Teresa, pertinho ali dos Arcos da Lapa. Aí, eu vim pra cá. Eu trabalhava em dois lugares, então, aqui para mim é ótimo. E tinha as crianças que estudavam e trabalhavam por aqui também. Eu e meus filhos amamos morar aqui.”</p></blockquote>
<p>Maíra Martins, professora do Departamento de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Projetos e Práticas Colaborativas de Interesse Social (<a href="https://bit.ly/4cIhEEc" target="_blank" rel="noopener">COLABIS</a>), destaca que a presença dos moradores na ocupação tem um papel importante na preservação do Casarão da Cândido Mendes, pois, realizam melhorias em suas unidades, mantendo o edifício dentro do possível, evitando o abandono completo e seus efeitos associados.</p>
<p>Só pelo fato de estar ocupado, segundo Maíra, isto evita uma degradação maior de estruturas, infestação por pragas urbanas e acúmulo de lixo, por exemplo. Nesse sentido, as ocupações com função de moradia social acabam cumprindo também um papel urbano relevante, ao dar uso a estruturas que, de outra forma, estariam sujeitas a um processo acelerado de deterioração. No Casarão da Cândido Mendes, ela destaca que os moradores há pelo menos 30 anos vêm mantendo o prédio funcional, com a realização de obras:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eles fazem melhorias na medida em que eles podem. Fizeram uma reforma no forro, por conta dos vazamentos do telhado. Fizeram manutenção também de parede, retirada de raízes de árvore. Frequentemente eles retiram também os rebocos que estão caindo da fachada, justamente para não ter nenhuma queda, nenhum acidente. Então, eles fazem uma série de cuidados, uma manutenção digamos ‘<em>soft</em>’, que é o que conseguem fazer. Para uma manutenção mais profunda, precisam de mais recursos&#8230; O problema de um prédio vazio, que não está ocupado, é que ele tem muito mais risco de ter problemas estruturais do que um prédio que está sendo ocupado, por conta desse olhar e dessa manutenção. Para o entorno é muito importante, porque todo imóvel abandonado vai gerando um processo de degradação no seu entorno. Isso significa que não vai se tornar uma área insegura, pouco iluminada, com menos pessoas frequentando. Então, só o fato de estar ocupado também já é uma forma desse imóvel estar trazendo vida para a área em volta dele.”</span></p></blockquote>
<h3>Uma Sucessão de Equivocos da Secretaria de Patrimônio da União</h3>
<p>A advogada Mariana Trotta acompanha o caso do Casarão da Cândido Mendes como aliada técnica. Após o processo da ocupação ser encaminhado à Comissão de Soluções Fundiárias do TRF2, a associação de moradores do imóvel solicitou o apoio da professora da Faculdade de Direito da UFRJ e coordenadora do Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Luísa Maim (<a href="https://bit.ly/4bYlcli" target="_blank" rel="noopener">Najup</a>). Segundo ela, o casarão é alvo de uma ação de reintegração de posse movida pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU) desde o ano de 2020. Porém, em dezembro de 2025, mesmo com o caso em análise pela comissão do TRF2, que tem como objetivo mediar conflitos e evitar remoções forçadas, a primeira instância da Justiça determinou a desocupação imediata do prédio: sem prazo para a remoção ou nenhuma alternativa habitacional. Isso gerou forte apreensão entre os moradores, que têm seu trabalho e renda conectados com os fluxos econômicos da região em que moram. A maioria não tem para onde ir, caso a desocupação aconteça. Então, ficariam sem trabalho e sem casa.</p>
<figure id="attachment_81998" aria-describedby="caption-attachment-81998" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-advogada-Mariana-Trotta-e-a-moradora-Lucinalva-de-Sousa-observam-o-pilar-onde-ocorreu-o-dano-estrutural-apos-obra-da-Secretaria-de-Patrimonio-da-Uniao.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81998 size-full" title="A advogada e professora da UFRJ Mariana Trotta à esquerda e a moradora Lucinalva de Sousa à direita observam o pilar onde ocorreu o dano estrutural após obra da Secretaria de Patrimônio da União, que coloca o prédio e os mais de 60 moradores em risco. Foto: Barbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-advogada-Mariana-Trotta-e-a-moradora-Lucinalva-de-Sousa-observam-o-pilar-onde-ocorreu-o-dano-estrutural-apos-obra-da-Secretaria-de-Patrimonio-da-Uniao.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="A advogada e professora da UFRJ Mariana Trotta à esquerda e a moradora Lucinalva de Sousa à direita observam o pilar onde ocorreu o dano estrutural após obra da Secretaria de Patrimônio da União, que coloca o prédio e os mais de 60 moradores em risco. Foto: Barbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-advogada-Mariana-Trotta-e-a-moradora-Lucinalva-de-Sousa-observam-o-pilar-onde-ocorreu-o-dano-estrutural-apos-obra-da-Secretaria-de-Patrimonio-da-Uniao.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-advogada-Mariana-Trotta-e-a-moradora-Lucinalva-de-Sousa-observam-o-pilar-onde-ocorreu-o-dano-estrutural-apos-obra-da-Secretaria-de-Patrimonio-da-Uniao.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-advogada-Mariana-Trotta-e-a-moradora-Lucinalva-de-Sousa-observam-o-pilar-onde-ocorreu-o-dano-estrutural-apos-obra-da-Secretaria-de-Patrimonio-da-Uniao.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/A-advogada-Mariana-Trotta-e-a-moradora-Lucinalva-de-Sousa-observam-o-pilar-onde-ocorreu-o-dano-estrutural-apos-obra-da-Secretaria-de-Patrimonio-da-Uniao.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81998" class="wp-caption-text">A advogada e professora da UFRJ Mariana Trotta à esquerda e a moradora Lucinalva de Sousa à direita observam o pilar onde ocorreu o dano estrutural após obra financiada pela Secretaria de Patrimônio da União, que coloca o prédio e os mais de 60 moradores em risco. Foto: Barbara Dias</figcaption></figure>
<p>Segundo Mariana, a SPU justifica a remoção com base em um risco estrutural. No entanto, laudos técnicos, feitos com o apoio da assessoria da UFF/OPPHUS &#8211; EAU e PUC Rio/COLABIS em parceria com o casarão, indicaram que não há risco iminente que exija a saída das famílias:</p>
<blockquote><p>“A gente sabe que o imóvel precisa de reformas estruturais por parte da União Federal. É um imóvel que essas famílias habitam desde a década de 1990, é um imóvel que precisa de manutenção. Mas existem laudos que foram feitos pela UFF, pela PUC, que comprovam que não é um risco iminente de necessidade de desocupação. Inclusive, que seria possível fazer as reformas no prédio com a permanência das famílias, fazendo um deslocamento interno.”</p></blockquote>
<p>Ela também aponta que a SPU é responsável pelos danos estruturais relacionados às intervenções realizadas pela própria SPU no prédio. Desta forma, a Secretaria deveria resolver o problema que causou, ao invés de remover os moradores.</p>
<p>Enquanto isso, as negociações seguem indefinidas e propostas como a transferência das famílias para um conjunto habitacional em <a href="https://bit.ly/3P8SfdA" target="_blank" rel="noopener">Guadalupe</a>, <a href="https://bit.ly/3qsTKRW" target="_blank" rel="noopener">Zona Norte</a>, foram recusadas pelos moradores. Eles reivindicam a permanência no local com a realização das reformas e seguem aguardando uma solução da SPU desde janeiro de 2026.</p>
<p>A arquiteta e urbanista Sandra Kokudai, assessora parlamentar, que atua junto a políticas de moradia, afirma que o Casarão da Cândido Mendes é território de uma longa luta por regularização fundiária. Segundo ela, a SPU destinou o prédio para passou a ser destinado à habitação de interesse social, sendo incluído em propostas no edital do programa <a href="https://bit.ly/2kKErI2" target="_blank" rel="noopener">Minha Casa Minha Vida-Entidades</a>, cuja proposta das famílias foi recentemente pré habilitado com apoio do <a href="https://bit.ly/4skJbzX" target="_blank" rel="noopener">Instituto Social Oscar Niemeyer de Projetos e Pesquisas</a>.</p>
<figure id="attachment_82007" aria-describedby="caption-attachment-82007" style="width: 500px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Problemas-estruturais-foram-agravados-por-falhas-na-execucao-das-intervencoes-recentes-como-a-instalacao-de-pilares-metalicos-de-sustentacao.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82007" title="Problemas estruturais foram agravados por falhas na execução das intervenções recentes, como a instalação de pilares metálicos de sustentação. Foto: Barbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Problemas-estruturais-foram-agravados-por-falhas-na-execucao-das-intervencoes-recentes-como-a-instalacao-de-pilares-metalicos-de-sustentacao.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg" alt="Problemas estruturais foram agravados por falhas na execução das intervenções recentes, como a instalação de pilares metálicos de sustentação. Foto: Barbara Dias" width="500" height="334" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Problemas-estruturais-foram-agravados-por-falhas-na-execucao-das-intervencoes-recentes-como-a-instalacao-de-pilares-metalicos-de-sustentacao.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Problemas-estruturais-foram-agravados-por-falhas-na-execucao-das-intervencoes-recentes-como-a-instalacao-de-pilares-metalicos-de-sustentacao.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Problemas-estruturais-foram-agravados-por-falhas-na-execucao-das-intervencoes-recentes-como-a-instalacao-de-pilares-metalicos-de-sustentacao.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Problemas-estruturais-foram-agravados-por-falhas-na-execucao-das-intervencoes-recentes-como-a-instalacao-de-pilares-metalicos-de-sustentacao.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82007" class="wp-caption-text">Problemas estruturais foram agravados por falhas na execução das intervenções recentes, como a instalação de pilares metálicos de sustentação. Foto: Barbara Dias</figcaption></figure>
<p>Ela explica como o problema originou pela obra no telhado, devido à negligência de uma empresa contratada pela SRA/SPU para a reforma. Segundo a arquiteta, o acúmulo indevido de entulho da obra provocou o rompimento de um pilar do prédio. Apesar disso, laudos técnicos indicam que não há risco iminente de desabamento, porém, há necessidade de obras emergenciais, como o escoramento adequado e a correção de infiltrações, agravadas por falhas na execução das intervenções recentes, como a instalação de pilares metálicos de sustentação.</p>
<blockquote><p>“A SPU fez a contratação de uma obra para o telhado, que era uma reivindicação antiga, inclusive, feita na justiça, pelos próprios moradores para preservar o prédio. Finalmente, esse pedido saiu no ano passado. Os moradores em todos os momentos ressaltaram que não podiam botar uma sobrecarga na laje, no terraço… A empresa acumulou o entulho da obra do telhado no terraço, aí, choveu e foi um caos. Um pilar da estrutura metálica se rompeu e abriu uma fissura numa parede.</p>
<p>O prédio é [como] uma senhora velhinha que precisa de cuidados, mas está em pé, está andando, está firme. Se você vê a estrutura do prédio, as paredes são muito largas. Só que a dúvida era se a estrutura interna metálica suportaria após esse rompimento. Então, tiveram vários laudos, a Defesa Civil veio aqui, a SPU contratou uma empresa que fez um laudo e as famílias também com essas parcerias com a UFF e a PUC fizeram análises para ver se realmente tinham segurança ou não. E o que todos os laudos apontam é que não há risco iminente. Então, o prédio está seguro, porém, há necessidade de obras emergenciais.” — Sandra Kokudai</p></blockquote>
<p>Matilde Guilhermina de Alexandre, 67 anos, moradora da ocupação desde 2010, participa ativamente da luta pela melhoria das condições do casarão. Ela foi personagem central no processo de negociação com a <a href="https://bit.ly/30VtS7W" target="_blank" rel="noopener">Light</a> e a <a href="https://bit.ly/2M6oZlG" target="_blank" rel="noopener">CEDAE</a> que, durante a pandemia, <a href="https://bit.ly/4tQAbUF" target="_blank" rel="noopener">cortaram a luz e a água da ocupação</a>. Matilde acompanha de perto também a situação com a empresa contratada pela SPU para realizar as obras que colapsaram um pilar do prédio:</p>
<blockquote><p>“Essa empresa na época apresentou uns sete cronogramas e nós ficamos com o pé atrás&#8230; Tivemos reuniões com a SPU, [reclamamos, mas, mesmo assim,] eles contrataram a empresa. Ela começou a fazer o telhado em outubro, [do nada,] eles entregaram a obra para a SPU [como se tivesse sido terminada,] mas não para nós. Aí, entregou uma obra que não estava pronta. E, na primeira chuva que veio, começou a cair [o telhado todo]. Caiu tudo que eles fizeram e a água ficou caindo dentro das casas. Se você ver, têm vídeos das pessoas desesperadas com a água jorrando.”</p></blockquote>
<figure id="attachment_82004" aria-describedby="caption-attachment-82004" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Uma-sucessao-de-erros-em-obras-realizadas-pela-Secretaria-do-Patrimonio-da-Uniao-levou-ao-rompimento-de-um-pilar-do-Casarao-a-direita-da-foto.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82004 size-full" title="Uma sucessão de erros em obras realizadas pela Secretaria do Patrimônio da União levou ao rompimento de um pilar do Casarão, à direita da foto. Foto: Barbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Uma-sucessao-de-erros-em-obras-realizadas-pela-Secretaria-do-Patrimonio-da-Uniao-levou-ao-rompimento-de-um-pilar-do-Casarao-a-direita-da-foto.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Uma sucessão de erros em obras realizadas pela Secretaria do Patrimônio da União levou ao rompimento de um pilar do Casarão, à direita da foto. Foto: Barbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Uma-sucessao-de-erros-em-obras-realizadas-pela-Secretaria-do-Patrimonio-da-Uniao-levou-ao-rompimento-de-um-pilar-do-Casarao-a-direita-da-foto.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Uma-sucessao-de-erros-em-obras-realizadas-pela-Secretaria-do-Patrimonio-da-Uniao-levou-ao-rompimento-de-um-pilar-do-Casarao-a-direita-da-foto.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Uma-sucessao-de-erros-em-obras-realizadas-pela-Secretaria-do-Patrimonio-da-Uniao-levou-ao-rompimento-de-um-pilar-do-Casarao-a-direita-da-foto.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Uma-sucessao-de-erros-em-obras-realizadas-pela-Secretaria-do-Patrimonio-da-Uniao-levou-ao-rompimento-de-um-pilar-do-Casarao-a-direita-da-foto.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82004" class="wp-caption-text">Uma sucessão de erros em obras realizadas pela Secretaria do Patrimônio da União levou ao rompimento de um pilar do casarão, à direita da foto. Foto: Barbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Matilde contextualiza que a partir daí, uma série de vistorias foram feitas. Laudos da PUC e UFF atestaram que o prédio não corria risco de desabamento, porém que obras eram necessárias para garantir a segurança dos moradores. No entanto, no dia 15 de dezembro, às vésperas do Natal de 2025, de acordo com Matilde, um oficial de justiça bateu à porta do casarão:</span></p>
<blockquote><p>“Chegou o oficial de justiça aqui, por volta de seis, sete horas da noite, e falou, ‘ó, isso aqui é uma ação para vocês, é reintegração de posse, vocês vão ter que sair, tem que assinar aqui cinco moradores’. Porque antes disso, foi dia 22 de agosto de 2025, o SPU indicou o nosso imóvel para concorrer no Minha Casa Minha Vida-Entidades. Saiu no <em>Diário Oficial</em>, eles falaram: ‘vocês já estão aí há muitos anos, eu acho que chegou a vez de vocês participarem do Minha Casa Minha Vida-Entidades’.”</p></blockquote>
<p>Em entrevista, o professor Daniel Cardoso, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da PUC-Rio, que assinou o <a href="https://bit.ly/3Pd9Xg2" target="_blank" rel="noopener">laudo de avaliação estrutural e recomendações</a> sobre o Casarão da Cândido Mendes, explicou que, apesar do imóvel apresentar certas fragilidades decorrentes da antiguidade, da ausência de manutenção e de alguns acréscimos de carga ao longo do tempo, a estrutura demonstra uma boa estabilidade global:</p>
<blockquote><p>“A estrutura apresenta redundância e capacidade de redistribuição de esforços, o que explica a não propagação do dano observado no pilar. A alvenaria estrutural externa é robusta e contribui para a estabilidade global, enquanto a estrutura metálica interna, embora mais esbelta, também possui redundância suficiente. Com a adoção de escoramentos, as cargas podem ser adequadamente redirecionadas, mesmo com a perda localizada de capacidade. Não há, portanto, evidência de risco iminente de colapso global, mas é fundamental a adoção de medidas como redução de carga, escoramento de vigas principais e realização de reparos localizados, especialmente diante do processo contínuo de degradação da edificação.”</p></blockquote>
<p><iframe src="https://drive.google.com/file/d/11x8PGiWvFa_qWwdKlZizHqCS3r_YzO8p/preview" width="1030" height="563"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<h3>Risco de Remoção para Guadalupe</h3>
<p>Uma das grandes apreensões foi em torno da obra no telhado, que causou o dano estrutural ao pilar e infiltrações nas paredes com a aplicação das vigas metálicas, por aparente imperícia técnica das empresas contratadas para executar a obra pela SPU. É o que gera o fantasma da remoção para um condomínio do Exército no bairro de Guadalupe, a 31km do Centro.</p>
<p>Lucinalva de Sousa Santos, moradora do casarão desde 1997, explica como a demanda pela posse e por melhorias do prédio é uma luta antiga dos moradores:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Aqui, tem uma demanda muito grande por manutenção e por ter um papel dizendo que isso aqui é nosso. Nós não somos invasores, nós viemos para cá, a maioria, ainda na época que ainda tinha padres e freiras, porque aqui foi um hotel que abrigava padres e freiras de fora do Brasil que estudavam aqui. Nós estamos na luta. Agora, conseguimos ser indicados para o Minha Casa Minha Vida-Entidades e estamos na luta pela regularização fundiária. Sendo que nós não temos ainda uma concessão de uso que estamos necessitando. Iriam mandar a gente para Guadalupe, um local muito distante, que foge totalmente do que a gente tem aqui. Moramos há 30, 40 anos aqui. Nós temos toda a nossa vida, trabalho, escola, posto de saúde aqui&#8230; Então, eu acredito que não seja justo [a remoção], pois, foi dito sobre o risco iminente [de colapso do prédio] mas ninguém conseguiu provar.” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_81999" aria-describedby="caption-attachment-81999" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Lucinalva-de-Sousa-Santos-moradora-desde-1997-no-terraco-do-Casarao.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81999 size-full" title="Lucinalva de Sousa Santos, moradora da ocupação desde 1997 posa no terraço do Casarão, que tem vista para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar. Ela avalia que a remoção para Guadalupe teria um grande impacto negativo para os moradores. Foto: Barbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Lucinalva-de-Sousa-Santos-moradora-desde-1997-no-terraco-do-Casarao.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Lucinalva de Sousa Santos, moradora da ocupação desde 1997 posa no terraço do Casarão, que tem vista para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar. Ela avalia que a remoção para Guadalupe teria um grande impacto negativo para os moradores. Foto: Barbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Lucinalva-de-Sousa-Santos-moradora-desde-1997-no-terraco-do-Casarao.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Lucinalva-de-Sousa-Santos-moradora-desde-1997-no-terraco-do-Casarao.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Lucinalva-de-Sousa-Santos-moradora-desde-1997-no-terraco-do-Casarao.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Lucinalva-de-Sousa-Santos-moradora-desde-1997-no-terraco-do-Casarao.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81999" class="wp-caption-text">Lucinalva de Sousa Santos, moradora da ocupação desde 1997 posa no terraço do casarão, que tem vista para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar. Ela avalia que a remoção para Guadalupe teria um grande impacto negativo para os moradores. Foto: Barbara Dias</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento em relação a uma possível remoção está presente em todos os moradores entrevistados, pois eles sentem que, caso isso aconteça, haverá uma perda de conexão com o território, perda das redes de apoio, além da dificuldade de acesso a serviços básicos, a trabalho e renda. Maria da Conceição Vicente explica a apreensão:</span></p>
<blockquote><p>“Porque eu nasci aqui, eu me batizei aqui, eu cresci aqui, meu médico é aqui. Quer dizer, se eu for para lá, eu vou ficar perdida. Eu falei isso para eles, mas não sei se isso vai adiantar nada não, porque hoje a gente não decide pra onde vai, né? São eles que decidem onde vão jogar a gente. Meu sonho é poder ficar aqui, morando aqui. Aqui é a nossa raiz. A gente continua morando no lugar onde a gente praticamente nasceu, porque eu nasci e fui criada em Santa Teresa, então, aqui é o meu berço de vida.”</p></blockquote>
<p>Marian Silva, 36 anos, moradora da ocupação há 31 anos, criada no casarão, explica que tem uma filha asmática e que depende da rede de atendimento perto do casarão para sua filha. Ela não sabe o que vai fazer sem o sistema de saúde do território:</p>
<blockquote><p>“Eu tenho uma criança asmática, ela tem cinco anos&#8230; Lá em Guadalupe, como eu poderia fazer? De sair de lá para ela fazer o tratamento aqui no Flamengo, no Instituto Fernandes Figueira, não daria. Como que eu ia sair de lá de madrugada para trabalhar aqui na Benjamin Constant? Como eu sairia com ela de madrugada de lá de Guadalupe para levar ela no hospital sem conhecer. Então, para mim, ficar aqui é essencial, não só para mim, mas também para ela.”</p></blockquote>
<p>Além de tudo, o condomínio para onde as famílias correm o risco de serem removidas está repleto de danos estruturais, constatados por uma vistoria feita pelo professor Ronaldo Brilhante, arquiteto-urbanista, professor adjunto da <a href="https://bit.ly/4n3Z8JU" target="_blank" rel="noopener">Oficina de Pesquisas e Projetos em Habitação e Urbanização Social</a> (OPPHUS) da UFF/EAU, um dos aliados técnicos que presta assessoria social ao casarão. Em visita ao condomínio em Guadalupe, ele avaliou que:</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Uma boa parte das bases dos pilotis está com as ferragens comprometidas devido a infiltrações e há diversos pontos de desplacamento, além de ferragens expostas. Há um problema crônico com as instalações sanitárias, devido à tubulação original ser de ferro, ou seja, tudo isso é bem mais [caro de consertar] do que o escoramento que pretendemos viabilizar no Casarão da Cândido Mendes.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82006" aria-describedby="caption-attachment-82006" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82006 size-full" title="Fachada do condomínio Guadalupe, para onde foi proposta a remoção das famílias. Em visita técnica, foi constatado que obras para manutenção do espaço também seriam necessárias para receber as famílias, já que o prédio do Exército é bastante antigo e também conta com falhas estruturais. Fotos: Ricardo Brilhante" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias.jpg" alt="Fachada do condomínio Guadalupe, para onde foi proposta a remoção das famílias. Em visita técnica, foi constatado que obras para manutenção do espaço também seriam necessárias para receber as famílias, já que o prédio do Exército é bastante antigo e também conta com falhas estruturais. Fotos: Ricardo Brilhante" width="1024" height="768" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias.jpg 1024w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias-620x465.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias-768x576.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias-678x509.jpg 678w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias-326x245.jpg 326w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-condominio-Guadalupe-para-onde-foi-proposta-a-remocao-das-familias.-Em-visita-tecnica-foi-constatado-que-obras-no-espaco-tambem-seriam-necessarias-para-receber-as-familias-80x60.jpg 80w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82006" class="wp-caption-text">Fachada do condomínio Guadalupe, para onde foi proposta a remoção das famílias. Em visita técnica, foi constatado que obras para manutenção do espaço também seriam necessárias para receber as famílias, já que o prédio do Exército é bastante antigo e também conta com falhas estruturais. Fotos: Ricardo Brilhante</figcaption></figure>
<p>Ronaldo é um dos responsáveis pelo <a href="https://bit.ly/42nw6eL" target="_blank" rel="noopener">Relatório de Vistoria Técnica ao Casarão</a>, que ressalta que não existem riscos à integridade física dos moradores, desde que seja realizado o acompanhamento técnico permanente para avaliar a ocorrência de novas deformações na estrutura. Ele afirma, inclusive, que não há necessidade de remoção das famílias devido aos danos ocasionados pela obra. Ele lembra do caso do <a href="https://bit.ly/4uhxgEp" target="_blank" rel="noopener">Quilombo Urbano Ferreira Diniz</a>, cujos problemas estruturais eram mais graves do que os do casarão da Cândido Mendes, mas que, mesmo assim, foi possível realizar obras emergenciais com as famílias dentro do imóvel, realocadas internamente.</p>
<p><iframe src="https://drive.google.com/file/d/1Ja7Pi3cNncDzQIW-ubIzMyRPl-jjGPa1/preview" width="1030" height="563"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>A última reunião entre os moradores e a SPU aconteceu no dia 27 de fevereiro de 2026, onde foram apresentadas as promessas de instalação urgente de escoramentos no imóvel, a resolução de um vazamento grave sobre um pilar e a adoção de providências gerais para os problemas apresentados, porém nenhuma dessas medidas foi cumprida até o momento. Matilde resume a apreensão de todos os moradores sobre a morosidade da SPU e sobre a ordem de reintegração de posse em aberto:</p>
<blockquote><p>“O processo continua em aberto, o pedido de reintegração de posse e a qualquer momento o juíz pode se manifestar: &#8216;então, vai lá e despeja&#8217;…”</p></blockquote>
<h3>O Que Dizem os Órgãos Envolvidos</h3>
<p><em>RioOnWatch</em> solicitou um parecer do Procurador da República Julio Araujo, que acompanha o caso desde a Comissão de Soluções Fundiárias RJ, onde a principal orientação era que as famílias não fossem removidas, já que os laudos não comprovaram o risco estrutural iminente no imóvel. Segundo ele, embora sejam necessárias obras de reparo, sob responsabilidade da União, também deve se garantir a destinação do prédio para habitação de interesse social, a partir do Minha Casa Minha Vida-Entidades. A expectativa do procurador é que se construa uma solução que combine a realização das obras com a permanência das famílias no local:</p>
<blockquote><p>“Acho que o grande desafio hoje é impedir que a Justiça realize qualquer tipo de remoção imediata. [É necessário] garantir uma análise mais fiel e específica diante das divergências de laudos e da falta de qualquer laudo que aponte risco iminente sobre a saída das pessoas. [Assim deve-se] garantir que aquele imóvel vai ser atinado para habitação de interesse social e programar e planejar intervenções emergenciais ali, inclusive, analisando a possibilidade de fazê-lo com a permanência, ainda que parcial, das pessoas ali. E, ainda que elas tenham que ser retiradas, que haja a previsão de que elas voltarão lá.”</p></blockquote>
<p>O defensor público Thales Arcoverde Treiger avalia que o cenário atual é positivo para as famílias, pois existe diálogo com a SPU e articulações em andamento para viabilizar reformas por meio do programa Minha Casa Minha Vida-Entidades. Segundo ele, não há risco de remoção iminente, apesar da existência formal de uma ordem de reintegração de posse, pois ele avalia que a União não demonstra interesse na desocupação das famílias. Ele aponta preocupação com a insuficiência das obras emergenciais realizadas até o momento, mas afirma que o caminho adotado tem sido o da negociação institucional.</p>
<p>Em e-mail enviado à Secretaria de Patrimônio da União, <em>RioOnWatch</em> perguntou sobre o processo de destinação do Casarão da Cândido Mendes para moradia de interesse social, sobre obras incompletas e sobre os danos estruturais observados após a realização de obra no telhado. Apesar de todos os relatos de moradores, a resposta da SPU afirma que os serviços emergenciais já foram concluídos. Segue a resposta na íntegra abaixo:</p>
<blockquote><p>“O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informa que o Governo do Brasil, por meio da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), está construindo uma solução de moradia definitiva para as famílias que atualmente ocupam o prédio federal conhecido como Casarão da Cândido Mendes/Hotel dos Ingleses, no Rio de Janeiro, garantindo mais segurança para os moradores, em articulação com o Programa Minha Casa, Minha Vida &#8211; Entidades.</p>
<p>No âmbito de sua atuação, a SPU adianta que há reserva e indicação do imóvel para esse fim, estando o projeto ainda condicionado à seleção conduzida pelo Ministério das Cidades e pela Caixa Econômica Federal.</p>
<p>Destaca, ainda, que laudos sucessivos de órgãos técnicos e boletins da Defesa Civil municipal do Rio de Janeiro atestam as más condições estruturais do edifício.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os serviços de manutenção no telhado do edifício Casarão da Cândido Mendes/Hotel dos Ingleses foram iniciados em março de 2025 e concluídos em outubro do mesmo ano, com o termo de recebimento definitivo emitido em 21 de novembro de 2025.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a execução dos serviços na cobertura do edifício, que possui quatro pavimentos, foi verificada movimentação em um pilarete metálico localizado no segundo pavimento, ocasionando o descolamento de reboco e de parte da alvenaria adjacente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Defesa Civil do Município, após acionada, realizou vistoria no local e recomendou a imediata instalação de escoramento para reforço estrutural na área afetada pela flambagem da estrutura metálica. Tal intervenção foi contratada e executada em caráter emergencial pela Secretaria de Serviços Compartilhados (SSC) do MGI, em apoio à SPU.” </span></p></blockquote>
<figure id="attachment_82000" aria-describedby="caption-attachment-82000" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-lar-de-familias-que-ja-moram-no-local-ha-mais-de-30-anos.-Foto-Barbara-Dias.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82000 size-full" title="Fachada do Casarão da Cândido Mendes em Santa Teresa, o imóvel histórico aguarda definição da União para se tornar o lar definitivo de famílias que já moram no local há mais de 30 anos. Foto: Bárbara Dias" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-lar-de-familias-que-ja-moram-no-local-ha-mais-de-30-anos.-Foto-Barbara-Dias.jpg" alt="Fachada do Casarão da Cândido Mendes em Santa Teresa, o imóvel histórico aguarda definição da União para se tornar o lar definitivo de famílias que já moram no local há mais de 30 anos. Foto: Bárbara Dias" width="2048" height="1367" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-lar-de-familias-que-ja-moram-no-local-ha-mais-de-30-anos.-Foto-Barbara-Dias.jpg 2048w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-lar-de-familias-que-ja-moram-no-local-ha-mais-de-30-anos.-Foto-Barbara-Dias-620x414.jpg 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-lar-de-familias-que-ja-moram-no-local-ha-mais-de-30-anos.-Foto-Barbara-Dias-768x513.jpg 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/05/Fachada-do-Casarao-da-Candido-Mendes-em-Santa-Teresa-lar-de-familias-que-ja-moram-no-local-ha-mais-de-30-anos.-Foto-Barbara-Dias-1536x1025.jpg 1536w" sizes="(max-width: 2048px) 100vw, 2048px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82000" class="wp-caption-text">Fachada do Casarão da Cândido Mendes em Santa Teresa, o imóvel histórico aguarda definição da União para se tornar o lar definitivo de famílias que já moram no local há mais de 30 anos. Foto: Bárbara Dias</figcaption></figure>
<h3>Um Casarão Cheio de Sonhos</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de toda a apreensão com a indefinição da SPU, para os moradores do Casarão da Cândido Mendes, ainda existe espaço para s</span>onhar com o futuro: um imóvel reformado e seguro para as famílias, que proporcione o direito à moradia digna no Centro.</p>
<p>Marian Silva sonha em permanecer: “Aqui, tudo é perto”. Sonho parecido com o de Maria da Conceição Vicente: “espero que eles tenham piedade de nós e ajudem a gente a construir essa casa de novo. É o que eu desejo”. Tal como Júnior que, além de desejar continuar morando no casarão, quer vê-lo ressignificado como um polo de cultura para a região:</p>
<blockquote><p>“Nosso sonho é que essa obra venha a acontecer. A gente merece morar num lugar bom e de contrapartida, como tem muitos trabalhadores aqui, ter um salão bonito, que a gente possa futuramente trazer a cultura pra cá, através de roda de samba, através de outras artes, música. Tudo que envolva a cultura e todo mundo possa trabalhar utilizando esse lugar pro seu sustento e moradia.”</p></blockquote>
<p>Lucinalva dos Santos imagina um futuro com o casarão fazendo parte do Programa Minha Casa Minha Vida-Entidades, junto ao Instituto Oscar Niemeyer, que trás a proposta de além da reforma, de criar uma Escola de Artes e Ofícios:</p>
<blockquote><p>“Então, o Instituto Oscar Niemeyer está querendo investir aqui para poder fazer essa escola e de outras comunidades que queiram aprender o ofício [da restauração]. E a gente aposta nisso, nós queremos muito isso.”</p></blockquote>
<p>Adriano Queiroz, conselheiro do Instituto Oscar Niemeyer, entidade que, junto ao casarão, está se habilitando pelo Programa Minha Casa Minha Vida-Entidades a tomar a dianteira dessa iniciativa, diz que o projeto de criar uma Oficina Escola de Artes e Ofícios tem como base a <a href="https://bit.ly/4cG4yY2" target="_blank" rel="noopener">Lei Municipal 8.454 de 26 de junho de 2024</a><span style="font-weight: 400;"> de autoria do Vereador <a href="https://bit.ly/3nRstwX" target="_blank" rel="noopener">Edson Santos</a>. Adriano foi quem trouxe a ideia para o Rio de Janeiro, a partir de experiências muito positivas em </span><a href="https://bit.ly/4ekPzE1" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">outros estados do Brasil</span></a>.</p>
<p>Este Programa Oficina Escola de Artes e Ofícios <span style="font-weight: 400;">tem como objetivo a formação de jovens no ofício de restauração de imóveis antigos. Enquanto restauram-se prédios antigos da cidade, em um fazer mediado entre teoria e prática, forma-se jovens para o mercado de trabalho. Tudo isso enquanto se ajuda a garantir o direito à moradia em espaços como o Casarão da Cândido Mendes.</span></p>
<p>Paulo César Ribeiro, morador e presidente da Associação de Moradores do Casarão, explica como está acontecendo esse processo de luta pela permanência em várias frentes. Apesar de toda a dificuldade, ele se mantém esperançoso sobre a permanência:</p>
<blockquote><p>“A SPU sempre vem falando que não tem dinheiro para tornar esse prédio habitável. Esse prédio tem mais de 100 anos e precisa realmente de uma obra estrutural. Isso é inegável. A obra foi orçada em R$33 milhões e é claro que a SPU não ia ter esses valores. Então, a proposta da SPU era fazer uma realocação, tirar os moradores daqui. [Mas] com essa nova parceria do Minha Casa Minha Vida-Entidades, que foi encaminhada para Brasília pelo Instituto Oscar Niemeyer, [pode ficar] habilitada a trazer recursos para fazer essa obra.</p>
<p>Eu creio que não vai ser um <em>retrofit</em> total, mas sim deixar esse prédio dos moldes que são realmente exigidos pelo Minha Casa Minha Vida-Entidades. Ou seja, todas as unidades têm que ter banheiro, cozinha, o que, hoje, algumas unidades aqui não têm. Temos [também] um projeto que ficou orçado em R$14 milhões, que também viriam da Caixa Econômica Federal, pois a SPU diz que não tem caixa. Por isso, eles insistem em fazer uma realocação. Mas nós estamos buscando recursos com nossos parceiros e vamos continuar nesse propósito. Nossa estratégia é mostrar outros caminhos, outros parceiros, para que a SPU não tenha como dizer que a gente não está trabalhando em cima disso.”</p></blockquote>
<h3>Veja Mais Fotos no <a href="https://bit.ly/3QUxxig" target="_blank" rel="noopener">Álbum</a>:</h3>
<p><a title="Ocupação Casarão Cândido Mendes, Santa Teresa, Rio de Janeiro, 09 de abril de 2026" href="https://www.flickr.com/photos/catcomm/albums/72177720333455205" data-flickr-embed="true"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://live.staticflickr.com/65535/55248790293_82483a239d_h.jpg" alt="Ocupação Casarão Cândido Mendes, Santa Teresa, Rio de Janeiro, 09 de abril de 2026" width="1600" height="1200" /></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script></p>
<p><em>Sobre a autora: <a href="https://bit.ly/3Gc3OJU" target="_blank" rel="noopener">Bárbara Dias</a>, cria de Bangu, possui licenciatura em Ciências Biológicas, mestrado em Educação Ambiental e atua como professora da rede pública desde 2006. É fotojornalista e trabalha também com fotografia documental. É comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (<a href="https://bit.ly/3i2GcdN" target="_blank" rel="noopener">NPC</a>) e co-fundadora do <a href="https://bit.ly/3vfY8bj" target="_blank" rel="noopener">Coletivo Fotoguerrilha</a>.</em></p>
<hr />
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Favelas? Assentamentos Informais? Basta Chamá-las de ‘Homegrown’</title>
		<link>https://rioonwatch.org.br/?p=81316</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amanda Baroni]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 23:12:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Click Here for English Leia a matéria original por Feargus O’Sullivan, em inglês, na Bloomberg CityLab aqui. O RioOnWatch traduz matérias do inglês para que brasileiros possam ter acesso e acompanhar temas ou análises cobertos <a class="mh-excerpt-more" href="https://rioonwatch.org.br/?p=81316" title="Favelas? Assentamentos Informais? Basta Chamá-las de &#8216;Homegrown&#8217;">[...]</a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_81321" aria-describedby="caption-attachment-81321" style="width: 2000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81321 size-full" title="No bairro de Dharavi, em Mumbai, na Índia, novos arranha-céus residenciais se erguem sobre construções mais antigas. Fotógrafo: Dhiraj Singh/Bloomberg" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg.webp" alt="No bairro de Dharavi, em Mumbai, na Índia, novos arranha-céus residenciais se erguem sobre construções mais antigas. Fotógrafo: Dhiraj Singh/Bloomberg" width="2000" height="1334" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg.webp 2000w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg-620x414.webp 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg-768x512.webp 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/No-bairro-de-Dharavi-em-Mumbai-na-India-novos-arranha-ceus-residenciais-se-erguem-sobre-construcoes-mais-antigas.-Fotografo_-Dhiraj-Singh_Bloomberg-1536x1025.webp 1536w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81321" class="wp-caption-text">No bairro de Dharavi, em Mumbai, na Índia, novos arranha-céus residenciais se erguem sobre construções mais antigas. Fotógrafo: Dhiraj Singh/Bloomberg</figcaption></figure>
<p style="text-align: right;"><a href="https://bit.ly/4tSTnli" rel="noopener"><em><strong>Click Here for English</strong></em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-15790" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2012/08/EN-standard-e1439583104716.jpg" alt="" width="20" height="20" /></a></p>
<p><em>Leia a matéria original por Feargus O’Sullivan, em inglês, na Bloomberg CityLab <a href="https://bit.ly/4tSTnli">aqui</a>. </em><em>O RioOnWatch traduz matérias do inglês para que brasileiros possam ter acesso e acompanhar temas ou análises cobertos fora do país, que nem sempre são cobertos no Brasil.</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em representações de cidades em desenvolvimento, uma imagem marcante se repete: uma paisagem urbana onde arranha-céus reluzentes se justapõem a moradias improvisadas em territórios precarizados. A foto pode ter sido tirada em São Paulo, Mumbai ou Jacarta, mas os contrastes que ilustra são os mesmos em todo o mundo: entre a cidade moderna, rica e organizada e as favelas sujas e caóticas, no que parece ser outra época, que ameaçam sufocá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora seja inquestionável que tais lugares existam, os contrastes que ilustram podem ser <a href="https://bit.ly/2x39npy" target="_blank" rel="noopener">enganosos e até nocivos</a>, argumentam os autores de um novo livro. Em <em><a href="https://bit.ly/4s13Sl3" target="_blank" rel="noopener">The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users</a></em> (A Cidade &#8216;Homegrown&#8217;: Reivindicando a Metrópole para seus Usuários), <a href="https://bit.ly/47sCcNL" target="_blank" rel="noopener">Matias Echanove</a> e <a href="https://bit.ly/40YMD88" target="_blank" rel="noopener">Rahul Srivastava</a> refletem sobre 18 anos de atuação como cofundadores do <a href="https://bit.ly/4up5iYk" target="_blank" rel="noopener">escritório de design urbz</a>, com sede em Mumbai, que tem se dedicado a abordagens participativas e lideradas por cidadãos para o aprimoramento urbano em Mumbai e em outras cidades globais.</span></p>
<blockquote><p>Homegrown = termo afetivo em inglês para <em>algo</em> <em>cuidadosamente cultivado a partir da própria terra ou território, surgido organicamente</em>.</p></blockquote>
<figure id="attachment_81325" aria-describedby="caption-attachment-81325" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Reclaimning-Fonte-verso-books.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81325" title="Capa do livro 'The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users' (A Cidade 'Autoconstruída': Reivindicando a Metrópole para seus Usuários). Fonte: Verso Books" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Reclaimning-Fonte-verso-books-401x620.webp" alt="Capa do livro 'The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users' (A Cidade 'Autoconstruída': Reivindicando a Metrópole para seus Usuários). Fonte: Verso Books" width="300" height="464" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Reclaimning-Fonte-verso-books-401x620.webp 401w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Reclaimning-Fonte-verso-books-971x1500.webp 971w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Reclaimning-Fonte-verso-books-768x1187.webp 768w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Reclaimning-Fonte-verso-books-994x1536.webp 994w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Reclaimning-Fonte-verso-books.webp 1200w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81325" class="wp-caption-text">Capa do livro <em>The Homegrown City: Reclaiming the Metropolis for its Users</em> (A Cidade &#8216;Homegrown&#8217;: Reivindicando a Metrópole para seus Usuários). Fonte: Verso Books</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vez de serem inerentemente caóticos e indesejáveis, o livro sustenta que bairros informais—um termo que os próprios autores rejeitam—possuem um complexo equilíbrio. Longe da ausência de planejamento, são, na verdade, <a href="https://bit.ly/4u9Q9K5" target="_blank" rel="noopener">microplanejados</a>—com edifícios e tecido urbano sujeitos a ajustes e revisões constantes, à medida que as <a href="https://bit.ly/48keqmM" target="_blank" rel="noopener">necessidades e circunstâncias dos moradores</a> mudam. Embora frequentemente careçam de infraestrutura ou segurança de posse, sua acessibilidade econômica e adaptabilidade dão a seus moradores um <a href="https://bit.ly/3aY4PCT">ponto de apoio na cidade</a>—o que, de outra forma, não teriam. Além disso, esses territórios fornecem serviços sem os quais os arranha-céus que se impõem sobre eles teriam dificuldade para funcionar. Em vez de serem removidos, esses bairros poderiam fornecer <a href="https://bit.ly/1KGbf9K" target="_blank" rel="noopener">modelos globais para um urbanismo</a> mais humano e sustentável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recentemente, <a href="https://bit.ly/4lokosN" target="_blank" rel="noopener"><em>Bloomberg CityLab</em></a> conversou com Echanove e Srivastava para discutir o livro, o trabalho da urbz e o porquê de a Mumbai contemporânea se assemelhar muito mais à Paris do século XVI ou ao Japão do pós-guerra do que imaginamos. A conversa foi editada para maior concisão e clareza.</span></p>
<p><strong>O termo “slum” vem sendo <a href="https://rioonwatch.org.br/?p=15401">cada vez mais rejeitado</a> como forma de descrever os bairros urbanos de baixa renda e sem planejamento formal, como aqueles com que a urbz costuma trabalhar, por ser pejorativo e altamente subjetivo. Vocês também rejeitam o mais ameno “bairro informal”, preferindo chamá-los de “homegrown” [termo em inglês para algo cuidadosamente cultivado a partir da própria terra ou território, surgido organicamente]. Por quê?</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Rahul Srivastava:</strong> “<a href="http://bit.ly/1vO09ZG" target="_blank" rel="noopener">Slum</a>” incorpora um julgamento por parte de quem usa o termo. Trata-se, na verdade, de perceber um lugar como desordenado, caótico ou problemático e, em seguida, insinuar um desejo de apagá-lo e substituí-lo por algo diferente. Usar a palavra “<a href="https://bit.ly/4bhswqv" target="_blank" rel="noopener">informal</a>” remove uma camada do <a href="https://bit.ly/1O380uG">preconceito</a> embutido no termo, mas ainda carrega a problemática suposição de que essas áreas são desorganizadas e precisam ser removidas para dar lugar a algo “formal”, ao mesmo tempo que deixa incontestado o conceito de formalidade.</span></p>
<figure id="attachment_81394" aria-describedby="caption-attachment-81394" style="width: 1334px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81394 size-full" title="Rahul e Matias. Foto: Quentin Chevrier" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier.jpg" alt="Rahul e Matias. Foto: Quentin Chevrier" width="1334" height="1370" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier.jpg 1334w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier-604x620.jpg 604w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Rahul-e-Matias.-Foto-Quentin-Chevrier-768x789.jpg 768w" sizes="(max-width: 1334px) 100vw, 1334px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81394" class="wp-caption-text">Rahul e Matias. Foto: Quentin Chevrier</figcaption></figure>
<p><b>Matias Echanove:</b><span style="font-weight: 400;"> As qualidades incorporadas ao conceito de “homegrown” não se limitam a assentamentos pobres. Vemos o “homegrown” em qualquer lugar onde o <a href="https://bit.ly/3KmFJEZ">crescimento é gradual e com raízes locais</a>. Na verdade, isso reflete a propensão humana de criar nossos próprios habitats. Por exemplo, os <a href="https://bit.ly/3tSzDUm" target="_blank" rel="noopener">centros históricos das cidades europeias</a> são, em grande medida, <em>homegrown</em>. Hoje, o processo de criação e formação do nosso próprio habitat é ativamente reprimido na Europa e nos EUA, onde os departamentos de planejamento urbano e o mercado imobiliário nos transformaram em consumidores passivos de casas e ambientes urbanos.</span></p>
<p><strong>Por que chamar esses lugares de “homegrown” quando na verdade são erguidos por profissionais?</strong></p>
<p><b>ME: </b><span style="font-weight: 400;">Isso é algo que pessoas de fora não costumam saber—que construções em contextos como este em Mumbai e em outros lugares são, de fato, projetadas e construídas por profissionais, mesmo que estes o façam sem elaborar suas plantas no papel. A grande diferença do desenvolvimento urbano de cima para baixo, no entanto, é que esses construtores estão totalmente inseridos em suas comunidades e conhecem bem as condições locais, do que seus clientes precisam e suas expectativas. Essas regiões, portanto, ainda são em grande parte criadas pela própria comunidade e dentro dela.</span></p>
<p><strong>O que vocês chamam de bairros <em>homegrown</em> estão frequentemente reservados para futura demolição e reconstrução. Um exemplo é o <a href="http://glo.bo/4usj9ft" target="_blank" rel="noopener">distrito de Dharavi, em Mumbai</a>, onde vocês trabalham há muitos anos, que em breve poderá se tornar a maior área de reurbanização em terreno já ocupado da Índia, com a demolição e substituição de casas. Embora vocês reconheçam que essas áreas muitas vezes enfrentam sérios desafios em termos de infraestrutura e serviços, consideram processos como esse destrutivos. Por quê?</strong></p>
<p><b>RS:</b><span style="font-weight: 400;"> Projetos de desenvolvimento grandiosos e centralizados contrariam o instinto de muitas comunidades onde, historicamente, as pessoas tomaram as rédeas da construção de suas próprias casas, independentemente dos sistemas habitacionais maiores nos quais estavam inseridos serem controlados pelo Estado, por uma empresa ou por um rei. Não é só o grau de passividade que isso impõe: considerando nosso atual estado de crise financeira e ambiental permanente—ligado à superexploração de recursos—demolir e reconstruir são processos extremamente dispendiosos e prejudiciais, envolvendo gastos desnecessários com materiais e energia.</span></p>
<figure id="attachment_81323" aria-describedby="caption-attachment-81323" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81323 size-full" title="Pedestres num mercado de Mumbai na Índia. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India.webp" alt="Pedestres num mercado de Mumbai na Índia. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg" width="1200" height="800" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India.webp 1200w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India-620x413.webp 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Pedestres-num-mercado-de-Mumbai-na-India-768x512.webp 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81323" class="wp-caption-text">Pedestres num mercado de Dharavi em Mumbai na Índia. Foto: Dhiraj Singh/<em>Bloomberg</em></figcaption></figure>
<p><b>ME:</b><span style="font-weight: 400;"> O fato de estarmos alienados do nosso habitat também pode tornar o ambiente tóxico para a nossa saúde mental, contrariando a nossa necessidade humana básica de nos conectarmos com o outro. Não queremos afirmar que as pessoas em lugares como Dharavi sejam mentalmente mais saudáveis ​​do que em outros lugares, mas na cidade <em>homegrown</em> existe um pouco mais de espaço para autonomia, o que proporciona um ambiente de vida mais saudável. Nosso trabalho em Dharavi e em outros lugares consiste em reconhecer esse potencial e libertá-lo.<br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><strong>Como você observa, a autonomia e a margem de adaptação nos bairros <em>homegrown</em> frequentemente vêm acompanhadas de limitações significativas em infraestrutura e serviços essenciais. É realista pensar que essas deficiências possam ser corrigidas sem comprometer o DNA essencial de um bairro <em>homegrown</em>?</strong></p>
<p><b>ME:</b><span style="font-weight: 400;"> Com certeza. Usamos <a href="https://bit.ly/3juhDqm" target="_blank" rel="noopener">Tóquio</a> como modelo—um lugar que se reconstruiu em grande parte de forma <em>homegrown</em> após a Segunda Guerra Mundial. Quando tentaram melhorar os bairros em Tóquio, adaptaram a infraestrutura ao que já existia, em vez de decidirem que o que estava ali precisava ser eliminado para que a infraestrutura pudesse ser implantada. Isso reflete o que <a href="https://bit.ly/498PHDa" target="_blank" rel="noopener">Patrick Geddes</a>, que nos influenciou profundamente, quis dizer ao descrever a adaptação urbana eficaz como uma &#8220;cirurgia conservadora&#8221;. Às vezes é preciso intervir, abrir as coisas para consertá-las e melhorá-las—instalando encanamento, por exemplo, ou melhorando a ventilação. Mas é vital ter cuidado e não destruir o corpo inteiro.</span></p>
<p><strong>Seus exemplos de boas e más práticas abrangem muitos casos relevantes de cidades asiáticas. Essas questões têm paralelos na Europa e na América do Norte?</strong></p>
<p><b>ME: </b>Sim. Nos antigos bairros industriais de Nova York, como <a href="https://bit.ly/4tQcRqa">Williamsburg</a> ou <a href="https://bit.ly/4cRqyiN">Red Hook</a>, há algum tempo que as pessoas vêm transformando tudo em seus edifícios, com exceção da fachada. É o mesmo processo de apropriação, transformação e evolução—embora ali o processo tenha sido menos orgânico e <a href="https://bit.ly/2wYNOXe">mais invasivo</a>, com o novo crescendo por cima do que já existia. Da mesma forma, pesquisadores americanos já observaram que a chamada informalidade está por toda parte nos subúrbios americanos, porque as pessoas vão moldando seus próprios quintais, muitas vezes à margem das regulamentações, já que estas eram restritivas e caras demais para serem cumpridas.</p>
<figure id="attachment_82051" aria-describedby="caption-attachment-82051" style="width: 1321px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Partes-de-cidades-como-Napoles.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82051 size-full" title="Na matéria sobre o livro publicada no Bloomberg CityLab: imagem mostrando partes de cidades como Nápoles, antigamente vistas como favela. Imagem embutida na matéria original por Marco Bottigelli/Getty" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Partes-de-cidades-como-Napoles.png" alt="Na matéria sobre o livro publicada no Bloomberg CityLab: imagem mostrando partes de cidades como Nápoles, antigamente vistas como favela. Imagem embutida na matéria original por Marco Bottigelli/Getty" width="1321" height="943" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Partes-de-cidades-como-Napoles.png 1321w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Partes-de-cidades-como-Napoles-620x443.png 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/04/Partes-de-cidades-como-Napoles-768x548.png 768w" sizes="(max-width: 1321px) 100vw, 1321px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82051" class="wp-caption-text">Na matéria sobre o livro publicada no <em>Bloomberg CityLab</em>: imagem mostrando partes de cidades como Nápoles, antigamente vistas como favela. Imagem embutida na <a href="https://www.bloomberg.com/news/features/2026-02-11/don-t-say-slum-new-book-makes-case-for-the-homegrown-city">matéria original</a> por Marco Bottigelli/<em>Getty</em></figcaption></figure>
<p><b>ME:</b><span style="font-weight: 400;"> Na Europa, também existe um movimento na França que defende o direito dos proprietários de promover a densificação, dividindo suas casas ou construindo em quintais. Há uma consciência, em muitos lugares, de que esses processos podem abrir espaço para um enorme potencial, de maneira que nosso argumento não é necessariamente antimercado ou antipropriedade.</span></p>
<p><strong>Vocês são praticantes ativos da renovação urbana—entre outros projetos, estão atualmente envolvidos em um projeto no bairro costeiro de Koliwada, em Mumbai, frequentemente descrito como favela. Como a proposta de vocês difere do tipo de reurbanização total que criticam no livro?</strong></p>
<p><b>ME: </b><span style="font-weight: 400;">Nós nunca acreditamos na reurbanização total de lugar nenhum. Koliwada tem uma economia enraizada e uma vida social forte. Qualquer grande reurbanização corre o risco de destruir esses investimentos e a identidade do lugar. Nós basicamente invertemos o processo de planejamento: em vez de começarmos com um plano e depois implementá-lo, aceleramos iniciativas já existentes e revelamos o potencial latente. O plano emerge do processo ou, como gostamos de dizer, &#8220;a forma segue o processo&#8221;. Por exemplo, reconstruímos uma antiga Casa da Alfândega britânica que estava em ruínas há mais de 30 anos. Trabalhamos com representantes da comunidade e um grupo de jovens que acharam que ela deveria ser usada como sala de estudos para crianças.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Em vez de começarmos com um plano e depois implementá-lo, aceleramos iniciativas já existentes e revelamos o potencial latente.&#8221;</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_81326" aria-describedby="caption-attachment-81326" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ruelas-tipicas-das-partes-mais-antigas-de-Dharavi-Foto-Mathias-Echanove.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81326 size-full" title="Ruas estreitas são típicas nos bairros das partes mais antigas de Dharavi. Foto: Matias Echanove" src="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ruelas-tipicas-das-partes-mais-antigas-de-Dharavi-Foto-Mathias-Echanove.webp" alt="Ruas estreitas são típicas nos bairros das partes mais antigas de Dharavi. Foto: Matias Echanove" width="1200" height="1200" srcset="https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ruelas-tipicas-das-partes-mais-antigas-de-Dharavi-Foto-Mathias-Echanove.webp 1200w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ruelas-tipicas-das-partes-mais-antigas-de-Dharavi-Foto-Mathias-Echanove-620x620.webp 620w, https://rioonwatch.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ruelas-tipicas-das-partes-mais-antigas-de-Dharavi-Foto-Mathias-Echanove-768x768.webp 768w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81326" class="wp-caption-text">Ruas estreitas são típicas nos bairros das partes mais antigas de Dharavi. Foto: Matias Echanove</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A equipe da urbz também está construindo um parque em Dharavi, Koliwada, em um local usado para guardar <a href="https://bit.ly/4tQhWPg" target="_blank" rel="noopener">riquixás</a>. Estamos instalando energia solar para alimentar alguns postes de iluminação e trabalhando com a comunidade para criar um novo sistema de drenagem sob medida para as ruas estreitas do bairro.</span></p>
<p><strong>Vocês observam que moradores de bairros <em>homegrown</em> vivem em desvantagem porque suas casas estão sob constante ameaça de <a href="https://bit.ly/3AdyYeq">remoção</a> por projetos de reurbanização, tornando impossível qualquer sentimento duradouro de propriedade. Mas, paradoxalmente, essa situação pode trazer algumas vantagens. Quais são elas?</strong><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><strong>RS:</strong> Quando a única forma das pessoas acumularem riqueza é possuindo uma moradia, isso se torna problemático porque o desenvolvimento econômico passa a estar ligado à <a href="https://bit.ly/30sVpNb" target="_blank" rel="noopener">especulação imobiliária</a>, o que acaba gerando ambientes urbanos precários. Não é incomum que as pessoas tenham acesso a capital privado na forma de propriedade de terra ou moradia em um ambiente extremamente deteriorado. Em uma cidade como Mumbai, por exemplo, as pessoas estão apegadas à ideia de investir em suas casas como forma de gerar riqueza. No entanto, há pouca preocupação com as implicações da especulação para a qualidade de vida ou o meio ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ME:</strong> O nosso não é, automaticamente, um argumento antimercado ou antipropriedade, porque às vezes o senso de propriedade é o que permite às pessoas projetar e adaptar. Estando fora desse sistema, uma casa <em>homegrown</em> só vale tanto quanto os usos que pode ter—como moradia, local de trabalho, armazenamento e assim por diante—e, por isso, ela é moldada às necessidades de seus moradores. Nenhum espaço fica vazio enquanto os proprietários esperam os preços dos imóveis subirem. O valor de uso é tudo. O que torna tão interessante e inspirador caminhar por ruas <em>homegrown</em> é como essa autoadaptação evita a repetição e a monotonia do que chamamos de &#8220;urbanismo de planilha&#8221;. O <em>homegrown</em> está sempre integrado às realidades locais. E esse é o seu poder.</span></p>
<hr />
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