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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2enclosuresfull.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-20205419</atom:id><lastBuildDate>Sat, 11 Feb 2012 23:33:27 +0000</lastBuildDate><category>Contos</category><category>Comentários</category><category>Reflexões</category><category>Contos / Crônicas</category><title>Se meus ouvidos falassem...</title><description /><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/SeMeusOuvidosFalassem" /><feedburner:info uri="semeusouvidosfalassem" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><itunes:owner><itunes:email>noreply@blogger.com</itunes:email></itunes:owner><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle></itunes:subtitle><feedburner:browserFriendly></feedburner:browserFriendly><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-6505717998988414439</guid><pubDate>Mon, 03 Jan 2011 01:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-01-09T19:09:48.155-02:00</atom:updated><title>|::| Das mudanças</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ano recém iniciado. Tantas resoluções e decisões para o novo ano, certo? A virada é como que um marco, um ritual esperado, através do qual você acredita que sua mentalidade será tão radicalmente transformada ao ponto de gerar em você um novo comportamento no momento em que os ponteiros transitarem das 23:59 para as 00:00 do dia primeiro, como uma espécie de mágica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa história, que se repete anualmente, é bastante irônica, talvez por ser triste e engraçada ao mesmo tempo. Triste porque as resoluções feitas se provam completamente impraticáveis logo que o ano se inicia. E engraçada porque um ano depois você volta a acreditar. Volta a acreditar que mudanças acontecem num passe de mágica. Volta a acreditar que é mais forte e resoluto do que você realmente é. Volta a acreditar que é possível acreditar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos têm seus sonhos e esperanças para o novo ano. Tenho os meus também. Alguns eu manterei só para mim, outros dizem respeito a este blog.. Quero conseguir postar mais. Mesmo já tendo me prometido isso muitas vezes, considerando que desde o ano de 2000 mantenho um site pessoal na internet com o objetivo de compartilhar meus textos, continuo acreditando. De qualquer forma, algumas mudanças já aconteceram. E tenho algumas novidades:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira delas, é que estou migrando o blog para um novo endereço: &lt;a href="http://semeusouvidosfalassem.blogspot.com"&gt;http://semeusouvidosfalassem.blogspot.com&lt;/a&gt; Como verão, além de um novo endereço, o blog também está com uma cara nova. Não muito nova, eu confesso, mas sofreu algumas plásticas e recebeu alguma maquiagem... Acho que ele andava meio pálido nos últimos tempos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A segunda novidade é que agora o blog tem uma página no Facebook (por favor, curtam!!!). O objetivo é criar uma certa dinâmica entre as pessoas que têm acompanhado o blog. Nem sempre (na verdade, quase nunca) consigo responder aos comentários que são feitos no blog. Espero que através da página no facebook eu consiga interagir mais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A terceira novidade... e ela tem tudo a ver com a criação da página no Facebook, é que após alguns anos, tenho a suspeita de que estou voltando a querer opinar. Passei muito tempo quieto, falando só do meu "mundo interior", sem expor muito as minhas opiniões por estar bastante cético a respeito da utilidade delas. Por isso, a página no Facebook será muito interessante para debatermos algumas idéias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Basicamente, por enquanto, é isso. Espero que curtam essa nova fase do blog!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;=D&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-6505717998988414439?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2011/01/das-mudancas.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-3064565567217539882</guid><pubDate>Tue, 28 Dec 2010 11:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-28T11:10:22.158-02:00</atom:updated><title>|::| Dos desejos para o próximo ano</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Madruguei novamente. É como se o fim do ciclo ao qual demos o nome de "ano" me forçasse a pensar, a repensar e a me preparar para as novas escolhas que se abrem diante das possibilidades a que me expus ao longo deste ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há momentos em que eu queria enxergar mais e saber para onde estou indo. Mas há vezes em que eu simplesmente gostaria de sentir a paz da crença de que absolutamente não é possível fugir do processo de se tornar o que se é. Mais cedo ou mais tarde, aqueles objetivos que se constroem a partir de nossas escolhas, e que chamamos de "missão", pedirão o nosso tempo e a nossa atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se consigo viver fugindo de todas as responsabilidades que são criadas à medida que cresço em consciência. E, ansioso, confesso que isso me gera certo sofrimento. Saber que, inevitavelmente, colocar-me-ei diante dos desafios mais adequados à construção de mim mesmo gera, não raramente, um sofrimento que também é acompanhado por uma satisfação indescritível, devo confessar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dor e a alegria são amplificadas na mesma intensidade em que minha percepção do mundo cresce. Parece uma piada perceber que a percepção aumentada é, na verdade, uma tomada de consciência do tamanho de nossa ignorância. O que sentia, no início, como sendo percorrer um corredor estreito e escuro, mostra-se, com o tempo, ser vagar como que aleatoriamente num espaço sem limites, coberto de sombras. Talvez eu possa dizer que o tempo me faz mais consciente do tamanho do desconhecido. Sim, sinto que posso descrever assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viver, que na infância parecia como que andar sob uma linha fina e sólida que seguiria o fluxo simples de nascer, crescer e morrer vai ganhando complexidade. Adicionam-se etapas, estendem-se momentos, retarda-se conquistas, adiantam-se acontecimentos. E a vida vai tornando-se muito, muito mais. Surgem questões sobre o como viver. Sobre o que fazer. Sobre o por que fazer. Sobre o quando. E parece sobrar pouco tempo para aquela falsa sensação da linearidade da vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora sinto-me caminhando sem direção sobre uma faixa de possibilidades grande o suficiente para me confundir, para me enganar e para fazer eu me encontrar. Perder-se em si mesmo é o mesmo que se encontrar? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos tão aquém daquilo que prometemos a nós mesmos enquanto sociedade, enquanto grupos, enquanto indivíduos. Somos hipócritas, pouco conscientes, pouco confiantes, muito pouco confiáveis e bastante desconfiados. Ainda encontramos a opressão de mulheres, a discriminação de negros e a crueldade com homossexuais. Ainda usamos a religião para dominar as mentes, a política para explorar os povos e a hierarquia para massagear nossos egos. Ah, sim, como estamos aquém daquilo que poderíamos estar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, certamente as pequenas revoluções - essas que acontecem na nossa mente, nos nossos pequenos grupos - continuarão colocando aqueles que se permitem o crescimento em caminhos repletos de possibilidades bem mais atraentes. A esperança de um mundo novo nunca morre e se renova diariamente através da nossa capacidade de nos reconhecermos, mesmo que por poucos instantes, nos outros, percebendo assim que não há mal ou bem que recai apenas sobre aqueles que nos cercam e que cada ganho ou perda individual é sempre também um ganho ou perda para a coletividade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o ano novo mostra-se sempre um ritual que oferece novas potencialidades, reforçando a nossa vontade de recomeçar, de fazer melhor e de mudar. Trazendo de volta a esperança de que somos capazes de alcançar um patamar mais alto de satisfação pessoal e de realização coletiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para mim, tenho definido que 2011 será um ano de fazer mais para a construção de ambientes mais justos. E faz parte dos meus desejos ver que mais pessoas permitir-se-ão abandonar velhas idéias, paradigmas equivocados e convicções que prometeram trazer vida em abundância, mas que distorcidas só trouxeram escravidão das mentes e opressão das gentes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feliz 2011!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-3064565567217539882?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/12/dos-desejos-para-o-proximo-ano.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-6321635873004147427</guid><pubDate>Mon, 15 Nov 2010 14:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-11-16T19:54:40.314-02:00</atom:updated><title>|::| O menino dos ares</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Após tantas viagens, tantas mudanças e desvios inesperados, ele percebe que dentre todas as ajudas que pode receber, a principal, aquela com que continuará contando sempre é com sua vontade de realizar os sonhos que começaram enquanto ele ainda estava lá em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No chão, suas idéias se organizaram, seus objetivos ficaram mais claros, assim como seus sentimentos, e agora parte para uma nova fase. Sabe que não sonha sozinho e que alguns vínculos começados há algum tempo são fortes o suficiente para se manterem firmes no meio de toda a bagunça que as mudanças geram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não muito tempo atrás, pensando sobre o desconforto que é viver num mundo &lt;i&gt;fake&lt;/i&gt;, ele se deu conta de que estamos constantemente procurando não desapontar as muitas expectativas alheias. Ele viu isso como uma grande teia de mentiras, que ameaçava gerar tamanha confusão que deixaria todos a ponto de se perder de si mesmos. Talvez isso ainda não era claro, mas cada vez que ele se colocava aqueles questionamentos, estava se aproximando pouco a pouco do lugar onde está agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se agora ele pode sentir que está fazendo algo importante pelo seu futuro, é porque lá atrás ele passou a se questionar. Ele quis encontrar um caminho que fosse diferente do que via como natural para si e está começando a encontrar um. Com o passar do tempo, perceberá que existem muitos caminhos e que estará sempre naquele que escolher estar. E saberá com clareza que as vontades, os desejos, os sonhos e os projetos sempre se manifestam através de escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menino, você que é o mesmo, mesmo quando é assim tão diferente, percebe que sempre foi, mesmo se sem saber, o menino dos ares? Percebe que nunca precisou do avião, pois sempre pôde voar por si mesmo, com essas suas asas que ainda está começando a descobrir? Agora que tudo isso se torna mais claro, para quão longe quererá voar? Preferirá voar sozinho ou aceita companhia? Voará suficientemente alto para a Terra parecer muito pequena e distante? Ou voará baixo o bastante para enxergar o que o espera aqui embaixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, verá que nunca será capaz de voar longe o suficiente para que se perca de si mesmo, pois sua essência, o princípio de si mesmo, é forte o bastante para puxá-lo de volta sempre que estiver longe demais. Puxá-lo de volta à sua felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-6321635873004147427?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/11/o-menino-dos-ares.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-5637041063093954562</guid><pubDate>Mon, 18 Oct 2010 20:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-18T20:16:22.820-02:00</atom:updated><title>|::| O caminho dos cães</title><description>&lt;div align="justify"&gt;De tanto bater, a porta finalmente se abriu. Seu desespero transformara-se em muitas gotas de um suor frio que escorria por suas costas, por sua face e por suas pernas. Gritara tanto e, mesmo assim, nunca se sentira num silêncio tão desolador. Invadido pelo medo, pela desconfiança. Arruinado pela descrença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos atrás, ainda criança, quis entender o caminho dos cães abandonados. Perguntou muitas vezes a si mesmo e a tantos outros para onde vão os cachorros que andam sem rumo aparente pelas ruas do mundo. Nunca obteve respostas significativas ou minimamente coerentes. E questionava-se se as entenderia, caso as recebesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi encontrado dormindo no chão, debaixo de uma ponte. Com apenas 11 anos, inventou de seguir aquele viralata magrelo e bastante fedido que encontrara em frente à escola. Não descobriu para onde o cão se dirigia, mas aprendeu que depois de algumas horas caminhando juntos, qualquer cão se torna seu melhor amigo. Após muito insistir, seus pais, ainda chorosos e radiantes após 3 dias de uma busca incansável pelo frágil e doente filho desaparecido, acabaram por aceitar levar o cachorro para casa. Ele ficou feliz, mas chorou escondido, frustrado por não ter feito a descoberta de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suor agora o faz tremer de frio, enquanto observa, paralisado, a porta se abrir. Milhões de perguntas - quem sabe, bilhões - passam por sua mente. Lembra-se de cada resposta vazia que recebera ao longo da vida. Lembra-se de cada vez em que se jogou na cama, afundando o rosto no travesseiro, abafando aquele choro quase injustificável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá para saber tão pouco e se manter tranquilo. Não para ele. E nessa busca, andou pelo mundo. Conheceu muita gente das gentes de todos os povos. Vez ou outra mandava um cartão postal aos seus pais, avisando que embora tendo parado com aqueles medicamentos, e contrariando os dizeres e alertas de extremo negativismo de seu médico, sentia-se bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrou o que presumira ser o amor. Descobriu o que imaginara ser a paixão. Maltratou o que pensara ser seu corpo. Enfeitou o que julgara ser sua mente. E sempre, mais uma vez, via que, nem de longe, era capaz de entender o caminho dos cães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, inexplicavelmente, sente que está para descobrir o que sempre quis saber. A porta continua se abrindo, revelando uma luz fraca e um aroma conhecido. Por alguns instantes, ele sente-se como se seu mundo estivesse entrando em colapso com o sol. Sente-se fervendo por dentro. Sente-se cegado pela luz da descoberta. Percebe que sua busca termina exatamente no seu local de partida. E que, enfim, está de volta ao lugar de onde nunca nem percebera ter saído. O lugar para onde os cães vão, o sentido de seu caminho é, no fim das contas, simplesmente, o fim de seu caminho. Não há sentido, não há motivos. Só há o início e o fim. E ambos se encontram no silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-5637041063093954562?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/10/o-caminho-dos-caes.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-3102560081801708140</guid><pubDate>Sat, 02 Oct 2010 15:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-02T13:43:20.061-03:00</atom:updated><title>|::| O Menino do chão</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aqueles tantos questionamentos engolidos e abafados por tempos, vez ou outra libertam-se e produzem momentos valiosos. Sua vida, que segue sempre, indecifrável, por caminhos que inevitavelmente o levarão à sua redescoberta, conduz à realização máxima daquilo tudo o que já percebe que quer, e das outras coisas que ainda nem começou a querer. Seu último pouso, que marcou a concretização do fim de um processo iniciado sabe-se lá quando, também significou o início de uma nova viagem. Desta vez, com os pés no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo lá de cima, aquele dos ares, retira-se, aos poucos, dando lugar ao mundo de baixo, das escolhas possíveis e das possibilidades ao alcance dos sonhos. Ao tocar o chão, sente que é o momento de pesar os planos e de avaliar as intenções. Não há mais a liberdade dos ares. Não há mais a liberdade dos tantos lugares e da vida sempre em trânsito. Mas agora há liberdade para iniciar a construção de si mesmo. A liberdade para a definição de seus desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse menino, que é o mesmo ao mesmo tempo em que é tão novo e diferente, acordou no chão, na Terra, e agora poderá unir à visão privilegiada que teve lá de cima, a experiência concreta de tocar, por tempo indeterminado, com os pés, o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que quando der seus primeiros passos por aqui ele ainda será capaz de manter aquelas confusões que o fizeram ser assim tão diferente? Será que após desembaralhar-se e aterrisar no lugar onde começará a construir uma nova parcela de si mesmo, ele verá que o alto e o baixo, o céu e a terra, o lá e o aqui são sempre o mesmo lugar de sempre? Que, afinal, ele nunca estará longe de si: o único lugar onde pode estar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-3102560081801708140?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/10/o-menino-do-chao.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-1481915023205466929</guid><pubDate>Sun, 15 Aug 2010 20:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-15T17:29:57.454-03:00</atom:updated><title>|::| O menino do avião</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Embora sempre ele mesmo, estando cada dia em um lugar diferente e cada dia em vários lugares, surge uma sensação de embaralhamento e de confusão. Sensação que às vezes ele percebe, às vezes não, como aquele formigamento nas pernas que só é percebido quando se levanta. Talvez por isso uma certa ansiedade: ele se levantou, e começou um processo de ampliação da sua própria percepção. Depois de iniciado esse processo, é, muito possivelmente, tarde para voltar atrás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Com os pés frequentemente fora do chão, sem tocar a Terra, sempre entre os lugares, sempre em trânsito, indo ou voltando, nunca ficando, torna-se complicado sentir as regras do jogo. Fica difícil entender de que jogo, dentre os tantos que se jogam no mundo, ele participa. Essa sensação de não pertencimento, de se estar alheio aos fatos, alheio ao que acontece, faz com que ele se irrite, com freqüência. Por incrível que pareça, ele sente, talvez sem perceber, que também precisa encontrar as suas leis, o seu rumo, o seu norte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Mas como dizer para ele que esse seu mundo acima da Terra é também o que o torna assim tão diferente? E como dizer que nas alturas, onde seus pés não tocam o chão, sua mente se encontra livre para inventar tantas possibilidades e crescer em direções tão novas? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Talvez um de nossos maiores dilemas seja conciliar a grande inovação e criatividade que brotam da ausência das regras com o seu potencial para a destruição. Como transitar entre os mundos, entre as terras, entre as cidades, e continuar mantendo em integração, numa só mente, os seus sentimentos, as suas emoções e os seus sonhos? Ele percebe que em algum momento pousará, e sente que só então poderá colocar em movimento os tantos planos que nutriu enquanto estava entre as nuvens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Esse menino do avião, que voa entre os mundos, transitando entre os costumes e entre os muros, pousa sempre pouco conformado por perceber que, afinal, estar livre, cada dia em um lugar diferente, como se a cada dia iniciasse uma nova vida, é, afinal, uma perigosa prisão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style=" line-height:115%;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Será que quando ele voltar a ligar seus pés ao chão da Terra será capaz de organizar suas tantas idéias alimentadas lá no alto, pouco mais perto das estrelas? Após tanto embaralhar-se, tanto procurar-se e tanto perder-se, ele ainda pode ver que a direção que procura, o seu norte, é, no fim das contas, ele mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-1481915023205466929?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/08/o-menino-do-aviao.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-6168775054194175629</guid><pubDate>Sat, 10 Jul 2010 12:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-15T20:57:12.136-03:00</atom:updated><title>|::| Dos giros da alma</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou aquele um ali, parado, no canto. Com uma visão privilegiada, embora um tanto isolado. Posso observar enquanto você ri discretamente, caminha à procura de algo que nem sabe o que é e retorna ao mesmo lugar, fingindo ter encontrado algo que lhe deu mais sentido. Eu me divirto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo todos em suas conversas pouco significativas. Todos se testando através das palavras, procurando os pedaços em comum que mais tarde servirão para a construção de uma colcha de retalhos maltrapilha - e nem por isso menos interessante - que servirá para cobrir as vergonhas, as intrigas, as brigas, as muitas faltas cometidas às incomunicáveis expectativas. A ironia é que as mesmas expectativas que estão presentes nos fins, estão também presentes no início. E são elas, afinal, que sempre estão gerando o movimento, a busca,  o entendimento, o desentendimento, as ilusões e também as realizações. Através delas sempre espero encontrar aquilo que quero e que, na quase totalidade das vezes, permanece oculto à minha pequena, frágil e pouco poderosa consciência. As mesmas expectativas que me fazem partir, buscando descobrir novas e inesperadas possibilidades de vida, também me fazem voltar, ao ponto inicial, às mesmas questões e crises bobas e pouco práticas que tornam um pouco cheios de ruídos os meus pensamentos. Eu me ironizo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do canto, vejo muito e sou pouco percebido. Dali eu posso fazer escolhas e planejar os próximos passos sem que me sinta sufocado pelas outras existências que circulam pelos meios. Gosto da sensação de ter toda essa visão, mas às vezes eu me questiono quanto às escolhas que faço e desconfio de mim mesmo. Desconfio dos meus interesses e propósitos. A mesma distância que me mantém no canto e que me dá visão tão privilegiada também me mantém à parte, separado do meio, de todos. Desconfio, afinal, que é um preço alto demais. Entretanto, não consigo agir diferente. Eu me decepciono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As decepções me levam a uma lucidez um pouco incômoda e um tanto prazerosa. A destruição que produzem em mim geram sempre, no fim das contas, um momento de completa liberdade. Sou livre para reorganizar todas as minhas pequenas peças, os meus pedaços e cacos. Nessa reconstrução posso ser novo, de novo, e sentir e pensar diferente, agir melhor, ser mais lúcido, enxergar mais e aproveitar com mais intensidade as novas possibilidades. Enquanto o fim é marcado por tanta falta de esperança, tanto pessimismo, os começos são sempre uma prova inquestionável de que nossas emoções são, afinal, fortemente renováveis, flexíveis e dobráveis. O segredo que tornaria a minha vida muito mais tranquila  - possivelmente sem graça - é descobrir como manter essa visão tão clara de que tudo se renova. Eu me refaço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-6168775054194175629?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/07/dos-giros-da-alma.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-2550940097249222615</guid><pubDate>Tue, 06 Jul 2010 00:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-06T09:26:22.768-03:00</atom:updated><title>|::| A delicada beleza do descartável</title><description>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ele vai ao supermercado. Discretamente procurando algo. Anda um pouco sem rumo, cuidando para não esbarrar e derrubar alguma coisa, talvez uma garrafa cara de whisky.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É bem sutil em sua busca. Escolhe bem e pega o que quer com cuidado, como se tudo - embalagens, frascos, garrafas e pacotes - fosse feito de algum cristal excessivamente fino e caro. Respira com calma, como se houvesse pouco ar; como se quisesse economizar seu fôlego, precioso, afinal.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;São fileiras e fileiras de produtos. Cores e letras e conteúdos. Sempre com seus preços. Tudo com o seu preço. E cada preço com seu dono, com seu portador. Ele apenas olha tudo isso, e age como se ainda fosse interessante ser &lt;em&gt;blasé.&lt;/em&gt; A quem engana? Aos que o observam - os poucos - de longe? A si mesmo? Resposta impossível a uma pergunta tão impertinente. Não se engana a quem não foi conquistado pela crença.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Se houvesse mais tempo e se ele estivesse mais a par de todas as infinitas possibilidades e dinâmicas do ato de observar, talvez se indignasse com essa irritante inversão que coloca conteúdo e forma - aquilo que se é e aquilo que se apresenta - em completa submissão ao preço que carregam. Quase como se não mais houvesse preços para as coisas, e sim coisas para os preços.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A beleza e o valor desaparecem no ar, como fumaça, tão frágeis diante de tanta confusão e de tamanha oferta de possibilidades, tornando um pouco cômico imaginar que ele conseguiria percebê-las. A beleza e o valor - duas piadas velhas e ultrapassadas - insistem em se infiltrar das formas mais sutis entre as prateleiras e fileiras intermináveis sem que ele as note.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Quantas vezes ele passa por aquelas fileiras? Quantas vezes pára, pega algum produto, observa, analisa, lê o rótulo e o coloca delicadamente de volta a sua prateleira? Ele até poderia acreditar nos rótulos se conseguisse perceber alguma diferença entre os tantos que lê. São, afinal, todos iguais. Ele, e os tantos outros que caminham por aqueles corredores, são, afinal, tão iguais em sua indiferença polida. Por alguns instantes é bastante difícil distinguir os papéis que cada um desempenha nesse ambiente.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Sem entender bem o processo que faz com que de uma hora para outra ele sinta que pegou tudo de que precisava, caminha em direção a um caixa, sem deixar de pegar uma revista que traz em sua capa, de forma nada discreta, a afirmação de que em seu interior é possível aprender mil e três formas de meditar que trarão a completa paz de espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Ele passa suas compras, paga, e sai, segurando algumas sacolas de plástico fino, com tudo aquilo que ele insiste em pegar todas as noites, talvez fingindo para si que no próximo dia não precisará voltar e pegar mais. Não querendo ver que ele nunca sai com o suficiente e que voltará no dia seguinte, buscando mais, porém bem menos do que precisa. Mantendo-se, inevitavelmente, nesse círculo sem fim de confirmar que o que foi feito para ser descartável é, enfim, realmente descartável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-2550940097249222615?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/07/delicada-beleza-do-descartavel.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-6683341222040831177</guid><pubDate>Sun, 06 Jun 2010 21:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-06T18:50:01.728-03:00</atom:updated><title>|::| Dos gelos e demais manifestações da água</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora muito pouco frio em comparação com aqueles lugares do mundo onde o frio é realmente frio, aqui, para mim, está bem frio agora. Horas atrás, quando abri os olhos e vi que havia sol novamente e, dessa forma, constatando que estava acordando num novo dia, eu me dei conta de que estava mais frio do que quando me escondi sob edredons e cobertores um pouco fedendo a pó, enquanto ainda estava escuro e a dúvida corria solta nos comentários de que o sol não se ergueria novamente. Comentários sussurrados por aquelas vozes que só ouço quando fecho os olhos e junto o travesseiro à minha face, ou minha face ao travesseiro (não sei bem, e isso, convenhamos, é um pouco irrelevante, pois o resultado é, simplesmente, o mesmo).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei, talvez, aliviado. Alívio de conseguir, pela primeira vez, sentir que é possível, sim, recomeçar. E um sentimento de "talvez" porque, afinal, talvez não seja a primeira vez. Na verdade, eu nunca sei muito contar e nem conto muito com essa capacidade, desde que percebi que a possibilidade de contar os números alcança o infinito, ou seja, alcança nada. Eu gostaria, claro, de saber quantas vezes já acordei com aquela sensação, mas não sei, mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por alguns instantes franzi a pele da testa, fiz pressão sobre meus olhos, procurando resgatar a memória das histórias que se desenrolaram em minha mente enquanto eu dormia. Consegui me lembrar de algumas cenas. Eu estava numa casa nova, com novos móveis, andando e tentando descobrir o que mais haveria de novo. Andei por alguns cômodos, e num lugar que parecia muito com uma cozinha, havia uma cachoeira de lava. Talvez por ser um sonho e nos sonhos eu não ter muita noção do perigo, caminhei em direção à cachoeira e, como se estivesse pra me molhar em alguma bica de água gelada num dia quente e com sol forte em ubatuba, entrei embaixo daquele líquido vermelho incandescente. A surpresa, que seria bizarra se não fosse um sonho, foi que a lava era gelada. Senti como que me banhando com gelo derretido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebendo que minha mente não fofocaria muito além disso a respeito do meu mundo dos sonhos, decidi me levantar. Caminhei até a sala, liguei a TV. Sempre deixo a TV ligada quando estou sozinho. Fui à cozinha, beber a água num copo, e não pude evitar a irritação forte de ver tanta louça suja. Tentei me afastar da cozinha, mas como se a força da gravidade houvesse feito um acordo com a minha louça suja, fui atraído de volta. Abri a torneira e comecei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com as mãos sendo molhadas pela água fria que saía da torneira, senti algo que estava guardado há anos em algum lugar pouco acessado da minha memória: a liberdade. Esse vínculo emocional com a limpeza da louça, que criei anos atrás naquela época mais complicada, permaneceu e, agora, posso usá-lo, mais uma vez, a meu favor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está um pouco menos frio agora. Talvez se eu começasse esse texto novamente, conseguiria escrever algo mais divertido. Mas, a criatividade e o humor serão guardados para o próximo. Afinal, nada como lavar a sua própria louça suja num dia frio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-6683341222040831177?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/06/dos-gelos-e-demais-manifestacoes-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-553090050116275415</guid><pubDate>Sat, 10 Apr 2010 14:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-04-10T12:17:49.182-03:00</atom:updated><title>|::| O fetiche do assalto</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- Assalto? - perguntei, novamente, com um pouco de descrença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- Sim, assalto - ele disse, demonstrando leve irritação, pois era, final, a terceira vez que eu perguntava a mesma coisa. Completou, já significativamente mais irritado, - cara, o que você tem? AS-SAL-TO, manja? Eu chego, peço seu dinheiro de forma deseducada, você fica apavorado meio sem saber como reagir, eu elevo o volume da minha voz, adicionando um tom mais dominador, você começa a suar nas mãos, pega sua carteira, me entrega tudo o que tem nela, e eu vou embora correndo como se de uma hora pra outra o seu medo tivesse passado para mim. Entendeu agora? Ou quer que eu repita?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;"É", pensei, "parece que isto é um assalto mesmo. Será que devo entregar a minha carteira agora? Ou finjo que esqueci uma panela com leite no fogão e saio correndo, desesperadamente gritando que o leite vai derramar? Ah, quem sabe eu possa fingir que também sou um assantante: 'Perdeu, playboy, hoje é seu dia de passar a carteira'. Não, não me parece uma boa idéia. Ele está começando a fazer movimentos estranhos com as pernas, como se tivesse síndrome das pernas inquietas. E se tiver? Bom, isso não muda nada o fato de que ele, aparentemente, está querendo a minha carteira".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- É pra hoje, tá? - disse o provável assaltante, enquanto balançava as pernas de uma forma quase divertida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Tá. Essa parte do "é pra hoje" eu entendi. O que quero entender é esse negócio de assalto. Você aparece do nada, faz essa cara de vilão de novela das seis, grita comigo, tenta me ensinar a soletrar "assalto" e ainda quer meus cartões e todo o dinheiro que tenho na minha carteira?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- Sim. Exatamente isso!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Você é casado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- Hã?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- CA-SA-DO! Sabe? Você pega uma mulher, gasta todo o dinheiro dos seus pais, enfeita uma igreja, chama um cara esquisito de preto, pede pra ele fazer umas perguntas sem sentido pra vocês, e a tudo o que ele pergunta vocês simplesmente fazem cara de burros e respondem "sim". Sabe do que eu tô falando?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Sim. Sei. E não, não sou casado. Vai passar a carteira ou não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- Tenho essa opção? E aliás, minha esposa é muito melhor do que você nesse negócio de pedir a carteira. Você é realmente amador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- Amador? Você perdeu a noção? Passa essa carteira, agora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Ou...?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Ou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Sim, "ou" é uma conjunção alternativa. Qual sua formação?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Ladrão, conhece? Passa logo a carteira!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Ah, agora nem pedem mais "por favor". Na época dos meus pais os ladrões costumavam ter alguma educação. Você sabe que o Brasil tem sérios problemas na sua rede de ensino, certo? O que o seu sindicato pensa a respeito? Não oferecem cursos profissionalizantes?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Hã?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Cursos profissionalizantes. Você vai lá, fica 4 horas e sai sabendo consertar torneiras, tirar fotos ou, quem sabe, até carteiras dos transeuntes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Tá vendo isto? É uma faca! Eu não costumo arrancar sangue, mas você tá me obrigando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Todos temos escolhas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Sim, e a sua, neste momento, é entregar a carteira ou morrer!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Você já ouviu falar de uma invenção chamada "revólver"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;"É, até que estou começando a acreditar nesse assalto", pensei. Levei a mão direita, já suada, talvez de nervoso, talvez de medo, ao bolso da calça, e descobri que eu estava sem a minha carteira! "Será que falo pra ele? Será que finjo uma diarréia e saio correndo? Será que puxo uma caneta e ameaço o cara de morte?".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;- Desculpe, preciso ser sincero com você - eu disse, enfim. - Estou sem a minha carteira!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O assaltante, a essa altura bastante irritado, talvez desconfortável em sua posição social de assaltante, pareceu ainda pensar por alguns instantes antes de sair andando e resmungar: "nunca mais assalto um cara casado...".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Peguei meu celular, liguei para minha esposa e disse: "Querida, vou me atrasar. Esqueci a carteira no trabalho..."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-553090050116275415?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/04/o-fetiche-do-assalto.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-1113983733267188412</guid><pubDate>Sun, 04 Apr 2010 22:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-04-04T20:14:25.670-03:00</atom:updated><title>|::| A solidez das transformações</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atravesso a minha vida oscilando entre o cômodo abandono das descobertas e a curiosidade tímida que silenciosamente vai me levando a novos patamares de consciência. Não sei bem se é um caminho com alguma direção ou sentido, pois com frequência nem realmente me dou conta das mudanças que ocorrem. Sei que cada vez que volto para casa me sinto um pouco diferente. É natural que seja assim, ainda que nem sempre seja natural notar esse processo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em pouco mais de meio século de experiências nesta mesma matriz material com que me relaciono com o mundo, alcancei bem poucas certezas e, embora dizer isso seja um tremendo clichê, uma delas é a de que as dúvidas e as questões não solucionadas só aumentam. Ao contrário das certezas, que quase sempre significam o fim de um caminho, as dúvidas sempre nos colocam diante de bifurcações, onde necessariamente precisamos fazer escolhas. E as escolhas realmente existem, mesmo que em alguns momentos pareçam se esconder de nós. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes eu me vejo como um processo de construção interminável. Cada escolha feita é um novo tijolo sendo adicionado. Nesse processo, é impossível destruir algo que já foi feito e tudo faz parte de um todo desajeitado que sou eu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outras vezes, eu me vejo como um processo de reforma interminável em que cada escolha significa a substituição de uma parte de mim. Nesse processo, tudo está sempre à beira de ser transformado, deslocado, alterado e refeito. Cada escolha leva, necessariamente, à reinterpretação do que quer que eu esteja me tornando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada nova ligação que se concretiza entre meus neurônios gera não apenas um aumento de minha rede de conhecimentos, percepções e capacidade cognitiva, mas também a possibilidade de completa reinvenção de minha natureza. Afinal, sempre nos enxergamos a partir de uma perspectiva muito bem fundamentada sobre os processos absolutamente dinâmicos e móveis aos quais damos o nome de "existência".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existe beleza na percepção de que nada que façamos pode impedir a inevitabilidade da transformação? Existe algum lugar no universo onde poderíamos nos esconder do movimento? Talvez, eu esteja alcançando mais uma das poucas e raras certezas: o movimento é tudo o que existe e tudo o que existe está em movimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há nada tão sólido quanto o movimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-1113983733267188412?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/04/solidez-das-transformacoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-6220644233442377806</guid><pubDate>Tue, 30 Mar 2010 01:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-29T22:40:05.545-03:00</atom:updated><title>|::| Parabéns pra mim</title><description>Hoje foi meu aniversário. (É estranho usar "hoje" e "foi" na mesma frase, já que, supostamente, hoje é uma espécie de "agora"). Foi um dia de aniversário normal... com pessoas diferentes me abraçando (não que isso me incomode), pessoas estranhas cantando parabéns, bolos de chocolate horríveis (ok, talvez estivessem bons, mas eu não gosto de bolo mesmo), minha mãe ligando pra saber se eu queria jantar (óbvio que sim, a pergunta pertinente é "onde") e amigos mostrando que apesar do passar dos anos, ainda são capazes de lembrar de um número.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem tive insônia. Aproveitei pra pensar, claro... MENTIRA! Todo mundo que já teve insônia alguma vez na vida sabe que durante uma insônia você não pensa, não trabalha, não estuda, não faz nada de produtivo a não ser virar de um lado pra outro e de vez em quando se perguntar "Dormi?" e logo depois responder "Não! Droga!". Bom, não posso reclamar, dois dias atrás eu estava com diarréias. Ah, e no meu último aniversário eu nem sei onde eu estava (aliás, se alguém se lembrar, conte pra mim, por favor). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico aqui pensando... tentando decidir se, afinal, eu me importo ou não com essas coisas estranhas que inventamos para nos lembrarmos da passagem do tempo. Se tudo foi inventado por nós - inclusive essas correntes que nos prendem aos tempos e às datas - somos, por fim, mais cedo ou mais tarde, ou sempre, os carrascos e os escravos de nós mesmos. Esse é o tipo de pensamento legal de escrever, mas que significa nada mais, nada menos do que: "nós continuamente ferramos a nós mesmos e nos ferramos nesse processo de nos ferrar". Ah, mas é claro e estupidamente óbvio que esse processo todo tem suas vantagens. O complexo é que por alguma razão desconhecida, as dores parecem bem mais concretas e sólidas do que os prazeres. A alegria realmente é algo sutil e precioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que isto aqui se transforme em algo mais do que uma descrição sem graça do meu aniversário, vou parando pra tentar dormir e recuperar os sonhos - os que não tive - da noite passada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-6220644233442377806?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/03/parabens-pra-mim.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-8412033407573194160</guid><pubDate>Sat, 27 Mar 2010 05:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-27T02:58:11.186-03:00</atom:updated><title>|::| Humanos, animais estranhos</title><description>Tento, com esforço significativo, lidar com estes meus pequenos desgostos pouco compreensíveis. Puxo, daqueles territórios bem lá no fundo da mente, todas as lembranças que poderiam, conectadas, dar algum sentido às minhas emoções. Mais uma vez, como em tantas outras, cedo diante da impossibilidade de me entender por completo ou, pelo menos, de me cegar por instantes, até que os fantasmas se escondam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentar aprender o que já sei talvez seja sempre frustrante. Abrir mão da ilusão do controle e do sonho da racionalidade libertadora tem sido irrealizável pra mim. Esse amargo estridente que acompanha a confissão das minhas fraquezas traz forte irritação. E no fim, vendo tudo isso, só consigo dizer: enfadonho, muito enfadonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-8412033407573194160?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/03/humanos-animais-estranhos.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-3662457869741090914</guid><pubDate>Mon, 22 Mar 2010 23:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-22T21:26:06.672-03:00</atom:updated><title>|::| Dos desejos fúteis e das vontades úteis</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Há mais de três meses que não consigo terminar nada que começo a escrever. Obviamente não sei se terminarei de escrever isto aqui. O que sei é que sempre me vejo com aquela vontade de dizer alguma coisa, mas sem encontrar a linha que une o fim de um silêncio ao início de um novo silêncio. A linha que dá sentido a esse fluxo de palavras tão desconhecedoras de si mesmas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br&gt;Pois acho que escrevo para dar fim ao silêncio, tentando, por alguns momentos, convencer essas redes complexas de pensamentos pouco ou muito conectados de que há algo a se dizer antes de mais um silêncio. E confesso, com alguma resistência, que de vez em quando até aparece alguma vontade de me envolver nessas discussões intermináveis que rolam por aí. Sou contra, por exemplo, a matança injustificada das formigas. Sou contra, também, a pipoca de microondas com sabor de chocolate. Sou contra a prática fortemente subversiva de limpar as mãos e a boca nos mesmos panos usados para secar a louça. E sou a favor, bastante, das mulheres que depilam suas axilas (talvez correndo o risco de ser condenado por alguma feminista meio radical). Ah, e claro, sou a favor dos cães. Mas, sinto que ando meio calado, talvez por acreditar pouco nas discussões, talvez por estar bem convencido de minhas opiniões ou talvez por falta de vontade mesmo. Afinal, trabalhar, dormir, comer e jogar videogames cansa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br&gt;O desejo de filosofar tem empacado naquelas vontades de simplesmente ir vivendo. Talvez, todas as coisas que acontecem no verão me deixam meio descrente. Embora eu continue acreditando na existência dos duendes e dos políticos honestos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br&gt;E evitando o risco de uma indigestão literária, vou parando por aqui. Faço uma promessa aos poucos que ainda me visitam: eu voltarei!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-3662457869741090914?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2010/03/dos-desejos-futeis-e-das-vontades-uteis.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-7559036790169939097</guid><pubDate>Tue, 08 Dec 2009 23:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-08T23:19:55.848-02:00</atom:updated><title>|::| Desracionalizado</title><description>É quase como se chovesse. As minúsculas gotas parecem se rebelar contra aquela lei incontornável que nos liga a este chão. Eu estou voltando. Aquela sensação de "quase chegando" vai pedindo que os passos ganhem ritmo e rapidez. "Aceleração" é a palavra que descreve este momento. Estou voltando. Andando. Quase correndo. Pela calçada. Quase chovendo. E carros passando. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguém, de dentro de algum veículo, joga uma latinha de cerveja amassada que cai e quica logo à minha frente. Entendo bem pouco sobre pessoas que jogam latas pra fora de seus carros. Entendo bem pouco de pessoas em automóveis. Acho que entendo bem pouco de pessoas.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tem lixo sobre a calçada. Sinto que estou ficando encharcado por essa chuva que molha bem mais por ser tão fina. Sei do meu despreparo e da ineficiência dessa fraca e flácida razão. Afinal, depois de tantos milênios, é bem pouco provável que eu seja mais do que um grupo de emoções e instintos pouco controláveis. Mas sempre me orgulho dessa maquiagem construída e refinada por tantas gerações que me dá alguns poucos instantes da frágil racionalidade que se dissipa nervosamente nos momentos em que mais preciso de controle.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou bem perto. Pego um elevador. Sozinho. Tem uma câmera que me registra. Tem um espelho que me duplica, apenas por instantes. Estou no segundo andar, a oito passos da porta. Já vou pegando as chaves na mochila. Respiro, abro a porta e entro. Estou de volta. Em casa. E sei que, afinal, sou bem pouca razão e me contento fazendo a minha parte nesse jogo de esconder o que somos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-7559036790169939097?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/12/desracionalizado.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-6015990070909257188</guid><pubDate>Sat, 19 Sep 2009 17:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-19T19:31:42.333-03:00</atom:updated><title>|::| Escritor</title><description>&lt;div align="justify"&gt;As variações de humor são constantes. Talvez como acontece com qualquer um. A diferença está no fato de que ele está atento, e percebe. Presta atenção àquele sobe e desce emocional tão frequente e eficientemente oculto à maioria dos normais. Eles não estão atentos, e não percebem.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Alcançar o equilíbrio deveria ser parte de suas buscas existenciais? Ele não sabe se é assim que deve ser. Ele sequer sabe se existe algum dever. Ah, mas ele gostaria de saber, sim, às vezes, já que de uma hora pra outra ele percebe que se diverte na escuridão, tateando à procura de perguntas, de respostas, de sentidos e motivos. As coisas são boas. As boas coisas são gostosas. E ele também se delicia com elas. Nem sempre, mas de vez em quando, sim, ele se delicia com todas aquelas expectativas de descobertas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É, quem pode responder? Por que ter boas perguntas? A quem perguntar? Ele sempre se confunde, de vez em quando, quando para pra pensar. Ou melhor, quando pra pensar ele para. Ele não sabe explicar, obviamente, mas sente uma agradável sensação toda vez que consegue aguentar o peso de uma nova pergunta sem resposta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ninguém sabe, mas ele preferiria ser menos irritante. Imagina que seria mais fácil não perceber, e apenas ter o dever de permanecer ligado àquelas dívidas herdadas que tornam a todos, ou melhor, a quase todos, escravos de si mesmos. Se bem que ele se questiona se é realmente possível não ser escravo de si mesmo. E sim, ele quer acreditar que é possível, pois a partir de sua lógica, que é fraca, mas nem por isso menos lógica, percebe que o carrasco e o escravo são a mesma pessoa. E não são? O herói e o vilão, seus anjos, seus demônios, seus bons e maus deuses, são sempre versões de um mesmo ser mediano que caminha impaciente no meio das confusões.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Perder-se no meio do caos é realmente perder-se? Veja só até onde ele vai nessa busca motivada pelo simples fato de que ele está atento. Ele percebe. Ele apenas não entende que... não sei o que ele não entende.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-6015990070909257188?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/09/escritor.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-456070760967312061</guid><pubDate>Sat, 15 Aug 2009 03:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-15T01:08:31.056-03:00</atom:updated><title>|::| Talvez</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se brinco de me enganar, se me engano brincando, ou se me engano que me engano. Talvez. Aquela sensação que sobra, depois que os perfumes penetrantes evaporam, depois que escurece, é de falta. De vazio. De desperdício. De decepção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez eu tenha preferido os enganos. Talvez eu esteja pagando os preços. Os juros, ainda, por ter recebido tanto de uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro, tento entender. Sempre tento. E, sem entender, me desentendo, comigo, com meus enganos, com meus ganhos, talvez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será que sou tão cego? Será que sou tão surdo? Porque quanto mais tento ver, menos vejo. E como tenho tentado ouvir, mas não ouço. Ouço nada, e vejo nada. Nenhuma intenção, nenhuma vontade, nenhuma mudança. E se só eu me enganar? Basta? E se só eu me bastar? Basta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, como eu me engano. Sim, como eu me engano!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será que isso é tudo? Será que é só isso? A parte que me cabe, a herança a que tenho direito, o presente que recebi, é isso? Tal vezes em que são feitas brincadeiras de mau gosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou eu fecho os olhos e me esforço pra continuar enxergando o que não está mais à minha frente, ou eu abro os olhos e me esforço pra viver sem aquilo que está só na minha mente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, como eu me engano. Ah, como eu me canso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se o sábio estiver certo, e se é sábio, certamente estará, havendo tempo pra tudo, a hora vai chegar. Porque esperar, mesmo sentado, até mesmo deitado, cansa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-456070760967312061?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/08/talvez.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-7097644445326989296</guid><pubDate>Tue, 02 Jun 2009 13:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-02T12:32:05.918-03:00</atom:updated><title>|::| Antropologando no Hospital</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. Obviamente não é agradável passar um dia no Hospital. Ainda mais quando não é você o doente. Se fosse, bastaria se contorcer como uma minhoca prestes a perecer num anzol, gritar como uma maritaca que cheirou cocaína, e torcer, como um corintiano apaixonado na final da série B, para que algum médico desavisado se sentisse comovido e injetasse em você um daqueles remédios pra dor de cavalo. Isso o colocaria naquele mundo de sonhos silencioso, onde o tempo passa num abrir e piscar de olhos. E você acordaria alegremente zonzo com uma enfermeira simpática (sou politicamente correto, vocês sabem, né?) perguntando se você prefere sopa de ervilha ou creme de mandioquinha com cogumelos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, não foi o meu caso. Movido por aquela chama de compaixão que arde dentro de todos nós, candidatei-me a ser uma espécie de &lt;i&gt;personal acompanhator plus 2000&lt;/i&gt; da vizinha sozinha e velhinha que mora no apartamento de cima, a quem eu só conhecia pelos sons feitos por sua bengala agredindo o chão, que, no caso, é o meu teto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela escorregara enquanto tentava salvar um vaso de flores depois que ela tropeçou, perdeu o equilíbrio, esbarrou num pratinho de enfeite que recebera de presente da bisneta, bateu com o pé sem querer numa cadeira que tombou, chocando-se com a mesinha onde fica o vaso que finalmente foi salvo enquanto ela tentava se equilibrar. Ela não salvou o pratinho feio da bisneta, fato que contribui diretamente para a melhoria do mundo, porque, convenhamos, esses pratinhos não servem pra nada, a não ser que como a rainha dos baixinhos você também veja duendes, e ainda dê de comer  a eles. Penso não ser o caso da vizinha de cima, já que após me confundir com seu marido falecido várias vezes, passei a desconfiar de que além de colecionadora de pratinhos, ela também é míope, bem míope e, agora, temporariamente perneta, já que no fim das contas, nesse processo desastrado e desastroso, ela torceu o pé, quebrou três costelas e a unha do mindinho da mão esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de ouvir um som diferente, atípico e não similar às pancadas da bengala da vizinha sozinha do apartamento de cima, resolvi subir e descobrir o que houve. Descobri. Descobri o que houve, descobri o que ouvi, e também descobri que a curiosidade não é boa conselheira, pois nessa brincadeira de detetive eu fui o primeiro a atender os gemidos da vizinha. Isso me colocou, inevitavalmente, devido ao meu bom e quente coração, na posição de ajudá-la a ir até o hospital mais próximo. Voltei rápido para o meu apartamento, peguei um livro, meu &lt;i&gt;ipod&lt;/i&gt;, meu RG, meu cartão de crédito, uns cartões de visitas, meu celular e uma máscara, pra me proteger da nova gripe mortal e do cheiro do hospital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chamei um táxi, coloquei a vizinha numa cadeira de rodas aqui do condomínio, e a levei até o carro. Entramos e fomos. Chegando ao hospital, fui até a recepção pra entregar os documentos da vizinha e acertar as coisas para agilizar seu atendimento. Alguns minutos depois, a vizinha foi levada por umas pessoas estranhas todas de branco, e eu fiquei algumas horas esperando enquanto ela era submetida a uma série semi-interminável de exames. Depois ela me contou que passara por torturas, que colocaram uma luz forte na sua cara e perguntaram sobre sua infância, atiraram raios supersônicos nela, apertaram seus seios, enfiaram veneno na sua nádega esquerda, implantaram um chip na direita, escutaram seus pensamentos numa máquina que girava ao seu redor e que ainda perguntaram se ela usava algum tipo de medicamento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma mocinha &lt;i&gt;guti guti &lt;/i&gt;chegou e se sentou ao meu lado. Endireitei a coluna, lembrando da minha vó que sempre diz  "mulher gosta de postura ereta!"... Olhei rápido pra ela e percebi que rolou uma troca energética. Quando eu ia fazer um comentário &lt;i&gt;cult&lt;/i&gt; sobre o estado metereológico de São Paulo, uma mulher de branco, talvez uma enfermeira, talvez uma assistente de enfermagem, ou talvez uma mulher de branco, apenas, gritou um nome, que logo percebi que era da mocinha ao lado. Ela se levantou, olhou pra mim com um olhar "me espera na saída", e caminhou até a mulher de branco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com preguiça de ler, e vendo que já havia ouvido todas as mais de 20 mil músicas do &lt;i&gt;ipod&lt;/i&gt;, resolvi praticar uma das artes antigas, obscuras e místicas da antropologia: escutar as conversas alheias. Foi aí que descobri coisas incríveis que acontecem num hospital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por exemplo, percebi que é o melhor lugar do mundo pra você descobrir tudo sobre a vida das pessoas. Os médicos e enfermeiros ficam falando alto coisas como: João, desde quando você tá com diarréia? Márcia, a flatulência é constante? Pedro, esse hálito putrefato é persistente? Joana, de que cor está seu catarro?....&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma simpática senhora sentou-se perto de mim e puxou conversa. Disse que estava lá no hospital pela quarta vez na semana. Segundo ela, suas dores eram "combinadas". Tipo assim: na segunda dói o pé direito e o ombro esquerdo. Na terça, dá dor de estômago e de cabeça. Na quarta, dóem as juntas das pernas, e os ouvidos. Na quinta, é a vez dos dedos do pé e do cotovelo. Na sexta, ela chora com as dores da artrose do braço direito. No sábado, ela disse que descansa. E no domingo faz dança de salão. Dessa vez ela estava ali devido a uma nova dor. Desconfiava que havia quebrado as costelas dançando salsa com um tal de Ruan. Tinha um filho e uma filha. Os dois envolvidos com a área da química: a filha, engenheira de uma multinacional, e o filho, dependente, numa clínica de reabilitação. Ela estava começando a contar do ex-marido quando foi chamada por outra mulher de branco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucos minutos depois, chegou um rapaz mancando. Disse pra atendente da recepção que precisava de um ortopedista, pois havia torcido o pé jogando vôlei. Simpático, sentou-se e foi logo puxando assunto com todos à volta. Contou que estava com uma dor lancinante, e que estava com medo de nunca mais voltar a andar, pois lera na internet, numa comunidade chamada "eu torci meu pé e tive que amputá-lo" que isso acontece de vez em quando. Contou que nunca sentira tanta dor e que no começo pensou que estava morrendo. Um senhor sentado próximo ao rapaz contou que já havia torcido o pé 13 vezes e que não era nada demais. O rapaz arregalou os olhos e perguntou se era normal sentir frio depois de torcer o pé. Ao que o senhor respondeu: "sim, quando está frio como hoje, é normal". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de ouvir o restante da história, minha atenção foi desviada para a porta que se abriu. Foi um misto de tristeza e alegria. Alegria porque finalmente a vizinha sozinha do andar de cima estava saindo, e tristeza porque ao lado dela também estava saindo a mocinha docinho de côco. Eu me levantei sem saber se me dirigia à vizinha de cadeira de rodas, ou à mocinha de sapatos vermelhos. Foi aí que escutei uma mulher se dirigindo à mocinha e dizendo: se o mau cheiro e o corrimento persistirem até amanhã, procure um ginecologista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi fácil decidir. Voltei na companhia da vizinha acidentada, feliz da vida por eu ter um coração tão generoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-7097644445326989296?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/06/antropologando-no-hospital.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>16</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-1337732641321346582</guid><pubDate>Wed, 20 May 2009 03:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-20T01:32:47.114-03:00</atom:updated><title>|::| Ma[´]drugada</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou com medo de dormir agora e perceber, ao acordar, que algo está faltando. Também tenho medo de dormir e ao acordar sentir que algo não está faltando. Toda noite, a morte de como me manifesto agora. Toda manhã, uma leve memória de uma vida que se torna mais vívida conforme as horas do dia passam por mim. Toda noite, uma vida longe dos problemas e dos detalhes que dificultam os meus dias. A cada manhã, a morte daquela vida de sonhos, manifestada nos sonhos. Vida que se recicla e se mantém sempre, parecendo, afinal, ser o início e o fim de todas as coisas. Dela não se escapa. Sua presença sempre está por aí, por aqui, em todos os lugares, brincando com a gente, com as gentes e com as mentes de todas as gentes que olham pra ela enquanto a experimentam. Sempre rindo, e a cada risada uma nova manifestação de sua força. Somos seus escravos e iludidamente imaginamos que ela escorre para longe de nós. Nunca. Tudo o que somos é ela, e enquanto formos algo - e sempre seremos - ela estará presente, viva. Vida viva, sempre viva, sempre vida. Como eu gostaria de saber menos e poder querer, sem sentir que a minha consciência resiste, que as coisas fossem mais claras. Clareza que só procuro porque seu gosto ainda está aqui na minha boca. Tenho medo de dormir e acordar no escuro, descobrindo que o sol mais brilhante da manhã mais clara da estação mais exuberante do ano embaralha todos os meus pensamentos e me faz duvidar de quem sou. Se é que sou alguma coisa. Talvez a clareza da noite seja como a bravura de um fraco lutador um dia antes de se inscrever numa competição para a qual desconfia estar despreparado. Tenho medo de acordar e fazer escolhas diferentes das que eu quero fazer agora. Tenho medo de acordar muito mais fraco. E descobrir, mais um dia, que sou incapaz de ser diferente daquele que sempre acabo sendo no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-1337732641321346582?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/05/madrugada.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-5753234880899140683</guid><pubDate>Wed, 13 May 2009 21:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-13T20:02:23.073-03:00</atom:updated><title>|::| Maya</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tirou férias de mim. Saiu assim meio sem avisar, como quem vai ao supermercado da esquina comprar maçãs e demora o suficiente pra que você calcule quanto tempo se passou. Eu já imaginava que era ela quem me soprava os tons e as rimas de todas as canções que inventei. Agora sei que os sabores, as cores e os aromas eram todos artificialmente injetados em mim, dando a falsa sensação de que o mundo é agradável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tirou férias de mim. Saiu assim meio devagar, como quem se levanta no meio da noite sem acordá-lo. Eu já imaginava que ela era leve como aquele pedaço de algodão que cai da nossa mão antes de tocar a ferida. Agora sei que os sons eram delicadamente colocados em meus ouvidos, dando a falsa sensação de que havia silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tirou férias de mim. Saiu. Eu já imaginava. Agora sei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-5753234880899140683?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/05/maya.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-1389756532009357032</guid><pubDate>Mon, 13 Apr 2009 18:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-13T16:09:12.151-03:00</atom:updated><title>|::| Ipodiando a la Saramago</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que preciso de uma namorada se tenho um &lt;i&gt;Ipod,&lt;/i&gt; pensava Sócrates enquanto fazia a barba em frente ao espelho embaçado do banheiro público da estação de metrô Sé. Achara uma gilete no lixo da esquina sem saber de sua crise de vocação, Sou uma gilete ou uma faca de açougue. Droga de gilete, cortei a minha pinta. Podia ser pior, disse alguém que acabara de entrar, É, eu podia ter trocado o artigo. Lavou o rosto, guardou a gilete junto com o cortador de unhas enferrujado e a garrafinha de &lt;i&gt;gatorade&lt;/i&gt; que costuma usar como pinico improvisado, Tudo serve e o que não serve eu jogo no lixo, era a idéia central de sua filosofia. Foi no lixo que Sócrates encontrou o &lt;i&gt;Ipod. &lt;/i&gt;Por que raios alguém joga esse tipo de coisa fora, era a pergunta que martelava sua cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A manhã tinha sido clara, ensolarada, quente, e fria quando o vento batia. Agora, meio-dia, o maltrapilho Sócrates olhando pro sol, imaginando de que serviria sua vida se encontrada num latão de lixo, Quem me pegaria e levaria consigo. Ninguém, talvez, ou mendigo, talvez, ou criança curiosa, talvez, ou o IML. Com os fones do &lt;i&gt;Ipod&lt;/i&gt; nos ouvidos, Sócrates sente-se interiormente expandido, como se ao pressionar o &lt;i&gt;play&lt;/i&gt; abrisse portas internas infinitas que lhe tornam grande, bem maior do que supusera. Corredores embaralhantes, pensamentos viajantes e viajantes pensantes que param frente às bifurcações da mente e decidem coisas opostas. Sem saber, ele sabe demais sobre os desejos que tantas vezes bifurcam os caminhos tranquilos suavemente desenhados por aquele &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt; lobo em pele de cordeiro que brinca com a gente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje ele encontra nos lixos os tesouros que anteriormente neles jogara. Primeiro pensara que havia vivido em descarado desperdício. Hoje sabe que seu lixo era o tesouro dos outros. Meu precioso, meu &lt;i&gt;ipod, &lt;/i&gt;repetia para si, sabendo muito, mas muito pouco sobre seu tesouro mais recente. Ele sequer imagina que a &lt;i&gt;playlist &lt;/i&gt;é limitada. Ele sequer sabe o que fará quando a bateria acabar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você sabe. Sim ou não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-1389756532009357032?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/04/ipodiando-la-saramago.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-4226222146448191271</guid><pubDate>Fri, 27 Mar 2009 13:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-27T12:16:19.428-03:00</atom:updated><title>|::| Táticas de guerra</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda suada, Maria abre os olhos lentamente, quase com medo de se descobrir em outro lugar. O mundo vai ganhando forma aos poucos. Como se retornando de um transe, ela respira fundo e profundamente forte. Sente-se arrepiada, e puxa o lençol, cobrindo sua nudez; cobrindo-se dele. O pesadelo. Mais uma vez. O mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As noites de domingo para segunda-feira são sempre assim. Pelo menos desde que começou a lecionar naquela escola de educação infantil. Maria se vê nua, segurando um giz branco que escorrega enquanto ela tenta, em vão, escrever seu nome numa lousa gigante, talvez infinita. Ela percebe que está sendo encarada por milhares de alunos, de todos os tamanhos, crianças, adultos, jovens, idosos, altos, magros, gordos, baixos, loiros, morenos, pretos, pardos, vestindo roupas, uniformes, calças, saias, vestidos, bermudas, camisetas, vestindo nada. Sente-se observada pelo mundo todo, e pressionada a realizar talvez uma das mais simples tarefas do mundo: escrever seu próprio nome. Mas a lousa está escorregadia. Parece molhada. Maria tenta em vão usar o giz, que fica coberto por uma substância viscosa e vermelha. "É sangue!", é o grito que Maria solta logo antes de acordar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semanalmente Maria está lá no consultório do seu terapeuta, contando seu pesadelo, novamente, enquanto ele a olha com uma expressão que parece um misto de tédio e fome. "Nunca mais marco consulta para o meio-dia", é a única coisa que passa pela cabeça dele. "Como era seu relacionamento com seu pai?". "Doutor, já não falamos disso na semana passada?". "Sim, mas repita por favor. Olhe para estas figuras e tente lembrar-se de situações marcantes que viveu com ele". Maria não vê sentido nessa palhaçada, e só retorna porque a escola a obrigou, depois que ela passou a apresentar uma certa violência em sala de aula.  Após uma prova oral da qual vários alunos saíram com sérios distúrbios de comportamento, Maria foi chamada à direção e ameaçada de ser demitida caso não procurasse ajuda profissional. Maria se defende dizendo que o problema está na péssima educação que os alunos recebem em casa, o que exige da parte do professor um comportamento mais rígido. Segundo ela a raiz do problema é a televisão. Estranho, já que ela própria é viciada em TV. Desenvolveu até uma habilidade paranormal: é capaz de pressentir o instante exato em que um programa retorna dos comerciais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maria não entende porque as pessoas a acham tão estranha, afinal, considera-se uma ótima professora. Está sempre a par de todas as novas táticas pedagógicas. Faz uso da tecnologia para tornar suas aulas mais interessantes. Tem orkut, blog, myspace, facebook, msn e multiply. Recentemente passou a exigir que seus alunos usem o Twitter, e que façam pelo menos 10 postagens por dia, inclusive nos fins de semana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que ninguém entende é que Maria desenvolveu técnicas elaboradíssimas de contenção da poluição sonora. E tudo tem um preço, claro. "Criançada, hoje vocês preferem brincar de estátua ou de vivo ou morto?".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-4226222146448191271?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/03/taticas-de-guerra.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-7706705444898816247</guid><pubDate>Wed, 18 Mar 2009 12:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-18T10:18:25.496-03:00</atom:updated><title>|::| Sinais do fim</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem foi dia de prova oral na escola do João. A professora, que passara pelo menos os últimos sete dias treinando uma cara bem feia e, segundo alguns alunos, nem precisava ter treinado tanto, convidou todos a saírem da sala. A cada dois minutos um entrava e outro saía, seguindo uma ordem um pouco heterodoxa: do maior para o menor. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro a entrar foi o Silão. Garoto forte, destemido e temido por todos os outros. Corria o boato de que o Silão já tinha andado de metrô sozinho, e não na linha verde..., mas na linha vermelha, aquela que liga o Palmeiras ao Corinthians. Do pátio ouviu-se um grito que arrepiou a todos. "Foi o Silão gritando?!", era o comentário que começou a correr entre os alunos. Sim, foi ele mesmo. Saiu da sala correndo para o banheiro. Os alunos, que já não estavam muito tranquilos, é óbvio, já que era uma prova oral, agora estavam à beira de um ataque cardíaco fulminante. Afinal, o mais valente de todos parecia ter sido dobrado e amassado como um pedaço de papel de seda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fila foi andando, sempre do maior para o menor. Ouvia-se gritos, gemidos, ranger de dentes e trovões vindos do interior da sala. Já tinha aluno comentando que sua mãe dissera que isso era sinal do fim do mundo. "E o que ela disse pra fazer nessa situação?", alguém perguntou. "Não sei, acho que ela nunca passou por isso".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqueles que saíam da sala, permaneciam calados, provavelmente sob alguma maldição maligna dessas que se aprende nos cursos para professores. A angústia aumentava minuto a minuto, conforme iam restando apenas os mais miúdos alunos. Imagine o desespero do João, que era constantemente alvo das chacotas de seus colegas por causa do seu tamanho. Ele sabia que seria o último a ser chamado, o alvo da ira final, a vítima derradeira. Embora se julgasse preparado, por ser muito bom em conjugação de verbos, o tema da prova, João já não sabia se sobreviveria à sala. Imaginava-se entrando e vendo a língua de cada aluno pregada à parede, enquanto a professora se dirigia a ele com os olhos saltados, segurando um punhal ensaguentado na mão direita, e um garfo na esquerda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Joãoooooo!". De repente, o aluno mais miúdo tremeu ao perceber que havia chegado a sua vez. Olhou para os lados, na esperança de haver outro João na sua turma. Mas não havia. Era ele, o João. João Pequeno. João, cara de anão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respirou fundo. Segurou a maçaneta. Abriu a porta. Fechou os olhos e entrou. Sentiu uma moleza súbita. "João, você tá bem?". Era sua professora perguntando enquanto o abanava com uma folha de cartolina amarela. "Você tomou café-da-manhã, João? Ou tá caindo de maduro mesmo?". Ele olhou pra professora, levantou-se rápido, e tentou endireitar sua postura, fazendo cara de valente, embora por dentro estivesse se sentindo como um cordeiro em dia de sacrifício na Jerusalém antiga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"João, vamos à prova, tudo bem?". Não, não estava bem. Se ela demorasse um pouco mais, ele molharia as calças. "Conjugue este verbo", disse a professora enquanto apontava para uma folhinha de papel. João inspirou o máximo que pôde, e começou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Eu excomungo.  Tu excomungas.  Ele excomunga. Nós excomungamos. Vós excomungais. Eles excomungam".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-7706705444898816247?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/03/sinais-do-fim.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-2558380253991207696</guid><pubDate>Mon, 09 Mar 2009 15:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-09T13:53:13.950-03:00</atom:updated><title>|::| Contos do Paraíso</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi... bom dia! - respondi meio sem vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você ficou sabendo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Do que? - agora, muito sem vontade, e levemente irritado. Afinal, a vizinha do 1503, novamente, infringia o código da boa conduta em elevadores, que em seu primeiro parágrafo proíbe expressamente as conversas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não ficou sabendo, mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro que fiquei sabendo! Sou onisciente, lembra? Além disso também consigo mexer as orelhas enquanto bato palmas. Você consegue? - Ela me olhou com uma cara meio amarrada, mas a vontade de fofocar era tanta que engoliu o orgulho e engatou: Você não ficou sabendo da última da Júnia, do 770?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Júnia é a moradora mais famosa do Condomínio Paraíso. Não tenho certeza se já cruzei com ela no elevador, ou na garagem, já que não a conheço e, ao contrário da vizinha do 1503, sou muito bem educado: não falo com pessoas no elevador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A minha faxineira contou que ficou sabendo na última reunião da FAPOTROCA, numa conversa informal, que a Júnia está planejando uma nova morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fapotroca?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim! Faxineiras portadoras de transtorno obsessivo-compulsivo anônimas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só "ah"? Não vai dizer nada sobre a Júnia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tipo o que?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, não sei. Mas não acha estranho que ela esteja tentando de novo? Não faz nem três semanas que morreu da última vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esqueci de mencionar esse fato curioso: dizem que a Júnia já morreu mais de trinta vezes. Já se enforcou, já se afogou na piscina, já morreu dormindo, fazendo musculação, tomando banho, amassando pão, torcendo roupa, lavando a louça; já cortou os pulsos, o pescoço, a virilha; já enfiou uma faca na barriga, uma tesoura, um canivete, uma colher de pau; já teve overdose por anti-depressivos, antioxidantes, alcool, óleo de cozinha, querosene; já engasgou com moedas, com feijões mal cozidos, com sementes de abacate e até com a escova de dente. A lista é longa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai apostar dessa vez? - Perguntou a vizinha, arregalando os olhos e parecendo ainda mais assustadora do que da última vez em que tentou assustar os moradores usando uma fantasia de Bozo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim. É o que eu disse. Não vou!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas a aposta tá acumulada há sete mortes!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O síndico, que é adepto da idéia de que os canos reprimem o livre movimento das águas e, por isso, reluta em atender os pedidos desesperados dos condôminos com problemas de encanamento, também é um viciado em apostas. A aposta "como será a próxima morte da Júnia" já está em sua vigésima-nona edição. E há sete mortes ninguém acerta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não. Não vou apostar! - eu disse, enquanto sentia a primeira gota de suor a se formar em minha testa. Eu seria o cara mais feliz do mundo se o elevador fosse mais rápido. Tento não olhar para a vizinha, pra ela não pensar que quero continuar o papo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você acredita em vida após a morte?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hein? - Só falta ela me perguntar se torço pro Corinthians. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vi-da a-pós a mor-te! Já ouviu falar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah... sei. Me ligaram um dia desses oferecendo um plano especial de telefonia móvel pré-paga em que você ganha o dobro de créditos se morrer segurando o celular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes que a vizinha tivesse tempo de reagir, o elevador parou no térreo e eu saí rapidamente. Levei um susto ao ver que havia dezenas de pessoas na rua, olhando pro alto. Agucei os ouvidos e escutei: "é ela!". Ainda tive tempo de olhar pra cima, ver algo vindo em minha direção e escutar o síndico gritando "Acertei!!! Ela pulou da varanda!".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Droga! Deixei o celular carregando!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-2558380253991207696?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/03/contos-do-paraiso.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-20205419.post-4064408627271379498</guid><pubDate>Thu, 05 Mar 2009 12:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-11T19:28:15.974-03:00</atom:updated><title>|::| Autoajuda de quinta</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peço licensa pra falar um pouco. Quer me escutar?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Consciência. Consciência social. Consciência política. Consciência ecológica. Consciência moral. Consciência espiritual. Autoconsciência. Por aí vai. Consciência de si, do mundo, do espírito...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A busca por agir, pensar ou sentir com conhecimento, com ciência, tem me levado a caminhar cada vez mais no escuro. Num escuro consciente, não posso negar, mas nem por isso menos escuro. Talvez eu tenha descoberto que o autoconhecimento é a luz que me faz ver que a escuridão existe. Vejo que a confusão existe. A dúvida existe. A incerteza existe. Mas estou certo de que se é mais feliz nesse escuro consciente do que naquela escuridão não percebida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se engane. Todos estamos mergulhados na escuridão. Mas a escuridão não é necessariamente ruim. Ela é simplesmente a condição desta nossa existência. Há muitas coisas que são boas no escuro. Aceite isso. Admita.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;autoconhecer-se&lt;/span&gt; de que tanto se fala é um processo complicado de conhecer, cada vez mais e, por isso mesmo, cada vez menos a relação que existe entre o &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;interno &lt;/span&gt;e o &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;externo&lt;/span&gt;. Não sei se existe um &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;eu interior&lt;/span&gt;, assim como não sei se existe um &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;eu exterior&lt;/span&gt;. O que sei é que existe um &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;fora&lt;/span&gt; e um &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;dentro &lt;/span&gt;que estão numa constante interação que, frequentemente, é completamente desconhecida por nós. Essa falta de conhecimento, ou melhor, essa falta de ciência a respeito dessa interação nos leva a uma subutilização de nosso potencial para a vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto inconscientes do nosso potencial, o medo é inevitável e a coragem é bastante limitada. Limitamo-nos então a construir as nossas próprias prisões, cadeias e cercas. Você pensa que a sociedade o reprime? Você pensa que a sua família o oprime? Você pensa que a igreja o prende? Será?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O interessante deste meu processo de construção da consciência é que eu percebo que quanto mais me conheço, quanto mais tenho ciência de mim mesmo, mais incompreensível eu me sinto. Parece uma tremenda bobagem dizer tudo isso, mas conhecer a minha própria escuridão, que aqui não tem qualquer sentido negativo, estranhamente me conduz a ver, cada vez mais, que há muito de mim do lado de fora, assim como há muito do fora dentro de mim. E, nesse caminho, cada vez menos tenho podido culpar qualquer um, ou qualquer coisa, que não seja eu mesmo pelo jeito como experimento a existência. Em outras palavras, quanto mais me conheço, mais me reconheço no mundo e nas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebe o quanto as pessoas do mundo precisam reconhecer-se umas nas outras? Quantos conflitos seriam evitados se soubéssemos que o &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;lá fora &lt;/span&gt;e o &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;aqui dentro&lt;/span&gt; são as duas faces de uma mesma moeda que se chama &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;vida&lt;/span&gt;? A luta contra a vida é uma luta perdida, e tem consequências dolorosas. Reprimir a vida diminui a nossa capacidade de experimentá-la. Você percebe que a vida é rica, complexa e colorida? Por que lutarmos contra essa verdade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando sabe que está no escuro você aguça a sua percepção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É o que eu acho, pelo menos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_mK_EqdVlXvM/Sa_msKfrxoI/AAAAAAAAAJs/mnrhc9spJ-M/s400/ATgAAAAtzdVltcDYbgxTzuNNFZv4GmzLFHQGG4e5tm58jQnY9sXHy5iAFBDxSCUg4AL97zAH01avAMtVt6rYEXQLTwcFAJtU9VBY22sw7FrwJ6nVvDS2wn0nEvkz7w.jpg" style="text-align: center;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 322px; height: 400px; " border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309716132098983554" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://www.elengruber.com.br/"&gt;http://www.elengruber.com.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20205419-4064408627271379498?l=kelsonfernandes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://kelsonfernandes.blogspot.com/2009/03/autoajuda-de-quinta.html</link><author>noreply@blogger.com (Kelson Fernandes)</author><media:thumbnail url="http://1.bp.blogspot.com/_mK_EqdVlXvM/Sa_msKfrxoI/AAAAAAAAAJs/mnrhc9spJ-M/s72-c/ATgAAAAtzdVltcDYbgxTzuNNFZv4GmzLFHQGG4e5tm58jQnY9sXHy5iAFBDxSCUg4AL97zAH01avAMtVt6rYEXQLTwcFAJtU9VBY22sw7FrwJ6nVvDS2wn0nEvkz7w.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>3</thr:total></item><language>en-us</language><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>

