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	<title>Sincronicidade</title>
	
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	<description>Religião sob um novo olhar</description>
	<lastBuildDate>Thu, 24 May 2012 02:06:28 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Um convite à experiência do numinoso</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 01:57:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[05. Arcano V - Arquetipia]]></category>

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		<description><![CDATA[Caro amigo Desconhecido, o Arcano “O Sol”, que nos interessa aqui, é o arcano das crianças banhadas pela luz do Sol. Não se trata de encontrar coisas ocultas, mas de ver as coisas comuns e simples na luz do Sol e com um olhar de criança.
O décimo nono Arcano do Tarô, o arcano da "intuição", é o da "Ingenuidade" reveladora no ato do conhecimento, ingenuidade que torna o espírito capaz de intensidade, de olhar não perturbado pela dúvida nem pelos escrúpulos que ela gera, e capaz da visão das coisas tais como elas são à luz eternamente nova do Sol. Esse arcano ensina a arte de receber a impressão pura e simples que revela, por si mesma – sem hipóteses e superestruturas intelectuais – o que as coisas são. Tornar a impressão "numinosa" é o objetivo do Arcano “O Sol”, o Arcano da intuição.
Compreendes, assim, caro amigo Desconhecido, que, falando do amor paterno, de seus dois aspectos, da prática da novena e do rosário etc., não nos afastamos do tema do décimo nono Arcano do Tarô, bem ao contrário, uma vez que penetramos justamente em seu coração. Porque esforçamo-nos para passar da "compreensão" do que é a intuição para o seu "exercício", da meditação sobre o Arcano da intuição para o emprego desse Arcano. 
[Meditações sobre os 22 arcanos maiores do Tarô / por um autor que quis manter-se no anonimato; prefácio de Robert Spaeman; apresentação de Hans Urs von Balthasar; (tradução Benôni Lemos).  -  São Paulo: Paulus, 1989, p. 538. – (Coleção Amor e psique)]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #800080;"><a rel="attachment wp-att-4891" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/um-convite-a-experiencia-do-numinoso/arcano-19-2/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4891" title="arcano 19" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/05/arcano-191-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Caro amigo Desconhecido, o Arcano “O Sol”, que nos interessa aqui, é o arcano das crianças banhadas pela luz do Sol. Não se trata de encontrar coisas ocultas, mas de ver as coisas comuns e simples na luz do Sol e com um olhar de criança.</span></em></p>
<p><span style="color: #800080;"><em>O décimo nono Arcano do Tarô, o arcano da </em>intuição<em>, é o da </em>Ingenuidade<em> reveladora no ato do conhecimento, ingenuidade que torna o espírito capaz de intensidade, de olhar não perturbado pela dúvida nem pelos escrúpulos que ela gera, e capaz da visão das coisas tais como elas são à luz eternamente nova do Sol. Esse arcano ensina a arte de receber a impressão pura e simples que revela, por si mesma – sem hipóteses e superestruturas intelectuais – o que as coisas são. Tornar a impressão </em>numinosa<em> é o objetivo do Arcano “O Sol”, o Arcano da intuição.</em></span></p>
<p><span style="color: #800080;"><em>Compreendes, assim, caro amigo Desconhecido, que, falando do amor paterno, de seus dois aspectos, da prática da novena e do rosário etc., não nos afastamos do tema do décimo nono Arcano do Tarô, bem ao contrário, uma vez que penetramos justamente em seu coração. Porque esforçamo-nos para passar da </em>compreensão<em> do que é a intuição para o seu </em>exercício<em>, da meditação sobre o Arcano da intuição para o emprego desse Arcano.</em></span></p>
<p><span style="color: #800080;"><em>[</em><strong>Meditações sobre os 22 arcanos maiores do Tarô / por um autor que quis manter-se no anonimato</strong><em>; prefácio de Robert Spaeman; apresentação de Hans Urs von Balthasar; (tradução Benôni Lemos).  -  São Paulo: Paulus, 1989, p. 538. – (Coleção Amor e psique)]</em></span></p>

<p><a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IPwtnjxCY3Gndbjno7y-lYL7XSg/0/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IPwtnjxCY3Gndbjno7y-lYL7XSg/0/di" border="0" ismap="true"></img></a><br/>
<a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IPwtnjxCY3Gndbjno7y-lYL7XSg/1/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/IPwtnjxCY3Gndbjno7y-lYL7XSg/1/di" border="0" ismap="true"></img></a></p><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/SincronicidadeA/~4/KsfMM-2fUXg" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<title>Por que te deixas intimidar?</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 09:52:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[40. Arcano XL - O baú do escriba Artaban]]></category>

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		<description><![CDATA[“Por que te deixas intimidar?” Uma voz peculiar, há muito não ouvida, porém, nunca esquecida, ecoou na biblioteca. Ergui os olhos e vislumbrei, diante de mim, a figura de Dom Cristiano. O velho monge voltava a me visitar.  Eram pouco mais de dez horas e, na ocasião, encontrava-me absorto na leitura do Inventário das sombras. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Por que te deixas intimidar?” Uma voz peculiar, há muito não ouvida, porém, nunca esquecida, ecoou na biblioteca. Ergui os olhos e vislumbrei, diante de mim, a figura de Dom Cristiano. O velho monge voltava a me visitar.  Eram pouco mais de dez horas e, na ocasião, encontrava-me absorto na leitura do <em>Inventário das sombras</em>.</p>
<p>A aparição, entretanto, não me causou grande surpresa. Na verdade, de alguma forma eu antevira o fato. É que há mais ou menos uma semana eu vinha sentindo vontade de escutar o <em>Concerto de Aranjuez</em>. Aliás, recordo agora, estou com o CD no carro. Escutei-o quinta-feira da semana passada, e, hoje cedo, tão logo liguei o computador, senti o impulso de procurar no <em>youtube</em> alguma versão da música que já se tornou, para mim, uma espécie de anúncio das visitas de Dom Cristiano. E agora, o fato prenunciado se consumava. Ali, à minha frente, postava-se o velho Mestre, olhando-me com a ternura sempre manifestada em nossos encontros.</p>
<p>Pois bem, quando nossos olhos se encontraram, Dom Cristiano prosseguiu: “Bom dia, Vasco”. Respondi ao cumprimento: “Bom dia, Dom Cristiano”. Ato contínuo, prosseguiu o Mestre: “Por que você se deixa intimidar por tão pouco, Vasco? Você está, mais uma vez, se atrasando sem necessidade. Quetemor é este, rapaz, que o impede de ir em frente? Há passos a dar, a estrada está aí, bem à sua frente, esperando ser palmilhada”.</p>
<p>Como eu permanecesse num estado da mais completa mudez, sem manifestar qualquer atitude, ele prosseguiu: “Não tome minhas palavras como reprimenda, mas como alerta e incentivo. Vejo que você está lendo o <em>Inventário das sombras</em>. Pois aí está um bom incentivo.  Tudo está posto para a realização da Obra, por que esperar, então?”</p>
<p>“O que devo fazer, Dom Cristiano, se me sinto paralisado, sem conseguir avançar?”, indaguei. “Quero que inicies hoje um ritual diário, que deverás realizar ao longo dos próximos 21 dias. Deverás iniciá-lo esta noite. Começarás pela leitura de dois textos que te indicarei agora. Quero que leias o Capítulo XVIIII de <em>Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô</em> e, a seguir, as páginas 283 a 289 do livro da Dra. Irene Grad, <em>Tarô e Individuação: Correspondências com a cabala e a alquimia</em>, em que a autora trata do <em>Arcano XIX</em>, <em>O Sol</em>. Depois de feitas estas leituras, inicie o ritual, seguindo o seguinte roteiro”. Dom Cristiano passou a descrever os passos que eu deveria seguir na realização do ritual.</p>
<p>Ao se despedir, alguns minutos depois, prometeu que retornaria ao cabo de 21 dias, quando da conclusão do itinerário por ele traçado para mim, ou, antes, caso isso se fizesse necessário.</p>
<p>A visita de Dom Cristiano me precipitou em tal estado de euforia, que nem consegui esperar chegar a noite para iniciar as leituras recomendadas. Buscando os livros na estante, me lancei à leitura dos textos sugeridos. À noite, cumprirei o ritual prescrito pelo Mestre.</p>
<p>[PS: Este texto tinha sido originalmente postado na segunda-feira, dia 14/05. À noite, por motivos que não gostaria de mencionar aqui, resolvi excluí-lo. Motivos maiores, porém, me levaram, há pouco, a decidir publicá-lo novamente, o que faço agora.]</p>

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		<title>Não há nó que Maria não desate</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Apr 2012 20:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[13. Arcano XIII - De Maria nunquam satis]]></category>

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		<description><![CDATA[Impactante! Eu não parecia estar neste mundo. A cena que vivi naquele momento me paralisou. Eu estava em pé diante Dela, imóvel, fitando a mais bela e formosa de todas as mulheres. Não tinha nada a dizer, porque estava fascinado por Ela, pela fita que Ela tinha nas mãos e a mensagem ali revelada. O que significaria aquela fita? Pedi explicações a uma pessoa ao meu lado, que me respondeu: “A fita é a sua vida, que tem nós, e a Virgem Mãe está mostrando que pode desatá-los!”
Denis Bourgerie
[Bourgerie, Suzel e Bourgerie, Denis.  A ponderosa Nossa Senhora Desatadora dos Nós. 1ª. ed. – Campinas, SP: Verus, 2011, p. 9.]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #000080;"><a rel="attachment wp-att-4869" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/nao-ha-no-que-maria-nao-desate/a_poderosa_nossa_senhora_desatadora_dos_nos_ard-2/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4869" title="a_poderosa_nossa_senhora_desatadora_dos_nos_(ar)d" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/a_poderosa_nossa_senhora_desatadora_dos_nos_ard1-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Impactante! Eu não parecia estar neste mundo. A cena que vivi naquele momento me paralisou. Eu estava em pé diante Dela, imóvel, fitando a mais bela e formosa de todas as mulheres. Não tinha nada a dizer, porque estava fascinado por Ela, pela fita que Ela tinha nas mãos e a mensagem ali revelada. O que significaria aquela fita? Pedi explicações a uma pessoa ao meu lado, que me respondeu: “A fita é a sua vida, que tem nós, e a Virgem Mãe está mostrando que pode desatá-los!”</span></em></p>
<p><em><span style="color: #000080;">Denis Bourgerie</span></em></p>
<p><em><span style="color: #000080;">[Bourgerie, Suzel e Bourgerie, Denis.  A ponderosa Nossa Senhora Desatadora dos Nós. 1ª. ed. – Campinas, SP: Verus, 2011, p. 9.]</span></em></p>

<p><a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Ne9hgyag7KpaMdP_xANw8gllmlQ/0/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Ne9hgyag7KpaMdP_xANw8gllmlQ/0/di" border="0" ismap="true"></img></a><br/>
<a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Ne9hgyag7KpaMdP_xANw8gllmlQ/1/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/Ne9hgyag7KpaMdP_xANw8gllmlQ/1/di" border="0" ismap="true"></img></a></p><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/SincronicidadeA/~4/XGhypy-LwPg" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Salve, São Jorge, o Grande!</title>
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		<comments>http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/salve-sao-jorge-o-grande/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 23 Apr 2012 14:18:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[20. Arcano XX - Conversa de Hagiólogo]]></category>
		<category><![CDATA[28. Arcano XXVIII - O nada que é tudo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/?p=4858</guid>
		<description><![CDATA[Jorge [Georgious] vem de geos, que quer dizer “terra”, e de orge, “cultivar”, de forma que o nome significa “cultivando a terra”, isto é, sua carne. No seu livro Sobre a Trindade, Agostinho afirma que a boa terra pode estar tanto no alto das montanhas como nas encostas temperadas das colinas ou nas planícies. O primeiro tipo convém ao pasto, o segundo às vinhas, o terceiro aos cereais. De forma semelhante, o beato Jorge foi como a terra temperada devido à descrição do vinho da eterna alegria, foi como a terra plana pela humildade que produz frutos de boas obras. Jorge também pode vir de gerar, “sagrado”, e de gyon, “areia”, significando portanto “areia sagrada”. De fato, da mesma forma que a areia, Jorge foi pesado pela gravidade dos costumes, miúdo por sua humildade, seco pela isenção de volúpia carnal. O nome pode ainda derivar de gerar, “sagrado”, e gyon, “luta”, significando “lutador sagrado” porque lutou contra o dragão e contra o carrasco. Jorge ainda pode resultar de gero, que quer dizer “peregrino”, de gir, “cortado”, e de ys, “conselheiro”, porque foi peregrino em seu desprezo pelo mundo, cortado em seu martírio e conselheiro na prédica do reino de Deus.
Jacopo de Varazze
[de Varazze, Jacopo, Arcebispo de Gênova, ca., 1229-1298. Legenda áurea: vidas de santos. Tradução do latim, apresentação, notas e seleção iconográfica Hilário Franco Júnior. – São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 365.]  
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800080;"><em><a rel="attachment wp-att-4859" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/salve-sao-jorge-o-grande/salve-sao-jorge_00/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4859" title="Salve, São Jorge!_00" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/Salve-São-Jorge_00-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Jorge [Georgious] vem de </em>geos<em>, que quer dizer “terra”, e de </em>orge<em>, “cultivar”, de forma que o nome significa “cultivando a terra”, isto é, sua carne. No seu livro </em>Sobre a Trindade<em>, Agostinho afirma que a boa terra pode estar tanto no alto das montanhas como nas encostas temperadas das colinas ou nas planícies. O primeiro tipo convém ao pasto, o segundo às vinhas, o terceiro aos cereais. De forma semelhante, o beato Jorge foi como a terra alta por desprezar as coisas baixas e exaltar as puras, foi como a terra temperada devido à descrição do vinho da eterna alegria, foi como a terra plana pela humildade que produz frutos de boas obras. Jorge também pode vir de </em>gerar<em>, “sagrado”, e de </em>gyon<em>, “areia”, significando portanto “areia sagrada”. De fato, da mesma forma que a areia, Jorge foi pesado pela gravidade dos costumes, miúdo por sua humildade, seco pela isenção de volúpia carnal. O nome pode ainda derivar de </em>gerar<em>, “sagrado”, e </em>gyon<em>, “luta”, significando “lutador sagrado” porque lutou contra o dragão e contra o carrasco. Jorge ainda pode resultar de </em>gero<em>, que quer dizer “peregrino”, de </em>gir<em>, “cortado”, e de </em>ys<em>, “conselheiro”, porque foi peregrino em seu desprezo pelo mundo, cortado em seu martírio e conselheiro na prédica do reino de Deus.</em></span></p>
<p><span style="color: #800080;"><em>Jacopo de Varazze</em></span></p>
<p><span style="color: #800080;"><em>[de Varazze, Jacopo, Arcebispo de Gênova, ca., 1229-1298. Legenda áurea: vidas de santos. Tradução do latim, apresentação, notas e seleção iconográfica Hilário Franco Júnior. – São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 365.]</em></span></p>
<p>A Hagiologia é um dos capítulos mais fascinantes da história do Cristianismo. Na narrativa da vida dos santos, muitas vezes fica difícil separar o mito dos fatos. Se essa premissa é válida para a maioria das biografias dos santos, ela se aplica tanto mais à <em>Legenda Áurea</em>, a clássica e monumental obra de Jocopo de Varazze. Essa constatação, entretanto, em nada diminui para mim o valor e a beleza da narrativa. Aliás, a <em>Legenda Áurea </em>é uma das minhas leituras prediletas. Frequentemente tenho retornado às suas páginas, desde que a adquiri há quase dez anos, em julho de 2003.</p>
<p>Pois bem, esse inevitável apelo ao mito é o que se observa ao ler o relato que o autor faz da vida de São Jorge. Esse é, seguramente, um dos santos mais controvertidos da Igreja Católica. De acordo com a tradição, Jorge teria sido tribuno, nascido na Capadócia, região da Ásia Menor, situada a oeste da Armênia. O próprio Jacoppo de Varazze fala da celeuma em torno da origem do Santo:</p>
<p><em>Sua legenda foi considerada apócrifa pelo concílio de Niceia devido às discrepâncias entre os relatos. O calendário de BEDA diz que ele foi martirizado na cidade persa de Diáspolis, outrora chamda Lida, e situada perto de Jope. Outras versões dizem que ele sofreu o martírio sob os imperadores Diocleciano e Maximiano. Outro autor afirma que foi na época do imperardor persa Diocleciano e na presença de oitenta reis. Outros, ainda, pretendem que foi sob o governador Daciano, no tempo de Diocleciano e Maximiano</em> (p. 365).</p>
<p>Conta o autor que São Jorge foi certa vez a Silena, cidade da província da Líbia. Ali havia um grande lago onde se escondia <em>um pestífero e enorme dragão,</em> que só com o fedor do seu hálito matava muita gente. Para calmar sua fúria, começaram por oferecer-lhe diariamente duas ovelhas. Quando essas escassearam, passaram a oferecer uma ovelha e um rapaz ou uma moça, escolhidos por sorteio.</p>
<p>Chega um momento em que não mais havia moças ou rapazes para oferecer em sacrifício. Como restasse apenas a filha do rei, este, sem alternativa, teve que oferecê-la para ser sacrificada pelo dragão. É aí que aparece Jorge, o cavaleiro que, munido de uma espada e do sinal da cruz, mata a fera para poupar a vida da moça. Conta Varazze que, como recompensa, o rei ofereceu a Jorge grande quantia de dinheiro. Este, porém, recusou, pedindo que o dinheiro fosse doado aos pobres.</p>
<p>Acho fascinante o mito de São Jorge. A epopeia do cavaleiro que, em nome de Cristo, mata o dragão para resgatar uma moça, é cheia de significados simbólicos. O apelo do mito é tão forte que acabou por se impor no imaginário cristão, tornando-se fonte de<a rel="attachment wp-att-4862" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/salve-sao-jorge-o-grande/salve-sao-jorge_01-3/"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-4862" title="Salve, São Jorge!_01" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/Salve-São-Jorge_012-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>inspiração para outras tantas narrativas e obras de arte. Inúmeros pintores dedicaram pelo menos um de seus trabalhos à representação de São Jorge matando o dragão.</p>
<p>O fato é que, talvez, em última instância, seja este um dos grandes anseios humanos: domar as feras que habitam nossa caverna interior, que, numa perspectiva simbólica, estão condensadas, no mito de São Jorge, na figura ameaçadora e pestilenta do dragão. Nesse 23 de abril, em que se reverencia a memória do santo, só nos resta exclamar:</p>
<p>Salve, São Jorge! Ajude-nos a domar nossos dragões, para que possamos, senão eliminá-los – o que talvez nem seja exatamente o mais recomendável -, pelo menos aprender a conviver pacificamente com eles.</p>

<p><a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n-_kZ6ZgdH79HaLCQBrCE8pHhjU/0/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n-_kZ6ZgdH79HaLCQBrCE8pHhjU/0/di" border="0" ismap="true"></img></a><br/>
<a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n-_kZ6ZgdH79HaLCQBrCE8pHhjU/1/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/n-_kZ6ZgdH79HaLCQBrCE8pHhjU/1/di" border="0" ismap="true"></img></a></p><img src="http://feeds.feedburner.com/~r/SincronicidadeA/~4/K1q7sac1yZY" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 15:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[01. Arcano I - Hoje é domingo, dia do Senhor]]></category>

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		<description><![CDATA[É evidente que o Senhor aceitou e assumiu as paixões naturais com o fim de consolidar a fé em uma encarnação verdadeira e não imaginária. Ao contrário, as paixões que existem em consequência do pecado e corrompem a integridade de nossa vida, ele as repudiou como indignas de sua divindade imaculada. Por isso o apóstolo Paulo escreveu que Cristo nasceu “na semelhança” de uma carne de pecado, e não em uma carne de pecado.
São Basílil, Epist. 261
[Citado em: Sgarbossa, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais. Tradução Armando Braio Ara. – São Paulo: Paulinas, 2003, p. 234.] 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #ff0000;"><a rel="attachment wp-att-4847" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/entao-lhes-perguntou-%e2%80%9ce-vos-quem-dizeis-que-eu-sou%e2%80%9d-mt-1615-24/jesusb1-10/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4847" title="JESUSB~1" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/JESUSB11-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>É evidente que o Senhor aceitou e assumiu as paixões naturais com o fim de consolidar a fé em uma encarnação verdadeira e não imaginária. Ao contrário, as paixões que existem em consequência do pecado e corrompem a integridade de nossa vida, ele as repudiou como indignas de sua divindade imaculada. Por isso o apóstolo Paulo escreveu que Cristo nasceu “na semelhança” de uma carne de pecado, e não em uma carne de pecado.</span></em></p>
<p><em><span style="color: #ff0000;">São Basílil, Epist. 261</span></em></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><em>[Citado em: </em><strong>Sgarbossa, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais</strong><em>. Tradução Armando Braio Ara. – São Paulo: Paulinas, 2003, p. 234.]</em></span></p>

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		<title>Devoção a Nossa Senhora</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 01:20:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[13. Arcano XIII - De Maria nunquam satis]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/?p=4844</guid>
		<description><![CDATA[Puesto que la devoción singular a la Virgen Madre de Cristo es la señal de los verdadeiros fieles, la contraseña de los soldados de Cristo, atendamos a no ser fríos o tíbios em una devoción tan grata al Señor; pues hombres fervorosos y ardientes quiere Él, que vino a este mundo para encender fuego y no quiere sino que arda (cf. Lc 12,49). ¡Que arda perpetuamente ante Dios em el altar de nuestro corazón este fuego celestial, y seremos dichosos! Porque María nos librará de todo mal y, acogiendo nuestras súplicas com afecto materno, como patrona potentíssima y fidelíssima, protegerá y conservará incólumes a sus devotos, y los enriquecerá colmándolos de celestes tesoros. 
San Lorenzo de Brindis
[San Lorenzo de Brindis. Marial: Maria de Nazaret, “Virgen de la Plenitud”. Traducción del latín por Agustín Guzmán Sancho y Bernardino de Armellada; Introducción, notas e revisión por Bernardino de Armellada. Madri, Espanha: Biblioteca de Autores Cristianos, 2004, p. 178.]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #000080;"><a rel="attachment wp-att-4851" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/devocao-a-nossa-senhor/nossa-senhora-aparecida/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4851" title="Nossa Senhora Aparecida" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/Nossa-Senhora-Aparecida-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Puesto que la devoción singular a la Virgen Madre de Cristo es la señal de los verdadeiros fieles, la contraseña de los soldados de Cristo, atendamos a no ser fríos o tíbios em una devoción tan grata al Señor; pues hombres fervorosos y ardientes quiere Él, que vino a este mundo para encender fuego y no quiere sino que arda (cf. Lc 12,49). ¡Que arda perpetuamente ante Dios em el altar de nuestro corazón este fuego celestial, y seremos dichosos! Porque María nos librará de todo mal y, acogiendo nuestras súplicas com afecto materno, como patrona potentíssima y fidelíssima, protegerá y conservará incólumes a sus devotos, y los enriquecerá colmándolos de celestes tesoros.</span></em></p>
<p><em><span style="color: #000080;">San Lorenzo de Brindis</span></em></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>[</em><strong>San Lorenzo de Brindis. Marial: Maria de Nazaret, “Virgen de la Plenitud”</strong><em>. Traducción del latín por Agustín Guzmán Snacho y Bernardino de Armellada; Introducción, notas e revisión por Bernardino de Armellada. Madri, Espanha: Biblioteca de Autores Cristianos, 2004, p. 178.]</em></span></p>

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		<item>
		<title>G.H. vinte e cinco anos depois</title>
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		<comments>http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/g-h-vinte-e-cinco-anos-depois/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 13:10:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[23. Arcano XXIII - Clariceanas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/?p=4839</guid>
		<description><![CDATA[Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente – atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar. Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro nada tira de ninguém. A mim, por exemplo, o personagem G.H. foi dando pouco a pouco uma alegria difícil; mas chama-se alegria.
Clarice Lispector
[Lispector, Clarice. A paixão segundo G.H.: romance. – Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p. 5.]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #800080;"><a rel="attachment wp-att-4840" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/g-h-vinte-e-cinco-anos-depois/clarice-lispector/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4840" title="Clarice Lispector" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/Clarice-Lispector-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente – atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar. Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro nada tira de ninguém. A mim, por exemplo, o personagem G.H. foi dando pouco a pouco uma alegria difícil; mas chama-se alegria.</span></em></p>
<p><em><span style="color: #800080;">Clarice Lispector</span></em></p>
<p><span style="color: #800080;"><em>[</em><strong>Lispector, Clarice. A paixão segundo G.H.: romance.</strong><em> – Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p. 5.]</em></span></p>
<p>Li A Paixão segundo G.H. em 1987, há vinte e cinco anos, portanto. Foi uma leitura avassaladora. Foi uma descoberta, uma descoberta de amplas e incalculáveis proporções. Para falar dos efeitos da leitura de Clarice Lispector na minha vida, no meu ser, em tudo que sou, não posso me permitir ser parcimonioso no uso das palavras; tenho que usar, necessariamente, expressões que deem pelo menos uma ideia do que eu gostaria de expressar. É por isso que digo uma descoberta de amplas e incalculáveis proporções, porque foi assim, de fato.</p>
<p>Há autores que me provocaram inquietantes reflexões e deixaram em mim marcas indeléveis, como Nietzsche e Cioran. Nenhum outro autor, porém, antes ou depois &#8211; nem mesmo esses dois -, tiveram o condão de me proporcionar um mergulho em dimensões tão profundas e inexploradas quanto Clarice Lispector. Ela é única!</p>
<p>Pois bem, me entreguei de corpo e alma à leitura da obra da autora. Cada livro concluído, eu imediatamente adquiria outro e me lançava a ele sem demora. Lembro que, na época, estava estagiando no SOEVOC, que ficava próximo à Praça do Carmo, no centro de Fortaleza. No intervalo do almoço – eu almoçava em um restaurante ali perto -, eu ficava na Praça lendo Clarice Lispector até o início do expediente. Eu não largava a leitura.</p>
<p>Alguns livros li mais de uma vez, como <em>A maçã no escuro</em>, <em>Água Viva</em> e o mencionado <em>A paixão segundo G.H.</em> Passei ainda muito tempo relendo trechos. Em 1987, durante uma reunião em que deveríamos escolher como seria o nosso convite de formatura, foi sugerido que alguém propusesse uma frase para figurar na primeira página. Propus uma frase da Clarice Lispector, claro: <em>A loucura é vizinha da mais cruel sensatez</em>.</p>
<p>Imediatamente, uma colega, a Eliana Olinda, disse que também queria propor uma frase e as duas seriam postas em votação. Quando ela proferiu a frase, no ato retirei a minha proposta e disse: fico com a dela. Todos concordaram e ela foi impressa no convite. Nem precisa dizer que era, também, uma frase da mesma autora, que se encontra na página 20 de <em>Água viva</em>:</p>
<p><em>Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não, quero é uma verdade inventada</em>.</p>
<p>Agora, vinte e cinco anos depois, decidi reler a obra completa de Clarice Lispector. E comecei hoje por <em>A paixão segundo G.H.</em> Na primeira página do livro ela escreveu algo que pode ser tomado como uma espécie de advertência, sugerindo que gostaria que aquele livro fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Bem, quando o li pela primeira vez, eu tinha, então, vinte e seis anos incompletos. Não sei se eu já tinha uma alma formada. Hoje, com quase o dobro da idade, continuo sem saber se minha alma já se formou – desconfio que não. Mesmo assim, iniciei a leitura. Quero ver que sensações experimentarei em face de um novo contato com as elucubrações clariceanas, tanto tempo depois.</p>
<p>Um detalhe: adquiri sábado um novo exemplar de <em>A paixão segundo G.H.</em> para a leitura que hoje inicio. Não quero ter qualquer contato com a edição que li há vinte e cinco anos, pois está toda grifada e cheia de observações e reflexões às margens das páginas. Não quero me deixar contaminar pelo que vivi e senti quando da primeira leitura da obra. Pretendo fazer o mesmo com todo o restante da obra.</p>

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		<item>
		<title>Um fim de semana em companhia de Drina e Bento</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/SincronicidadeA/~3/yy7KLUgCxng/</link>
		<comments>http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/um-fim-de-semana-em-companhia-de-drina-e-bento/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 12:31:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[03. Arcano III - Digressões de um bibliófilo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/?p=4829</guid>
		<description><![CDATA[Acho realmente que a arte nos escolhe, conforme a nossa personalidade. Escolhi a literatura para expressar-me e ela, por sua vez, também me escolheu; das artes, a que menos precisa de plateia, porque encontra seu objetivo quando um leitor a lê. O próprio escritor se insere na narrativa como mais um personagem e é impressionante a capacidade de deslocamento que ele tem para versar sobre outras realidades; muitas vezes, transportando-se para situações, épocas ou lugares que não conheceu de fato e descrevê-los com propriedade. Eu mesma, num de meus livros, vivi a maternidade com uma intensidade tal que me pareceu real, uma experiência que a Providência me negou, mas que a literatura me possibilitou. É a força da palavra literária e a forma como o escritor a usa, que torna esta mágica possível, permitindo que a literatura sobreponha-se à experiência de vida. 
Íris Cavalcante, pela boca de Drina, personagem de O Sobrevivente
[Cavalcante, Íris. O Sobrevivente. – Fortaleza: Expressão Gráfica, 2010, p. 43.]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #800080"><a rel="attachment wp-att-4830" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/um-fim-de-semana-em-companhia-de-drina-e-bento/o-sobrevivente/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4830" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/O-Sobrevivente-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Acho realmente que a arte nos escolhe, conforme a nossa personalidade. Escolhi a literatura para expressar-me e ela, por sua vez, também me escolheu; das artes, a que menos precisa de plateia, porque encontra seu objetivo quando um leitor a lê. O próprio escritor se insere na narrativa como mais um personagem e é impressionante a capacidade de deslocamento que ele tem para versar sobre outras realidades; muitas vezes, transportando-se para situações, épocas ou lugares que não conheceu de fato e descrevê-los com propriedade. Eu mesma, num de meus livros, vivi a maternidade com uma intensidade tal que me pareceu real, uma experiência que a Providência me negou, mas que a literatura me possibilitou. É a força da palavra literária e a forma como o escritor a usa, que torna esta mágica possível, permitindo que a literatura sobreponha-se à experiência de vida.</span></em></p>
<p><em><span style="color: #800080">Íris Cavalcante, pela boca de Drina, personagem de O Sobrevivente</span></em></p>
<p><span style="color: #800080"><em>[</em><strong>Cavalcante, Íris. O Sobrevivente</strong><em>. – Fortaleza: Expressão Gráfica, 2010, p. 43.]</em></span></p>
<p>Sábado pela manhã liguei par a livraria Cultura a fim de me informar sobre a disponibilidade de um livro que almejava adquirir. Como a informação da vendedora foi que dispunham do mesmo para aquisição, pedi que me reservassem um exemplar. Por volta das onze horas, depois de pegar minha encomenda no balcão de reservas, sentei-me a uma mesa do café e, ali mesmo na livraria, iniciei minha exploração do volume recém-adquirido. Em pouco tempo já me sentia confortável em companhia de Drina, a personagem autora, e de seu irmão Bento, o herói de uma epopeia da qual eu começava a participar na condição de leitor.</p>
<p>No dia seguinte, domingo, às 23 horas, eu entrava na cozinha de meu apartamento e falava pra Naza:  “Realizei uma façanha que há tempos eu não conseguia: acabo de concluir a leitura de um livro de 214 páginas iniciada ontem na livraria Cultura”. De fato, perdi um pouco meu pique de leitura e, de uns tempos pra cá, tem sido difícil me dedicar ininterruptamente a um único livro até concluí-lo, coisa que eu fazia antes sem o menor esforço. A leitura do livro adquirido no sábado, porém, me proporcionou essa oportunidade.</p>
<p>Narrado na primeira pessoa, <em>O Sobrevivente</em>, livro de autoria de Íris Cavalcante, tem como cenário a cidade de Baturité, mas também Fortaleza, Israel e o Rio de Janeiro. O romance tem como personagens principais Maria Alexandrina de Sá Albuquerque, tratada por Drina pelos familiares e amigos, e seu irmão adotivo, Bento de Albuquerque.</p>
<p>Uma das peculiaridades do romance está em que Drina, na condição de escritora, ao longo da narrativa vai entremeando algumas interessantes reflexões sobre o próprio ato da escrita, como quando afirma:</p>
<p><em>Estas angústias, incertezas e expectativas, sempre estiveram implícitas em minha obra, na composição de meus personagens e no dorso da narrativa. Toda obra de ficção traz inevitavelmente o perfil psicológico e a experiência de vida de seu autor. Cheguei a esta conclusão após muitos anos de literatura, lendo grandes obras e grandes autores que me fizeram montar o alicerce que me transformaria num deles. Cada escritor traz em si uma originalidade e estilo próprios. Embora alguns digam a mesma coisa, cada um a diz de forma diferente</em> (p. 46).</p>
<p>Num outro trecho, ao se referir às dificuldades enfrentadas por ocasião da revisão gramatical de seus livros &#8211; que ela própria prefere fazer, ao invés de delegar a tarefa a um revisor -, credita tais dificuldades à <em>tirania dos tempos e concordâncias verbais da língua portuguesa</em> (p. 135).</p>
<p>Paralelo a questões de cunho existencial, presentes no romance, nota-se na autora o interesse em fazer também uma crítica de cunho social. Talvez quanto a esse aspecto, a figura mais emblemática seja o próprio Bento Albuquerque, nascido no sertão nordestino. Bento fica órfão ainda na infância, ao ser abandonado pela mãe que, não suportando tanta miséria, larga o filho e se manda não se sabe pra onde. Ao narrar o episódio do seu encontro com Bento, Drica traz a lume um dos adágios a que seu pai sempre recorria em momentos os mais diversos &#8211; os maravilhosos adágios tão comuns no sertão nordestino, e que se farão presentes no romance do começo ao fim: <em>Em terra sem vianda, a fome é quem manda!</em></p>
<p>A propósito da temática social presente no romance <em>O Sobrevivente</em>, penso que não se pode considerar mera coincidência a localização da casa onde a narrativa se inicia. Diz a autora:  <em>A frente era voltada para a rua 7 de setembro</em> e <em>a entrada dos fundos para a rua 15 de novembro</em> (p. 21). Levanto a hipótese de que essa localização &#8211; que remete a dois importantes momentos históricos e, por que não dizer, fundadores do nosso país -, aparece aí como metáfora, como se uma parte da própria nação brasileira, o nordeste, estivesse simbolizado naquela casa do interior cearense.</p>
<p>Bento, como personagem principal, é a figura mais representativa de toda essa situação em que boa parte dos nordestinos ainda se vê imersa. Ele nem mesmo registrado era, como se oficialmente não existisse, a exemplo de tantos outros Bentos espalhados pelos rincões do nordeste: “Bento não fora registrado antes, ele não era uma estatística oficial até então” (p. 23).</p>
<p>Em que pese, porém, a sorte adversa e os reveses que terá que enfrentar ao longo da vida, há  uma força maior que não deixa Bento perecer. E aqui encontramos outro aspecto marcante de <em>O Sobrevivente</em>: as referências à fé, à oração, a Deus, enfim, salpicadas ao longo da narrativa, expressão de uma das características basilares da nossa nordestinidade: o misticismo  religioso. É, provavelmente, o que leva Drica, a personagem autora, a dizer:</p>
<p><em>Deus não desistiu de Bento. Contrariando todos os pressupostos, Deus não desistiu dele, que por sua vez, agarrou-se com unhas e <a rel="attachment wp-att-4835" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/um-fim-de-semana-em-companhia-de-drina-e-bento/i%c2%b4ris-cavlcante-3/"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-4835" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/I´ris-Cavlcante2-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>dentes a cada nova chance que a vida lhe proporcionava</em> (p.21).</p>
<p>Íris Cavalcante, a autora de <em>O Sobrevivente</em>, é poetisa e romancista cearense, tendo publicado antes os livros: <em>Palavras e Poesias</em>,em 2003, e <em>O Caminho das Letras</em>, em 2006.</p>
<p><em>O Sobrevivente</em>, livro que li com encanto e interesse da primeira à última página, tem muitos outros aspectos que poderiam e mereceriam ser destacados e analisados, como, por exemplo, o desfecho, que, ao final, toma o leitor de surpresa. Mas não sou crítico literário, a quem cabe descer a uma maior profundidade na apreciação da obra. O que escrevi aqui são apenas observações e reflexões de um leitor comum, apaixonado por livros e leitura.</p>

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		<item>
		<title>Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Apr 2012 14:15:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[01. Arcano I - Hoje é domingo, dia do Senhor]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/?p=4823</guid>
		<description><![CDATA[E agora, depois do batismo, estou sujo. A trave está ainda fincada no olho, o espinho no corpo, o anjo de Satã bate-me o rosto (e patrulha-me de modo psicossomático em todo o lugar, todo cheio de si). Ter escapado das tentações é uma ilusão orgulhosa, tonta. Não levara em consideração II, Cor. 12,7. Mas, que Cristo é a Verdade, o Caminho e a Vida creio de uma maneira absolutamente festiva. Nicolae Steinhardt [Steinhardt, N. O Diário da Felicidade. – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #ff0000"><a rel="attachment wp-att-4824" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/entao-lhes-perguntou-%e2%80%9ce-vos-quem-dizeis-que-eu-sou%e2%80%9d-mt-1615-19/jesusb1-9/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4824" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/04/JESUSB1-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>E agora, depois do batismo, estou sujo. A trave está ainda fincada no olho, o espinho no corpo, o anjo de Satã bate-me o rosto (e patrulha-me de modo psicossomático em todo o lugar, todo cheio de si). Ter escapado das tentações é uma ilusão orgulhosa, tonta. Não levara em consideração II, Cor. 12,7. Mas, que Cristo é a Verdade, o Caminho e a Vida creio de uma maneira absolutamente festiva.</span></em></p>
<p><em><span style="color: #ff0000">Nicolae Steinhardt</span></em></p>
<p><span style="color: #ff0000"><em>[</em><strong>Steinhardt, N. O Diário da Felicidade</strong><em>. – Tradução e revisão de Elpídio Mário Dantas Fonseca; revisão do texto romeno de Cristina Nicoleta Manescu. São Paulo: É Realizações Editora, Livraria e Distribuidora Ltda., 2009, p. 106.]</em></span></p>

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		<title>Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 11:20:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Arruda</dc:creator>
				<category><![CDATA[01. Arcano I - Hoje é domingo, dia do Senhor]]></category>

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		<description><![CDATA[O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida – porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e dela vos damos testemunho e vos anunciamos esta Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu – o que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.
Primeira epístola de João, 1,1-4
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #ff0000"><a rel="attachment wp-att-4818" href="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/entao-lhes-perguntou-%e2%80%9ce-vos-quem-dizeis-que-eu-sou%e2%80%9d-mt-1615-23/jesusb1-8/"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-4818" src="http://blog.opovo.com.br/sincronicidade/files/2012/03/JESUSB13-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida – porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e dela vos damos testemunho e vos anunciamos esta Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu – o que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.</span></em></p>
<p><em><span style="color: #ff0000">Primeira epístola de João 1,1-4</span></em></p>

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