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	<title>Soy loco por ti, América Latina!</title>
	
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	<description>Informações sobre política, história e cultura da América Latina</description>
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		<title>Evento convida jovens latino-americanos a exercitarem sua criatividade</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2011 10:16:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Chile]]></category>

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		<description><![CDATA[O programa Latinoamérica Creativa: Pichilemu 2012 busca proporcionar um ambiente de discussão sobre o papel da criatividade como ferramenta para o desenvolvimento de nossas nações. Por meio da realização de atividades enfocadas no estímulo à criatividade, 45 jovens universitários latino-americanos compartilharão suas experiências e conhecimentos por duas semanas num acampamento na bonita cidade chilena de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: left; margin-right: 10px;">
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<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/10/lacreativa1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1623" title="lacreativa" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/10/lacreativa1-300x203.jpg" alt="" width="300" height="203" /></a>O programa Latinoamérica Creativa: Pichilemu 2012 busca proporcionar um ambiente de discussão sobre o papel da criatividade como ferramenta para o desenvolvimento de nossas nações. Por meio da realização de atividades enfocadas no estímulo à criatividade, 45 jovens universitários latino-americanos compartilharão suas experiências e conhecimentos por duas semanas num acampamento na bonita cidade chilena de Pichilemu.</p>
<p>As candidaturas já estão abertas&#8230; Não fique fora dessa!</p>
<p>Baixe o formulário de candidatura no link: <a href="http://latcreativa.org/pichilemu-2012.html">http://latcreativa.org/pichilemu-2012.html</a></p>
<p>Pichilemu 2012 te espera!</p>
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<a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/3POVHaJWAwHcOz02DtRW76IMXLw/1/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/3POVHaJWAwHcOz02DtRW76IMXLw/1/di" border="0" ismap="true"></img></a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Uma visita a Augusto Roa Bastos (1917-2005)</title>
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		<comments>http://soylocoporti.com/?p=1598#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 23:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Um país que pouco abordamos neste blog: Paraguai. Um tema que anda meio deixado de lado aqui: literatura. Juntando os dois é impossível não mencionar Augusto Roa Bastos e seu clássico livro &#8220;Eu O Supremo&#8221;. A seguir publicamos o artigo do professor Francisco Grijó publicado no seu excelente blog Ipsis Litteris: Augusto Roa Bastos é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: left; margin-right: 10px;">
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<p style="text-align: justify;"><em>Um país que pouco abordamos neste blog: <span style="color: #ff0000;">Paraguai</span>. Um tema que anda meio deixado de lado aqui: <span style="color: #0000ff;">literatura</span>. Juntando os dois é impossível não mencionar <strong>Augusto Roa Bastos</strong> e seu clássico livro <strong>&#8220;Eu O Supremo&#8221;. </strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A seguir publicamos o artigo do professor Francisco Grijó publicado no seu excelente blog <a href="http://ipsislitteris.opsblog.org/">Ipsis Litteris</a>:</em></p>
<p style="text-align: justify;">Augusto Roa Bastos é o mais importante escritor de um país que não gerou grandes escritores: o Paraguai. Qualquer um diria – e me incluo na lista – que é fácil destacar-se entre canhestros contadores de histórias e poetas sem expressão. Esse é um conceito irresponsável, mas que se encontra em qualquer esquina habitada por aqueles que se dizem leitores. Pois fosse Augusto Roa Bastos argentino, francês, norte-americano ou britânico, ele brilharia intensamente entre os maiorais, e manteria firme a pena forte, capaz de parágrafos de imagens densas e vocabulário caudaloso, que buscava a todo custo aquilo que muitos autoproclamados grandes autores deixaram de lado: a verossimilhança. Augusto Roa Bastos é um autor em busca do real.</p>
<p> <span id="more-1598"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O único livro de sua autoria que li até hoje foi Eu O Supremo. Nem sei se me sinto autorizado a escrever sobre Roa Bastos. Um livro talvez não possa justificar sua dimensão. Talvez, repito, porque este tal livro é um monumento do quilate de Jogo da Amarelinha, de Cortázar, de Conversa na Catedral, de Vargas-Llosa, ou de Grande Sertão: Veredas, de Rosa. E quando falo monumento – e cito esses três livros que me vêm, de imediato, à cabeça -, refiro-me à combinação magistralmente bem arquitetada de história e linguagem. Eu O Supremo é, além de obra-prima, a autobiografia de José Gaspar Rodríguez de Francia, um ditador de origem brasileira que, ao contrário da maioria dos tiranos, preocupou-se com seu povo, concedendo terras aos camponeses e alfabetizando todas as crianças. Sem contar que desprivilegiou os ricos e, mesmo exigindo que o Congresso lhe concedesse o cargo de Ditador Perpétuo, buscou justiça e pregou – com ações – a igualdade. Ah, e peitou a grande potência colonialista Inglaterra.</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/04/roa-bastos.jpg"><img src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/04/roa-bastos.jpg" alt="" title="roa bastos" width="540" height="360" class="aligncenter size-full wp-image-1599" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Mas aí vem a pergunta: que busca do real é essa, Grijó? A questão é que essa figura, o tal José Gaspar Rodríguez de Francia realmente existiu, e Augusto Roa Bastos contou sua história como se o próprio José Gaspar estivesse com caneta e papéis à mão, rememorando seus feitos sem evitar cabotinismos ou meas culpas. Foi um rei numa república, como se isso fosse possível. Um déspota admirado pela própria história – e que história! Certa vez, conversando com um ex-professor de literatura cujas opiniões sempre me foram preciosas, ouvi dele que o Quixote, de Cervantes, havia influenciado Eu O Supremo. É possível, ainda mais se se considerar as tonitruantes afirmações do personagem-central, como a que diz que seu penico é mais valioso que a coroa inglesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Augusto Roa Bastos morreu em 27 de abril, há seis anos. É amado pelos paraguaios e por todos aqueles que admiram a literatura ibero-americana. Mesmo aqueles que podem, por desvio de percurso ou até por falta de boa oportunidade, ter lido apenas um livro de sua lavra, como eu. Não há problemas quanto a isso. Quer saber? Ler Eu O Supremo equivale a ter lido muitas, muitas obras máximas de outros bons autores.</p>
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		<title>O papel das transnacionais na América Latina</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2011 11:13:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos mais acotumados com o termo &#8220;empresas multinacionais&#8221;, que nos passa uma idéia &#8220;neutra&#8221;, de empresas que atuam de igual maneira em diferentes países por sua competência e capacidade de produção, etc. Chamemos aqui de empresas transnacionais, pois todas elas têm matriz, a qual retorna parte de seus lucros e cujos governos e diplomacias defendem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: left; margin-right: 10px;">
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<p style="text-align: justify;">Estamos mais acotumados com o termo &#8220;empresas multinacionais&#8221;, que nos passa uma idéia &#8220;neutra&#8221;, de empresas que atuam de igual maneira em diferentes países por sua competência e capacidade de produção, etc. Chamemos aqui de empresas transnacionais, pois todas elas têm matriz, a qual retorna parte de seus lucros e cujos governos e diplomacias defendem seus interesses no exterior. As transnacionais tem sim pátria e extendem seus tentáculos por todo planeta. O que querem? Qual o papel que exercem na América Latina?</p>
<p> <span id="more-1578"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A atuação de empresas estrangeiras no subcontinente já acontecia séculos atrás mas vamos deter nossa análise no período mais recentemente, tendo como marco o Consenso de Washington, um acordo entre poucos imposto à maioria. América Latina foi onde se sofreu o mais forte ataque das políticas chamadas neoliberais recomendadas pelos organismos internacionais tais como Bird, FMI e OMC. Os anos 80 foram consideradas a &#8220;década perdida&#8221; para muitos países da região: houve alto endividamento do Estado, baixo crescimento econômico, pouca capacidade de investimento, desemprego, inflação. Além disso, a euforia liberal que tomou conta das elites depois da queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética: era o fim da história e o capitalismo e a democracia liberal eram o único caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse contexto, a aplicação de medidas &#8220;liberalizantes&#8221; na economia aconteceu de forma &#8220;natural&#8221; para as elites: privatizações de empresas públicas, corte de recursos sociais, abertura ao capital externo, tudo num contexto de uma &#8220;inevitável&#8221; globalização, na qual deveríamos nos preparar para competir com outros países e disputar fatias do mercado mundial, numa óbvia divisão do trabalho que nos garantia uma posição secundária. Estava tudo pronto para o banquete e o brinde de chamapgne. Só esqueceram de avisar ao povo, que cansou de ficar do lado de fora esperando migalhas ou revirando o lixo.</p>
<p style="text-align: justify;">A entrada acelerada e violenta da América Latina nas reformas neoliberais podem ser uma das explicações para a surpreendente e meteórica reascenção dos movimentos sociais na região, que se estabelece como principal foco de crítica a esse modelo.</p>
<p style="text-align: justify;">O período neoliberal se caracteriza por um grande déficit democrático e distanciamento da democracia da população cidadã. Nenhum candidato na América Latina tem a coragem de se candidatar dizendo que vai promover recortes sociais. Alguns que apresentavam-se como oposição a candidatos de platamorfa neoliberal como Lucio Gutiérrez no Equador, Alberto Fujimori no Peru e Carlos Menem na Argentina, logo ao início de seus governos aderiram às medidas propostas pelo Consenso de Washington.</p>
<p style="text-align: justify;">O papel jogado pelas empresas transnacionais não pode ser menosprezado. As reformas são propostas pelos países dominantes para abrir espaço a suas empresas em países de maior debilidade.  Na América Latina, África e Ásia além da mão-de-obra mais barata e de matéria-prima mais acessível, é possível exercer os projetos produtivos com legislações ambientais e trabalhistas muito mais frágeis, em parâmetros INACEITÁVEIS nos países-sede das empresas. Não sei se é necessário, ainda, mencionar o imenso financiamento dessas corporações às campanhas de candidatos presidenciais. No caso brasileiro, as maiores financiadoras são bancos e construtoras: os bancos são os grandes beneficiados dos juros altos praticados aqui e as empreiteras (Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvao) são a parte mais visível de que a política externa brasileira defende e facilita a atuação dessas empresas em outros países, como na África ou em vizinhos como <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2011/04/em-clima-eleitoral-peru-lanca-pac-e-beneficia-brasileiros/">Peru</a>. Ou no caso de governos como o de Zapatero (supostamente de esquerda) na Espanha que se negou a se posicionar contra as violações de direitos humanos no Saara Ocidental porque &#8220;Espanha tem muitos interesses no Marrocos&#8221;, o Estado opressor.</p>
<p style="text-align: justify;">Não querendo estender muito mais esse texto, resta a  ressaltar que a crítica às transnacionais parte de algumas convicções básicas de que a maioria dos cidadãos está de acordo princípios como: DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS, PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, todos os três bastante distantes da forma de atuar dessas empresas, que se organizam, decidem e se impõem de maneira autoritária e alheia à população e cujos casos de violações de direitos funamentais de seres humanos e desrespeito flagrante ao meio ambiente são absolutamente inumeráveis e não caberiam nesse espaço. Qualquer pessoa que se informa além da mídia corporativa transnacional sabe dos abusos cometidos em diversos lugares do que eles chamam de &#8220;Terceiro Mundo&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Com base nesse contexto e nas violações cometidas por essas corporações, a rede espanhola Observatorio de Multinacionales en América Latina, produziu o documentário &#8220;El Segundo Desembarco&#8221;, que relata a atuação das empresas espanholas nas suas antigas colônias. Esse é o filme em cartaz em Abril na <a href="http://soylocoporti.com/?page_id=1154">TV Loco Por Ti</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas palavras do professor basco Juan Hernández Zubizarreta: &#8220;Nesse mundo se tratam melhor as multinacionais que as pessoas&#8221;. Os governos europeus e norte-americanos aliados abrem o caminho e as elites políticas locais estendem o cordial tapete vermelho para a entrada das transnacionais nesses territórios. Enquanto isso, os imigrantes- muitos deles perderam seus meios de sobrevivência por conta dessa invasão estrangeira- que buscam melhores condições de vida são alcunhados como &#8220;ilegais&#8221;, tratados pelos mesmos governos com repressão, muros e cadeias  de tratamento infra-humano.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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<p><a href="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/d09lbrDtkSCcpoXbmHRnvclIGTY/0/da"><img src="http://feedads.g.doubleclick.net/~a/d09lbrDtkSCcpoXbmHRnvclIGTY/0/di" border="0" ismap="true"></img></a><br/>
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		<title>Latinoamericanos: conheça as caras de Nossa América</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2011 00:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Bolívia]]></category>
		<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[Latinoamericanos]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>

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		<description><![CDATA[Nosso cartunista Lucas Fontana começa um série de desenhos de personagens históricos e atuais de nosso continenente que influenciaram ou influenciam na política e na cultura da região. A séria chamada Latinoamericanos: um povo sem pernas mas que caminha vai trazer desde pessoas bem famosas até ilustres desconhecidos &#8211; mas não menos merecedores do mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: left; margin-right: 10px;">
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		</div>
<p style="text-align: justify;">Nosso cartunista Lucas Fontana começa um série de desenhos de personagens históricos e atuais de nosso continenente que influenciaram ou influenciam na política e na cultura da região. A séria chamada <em><a href="http://www.flickr.com/photos/latinoamericanos/">Latinoamericanos: um povo sem pernas mas que caminha</a></em> vai trazer desde pessoas bem famosas até ilustres desconhecidos &#8211; mas não menos merecedores do mesmo espaço. Os desenhos acompanham textos informativos de Vitor Taveira. A série tem um link reservado na coluna da direita desse blog com as últimas atualizações, que também serão postadas aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">A estréia é com três personagens políticos, o primeiro o misterioso guerrillheiro Subcomandante Marcos:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/marcos-katita.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1555" title="marcos-katita" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/marcos-katita-300x232.jpg" alt="" width="470" height="363" /></a><em><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/marcos-katita.jpg"><br />
</a>Apesar de não assumir sua identidade, sabe-se que Subcomandante Marcos é  Rafael Guillén, formado em filosofia e ex-professor universitário. Nos  anos 80, junto com um grupo de jovens resolveu embrenhar-se nas  montanhas de Chiapas, sul do México, para começar uma guerrillha  marxista, o Exécito Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Ao passar  do tempo e com o contato com os índios locais foram modificando su  pensamento até que a guerrilha fosse posta a serviço dos povos  indígenas, que decidem por um levante armado em 1994. Marcos, mestiço e  comandante militar, emerge como um porta-voz e mediador entre o mundo  ocidental e o mundo indígena. Doze dias depois da rebelião é declarado  um cessar-fogo. Hoje os zapatistas se dedicam à construção da autonomia  indígena nos territórios que dominam.</em></p>
<p><em> Texto: Vitor Taveira</em></p>
<p style="text-align: justify;">Se Marcos e os zapatistas se negam a tomar o poder institucional, os outros dois personagens de estréia se tornaram famosos justamente por rápida ascensões que os levaram à presidência de seus países.</p>
<p><span id="more-1554"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/evo-katita.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1557" title="evo-katita" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/evo-katita.jpg" alt="" width="456" height="589" /></a><em>Evo Morales Ayma nasceu no departamento de Oruro, um dos mais pobres da  Bolívia. Ainda jovem foi trabalhar no plantio de folha de coca na região  do Chapare, no trópico de Cochabamba. Envolveu-se com o sindicalismo e  liderou fortes mobilizações sociais. Foi eleito o primeiro presidente  indígena da Bolívia em 2005. Uma das medidas de seu governo foi promover  a whipala, colorida bandeira símbolos dos povos originários andinos,  como bandeira oficial do país, junto com a tradicional de cores  vermelho,amarelo e verde.</em></p>
<p>Texto: Vitor Taveira</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/chavez-katita.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1558" title="chavez-katita" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/chavez-katita.jpg" alt="" width="557" height="720" /></a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O tenente-coronel paraquedista Hugo Rafael Chávez Frías foi um dos  líderes de um frustrado golpe de Estado em 1992, quando a Venezuela  vivia uma crise social. De mero desconhecido tornou-se centro da  política desse país com a proposta da Revolução Bolivariana, resgatando  ideais do libertador Simón Bolívar. É presidente da Venezuela desde 1999.</em></p>
<p><em> Texto: Vitor Taveira</em></p>
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		<title>O Imaginário de uma Nação Pluralista na Colômbia</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Mar 2011 20:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kassia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Afro-americanos]]></category>
		<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A Constituição de 1991¹ introduziu uma reconfiguração do Estado-nação na Colômbia ao ser definido como multiétnica e multicultural. Esta transformação é devido, entre outras coisas, a participação dos atores sociais etnicos que reinventaram sua identidade social e usaram como uma ferramenta de luta para alcançar seus direitos como minoria em um contexto de violência política [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: left; margin-right: 10px;">
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<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/guarda-cric.jpg"><img src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/03/guarda-cric-150x150.jpg" alt="" title="guarda-cric" width="150" height="150" class="alignright size-thumbnail wp-image-1551" /></a>
<p style="text-align: justify;">A Constituição de 1991¹ introduziu uma reconfiguração do Estado-nação na Colômbia ao ser definido como multiétnica e multicultural. Esta transformação é devido, entre outras coisas, a participação dos atores sociais etnicos que reinventaram sua identidade social e usaram como uma ferramenta de luta para alcançar seus direitos como minoria em um contexto de violência política e social que põe em questão a continuidade da Colômbia como sociedade e como Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">A releitura da identidade étnica e a luta pelo território se tornaram na Colômbia e na América Latina, uma força transformadora das condições de subordinação e invisibilidade que indígenas e negros foram submetidos pelo projeto de nação mestiça. Nas últimas duas décadas, proclamaram-se novas Constituições em vários países da América Latina. (Uma das características mais notáveis destas Cartas é o reconhecimento da diversidade étnica e a natureza multicultural de suas sociedades (Assies, 2000;) Cott, 1995, 2000)². Isso reflete, sem dúvida, o novo peso e a reinvenção da etnia em países latino-americanos e o surgimento de novos movimentos sociais entre as populações indígenas e negros.<span id="more-1546"></span> Em um ato de transcendental importância para o mundo contemporâneo, o Estado unitário, pelo menos na ordem jurídica formal, parece reformar-se, bem como o republicanismo liberal. Com o reconhecimento da diversidade étnica e o carácter multicultural das sociedades latino-americanas, se quebra o projeto das elites políticas que, há mais de um século e meio, procuraram a construção de nações mestiças através da estratégia de aniquilação ou assimilação do indígena³. A falência do Estado unitário e o reconhecimento da plurietnicidade e multiculturalismo estão associados a vários fatores. A reinvenção da identidade e o surgimento de novos movimentos étnicos, o que começa a serem conhecidas como as “novas etnias” (Hall 1991a, 1991b), têm sido determinantes. No entanto, a mobilização dos atores étnicos não foi o único fator. A crise de legitimidade das políticas estaduais e fiscais de ajustamento estrutural e o aplicativo recente das políticas neoliberais estão associados com esta mudança.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Colômbia, por exemplo, desde a constituição de 1991, é que foram reconhecidos os territórios indígenas e de terras de comunidades negras, tendo hoje  um quarto do território nacional reconhecido para estes povos. Mas quais são as condições que tornam este processo compreensível? Podemos compreender o fato de apenas da afirmação do surgimento de movimentos dos povos indígenas e negros, sem investigar as razões para isso? Porque o notável é que a nova Carta da Colômbia e outros países latino-americanos definem de forma diferente, Estados pluriétnicos e multiculturais onde anteriormente apenas contemplavam uma nação e uma cultura e tudo isso sem que nada tenha mudado substancialmente a composição do &#8220;objetivo&#8221; da população (ou grandes migrações) (Cairo e Castillo, 2004). Por trás de alterações na imaginação da nação mestiça e nas estruturas institucionais do Estado colombiano, há verdadeiros processos de transformação de identidades negativas em identidades positivas. Índios e negros, as identidades de “Colônias”, que foram criados como seres inferiores pelo imaginário cristianizador e civilizatório, convertidos em atores sociais e através do uso estratégico da etnia transformaram as condições de dominação e invisibilidade a que foram submetidos pelo projeto de construção nacional. Mas a relação entre o crescimento das “novas etnias” e as mudanças no Estado na Colômbia tem especificidades que se diferenciam do acontecido nos outros países latino-americanos. Com uma das populações indígenas menores da América Latina, foi produzido uma das transformações mais importantes na territorialidade plana do Estado, ao serem reconhecidos extensos territórios indígenas. Com a segunda população afrodescendente mais numerosa da região, depois do Brasil, foram titulados cerca de cinco mil hectares como terras coletivas de comunidades negras na Costa Pacífica, uma das zonas de maior biodiversidade do Planeta. Esse ocorrido talvez, constitui a realização mais significativa, em términos territoriais, dos movimentos étnicos negros latino-americanos. As mudanças no imaginário da Nação, as transformações no Estado unitário, os processos de releitura da identidade e o uso instrumental da diferença que os atores étnicos tem feito na luta política merecem serem indagados porque constituem a irrupção da identidade, uma das tendências mais significativas da era do capitalismo global.</p>
<p style="text-align: justify;">Os movimentos de negros e índios na Colômbia, que apelaram a diferenças culturais para desafiar o sistema de representação, que os considerava seres inferiores, primitivos e &#8220;materiais&#8221; não adequados para a construção da Nação, fazem parte da política cultural. Esta é definida por Escobar, como &#8220;o processo que é estabelecido quando os parceiros sociais configurados para diferentes significados e práticas culturais estão em conflito. A noção de prática cultural supõe que os significados e práticas culturais, em particular os teorizados como marginais, sejam concebidos em relação com determinada ordem cultural dominante, podem dar lugar a processos que se devem aceitar como políticos.” (Escobar, 1997: 203).</p>
<p style="text-align: justify;">Este artigo argumenta que o novo lugar que ocupam povos indígenas e as comunidades afro-descentes na Colômbia, após a Assembleia Nacional Constituinte, envolveu um processo de releitura e construção da identidade étnica no contexto de uma mudança de uma política embasada na identidade da classe à outra sustentada na identidade cultural. O uso político da diferença demonstrou uma grande capacidade estratégica e &#8220;performativa&#8221;. O resultado mais tangível é a mudança do Estado unitário. Há também transformações na territorialidade: a autonomia territorial dos sujeitos políticos étnicos ou ao menos a demarcação de suas terras, em que eles são concedidos certos direitos, quebrando o modelo da territorialidade &#8220;plana&#8221; da Nação dos tempos modernos. Portanto, como resultado da &#8220;força de identidade&#8221;, hoje assistimos na Colômbia uma transformação política de muita importância na América Latina. O Estado dominante, de modelo culturalmente unificado desvanece-se de maneiras diferentes. O projeto de nação mestiça, liderada por mais de um século por elites políticas, que tentou unificar a heterogeneidade cultural irredutível e procuraram construir a ficção de uma história comum, entrou em crise no final do século XX neste país Andino. “Diante dos nossos olhos surgiu, com a constituição de 1991, um &#8220;novo&#8221; tipo de Estado-nação que se auto define como multiétnica e multicultural. ”.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Notas:</p>
<p style="text-align: justify;">1.Em seu artigo 7º, a Constituição colombiana estabelece que “<em>El Estado reconoce y protege la diversidad étnica y cultural de la Nación colombiana. </em>O reconhecimento da pluralidade étnica oferece uma visibilidade importante para os indígenas no país. Além disso, avança um pouco mais quando reconhece os idiomas falados por estas etnias como linguas oficiais do país: “<em>El castellano es el idioma oficial de Colombia. </em><em>Las lenguas y dialectos de los grupos étnicos son también oficiales en sus territorios. La enseñanza que se imparta en las comunidades con tradiciones lingüísticas propias será bilingüe” (artigo 10). </em>Apesar de ter um número proporcionalmente pequeno de indígenas na soma total de sua população, a Constituição colombiana garante a representação das comunidades indígenas no Senado. O artigo 171 estabelece que <em>“habrá un número adicional de dos senadores elegidos en circunscripción nacional especial por comunidades indígenas”. E</em>ste ajuste garante uma participação mais efetiva na construção das leis nacionais, fortalecendo os movimentos indígenas locais.</p>
<p style="text-align: justify;">O avanço mais significativo relativo ao pluralismo jurídico é o reconhecimento da jurisdição especial indígena. O artigo 246 estabelece que “<em>las autoridades de los pueblos indígenas podrán ejercer funciones jurisdiccionales dentro de su ámbito territorial, de conformidad com sus propias normas y procedimientos, siempre que no sean contrarios a la Constitución y leyes de la República. La ley establecerá las formas de coordinación de esta jurisdicción especial con el sistema judicial nacional”. </em>A articulação entre a jurisdição especial indígena e o direito estatal ainda está em construção, mas o debate tem enriquecido a temática. Também contempla o direito de autogestão: <em>De conformidad con la Constitución y las leyes, los territorios indígenas estarán gobernados por consejos conformados y reglamentados según los usos y costumbres de sus comunidades (&#8230;).</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">2. por exemplo, nas Constituições dos países reconhecidos a natureza multiétnica e multicultural de suas sociedades: Argentina, (1994), Bolívia (1994), Brasil (1998), Colômbia (1991), Costa Rica (1997)Equador (1998), Guatemala (1985), Nicarágua (1986), Panamá (1983), Paraguai (1992), Peru (1993), México (1992) e Venezuela (2000). Chile mudou sua lei indígena em 1993. (Assies, 2000;) (Cott, 2000).</p>
<p style="text-align: justify;">3. As Elites das molas&#8217; &#8216; das Nações da América Latina desenvolveu três linhas de política para enfrentar o índio &#8220;problema&#8221;, considerado um dos principais obstáculos ao desenvolvimento nacional. O primeiro foi a estratégia de aniquilação, amplamente utilizada no Brasil e na Argentina. Os índios enfrentaram um processo de extermínio que desenvolvimento económico necessário terras para assentamentos e económica das empresas. O segundo foi o confinamento, as comunidades indígenas foram confinadas na chamada reservas ou reduções, terra remota e inóspita regular. Esta política foi realizada em países como Honduras e Panamá. O terceiro, a integração ou assimilação, que ganhou aceitação nos anos vinte do século passado entre os intelectuais como José Carlos Mariátegui o Peru (Cott, 1995;) (Stavenhagen, 1992) e que às vezes ele foi implementado no Equador.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Referências Bibliográficas</p>
<p style="text-align: justify;">ANDERSON, Benedict (1993): Comunidades imaginadas. Reflexões sobre a</p>
<p style="text-align: justify;">origem e a difusão do nacionalismo, México, Fundo de Cultura Económica.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">AROCHA, Jaime (1992): “Os negros e a  nova Constituição colombiana de</p>
<p style="text-align: justify;">1991”, América Negra, nº 3, pp. 39-54.</p>
<p style="text-align: justify;">ASSIES, Willem (2000): “Indigenous peoples and reform of the state in Latin</p>
<p style="text-align: justify;">America”, in W. Assies, G. Van der Harr y A. Hoekema (eds.): The</p>
<p style="text-align: justify;">Challenge of Diversity: Indigenous Peoples and Reform of the State in</p>
<p style="text-align: justify;">Latin America, Ámsterdam, Thela, pp. 3-21.</p>
<p style="text-align: justify;">BHABHA, Homi (1994): O local da cultura, London, Routledge.</p>
<p style="text-align: justify;">CAIRO, Heriberto (2001): “Territorialidade e fronteiras do Estado-nação:</p>
<p style="text-align: justify;">Condições da “política em um mundo fragmentado”, Política e Sociedade,</p>
<p style="text-align: justify;">nº 36, pp.29-38.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">CAIRO, Heriberto, y CASTILLO, Luis (2004): “Reinvenção da identidade étnica, novos territórios e redes globais: o Estado multiétnico e pluricultural na Colômbia e no Equador&#8221;, sociedade e economia, nº 3, pp. 55-76.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">CASTELLS, Manuel (1998): A era da informação: economia, sociedade e</p>
<p style="text-align: justify;">cultura, vol. 2: A sociedade rede, Madrid, Aliança Editorial.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">CASTELLS, Manuel (2000): A era da informação: economia, sociedade e</p>
<p style="text-align: justify;">cultura, vol. 1: A sociedade rede, Madrid, Aliança Editorial.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">CASTELLS, Manuel (2001): “Tecnologia da informação e capitalismo</p>
<p style="text-align: justify;">global”, en A. Giddens y W. Hutton (eds.): No limite. A vida no</p>
<p style="text-align: justify;">capitalismo global, Barcelona, Tusquets, pp. 81-111.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">COTT, Van Donna (1995): “Indigenous peoples and democracy: issues for</p>
<p style="text-align: justify;">policymakers”, in D. L. Cott (ed.): Indigenous Peoples and Democracy in</p>
<p style="text-align: justify;">Latin America, New York, St. Martín´Pres, pp. 1-25.</p>
<p style="text-align: justify;">ESCOBAR, Arturo, ÁLVAREZ, Sonia and DAGNINO, Evelina (1998):</p>
<p style="text-align: justify;">“Introduction: the cultural and the political in Latin American social</p>
<p style="text-align: justify;">movements, A. Escobar, S. Álvarez, E. Dagnino (eds.): Cultures of Politics,</p>
<p style="text-align: justify;">Politics of Culture: Re-visioning Latin America Social Movements, Oxford,</p>
<p style="text-align: justify;">Westview Press, pp. 1-29.</p>
<p style="text-align: justify;">HALL, Stuart (1991b): “Old and new identities, Old and new Ethnicities”, in A.</p>
<p style="text-align: justify;">D. King(ed.): Culture, Globalization and the World-System, Binghamton</p>
<p style="text-align: justify;">(N.Y), Art and Art History, pp. 40-68</p>
<p style="text-align: justify;">HOBSBAWM, Eric (2000c): Nações e nacionalismos desde 1780, Barcelona,</p>
<p style="text-align: justify;">Crítica.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>Uma biografia de Julio Cortázar</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Feb 2011 23:39:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[México]]></category>

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		<description><![CDATA[Seguem as novidades no Soy Loco Por Ti! Hoje recebemos uma nova colaboradora, Caróu Oliveira, que nos apresenta uma biografia dos grandes escritores latino-americanos: Julio Cortázar. Outra inovaçao é a forma de apresentaçao que você pode ver abaixo em flash, e no final, mais uma novidade! Veja: Cortazar on Prezi Sim! Está inaugurada nesse espaço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: left; margin-right: 10px;">
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		</div>
<p style="text-align: justify;">Seguem as novidades no Soy Loco Por Ti! Hoje recebemos uma nova colaboradora, Caróu Oliveira, que nos apresenta uma biografia dos grandes escritores latino-americanos: Julio Cortázar. Outra inovaçao é a forma de apresentaçao que você pode ver abaixo em flash, e no final, mais uma novidade! Veja:</p>
<div class="prezi-player"><!-- .prezi-player { width: 550px; } .prezi-player-links { text-align: center; } --><object id="prezi_g18hcnhkldhp" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="550" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="name" value="prezi_g18hcnhkldhp" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><param name="flashvars" value="prezi_id=g18hcnhkldhp&amp;lock_to_path=0&amp;color=ffffff&amp;autoplay=no&amp;autohide_ctrls=0" /><param name="src" value="http://prezi.com/bin/preziloader.swf" /><embed id="prezi_g18hcnhkldhp" type="application/x-shockwave-flash" width="550" height="400" src="http://prezi.com/bin/preziloader.swf" flashvars="prezi_id=g18hcnhkldhp&amp;lock_to_path=0&amp;color=ffffff&amp;autoplay=no&amp;autohide_ctrls=0" bgcolor="#ffffff" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" name="prezi_g18hcnhkldhp"></embed></object></p>
<div class="prezi-player-links">
<p><a title="A little bio about Cortazar, to be shared in http://soylocoporti.com/" href="http://prezi.com/g18hcnhkldhp/cortazar/">Cortazar</a> on <a href="http://prezi.com">Prezi</a></p>
</div>
</div>
<p>Sim! Está inaugurada nesse espaço a <a href="http://soylocoporti.com/?page_id=1380">Biblioteca Latino-Americana Julio Cortázar</a>, cujo link estará sempre na barra de cima do site. O <a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/02/mexico.doc">artigo</a> de lançamento é da própria Caróu, estudante de História da USP, sobre o nacionalismo e a Revoluçao Mexicana. A biblioteca também oferece o PDF de alguns livros disponibilizados pelo site do <a href="http://www.democraciaglobal.org/">Programa Democracia y Transformación Global</a>.</p>
<p>Quanto à Cortázar, se ficou na boca um gostinho por saborear sua escrita leia <span id="more-1487"></span>.</p>
<p>Instruçoes para subir uma escada</p>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">Ninguém terá deixado de observar que freqüentemente o chão se dobra de tal maneira que uma parte sobe em ângulo reto com o plano do chão, e logo a parte seguinte se coloca paralela a esse plano, para dar passagem a uma nova perpendicular, comportamento que se repete em espiral ou em linha quebrada até alturas extremamente variáveis. Abaixando-se e pondo a mão esquerda numa das partes verticais, e a direita na horizontal correspondente, fica-se na posse momentânea de um degrau ou escalão. Cada um desses degraus, formados, como se vê, por dois elementos, situa-se um pouco mais acima e mais adiante do anterior, princípio que dá sentido à escada, já que qualquer outra combinação produziria formas talvez mais bonitas ou pitorescas, mas incapazes de transportar as pessoas do térreo ao primeiro andar.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div id="_mcePaste" style="text-align: justify;">As escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado tornam-se particularmente incômodas. A atitude natural consiste em manter-se em pé, os braços dependurados sem esforço, a cabeça erguida, embora não tanto que os olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se está pisando, a respiração lenta e regular. Para subir uma escada começa-se por levantar aquela parte do corpo situada em baixo à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça e que salvo algumas exceções cabe exatamente no degrau. Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos pé, recolhe-se a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-a à altura do pé faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que neste descansará o pé, e no primeiro descansará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.) Chegando dessa maneira ao segundo degrau, será suficiente repetir alternadamente os movimentos até chegar ao fim da escada. Pode-se sair dela com facilidade, com um ligeiro golpe de calcanhar que a fixa em seu lugar, do qual não se moverá até o momento da descida.</div>
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		<title>Quem disse medo? Golpe e resitência em Honduras</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 22:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[América Central]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Honduras]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[O documentário &#8220;Quen dijo miedo&#8221; retrata esse lamentável acontecimento recente da América Latina que foi o golpe que tirou Manuel Zelaya da presidênca de Honduras. O governo provisório golpista convocou eleiçoes em meio a protestos da populaçao e da comunidade internacional que pediam a volta do presidente deposto. Esses dias o novo eleito sob bases [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>O documentário &#8220;<a href="http://quiendijomiedofilm.blogspot.com/">Quen dijo miedo</a>&#8221; retrata esse lamentável acontecimento recente da América Latina que foi o golpe que tirou Manuel Zelaya da presidênca de Honduras. O governo provisório golpista convocou eleiçoes em meio a protestos da populaçao e da comunidade internacional que pediam a volta do presidente deposto. Esses dias o novo eleito sob bases ilegítimas, Porfirio Lobo, completou um ano de governo, motivo pelo qual o documentário entra em cartaz na nossa TV no mês de fevereiro. O vídeo completo está disponível na <a href="http://soylocoporti.com/?page_id=1154">TV Loco Por Ti</a>. </p>
<p>Veja o trailer abaixo:</p>
<p><iframe title="YouTube video player" width="540" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/PJcRrf9QmEA?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><span id="more-1450"></span><br />
Zelaya, um oligarca que deu um giro à esquerda em seu governo- talvez por sensibilidade social, necessidade de acalmar a maioria pobre ou por pragmatismo, interessado nos benefícios nos acordos com a Venezuela- se converte em um herói popular.</p>
<p>O documentário mostra cenas da propaganda governista pela consulta popular e entrevista alguns de seus atores, que se posicionram contra o golpe, sendo um deles um dos líderes da resistência. Há cenas impressionantes da repressao e entrevistas com lideranças que posteriormente foram assassinadas.</p>
<p>A repressao continuou muitos meses depois, tanto que Honduras terminou o ano passado com o lamentável recorde de 10 jornalistas assassinados. Zelaya segue exilado de seu próprio país. A resistência continua, coordenada pela <a href="http://resistenciahonduras.net/">Frente Nacional de Resistencia Popular</a>.</p>
<p>Post relacionado: <a href="http://soylocoporti.com/?p=385">Honduras: golpe e desinformaçao</a></p>
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		<title>Entrevista: Carlos Latuff, um desenhista com causa</title>
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		<comments>http://soylocoporti.com/?p=1416#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 12:11:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Bolívia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura e Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Haiti]]></category>
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		<description><![CDATA[O carioca Carlos Latuff (Twitter: @CarlosLatuff) é um desenhista nato. Nasceu com esse talento e teve a competência e sorte de conseguir sobreviver por ele. Mas não como esperava: fechadas as portas da grande mídia, foi encontrar abrigo na imprensa alternativa. O contato com jornais de esquerda fez do jovem desenhador um homem militante, pero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: left; margin-right: 10px;">
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		</div>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/Latuff.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1417" title="Latuff" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/Latuff-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>O carioca Carlos Latuff (Twitter: @<a href="http://www.twitter.com/CarlosLatuff">CarlosLatuff</a>) é um desenhista nato. Nasceu com esse talento e teve a competência e sorte de conseguir sobreviver por ele. Mas não como esperava: fechadas as portas da grande mídia, foi encontrar abrigo na imprensa alternativa. O contato com jornais de esquerda fez do jovem desenhador um homem militante, <em>pero sin perder el arte jamás</em>. Hoje, Latuff se define como artista e militante, consciente de seu trabalho: &#8220;Se eu faço uma charge estou emprestando meu traço, meu talento e minha criatividade pra promover uma idéia.&#8221; Por meio da internet, suas charges rodaram o mundo e são encontradas em camisas, pôsteres e cartazes em atividades ou manifestações políticas. O chargista nos concedeu uma entrevista de mais de uma hora que disponibilizamos na íntegra em arquivo <a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/Entrevista-Carlos-Latuff-inteira.doc">aqui</a>. Seus <a href="http://gritosufocado2.blogspot.com/2008/06/charges-de-latuff-clique-para-ampliar.html">desenhos</a> dizem muita coisa e suas palavras também. Publicamos a seguir parte da entrevista- com destaque aos assuntos relacionados a América Latina, tema desse blog.<span id="more-1416"></span></p>
<p><strong>Como você começou a se interessar pelo desenho e pela política? Quando juntou os dois?</strong><br />
Desenho é uma coisa que sempre me acompanhou desde pequeno. Eu costumava ver desenhos animados na televisão, na decada de 70. Gostava de copiar o que via na TV, coloria, criava personagens. Como sou de família humilde, não tinha perspectiva de que pudesse trabalhar com isso. A visão de artista era associada à classe média. Então meus pais imaginaram que eu seria desenhista mas seria mais por hobby do que trabalhar efetivamente com isso.</p>
<p>Em 89, eu consegui um trabalho de ilustrador em agência de propaganda. Passei um ano, adquiri alguma experiência e em 1990 eu sai dessa agência e comecei a fazer carreira solo. Eu tinha ilusão de classe de que com aquele portfólio mixuruca poderia bater nas editoras, nas redações de jornal e conseguir alguma coisa. Foi um fracasso, ninguém abriu portas pra mim. Afinal quem realmente me deu uma oportunidade foi a imprensa sindical de esquerda, pra quem eu trabalho até hoje e é minha fonte de renda.</p>
<p>Até 1996, a minha relação com a imprensa sindical foi estritamente profissional. Eu trabalhava pra eles mas achava que era possível trabalhar pra qualquer um que me pagasse.  A partir de 96, quando eu conheci o trabalho dos zapatistas e comecei a conhecer a internet, é que nasceu o que se poderia chamar do militante. A partir daquele momento eu vi sim uma impossibilidade de servir a dois senhores: ou é uma coisa ou é outra. Então esse contato com o movimento zapatista através da internet serviu pra consolidar um processo.</p>
<p><strong>Como você conheceu o movimento zapatista e por que isso mudou sua visão?</strong><br />
Eu tinha assistido a um documentário na televisão a respeito do levante zapatista e aquilo me emocionou muito e me abriu os olhos para a importância da arte a serviço de uma causa. Foi naquele momento que eu percebi que o trabalho que eu faço não é apertar parafusos, é um trabalho ideológico. Se eu faço uma charge para um jornal de direita eu<a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/zapatistas.png"><img class="alignright size-full wp-image-1425" title="zapatistas" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/zapatistas.png" alt="" width="185" height="220" /></a> estou mais que simplesmente tendo uma relação profissional, eu estou emprestando meu traço, meu talento e minha criatividade pra promover uma idéia. Por isso que a partir daquele momento eu entendi que não era possível exercer a atividade de cartunista para qualquer um como se fosse apenas um trabalho. Eu decidi que só iria promover os conceitos que eu realmente acreditasse, causas que eu realmente abraçasse.</p>
<p>Trabalhar com a imprensa sindical não foi um trabalho impune. Mesmo que eu achasse que fosse uma atividade meramente profissional, eu estava sendo impregnado com aquelas idéias e com aqueles conceitos sem que eu soubesse. Então, esse contato com os zapatistas me despertou pra esse processo que já estava em andamento há muito tempo. A partir de 1996 é que eu comecei a fazer uma militância artística, inicialmente para os zapatistas, depois para os palestinos e aí comecei a colaborar com diversos movimentos sociais no Rio de Janeiro, no Brasil e fora do Brasil.</p>
<p>É mais ou menos essa a minha trajetória. Geralmente, quando se é militante na juventude você cresce e se torna um reacionário filho da puta, no meu caso era diferente porque eu era um sujeito que não tinha militância alguma, tinha trabalhado com as idéias do senso comum, trabalhado com a imprensa sindical como se fosse meramente uma relação profissional. Mas com o passar do tempo eu fui compreendendo que era  bem mais do que isso e agora que eu já estou um pouco mais velho que eu me entendo não só como artista mais também como militante.</p>
<p><strong>Como se divide o trabalho do Latuff profissional do Latuff militante?</strong><br />
O meu trabalho pode ser dividido em dois: um é esse trabalho profissional que eu presto para publicações sindicais aqui no Rio de Janeiro e algumas do Brasil. Tenho identificação ideológica mas também sou pago por ele, é o que me sustenta. Na internet eu tenho uma atividade que tem mais a ver com um ativismo artístico, agente poderia dizer assim.</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/Latuff_che-palest.png"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1426" title="Latuff_che-palest" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/Latuff_che-palest-150x150.png" alt="" width="150" height="150" /></a>A causa palestina é um bom exemplo. Todos os desenhos que eu faço sobre a questão palestina, sem excessão, eu não cobro. E as pessoas que querem utilizar esse desenho também não precisam me pagar nada, mesmo que elas queiram ganhar dinheiro em cima desse desenho fazendo camisa ou poster. Porque primeiro por uma questão ética: eu não quero faturar um tostão sobre esse trabalho, porque faço por amor mesmo. E estratégico, porque eu quero que esse trabalho seja copyleft, não tenha direitos autorais, pra que ele possa ser espalhado pelo mundo. Eu quero que essas imagens que de certa maneira mostrem a Palestina de uma maneira positiva, coisa que a imprensa ocidental não faz.</p>
<p>Existem também trabalhos que eu faço aqui no Brasil sobre a violência policial ou para movimentos sociais, movimento estudantil e que não cobro nada. Eu posso fazer isso exatamente porque o trabalho na imprensa sindical de esquerda me sustenta, então eu posso me dar a esse luxo de trabalhar de graça para movimentos sociais.</p>
<p><strong>Você já conheceu algum país da América Latina?</strong><br />
Só o Panamá. Estive no Panamá um ano depois da derrubada do Noriega. Foi uma experiência legal porque foi o primeiro país estrangeiro que eu visitei na minha vida. O meu olhar naquela época não era militante, era um olhar curioso. Foi mais uma experiencia pessoal, turística, até histórica, do que militante. Apesar de eu ter participado lá de uma passeata contra a ocupação americana, não foi uma visita militante. Se eu fosse hoje seria diferente. Naquela época eu ainda estava muito novo, meio inexperiente pra primeira viagem.</p>
<p><strong>Como você vê o atual momento político da região?</strong><br />
Eu estou assistindo esses processo com bons olhos, particularmente na Bolívia. Infelizmente não tive oportunidade de viajar para a Bolívia mas eu acompanhei os acontecimentos desde a Guerra do Gás e aquilo foi realmente uma lição de história para todos nós da América Latina, todo aquele movimento que culminou com a eleição do Evo Morales e as tentativas de golpe contra ele. O Evo não é um revolucionário mas ele <a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/bolivia-latuff.png"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-1427" title="bolivia-latuff" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/bolivia-latuff-150x150.png" alt="" width="150" height="150" /></a>tem feito um trabalho importante que é colocar na pauta do dia um segmento social que sempre foi negligenciado. Isso inclusive causou uma indignação muito grande por conta desse setor mais conservador, ligado ao colonizador branco espanhol lá na Bolívia. Então ele colocou o povo indígena na agenda do dia, como agente das tranformações, resgatou o papel histórico do indígena. Eu achei fantástico.</p>
<p>Comparando com os anos 70 e 80 em que a América Latina foi assolada por governos de direta, pró-americanos, govenos fascistas, ditaduras, eu vejo com bons olhos a situação na América Latina nos dias de hoje.</p>
<p><strong>Quais os povos oprimidos na América Latina? Que causas se deve defender?</strong><br />
O sistema capitalista só consegue produzir disparidades, exclusão, oprimidos. Você vai encontrar pela América Latina, excetuando Cuba, todo tipo de causas a se defender. Pese que a América Latina nos últimos anos tem voltado suas atenções, sua militância para um viés de esquerda, seja na Venezuela, na Bolívia, no Paraguai, no Uruguai, no Equador, Nicarágua. A América Latina tem todo tipo de causa a se defender, seja, por exemplo, a causa indígena na Bolívia, os mapuche no Chile, aqui no Brasil mesmo você tem a [falta de] reforma agrária que é um problema gravíssimo.Tem a causa da violência policial nas favelas, em todas as periferias do Brasil. Quem tem olhos que veja, as causas pululam, o que não faltam são causas sociais relevantes para se abraçar.</p>
<p><strong>Em Cuba também não há opressões?</strong><br />
Eu não posso falar muito de Cuba, porque nunca estive lá. As referências que tenho é de amigos que estiveram lá. Eu acho que o fato de não ter um menino cheirando cola no sinal é um bom indicativo sobre Cuba. Cuba não é um paraíso porque é lugar no Planeta Terra. É gente <a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/latuff-cuba.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1428" title="latuff-cuba" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/latuff-cuba-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>que tá lá, que tá no governo, não se pode esperar que seja um país perfeito. Agora, se comparado com regimes capitalistas como o nosso, eles têm privilegiado a questão social, o que é muito importante. E é uma pequena ilha, que só não está melhor por conta de décadas de bloqueio econômico dos Estados Unidos. Acho que agrande luta dos cubanos agora com a provável morte do Fidel é garantir essas conquistas.</p>
<p><strong>Você fez charges sobre a ocupação militar no Haiti. Como vê a atuação do Brasil como líder das tropas da Onu lá?</strong><br />
Eu acho que realmente se o Brasil estivesse interessado em ajudar o Haiti ele não teria mandado tropas, ele teria mandado médicos, bombeiros, técnicos para reconstruir o país. O que se verificou é que o Haiti, particularmente a área de Porto Príncipe, as favelas do Haiti como<a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc1.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-1429" title="brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc" src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc1-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> Cité Soleil, têm servido de laboratório para treinamento de tropas pra guerrilha urbana, pra combate de favelas. É muito lamentável que essa missão do Brasil, dita humanitária, tenha servido na verdade como um campo de provas das forças armadas aqui no Brasil para se treinar combate na área urbana e com esse conhecimento ser aplicado nas favelas do Rio de Janeiro e provavelmente do Brasil. É muito lamentável que isso aconteça, não é mais segredo, isso já foi divulgado amplamente pela imprensa.</p>
<p><strong>Julio Cortázar, escritor argentino, escreveu: “Enquanto a política não assegure a libertação cultural de Nossa América, a cultura deverá abrir o caminho para a libertação política”. Qual a importância da arte pra mudança política? Qual o papel da arte e do artista para esse processo?</strong><br />
Essa afirmação é brilhante. A arte tem o poder de chegar ao coração e a mente com muito mais força e verdade que proposições políticas. Agente vive numa sociedade eminentemente imagética, então através da arte se consegue atingir o íntimo das pessoas com mais facilidade, fala-se de maneira mais objetiva. Creio que a manifestação artística consegue condensar todo um cabedal de idéias, todo um ideário político e transformá-lo numa única idéia mais simples de assimilar. A arte tem um poder muito grande de vencer as barreiras, uma charge tem uma capacidade de comunicar uma idéia para povos de línguas, culturas e religiões diferentes. Acredito muito na arte como meio de promover a transformação.#</p>
<p>Posts relacionados:<br />
- <a href="http://soylocoporti.com/?p=136">Carlos Latuff, desenho e política</a><br />
- <a href="http://soylocoporti.com/?p=80">Diz mais que mil palavras</a></p>
<p>Outra parte da entrevista, sobre as favelas, em Carta Capital: <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/%E2%80%9Ca-filosofia-da-policia-do-rio-de-janeiro-e-de-matar-o-inimigo-e-nao-de-prender-o-criminoso%E2%80%9D">“A filosofia da polícia do Rio de Janeiro é de matar o inimigo e não de prender o criminoso”</a><br />
Latuff publica suas charges e fotos em: <a href="http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff">http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff</a></p>
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		<title>Ao menos hoje, pense no Haiti</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jan 2011 22:18:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Taveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje é um dia especial. Hoje é um dia triste. Imagine uma missa de um ano de morte, não de uma, mas de mais de 250 mil pessoas. Pense no Haiti. Reze pelo Haiti. Faz um ano que nos sensibilizamos com a tragédia do terremoto. Agora esqueça a missa porque não estamos falando de um [...]]]></description>
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<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc.jpg"><img src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc-150x150.jpg" alt="" title="brazil_crimes_against_haiti_by_latuff2_70pc" width="150" height="150" class="alignleft size-thumbnail wp-image-1402" /></a>Hoje é um dia especial. Hoje é um dia triste. Imagine uma missa de um ano de morte, não de uma, mas de mais de 250 mil pessoas. Pense no Haiti. Reze pelo Haiti. Faz um ano que nos sensibilizamos com a tragédia do terremoto. Agora esqueça a missa porque não estamos falando de um país como o nosso.</p>
<p>Então imagine uma cerimônia de vodú gigante, onde milhões de negros, todo um país, lamentam a perda de seus entes queridos. Se for difícil imaginar tal cerimônia, pense no que lhe venha à cabeça ao ouvir falar em vodú. Agora, num último delirio imagine oito milhoes de haitianos com agulhas nas mãos espetando bonecos. Pense em quem representariam os bonecos que eles amaldiçoam. Sentiu alguma espetada?<span id="more-1401"></span></p>
<p>Eu senti. Eu sinto muito. Sinto culpa e quase um arrependimento por ter votado em Lula, por ter apoiado Dilma. Eu que sempre acreditei e ainda acredito na sensibilidade do nosso ex-presidente metalúrgico. Aí me lembro, meio desconfiado, do brilhante chanceler que foi Celso Amorim e fico buscando respostas, me indagando em silêncio. Até que me dá vontade de gritar.</p>
<p>Acho que hoje deve ser um dia de profundo silêncio no Haiti, um silêncio de dor, de desconsolo e, espero, de uma ponta de esperança. A solidariedade é mãe da esperança. Poderia, com certeza, dizer que o mundo deu uma lição de solidariedade no Haiti, mas eu ousaria dizer que foi o Haiti quem nos deu uma lição, pois com sua tragédia nos fez abrir os olhos e o coração. Olhar para eles foi olhar para dentro de nós mesmos e descobrir que a pior das tragédias é nossa própria miséria espiritual. Os haitianos ensinaram sobretudo a si mesmos o que é solidariedade. Não foi preciso aulas ou campanhas diante do desespero, a solidariedade se deu espontaneamente. Depois que a terra tremeu, quem salvava os haitianos dos escombros eram seus próprios compatriotas. A ajuda internacional não era suficiente e muitos órgãos internacionais se preocuparam inicialmente com as vítimas estrangeiras.</p>
<p>Ver seu país sacudido, revirado, seus entes queridos mortos ou feridos, gente vagando pelas ruas sem saber onde ir, o que fazer, o que comer. Essa gente ainda precisa aprender o que é solidariedade? O Haiti precisa de esperança e para isso a solidariedade tem que ser mãe e não madrasta. Enquanto as tropas militares e as multinacionais estiverem atuando com toda força e explorando o país com tantos interesses alheios, vai ser difícil construir uma nação. Uma boa mãe tem que ensinar o filho a andar. O Haiti precisa caminhar sozinho e não com muletas eternas. Só quando a esperança conhecer a soberania poderiam nascer netos da solidariedade, que chamaríamos liberdade e auto-determinaçao.</p>
<p>Mas a solidariedade parece que está envelhecendo no Haiti e tenho medo que fique para titia. O que estão fazendo com nossa solidariedade? Será que não está sendo “lucrativo” para algumas Ongs a tragédia haitiana? Juro que não sei, estou apenas perguntando. E a missão da ONU (Minustah) como pode ajudar esse país? A Minustah é uma “missão de paz” que vai completar sete anos em 2011. Até entendo a necessidade de intervenção internacional em momentos de crise, mas passaram-se cinco anos, de 2004 a 2009, e as tropas não conseguiram resultados realmente significativos para os problemas do país. E segue até hoje sem previsão para acabar. Para piorar, em 2010 veio o terremoto, agora veio a cólera.</p>
<p>Em meio a uma epidemia da doença houve eleições no país e logo virá a decisão final no segundo turno. As acusações de fraude são muitas, a dificuldade em cadastrar os votantes é um entre tantos outros problemas. E o pior é que parece o povo haitiano não se sente representado e não acredita realmente nos candidatos que se apresentaram. E que difícil reconstruir um país envolto numa situação tão crítica na ausência de grandes líderes! Tampouco haviam líderes quando veio o terremoto, a atuação do presidente René Preval foi pífia. Mas o povo fez o possível e fez a diferença. Não seria hora de pensar numa reconstrução do Haiti vinda de baixo, de sua gente, suas crenças, tradições e saberes?</p>
<p>Fiquei tão orgulhoso de ser brasileiro ao saber que a o MST e a Via Campesina trouxeram ao Brasil em setembro do ano passado mais de 70 jovens haitianos que fazem um intercâmbio com a duração de ano, sendo capacitados sobre produção agrícola para poderem contribuir com esses conhecimentos quando voltarem a seus países. Não se constrói futuro só com esmolas, nem com doações, temos que pensar além. Claro que há urgências, estamos falando de vidas perdidas diariamente por faltas de condições básicas de saúde e higiene. E nisso se destacam a atuação solidária de organizações como Médicos Sem Fronteiras e dos mais de mil médicos cubanos enviados pelo governo ao país. Li um artigo dizendo que Cuba humilhava o mundo ao enviar esses médicos, por pura solidariedade. Sinto-me humilhado. Podem dizer que o regime cubano envelheceu mas a solidariedade que ele exporta é jovem e fértil.</p>
<p>Queria ver médicos, engenheiros, bombeiros e outros profissionais levando a bandeira e a solidariedade de meu país aos irmãos haitianos. Mas nas fotos só vejo brasileiros fardados, de capacetes azuis e metralhadoras nas mãos. Espero não ser o único cujo conceito de solidariedade, não combina com essa imagem.</p>
<p>Hoje é um dia especial e hoje eu preferia ser cubano. Queria refletir com serenidade e pensar em meus irmãos haitianos, acreditar que com nossa solidariedade se pode fazer nascer esperança. Mas eu sou brasileiro. E hoje me dói muito. Hoje me dói mais que ontem porque é um dia especial. Talvez amanhã doa um pouco menos. Mas não vai passar. Queria fazer um minuto de silêncio, mas novamente tenho vontade de gritar. Pense no Haiti. Grite pelo Haiti.</p>
<p>Publicado em <a href="http://www.cartacapital.com.br/internacional/ao-menos-hoje-pense-no-haiti">Carta Capital</a></p>
<p>Posts relacionados:<br />
-<a href="http://soylocoporti.com/?p=621">O que fazem as tropas brasileiras no Haiti?</a><br />
-<a href="http://soylocoporti.com/?p=101">O Haiti, definitivamente, não é aqui!</a><br />
-<a href="http://soylocoporti.com/?p=102">Haiti ocupado, Brasil o culpado? </a></p>
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		<title>Nos fios do tempo: reflexões acerca da noção de “sistema literário” de Antonio Candido</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jan 2011 15:16:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>moyseshoots</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Moisés Nascimento[1] *Para Marcos A. Ramos “Há literaturas de que um homem não precisa sair para receber cultura e enriquecer a sensibilidade; outras, que só podem ocupar uma parte da sua vida de leitor, sob pena de lhe restringirem irremediavelmente o horizonte. Assim, podemos imaginar um francês, um italiano, um inglês, um alemão, mesmo [...]]]></description>
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<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/formação1.jpg"><img src="http://soylocoporti.com/wp-content/uploads/2011/01/formação1-150x150.jpg" alt="" title="formação" width="150" height="150" class="alignright size-thumbnail wp-image-1398" /></a>Por Moisés Nascimento<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn1">[1]</a></p>
<p style="text-align: right">*Para Marcos A. Ramos</p>
<p>“Há literaturas de que um homem não precisa sair para receber cultura e enriquecer a sensibilidade; outras, que só podem ocupar uma parte da sua vida de leitor, sob pena de lhe restringirem irremediavelmente o horizonte. Assim, podemos imaginar um francês, um italiano, um inglês, um alemão, mesmo um russo e um espanhol, que só conheçam os autores da sua terra e, não obstante, encontrem neles o suficiente para elaborar a visão das coisas, experimentando as mais altas emoções literárias.</p>
<p>“A nossa literatura é galho secundário da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das Musas&#8230;”</p>
<p>O trecho acima faz parte do prefácio do livro <em>Formação da literatura brasileira – momentos decisivos</em>, de Antonio Candido<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn2">[2]</a> e servirá de base para o desenvolvimento do nosso trabalho. O autor levanta alguns questionamentos no mínimo intrigantes ao afirmar que a literatura feita no Brasil, de um modo geral, é “galho secundário da portuguesa”. <span id="more-1393"></span>Para além da polêmica que esta proposição articula (e que logo mais a frente será discutida aqui), chamamos atenção para um dado interessante: Candido realiza, a observar o recorte acima, não só o que os estudos literários chamam de “literatura comparada”<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn3">[3]</a>, mas, sobretudo, um estudo cultural. Ao pensar daquela forma, o autor estabelece uma comparação entre a produção literária brasileira e as produções literárias européias; consequentemente, há a comparação da cultura brasileira com a cultura européia.</p>
<p>Se lá no século XIX, quando surgiu enquanto estudo e disciplina acadêmica, a literatura comparada era compreendida apenas como “o estudo comparativo de duas ou mais obras literárias”; no século XX, principalmente com o pensamento pós-estruturalista, ela passou a caracterizar-se como um “movimento para fora dos estreitos limites disciplinares, em vista da ampliação de seu campo de estudo”, expandindo-se também para “a comparação entre obras literárias e obras pertencentes a outras linguagens artísticas”. <a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn4">[4]</a></p>
<p>Essa ponte com as demais “linguagens artísticas” é que vai desembocar, na atualidade, nos estudos comparativos que se estabelecem entra a literatura e outras áreas do conhecimento (antropologia, história, sociologia, semiótica, psicanálise, por exemplo), inclusive com os “estudos culturais”. Portanto, se o leque se estendeu de forma bastante significativa, propiciando estudos diversos a partir do texto literário, deve-se isso aos primeiros estudos comparatistas que compreenderam a literatura como autônoma, mas, sobretudo, livre para se valer das demais áreas do conhecimento.</p>
<p>E Antonio Candido foi um desses primeiros estudiosos a sugerir essas comparações: “uma crítica que se queira integral deixará de ser unilateralmente sociológica, psicológica ou lingüística, para utilizar livremente os elementos capazes de conduzirem a uma interpretação coerente”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn5">[5]</a> Ao afirmar a liberdade da crítica pela coerência, Candido não só expande o conceito de análise literária, na sua época muito voltado para a estilística, como também abre portas para as demais áreas do conhecimento, desde que a crítica não seja “unilateral”.</p>
<p>Embora não possamos afirmar que Antonio Candido participe da corrente denominada “estudos culturais”, não há dúvida de que a sua obra tenha aberto caminhos para que no Brasil, no que tange a literatura, esses estudos fossem feitos. Uma prova disso é o método sociológico que o autor emprega na sua <em>Formação</em>. Nesta, no capítulo “literatura como sistema” da introdução, o autor faz uma distinção entre “manifestações literárias” e “literatura propriamente dita”, articulada por ele como um conjunto de “denominadores comuns, que permitem reconhecer as notas dominantes duma fase”.</p>
<p>Estes denominadores são, além das características internas (línguas, temas, imagens), certos elementos de natureza social e psíquica, embora literariamente organizados, que se manifestam historicamente e fazem da literatura aspecto orgânico da civilização. Entre eles se distinguem: a existência de um conjunto de produtores literários, mais ou menos conscientes do seu papel; um conjunto de receptores, formando os diferentes tipos de público, sem os quais a obra não vive; um mecanismo transmissor, (de modo geral, uma linguagem, traduzida em estilos), que liga uns a outros. O conjunto dos três elementos dá lugar a um tipo de comunicação inter-humana, a literatura, que aparece sob este ângulo como sistema simbólico, por meio do qual as veleidades mais profundas do indivíduo se transformam em elementos de contato entre os homens, e de interpretação das diferentes esferas da realidade. <a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn6">[6]</a></p>
<p>“A formação da continuidade literária”, conforme as palavras de Candido, só se torna possível a partir do momento em que autor e obra estiverem integrados neste “sistema literário”, isto é, somente com a tríade básica (produtores literários – leitores – linguagem) que se tem a “tradição”. E para o autor, tal sistema inicia-se na segunda metade do século XVIII, no Arcadismo mineiro, e se estende até o Romantismo da primeira metade do século XIX.</p>
<p>Para que não se tenha dúvida: toda a literatura produzida no Brasil do século XVI a primeira metade do século XVIII é denominada por Candido de “manifestações literárias”. As demais produções, a partir de 1750, são consideradas partes integrantes da “literatura propriamente dita”, organizadas dentro de um “sistema literário”.</p>
<p>Esta noção, totalmente estrutural, foi elaborada pelo autor com base na sociologia. Em entrevista à Heloísa Pontes, Candido afirma que na época do seu doutorado estudou os autores Redfield, Melville Herskovits, Irving Hallowell, Raymond Firth, Malinowski, Evans Pritchard, Radcliffe-Brown, e que essas leituras (principalmente dos dois últimos autores) foram fundamentais para o seu pensamento nos estudos literários: “fiquei marcado pelo funcionalismo, me apeguei ao conceito de estrutura, que depois transpus da antropologia para a crítica literária”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn7">[7]</a></p>
<p>Portanto, é na Antropologia social inglesa, principalmente nas leituras de Evans Pritchard e Radcliffe-Brown, que Candido retira os elementos necessários para a noção de “sistema”.  Essa transposição do método antropológico para os estudos literários já marca no autor a transdisciplinaridade, a comparação do texto literário com outros campos do saber e, por que não dizer, com a “virada culturalista”, <a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn8">[8]</a>que marca a primeira metade do século XX.  Antonio Candido, ainda que não se possa chamá-lo de multiculturalista, realiza estudos multiculturais, se levarmos em conta as afirmações acima.</p>
<p>No entanto, algumas perguntas necessitam ser feitas. O que Candido aufere da Antropologia inglesa que de fato avaliza suas inferências sobre a literatura brasileira? Quais são as bases dessas afirmações? Pode-se pensar a literatura brasileira a partir dessas bases?</p>
<p>O autor não deixa claro no livro o lugar onde fundamenta o seu “sistema”. No entanto, de forma minuciosa, assinala às fontes que direcionam seu pensamento:</p>
<p>(&#8230;) Os escritores brasileiros que, em Portugal ou aqui, escrevem entre, digamos 1750 (início da atividade literária de Cláudio) e 1836 (iniciativa consciente de modificação literária, com a <em>Niterói</em>), tais escritores lançaram as bases de uma literatura orgânica, como sistema coerente e não manifestações isoladas.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn9">[9]</a></p>
<p>O uso das palavras “orgânicas” e “coerente”, embora possam passar ilesas numa leitura desatenta, não esclarece a “armadura teórica” de Candido. É no livro <em>Literatura e Sociedade</em>, publicado um pouco depois da <em>Formação</em>, que o autor traz alguns poucos esclarecimentos para os seus apontamentos:</p>
<p>A acepção aqui utilizada foi desenvolvida com certa influência da Antropologia Social Inglesa (tão atacada neste aspecto por Lévi-Strauss) e se aproximaria antes da noção de “forma orgânica”, relativa a cada obra e constituída pela inter-relação dinâmica dos seus elementos, exprimindo-se pela “coerência”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn10">[10]</a></p>
<p>Quem chama a atenção para este dado é o escritor Luiz Costa Lima, no texto “Concepção de História Literária na Formação”. Com um olhar bastante atento, o escritor direciona o olhar para a palavra “coerência”: “o privilégio pois do conceito de coerência também se prende à influência do funcionalismo antropológico inglês”. <a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn11">[11]</a> Indo à fonte, Costa Lima cita um trecho do ensaio <em>Estrutura e função na sociedade primitiva</em>, de Radcliffe-Brown:</p>
<p>“Função” é a contribuição que determinada atividade proporciona à atividade total da qual é parte. A função de determinado costume social é a contribuição que este oferece à vida social total como o funcionamento do sistema social total. Tal modo de ver implica que certo sistema social (&#8230;) tem certo tipo de unidade a que podemos chamar de unidade funcional. Podemos defini-lo como condição pela qual todas as partes do sistema social atuam juntas com suficiente grau de harmonia ou consistência interna, isto é, sem ocasionar conflitos persistentes que nem podem ser solucionados nem controlados.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn12">[12]</a></p>
<p>O que Costa Lima nos mostra, e sem dúvida é um mérito do seu trabalho, são as raízes do pensamento de Candido. Conforme já assinalado, o Funcionalismo teve um “impacto” significativo sobre o pensamento do crítico, e quando ele fala de “bases orgânicas”, de “sistema coerente”, não faz mais do que justificar sua vinculação à Antropologia inglesa. Uma forma de esclarecermos isso é nos atentarmos para a primeira frase da citação acima. Radcliffe-Brown afirma ser a “função” um aporte para a “atividade total da qual é parte”; ou seja, uma perfeita relação de contribuição para o todo, para a “coerência” e organicidade do sistema social. O pensamento funcionalista, portanto, articula-se em torno de uma homogeneidade, fruto sem dúvida de uma analogia com a Biologia, privilegiando a “’harmonia ou consistência’ do sistema”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn13">[13]</a></p>
<p>A comparação com a Biologia poderá esclarecer um pouco mais o pensamento de Candido. Qualquer pessoa, no mais absoluto senso comum, sabe que todas as partes do corpo humano confluem para um funcionamento coerente e perfeito. Se uma das partes está fora do “sistema”, com certeza todo o corpo padecerá. Portanto, o corpo humano – sendo aqui compreendido como um conjunto de funções que se organizam sistematicamente – necessita que as ligações entre seus membros sejam restritas, interdependentes, coerentes, e que suas tarefas sejam desempenhadas em conjunto; dessa forma, temos um “corpo” perfeito. É dessa forma que o Funcionalismo inglês pensava o “sistema social”. Segundo Costa Lima, “às relações sociais então se conectam sua concepção de tempo, seus sistemas políticos e de linhagem”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn14">[14]</a></p>
<p>É pelas concepções de tempo, política, história e de linhagem, que Antonio Candido faz o seu recorte a partir do Arcadismo. O autor está em busca de uma “coerência” e “coesão” histórica, homogênea, conforme já dito acima.</p>
<p>No entanto, se podemos concordar com Costa Lima na afirmação de que “o sistema é da mais absoluta coerência e a coesão não pouco invejável”, queremos ir um pouco além e observar a sistematização de Candido através de outros olhares.</p>
<p>Colocar o Arcadismo como pedra fundamental da nossa formação literária custou caro para o autor, tanto para os que consideram literatura brasileira toda a produção literária desde o período quinhentista, quanto os que não concordaram com a exclusão do Barroco. Duas obras são fundamentais nestes aspectos: <em>Conceito de literatura brasileira</em>, de Afrânio Coutinho, e <em>O sequestro do barroco na formação da literatura brasileira: o caso gregório de matos</em>, de Haroldo de Campos.</p>
<p>O livro de Afrânio Coutinho foi escrito em 1960, um ano após a publicação da <em>Formação</em>. Numa clara demonstração de resposta a obra de Candido, Coutinho busca desconstruir o pensamento crítico que estabelece uma distinção entre <em>literatura colonial</em> e <em>literatura nacional</em>. Para ele, tal distinção favorece a historiografia portuguesa, que costuma colocar toda a produção literária brasileira do período colonial como que pertencente a literatura daquele país: “tal perspectiva acostumou uns e outros a encarar o passado literário português como comum a Brasil e Portugal. Eram os chamados ‘clássicos’ luso-brasileiros, patrimônio de uma cultura comum, vazada numa mesma língua”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn15">[15]</a> </p>
<p>Afrânio Coutinho afirma que “escapou” à visão do português o processo de “revolução” que se estabeleceu na colônia desde o momento que os primeiros homens que para aqui se transferiram ou nasceram:</p>
<p>Revolução tão importante que, desde o primeiro momento havia transformado a mentalidade dos habitantes, através de mudança da sensibilidade, das motivações, interesses, reações, maneiras de ser e agir novas, tudo provocado pela nova situação histórica e geográfica. (&#8230;) Os colonos à medida que se afastavam da costa e pequenos povoados, regrediam à condição primitiva, esquecendo o estado de civilizados, a fim de adaptar-se ao meio e de habilitar-se à luta com os silvícolas. (&#8230;) Um homem novo criou-se desde o primeiro instante em que pôs o pé no novo mundo.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn16">[16]</a></p>
<p>Coutinho chama atenção para o caráter político da palavra “colonial”. Para o autor, o emprego de tal termo nos estudos literários apresenta uma visão da literatura como “epifenômeno da vida política e social”, relacionada ao fato político do Brasil, no período denominado “literatura colonial”, ser uma colônia de Portugal. Daí que só se tem autonomia literária a partir da independência política (consequentemente, depois de 1822). Neste aspecto, a palavra “colonial” soa inadequado por pressupor que a produção literária passasse pelo mesmo “processo pelo qual o povo colonizador exerce a colonização do povo colonizado”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn17">[17]</a> E a observar a crítica literária, seus pressupostos e características, não há outro critério para a inclusão do termo senão pelos vezos sócio-político e econômicos do Brasil daquele tempo.    </p>
<p>O leitor que conhece o texto da <em>Formação</em> perceberá que Afrânio Coutinho ataca principalmente as proposições de Candido, em função de este ter sido um dos que se valem do termo “luso-brasileiro” (ou “literatura comum”) como forma de caracterizar não somente algumas das “manifestações literárias” brasileiras, mas também algumas produções dos “momentos decisivos” da formação literária a partir de 1750.</p>
<p>Para Coutinho, deslocar-se do local de origem para uma terra estrangeira, habitar em outro território que não seja sua pátria, já pressupõe um novo homem que se instaura, um grau zero da vida. Daí desconsiderar a “noção de sistema literário” de Candido, por acreditar que essa privilegia o conceito de <em>literatura colonial</em>, colocando as produções do período colonial como aspecto da portuguesa.</p>
<p>Afrânio Coutinho afirma que Candido confunde “autonomia” com “formação”. Esta, para ele, começa desde as primeiras manifestações literárias do país, tendo Antonio Viera e Gregório de Matos como seus principais nomes. Já a “autonomia” literária começa exatamente no espaço em que Candido enxerga o início da nossa “formação”: a partir de 1750, com as academias e os árcades mineiros.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn18">[18]</a>  </p>
<p>A obra de Coutinho e a de Haroldo de Campos possuem uma preocupação comum: a não inclusão do barroco na “formação” de Candido. Em <em>O Sequestro do Barroco</em>, Campos chama a atenção para um problema que verifica na <em>Formação</em>, ancorando-se nas “funções da linguagem” arquitetadas por Roman Jakobson:</p>
<p>O modelo semiológico, articulado por Antonio Candido para descrever a formação da literatura brasileira, privilegia as funções EMOTIVA e REFERENCIAL, acopladas na função COMUNICATIVO-EXPRESSIVA de exteriorização das “veleidades mais profundas do indivíduo” e de “interpretação das diferentes esferas da realidade”. <a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn19">[19]</a></p>
<p>A “literatura que privilegia a função EMOTIVA”, segundo o autor, em conformidade com a teoria de Jakobson, “é a literatura romântica”. Com base nisso, o autor define o pensamento de Candido da seguinte maneira:</p>
<p>Quando ao privilégio dessa função EMOTIVA se alia uma vocação igualmente enfática para a função REFERENCIAL (para a literatura da 3ª pessoa pronominal, objetiva, descritiva, tal como caracterizada pela épica), é possível dizer que estamos diante de um modelo literário do tipo romântico imbuído de aspirações classicizantes (aspirações a converter-se, num momento de apogeu, em “classicismo nacional”).<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn20">[20]</a></p>
<p>Embora Haroldo de Campos valha-se do linguista russo para fazer sua definição, bem claro já estava na <em>Formação</em> esta ligação com o pensamento romântico:</p>
<p>o leitor perceberá que me coloquei deliberadamente no ângulo dos nossos primeiros românticos e dos críticos estrangeiros que, antes deles, localizaram na fase arcádica o início da nossa verdadeira literatura, graças à manifestação de temas, notadamente o Indianismo, que dominarão a produção oitocentista.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn21">[21]</a></p>
<p>A crítica de Campos, portanto, gira em torno da recuperação do cânone do século XVII – Gregório de Matos – por entender que não é clara a sentença de Candido que afirma que Gregório não existiu numa “perspectiva histórica”, que não contribuiu para o “sistema literário”,<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn22">[22]</a> já que ele é “a fonte dessa mesma história”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn23">[23]</a> Para Campos, não tem outra explicação para a “exclusão” senão pelo vezo da valoração, do olhar crítico de Candido que sempre tende para a “relutância, as hesitações judicativas, na abordagem do Barroco brasileiro”. A própria noção de público leitor que Candido emprega não visualiza de fato suas proposições, já que não se tem a dimensão desse volume de leitores das produções neoclássicas. E se o autor leva em conta a realidade regional, o público baiano e pernambucano do século XVII, que conheceu e divulgou a poesia de Gregório, garantiriam o lugar do poeta no “sistema literário”; somente através de uma visão linear e “finalista da história literária”, na busca pelos “momentos decisivos”, que se consegue excluir as produções do século XVI e XVII, segundo Campos.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn24">[24]</a></p>
<p>Tais palavras são atestadas por Costa Lima, quando afirma que a “coesão” e a “coerência” do sistema literário de Candido são articuladas na concatenação das relações sociais com a sua “concepção de tempo, seus sistemas político e de linhagem”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn25">[25]</a> E o que Haroldo de Campos e, de certa forma, Afrânio Coutinho criticam é o fato do autor da <em>Formação</em> pensar a literatura brasileira de forma “orgânica”, “homogênea”. Se para o segundo, a literatura brasileira já estava formada, ainda que sem as bases orgânicas, inclusive sugerindo <em>Autonomia da literatura brasileira</em> como o nome correto para o livro de Candido; o primeiro afirma que nossa literatura não teve infância, não teve um nascimento “simples”, mas “já nasceu adulta”, tendo uma origem de “transformação”, “vertiginosa”, num diálogo claro com Walter Benjamin.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn26">[26]</a></p>
<p>No entanto, embora façam um trabalho digno de leitura e crítica da <em>Formação</em>, ambos os escritores – Afrânio e Haroldo – partem de visões com as quais não concordamos. Afrânio Coutinho, embora faça uma crítica no mínimo interessante à tese de Antonio Candido, enfatiza a ideia de formação literária quando coloca o Barroco como o início desta, discordando do Arcadismo pensado por Candido, colocando inclusive as figuras de Antonio Vieira e Gregório de Matos como os principais fundadores; Além disso, constrói seu pensamento por um vezo nacionalista, que por vezes cai num discurso “localista”. Com relação a Haroldo de Campos, acreditamos ser um anacronismo atribuir a Gregório de Matos a verdadeira autoria dos poemas que contêm seu nome, principalmente depois da obra <em>A Sátira e o engenho</em>, de João Adolfo Hansen, que afirma:</p>
<p>“Gregório de Matos” é uma etiqueta, unidade imaginária e cambiante nos discursos que o compõem contraditoriamente numa hierarquia estética, determinada pela “cadeia de recepções”, na expressão de Jauss. Não-substancial, é <em>efeito</em> da leitura dos poemas atribuídos, não sua <em>causa</em>.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn27">[27]</a></p>
<p>Além disso, não acreditamos que tenha ocorrido de fato um “seqüestro”, já que Candido sequer leva em conta os períodos anteriores a 1750. No entanto, concordamos com Campos quando pensa a literatura como “trans-formação”, isto é, não homogêneo, não-linear.</p>
<p>Um olhar atual à historiografia literária não nos permite pensar uma literatura nacional a partir de nenhum dos pontos de vista elucidados acima (no caso, Antonio Candido, Afrânio Coutinho e Haroldo de Campos). Se perguntássemos ao escritor Jacint Verdaguer, ou até mesmo ao contemporâneo Jaume Cabré, qual a sua nacionalidade, não só diriam “catalão”, como também chamariam de “catalã” as suas literaturas. E se sabemos que a Catalunha não constitui um estado-nação de acordo com a tradição advinda do século XIX, pois politicamente faz parte do território espanhol, temos aqui um bom exemplo da fragilidade que se instala quando pensamos o sistema literário de acordo com Candido.</p>
<p>Se levarmos em conta as noções atuais de língua, povo e nação, veremos que as proposições lançadas na <em>Formação</em> se tornam complexas se ainda forem aplicadas à literatura brasileira, haja vista a fluidez que tais conceitos possuem no mundo contemporâneo. Peguemos a noção de língua, por exemplo: se nos séculos XIX e XX ela era imprescindível para se caracterizar uma literatura nacional, atualmente tal conceito se perde a partir do momento que surgem escritores como a turca Elif Shafak, que escreve suas obras tanto em turco quanto em inglês.</p>
<p>Voltemos agora ao início do nosso texto, no ponto em que propomos discutir a afirmação de que a literatura brasileira é “galho secundário da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no jardim das Musas&#8230;”. Foi neste ponto que vimos Candido fazer literatura comparada, já que compara a produção literária brasileira com as produções européias. Com o intuito de clarear a mente do leitor, tais palavras foram escritas no primeiro prefácio à Formação, em 1959; portanto, o autor tinha visto passar diante dos seus olhos toda a movimentação da literatura brasileira, desde a década de 30 à geração de 45. Uma pergunta se faz necessária: se galho é parte de um todo, o que de fato é a literatura brasileira? Se a brasileira é o galho, onde se localiza a árvore?</p>
<p>Não há explicação para a afirmação de Candido senão pelo pressuposto de haver aí a um juízo de valor, que se sustenta em face da ocultação no texto das bases que sustentam tal definição. O que garante ao crítico que <em>Grande Sertão: Veredas</em>, de João Guimarães Rosa, é uma literatura menor que <em>Crime e Castigo</em>, de Dostoievsky? </p>
<p>Se a abordagem do autor faz referências às produções literárias dos séculos anteriores (XVI, XVII, XVIII e XIX), de imediato temos a falha de informação no texto da <em>Formação</em>, que não marca no tempo e no espaço a afirmação do autor. Todavia, se tais palavras alfinetam as temáticas, a não pureza ideológica e o caráter híbrido de nossos autores, chamamos atenção para o ensaio “O entre-lugar do discurso latino-americano”, de Silviano Santiago, que afirma que “a maior contribuição da América Latina para a cultura ocidental vem da destruição sistemática dos conceitos de unidade e de pureza”. Para este, a América Latina se posiciona no ocidente exatamente no “movimento de desvio da norma, ativo e destruidor, que transfigura os elementos feitos e imutáveis que os europeus exportavam para o Novo Mundo”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn28">[28]</a></p>
<p>O discurso de Candido parece atender a uma época que para a América Latina não existe. Não somos intelectualmente do tempo de Quixote, não nascemos no mesmo continente que Homero, Horácio. Palavras como essa, segundo Santiago, “reduz a criação dos artistas latino-americanos à condição de obra parasita, uma obra que se nutre de uma outra sem nunca a lhe acrescentar algo de próprio; uma obra cuja vida é limitada e precária, aprisionada que se encontra pelo brilho e pelo prestígio da fonte, do chefe-de-escola”.<a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftn29">[29]</a></p>
<p>A literatura brasileira, como toda a latino-americana, nasce exatamente como segunda. E nisso consiste o seu sabor. Na assimilação de que somos um povo colonizado, que recebemos uma cultura imposta, arbitrária e reacionária, mas que, a partir disso, construímos nossa trapaça no poder, citando Roland Barthes, nossa literatura parte como um segundo texto, mas totalmente desviado do discurso dominante.</p>
<p><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>
<p>Campos, Haroldo de. <em>O Sequestro do barroco na formação da literatura brasileira: o caso Gregório de Matos</em>. 2ª Ed. Salvador: FOJA, 1989.</p>
<p>Candido, Antonio. <em>Formação da literatura brasileira: momentos decisivos</em>. 12ª Ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2009.</p>
<p>______________. <em>Literatura e Sociedade</em>. São Paulo: Nacional, 1965.</p>
<p>Carvalhal, Tania Franco. <em>Culturas, Contextos e Discursos: Limiares Críticos no Comparatismo</em>. Porto Alegre: Editora da Universidade, 1999.</p>
<p>Lima, Luiz Costa. <em>Pensando nos trópicos: dispersa demanda II</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1991.</p>
<p>Pontes, Heloísa. <em>Entrevista com Antonio Candido</em>. RBCS. V. 16. Nº 47. Outubro/2001</p>
<p>Santiago. <em>Uma literatura nos trópicos</em>. São Paulo: Perspectiva, 1978.</p>
<hr size="1" /><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref1">[1]</a> Graduado em Letras e Mestrando em Estudos Literários – UFES. Professor de Literatura. Compositor, Músico e um dos fundadores da banda Zamba’Bem.</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref2">[2]</a> Candido, Antonio. “Prefácio da 1ª edição”. In: <em>Formação da literatura brasileira: momentos decisivos</em>. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2009. As demais citações da obra se darão pela sigla FDB seguida do número da página no corpo do texto.</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref3">[3]</a> Em artigo posterior, Candido vai afirmar que “estudar literatura brasileira é fazer literatura comparada (Candido, 1993, p.211)</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref4">[4]</a> Marques, Reinaldo. “Literatura comparada e estudos culturais: diálogos interdisciplinares. In: <em>Culturas, Contextos e Discursos: Limiares Críticos no Comparatismo</em>. Porto Alegre: Editora da Universidade, 1999.  p.60</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref5">[5]</a> Candido, Antonio. <em>Literatura e Sociedade</em>. São Paulo: Nacional, 1965. p.7</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref6">[6]</a> Candido, Antonio. op. cit. p. 25</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref7">[7]</a> Pontes, Heloísa. <em>Entrevista com Antonio Candido</em>. RBCS. v.16 nº 47. Outubro/2001</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref8">[8]</a> Seligmann-Silva, Márcio. “Teoria literária? Esqueça!”. In: <em>a crítica literária: percursos, métodos, exercícios</em>. Vitória: Edufes, 2009. p. 87</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref9">[9]</a> Candido, Antonio. op. cit. p. 71</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref10">[10]</a> Candido, Antonio. Literatura e Sociedade.</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref11">[11]</a> Lima, Luiz Costa. Concepção de História Literária na Formação. Rio de Janeiro: Rocco, 1991. p. 160</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref12">[12]</a> Radcliffe Brown, A. R. <em>Apud</em>: Lima, Luiz Costa. op. cit. p. 161</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref13">[13]</a> Lima, Luiz Costa. op. cit. p. 161</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref14">[14]</a> Idem. Ibidem.</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref15">[15]</a>[15] Coutinho, Afrânio. <em>Conceito de literatura brasileira</em>. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1960. p. 10</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref16">[16]</a> Idem. Ibidem.</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref17">[17]</a> Coutinho, Afrânio. op. cit. p. 17</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref18">[18]</a> Coutinho, Afrânio. op. cit. p. 62</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref19">[19]</a> Campos, Haroldo. <em>O sequestro do barroco na formação da literatura brasileira: o caso gregório de matos</em>. 2ª Ed. Salvador: FOJA, 1989. p. 27</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref20">[20]</a> Idem. p. 28</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref21">[21]</a>  Candido, Antonio. op. cit. p. 27</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref22">[22]</a> Candido, Antonio. op. cit. p. 26</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref23">[23]</a> Campos, Haroldo. op. cit. p. 43</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref24">[24]</a> Idem. p. 51-52</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref25">[25]</a> Lima, Luiz Costa. op. cit. p. 161</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref26">[26]</a> Campos, Haroldo. op. cit. p. 64</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref27">[27]</a> Hansen, J.A. A Sátira e o engenho. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. p. 14-15</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref28">[28]</a> Santiago, Silviano. “O entre-lugar do discurso latino-americano”. In: Uma literatura nos trópicos. São Paulo: Perspectiva, 1978. p. 18</p>
<p><a href="http://soylocoporti.com/wp-admin/post-new.php#_ftnref29">[29]</a> Idem.</p>
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			window.open(url,'sharer','toolbar=0,status=0,width=626,height=436');
			return false;
		}
	
		if (button.id === 'facebook_share_button_1393') {
			button.onmouseover = function(){
				this.style.color='#fff';
				this.style.borderColor = '#295582';
				this.style.backgroundColor = '#3b5998';
			}
			button.onmouseout = function(){
				this.style.color = '#3b5998';
				this.style.borderColor = '#d8dfea';
				this.style.backgroundColor = '#fff';
			}
		}
	}
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