<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131</atom:id><lastBuildDate>Sat, 05 Oct 2024 01:57:03 +0000</lastBuildDate><category>Ebook</category><category>O Vlog de Carolina</category><category>Ilustraçoes</category><category>Novidades</category><title>Teatro Caricato em Prosa</title><description></description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Anonymous)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>54</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-2907445938704585833</guid><pubDate>Mon, 01 Sep 2014 03:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-31T20:53:32.604-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>49 - A ignorada</title><description>Valéria levou a mão à boca. Viu Carolina apoiar-se na parede, 
tentando manter o equilíbrio. O rosto dela ficou encoberto pelo cabelo, 
ganhando uma marca vermelha na bochecha, no formato dos dedos de 
Fernanda.
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Esta, por sua vez, mantinha suas mãos na altura do peito, em posição de sentido, pronta para qualquer retaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se
 Carolina pretendia revidar, não deu tempo de descobrir. Pois Valéria, 
prevendo o pior, resolveu dar um passo adiante. Colocou-se entre as 
duas, volvendo seus olhos azuis para a promotora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suas pupilas brilhavam intensas, frias e alertas, revelando grande autoridade. Tomou-a pelo pulso, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Venha comigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua
 voz firme trouxe Fernanda de volta a si, fazendo com que olhasse para o
 rosto coberto de Carolina. Num segundo, percebera o que fez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu... eu...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O
 ódio virou ansiedade. Começou a tremer, baixando uma das mãos até a 
coxa. A outra permanecia firme entre os dedos de Valéria, que começou a 
puxá-la para a porta, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Vá para o vestiário. Lave o rosto. Peça dispensa para o Carlos, se precisar. Mas não volte aqui enquanto não estiver calma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda
 não respondeu. Apenas caminhou lentamente, cuidando para não esbarrar 
em Carolina. Deixou-se guiar pela ruiva, ouvindo-a dizer:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Entendeu o que eu disse, Fernanda?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisso,
 o ego dela se feriu. Era como se recebesse um puxão de orelha. Não 
achou justo ser tratada assim, enquanto Carolina era poupada. Afinal, 
foi ela quem a ofendeu primeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rancorosa, respondeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Vou dizer o que eu entendi. Entendi que vocês são um bando de panelinhas! Só sabem babar ovo pela Carolina!&lt;br /&gt;
— O quê?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fez
 um movimento brusco, soltando-se da mão de Valéria. Suas mechas, 
movendo-se para a frente do rosto, prenderam-se entre seus lábios. 
Sentiu o gosto amargo do shampoo, antes de assoprá-las para longe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Endireitando os ombros, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Alice preferiu ficar de papinho com ela no corredor, em vez de vir me 
ajudar com Seu Paulo. Dalborga preferiu socorrê-la, em vez de me 
levantar do chão. E agora você vem me dar bronca, mesmo ela me xingando 
primeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apontou para a escrivaninha, elevando a voz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— 
Eu fico aqui abandonada, correndo atrás de patrocinadores o dia todo! 
Fico carregando essa empresa nas costas, cumprindo minhas metas todos os
 meses! E em vez de vocês me darem valor, só ficam paparicando a 
bonitona ali! Só ficam preocupados em passar a mão na cabeça dela! A 
mesma que está afastando a maioria dos nossos patrocinadores! E tudo por
 quê? Só porque ela é a famosinha! A lindinha dos olhos verdes! A 
bonequinha cheirosa com quem todos os maconheiros da faculdade querem 
trans...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda mordeu o lábio. Seu pudor católico a impediu de
 continuar. Virou o rosto e mexeu nos cabelos com a ponta dos dedos, 
envergonhada do que dissera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Valéria, ironicamente, olhou por cima dos ombros dela, atenta à Carolina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A
 vlogueira estava na mesma posição, com o braço direito apoiado na 
parede, enquanto o esquerdo tombava junto ao corpo. A gola da camisa, 
escorregando até o bíceps, revelava seu ombro esmorecido, delineado pela
 manga da camiseta preta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não esboçou reação. Não dava sinais de 
que escutara Fernanda. Apenas ficava ali, encoberta por suas mechas 
lisas e escuras, impedindo Valéria de adivinhar seus pensamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como tal, ajeitando a lapela, a âncora preparou-se para reconduzir Fernanda para a porta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas antes de poder fazê-lo, a loira voltou a olhar para Seu Paulo, que continuava desmaiado aos pés da cadeira, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Antes Alice tivesse ficado no outro corredor, fofocando com a boazona! 
Maldita a hora em que fui procurar pelas duas! Olha isso! Olha o 
martírio que ela colocou nos meus ombros!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pôs a mão na testa. Estava cansada de ficar ali. Respirou fundo e fez o sinal da cruz, dando sua benção ao velho zuero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não
 sentia piedade dele. Pouco se preocupava com sua saúde. Só fez isto por
 desencargo de consciência. Mesmo querendo perdoá-lo, ainda lembrava-se 
de como ele a tratara, enquanto estiveram na redação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dando-lhe 
as costas, seguiu por conta própria para o estúdio, esbarrando no ombro 
de Valéria. Fechou a porta com estrondo, fazendo a âncora pular de 
susto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Valéria alisou o tecido do blazer. Torceu o lábio, 
indignada com o esbarrão. Tentou relevar o caso, certa de que Fernanda 
passara por maus momentos. Contudo, também fez questão de memorizar o 
que ela lhe fez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apegada ao aprumo, desceu as mãos pelo quadril, 
desfazendo as dobras da saia, ao mesmo tempo em que via Carolina arrumar
 a gola da camisa, colocando-a de volta ao lugar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aproveitou a oportunidade para lhe dizer:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É melhor ir para a sala do Carlos. Faz tempo que ele está te procurand...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi quando emudeceu, segurando a respiração. Pensou tê-la ouvido fungar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando Carolina jogou o cabelo para trás, Valéria entendeu por que ela esteve imóvel, escondendo-se atrás do cabelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua face estava banhada de lágrimas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTT3BHZXlWUHRZaWc/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;O
 autor e seu estúdio de literatura estão trabalhando num projeto paralelo. Seu nome provisório é Utaite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta disso, o próximo capítulo será publicado no dia 
08/09, as 00:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt; &lt;b&gt;Esforços estão sendo feitos para oferecer um entretenimento variado, sofisticado e cada vez melhor.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no&lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://store.kobobooks.com/pt-BR/ebook/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-calcadao-parte-2&quot;&gt;Kobo&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.barnesandnoble.com/w/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-cal-ad-o-parte-2-gumpa-bk/1120028899?ean=2940045641463&amp;amp;isbn=2940045641463&quot;&gt;Barnes &amp;amp; Noble&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/49-ignorada.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-3413355135066324019</guid><pubDate>Mon, 25 Aug 2014 03:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-24T20:48:00.298-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>48 - Vulnerável</title><description>Fernanda olhou para o celular, fazendo cair uma mecha loira sobre a 
bochecha. Tentou ler os banners, cujas sílabas se movimentavam da 
direita para a esquerda, alternando entre o nome do produto, o preço à 
vista e os benefícios concedidos ao comprador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, como não conseguiu enxergar o que diziam, piscou os olhos para Carolina, sem saber do que ela falava.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Carolina bateu o dedo na tela, chamando atenção novamente para os banners.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Se as pessoas não gostam de estética embrionária, as grandes empresas 
não vão contrariá-las. Afinal, são seus clientes. E se as empresas 
apoiarem a opinião do povo, nenhum portal de notícias irá se opor, já 
que estas empresas o financia. Logo, no que diz respeito às clínicas 
embrionárias, nenhum jornalista será favorável ou neutro. Pois, se 
fizerem o contrário, não só ofenderão o povo, como também aborrecerão 
seus patrocinadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deslizando o dedo sobre a tela, Carolina 
acessou o artigo de Emílio Florentino. O mesmo mostrado a ela por Alice,
 lá no corredor dos funcionários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Indicando para Fernanda o título &lt;i&gt;Vloguismo tendencioso: estamos regredindo para o Apartheid?&lt;/i&gt;, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 É exatamente o que a Rede Lobo e a Seja estão fazendo: me chamando de 
preconceituosa de propósito. Só para agradar a opinião pública, e também
 para agradar, em seguida, os patrocinadores.&lt;br /&gt;
— Carolina, eu não 
quero saber dessas coisas. No final das contas, a verdade é uma só: você
 irritou a Narcisa &amp;amp; Brizola, a maior cliente que nós tínhamos. 
Apenas me diga se irá pedir desculpas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina sentiu o peito 
queimar. Lembrou-se da mansidão de Fernanda outra vez. Guardando o 
celular no bolso, colocou a mão na cintura e a encarou, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pedir desculpas pelo quê? Pelo respeito à liberdade de escolha? Uma liberdade garantida pela constituição?&lt;br /&gt;
— Não. Pela ousadia em falar o que ninguém queria ouvir.&lt;br /&gt;
— Isso é sério, Fernanda?!&lt;br /&gt;
—
 Pareço estar brincando? Olha na minha cara e me diga se estou 
brincando! Quem precisará correr atrás de novos patrocinadores, se a 
Narcisa &amp;amp; Brizola não voltar para nós?&lt;br /&gt;
— Me poupa! Não se faça de
 mártir! Eu saí perdendo tanto quanto você! Ou pensa que meu pagamento 
será igual ao do mês passado? Eu vou receber muito menos!&lt;br /&gt;
— É só pedir desculpas em público e... sei lá, comer acarajé na frente das câmeras. Daí todos irão te perdoar!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina deu um passo adiante, ficando cada vez mais irada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Até parece. Que humilhação! Desde quando virei uma celebridade 
polêmica? Do tipo que tenta mostrar seu lado humano a um programa de 
auditório?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda não se intimidou. Manteve-se firme em seu lugar, devolvendo no mesmo tom:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Desde que abriu essa bocona pra irritar meio mundo!&lt;br /&gt;
—
 Eu quero mais que esse meio mundo se exploda! Bando de gente sensível 
que não sabe conversar! Povo mimado, mal resolvido e inseguro que berra &lt;i&gt;racismo&lt;/i&gt; a troco de nada! O que os bolsonários tem de herança nazista, o brasileiro tem de coitadismo!&lt;br /&gt;
— Tsc, você...!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda
 emudeceu, virando o rosto para a escrivaninha. Mostrou-se cautelosa, 
enquanto Carolina fechava o punho, vertendo fogo pelos olhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— &lt;i&gt;Você&lt;/i&gt; o quê?&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
— Fala!&lt;br /&gt;
— Carlos está certo. Você traz problemas para o estúdio!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi quando Carolina ofegou, pega pelo calcanhar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relaxou os punhos, virando os olhos para o chão, pensando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Eu sei que estou trazendo problemas para vocês. Não precisa jogar na minha cara.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então cruzou os braços, como se abraçasse a si mesma. Ficou magoada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu
 vlog, motivo de orgulho pessoal, estava custando caro à imobiliária. A 
polêmica, ao que parecia, prolongaria-se por mais um tempo, talvez 
ganhando maior destaque nos noticiários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A desistência de outros 
patrocinadores era quase garantida. Uma desistência amarga e 
desanimadora, que dificultaria a interação de Carolina com Renato, 
Dalborga e Valéria, ao longo de todo o expediente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Mal se passaram três meses e já estou atrapalhando a todos. Poxa, acham que eu queria isso? Claro que não!”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentiu a garganta apertar, enquanto ouviu Fernanda lhe dizer, ainda implacável:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Onde você pretende chegar, agindo desse jeito? Por quanto tempo acha que te aguentarão aqui, se não mudar de atitude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina reuniu suas forças, voltando a encará-la.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E por que eu mudaria? Por que trocar minha coerência e honestidade por pão e circo, se não foi isto que me trouxe aqui? &lt;br /&gt;
—
 Porque no mundo publicitário, você não faz o que quer! Você fica de 
pernas abertas e deixa os clientes fazerem uma Sodoma e Gomorra em você!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora foi Fernanda quem deu um passo adiante, ostentando-se de peito empinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Afinal, é isso que você pensa de mim, não é?! Que sou uma libertina! 
Uma meretriz de corpo e alma, deitando e rolando com todos os Judás do 
bairro, só pra vender publicidade!&lt;br /&gt;
— Não. Acho que você é uma 
coitada! Uma submissa às merdas do empresariado londrinense, feito uma 
porca se rastejando por lavagem!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a gota d&#39;água. Fernanda 
ardeu em ódio, esbofeteando Carolina com toda a força, quase a 
derrubando no chão. O estalo ecoou pela central, fazendo o coração de 
Valéria pular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTek55SjJxbjhVOUU/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Como o 
autor está experimentando a nova técnica narrativa, o próximo capítulo 
será publicado no dia 31/08, as 00:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;b&gt; Esforços estão sendo feitos para oferecer uma experiência de leitura cada vez melhor.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no&lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://store.kobobooks.com/pt-BR/ebook/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-calcadao-parte-2&quot;&gt;Kobo&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.barnesandnoble.com/w/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-cal-ad-o-parte-2-gumpa-bk/1120028899?ean=2940045641463&amp;amp;isbn=2940045641463&quot;&gt;Barnes &amp;amp; Noble&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/48-vulneravel.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-5895313582179934426</guid><pubDate>Sun, 24 Aug 2014 02:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-24T20:46:49.041-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>47 - É proibido ser razoável</title><description>Carolina foi pega de surpresa. Como não escutou Fernanda se levantar, espantou-se com sua interrupção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com
 o pulso latejando, olhou de relance para a loira, cujo delineador, 
umedecido pelas lágrimas, borrara-lhe os olhos, arruinando a maquiagem.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Fernanda
 mostrava-se recuperada. Exibia lábios rijos e ombros retos, com franjas
 descabeladas caindo sobre as sobrancelhas. Parecia uma investigadora 
desmazelada, pronta para um inquérito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se ainda pensava em Seu 
Paulo, era difícil adivinhar. Apenas permanecia ali, de pé atrás da 
cadeira, esperando uma resposta da vlogueira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, notando 
seus olhos lacrimejados, lembrou-se de sua submissão ao zueiro. A 
gentileza, o sorriso, a oferta de propaganda gratuita no vlog: estas 
recordações oprimiram seu peito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto que, sentindo as veias saltarem, simplesmente disse, sem virar para Fernanda:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, Alice vai rasgar o contrato da Narcisa &amp;amp; Brizola. Eles cortaram a parceria conosco.&lt;br /&gt;
— Cristo meu! Quando foi isto?&lt;br /&gt;
— Hoje. Ela me contou enquanto conversávamos no corredor, um pouco antes de você aparecer.&lt;br /&gt;
— Mas por que eles nos cortaram?&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nisso, Fernanda sentiu o coração se contrair. Levou a mão ao peito, angustiada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Foi por causa do seu vlog?&lt;br /&gt;
— Hmm, não o vlog em si.&lt;br /&gt;
— Então...?&lt;br /&gt;
— Foi porque falei sobre clínicas de estética embrionária. Eles ficaram constrangidos com isso.&lt;br /&gt;
— Mas eu lembro da sua conversa com Alice. Você disse que foi imparcial.&lt;br /&gt;
— Sim, é verdade. Não defendi as clínicas e nem as condenei.&lt;br /&gt;
— Então qual foi o pecado? Isso, por si só, não é uma benção?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina olhou para Fernanda, dando-lhe maior atenção. A barra da camisa se mexeu, pousando sobre o cós da sua calça jeans.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Para o comércio brasileiro, não. Especialmente para a Narcisa &amp;amp; 
Brizola, que atende clientes de várias etnias. Se a loja quiser agradar a
 todos, precisa celebrar o multiculturalismo. E precisa fazer isto 
mantendo-se longe dos preconceituosos.&lt;br /&gt;
— Como assim? A Landschaft não é preconceituosa.&lt;br /&gt;
— Não. Mas a Café com Leite, a Rede Lobo e a Seja estão me acusando de preconceito. E eu trabalho na Landschaft, não?!&lt;br /&gt;
—
 Trabalha, mas e daí?! Pelo que entendi, você não condenou esse 
multi-não-sei-o-quê. Ou, pelo menos, não deu motivos para pensarem 
assim. Não tinham por que nos crucificar.&lt;br /&gt;
— Fernanda, o Brasil odeia a
 estética embrionária. Ou melhor dizendo: esse serviço é odiado por 
lideranças importantes do senado, das universidades amazonenses, do 
candomblé baiano e do setor cultural carioca. Eles acham que interferir 
na aparência de um bebê é um ato racista e imoral. Uma ameaça à nossa 
diversidade. Portanto, combatem as clínicas embrionárias do mesmo jeito 
que vocês, católicos, combatem o diabo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda estremeceu. Fez o sinal da cruz, pedindo a proteção divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, balançando a cabeça, ignorou seu misticismo e continuou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Para o brasileiro médio, a estética embrionária é um demônio. Veio para
 fazer uma limpeza étnica. Para atender a vontade da classe média 
paulistana e sulista. Logo, ninguém quer falar no assunto. Ninguém quer 
ouvi-lo. E se alguém precisar dizer algo a respeito, tem de ser com 
indignação, reprovando sua existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deu de ombros, como se negasse doces a uma criança mimada, enrugando o pé da sua gola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como eu não fiz isto, a Narcisa &amp;amp; Brizola se constrangeu e achou melhor não divulgar no meu vlog.&lt;br /&gt;
— Tudo bem. Que seja. As clínicas são malditas. Ou, pelo menos, o povo diz que são malditas. E daí? Você não as recomendou.&lt;br /&gt;
— Realmente: não as recomendei. Mas também não as critiquei.&lt;br /&gt;
— Lá vem você de novo. É essa parte que eu não entendo!&lt;br /&gt;
—
 Você não me ouviu? Eu disse que, para o brasileiro médio, especialmente
 para a mídia, a estética embrionária é condenável. Não é politicamente 
correto elogiá-la. Não é politicamente correto ficar neutro sobre ela. 
Ou você fala mal, ou fica quieto. A opinião pública não aceita nada além
 disso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apontou o dedo para si, enfática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como não falei mal, automaticamente pensam que eu apoio a coisa toda, e que portanto sou preconceituosa.&lt;br /&gt;
— Mas ficar em cima do muro, como você ficou, não significa apoiar, e sim não ter opinião.&lt;br /&gt;
— Você e eu sabemos disso. Mas e o brasileiro comum? Ele sabe?&lt;br /&gt;
— Eu... eu não sei. Deveria, não é?! Especialmente a Narcisa &amp;amp; Brizola.&lt;br /&gt;
—
 Sim, deveria. Você escolheu a palavra certa: DEVERIA. Mas a opinião dos
 brasileiros não é razoável. Ela é movida por paixão indisciplinada, 
tornando-a ainda mais extremista. Do ponto de vista deles, ou você é 
contra, ou é a favor. Ou é direitista, ou é esquerdista. Não acreditam 
em imparcialidade, nem no equilíbrio dos opostos. Só sabem ficar 
ariscos, caso alguém tente unir os dois lados. Ficam desconfiando de 
segundas intenções, como se tudo girasse ao redor de uma teoria da 
conspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina arfou, falando por mais tempo do que seu 
pulmão aguentava. Enquanto retomava o folego, Renato se dirigiu para a 
porta, levando Cloara em seus braços. As mechas da socialite se 
balançaram, ondulando nuca abaixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cruzando por Valéria, o corpulento editor acenou para Seu Paulo, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Já chamei uma ambulância. Agora vou levar Cloara para o vestiário. Vou 
tentar acordá-la. O peso dela já tá me cansando. Acho até que as 
reportagens sobre dieta são fachada!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por instinto, Valéria olhou 
para Cloara, avaliando a proporção do seu corpo. Mas quando percebeu o 
que estava fazendo, voltou-se sem graça para Seu Paulo, empurrando sua 
mecha cor de maçã para trás da orelha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retomando a pose, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Faz tempo que você chamou a ambulância?&lt;br /&gt;
—
 Não, mas talvez ela chegue antes de eu voltar. Uma de vocês precisa 
esperar aqui. E não pode ser Carolina, porque Carlos quer falar com ela.&lt;br /&gt;
— Bem, se Fernanda não puder ficar, eu fico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora
 mais seguro, Renato partiu, certo de que Valéria cuidaria do resto. 
Seus passos eram ouvidos estúdio adentro, sumindo num abrir e fechar de 
porta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Valéria, por sua vez, começou a observar Carolina, atentando 
ao que ela fazia. Notou que ela retirara o celular do bolso, usando-o para 
acessar a internet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abrindo a página principal da Seja, a vlogueira virou a tela para Fernanda, apontando-lhe os banners promocionais do site.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Era isto que eu estava tentando dizer à Alice. O verdadeiro motivo de me chamarem de preconceituosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTelM2a0g1UHU5Q2c/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 25/08, as 00:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no&lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: black;&quot;&gt; &lt;/span&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://store.kobobooks.com/pt-BR/ebook/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-calcadao-parte-2&quot;&gt;Kobo&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.barnesandnoble.com/w/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-cal-ad-o-parte-2-gumpa-bk/1120028899?ean=2940045641463&amp;amp;isbn=2940045641463&quot;&gt;Barnes &amp;amp; Noble&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/47-e-proibido-ser-razoavel.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-8948541468282564645</guid><pubDate>Thu, 14 Aug 2014 03:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-13T22:12:09.708-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>46 - A ex-candidata à embaixada bolsonária</title><description>A piada de Valéria, dita com tanta secura na frente de um idoso 
ensanguentado, foi um absurdo tão grande que acabou amenizando o ar da 
central. Tanto o humor inoportuno quanto a reação inabalada da jovem 
âncora reconfortaram o coração de Carolina. Era como se Valéria, por 
meio desta atitude, não visse motivo para pânico, mesmo diante de uma 
cena tão bárbara.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Porém, quando ela notou o sangue empoçado de Seu Paulo, demonstrou uma preocupação igual a de Renato, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É melhor movê-lo para um lugar limpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato, piscando atrás do Eagle Glass, sentindo o corpo de Cloara pressionando suas pulseiras frias contra a pele, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não, deixa pra lá. Carol disse que ele quebrou um osso.&lt;br /&gt;
— Hmm, nossa. A queda foi tão grande assim?&lt;br /&gt;
— Não sei, mas os chutes do Dalborga provavelmente fizeram um bom estrago.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
—
 E isso é estranho, porque eu não escutei nada lá da redação. Estou 
falando: essas divisórias à prova de som ainda vão abafar muitas coisas 
ruins.&lt;br /&gt;
— Chutes?&lt;br /&gt;
— Sim.&lt;br /&gt;
— Como assim chutes?&lt;br /&gt;
— Dalborga chutou o old man duas vezes.&lt;br /&gt;
— Renato, eu pensei que ele tinha tropeçado e caído. Quer dizer que não foi um acidente?&lt;br /&gt;
— Sinceridade?! Eu não sei. O que aconteceu aqui, marreco?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, recostada na escrivaninha, ajeitou a manga da camisa e moveu sua franja para longe dos olhos, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Alice sentou o tablet na cabeça do vagabundo, como o Dalborga diria.&lt;br /&gt;
— Que nada. Ele diria o &lt;i&gt;filho da lula peidou pra muzenga&lt;/i&gt;. Mas por que ela fez isto?&lt;br /&gt;
— Olha, não que eu seja o centro do universo, mas... eu acho que Alice fez isto só pra me agradar.&lt;br /&gt;
— Sério? Pra quê? Talvez te levar pra cama?&lt;br /&gt;
— Não! Pra ser minha melhor amiga, ou algo assim.&lt;br /&gt;
— Ainda não vejo a diferença.&lt;br /&gt;
— Renato, você não sabe a diferença entre &lt;i&gt;melhores amigas&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;amantes&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;
— Não. Desde quando há uma diferença? &lt;br /&gt;
— Desde sempre! A melhor amiga só fica na torcida, enquanto o amante faz o gol.&lt;br /&gt;
— Eu já dei goleada nas minhas melhores amigas e, mesmo assim, continuamos torcendo uns para os outros.&lt;br /&gt;
—
 No seu mundinho de metrossexual solteiro, você pode até misturar as 
duas coisas, como se fossem um sorvete italiano. Mas no meu mundo de 
jornalista atarefada, a arquibancada é reservada para as amigas, 
enquanto o gramado é reservado aos amantes.&lt;br /&gt;
— Então você deixará Alice na friendzone?&lt;br /&gt;
—
 Primeiro: como a friendzone é só para amigos, ela não se encaixa lá, 
porque não é minha amiga. Segundo: eu já disse que Alice não está 
atraída por mim. Ela fez isto porque... sei lá, porque me acha 
geneticamente perfeita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato deu risada, balançando a cabeça de Cloara para cima e para baixo, sem querer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Quanto mais você fala, mais se complica, marreco!&lt;br /&gt;
— Como assim?&lt;br /&gt;
— Geneticamente perfeita? Esse é o jeito biológico de dizer &lt;i&gt;gostosa&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
—
 Besta! Acontece que Alice é uma bolsonária apaixonada pela eugenia. Ou,
 pelo menos, eu acho que ela é, porque fica falando coisas como &lt;i&gt;acéfalo, glorioso sul &lt;/i&gt;e&lt;i&gt; nordeste miserável.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Valéria,
 olhando para Seu Paulo enquanto ouvia os dois falarem, fechou os olhos e
 cruzou os braços, como se lembrasse de algo ruim. Suspirando 
incomodada, disse à Carolina:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, ela é bolsonária. Já tentou me recrutar para o grupo, antes de você trabalhar aqui.&lt;br /&gt;
— Mesmo?&lt;br /&gt;
—
 Bem, ela me adicionou no Bicadas e tentou conversar comigo várias 
vezes, lá no chat. De primeira, eu dava atenção, só por educação. Mas 
com o tempo, Alice começou a falar coisas estranhas.&lt;br /&gt;
— Coisas do tipo &lt;i&gt;você é um exemplo do que o Brasil precisa&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;
— Não apenas isso, como também &lt;i&gt;você seria o modelo perfeito para criarmos uma geração homogênea e unificada&lt;/i&gt;, ou qualquer coisa assim.&lt;br /&gt;
— Hmm...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina começou a reparar na aparência de Valéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabelos
 ruivos e lisos, que pendiam três dedos abaixo dos ombros, com longas 
franjas laterais emoldurando o rosto. Olhos azuis e amendoados, exibindo
 o brilho competente e esperto dos seus 25 anos. Blazer social preto, 
abotoado até a metade da aba frontal, com camisa feminina branca de gola
 fechada, saia escura de poliéster liso e meia-calça fio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era a personificação do que se costumara chamar &lt;i&gt;raríssima otome de olhos azuis&lt;/i&gt;,
 expressão atribuída a brasileiras jovens, brancas, de olhos claros e 
cabelos ruivos ou loiros. Um jargão importado do Japão e disseminado 
entre os amantes de desenhos animados japoneses, e que agora, em 2060, 
incorporava-se ao vocabulário dos militantes pró-eugenia, eternos 
insatisfeitos com a miscigenação do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, olhando alternadamente a pele, a pupila e o cabelo de Valéria, pensou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“As preferências bolsonárias orgulhariam Monteiro Lobato.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto
 isso, Fernanda acordava do seu estupor, finalmente se levantando do 
chão. Amparando-se na cadeira, começou a cuidar do seu visual, limpando 
os joelhos e desfazendo as dobras da baby look.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, ao 
perceber que perdera seu cliente, e que estava mais longe de cumprir a 
meta de vendas de maio, lembrou-se das últimas palavras de Alice, 
momentos antes de ela sair.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como assim ela vai rasgar o contrato com a Narcisa &amp;amp; Brizola?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTQ2wwaXZLOE0yeXc/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 16/08, as 00:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, &lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://store.kobobooks.com/pt-BR/ebook/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-calcadao-parte-2&quot;&gt;Kobo&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.barnesandnoble.com/w/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-cal-ad-o-parte-2-gumpa-bk/1120028899?ean=2940045641463&amp;amp;isbn=2940045641463&quot;&gt;Barnes &amp;amp; Noble&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/46-ex-candidata-embaixada-bolsonaria.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-2798414780197661032</guid><pubDate>Mon, 11 Aug 2014 05:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-12T23:35:18.382-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>45 - Trocando o time</title><description>Com a chegada de Renato, Dalborga achou desnecessário ficar ali. Parando
 de andar em círculos, pegou sua toalha de rosto, que estivera se 
balançando ao redor do seu pescoço, e secou sua testa. Então, de cenho 
franzido, dirigiu-se para a porta do estúdio, com passos firmes e olhar 
penetrante.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Enquanto avançava para lá, escutou Renato lhe perguntar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que aconteceu?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dalborga resmungou, sem interromper o passo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Um corretivo socioalinhador.&lt;br /&gt;
— Mesmo? Está parecendo mais uma cena de reportagem policial.&lt;br /&gt;
— Dá no mesmo. Ambos são feitos com vagabundos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ganhou acesso ao estúdio e dirigiu-se agitado para a redação, ávido por café.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice
 não ficou contente com sua partida. Embora se espantasse com a 
demonstração de fúria exibida minutos atrás, preferia tê-lo ao seu lado 
do que ficar sozinha com os funcionários mais jovens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não tinha 
nada contra Carolina. Ela não lhe causava desconforto. Fernanda e Renato
 eram os verdadeiros problemas. Seus corpos modelados, roupas apertadas e
 pele sadia lembravam-na de tudo o que ela supunha não ser: mocinha, bem
 cuidada e desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo, preparou-se para se retirar. Arrumou a
 gola do seu blazer e desamassou a lateral de sua saia, seguindo então 
para a porta do estúdio, ouvindo Renato também lhe perguntar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que aconteceu aqui, realmente?&lt;br /&gt;
— Uma higienização social.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
— Ou controle de pragas, se preferir.&lt;br /&gt;
— Falando assim, parece mais um ativismo pró-ariano.&lt;br /&gt;
— Dá no mesmo. Ambos servem para expurgar os impuros.&lt;br /&gt;
— Os impuros? Ou aqueles que, presume-se, são desagradáveis demais para serem olhados?&lt;br /&gt;
— Não seja ridículo. Daí já seria extremismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de sair, Alice virou-se para Carolina, dizendo toda entusiasmada, como se fosse uma amiga íntima:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Quando eu chegar no meu escritório, vou te adicionar no meu Bicadas. 
Assim que puder, entre no chat e termine de me contar sua teoria, tá?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina,
 ainda segurando Cloara pelo ombro, e nervosa com a imobilidade de 
Fernanda, ficou confusa. Embora se repugnasse com a simpatia da gerente,
 perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Qual teoria?&lt;br /&gt;
— Aquela de que a mídia está te 
chamando de preconceituosa de propósito. Você estava prestes a me 
explicar, quando Fernanda nos interrompeu.&lt;br /&gt;
— Hmm...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina ergueu uma sobrancelha, irônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Acho que você terá outros assuntos para resolver nesta tarde.&lt;br /&gt;
—
 Terei mesmo. Por exemplo: rasgar o contrato da Narcisa &amp;amp; Brizola, 
deletar o Seu Paulo do nosso banco de dados, encontrar um segurança 
freelancer para trabalhar amanhã, no Dia do Trabalho. Foi bom você me 
lembrar destas coisas. Mas tudo bem: eu arrumo tempo para conversarmos 
no chat.&lt;br /&gt;
— Quis dizer que você se ocupará com o delegado.&lt;br /&gt;
— Que delegado?&lt;br /&gt;
— O mesmo que te espera na delegacia da polícia civil.&lt;br /&gt;
— Ninguém aqui vai para a delegacia, Carol.&lt;br /&gt;
— Ah não? Olhe ao seu redor e me diga se isto não terminará num boletim de ocorrência, Alice!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice piscou o olho, charmosa e sapeca, fazendo com que Carolina torcesse o lábio, em sincera repugnação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sorrindo confiante, zombou dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pela graça do status quo, eu te asseguro: nenhum B.O. irá macular meu direito de ir e vir.&lt;br /&gt;
— O B.O. em si não, mas a interferência da Secretaria Municipal do Idoso bastará para jogá-la no xadrez.&lt;br /&gt;
— Menina esperta, mas de pouca fé. Creia nas cifras desta que vos fala. Posso ouvir um amém?&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
— Bonitinha. Eu te perdoo pelo vácuo. E que a benção do santo Maluf, padroeiro da elite impune, esteja sobre todos nós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então se retirou, evitando de fazer contato visual com Renato, nem mesmo se preocupando com o que acontecera com Cloara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato, usando um microfone auricular, ordenou ao seu Eagle Glass o comando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ligação. SAMU.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A minúscula tela óptica do seu óculos digital exibiu o texto:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Destinatário: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Método: VoIP&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Operadora: Vencomtel&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Chamando...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, olhando para Seu Paulo pelo vão da escrivaninha, escutou Renato dizer:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Oi. Tem um ferido no prédio em que trabalho. Preciso de uma ambulância.
 Não, não sei o que aconteceu. É um senhor idoso. Está desmaiado no chão
 e tem um ferimento aberto na cabeça. É aqui na imobiliária Landschaft. 
Fica na rua Niemeyer, Parque Emam. Já estão vindo? Tudo bem, obrigado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, encerrando a ligação, Renato se aproximou de Seu Paulo, olhando a poça de sangue ao redor de sua testa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que estrago! Acho melhor mover ele para longe do sangue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas antes de tocá-lo, Carolina disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Melhor não. Quando Dalborga o chutou, eu escutei alguma coisa estalando. Acho que ele quebrou um osso.&lt;br /&gt;
— Dalborga chutou o old man?&lt;br /&gt;
— Sim, duas vezes.&lt;br /&gt;
— Por quê?&lt;br /&gt;
— Ah... corretivo socioalinhador, como ele mesmo falou.&lt;br /&gt;
— O que é isso? Vocês formaram uma sociedade secreta? Agora só ficam falando por códigos.&lt;br /&gt;
— Deixa disso e me ajuda com a Cloara. Não sei por quanto tempo Fernanda aguentará segurá-la assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato,
 dando a volta na escrivaninha, agachou-se atrás de Cloara e levantou-a 
em seus braços. Carolina também se levantou, notando que Fernanda 
permanecera onde estava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de checar se ela precisava de 
alguma coisa, viu Valéria Duffato entrar na central, que simplesmente 
dissera, fria e inalterável, quando viu o velho zueiro jogado ao chão:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não sabia que Londrina fazia delivery de pautas jornalísticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTYU43b0NaM3dJU3c/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 13/08, as 00:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/45-trocando-o-time.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-3283671984013207798</guid><pubDate>Sun, 10 Aug 2014 03:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-09T20:16:24.577-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>44 - Dois desacordados e uma sonâmbula</title><description>Carolina estava numa saia justa. O temperamento de Dalborga e a 
aproximação tendenciosa de Alice desencorajaram sua permanência na 
central de vendas.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
De costas apoiadas na divisória, encolhida 
entre a escrivaninha e a porta do estúdio, ficou segurando a manga de 
sua camisa. Estava nervosa e ansiosa, sentindo o céu da boca secar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Preferia
 lidar com o presente gaúcho em sua mesa, por mais avessa que fosse a 
isto, do que lidar com os clamores exorcizantes do âncora, ou com o 
assédio apaixonado da gerente bolsonária. Mesmo que a violência 
praticada contra o zueiro fosse um deleite à parte, agora já perdera o 
gosto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo, quando ouviu os gritos assustados de Fernanda, que 
fizeram-na perceber o desmaio de Cloara, encontrou ali a desculpa 
perfeita para se retirar. Dando as costas para Alice, deu a volta na 
escrivaninha e agachou-se atrás da socialite, balançando seus ombros de 
leve e dizendo próximo a sua orelha:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Cloara! Ô Cloara!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Insistiu
 nisso por uns dez segundos, alternando entre balanções e beliscões, 
sempre a chamando pelo nome. E como ela não reagia, Carolina começou a 
dar tapinhas em seu rosto, resmungando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Acorda, meu! Responde!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto
 se ocupava com isto, Fernanda permaneceu ali, ajoelhada e imóvel, 
amparando o corpo desfalecido de Cloara. Seu cabelo servia-lhe de forro,
 amassando-se sob a bochecha maquiada da colega.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fazia isto por 
força das circunstâncias, não por vontade própria, posto que, de sua 
parte, já estaria longe da central. Segundo pensava, já atingira sua 
cota diária de sustos, tendo feito tudo o que podia por seu cliente. Ou,
 valia ressaltar, tudo o que supunha ser possível a si, como orar suas 
Ave Marias, pedir a Deus por um milagre e... esperar. Pois chamar ela 
mesma por uma ambulância estava fora da lista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas Fernanda não 
estava se preocupando com seu benevolente alheamento. Agora só desejava 
uma caneca de café expresso, um pacote de proteína de inseto, crocante e
 açucarada, e vinte minutos de recesso no vestiário. Melhor: se pudesse 
voltar para casa, sob a autorização de Carlos, aceitaria de coração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Virando
 a cabeça, viu Alice se dirigir a Dalborga, que estivera andando em 
círculos pelo corredor. Não entendeu o que ela lhe disse, porque falara 
numa voz muito baixa. Mas quando ouviu Dalborga responder, exasperado e 
impaciente, &lt;i&gt;Que ele vá a merda! Que ele vá pra ponte que caiu!&lt;/i&gt;, pensou alarmada:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Eles
 não querem chamar uma ambulância. Nem querem prestar os primeiros 
socorros. Vão deixá-lo aí, jogado no meu setor, sob minha 
responsabilidade. E eu é que terei de pagar por isto. De fato: todos os 
que vivem em Cristo Jesus serão perseguidos!”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Envaideceu-se 
deste martírio fantasioso, delirando com recompensas paradisíacas, 
enquanto Carolina, falhando em acordar Cloara, e emburrada demais com 
Fernanda para pedir sua colaboração, retirou o celular do bolso, 
ordenando-lhe o comando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ligação. Renato Ohara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O 
celular exibiu o nome e o número de Renato. Eram escritos na cor branca,
 alinhados ao centro da tela preta, tendo piscando, abaixo de si, a 
expressão &lt;i&gt;Chamando...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do seu alto-falante, veio a voz debochada e confiante do corpulento editor, que dissera zombador:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Fala marreco. Bateu a saudade?&lt;br /&gt;
— Engraçado. Na verdade, você está me fazendo a maior falta aqui. Preciso que venha na central de vendas.&lt;br /&gt;
— Claro, majestade. Não tem como recusar o pedido da princesa dos bolsonários.&lt;br /&gt;
— Renato, é sério: hoje é um péssimo dia pra brincar comigo assim. Vem logo, tá?!&lt;br /&gt;
— Já estou me levantando da cadeira. Mas você ainda está na central? Deveria estar na sala do Carlos.&lt;br /&gt;
— Por quê?&lt;br /&gt;
— Ele veio te procurar agora mesmo. A Cloara não te avisou? Ela foi aí te buscar.&lt;br /&gt;
— Ela está aqui comigo, mas... Hey, o que o Carlos quer comigo?&lt;br /&gt;
—
 Não sei. É a segunda vez que ele te procura hoje. Na primeira, ele fez 
um escândalo danado, dizendo que você criava problemas para o estúdio, e
 que você não dava satisfação dos seus atos.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
— Eu nem iria falar nada, mas ele também disse...&lt;br /&gt;
— ... que isso acabaria hoje.&lt;br /&gt;
— Ora, já te contaram?&lt;br /&gt;
— O idiota do César fez questão de jogar na minha cara, lá no térreo.&lt;br /&gt;
— Bem, não vou negar: César está no humor para contar notícias ruins. Você não foi a primeira vítima dele.&lt;br /&gt;
— Do que está falando?&lt;br /&gt;
— Eu te digo depois, no almoço.&lt;br /&gt;
— Eu já marquei almoço com o Daniel, mas... tudo bem, pode vir conosco.&lt;br /&gt;
— Será uma honra, majestade.&lt;br /&gt;
— Pff.&lt;br /&gt;
— Mas falando em César: ele está aí? Carlos também quer falar com ele.&lt;br /&gt;
— Não está. Mas se são más notícias, faço questão de procurá-lo e dizer eu mesma.&lt;br /&gt;
— Na boa?! Espero que não sejam más notícias, porque ele quer falar com você, Cloara e César juntos.&lt;br /&gt;
— Vish, sério? Nós três?&lt;br /&gt;
— Sim. Por isso mesmo é que Cloara foi te buscar.&lt;br /&gt;
— E você sabe do que se trata?&lt;br /&gt;
— Não. Na verdade, espero que você me conte depois.&lt;br /&gt;
— Hmm, se é que essa conversa vai rolar. Cloara não se reunirá conosco agora.&lt;br /&gt;
— Por que não?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes
 de Carolina responder, Renato já tinha chegado à porta, vendo por ele 
mesmo o que acontecera. Com um sorriso sem graça, empurrando seu Eagle 
Glass para mais junto do rosto, disse para si num sussurro paciente:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Oh shit...&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTV1k0dXpxajNwU0k/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 10/08, as 00:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/44-dois-desacordados-e-uma-sonambula.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-1117113667435857637</guid><pubDate>Thu, 07 Aug 2014 04:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-06T21:39:54.897-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>43 - Paternalismo bruto</title><description>Carolina, sem saber se Dalborga falara com ela ou com Alice, resolveu 
ficar quieta. Contentou-se em cruzar os braços e se encostar na 
divisória, ficando parada ao lado da porta, cansada e emburrada, de 
testa franzida e peito em chamas.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Espiou Fernanda pelo canto dos 
olhos, sentindo um pouco de alívio ao vê-la junto de Cloara, apesar de, 
no fundo, ainda guardar-lhe algum rancor, já que envolvera seu vlog na 
oferta a Seu Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, por sua vez, ficou ao lado de 
Dalborga, acompanhando-o em sua contemplação ao ferido. Embora estivesse
 mordida por não estar a sós com Carolina, também estava feliz em ver um
 outro adulto no local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo tendo motivos para não se 
arrepender do que fizera, ou para não temer o peso da lei, reconhecia: 
alguém precisava tomar uma providência quanto aquilo. Fosse chamar uma 
ambulância, fosse chamar o lixeiro, fosse qualquer outra coisa. E tinha 
de ser alguém que, de preferência, não fosse ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tentando amenizar o ar da central, que ficara pesado após o choro de Fernanda, disse a Dalborga em tom amistoso:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Se ele estiver no colo do capeta, nada mais amável de nossa parte. Não 
sou advogada do diabo, mas abro aqui uma exceção: acho que o chifrudo 
também merece seus mascotes.&lt;br /&gt;
— Bem, sendo esse daí o seu novo 
mascote, tanto melhor. Pois já dizia uma sábia viúva ao seu vizinho 
pança de jabá: todas as coisas se parecem com seus donos.&lt;br /&gt;
— Ele? Parecido com o diabo? Seria no sentido de ser um marginal, e de também viver na merda?&lt;br /&gt;
—
 Não. No sentido de corromper o nosso glorioso Estado do Paraná e, ainda
 assim, ser adorado por uma seita de jovens vagabundos. Porque não basta
 nossos adolescentes serem otários: eles também gostam de sentar no 
croquete dos malandros zueiros. Gostam de se enroscar em sua lábia 
bandida.&lt;br /&gt;
— Ou de copiar seu comportamento tosco, achando que, deste jeito, serão a alma da festa.&lt;br /&gt;
—
 Alma da festa? Não. É mais para algazarra do que para criar um ambiente
 melhor. Pois brasileiro gosta de desordem, não de bem coletivo. Em vez 
de trabalhar, quer bagunçar. Em vez de estudar, quer farrear. E em vez 
de fazer hora extra, quer se embebedar nos barzinhos da vida, só pra 
ganhar uma cirrose. Isso é que me deixa puto da cara!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dalborga, notando o isolamento de Carolina, tentou incluí-la na conversa, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que foi, Carolsinha? Tá mais quieta do que defunto em velório.&lt;br /&gt;
— Só quero ver no que vai dar tudo isto, pra garantir que não precisarão de mim.&lt;br /&gt;
— Tá assustada com a cena?&lt;br /&gt;
— Não. Eu já vi coisa pior no PAM, quando a torcida do Londrina brigou com a do coxa-branca.&lt;br /&gt;
—
 Sei. Durante aquele jogo roubado do campeonato estadual. A arbitragem 
paranaense não se emenda mesmo. Mas não tá com pena desse vagabundo 
aqui, né?!&lt;br /&gt;
— Na verdade, estou sim.&lt;br /&gt;
— Como é? Repete, por favor.&lt;br /&gt;
— Estou com pena dele.&lt;br /&gt;
— Será que eu tô louco? Isso é brincadeira sua?&lt;br /&gt;
—
 Não, estou falando sério. Lamento ele não ter quebrado também as 
costelas. O golpe na testa, por si só, não compensa meu nervosismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achando
 a maior graça, Dalborga jogou a cabeça para trás, gargalhando alto e 
vibrante. Recuperando o fôlego, disse bem humorado à Carolina, dando-lhe
 tapinhas no ombro:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sacanagem, hein?! Assim você me assusta, 
menina. Pensei que tava me tirando pra otário. Parecia ladainha sobre 
direitos humanos.&lt;br /&gt;
— Não sou padre para perdoar os pecados daqueles que voluntariamente fazem o mal. Na verdade, sou fã do clássico &lt;i&gt;Direitos humanos para humanos direitos&lt;/i&gt;. Deveria ser liberado para a TV aberta, em vez de ter sua exibição proibida.&lt;br /&gt;
—
 Liberar um filme em que os acusados de crimes hediondos são mutilados, 
desossados e servidos fritos aos sem-teto? Só em seus sonhos, 
Carolsinha. Somos governados por um bando de sociólogos merdinhas, 
pós-graduados em boquete criminal. Verdadeiros amantes do Estatuto 
Penitenciário. Eles nunca liberariam um filme desse tipo pra TV.&lt;br /&gt;
— 
São amantes do Estatuto Penitenciário e dos motéis em beira de estrada. 
Porque soylent green não pode ser exibido em horário nobre, mas 
fornicação e adultério podem.&lt;br /&gt;
— É a América das oportunidades 
bandidas, ô menina. É assim desde os tempos dos portugueses. E de lá pra
 cá, não mudou nada. Repito: não mudou nada! É povo vivendo numa 
ignorância desgraçada, é dono de empresa abusando do trabalho dos 
outros, é covarde corrupto travestido de líder político. É uma coisa, 
sabe?! É... é... é... e é isso aí, tenho dito!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apontando para Seu Paulo, que não se mexera durante todo esse tempo, embora estivesse respirando, continuou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Não basta eu ser contribuinte: também preciso ser banheiro público. 
Ficam me obrigando a conviver com esse tipo de merda. Quem de vocês 
bateu nele, afinal?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice ergueu a mão, exibindo o tablet com um 
sorriso orgulhoso, toda animada e cheia de si, como se assumisse a 
autoria de uma obra de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Aqui! Culpada!&lt;br /&gt;
— Seu serviço é 
mais ligeiro do que fast-food, ô cozinheira de feridas. Veja isso: um 
traumatismo craniano no capricho. Amo muito tudo isso. Nem precisei 
descer o porrete eu mesmo.&lt;br /&gt;
— Você teria que pegar uma senha. Carolina já estava na fila.&lt;br /&gt;
— A Carolsinha? Por quê?&lt;br /&gt;
— Porque ele mandou umas mensagens... excitantes pra ela.&lt;br /&gt;
— Excitantes? No sentido pornográfico?&lt;br /&gt;
— Nem tanto. Eu diria no sentido sadomasoquista. Do tipo que aflige o espírito, não o corpo. Não é, Carol?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina deu de ombros, resmungando um &lt;i&gt;pff&lt;/i&gt; impaciente. Estava seca e incomodada, odiando a intimidade com que Alice lhe dirigia a palavra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já
 Dalborga, querendo se informar melhor sobre esse assédio, ficando até 
enciumado por Carolina receber mensagens supostamente picantes, 
perguntou à vlogueira:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que mensagens são essas, ô garota? Do que ela está falando?&lt;br /&gt;
— Nada. É besteira.&lt;br /&gt;
— Não, me mostra. Eu quero ver!&lt;br /&gt;
— Esquece, Seu Dalborga. Não quero falar nisto. Pra mim, esse assunto já deu o que tinha pra dar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 se endireitou, contrariada com a insistência do âncora, já se 
preparando para voltar à redação. Não estava gostando da autoridade 
dele, nem da ousadia em se meter nos assuntos privados dos outros. Do 
nada, transformara a conversa num interrogatório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, vendo a 
vlogueira encurralada, e ciente de que, na verdade, foi ela quem 
provocara o inoportuno, tentou livrar Carolina disso, pensando que, 
desta forma, ganharia seu afeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pegando no pulso de Dalborga, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele falou que Carolina era azeda demais para ser chupada. Mas tudo bem: eu já o coloquei em seu lug...&lt;br /&gt;
— ELE FALOU O QUÊ?&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dalborga,
 puxando seu braço para trás, soltando-se de Alice com um movimento 
truculento, deu um passo adiante e parou ao lado do zueiro, encostando o
 bico do sapato em sua orelha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cloara, voltando à realidade, 
ficou olhando a atitude de Dalborga, quieta e imóvel. Enquanto mantinha 
Fernanda sob seu afago, escutou o âncora perguntar à Carolina, 
enraivado:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É VERDADE?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, que estava prestes a se 
retirar, foi surpreendida por esta fúria. Meio intimidada, mas também se
 esforçando para manter a pose, limitou-se a balançar a cabeça, 
confirmando a informação. Então, de lábios entreabertos, ficou onde 
estava, atentando ao que se seguiria. Retraiu-se em ansiedade, sentindo a
 garganta apertar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dalborga cutucou a cabeça do desfalecido, 
estreitando os olhos e arreganhando os dentes, revoltando-se, de uma vez
 só, com as falhas do sistema penal, com a indulgência dos direitos 
humanos, com as impunidades praticadas no judiciário e com o riso 
zombeteiro dos brasileiros grosseirões, expressão máxima da vagabundagem
 e safadeza humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Disposto a ações desmedidas, berrou alucinado:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 GOSTA DE XINGAR MULHER PELA INTERNET, Ô MALANDRAGEM? GOSTA DE FODER COM
 O DIA DELAS? POIS AGORA VOU TE MOSTRAR COM QUANTOS PÉS SE FAZ UM BAGAÇO
 DE LARANJA!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando o calcanhar, desferiu um chute certeiro 
contra o tronco de Seu Paulo, acertando uma pancada letal e pesada, 
equivalente ao impacto de um tijolo cozido. A cabeça do zueiro moveu-se 
para o lado, molhando-se ainda mais no próprio sangue empoçado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não
 satisfeito, Dalborga desferiu um outro chute, no mesmo lugar e com a 
mesma força, desta fez quebrando-lhe uma costela. Então caminhou três 
passos em direção ao elevador dos clientes, de pernas trêmulas e dedos 
rijos, espalmando a mão para o teto, bradando de olhos fechados:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— XÔ, SATANÁS! XÔ DEMÔNIO! SAI DO MEU CORPO, GRAMUNHÃO!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice
 se afastou para junto da porta, sentindo-se menos feliz com a presença 
de Dalborga. Tentou ficar mais próxima da vlogueira, enquanto esperava o
 âncora voltar a si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, de olhos fixos no corpo de Seu 
Paulo, certa de que ouvira um estalo seco no instante em que o chute o 
atingira, encolheu-se na divisória e puxou sua camisa para mais junto do
 corpo, sentindo o pulso latejar. Esforçando-se para manter o controle, 
ficara espantada e de cabelos eriçados, incapaz de decidir se, agora, 
fora vingada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, ainda escondendo o rosto no peito de 
Cloara, e apenas se preocupando em orar uma sucessão de Ave Marias, 
viu-se outra vez na central de vendas, após ouvir os brados de Dalborga.
 Sob a menção do nome Satanás, o algoz católico, agarrou-se ainda mais à
 Cloara, gemendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— ME TIRA DAQUI, PELO AMOR DE DEUS! QUERO IR EMBORA!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cloara,
 escutando a lamúria da colega, e tendo testemunhado aquela violência, 
viu-se envolvida numa situação de dor, angústia e tragédia. Muito 
diferente da alegria, descontração e segurança oferecidos pelos seus 
ambientes de classe média alta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob este choque de valores, não conseguiu resistir: desmaiou sobre os ombros de Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTODVETWJKa1ZTZ0k/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 09/08, as 22:00, horáro de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/43-paternalismo-bruto.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-7096053998278217602</guid><pubDate>Thu, 07 Aug 2014 04:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-07T23:52:51.259-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>42 - Socialite no recinto</title><description>Dalborga era um homem conservado. Mesmo tendo 45 anos, sua pele era 
macia, nutrida e brilhante, de rugas atenuadas e coloração bronzeada, 
retendo sua elasticidade graças ao consumo diário de proteínas 
sintéticas. Estas eram baseadas na carne de boi, frango e peixe, 
repositores de colágeno.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Não era um metrossexual. Não desejava 
seguir os padrões seletivos dos comerciais de cosméticos. Apenas se 
acostumara a cultivar hábitos saudáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi educado a manter-se 
arrumado e limpo, já que seus pais, pertencentes à geração do culto ao 
corpo, trataram-no, durante toda sua infância e adolescência, como um 
poodle em vésperas de concurso de mascotes: com visitas frequentes as 
clínicas estéticas, verdadeiros pet shops para humanos alinhados, e 
propondo-lhe uma alimentação orgânica balanceada, que acabava custando, 
mensalmente, muito mais do que uma simples cesta básica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vestia 
uma calça social escura e uma camisa de manga comprida azul clara, com 
uma toalha de rosto branca pendurada ao pescoço, que encobria sua gola. 
Seus olhos eram escuros, estreitos e disciplinados, brilhando em 
experiência e sabedoria, tendo já contemplado, ao longo de sua vivência 
em Londrina, os ipês roxos do Centro Cívico, antes destes serem 
derrubados por um violento ciclone tropical, em consequência do 
aquecimento global, e também as pombas amargosas de pescoço verde, lá na
 Praça da Bandeira, antes destas serem extintas pelos rojões dos 
moradores locais, que decidiram resolver o problema da superpopulação 
aviária sozinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu cabelo, de aspecto brilhoso e espesso, 
castanho como nozes sadias de uma feira livre da Benjamin Constant, 
penteado para trás com uma escova de madeira antiestática, era o 
resultado de um implante capilar bem sucedido, que fora praticado, dez 
anos atrás, via clonagem de células foliculares, quando a alopécia 
começara a atacá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após bradar sua audível comoção, chocado com
 o que vira ali, sem entender o que se passara na central de vendas, 
imediatamente se voltou para Carolina. Queria saber se ela estava bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo
 a mais nova das funcionárias, imaginou que também seria, dentre todas 
ali, a mais carente por amparo, muito embora fosse Fernanda quem se 
mostrasse necessitada, ajoelhada atrás de sua cadeira, chorando aos 
soluços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colocando a mão em seu ombro, perguntou-lhe atencioso, como se falasse à menina dos seus olhos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Tudo bem com você, Carolsinha? Não te machucaram?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para
 Carolina, foi uma preocupação embaraçosa. Não gostava de ser mimada 
pelos outros, independente de quem fosse. Colegas de trabalho, 
familiares, atendentes de lanchonete: ninguém era capaz de agradá-la 
assim, aos mimos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo porque, ela preferia que Dalborga dedicasse seus cuidados à Fernanda. Ou mesmo para Seu Paulo, se ele assim o quisesse.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando
 eles na frente de Alice, a simpatizante bolsonária pró-eugenia, que 
ainda há pouco afirmara ser ela, Carolina, o modelo de genética ideal 
para o Brasil, nada pior do que, agora, Dalborga lhe oferecer tratamento 
especial, como se ela fosse uma princesa dinamarquesa em terra de trolls
 brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só faria com que Alice reafirmasse para si, em doentia obsessão:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Ela é única. Ela é perfeita. É quem estávamos procurando.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Numa
 ocasião menos conturbada, Carolina teria apreciado o gesto do âncora. 
Até acharia graça por tê-la chamado no diminutivo, tal qual acontecera 
minutos atrás, quando ela esteve na redação, ainda de bom humor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas
 naquele momento, tendo acabado de brigar com Fernanda, de discutir com 
Alice e de quase nocautear, com um direto no queixo, o zueiro língua de 
percevejo, estava tensa demais para sequer fingir-lhe gratidão, ou 
sequer devolver-lhe um sorriso forçado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto que, querendo ficar
 livre deste exclusivismo, e já começando a se condoer da promotora, 
decidiu redirecionar Dalborga para Fernanda. Talvez isto a aliviasse.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acenando com a cabeça, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Estou bem. Não estou machucada. Mas acho melhor levarmos Fernanda para beber água. Ela está meio perturbada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dalborga
 tirou a mão de seu ombro e a guardou no bolso, percebendo, durante um 
milésimo de culpa, que dera preferência à vlogueira, visivelmente 
estável, enquanto ignorara a promotora, decididamente instável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes
 que pudesse remediar isto, e antes que notasse, novamente, o idoso 
zueiro esticado ao chão, a central de vendas foi invadida por uma 
agradável e calorosa voz feminina. Vinha de dentro do estúdio de 
gravação, perguntando em ágil presteza:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que tem a Fernanda?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice deu um passo para trás, abrindo caminho para Cloara Presoto, a repórter socialite do Jornal Parque Emam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta
 tinha cabelo escuro e lustroso, cortado na altura dos ombros e 
repartido ao meio, com franjas curtas e retas caídas sobre as 
sobrancelhas, e luzes &lt;i&gt;ombré hair&lt;/i&gt; aplicadas em degradê sobre as mechas, mantendo as raízes intactas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por
 conta da profissão, que lhe obrigava a frequentar ambientes requintados
 da classe média alta, Cloara se vestia com grande aprumo. Usava uma 
camisa jeans azul, tecida com dois bolsos frontais e adornos metálicos 
redondos, com antebraço desbotado e colarinho folgado. A aba frontal era
 abotoada até a altura do decote, enquanto a barra, solta por cima da 
cintura, escondia o cós da sua boca de sino vermelha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando 
bateu os olhos em Fernanda, Cloara tratou de socorrê-la. Passando pela 
escrivaninha, ajoelhou-se ao lado dela e abraçou-a pela cintura, fazendo
 com que encostasse a cabeça em seu ombro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Perguntou-lhe aos sussurros, amável e materna, enquanto afanava sua bochecha:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que foi, meu bem? O que aconteceu, minha gata? Por que está chorando? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda
 abriu a boca, mas não conseguiu responder. Estava soluçando demais para
 dizer qualquer coisa inteligível. Limitou-se a devolver o abraço, 
enlaçando o pescoço de Cloara num aperto angustiado, rendida aos seus 
cuidados, feito um celular descarregado acoplado a uma tomada: 100% 
dependente de sua força.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cloara, na compaixão zelosa dos seus 35 anos, vendo Fernanda como uma irmã caçula necessitada, correspondeu dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Shhh, shhh, já passou, já passou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto
 elas se envolviam nesta bolha de miguxês, voluntariamente se esquecendo
 do resto do mundo, Dalborga, vendo esta troca de carícias, julgou 
desnecessário intervir ali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo, virou-se para Seu Paulo, a própria imagem da zueira moribunda, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu sabia que ele iria peidar pra muzenga. Talvez até esteja no colo do capeta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTbFBHM0VOYURNekU/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/42-socialite-no-recinto.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-6294480468791944150</guid><pubDate>Sun, 03 Aug 2014 03:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-02T20:47:41.406-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>41 - Uma católica de joelhos, mas sem orações</title><description>Carolina, estando diante de uma Alice modificada, friamente 
agressiva e pró-bolsonários, ficou tensa. Após ouvir a sugestão de que 
ela tinha utilidade ao grupo extremista, sentiu os dedos se contraírem, 
formigando em nervosismo.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Assim como o menosprezo de Alice mudara
 para admiração, a ofensa de Carolina se transformou em estressante 
vulnerabilidade, posto que, antes, entendia-se apenas assediada por um 
miguxês amolador e presumivelmente despropositado, enquanto que, agora, 
via-se cobiçada para finalidades extremistas. Ou, pelo menos, supunha 
serem extremistas, já que diziam respeito aos bolsonários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém,
 mesmo não gostando de sentir-se assim, exposta e visada, tão pouco quis
 ficar no escuro. Se Alice dizia haver demanda por seu bom senso, poder 
de argumentação e carisma, tal qual ela os descrevera, Carolina desejava
 saber o motivo. Não por mera curiosidade, ou por impulsos vaidosos, 
como se pensasse &lt;em&gt;“quero saber, em detalhes, o que estão vendo em mim”&lt;/em&gt;, feito uma escritora de fanfic carente por elogios gratuitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe
 disso: era mais para futura referência. O que quer que Alice estivesse 
vendo nela, e o que quer que a fizesse julgá-la disposta a colaborar com
 os bolsonários, Carolina quis desassociar de sua imagem, o quanto 
antes. Pois, se não o fizesse, receava ter dificuldades para negociar 
novos patrocínios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era submissa aos seus patrocinadores, mas 
também cuidava para não aborrecê-los. Na medida do possível, evitava 
motivá-los a boicotar seu vlog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, quando Fernanda as 
interrompeu, perguntando &quot;do que estão falando?&quot;, toda bronqueada com a 
negligência ao ferimento de Seu Paulo, Carolina cortou-a de imediato, 
resmungando enfurecida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Como assim &lt;em&gt;do que estão falando&lt;/em&gt;? É assunto nosso, Fernanda! Não se mete!&lt;br /&gt;— Eu me meto sim! Isso é hora pra vocês discutirem? Ajudem o Seu Paulo primeiro!&lt;br /&gt;— Ninguém aqui está se preocupando com ele. Por mim, ele fica onde está!&lt;br /&gt;— É fácil pra você falar. Ele não está jogado no seu setor, e sim no meu! Vocês querem me complicar?&lt;br /&gt;— A limpeza deste setor é responsabilidade sua, não minha. Pegue a vassoura e livre-se da sujeira você mesma.&lt;br /&gt;— Não tem graça, Carolina! Isso é omissão de socorro. Se ele morrer, podemos ir pra cadeia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda
 fez o sinal da cruz, novamente clamando pela intervenção divina, ainda 
eximindo-se de providenciar, ela própria, uma intervenção humana. 
Atitude zelosamente omissa, própria a 90% da comunidade religiosa, 
condizente ao catolicismo benévolo, mas nada intrusivo, da promotora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina,
 querendo se esclarecer sobre essa tal utilidade aos extremistas, e 
percebendo que Alice, a agressora em si, estava alheia aos protestos de 
Fernanda, tentou colocar um ponto final no caso de Seu Paulo, propondo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pegue seu headset e chama o SAMU. Essa coisa pendurada no seu pescoço não é decoração. Serve para telefonar.&lt;br /&gt;— Sim, mas pegue o kit de primeiros socorros, fazendo favor. Temos que limpar essa ferida.&lt;br /&gt;— Vá você. O headset não está preso a esta mesa. Ele funciona tanto aqui quanto no almoxarifado.&lt;br /&gt;— Eu não posso fazer isso sozinha! Pelo menos tente manter o Seu Paulo acordado. Sei lá, dá tapinhas no rosto dele.&lt;br /&gt;— É tentador, mas não, obrigada. Prefiro nem tocar nele.&lt;br /&gt;— Por quê? Qual é o problema?&lt;br /&gt;— Cyberbullying e compaixão não caminham de mãos dadas. Pelo menos, não no meu mundo.&lt;br /&gt;— Do que está falando?&lt;br /&gt;—
 Essa pergunta é séria? Será que você é tão distraída assim? Ou você 
fica se fazendo de zonza, só pra fugir de assuntos complicados? Já se 
esqueceu da mensagem enviada a mim através do Cowboy Recauchutado? Já se
 esqueceu de que ele é o Procriador Veterano?&lt;br /&gt;— Aff, Carol! Não importa o que ele fez a você! Ele é um ser humano, como todos nós. Também merece nossa consideração.&lt;br /&gt;—
 Só porque você quer! A partir do momento em que ele desrespeitou minha 
dignidade, automaticamente me autorizou a desrespeitar seu bem-estar.&lt;br /&gt;— Meu Jesus amado! Você realmente não vai me ajudar, Carolina?&lt;br /&gt;— Até parece, né?! Mais um pouco e eu é quem teria batido nele! &lt;br /&gt;— Por favor, não pense assim. Lembre-se do que se diz em Levítico: &lt;em&gt;não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos de teu povo; amarás o teu próximo como a ti mesmo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;—
 Bem, eu vou falar no seu idioma, para você me entender direitinho. Pelo
 que sei, tenho direito ao livre arbítrio. Logo, por meio dele, 
reivindico autonomia para trocar o &lt;em&gt;“amarás o teu próximo como a ti mesmo”&lt;/em&gt; por &lt;em&gt;“amarás o teu próximo como ele ama a ti”. &lt;/em&gt;Assim, fico habilitada a dedicar aos outros o mesmo sentimento dedicado a mim.&lt;br /&gt;— Sua infame! Toda palavra de Deus é pura! Não deve acrescentar nada às suas palavras, para que Ele não te repreenda!&lt;br /&gt;—
 Se isso acontecer, assumirei minha responsabilidade. Assim como Ele 
deverá assumir suas responsabilidades comigo. Pois se Ele, de fato, está
 simplesmente observando em Seu trono, enquanto o mundo se diverte 
praticando maus tratos animais, pedofilia e rituais de magia negra 
regados à tortura, terá muito pelo que responder.&lt;br /&gt;— Como tem coragem de dizer isso?&lt;br /&gt;—
 Quem sabe? Talvez porque sou azeda demais pra ser chupada, como o 
zueiro cretino me disse. Mas prefiro pensar que sou uma ovelha com forte
 senso de autopreservação. Uma ovelha que jamais seguirá cegamente a um 
pastor qualquer.&lt;br /&gt;— Você é uma imprudente! Um coração leviano disfarçado de sábio. As marcas de um anti-cristo!&lt;br /&gt;—
 Oh, obrigada por esta difamação, tão bem formata em vocabulário 
católico. Traduzindo sua conversa para a linguagem legislativa 
brasileira, sabe como ficaria? &lt;em&gt;Tu não tocarás no bandido, mesmo 
quando ele legitimar tua defesa. Pois em verdade vos digo: aquele que 
fazê-lo, será estuprado pela lei.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;— Blasfemadora!&lt;br /&gt;— Mesmo? E 
quanto a você? Sua conivente, rabo entre as pernas, ombro amigo de 
londrinense grosseiro, muleta de brasileiro malcriado! Que mania esse 
país tem de proteger pessoas sem valor! Que mania de não querer 
confrontá-las com mão de ferro! Na boa?! Se está com dózinha do zueiro, 
leva pra sua casa e cuida dele você mesma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice deu risada, começando a aplaudi-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mais desagradou do que realmente envaideceu Carolina. Apontando para a gerente, a vlogueira disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sinceridade?! Por que está me cobrando? Foi a Alice quem aprontou esta bagunça, não eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice,
 virando-se para Fernanda, apenas deu de ombros, toda desapegada e 
imperturbável. Colocou uma mão na cintura, enquanto a outra segurava o 
tablet, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Foi como a Carol falou: ninguém aqui está se preocupando com ele. Se está com dó, basta adotá-lo e levar para sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O
 peito de Carolina queimou em angústia. Era pavoroso ver-se em 
concordância com Alice. Muito embora ambas desgostassem de Seu Paulo, 
cada uma tinha seus motivos para isto. Motivos que não deveriam ser 
confundidos como uma coisa só, tanto quanto presumiria um entusiasta por
 história e geografia, louco por denunciar vestígios de fascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda,
 chocada com esta insensibilidade, desencostou-se da divisória e bateu 
as mãos contra a escrivaninha, revoltada e escandalosa. Agora desperta 
do susto, lembrando-se que tinha um emprego a manter, bem como uma ficha
 limpa a preservar, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Vocês duas são uns demônios! Só sabem obrar o mal! Só sabem ficar de papinho no corredor, deixando o serviço pesado pra mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina,
 incapaz de fazer Fernanda calar a boca, e não conseguindo retomar a 
discussão com Alice, ficou igualmente revoltada. Tomou um passo adiante e
 socou a escrivaninha com uma violência ainda maior. Encarando Fernanda 
nos olhos, vociferou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Antes um demônio que bate de frente com os outros do que um Judas que esfaqueia pelas costas!&lt;br /&gt;— O quê?&lt;br /&gt;—
 Esse esterco de erva daninha manchou minha honra e me fez o maior 
terrorismo psicológico, insinuando vir atrás de mim no futuro! E você, 
mesmo assim, oferece a ele propaganda gratuita no MEU vlog, Fernanda? No
 MEU vlog? E sem me consultar? Que putaria foi aquela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda 
recuou outra vez para a divisória. Testemunhara a hostilidade de Alice, e
 agora estava prestes a testemunhar o mesmo em Carolina, sendo que, 
desta vez, era uma agressão voltada contra si, não contra Seu Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda
 impressionada com o zueiro desmaiado, cuja testa se banhava em sangue 
empoçado, e temendo ser vítima da mesma retaliação, posto que a 
vlogueira e a gerente pareciam unidas, baixou o tom de voz e murmurou, 
feito uma necessitada pedindo misericórdia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que você queria? Eu tenho metas a cumprir. Eu dependia do Seu Paulo para atingi-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então
 sua voz falhou, quebrando-se em soluços. Escondeu o rosto atrás das 
mãos, mergulhando-se em lágrimas. Estava inconsolada e assustada, 
incapaz de lidar com o idoso ferido, a ferocidade de Carolina e a 
presença ominosa de Alice, tudo de uma vez só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Acha que eu 
gosto disso? De ser chamada de piriguete? De ser chamada de potranca? De
 ficar usando essas roupas apertadas na frente dele, sabendo que ele vai
 se masturbar pensando em mim? Não! Não gosto, tá?! Odeio tudo isso! Mas
 se eu preciso comer e pagar as contas, o que mais posso fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rendendo-se ao choro, agachou-se atrás da cadeira e baixou a cabeça até os joelhos, repetindo para si:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que mais posso fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina,
 ainda apoiada na escrivaninha, vendo a figura fragilizada de Fernanda, 
sentiu o fervor raivoso esfriar. Perdera a vontade de continuar a 
discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora discordasse de sua política de boa vizinhança, 
também não desejava repreendê-la desse jeito. Não ao ponto de ela 
chorar. Não tinha intenção de deprimi-la, nem de tornar seu trabalho na 
Landschaft uma experiência lamentável e opressiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato: 
jamais voltaria atrás no que dissera. Para Carolina, suas palavras eram 
frutos de seu caráter, não de seus impulsos inconsequentes. Sempre 
assumiria tudo o que dissesse. Era ávida por manter sua integridade, não
 por agradar as multidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém... também sabia a hora de recuar. Sabia quando dizer para si &lt;em&gt;“já chega”&lt;/em&gt;. Tanto que, vendo Fernanda curvada ao chão, soube que o momento era aquele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice,
 percebendo a firmeza com que Carolina lidara com a situação, e tendo a 
certeza de que ela não iria consolar ou mimar a promotora, sorriu feito 
uma observadora onisciente, soberba e pomposa, dizendo à vlogueira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sabe o que vejo?&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina
 virou-se para ela, séria e estressada, de saco cheio de tudo aquilo. 
Mantendo uma mão na cintura e franzindo a testa, ouviu a gerente dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—
 Vejo exatamente o que o Brasil precisa. Assim como o que não precisa. 
Um exemplo de fortaleza, e um exemplo de fraqueza. Bem aqui, na minha 
frente. Um fazendo contraste com o outro.&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;— Você sim é fruto
 do que há de melhor em nossa caótica genética mestiça. É a base para 
uma geração unificada, homogênea e com maior identidade nacional.&lt;br /&gt;— Eu não sou uma bolsonária, Alice! E também não sou propriedade deles! Não fale comigo assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do estúdio se abriu, revelando a figura de Dalborga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deparando-se com a imagem de Seu Paulo, caído e ensanguentado, e a de Fernanda, chorosa e encurvada, ele bradou em choque:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— MAS QUE OBRA DO SATANÁS É ESSA?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTN1NPd2xyWWM1d0k/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 03/08, as 22:00, horáro de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/41-uma-catolica-de-joelhos-mas-sem.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-1429261434898541997</guid><pubDate>Sun, 03 Aug 2014 01:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-15T18:30:05.804-07:00</atom:updated><title>A vlogueira ainda mais perto de você!</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
Ai ai, estava com tanta saudades que precisava fazer mais uma postagem para trazer coisas ainda mais legai para vocês!&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
Nós já estamos perto o bastante da nossa querida vlogueira Carolina, não é? podemos ler no celular, tablet, pc, baixar...quanta facilidade né? E agora para ficarmos ainda mais pertinho dela, hora da personalização \o/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-p0qCMgzrhOc/U-6z7_7qCGI/AAAAAAAAA5s/dxxLP-w3Xf4/s1600/0072.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-p0qCMgzrhOc/U-6z7_7qCGI/AAAAAAAAA5s/dxxLP-w3Xf4/s1600/0072.png&quot; height=&quot;224&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-Qs8360GQeE8/U-6z8Mn4I1I/AAAAAAAAA5w/gqG6V4DYbZY/s1600/007.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-Qs8360GQeE8/U-6z8Mn4I1I/AAAAAAAAA5w/gqG6V4DYbZY/s1600/007.png&quot; height=&quot;223&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-fdY79D2dx7k/U-6z9dlo6TI/AAAAAAAAA58/1cM0M89DGNw/s1600/carolL.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-fdY79D2dx7k/U-6z9dlo6TI/AAAAAAAAA58/1cM0M89DGNw/s1600/carolL.png&quot; height=&quot;223&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
Sim meus lindos, estamos agora criando wallpapers, o que acharam? Este é o primeiro mas logo logo sairam mais wallpapers e muuuuito mais.&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
Aliais eu ja falei que temos mais designes para camisetas e canecas agora? YEAH! A loja esta caminhando &amp;nbsp;todo o vapor e quando menos esperarem vai estar ai, espero que minha proxima postagem seja o link da loja com varias coisinhas para vocês.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
That&#39;s all folks :)&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/a-vlogueira-ainda-mais-perto-de-voce.html</link><author>noreply@blogger.com (MadWolf)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-p0qCMgzrhOc/U-6z7_7qCGI/AAAAAAAAA5s/dxxLP-w3Xf4/s72-c/0072.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-1450785043883231411</guid><pubDate>Sun, 03 Aug 2014 00:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-08-15T18:28:57.407-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ilustraçoes</category><title>Carolina, agora em cores :)</title><description>&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Olá leitores lindos&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;span style=&quot;color: red;&quot;&gt;&amp;lt;3&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
Hoje eu voltei para trazer mais uma das artes do nosso querido ebook, pintada por mim ( corre no meu DA e veja mais alguns trabalhos como fotografia e muito mais&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://madwolve.deviantart.com/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;\o/&lt;/a&gt; )&amp;nbsp;&amp;nbsp;e desenhada por Gumpa BK. Particularmente eu acho que ela foi um dos meus melhores trabalhos em questão pintura, com o tempo irei me aprimorar mais e trazer coisas ainda mais bonitas para vocês!&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-_85niLn-mxA/U-6zeRl8KdI/AAAAAAAAA5k/Rwnr3mt4UwQ/s1600/Carol_Design_T-Shirt.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-_85niLn-mxA/U-6zeRl8KdI/AAAAAAAAA5k/Rwnr3mt4UwQ/s1600/Carol_Design_T-Shirt.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/08/carolina-agora-em-cores.html</link><author>noreply@blogger.com (MadWolf)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-_85niLn-mxA/U-6zeRl8KdI/AAAAAAAAA5k/Rwnr3mt4UwQ/s72-c/Carol_Design_T-Shirt.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-1387562583019119946</guid><pubDate>Thu, 31 Jul 2014 05:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-30T22:40:05.418-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>40 - Colocando os pingos nos i&#39;s</title><description>Seu Paulo, caído com o rosto para baixo, perdera a consciência. Seu braço se dobrava ao lado das costelas, formando um L, enquanto seu boné de aba reta, lançado para trás, ficou tombado aos pés da cadeira, projetando a base da coroa para o teto. Sangue morno vertia de sua testa, onde se abrira um corte profundo de 3cm de largura. Escorria em filete até a sobrancelha, caldoso e salgado, empoçando-se no chão.&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda se espremia contra a divisória. Abraçava a própria barriga com um dos braços, enquanto o outro era levado até seu rosto, cobrindo a boca com a mão. Seus olhos estavam vermelhos e lacrimosos, marejados pelo susto, encarando revezadamente Alice, Carolina e Seu Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento, ela seguiu sua educação católica. Clamou por uma intervenção divina, orando para que Deus, e não ela, fizesse alguma coisa. Isentou-se de providenciar os devidos cuidados ao ferido, limitando-se a simplesmente contemplá-lo, sem nem ao menos perceber que, com seu headset, já poderia ter chamado uma ambulância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, também se perguntava quem se responsabilizaria por isto. Supunha que Alice, sendo a gerente de RH, um cargo mais propício à imunidades do que o cargo de promotora publicitária, poderia não apenas se livrar da culpa, como também empurrá-la para seu colo. Afinal, Seu Paulo estava caído em seu setor, e sangrando em sua central de vendas, não no escritório de Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, mesmo diante deste horror, também pensava em como cumpriria a meta de vendas do próximo mês. Não acreditava que seus mimos trariam Seu Paulo de volta àquele prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“E isso se Deus já não o tiver levado daqui para sempre. É como se Golias tivesse derrubado Davi, e não o contrário. Uma violência dessas só pode significar uma coisa: Jesus está voltando! É a sexta trombeta!”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Fernanda se perdia nestes delírios de perseguição, imaginando prenúncios apocalípticos, Carolina, soltando-se da maçaneta, manteve-se a dois passos de distância de Alice. Lamentou o isolamento acústico do local, que impedira a turma da redação de ouvir a confusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não teve pena de Seu Paulo. Se ele pensava que poderia falar com os outros como quisesse, e fazer deles o que bem entendesse, presumindo que ninguém teria coragem de confrontá-lo, só porque usava um jargão de zueiro criminoso, então azar o dele. Sofreu as consequências dos seus atos. Encontrou alguém que lhe respondesse à altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, para Carolina, que nem precisara tomar parte na pancada, saudoso corretivo à moda antiga, não havia satisfação melhor. Seu Paulo estava esticado no chão, abatido e humilhado, e sem necessidade de que ela assumisse a responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo era a própria imagem do prazer. Não poderia haver júbilo maior. E ela até poupara-se de futuras represálias, que geralmente eram protagonizadas por parentes e amigos de brasileiros barraqueiros. Era algo comum aos tipinhos incorrigíveis: tinham o apoio de pessoas igualmente sem valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o zueiro caído não era o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema era Alice. Mais especificamente: os motivos pelos quais ela o agrediu. Motivos já insinuados na inesperada mudança de linguajar,&amp;nbsp; minutos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco interessada em prestar os primeiros socorros a Seu Paulo, e temendo muito mais a presença da gerente, Carolina disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Alice, o que foi isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, ainda de costas, com a cabeça voltada para o zueiro, olhando a poça de sangue ao redor de sua testa, respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Isso se chama controle de pragas, Carolina. Se chama higienização social.&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;— Sabe, durante os três meses em que você esteve conosco, eu nunca me interessei por você. Achava que era mimada, oportunista e sem planos para o futuro. Pois, além de ser jovem, você é muito paparicada pelos universitários. Achava que toda essa adulação tinha subido a sua cabeça. Realmente pensei que você era só um rosto bonitinho, sem nada de especial a dizer. Um rosto bonitinho adorado por um monte de cuecas punheteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina se ofendeu. Ela sabia que sua aparência era socialmente aceitável, além de 100% apreciável. Cresceu ouvindo suas tias baba-ovos, as comadres do bairro e os colegas de escola lhe dizerem, o tempo todo, que era &lt;i&gt;lindinha&lt;/i&gt;. Era impossível olhar-se no espelho, comparar-se com as atrizes das novelas, os modelos de beleza da mídia paulistana e carioca, e não perceber que seu rosto, de fato, tinha traços semelhantes aos delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como era impossível não perceber os benefícios trazidos por essa aparência. Maior receptividade nas entrevistas de emprego, maior simpatia no atendimento dos comerciantes, maiores chances de conseguir um desconto nas compras feitas numa feira livre. Não era burra e nem hipócrita: já percebera que as simpatias e antipatias da sociedade dependiam, sim, da aparência do corpo. Mesmo ela não querendo, era assim que funcionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não só Carolina sabia disso, como também as pessoas ao seu redor sabiam. Pessoas que viam as portas se abrindo para a vlogueira, fosse em forma de novos patrocínios, fosse em forma de oportunidade empregatícia na Landschaft. Pessoas que entendiam o porquê de ela receber tanta preferência, enquanto elas próprias, de aspecto socialmente grosseiro, para não dizer odioso, tinham suas necessidades ignoradas, ou educadamente negadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente que, ao ver Carolina tão bem recebida por onde andava, e tão bem tratada pelo mundo, ressentia-se tanto com ela quanto com suas regalias, em vez de se ressentirem com aqueles que, após simpatizarem com a aparência dela, voluntariamente resolviam favorecê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina estava ciente destes ressentimentos. Não os ignorava, assim como não queria vê-los aumentar. Sempre buscou se esforçar, dedicando cuidadoso capricho ao seu trabalho e aos seus estudos, querendo ser merecedora dos acolhimentos que, a ela, vinham com tanta facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motivo pelo qual Alice a ofendeu, confessando ter subestimado suas habilidades, e atribuindo o sucesso do seu vlog unicamente à estética do seu rosto. Uma ofensa tão grande, de penetração tão profunda em sua autoestima, que Carolina disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não tenho culpa se o mundo prefere agradar e favorecer garotas como eu. Eu simplesmente nasci assim. Eu simplesmente fiquei assim ao crescer. E desde o meu nascimento até os dias de hoje, as preferências do mundo sempre foram estas. Na verdade, desde muito antes de eu ter nascido, sempre foram estas. Você não pode me responsabilizar, ou mesmo me diminuir, só por causa de um comportamento que não apenas é praticado por toda uma coletividade, como também já existe muito antes de eu nascer!&lt;br /&gt;— Estou surpresa. Então você reconhece que a sociedade brasileira te privilegia, mesmo que veladamente, só por causa da sua aparência?&lt;br /&gt;— Sim. Eu já te disse antes e vou repetir: não sou burra, Alice. Eu não crio as regras do jogo, mas sei como elas funcionam. Sei muito bem que, neste mundo, julgamos os outros pela aparência. E sei que, por eu ser como sou, as oportunidades me surgem mais facilmente. Não sei porque meu cabelo liso, meus olhos verdes, minha pele clara e meus traços ósseos despertam tanto o interesse das pessoas. Eu só sei que é assim. Talvez seja por causa dos nossos valores como sociedade, como a Café com Leite diz. Talvez seja por um motivo animal já ultrapassado, no sentido mais biológico da palavra, como eu desconfio. Com certeza não é porque pertenço a uma raça superior, como os Patriotas Bolsonários quererão dizer. Mas tudo o que sei é que nasci e cresci com esta aparência, e justamente num mundo capitalista recheado de valores perversos e injustos. Independente de concordar ou não com os valores velados desta sociedade, eu preciso sobreviver. E preciso fazê-lo trabalhando no que sei trabalhar, com toda a dignidade e respeito possíveis a mim. A última coisa de que preciso é você me apontando o dedo, dizendo que sou algum tipo de mimada privilegiada, insinuando que não me esforcei para ter o que tenho. Não tente me fazer viver na culpa, como se eu tivesse agido mal ao aceitar as oportunidades oferecidas a mim, só porque essas mesmas oportunidades não foram oferecidas a você, ou a qualquer outro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice, sorrindo, voltou-se para Carolina, dando as costas para Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você me surpreende mais e mais, sabia?! Foi como falei: eu ACHAVA que você era mimada, oportunista e sem planos para o futuro. Eu ACHAVA que você era só um rosto bonito, sem nada a acrescentar. Mas agora é diferente. Por tudo o que falou, e por tudo o que já tinha falado naquela outra conversa, lá no corredor dos funcionários, minha opinião mudou. E foi bem a tempo, porque estávamos procurando alguém como você.&lt;br /&gt;— Huh?&lt;br /&gt;— Seu bom senso, seu poder de argumentação, seu carisma natural... Os Patriotas Bolsonários precisam de você.&lt;br /&gt;— ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda, considerando toda essa conversa inoportuna, justamente por estar de frente com um idoso desmaiado, abandonou suas paranoias e presságios apocalípticos para dizer, com voz sufocada e desesperada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— DO... DO QUE VOCÊS DUAS ESTÃO FALANDO, NUMA HORA DESSAS?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTNTc1czZUbkdNYkE/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 02/08, as 22:00, horáro de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/40-colocando-os-pingos-nos-is.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-1883924676388704734</guid><pubDate>Mon, 28 Jul 2014 02:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-27T19:42:22.935-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>39 - Alice no país do Huehue</title><description>Graças a sua divisória central, o 2° andar era repartido em duas 
metades iguais. Olhando da calçada, de frente com o prédio, a metade 
correspondente ao elevador dos funcionários ficava à esquerda, enquanto a
 do elevador dos clientes ficava à direita. Motivo pelo qual o 
comprimento e largura do estúdio de gravação eram iguais aos do seu 
aposento vizinho, a redação.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Tendo a porta da redação como 
referência, o estúdio tinha, montado logo à frente, um palco oval de 
30cm de altura. Ficava perto da parede, alinhado no meio do cômodo, e 
era feito de madeira compensada, revestido com piso vinílico azul, de 
superfície brilhante e tato macio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cima dele, ficava a bancada
 dos âncoras, feita de madeira MDF laminada, com superfícies laterais 
brancas e tampo de vidro preto. Estendia-se retangular ao longo do 
palco, cobrindo dois metros e meio de comprimento, oferecendo lugar para
 cinco pessoas. No painel frontal, acoplava-se um monitor de tela 
plástica dobrável, feito com tecnologia AMOLED, no qual se exibia, 
durante o noticiário, o título amarelo &lt;i&gt;Jornal Parque Emam&lt;/i&gt;, com ocasionais saudações aos seus telespectadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era ali que se apresentavam Dalborga e Valéria, recebendo, nas sextas e sábados, participações especiais de Carolina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atrás
 da bancada, fixo à parede, havia um painel de superfície escura e 
transparente, tendo embutido, em seu interior, um projetor holográfico 
em miniatura, usado para reproduzir imagens e vídeos tridimensionais 
sobre a cabeça dos apresentadores, conforme a necessidade da notícia. 
Eram projetados os mais variados Infográficos, cujos temas alternavam 
entre taxas de câmbio, índice de mortalidade no trânsito e requerimentos
 necessários para uma vaga de emprego.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na divisória à direita do 
palco, ficava a porta para a central de vendas, onde Fernanda e Seu 
Paulo se encontravam. Na divisória à esquerda, ficava a porta para um 
corredor menor, que se estendia dali até a redação, ficando paralelo a 
ambas estas salas. Oferecia acesso ao almoxarifado, à sala da gerência e
 aos vestiários femininos e masculinos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na frente do palco, ao 
lado da porta da redação, ficava uma mesa comprida equipada com seis 
monitores slims, cada um contendo vinte polegadas. Também haviam três 
teclados e três mouses, todos da cor preta. Representavam a ala de 
controle, através da qual Renato, atuando também como diretor de TV, 
coordenava a transmissão do noticiário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esta mesa e o 
palco, haviam três tripés de prata. Erguiam-se até os ombros de 
Carolina, sendo cada um equipado com uma câmera digital de 8.000 pixels,
 capazes de gravar imagens em definição UHDTV, a resolução básica de uma
 TV doméstica brasileira. Uma delas apontava para a lateral esquerda da 
bancada. Outra apontava para a lateral direita, sobrando à terceira 
apontar para o meio, englobando o palco, o fundo e toda a bancada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eram
 operadas por um computador biomolecular, localizado ao lado da mesa 
comprida, em pé no chão, de aspecto cilíndrico semelhante àquele 
encontrado na gaveta de Renato. Não apenas operava o movimento das 
câmeras, como também enviava comandos aos monitores slims e ao projetor 
holográfico 3D, via bluetooth.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina e Alice, sozinhas no 
estúdio, seguiam até a porta da central de vendas, driblando os tripés e
 passando pela ala de controle.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice estava comovida. Para ela, o
 puxão voluntário de Carolina era mais um elogio do que um desrespeito. 
Mesmo exibindo um rosto sério, seu coração pulava igual a um otaku junto
 a uma bela cosplayer, eufórico e apaixonado, como se Alice pensasse 
“ela tocou em mim, e está fazendo isto por conta própria! Estou no 
paraíso!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Carolina estava mais apática. Os desaforos de Seu 
Paulo, bem como o tratamento dispensado à Fernanda, envenenavam seu 
humor. Se tivesse de vê-lo partir assim, todo satisfeito e presunçoso, 
sorridente como um evangélico homofóbico protegido pela lei, talvez 
sofresse um AVC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegando na porta, pressionou o polegar contra o
 leitor biométrico e girou a maçaneta, abrindo caminho para o corredor 
dos clientes, lar da central de vendas. Com isto, terminara o trajeto em
 U iniciado no corredor dos funcionários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lá se encontrava, à 
direita, a escrivaninha de Fernanda, em cima da qual repousava seu 
notebook enrolável de OLED. Fernanda sentava-se de costas para a 
divisória central, de mãos unidas sobre o notebook e sorriso convidativo
 direcionado ao Seu Paulo, tendo seu headset VoLTE, fino e ajustável, 
pendurado ao pescoço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu Paulo, sentado de costas para o 
elevador dos clientes, não dera atenção à chegada de Carolina e Alice. 
No momento, preocupava-se apenas em se curvar para frente, vidrado, 
excitado e preso ao encanto da irresistível loira. Olhava alternadamente
 de seus lábios carnudos para seu pronunciado decote, inflamado pelo 
doce perfume de cerejas, querendo despir a promotora a cada inspirada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, voltando-se para as recém chegadas, e meio revoltada com seu atraso, tentou dispensá-las dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Tudo bem, gente. Seu Paulo e eu já nos acertamos. Não é, Seu Paulo?&lt;br /&gt;
— Já foi, sangue bom! Antes eu &#39;tava bolado, mas agora o caô &#39;tá dominado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Virando para Carolina, Seu Paulo estendeu-lhe a palma da mão, em gesto de despacho, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Rala daqui, ôh alemã! Quem &#39;tá passando aqui é o bonde!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina,
 lembrando-se dos insultos lançados a si no Bicadas, fechou os punhos e 
olhou fixa para o queixo do velho zueiro, ciente de que esta parte era a
 mais propensa a um nocaute, se atingida por uma forte pancada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, colocando a mão no ombro da vlogueira, tomou a dianteira, dizendo à Fernanda:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Se me permite perguntar: qual foi o acordo?&lt;br /&gt;
— Seu Paulo receberá um desconto na próxima mensalidade, e terá divulgação gratuita no vlog de Carolina por duas semanas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os
 punhos de Carolina relaxaram, tamanha sua incredulidade. Voltou-se de 
boca aberta para Fernanda, muda e paralisada, num misto de decepção, 
mágoa e rancor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentia-se traída pela colega de trabalho. Notou 
que ela escolhera, apesar de tudo, uma política de boa vizinhança. 
Preferiu favorecer o lado do ofensor, fazendo-se de covarde e submissa, 
em vez de colocá-lo em seu devido lugar, exigindo-lhe maior respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E
 não apenas baixou a cabeça para Seu Paulo, como tentava fazer com que 
ela, Carolina, também baixasse a sua, oferecendo-lhe divulgação gratuita
 em seu vlog.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dotada de amor próprio, incapaz de se render ao 
capricho de um brasileirinho mimado, Carolina estava prestes a recusar o
 acordo. Porém, foi cortada por Alice, que tomou sua vez dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Entendo. Ou seja: vamos receber menos e trabalhar mais, enquanto ele, 
sem fazer nada, apenas sendo quem é, será beneficiado. O que é isso? Uma
 paródia da nossa política assistencialista? A Landschaft representará o
 glorioso sul, terra dos guris produtivos e civilizados, enquanto este 
acéfalo representará o nordestão, casa dos miseráveis e vagabundos, 
eternos dependentes do nosso suor?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda pôs a mão na boca, 
completamente pega de surpresa. Emudeceu apavorada, suspirando em 
desalento, assustada demais para remediar a hostilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu 
Paulo não entendeu metade do que Alice falara, mas percebeu a provocação
 em sua voz. Foi o bastante para que fechasse a cara, levantando-se em 
desafio, encarando-a por trás dos óculos amarelos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, 
dando um passo para trás, mais interessada em lhes oferecer espaço do 
que precaver-se contra um eventual empurrão, estranhou o jargão usado 
por Alice. As expressões &lt;i&gt;política assistencialista, glorioso sul, guris&lt;/i&gt; e &lt;i&gt; acéfalo&lt;/i&gt;, somadas à afirmação de que o povo nordestino era vadio, soavam-lhe familiares. Terrivelmente familiares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi quando aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice
 ergueu o tablet acima da cabeça e o desferiu com toda a força contra o 
rosto de Seu Paulo, acertando-o na testa, bem acima da sobrancelha 
esquerda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu Paulo tombou para o lado, batendo os dentes contra o
 braço da cadeira e caindo de barriga no chão, capotando aos pés da 
escrivaninha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, gritando de susto, foi escorar-se na divisória central, toda encolhida e de mãos no rosto, querendo fugir dali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 apoiou-se na maçaneta, de olhos arregalados e coração palpitante, 
respirando com dificuldade pela boca, tentando recuperar o fôlego. Nem 
tanto pelo golpe desferido contra Seu Paulo, e mais pela figura de 
Alice.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois Carolina, testemunhando esta repentina violência, e 
reparando novamente no símbolo da Café com Leite desenhado no boné do 
zueiro, conseguiu se lembrar. Política assistencialista, glorioso sul, 
acéfalo, injúria aos nordestinos... ela conhecia essa linguagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na
 seção de comentários do seu vlog, já se deparara com expressões 
semelhantes. Eram muito usadas pela classe média paulistana e sulista. 
Em especial pelos estudantes de direito, medicina, enfermagem e 
nutrição, que, naquele tempo, eram ávidos por uma revolução à la 
francesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, muito comum a eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos Patriotas Bolsonários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTdkNoYU1acTZ6d2c/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 30/07, as 22:00, horáro de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/39-alice-no-pais-do-huehue.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-7234717055828453370</guid><pubDate>Sun, 27 Jul 2014 01:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-26T18:03:29.497-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>38 - Bicando quem está quieto</title><description>Enquanto atravessava o estúdio de gravação, Carolina começou a se 
irritar. Percebeu que Alice, enraivada e distraída, não pretendia largar
 seu braço. Pelo menos, não até chegarem na central de vendas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo
 pensava, não era criancinha. Não precisava ser tratada com tanto zelo. 
Sabia que Fernanda precisava de ajuda extra. Ninguém precisava 
empurrá-la daquele jeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o orgulho ferido, tentou soltar-se da gerente, dizendo com toda a paciência:&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
— Alice, está amarrotando minha manga outra vez.&lt;br /&gt;
— Oh, desculpa! Eu não vi o qu...&lt;br /&gt;
— Não viu o que estava fazendo. É, eu sei.&lt;br /&gt;
— Aqui, segure meu tablet. Vou desamassar sua camisa.&lt;br /&gt;
— Tudo bem. Eu mesma faço isto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, chateada com a recusa, mas ainda admirando a fisionomia da vlogueira, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu já falei que você ficaria melhor de lilás, em vez de vermelho?&lt;br /&gt;
— Na verdade, já.&lt;br /&gt;
— É que lilás combina melhor com seus...&lt;br /&gt;
— Com meus olhos verdes. Eu sei. Também já me disse isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, olhando para sua manga amarrotada, começou a esticar e alisar o tecido, pensando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Pronto?
 Já terminou de brincar de boneca comigo? Podemos voltar a sermos 
adultas? Ou talvez você também queira bater uma selfie, só para, em 
seguida, me exibir aos seus parentes e colegas?”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, lembrando-se do porquê de tê-la trazido junto, perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você garante que Seu Paulo é o Procriador Veterano?&lt;br /&gt;
—
 Sim. Pelo menos, foi o que o rastreador me indicou. Além disso, 
enquanto discutíamos na portaria, mandei algumas indiretas para ele, 
insinuando que ele era o Procriador.&lt;br /&gt;
— E?&lt;br /&gt;
— Bem, pelo jeito como ele me respondeu, eu diria que a carapuça serviu.&lt;br /&gt;
—
 Olha, eu acredito em você. De verdade. Mas antes de continuarmos, 
poderia rastreá-lo novamente? Só para garantir que não cometerei uma 
injustiça?&lt;br /&gt;
— Não, tudo bem. Muito embora eu admita: não sei o que pretende fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 retirou o celular do bolso e abriu a mensagem do Cowboy Recauchutado. 
Então, após clicar no nome Procriador Veterano, selecionou o comando 
Rastrear.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tela exibiu um mapa do Parque Emam. A imobiliária 
Landschaft, representada como um quadrado cinza, foi posicionada no 
centro. Dentro do quadrado, piscava uma bola azul, indicando a 
localização de Carolina. Ao lado dela, piscava uma bola vermelha, 
sugerindo a localização aproximada do Procriador Veterano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cima da bola, havia uma caixa de texto igualmente vermelha, contendo a mensagem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Usuário Procriador_Veterano encontra-se a 8 metros de distância, na rua Niemeyer, Parque Emam, Londrina/PR.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina mostrou a tela para Alice, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que acha? Duvido que seja Renato, Dalborga ou mesmo Fernanda.&lt;br /&gt;
— Não sei. Renato parece ousado o bastante para fazer isso, só de brincadeira.&lt;br /&gt;
—
 Renato tem ousadia, mas não tem mal gosto. Se fosse para brincar 
comigo, ele me pegaria no colo e me carregaria até a praça pública, 
fingindo ser meu namorado. Ele gosta de constranger assim, ao vivo, e 
não apenas nas redes sociais.&lt;br /&gt;
— Espero que tenha razão. Caso contrário, eu teria de cortá-lo da empresa. Seria um... desperdício para todas nós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, notando o duplo sentido desta afirmação, e reparando o uso do feminino em “todas”, cruzou os braços e pensou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Desperdício de talento ou de carne?”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Alice, voltando a si, continuou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— De qualquer forma, deixe-me ver o perfil criado para você. Sabe, aquele criado no site de paquera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abrindo
 o navegador de internet, Carolina acessou o Clube do Cowboy 
Recauchutado e entrou no perfil dedicado a si. Então, com o perfil 
aberto, entregou o celular para Alice, deixando que ela o explorasse à 
vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nele se exibia uma foto de corpo inteiro da vlogueira, 
na qual ela posava junto a sua mountain bike elétrica, vestindo bermuda 
de ciclismo preta e camiseta de passeio azul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embaixo da foto, havia a seguinte lista:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Nome: Carolina Godoy de Vilanova&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Idade: 20&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Altura: 1,70m&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Peso: 60 quilos&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Pele: clara&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Cabelo: liso e escuro&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Olhos: verdes&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Profissão: vlogueira&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Hobby: ciclismo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice
 ficou assustada com o excesso de informações ali contidas. 
Especialmente por terem sido fornecidas por outra pessoa, não pela 
própria Carolina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apontando para a tela, perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como o Procriador sabe sua idade, peso e altura?&lt;br /&gt;
— Acho que ele descobriu no perfil do meu Bicadas. Quando fiz minha conta lá, forneci todas essas informações.&lt;br /&gt;
— Nossa, Carol! Pra quê? Não achei que fosse tão vaidosa!&lt;br /&gt;
—
 Não é vaidade. É só um... tique nervoso. Detesto deixar formulários em 
branco. Sempre tento preencher tudo, e só quando julgo inofensivo.&lt;br /&gt;
— 
Mas Carol, fornecer esse tipo de informação em redes sociais nunca é 
inofensivo! Aposto que essa foto também foi retirada do seu Bicadas!&lt;br /&gt;
— Foi sim. Está no meu álbum.&lt;br /&gt;
— Mas você não bloqueou o acesso para pessoas não amigas?&lt;br /&gt;
— Na verdade, eu bloqueei.&lt;br /&gt;
— Então como ele conseguiu a foto? Como?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, parecendo uma mãe coruja, falava como se repreendesse uma filha desatenta e inconsequente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 percebeu isto. E como não tinha lhe dado liberdade para opinar sobre 
sua vida pessoal, começou a detestar a censura. A companhia da gerente 
já estava ruim, por causa do puxão em seu braço. Agora, só tinha 
piorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Querendo lhe dar uma resposta que calasse sua boca, Carolina disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Ele provavelmente me mandou uma solicitação de amizade nesta semana, ou
 semanas atrás, ou meses atrás. E eu provavelmente aceitei, pensando se 
tratar de algum fã do meu vlog.&lt;br /&gt;
— Aí está o problema: você aceita qualquer pessoa no seu perfil. Nem verifica quem é, de onde é e como te conheceu!&lt;br /&gt;
—
 Entenda, Alice: meu perfil no Bicadas não serve para uso pessoal, e sim
 para uso publicitário. Se eu compartilhar alguma informação pessoal, ou
 alguma foto do meu dia a dia, é porque estou tentando divulgar minha 
imagem como vlogueira, e não porque sou exibicionista, insensata ou 
carente de atenção.&lt;br /&gt;
— Para uso publicitário, é?! Então por que bloqueou o acesso para os não amigos?&lt;br /&gt;
— Porque, desse jeito, eu forço as pessoas a me adicionarem ao seu Bicadas. Isso ajuda a aumentar meu número de contatos.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
— Que foi?&lt;br /&gt;
— E depois me diz que não é carente por atenção.&lt;br /&gt;
—
 E não sou! Eu não quero aumentar meus contatos por carência, nem por 
vaidade. Se você não sabe, para quem vive de patrocínio, esses contatos 
representam o ganha pão, porque os patrocinadores, obviamente, só 
investem nos comunicadores que tiverem uma grande audiência.&lt;br /&gt;
— Se é assim, diga-me: tem algum Procriador Veterano no seu Bicadas?&lt;br /&gt;
— Hmm, quer saber? É uma boa pergunta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora
 odiasse satisfazer a curiosidade de Alice, Carolina tomou o celular de 
suas mãos e acessou sua conta. Também desejava saber se havia alguém com
 esse nome na sua lista de contatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas antes de clicar no 
prompt de pesquisa, notou que havia uma nova notificação. Alguém chamado
 Paulo Vida Loka mencionara seu nome numa publicação, que fora postada 
há aproximadamente 30 minutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era escrita com Caps Lock e com vários erros de ortografia, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;ACABEI DEVE A TAU @Carolina_Godoy! NAO SEI OQUE VCS VE NELLA! E FEIA, E BURA, NAO SERVI NEM PA ISPANTA MUSQUITO! HUEHUE!!!!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levou um minuto para Carolina entender isto, traduzindo-a para o seguinte desaforo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Acabei
 de ver a tal Carolina. Não sei o que vocês veem nela. É feia, é burra e
 não serve nem para espantar mosquitos. (Risada zombeteira de internauta
 brasileiro, daquele tipinho digno de ser torturado, e que pensa estar 
protegido pelo antigo anonimato da internet)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A foto de Paulo
 Vida Loka era a mesma do Procriador Veterano: a caricatura de um garoto
 mulato, careca, com dentes frontais separados e olhos esbugalhados. O 
conhecido emblema da tribo urbana Zuera Never Ends.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como o tal 
Vida Loka estava adicionado aos contatos de Carolina, ela tinha acesso 
ao seu álbum de fotos. Clicando no ícone de um porta-retratos preto, 
deparou-se com várias imagens do próprio zueiro, Seu Paulo. Posava 
sorridente e com a língua de fora, exibindo o polegar e o mindinho 
esticados, em gesto de surfista. As localidades variavam entre campos de
 futebol, churrascos em fundo de quintal e aulas de zumba em academias 
azulejadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Confirmando a identidade do ofensor, e remoendo os 
insultos lançados a si no Bicadas, bem como no Cowboy Recauchutado, 
Carolina pegou no braço de Alice e puxou-a em direção à central de 
vendas, esquecendo-se do respeito a sua hierarquia, e resmungando 
ferozmente:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não sei você, mas eu não preciso de novas confirmações! Mais provas do que isto, só ressuscitando o próprio Sherlock!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTTlpMTGhQazFHQ3M/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 27/07, as 22:00, horáro de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;b&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/38-bicando-quem-esta-quieto.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-1259492281034805524</guid><pubDate>Thu, 24 Jul 2014 02:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-23T23:05:19.915-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>37 - Dalborga</title><description>Dalborga continuava nervoso. Embora a redação tivesse voltado ao normal, ele não parava de pensar nos desaforos lançados à Fernanda, nem na ousadia de Seu Paulo em chamá-la de &lt;i&gt;potranca, piriguete&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;novinha&lt;/i&gt;, sendo este último, embora menos chocante, igualmente injurioso.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Quando Alice e Carolina se retiraram, sentiu que ele deveria se confrontar com o zueiro, não a gerente de RH. Acreditava que uma presença masculina, dotada de ar intimidatório, surtiria maior efeito. Especialmente se tratando de alguém tão versado no que se costumava chamar &lt;i&gt;vocabulário proibidão&lt;/i&gt;. Um idoso grosseiro e indecente, cujo orgulho pirracento, natural à idade avançada, só pioraria sua recepção à críticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato: Alice prometeu remediar a situação. Assumiu a responsabilidade para si. E Dalborga, moderado demais para se intrometer nos assuntos dos outros, preferia deixá-la cuidar de tudo sozinha, livre de seu amparo indulgente, evitando, desta forma, subestimar sua capacidade para resolver problemas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, continuava incomodado. Mesmo tendo as mãos atadas pela própria educação, ainda queimava em rancor, indignado e reprimido, sedento por aplicar uma justa e violenta reparação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus 20 anos como repórter policial, somados aos 45 anos de vida, já testemunhara e noticiara diversos assaltos, assassinatos e abusos sexuais, cujos infratores, mesmo sendo capturados, escapavam em liberdade. Fosse por causa da menor idade, da superlotação nas cadeias, da influência de suas panelinhas políticas ou do poder econômico de suas famílias, a justiça devolvia esses infratores à sociedade, sem supervisão ou restrições, só para serem noticiados novamente na semana seguinte, cometendo outros delitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Dalborga, ficar falando sobre os mesmos infratores em seu jornal, semana após semana, obrigava-o a constatar a moleza do sistema penal brasileiro, a frouxidão do ministério da justiça e a completa rendição dos direitos humanos as famílias dos condenados. Defeitos estes que, em sua opinião, abandonavam o cidadão honesto à própria sorte, tornando-o vulnerável aos criminosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após noticiar tantas injustiças e tragédias familiares, ao longo de toda sua carreira, já perdera a paciência com as malandragens dos brasileiros. Não acreditava em medidas socioeducativas, não respeitava os defensores da população carcerária e era, sobretudo, a favor da justiça com as próprias mãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se precisasse escoltar um criminoso ao seu destino final, tendo de escolher entre uma cadeira de escola e uma cadeira elétrica, escolheria a segunda opção. Afinal, em sua cabeça, bandido bom era bandido morto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Movido por esta descrença na segurança pública, e tendo a certeza de que os indivíduos folgados deste país continuariam a se proliferar, certos de que jamais seriam punidos, odiou ainda mais Seu Paulo. Não queria que o zueiro se tornasse outro exemplo de impunidade. Ainda mais ali, na Landschaft, seu ambiente de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cima da escrivaninha, havia uma caneca preta de 300 ml, que estava ao alcance de sua mão direita. Pegando em sua alça, levou-a consigo até a cafeteira automática, servindo-se de 100 ml de café puro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, olhando para a janela, tentou diminuir seu nervosismo. Ainda se recusava a comprar aquela briga, não querendo se intrometer numa coisa que, supunha, era assunto dos outros, não seu. Manteve o foco no trabalho, lembrando-se de que ainda não editara as notícias policiais daquela sexta, que deveriam ser apresentadas dali duas horas, no horário do almoço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltando-se para Renato, tomou um gole de café quente e amargo, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Se eu mandasse nesse país, botaria aquela múmia num paredão, tiraria suas roupas e fuzilaria suas costas com um rifle de paintball. E ainda cobraria seus netos pelas balas. Eu tô certo ou tô errado?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato apenas sorriu, balançando a cabeça em sinal afirmativo. Olhava o tempo todo para o monitor widescreen, sem fazer contato visual com o âncora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dalborga, sentindo necessidade de uma aprovação mais expressiva do que esta, continuou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Quando eu falo isso, eu sou louco? Eu pareço louco?&lt;br /&gt;
— Não.&lt;br /&gt;
— Claro que não pareço louco! Claro que não! Como é que pode esse vagabundo, esse língua-de-esgoto, falar para uma mulher que ela é potranca, que ela é piriguete e que ela fica de quatro para os seus chegados??&lt;br /&gt;
— Não tenho certeza, mas acho que ele estudou em escola pública.&lt;br /&gt;
— O que isso tem a ver?&lt;br /&gt;
— No tempo dele, os adolescentes não eram supervisionados pelos pais. Por isso, os professores desistiram de lhes dar educação, porque sempre que tentavam repreendê-los, os alunos os ameaçavam de morte. Os diretores e orientadores também ficavam de braços cruzados, porque tinham medo das ameaças. Tanto as salas de aula quanto os pátios dos colégios se tornaram verdadeiras faculdades de traficantes, provocadores de brigas e princesas do baile funk. E o resultado foi: em pleno ano 2060, temos idosos insuportáveis, grosseiros, ignorantes e vaidosos, iguais ao Seu Paulo.&lt;br /&gt;
— Para mim, a culpa é do judiciário. Muitos perdões para poucos inocentes. Sem mencionar a má infraestrutura da nossa gloriosa polícia londrinense. Poucas balas para muitos bandidos. Mas eu te digo uma coisa: esse Seu Paulo ainda vai peidar pra muzenga. Seja num leito de hospital, seja na esquina da Leste-Oeste.&lt;br /&gt;
— Leste-Oeste?&lt;br /&gt;
— Enfeitado como está, ele só pode estar querendo dar a bunda na avenida. É um prostituto capivara sem noção do ridículo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato voltou a se debruçar sobre a mesa, rindo até chorar. Para ele, o dia não estaria completo sem ouvir os resmungos de Dalborga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, reconhecia: não gostou de ouvi-lo dizer &lt;i&gt;gloriosa polícia londrinense&lt;/i&gt;. Falando desse jeito, Dalborga expressava um orgulho regional que, em verdade, nem o londrinense e nem o brasileiro de qualquer região estava habilitado a ostentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda faltava muita maturidade para fazer isto de maneira respeitosa e saudável, sem gerar ressentimentos ou discórdias, e sem desmerecer as qualidades das outras regiões. Um comportamento que, para Renato, ainda era inalcançável, uma vez que, até então, o brasileiro era competitivo, apaixonado, impulsivo e, portanto, sem moderação para alcançá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas tirando isto, Renato aprovava o resto da opinião de Dalborga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E enquanto ambos conversavam sobre a ineficácia das medidas socioeducativas do sistema penal, César, terminando de reler a mensagem de Marcelo, levantou-se e seguiu para a porta do corredor. Pressionando o dedo contra o leitor biométrico, destrancou a trava eletrônica e virou a maçaneta, saindo da redação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi observado o tempo todo pela editora chefe, que sentava-se na terceira e última escrivaninha, ao lado de Dalborga, atendendo pelo nome de Valéria Duffato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estava irritada com a retirada de César. Perguntava-se por que, naquela sexta, ele estava se dirigindo pela segunda vez ao elevador, sendo que, em dias normais, ele não tinha assuntos a resolver no 1° andar, nem no térreo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, também se perguntava: por que ele estava verificando seu celular com tanta frequência, e com tanta ansiedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTaXRmVXFXMUxuN3M/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 26/07, as 22:00, horáro de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compilação dos capítulos 17 a 33 disponível gratuita no &lt;/b&gt;&lt;a href=&quot;https://www.smashwords.com/books/view/457756&quot;&gt;&lt;b&gt;Smashwords&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; &lt;b&gt;e&lt;/b&gt; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/o-vlog-carolina-e-o-feriado/id900230612?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/37-dalborga.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-6302494578829641122</guid><pubDate>Mon, 21 Jul 2014 03:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T21:18:06.702-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>36 - Cavalheirismo zumbificado</title><description>Por causa deste déficit de etiqueta social, comum ao brasileiro 
barraqueiro e sem consciência coletiva, do tipo que não avaliava, em 
tempo real, a consequência dos seus atos, e nem a maneira pela qual 
estes mesmos atos seriam interpretados por quem estivesse por perto, a 
redação parou.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Renato, bem confortável em sua cadeira, ciente de 
que nada disto lhe dizia respeito, ficou apenas assistindo ao que 
aconteceria. Olhou do trio feminino para Seu Paulo, querendo entender do
 que se tratava aquela explosão de testosterona.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, 
lembrando-se da ofensa enviada à Carolina através do Clube do Cowboy 
Recauchutado, olhou severa para as mãos e lábios do zueiro. Queria muito
 amputar-lhe os dedos e a língua, impossibilitando-o de usar teclados ou
 comandos de voz. Desta forma, ele nunca mais enviaria mensagens daquele
 tipo à vlogueira, ou a qualquer outra mulher.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, ainda 
voltada para a janela, amargando, de braços cruzados, a simpatia 
indesejada dos Patriotas Bolsonários, foi trazida de volta à realidade, 
graças à inconveniência escandalosa de Seu Paulo. Uma inconveniência 
que, embora menor quando comparada a do grupo extremista, não deixava de
 ser irritante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Virando-se para ele, ficou reparando em suas 
vestes e acessórios, tentando avaliar o preço de sua camisa polo 
Crocodilo Tenista e do seu tênis de corrida Aquático Wave. Como ser 
humano, ele não lhe servia para nada. Mas como indenizador de danos 
morais, talvez representasse uma bolada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, por sua vez, 
foi conciliadora. Deixou de lado a conversa com Carolina e assumiu sua 
postura de promotora de publicidade, devolvendo o tablet à Alice e 
puxando a barra da baby look para baixo, desenhando ainda mais os 
contornos dos seus seios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dirigindo-se ansiosa até a porta, ficou posicionada entre Seu Paulo e a cafeteira automática, pegando no braço dele e dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pelo sangue de Cristo, Seu Paulo! Desculpa pela demora! Juro que eu já estava voltando para atendê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O
 zueiro, prestes a anunciar seu rompimento com a Landschaft, e querendo 
fazê-lo na frente do maior número de pessoas possível, achando que, 
desta forma, sairia dali vitorioso, fosse qual fosse a batalha que 
presumia estar travando, viu-se desarmado pelo perfume de Fernanda. Sua 
fragrância de cerejas, quente e excitante, exalando de dentro do farto 
decote, conseguiu demovê-lo do rancor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto que, motivado pela 
cabeça de baixo, desistiu de romper com a empresa. Pois, na presença da 
promotora, seu sangue fluía para... lugares diferentes, fazendo com que,
 naquele instante, seu abandono na central de vendas não parecesse tão 
ofensivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, ainda se recusando a descer do salto, resmungou dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Faz meio século que estou mofando naquela sala, ôh potranca! Que 
atendimento pé de chinelo é esse? Aposto que se fosse algum chegado seu,
 você já estaria de quatro dizendo “quando quiser”!&lt;br /&gt;
— Heh, o senhor é um verdadeiro salmista. Nunca reparei na sua língua abençoada. Onde aprendeu a falar assim?&lt;br /&gt;
— É de berço, minha piriguete. No educandário da vida, a família é tudo.&lt;br /&gt;
— Aposto que, falando desse jeito, o senhor consegue causar uma grande impressão nas mulheres.&lt;br /&gt;
— É como os manos dizem: é fácil me conhecer, e ainda mais difícil me esquecer.&lt;br /&gt;
— Sim, difícil. Muito difícil. Mas venha comigo. Vou tratá-lo como merece.&lt;br /&gt;
— Agora senti firmeza, novinha. E vamos ligeiro, porque tenho outros bagulhos para resolver.&lt;br /&gt;
— Entendo. Quanto empenho em sustentar seu estilo de vida, Seu Paulo. Imagino que tenha muito orgulho de si.&lt;br /&gt;
— Opa, é nóis! Pois, no final das contas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E
 nesta hora olhou para Carolina, encarando-a feito um competidor num 
campo de futebol, e sorrindo como se tivesse a vantagem no jogo, 
dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— ... a zuera never ends. Hue hue!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, 
desistindo de esperar por Alice e Carolina, foi andando na frente, 
ganhando acesso ao estúdio de gravação. De lá, virou à direita e seguiu 
para a central de vendas, resignada com os desprazeres da sua ocupação, e
 com o fardo daquelas roupas apertadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu Paulo, olhando detidamente o rebolado do seu quadril, e pouco preocupado em ofendê-la com tamanha indiscrição, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ah leléqui!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ambos se retiraram da redação, deixando a porta aberta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato, ainda sentado em sua cadeira, quieto e atencioso, trocou olhares sugestivos com Carolina, como se quisesse lhe dizer &lt;i&gt;“algo precisa ser feito. Ele não pode escapar assim.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do
 outro lado da sala, sentado numa das duas escrivaninhas isoladas, 
encontrava-se um dos âncoras do jornal comunitário. Tinha ouvido a 
conversa entre Seu Paulo e Fernanda, reparando o tempo todo no 
tratamento dispensado à promotora, e revoltando-se com cada palavra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De rosto severo, perguntou à Alice:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É brincadeira, né?! Só pode ser brincadeira! Que vá sentar no colo do capeta! Você vai deixar que fique assim?&lt;br /&gt;
— Calma, Dalborga. Vou resolver isso agora mesmo. Eu já tinha um assunto pendente a tratar com ele.&lt;br /&gt;
—
 Assim espero, pois se você não for, eu vou! Isso foi a maior putaria! E
 na frente da menina nova, a Carolsinha. Repito: putaria!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 baixou a cabeça e sufocou o riso, achando graça no diminutivo zeloso 
dedicado a si. Olhou para Renato e viu que ele se debruçara sobre a 
mesa, escondendo o rosto sobre os braços, rindo até soluçar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, bem menos humorada, sedenta por justiça com as próprias mãos, puxou Carolina pelo braço novamente, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Vamos lá. Quero que você esteja presente.&lt;br /&gt;
— Tudo bem. É nóis.&lt;br /&gt;
— Por favor, não fale assim! Nem de brincadeira!&lt;br /&gt;
— Heh.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entraram no estúdio de gravação, fechando a porta atrás de si, devolvendo a redação à normalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto
 isso, César Garcia, o estagiário de publicidade, encontrava-se sentado 
na outra ponta da estação de trabalho, completamente oposto ao lugar 
reservado à Carolina, de costas para a janela. Estava relendo uma 
mensagem de celular, que fora recebida dez minutos atrás, antes de 
Fernanda, Alice e Carolina aparecerem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi enviada por Marcelo e dizia apenas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Seu pacote chegou. Como combinado, não contei a ninguém. Ficarei no aguardo daquele espetinho de kafta com cerveja gelada.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTY1ExQmdCYVpldms/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;i&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;* * * *&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 23/07, as 22:00, horário de Brasília. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/36-cavalheirismo-zumbificado.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-8889963644428075653</guid><pubDate>Sun, 20 Jul 2014 03:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T17:25:51.403-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>35 - O presente que o diabo embrulhou</title><description>Na estação de trabalho, o lugar de Carolina se localizava no canto 
da mesa. Ficava de frente com a janela, de costas para a ilha de edição e
 imediatamente ao lado da porta do corredor.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Tinha uma gaveta, 
uma cadeira ergonômica igual a de Renato e uma bobina de acoplamento 
magnético instalada na divisória central, do tamanho de uma pilha AA, 
que substituía a tomada de três pinos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por meio desta bobina, era
 possível recarregar o celular, o tablet ou qualquer outro aparelho 
eletrônico ao seu alcance, sem a necessidade de um cabo, bastando apenas
 aproximá-los de sua ponta arredondada de cobre. Seu campo magnético 
faria o resto, transferindo a energia da bobina para o aparelho visado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A
 mesa de Carolina estava limpa, com exceção de um pacote encostado na 
divisa lateral. Tinha o tamanho de uma caixa de tênis e estava 
embrulhado com papel de presente, todo listrado de verde, vermelho e 
amarelo. No topo, era enlaçado por uma fita dourada, cujo nó se escondia
 atrás do brasão do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando entrou na redação, 
Carolina estava distraída demais para notar o embrulho. O puxão de Alice
 a incomodara, e a perspectiva de reencontrar Seu Paulo, com quem 
poderia ter um novo confronto, também roubara sua atenção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, quando viu aquele brasão gaúcho depositado em sua mesa, e justo após terem a chamado de &lt;i&gt;“princesinha dos Patriotas Bolsonários”&lt;/i&gt;,
 foi incapaz de se mexer. Arrepiou-se com o que poderia haver no pacote,
 bem como o motivo de ele estar ali. Tanto que, num instante, 
esqueceu-se do seu dever com Fernanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colocando a mão na testa, e sem esconder o desgosto, perguntou a Renato:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por que tem um pacote farroupilha na minha mesa?&lt;br /&gt;
— É presente dos seus fãs.&lt;br /&gt;
— Pff, fãs! Que tipo de fãs são esses?&lt;br /&gt;
— Do tipo carinhoso e caprichoso, ora.&lt;br /&gt;
— Sim, com certeza são caprichosos. E não estou falando no bom sentido!&lt;br /&gt;
— O que foi? Nem abriu o presente e já quer jogá-lo fora, marreco?&lt;br /&gt;
— Bem, vamos colocar assim: de vez em quando, a capa do livro já basta para julgar seu conteúdo.&lt;br /&gt;
— Heh.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato, girando em sua cadeira, olhou para o pacote e acenou para o brasão gaúcho, zombando aos risos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Está brava por causa da origem dele?&lt;br /&gt;
— Acho que nós dois sabemos o porquê da minha braveza.&lt;br /&gt;
— Eu sei, é?!&lt;br /&gt;
— Se você está me chamando de &lt;i&gt;princesa bolsonária&lt;/i&gt;, é porque sabe, tanto quanto eu, quem enviou o presente. Ou, pelo menos, o tipo de gente que o enviou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice,
 que era casada com um porto-alegrense, ficou chateada. Do jeito como 
falavam, era como se Carolina tivesse birra de gaúchos. Se fosse assim, 
não poderia apresentá-la ao seu marido, nem torná-la uma visita 
frequente em sua casa, tanto quanto pretendia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desejando invalidar sua suspeita, perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Carol, você não gosta de gaúchos?&lt;br /&gt;
— Olha, não vou negar: eu estranho muito eles.&lt;br /&gt;
— Por quê?&lt;br /&gt;
— Porque continuam investindo numa polícia especial contra visitantes de outros Estados.&lt;br /&gt;
— Ah, isso? Eles só estão fazendo controle de pestes na fronteira.&lt;br /&gt;
— Aff, não mesmo!&lt;br /&gt;
— Mas foi o que falaram para a Seja.&lt;br /&gt;
—
 Sei. Uma polícia que testa seu conhecimento de português, antes de 
autorizar sua entrada no Estado? E que foi instituída após o aumento da 
imigração haitiana no Brasil, décadas atrás?&lt;br /&gt;
— Não entendo. O que está insinuando?&lt;br /&gt;
— Alice, sério: de que pestes você acha que eles estão falando?&lt;br /&gt;
— Não sei. Peste negra?&lt;br /&gt;
— Por Deus, foi uma pergunta retórica!&lt;br /&gt;
— Oh, desculpa! Você perguntou como se quisesse uma resposta.&lt;br /&gt;
— Gente, por favor, não falem desse jeito perto de mim! Eu já estou queimada demais!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda,
 até então impaciente, só esperando que as três retomassem a caminhada 
até sua mesa, estranhou a reação de Carolina. Não entendia sua 
implicância com o pacote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Qual o problema, Carolina? Os donos do presente me pareceram educados, quando o entregaram a mim.&lt;br /&gt;
— Como é? Foi você quem deixou o presente na minha mesa?&lt;br /&gt;
— Sim.&lt;br /&gt;
— Então você conhece as pessoas que o entregaram?&lt;br /&gt;
—
 Não. Eu topei com eles sem querer na portaria, enquanto vinha 
trabalhar. Eles queriam entregá-lo a você pessoalmente, mas você não 
tinha chegado. Então, antes de eu subir no elevador, Marcelo me chamou e
 me pediu para deixá-lo aqui.&lt;br /&gt;
— E quem são eles, afinal?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato, erguendo uma sobrancelha, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como se você já não soubesse.&lt;br /&gt;
— Talvez sejam &quot;eles&quot;, talvez não sejam, Renato. Não custa nada confirmar.&lt;br /&gt;
— Confirmar o quê? O brasão e as cores do embrulho já dizem tudo.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, ainda mais confusa, perguntou à Carolina:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Do que vocês estão falando?&lt;br /&gt;
— De cobras e lagartos.&lt;br /&gt;
— Quê?&lt;br /&gt;
— Diga-me: como eram essas pessoas?&lt;br /&gt;
—
 Bem, era um grupo de três universitários. Duas meninas e um garoto. 
Eles estavam indo para a faculdade federal, pelo que percebi.&lt;br /&gt;
— Algo mais?&lt;br /&gt;
— Não, só isso. Era um grupo animado e amigável. Até tiraram selfie comigo.&lt;br /&gt;
— Selfie? Mas você disse que não os conhecia.&lt;br /&gt;
—
 Pois é, não os conheço. Por isso eu disse: são animados e amigáveis. 
Mal nos conhecemos e já fizemos amizade. Tanto que me chamaram pra sair.&lt;br /&gt;
— Fernanda, acho que estavam te passando um trote. Ou isso, ou são carentes por amizade.&lt;br /&gt;
— Por quê?&lt;br /&gt;
— Porque ninguém é tão camarada assim. Pelo menos, não após ter acabado de conhecer a pessoa.&lt;br /&gt;
— Eles são religiosos. O que você queria?&lt;br /&gt;
— Hmm, deve ser uma religião nova, porque os católicos e os evangélicos são panelinhas demais para se enturmarem desse jeito.&lt;br /&gt;
— Na verdade, você acertou. É uma religião nova.&lt;br /&gt;
— Mesmo? Qual?&lt;br /&gt;
— Essa que você e o Renato falaram. A Bolso-não-sei-o-quê.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina ficou paralisada. Olhou para Fernanda de boca aberta, como se um tornado viesse em sua direção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode repetir?&lt;br /&gt;
— Eles são da Bolso-não-sei-o-quê que vocês estavam falando.&lt;br /&gt;
— Bolsonários?&lt;br /&gt;
— Acho que sim.&lt;br /&gt;
— Patriotas Bolsonários?&lt;br /&gt;
— Exato. Esse nome aí.&lt;br /&gt;
— Como sabe?&lt;br /&gt;
— Depois de bater o selfie, eles me convidaram para participar de uma reunião de célula.&lt;br /&gt;
— Tem certeza?&lt;br /&gt;
— Sim. Eles me disseram &quot;nossa célula vai se reunir hoje, lá na Concha Acústica. Terá banda de rock e narguilé à vontade.&quot;&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
— É uma religião bem liberal, não acha?! Talvez seja baseada na igreja metodista.&lt;br /&gt;
— E você... aceitou o convite?&lt;br /&gt;
—
 Não. Disse que já sou da igreja católica, e que não poderia me 
comprometer com outra religião. E só pra constar: não somos panelinhas 
não, viu?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina não ouviu este último comentário. Nem teve 
vontade de rir de Fernanda, por ela ter interpretado tudo como se fosse 
religião. Confirmara suas suspeitas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua cabeça estava tomada por
 um único pensamento: os Patriotas Bolsonários, reconhecido grupo 
extremista de direita, favorável à eugenia no Brasil, estava lhe 
enviando presentes E na mesma semana em que a Café com Leite, movimento 
cultural pró-diversidade, composto por membros sensíveis as opiniões dos
 outros, empenhava-se em torná-la uma semente da discórdia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sentindo a garganta apertar, Carolina cruzou os braços e olhou para a paisagem na janela, pensando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Esse
 será meu legado? A vlogueira que agradou o grupo dos intolerantes, e 
que também desagradou o grupo que, historicamente, será reconhecido como
 o herói do povo? Essa merda toda já está perdendo a graça!”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A
 porta que levava ao estúdio de gravação se mexeu, abrindo caminho para 
Seu Paulo, o velho zueiro. Estava tomado de raiva e rancor, indignado 
por terem o deixado sozinho na central de vendas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tão logo avistou Fernanda, Alice e Carolina juntas, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ah, leléqui! Agora vocês vão ver!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTOF95WkE2ak1UU0k/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)
&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 20/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;!--DOCTY--&gt;</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/35-o-presente-que-o-diabo-embrulhou.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-656448068645586928</guid><pubDate>Thu, 17 Jul 2014 02:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T16:36:05.538-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>34 - Renato Ohara</title><description>(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTQ1RPZ2NfbkhkRTQ/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, Fernanda e Alice olharam para trás. A estranha saudação tinha vindo da escrivaninha solitária, por onde haviam passado sem dar maior atenção.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Nela se encontrava Renato Ohara, o editor chefe de imagem e som. Estava sentado em uma cadeira ergonômica de correção postural, cujo acento de espuma, macio e azul, privilegiava o alinhamento pélvico, importante para a saúde cardiovascular. Também usava um implante dentário microfônico, com o qual ditava ordens ao seu monitor widescreen de 29 polegadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O monitor era operado via bluetooth por um computador biomolecular, que se localizava dentro da gaveta da escrivaninha. Consistia num gabinete cilíndrico do tamanho de uma garrafa de 2 litros, feito com circuitos de filamento de DNA, sucessores do chip de silício, capaz de rodar vários programas pesados simultaneamente, e com a mesma agilidade com que um computador antigo rodaria um Bloco de Notas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somado ao monitor, o gabinete representava toda a aparelhagem da ilha de edição do audiovisual. Por meio dele, as imagens das matérias jornalísticas e a narração dos repórteres eram unidas num único vídeo, que seria exibido, com exclusividade, aos moradores do Parque Emam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato, apoiando o cotovelo no braço da cadeira, descansou o queixo sobre a mão esquerda, olhando sorridente e arteiro para Carolina, exibindo a jovialidade madura dos seus 29 anos. Seus traços eram asiáticos, com rosto ovalado e lábios pequenos, enquanto seus cabelos, lisos e compridos, eram amarrados num rabo de cavalo. Sua barba, espessa e bem aparada, começava no bigode, descia até o queixo e terminava nas costeletas, emoldurando toda a parte inferior do seu rosto, exalando à fragrância de tangerina e manjericão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usava o óculos digital da Eagle Glass, com armação quadrada e minicâmera de 20 megapixels embutida na lente direita. Ao lado da minicâmera e em cima da lente, havia uma tela óptica de 1 cm de altura e 2 cm de largura, quase do tamanho de um chip de celular, através da qual se exibiam, sob o comando do usuário, a temperatura ambiente, a previsão do tempo, as horas e o navegador GPS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo o exemplo de Fernanda, também vestia uma camiseta baby look. Era da cor cinza e tinha manga curta, revelando bíceps salientes e robustos, ficando grudada e esticada na altura do peitoral. Além disso, usava um colete jeans preto, duas pulseiras de ouro no braço direito e uma corrente de prata no pescoço, tendo esculpida, nesta última, a letra P, equivalente a Rock Pauleira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os funcionários da Landschaft, era apelidado de Fernanda Esteroide. Pois, assim como a promotora, Renato era o preferido do sexo oposto, bem como o dos homossexuais. Com sua fisionomia oriental suave, músculos definidos e guarda-roupa semelhante ao de um ídolo musical, ganhava facilmente a simpatia de qualquer universitária baladeira, ou de qualquer colegial precoce, ambas carentes por um príncipe rebelde cortejador. Verdadeiro pesadelo dos pais e namorados de Londrina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, soltando o braço de Fernanda, e pouco feliz em ser chamada de princesinha dos Patriotas Bolsonários, colocou as mãos na cintura e perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que papo é esse, ôh esteroide?&lt;br /&gt;
— Você ainda não viu?&lt;br /&gt;
— O quê?&lt;br /&gt;
— Nossa, passou tão rápido que nem percebeu, né marreco?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Renato apontou para uma das vagas da estação de trabalho, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Veja você mesma.&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo no dia 19/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/34-renato-ohara.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-5052003918274494832</guid><pubDate>Mon, 14 Jul 2014 03:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T16:37:04.193-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>33 - A redação</title><description>(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTUFVKX3VMYW5NUkU/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O corredor em que estavam não representava a largura total do 2° 
andar. Na verdade, a divisória instalada no final servia para cortá-lo 
ao meio.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Do outro lado havia um segundo corredor, equipado com as
 mesmas janelas de correr, lâmpadas de led e porta lateral encontrados 
no corredor dos funcionários. Estendia-se até o elevador de clientes e 
tinha como aposento vizinho o estúdio de gravação, onde se encontravam 
as câmeras, equipamentos de iluminação e cenário do jornal comunitário 
da Landschaft.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto à divisória deste corredor, havia uma 
escrivaninha branca, que continha uma superfície de madeira MDF, duas 
cadeiras de cada lado, três gavetas, um notebook enrolável de OLED e um 
headset telefônico de tecnologia VoLTE. Era onde se faziam as vendas de 
publicidade, sendo portanto o ambiente de trabalho de Fernanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu
 Paulo se encontrava ali, sentado numa das cadeiras, de costas para o 
elevador de clientes. Estava emburrado e de braços cruzados, julgando-se 
alvo do que pensava ser um &lt;i&gt;bullying de burguesia branca&lt;/i&gt;, e esperando pelos mimos consoladores da atlética promotora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A
 divisória se estendia por toda a profundidade do andar, mantendo, de um
 lado, o elevador dos funcionários, a redação, a sala da gerência e o 
vestiário masculino, e do outro, o elevador dos clientes, a central de 
vendas, o estúdio de gravação, o vestiário feminino e o almoxarifado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito
 embora o corredor dos funcionários e a central de vendas estivessem 
lado a lado, não havia uma porta que os conectassem. Para chegar lá, 
Carolina, Alice e Fernanda precisavam dar a volta pela redação e ganhar 
acesso pela porta do estúdio, percorrendo, desta forma, um trajeto em 
forma de U.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda abriu caminho para que Alice e Carolina 
passassem, achando a maior graça em ver a vlogueira sendo puxada pelo 
braço, feito uma criança atravessando a rua de mãos dadas com sua tia. 
Então, após as duas terem entrado, seguiu-as redação adentro, fechando a
 porta atrás de si. A porta se trancou sob o comando da trava 
eletrônica, selando outra vez o som daquele aposento, devolvendo o corredor ao 
seu vazio silencioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, vendo-se arrastada na frente de 
todos, percebeu que não seria liberta tão cedo. Constrangida com este excesso de zelo, pegou a mão da 
gerente e tentou soltá-la de seu braço, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Alice, eu sei onde fica a mesa da Fernanda. Além disso, você está amarrotando a manga da minha camisa.&lt;br /&gt;
— Oh, desculpa! Não vi o que estava fazendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice soltou-a de imediato. Então, estendendo seu tablet para Fernanda, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode segurá-lo, por favor?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda

 o pegou, sem dizer nada, enquanto Alice, agora com as mãos livres, 
começou a desamassar a manga de Carolina, puxando e alisando seu tecido.
 Quando se deu por satisfeita, também tentou mexer em sua gola, 
dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você fica bem de camisa aberta, mas acho que deveria 
trocar o vermelho por lilás. Combina mais com seus olhos. Já essa 
camiseta preta é bonita. Se eu fosse você, continuaria a usá-la assim, 
por dentro. Ajuda a destacar tanto os olhos quanto a camisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda
 se irritou, pensando estar sendo ignorada novamente. Mas antes que 
pudesse reclamar, Carolina tomou a dianteira, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Alice, 
de verdade? Depois conversamos sobre camisas, leléquis, Rede Lobo e tudo
 o que você quiser. Mas agora, eu realmente gostaria de resolver o problema com Seu
 Paulo, porque tenho outras coisas a fazer.&lt;br /&gt;
— Jura? Podemos conversar depois, na hora do almoço?&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A
 intenção era cortar Alice, e não enchê-la de expectativas. Ela deveria 
ter se tocado sobre a situação com Seu Paulo, e não ficar marcando happy
 hour vespertinos. Pois, além de estar indisposta a posar de bonequinha 
para ela, Carolina também pretendia, na realidade, almoçar com Daniel. Tinha
 curiosidade em descobrir do que se tratava aquela reunião com o 
sindicato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo assim, respondeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Já tenho compromisso. Fica pra outro dia, tá?!&lt;br /&gt;
— Combinado! Vou te adicionar no meu Bicadas. Assim poderemos conversar pelo chat durante o dia, até acertarmos um horário.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a vez de Carolina puxar Fernanda pelo braço, falando como quem procura, em desespero, uma desculpa para se afastar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Vamos indo, antes que Seu Paulo vá embora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice as acompanhou, meio magoada por Carolina tê-la deixado para trás. Também queria ser puxada por ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As
 três se encontravam numa sala fresca, limpa, iluminada pelo sol e 
cheirando à café expresso. Tendo como referência a porta por onde 
entraram, havia, à direita, três escrivaninhas brancas, que estavam 
próximas à divisória central. Eram feitas com chapa de madeira 
sintética, lisa e brilhante, e tinham pés metálicos pintados de preto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma
 das escrivaninhas ficava próxima à porta do corredor. Ao lado dela, 
montada na divisória, havia uma prateleira suspensa, em cima da qual se 
depositava uma cafeteira automática. Esta tinha superfície de alumínio 
preto e botões redondos vermelhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As duas escrivaninhas 
restantes ficavam no outro extremo da sala, uma ao lado da outra, 
isoladas da terceira escrivaninha. No espaço entre elas e a cafeteira, 
havia uma porta preta, que fazia contraste com a divisória branca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já
 do lado esquerdo da sala, em vez de escrivaninhas separadas, havia uma 
mesa comprida estilo plataforma de trabalho, também feita com chapa de 
madeira branca. Oferecia espaço para seis funcionários, tendo três vagas
 de um lado e mais três do outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As vagas eram separadas com 
divisores laterais de vidro, enquanto o meio da mesa era atravessado por
 uma divisória de madeira bege. Era alta o bastante para destacar a 
separação igualitária do espaço, mas baixa o suficiente para
 não esconder o rosto dos colegas sentados à frente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vaga 
tinha uma coleção distinta de objetos. Notebooks enroláveis, canetas 
digitais para tablets, leitores de ebook flexíveis como papel cartolina, embalagens abertas de proteína 
açucarada de inseto e canecas estampadas com ídolos do cenário musical 
holográfico eram alguns dos itens mais presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atrás desta mesa, 
ficava a parede do prédio. Nela abriam-se três janelas, através das 
quais se viam os outros estabelecimentos comerciais do Parque Emam, 
rodeados por calçadas de paralelepípedos cinzas e ruas pavimentadas de 
painéis solares, cujos automóveis elétricos, silenciosos e compactos, 
trafegavam de uma esquina a outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, puxando Fernanda consigo, e
 tendo Alice em seu encalço, dirigia-se para a porta preta entre a 
cafeteira e as duas escrivaninhas. Era a que levava para o estúdio de 
gravação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas antes de alcançar a maçaneta, ouviu alguém a 
chamando atrás de si. Tratava-se de uma voz masculina, dizendo em alto e 
bom som:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pessoal, deem as boas-vindas à princesinha dos Patriotas Bolsonários!&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 16/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/33-redacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-7720567396230831672</guid><pubDate>Sun, 13 Jul 2014 02:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T16:38:03.628-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>32 - Miguxês gerenciado</title><description>(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTTGd4TUJjbDNlMms/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda não gostava de resmungar com os outros. Seu coração era 
mole demais para aguentar a frieza que, geralmente, vinha após uma 
bronca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, mesmo sendo para desencargo de consciência, e
 não para remediação de uma injustiça, detestava pedir desculpas à 
pessoa censurada. Sempre se obrigava a fazê-lo, e sempre sentia a mesma 
coisa: ingrato rebaixamento, como se engolisse um sapo por quem não 
merecia.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Porém, naquela manhã de sexta-feira, um dia antes do Dia
 do Trabalho, ela estava possessa. Seu Paulo, um dos seus clientes mais 
importantes, estava ofendido com as palavras de Carolina, crente de que 
ela, durante a discussão na portaria, questionara sua sexualidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabia
 a ela, a formosa promotora de publicidade, convencê-lo a continuar 
divulgando com a Landschaft, utilizando-se de mimos conciliadores que o 
demovessem de sua braveza. Muito semelhante ao tratamento dispensado a 
uma criança emburrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo, ao notar que Alice estava alheia a 
esta situação, e que se interessava mais em tagarelar com a vlogueira do
 que liberá-la para o trabalho, viu-se em posição de confrontar sua 
autoridade, dizendo irritada:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Alice, essa conversa não pode 
esperar? Temos um problema muito maior para resolver! E você sabe disso,
 pois ajudou a torná-lo ainda pior!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice detestou ouvir isto. 
Além de censurá-la, Fernanda também a chamou de problemática. Era uma 
mancha em sua imagem pessoal. E fez isto na frente de Carolina, a 
funcionária com quem, até então, tivera pouco contato, e que, numa única
 conversa, conseguiu encantá-la pelo resto do dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Momentos 
atrás, quando a vlogueira chamou-a de conivente, Alice preferiu ser 
amigável. Estava presa ao encanto dos seus olhos hortelãs, portanto 
levou isto na esportiva. Não queria despertar antipatias entre elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda
 era um caso diferente. Seu corpo de bailarina malhada, 100% aceitável 
num programa de auditório, todo delineado pelo uniforme indiscreto, 
deixava Alice insegura quanto a sua feminilidade. Uma insegurança que a 
obrigava a reparar no tamanho dos seus peitos, tentando 
involuntariamente compará-lo ao tamanho dos próprios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também 
amargava o comprimento de suas coxas carnudas, lamentando que as dela, 
órfãs do acompanhamento de um personal trainer, estivessem deformadas 
pela celulite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estar junto da promotora não era um conforto: era 
uma competição desleal. Diminuía sua autoestima e lembrava-lhe sobre a 
vinda da meia-idade. E o fato de seus resmungos estarem interrompendo a 
conversa com Carolina, que no momento era a companhia favorita, não 
tornava Fernanda menos desagradável. Antes, conseguia torná-la mais 
insuportável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como tal, seguindo o exemplo da maioria dos 
gerentes de Londrina, que frequentemente se deixavam levar pelo poder do
 seu cargo, tentou fazer o que sabia de melhor: impor respeito 
hierárquico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Fernanda, eu também estou resolvendo um problema 
sério com Carolina. Esta conversa não pode esperar. Então seja breve em 
me responder o segunite: como piorei seu problema, seja ele qual for? 
Pois eu mesma não sei do que está falando.&lt;br /&gt;
— Estou falando de você ter rido da cara do Seu Paulo, justo depois de Carolina tê-lo irritado no térreo.&lt;br /&gt;
— Ah, Fernanda! Isso é sério? Ele aparece usando óculos amarelo e aparelho dentário verde, e eu não posso rir?&lt;br /&gt;
—
 Mas foi a maior falta de respeito, Alice. Ele não gostou disso. Agora 
tá todo nervoso na minha mesa, pronto pra cancelar o contrato conosco.&lt;br /&gt;
— Se ele quer se fazer de palhaço, eu vou tratá-lo como palhaço. E afinal de contas: o que é &lt;i&gt;leléqui&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, relembrando a aparência e a voz de Seu Paulo, começou a rir. Olhando para Carolina, perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele também disse &lt;i&gt;leléqui&lt;/i&gt; pra você?&lt;br /&gt;
— Sim. Quando ficou nervoso comigo, ele disse: &lt;i&gt;se a Fernanda não fizesse uma propaganda tão boa para minha loja, vocês nunca teriam meu dinheiro! Ah, leléqui!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Incapaz
 de se controlar, Alice explodiu em gargalhadas, perdendo toda a 
compostura. Não tinha medo de aborrecer Fernanda: estava mais 
interessada em se mostrar divertida para Carolina, como se esses risos 
esganiçados fossem sinônimos de diversão, não de vergonhoso escândalo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já
 Carolina, agora de frente com Fernanda, estava mais atenta ao manequim 
de suas vestes. Percebendo o quanto aquelas roupas eram apertadas, 
lembrou-se que Seu Paulo pertencia ao Cowboy Recauchutado, clube 
masculino tarado por mulheres jovens, ou por &lt;i&gt;transexuais engana-rolas&lt;/i&gt;, como diriam os extremistas do Patriotismo Bolsonário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erguendo uma sobrancelha, pensou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Não
 quero desmerecer o trabalho de ninguém, mas não me admira aquele zueiro
 elogiar tanto a Fernanda. Calça justa, baby look e curvas perigosas são
 a receita brasileira de um atendimento de sucesso. Eu não queria que 
fosse assim, mas... o que posso fazer? O mundo não atende as minhas 
preferências.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, tentando trazê-las de volta ao assunto em questão, disse enraivada:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Gente, não tem a menor graça! Estamos prestes a perder o Seu Paulo, e 
tudo por culpa de vocês! Ficam aí brincando, só tirando sarro, enquanto 
eu me ferro! Sabe quem levará a culpa por tudo isso? Eu! Vão dizer que 
eu não soube negociar!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice ainda estava risonha. Como não tinha
 boa vontade com Fernanda, não tentou ajudá-la. Em vez disso, resolveu 
ignorá-la, perguntando à Carolina:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que é &lt;i&gt;leléqui&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falava como se fossem amigas de longa data, e como se ambas desejassem retornar à privacidade anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina,
 por sua vez, não quis ignorar Fernanda. Além de ser educada demais para
 fazer isto, também reconhecia sua responsabilidade no problema com Seu 
Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, querendo incluir a promotora na conversa, mas sem deixar a pergunta de Alice no vácuo, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— &lt;i&gt;Leléqui&lt;/i&gt; é um jargão de educandário. Serve para expressar surpresa, indignação ou saudação. Seria o equivalente a &lt;i&gt;minha nossa!, meu deus do céu!&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;gostei de ver!&lt;/i&gt;
 Seu Paulo fala desse jeito e se veste com aqueles acessórios porque 
fazia parte da Zuera Never Ends, aquela tribo urbana nojenta de vinte ou
 trinta anos atrás.&lt;br /&gt;
— Você é tão esperta, Carol. Como sabe de tudo iss...&lt;br /&gt;
— Fernanda, ele está te esperando na sua mesa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda balançou a cabeça em sinal afirmativo, surpresa em ver que Carolina cortara Alice. Aproveitando a oportunidade, disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 Ele quer cancelar o contrato conosco. Está muito bravo com o que 
aconteceu hoje. Eu vou tentar segurá-lo oferecendo um novo benefício, 
mas eu preciso da sua ajuda, Carol.&lt;br /&gt;
— Quer que eu vá me desculpar?&lt;br /&gt;
— Sim, isso também.&lt;br /&gt;
—
 Nada feito. Se quiser, aceito conversar com ele de novo, tendo você 
como mediadora. Mas eu não vou pedir desculpas, porque não fiz nada de 
errado.&lt;br /&gt;
— Carol, por favor, reconsidere.&lt;br /&gt;
— Por favor digo eu, 
Fernanda. Primeiro: eu não falei nada sobre a sexualidade dele. Eu só 
disse que o Marcelo o admirava. Foi um elogio, não uma ofensa. E 
segundo: quem deveria se desculpar era ele, porque não apenas me chamou 
de racista, como também disse que sou azeda demais para ser chupada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, esquecendo-se de que fora cortada, não conseguiu engolir essa última parte. Olhando severa para Carolina, perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como é?&lt;br /&gt;
— Aqui, vou te mostrar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retirando
 o celular do bolso, Carolina acessou seu e-mail e clicou na pasta de 
mensagens recebidas. Então, abrindo a mensagem do Clube do Cowboy 
Recauchutado, entregou o celular para Alice dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu rastreei o usuário Procriador Veterano. Ele é o Seu Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice,
 após ler o comentário enviado ao perfil de Carolina, ficou dividida 
entre a raiva assassina por Seu Paulo e a decepção com a vlogueira. De 
primeira, imaginou que fosse ela quem criara a conta no site.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por que você tem um perfil nessa... coisa?&lt;br /&gt;
— Não fui eu quem o criou. Foi o próprio Seu Paulo. Todos os membros do clube podem enviar fotos de qualquer mulher, à vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda, não gostando do rumo da conversa, perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Tem certeza? Como sabe que foi ele?&lt;br /&gt;
— Recebi um e-mail de boas-vindas do próprio clube. Lá está escrito que foi o Procriador Veterano quem fez isto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de Fernanda continuar, Alice pegou Carolina pelo braço e disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Vem comigo. Você também, Fernanda. Vamos resolver o assunto.&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 13/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/32-miguxes-gerencial.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-6655707205570885057</guid><pubDate>Sun, 13 Jul 2014 01:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-12T19:34:22.255-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Novidades</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>Boas Novas</title><description>Olá vlogfãs, como vocês estão? Já estão esperando o novo capitulo? :)&lt;br /&gt;
Vim aqui hoje trazer coisas boas e bacanas para vocês. O que seria? &lt;b&gt;O Vlog de Carolina está agora na &lt;a href=&quot;http://store.kobobooks.com/pt-BR/ebook/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-calcadao&quot;&gt;Kobo&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;https://itunes.apple.com/br/book/id888463360?mt=11&quot;&gt;Itunes&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.barnesandnoble.com/w/o-vlog-de-carolina-e-o-feriado-antecipado-no-cal-ad-o-gumpa-bk/1119720391?ean=2940046003918&amp;amp;isbn=2940046003918&quot;&gt;Barnes &amp;amp; Noble&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt; Corre conferir!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a outra boa noticia é que nós estamos trabalhando duro na loja online. Esperamos que ela esteja pronta o mais rápido possível. E diga-se de passagem: eu acho que os novos designs estão uma graça só! Aqui vai uma prévia da nova estampa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&amp;nbsp; 

&lt;a href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-1OqPGTCnipg/U8HfWbgreVI/AAAAAAAAA2k/mcTr8f1yQO0/s1600/logo1.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/-1OqPGTCnipg/U8HfWbgreVI/AAAAAAAAA2k/mcTr8f1yQO0/s1600/logo1.png&quot; height=&quot;320&quot; width=&quot;311&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: left;&quot;&gt;
Calma, calma, meninos e meninas. Esta é só uma versão beta do que pretendemos trazer a vocês. Vai dizer que vocês não querem uma camisa com uma estampa bonita destas? Se vocês gostarem pode rolar até um sorteio! haha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para finalizar vim deixar minha apresentação, eu sou a Bianca e faço parte da equipe do Teatro Caricato em Prosa. Sempre que tiver alguma novidade eu volto aqui. Um beijo para todos vocês, seus lindos! ;3&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/boas-novas.html</link><author>noreply@blogger.com (MadWolf)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-1OqPGTCnipg/U8HfWbgreVI/AAAAAAAAA2k/mcTr8f1yQO0/s72-c/logo1.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-5944312633907507528</guid><pubDate>Thu, 10 Jul 2014 01:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T16:38:55.518-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>31 - A trindade dos tolos</title><description>(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTaXBIeFVYUkJ0d2M/edit?usp=sharing&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice estava gostando da conversa com Carolina. A história do avô
 ucraniano era interessante, e a análise sobre a demanda por 
documentários interativos era admirável. Sua presença tornava a 
Landschaft um ambiente inovador e estimulante.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Mesmo se sentindo 
contrariada com sua opinião sobre a Narcisa &amp;amp; Brizola, bem como a 
afirmação de que ela, Alice, estava sendo conivente em relação à 
mensagem do e-mail, ainda pensava estar na companhia de uma garota 
alerta, inteligente e bem cuidada, cujos longos cabelos escuros, caídos 
sobre os ombros, desenhavam uma face charmosa e invejável, digna de 
ostentação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou, na opinião de Alice, digna de ser exibida aos 
outros, como quem diria em soberba satisfação “ela é linda e está dando 
atenção a mim. Fiquem chupando dedo, porque eu sim tenho liberdade para 
falar com ela, não vocês.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era um dos esportes da sociedade 
brasileira: competir pelas companhias mais atraentes. Não apenas no 
amor, mas também nas amizades. Aquele que as conseguisse, deveria 
declarar sua vitória em espaços públicos, desfilando para cima e para 
baixo com seus troféus de carne, como se caminhassem entre os corredores
 de um hospital público, exibindo sua saúde aos enfermos ali internados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo,
 quando Fernanda chamou por Carolina, interrompendo a conversa das duas,
 Alice ficou enciumada. Ainda não queria se afastar da vlogueira, e 
muito menos entregá-la aos cuidados de outra colega de trabalho. 
Especialmente quando ela, sendo a gerente de RH, trabalhava no 
escritório do 1° andar, longe do audiovisual, e portanto distante da 
mesa de Carolina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erguendo a sobrancelha, usou de sua autoridade para dizer:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ainda estamos conversando, Fernanda. Depois você fala com ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda,
 na impaciência dos seus 21 anos, não quis esperar. Ficou olhando de 
Carolina para Alice, empinando o quadril e colocando a mão sobre a 
cintura, tentando intimidá-las com sua presença, pensando que, desta 
forma, iria forçá-las a encerrar o diálogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como promotora de 
publicidade, o RH a tratava igual a uma fachada de loja. Deveria se 
apresentar bonita e chamativa todos os dias, atendendo ao padrão 
londrinense de receptividade comercial. Os valores deste padrão eram 
homogêneos, portanto não poderia ser diferente: Fernanda era loira, alva
 e esbelta, dona de 92 cm de busto e 104 cm de quadril, parecendo mais 
uma assistente de palco do que uma atendente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pela norma da 
empresa, era obrigada a vestir uma calça bailarina preta com friso 
lateral branco, tão escandalosamente reveladora quanto uma pintura 
corporal. Também vestia uma camiseta baby look azul clara, agarrada ao 
seu corpo como um político corrupto abraçado ao seu dinheiro desviado, 
tendo estampada, na altura do peito, o logotipo praiano da Landschaft.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ficou parada ali, segurando a maçaneta, ouvindo Alice dizer à Carolina:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— De acordo com o artigo da Seja, você defendeu as clínicas de estética embrionária. É verdade?&lt;br /&gt;
—
 Não. Eu só respeitei a decisão de quem se consulta nessas clínicas, 
dizendo que, num país democrático, todos tem liberdade de se consultarem
 nelas, se assim desejarem. Não disse nada sobre ser a coisa certa a se 
fazer, e nem incentivei os internautas a buscarem o serviço. Também não 
questionei a moralidade do ato, porque eu mesma não tenho opinião 
formada.&lt;br /&gt;
— Então por que mencionou a clínica Batismo de Lázaro?&lt;br /&gt;
— 
Foi só pelo contexto. Eu não comecei a falar sobre estética embrionária 
assim, do nada. Eu estava respondendo a pergunta de um dos internautas, 
que queria saber o que eu pensava sobre ter minha foto disponível como 
modelo na Batismo de Lázaro.&lt;br /&gt;
— Bem, parece que você se expressou do jeito errado, pois está causando uma série de maus entendidos.&lt;br /&gt;
— Heh, só pode ser piada.&lt;br /&gt;
— O que foi?&lt;br /&gt;
—
 Carlos me disse a mesma coisa, cinco minutos atrás. De acordo com ele, 
eu me expressei mal com um dos nossos clientes de publicidade, que agora
 está bravo comigo.&lt;br /&gt;
— Está falando do Seu Paulo, não é?! Eu estava junto dele e do Carlos quando vocês conversaram pelo telefone.&lt;br /&gt;
—
 Ótimo. Você está por dentro do assunto. Então vou te falar o que você 
não ouviu, em resposta ao que você acabou de me dizer: não sou eu que me
 expresso mal, e sim eles que me entendem errado.&lt;br /&gt;
— Tem certeza? Eu pensaria de novo, se fosse você.&lt;br /&gt;
— Por quê?&lt;br /&gt;
—
 Porque essa resposta é muito conveniente. Por meio dela, você coloca a 
culpa nos outros e evita de reconhecer os próprios erros.&lt;br /&gt;
— Alice, eu
 não sou burra. Pelo menos, não na frente das câmeras. Fiz três anos de 
Comunicação Jornalística e passei a adolescência inteira brincando de 
fazer vlogs. Eu sei dizer o que quero dizer, e sem deixar margem para 
confusão. Além disso... sinceridade? Mesmo sendo brasileira, não sou 
chorona e mimada. Não fico apontando o dedo para os outros, só para 
fugir de minha culpa. Se eu tivesse algum erro a reconhecer, seria 
mulher o bastante para fazê-lo. Mas acontece que, no caso da Seja, o 
problema realmente não está em mim, e sim nela.&lt;br /&gt;
— É o que você diz, mas... o colunista da Seja pensa exatamente o mesmo, só que ao contrário. Qual seria sua defesa?&lt;br /&gt;
—
 Alice, entenda o seguinte: a bronca da Seja, bem como a dos colunistas 
da Rede Lobo e das lideranças da Café com Leite, não foi motivada pelo 
jeito como tratei do tema. Foi motivada pelo tema em si.&lt;br /&gt;
— Não entendo.&lt;br /&gt;
—
 Vou te explicar melhor. Estética embrionária é um assunto controverso, 
porque é facilmente confundido com eugenia. E a eugenia, no Brasil, é um
 bicho de sete cabeças, porque representa uma ameaça à 
multiculturalidade. É como falar de estupro perto de uma mulher, ou de 
parada cardíaca perto de um idoso: uma coisa chata e desconfortável, 
sendo preferível evitá-la. Não é um tema proibido, mas também mexe com 
muita gente. E como ainda não temos maturidade para encará-lo de frente,
 qualquer um que tente fazê-lo gerará reações exageradas da mídia e da 
opinião pública, justamente por sermos sensíveis demais ao assunto.&lt;br /&gt;
— Mas você sabia de tudo isso quando resolveu responder ao internauta?&lt;br /&gt;
—
 Eu sabia que era um tema sensível, mas não pensei que geraria tanta 
repercussão. Fui a mais sincera e imparcial possível, tentando levar em 
conta apenas os direitos garantidos por uma democracia. Em resumo, eu só
 disse “quem quiser usufruir do serviço, sinta-se à vontade, desde que 
assuma sua responsabilidade”.&lt;br /&gt;
— Bem, se você realmente falou desse jeito, eu não entendo o porquê de tanta polêmica. Até aqui, sua opinião me parece razoável.&lt;br /&gt;
—
 Sim, ela é razoável. Não poderia ser mais razoável do que já é. Foi 
como te falei: não sou eu que me expresso mal, e sim os outros que me 
entendem errado.&lt;br /&gt;
— Por outro lado, você foi imprudente. Sabia no que 
estava se metendo e, mesmo assim, resolveu seguir adiante. Esse assunto,
 pelo que estou percebendo, é um verdadeiro terreno minado.&lt;br /&gt;
— Eu sei. Daniel me disse a mesma coisa.&lt;br /&gt;
— Quem?&lt;br /&gt;
— O office boy do Seu Osvaldo.&lt;br /&gt;
— Ah, aquele moço. O dono da verdade.&lt;br /&gt;
— Huh?&lt;br /&gt;
—
 É o apelido que minha assistente deu para ele. Disse que ele tenta 
mudar a opinião dos outros na marra, e que sempre quer ter a última 
palavra na discussão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina se lembrou de quando o afastou da portaria, para forçá-lo a encerrar a discussão com Marcelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 É, eu já chamei a atenção dele para isso. Não posso dizer que sua 
assistente está errada. Mas o Daniel, pelo menos, é esperto. Ele também é
 sensível ao tema da estética embrionária e, mesmo assim, soube entender
 o meu lado. Não acha que sou preconceituosa, ou que defendo uma limpeza
 étnica.&lt;br /&gt;
— Bem, vocês são amigos, certo?!&lt;br /&gt;
— Somos. Converso com ele quase todos os dias, lá na lanchonete do Seu Osvaldo.&lt;br /&gt;
—
 É por isso que ele te entendeu. Acho que ele fez um esforço extra, só 
pra ficar de bem com você. Pois, se vocês não se conhecessem, ele 
provavelmente entenderia errado, igual ao Emílio Florentino.&lt;br /&gt;
— Mas Alice, eis a questão: eu não acho que a Seja entendeu errado.&lt;br /&gt;
— Não é o que está parecendo.&lt;br /&gt;
— Eu sei que não. Mas acho que, no fundo, eles entenderam perfeitamente bem o que eu disse, igual a você e ao Daniel.&lt;br /&gt;
— Do que está falando? Se fosse assim, não estariam te chamando de preconceituosa.&lt;br /&gt;
— Não estariam, caso não precisassem.&lt;br /&gt;
— O quê?&lt;br /&gt;
—
 Portal Seja, Rede Lobo, movimento Café com Leite: eu não acho que essa 
trindade de tolos seja tão burra a ponto de não me entender. Os três 
grupos são compostos por pessoas qualificadas. Pessoas com ensino 
superior, pós-graduação e mestrado. Gente que sabe como o mundo se move,
 e como a sociedade funciona. Eu admito que não gosto do que eles falam e
 escrevem. Porém, nem por isso subestimo sua inteligência. Mesmo sendo 
usada do jeito errado, essa inteligência faz as coisas acontecerem.&lt;br /&gt;
—
 Carolina, o que quer dizer? Que eles te chamam de preconceituosa de 
propósito, e que toda essa polêmica faz parte da vontade deles?&lt;br /&gt;
— É por aí.&lt;br /&gt;
— E por que fariam isso? No que você está pensando?&lt;br /&gt;
— Eles precisam me chamar de preconceituosa porque...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernanda,
 vendo-se completamente ignorada, e percebendo que sua pose não 
resultara em intimidação, resolveu interrompê-las novamente, resmungando
 indignada:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Aham!! Com licença? Oi?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 12/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/31-trindade-dos-tolos.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-5012877920824239436</guid><pubDate>Mon, 07 Jul 2014 02:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T16:40:56.046-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>30 - Ucraniano abrasileirado</title><description>(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTWkRjSjR1M0Q0Smc/edit?usp=sharing&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O e-mail dizia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Cara Sr.ª Alice&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Nós, da 
Narcisa &amp;amp; Brizola, somos gratos pelos serviços prestados ao nosso 
setor publicitário. Somos especialmente gratos pelo empenho de sua 
funcionária, Carolina Godoy de Vilanova, em divulgar nossa marca em seu 
programa O Vlog de Carolina. Seu profissionalismo, diligência e carisma 
nos possibilitaram um trabalho conjunto positivo e ordeiro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;Porém,
 nossa política se baseia no respeito à ética e à moral, com ênfase na 
responsabilidade social e transparência com nossos clientes, 
funcionários e fornecedores. Não nos limitamos a oferecer o melhor 
produto, ou a gerar novos empregos: também nos preocupamos em preservar 
os valores de nosso país. Principalmente aqueles que nos distinguem como
 uma nação multicultural.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;Tendo em vista o discurso da 
mencionada funcionária nesta última segunda-feira, notamos a 
incompatibilidade entre o conteúdo de suas mensagens e os valores 
defendidos em nossa política. Como tal, lamentamos informar que, muito 
embora respeitemos a opinião da Srta. Vilanova, não poderemos continuar 
com nossa relação profissional.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Agradecemos novamente pelos esforços dedicados a nossa marca, desejando-lhes boa sorte em seu ousado trajeto empresarial.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Atenciosamente,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;José Bonifácio Chateaubriand, do setor londrinense de comunicação publicitária.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina releu o último parágrafo. Ficou incomodada com o uso de &lt;i&gt;ousado&lt;/i&gt; antes de &lt;i&gt;trajeto empresarial&lt;/i&gt;. Não parecia ser um elogio honesto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final da leitura, após reconsiderar o contexto da mensagem, disse à Alice:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A Narcisa e Brizola tem um setor de multitarefas. Além de cuidar da publicidade, também escreve comédia zombeteira.&lt;br /&gt;
— Como assim?&lt;br /&gt;
—
 Eles não tinham motivo para nos considerar ousados. Eu apenas dedicava 1
 minuto do meu vlog pra falar sobre as promoções da semana. Não tem 
ousadia ou inovação nisso. &lt;br /&gt;
— Foi só um elogio educado. Uma formalidade entre profissionais. Onde está a comédia nisso?&lt;br /&gt;
— Está no duplo sentido da frase. Eu acho que, no fundo, eles queriam dizer &lt;i&gt;“Boa
 sorte com esse seu jeito preconceituoso de ser. No mundo dos negócios, 
isso é completamente inviável. Mas não vamos mentir: é ousado de sua 
parte. O pior tipo de ousadia, sim. Mas ainda assim, ousado”&lt;/i&gt;. É como se tirassem sarro da nossa cara.&lt;br /&gt;
— Jeito preconceituoso?&lt;br /&gt;
— É o que todos pensam, não é?! O artigo da Seja não me deixa mentir.&lt;br /&gt;
— Acho que você está sendo neurótica.&lt;br /&gt;
— E eu acho que você está sendo conivente. Quer um conselho? Nunca duvide das sacanagens de um BR.&lt;br /&gt;
— Você fala assim, mas se esquece de que também é uma BR.&lt;br /&gt;
—
 Sou sim. Nasci e cresci rodeada de outros BR&#39;s. Acompanhei de perto sua
 paixão assassina pelo futebol, suas piadas homofóbicas ditas em cadeia 
nacional e sua exibição de bundas femininas em horário nobre. Então 
acredite: estou habilitada a falar no assunto. Tanto quanto você 
estaria, se não achasse que isto é síndrome de vira-lata.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 sentia-se à vontade nesta conversa. Para ela, isto não passava de um 
diálogo saudável entre colegas de trabalho. Daniel lhe dava liberdade 
para falar o que quisesse, portanto ela tinha se habituado a discordar 
normalmente das pessoas, sempre que julgasse apropriado, sem medo de 
desagradar ou ofender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Alice ficou confusa. Era como se 
Carolina estivesse a confrontando. Como gerente, nunca fora normal ser 
contrariada por uma subordinada. Ainda mais quando sua assistente, uma 
estagiária carente de um modelo feminino de sucesso, só sabia concordar 
com o que dizia, elogiando cada uma de suas atitudes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não 
entendendo o porquê de Carolina ser, em suas palavras, tão rebelde, 
concluiu o mesmo que todos os gerentes londrinenses costumavam concluir,
 quando se deparavam com um jovem funcionário opinador: tratava-se de 
uma garota insubordinada que ainda tinha muito a aprender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo, 
num gesto de pretensa condescendência maternal, como se ela precisasse 
ser, entre as duas, a adulta da discussão, resolveu perdoá-la pelo que 
considerou ser um desaforo à sua autoridade, dizendo aos risos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Acho que entendo o porquê de terem dito &lt;i&gt;ousado&lt;/i&gt;.
 Mas como percebeu, a Narcisa e Brizola não continuará a divulgar 
conosco. Por isso eu te perguntei sobre suas economias. Sei que a loja 
era sua maior patrocinadora. Imagino que seu dinheiro lhe fará falta. &lt;br /&gt;
— Bem, fará falta, mas nem por isso ficarei na miséria. Não gasto tanto assim, Alice.&lt;br /&gt;
— Mas você não é beneficiária daquele projeto da COHAB? Aquele de revitalização de bairros antigos?&lt;br /&gt;
—
 Sim, eu tenho que pagar o financiamento da minha casa própria na Vila 
Nova. Mas as mensalidades são pequenas. Consigo pagar só com o 
patrocínio do Seu Osvaldo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi o que Carolina disse, embora não 
soubesse se ainda estava empregada na Landschaft. Mesmo Alice tendo lhe 
esclarecido o assunto das economias, não estava convencida, ou mesmo 
disposta a se convencer, de que a ameaça de demissão havia desaparecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, por sua vez, estava surpresa ao ouvir o nome Vila Nova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Jura que seu sobrenome é igual ao do seu bairro?&lt;br /&gt;
— Sim. Você não sabia?&lt;br /&gt;
— Não. Nunca reparei.&lt;br /&gt;
—
 Que estranho. Antes de começar a trabalhar aqui, vocês me pediram pra 
preencher um formulário com todos os meus dados pessoais.&lt;br /&gt;
— É minha assistente quem cuida disso. Mas que coincidência engraçada!&lt;br /&gt;
—
 Não é exatamente uma coincidência. Quando meu vô imigrou da Ucrânia pra
 Londrina, ele quis adotar um sobrenome brasileiro, porque achou que, 
desta forma, se enturmaria melhor. E como ele tinha comprado uma casa na
 Vila Nova, acabou escolhendo o nome do bairro.&lt;br /&gt;
— Entendi. E quem diria: seu vô é ucraniano. Isso explica seus olhos verdes.&lt;br /&gt;
— É. Bem... também explica outras coisas.&lt;br /&gt;
— E por que ele imigrou pra cá?&lt;br /&gt;
—
 Pra fugir da guerra civil. Na época, o presidente ucraniano tinha se 
recusado a entrar na União Europeia, porque preferia se aproximar da 
Rússia. Isso deu na maior merda. Protestos, quebra-quebra, perseguição 
policial. Os ucranianos não estavam satisfeitos com essa decisão. E como
 meu vô não estava gostando nada disso, acabou se mudando pra cá.&lt;br /&gt;
— Que sorte ele ter escolhido vir para nossa cidade. Caso contrário, você não estaria aqui conosco.&lt;br /&gt;
—
 Bem, ele era pianista e já tinha participado do festival de música de 
Londrina. Ele tinha amizade com os organizadores do evento, então... é, 
ele teria decidido vir pra cá de qualquer jeito.&lt;br /&gt;
— E quando foi isso?&lt;br /&gt;
— Em 2014. Foi quando a crise estourou de verdade na Ucrânia.&lt;br /&gt;
— Entendo. Que história interessante a da sua família.&lt;br /&gt;
— Você acha? Obrigada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A
 porta do escritório voltou a se abrir. Desta vez era Fernanda, a 
promotora de publicidade. Segurando a maçaneta, apontou para Carolina e 
disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Precisamos conversar, Carol. E muito sério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 09/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/30-ucraniano-abrasileirado.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-8468163127057036400</guid><pubDate>Sun, 06 Jul 2014 02:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T16:42:00.208-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>29 - Lobo em pele de redator</title><description>(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTVXMzWTAzcTZ6Q1E/edit?usp=sharing&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No título da notícia, lia-se o seguinte:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Vloguismo tendencioso: estamos regredindo para o Apartheid?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina,
 atenta ao uso da palavra Apartheid, leu o nome do jornalista 
responsável pela matéria, que estava escrito abaixo do título: Emílio 
Florentino.&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Então, olhando para Alice com cara de descrente, perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Estou com problemas por causa dele? O senhor da tempestade em copo d&#39;água? Por quê?&lt;br /&gt;
— Bem, ele não escreveu coisas boas. E isso está se tornando um problema para nós.&lt;br /&gt;
— Deixa eu adivinhar: meu nome foi mencionado na matéria.&lt;br /&gt;
— Sim, entre outros.&lt;br /&gt;
— Posso ler?&lt;br /&gt;
— Pegue, fique à vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 tomou o tablet das mãos de Alice e o segurou em posição de retrato. 
Então, arrastando o dedo sobre sua tela tátil, expandiu a notícia por 
todo seu comprimento e leu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;O discurso dos Patriotas 
Bolsonários, grupo extremista reacionário a favor da eugenia no Brasil, 
ganhou eco entre os comunicadores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
 do Sul. Uma prova indiscutível de que suas ideias são subsidiadas por 
uma elite sulista preconceituosa, ávida por um ambiente tropical livre 
de mulatos, caboclos e cafuzos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Muito já foi dito sobre o
 assunto, inclusive aqui na Seja. Volto a ele mais uma vez, só para 
reforçar o que todos já sabem: que o sul está preparando uma guerra 
civil contra o sudeste e centro-oeste brasileiro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Como 
mais uma evidência disso, temos o caso de Carolina Godoy de Vilanova, 
vlogueira da cidade de Londrina, norte do Paraná. Eis o que ela disse 
aos seus milhares de internautas, na última segunda-feira: &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;“Na
 minha opinião, qualquer casal pode usar engenharia genética em seus 
embriões, se assim desejarem. Numa democracia, todos são livres para se 
consultar numa clínica de estética embrionária, como a clínica Batismo 
de Lázaro.” &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Pergunto ao leitor: é paranoia ficar 
desconfiado do uso da palavra &#39;democracia&#39; no meio de um discurso 
pró-eugenia? De minha parte, não é.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Trata-se de algo 
escancarado, sem noção, como se ela insinuasse haver mérito patriótico 
na confecção (sim, confecção, igual a um produto industrial!) de filhos 
loiros, ruivos e, acima de tudo, brancos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Além disso, 
notem o destaque dado à clínica Batismo de Lázaro. Quanto eles pagaram 
para que a vlogueira defendesse suas atividades?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Num discurso imparcial, você não dá nome aos bois. Especialmente quando esse “boi” pertence à área privada.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;No
 momento em que isto é feito, deixa de ser uma opinião e passa a ser 
propaganda. Uma propaganda que, nos meios de comunicação, jamais é feita
 de graça.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;E o que dizer da grife Narcisa &amp;amp; Brizola,
 patrocinadora oficial da senhorita Vilanova? Para quem não se lembra, 
esta rede de vestuário também já expressou favoritismo à elite branca.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Anos
 atrás, no Shopping Vieira Souto, localizado no bairro carioca Ipanema, 
houve um incidente que revoltou o Brasil. Clientes fanáticos da Narcisa 
&amp;amp; Brizola, jovens de classe média apaixonados por moda e estética, 
jogaram ovos contra um grupo de garotas da periferia, que no momento 
participavam de um rolezinho.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;A agressão foi feita na 
entrada da loja, enquanto as vítimas observavam uma das vitrines. Os 
seguranças nada fizeram para impedir a humilhação, e alguns dos 
funcionários até riram, tirando fotos com seus Eagles de pulso.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Novamente
 pergunto: é paranoia ficar desconfiado? É paranoia interpretar o uso da
 palavra &#39;democracia&#39; como mensagem subliminar? Talvez. Quem sabe? 
Deixarei os especialistas do ramo confirmarem isto.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina,
 ainda digerindo o conteúdo da matéria, feito uma general avaliando a 
extensão do ataque inimigo, resolveu dar pouca relevância ao caso, 
brincando ao dizer:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não é à toa que a Rede Lobo lidera o 
mercado de novelas. A imaginação dos seus escritores é ilimitada e, 
sobretudo, infantil. Uma infantilidade compatível com o gosto do 
brasileiro, infelizmente.&lt;br /&gt;
— Como assim? Emílio Florentino escreve para a Seja, não?!&lt;br /&gt;
— Sim, mas também escreve para o portal da Rede Lobo.&lt;br /&gt;
— Eu não sabia. Só acompanho a Seja.&lt;br /&gt;
—
 São farinha do mesmo saco. Você não está perdendo nada. Mas qual é o 
verdadeiro problema? Essa matéria afetou a reputação da Landschaft, só 
porque trabalho aqui?&lt;br /&gt;
— Sim. Digo, afetou mais a você do que a nós, pra ser sincera.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice
 tomou o tablet de volta e acessou seu correio eletrônico. Então, 
clicando na pasta de mensagens recebidas, abriu a primeira da lista, 
dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Leia isto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina olhou novamente para a tela do tablet, que agora era amparado por Alice. Na área de remetente, podia-se ler:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;publicidadeldn@narcisabrizola.com.br&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina
 reconheceu o e-mail. Pertencia ao setor londrinense de comunicação 
publicitária da rede Narcisa &amp;amp; Brizola. Era por meio dele que se 
combinavam as propagandas em seu vlog.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde que Carolina começou
 a trabalhar na Landschaft, sempre mantiveram contato direto. Nunca foi 
necessária a mediação de Alice, Carlos ou de qualquer outra pessoa. O 
que tivesse para resolver, resolviam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta vez, foi diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;Novo capítulo dia 06/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/29-lobo-em-pele-de-redator.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1365509455933340131.post-220982764436849156</guid><pubDate>Thu, 03 Jul 2014 02:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2014-07-21T16:45:09.851-07:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ebook</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">O Vlog de Carolina</category><title>28 - A poupança e o projeto</title><description>(Baixar &lt;a href=&quot;https://drive.google.com/file/d/0B12YCGwTZMTTWjR5YWlnZlZwMTg/edit?usp=sharing&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;PDF&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carolina, amargando a pergunta da gerente, deu-lhe um significado mais 
negativo do que desejava predizer. Lembrou-se de quando César, em nome 
do seu prazer à tragédia alheia, disse-lhe sobre o aborrecimento de 
Carlos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As palavras agora se repetiam em sua memória, pesadas como uma sentença punitiva do STF: &lt;i&gt;Carolina
 só sabe criar problemas para o estúdio, só sabe chegar atrasada e nem 
dá satisfação do que está fazendo. Isso acaba hoje.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Embora 
isso bastasse para lhe preparar para o pior, ela ainda tinha 
expectativas de, no mínimo, cumprir o expediente daquela sexta-feira. 
Especialmente após Marcelo e César terem questionado a qualidade dos 
seus vídeos, chamando atenção para os pixeis na tela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;”Talvez
 eu não tenha chance de corrigir isto, tal qual pretendia fazer usando o
 bônus do Seu Osvaldo. Mas, pelo menos, estou prestes a descobrir o que 
Carlos queria dizer com &#39;Isso acaba hoje&#39;. É uma ansiedade a menos no 
meu coração.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já selecionando mentalmente alguns estúdios 
audiovisuais em que pudesse entregar seu currículo, ao mesmo tempo em 
que mantinha a pose na frente de Alice, continuou falando como se fosse 
uma conversa despretensiosa, respondendo-lhe:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Bem, eu tenho dinheiro economizado, mas não é para emergências. É para financiar um projeto particular.&lt;br /&gt;
— Jura? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não achasse se tratar de algo sério, Alice ficou curiosa o bastante para perguntar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que projeto?&lt;br /&gt;
— Uma redação especializada em produzir jornalismo investigativo.&lt;br /&gt;
— Ah, igual o portal Seja, não é?! Que bonitinho.&lt;br /&gt;
—
 Não, Alice. Longe disso. Servirá para ajudar o público a entender 
melhor o funcionamento do Brasil, e não para agradar aquelas panelinhas 
elitistas que sempre lamentam terem nascido neste país.&lt;br /&gt;
— Do que está falando? Eu leio a Seja e não sou assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi quando Carolina se lembrou de ver Alice publicando a seguinte mensagem no site Bicadas, durante o feriado de carnaval:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Quero ordem e progresso de verdade, não política assistencialista. Nasci no país errado. #SenadoSuíçoMeRepresenta&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não
 dando credibilidade à afirmação da gerente, mas também não querendo 
iniciar com ela uma discussão, evitou de opinar sobre o assunto. Em vez 
disso, resolveu corrigi-la ainda mais dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— De qualquer forma, também não pretendo criar um portal de notícias.&lt;br /&gt;
— Hmm, então será um estúdio de jornalismo comunitário? Igual ao que fazemos aqui?&lt;br /&gt;
—
 Não. Foi como eu disse: é para produzir jornalismo investigativo, não 
comunitário. O conteúdo tratará de política, economia e problemas 
sociais, não de batidas policiais, acidentes de carro e eventos festivos
 ocorrendo no Parque Emam.&lt;br /&gt;
— Entendi. Pensando bem, combina com você. Não é diferente do que faz no seu vlog.&lt;br /&gt;
— É quase igual. Mas será apresentado em forma de documentário interativo, não de vídeo.&lt;br /&gt;
—
 Documentário interativo? Mas isso é jogo para óculos de realidade 
virtual. Só game designers fazem estas coisas. Você não disse que vai 
montar uma redação jornalística?&lt;br /&gt;
— Sim, isso mesmo. E você tem razão:
 documentários interativos são feitos por game designers. Mas eles se 
baseiam em matérias investigativas para fazer os cenários. Matérias 
feitas por pesquisadores e jornalistas, não pela equipe de game design.&lt;br /&gt;
—
 Então você pretende oferecer serviços de jornalismo investigativo para 
game designers, para que possam produzir documentários interativos?&lt;br /&gt;
—
 Sim. De uns anos pra cá, as escolas de Londrina adotaram o método de 
ensino Nicolelis. Com ele, os professores dão ênfase no aprendizado por 
associação prática, usando óculos de realidade virtual para simular 
cenários históricos, geográficos e sociológicos.&lt;br /&gt;
— ...&lt;br /&gt;
— Por causa
 disso, a demanda por documentários interativos cresceu bastante por 
aqui. Em especial os que retratam a história e problemas sociais de 
Londrina. Como a cidade não tem redações jornalísticas dedicadas a esse 
mercado, a carência é muito grande. Eu pretendo preencher a lacuna com 
meu projeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice ficou surpresa. Não esperava que Carolina fosse tão bem informada, e tão capaz de planejar à frente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde
 que ela começou a trabalhar como vlogueira na Landschaft, três meses 
atrás, Alice nunca a vira como empreendedora. Por causa de sua 
popularidade precoce com o público universitário, imaginava se tratar de
 uma garota convencida, mimada e sem perspectivas, igual a uma jovem 
ganhadora de reality-show, do tipo que tentava se aproveitar dos seus 
quinze minutos de fama, ou de sua boa aparência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não era assim. 
Pelo que percebeu, havia nela muito bom senso, integridade e visão 
realista. Era diferente das celebridades teens das redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daquele
 momento em diante, Alice começou a admirá-la, sentindo-se até 
lisonjeada pela oportunidade de ambas estarem ali, conversando frente a 
frente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Carolina, ainda esperando ouvir um “você está demitida”, quis retomar o assunto anterior, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—
 É o que pretendo fazer com minhas economias. Mas agora você vem me 
perguntar se estou preparada para emergências. Minha resposta é: mesmo 
não querendo, posso usar esse dinheiro para emergências. Então me diga: 
por que quer saber isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alice, acionando a tela do tablet, abriu
 o navegador de internet e acessou o portal da Seja. Então, com a caneta
 digital, apontou para uma das notícias da página principal, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por causa disto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;b&gt;* * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo capítulo dia 05/07, as 22:00, horário de Brasília.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s1600/Logo+Teatro_PDF.png&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
</description><link>http://tc-prosa.blogspot.com/2014/07/28-poupanca-e-o-projeto.html</link><author>noreply@blogger.com (Anonymous)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQhDdlrEYlw1jWACJvDMuX6DbdY7ysgbW_0sn8iV31aj8hyphenhyphen4e9csEDxmY0Ca2ruBspXo_ROeFKCo4I1OgFo_g6C6XliYhyphenhyphenxpWzy_6-5lC9c_qpCEKOO9uQlWeX1UtmwR-g7npQ9dSuWKLs/s72-c/Logo+Teatro_PDF.png" height="72" width="72"/></item></channel></rss>