<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-27762361</atom:id><lastBuildDate>Thu, 31 Oct 2024 06:09:14 +0000</lastBuildDate><category>Economia</category><category>Filosofia</category><category>Política</category><category>Ética</category><category>Religião</category><category>Sociedade</category><category>Cinema</category><category>Televisão</category><category>Ficção</category><category>História</category><category>Livros</category><category>Terra à Vista</category><category>Música</category><category>Teatro</category><title>Terra à Vista</title><description>Economia e Filosofia com os pés no chão</description><link>http://tavista.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>185</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-8738463852758286014</guid><pubDate>Sun, 06 May 2012 01:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-09-09T00:23:33.019-03:00</atom:updated><title>Caderno de Tradução</title><description>&lt;br /&gt;
Excerto traduzido da&amp;nbsp;&lt;em&gt;Summa Sambologiae&lt;/em&gt;&amp;nbsp;de S. Francisco de Holanda, questão 08, artigo 13 [&lt;em&gt;Codex Budapestensis&lt;/em&gt;].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;13. Pergunta-se:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela; será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;1ª Objeção&lt;/strong&gt;: E parece que é o chocalho que mexe com ela. Conforme o Terceiro Concílio da Carrapixa [cânone 12], “bate forte o tambor, eu quero é tique-tique-tique-tique-tá”. Tique-tá diz respeito ao remelexo do corpo, como fica claro adiante: “É nessa dança que meu boi balança”. Conforme a glosa, o boi significa o corpo humano, pois o homem, no que ele tem de corpóreo, partilha da mesma natureza das criaturas não-racionais. Ora, o tambor e o chocalho pertencem ao mesmo gênero, i.e., a percussão, diferindo apenas na espécie. Portanto, da mesma forma que é devido ao tambor que o boi balança, é o chocalho que mexe com a morena de Angola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;2ª Objeção&lt;/strong&gt;: Toda dança é determinada por um objeto que a especifica e age sobre o dançarino como um motor sobre o movido, conforme diz Frei Luís de Lavavila [&lt;em&gt;De Clunibus&lt;/em&gt;&amp;nbsp;1,1] “Conheci uma menina que veio do Sul; pra dançar o Tchan e dança do Tchu-Tchu. Deu em cima deu embaixo na dança do Tchaco, e na garrafinha deu uma raladinha.” Ora, a Angola está localizada na parte Sul do Globo, na qual predomina o elemento quente e úmido, que debilita a potência geradora do sêmen, de modo que os homens lá gerados são demasiadamente carnais.&amp;nbsp;O carnal é aquele em que preponderam os apetites, e não a razão.&amp;nbsp;E é próprio dos apetites serem movidos, e não moverem. Logo, a dança da morena de Angola é determinada por um objeto, i. e., o chocalho, que a mexe segundo diversos modos, i.e., o Tchan, o Tchaco e o Tchu-Tchu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;3ª Objeção&lt;/strong&gt;: Segundo Cajetanus em&amp;nbsp;&lt;em&gt;De Potestas&lt;/em&gt;&amp;nbsp;2,1: “Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval”. Exercer o poder é causar o movimento a outro, o que é próprio do homem &lt;i&gt;qua&lt;/i&gt; animal racional. o carnaval é o domínio da carne sobre o intelecto. E é próprio da carne, assim como de todo corpo, ser movida. Portanto, dos entes listados, apenas os homens movem e os outros são movidos. Ora, a morena de Angola é mulher e é negra. Logo, é duplamente certo que é o chocalho que mexe com ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;4ª objeção&lt;/strong&gt;: O coração é o princípio material e eficiente do movimento do ser animado. E o coração é significado pelo tambor, conforme José Miguel de Polônia: “Meu coração bateu tambor aflito, tambor aflito e tonto de bater” [&lt;i&gt;De Nomini Angelorum,&lt;/i&gt;&amp;nbsp;2]. Conforme dito acima, tambor e chocalho pertencem ao mesmo gênero; logo, chocalho e coração pertencem ao mesmo gênero. Ora, a morena de Angola é um ente animado. Logo, o princípio do seu movimento é o chocalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Em contrário&lt;/strong&gt;: Diz o Letrista em&amp;nbsp;&lt;em&gt;De Siti Fameque&lt;/em&gt;: “A gente não quer só comida; a gente quer comida, diversão, ballet”. Comida e diversão denominam gêneros; logo, conclui-se que “ballet” também denomine um gênero, i. e., a dança. O Letrista menciona apenas a espécie ballet por ser a espécie mais perfeita do gênero, e portanto inclui todas as outras. “A gente quer” diz respeito ao ato da vontade humana. Assim, o ato da vontade precede a dança. Ora, o chocalho é chacoalhado pela dança. Portanto é a morena de Angola que, rebolando, mexe o chocalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Respondo&lt;/strong&gt;: A mexeção pode se dar de duas maneiras. Diretamente quando um corpo ativo move a outro que é passivo, e nesse caso é evidente que é a morena de Angola que mexe o chocalho, pelo ato de sua vontade de remexer o corpo, que por sua vez mexe o chocalho, que é material e passivo, e portanto não inicia movimento. Indiretamente, no entanto, um corpo menor e passivo, ou mesmo uma espécie sensível, pode mover um corpo maior e ativo. Assim devem ser entendidas as palavras do Pensador [&lt;em&gt;Frangit Cap.&lt;/em&gt;&amp;nbsp;11] ao relatar a atração exercida pela festa da música tupiniquim, que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim. Do mesmo modo, poderes ocultos de certos sons imprimem sua forma ao intelecto passivo, causando o movimento do corpo, especialmente dos membros inferiores e do baixo ventre. Logo, o chocalho, cuja operação natural é regida pelo corpo celeste, pode mexer, indiretamente, com a morena de Angola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Resposta à 1ª objeção&lt;/strong&gt;: o Concílio se referia a tais efeitos ocultos do som sobre o intelecto aludidos na resposta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Resposta à 2ª objeção&lt;/strong&gt;: Ainda que haja tal efeito sobre o sêmen, ele não é tal que impeça a operação da potência intelectiva do homem. E portanto também a morena de Angola é capaz de iniciar, por um ato da vontade, seu rebolado, e com ele mexer o chocalho. Ocorre que certas pessoas, devido a seus vícios, são como que escravos das paixões. Assim, a menina que veio do Sul, ao ver a boca da garrafa, não agüenta e vai ralar. Nesse sentido, concede-se que o chocalho mexa com a morena de Angola, conforme dissemos, de forma indireta e secundária. Isso basta para a terceira objeção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Resposta à 4ª objeção&lt;/strong&gt;: Nem a morena de Angola, nem a menina que veio do Sul, nem com todos os chocalhos do mundo, nem com todos os tambores, e nem com a garrafinha seriam capazes de remexer ao som de um sambinha do Wisnik. [Nota do tradutor: na seção anterior, ainda não traduzida, Francisco de Holanda apresentara as quatro vias para a existência do Motor Imovente, que são, sinteticamente: o DNA caucasiano, o fetiche da brasilidade, o intelectualismo uspiano e a Vila Madalena.]</description><link>http://tavista.blogspot.com/2012/05/excerto-traduzido-da-summa-sambologiae.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-440182255396420199</guid><pubDate>Wed, 29 Jun 2011 12:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-29T09:49:08.307-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>As Moralistas da Slutwalk</title><description>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;color: rgb(51, 51, 51); font-family: Georgia, &#39;Bitstream Charter&#39;, serif; font-size: 15px; line-height: 22px; &quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Se passeio na Cracolândia à noite com um relógio de ouro à mostra falando no meu iPhone 5, há uma boa probabilidade de ser roubado. Se eu for roubado, a culpa é do assaltante, e não minha. Contudo, quem negará que a minha conduta aumentou a probabilidade de um roubo acontecer? Só alguém cego de ideologia.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Cego como as partidárias da slut walk (e alguns partidários, se bem que o apoio desses costuma ser faca de dois gumes: de um lado, o direito das mulheres; do outro, ver gatinhas com pouca roupa), incapazes de fazer essa simples distinção: uma coisa é ser moralmente culpado de algo; outra é aumentar ou diminuir a probabilidade que esse algo aconteça. Vestir-se de maneira a atiçar o desejo sexual masculino (por exemplo, com um decotão bem grande para mostrar os peitos, com nanossaias, tatuagens à mostra que direcionem a visão para a genitália, dizeres sugestivos na camiseta e atrás da calça como “bitch” ou “fuck me”; e outras puritanices do gênero), bem, isso atiça o desejo sexual masculino. Também há certos locais ou circunstâncias em que os homens ficam naturalmente mais propensos a desejar sexualmente e de forma indiscriminada qualquer mulher que se lhe apareça na frente. Um baile de funk carioca (dos quais resultam não poucas gravidezes), uma balada com muitas drogas e dançarinas sensuais, etc.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Infelizmente, alguns homens (por culpa própria, salvo em casos de doença mental) dão vazão a seus desejos sexuais sem se importar em saber se a mulher que será alvo de suas investidas deseja ou não tal honra. Alguns se limitam a comentários ofensivos e &lt;em style=&quot;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; font-style: italic; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; &quot;&gt;dirty talk&lt;/em&gt; em geral – o que já é aviltante -, outros buscam um contato físico indesejado e alguns outros estão dispostos até mesmo à violação sexual forçada, que é dos piores crimes possíveis. Devemos fazer todo o possível para que os homens não fiquem assim, e punir severamente aqueles que perpetuam qualquer violência sexual. A culpa é deles.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Contudo, sabendo dessa realidade, as mulheres podem agir prudencialmente, por exemplo não usando roupas que incentivem os homens a vê-las como objetos sexuais; vestindo-se de forma a realçar sua humanidade. Talvez a maioria das mulheres ignore o quanto é fácil para um homem olhá-las como um mero objeto sexual e nada mais. Há, infelizmente, algo de desordenado na natureza humana, e essa desordem mexe também com nossa sexualidade. Cabe a cada um educar, domar e, quando a porca torce o rabo, barrar seus ímpetos mais descontrolados (sejam ligados à violência, à comida, ao sexo, etc.). Por isso a culpa do estupro é sempre do estuprador, e não da vítima. Contudo, a vítima pode agir de maneira a diminuir a probabilidade do estupro. Ao se vestir de forma provocante, a mulher aumenta a chance que ela provoque algum homem sexualmente; o homem sexualmente excitado está mais propenso a praticar alguma forma de violência sexual.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;As manifestantes da slut walk parecem querer, ao mesmo tempo, atiçar o desejo sexual masculino e não sofrer violência sexual. Infelizmente, embora no plano das idéias as duas coisas pareçam perfeitamente distintas, no mundo real elas frequentemente caminham juntas. Isso não quer dizer que a culpa do estupro seja das mulheres; mas elas têm à disposição algumas condutas fáceis para diminuir a probabilidade do estupro (embora nada possa garantir a segurança total).&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Quando você sai na rua, não procura, se possível, deixar celulares e objetos de valor fora da visão de todos? Não olha para os dois lados antes de atravessar, e se vê um carro desloucado à toda velocidade, não espera ele passar antes? Tanto no roubo quanto no atropelamento, a culpa é de quem rouba e atropela. Mas o celular é seu, e a vida é sua; trate de não facilitar! Por que no estupro o pensamento mais “iluminado” ignora isso? Mulheres, há dentro de cada homem heterossexual um forte desejo sexual pelo corpo feminino; esse desejo pode se manifestar de maneira sadia e positiva, que enfatize ao invés de negar a humanidade da mulher; ele pode também, contudo, se expressar de maneira bestial e violenta. Quando essa segunda opção lamentavelmente ocorre, a culpa é sempre do homem. Mas não a facilitem!&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Já falei que a culpa do estupro é do estuprador? Repito-o agora: a culpa do estupro é sempre do estuprador e nenhuma mulher merece ser estuprada.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Assim, espero que as respostas fujam do usual “CULPANDOAVÍTIMACULPANDOAVÍTIMACULPANDOAVÍTIMA!!!!!111um”.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2011/06/as-moralistas-da-slutwalk.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1886338458229886805</guid><pubDate>Thu, 26 May 2011 19:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-05-26T16:15:54.775-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ficção</category><title>A Moeda Perdida</title><description>&lt;p style=&quot;font-family: &#39;Times New Roman&#39;; font-size: medium; &quot;&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Pão de queijo - R$ 1,10. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;As últimas moedas dos cinqüenta Reais que o pai dera na semana anterior iriam agora, não fosse a estranha falta de dez centavos. Só podia ter sido o Tonhão. Logo que bateu o sinal, algum do grupinho dele pegou a carteira e jogaram bobinho, Lucas no meio pra variar. Acabaram devolvendo e foram pro futebol, só que faltava uma moeda. Naquele momento o Tonhão já devia estar contando vantagem no campinho e todo mundo rindo do idiota do “Luqu&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;inhas&lt;/i&gt;”; imaginava e ficava vermelho. Era a gota d’água.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Quase todos os meninos da turma jogavam futebol. Lucas era dos menores, e a pré-adolescência aumentara a distância, não só de altura. Como de costume, passaria o recreio andando pelos corredores e jardins com o Milton. Hoje, sem lanche: para a Coca não teria dinheiro mesmo, e o pão de queijo o Tonhão roubara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Não saía de sua cabeça a zoada do mesmo dia na aula de Português. Foi pedido um exemplo de estrangeirismo; sua mão era sempre das primeiras, para a inveja – dizia sua mãe – dos colegas. “Videogame”. Acontece que, na sexta série, por algum motivo que ele ainda não entendia, gostar abertamente de videogame já não pegava muito bem. A tirada do Tonhão era idiota, sem qualquer graça: “Que nerd!”, mas &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;todo mundo&lt;/i&gt; riu. Até quem não viu graça se sentiu na obrigação. Até a Helena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;“Nerd.” Em poucos anos aquilo seria uma besteira, um nada. Mas na sexta série era muito. E por enquanto não ia melhorar. Numa festa-baile ele vira o Tonhão e a Helena se beijando. Não foi que nem nos filmes: não era importante, era só um amasso num canto, no pano de fundo, e ninguém parava para ver. Ainda que Lucas não estivesse exatamente louco de vontade de roçar sua língua na de alguma menina da série – com uma possível exceção – esse próprio não querer era sinal de algo cada vez mais vergonhoso, mas que ele não sabia bem o que era. O fato é que o Tonhão já ficava e ele não tinha nem uma amiga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;“Eu odeio o Tonhão! Ele é um idiota.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;“O que a gente vai fazer?” Os dois já tinham planejado pequenas vinganças antes; Milton não era alvo freqüente de gozação, só de desprezo silencioso. “E se a gente roubar o material da mochila dele e jogar fora de novo?” Ele adorava o jogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;“Não vai adiantar. Da outra vez ele nem reparou. Tem que ser pior: o Tonhão é um bosta!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;“E se a gente pegar o celular novo da Ju P. e botar na mala dele?” Tonhão já tinha tido duas “conversas” com a orientadora naquele semestre; uma vez por ter xingado a professora e outra por cabular aula para trocar figurinhas da Copa com uns colegiais. A diretoria sabia que ele era um mau elemento, só que sem o dinheiro que protegia outros similares a ele. Mãe professora de inglês, pai divorciado ausente. Entrara no colégio com bolsa, e por algum motivo o menino modelo tinha, desde a quarta série, desandado. A seqüência de fatos era previsível: recuperação atrás de recuperação, repetir um ano, namoro, sexo, maconha, briga. Mas o que eles podiam fazer? Mandar embora ou cortar a bolsa seria cruel, fora que a mãe ia dar um jeito de reverter na Justiça. Restava esperar que alguma das violações legais que o rapaz certamente cometeria no futuro fosse flagrada dentro dos muros da escola. Daí era fim de papo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Lucas lembrava da festinha da primeira série do colega agora odiado. A casa simples, os salgados feitos pela mãe e pela empregada, o videogame antigo. Mesmo assim, sentiu que uma mera suspensão não bastaria. “Tem que ser sério, Caio. A Regina não vai fazer nada; tem que ser pior do que ela.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Nessa confabulação os dois passaram na frente da capela da escola, e foi então que veio uma luz. Lucas se lembrou das aulas de catequese do ano anterior, com o padre Aurélio (uma inexplicável relíquia de rígida ortodoxia catequética num colégio há muito apostatado). O curso terminara na Primeira Comunhão, e desde então a lembrança das aulas enfraquecia. Conforme andavam adiante, contudo, algumas fagulhas da aula de religião acenderam na mente do garoto. O que é mesmo que a catequese tinha ensinado sobre a vingança? &lt;span style=&quot;mso-spacerun:yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;“Já sei!” Ele parou junto da velha árvore que servia de pics no esconde-esconde do primário; o amigo parou também. “O Tonhão tem 12 anos, né? Ele tá entrando na puberdade. Ce já viu o sovaco dele? Então, os hormônios tão crescendo.” – Isso, é claro, não veio da catequese, mas das aulas de “Conscientização para uma Sexualidade Segura e Saudável”, curso que perpassava todo o Ensino Fundamental II, dado pela Ísis, psicóloga e pedagoga, e pelo Tadeu, o professor de ciências. “E como ele é grande, as meninas vão querer transar com ele. Eu vi ele beijando na festa da Lu S. Ele vai ter uma namorada. E ele vai transar ano que vem no máximo. Se for a Helena, ainda esse ano com certeza. A Ju K. vai dar a festa dela e os pais dela vão viajar. Vai ser em novembro. E ela já falou que vai liberar o quarto. Então a gente faz assim: a gente vai na festa e um de nós dá um jeito de deixar a Helena bem bêbada; lembra da aula de sexo? O Tonhão você não deixa ficar bêbado, senão não funciona. Daí quando eles forem para o quarto eu vou ficar escondido no armário com o meu canivete. E quando o Tonhão for chegar no orgasmo eu saio do armário e meto o canivete na jugular dele. Ele vai se virar e saber que fui eu que matei ele e eu vou rir da cara de coitado dele! Daí os últimos momentos da vida dele vão ser de vergonha porque ele vai estar de calça abaixada chorando na frente da Helena. Só que o melhor não é isso. Lembra da aula de catequese? Sexo é pecado mortal. O Tonhão cabulou um monte de aula e não vai lembrar de se arrepender. E daí depois que ele morrer ele vai direto pro inferno. E ele vai ser assado que nem um porco enterrado na merda do buraco mais fundo do inferno! E um diabo imundo vai estuprar ele para sempre sem nenhuma chance de escapar. Ele vai implorar por perdão e não vai ter, e eu vou rir pra ela!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Milton arregalou os olhos. Lucas esboçava um sorrisinho satisfeito quando sua mão, que remexia dentro do bolso, sentiu uma pequena saliência dura numa dobra interna. Era a moeda que faltava; o pão de queijo estava salvo! Houve júbilo e regozijo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2011/05/moeda-perdida.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4444041202553579384</guid><pubDate>Fri, 07 Jan 2011 20:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-01-07T18:02:17.383-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Televisão</category><title>A Filosofia no Esquadrão da Moda</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Andei vendo uns reality shows de moda. Não me julguem; há jeitos piores de se passar uma noite. Funcionam assim: apresenta-se uma mulher que definitivamente não sabe se vestir; um bagaço desalinhado, enfim, a mess. Acontece que, em geral, ela já está conformada a feiúra e cheia de inseguranças quanto a seus defeitos, embora não saiba o que fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Entram os experts em moda, reviram o guarda-roupas dela, ensinam-lhe o que vestir e como se apresentar, levam-na para umas comprinhas por conta da produção (o atrativo do programa para quem participa é exatamente esse) e, no final das contas, voilà, o bagaço virou mulher, em geral bonita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O melhor desses programas é o do Tim Gunn, designer que basicamente eleva a moda ao patamar de ciência. Analisando o tipo físico da mulher, é capaz de mostrar a ela os efeitos que diferentes tipos de roupa têm sobre seu físico, o que ela deve evitar e o que deve usar. Um corpo mais cheinho e baixo não vai bem de calça capri, que cria a ilusão de ser ainda menor; as “back-flaps” pouco atraentes são causadas pelo tipo de sutiã usado; um modelo diferente elimina o problema. Enfim, cada mulher tem pontos relativamente mais fortes ou fracos, e a boa roupa é aquela que sabe usar os bons e atenuar os fracos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Claro que minha apreciação desse tipo de entretenimento é puramente filosófica. O que um programa como esses grita com todos os pulmões? Uma mensagem, olhem só, conservadora: a beleza é objetiva; gosto se discute; há acertos e erros em se tratando de roupa. A feia do começo sempre tem algumas justificativas para o atual estado deplorável: “É o meu estilo; não sigo a moda”; “Sou assim e não tem jeito; não existem roupas para o meu tipo físico”; pseudo-justificativas, que mal e mal escondem profundas inseguranças acerca da própria aparência e de auto-estima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A própria mulher, inicialmente relutante (depende do caso; algumas estão cientes de seus problemas desde o início), reconhece o progresso e vê como suas justificativas, seus flertes com um relativismo estético, eram espúrias. Vestir-se mal não é estilo; é falta dele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;No final das contas, não há mulher que não possa ser bonita. Claro, existem aquelas com deformidades muito gritantes; fora essas, todo mundo tem um potencial a ser explorado e que pode chegar a bons patamares de beleza. O que ajuda, inclusive, a viverem melhor, ao melhorar a auto-estima da pessoa (que não é gabar-se de méritos inexistentes, mas reconhcer em si um potencial para grandes coisas). O resultado é entretenimento enriquecedor e que ainda oferece algo de sabedoria prática que pode ser utilizado na própria vida (há versões masculinas dos programas, mas em menor número e menos memoráveis; pois a diferença entre o homem desleixado e o alinhado, embora grande, é minúscula se comparada à que existe entre a mulher-bagaço e a elegante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;As meninas da FFLCH poderiam se beneficiar muito da consultoria de um Tim Gunn. Algumas são muito bonitas, de forma que nem as roupas velhas e rasgadas, o cabelo ensebado, as sobrancelhas selvagens e o pé sujo conseguem enfeiar. Outras, coitadas, dão tristeza à vista. Bastaria um olhar externo de alguém que entende do assunto para, com alguns toques determinados, ajudá-las imensamente. Quem sabe até a ideologia venenosa que alimenta e é alimentada pela feiúra do ambiente enfraquecesse um pouco…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2011/01/filosofia-no-esquadrao-da-moda.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-9221685176552091119</guid><pubDate>Tue, 04 Jan 2011 01:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-01-03T23:28:57.346-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">História</category><title>O que Hernán Cortés Tem a nos Ensinar</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Em 2010 uma serpente emplumada me mordeu e fui tomado de um interesse febril pelos povos meso-americanos. O foco desse interesse estava no primeiro encontro deles com os europeus, que é sem dúvida um momento capital da história universal. Ao mesmo tempo, resultou numa das maiores tragédias da história que foi a destruição dos povos, civilizações e culturas que aqui viviam antes de chegarem as caravelas. A febre já passou, provavelmente para nunca mais voltar. A cura se deu quando cheguei a uma conclusão óbvia, já sabida por muitos, e mesmo por mim, de antemão, mas agora vista com clareza. Deixe-me traçar brevemente o itinerário que percorri.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Nunca fui daqueles que vêem os conquistadores como grandes vilões e os nativos como astrônomos hippies amantes da natureza. Contudo, aprendi que igualmente falsa é a representação do mundo asteca como um reino de horror idolátrico e bestial em níveis dignos de Lovecraft. A história real é bem mais interessante. E uma boa fonte, pela qual comecei, é ler o relato de Bernal Diaz del Castillo, um dos soldados de Hernán Cortés (soldado ralé, o que lhe deixava relativamente isento dos interesses dos poderosos) na expedição que culminou na tomada de Tenochitlán. O que dali emerge é, em primeiro lugar, uma história contingente, acidental, que poderia ter sido muito diferente. Em nenhum momento há um plano consciente de dominação; há oportunidades que são agarradas no calor do momento; há tentativas de amizade e paz, enganações e armadilhas dos dois lados. Durou pouco a impressão de que os espanhóis fossem deuses, embora o apelido tenha permanecido; durou pouco também o horror aos cavalos, que logo estavam sendo sacrificados, junto com soldados capturados, à vista do acampamento espanhol para lhes meter medo. Em um episódio dramático, os conquistadores foram quase dizimados e tiveram que fugir desesperados cada um por si. A varíola chegou casualmente, trazida por um escravo negro; Bernal nota o contágio estranhamente forte entre os indios. Acima de tudo, é uma história de personagens singulares, como Gerónimo de Aguilar, padre franciscano que precedera os conquistadores e que vivera por anos como prisioneiro numa cidade nativa até ser resgatado e tornar-se intérprete de maia do grupo (outro sobrevivente, numa vila próxima, atingiu condição de proeminência e preferiu a nova vida a juntar-se aos espanhóis); La Malinche, a nativa de Tabasco que, além de entender tanto nahuatl quanto maia, tornou-se amante de Cortés e deu-lhe seu primeiro filho homem, considerado o “primeiro mestiço”; Montezuma, o rei asteca, alternadamente astuto e pueril, que embora feito refém pelos conquistadores tornou-se amigo de todos, levando os raptores a chorarem sua morte acidental numa escaramuça (e maldizerem o frade que ainda não o tinha catequizado devidamente).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Dentre todas as figuras notáveis, entretanto, uma se eleva sobre as demais, particularmente forte e enigmática: o próprio Hernán Cortés. Movido ao mesmo tempo por sede de poder e pela lealdade para com seu imperador e colegas, colecionador de amantes e defensor zeloso do Catolicismo, Cortés é um daqueles personagens tão singulares que se pode dizer que, tivesse não existido, o rumo de nossa história teria sido outro. Nada o explica perfeitamente. Sua campanha ia contra os desejos das autoridades espanholas estabelecidas na América, e num momento decisivo ele teve que convencer exércitos espanhóis que vinham combatê-lo a se juntar a ele. Suas cartas, outra leitura indispensável, são um incessante jogo de tecer relações favoráveis com as autoridades locais e com o Imperador para que ninguém entrasse em seu caminho. Ao chegar numa cidade nova, tratava de estabelecer um trato amigável com os chefes, o que lhe seria útil mais à frente. Ao mesmo tempo, fazia questão de instituir o Cristianismo à força, mesmo que de forma tão desastrada e turrona que lhe prejudicasse a estratégia de conquista. Havia um frade no grupo (além de Aguilar, o tradutor resgatado), que, talvez devido a sua experiência com a fraqueza e inconstância humanas, aconselhava uma conduta prudente e tolerante: deixe os nativos com seus ídolos e vícios, evangelizemo-os aos poucos, de forma que eles possam entender a religião e queiram se converter. Cortés não queria nem saber; chegava à nova cidade, queimava os ídolos, erguia uma cruz e um altar à Virgem e ordenava que práticas pagãs (sacrifícios humanos, canibalismo) cessassem imediatamente sob ameaça de guerra. Talvez mais que a sede de poder, guiava-o o desejo da aventura e do heroísmo. Era ele, então, o resultado concreto de séculos de romances de cavalaria, cuja era de sonhos ingênuos chegava ao fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Até aqui olhamos o lado espanhol. Para navegar pelas águas desconhecidas do lado asteca só com um bom guia, e quem desempenhou essa função no meu caso foi Miguel León-Portilla, uma das maiores autoridades mexicanas sobre os nahua. Li dois livros seus: um deles é Broken Spears, compilação de relatos astecas da conquista e suas conseqüências (contados a frades espanhóis ou escrito por astecas alfabetizados nos primeiros anos de contato). A devastação da varíola nos momentos mais tensos do combate, o golpe de Estado que os nobres astecas tramavam contra o rei que virara refém subserviente dos invasores; o trauma da queda de Tenochitlán e as humilhações pelas quais os espanhóis os fizeram passar. O outro foi Aztec Thought and Culture, um mergulho nos pilares espirituais e filosóficos da cultura nahuatl. Como fontes primárias, longas folheadas pelo monumental Historia Generale de las cosas de Nueva España do frade Bernardino de Sahagun, cujos esforços em conversar com os sábios do mundo asteca (os tlamatinime, mestres das academias) e de tudo catalogar constituem a principal fonte de nosso conhecimento do povo de Tenochitlán; sobre os maias, a Relación de las cosas de Yucatan do bispo Diego de Landa, o responsável por quase tudo o que sabemos deles e, ao mesmo tempo, pela destruição de tudo aquilo que poderíamos ter (como a imensa maioria dos livros maias), num zelo tirânico à la Savonarola repreendido até pela Coroa espanhola. Para completar minha imersão, adquiri uma edição restaurada do Códice Bórgia, um códice asteca pré-colombiano com calendários astrológicos e representações de deuses, de sacrifícios e do lugar do homem no mundo espiritual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A cultura nahuatl chama a atenção principalmente por suas artes decorativas e desenhos altamente estilizados. Quem vai ao México nota como tudo é impregnado pelas cores vibrantes e padrões geométricos dos antigos astecas; sem falar de sua culinária flamejante, cujos principais ingredientes, a tortilla, o abacate, o tomate, os feijões, a pimenta ainda são a base da cozinha nacional. Indo um passo além da primeira impressão preconceituosa, desintegra-se a idéia de que se tratavam de selvagens lunáticos perdidos em cultos idolátricos. Quem imaginaria os psicopatas sanguinários de Apocalypto de Mel Gibson compondo versos, cultivando um fino artesanato e indagando sobre a condição humana? Pois faziam justamente isso, e se não chegaram a desenvolver uma filosofia com argumentos racionais rigorosos, o embate de diferentes concepções de vida e de universo (questões ligadas à vida após a morte, aos deuses, a como ser feliz) ocorria por meio da poesia transmitida oralmente, e que foi finalmente escrita com a incorporação do alfabeto latino. Por trás do politeísmo da superfície a visão de mundo asteca era monoteísta, tendo em Ometeotl – uma divindade dual – o senhor de, e que dá a vida a, todas as coisas. Não tinham escrita, é verdade, e eles próprios se viam como existindo à sombra dos toltecas, cultura anterior cujo nome virara elogio. Era por desenhos que representavam a história, os rituais, os calendários, os modos de vida. Há beleza nessa simbologia pictográfica, a começar pelo usos das cores (o preto e o vermelho, por exemplo, eram usados para tratar de temas sagrados) e no desenho estilizado de figuras humanas e divindades. &lt;/span&gt;E nem por carecer de escrita era sua língua pouco sofisticada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A língua nahuatl prestava-se naturalmente à poesia. Fazia, por exemplo, amplo uso de difrasismos, união de dois termos com significado metafórico único (o nosso “caras e bocas” seria um possível exemplo, embora o sentido da expressão seja próximo demais do dos termos empregados), como “vermelho e negro” para o que se refere ao sagrado, “rosto e coração” para a totalidade do ser humano (exterior e interior juntos), “flor e canto” para a poesia, “noite e vento” para tudo o que é abstrato. Revirando um pouco a poesia filosófica deles (deixei León-Portilla fazê-lo por mim), encontra-se um embate entre epicuristas e religiosos, louvores à arte como máxima manifestação do potencial humano, diferentes teses sobre a origem do mundo, cosmogonias e cosmologias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Aos poucos, contudo, gota a gota, uma percepção clara foi se depositando nas fronteiras da minha consciência até penetrá-la. No princípio tapei os ouvidos, quis atribuir tudo à carência de fontes, ao meu desconhecimento, ao fato de não ter ido ainda às outras fontes primárias (frade Motolinia, José de Acosta e muitos outros); mas não deu, tive de finalmente admitir: o povo que construiu as pirâmides de Tenochitlán estava longe, muito longe, de escrever um Don Quijote, ou uma Suma Teológica, e nele não apareceriam um Shakespeare ou um Velázquez tão cedo. León-Portilla estica cada verso da poesia asteca ao limite das possibilidades interpretativas e mesmo assim parece pouco se comparado, digamos, a qualquer diálogo de Platão; sei que muito foi destruído ou perdido, mas não é provável que o que tenhamos, que inclui informação tirada das maiores autoridades astecas sobre sua própria cultura, seja muito diferente, e substancialmente pior, do que aquilo que se perdeu. Havia impedimentos internos a essas culturas que não foram superados. Os maias, por exemplo, tinham uma escrita muito elaborada, e o que os poucos códices que sobraram nos dizem? Como tantos outros povos antigos, excetuando relatos históricos que são sempre interessantes, seus maiores esforços intelectuais iam para elaborar grandes sistemas mágicos e astrológicos. O calendário maia é um feito impressionante; mas a que se presta? A teses completamente errôneas sobre o universo. O Códice Bórgia é lindo; mas o que retrata? Datas astrológicas, deuses, sacrifícios, enfim, cosmovisões maravilhosamente falsas. É o sonho academicista: um sistema complexo recheado de minúcias internas sem nenhuma relação com a realidade que originalmente buscara explicar. Dá boas dissertações, mas como cultura é fraco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O que o Ocidente (o nome é ruim, pois geograficamente o México é mais ocidental que a Europa) tem, e já tinha na época, que o permitiu superar tais esforços estéreis? Poderíamos estar até hoje fazendo astrologia, alquimia e criando epiciclos para manter as aparências do geocentrismo. &lt;/span&gt;Por que não estamos? Porque temos uma cultura de valorização da razão e na qual o indivíduo não é constantemente obrigado a se conformar à massa, à autoridade e à tradição. Na Europa o súdito não era propriedade do rei, nem de corpo e muito menos de espírito. Hoje não parece, mas um Tomás de Aquino em sua época propunha uma inovação sem precedentes, rompendo com muito da tradição neo-platônica (sem deixar de lado seus melhores elementos); igualmente inovadora foi a rejeição bem-vinda de grande parte da ciência aristotélica alguns séculos mais tarde; amigos de Aristóteles, mas mais amigos da realidade. O rompimento com a tradição exige coragem de indivíduos que não têm vergonha de propor coisas novas. Essa postura está em última análise ligado ao Cristianismo? Suspeito que sim. Seja como for, é algo que o Ocidente tem e o resto do mundo, até recentemente, não tinha; e explica muita coisa, e permite, no campo prático, figuras como Hernán Cortés. Foi a Espanha que chegou à América, e não vice-versa. Os astecas não tinham caravelas, e muito menos navegadores audazes para se lançar em busca de novos mundos (e de fato, é a existência de tal espírito que cria a demanda por caravelas). Está certo que esses mesmos descobridores eram capazes de barbaridades, mas são precisas muitas virtudes para que um vício tenha efeitos devastadores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;E não pensem que as atrocidades da conquista fossem monopólio nosso; na história asteca, por exemplo, uma das figuras mais importantes foi Tlacaelel, conselheiro do rei em meados do século XV d.C., que militarizou a sociedade e intensificou os sacrifícios humanos; dentre as suas políticas estava a destruição sistemática de livros em que Huitzilopochtli, o deus da guerra, não fosse apresentado como a divindade suprema. O tratamento que esse império dava às cidades vizinhas era brutal. Quiçá o estrago humano e cultural teria sido ainda pior se os papéis fossem trocados. Mas um erro não justifica o outro. A escravização, dizimação e destruição cultural dos povos pré-colombianos foi um crime sim, uma mácula histórica que o Ocidente nunca poderá apagar. Só que isso também não apaga um brilho do qual temos motivo de orgulho; o autor do crime é, apesar do crime, culturalmente superior. Não me dá prazer afirmá-lo – minha tendência natural é multi-cultural, sincrética e pluralista; vejo valor em cada penacho folclórico – mas o fato grita a qualquer um que queira ouvir. Começo 2011 com a alegria de redescobrir o que sempre fora meu; um legado que se preserva não por ser tradicional, mas por ser bom. &lt;/span&gt;Posso estar completamente errado? É possível. Em 2012 saberemos.&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2011/01/o-que-hernan-cortes-tem-nos-ensinar.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-7663460281189308367</guid><pubDate>Thu, 09 Dec 2010 12:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-13T18:00:43.887-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>Não se deve duvidar de tudo</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Três argumentos: o ético, o filosófico, e o econômico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Por duvidar quero dizer negar assentimento a uma proposição e procurar razões pelas quais ela possa não ser verdadeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O ético: crenças (e aqui falo no sentido mais amplo: afirmações sobre a realidade assentidas pelo indivíduo) levam a ações. Ações podem ser boas ou más. Assim, duvidar de uma crença qualquer pode fazer com que não mais façamos uma boa ação, ou com que façamos uma má ação. Se um abolicionista potencial duvidasse de que negros são seres humanos, a causa abolicionista perderia muita importância para ele. A máxima de Hume “Daring in thought, conservative in action” até funciona para impedir atrocidades, mas falha para nos convencer a agir bem (para além da mediocridade esperada) quando esse agir bem depende de crenças das quais duvidamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Esse argumento, contudo, tem uma grande falha que é submeter crenças à moralidade, que incentiva antes a suposição de contos de fada coloridos para preservar certas boas ações do que a procura da verdade acima de tudo e, como conseqüência dela, a descoberta de uma ética baseada na realidade. Ainda assim, em casos pontuais parece-me uma consideração legítima; há vezes em que é melhor não duvidar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O filosófico: mesmo para se formular uma dúvida é preciso aceitar alguns pressupostos (por exemplo, que há tal coisa como verdade e falsidade). Portanto, é impossível duvidar de tudo de uma vez só. Seria, contudo, possível duvidar de tudo uma coisa de cada vez? Tampouco, pois há certos princípios (o mencionado acima é um deles) que devem estar presentes em todo e qualquer ato de duvidar; e mais, em todo e qualquer ato de pensar. Não é possível ser e não ser, uma coisa é o que ela é, etc. Dessas não podemos duvidar, pois ao duvidarmos estaremos aceitando-as. Se se trata de uma conseqüência da estrutura da mente (e portanto sem relação com a realidade em si) ou de uma percepção básica e inescapável da realidade vai do feitio filosófico de cada um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O econômico (e favorito): A vida humana é finita e os recursos são escassos. Não temos nem tempo nem capacidade de fazer tudo o que gostaríamos; devemos priorizar o que se nos apresenta como sendo o melhor. Algumas dúvidas levam-nos a questões interessantes e a trabalhos intelectuais altamente proveitosos; outras são estéreis e contribuem muito pouco para nossa busca da verdade (que é a finalidade de toda e qualquer dúvida real). Duvidar demanda tempo. Portanto, é preciso priorizar aquelas dúvidas que têm o maior benefício esperado (do nosso ponto de vista) e deixar de lado outras que, embora possam até guardar um certo interesse, não parecem muito relevantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Portanto, ao contrário do que se diz por aí, não se deve duvidar de tudo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;Ofereço uma alternativa que me parece superior: deve-se estar disposto a duvidar de qualquer coisa &lt;i&gt;caso haja bons motivos para tanto.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/12/nao-se-deve-duvidar-de-tudo.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1347520403204492406</guid><pubDate>Wed, 01 Dec 2010 18:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-01T16:47:11.283-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><title>Para que Serve a Filosofia?</title><description>&lt;div style=&quot;line-height: 18px; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: rgb(255, 255, 255); font: normal normal normal 13px/19px Georgia, &#39;Times New Roman&#39;, &#39;Bitstream Charter&#39;, Times, serif; padding-top: 0.6em; padding-right: 0.6em; padding-bottom: 0.6em; padding-left: 0.6em; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; max-width: 640px; &quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 1.5; margin-bottom: 24px; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small; color: rgb(68, 68, 68); &quot;&gt;U&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; &gt;m &lt;/span&gt;amigo meu diz que no dia em que lhe apresentarem uma utilidade para a filosofia ele deixa de estudá-la. Em certo sentido, concordo plenamente: não dá para colocar uma finalidade externa à filosofia como tantos tentam fazer para justificar sua atividade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 1.5; margin-bottom: 24px; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Ganhar dinheiro, por exemplo, certamente não deveria ser o que motiva alguém a estudá-la. E se for, pobre dele. Agora, outras coisas mais bonitinhas também não podem ser de forma alguma: tornar o mundo um lugar melhor. Eu até entendo que é isso que motiva um estudante de geografia ou ciências sociais (um erro, mas um erro possível); mas se você está na filosofia, o que você lê e estuda é tão distante do espaço urbano opressivo das periferias, da fome da África e do aquecimento global que é impossível mantê-la como meio para tais fins. Só uma ginástica mental muito grave o permitiria. Claro, filósofos mudam o mundo para melhor (ao menos os bons). Platão e Aristóteles são mais importantes para a humanidade do que Mandela e Bono Vox. São consequências de suas ações, e não os fins. Um tratado pode mudar o mundo; mas quem acorde querendo mudar o mundo dificilmente quererá escrever um tratado. Todo mundo que estuda filosofia afirma, pelas suas ações, que considera uma questão abstrata a ser considerada solitariamente algo mais importante para si do que a pobreza e fome de uma boa parcela da humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 1.5; margin-bottom: 24px; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Tornar-se uma pessoa melhor também não pode ser o objetivo do estudo de filosofia. Não que a filosofia não nos torne melhores. Mas ter isso como o objetivo quase certamente desvirtua a atividade filosófica, pois você colocará de antemão uma restrição extrínseca à sua própria razão quanto ao tipo de questão e posições que estará disposto a considerar. Além disso, embora possa ajudar o caráter, a filosofia (e mesmo a boa filosofia) é compatível com uma grande dose de vícios.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify; line-height: 1.5; margin-bottom: 24px; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;&gt;Mas tem uma finalidade que o estudo da filosofia tem que ter: o interesse intrínseco pela questão estudada. Se o cara estuda a crítica que Kant fez à metafísica, então ele tem que se interessar muito pelo que está em jogo nessa questão: a possibilidade de uma metafísica que fale da realidade em si, os limites do conhecimento humano, etc. Para quem se interessa pelas grandes questões do homem e do universo estudar filosofia é, portanto, muito útil. Se nem essa utilidade tiver, então está só perdendo seu tempo, ou pior: sob o pretexto “superior” da ausência de fins, está submetendo sua mente a fins muito inferiores, como a escalada de uma hierarquia de poder mesquinho da universidade ou exercitando sua vaidade para mostrar aos outros (ou a si mesmo) a própria inteligência e capacidade de dominar enormes sistemas intelectuais sem em nenhum momento preocupar-se com a realidade, que é o que motivou sua construção.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/12/para-que-serve-filosofia.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-3694313927021621064</guid><pubDate>Tue, 23 Nov 2010 03:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-11-23T02:28:05.605-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">História</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><title>Frei Betto e S. Teresa</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Neste mundo decaído, as idéias nunca são encontradas em forma pura, mas sempre misturadas ao seu contrário. Não há mal sem alguma mistura de bem, ou bem sem alguma mistura de mal. O que poderia ilustrar melhor esse princípio do que a recente edição do Livro da Vida de S. Teresa D’Ávila pela Penguin/Companhia, com prefácio de Frei Betto? Eu estranharia menos ver um prefácio de Richard Dawkins. A junção de duas figuras na minha mente tão díspares praticamente me obrigou a comprar o livro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Frei Betto tem, descubro agora, uma longa história com S. Teresa; já disse querer se casar com ela; depois propôs a celebração de um novo homem que seria o rebento das núpcias dela com Che Guevara. Enfim, o presente prefácio, intitulado “A Sedução de Teresa”, tem história. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Curiosamente, ele também é uma mistura de bem e mal, o que mostra que a realidade é mais complexa que meu preconceito. Nunca poderia imaginar um teólogo da libertação, petista fanático, dizendo algo como “Em suma, Teresa me ensinou que Deus não se exilou no Céu; ao contrário, habita o coração humano.” Não existe nenhuma descoberta que nos afaste mais da tentação do socialismo do que essa; pois se o homem tem uma finalidade transcendente ao seu alcance seja quais forem suas condições externas, então a luta pelo socialismo fica, no mínimo, relativizada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Há outras boas citações no curto prefácio, mas nada muito fora do comum. É quando ele se mete a falar de história e a interpretá-la que sua visão de mundo definitivamente imanente (ou seja, disposta a direcionar mesmo o transcendente para fins terrenos) se faz sentir. Para ele, S. Teresa foi uma “feminista avant-la-lettre” que abriu espaço para mulheres numa igreja até então medieval e machista. Por pouco não foi condenada pela Inquisição, enquanto outras visionárias menos sortudas como Madalena da Cruz foram. O que ele não conta é que essa tal Madalena, que era considerada santa e milagreira por muitos em sua época (gente de pouca monta, como a imperatriz Isabel, esposa de Carlos V), ao sofrer uma doença que parecia que lhe tiraria a vida, confessou voluntariamente que seus êxtases e milagres eram fruto de um pacto que fizera com o demônio. Resultado: a Inquisição à condenou à... você ia dizer fogueira? É o que Frei Betto leva a entender, tendo citado a fogueira poucas linhas antes; mas o fato é que a Irmã Madalena foi condenada, três anos depois dessa confissão, à reclusão em um convento, onde morreu em paz anos mais tarde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;No todo, a situação da mulher na Idade Média tinha suas injustiças: só podiam se tornar proprietárias se o marido morresse, por exemplo; e o machismo cultural sem dúvida existia. Lamentavelmente, como as universidades eram só para clérigos, mulheres não cursavam (havia exceções, contudo). Além disso, as guildas (ancestrais de nossos sindicatos, o que dá uma idéia de sua atividade) também costumavam proibir a entrada de mulheres. Ao mesmo tempo, tinham uma liberdade talvez até maior do que teriam na Idade Moderna. Havia mulheres empreendedoras, havia mulheres com autoridade sobre homens (mesmo em instituições eclesiásticas), autoras mulheres (por exemplo Christine de Pizan, que é provavelmente a primeira feminista do Ocidente - escreveu o clássico “A Cidade das Mulheres” como forma de protesto contra as tiradas machistas de Jean de Meun, um dos autores mais populares da época), místicas mulheres. S. Catarina de Siena dava broncas abertas no papa. A freira Hildegard de Bingen foi das mais importantes compositoras musicais do século XII; além disso escreveu visões místicas e tratados de medicina. A vida era mais simples e, digamos, mais “brutal” na Idade Média; para o bem e para o mal. A violência era maior, mas também o eram a doçura espontânea e a liberdade. A mulher era menos delicada e isolada da vida corrente; vide a esposa de Bath nas Canterbury Tales. Existiam normas mas os casos anômalos também não eram raros; os grandes Estados nacionais, que futuramente imporiam uniformidade em tudo (desde línguas até moedas passando pelos costumes) ainda estavam se consolidando. As próprias caçadas às bruxas, que vitimaram muitas mulheres, são fruto da Idade Moderna. O consenso medieval entre as pessoas educadas era de que bruxaria simplesmente não existia; crer em bruxaria era superstição.&lt;span style=&quot;mso-spacerun:yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;S. Teresa teria, além do feminismo, inaugurado um novo jeito de se relacionar com Deus: finda a frieza da escolástica, com suas categorias “pagãs” (agora Frei Betto considera isso algo ruim?), se iniciaria uma relação íntima com Deus. Ele por acaso ignora a integral continuidade de S. Teresa e os místicos medievais? Ricardo de S. Vítor, Boaventura, Walter Hilton, João de Ruysbroeck, Richard Rolle, Henrique Suso, enfim, uma bela lista que inclui também mulheres como Juliana de Norwich (que chamava a Deus de mãe), S. Brígida da Suécia, S. Catarina de Siena, Catarina de Gênova; tudo isso só de medievais, para não entrarmos na era dos Padres da Igreja. S. Teresa desenvolveu e sistematizou a realidade mística que já era vivida e conhecida. A Idade Média não “fechou” a religião na teologia especulativa; ela criou a teologia, é verdade: ousou usar a razão para investigar e conhecer mais a fundo os conteúdos da fé; mas isso de forma alguma limitava ou impedia a mística. Pelo contrário: na Idade Média, ao contrário do que aconteceria na modernidade, a mística ainda era vista como algo próximo do ser humano. Tanto que temos inclusive leigos com experiências místicas (Margery Kempe, autora da primeira autobiografia em inglês, é um bom exemplo). Com a modernidade, cada vez mais a mística foi vista como uma exceção distante da experiência comum, acessível a uns poucos escolhidos por Deus e perigosa para todo o resto; preconceito que apenas no século XX começou a ser verdadeiramente superado (com obras como, por exemplo, “Perfeição Cristã e Contemplação” do Pe. Garrigou-Lagrange). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Teologia e mística são coisas bem diferentes, de fato, mas uma não exclui a outra (S. Boaventura é um exemplo de quem escreveu sobre ambas). Mesmo um escolástico cuja obra é principalmente especulativa, como S. Tomás de Aquino, era alguém com bastante vivência mística, de tal maneira que chegou a afirmar que, perto do que essa via lhe tinha revelado, sua obra teológica e filosófica, um dos maiores patrimônios intelectuais do Ocidente, era “como palha”. E mais, místicas posteriores a ele como S. Catarina de Siena, usavam a teologia S. Tomás em suas obras místicas, evidência do rico intercâmbio entre essas duas áreas tão distintas. A própria S. Teresa partia de uma base teológica muito influenciada por S. Tomás. O exagero da escolástica, que desaguou num academicismo árido, foi sem dúvida um equívoco da Idade Média tardia, mas não era de forma alguma o que se propunha como ideal pela Igreja. Muito pelo contrário: eram comuns as advertências quanto aos perigos da curiosidade acadêmica esvaziada de sentido espiritual; em termos mais modernos, a cultura e a erudição por si só não salvam e muito menos santificam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A obra de S. Teresa é intensamente pessoal, como bem aponta Frei Betto. Nela há uma preocupação em retratar a experiência pessoal e as particularidades de seu caso. A ausência dessa pessoalidade torna muito do que autores mais antigos escreviam um pouco frustrante para quem, nos dias de hoje, procura neles uma alma com quem se identificar (claro que também não é algo totalmente ausente da mentalidade antiga e medieval; é só pensar num Agostinho, num Abelardo ou ainda em autores seculares como Geraldo de Gales, que imbuem suas narrativas históricas e observações sociais com diversas observações pessoais). Mas isso não a torna moderna e antropocêntrica, em oposição a uma Idade Média teocêntrica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A preocupação máxima, o valor maior de S. Teresa, é Deus; a grande marca para ela de que o indivíduo se aproxima da perfeição é parar de pensar em si mesmo - parar de querer que os outros falem bem dele - o que é óbvio - mas também deixar de querer que os outros &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;não&lt;/i&gt; falem bem dele; enfim, esquecer-se de si mesmo e focar-se em Deus que é de onde vem todo o bem. A mística de S. Teresa, nesse sentido, finca o pé no terreno propriamente cristão, voltado para o Criador mas sem perder a identidade da criatura. O grande perigo da mística (na visão cristã) é que ela pode se dirigir, se não embasada numa formação teológica e doutrinal (novamente, o intercâmbio entre especulação e vivência), à dissolução da pessoa no Todo, o que acaba na constatação de que a existência (e portanto a multiplicidade e a individualidade) é má ou ilusória, que o Criador pessoal é mau e que portanto a verdadeira salvação é unir-se ao Deus escondido e impessoal anterior à divisão ser e não-ser; o homem é como uma gota que se mistura ao oceano e portanto deixa de ser gota. Místicos importantes como Mestre Eckhart foram condenados por causa disso (se a condenação foi justa ou se ele apenas usou a linguagem de forma mais livre para se referir ao inefável não é algo sobre o qual eu esteja minimamente capacitado para opinar). Para o Cristianismo, a pessoa (seja divina ou humana) tem um estatuto de realidade primária diferente das outras grandes tradições espirituais, nas quais ela é mais uma casca de uma realidade una e impessoal que a tudo engole. S. Teresa é, assim como a tradição em que ela se encaixa, teocêntrica; mas isso não quer dizer que ela negue ou anule o homem de sua perspectiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Frei Betto, enfim, parece subordinar a sabedoria de S. Teresa a lutas históricas (pelo feminismo, pelo “antropocentrismo”, contra uma igreja hierárquica e uma teologia abstrata) que ela supostamente ilustra. Depois dela, Deus deixaria de ser “um conceito” e viraria “uma experiência”. Só que tanto para os teólogos medievais quanto para a mística moderna ele não era (e não é) nem um nem outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/11/frei-betto-e-s-teresa.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-2199000859793293668</guid><pubDate>Thu, 18 Nov 2010 03:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-11-18T01:29:36.962-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Televisão</category><title>Televisão para Adultos</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Não sei se é o meu gosto que mudou, mas vejo cada vez menos motivos para ir ao cinema. A quase totalidade dos filmes (ou ao menos dos filmes que passam aqui no Brasil) são produções boçais para o público adolescente. Basta lembrar que o filão de maior sucesso são os filmes inspirados em histórias em quadrinhos (nada contra as HQs; algumas dão bons filmes; mas não matam o desejo por algo mais denso e profundo). Ao mesmo tempo, as séries de TV têm ficado cada vez melhores. Sem a limitação de tempo do filme, e sem os recursos bilionários para se perder em efeitos especiais, elas podem se dar ao luxo de construir bons roteiros e personagens interessantes, indo além da pose que passa por caracterização em nosso cinema pós-Tarantino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Mesmo nas séries, há as adolescentes e as adultas. Nas adolescentes nada é permanente: empregos e relacionamentos mudam com facilidade; aliás, o enredo consiste basicamente na troca de casais, briguinhas explosivas e saídas repentinas. Apesar de constantes e irrelevantes, as mudanças são sempre acompanhadas de muito drama, e a falta de valor objetivo é inversamente proporcional à quantidade de lágrimas e considerações pseudo-filosóficas para convencer o espectador de que tudo aquilo é profundo e “importa”, sempre da forma mais óbvia e escancarada possível. O melhor exemplo desse tipo de série é Grey’s Anatomy.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;The Good Wife, cuja segunda temporada acaba de começar, pode ser classificada na categoria oposta: a série adulta. Isso quer dizer que os eventos na tela de fato importam. Coisas reais estão em jogo: uma família, uma carreira, uma empresa, uma reputação. Por isso mesmo não há necessidade de se exagerar no melodrama; ela pode ser sutil. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O centro da série é a advogada Alicia Florrick, que teve que retornar à profissão quando&lt;span style=&quot;mso-spacerun:yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;o marido Peter, promotor público, é preso num escândalo envolvendo corrupção e prostituição. Até que ponto ele é corrupto nunca fica claro, mas quanto ao uso de uma prostituta não há dúvidas. Com o marido preso, Alicia e os filhos mudam-se para um apartamento e ela volta ao Direito que havia abandonado para se tornar dona de casa; mais especificamente, vai trabalhar na Sterne, Lockhart &amp;amp; Gardner, empresa de seu velho amigo e antigo flerte de faculdade, Will Gardner. O problema é que a própria empresa não tem ido muito bem das pernas, e só pode contratar mais um associado; Alicia terá que disputar a vaga com Carey Ago, um jovem promissor recém-saído de Harvard Law. Paralelamente, Peter e seu estrategistas conseguem aos poucos reverter a situação calamitosa e suas perspectivas começam a melhorar, de forma que ele não só talvez saia da prisão, como mesmo possa voltar à vida pública. A relação com Alicia, contudo, continua fragilizada; Peter a quer de volta, mas Alicia resiste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Esse é, em poucas linhas, o enredo da primeira temporada de The Good Wife. Vamos ao que torna a série um produto superior. Em primeiro lugar, fugir de todas as resoluções fáceis. Uma série inferior com um enredo desses teria uma saída fácil e convencional: Peter como o grande vilão, o machista dominador que manipula sua esposa, ao passo que Will seria o verdadeiro amor da vida dela. Nada disso por aqui. Primeiro porque o próprio Will é alguém com sérios defeitos: é alguém que encarnou em si a lógica do Direito, e para quem vitórias no tribunal e dinheiro para a firma estão acima de tudo (a proximidade com Alicia parece abrandar um pouco sua inescrupulosidae); ao mesmo tempo, é alguém distante e defensivo, que foge de seus verdadeiros sentimentos em casos puramente carnais. Que o objeto de interesse ilícito seja imperfeito é até comum; o mais inesperado é a caracterização de Peter e sua mudança ao longo da temporada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Seria muito fácil transformar Peter num crápula: corrupto, adúltero, dominador; e de quebra isso daria uma licença moral para Alicia jogar-se sem remorsos num caso com Will. Mas, surpreendentemente, Peter arrepende-se do que fez, defende-se com maestria das acusações legais e passa, na frente dos espectadores, por algo que, ao que tudo indica, é uma verdadeira e sincera conversão espiritual. Que um político queira aparentar piedade religiosa depois de envolvido num escândalo é comum o bastante, e inclusive é isso que leva seus assessores à igreja do pastor Isaiah. Mas que a conversão seja real e, para desespero dos mesmos assessores, leve Peter a conter os golpes baixos contra sua concorrência e a recusar possibilidades de adultério é surpreendente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Como bem disse um amigo meu, The Good Wife é sobre tentação. A tentação de se abrir mão de quaisquer princípios para se perseguir com mais eficácia os próprios objetivos. No final das contas, princípios não-negociáveis são uma vantagem ou um obstáculo à vida bem-sucedida? Alicia é uma boa mulher e uma boa esposa; alguém que tem valores não-negociáveis. Ao assumir as novas responsabilidades do mundo do trabalho (ao qual ela volta inicialmente sob necessidade, mas no qual continua por decisão livre), ela será pressionada a deixá-los de lado. Terá ela que podar sua natureza benevolente e disposição de ajudar para o bem de sua carreira e de sua empresa? E estará disposta a usar de quaisquer meios para chegar aos fins que almeja? É possível ser um bom ser humano e um bom advogado?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Há dois personagens que representam o uso inescrupuloso dos meios: Eli Gold, estrategista da campanha de Peter; e Kalinda, investigadora privada contratada pela Lockhart &amp;amp; Gardner. Eli emana uma aura de invencibilidade e superioridade; Kalinda é obviamente alguém mais vulnerável. Reservada, ambígua (a começar por sua sexualidade, que é uma das ferramentas a seu dispor), implacável quando quer algo e, ao mesmo tempo, dotada de um lado benevolente. Fica patente que ela quer ajudar Alicia, e faz muito mais por ela do que o mínimo profissional exigiria; ela é a mentora de Alicia no lado negro do mundo do Direito. O que a leva a ajudar Alicia? Talvez veja na nova advogada o ideal de mulher que ela nunca conseguiu atingir. Alicia é alguém que, acima de tudo, se preserva; Kalinda se entrega e se vende, e carrega na alma as cicatrizes de suas decisões. Já Eli Gold, ao que tudo indica, não faz favores a ninguém; com ele tudo é uma troca, um negócio; e sua grande virtude é deixar isso claro, sem rodeios ou máscaras. Até que ponto isso tem afetado sua vida pessoal é algo deixado para a segunda temporada. Uma terceira personagem, que pode ser ou não uma manipuladora de primeira ordem, é a mãe de Peter, Grace; sempre por trás dos panos, ela mexe as cordas para ver o sucesso de seu filho e da família dele como um todo - uma boa vovó (que cuida e gosta verdadeiramente de seu filho, nora e netos) que pode ocultar uma leoa sanguinária por trás da doçura. Se sua influência é moralmente positiva (e portanto de acordo com seu nome, Grace, ou seja, a Providência que imperceptivelmente conduz todas as coisas ao seu legítimo fim) ou negativa (algo mais próximo das conspirações apenas superficialmente boas do diabo), é algo que ainda não se pode dizer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Outro dado distintivo da série é que ela se passa no mundo real: na Chicago dos dias de hoje. Não faltam alusões e referências às figuras reais da política (Obama, Hillary, Sarah Palin) e nem à divisão cultural dos EUA. Liberais e conservadores aparecem e, novamente, nem sombra do maniqueísmo que facilmente se insinua até nas séries supostamente neutras. E ao mesmo tempo, a série deixa ver que a posição política do indivíduo é, por vezes, seu traço mais superficial. Diane Lockhart, uma das donas da firma, é liberal até a medula; e mesmo assim, mesmo contra todas as suas convicções políticas, envolve-se mais do que seria prudente (tanto profissional como pessoalmente) com os tipos mais reacionários que o Tio Sam tem a oferecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O mundo adolescente é o mundo das ações sem consequência. Troca-se de namorada, troca-se de emprego, troca-se de sonho de vida, troca-se de amigos, sem maiores conseqüências. Em The Good Wife estamos em território francamente adulto. Tudo tem conseqüências. Alicia tem um casamento e filhos, e agora uma nova paixão que é sua carreira; Peter tem sua reputação e futuro político na linha. A firma Sterne, Lockhart &amp;amp; Gardner é a grande obra de Will e Diane. Todos têm o que perder. Seguir um impulso, um desejo momentâneo (que por algum motivo a nossa sociedade confunde com o amor profundo), é uma burrice. E, ao mesmo tempo, os dilemas são reais; pois para que servem os laços duradouros se eles não dão ao homem aquela satisfação mais profunda que um arroubo momentâneo promete por alguns instantes? Pegue quaisquer dois personagens da firma, e você encontrará uma combinação de competição e cooperação. É impossível descrever os relacionamentos em sua complexidade. A graça mesma de assistir está em vê-los se desenrolar aos poucos; um olhar, um desencontro, um silêncio; há histórias progredindo nas entrelinhas, há o passado de cada personagem que descobrimos pouco a pouco e as inseguranças quanto a um futuro ainda indefinido. Tudo muito real e relativamente sutil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A primeira temporada termina num clímax. Todos os conflitos se intensificam, e mesmo os que se resolveram dão uma virada nova (a disputa pela vaga entre Alicia e Cary foi resolvida mas deu lugar a algo ainda mais sério). Se a segunda e as subseqüentes mantiverem o mesmo nível, teremos bons motivos para ir menos ao cinema. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/11/televisao-para-adultos.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1526645973427801661</guid><pubDate>Wed, 20 Oct 2010 00:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-19T22:55:59.321-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>Um conto de duas farmácias</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Motivos médicos têm me mantido um tempo nos EUA. Nessa temporada, tive a oportunidade dúbia de freqüentar muitas farmácias, e posso dizer que a experiência americana nesse quesito é muito diferente da brasileira. Querem saber em qual dos dois países as farmácias são melhores? Aposto que não, né? Mas mesmo assim acompanhem comigo esta disputa que, embora menos emocionante que a Copa, guarda uma lição.&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Comecei a pensar no assunto farmácia ainda em São Paulo, quando tive que comprar lentes de contato e não as encontrei. Na segunda tentativa frustrada, perguntei à atendente da farmácia se alguma outra próxima teria (tenho memória recente de comprá-las). A resposta? Farmácias estão proibidas de vender lente e óculos. Interessante. Lá fui eu para uma ótica. Imagino que ter uma visão boa seja algo perigosíssimo ao indivíduo e à sociedade, e por isso as autoridades tenham decidido dificultar nosso acesso a ela. Agora, cada idoso pobre com vista cansada tem que marcar consulta com oftalmologista e apresentar receita médica para comprar óculos. Os consumidores já podiam, antes, consultar um médico e pegar a receita. Quem achava que isso tomava muito tempo e dinheiro e que o benefício dos óculos um pouco mais precisos não valia a pena podia comprá-los direto. Não mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A lente de contato é um pequeno passo na crescente restrição ao que as farmácias podem vender. Lembro de uma matéria do Jornal Nacional uns anos atrás sobre outros produtos cuja venda seria proibida (já não lembro quais) em que perguntavam a um comprador numa farmácia se ele aprovava a nova lei. Sim, claro, aprovava. Ironicamente, na cesta desse consumidor consciente estavam vários produtos que a lei proibiria. Para vocês verem como pesquisas de opinião e voto nas urnas refletem fielmente as preferências reais da população... O resultado é que hoje em dia nossas farmácias só vendem remédios, cosméticos e algumas coisas de banheiro. Em breve alguém vai perceber que shampoo é bem diferente de remédio, vai achar “irracional” juntar os dois produtos numa mesma loja e vai querer que a lei separe o que o bem-estar dos consumidores uniu. Devem existir motivos muito bons para proibir as farmácias de vender produtos em geral, fazendo com que os cidadãos percam tempo à toa indo a várias lojas diferentes. Será? Vejam &lt;a href=&quot;http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2009/201009.htm&quot;&gt;a justificativa dada pelo presidente da ANVISA, Dirceu Raposo de Mello&lt;/a&gt; (ADVERTÊNCIA: o pensamento de quem trabalha com o Ministério da Saúde pode ser prejudicial a sua saúde mental): “A farmácia é um estabelecimento diferenciado, não se pode banalizar esse ambiente com produtos que não têm relação com seu objetivo”. Precisa criticar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Pensemos em algo mais agradável do que a ANVISA, o que não é difícil. Vamos aos EUA! Lá, as farmácias vendem de tudo: remédios, eletrônicos, utensílios domésticos, brinquedos, livros, comida e mais, muito mais. Procuro um pouco e ali estão: óculos de até 3,5 graus por 15 dólares livremente expostos (é, a saúde americana ainda não chegou no nível invejável da brasileira, embora avanços importantes estejam sendo feitos nesse campo). Enquanto espero meu remédio ficar pronto (mais sobre isso abaixo) compro guloseimas. Não tenho a menor dúvida: farmácia banalizada é muito melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;b&gt;O outro lado da pílula&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Talvez você esteja pensando algo nessas linhas: “canalha liberal vendido ao capitalismo ianque!” Se for o caso, acalme-se. Na competição pela melhor farmácia ainda sobra um quesito no qual poderemos resgatar a honra brasileira. Notem que até agora eu falei de tudo, menos de remédio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A farmácia americana goza de muita liberdade &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;exceto&lt;/i&gt; quando o assunto é remédio; aí ela é o sonho de qualquer burocrata. Registrem bem: para comprar qualquer remédio de receita, é preciso dar a receita (que é nominal, numerada e tem um papel especial com várias marcas para não ser falsificada) ao farmacêutico, apresentar documento de identidade e dar endereço e telefone; daí o farmacêutico registra tudo no computador, faz algumas ligações e depois coloca a quantidade exata de remédio que a receita prescreve num potinho. Da primeira vez, o atendente me disse que estaria pronto em vinte minutos. Fiquei pasmo; vinte minutos? No Brasil a venda é instantânea (fora para remédios tarja preta - nos EUA é assim para quase todos): o atendente olha o seu papel e te dá a caixa. Uma lei nova que proíbe que o próprio consumidor pegue o remédio atrapalha um pouco as coisas, mas o serviço ainda é rápido. Bom, como dito, usei o tempo de espera para comprar sorvete, Coca-Cola e outros remédios da alma. O que eu nem suspeitava era que aquele fosse um dia de sorte; o normal é que o remédio demore uma hora para “ficar pronto”. Perguntei a um farmacêutico que conheci por aqui e ele me contou que a demora deve-se à checagem da receita e à negociação com as seguradoras. Falha de mercado? Mais para falha de governo: o mercado de seguros americano é dos mais regulamentados do mundo, e as seguradoras são obrigadas a dar muito remédio de graça sem aumentar o preço da mensalidade; naturalmente, lutam com unhas e dentes para não dar um centavo além do exigido por lei. O resultado é que os pedidos vão se acumulando e forma-se uma fila imensa. Esse farmacêutico lamenta que ele não tem mais tempo de ajudar nenhum cliente, conversando e tirando dúvidas sobre sintomas. Todo ele é consumido por tarefas burocráticas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Se o sistema brasileiro já é desnecessariamente complicado, o americano é uma piada de mau gosto. Contei a um atendente aqui nos EUA como funciona a venda de remédios no Brasil. “É, aqui era assim também. Mas tinha muita receita falsa.” Não tive a presença de espírito de retrucar um “E daí?”. No Brasil também tem muita receita falsa. E daí? Se receita não fosse obrigatória, o número de receitas falsas cairia muito, pode apostar. E elas cumpririam sua função legítima: informar ao paciente e ao atendente da farmácia qual o remédio e a dosagem prescritas pelo médico; não servir de controle legal de quem pode ou não ingerir uma substância. Mas, você me dirá, e os perigos de se tomar um remédio errado e morrer? Será que vale a pena encarecer (em tempo e dinheiro) toda a nossa relação com a saúde porque algumas pessoas são temerárias o bastante para tomar remédios perigosos sem ter a menor idéia se ele é ou não indicado a seu caso? Ironicamente, muita gente que defende a saúde regulamentada admite que descumpre a lei corriqueiramente, por exemplo pedindo indicação de remédio ao farmacêutico (ou mesmo à mãe), o que é ilegal (&lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/755797-farmaceutico-quer-receitar-analgesico-e-remedio-antigripal.shtml&quot;&gt;talvez isso mude parcialmente&lt;/a&gt;; notem o medo dos médicos de perderem sua reserva de mercado).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Perto do FDA, órgão do governo americano que decide que substâncias podem ser vendidas e quais devem ser controladas, a ANVISA é benigna e liberal. O FDA já quer, por exemplo, limitar legalmente &lt;a href=&quot;http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/04/19/AR2010041905049.html&quot;&gt;a quantidade de sal&lt;/a&gt; em todos os alimentos. Muitas grandes empresas já se adequaram voluntariamente. Para elas é uma boa: via de regra, qualquer nova regulamentação será mais facilmente colocada em prática por uma grande empresa (para a qual o gasto extra é relativamente pequeno) do que por uma pequena, para quem o novo gasto pode comprometer a existência do negócio. Depois não venham reclamar de monopólios e cartéis...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Estou me estendendo; hora de anunciar o vencedor. Quem ganha na comparação de farmácias; Brasil ou Estados Unidos? &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;And the winner is&lt;/i&gt;... o mercado. EUA e Brasil têm prós e contras diferentes; mas nas farmácias de ambos os prós devem-se à liberdade das pessoas de transacionar voluntariamente para melhorar suas vidas e os contras às ações dos governos que decidem melhorar a situação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/10/um-conto-de-duas-farmacias.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-7204969803196868895</guid><pubDate>Sat, 02 Oct 2010 04:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-06T00:26:39.527-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><title>Astrologia</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O argumento mais forte pare se dar crédito à astrologia, na minha opinião, é sua universalidade histórica e cultural. Todas as culturas (ou quase todas), em todas as épocas, viram alguma relação entre a os astros e a vida humana. O que tornaria esse argumento ainda mais forte é mostrar que as diferentes tradições, as diferente astrologias (babilônica, chinesa, ptolomaica, asteca), concordam entre si, ou ao menos se complementam. Fora esse fato, que levou, aqui no Ocidente, ao desenvolvimento de todo um sofisticado sistema de análise, sobra a evidência pessoal de quem já teve consultas reveladoras com astrólogos (seja para descrição do caráter, seja para previsão de tendências futuras na vida da pessoa). Mas esse tipo de evidência funciona só para quem teve a experiência. Para quem ouve o relato, ficam muitas incertezas (o quanto foi revelação real e o quanto sugestão?); quanto mais longe se é da pessoa, menor é a força da experiência pessoal dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Experiências pessoais existem para absolutamente todos os tipos de crença: astrologia, leitura de mãos (um homem que conheço foi a um astrólogo, e muito tempo depois a uma leitora de mãos, e recebeu a mesma descrição de seu caráter, em termos nada banais, de ambos), espiritismo, pentecostalismo, candomblé, catolicismo, simpatias mil, etc. No fim das contas, nenhum deles pode ter poder decisivo para um ouvinte. Em primeiro porque nunca se tem certeza que, de fato, algo extraordinário aconteceu. Em segundo porque, mesmo que se aceite o evento extraordinário, não se sabe se a interpretação dada por quem a vivenciou é correta (isso vale tanto para o ouvinte quanto para o sujeito). Será que a força benevolente que o fez se sentir em casa no terreiro de umbanda não era um demônio querendo arrastar sua alma para o inferno?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Claro que a astrologia tenta se dissociar de experiências “espirituais” desse tipo e se apresentar como uma ciência, na qual a experiência em questão não é um sentimento ou contato sobrenatural mas a constatação de que o astrólogo, lendo o mapa astral, sabe coisas sobre o cliente que não teria como saber, ou que fez previsões acertadas. Mesmo assim, a experiência humana comum é falível o bastante para nos deixar céticos. Peguem o exemplo da sangria: essa prática medicinal foi usada por milênios e em várias culturas. E vejam só: não só ela não curava doença nenhuma, como danificava a saúde do paciente, aumentando o risco de morte e dificultando a recuperação. E mesmo assim os melhores médicos, geração após geração, não percebiam. Pô, Aristóteles achava que os corpos caíam com velocidade diretamente proporcional ao peso, e muitos seguiram a linha dele; tem coisa mais obviamente falsa que essa crença? Para quem já sabe é óbvio; mas para a experiência casual humana pode parecer plausível. Isso é o bastante para, no mínimo, criar um bom ceticismo com relação a teorias cujo mecanismo proposto não podemos observar diretamente. Precisamos de uma experiência mais rigorosa do que a corriqueira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O que a astrologia afirma é uma correlação constante entre a disposição dos astros no momento do nascimento e o caráter da pessoa. Isso é uma baita afirmação. Vejam: todo mundo aceita que os astros tenham influência sobre a vida na Terra. O sol bate, as plantas crescem, os homens sentem calor; uma estrela brilha, o amante sente-se inspirado a escrever um poema. Os fótons enviados pelos astros celestes a Terra podem ter efeito - direto ou indireto - inclusive sobre o bebê que acaba de nascer (e também sobre homens em todas as fases da vida); nada disso é muito polêmico. O polêmico é afirmar que esse efeito é previsível, ou seja, que a correlação entre os dois eventos (caráter da pessoa e disposição dos astros) é constante. É como afirmar que um pequeno objeto jogado de uma certa altura, ao bater no chão, irá sempre para o mesmo lado, o que sabemos não ser o caso; o número de micro-variáveis é tanto que algo genérico e maior como a temperatura do dia não influencia o processo de nenhuma forma &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;i&gt;previsível&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A posição dos astrólogos de que não se trata necessariamente de uma causalidade astro-pessoa, mas apenas de uma correlação cuja causalidade é desconhecida, é perfeitamente defensável. Mas a própria correlação precisa de mais evidências. Um bom exemplo seria procurar correlação entre os signos e comportamentos observáveis. Certo signo tende a ser mais audacioso? Então que tal medir sua correlação com acidentes de carro, ou com abertura de novas empresas? Outro tende a ser mais preocupado? Que tal medir sua correlação com problemas cardíacos? São só exemplos. O caráter (quero dizer, todas as características de sua personalidade) do indivíduo tem relação com seu comportamento. Sendo assim, dado que os astros têm relação com o caráter, então eles têm relação com o comportamento, que é algo mensurável. Nunca vi estudo que mostrasse relação clara de signo com comportamento algum. Também admito que nunca procurei muito, embora eu imagine que, se a evidência fosse forte, ela seria mais comentada publicamente. Por isso, não acredito em astrologia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Isso tudo diz respeito à astrologia enquanto disciplina científica; mas não quer dizer que é imoral praticá-la. E de fato, se ela se restringir a esse plano puramente científico, não há porque condená-la moralmente (a não ser do modo trivial: é errado se dedicar ao estudo do falso - mas é óbvio que quem estuda não acha que é falso...). O problema moral só pode existir se a astrologia se coloca como algo além de uma mera ciência; como algo mais diretamente ligado ao plano sobrenatural. A simbologia astrológica se presta a esse tipo de leitura, assim como a ligação do astrólogo a disciplinas esotéricas, e a constante ligação histórica dela a cultos religiosos também. Aí ela se torna outra coisa: uma tentativa de violar a ordem espiritual, buscando a comunicação com espíritos para aprender verdades sobre a vida na Terra; a tentativa do homem de submeter o mundo espiritual ao seu poder, e que lança o homem num abismo de ilusões no qual ele está cada vez mais sob o poder de algo que não é nada bom. E isso sim, é digno da condenação moral dada por muitas religiões, inclusive o Cristianismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/10/astrologia.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6257064744661038290</guid><pubDate>Sun, 05 Sep 2010 13:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-09-05T10:30:10.321-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Desmontando Eutífron</title><description>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Georgia, &#39;Bitstream Charter&#39;, serif; color: rgb(51, 51, 51); line-height: 24px; &quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Muita gente conhece o chamado “dilema de Eutífron”, que nos força a escolher entre uma de duas opções: ou a lei moral é criação de Deus e pode ser mudada por qualquer capricho seu; ou então Deus não pode mudá-la, e nesse caso ela é superior a Deus.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Nenhuma das duas possibilidades é muito satisfatória. A segunda nos obriga a aceitar um Deus que não é onipotente, que conhece algo superior a si. E a primeira nos obriga a dizer que a moral é o produto arbitrário de uma vontade toda-poderosa. Se amanhã Deus decidir que beber água é imoral e estuprar é meritório, então assim será.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Um dos grandes méritos da tese da lei natural é dar uma solução plenamente satisfatória ao dilema. Segundo ela, a moralidade — o certo e o errado — decorre da natureza do ser humano (não vou aqui entrar no mérito de como isso se dá — meu ponto não é defender a lei natural, só mostrar como ela desmonta o dilema). Sendo assim, da natureza humana como ela é, conclui-se que estuprar é destrutivo ao bem humano e beber água contribui com ele. Portanto o primeiro é mau e o segundo bom.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Deus pode mudar isso com um ato de vontade? Não. Enquanto o homem continuar como ele é, a moral continua a mesma. Mas quem criou o homem? Deus. E Deus pode certamente mudar a natureza humana, ou até extinguir a espécie, caso no qual a moral também acabaria.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Mudar a ética sem mudar o homem carrega consigo uma contradição, algo que Deus não pode fazer (não por alguma limitação de seu poder, mas porque a contradição, embora aparentemente, verbalmente, pareça ser algo, na verdade não é nada. “Solteiro casado” parece se referir a alguma coisa, mas na verdade é uma expressão sem significado).&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 24px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; &quot;&gt;Assim, Deus criou a ética &lt;em style=&quot;background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: transparent; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; vertical-align: baseline; font-style: italic; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; &quot;&gt;ao criar&lt;/em&gt; a espécie humana. A lei natural foi instituída no Jardim do Éden, e não no Monte Sinai, onde ela foi apenas revelada (como ajuda para o intelecto fraco do homem caído).&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/09/desmontando-eutifron.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4602232041867172142</guid><pubDate>Fri, 27 Aug 2010 23:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-27T20:14:40.534-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><title>O Fogo Divino, os Santos e os Pecadores</title><description>&lt;blockquote&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&quot;Partiram de Sucot e acamparam em Etam, na periferia do deserto. O Senhor os precedia, de dia, numa coluna de nuvens, para lhes mostrar o caminho; de noite, numa coluna de fogo para iluminar, a fim de que pudessem andar de dia e de noite.” Êxodo 13, 20-21 &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&quot;A coluna de nuvens que estava na frente postou-se atrás, metendo-se entre as tropas dos egípcios e as de Israel. Para uns a nuvem era tenebrosa, para outros iluminava a noite, de modo que durante a noite inteira uns não podiam ver os outros.” Êxodo 14, 19-20&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Já defendi em &lt;a href=&quot;http://tavista.blogspot.com/2009/08/o-inferno-e-uma-raspadinha-de-limao.html&quot;&gt;outro lugar&lt;/a&gt; - e é uma tese em nada estranha à autêntica tradição cristã - que a punição do inferno está intrinsecamente ligada ao estado da alma ao qual ele corresponde: amar uma criatura mais do que ao Criador. Preferir um bem finito e relativo ao Bem absoluto, que é a única fonte possível da felicidade humana, é condenar-se à miséria eterna. A dor sensível é decorrência do mau moral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Hoje quero explorar um ponto ligado a essa idéia: a dor dos condenados e o deleite dos santos provêm do mesmo objeto. Toda a diferença entre a alma em estado de beatitude e a alma condenada reside na disposição delas perante Deus. Quero ilustrar isso com a imagem do fogo, muito cara à tradição católica, que é composta basicamente da Bíblia, dos ensinamentos magisteriais e dos escritos de santos e místicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A primeira imagem que nos vêm à cabeça quando falamos de fogo num contexto cristão é o Inferno. A dor dos condenados sendo consumidos por seus próprios crimes, remorsos e desejos maus é comumente representada pelo fogo, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. O próprio Cristo, por exemplo, explica a parábola do joio e do trigo: “O joio são os filhos do maligno. [...] Como se junta o joio para ser queimado ao fogo, assim acontecerá no fim do mundo. O Filho do homem enviará os anjos e eles recolherão do Reino todos os escândalos e todos os promotores da iniquidade, e os jogarão na fornalha de fogo, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13, 38.40-42). O remorso e o desespero de se saberem claramente maus consome a alma dos condenados; os desejos desordenados de sua vida agora queimam com intensidade máxima; com a morte, a alma dirige-se, determinada e sem titubeios, àquilo que amava em vida. O fogo é uma imagem particularmente forte: é aquilo que a tudo consome e destrói, implacável e doloroso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Mas essa imagem aparece também em outro contexto: para falar de Deus. A mesma passagem acima continua: “É então que os justos brilharão como o sol no reino do Pai.” João Batista batizava com água, mas anunciava alguém que viria batizar “no Espírito Santo e no fogo”. O Espírito Santo, quando desce aos apóstolos (pouco depois da ascensão de Jesus ao céu), aparece como “línguas de fogo”; e não podemos nos esquecer da sarça em chamas que fala a Moisés e várias outras imagens do Antigo Testamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Cristo diz que veio “pôr fogo à terra”. Pensamos em primeiro lugar na justiça terrível a ser feita contra os maus e impenitentes. Mas esse mesmo fogo efetua a salvação dos justos. Explica S. Paulo: “Se sobre este fundamento [Jesus Cristo] alguém edifica ouro, prata, pedras preciosas ou madeira, feno, palha, a sua obra ficará manifesta, pois em seu dia o fogo o revelará, e provará qual foi a obra de cada um. Se a obra constituída sobre o fundamento resistir, o autor receberá o prêmio, e aquele cuja obra for consumida sofrerá o dano; ele, todavia, se salvará, mas como quem passa pelo fogo.” (1Coríntios 3, 12-15). Aqui a oposição não é entre os justos e os condenados, mas entre os justos que se santificam ainda em vida e aqueles que, embora estejam no caminho bom, embora ergam suas obras no fundamento de Jesus Cristo, ainda deixam muito a desejar. É o fogo o teste que revela a obra de ambos. E aqueles cuja obra não resistir ainda terão que passar “pelo fogo” mais uma vez, isto é, pela purificação além-morte, pelo mesmo fogo dos condenados, mas numa duração finita. Em suma, o estado que se convencionou chamar de Purgatório. O fogo consome, mas também purifica e endurece. A argila temperada no fogo (imagem minha), resiste àquilo que quebraria a argila mais frágil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O fogo também é usado para representar o amor, como no “fogo que arde sem se ver” de Camões. S. Tomás de Aquino usa a mesma imagem para o efeito do fogo: aquecer. Assim como o mesmo fogo age com maior força no que está perto do que no está distante, assim também a caridade ama com maior fervor aqueles que estão unidos a nós do que aqueles mais distantes; e sob esse aspecto o amor pelos amigos, considerado em si mesmo, é mais ardente e melhor do que amor pelos inimigos.” (ST, II-II, q. 27, a. 7). “Deus é amor”, diz S. João. E o que é o fogo do amor-caridade senão o próprio Deus enquanto vive e age na alma humana? Com efeito, o coração de Cristo é sempre representado, na arte sacra, como um coração em chamas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Nessa mesma linha, o misticismo ocidental usa a imagem do fogo para descrever a ação do Espírito Santo. João de Ruysbroeck (não sei se é o primeiro a usar a imagem a seguir; mas é o primeiro que me lembro diretamente), monge flamengo do século XIII, bota nestes termos: “Se um homem quiser penetrar mais fundo, com seu amor ativo, nesse amor de fruição: então todas as potências de sua alma devem ceder, e devem sofrer e pacientemente suportar a Verdade e o Bem penetrantes que são o próprio Deus. Assim como [...] o ferro é penetrado pelo fogo; de modo que ele faz, pelo fogo, as obras do fogo, pois ele queima e brilha como o fogo. [...] E no entanto cada um permanece com sua própria natureza. Pois o fogo não se transforma em ferro, e o ferro não se transforma em fogo, embora sua união seja não-mediada; pois o ferro está dentro do fogo e o fogo está dentro do ferro...”. Essa imagem é muito rica, e mais tarde rendeu um novo elemento: é pela ação do fogo que o ferro se torna moldável, ou seja, dócil à ação do Espírito na alma que produz a transformação espiritual e moral do indivíduo no próprio Deus (&lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;theosis&lt;/i&gt;). Como o metal que participa do fogo, a criatura participa do Criador, ainda que ambos preservem suas naturezas. O Céu, lembrou Bento XVI &lt;a href=&quot;http://www.catholicherald.co.uk/news/2010/08/17/heaven-is-a-place-within-god-says-pope/&quot;&gt;esses dias&lt;/a&gt;, é viver no amor de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;E o Inferno é rejeitar esse amor. Voltemos à Bíblia: na parábola do semeador que joga suas sementes pelo caminho, é o mesmo sol que faz as plantas nascerem e crescerem e que faz com que aquelas que crescem em solo pedregoso sequem e morram. Quero, com tudo isso, apenas apontar um fato: depois dessa vida, nos encontramos com Deus. E o estado da nossa alma consiste na nossa reação a esse encontro. Para uns é o fogo do amor unitivo, para outros o da purificação esperançosa e para ainda outros o fogo da destruição. Santos e condenados se encontram na presença de Deus. A distância que os separa é a distância espiritual entre amar o Bem ou detestá-lo. Para os egípcios a coluna de nuvens/fogo cegava e aterrorizava; para os judeus, guiava e protegia. É como escreveu C. S. Lewis: “No final há apenas dois tipos de pessoa: as que dizem para Deus ‘seja feita a Vossa vontade’, e aquelas a quem Deus diz, no fim: ‘seja feita a vossa vontade’”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/08/o-fogo-divino-os-santos-e-os-pecadores.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6372406136995419058</guid><pubDate>Thu, 19 Aug 2010 00:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-18T21:19:31.568-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><title>Anti-capitalismo, Escolha o Seu</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Muita gente é contra o livre mercado porque, sem a intervenção do governo, a economia não prospera. Máquinas substituem trabalhadores. O capital, ao invés de ser usado na produção, vai para a especulação. O desemprego aumenta, uma minoria de ricos enriquece enquanto uma massa crescente de desempregados vive da mão para a boca ou morre de fome. Com menos consumo, a produção cai. Todos ficam tímidos e com medo de investir devido ao risco, e então entesouram seu dinheiro em casa, tirando-o de circulação; o mercado como um todo vai à falência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Já outro argumento, vindo frequentemente das mesmas bocas, sustenta que o livre mercado é mau porque cria nas pessoas, por meio da propaganda, um milhão de falsas necessidades, fazendo da massa (exceção feita, claro, aos “conscientizados”...) zumbis do consumo, atrás de celulares, carros e tênis comprados em 20x “sem juros”. Escravos do consumo, perdem o gosto pela vida simples e pelos bens mais elevados do espírito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Meninas preocupadas com o peso têm que escolher entre o doce e a fruta, jovens angustiados têm que escolher entre exatas e humanas; agora chegou a vez dos intervencionistas escolherem qual dos dois ataques ao capitalismo deve permanecer; pois os dois ao mesmo tempo não dá! Ou o livre mercado destrói empregos e empobrece as massas impedindo-as de consumir o básico, ou ele as enriquece de tal maneira que as permite viver atrás do supérfluo. Teses contrárias não podem ser ambas verdadeiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Mas podem ser ambas falsas. Vejam só: a falácia do desemprego resultante do livre mercado é das mais velhas da ciência econômica. Não, a tecnologia não gera desemprego: pelo contrário, ao tirar trabalhadores de algum ramo que fica mais eficiente com máquinas, ela libera mão-de-obra para outros ramos, que antes recebiam menos trabalhadores ou até mesmo nenhum. Se uma máquina sozinha dá conta de produzir o alimento, podemos parar de trabalhar o dia inteiro na plantação e escrever livros, trabalhar em hospitais, etc. E não precisamos ter medo do entesouramento. Mesmo que uma parcela da população entesourasse seu dinheiro (isto é, escondesse embaixo do colchão ao invés de ganhar juros aplicando no banco - que o usaria para novos investimentos) o efeito dessa retirada do dinheiro da economia seria a queda dos preços; ou seja, quem não tomou a decisão genial de esconder seu dinheiro e não ganhar juros (e eu pensando que no capitalismo as pessoas eram gananciosas...) poderá comprar mais produtos a preços reduzidos. Ao longo do século XIX a tendência era de queda de preços (que é o natural quando a produtividade aumenta) e todas as economias cresceram muito; os perigos da deflação são um mito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Quanto ao consumo zumbi, tenha dó, né? Em tempos muito mais liberais, portanto muito mais capitalistas, o consumismo não era um problema tão grande assim. Muita gente tem inveja e não gosta de ver, por exemplo, pobre consumindo. Se pobre compra celular que tira foto, é porque foi manipulado pelo marketing, e não porque sua vida será efetivamente facilitada. Ver consumismo genérico nos outros é a coisa mais fácil do mundo. Difícil é apontar os casos específicos. Pois é óbvio que o consumidor sabe que não &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;precisa&lt;/i&gt; do tênis para sobreviver, assim como não &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;precisamos&lt;/i&gt; de pratos e talheres; ele &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;quer&lt;/i&gt; o tênis, pois o deixará mais confortável e vai pirar as minas na balada. A propaganda apenas apresenta a marca aos consumidores; tenta deixá-la gravada na cabeça deles para que se lembrem mais tarde e comprem o produto. A marca, por sua vez, tem o papel valioso de carregar informações. Se um tênis é Nike, já sei que será caro, mas também sei que posso esperar uma certa qualidade. Nenhuma das duas, propaganda ou marca, são infalíveis ou onipotentes; quantas campanhas publicitárias fracassadas já não ocorreram (ex: mudança de sabor da Coca-Cola), e quantas marcas antes poderosíssimas são hoje uma sombra (AOL, alguém?)...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Ouso dizer que, de fato, muitos gastam dinheiro com superfluidades. E a intenção por trás desses gastos é, via de regra, impressionar os demais; um desejo que, embora moralmente questionável, não foi engendrado nem pelo capitalismo nem pela propaganda. Não é de hoje que a vaidade (que, mais do que a preocupação com a beleza física, é o querer ser glorificado aos olhos dos demais) é um pecado capital. Tenho a forte impressão que muita gente com objeções ao capitalismo objeta, na verdade, ao pecado original; mas isso é outro assunto...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Quer ser anti-capitalista, vá lá, é direito seu, ninguém é perfeito. Se os argumentos serão bons ou não, veremos caso a caso. Mas antes de começar, preste a si mesmo a cortesia de verificar que os ataques são, ao menos, internamente consistentes. Melhor tomar o risco de fazer uma escolha de uma opinião que pode ser falsa do que sustentar opiniões que, conjuntamente, não têm como ser verdadeiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Postado originalmente no &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=755&quot;&gt;Instituto Mises Brasil&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/08/anti-capitalismo-escolha-o-seu.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-2450896885478646257</guid><pubDate>Thu, 05 Aug 2010 22:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-05T19:30:46.007-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>A Morte nas Esferas Pública e Privada</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Não sabemos lidar com a morte. Com menos gente morrendo “fora de hora” (o que é bom), pensamos menos nela. Ao mesmo tempo, a mídia e a Internet confundem as esferas pública e privada. Antes, saber que alguém distante morreu era só mais um fato abstrato; agora temos que ver a mãe chorando na TV e os vídeos-tributo que os amigos publicaram no Youtube. Sentimentos privados vêm a público, e todos se sentem obrigados a partilhar do sofrimento de quem era próximo. Pior: confundimos isso com respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;“Que homem bom: ele sente profundamente a morte de todos os seres humanos” - isso pode bem ser verdade, mas as poucas pessoas que de fato sentem assim só se encaixam em dois tipos de vida: se acreditam numa transcendência, vida dedicada à oração ou ritos propiciatórios para os que se foram. Se atéias, vida melancólica contemplando a tragédia da humanidade destinada aos vermes. Claro, a imensa maioria não está nem aí para a morte de desconhecidos, caso contrário viveríamos em luto constante, pois tem sempre alguém morrendo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Ficamos tristes quando morre alguém próximo. Quanto mais conhecemos sua vida, mas tocados ficaremos em saber de seu fim. Mas se desconheço o morto e não tenho relação com seus entes próximos, por que manter a pose e condenar como “desrespeitoso” quem não entre no jogo? Quem nunca riu com o Darwin Awards que atire a primeira pedra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A morte de Lincoln não me toca. Não me sinto constrangido a me fazer de triste ou pisar em ovos para falar dele. O mesmo vale para quem morre no presente e é distante de mim. Isso não é falta de respeito nem com quem faleceu e nem com seus próximos, dos quais eu não sou próximo. Se conhecesse algum amigo seu, é claro que, nessa esfera privada, comportar-me-ia respeitosamente de acordo com o sofrimento alheio. Mas na esfera pública nada disso está em jogo, ou pelo menos não &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;deveria&lt;/i&gt; estar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Quando morre um intelectual, por pior que tenha sido, lá vêm os editoriais redimi-lo. Elegias não tardam a vir das fontes mais improváveis. Isso é especialmente verdade, na minha experiência, em círculos cristãos, que confundem a caridade devida aos mortos com falar uma coisa boa de quem morreu, mesmo que tenha sido crápula. Que me importa se Saramago morreu? Vou agora salvar sua alma? Tarde demais. Posso ajudá-lo de verdade rezando por ele, o que será virtuoso se feito privadamente. Espero que tenha ido para o céu e mantenho inalteradas minhas opiniões sobre sua obra e vida pública. No círculo dos entes queridos, ali sim é o lugar de lembrar o bem que ele fez; na esfera pública, nada de obituários chorosos de quem sempre o lamentou em vida. Quando morrer Fidel, virão elegias cristãs e conservadoras sobre “boas intenções infelizmente equivocadas” ou sobre a “realização &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;imperfeita&lt;/i&gt; de um ideal”? Bota imperfeito nisso!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A morte é o maior drama da existência. Mas nem todas as mortes nos tocam. Uma coisa é a esfera íntima, e o respeito aos sentimentos de quem era próximo; outra coisa é a esfera pública, que não precisa e nem se beneficia de manifestações de tristeza e amor tardio. Alardear publicamente o comportamento apropriado à esfera privada não é virtude, é vaidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/08/morte-nas-esferas-publica-e-privada.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4946462634707839996</guid><pubDate>Sun, 01 Aug 2010 03:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-08-01T00:22:11.877-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Nem Tudo é Racismo</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Uma coisa que obviamente não é racismo: afirmar que existem diferentes raças humanas. Circulou por aí - não sei se ainda circula; ouvia muito no colégio - que “de acordo com a ciência” não existem diferentes raças no &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;homo sapiens&lt;/i&gt;, e que afirmar o contrário já é ser racista. Quem primeiro inventou essa não duvido que fosse bem intencionado, mas errou feio mesmo assim. Pois é óbvio que existem diferenças entre os homens, que são passadas aos descendentes, e que permitem que classifiquemo-los em diferentes sub-grupos. Qualquer classificação em níveis inferiores à espécie, ou seja, entre indivíduos que podem se reproduzir entre si, terá um quê de arbitrária. Mas não é por acaso que pais brancos têm filhos brancos, e pais negros, filhos negros. Falar em raças e, dentro de raças, etnias, é plenamente racional e nada racista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Outra coisa que não é racista é apontar que, dado existirem diferenças externas entre as raças, podem existir diferenças internas, fisiológicas e neurológicas - há, inclusive, &lt;a href=&quot;http://www.forbes.com/2005/05/10/cx_mh_0509racemedicine.html&quot;&gt;remédios com efeitos diferentes&lt;/a&gt; em brancos e negros. E portanto também não é racista supor diferenças de habilidades entre as raças, ou seja, afirmar que uma raça é, em média, mais apta para a matemática, outra é mais criativa, outra é mais inteligente (ou é melhor em um tipo de inteligência), outra melhor em certos esportes etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Notar diferenças de comportamento entre populações de diferentes raças não é racismo. Logo, reagir de acordo também não o é. Assim, se 90% dos crimes fossem cometidos por loiros, e estes representassem 2% da população total, faria sentido que um comerciante, se quisesse, proibisse a entrada de loiros em seu estabelecimento. Na mesma nota da discriminação, achar pessoas de uma raça em geral mais bonitas, ou até se dar melhor com gente dessa ou daquela raça ou etnia, também não implica racismo. Os gostos e os jeitos são diferentes; nada de mau aí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Tudo o que está listado acima &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;pode&lt;/i&gt; ser efeito do racismo, mas não necessariamente o é. E o que é racismo? A melhor definição, na minha opinião, é ódio racial. Considerar ou tratar membros de outras raças como seres inferiores, sub-humanos; deixar que a opinião que se tem sobre a raça prevaleça sobre o conhecimento do indivíduo: “Se ele é da raça X, então tem que se comportar da forma Y”, o que efetivamente nega que o indivíduo em questão tenha livre arbítrio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O fato de negros serem mais pobres que brancos não prova, de si mesmo, a existência de racismo. Um milhão de variáveis além de “os brancos odeiam os negros” podem explicar essa diferença: desigualdade educacional, culturas mais ou menos propícias à geração de riqueza etc. Mas a moda é ver racismo em tudo. Se não encontramos racismo aberto, então ele é mascarado e hipócrita, “e por isso mesmo muito mais perigoso”. Na verdade o mesmo vale para todos os preconceitos: machismo, discriminação religiosa, homofobia etc. É confortável colocar-se na posição de vítima sofredora ou de acusador indignado. Nossa sociedade estimula essas práticas, conferindo-lhes a aura falsa de superioridade moral. Então cada um tenta mostrar que sofre mais que os outros, encaixando-se em alguma definição de vítima para conseguir a sua migalha de condescendência. São vítimas apenas de si mesmos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/08/nem-tudo-e-racismo.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-3487166493885109295</guid><pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-15T12:35:57.047-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Política</category><title>Eleições Presidenciais ou &quot;Dá pra tomar uma Kaiser antes?&quot;</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Já disse por aqui que gosto das eleições. Há um sentimento de esperança no ar. Claro que é ilusório; nada vai mudar. Nossa única escolha é a velocidade da corrida ao precipício. O sistema democrático impede qualquer mudança real, pois quem não agrada à maioria não ganha. Todos os candidatos são pela saúde, pela educação, pelo esporte, pelo emprego, pela cultura, pelos pescadores artesanais etc (leia-se: querem gastar mais nessas coisas). Onde estão os bons e velhos defensores da miséria, da fome, do desemprego e da poluição? Teriam meu voto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O movimento pela diminuição dos impostos não importa absolutamente nada. Corte de impostos é uma bandeira popular, mas sem sua contra-partida necessária, o corte de gastos, que é muito impopular, é inofensivo: o dinheiro continuará a sair do nosso bolso. E corte de gastos não significa “aumentar a eficiência” (o que todos os candidatos obviamente prometem); significa, isso sim, demitir funcionários públicos em larga escala, acabar com a remuneração de cargos como vereador e deputado estadual e aceitar que não é papel do governo financiar a tudo e todos. Não há sequer um candidato com coragem para propor a eliminação de irrelevâncias como o ministério da cultura e do esporte. “O quê?? Tirar do esporte? E a Copa? E as Olímpiadas? E as nossas chances de ouro?” - Pois é, né? Será que quem diz isso já parou para pensar que, quem sabe, talvez, possivelmente, hipoteticamente, não seja obrigação do resto do povo pagar pelo ginásio e pelo treino dos atletas? Se nem aí vamos cortar, não percamos o sono com redução de impostos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Na corrida presidencial atual, vejo-me particularmente sem opção. O meu voto natural seria para a direita reacionária ultra-liberal que é o PSDB. Mas toda vez que o Serra abre a boca para vomitar seu discurso desenvolvimentista aumenta meu desgosto. Do outro lado, no PT, aquela cujo nome não se deve mencionar afirma que “controle da inflação também é distribuição de renda”. Os lados mudaram, a moeda permanece. Um paradoxo desses só espanta a quem acredita que os candidatos estão aí para defender idéias, e não para saciar sua sede de poder cada vez mais descarada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Enquanto isso, eis que surge Marina, uma candidata diferente, que quer um Brasil melhor e não está no mero jogo político dos demais. Sim, isso tudo envolto pela mesma vacuidade obrigatória do discurso padrão (que, na minha opinião, já deveria desqualificar o candidato). &lt;a href=&quot;http://www.minhamarina.org.br/blog/diretrizes/&quot;&gt;Os afeitos ao tédio podem ler as diretrizes do governo dela&lt;/a&gt;. Para quem tem mais o que fazer, uma citação aleatória:&lt;span style=&quot;mso-spacerun:yes&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;f. Consolidação dos direitos coletivos e valorização da diversidade sociocultural e ambiental –&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class=&quot;apple-converted-space&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;Promover o desenvolvimento de políticas intersetoriais centradas nos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;apple-converted-space&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;territórios de forma a priorizar e apoiar de forma articulada os programas voltados às&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;apple-converted-space&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;famílias e às escolas situadas em áreas de alta vulnerabilidade, combatendo as&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;apple-converted-space&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-size:small;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:&#39;times new roman&#39;;&quot;&gt;desigualdades regionais de forma a atender às demandas específicas de cada região.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;   style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR;font-family:Arial;font-size:10.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Agora imagine páginas e páginas disso. Por outro lado, pontos positivos: Marina vê com bons olhos a liberdade de escolas religiosas ensinarem o criacionismo (mesmo não sendo ela própria criacionista; nem eu, por sinal, mas longe de mim querer impor currículo) e é contra o aborto (embora o PV queira legalizá-lo). É uma pessoa boa, o que na política não é pouco. A parte mais bela da sua campanha é a fé na democracia. Não quer repetir o velho cabo-de-guerra entre situação e oposição, que trava todos os projetos importantes; não tem medo de admitir os pontos positivos das administrações passadas; não quer nem direita nem esquerda, mas à frente. Lindo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Gosto da Marina da mesma forma que gosto das eleições, reconhecendo que meu sentimento se baseia numa ilusão. Pressupõe que a política seja capaz de resolver os problemas da humanidade. Com boa vontade, pessoas honestas num diálogo democrático chegarão às melhores leis e políticas para possibilitar uma boa vida aos cidadãos. Mas a experiência diz o contrário: quanto mais os políticos se metem em nossas vidas, pior elas ficam (&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;i&gt;ceteris paribus&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;, sempre &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;i&gt;ceteris paribus&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A política não é a resposta. A fé que Marina tem na democracia é admirável se comparada ao cinismo maquiavélico de seus concorrentes, mas pode ser tão ou mais nociva que ele. Pois o corrupto competente sabe preservar a sociedade para não comprometer a estabilidade de seu poder. Já o idealista desastrado não hesita em destruir tudo que esteja no caminho dos seus “ideais”. Antes Luís XVI do que Robespierre! Verdade seja dita, Marina é aberta e disposta a ouvir - muito diferente, portanto, dos revolucionários franceses - mas mesmo assim seu ecologismo &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;business-friendly&lt;/i&gt; e suas alusões a uma nova constituinte têm um potencial de desastre gigantesco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span class=&quot;apple-style-span&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;   style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR;font-family:Arial;font-size:10.0pt;&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Em quem votar, então? Não faço idéia. Como não estarei no Brasil, é uma escolha que não farei, mas conheço-me o bastante para saber que, mesmo odiando-o, votaria no Serra, e quem sabe na Marina no primeiro turno. As eleições passam e sigo guardando no peito a bela esperança de que um dia, num futuro indeterminado, a democracia, as eleições e toda a política sumam das nossas vidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/07/eleicoes-presidenciais-ou-da-pra-tomar.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4305583139287151927</guid><pubDate>Tue, 13 Jul 2010 00:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-14T14:47:38.224-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><title>Quem Causa a Causa Primeira?</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A pergunta sempre aparece nas conversas do dia-a-dia. Alguém dá o argumento da causa primeira para provar que Deus existe e o outro retruca: “E quem causou Deus?”. Minha conclusão: o argumento foi ou mal entendido, ou mal apresentado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Tudo o que existe precisa de uma causa. Portanto, para não se regredir ao infinito, é preciso uma causa primeira. Essa causa primeira é Deus. Convencidos? Eu não estou. Se tem uma coisa que esse argumento não prova é a existência de Deus. O ateu sagaz já percebeu: “Bom, se tudo precisa de uma causa, então Deus também precisa. E se nem tudo precisa de uma causa, por que o universo precisaria?” Vamos esclarecer melhor o ponto, pois nele escorregam muitos apologetas. Bem sei que nenhum ateu sairá da discussão convencido e rumo à igreja; mas o fortalecimento da base racional da fé tem sua importância nesse processo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Ao argumento. A princípio, não se afirma que tudo precisa de uma causa; isso não é uma premissa. Analisando os seres do universo, como homens, cavalos e prótons, veremos que &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;eles&lt;/i&gt; precisam de uma causa. O que os caracteriza? É o fato de que sua essência é diferente de sua existência. Termos estranhos, que precisam ser explicados e justificados para que saiam do campo dos contos de fada e entrem na filosofia. Dizer que a essência de um cavalo difere de sua existência significa dizer que mesmo que se conheça perfeitamente o que o cavalo é (digamos, a descrição perfeita de seu DNA com todas as possíveis variações), nem por isso saber-se-á se existe ou não algum cavalo no mundo. Pode ser que todos tenham morrido; pode ser que nunca tenha havido cavalo nenhum. Como descobrir se os cavalos existem? Não é pela mera análise de suas características. Temos que sair pelo mundo à procura deles. Sua existência (o fato deles existirem) não é dedutível de sua essência (o que eles são, a descrição de suas qualidades). Assim como penso em cavalo, posso pensar em unicórnio. Um existe e o outro não. Mas não há nada nas idéias de um e de outro que me diga isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Todos os seres do universo são que nem o cavalo e o unicórnio. Suas existências não estão dadas por suas essências. Chamamos a esses seres de contingentes: podem existir ou não existir. Logo, o universo, que é o conjunto, a complexa malha causal que une todos os seres, também é contingente. Ele poderia ser diferente do que é, e mais, poderia simplesmente nunca ter existido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Todo ser contingente precisa de outros seres que o gerem e preservem. O cavalinho precisa da égua e do garanhão para nascer, e do feno para comer. O universo também. Se ele poderia tanto existir como não existir, é preciso um fator externo a ele que faça com que ele exista. Ou esse ser que causa o universo também é tal que sua existência seja distinta de sua essência, o que não resolve nosso problema (pois ele também precisa de uma causa), e podemos simplesmente classificá-lo como parte do universo; ou esse ser é de tipo diferente: ele é tal que sua existência está contida em sua essência. Se o conhecêssemos perfeitamente, concluiríamos sem sombra de dúvida, dedutivamente, que ele existe. Não é um mero ser contingente, e sim um ser necessário; um ser tal que seria impossível que ele não exista, pois isso contrariaria sua própria essência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Não conhecemos diretamente o ser necessário para concluir sua existência a partir de sua essência. Mas dado que existem seres contingentes, o necessário tem que estar na origem do processo, se não ele nunca teria um motivo para começar (pois o motivo precisaria de um motivo e assim por diante). Este é o núcleo do argumento, e é o que deve ser discutido; notem que Deus nem deu as caras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O último passo, que é o que gera objeções imerecidas, é dizer: “este ser é Deus”. Estamos só dando um nome ao ser necessário. Poderia ser “Javé”, “Alá”, “Rama”, “Google”. O problema verdadeiro reside no passo anterior, que é dizer que sem o ser necessário não poderia haver seres contingentes, afirmação com a qual concordo. Negá-la seria dizer que do nada absoluto pode aparecer um universo, o que basicamente obriga-nos a aceitar que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento, e que nosso raciocínio, com base nas idéias de causa e efeito, e os princípios básicos da lógica que guia nossos pensamentos, não têm relação nenhuma com a realidade. E nesse caso, não só a prova do ser necessário seria falha, como mesmo toda a ciência e todos os nossos pensamentos seriam incapazes de nos comunicar qualquer coisa de verdadeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Chamar o ser de &quot;Deus&quot; só aponta para o fato de que esse necessário concorda em gênero, número e grau com o que os teístas dizem a respeito do Deus no qual acreditam: ele é a causa de tudo, nada existe independentemente dele e é impossível que ele deixe de existir. O filósofo e o crente estão falando da mesma coisa; esse reconhecimento é, em geral, ponto pacífico; a questão é saber se o argumento que o filósofo está fazendo procede.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/07/quem-causa-causa-primeira.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-4314275699716130070</guid><pubDate>Tue, 06 Jul 2010 20:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-06T17:08:03.504-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>Meditações Futebolísticas</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Um dia negro foi a sexta passada nesta maldita Jabulândia. Queria ver bandeiras a meio-pau, roupas pretas e luto público; revolta popular e banho de sangue cairiam bem. Os jogadores que voltam para casa são desertores vergonhosos, culpados de alta traição; já para o pelotão! Minha geração nunca tinha passado por duas derrotas seguidas na Copa; é desumano. Naqueles últimos minutos... ah, os últimos minutos! No peito, o desejo de estourar uma bomba e estragar o dia de alguém. Calma. Respire fundo e conte até dez. Quase que a alma vai embora junto do hexa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O que tem o futebol que mexe assim com os ânimos? Há o gosto universal pela competição e pela adesão a um grupo, claro. Mas por que o futebol e não outro esporte? Algumas características o distinguem. É um jogo de times (representam algo maior do que um indivíduo, como um tenista, que só muito secundariamente representa seu país), dinâmico, barato de jogar, estratégico mas com espaço para o talento individual. Acho que o aspecto essencial, contudo, é que pontuar é difícil. Um gol no futebol vale muito mais que uma cesta no basquete ou um ponto no vôlei. Nesses, a não ser que seja no momento da decisão, pouco importa uma pontuada, e por isso o jogo é menos empolgante. No futebol, há muito menos pontos, mas a possibilidade do gol sempre existe, o que cria uma tensão permanente. Um gol muda tudo, e por isso a explosão de alegria (ou ódio, ou frustração) quando acontece. Uma consequência disso é a possibilidade real da zebra: pequenos deslizes aqui ou ali dão a vitória ao time mais fraco; um gol na hora errada desmoraliza uma equipe forte e bota tudo a perder. A garra e a raça importam tanto quanto o talento, a estratégia e a técnica. O único que pode concorrer com o futebol em matéria de espetáculo público é o futebol americano - a tática amarradíssima e o mérito individual extraordinário na corrida rumo ao triunfo que é o touchdown; um jogo de gigantes. Mas o alto custo é um grande obstáculo a sua universalização.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Só consigo torcer de verdade na Copa. Cada seleção representa uma história, uma cultura, um povo, uma raça. Cada povo coloca ali os seus melhores para um duelo altivo, orgulhoso, uma verdadeira guerra patriótica onde nada menos que a honra de nações inteiras está em jogo. Claro que essa bela ilusão só perdura enquanto olhamos de longe. Chegando perto, que diferença! Quem são os franceses da França? E os alemães da Alemanha? E, mais grave, que tipo de gente compõe essa aristocracia esportiva? Olhem a cara de um Rooney e digam se ele aparenta qualquer traço de civilidade. De hedonismo troglodita talvez? A gota d’água é a glorificação das imagens dos craques nas campanhas publicitárias, na FIFA e na ONU. Beckham, Zidane, Ronaldo, astros Nike e Pepsi, modelos da juventude, nossos heróis; pose, atitude, aparência, mediocridade; a essência do marketing. A maioria deles nem sequer leva o país a sério, dando mais valor aos contratos com os times comerciais. Se Kaká se quebra na Copa, adeus Real Madrid.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O que me traz ao tema insondável da relação do torcedor com seu time, que não se associa a nenhuma população ou a o quer que seja. O que leva um paulistano a ser são-paulino, corintiano ou palmeirense? Os jogadores de cada time não obedecem a nenhum critério de origem; não há divisão por bairro, por etnia, por profissão, por nada. No passado, o Palmeiras era um time da imigração italiana; fazia todo sentido, então, que o descendente de italianos fosse palmeirense. Hoje ninguém representa nada. Quem ontem era de um time hoje é de outro. São só camisetas coloridas e publicidade. Simples assim. Quando assisto a um jogo de times, descubro para quem torço só durante a partida, o que pode inclusive mudar ao longo do jogo, tão subjetivo e aleatório é o torcer. É como escolher uma marca, Coca ou Pepsi, sem que haja refrigerante a ser provado. Prefiro Coca porque acho o gosto melhor; quem torce prefere seu time porque... o prefere; porque os pais torcem, porque os amigos torcem, porque ganhou um campeonato; nenhum motivo diretamente ligado ao torcedor. Devo admitir: sou santista - mas santista não-praticante! Se ouço dizer que o Santos vai bem, meu coração é tomado de uma leve alegria, que beira a indiferença. Há quem chore, grite, urre de alegria, brigue, mate e morra de frustração. Ou o homem é um bicho irremediavelmente esquizofrênico, ou há aí uma carência por algo maior, mais real, pelo qual sonhar, matar e morrer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/07/meditacoes-futebolisticas.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-2427846021341845040</guid><pubDate>Fri, 02 Jul 2010 01:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-01T23:11:00.065-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Duas Visões do Mal</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Duas maneiras de encarar o mal não necessariamente contraditórias mas contrárias em espírito: uma o enxerga nos fins, a outra nos meios. É possível conciliá-las até certo ponto, mas em última instância uma domina a outra. Qual delas vence em cada mente creio depender mais do temperamento e da visão de mundo básica do que de algum argumento decisivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Para o partidário do mal dos fins, o mal do mundo é fruto de homens que, em conspiração, encaminham tudo para seus objetivos perversos, arrastando consigo uma multidão que percebe muito pouco, com maior ou menor clareza, do processo em andamento. Ele enxerga o mal agudo, concentrado, seja nos comunistas infiltrados, nas ONGs progressistas, nos grupos de mídia, na alta burguesia, nos maçons, nos judeus, nos jesuítas, no movimento islâmico global, no capital internacional ou nas farmacêuticas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Já o partidário do mal dos meios o vê melhor distribuído. Para ele, o mal consiste na incompetência, preguiça, vaidade, inveja, enfim, nos vícios comuns que a todos permeiam. Seu efeito independe de conspirações, que podem até existir, mas são apenas uma ponta menor do espectro - agora ocupada por A, amanhã por B, que terá outros planos - que continuará sempre o mesmo. O grosso dos homens vive como sempre viveu, “casando-se e dando-se em casamento”, sem dar a mínima para idéias e ideologias; as mudanças são superficiais, pois permanece a mesma natureza. Todos os desígnios, bons e maus, tendem a resvalar para a mesma modorrência mesquinha de sempre, engolidos por um processo implacável de entropia moral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Se o dos fins estiver certo, então o mal entrópico dos meios é um fenômeno de menor importância, pois acomete apenas as massas de manobra que as grandes mentes da humanidade, os reais motores da história, usam para concretizar seus ideais. No fim das contas, é quem escapa da entropia que faz a diferença, dedicando-se com habilidade e devoção completa a algum projeto. Esses escrevem a história; os demais são escritos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Se o dos meios estiver certo, então mesmo a conspiração mais funesta não consegue botar seus planos em prática com a eficácia que gostaria, pois a preguiça, o desleixo e a vaidade afetam também a seus agentes. O mau profundo que alguns gostariam de instaurar (que na visão deles é o bem) não é o mau corriqueiro que acabam produzindo. Vide a revolução socialista do PT. Tudo converge para uma distribuição normal cuja média é negativa ou positiva dependendo do nosso pessimismo ou otimismo, mas nunca distante de zero. Os monstros são poucos, e muitos os sacaninhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O grande problema de ver o mal nos fins é transformar a moralidade no ter a opinião correta. Bom é quem defende as causas boas; mesmo que isso não se traduza em virtudes vividas. Quem olha para o mal dos meios, a não ser que seja muito cego, percebe o quanto fica aquém do que poderia ser. Seu risco é cegar-se para o efeito real que crenças e ideologias podem ter, devido à suposição de que todos têm, mal disfarçados por trás das crenças manifestas, os mesmos interesses fisiológicos. Quem se foca no mal dos fins está mais consciente dos movimentos do tempo e é menos sujeito a servir de besta de carga bem-intencionada de uma cultura maléfica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align:justify&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Tendo espontaneamente para ver o mal nos meios, o que significa aceitar que ele é sempre mais comum e menos interessante, e próximo de casa, do que gostaríamos; e também que podemos confiar, em geral, na boa intenção, mas raramente na capacidade, alheia. Para compensar, preservo uma saudável intransigência nas opiniões. Nada de escorregar involuntariamente para algum plano maligno! A entropia moral é um fato vivido, e vejo-a atuando inclusive nos grandes nomes da história. Não é &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;impossível&lt;/i&gt; agir com base em filosofias e ideologias distantes do curso da natureza (sem pessimismo: lembre-se que a natureza é, em si, boa); mas é difícil. É possível sair da entropia? É. Alguns saem. Virtudes, talentos naturais, pura força de vontade, graça divina; não sei como, mas volta e meia nos deparamos com algum santo ou gênio produtivo que nos mostra claramente tanto o tamanho do buraco quanto a possibilidade de atravessá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/07/duas-visoes-do-mal.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-8461376682035417201</guid><pubDate>Mon, 28 Jun 2010 17:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-28T14:13:54.290-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Salvem as crianças!</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Quando o assunto é criança, a racionalidade - especialmente dos pais - não tem vez. Tudo vale a pena “pelo bem das crianças”. Nenhum sacrifício é grande demais, nenhum inconveniente é relevante, a própria análise de custo-benefício é moralmente suspeita. A indústria de artigos para bebês bem sabe disso, e sempre inventa novos produtos “essenciais”, que os pais ansiosos (especialmente os de primeira viagem - meu caso) comprarão sem hesitar. Como será que os bebês sobreviveram por tantos séculos sem nossos 60 tipos de fralda e 300 variedades da chupeta? Sem falar nos CDs educativos para recém-nascidos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Mas tem coisas que nem o pai mais desesperado do mundo deveria engolir; a lei da cadeirinha nos automóveis é uma delas. &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/747388-denatran-adia-aplicacao-da-lei-das-cadeirinhas-infantis-para-1-de-setembro.shtml&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;A partir de primeiro de setembro, será obrigatório, no transporte de crianças de até sete anos e meio, levá-las numa cadeirinha que é instalada no banco traseiro, e que vem em três tipos, um para cada faixa de idade.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; Sim, sete anos e meio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Primeiro ponto: é claro que a cadeirinha aumenta a segurança em caso de acidente. Assim como andar na rua de capacete e colete à prova de balas diminui o risco de se ferir gravemente ou até morrer (tropeções, assaltos, balas perdidas, meteoritos; nunca se sabe). Um toque de recolher às 10 da noite (o que um homem de bem faria na rua a essa hora?) também seria ótimo para a segurança. Aliás, o melhor seria ficar sempre em casa, e só sair em casos emergenciais. Evitaríamos muitas mortes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Só que evitar mortes não é tudo; existem milhões de considerações relevantes. Cada medida de segurança traz consigo um custo (dinheiro, perda de tempo, dor de cabeça), que pode ou não superar o benefício esperado. Botar o cinto de segurança tem um benefício esperado positivo e o custo é quase nulo, então sempre ponho. Mas algumas vezes, quando vou  atrás num carro que não é meu, o cinto está enfiado embaixo do banco. Nesse caso, o trabalho de ter que levantar o banco e pedir para o meu amigo parar, na minha opinião, supera a segurança adicional que eu teria durante o traslado e a sensação reconfortante que o cinto oferece. Posso estar errado, e um acidente terrível acontecer bem dessa vez; ninguém é onisciente. Mesmo assim, pela minha estimação (o trajeto é curto, meu amigo guia bem, não correremos), a segurança extra não compensa o estorvo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Outro cenário: sua tia-avó vem para o almoço, e ela faz questão de comer sorvete de papaia na sobremesa. A quinze minutos dela chegar, você abre o congelador e constata horrorizado que o sorvete acabou. Considere que há dois jeitos de guiar o carro até a padaria: cautelosamente, que é mais seguro, ou temerariamente, o que aumenta o risco de acidente, mas é mais rápido. Em condições normais de temperatura e pressão, você, sujeito sensato, minimizaria o risco de morte; mas com a tia-avó a caminho, cada segundo é precioso. Aceitar o risco extra é perfeitamente racional: você sabe que o percurso é curto e confia na sua destreza ao volante; sabe que, mesmo guiando apressado, o risco é baixo. E &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;voilà&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;, volta são e salvo com o troféu de papaia em mãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Se até coisas básicas como cinto e direção cautelosa admitem exceções, quanto mais o trambolho que são as cadeirinhas infantis. Tiram um assento útil do veículo, são caras (o bebê-conforto, que é o assento para bebês muito pequenos, custa uns 200 Reais) e chatas de instalar. Isso para quem tem um filho. Quem tem três pode desistir de passear legalmente com a família completa. Quando eu era bebê, minha mãe me levava no colo e, a partir de uns 3 ou 4 anos de idade, eu ia atrás sozinho, muitas vezes sem cinto (para poder deitar) - era ótimo e cá estou, vivo. Hoje em dia, as enfermeiras da maternidade cometeriam suicídio em massa se eu sequer levantasse a possibilidade de transportar o bebê da forma antiga. Por causa da nossa neurose por segurança e saúde, quem não adere aos novos produtos e medidas é visto como um monstro sem coração. Um fenômeno social problemático, mas até aí tudo bem; ninguém é obrigado a seguir a opinião pública. É quando ela vira lei positiva que se torna inaceitável. Vamos admitir em alto e bom som: sim, há situações em que um minúsculo acréscimo na insegurança dos filhos se justifica por outros benefícios. E digo mais: todo pai minimamente são do planeta concorda comigo. Levar o filho a um restaurante aumenta suas chances de contrair doença; mas os benefícios de fazê-lo em geral superam esse risco adicional. QED.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;É sintomático da nossa cultura que o único debate acerca da lei seja entre os que querem aplicá-la apenas a veículos de passeio e os que querem aplicá-la a todos os veículos (ônibus, táxis etc.). É inócuo, mas ao menos explicita o absurdo a que ela nos obriga, pois ou se aplica-a arbitrariamente a apenas alguns casos, ou se chega a situações obviamente estapafúrdias, como um ônibus comum perdendo assentos úteis para instalar cadeirinhas que ficarão sub-utilizadas. E se chega uma criança quando todas já estiverem ocupadas? Ficam ela e o pai barrados na porta? E o taxista, vai guiar por aí com as três variedades de cadeirinha no porta-malas? Um &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;leve&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; inconveniente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;Alguns objetarão que os acidentados custam para a saúde pública, e portanto a lei é bem-vinda. Antes, todos pagavam por um número X de acidentados. Agora, todos pagarão por um número menor, mas há, em contrapartida, o aumento do custo dos pais em comprar e instalar (e desinstalar, e instalar de novo) as cadeirinhas. O custo total é maior ou menor? Impossível saber (não que o governo tenha sequer tentado). Mas podemos ter certeza de que continuará a faltar dinheiro para a saúde, cujos gastos abusivos e onerosos devem-se ao eterno problema da saúde pública... o fato dela ser pública. Uns usam, outros pagam, a sociedade perde. Não se corrigirá esse problema sistêmico com leis punitivas para quem possa vir a precisar dos serviços médicos. A real solução, que é também a mais justa, é a única que o sistema não pode aceitar: cada um pagar pelo que utiliza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;   style=&quot;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language: EN-US;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot;  style=&quot;font-family:georgia;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Pesamos riscos e oportunidades, custos e benefícios, a todo o momento. O que vale numa situação pode não valer em outra. Se a pessoa julga que um dado benefício supera o risco que ele traz, isso é uma decisão dela e que só ela pode fazer, pois é ela que auferirá os ganhos e arcará com os prejuízos de suas escolhas. Eu usaria o bebê-conforto se não fosse obrigatório? Provavelmente. E a cadeirinha para o bebê de três anos? Provavelmente não. Outras pessoas prefeririam diferentes soluções, o que é ótimo: cada um toma as precauções que julgar cabíveis em suas condições específicas. O justo é também o eficiente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/06/salvem-as-criancas.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6193732082414246889</guid><pubDate>Tue, 15 Jun 2010 23:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-15T20:08:33.654-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Economia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Livre mercado para além do mercado</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O homem é podre, um mentiroso e trapaceiro contumaz, que estupraria e mataria sem remorso se lhe fosse dada a possibilidade de fazê-lo sem ser pego. É apenas o medo da cadeia (foi-se o tempo em que o medo da punição divina valia para algo) que nos mantém a um passo da auto-destruição final. É isso mesmo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Bom, então considere a seguinte situação. Semanas atrás, precisei de um adaptador de tomada (graças ao novo padrão imposto pelo governo para sanar um problema inexistente). Fui até uma lojinha de material elétrico próxima, mas eles não tinham; o vendedor me indicou uma outra loja na rua. Notem, ele não precisava ter feito isso; essa outra loja é sua concorrente em vários serviços. Fui à nova loja, e vi que o melhor era comprar logo uma tomada nova. Só não sabia se era uma de 10 ou 20 amperes. Solução? O vendedor me deixou levar a de 10, testá-la e, se não fosse, trocar pela de 20. Novamente, algo que ele não precisava ter feito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Ações que, no curto prazo, parecem danosas à loja (vender uma tomada ao invés de duas), no longo prazo compensam (ganhar a confiança do cliente). E são fatos absolutamente banais e corriqueiros no mercado, como qualquer um sabe. Os homens não são crápulas sempre à procura de uma oportunidade de engambelar o incauto. O nosso modo de vida é baseado na cooperação, e essa não é forçada ou dissimulada, mas voluntária e em geral sincera, caso contrário não funcionaria. A idéia do egoísta esclarecido que se comporta exatamente como um homem bom exclusivamente por motivos egoístas é um mito; caráter e ações não são realidades separadas. O mercado é exatamente o processo pelo qual essa ajuda mútua é facilitada e incentivada, pois harmoniza o bem de cada um com o bem dos demais. A confiança e a confiabilidade são remuneradas, e as práticas anti-sociais punidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Claro, isso não garante que todos serão bons. A minha compra de tomada estava, por exemplo, ligada à compra de uma lava-louça cuja instalação deu um enorme problema, custando muito tempo e dor de cabeça em conversas frustrantes com o SAC da empresa. E isso se explica. Empresas grandes têm que ter uma política padronizada de trocas e outros serviços gratuitos para impedir que, de pequenas decisões generosas de muitos vendedores e atendentes, emirjam grandes prejuízos. Mas mesmo nelas, na medida em que têm que sobreviver no mercado, o que prevalece é a cooperação. Vejam só: saindo uma vez do caixa do McDonalds com o almoço na bandeja, derrubei o refrigerante no chão. Qual a reação dos atendentes? Deram-me um novo. Eles sabem que brigar por migalhas é prejudicial para eles próprios, mesmo que isso lhes custe uma Coca. E até no caso da lava-louça, no final das contas, a empresa responsável pela instalação forneceu a peça nova.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;São exemplos casuais - cada leitor terá vários - que ilustram um fato antropológico e moral. O homem não é um calculista a espera da primeira oportunidade de passar a perna. Quem age assim prejudica a si mesmo; confiança e boa vontade são características muito difíceis de se dissimular ao longo do tempo, e constituem parte importante do capital humano. Quanto menos confiança, mais advogados, juízes, contratos, e menos possibilidades de transação; tudo isso tem um custo, não apenas monetário. Por outro lado, boas relações resolvem problemas de ambos os lados e deixam todos felizes, criando laços de boa vontade. Como Aristóteles já apontara, o fazer negócios juntos, a harmonia de utilidades, estabelece entre as partes um tipo de amizade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A cooperação livre entre os homens é um fato; é um fenômeno que emerge naturalmente, sem qualquer necessidade de uma autoridade estatal para regular, controlar, medir e definir (o que só congela e endurece o que deveria ser fluido e flexível para melhor se adaptar às infinitas circunstâncias dos homens). E essa cooperação se dá em todos os níveis da sociedade; não é privilégio da “elite”, embora seja isso mesmo que vai acontecer se o governo continuar a dificultar e proibir a existência de versões mais baratas e populares; se o padrão mínimo legal for o Golf, não existirão nem Gols, nem Fuscas, nem Brasílias; mais gente andará a pé. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Mais um exemplo banal: um dia, indo para o aeroporto, vi num trecho ao lado esquerdo da marginal, acho que junto a uma rampa, barracos num espaço muito estreito. Um deles, apertado entre os demais, era uma barraquinha de comes e bebes. Está aí a força vital do espírito humano, que não deixa de inventar soluções nem sob as condições mais inóspitas. A condição do lugar era, para nossos padrões, deplorável; mas aquela barraquinha tornava-a um pouco melhor. Não seria um crime matá-la com regulamentações as quais, obviamente, o dono nunca seria capaz de obedecer? Pois o momento em que um fiscal do governo passasse por lá seria o momento em que aquele pequeno oásis deixaria de existir. Ainda bem que o governo não vê tudo, e que existe a corrupção! Imagine se as regulamentações e tributos do país fossem seguidos sempre e à risca; camelôs, vendedores piratas e, enfim, todo o mercado informal, que beneficiam tantos consumidores e empregam tantos trabalhadores, sumiriam. Hoje em dia, eles funcionam fora da lei; e - surpresa! - funcionam. Sem decretos políticos, sem vereadores e deputados inúteis, o Promocenter ia muito bem obrigado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Quando o dinheiro sai da jogada, fica ainda mais claro. Vejam o &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.couchsurfing.org/index.html&quot;&gt;couch-surfing&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;: pessoas disponibilizam suas casas para viajantes se hospedarem de graça, e sabem que, quando viajarem, também encontrarão pousada. O único sistema de controle são as opiniões dos próprios usuários publicadas no site. Qualquer um pode se cadastrar. E adivinhem: funciona muito bem, como um amigo meu que já hospedou gente do mundo inteiro pode garantir. Haveria algo mais contrário ao espírito dessa rede do que se o governo decidisse “regulamentá-la”, criando requisitos mínimos para as casas (“devem ter pelo menos dois banheiros e um sistema de combate a incêndio certificado”) e para os viajantes (“devem enviar, duas semanas antes da visita, cópia autenticada do passaporte e trazer inventário da bagagem pessoal”)? A quantos seriam reduzidos os membros dessa comunidade vibrante? Pois a mesma destruição burra ocorre em tantos outros serviços; a diferença é que estamos acostumados e não percebemos o quão melhor eles poderiam ser. Por que absolutamente todo estabelecimento comercial deve ter uma lixeira na frente? Por que um shopping precisa de 5% de vagas para idosos? &lt;a href=&quot;http://www.leismunicipais.com.br/cgi-local/forpgs/showinglaw.pl&quot;&gt;Por que toda vitrine deve ter tarja sinalizadora&lt;/a&gt;? Soluções pontuais são transformadas em imposições ossificantes; o que é inteligente em alguns casos pode ser estúpido se transformado em lei universal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Trata-se de um problema de mentalidade, que afeta todos os políticos, burocratas, legisladores, advogados e engenheiros sociais que acreditam que suas definições mal-escritas num pedaço de papel criam e ordenam as relações humanas; quando na verdade as corrompem e destroem. A imensa maior parte da classe política brasileira não só é inútil como prejudicial à nação. Ao invés de punir os crimes (roubos, fraudes), querem prever e delimitar o que é mutuamente benéfico, limando de imediato todas as manifestações que escapam a seu olhar estreito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;O número de impostos, de encargos, de regulamentações e de regras aos quais estamos sujeitos (e mesmo assim, pode ter certeza que se um fiscal quiser, ele encontrará alguma infração - são &lt;a href=&quot;http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm&quot;&gt;85 tributos&lt;/a&gt; e dezenas de milhares de leis) não nos afetam apenas na “esfera econômica da vida”, como se a vida humana fosse divisível em partes estanques, e como se o trabalho e o consumo fossem realidades menores, de pouca importância. A guerra de independência americana foi travada por muito menos. E ainda se acredita na mentira de que a liberdade interessa aos ricos. Isso é falso. O liberalismo econômico não é o sistema das grandes empresas, dos grandes bancos, dos tecnocratas. Claro, algumas grandes empresas seriam beneficiadas com um mercado mais livre; mas elas não seriam as maiores ganhadoras, mesmo porque muitas recebem ajuda do governo, seja direta (concessões, subsídios) ou indireta (as regulamentações infinitas e encargos pesados que impedem a existência dos pequenos). O principal beneficiário do liberalismo é todo homem honesto em suas relações cotidianas, que estão cada vez mais burocratizadas por um sistema desumano que demanda sempre mais recursos para se sustentar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Ser livre significa, enquanto consumidor, poder escolher aquilo de que mais gosta na gama de preços e qualidades compatível com sua própria renda; enquanto produtor, poder trabalhar no que quiser, e prover que serviço quiser, da melhor forma que souber, sem que ninguém lhe impeça; e, enquanto ser humano, viver de acordo com o que se considerar o melhor sem ser impedido por ninguém e sem impedir ninguém de fazer o mesmo. Sem precisar de aprovação por qualquer órgão que seja, apresentar documento algum e nem emitir nota fiscal, pois o fisco não tem direito nenhum de saber o que você faz da vida e muito menos de puni-lo se for bem-sucedido. A liberdade permite que, ocasionalmente, alguém aja mal? Sim. E para alguns desses casos (os que violem direitos alheios) existem as leis e os tribunais. Mas, e isso é muito mais importante, é só ela que permite que os homens ajam e vivam bem, e que criem soluções novas e adaptem antigas para seus problemas e melhorem todas as esferas (não apenas a econômica, o comércio e a venda de ações) de sua existência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/06/livre-mercado-para-alem-do-mercado.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-1290877166730901238</guid><pubDate>Wed, 02 Jun 2010 23:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-06-02T20:37:06.771-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cinema</category><title>Nem tudo funciona</title><description>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; &quot;&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 13pt; &quot;&gt;Seria &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;Tudo Pode Dar Certo&lt;/em&gt; (&lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;Whatever Works&lt;/em&gt;) um manifesto pessoal do próprio Woody Allen, talvez uma autojustificativa? Seja como for, não funciona, ao menos para mim. A casca atrativa e talentosa de qualquer obra que saia das mãos do diretor cobre incoerências e desonestidades que botam o todo a perder.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 13pt; &quot;&gt;Boris (cujo ator, tanto fisicamente quanto na fala, lembra muito o diretor) é um velho gênio da física, fracassado, divorciado, sem Nobel, que vive sozinho e se sustenta ensinando xadrez para crianças só para humilhá-las; tentou o suicídio mas até nisso fracassou. Eis que, por um enorme acaso (o motor dos filmes de Woody Allen), cruza seu caminho a linda e jovem Melodie. Fugida de sua casa no Mississipi, perdida e desnorteada na &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;Big Apple&lt;/em&gt;, convence-o a deixá-la passar uns dias com ele até arranjar emprego. Uma amizade improvável se estabelece, e Melodie, embora ingênua, revela-se uma ávida pupila, que absorve entusiasticamente a cosmologia niilista do velho mestre sem deixar abalar sua alegria e bondade naturais.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 13pt; &quot;&gt;Os dias viram meses, a amizade vira amor e eles se casam. A vida transcorre perfeita até que a mãe de Melodie, Marietta, recém-abandonada pelo marido, encontra-a em Nova Iorque. Inicialmente, essa cristã fundamentalista (no estilo evangélico americano de ser: bem-intencionada e moralista, expansiva e desastrada) é só atrito com Boris e seus amigos boêmios. Mas muito em breve ela segue o caminho da filha: cede às tentações do &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;liberal life-style&lt;/em&gt; nova-iorquino e, poucas taças de vinho depois, consagra-se como fotógrafa pornô-conceitual e divide a cama com dois homens. Agora é a vez do pai de Melodie, que chega em busca da ex-esposa. Felizmente, sua dor em perdê-la – não para um, mas dois ex-hippies – dura pouco: afogando as mágoas num bar, deixa aflorar o homossexualismo reprimido e descobre o amor verdadeiro num quarentão bem-apessoado.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 13pt; &quot;&gt;Se até agora parece um show de horrores, Woody Allen faz com que não seja. Há certas qualidades (podemos chamar de “mínimo estético”) com as quais sempre podemos contar em seus filmes. Em algum nível ele funciona: história bem contada, boas tomadas de Nova Iorque, gente bonita, diálogos espirituosos, tipos bem construídos, algumas percepções iluminadas. O que revela o talento artístico de Marietta são as fotos caseiras que ela tirara da filha nos concursos de Miss. Um intelectual pretensioso considera-as geniais, “primitivistas” (nesse momento ainda não se sabe se a opinião é sincera ou só uma manobra para levá-la para a cama – aliás, bem-sucedida). E mesmo depois de sua transformação, a mãe preserva o mesmo projeto pessoal: separar a filha do perdedor geriátrico com quem se casou e juntá-la a um jovem promissor que conhecera nos primeiros dias na cidade. Certas atitudes demasiado humanas perpassam todo o espectro teológico-político, e o filme aponta-as com graça e perspicácia.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 13pt; &quot;&gt;O plano materno dá certo: a menina se apaixona novamente e deixa Boris a ver navios. Ele tenta se matar mas falha novamente: pula da janela e cai sobre uma desconhecida com quem terá um novo caso. A cena final é uma festa de ano-novo entre os personagens, todos de bem com a vida: homossexualismo, poliandria, troca de parceiros; o que funcionar para cada um. Boris nos dá seus pensamentos finais: não existe ninguém “lá em cima”. O importante é cada um encontrar sua felicidade, sem dar muita bola para regrinhas moralistas. Mas algo não está certo. Estaria Woody sendo irônico, pregando-nos uma peça com esse final de &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;sitcom&lt;/em&gt; e com esse acaso que a todos salva? Saí do cinema sem saber. Mas para que o filme não seja um mero exercício em &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;pointlessness&lt;/em&gt;, tem que haver algo de genuíno na mensagem, mesmo que aceitemos que ele ridicularize também a &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;intelligentsia&lt;/em&gt; nova-iorquina em suas pretensões artísticas e filosóficas. Boris, o cientista, vê além delas e enxerga o absurdo da existência; mas se compraz verdadeiramente de que todos tenham encontrado sua felicidade.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 13pt; &quot;&gt;Por baixo de &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;Whatever Works&lt;/em&gt; esconde-se o &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;anything works&lt;/em&gt;. A tradução brasileira fugiu à letra do título mas captou seu espírito: &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;Tudo Pode Dar Certo&lt;/em&gt;, com ênfase no “tudo”. O resultado é incoerente: niilismo cósmico temperado com um pueril “cada um é feliz à sua maneira”, que não consiste no hedonismo carnal (o que seria moralmente detestável, concordo, porém consistente), mas num estado sentimental: estar apaixonado e se sentir acolhido. Nesse ponto Woody Allen ficou atrás do Orkut, que hospeda já há anos a comunidade “niilismo miguxo”, cuja mistura de Nietzsche e &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;Hello Kitty!&lt;/em&gt; no fundo cor-de-rosa representa muito bem o espírito do filme. A incoerência das idéias reflete-se na incoerência da rabugice gostosa e bem-humorada do personagem central que, imagino, seria amargo e desagradável se existisse na realidade (mais aos moldes do verdadeiro Woody Allen). No mundo do filme, ninguém tem ciúmes nem mágoas, ninguém desgosta de ninguém, ninguém trabalha mas são todos independentes, não há escolhas erradas, culpa e nem remorso; é tudo na base do &lt;em style=&quot;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; &quot;&gt;amórrr&lt;/em&gt; (sem consequências, claro) e do bom humor. Parece realista?&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;text-align: justify;margin-top: 20px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 13pt; &quot;&gt;Já que se encarna o espírito de “no regrets”, “faz o que tu queres, pois é tudo da lei”, por que não levá-lo a sério, e mostrar versões alegres do incesto, da bestialidade e da pedofilia? Não funcionaria? Então existem critérios objetivos que determinam o que pode funcionar? Faltou coragem de enfrentar a questão, e essa timidez desonesta é o ponto fraco no cerne da obra. Na minha opinião, a coisa seria muito mais interessante, em vários níveis, se Melodie fosse a filha adotiva de Boris.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/06/nem-tudo-funciona.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-5774023323459856616</guid><pubDate>Tue, 11 May 2010 01:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-10T22:51:57.351-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>Válvula ou arame</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Freud ou Aristóteles: dois modelos de funcionamento humano - válvula hidráulica ou arame entortável. São duas perspectivas em alguma medida conciliáveis, mas na prática bastante contrárias, de se encarar os efeitos da ação no agente. Teste para ver em qual você se encaixa: quando o sujeito é mal-tratado continuamente, e vai acumulando toda aquela raiva aos poucos, o que ele deve fazer? E quando o desejo sexual fica incontrolável, e ele só pensa nisso, como libertá-lo da obsessão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Quem responde algo na linha de extravasar e aliviar a tensão pensa como Freud (não sei se o verdadeiro Freud ou o Freud dos gibis que chegou até mim via cultura popular; mas é só um nome), e segue o modelo da válvula hidráulica: não pode ficar nem muito cheia nem muito vazia. A válvula da raiva está até a borda? Melhor liberar essa tensão para a máquina não explodir ou o câncer não aparecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Não vou negar que tenha sua validade. Aliás, para algumas funções ele parece perfeito. O tubo digestivo, da entrada à saída, é isso mesmo: tubo. Bebeu bastante? É hora de fazer xixi. Mas a válvula não conta a história toda. Coma até se saciar; e depois de novo, e o faça sempre, coma até se satisfazer plenamente. A mudança será gradual, mas depois de um ano, na barriga onde cabia um Big Mac, caberão três; e na calça onde cabia um de você agora cabe 1/3. Pouco a pouco, o lanche pequeno dos americanos tornou-se o nosso gigante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;É aqui que entra Aristóteles e o modelo do arame (a pobreza da imagem é por minha conta). Todo ato consciente tem um efeito no caráter (as disposições constantes que nos levam a agir dessa ou daquela maneira) do agente: quem nunca reparou que, quanto mais se dorme e se demora para sair da cama, mais difícil fica levantar? E quanto mais se come, mais guloso se vira. Isso num nível sub e quase extra-racional. Para trazer o ponto a uma esfera com maior influência do intelecto, cada vez que se vai além de um limite previamente proposto cria-se um incentivo psicológico para violá-lo sem restrições futuramente: “Já fiz isso da vez passada; qual o problema?”. Cada novo ato também muda nossa percepção de nós mesmos. Se entrei de vez na lagoa fria, vejo-me como alguém capaz de fazê-lo; se não entrei, a própria lembrança do fracasso passado serve de obstáculo para tentar futuramente. Antes de cometer o crime, tudo é possível, eu ainda não estou determinado; depois, já me vejo como um assassino, ou um ladrão, e não tem mais volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;span style=&quot;mso-spacerun:yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Um arame fica do jeito que você dobrá-lo. O caráter humano também: vá pressionando ele numa direção que ele acaba se entortando. A válvula tem sua aplicabilidade? Tem. Extravasar a raiva tem efeito calmante no momento seguinte; e quando satisfazemos o desejo sexual nos sentimos livres dele. Mas esses não são os efeitos principais, de longo prazo. A pessoa que explode de raiva, e que aceita explodir de raiva, é justamente aquela que cria a tendência a ficar cada vez mais raivosa mais facilmente. E quem sempre satisfaz o impulso sexual fica cada vez mais dependente e viciado nesse prazer, e portanto menos livre, e mais escravo, dele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A válvula hidráulica tem sua validade, num horizonte de uma ou duas horas. Mas esse modelo “The Sims” do comportamento humano não dá conta do longo prazo. No horizonte existencialmente mais relevante de uma vida, o que prevalece é o arame entortável aristotélico. No longo prazo, o que liberta é o auto-controle. O carro precisa de bons freios para chegar longe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/05/valvula-ou-arame.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27762361.post-6967023415669011511</guid><pubDate>Fri, 07 May 2010 02:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-06T23:02:52.006-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cinema</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Filosofia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ética</category><title>&#39;A Estrada&#39; e a natureza humana</title><description>&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;b&gt;Humanidade: hecatombe moral?&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A premissa de &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;A Estrada&lt;/i&gt; é simples: algum desastre não-especificado destrói a Terra: o céu fica cinza, há terremotos intermitentes e chuvas de fogo e poeira à noite. Toda a vida vegetal perece e a civilização colapsa irremediavelmente. Tudo o que resta é lutar para não morrer de fome coletando restos e enlatados cada vez mais raros e evitar tornar-se vítima do estupro e canibalismo onipresentes. Mulheres e crianças são especialmente visadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Leva-se às últimas conseqüências o pessimismo de um &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;Ensaio Sobre a Cegueira&lt;/i&gt;. Só que em &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;A Estrada&lt;/i&gt;, ao mesmo tempo em que a situação é mais desesperadora (a humanidade &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;vai&lt;/i&gt; acabar), há, talvez por isso mesmo, mais abertura a uma possível transcendência. Pois o bem ainda resiste: um pai e seu filho pré-adolescente mantêm viva a dignidade humana e caminham para o sul em busca de algo melhor, embora não saibam ao certo o quê. Rejeitam terminantemente o canibalismo e o roubo. Carregam, diz o pai - que, ao mesmo tempo em que oferece esperança, contempla desesperado o suicídio - um fogo dentro de si, que se apagaria se capitulassem à conduta geral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;É uma experiência cinematográfica lúgubre como poucas. O cinza predomina, a atmosfera é de solidão e paranóia; numa cena particularmente chocante num porão escuro, vemos seres humanos num estado de degradação e violação indizível, que nos remete a um horror existencial incomunicável. A humanidade sai mal na foto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;A discussão é antiga: O homem é bom ou mau? As relações humanas consistem, fundamentalmente, em cooperação ou guerra? Aristóteles ou Cálicles? Locke ou Hobbes? No plano teológico: o homem absolutamente perverso em quem a graça deve eliminar a natureza má (Sto. Agostinho em momentos mais pessimistas, a doutrina calvinista da “depravação total”, os franciscanos, Pascal); ou o homem corrompido mas cuja natureza permanece essencialmente boa, sendo papel da graça aperfeiçoá-la (Tomás de Aquino, os dominicanos e jesuítas)? Na economia: Karl Marx ou Adam Smith? O marxismo, ao pintar a vida social como baseada na exploração, tende, na prática, ao pessimismo; já o liberalismo clássico enxergava a prevalência da cooperação, e via o mercado como mecanismo harmonizador dos desejos individuais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Os pessimistas gostam de se ver como realistas, os únicos que não adocicam a verdade cruel escondida sob a fina e frágil camada da sociabilidade. Será? Discordo. Mesmo em meio à guerra, mesmo onde o braço do Leviatã não alcança (aliás, este sim é capaz do mal numa escala sobre-humana), o que prevalece no mundo real é a vida normal, a cooperação e a coexistência pacífica, ainda que o que venda jornais sejam os crimes. Na Somália sem governo, o mercado de telefonia e a Internet popular floresceram; nas favelas brasileiras há &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal&quot;&gt;lan houses&lt;/i&gt;, bares e lojas. Voltando um século, lembremos que os soldados de ambos os lados na Primeira Guerra, para horror dos comandantes, saíram das trincheiras e confraternizaram na noite de Natal. O homem é capaz do mal, mas esta não é sua vocação e nem sua natureza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&lt;b&gt;A capacidade agregadora do bem&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Mas quem é mau, sem escrúpulos, se dá melhor, não é mesmo? Em situações pontuais, no curtíssimo prazo, talvez. No geral e no longo prazo, o bem é mais poderoso. Falta essa percepção ao filme. Os bandos de canibais eram compostos de assassinos e estupradores. O que garantia sua unidade? A traição e o motim deviam ser medos constantes para homens desprovidos de qualquer sentido de honra, de amor ou de uma causa maior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;São justamente os bons (na medida em que são bons) que têm a capacidade moral de formar e sustentar agregações duradouras e produtivas. Exposta em termos diferentes - menos moralistas - esse ponto faz parte do currículo de qualquer curso de administração. A empresa que não cria uma cultura interna positiva, de respeito mútuo e confiança, que não facilita a comunicação entre as partes, mas que permite ou até incentiva intrigas, falta de transparência e autoritarismo, arca com altos custos inexistentes numa empresa mais sadia, o que pode botar tudo a perder, como no caso da WorldCom. Monastérios (católicos, ortodoxos, budistas) perduram séculos enquanto comunas hippies de amor livre e gangues do tráfico definham em anos; esperávamos o contrário?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Se o cataclismo de &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style:normal&quot;&gt;A Estrada&lt;/i&gt; ocorresse de fato, seria de se esperar que os bons, os mais confiáveis e respeitosos, fossem bem-sucedidos em montar grupos e pequenas sociedades; todos teriam a ganhar. A divisão de tarefas (uns procuram alimento, outros preparam esquemas de defesa, etc) eficiente precisa de um mínimo de confiança e comprometimento. Seriam eles que se defenderiam com mais eficácia. Digam o que quiserem sobre os EUA e Israel, mas é um fato que sua conduta bélica é eticamente superior à dos seus adversários: há práticas que eles se negam moralmente a adotar (terrorismo, homens-bomba, seqüestro, escudos humanos). Será mera coincidência que sejam também militarmente superiores? &lt;span style=&quot;mso-spacerun:yes&quot;&gt; &lt;/span&gt;Os bárbaros, os canibais, as tribos de guerreiros nômades, condenam-se à miséria perpétua, pois a aposta nos ganhos imediatos da falta de escrúpulos (pilhar é mais fácil do que produzir) destrói suas chances de crescer. Um bando armado no qual, na hora de dormir, teme-se que os colegas do dia anterior metam-lhe uma faca no peito para garantirem o almoço de amanhã não é uma instituição particularmente estável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language:PT-BR&quot;&gt;Portanto, parece-me inverossímil que os maus sejam organizados e poderosos e os bons solitários e indefesos. Notem que nossa situação difere da do filme apenas em grau: todos morreremos, e a espécie humana certamente se extinguirá (ao final do processo irreversível de entropia cósmica, se não antes). Só mudam o número de gerações até essa data terrível (uma ou duas no filme, indeterminadas, provavelmente muitas, no nosso caso). Vamos já para a guerra de todos contra todos? Para quê construir, se dá trabalho e tudo virará pó? É aí que entra a esperança transcendental (não necessariamente religiosa), o reconhecimento de valores que vão além da vida humana, à qual os protagonistas estão abertos, e que os difere da massa de malvados. No fim das contas, é isso que os salva. Tomistas e agostinianos alegram-se em pleno acordo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>http://tavista.blogspot.com/2010/05/estrada-e-natureza-humana.html</link><author>noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>