<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" standalone="no"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-19469890</atom:id><lastBuildDate>Fri, 25 Oct 2024 04:37:31 +0000</lastBuildDate><title>the man with no land</title><description></description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Unknown)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><xhtml:meta content="noindex" name="robots" xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml"/><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-7378544203932974301</guid><pubDate>Tue, 03 Mar 2009 02:23:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-03T03:20:28.428+00:00</atom:updated><title>the bullet</title><description>há alturas em que estou tão bem, mas que pelo acumular de tensões e situações, rapidamente revelo as minhas fraquezas&lt;br /&gt;há alturas em que viver é fodido.&lt;br /&gt;dá vontade de partir para a guerra.&lt;br /&gt;...ir contra a primeira bala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de peito aberto.&lt;br /&gt;combater o inimigo que há na minha existência.&lt;br /&gt;esse inimigo sou eu próprio também. de que outro inimigo se pode falar?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou eu caído numa sombra.&lt;br /&gt;é nessa sombra que se encontra o inimigo e o monstro.&lt;br /&gt;um monstro devorador de emoções.&lt;br /&gt;é um furacão. é &lt;i&gt;Tuphōn&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;não há como vencê-los porque são aliados sem Luz.&lt;br /&gt;eu pelo menos ainda não sei como o vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gostava de poder pegar na minha espada e confrontá-lo frente a frente.&lt;br /&gt;a minha carne em frente à dele.&lt;br /&gt;e atirar-me como se fosse um guerreiro de Esparta. sem medo. confiante da vida. confiante no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas eu não encontro essa sombra onde habita &lt;i&gt;Tuphōn&lt;/i&gt; e o meu espelho inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se derrotar &lt;i&gt;Tuphōn&lt;/i&gt; abro luz sobre a minha sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui tenho que o acusar.&lt;br /&gt;tenho que o trazer a alguma Luz.&lt;br /&gt;há que o chamar à rua. trazê-lo à Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas há dias que se eu tivesse a minha espada eu correria de olhos bem abertos para o seu centro de tempestade.&lt;br /&gt;e hoje,...&lt;br /&gt;se hoje eu já soubesse em que recanto dos infernos faz o ninho este dragão,&lt;br /&gt;mesmo esgotado e sem energias,&lt;br /&gt;aguardando que a carne se desprenda dos ossos,&lt;br /&gt;eu arrastar-me-ia até onde a respiração me levasse.&lt;br /&gt;e nesse momento quase final, do meu último fôlego sairá um berro suplicante que o fará aparecer pare me devorar uma vez mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de sua casa &lt;i&gt;Tuphōn&lt;/i&gt; consegue chegar até mim pois não é uma distância geográfica.&lt;br /&gt;ele habita nas emoções que procuro.&lt;br /&gt;consegue chegar até mim porque também me tenho como inimigo do lado dele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as coisas vão mudar.&lt;br /&gt;eu vou para a guerra.&lt;br /&gt;correr contra a bala disparada pora mim.</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2009/03/bullet.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-8676366669738503382</guid><pubDate>Fri, 11 Jul 2008 02:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-11T04:27:01.229+01:00</atom:updated><title>when the birds calls me to come down to earth</title><description>aqui são exactamente 3a.m.&lt;br /&gt;precisei umas horas valentes para sair do meu estado de fascinação pelas coisas que hoje vi.&lt;br /&gt;viajo poucas vezes de forma física.&lt;br /&gt;devia fazê-lo mais vezes, pois qualquer coisa que vejo de diferente é um fascínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao longo da minha viagem de metro, que quase me obrigou a percorrer a linha vermelha de lés-a-lés, 3 situações (+1) com muito em comum foram-me presenteadas por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alguém&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo estava húmido e seco.&lt;br /&gt;algumas nuvens no céu. nuvens altas que quase apagavam o sol.&lt;br /&gt;mas o sol ia aparecendo. estava muito calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saí da cidade e começo a entrar num meio absolutamente rural.&lt;br /&gt;o espaço envolvente do metro de superfície deixa de ser cinza e fechado, para ser verde e soalheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;linda esta abertura do campo de visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao longo do percurso passo pelo aeroporto e avisto algo que para mim é raro: um avião bem pertinho do chão a fazer uma aterragem.&lt;br /&gt;como ia em sentido inverso ao da aeronave quase parecia que ele planava.&lt;br /&gt;escondeu-se por detrás de umas árvores.&lt;br /&gt;eu logo tentei ver por onde ele seguia, e felizmente a linha torneava essas árvores revelando novamente o avião a poisar.&lt;br /&gt;já tinha passado por este local outras vezes e nunca tinha visto uma aterragem assim. tudo muito devagar... muito lento... parecia que o tempo parava para eu assistir ao evento com toda a calma.&lt;br /&gt;era da Lufthansa onde o logo é uma ave. não é difícil que o logo de uma companhia aérea seja algo que voe, mas eu fiz questão de reparar quem é que andava por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acomodei-me novamente no assento.&lt;br /&gt;deixei-me passear pelos campos de milho ladeados por pequenos bosques repletos de várias espécies de árvores.&lt;br /&gt;adoro esta viagem. relaxa-me muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais à frente olhei para uns postes eléctricos que estavam bem no meio dos campos e reparei que nos cabos estava parado um pássaro.&lt;br /&gt;não era uma pomba ou gaivota... era algo dali dos bosques. mais próximo à rapinagem.&lt;br /&gt;saltou para o ar num voo calmo e mergulhou ali entre as ervas.&lt;br /&gt;novamente o tempo estava a meu favor.&lt;br /&gt;mexi-me do lugar para ver o que aconteceria depois, mas só consegui entender que se perdera entre as tais ervas altas. o metro avançou e não esperou pelo meu fascínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;interessante.&lt;br /&gt;dois voos bonitos de serem vistos.&lt;br /&gt;relaxei novamente até chegar ao meu destino.&lt;br /&gt;foi uma hora de viagem.&lt;br /&gt;fui a uma reunião de trabalho.&lt;br /&gt;não levou muito tempo e retornei logo que pude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chego ao meu destino de origem.&lt;br /&gt;tenho que passar numa rua bem inclinada, onde está colocado um prédio enormíssimo.&lt;br /&gt;como a rua é inclinada eu olho mais para cima.&lt;br /&gt;num momento do meu olhar reparo no ponto mais alto do prédio que pertence a um hotel.&lt;br /&gt;novamente um pássaro a pairar no ar durante algum tempo.&lt;br /&gt;era por certo uma pomba que apanhou uma camada de ar quente e gozou aquele prato todo.&lt;br /&gt;esteve muito tempo a pairar. e eu parei o meu andar para a ver.&lt;br /&gt;foi como se alguém dissesse para olhar para aquele ponto do mundo.&lt;br /&gt;com toda a casualidade do olhar, olhei para cima para prestar atenção ao que acontecia ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ave planava no voo.&lt;br /&gt;e a dada altura mergulhou para entrar numa varanda do prédio.&lt;br /&gt;mas não entrou logo.&lt;br /&gt;voltou a subir.&lt;br /&gt;e voltou a descer novamente.&lt;br /&gt;entrou na varanda.&lt;br /&gt;voltou a subir de novo.&lt;br /&gt;planou um bom pedaço e depois eu continuei o meu percurso como se alguém dissesse: "ok, prossegue agora com o teu caminho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cheguei a casa para pousar a mochila.&lt;br /&gt;fiz uma série de coisas antes de sair e fui até à cozinha onde estava uma daquelas traças lindas que se cola à superfície e tem uma cor creme com dois olhinhos em cada asa.&lt;br /&gt;só que ela estava no chão.&lt;br /&gt;tentei pegar nela para fazê-la voar.&lt;br /&gt;toquei-lhe na asa e ela saltava à toa.&lt;br /&gt;voava um pouquinho e logo voltava ao chão da cozinha.&lt;br /&gt;virada ao contrário, de patas para o ar, ou mesmo virada para baixo.&lt;br /&gt;ela não parecia importar-se com o facto de ficar virada de pernas para cima!&lt;br /&gt;eu insistia que ela ficasse confortável numa posição mais natural já que ela não queria sair do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;questionei-me porque raio assisti a 3 situações de aterragem?&lt;br /&gt;ao início pensei que algo me dizia para arriscar mais na minha vida. o voo é sempre algo arriscado.&lt;br /&gt;mas a pensar mesmo bem, o mais difícil do voo é voltar a pisar uma superfície estável.&lt;br /&gt;seja como for só estava a ver o lado da mensagem para voar alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a mensagem não é essa não. ou antes não é só essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho passado por situações diversas de ansiedade.&lt;br /&gt;o meu caminho tem sido farto de ansiedade.&lt;br /&gt;desce à terra.&lt;br /&gt;lida com a realidade.&lt;br /&gt;hoje disseram-me que tenho que sair de onde estou a morar porque é nocivo.&lt;br /&gt;não me deixou triste.&lt;br /&gt;tenho que descer à terra para poder arriscar convenientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que é estranho é quando as mensagens são faladas através de coisas, objectos, animais, situações que estão no meio do nosso dia banal...&lt;br /&gt;quando vi o pássaro no hotel, quando retomei o meu caminho senti um arrepio doce pelo corpo.&lt;br /&gt;e agora quando percebi que tenho que assentar os pés na terra voltei a sentir o mesmo.&lt;br /&gt;esquecer um pouco a minha fantasia.&lt;br /&gt;e olhar para o chão firme.</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2008/07/when-birds-calls-me-to-come-down-to.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-442490690046046321</guid><pubDate>Mon, 07 Jul 2008 06:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-07T08:58:32.873+01:00</atom:updated><title>dream of the flyboy</title><description>acordei agora.&lt;br /&gt;lento. muito lento.&lt;br /&gt;os braços cansado.&lt;br /&gt;a boca cerrada ainda tensa.&lt;br /&gt;a vista semi-cerrada.&lt;br /&gt;os dedos escrevem lento.&lt;br /&gt;a cabeça a recordar o pormenor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordava e revirava-me na cama.&lt;br /&gt;estava de braços torcidos para a frente.&lt;br /&gt;a respiração ofegante. chegava a roncar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;adormeci lento...&lt;br /&gt;recordo-me de tudo.&lt;br /&gt;estava marcada uma sentença de morte de um homem.&lt;br /&gt;eu fui assistir.&lt;br /&gt;não havia pena de morte.&lt;br /&gt;mas não era preciso haver. ele morre na cadeia por maus tratos.&lt;br /&gt;era assim a pena de morte.&lt;br /&gt;adormecida nos calabouços, com acordares repentinos e horríveis.&lt;br /&gt;saí da prisão e estou numa tenda a escrever&lt;br /&gt;"the man falled in the pit of Life" algo assim. Com uma lapiseira que estava no bolso do peito do homem que ia morrendo, amarrado ao fundo de um corrimão de madeira esculpida, ao fundo da escadaria dos calabouços da prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;havia uma ida ao cinema.&lt;br /&gt;marcada com a minha mãe e irmã.&lt;br /&gt;alguém comprava bilhetes com dias de antecedência.&lt;br /&gt;ao chegar ao gigantesco centro comercial fomos jantar.&lt;br /&gt;fomos então para a sala de cinema, nos confins dos últimos andares.&lt;br /&gt;estava cansado. centenas de milhares de pessoas.&lt;br /&gt;chão colorido alcatifado. luzes. parecia um espectaculo da broadway.&lt;br /&gt;luzes, cores. uma azafama de gente normalizada. risos, choros, conversas. conversas de família, de amigos e de namorados, entre amigas.&lt;br /&gt;perco-me da minha mãe e irmã. ah a minha sobrinha também vai. é bem mais nova do que é na actualidade.&lt;br /&gt;reparo que as vejo à entrada da monstruosa sala de cinema.&lt;br /&gt;são várias salas. é um centro comercial.&lt;br /&gt;escadas rolantes até ao céu.&lt;br /&gt;torre de babel.&lt;br /&gt;alguém me passou o meu bilhete para as mãos. antes.&lt;br /&gt;filas de gente para entrar.&lt;br /&gt;eu vou aos wc's.&lt;br /&gt;entro na primeira porta de acesso aos wc's&lt;br /&gt;um imenso corredor curvo segue para a direita e esquerda.&lt;br /&gt;em frente diz "wc crianças meninas".&lt;br /&gt;as paredes e portas em frente à porta por onde entrei são em metal fosco, mas brilhante. o resto do chão é tijoleira escura... parece que há uma gradação de um espaço no outro... o espaço dos corredores do cinema, para o dos corredores dos wc's...&lt;br /&gt;do "wc das crianças meninas" sai alguém, um homem com um ar super natural. e logo entra outro. não, não se trata de pedofília ou cena prevertida de wc de centro comercial.&lt;br /&gt;é muita gente a ir às casas-de-banho e as crianças vão acompanhadas dos pais, mas são raras estas situações, e então os adultos aproveitam o acesso mais rápido a estes wc's.&lt;br /&gt;mas eu penso para mim "não vou a estas casas de banho... se entra alguém vou ficar mal visto, vai parecer mal para a criança. não vou querer confundir ninguém. as casas de banho são para os miúdos. preciso respeitar os seus espaços. é importante que eu respeite os seus espaços." e os espaços são sagrados para mim, sobretudo não sendo "meus".&lt;br /&gt;as portas têm daquelas janelas redondas. e não passa luz por elas.&lt;br /&gt;continuo para a esquerda e uns bons largos passos mais à frente são as casas de banho para crianças meninos.  sem actividade por serem demasiado longe.&lt;br /&gt;regresso para trás. subo umas escadas.&lt;br /&gt;em frente são os wc's para adultos: senhores. não se entrava para um compartimento fechado.&lt;br /&gt;era o que procurava.&lt;br /&gt;urinois urinados. à altura da minha cabeça... estava um homem a urinar enquanto subia as escadas. acabou. só podia ser gigante para poder urinar àquela altura.&lt;br /&gt;urinois à esquerda e um fileira de lavatórios separava e deva privacidade a quem urinasse. o corredor da casa de banho seguia do lado direito do corredor das casas de banho.&lt;br /&gt;acabei por não urinar... perdi a vontade... não que o aspecto fosse nojento. não. tudo estava aparente limpo. mas o aluminio notava-se manchado e molhado de urina.&lt;br /&gt;não cheirava mal. pois o chão era sempre limpo. havia também aromatizadores de espaço. mas o espaço não cheirava a nada.&lt;br /&gt;segui para a minha sala de cinema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;corredores longos deviam levar-me à maior sala de cinema do mundo.&lt;br /&gt;os gongos de entrada já tinham dado há uns minutos.&lt;br /&gt;estou sozinho pelos corredores.&lt;br /&gt;dou um salto e na queda começo a voar.&lt;br /&gt;rapidamente percorro metros e metros de corredor em tons rosa e outras cores calmas...&lt;br /&gt;todo o cinema tem cores preduminantemente rosa. parece um jardim de calmaria aparente.&lt;br /&gt;cheira obviamente a pipocas e cola de alcatifa...&lt;br /&gt;e tudo tem sempre aparência de novo. sem o ser. há um desgaste dos materiais que é controlado sem saber como é.&lt;br /&gt;eu por certo não vou desgastar nada.&lt;br /&gt;voo suave pelos corredores.&lt;br /&gt;diverte-me este voo.&lt;br /&gt;sinto-me mto bem.&lt;br /&gt;rodopio.&lt;br /&gt;é como se estivesse nos braços de uma mulher. a fazer amor. sentados um sobre o outro. frente a frente. pernas abertas. encaixados. olhos-nos-olhos. as mãos passam pelas costas. abraçam-se. beijam-se. aproximam-se. eu e esta mulher incógnita. bonita, suave, cabelo loiro semi ondulado natural.&lt;br /&gt;gozam suave pelos corredores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chego perto da minha sala.&lt;br /&gt;é um átrio especial de acesso à sala.&lt;br /&gt;tenho q descer umas escadas.&lt;br /&gt;à direita e à esquerda. há escadas.&lt;br /&gt;ao centro uma estranha escultura em fibra de vidro e um orifício em elipse... parece uma vulva.&lt;br /&gt;proibidíssimo passa por ali, mas eu ouso e acedo ao piso inferior por aí mesmo.&lt;br /&gt;desço em voo. agarrando-me às paredes da vulva. desço em elegância.&lt;br /&gt;entro de cabeça. coloco as mãos à frente para me agarrar. dou uma cabalhota. um pé primeiro toca no chão, o outro a seguir. liberto uma mão da vulva, em seguida liberto a outra.&lt;br /&gt;as meninas das portas da sala reparam e dizem-me que não posso fazer aquilo.&lt;br /&gt;sorrio e peço desculpa pela minha ousadia.&lt;br /&gt;empatizam comigo. é pela simpatia e carinho imposto nas minhas palavras.&lt;br /&gt;uma delas entra na sala.&lt;br /&gt;a outra aguarda que eu me chegue perto dela para entrarmos na sala.&lt;br /&gt;as portas largas.&lt;br /&gt;o filme já começou há algum tempo.&lt;br /&gt;sobe-se uma rampa de acesso à sala.&lt;br /&gt;a menina segue à minha frente.&lt;br /&gt;o meu andar é tão leve que os meus pés levantam voo novamente.&lt;br /&gt;fico planar no ar.&lt;br /&gt;a menina olha para mim e olha rapidamente para a frente como que embaraçada.&lt;br /&gt;mas eu mantenho-me a pairar.&lt;br /&gt;quando chegamos ao fim da rampa ela volta a olhar e sussurra "baixa! desce! pára com isso", num tom doce, candido até, tocando-me nos pés para me fazer acentar os pés no chão.&lt;br /&gt;a mulher que me diz isto é uma loira; cabelo semi-ondulado... pele esbranquiçada... rosto esguio elegante. linda mulher. formas femininas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a sala é assombrosa.&lt;br /&gt;cadeirões com estofos em couro.&lt;br /&gt;estamos bem cá em cima.&lt;br /&gt;deve ter 10.000 lugares.&lt;br /&gt;tem plataformas vip em colunas de madeira. avisto a minha irmã, sobrinha e a minha mãe.&lt;br /&gt;estão nuns lugares horríveis.&lt;br /&gt;o filme já tinha começado há muito.&lt;br /&gt;era algo que eu já tinha visto. um bom filme.&lt;br /&gt;ficava lá mesmo em baixo. a sala gigante. um pé direito aberrante.&lt;br /&gt;como os lugares não estavam todos ocupados estava na hora das pessoas se movimentarem para arranjarem lugares melhores.&lt;br /&gt;eu falei para elas se dirigirem para sitios melhores.&lt;br /&gt;a minha irmã tinha uma coluna das tais plataformas vips bem à frente dela. era chamado o lugar morto. eu digo-lhe "vai para outro sítio que daí não vais ver nada"&lt;br /&gt;elas separam-se, mas sinto que não há problema neste afastamento.&lt;br /&gt;eu vou procurar o meu lugar.&lt;br /&gt;há muitas pessoas a venderem coisas pelos corredores.&lt;br /&gt;parece uma feira. melhor um circo autentico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontro vários possíveis.&lt;br /&gt;um ao lado de um casal com uma menina que não deve ter mais do que 5 anos.&lt;br /&gt;o pai ao lado da filha. a mãe no lugar atrás. pergunto se o lugar ao lado da filha está disponível ao que me respondem: "não, não está. escolha outro." ficaram com medo que fizesse mal à menina.&lt;br /&gt;outros por ali, mais abaixo estavam livres.&lt;br /&gt;mas não me satisfaziam.&lt;br /&gt;desci uma escadaria enorme.&lt;br /&gt;uma outra menina da sala diz-me para descer bem lá para baixo.&lt;br /&gt;entro numa fila central e sento ao dentro de um cadillac aplicado a meio da sala.&lt;br /&gt;as cadeiras aqui são todas almofadadas. já não são em couro.&lt;br /&gt;mas curiosamente, os melhores lugares de uma sala são estes mais centrais. vulgarizou-se q os melhores são os últimos...&lt;br /&gt;patetice.&lt;br /&gt;sentei-me ao lado de um bebé.&lt;br /&gt;meti o cinto de segurança e fiquei ali com o menino.&lt;br /&gt;estava sozinho. estranhamente sozinho.&lt;br /&gt;alguém o vigiava na fila anterior.&lt;br /&gt;comecei numa conversa infantil com o bebé. nada de mais.&lt;br /&gt;o carro a dada altura começa a mexer-se.&lt;br /&gt;eu faço mais piroetas.&lt;br /&gt;e o carro fica em desiquilibrio.&lt;br /&gt;reparo que a proxima fila de lugares fica a uma distância enorme.&lt;br /&gt;e abaixo do cadillac ficam sucalcos de uma especie de terrenos baldios da sala gigante.&lt;br /&gt;subitamente o cadillac começa a cair.&lt;br /&gt;só me lembro do bebé.&lt;br /&gt;começamos a cair e eu tento controlar o embate.&lt;br /&gt;a sensação é terrível.&lt;br /&gt;o primeiro sucalco fica longe. é uma altura tenebrosa.&lt;br /&gt;o chão chega devagar e o embate é pesado.&lt;br /&gt;o carro não se desfaz e seguimos para o sucalco seguinte. arrebentamos umas estranhas barreiras de segurança.&lt;br /&gt;descemos pela sala abaixo.&lt;br /&gt;arrebentamos com lugares vazios. cadeirões de sala de cinema saltam à nossa frente.&lt;br /&gt;o bebé ri e diverte-se.&lt;br /&gt;eu estou com medo.&lt;br /&gt;ao descer o medo desaparece por causa do riso do bebé.&lt;br /&gt;chegamos até à tela de projecção.&lt;br /&gt;e prosseguimos.&lt;br /&gt;esticamos a tela. a imagem nela projecta vai-se deformando.&lt;br /&gt;eu olho para trás e a colossal sala de cinema olha para a tela com medo e paixão expressos nas faces.&lt;br /&gt;estamos vivos.&lt;br /&gt;a tela estica. estica. estica.&lt;br /&gt;a imagem deforma cada vez mais.&lt;br /&gt;um estouro enorme desfaz a tela.&lt;br /&gt;e entramos numa sala escura.&lt;br /&gt;mas o que fica além da tela?&lt;br /&gt;o carro parece vivo. e a nossa queda é livre.&lt;br /&gt;arrebentamos com a parede do fundo.&lt;br /&gt;estranhamente caímos no meio de filas de cadeiras.&lt;br /&gt;olho para o bebé para ver como ele está.&lt;br /&gt;bem. está bem.&lt;br /&gt;olho para a frente. e afinal o que estava em queda era a sala de cinema dentro do avião que nos transportava...&lt;br /&gt;o avião caía.&lt;br /&gt;batemos no chão.&lt;br /&gt;agora era o impacto.&lt;br /&gt;já tinha saído do cadillac e estava de pé na fila de cadeiras.&lt;br /&gt;o embate do avião no chão faz-me bater com as costas sobre as costas almofadadas do cadeirão.&lt;br /&gt;mas este era o primeiro embate.&lt;br /&gt;milhares de filas de cadeiras com pessoas estavam a sofrer o embate.&lt;br /&gt;agora iamos todos sofre o embate das cadeiras em queda.&lt;br /&gt;pego no bebé e encosto-o no meu peito. ele enrosca-se.&lt;br /&gt;eu sei que se não subir para cima da cadeira à minha frente ficarei com as pernas amputadas.&lt;br /&gt;subimos para a cadeira.&lt;br /&gt;aguardamos o 2º embate.&lt;br /&gt;um mar de cadeiras ordenadas desce...&lt;br /&gt;confio que o embate vai ser amortecido por uma enorme parede almofadada.&lt;br /&gt;tudo é esmagado contra esta parede. eu só penso quando é que chega o limite de contenção da espuma.&lt;br /&gt;sinto o peso das cadeiras e sussurrando digo ao bebé: "vai ficar tudo bem. vai ficar tudo bem. vai ficar tudo bem"&lt;br /&gt;o bebé relaxa no meu colo. é uma sensação de conforto mutúo.&lt;br /&gt;não há dor, apesar da destruição.&lt;br /&gt;de repente o caos pára.&lt;br /&gt;inspectores rapidamente entram no avião e tiram-me uma lapiseira da mão: "nós ficamos com isto. obrigado"&lt;br /&gt;eu viro-me e digo que temos que repetir toda a cena de novo pois não pode ser assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou no cadillac com o bebé.&lt;br /&gt;depois da queda as cadeiras vão fazer o 2º embate.&lt;br /&gt;o bebé ao meu colo está nervoso.&lt;br /&gt;estou com medo de perder o bebé ali no meio das cadeiras e de toda a confusão.&lt;br /&gt;começamos a ser esmagados contra a parede almofadada.&lt;br /&gt;alguma dor aparece desta vez.&lt;br /&gt;mas sei que o bebé está protegido comigo.&lt;br /&gt;ele está bem.&lt;br /&gt;vestido apenas com fralda.&lt;br /&gt;está nervoso e aquecido pelo meu calor.&lt;br /&gt;o caótico embate amortece finalmente.&lt;br /&gt;os inspectores entram e tiram-me a caneta do bolso da camisa.&lt;br /&gt;e eu berro: "não pode ser assim. já disse que não pode ser assim porque essa caneta era do meu pai..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a vida volta ao normal.&lt;br /&gt;volto várias vezes ao lugar onde o avião caiu.&lt;br /&gt;faço a minha vida normal.&lt;br /&gt;vou dar aulas.&lt;br /&gt;volto ao lugar onde caiu o avião.&lt;br /&gt;de uma das vezes volto com a minha madrinha.&lt;br /&gt;aproximo-me de uma superfície de madeira.&lt;br /&gt;uns tubos de secção quadrada, pintados de vermelho, apontados para o ar... na extremidade uma rodas de borracha...&lt;br /&gt;deviam ser uns carrinhos ou prateleiras de transporte, que o avião levava, e estavam ali empilhadas umas nas outras, superfície com superfície.&lt;br /&gt;algo aconteceu porque me deu uma vontade louca de chorar.&lt;br /&gt;deito meio corpo sobre uma das prateleiras e começo a soltar um gemido ensordecedor que se vai misturando com o som do rasgar de um avião a jacto a entrar na atmosfera.&lt;br /&gt;o som vem de dentro de mim.&lt;br /&gt;não passa nenhum avião.&lt;br /&gt;é ensordecedor.&lt;br /&gt;e a potência do som faz levantar um vento fortíssimo.&lt;br /&gt;como se eu tivesse engolido uma turbina de uma avião.&lt;br /&gt;a minha madrinha tranquila, no meio daquela ventania: "não sei porque não deixas soltar o choro".&lt;br /&gt;banho-me em lágrimas.&lt;br /&gt;é um rio de lágrimas a ensoparem-me a cara e a tal superfície de madeira gasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou acordando a gemer de igual forma que no sonho.&lt;br /&gt;só que sem chorar&lt;br /&gt;o gemido traduz-se dpois numa respiração ofegande e, consquentemente num roncar ensordecedor.&lt;br /&gt;sinto os meus braços torcidos entre eles.&lt;br /&gt;e o meu corpo sobre os meus braços a prendê-los.&lt;br /&gt;rebolo-me para a direita. abro os braços. acalmo. e sinto o conforto do bebé ainda no meu peito.&lt;br /&gt;recordo-me lentamente de tudo.&lt;br /&gt;ouço os melros lá de fora. e na escuridão por estar com os olhos fechados aparecem jardins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devagar, preparo-me para escrever este sonho...</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2008/07/dream-of-flyboy.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-2815739429785164871</guid><pubDate>Sun, 29 Jun 2008 02:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-29T04:39:00.708+01:00</atom:updated><title>emptiness part 3</title><description>estes últimos dias têm sido plenos de coisas novas e boas.&lt;br /&gt;pleno? momentos plenos no vazio?&lt;br /&gt;quando o vazio começa a encher é bonito de o sentir a encher.&lt;br /&gt;só esvaziado se valoriza o que vai nascendo. ou re-nascendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poder estar com alguém, inteiro...&lt;br /&gt;é um privilégio que não acontece todos os dias. não acontece mesmo todos os dias.&lt;br /&gt;estive com a Luz ontem.&lt;br /&gt;sem o tempo.&lt;br /&gt;a Luz este sempre presente, connosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fecho os olhos devagar a saborear as imagens que gravei dos momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aos poucos ia reparando como ela é de uma beleza explosiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela tem-me ensinado coisas muito importantes.&lt;br /&gt;chego-me a assustar com este tempo que tenho aprendido a viver.&lt;br /&gt;com calma. com tempo. aprender a ter tempo, a deixar o tempo fluir. a alargar o tempo.&lt;br /&gt;sinto-me nas suas mãos como se tivesse a flutuar em água que posso beber.&lt;br /&gt;dou alguns goles. embora a minha sede seja terrível, eu aprendo a beber com tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim, deixo-me ir nestas águas profundas. flutuando com paixão, ousadia, risco.&lt;br /&gt;ela ensina e permite-me flutuar. ela abre espaço para eu mergulhar. para eu me assustar. para eu me agarrar com o medo,... e depois soltar. é isto que sinto.&lt;br /&gt;não tenho medo de sentir tudo isto, mas tenho medo do escuro. tenho medo do que não conheço.&lt;br /&gt;flutuar sob estas águas profundas assusta profundamente.&lt;br /&gt;não se conhece o amanhã. é por isto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quando a ansiedade abate sobre mim...&lt;br /&gt;ansiedade por querer mais. por querer ser arrebatado. por querer beijar mais. ansiedade por encher-me por completo. ansiedade por amar e provar que posso amar. ansiedade por explodir-me. ansiedade por me sentir pleno, homem completo, homem eficaz. ansiedade por encher de prazer, por ser desejado. por ser preciso. por ser único. por viver na sua vida. ansiedade por construir, por estar presente. por arquitectar. por participar. ansioso por ser seu parceiro. cúmplice. ansiedade por atingir essa parceria. ansioso por eliminar idealizações e expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tantas ansiedade.&lt;br /&gt;tantos medos.&lt;br /&gt;quando é que isto vai mudar?&lt;br /&gt;parece que não cresço.&lt;br /&gt;parece que não vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é por isto, talvez, que o homem não tenha terra...&lt;br /&gt;o homem percorre a pradaria. solitário.&lt;br /&gt;prospectando por algum filão de terra fértil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem cavalo.&lt;br /&gt;apenas a sua roupa gasta. as suas botas sujas.&lt;br /&gt;são as únicas armaduras contra o pó e o tempo.&lt;br /&gt;tecidos vulgares apenas.&lt;br /&gt;e um resistente par de botas que o seguram a cada passo nessa terra quente e grosseira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa terra quente e grosseira não é infértil. não. não é não.&lt;br /&gt;apenas não é a terra certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi um privilégio enorme.&lt;br /&gt;é um privilégio enorme.&lt;br /&gt;sei que vais achar exagero.&lt;br /&gt;digo isto consciente e tranquilo porque sei a diferença entre estar com quem se gosta ou estar com quem se precisa.&lt;br /&gt;e é por estar a gostar que sinto que é um privilégio este contacto.&lt;br /&gt;ensinas-me.&lt;br /&gt;por isso, ensina-me mais.&lt;br /&gt;sei que pode doer.&lt;br /&gt;sei que já doeu.&lt;br /&gt;sei que estou a aprender a ser maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apetece-me falar mais coisas que sinto.&lt;br /&gt;mas seriam coisas de um apaixonado meloso e isso eu já vivi antes e resultou numa diluição do mel na água. coisa sem sabor.&lt;br /&gt;por isso em vez de me desfazer na água vou procurar ser mais consistente e consequente.&lt;br /&gt;mais forte.&lt;br /&gt;vou procurar mergulhar mais fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a terra não é vazia.&lt;br /&gt;é vasta.&lt;br /&gt;é preciso andar muito sobre ela.&lt;br /&gt;tal como é preciso flutuar nas águas profundas quando se encontram águas profundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ando devagar nesta terra árida.&lt;br /&gt;flutuo suavemente nessas águas límpidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gosto muito de tudo isto.</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2008/06/emptiness-part-3.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-7489392922178776379</guid><pubDate>Fri, 20 Jun 2008 03:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-20T05:25:08.202+01:00</atom:updated><title>emptiness part 2</title><description>voltei.&lt;br /&gt;algo se passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fechei a luz e deitei-me a pensar no dia de hoje.&lt;br /&gt;reparei que tenho vivido vários baldes de água fria.&lt;br /&gt;bom, vários não. alguns apenas. mas cada balde destes não tem só água fria não.&lt;br /&gt;é um balde de ensinamento.&lt;br /&gt;ensinam-me a ser mais consistente, a ser mais certeiro, a ser mais assumido no que quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero mulher. quero copular. quero esvaziar-me da minha energia sexual. quero tocar. quero abraçar. quero envolver o meu corpo no outro.&lt;br /&gt;e tudo isto, só assim é visto de forma grosseira, pois dizem que não há amor neste querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha mão direita sinto-a suave.&lt;br /&gt;a minha mão esquerda sinto-a perplexa, triste, estranhamente vazia para falar.&lt;br /&gt;quase... sem sentimento. quase... paralisada. perplexa pelas recusas. perplexa por se ver desejada.&lt;br /&gt;a minha mão direita sinto-a livre de qualquer olhar. como se absorve-se cada segundo que vive com prazer. e compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deitei-me a pensar o que poderia fazer a esta hora.&lt;br /&gt;a quem podia ligar para poder tocar.&lt;br /&gt;a quem me podia apresentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ninguém vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então saí dessa ideia e procurei criar.&lt;br /&gt;desviar o meu desejo para a criação.&lt;br /&gt;mas sinto o meu corpo todo pulsante.&lt;br /&gt;e estou longe do local de criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem chance.&lt;br /&gt;fico nesta bolha de silêncio.&lt;br /&gt;aguardo que amanheça.&lt;br /&gt;que o cansaço e o sono se deitem comigo.&lt;br /&gt;que o pensamento se esvazie também.&lt;br /&gt;e que o corpo encontre uma frequência mais baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ouço o sangue a pulsar no meu tímpano.&lt;br /&gt;sinto-me dentro de um balão de borracha.&lt;br /&gt;todo o som parece plastificado.&lt;br /&gt;é uma cadência certa, mas plástica.&lt;br /&gt;sinto todo o coração. o meu corpo como um coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um corte que faça é como uma artéria rasgada a esvair-se em sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;preciso de uma mulher. quero copular. quero toca-la. quero senti-la.&lt;br /&gt;mas tudo isto parece ser visto como algo grotesco, pobre, sem amor.</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2008/06/emptiness-part-2.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-6087006203152817996</guid><pubDate>Mon, 16 Jun 2008 07:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-16T08:40:53.910+01:00</atom:updated><title>emptyness part1</title><description>explica-me porque novamente me sinto inútil.&lt;br /&gt;consegues explicar esta sensação de vazio?&lt;br /&gt;onde parece que nada cria raíz.&lt;br /&gt;este é o homem sem terra alguma.&lt;br /&gt;é um homem que vaguei por todos os espaços sem deixar marca.&lt;br /&gt;é um homem trágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;explicas-me porque é que me sinto perdido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje saí de casa com uma raiva terrível.&lt;br /&gt;contra ti, contra todos.&lt;br /&gt;na verdade contra mim mesmo.&lt;br /&gt;sem entender porque motivo não consigo realizar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não dormi.&lt;br /&gt;levantei-me irado com a minha vida.&lt;br /&gt;levantei-me.&lt;br /&gt;tomei um banho rápido.&lt;br /&gt;arrumei a louça do fim de semana.&lt;br /&gt;desfiz a cama para deixar a sala arrumada.&lt;br /&gt;tudo como se estivesse atrasado...&lt;br /&gt;...atrasado para marcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...dizes-me porque vagueio por aqui à procura nem sei bem do quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2008/06/emptyness-part1.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-113721271709573183</guid><pubDate>Thu, 05 Jun 2008 01:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-05T04:37:32.954+01:00</atom:updated><title>Amar e Destruir</title><description>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;PARTE 1&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;parece que vivo obcecado por encontrar gente e mais gente.&lt;br /&gt;e tenho encontrado pessoas de uma Luz celestial.&lt;br /&gt;mas, ao mesmo tempo parece que a minha natureza tende não só para o autismo mas, também para amar e destruir.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;PARTE 2&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;ao fim de muito tempo tenho-me apercebido de muitas coisas.&lt;br /&gt;hoje o meu coração foi esfaqueado.&lt;br /&gt;parece uma coisa de assalto por um punhado de euros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho reparado que me refugio muitas vezes pelo medo que tenho em percorrer esta estrada.&lt;br /&gt;é a maior a estrada da vida. é a maior estrada que alguma vez nós pudemos conhecer.&lt;br /&gt;sim, já sei da lamechice que está a parecer. mas, parece também que hoje temos vergonha em encarar certas coisas de frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ontem eu dizia que tinha vergonha de usar a palavra romântico, quando alguém estava a ser romântico comigo.&lt;br /&gt;assim como tenho medo de usar a palavra apaixonado quando estou apaixonado por alguém.&lt;br /&gt;tenho medo, tenho vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho medo e tenho vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e são estes dois estados que me ensinaram a destruir.&lt;br /&gt;fujo insanamente do que tanto desejo.&lt;br /&gt;assim que me apaixono e conquisto viro louco barão a espoliar a cidade.&lt;br /&gt;é literal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;construir e destruir.&lt;br /&gt;e se possível evitar deixar marca.&lt;br /&gt;mas, na verdade, isto é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque tenho medo de me entregar, também tenho vergonha de me apaixonar. e vice-versa.&lt;br /&gt;só que curiosamente, eu apaixono-me diariamente.&lt;br /&gt;e não estou a ser lírico, não.&lt;br /&gt;só que nesta rotina quase industrializada em que eu próprio me deixei cair eu levanto subitamente as lanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao fim de algum tempo entendi uma coisa bem interessante:&lt;br /&gt;todos nós, aqui da terra somos uma peça de um puzzle qualquer. mas não somos uma peça que só encaixa apenas com determinadas peças de um puzzle maior. não. a complexidade é verdadeiramente mais bonita do que um puzzle chato e interminável.&lt;br /&gt;cada peça, cada um de nós, pode encaixar com qualquer outra peça. apenas porque somos matéria adaptável. podemos se quisermos.&lt;br /&gt;não é que não haja compatibilidade. porque há!&lt;br /&gt;somos TODOS compatíveis.&lt;br /&gt;precisamos apenas de nos entregarmos. e é muitas vezes isso que nós não queremos!&lt;br /&gt;eu sei porque esfaqueei vários corações que se entregaram e eu nem precisei de os conquistar.&lt;br /&gt;apenas de os desejar, só tive que os desejar... e esfaqueei-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;peguei nestes corações, ali bem directo no peito.&lt;br /&gt;não os arranquei.&lt;br /&gt;segurei-os.&lt;br /&gt;e esfaqueei-os sem qualquer emoção.&lt;br /&gt;retalhei-os.&lt;br /&gt;e assim ficaram a esvaziarem-se, a sofrer.&lt;br /&gt;e assim fiquei eu a ver a mirrarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é horrível ver isto.&lt;br /&gt;é horrível sair do meu corpo e ver esta monstruosidade a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas... ao fim das contas eu não sou diferente dos outros, inclusive dos corações destuídos.&lt;br /&gt;não sou mesmo.&lt;br /&gt;parece apenas que sou mas não sou.&lt;br /&gt;parece porque sou eu que estou a expor-me.&lt;br /&gt;mas, em algum momento, os portadores destes corações esfaquearam outros.&lt;br /&gt;pois é bem verdade que quando se ama e se destrói não há vítimas nem carrascos, porque não há quem ame ou seja amado - as coisas a existirem, existem mutuamente. ou seja, hoje amamos mais o outro, amanhã amaremos menos, e vice-versa. e mais, se alguém nos fere é porque permitimos. e muitas das vezes que dizemos estar feridos, o carrasco é o próprio.&lt;br /&gt;bom, é a tal da parceria.&lt;br /&gt;e por isso digo que não sou alguém especial na sua monstruosidade.&lt;br /&gt;não, para esse peditório eu já dei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;outra coisa que reparei nos últimos tempos, além desta coisa que somos todos uma espécie de puzzle de peças vivas e flexíveis, é então esta coisa do fugir de amar e outra ainda é o vaguear por paradoxos, ambiguidades, indecisões, todas convenientes.&lt;br /&gt;não saber o que não quero.&lt;br /&gt;não querer saber o que quero&lt;br /&gt;deixar-me na indefinição faz parte do meu jogo de conveniência para comigo mesmo mas, que no fim sou eu que saio a perder.&lt;br /&gt;não se vive rigorosamente nada.&lt;br /&gt;dizem-se coisas que não correspondem à verdade só porque naquela altura é o que a outra pessoa quer ouvir.&lt;br /&gt;usa-se e abusa-se da sedução.&lt;br /&gt;e do lado tímido sedutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas um dia, por estar cansado de uma vida farsante, metidos dentro de uma armadura, sem sentido. cansado de viver apenas nas fantasias, ou de viver apenas alguns segundos de horas completas. cansado de ir só para conquistar. cansado de amar a metade. e sobretudo cansado de destruir...&lt;br /&gt;decide-se por sair da armadura.&lt;br /&gt;ir em frente.&lt;br /&gt;ir todo.&lt;br /&gt;jogar com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nestes últimos dias fui uma pessoa muito bem disposta porque amei e fui amado.&lt;br /&gt;mas, ainda mais do que isso: porque me predispus a entregar-me. a arriscar. a viver.&lt;br /&gt;sem vontade de conquistar e destruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje esfaquearam-me o coração quando me disseram que afinal ainda não é a altura.&lt;br /&gt;mas eu aprendi coisas:&lt;br /&gt;na verdade fui eu que abri o peito.&lt;br /&gt;fui eu que deixei jogar com o meu coração sobre um tapete de facas!&lt;br /&gt;e sei que o meu coração retalhado vai ser cosido por mim e ficará bom novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amar e destruir não é coisa que queira voltar a viver de novo.&lt;br /&gt;eu sei que é fácil essa estrada.&lt;br /&gt;mas eu quero aprender a amar como eu sou: de peito aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizerem-nos que afinal não vai dar.&lt;br /&gt;que há coisas do passado que ainda estão por resolver.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;bom,... levar o tal do corte...&lt;br /&gt;eu fiquei foi com vontade de ir à luta.&lt;br /&gt;mas,... será que é o q faço melhor?...&lt;br /&gt;deixo rolar.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PARTE 3&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;mas estou bem triste.&lt;br /&gt;triste pela recusa&lt;br /&gt;e triste por me sentir novamente desamparado.&lt;br /&gt;entregue a mim mesmo...&lt;br /&gt;pensei eu que estava a construir algo de muito bonito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na verdade, construí.&lt;br /&gt;e construí mesmo.&lt;br /&gt;não deito nada fora do que vivi nos últimos dias.&lt;br /&gt;ai isto é que não vou destruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, estou bem triste por me ver novamente no espaço sideral...&lt;br /&gt;de cordão umbilical cortado.&lt;br /&gt;a vaguear novamente nú...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entrei no silêncio que me pediu.&lt;br /&gt;e isto eu sei fazer.&lt;br /&gt;mas,...&lt;br /&gt;sempre dói. por mais que não se queira.&lt;br /&gt;mas eu aceito o amor dela assim mesmo.&lt;br /&gt;sempre aceitei este amor assim.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PARTE 4&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;confesso já que suspeitava que aquele fosse o conteúdo da mensagem que ia ouvir.&lt;br /&gt;há coisas que não precisam ser faladas pois tornam-se excessivamente horríveis de se ouvir.&lt;br /&gt;eu olhava o céu da noite e dizia para mim mesmo que não valia a pena entrar naquele rio de ansiedade enquanto não soubesse ao certo aquilo que eu já sabia e que não queria saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tinha que registar este evento.&lt;br /&gt;porque para mim não me tiraram o tapete debaixo dos pés.&lt;br /&gt;mas a dureza dos factos faz-me ver que é realmente importante saber saborear os bons momentos. é realmente importante ver como se devem valorizar as coisas boas que nos acontecem mesmo que seja por um segundo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu entendo a situação.&lt;br /&gt;eu concordo com a proposta.&lt;br /&gt;não posso criar pressão, não posso criar chantagem emocional, não posso vitimizar-me. terei que colocar-me à parte, frente à sua opção.&lt;br /&gt;mas dá-me vontade lhe perguntar: mas, então as novas experiências que queres são as experiências pelas quais já passaste?&lt;br /&gt;mas como compreendo a tua incerteza!&lt;br /&gt;do fundo do meu coração compreendo-a.&lt;br /&gt;mas fico muito triste mesmo. não dá como não ficar assim. porque vejo que aqui perco alguma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coisa&lt;/span&gt; muito, mas muito boa mesmo!&lt;br /&gt;não fico nada zangado. como poderia ficar zangado?&lt;br /&gt;mas fico com vontade de te raptar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PARTE 5&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eu vivi obcecado por encontrar gente e mais gente.&lt;br /&gt;agora não tenho como não conhecer pessoas.&lt;br /&gt;agora deixo-me ir por este rio, qual Ofélia apagada da vida.&lt;br /&gt;mas por este rio fora, deitado sobre as suas águas calmas toco em gentes de bem.&lt;br /&gt;não imaginam a quantidade de pessoas Luminosas que se encontra quando relaxamos sobre a água e nos deixamos invadir,... e invadimos com carinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2006/01/amar-e-destruir.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-114687964431583581</guid><pubDate>Sat, 06 May 2006 01:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-05-06T05:44:39.160+01:00</atom:updated><title>na terra da tristeza</title><description>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;PARTE 1&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;há dias que não saio desta melancolia, deste peso ao acordar...&lt;br /&gt;há meses que este sentimento estalou aqui na terra.&lt;br /&gt;há anos que atravesso esta terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há tanto quanto o tempo em que a sensibilidade criativa se sente anulada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e como me sinto?&lt;br /&gt;a vaguear por esta terra árida, quente...&lt;br /&gt;a luz resplandece de uma maneira agressiva. o sol raia e trespassa a pele já seca. o vento também seco ajuda a desidratar.&lt;br /&gt;os lábios gretados oferecem à lingua os grânulos de areia depositados nas suas fendas.&lt;br /&gt;olha-se em frente e uma névoa densa de areias no ar é o único que se consegue vislumbrar.&lt;br /&gt;não há ninguém a parar todos andam em frente, seja lá o que signifique "andar em frente". andam em qualquer sentido mas, sempre no sentido posterior.&lt;br /&gt;ninguém pára.&lt;br /&gt;eu não vejo ninguém a parar.&lt;br /&gt;bom, vejo alguém que vai parando mas, logo continua. os estragos poderiam ser maiores quando nos tentamos inter-ajudar.&lt;br /&gt;na terra da tristeza, os que a atravessam; se entraram por si terão que sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o andar é lento, pesado.&lt;br /&gt;a visão é turva e cheia de miragens.&lt;br /&gt;as mãos, em tudo que tocam sentem texturas rugosas.&lt;br /&gt;os ouvidos ouvem nada, ou o ar que passa pelas ruas, pátios, espaços abertos...&lt;br /&gt;o andar é arrastado e os pés sentem todo o piso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a única coisa que me proteje é esta roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta terra tem um peso.&lt;br /&gt;é fácil saber como é esse peso: é o peso da tristeza. nunca entendi porque decidi atravessar esta terra.&lt;br /&gt;temo muitas vezes andar em círculo. círculos enormes, muito abertos, diâmetros que me fazem perder a memória dos locais por onde já passei.&lt;br /&gt;parece que não faço muito para sair desta elipse. será que faço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que sinto?&lt;br /&gt;é um vazio tão grande quanto esta terra. ou tão pequeno... ou tão, apenas.&lt;br /&gt;vazio de amizades.&lt;br /&gt;vazio de almas.&lt;br /&gt;vazio de sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que sinto é estar a correr para todo o lado sem saber qual escolher, sem sair daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um abandono de tudo. um distanciamento. um recolhimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na terra da tristeza só existe uma saída possível, que é a mesma por onde entramos, que é por nós que entramos, por isso só por nós podemos sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vejo os colegas a juntarem-se e eu vou ficando cada vez mais de fora. na verdade, eu sei bem que nunca fiz parte desse grupo.&lt;br /&gt;tive o meu. mas, que se diluiu.&lt;br /&gt;entendo que a minha maneira de ser possa ser cansativa mas, não acredito que tenha sido esse o motivo. talvez tenha sido outro. não importa, o meu grupo já não se encontra mais e dúvido que tenha algo a ver com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre entrei e saí de grupos. sou a visita temporária.&lt;br /&gt;creio que nunca aguentei muito as mesmas pessoas durante muito tempo.&lt;br /&gt;desprezei quem me irritava com a estupidez, a mesquinhices, a facilidade e a indiferença. irritava-me também ter menos possibilidades que eles. no entanto, obtinha melhores resultados, sem ter os mesmos meios técnicos e de contactos. hoje vejo-os a fazerem coisas, motivados por um sem número de gente. enquanto que eu vou definhando na minha estupidez e mesquinhez, na minha solidão.&lt;br /&gt;sinto-me num outro lado da cordilheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e eu vejo que do outro lado os outros passam informações entre si. algumas atenções vão caíndo por aqui mas, nem eles me chamam, nem eu vou lá.&lt;br /&gt;eu, os meus olhos vêm que crescem, que desenvolvem, que fazem acontecer.&lt;br /&gt;e eu vou-me sentindo mais distante, mais impotente, mais sem ferramentas, mais sem orientação.&lt;br /&gt;e com mais medo. de cometer mais erros.&lt;br /&gt;vou perdendo a elegância. vou sedimentando. estagnando.&lt;br /&gt;cair no que sempre me assustou: parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quanto mais fugimos mais vamos de encontro ao que nos perseguia. perseguimos aquilo do qual fugimos. um choque inevitável.&lt;br /&gt;sempre fugi para a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o facto de os ver lá, a fazer, a produzir, deixa-me furioso.&lt;br /&gt;a minha raiva e ódio resfrearam um bom bocado. estou bem mais doce. a agressividade resfreou também. estou a aprender a tolerar de novo, a estar com pessoas, a permitir-me que se cheguem, e chegar-me.&lt;br /&gt;mas, o tempo anda sempre e esse fantasma também aparece. tenho medo de não produzir nada. tenho medo de não ser reconhecido. tenho medo de ser esquecido.&lt;br /&gt;por isso preciso deles, dos outros.&lt;br /&gt;a minha tristeza vem desse facto, de não ser chamado para brincar. básico uma vez mais.&lt;br /&gt;medo de não ser necessário.&lt;br /&gt;esquecido no meio dos outros esqueletos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, hoje, na sociedade aonde ainda pertenço há um nota só: ou participas ou sais. não podes não participar quando queres. tens que estar sempre presente.&lt;br /&gt;ninguém nos chama se dizemos durante algumas das vezes que não podiamos/queriamos sair. mas, se aparecermos na festa somos o palhaço, todos querem brincar connosco.&lt;br /&gt;é perceptível esta imagem?&lt;br /&gt;para outras coisas já não somos chamados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou uma pessoa difícil, sou uma pessoa complicada, sou uma pessoa conflituosa.&lt;br /&gt;mas sirvo para resolver problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;também é fodido quando só nos chamam quando há merda.&lt;br /&gt;ainda por cima eu nem sequer resolvo todas as situações, como é óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;independente de tudo isso, o facto é que sinto-me vazio de amizades. não me sinto querido.&lt;br /&gt;bom, não estou a ser absolutamente justo. na minha vida há gente que me reconhece.&lt;br /&gt;a minha ignorância é que não valoriza esse reconhecimento. não me sinto querido é fora desses 2 ou 3 amigos. eventualmente nos meios mais banais.&lt;br /&gt;triste necessidade esta, a de sermos queridos onde não nos querem, onde se pratica o quotidiano. é triste mas, é a vida humana que a requer. precisamos de ser banais para sermos integros. custa admitir mas, é verdade que a banalidade é também uma característica humana e temos que a saber inserir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto-me vazio da alma.&lt;br /&gt;tenho desenhado a minha vida em torno de nada. não me ligo a ninguém. e não encontro definição em torno do que já vivi.&lt;br /&gt;bom, vou encontrando algumas coisitas.&lt;br /&gt;nesta terra algumas coisas conseguem ser encontradas.&lt;br /&gt;ao mesmo tempo esta terra vazia de gente... o que é esta terra?&lt;br /&gt;demasiado óbvia a resposta, e dolorosa.&lt;br /&gt;não encontro compromisso.&lt;br /&gt;nem correspondência.&lt;br /&gt;não encontro amor. nem sequer faço ideia do que isso possa querer dizer. não quero definir. se calhar não quero encontrar.&lt;br /&gt;muito provavelmente não quero encher a vida. e vou deixando que me enterre nesta terra que está seca. vou-me funeralizando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saí de casa dos meus pais para obter independência.&lt;br /&gt;obtive aí 70% dela.&lt;br /&gt;estou sempre a tinir. junto dinheiro para os tempos maus que vêm aí.&lt;br /&gt;estou novamente desempregado a ganhar pouco mais do que uma renda.&lt;br /&gt;desempregado.&lt;br /&gt;mas, sempre com uma rede... bom, sempre temos uma rede onde quer que estejamos. e em último caso temo-nos a nós. só é pena que nós não nos cheguemos na banalidade do dia... ou, será que nós não nos usamos na superficialidade do quotidiano, e nos guardamos para uma realidade mais dura?&lt;br /&gt;o que virá aí então?!&lt;br /&gt;mas, temos sempre uma rede, alguém ou alguma instituição que nos acolha, se formos minimamente certinhos.&lt;br /&gt;saí de casa e encontro-me 70% independente dos meus progenitores mas, 200% independente do meio físico e social.&lt;br /&gt;tanto queria a independencia que acabei por ter demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;precisava de reflectir-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que tenho?&lt;br /&gt;algum cansaço deste percurso e desta terra.&lt;br /&gt;e não sei como sair daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha alma não se encontra.&lt;br /&gt;não sei o que se pode chamar de alma mas, acho que também isso está abandonado por mim.&lt;br /&gt;a minha avó faleceu há alguns anos e ainda hoje sinto-me desamparado. a perda física dela não a sinto como sinto o vazio emocional.&lt;br /&gt;não encontro na religião qualquer interesse neste momento. deus não me diz nada, nem nunca me disse muito, a não ser temor e cabeça baixa. sim, esse deus-homem está longe de me tocar. se procuro alguma coisa, deus não é prioridade.&lt;br /&gt;independentemente de deus e da religião, acredito na minha avó. e muitas vezes sonho com ela, e é sempre divertido.&lt;br /&gt;e sempre que tento chorar procuro pensar nela já que não a chorei na altura, pois procurava fugir ao choro tentando respeitar a sua vontade de que não queria que ninguém chorasse a sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;custa-me falar da morte de quem gostamos.&lt;br /&gt;custa-me ver gente triste.&lt;br /&gt;custa-me ver gente a sofrer.&lt;br /&gt;não que algum dia gostasse do que referi mas, o problema é não saber como lidar. não querer encarar. fugir.&lt;br /&gt;sempre fugir.&lt;br /&gt;correr para vários lados e não sair do sítio.&lt;br /&gt;um histerismo.&lt;br /&gt;sim, um histerismo por uma impermanência e insconstância constantes e permanentes. como se eu fosse um fluxo de energia sempre em movimento, agarrado a nada. flutuante, que serve a função de electrificar, que serve servir apenas e não aprofundar.&lt;br /&gt;quando me pedem ajuda para o sofrimento eu simplesmente não sei responder sabiamente sobre o que a vida está a trazer naquele momento. principalmente quando são esses 2 ou 3 amigos que requerem a nossa atenção. é nada mais do que frustrante não ter muito a acrescentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não encontro sentidos.&lt;br /&gt;precisava de ganhar alguma orientação.&lt;br /&gt;saber o que quero.&lt;br /&gt;sim, já sei que toda a gente quer saber o q quer. não vou enterrar-me nesse pensamento do dia.&lt;br /&gt;preciso saber o que sou, para que sirvo, quais são as minhas funções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pergunta-me "o que fazes (profissão)?"&lt;br /&gt;responder "nem eu sei bem" tornou-se uma fuga já.&lt;br /&gt;já respondo com um tom jocoso e com desdém.&lt;br /&gt;não sei mesmo o que sou ou tenho vergonha de o dizer?&lt;br /&gt;eu podia fazer tanta coisa...&lt;br /&gt;essa situação é grave. devia poder fazer uma só coisa. seria mais fácil mas, eu nunca gostei da facilidade que a vida oferece. sempre segui o caminho mais sinuoso. sim, tenho essa consciência.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;fazer isto, fazer aquilo?&lt;br /&gt;que diferença faz?&lt;br /&gt;a falta de orientação leva à alienação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;EPILOGUE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;vazio de amizades (ainda que banais)&lt;br /&gt;vazio da alma (o corpo sente dor, a alma sente ausência)&lt;br /&gt;vazio de sentido (desorientado social, cultural, profissional, etc.,)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o irónico: saber que não estou sozinho e que isto não me basta.</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2006/05/na-terra-da-tristeza_06.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-19469890.post-113340062567694801</guid><pubDate>Thu, 01 Dec 2005 01:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2006-04-27T01:26:42.943+01:00</atom:updated><title>Ninguém da terra</title><description>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;PARTE 1&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;não estou mto sensibilizado, ou sensível, desde há uma boa série de anos.&lt;br /&gt;a criatividade desceu, o meu espírito crítico está confundido, a espontaneidade esvai-se na pornografia diária...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[há quem diga que a pornografia é o expoente do,... do quê?... do fim do desejo. o fim... pfff é tão distante e ilusório como a arquitectura de Boulée - na sua época claro! ultrapassadas as dificuldades técnicas poderemos atingir o fim... ppffff!!! que ansejo mais idiota. não vemos nós que o fim é o tempo presente? - pensamento idiotizante e ciclico.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;penso que o mais certo é estar num esgotamento constante.&lt;br /&gt;sou ineficaz, perco mto tempo a dar respostas e a única coisa com que consigo lidar bem é o erro. acontece que o erro não é o que mtos empregadores procuram! os empregadores n estão preparados para lidar com o erro dos empregados. com a sua ineficácia e a sua irresponsabilidade os empregados limitam-se a ser substituidos e a ser olhados de cima com o, bem claro e justo tom de reprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;consigo lidar bem com o erro?&lt;br /&gt;não. também não totalmente assim. lido,... bom, lido com o erro, aceito, e não perco mto tempo a procurar desculpas. encaixa-me bem o erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pq é q do erro pouca coisa se aproveita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;está bem, não sou mto interessado pela leitura - e considero a leitura algo que nos livra do erro. caiam-me tempestades em cima. prefiro espojar-me em frente a um ecran de frequência persistente, regular ou irregular, ou dançar como um louco e desidratar como um desalmado em frente a uma boa coluna d bom,... ou qq som, a ter que ler, ler, ler, somar letras atrás de letras,... sim, assumo a chatísse que é ler. tirando a leitura pornográfica de João Ubaldo Ribeiro na sua Casa dos Budas Ditosos. Nunca li nada tão rápido! e nunca fiz por que algo não acabasse tão depressa! prolonguei a última página durante duas semanas, a pensar que ainda tinha mais dez páginas para ler para o final, e assim poderia prolongar a proximidade do fim até mais tarde. surpresa desanimante foi quando, de repente, viro a tal 10ª página e na seguinte a folha estava em branco. algo se passava! algo ali me estava a ser comunicado... erro... página em branco... &lt;em&gt;file not found, end of file/document. file corrupted - bad CRC document can't be read&lt;/em&gt;!!!... Rai's partam Ubaldo e o seu erro de fim de página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorei outro: A Angustia da Influência. tb um livro franzino mas, de teor diabólico. somos presos em todas as teias até naquela que não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura que não me desafia aborrece-me de sono. Aguardo o fim do livro... como o fim é utópico... quase parece não ter fim.&lt;br /&gt;Por isso não aconselho ninguém a ler. Penso que tal conselho é de vir de dentro. não censuro a ignorância por falta de leitura. não censuro o erro pelo mesmo. a leitura é uma coisa chata que nos faz perder tempo. é como cozinhar a vapor, ou num fogão a lenha e cozinhar num micro-ondas. ver um filme ou ler o livro que serviu à adaptação, por qual ficamos?&lt;br /&gt;a falta de leitura leva-me ao erro. e com o erro eu vou-me encontrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais... q dor de barriga. Não os leio mto e cada vez os leio menos. O que se aproveita mesmo são algumas crónicas humoristas e satiricas. O que mtas vezes acontece é que caiem na acusação e o efeito é pouco incisivo. - Assim penso eu.&lt;br /&gt;os jornais têm 4 secções: 1 de notícias, outra leva com as crónicas e artigos de opinião, a secção cultural e recreativa onde se associam os classificados, e finalmente o desporto. a primeira é um tédio só: infelizmente as notícias não podem ser inventadas. são criadas mas, inventadas já é exagerar. são criadas pq a realidade é tão repetitiva e tão cheia de erros porque, não se pode passar à fase seguinte enquanto o erro não for resolvido e então há que repetir, que é imperativo dar um cheirinho de qq coisa à notícia. mas, o substrato é o mesmo de há dois ou três meses atrás. a politica nacional é miserável - os desgraçados dos jornalistas só se valem por haver alguns políticos que bom,... têm o seu sentido crítico pior que o meu, e vêm mais pornografia do que eu, e então não distinguem o que representam de uma banca em praça pública, um ringue de um circo (e salvem-se os palhaços, os leões e restante fauna circense - com todo o respeito politicamente correcto), ou a selva ou savana africanas. mas, são estes errantes que trazem sorrisos. na política internacional a situação não é diferente: a qualidade dos políticos é a mm, são apenas de outras nacionalidades. uns impõem-se, outros permitem as imposições e outros são os submetidos ou jogados.&lt;br /&gt;num reparo que fiz às notícias internacionais uma grande parte era sobre guerras acesas ou em fase de ignição eminente e em todas elas havia o erro americano. curioso! não queria ter apontado ninguém mas, é situação à qual não há outra maneira de dar a volta. as restantes notícias internacionais ficam em caixas pequenas... coisas insignificantes e até desinteressantes face ao empenho na maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cultura, classificados e desporto: é certo que é a melhor parte para se ler mas, com a porrada que se leva do que vem em primeiro,...&lt;br /&gt;desde sempre que por este mesmo motivo, abro o jornal do fim para o princípio. há sempre as BD's, sim,... tem imagens. hhhmmm é bom. os olhos não se perdem na malha de letras de um texto. é irregular, tem erros e precauços na linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o desporto: bem que passo à frente. não me identifico como um ser virado para a competição. gosto de desporto. mas, d o fazer com quem gosta de errar a bola, com quem cai e tropeça nos pés enquanto corre. com quem anda sempre de cordões desapertados e anda sempre metido nesse risco de partir os dentes no cimento. com quem perde e sente prazer na derrota, com kem ganha e pensa que podia ter ganho mais não fosse akele mau jeito no pulso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;resta-me a cultura, pela qual passo os olhos, leio uns artigos, algumas curiosidades cientificas. sim, aí faço uma paragem mais serena, porque também lido diariamente com cultura: cinema e arte contemporânea. e se não me mantenho minimamente a par, bom, então deixa de ser erro para ser desmaselo.&lt;br /&gt;estou errado? bom, é natural!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isto tudo, jornais é preciso ter estofo para os ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, o erro não acontece só por falta de leitura! nem pensar. falta de movimentação é outro motivo. ter que ir aqui ou ali para ver isto ou aquilo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, eu n queria apenas falar do erro.&lt;br /&gt;antes, apresentar o que se passa com a minha falta de sensibilidade, sentido crítico e falta de espontaneidade.&lt;br /&gt;será o erro? o erro apanha-nos e podemos cair no ócio, na preguiça... e estes dois eu odeio profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fazer coisas. coisas que agradem a uma comunidade. fazer mover...&lt;br /&gt;fazer. qq coisa servirá. é a tónica contemporânea. e há um sem número de indivíduos que querem fazer para sobressair da sua individualidade e assim ser mais fácil viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho vindo a perder a necessidade em sobressair, em ter que fazer por fazer. em lutar por viver. em sobreviver. o essencial parece-me bastar e sobrar. mas, o essencial é aparentemente calculista, matemático, sem dúvida,... e então é requerido mais. não preciso de cores para escrever. precisaria de cores para salientar algo que eu considerasse mais importante mas, nem por isso sou deixado em paz por apresentar o essencial, e esse essencial não passar d uma folha branca, cinza, ou de uma cor lisa, e um desenho a uma só cor. o desenho não pode ter uma linha só. o desenho não pode ser sintético. o desenho tem que mostrar complexidade técnica e tecnológica (tecno-lógica). o desenho precisa de ser ilustrado ou ilustração de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;claro que quem vive neste conflito de procurar embelezar o que para si já é belo vai ter problemas em aceitar a sua criatividade, a sua espontaneidade, o seu sentido crítico, porque aos olhos dos outros não é relevante.&lt;br /&gt;como me sinto um indivíduo, sem passar pela ideia de egoísmo, n encontro necessidade de tornar mais bonito aquilo que para os outros é pobre e para mim essencial. daí estar sempre a testar capacidades, procurar o que os outros fazem e tentar compreender se o problema está em não conseguir replicar o efeito ou se apenas não o quero reproduzir. e assim vivo neste conflito. à procura sempre do erro dos outros em mim. à procura dos meus erros para apresentar. os meus erros acabam por ser bem mais complexos que o meu traço essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;compreendo agora as minhas fotografias do vazio.&lt;br /&gt;são erros. não têm visão nenhuma do espaço. mas, são bonitas pelo mistério q encerram. é como que um dripping de luz.&lt;br /&gt;acabarão por representar uma individualidade na sua essência. não precisam de ser mto estruturadas, nem tão pouco de ser mto estudadas. são aquilo que se vê e o seu potêncial está além delas. são quase autistas. cheias de erro. como se não tivessem acontecido. é, é isso, registos do que não se viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem lerá isto?!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;PARTE 2&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;são quase 6:00 da manhã e a minha inspiração para escrever está ensonada.&lt;br /&gt;ainda n terminei de editar a parte 1 deste registo e já estou a escrever a parte 2. de referir que mto provavelmente aquilo que escrevo para trás sofrerá alterações - e isto só serve para quem se interessar e acompanhar a minha exposição covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto-me como que aéreo sem energia para fazer brotar aquilo que sinto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cá está: este é eventualmente a causa da minha falta de sensibilizadade.&lt;br /&gt;mas, vou ouvindo michael brook e pieter nooten que me fazem ligar a Olímpia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é isso que me torna estranho ao meu corpo: esse vazio.&lt;br /&gt;em algum momento da minha vida de frutração crónica decidi acabar com esse estádio frustrante e começar a adorar as coisas por onde passo. decidi deixar o meu autismo que, de resto servia de impulso criativo, para dar tempo ao contemplativo. ser menos invasivo à natureza das coisas, menos participativo, deixar-me fluir pelos momentos, entrar e sair... mas, isso não parece satisfazer-me. ainda n terei aprendido a saborear a plenitude desses momentos e aí eu sinto-me vazio em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parece que este contemplar não é totalmente o que procuro. ou então não o sei fazer pois, preenche-me no momento da contemplação e disso guardo poucos registos palpáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é verdade que adoro sair à rua e sentar-me no banco da praça... bem pela manhã, e apanhar aquele sol de inverno, que aquece as maças do rosto e não nos deixa sentir o as extremidades frias do corpo, geladas pelas baixas temperaturas... ficar a olhar o movimento das pessoas.&lt;br /&gt;é simples a acção e a sensação. são bem complexos os circuítos dos movimentos de quem vemos. a velha e aborrecida pergunta: "para onde vão? quem é esta gente que partilha o mesmo espaço que eu?" é a primeira coisa que me aparece. pouco interessante mas, o tempo passa e já centenas de pessoas passaram à minha frente. "a que cheiram os seus corpos se estivessem despidos ao frio?" contemplar, admirar os outros e as coisas. quantificar e analisar as infinitas formas de se estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;isto quase se torna numa actividade pornográfica: num estado permanente de voyeurismo que a dada altura só nos traz efabulações. se contemplar desta maneira durante mto mais tempo então passarei a fazer salsicha alemã, ovos estrelados e batata frita sempre q cozinhar pois, ficarei alcoolizado com o momento do fritar: as bolhinhas de óleo a crepitar à volta das batatas, da clara e da pele da salsicha... caio num soma temporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é nesse autismo surumbático em que tenho caído há alguns anos.&lt;br /&gt;demasiada frutração, demasiada função a cumprir e tarefas matematizadas empobrecem-me os receptores sensoriais. entopem-me as guelras e o oxigénio deixa de ser abundante no cérebro e então dão-se as confusões, os esquecimentos, a espontaneidade a criatividade são substituídas por um fio de saliva q cai pelo canto da boca...&lt;br /&gt;de tal forma que precisei escrever este texto para analisar e compreender o q se tem passado comigo desde há 3 ou 4 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto necessidade de falar mas, parece que não sei o que dizer de interessante. e então calo-me. sinto que o espaço está repleto de coisas ditas e reditas e não me atrevo a inundar um pouco mais o espaço comum saturado do que é sempre o mesmo. não encontro saída deste ciclo fim de século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;primeiro foi a velocidade que me chocou. depois foi ter reparado que dessa velocidade não posso sair e tudo o que fizer será positivo para excitar os neutrões, iões, e todas as particulas formadoras do nosso espaço contemporâneo.&lt;br /&gt;portanto a solução não é sair. não é parar. o que fazer para lançar uma pedrada no charco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lá está a tentativa de se querer individualizar e soltar-se do conjunto e da massa humana.&lt;br /&gt;um dia alguém me disse que eventualmente não adiantará fazer nada pois tudo já foi inventado ou descoberto. esta deve ser uma das frases mais frustrantes que se pode ouvir... e gostaria de não a ter escrito aqui mas, é importante saber que esta verdade é absolutamente relativa ao meu universo e que, mesmo no meu universo não é tão verdade assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto uma ansiedade terrível em criar e sinto-me perdido, sem saber o que dizer. ânsia assente no fantasma da originalidade, do ter que ser bom, do que ser o melhor, da perfeição e da falta de aceitação da forma própria de ser como sou: imperfeito, casual, errático, vulgar, com um poder igual a todos vocês. sou igual a ti independente do que venha a fazer ou do que já fiz. mas, isso não me satisfaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei a quem servirá este depoimento mas, não estou interessado em descobrir isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;normalmente a tendência é para ridicularizar estas atitudes. referir que este tipo de exposição é medíocre e sem interesse. a internet, já um milhão de gente o disse, é um veículo que n serve os propósitos humanos mas, milhão e meio contra-disse-o. eu n estou interessado em quem pensa da primeira forma pois, n dão os seus interesses são outros. e tb n estou interessado nos da segunda pois, esses já estão convertidos. o meu propósito? bom, estou sem terra, sou ninguém da terra, não me parece que tenha preocupação com o sentido que faço ou deixo de fazer. apenas discutirei os assuntos sem apontar e sem receber apontamento de juízos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;and yet, everyday something new appears as an original thing to be...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mais certo é estar num esgotamento crónico.&lt;br /&gt;procuro entender-me.&lt;br /&gt;e porque motivo tenho dificuldade em criar?!&lt;br /&gt;qual é o meu medo interior?&lt;br /&gt;será esse, o de não lidar com o facto de não me conseguir destacar de alguma maneira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ninguém da terra é aquele que sente o seu isolamento dentro de si. sente o peso de estar só. sente o vazio do seu corpo. e então tudo parece cair ou flutuar exceptuando o erro, pois é uma maneira interessante de ser chamado à base. errar funciona como um pedido de ajuda: "bang! chamem-m à base! quero estar no meio de vós!" ainda que de forma despropositada, deixar-me cair no erro é deixar fluir as coisas sem volante seguro. eu vou e por onde as rodas forem eu seguirei, e se embater em alguém, algum obstáculo, será optimo pois notarão no estrondo que faço, no toque q dou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ninguém da terra, em queda livre... "Bang!"... "BANG!!!"&lt;br /&gt;conduzir sem as mãos no volante, fazer um risco no mapa e consequentemente no espaço real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;incrível que este vazio só existe porque me permito a isso. e este estádio irrita-me. não sei preencher-me com o que desejo, com o que preciso...&lt;br /&gt;porque será?&lt;br /&gt;a primeira coisa que me vem à cabeça é a preguiça. preguiça para pegar e fazer essas coisas que um criativo precisa de fazer para poder criar ainda mais... mas, por onde começar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo se pode comparar ao desportista que sempre foi desportista mas, que por algum motivo, em algum momento da sua vida houve uma necessidade de parar e contemplar o quanto correu.&lt;br /&gt;- quando retomar a corrida os seus músculos vão doer como se estivessem a ser esticados sem paragem.&lt;br /&gt;um ácido leitoso vai sair pelo tecido muscular e libertá-lo dos químicos q foi ingerindo entretanto. e entretanto, vai retomando parte das suas capacidades de corrida. mas, voltará a correr tão bem com corria até ao momento da sua paragem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o erro é a minha paragem. quando erro estou a parar e vice-versa. e o meu momento de contemplação sobre o que fiz até aqui permitiu-me parar para errar para parar.&lt;br /&gt;perdi o control do que fazia, ou será que nunca o tive, ou será que o tentei ganhar? estupidifiquei e reduzi ao cálculo a minha espontaneidade.&lt;br /&gt;e vezes sem conta penso que nunca fui mto criativo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembrei-me que perdi ontem a apresentação de um amigo meu. e hoje lembrei-me que nunca tive hábitos para nada que não fosse para estar a ver, a olhar. perdi a apresentação do meu amigo porque não registei com afinco a vontade e necessidade de o ir ver. perco várias exposições por mês pois, embora tenha vontade e necessidade não estou programado a programar as minhas visitas. visitar amigos, visitar locais, visitar... nunca estive programado para isso. nunca estive programado para ler.&lt;br /&gt;o erro sempre foi a minha linha de condução. sempre que cometo algum eu tiro partido da situação e, embora por vezes com algum penar emocional, consigo passar por entre as consequências do erro sem dificuldades profundas. acho que não sou nada fora do comum. choro pelos erros q cometo como toda a gente o faz e felizmente nunca houve um processo irreversível. bom, na verdade, analizando o poder do erro, nenhum processo é reversível. a continuidade dos factos não permite que voltemos atrás para corrigir. não há &lt;em&gt;undo's&lt;/em&gt;. arranjaremos sempre um solução alternativa à situação dos factos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perdi ontem a apresentação de um amigo meu porque não tenho este hábito de ir ver coisas. perco exposições e filmes porque não tenho o hábito de ir ver coisas. perco... bom,... não é perda. é falha. ausência minha nesses tempos e espaços. não é perda porque nunca o tive! é erro de percurso. como quando vamos a ler um mapa para chegar a determinado destino a X horas mas, como nos enganamos no caminho, e a festa no ponto X não vai deixar de acontecer pela nossa ausência, então nós não a perdemos ela acontece, nós só não vamos estar lá. dizer "perder" é uma palavra pouco precisa e torna a expressão fantasista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não fui à apresentação do meu amigo e estou realmente chateado por isso.&lt;br /&gt;culpar o meu passado desabituado de coisas é chão que não dá uvas. que fazer?&lt;br /&gt;ultimamente tenho ido muito ao cinema e reparei que gosto de estar ali sentado, a ver/ouvir uma história, não importa qual. gosto.&lt;br /&gt;ir a uma apresentação de um livro, ir ler em conjunto é coisa que raramente faço. e ir a exposições, ir a outros locais para ver e estar presente é igualmente raro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;repito-me já sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;PARTE 3&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;esta semana atraso-me na inventariação da terra.&lt;br /&gt;tenho detetado esta constante: falta de criatividade, excesso de trabalho e um percurso pelo fio da lucidez, da depressão e o de um esgotamento crónico. a cabeça dói-me, e isso raramente acontece.&lt;br /&gt;a esta constante chamamos-lhe A.&lt;br /&gt;então A atormenta-me há... desde que comecei a desrespeitar-me de forma assumida, desde que me comecei a embebedar para me adormecer sem dor e sem tempo de espera.&lt;br /&gt;sim, é isso. não quero com isso dizer q vou deixar de beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não bebo loucamente, até perder a consciência mas, bebo e o meu espírito fica mais aguçado. nas horas de maior lucidez eu fico chato e pouco criativo. quase apetece estar alcoholizado uma boa parte do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o alcohol entrou em mim bastante tarde, era eu da terra. e mal eu sabia que havia além da terra. vivi num mundo de fantasia criado pelo que via. não pelo que me era oferecido mas, pelo que me oferecia a mim mesmo, e assim que deitava o olhar em alguma coisa, em algum acontecimento, em algum objectivo, esse alvo explodia em milhoes de interpretações e efabulava durante semanas a fio sobre esse assunto.&lt;br /&gt;o meu reinado autista durou 16... alguns anos mais além dos 16.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vivi inicialmente num mundo protegido de tudo. não eramos ricos mas, eu e os meus irmãos eramos protegidos de todas as realidades para que criassemos as nossas ilusões. hoje cada vez mais rapidamente essas ilusões vão caíndo com o choque da respiração. viviamos dentro de uma redoma, de algum silêncio e ausência de partilha. o comum em mtas das famílias da terra. outras famílias da terra terão outros problemas e virtudes. a minha também tem virtudes claro. e tem-nas ganho aos poucos tal como é o choque da respiração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vivi fantasias criadas por mim. vivi fantasias criadas pelos outros. e nem para isso precisava de simuladores artificiais de realidades. era super-criativo - sem dúvida alguma que o era! não quero dizer que com o choque da respiração - o choque da realidade - venha a ter ficado menos criativo. mas, o certo é que essas fantasias brutavam e permitiam-me habitar um mundo fechado, autista, um mundo fantasticamente louco - ausente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje eu vejo mtas das consequências desse autismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algum tempo depois a minha natureza criativa teve uma abertura para o mundo exterior. pouco importa o que fiz nesse mundo para agora. o interessante é saber que a minha natureza paradoxal acabou por me chamar de novo para o interior.&lt;br /&gt;paradoxal pq parece-me uma contracenso poder ser-se criativo de forma fechada! mas, o paradoxo é possível.&lt;br /&gt;assim que comecei a sair do meu autismo apercebi-me das pessoas.&lt;br /&gt;quando uma criança nasce o primeiro choque é o da respiração, o contacto com o meio extra-uterino é brutal física e psicologicamente - o bébe acaba muitas vezes por chorar tal é o contraste.&lt;br /&gt;o segundo choque da vida é quando nos apercebemos das pessoas.&lt;br /&gt;pelo menos é este o meu caso.&lt;br /&gt;até aqui havia pessoas lá "fora". e cá dentro "dentro" habitavam personagens.&lt;br /&gt;é difícil criar personagens!&lt;br /&gt;mais difícil é tocar em pessoas - como me parece óbvio.&lt;br /&gt;o choque com as pessoas foi por perceber que elas não obdeciam a um argumento! muito menos a um escrito por mim! o choque foi entender que as pessoas seguem o seu rumo...&lt;br /&gt;sim, digo banalidades para o comum dos mortais que chegou da azafama do trabalho... mas, isto significa mta informação: sobre a vontade, a recusa, o ser ignorado, o ser desprezado, o ser querido ou escolhido, o ser pegado,...&lt;br /&gt;tudo isso foi novidade. novidades essas que não integrei actualmente.&lt;br /&gt;respeito a vontade do outro mas, se essa vontade for de recusa eu terei medo de questionar sobre o que o outro quer... o mesmo se aplica ao resto, pela dúvida que suscita.&lt;br /&gt;no meu império autista eu n tinha receio em perguntar se ela me queria. hoje receio fazê-lo pela hipotese da recusa.&lt;br /&gt;o ser querida também não é fácil. no meio do meu autismo tb n aprendi a ser escolhido para o prazer. como poderia eu saber lidar com esse pedido q vinha do outro?&lt;br /&gt;como saberia eu ler sinais de desejo?&lt;br /&gt;no meu universo inventára eu os meus sinais e comunicações.&lt;br /&gt;por isso, posso dizer que era criativo... se não o tivesse feito era mto possivelmente um vegetal! e aí em vez de ter sido eu a escolher ir ao psicólogo com alguns anos de idade - tinha eu acabado d aprender a ler - seriam os meus pais a levar às urgências do hospital...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu mundo autista tem-me chamado de volta.&lt;br /&gt;e com alguma calma, sinto-me a voltar.&lt;br /&gt;o isolamento em que me tenho encontrado está a ajudar-me nesse processo.&lt;br /&gt;desta vez como o movimento é de retorno, levo comigo mta informação. que não será processada e devolvida ao exterior.&lt;br /&gt;continuo a pensar que recrio situações originais quando me encontro sozinho.&lt;br /&gt;mas, o poder do meu autismo não está nessa - de certa maneira o é - arrogância. mas, sim no encontro que tenho tido comigo.&lt;br /&gt;felizmente não estou a fazer o retorno virgem. tenho informação, como disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;neste meu novo retorno estou a ter um novo choque. o confronto comigo mesmo.&lt;br /&gt;encontro o meu espaço autista vazio.&lt;br /&gt;a dor da passagem de um meio para o outro é poderosa. já não é tão física como é o choque da respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;PARTE 4&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;eventualmente a última parte deste tópico.&lt;br /&gt;já não escrevia há algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...o meu mundo autista chama-me de volta mas, desta vez eu levo comigo algumas ferramentas. o meu autismo não é para mais ninguém que não eu. não fosse o meu autismo.&lt;br /&gt;o meu autismo poderá voltar a ver-me mas, desta vês eu vou conseguir saltar fora quando precisar de o fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o confronto que me tenho negado é para mim um abismo: ficar totalmente só.&lt;br /&gt;sim, temos amigos, temos família. temo-nos a nós próprios. sim, é isso.&lt;br /&gt;são essas as palavras. são as palavras vazias se não tiverem munidas de experiência. para já sinto horror ao sozinho.&lt;br /&gt;o confronto não é só com a solidão. é tb com a falta de confiança, segurança. é com a frustração em não conseguir dar o salto - seja lá o que isso quer dizer. ou ainda mais grave, não conseguir ver os saltos que dou.&lt;br /&gt;desses medos lembro-me que a minha segurança é construída por cima de arrogância e prepotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a confiança foi algo que nunca tive.&lt;br /&gt;não, não vou apresentar-me como vítima. não vejam estes escritos dessa maneira. apenas, no mínimo, como analítica. posso ser cego em muitas coisas e de muitas formas mas, perdi o meu estatuto de vítima há uns anos largos.&lt;br /&gt;pois, confiança defacto, foi algo que não me lembro de sentir.&lt;br /&gt;se já falei dos motivos dos meus medos, alguns deles devem-se a esse facto.&lt;br /&gt;não estou a ser absolutamente justo. houve duas pessoas que me estimulavam a minha criatividade. uma era a minha avó, outra a minha madrinha. infelizmente a minha avó morreu para este espaço físico. e infelizmente a nenhuma das duas eu entregava a minha confiança! irónico, ridículo, louco, estupido até mas, elas falavam, diziam, sobre o interessante que eu fazia mas, eu sempre fiquei acabronhado no meu autismo, sem coragem para apresentar nada - apenas a elas. e para estas duas mulheres o seu sorriso era a melhor das críticas. e claro, como em tudo há coisas boas a tirar, elas sempre apontavam o melhor do que lhes era apresentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei se eu tinha algo de interessante no que fazia. hoje eu vejo em algumas das coisas que ia fazendo que tinham bastante piada. inclusíve aconteceu já ver dessas coisas antigas, e perguntar-me "será que fui que fiz? está bom!"&lt;br /&gt;mas, eu não lhes dava relevância e assim continuava a "trabalhar" nas minhas loucuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se desse lado vinham coisas boas, desse lado, dessas duas mulheres. de dentro de casa já não se podia dizer o mesmo. e era de casa que mais se espera que os apoios venham, já que é com eles que nós passamos uma grande parte da nossa vida. eu não me lembro de pensar "coisas" com nenhum dos meus pais! de dizer patetices.&lt;br /&gt;nós esperamos sempre uma mão do lado de dentro.&lt;br /&gt;não que cortassem o q quer q fosse mas, tb não se moviam.&lt;br /&gt;e assim nunca tive crítica ou voto de confiança que me levasse a desenvolver mais, neste ou naquele caminho. sim, havia aquele "olha que bem" ou "engraçado"... não está mal para umas primeiras vezes. mas, como alvo de crítica tb acabamos por querer mais!&lt;br /&gt;[na universidade o nível de crítica nunca passou desta qualidade.]&lt;br /&gt;o facto de nunca ter pensado em conjunto dentro da família, de nunca ter sido alvo de observação e cuidado/reflexão - e estou a referir-me unicamente àquilo que uma criança faz a nível de expressão visual, sonora, física, e não ao cuidado de pai ou mãe, esse tive-o como muita gente o teve - fez com que nunca tivesse tido desenvolvido confiança ou falta dela. era eu. apenas eu. bastava-me a mim de certa maneira. também confesso que o meu universo era fechado, que nunca pedia opiniões, era pouco participativo, tinha medo da minha família pq eram pessoas grandes (e na verdade não são muito grandes - têm estaturas normalíssimas eu é que era muito pequeno).&lt;br /&gt;entendo agora a minha falta de confiança.&lt;br /&gt;no mundo é preciso debatermos as nossas ideias. para o fazermos é necessário acreditar nelas quando são expostas. e quando são expostas estão a ser observadas e mexidas por outros - um processo natural - mas, o que acontece é que nunca tinha tido necessidade de expôr-me - e para nos expor-mos é preciso confiarmos. o olhar do outro melindra toda e nenhuma confiança q tenhamos. pior que n ter confiança é não saber que precisamos de a ter. e esta era a minha situação.&lt;br /&gt;saí do meu mundo autista e foi como um choque anafilático brutal. não sabia o que eram pessoas.&lt;br /&gt;confiança ou segurança.&lt;br /&gt;hoje entendo porque tenho tantas dúvidas quando quero beijar alguém que me motiva para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o monstro começou a nascer quando o confronto aconteceu.&lt;br /&gt;e as dúvidas vieram com ele, assim como, as defesas e maneiras de lidar com o outro, tb.&lt;br /&gt;essas maneiras eram violentas para mtos dos interlocutores por quem eu ia passando. e uns davam com os pés, outros procuravam amenisar e ajudar a integrar-me. coisa que nunca soube muito bem fazer: integrar-me. hoje já vou sabendo melhor entrar no meio das pessoas. aliás descobri a minha maneira de o fazer. não deixou de ser bruta mas, apliquei o meu toque de candura. todos temos algo doce em nós. misturar tudo sempre foi o que gostei mais de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto-me revoltado porque só aos 30 começo a vislumbrar uma série de respostas ao "porquê é que eu sou hoje assim?". o engraçado de tudo isto é que eu vou pintando a cena aos poucos e vou rindo de muita coisa. isto apenas ajuda a traçar caminho. entender-me. algo psicanalítico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje entendi outra coisa.&lt;br /&gt;estava a vir para casa e a pensar como aprendi matemática.&lt;br /&gt;muito daquilo que somos hoje, sempre foi o fomos, e continuaremos a ser. é nato.&lt;br /&gt;porquê a matemática? bom, porque foi penoso. ainda hoje lido com números de uma maneira muito particular. é claro que me permite pensar naquilo que se envolve com esses mesmos números de maneiras diferentes. o tempo, os tamanhos, o que é contabilizável tem noções próprias. por vezes encaixa no social, por vezes, desencaixa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a infância foi óptima.&lt;br /&gt;aprendi a saber o que é paciência. embora hoje a pratique de maneira diferente.&lt;br /&gt;o ter que aguardar tempos infinitos que me permitissem fazer algo, ou o ter que ouvir sermões, esperar que alguém me viesse buscar às 9 da noite à escola,... tempos... ter que passar por explicações de matemática das quais pouco entendia...&lt;br /&gt;tudo isso deu-me espaço para imaginar. números.&lt;br /&gt;passamos todos por isto.&lt;br /&gt;mas, eu aprendi a fazer nada. estar quieto com o corpo. contemplar, durante essa espera. eu não me cansava enquanto esperava. estava calado. estava estabilizado no meu canto. brincava com areiazinhas que ficavam no passeio. este era muitas vezes o brinquedo. acabava por não precisar de nada para construir.&lt;br /&gt;mas, onde foi essa loucura toda por estar parado, por não ter objectos?&lt;br /&gt;bom, tinha brinquedos, sim, como toda a gente tem. mas, isso é o convencional, nem brincava muito com eles. eu era mais, nada.&lt;br /&gt;e daí saiam muitas coisas. parado.&lt;br /&gt;também por isso, por ver tudo com uma calma estendida, quando falavam um pouco mais alto eu sentia o contraste.&lt;br /&gt;curiosamente hoje gosto de falar alto, pois, acabei de ver exemplos graciosos de sons altos, largados na noite por pessoas com franca graça. e aí, os imitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a imitação é outra coisa que me deixa perplexo.&lt;br /&gt;como posso imitar tudo?&lt;br /&gt;eu olho e mimetizo. e assimilo. este é o processo.&lt;br /&gt;tantas vezes se assimilam maneiras, dizeres, vozes, traços, tudo, que a dada altura já nem sei o que é que eu sou.&lt;br /&gt;eu faço o que outro faz, que faz o que eu faço, para outro ainda o fazer... e claro, no meio de tanto faz o que o outro faz, que a dada altura parece que fazemos diferente mas, é sempre o mesmo.&lt;br /&gt;a imitação é uma bengala de confiança.&lt;br /&gt;mas, não é a confiança.&lt;br /&gt;a imitação vive no medo de ser descoberta.&lt;br /&gt;só que como o estado da nação vive embuído neste processo, já ninguém acusa ninguém. não é preciso. respiramos com o resto de ar do outro, ou com o ar que o outro expira... enfim, qualquer coisa assim.&lt;br /&gt;e com esse medo latente mas, que defacto, será inconsequente pela ausência de acusação, tudo o demais vem ao de cima: medo de se expôr, medo de arriscar, medo de aprender, medo de falhar, medo de criar, e claro, sempre muito, muito, muito erro.&lt;br /&gt;a sensibilidade e a criatividade estão melindradas porque a percepção da imitação é abissal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;Epilogue&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;acabei a minha primeira apresentação.&lt;br /&gt;não é nada do original. não me interessa isso.&lt;br /&gt;acredito que n seja forte. tb já pouco vale ser forte, pois tudo o q é forte já nasceu e vive forte.&lt;br /&gt;agora o espaço é dos fracos e errantes, e sobretudo dos andantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;andar até morrer, sem fronteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o bom é conseguir desenhar esta linha de acasos.&lt;br /&gt;o mau é estar demasiado estagnado pelo medo da imitação.&lt;br /&gt;o vilão,...</description><link>http://themanwithnoland.blogspot.com/2005/12/ningum-da-terra.html</link><author>noreply@blogger.com (Unknown)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>