<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836</id><updated>2024-11-01T05:20:41.033-03:00</updated><title type='text'>Tocando neste assunto...</title><subtitle type='html'>Uma visão bem-humorada do cotidiano (em particular, do meu).</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>97</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-3612213795998231114</id><published>2018-03-27T10:54:00.002-03:00</published><updated>2018-03-28T14:26:27.585-03:00</updated><title type='text'>O mundo era perfeito</title><content type='html'>Quando eu era criança, eu achava que o mundo era perfeito. Não que eu tivesse nascido em berço de ouro, muito pelo contrário. E nem que eu tivesse saúde perfeita, que também não era o caso. Não estou dizendo que eu achava o mundo perfeito por que perfeita era minha vida, como se poderia imaginar. Mas eu achava que o mundo era perfeito porque ele funcionava -- assim eu supunha -- tal como deveria: de forma justa e eficiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu achava que o crime não compensa. O vilão, como nos filmes, era sempre pego no final do último capítulo, quando todas as tramas se desfazem, quando os mocinhos provam sua inocência, os verdadeiros culpados são algemados e vão para a cadeia, para nunca mais saírem. No fim, tudo aquilo que você torcia durante o filme todo virava realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu achava que uma consulta médica poderia ser com qualquer médico. Afinal, todos sabiam a mesma coisa. Se não tinham estudado na mesma escola de medicina, usaram pelo menos o mesmo livro, como minha prima e eu, que usávamos o mesmo livro de português e matemática mas em escolas bem longe uma da outra (para meus padrões da época, pois eram em bairros diferentes). Eu imaginava que todo médico tinha uma grande tabela de duas colunas na cabeça: na primeira, os sintomas; na segunda, o que receitar -- e que funcionava! Era uma lista longa, que catalogava todas as possíveis doenças, sem deixar nada de fora. Esta tabela havia de ser universal, todos eles a sabiam de trás para frente, mais ou menos no espírito das tabuadas que eu era obrigado a decorar. Erro médico era uma coisa inconcebível para mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu tinha certeza que o presidente de uma empresa sabia de tudo o que se passava na empresa dele, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ele sabia o nome de todos os funcionários, sabia de todos os problemas. Ele pessoalmente cuidava de supervisionar todos os detalhes da produção, de revisar todos os rótulos, todos os manuais. Ele tirava um dia da semana só para escutar todas as ligações feitas para o teleatendimento. Ele era uma espécie de divindade corporativa, que tudo sabia, tudo elucidava, tudo via, e fazia uso deste poder com um único objetivo: fazer o melhor produto do mundo para seus consumidores. De todos os presidentes, eu sonhava em conhecer o presidente do &lt;i&gt;Toddyinho&lt;/i&gt; (como eu gostava daquilo...)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu tinha certeza que nunca ia deixar de brincar de pique. Qualquer um: pique-pega, pique-bandeira, pique-esconde, pique-parede, pique-cola-três-vezes, .... Eu brincava disto o tempo todo. Um dia, todos os meus amigos e eu juramos que continuaríamos brincando de pique quando a gente crescesse. Quando tivéssemos filhos, eles também entrariam na brincadeira (mas seriam &quot;café-com-leite&quot;, como chamávamos aqueles que queriam entrar no pique mas ainda estavam num estágio iniciante da arte de não ser pego). Como a gente teria muito dinheiro (ninguém se imaginava pagando as prestações de casa ou do carro), construiríamos um prédio cheio de passagens secretas e armadilhas, passando o pique de rua para um outro patamar. Nós éramos visionários do conceito atual de &quot;brinquedão&quot;, aqueles dos &lt;i&gt;shoppings&lt;/i&gt;&amp;nbsp;cheio de túneis, porém incrementados com conceitos importados dos filmes do Indiana Jones.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, os cientistas tinham respostas para tudo. E quando não tinham, era questão de pensar um pouco e... Eureca! -- já tinham a resposta. Saber toda a Teoria do Universo era questão de tempo, se é que já não a dominavam. Todos eles viviam em laboratórios, cheios de tubos de ensaio, de cabelo despenteado e olhos esbugalhados. Eles eram todos iguais ao Dr. Brow, do &quot;De Volta para o Futuro&quot;. Ser cientista era o melhor emprego do mundo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu achava que não havia motivo para se ter fome no mundo, exceto para o jejum do exame de sangue. Que não havia motivo para se faltar trabalho para quem quer trabalhar. Eu não sabia que as guerras ainda aconteciam. Aliás, nem sabia sequer que não houve um ano de trégua na história da humanidade. Eu achava que fazer pessoas de escravos fosse coisa inventada por ancestrais nossos que, por um infeliz fortuito, nasceram mentalmente perturbados e mais fortes do que os outros. Eu achava que as pessoas eram confiáveis e honestas (menos alguns motoristas de &lt;i&gt;Kombi&lt;/i&gt;, de quem a minha mãe alertava para não pegar balas se oferecidas). Que tudo que eu emprestasse seria devolvido. Que tudo que eu contasse em segredo, assim ficaria até segunda ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu pensava que o amor era uma coisa fácil, quase trivial. Era assim: você gostava dela, ela gostava de você. Você demorava um pouco para falar (pelo menos eu julgava que eu demoraria, devido a minha timidez), mas quando se declarasse, tudo dava certo. Enfim, você descobriria que era recíproco. Vocês se casariam e seriam felizes para sempre. E que isto acontecia o tempo todo, com todo mundo. Por que seria diferente?&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
Eu já sabia que as pessoas não eram eternas. Mas isto não abalou minha noção de mundo perfeito. Logo cedo, li em algum lugar um texto que comparava a morte a uma grande festa: no início, quando chegamos, estamos empolgados e tudo é descoberta. O meio da festa é o ápice, pois já nos entrosamos com todos e estamos no melhor da brincadeira. No fim, estamos cansados, os calçados machucam o pé, queremos voltar para casa e tomar logo um banho e dormir, e não nos importamos então de ir embora mais cedo, antes de outros que querem aproveitar mais, ou mesmo vendo que há gente nova chegando... o tempo em que estivemos na festa já foi de bom tamanho e, então, nos despedíamos de todos. Era exatamente assim que eu me sentia nas festinhas de aniversário dos meus amigos. E ainda levava para casa no final um pedaço do bolo, um monte de balinhas de açúcar, e um balão para jogar vôlei sozinho em casa no dia seguinte! Esta analogia parecia se encaixar com a noção de justiça que eu tinha do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu achava isso tudo. E continuo, em verdade, achando. Apenas acho de um jeito diferente agora. O que antes era uma convicção ingênua de que este era o estado das coisas, agora deu lugar a uma convicção de que é possível um dia ser assim, e que a evidência para isto é que tudo já foi muito pior, e portanto estamos em processo de contínuo aprimoramento. E acho bom viver pensando desta maneira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes dias ouvi uma metáfora, que é mais ou menos assim... um dia, um homem estava com seu filho, precisando trabalhar de casa. Ele ficara com o filho, que não pôde ir à escola por estar febril. Mas a enfermidade não deixava o menino quieto. Muito pelo contrário! Seu pai já não sabia como fazer para trabalhar, sendo interrompido pelo garoto a cada tantos minutos. Perdendo um pouco a paciência, teve uma ideia. Foi ao quarto e retirou da moldura uma tela de um quadro grande pendurada que o garoto vivia tentando pegar, de uma imagem de um mapa-múndi. O pai tomou uma tesoura e cortou o mapa em pedacinhos. Voltou a sala e disse ao menino que ficasse ali, quieto, brincando de montar o quebra-cabeça improvisado. Disse para voltar ao escritório do papai somente quando terminasse de montar o mapa. O menino adorou, e prontamente se pôs a tentar resolver o quebra-cabeça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pai pensou que foi uma ótima ideia. Afinal, o garoto era muito novo e não conhecia o desenho do mapa-múndi. Fatalmente, isto distrairia o garoto o dia inteiro, de modo que o pai cumpriria o prometido no trabalho. Todo mundo que já tentou montar um quebra-cabeça de razoável tamanho sabe que, sem saber exatamente como deve ser a imagem final, a tarefa se torna muito mais difícil. Pasmo ficou o pai depois que, dentro de poucos minutos, o filho retornou e disse: &quot;Acabei!&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pai não acreditou. Correu à sala, e de fato, lá estava o mapa montado. &quot;Mas como?!&quot;, indagou o pai ao garoto, que lhe respondeu com um sorriso de canto: &quot;Simples! Eu reparei que atrás do mapa havia um desenho de um rosto grande de um homem. Assim, pensei em resolver o quebra-cabeça não tentando montar o mapa, mas tentando montar a imagem do homem, com as peças viradas. Quando terminei de consertar o homem, olhei para o mundo e vi que ele tinha ficado perfeito!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/3612213795998231114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/3612213795998231114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2018/03/o-mundo-era-perfeito.html' title='O mundo era perfeito'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-290358089611620104</id><published>2016-12-27T18:16:00.000-02:00</published><updated>2016-12-27T18:35:14.283-02:00</updated><title type='text'>Você voltaria a confiar em alguém assim?</title><content type='html'>Você voltaria a confiar em alguém que lhe mentiu durante tantos anos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguém que você nunca duvidou, cuja veracidade de todas as estórias contadas eram assumidas sem maiores questionamentos -- e, agora, descobertas não passarem de farsas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltaria a confiar em alguém que sempre lhe exigiu a verdade, acompanhada invariavelmente da explicação de se tratar de virtude das mais importantes, seja ela qual for, a quem doer e quais forem as consequências, mas que agora não parece ter muito valor, tendo em vista os anos de estórias fantasiosas contadas premeditadamente e sem sinais de remorso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você voltaria a confiar neste alguém.... ou mais especificamente.... em mim!... meu filho, minha filha?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim... fui eu quem lhe deixei aquela bicicleta na sala, ou aquela casinha de bonecas, ou aquele patinete, ou aquele vídeo-game, ou aquele jogo de tabuleiro, ou aquele... Sim, confesso! Fui eu!... Nem vou tentar amenizar minha situação mencionando que a mamãe ajudou (não só ajudou a planejar, mas a comprar também -- vou parar por aqui; eu disse que não tentaria me isentar da responsabilidade).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não.... não houve velhinho de barba branca... (Embora, neste aspecto, é questão de pouco tempo até que isto se torne realidade...)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não havia ninguém entrando pela nossa varanda de madrugada... (E vocês ainda preocupados do trabalho que ele tinha para tirar e colocar a rede de proteção!)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não havia economia nenhuma que vocês faziam ao dizer publicamente que preferiam deixar os presentes caros para &quot;ele&quot; e pedir outros mais em conta para os pais... (Ó, culpa minha!)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Espero que um dia, quando crescerem e terem seus próprios filhos, possam me entender. Vão saber que tudo que foi feito foi por amor a vocês (embora eu não saiba explicar muito bem onde entra o amor aí), com muita dedicação (ah, isto sim!) e com a melhor das intenções (existe uma máxima sobre a questão da &quot;melhor das intenções&quot;... ignorem-na).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E antes de passarem pela cabeça de vocês me perdoarem, gostaria de confessar só mais uma coisa... lembram-se daquelas pegadinhas de canetinha no chão da cozinha até o armário, onde fica cheio de chocolate em certa época do ano? Pois é...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, meus pais não fizeram questão que eu acreditasse nestas lendas. Nunca me passou pela cabeça querer ter tido a chance de acreditar. Por outro lado, estes dias ouvi um psicólogo dizendo na TV que em 30 anos de profissão, ninguém nunca deitou eu seu divã para resolver qualquer conflito interno deixado pela crença nestas estórias, de modo que acho que a matéria de fazer ou não os filhos acreditarem fica sob júdice de cada pai e mãe. Mas sempre que considerei a questão se eu faria o mesmo com meus filhos, a reflexão acima me ocorria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo se porventura eu quisesse acreditar, influenciado pelas estórias que os pais de meus amigos da rua contavam, meus pais não deram a menor chance para que isto pudesse de fato ocorrer. Quando eu ganhei de Natal um ventilador, definitivamente veio a convicção de que não existia ninguém lendo minhas cartinhas deixadas no posto de coleta dos Correios da escola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um feliz 2017 a todos! Ho-ho-ho!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/290358089611620104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/290358089611620104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2016/12/voce-voltaria-confiar-em-alguem-que.html' title='Você voltaria a confiar em alguém assim?'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-5001728345040015806</id><published>2014-02-16T22:30:00.002-03:00</published><updated>2014-02-16T22:30:55.197-03:00</updated><title type='text'>Brincadeiras de infância</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
Meus filhos vivem em cidade grande. Como uma grande parte da população, vivem em apartamento. Normalmente, portanto, brincam no &lt;i&gt;playground&lt;/i&gt;. Brincar na rua é impossível dado o movimento e jamais deve ter passado pela cabeça deles que isto é uma opção. Mas o que eles não sabem é que toda vez que os vejo brincando, fico entristecido de não poder dar a eles a oportunidade que eu tive de brincar na rua. Que divertido era!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claro, estou falando de uma rua tranquila, arborizada, que quase não se passava carros e, quando passava, eram dos próprios moradores. Brincávamos de pique-X (onde X aqui é um variável que assume praticamente qualquer substantivo, como por exemplo, bandeira, pega, pega-três-vezes, ladrão, cola, garrafão, etc.), desenhávamos no chão com fragmentos de tijolos das casas vizinhas em construção, trepávamos em árvores, acendíamos fogueira para esquentar batata-doce a noite, pintávamos as ruas em época de Copa do Mundo, andávamos de bicicleta em volta do quarteirão, e muitas outras brincadeiras que nem sei se existem mais. Particionávamos os nossos amigos forasteiros como aqueles da &quot;rua de cima&quot; ou &amp;nbsp;da &quot;rua de baixo&quot;. Jogávamos bolas de gude. Ficávamos até tarde conversando em rodinha na rua. Íamos para escola em comboio de alunos, onde o que morava mais longe ia peregrinando de casa em casa, num itinerário firmado entre as próprias crianças. E tem muito mais coisas que estou esquecendo agora de contar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Será que meu pai pensava o mesmo em relação a mim e à roça onde ele nasceu? &quot;Rua é inseguro, passa carro, lugar bom mesmo é na roça, lugar que se anda sem preocupação!&quot;, deveria ele pensar, por exemplo, sem nunca ter me dito. &quot;Pena que hoje preciso trabalhar numa indústria para ter uma condição melhor e isto me obriga a morar numa casa na cidade.&quot;. Indo mais além, será que o tataravô do meu avó também pensava: &quot;Puxa, meu filho crescendo nos burgos... lugar aberto, sem segurança, gente de tudo quanto é lugar.... bom mesmo era no Feudo, com aquelas muralhas em volta, com proteção do Monarca, só uma ponte de entrada e saída, segurança total....&quot;. Enfim, acho que isto faz parte de toda geração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Filhos: pelo sim pelo não, qualquer dia a gente brinca de pique-pega na Rio Branco ou na Presidente Vargas. Vocês vão ver, muito maneiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/5001728345040015806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/5001728345040015806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2014/02/brincadeiras-de-infancia.html' title='Brincadeiras de infância'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-4520194542942600274</id><published>2013-05-22T23:58:00.000-03:00</published><updated>2013-05-22T23:58:09.140-03:00</updated><title type='text'>O cheque sumiu!</title><content type='html'>Já deve ter&amp;nbsp;lhe&amp;nbsp;acontecido alguma vez: você jura que deixou aquilo que procura em cima da mesa. Todo mundo diz que não viu. Você esbraveja: &quot;Quem pegou?&quot; &quot;Não é possível que o negócio criou pernas e saiu daqui sozinho!&quot; &quot;Tenho certeza de que deixei ele bem aqui, neste lugar!&quot; &quot;É só eu deixar as coisas aqui que elas somem!&quot;. E quando as suas reclamações estão no ápice, com você já incriminando desde a empregada até a sua mãe que vive mexendo nas suas coisas, você acha o negócio em outro lugar. E só aí se lembra que, de fato, foi você quem deixou ele lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que será que isto é tão comum? A minha teoria é a seguinte: como na sua cabeça você de fato intencionava deixar algo ali, naquele lugar, o ato de distração que o fez colocá-lo num lugar diferente resulta na conclusão de que, como aquilo sumiu da sua mão, é porque você já colocou ele lá no lugar planejado. Afinal, como você não tinha intenção de deixá-lo em nenhum outro lugar, ele só pode estar lá.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A impressão de estar correto é tão grande que a gente se esquece de que a nossa memória pode nos pregar peças às vezes. Portanto, é necessário seguir a regra do polegar: a certeza acerca do paradeiro de alguma coisa não é suficiente; faz-se necessário uma certeza &lt;i&gt;absoluta&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu avô certa vez me contou a seguinte estória:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Quando meu pai era rapaz, ele trabalhava na fazenda de uma senhora que era viúva de um importante fazendeiro da região. Um dia, a senhora deu falta de um cheque que guardava de uma venda importante de gado que havia feito. A quantia era significativa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A senhora, depois de procurar e perguntar aos parentes e empregados, desesperou-se com a perda. Tudo indicava que alguém havia furtado o dinheiro. Os filhos da senhora desconfiaram de um dos empregados da fazenda, que foi interrogado pelos filhos. Contudo, o empregado manteve a posição de que não nada sabia e nem dava sinais de que falaria algo de esclarecedor. Os filhos, num gesto à margem da lei, começaram a usar de força física para que o empregado contasse a verdade. Depois de algum tempo, ele admite ter roubado o cheque e diz que vai mostrar o lugar onde o tinha escondido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a verificação do local descrito onde o cheque havia sido deixado, nada foi encontrado. Sob novo interrogatório, os mal tratos continuam até que um segundo lugar é descrito. Novamente, nada encontrado. Após uma certa quantidade de buscas guiadas por falsas declarações, o empregado morreu.... de tanto apanhar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos anos depois, a mulher decidiu que gostaria de vender a fazenda e sair daquele local. Para se despedir da casa onde vivera décadas com o marido, a viúva passa em cada cômodo da casa relembrando os velhos momentos. Passa pela varanda, cozinha, sala, mas é no escritório que ela fica mais tempo, para folhear os seus livros prediletos -- hábito também compartilhado pelo falecido marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de um tempo, ouve-se um barulho e todos correm para ver o que era. Era a senhora, que acabara de cair da escada e estava espatifada no chão, inconsciente. Os filhos tentam reanimá-la, mas em vão. A senhora, na verdade, havia morrido.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Morrido de quê, vovô?&quot;, pegunto. &quot;Da queda?&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Provavelmente. E mais provável ainda era a causa: em sua mão, estava um livro. Dento deste livro, havia um cheque, caprichosamente guardado entre as páginas grudadas do livro -- o cheque, que a mulher responsabilizou o empregado de furto. Ela o teria encontrado folheando as páginas de seu livro preferido. O susto da lembrança de que ela o teria escondido ali foi tanto que a fez perder o equilíbrio e cair.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4520194542942600274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4520194542942600274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2013/05/o-cheque-sumiu.html' title='O cheque sumiu!'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-3225615448117681097</id><published>2013-05-15T22:59:00.000-03:00</published><updated>2013-05-15T22:59:39.719-03:00</updated><title type='text'>Fique com meu livro que tomou emprestado, é presente</title><content type='html'>Dias atrás fiquei chocado com a notícia de que um amigo que há muito não via faleceu por motivo de doença. Novo, antes dos quarenta. Deixou esposa e três filhos adolescentes. Isto do ponto de vista tangível. No campo dos intangíveis, deixou provavelmente muito mais: sonhos não realizados, planos inacabados, uma dor sem tamanho no coração dos entes queridos, uma saudade indescritível&amp;nbsp;para esposa e filhos, quem vão ainda chorar muito tempo a ausência dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há palavras para lamentar o caso. Se há, eu as desconheço. Só desejo que a família se recupere logo e que a felicidade não se ofusque. Ele não iria querer isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje organizando a estante do escritório, deparei-me com um livro que tomei emprestado há (contando mentalmente agora quanto tempo faz, espanto:) doze anos e que nunca devolvi. Vergonha dupla. Não somente pelo ato em si, como pela impossibilidade de fazê-lo agora, pois o livro em questão era do meu amigo que nos deixou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vergonha foi imensa. Mas a sensação de vergonha gradualmente se transformou em algo bom: a constatação de quanto meu amigo foi generoso de deixá-lo comigo por tanto tempo. Se reclamou de mim por tal fato, o fez merecidamente. Se ele a partir de algum tempo assumiu que o empréstimo virou presente, quero compartilhar que o presente foi bem-vindo: de vez em quando agora, vou me lembrar da pessoa bem-humorada e disposta para a vida que ele foi ao passar o olho pela capa deste livro, procurando alguma coisa na estante do escritório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu costumava a reclamar de quem pegava um livro meu emprestado e não devolvia. Nunca mais faço isso. Aliás, pelo contrário: se você tem um livro meu com você, pode ficar com ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/3225615448117681097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/3225615448117681097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2013/05/fique-com-meu-livro-que-tomou.html' title='Fique com meu livro que tomou emprestado, é presente'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-6426442910846552046</id><published>2012-10-13T00:49:00.000-03:00</published><updated>2012-10-13T00:49:36.577-03:00</updated><title type='text'>O estranho caso do pote na geladeira</title><content type='html'>Hoje aconteceu mais uma vez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abri o freezer&amp;nbsp;para pegar a lasanha pronta para o meu jantar, como havia feito no dia anterior. Não me orgulho disso, a propósito. O problema é que quando a minha mulher está viajando a trabalho, são os congelados que me salvam. O microondas, que já era conveniente para esquentar o leite dos filhos, se torna quase que essencial para a minha sobrevivência. Com efeito, excetuando-se o Miojo, acho que tudo mais que eu sei fazer depende dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao abrir a porta, novamente notei&amp;nbsp;aquele pote misterioso que há meses se encontra debaixo do repositório de gelo. Devido a dificuldade do acesso a este lugar, normalmente colocamos ali somente o que não temos previsão de usar no curto-prazo. Mas já havia muito tempo que via aquele pote ali guardado, e a minha curiosidade de saber o que estava ali dentro começou a ser instigada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com muita dificuldade, abri uma fresta da tampa do pote. Mas estava tudo escuro lá dentro, não sendo possível enxergar. Retirei então o pacote de peito de frango e uns pacotes de &lt;i&gt;nuggets&lt;/i&gt; do congelador, o que permitiu chegar o vasilhame mais para o lado para ver melhor o conteúdo. Ao abrir mais a tampa, percebi que havia algo preto lá dentro, em quantidade. Mas a tampa não abria o suficiente para identificar o conteúdo propriamente.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
O que era aquilo? Feijão congelado?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Se fosse, já deveria estar estragado, por certo! Se há algo pior do que comida estragada na geladeira, é algo estragado no freezer! Retirei mais algumas caixas para tentar abrir mais a tampa e confirmar se aquilo era feijão mesmo. Ao abrir mais um pouco, percebi que aquilo não poderia ser feijão, pois estava aos pedaços e em formato de grandes conchas, como se fossem colheres gigantes de madeira. Ou seriam peças de artigos arqueológicos sendo preservadas?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunca havia entrado algo assim na minha geladeira!&amp;nbsp;O mistério então ficou ainda maior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Soltei tudo o que estava na minha mão, e retirei finalmente tudo do freezer para ganhar acesso completo ao misterioso pote. Tirei o mesmo da geladeira e coloquei-o em cima da pia. Removi agora totalmente a tampa.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Eram ovos de chocolate!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Agora me lembro: ao abrirmos os montes de ovos que meus filhos ganharam na última Páscoa, deixamos um &amp;nbsp;par deles na geladeira e os demais escondemos neste pote, para evitar deixar a gurizada se intoxicar com chocolate. Nós então esquecemos do assunto, achando que as crianças não esqueceriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Caso encerrado. Como recompensa, sobremesa para meu jantar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
Tocando neste assunto...&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
... de estórias misteriosas, eu adorava ler estórias do gênero na minha adolescência. E depois, desafiava meus amigos a desvendar o mistério proposto, refazendo os passos indutivos que os detetives hiper astutos dos livros seguiam! Mas um dia eu me surpreendi com a resposta certeira de um colega:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- O veneno estava no bolo? -- respondeu meu amigo, verificando a hipótese dele de que o veneno que matara o protagonista da estória que eu acabara de contar estava no bolo que o personagem havia comido no dia anterior à sua morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Sim! Isso mesmo! Puxa, que perspicácia! Como chegou a esta conclusão?! Quero saber se foi do jeito que o detetive deduziu...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Bem, não foi nada difícil. Você chegou para mim logo de início e disse: &quot;Ei, já te contei aquela estória sobre o mistério do veneno no bolo?&quot; Depois de toda a estória, presumo que o veneno só possa estar no bolo!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;br /&gt;
Sem querer, eu havia entregado o jogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como me lembrei deste episódio? Bem, é que quando comecei a escrever esta postagem, entitulei a mesma de &quot;O mistério dos Ovos de Chocolate&quot;. Felizmente, lembrei deste caso a tempo e vocês leitores não tiveram a mesma sorte que meu amigo. Como se saíram?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/6426442910846552046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/6426442910846552046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2012/10/o-estranho-caso-do-pote-na-geladeira.html' title='O estranho caso do pote na geladeira'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-3541195153767945328</id><published>2012-08-10T20:40:00.001-03:00</published><updated>2012-08-10T20:40:57.253-03:00</updated><title type='text'>Reforma das fábulas -- eu apóio!</title><content type='html'>Tem coisas que não adianta a gente tentar inovar. Em certas áreas, as pessoas acham que não faz nem sentido o termo inovação. E ponto. O simples fato de se tentar discutir se vale a pena tentar algo novo naquela assunto faz com que as pessoas afastem os filhos pequenos de perto, com medo de ser contagioso.&amp;nbsp;A última vez foi quando decidir modernizar a fábula da mentira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta fábula todos conhecem tenho certeza. Diz respeito ao garotinho que vivia a pregar peças nos aldeões dizendo que havia incêndio na floresta perto da vila e depois se divertia vendo os homens carregando baldes e baldes de água no intuito de apagar o fogo fruto tão somente de seu boato. Mas num belo dia, no qual o menino testemunha de fato um incêndio e portanto seu texto se torna uma verdade, ninguém acreditou e a vila foi às cinzas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois bem. Ao contar esta fábula para uma criança, não tenho certeza que ela entenda perfeitamente a moral da estória, pelos seguintes motivos: (i) ela nunca provavelmente viu um incêndio, talvez nem uma fogueira; (ii) talvez não entenda porque tem gente morando perto de florestas (para ela, floresta deve ser um lugar distante, onde as pessoas tem que andar horas de carro para chegar lá), (iii) talvez se pergunte o porquê de não terem ligado para o 193 chamando os bombeiros, ao invés de elas mesmos&amp;nbsp;saírem&amp;nbsp;carregando baldes e baldes de água. Enfim, temo que a falta de aderência da fábula a sua realidade possa prejudicar a completa assimilação do conteúdo.&amp;nbsp;Entendo que do jeito que é contada esta fábula deve ter sido muito útil na Idade Média. mas&amp;nbsp;será que ela atinge seu objetivo no mundo contemporâneo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A minha proposta de versão, e aquela que acabei contando neste dia, foi sobre um carro mentiroso que cismava de ficar apitando o alarme anti-furto sem mais nem menos, no meio da noite, acordando toda a vizinhança. Quando as pessoas olhavam, não era nada -- só mais uma das&amp;nbsp;peripécias&amp;nbsp;do carro fanfarrão. Mas um dia, o ladrão veio e, enquanto todos ignoravam em suas casas aquela buzina &quot;Pé! Pé! Pé!...&quot; em bom e alto tom (mais alto do que bom), o sortudo do ladrão levou o carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma vantagem adicional na minha versão é que nela só o dono do carro mentiroso acabou se dando mal no final, o que é merecido por não ter poupado os tímpanos de seus vizinhos por tanto tempo. Sempre achei aquele final no qual todos os inocentes aldeões perdem seus casebres um tanto injusto. (Talvez o problema da versão feudal da fábula vá além de simplesmente não atingir sua mensagem em completude...)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto escrevia este texto, recebo um e-mail sobre os novos relógios de certa marca que são resistente a 200m de profundidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu amigo fabricante, não daria para sair do modo &quot;50m, 100m, 200m water resistant&quot;? Faça um de resistente a 20cm, que está de muito bom tamanho para mim. E para muita, muita gente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/3541195153767945328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/3541195153767945328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2012/08/reforma-das-fabulas-eu-apoio.html' title='Reforma das fábulas -- eu apóio!'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-7644335229610592864</id><published>2012-07-05T23:41:00.000-03:00</published><updated>2012-07-05T23:41:38.446-03:00</updated><title type='text'>O balão de nossas vidas</title><content type='html'>Sábado de sol, dia de acordar mais tarde (leia-se: 08h30, nada como 10h40 nas épocas de sem-filhos) e.... levar as crianças para tomar vacina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes dias, eu me sinto um verdadeiro traidor: quando criança, o lugar que mais detestava era o posto de vacinação. Aquilo simbolizava para mim a dor, a agonia da espera na fila para ser furado e a frustração de ter os nossos próprios pais como comparsas da máquina cruel do Estado criada para aterrorizar os recém-chegados ao mundo. Agora, eu me tornara um comparsa do Sistema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se bem que neste dia o sofrimento não seria tanto, pois era dia apenas do&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Zé Gotinha, sem vacinas injetáveis. Tive que explicar&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;isto cinquenta vezes da saída de casa até a chegada ao posto. (&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;A propósito, lembro perfeitamente do dia em que o Governo fez uma campanha para as crianças sugerirem o nome do mascote da vacinação infantil. Meu Deus, estou ficando realmente velho...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Dia de vacinação me lembra também oportunismo. Aqueles caras que ficam vendendo balão na saída do posto te pegam de guarda baixa. Como negar um balão superfaturado para um filho que chora de dor por sua culpa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Desta vez, a milha filha escolheu um balão de um gatinho e ela realmente gostou dele. Ao invés de brincar apenas alguns minutos e esquecer ele depois no teto da sala para sempre, ela brincou com ele o dia todo. Seria um final feliz se não fosse um descuido meu ao sair de carro e deixar o vidro entreaberto: o fio do balão se partiu com o vento e o balão fugiu pela janela, deixando na outra ponta do fio uma menina que berrou durante muitos, muitos, mas muitos minutos a perda do recém-adquirido animal de estimação voador. Dormiu de tanto chorar. E continuou horas depois, quando acordou. Se o posto estivesse aberto, juro que voltava lá para comprar outro. Mas não estava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conversei seriamente com ela:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Filha, você sabe o que é esperança?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não!.... Gritou ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Esperança, é quando apesar de não sabermos se alguma coisa vai dar certo, acreditamos muito que sim. Quem sabe um dia você reencontra com seu balão voando por aí? Já pensou, que legal se encontrar com ele?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não tem como! -- disse ela, enxugando as lágrimas. Quando o balão vai embora, a gente não vê ele mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Pode ser... não sabemos como fazê-lo voltar, né? Mas isto não é impossível, certo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- É... não...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Então, isto&amp;nbsp;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;é esperança. Devemos trabalhar duro para conquistarmos o que queremos. Se isto não for possível, ainda nos resta a esperança. Chorar o perdido, não nos fará bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Talvez pela estória, talvez por já ter cansado de chorar, ela esqueceu do assunto e voltou a atenção a outras brincadeiras.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Fiquei feliz por ter conseguido contornar a situação de alguma maneira.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;No outro dia, logo de manhã ao acordar, ela foi na sala e voltou correndo no escritório me gritando:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;-- Papai, papai, corre, vem ver!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Ao ser arrastado até a sala, avistei pela porta que dá para a varanda o balão dela grudado no teto, com o fio enroscado nas plantas da varanda. Ele tinha voltado!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;A felicidade foi geral. Ela não se agüentava de alegria. Então ela me disse, depois de acalmar:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;-- Papai, isto foi esperança!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não, filha -- disse eu. Esperança é o que devemos ter para acontecer o que ocorreu agora: um milagre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Por vezes, no balão de nossas vidas, esquecemos de nos apoiar um pouco na esperança quando algo está fora do nosso controle. Por outras, depositamos nela algo que compete a nós mesmos realizar. A sabedoria é distinguir bem uma situação da outra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;Será que faz diferença se fui eu quem voltei lá no posto antes que ela acordasse para comprar outro igualzinho ou se o balão apareceu lá trazido quilômetros de distância por ventos caóticos? Creio que o&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;background-color: white;&quot;&gt;&amp;nbsp;importante seja que o milagre, atribuído a razão que for, existe e opera em nossas vidas de maneiras imprevisíveis. Quando se menos espera, o nosso balão é empurrado para a varanda que mais queríamos. Basta ter esperança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/7644335229610592864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/7644335229610592864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2012/07/o-balao-de-nossas-vidas.html' title='O balão de nossas vidas'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-4618533429178715133</id><published>2012-06-28T15:16:00.000-03:00</published><updated>2012-06-28T15:29:21.259-03:00</updated><title type='text'>Divertindo-se em filas</title><content type='html'>Há um tempo comentei sobre uma condição particular na qual aguardar muitos minutos na fila não é de todo ruim. Por outro lado, já mencionei também que &lt;a href=&quot;http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/03/sera-que-toda-pergunta-cabe-uma.html&quot;&gt;nem sempre&lt;/a&gt; isto é agradável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas em geral, um jeito de se ter bons momentos numa fila é escutar a conversa das pessoas: sai cada pérola!... Para&amp;nbsp;ouvi-las, tem-se que tomar o cuidado de fazer isso de maneira completamente discreta. A dica é fingir estar lendo alguma coisa, como o verso de um produto. O ideal, é franzir a testa dando a impressão de dificuldade ao ler as letras miúdas do rótulo que supostamente lhe interessa muito. Com a prática, você parecerá tão&amp;nbsp;compenetrado&amp;nbsp;que será tomado como surdo para todos os efeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas das minhas experiências recentes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;No supermercado&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leitor de barras não funciona. O caixa:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Quanto custa esta água? (Era um garrafão destes de 10L; com o preço, a intenção era saber o código num catálogo para entrá-lo manualmente na caixa registradora.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Rapaz, não sei... não lembro! Responde o cliente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Puxa... -- suspira o caixa, enquanto aperta o botão para acender uma luz em cima do caixa, chamando o gerente. -- Este é meu sonho, sabia? Entrar no supermercado e pegar qualquer mercadoria sem olhar o preço! Eu ainda chego lá!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;No estacionamento rotativo&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- O senhor não tem menor? (Pegunta o caixa, ao receber uma nota de R$ 100,00 para pagar o estacionamento de R$ 5,00.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Graças a Deus, não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Na farmácia&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Remédio para piolho?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Sim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- É criança?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não, adulto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Sabe se ele já usou este produto? É muito bom.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não, mas pode ser este então.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Você não poderia confirmar com a pessoa? É um produto muito bom, mas tem forte reação em algumas pessoas e...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Tudo bem, senhor! O remédio será para mim! Está satisfeito em me fazer dizer?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PORTANTO: entre escolher duas filas de mesmo tamanho, mas que uma é em linha reta e a outra faz aquele S característico, e todas as outras condições sendo as mesmas, prefira a segunda. As pessoas perto de você na fila estarão sempre em constante mudança e a probabilidade de estórias interessantes aumenta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se ainda não acredita que as pessoas se divertem numa fila, basta fazer o seguinte auto-teste: entre esperar numa fila com 10 pessoas a sua frente e esperar o atendimento num SAC com 10 pessoas a sua frente, o que você escolheria?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fica aqui minha sugestão: ao invés das tradicionais musiquinhas nas centrais de atendimento, deixem as pessoas na fila se escutando mutualmente, como se tele-conferência fosse. Seria divertidíssimo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4618533429178715133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4618533429178715133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2012/06/divertindo-se-em-filas.html' title='Divertindo-se em filas'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-4914270675714623904</id><published>2012-06-13T14:16:00.000-03:00</published><updated>2012-06-13T14:16:56.062-03:00</updated><title type='text'>Steve Jobs, iPad e a Matemática</title><content type='html'>A gente nunca pode achar que já viu de tudo nesta vida.&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Estava olhando a ScienceDirect (um dos maiores bancos de dados que reúne as publicações científicas das
revistas mais relevantes de praticamente todas as áreas) e constatei algo surpreendente. Descobri que os dois temas mais quentes de computação, que constituem os temas dos 8 artigos mais
lidos de computação pela ScienceDirect, são os seguintes:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;3 deles são
sobre &lt;i&gt;computação em nuvem&lt;/i&gt;. OK. Esperado. Mesmo que não é da área de computação, já deve ter ouvido falar do assunto;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;5 deles (incluindo o mais lido) são
sobre aspectos diversos sobre o uso do Facebook (!!!).&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
Eu até
aceito o Facebook estar bem cotado entre as maiores preocupações dos cientistas. Mas daí a ganhar de computação nas nuvens, tem uma distância, digamos, colossal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu cheguei a esta constatação por que recebi um e-mail da ScienceDirect convidando a conhecer os artigos mais lidos da área de computação. (Tudo bem! Tudo bem! Confesso que enquanto clicava no &lt;i&gt;&lt;a href=&quot;http://top25.sciencedirect.com/subject/computer-science/7/&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;link&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;tive o delírio por frações de segundos de me perguntar se um dos meus estava lá.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falta realmente um bocado para alguém que trabalha na área teórica conseguir ficar entre os mais lidos. (E para ser eu, bem, daí a qualificação de delírio que usei acima.) Mas aposto que se o Steve Jobs trabalhasse em matemática, o mundo todo hoje estaria arrastando equações na tela com a ponta do indicador, feliz da vida. Afinal, se ele fez todo mundo acreditar que o iPad é algo extraordinariamente útil, não tenho dúvidas que ele faria isso pela teoria da computação. (Mas os joguinhos são bem legais, tenho que admitir!)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4914270675714623904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4914270675714623904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2012/06/steve-jobs-ipad-e-matematica.html' title='Steve Jobs, iPad e a Matemática'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-6304650704288220081</id><published>2012-05-09T22:49:00.000-03:00</published><updated>2012-05-09T22:49:21.732-03:00</updated><title type='text'>A metamorfose do adulto</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
-- Papai, quando é que eu vou ficar adulta?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a pergunta não viesse depois de várias estórias contadas, várias recomendações sobre o bem do descanso, e várias quase ameaças sobre cortar o Backyardigans amanhã se ela não dormisse logo, eu juro que estaria animado a respondê-la. Mas não era o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Filha, o negócio é o seguinte: já passou muito da hora! Amanhã, se continuar puxando papo, você vai levantar toda sonolenta, o papai vai perder a hora do trabalho, e...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Oh papai, só esta, vai!... Quando é que alguém fica adulto e deixa de ser criança?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desisti. Ela não estava com sono. Amanhã seria um daqueles dias. Fazer o quê? Resignado, ponderei seriamente sobre a questão dela. E respondi de maneira lenta, contemplativa, como se todo o tempo do mundo houvesse daquele momente em diante:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Filha, alguém se torna adulto quando visualiza a sua trajetória daquele momento em diante. Sabe exatamente como vai ser sua vida até a sua morte. É quando o sonho de ser jogador de futebol, astronauta, artista de circo, cientista, vai embora, pois percebe-se que não há possibilidades reais mais. O curso já está tomado. É como quem atingiu o pico de um monte: lá de cima, além de ver tudo por onde passou, vê também tudo o que virá. Sem ilusões de que haverão curvas inesperadas, florestas encantadas, despenhadeiros vertiginosos, no caminho que falta. Tudo será previsível, esperado, com momento marcado de acontecer. Neste momento filha, a gente sabe que ficou adulto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Olhei para o lado. Ela tinha dormido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantei-me da cama dela na ponta dos pés. Chutei a boneca dela no quarto escuro mas, por sorte, ela não acordou. Antes de fechar a porta do quarto, ainda pensei: &quot;Branca de Neve, Gato de Botas, &amp;amp; cia: vocês não estão com nada!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez, a receita para ser uma eterna criança seja sempre subir a ladeira. Sempre procurar, com algum esforço, crescer. O ponto no qual o ânimo de subir termina é onde a ladeira começa. Bem, chega de filosofar, ou eu não durmo hoje. Boa noite!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br class=&quot;Apple-interchange-newline&quot; /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/6304650704288220081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/6304650704288220081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2012/05/metamorfose-do-adulto.html' title='A metamorfose do adulto'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-4613966323253895842</id><published>2012-04-28T01:56:00.000-03:00</published><updated>2012-04-28T01:56:36.110-03:00</updated><title type='text'>De volta</title><content type='html'>Surpresa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensou que o blog tinha acabado? Pois é, eu também. Fiquei tanto tempo sem escrever que até parece que esta é minha primeira postagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resumidamente, a questão toda foi a seguinte: o blog começou por que eu descobri um problema de saúde e, meio sendo dramático achando que ia bater as botas, resolvi escrever um pouco para relaxar. Mas a verdade é que não foi nada muito sério, como comentei em outra &lt;a href=&quot;http://tocando-neste-assunto.blogspot.com.br/2011/03/na-morte-e-que-se-entende-vida.html&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;postagem&lt;/a&gt;. E aí, quando vi que não ia mesmo bater as botas tão cedo, o espaçamento de publicação entre os textos foi aumentando, aumentando...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente começa a achar que um hobby faz-se outro dia, pois afinal de contas, tem-se muito tempo pela frente, não é mesmo? Você sabe bem como é esta sensação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lição aprendida: é mais prudente alguém viver tendo sempre achado que morreria a qualquer momento do que morrer sempre achando que viveria muito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final de semana da Páscoa, fui visitar parentes na Região dos Lagos e, no sábado, demos um pulo em Búzios, só para dar uma passeada. Chegando lá, um passeio de barco interessante estava para sair e não pensamos duas vezes para embarcar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No meio do passeio, o barco engasgou. Literalmente, o motor afogou. Eu que estava bem próximo da casa de máquinas, vi a água brotando do assoalho do casco quando abriram a tampa para verificar o que estava acontecendo. Depois de meia hora à deriva, chegou o resgate, e deixamos a embarcação para trás (o abandono foi devidamente registrado):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfM368GFpRWy7VpjwK_uQhIVcFrLZ5VzdMJiUEZM6kUpQmVIRTWxQftENugDnWB_ZNE9htHchw20m5aif-6SHbIWnIKNLgCUOI1nlV6VBUPs7zPNrP1kDHbxSXSWHN6aJEOL6gtkzI5do/s1600/2012-04-07_16-25-43_608.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;223&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfM368GFpRWy7VpjwK_uQhIVcFrLZ5VzdMJiUEZM6kUpQmVIRTWxQftENugDnWB_ZNE9htHchw20m5aif-6SHbIWnIKNLgCUOI1nlV6VBUPs7zPNrP1kDHbxSXSWHN6aJEOL6gtkzI5do/s400/2012-04-07_16-25-43_608.jpg&quot; width=&quot;400&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda não entendi muito bem a razão, mas o fato é que este evento me motivou a voltar a escrever. Alguma ideia?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4613966323253895842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4613966323253895842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2012/04/de-volta.html' title='De volta'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfM368GFpRWy7VpjwK_uQhIVcFrLZ5VzdMJiUEZM6kUpQmVIRTWxQftENugDnWB_ZNE9htHchw20m5aif-6SHbIWnIKNLgCUOI1nlV6VBUPs7zPNrP1kDHbxSXSWHN6aJEOL6gtkzI5do/s72-c/2012-04-07_16-25-43_608.jpg" height="72" width="72"/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-2596740885176402577</id><published>2011-12-14T18:41:00.001-02:00</published><updated>2011-12-14T18:45:26.316-02:00</updated><title type='text'>Provando por absurdo</title><content type='html'>Uma das técnicas de prova dentro da matemática é a redução de um raciocínio a um absurdo. Quando eu ouvi esta expressão pela primeira vez, lembro de ter me perguntado: &quot;Ué, mas se o raciocínio foi levado a um absurdo, isto é de alguma valia?&quot;. Por incrível (ou seria absurdo?) que pareça, isto diz muita coisa. A ideia da prova por absurdo é que, se há a princípio apenas duas maneiras de algo existir, e uma delas conduz a conclusões absurdas, então é porque a outra alternativa é, na verdade, a única possível de ocorrer na prática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos um exemplo: suponha que uma pessoa esteja sendo julgada por assassinato. Por princípio, independentemente da pessoa em si que esteja sendo julgada, ela pode ou não ser culpada (só há estas duas alternativas). Se houver uma prova cabal de que ela estava em outro lugar no instante do crime (uma testemunha, um registro inquestionável dela em outro lugar, etc.), então concluímos que é um absurdo que o réu estivesse no local do crime pois, a cada momento, um corpo só pode estar em um único ponto físico (nota para os fisicos quânticos: perdoêm a minha simplificação da realidade). Logo, é absurdo que esta pessoa seja culpada do assassinato sendo, portanto, inocente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É tão simples quanto isso. E uma gama imensa de problemas matemáticos, bem maior do que deve estar imaginando, são provados desta forma. Isto mostra como a natureza da matemática é simples. As pessoas que complicam demais. Eu já escrevi uma outra &lt;a href=&quot;http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2010/10/nem-so-de-x-vive-matematica.html&quot;&gt;postagem&lt;/a&gt; sobre como problemas que parecem complicados são, em verdade, fáceis quando apresentados em outra linguagem a que nos é familiar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estava levando minha filha de quatro anos para a escola e vimos um carro quebrado na rua sendo guinchado. Ela achou o cena o máximo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Papai, porquê aquele carro está sendo levantado pelo maior?&amp;nbsp; -- ela me perguntou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- É porquê o menor quebrou, e o maior está levantando ele para carregá-lo até uma oficina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Ahhhh... ele vai levar ele no &quot;colo&quot; ?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Isso! -- achando engraçado a analogia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- E se o maior quebrar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uau. Bem pensado! Meus olhos brilharam com a oportunidade sutil de fazer a matemática parecer algo legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Pois é... aí eles trazem um caminhão maior ainda para carregar o outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Ah....&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- E se este maior também quebrasse, hein?! Já pensou?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Hmmm... ah, papai, aí eles iam trazer um caminhão maior ainda!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Isso!... Mas ele também pode quebrar....&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- É, aí agente ia ter que trazer um caminhão maior, e maior, até ficar do tamanho do mundo!... (no finalzinho, percebi pelo retrovisor que ela fez um cara de que havia algo de errado com a conclusão)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Pois é... e mesmo que houvesse algum caminhão do tamanho do mundo, e ele quebrasse??&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- É mesmo.... e agora !??!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Nossa, é mesmo.... e agora?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensou um pouco. E respondeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Ah, mas aí então dá para empurrar o caminhão, ao invés de colocar ele no &quot;colo&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta era outra alternativa. Para transportar um objeto, ou se carrega ou se empurra ele. O método de carregar um objeto que carrega outro que carrega outro etc. leva a um absurdo (que existem caminhões do tamanho do mundo - e ainda maiores!). Logo, carros quebrados forçosamente devem, em algum momento, ser empurrados ao invés de carregados. Ela se convenceu disso provando por absurdo. E depois foi brincar de massinha na escola.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/2596740885176402577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/2596740885176402577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/12/provando-por-absurdo.html' title='Provando por absurdo'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-7729531737667114135</id><published>2011-12-01T16:28:00.000-02:00</published><updated>2011-12-01T16:28:23.436-02:00</updated><title type='text'>Dedicatórias</title><content type='html'>Sempre que leio um livro, não deixo de olhar o prefácio e as dedicatórias. Em geral, as pessoas pulam estas seções, e vão direto &quot;ao que interessa&quot;. Acho importante ler também estas partes pois geralmente elas são os únicos lugares nas quais o autor revela sua verdadeira personalidade dado que o objeto de discurso é pessoal. Isto não acontece no corpo do livro, cujo conteúdo é na maior parte das vezes, ao menos no meu caso, ou ficção ou de cunho técnico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por falar em livro técnico, estava folheando o livro &quot;&lt;span class=&quot;st&quot;&gt;Fundamentals of Database Systems&lt;/span&gt;&quot; (Elmasri/Navathe) e me deparei com a seguinte dedicatória (traduzida) de Elmasri:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;Para Katrina, Thomas e Dora (e também para Vicky).&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Achei muito peculiar a posição de Vicky em relação à Katrina, Thomas e Dora. Eu, por exemplo, interpretei a dedicatória assim:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;Para Katrina, Thomas e Dora. (Ah, e também para Vicky! Ufa, quase me esqueci.)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Não vejo muita explicação razoável para o autor ter separado Vicky assim, tão explicitamente. Se ele gostaria de dedicar o livro a ele, por que minimizar sua importância desta maneira? Bem, vejo sim uma situação possível. O Vicky pode ser um animal de estimação e o autor não gostaria de elevá-lo à mesma categoria dos demais. Neste caso, eu não gostaria de estar na pele daqueles entes e amigos íntimos do autor que não entraram na dedicatória.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afinal de contas: qual o critério para se aparecer ou não numa dedicatória? Seria citar aqueles que mais contribuíram para a realização do trabalho? Aqueles a quem se ama?&amp;nbsp; Aqueles com nome curto?! Sim, pois os espaços para dedicatórias são sempre pequenos e cada nome ali tem que ser cuidadosamente planejado. É quase como decidir comprar um novo móvel para os apartamentos (leia-se: a-per-ta-men-tos) de hoje em dia, onde cada centímetro quadrado faz a diferença entre ter ou não uma mesa de centro. Ou ainda em escolher os convidados para a festa de casamento, com os preços abusivos dos cerimoniais, que cobram por pessoa, incluindo as namoradas dos filhos daquela tia que mora longe, que há muito você não vê, mas tem obrigação de chamar. Esta decisão consciente na nomeação da dedicatória agrava ainda mais a situação, pois quem fica de fora tem razão de sobra de ficar chateado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Defendo que, além das dedicatórias, devesse existir a seção de Difamatórias. &quot;Ao meu antigo chefe, que dizia ter sido um erro eu largar aquele emprego para me graduar.&quot;, seria uma boa. Ou quem sabe &quot;Ao meu chefe, por ter me feito trabalhar duro, incluindo finais de semana e feriados, de maneira que eu fui forçado a me especializar em banco de dados a ponto de escrever este livro&quot;. Pensando bem, já sei por que difamatórias não existem. A  indiferença dói mais do que o ódio declarado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No meu caso, nunca tive que escrever muita coisa que abriam a possibilidade de dedicatória além das minhas teses e monografias. Mesmo assim, quis o destino que a minha filha esteja incluída em uma dedicatória a mais do que meu filho por ter nascido antes. Tenho certeza que isso me trará confusão um dia, numa discussão destas qualquer de porquê eu deixo ela fazer algo que ele não pode. Para amenizar este problema, gostaria de dedicar esta postagem a você, meu filho!&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/7729531737667114135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/7729531737667114135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/12/dedicatorias.html' title='Dedicatórias'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-215193328773842768</id><published>2011-11-07T00:10:00.000-02:00</published><updated>2011-11-07T00:10:54.214-02:00</updated><title type='text'>Minha filha é um agente X9</title><content type='html'>Todo mundo tem algum segredinho que só os mais íntimos sabem. Ainda assim,&amp;nbsp;sabem pelo simples fato de estarem sempre por perto&amp;nbsp;em todas as situações; caso contrário,&amp;nbsp;nem mesmo eles saberiam.&amp;nbsp;Incluídos&amp;nbsp;nestes &quot;segredinhos&quot; estão os deslizes que cometemos vez ou outra, que nem confissão premiada dá jeito de fazer alguém admitir. Como exemplos nesta categoria, podemos citar:&amp;nbsp;jogar&amp;nbsp;papel na rua, soltar&amp;nbsp;pum no elevador (ou soltar&amp;nbsp;debaixo das cobertas -- essa é braba), jogar pilhas no lixo comum (é altamente tóxico, não sabia?!), preferir sacolas de plástico para as compras de mercado às sacolas retornáveis, detestar perder tempo analisando em qual lata de coleta seletiva depositar&amp;nbsp;o lixo, estacionar na calçada, descartar as seções de Economia e Política do jornal e ler somente os quadrinhos,&amp;nbsp;e por aí vai.&amp;nbsp;A lista é infindável. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Descobri que tenho uma agente X9 em casa.&amp;nbsp;A minha filha de três anos adora entregar meus desvios de conduta, por assim dizer. Quando era para a minha esposa, ainda estava bem (ela é Ph.D. neles mesmo). Mas agora, ela me delata em público!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje estávamos numa loja e ela me diz aos berros (falar baixo é um atributo que ainda estou trabalhando com ela mas, sinceramente, não sei se estou conseguindo progresso):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Papai, você sempre usa esta bermuda xadrez.... não tem outra não?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claro que arrancou risos de quem estava&amp;nbsp;a volta. Dei um tapinha na cabeça dela, uma risada sem-graça para os estranhos e disse: &quot;Estas crianças!... Não sabem o que inventar....&quot;. Não cola, mas o que eu dizer mais? &quot;É, realmente, usei esta bermuda a semana inteira... como ela não sujou ainda -- ao menos não ao ponto de tornar uma lavada uma condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; para seu uso --&amp;nbsp;achei que daria para aproveitá-la um pouco mais. Ainda mais pelo fato de eu achar que ela me cai bem...&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A propósito, noção de tempo é uma coisa que a minha filha ainda tem dificuldades. Ela confunde &quot;ontem&quot;, &quot;outro dia&quot;, &quot;amanhã&quot;.... Logo, mesmo que eu tivesse dito a verdade acima, não haveria perigo de ela retrucar: &quot;Uma semana só, papai?&quot;. Mas é bom não arriscar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro dia, estava com a minha filha na fila de supermercado às 11hs de sábado, junto com todos os milhares de moradores em minha vizinhança que só perceberam que não tinham nada em casa para o almoço no próprio sábado. Com a demora na fila,&amp;nbsp;a pimpolha começou a ficar impaciente. A sorte foi que percebemos que, na fila do lado, estava um garotinho da escola dela. Pronto! Agora um poderia entreter o outro até que nossa vez de passar a compra chegasse. O que eu não contava era que, em determinado momento, o moleque botou o indicador no nariz e começou a limpar o salão. A minha filha mais do que depressa o repreendeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Fulano, pare já&amp;nbsp;com essa coisa feia! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensou um pouco, e continuou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Sabia que meu pai também faz isso?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa, eu juro que ela exagerou.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/215193328773842768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/215193328773842768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/11/minha-filha-e-um-agente-x9.html' title='Minha filha é um agente X9'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-1682573141423207331</id><published>2011-11-01T20:55:00.001-02:00</published><updated>2011-11-03T10:47:32.702-02:00</updated><title type='text'>Da Terra à Lua</title><content type='html'>Estes dias, navegando por entre os títulos de livros mais vendidos pela Amazon, caí numa página mostrando os &lt;i&gt;best-sellers&lt;/i&gt; do mês. Surpreendi-me com o &lt;i&gt;audiobook&lt;/i&gt; mais vendido de setembro: &quot;Da Terra à Lua&quot;, de Júlio Verne. Convenhamos: um livro escrito no século XIX ser o mais vendido do mês pode acontecer com todo mundo. Mas não é para qualquer um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No prefácio de seu&amp;nbsp;livro &quot;Da Terra&amp;nbsp;à Lua&quot;, lê-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote class=&quot;tr_bq&quot;&gt;&quot;Anything one man can imagine, other men can make real.&quot; (Júlio Verne)&lt;/blockquote&gt;Menos de 100 anos depois, o homem chega à Lua. Corretamente previu que seria numa nave com&amp;nbsp;três tripulantes, partindo de um lugar à 30Km de onde realmente partiu, e de quebra quase acerta o nome de dois astronautas.&amp;nbsp;Pensando bem, para Júlio Verne, escrever um texto que ainda é &lt;i&gt;best-seller&lt;/i&gt; mais de um século depois&amp;nbsp;foi fichinha.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/1682573141423207331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/1682573141423207331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/11/da-terra-lua.html' title='Da Terra à Lua'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-984969089882105000</id><published>2011-09-08T11:45:00.000-03:00</published><updated>2011-09-08T11:45:35.467-03:00</updated><title type='text'>De mudança</title><content type='html'>Mudar de endereço é igual a ligar para serviço de atendimento ao consumidor: chato para burro, mas a vida às vezes toma um rumo onde isto torna-se inevitável. Na minha última mudança, por exemplo, morávamos em um apartamento de um quarto e a nossa filha estava para nascer. Não teve, portanto, como evitar (eu me refiro à mudança). Depois de encontrado um novo apartamento e todos os detalhes acertados, faltava apenas marcar um caminhão de mudança.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia um caminhão que sempre ficava parado numa esquina perto de onde morava. Liguei para o telefone estampado na carroceria e me atende o seu Antenor. Ele prontamente agendou para o dia seguinte aparecer lá em casa e fazer um orçamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O seu Antenor era uma figura curiosa. Baixinho, nem magro nem forte, semi-calvo (ou semi-cabeludo, se você for um otimista), óculos fundo de garrafa, cheio de prosa. Assim que teve oportunidade (entenda-se: assim que me encontrou), foi tratando de dizer em quantas transportadoras de grande porte ele já havia trabalhado e de como juntou o dinheiro para comprar o caminhão e fazer o serviço por conta própria. Depois de alguma conversa, ele fez o orçamento e marcamos um dia. Apesar do seu Antenor já ter me inspirado confiança o suficiente para não achar mais necessário, resolvi prosseguir com o que eu havia planejado:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Então, seu Antenor, no dia traga por favor este contrato assinado, apenas para formalizar a prestação do serviço... -- disse-lhe, entregando um contrato de duas folhas que copiei e imprimi da Internet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou descendente de mineiro e, como todo bom mineiro, desconfiança e pão de queijo fazem parte do meu dia-a-dia. O que eu não contava era que o seu Antenor era ainda mais cabreiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dois dias depois, o seu Antenor me liga. Disse que esta estória de contrato era novidade -- onde já se viu, desconfiarem de sua pessoa? Se eu queria as coisas daquela forma, que ligasse para a Granero ou a Gato Preto. Disse isso como quem realmente ficou ofendido por aquele pedaço de papel pedindo para colocar o RG e assinar na linha pontilhada. Como eu tive uma simpatia pela pessoa do seu Antenor, me arrependi imediatamente e tentei persuadi-lo a continuar com o combinado. Depois de concordar que ele podia rasgar o contrato, ele finalmente aceitou. Antes de desligar, ainda me avisou que se os pratos e copos quebrassem durante o transporte, era porque eu não os teria embalado colocando folhas de jornal entre um e outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia da mudança, o seu Antenor aparece lá com a equipe dele. Está com uma cara de quem vai num duelo ou algo assim. Sem nenhum sorriso, nem uma brincadeira, bem diferente do nosso primeiro encontro. A fisionomia é de concentração e seriedade totais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante trabalho de carregar o caminhão, começo a conversar com um funcionário dele que ficou alocado de retirar os móveis da casa e colocar no corredor. Após um tempo de conversa, percebo que não só o seu Antenor mas a equipe dele toda eram superbacanas. Isto me deu tranqüilidade o bastante para achar que o serviço seria muito bem prestado. Depois de um tempo, o funcionário dele me confidencia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Rapaz, hoje quando paramos o caminhão aqui em frente, o Antenor pediu a palavra e avisou a todos: &quot;Hoje quero atenção total na mudança. Cuidado com cada canto de parede, cada espelho e vidro da mudança, cada colocação de caixa no chão. O cliente de hoje é super exigente. Ele não vai perdoar uma falha!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só aí percebi quão profundamente preocupei o seu Antenor com aquele papo de contrato. Ao deixarmos o apartamento antigo rumo ao novo, ele trancou o caminhão e me deu a chave na mão. Em tom solene, avisou que aquela chave não tinha cópias e que, portanto, o caminhão só seria aberto agora no destino final com todos presentes -- que, a propósito, era há cinco quadras dali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A retirada dos móveis e a colocação no novo apartamento foram impecáveis. O serviço foi muito bem feito e a um ótimo preço. No final, agradeci o seu Antenor pelo trabalho e disse que certamente recomendaria o seu serviço. Ele saiu de lá com uma cara de missão cumprida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assinatura em papel pode até ser necessário. Mas o importante mesmo é ter honra. Este é o lema do seu Antenor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dias depois, toca a campainha. É o seu Antenor. Quer verificar se uns parafusos que ficaram no caminhão são meus. Não são. Ele me diz que fez outras duas mudanças e que não vai descansar enquanto não achar o dono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está bom, seu Antenor, não precisa tripudiar!&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/984969089882105000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/984969089882105000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/09/de-mudanca.html' title='De mudança'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-879894743591919524</id><published>2011-08-14T22:27:00.003-03:00</published><updated>2011-08-15T00:02:40.570-03:00</updated><title type='text'>Feliz Dia dos Pais!</title><content type='html'>O problema do feriado de Dia dos Pais é que ele cai sempre num domingo (por construção). Ele não poderia ter sido definido como a segunda quarta-feira do mês de agosto? Aposto que isto sim seria um presentão para os pais, que ralam a semana toda e teriam uma folguinha no meio da semana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tirando esta desvantagem, é um feriado super merecido. Ainda mais porque eu sou um pai. Em merecimento, a propósito, só perde para o Dia das Mães. Que meu pai me desculpe, mas isto é verdade. Na hora do vamos ver, de colocar a mão na fralda suja, de dar banho na banheira e tirar a mancha de Nescau da roupa, sobra sempre é para elas. Sem contar a amamentação, que desempata qualquer disputa acirrada. Seja como for, cada pai tem o importante papel, e às vezes desconhecido a ele próprio, de influenciar os caminhos dos filhos com seu exemplo, suas atitudes, e suas sugestões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando eu era criança, meu pai chegou em casa do trabalho. Lembro de estar brincando de carrinho quando ele me abordou. Ele havia trazido uma pasta para mim. Era uma pasta de couro, elegante, de capa dura, onde dentro havia um espaço para se guardar folhas (com algumas dentro) e uma tabela de horários de aulas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Esta pasta ganhei de um engenheiro lá da firma. Trouxe ela para você...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Oba! -- exclamei, já esticando o braço para alcançá-la.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não, não vai ficar com você. Vou guardá-la e, quando crescer e for para a faculdade, lhe entrego.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falou como se fosse coisa séria, apesar dos meus seis anos. Vi quando ele a guardou em seu guarda-roupa, debaixo da pilha com calças sociais, num dos cantos da parte de baixo do guarda-roupa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tempo passava e, quando eu tinha que abrir o guarda-roupa dele por algum motivo e via aquela pasta debaixo das calças, eu lembrava do que ele havia me falado.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele nunca mais precisou voltar a este assunto, nem insistir para que eu estudasse, ou me pressionar para que eu fosse admitido em uma universidade pública. Como de fato, nunca o fez. Aquela semente plantada numa situação cotidiana brotou em mim a vontade de tudo isso. Quando eu terminei a apresentação de defesa da minha tese de doutorado, juro que me lembrei daquela pasta. E me perguntei se ela ainda estaria debaixo das calças dele na parte de baixo do guarda-roupa pois, até hoje, ele ainda não me entregou!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Coloquei esta pequena estória da pasta na seção de agradecimentos de minha tese. Quando ela finalmente ficou encadernada, meu pai, quando teve a oportunidade, deu uma folheada. E a leu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Puxa! Você ainda se lembra da estória da pasta! -- disse ele, com a voz embargada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Sim, pai! - respondi. Obrigado!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feliz Dia dos Pais!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/879894743591919524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/879894743591919524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/08/feliz-dia-dos-pais.html' title='Feliz Dia dos Pais!'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-1359901985606216002</id><published>2011-08-04T10:37:00.000-03:00</published><updated>2011-08-04T10:37:40.851-03:00</updated><title type='text'>Guerra de fotos</title><content type='html'>Quando eu era criança, eram raros os eventos pessoais registrados com fotos. Além das viagens de férias, havia dois que eram invariavelmente fotografados: aniversário e desfile de 7 de setembro. Aniversário é meio óbvio, mas.... desfile de 7 de setembro?! Ainda me pergunto porque meus pais se dedicavam a preparar a câmera para o dia do desfile, se não o faziam em outras ocasióes...patriotismo, talvez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquela época, era tudo mais difícil e, principalmente, mais caro. Registrar os momentos na maneira e quantidade que registramos hoje era inviável. A minha esposa hoje, por exemplo, tira tanta foto que dá para fazer animação se passarmos 24 fotos por segundo. Antes, era necessário comprar filme, pilha para a máquina, depois levar o filme para revelar e, dias depois, voltar para buscar a revelação. O processo era tão chato que só víamos as minhas fotos do desfile em dezembro. Isto ainda porque meu pai tinha que desocupar a máquina para colocar o novo filme comprado para o meu aniversário (que, por sua vez, ficava até o próximo 7 de setembro). A propósito, foi assim, postergando a revelação, que meu pai deixou um filme de desfile por nada mais nada menos que quinze anos dentro da máquina, depois que a aposentou. Quando descobriu o filme dentro da máquina às traças, ele tentou revelá-lo animado com a possibilidade de ter fotos inéditas do filho ainda criança que estavam perdidas no tempo. Quando ele pediu a revelação daquele filme, certamente o atendente pensou: &quot;Meu Deus! Máquina do tempo existe!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E quando acontecia daquela foto, a mais esperada do conjunto, saía queimada? Era tão comum, que me lembro da brincadeira de dizer a um conhecido: &quot;Ei, não vá aparecer na minha foto se não ela queima!&quot;, dando a entender que o dito cujo, de tão feio, faria a foto ser mal revelada por má vontade do funcionário, desmotivado de ficar olhando-a. Há algum tempo, sem querer, fiz esta brincadeira com alguém com menos de 20 anos. Recusei-me a explicar a piada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estória me veio à cabeça por um fato inusitado que ocorreu comigo semana passada. Estava eu dirigindo, o maior congestionamento, quando o cara do carro da frente começou a discutir com o carro do lado, na minha diagonal. Em dado momento, depois de muitas trocas de gentilezas (a julgar pela forma de comunicação entre eles pelas respectivas janelas abertas), um deles aproveitando de uma parada do trânsito, desceu do carro com uma coisa preta na mão. Pensei: &quot;Ih, estou frito. Vai ter bala perdida!&quot;. Mas não houve. O camarada parou em frente ao outro carro e começou a.... tirar fotos da placa. O outro colocou a mão para fora do carro e começou a tirar fotos do primeiro. Quando este voltou ao seu carro, o segundo resolveu também descer e tirar fotos da placa do outro que, por sua vez, tirou fotos do primeiro. Pensei em me oferecer para tirar foto dos dois juntos, mas julguei que não seria apropriado. Imaginei que escutaria de algum deles: &quot;Ei, &lt;i&gt;flash&lt;/i&gt; na cara não! Aí já é demais!&quot; e, num ato insano, começariam a fazer vídeos em HD um do outro. No fim, cada um voltou ao seu carro e seguimos todos viagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achei engraçado esta guerra de fotos. Duvido que eles fariam isto no tempo dos filmes e revelações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem sabe influenciado por testemunhar este fato, hoje eu também perdi a cabeça no trânsito. Pela segunda vez em alguns meses, o carro do Google Maps entra na minha frente no tränsito e fica tirando fotos para o Google Street View, comigo andando bem atrás. Desta vez, contudo, náo deixei por menos. Contra-ataquei:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTyC45I0lws32Uh3CShAxh-w_0SQlfKuV6dUXYZnlVqL59MupryaJvZBzySJHq0Sqju96gbrThlSs_GNq4ytzDwo3yBy9gZqlyHlyvILSn-hkYo-jLoiKIXAliY8qOw80XB-rQoAtX2Lk/s1600/080211233001-b.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;320&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTyC45I0lws32Uh3CShAxh-w_0SQlfKuV6dUXYZnlVqL59MupryaJvZBzySJHq0Sqju96gbrThlSs_GNq4ytzDwo3yBy9gZqlyHlyvILSn-hkYo-jLoiKIXAliY8qOw80XB-rQoAtX2Lk/s320/080211233001-b.jpg&quot; width=&quot;179&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/1359901985606216002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/1359901985606216002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/08/guerra-de-fotos.html' title='Guerra de fotos'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTyC45I0lws32Uh3CShAxh-w_0SQlfKuV6dUXYZnlVqL59MupryaJvZBzySJHq0Sqju96gbrThlSs_GNq4ytzDwo3yBy9gZqlyHlyvILSn-hkYo-jLoiKIXAliY8qOw80XB-rQoAtX2Lk/s72-c/080211233001-b.jpg" height="72" width="72"/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-6920659351965195519</id><published>2011-07-21T16:31:00.000-03:00</published><updated>2011-07-21T16:31:03.380-03:00</updated><title type='text'>Você sabe quanto custa um filho?</title><content type='html'>Hoje a minha esposa me enviou um e-mail. Achei que seria para me lembrar que ainda não troquei a lâmpada da cozinha que queimou há uma semana. (Hoje, saí de mansinho para evitar dela se lembrar e me fazer trocá-la, justo hoje que eu tinha que passar em mil lugares antes de ir para o trabalho. Por isso, estava esperando um e-mail sobre o assunto.)&amp;nbsp; Mas o conteúdo da mensagem foi diferente. Ela dizia que o umbigo do nosso filho havia caído.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, acabamos de ter mais um filho! Não sei por que, mas os pais tem umas preocupações esquisitas com os filhos pequenos. Por exemplo, quando o umbigo vai cair. Ou se o filho vai engasgar com leite. Ou acordar de madrugada e verificar se ele está respirando -- como se eles pudessem fazer alguma coisa em qualquer um destes casos. Por exemplo, eu nunca vi alguém dizer que teve que ir no hospital ou passou o maior perrengue porque o umbigo não caiu. Alguém que não nunca toma banho de piscina e depois confidencia ao seu melhor amigo: &quot;Cara, não conte a ninguém, mas eu não gosto de piscina por um motivo... o meu umbigo nunca caiu! Veja só a tripa para fora da barriga!&quot;. Mas mesmo assim, confesso que fiquei aliviado com a notícia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falta mencionar um detalhe sobre o e-mail. Eu estava apenas copiado no correio. Ele teve como destinatário principal uma outra pessoa: o nosso filho, o tal que acaba de nascer. Sim, ele já ganhou uma conta que já deve ter uma dúzia de mensagens. A ideia de criar uma conta para eles surgiu logo que nossa primeira filha nasceu. A propósito, sempre achei que naquela pulseirinha da maternidade, com o nome do bebê e da mãe, já deveria vir um e-mail vitalício: fulaninho.da.silva@cidadao.gov.br. Mas dado que as coisas ainda não são assim, também abrimos uma conta para ela e, desde então, ela já recebeu centenas de e-mails, entre piadas até advertências sobre o comportamento. Ela tem três anos e, portanto, ainda não leu nenhuma das mensagem. Mas poderá ter a chance de acompanhar em retrospectiva o estado de espírito da família em cada momento desde que nasceu -- isso se o Google não desativar a conta dela por inatividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de apagar a mensagem, respondi à minha esposa: &quot;Hei, você esqueceu de copiar a nossa filha...&quot;. Ela encaminhou a mensagem novamente, desta vez a copiando. Não quero que em 2016, preparando-me para ir a algum ginásio para acompanhar os jogos olímpicos que ocorrerão no Rio, nossa filha dê um piti antes de sairmos porque a mãe trocou e-mail com o pai e o irmão em 2011 sobre a queda do umbigo e ela ficou de fora. Melhor prevenir do que remediar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a faculdade, estava eu conversando com um professor na saída de uma aula. Um sujeito se aproximou e, com toda educação, interrompeu nossa conversa. Era alguém que, pelas saudações e a surpresa do reencontro, conhecia o meu professor desde muito tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Mas e aí rapaz, o que fez da vida? Casou? -- perguntou ele ao meu professor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Sim, casei... três filhos, e você?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Uaaau! Três filhos?! Eu casei, mas não temos filhos e nem queremos ter!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De certa forma, senti que a declaração chocou o meu professor. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Mas por que não?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Ora -- justificou ele, com convicção absoluta do que falava, como se já tivesse pensado no caso por muito tempo -- sabe quanto custa educar um filho até os 24 anos, supondo que ele fique mesmo independente financeiramente aos 24 anos (cada vez mais difícil)? Deve contar jardim de infância, escola, natação, judô, escola de música, curso de inglês e espanhol, plano de saúde, roupa, comida, cinema, médico e por aí vai...&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu professor franziu a testa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Hmmm.... não sei... nunca pensei nisso.... você já?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Sim... está tudo numa planilha &lt;i&gt;Excel &lt;/i&gt;que tenho. Sendo conservador, e levando-se em conta um rendimento de 0,5% mensais se o gasto fosse aplicado, totalizaria um milhão de reais por filho. E isso por baixo! E então, estou muito errado de pensar assim?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meu professor ficou pensativo. Talvez por nunca ter se dado conta de argumento semelhante a este, enquanto o seu amigo exibia um sorriso triunfante. Contudo, este seu sorriso deu lugar a uma tremenda cara de surpresa quando ele ouviu a resposta, contendo um argumento que ele, por sua vez, nunca tinha se dado conta:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Rapaz, então eu estou levando muita vantagem.... cada filho meu nem chegou ainda aos 24 anos e já valem para mim, cada um, mais do que um milhão.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/6920659351965195519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/6920659351965195519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/07/voce-sabe-quanto-custa-um-filho.html' title='Você sabe quanto custa um filho?'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-1901184995352918883</id><published>2011-07-11T19:36:00.000-03:00</published><updated>2011-07-11T19:36:54.517-03:00</updated><title type='text'>As fábulas e suas lições de moral</title><content type='html'>Estava eu numa livraria na seção infantil (sim, minha filha obviamente estava junto), quando passei os olhos por um livro que consistia de uma coletânea de fábulas. Uma fábula, como todos sabem, é um pequeno conto no qual, escondida em sua ficção, encontra-se uma lição de moral. Neste livro, havia uma proposta interessante: no rodapé de cada página onde trazia-se uma fábula, enunciava-se a lição de moral correspondente. Isto era feito de maneira muito discreta, de modo que a criança pudesse antes refletir sobre o tema e verificar em seguida se a lição que julga ter aprendido casa com aquela apontada pelo autor. Achei interessante a ideia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de ler algumas fábulas, deparei-me com a que transcrevo a seguir:&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;O Boi e a Rã&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Um Boi foi beber água num brejo e, acidentalmente, pisa numa ninhada de rãs e esmaga uma delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe das Rãs, ao sentir pela falta de um dos seus filhotes, pergunta aos seus irmãos o que aconteceu com ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele foi morto! Há poucos minutos atrás, uma enorme Besta, com quatro grandes patas rachadas ao meio, veio até a lagoa e pisou em cima dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mãe começa a inchar e pergunta:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A besta era maior do que eu estou agora?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O filho pede para ela parar de inchar - não se aborreça, mas eu lhe asseguro, por mais que tente, você explodiria antes de conseguir ficar o tamanho daquele Monstro.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;Fiquei intrigado. Que raio de lição de moral seria aquela?! &quot;Ao atravessar uma rua, além de olhar para um lado e para o outro, olhe também para cima&quot;? &quot;Quem tenta ser maior do que tem condições se mete em encrenca&quot;? &quot;Quem pode, podeç quem não pode, sai de baixo&quot;? Fiquei envergonhado de ter que ler o rodapé sem certeza de qual lição seria. Eis-la aqui:&lt;b&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Moral da Estória: &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Na maioria das vezes, as coisas insignificantes desviam nossa atenção do verdadeiro problema.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;Não sei quanto a vocês, mas tive dificuldades de associar a lição com o conto propriamente dito. Seria possível se chegar a esta lição, assim, tão claramente? Acho que a coisa insignificante que desvia nossa atenção, neste caso, é justamente este texto. Seria isto?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando eu tinha cinco anos, ao sair da calçada para a rua de bicicleta fui atropelado por uma caminhonete. O acidente foi feio: quebrei três costelas e tive uma perfuração nas costas, na altura do pulmão (muito embora, a cicatriz tenha descido até a cintura, pois a pele foi esticando com o crescimento). Sobrevivi, naturalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passado o susto, meu pai se recusou dali por diante a botar o pé novamente no mercadinho do bairro. O fato é que aquela caminhonete pertencia a este mercado, que trabalhava fazendo entregas de compras nas residências. Meu pai condenava até a oitava geração do motorista enquanto minha mãe ponderava que tinha sido um infortuito, que o jovem motorista não teve culpa de atropelar uma criança de desceu de repente da calçada de bicicleta. Meu pai não engolia este argumento: &quot;Eu vi na cara daquele safado! Tenho certeza que ele teve culpa de alguma forma!&quot;, repetia ele, impiedoso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos anos depois, minha mãe e eu entramos no mercado para comprar qualquer coisa. Enquanto ela pegava alguns itens entre uma prateleira e outra, parou de repente e, então, puxou-me pelo braço:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Fabiano, é aquele moço que lhe atropelou! Você se lembra dele?!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Puxa, era ele então. Ele ainda trabalhava no mercado. Eu não me lembrava de seu rosto, pois eu era muito criança na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Mãe, acha que devemos falar com ele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Vamos lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao chegar perto do camarada, minha mãe começou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Ei, você se lembra dele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O rapaz parou o trabalho e me olhou desconfiado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Olha, sinceramente.... não me lembro não. -- respondeu ele. Minha mãe continuou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Há muitos anos, você o atropelou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Meu Deus, sério? Atropelei como, com qual carro?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Foi de caminhonete!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Ahhh, sim, é que não dirijo caminhonete há muito tempo, mas já atropelei de caminhonete sim...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pausa. Notem que o sujeito pelo visto já atropelou de outras formas também. Sabe-se lá Deus de quantas mais. Ele me perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Você morava na Caieras, não?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não, aqui mesmo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Hmmm... -- fazendo cara de quem quer se lembrar -- eu por acaso passei no seu pé?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não, eu estava de bicicleta, e aí...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Ah, eu subi na calçada e peguei você!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Não, eu que desci na rua e aí você me atropelou!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Puxa, mas isto tem muito mais anos que eu imaginava! Estava tentando me lembrar de casos mais recentes. Rapaz, como é bom te ver assim, bom de saúde!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao sair daquele mercado, minha mãe xingava até a décima-quarta geração daquele camarada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moral da estória? Como no caso da fábula &quot;O Boi e a Rã&quot;, a minha intuição é que deve sim existir uma lição a ser aprendida. O problema é encontrá-la.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/1901184995352918883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/1901184995352918883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/07/as-fabulas-e-suas-licoes-de-moral.html' title='As fábulas e suas lições de moral'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-4381207208075117584</id><published>2011-07-04T15:11:00.000-03:00</published><updated>2011-07-04T15:11:24.809-03:00</updated><title type='text'>Procura-se um instrutor de informática</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;   &lt;o:AllowPNG/&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:TrackMoves/&gt;   &lt;w:TrackFormatting/&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:DoNotPromoteQF/&gt;   &lt;w:LidThemeOther&gt;EN-US&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:LidThemeAsian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:LidThemeComplexScript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;    &lt;w:SplitPgBreakAndParaMark/&gt;    &lt;w:EnableOpenTypeKerning/&gt;    &lt;w:DontFlipMirrorIndents/&gt;    &lt;w:OverrideTableStyleHps/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;m:mathPr&gt;    &lt;m:mathFont m:val=&quot;Cambria Math&quot;/&gt;    &lt;m:brkBin m:val=&quot;before&quot;/&gt;    &lt;m:brkBinSub m:val=&quot;&amp;#45;-&quot;/&gt;    &lt;m:smallFrac m:val=&quot;off&quot;/&gt;    &lt;m:dispDef/&gt;    &lt;m:lMargin m:val=&quot;0&quot;/&gt;    &lt;m:rMargin m:val=&quot;0&quot;/&gt;    &lt;m:defJc m:val=&quot;centerGroup&quot;/&gt;    &lt;m:wrapIndent m:val=&quot;1440&quot;/&gt;    &lt;m:intLim m:val=&quot;subSup&quot;/&gt;    &lt;m:naryLim m:val=&quot;undOvr&quot;/&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState=&quot;false&quot; DefUnhideWhenUsed=&quot;true&quot;
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&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Há 15 anos, os &quot;cursinhos&quot; de informática -- cursos que oferecem treinamento de programas básicos, como Windows, Word, Excel, etc. -- proliferaram. Hoje, quase não os vemos mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Eu cheguei a trabalhar dois anos como instrutor de informática. Eu era muito jovem na época, mas era uma exceção. Boa parte daqueles profissionais que conheci lecionava já por dez, quinze anos. Começaram numa época em que para se usar um computador sem vender um rim para comprar um era necessário se matricular num destes cursos. Hoje em dia, computador se tornou item básico da maioria das residências, tanto quanto um telefone fixo. Todo mundo, bem ou mal, sabe usar. Isto explica o fato de que tais cursos praticamente se extinguiram. O que será que foi feito destes instrutores &quot;da antiga&quot;? Espero que estejam todos bem realocados no mercado. De trabalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Tocando neste assunto...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Refletindo sobre o tema, me vem à cabeça a minha primeira aula. Cheguei mais cedo para conhecer um a um os alunos que chegariam. O primeiro a chegar foi o Sr. Hélcio. Com uns 65 anos, era um aposentado que buscava nas atividades extracurriculares algo para se ocupar. Depois de conversarmos por algum tempo, ele me perguntou:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;-- E aí, será que este professor vai ser bom mesmo? Dizem que ele é novinho...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Bem, eu não havia me introduzido como o professor propriamente dito. Então ele, sabendo dos meus dezessete anos, presumiu que eu também era aluno. Ele ficou tão constrangido em saber da situação quanto eu em explicá-la.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;Quando os alunos terminaram de chegar, comecei a aula. Depois daquela introdução básica (quem é você? o que busca no curso? o que faz da vida? etc.), comecei uma explicação teórica da computação antes de colocar a mão-na-massa e deixá-los utilizar os computadores. Esta parte era meio longa, na qual expliquei notação binária, conversão entre bases, a motivação da concepção de um &lt;i&gt;bit&lt;/i&gt;, a razão pela qual um &lt;i&gt;byte&lt;/i&gt; tem 8 &lt;i&gt;bits&lt;/i&gt;, entre outros assuntos. Pelas caras, no entanto, achei que a minha aula seria um fiasco. Ninguém parecia interessado (usando-se um eufemismo). Lá pelas tantas, ainda por cima, um pré-adolescente &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;começou &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;a fazer barulho de sapo toda vez que eu mencionava memória RAM. Achei que a coisa não funcionaria mesmo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Mas felizmente me enganei. Assim que eles começaram a ligar os computadores para darem seus primeiros comandos (ah sim, naquela época a aula era de DOS, o precursor do aplicativo &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Prompt de Comando&lt;/i&gt; na pasta &lt;i style=&quot;mso-bidi-font-style: normal;&quot;&gt;Acessórios&lt;/i&gt; do Windows atual), a aula mudou de cara. A turma ficou empolgada. Logo vi que teoria não interessaria àquela turma. Mais tarde, descobri que teoria não interessava na verdade a &lt;i&gt;nenhuma&lt;/i&gt; turma. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;A aula então transcorreu perfeita. A turma se interessou, começaram a responder as perguntas (talvez por começarem a entendê-las), a participar das discussões. No final da aula, pedi que todos colocassem um disquete no &lt;i&gt;drive&lt;/i&gt; para salvarem seus trabalhos para a próxima aula. Para os leitores mais novos, um &lt;i&gt;drive &lt;/i&gt;de disquete era como um &lt;i&gt;drive&lt;/i&gt; de DVD que ao invés de se abrir uma portinha para acessá-lo, bastava colocar um disquete lá dentro do buraco que havia nele. O seu propósito era como aquele de uma &lt;i&gt;pendrive&lt;/i&gt; -- guardar&lt;i&gt; &lt;/i&gt;arquivos&lt;i&gt; &lt;/i&gt;-- com a diferença de que no lugar dos usuais 4 GB de espaço que uma &lt;i&gt;pendrive&lt;/i&gt; possui, um disquete de 5 1/4&quot; armazenava 720KB.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Uma menina então levantou a mão:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;-- Professor, o meu disquete não funcionou!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;-- Como você sabe que não funcionou?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;-- Ele está dizendo que é para eu inserir um disco na unidade, mas eu já inseri.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;-- Deixe-me ver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;Quando cheguei perto, onde estava o disquete? Ele não estava no &lt;i&gt;drive&lt;/i&gt;! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;-- Mas professor, eu não o coloquei neste buraco em que está procurando. Eu coloquei neste aqui!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot;&gt;A garota havia jogado o disquete dentro da fresta formada pela colocação do &lt;i&gt;drive&lt;/i&gt; no gabinete. Não me restou o que fazer senão pegar uma chave &lt;i&gt;Phillips&lt;/i&gt; e abrir a CPU para tirar o disquete de lá de dentro. Aproveitei a aglomeração de curiosos em volta ávidos por saberem como era um computador &quot;por dentro&quot; para enumerar e descrever os diversos componentes. Notei que isso deu ainda mais IBOPE. Tanto foi que, &lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt;em todo curso dali por diante,&lt;/span&gt;&lt;span lang=&quot;PT-BR&quot; style=&quot;mso-ansi-language: PT-BR;&quot;&gt; abrir computador passou a ser a primeira coisa que eu fazia. Nem curso de Word era exceção desta estratégia. E não falhava nunca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4381207208075117584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/4381207208075117584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/07/procura-se-um-instrutor-de-informatica.html' title='Procura-se um instrutor de informática'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-8860227746965822011</id><published>2011-06-25T23:25:00.000-03:00</published><updated>2011-06-25T23:25:47.249-03:00</updated><title type='text'>Agora vai!.... E foi.</title><content type='html'>Um amigo meu estava me falando dos seus planos de se casar em Las Vegas. Isto me lembrou de uma estória supostamente verídica que se passou há pelo menos vinte anos atrás. que foi quando eu li tal estória numa revista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tratava-se de um cara viciado em jogos cujo sonho era se casar justamente em Las Vegas. Logo que chegou ao hotel, no qual funcionava um grande cassino, o jovem noivo desceu com a noiva para jogarem roleta (vai entender). Mas o rapaz jogou tão pesada e desastrosamente, que seus cinco mil dólares destinados a brincar no cassino em seus dias de lua de mel se foram nas duas horas de jogo do primeiro dia de sua estadia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desconsolado, subiu com a noiva para o quarto enquanto esta tentava animá-lo. Ao entrar pela porta, porém, foi tomado por uma estranha sensação de que a sorte havia mudado. Mesmo sem acreditar, a moça permitiu ao rapaz que descesse novamente para terminar de arriscar os dois últimos dólares que restara na carteira do recém-marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao receber duas fichas pela troca, apostou-as no número 14 da roleta. Ela girou, girou e -- quem diria -- parou no 14! Ele ganhou então 70 fichas pelo palpite certeiro e tratou de apostar novamente todas suas fichas num único número, o vinte e sete desta vez. A bolinha rodou, rodou, e... vinte e sete! O rapaz ganhou 2450 fichas e, mais uma vez, apostou tudo num único número. A plateia foi ao delírio quando testemunharam novamente o rapaz acertar em cheio o número 30, resultando em aproximadamente 85 mil dólares de ganhos, em vinte minuto de jogo! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando ele colocou &lt;i&gt;todas&lt;/i&gt; as fichas no número 7, o gerente foi chamado. Se ele ganhasse, o prêmio seria de nada menos nada mais que 3 milhões de dólares. O gerente então explicou que o limite máximo de aposta seria ultrapassado segundo as normas da casa, mas a estas alturas o público estava enlouquecido com o rapaz sortudo. Clamavam por ver a aposta maravilhosa dos 85 mil dólares em busca do milionário prêmio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para evitar a total paralisação da casa devido ao tumulto que se formou, o gerente decidiu então abrir uma exceção ao rapaz desde que fosse sua última aposta. Após o acordo, a roleta rodou. Girou, girou, até que a bolinha caprichosamente parou no número.... doze. Ele errou. E perdeu tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao chegar novamente no quarto, encontrou sua esposa saindo do banho. Ela lhe disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- E aí? Como foi lá?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao que ele respondeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Deu em nada. Perdi os dois dólares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as boas coisas que a vida me brindou, passar pela Linha Vermelha todo dia para ir trabalhar com certeza está de fora. Uma via expressa com este nome já diz tudo. Sempre engarrafada, cheia de acidentes, contenções... Isto em si não constitui o problema. O mal é que toda manhã e início de noite eu estou no meio desta confusão. A Linha Vermelha, em parceria com a função &lt;i&gt;Snooze&lt;/i&gt; do meu despertador, é a principal culpada dos meus atrasos no trabalho. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes dias acordei já meio atrasado e quando reparei a quantidade excessiva de carros nas ruas, já concluí que chegaria este dia muito atrasado. Em pouco tempo, o trânsito parou. Depois de várias trocas de marchas entre primeira e segunda, de maneira involuntária, exclamei:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Deus, Deus! Livre-me deste trânsito, pelo menos hoje! Preciso chegar na hora!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Coincidentemente, a minha fila de carros -- das quatro existentes -- começou a andar. As filas vizinhas permaneceram paradas. Pensei: &quot;Puxa, que sorte! Só esta fila está andando...&quot;. Logo a frente, no entanto, dava para ver que a minha fila pararia e que seria a vez da fila ao lado andar. Rapidamente, aproveitando uma distância de um carro a outro nesta outra fila, espremi meu carro entre eles. Nem precisei parar pois a fila logo se movimentou e permaneceu assim por um bom trecho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao antever que ela pararia, mais uma vez tive a oportunidade de passar para uma fila ao lado. Esta fila andou apenas um pouco, no entanto consegui passar para a faixa ainda mais ao lado para pegar uma fila que começou a se movimentar livremente. A costura no trânsito estava perfeitamente coordenada e meu carro não parava um momento se quer! &amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim foi: Linha Vermelha inteira, centro, viaduto perimetral... Sempre que parecia que eu havia chegado num beco sem saída, eis que um carro abria passagem e eu conseguia me emburacar. Num trânsito congestionado por um oceano de carros, eu era o único que conseguia fazer uma velocidade média de uns 50 km/h. Cheguei a passar ambulância e carro de polícia que se movimentavam por entre os carros abrindo passagem com suas sirenes. Eu não acreditava! Seria aquele pedido que eu tinha feito?! Se fosse, a história se repetia. No lugar de Moisés, era Fabiano. Ao invés de Mar Vermelho, era a Linha Vermelha. Tirei o atraso e, em tempo recorde, cheguei ao trabalho adiantado cinco minutos.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade, foi quase isto. Cheguei cinco minutos adiantado de fato, mas ao estacionamento particular onde deixo o carro. Neste dia, a cancela quebrou justamente quando eu era o próximo a entrar. Os técnicos da manutenção do estacionamento demoraram a aparecer para verificar e o tempo de conserto não fez por menos. Conclusão, acabei por chegar vinte minutos atrasado no escritório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo que sentei na minha mesa, o meu chefe aparece.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- E aí Fabiano, chegou atrasado hoje?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu já ia começar contando a estória toda, mas então respondi:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- É.... perdi os dois dólares.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/8860227746965822011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/8860227746965822011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/06/agora-vai-e-foi.html' title='Agora vai!.... E foi.'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-7710506813435929337</id><published>2011-06-16T19:42:00.000-03:00</published><updated>2011-06-16T19:42:09.674-03:00</updated><title type='text'>Dó, ré, mi, fácil?</title><content type='html'>Quando eu estava no ginásio, a escola inventou de organizar uma fanfarra. Eu fiquei muito animado com a ideia! Eu gosto de música desde criança. Até toco (mal, é verdade) alguns instrumentos. De imediato, tive a certeza de que queria participar. Apesar de ter ficado profundamente decepcionado ao saber que numa fanfarra não havia guitarras, procurei outro instrumento que me agradasse no formulário de inscrição. Por saber um pouco de flauta, achei que corneta seria algo, digamos, da mesma família. E foi assim que eu me apliquei a corneta na fanfarra do colégio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fiquei muito orgulhoso quando a aprovação da minha inscrição chegou. Lembro que eu queria saber quem seriam os outros quatro ou cinco integrantes da &quot;banda&quot;, mal sabendo que seriam, na verdade, outros oitenta. Não seria, portanto, uma banda exatamente do jeito que eu imaginava, mas isto não comprometeu o meu entusiasmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia do primeiro ensaio, o pessoal da corneta entrou em fila para receber o instrumento. Quando chegou a minha vez, entendi o cara dizer: &quot;Você é Fabiano?&quot;. Ao dizer que sim, recebi uma corneta em Fá. (Na verdade, ele me perguntou &quot;Você é Fá?&quot; e eu ouvi demais). Tudo bem, como eu nem sabia que existiam cornetas em Si bemol e Fá, qualquer uma estava valendo. O problema é que o som na corneta em Fá é mais difícil de tirar do que na outra. Pelo menos, é acreditando nisso que até hoje tento me perdoar por nunca, nem por um breve momento, ter conseguido tirar um som daquela maldita corneta!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro ensaio, o maestro ensinou rapidamente como fazer a embocadura para assoprar corretamente. Depois, pediu para que todos tentassem fazer qualquer tipo de som. A maioria conseguiu, mas um grupo relativamente grande não. Ele disse para não se preocupar, que com o passar dos ensaios as pessoas iriam conseguindo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele estava certo. O grupo foi diminuindo, diminuindo, até sobrar, praticamente... eu. Aquela paciência inicial, acompanhada do discurso de que é normal não conseguir tocar corneta no começo e coisa e tal, foi se transformando numa completa indiferença do maestro e depois também dos colegas de turma. Eu estava me tornando uma espécie de patinho feio da fanfarra. Eu odiei tanto aquela corneta, que dei graças quando descobri que era possível sair da fanfarra sem prejudicar a nota (a fanfarra valia como matéria extra-curricular). Com muito pesar, e creio que alegria do resto do grupo, abandonei. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não consigo evitar de pensar na analogia de que algumas pessoas, infelizmente, não conseguem tirar som de suas cornetas &quot;naturais&quot;. Por algum problema nas cordas vocais, ou seja lá onde for, não conseguem falar. E, apenas por conta disso, é impressionante como suas vidas ficam limitadas dentro da sociedade. O nosso mundo é desenhado para os perfeitos. Em certo sentido, embora de forma muito simplificada, aquela corneta me fez passar por isso. Uma diferença é que lá foi fácil se ver livre do problema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns anos depois, aprendi a tocar teclado. Logo que comecei a aprender, não pude deixar de notar o sintetizador de instrumento de número 42: corneta. A emoção foi grande ao tocar várias músicas muito mais difíceis do que aquelas da fanfarra em som de corneta. Mas esta emoção ficará reduzida a coisa alguma quando sintetizadores de vozes para pessoas com dificuldades de comunicação circularem por aí. Quem sabe, vendidos nas mesmas lojas onde se encontram os teclados.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/7710506813435929337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/7710506813435929337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/06/do-re-mi-facil.html' title='Dó, ré, mi, fácil?'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6641924536099356836.post-5445002559943344930</id><published>2011-06-08T19:21:00.000-03:00</published><updated>2011-06-08T19:21:14.846-03:00</updated><title type='text'>Jogo de cintura é importante, mesmo que não seja para dançar</title><content type='html'>Não há situação embaraçosa que não possa ser resolvida com um bom jogo de cintura. Pelo menos, é o que aprendi observando alguns exemplos. O caso do meu amigo Diego é simples, mas interessante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma amiga minha trabalhava numa destas empresas que organiza aplicação de provas em massa, isto é, provas que são aplicadas simultaneamente em várias cidades e, em cada cidade, potencialmente em diversos pontos. O cliente principal deste tipo de serviço é o governo, que precisa organizar concursos públicos, vestibulares, etc. É claro que o fator de preocupação fundamental neste tipo de evento é manter a integridade da aplicação da prova, evitando-se qualquer espécie de fraude. Neste propósito, a idoneidade dos fiscais de provas é de suma importância. Exatamente por isso, a política desta empresa é fornecer os cargos de fiscais&amp;nbsp; apenas aos funcionários e aqueles por eles indicados (pessoal externo é necessário dado que nem se todos os funcionários da empresa fossem fiscais daria conta de uma aplicação de concurso público federal, por exemplo). Para ajudar esta minha amiga, e sem ter nada planejado para o próximo domingo de manhã, me comprometi a ser um fiscal de uma prova de vestibular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Diego era um cara bacana. Morava comigo, em república. Tinha mil e uma ocupações. Chegou a trabalhar no comitê do Pan. Era diretor da empresa-júnior da faculdade. Era consultor de vendas. O único problema, pelo menos no meu ponto de vista, era que todos estes empregos dele eram estágios não-remunerados. Ele trabalhava numa espécie de obra beneficente aos capitalistas. Não sei se ele percebia, mas esta era uma causa de ele estar sempre na pindaíba. Como ele era um cara de confiança, pedi à minha amiga para indicá-lo como fiscal. Por um pouco de tempo do domingo, ganhava-se uma grana razoável. Fui logo avisando a ele que se tratava de um emprego remunerado -- para o caso em que ele tivesse algo contra por princípio -- mas ele prontamente aceitou o convite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro que o Diego ficou meio preocupado com a atribuição. Perguntou-me mil vezes como era o procedimento. Deixo um candidato ir ao banheiro? Deixo ficarem com celular em cima da mesa? Devo abrir o pacote da prova ou pedir alguém que o faça? Devo ficar com a identidade de cada um retida durante a prova? Devo circular pela sala ou isto atrapalha a concentração do pessoal? O nervosismo dele aumentou ainda mais quando ele soube que tínhamos sido atribuídos a salas distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegou o dia, fomos juntos até o local da prova. De lá, cada um partiu para sua sala. Depois da prova nos encontramos na saída e, durante o caminho para o almoço, ele me contou a experiência dele. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&quot;Cara, você não sabe o que eu fiz. Eu já tinha conferido isto, aquilo, e mais aquilo outro, quando chegaram os formulários de respostas [&lt;i&gt;aqueles nos quais os candidatos marcam o X para cada questão&lt;/i&gt;]. Abri o pacote e distribuí uma folha de respostas para cada candidato. Feito isto, me dirigi ao quadro-negro da sala e anotei de giz &quot;Hora de Início: 08h03; Hora de Término: 12h03&quot; e, voltando-me para a turma, ordenei: &quot;Podem começar.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ninguém agiu freneticamente para começar logo a prova, como eu esperei que fosse acontecer. Ao contrário, ficaram me olhando, meio sem entender o que deveriam fazer. Eu insisti: &quot;Boa prova! Podem começar.&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A indiferença geral se manteve. Alguém finalmente se manifestou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- E a prova? Onde ela está?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só aí eu notei o vacilo: eu só tinha recebido os cartões de resposta. A prova ainda não tinha chegado.&quot;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;
Eu imaginei logo a cara de tacho que ele deve ter feito. E a situação embaraçosa que ele deve ter ficado, ainda mais ele que estava todo preocupado em não transparecer que era fiscal de primeira viagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- E então, o que você fez? -- perguntei-lhe, curioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Eu disse de bate-pronto: &quot;Estou falando por enquanto somente com aqueles que não estudaram e terão que chutar mesmo. Boa sorte!&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boa saída, não?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tocando neste assunto...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro dia, um amigo de trabalho foi chamado pelo chefe. Ele -- o chefe -- estava preocupado com a concorrência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Fulano -- indagou o chefe -- o concorrente afirma que o sistema deles garante 99.9% de disponibilidade. A gente consegue isto??&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trabalhamos com desenvolvimento de software. Nesta área, garantir uma boa taxa de disponibilidade é fundamental. Todo mundo já deve ter se irritado com um atendente informando: &quot;Senhor, infelizmente eu não poderei atendê-lo pois o meu sistema está fora do ar&quot;. Garantir um índice de 99.9% de disponibilidade (haja o que houver, o sistema deve funcionar em 99.9% das vezes) é tarefa bastante árdua. O que responder ao chefe?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meu amigo respondeu assim:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Atualmente não temos este índice. Mas se quisermos, é fácil: a gente desliga os servidores de vez em quando.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Este artigo é parte integrante do blog Tocando Neste Assunto (http://tocando-neste-assunto.blogspot.com)...&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/5445002559943344930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6641924536099356836/posts/default/5445002559943344930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tocando-neste-assunto.blogspot.com/2011/06/jogo-de-cintura-e-importante-mesmo-que.html' title='Jogo de cintura é importante, mesmo que não seja para dançar'/><author><name>Fabiano O</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17780663932881176835</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='https://img1.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>