<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369</id><updated>2024-09-10T00:15:06.981-03:00</updated><category term="Fabricio Fernando Negrello"/><category term="História"/><category term="Idade Contemporânea"/><category term="História do Brasil"/><category term="Idade Antiga"/><category term="Idade Média"/><category term="Idade Moderna"/><title type='text'>Um Mundo Infinito</title><subtitle type='html'>Um Mundo Infinito de histórias.&#xa;História do Brasil e do Mundo em um unico lugar.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-5584443623179205347</id><published>2010-12-20T23:43:00.002-02:00</published><updated>2010-12-20T23:46:24.817-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><title type='text'>A Arca da Aliança: O último mistério</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4MHDdYhWWTvfIez3Bbga20MLaOddxZWl8mfKqPUo4TmUwP7yPKazkiYjt9zURp-kORGjCSGiCaQr1BdS5B3OGXX32nA5lNTr98P64gLShsbPpkrOQky0YAVfY5Tc_TTCGARd6Z7h-xdA/s1600/arca1.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 227px; height: 195px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4MHDdYhWWTvfIez3Bbga20MLaOddxZWl8mfKqPUo4TmUwP7yPKazkiYjt9zURp-kORGjCSGiCaQr1BdS5B3OGXX32nA5lNTr98P64gLShsbPpkrOQky0YAVfY5Tc_TTCGARd6Z7h-xdA/s320/arca1.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5552945920089420578&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&quot;Assim falou Javé a Moisés: ‘Farás uma arca com madeira de acácia: seu comprimento será de dois côvados e meio; sua largura, de um côvado e meio; sua altura, também de um côvado e meio. Tu a revestirás com ouro puro, recobrindo-a por dentro e por fora; e farás ao seu redor um friso de ouro. Fundirás para ela quatro argolas de ouro, que porás nos seus quatro cantos; duas argolas num lado e duas argolas no outro lado. Farás também varais de madeira de acácia, revestindo-os de ouro. E os introduzirás nas argolas que estão nos lados da arca a fim de que esta, por meio deles, possa ser transportada. Dentro da arca guardarás o Testemunho que eu vou te dar’.”&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Torá, o livro sagrado dos judeus (e que, grosso modo, corresponde aos cinco primeiros livros da Bíblia cristã), foi assim, com instruções precisas, que Javé – Deus, em pessoa – instruiu Moisés na construção de um dos objetos mais misteriosos da história. Dentro dessa caixa de 1,11 metro de comprimento por 66,6 centímetros de largura e altura, o líder dos hebreus deveria guardar duas placas de pedra, gravadas a fogo por Javé. As inscrições traziam as normas de conduta que os fiéis deveriam seguir para justificar sua condição de povo eleito por Deus, e que qualquer criança conhece como os Dez Mandamentos. Por conter a prova desse acordo, um contrato entre o mundo divino e o mundo terreno, o baú ganhou o nome de Arca da Aliança. A Torá conta que Moisés levou o objeto sagrado pelo meio do deserto até as margens do rio Jordão, onde morreu. Seus sucessores guardaram a Arca, que se tornou um dos símbolos mais sagrados dos hebreus e, por herança, dos cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, fora dos textos religiosos, a história da Arca permanece um mistério. “Ela é um desses objetos míticos, como o Graal ou o túmulo de Jesus, que nenhum arqueólogo sério gosta de dizer que está procurando”, afirma a arqueóloga canadense Anne Michaels, professora da Universidade de York, em Toronto. “E que, vira e mexe, alguém diz que encontrou, faz um documentário, escreve um livro e consegue 50 minutos de atenção. Mas são objetos mais míticos que reais”, diz Anne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, diferentemente do Graal ou do túmulo de Jesus, que ninguém sabe como seriam, a Arca tem forma definida.“Não temos motivos para duvidar que a Arca tenha existido, mas é pouco provável que esteja inteira até hoje”, diz o historiador e teó­logo Hans Borger, do Centro de Cultura Judaica de São Paulo. Outros especialistas são mais cautelosos. “Não existem evidências concretas a respeito dela. A Arca mal chega a ser objeto da arqueologia. É assunto para historiadores bíblicos”, afirma o arqueólogo israelense Israel Finkelstein, autor de A Bíblia Desenterrada. “Ela fascina as pessoas por causa de seu intenso poder como mito, concreto ainda hoje.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As principais referências sobre a Arca estão na Torá e na Bíblia, obras que trazem ricas informações sobre a Antiguidade, mas sem rigor histórico. Alguns pesquisadores vêm tentando comprovar trechos dos textos sagrados (veja quadro na pág. ao lado). O problema é que a influência das escrituras pode desvirtuar os estudos. “Muitos arqueólogos procuram evidências que justifiquem sua própria fé. Qualquer vestígio é analisado com o desejo de encaixá-lo nos relatos bíblicos”, diz o historiador André Chevitarese, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essa ansiedade por novas descobertas é ainda mais verdadeira no caso da Arca. Se, para os arqueólogos, encontrá-la seria um achado incrível, para os fiéis seria a prova da existência de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PEGADAS NO DESERTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os eventos narrados pelo livro do Êxodo, quando a Arca é citada pela primeira vez, teriam ocorrido aproximadamente em 1300 a.C. O cálculo é baseado em registros históricos do antigo Egito, onde os hebreus teriam sido mantidos como escravos. Segundo as escrituras, eles teriam fugido e, liderados por Moisés, partido em busca de Canaã, a Terra Prometida. A Arca teria sido feita dois anos depois da saída do Egito, quando os hebreus estavam perto do monte Sinai. “Há pouquíssima, para não dizer nenhuma evidência arqueológica sobre esse período”, afirma Finkelstein. Um dos pontos mais polêmicos é a localização exata do monte. Há quem diga que ele fica na península do Sinai, no leste do Egito. O físico britânico Colin Humphreys, da Universidade de Cambridge, que pesquisa a história bíblica há 30 anos, defende que o monte Bedr, na atual Arábia Saudita, é o verdadeiro Sinai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as referências ao período do Êxodo são mais míticas que documentais, praticamente todo mundo concorda. Esse livro, como toda a Torá, foi elaborado provavelmente entre os séculos 7 e 5 a.C., muito tempo depois dos eventos narrados. “Ele foi escrito numa época em que os hebreus estavam exilados na Babilônia”, diz Chevitarese. “Os autores queriam garantir a coe­são do grupo e reforçar preceitos religiosos e de comportamento para que a identidade da nação não se perdesse.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto sagrado dá conta de que, durante os 40 anos de peregrinação pelo deserto até a Terra Prometida, a Arca manifestou poderes mágicos. Os responsáveis por ela eram sacerdotes conhecidos como levitas. Diante deles, no alto da Arca, entre os dois querubins de ouro, Javé apareceria pessoalmente para se comunicar com os hebreus e orientá-los em sua jornada. “A descrição da Arca e de seus poderes faz sentido com o misticismo dos povos nômades daquela região e época, quando era comum a adoração a objetos e ídolos”, diz Anne Michaels. “E mesmo o surgimento do deus único dos hebreus, que substitui os ídolos, manteve paradoxalmente uma representação de seu poder, a Arca, que não deixava de ser um objeto a ser adorado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BELELÉU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que os hebreus encontraram a Terra Prometida, de acordo com o fim da Torá, Moisés morreu – aos 120 anos, ele deixava seu povo no destino indicado por Javé. Mas, se a terra tinha sido prometida aos hebreus, esqueceram-se de avisar os outros povos que moravam no que hoje é Israel e a Palestina. Por volta do século 13 a.C., a região era uma colcha de retalhos, onde o poder era exercido por cidades-estados que guerreavam entre si. Os hebreus eram apenas mais um punhado de tribos que lutavam para se manter por lá. A Bíblia menciona que, nessa época, a Arca acompanhava os hebreus nos confrontos contra cidades como Jericó, Maceda e Hebron. Era usada como estandarte de batalha – para os hebreus, ela era o motivo de suas sucessivas vitórias militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Bíblia, nas décadas de luta por Canaã, pelo menos uma vez o objeto sagrado foi tomado por outro povo. De acordo com o livro de Samuel, que narra fatos que teriam acontecido perto de 1200 a.C., os filisteus capturaram a Arca e a levaram para três cidades diferentes: Asdobe, Ecrom e Bete-Semes. Em todas, ela teria provocado acontecimentos estranhos: estátuas amanheciam com as cabeças decepadas, ratos atacavam as casas com violência e, como se não bastasse, pessoas tinham surtos de hemorróidas. Quem encostasse na Arca morria na hora. Assustados, os filisteus devolveram o objeto a seus donos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os hebreus esconderam a Arca na cidade de Quiriate-Jearim. Ela teria sido levada para Jerusalém quando o lendário Davi se tornou rei, por volta de 1000 a.C. De acordo com a tradição, ele projetou um templo grandioso para abrigá-la. A obra coube a seu filho, Salomão, que teria reinado do rio Eufrates (no atual Iraque) ao Egito, entre 970 a.C. e 931 a.C. O primeiro Templo de Jerusalém é descrito com 26,6 metros de comprimento, 8,88 metros de largura e 13,3 metros de altura. Era feito de pedra e, do lado de dentro, revestido com cedro coberto de ouro. No centro do edifício, concluído em 965 a.C., uma área isolada, chamada Sagrado dos Sagrados, foi construída só para abrigar a Arca. Era um quarto em forma de cubo, com 8,88 metros de lado, revestido de ouro puro. A Arca ficaria depositada sobre um altar de madeira recoberto por ouro. Apenas iniciados, como levitas e profetas, podiam entrar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não há registro de que Moisés tenha existido de fato, Davi e Salomão parecem mesmo ter reinado entre os hebreus. O que se discute é se pai e filho foram tão grandiosos como diz a tradição. “Ambos unificaram o povo hebreu, que desde os tempos de servidão no Egito vivia disperso em 12 grupos diferentes, chamados tribos de Judá”, diz o historiador Hans Borger. “Mas tudo indica que Salomão foi um rei bem mais modesto, e que o templo que ele construiu não era tão extraordinário quanto diz a tradição. Não existem registros arqueológicos dessas obras grandiosas descritas pela Bíblia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da morte de Salomão, as 12 tribos de Judá (cujos membros ficaram conhecidos como judeus) se dividiram em dois grupos, com dez delas ao norte e duas ao sul. A nova estrutura política dos hebreus se sustentaria até o ano 721 a.C., quando os assírios dominaram o norte do reino. O sul, incluindo Jerusalém, cairia cerca de um século e meio depois, em 586 a.C., diante da invasão dos babilônicos liderados por Nabucodonosor II, que arrasaram o Templo. Esse evento marca o desaparecimento da Arca dos relatos bíblicos. A última referência a ela está no capítulo 2 do segundo livro dos Macabeus. Prevendo a invasão dos babilônicos, o profeta Jeremias teria retirado a Arca do Sagrado dos Sagrados e escondido-a no monte Nebo – o mesmo local, às margens do mar Morto, onde se acredita que Moisés foi enterrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monte Nebo fica na atual Jordânia, a 10 quilômetros de uma cidade chamada Madaba. A Bíblia afirma que a Arca foi escondida numa gruta, cuja entrada foi obstruída por Jeremias. Arqueólogos já reviraram o local de cima a baixo e não acharam nada parecido com um baú dourado. Se a Arca ficou mesmo lá, não é difícil acreditar que nos últimos 2500 anos alguém a tenha encontrado antes dos pesquisadores. Mas, como costuma acontecer, a Bíblia talvez não possa ser interpretada ao pé da letra quando se refere ao destino da Arca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o arqueólogo israelense Dan Barat, dizer que algo foi para o monte Nebo significa, na cultura judaica, que a coisa foi esquecida – mais ou menos como quando dizemos, no Brasil, que algo “foi para o beleléu”. “Quando o texto bíblico diz que a arca foi deixada no monte Nebo, na verdade está afirmando que ela jamais será vista novamente”, afirma (veja entrevista na pág. 33). A tese de Barat, que já foi consultor do Vaticano para a história de Jerusalém, faz sentido se comparada às referências a um texto apócrifo (não reconhecido pela Igreja) atribuído a Jeremias e já desaparecido. Segundo ele, a Arca teria sumido na destruição do Templo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Jeremias não tirou a Arca do Templo, ela pode ter sido capturada pelos babilônicos. Essa possibilidade é defendida por alguns estudiosos, mas esbarra em algumas evidências. A lista de objetos levadas de Jerusalém para a Babilônia é conhecida, e nela não consta a Arca. A menos que os saqueadores tenham deliberadamente mantido o roubo em segredo, o objeto não chegou a ir para a Babilônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Arca pode ter sido escondida em Jerusalém mesmo, bem antes da chegada dos babilônicos. Essa versão também está na Bíblia, embora entre em contradição com o relato sobre Jeremias no livro dos Macabeus (que, é bom lembrar, não faz parte das Bíblias protestantes). Por volta de 626 a.C., o rei Josias teria colocado a Arca em um buraco sob o Templo de Salomão. O Talmude, tradicional compilação de leis e textos judaicos, sustenta essa versão e afirma que, no local onde havia o Templo, existe uma passagem secreta que leva a esse esconderijo. Mas, se Josias ocultou a arca em Jerusalém, fez isso tão bem que nem seu povo conseguiu encontrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a invasão babilônica, os judeus foram obrigados a ficar longe de Jerusalém até 539 a.C., quando a Pérsia conquistou a cidade e permitiu que eles voltassem. Em 515 a.C., no mesmo lugar do primeiro, foi erguido o segundo Templo de Jerusalém. Dentro dele, foi reconstruído o Sagrado dos Sagrados. Mas, dessa vez, o cômodo já não guardava mais a Arca. Pelo menos foi o que disse o general romano Pompeu, que invadiu a cidade quatro séculos depois, em 63 a.C., e exigiu entrar lá. Ao sair, afirmou não entender por que os judeus davam tanta importância a um quarto vazio. Os romanos levavam a sério os saques, uma das principais atividades econômicas do grande Império. Acostumados a listar as riquezas tomadas dos outros, os romanos também não fizeram menção à Arca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Império Romano expulsou os ju­deus da região de Jerusalém. Mas os cristãos acabaram sendo expulsos também, por muçulmanos. Até a época das Cruzadas (o esforço de reconquista da Terra Santa pelos cristãos), a Arca pemaneceu esquecida. Por volta do ano 1118, surgiram boatos de que a Ordem dos Cavaleiros Templários, um grupo de cristãos que pretendia defender os peregrinos nas Cruzadas, teria resgatado a Arca na Palestina. O objeto teria ficado nas mãos do monge francês Bernard de Clairvaux para, depois, sumir novamente. “Como tudo o que envolve os Templários, esses boatos são difíceis, senão impossíveis de averiguar”, diz o historiador Hans Borger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tanta incerteza, existe um grupo que afirma saber onde está a Arca. Os monges cristãos da Igreja Santa Maria de Sião, instalada no vilarejo Axum, na Etiópia, se dizem guardiães do objeto. A Arca teria sido levada para lá por volta de 950 a.C., pelas mãos de Menelik, filho do hebreu Salomão com Makeda, conhecida como a rainha de Sabá. Sabe-se que esse reino ocupou o que hoje são a Etiópia e parte da Eritréia e do Iêmen até ser dominado durante a expansão do Islã, no século 7. Há indícios de que a rainha de Sabá existiu, mas nenhum dado concreto sustenta que Makeda tenha tido um filho com Salomão. Apesar disso, a dinastia que governou a Etiópia até 1947 se dizia descendente direta de Menelik.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com os monges etíopes, a Arca está num templo perto do lago Zway, acessível apenas por um sacerdote guardião. Todos os anos, arqueólogos pedem acesso ao local para comprovar a história. Nenhum jamais foi autorizado a entrar. O argumento para tanto segredo é simples: apenas o guardião, nomeado pelos monges, pode olhar para o objeto sem morrer. O jornalista escocês Graham Hancock, ex-correspondente da revista britânica The Economist na África, escreveu um livro – Em Busca da Arca da Aliança – dizendo que os monges falam a verdade. Mas nem ele pôde entrar na caverna para conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, apesar do que dizem os monges da Etiópia, as buscas se concentram em Jerusalém, onde todas as escavações esbarram em intrincadas disputas políticas, religiosas e militares. Em 1982, por exemplo, o rabino israelense Yehuda Getz organizava pesquisas em uma caverna sob o local em que teria existido o primeiro Templo. A poucos metros de chegar ao fim dos trabalhos, teve de interrompê-los por causa dos protestos da comunidade árabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que nunca seja achada, a Arca ainda é referência para os cristãos e, principalmente, para os judeus. Toda sinagoga tem, até hoje, uma área chamada Sagrado dos Sagrados, dedicada à aliança de Deus com os homens. “Graças à Arca, nossa história faz todo sentido”, diz o rabino americano Barry Kornblau, do Centro da Torá de Hillcrest, em Nova York. “Acredito que ela continuará desaparecida por bastante tempo. Quando reaparecer, representará uma renovação para a humanidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/religiao/arca-alianca-ultimo-misterio-435177.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/5584443623179205347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/arca-da-alianca-o-ultimo-misterio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5584443623179205347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5584443623179205347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/arca-da-alianca-o-ultimo-misterio.html' title='A Arca da Aliança: O último mistério'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4MHDdYhWWTvfIez3Bbga20MLaOddxZWl8mfKqPUo4TmUwP7yPKazkiYjt9zURp-kORGjCSGiCaQr1BdS5B3OGXX32nA5lNTr98P64gLShsbPpkrOQky0YAVfY5Tc_TTCGARd6Z7h-xdA/s72-c/arca1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-8546406506445028784</id><published>2010-12-19T18:21:00.002-02:00</published><updated>2010-12-19T18:24:46.030-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>Gandhi, em nome da paz</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRuy5tKXizI-K4Qqhyphenhyphencd3IzmU2dmqoeETw-Ni3R7v10eDBhZ0LBvcmWB6-kHaTESae5L5ZbkVoBRwteDUKeUakNuetblb5z4nJVnuN_Bj6O6V8Xd14ob7iDQsu6kw6BJX0LsLfSkvS9F8/s1600/gandhi.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 247px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRuy5tKXizI-K4Qqhyphenhyphencd3IzmU2dmqoeETw-Ni3R7v10eDBhZ0LBvcmWB6-kHaTESae5L5ZbkVoBRwteDUKeUakNuetblb5z4nJVnuN_Bj6O6V8Xd14ob7iDQsu6kw6BJX0LsLfSkvS9F8/s320/gandhi.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5552491915731106450&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Silêncio na sala de aula. Começa o ditado. “Uma das palavras era ‘chaleira’, que eu escrevi errado. O professor tentou me avisar com a ponta da bota, mas não entendi que ele estava me dizendo para colar a palavra do colega ao lado. (...) O resultado foi que todos escreveram a palavra corretamente, menos eu, considerado estúpido. O professor procurou me alertar sobre minha estupidez, mas nunca consegui aprender a arte de colar. Mais tarde, soube de outras falhas cometidas por esse professor, mas minha admiração por ele nunca diminuiu.”&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa pequena história, narrada por Gandhi em sua autobiografia, talvez seja possível começar a entender quem ele era. Alguns dizem que ele foi um político muito religioso, outros o vêem como um religioso extremamente político. O mais provável é que tenha sido ambas as coisas: para Gandhi, religião e política eram dois lados da mesma moeda. Normalmente nos lembramos dele como o velhinho careca e seminu, tão frágil quanto seus óculos redondos, que há 60 anos botou o Império Britânico para correr sem precisar de fuzis ou canhões. Pouco se diz, entretanto, sobre como Gandhi desenvolveu essa estratégia e a capacidade de respeitar os outros, não importa o que fizessem (característica que lhe valeu o título de Mahatma – “grande alma”, em sânscrito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na África do Sul, onde viveu por mais de 20 anos, que Gandhi percebeu que o mundo podia ser mudado com a resistência pacífica. Depois, na Índia, tornou-se o principal líder do processo de independência. Mas, como veremos, nem ele foi capaz unir um povo dividido por disputas políticas e intolerância religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para inglês ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mohandas Karamchand Gandhi nasceu em 2 de outubro de 1869 na cidade indiana de Porbandar, filho de um político influente e de uma mulher muito religiosa – que costumava jejuar dias seguidos, seguindo um ritual hindu de purificação. Aos 13 anos, o jovem Mohandas se casou com Kasturbai, da mesma idade. Aos 18, foi estudar Direito em Londres. No início, se esforçou para ser um gentleman, pois achava que as roupas e os costumes ingleses lhe trariam sucesso. Com o tempo, porém, voltou-se à vida espiritual: passou a recitar de cor o Bhagavad Gita, um dos principais textos hindus. Também leu a Bíblia, adotando como lema os versos do Sermão da Montanha – aquele que diz: “Se vos esbofeteiam, oferecei a outra face”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1891, o advogado Gandhi voltou à Índia. Por causa da timidez em falar em público, sua carreira não engrenava. Mesmo assim, foi convidado para ajudar a defender uma firma de comércio indiana num processo na África do Sul – assim como a Índia, uma colônia do Império Britânico. Nem bem pisou o solo sul-africano, em 1893, Gandhi sentiu na pele a discriminação contra “homens de cor”. Durante uma viagem, foi jogado de um trem por se recusar a sair da primeira classe, exclusiva para brancos. Era um exemplo claro de que, mesmo que se vestisse como um inglês e tivesse estudado em Londres, ele nunca poderia ser livre numa colônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um ano na cidade de Pretória, o trabalho de Gandhi terminou. Mas ele decidiu ficar e lutar pelos direitos de seus conterrâneos que viviam na África do Sul – a maioria deles trabalhadores rurais. Em 1894, por exemplo, Gandhi percorreu o país reunindo milhares de assinaturas contra um projeto de lei que impedia os indianos pobres de votar. A medida foi aprovada do mesmo jeito, mas a atitude virou manchete na imprensa européia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1906, pai de quatro filhos, Gandhi fez um voto celibatário. O objetivo era aumentar o autoconhecimento e se aproximar de Deus. No mesmo ano, lançou a doutrina do satyagraha (ou “força da verdade”). Gandhi dizia que seu método exigia muita ação e coragem – contrariando uma idéia comum, ele não pregava a “resistência passiva”. O pilar fundamental é a não-violência: protestar sempre, revidar nunca (muitas vezes, isso significava apanhar quieto da polícia). A regra era se recusar a seguir leis injustas, seguindo o princípio da “desobediência civil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O satyagraha estreou contra uma lei feita para controlar imigrantes, que obrigava os indianos a se registrar com impressões digitais. Gandhi reuniu seguidores num teatro e declarou: “Por meio da nossa dor, nós os faremos perceber sua injustiça. Podem me torturar e até me matar. Terão meu corpo, não minha obediência”. Como o governo não revogou a lei, Gandhi queimou seus registros e foi preso. Sempre que era levado a julgamento, acusado de desafiar o domínio colonial, Gandhi dizia que era isso mesmo que ele estava fazendo. Em vez de tentar escapar da prisão, concordava que merecia a pena máxima. Mas, como suas prisões geravam protesto, Gandhi costumava ser solto rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal rival de Gandhi era o general Jan Christian Smuts, administrador da África do Sul. Aos poucos, contudo, ele foi conquistado pelo teimoso indiano. “Nunca o vi deixar-se contaminar pelo ódio. Seus métodos me irritavam, mas reconheço que minha situação era difícil. Eu tinha que aplicar uma lei que não contava com respaldo popular. Quando foi embora da África do Sul, me deu sandálias que ele mesmo tinha feito. Eu as devolvi: não me considerava merecedor de usar o mesmo calçado de um homem tão grande”, escreveu Smuts em 1939.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta para casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1914, Gandhi voltou à terra natal. Graças à repercussão de sua atuação na África, logo se tornou um dos líderes do movimento pela independência da Índia. Mas ele percebeu que não seria fácil convencer os grupos religiosos do país a se unirem para lutar de modo pacífico. Naquela época, os indianos estavam divididos em 300 milhões de hindus, 100 milhões de muçulmanos e 6 milhões de sikhs. Unidos pela revolta contra os ingleses, eles tinham muitas diferenças entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início de 1919, Gandhi evocou a resistência não-violenta contra leis que davam aos ingleses poderes ilimitados contra a oposição. O movimento virou uma greve geral que paralisou o país, mas descambou para a violência. Gandhi então interrompeu a ação e começou um período de jejum para expiar sua culpa e se opor ao derramamento de sangue. No dia 13 de abril, tropas inglesas reprimiram a tiros uma multidão que protestava pacificamente na cidade de Amritsar, matando cerca de 400 pessoas e ferindo 1100. Depois do massacre, Gandhi interrompeu a cooperação com os britânicos. Começou mudando a própria imagem: raspou totalmente o cabelo e nunca mais usou trajes que não fossem vestimentas indianas tradicionais. Incitou o povo a fabricar suas roupas em casa e parar de comprá-las da Inglaterra– ele mesmo dava o exemplo, fazendo tecido com sua roca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os protestos arrancavam concessões dos britânicos, mas a independência ainda parecia distante. Em 1930, Gandhi inovou: em vez de fazer jejum, resolveu queimar algumas calorias numa marcha. Seguido por milhares de indianos, caminhou quase 400 quilômetros rumo ao mar da Arábia para fazer sal. Aparentemente banal, o ato era uma violação do monopólio britânico sobre a fabricação do produto. Indianos de todo o país seguiram o exemplo, vendendo sal nas ruas. A repressão prendeu desde políticos até pessoas comuns. Com as cadeias lotadas, o vice-rei lorde Irwin, governante inglês da Índia, se dispôs a negociar. Em 1931, foi quebrado o monopólio sobre o sal. Sinal de que a independência seria questão de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho partido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto dobrava os britânicos, Gandhi não conseguia conter os radicais hindus e muçulmanos, que realizavam atentados terroristas. Durante a Segunda Guerra, iniciada em 1939, a tensão cresceu. Gandhi disse que a Índia só apoiaria a Inglaterra se, ao fim do conflito, ganhasse a independência. Não houve acordo. O líder prosseguiu com seus protestos e foi preso em 1942. Dois anos depois, com a rivalidade entre hindus e muçulmanos beirando o caos, Gandhi começou a jejuar contra as hostilidades. Com medo de que ele morresse, os grupos rivais se acalmaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gandhi voltou a comer, mas logo a violência recomeçou. Em maio, sofrendo de malária, ele foi solto pelos ingleses. Tentou, então, fazer com que os radicais hindus depusessem as armas. Fracassou. Por meio de cartas, tentou convencer Mohammed Ali Jinnah, maior líder muçulmano da Índia, a apoiar a criação de um só país após a independência. Mas ele tinha outros planos: exigia a divisão do território e a criação de um país islâmico, o Paquistão (ou “terra dos puros”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a Segunda Guerra, a Inglaterra estava frágil demais para manter sua maior colônia. Em março de 1947, desembarcou na Índia Louis Mountbatten, nomeado o último vice-rei. No dia 1º de abril, Gandhi se reuniu com ele e propôs que a colônia virasse um país só. Mal sabia que seu discípulo Jawaharlal Nehru, um dos líderes do Partido do Congresso, já havia dito a Mountbatten que os hindus, assim como os muçulmanos, preferiam a divisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 14 de agosto, o Paquistão declarou sua independência. À 0h do dia seguinte, a Índia fez o mesmo. Nehru virou primeiro-ministro da Índia e Jinnah assumiu o poder da nação vizinha. Gandhi nem foi aos festejos. Tinha 78 anos e viu que era tempo de dedicar-se à vida religiosa. Em 30 de janeiro de 1948, por volta das 5 da tarde, quando chegava para rezar num jardim de Nova Délhi, Gandhi foi morto a tiros por um extremista hindu. Suas últimas palavras foram “He Ram” – “Oh, Deus” no dialeto devanagari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gandhi foi logo transformado em mártir. Mas, recentemente, sua imagem intocada se tornou alvo de críticas. Em um artigo na revista americana Time, em 1998, o escritor anglo-indiano Salman Rushdie citou o filme Gandhi como exemplo da “santificação ocidental não-histórica” do personagem: “Lá estava Gandhi, como guru, provendo esse produto da moda, a sabedoria oriental. Gandhi como Cristo, morrendo para que os outros pudessem viver”. Segundo Rushdie, o culto ao líder parece insinuar que sempre é possível ganhar a liberdade sendo mais ético que o opressor, o que nem sempre ocorre. No fim da vida, o próprio Gandhi reconheceu que a não-violência talvez não tivesse adiantado contra os nazistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/religiao/gandhi-nome-paz-435497.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/8546406506445028784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/gandhi-em-nome-da-paz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8546406506445028784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8546406506445028784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/gandhi-em-nome-da-paz.html' title='Gandhi, em nome da paz'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRuy5tKXizI-K4Qqhyphenhyphencd3IzmU2dmqoeETw-Ni3R7v10eDBhZ0LBvcmWB6-kHaTESae5L5ZbkVoBRwteDUKeUakNuetblb5z4nJVnuN_Bj6O6V8Xd14ob7iDQsu6kw6BJX0LsLfSkvS9F8/s72-c/gandhi.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-2568338637974847114</id><published>2010-12-19T18:12:00.001-02:00</published><updated>2010-12-19T18:14:54.695-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><title type='text'>Esparta X Atenas: a briga estúpida de duas irmãs</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_VrW8CKZcxoxsRZW8aMa2qus1GjzHg_JTNvLZz6SwTuGY3i1uSUAr65LTloT2cqzcF9ZjkU_viGrmU0jpzrA8MdnoQxl37C-LJaM_vc0wqTypdVaoUfWbvtMI0LUXRYojfNn0fGsxxJc/s1600/isso_e_esparta-011.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 319px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_VrW8CKZcxoxsRZW8aMa2qus1GjzHg_JTNvLZz6SwTuGY3i1uSUAr65LTloT2cqzcF9ZjkU_viGrmU0jpzrA8MdnoQxl37C-LJaM_vc0wqTypdVaoUfWbvtMI0LUXRYojfNn0fGsxxJc/s320/isso_e_esparta-011.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5552489322061370802&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Você deve ter aprendido que as duas cidades-estados mais poderosas da antiga Grécia eram inimigas – e completamente diferentes. Os atenienses valorizavam a arte e a literatura, brigavam por participação popular no governo e eram grandes navegantes. Os espartanos achavam que homem que é homem fala pouco, louvavam a obediência acima de tudo e, se tivessem que guerrear, que fosse em terra firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações entre Atenas e Esparta eram de amor e ódio. Durante a guerra contra os persas, as duas cidades comandaram lado a lado a resistência ao invasor – Esparta em terra e Atenas no mar.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mas os conflitos de interesses (para ver qual das duas ficaria com o controle das outras cidades gregas e do comércio com a Ásia) e as diferenças ideológicas (entre a democracia ateniense e rigidez espartana) acabaram levando as duas a uma baita briga, na qual a Grécia inteira afundaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEPARADAS NO BERÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a origem das duas cidades seja misteriosa, parece certo que os atenienses chegaram primeiro. Eles já ocupavam a península da Ática desde o período micênico (antes do século 13 a.C.). Costumavam se considerar autóctones, isto é, eles achavam que seus antepassados tinham nascido por ali mesmo. Por volta de 700 a.C., toda a região, composta por assentamentos rurais relativamente distantes uns dos outros, já se constituía numa unidade política comandada por Atenas. O solo pobre produzia trigo, uva e azeitona e fornecia a argila para produzir a boa cerâmica, que logo se tornou um dos principais artigos de exportação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em Esparta todo mundo sabia que era recém-chegado. Os espartanos eram dórios, um dos quatro principais grupos étnicos em que se dividiam os gregos (aqueus, jônios e eólios eram os outros). Chegaram ao sul da península grega (o Peloponeso) vindos do noroeste. Derrotaram os antigos habitantes e transformaram alguns em vassalos. Outros viraram escravos e tinham de cultivar as terras dos cidadãos espartanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu domínio se estendia apenas pela Lacônia (onde ficava a própria Esparta), mas uma bem-sucedida expansão para o oeste acabou lhes dando também a fértil Messênia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que uma minoria de nobres abocanhou a maior parte das terras da Messênia. Os cidadãos mais pobres se revoltaram e conseguiram redistribuir a terra. Além dessa “reforma agrária”, obtiveram o direito de vetar as decisões dos dois reis (sim, havia dois deles em Esparta) e da Gerúsia (Senado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mudanças em Esparta brotaram dos mesmos problemas que atazanavam Atenas nos séculos 7 e 6 a.C. Ali também só uma minoria de cidadãos, de origem nobre, podia exercer os principais cargos públicos. Os homens livres, porém pobres, tinham que se virar com pedaços de terra que mal davam para o seu sustento – e viviam sob a ameaça da escravidão por causa das dívidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reformas do político e poeta Sólon (por volta de 590 a.C.) acabaram com essa prática e permitiram que pessoas ricas de origem plebéia entrassem na política. Quem se aproveitou disso foi Pisístrato, que assumiu o poder na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo do tirano até que conseguiu trazer um pouco de paz às terras atenienses, mas bastou que ele morresse para que a cidade voltasse às turras. Seus filhos Hípias e Hiparco brigaram para ficar no poder. Aí entra em cena Cleômenes, um dos reis de Esparta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Até então, parece que havia pouco contato entre as duas cidades. Nem mesmo cerâmica ateniense foi encontrada em Esparta, ou vice-versa”, afirma o historiador José Francisco Moura, da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro. “A cerâmica era uma espécie de saquinho plástico do mundo antigo, que transportava de azeitonas até lixo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEMOCRACIA JÁ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 520 a.C., Esparta havia se tornado a potência dominante do sul da Grécia, à frente da chamada Liga do Peloponeso. Os espartanos passaram a ter interesses mais amplos e, além do mais, tinham fama de não tolerar tiranos. Nada melhor que unir o útil ao agradável e restaurar o governo legítimo em Atenas – um governo que seria eternamente agradecido (e, talvez, subordinado) a Esparta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que Cleômenes fez em 510 a.C., botando Hípias para correr. Porém, as lutas na cidade não cessaram. Em meio a uma guerra civil, quem estava levando a melhor era Clístenes, um membro da nobreza que propunha uma lista de reformas que, na prática, criava uma democracia. O rei de Esparta não gostou da idéia e se dispôs a derrubar o novo regime em favor de um amigo ateniense, Iságoras. Mas a flecha saiu para o lado errado: embora conseguisse tomar a Acrópole, sede do poder ateniense, Cleômenes não contava com a resistência do povo comum, que o cercou e acabou forçando-o à rendição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LÁ VEM O XERXES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte anos depois da ascensão da democracia em Atenas e da derrota de Cleômenes, as duas potências tiveram de colocar as diferenças de lado para enfrentar um problema maior. Liderado pelo rei Xerxes, o superpoderoso Império Persa lançou um ataque maciço contra a Grécia. Atenas e Esparta decidiram resistir. Graças a sua aliança com quase todas as cidades do Peloponeso, os espartanos ainda eram os mais poderosos dos gregos, mas sua força só era realmente respeitável em terra. Os persas, no entanto, atacavam por terra e por mar – e, no oceano, a frota ateniense foi fundamental. Durante alguns anos, a parceria foi um sucesso. Em 480 a.C., a frota unida dos gregos esmagou as forças persas. “No fim das contas, os gregos deveram sua libertação não apenas a Esparta, mas principalmente a uma Atenas que Cleômenes tinha criado por engano, e que fizera de tudo para destruir”, afirma W.G. Forrest, historiador da Universidade de Oxford e autor do livro A History of Sparta (“Uma história de Esparta”, inédito em português).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AMIGO VIRA INIMIGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do século 5 a.C., Atenas se transformou na principal potência marítima da região. A princípio, muitas das cidades gregas aceitaram se aliar a ela, mas, aos poucos, o que era uma liga de alianças acabou virando um império. Para Francisco Moura, cidades como Corinto, que fazia parte da Liga do Peloponeso e também tinha interesses marítimos, acabaram levando Esparta a entrar em conflito com Atenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas gigantes ficaram frente a frente na chamada Guerra do Peloponeso, em 432 a.C. A princípio, os atenienses conseguiram escapar do pior dominando os mares e se refugiando atrás de suas muralhas. A captura de centenas de soldados espartanos no próprio Peloponeso chegou até a instaurar uma paz passageira entre os rivais. Mas Atenas perdeu a maior parte da frota num ataque desastrado na costa da atual Itália, e os espartanos aproveitaram para contra-atacar. Dessa vez financiados por um inusitado aliado, os persas, eles possuíam uma frota respeitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conflito terminou com a vitória de Esparta em 404 a.C. Mas nenhum dos dois lados saiu realmente vencedor. Atenas perdeu os navios que lhe tinham restado e as muralhas que defendiam a cidade e, em Esparta, o impacto da guerra foi ainda maior. Apesar da vitória, a sociedade espartana desmoronou – as riquezas vindas do ex-império ateniense exacerbaram as diferenças sociais entre os espartanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade, a concentração de terras voltou com tudo, e o número de homens com direitos de cidadania – e que formavam o coração do Exército espartano – diminuiu muito. É que só os homens que podiam contribuir financeiramente para as refeições do Exército eram considerados cidadãos plenos, e muitos espartanos tinham ficado pobres demais para isso. Ao ser esmagado em Leuctra pelos soldados da cidade de Tebas, em 370 a.C., o Exército de Esparta contava com pouco mais de mil soldados, uma mixaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algum tempo, até a metade do século 4, Tebas se tornou o poder dominante da Grécia, ao lado de uma Atenas recuperada da guerra e ainda democrática. Esparta tinha virado carta fora do baralho: perdeu até a Messênia (os tebanos proclamaram a independência da região).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma nova força estava surgindo no tabuleiro: o rei Filipe, da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande. Em 338 a.C., ele exterminou as forças combinadas de Atenas e Tebas. Era o fim da independência da Grécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/guerra/esparta-x-atenas-briga-estupida-duas-irmas-435524.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/2568338637974847114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/esparta-x-atenas-briga-estupida-de-duas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2568338637974847114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2568338637974847114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/esparta-x-atenas-briga-estupida-de-duas.html' title='Esparta X Atenas: a briga estúpida de duas irmãs'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_VrW8CKZcxoxsRZW8aMa2qus1GjzHg_JTNvLZz6SwTuGY3i1uSUAr65LTloT2cqzcF9ZjkU_viGrmU0jpzrA8MdnoQxl37C-LJaM_vc0wqTypdVaoUfWbvtMI0LUXRYojfNn0fGsxxJc/s72-c/isso_e_esparta-011.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-5968613068363625117</id><published>2010-12-18T18:15:00.002-02:00</published><updated>2010-12-18T18:18:17.949-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><title type='text'>Persas X Gregos - 200 mil contra 300</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkz5eNdAIV8-7I75D9ypWVUFdMB71ysWi7dU584xabJ4GPduokOb1Dw7gk3M8X93DPInTqzuyzUXhCXn4npDEIGEP_n29dSgzLMsRCioZ4qiYPLCg9L4zqMIdmF2aneL0UJSV8tc5sDuM/s1600/COL483A-Grecia-antiga.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 239px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkz5eNdAIV8-7I75D9ypWVUFdMB71ysWi7dU584xabJ4GPduokOb1Dw7gk3M8X93DPInTqzuyzUXhCXn4npDEIGEP_n29dSgzLMsRCioZ4qiYPLCg9L4zqMIdmF2aneL0UJSV8tc5sDuM/s320/COL483A-Grecia-antiga.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5552119181357431090&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O dia amanheceu desafiando o bom senso. Após meio século de supremacia inquestionável, o Império Persa, o maior que o mundo já vira até então, estava sendo atacado. Corria, então, o ano de 497 a.C. A ameaça vinha dos jônios, colonos de origem grega que viviam espalhados ao longo do litoral da Ásia Menor, atual Turquia, região dominada pelos persas desde 545 a.C. Ousando desafiar a cólera dos dominadores, os rebeldes tinham atacado e incendiado a cidade persa de Sárdis. O rei Dario I ficou furioso com a ousadia. O que mais o enraiveceu, no entanto, foi o detalhe que despertara a súbita valentia dos vassalos: eles tinham contado com ajuda externa. Duas cidades da Grécia continental, do outro lado do mar Egeu, tinham enviado uma esquadra cheia de soldados para lutar ao lado dos revoltosos. Uma dessas cidades chamava-se Erétria; a outra, na época ainda pouco conhecida, era Atenas. Dario nunca tinha ouvido falar dos tais atenienses. Fervendo de indignação, apanhou um arco, disparou uma flecha para o céu e suplicou à divindade suprema que lhe concedesse a vingança contra seus novos inimigos.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A cena protagonizada pelo rei da Pérsia, descrita pelo maior historiador da Grécia antiga, Heródoto, representa um dos momentos cruciais daquele tempo: o início do conflito entre persas e gregos. De um lado estava a grande potência imperialista da época; do outro, um emaranhado de cidades-estados politicamente divididas mas unidas por uma cultura comum. Florescendo nas margens do Mediterrâneo, as cidades gregas criaram uma próspera rede de comércio que se estendia da costa da Espanha até os portos do mar Negro – e seu poder econômico crescia sem parar. Já o Império Persa, surgido durante o século 6 a.C., ocupava um território gigante que ia da península Balcânica até o atual Afeganistão. Seu Exército, reunindo uma multidão de etnias e idiomas, era considerado imbatível. O conflito entre esses dois mundos rivais tornou-se inevitável. Após derrotar os rebeldes jônios na batalha de Lade, em 494 a.C., Dario I voltou os olhos para a Grécia e resolveu eliminar a concorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARATONA DA MORTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira esquadra persa enviada para a Grécia foi vítima do azar. Os navios naufragaram no meio do caminho, abatidos pelo mau tempo. Em 490 a.C., no entanto, cerca de 20 mil soldados do rei Dario desembarcaram no território inimigo, liderados pelos generais Dátis e Artafernes. Sua missão era destruir Atenas e Erétria – e subjugar todos os gregos. O conflito que se seguiu passou à história como um dos mais dramáticos da Antiguidade – e mudou para sempre os rumos do mundo. Depois de arrasar Erétria e escravizar seus habitantes, os persas partiram para seu alvo principal, Atenas. Dátis e Artafernes posicionaram as tropas na planície de Maratona, a apenas 42 quilômetros da cidade. Enquanto isso, os atenienses preparavam a resistência, contando com a prometida ajuda da cidade-estado de Esparta – cujas tropas não chegariam a tempo para a batalha. Na véspera do embate, os líderes de Atenas pensaram em recuar. Mas havia um homem decidido a lutar até o fim: Milcíades, um dos dez comandantes do Exército local. Para ele não existia saída: ou os persas eram enfrentados, ou a história de Atenas estaria acabada. Mesmo com a perspectiva de fracasso total, Milcíades imaginou que uma vitória, por mais improvável que pudesse parecer, poderia elevar sua cidade natal ao posto de mais poderosa da Grécia. Com tais argumentos, o guerreiro grego convenceu seus conterrâneos a partir para o ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O confronto aconteceu no dia 12 de setembro de 490 a.C. Lideradas por Milcíades, as tropas da Grécia, que contavam com cerca de 10 mil soldados de infantaria, lançaram-se através da planície de Maratona. “Na opinião dos persas, os atenienses estavam loucos. Apesar de serem tão poucos, avançavam em marcha acelerada, sem dispor de cavalaria nem arqueiros”, escreveu Heródoto. Os gregos, no entanto, tinham seus segredos: falanges bem treinadas e protegidas por armaduras de bronze, muito mais eficazes do que os escudos de vime e túnicas acolchoadas dos persas. O combate começou – e Davi acabou derrubando Golias. O Exército da Pérsia foi destroçado e os soldados remanescentes recuaram em pânico para o litoral. Muitos acabaram mortos na fuga ou se afogaram ao tentar nadar de volta para os navios. De acordo com o historiador grego, os invasores perderam cerca de 6 mil homens em Maratona. E os gregos, apenas 192 soldados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BATALHA QUENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fracasso não pôs fim à rivalidade entre gregos e persas. Muito pelo contrário. Cerca de nove anos depois da primeira investida, o novo soberano da Pérsia, Xerxes, filho de Dario, decidiu lavar a honra do império. Reuniu 200 mil soldados de várias etnias: persas, medos, indianos, bactrianos, egípcios, etíopes e até mesmo mercenários gregos, além de uma grande frota de barcos de guerra. À frente dessa força monumental, Xerxes cruzou o Helesponto, estreito que divide a Europa da Ásia, hoje conhecido como estreito de Dardanelos. Dessa vez, a maior parte das cidades gregas uniu-se para enfrentar o invasor. Em Atenas, a resistência foi conduzida por Temístocles, um político astuto e visionário, considerado por alguns como o homem mais brilhante de sua geração. Suspeitando que o embate final contra os persas se daria no mar, ele convenceu os atenienses a usar as riquezas de suas minas de prata para construir uma frota de 200 navios. O futuro provou que Temístocles estava certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira grande batalha entre o Exército grego e as forças de Xerxes se deu no desfiladeiro das Termópilas (“portões quentes”, em grego; o nome se refere às fontes de água termal da região). Espremido entre a montanha e o mar, o local era uma das únicas entradas para o coração da Grécia. O trecho mais estreito só permitia a passagem de duas carroças. Ali o rei de Esparta, Leônidas, lutou desesperadamente para conter o avanço persa. Com apenas 7 mil homens, enfrentou os 200 mil soldados inimigos. O espartano resistiu por dois dias e só foi vencido por causa de uma traição. No terceiro dia de luta, um morador das redondezas, em troca de favores de Xerxes, contou aos persas sobre a trilha da Amôpaia, um caminho que terminava exatamente atrás da muralha que protegia os gregos. A tal trilha era o ponto fraco da estratégia de Leônidas. Ao saber da traição, o rei espartano decidiu resistir, junto com os 300 homens de sua guarda pessoal. Assim ele daria tempo para que o restante de seu pequeno exército se retirasse em segurança. Na batalha final, dois irmãos de Xerxes morreram. Leônidas também não resistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a luta seguia nas Termópilas, os atenienses se refugiaram na ilha-santuário de Salamina. Quando o déspota da Pérsia finalmente chegou a Atenas, a cidade estava deserta. Após incendiar a Acrópole e saquear os templos, ele enviou sua armada, de mais ou menos 500 navios, para caçar os fugitivos. No mar, a esquadra grega fingiu que estava batendo em retirada. Como o local era estreito, funcionou como uma armadilha feita sob medida pela natureza. Sem espaço para manobrar, os pesados navios de Xerxes amontoaram-se uns contra os outros. As trirremes gregas avançavam em fileiras bem organizadas e partiam o casco das embarcações rivais com aríetes de bronze. Mais uma vez, vitória grega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VAI PRA CASA, XERXES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xerxes voltou para casa amargando a derrota. O restante de suas tropas terrestres acabou desbaratado um ano mais tarde pelo general espartano Pausânias. Depois dessa última batalha, os gregos estavam finalmente salvos – e os persas nunca mais voltariam a invadir a Europa. O triunfo, como Milcíades tinha previsto, transformou Atenas na cidade-estado mais poderosa e influente da Grécia. Se os persas tivessem vencido, a história da civilização ocidental poderia ter seguido rumos bem diferentes. A democracia grega, cujos ideais influenciaram as revoluções republicanas da Idade Contemporânea, teria sido destruída antes mesmo de atingir o pleno desenvolvimento. As obras dos filósofos Aristóteles e Platão, essenciais para a história do pensamento, talvez nem tivessem sido escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta dos gregos pela liberdade foi imortalizada no teatro de Ésquilo (525 a C- 456 a.C.), um dos maiores dramaturgos atenienses, que combateu na batalha de Maratona e compôs várias tragédias famosas, como a Oréstia e Os Persas. As guerras persas também compuseram o tema central na grande obra de Heródoto, que mais tarde ganharia o apelido de “Pai da História”. No entanto, as cidades gregas, que haviam se unido para lutar contra o inimigo estrangeiro, não conseguiram resolver suas rivalidades internas, transformando a Grécia novamente em palco de batalhas. Por volta de 431 a.C., uma luta que duraria 25 anos entre Atenas e Esparta pôs um ponto final na curta fase de ouro que a Grécia viveu, mergulhando o país num sangrento estado de anarquia – que só chegaria ao fim com a conquista macedônica. Coube a Filipe II, pai de Alexandre, o Grande, transformar a Grécia em um estado unificado. Daí para frente, Alexandre protagonizaria a história, formando um império maior do que os romanos viriam a ocupar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/guerra/persas-x-gregos-200-mil-300-435523.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/5968613068363625117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/persas-x-gregos-200-mil-contra-300.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5968613068363625117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5968613068363625117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/persas-x-gregos-200-mil-contra-300.html' title='Persas X Gregos - 200 mil contra 300'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgkz5eNdAIV8-7I75D9ypWVUFdMB71ysWi7dU584xabJ4GPduokOb1Dw7gk3M8X93DPInTqzuyzUXhCXn4npDEIGEP_n29dSgzLMsRCioZ4qiYPLCg9L4zqMIdmF2aneL0UJSV8tc5sDuM/s72-c/COL483A-Grecia-antiga.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-7794226626177449696</id><published>2010-12-18T18:05:00.003-02:00</published><updated>2010-12-18T18:11:33.268-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>Sociedades secretas</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWzHjGM31yiOsR8PPFEwQDs4e6lINqVRarB5qInEp7G8u20iPTCtUROJM6FGj7Itfk5PiaiFd3z6nGk2GC52eSkkSPiH4r6oDqq_TzS6Bjn0-sArxi203GsTG_SrqA-BFPDLBMn-k7_Jc/s1600/Sociedades+secretas.JPG&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 319px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWzHjGM31yiOsR8PPFEwQDs4e6lINqVRarB5qInEp7G8u20iPTCtUROJM6FGj7Itfk5PiaiFd3z6nGk2GC52eSkkSPiH4r6oDqq_TzS6Bjn0-sArxi203GsTG_SrqA-BFPDLBMn-k7_Jc/s320/Sociedades+secretas.JPG&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5552117429484947826&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A trama de O Código Da Vinci, o maior sucesso editorial dos últimos anos, foi toda construída a partir da fascinante idéia de que sociedades secretas não só existem como podem mudar o rumo dos acontecimentos e da história como a conhecemos hoje. Algumas dessas sociedades ocultas, como o Priorado de Sião e o Opus Dei, têm papel de destaque na aventura descrita pelo escritor americano Dan Brown. A essas organizações misteriosas credita-se o conhecimento de informações secretas, algumas místicas até. Essas sociedades também seriam responsáveis por planos conspiratórios que teriam um único objetivo final: dominar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A popularidade do livro, que já vendeu mais de 30 milhões de exemplares no mundo todo, renovou a curiosidade sobre organizações das quais muito se fala, mas, concretamente, pouco se sabe, dentre elas a Maçonaria, a Illuminati, os Templários e a Skull and Bones – sociedade da qual faria parte o presidente americano George W. Bush (leia mais na próxima página). Todas essas associações exclusivistas têm em comum a confidencialidade e um rigoroso processo na hora de selecionar novos integrantes. Para os que estão de fora, o real poder e a influência dessas organizações é tão nebuloso quanto essas instituições em si. Nesse terreno, o que não falta é especulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interesse recente suscitado pelo romance de Brown trouxe à tona uma tradição que acompanha o ser humano há centenas de anos. Muitos historiadores acreditam que existiram diversas sociedades secretas organizadas já no Egito antigo, no período faraônico. “Sociedades secretas no Egito antigo não são atestadas historicamente. Entretanto, por volta dos séculos 3 e 4 a.C., há relatos de gregos e romanos que viajaram ao Egito em busca de conhecimento hermético e foram iniciados nos mistérios de Isis”, explica o egiptólogo Julio Gralha, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grego Pitágoras, que viveu entre 580 e 500 a.C., fundou sua própria sociedade secreta ao retornar do Egito. O genial filósofo acreditava no caráter místico da matemática. Para ele, “tudo é número”. A escola pitagórica tinha um código de conduta bastante rígido: os candidatos eram submetidos a árduas provas físicas e psicológicas. Quem passava fazia um voto de silêncio que deveria ser cumprido ao longo dos cinco primeiros anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles também acreditavam na transmigração das almas, ou seja, que não se podia matar ou comer qualquer animal, pois tinha a possibilidade de este ser a última morada de um ente querido falecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ensinamentos da fraternidade pitagórica eram transmitidos oralmente. O caráter exclusivo e sigiloso da sociedade de Pitágoras atraiu a atenção e, pouco depois, a ira pública. Por fim, a escola foi destruída e seu fundador, assassinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os templários&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ordem dos Cavaleiros do Templo também teve um final trágico. Fundada em 1118, a ordem formada pelos cavaleiros templários tinha como função proteger os peregrinos que viajavam até a Terra Santa. Os templários compunham um exército que fazia a segurança do trajeto entre Jerusalém e a Europa. A ordem era apoiada pela Igreja Católica e seus integrantes foram os responsáveis pela criação das bases do sistema bancário. Funcionava da seguinte maneira: um peregrino podia deixar dinheiro num posto templário numa parte da Europa e retirar a mesma soma em outra localidade. Os templários cobravam uma taxa pela transação e, em razão desse serviço e das conexões com a Igreja, a ordem se tornou extremamente rica e, por conseqüência, poderosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fortuna, somada ao mistério que rondava os templários, despertou a inveja de Felipe, o Belo, rei da França que armou uma cilada para acabar com a ordem e confiscar seus bens. O monarca acusou os templários de sodomia e heresia. O rei alegou que a ordem cultuava um demônio de três cabeças chamado Baphomet. Apoiado nessas falsas acusações, um plano para exterminar a ordem foi posto em prática numa sexta-feira 13 de 1307, em todo o território francês. Uma das lendas dá conta de que os cavaleiros cultuavam uma cabeça embalsamada, a de Jesus Cristo, encontrada nas ruínas do Templo de Salomão. Daí viria o poder da ordem e a razão pela qual eles teriam sido massacrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Maçons&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maçonaria, a sociedade secreta mais famosa do mundo, também teria raízes no Egito antigo. Ela teria surgido nos ritos iniciáticos na Grande Pirâmide (Quéops). Essas práticas foram se consolidando e a tradição oral foi passada de geração a geração até a construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. Aliás, é a partir de construção do Templo de Salomão que começa, de fato, a história maçônica. A palavra “maçom” tem sua origem em mason, que significa pedreiro. Segundo a lenda maçônica, a ordem começou com um episódio trágico. O engenheiro-chefe, Hiram Afiff, foi assassinado por três ajudantes quando se recusou a revelar o segredo da construção – erigida sem o uso de martelo, pois todos os blocos se encaixaram perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra lenda liga a origem da Maçonaria aos cavaleiros templários, enquanto outros historiadores acreditam que a irmandade tenha surgido em espécies de sindicatos de pedreiros da Idade Média. A primeira loja maçônica – local onde os integrantes da ordem se encontram –, nos moldes existentes até hoje, foi fundada em Londres, em 1717. Para se tornar um maçom, uma pessoa precisa ser convidada, passar por um ritual simbólico e, após essa iniciação, tomaria conhecimento de um segredo grandioso. Nem é preciso dizer que ninguém, pelo menos do lado de cá da organização, conhece o tal segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal objetivo da Maçonaria, definida como uma ordem progressista, seria lutar contra o obscurantismo e promover os ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade” entre os homens. Esse mesmo lema foi adotado pelos insurgentes durante a Revolução Francesa. Muita gente acredita que a revolução que varreu a monarquia e guilhotinou os reis franceses em 1789 tenha sido orquestrada pela Maçonaria, em represália ao massacre dos cavaleiros templários no início do século 14. À Maçonaria costuma-se atribuir um poder maior do que se pode provar. Os adeptos também seriam conspiradores políticos dispostos a implantar uma nova ordem mundial. Já os maçons afirmam que a principal função da ordem é promover a filantropia e discutir o sentido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Illuminati&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra sociedade secreta que teve certo prestígio, embora não tenha durado muito, é a Ordem dos Iluminados, conhecida como Illuminati. Fundada pelo maçom Adam Weishaupt, na Bavária, em 1776, a ordem era contra a Igreja e a monarquia. Inspirada nos ideais do Iluminismo francês, tinha como objetivo promover o conhecimento, acabar com crendices (muitas das quais propagadas pelas religiões, acreditavam eles) e trabalhar pela unificação européia. A idéia de criar um governo planetário não durou muito. Os alemães não gostaram de ter em seu território uma sociedade secreta conspirando contra o Estado germânico e destruíram a irmandade, em 1784. Mas nem todo mundo acredita no fim da Illuminati. Segundo muitos conspiradores, ela continua mais atuante do que nunca e até teria um braço norte-americano, a misteriosa Skull and Bones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao Código Da Vinci, uma sociedade misteriosa retratada no livro de maneira pouco lisonjeira é o Opus Dei. Criado em 1928 na Espanha, o Opus Dei (Obra de Deus) é uma organização espiritual católica vinculada ao Vaticano. A prelazia, célebre pela austeridade moral, conta com cerca de 85 mil adeptos no mundo todo. Para entrar para o Opus Dei, não basta querer. É preciso conhecer a instituição, ou conhecer alguém de lá, e manifestar uma vocação antes de o pedido de filiação ser aceito. Ao ser admitido, cada integrante é obrigado a cumprir um plano de vida diário, descrito no livro Opus Dei – Os Mitos e a Realidade, de John L. Allen Jr. O mistério que cerca o Opus Dei gera muitas especulações. Acredita-se que a organização tenha poder e dinheiro suficientes para influir em grandes questões da Igreja. Segundo John L. Allen Jr., no Vaticano corre o boato de que era o Opus Dei quem comandava a Santa Sé nos últimos anos do pontificado de João Paulo II, que morreu no ano passado. Segundo os adeptos do Opus Dei, tudo isso não passa de uma teoria conspiratória sem fundamento. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/comportamento/sociedades-secretas-434684.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/7794226626177449696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/sociedades-secretas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/7794226626177449696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/7794226626177449696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/sociedades-secretas.html' title='Sociedades secretas'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWzHjGM31yiOsR8PPFEwQDs4e6lINqVRarB5qInEp7G8u20iPTCtUROJM6FGj7Itfk5PiaiFd3z6nGk2GC52eSkkSPiH4r6oDqq_TzS6Bjn0-sArxi203GsTG_SrqA-BFPDLBMn-k7_Jc/s72-c/Sociedades+secretas.JPG" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-9155379107684492146</id><published>2010-12-17T22:22:00.002-02:00</published><updated>2010-12-17T22:33:18.346-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>ilhas Malvinas: o rato que ruge</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZPbsdwoDsgCmYxG8uvLOPV9XNJRblCz19cBRRW2T_jGFcl4jS2S6_MGJb7k0HIqIWn60EWlaLiUnQybOvPYCphr4n4N8ndEnY5zmHoGDLf5WkpicjhNsy19UGHE5DoGYiAB8EW9WJJ-E/s1600/220px-Sea_Harrier_In_Flight.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 160px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZPbsdwoDsgCmYxG8uvLOPV9XNJRblCz19cBRRW2T_jGFcl4jS2S6_MGJb7k0HIqIWn60EWlaLiUnQybOvPYCphr4n4N8ndEnY5zmHoGDLf5WkpicjhNsy19UGHE5DoGYiAB8EW9WJJ-E/s320/220px-Sea_Harrier_In_Flight.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5551813808131199346&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A ordem de ataque foi dada às 23 horas do dia 1º de abril de 1982. Já a postos, homens do primeiro comando anfíbio deixaram o navio Santíssima Trindade e enfrentaram em botes infláveis as águas geladas do Atlântico Sul. Levaram uma hora para chegar a Porto Enriqueta, a 500 quilômetros da costa argentina e avançaram no meio da névoa por seis quilômetros até avistar o quartel da marinha inglesa. Tinha início a Operação Rosário, lançada pelo governo da Argentina para recuperar as ilhas Malvinas (ou Falklands, para os ingleses) depois de 149 anos de domínio britânico.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao receber o alerta, os 68 homens da guarnição inglesa tomaram posição ao redor de Porto Stanley, a capital das ilhas, mas não conseguiram conter os invasores. Só tiveram tempo de colocar um caminhão, madeiras e ferros na pista do aeroporto. O barco-patrulha Endurance, que poderia dissuadir os argentinos, estava a 430 milhas de distância, voltando das ilhas Geórgias do Sul. “Apesar do sinal dos serviços de inteligência, a Inglaterra achou que evitaria a invasão diplomaticamente”, dizem os jornalistas Paul Eddy e Magnus Linklater, no livro The Falklands War (A Guerra das Malvinas, inédito no Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aeroporto foi palco dos primeiros disparos. Os comandos argentinos limparam a pista para que aviões Hércules C130 despejassem mais soldados, enquanto os navios San Antonio, Drummond e Grandville atracavam com batalhões de infantaria, artilharia e sistemas de comunicação. Às 4 horas, os argentinos já se espalhavam num raio de 8 quilômetros em torno de Stanley. E, às 4h30, 120 soldados do Comando de Mergulhadores Táticos chegaram em helicópteros. Vestidos de preto, eles se dividiram em dois grupos: o primeiro tomou o quartel inglês de Moody Brook. O outro se dirigiu para o objetivo da missão, a Casa de Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, o governador Rex Hunt recebeu a ordem de rendição. Às 9h25, ele deixou o palácio com as mãos para o alto e foi entregue à embaixada inglesa no Uruguai. Em seu lugar, assumiu o general Mario Menéndez. Os 1800 habitantes da ilha, súditos da coroa inglesa, ouviram por rádio que seus bens seriam respeitados. A Argentina ocupou também as Ilhas Sandwich e a Geórgia do Sul. Porto Stanley virou Porto Argentino e, às 10 horas, a bandeira britânica estava arriada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inglaterra reagiu rapidamente. Em 3 de abril, a primeira-ministra Margaret Thatcher obteve luz verde do Parlamento britânico para enviar tropas às ilhas. Em poucas semanas, chegavam às Malvinas dois porta-aviões, oito destróiers, 15 fragatas e cinco submarinos, além de navios de transporte, hospitalares e de abastecimento, num total de 120 unidades. “Se querem vir, que venham. Nós lhes daremos batalhas”, disse o presidente-ditador argentino Leopoldo Galtieri, diante de uma multidão que se aglomerou na praça de Maio para manifestar apoio à iniciativa do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais de Buenos Aires clamavam pela unidade nacional, enquanto intelectuais respeitados no país, como o escritor Ernesto Sábato, convocavam o povo a lutar contra o imperialismo. O resto do mundo, claro, não compartilhou de tal euforia. A Comunidade Comum Européia condenou a ocupação e suspendeu a venda de armas para a Argentina. O Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 502, que exigiu o fim das hostilidades. Já o secretário de Estado americano, Alexander Haig, foi a Londres e Buenos Aires para tentar uma saída pacífica. Tudo em vão. O governo argentino respondeu que não devolveria nem um metro quadrado das congeladas terras das Malvinas. O objetivo do presidente Galtieri e dos militares de seu país – ocupar para negociar – se transformara numa missão duradoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que começou com um agrupamento de 500 soldados já somava cerca de 10 mil efetivos no final de abril. A maioria dos soldados tinha entre 18 e 19 anos, pouco treinamento e provisões insuficientes para enfrentar 10 graus negativos. “Escutamos pelo rádio que a população havia mandado 50 caminhões de roupa, remédios e comida, mas nada chegou até nós”, diz o jornalista e ex-combatente Edgardo Esteban, autor do livro Iluminados por el Fuego (Iluminados pelo Fogo, inédito no Brasil). “O tenente dizia que os ingleses não lutariam, pois não conheciam as ilhas e chegariam cansados da longa viagem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 25 de abril, os comandos ingleses iniciaram a ofensiva pela ilha Geórgia do Sul. O ataque começou às 6h30, quando um helicóptero inglês Wessex 3 bombardeou o submarino argentino Santa Fé, que estava navegando na superfície. O destróier inglês Antrim também abriu fogo contra as posições inimigas, que não tardaram a abanar três grandes bandeiras brancas. No dia seguinte, o capitão argentino Alfredo Astiz assinou a rendição de sua tropa na Geórgia do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de então, os ingleses atacavam todas as noites, sempre posicionados em seus barcos. Os britânicos declararam bloqueio aeronaval num limite de 320 quilômetros em torno das Malvinas. “Na madrugada de 1º de maio, fomos sacudidos por um alerta: os ingleses estavam bombardeando Porto Argentino”, diz o general Martín Balza, na época tenente-coronel no comando de um grupo de artilharia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o número de feridos aumentando a cada dia, a Argentina montou um hospital em um colégio abandonado em Soledad – uma das duas grandes ilhas do arquipélago. Os feridos só ficavam internados cerca de dez dias porque não havia remédios suficientes. Vencido o prazo, eram mandados ao continente a bordo de aviões Hércules, que conseguiam driblar os radares ingleses. “Tudo era feito em segundos. Tão logo um Hércules baixava a rampa, nós empurrávamos as macas sob o risco de sermos atingidos pelo fogo inimigo”, diz um médico que serviu na guerra. Como ainda pertence ao Exército, prefere não se identificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os argentinos, o enfrentamento tomou a forma de guerra de trincheira. “Ficamos entocados em buracos enquanto do outro lado havia um inimigo móvel no céu e no mar, e cujo contato em terra foi limitado a movimentos rápidos”, diz o historiador argentino Vicente Palermo, autor de História Argentina. Além da inferioridade das armas, os nossos vizinhos não contavam com um comando unificado. “Nem Galtieri nem o Estado Maior Conjunto tinham um comando militar eficiente”, afirma Palermo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos combates aéreos, no entanto, os enfrentamentos foram mais equilibrados. Os argentinos pilotavam os aviões franceses Mirage e Super Étendard, além dos Skyhawk, comprados dos americanos em 1966. Todos inferiores aos caças Sea-Harrier ingleses, mas causaram muitas perdas à frota britânica. A maior delas ocorreu em 4 de maio contra o destróier Sheffield, que patrulhava o sudeste das Malvinas. Metade dos 270 tripulantes descansava quando o tenente Nick Batho captou o sinal do perigo: um Étendard havia saído da “zona morta do radar” (abaixo da linha do horizonte) para determinar a posição do alvo. Instantes depois, o tenente viu um míssil Exocet viajando em alta velocidade em sua direção. O foguete explodiu bem no meio do destróier. O Sheffield afundou quando era resgatado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 21 de maio, 3 mil soldados ingleses desembarcaram no porto San Carlos, a 90 quilômetros de Porto Stanley. Era hora de por um fim na briga. O local foi dominado e a Argentina perdeu 22 aviões em três dias. “Os gurkas eram o inimigo mais perigoso”, diz Esteban, referindo-se aos mercenários nepalenses pagos pelos britânicos para lutar nas Malvinas. “Quando um deles era ferido, outro surgia de helicóptero para substituí-lo. Mas nós estávamos ali por mais de 50 dias, enfiados em poças de barro, com obuses que falhavam e a roupa destruída.” Os ingleses ainda contavam com espiões nas ilhas, como o padre. Ele mandava sinais aos navios ingleses com badaladas do sino da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os argentinos perderam posições seguidas até que, em 29 de maio, 1400 soldados se renderam. Dez dias depois, o general Daher, comandante do Exército da Argentina, viajou ao continente para expor à Junta Militar a situação das tropas – e não voltou. Na mesma semana, Buenos Aires acordou com a notícia de um novo ataque a Porto Stanley. O assalto final à capital produziu os dias mais duros da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movendo-se em helicópteros, os britânicos tomaram as colinas que rodeiam a cidade. Em 12 de junho, o Monte Longdon virou o cenário de combates corpo a corpo. Foram 24 horas de batalhas. Os ingleses perderam 23 homens; os argentinos, 50. Sem outra saída, o governador Menéndez se rendeu em 14 de junho, colocando fim ao conflito que deixou, ao todo, 649 mortos do lado argentino e 250 do inglês. Com a derrota, as ilhas Malvinas voltaram a ser ilhas Falklands. E a Argentina recomeçou as reclamações de posse nos foros internacionais, como fazia desde 1833. Para manter o controle, a Grã-Bretanha alega descobrimento, ocupação e vontade dos kelpers, os habitantes locais. Já os argentinos dizem que as Malvinas, antes território espanhol, são deles por direito desde a independência. A derrota nas ilhas ecoou também na Casa Rosada, contribuindo para a queda do regime militar. Em 30 de outubro de 1983, o país elegeu o presidente Raúl Alfonsín.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/9155379107684492146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/ilhas-malvinas-o-rato-que-ruge.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/9155379107684492146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/9155379107684492146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/ilhas-malvinas-o-rato-que-ruge.html' title='ilhas Malvinas: o rato que ruge'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZPbsdwoDsgCmYxG8uvLOPV9XNJRblCz19cBRRW2T_jGFcl4jS2S6_MGJb7k0HIqIWn60EWlaLiUnQybOvPYCphr4n4N8ndEnY5zmHoGDLf5WkpicjhNsy19UGHE5DoGYiAB8EW9WJJ-E/s72-c/220px-Sea_Harrier_In_Flight.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-8964313030471128207</id><published>2010-12-15T22:28:00.001-02:00</published><updated>2010-12-15T22:30:01.158-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>Hiroíto: As várias faces do imperador</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIYAHPbPPLYCDAAhs4LD68KPqt8yCQzZVFhbQYWE1mbyRJ7k6_krHByHSBjbzQXmTgPLnsiNkHkXcYkVyWtW-yTN4cGEtIMl1kFO7MVwJqXIj-be8fUlSrLg0fwynpH8RCiCfdFqM5-uY/s1600/_41969716_hirohito_300.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 203px; height: 300px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIYAHPbPPLYCDAAhs4LD68KPqt8yCQzZVFhbQYWE1mbyRJ7k6_krHByHSBjbzQXmTgPLnsiNkHkXcYkVyWtW-yTN4cGEtIMl1kFO7MVwJqXIj-be8fUlSrLg0fwynpH8RCiCfdFqM5-uY/s320/_41969716_hirohito_300.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5551070740117035602&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cansado dos bombardeios freqüentes, das mortes e da fome causadas pela Segunda Guerra, o povo japonês esperava o anúncio que o imperador faria pelo rádio. Apesar da tristeza e da exaustão, sobrava espaço para um certo frisson no ar. Naquele 15 de agosto de 1945, ao meio-dia, pela primeira vez o monarca iria falar diretamente a seus súditos. Até então, seus decretos eram sempre lidos por algum emissário. Em aparições públicas, ninguém estava autorizado a olhar diretamente para o soberano. Tocá-lo era proibido até mesmo para seus médicos e alfaiates. Ele era o deus vivo, descendente da deusa do Sol, Amaterasu.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Três anos e oito meses antes, o Japão declarara guerra aos Estados Unidos, com o ataque-surpresa a Pearl Harbor. Depois de alguns meses de vitórias japonesas, a situação se revertera. O Japão estava agora à mercê dos Estados Unidos, que haviam lançado, pela primeira e única vez, bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasáki. Nas ruas, as pessoas temiam que o imperador, sabendo da derrota inevitável, pedisse que todos se sacrificassem pela pátria. Afinal, na tradição do país, era preferível a morte à rendição. Acostumados a obedecer cegamente, grande parte dos súditos estava disposta a cometer o seppukku, o suicídio em nome da honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transmissão imperial, porém, foi diferente. Foi preciso que os comentaristas da rádio explicassem o significado das palavras de Hiroíto, por causa de sua linguagem formal e arcaica. Mas, aos poucos, todos foram compreendendo a mensagem. Ele anunciava para os súditos o fim da guerra e dizia que concordara com o acordo proposto pelos países aliados. Sem mencionar as palavras rendição ou derrota, dizia que a guerra já causara muitas mortes e precisava acabar. Conclamou todos a “tolerar o intolerável” e disse que, ao testemunhar a morte de seus súditos e as dificuldades pelas quais seu povo agora passava, seus órgãos vitais partiam-se. Para muitos, essa foi a passagem mais marcante. Em vez de bravos com a derrota e com o imperador por ter autorizado a guerra, os japoneses se sentiram culpados por ter causado dor a seu soberano. Ao final, o número de suicídios foi mais ou menos o mesmo que na Alemanha, um povo sem a tradição de matar-se em nome da honra – entre 350 e 550 mortes. “Com esse discurso, o imperador tentou alcançar o impossível: converter o anúncio da derrota humilhante em mais uma afirmação da conduta do Japão na guerra e de sua própria moralidade transcendente”, diz o historiador americano John W. Dower no livro Embracing Defeat: Japan in the Wake of the World War II (“Abraçando a derrota: Japão no despertar da Segunda Guerra Mundial”, inédito em português).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas caras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua atitude de encerrar a guerra e sua cooperação com os Estados Unidos na posterior ocupação do Japão, Hiroíto entraria para a história como um imperador pacífico, avesso ao militarismo. Uma figura meramente decorativa. Essa opinião prevaleceu por muitos anos. E deve-se, em boa parte, à capacidade do governante de raramente revelar suas verdadeiras intenções. Nos anos 70, porém, começaram a ser publicados documentos e diários de pessoas próximas ao imperador que mostravam um pouco mais sobre seu papel na guerra. As novas informações ajudaram alguns historiadores a tentar entender melhor Hiroíto. E o retrato que surge desses estudos não é simples como se pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, Hiroíto era ambíguo por natureza. Nascido em 1901, foi criado para se espelhar em seu avô, Meiji, responsável pela modernização do Japão – o pai de Hiroíto, o imperador Taisho, esteve doente a maior parte da vida e não cumpriu todas as obrigações do posto. No governo de Meiji, estrangeiros foram chamados para construir portos, estradas e escolas. As roupas ocidentais tornaram-se moda. O decreto que proibia os japoneses de viajar ao exterior foi abolido. Mas, ao mesmo tempo que se abria para o Ocidente, o Japão temia ainda mais a ameaça estrangeira. Os japoneses não queriam que o país se tornasse a nova China, que tinha territórios dominados pelas potências européias – como Hong Kong, sob a influência britânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contradição entre a modernidade e o passado – ou seja, entre a abertura ao mundo exterior e o nacionalismo extremo – continuaram presentes no Japão de Hiroíto. E ninguém personificou essa ambigüidade mais que ele mesmo. “Era como se ele estivesse dividido”, diz o historiador americano Herbert Bix, autor do livro Hirohito and the Making of Modern Japan (“Hiroíto e a construção do Japão moderno”, sem tradução em português). De um lado, os valores que recebera em sua educação mais européia, a democracia e a modernidade. Do outro, o passado militarista do Japão, país que nunca perdera uma guerra, e seu nacionalismo exacerbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ser grande&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hiroíto tornou-se regente do Japão em 1921, quando o pai foi afastado por problemas mentais . A coroação ocorreu sete anos mais tarde. No poder, Hiroíto foi seduzido pela idéia, corrente no país então, do Japão como potência. Assim, não sucumbiriam, como a China, aos europeus. “[O Japão] estava decidido principalmente a jamais ser obrigado, como fora a China, a aceitar por qualquer período de tempo a presença estrangeira em seu território”, disse o jornalista Edward Behr em Hiroíto: por Trás da Lenda. A partir da guerra contra os chineses, nos anos 30, isso foi ficando cada vez mais claro nas conversas do imperador com seus assessores. “Não acredito que Hiroíto tenha procurado ligar sua imagem a uma ideologia ultranacionalista, mas ele permitiu que fizessem isso em seu nome. Depois, ele assumiu o papel de mais importante guia espiritual da nação em tempos de guerra”, diz Bix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 8 de dezembro de 1941, os japoneses bombardearam Pearl Harbor, base naval americana no Havaí. Como pretendiam tornar-se potência, acreditaram que só ao lado dos alemães – que, afinal, seriam os vencedores da guerra – conseguiriam isso. Os Estados Unidos atrapalhavam o plano, por isso o Japão os atacou, pensando que o país se renderia à força e à autoridade japonesas. Foi tudo sem avisar, como parte de sua tradicional estratégia: a declaração de guerra aos Estados Unidos só chegou horas depois do bombardeio. Transcrições de reuniões com ministros mostram que o imperador sabia dos planos do ataque. E comemorou essa vitória, assim como as que se seguiram nos primeiros meses. Quando a situação da guerra se reverteu e o Japão começou a perder, Hiroíto questionava seus generais, não por estarem realizando as batalhas e pelas atrocidades que cometiam – as incursões do Japão ficaram famosas por sua crueldade com civis, mulheres e crianças –, mas sim por estarem demorando demais a vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 1943, quando o pessoal do governo começava a perceber que a guerra estava perdida, tiveram início as discussões sobre a responsabilidade do imperador. A questão era difícil. A Constituição dizia que o imperador tinha poderes ilimitados e todas as decisões deviam passar por ele. Mas também dizia que ele não poderia ser responsabilizado pelos seus erros. Admitir que Hiroíto não tinha culpa, era apenas um fantoche, questionava seu poder. E culpá-lo pela guerra seria crime de lesa-majestade. Nessa época, a visão que o Ocidente tinha dele mudara. De monarca liberal, virou um dos três homens mais odiados do mundo, ao lado de Hitler e Stálin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos assessores do imperador optou por protegê-lo a qualquer custo. Muitos, porém, acreditavam que ele deveria renunciar. Até membros de sua família, como seu irmão mais novo, achavam que seria melhor para a monarquia que ele abdicasse. Mas quando, após os bombardeios em Hiroshima e Nagasáki, Hiroíto fez seu pronunciamento no rádio, no dia 15 de agosto, seu destino estava selado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marionete disfarçada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 10 da manhã de 27 de setembro de 1945, uma velha limusine Mercedes – presente do líder alemão Adolf Hitler – saiu do Palácio Imperial acompanhada de duas motocicletas e quatro carros, dois deles lotados de policiais. Em meio às ruínas de uma Tóquio recém-bombardeada, dirigiu-se para a Embaixada dos Estados Unidos. Dentro dela seguia um Hiroíto com roupas velhas. Ele pedira um encontro com o general americano Douglas MacArthur, comandante supremo das Forças Aliadas e responsável por ditar as regras no Japão depois da rendição do país – e, por isso, chamado de “xogum de olhos azuis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hiroíto seguia apreensivo, por não ter ainda certeza do que estaria reservado a ele no novo cenário, após a rendição e com a ocupação americana. Ele seria julgado por crimes de guerra e forçado a renunciar? De tão nervoso que estava, suas mãos tremiam ao entregar sua cartola para um dos assessores de MacArthur segurar. Frente a frente com o general, o imperador assumiu uma atitude humilde e, como era de seu feitio, ambígua. Chamou para si toda a responsabilidade pela guerra, mas, ao mesmo tempo, disse que, se tivesse pensado em ignorar os conselhos de seus assessores e não iniciar o confronto, teriam-no internado em um asilo de loucos ou assassinado. Satisfeito com essas explicações, MacArthur tranqüilizou o imperador e aconselhou-o a não renunciar. Anos depois, em 1964, escreveria em seu livro de memórias, Reminiscences (“Reminiscências”, sem tradução em português) que, ao conhecer Hiroíto, esteve diante “do primeiro cavalheiro consumado do Japão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sabe-se que Hiroíto deu total aval à guerra, mas, fazendo isso a seu estilo, com muita sutileza, pôde depois representar o papel de boneco nas mãos dos militares. Assim, o imperador não seria julgado como criminoso de guerra nos Julgamentos de Tóquio, feitos pelas forças aliadas que ocuparam o Japão (leia ao lado). Para justificar essa atitude, a idéia disseminada era a da impotência de Hiroíto, que seria um joguete na mão dos militares. Com a escassez de provas – a maioria dos documentos fora queimada nos dias após a rendição –, a maior parte dos estudiosos comprou, na época, essa versão. “Os americanos, especialmente os cientistas políticos, não perceberam a maneira japonesa de fazer política”, diz Bix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande responsável por Hiroíto ter escapado dos julgamentos foi MacArthur. Ele acreditava que a permanência do imperador no trono seria útil para a ocupação, pois daria unidade ao povo japonês e o ajudaria a aceitar as mudanças. Mostrando-se extremamente cooperativo, Hiroíto conseguiu permanecer no poder e reinou até 1989, ano de sua morte. Submetendo-se à teoria de que havia sido um fantoche, o imperador perdeu o prestígio por ter tido força, afinal, para encerrar a guerra – o que fez contra a vontade de muitos de seus generais, que preferiam lutar até o último homem. Mas, se esse era o preço a pagar para continuar no trono, não importava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus poderes, é claro, foram diminuídos. Alguns meses depois da rendição, em 1º de janeiro de 1946, ele renunciou a sua origem divina – novamente em um pronunciamento por rádio. Pela nova Constituição, elaborada pelos americanos, a instituição do império permaneceria, mas destituída de poder político e da aura sagrada. Com o fim da ocupação americana, em 1952, as elites conservadoras, de certa forma expurgadas do poder durante a ocupação, voltaram a comandar o Japão – sem a liderança de Hiroíto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Herbert Bix, o fato de o imperador não ter sido julgado trouxe mais prejuízos que benefícios, tanto para o Japão quanto para o mundo. “Ficou difícil para o Japão reconhecer a derrota e suas próprias atrocidades na guerra”, diz. Além disso, abriu um precedente péssimo: o de que os chefes de Estado não são culpados por esse tipo de crime. Aos poucos, o Japão seguiu rumo a uma recuperação quase inacreditável, que o levou a ser a segunda potência econômica nos anos 80, atrás apenas dos Estados Unidos. O que as armas não fizeram, as grandes empresas conseguiram – com uma bela força do imperador. Hiroíto serviu de peça de unificação: era símbolo da sobrevivência e da capacidade de recobrar-se do Japão. Como contava com o prestígio do povo, foi fundamental para que os japoneses aceitassem as mudanças, a ocupação, a Constituição mais democrática, a abertura. Não estava à frente das políticas, mas era essencial para que elas fossem implementadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o avô Meiji, Hiroíto escrevia poemas. Um deles era um apelo para que os súditos não se abalassem com o futuro. “O pinheiro é forte/ e não muda de cor/ com o peso da neve./ Assim as pessoas/ também deveriam ser.” Um poema que descreve, acima de tudo, sua própria atitude no pós-guerra. E sua extraordinária capacidade de se preservar e reinventar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/politica/hiroito-varias-faces-imperador-435982.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/8964313030471128207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/hiroito-as-varias-faces-do-imperador.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8964313030471128207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8964313030471128207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/hiroito-as-varias-faces-do-imperador.html' title='Hiroíto: As várias faces do imperador'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIYAHPbPPLYCDAAhs4LD68KPqt8yCQzZVFhbQYWE1mbyRJ7k6_krHByHSBjbzQXmTgPLnsiNkHkXcYkVyWtW-yTN4cGEtIMl1kFO7MVwJqXIj-be8fUlSrLg0fwynpH8RCiCfdFqM5-uY/s72-c/_41969716_hirohito_300.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-2182137915258984056</id><published>2010-12-15T22:20:00.002-02:00</published><updated>2010-12-15T22:24:07.866-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>As mil e uma faces de Mao Tsé-tung</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCoyOOeHfgIHeDqpOvpsMm57nirVUxBAWlcqFpJ4Ng8CJMgGTtqsDXf_EpJ_30tXfZYdBsl8P6YvVO1wHzNX5XzqDOWR58_EWeCaUlpY6RMDNtZCeoF6nYhw_SWNeEuFyy4GIHYhdMTlQ/s1600/mao-tse-tung11.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCoyOOeHfgIHeDqpOvpsMm57nirVUxBAWlcqFpJ4Ng8CJMgGTtqsDXf_EpJ_30tXfZYdBsl8P6YvVO1wHzNX5XzqDOWR58_EWeCaUlpY6RMDNtZCeoF6nYhw_SWNeEuFyy4GIHYhdMTlQ/s320/mao-tse-tung11.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5551069256492651330&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Praticamente todos os grandes ditadores do século 20 foram condenados pela história. Na Rússia, Stálin não passa de um espectro que poucos gostariam de reviver. Na Itália, quase não se vêem imagens de Benito Mussolini. E nem é preciso dizer o que aconteceria a um alemão se ele resolvesse vestir uma camiseta com a foto de Adolf Hitler. No caso do líder chinês Mao Tsé-tung, o julgamento parece ainda estar em aberto. “Apesar de milhões de chineses terem morrido durante seu regime, a imagem de Mao continua não apenas aceitável, como é considerada um ícone fashion em vários países do Ocidente”, escreveu recentemente Arthur Waldron, professor de Relações Internacionais da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, na revista americana Commentary. “Como os próprios chineses nunca o repudiaram totalmente, sua figura continua sendo fonte de legitimidade para o governo de Pequim.”&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um PIB de 2,251 trilhões de dólares e expansão econômica de 9,9% no ano passado, o governo chinês parece mais preocupado em comemorar o (verdadeiro) espetáculo do crescimento do que em fazer uma revisão crítica do chamado “grande timoneiro”. No dia 9 de setembro deste ano, contudo, o 30º aniversário da morte do líder levantará novamente a questão: qual face de Mao ficará para a história? A do homem que conseguiu reerguer um império ou a do ditador responsável pela morte de milhões de chineses em planos megalomaníacos e assassinatos políticos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se depender dos chineses, tudo indica que ambas serão preservadas. “Desde 1979, eles parecem ter adotado uma fórmula própria para solucionar esse dilema”, diz o americano Jonathan Spence, professor de História da Universidade de Yale e autor de mais de uma dezena de livros sobre a China, entre eles, a biografia Mao. “Ele teria acertado em 70% dos casos e errado em 30%, sendo a maioria dos erros cometidos após 1958.” Antes disso, Mao já havia feito um milagre: transformou um país humilhado e em frangalhos em um império capaz de desafiar os Estados Unidos e ameaçar o posto da União Soviética como líder do socialismo internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da atual pujança chinesa, é até difícil imaginar que, há pouco mais de cem anos, o país corria o risco de sumir do mapa. Em meados do século 19, o velho império chinês havia virado uma colcha de retalhos: era controlado no norte pelos alemães, no centro pelos britânicos e no sudoeste pelos franceses. Nada menos que 50 portos chineses estavam nas mãos de estrangeiros. Além disso, o vizinho Japão logo se tornaria uma ameaça: em 1894, aniquilaria a Marinha chinesa e ocuparia a Ilha de Formosa (ou Taiwan) e algumas regiões no sul da Manchúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa China subjugada que Mao Tsé-tung nasceu, em 1893, na aldeia camponesa de Shaoshan, ao sul do país. Aos 8 anos, a vida de Mao se resumia à escola primária e ao trabalho na pequena fazenda dos pais. Vivia confortavelmente, em meio à pobreza local. Aos 13, já adulto para os padrões da época, parou de estudar para trabalhar o dia inteiro na fazenda. Casou-se um ano depois, com a filha de um proprietário rural vizinho. Mas sua esposa adoeceu e morreu três anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe até que ponto foi a viuvez precoce de Mao que o desviou do seu destino de proprietário rural. O certo é que, contrariando os planos do pai, ele retomou os estudos. Após ir a escolas das cidades vizinhas, onde teve contato pela primeira vez com os problemas da China, Mao partiu para Changsha, capital da província. Lá, se converteu à causa dos revolucionários do líder Sun Yat-sen. Mao, porém, nem teve tempo de colocar a mão na massa: a dinastia Qing, que controlava o país havia mais de 250 anos, foi derrubada por um motim de oficiais em 1911. Pu-Yi, o último imperador chinês, deixou o trono aos 5 anos de idade, em fevereiro de 1912.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovem idealista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A república que ocupou o lugar dos imperadores não conseguiu livrar o país do caos. Sem nenhum interesse em ver a China modernizada, Inglaterra, França, Japão e Rússia emprestaram dinheiro ao general Yuan-Shikai, que tomou o poder com a ambição de restabelecer um sistema imperial no país. Após a morte do general, em 1916, as províncias passaram a ser dominadas por senhores de terra despóticos e suas milícias privadas, que preservavam o poder na base da intimidação, tortura e assassinato. Mao presenciou em sua província soldados cortando a língua e arrancando os olhos de camponeses. Segundo seus biógrafos, essas cenas teriam feito com que ele, desde cedo, se convencesse de que seria ingênuo lutar pelo poder sem o uso da violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário externo também não ajudava. Quando a Primeira Guerra Mundial chegou ao fim, em 1918, o Japão, que estava do lado dos aliados, tomou para si territórios chineses que eram controlados pela Alemanha. Além disso, adquiriu o direito de se intrometer nas políticas econômica e externa da China. Nessa época, o jovem Mao trabalhava na biblioteca da Universidade de Pequim, onde começou a ter contato com o marxismo e com os membros do nascente Partido Comunista Chinês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após Mao entrar no partido, os chineses foram orientados pelo Partido Comunista Soviético (que chegara ao poder com a Revolução Russa de 1917) a concentrar esforços junto aos trabalhadores urbanos. Por ter vivido a maior parte de sua vida em uma província rural, Mao não concordava com essa estratégia. Ele desconfiava das alas mais intelectualizadas do partido e preferia, desde o início, trabalhar para fortalecer as organizações rurais. Outra decisão do PC Soviético era de que eles deveriam se unir ao velho Partido Nacionalista de Sun Yat-sen, já que ele era a única organização com chances reais de tomar o poder e reunificar a China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente, o casamento deu certo. Juntas, forças revolucionárias dos dois partidos chegaram a conquistar várias cidades chinesas. Mas quando Chiang Kai-shek se tornou o líder dos nacionalistas, após a morte de Sun Yat-sen, em 1925, o crescente poder dos comunistas passou a ser visto como uma ameaça. Em 1927, Kai-shek detonou uma campanha de extermínio dos antigos aliados, prendendo e executando milhares deles. Em cidades como Xangai, o Partido Comunista praticamente foi varrido. O esmagamento dos operários só reforçou em Mao a convicção de que seu partido precisava dar mais atenção aos assuntos militares – é dessa época sua célebre frase de que “o poder político nasce do fuzil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perseguido pelo governo, Mao organizou uma guerrilha de resistência nas montanhas do sudeste do país, onde ajudou a fundar uma base de resistência que ficaria conhecida como Soviete de Jiangxi. A seguir, ele organizou um exército e reprimiu com violência qualquer foco de rebeldia – e se viu cada vez mais indisposto com as orientações de Moscou, que insistia que a base de atividades dos comunistas se concentrasse nas cidades costeiras, não no interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longo caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1931, os japoneses ocuparam várias partes da China. Mas o governo de Kai-shek parecia mais preocupado em exterminar os comunistas do que em resistir ao invasor. Isso ficou evidente quando, em 1934, o Exército cercou o Soviete de Jiangxi. Sem opção, o Partido Comunista ordenou que as lideranças deixassem a base. Mao conseguiu fugir com seus seguidores, dando início a uma épica escapada. A Longa Marcha, como ficaria conhecida, durou 12 meses e deslocou milhares de chineses numa jornada de quase 10 mil quilômetros cruzando 18 montanhas, 24 rios e muitos trechos do deserto chinês (veja quadro na página ao lado). Dos cerca de 100 mil que partiram, perto de 8 mil sobreviventes chegaram a Yanan, no norte do país, onde fundaram um governo comunista. Enquanto o Estado oficial tinha o apoio da classe média urbana e de ricos chineses exilados, os revolucionários conquistaram as massas, tornando-se a maior força militar do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem condições de expulsar os japoneses, o governo resolveu pedir o apoio dos comunistas, que aceitaram a trégua. Com a derrota na Segunda Guerra Mundial, em 1945, o Japão se viu obrigado a deixar a China. Isso pôs fim à aliança entre comunistas e nacionalistas e deu lugar a uma guerra civil. Kai-shek recebeu apoio americano, mas foi derrotado e fugiu com seus seguidores para Formosa. A essa altura, Mao já era uma lenda no país. Afinal, ele havia acertado na tese de que a revolução chinesa teria uma base camponesa e se tornara líder incontestável do partido. Quando os comunistas fundam a República Popular da China, em primeiro de outubro de 1949, ninguém tinha dúvidas de quem seria seu primeiro presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação da China era catastrófica quando Mao assumiu o poder. Arrasada após décadas de guerras, a economia estava em pedaços. Não havia moeda unificada, a inflação havia saído do controle e as redes de comunicação estavam destruídas. Dois meses depois de criado o novo governo, Mao parte para Moscou para pedir o equivalente a 300 milhões de dólares em crédito – além de ajuda direta em infra-estrutura. Stálin, o líder soviético, concorda com quase todos os pedidos de Mao – a não ser o desejo de conquistar apoio militar soviético para invadir a ilha de Formosa e expulsar de lá Chiang Kai-shek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num prazo muito curto, Mao consegue reerguer a economia. Entre 1949 e 1956, os camponeses elevam sua produção de grãos em mais de 70%. Mas um programa de industrialização megalomaníaco logo provocaria uma das maiores catástrofes humanitárias do século 20. Tudo começou quando, em 1958, Mao decidiu que era hora de transformar a China numa potência industrial capaz de superar países como a Inglaterra e a própria União Soviética – cuja relação com a China havia se deteriorado desde que Nikita Kruschev chegara ao poder (Mao, apesar de independente, se entendia bem com Stálin).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de uma população gigante e disciplinada e da certeza de que ninguém ousaria questioná-lo, Mao lançou o Grande Salto À Frente, obrigando milhões de chineses a abandonarem suas pequenas plantações de subsistência para trabalharem sem folga em fazendas coletivas e indústrias do Estado. Mas a utopia econômica maoísta, que incluía projetos para a produção de aço em miniusinas de quintal, teve um final trágico. Como diz o historiador Eric Hobsbawm no livro A Era dos Extremos, o Grande Salto terminou produzindo a “grande fome de 1959-61”, provavelmente a maior do século 20. Pesquisadores estimam que 30 milhões de pessoas morreram em conseqüência do delirante projeto. Mao reconheceu tarde demais os erros do plano – e a China acabou tendo que importar grãos do Canadá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linha dura pop&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1959, Mao foi substituído por Liu Shaoqi na presidência da China. Mesmo assim, manteve o controle do Partido Comunista – e continuou sendo a pessoa mais poderosa do país. Mas, em meados dos anos 60, o partido começa a sofrer uma divisão interna, com membros questionando a eficácia das políticas de Mao. Sob influência do revisionismo soviético contra a figura de Stálin, o culto à personalidade do líder chinês começa a sofrer críticas. É então que Mao lança um contra-ataque inesperado, que mergulha a China num período de violência. Com mais de 70 anos, ele se alia aos jovens para enfrentar os burocratas e o “revisionismo burguês” que, segundo ele, havia contaminado o partido. Milhões de jovens seguem seu apelo e dão início à chamada Revolução Cultural, cujo principal objetivo seria manter vivo o “espírito revolucionário”. Na prática, a Revolução Cultural se tornou uma espécie de inquisição comunista a todos os suspeitos de adotarem “hábitos burgueses”, o que levou milhares de pessoas à morte (veja quadro na página 36).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, sua aliança com a juventude parecia trazer um sopro de renovação à esquerda mundial, cada vez mais cansada da fisionomia carrancuda do comunismo soviético. A imagem de Mao conquistou espaço nos pôsteres empunhados por estudantes na revolta de maio de 1968, em Paris, e também em quadros do artista pop americano Andy Warhol. E a coletânea de citações maoístas intitulada O Livro Vermelho tornou-se um manual não só para os jovens chineses, como para “revolucionários” de todas as partes do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início dos anos 70, de novo com as rédeas do poder nas mãos, Mao abala o equilíbrio de forças da Guerra Fria e realiza uma inesperada aproximação com os Estados Unidos. Em 1960, a China havia cortado relações com Moscou, pois o governo soviético tratava o país como uma ameaça à sua supremacia no mundo comunista – e não como um aliado. Os chineses não podiam aceitar, por exemplo, que Moscou se recusasse a apoiar os projetos nucleares chineses – enquanto emprestava dinheiro para que a Índia, com quem a China havia tido conflitos de fronteira, pudesse desenvolver armas nucleares. Em fevereiro de 1972, Mao Tsé-tung recebe em Pequim Richard Nixon, o primeiro presidente americano a visitar a China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma das últimas manobras internacionais de Mao (que ia de encontro aos velhos ataques ao imperialismo americano). Nesse período, ele também deu outro passo decisivo para o futuro da China, ao permitir que Deng Xiaoping, um dos líderes do partido que havia sido expulso durante a Revolução Cultural, pudesse voltar ao poder. Até então, ninguém poderia imaginar que Xiaoping seria o sucessor de Mao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em junho de 1976, Mao disse aos dirigentes do partido que sabia de sua morte iminente. Afirmou a seguir que havia feito duas coisas que de fato contavam: expulsara Chiang Kai-shek para a “ilhazinha” de Formosa e havia “pedido aos japoneses que voltassem para a sua terra ancestral”, numa alusão à expulsão deles após a Segunda Guerra. No dia 9 de setembro daquele ano, Mao morreu de ataque cardíaco. Seus últimos atos prepararam o terreno para que a China desse o seu verdadeiro grande salto, ao abrir seu mercado para o mundo. No ano passado, o país se transformou na quarta maior economia mundial, ultrapassando pela primeira vez a Inglaterra, como sonhara Mao – e ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Alemanha e Japão. Por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/politica/mil-faces-mao-tse-tung-434612.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/2182137915258984056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/as-mil-e-uma-faces-de-mao-tse-tung.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2182137915258984056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2182137915258984056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/as-mil-e-uma-faces-de-mao-tse-tung.html' title='As mil e uma faces de Mao Tsé-tung'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCoyOOeHfgIHeDqpOvpsMm57nirVUxBAWlcqFpJ4Ng8CJMgGTtqsDXf_EpJ_30tXfZYdBsl8P6YvVO1wHzNX5XzqDOWR58_EWeCaUlpY6RMDNtZCeoF6nYhw_SWNeEuFyy4GIHYhdMTlQ/s72-c/mao-tse-tung11.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-3358266520891027581</id><published>2010-12-13T00:24:00.002-02:00</published><updated>2010-12-13T00:26:41.036-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>Norte contra Sul: Avanço fulminante rumo a Saigon</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIUhSokM3_jc8wFIWLWQoqqCKNSQ0OLIUFC-f1vc1wOiHJgoCaYp9WeYxzcpj8VJULCYlj4nbEAGgNHv61FHXB3ldZtCDkJeIpuKVGEvkST7vYqz4ztTgbArm7veiA2JKzYdgfWnQqfYg/s1600/idadecontemporanea_guerravietna.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIUhSokM3_jc8wFIWLWQoqqCKNSQ0OLIUFC-f1vc1wOiHJgoCaYp9WeYxzcpj8VJULCYlj4nbEAGgNHv61FHXB3ldZtCDkJeIpuKVGEvkST7vYqz4ztTgbArm7veiA2JKzYdgfWnQqfYg/s320/idadecontemporanea_guerravietna.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5549987594765245906&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com exceção da cidade de Xuan Loc, o Exército Popular do Norte chegou à capital do Vietnã capitalista com uma facilidade e rapidez que nem eles esperavam. A dica de que havia chegado o momento de conquistar definitivamente todo o país foi dada em 6 de janeiro de 1975, quando os norte-vietnamitas invadiram e tomaram a cidade de Phuoc Long, a apenas 100 quilômetros a noroeste da capital Saigon.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em três semanas de embate, 3 mil combatentes do Exército da República do Vietnã (ERV) foram mortos ou capturados, grandes quantidades de suprimentos apreendidas e toda a província “libertada”. A ocupação tranqüila expôs toda a fragilidade militar do sul. Tanto que o general Van Tien Dung disse em seu livro Our Great Spring Victory (“Nossa Grande Vitória na Primavera”, sem edição em português) que o presidente Nguyen Van Thieu agora era obrigado a lutar uma “guerra de homem pobre”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imobilidade de Washington durante a tomada de Phouc Long confirmou o que muitos estrategistas de Hanói suspeitavam: os bombardeiros norte-americanos não reapareceriam mais para ajudar seus aliados. Agora era vietnamita contra vietnamita, norte contra sul. Em janeiro, os norte-vietnamitas adotaram um plano de dois anos que consistia em grandes ofensivas ao longo de 1975 e assim criar as condições necessárias para o levante geral em 1976. Na prática, o plano de dois anos foi executado em menos de dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dung atacou Ban Me Thuot em 10 de março e tomou a cidade em dois dias. Para garantir o controle do planalto central antes da estação das chuvas, ele se dirigiu ao norte contra Pleiku e Kontum. Em pânico, Thieu cometeu o mais tolo de seus muitos erros: ordenou o recuo imediato de todas as tropas do planalto sem formular um plano de retirada. Com as principais estradas controladas pelo inimigo, a fuga acabou se tornando uma rota de ataque para o exército do Vietnã do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhares de refugiados assustados debandaram junto com os soldados, congestionando os caminhos de escape. Boa parte do exército de Saigon foi capturada ou destruída, e milhares de civis morreram nos tiroteios. Pleiku e Kontum caíram em menos de uma semana. O desastroso abandono do planalto custou a Thieu seis províncias e duas divisões de soldados e acabou com o moral de suas tropas e de seu povo. A próxima catástrofe teria como palco as cidades costeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legião de desesperados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comando em Hanói percebeu que a vitória total estava ao seu alcance e lançou uma ofensiva para a conquistar todo o Vietnã do Sul. Ao avançar sobre Hue e Danang, as forças de defesa, assim como milhares de civis, partiram para Saigon, aumentando ainda mais a legião de desesperados na capital. No caminho, soldados do ERV pilhavam o que viam pela frente e cidadãos mortos de fome cobravam dos refugiados até dois dólares por um copo d’água. Passados dez dias, as duas cidades litorâneas foram dominadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cenas de horror em Danang deram uma amostra do que o futuro reservava para Saigon: soldados sul-vietnamistas ensandecidos pisoteavam mulheres e crianças para garantir um lugar no Boeing 727 norte-americano que os tiraria de lá. Os que não conseguiram uma vaga penduravam-se no trem de pouso para depois caírem no Mar do Sul da China ou serem esmagados contra a estrutura do avião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nha Trang e Cam Ranh foram abandonadas antes mesmo de serem ameaçadas pelas tropas inimigas. Confiante, o Exército Popular do Vietnã (EPV) lançou toda sua força na Campanha de Ho Chi Minh. O plano agora era ocupar Saigon a tempo de comemorar o aniversário do grande líder comunista, em 19 de maio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do mundo, em Washington, a falta de inclinação política para voltar a envolver-se no conflito era óbvia. No dia em que Ban Me Thou caiu, o Congresso norte-americano rejeitou o pedido feito pelo presidente Gerald Ford, que queria mais 300 milhões de dólares emergenciais para financiar uma ajuda militar às tropas do Vietnã do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda esperançoso de que a “cavalaria” ianque não falharia, Thieu ordenou que suas tropas no litoral formassem uma linha defensiva em Phan Rang para conter a ofensiva. Ele acreditava que o ímpeto do norte havia se esgotado e precisaria de no mínimo dois meses para se recuperar. No entanto, o ministro da Defesa, general Vo Nguyen Giap, estava decidido a concluir a guerra antes da estação das chuvas. O 1º Corpo de Exército do EPV, que consertava diques no Norte, percorreu quase 2 mil quilômetros até o sul, a maior parte a pé, entre 25 de março e 14 de abril, e apresentou-se na linha de combate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ford voltou a pedir dinheiro ao Congresso. Ele e Henry Kissinger, secretário de Estado, argumentaram que os Estados Unidos não poderiam carregar o peso de ter “desligado os aparelhos” dos sul-vietnamitas. Os congressistas rebateram dizendo que Thieu havia abandonado mais equipamentos nas províncias do norte do que a verba seria capaz de comprar e que dinheiro algum conseguiria salvar um exército que se recusava a lutar. Em 17 de abril, os votos do Capitólio refletiram o desejo da opinião pública e vetaram a liberação de 722 milhões. Chegara a hora de acabar de vez com o envolvimento americano na Guerra do Vietnã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certeza de que os Estados Unidos não iriam intervir no conflito acabou com qualquer chance, por menor que fosse, de sobrevivência do Vietnã do Sul. Quando Xuan Loc caiu, em abril de 1975, ficou claro que Saigon estava perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Congresso liberou 300 milhões de dólares para a evacuação da capital e propósitos humanitários. Também autorizou o uso de tropas para tirar americanos e aliados do país. A última ação militar da maior potência do mundo no Vietnã seria uma fuga desesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/guerra/norte-sul-avanco-fulminante-rumo-saigon-435073.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/3358266520891027581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/norte-contra-sul-avanco-fulminante-rumo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/3358266520891027581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/3358266520891027581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/norte-contra-sul-avanco-fulminante-rumo.html' title='Norte contra Sul: Avanço fulminante rumo a Saigon'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIUhSokM3_jc8wFIWLWQoqqCKNSQ0OLIUFC-f1vc1wOiHJgoCaYp9WeYxzcpj8VJULCYlj4nbEAGgNHv61FHXB3ldZtCDkJeIpuKVGEvkST7vYqz4ztTgbArm7veiA2JKzYdgfWnQqfYg/s72-c/idadecontemporanea_guerravietna.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-1584325128869189488</id><published>2010-12-12T12:44:00.001-02:00</published><updated>2010-12-12T12:52:05.971-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Média"/><title type='text'>Khmer: O império perdido</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj18nItR8ursIjzhyphenhyphen7burM9akhGxdAFkhhihaSjSyAnkrfiLXi8ZIY8SwTy6ErFhmXeOs7JvH_3CdzoyJGI4WDbnnedJtwAJbqZ5mT4vCLy7zvpVuYL2ThFwgmAWZ1zaclzCg6iGwt9pYE/s1600/angkor.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 212px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj18nItR8ursIjzhyphenhyphen7burM9akhGxdAFkhhihaSjSyAnkrfiLXi8ZIY8SwTy6ErFhmXeOs7JvH_3CdzoyJGI4WDbnnedJtwAJbqZ5mT4vCLy7zvpVuYL2ThFwgmAWZ1zaclzCg6iGwt9pYE/s320/angkor.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5549808621761471298&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O naturalista francês Henri Mouhot não acreditava no que via. Em meio à densa selva asiática do Camboja, então parte da colônia francesa da Indochina, templos imensos, esculturas riquíssimas e um complexo sistema hidráulico apareciam a seus olhos – isso entre árvores, macacos, leopardos e insetos, muitos insetos. As construções, engolidas pela floresta, eram descobertas naquela missão de 1860, patrocinada pela Real Sociedade Geográfica britânica e pela Sociedade Zoológica de Londres. O mundo era apresentado, estupefato, ao Império Khmer, uma das maiores civilizações da Idade Média.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entre os séculos 9 e 15, povos da etnia khmer (cerca de 90% da atual população cambojana) construíram um reino que até hoje surpreende os especialistas. Em seu apogeu, no século 13, ele dominou todo o Camboja até Mianmar, parte do Laos e quase toda a península da Malásia. Os khmer foram capazes de erguer uma megalópole de 1 000 quilômetros quadrados – se o leitor não consegue dimensionar isso, saiba que é algo entre o tamanho atual de Nova York e o de São Paulo (respectivamente, 500 e 1,5 mil quilômetros quadrados). A cidade de Angkor foi, até a Revolução Industrial, no século 19, a maior do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascínio que o Império Khmer exerce é tão grande que novas pesquisas não param de ser feitas. No ano passado, uma equipe, utilizando modernos radares e fotografias aéreas, descobriu que existiam pelo menos 94 templos na capital e outras 74 estruturas que podem ter tido a mesma finalidade religiosa. “As descobertas são fascinantes: elas confirmam que os khmer construíram uma riquíssima civilização”, diz o arqueólogo australiano Damian Evans, da Universidade de Sydney, líder da pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há registros escritos sobre a história do Império Khmer, mas há inscrições em relevo em pedras e nos muros dos templos que ajudam a recontá-la. Por volta do ano 800, já havia pequenos principados khmer nas margens do lago Tonlé Sap, no interior do Camboja. A região ficava a uma distância segura das disputas travadas por duas antigas civilizações locais, os funan e os chenla (veja abaixo), que habitavam outras partes do país. Os javaneses, no entanto, brigavam constantemente com os khmer por causa de terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio pegou fogo quando um jovem príncipe khmer, Jayavarman II, foi capturado pelos governantes da ilha de Java. Após alguns anos seqüestrado, o nobre conseguiu voltar para o Camboja. “Especula-se que tenha fugido de barco, mas não há registros confiáveis”, diz o jornalista italiano Stefano Vecchia, autor de The Khmer – History and Treasures of an Ancient Civilization (“Os khmer – História e tesouros de uma antiga civilização”, inédito em português).Pouco depois de Jayavarman II retornar, houve uma batalha, provavelmente naval, no golfo da Tailândia, da qual o príncipe saiu vencedor. Ele então unificou o reino e lançou as bases do futuro império. Uma de suas primeiras providências foi mandar construir uma capital, Hariharalaya, hoje desaparecida, perto do que mais tarde seria a impressionante Angkor. A cidade ficava no topo de uma montanha, local que, segundo a crença local, era onde moravam os espíritos e os deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os khmer passam a viver um período de glória. Em uma região que atravessava anualmente meses de seca por causa das monções, ventos terríveis que assolam a Ásia, os reis do século 9 perceberam que era fundamental criar um sistema de irrigação eficiente, que proporcionasse água o ano todo. Teve início, então, a construção de uma sofisticada rede de canais e reservatórios que permitiam a irrigação constante das plantações de arroz, o principal alimento da população – e a maior riqueza dos khmer. “Estava dado o pulo do gato”, diz o arqueólogo australiano Roland Fletcher, da Universidade de Sydney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro grande reservatório, de quase 5 quilômetros quadrados e com capacidade para até 8 milhões de litros cúbicos de água – mais que suficiente para abastecer a cidade inteira e irrigar os campos de arroz –, foi construído por volta de 877 pelo rei Indravarman I. Ele aproveitou para expandir os domínios do reino, sem provocar muito alarde, até a fronteira com a Tailândia. Mais importante: o monarca desenvolveu o projeto inicial da gigantesca nova capital em um local ainda mais privilegiado – entre o lago Tonlé Sap e as montanhas, onde a água era mais abundante. “Foi uma escolha estratégica, que revela a inteligência dos governantes khmer”, afirma Stefano Vecchia. Mas Angkor não era apenas uma cidade colossal. Da tecnologia empregada nela derivou toda a prosperidade agrícola da planície cambojana – local que já era naturalmente irrigado, mas onde os níveis dos rios flutuavam muito. Controlados com o sofisticado sistema de lagos artificiais e canais, esses rios foram capazes de produzir solos com imensa fertilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema de águas de Angkor, controlado pelo rei, era encarado pela população com reverência religiosa. O rei passou a ser visto como um deus, já que era o fornecedor da divina água. Os diversos templos e palácios da capital do império foram levantados, assim, como expressão dessa devoção. Os primeiros templos construídos eram relativamente pequenos. Mas os khmer foram tomando gosto pelas megaconstruções. Angkor Wat é o maior exemplo disso. Erguido pelo rei Suryavarman II no começo do século 12, o templo é a obra-prima da arquitetura khmer. Com 1550 metros de comprimento por 1400 de largura, é rodeado por um fosso imenso. Sua posição, voltada para oeste e não para leste, como era comum, indica o possível uso que o monarca faria dele: seu templo mortuário – segundo a mitologia indochinesa, oeste é a direção para onde os mortos caminham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historiadores acreditam que Angkor Wat seja o começo do fim do império. Os esforços para a construção do templo teriam sido custosos demais para os cofres. E os valores normalmente aplicados no sistema de irrigação teriam sido desviados para o levantamento do santuário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recuperação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da morte de Suryavarman II, a cidade foi saqueada pela primeira vez em 1177 pelo povo do reino de Champa, no atual Vietnã – que não via a hora de tirar seu quinhão dos ricos vizinhos. A invasão abalou a confiança dos khmer nas forças protetoras de suas divindades. O filho de Suryavarman, Jayavarman VII, subiu ao trono e herdou um reino despedaçado. Em 1181, conseguiu expulsar os inimigos. E, com mais de 60 anos, começou uma campanha para expandir as fronteiras do império. “Ainda não se sabe muito bem como ele as expandiu, mas deve ter a ver com a riqueza proporcionada por boas colheitas de arroz e o efeito-surpresa ao atacar os vizinhos”, diz o arqueólogo Fletcher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vencendo batalha após batalha, o Império Khmer dominou toda a Malásia, parte do Laos e de Mianmar. Num surto megalomaníaco, acreditando ser o maior dos reis khmer, Jayavarman resolveu construir sua própria cidade, Angkor Thom, a nova capital. No meio dela, ergueu o maior templo que os khmer já tinham visto, Bayon – e o dedicou não aos deuses hindus, como era costume, e sim a divindades budistas. Embora o budismo convivesse com o hinduísmo até então, ele nunca havia sido adotado como religião oficial. Os complexos sistemas de irrigação foram feitos também na nova capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angkor Thom passou a ser um importante centro comercial, com chineses e indianos visitando o reino para comprar várias mercadorias. Os reis notaram que as mulheres eram boas negociantes e permitiram que elas ficassem encarregadas do comércio local (aliás, elas também ocupavam cargos importantes, como o de juízas, e trabalhavam nos campos de arroz ao lado dos homens). Vestindo um tecido colorido enrolado em volta da cintura, sem nada da cintura para cima, as vendedoras chegavam ao mercado local ao nascer do sol. Abriam suas esteiras no chão, dispondo em cima delas ricos tecidos e uma bebida alcoólica à base de arroz, além de grãos de arroz e jóias de prata. O centro comercial, em uma praça a céu aberto, só fechava no fim do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cair do sol, quando o rei decidia sair às ruas, muitas vezes era acompanhado por um séquito de funcionários públicos, concubinas e esposas carregando sombrinhas vermelhas. A praça principal e as ruas de Angkor costumavam ser tomadas pelo som de harpas e instrumentos de corda nessas ocasiões. O dia-a-dia do Império Khmer impressionava. Em 1296, o diplomata chinês Zhou Daguan visitou Angkor e escreveu um minucioso relato de 40 páginas sobre o rico cotidiano. “A cidade é cercada por um fosso que se cruza por pontes, algumas de ouro, e dentro dos portões há palácios e templos com torres douradas”, descreveu. O relato é considerado um dos documentos históricos mais importantes sobre os khmer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decadência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa vida idílica, porém, não duraria para sempre. Um dos problemas dos khmer é que eles não possuíam um sistema político bem-organizado – regras de sucessão ao trono simplesmente não existiam. O rei tinha inúmeros filhos, e qualquer um deles, não apenas o primogênito, poderia sucedê-lo. O resultado foram constantes brigas entre príncipes para chegar ao poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de fontes de informação dificulta entender por que, de fato, o império chegou ao fim. É certo que no século 13 ele passou a ser mais atacado pela Tailândia e pelo Vietnã, e a cidade de Angkor Thom começou a ser saqueada com alguma freqüência. Em 1431, os tailandeses roubaram toda a capital e as lutas internas pelo poder no reino tornaram mais difícil uma união para vencer o inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredita-se também que a obsessão por dominar a natureza possa ter passado dos limites, com o sistema hidráulico acabando por provocar um enfraquecimento do terreno. Arqueólogos vêm encontrando sinais de erosão que comprovam perda de fertilidade do solo e excesso de desmatamento. Até o nível de um rio, o Siem Reap, pode ter baixado a ponto de torná-lo inadequado para irrigação. A hipótese mais provável é que tenha havido um colapso no sistema de abastecimento de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá sido essa uma das causas do fim do império? “É bem possível. Sem água e tendo de lutar contra inimigos, os khmer só podiam mesmo acabar entregando os pontos”, diz Fletcher. Abandonada, a rica Angkor aos poucos ia sendo dominada pela selva. A incrível civilização que os khmer construíram ao longo dos séculos, no entanto, não se perdeu. Quatrocentos anos depois, a saga recomeçaria a ser contada por exploradores e cientistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/cotidiano/khmer-imperio-perdido-435905.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/1584325128869189488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/khmer-o-imperio-perdido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/1584325128869189488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/1584325128869189488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/khmer-o-imperio-perdido.html' title='Khmer: O império perdido'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj18nItR8ursIjzhyphenhyphen7burM9akhGxdAFkhhihaSjSyAnkrfiLXi8ZIY8SwTy6ErFhmXeOs7JvH_3CdzoyJGI4WDbnnedJtwAJbqZ5mT4vCLy7zvpVuYL2ThFwgmAWZ1zaclzCg6iGwt9pYE/s72-c/angkor.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-5281544599761132221</id><published>2010-12-12T12:32:00.003-02:00</published><updated>2010-12-12T12:38:57.697-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Moderna"/><title type='text'>Musashi, o espírito samurai</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCqrQq-K504AbIrSZxztE0wJxfitoZGvmFrh01MRyUiA4hX5OYGMGE0eV5wmaT2pjzufvv9yKKpwmvVGOF4fS7_iDq_kfm54kocSmhiIHV7OKmQ5HtLBdpKlWCM0zNFig2RjfRVb3X3-I/s1600/musashi_lrg.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 313px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCqrQq-K504AbIrSZxztE0wJxfitoZGvmFrh01MRyUiA4hX5OYGMGE0eV5wmaT2pjzufvv9yKKpwmvVGOF4fS7_iDq_kfm54kocSmhiIHV7OKmQ5HtLBdpKlWCM0zNFig2RjfRVb3X3-I/s320/musashi_lrg.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5549804374229217714&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O filme O Último Samurai, superpro-dução com o astro Tom Cruise que estreou no Brasil em janeiro, recria os derradeiros dias dos homens que comandaram os destinos do Japão durante mais de 700 anos. Da sua ascensão à elite do país até o ocaso, os samurais moldaram valores que ainda são caros aos japoneses de hoje. Prova disso é a popularidade daquele que é considerado o maior de todos os samurais, Miyamoto Musashi, morto há quase 350 anos. Durante todo o ano de 2003, a NHK, principal emissora de TV do Japão, exibiu um seriado sobre Musashi que cativou milhões de espectadores. O épico foi baseado no romance Musashi, do escritor Eiji Yoshikawa. Publicado originalmente como um folhetim no Asahi Shimbun, entre 1935 e 1939, tornou-se a obra literária de maior sucesso na história do Japão, com mais de 120 milhões de exemplares vendidos. Foi traduzido para 23 línguas, incluindo o português. Inspirou uma história em quadrinhos, a Vagabond, que já vendeu 28 milhões de cópias no Japão e foi lançado também no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nas narrativas sobre Musashi, ficção e realidade misturam-se para aumentar o mistério em torno dele. Há passagens obscuras em sua vida, a começar pelo local e pela data de nascimento. A versão mais corrente é a de que ele nasceu em 1584 na província de Harima (atual Hyogo, sudeste do país). Seu nome: Shinmen Musashi no Kami Fujiwara no Genshin. A mãe morreu logo após dar à luz, enquanto o pai, o samurai Shinmen Munisai, foi uma figura ausente. Deu ao filho as primeiras lições de manejo da espada, mas, quando Musashi ainda era criança, desapareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ressentimento com o pai pode ter contribuído para o temperamento agressivo de Musashi, que já sofria por causa de sua aparência – tinha cicatrizes na pele provocadas por sífilis congênita. Aos 13 anos, duelou com um samurai já famoso, Arima Kihei. Atacou furiosamente o adversário e o golpeou até a morte. Aos 16 anos, venceu outro duelo, contra Tadashima Akiyama. “Musashi não tinha técnica alguma e tirava proveito de sua força física”, diz Jorge Kishikawa, mestre em artes marciais e criador do Instituto Niten, representante no Brasil do estilo de luta com espadas desenvolvido por Musashi na maturidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 600, Musashi alistou-se nas forças do clã Ashikaga, que brigava pelo poder no Japão. Sobreviveu à derrota na Batalha de Sekigahara, da qual saiu vitorioso o general Tokugawa Ieyasu. Depois disso, Ieyasu e seus descendentes governariam o país com mão de ferro por dois séculos e meio. No célebre O Livro dos Cinco Anéis (“Gorin no Shô”), obra que escreveu no fim da vida, Musashi não faz qualquer menção à batalha, na qual se estima que morreram cerca de 70 mil homens. O livro de Yoshikawa, no entanto, afirma que Musashi sobreviveu à batalha e passou a vagar como um ronin (samurai sem um senhor a quem servir). Na época, Tokugawa tinha os daimiôs (senhores feudais) sob controle, o Japão estava em paz e muitos samurais tornaram-se burocratas ou passaram a dedicar-se às artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros, como Musashi, levavam a vida perambulando pelo país à procura de adversários para medir forças. Mas, ao contrário de muitos ronins, Musashi não encarava esses combates como um passaporte para a fama ou para um bom emprego nos palácios. Ele queria era desenvolver sua técnica de esgrima. “Musashi não teve mestre e aprendeu a manejar a espada na prática. Foi pela experiência que compreendeu a profundidade do caminho do guerreiro”, diz Jorge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse caminho tem um nome em japonês: bushidô. Ele é um código de honra não-escrito que rege a conduta dos samurais. Reunindo princípios do xintoísmo, budismo e confucionismo, o bushidô enfatizava valores como bravura, justiça, lealdade, autocontrole e senso de gratidão. Para os samurais, aperfeiçoar-se no manejo da espada era uma forma de fortalecer o espírito e alcançar essas virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que, no início de sua carreira de espadachim, Musashi ainda não tinha noção de tudo isso. Em 1605, aos 21 anos, partiu em peregrinação para Kioto, então capital do país. Logo ao chegar, desafiou Yoshioka Seijuro, um respeitado instrutor de esgrima cuja família teria, no passado, tido um entrevero com Munisai, o pai de Musashi. Munisai teria abatido dois membros da família Yoshioka em duelos. Na terceira luta, porém, teria sido derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Musashi enfrentou Seijuro num duelo e o venceu usando apenas um bokken (espada de madeira, usada para treinos). Humilhado, Seijuro renunciou à vida de samurai. Coube ao irmão dele, Denshichiro, desafiar Musashi para salvar a honra da família. Demonstrando sua noção de estratégia, Musashi chegou deliberadamente atrasado ao local da luta, o que irritou Denshichiro e lhe tirou a concentração. Musashi o matou com um golpe na cabeça, novamente com um bokken. Os Yoshioka lançaram então novo desafio em nome de Hanshichiro, um menino de 11 ou 12 anos, que seria acompanhado por um grupo de samurais. Consta que a intenção era preparar uma emboscada para Musashi. No entanto, ele mudou de tática e, dessa vez, chegou cedo ao local do duelo e se escondeu. No momento certo, saiu do esconderijo e surpreendeu os adversários. Matou Hanshichiro e, com uma espada em cada mão, enfrentou todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, os samurais eram os únicos que podiam portar espadas. Costumavam levar duas delas à cintura: o kataná (com 60 a 90 centímetros de comprimento) e o wakizashi (30 a 60 centímetros). Este era usado apenas em lutas em ambientes fechados. Em geral, os samurais seguravam o kataná com as mãos, mas Musashi desenvolveu um novo estilo que ficou conhecido como nitô ichiryu (“duas espadas, uma escola”) ou niten ichiryu (“dois céus, uma escola”). Ele usava esse recurso quando enfrentava mais de um opositor, tirando proveito do porte avantajado (ele tinha mais de 1,80 metro), o que o permitia segurar uma espada em cada mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dos embates com os Yoshioka, Musashi enfrentou samurais dos mais diferentes estilos. Ao todo, foram mais de 60 duelos. Em O Livro dos Cinco Anéis, Musashi afirma que jamais foi derrotado. Mas há controvérsias. Segundo outra versão, relatada em Kaijo Monogatari, em obra apócrifa de 1629, ele enfrentou duas vezes um guerreiro chamado Muso Gonnosuke, em 1605. Na primeira, Musashi foi o vencedor. Na revanche, Gonnosuke usou uma nova arma, o jô, um bastão de madeira, e derrotou Musashi. Os dois teriam se tornado amigos desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais célebre duelo de Musashi foi contra outro espadachim de renome, Sasaki Kojiro, e ocorreu em 14 de abril de 1612, em Funajima, uma ilhota na região de Kyushu, no sul do país. De acordo com o relato de Yoshikawa, Musashi repetiu a tática de atrasar-se para o duelo com o objetivo de enervar seu oponente. Durante a travessia até a ilha, esculpiu uma espada com o remo do barco. Estava sujo e despenteado e surpreendeu Kojiro com sua aparência. Correu em direção ao rival e Kojiro atingiu a faixa que Musashi usava na cabeça. No instante seguinte, Musashi derrubou Kojiro com um golpe certeiro no crânio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desse duelo, Musashi sumiu do mapa. Segundo Yoshikawa, pouco se sabe sobre a vida dele depois disso. O samurai nunca se casou, mas adotou um menino chamado Iori. Há relatos de que, em 1614 e 1615, Musashi se juntou às tropas de Tokugawa Ieyasu no cerco ao castelo de Osaka, onde o clã Ashikaga havia se sublevado (Musashi lutara ao lado dos Ashikaga na Batalha de Sekigahara). Em 1637 e 1638, Musashi ajudou a sufocar uma rebelião de camponeses cristãos em Shimabara, no sul do país. Na época, o filho Iori ocupava um importante cargo a serviço do daimiô Ogasawara Tadasane, simpático ao regime de Tokugawa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1640, Musashi tornou-se hóspede no castelo do daimiô Hosokawa Tadatoshi, em Kumamoto, no sul do Japão. Ali, trabalhou como instrutor de esgrima e desenvolveu seus outros talentos. Longe dos combates, produziu caligrafias, pinturas e esculturas – algumas são consideradas obras-primas e podem ser vistas ainda hoje no Japão, em especial no Museu de Artes de Shimada, em Kumamoto. Em 1643, Musashi foi viver como eremita na caverna de Reigando, localizada na mesma região. Dedicou-se a escrever O Livro dos Cinco Anéis, uma obra de estratégia que, três séculos mais tarde, se tornaria o livro de cabeceira de empresários do mundo inteiro interessados em aprender táticas para superar a concorrência na disputa por mercados. Musashi finalizou a publicação poucas semanas antes de morrer, em 19 de maio de 1654. Sua morte também está envolta em brumas. Só em Kumamoto há cinco sepulturas onde supostamente se encontram seus despojos. Mas alma do samurai não está em nenhuma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/gente/musashi-espirito-samurai-433497.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/5281544599761132221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/musashi-o-espirito-samurai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5281544599761132221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5281544599761132221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/musashi-o-espirito-samurai.html' title='Musashi, o espírito samurai'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCqrQq-K504AbIrSZxztE0wJxfitoZGvmFrh01MRyUiA4hX5OYGMGE0eV5wmaT2pjzufvv9yKKpwmvVGOF4fS7_iDq_kfm54kocSmhiIHV7OKmQ5HtLBdpKlWCM0zNFig2RjfRVb3X3-I/s72-c/musashi_lrg.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-9039684063234699078</id><published>2010-12-11T21:15:00.003-02:00</published><updated>2010-12-11T21:18:16.368-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História do Brasil"/><title type='text'>Gangues do Rio: capoeira era reprimida no Brasil</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTIWu9fucprGDa9R-6BteTvZECeoAGPl62oxxbVrQoMTTgLspi4LXPtlHXmGqs1VQpd9D_IHnx-da0iDUUJnjBfBFnNC_tjBvr5Vw4TROKbIEfdkdf2zFZjphUzhSx58sUORfpS8F_BiQ/s1600/capoeira.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 205px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTIWu9fucprGDa9R-6BteTvZECeoAGPl62oxxbVrQoMTTgLspi4LXPtlHXmGqs1VQpd9D_IHnx-da0iDUUJnjBfBFnNC_tjBvr5Vw4TROKbIEfdkdf2zFZjphUzhSx58sUORfpS8F_BiQ/s320/capoeira.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5549567713895757138&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real. Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso. Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas. Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade. Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos. Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar. “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos. “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17. Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta. Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico. “Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares. As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista. A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chibatadas e servidão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras. Mas ela passou a ser acrescida de castigos corporais. Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante. Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas. Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861). A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias – os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio). O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exempo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”. Mas, mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, quem diria, manter a ordem. Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos. Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados. Foi uma demonstração de poder e tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerra nas ruas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I. Eles acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos. Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios. Os ânimos andavam exaltados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais. Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos. Eles exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira. Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o “imperador tirânico”, um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando “constituição” e “independência”. Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses. Xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas. Capoeiras distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial. A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como “as noites das garrafadas”. A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apoio dado pelos capoeiras à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio. Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça. Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores. Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada “gente preta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O temor acabou se traduzindo em repressão. Mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras. A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio. Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos. Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa. Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade. “Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada”, afirma o historiador Soares. “Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime. Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas. Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos. A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/comportamento/gangues-rio-capoeira-era-reprimida-brasil-435027.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/9039684063234699078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/gangues-do-rio-capoeira-era-reprimida.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/9039684063234699078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/9039684063234699078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/gangues-do-rio-capoeira-era-reprimida.html' title='Gangues do Rio: capoeira era reprimida no Brasil'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTIWu9fucprGDa9R-6BteTvZECeoAGPl62oxxbVrQoMTTgLspi4LXPtlHXmGqs1VQpd9D_IHnx-da0iDUUJnjBfBFnNC_tjBvr5Vw4TROKbIEfdkdf2zFZjphUzhSx58sUORfpS8F_BiQ/s72-c/capoeira.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-6361526353074062989</id><published>2010-12-11T21:03:00.004-02:00</published><updated>2010-12-11T21:17:40.547-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História do Brasil"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Moderna"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Média"/><title type='text'>Historia do Muay Thai</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgktYq4AcTGt3pMI9a4dJ4k9xKHa9FELfyQYxPwVCC_-bvuO3loYxMhyphenhyphenCI7HhE-I7YLoehdbnl59veypcSZ6Vwk_Bhv9wwT7Vn_7YxAJ_7NTQZFyLGeR66BYRj5vWnr_tS10VZx5xzv-CY/s1600/thai%255B1%255D.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 211px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgktYq4AcTGt3pMI9a4dJ4k9xKHa9FELfyQYxPwVCC_-bvuO3loYxMhyphenhyphenCI7HhE-I7YLoehdbnl59veypcSZ6Vwk_Bhv9wwT7Vn_7YxAJ_7NTQZFyLGeR66BYRj5vWnr_tS10VZx5xzv-CY/s320/thai%255B1%255D.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5549566148076080930&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Significado da palavra&lt;br /&gt;MUAY THAI: Arte livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Muay Thai, o qual também é conhecido como Thai Boxing em alguns países como Estados Unidos e Inglaterra, é muito conhecido no Brasil como Boxe Tailandês e é uma Arte Marcial Tailandêsa com mais de 2.000 anos de idade. A origem do Muay Thai confunde-se com a origem do povo Tailandês. Existem várias versões sobre a origem do Muay Thai. A mais aceita pela maioria dos Mestres de Muay Thai e também por vários historiadores Tailandeses é a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundo os Tailandeses, a origem de seu povo é a província de Yunnam, nas margens do rio Yang Tsé na China Central. Muitas gerações atrás eles migraram da China para o local onde atualmente é à Tailândia em busca de liberdade e de terras férteis para agricultura.&lt;br /&gt;Do seu local de origem, a China, até o seu destino, os Tailandeses foram constantemente hostilizados e sofreram muitos ataques de bandidos, de Senhores da Guerra, de animais, e também foram acometidos de muitas doenças. Para protegerem-se e manterem à saúde, eles criaram um método de luta chamado &quot;Chupasart&quot;. Este método de luta e auto-defesa fazia uso de diversas armas como por exemplo: espadas, facas, lanças, bastões, escudos, machados, arco e flecha, etc.&lt;br /&gt;No treinamento do &quot;Chupasart&quot;, freqüentemente ocorriam acidentes que causavam algumas vezes graves ferimentos aos praticantes. Para que eles pudessem treinar sem ferir-se, os tailandeses criaram um método de luta sem armas, o percursor do atual Muay Thai. Assim eles podiam exercitar-se e treinar mesmo em tempos de paz e sem o risco de ferir-se.&lt;br /&gt;No início, o Muay Thai era muito parecido com o Kung Fu Chinês. Um fato normal levando-se em conta à origem do povo Tailandês. O antigo Muay Thai utilizava-se de golpes com as palmas das mãos, ataques com as pontas dos dedos, imobilizações e mãos em garras para segurar o oponente. Com o tempo, ele foi modificando-se e transformou-se no estilo de luta que é hoje.&lt;br /&gt;Em muitos períodos da história tailandêsa o Muay Thai foi muito popular entre os tailandeses. Principalmente no perído do Rei Pra Chao Sua ou &quot;Rei Tigre&quot; como era mais conhecido. Ele foi um dos maiores lutadores de Muay Thai da história. Durante o seu reinado o Muay Thai fazia parte da preparação militar e era ensinado em todas as escolas.&lt;br /&gt;Outro grande lutador de Muay Thai foi um lutador chamado Nhai Khon Tom. Segundo as lendas ele foi capturado pelos Birmaneses durante um dos inúmeros conflitos entre os Birmaneses e os Tailandeses. Quando capturado, foi-lhe oferecida a liberdade se ele conseguisse derrotar alguns lutadores Birmaneses. O resultado foi que ele foi libertado após vencer seguidamente 12 lutadores Birmaneses. &lt;br /&gt;Até por volta de 1920 os lutadores não usavam luvas e nem qualquer outro tipo de proteção. Os lutadores simplesmente usavam tiras de algodão, tiras de cânhamo ou de crina de cavalo enroladas nas mãos. Alguns antigos treinadores falam que em algumas lutas antigas, os lutadores faziam uso de cola e vidro moído nas ataduras. Mas, isso não é totalmente confirmado pela maioria dos historiadores. Algumas vezes também eram utilizadas cascas de cocos como protetor genital. As lutas não eram divididas por pesos e também não existiam intervalos durante as lutas, os lutadores lutavam até que um dos lutadores fosse nocauteado, sofresse uma grave lesão ou até à morte de um deles.&lt;br /&gt;Após 1920, algumas regras de boxe inglês foram adaptadas para o Muay Thai devido ao alto grau de lesões que estavam ocorrendo entre os lutadores. Dentre elas as divisões por peso, o uso de luvas, a inclusão dos rounds e também a inclusão do árbitro central juntamente com os juizes laterais. Mas, muitas coisas restaram das antigas lutas, como o uso de um conjunto musical com antigos instrumentos e que serve para dar o ritmo da luta. Conforme a luta está muito amarrada, sem ação, os músicos aumentam o ritmo de sua música para aumentar o ritmo de luta dos lutadores. Este conjunto é formado pelos seguintes instrumentos: três tipos de tambores diferentes, címbalos e flautas de &quot;Java&quot;. Outra tradição mantida é o uso do Wai Kru. O qual é uma dança ritual que serve para homenagear o treinador, seus pais, sua escola de Muay Thai, os antigos lutadores de seu ginásio, seus professores na escola, etc. Outra tradição que é mantida no Muay Thai é o uso do &quot;Mongkon&quot; O &quot;Mongkon&quot; é uma faixa a qual é colocada na cabeça dos lutadores para protegê-los antes da luta e que é retirada após o Rammuay. A &quot;Kruang&quot; é uma corda trançada que é colocada em um ou nos dois braços do oponente também com o objetivo de proteção, suas cores estão relacionadas com as preferências de cores do lutador, no Brasil é usado como graduação. A &quot;Kruang&quot; não é retirada após o Rammuay, como o &quot;Mongkon&quot;, ela permanece com o lutador por toda a luta. &lt;br /&gt;Na Tailândia as academias e ginásios são chamados de &quot;campos&quot;. Por isso é muito comum ler-se em livros e revistas de Artes Marciais internacionais citações ao nome de alguns &quot;campos&quot; de Muay Thai. Na verdade, tratam-se de ginásios de Muay Thai. Na Tailândia a rotina em um ginásio é muito diferente da rotina do ocidente. Os lutadores geralmente começam seu treinamento com a idade de 6 ou 7 anos. Eles quase sempre mudam-se para o ginásio, morando em alojamentos junto com outros lutadores. A parte do treinador é providenciar: comida, roupas, acompanhamento médico, e estudo para o lutador. Em troca disto, o lutador deve simplesmente treinar arduamente e também cuidar da limpeza do ginásio. Mas, o maior compromisso deste lutador é esforçar-se para ser o melhor lutador, um verdadeiro campeão. Quando o lutador vai lutar, geralmente uma vez por mês, ele concorre à um prêmio em dinheiro, este prêmio é dividido entre o lutador e o seu treinador. Sendo que a maior parte do dinheiro vai para o treinador. Na Tailândia também é permitido apostar nas lutas, e o treinador geralmente também aposta em seu próprio lutador, conseguindo assim mais algum dinheiro. Em toda à Tailândia existem milhares de campos de treinamento, cada campo é dirigido por um treinador principal, que também conta com a ajuda de seus auxiliares e com o gerenciamento de um promotor, o qual promove os lutadores deste campo. Mas, muitas vezes o treinador também é o promotor do ginásio.&lt;br /&gt;Em Bangkok existem dois grandes estádios aonde pode-se ver lutas de Muay Thai, eles são o Lumpini e o Rajadamnerm, Cada um deles tem lutas em dias diferentes. Alguns dias por semana, principalmente aos domingos, também passam lutas de Muay Thai pela televisão.&lt;br /&gt;Na Holanda precisamente em Amsterdã existem muitas academias de Muay Thai, Onde muitas delas participam do evento K-1, na qual a Holanda é a grande campeã dos titulos deste evento, que hoje é o maior evento do mundo.&lt;br /&gt;Na relação de países onde o Muay Thai é mais desenvolvido é mais ou menos à seguinte: Thailandia, Holanda, Austrália, Inglaterra, França, Brasil, Japão, Coréia, Estados Unidos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significado da palavra MUAY THAI: Arte livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MONGKON:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma corda trançada em forma de coroa com uma ponta que é usada e colocada na cabeça dos lutadores, na qual pertence ao seu treinador. É retirado pelo treinador antes de se iniciar o combate e simboliza toda a energia, gratidão e dedicação daquela escola com o passar dos anos, ou seja, o Mongkon é o símbolo material da perseverança e honra de seus ancestrais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RAM MUAY:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma dança E o ri timo musical tocado, um ritual que antecede um combate. O Muaythai segue a doutrina budista em suas saudações e costumes. Seu ritmo lento cujos movimentos servem de concentração para ambos os lutadores, sendo acompanhado por uma musica típica tailandesa após o WAI KRU (a baixo verá significado), o boxeador ajoelha-se com a face voltada em direção à sua escola, cobre os olhos com as luvas e recita curtas orações (cada escola tem sua forma de apresentação, executando movimentos diferentes). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KRUANG ou PRAJIED:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma corda trançada que é usada em um ou nos dois braços (bíceps) do boxeador. Na qual tem a finalidade de mostrar o nível de graduação do boxeador. Segundo os tailandeses, após benzê-lo e fazer alguns banhos com ervas sagradas, tem a finalidade de proteger o lutador. Na Tailândia o Prajied é usado como proteção e também como graduação no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WAI KRU:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significa respeito ao professor (Whai Significa respeito e Kru Significa Professor), é um ritual característico do Muay thai, que resume claramente a essência espiritual e cultural dos ancestrais guerreiros tailandeses. O Whai Kru é realizado sempre antes do inicio das lutas e é acompanhado pela musica tradicional tailandesa que possui um ritmo lento e marcado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FILOSOFIA DO MUAY THAI (SAUDAÇÕES):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE MUAI THAI e todos os praticantes no Brasil utilizam o sistema tailandês de saudação, ao entrar e sair do local sagrado de treino, assim como, ao ver o treinador e colegas de treino, o aluno saúda a todos com a expressão Muay Thai , Thai ou Ossi, que significa todo o respeito ao próximo, ao local de treino, alunos, atletas, Instrutores, Professores, Mestres e Grão Mestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hierarquia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde quando o Muay Thai se iniciou no Brasil no ano de 1979, foi colocada uma graduação somente usada no Brasil, que antigamente era usada em forma de faixa na cintura, a quatorze anos que é utilizado o Kruang (Prajied), uma corda no braço esquerdo do lado do coração com a mesma coloração que foi definida em 1979. No Brasil existe uma hierarquia formada através dos anos de dedicação onde existe cinco tipos de graduação: O aluno se enquadra da graduação branca até azul clara ponta azul escura, quando chega na graduação azul escura se torna um Instrutor que poderá dar aulas com a autorização da CBMT, na seqüência o Instrutor Máster que é da graduação azul escura ponta preta, quando se torna grau preta o atleta é denominado professor, após existem os Mestres e Grão Mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GRADUAÇÃO NO BRASIL:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRANCA&lt;br /&gt;BRANCA PONTA VERMELHA&lt;br /&gt;VERMELHA&lt;br /&gt;VERMELHA PONTA AZUL CLARA&lt;br /&gt;AZUL CLARA&lt;br /&gt;AZUL CLARA PONTA AZUL ESCURA&lt;br /&gt;AZUL ESCURA (INSTRUTOR)&lt;br /&gt;AZULESCURA PONTA PRETA (INSTRUTOR MASTER)&lt;br /&gt;PRETA (PROFESSOR)&lt;br /&gt;PRETA E BRANCA (MESTRE)&lt;br /&gt;PRETA BRANCA E VERMELHA (GRÃO MESTRE)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historia no Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1979 Nelio Naja introduziu o Muay Thai na época mais conhecido como Boxe Tailandês no Brasil. Reuniu um grupo de faixas pretas de TaeKwonDo, entre eles os Mestres Luiz Alves , Flavio Molina (em memória), Narany, em Curitiba Rudimar Fedrigo .&lt;br /&gt;1980 foi fundada a primeira associação de Muay Thai onde tinha como Presidente o Grão Mestre Flavio Molina (em memória). &lt;br /&gt;1981 aconteceu o primeiro campeonato Interestadual no Rio de Janeiro no Bérro Dágua onde hoje é academia Nobre Arte, entre Rio de Janeiro vs Curitiba, onde Rio de Janeiro foi a campeã. Ainda em 1981 o Fundador e Presidente da CBMT Grão Mestre Luiz Alves fazia a sua estréia como lutador de Muay Thai, foi no desafio Rio Curitiba, onde venceu por pontos o atleta de Curitiba. &lt;br /&gt;1982 acontecia o segundo Interestadual no Rio de Janeiro no Clube Morisco no bairro de Botafogo entre Rio de Janeiro vs São Paulo onde a cidade do Rio de Janeiro foi a campeã .&lt;br /&gt;1984 realizado o primeiro torneio Carioca de Muay Thai e nesse mesmo ano aconteceu mais um interestadual só que dessa vez foi em Curitiba entre Rio de Janeiro vs Curitiba, a cidade campeão foi Curitiba. Ainda na década de 80, começa a nascer a primeira turma de atletas do Grão Mestre Luiz Alves entre eles estava o Mestre Artur Mariano. &lt;br /&gt;1987 foi fundada a primeira Federação da Historia do Brasil de Muay Thai, a Federação Carioca de Muay Thai, fundada pelo Grão Mestre Luiz Alves. O Muay Thai vinha crescendo de uma forma muita forte e sólida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1994 até 1998 foi um momento difícil para o Muay Thai brasileiro, muitos professores da modalidade largaram para trabalhar com outros segmentos e outros para trabalhar com o Boxe. A modalidade passava por muitas dificuldades, os alunos já não lotavam as academias como antes, os patrocínios para os eventos já não existia,.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1999 atletas de Jiu Jitsu e praticantes de MMA se rendiam as técnicas do Muay Thai.&lt;br /&gt;Procurando muitos professores da modalidade, o Muay Thai voltava a evidencia pelos atletas de outras modalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2000 Mestre Artur Mariano chegava da Holanda onde passou dois anos treinando e lutando a modalidade e com a autorização do Grão Mestre Luiz Alves ingressava na Federação Carioca de Muay Thai como Presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2003 acontecia o primeiro evento de MMA a colocar lutas de Muay Thai num evento de Mix Martial Arts. O evento Knock MMA e Muay Thai fazia uma abertura de quatro lutas de Muay Thai e seis de MMA.&lt;br /&gt;O promotor responsável na parte de lutas era o Mestre Artur Mariano.&lt;br /&gt;A partir daí outros eventos começaram a enxergar a força da modalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2004 a Confederação Brasileira de Muay Thai fazia um mega evento dentro do Tijuca Tênis Clube no Rio de Janeiro. Nesse evento a CBMT teve um prejuízo financeiro, que abalou a entidade. Nesse mesmo ano a Confederação seguia para Belém do Pará, pois fazia um circuito nacional, passando nas principais localidades onde o Muay Thai era forte. O evento conseguiu se bancar mas a entidade não agüentou o baque sofrido a meses atrás no Tijuca Tênis Clube e teve que parar com os eventos para rever os acontecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2006 acontecia uma reunião que iria definitivamente mudar os ramos do Muay Thai no Brasil, os principais dirigentes da CBMT, Grão Mestre Luiz Alves e o Secretário Geral Nacional Mestre Artur Mariano, definiram os novos rumos da modalidade, tendo uma linha de simplicidade e clareza. Através desta metodologia foi feito eventos sem glamour em lugares simples, mas com a preocupação com a integridade dos atletas, trazia sempre dentro dos eventos médico e ambulância e com uma premiação com um medalhão com o brasão da entidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2007 o ano que veio mostrar a força da entidade na administração do Muay Thai no Brasil. Com eventos em dois em dois meses foram feitos o Brasil GP, Copa do Brasil, Copa dos Campeões, Copa Luiz Alves, Brasileiro de Estreantes e Brasileiro Finais onde foi definido os campeões Brasileiros de 2007.&lt;br /&gt;Nascia o primeiro jornal exclusivo para o Muay Thai no Brasil, o Muay Thai News, um informativo da CBMT.&lt;br /&gt;Pelos trabalhos prestados pela CBMT, rendeu aos dirigentes Grão Mestre Luiz Alves e o Mestre Artur Mariano a maior comenda esportiva da cidade a medalha Pan-americana da câmara municipal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;Os dois dirigentes receberam um convite da editora On line para escrever um livro técnico de Muay Thai onde foi lançado no mês de Abril.&lt;br /&gt;Nesse mesmo ano a Ministério dos Esportes fechou uma parceria com a CBMT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008 através do que foi mostrado a Confederação Brasileira de Muay Thai ganhou uma credibilidade muito difícil de ser conquistada num pais que não existe apoio a esportes amadores. Consquistando que o Ministério dos Esportes liberasse bolsa atleta para os campeões de 2008, um núcleo de treinamento de excelência para CBMT onde atletas filiados poderão treinar sem custo algum, para ser implantado nesse ano.&lt;br /&gt;Fechou parceria com grandes marcos como a ECKO Unltd, Pretorian, Vizzo Wall entre outras.&lt;br /&gt;Hoje o Muay Thai é uma unanimidade das lutas em pé, a Confederação Brasileira de Muay Thai conquistou um espaço de credibilidade jamais conquistado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://www.cbmuaythai.com.br/</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/6361526353074062989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/historia-do-muay-thai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6361526353074062989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6361526353074062989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/historia-do-muay-thai.html' title='Historia do Muay Thai'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgktYq4AcTGt3pMI9a4dJ4k9xKHa9FELfyQYxPwVCC_-bvuO3loYxMhyphenhyphenCI7HhE-I7YLoehdbnl59veypcSZ6Vwk_Bhv9wwT7Vn_7YxAJ_7NTQZFyLGeR66BYRj5vWnr_tS10VZx5xzv-CY/s72-c/thai%255B1%255D.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-2640123641620127592</id><published>2010-12-09T23:28:00.002-02:00</published><updated>2010-12-09T23:31:07.513-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História do Brasil"/><title type='text'>Levante dos Malês: Guerreiros de Alá na Bahia</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAqNkFQciNCNAxlnmy3ucQgOJkTAq3dnRbH26fTkRi8u3oZYFvx9oqWATTwxlMMon2vaQFBAOE6xdmEwJHZf2BAkNUi7CO15Z_S4Pn3L3hWCF-L-R2gF65ee-rI9ylFl58UvFBlDutil4/s1600/revolta_dos_males.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 278px; height: 230px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAqNkFQciNCNAxlnmy3ucQgOJkTAq3dnRbH26fTkRi8u3oZYFvx9oqWATTwxlMMon2vaQFBAOE6xdmEwJHZf2BAkNUi7CO15Z_S4Pn3L3hWCF-L-R2gF65ee-rI9ylFl58UvFBlDutil4/s320/revolta_dos_males.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5548859935617765826&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os poucos soldados da polícia de Salvador que foram acompanhar o que parecia outra averiguação de rotina sobre escravos rebeldes, numa madrugada sonolenta de janeiro de 1835, provavelmente tiveram a pior surpresa de suas vidas ao dar de cara com aquela cena. De espada em punho, um bando enfurecido de uns 50 homens negros partiu para cima dos incrédulos policiais, gritando “mata soldado” e palavras de ordem em idiomas africanos. De repente, o papel de escolta do juiz de paz Caetano Galião, que comandava a diligência, deu lugar a uma reação desesperada para tentar salvar a própria pele. Carregando afobados as espingardas, os soldados nada puderam fazer para impedir o avanço dos guerreiros africanos, que mataram um patrulheiro e feriram outros quatro, ganhando a seguir as ruas da cidade. Começava o que ficaria conhecido como “levante dos malês”, uma rebelião comandada por muçulmanos em plena Bahia.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esse primeiro esquadrão de revoltosos, impelido a começar o levante algumas horas antes do combinado devido à delação de outros africanos, alertou os demais grupos malês da cidade para se unirem ao combate. No fim das contas, centenas de muçulmanos e seus aliados enfrentaram o Exército nas ruas de Salvador durante a madrugada, no que foi a maior revolta urbana de escravos das Américas. A documentação da época sobre o levante não é muito clara quanto ao objetivo final dos rebeldes, mas há indícios de que eles pretendiam implantar um Estado comandado por africanos islâmicos, no qual até os negros e mulatos nascidos no Brasil teriam um status subalterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, as investigações do governo baiano sobre o levante foram revelando uma rede clandestina de propaganda islâmica, que unia os escravos que já tinham vindo da África como muçulmanos a outros convertidos no Brasil e a africanos adeptos de outras religiões. Graças ao ambiente um pouco menos sufocante da escravidão urbana na Bahia, os malês conseguiram criar uma organização rebelde bem diferente da representada pelos quilombos, em geral formados por escravos que escapavam de grandes propriedades rurais. “A maioria das mais de 20 conspirações e levantes escravos acontecidos na Bahia na primeira metade do século 19 envolveu escravos rurais dos engenhos do Recôncavo”, afirma o historiador João José Reis, da Universidade Federal da Bahia, autor de Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, 1835, um dos principais estudos sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A África e o Brasil que produziram a rebelião malê eram bem diferentes da situação que favoreceu a existência do quilombo de Palmares por quase 100 anos durante o século 17. E isso a começar pela própria região de origem dos negros trazidos para a Bahia no final do século 18 e começo do 19. Em vez das tribos de agricultores angolanos que predominavam no início da colonização, a principal fonte de novos escravos para Salvador e os engenhos de açúcar baianos eram os belicosos reinos da África Ocidental, onde hoje é a Nigéria. “Eram as civilizações mais desenvolvidas da África negra”, afirma o historiador Décio Freitas, ex-professor da Universidade Federal de Alagoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donos de tecnologia comparável à da Europa medieval e totalmente integrados às rotas de comércio que uniam a África ao Ocidente, povos como os iorubás, os jejes e os haussás chegaram a formar Estados poderosos, muitos deles já influenciados pelo islamismo. Contudo, naquela época, tais nações não estavam durando muito, dizimadas por uma série catastrófica de conflitos. O destino dos guerreiros derrotados ou o de sua família tanto podia ser o trabalho de pastor escravo no reino iorubá de Oyo, quanto a terrível travessia do Atlântico rumo à Bahia. A moeda que pagava essa viagem sem volta normalmente era o fumo baiano. “É graças a esse rentável comércio de fumo que a Bahia foi a única região do Brasil a receber escravos sudaneses em grande quantidade”, diz Décio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito para que os senhores de escravos percebessem que estavam dormindo com o inimigo, já que décadas de guerras internas ou contra Estados rivais haviam forjado uma forte tradição guerreira entre os africanos recém-chegados. Para João Saldanha da Gama, o conde da Ponte, governador português da província entre 1805 e 1810, os novos escravos pertenciam a “Naçoens as mais guerreiras da Costa Leste” e eram uma séria ameaça à paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de alguns anos, contudo, os baianos se viram às voltas com problemas ainda mais sérios. No rastro da independência do Brasil, foi preciso retomar em combate a própria Salvador das mãos dos portugueses, e a província toda, assim como diversas outras regiões do país, virou palco dos conflitos entre brasileiros e portugueses que permaneceram aqui, sem falar nas rebeliões militares e nas revoltas das camadas mais pobres da população contra a crise econômica. O cheiro de insurreição contra os impopulares regentes, que estavam no poder enquanto o jovem dom Pedro II ainda era menor de idade, estava tão forte no ar que o levante dos malês explodiu no mesmo ano que a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, e a Cabanagem, no Pará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se não bastasse todo esse fermento revolucionário, boa parte dos escravos de Salvador (dos quais 63% tinham nascido na África) gozavam de um grau de liberdade insuspeito. É que, diferentemente dos negros que se esfalfavam nos engenhos, muitos deles nem moravam com seus senhores ou, quando isso acontecia, trabalhavam o dia todo fora de casa. Era a chamada escravidão de ganho, na qual os escravos exerciam os mais variados ofícios (vendedores ambulantes, pescadores, pedreiros, carregadores de cadeiras) para sustentar o próprio dono, trazendo-lhe depois o que conseguiam trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livres na cidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns até podiam ficar com uma porcentagem (ridícula, obviamente) do que ganhavam, e com esse dinheiro compravam mais tarde a própria alforria. Além de gerar um número considerável de libertos (que incluía também os que eram libertados pelo patrão por qualquer que fosse o motivo), esse sistema permitia que os negros montassem sua própria rede de amizades e contatos. Entre os malês, por exemplo, não era raro encontrar um liberto morando no andar térreo de um sobrado que alugava a sua “loja” (uma espécie de porão das antigas casas coloniais) para um escravo e este, por sua vez, alugava um cantinho do lugar a outro amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi graças a isso tudo que a revolta começou a tomar forma em Salvador. Inadvertidamente, os traficantes de escravos acabaram trazendo para as praias baianas não só guerreiros experientes, mas também pessoas que freqüentaram escolas onde se ensinava a ler e escrever em árabe, a recitar as suras ou versículos do Corão e a seguir os demais preceitos do profeta Maomé. A maioria dos que tomaram parte no levante parece ter sido de origem iorubá (ou nagô, como se dizia na Bahia de então), etnia africana criadora da religião dos orixás, mas entre a qual o Islã estava em expansão no começo do século 19. A própria palavra “malê” parece vir do termo iorubá imale, que quer dizer “muçulmano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sujeitos como os escravos iorubás Ahuna e Pacífico Licutan, pessoas experientes, muito cultas e carismáticas, logo se puseram a unir em torno de si seus companheiros que já eram muçulmanos e a espalhar a palavra de Maomé entre outros escravos. Essa pregação incluía ensinar a ler e escrever em árabe, a recitação de passagens do Corão e a distribuição de pequenos amuletos de couro, recheados com trechos do livro sagrado. Esses talismãs foram muito difundidos e eram considerados poderosos até por quem não era islâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, a idéia de uma revolta só foi tomando corpo devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, os malês se contentavam em organizar um fundo comum para pagar alforrias uns dos outros, ou em se reunir para celebrar sua religião. Segundo João José Reis, o grupo chegou até a construir uma espécie de mesquita – uma palhoça no quintal dos fundos do inglês conhecido como Abraham, senhor dos escravos malês James e Diogo. Ali, eles conseguiram celebrar o Lailat al-Miraj, festa que comemora a ascensão de Maomé ao céu, no final de novembro de 1834. Tudo ótimo, se não fosse o aparecimento do inspetor de quarteirão Antônio Marques, que pôs os pobres malês para correr e denunciou a reunião às autoridades baianas. Abraham, tentando evitar problemas para si próprio, ordenou que seus escravos pusessem a mesquita abaixo. “Não é impossível que essa última humilhação tenha sido o estopim da revolta”, afirma João Reis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto a união em torno do Islã quanto a solidariedade étnica influenciaram os rebeldes. Para Décio Freitas, foi o cimento religioso que conseguiu unir povos diferentes e até inimigos entre si no mesmo levante. “O grande problema dos africanos aqui é que eles eram muito diferentes uns dos outros. Em Palmares, foi preciso até inventar uma nova língua, com base em vários idiomas africanos e no português. Uma religião universal como o Islã conseguiu aglutiná-los”, diz Décio. Mesmo assim, era difícil esquecer as velhas divisões. “Em 1835, nem todo muçulmano entrou na revolta e nem todo rebelde era muçulmano”, diz João José. Segundo ele, os haussás, por exemplo, que constituíam o grupo étnico mais numeroso entre os mais islamizados, compareceram com poucos guerreiros. O movimento foi levado a cabo sobretudo por muçulmanos de origem iorubá, os nagôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse contorno étnico da revolta permitiu, por seu turno, que muitos nagôs não-islamizados, mas que acreditavam na solução armada para a liberdade e na força protetora dos amuletos malês, entrassem no levante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerreiros do Ramadã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, não poderia haver data mais religiosa para a revolta. O dia 25 de janeiro, um domingo, era a festa de Nossa Senhora da Guia, mas também o dia 25 do mês muçulmano do Ramadã – época do ano consagrada ao jejum, na qual acreditava-se que espíritos malignos e forças do mal eram neutralizadas. O plano era simples: ao amanhecer, a vanguarda dos rebeldes, espalhada por vários grupos menores na cidade, reuniria o maior número possível de africanos e depois iria se juntar aos adeptos da zona rural do Recôncavo. A idéia era tomar o poder matando todos os nascidos no Brasil, inclusive outros negros, embora alguns depoimentos falem em conservar os mulatos como escravos dos vitoriosos. O inimigo principal, é claro, eram os brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informações sobre o levante, porém, vazaram no começo da noite anterior, por meio de alguns libertos que, sabendo do plano, o denunciaram a seus ex-senhores. Estes, por sua vez, alertaram o presidente da província da Bahia, Francisco de Souza Martins. Sem perder um segundo de tempo, ele reforçou a guarda do palácio do governo, colocou todos os quartéis da cidade em alerta e redobrou as rondas noturnas. As casas de africanos suspeitos começaram a ser reviradas no início da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que explodiram os confrontos, por volta da 1h30 da manhã, na “loja” onde morava Manoel Calafate, um dos líderes malês. Tentando arrombar a casa onde parte dos conspiradores se reunia, a patrulha ficou impotente diante dos muitos guerreiros muçulmanos, armados de espadas e vestindo o abadá, espécie de camisolão branco que era o traje ritual dos malês. A maioria deles subiu a Ladeira da Praça, onde estava o sobrado de Calafate, enquanto outros pularam o muro dos fundos e seguiram outro caminho. Ambos os grupos tentavam acordar e reunir o maior número possível de adeptos do movimento, muitos dos quais ficaram desnorteados com o início precoce do levante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parada foi a praça do Palácio. A intenção dos malês era arrancar da cadeia seu líder Pacífico Licutan, preso para ser leiloado por causa de uma dívida de seu senhor. Má idéia: os guardas da prisão, que ficava no subsolo da Câmara Municipal, se entrincheiraram e disparavam sem parar sobre os africanos, que também ficaram sob fogo cerrado dos guardas do palácio governamental. Os rebeldes mataram só um dos guardas palacianos e saíram dali, recebendo reforços de todos os lados. Uma tentativa de tomar o quartel do convento de São Bento repetiu o que acontecera na prisão: os soldados se fecharam dentro da fortaleza e acabaram repelindo os malês. A essa altura, alguns deles já tinham morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desse último combate, o grupo conseguiu se reorganizar perto do convento das Mercês, para onde se dirigiram mais malês vindos do bairro da Vitória, muitos deles escravos de uma colônia de ingleses do lugar. O ataque seguinte dos malês, que já contavam centenas de guerreiros, foi sobre o quartel de polícia no largo da Lapa. Tudo conforme o figurino de novo: dos 32 guardas, dois foram mortos, enquanto os demais recuaram para o interior do quartel e, à bala, impediram que os malês o tomassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após mais algumas escaramuças, os rebeldes viram que aquilo não estava funcionando. Decidiram deixar a cidade e buscar seus companheiros que viviam no Recôncavo, mas no meio do caminho havia um quartel da cavalaria baiana, numa localidade chamada Água de Meninos. Tentando passar, foram recebidos com uma saraivada de balas e forçados a combater a cavalaria lá fora, enquanto agüentavam os disparos dos soldados a pé dentro do quartel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um massacre. Uma primeira carga de cavalaria dispersou o grupo inicial de 50 ou 60 africanos e passou a caçá-los pela estrada. Logo chegaram mais malês, mas não dava para suportar por muito tempo os tiros ininterruptos que vinham do quartel, ainda mais com o baixíssimo número de armas de fogo de que dispunham os rebeldes. Um segundo ataque dos soldados montados encerrou qualquer resistência. No total, cerca de 70 rebeldes tinham morrido, contra apenas nove soldados e civis baianos. Bem antes de amanhecer, tudo estava terminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saldo da derrota&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A devassa que se seguiu puniu cerca de 500 africanos, mas como muitos processos estão incompletos é difícil identificar a sentença de todos eles. Apenas quatro foram condenados à morte, já que isso acarretaria prejuízos sérios a seus senhores, que recorreram quase invariavelmente desse tipo de sentença. Muitas chibatadas, em geral na casa das centenas, aguardavam 45 deles, enquanto 34 foram deportados de volta à África. É difícil especular qual teria sido o destino da rebelião, se ela tivesse sido vitoriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso não fica claro, exceto que seria uma sociedade controlada pelos africanos, possivelmente pelos nagôs islamizados. Mas eles não conseguiriam manter-se no poder sem alianças sólidas com outros grupos étnicos e sobretudo com os numerosos nagôs adeptos do culto aos orixás”, diz João José. “A delação certamente selou a sorte dos rebeldes mais cedo, mas os fatores se encontram tanto entre os africanos como entre seus adversários. Além de mais bem armados, estes estavam unidos quando se tratava de dar combate aos africanos, para o que contavam com brasileiros de todas as classes e cores, escravos ou não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O controle sobre os escravos cresceu na Bahia, mas a revolta também ajudou a impor uma redução do tráfico negreiro e, finalmente, sua extinção em 1850, por medo de que mais africanos se unissem como os malês. Segundo João José, os escravos baianos ganharam fama de rebeldes e, de certa forma, isso pode ter aumentado seu poder de barganha junto aos senhores. “O medo foi uma conseqüência nada desprezível que a revolta de 1835 conseguiu fincar por muito tempo na mente senhorial”, afirma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/guerra/levante-males-guerreiros-ala-bahia-433433.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/2640123641620127592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/levante-dos-males-guerreiros-de-ala-na.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2640123641620127592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2640123641620127592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/levante-dos-males-guerreiros-de-ala-na.html' title='Levante dos Malês: Guerreiros de Alá na Bahia'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAqNkFQciNCNAxlnmy3ucQgOJkTAq3dnRbH26fTkRi8u3oZYFvx9oqWATTwxlMMon2vaQFBAOE6xdmEwJHZf2BAkNUi7CO15Z_S4Pn3L3hWCF-L-R2gF65ee-rI9ylFl58UvFBlDutil4/s72-c/revolta_dos_males.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-2558701688260540750</id><published>2010-12-09T23:17:00.003-02:00</published><updated>2010-12-09T23:22:54.940-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>A Criação de Israel: duas visões conflitantes</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzb4z7vJqblU7QUElio3kUzVMv6aRPLztQvJ3PuAin4U1bLi9RK02fkD8ZRRnz7za2pykKptxsvff_rVNPbfp9Mlr4ZRi1yC4agv91DoKHTHT0wnegMkTIdfr2pPNj92gI5TuZ7owi3qw/s1600/palestina-200x200.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzb4z7vJqblU7QUElio3kUzVMv6aRPLztQvJ3PuAin4U1bLi9RK02fkD8ZRRnz7za2pykKptxsvff_rVNPbfp9Mlr4ZRi1yC4agv91DoKHTHT0wnegMkTIdfr2pPNj92gI5TuZ7owi3qw/s320/palestina-200x200.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5548857747697879426&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se existe uma lição filosófica inconfundível na criação do Estado de Israel, é esta: o significado de um fato histórico depende do olho de quem o vê. Para boa parte do mundo (incluindo a maioria dos judeus ao redor do planeta, claro) a fundação de Israel foi um feito heróico, uma proeza épica, a culminância de um sonho milenar, que inflamou o coração de gerações e gerações de hebreus desde os tempos da Diáspora. Para os árabes palestinos, no entanto, foi uma catástrofe. Até hoje, eles relembram o ano de 1948 como &quot;El-Nakba&quot; - ou &quot;a desgraça&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A versão israelense&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Espalhados pelo mundo desde os tempos do Império Romano, os judeus mantiveram vivas sua cultura e religião e nunca deixaram de sonhar com o retorno à Terra Santa. &quot;Durante mais de 3,7 mil anos, eles mantiveram o vínculo espiritual com sua pátria histórica&quot;, escreve o historiador Mitchell G. Bard em Mitos e Fatos - A Verdade sobre o Conflito Árabe e Israelense, obra que mostra a versão oficial de Israel para as origens da briga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho do regresso ganhou ares de necessidade política na segunda metade do século 19. O anti-semitismo estava crescendo e perseguições multiplicavam-se pela Europa. Por volta de 1890, um grupo de intelectuais europeus de origem hebraica decidiu que seu povo só poderia sobreviver, se pudesse governar a si mesmo - ou seja, criando um país. O movimento ganhou o nome de sionismo (em homenagem a Sião, um dos antigos nomes de Jerusalém) e teve sua figura de proa no judeu austro-húngaro Theodor Herzl (1860-1904), que hoje é um herói quase mítico para os israelenses. Foi Herzl quem lançou a semente que mais tarde germinaria em Israel. No livro O Estado Judeu, de 1896, ele propôs a criação de um país soberano, governado e habitado por judeus, na antiga Terra Santa - que os judeus chamavam de Eretz Israel, ou Terra de Israel, e os árabes de Filistin ou Palestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1897, na cidade suíça de Basiléia, os expoentes do sionismo promoveram seu primeiro congresso e criaram a Organização Mundial Sionista, que passou a patrocinar e incentivar a emigração judaica para a Palestina. A idéia de reerguer a antiga Israel das cinzas do passado espalhou-se pelas comunidades judaicas ao redor do mundo com uma labareda idealista. Muitos judeus religiosos acreditavam que a Terra Santa lhes pertencia por decreto divino - afinal de contas, segundo a Torá, Deus passara a escritura de todo o território para Abraão. Outros tinham aspirações mais práticas do que teológicas: queriam ser livres e escapar da Europa o mais rápido possível. O sionismo também foi inflamado pela força crescente dos nacionalismos regionais e a idéia de que todos os povos tinham direito à autodeterminação, que se espalhou pela Europa a partir de 1850.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do século 19, havia cerca de 20 mil judeus na Palestina, cujos ancestrais haviam conseguido driblar a expulsão romana e conviver com os árabes ao longo de séculos. Até 1947, o número aumentaria vertiginosamente. Mais de meio milhão de judeus desembarcaram na região, vindos principalmente da Europa - muitos deles fugindo dos nazistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recém-chegados à Palestina, os judeus fundaram comunidades de agricultores de feitio socialista (os kibutz) e passaram a lutar pela criação de seu Estado. A princípio negociaram e depois compraram briga com os britânicos, que na época faziam um jogo duplo, ora comprometendo-se com os interesses sionistas, ora fazendo promessas de independência total aos árabes. A partir de 1945, militantes sionistas passaram a atacar as tropas de ocupação, realizando inclusive atentados terroristas. Outra frente de batalha foi contra os árabes da Palestina, que reagiram com violência à chegada dos imigrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência cresceu até que, em 1947, a Inglaterra resolveu tirar o pé desse barril de pólvora. O governo britânico anunciou que encerraria sua presença militar na Terra Santa e deixaria que árabes e judeus resolvessem seu destino. Naquele mesmo ano, a Organização das Nações Unidas decidiu que a melhor maneira de decidir o impasse era dividir a antiga província otomana em dois pedaços. Em uma assembléia presidida pelo diplomata gaúcho Oswaldo Aranha, a ONU instituiu o Plano de Partilha: 55% da região ficaria com os judeus, e 45% com os árabes. Em 14 de maio de 1948, os sionistas, liderados pelo legendário Davi Ben Gurion, fundaram o Estado de Israel, com capital em Tel Aviv, na fatia concedida pela ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que o mundo esperava, a Partilha não terminou com a disputa - apenas a agravou. Nas décadas seguintes, Israel iria se envolver em uma série de guerras contra seus vizinhos. Para os sionistas, a culpa foi dos árabes, que não aceitaram a divisão da Palestina e tentaram destruir o estado de Israel. &quot;Ficou claro que era impossível uma solução política para o conflito por um fato simples: os árabes não aceitavam a existência de um estado judeu na Palestina, enquanto que os sionistas jamais se contentariam com menos do que isso&quot;, escreve Bard. Já a história contada pelos árabes é bem diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A versão palestina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século 19, quando propagava a idéia da migração em massa para o Oriente Médio, o movimento sionista cunhou um slogan famoso: &quot;a Palestina é uma terra sem povo para um povo sem terra&quot;. A idéia de que o local estava vazio, à espera de colonos judeus, deixava os árabes palestinos furiosos. &quot;Muitos sionistas ignoravam o fato de que a Palestina era habitada por mais de meio milhão de árabes no início do século 20 - e que, para eles, aquela terra era o seu lar&quot;, diz o relatório &quot;Origens e Desenvolvimento do Problema Palestino&quot;, produzido por especialistas e observadores da ONU na década de 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os palestinos, a imigração maciça de judeus era uma invasão colonialista. &quot;Eles não tinham muitos problemas com os judeus naturais da Palestina, que lá estavam havia séculos e tinham vínculos culturais com seus vizinhos árabes. Mas aqueles que vinham da Europa, com aparência e costumes europeus, eram vistos como colonizadores estrangeiros&quot;, diz Paulo Vicentini, especialista em relações internacionais e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Além do mais, nem todos os judeus nascidos na Palestina eram sionistas - ao passo que todos os asquenazes (judeus vindos da Europa) estavam lá com o firme intento de criar um estado. Dividir a região em dois pedaços, pensavam os árabes, equivalia a entregar metade do país a forasteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior medo dos palestinos era perder suas terras, já que a maior parte deles vivia da agricultura. Temiam que milhares de famílias tivessem de abandonar suas casas e vilas para dar lugar aos colonos judeus. Muitos desconfiavam que os líderes sionistas não se contentariam com metade da Palestina e planejassem, em segredo, conquistar toda a Terra Santa. &quot;Os sionistas sabiam que o território concedido a Israel pela ONU não era grande o bastante para acolher todos os judeus&quot;, diz Vicentini. Mesmo havendo sionistas dispostos a ficar só nos 55% acertados pela ONU e a acender o narguilé da paz, a evolução dos eventos acabou descambando para uma ladeira trágica, e o pior dos medos árabes virou realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os palestinos, a partilha da ONU tinha um feitio absurdo. Primeiro, achavam a divisão desproporcional: mais da metade da região foi dada ao grupo minoritário, que ainda por cima era formado principalmente por imigrantes (os sionistas respondem que a vantagem territorial era ilusória: boa parte das terras de Israel era desértica). Outro ultraje aos olhos árabes: os territórios dos palestinos estavam picotados, com três fatias separadas umas das outras. A população era de 800 mil árabes, com 10 mil judeus espalhados em vilas dispersas - já na porção que ficou para Israel, havia entre 397 mil e 497 mil árabes, contra 500 mil a 538 mil judeus. &quot;Era óbvio que os sionistas deveriam aceitar uma eventual maioria de árabes em Israel ou expulsá-los do país. Não havia outra escolha&quot;, escreve o historiador Michael Palumbo em The Palestinian Catastrophe (&quot;A Catástrofe Palestina&quot;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após a criação de Israel, os vizinhos árabes resolveram entrar na briga e cometeram o que muitos historiadores até hoje consideram um erro estratégico: mandaram a diplomacia às favas e fizeram soar as trombetas da batalha. &quot;Todos os caminhos que tentamos para a paz fracassaram. Não nos resta nada além da guerra. Terei a honra e o prazer de salvar a Palestina&quot;, anunciou Abdullah, rei da Jordânia, em 26 de abril de 1948. Um mês depois, exércitos de cinco países árabes (Líbano, Iraque, Jordânia, Síria e Egito) vestiram seus turbantes, empunharam suas metralhadoras e marcharam contra o inimigo recém-nascido. Começava, oficialmente, a primeira guerra entre árabes e judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o ataque iniciado pelo rei da Jordânia e seus aliados de nada serviu para ajudar os primos palestinos. Ao contrário: apenas selou sua ruína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/2558701688260540750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/criacao-de-israel-duas-visoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2558701688260540750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2558701688260540750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/criacao-de-israel-duas-visoes.html' title='A Criação de Israel: duas visões conflitantes'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzb4z7vJqblU7QUElio3kUzVMv6aRPLztQvJ3PuAin4U1bLi9RK02fkD8ZRRnz7za2pykKptxsvff_rVNPbfp9Mlr4ZRi1yC4agv91DoKHTHT0wnegMkTIdfr2pPNj92gI5TuZ7owi3qw/s72-c/palestina-200x200.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-8600759967049274319</id><published>2010-12-08T16:29:00.002-02:00</published><updated>2010-12-08T16:33:02.642-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><title type='text'>Javé: A invenção de Deus</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4u83gLZOyio1GoHNFokMnIzbQZ_-MLmj77Ddr5avrETAujPd99BhP3ToHDEpuzNpF0g4dhX3GHbgdk8ni_OMUs0E3OkaknFy_kHXr0K8uHFuAzvLaL6rgWIVJp_WsYkk_7j_95WtxCAc/s1600/michelangelo.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4u83gLZOyio1GoHNFokMnIzbQZ_-MLmj77Ddr5avrETAujPd99BhP3ToHDEpuzNpF0g4dhX3GHbgdk8ni_OMUs0E3OkaknFy_kHXr0K8uHFuAzvLaL6rgWIVJp_WsYkk_7j_95WtxCAc/s320/michelangelo.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5548381217037719570&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O todo-poderoso deus do Sol Amon-Rá, um dos criadores do mundo no antigo Egito, não passa hoje de mera curiosidade arqueológica. O mesmo fim levaram outros deuses egípcios, como Osíris e sua mulher Ísis. Tiamat e Apsu, deuses da criação na Mesopotâmia, também foram relegados ao ostracismo. Zurvan, o deus do tempo na Pérsia antiga, não conseguiu acompanhar o passar dos séculos com a mesma força. E os grandes deuses gregos e romanos, como Zeus (Júpiter, para os romanos), Afrodite (Vênus) e Apolo (Marte), apesar de gozarem ainda de status literário e mitológico no Ocidente, não são levados mais a sério como divindades – a não ser em episódios de desenhos animados como Os Superamigos, onde ainda são invocados por personagens como o Super-Homem, a Mulher-Maravilha e outros membros da Sala de Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse, definitivamente, não é o caso de Javé. O deus bíblico criador do céu e da terra segundo o Gênesis continua reinando absoluto para mais de 3 bilhões de judeus, cristãos e muçulmanos (ainda que estes últimos o chamem de Alá). Mesmo que você seja ateu, Javé continua moldando boa parte de sua vida. Afinal, a imagem de um ser todo-poderoso, masculino, onipotente, pai, permeia a cultura, o comportamento e a ética do Ocidente. Mas como a idéia de um único deus, cultuado inicialmente por pequenas tribos do Oriente Médio, viria a mudar a história do planeta? Como Javé superou os deuses dos maiores impérios da Antiguidade?&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Deuses e Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ninguém saber ao certo o momento em que os homens passaram a cultuar deuses, a maioria dos arqueólogos e antropólogos concorda que esse é um traço comum de todas as civilizações. Como escreveu a historiadora das religiões Karen Armstrong em seu livro Uma História de Deus, “parece que criar deuses é uma coisa que os seres humanos sempre fizeram. E, quando uma idéia religiosa deixa de funcionar para eles, simplesmente a substituem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras imagens de deuses esculpidas em pedras há mais de 10 mil anos na Europa, no Oriente Médio e na Índia em nada se parecem, contudo, com o velho barbudo e musculoso dos afrescos que Michelangelo pintou na Renascença. São imagens de mulheres nuas, gordas, grávidas e de seios fartos que simbolizavam a fertilidade – algo natural, segundo os arqueólogos, numa época em que a agricultura estava se desenvolvendo. Com o tempo, essa deusa mãe da fertilidade ganharia vários nomes: Inana na antiga Suméria, Ishtar na Babilônia, Anat em Canaã, Ísis no Egito e Afrodite na Grécia. E quase sempre dividia lugar com outros deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Grécia antiga, espécie de matriz do mundo ocidental, mais de uma dezena de deuses eram cultuados pelos cidadãos. Nenhum deles, contudo – incluindo o poderoso Zeus – era tão gigante, distante e sobrenatural como o deus da Bíblia. Para os gregos, os deuses não eram figuras imaculadas e perfeitas, mas apenas uma das “três raças” que habitavam o mundo, ao lado dos animais e dos homens. “Eles eram espécies de super-homens com qualidades e defeitos bem semelhantes aos nossos. Com a diferença, é claro, de que eram imortais”, diz o historiador e arqueólogo Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas. Até mesmo a morada deles em nada se assemelha ao céu sobrenatural do deus bíblico. Para os gregos, ao menos 12 desses deuses viviam no monte Olimpo, uma montanha de verdade localizada na Grécia, com quase 3 mil metros de altitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por estarem mais próximos dos homens, a relação dos gregos com os deuses era semelhante à relação de alguns católicos com seus santos de preferência. Cada um deles tinha um papel bem definido e as oferendas seguiam a lógica das promessas: em troca de ofertas ao seu deus predileto, os devotos esperavam que sua parte no pacto fosse cumprida. Quando isso não acontecia, era comum que os deuses fossem criticados abertamente – assim como um empregado critica seu patrão por não ter retribuído seu esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adotados pelos romanos com outros nomes, esses deuses da Grécia logo se tornaram parte do ritual cívico do novo império que não parava de se expandir. Como os deuses não eram entidades imaculadas – e sim um tipo de homens superpotentes –, era comum atribuir a alguns imperadores (as pessoas mais poderosas à época) uma origem divina. Na prática, os rituais da administração pública costumavam se mesclar às cerimônias religiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, desde que os povos dominados pelos romanos que seguissem outras religiões pagassem seus impostos e não desafiassem o comando romano, seus cidadãos tinham o direito de seguir os deuses de sua preferência. Quando os romanos conquistaram a região que hoje faz parte de Israel, no século 1 a.C., eles inicialmente não fizeram muito caso com o culto dos judeus a um deus único no Templo de Jerusalém. Naquele tempo, ninguém podia ainda imaginar que o deus dos judeus seria levado, quatro séculos depois, para o centro do maior império do Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que deus era esse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus tribal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as Escrituras, o pacto entre os judeus e Javé teria começado com um homem chamado Abraão, há cerca de 4 mil anos. Conta a tradição que ele foi chamado por Deus para deixar a cidade de Ur, na Mesopotâmia (atual Iraque), para fundar uma nova nação em uma terra desconhecida. Mais tarde, essa terra prometida seria chamada de Canaã. Ao obedecer e firmar uma aliança com esse deus único, Abraão recebeu a promessa de que sua “semente” iria prosperar por toda a Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deus que aparecera para Abraão é completamente diferente dos deuses gregos e romanos. Ele não compartilhava da condição humana e se colocava na posição onipotente de poder fazer qualquer exigência que quisesse. Qualquer uma mesmo. No caso de Abraão, por exemplo, Javé ordenou que seu filho Isaac fosse sacrificado pelo próprio pai como prova de sua fé. O resto da história é conhecida: no momento em que Abraão já estava com a faca em punho, Javé recuou do pedido e disse que tudo não passara de um teste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo, quem lê o Antigo Testamento (o Pentateuco, para os judeus) sabe que Javé não guarda semelhanças com o pai dócil ou amoroso que mais tarde o cristianismo iria propagar. “É um deus brutal, parcial e assassino: um deus de guerra, que seria conhecido como Javé Sabaoth, Deus dos Exércitos”, escreveu a historiadora Karen Armstrong. “É passionalmente partidário, tem pouca misericórdia pelos não favoritos, uma simples divindade tribal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova disso seriam as passagens como a que Javé manda pragas aos egípcios. Em outras, Javé se mostra até arrependido de sua criação, como quando ordenou a morte por afogamento de toda a humanidade por meio do dilúvio do qual só escapou a família de Noé e os animais que ele pôs em sua arca – isso antes ainda da aliança feita com Abraão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante essa fase, Javé parece mais preocupado em ameaçar a raça humana para que ela não se desvie de suas instruções. Talvez seja por isso que o pacto de Abraão precisou ser reforçado por outros patriarcas. Caso de Moisés, para quem Deus preferiu escrever diretamente seus mandamentos nas tábuas do profeta, não deixando dúvidas sobre suas intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, quando os romanos chegaram a Israel, o deus do Templo de Jerusalém parecia muito mais rigoroso e cheio de exigências que os deuses gregos. Mesmo para os romanos, que admiravam a tradição judaica pela consistência de suas escrituras, a conversão àquele deus era uma tarefa nada fácil. “Como era necessário seguir uma série de regras, que iam da alimentação à circuncisão, poucos romanos eram atraídos para o judaísmo”, afirma o historiador André Chevitarese, professor de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Até que, no século 1, o advento de uma nova seita dentro do judaísmo iria tornar Javé popular muito além das fronteiras de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus cristão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova corrente judaica defendia que Jesus de Nazaré, o galileu que acabara de ser crucificado pelos romanos, era o messias enviado por Javé para cumprir as profecias das escrituras. Não seria exagero dizer que, inicialmente, o cristianismo não passava de uma corrente judaica – ou melhor, uma ala do judaísmo, assim como um partido político tem alas que nem sempre estão afinadas com a presidência. É então que surge uma questão decisiva para o futuro de Jesus e do deus Javé. A pergunta-chave era: os convertidos ao cristianismo que não seguiam os tradicionais rituais judaicos (como a circuncisão) poderiam ser salvos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi um dos principais temas discutidos pelos cristãos numa assembléia realizada por volta do ano 49 d.C., mais tarde conhecida pelo nome de Concílio de Jerusalém. Como diz o historiador Paul Johnson em seu livro História do Cristianismo, o tal concílio foi o primeiro ato político da história da Igreja. É aí que surge uma figura decisiva para a expansão do cristianismo e, por tabela, da crença do deus único Javé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome dele era Paulo de Tarso, um homem cosmopolita recém-convertido, para quem os traços judaicos do cristianismo estavam arruinando seu trabalho de arrebanhamento de novos cristãos. Como provavelmente falava grego muito bem e era um dos poucos cristãos que conheciam diversas províncias do Império Romano, ele devia ter consciência das dificuldades que seu trabalho teria caso tivesse que obrigar os gentios a seguirem as práticas judaicas, principalmente a circuncisão. Para a maioria dos historiadores da religião, se as idéias de Paulo fossem censuradas no Concílio de Jerusalém, talvez o cristianismo permanecesse apenas como mais uma seita judaica, sem conseguir jamais a autonomia responsável pela sua expansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a idéia central de Paulo, resumida na frase de que o verdadeiro cristão se justifica pela fé “e não pelos trabalhos da lei”, prevaleceu. Os gentios podiam agora se converter sem tantos empecilhos e o cristianismo ganhou novas fronteiras. “Paulo ajudou a tirar de Jesus a imagem de um messias para o povo hebreu, transformando-o num salvador de todos os povos”, diz Chevitarese. Com isso, o deus Javé também deixou de ser um fenômeno regional, ligado apenas ao povo hebreu, para ganhar caráter universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, no ano 313, o imperador romano Constantino instruiu os governadores das províncias dominadas por Roma a dar completa tolerância aos cristãos, revogando todos os decretos anticristãos do passado, o cristianismo deu um passo decisivo para se tornar, em seguida, o credo oficial do império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a expansão da nova fé, o deus “carrancudo” ganhou uma face completamente diferente, ao menos para os cristãos. De certa forma, a crucificação de Jesus foi vista como o momento em que Javé sentiu na pele o que é ser humano. Se, no passado, foi Deus que pediu a Abraão que sacrificasse seu filho como prova de sua fé, o cristianismo invertia essa lógica: agora era o próprio Javé que tivera o filho sacrificado como prova de amor. Mesmo as mensagens atribuídas a Jesus nos Evangelhos parecem ressaltar mais o amor divino que a lei divina. “Apesar de não ser correta a idéia de que o cristianismo promovera um rompimento total com a tradição judaica, é inegável que a figura de Cristo passa a imagem de um deus bem mais marcadamente amoroso que no passado”, diz Luiz Felipe Pondé, filósofo e professor de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Na tradição judaica, em que Jesus viveu, estava muito claro que o homem devia temer a Deus acima de tudo. Com Jesus, a mensagem passa a ser amar a Deus acima de tudo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus do Islã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os muçulmanos, o acordo firmado entre Javé e Abraão renovou-se e foi ampliado no século 7, quando o mercador Muhammad (em português, Maomé) teria recebido as revelações de Deus (agora, Alá) por meio do anjo Gabriel (para eles, Jibril) – desta feita, em língua árabe. Mais tarde, as revelações foram reunidas no livro sagrado do Islã: o Alcorão (ou recitação, em árabe).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova revelação do deus dos judeus e dos cristãos vinha preencher um vazio religioso que há muito perturbava os povos da Arábia. Até então, a região também era um centro de santuários de culto a diversas divindades. O mais importante desses locais sagrados, em Meca, era a Caaba (que significa “cubo”), e seu objeto especial de veneração era uma pedra preta, fragmento de um meteoro. “Pedras desse tipo eram adoradas pelos árabes nesse tempo em diversas regiões”, escreveu o francês Maxime Rodinson na biografia Mahomet, ainda sem tradução no Brasil. Ao lado da pedra, havia representações de diversas deusas, e o santuário era uma espécie de parada obrigatória entre os mercadores da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, como escreveu a historiadora Karen Armstrong na biografia Maomé, boa parte dos árabes sentia-se um tanto renegada por nunca ter recebido uma mensagem direta e explícita de um único deus, como as revelações contidas nas sofisticadas escrituras judaicas e nos evangelhos. Por conhecerem as tradições tanto do judaísmo quanto do cristianismo, eles acreditavam que já era hora de Deus enviar um profeta com uma revelação exclusiva para os árabes. As mensagens recebidas por Maomé foram vistas como o momento em que isso aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os muçulmanos, as mensagens de Deus contidas no Antigo e no Novo Testamento foram revistas e ampliadas com o Alcorão, que deve ser consultado no lugar das revelações anteriores. No livro sagrado do Islã, o deus de Abraão volta a ser bem mais específico nos seus mandamentos que as parábolas atribuídas a Jesus nos evangelhos. Nesse quesito, Alá se torna bem mais próximo do deus da Lei do Antigo Testamento (a Torá dos judeus). Entre os 6326 versículos do Alcorão, há desde instruções para o casamento até regras sobre como o governante deve agir na cobrança de impostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que esse grau de detalhamento das instruções de Deus seja fruto do momento em que Maomé recebera as revelações. Alá, afinal, transmitiu seus novos mandamentos na época em que o profeta erguia um estado em Meca. A nova palavra de Deus, contudo, foi tão forte que os seguidores do Islã terminaram construindo um império. Pouco mais de 100 anos após a morte do profeta, seus seguidores levaram a mensagem do deus único para a África e para locais distantes no Oriente, como o Afeganistão e o Paquistão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expansão do Islã no último milênio – assim como a do cristianismo – fez com que o deus de Abraão não apenas vencesse a batalha com os outros deuses como também sobrevivesse a um poderoso inimigo: o mundo científico contemporâneo. Em um tempo em que a narrativa da criação está mais para a explosão caótica do Big Bang do que para o relato do Gênesis, ser ateu continua tão impopular que, como diz o cientista britânico (e ateu) Richard Dawkings, autor de Deus, um Delírio, os homossexuais parecem ter bem mais facilidade para “sair do armário” que os ateus. Quatro mil anos depois, o velho Javé continua em forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou enviar o dilúvio, as águas, sobre a Terra, para exterminar de debaixo do céu toda carne que tiver sopro de vida, tudo o que há na terra deve parecer&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Antigo testamento, Gênisis 6:2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toma teu filho, teu único que amas, Isaac, e vai a terra de Moriá, e lá o oferecerás em holocausto sobre uma montanha que eu te indicarei”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Toma, Gênisis 22:2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou seu filho único, para que todo o que nele crê não pareça, mas tenha vida eterna.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Novo Testamento, João 3:16)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos que crêem em Allah, no Dia do Juízo final e praticam o bem receberão a sua recompensa do seu Senhor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Alcorão, Sura 2:16)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/religiao/jave-invencao-deus-435657.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/8600759967049274319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/jave-invencao-de-deus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8600759967049274319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8600759967049274319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/jave-invencao-de-deus.html' title='Javé: A invenção de Deus'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4u83gLZOyio1GoHNFokMnIzbQZ_-MLmj77Ddr5avrETAujPd99BhP3ToHDEpuzNpF0g4dhX3GHbgdk8ni_OMUs0E3OkaknFy_kHXr0K8uHFuAzvLaL6rgWIVJp_WsYkk_7j_95WtxCAc/s72-c/michelangelo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-6419912728504081582</id><published>2010-12-08T16:23:00.002-02:00</published><updated>2010-12-08T16:26:23.447-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><title type='text'>Jesus antes de Cristo</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheTm_wwy1kpzx5wcf_-mvQNDMSAm4-y5OJOkUOh_SRgYisoQ6I8VsVmPlYGd56pxL2h9B55uuL_uGtJYbRSVHZvuQqPTyAD88GA2oQwol2KvdyJUgCvV1dBALvHqLM0nP5N6isaQXrO-w/s1600/jesus2.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 227px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheTm_wwy1kpzx5wcf_-mvQNDMSAm4-y5OJOkUOh_SRgYisoQ6I8VsVmPlYGd56pxL2h9B55uuL_uGtJYbRSVHZvuQqPTyAD88GA2oQwol2KvdyJUgCvV1dBALvHqLM0nP5N6isaQXrO-w/s320/jesus2.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5548379509375569410&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cristo está em toda parte: nas obras mais importantes da história da arte, nos roteiros de Hollywood, nos letreiros luminosos de novas igrejas, nas canções evangélicas em rádios gospel, nos best-sellers de auto-ajuda, nos canais de televisão a cabo, nos adesivos de carro, nos presépios de Natal. Onde você estiver, do interior da floresta amazônica às montanhas geladas do Tibete, sempre será possível deparar com o símbolo de uma cruz, pena de morte comum no Império Romano à qual um homem foi condenado há quase 2 mil anos. Para mais de 2 bilhões de pessoas esse homem era o próprio messias (“Cristo”, do grego, o ungido) que ressuscitara para redimir a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o mundo inteiro (inclusive os não-cristãos) esteja familiarizado com a imagem de Cristo, até há bem pouco tempo os pesquisadores eram céticos quanto à possibilidade de descobrir detalhes sobre a vida do judeu Yesua (Jesus, em hebraico), o homem de carne e osso que inspirou o cristianismo. “Isso está começando a mudar”, diz o historiador André Chevitarese, professor de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos especialistas no Brasil sobre o “Jesus histórico” – o estudo da figura de Jesus na história sem os constrangimentos da teologia ou da fé no relato dos evangelhos. Embora tragam detalhes do que teria sido a vida de Jesus, os evangelhos são considerados uma obra de reverência e não um documento histórico. Chevitarese e outros pesquisadores acreditam que, apesar de não existirem indícios materiais diretos sobre o homem Jesus, arqueólogos e historiadores podem ao menos reconstituir um quadro surpreendente sobre o que teria sido a vida de um líder religioso judeu naquele tempo, respondendo questões intrigantes sobre o ambiente e o cotidiano na Palestina onde ele vivera por volta do século I.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nazaré, entre 6 e 4 a.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma aldeia agrícola com menos de 500 habitantes, cuja paisagem é pontuada por casas pobres de chão de terra batida, teto de estrados de madeira cobertos com palha, muros de pedras coladas com uma argamassa de barro, lama ou até de uma mistura de esterco para proteger os moradores da variação da temperatura no local. Segundo os arqueólogos, essa é a cidade de Nazaré na época em que Jesus nasceu, provavelmente entre os anos 6 e 4 a.C., no fim do reinado de Herodes. Isso mesmo: segundo os historiadores, Jesus deve ter nascido alguns anos antes do ano 1 do calendário cristão. “As pessoas naquele tempo não contavam a passagem do tempo como hoje, por meio da indicação do ano”, explica o historiador da Unicamp Pedro Paulo Funari. “O cabeçalho dos documentos oficiais da época trazia apenas como indicação do tempo o nome do regente do período, o que leva os pesquisadores a crer que Jesus teria nascido anos antes do que foi convencionado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você também está se perguntando por que os historiadores buscam evidências do nascimento de Jesus na cidade de Nazaré – e não em Belém, cidade natal de Jesus, de acordo com os evangelhos de Mateus e Lucas –, é bom saber que, para a maioria dos pesquisadores, a referência a Belém não passa de uma alegoria da Bíblia. Na época, essa alegoria teria sido escrita para ligar Jesus ao rei Davi, que teria nascido em Belém e era considerado um dos messias do povo judeu. Ou seja: a alcunha “Jesus de Nazaré” ou “nazareno” não teria derivado apenas do fato de sua família ser oriunda de lá, como costuma ser justificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que os historiadores estejam certos ao afirmarem que o nascimento em Belém seja apenas uma alegoria bíblica, o entorno de uma casa pobre na cidade de Nazaré daquele tempo não deve ter sido muito diferente do de um estábulo improvisado como manjedoura. Como a residência de qualquer camponês pobre da região, as moradias eram ladeadas por animais usados na agricultura ou para a alimentação de subsistência. A dieta de um morador local era frugal: além do pão de cada dia (no formato conhecido no Brasil hoje como pão árabe), era possível contar com azeitonas (e seu óleo, o azeite, usado também para iluminar as casas), lentilhas, feijão e alguns incrementos como nozes, frutas, queijo e iogurte. De acordo com os arqueólogos, o consumo de carne vermelha era raro, reservado apenas para datas especiais. O peixe era o animal consumido com mais freqüência pela população, seco sob o sol, para durar. A maioria dos esqueletos encontrados na região mostra deficiência de ferro e proteínas. Essa parca alimentação é coerente com relatos como o da multiplicação dos pães, no Evangelho de Mateus, no qual os discípulos, preocupados com a fome de uma multidão que seguia Jesus, mostram ao mestre cinco pães e dois peixes, todo o alimento de que dispunham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém presenciasse o nascimento de Jesus, provavelmente iria deparar com um bebê de feições bem diferentes da criança de pele clara que costuma aparecer nas representações dos presépios. Baseados no estudo de crânios de judeus da época, pesquisadores dizem que a aparência de Jesus seria mais próxima da de um árabe (de cabelos negros e pele morena) que da dos modelos louros dos quadros renascentistas. Seu nome, Jesus, uma abreviação do nome do herói bíblico Josué, era bastante comum em sua época. Ainda na infância, deve ter brincado com pequenos animais de madeira entalhada ou se divertido com rudimentares jogos de tabuleiro incrustados em pedras. Quanto à família de Jesus, os pesquisadores não acreditam que ele tenha sido filho único. Afinal, era comum que famílias de camponeses tivessem mais de um filho para ajudarem na subsistência da família. Isso poderia explicar o fato de os próprios evangelhos falarem em irmãos de Jesus, como Tiago, José, Simão e Judas. “As igrejas Ortodoxa e Católica preferiram entender que o termo grego adelphos, que significa irmão, queria dizer algo próximo de discípulo, primo”, diz Chevitarese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como outros jovens da Galiléia, é provável que ele não tenha tido uma educação formal ou mesmo a chance de aprender a ler e escrever, privilégio de poucos nobres. Ainda assim, nada o impediria de conhecer profundamente os textos religiosos de sua época transmitidos oralmente por gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Política, religião e sexo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde aquele tempo, a região em que Jesus vivia já era, digamos, um tanto explosiva. O confronto não se dava, é claro, entre judeus e muçulmanos (o profeta Maomé só iria receber sua revelação mais de cinco séculos depois). A disputa envolvia grupos judaicos e os interesses de Roma, cujo império era o equivalente, na época, ao que os Estados Unidos são hoje. E, assim como grupos religiosos do Oriente Médio resistem atualmente à ocidentalização dos seus costumes, diversos grupos judaicos da época se opunham à influência romana sobre suas tradições. Na verdade, fazia séculos que os judeus lutavam contra o domínio de povos estrangeiros. Antes de os romanos chegarem, no ano 63 a.C., eles haviam sido subjugados por assírios, babilônios, persas, macedônios, selêucidas e ptolomeus. Os judeus sonhavam com a ascensão de um monarca forte como fora o rei Davi, que por volta do século 10 a.C. inaugurara um tempo de relativa estabilidade. Não à toa, Davi ficaria lembrado como o messias (ungido por Javé) e, assim como ele, outros messias eram aguardados para libertar o povo judeu (veja quadro na pág. 33).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resistência aos romanos se dava de maneiras variadas. A primeira delas, e mais feroz, era identificada como simples banditismo. Nessa categoria estavam bandos de criminosos formados por camponeses miseráveis que atacavam comerciantes, membros da elite romana ou qualquer desavisado que viajasse levando uma carga valiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do banditismo, havia a resistência inspirada pela religião, principalmente a dos chamados movimentos apocalípticos. De acordo com os seguidores desses movimentos, Israel estava prestes a ser libertado por uma intervenção direta de Deus que traria prosperidade, justiça e paz à região. A questão era saber como se preparar para esse dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns grupos, como os zelotes, acreditavam que o melhor a fazer era se armar e partir para a guerra contra os romanos na crença de que Deus apareceria para lutar ao lado dos hebreus. Para outros grupos, como os essênios, a violência era desnecessária e o melhor mesmo a fazer era se retirar para viver em comunidades monásticas distantes das impurezas dos grandes centros. E Jesus, de que lado estava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quase certo que Jesus tenha tido contato com ao menos um líder apocalíptico de sua época, que preparava seus seguidores por meio de um ritual de imersão nas águas do rio Jordão. Se você apostou em João Batista, acertou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que, para a maioria dos pesquisadores, incluindo aí o padre católico John P. Meier, autor da série sobre o Jesus histórico chamada Um Judeu Marginal, o movimento apocalíptico de João Batista deve ter sido mais popular, em seu tempo, do que a própria pregação de Jesus. Os historiadores acreditam que é bem provável que Jesus, de fato, tenha sido batizado por João Batista nas margens do rio Jordão, e que o encontro deve ter moldado sua missão religiosa dali em diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não haver nenhuma restrição para que um líder religioso judeu tivesse relações com mulheres em seu tempo, ninguém sabe ainda se entre as práticas espirituais de Jesus estaria o celibato. Da mesma forma, afirmar que ele teve relações com Maria Madalena, como no enredo de livros como O Código Da Vinci, também não passaria de uma grande especulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma morte marginal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pesquisador Richard Horsley, professor de Ciências da Religião da Universidade de Massachusetts, em Boston, é categórico: a morte de Jesus na cruz em seu tempo foi muito menos perturbadora para o Império Romano do que se costuma imaginar. Horsley e outros pesquisadores desapontam os cristãos que imaginam a crucificação como um evento que causara, em seu tempo, uma comoção generalizada, como naquela cena do filme O Manto Sagrado em que nuvens negras escurecem Jerusalém e o mundo parece prestes a acabar. Apesar de ter sido uma tragédia para seus seguidores e familiares, a morte do judeu Yesua deve ter passado praticamente despercebida para quem vivia, por exemplo, no Império Romano. Ou seja: se existisse uma rede de televisão como a CNN, naquele tempo, é bem possível que a morte de Jesus sequer fosse noticiada. E, caso fosse, dificilmente algum estrangeiro entenderia bem qual a diferença da mensagem dele em meio a tantas correntes do judaísmo do período – assim como poucas pessoas no Ocidente compreendem as diferenças entre as diversas correntes dentro do Islã ou do budismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pesquisadores sabem, no entanto, que Jesus não deve ter escolhido por acaso uma festa como a Páscoa para fazer sua pregação em Jerusalém. A data costumava reunir milhares de pessoas para a comemoração da libertação do povo hebreu do Egito. No período que antecedia a festa, o ar tornava-se carregado de uma forte energia política. Era quando os judeus pobres sonhavam com o dia em que conseguiriam ser libertados dos romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a elite judaica que vivia em Jerusalém, contudo, as manifestações anti-Roma não eram nada bem-vindas. Afinal, como ela se beneficiava da arrecadação de impostos da população de baixa renda, boa parte dela tinha mais a perder que a ganhar com revoltas populares que desafiassem os dirigentes romanos, cujos estilos de vida eram copiados por meio da construção de suntuosas vilas (espécie de chácaras luxuosas) nas cercanias de Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria opulência do Templo do Monte de Jerusalém, reconstruído por Herodes, o Grande, parecia uma evidência de que a aliança entre os romanos e os judeus seria eterna. A construção era impressionante até mesmo para os padrões romanos, o que fazia de Jerusalém um importante centro regional em sua época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio às festas religiosas, o comércio da cidade florescia cada vez mais. Vendia-se de tudo por lá, incluindo animais para serem sacrificados no templo. Os mais ricos podiam comprar um cordeiro para ser sacrificado e quem tivesse menos dinheiro conseguia comprar uma pomba no mercado logo em frente. A cura de todos os problemas do corpo e da alma (na época, as doenças eram relacionadas à impureza do espírito) passava pela mediação dos rituais dos sacerdotes do templo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil imaginar a afronta que devia ser para esses líderes religiosos ouvir que um judeu rude da Galiléia curava e livrava as pessoas de seus pecados com um simples toque, sem a necessidade dos sacerdotes. A maioria dos pesquisadores concorda que atos subversivos como esses seriam suficientes para levar alguém à crucificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase tudo o que os pesquisadores conhecem sobre a crucificação deve-se à descoberta, em 1968, do único esqueleto encontrado de um homem crucificado em Giv’at há-Mivtar, no nordeste de Jerusalém. Após uma análise dos ossos, eles concluíram que os calcanhares do condenado foram pregados na base vertical da cruz, enquanto os braços haviam sido apenas amarrados na travessa. A raridade da descoberta deve-se a um motivo perturbador: a pena da crucificação previa a extinção do cadáver do condenado, já que o corpo do crucificado deveria ser exposto aos abutres e aos cães comedores de carniça. A idéia era evitar que o túmulo do condenado pudesse servir de ponto de peregrinação de manifestantes. De qualquer forma, a descoberta desse único esqueleto preservado prova que, em alguns casos, o corpo poderia ser reivindicado pelos parentes do morto, o que talvez tenha acontecido com Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu após sua morte? Para os pesquisadores, a vida do Jesus histórico encerra-se com a crucificação. “A ressurreição é uma questão de fé, não de história”, diz Richard Horsley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que os historiadores sabem é que, apesar de pequeno, o grupo de seguidores de Jesus logo conseguiria atrair adeptos de diversas partes do mundo. E foi um dos novos convertidos, um ex-soldado que havia perseguido cristãos e ganhara o nome de Paulo, que se tornaria uma das pedras fundamentais para a transformação de Jesus em um símbolo de fé para todo o mundo. Com sua formação cosmopolita, Paulo lutou para que os seguidores de Jesus trilhassem um caminho independente do judaísmo, sem necessidade de obrigar os convertidos a seguirem regras alimentares rígidas ou, no caso dos homens, ser obrigados a fazer a circuncisão. A influência de Paulo na nova fé é tão grande que há quem diga que a mensagem de Jesus jamais chegaria aonde chegou caso ele não houvesse trabalhado com tanto afinco para sua difusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo para quem não acredita em milagres, não há como negar que Paulo e os outros seguidores de Jesus conseguiram uma proeza e tanto: apenas três séculos após sua morte, transformaram a crença de uns poucos judeus da Palestina do século I na religião oficial do Império Romano. Por essa época, a vida do judeu Yesua já havia sido encoberta pela poderosa simbologia do Cristo: assim como os judeus sacrificavam cordeiros para Javé, o Cristo se tornaria símbolo do cordeiro enviado por Deus para tirar os pecados do mundo. Desde então, a história de boa parte do mundo está dividida entre antes e depois de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/religiao/jesus-antes-cristo-434985.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/6419912728504081582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/jesus-antes-de-cristo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6419912728504081582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6419912728504081582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/jesus-antes-de-cristo.html' title='Jesus antes de Cristo'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEheTm_wwy1kpzx5wcf_-mvQNDMSAm4-y5OJOkUOh_SRgYisoQ6I8VsVmPlYGd56pxL2h9B55uuL_uGtJYbRSVHZvuQqPTyAD88GA2oQwol2KvdyJUgCvV1dBALvHqLM0nP5N6isaQXrO-w/s72-c/jesus2.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-8154461124576833990</id><published>2010-12-05T08:53:00.002-02:00</published><updated>2010-12-05T08:59:04.784-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História do Brasil"/><title type='text'>Canudos: O sertão em pé de guerra</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYwoE20G2vz4RIAeT0xx1i-zkYA1iNywkLXouiMH0ngWmZ6PDlm8FBVrizb8Y4ebljEIs8a3jR307_8qN77BFY6w80csGxdDKU-i1wVKQzBHt-krRPGNMO1a2IfKVlzZdbuu0GOTu5sHA/s1600/igreja_canudos_fotografia_flavio_de_barros.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 227px; height: 320px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYwoE20G2vz4RIAeT0xx1i-zkYA1iNywkLXouiMH0ngWmZ6PDlm8FBVrizb8Y4ebljEIs8a3jR307_8qN77BFY6w80csGxdDKU-i1wVKQzBHt-krRPGNMO1a2IfKVlzZdbuu0GOTu5sHA/s320/igreja_canudos_fotografia_flavio_de_barros.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5547150832340520914&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cai a tarde no Belo Monte, enquanto dois homens, um velho e uma criança tentam resistir ao cerco dos milhares de soldados do Exército que rugem por entre as vielas estreitas, saqueando casebres, degolando prisioneiros, incendiando túneis e o que sobra do arraial. O céu está vermelho, enfumaçado e quente, o cheiro é horrível e os urubus infestam o ar, efeito da guerra e da seca que racha a terra do sertão baiano. Até que os últimos quatro combatentes são mortos. E é o fim. Canudos foi destruído, mas não se rendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A queda da cidade idealizada por Antônio Conselheiro aconteceu no dia 5 de outubro de 1897. Encerrou o mais sangrento conflito armado de nossa História, que provocou o maior número de baixas: 25 mil mortos, entre 5 mil militares enviados pela República e 20 mil sertanejos. Até derrotar Canudos, o governo foi mais de uma vez humilhado e precisou colocar em campo 12 mil soldados, metade de toda a Força nacional da época. Os quatro últimos sobreviventes são citados por Euclides da Cunha - cujo centenário de morte é comemorado este ano -, que acompanhou o confronto como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo e escreveu, sobre ele, o épico Os Sertões.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundo outros relatos, o velho jagunço foi o último dos quatro a morrer, enfrentando os inimigos apenas com um machado. Era essa a disposição de espírito dos seguidores de Antônio Conselheiro, ao longo dos 11 meses da luta, iniciada no dia 7 de novembro de 1896. Intimamente vinculados à terra que ocupavam, surpreenderam ao adotar táticas de guerrilha, como a camuflagem ou os túneis, que só seriam usadas em grande escala em conflitos bem posteriores, como a Segunda Guerra Mundial ou o Vietnã (veja os quadros). A resistência dos sertanejos obrigou o Exército a enviar quatro expedições ao povoado. Registros feitos pelo comando da última delas mostram que, mesmo em grande vantagem numérica e bélica, foi preciso &quot;estacionar um pouco as operações&quot; durante o confronto, para tomar fôlego: &quot;Os jagunços são combatentes temíveis, com tiros certeiros, e ninguém deve planejar atacá-los se não tiver a máxima cautela... As balas que choviam de Canudos eram de extraordinária precisão...&quot; O texto está no livro Canudos - Subsídios para a sua Reavaliação Histórica, da Fundação Casa de Rui Barbosa, que estima em 10 mil soldados o efetivo total mobilizado nos oito meses que a quarta expedição levou para ter sucesso, contando até com a presença do ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, em pleno campo de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que o governo atacou Canudos? Por razões políticas, principalmente a insatisfação dos grandes fazendeiros da região com a fuga de mão-de-obra para o modelo de produção do arraial - coletiva e sem os impostos criados pela República. Formalmente, contudo, a população de Belo Monte simplesmente foi roubada por um comerciante e caiu na armadilha preparada por um juiz desonesto. Em outubro de 1896, Antônio Conselheiro adiantou 1 conto e 200 mil-réis a uma loja em Juazeiro, por uma encomenda de madeira para uma nova igreja. O juiz local era desafeto do beato desde 1893 - quando o líder de Canudos havia promovido uma queima de editais de impostos, na cidade de Bom Conselho - e decidiu aproveitar a oportunidade para atingi-lo. Usou sua influência para que o comerciante não entregasse as tábuas, ao mesmo tempo que escrevia ao governador da Bahia, Luís Viana, dando o alerta mentiroso de que, na data marcada pelo beato para pegar a carga de madeira, bandidos de Canudos atacariam a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para caçá-los, chegaram a Juazeiro três oficiais e 113 soldados no dia 7 de novembro de 1896 - a primeira expedição militar e o início de uma série constrangedora de derrotas do Exército. A tropa decidiu percorrer os 160 km até Canudos, debaixo de sol forte, sem comida e água suficientes. Duas semanas e 120 km depois, na cidade de Uauá, deu com os sertanejos. A República perdeu dez homens, e os demais bateram em retirada, &quot;por insuficiência numérica, estropiamento, falta de recursos de toda a espécie&quot;, conforme registro citado pelo estudo da Fundação Casa de Rui Barbosa. Com a expulsão da tropa, cresceram a fama do beato e a população de Belo Monte. E, cerca de dois meses após a primeira, chegou à Bahia a segunda expedição para dominar os conselheiristas, com cerca de 600 soldados, metralhadoras e dois canhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas invisíveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao tentarem um atalho pela estrada do Cambaio para o arraial, os militares foram pegos. Entrincheirados, os sertanejos usavam bacamartes, facões, pedras e se misturavam ao terreno, vestidos de cores cruas e de folhagens. É o que o historiador Frederico Pernambucano de Melo, autor de A Guerra Total de Canudos, chama de &quot;pioneirismo do guerrilheiro sertanejo quanto a uma virtude militar ainda desprezada pelos exércitos do mundo, presos ao traje colorido das guerras napoleônicas&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com dez mortos, contra 76 do inimigo, o Exército foi encurralado e se retirou de novo. &quot;Nunca vimos, eu e meus camaradas, tanta ferocidade&quot;, comentou o major Febrônio de Brito, líder da tropa. A partir daí, Canudos ganhou ares de &quot;levante monarquista&quot; na imprensa, e sua conquista virou questão de honra para o governo e para fazendeiros do sertão baiano, pressionados pela crise do açúcar e pela nova economia do café. Em meio a tudo isso, começava a se construir o mito da grande liderança do movimento, Antônio Conselheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cearense Antônio Vicente Mendes Maciel (1830-1897), ex-comerciante, ex-professor, ex-caixeiro e ex-advogado autodidata, tornou-se Antônio Conselheiro em 1874 e, nos 23 anos seguintes, reuniu devotos peregrinando pelo sertão. Imagina-se que tenham contribuído para a conversão a dor de ter sido traído e abandonado pela mulher e as ideias do padre José Antônio Maria Ibiapina (1806-1883), missionário no Nordeste, embora não se saiba se tenham chegado a se encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele, Conselheiro se dedicou a construir igrejas e cemitérios pelo sertão, já usando seu camisolão de brim, barbas e cabelos longos. &quot;Vou para onde me chamam os mal-aventurados&quot;, disse ao jornalista e escritor João Brígido, autor de Ceará - Homens e Fatos, de 1919. Conselheiros, um tipo mais graduado de beato, não eram incomuns na região carente de água, comida e conforto espiritual. Mas esse foi diferente. Segundo o teólogo Eduardo Hoonaert, da Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina, em Os Anjos de Canudos - Uma Revisão Histórica, &quot;a partir dessa sua enorme capacidade de sonhar coisas invisíveis e de viver a partir desses sonhos, a figura de Antônio Vicente ganha dimensões de gigante&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o historiador Mário Maestri, professor da Universidade de Passo Fundo (RS) e autor, com José Rivair de Macedo, de Belo Monte: uma História da Guerra de Canudos, o contexto político do sertão foi o verdadeiro fermento que amplificou o papel do beato. &quot;As circunstâncias da História o transformaram em líder carismático das massas pobres nordestinas. Para os grandes proprietários e o Estado republicano, o Conselheiro era um tresloucado, um místico, um charlatão, um personagem nefasto que necessitava ser eliminado para que se restaurasse a gestão oligárquica tradicional das massas sertanejas. Canudos significava a inversão da ordem natural, uma sociedade de bárbaros e rústicos fanáticos, pois questionava, na ação, o latifúndio, através do uso útil da terra. E, sobretudo, retirava do controle dos grandes proprietários uma enorme quantidade de mão-de-obra, que passava a viver em sociedade autogerida e consensual.&quot; Segundo Marco Antônio Villa, escritor e professor de História da Universidade Federal de São Carlos, &quot;o fim de Canudos representaria, como representou, o retorno do domínio do ‘landlord’ [senhor feudal], do despotismo senhorial&quot;. Ou seja, a vitória do coronelismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é nesse contexto que, em 1893, Antônio Conselheiro resolve se fixar em Canudos, nome derivado do canudo-de-pito, planta usada para fazer cachimbos. O arraial tinha algumas dezenas de casas, uma igreja velha e um cemitério. Ficava na região do Raso da Catarina, sertão da Bahia, no estratégico entroncamento de sete estradas e ao lado do rio Vazabarris. Quatro anos após sua chegada, já eram 5200 casas e 25 mil moradores na comunidade, rebatizada como Belo Monte - a segunda maior cidade da Bahia, perdendo apenas para Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandioca e rapadura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Maestri, &quot;o grande diferencial foi o uso útil da terra, a não vigência dos impostos e taxas, a tributação sob a forma de pedido de donativos&quot;. No arraial, criavam cabras, cavalos e bois, e plantavam legumes, feijão, milho, mandioca, melancia, melão e cana-de-açúcar. Moravam lá ex-escravos, pequenos agricultores, índios, foragidos da Justiça, comerciantes, segundo Vicente Dobroruka, escritor e professor de História da Universidade de Brasília (UnB).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Grande era a Canudos do meu tempo. Quem tinha roça tratava da roça na beira do rio. Quem tinha gado tratava do gado. Quem tinha mulher e filhos tratava da mulher e dos filhos. Quem gostava de rezar ia rezar. De tudo se tratava, porque a nenhum pertencia e era de todos, pequenos e grandes, na regra ensinada pelo peregrino&quot;, afirmou Honório Vilanova, sobrevivente da guerra, a Nertan Macedo (&quot;Memorial de Vilanova&quot;, em O Cruzeiro, 1964). Nas palavras de Manuel Ciríaco, antigo morador, &quot;era um pedaço de chão bem-aventurado. Não precisava nem mesmo de chuva. Tinha de tudo. Até rapadura do Cariri.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barão de Geremoabo, fazendeiro e um dos principais inimigos da comunidade, reclamou em uma carta que &quot;alguns lugares desta comarca e de outras circunvizinhas, e até do estado de Sergipe, ficaram desabitados, tal o aluvião de famílias que subiam para os Canudos&quot;. Para Dobroruka, Antônio Conselheiro oferecia &quot;a não ingerência do Estado, cuja mão não chegava até lá&quot;. Até porque o beato era monarquista. Não reconhecia a República, especialmente por ela ter feito a separação entre Igreja e Estado. A República &quot;há de cair por terra para confusão daquele que concebeu tão horrorosa ideia&quot;, escreve ele no manuscrito &quot;Prédicas aos Canudenses e um Discurso sobre a República&quot;, achado no arraial destruído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira expedição, menos de três meses depois da segunda, era chefiada pelo coronel Antônio Moreira César, conhecido como Corta-cabeças desde a Revolução Federalista do Rio Grande do Sul (1892-1895). O coronel bravateava: &quot;Só temo que o fanático Antônio Conselheiro não nos espere&quot;, escreveu em telegrama ao ministro da Guerra. Tinha certeza de que os sertanejos fugiriam com medo de seus 1300 homens e seis canhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortar soldados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma carnificina. No dia 3 de março, os soldados tomaram 28 casas do arraial, mas os conselheiristas revidaram furiosamente e feriram de morte Moreira César. O pânico tomou conta dos militares esfomeados, que fugiram sem comando, deixando pelo caminho cinco oficiais e mais de 200 soldados mortos, munição e armas para o inimigo. A derrota do Corta-cabeças teve tremendo impacto moral para a sociedade republicana. Como sertanejos até então mal armados venceram 1300 militares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Pelo conhecimento do terreno, pela defesa da vida comunitária, pelo significado da liderança religiosa do Conselheiro. Havia mais conselheiristas fora de Canudos que no arraial&quot;, diz Villa. Admiradores do beato chegavam até de outros estados. &quot;Ao longo das expedições, muita gente vai para Canudos. Muitos se vangloriando: ‘a gente vai lá cortar soldados’. Isso porque a ação do Estado, no sertão, é de acossar cidadãos e aumentar impostos&quot;, afirma Dobroruka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Maestri, essa integração com o sertão, envolvendo apoios para além do arraial, permitiu a reposição de homens e víveres: &quot;O reduto de Belo Monte foi apenas a capital de uma verdadeira república sertaneja que se constituiu nos sertões do norte da Bahia. As tropas começavam a ser atacadas quando penetravam os territórios livres sertanejos. O domínio sobre esse território e a chegada incessante de caboclos de fora das fronteiras da pequena república para participar da resistência explicam a impressionante saga social e militar.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cerca de 10000 soldados da quarta e última expedição levaram mais de três meses para subjugar Canudos. Mas as colunas do Exército, dessa vez, planejaram o cerco com cuidado. &quot;O erro fundamental das três primeiras expedições foi falta de informação e avaliação equivocada do problema, agravadas pela falta de apoio logístico e por disputas políticas. A quarta expedição estava mais organizada e bem informada&quot;, afirma o coronel Luiz Carlos Carneiro, coordenador de cursos de História Militar na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 25 de junho e 5 de outubro de 1897, os combates são renhidos, e há muitas baixas entre os soldados, que sofreram enfrentando um inimigo invisível e aparentemente irredutível. Mas a sorte vira, principalmente depois da destruição, a balas de canhão, da igreja nova do arraial, em 6 de setembro, e da morte de Antônio Conselheiro, em 22 do mesmo mês, vítima de disenteria e de um ferimento de tiro. No dia seguinte, o golpe decisivo: o Exército fecha a última estrada para Canudos, impedindo a entrada de combatentes e alimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí até o 5 de outubro, o arraial agonizou. Foi quando os últimos combatentes foram mortos e as casas, saqueadas. Era o fim da guerra. Encontraram o corpo de Antônio Conselheiro e cortaram sua cabeça, enviada a Salvador para &quot;estudos&quot;. Muitos dos sertanejos foram degolados após terem sido presos ou se rendido. Martins Horcade, estudante de Medicina voluntário na quarta expedição, descreveu o que viu entre as ruínas de Belo Monte: &quot;Horror e mais horror, o cúmulo do horror. Só em uma casa encontrei 22 cadáveres já queimados de mulheres, homens e meninos&quot;. Depois de tudo, o povoado foi incendiado. E, durante a ditadura militar, o terreno submergiu sob o açude do Cocorobó, inaugurado em 1969. Antes do incêndio, acharam o manuscrito de Conselheiro, onde se lê: &quot;Adeus povo, adeus aves, adeus árvores, adeus campos (...) aceitai a minha despedida, que bem demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança desse peregrino, que aspira ansiosamente a vossa salvação e o bem da Igreja&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerrilha&lt;br /&gt;Táticas que seriam consagradas em grandes conflitos mundiais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invisibilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A roupa nos tons bege e o entrincheiramento camuflavam os conselheiristas, que também se vestiam de folhas, traziam campainhas ao pescoço e berravam como carneiros para se aproximar do inimigo. Os soldados do Exército, ao contrário, usavam cores fortes que os tornavam alvo fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras batalhas - Os japoneses fizeram o mesmo contra os russos, na campanha da Manchúria (1904). Na Primeira Guerra Mundial (1914), os alemães vestiram cinza-verde contra franceses de calças vermelhas (o uniforme azul só veio depois).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Túneis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Túneis entre as casas e nas extremidades do arraial permitiam circular despercebido e surgir de repente, surpreendendo o inimigo. Os casebres tinham ainda &quot;seteiras&quot; ou aberturas ao rés do chão, para esconder atiradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras batalhas - Cavaram os japoneses, em Iwo Jima, e os russos, em Stalingrado, na Segunda Guerra Mundial; também os vietcongues (1959-1975), contra os EUA; e o Hezbollah, no Líbano, contra o Exército de Israel, em 2006. Os túneis serviram como depósito de armas, para emboscadas ou proteção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disfarce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as fardas dos soldados mortos, os homens do Conselheiro se misturavam à tropa para sabotar atividades internas, causando confusão e medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras batalhas - Na Segunda Guerra Mundial, na floresta das Ardenas (Bélgica), alemães com fardas norte-americanas se infiltraram entre os aliados para ajudar no efeito surpresa da ofensiva. Integrantes do grupo de elite israelense Saveret Matkal se disfarçam de árabe em território inimigo para colher informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logística&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ataques a animais de tração, condutores da artilharia e dos carroções de suprimentos. Não havia pressa em assaltar, em seguida, um inimigo assim imobilizado e apavorado no terreno.Também era forma de impedir o avanço do canhão Withworth (a &quot;matadeira&quot;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras batalhas - O Taleban, no Paquistão (2008/2009), realiza ataques frequentes a comboios: atualmente, mais de 70% dos suprimentos e munições das tropas de ocupação chegam ao Afeganistão pela rota que vai do porto de Karachi (Paquistão) até a cidade de Peshawar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atirador de elite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &quot;tiro de ofensa ao acaso e de enervamento&quot; era dado de longa distância em intermitência regular e incessante, dia e noite. Chegou a causar de dez a 15 baixas em 24 horas e disseminou terror pelo acampamento do Exército. Os conselheiristas também faziam linha de tiro cerrada, o que se tornou comum em todos os conflitos do século 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras batalhas - Quando a URSS invadiu a Finlândia (1939), Simo Häyhä, o &quot;Morte Branca&quot;, matou mais de 542 soviéticos em 100 dias e virou o maior atirador de elite da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos pedaços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpos inteiros ou dilacerados do inimigo eram expostos em pontos salientes das estradas, abatendo &lt;br /&gt;o moral da tropa que chegava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras batalhas - Na Segunda Guerra Mundial, japoneses e americanos foram à loucura nessa tática. Durante a Batalha de Wake Island (1941), em que as tropas dos EUA se renderam, houve decapitação de marines, entre outras atrocidades. Nos anos seguintes, os americanos buscaram vingança: cortar orelhas e pegar dentes era comum - o maior prêmio era levar para casa um crânio japonês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QG do Conselheiro&lt;br /&gt;Rápidos e inteligentes, os homens fortes do front&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Conselheiro não pegou em armas. Contou com homens de confiança, que lideraram a guerra no front. Segundo o historiador José Calasans (1915-2001), em O Estado-Maior de Antônio Conselheiro, o principal deles foi João Abade, o &quot;chefe do povo&quot; ou &quot;comandante da rua&quot;, à frente da Guarda Católica, a tropa de elite do arraial. Foi descrito assim por Euclides da Cunha: &quot;(...) Impetuoso, bravo e forte, de voz retumbante e imperativa; bem vestido sempre. (...) É o executor supremo das ordens do chefe. Castiga a palmatoadas na praça, em frente às igrejas, aos que roubam, ou vergasta as mulheres que procedem mal.&quot; Outra figura importante, o ex-soldado Pajeú é citado em Os Sertões por sua &quot;bravura inexcedível e ferocidade rara&quot;. &quot;Bom de tocaia&quot;, como diz Calasans, assumiu o comando após a morte de Abade. &quot;Violento e terrível na batalha, tendo na mão direita a espingarda contra o soldado e na esquerda longo cacete para estimular vigorosamente os jagunços vacilantes na refrega. Bulhento, tempestuoso, mas de costumes simples&quot;, diz dele Euclides da Cunha no jornal O Estado de S. Paulo. Na mesma crônica, afirma que Macambira, por sua vez, era covarde, mas útil: &quot;Velho rebarbativo e feio; inteligentíssimo e ardiloso. (...) Ninguém, porém, prepara melhor uma cilada; é o espírito infernal da guerra&quot;. O filho Joaquim Macambira era valente, e morreu tentando destruir um canhão Krupp 32. Outro soldado, Pedrão sobreviveu ao fim de Canudos. Paralítico, com quase 90 anos, em 1958, declarou a Calasans: &quot;Faz pena um homem como eu morrer sentado&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/guerra/canudos-sertao-pe-guerra-482882.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/8154461124576833990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/canudos-o-sertao-em-pe-de-guerra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8154461124576833990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/8154461124576833990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/canudos-o-sertao-em-pe-de-guerra.html' title='Canudos: O sertão em pé de guerra'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYwoE20G2vz4RIAeT0xx1i-zkYA1iNywkLXouiMH0ngWmZ6PDlm8FBVrizb8Y4ebljEIs8a3jR307_8qN77BFY6w80csGxdDKU-i1wVKQzBHt-krRPGNMO1a2IfKVlzZdbuu0GOTu5sHA/s72-c/igreja_canudos_fotografia_flavio_de_barros.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-6131389397219595237</id><published>2010-12-05T08:45:00.003-02:00</published><updated>2010-12-05T08:53:31.259-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>A partilha da Palestina</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj419yLRkDel3KU7B1GotzlxaldH1UKnfhFLLwR6TcwNC_RgypKZm_qUp3EHXIQTMPLyRD1Yhg5C8p1OGblBNqZ0YPEWdsziX4ezJdC1S4vv22F5oF_1yd0PLU3Bu-3BxiJ2tliXECGz4Y/s1600/palestina.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 291px;&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj419yLRkDel3KU7B1GotzlxaldH1UKnfhFLLwR6TcwNC_RgypKZm_qUp3EHXIQTMPLyRD1Yhg5C8p1OGblBNqZ0YPEWdsziX4ezJdC1S4vv22F5oF_1yd0PLU3Bu-3BxiJ2tliXECGz4Y/s320/palestina.jpg&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot;id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5547148361471298706&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os senhores todos sabem como votar. Os que são a favor dirão sim; os que são contra dirão não; e os que se abstêm sempre sabem o que dizer.” Passava das 16 horas no dia 29 de novembro de 1947, em Lake Sucess, perto de Nova York, quando o presidente da Assembléia Geral da ONU, o gaúcho Oswaldo Aranha, abriu a votação que decidiria a sorte de uma região de pouco mais de 20 mil km2 no Oriente Médio. Os 56 países presentes deveriam votar a favor ou contra a partilha da Palestina em dois Estados: um árabe, outro judeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia televisão, muito menos internet. Era grudando o ouvido no rádio que os habitantes do Mandato Britânico na Palestina acompanhavam a votação. Em função do fuso horário, já era noite em Jerusalém, Belém, Tzova, Ramallah e demais cidades da região. Mas quem conseguia dormir com uma questão dessas sendo decidida? A Assembléia Geral analisava a terceira proposta feita pelo Comitê ad hoc – ou seja, a partilha política. A região contava com uma população de 1,3 milhão de árabes e cerca de 600 mil judeus. Jerusalém não ficaria com judeus nem árabes: teria a tutela da ONU. O futuro Estado judeu corresponderia a 55% do território. Ao Estado árabe caberiam 45% da área.&lt;br /&gt;&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A tensão era grande. O salão em que a votação ocorreria estava lotado de espectadores. Os corredores, também repletos. Cerca de 10 mil pessoas haviam solicitado passes sem obtê-los. E mil curiosos espremiam-se próximos ao portão. Todos os olhos voltavam-se ao órgão criado depois da Segunda Guerra Mundial. A questão palestina era das mais espinhosas. Aquela era apenas a segunda assembléia geral da ONU, entidade sucessora da finada Liga das Nações, que havia falhado em sua missão de promover a paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma das funções da recém-criada entidade era decidir o que fazer com os Mandatos – territórios sob a tutela de outras nações, uma figura jurídica surgida após a Primeira Guerra Mundial”, diz Gilberto Sarfadi, professor de Relações Internacionais da FAAP. Tanto árabes quanto judeus eram favoráveis ao fim do Mandato Britânico. Ambos reclamavam da administração inglesa, mas reagiam a ela de formas diferentes. Os árabes preferiram não criar um órgão governamental nacional de caráter autônomo interno, pois isso seria reconhecer o Mandato. Os judeus, ao contrário, criaram a Agência Judaica e, por meio dela, negociavam com os ingleses. Também elegeram uma assembléia com representantes de diversas correntes políticas (Asefat Hanivharim) e tinham um conselho nacional (Vaad Haleumi) para solucionar problemas administrativos. E ainda contavam com uma bem organizada força defensiva, a Haganah. Assim, ao montar a estrutura de Estado, os judeus garantiam um dos elementos que a Organização Sionista Mundial defendia como essencial para a criação de um Estado. Os outros eram terra e povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Potências lado a lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos focos de desentendimento entre judeus e autoridades britânicas era justamente a limitação ao aumento da massa populacional judaica, imposta por meio de restrições à imigração. Ainda assim, de janeiro de 1919 até maio de 1948, estima-se que mais de 400 mil judeus tenham migrado para a região. O número é maior ainda se for considerado em termos proporcionais. Ao ser criado o Estado de Israel, somente 35% de sua população era oriunda da Palestina, enquanto 55% eram europeus de origem e 10%, provenientes da Ásia ou da África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para analisar o que fazer na transição do Mandato Britânico foi criada, em maio de 1947, a Comissão Especial da ONU para a Palestina. Três meses depois, um relatório assinado por sete dos onze membros defendia a partilha em dois Estados. A Agência Judaica concordou com a decisão: ainda que a divisão não fosse exatamente como desejava boa parte dos sionistas, a criação de um Estado judeu seria legitimada internacionalmente. Os países árabes presentes eram contra a criação dos dois Estados justamente por isso – não queriam a legitimação de um Estado judeu na região. Criou-se, então, o Comitê ad hoc, para decidir o futuro da Palestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida, foi declarado um apoio essencial para os sionistas. Em 11 de outubro, os EUA informaram que eram favoráveis à partilha. Dois dias depois, a URSS garantiu seu apoio. Isso mesmo. As duas superpotências inimigas estavam do mesmo lado. Alguns pesquisadores alegam que essa foi a grande surpresa da votação, mas os líderes sionistas sabiam que, para legitimar a criação do Estado, era necessário o apoio – ou pelo menos a anuência – das duas forças mais poderosas do mundo naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os historiadores têm explicações distintas para o apoio soviético. A versão que costuma ganhar mais adeptos é a fundamentada na chamada ideologia-pragmática. Muitos dos líderes sionistas eram socialistas. Os kibutzim (fazendas coletivas) eram muito estimulados entre os imigrantes judeus na Palestina e funcionavam em um sistema que poderia ser considerado comunista. Assim, não seria absurdo pensar em um alinhamento do futuro Estado judeu com a URSS. Naquele momento, ainda não havia a proximidade que, cerca de dez anos depois, se tornaria bastante estreita entre EUA e Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conquista do voto norte-americano foi, aliás, um trabalho de longo prazo. Os líderes sionistas sabiam que o apoio dos EUA era essencial para fundação do Estado judeu. Por isso, uma estratégia para conquistar o apoio norte-americano foi traçada muito antes do nascimento da ONU, com a criação, em 1939, do American Zionist Emergency Council (Azec). A idéia, em primeiro lugar, era conquistar os próprios sionistas e demais judeus americanos. Reuniões, conversas, encontros, manifestações, comitês... Todo esforço possível era feito. Ano a ano, a causa ia ganhando simpatia. Depois de vender a causa aos 2,5 milhões judeus americanos, era a hora de trabalhar no Congresso e ganhar o apoio de personalidades públicas. Muitos judeus ocupavam posições intelectuais e econômicas importantes. Somando isso a uma extrema organização, a pressão pública se fazia ouvir de longe. Diante desse quadro, o presidente Harry Truman não teve escolha: declarou-se favorável à criação de um Estado judeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogadas de bastidor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 25 de novembro, foi aprovado o terceiro projeto apresentado pelo Comitê ad hoc. A Palestina seria dividida em oito partes. Três delas seriam destinadas ao Estado judeu. Outras três, ao Estado árabe. Um oitavo do território – Jaffa, na perto de Tel-Aviv – seria um enclave árabe em solo judeu. E a última parte seria Jerusalém, controlada por um regimento internacional especial (veja mapa ao lado). Apesar da divisão política, o comitê previa uma unidade econômica, com taxas alfandegárias em comum e a mesma moeda. Cada Estado, porém, teria um banco central independente e controle fiscal próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levada à votação, o resultado foi 25 votos a favor, 13 contra e 17 abstenções (dois países ausentaram-se). Finalmente, uma resolução estava formatada, pronta para ir à Assembléia Geral. Porém, seriam necessários dois terços dos votos para sua aprovação. Ou seja: caso o placar se repetisse, a partilha não sairia do papel. Os judeus precisavam de um tempo extra para conseguir mais adeptos. Alguns embaixadores simpáticos à causa sionista subiram à tribuna e fizeram discursos longos, tentando retardar o pleito. Oswaldo Aranha, também pró-partilha, encerrou a sessão assim que o sol se pôs. O feriado de Ação de Graças, logo em seguida, garantiu o tempo a mais de que as lideranças judaicas precisavam para conquistar novos votos. O pleito decisivo só ocorreu quatro dias depois, em 29 de novembro – um intervalo fundamental para os interesses sionistas em jogo. Ao perceberem a virada, representantes de países árabes apresentaram uma proposta defendendo uma Palestina unitária, com garantia de autonomia local para a minoria judaica. Mas era tarde demais. A partilha seria votada e os judeus, agora, estavam dando as cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os países eram chamados, em inglês, por ordem alfabética. Logo depois da abstenção do Grã-Bretanha, veio o “sim” soviético. Em seguida, outro “sim”, o dos EUA. O único apoio que os judeus perderam no intervalo entre as duas votações foi o do Chile – que havia declarado ser a favor da partilha, mas na hora H se absteve. Em compensação, o Haiti, que antes se abstivera, mudou de idéia por influência americana. No total, nove países trocaram de lado e votaram favoravelmente à divisão da Palestina: Bélgica, Filipinas, França, Holanda, Libéria, Luxemburgo, Nova Zelândia e Paraguai (veja quadro na página ao lado). Desta vez, houve apenas um ausente: a Tailândia. O embaixador tailandês abandonou a assembléia naquela manhã, alegando problemas em seu país. Em apenas quatro dias, os judeus conseguiram aumentar de 25 para 33 os votos “sim”. A resolução que criava dois novos Estados no Oriente Médio estava irremediavelmente aprovada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do mundo, o silêncio da expectativa cedeu a gritos de satisfação e abraços. O povo judeu – que vinha migrando para a Palestina havia décadas, que fugira da miséria, das perseguições e do Holocausto – finalmente veria seu Estado nascer. Entre os árabes, no entanto, reinavam a tristeza e a decepção. O embate estava longe de acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;site:http://historia.abril.com.br/politica/partilha-palestina-435378.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/6131389397219595237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/partilha-da-palestina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6131389397219595237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6131389397219595237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/partilha-da-palestina.html' title='A partilha da Palestina'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj419yLRkDel3KU7B1GotzlxaldH1UKnfhFLLwR6TcwNC_RgypKZm_qUp3EHXIQTMPLyRD1Yhg5C8p1OGblBNqZ0YPEWdsziX4ezJdC1S4vv22F5oF_1yd0PLU3Bu-3BxiJ2tliXECGz4Y/s72-c/palestina.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-2174391915332289494</id><published>2010-12-04T19:55:00.003-02:00</published><updated>2010-12-05T00:31:14.896-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Moderna"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Média"/><title type='text'>O império do Vaticano</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicSm_qanYp2G5h2hgM80pjyWTenOqblRPKu1-DRAGwilmIHu0zP4POLs97WWHhbXABDbbQDFe5iejqOSPtAo0hPLe4SLRrd4c0Z6hd6Y2afOMn4FC6IlZ0grWGNTE4GfQsU_lxYRYxPl0/s1600/vaticano.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5546949621895715714&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicSm_qanYp2G5h2hgM80pjyWTenOqblRPKu1-DRAGwilmIHu0zP4POLs97WWHhbXABDbbQDFe5iejqOSPtAo0hPLe4SLRrd4c0Z6hd6Y2afOMn4FC6IlZ0grWGNTE4GfQsU_lxYRYxPl0/s320/vaticano.jpg&quot; style=&quot;cursor: pointer; display: block; height: 210px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
A passagem é uma das mais famosas da Bíblia. Diante da fé inabalável de seu discípulo Simão, Jesus teria declarado: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Darei a ti as chaves do Reino dos Céus”. A frase se tornou a base da autoridade dos papas. Como sucessores diretos de Pedro, eles teriam de guiar todos os cristãos do mundo, seguindo os ensinamentos de Jesus. Os papas, entretanto, não se contentaram com os Céus. Acabaram se tornando donos das chaves de muitos reinos da Terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas três séculos após a morte de Pedro, os pontífices deixaram de ser líderes de uma seita perseguida para virar interlocutores de imperadores. Com o tempo, tornaram-se senhores de seu próprio império, governando grandes extensões de terra na Itália e fora dela, só perdidas no século 19. Em sua busca por território e poder, negociando nos bastidores ou comandando exércitos pessoalmente, houve momentos em que os papas pareciam ser capazes de moldar o mundo como quisessem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Hoje, 2 mil anos após a fundação do cristianismo, o papado só tem poder absoluto sobre um pequeno enclave dentro de Roma, o Vaticano. Mas, mesmo sem os vastos domínios de antigamente, um pronunciamento papal ainda pode fazer um bocado de diferença no planeta. “As palavras do papa ecoam tanto nos salões do poder quanto nas alcovas dos fiéis”, diz Eamon Duffy, professor de História do Cristianismo da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. “O papado é a mais antiga instituição humana. E, provavelmente, ainda é a mais influente.” A seguir, você vai ver como esse poderio foi construído.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Salvadores de Roma&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga capital do Império Romano passou a abrigar uma comunidade cristã poucos anos depois da morte de Jesus. Tudo indica que Pedro e Paulo pregaram em Roma e lá foram executados, por volta do ano 64, numa perseguição desencadeada pelo imperador Nero. Segundo a tradição, Pedro teria sido o primeiro bispo da cidade. Mas há indícios de que, por décadas, Roma teve mais de um bispo por vez. Foi só por volta do ano 200 que os cristãos romanos começaram a ser regidos de fato por um chefe único – centralização que também acontecia nas outras comunidades cristãs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade cristã de Roma era especialmente respeitada por abrigar o túmulo dos mártires Pedro e Paulo e por sua reputação de sempre ter seguido a fé cristã original. Isso queria dizer que os outros bispos sempre ouviam seu companheiro de Roma com respeito especial, mas não tinham a menor obrigação de obedecê-lo. Ele já era chamado de papa – “pai”, em grego –, mas o mesmo título era aplicado a chefes cristãos de outras cidades, como Alexandria, no Egito, e Antioquia, na Síria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como o cristianismo ainda era uma religião fora-da-lei no Império Romano, a influência dos papas não se estendia à política. Isso começou a mudar em 312, quando o imperador Constantino resolveu aliar-se aos cristãos e liberar sua religião. Ele queria usar a nova fé como fator de unidade num império cada vez mais fragmentado. Quem lucrou com isso foram os papas. Primeiro, financeiramente: o imperador bancou a construção de igrejas magníficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o segundo empurrão que Constan­tino deu ao poder dos papas foi sem querer. Ele decidiu construir sua própria capital, Constantinopla (a atual Istambul, na Turquia), no leste do Império, onde foi morar. A administração imperial baseada em Roma passou a trabalhar em parceria cada vez mais próxima com a Igreja – cujo local mais venerado já era o Vaticano, colina onde Pedro teria sido enterrado. Não demorou para que os papas se tornassem as principais figuras políticas de Roma, lado a lado com o Senado da cidade. A influência dos pontífices passou a se estender por toda a porção ocidental do Império.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século 5, enquanto Constantino­pla florescia, os domínios do Império na Europa estavam sendo atacados pelos invasores bárbaros, que acabaram chegando à capital. Quando Átila, rei dos hunos, ameaçou saquear Roma, coube ao papa Leão I negociar com ele. Em 452, ambos se encontraram em Mântua, no norte da Itália. Há quem diga que o papa contou com a intervenção milagrosa de Pedro e Paulo. Outros, mais realistas, lembram que os hunos estavam esgotados e que o papa ofereceu um polpudo resgate. De qualquer modo, Átila deu meia volta. Três anos mais tarde, foi a vez de os vândalos atacarem Roma. Leão não pôde evitar saques, mas convenceu-os a não incendiar o local. O papado tinha virado a única força que se interpunha entre Roma e o caos. Quando a parte ocidental do Império se desintegrou, em 476, isso se tornou ainda mais verdadeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais de dois séculos, Constantinopla tentou virar o jogo contra os bárbaros e recuperar as antigas terras imperiais. Durante algum tempo, o Império do Oriente (hoje mais conhecido como Bizantino) conseguiu impor seu controle no sul da Itália, no norte da África e na própria Roma. Os imperadores bizantinos, porém, tinham a desagradável mania de meter o bedelho em assuntos religiosos. Na sua visão do cristianismo, o imperador estava acima de qualquer um, incluindo o papa. É lógico que isso não pegou bem no Vaticano: “Existem, augusto imperador, dois poderes principais que governam o mundo: a autoridade dos bispos e o poder real. Dentre eles, o poder sacerdotal é muito mais importante”, escreveu o papa Gelásio, que ocupou o cargo de 492 a 496, ao imperador bizantino Anastácio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse cabo-de-guerra, o papado acabou buscando um terceiro elemento para ajudá-lo: o reino bárbaro dos francos (embrião da atual França). Na metade do século 8, os domínios bizantinos na Itália iam mal das pernas e Roma era ameaçada pelos lombardos, uma tribo germânica que havia fundado um grande reino em terras italianas. Em troca do apoio do Vaticano para sua nova dinastia, o monarca franco Pepino, o Breve, invadiu a Itália em 754, derrotou os lombardos e conquistou parte de suas terras. Para revolta dos bizantinos, Pepino doou tudo para o papado. Agora, Roma era a capital de um território independente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre Carlos Magno e os papas haveria de ser ainda mais próxima. Filho de Pepino, ele voltou a invadir a Itália e acabou de vez com o reino lombardo. No Natal do ano 800, o papa Leão III, às voltas com opositores dentro e fora da Igreja, coroou Carlos como imperador do Ocidente, em novo desafio a Constantinopla. Além de ter seu próprio reino, o papa agora era considerado capaz de dar legitimidade sagrada a outros monarcas. No futuro, essa prerrogativa seria usada sempre que necessário – para coroar e derrubar reis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cruzados e depravados&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século 11, nada parecia ameaçar o poder do papado. Bem, quase nada. A expansão do Islã, religião criada no século 7, deixou o Vaticano em alerta. Se os papas controlavam um pedaço generoso da península Itálica, muçulmanos já haviam conquistado territórios que iam da Espanha à Índia. A tensão entre as duas religiões acabou virando guerra. Acuado pelos turcos, o imperador bizantino Aleixo pediu ajuda ao Ocidente. Diante disso, em 1095 o papa Urbano II conclamou os nobres europeus a reconquistar os lugares santos da Palestina que estavam sob o domínio do Islã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos gritos de Deus vult –, “Deus o quer”, em latim –, milhares de europeus de todas as classes sociais e idades se puseram a marchar para o leste. Em 1099, após muito sofrimento, os soldados da Primeira Cruzada tomaram Jerusalém. Mantida à custa de diversas outras Cruzadas, a presença cristã no Oriente Médio perdurou por mais de 200 anos e deu origem a uma lenta revolução intelectual na Europa. De repente, os horizontes culturais e econômicos da cristandade tinham se ampliado. Depois da guerra com os muçulmanos, veio o comércio: objetos de luxo e especiarias voltaram a circular desde a China até a Inglaterra, estimulando trocas que desembocariam, mais tarde, nas grandes navegações. E a parte da herança grega preservada pelo Islã deu combustível para que os europeus redescobrissem seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tempos depois, os filósofos e artistas da Antiguidade foram os maiores inspiradores do Renascimento, a efervescência cultural que tomou conta do território italiano nos séculos 15 e 16. Apesar da influência pagã nessa nova onda, os papas também embarcaram nela. Pontífices como Pio II e Júlio II patrocinaram a arte mais esplendorosa que a humanidade já vira, feita por mestres como Michelangelo e Rafael.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas havia um lado obscuro nesse processo: o gosto artístico refinado era só mais um sintoma de que o papado tinha virado uma simples monarquia, como tantas que existiam Europa afora. Longe dos princípios morais pregados pela religião que comandavam, os papas passaram a ter tantas amantes e ser tão corruptos e violentos quanto qualquer rei secular. “Apesar dos defeitos, os pontífices mais recentes são homens extremamente dignos perto dos papas do Renascimento”, diz o vaticanista espanhol Juan Arias, que foi correspondente em Roma de 1950 a 1992 e hoje trabalha para o jornal El País no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para quem está acostumado com plácidos senhores como João Paulo II ou Bento XVI, é difícil imaginar um papa em plena guerra, à frente de um exército. Bem, foi isso o que fizeram alguns pontífices renascentistas, como Júlio II, que ficou no poder entre 1503 e 1513. Não é à toa que a famosa Guarda Suíça foi fundada por ele. Esses cerca de 200 mercenários eram uma força de elite que protegia Júlio II dentro e fora do Vaticano. Usando uma armadura de prata, o papa liderou pessoalmente milhares de soldados e capturou as cidades italianas de Bolonha, Parma, Reggio e Piacenza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O comportamento incompatível com os ensinamentos religiosos, aliado à corrupção da Igreja, acabou partindo a cristandade ao meio. Em 1517, o teólogo alemão Martinho Lutero deu origem à Reforma Protestante, que pregava uma volta à “pureza original” da fé cristã. As idéias dos reformadores se fixaram rapidamente nos países germânicos e a Inglaterra também acabou entrando no movimento. Pela primeira vez desde Constantino, uma fatia considerável dos cristãos da Europa Ocidental não reconhecia mais a liderança do papa. E outros desastres ainda espreitavam o Vaticano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um novo tempo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o fim da Idade Média, os grandes Estados europeus foram, um a um, criando governos fortes e centralizados, sobrepondo-se às nobrezas regionais. Países como Espanha e França agora se viam como potências independentes, não apenas como membros da cristandade. Cada vez mais se difundia a idéia de que era preciso separar o poder político do poder religioso para que um governo moderno funcionasse bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1789, a Revolução Francesa mostrou que a antiga ordem vigente na Europa estava mesmo com os dias contados. No lugar dos reis, pôs representantes do povo. No lugar da religião, pôs a razão. O exército quase imbatível da França revolucionária, sob o comando de Napoleão Bonaparte, invadiu a Itália em 1796 e, três anos depois, tomou o Vaticano. O papa Pio VI foi levado prisioneiro. Consta que ele teria pedido para morrer em Roma, ao que o general francês Berthier respondeu: “Para morrer, qualquer lugar serve”. Arrastado até Valence, na França, Pio VI não teve nem a honra de um enterro católico: “Óbito do cidadão Braschi (Giovanni Braschi era o nome de batismo de Pio), profissão: pontífice”, dizia o registro de sua morte na prefeitura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O papado só não acabou de vez porque uma coalizão de monarquias conseguiu derrotar Napoleão em 1815. As antigas terras papais na Itália voltaram às mãos dos pontífices. No entanto, ficou difícil desfazer o clima revolucionário. Falava-se cada vez mais de uma Itália unida e democrática, na qual não haveria lugar para o papa. Foi nesse contexto que Pio IX subiu ao poder, em 1846. “Durante algum tempo, ele foi visto como uma esperança de conciliar o papado com o anseio por uma Itália unida”, diz dom Zeno Hastenteufel, bispo de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, especialista em história da Igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pio IX iniciou reformas democráticas no Vaticano. Mas, temendo perder poder, logo acabou com elas, atraindo a inimizade dos que queriam uma Itália unida. O resultado? A perda progressiva de regiões que os papas tinham governado desde a época de Pepino, o Breve. Em 1870 (ano em que, ironicamente, a Igreja declarou que o papa era “infalível”), Roma se tornou a capital do recém-criado Reino da Itália. Como estadistas, os papas voltavam à estaca zero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro da Igreja, ganhou força um movimento para que pelo menos o Vaticano se tornasse autônomo. A idéia amadureceu ao longo dos anos 1920. Péssima hora para fazer política: o fascista Benito Mussolini controlava a Itália. Mesmo correndo o risco de estar fazendo um pacto com o diabo, o papa Pio XI levou as negociações adiante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, a Igreja e o governo Mussolini firmaram o Tratado de Latrão, no qual o Vaticano foi reconhecido como Estado independente, o catolicismo foi declarado religião oficial da Itália e uma polpuda indenização foi paga pela perda dos antigos territórios papais. O dinheiro serviu para vitaminar o Banco do Vaticano, criado no fim do século 19 – e cujo nome oficial é IOR, Instituto para as Obras de Religião. Graças a administradores competentes, o banco se tornaria acionista de empresas importantes dentro e fora da Itália – mas, nos anos 1980 e 1990, seria denunciado por conivência com fraudes e lavagem de dinhei­ro, o que ainda está sendo investigado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O poder da palavra&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autonomia do Vaticano estava garantida. E as relações do papado com os governos totalitários da Europa atingiriam um estágio ainda mais sombrio com Pio XII, que assumiu em 1939. No início dos anos 1930, quando ainda era o cardeal Eugenio Pacelli, ele negociou um acordo com o líder alemão Adolf Hitler. O resultado? O Partido do Centro, a legenda católica alemã, apoiou a lei que deu ao chefe nazista poderes de ditador, em 1933.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoalmente, Pio XII não simpatizava com os nazistas. Mas seu comportamento durante a Segunda Guerra Mundial deu a impressão contrária: preocupado com a segurança dos católicos e dos membros do clero na Europa, ele evitou a todo custo condenar abertamente o Holocausto, mesmo sabendo do extermínio que acontecia nos campos de concentração. E, ao fim do conflito, como muitos dos envolvidos no genocídio judaico na Alemanha e na Croácia eram católicos, eles ganharam uma inestimável ajuda do Vaticano: “O subsecretário de Estado de Pio XII ajudou essas pessoas a obter centenas de vistos para a Argentina”, conta o jornalista espanhol Santiago Camacho em seu livro Biografia Não-Autorizada do Vaticano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pedido de desculpas pela omissão diante dos atos bárbaros dos nazistas só veio com João Paulo II. Apesar de ter feito um pontificado conciliador, buscando inclusive se aproximar de outras religiões, ele também pesou a mão na política. Em 1978, quando o papa deixou de ser apenas o cardeal polonês Carol Wojtyla, metade da Europa vivia sob o regime comunista imposto pela União Soviética, incluindo a Polônia. Pouco mais de dez anos depois, nada restava do império vermelho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crítico do comunismo, João Paulo II transformava suas viagens à Polônia em desafios implícitos ao regime soviético. “O papel do papa na queda do comunismo foi, num certo sentido, restrito à Polônia”, diz o jornalista britânico Neal Ascherson, autor de dois livros sobre o país e testemunha dessas visitas. “Mas foi como uma ponta de lança enfiada nas entranhas do império soviético, uma ferida que nunca sarou. Pela primeira vez, as pessoas tinham a coragem de admitir abertamente que viviam num país ocupado e a se ver como uma nação que podia gerir seu próprio destino.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sucessor de João Paulo II, escolhido em 2005, foi o cardeal alemão Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI. Após dois anos, ele já deu mostras de que o Vaticano continua capaz de catalisar eventos em escala mundial. Em setembro passado, uma palestra do papa na Alemanha colocou os países muçulmanos em polvorosa. Aparentemente, ele teria afirmado que o Islã seria irracional. A Santa Sé já colocou panos quentes na situação. Mas foi um claro exemplo de como o pedaço minúsculo de terra em que os papas reinam é totalmente desproporcional ao poder que ainda têm.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
site:http://historia.abril.com.br/religiao/imperio-vaticano-435295.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/2174391915332289494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/o-imperio-do-vaticano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2174391915332289494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/2174391915332289494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/o-imperio-do-vaticano.html' title='O império do Vaticano'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicSm_qanYp2G5h2hgM80pjyWTenOqblRPKu1-DRAGwilmIHu0zP4POLs97WWHhbXABDbbQDFe5iejqOSPtAo0hPLe4SLRrd4c0Z6hd6Y2afOMn4FC6IlZ0grWGNTE4GfQsU_lxYRYxPl0/s72-c/vaticano.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-5663850760159230037</id><published>2010-12-04T19:47:00.003-02:00</published><updated>2010-12-05T00:32:06.387-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Contemporânea"/><title type='text'>Carrascos nazistas: Felizes para sempre</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWOLZsP6ytscuVFKYJQwSmy8QD1IJ4ZHPhlZLve0-3pGpEdyXLaZBciTHx9D_Zi_zxx3heuAkVeCr4kLqdWyK8_2wzn-geRqDDasnnDmah_X4NYYim09lN_zuXLNAOqOOqxynELLSRFs0/s1600/nazismo.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5546947758684531570&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWOLZsP6ytscuVFKYJQwSmy8QD1IJ4ZHPhlZLve0-3pGpEdyXLaZBciTHx9D_Zi_zxx3heuAkVeCr4kLqdWyK8_2wzn-geRqDDasnnDmah_X4NYYim09lN_zuXLNAOqOOqxynELLSRFs0/s320/nazismo.jpg&quot; style=&quot;cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 254px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Assim que a Segunda Guerra acabou na Europa, em junho de 1945, a derrotada Alemanha foi dividida em quatro zonas, controladas pelos três grandes vencedores – americanos, soviéticos e britânicos – e pelos franceses. Cerca de 1,5 milhão de ex-combatentes alemães voltavam a seu país, vindos de locais como França, Itália e Polônia. Por todo o continente, havia ainda 2,5 milhões de prisioneiros: soldados, oficiais, políticos e colaboradores nazistas, entre os quais estavam responsáveis por um conflito que causou pelo menos 40 milhões de mortes e pelo extermínio de cerca de 6 milhões de judeus, 2 milhões de eslavos e outros 200 mil civis (como ciganos e testemunhas de Jeová).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando cessaram os tiros, um objetivo dominou os vencedores: punir os perdedores. “A punição de criminosos de guerra não se trata de vingança”, afirmou o historiador britânico Eric Hobsbawm no livro Era dos Extremos. “Trata-se de trazer de volta a ordem e a normalidade, restabelecendo a confiança dos povos nos organismos legalmente constituídos.” Segundo Hobsbawm, esse processo de “desnazificação da Europa” não pretendia condenar milhares, mas “punir aqueles que servissem de exemplo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Logo se percebeu que separar quem era culpado de quem era muito culpado seria um desafio enorme. Cerca de 40 mil funcionários públicos americanos, franceses e britânicos foram convocados: um exército de escrivães, advogados e juízes. Só na zona americana, foram instauradas 545 cortes civis para analisar 900 mil casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Menos de seis meses depois da queda de Hitler, os vitoriosos já estavam prontos para acusar e julgar os maiores culpados. Entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro do ano seguinte, o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg decretou 11 condenações à morte, três prisões perpétuas, duas sentenças de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de dez anos. Três acusados foram absolvidos. E pronto. Nos dois anos que se seguiram ao julgamento, 1 milhão de alemães deixaram o país legalmente. Estima-se que outros 100 mil o fizeram de forma ilegal. Entre eles estavam criminosos, carrascos e assassinos. Muitos ficaram impunes para sempre. Quem? Como? Você vai ver a seguir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FUGA EM MASSA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já era noite de 26 de junho de 1945 quando uma patrulha do Exército americano avistou um homem andando numa estrada de terra entre Stuttgart e Ulm, no sul da Alemanha. Detido e interrogado, disse ser Adolf Barth, cabo da Força Aérea alemã. Foi preso. Nos meses seguintes, foi transferido de campo seis vezes e, em cada um deles, apresentou-se com um nome diferente. No início de 1946, conseguiu escapar, atravessou o país e se estabeleceu na zona rural de Eversen, onde viveu isolado. Seu verdadeiro nome era Adolf Eichmann. Ex-coronel da tropa de elite SS e chefe da Gestapo (a polícia secreta de Hitler), ele foi um dos mentores da “solução final”, a operação que pretendia exterminar os judeus da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1950, quando as coisas esfriaram, Eichmann decidiu deixar a Alemanha e foi para a Itália. Lá, em 14 de junho, o consulado argentino em Gênova lhe concedeu visto de imigração em um passaporte com o nome de Ricardo Klement. Comprou uma passagem no navio Giovanna C e, um mês depois, desembarcou em Buenos Aires. Arrumou emprego e levou a família para lá. Seqüestrado por espiões israelenses, foi levado a Telavive, onde foi condenado e executado em 1962.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O senso comum sugere que, antes do fim da guerra, líderes nazistas já tinham planos secretos para salvar a própria pele. Uma dessas rotas de fuga ficaria famosa com o livro O Dossiê Odessa, do britânico Frederick Forsyth. Apesar de ser um romance, baseou-se numa organização real chamada Odessa (sigla em alemão para “Organização de Ex-membros da SS”). Entretanto, pesquisas recentes mostram que esse tipo de iniciativa foi responsável por poucas fugas. “Governos nacionais e instituições completamente legais livraram a cara de muito mais nazistas que organizações secretas”, diz Jorge Camarasa, historiador argentino, autor de Odessa al Sur (“Odessa do Sul”, inédito no Brasil).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rota que Eichmann usou para deixar a Europa, por exemplo, era coordenada pelo bispo austríaco Alois Hudal, reitor de um seminário para padres alemães e austríacos em Roma. Nazista professo, ele foi nomeado pelo Vaticano para visitar os prisioneiros de guerra detidos na Itália. Segundo Camarasa, Hudal usou sua posição para dar fuga a criminosos nazistas procurados. No início, o bispo conseguia documentos falsos para que os prisioneiros fossem libertados e depois os ajudava a se esconder, geralmente no interior da Itália. Quando autoridades começaram a desconfiar do esquema, Hudal percebeu que precisava tirar seus protegidos da Europa. Recorreu a identificações falsas emitidas pela Comissão de Refugiados do Vaticano. “Esses papéis não serviam como passaportes, mas era com eles que os fugitivos adquiriam nova identidade e, assim, conseguiam auxílio junto à Cruz Vermelha, que, por sua vez, era usada para conseguir vistos”, afirma o jornalista australiano Mark Aarons, co-autor de Unholy Trinity (“Trindade profana”, sem versão em português). “Em teoria, a Cruz Vermelha deveria checar os registros de quem solicitava vistos de saída, mas na prática a palavra de um padre ou, principalmente, de um bispo era suficiente.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior rota de fuga de nazistas, porém, foi criada por uma rede de padres liderada pelo bispo croata Krunoslav Draganovic. “A organização fixou seu quartel-general no Seminário de São Girolamo, em Roma. Inicialmente, seu foco era tirar dos territórios ocupados pelos soviéticos os membros do partido nazista croata”, afirma Uki Goñi, historiador argentino, autor de A Verdadeira Odessa. “Com o tempo, a rota de Draganovic tornou-se a principal via de fuga dos criminosos nazistas, tirando mais de 5 mil deles da Europa.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
AMÉRICA LATINA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os picos nevados de Bariloche, nos Andes argentinos, um imigrante alemão levou uma vida pacata por quase 50 anos. Dono de uma confeitaria chamada Viena, don Erico morava com a mulher, Alice, no segundo e último andar de um prédio na praça Belgrano, alugando o primeiro pavimento para um orfanato. A dois quarteirões dali, um certo Juan Maler ergueu o hotel Campana, onde vivia, escrevendo livros de pregação nazista. Em 1994, a rede de TV americana ABC descobriu que Maler era Reinhard Kops, ex-capitão da SS. Desmascarado diante das câmeras, Kops dedurou: “Por que correm atrás de mim, se o pior dos nazistas da Argentina vive aqui ao lado?” Don Erico, o simpático confeiteiro, era Erich Priebke, ex-capitão da Gestapo e co-autor de um massacre de 330 civis italianos em Roma, em 1944.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acusar o vizinho deu certo para Kops, que se escondeu no Chile. Ele nunca foi julgado e, dois anos depois, retornou a Bariloche, onde publicou textos hitleristas até sua morte, em 2001. Já Priebke, após uma batalha judicial de 17 meses, foi extraditado para a Itália. Lá, foi condenado por homicídio múltiplo, mas escapou da prisão perpétua – seu crime prescrevera em 1974, 30 anos depois de ser cometido. Ele foi solto, mas a Justiça italiana anulou o julgamento. Hoje, Priebke está em prisão domiciliar em Roma. Não há data para um novo julgamento. Com 94 anos, ele é o prisioneiro mais velho da Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o argentino Uki Goñi, interesses econômicos e pressão da Igreja Católica e das comunidades de imigrantes podem explicar por que a América Latina se tornou o destino predileto dos nazistas. “Meu país tem uma peculiaridade, por ter feito um esforço dirigido – ou iniciado – pelo presidente Juan Perón para trazer esses criminosos de guerra”, afirma Goñi. As razões de Perón, segundo ele, incluíam gratidão (os nazistas o ajudaram entre 1943 e 1945) e simpatia pelos ideais fascistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro passo para contrabandear nazistas da Europa para a Argentina, de acordo com Goñi, foi dado em janeiro de 1946, quando Antonio Caggiano, bispo de Rosário, foi a Roma para ser ordenado cardeal. Lá, segundo arquivos diplomáticos argentinos, ele transmitiu ao cardeal francês Eugéne Tisserant a mensagem de que “o governo da República da Argentina está disposto a receber cidadãos franceses, cuja atitude política durante a recente guerra pode tê-los exposto a medidas cruéis e retaliações”. Nos meses seguintes, entre 300 e 500 colaboracionistas franceses foram para a Argentina com passaportes fornecidos pela Cruz Vermelha em Roma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro fator que engrossou o número de nazistas na América Latina foi o uso de criminosos de guerra como informantes e espiões na Guerra Fria (por britânicos e americanos de um lado e soviéticos de outro). Muitos deles foram salvos da prisão e encaminhados ao Cone Sul. Foi o caso de Klaus Barbie, ex-diretor da Gestapo, que ordenou, na França, a execução de civis e o envio de crianças para Auschwitz. Em 1947, ele se tornou agente do serviço secreto americano e, depois, acabou fugindo para a Bolívia. Descoberto em 1971, só foi deportado em 1983. Quatro anos depois, foi condenado na França pela morte de 177 pessoas. Morreu de leucemia em 1991, numa prisão de Lyon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PORTO SEGURO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a presença de criminosos nazistas também foi grande. O caso mais famoso foi o do médico Josef Mengele, que usava humanos como cobaias de suas experiências macabras em Auschwitz (ele morreu impune, afogado após uma bebedeira em Bertioga, no litoral paulista, em 1979). O envolvimento das autoridades brasileiras na entrada de criminosos de guerra é um assunto polêmico. Mas chovem indícios de que os nazistas contaram com boa vontade para entrar no país. Nos mais de 20 mil documentos dos arquivos da antiga Delegacia de Ordem Política e Social (Deops) liberados pelo governo federal em 1997, há cartas trocadas entre as representações brasileiras em Roma e Berlim que mostram como nossa diplomacia fechou os olhos para o passado nazista de empresários, engenheiros e ex-militares – que eram encorajados a declarar falsos nomes e profissões ao vir para cá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Especialistas levantam a hipótese de que o próprio presidente Eurico Gaspar Dutra, que assumiu em 1946, sabia do que se passava. Para Marionilde Brephol Magalhães, historiadora da Universidade Federal do Paraná e autora de Pangermanismo e Nazismo – A Trajetória Alemã Rumo ao Brasil, além da simpatia que setores do governo e do meio militar tinham pelos nazistas, Dutra acreditava que técnicos e cientistas alemães poderiam ajudar na industrialização do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um problema ainda maior que a falta de controle na entrada teria sido a falta de disposição para prender e extraditar os criminosos descobertos por aqui. A tolerância do governo brasileiro logo ficou conhecida e intensificou a vinda de nazistas. Alguns nem se deram ao trabalho de mudar de nome, como Franz Stangl. Comandante dos campos de extermínio de Sobibor e Treblinka, na Polônia, ele chegou a ser preso na Áustria em 1945, mas conseguiu escapar para a Síria, onde reuniu-se à esposa e aos filhos. Segundo registros da Deops, desembarcou no Brasil em 1951 e, tempos depois, conseguiu emprego numa fábrica da Volkswagen, em São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Stangl só foi preso em 1967, após denúncia do “caçador de nazistas” Simon Wiesenthal (veja quadro na pág. 28). Levado para a então Alemanha Ocidental, foi julgado pela morte de 900 mil pessoas – fato que admitiu à jornalista de origem húngara Gitta Sereny, em depoimento publicado no livro Into the Darkness (“Nas Trevas”, inédito no Brasil). “Minha consciência está limpa. Eu só estava fazendo meu dever”, disse. Condenado à prisão perpétua em outubro de 1970, Stangl morreu de ataque do coração oito meses depois, numa prisão de Dusseldorf.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro que ostentou o próprio nome no Brasil foi o austríaco Gustav Wagner, um dos responsáveis pelo campo de extermínio de Sobibor. Enquanto era condenado à morte pelo Tribunal de Nuremberg, o fugitivo Wagner trabalhava como operário em Graz, na Áustria. Ali encontrou o ex-colega Stangl e com ele escapou para a Síria. Chegou a São Paulo com passaporte suíço em 12 de abril de 1950 e foi morar em um sítio em Atibaia, São Paulo, onde fez um chalé no estilo da Bavária. Chamado de “seu Gustavo” pelos vizinhos, foi detido em maio de 1978, ao se apresentar na Deops para desmentir uma reportagem em que era acusado de participar de uma festa em homenagem a Hitler.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por sua idade avançada, Wagner foi transferido para uma clínica e depois mandado para casa. As autoridades brasileiras já haviam recusado pedidos de extradição feitos por Israel, Áustria e Polônia quando, em 18 de junho de 1979, a rede de TV britânica BBC levou ao ar uma entrevista com Wagner. “Eu não guardo nenhum sentimento daqueles dias (...). À noite, nós nunca discutíamos nosso trabalho, só bebíamos e jogávamos cartas”, disse. Quatro dias depois, seu pedido de extradição para a Alemanha Ocidental também foi negado. Em outubro de 1980, Wagner foi achado morto com uma facada no peito. A polícia concluiu que ele se matou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lista não acaba aí. Acusado de participar da morte de 30 mil judeus em Riga, na Letônia, o capitão-aviador Herbert Cukurs fugiu para a França, onde obteve visto para vir ao Brasil em 1946. No Rio de Janeiro, ele trabalhou na Fábrica Brasileira de Aviões. Logo depois montou um negócio, alugando pedalinhos na praia de Icaraí, em Niterói. Em 1948, foi reconhecido. Sua casa foi pichada e seu nome saiu nos jornais, mas ele nunca foi preso. Na década de 1950, mudou-se com a família para Santos e depois para São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1960, Cukurs tentou se naturalizar. Foi quando a polícia paulista tomou seu único depoimento, em 6 de junho. No dia 7, os policiais ouviram Frida Schmuskovits, sobrevivente dos campos de extermínio da Letônia. Sobre os massacres de judeus, ela relatou que “a matança era feita por ordem de Herbert Cukurs”. Com a naturalização negada, Cukurs foi para Montevidéu em 1965, ao lado de um amigo que ele conhecera um ano antes e se apresentava como o austríaco Anton Kunzle. Dois dias após chegar ao Uruguai, Cukurs foi encontrado numa mala. Tinha marcas de tiros e a cabeça destruída a marteladas. Num comunicado à imprensa, um grupo autodenominado “Aqueles que Não Esquecem” assumiu o assassinato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ÚLTIMA CHANCE&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chovia pouco em Viena, na manhã de 16 de dezembro de 2005, quando alguns familiares viram o corpo de Heinrich Gross, morto na véspera, aos 91 anos, ser baixado ao túmulo. Psiquiatra e neurologista de renome, Gross ocupava, desde 1962, uma cadeira na Academia Austríaca de Ciência. Mas é outra parte de sua biografia que nos interessa. Entre 1940 e 1945, o doutor Gross dirigiu o programa nazista de pesquisas de eugenia baseado em Viena. Em sua clínica, ele coordenou experimentos médicos e farmacológicos que vitimaram mais de 700 crianças. Após a guerra, Gross desapareceu. Ressurgiu seis anos depois, em Viena, como professor. Em 1956, foi nomeado perito da Justiça para avaliar criminosos com problemas mentais. Só em 1994 acadêmicos da Universidade de Viena perceberam que o simpático velhinho e o cruel cientista eram a mesma pessoa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das tentativas de levar Gross aos tribunais, ele nunca foi preso – houve pouca movimentação por parte de promotores e juízes, com quem tantas vezes ele havia trabalhado. Em 2002, quando foi enfim convocado por uma corte vienense, Gross, aos 89 anos, mostrou-se senil e, segundo seu advogado, não conseguia entender o interrogatório. O médico foi declarado inapto para ser julgado e saiu pela porta da frente do prédio, caminhando com uma bengala. Viveu em paz até morrer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gross se enquadra num grupo de nazistas que nunca fugiu, mas desapareceu nos desvãos da burocracia. Há quem aceite o esquecimento. Não é o caso do Centro Simon Wiesenthal (CSW), que desde 1977 reúne informações sobre nazistas. “Genocídio e assassinato em massa nunca prescrevem”, afirma o israelense Efraim Zuroff, diretor do CSW em Jerusalém. Segundo o último relatório da entidade, de 2006, 458 pessoas estão sendo investigadas por crimes de guerra e, de janeiro de 2001 a dezembro de 2006, 41 nazistas foram condenados no mundo. Segundo Zuroff, outros poderiam ir a julgamento se houvesse mais empenho dos países que os abrigam. “O mais difícil não é encontrar os criminosos, mas levá-los a julgamento.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome mais recente entrou na lista da CSW em julho de 2006. Num evento social, um sujeito não parava de se gabar de seu papel na deportação de judeus para Auschwitz. Um jovem anotou seu nome e procurou o CSW. “Descobrimos que era Sandor Kepiro, húngaro condenado pela morte de mais de 1200 civis em janeiro de 1942, na cidade de Novi Sad, então parte da Hungria, atualmente na Sérvia”, conta Zuroff. Aos 93 anos, Kepiro mora em Budapeste e aguarda a Justiça determinar se ele terá de cumprir a pena de 14 anos de prisão que recebeu em 1948.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os nazistas ainda foragidos, o mais eminente é o médico austríaco Aribert Heim, que serviu em três campos de extermínio, Sachsenhausen, Buchenwald e Mauthausen, onde centenas de pessoas foram mortas com injeções de fenol no coração. “Heim foi preso pelos americanos na Bélgica em março de 1945, mas foi solto dois anos depois”, diz Zuroff. Livre, Heim voltou à medicina e, em 1962, foi processado na Alemanha Ocidental. Enquanto aguardava julgamento, fugiu. Desde então, foi visto na Argentina, Egito, Uruguai e Espanha. Era dado como morto até que, três anos atrás, a polícia alemã descobriu uma conta bancária em nome de Heim com mais de 1 milhão de euros. O fato de seus filhos nunca terem sacado o dinheiro levou as autoridades a concluir que ele ainda está vivo. Uma força-tarefa foi montada para encontrá-lo. Seu paradeiro, no entanto, permanece um mistério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
site:http://historia.abril.com.br/guerra/carrascos-nazistas-felizes-sempre-435351.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/5663850760159230037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/carrascos-nazistas-felizes-para-sempre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5663850760159230037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5663850760159230037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/12/carrascos-nazistas-felizes-para-sempre.html' title='Carrascos nazistas: Felizes para sempre'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgWOLZsP6ytscuVFKYJQwSmy8QD1IJ4ZHPhlZLve0-3pGpEdyXLaZBciTHx9D_Zi_zxx3heuAkVeCr4kLqdWyK8_2wzn-geRqDDasnnDmah_X4NYYim09lN_zuXLNAOqOOqxynELLSRFs0/s72-c/nazismo.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-5168719139946058772</id><published>2010-11-30T22:32:00.003-02:00</published><updated>2010-12-01T04:11:13.337-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Média"/><title type='text'>A fúria Viking</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEdPxJJimDzHEN8CmECV04xGLc0uhRh3eZUkngpG9k-NvWCwb5lDvEjxtj3_H6YAOHD8fZOrxa5oMyOspYJNgJG0g7YDfXDT9zVcJxc7sjpRpcVGiRok1CmToCK8-UIoRCl-pq3T19PQA/s1600/images.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5545506013897444930&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEdPxJJimDzHEN8CmECV04xGLc0uhRh3eZUkngpG9k-NvWCwb5lDvEjxtj3_H6YAOHD8fZOrxa5oMyOspYJNgJG0g7YDfXDT9zVcJxc7sjpRpcVGiRok1CmToCK8-UIoRCl-pq3T19PQA/s320/images.jpg&quot; style=&quot;cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 253px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 199px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
No fim do século 8, a ilha de Lindisfarne, na costa nordeste da Inglaterra, abrigava agricultores, pastores e religiosos. Era um local sagrado, onde Santo Aidan havia vivido 100 anos antes. Todos os tesouros do povoado se resumiam a um punhado de objetos de culto, como cálices e hostiários feitos de metais preciosos, que ficavam guardados num mosteiro. Como a maioria da Europa era cristã, os moradores de Lindisfarne podiam até temer uma invasão, mas tinham certeza de que suas relíquias religiosas jamais seriam tocadas. Toda essa confiança ruiu em 8 de junho de 793. Foi quando uma horda de homens desembarcou na ilha, vinda das gélidas ter­ras do norte. Com ferocidade e rapidez, eles saquearam o mosteiro e mataram os monges que cuidavam dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A invasão de Lindisfarne foi só o começo. Ela marcou o início da Era dos Vikings. Entre o fim do século 8 e a metade do século 11, boa parte da Europa seria aterrorizada pelos guerreiros escandinavos. Primeiro na costa britânica, depois no resto do continente, os europeus descobriram que nada era páreo para os vikings. Nem crenças celestes nem tampouco regras terrenas. Não foi à toa que seu nome se originou do termo nórdico vik, que se refere a alguém que espreita em uma baía – em outras palavras, um pirata. Pagãos, os vikings não diferenciavam camponeses de monges ou tesouros de relíquias cristãs. Para eles era tudo igual, o que chocou os cronistas europeus da época, que descreviam os vikings como “bárbaros” sem piedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Na verdade, o campo de batalha era uma espécie de paraíso para os nórdicos. O céu de sua religião, Valhala, nada mais era que uma eterna guerra. Eles acreditavam que, nessa espécie de Olimpo, os vencedores de cada dia eram convidados a comemorar com Odin – um de seus principais deuses – o sucesso obtido em mais uma luta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suas incursões, além de saquear, os vikings faziam escravos. Mas os escandinavos também praticaram pacificamente o comércio e estabeleceram colônias em locais como França, Alemanha, Países Baixos e Rússia. “Os vikings não eram apenas senhores da guerra”, afirma a arqueóloga dinamarquesa Else Roesdahl no livro The Vikings (sem edição no Brasil). “Eles também eram exploradores que colonizaram terras até então desabitadas do Atlântico Norte – Ilhas Faroe, Islândia e Groenlândia –, e foram os primeiros europeus a chegar à América.” Apesar de os vikings terem superado o navegador Cristóvão Colombo em cinco séculos, a fama de implacáveis permanece sendo sua imagem mais forte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Invasões bárbaras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em vastas terras que hoje pertencem a Suécia, Dinamarca e Noruega, os vikings viviam da agricultura, da pesca e do comércio (de peles, madeira, trigo, peixes, metais e, eventualmente, de escravos). A sobrevivência era bastante complexa, porque os recursos eram escassos – e o frio, de doer. Ao contrário do que ocorreu em boa parte da Europa, os vikings nunca sofreram uma invasão romana e, por causa disso, eram bem diferentes dos outros povos do continente. Eles compartilhavam a mesma cultura, mas não formavam uma sociedade unificada. Boa parte deles vivia dividida em comunidades menores, cada uma comandada por um líder guerreiro. A falta de divisões políticas muito organizadas se refletiu nas invasões vikings da Europa: em vez de grandes exércitos obedecendo a um rei, muitas vezes as pilhagens eram feitas por pequenos grupos de homens (que depois dividiam o espólio entre si).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Navegando para longe de sua terra natal, os nórdicos se estabeleceram mais ao sul. Cidades como York, na Grã-Bretanha, e Dublin, na Irlanda, tiveram assentamentos vikings. Eles desembarcaram nessas regiões no século 9, aproveitando o clima mais ameno. O contato com as comunidades locais não era necessariamente violento. Afinal de contas, muitos vikings aceitavam se converter ao cristianismo. “Devemos lembrar que o nacionalismo extremo é um fenômeno histórico recente. Naquela época, a Inglaterra estava dividida em pequenos reinos (...) e os dinamarqueses eram rapidamente aceitos”, afirma o historiador sueco Holger Arbman no clássico The Vikings (inédito no Brasil).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Europa continental, os vikings fizeram por merecer sua fama de guerreiros implacáveis. Aproveitando a versatilidade de seus barcos, eles navegaram pelo rio Sena até chegar a Paris. Por duas vezes, em 845 e 860, chegaram, pilharam sem enfrentar grande resistência e, quando ficaram satisfeitos, foram embora. Em novembro de 885, eles voltaram. Mas encontraram uma cidade bem mais protegida. Guaritas haviam sido construídas, assim como pontes móveis de madeira, usadas para impedir a entrada de navios inimigos. Teve início, então, uma especialidade viking: o cerco. Eles costumavam cercar as cidades para sufocá-las e, normalmente, exigiam pagamentos para se retirar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os parisienses resistiram por quase um ano ao assédio de um dos maiores esforços vikings de guerra: 30 mil homens, que chegaram em 700 embarcações. Foram salvos pela chegada do exército do Sacro Império Romano. Quando o embate acabou, os vikings envolvidos nele se dispersaram. Um dos líderes nórdicos, Rollo, resolveu permanecer na região. Ganhou uma fatia de território na Normandia para se estabelecer e, em troca, deveria proteger os francos de novos ataques de seus compatriotas. Rollo mudou o nome para Robert e se converteu ao cristianismo – dando origem a uma linhagem que, mais tarde, conquistaria parte da Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ataques à França, às ilhas britânicas e à Espanha eram realizados pelos vikings que viviam nas atuais Noruega e Dinamarca. Seu alvo preferencial era a Irlanda: na primavera, os ventos da costa norueguesa levavam os barcos até lá sem muito esforço. Os saques podiam durar até o outono, quando surgiam os ventos que traziam os nórdicos de volta para casa. Já os vikings do território que hoje corresponde à Suécia costumavam partir para o mar Báltico, onde pilhavam as atuais Polônia, Letônia, Lituânia e Rússia. Quando o objetivo era o comércio, eles iam ainda mais longe: navegando pelos rios Volga e Dnieper, chegaram até Constantinopla, então capital do Império Bizantino. Mas, por ter saqueado a cidade em 860, incendiando igrejas e casas, os vikings eram vistos com desconfiança por lá. Quando vinham comercializar seus produtos, eles tinham que deixar suas armas fora das muralhas de Constantinopla e não podiam entrar em grupos com mais de 50 pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em túmulos vikings na Suécia, foram encontradas moedas cunhadas em Bagdá, o que indica que nórdicos percorreram muito chão – e água – para vender seus produtos aos árabes. Grande parte do que se sabe sobre os vikings, aliás, foi descoberto graças a seus túmulos. Os líderes nórdicos eram enterrados com tesouros, armas e objetos pessoais, incluindo os barcos (é por causa desse costume que sabemos tanto sobre as embarcações vikings, preservadas debaixo da terra). Em alguns sepultamentos foram encontrados corpos de mulheres – provavelmente concubinas, assassinadas e enterradas ao lado do amante morto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
América, ano 1000&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o que fez os vikings se distanciarem tanto de seus territórios? “Sugerem-se várias motivações para o surgimento repentino dos vikings em meados do ano 800. A superpopulação na terra de origem é vista como um dos fatores principais”, afirma o historiador britânico Mark Harrison no livro The Vikings: Voyagers of Discovery and Plunder (“Os vikings: viajantes das descobertas e pilhagens”, inédito no Brasil). O excedente populacional era agravado pela falta de recursos naturais da Escandinávia. Procurando novas terras, grupos noruegueses e dinamarqueses chegaram a ilhas próximas, como as Faroe. Depois, partiram para locais mais remotos, como a Islândia e a Groenlândia. Foi nessa grande ilha gelada que se estabeleceu Eric, o Vermelho, líder expulso da Escandinávia por assassinato. Seu filho Leif Ericsson, entretanto, não se contentou em ficar por lá e decidiu se aventurar no oceano Atlântico, liderando um grupo de guerreiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A recompensa de Ericsson e seus homens foi descobrir a América. Um sítio arqueológico descoberto em L’Anse aux Meadows, na costa leste do Canadá, prova que eles fizeram isso por volta do ano 1000 – segundo os pesquisadores que trabalham no local, o assentamento de Ericsson deu origem à lendária Vinland, a terra das vinhas descrita no folclore viking. Mas os nórdicos não ficaram muito tempo no continente recém-encontrado. Os ataques dos povos locais e a dificuldade de sobrevivência fizeram com que, após três anos, o grupo voltasse para casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que Ericsson retornou ao lar, a fúria expansionista dos vikings começava a entrar em declínio. Uma das últimas grandes batalhas em que eles se envolveram foi na Irlanda, em 1014. Brian Boru, rei irlandês, pretendia unificar suas terras e entrou em conflito com o líder viking Sigtrig Barba de Seda. O conflito deu origem à batalha de Clontarf, nos arredores de Dublin. Havia vikings dos dois lados, e os homens de Boru despacharam os de Sigtrig em direção ao mar. Em 1066, o duque da Normandia, William, conseguiu expulsar os vikings da Danelaw, região que os nórdicos habitaram durante quase dois séculos na Inglaterra. Na Escócia, contudo, muitos duques descendentes de escandinavos permaneceram no poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fim dos ataques vikings coincidiu com o avanço do cristianismo entre eles. Nas ilhas britânicas, os nórdicos que não foram expulsos acabaram se adaptando à cultura e à religião local (na Inglaterra, por exemplo, é raro encontrar túmulos pagãos construídos depois do ano 950). Ao fim do século 10, muitos moradores da própria Escandinávia já eram cristãos. Com a nova religião, o ímpeto por conquistas se dissipou. Mas jamais foi esquecido, permanecendo em lendas contadas até hoje nos locais onde houve colônias vikings.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
site:http://historia.abril.com.br/comportamento/furia-viking-435434.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/5168719139946058772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/11/furia-viking.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5168719139946058772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/5168719139946058772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/11/furia-viking.html' title='A fúria Viking'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEdPxJJimDzHEN8CmECV04xGLc0uhRh3eZUkngpG9k-NvWCwb5lDvEjxtj3_H6YAOHD8fZOrxa5oMyOspYJNgJG0g7YDfXDT9zVcJxc7sjpRpcVGiRok1CmToCK8-UIoRCl-pq3T19PQA/s72-c/images.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-6180294371469343302</id><published>2010-11-30T22:26:00.003-02:00</published><updated>2010-12-01T04:10:59.691-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Média"/><title type='text'>Gêngis Khan: A Fúria Mongol</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqhxQp-ErX7_Voc0k2xSd3LxyjnxgwS2CcFRu-YOiZd2rtwz8bmAnbYbk0ZxQ34Gon-Vk7Y_KDAgvAQ4p8TEhgo8Pca329u9PHNFhw6OC65n-PUNR0yhLgdZALjrug3BtAhwvokGUv4UU/s1600/gengis-khan.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5545504284189979938&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqhxQp-ErX7_Voc0k2xSd3LxyjnxgwS2CcFRu-YOiZd2rtwz8bmAnbYbk0ZxQ34Gon-Vk7Y_KDAgvAQ4p8TEhgo8Pca329u9PHNFhw6OC65n-PUNR0yhLgdZALjrug3BtAhwvokGUv4UU/s320/gengis-khan.jpg&quot; style=&quot;cursor: hand; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
O ano é 1215. Zhongdu, capital do Império Jin, cai na segunda tentativa de invasão pelos mongóis. Um ano antes, um pesado tributo foi pago e os bárbaros das estepes se foram. Desta vez, porém, nem os muros de pedra com 12 metros de altura, nem a chuva de setas despejada pelos mais de mil arqueiros postados no alto das torres foi capaz de deter o cerco. Quem não fugiu se arrependeu. A cidade foi saqueada e destruída. Seus habitantes foram mortos ou escravizados. Zhongdu, mais tarde rebatizada como Pequim, foi mais uma vítima da máquina de guerra comandada por Gêngis Khan.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus 72 anos de vida, o líder mongol amealhou o maior império em extensão que um único homem já conquistou, da costa do Oceano Pacífico ao Mar Cáspio. Seus descendentes chegaram à Europa e ao Golfo Pérsico. “É a carreira militar mais fulminante da história. É como se um chefe de uma tribo indígena brasileira conquistasse hoje a América do Sul”, afirma Mario Bruno Sproviero, professor de Língua, Literatura e Cultura Chinesas da Universidade de São Paulo. A comparação faz todo sentido. Além de dispersos geograficamente, os mongóis não possuíam leis escritas, na verdade não tinham sequer escrita. Não conheciam a agricultura e seus modos eram pouco civilizados mesmo para os padrões da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Não tomavam banho, comiam carne crua e viviam infestados de piolhos e outros parasitas. Na guerra, eram impiedosos: pilhavam seus vizinhos, matavam os homens com crueldade ímpar, raptavam as mulheres e escravizavam seus filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas nem só o terror construiu o império de Gêngis Khan. Ele foi um líder carismático, com profundo senso de justiça. Atos de bravura conquistavam seu coração e os guerreiros mais valentes, mesmo entre os inimigos, eram recompensados com posições de comando em suas tropas. Por outro lado, os traidores eram castigados com a morte. O líder era grato até o último fio de sua barba aos amigos e respeitava a religião alheia, incorporando cristãos, budistas e muçulmanos em seus quadros. Valorizava o conhecimento a seu modo: entre os prisioneiros, aqueles que tinham profissões ou alguma habilidade eram enviados para Caracorum, fortaleza militar que servia de capital para os mongóis. Como escravos, que fique claro, mas vivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Temudjin, seu nome verdadeiro, nasceu por volta de 1165, à beira do Rio Onon, no noroeste da Mongólia, uma vastidão de terras planas e clima árido, ocupada pelos turcos até o século 12. Ali viviam diversas tribos nômades, organizadas em clãs. Entre as mais importantes estavam os tártaros, os caraítas, os merquitas, os naimanos, os quirquizes, os oirates e, é claro, os mongóis. Aos 8 anos de idade, após a morte se seu pai, Yesugai, envenenado pelos tártaros, Temudjin e sua família foram abandonados com poucas posses e alguns cavalos. Eles viviam da caça de pequenos animais, dos peixes do Rio Onon, da coleta de frutos e do leite das éguas. Aos 15 anos, Temudjin já almejava assumir a liderança da família, então composta pela mãe, três irmãos, a segunda esposa de seu pai e dois meio-irmãos. Um deles, Bekter, também era candidato ao posto de chefe do grupo. Temudjin sabia que nas estepes, a única forma de se livrar da concorrência era eliminá-la. Durante uma pescaria, ele matou o meio-irmão com uma flechada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem Temudjin não parou mais de eliminar quem tivesse a coragem, ou o azar, de cruzar seu caminho. Os laços familiares entre tribos e clãs tornavam constantes as rivalidades: mulheres, butins ou cavalos, eles só precisavam de um motivo, às vezes nem isso, para acender velhas vinganças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 18 anos, Temudjin entrou numa dessas refregas com os merquitas (leia quadro na página 39). Ele tinha poucas posses e nenhuma força fora de seu clã, e para enfrentar seus inimigos pediu ajuda a Toghrul, líder dos poderosos caraítas, e ao amigo Jamuka, influente chefe militar de um clã aliado. Juntos, eles reuniram cerca de 40 mil homens e, sob a liderança de Temudjin, derrotaram os merquitas. Naquela imensidão inóspita, porém, as alianças eram como os períodos do dia, não como as estações do ano. E aquele que era seu irmão pela manhã podia tornar-se seu pior inimigo ao cair da noite. Temudjin e Jamuka eram amigos desde crianças e chegaram a dividir a mesma ger (uma espécie de cabana leve, típica dos povos nômades) para enfrentar os invernos mais rudes. Agora adultos, ambos almejavam a mesma coisa: tornar-se o líder das estepes. Com a vitória sobre os merquitas, Temudjin havia conquistado a admiração de seus comandados e, portanto, mais poder que o amigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, entre os mongóis, sempre que havia uma crise: havia uma guerra. Jamuka reuniu 30 mil homens de 13 tribos diferentes e atacou Temudjin, em 1187. Quem morreu atingido por flechas envenenadas ou golpes de lança foi considerado um sujeito de sorte. Os naimanos a comando de Jamuka ferveram os líderes das tropas de Temudjin em caldeirões. Os mongóis, que eram xamanistas, acreditavam que ao cozinhar seus inimigos, seus espíritos nunca iriam assombrá-los. Jamuka amarrou as cabeças de dois soldados mortos em seu cavalo e desfilou pelo campo de batalha. Uma mensagem de horror ao líder rival, que conseguira escapar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A derrota obrigou Temudjin a quase dez anos de exílio, tempo que passou na China. Para voltar, ele só tinha uma alternativa: promover outra guerra. Com a ajuda do velho aliado, Toghrul, ele liquidou os tártaros, dando início a uma época de terror que lhe daria fortuna e fama entre as outras tribos. Temudjin tornou-se cada vez mais temido e poderoso. Em mais uma uma reviravolta, ele virou-se contra Toghrul e assumiu o controle dos caraítas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faltava agora acertar as contas com Jamuka. Catorze anos depois, eles voltaram a se encontrar e, dessa vez, o exército de Temudjin derrotou a força mais poderosa com que havia cruzado até então. Quando Jamuka percebeu que a batalha estava perdida, escapou acompanhado apenas por alguns de seus homens. Durante a fuga, sua escolta mudou de lado: Jamuka foi atacado e preso. Como Temudjin estava ficando muito poderoso e Jamuka cada vez mais isolado, seus homens decidiram se juntar ao vencedor, imaginando que ao entregar seu líder, ganhariam a gratidão do inimigo. Mas, para Temudjin, a traição era um ato imperdoável, mesmo quando isso o beneficiava. Ele prendeu todos e ordenou que fossem decapitados. Jamuka foi poupado para que visse a morte de seus traidores. Depois disso, também foi executado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O soberano infinito&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Jamuka, Temudjin era o líder de fato dos mongóis. Faltava tornar-se líder de direito. Em 1206, o ano do Tigre, um Kuriltai (uma espécie de assembléia), foi convocado entre os mandatários das dezenas de tribos que viviam nas estepes. À beira do Rio Onon, eles se reuniram e declararam que Temudjin passaria a ser chamado Chingis Khan (Gêngis é a versão persa do nome, que ficou famosa por terem sido eles os primeiros a relatarem sua história), que significa “soberano do oceano”. Não se sabe exatamente qual o significado do título, considerando que os mongóis não tinham lá muita intimidade com a água salgada. A explicação mais provável é a de que sendo o oceano a maior coisa que eles conheciam, chamar seu líder assim era compará-lo a algo sem fim, eterno. O soberano infinito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O líder militar deixou momentaneamente a espada de lado para compilar uma série de leis chamada Yasak que, entre outras coisas, instituíam o serviço militar obrigatório a partir dos 15 anos e a condenação à morte em casos de furto e adultério. Pela primeira vez na história dos mongóis, um líder estava acima de todos os chefes tribais e de suas tradições e leis orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, Gêngis Khan retomou suas campanhas militares, desta vez, levando suas ambições a lugares mais distantes. Sua motivação era conquistar terras para pastagens, saquear e fazer escravos. Era a única forma que conheciam de adquirir riquezas. Não comercializavam, não tinham muito o que vender a não ser cavalos. Seus cavalos, aliás, eram o ponto forte de seu exército, que além da excelente técnica para combate sobre montaria não possuía nenhuma outra característica peculiar. Não era especialmente bem armado nem utilizava estratégias inovadoras. No entanto, seus homens eram muito organizados e disciplinados. Generais e soldados comiam a mesma comida, usavam as mesmas roupas e armas. Isso fazia com que as lideranças fossem respeitadas. O avanço rápido e arrasador se deve, acima de tudo, ao terror que Gêngis Khan impunha em seus adversários. A matança provocada por suas tropas não se limitava ao campo de batalha. Os mongóis não negociavam rendição ou tratados de paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando entravam em combate, não poupavam nobres ou governantes e assassinavam populações inteiras, como aconteceu com os tártaros. Depois, destruíam tudo que não podiam carregar. A fama de implacável fez com que muitas cidades que estavam em seu caminho preferissem se render, pagar tributos e entregar mulheres e escravos, a correr o risco acabar sendo massacradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1207, quando Gêngis Khan iniciou a longa campanha na China, seu nome já era conhecido. Foram sete anos até que chegasse às muralhas de Zhongdu. Com quase 1 milhão de habitantes, a capital dos Jin – que dominavam o norte da China, dividida após a queda da dinastia Tang – era cercada por imensos muros e centenas de postos protegidos por arqueiros. Ligações subterrâneas de abastecimento permitiram que a cidade resistisse até o ano seguinte. Em 1215, no entanto, Khan conseguiu romper o cerco e invadiu a cidade. Lá, sua tropa destruiu aquilo cuja utilidade não conhecia, ou seja, quase tudo. As mulheres foram levadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os homens com habilidades especiais, como os artesãos, foram escravizados, e os demais sumariamente assassinados. Um massacre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As incursões na China não aplacaram o apetite Gêngis Khan por novas conquistas. Pelo contrário. Em 1217, após sufocar uma rebelião dos caraquitais, ele entrou em choque com império muçulmano de Khwarazm – uma das possessões turcas na região que havia composto a Pérsia e que se estendia do Mar de Aral ao norte do Golfo Pérsico, na Ásia Central. Na época, esse era o maior poderio militar do continente asiático. No início, as relações entre Gêngis Khan e sultão Maomé II foram boas. Mas não seriam assim por muito tempo. Maomé acusou os mongóis de saquearem caravanas turcas que voltavam da China e, em represália, matou os embaixadores mongóis. Foi a gota d’água. Liderado pelo próprio Khan, um enorme exército de 200 mil homens invadiu o território Khawarazm. As cidades que resistiam acabaram como Bocara (no atual Uzbequistão), dizimada por uma série de incêndios. Os mongóis tomaram grande parte da região que corresponde hoje ao Irã e Turcomenistão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Samarcanda, um dos mais prósperos centros urbanos da época, e onde morava o sultão, as baixas foram menores. A população teve de pagar um pesado tributo, mas 30 mil membros do exército derrotado foram mortos. Gêngis Khan destacou dois de seus melhores generais para capturarem o sultão, mas ele nunca seria pego, pois morreu doente em um esconderijo. Na perseguição, porém, os mongóis invadiram várias cidades do Reino da Rússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laços de sangue&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gêngis Khan morreu no nordeste da China, em 1227, de causas desconhecidas. As especulações vão desde malária a ferimentos provocados por uma queda do cavalo. Sabe-se apenas que seu último desejo foi atendido. Seus restos mortais foram levados para a região onde nasceu e ali foram sepultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas nem a morte colocou fim às conquistas militares que Gêngis Khan iniciou. Tolui, o filho mais novo, obedeceu a tradição de seu povo e assumiu a regência. Dois anos depois, um Kuriltai foi convocado para que o escolhido por Gêngis, Ogodai (seu terceiro filho), ascendesse ao trono dos então poderosos mongóis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A conquista da Rússia se concretizaria apenas na campanha iniciada em 1236. O novo Khan enviou o sobrinho Batu, neto de Gêngis Khan, para a Rússia, que na época era dividida em pequenos principados. Batu conquistou Moscou e Kiev, em 1240, e partiu para a Hungria e a Polônia. No ano seguinte, sem reforços e esgotado, o exército mongol voltou com a notícia da morte de Ogodai. Batu se estabeleceu no sul da Rússia e fundou a Horda de Ouro. O reinado ganhou este nome porque a sede do governo às margens do Rio Volga era uma enorme tenda recoberta com fios de ouro. Horda em mongol é tenda. Para os ocidentais, a palavra ganharia um novo significado, mais apropriada para designar o comportamento dos descendentes de Gêngis Khan: bando de malfeitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na China, os combates prosseguiram ininterruptamente desde a tomada de Zhongdu. A região só seria definitivamente controlada, juntamente com a Península Coreana, em 1234, sob a liderança de Ogodai. O enorme império, no entanto, não sobreviveria ao seu tamanho e às divisões entre os descendentes de seu fundador. Tolui obteve a China. Batu, filho de Jochi, o primogênito de Gêngis, que morreu um ano antes do pai, ficou com a Rússia. Chagatai, o segundo da escadinha, ficou com cidades importantes como Samarcanda e Bocara. Mas não se pode datar exatamente o fim do império fundado por Khan, pois, se a oeste, suas terras seriam parcialmente conquistadas pelo líder turco Tamerlão, no século 14, a leste, o neto de Khan, Kublai, fundou a dinastia Yuan, que governou a China até a metade do século 14 e cuja influência sobreviveu aos anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a morte de Gêngis Khan não chegou a ser um alívio para seus opositores, também não o foi para os aliados. A última de suas histórias sobre a terra tornou-se uma lenda. Conta-se que para esconder o local do sepultamento (segundo a tradição mongol, quando um túmulo é violado, o espírito do morto deixa de proteger sua família), todos os coveiros e até aqueles que cruzaram o cortejo foram assassinados. Os soldados que executaram a tarefa permaneceram ao lado da tumba até que a vegetação cresceram à sua volta, ocultando a sua localização. Na volta para casa, os próprios guardas também foram mortos. O episódio é narrado no livro The Secret History of the Mongols (A História Secreta dos Mongóis, sem tradução em português), uma compilação de histórias sobre a vida de Gêngis Khan, escrito por autor desconhecido logo após a morte do líder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tamanho segredo se manteve preservado por oito séculos. Em 2001, um grupo de arqueólogos americanos anunciou a descoberta de um complexo de 20 túmulos de pedra a 321 quilômetros de Ulan Bator, capital da República Popular da Mongólia. Como eles estão próximos da região onde Gêngis Khan teria nascido e onde seu pai foi enterrado, há grandes chances de que ele realmente tenha sido enterrado no local. Mas a exploração do sítio arqueológico e a confirmação de que se trata do túmulo do órfão pobre que tornou-se o imperador de meio mundo, ainda depende da autorização do governo da Mongólia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
site:http://historia.abril.com.br/gente/gengis-khan-furia-mongol-433398.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/6180294371469343302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/11/gengis-khan-furia-mongol.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6180294371469343302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/6180294371469343302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/11/gengis-khan-furia-mongol.html' title='Gêngis Khan: A Fúria Mongol'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqhxQp-ErX7_Voc0k2xSd3LxyjnxgwS2CcFRu-YOiZd2rtwz8bmAnbYbk0ZxQ34Gon-Vk7Y_KDAgvAQ4p8TEhgo8Pca329u9PHNFhw6OC65n-PUNR0yhLgdZALjrug3BtAhwvokGUv4UU/s72-c/gengis-khan.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-1823976339660558088</id><published>2010-11-29T22:59:00.003-02:00</published><updated>2010-11-29T23:30:28.449-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><title type='text'>Cleópatra, a alegria dos homens</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhx9aAbDEVosATHIvhtN7lJhAUm-2odpdMUwpdVPrs9-WQEUAOY-qeqWogkP14D9kbr5QQxUt54BmeVaZzfj8oRW1iJWI6LjGN3_EA7VS8BHi0KRlwetJXA-UEXMkZKxZ-3gd9MsP2bmzs/s1600/cleopatra_large.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5545141423046709234&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhx9aAbDEVosATHIvhtN7lJhAUm-2odpdMUwpdVPrs9-WQEUAOY-qeqWogkP14D9kbr5QQxUt54BmeVaZzfj8oRW1iJWI6LjGN3_EA7VS8BHi0KRlwetJXA-UEXMkZKxZ-3gd9MsP2bmzs/s320/cleopatra_large.jpg&quot; style=&quot;cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 240px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Cleópatra Thea Filopator nasceu em Alexandria entre dezembro de 70 a.C. e janeiro de 69 a.C. Era filha de Ptolomeu XII e de mãe desconhecida. Seu nome é grego e significa “a deusa Cleópatra, amada de seu pai”. A dinastia ptolomaica assumiu o poder em 305 a.C. depois que Alexandre, o Grande, incorporou o Egito à Grécia – o primeiro Ptolomeu era general de Alexandre. Apesar da origem grega da família, Cleópatra foi a única do clã a dominar a língua egípcia. Acredita-se que era uma mulher muito culta – além do grego e do egípcio, falava aramaico e latim, entre outras línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabe-se pouco sobre sua infância e adolescência. A imagem de Cleópatra que perdura até hoje é a de uma mulher bonita e sexualmente ousada. Fontes antigas enfatizam sua inteligência e diplomacia – dizem até que ela escreveu livros sobre pesos e medidas, magia e cosméticos. Há quem diga que ela foi uma das inventoras da maquiagem. Estudos recentes afirmam, no entanto, que de bonita ela só tinha a pele – banhada freqüentemente com leite de cabra e perfumada com óleos exóticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Ptolomeu XII, seu pai, não era nada popular em Alexandria. Ficou no poder graças ao apoio de Roma, pelo qual teve que pagar grandes quantias de dinheiro, arrancando o couro do povo com pesados impostos. Recebeu o apelido de “Auleta”, que significa “tocador de flauta”, porque preferia levar a vida na flauta, tocando e ouvindo música, a pegar no batente. Em 58 a.C., com o clima mais pesado que nunca para ele, refugiou-se em Roma. Sua filha Berenice IV tornou-se a nova soberana com apoio da população alexandrina. Em 55 a.C., Auleta voltou e mandou matar a própria filha. Nomeu seus filhos Cleópatra e Ptolomeu XIII para o trono do Egito e morreu em 51 a.C. Seguindo o costume da dinastia, Cleópatra casou-se com o irmão – que tinha cerca de 15 anos de idade e passou a ser cercado de puxa-sacos, oportunistas e conspiradores de plantão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ambiciosa e malandra, Cleópatra sabia que Roma era a nova potência mundial. Se quisesse ficar no poder, teria que ter boas relações com ela. É aí que entra...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JÚLIO CÉSAR&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Filho de família tradicional e com uma certa grana, Caio Júlio César (100-44 a.C.) era um advogado que virou político e que depois decidiu seguir a carreira militar. Em pouco tempo no posto de general, fez importantes conquistas e ampliou os domínios do Império Romano. Mas meteu-se numa guerra civil contra a facção conservadora do Senado romano, comandada pelo respeitado general Pompeu. Eles temiam que César estivesse tramando um golpe para virar ditador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma batalha travada no dia 9 de agosto de 48 a.C., César conseguiu uma vitória surpreendente contra o favorito Pompeu, que fugiu para o Egito. César regressou a Roma e foi nomeado ditador romano (que não é o mesmo que ser ditador no sentido habitual; era um cargo político cheio de regras). Para ajudá-lo nas campanhas militares, nomeou Marco Antônio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
César decidiu ir ao Egito atrás de Pompeu para oferecer seu perdão. Soube então que ele tinha sido decapitado por ordem de Ptolomeu XIII, que pensou estar fazendo um favor a Roma. Enganou-se. César ficou furioso com a barbárie. Usou seu poder para substituir o rapaz pela irmã, Cleópatra. Foi a chance que ela queria para se aproximar do novo “rei do pedaço”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta o filósofo e escritor Plutarco (que viveu no século 1) que Cleópatra mandou um grande tapete a César – fazia frio no Egito naqueles dias. Quando desenrolou o presente, o visitante encontrou nada menos que a própria Cleópatra dentro dele. Na maior cara-de-pau, ela disse que tinha ficado encantada com as histórias amorosas do já cinqüentão César (que era chamado de “o calvo adúltero” por seus soldados). E disse que queria conhecê-lo de perto. Conheceu. Aos 21 anos de idade, tornou-se sua amante e consolidou seu poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enciumados, o mano Ptolomeu XIII e uma irmã, chamada Arsínoe, tentaram virar o jogo, com o apoio do Exército egípcio. César botou todo mundo para correr. Arsínoe foi presa e Ptolomeu XIII afogou-se no rio Nilo quando tentava escapar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 47 a.C., Cleópatra deu à luz Ptolomeu XV César – ou Cesarion (“pequeno César”). César reconheceu a paternidade do menino, mas voltou a Roma deixando no Egito três legiões romanas e uma orientação para a namorada: ela devia se casar com Ptolomeu XIV, também seu irmão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo parecia tranqüilo. Com todo o mundo romano sob seu domínio, César iniciou uma série de mudanças administrativas. Mudou até o calendário – o mês quintilis foi rebatizado de julius (julho). Até que, no dia 15 de março de 44 a.C., numa reunião do Senado, César foi apunhalado até a morte por um grupo de senadores, entre eles seu protegido Marcus Junius Brutus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cleópatra não se apertou. Voltou suas armas de conquista na direção de...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARCO ANTÔNIO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 42 a.C., Marco Antônio fazia parte do triunvirato que governava Roma desde a morte de César, dois anos antes. Ele era o comandante da parte oriental do Império e intimou a rainha do Egito para um encontro político. Cleópatra, conhecendo a fama de mulherengo e beberrão do sujeito, chegou arrasando, com todo o luxo a que tinha direito. Ofereceu até um banquete regado a vinho. Desse encontro político (e de outros que se seguiram no inverno seguinte) nasceram os gêmeos Cleópatra Selene e Alexandre Hélios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada um foi para o seu lado, até que, quatro anos depois, reataram o romance. Cleópatra teve então outro filho, Ptolomeu Filadelfo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fim de 34 a.C., Marco promoveu um verdadeiro trem da alegria com as chamadas “Doações de Alexandria”. Distribuiu cargos e terras (países inteiros) a Cleópatra e seus filhos – o equivalente a um terço do território romano. Divorciou-se da esposa Otávia e declarou que o filho de Cleópatra com César era o herdeiro legítimo do poder em Roma. Foi um escândalo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ultrajado, o general Otaviano – irmão de Otávia, sobrinho de Júlio César e comandante da Roma Ocidental – discursou no Senado, dizendo que a doação de terras conquistadas pelos romanos a uma mulher era uma “afronta imperdoável”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os senadores destituíram Marco de suas atribuições e acabaram com a imagem do Egito e de Cleópatra – chamaram-na de feiticeira para baixo. A guerra civil era inevitável. E ela veio com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conflito – conhecido como Batalha de Ácio – arrastou-se por meses. Importantes aliados de Marco Antônio mudaram de lado em protesto pelos palpites de Cleópatra. Um dia, sem mais nem menos, ela içou velas e partiu com 60 navios rumo ao Egito. Seu apaixonado marido, sem entender nada, pegou um barco menor e foi atrás dela, deixando os soldados na mão. Até hoje não se sabe ao certo por que ela fez isso. Resultado: desastre. Marco perdeu 5 mil soldados e 300 navios. E caiu numa depressão que teria conseqüências trágicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cleópatra tentou levar sua fortuna para a Índia e lá fundar um novo reino, mas foi atacada no meio do caminho por tribos inimigas de sua dinastia e teve que voltar para trás. Em Alexandria, ficou sabendo que Otaviano estava a caminho para capturá-la. Despachou o filho Cesarion para a cidade de Coptos. A cavalaria de seu marido estava resistindo bravamente aos ataques de Otaviano. Mas Marco, acreditando nos boatos que diziam que sua musa estava morta, suicidou-se com um golpe de espada. A notícia chegou a Cleópatra por volta do dia 30 de agosto de 30 a.C. Para não se submeter à humilhação de ser exibida acorrentada pelas ruas de Roma, deixou-se picar por uma serpente – que alguém tinha trazido para ela num cesto de figos. Era o fim de uma história de amor – e de 3 mil anos de reinado dos faraós no Egito. Aquele que tinha sido o maior império sobre a Terra era agora apenas mais uma província romana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
site:http://historia.abril.com.br/politica/cleopatra-alegria-homens-435414.shtml</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/feeds/1823976339660558088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/11/cleopatra-alegria-dos-homens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/1823976339660558088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/317041142939182369/posts/default/1823976339660558088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://1mundoinfinito.blogspot.com/2010/11/cleopatra-alegria-dos-homens.html' title='Cleópatra, a alegria dos homens'/><author><name>Fabricio Negrello</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16036463122202463941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='//blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgHBtP_HftJAEZ-1zFVfRERztfFfQBMvWpS5cvu7mrwJ_xSridqkSDejsNtZExPryzL_Iaouyi8cxvmghIfYb-ZgL1yKSw2ppb-UUxM2kliHgxl74GgsGj8BBR4w-95H0/s220/100_1649.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhx9aAbDEVosATHIvhtN7lJhAUm-2odpdMUwpdVPrs9-WQEUAOY-qeqWogkP14D9kbr5QQxUt54BmeVaZzfj8oRW1iJWI6LjGN3_EA7VS8BHi0KRlwetJXA-UEXMkZKxZ-3gd9MsP2bmzs/s72-c/cleopatra_large.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-317041142939182369.post-5067826487458453508</id><published>2010-11-29T22:33:00.003-02:00</published><updated>2010-11-29T23:30:44.054-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Fabricio Fernando Negrello"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="História"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Antiga"/><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Idade Média"/><title type='text'>Bárbaros: o mundo em transição</title><content type='html'>&lt;a href=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicmnrXqMNC61kswQxpT-ZBWmhSvdWTBHJcxjEirCKw3Cb2GaG3ThRjKxtSJ-NZQDd-eHIivH3xUe-JhNpKkLi0CtGwVp-pVF8qZ2J8043HA4IdTlRnUq72cSjp2zFwZyW_7A9hW4xf8Ho/s1600/untitled.bmp&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5545137541858832210&quot; src=&quot;https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicmnrXqMNC61kswQxpT-ZBWmhSvdWTBHJcxjEirCKw3Cb2GaG3ThRjKxtSJ-NZQDd-eHIivH3xUe-JhNpKkLi0CtGwVp-pVF8qZ2J8043HA4IdTlRnUq72cSjp2zFwZyW_7A9hW4xf8Ho/s320/untitled.bmp&quot; style=&quot;cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 230px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 270px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
No momento em que, em 370, os hunos, liderados por Átila, decidiram cavalgar das estepes asiáticas em direção a oeste, a Europa começou a ficar de pernas para o ar. Apenas 106 anos depois, caía por terra o Império Romano do Ocidente. Tinha início um processo militar, político e social, que transformou para sempre os rumos da História. Furiosos, destemidos, violentos, os hunos começaram a pressionar alguns povos, como ostrogodos e vândalos, que estavam em seu caminho. Para escapar da fúria de Átila e seus guerreiros, essas tribos também passaram a procurar recantos mais seguros onde pudessem se estabelecer. Tarefa nada fácil, já que naquela época o mundo era dominado por uma potência militar, política e econômica: o Império Romano. Com cerca de 6 milhões de quilômetros quadrados, o território latino se estendia de Portugal ao Iraque, do norte da África à Inglaterra. Apesar de alguns conflitos aqui e ali, havia um razoável equilíbrio entre os romanos e os povos por eles dominados. Em alguns casos, até postos do próprio exército imperial eram ocupados pelos germânicos, povo originário de uma região além das fronteiras do império.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A erupção dos hunos detonou um processo irreversível. Era o início de uma era que entrou para a História com o nome de invasões bárbaras. Tradicionalmente esse período abrange os séculos 5 e 6, embora tenham ocorrido invasões de povos bárbaros antes e depois disso, como se verá a seguir. Nessa época, o Império Romano desabou como um castelo de cartas e foi invadido por forasteiros de todos os cantos. “Germânicos de quase todas as tribos marcharam em massa para dentro do império. Foi uma verdadeira inundação humana”, conta o historiador Voltaire Schilling. Mas, afinal, quem eram esses povos que desafiaram o poder romano? Por que passaram a ser conhecidos como bárbaros? De onde vinham?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a name=&#39;more&#39;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Bárbaros também por não tomar vinho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conceito de povos bárbaros tem raízes na Grécia Antiga, cerca de dez ou 12 séculos antes de Cristo. Os gregos já haviam sistematizado a noção de barbaroi, termo que designava todo aquele que não falava grego. Essa visão egocêntrica do estrangeiro sempre foi própria do homem e a história da relação entre os povos muitas vezes é a história da percepção que ele tem do outro. Segundo o historiador búlgaro Tzvetan Todorov, o outro pode ser qualquer coisa: as mulheres para os homens, os ricos para os pobres... Mas também pode estar numa outra sociedade, que será próxima ou distante segundo nossos valores culturais, morais e históricos. “Os outros podem ser desconhecidos, estrangeiros, cuja língua e costumes não compreendemos, tão estrangeiros que chegamos a hesitar em reconhecer que somos da mesma espécie”, relata Todorov em sua obra Conquista da América. Esse conceito é tão próprio ao ser humano que até culturas distantes da grega tratavam do assunto de modo semelhante. Para os astecas, de língua nahuatl, por exemplo, o estrangeiro era chamado de popoloca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conceito cunhado pelos gregos atravessou os séculos e foi parar em Roma. Não por acaso, já que Roma, desde o século 5 a.C., importou da Grécia valores culturais, políticos, referências arquitetônicas e artísticas. Assim, para os romanos, os germânicos eram os “outros”, incivilizados, diferentes, habitantes daquelas regiões que ficavam do outro lado das margens dos rios Reno e Danúbio, fronteiras naturais do poder romano na Europa. Ou seja, aqueles que tinham hábitos e costumes não românicos. “Até o fato de os germânicos não tomarem vinho era um argumento”, comenta a professora Norma Mendes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, o termo bárbaro carregava também um boa dose de preconceito. Além do mais, era muito genérico e se aplicava a dezenas de povos nômades, bem diferentes entre si. Alguns tinham raízes na Ásia, como hunos e alanos. Outros vinham do norte da Europa, como ostrogodos, visigodos, borguinhões, vândalos, francos, lombardos e suevos. A relação é extensa. Havia quase uma centena de povos diferentes. E muitos, como os gépidos, os marcomanos e os lígios, nunca chegaram a constituir um Estado significativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em geral esses povos não românicos não sabiam ler ou escrever (suas tradições, em geral, eram passadas de forma oral através das gerações) e praticavam religiões pagãs primitivas. Embora não tivessem um desenvolvimento avançado, não eram tão selvagens quanto supunham os romanos. Os germânicos praticavam agricultura e pecuária e introduziram na Europa artigos como peles, calças e vestimentas mais adequadas ao frio, esquis, o uso do sabão e da manteiga, a fabricação de tonéis, além do cultivo de novos cereais, como a aveia e o centeio. Alguns bárbaros como Teodorico, rei ostrogodo, foram educados nas melhores escolas de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente. Outros, como os hunos, mostraram aos europeus a importância da cavalaria e do arco e flecha curto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora quase todos fossem nômades e procurassem novos espaços para se estabelecer (devido à falta de terras boas ou desequilíbrios populacionais), nem todos se expandiram no mesmo momento histórico e, com o passar do tempo, uns até subjugaram outros. Alguns deles sobreviveram. Outros foram varridos do mapa para sempre. Quanto à estrutura social, de maneira geral os germânicos eram ligados a valores familiares. Após o casamento, era comum se manterem fiéis por toda a vida. Seus hábitos eram também muito mais regrados. Banquetes e orgias pagãs, sodomias e outras perversões comuns em Roma e Grécia eram desconhecidos para a maioria deles. Na questão militar, em geral eram governados por um chefe de guerra ou tribal, que, dependendo do povo, era chamado de rei. Era assim com francos, vândalos, borguinhões, ostrogodos e visigodos. Abaixo na hierarquia social vinham os guerreiros, que juravam fidelidade ao chefe da tribo. Em seguida apareciam mercadores e súditos, obrigados a servir ao rei. Por último os escravos, geralmente cativos de guerras. Mas era possível a um guerreiro ascender ao topo da pirâmide e se tornar um líder tribal. As experiências militares variavam de acordo com o povo. Os suevos, por exemplo, eram sedentários, conciliadores e buscavam um lugar para se fixarem. Já os vândalos, brutais, militarizados e só se interessavam pela pilhagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre essas etnias tão diversas havia um contato estreito. Não raro dois ou mais povos se uniam e formavam uma confederação. Suevos, alanos e vândalos, por exemplo, cruzaram o rio Danúbio em 406 e migraram para a Espanha. Depois se dividiram. Os suevos fundaram um reino na atual Galícia, os alanos ficaram com a Lusitânia (atual Portugal) e os vândalos se fixaram na península Ibérica. Essa relação próxima fazia com que diferentes tribos se influenciassem mutuamente. Em termos físicos também havia grandes diferenças. Os hunos tinham traços asiáticos. Lombardos, ostrogodos, anglo-saxões e francos, a pele clara e olhos azuis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dos dórios aos mongóis&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora o auge das invasões tenha ocorrido entre os séculos 5 e 6, não significa que, antes ou depois, não houvesse guerras entre povos nômades em expansão que se lançaram contra os romanos. Houve, e não foram poucas. Por isso, tomamos a liberdade de reverter o conceito clássico dessas invasões e o ampliamos para outras épocas históricas. Assim, as invasões bárbaras, em um sentido mais amplo, começam no século 12 a.C., quando os dórios, originários do norte da Europa, entraram em conflito com os micênicos, povo de língua grega instalado na Ática e no Peloponeso desde 2000 a.C., onde haviam criado uma civilização avançada. Os dórios eram nômades de língua estranha, não conheciam a escrita nem dominavam o comércio. A superioridade dórica no uso de utensílios e armas de ferro sobre o inimigo, que ainda permanecia na idade do bronze, falou mais alto. Por fim, o ciclo se fecha no século 13, com as hordas de mongóis comandadas por Gêngis Khan, que venceram os tártaros, invadiram a China e, em 1207, tinham toda a Mongólia a seus pés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesses 25 séculos que separaram a primeira da última invasão, o mundo se transformou radicalmente. Roma, que no século 2 era a capital do maior império do mundo, passou a ser alvo de ataques bárbaros. Começou com os celtas (povo não romano que habitava a Europa desde 1500 a.C.), comandados por Brennus, em 390 a.C. Em 410 foi a vez de Alarico arrasar com a cidade. Outro saque histórico se deu em 455, sob o comando de Genserico. O auge da presença bárbara em Roma se deu em 476 (data que, para muitos historiadores, marca o fim do império), com a coroação de Odoacro, primeiro imperador romano de origem germânica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade, romanos e germânicos nunca foram totalmente estranhos entre si. Desde o século 2, missionários do império procuravam introduzir o cristianismo entre os bárbaros e era cada vez mais normal que povos germânicos atravessassem os postos fronteiriços para viver como agricultores em terras romanas ou servir como mercenários nas famosas legiões romanas. “Também era muito comum o comércio entre eles”, revela Norma Mendes, da UFRJ. “Havia até mesmo uma parte da Germânia que pertencia ao Império Romano, cuja cidade mais importante era Colônia, na atual Alemanha”, acrescenta o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp. Essa relativa harmonia, no entanto, estava com os dias contados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aproveitando-se do colapso que se abateu sobre o império, em pouco mais de 100 anos diversas tribos o retalharam e formaram os primeiros reinos germânicos na Europa e na África. Mesmo assim, influências romanas persistiram nos territórios ocupados, formando um amálgama com o conhecimento dos invasores. Ainda que, a princípio, parecesse o fim do mundo antigo, as mudanças não foram tão drásticas. “Ao mesmo tempo que os ataques foram os mais destrutivos assaltos dos povos germânicos contra o Ocidente, tiveram também conseqüências conservadoras para o legado latino”, escreve o historiador inglês Perry Anderson em Passagens da Antigüidade ao Feudalismo. Segundo ele, apesar de a unidade do império ter sido fragmentada, os bárbaros não foram capazes de substituir o sistema político porque havia uma grande diferença entre as duas civilizações. “Além disso, nessa primeira onda de migrações, o local de instalação final de cada povo estava muito longe de seu ponto de partida. Os visigodos viajaram dos Bálcãs à Espanha, os ostrogodos da Ucrânia à Itália e os vândalos, da Silésia à Tunísia. Como resultado, os colonos germânicos no sul da França, na Itália, na Espanha e no norte da África estavam limitados em número e não recebiam reforços por meio de migração natural”, conclui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar dessa movimentação toda, a quantidade de bárbaros ainda não era muito expressiva. Segundo escreve o historiador Josiah C. Russell em Population in Europe 500-1500 (sem tradução em português), estima-se que, no ano 500, a população bárbara era de 1 milhão de pessoas, frente a um total de 16 milhões romanos. Jamais houve bárbaros suficientes para ocupar tantas terras. Por questão de segurança, os invasores se mantiveram próximos e raramente se misturavam. “Com o passar do tempo, porém, acabaram se casando com a população nativa e adotando a língua local, de origem latina”, diz Funari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da primeira leva, houve outras ondas sucessivas de invasores. Como os lombardos, vindos da Áustria, que, entre 572 e 650, conquistaram o norte da Itália e depois expulsaram os bizantinos da região, tornando-se senhores da península. Mas desapareceram em 773, quando Carlos Magno incorporou seus territórios ao reino franco. Antes, no século 5, os anglo-saxões, que viviam nas costas do norte da Alemanha, realizaram uma lenta invasão da Inglaterra. No século 7 haviam fundado sete reinos diferentes na ilha. No 8, só restavam três. E no 9 só havia um, o Wessex, graças a Alfredo, o Grande, que unificou todos eles. A migração anglo-saxônica foi um fenômeno determinante para a história da Inglaterra, assim como a invasão dos francos na Gália foi para a francesa. Lá eles construíram um reino duradouro sob a dinastia dos merovíngios. Em 497 eles se converteram ao cristianismo e expandiram ainda mais seus domínios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido a partilhas e rivalidades familiares, entraram no século 6 divididos em três reinos: Austrásia, Nêustria e Borgonha. Em 567, as rainhas Brunilda, da Austrásia, e Fredegunda, da Nêustria, levaram os francos a uma guerra civil que durou até 613, quando Clotário II, bisneto de Fredegunda, se tornou rei de todos os francos. O caminho estava aberto para um governo tranqüilo dos merovíngios. Mas o nascimento de uma nova fé mudou o destino da França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lago muçulmano&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao morrer, em 632, o profeta Maomé deixou uma nova religião e uma Arábia unificada. O avanço árabe foi rápido. A Síria foi invadida em 636. O Iraque anexado em 637, o Egito em 642 e o Irã em 651. “Os árabes não eram uma horda tribal, mas uma força militar organizada com membros que adquiriram experiência militar, servindo no exército dos grandes impérios bizantino e persa”, escreve Albert Hourani, em Uma História dos Povos Árabes. Já para o historiador Henri Pirenne, a expansão árabe destruiu o mundo antigo. “De repente, o culto ao profeta Maomé substituiu a fé cristã. A língua árabe tomou o lugar do grego e do latim. O Mediterrâneo virou em sua maior parte um lago muçulmano”, diz. Os árabes só foram barrados em 732 pelo franco Carlos Martel em Poitiers, a 330 km de Paris.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A entrada em cena do Império Muçulmano mexeu com o mundo ocidental, que, entre outras questões, teve de começar a se preocupar em prover sua própria subsistência. Sumiram o papiro, a seda, o óleo, as especiarias, o ouro... Saíam de cena os merovíngios, baseados no sul, e ganhava destaque a dinastia carolíngia, originária do norte, que alcançou o ápice com Carlos Magno. A força do novo império agora estava em Paris. O reino franco era um reino terrestre. É fácil perceber o declínio marítimo ao observar que as frotas improvisadas dos francos não foram capazes de deter os ataques vikings, que começavam a atormentar a Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os últimos bárbaros&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta do ano 800, viviam na Escandinávia três povos: suecos, dinamarqueses e noruegueses. Eram aparentados, mas divididos entre si em várias tribos. Segundo Johannes Brondsted, autor de Os Vikings, História de uma Fascinante Civilização, o comério, a sede de pirataria e motivos políticos levaram os vikings a atacar a Europa. A primeira investida ocorreu em 793 com a pilhagem do mosteiro da ilha de Lindisfarne, na costa inglesa. Houve também tentativas de colonização. Durante dois séculos eles organizaram expedições ao norte da França, Inglaterra, Irlanda, Groenlândia e Islândia, chegando até as costas da América do Norte, por volta do ano 1000, com o navegador Leif Ericsson.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto isso, surgia em cena o primeiro foco de nacionalismo eslavo na Europa Central. No século 7 o deslocamento dos germânicos para o Ocidente criou um vazio no qual se estenderam os eslavos, que ocuparam a Europa Central, a bacia do Danúbio, os Bálcãs e o mar Báltico. Não se tratava bem de conquista, mas de ocupação de território. Em 680, um grupo de búlgaros comandados por Asparuch instalou-se entre o Danúbio e os Bálcãs, conquistando os eslavos lá estabelecidos. Na mesma época, um líder chamado Samo fundou outro estado, dos Alpes até o Báltico, constituído por tchecos, morávios e eslovacos. Ao contrário dos germânicos, os eslavos permaneceram fora da órbita do mundo civilizado. Quando se estabeleceram na Europa Central, já encontraram territórios tão “desromanizados” que não receberam influência latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 882 foi a vez dos russos fundarem um reino no Báltico. O surgimento do estado russo foi resultado da expansão dos vikings suecos sobre os eslavos orientais que habitavam a região. Os escandinavos, ainda que em número reduzido, estabeleceram ali uma rota comercial com Bizâncio e a Ásia Menor e, por volta do ano 1000, estavam eslavizados e convertidos ao cristianismo. Por fim, na metade do século 10, sobre a Europa flagelada pelos vikings veio ainda uma onda de ataques de cavaleiros provenientes das estepes asiáticas. Os húngaros, sob a liderança de Arpad, estabeleceram-se na Panônia (atual Hungria) em 896. De lá realizaram expedições de pilhagem pelo continente, da Dinamarca à Espanha, até se converterem ao cristianismo em 1001. Depois de o Império Romano do Ocidente ter sido totalmente destroçado, estavam fincadas as raízes de um novo período que estava por vir. Mas isso é outra história.&lt;br /&gt;
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