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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840</atom:id><lastBuildDate>Thu, 29 Sep 2011 17:59:51 +0000</lastBuildDate><category>Textos prontos</category><category>bethania</category><category>rouanet</category><category>blog</category><category>minc</category><category>maria</category><category>egotrip</category><category>cultura</category><title>verbo inviável</title><description /><link>http://verboinviavel.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/VerboInvivel" /><feedburner:info uri="verboinvivel" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><feedburner:browserFriendly></feedburner:browserFriendly><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-1421148011058167515</guid><pubDate>Thu, 17 Mar 2011 00:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-03-16T22:13:27.434-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">blog</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">rouanet</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">maria</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">minc</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cultura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">bethania</category><title>Sobre Bethânia, Rouanet, ética e legalidade</title><description>Então este foi o assunto do dia. Muito se falou, xingaram muito no Twitter e artigos pipocaram em blogs. Quem me conhece sabe que não sou de entrar em polêmicas, mas depois de ler muita besteira senti-me no direito de expor minha opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra começar, sou produtor cultural há mais de dez anos, conheço bem as leis de incentivo, seus mecanismos, as leis e normas, bem como a história de boas intenções que envolvem a criação da Lei Rouanet. Sei do que estou falando. Mas este não é para ser apenas um parecer técnico, mas uma analise critica do nosso sistema nacional de incentivo a cultura e o caso especifico de Maria Bethânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Lei Rouanet foi criada, o objetivo era incentivar empresas e pessoas físicas a patrocinarem projetos culturais, o governo ingenuamente acreditava que a iniciativa privada tomaria gosto pela coisa. A idéia era pegar uma parcela do orçamento do Ministério da Cultura e direcionar a um mecanismo chamado Mecenato Subsidiado. A iniciativa privada poderia tornar-se mecenas com subsidio de até 100% do valor investido. Este subsídio se dá pelo desconto de até a totalidade do valor no IR. Era uma boa solução para familiarizar empresas com a idéia de mecenato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos se passaram, desde então o que vemos não é a iniciativa privada adotando o mecenato como procedimento natural de sua missão ou valor corporativo, mas grandes grupos empresariais direcionando parte do IR para suas verbas de marketing. Isso significa, entre outras coisas, transferir para profissionais de marketing de grupos com interesses exclusivamente econômicos o papel de curadores e de gestores de políticas públicas. Quando o governo cria um mecanismo de incentivo a cultura, direciona dinheiro para projetos específicos, como uma forma de suprir uma demanda ou carência na produção e consumo de cultura. Quando o governo transfere para a iniciativa privada a escolha dos projetos, deixa de lado qualquer objetivo que não aqueles que atendem aos interesses comerciais do grupo que detém a verba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe ainda fundos de cultura, neste caso o governo escolhe e repassa diretamente a verba aos proponentes de projetos específicos, que visam objetivamente equilibrar a demanda e oferta por produtos culturais. Mesmo no caso do mecenato subsidiado existem formas de equilíbrio, como por exemplo, limitar a uma fração o total do valor que as empresas podem abater até  limite de 4% de cada projeto. Algumas áreas consideradas pouco viáveis no mercado como música instrumental, literatura ou memória têm 100% de abatimento do valor dentro do limite de 4% do IR, enquanto outras áreas com mercado mais maduro têm subsidio de no máximo 40%, por exemplo.&lt;br /&gt;Mesmo com todas as regras jurídicas, existe um ponto central que independe de regulamentação, lei, norma ou limites monetários. Este ponto estará sempre dentro da legalidade, mas circundam valores éticos facilmente desenvolvidos com vivência e conhecimento histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É perfeitamente legal que um gerente de marketing use dinheiro do governo para custear as ações de sua empresa, ainda que ele tenha poderes para decidir quais projetos devem ou não ser executados, onde e como. Isso quer dizer que um processo importante dentro da política pública seja gerido por funcionários de empresas privadas. Desde o completo despreparo da maioria desses funcionários para pensar em políticas públicas, em cultura (não aquela que se compra, a que se faz pelo homem segundo definição de Marilena Chauí e muitos de seus antecessores, incluindo boa parte da escola de Frankfurt).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pode o gerente de marketing, ou subordinado, de uma grande empresa multinacional perceber e entender quais pontos devem ser observados dentro da dinâmica do mercado cultural? Não interessa ao citado profissional a dinâmica do mercado cultural, mas sim a de seu mercado. Um produto cultural será analisado segundo impacto no público da sua empresa, dentro da dinâmica de seu mercado primário, seja cosmético ou petróleo. A quem interessa, ou quem tem acesso a um espetáculo de circo internacional com preços que começam em 200 reais e só será realizado em grandes centros urbanos? A população e produtores independentes ou a grandes indústrias do entretenimento ou a clientes de bancos? O problema não é o custo de 8 milhões de reais da turnê do circo internacional, nem o patrocínio do banco. O problema é o Estado bancar com verba pública o que o banco faria com seu próprio dinheiro, das suas verbas de marketing. O problema é o banco, e não o governo ou uma entidade de classe  decidir qual ação financiar. O problema é este banco ou o produtor do projeto escolher quais pessoas serão beneficiadas direta e indiretamente pela ação. O problema é beneficiar projetos viáveis comercialmente sem que a população em geral tenha acesso. A turnê com ingressos custando 400 reais e casa cheia que geravam entre 300 e 800 mil reais em receita de ingressos por apresentação recebeu “cartas de aprovação” para captar até 2 milhões de reais. Ganhou 2 vezes? Quem ganhou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o sistema é falho, cabe pensar o limite entre o legal e o ético. Minha sugestão a Bethânia é que use de seus contatos e equipe, que não tenho dúvidas é muito competente, para vender, dentro do mercado, seu produto que parece muito relevante, com conteúdo raro em tempos de social mídia e com grande potencial de visibilidade. Se o valor está dentro do mercado, não vejo obstáculos para grandes empresas se interessarem pelo produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao MinC sugiro que passe por um processo de analise e comece a chamar a responsabilidade para com o que é produzido e consumido em cultura com verba pública. Se a verba vem do orçamento do MinC, nada mais justo, ou ético, que o Estado ou a sociedade decida quais as demandas e qual a oferta. Em termos práticos, aprovem um Fundo Nacional de Cultura e transfiram paulatinamente a verba do Mecenato Subsidiado para o Fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As empresa sugiro que continuem investindo em Cultura, um blog da Bethânia parece ser muito melhor que um comercial de 30 segundo no horário nobre, a contribuição para a sociedade será maior e você vai gerar interesse das pessoas pela sua marca. Mas faça isso com a sua verba de marketing, afina, existem várias Marias por aí com poesias tão lindas que o mundo ainda não conseguiu encontrar, a verba do governo a gente deixa pra esses!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-1421148011058167515?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2011/03/sobre-bethania-rouanet-etica-e.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-6477029714212919418</guid><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 19:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-24T18:00:54.105-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>Uma foto apenas</title><description>Hoje vi uma foto, alguns sabem, tenho uma relação atroz, mas cordial com as imagens. Daquela tinha avistado tudo que era possível em uma foto, as ações, estava lá em suas etapas físicas. Uma antes, talvez duas depois, estaria eu lá, na própria foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na imagem havia uma pessoa, as formas dos olhos bem abertos, quase reprimidos pelas maças do rosto, combinavam com a boca que tendia ao céu; a hipótese mais provável pede palavras como entusiasmo, espontaneidade, liberdade e redundância. Eu estava lá, não era a primeira vez, mas ainda não tinha notado, não dessa forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto que vi hoje também me continha aos poucos, não é possível ver a olhos nus, mas eu estava lá. Eu estava, mas só me dei conta agora, vendo a imagem na qual eu não sou visível, mas onde eu era viável. Reparei nos olhos apertados pelo sorriso, pensei na história interessante que aquilo continha, tempo, espaço, os cheiros, os risos e o pó, seus personagens. Aquela imagem era a mentira mais honesta que já havia me contado, era tão real que só foi possível constatar na imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto ainda existe, mas os personagens não, eu estive lá, mas já não sou mais viável, hoje olho para a imagem e não vejo mais ninguém, se não algo que me lembra das coisas que eu vou sentir falta.          &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:78%;" &gt;http://twitpic.com/ptaas&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-6477029714212919418?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/uma-foto-apenas.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-5312598324950710328</guid><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 15:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-24T17:14:45.105-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>Incompleto</title><description>Se o amor não basta e o ódio é pleno, prefiro ser incompleto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-5312598324950710328?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/incompleto.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-8114788346057547425</guid><pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-23T17:47:40.493-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>Os poetas é que são felizes</title><description>Dos desejos maiores, tornar-me poeta é dos mais distantes. Já fui mais conformado com isso, mas há momentos em que o desejo me atropela pela urgência. Queria ser poeta para tocar os corações mais reclusos, assim minha verdade ganharia o status necessário para merecer ser lida. Assim, ganharia eu status necessário para poder não estar absolutamente errado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-8114788346057547425?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/os-poetas-e-que-sao-felizes.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-4058044074309657980</guid><pubDate>Fri, 20 Nov 2009 02:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-20T00:03:57.063-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>Proclamado</title><description>Nem chão nem céu. Me avisa se for parar de doer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-4058044074309657980?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/proclamado.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-147080587131740055</guid><pubDate>Fri, 13 Nov 2009 16:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-13T14:48:01.618-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>Pra justificar os próximos posts</title><description>Já falei que esse blog não se vale da coerência?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-147080587131740055?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/pra-justificar-os-proximos-posts.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-7905567563065787046</guid><pubDate>Sun, 08 Nov 2009 03:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-08T02:08:26.439-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>Balela</title><description>Com tudo aquilo que não foi dito poderia preencher o mundo, um dos pequenos, obviamente. Confio tanto na palavra quanto confio nas fotos que me mostram. Só confio nas imagens e nas frases que vem de mim, sei que elas são honestas quando mentem, o fazem descaradamente, principalmente as que eu publico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-7905567563065787046?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/balela.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-1749817469069162005</guid><pubDate>Sun, 08 Nov 2009 03:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-08T01:14:29.639-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>Não sou proveito, muito menos fama.</title><description>Eu não sou pop, eu não sou hype. Não repito os mantras, não sou intelectual, não sou do bem, não sou do mal. Sou tão nada que chego a ser inconveniente. Sinto como se fosse uma vergonha, não só meu verbo, eu sou inviável. Sorria, mas não muito para não aparecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-1749817469069162005?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/nao-sou-proveito-muito-menos-fama.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-9014600764384556492</guid><pubDate>Sat, 07 Nov 2009 23:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-07T21:09:05.372-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Textos prontos</category><title>Sobre os mesmos e os outros *</title><description>Haveria de transgredir, ainda mais, assim como os outros, mas dos outros falo mais tarde. Estava naquilo que posso agora chamar de fim de temporada, sentia a necessidade de cruzar outra fronteira, mas antes era necessária a transgressão. Aluguei uma moto, caí, como era de se esperar, mas não fui ao hospital e continuei com a moto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao hospital tinha feito uma visita logo nos meus primeiros dias de Tailândia, resquícios do meu último dia de Austrália. Por três dias gostaria de não ter ouvidos. Mergulhos na Austrália, inflamação, não posso culpar o barulho de Bangkok, ainda que não pudesse ouvir direito, sabia que haviam ruídos, chegava a ser visual. Era possível ver os carros, motos, bicicletas. Placas, outdoors, luminosos, piscadas frenéticas, um sobre o outro se misturavam ao cheiro. O cheiro de Bangkok é especial, ainda que, estatisticamente, não seja um dos mais apreciados, mesmo aquele percebido nos mercados e feiras podem se revelar atrozes, afinal, toda essa experiência sensitiva vem das ruas, onde os asfaltos e as calçadas alteram as formas, escaldam as solas dos sapatos ou a casca grossa dos pés dos monges e das crianças que correm. O sol que ferve as ruas da metrópole realça os sons, cores, luzes e o cheiro. Foram as ruas de Bangkok que me revelaram um aspecto interessante da Tailândia, mas a primeira não contém a segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas eu via os outros, e os outros são sempre um tanto estranhos. Os outros andam nas ruas a procura de coisas. As ruas, especialmente na Tailândia, sempre oferecem muitas coisas. Eu via um outro branco, loiro, um sotaque forte que carrega há mais de 50 anos. Na rua eu via esse outro com uma garota igual a tantas mais, com os mesmos costumes, mesmo olhar. E na Tailândia há garotas e garotas, não pense você que a tarefa da distinção por lá é das mais fáceis. São muitos os outros que preferem nem tentar, são todas garotas, todas com a mesma feição e obedecem a mesma lei que diz que uma garota torna-se mulher com quinze anos. Mas para os outros, são só garotas, para os outros, apenas outras garotas. As garotas, já mulheres, estão basicamente nas ruas, atrás dos balcões, envolvidas em sapos, galinhas, pés e cabeças, vão servir quase sempre aos mesmos. Por vezes alguns outros. Em Kaoh San tive minha primeira experiência culinária tipicamente tailandesa, ao menos para os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, barracas enfileiradas com sapos e galinhas, currys de fazer chorar um mexicano mimado, desafio entre amigos, na falta de atenção, na curiosidade extrema pelo novo me deixei levar por experiências gastronômicas bizarras, ao menos ao olhar dos outros. Haviam dito muitas coisas desde Barcelona, quanto era barato comer, quão boa era a culinária, tentavam mensurar o exotismo sensorial, o absurdo moral. Nada te prepara para a Ásia – diziam os mais respeitados. Na Tailândia tudo se faz nas ruas, inclusive comer, mas as paredes ainda serão necessárias. Naquela mesma barraca de Kaoh San, os frutos do mar pouco chamava a atenção, especialmente lulas, camarões e outros bichos (cujos nomes nunca me ocupei em saber) faziam sucesso, mas meus olhos estavam perplexos com outra coisa. Atrás do fogão da dita barraca, uma garota, já mulher, apressava minha indecisão em relação ao que comer. Rosto branco, construído à base de camadas grossas de pó, um escandaloso rosa nas maçãs do rosto que contrastavam com uma boca enorme, vermelha, apenas escandaloso, como a maioria das mulheres. Na Tailândia, assim como no mundo, há garotas e garotos. Eram muitas as barracas, enfileiradas numa rua cheia de luzes, cores e cheiros. Em cada barraca uma família, algumas mesas e muitos outros. As famílias e suas garotas e garotos, quase todas mulheres, serviam aos outros, como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi também em Kaoh San que decidi encarar a pior das transgressões culinárias: lá estava um dos muitos carrinhos ou motocicletas que costumam circular pelas ruas tailandesas vendendo panquecas de banana a baratas temperadas. Queria encontrar uma maneira mais sutil, mas o objeto em questão não permite. É claro que eu não me joguei de cabeça na missão, pelo menos não até ter certeza que outros já haviam encontrado água no fi m do poço. Se você comer essa larva eu também como – afirmei com segurança. Depois da larva veio o gafanhoto, o escorpião e finalmente aquele ser asqueroso, mal resolvido esteticamente e com um agravante em relação aos invertebrados anteriores: sai o crocante, entra o suculento. Entre currys maravilhosos e baratas inesquecíveis, a Tailândia, de norte a sul, foi generosa comigo, aquelas terras, para ser justo, costuma servir com louvor aquilo que os outros nela vão buscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Chiang Mai, ao norte da Tailândia, entre as principais atrações, exceto as já citadas, que por lá também são abundantes, há de se destacar algo bem singelo: o “trekking”. Nada de mais em sair caminhando pelas vilas em meio às montanhas habitadas basicamente por povos vindos da China, especialmente do Tibet. Muito verde, uma paisagem de tirar o fôlego e alguns dias de paz e calma, uma experiência espiritual, com o perdão da palavra, que certamente mudou a vida de muitos outros. Passeios de elefantes, um mergulho numa cachoeira, visitas a pequenas vilas, onde é possível descansar quando a noite cai. Sempre a noite, quase sempre. Quando a noite cai nas montanhas de Chiang Mai, não apenas os turistas descansam, mas os homens que por lá habitam também desfrutam de seus momentos de ociosidade, e o fazem de maneira especial, tão especial que tem de ser anunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guia, logo após o jantar avisa: receberei alguns amigos da vila, são todos trabalhadores, gente de boa índole – justificava. Quando a noite cai nas montanhas do norte, alguns moradores se reúnem para fumar ópio, nada de mais, fazem isso há milhares de anos e por parte daquele grupo de turistas não houve rejeição, pois, quem éramos nós, afinal?! Um a um, os amigos do guia foram chegando, sentados, formando um círculo, faziam piadas, recontavam o dia e bebiam chá enquanto esperavam pelo “doutor”. O doutor era uma pessoa importante, respeitada por aquelas bandas. Não era possível fazer nada sem o doutor, haviam algumas razões, mas nada que o verbo pudesse deixar às claras. O doutor era uma pessoa importante, essa era a única certeza. Enquanto isso ríamos. Eles tomavam chá, nós tomávamos cerveja. Quando um homem simples, de meia idade, chegou à cabana que nos abrigava notei uma alteração no semblante daqueles que o aguardavam. Sem muitas palavras além de um “oi”, aquele senhor franzino começa a retirar de uma pequena bolsa de pano os instrumentos de seu trabalho. Uma faca, um pequeno pedaço de bambu cortado ao meio e alguns papelotes. Diziam, durante o chá, que não é possível fumar ópio sem o doutor, ele, e apenas ele, sabia como cumprir todos os procedimentos. Dos papelotes um pequeno chamava mais atenção, continha uma pequena quantidade de uma pasta escura de cheiro forte, deveria ter o volume de uma moeda de dez centavos, dizia, era suficiente para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos quem cara pálida? Bem, por cerca de dois dólares era possível experimentar aquela pasta, devidamente preparada pelo doutor, e devo dizer, que trabalho! Ainda sem manifestar desejo ou reprovação, aos poucos, mas rapidamente, outros foram se aproximando do doutor. O bambu que carregava estava partido em dois, era possível ver um pequeno orifício no corpo, em uma das extremidades da metade superior. Do lado de dentro, uma grande mancha escura que mereceu longa atenção. Disse o doutor ao guia, que por sua vez me contou, aquela mancha era na verdade o ópio que restou da última vez que o cachimbo foi usado. Raspar aquela pasta densa foi um processo delicado, realizado com maestria. Mas “doutor”, por hora, era um exagero. A epifania surge de um pedido do doutor: aspirina. Entre os papelotes faltava a aspirina, que foi conseguida prontamente e deu início a um processo delicado, paulatino e por fim repetitivo que resultaria na pasta que, finalmente, haveria de ser fumada. O doutor, sob o olhar dos outros, se revelou um alquimista, aquele que produziria de forma tão complexa a poção que, segundo diziam os nativos, haveria de mexer com o espírito. Por cerca de uma hora, numa composição plástica interessante e que infelizmente não tive permissão para registrar, o doutor, e apenas ele, preparou com exatidão a pasta de ópio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um a um, mas até então os mesmos, executam movimentos sucessivos, mas sincronizados no ritual que se apresentava. Levantavam da roda, se dirigiam até o doutor que estava deitado segurando, na altura dos olhos, uma das extremidades do bambu já fechado. O primeiro deitou-se ao seu lado e segurou a outra extremidade do bambu. O doutor, com uma pequena e fina haste de metal, passa um pouco da pasta no pequeno orifício que existe na extremidade que lhe cabe. Com um sinal, ele avisa ao mesmo a seu lado e acende um isqueiro para, levemente, queimar a pasta densa. Enquanto a fumaça é sugada na outra extremidade, o doutor vai modelando a pasta em volta do orifício, até que não reste mais nada, a não ser uma grande mancha escura. São três tragadas, e o ciclo se refaz um a um. Mas até então, os mesmos. Quando é chamado, um outro, numa espontaneidade invejável, levantou-se, deitou-se e cumpriu, como se não fosse a primeira vez, os mesmos movimentos e gestos daqueles mesmos de antes. A partir de então todos os outros, um a um, até que só restava o doutor. Em silêncio repetiu, novamente naquela noite, os mesmos movimentos de quase todas as noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as transgressões das montanhas de Chiang Mai e aquelas que viriam de onde a terra encontra o mar, uma pequena cidade foi escolhida como parada, em Lopburi, além dos mesmos e dos outros, existe ainda um quarto elemento. Pelas ruas, sempre elas, bicicletas, carros e motos precisam dividir espaço com milhares de macacos. Aos pedestres, ou seja, praticamente todo mundo, resta respeitar o espaço que lhes cabe e prestar atenção a qualquer possibilidade de interação com os habitantes primatas. A atração da cidade, o quarto elemento, ao menos para os outros, adotam parques e templos como casa, circulam por calçadas e avenidas e pedem esmolas, amendoins, garrafas de água e coca-cola, adoram chapéus, bolsas, sacolas. A essa altura, ao menor descuido os mesmos e os outros parecem nem mesmo existir. Os macacos são servidos pelos outros, que são servidos pelos mesmos. Mais de mil e trezentos quilômetros separam as montanhas do norte da pequena cidade de Surat Thani, no litoral norte do Golfo da Tailândia. Foram necessárias duas viagens de trem, tudo para chegar a tempo de presenciar um evento que, diziam os outros, seria um dos pontos altos da minha “thay experience”. Todos os meses, durante uma das noites de lua cheia, a ilha de Phangan recebe milhares de turistas do mundo inteiro para a movimentada “Full Moon Party”. Já no trem que parte de Bangkok para a Surat Thani é possível identificar os outros e seus destinos. Existe, em certos limites, algo que os torna comuns. Já no barco que parte do continente com direção à ilha, os outros são mais de 250 e o assunto principal não poderia ser outro, se não a noite daquele sábado. Quartos, restaurantes, praias lotadas. Diziam o mesmo de Phuket, Koh Phi-Phi, Koh Tao e Krabi, todos os outros iam para lá, e são muitos, todos procuram coisas e assim como as ruas dos centros, as do litoral também oferecem muitas coisas. A “Full Moon Party” era como uma overdose dessa transgressão tailandesa que os outros sabem que vão encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela noite de sábado pode começar na verdade na sexta, ainda mesmo na sexta da semana anterior, ou do mês anterior. Há sempre uma “Just a Moon Party” acontecendo em muitos lugares da Tailândia. A Kaoh San de Bangkok poderia ser chamada de “Fake Moon Party” com muito mais originalidade. Os elementos são basicamente os mesmos, não importa a noite e como se apresenta a sua lua. Comida, sol, mar, bebidas, fumígeros e cogumelos alucinógenos vendidos como vitaminas aos tantos outros que levam vidas retas em seus países de origem. Todo dia uma mesma coisa diferente. Mergulhos, passeios de barco, elefantes, pranchas e lanchas. Resorts oníricos, bangalôs ou quartos claustrofóbicos na mesma proporção em que ficam baratos, sempre permitem a presença de dois ou três, ainda que, um a um, os outros e os mesmos. As compras, dias e/ou noites estafantes, mas de prazeres indizíveis. Nesta festa, cheia de cores, formas, cheiros e sons, quando próximas ao mar sob o calor do sol que aquela terra merece, nas ruas, sempre ela, os mesmos e os outros revelam, numa espécie de ritual, tendências Dionosiacas, cujas referências acadêmicas poderiam citar sem problemas fi gurões como Buda e Freud.&lt;br /&gt;Defendem a festa, cada um em sua língua, como um ritual contemporâneo e, de fato, não pude deixar de perceber, entre monges e “lady-boys”, praias e montanhas, ervas e baratas, entre os outros e os mesmos, uma relação estabelecidas em códigos que seriam mais inclinados à representação ritualística. Não cabe a mim, não por interesse, mas por habilidade, me ocupar e responder do que se trata essa relação. Sugiro, com os colhões que me permito ter, a Tailândia como colônia dos aviões desbravadores lotados de muitos outros com aqueles mesmos a lhes servirem, o paraíso e o inferno ao extremo. Ao gosto do cliente. Me permito ainda dizer, me valendo daqueles mesmos colhões, se o editor não cortar, que a Tailândia é o melhor puteiro que existe, ainda que você entre só para tomar um refrigerante. Quem nunca foi à Tailândia pode imaginar mil coisas, inclusive duvidar da idoneidade deste que vos escreve. Aos que já foram, pode parecer que de lá trouxe apenas imagens escandalizadas de um ambiente que nada mais é, senão que um belo e relativamente barato destino turístico. Há ainda aqueles que podem tomar como verdade para si estas palavras, mas seja qual for o motivo, existe uma solução. A culpa, afinal, é sempre dos outros, e os outros dirão que a culpa é sempre dos mesmos, todos viverão felizes e da puta ao padre seguiremos entre o prazer e o medo, gastando em dólar e aproveitando ao máximo nossos finitos dias de férias. Tudo ao gosto do cliente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*texto publicado na edição 18 da Revista UP!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-9014600764384556492?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/sobre-os-mesmos-e-os-outros.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4489543752732315840.post-6747556912486139397</guid><pubDate>Sat, 07 Nov 2009 18:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-07T20:15:51.213-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">egotrip</category><title>O mito do primeiro post (ou a volta da passagem)</title><description>Eis à volta, o retorno daquele primeiro blog. Mas esse não é aquele mesmo blog, ele tem o nome emprestado, quer falar da mesma coisa, do verbo que continua inviável. Queria eu, atroz comigo, acreditar serem esses os textos agudos que quase sempre findam no editor de texto. Seria esse blog então a gaveta daquilo que é verdade, ou daquilo que me permito revelar, o que provavelmente me enaltece, ainda que transvertido de pejorativos? Se optar pelo primeiro, sugiro cautela. Se inclinar a segunda, digo então que se trata da verdade que a escrita, a minha, permite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este blog não é o mesmo, se antes estava atento principalmente a palavra, hoje me ocupo também do suporte, hoje vejo em um blog uma ferramenta muito mais poderosa, observo as redes sociais como um espaço que revela, ainda que pela omissão. Ao mesmo tempo em que creio na palavra, não posso negar as engrenagens mais evidentes da dinâmica na rede, quando observo, por vezes, desejo dela estar fora. Melhor, gostária que nela fossem todos como eu. Como se fosse possível, gostaria de não convir a ninguém que não a mim mesmo. Como se fosse possível, gostaria que as palavras atravessassem apenas a minha carne. Como se fosse possível, queria que o verbo continuasse inviável. Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero, e querendo eu publico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4489543752732315840-6747556912486139397?l=verboinviavel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://verboinviavel.blogspot.com/2009/11/o-mito-do-primeiro-post-ou-volta-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Beline Cidral)</author><thr:total>0</thr:total></item></channel></rss>

