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	<description>Educação, Tecnologia, Reflexão e Humor: combate ao &#34;não-pensantismo&#34; *</description>
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		<title>O que esperar da Copa do Mundo 2026? &#8211; Juca Kfouri</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 05:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Copa do Mundo chegando. Juca Kfouri é um dos melhores jornalistas deste país.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">Copa do Mundo chegando. Juca Kfouri é um dos melhores jornalistas deste país.</font></p>
<hr />
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		<title>O CONTO DA NORA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 05:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>
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					<description><![CDATA[Mais um excelente conto do mano Marden Marques Soares. Baseado em fatos reais, ele transcende a crônica e viaja na criatividade que o conto permite. Boas risadas e boas reflexões podemos tirar desse texto que parece muito com alguns do genial Jorge Amado , desta bela terra da Bahia de Todos os Santos onde atualmente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #0000ff">Mais um excelente conto do mano Marden Marques Soares. Baseado em fatos reais, ele transcende a crônica e viaja na criatividade que o conto permite. Boas risadas e boas reflexões podemos tirar desse texto que parece muito com alguns do genial Jorge Amado , desta bela terra da Bahia de Todos os Santos onde atualmente moro.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img data-attachment-id="48710" data-permalink="https://joserosafilho.wordpress.com/2026/06/01/o-conto-da-nora/img-20260513-wa0057/" data-orig-file="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg" data-orig-size="1122,1402" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="IMG-20260513-WA0057" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg?w=550" class="aligncenter size-full wp-image-48710" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg" alt="" width="550" height="687" srcset="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg?w=550&amp;h=687 550w, https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg?w=1100&amp;h=1375 1100w, https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg?w=120&amp;h=150 120w, https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg?w=240&amp;h=300 240w, https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg?w=768&amp;h=960 768w, https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/06/img-20260513-wa0057.jpg?w=819&amp;h=1024 819w" sizes="(max-width: 550px) 100vw, 550px" /></p>
<p><strong><a href="https://escritormarden.com.br/artigos/">FONTE</a></strong>: <a title="https://escritormarden.com.br/artigos/" href="https://escritormarden.com.br/artigos/">https://escritormarden.com.br/artigos/</a></p>
<hr />
<p><strong><span style="font-size: medium">O CONTO DA NORA <img style="margin: 5px 6px 14px 13px;float: right;display: inline" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/marden2_thumb.jpg?w=95&amp;h=111" alt="MARDEN2" align="right" /></span></strong></p>
<p>Em primeiro lugar, o nome. Tomei emprestado do famoso “conto do vigário”, aquela situação em que espertalhões tentam vender a otários – geralmente mais espertalhões ainda – bilhetes supostamente premiados.</p>
<p>Pois bem, o caso também envolve uma enganação. Daquelas sofisticadas, quase artesanais, feitas com a delicadeza moral que só certas famílias do interior conseguem desenvolver ao longo de gerações. E, para piorar, baseada em fatos. Nomes e lugares fictícios, claro, como manda o respeito.</p>
<p>A história começa no município de Barreiros, paradisíaco litoral sul de Pernambuco, onde repousam praias tranquilas como a de Porto de Nassau, lugar onde nasceu, cresceu e viveu parte da vida Pedro Conde, pescador como seu pai e seu avô.</p>
<p>Levando como principal atributo um currículo respeitável como pescador, casou-se cedo com a bela cabocla Marta Sina e juntos produziram nove filhos, uma menina e oito meninos, numa demonstração de coragem multiplicadora raramente vista fora de comunidades religiosas fanáticas.</p>
<p>Com enorme dificuldade, alfabetizaram todos. Mas apenas um resolveu estudar de verdade. Os demais frequentavam a escola com a dedicação típica de quem considera o recreio o auge do conhecimento humano. Entre eles, chamava atenção o primogênito Zeferino, preguiçoso, estabanado e dono de um talento natural para produzir constrangimentos.</p>
<p>O episódio a seguir define bem o personagem.</p>
<p>Havia um código moral muito respeitado pelos pescadores locais. Quando voltavam do mar, davam um sinal sonoro para avisar às mulheres que podiam se recompor, pois muitas estavam lavando roupa próximo ao rio em trajes compatíveis com o calor e incompatíveis com a curiosidade masculina.</p>
<p>Pois os próprios irmãos denunciaram Zeferino por espioná-las escondido.</p>
<p>Foi um escândalo.</p>
<p>Houve ameaça de linchamento, reunião improvisada de vizinhos e discursos inflamados sobre moralidade pública – feitos, em sua maioria, por homens que frequentavam prostíbulos em cidades vizinhas.</p>
<p>A confusão só não terminou pior porque Pedro Conde tinha um primo cabo da polícia, considerado autoridade de grande peso naquela região onde qualquer pessoa de farda inspirava respeito automático.</p>
<p>Marta Sina, mulher prática e profundamente comprometida com métodos pedagógicos alternativos, aplicou-lhe uma surra com a correia de couro reservada exclusivamente à educação doméstica. A correia chamava-se Justiceira – nome considerado excessivo apenas pelos alvos de seus golpes.</p>
<p>Justiceira trabalhou.</p>
<p>Zeferino levou outra surra histórica.</p>
<p>Apesar do comportamento desastroso do filho, Pedro Conde ainda acreditava que Zeferino pudesse “virar gente”. Esperança comum entre pais brasileiros e frequentemente desmentida pelos fatos.</p>
<p>Aos trancos e barrancos, Zeferino cresceu – virar gente já seria outro assunto – e percebeu que despertava certo interesse feminino, apesar de o conjunto deixar bastante a desejar. Era alto e magro como realização de promessa de político depois da eleição e tinha um olhar cansado. Mas havia uma que chamava sua atenção desde menina: Margarete.</p>
<p>Dona de cabelos claros e pele muito branca, parecia um anjo barroco perdido no litoral pernambucano. E não apenas na aparência. Era recatada, silenciosa e obediente num nível que hoje provavelmente despertaria preocupação clínica.</p>
<p>A única exceção em sua rotina era o pastoril natalino. Margarete participava pelo cordão vermelho, enquanto Zeferino torcia fanaticamente pelo azul, talvez por falta de causas mais relevantes na vida.</p>
<p>Sua amiga Suely era o completo oposto.</p>
<p>Alegre, expansiva e pioneira local na adoção da minissaia, transformou as próprias pernas em patrimônio turístico informal da cidade.</p>
<p>Os rapazes mantinham verdadeira bolsa de apostas sobre a cor da calcinha de Suely.</p>
<p>Zeferino, homem de convicções firmes e raciocínio fraco, apostava sempre em azul.</p>
<p>E errava com impressionante regularidade estatística.</p>
<p>Apesar das transformações culturais da época, Margarete permanecia séria como uma freira em retiro espiritual.</p>
<p>Tudo mudou quando a política entrou na história – como quase sempre acontece nas grandes tragédias nacionais: um tio de Pedro Conde alçou cargo importante no Estado e resolveu praticar nepotismo afetivo em favor da família.</p>
<p>Pedro foi nomeado fiscal da Coletoria Estadual de Pernambuco.</p>
<p>Apesar da instrução limitada, mostrou inteligência prática e rapidamente aprendeu o funcionamento da máquina arrecadatória.</p>
<p>A vida da família mudou.</p>
<p>Marta Sina aposentou os vestidos de chita, os filhos passaram a usar sapatos e todos começaram a desenvolver aquele comportamento típico da classe média emergente: falar mal de pobre esquecendo que tinham sido pobres na semana anterior.</p>
<p>Vendo o súbito progresso financeiro da família Conde, a mãe de Margarete resolveu reconsiderar as qualidades de Zeferino.</p>
<p>O amor tem lá sua importância. Mas estabilidade financeira costuma ter o condão de suplantar certos sentimentos – digamos – comezinhos.</p>
<p>Margarete concordou, como sempre, mas começava a surgir, nesses gestos, uma obediência cada vez menos parecida com submissão e cada vez mais parecida com espera.</p>
<p>Todos os dias, às cinco da tarde, seguia para a missa usando véu e vestidos longos, numa imagem tão pura que parecia patrocinada pela Diocese.</p>
<p>Como era inevitável em cidades pequenas, Zeferino e Margarete acabaram se casando.</p>
<p>Foram morar numa casa nos fundos da residência agora reformada de Pedro Conde, enquanto Zeferino “se firmava profissionalmente” – expressão brasileira usada para definir pessoas sem rumo.</p>
<p>Margarete continuou frequentando a missa das cinco.</p>
<p>Tudo seguia relativamente bem até a chegada da inevitável hecatombe.</p>
<p>Surgiu denúncia de corrupção envolvendo fiscais da Coletoria.</p>
<p>Pedro Conde estava entre os citados.</p>
<p>Foi um Deus-nos-acuda.</p>
<p>Processos, perícias, orações, promessas, choros e novenas.</p>
<p>Nada adiantou.</p>
<p>Pedro Conde acabou demitido a bem do serviço público – expressão jurídica elegante para dizer que alguém foi pego fazendo algo que quase todos os políticos fazem.</p>
<p>A casa foi vendida para sustentar o padrão de vida recém-descoberto.</p>
<p>Mudaram-se para um bairro mais distante.</p>
<p>Até que Marta Sina lembrou de parentes em São Paulo.</p>
<p>Mais uma família nordestina migrou para o Sudeste levando nove filhos, uma nora grávida de um menino que viria a ser chamado de Ronaldo, em homenagem ao pai dela e uma quantidade industrial de esperança.</p>
<p>Instalaram-se na Mooca, em acomodações pequenas, abafadas e suficientemente apertadas para fortalecer o espírito familiar à força.</p>
<p>Os parentes, num gesto simultâneo de confiança e irresponsabilidade, deram a Zeferino um cargo invejável: gerente de pessoal.</p>
<p>Seguindo a tradição familiar de ocupar funções incompatíveis com a própria capacidade, durou oito meses.</p>
<p>Foi o fim de sua brilhante carreira gerencial.</p>
<p>Depois disso, recusou empregos honestos como garçom, cozinheiro ou auxiliar administrativo.</p>
<p>Desenvolvera aquela enfermidade típica de certos brasileiros: a dignidade seletiva.</p>
<p>Passava fome, mas com status.</p>
<p>O único dos nove filhos que gostava de estudar, passou em concurso público e foi morar no Paraná. Parecia detento que cumpriu pena: voou para a liberdade sem olhar para trás. Sumiu.</p>
<p>Enquanto isso, Pedro Conde seguia tentando provar inocência na Justiça. Contou com a ajuda dos parentes da esposa e contratou famoso advogado, Dr. Fernando Cunha.</p>
<p>O processo durou tanto que quase ganhou direito a aposentadoria própria.</p>
<p>Os atrasados ficaram presos nos eternos precatórios.</p>
<p>Sobrou a aposentadoria.</p>
<p>E o cansaço.</p>
<p>Nesse ambiente emocionalmente <em>saudável</em>, o casamento de Zeferino e Margarete começou a ruir.</p>
<p>Especialmente para ela.</p>
<p>Seguindo um código antigo, covarde e nunca escrito, Zeferino bebia para esquecer os fracassos e batia em Margarete para fingir que ainda mandava em alguma coisa.</p>
<p>Sempre diante de Ronaldo, seu filho, neto de Pedro Conde.</p>
<p>Margarete nunca reclamava.</p>
<p>Nunca reagia.</p>
<p>Mas os olhos acumulavam um ódio silencioso que parecia render juros.</p>
<p>Com o passar dos anos, a família Conde se perdeu em subempregos e pequenos fracassos.</p>
<p>A exceção era Ronaldo, o neto.</p>
<p>Quieto.</p>
<p>Inteligente.</p>
<p>Dedicado aos estudos.</p>
<p>O único que parecia minimamente normal naquele conjunto familiar.</p>
<p>Pedro Conde o adorava.</p>
<p>Então vieram as cobranças da vida.</p>
<p>Marta Sina morreu de infarto.</p>
<p>Depois apareceu o câncer de Pedro Conde.</p>
<p>Prognóstico: um ano de vida.</p>
<p>Foi então que Zeferino surgiu com o plano.</p>
<p>Encontrara o advogado Fernando Cunha no Viaduto do Chá.</p>
<p>Tomaram café.</p>
<p>E produziram uma das ideias mais moralmente criativas da história da família.</p>
<p>– Eu me separo da Margarete e meu pai casa com ela.</p>
<p>O silêncio que se seguiu foi tão absurdo que, por alguns segundos, até Deus pareceu pedir esclarecimentos.</p>
<p>O objetivo era preservar a pensão após a morte de Pedro Conde.</p>
<p>Na teoria, para garantir o futuro de Ronaldo.</p>
<p>Na prática, para garantir o conforto vitalício do próprio Zeferino.</p>
<p>Pedro Conde, já cansado demais para discutir racionalidade, concordou.</p>
<p>Gastaram dinheiro com separação amigável.</p>
<p>O juiz estranhou a felicidade estampada no rosto da mulher durante a audiência.</p>
<p>Mas, sobrecarregado por crimes maiores e casamentos piores, homologou tudo.</p>
<p>Pedro Conde ainda viveu mais dois anos.</p>
<p>Morreu.</p>
<p>Margarete passou a receber a pensão.</p>
<p>Abriu conta bancária.</p>
<p>Conta individual.</p>
<p>O gerente explicou que, por questões formais, a conta deveria ficar apenas em nome dela.</p>
<p>Margarete ouviu aquilo como quem recebe, sem alarde, a primeira notícia boa em muitos anos.</p>
<p>Meses depois, o dinheiro finalmente caiu.</p>
<p>Naquela manhã, Margarete acordou cedo.</p>
<p>Preparou o café de Ronaldo.</p>
<p>Levou o filho à escola.</p>
<p>Abraçou-o demoradamente.</p>
<p>Havia uma lágrima escondida em seu rosto sereno.</p>
<p>Depois foi ao banco.</p>
<p>Confirmou o depósito.</p>
<p>Sacou dinheiro.</p>
<p>Pegou um talão de cheques.</p>
<p>Pensou:</p>
<p>“É suficiente.”</p>
<p>Por volta das onze horas, Zeferino acordou.</p>
<p>Espreguiçou-se.</p>
<p>Lavou o rosto.</p>
<p>Foi para a cozinha atrás do café forte preparado por Margarete.</p>
<p>Não encontrou a mulher.</p>
<p>Encontrou a irmã.</p>
<p>– Cadê Margarete?</p>
<p>– Não sei.</p>
<p>– Sumiu.</p>
<p>Pela primeira vez na vida, Margarete cumprira rigorosamente sua vontade.</p>
<p>(MARDEN MARQUES SOARES)</p>
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		<title>Nina Simone &#8211; Ain&#8217;t Got No (legendado)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2026 05:23:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Porque domingo é dia de boa música neste espaço !]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">Porque domingo é dia de boa música neste espaço !</font></p>
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		<title>TOMATE CRU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 05:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[É com grande alegria que publico hoje este conto escrito a quatro mãos por mim e por meu irmão Marden Marques Soares. Baseado em fatos reais, minha maior contribuição, mas com aquela criatividade característica dos bons contos, contribuição fundamental do meu mano, grande escritor. TOMATE CRU Acho que já nasceu gostando de futebol, como a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">É com grande</font><font color="#0000ff"> alegria que publico hoje este conto escrito a quatro mãos por mim e por meu irmão Marden Marques Soares. Baseado em fatos reais, minha maior contribuição, mas com aquela criatividade característica dos bons contos, contribuição fundamental do meu mano, grande escritor.</font></p>
<p><img style="margin-right: auto;margin-left: auto;float: none;display: block" alt="o-papel-velho-e-material-vetor-pena-da-pena_15-2179" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2014/11/o-papel-velho-e-material-vetor-pena-da-pena_15-2179_thumb.jpg?w=204&amp;h=240" /></p>
<hr />
<p><strong><font size="3">TOMATE CRU</font> <img style="float: right;display: inline" alt="MARDEN2" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/marden2_thumb.jpg?w=95&amp;h=111" align="right" /></strong></p>
<p> <a href="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/image-1.png"><img title="image" style="float: right;display: inline;background-image: none" border="0" alt="image" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/image_thumb.png?w=83&#038;h=118" width="83" align="right" height="118" />    <br /></a>  </p>
<p><b></b></p>
<p>Acho que já nasceu gostando de futebol, como a maioria dos brasileiros. Deve ter sido uma dessas heranças que a gente recebe sem escritura, sem inventário e sem direito de recusar.</p>
<p>Chegava da escola, fazia as tarefas e, nas folgas, ia jogar bola na rua com os vizinhos. A bola não precisava de muita nobreza. Podia ser de plástico, de meia, de borracha e, muito raramente, de couro. A de couro era quase artigo de luxo, coisa para menino rico ou para Natal generoso. Mas qualquer uma servia. O importante era correr atrás dela como se estivesse em disputa a final da Copa do Mundo.</p>
<p>Sei não: se eu fosse dono de fábrica de berços, talvez ganhasse dinheiro decorando-os assim: para os meninos, campos de futebol; para as meninas, também. Hoje em dia elas também gostam. E, em muitos casos, jogam melhor do que muito marmanjo que ainda acha que entende do assunto porque grita com a televisão.</p>
<p>Quando chegou à difícil adolescência, o Brasil ganhou a Copa de 1970. E, naquele tempo, o melhor time era o Botafogo. Era a base da Seleção. Jairzinho, Roberto, Paulo César Caju e companhia faziam diabruras com a bola. Ali, sem grandes estudos sociológicos, sem consulta a horóscopo e sem análise de risco, decidiu torcer pelo Botafogo.</p>
<p>Junto com o gosto pelo futebol vêm outros complementos igualmente agradáveis: as amizades do futebol. Principalmente aqueles amigos que vão conosco aos estádios para gritar como loucos e praticar o segundo esporte preferido do torcedor brasileiro: falar mal dos juízes – ou árbitros, como dizem os mais educados – e culpá-los pelo insucesso de seus times. No fim, tudo começa e termina numa rodada de cerveja. Às vezes começa antes também.</p>
<p>É nos estádios que costuma descarregar qualquer sentimento que o esteja incomodando. A Polícia Federal pegou aquele político corrupto? Infelizmente, quase um pleonasmo. Vai ao estádio e solta o grito. Com toda a força. Como dizem os crentes – ou, pelo menos, os que pagam o dízimo – é um livramento. Volta para casa com a cabeça leve. Claro, a cerveja ajuda. Mas não convém dar a ela todo o mérito, até porque ela costuma cobrar caro no dia seguinte.</p>
<p>O Brasil tem estádios maravilhosos, mas nenhum possui o charme do Maracanã. Quando podia, viajava até a cidade nem tão maravilhosa assim para ver parentes, o Botafogo e o Maraca, quando dá. Não necessariamente nessa ordem, que a família me perdoe.</p>
<p>Daquela vez, deu.</p>
<p>Era um jogo entre Brasil e Peru, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Maracanã ainda não reformado, cheio, barulhento, com aquele ar de templo pagão onde a fé entra pela arquibancada e sai rouca pelo portão. O Brasil venceu por 4 a 1. Robinho acabou com o jogo. Fez dois gols e deu baile. O mesmo Robinho que, anos depois, nos lembraria que talento com a bola não é salvoconduto para caráter.</p>
<p>Ele estava de férias no Rio. Amigos botafoguenses o chamaram para ver o jogo nas tribunas. Topou na hora, embora não fizesse a menor ideia de como entraria nas tais tribunas. Só sabia que</p>
<p>o pai de um deles tinha uma carteira com acesso àquele lugar privilegiado. Para ele, aquilo bastava como plano. Para eles, era quase uma tese de doutorado em logística informal.</p>
<p>Quando passaram para lhe pegar na casa de sua irmã, na Ilha do Governador, viu que o carro já estava lotado. Havia gente demais para o número de bancos e, possivelmente, para a paciência de qualquer agente de trânsito. Disse que iria de táxi. Mas sabe como é carioca: não deixaram de jeito nenhum. Enfiou-se no meio deles e vamos que vamos. É a antiga amizade cariocanordestina: apertada, barulhenta e sem espaço para covardia.</p>
<p>Ao chegar ao maior do mundo, encontraram mais uma boa turma de amigos, totalizando umas vinte pessoas. E apenas uma credencial para entrar. Sem possuir o costume carioquês, ficou apreensivo. A cerveja gelada o tranquilizou. Mas só um pouco. Há medos que nem a cevada resolve completamente.</p>
<p>Para seu espanto, a engenharia já estava montada na cabeça dos amigos. Explicaram, com detalhes, a estratégia, já testada várias vezes. Um entrava, dava um jeito de passar a carteira para o outro, que entrava também e repetia a operação. Era uma espécie de milagre da multiplicação, só que sem pão, sem peixe e com risco de camburão.</p>
<p>Entraram todos. Inclusive ele, o mais medroso da turma, já semiembriagado e sem entender direito se tinha participado de uma travessura, de uma operação clandestina ou de uma tradição cultural carioca. Talvez as três coisas.</p>
<p>Pois é. Quando vocês ouvirem alguém dizer que o público de determinado estádio carioca foi, por exemplo, de quarenta mil pessoas, é melhor repensar essas estatísticas. É bem possível que houvesse mais gente ali, espremida entre a geral, a tribuna, o camarote e alguma dimensão paralela só acessível por quem conhece alguém que conhece alguém.</p>
<p>Lá dentro, logo no início do jogo, viu algo que jamais aparecia pela televisão, especialmente na Globo de Galvão Bueno – ou Gavião Bueno, como minha implicância particular sempre preferiu chamá-lo.</p>
<p>As tribunas do Maraca ficavam logo abaixo das cabines de transmissão. A da Globo, inclusive. De repente, começou um coro audível por todos. Todos mesmo. Menos pela transmissão da TV, evidentemente, que já devia ser craque nesses filtros milagrosos:</p>
<p>— Ei, Galvão, vai tomate cru!</p>
<p>— Ei, Galvão, vai tomate cru!</p>
<p>— Ei, Galvão, vai tomate cru!</p>
<p>Numa maratona daquelas, ele já tinha feito o devido aquecimento etílico e entrou na onda a plenos pulmões:</p>
<p>— Ei, Galvão…</p>
<p>E fui junto. Com gosto. Aquilo, para ele, foi uma verdadeira catarse. Havia tempos eu não se</p>
<p>sentia tão bem. Não sei se Freud explicaria, mas talvez recomendasse ingresso, cerveja e arquibancada antes de aumentar a dose do remédio.</p>
<p>Na volta do jogo, fez a pergunta de curiosidade, embora já soubesse a resposta:</p>
<p>— Vocês viram as vaias e o xingamento na transmissão?</p>
<p>Ninguém tinha visto. Nem ouvido. Na TV, o Brasil jogava em paz, a torcida era comportada e Galvão seguia intacto, como se estivesse envolto por uma redoma acústica fornecida pela emissora.</p>
<p>A volta foi outro sufoco. Mas ele já estava num nível de cerveja que não permitia ser tão seletivo quanto ao conforto, à postura da coluna ou à legalidade da lotação do veículo.</p>
<p>Voltou para casa ainda feliz com a experiência. A mulher o recebeu com o sorriso de sempre. Desfez a mala, tomou banho e entrou no escritório. Lá havia uma televisão. Ligou o aparelho e se voltei para o laptop.</p>
<p>De repente, ouviu uma voz desagradável, prepotente, atrevida, vinda da TV e pensou:</p>
<p>Não pode ser.</p>
<p>Mas era.</p>
<p>Olhou para a tela para conferir. E ele estava lá, entrevistando jogadores.</p>
<p>Galvão Bueno.</p>
<p>Levantou-se calmamente. Há decisões na vida que não devem ser tomadas com pressa, mas algumas chegam prontas, maduras, irrevogáveis. Desligou a televisão da tomada. Em seguida, ligou o interfone.</p>
<p>— Pois não? — respondeu o porteiro.</p>
<p>— Seu Raimundo, o senhor pode vir até minha casa?</p>
<p>Quando chegou, Seu Raimundo tomou um susto ao me ver entregar-lhe um aparelho de TV seminovo.</p>
<p>— É seu. Pode levar.</p>
<p>Seu Raimundo olhou para ele, para a televisão, de novo para ele, como quem avalia se estava diante de generosidade, loucura ou algum defeito oculto no produto.</p>
<p>— Não entendo. E sua mulher, não vai reclamar?</p>
<p>— Ela usa a outra TV, a do quarto, para ver as novelas dela. Eu não preciso desta. Pode levar para sua casa.</p>
<p>Com a cara assustada e, ao mesmo tempo, satisfeita, Seu Raimundo saiu carregando o aparelho. Talvez pensando que, afinal, ainda havia gente boa no mundo. Ou, pelo menos, gente traumatizada pela locução esportiva.</p>
<p>E então se lembrou de Groucho Marx, que dizia achar a televisão muito educativa porque, toda vez que alguém a ligava, ele corria para outro cômodo para ler um livro.</p>
<p>Sentiu uma paz renovadora.</p>
<p>Pegou um bom livro.</p>
<p>Gavião Bueno, vai TOMATE CRU!</p>
<p>(José Rosa Filho e Marden Marques Soares)</p>
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		<title>CANAL ZEDUCANDO: Sextou com Livros &#8211;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 07:59:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Baú de livros]]></category>
		<category><![CDATA[Midiateca]]></category>
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[sociologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Depois de cerca de 30 dias sem gravar vídeos, volto hoje ao canal ZEducando com mais um bom livro no que chamamos SEXTOU COM LIVROS. Apresento e comento a obra “ROMPENDO COM A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA &#8211; TEXTOS, VERSOS E CANÇÕES”, do professor e escritor baiano Osvaldino Vieira de Santana.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">Depois de cerca de 30 dias sem gravar vídeos, volto hoje ao canal ZEducando com mais um bom livro no que chamamos SEXTOU COM LIVROS. Apresento e comento a obra “ROMPENDO COM A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA &#8211; TEXTOS, VERSOS E CANÇÕES”, do professor e escritor baiano Osvaldino Vieira de Santana.</font></p>
<hr />
<iframe class="youtube-player" width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/H08yUwUfyi0?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-br&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe>
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		<title>MATILDA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 05:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[Publico aqui um conto muito bom escrito pelo mano Marden Marques Soares. Criatividade a toda prova, muito bem escrito, com humor característico. Para deleite dos que gostam da boa literatura. FONTE: https://escritormarden.com.br/artigos/ MATILDA Há histórias que, de tanto serem contadas, acabam promovidas à condição de verdade. Não por mérito, mas por insistência. Uma delas fala [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #0000ff">Publico aqui um conto muito bom escrito pelo mano Marden Marques Soares. Criatividade a toda prova, muito bem escrito, com humor característico. Para deleite dos que gostam da boa literatura.</span></p>
<p><strong><span style="color: #0000ff">FONTE: </span></strong><a title="https://escritormarden.com.br/artigos/" href="https://escritormarden.com.br/artigos/">https://escritormarden.com.br/artigos/</a></p>
<p><img style="margin-right: auto;margin-left: auto;float: none;display: block" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2014/11/o-papel-velho-e-material-vetor-pena-da-pena_15-2179_thumb.jpg?w=204&amp;h=240" alt="o-papel-velho-e-material-vetor-pena-da-pena_15-2179" /></p>
<hr />
<p><strong><span style="font-size: medium">MATILDA <a href="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/marden2.jpg"><img style="margin: 7px 8px 16px 14px;float: right;display: inline;background-image: none" title="MARDEN2" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/marden2_thumb.jpg?w=95&#038;h=111" alt="MARDEN2" width="95" height="111" align="right" border="0" /></a></span></strong></p>
<p>Há histórias que, de tanto serem contadas, acabam promovidas à condição de verdade. Não por mérito, mas por insistência. Uma delas fala de um beduíno do Saara que, ao atravessar a fronteira rumo a Marrakesh com seus camelos, mercadorias e uma prole que já dava para formar uma cooperativa, foi interpelado por um fiscal curioso.</p>
<p>– Sua prole é grande, não?</p>
<p>O beduíno, do alto de sua ignorância, respondeu:</p>
<p>– Moço, minha prole pode até não ser tão grande, mas dá conta de duas mulheres, uma amante e, de vez em quando, do camelo.</p>
<p>O fiscal, comovido – não com o homem, mas com o camelo –, liberou a passagem.</p>
<p>Anos depois, eu e minha esposa Matilda, baiana de temperamento expansivo e vocação natural para plateias involuntárias, embarcamos em um cruzeiro saindo de Salvador rumo ao sul da Espanha.</p>
<p>Matilda era dessas figuras que não passam – ocupam o ambiente. Sua filosofia de vida cabia em duas linhas: falar muito e economizar pano. Eu, como contraponto natural, me especializei em existir discretamente, sempre meio atrás, dentro de um short largo o suficiente para abrigar dois de mim: um que anda e outro que se esconde.</p>
<p>Após dias de convívio social intenso. Leia-se: festas, comida em excesso e diálogos inevitáveis travados incessantemente por Matilda, o navio atracou em Casablanca. Lugar histórico, cenário de filme famoso, e, naquele dia, palco de um evento ainda não registrado na crítica cinematográfica.</p>
<p>Matilda, já tomada por um espírito artístico tardio, passou a narrar <em>Casablanca</em> para quem cruzasse seu caminho, repetindo “Toque outra vez, Sam” com uma convicção que faria o próprio Sam pedir demissão.</p>
<p>Não deu outra. Chamou a atenção do rei do Marrocos, que por ali passava – provavelmente em missão oficial, embora ninguém tenha confirmado. Foi amor à primeira vista. Ou, sendo mais preciso, à primeira audição.</p>
<p>Sem grandes formalidades – afinal, reis não costumam perder tempo com burocracia –, ordenou que sua guarda levasse Matilda para integrar o seleto grupo de suas esposas.</p>
<p>O alvoroço foi imediato. Turistas protestavam, o guia gritava, formou-se um comitê internacional de indignação. Todos estrangeiros, claro. Nenhum local parecia particularmente incomodado.</p>
<p>Eu, como sempre, estava do outro lado. Quando finalmente cheguei, já vi Matilda sendo conduzida e, para minha surpresa, não havia medo em seu rosto. Havia algo mais próximo de realização pessoal.</p>
<p>Minutos depois, um emissário apareceu com um camelo e me entregou as rédeas.</p>
<p>– Como manda a tradição – explicou o guia –, o Rei está pagando pela sua esposa.</p>
<p>Considerei procurar o consulado brasileiro, mas ele ficava em outra cidade e, francamente, eu não queria comprometer o restante da viagem por um detalhe conjugal.</p>
<p>Voltei ao navio.</p>
<p>Confesso: os dias que se seguiram foram de uma tranquilidade inédita. Li livros inteiros sem interrupções, comi sem ser orientado e vivi, por um breve período, a experiência rara de escutar o próprio pensamento.</p>
<p>Pensando em Matilda, cheguei a refletir, com certa compaixão, sobre o destino do camelo que lá deixei.</p>
<p>De volta a Salvador, relatei o ocorrido à família de Matilda: uma mãe em fase contemplativa e uma tia em estado avançado de mal de Alzheimer e mencionei, com firmeza retórica, que acionaria o Itamaraty.</p>
<p>Não acionei.</p>
<p>A vida seguiu. Anos depois, já juridicamente viúvo, encontrei Maristela, mulher de poucas palavras, o que, para mim, representava uma inovação promissora. Tivemos filhos. A vida entrou nos trilhos.</p>
<p>Até que, certo dia, recebo uma carta da Embaixada do Marrocos.</p>
<p>O conteúdo era direto: o Rei devolveria Matilda. E solicitava, em contrapartida, o camelo.</p>
<p>Pelo visto, nem a realeza está imune.</p>
<p>Respondi com a brevidade que o caso exigia, recorrendo a um antigo provérbio árabe:</p>
<p><strong>“Confie em Allah, mas amarre seu camelo.”</strong></p>
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		<title>AS HIST&#211;RIAS SE REPETEM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:49:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
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					<description><![CDATA[Copa chegando, é bom ler os artigos de Tostão. AS HISTÓRIAS SE REPETEM De vez em quando, alguém me pergunta por que não estou presente em eventos relacionados ao Cruzeiro, CBF,Fifa e outros. Além de gostar de meu canto e de tentar separar o público do&#160; privado, preciso, como colunista, manter uma distância para ter [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">Copa chegando, é bom ler os artigos de Tostão.</font></p>
<p><a href="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/exercicio_cartum_jose_rosa_dez-2020.jpg"><img loading="lazy" title="Exercicio_Cartum_Jose_Rosa_Dez-2020" style="margin-right: auto;margin-left: auto;float: none;display: block;background-image: none" border="0" alt="Exercicio_Cartum_Jose_Rosa_Dez-2020" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/exercicio_cartum_jose_rosa_dez-2020_thumb.jpg?w=389&#038;h=237" width="389" height="237" /></a></p>
<hr />
<p><strong><font size="3">AS HISTÓRIAS SE REPETEM <a href="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/tostao_post-1.jpg"><img loading="lazy" title="Tostao_post" style="margin: 6px 6px 14px 14px;float: right;display: inline;background-image: none" border="0" alt="Tostao_post" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/tostao_post_thumb-1.jpg?w=103&#038;h=99" width="103" align="right" height="99" /></a></font></strong></p>
<p>De vez em quando, alguém me pergunta por que não estou presente em eventos relacionados ao Cruzeiro, CBF,Fifa e outros. Além de gostar de meu canto e de tentar separar o público do&#160; privado, preciso, como colunista, manter uma distância para ter total liberdade e independência para criticar e elogiar. </p>
<p>As histórias se repetem no Brasileirão. Palmeiras e Flamengo, novamente, vão disputar o título. Na derrota do Flamengo contra o Palmeiras por 3 a 0, o primeiro gol do Palmeiras aconteceu logo após a expulsão de Carrascal. O Flamengo, perdendo o jogo, teria de tentar o gol, ainda mais em casa, empurrado pela torcida. Nestas situações, é frequente a equipe com um jogador a menos sofrer mais gols por deixar muitos espaços na defesa. Mesmo assim, o técnico Leonardo Jardim foi duramente criticado. Por muito pouco, os treinadores se transformam de heróis a vilões pelas redes sociais e pelos gênios das estratégias. </p>
<p>Por que o Bahia, com frequência, não consegue marcar vários gols sem sofrer tantos? Contra o Coritiba&#160; fez dois e sofreu três. Seria por causa de deficiências táticas? Penso que o elenco é modesto para o time atacar e defender bem. Deveria se inspirar no modelo do equilibrado Arsenal, campeão inglês, em vez de seguir odo ousado Manchester City, do grupo que o Bahia faz parte.</p>
<p>Na Seleção, as histórias também se repetem. Neymar está novamente machucado, com problema na panturrilha, oque reforça a opinião de que ele não deveria ter sido convocado. Ele se apresenta hoje junto com os outros jogadores e mesmo se estiver em condições de treinar, os últimos dez dias de ausência dos gramados podem atrapalhar sua recuperação técnica e física. Existe também a possibilidade de Neymar continuar fora dos treinamentos ou mesmo de ser cortado. </p>
<p>Na apresentação da Seleção BrasileiraparaaCopade1970, eu tinha ficado seis meses sem participar de qualquer atividade física por causa da cirurgia de descolamento da retina. Dias antes fui aos EUA para fazer uma revisão e fui liberado pelo médico para treinar, porém separado do grupo. Carlos Alberto Parreira, que era na época auxiliar da preparação física, foi meu instrutor durante uns 45 dias. </p>
<p>Na época, a moda no Brasil e no mundo era o teste de&#160; cooper que media quantos metros um atleta corria em 12 minutos.Logo que passei a treinar com o grupo, fiz o teste e fiquei na última colocação. A imprensa foi atrás do técnico João Saldanha para saber as minhas condições físicas. Ele disse: “Tostão foi o último no teste, mas já está escalado”. Parecia até que eu era um supercraque, imprescindível. Não sei se&#160; Saldanha gostava mais das minhas características técnicas ou da minha pessoa, pois batíamos bons papos sobre futebol, política e outros assuntos. </p>
<p>Eu ainda não entendi porque Saldanha foi convidado para ser técnico da Seleção, pois era um ativo participante do Partido Comunista no tempo da nefasta ditadura. Dizem que antes de ser demitido houve uma reunião em Brasília entre os dirigentes da CBD e o ditador Medici. Havia um sussurro entre os jogadores de que Saldanha sairia. Ficamos tristes, chateados, mas, como dizia o próprio Saldanha, “vida que segue”. Entrou Zagallo e o Brasil foi campeão. </p>
<p>(TOSTÃO)</p>
<p><strong>FONTE</strong>: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 27.05.2026</p>
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		<title>POL&#205;TICA COM VATAP&#193; &#8211; O salvador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 05:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos e textos]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
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					<description><![CDATA[Porque rir também é necessário ! POLÍTICA COM VATAPÁ &#8211; O salvador Na década de 1960, Jussara, na região de Irecê, entrou numa exótica ciranda política. Arsênio Santos, o novo prefeito, não completou seis meses de mandato e foi cassado pela Câmara. Como na época não havia vice, assumiu o presidente da Câmara, também logo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">Porque rir também é necessário !</font></p>
<p><a href="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/sorriso.png"><img loading="lazy" title="SORRISO" style="border: 0px currentcolor;margin-right: auto;margin-left: auto;float: none;display: block;background-image: none" border="0" alt="SORRISO" src="https://joserosafilho.wordpress.com/wp-content/uploads/2026/05/sorriso_thumb.png?w=85&#038;h=86" width="85" height="86" /></a></p>
<hr />
<p><strong><font size="3">POLÍTICA COM VATAPÁ &#8211; O salvador</font></strong></p>
<p>Na década de 1960, Jussara, na região de Irecê, entrou numa exótica ciranda política. Arsênio Santos, o novo prefeito, não completou seis meses de mandato e foi cassado pela Câmara.</p>
<p>Como na época não havia vice, assumiu o presidente da Câmara, também logo cassado. Dali começou o parangolé: seis prefeitos em quatro anos.</p>
<p>Nenhum valeu. Tudo correu à revelia da Justiça, que, por precaução, bloqueou os recursos municipais até que a situação fosse resolvida. </p>
<p>Só no pleito de 1970 o povo elegeu Antonio Honorato, fazendeiro, analfabeto e beberrão, autointitulado “o salvador da pátria”.</p>
<p>Com seis dias de mandato, a Justiça liberou o dinheiro. Chamou o assessor jurídico, correu para o banco em Irecê, pediu o saldo, estatelou-se: </p>
<p>– Bacharate, filho meu! Nunca vi tanto dinheiro junto! Vou pagar os funcionários, arrumar a casa e depois comprar um ‘role-roce’ pra mim! Prefeito aqui agora vai ter moral! </p>
<p>‘Role-roce’ é Rolls-Royce.</p>
<p>(Levi Vasconcelos)</p>
<p><strong>FONTE</strong>: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 17.05.2026</p>
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		<title>Ela mudou a maneira que se calcula Raiz Quadrada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 03:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Midiateca]]></category>
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Matemática]]></category>
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					<description><![CDATA[Notícia interessante. Porém vale uma ressalva. Não se calcula raiz quadrada de um número por “tentativa e erro”. Há mais de um método para isso. Destaco o MÉTODO DE NEWTON, usado nos idos da década de 1980 no Curso de Engenharia Mecânica da UFC. numa disciplina onde usávamos os primórdios da programação com a linguagem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">Notícia interessante. Porém vale uma ressalva. Não se calcula raiz quadrada de um número por “tentativa e erro”. Há mais de um método para isso. Destaco o MÉTODO DE NEWTON, usado nos idos da década de 1980 no Curso de Engenharia Mecânica da UFC. numa disciplina onde usávamos os primórdios da programação com a linguagem Fortran.</font></p>
<p><a title="https://giovanidacruz.com.br/calculando-a-raiz-quadrada-com-o-metodo-de-newton/" href="https://giovanidacruz.com.br/calculando-a-raiz-quadrada-com-o-metodo-de-newton/">https://giovanidacruz.com.br/calculando-a-raiz-quadrada-com-o-metodo-de-newton/</a></p>
<hr />
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		<title>UMA HORA DE NEUROCI&#202;NCIA: TUDO SOBRE O C&#201;REBRO COM MIGUEL NICOLELIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zé Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 05:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Midiateca]]></category>
		<category><![CDATA[Zuniversitas]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
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					<description><![CDATA[Mais uma excelente entrevista-aula de Miguel Nicolelis, um dos maiores cientistas da atualidade !]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#0000ff">Mais uma excelente entrevista-aula de Miguel Nicolelis, um dos maiores cientistas da atualidade !</font></p>
<hr />
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