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	<title>Alma Carioca - Literatura</title>
	
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	<description>Contos, Crônicas e Poesias em português</description>
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		<title>Uma busca vã – Lu Dias</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 03:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lu Dias BH</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lu Dias BH]]></category>

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		<description><![CDATA[Andei atrás de ti num território selvagem
Em meio a pítons, visionários e videntes
Por lugares de gente de palavras confusas
Pelos quatro cantos do Oriente e Ocidente.
Queria selar a paz contigo com um beijo
Sob a luz cálida da lua, numa noite quente
De modo a matar a sede desses teus lábios
Que há muito, dos meus, se fazem ausentes.
Deixei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Andei atrás de ti num território selvagem<br />
Em meio a pítons, visionários e videntes<br />
Por lugares de gente de palavras confusas<br />
Pelos quatro cantos do Oriente e Ocidente.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Queria selar a paz contigo com um beijo<br />
Sob a luz cálida da lua, numa noite quente<br />
De modo a matar a sede desses teus lábios<br />
Que há muito, dos meus, se fazem ausentes.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Deixei pra trás o conformismo que me prendia<br />
Pra na tua busca voar livre como uma avezinha<br />
E depois me aninhar no calor de teu ninho.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A tentativa de busca foi infrutífera e vã<br />
Não te encontrei pelos caminhos procurados<br />
Meu coração, coitado, continua triste e sozinho.</p>
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		<title>Um lugar acolhedor – J. Carino</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 02:10:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando de minha aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[J Carino]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Ando pelo Méier e me impressiono mais uma vez com a pujança do bairro. Em plena Dias da Cruz, o movimento intenso não convida à reflexão; ao contrário, é contagiante a operosidade mostrada por essa gente que passa apressada e, no entanto, muita vez ainda se cumprimenta, revelando uma cumplicidade de raízes difícil de encontrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ando pelo Méier e me impressiono mais uma vez com a pujança do bairro. Em plena Dias da Cruz, o movimento intenso não convida à reflexão; ao contrário, é contagiante a operosidade mostrada por essa gente que passa apressada e, no entanto, muita vez ainda se cumprimenta, revelando uma cumplicidade de raízes difícil de encontrar em outros lugares.</p>
<p style="text-align: justify;">Um amigo, filho do bairro, me disse certa vez: &#8220;O Méier é uma cidade!&#8221;. Queria dizer que aí tinha tudo: trabalho, lazer, beleza. E seus olhos entusiasmados ainda diziam, com seu brilho, que o Méier sempre teve em seus filhos cariocas autênticos, &#8220;da gema&#8221;; gente que ama a cidade e nasceu, ou apenas mora, num bairro que é uma singular encruzilhada onde se encontram todos os destinos, onde a alma carioca se exibe em passado e se realiza no presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Chego ao Jardim do Méier e quase ouço o pulsar do coração do bairro. Estar aqui é como estar numa síntese dos bairros do Rio &#8211; com suas grandezas e suas mazelas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Méier &#8211; muitos já notaram &#8211; é perto de tudo. E parece estar ali para receber os que passam demandando outros bairros; mas receber com um abraço amigo, com a atenção carinhosa de quem estende a mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Há alguns anos, uma casa de espetáculos &#8211; que não resistiu à falta de perenidade inerente à vida de hoje &#8211; fez com que muita gente atravessasse a cidade, vinda de seus quatro cantos, e chegasse ao Méier. Saindo de sua modéstia que não prescinde da altivez, o Méier mostrou-se como é: simpático no sorriso do pipoqueiro; gostosamente malandro nos gestos do &#8220;flanelinha&#8221;; elegante no trajar das senhoras; atento e eficiente no trabalho de todos. E esse Méier a todos conquistou.</p>
<p style="text-align: justify;">O comércio do Méier é dos melhores do Rio, sabemos todos. Quase tudo se acha nesse mercado rico e plural, numa espécie de celebração à condição de &#8220;mão aberta&#8221; atribuída aos moradores desse bairro singular.</p>
<p style="text-align: justify;">Bons colégios, belas igrejas e grandes templos, clubes ainda famosos &#8211; isso também dá ao bairro a condição de um bom lugar para se viver, criar os filhos e vê-los seguir vida afora, porém mantendo para sempre o orgulho de terem nascido no Méier.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhando daqui, da Arquias Cordeiro, vejo o trem cruzando o Méier. Esse longo bicho de aço parece um viajante cansado que, depois da longa travessia, chega ao meio da viagem como se chegasse a um oásis.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um Méier especial também nessas ruazinhas ainda relativamente tranqüilas &#8211; veiazinhas que cortam esse grande bairro-coração. Num dia como o de hoje, no intenso calor do Rio, entro numa delas e paro à sombra generosa de um flamboyant. A vermelhidão das flores se harmoniza, lá no alto, com galhos cuja forma chamam a atenção deste peito poético: parecem os braços acolhedores do Méier de hoje e de sempre.</p>
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		<title>Bem-te-vi – Lu Dias</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 02:45:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lu Dias BH</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lu Dias BH]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sou&#8230;
A âncora pesada, que desce silenciosa e
destemida nas águas, procurando apoio.
O barco tosco do pescador, que flutua
entre marolas, sem medo de soçobrar.
O emaranhamento das florestas tropicais,
que se espalham pelas terras de meu país.
A tempestade, que despenca sem aviso,
agitando a lida dos homens no cais.
O vazio da noite escura, com seus medos
e mistérios, escondendo muitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">Eu sou&#8230;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A âncora pesada, que desce silenciosa e<br />
destemida nas águas, procurando apoio.<br />
O barco tosco do pescador, que flutua<br />
entre marolas, sem medo de soçobrar.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">O emaranhamento das florestas tropicais,<br />
que se espalham pelas terras de meu país.<br />
A tempestade, que despenca sem aviso,<br />
agitando a lida dos homens no cais.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">O vazio da noite escura, com seus medos<br />
e mistérios, escondendo muitos segredos.<br />
A luz dourada do sol fazendo cócegas nos<br />
capinzais debruçados sobre os rochedos.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">As presas afiadas e rápidas da onça-pintada,<br />
quando a fome revela seu instinto selvagem.<br />
As águas cristalinas descendo as montanhas,<br />
matando a sede dos homens e animais.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A fugacidade da luz da lua banhando a noite,<br />
enquanto nuvens toldam sua passagem.<br />
O arranhado dos pés nos caminhos de pedras,<br />
deslizando impassíveis e corajosos .</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">O desespero da tolinha caça, incapaz de<br />
evitar o ataque certeiro do predador mordaz.<br />
Os olhos furtivos do gavião à espreita, que<br />
vasculham o terreno em busca da presa.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;">A agressividade dos ciclones vadios, que<br />
provocam destruição em torno de si.<br />
O canto do pássaro, no abacateiro, olhando<br />
pro mundo e dizendo: “Bem-te-vi!”.</p>
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		<title>Onde mora o coração – J. Carino</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 02:10:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando de minha aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[J Carino]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Você já reparou, caro leitor, como a Tijuca é grande? Mas não por conta dos limites geográficos, que são consideráveis. É grande, imensa, em virtude do que representa no coração dos cariocas, e, claro, no deliciosamente tendencioso e bairrista coração dos tijucanos.
A Tijuca ultrapassa, de muito, as dimensões do bairro. Há uma &#8220;alma tijucana&#8221; que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Você já reparou, caro leitor, como a Tijuca é grande? Mas não por conta dos limites geográficos, que são consideráveis. É grande, imensa, em virtude do que representa no coração dos cariocas, e, claro, no deliciosamente tendencioso e bairrista coração dos tijucanos.</p>
<p style="text-align: justify;">A Tijuca ultrapassa, de muito, as dimensões do bairro. Há uma &#8220;alma tijucana&#8221; que sobrepaira em muitos lugares do Rio; que sai lá de cima, espiando de pertinho o Alto da Boa Vista, desce pela Conde de Bonfim e Hadock Lobo e chega à fronteira do Maracanã, além de subir verdejante pela floresta de mata atlântica e descer vertiginosamente até ruas tranqüilas já nas cercanias de Vila Isabel.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a verdadeira Tijuca também anda por nossa cidade, bela e faceira, no coração dos tijucanos, um coração orgulhoso, eternamente tijucano, mesmo quando o peito em que bate esteja fisicamente longe do bairro querido.</p>
<p style="text-align: justify;">A alma tijucana é, a um tempo, aristocrática e popular; conservadora e progressista. Contradição, isso? Não. Temos aí, em verdade, uma dialética bairrística e existencial difícil de entender pelos não-tijucanos. Até as favelas encarapitadas nos morros da Tijuca têm esse espírito mais sofisticado, de um bairro que conserva a classe sem esquecer a ginga nas quadras de escola de samba; que se faz elegância sem deixar de lado a descontração dos bares nas esquinas de ruas ensombradas por velhas amendoeiras, ruas por onde o tijucano de hoje ainda passeia sobre um tapete de folhas caídas em inesquecíveis tarde de outono.</p>
<p style="text-align: justify;">Tijuca dos clubes, redutos de lazer que marcaram gerações. Tijuca dos jovens cabeludos andando de lambreta muito antes dos rivais da zona sul, para se mostrar às namoradas. Tijuca dos bons colégios &#8211; sejam austeros educandários ou escolas modernas liberais.</p>
<p style="text-align: justify;">Tijuca que nos traz, do passado, o sabor do cafezinho aromático, quente, gostoso, sorvido na porta do Café Palheta da Saens Peña.</p>
<p style="text-align: justify;">Tijuca do comércio ativo, sofisticado, lançando moda vestida por lindas tijucanas &#8211; moças bem cariocas, expressões de uma classe média cuidada, inteligente, charmosa.</p>
<p style="text-align: justify;">A Tijuca sempre esteve adiante de seu tempo. Onde, caro leitor, você pensa que se firmaram tanto a bossa nova quanto a jovem guarda? Sim, em garagens e apartamentos tijucanos, de onde rapazes e moças, inovadores e iconoclastas, saíram para conquistar o lado sul da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Tijuca de ontem, de hoje, de sempre, onde o Rio mostra também seu lado família, em casas alinhadas em vilas aconchegantes e floridas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tijuca, um grande bairro, um dos lugares onde mora, mais carioca e mais feliz, o coração do Rio.</p>
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		<item>
		<title>O mendigo e o malabarista – Lu Dias</title>
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		<comments>http://www.almacarioca.net/o-mendigo-e-o-malabarista-lu-dias/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 04:19:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lu Dias BH</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lu Dias BH]]></category>

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		<description><![CDATA[-Moça, bote um trocado na minha mão!
Diz o ágil rapaz sobre suas pernas de pau
-Não tenho, amiguinho, levo apenas cartão!
Responde a moça comovida, de olhos no sinal.
-Moça, não sou mendigo, mas artista!
Desmancha num sorriso debochado
O arrogante e astucioso malabarista
Insistindo pra receber o seu trocado.
E a moça ao ouvir a inusitada repreensão
Dá meia volta, encarando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">-Moça, bote um trocado na minha mão!<br />
Diz o ágil rapaz sobre suas pernas de pau<br />
-Não tenho, amiguinho, levo apenas cartão!<br />
Responde a moça comovida, de olhos no sinal.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">-Moça, não sou mendigo, mas artista!<br />
Desmancha num sorriso debochado<br />
O arrogante e astucioso malabarista<br />
Insistindo pra receber o seu trocado.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">E a moça ao ouvir a inusitada repreensão<br />
Dá meia volta, encarando o fanfarrão<br />
E pergunta ao tal “artista”, indignada:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">- Por que se julga melhor que o mendigo<br />
A quem trata com desdém descabido<br />
Se sobrevivem nas mesmas calçadas?</p>
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		<item>
		<title>Um caleidoscópio urbano – J. Carino</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/almacarioca/SCzE/~3/r1bBW7shzxM/</link>
		<comments>http://www.almacarioca.net/um-caleidoscopio-urbano-j-carino/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 02:10:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando de minha aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[J Carino]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A Praça Tiradentes está quase deserta, enquanto a noite avança. O comércio, de portas cerradas, e os pontos de ônibus sem filas contrastam com o burburinho do dia. Na esquina, defronte ao tradicional e antigo café, prostitutas, também já antigas, e travestis novos empenham-se numa concorrência brutal.
Fecho os olhos do corpo e apuro os ouvidos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A Praça Tiradentes está quase deserta, enquanto a noite avança. O comércio, de portas cerradas, e os pontos de ônibus sem filas contrastam com o burburinho do dia. Na esquina, defronte ao tradicional e antigo café, prostitutas, também já antigas, e travestis novos empenham-se numa concorrência brutal.</p>
<p style="text-align: justify;">Fecho os olhos do corpo e apuro os ouvidos da alma. Posso escutar sons longínquos, vindos de um passado remoto: são as orquestras dos teatros de revista, alma e colorido de um Rio musical, farrista &#8211; celeiro artístico do Brasil. É possível vislumbrar, por entre a névoa do tempo, as esculturais vedetes descendo, majestosas, imensas escadarias dos shows de Carlos Machado.</p>
<p style="text-align: justify;">Indo pela a Rua da Carioca, vindo pela Sete de Setembro, a alma passeia debaixo de sobrados centenários, sentindo o pulsar de uma cidade que guarda, em seu corpo de hoje, um coração de passado grandioso.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegar à Ouvidor é mergulhar num Rio chique, elegante, em que ainda se pode reviver momentos inesquecíveis, tomando ali perto um chá com biscoitos na Colombo, tendo a saudade sentada ao lado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o dia amanhece, o Largo da Carioca vai crescendo em trepidação: é um grande palco popular, onde extravagantes artistas do povo, eméritos tapeadores e hábeis prestidigitadores vendem bugigangas e sonhos. Tudo isso ao pé do Convento de Santo Antônio, que, condescendente, fecha os olhos complacentes, enquanto se entrega à sua missão de santo casamenteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem pertinho, pelo menos na lembrança, está a Galeria Cruzeiro, onde muito talento nasceu para a fama no rádio e no disco, onde muitas músicas hoje consagradas foram trocadas por uns cobres.</p>
<p style="text-align: justify;">Ali, logo ali, o Tabuleiro da Baiana era um ponto central de parada dos bondes, que rangiam nos trilhos enquanto prosseguiam na sua lenta e civilizada marcha por entre transeuntes não tão apressados como os de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">A Rio Branco fervilha: é uma das artérias mais importantes por onde corre o sangue carioca no coração da cidade empreendedora. Andando por aqui, neste caleidoscópio urbano, podemos nos sentir cosmopolitas, mesmo sem arredar pé de nossa terra. Nos rostos suados, nos olhos vivos, no falar com múltiplos sotaques, reconhecemos gente de todo esse Brasilzão, e do mundo inteiro, acolhida nos braços da Cidade Maravilhosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Meio dia. Sol a pino. É hora de parar e fazer descer pela garganta seca por causa do calor e da poluição uma cerveja gelada.</p>
<p style="text-align: justify;">Em momentos como esse vejo que tenho tudo aqui: nos ouvidos, o barulhão do centro da cidade; nos olhos, a imagem da beldade que passa; no coração, o orgulho de ser carioca.</p>
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		<title>A magia de teus olhos – Lu Dias</title>
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		<comments>http://www.almacarioca.net/a-magia-de-teus-olhos-lu-dias/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 04:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lu Dias BH</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lu Dias BH]]></category>

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		<description><![CDATA[Envoltos em fita violeta, guardei teus olhos
Dois focos de luz, minha prisão permanente
A capturar-me em suas reluzentes gaiolas
Cadeias perigosas e concupiscentes.
Perseguem-me como se fora um fugitivo
De modo que os sofridos dos olhos meus
Quedam-se hipnotizados pela irreverência
Que brota sôfrega das celas dos teus.
Em vão, tento me libertar dos fortes elos
Que me prendem nesse cárcere de fascínio
Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Envoltos em fita violeta, guardei teus olhos<br />
Dois focos de luz, minha prisão permanente<br />
A capturar-me em suas reluzentes gaiolas<br />
Cadeias perigosas e concupiscentes.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Perseguem-me como se fora um fugitivo<br />
De modo que os sofridos dos olhos meus<br />
Quedam-se hipnotizados pela irreverência<br />
Que brota sôfrega das celas dos teus.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Em vão, tento me libertar dos fortes elos<br />
Que me prendem nesse cárcere de fascínio<br />
Mas os luminares dos teus estampam que<br />
Não posso me perder desses meninos.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Miro as árvores que se dobram lânguidas<br />
Embaladas pelo maroto sabor do vento,<br />
Suas folhas transmutam-se em teus olhos<br />
Guardas negros de meu encantamento.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Busco a lua que passeia na abóboda celeste<br />
Mas, ela respinga em mim sua luminosidade<br />
E mais uma vez me vejo presa ao cativeiro<br />
Desses fachos a me pejar de dizer adeus.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Esses teus olhos afoitos me perseguem<br />
Como irreverentes luzeiros em alto-mar<br />
Dançam em meio às pedras dos rochedos<br />
Pra  minha nau poderem guiar.</p>
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		<item>
		<title>Prazer, cultura e beleza – J. Carino</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/almacarioca/SCzE/~3/rTLeJV-YTKg/</link>
		<comments>http://www.almacarioca.net/prazer-cultura-e-beleza-j-carino/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 02:10:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando de minha aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[J Carino]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou na Praça XV. Em meio à confusão de gente e de coisas, ponho-me a pensar e a sentir. Sinto o cheiro de mar e de peixe. Talvez ainda seja a memória do Mercado de Peixes, hoje apenas uma lembrança olfativa dos tempos em que aqui havia um paraíso para os amantes dos frutos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estou na Praça XV. Em meio à confusão de gente e de coisas, ponho-me a pensar e a sentir. Sinto o cheiro de mar e de peixe. Talvez ainda seja a memória do Mercado de Peixes, hoje apenas uma lembrança olfativa dos tempos em que aqui havia um paraíso para os amantes dos frutos do mar, feito de corvinas, robalos, namorados, anchovas &#8211; de todas as delícias tiradas por pescadores do seio do mundo de Netuno.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejo gente, muita gente, chegando nas barcas, vinda de Niterói, a Cidade Sorriso. São cariocas-fluminenses que, duas vezes por dia, cruzam a baía &#8211; talvez a mais linda do mundo -, refazendo num mínimo percurso a viagem dos intrépidos navegadores, cujos olhos e almas prostrados, caíram de amores por essa cidade, que é um verdadeiro poema visual no encontro entre céu, mar e montanha.</p>
<p style="text-align: justify;">Cruzo a praça, e o Paço Imperial leva-me em memória ao passado remoto: combatentes da nacionalidade, heróis da liberdade, brasileiros de antanho fazem ecoar seus passos nas taboas corridas dos casarões. Na Primeiro de Março, vejo a estátua de um Tiradentes idealizado, mas cuja alma, feita de uma brasilidade profunda e corajosa, paira sobre todo o corre-corre das ruas em torno.</p>
<p style="text-align: justify;">Passo por igrejas. Além de templos da fé, são oásis num cotidiano cáustico. A paz, que ultrapassa quaisquer crenças institucionalizadas, mora aí, entre sombras e silêncios. Só volto a mim quando o sineiro da Igreja de São José &#8211; já morando entre os sons celestiais de seus sinos tão musicais &#8211; faz ecoar o blim-blom que mora no fundo mais recôndito da memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Passeando, posso chegar perto do Albamar e olhar de longe o Museu Histórico, com suas carruagens, que parecem, ainda hoje, esperar, com os escravos ao lado, algum grão-senhor perdido no tempo e no espaço.</p>
<p style="text-align: justify;">Lá por detrás, está a Santa Casa de Misericórdia, ancestral reduto do eterno combate entre a vida e a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Há muito de memória importante aqui perto: o Museu da Imagem e do Som guarda os registros, visuais e sonoros, sobretudo da Era de Ouro do rádio, um tempo relativamente recente em que qualidade e quantidade quase se podiam confundir.</p>
<p style="text-align: justify;">Sigo, passando pelo Fórum e vendo a multidão entrando e saindo nesse lugar da prática forense. Vejo de advogados e advogadas, sobraçando pastas com processos, a rostos humildes de gente pobre e anônima, esperançosa de que a venda nos olhos da Justiça ainda garanta imparcialidade e decisões justas num contexto social e econômico onde as injustiças grassam e se perpetuam.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Rio Branco com São José, paro e sinto em volta o pulsar desse centro nervoso da cidade. Se dá vontade, posso voltar e entrar no Lidador, onde a vida tem chance de se humanizar e refinar gastronomicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou indo na direção da Praça Pio X. Entro no Centro Cultural dos Correios; passo pela bonita Casa França-Brasil; depois, vou terminar meu passeio no Centro Cultural do Banco do Brasil. Porque o Rio é assim: prazer, beleza, brasilidade, cultura e a decantada carioquice, tudo isso banhado pelo sol num paraíso com floresta, mar e céu.</p>
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		<item>
		<title>A magia do amor – Lu Dias</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/almacarioca/SCzE/~3/RhJO9R1AcS0/</link>
		<comments>http://www.almacarioca.net/a-magia-do-amor-lu-dias/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 03:15:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lu Dias BH</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lu Dias BH]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.almacarioca.net/?p=15147</guid>
		<description><![CDATA[Prendo em ti a minha atenção
Em meio a um milhão de coisas
Todas fugidias, tristes e banais
Frágeis como uma mariposa.
Não ouso lutar contra esse amor
Que jamais leva em conta senões
Mas é astucioso e se autogoverna
Atendendo às suas próprias razões.
O espírito já perdeu seu poder
E há muito deixou de ser senhor
Sua lógica não concebe os fatos
Atada pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Prendo em ti a minha atenção<br />
Em meio a um milhão de coisas<br />
Todas fugidias, tristes e banais<br />
Frágeis como uma mariposa.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Não ouso lutar contra esse amor<br />
Que jamais leva em conta senões<br />
Mas é astucioso e se autogoverna<br />
Atendendo às suas próprias razões.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">O espírito já perdeu seu poder<br />
E há muito deixou de ser senhor<br />
Sua lógica não concebe os fatos<br />
Atada pela cruel magia do amor.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">O eu é uma pessoa de empréstimo<br />
Vagando ébrio pelas esquinas e vias<br />
Alheio ao caos, em que se encontra<br />
Nega-se a usar sua sabedoria.</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Eu te distingo dentre todas as coisas<br />
És tão necessário à minha existência<br />
Que me macero em meio às farpas<br />
Pra te possuir e provar tua essência</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;">Vem meu deus alado!<br />
Vem meu doce menino!<br />
Vem meu  varão profano!<br />
Vem meu amor divino!</p>
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		<item>
		<title>Na Glória – J. Carino</title>
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		<comments>http://www.almacarioca.net/na-gloria-j-carino/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 02:10:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando de minha aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[J Carino]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém passa impunemente pelo bairro da Glória.
Alguma força, a um tempo suave e poderosa, imanta aquelas ruas, as casas antigas, os prédios novos, o calçamento de paralelepípedos, que é resquício do ontem e irrompe no asfalto de hoje.
Cruzando o bairro da Glória, entramos em outro mundo, porém mantendo-nos neste, que nos obriga a correr, suar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ninguém passa impunemente pelo bairro da Glória.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguma força, a um tempo suave e poderosa, imanta aquelas ruas, as casas antigas, os prédios novos, o calçamento de paralelepípedos, que é resquício do ontem e irrompe no asfalto de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Cruzando o bairro da Glória, entramos em outro mundo, porém mantendo-nos neste, que nos obriga a correr, suar, lutar, na azáfama do cotidiano.</p>
<p style="text-align: justify;">Basta olhar aquele famoso relógio para sermos contaminados pela magia de um tempo passado em que a Glória pontificava em elegância; em que carruagens lentas conduziam aristocratas lançando um olhar blasé em direção a passantes humildes e perplexos diante de tanta ostentação; e, depois, bem depois, quando as Grandes Sociedades carnavalescas desfilavam pelo bairro sustentando batalhas cordiais de confete e serpentina, que se entranhavam no cabelo de donzelas travestidas de melindrosas &#8211; pingentes coloridos da alegria -, como se entranhou na saudade dos velhos foliões o refrão imortalizado na letra de um chorinho: &#8220;Na Glória!&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Quer ver um Rio lindo, caro leitor? Vá à Glória e suba ao adro da igrejinha. Olhar lá de cima é ver um mar ainda contendo no seu seio espumoso a nostalgia dos tempos em que marolas suaves chegavam até abaixo do relógio, transformando-se em testemunhas de amores pudicos, quando as ousadias chegavam no máximo&#8230; ao passeio de mãos dadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhamos do alto e podemos ver um casario hoje maltratado pelo tempo, um não acabar mais de telhados, com sua cor ocre enegrecida pelo passar dos anos, nos quais, aqui e ali, a sementinha deixada cair por algum pássaro com coração de poeta, brota e se torna uma plantinha alimentada pelo musgo de um verde austero, escuro, profundo. Mas, em contrastes abusados, florezinhas amarelas irrompem entre essas telhas vãs. Tão vãs quanto a maioria das esperanças&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Glória da Taberna&#8230; Quanta mágoa afogada em chope! Quanta desilusão curtida em porres homéricos! Taberna que sempre foi o protótipo de todas as tabernas do mundo: oásis no cáustico deserto de laços desfeitos, braços sem abraços; parada obrigatória dos que trilham os descaminhos dos amores não correspondidos, ou de outros, plenos enquanto duraram e depois incinerados no fogo da paixão.</p>
<p style="text-align: justify;">Glória do famoso hotel, fausto do passado, sala de visitas sofisticadíssima em que a cidade recebia hóspedes ilustres e turistas abonados. Nas salas espelhadas, fantasmas vaidosos talvez ainda passeiem seu narcisismo, abrindo e fechando portas com maçanetas douradas.</p>
<p style="text-align: justify;">Passando pelo Aterro, no trânsito enlouquecedor, motoristas têm, de um lado, a visão paradisíaca do Pão de Açúcar, eterno cartão postal; de outro, vêem, daqui de baixo, a igrejinha de um branco tão imaculado como as almas lavadas de todos os pecados. Nela, Nossa Senhora da Glória vela por todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na pracinha da Glória, São Sebastião, amado santo patrono crivado de flechas, parece atrair para si todas as dores, todos os sofrimentos de nossa mui leal e heróica cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ainda que ateus sejamos, o espírito parece elevar-se em prece pela vida, pela cidade, por um Rio tão lindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Como bons cariocas, a irreverência circulando no sangue nos tira da contrição para o inevitável gracejo do jogo de palavras:</p>
<p style="text-align: justify;">- Glória à Glória, para sempre!</p>
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